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Impresso no Brasil, fevereiro de 2014.
Título original: Anatomy of Criticism: Four Essays
Copyright © Victoria University, Toronto, e Robert D. Denham
(Prefácio, Introdução e Notas). Publicado sob licença da
University of Toronto Press, 2006. Todos os direitos reservados.
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Gerente editorial | Sonnini Ruiz
Produção editorial | Sandra Silva
Preparação de texto | Nelson Barbosa
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Capa e projeto gráfico | Mauricio Nisi Gonçalves – Estúdio É
Diagramação | André Cavalcante Gimenez – Estúdio É
Pré-impressão e impressão | Edições Loyola

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indd 3 17/03/14 13:32 .N o rt h ro p f ry e Anatomia da Crítica Quatro Ensaios T r a du ção d e M a rc u s De Ma rtini P r efácio à e dição br asil e ir a João Ceza r d e Castro Roc ha P re fácio à e dição canadense Ro bert D. Denham Miolo Anatomia da Critica.

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............................................. 107 Introdução Polêmica.................................................................................................................................. 15 Abreviaturas....................indd 5 17/03/14 13:32 ................................. 145 Modos ficcionais trágicos........................................................................................ 190 Fase formal: símbolo como imagem................. 148 Modos ficcionais cômicos........... 269 Teoria do sentido arquetípico (2): imagens demoníacas........................................................................... 215 Fase anagógica: símbolo como mônada......... 19 Introdução à Edição Canadense......... 257 Teoria do sentido arquetípico (1): imagens apocalípticas........................................................ 7 Prefácio à Edição Canadense........................................... 157 Modos temáticos............................................................................ 277 Teoria do sentido arquetípico (3): imagens analógicas............................... 111 Primeiro Ensaio | Crítica Histórica: Teoria dos Modos Modos ficcionais: introdução............................................................................................................................................................... 168 Segundo Ensaio | Crítica Ética: Teoria dos Símbolos Introdução ........................................................................S um ário Prefácio à Edição Brasileira............................................................................................... 23 Declarações Preliminares e Agradecimentos................................................................................ 201 Fase mítica: símbolo como arquétipo............... 282 Miolo Anatomia da Critica......... 241 Terceiro Ensaio | Crítica Arquetípica: Teoria dos Mitos Introdução ............................................................................. 187 Fases literal e descritiva: símbolo como motivo e como signo.................

............................... 454 Formas contínuas específicas: ficção em prosa......................... 547 Miolo Anatomia da Critica......................................................... 398 O ritmo da continuidade: prosa............... 325 O mythos do outono: tragédia............................................................. 465 Formas enciclopédicas específicas................................................................................................................................................. Teoria do mythos: introdução.. 529 Apêndice 3 ................ 505 Glossário .......... 415 O ritmo do decoro: drama................................................................... Traduções e Versões em Áudio de Anatomia da Crítica...........................................................................................................................indd 6 17/03/14 13:32 ........................................................................ 389 O ritmo da recorrência: epos............ 298 O mythos do verão: romance.......................................................................................................................... 545 Índice Remissivo.............. 423 O ritmo da associação: lírica.......... 479 A retórica da prosa não literária................................................................................................................................................................... 368 Quarto Ensaio | Crítica Retórica: Teoria dos Gêneros Introdução............................ 521 Apêndice 1: Edições............................................................................................................................................................................. 292 O mythos da primavera: comédia..................... 441 Formas temáticas específicas: lírica e epos...... 349 O mythos do inverno: ironia e sátira........................................... 493 Tentativa de Conclusão.............................................................................................................................. 426 Formas específicas do drama............................. 527A Apêndice 2: Frontispícios de Traduções de Anatomia da Crítica.........................................

é possível. O autor antecipou esse efeito. De igual modo. seu objetivo secundário é o de fornecer uma versão experimental dela dotada de sentido suficiente para convencer meus leitores de que uma visão. cuja frase de abertura equivale a um desafio: Este livro consiste de “ensaios”. dos princípios e das técnicas da crítica literária. de uma tentativa ou experimentação incompleta. Denham. da teoria. Isto é. do tipo que esboço. Herman Northrop Frye (1912-1991) lançou seus dados numa “Introdução Polêmica”. no sentido original da palavra. Robert D. 111. pois Robert D.1 A fim de compreender esse projeto. realiza à perfeição tal exegese. 1991. ressalvando desde já que não pretendo oferecer uma interpretação abrangente das teses contidas em Anatomia da Crítica. 1 Um dos mais respeitados especialistas na obra de Northrop Frye. talvez seja útil dar um passo atrás. 2 Miolo Anatomia da Critica. Peter Lang. Nova York. Denham também é o editor de uma compilação de entrevistas: A World in a Grain of Sand: Twenty-Two Interviews with Northrop Frye.2 na edição publicada em 2006. sobre a possibilidade de uma visão sinóptica do escopo. pois denominou “polêmica” sua “introdução”. neste livro. Frye encerra o livro com uma “Tentativa de Conclusão”. reiterando a noção de ensaio com a qual abriu o volume. esclarecendo Ver. em lugar da anódina apresentação de ideias muitas vezes igualmente monótonas. p.P refácio à E diç ão B rasile ira A Literatura como sua própria Te oria? João C eza r de Cast r o R oc h a ( U n ive rs idade do Estad o d o R io de Ja ne i r o ) O olhar da teoria O leitor brasileiro tem em mãos um livro precioso. O objetivo principal do livro é o de apresentar minhas razões para acreditar em tal visão sinóptica. um dos poucos a cuja leitura ninguém permanece indiferente.indd 7 17/03/14 13:32 .

técnica de leitura deliberadamente cingida à interpretação intensa de uma única obra. 1970. valorizando antes a inter-relação de textos numa tradição determinada. Oxford University Press. a experiência literária supõe um vasto conjunto integrado de formas. portanto. nesta breve apresentação. em lugar do close reading. geralmente compreendidos como obra de visionário e. Songs of Innocence and of Experience. Fearful Symmetry: A Study of William Blake [Terrível Simetria: Um Estudo de Willliam Blake]. Na contramão desse entendimento. resistente a um modelo hermenêutico de redução de um corpus específico a um conjunto específico de preocupações e referências. O estudo de Frye inovou a exegese habitual dos poemas de Blake. teoria e crítica literária. desde seus primeiros trabalhos. Frye procurou mostrar como a poesia de Blake articulava um complexo sistema de remissões. A tarefa do crítico seria identificá-las. o crítico canadense sempre se preocupou com o estabelecimento da relação de um texto particular com horizontes mais amplos. reconhecendo seus padrões e recorrências. já anunciava o caminho próprio que Frye começou a trilhar em meio ao predomínio do New Criticism. diria um Benedetto Croce. como. Eis. Introdução e comentários de Geoffrey Keynes. sobretudo à poesia de John Milton e à Bíblia. Pelo contrário. tão caro a Jorge Luis Borges. What immortal hand or eye. seu modo de entender a literatura: ela não consistiria numa miríade de obras individuais. de 1964. portanto. Por isso. Vale dizer.8 | Anatomia da Crítica a gênese das ideias do autor do ensaio The Educated Imagination [A Imaginação Educada]. Tyger. Could frame thy fearful symmetry?3 A alusão ao poderoso símbolo do tigre. então. a singularidade de um autor poderia ser adequadamente apreciada. burning bright In the forests of the night. Oxford. a recordar os pressupostos fundamentais da visão de Frye sobre literatura. Somente contra o pano de fundo desse repertório comum.indd 8 17/03/14 13:32 . ele se orientou por um modelo muito diverso da “leitura cerrada”. O título alude aos famosos versos: Tyger. em alguma medida. O primeiro livro destacado do pensador canadense foi publicado em 1947. 3 William Blake. Miolo Anatomia da Critica. por exemplo. Limito-me.

4 como enunciar a célebre exortação: “ouse saber”? Como manter atual a máxima kantiana. desse modo. “ousa” (dare) fazê-lo? Ora. agora. acreditava ter revelado um sistema interno que associava as visões do poeta a um modelo identificável. 5 Miolo Anatomia da Critica. sapere aude. incluído nas Ocidentais (1901). Ao fim e ao cabo. Frye. Ora.indd 9 17/03/14 13:32 . é o título de um poema de Machado de Assis. aperfeiçoado em seus próximos livros: não se tratava de negar o caráter visionário da obra do poeta de Songs of Innocence and of Experience [Canções de Inocência e de Experiência]. Idealmente. pintado em cores chocantes. a simetria das estrofes sugere um modo próprio de expressar a imaginação poética. porém com uma mínima e decisiva diferença no verso “Could frame thy fearful symmetry?”. 149.Prefácio à Edição Brasileira | 9 Compreenda-se o método de Frye. Vale a pena reproduzir a sequência da nota de Keynes: “Talvez Blake não desejasse resolver o mistério.5 No entanto. “Comentários”. pois a dinâmica profunda da experiência literária obedeceria a idêntico padrão. síntese do projeto iluminista? Além disso. na concepção de Frye. 1970. “The Tyger”. Vênus brilhante e bela. Na última estrofe. ao mesmo tempo. pintando um animal com um caráter consistente ou óbvio”. em meio a tantas perguntas sem resposta. lê-se: Dare frame thy fearful symmetry? A pergunta não mais menciona a “mão ou olho imortal” que “poderia” (could) frame thy fearful symmetry. No último verso do poema. o animal parece sorrir como se fosse um gato domesticado”. esse deveria constituir o verdadeiro ofício do crítico. “Perguntas sem resposta”. p. radicaliza-se o sentido temerário da tarefa: que “mão ou olho imortal”. “em algumas cópias do livro. 4 Geoffrey Keynes. vale lembrar nesse contexto. Eis os versos finais do poema: “Vênus. Oxford University Press. porém se buscava uma ordem intrínseca à imaginação poética de Blake. Em outras. In: William Blake. Circunstância que adquire forma na simetria quase perfeita do alfa e do ômega do próprio poema. Oxford. porém. cuja decodificação estimula uma leitura renovada. o animal é um carnívoro feroz. a última estrofe do poema reproduz a primeira. é estruturado a partir de uma série de perguntas que permanecem deliberadamente sem resposta. Songs of Innocence and of Experience. / Que nada ouvia. Vale dizer. reconhecia-se o caráter visionário da obra. nada respondia. / Deixa rir ou chorar numa janela / Pálida Maria”. o poema-símbolo.

Da tipologia bíblica a usos retóricos de padrões linguísticos. Frye procurou mostrar como o mundo romanesco encontrava nas Escrituras. a dinâmica interna de todo um gênero literário. o desenvolvimento de uma crítica literária na qual a subjetividade do analista seria mantida sob controle. indiretamente. O leitor pode mesmo principiar a travessia de Anatomia da Crítica precisamente pela consulta cuidadosa dos termos aí definidos. Sagradas. por isso. de 1978. em suas manifestações literárias. é como se o fazer literário articulasse sua própria teoria. Uma iluminadora entrevista com o próprio Northrop Frye encontra-se disponível em: <http://www. para dizê-lo de outro modo. podia ser traduzida na fórmula provocadora A Escritura Secular.indd 10 17/03/14 13:32 . Talvez seja essa a melhor maneira de dialogar com o pensamento de Frye. Frye elaborou um complexo sistema de entendimento da experiência literária. da Universidade ­Harvard. compreendida profundamente. em 1982 Frye concluiu outra obra-prima. Não é. orienta sua obra.html>. se em Anatomia da Crítica é desenvolvida uma gramática dos mitos. fundadores da experiência literária. ou. Daí seu esforço em desenvolver uma nova terminologia teórica. livro que teve origem nas prestigiosas “The Charles Eliot Norton Lectures”. portanto.cbc.6 Por fim. capaz de conferir aos estudos literários a universalidade de uma notação musical. uma estrutura comum para seu desenvolvimento narrativo. em The Secular Scripture: A Study of the Structure of Romance [A Escritura Secular: Um Estudo da Estrutura do Romanesco]. Seu propósito era demonstrar a presença de temas bíblicos na própria fundação do mundo ocidental e. é como se a identificação de padrões recorrentes de organização da imaginação literária equivalesse ao exercício crítico e teórico mais valioso. 2014. em lugar de atribuição de valores. dos mitos aos arquétipos. alheio ao corpo do texto o glossário apenso pelo autor no final da obra.ca/archives/discover/programs/i/impressions/impressions-of-northrop-frye.10 | Anatomia da Crítica O passo seguinte conduziu à busca de padrões de imaginação simbólica que teriam organizado o material literário numa perspectiva multissecular. qual seja. Esse propósito. Acesso em: 11 fev. 6 Miolo Anatomia da Critica. no fundo. em dois volumes. a análise deveria descortinar os motivos-chave. pois. Em última instância. com o seu consequente impacto nos estudos de literatura. portanto. The Great Code [O Código dos Códigos]. Tópico que Frye já havia tocado.

diversidade ampliada pela pluralidade dos modos de recepção. neste livro. a fim de familiarizar-se com a distinção entre mito e mythos. as formas de atualização são sempre diversas. Tampouco se trata de exercício fenomenológico porque. Miolo Anatomia da Critica. na busca de uma autêntica gramática do simbolismo literário. afinal. Memórias póstumas de uma obra O impacto da obra de Northrop Frye pode ser avaliado em duas frentes.8 7 Ver. a literatura deve ser compreendida como uma estrutura autônoma da imaginação. Basta recordar que Anatomia da Crítica foi traduzido para quinze idiomas – isso sem mencionar que existem duas diferentes traduções para o chinês e o servo-croata. isto é.7 estruturadora do pensamento subjacente à escrita de Anatomia da Crítica. Aí também se encontra a razão de seu interesse nas ideias de Carl Jung. mesmo se. p. nem por isso deixou de ser significativa. neste livro. 523. capaz de articular uma totalidade possível de ser recuperada através do resgate dos modos e padrões recorrentes de expressão da autonomia da imaginação. p. acepção que se desdobra em múltiplos planos.indd 11 17/03/14 13:32 . enredo. ele estudou padrões narrativos recorrentes. 8 Ver. (Da teoria à prática: o leitor deve consultar de imediato o glossário preparado pelo próprio Frye. Para o teórico canadense. sua presença nas discussões críticas efetivamente diminuiu. embora ele tenha demarcado suas diferenças em relação ao conceito jungiano de arquétipo: para um estudo aprofundado desse tema. após os anos de 1980. 16. Mythos: eis uma palavra-chave no vocabulário de Northrop Frye. na visão de Frye.) Desse modo. as estruturas narrativas possuem conteúdos determinados. miticamente reiterados.Prefácio à Edição Brasileira | 11 Na concepção de Frye – e entendê-lo é indispensável para apreciar o enorme esforço que implicou a escrita de Anatomia da Crítica –. remeto à longa introdução assinada pelo editor desta nova edição. trata-se de recuperar a voz grega mythos. em busca de uma estrutura profunda da imaginação literária. Não se trata de argumento tautológico. nos estudos literários. narrativa. De um lado.

a estatura intelectual de Northrop Frye o transformou numa espécie de oráculo e celebridade nacional”. 641.indd 12 17/03/14 13:32 . afinal. p. portanto. nesse contexto. onde o Northrop Frye.10 A rapidez do deslocamento é um testemunho eloquente da importância de seu legado. na cidade de Moncton. o autor de The Great Code tornou-se um clássico contemporâneo. reservada aos “textos clássicos em crítica literária”. Martin’s. “The Archetypes of Literature”. Seu organizador. Em menos de uma década. Metahistory: The Historical Imagination in Nineteenth-Century Europe [Meta-História: A Imaginação Histórica na Europa do Século XIX]. op. Bedford/ St. sobre a literatura. In: David H... 2. a obra de Frye adquiriu o estatuto de “clássico”.11 Não se trata de figura de retórica. neste livro. 1998. Richter (org. ed.). a segunda edição de um destacado manual de teoria da literatura. Richter. 25. David H. Boston & Nova York. Denham observou com agudeza. diretas ou indiretas. 641-51. ou seja. p. O leitor encontra um texto de Frye na primeira parte. 11 David H. E não é tudo: como Robert D. de 1973. 9 10 Ver. lançada em 1989. Na avaliação de David H.12 | Anatomia da Crítica Por exemplo. na primeira edição de The Critical Tradition. The Critical Tradition: Classic Texts and Contemporary Trends [A Tradição Crítica: Textos Clássicos e Tendências Contemporâneas]. de 1991. a presença de Frye no Canadá mantém uma aura propriamente mítica – dimensão que provavelmente pareceria justa ao autor de Myth and Metaphor [Mito e Metáfora]. Richter.9 ensaio de 1951. Miolo Anatomia da Critica. Hayden White reconheceu explicitamente a importância do modelo tipológico de Frye para o desenvolvimento de sua teoria acerca das formas narrativas empregadas na escrita da história oitocentista. Richter. “em sua terra natal. Recorde-se. num dos mais influentes livros da segunda metade do século XX. Trata-se de “The Archetypes of Literature” [Os Arquétipos da Literatura]. retomado em Anatomia da Crítica. o texto de Frye se encontrava na seção dedicada às “tendências contemporâneas”. De outro lado. Em outras palavras. de Platão a Henry Louis Gates Jr. p. ele compilou uma antologia que cobre aproximadamente 25 séculos de reflexões. no qual Frye procurou reformular a teoria dos arquétipos de Carl Jung. The Critical Tradition – Classic Texts and Contemporary Trends. selecionou excertos de textos fundamentais. cit.

2014. o “segundo apêndice” reproduz a capa das inúmeras traduções da obra. A presente edição de Anatomia da Crítica toma como texto-base não a primeira. University of Toronto Press.14 Por que então publicar outra versão da mesma obra? A resposta se encontra na formulação da pergunta. realizada pela Editora da Universidade de Toronto. Ver. p. Denham.12 Não conheço outro crítico literário que tenha recebido homenagem similar! Esta edição A primeira pergunta que provavelmente ocorrerá ao leitor brasileiro refere-se à oportunidade desta nova edição. 529-44. Ed. 14 A edição das obras completas é uma das atividades do “Northrop Frye Centre”. Ora. De fato. organiza-se anualmente o “Frye Festival”. p. In: Northrop Frye.php/en/>. numa importante iniciativa da Editora Cultrix. Acesso em: 11 fev.13 igualmente citada no “primeiro apêndice”. publicada em 1957. Denham analisa o percurso intelectual de Frye. p. assinada por Robert D. 527-28.ca/ index. Collected Works of Northrop Frye. Translations.ca/academics/Research_Centres/fryecentre. nas duas menções a indicação sugere a existência de dois tradutores.htm>. neste livro.utoronto. o leitor encontra a capa da tradução brasileira. 15 Miolo Anatomia da Critica. 335-37. Toronto. Robert D. Curiosamente.Prefácio à Edição Brasileira | 13 teórico nasceu. “Appendix 1 – Editions. a tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos veio à luz.indd 13 17/03/14 13:32 .frye. com destaque para a indispensável nova introdução. vic. Anatomia da Crítica ganhou um importante aparato crítico. Anatomy of Criticism: Four Essays. na página 350. 12 13 Ver. 2014. além de estudar com O “Frye Festival” possui uma página na internet disponível em: <http://www. and Audioforms of Anatomy of Criticism”. Mais informações estão disponíveis em: <http://www.15 No âmbito desse projeto editorial. e. Acesso em: 11 fev. Além disso. pois assim se transcreve o nome do tradutor: Péricles Eugênio and [sic] Silva Ramos. do Victoria College. A referência à edição da Cultrix encontra-se nas páginas 335 e 350 da edição canadense. na edição comemorativa dos cinquenta anos de lançamento de Anatomia da Crítica. da Universidade de Toronto. Tal publicação é parte do projeto mais amplo de organização das obras completas de Northrop Frye. 2006. enfatizando o processo de escrita de Anatomia da Crítica. em 1973. Denham. um tributo permanente a sua memória. mas a edição comemorativa dos cinquenta anos do livro. Volume 22. neste livro.

propondo uma reavaliação do sentido e das ressonâncias de Anatomia da Crítica. um dos mais instigantes. Ademais.14 | Anatomia da Crítica detalhes o argumento exposto no livro. acompanhando o desenvolvimento de suas ideias. portanto. A introdução de Denham equivale a um ensaio de fôlego. ele inventariou a recepção das hipóteses de Frye no contexto imediatamente posterior ao lançamento deste livro. Em boa hora.indd 14 17/03/14 13:32 . assim como nas décadas posteriores. Miolo Anatomia da Critica. polêmicos e originais pensadores da literatura. o público brasileiro tem acesso à retomada do trabalho de Northrop Frye.

no Caderno 30e. sabemos muito pouco acerca do processo de revisão pelo qual o livro passou até que Frye o enviasse para a Princeton. quinze pela Princeton. mais de uma vez.indd 15 17/03/14 13:32 . no Caderno 30d de Frye. chegou até nós. quaisquer revisões pelas quais o livro possa ter passado parecem ter sido feitas antes que Frye enviasse o manuscrito. e da teoria dos símbolos. Por sua vez. no todo ou em parte. os quais ele então entregava à sua secretária Jane Widdicombe para que os datilografasse novamente. Mas como Frye não tinha uma secretária no início dos anos 1950. na página 121. assim. e na reimpressão da Penguin (1990). Nenhum dos manuscritos da Anatomia. é substancial. que são a matéria-prima a partir da qual ele moldou seu livro. o editor literário da Princeton. em 2000. e de “critics” para “critic”. Essas mudanças aparecem em todas as reimpressões até hoje – dez pela Atheneum. e que são mencionadas na correspondência subsequente com Benjamin F. O processo de composição é um assunto por demais vasto e Miolo Anatomia da Critica. frequentemente. publicada pela Princeton. A cópia revisada e datilografada era então revisada e novamente datilografada. na página 19. Houston. à Anatomia – cerca de 130 mil palavras de material escrito à mão. que o próprio Frye datilografou. em 1957: a correção de Structure as Criticism para Structure at Criticism. quaisquer revisões que ele tenha feito às suas próprias cópias datilografadas são desconhecidas. e pela Princeton ­University Press. que são idênticas. em 1971. em 1965. A prática posterior de Frye era a de fazer mudanças à mão nos textos que ele mesmo datilografava.P refácio à E diç ão C anade nse Os textos-base para esta edição da Anatomia da Crítica são as edições em brochura publicadas pela Atheneum. exceto pelas capas e pela paginação. fizeram duas pequenas mudanças no texto da primeira edição. Ambas as edições. podemos inferir muito acerca do processo de composição antes do estágio de datilografia a partir dos dezesseis cadernos que são dedicados. Embora haja esboços escritos à mão de partes da teoria dos modos. Nenhuma das mudanças feitas no manuscrito. Elas aparecem também no relançamento do livro pela Princeton. com um prefácio de Harold Bloom.

1997). 1974. Anderson. Dukore.C. são seguidas por “[NF]”.indd 16 17/03/14 13:32 . A Anatomia foi traduzida em quinze línguas.16 | Anatomia da Crítica complicado para abordarmos aqui. Agradeço a William S. embora algumas de suas características sejam vistas de relance na Introdução. por sua orientação firme e sua devotada supervisão do projeto Obras Completas. por sua participação e por suas sugestões. Timothy J. Bernard F. e eu expresso. incluindo duas traduções em chinês e em servo-croata. minha gratidão a Jean O’Grady e sua equipe. e aos revisores anônimos do manuscrito. por sua meticulosa edição do manuscrito. Moore e Florinda Ruiz. foram revisados e incorporados na Introdução à Miolo Anatomia da Critica. por sua permissão da reimpressão da Anatomia da Crítica. Elas ocasionalmente expandem as próprias citações de Frye. por fornecerem informações de um tipo ou de outro. ed. Minha dívida com aqueles no Centro Frye. que chegaram às notas. da University of Toronto Press. 2001). As várias edições e traduções da Anatomia da Crítica estão listadas no Apêndice 1. Blakemore Evans (Boston. são reproduzidas no Apêndice 2. a Margaret Burgess. As referências de Frye a Shakespeare e a Spenser foram regularizadas em conformidade com as seguintes edições: The Riverside Shakespeare. edição textual de Hiroshi Yamashita e Toshiyuki Suzuki (London. A. gostaria de agradecer à ­Princeton University Press. na maior parte. Houghton Mifflin. na Victoria University. que foram ocasionalmente expandidas. As próprias notas de Frye. ed. Agradecimentos Em nome do projeto Obras Completas. Os números dos versos dos poemas são geralmente apresentados dentro de colchetes. G. Diversos parágrafos de meu Northrop Frye and Critical Method [Northrop Frye e o Método Crítico]. As outras notas são destinadas. aumenta cada vez mais. há muito tempo esgotado. por prepararem o texto e o índex. no correr do texto. a Alvin Lee. a fornecer as fontes das referências de Frye ou a explicar algum ponto no texto. Spenser: The Faerie Queene. Longman. a Ron Schoeffel e Anne Laughlin. Pavel Machotka. Hamilton. As primeiras páginas de quatorze dessas traduções (a hebraica mostrou-se impossível de se conseguir). que guiaram este volume através do processo de publicação com a perícia de costume. mais uma vez.

e eu agradeço à Pennsylvania State University Press por permitir-me colocá-los novamente em circulação. na Fintel Library [Biblioteca Fintel] do Roanoke College [Faculdade Roanoke]. pelos princípios esboçados no presente volume. Nossas discussões a respeito de textos literários e críticos foram frequentemente. expresso minha gratidão aos milhares de estudantes aos quais lecionei e com os quais aprendi no decorrer dos últimos 37 anos. tanto facilitadas.indd 17 17/03/14 13:32 . Miolo Anatomia da Critica. Pat Scott – que lamento hoje chamar de a falecida Pat Scott – foi caracteristicamente eficiente e gentil ao fornecer-me materiais através do serviço de empréstimos entre bibliotecas.Prefácio à Edição Canadense | 17 edição canadense. Por fim. cuja parte que me cabe eu dedico a eles. quanto complicadas.

Miolo Anatomia da Critica.indd 18 17/03/14 13:32 .

EAC The Eternal Act of Creation: Essays. D The Diaries of Northrop Frye. 17. 8. Northrop Frye: A Biography [Northrop Frye: Uma Biografia]. [Anatomia da Crítica. Ed. University of Toronto Press. Rev. Brace & World. CW. 1982. 1979-1990]. 1941-1955 [Os Diários de Northrop Frye. Princeton University Press. 1971. 2006. 1989. Indiana University Press. Erdman The Complete Poetry and Prose of William Blake [A Poesia e a Prosa Completas de William Blake]. Ed. Toronto. Rio de Janeiro. University of California Press. 1941-1955]. Toronto.] Ayre John Ayre. Perspectiva. 1957. Toronto. 21. 1996. Random House. Bloomington. Toronto. Imre Saluszinsky. Cultrix.indd 19 17/03/14 13:32 . Robert D.] CW The Collected Works of Northrop Frye [As Obras Completas de Northrop Frye]. 1979-1990 [O Eterno Ato de Criação: Ensaios. Bloomington. University of Toronto Press. 1973. Toronto. 2000. [O Caminho Crítico: Um Ensaio sobre o Contexto Social da Crítica Literária. FI Fables of Identity: Studies in Poetic Mythology. ENC Northrop Frye’s Writings on the Eighteenth and Nineteenth Centuries [Escritos de Northrop Frye sobre os Séculos XVIII e XIX] Ed.A brev iat uras NOTA: Os livros são de Frye. EI The Educated Imagination [A Imaginação Educada]. Ed. Indiana Press. São Paulo. 1963. 2005. 2001. Ed. New York. Denham. São Paulo. a não ser quando indicados de outra forma. CW. Princeton. 1993. CP The Critical Path: An Essay on the Social Context of Literary Criticism. CW. [Fábulas da Identidade: Ensaios de Mitologia Poética. Nova Alexandria. University of Toronto Press.] Miolo Anatomia da Critica. Indiana University Press. University of Toronto Press. Bloomington. Berkeley. 1973. Germaine Warkentin. 1964. EICT The Educated Imagination and Other Works on Critical Theory [A Imaginação Educada e Outros Escritos sobre Teoria Crítica]. David Erdman. Harcourt. AC Anatomy of Criticism: Four Essays.

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1997. TSE T. 20. 1964-1972: A Comédia Crítica]. CW. [T. Cambridge. University of Toronto Press. NRL Northrop Frye’s Notebooks on Renaissance Literature [Os Cadernos de Northrop Frye sobre a Literatura Renascentista]. Alvin A. S. 2006. Denham. 2003. SM Spiritus Mundi: Essays on Literature. 1990. Ed. 1932-1938]. University of Toronto Press. Ed. 1989. 1972. 1970. Joseph Adamson e Jean Wilson. 1970. Jan Gorak. Denham. StS The Stubborn Structure: Essays on Criticism and Society [A Estrutura Inflexível: Ensaios sobre Crítica e Sociedade].. 1998. University of Toronto Press. Michael Dolzani.Abreviaturas | 21 NFMC Northrop Frye on Modern Culture [Northrop Frye sobre a Cultura Moderna].S. Ed. Bloomington. TBN The “Third Book” Notebooks of Northrop Frye: The Critical Comedy.Y. Ed. RT Northrop Frye’s Notebooks and Lectures on the Bible and Other Religious Texts [Os Cadernos e as Preleções de Northrop Frye sobre a Bíblia e Outros Textos Religiosos]. New York. Peter Lang. 4. University of Toronto Press. OE On Education [Sobre Educação]. 1976-1991 [A Escritura Secular e Outros Escritos sobre Teoria Crítica. RW Reading the World: Selected Writings. 1988. 2000. 19641972 [Os Cadernos do “Terceiro Livro” de Northrop Frye. University of Toronto Press. Eliot.. University of Toronto Press. Indiana University Press. Harvard University Press. 1976-1991]. St. CW. Denham. CW. Ed. Michael Dolzani. 1935-1976 [Lendo o Mundo: Textos Escolhidos. Ed. 13. Robert D. 18. Toronto. Lee e Jean O’Grady. University of Toronto Press.. Robert D. Robert D. Rio de Janeiro. Markham. Toronto. Richter The Critical Tradition: Classic Texts and Contemporary Trends [A Tradição Crítica: Textos Clássicos e Tendências Contemporâneas]. Toronto. SeS The Secular Scripture: A Study of the Structure of Romance [A Escritura Secular: Um Estudo da Estrutura do Romansesco]. 1935-1976]. 11. Toronto. New York: Capricorn Books. Eliot. NFR Northrop Frye on Religion [Northrop Frye sobre Religião]. 2003. 9. 2006. Fitzhenry & Whiteside. Myth and Society [Spiritus Mundi: Ensaios sobre Literatura.indd 21 17/03/14 13:32 . SE Northrop Frye’s Student Essays. David Richter. 3. Toronto. Ed.] Miolo Anatomia da Critica. Imago. New York. Ont. Ed. Mito e Sociedade]. 1976. CW. Cornell University Press. SeSCT The Secular Scripture and Other Writings on Critical Theory. 2000. CW. Ed. Rev. CW. 1932-1938 [Os Ensaios do Aluno Northrop Frye. CW. Toronto. ed. N. Mass. Martin’s. Ithaca. Toronto.

22 | Anatomia da Crítica WE Northrop Frye’s Writings on Education [Os Escritos de Northrop Frye sobre Educação]. Miolo Anatomia da Critica. 1990. New York. WGS A World in a Grain of Sand: Twenty-Two Interviews with Northrop Frye [Um Mundo em um Grão de Areia: 22 Entrevistas com Northrop Frye]. Toronto. 2000. CW. University of Toronto Press. New York. 1991. Jean O’Grady e Goldwin French. Harcourt Brace Jovanovich. WP Words with Power: Being a Second Study of “The Bible and Literature” [Palavras com Poder: Um Segundo Estudo de “A Bíblia e a Literatura”].indd 22 17/03/14 13:32 . 7. Peter Lang. Ed.

20 de setembro de 1962). Frye tivera uma influência – na verdade uma grande e poderosa influência – sob uma geração inteira de críticos literários em formação. Murray Krieger apresentou a corajosa opinião de que. num esforço de persuadir a Princeton University Press a não deixar Fearful Symmetry e Anatomia fora de catálogo.indd 23 17/03/14 13:32 . assim como Fearful Symmetry estava antes de Beacon Press assumi-lo” (carta para Gordon Hubel. “é agora conhecido. 1966. 7 de fevereiro de 1964). por causa de Anatomia. 2 Miolo Anatomia da Critica. Mesmo antes da edição do English Institute. seis anos depois da publicação de Anatomia. Assim. como o próprio Frye estava bem ciente. como deveria se esperar de um livro controverso.I ntrod u ção à E diç ão Canade nse 1 De forma geral. bem como por detratores. “Northrop Frye and Contemporary Criticism: Ariel and the Spirit of Gravity”. o que é bem conhecido não precisa de introdução. Seus argumentos têm estado conosco por um longo tempo e seus meios e fins têm sido repetidamente dissecados por inúmeros leitores e simpatizantes. As cartas para Trueman e Hubel estão em NFF. caixa 62. escreveu ele em um pedido de auxílio para o consulado do Canadá. In: Northrop Frye in Modern Criticism: Selected Papers from the English Institute. Ed. sendo republicado no ano de seu aniversário de cinquenta anos. o livro tinha estabelecido sua autoridade. Anatomia. Dois anos antes. No volume do English Institute devotado ao livro de Northrop Frye menos de uma década após sua publicação. mas esses parecem não ter se baseado tão completamente em uma única crítica – nem mesmo em uma única obra – como aconteceu com a crítica da obra de Frye e do seu Anatomia. NF escreveu-lhes: “Parece-me que os dois livros estabeleceram sua posição como clássicos da crítica contemporânea e não se deveria permitir que saíssem de edição. Columbia University Press. o próprio Frye reconheceu que havia produzido um “clássico”. Sua influência está disseminada no universo crítico anglo-americano e além. tem no geral estabelecido sua autoridade” (carta para Albert Trueman. uma influência maior e mais exclusiva do que qualquer outro teórico na história crítica recente. Pode-se pensar em outros movimentos que também foram importantes. é tão conhecido quanto qualquer texto crítico do último século. Murray Krieger. Anatomia da Crítica. 1988. como uma das obras críticas mais respeitadas do nosso tempo. 1-2. arquivo 2. e apesar de encontrar ainda severa resistência aqui e ali.2 1 Traduzida por Marcus De Martini e Eneias Farias Tavares. Nova York. p. posso dizer.

Esse número exclui The Harper Handbook to Literature. In: Modern Literary Criticism. Nova York. Methuen. New York Times Book Review. Boston. Lipking e A.4 Uma década depois. In: Issues in Contemporary Criticism. Little Brown. Nas últimas duas décadas da sua vida. começando no início dos anos 1930 e concluindo com seus dois livros sobre a Bíblia e seu The Double Vision [A Visão Dupla] (1991). 180. p.3 Em 1976. Cf. Frank Kermode. Criticism in Society: Interviews with Jacques Derrida. p. “Northrop Frye”. 21. sobretudo em programas de graduação centrados nos estudos literários. Northrop Frye. 62. A carreira de Frye como escritor se estendeu por sessenta anos. excluindo-se sua correspondência profissional. Geoffrey Hartman. Se contarmos as coleções de ensaios editados por ele e outros e os volumes de entrevistas. Harold Bloom declarou que Frye tem “merecido a reputação de ser o principal teórico da crítica literária entre aqueles que escrevem em inglês hoje”. 1987. quando Frye foi deslocado da sua posição central. Há diferentes modos de levantar o número de livros que Frye escreveu. 4 5 “Harold Bloom”. quando modelos analíticos pós-estruturalistas tornaram-se a moda da vez. 1972. que ele escreveu com dois outros autores. p. Em torno de trinta livros seguiram na esteira de Anatomia. Anatomia da Crítica foi o livro que alçou sua reputação internacional e que continua a garanti-la. Os Collected Works of Northrop Frye conterão 32 grandes volumes. 1973. Frank Lentricchia. 18 de abril de 1976. sobretudo considerando a grande atenção que o livro ainda recebe. 58. p. cada livro tendo seu lugar integral entre as grandes realizações de Frye. Hillis Miller. o total é 35. o pioneiro estudo de Frye sobre William Blake. “Northrop Frye Exalting the Designs of Romance”. Lawrence I. e Biblical and Classical Myths: The Mythological Framework of Western Culture – uma transcrição das suas conferências sobre a Bíblia.5 Se Fearful Symmetry [Terrível Simetria] (1947).indd 24 17/03/14 13:32 . é dito por muitos que ele perdeu muito de seu apelo nos anos 1980 e 1990. Walton Litz. escreveu. estabeleceu sua preeminência dentro dos limites relativamente limitados da crítica blakeana. Bloom não mudou sua opinião: Frye. Nova York. em uma entrevista com Imre Salusinszky. [Frye] permanece no centro da atividade crítica”. Atheneum. 6. Gregory T. and J. 3 Harold Bloom. publicadas junto com as de Jay Macpherson sobre os mitos clássicos. Barbara Johnson. Poletta: “Northrop Frye… é um dos mais notáveis teóricos ingleses da literatura desde os anos 1950”. 1900-1970. 6 Miolo Anatomia da Critica. Edward Said. “é o mais notável estudioso vivo da literatura ocidental” e “claramente o maior crítico literário de língua inglesa”.24 | Anatomia da Crítica Essa afirmação foi ecoada seis anos depois por Lawrence Lipking: “Mais do que qualquer outro pensador moderno. Harold Bloom. Ed.6 Sobre Anatomia.

2. 1951. Harcourt Brace Jovanovich. além de 39 textos “suplementares”. Smith e Parks incluíram textos de 29 “grandes críticos”. A reputação de críticos. ed. The Great Critics [Os Grandes Críticos]. David Richter colocou “The Archetypes of Literature” de Frye na seção da sua antologia devotada às “tendências contemporâneas”. Um texto clássico é aquele que se tornou parte significativa da tradição crítica. A segunda edição (1939) é similar no conteúdo à edição de 1951. Norton. No seu prefácio à reedição de Anatomia em 2000. Nova York. No início do presente século. juntamente com os ensaios de Freud e Jung. e Vincent Leitch et al. “Os Arquétipos”. Jung e Lacan. Ed. como membro da crítica psicológica. editados ao lado de dezenove textos em seu suplemento (Nova York. apesar de. se tornou um “texto clássico”. Todavia. nos doze anos entre a segunda e a terceira edições. de forma um tanto redutora. 2001. como dizem. 1992. Onde estão agora Antonio Sebastian Minturno (1500-1574) e Henry Timrod (1829-1867). 1998. até mesmo Harold Bloom passou a expressar certa ambivalência ao discutir os primeiros julgamentos. Isso em relação a dezoito “grandes críticos” na primeira edição. nomes como os de Sir ­Walter Scott. Modas críticas vêm e vão. Na primeira edição de Critical Tradition: Classic Texts and Contemporary Trends [A Tradição Crítica: Textos Clássicos e Tendências Contemporâneas] (1989). ambos presentes na terceira edição de The Great Critics?7 Embora. assim como a de poetas e romancistas.. Nova York. na segunda edição de Critical Tradition (1998). Frye integrava um campo que incluía Freud. Norton. não desapareceu por completo da sua posição central na tradição crítica. Anatomia. de Smith e Park. rev. como podemos ver nos contextos mutáveis das três edições de uma bem conhecida antologia de crítica literária publicada há mais de meio século. Emile Zola. cresce e declina. The Critical Tradition. 7 Miolo Anatomia da Critica.indd 25 17/03/14 13:32 .Introdução à Edição Canadense | 25 grande parte do interesse em Frye centrou-se mais em sua interpretação literária da Bíblia do que na sua anterior obra teórica. Anatole France e George ­Moore terem entrado no círculo de grandeza. The Norton Anthology of Theory and Criticism. Ed. alocando sua produção. Bloom observou que não “era mais tão entusiasta de Anatomia” quanto o fora ao resenhá-lo quarenta The Great Critics: An Anthology of Literary Criticism. ninguém pode predizer com certeza quais dos próximos de nós permanecerão no cânone crítico. porém. William Dean Howells. James Harry Smith e Edd Winfield Parks. Nenhum desses críticos foi incluído pelos editores de três antologias muito usadas no presente: David Richter. Na visão de Richter. registrados acima. 3. Critical Theory Since Plato. a principal posição de Aristóteles e Sidney esteja garantida. Nova York. ed. Bedford Books. Hazard Adams. Norton. Boston. 1932). Joseph Conrad.

10 Retornaremos mais adiante ao caráter espiritual imputado a Anatomia por Bloom. In: Anatomy of Criticism. abaixo.J. Literatura Comparada (CL) e outras áreas em que Frye é lido: Harvard (E193). CL155). Bloom está menos interessado em Anatomia e mais em suas próprias angústias sobre a influência de Frye. Stanford (E166/266A. ele por certo está bem presente nos seus arredores como uma presença abarcadora.. CL314 11 Miolo Anatomia da Critica. Princeton University Press. Anatomy of Criticism. na extraordinária proliferação de textos do nosso tempo. Chicago (E47200). Segundo Bloom. ver nota 9. espiritual e abrangente”. presentes no contexto das bem conhecidas inquietações de Bloom sobre o que ele chama de Escola do Ressentimento – as várias formas de “crítica cultural” que tomam suas bases da política de identidade. E481).26 | Anatomia da Crítica anos antes. ele é de pouca ajuda em suas tradições combativas. p. CL172).indd 26 17/03/14 13:32 . sendo a sua visão de influência uma questão de “temperamento e circunstâncias”. será certamente fora da universidade. Carolina do Norte (E027. E302A. Harold Bloom. Yale (E463b). não é menos verdadeiro.9 Todavia. Princeton. Novo prefácio. “Foreword”. embora hoje ele não tenha poder algum para nos libertar do deserto crítico. CL312.. 9 10 Ibidem. xi. vii. bem como à sua relação com Frye. Bloom acredita que a crítica de Frye sobrevirá não pelo sistema delineado em Anatomia. vii. Visto que Frye considerou a literatura como um “empreendimento benignamente cooperativo”. ed. N. 2000. Se Frye não está mais no “centro da atividade crítica”. ­Princeton University Press. que tanto alunos de graduação quanto de pós-graduação continuam a ler suas obras na maioria das grandes universidades. p. E105W. Embora seja verdade que cursos de graduação em teoria crítica geralmente excluam sua obra.11 Ademais. mas “por ser séria. Princeton. Bloom afirma que nos anos 1950. Berkeley (CL100. 8 Northrop Frye. p. N.J.8 A ambivalência de Bloom brotava da sua convicção de que não havia lugar no mito de referência de Frye para uma teoria da angústia da influência. 2000. Frye forneceu uma alternativa à Nova Crítica. Vanderbilt Universidade (E337a. CL369. Uma pesquisa nos catálogos recentes e nas descrições de cursos existentes registra esses cursos regulares ou recentes em Inglês (E). em seu prefácio. como revela uma pesquisa nos atuais catálogos universitários e nas descrições dos cursos. Sobre a resenha de Bloom para Anatomia. 15.003). especialmente àquela da Escola de Eliot. Virginia (E255. Seu esquematismo irá dissolver-se: o que permanecerá será a qualidade rapsódica da sua crítica. Apesar disso. Frye proverá “pouco conforto e ajuda”: se ele oferecer qualquer amparo.

Concordia (Religion 365). Texas. Livre de Bruxelas. Republica Checa. Espanha. Yale.Introdução à Edição Canadense | 27 se a afirmação de Bloom de que Frye desaparecerá das universidades for verdadeira. 13 Miolo Anatomia da Critica. Universidade Federal de Santa Catarina. Oxford e Estocolmo. entre elas Harvard.13 Outros indicadores também sugerem um aumento na atenção acadêmica dedicada a Frye. Itália. Eötvös Loránd. Nas últimas décadas.D. Em 2003. Wisconsin. havia oito estudos dedicados inteiramente a esse livro. Penn.indd 27 17/03/14 13:32 . romance.S. em oito por ano. sendo nove dessas dedicadas aos tópicos tratados em Anatomia – sátira menipeia. Instituto de Estudos Canadenses. e entre os anos 2000 e 2004. Alemanha. de 1970 = 28.L. Palacký. [curso dos textos centrais de NF]). de Notre Dame (E510). Charles. Lecce. Frankfurt. mito. o maior número em qualquer ano. Stuttgart. Praga. Oviedo. Syddansk. Desde aquele ano. Toronto. Europeia Viadrina. Dinamarca. O período entre 1964 e 2004 viu outras 194 teses devotadas no todo ou em parte a Frye. Roma. ele figurou de forma importante em mais de seis teses por ano. Mainz. Budapeste. Chicago. York (E4109). Brasil. o interesse por Frye como um tópico de pesquisa de pós-graduação mais aumentou do que diminuiu. sobretudo se nosso julgamento levar em conta o número relativamente grande de estudantes que continuam a escrever dissertações ou teses em que Frye figura de forma importante. e Copenhagen. Cursos similares podem ser encontrados em diversos catálogos de faculdades. Iuav. podem-se encontrar cursos em que Frye está sendo lido nas Universidades de Bucareste. Princeton. teoria do gênero literário e imagística tipológica. Dinamarca. Ohio State. Austin (E5360). Nanjing Normal. Illinois. Veneza. Fora da América do Norte. 2000-2004 = 31. Nova de Lisboa. Portugal.401). Toulouse. Embora seja difícil obter um número exato de dissertações de mestrado. Heilongjiang. Mongólia Interior. Virginia. Em 1963. de 1980 = 63. França. Durante os anos 1980 e 1990. NYU. Frye foi incluído como tema em quinze teses de doutorado. mais de cem universidades tiveram doutorandos que completaram suas teses tendo Frye como tema. “em parte” significando que “Frye” é indexado como tema na Dissertation Abstracts Internacional. tal declínio parece ainda não ter começado. 44 foram registradas entre 1967 e 2003. quando Northrop Frye: An Annotated Bibliography [Northrop Frye: Uma Biografia Comentada] foi publicado. Em 1987. Aalborg. Esses dados indicam que. 12 Esses dados incluem cinco ED. Oslo. Universidades da Pensilvânia (CL360. China. Indiana. de 1990 = 67. Mary Curtis Tucker escreveu a primeira tese de doutorado sobre Frye. Olomouc. Rennes. e duas teses D.12 O número de teses para cada década resulta do seguinte modo: década de 1960 = 5. Hohhot. Freiburg. Ville de Harbin. nos vinte anos subsequentes ao auge do momento pós-estruturalista. McMaster (E798).

Moncton. The Importance of Northrop Frye. 2003. János Kenyeres. The Legacy of Northrop Frye. Wang Ning e Jean O’Grady (ed. Fu-lai yen chiu: Chung-kuo yü his fang. Society of Biblical Literature.). Shanghai Foreign Language Education Press. Caterina Ricciardi. ECW Press. University of Toronto Press. Kanpur. 1990. 1998. Caterina Nella Cotrupi. Forum. Toronto.28 | Anatomia da Crítica outros 24 apareceram. Northrop Frye: Religious Visionary and Architect of the Spiritual World. John Ayre. Northrop Frye. Boston.). University of Toronto Press. Ritratto de Northrop Frye. 1993. Krishnamoorthy Aithal (ed. 2005. Dos dezessete simpósios e conferências dedicados à sua obra.). Hamilton. Northrop Frye in Conversation.14 A bibliografia registrou 588 ensaios ou partes de livros dedicados a Frye. 1999. 2003. Toronto. A bibliografia consta do meu Northrop Frye: An Annotated Bibliography of Primary and Secondary Sources. Toronto. Humanities Research Centre. Robert D. Bulzoni Editore. 1992. Revolving around the Bible: A Study of Northrop Frye. Ed. durante os últimos dezessete anos. 14 Miolo Anatomia da Critica. Social Sciences Press of China.). dois.). India. N. Toronto. delle finzioni supreme.). Lee e Robert D. Northrop Frye and the Afterlife of the Word. Editrice Universitaria Udinese. New Directions in N. treze são posteriores a 1986: dois tendo ocorrido na China. e Daniela Feltracco. no Canadá. Iron Mountain Press. Denham (ed. Em outros termos.. Northrop Frye: A Visionary Life. 89. mais se tem escrito sobre Frye do que nos quarenta anos anteriores. Va. Denham e Thomas Willard (ed. Northrop Frye: Anatomy of his Criticism. 1989. Alvin A. na Os 24 livros são: Ian Balfou. Denham. 1994. o. A bibliografia posterior está no meu Northrop Frye: A Bibliography of His Published Writings. Anonymus. Frye and the Word: Religious Contexts in the Criticism of Northrop Frye. Northrop Frye et la Bible: Essai de Mythocritique. Nova York.indd 28 17/03/14 13:32 . University of Virginia Press.). University of Toronto Press. Toronto. Northrop Frye on Myth: An Introduction. Xangai. Paris. organizados em quatro continentes. Joseph Adamson. 1999. Rousseau. 1993. na Austrália. Verticals of Frye/Les Verticales de Frye: The Northrop Frye Lectures and Related Talks Given at the Northrop Frye International Literary Festival. Ont. 1988. 1991. Lemond (ed. A. 1989. Emory. Pequim. David Boyd e Imre Salusinszky (ed. Elbow Press. 2005. Northrop Frye: The Theoretical ­Imagination. Randon House of Canada. 2004. Atlanta. Twayne. Garland. mais de novecentas entradas foram incluídas na bibliografia – número que exclui as centenas de novas histórias sobre Frye e as resenhas de suas obras. 2001. Frye Studies. Peter Lang. 1994. Northrop Frye: Eastern and Western Perspectives.). Anansi. Concord. 2000. Northrop Frye.B. 1996. Empirìa. Monique Anne Gyalokay. Northrop Frye and the Poetics of Process. Jeffery Donaldson e Alan Mendelson (ed. Nova York. University of Toronto Press. Wang Ning e Yen-hung Hsü (ed. ­Northrop Frye: A Biography. 1931-2004. Agostino Lombardo (ed. 2002.). 2004. Budapeste.. University of Toronto Press. Jonatham Hart. Londres. Routledge. S. University of Toronto Press. Charlottesville. Roma. Honoré Champion. Jean O’Grady e Wang Ning (ed. Toronto. dois. Rereading Frye: The Publication and Unpublished Works. cinco. Kee (ed. Ford Russel. Udine. Toronto. Toronto. Semeia. Robert D. James M. na União Soviética. University of Toronto Press. David Cayley. C.. um. 2003.). Northrop Frye: Anatomia di un Metodo Critico.). 1987. Roma. Toronto. Visionary Poetics: Essays on Northrop Frye’s Criticism. 1992. Desde então. escritos no decorrer de quarenta anos.

servo-croata (1979). Veja o Apêndice 1. 12-17 de julho de 1994. China. Universidade Sookmyung Women’s. para um grande número de leitores. Veneza e outras cidades. 1983. 15.indd 29 17/03/14 13:32 . 14 de junho de 1979.. As últimas seis. Anatomia não declinou em importância. japonês (1980). Ont. chinês (1998) e checo (2003). p. Seul. Canadian Literature. e um. os direitos voltaram para a Princeton. nunca tendo sido publicada. 1990). imprimindo outras mil cópias da edição em capa dura no mesmo período. em 2004. Coreia. Florença. Beijing Cable TV (International ­Canadianist. 1972. quase três quartos (76) delas apareceram desde 1980. Ver William French. francês (1969). Miolo Anatomia da Critica. No seu tour de conferências de 1979 na Itália. United Publishing (Seul. respectivamente. 2000 e 2000. 17 Graham Good. húngaro (1998). e que o “outrora grande renome do Feiticeiro do Norte agora é apenas mantido por alguns poucos Portadores da Chama”. Outono-Inverno 1997-1998). e quando a última delas foi vendida. 1987). romeno (1972). “Frye the Conqueror Wows Them in Italy”. “The International Symposium on Northrop Frye Studies”. Roma. Inverno 2004.Introdução à Edição Canadense | 29 Itália. Com frequência parece que Frye teve maior resposta pública em outros países do que em casa. servo-croata e chinesa receberam novas edições ou revisões. sendo esse tour resenhado nos maiores jornais do país. Até 2004. (Diversos catálogos e sites mostram uma reedição de Anatomia feita pela série Penguin Modern Classics em 2002. coreano (1982). apenas a edição da Princeton havia vendido mais de 150 mil cópias. Taiwan. como a bibliografia de As conferências asiáticas foram “Northrop Frye and China”. a Princeton cedeu temporariamente os direitos da edição brochura de Anatomia para a Atheneum. duas das quais em árabe. Anatomia havia vendido bem mais de 100 mil cópias (WGS. 1984). que publicou sua edição em dezembro de 1965. árabe (duas traduções. português (1973). que então publicou sua própria edição brochura. bem como pela Beijing TV. 15 16 Em 1964. Globe and Mail. Dez reimpressões seguiram a essa. grego (1996). o interesse em lê-lo em outras línguas tem crescido gradativamente: de 104 traduções para vinte línguas. a Xinhua News Agency. Todavia. Julgando pelo número crescente de traduções de todos os livros de Frye. e Bookman Books (Taipei. Entretanto. foram publicadas depois de 1990. espanhol (1977). “The Legacy of Northrop Frye in the East and West”. mas essa é uma edição fantasma. 21 anos depois da sua publicação.15 Anatomia tem sido continuamente editado no decorrer de 48 anos (a 15a edição publicada pela Princeton University Press apareceu em 2000). 22 de maio de 1992. A conferência de Frye na Universidade da Mongólia Interior foi coberta pela maior rede de televisão chinesa (CCTV).) As traduções são em alemão (1964). 15-17 de julho de 1999. “Frye in China”. italiano (1969). Até 1978. Coreia. na Coreia. falou para auditórios lotados em Milão. Dois simpósios sobre Frye foram organizados em 2007 – um no Canadá (Universidade de Ottawa) e outro na Espanha (Universidade de Navarra). 169). Graham Good acentuou que “esse é um período invernal para a obra de Frye no Ocidente”. p. sendo traduzido para quinze línguas (Ver Apêndice 1). As outras edições inglesas de Anatomia foram publicadas pela Penguin (Markham.17 sendo esses aparentemente os editores das Collected Works de Frye. p. As traduções francesa. 156-58. Universidade de Pequim. com uma tiragem de 15 mil cópias.16 Parece então que. ambas em 1991). Universidade da Mongólia Interior em Hohhot. italiana.

Tibor Fabiny continua a ensinar e a publicar sobre Frye.19 Quanto ao seu status fora das universidades. 1. 1978). segundo A. o antigo professor Wu Chizhe. sua recepção inicial e sua relação com a obra anterior e posterior de Frye. da Universidade da Mongólia Interior em Hohhot. Pennsylvania State University Press. “que objetiva um grande público leitor”. 6-10. 133. Frye é normalmente ensinado como parte dos Programas de Estudos Canadenses. “Imagining the Coherence of the English Major”. reimpresso em Profession 2003. ADE Bulletin. 20 Dois livros dedicados a Anatomia são Northrop Frye and Critical Method (University Park. Northrop Frye: Anatomy of his Criticism (Toronto. János Kenyeres publicou Revolving Around the Bible: A Study of Northrop Frye (2003). o que foi o bastante para colocá-lo na lista dos best-sellers. há muitos leitores ao lado dos Portadores da Chama que continuam a ver Frye como digno de atenção. levando-se em conta a diferença de população dos dois países. C. ver Parte 2 do meu Northrop Frye: An Annotated Bibliography of Primary and Secondary Sources e as atualizações que foram publicadas em Northrop Frye Newsletter. 6. com as vendas de 150 mil exemplares nos Estados Unidos. todavia.30 | Anatomia da Crítica Frye indica. traduziu seis dos livros de Frye para o chinês. Frye é ainda citado na imprensa popular e sem notas de identificação. Journal of Canadian Poetry. C. p. 6. 18 Jonatham Culler. 1984. Sara Tóth completou recentemente uma tese sobre Frye. p. dez. Inverno 2003. Na Itália. vol. a avaliação de Hamilton é absoluta: “o maior crítico do século XX” e “o único crítico com uma reputação internacional” (ibidem). 19 “Northrop Frye Remembered by His Students”. em especial com Fearful Symmetry no começo da sua carreira. por exemplo. e cursos sobre ele têm sido recentemente oferecidos em duas universidades de Budapeste.20 Os meios e os fins de Anatomia têm sido grandemente examinados e debatidos. 1990). 1991. p. Hamilton. e A. Culler tinha criticado Frye anteriormente por promover uma ideologia religiosa dogmática. Para um comentário sobre Frye. na Coreia e na China. Em Budapeste. n. Nos anos 1980. não sendo necessário revisar aqui o escopo dos comentários que o livro tem gerado no decorrer dos anos. TLS. O Código dos Códigos vendeu 17 mil cópias no Canadá. em grande parte já registrados. de minha autoria. Culler sugere que podemos recuperar a coerência se retornarmos a preocupações formais como aquelas definidas pela teoria dos modos de Frye. De 1997 a 2004. 85-93.indd 30 17/03/14 13:32 . podendo ser comparado. 1327-28. n. University of Toronto Press. Para a questão do status canônico de Frye. Ver seu “A Critic against the Christians”. Hamilton. Frye é o “único crítico”. 2003. e com os temas religiosos que emergiram tão Publicações de especialistas em Frye existem em lugares que poderiam ser considerados improváveis. p.21 Seria útil.18 Até mesmo um pós-estruturalista como Jonathan Culler admitiu que a visão de Frye de uma tradição literária coerente é algo a ser seriamente desejado nos estudos literários. 21 Miolo Anatomia da Critica. Muitas das mais de novecentas fontes secundárias que surgiram depois de 1987 são sobre Anatomia. 23 nov. considerar alguns dos contextos menos conhecidos na história de Anatomia – sua gênese. Peter Pásztor traduziu O Código dos Códigos (1996) e Words with Power [Palavras com Poder] (1997) para o húngaro.

Anatomia pode ser visto como aquilo que Claude Lévi-Strauss chama de bricolagem. embora possa haver algum valor em olhar para o contexto intelectual do nascimento de Anatomia e para os cinquenta anos de sua existência. Todos os leitores de Anatomia estão cientes da sua textura ricamente alusiva e das suas extensas e amplas referências à tradição literária e cultural do Ocidente: o livro nomeia em torno de quatrocentos poetas. 22 Claude Lévi-Strauss. 16-17. Chicago. entre 1929 e 1936.22 Anatomia da Crítica é um livro que deriva de um grande repertório heterogêneo. p. o Novo Pensamento Aristotélico e a antropologia comparativa) e sua relação com alguns dos movimentos da crítica que apareceram depois do declínio do estruturalismo – em especial a desconstrução e os estudos culturais. e muito do livro resultou de um extensivo inventário dos escritos prévios de Frye. ao menos em parte. No decorrer dessa discussão. The Savage Mind. romancistas. olharemos para o diagramático modo de pensar que caracteriza a qualidade estruturalista de Frye e o próprio significado da palavra “anatomia”. de resíduos de construções anteriores. Esse “repertório heterogêneo” demanda pouco comentário. Nesse sentido. Em O Pensamento Selvagem.indd 31 17/03/14 13:32 . feito a partir de tudo aquilo que foi deixado de lado nos outros trabalhos de Frye e formado. Alguns de seus principais argumentos podem até mesmo ser localizados em escritos mais antigos. Miolo Anatomia da Critica. Lévi-Strauss explica que o pensamento mítico é em certo sentido um tipo de bricolagem intelectual. Frye como bricoleur Anatomia da Crítica levou anos para ser escrito. 1966. Também consideraremos a relação de Anatomia com a tradição crítica da qual ele emergiu (a Nova Crítica. sendo aqui bricolagem o que alguém extrai de um “repertório heterogêneo” e que é formado com “aquilo que se tem à mão”. Um relato completo desses contextos históricos ultrapassaria o objetivo de uma introdução. tanto publicados quanto não publicados.Introdução à Edição Canadense | 31 claramente nos escritos das últimas décadas da sua vida. University of Chicago Press. sendo boa parte dessa construção proveniente do “que resta de construções anteriores”. que Frye escreveu como aluno do Victoria College de Toronto e do Emmanuel College de Boston.

24 Frye não apenas tomou livremente notas de quatorze ensaios publicados. n. (5) “The Argument of Comedy”. 4. aludindo a muito mais. e de “The Shapes of History”. 442-49. 84-94.25 Ainda Os trechos que Frye usou de seus textos previamente publicados somam 53% do total do número de palavras de Anatomia. n. n. p. p. 627-31. n. p. n. n. em NFMC. 202-08. tornou-se o esqueleto da Introdução Polêmica. Kenyon Review. n. n. “Towards a Theory of Cultural History”. In: English Institute Essays. p. 1942. n. Doze Palestras para a Rádio CBC. p. jan. Ver o seu “Evolution and Tinkering”. p. p. (3) “The Language of Poetry”. 1953. James Joyce Review. 2. republicado em NFCL. p. Yale French Studies. 111-13. Hudson Review. 1. (6) “­Characterization in Shakespearean Comedy”. 1944. Columbia University Press. em Architects of Modern Thought. n. 46. Transactions of the Royal Society of Canada. republicado como “Symbolism of the Unconscious”. Inverno 1950. 21). formou a base para o Primeiro Ensaio. em NFCL. ago. 1161-69. 1952. Hudson Review. 197-203.32 | Anatomia da Crítica dramaturgos. (2) “Three Meanings of Symbolism”. n. 1947. 611-19. para caracterizar sua visão da evolução – o ajuntamento e a formação de quaisquer elementos disponíveis. 543-62. Os usos do termo por Lévi-Strauss e Jacob são versões mais ou menos sofisticadas da frase de Mae West: “Você precisa aprender a utilizar o que está jogado ao redor da casa”. “Sir James Frazer”. Robertson Jr. Canadian Broadcasting Corp. 1959. A extensão do quanto Frye trabalha como um bricoleur é sugerida nos Apontamentos Preliminares a Anatomia. (10) “A Conspectus of Dramatic Genres”. Com exceção dos três textos sobre a comédia (n. 196. 5-7). 13. Outono 1951. 12. 22. n. “Forming Fours”. Inverno 1951. o vencedor do Prêmio Nobel de 1965 em Psicologia. de tudo “aquilo que se tem à mão”. que ele revisou. 92-100. 80-90. 14. “The Miolo Anatomia da Critica. n. p. p. 582-95. p. 6. 1-16. em NFCL. 1. p. p. 10 jun. os outros foram publicados em Northrop Frye’s Writings on Shakespeare and the Renaissance. p. fev. expandiu e incorporou a Anatomia. n. escritos num período de 21 anos. 47-58. p. 246-62. republicado em FI. p. D. onde o autor lista quatorze ensaios. ele é um adepto do uso. Inverno 1954. University of Toronto Quarterly. republicado em NFCL. 1977.23 Nesse sentido. Science.. p. 1957. 75-89. 325-41. Nova York. 24 25 Esses transplantes vieram de “Toynbee and Spengler”. “Phalanx of Particulars”. 167-79. 7. A. (8) “The Nature of Satire”. Kenyon Review. 11-19. Verão 1954. p. n. n. p. n. “Ministry of Angels”. Toronto. (4) “The Archetypes of Literature”. “The Function of Criticism at the Present Time”. University of Toronto Quarterly. p. Kenyon Review. Inverno 1952. Primavera 1950. e todos esses ensaios foram republicados em EICT (CW. p. Hudson Review. p. 76-83. 19. fev. Outono 1953. p. O mais longo dos ensaios anteriores. 23 Bricolagem é também um termo usado por François Jacob. Explorations: Studies in Culture and Communication. 9. 1949. editado por Germaine Warkentin. p. 228-35. 6. na formulação de Lévi-Strauss. 1955. como também retomou “algumas frases de outros artigos e resenhas”. (11) “The Four Forms of Prose Fiction”. Ed. Hudson Review. out. out. Canadian Forum. 22-32. filósofos e artistas. 4. 1952. (12) “Myth as Information”. Hudson Review. jul. 117-29. 39-47. 27. além de referir mais de 430 títulos de obras. University of Toronto Quarterly. 58-73. p. jun.indd 32 17/03/14 13:32 . University of Toronto Quarterly. p. 13. “Quest and Cycle in Finnegans Wake”. n. 1949. 256-64. (9) “Music in Poetry”. Os outros doze artigos estão distribuídos de forma bem uniforme pelo restante do livro: (1) “Levels of Meaning in Literature”.

182-89. republicado em EICT. um misturar partes e elementos que estejam à mão. 27 Manitoba Arts Review. em “The Four Forms of Prose Fiction” e no próprio Anatomia. Porém.27 Os mais antigos dos textos previamente publicados que Frye adaptou para Anatomia são ambos de 1942: “Music in Poetry” [Música na Poesia]. p. A nota introdutória em LS lista as passagens paralelas àquelas do Segundo Ensaio de Anatomia. p. sem dúvida porque esse ensaio. Veja “The Four Forms of Prose Fiction”. teve para o Segundo e o Terceiro Ensaios. abr. Ver PMLA. republicado em RW. 35-47. p. e “The Anatomy in Prose Fiction” [A Anatomia na Ficção em Prosa].28 que não menciona. 1953. 203-19. de 1951. Toronto. outras foram também adaptadas para a Introdução Polêmica e para o Terceiro Ensaio. ele plagiou seus próprios ensaios não publicados. p. 595 (EICT. 125-26. uma conferência que foi apresentada em 1952 na convenção anual da Modern Language Association e que só foi publicada depois de cinquenta anos.Introdução à Edição Canadense | 33 mais. foi incorporado em outra das suas autoplagiadas obras. 68. Um exemplo disso é “The Literary Meaning of ‘Archtype’” [O Sentido Literário de “Arquétipo”]. n. In: The Living Church. “The Four Forms of Prose Fiction” [As Quatro Formas da Ficção em Prosa]. em um ensaio sobre William Blake. 29 Miolo Anatomia da Critica. Primavera 1942. Todavia. p. a Bíblia se tornou uma das cinco fundamentais formas da prosa. T. 152-72. 1. p.26 Em razão de cada parágrafo dessa fala ter sido usado no Segundo Ensaio de Anatomia. usou praticamente a Church: Its Relation to Society”. Bem antes de Lévi-Strauss. mencionando que tanto a Bíblia quanto seu próprio livro sobre a Bíblia são obras de bricolagem. 253-67. escrito antes dos seus trinta anos. p. p. 391). Harold Vaughan. n. que ele cita no seu prefácio.29 Ele escreve que a criação de um mito tem a qualidade daquilo que Lévi-Strauss chama de bricolagem. 26 A Sessão MLA – sobre Literatura Comparada – foi precedida por Renato Poggioli da Universidade Harvard. 88). 23-38. e em NFR. Ele exerceu a mesma função estrutural que o bem conhecido “The Archetypes of Literature”. 1949. S. p. Eliot. de 1950. resta pouca dúvida de que Frye tinha o texto diante de si enquanto escrevia a sua “Teoria dos Símbolos”. 3. Frye associa bricolagem com anatomia como um gênero em prosa. 28 Em “An Enquiry into the Art Forms of Prose Fiction” Frye concebeu a Bíblia como “anatomia arquetípica” (SE.indd 33 17/03/14 13:32 . O artigo foi publicado cinquenta anos depois em LS. p. em Código dos Códigos: A Bíblia e a Literatura. vol. Os “Prefatory Statements” de Frye indicam as porções de “The Archetypes of Literature” que foram parar no Segundo Ensaio. De forma reveladora. United Church Publishing House. Ed.

Devo grandemente a esse ensaio. porém agora sobre o The Faerie Queene [A Rainha das Fadas] de Spenser. The Savage Mind. 1950..30 Frye também menciona que bricolagem é um procedimento tipicamente poético. Frye até chamou o material que reuniu para Anatomia de “pedaços” (NFC. p. mas no sistema ou estrutura que é construído a partir do que se tem à mão. para Lévi-Strauss.34 | Anatomia da Crítica mesma imagem.. Miolo Anatomia da Critica. cit. pode-se. 20-22. p. p. como o de “bricolagem” no plano prático. desde que pertença à mesma classe da outra. dizer. Select Essays. Esse processo.. é o que distingue o pensamento científico do mítico. op. as que foram transmitidas antes – como os códigos comerciais que são sumários de experiências anteriores do comércio e que permitem que qualquer nova situação possa ser vista do ponto de vista econômico. A Inglaterra produziu um grande número de Robinsons Crusoés”. descreveremos um processo bem similar àquele empreendido por Frye na construção de Anatomia. 279. como também por Dante. Brace. Como ele o relaciona mais à crítica do que à poesia. Em seu prefácio a Anatomia da Crítica. p. estão constantemente procurando por “mensagens”.. usado não apenas por Blake e Eliot. é aquele que forma espaços estruturados. Nova York. Em uma entrevista. 15). p. Frye indica que seus interesses teóricos deslocaram o que ele tinha inicialmente planejado como sequência a Fearful Symmetry.31 interesse pela estrutura que fornece a Frye a conexão entre o bricoleur e o anatomista. o foco de bricolagem aqui não está nas partes e nos elementos em si. 30 31 Claude Lévi-Strauss. Aquelas coletadas por um bricoleur são.. 69). de 1947: uma outra obra de prática crítica. entretanto. não diretamente em relação a outros espaços estruturados. “Tanto o cientista quanto o ‘bricoleur’”. O livro sobre Spenser seria o primeiro de dois volumes que ele propôs GC. Harcourt. [O] traço característico do pensamento mítico. 21. falando do método de pesquisa à moda de Robinson Crusoé que Blake usa para formar um sistema de pensamento a partir dos restos e sobras de suas muitas leituras. 32 Ibidem. xxi (GC 2.32 Se pudermos substituir “códigos” e “eventos” por “convenções literárias” no relato de Lévi-Strauss sobre o bricoleur. escreve Lévi-Strauss.indd 34 17/03/14 13:32 . A referência a Eliot veio do seu ensaio “William Blake”: “Temos o mesmo respeito pela filosofia de Blake (e talvez pela de Samuel Butler) que temos por uma ingênua peça de mobiliário caseiro: admiramos o homem que colocou juntos os pedaços que tinha ao redor da casa. mas usando os restos e os entulhos de eventos.

desenredar as “várias partes dessa suspeita” sobre a estrutura da literatura como um todo. Frye mostrara que Blake era um poeta típico. 420. como percebemos na aplicação da sua bolsa Guggenheim. Blake era um poeta por demais isolado para que Frye pudesse completar sua grande ambição teórica. FS2.34 mostrando-se difícil. edição de Jean O’Grady. Em Fearful Symmetry. 1949”. ele menciona que o livro sobre Spenser acabou se expandindo em uma teoria da alegoria. NRL. construindo o sentido 37 Miolo Anatomia da Critica. 33 “Guggenheim Fellowship Application. Frye tinha feito algum progresso com esses artigos e mesmo em 1949 já estava olhando além de Spenser. 1980. No prefácio de Anatomia. p. Frye desistiu de seus planos para os dois primeiros volumes. 35 36 Ver p. tema conectado a assuntos teóricos mais amplos: “Logo me encontrei enredado naquelas partes da crítica que lidam com palavras como ‘mito’. Resposta às perguntas de Branko Gorjup. 3. 30 jan. partindo de seu estudo sobre Blake. 34 Ibidem. Frye cogitou fazer uma série de oito estudos críticos. p. 4. voltando sua atenção de forma mais exclusiva à análise dos traços característicos da “iconografia da imaginação”. Todavia. declarando que se seguíssemos o “próprio método de Blake e o interpretássemos em termos imaginativos em vez de históricos. Esse integraria um projeto maior em três volumes: um estudo do épico renascentista com especial atenção a Spenser. p. publicada no jornal da comunidade iugoslava de Toronto. e meu esforço para dar sentido a essas palavras em vários artigos publicados gerou tanto interesse a ponto de me encorajar a ir mais fundo nessa pesquisa”.36 Por volta de 1950. e ainda um terceiro volume que. ‘ritual’ e ‘arquétipo’. Em janeiro de 1949.37 Como ele anotou no seu formulário para a bolsa Guggenheim. Nase Novine. 407).indd 35 17/03/14 13:32 . teríamos a doutrina de que todo o simbolismo em toda a arte e em toda a religião seria mutuamente inteligível entre todos os homens e que haveria sim algo como uma iconografia da imaginação” (p. ‘símbolo’. e os primeiros três seriam uma “gramática das estruturas verbais ou narrativas.35 Diante dessa constatação. Será republicado em uma coleção de entrevistas com Frye em CW. 107.33 O terceiro volume surgiria oito anos depois como Anatomia da Crítica. segundo Frye. um estudo da comédia de Shakespeare.Introdução à Edição Canadense | 35 completar durante sua bolsa Guggenheim de um ano em Harvard (19501951). “não entraria no seu planejamento imediato”. submetido em outubro de 1949. conforme declarou em uma entrevista.

ele escreveu em seu diário sobre o seu plano de uma “grande investida inicial” no primeiro desses estudos (D. logo após chegar a Cambridge para começar seu ano de estudos com a bolsa Guggenheim. p. as tentativas de uma teoria crítica têm se baseado em filosofia em vez de se concentrar em uma pesquisa indutiva da própria literatura. Frye tinha acabado de escrever seus ensaios sobre “The Four Forms of Prose Fiction” [As Quatro Formas da Ficção em Prosa]. editor responsável da Kenyon Review. Considero a crítica literária uma ciência temporariamente privada de seu status científico por uma deficiência teórica. Com frequência. “The Archetypes of Literature”. uma teoria do simbolismo literário que apresentará todas as possibilidades essenciais dos símbolos literários em uma forma simples. Esses planejamentos de estudos são alguns dos primeiros estudos para Anatomia. pedindo pela terceira vez se ele poderia preparar um texto sobre as formas da poesia. “The Nature of Satire” [A Natureza da Sátira]. “The Argument of Comedy” [O Argumento da Comédia] e “The Function of Criticism at the Present Time” [A Função da Crítica no Momento Atual]. Em março de 1950. mas “The Archetypes of Literature”. ele escreveu “Levels of Meaning in Literature” [Níveis de Sentido na Literatura]. e “uma identificação lógica dos universos lógicos & verbais” (D. Meu atual projeto contempla. 350). Frye respondeu. 5) Naquele momento. a ideias modernas sobre simbolismo. acrescentando que o livro sobre Spenser poderia “afundar se eu não conseguir terminar uma teoria geral dos arquétipos” (D. 298). como o esquema de Dante dos quatro níveis. a pedido da Kenyon Review. parece ter resultado no ímpeto que ele precisava: linear de todas as formas de expressão verbal”. uma teoria verbal do sentido que tenta unir teorias tradicionais de sentido.38 Antes de ir para Harvard.indd 36 17/03/14 13:32 .. Philip Rice. Segundo. que foi escrito no decorrer de dois ou três dias. 98). “uma enciclopédia retórica ou uma apresentação ordenada definitiva do mito”. Miolo Anatomia da Critica.. 38 Ver nota 23. (NRL. p. um tipo de gramática do simbolismo.36 | Anatomia da Crítica Implícito em meu estudo está uma atitude diante da crítica que está explicitada em uma série de ensaios que agora estou escrevendo. em outras palavras. escreveu a Frye em junho de 1950. Com base nesse artigo. Na anotação de seu diário datado de 15 de maio de 1950. apenas peço a Deus que eu possa completar minha visão geral dos arquétipos”. Ele estava começando a perceber que o projeto Guggenheim estava se transformando num trabalho bem mais teórico. primeiro. registrou: “Eu. escrevendo outro artigo. p. p. não sobre as formas da poesia.