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O LEITOR COMPETENTE E OS FATORES DE TEXTUALIDADE

Aqueles que passam por nós, não vão sós,
não nos deixam sós.
Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.
(Antoine de Saint-Exupéry)
O trecho relativo ao conceito de leitor competente (A RECEPÇÃO..., 1995, a partir de
4 minutos e 48 segundos em diante) destaca que este tipo de leitor “tem definidos os
objetivos de sua leitura, dirige sua atividade leitora, avançando e retrocedendo, reflete
sobre determinadas ideias e busca informações concretas”. O vídeo enfatiza o papel da
escola e, em particular do professor, no sentido de estimular as competências deste tipo
de leitor. Para isso informa duas formas de abordagem relacionadas aos textos literários,
quais sejam:
1) LINEAR, no qual há um reforço no enredo básico da narrativa, quando na
realidade a concepção literária pode apontar para caminhos diversos. Destaque
aqui para a perda do encanto de certos mistérios, pois o ponto de vista partilhado é
o do professor; ou
2) MÚLTIPLA, quando a leitura foca somente no lazer, constituindo-se em um “ato
íntimo, pessoal e intransferível, quase religioso, cuja natureza jamais deveria ser
interpretada”. Neste momento os alunos são estimulados a partilhar sua opinião a
respeito da leitura realizada com a recomendação, ou não, da leitura, e depois
prosseguem para outras novas leituras. Esta abordagem preserva o contato do
leitor com livro e várias possibilidades da escolha.
Essas abordagens estão postas uma diante da outra, uma vez que a primeira está
centrada no PROFESSOR e a segunda, no ALUNO. Mas o que se configura em ambos
é o MONÓLOGO.
Figura 1 – Modelo de comunicação monológica

PROFESSOR Meios  Alunos

o
u

Professor  Meios  ALUNOS

Fonte: SARTORI; MARTINI, 2008, p. 7.

Sugere-se então que o melhor enfoque a ser adotado seja literalmente o caminho do
meio, no qual a Literatura seja tratada como objeto de estudo amplo, garantindo a
recepção adequada da leitura pelo prazer de ler. Há uma ênfase na motivação dos
alunos, de modo que eles possam ver a leitura como algo interessante, desafiador; sejam
capazes de “vincular a leitura à possibilidade de chegar ao significado de um texto e ao
prazer que isso proporciona”.
Para alcançar tal desafio, é necessário partilhar signos, favorecer a troca. Segundo
Sartori e Martini (2008), neste momento desaparecem o emissor e o receptor e surgem
os emissores-receptores (Emirecs), figuras ativas no processo de aprendizagem. Aqui
está posto o DIÁLOGO!

Figura 2 – Modelo de comunicação dialógica
Signos compartilhados




Emirec1
Emirec2




Signos compartilhados
Fonte: SARTORI; MARTINI, 2008, p. 7.

Assim no que tange ao aspecto sociocomunicativo, sugere-se que a unidade textual e
seus fatores de textualidade (coesão, coerência, informatividade, situacionalidade,
intertextualidade, intencionalidade e aceitabilidade) sejam desenvolvidos em função dos
elementos da comunicação:
(1) emissor (informatividade e intencionalidade);
(2) texto (coerência e coesão);
(3) recebedor (aceitabilidade e situacionalidade);
(4) usuário (intertextualidade).
O vídeo encerra sugerindo que seja feito um estudo mais amplo do momento da
concepção literária, com a observação da época em que um determinado autor viveu, de
sua vida e de seus gestos. Ou, ainda, a realização de cotejo entre dois momentos
literários distintos, seus períodos históricos e seus autores. Estando o aluno posicionado
no elemento quatro do processo de comunicação (usuário), faz-se necessário que ele
acesse os signos compartilhados pelo autor/emissor e pelo recebedor/receptor de outra
dimensão temporal e possa fazer uso da mensagem emitida.
Esse compartilhamento vai permitir “desvendar para uma criança o ofício da escrita”,
enriquecer o olhar dela e possibilitar a ela “novas formas de ler uma obra-prima”, além
de poder “conhecer as afinidades entre os estilos e os escritores” e “ter informações
sobre as obras e seus autores”. Assim o aluno poderá estipular ativamente quais
conhecimentos quer acessar, se aprofundar e efetivamente usar para transformar sua
visão de mundo.
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