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Eutanásia: Matando os doentes, os deficientes e os idosos em nome da compaixão

Eutanásia: Matando os doentes, os deficientes e os idosos em nome da compaixão

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Embora possa parecer que a tecnologia moderna até
certo ponto criou o dilema da eutanásia, a verdade é que
muitas civiliza
ções antigas praticavam tanto a eutanásia
ativa quanto a passiva, principalmente nos doentes, nos
rec
ém­nascidos defeituosos e nos idosos. As filosofias da
Gr
écia e de Roma idealizavam o suicídio como uma forma
nobre  de  morrer.  At
é  mesmo  o  assassinato  não  era
condenado em todas as sociedades antigas, e muitas vezes
os doentes eram abandonados para morrer ou para se
virarem sozinhos. Ali
ás, na época do Novo Testamento a
sociedade romana normalmente valorizava o ser humano
somente conforme sua posi
ção social, nacionalidade, etc.
Em contraste, quando esteve no mundo Jesus Cristo
demonstrou, de muitas maneiras, um padr
ão de vida bem
diferente  dos  valores  sociais  da  
época.  Ele  vivia  em
obedi
ência à Palavra de Deus, que ensina que o ser
humano foi criado conforme a imagem de Deus. A Palavra
de Deus tamb
ém contém leis que condenam o assassinato
(G
ênesis  1.26;  9.6;  Êxodo  20.13).  Jesus  confirmou  a
validade dos ensinos do Antigo Testamento sobre a quest
ão
do assassinato e ainda levou esse princ
ípio mais adiante
(Mateus 5.21­22). Ele n
ão só se opunha ao diabo que mata,
mas  tamb
ém  destruia  suas  obras  que  matam.  Os
Evangelhos mostram Jesus curando, at
é mesmo das piores
doen
ças, muitos homens e mulheres das mais baixas
condi
ções sociais.

Ao descrever o Dia do Juizo, a Bíblia diz que o Rei Jesus
dir
á para as pessoas que vivem conforme Deus acha certo:

247Muitas das informações deste capítulo foram adaptadas dos capítulos 5 e 6 de: Beth
Spring & Ed Larson, Euthanasia, Spiritual, Medical & Legal Issues in Terminal Health
Care (Multnomah Press: Portland, Oregon (EUA), 1988). Notas adicionais neste capítulo
referem-se a outras obras que inclui para uma compreensão melhor.

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“Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham
e recebam  o Reino  que,  desde  a cria
ção  do  mundo,  foi
preparado pelo meu Pai. Pois eu estava com fome, e voc
ês me
deram comida; estava com sede, e me deram 
água.  Era
estrangeiro, e me receberam nas suas casas. Estava sem
roupa, e me vestiram; estava doente, e cuidaram de mim.
Estava na pris
ão, e foram me visitar”. (Mateus 25.34­36 BLH)

Essas pessoas de bom coração, sem entender o que
Jesus queria dizer, perguntam:

“Senhor, quando foi que o vimos com fome e lhe demos
comida ou com sede e lhe demos 
água? Quando foi que vimos o
senhor como estrangeiro e o recebemos nas nossas casas ou
sem roupa e o vestimos? Quando foi que vimos o senhor doente
ou na pris
ão e fomos visitá­lo?” (Mateus 25.37­39 BLH)

Essa revelaçãé importante para quem quer agradar a
Deus. Em resposta, Jesus mostra o que acontece quando
obedecemos a essa revela
ção: “Eu afirmo que, quando vocês
fizeram isso ao mais humilde dos meus irm
ãos, de fato foi a
mim que fizeram”. (Mateus 25.40 BLH)

Os cristãos do passado e a eutanásia

Jesus fez essa revelação importante para cristãos que
viviam numa 
época em que a sociedade romana aceitava a
eutan
ásia e o aborto. Nos primeiros três séculos depois da
morte  e  ressurrei
ção  do  Senhor  Jesus,  os  cristãos
praticavam  esse  ensino  sem  hesita
ção.  Os  primeiros
crist
ãos não seguiam os valores “éticos” das sociedades em
que viviam. Eles seguiam os valores 
éticos do Reino de
Deus. Henry Sigerist, respeitado historiador de medicina da
Universidade Johns Hopkins, descreve a transforma
ção que
o Cristianismo produziu ent
ão:

Para os gregos do quinto século antes de Cristo e para [as
gera
ções] que vieram depois, a saúde era considerada o bem
mais elevado… O homem doente, o aleijado ou o fraco s
ó

160

poderiam esperar consideração da sociedade enquanto seu
estado de sa
úde tivesse condições de melhorar. A melhor
maneira de proceder para com os fracos era destru
í­los, o que
era feito com frequ
ência…
Coube ao Cristianismo a responsabilidade de introduzir a
mudan
ça  mais  revolucionária  e  decisiva  na  atitude  da
sociedade para com os doentes. O Cristianismo veio ao mundo
como uma religi
ão de cura… O [Evangelho] tinha como alvo os
pobres,  os  doentes  e  os  aflitos  e  lhes  prometia  cura  e
restaura
ção, tanto espiritual quanto física. O próprio Cristo
n
ão havia realizado curas?

Essa  nova  atitude  inspirou  os  ensinamentos  e
atividades  do  Cristianismo  no  Imp
ério  Romano.  Os
primeiros  l
íderes  cristãos,  inclusive  Policarpo  (70­160),
Justino M
ártir (100­165), Tertuliano (160­220) e Jerônimo
(345­419), incentivavam os crist
ãos a cuidar dos doentes. A
partir de ent
ão, os cristãos se tornaram conhecidos por sua
disposi
ção  de  tratar  de  pessoas  doentes,  inclusive  de
v
ítimas de pestes, que eram abandonadas pela sociedade.
Os historiadores Darrel W. Amundsen e Gary B. Ferngren
observam: “Os primeiros hospitais vieram a existir, no
quarto s
éculo, por causa da preocupação dos cristãos com
todas as pessoas, principalmente os mais necessitados,
pois o ser humano tem a imagem de Deus”.
A B
íblia ensina que o ser humano foi criado conforme a
imagem de Deus e que Jesus morreu para salvar toda a
humanidade. Esse ensino inspirou os primeiros crist
ãos a
ter um grande respeito pelo valor e dignidade da vida
humana. Eles n
ão só cuidavam dos doentes, mas também
denunciavam  pr
áticas  sociais  romanas  como  aborto,
assassinato de rec
ém­nascidos, eutanásia e suicídio. “A
verdade 
é que nós, cristãos, não temos permissão de
destruir o que foi concebido na barriga de uma mulher, pois
o homic
ídio é proibido”, assim escreveu Tertuliano no
segundo s
éculo.

161

Além do aborto, que era muito praticado, a sociedade
romana tamb
ém achava normal matar crianças indesejadas
ou abandon
á­las a morrer expostas ao sol, chuva, noite,
etc. Amundsen e Ferngren comentam: “Depois de sua
legaliza
ção no quarto século, o Cristianismo aos poucos foi
introduzindo importantes mudan
ças no clima moral do
mundo  romano.  Come
çando  com  Constantino,  os
sucessivos imperadores crist
ãos aprovaram leis com o
objetivo  de  proteger  os  rec
ém­nascidos.  Contudo,  a
influ
ência mais importante não veio das leis do Império,
mas dos Conc
ílios da Igreja, que condenaram o aborto, o
assassinato de rec
ém­nascidos e o abandono deles para
morrer”.

Os  primeiros  líderes  cristãos,  de  Justino  Mártir  a
Agostinho  de  Hipona  (354­430)  assumiram  um
posicionamento  igualmente  forte  contra  a  eutan
ásia.
Agostinho afirmou: “Os cristãos não têm autoridade de
cometer suicídio em circunstância alguma. É importante
observarmos que em nenhuma parte da Bíblia Sagrada há
mandamento ou permissão para cometer suicídio com a
finalidade de garantir a imortalidade ou para evitar ou
escapar de algum mal. Aliás, temos de compreender que
o mandamento ‘Não matarás’ (Êxodo 20.13) proíbe matar
a nós mesmos”.

É evidente que Agostinho estava se referindo também
à eutanásia. Por exemplo, para refutar a idéia social de
que o suicídio é um meio normal de acabar com as dores
e aflições do corpo, Agostinho citou passagens bíblicas
sobre nossa responsabilidade de aguardar o céu com
paciência (Romanos 8.24-25), e afirmou: “aguardamos
‘com paciência’, precisamente porque estamos cercados
pelos males que a paciência deve tolerar até que
cheguemos aonde… não mais haverá nada para tolerar”.
Poucos sabem que Agostinho enfrentou uma seita
cristã no Norte da África que apoiava a idéia do suicídio
como uma forma de martírio voluntário. Essa seita via o

162

suicídio como uma maneira de entrar mais rápido na
presença de Deus. Essas idéias não são totalmente
rejeitadas hoje. Muitos cristãos espiritualmente mal
orientados nos EUA e na Europa cedem à tentação de
permitir que a eutanásia seja aplicada num membro da
família, sob a alegação de que o apressamento da morte
os fará ficar com Deus mais rapidamente. Alguns, para
não enfrentar a realidade do que estão fazendo, até citam
passagens de Paulo: “A vida para mim é Cristo, e a morte
é lucro”.248

Os cristãos do passado e o sofrimento

Os filósofos da época viam o sofrimento como um mal
a ser evitado a todo custo, e não é sem razão que
ninguém achava anormal um doente grave cometer
suicídio para fugir do sofrimento. Mas Agostinho era fiel à
idéia bíblica de que a vida aqui na terra representa
somente uma fase até chegarmos à eternidade, onde
viveremos para sempre com Deus ou sem ele. Como usar
o suicídio como solução para fugir do sofrimento humano
e depois evitar na eternidade o Deus que tem autoridade
de decidir o destino de nossa vida?
No caso do cristão, Jesus várias vezes avisou seus
seguidores de que eles sofreriam perseguição (Mateus
5.10-12; Marcos 10.28-31; João 15.20). As cartas dos
apóstolos indicavam o sofrimento físico como um meio de
teste, cujo resultado final seria maturidade espiritual e
capacidade de resistir melhor aos ataques do diabo
(Romanos 5.1-5; Hebreus 12.7-11; Tiago 1.2-8; 5.10-11; 1
Pedro 4.12-13). Em sua carta à igreja da cidade de
Corinto, Paulo descreveu seu próprio sofrimento: “O
sofrimento que suportamos foi tão grande e tão duro, que
já não tínhamos esperança de escapar de lá com vida.

248 Brian P. Johnston, Combatting Euthanasia’s Thin Edge Assisted Suicide. documento
apresentado na 4ª Conferência Internacional sobre os Direitos Humanos e as Questões
Sociais, Vida, Aborto e Eutanásia (Haia, Holanda, 8-12 de dezembro de 1998). O Sr.
Johnston é diretor do Conselho Pró-Vida da Califórnia, que faz parte do National Right
to Life Committee dos EUA.

163

Nós nos sentíamos como condenados à morte. Mas isso
aconteceu para nos ensinar a confiar não em nós mesmos
e sim em Deus, que ressuscita os mortos”. (1 Coríntios
1.8-9 BLH)

Paulo não se desesperava ao ponto de acolher a idéia
do suicídio, porque “ainda que o nosso corpo vá se
gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia. E
essa pequena e passageira aflição que sentimos vai nos
trazer uma enorme e eterna glória, muito maior do que o
sofrimento. Porque nós não fixamos a nossa atenção nas
coisas que se vêem, mas nas que não se vêem. O que
pode ser visto dura apenas um pouco, mas o que não
pode ser visto dura para sempre”. (2 Coríntios 4.16-17
BLH)

O Império Romano se desmoronou logo após a morte
de Agostinho em 430, e a Europa entrou na Idade Média.
Nesse período, que durou aproximadamente mil anos,
houve muitas guerras e o sistema social e econômico
ruiu, piorando assim as condições de saúde e
sobrevivência das populações. De 541 a 767, dezesseis
pestes bubônicas varreram a Europa. Em meio aos graves
sofrimentos humanos, os cristãos se apoiavam na Palavra
de Deus para enfrentar seus sofrimentos individuais.
Bede, líder cristão inglês desse período, escreveu
vários relatos de doenças e sofrimento. Alguns relatos
apresentavam pessoas dedicadas a Deus sendo
sobrenaturalmente curadas por Deus, outros descreviam
pessoas morrendo rapidamente ou sofrendo anos antes
de morrer — mas todos entregavam o controle de suas
vidas a Deus: “Por isso os que sofrem porque esta é a
vontade de Deus devem, por meio das suas boas ações,
confiar completamente no Criador, que sempre cumpre as
suas promessas”. (1 Pedro 4.19 BLH)
Para encorajar e cultivar a fidelidade a Deus no meio
das circunstâncias difíceis, Bede usou o exemplo do Bispo
Benedito, que sofreu uma prolongada doença terminal:
“Durante três anos, Benedito aos poucos foi ficando tão

164

paralisado que da cintura para baixo estava tudo sem
vida”. Apesar do longo tempo de sofrimento que sua
doença lhe causou, Benedito sempre procurava “se
ocupar louvando a Deus e ensinando os irmãos”.
Doenças fatais dolorosas como a doença que fez o
Bispo Benedito sofrer tantos anos de agonias eram
comuns durante a Idade Média, por causa da falta de
medicamentos e tranqüilizantes eficientes. Apesar disso,
nenhum cristão procurava apressar a própria morte a fim
de escapar das dores de uma doença terminal. Eles
preferiam se entregar totalmente aos cuidados de Deus.
Basicamente, o pensamento depois da Reforma era
esse também. Os cristãos se entregavam sempre a Jesus,
não às doenças.

A eutanásia e as igrejas de hoje

Enquanto hoje muitas igrejas americanas e européias
se encontram mergulhadas em idéias e práticas fora dos
princípios bíblicos e até apóiam a morte para as pessoas
mais oprimidas e indefesas, muitas igrejas nos países
menos ricos estão vivendo uma realidade diferente:
muitos milagres estão ocorrendo através da visitação do
Espírito Santo. Essas igrejas são instrumento de salvação,
perdão, restauração, cura e libertação e é isso mesmo
que as pessoas oprimidas recebem quando lá vão. O
Evangelho é inimigo da doença, não do doente, e
apresenta um Jesus vivo que mata a doença, não o
doente. Talvez os cristãos de países como o Brasil
precisem lembrar aos cristãos dos países ricos o motivo
por que Jesus veio ao mundo: destruir as obras do diabo,
não destruir as pessoas que são oprimidas por ele.
O fato é que as igrejas que se abrem para um forte
contato com Deus, principalmente na área da cura
espiritual, física e emocional, conseguem
verdadeiramente abençoar a vida das pessoas. Mas
igrejas que não têm esse tipo de abertura correm o risco

165

de acabar se abrindo para outros tipos de “solução” para
o problema do sofrimento humano.
Enquanto as igrejas cristãs dos países ricos estão
ocupadas tentando descobrir se o casamento
homossexual e o aborto são opções bíblicas, igrejas de
países pobres, com toda sua simplicidade, estão cheias de
testemunhos de salvação, cura e libertação, pelo simples
fato de que as congregações são encorajadas a buscar a
Deus com fé e se abrir para a visitação do Espírito Santo.
É fácil ver que uma fé verdadeira não tem espaço para a
perspectiva do mundo que tolera a eutanásia. Muitas
vezes missionários americanos e europeus voltam para
seus países de origem e contam o que Deus faz no campo
missionário, grandes bênçãos e milagres que raramente
eles vêem na própria pátria.
Geralmente, embora reconheçam que há o momento
de “partir para Jesus”, cristãos mais simples e fiéis a Deus
sabem que a melhor maneira de encarar o sofrimento é
buscando a Deus com todas as forças e tomando posse
das promessas da Palavra de Deus. A característica mais
marcante de muitos cristãos em países pobres,
principalmente onde há muita perseguição, é forte
confiança no poder de Deus para restaurar a saúde e à
vezes desconfiança dos médicos. Esse tipo de
desconfiança é saudável num aspecto: mantém o cristão
afastado dos problemas e dilemas do aborto e eutanásia
que atingem os médicos. Ainda que ocorram muitos
milagres entre os cristãos de países menos
desenvolvidos, a abertura ao poder sobrenatural do
Espírito Santo não está limitada a eles. Cristãos de
diferentes denominações, às vezes das igrejas mais
tradicionais nos países ricos, experimentam visitações
incríveis de Deus. Mas essas visitações têm sido muito
mais freqüentes nos países onde há mais perseguição ao
Evangelho.

A verdade é que os cristãos fiéis à Palavra de Deus
têm dificuldade de ver a morte como um meio de fugir do

166

sofrimento. Eles vêem a morte como o “último inimigo”,
não como uma amiga. A morte é conseqüência do pecado
e o cristão deve resisti-la, não abraçá-la. O pastor
presbiteriano Paul Fowler escreve com relação ao aborto:
“Os temas da vida e da morte aparecem em toda a Bíblia
como alvos totalmente contrários. Deus é o Criador da
vida. A morte é a perda da vida que Deus criou”.

Quem tem o direito de tirar a vida inocente?

Ainda que não tivesse promessa alguma na Palavra de
Deus para nos ajudar no sofrimento, ainda assim o cristão
fiel respeitaria e honraria o que Deus diz:

“Não mate”. (Êxodo 20:13 BLH)
“Maldito seja aquele que matar outro… à traição!…
Maldito aquele que receber dinheiro para matar uma
pessoa inocente!…” (Deuteronômio 27:24,25 BLH)
“Ele [o homem perverso] se esconde… e mata
pessoas inocentes”. (Salmo 10:8 BLH)
“Existem sete coisas que o Deus Eterno detesta e
que não pode tolerar: …mãos que matam gente
inocente…” (Provérbios 6:16-18 BLH)

Além do testemunho da Palavra de Deus, há também
o testemunho de cristãos sinceros. O Rev. G. Campbell
Morgan (1863-1945) comentou sobre o mandamento de
não matar. Ele diz:

QUEM TEM O DIREITO DE TERMINAR A VIDA?

Deus é soberano sobre a vida de cada pessoa. Esse é o
alicerce mais importante da estrutura social. A Palavra de
Deus mostra claramente que a vida humana é sagrada. Deus
a criou de maneira misteriosa e magnífica em seu começo e
possibilidade, completamente além do controle da
compreensão dos seres humanos…

167

A revelação que Deus fez ao homem prova que ele tem
um propósito para toda pessoa e para a raça humana…
Terminar uma só vida é colocar a inteligência e sabedoria do
homem acima da sabedoria de Deus.
As questões da morte são tão imensas que não há
pecado contra a humanidade e contra Deus que seja tão
grave quanto o pecado de tirar a vida. Esse breve
mandamento declara a primeira lei fundamental acerca da
vida humana, tão clara e vital que exige atenção máxima.
A vida é um presente que Deus deu… Esse mandamento,
pois, com palavras muito simples, mas de maneira severa,
envolve a vida de cada ser humano com uma gloriosa Lei. Dá
somente a Deus o direito de terminar a vida que ele deu.249

Perguntaram ao evangelista Billy Graham: “Por que
tantas pessoas são contra a idéia de ajudar no suicídio de
uma pessoa que tem uma doença crônica e está sem
esperança de recuperação? Parece uma boa opção, e eu
mesmo não ia querer continuar vivendo se estivesse
nessa situação”. Graham, então com 81 anos de idade,
respondeu: “O motivo principal é que foi Deus quem nos
deu a vida, e só Ele tem o direito de tirá-la. A vida é um
presente sagrado de Deus. Não estamos aqui
simplesmente por acaso. Foi Deus quem nos colocou aqui.
Assim como Ele nos colocou aqui, só Ele tem a autoridade
de nos levar embora, e quando tomamos essa autoridade
em nossas mãos, violentamos Seus propósitos cheios de
sabedoria. Não se deve destruir a vida arbitrariamente”.250

Agostinho disse:

Nenhuma pessoa deve infligir em si mesma morte voluntária,
pois isso seria fugir dos sofrimentos do tempo presente para se
atirar nos sofrimentos da eternidade
 Nenhuma pessoa deve
acabar com a pr
ópria vida a fim de obter uma vida melhor depois

249 “Who has the right to end life?”, artigo publicado na revista Decision (Billy Graham
Evangelistic Association: Winnipeg, Canadá, junho de 2000 [edição canadense]), p. 34.
250 Lifesite Daily News, 7 de setembro de 1999, Toronto, Canadá.

168

da morte, pois quem se mata não terá uma vida melhor depois
de morrer.251

Paganismo nas igrejas

O motivo por que muitas igrejas cristãs dos países
ricos estão se fechando para os mandamentos de Deus e
se abrindo para idéias a favor do aborto, eutanásia e
homossexualismo é a volta do paganismo. Quando
pensamos na palavra pagão, o que surge na mente?
Imaginamos pessoas da antiguidade que adoravam
árvores? Essa noção está fora de moda. Conforme diz o
Dr. Robert George, da Universidade de Princeton, o termo
“pagão” agora se aplica melhor aos americanos e
europeus ricos bem estudados de hoje — inclusive muitos
que vão à igreja.

A definição de paganismo de George foi apresentada
num encontro recente do Toward Tradition, um grupo que
reúne judeus ortodoxos e cristãos conservadores. Ele
disse que o paganismo não está confinado ao passado,
onde povos primitivos ofereciam sacrifícios ao sol. Para
ele, a tentação de adorar falsos deuses é permanente e
constante.

A essência do paganismo é a idolatria — a adoração
de deuses falsos no lugar do único Deus verdadeiro. Mas,
lamentavelmente, muitos cristãos modernos caem em
práticas pagãs e nem mesmo percebem, e alguns até
freqüentam igrejas que realmente as promovem.
Como sabemos que os europeus e americanos se
paganizaram? George diz que há um teste a prova de
falhas: “Os deuses falsos exigem o sangue dos inocentes.
Quando há o assassinato de pessoas inocentes e justas…
não é o Deus de Israel que se está adorando”. Mas os
deuses falsos dos pagãos modernos são ainda mais

251 St. Augustine, The City of God. Taken from "The Early Church Fathers and Other
Works" originally published by Wm. B. Eerdmans Pub. Co. in English in Edinburgh,
Scotland, beginning in 1867. (LNPF I/II, Schaff).

169

sanguinários. “Hoje”, George diz, “as crianças antes do
nascimento, na hora do nascimento e os recém-nascidos
defeituosos são… sacrificados aos deuses falsos da
escolha, autonomia e liberação. Eles são sacrificados em
altares de aço inoxidável, por sacerdotes em roupas
cirúrgicas”. E os defensores da eutanásia e do suicídio
com ajuda médica são seus irmãos na fé.
Em contraste, George observa, os cristãos fiéis…
adoram o Senhor da vida — o Deus que dá a todos os
seres humanos (por mais humildes e pobres que sejam)
— uma dignidade sublime”. É por esse motivo que “a vida
de toda pessoa inocente é… de, maneira igual, inviolável
sob a lei moral”.

Os pagãos modernos — inclusive a maioria dos
cristãos e judeus secularizados — escondem sua ideologia
pagã num disfarce de honestidade e boas ações. Eles
falam de compaixão, até mesmo quando desculpam seu
apoio ao aborto legal e à eutanásia. Na verdade, o que
eles estão adorando não é o Deus de compaixão, mas os
falsos deuses que trazem morte.
É fato histórico que toda civilização que sacrifica
crianças aos deuses se condena à destruição. A Bíblia
descreve como até grandes impérios desabaram porque
derramaram sangue inocente. Alguns anos atrás, um
americano visitou uma senhora cristã na Índia e
perguntou o que ele poderia fazer para ajudá-la. Ela
respondeu: “Volte para os Estados Unidos e ajude a deter
a matança dos bebês inocentes. Apresse-se, enquanto há
tempo, ou o seu país sofrerá o juízo de Deus”.
É importante que saibamos discernir o que está
acontecendo nos EUA e Europa, pois devido a ensinos e
práticas antibíblicas muitas igrejas americanas e
européias apóiam os sacrifícios pagãos sem sentir peso
na consciência.252

252 Todo esse texto sobre paganismo moderno foi adaptado da mensagem Innocent
Blood: The Demand of Paganism, BreakPoint with Charles Colson,Commentary
#001208 - 12/08/2000.

170

Igreja e sociedade

É importante também compreender que nenhuma
sociedade fica parada. Todas as sociedades costumam
mudar de direção. Ou avançam para mais perto dos
padrões que estão de acordo com os princípios
estabelecidos por Deus, ou se afastam deles.
Em Mateus 5, o Senhor Jesus nos deu a missão de ser
o sal da terra e a luz do mundo. É a responsabilidade de
todos os cristãos influenciarem a sociedade com os
princípios de Deus. Se não fizermos isso, a sociedade se
afastará mais e mais dos padrões de Deus. Se deixarmos
de influenciar a sociedade, há o risco de que as igrejas
cristãs sejam influenciadas pelo mundo. O mundo dará o
exemplo e a direção e as igrejas seguirão o mundo e seus
padrões.

A outra possibilidade é que ainda que permaneçam
firmes, se as igrejas deixarem de influenciar a sociedade,
a sociedade aos poucos vai se afastar das igrejas. Então o
mundo achará as igrejas mais estranhas em seus valores
e costumes. Esse distanciamento deixará as igrejas tão
isoladas socialmente quanto uma ilha solitária no meio do
oceano Pacífico. Quando isso chega a acontecer, o que
ocorre em seguida é que os cristãos acabam sendo
chamados de extremistas, fundamentalistas ou radicais
quando tentam defender valores importantes. Tal é o que
vem ocorrendo com relação ao aborto, homossexualismo,
eutanásia, etc.253

Uma das questões mais importantes que devemos
considerar é de que maneira o assassinato de pessoas
inocentes, através do aborto legal e da eutanásia, pode
afetar negativamente a sociedade. Deus diz: “Portanto,
não profanem com crimes de sangue a terra onde vocês

253 Dr. Albertus van Eeden, Abortion and Euthanasia in South Africa, documento
apresentado na 4ª Conferência Internacional sobre os Direitos Humanos e as Questões
Sociais, Vida, Aborto e Eutanásia (Haia, Holanda, 8-12 de dezembro de 1998).

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vivem, pois os assassinatos profanam o país. E a única
maneira de se fazer a cerimônia de purificação da terra
onde alguém foi morto é pela morte do assassino”.
(Números 35:33 BLH) Nessa passagem, Deus indica que
se a sociedade não tomar medidas sérias contra o
assassinato de pessoas inocentes, o derramamento desse
sangue poderá abrir brechas espirituais para os demônios
espalharem maldições e morte pela sociedade. O Bispo
Robson Rodovalho diz: “Ondas de homicídios, acidentes
de trânsito, estupros, desempregos e outras tragédias
semelhantes são ondas que têm origem em ações
demoníacas”. 254

A Igreja de Jesus Cristo conhece realidades espirituais
e terrenas que precisa transmitir e aplicar na sociedade.
Mas de que modo os cristãos, como igreja e indivíduos,
podem realmente fazer uma diferença na sociedade em
questões como o aborto e a eutanásia? Intercedendo
pelas pessoas envolvidas e confrontando as forças
espirituais, as leis e as tendências sociais que as
favorecem. O Bispo Robson afirma: “Quando há
realmente esse ministério de intercessão e confrontação,
haverá evangelização. É aí que o poder do Evangelho
precisa moldar, transformar e fazer a diferença da
cultura”. 255

254 Robson Rodovalho, Quebrando as Maldições Hereditárias (Editora Koinonia: Brasília,
1992), p. 83.
255 Robson Rodovalho, Quebrando as Maldições Hereditárias (Editora Koinonia: Brasília,
1992), p. 91.

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