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Eutanásia: Matando os doentes, os deficientes e os idosos em nome da compaixão

Eutanásia: Matando os doentes, os deficientes e os idosos em nome da compaixão

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Eutanásia é um termo pouco conhecido e compreendido
no Brasil, mas 
é uma prática bem real em alguns países
ricos. Depois de ler e estudar livros, artigos e documentos
de pa
íses que já estão enfrentando a questão, coletei as
informa
ções que achei mais relevantes para os leitores
brasileiros. Dei sempre prefer
ência às informações que são
menos acess
íveis ao público. Durante dois anos passei
muitas horas di
árias estudando e pesquisando o assunto
em livros e na Internet. Al
ém disso, tive contato pessoal
com especialistas americanos no assunto, como o Dr. Jack
Willke e o Dr. Brian Clowes.
H
á  tantos  estudos,  pesquisas  e  relatos  pessoais
registrados neste livro que o leitor ter
á condições de fazer
sua pr
ópria avaliação. Procurei cobrir o assunto de forma
breve,  mas  bem  analisada.  Com  as  informa
ções  aqui
dispon
íveis, não será difícil compreender o que de fato está
acontecendo no Hemisfério Norte. Vamos ver então o motivo
por que a eutan
ásia está se tornando uma questão tão
importante.

A  diminuição  da  população  jovem  e  a  crescente
longevidade  dos  idosos  t
êm  sido  características  do
progresso econ
ômico e tecnológico dos países avançados.
Hoje, em todos esses pa
íses, os idosos são a parte da
popula
ção que mais cresce. Treze por cento da população
dos EUA t
êm 65 anos (em 1900 eram só 4% e em 1950 só
8%). Em 2040 haverá um idoso para cada americano. A
Europa e o Jap
ão estão enfrentando um maior aumento da
popula
ção idosa. Atualmente, os idosos representam mais
de 16% da popula
ção da Europa e Japão, e esse número
poder
á ultrapassar os 30% antes de 2040.
Os cientistas sociais calculam que em 2050 a popula
ção
idosa com mais de 80 anos na Alemanha, Jap
ão e Itália

2

estará em número igual ou superior ao da população com
menos de 20 anos, uma transforma
ção social nunca antes
vista em toda a Hist
ória da humanidade. Ainda mais
problem
ático é o fato de que a classe trabalhadora ficará
cada vez menor em todo o mundo industrializado nos
pr
óximos anos. Nas próximas cinco décadas, as projeções
mostram que a popula
ção trabalhadora da Alemanha cairá
para 43%, a da França para 25%, a do Japão para 36% e a
da It
ália para 47%.
Em todos os pa
íses desenvolvidos, as populações idosas
impor
ão pressões imensas no orçamento público. Muitos
pa
íses europeus enfrentam a possibilidade de um futuro
com uma economia decadente e padr
ões de vida mais
baixos. Nos Estados Unidos, por exemplo, as proje
ções
indicam que em breve o sistema de seguridade social
come
çará a pagar mais aposentadorias do que arrecada dos
trabalhadores em contribui
ções para a previdência social.
De acordo com uma estimativa recente, os gastos em sa
úde
em 2030 poder
ão consumir aproximadamente um terço de
toda a produ
ção econômica dos EUA.1

Isso nãé saudável

para a economia de nenhum país.
O debate sobre a quest
ão da eutanásia está avançando
exatamente no meio desse contexto social complicado. Os
gastos  p
úblicos  vão  aumentar  nos  próximos  anos,
principalmente  nas  despesas  com  os  idosos  e  outras
pessoas vulner
áveis, como os deficientes e os doentes. E
ent
ão, o que realmente acontecerá? A questão do aborto
pode dar uma importante pista para entendermos o futuro.
O aborto est
á hoje legalizado nos países ricos, porque a
única  solução  que  viram  para  alguns  problemas
econ
ômicos e sociais foi a eliminação de bebês indesejados.
Matar, nesse caso, se tornou uma medida m
édica e legal
para resolver problemas pessoais e sociais.

1Global Aging Initiative (Center for Strategic and International Studies: Washington DC:
junho de 2000), p. 16.

3

A  vida  é  um  processo  que  não  pára:  começa  na
concep
ção e continua até a morte natural. O processo de
desvaloriza
ção da vida humana, quando começa, também
vai at
é o fim. Geralmente, esse processo começa trazendo a
aceita
ção social e legal do aborto, e termina trazendo a
aceita
ção social e legal da eutanásia. Uma sociedade que
assume o direito de eliminar beb
ês na barriga de suas mães
—  porque  eles  s
ão  indesejados,  imperfeitos  ou
simplesmente  inconvenientes  —  achar
á  difícil
eventualmente n
ão justificar a eliminação de outros seres
humanos,  principalmente  os  idosos,  os  doentes  e  os
deficientes. N
ãé de estranhar então que a eutanásia esteja
avan
çando exatamente nos países ricos, onde há anos o
aborto se tornou uma pr
ática protegida por lei. Se a lei
permite a elimina
ção da vida antes do nascimento, por que
n
ão permiti­la também, pelas mesmas razões, depois do
nascimento?

Joseph Fletcher, que é um pastor liberal, escreveu:

É ridículo aprovarmos eticamente a eliminação da vida
subumana no 
útero que permitimos nos abortos terapêuticos por
motivos de miseric
órdia e compaixão, mas não aprovarmos a
elimina
ção da vida subumana das pessoas que estão morrendo.
Se temos a obriga
ção moral de eliminar uma gravidez quando o
exame pr
é­natal revela um feto muito deficiente, então temos
tamb
ém a obrigação moral de eliminar o sofrimento de um
paciente quando um exame cerebral revela que o paciente tem
c
âncer avançado.2

Num artigo no jornal Atlantic Monthly, o Dr. Fletcher
chegou a defender o direito de os pais escolherem a
eutanásia para um filho que nasce com a síndrome de
Down.3

Contudo, todo esse assunto envolvendo a eliminação de
doentes e idosos 
é relativamente estranho nos países menos

2 Dr. C. Everett Koop & Dr. Francis A. Schaeffer, Whatever Happened to the Human
Race? (Crossway Books: Westchester-EUA, 1983), p. 60.
3 Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996).

4

avançados. Ainda que tenham graves problemas em seu
sistema de sa
úde e ocorram muitas mortes por negligência
e falta de recursos, esses pa
íses não estão preparados para
aceitar a eutan
ásia. O Brasil, por exemplo, é bem menos
aberto 
à idéia de apressar a morte dos idosos do que a
Europa e os EUA porque n
ão temos uma sociedade que
valoriza o aborto legal, embora institui
ções americanas
estejam financiando grupos brasileiros que promovem sua
legaliza
ção. A realidade é que, onde não há leis permitindo
matar beb
ês na barriga de suas mães, dificilmente haverá
apoio  para  a  idéia  de  apressar  a  morte  de  pessoas
deficientes, doentes cr
ônicas ou idosas. Além disso, de
modo  geral,  pa
íses  como  o  Brasil  sempre  tiveram
dificuldade de aceitar leis ou costumes sociais a favor da
eutan
ásia. Ao que tudo indica, só a elite brasileira é que
procura  se  igualar  aos  liberais  radicais  americanos  e
europeus em quest
ões importantes como aborto, diretos
homossexuais, eutan
ásia e liberação sexual das crianças.
Este  livro  ir
á  ajudar  você  a  entender  o  que  está
ocorrendo principalmente na Europa, pois tudo o que afeta
um pa
ís, pode também afetar outros. E o mais importante é
que aqueles que aprendem com os erros do passado ou com
os erros dos outros poder
ão evitá­los.

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