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Manual de Tiro Tecinicas de Tiros de Pistola Segurança e Conduta Pessoal Tecnicas de Tiro de Espingarda Pistola Hk70m 9mm Utilização

de Armas de Fogo Armas Especiais Glossário pg.003 pg.095 pg.118 pg.147 pg.168 pg.172 pg.174

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TÉCNICA DE TIRO DE PISTOLA
1. TIRO DE PRECISÃO Atendendo a que, para o cumprimento da sua missão, os militares da GNR podem vir a utilizar armas de fogo, é de primordial importância ter sempre presente os elementos fundamentais em que se divide a técnica de tiro de pistola. Só através da conjugação dos seus aspectos particulares será possível atingir uma qualidade de desempenho que permita tirar o melhor rendimento dessa utilização. O mesmo é dizer que só assim é possível maximizar as hipóteses de efectuar tiro de uma forma eficiente e eficaz. Para cumprir este objectivo, esta matéria deve ser abordada após a instrução sobre a pistola e antes da execução de tiro em carreira de tiro (CT). Só após confirmação de uma correcta apreensão da técnica de tiro é que se pode considerar a possibilidade de deslocamento à CT. Esta complementaridade entre a teoria e a prática permitirá ao militar aperceber-se de todos os pormenores relevantes que têm interferência no resultado do desempenho. Para tal, e antes propriamente de passarmos à abordagem da técnica de tiro de pistola, convém relembrar algumas das especificidades deste tipo de arma. Estas características servem para reforçar algumas das considerações que mais adiante serão tecidas no âmbito da técnica de tiro com este tipo de arma. Talvez a mais importante decorra da sua própria natureza. Na realidade, a pistola é uma arma de defesa pessoal, utilizada apenas a curtas distâncias e onde a rapidez da acção é preponderante, tendo como características mais salientes as seguintes: • Curto comprimento do cano e da própria arma; • Falta de apoio para empunhar a arma e executar o disparo. Destas características, resultam alguns efeitos que se torna necessário identificar e compreender, sendo de salientar os que têm a ver com:

O curto comprimento do cano e da arma, dando origem a que, qualquer pequeno desvio, resulte numa maior dispersão sobre o alvo. Do mesmo modo, um pequeno movimento da
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mão pode comprometer a segurança dos restantes elementos na CT; • A falta de apoio, originando uma maior fadiga no braço, o que acaba por resultar em erros por parte do atirador, aumentando também a dispersão; • O nervosismo - factor psicológico -, provocado pelo primeiro contacto com uma arma muitas vezes desconhecida. O “medo” desta ou o facto de não se executar tiro regularmente, aliados aos efeitos anteriormente vistos, poderão provocar dispersões para além do aceitável, tanto em relação aos resultados pretendidos na instrução, como em termos de segurança. Este será um dos pormenores a acautelar, obrigando a adoptar algumas medidas de prevenção, as quais se podem consubstanciar num reforço especial dos aspectos com ela relacionados. 1.1 Técnica do tiro de Precisão A técnica de tiro de precisão divide-se em 5 elementos fundamentais: 1. 2. 3. 4. 5. Tomar a posição; Suspender a respiração; Fazer a pontaria; Executar o disparo; Fazer o “seguimento”.

1.1.1 Tomar a posição para o atirador direito1
A posição mais comum e a que oferece maior segurança é a chamada de “Método de Weaver”, cujas características são conforme a seguir se enunciam.
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Se o atirador for esquerdo, pratica-se o inverso daquilo que irá ser definido. Admitem-se, contudo, algumas variações, as quais decorrem da constituição anatómico-fisiológica de cada militar. Não obstante, devem ser observados e respeitados os princípios subjacentes a cada um dos itens a serem abordados para o “tomar da posição” e para os outros elementos em que se divide a técnica de tiro de precisão. 4

Contudo, se um atirador tiver uma boa posição de tiro, já por si estabelecida, e atira bem, não vale a pena tentar alterá-la. Para um iniciado é conveniente ensinar a posição referida. Esta deve, no essencial, ser a mais natural possível, de forma a proporcionar conforto e liberdade de movimento ao atirador. O tiro de precisão com pistola pode ser executado em qualquer posição, segurando a arma com as duas mãos. Contudo, em termos de instrução (para os cursos), só é considerada a posição de pé e em que a arma é empunhada sem qualquer espécie de apoio. Assim, o atirador deve tomar os procedimentos que dizem respeito a cada um dos itens que se seguem. 1.1.1.1 Enquadramento com o alvo • O atirador afasta os pés e coloca-se exactamente em frente ao alvo como se o observasse “olhos nos olhos”; • Seguidamente, faz rodar ambos os pés para a direita de forma a que se fosse traçada uma linha imaginária passando pelo meio dos seus pés, esta faria um ângulo de cerca de 40º2 com a linha do alvo.

40º

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Esta medida angular é meramente indicativa. O importante é que o militar defina a sua posição, a que lhe parecer mais cómoda. 5

1.1.1.2 Posição dos pés, pernas e peso do corpo • Os pés devem estar afastados naturalmente, tendo como referência a largura dos ombros; • As pernas não devem estar flectidas nem rígidas; • O peso do corpo deverá ser repartido igualmente pelas duas pernas, de modo a que o equilíbrio seja perfeito sem qualquer tipo de rigidez no corpo. 1.1.1.3 Posição do tronco Após achar a posição correcta dos pés, o tronco deve também ser mantido numa posição “natural”, ou seja, não o torcer excessivamente pela bacia. 1.1.1.4 Posição do ombro e braço direito • O ombro direito vai ficar mais afastado do alvo, de maneira a que o braço fique esticado e direccionado ao seu centro, mantendo o pulso firme; • Para executar o tiro, o braço direito deve estar esticado (nunca flectido no cotovelo), mas com uma rigidez natural (para que não trema com o excesso de
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força) e de forma a que qualquer movimento ou balanço que nele ocorra só possa ter origem nas ancas, nos joelhos ou nos tornozelos e nunca no ombro; • Para descanso, após cada disparo, deve baixar-se o braço, o qual deve ter uma inclinação nunca inferior a 45º3, levantando-o de seguida para cada disparo. 1.1.1.5 Empunhamento da arma na mão direita • A mão deve ser aberta, de modo a que a parte posterior do punho da arma fique apoiada na “chave da mão” (entre o indicador e o polegar), ficando o punho apoiado entre a região hipotenar (base do dedo polegar) e a palma da mão. O empunhamento deve ser o mais alto possível, para evitar balanços da arma;

• Os dedos médio, anelar e mínimo abraçam o punho, fazendo força na direcção do eixo da arma, ficando o indicador livre para actuar no gatilho. Esta força ajuda a controlar a reacção da
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Esta inclinação tem por objectivo minimizar o risco que possa ser provocado por um disparo negligente. 7

arma após o disparo, fazendo diminuir o tempo para a execução de um 2º tiro preciso. O polegar pode accionar a patilha de segurança4, exercendo um mínimo de pressão sobre o local onde assenta – normalmente perto da parte superior do punho -; • A mão direita dirige a arma para a frente, como que empurrando-a, enquanto a outra, a mão fraca, a empurra em sentido contrário, da frente para trás, e para baixo, para controlar o recuo e o salto da arma, permitindo uma rápida recuperação;

• Não esquecer que qualquer força que seja exercida fora da direcção do eixo do cano poderá provocar desvios no tiro pelo que o eixo do cano deve ser paralelo à direcção do braço estendido e a mão não deve “quebrar pelo pulso”;

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O mais indicado é que este movimento seja feito pelo polegar esquerdo, visto estar mais liberto para esta acção. 8

• A pistola deve ser segura apenas com a força necessária para a manter na mão - a força necessária para cumprimentar alguém -. O excesso de tensão leva à fadiga e a que a mão comece a tremer, aumentando os desvios e enervando o atirador, que não consegue fixar o alvo; • Um processo simples e prático de se verificar se a arma está bem empunhada é espreitando por cima do ombro, ao longo do braço, e verificar se está perfeitamente alinhada com esse mesmo braço ou mão. Caso não esteja, retirar a pistola da mão e empunhá-la de novo, repetindo-se as vezes necessárias até se obter um empunhamento correcto. 1.1.1.6 Posição do ombro e braço esquerdo Este ombro, vai ficar mais próximo do alvo, ficando o braço flectido e com o cotovelo junto ao peito, sendo essa flexão aproveitada para não só ajudar ao apoio do braço direito, como também para conferir protecção aos órgãos vitais, como o coração e o baço.

9 Ma Ma Bem

1.1.1.7 Posição da mão esquerda A mão esquerda vai encaixar na arma de modo a cobrir com a palma da mão, a parte do punho da arma que se encontra descoberto, ficando os dedos apoiados sobre os da outra mão (e com o polegar esquerdo sobre o polegar direito). 1.1.1.8 Posição da cabeça Deve manter-se erguida, sem estar forçada, por forma a ficar nivelada com a linha de mira, na direcção do alvo, estando a arma entreposta entre ambos. Qualquer posição que dificulte a respiração deve, evidentemente, ser evitada. É importante aqui realçar que a arma deve ser trazida à linha de vista e não o contrário.

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1.1.1.9 Posição em relação ao alvo Definida a posição normal do atirador, cabe agora definir os procedimentos a executar para que cada atirador consiga adaptar esta posição ideal às suas características: • Com os olhos fechados ou com a cabeça voltada para o lado, levantar o braço direito na direcção do alvo; • Abrindo os olhos ou voltando a cabeça para a frente, verificar se a arma não “quebra pelo pulso” e se o cano está direccionado à esquerda ou à direita do centro do alvo. A arma deve estar no prolongamento do braço5; • Se o cano estiver direccionado à esquerda do centro do alvo, mover ligeiramente o pé direito para trás;

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O atirador deve “espreitar” sobre o ombro para verificar que braço e arma estão no mesmo enfiamento. 11

• Se o cano estiver direccionado à direita do centro do alvo, mover ligeiramente o pé direito para a frente; • Voltar a fechar os olhos ou virar a cabeça e conferir se o cano está direccionado ao centro do alvo. Se ainda não estiver, repetir os procedimentos anteriores, até tal se conseguir, sem ter de fazer rotações laterais do braço ou da mão; • Para se corrigir em elevação, apenas será necessário fazer o alinhamento das miras ao centro ou à base do centro do alvo (conforme a distância do atirador e tamanho do alvo).

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1.1.2

“Suspender” a respiração Como os movimentos da caixa torácica, do estômago e dos ombros fazem mover consideravelmente o braço e mão que empunha a arma, e o que serve de apoio, devido à respiração durante o processo de pontaria e de disparo, esta deve quase cessar durante este período6. No sentido de não provocar um esforço sobre o coração e a circulação, os pulmões devem conter apenas uma quantidade mínima de ar. Para o tiro de precisão, deve-se adquirir a seguinte técnica de respiração: • Antes de levantar o braço, inspire e expire repetidas vezes, mas não tão profundamente que eleve a pulsação desnecessariamente; • Ao mesmo tempo que inspira pela última vez, levante o braço; • Enquanto expira parte do ar contido nos pulmões, aponte o mais rapidamente possível (isto é, levar o braço para a posição de pontaria de forma rápida); • “Suspender” a respiração momentaneamente; • Aproveite a pausa que ocorre entre os períodos de inspiração/expiração para, sem transtornar o normal desenrolar do ciclo respiratório, efectuar tiro;

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Não defendemos aqui a paragem total da respiração porque isso é prejudicial à necessária oxigenação celular, o que, a não acontecer poderia trazer alguns distúrbios a nível da visão, aumentaria a sensação de cansaço e, consequentemente, poderia até originar a antecipação do disparo. Por esta razão, digamos que a respiração deve ser minimizada, quase como se existisse a sensação de que o ar não entra nem sai. 13

Se não tiver disparado no período de aproximadamente 12 segundos, deve interromper o processo e recomeçar depois de uma curta pausa, porque, após um certo tempo a apontar, ocorrem os primeiros sinais de incerteza. Esses sinais indicam claramente que o tempo, dentro do qual se devia ter disparado, com certeza se esgotou. Lembre-se: nada de tiros em pânico ou a despachar. Nestes casos, deve-se libertar o gatilho, baixar o braço e procurar descontrair, para depois voltar à execução do tiro.

1.1.3

Fazer a pontaria Fazer a pontaria7 correcta é pôr em linha quatro elementos: 1. 2. 3. 4. Olho do atirador; Alça de mira; Ponto de mira; Alvo.

O perfeito alinhamento de cada um deles fará com que o projéctil percorra o espaço e atinja o sítio desejado, se não sofrer variações8 até que saia à boca do cano, nem se verificar a intervenção de factores externos. De entre estes, o mais importante diz respeito ao alinhamento das miras.
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Um conceito idêntico é o de “mirada”. Entende-se por mirada a acção de fazer pontaria, ou seja, colocar o olho do atirador, a ranhura da alça de mira, o ponto de mira e o alvo, na mesma linha. Como se verifica, mirada encerra um conceito diferente de apontar, já que, neste último, o atirador limita-se a dirigir a arma para o alvo, sem fazer pontaria. É o que se passa no tiro policial, como veremos, em que os olhos do atirador se focam no alvo e não no aparelho de pontaria. 8 Como é óbvio, as variações aqui implícitas não têm a ver propriamente com as alterações sofridas pela munição e pelo projéctil, do ponto de vista Físico-Químico, mas antes com aquelas que são transmitidas pelos erros cometidos pelo atirador, tendo como consequência desvios angulares e paralelos, os quais fazem com que o local de impacto seja distinto do desejado. 14

Existem vários tipos de alinhamento das miras. O método de tiro será ditado pela precisão requerida, o tamanho do alvo e a distância ao mesmo. Para o tiro preciso e lento – o qual estamos aqui a tratar -, deve utilizar-se uma visão total dos elementos do aparelho de pontaria e alvo. Tal requer a concentração no ponto de mira mas também um alinhamento cuidadoso da alça de mira com uma zona no alvo. Este tiro torna-se necessário com a finalidade de ensinar o subconsciente a reconhecer o que é uma imagem do bom alinhamento das miras. Como as miras são duas pode surgir a pergunta: qual delas focamos? Focando alternadamente ponto e alça e focando um ponto intermédio por forma a efectuar ligeiras correcções no enquadramento do ponto ou da alça, mantendo ambos focados até se produzir o disparo. A prática de “tiro em seco” ajuda bastante neste processo. Apesar de estarmos a considerar o tiro de precisão, é conveniente que o atirador se habitue a adquirir o mais rapidamente possível uma imagem das miras alinhadas, uma vez que se pretende, na modalidade de tiro policial – como adiante veremos -, um tiro com maior rapidez, utilizando uma determinada zona de pontaria no alvo, a qual pode ser definida pelo próprio atirador ou por quem estiver a dirigir o tiro. Portanto, não se aponta a um ponto definido mas a uma zona/área, visto ser impossível parar a arma. Na prática, esta área corresponde ao que se pode denominar como “zona de movimento mínimo” (ZMM) sendo nessa condição que deve ocorrer o disparo. Efectivamente, é um erro tentar parar completamente a arma pois tal não é possível, contudo, se mantivermos as miras bem alinhadas e centradas, os erros que eventualmente possam surgir

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serão erros paralelos, bem mais fáceis de resolver que os erros angulares9. Independentemente das formas que o ponto de mira e a ranhura da alça de mira possam ter, o atirador deve preocupar-se com o seu correcto alinhamento, evitando assim o defeito de ter a boca do cano a apontar para o chão, por centrar a sua atenção em focar o alvo. Para o tipo de alças e pontos Janelas de mira mais frequentes, o alinhamento correcto corresponde à imagem que se pode ver ao lado. O topo do ponto de mira encontra-se alinhado com o topo da alça, sendo que o espaço entre ambos - as “janelas” - devem ser iguais (quando não aparecem os já referidos erros angulares). Ora, como é impossível à vista humana focar dois objectos a distâncias diferentes, o atirador tem de efectuar um movimento constante entre o alinhamento das miras e o alvo10. Se o aparelho de pontaria não está nítido isso é sinal de que os olhos estão focados sobre o alvo, o que o mesmo é dizer que o atirador está a focar por cima das miras em vez de através delas. Se, ao contrário, o alvo estiver desfocado e o aparelho de pontaria estiver nítido quer dizer que o atirador está a proceder correctamente. À medida que o atirador, após tirar a folga ao gatilho, o vai pressionando a sua atenção vai-se progressivamente concentrando no alinhamento das miras e não no alvo, devendo ter uma visão nítida
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Para ver a definição de erros angulares e paralelos, consultar o n.º 5.2 A este movimento também se chama o “jogo cá-lá-cá-lá”, em que “cá” corresponde ao alinhamento do aparelho de pontaria e “lá” à projecção desse mesmo alinhamento na zona de pontaria, mas focando o alvo. 16
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deste alinhamento, enquanto o alvo surge ao fundo, desfocado. Esta é a única forma de manter as miras alinhadas a fim de alcançar um tiro consistente, preciso. A imagem das miras alinhadas, e a sua projecção na zona de pontaria, irão fazer com que o dedo complete a pressão sobre o gatilho, produzindo-se o disparo. O atirador acaba assim por ser surpreendido pelo próprio disparo, visto este ser controlado pelo reflexo olhodedo. A sua única preocupação deve centrar-se sobre aquele alinhamento, deixando o dedo actuar, como que de uma forma inconsciente. Quando as miras se decompõem o dedo que prime o gatilho fica como que bloqueado, retomando o seu movimento quando as miras se voltarem a alinhar. Podemos então considerar existir um momento estático e outro dinâmico, sendo que este – único que se manifesta de forma visível – corresponde à acção do dedo sobre o gatilho, a qual obedece às particularidades que serão referidas mais adiante.

C C

L L

Vejamos então mais pormenorizadamente cada um dos quatro elementos.
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1.1.3.1 Olho do atirador É comum, neste tipo de tiro, os atiradores “piscarem um olho” para fazerem a pontaria. Este procedimento não está completamente errado, mas geralmente provoca vários efeitos: • • • • • Fadiga do olho; Vista “nublada”; Tremuras no olho; Desconcentração; Precipitação do disparo (tiro em pânico ou a despachar).

Estes efeitos são provocados pela contracção dos músculos que rodeiam o olho que se fecha, os quais acabam por influenciar a estabilidade dos seus congéneres do outro olho. Esta é a razão pela qual se aconselha a efectuar tiro com os dois olhos abertos. Assim, o atirador com algum treino ou que tenha dificuldades em saber qual o olho a piscar deve ter consciência de que é perfeitamente capaz de executar o tiro com ambos os olhos abertos, devendo saber que: • Quando levanta a arma e a alinha com o centro do alvo, mantendo ambos os olhos focados nesse alvo, fica a ver dois canos da arma, dois aparelhos de pontaria, etc. Este “fenómeno” fica a dever-se ao olho direito criar uma imagem e o olho esquerdo duplicar essa imagem. Assim, o atirador tem de manter a focagem num dos pontos de mira e alinhar uma das alças de mira com ele (o que lhe parecer
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mais real, ignorando o outro), ficando a ver o alvo nublado (dado que, pelas razões já aludidas, a focagem da alça de mira, do ponto de mira e do alvo, em simultâneo, é impossível). De referir que, para o atirador que tenha o olho director direito, essa imagem é a que lhe aparece à esquerda, como se pode verificar nas figuras seguintes:

Imagem do olho

Imagem do olho Imagem do olho Imagem do olho

• Um ligeiro pestanejar do olho é um importante auxiliar para melhorar a visão, pois permite a limpeza da córnea; • Caso pretenda confirmar se a pontaria estaria correcta, basta piscar o olho esquerdo para que o aparelho de pontaria fique alinhado com o centro do alvo; • Se na confirmação anterior, o aparelho de pontaria não ficou alinhado com o centro do alvo, mas sim ligeiramente à
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esquerda deste, piscar o olho direito que já consegue o alinhamento (o atirador tem o olho director esquerdo11). 1.1.3.2 Alça de mira Tal como o ponto de mira, a ranhura da alça de mira também pode ter várias formas (“V”,”U”, rectangular, etc.). Em conjunto com o ponto de mira, permite ao atirador fazer uma pontaria correcta. Assim, o enquadramento do ponto de mira deve ser bem centrado na ranhura da alça e com o topo deste à altura precisa dos bordos superiores da ranhura da alça. Admitindo que este procedimento é bem executado e que a arma está imóvel, o projéctil atingirá o alvo exactamente no local desejado.

1.1.3.3 Ponto de mira Independentemente da forma que o ponto de mira possa ter (quadrada, rectangular, trapezoidal, ou outra), tem de ser sempre a primeira coisa em que o militar deve fixar a sua atenção (neste tipo de tiro).

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Se o atirador está habituado a empunhar a arma com a sua mão direita e o seu olho director for o esquerdo, não deve mudar de mão, pois não é essa a sua posição natural. O que deve fazer é habituar-se a disparar com ambos os olhos abertos, tendo em consideração o que aqui é referido. 20

A sua colocação na extremidade do cano torna-o um indicador privilegiado sobre a forma com a pontaria está a ser efectuada. Normalmente, a arma está regulada para que o topo do ponto de mira (em conjunto com a ranhura da alça de mira) seja apontado ao centro do alvo, ou à zona de pontaria. 1.1.3.4 Alvo • Como já foi referido anteriormente, o atirador não deve ver o centro do alvo nítido, pois, se isto acontecer, é sinal de que este não está a focar o aparelho de pontaria da arma;

Bem

Mal

• Quando o centro do alvo tiver dimensões reduzidas, ou a distância do atirador a este for grande, deve-se fazer o alinhamento do aparelho de pontaria à base do centro do alvo. Se pelo contrário, o centro do alvo tiver grandes dimensões ou a distância for curta, deve-se optar por fazer o alinhamento precisamente ao centro deste;
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Alinhamento à base •

Alinhamento ao centro

O alvo mais utilizado pela GNR é o Silhueta policial II (SPII)12, já que é utilizado na execução do tiro de pistola e espingarda; • Através da “leitura do alvo”, o atirador pode ir fazendo as correcções necessárias. Apercebendo-se do local de impacto, efectua as correcções que entender convenientes. 1.1.4 Executar o disparo A acção do atirador sobre o mecanismo de disparar, através do gatilho, merece atenção especial, uma vez que é aí que reside a principal causa dos erros cometidos no tiro. Para tal o atirador deve ter em atenção que: • O contacto com o gatilho deve ser feito com a “cabeça do dedo”, que é a parte mais sensível; • O dedo deve actuar numa direcção paralela ao eixo da arma e nunca obliquamente, isto é, a pressão deve
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Para outras informações sobre alvos, consultar o n.º 4.8 e os Anexos A e B. 22

ser exercida no sentido da frente para trás e horizontalmente; • Conforme foi dito, o atirador, ao empunhar a arma, fica com o dedo indicador livre. Com ele irá actuar no gatilho, de forma que a pressão seja contínua, sem pressas nem quebras, como que “espremendo” o gatilho contra o punho; • Se houver um puxar brusco do gatilho, desfaz-se a pontaria, havendo o consequente desvio. Este controlo do gatilho pode ser alcançado utilizando-se o “treino em seco”, em situação de completo relaxe, para que o atirador se aperceba da sensação que lhe é transmitida pelo movimento de pressão exercido pelo dedo, até ocorrer o disparo, certificando-se de que a arma não se move, a ponto de desfazer o alinhamento das miras. Os militares que revelarem alguma dificuldade no controlo do gatilho devem aprender e treinar a pressionar lentamente o gatilho até se dar o tiro, de forma inesperada, de surpresa. Devem igualmente aprender a controlar a tendência natural de fechar os olhos no momento do disparo. A evolução para um treino em que os procedimentos são executados de forma cada vez mais rápida – mas sempre com precisão - auxilia o militar no cumprimento daquele objectivo e a fazer um tiro que quase o surpreende. Depois, à medida que os alvos se tornam maiores e mais próximos, aprende a disparar cada vez mais rápido. Precisão primeiro, só depois velocidade. Em todo este processo é preciso não descurar o alinhamento das miras. Se o treino for conduzido em CT, se as miras baixarem quando se prime o gatilho o tiro realizado mostrará bem o resultado.
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1.1.5

Fazer o “seguimento” O “seguimento” do tiro consiste em manter a pontaria durante alguns segundos após o disparo ocorrer. Tem como objectivo evitar que a arma se mova antes que os projécteis tenham abandonado a boca do cano, já que o atirador, na ânsia de verificar o resultado do disparo que acabou de efectuar, cria o hábito de baixar ligeiramente o cano, a fim de observar o alvo. Tantas vezes o faz, que acaba por antecipar o tiro uma fracção de segundo antes do projéctil abandonar a boca do cano, só para poder ver o alvo. Serve também para antever o resultado do disparo, permitindo-lhe fazer as necessárias correcções tiro a tiro, sem ter de se deslocar à linha de alvos. O atirador procura reproduzir a imagem mental na altura do disparo por forma a ter uma ideia aproximada do disparo efectuado.

1.2

Sequência ideal para o tiro de precisão Após estarem adquiridos os elementos vistos anteriormente, podemos agora identificar aquilo que será a sequência ideal para executar o disparo, a qual é a seguinte: 1. Levantar o braço direito, até à altura do centro do alvo (ou à zona de pontaria); 2. Pressionar o gatilho até lhe retirar a folga; 3. Suspender a respiração; 4. Fazer o “jogo Miras/Gatilho”, ou seja, cada vez que olha para as miras e verifica se estão alinhadas com o centro do alvo, pressionar um pouco o gatilho, voltar a olhar para as miras e a pressionar mais um pouco o gatilho, até que o disparo aconteça, para surpresa do atirador (para isto é fundamental que a pressão exercida no gatilho seja contínua e sem sobressaltos); 5. Fazer o “seguimento”;
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6. Se o atirador constatar que já não consegue executar o disparo em tempo oportuno, é preferível não o fazer (pois o tiro seria, certamente, uma “gatilhada”), devendo baixar o braço, retomar a respiração e, quando estiver pronto, voltar a fazer a sequência anterior; 7. “Cada disparo é um disparo”; quer isto dizer que, para cada disparo, a concentração deve ser igual.

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2. TIRO POLICIAL Este tipo de tiro é, sem dúvida alguma, aquele que deve ser mais treinado pelos militares da GNR13, visto que, numa situação policial, se for necessário disparar, temos de o fazer rápida e certeiramente, a fim de evitar que inocentes sejam feridos, ou mesmo para salvaguardar a própria integridade física. Esta modalidade é também muitas vezes chamada de “tiro instintivo”. Só que esta designação não é a correcta, já que a palavra “instintivo” implica algo que nós fazemos inconscientemente, como, por exemplo, o facto de levarmos o garfo à boca sem nos picarmos nele. Ora o tiro policial implica a consciência do que se está a fazer, pois se, por exemplo, o Adversário (ADV), de repente, levantar os braços em sinal de rendição, o militar da GNR não deve fazer tiro, ou deve suspendê-lo, caso já tenha disparado. Por isso, os nossos olhos devem estar sempre atentos ao ADV – ao contrário do tiro de precisão, em que se deve ter mais atenção ao alinhamento do aparelho de pontaria -. Existem 3 factores fundamentais no tiro policial, devendo ser treinados pela ordem que a seguir se indica.
1.º

Precisão - Desde crianças, e sem o notarmos, que praticamos o tiro policial, pois, quando apontamos o dedo a alguém, fazêmo-lo rápida e certeiramente e com os dois olhos abertos. Agora, basta transportar essa situação para quando temos uma arma nas mãos, imaginando que o cano da arma é o nosso dedo. Para treinar isto quase que não é necessário ir a uma CT, já que, utilizando uma caneta e a imaginação, consegue-se um resultado semelhante, tendo o cuidado de ficar com a caneta na horizontal; Potência - Este é o único factor que o militar não pode praticar, visto que diz mais respeito ao material que é

2.º

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Apesar de todas as condições adversas que possam surgir, este tipo de tiro deve ser efectuado, no mínimo, uma vez por ano. Numa situação considerada ideal, a periodicidade seria de três em três meses. 26

utilizado, nomeadamente às armas e seus calibres. Neste aspecto é de salientar que o calibre ideal para as forças policiais continua a ser o 9 mm Parabellum14;
3.º

Rapidez - Como este tipo de tiro tem duas fases, pode-se então afirmar que: • Na 1ª Fase, torna-se necessário “conhecer a arma” (para poder explorar correctamente as suas potencialidades), pois o atirador tem de se habituar à própria posição, à mirada rápida e à execução do disparo (o que é treinado ao nível do tiro de precisão); • A 2ª Fase já envolve um treino mais apurado, pois, para além dos conhecimentos adquiridos na fase anterior, acrescenta-se o “saque” da arma do coldre. Por isso, tornase necessário saber o que fazer com a arma após o saque, conhecer as características do próprio coldre para se conseguir um saque rápido, e até mesmo o local onde exista um segundo carregador para evitar a “procura do carregador”, o que provoca sempre o desvio dos nossos olhos em relação ao alvo. Só depois de consolidada a 1ª fase é que se pode dar início a esta fase.

2.1

Evolução histórica do tiro policial Desde a invenção das primeiras armas, que o homem chegou à conclusão de que quem as usasse primeiro e certeiramente obtinha vantagem sobre os seus oponentes. Com o surgimento das primeiras armas de fogo, surgiu também uma nova maneira destes se baterem em duelos, relegando para segundo plano as espadas. O processo era simples: cada qual, armado com a sua pistola na mão, era posicionado “costas com costas” e, após a contagem (normalmente dez passos) de um elemento neutro à contenda, viravam-se “frente a frente” e disparavam, procurando acertar no seu oponente,

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Pela sua potência e efeitos produzidos serem mais consentâneos com o que se pretende em termos de cumprimento da missão. As suas características, em termos balísticos, tornam-no mais eficaz em caso de recurso a arma de fogo. 27

evidenciando já os princípios de um tipo de tiro que, nesta altura, se poderia chamar de duelo. Outra forma de duelo surgiu com os cowboys, que se defrontavam “frente a frente”, com a arma no coldre. Os principais objectivos consistiam em sacar a arma tão rápido quanto possível e disparar certeiramente um sobre o outro. Nesta altura, já se faziam notar os factores do tiro policial Rapidez e Precisão -, que, para se obterem, tornava-se necessário muito treino. Até aos nossos dias, este tipo de tiro poucas alterações tem sofrido. Nos últimos anos, face a alguns dados estatísticos realizados nos EUA, o tiro policial tem sido mais dinâmico, caminhando no bom sentido, que é o de efectuar um tiro preciso e rápido e, ao mesmo tempo, fornecer relativa protecção ao atirador, já que o ADV nem sempre é pacífico. Observemos alguns dos exemplos mais recentes. 2.1.1 Atirador de pé, de frente para o alvo, silhueta fixa O atirador identifica o alvo, empunha a arma com as duas mãos, levanta os braços na direcção desse alvo e efectua o disparo. Tem como inconveniente o atirador expor-se demasiado, tornando-se numa grande silhueta, aumentando assim a possibilidade de ser atingido. 2.1.2 Atirador de pé, de frente para o alvo, silhueta móvel, O atirador identifica o alvo e, com o objectivo de reduzir a sua silhueta, flecte ligeiramente as pernas, ao mesmo tempo que levanta os braços até à altura dos olhos, efectuando então o disparo. Tem como inconveniente o facto de, apesar do atirador reduzir a sua silhueta, os dados estatísticos anteriormente referidos, demonstrarem que, em situações de confronto, os elementos das forças policiais eram normalmente atingidos no peito ou na
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barriga, ficando-se esta situação a dever ao tiro baixo que os seus ADV’s efectuavam, talvez por falta de treino.

Silhueta fixa

Silhueta móvel

2.2

Técnica do tiro policial Conforme já foi referido relativamente ao tiro de precisão, o método actualmente utilizado é o método de Weaver. “Inventado” por um Sheriff americano com esse nome, tem como principais vantagens a rapidez de execução, a precisão de tiro e a própria protecção que confere ao atirador. Este é o tipo de tiro que mais se assemelha às necessidades da GNR, quer pela eficiência, quer pela consciência de como é feito. A técnica de tiro Policial, divide-se também em 5 elementos fundamentais: 1. Tomar a posição; 2. Sacar;
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3. Suspender a respiração; 4. Fazer a pontaria; 5. Executar o disparo. O tiro policial requer uma atenção particular, se bem que repartida, no ponto de mira. Sacrifica-se a precisão à velocidade de reacção, o que pode ser fundamental em caso de necessidade. A uma curta distância as miras quase que são dispensáveis. O atirador, praticamente, limita-se a apontar a arma, talvez olhando por cima do aparelho de pontaria. O único momento que, eventualmente, possa ter disponível para se preocupar com as miras deve ser utilizado para verificar se o ponto de mira está direccionado para a sua zona de pontaria. Com a vista dirigida para o alvo e trazida a arma para uma visão periférica é então efectuado o disparo. O treino e a repetição ajudarão na consolidação destas destrezas. Vejamos então mais pormenorizadamente cada um dos cinco elementos fundamentais.

2.2.1 Tomar a posição de pé para o atirador direito15
O procedimento a adoptar é idêntico, em todos os aspectos, ao referido para o tiro de precisão. Ainda que não sejam utilizadas, na instrução, o atirador deve ter conhecimento de que, utilizando este método, ainda poderá tomar mais duas posições: 2.2.1.1 Tomar a posição de joelhos para o atirador direito 2.2.1.1.1 Enquadramento com o alvo, posição dos pés e das pernas
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Se o atirador for esquerdo, pratica-se o inverso daquilo que irá ser definido. Relativamente ao que aqui irá ser enunciado, admitem-se igualmente algumas variações, desde que sejam observados e respeitados os princípios subjacentes a cada um dos itens a serem abordados para o “tomar da posição” e para os outros elementos em que se divide a técnica de tiro policial. 30

• O atirador afasta os pés e coloca-se exactamente em frente ao alvo como se o observasse “olhos nos olhos”; • Faz rodar ambos os pés para a direita, de forma a que se fosse traçada uma linha imaginária passando pelo meio dos seus pés, esta faria um ângulo de cerca de 40º com a linha do alvo; • Coloca o joelho direito no solo, de maneira a ficar correctamente sentado sobre o calcanhar desta perna; • Seguidamente, faz os ajustamentos necessários até estar devidamente enquadrado com o alvo.

2.2.1.1.2 Posição do tronco Para dar uma maior estabilidade deve estar ligeiramente flectido para o lado direito e para a frente. 2.2.1.1.3 Posição do ombro e braço direito O ombro vai ficar mais afastado do alvo, mantendo as mesmas características como para o atirador de pé. 2.2.1.1.4 Posição do ombro e braço esquerdo O ombro fica mais próximo do alvo. O braço é flectido e apoia, na parte inferior (antes do cotovelo), sobre o joelho do mesmo lado, ficando assim o cotovelo ligeiramente avançado em relação ao joelho. 2.2.1.1.5 Posição das mãos e cabeça
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Mantêm-se iguais à posição do atirador de pé.

2.2.1.2 Tomar a posição de deitado para o atirador direito16 2.2.1.2.1 Enquadramento com o alvo, posição dos pés, das pernas e tronco O atirador coloca-se exactamente em frente ao alvo e toma a posição de atirador deitado, afastando naturalmente as pernas e flectindo uma delas (consoante apoie ou não
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Esta posição deve ser treinada com e sem apoio do braço que empunha a arma a fim de que o atirador defina a posição que lhe for mais confortável. 32

o cotovelo no solo) para permitir a estabilidade e apoio do tronco no solo. 2.2.1.2.2 Posição dos ombros e braços O braço direito fica esticado na direcção do centro do alvo e o braço esquerdo vai ficar ligeiramente flectido, apoiado no solo. 2.2.1.2.3 Posição das mãos O empunhamento é semelhante às duas posições anteriores, não esquecendo que a arma deve ficar na vertical, para o correcto visionamento do aparelho de pontaria. 2.2.1.2.4 Posição da cabeça Flectida sobre o braço direito, reduzindo a sua silhueta e permitindo um melhor apoio desta.

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2.2.1.2.5 Fazer a pontaria É também idêntica à das anteriores posições, com a seguinte alteração: as duas imagens, que anteriormente nos apareciam lateralmente, agora vão aparecer quase que sobrepostas verticalmente, sendo a imagem de cima correspondente à do olho direito e a de baixo, à do olho esquerdo, como se pode ver na figura.

2.2.2

Sacar Relativamente ao tiro de precisão, passa agora a existir um elemento novo; o coldre. Aumenta assim o grau de dificuldade, já que o atirador passa a ter que “sacar a arma” mantendo a precisão e rapidez anteriormente adquiridas. Por esta razão, não se deve passar à modalidade de tiro policial enquanto não tiverem sido apreendidos os procedimentos relacionados com a técnica de tiro. Esta modalidade tem por objectivo primordial o de fazer a aproximação da instrução de tiro à realidade da GNR, visto que no serviço diário os militares, se tiverem de disparar, não terão a arma na mão, mas sim
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no coldre. A partir daqui têm de desencadear todo um conjunto de procedimentos, para os quais devem ser devidamente treinados, a fim de minimizar o risco de acidentes e aumentar a rapidez de reacção. O saque constitui um procedimento preliminar que conduz à execução do tiro. A importância de efectuar um bom saque está directamente relacionada com o coldre que temos17, para o que este deve possuir as seguintes características: • Deve ser seguro e permitir ao atirador correr e subir um qualquer obstáculo sem o risco de perder a arma; • Apesar de seguro, deve permitir fácil acesso à arma; • Deve permitir ao atirador um bom empunhamento ainda antes de sacar a arma. Mudar ou reajustar o empunhamento a meio curso é não só perigoso como o gesto se torna mais lento; • Deve proteger a arma e cobrir o gatilho; • Deve estar seguro no cinto para não se mover; • O atirador deve ser capaz de recolocar a arma no coldre sem ter que tirar os olhos do suspeito. Deve conseguir fazer isto com uma só mão, deixando a outra liberta para o que for preciso. Uma análise cuidada dos procedimentos que devem ser executados para efectuar o saque permite realçar um conjunto de aspectos que devem ser observados. Eles materializam aquilo que se pode considerar como sendo a sequência ideal para efectuar este movimento. Para tal atentemos nos seguintes aspectos:

17 18

Manter os dois olhos abertos sobre o alvo18;

É necessário que os atiradores esquerdos usem os coldres a eles destinados. Não esquecer que estamos na modalidade de tiro policial, pelo que a atenção se deve centrar no alvo e não na arma. Cabe ao militar desenvolver e treinar toda esta sequência por forma a que execute cada um dos seus passos sem ter a preocupação 35

• Empunhar a arma correctamente, mantendo o pulso direito e colocando o cotovelo ligeiramente para fora; • A mão que não empunha a arma aproxima-se por baixo e pelo lado (acompanhando a outra até à linha de vista); • Tomar a linha mais curta (recta) do coldre para o alvo, levando a arma em direcção ao alvo logo que sai do coldre; • Ter a preocupação de não colocar a arma no coldre com a patilha de segurança em fogo e o cão armado.

Atenção centrada no

Mão esquerda auxilia o

Pronto para actuar

de verificar onde está a arma e de a preparar para fogo, desviando o seu olhar do alvo. 36

2.2.3

Suspender a respiração Como este tipo de tiro é feito rapidamente e sem aqueles cuidados meticulosos do tiro de precisão, pois o objectivo é fazer um agrupamento de impactos numa zona, torna-se irrelevante se o atirador respira ou não. Mas se o atirador conseguir controlar a respiração no momento que antecede o disparo, obterá melhores resultados.

2.2.4

Fazer a pontaria A pontaria para o tiro policial é diferente daquela realizada para o tiro de precisão. Trata-se de apontar a uma zona ou área maior. O que importa são os impactos e não os pontos. Interessa, sobretudo, acertar na silhueta. Tal como para o tiro de precisão, fazer a pontaria correcta é pôr em linha, rapidamente, quatro elementos: 1. 2. 3. 4. Olho do atirador; Alça de mira; Ponto de mira; Alvo.

2.2.4.1 Os olhos do atirador • No tiro policial, o atirador deve manter ambos os olhos abertos. Tal facto contraria a tendência natural de “piscar um dos olhos” para fazer pontaria, mas oferece-lhe algumas vantagens tais como a de não perder a visão periférica e não perder a fracção de segundo ao piscar o olho com a
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consequente desconcentração nublada do outro olho;

e

visão

180º

140º

Dois olhos

Um olho

• Assim, o atirador, deve ter consciência de que é perfeitamente capaz de executar o tiro com ambos os olhos abertos, pois já “treina” desde pequeno, conforme foi relembrado anteriormente; • Quando levanta a arma e a alinha com o centro do alvo, mantendo ambos os olhos focados neste último, também fica a ver dois canos da arma, dois aparelhos de pontaria, etc. Este “fenómeno”, como já vimos, fica a dever-se ao olho direito criar uma imagem e o olho esquerdo duplicar essa imagem. Assim o atirador tem que focar o alvo e alinhar um dos aparelhos de pontaria (o que lhe parecer mais real, e ignorar o outro); • Não esquecer que para o atirador que tenha o olho director direito, essa imagem é a que lhe aparece à esquerda, como já se referiu;
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• Se houver dificuldades de alinhamento da imagem esquerda da arma, o atirador pode optar por alinhar a outra imagem do lado direito, ficando ciente que esse alinhamento também está correcto, mas está a ser feito com o olho esquerdo. • Se pretender confirmar se a pontaria estaria correcta basta fazer o “jogo cá-lá-cá-lá”, que consiste em, rapidamente, habituar a vista a focar às diferentes distâncias, ou seja: cá (vista focada num dos órgãos do aparelho de pontaria), lá (vista focada no centro do alvo). 2.2.4.2 Alvo • Neste tipo de tiro, o atirador já deve ver o centro do alvo (ou a zona de pontaria) nítido, pois os olhos têm de observar o ADV; • Para alvo, mantém-se a Silhueta Policial II (SPII). 2.2.4.3 Aparelho de pontaria Para reforçar a importância de manter os dois olhos abertos, vamos então tentar explicar onde devemos fazer a mirada no momento de efectuar a pontaria, para o que se torna necessário distinguir entre: mirar/focar e ver. Mirar consiste na acção de focar as miras. Ver consiste em perceber, através dos olhos, a forma e cor dos objectos, o que o mesmo é dizer, tudo aquilo que faz parte do campo de visão adjacente à mirada. Assim, podemos estar a “ver” um conjunto de coisas, contudo estamos a “mirar/focar” algo
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determinado. Como já vimos, a vista não consegue focar dois objectos em simultâneo e a distâncias diferentes, como seja o aparelho de pontaria e o alvo. Como tal, ao contrário do tiro de precisão, é essencial focar o alvo. É, contudo, conveniente que este visual seja apercebido através do aparelho de pontaria, permitindo assim uma rápida percepção do alinhamento das miras. Tal requer a concentração no ponto de mira, mas também um alinhamento cuidadoso da alça de mira e um ponto no alvo. Se fizermos ao contrário podemos perder tempo que nos pode ser precioso para neutralizar a ameaça19. 2.2.5 Executar o disparo Também aqui, a acção do atirador sobre o mecanismo de disparar, através do gatilho, merece uma atenção especial, já que é aqui que continua a residir a principal causa dos maus resultados. • O contacto com o gatilho deve ser feito com a cabeça do dedo, devendo a pressão ser exercida no sentido da frente para trás e horizontalmente; • O disparo, por ser mais rápido não significa que tem de ser brusco, mas sim executado em “três
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Para iniciar os atiradores a efectuar pontaria com os dois olhos abertos, apesar do correcto ser focar o ponto de mira, diz a experiência que tal é difícil, pelo que é preferível, de início, ensinar a fixar a vista na alça (pois é mais ampla) e uma vez assim e com o cano da arma inclinado para baixo, ir levantando esta até que vejamos o ponto de mira e posteriormente o alvo. Se apesar disto o atirador tiver dificuldades, o instrutor pôr-se-á diante do atirador para fechar-lhe a profundidade do campo de visão tentando que desta forma o consiga. Se necessário colocar os dedos indicadores ao lado da alça para aumentar o lugar onde concentrar a vista. Uma vez conseguido isto, tirar os dedos, retirandose o instrutor. 40

tempos”, ou seja tirar a folga do gatilho (arma na direcção do alvo), “jogo cá-lá-cá-lá”, e pressionar, continuamente, o resto do gatilho, até surgir o disparo. Como é evidente, por este tipo de tiro ser mais rápido que o outro, este processo deve ser desenvolvido quase em simultâneo. 2.3 Sequência ideal para o tiro policial Após estarem adquiridos os elementos vistos anteriormente, podemos agora identificar aquilo que será a sequência ideal para executar o disparo, a qual é a seguinte: 1. 2. 3. 4. Levar a arma até à altura do centro do alvo; Pressionar o gatilho até lhe retirar a folga; Fazer o “jogo cá-lá-cá-lá” (se para tal houver tempo); Pressionar continuamente o resto do gatilho até se dar o disparo; 5. “Cada disparo é um disparo”, quer isto dizer que para cada disparo, a concentração deve ser igual. O primeiro disparo deve ser certeiro, por forma a imobilizar o ADV. 2.4 Métodos de tiro policial Conforme se pode depreender daquilo que foi enunciado ao nível do tiro de precisão e do tiro policial, a posição, o empunhamento, o alinhamento das miras, o controlo do gatilho e o seguimento podem ser considerados como a base de sustentação sobre a qual deverão ser desenvolvidas as destrezas técnicas a nível do tiro. O atirador deve, por isso, cumprir com estes requisitos básicos antes de avançar para tarefas mais complexas. Não se exige que faça pontuações ao nível do tiro de precisão, mas sim que o seu tiro seja consistente, independentemente da zona do alvo, fazendo um grupamento cuja circunferência que contém os impactos não exceda os 10 cm de raio - valor que diminui à medida que se encurta a distância -. O tiro consistente é bastante mais importante do que um tiro bom e os outros maus.
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Após ter apreendido aqueles requisitos, deve-se passar à fase seguinte, a qual consiste na prática das modalidades de tiro policial mais adequadas às situações com que o militar se poderá eventualmente confrontar. Conforme se verá para cada uma delas, a utilização apropriada das miras, de acordo com os requisitos da situação em concreto, acaba por ser o resultado de um método reactivo – conciliando rapidez de reacção e precisão -, o qual deve ser devidamente treinado e automatizado. As modernas técnicas de tiro de pistola estão orientadas para um tipo de defesa considerada standard face a um ataque, sendo esta o disparo rápido de 2 tiros dirigidos ao peito do agressor. A razão de ser destes dois tiros tem a ver com a necessidade de assegurar que o adversário fica efectivamente imobilizado. Tal é conseguido não só à custa do armamento, do poder que nos confere a arma, como também do impacto que isso tem sobre o sistema nervoso do ADV. Para além disto aumentam também as probabilidades de efectuar um tiro certeiro, visto haver sempre a possibilidade de falhar o primeiro tiro. O método utilizado para efectuar estes dois tiros depende da situação concreta, e sempre da habilidade e destreza do utilizador. A cadência, por sua vez, depende da proximidade do alvo. Geralmente, quanto mais perto estiver o ADV, maior deverá ser a cadência (menor o tempo entre dois disparos). Quanto mais longe estiver, menor será a cadência (maior o tempo entre os dois disparos). Isto tem todo o sentido quando nos apercebemos que um alvo mais próximo é um alvo mais fácil e representa uma maior ameaça que um alvo distante. O tempo para reagir aumenta com a distância. Desta forma um alvo a 5 mts. deve ser imobilizado mais depressa que um alvo a 50 mts. O disparo destes dois tiros pode ocorrer segundo dois métodos: o par controlado e o par acelerado. Aquele é o primeiro e mais básico método, em que o primeiro disparo é efectuado e o segundo só se produz quando se tiver
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readquirido de novo a imagem e feito os necessários ajustamentos para realinhar a pistola. A prática contínua faz com que diminua o tempo de intervalo entre tiros, derivado a um maior controlo do recuo da arma e ao desenvolvimento e consolidação da melhor técnica para conseguir efectuar os dois disparos com eficiência e eficácia. A posição, baseada no método de Weaver, permite que a pistola volte à mesma posição e alinhamento após ter efectuado o disparo. A velocidade com que a arma volta ao alvo determina a velocidade com que se pode efectuar o segundo disparo. O segundo método é uma progressão natural do primeiro, diferindo apenas na cadência acelerada. Por esta razão é denominado de par acelerado. Pelo facto de, quanto mais perto estivermos do ADV mais rapidamente o podermos atingir, neste método a sequência é mais rápida que a anterior. Aqui, praticamente, não há tempo para realinhar as miras, assim que se recuperar do primeiro disparo efectua-se novo disparo, olhando apenas de relance para as miras, mas sem esperar “vê-las” efectivamente. A sequência do par controlado será miras/tiro/recuperação/verificação/alinhamento/miras/tiro. A do par acelerado será miras/tiro/recuperação/miras/tiro. A única diferença entre os dois é a cadência acelerada. Existe uma variação destes dois métodos, quando estamos perante dois adversários que estão perto um do outro. Neste caso, após dispararmos o primeiro tiro, devemos aproveitar o movimento que a arma faz para efectuar outro tiro sobre o segundo indivíduo. Assim que o tivermos devidamente enquadrado disparamos. O atirador pode reparar no ponto de mira enquadrado com o peito do segundo alvo, mas não esperará para o confirmar. Usando esta técnica nos dois alvos a uma distância de 5 mts. pode-se esperar um tempo inferior a 1,5 seg. para efectuar dois disparos eficazes. Conforme se pode ver nos alvos que se seguem, a distribuição do tiro corresponde a prestações diferentes em termos de precisão e rapidez de execução.
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Atirador lento mas

Atirador rápido e

Atirador conjuga

Seja qual for o método seleccionado ou a forma como os tiros são realizados, aquilo que acontece depois deve ser pensado e trabalhado antes da situação ocorrer. Aqueles que pretendam sair vencedores do confronto estudam primeiro, depois encaram os conflitos. 2.5 Tipos de carregamento Ao utilizar a arma de fogo, não chega disparar para um sítio qualquer do corpo do adversário. Para o imobilizar o tiro deve ser dirigido para uma área vital por forma a maximizar o potencial de paragem. Em seres humanos isto significa colocar os tiros na zona torácica ou na cabeça. Os projécteis incapacitam os alvos de duas maneiras: uma é causando perda de sangue suficiente ao ADV para o fazer parar. A outra é atingir o sistema nervoso central (cérebro ou coluna vertebral). Como se pode facilmente constatar, dos dois pontos a atingir é mais fácil disparar (e acertar) na zona
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torácica que em qualquer uma das outras, visto neste caso a área ser maior. Contudo, o objectivo não é aniquilar o adversário, mas sim incapacitá-lo, atingi-lo e impedir que nos atinja, ou a qualquer outra pessoa. Em todo este processo, é fundamental procurar (apesar de difícil) controlar os tiros efectuados por forma a trocar de carregador com munição na câmara, o que previne contra uma eventual necessidade de ter de o fazer sem ter a certeza de quantas munições faltam para que o carregador fique vazio. Caso tal não aconteça, e o atirador tenha notado que a corrediça está à retaguarda, deve introduzir o segundo carregador o mais rapidamente possível, procedimento este que deve ser devidamente treinado. As figuras que se seguem ilustram algumas das acções a realizar para efectuar a troca de carregadores no mais curto espaço de tempo possível, nunca perdendo de vista o alvo. Este é um aspecto que não deve ser esquecido, fazendo com que o militar se habitue a executar a operação completa sem se preocupar com as peças que deve accionar nem com o local onde irá buscar o carregador suplente.

A necessidade de recarregar poderá ocorrer

Baixe arma

ligeiramente e retire

a o

Trocar o carregador vazio pelo carregador municiado e, se possível, guardá-lo no porta

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Substituir o carregador, tendo a preocupação de o ajustar no seu alojamento

Levar a corrediça à frente e voltar de novo à acção

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Numa situação real, os alvos são difíceis de atingir pois movem-se, não são os alvos de papel que se encontram estáticos numa CT, contra os quais estamos habituados a disparar, pelo que podem ser precisos vários tiros para abater um alvo. Por essa razão devemos controlar o número de tiros efectuados, para saber as munições que ainda restam no carregador. É importante que nos apercebamos da sensação do disparo, em especial da última munição. O recuo pode ser sentido como dois movimentos separados; o movimento recuante da extracção/ejecção e o movimento para a frente da introdução da munição na câmara. Quando o último tiro é disparado apenas se sente o movimento para a retaguarda visto que o carregador vazio irá activar o detentor da corrediça e impedir o movimento para a frente. Esta sensação diferente deve ser memorizada com o treino, servindo para despoletar a resposta condicionada para um carregamento de emergência. Existem basicamente dois tipos de carregamento que é preciso aprender e praticar. O primeiro é o carregamento táctico, utilizado quando o atirador se apercebe que deve estar prestes a ficar sem munições. Para tal convém escolher um local seguro e fazer a troca por outro carregador, colocando o usado num local de fácil acesso, pois pode ser necessário reutilizá-lo. O segundo tipo é o do carregamento rápido, utilizado quando o carregador que a arma tem fica vazio. A troca de carregador deve ser feita o mais rápido possível. Um bom atirador não necessita de olhar para a sua arma para a recarregar. Mesmo durante a noite e sob stress o atirador deve estar apto a trabalhar pelo tacto. É preciso evitar deixar cair carregadores no chão desnecessariamente durante o treino pois podem-se danificar
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os lábios e causar avarias. É também preciso limpar a sujidade que tenha ficado no carregador, por isso, em caso de treino, deve ser colocado no chão uma manta ou qualquer objecto que impeça o carregador de entrar em contacto com o solo, o que também previne a introdução de elementos estranhos na arma.

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3. TÉCNICA DE TIRO COM PISTOLAS METRALHADORAS Este tipo de armas, derivado ao seu tamanho compacto, à maior capacidade de transporte de munições, maior poder de fogo e aos acessórios disponíveis, contribuíram significativamente para o equipamento de unidades especiais, favorecendo e contribuindo para o seu emprego táctico de uma forma mais eficiente e eficaz. As duas maiores vantagens de uma pistola metralhadora, para além do tamanho, são; a confiança que o atirador retira pelo facto de a possuir e o facto de a ela poderem ser acoplados vários equipamentos, tais como, por exemplo, um foco luminoso e um laser. Ao seleccionar-se uma pistola metralhadora, é preciso ter em consideração não só a capacidade de fogo a curtas distâncias mas também a capacidade de executar um tiro extremamente selectivo e preciso. Para além disso, estas armas exercem um forte efeito psicológico nos adversários. Muitos dos princípios da técnica de tiro de pistola aplicam-se ao tiro com pistola metralhadora, tais como: uma forte empunhadura, o alinhamento das miras e o controlo do gatilho. Ressalva-se aqui, apenas, a particularidade do aparelho de pontaria de algumas delas, como a HK MP5 A4, o qual dispõe de uma alça de tambor e de um anel protector do ponto de mira, pelo que a pontaria é feita de uma forma diferente daquela que vimos para as pistolas20. No tiro semi-automático, o atirador pode-se colocar de forma natural, com o pé do lado fraco ligeiramente avançado, encostar e pressionar firmemente a arma contra o ombro, apontar e disparar. No tiro automático é necessário flectir ligeiramente os joelhos, inclinar o tronco um pouco para a frente e segurar com mais força, para controlar o movimento da arma. A melhor forma para o atirador se aperceber disto é tomar a sua posição e fazer séries curtas de 3/4/5 tiro, ajustando a mesma à medida que vai fazendo as várias séries.

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Para mais informações sobre esta arma, consultar o Módulo III-V e o Módulo V, referente à Técnica de Tiro de Espingarda. 49

Tiro

semi-

Tiro

Tiro

semi50

Tiro

Apesar dos militares integrados em equipas de intervenção obedecerem à voz do superior hierárquico, quanto a fazer tiro automático ou semi-automático, a indicação que aqui se deixa é a de que o tiro semi-automático deve ser empregue em situações onde se pretende obter, para além de superioridade de poder de fogo, alguma precisão. Em termos de segurança, chama-se a atenção para duas coisas: é preciso ter cuidado e não colocar a mão em frente do cano pois, sendo uma arma compacta, facilmente a mão que a sustém, inadvertidamente, pode-se colocar num local onde pode ser atingida; É preciso igualmente ter cuidado com a segurança da própria arma pois, por vezes, pode haver a tendência (despercebida) para ignorar a presença de uma munição na câmara o que é extremamente perigoso.

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4. TREINO DE TIRO Grande parte do trabalho policial desenvolve-se de uma forma monótona e rotineira, o que tem como consequência um apreciável sentido de complacência e de aborrecimento, em certas ocasiões. Isto contribui para que essa “distracção” acabe por levar a que o militar esteja deficientemente preparado para enfrentar as emergências que se lhe deparam. Como é evidente, este nem sempre pode ter uma segunda oportunidade para superar uma falha ocorrida na sua atitude ou comportamento. É preciso ter a consciência de que, por vezes, pode ser necessário uma actuação de emergência para a qual o conhecimento da arma e a perícia do seu emprego, podem influir de forma decisiva na sobrevivência, lesão ou morte do militar ou de um camarada. No momento em que a arma tiver de ser usada no cumprimento do dever, as fracções de segundo e a precisão são de importância vital. A arma deverá ser utilizada imediatamente, sem perda de tempo, devendo o primeiro disparo ser certeiro. O saque rápido, um bom empunhamento e um fogo certeiro são factores que devem dar-se quase em simultâneo. É óbvio que todo o militar, por utilizar arma de fogo no desenvolvimento da sua missão, deve pôr o máximo interesse e empenho no seu conhecimento e manejo adequado, porque muito provavelmente terá que dela fazer uso no momento menos esperado. Este pretendido domínio da arma de fogo deve adquirir-se através de uma árdua e minuciosa prática, a qual, uma vez obtida, deve manter-se com o exercício constante. Ninguém melhor que o próprio militar pode saber qual a periodicidade com que deve exercitar. Em caso de dúvidas o seu superior hierárquico deve estar à altura de prestar os necessários esclarecimentos. Através da criação e treino de situações fictícias conseguir-se-ão um conjunto de respostas controladas e automatizadas, e não de improvisação, o que pode ser um importante auxiliar quando o militar tiver de enfrentar uma situação que poderá envolver o recurso a arma de fogo.
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Assim, é fundamental ter uma formação adequada, perder medos e ter confiança na arma que transportamos. Evita-se situações do género “não consegui proteger o meu camarada porque não fui suficientemente rápido e destro”. 4.1 A dinâmica do tiro de pistola Para efectuar uma abordagem correcta à dinâmica envolvida no tiro de pistola, o militar deve procurar conhecer as suas próprias capacidades (possibilidades e limitações, trabalhando estas), e a forma como o adversário tem por hábito agir. Mesmo não havendo nenhum adversário especifico, faz com que envide esforços para obter toda a informação disponível relacionada com casos verídicos e faça uma análise dos mesmos, procurando neles algumas regularidades que sirvam de indicadores a ter em conta para a definição de situações de treino, assim como a natureza do ambiente envolvente, ou seja, os locais mais prováveis onde se desenrolem eventuais situações de perigo. Tendo assim por base o estudo efectuado sobre os meios envolventes e a forma como o adversário poderá reagir em caso de ser atacado, podem-se definir melhor as situações de treino que procurem reflectir uma realidade o mais aproximada possível de uma eventual situação de perigo. Neste caso é essencial que para o exercício de treino o militar procure estar no mesmo nível de activação que estaria se a situação fosse verdadeira, o que envolve uma predisposição mental muito forte e uma grande concentração nas tarefas a desenvolver. Para tal é fundamental que o militar se lembre que a sua prestação estará de acordo com aquilo que treinou, portanto é preciso treinar como se tivesse a intenção de lutar. Numa situação real, os níveis de adrenalina estarão no seu máximo, produzindo, em consequência, um conjunto de reacções físicas que é importante conhecer, por forma a que se desenvolvam estratégias pessoais de controle das mesmas. Por esta razão o treino deve ser organizado tendo em particular atenção esta componente. Porque deve sempre
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esperar o pior, o militar deve treinar de acordo com isso, esperando sempre sair da situação da melhor forma. De entre as reacções físicas que podemos referir, a maior parte das quais se produzem como resultado de um conjunto de reacções químicas, destacam-se; a diminuição das habilidades motoras, a confusão, o encurtamento da focalização visual e auditiva, a aceleração do batimento cardíaco e um estado de excitação generalizado. De acordo com este estado, o militar pode experimentar uma distorção do tempo e do espaço em virtude da sua mente estar a operar a uma velocidade muito superior ao normal, o que faz com que, para alguns, exista a sensação de que o tempo se move em câmara lenta, ou mesmo que as distâncias parecem mais curtas. Nem todas as pessoas experimentam estes efeitos, os quais parecem estar ligados ao factor surpresa. Aqueles que estão completamente desprevenidos muito provavelmente, experimentá-los-ão todos. Por outro lado aquele que sabe que irá estar envolvido numa situação conflituosa não os sentirá de maneira tão intensa. Apesar de tentar constantemente manter a mente em alerta, não se pode predizer o nível de prontidão e a expectativa. É preciso manter estas coisas em mente quando treinamos. É preciso procurar minimizar a sua vulnerabilidade a estes efeitos de alarme fazendo tudo para manter as coisas simples, manter uniformidade no empunhamento e estabelecer um conjunto de respostas condicionadas às quais possa recorrer com garantias de sucesso. Treine como tenciona empenhar-se. Para tal é importante ter em conta a sua condição física, quanto melhor ela for menor será a possibilidade de ser vítima destes efeitos, pois desta forma resistirá melhor ao súbito aumento da adrenalina e aos efeitos precoces de fadiga que pode provocar. Estas reacções que sentimos são a prova que estamos assustados, mas não com medo, pois esta palavra requer uma análise mental da situação, o que leva algum tempo a fazer, enquanto que em situações conflituosas, se o militar tiver de
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usar a arma, geralmente não se poderá dar ao luxo de parar para pensar. É exactamente sobre estas condições que acabam, em maior ou menor grau, por nos limitar o desempenho, que temos de criar a habituação necessária para fazer tiro. É preciso ainda chamar a atenção que o militar deve treinar gestos simples e sincronizados, pois, no essencial, é disso que se trata o tiro. Tudo o que seja complexificar aquilo que (aparentemente) é simples só acaba por causar uma maior dificuldade em lidar com a situação, pois acabamos por nos desviar das coisas que são essenciais, passando a preocuparnos com pequenos detalhes ou pormenores que são irrelevantes para o caso. O militar, no treino, tem de se preocupar, fundamentalmente, em, no mais curto espaço de tempo possível, ter a sua arma pronta a disparar (se for o caso) e com as miras no alvo que pretende atingir. O militar pode sentir alguma dificuldade na tomada de decisões críticas e na falta de habilidade em manter os pensamentos focalizados na tarefa que está a desenvolver. Quando tal acontece numa situação real não há lugar para discussões mentais, o procedimento deve estar automatizado e a concentração completamente dirigida para a actuação e para o que se está a passar à volta, minorando assim os riscos. Isto liberta a mente para a análise da situação e para a decisão de quando se deve e para onde disparar, ao invés de pensar no que fazer para que a arma dispare ou mesmo saber quantas munições sobram depois dos tiros já efectuados. A atenção inicial deverá ser sempre dirigida para a fonte de perigo, excluindo tudo aquilo que não seja fundamental, desenvolvendo para tal uma imagem ou uma visão dirigida, uma visão de túnel. Mentalmente, o militar pode dispensar aquilo que considera informação não essencial, e pode até nem se recordar de alguns pormenores, contudo, uma vez neutralizada a ameaça é importante que ele procure outros alvos hipotéticos, a fim de não ser surpreendido por algum pormenor que tenha escapado à sua observação. Isto pode ser
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facilmente treinável, se, por exemplo, após ter cumprido o objectivo de treino, e antes de voltar a colocar a arma no coldre, continuar-se a apontar a mesma para vários sítios, seguindo o olhar, como se fosse o seu prolongamento, esperando o surgimento de alguém que pudesse ainda ameaçar. Algo que também deve ser desenvolvido é a percepção auditiva. Ouvir uma ameaça pode ser tão viável, enquanto indicador de um alvo, como ver uma ameaça, portanto é preciso não a descurar e ter a capacidade de isolar os sons que se produzem à nossa volta, identificando aqueles que são mais ameaçadores, como por exemplo, o armar de uma arma, ou mesmo a introdução de munição na câmara. Se tivermos em conta alguns relatórios policiais, referindo situações onde foram efectuados disparos, chegaremos à conclusão que mais de 80% ocorreram a uma distância não superior a 7 mts., sendo que metade destas ocorreram a 5 mts. e menos. Em termos tácticos, isto diz-nos que nos devemos preocupar em maximizar a distância a que nos encontramos da ameaça e minimizar a nossa exposição a ela. Quanto maior a distância maior a vantagem para o atirador treinado. Em termos de treino isto diz-nos ainda que a maior parte do mesmo deve ser conduzido a distâncias até 7 mts., em pelo menos 80% das vezes. As situações que envolvam o recurso a arma de fogo são violentas e rápidas. O tempo médio estimado é de 3 seg., sendo que na maior parte das vezes o suspeito está em movimento. A mensagem é clara: dispare o mais rápido possível, atingindo o alvo. Não tente acertar no botão do casaco do adversário em 3 seg. Um único tiro no peito em 1.5 seg. é bem mais realista. Deve-se obter o equilíbrio apropriado entre a velocidade e a precisão de acordo com o contexto do problema. Cerca de 70% dos casos ocorrem em ambientes com luz reduzida. O adversário teme a luz, razão pela qual os exercícios de treino não devem ser exclusivamente
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conduzidos no exterior e em pleno dia. Procure assegurar uma oportunidade para os realizar em condições de luz reduzida, pelo menos ocasionalmente. Fazendo isto estará a trabalhar na resolução dos problemas e a encontrar as soluções em ambientes de fraca luz. Para tal é preciso coordenar luz e tiro, em especial se fizer uso de uma lanterna. Mais de 50% das vezes podemo-nos deparar com mais do que um adversário, pelo que convém também efectuar exercícios com mais do que um alvo, e de preferência de vários tipos, colocando-os em vários locais e de preferência escondidos, por forma a dificultar o exercício. Esta dificuldade é essencial, pois é disso que o treino trata; treinar o difícil para facilitar o desempenho. O mecanismo de utilização de uma arma para fins defensivos envolve não apenas o acto físico de sacar e disparar mas também a aquisição visual do alvo e a análise mental que determina se é ou não uma ameaça. Esta aquisição visual e análise mental precede o tiro e determina a rapidez da resposta numa situação real. A determinação da ameaça depende daquilo que o adversário faz com as mãos ou naquilo que nelas segure. Treine para que aquilo que conduz ao disparo não seja a voz ou o apito de quem está a dirigir o tiro numa carreira mas antes o próprio alvo ou a própria ameaça. 4.2 A atitude do militar nos treinos A importância que deve ser dada ao treino faz com que o militar deva ter em conta um conjunto de considerações que contribuem para realçar esta necessidade, sendo elas: • Quanto maior for o seu à vontade para manusear a arma e com ela fazer fogo, mais liberdade tem para se concentrar exclusivamente no desenrolar da situação para, com o necessário sangue-frio, avaliar e decidir pela utilização (ou não) da arma, contribuindo assim para a salvaguarda
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da sua integridade física e de terceiros, actuando em conformidade com a lei; Reconhecer que todos cometemos erros, contudo, todos acreditamos que estamos na posse da verdade. Existe sempre algo a aprender e a melhorar, inclusivé os erros que não se sabem; Reconhecer a tendência para criticar o sistema quando não se obtêm bons resultados; A continuidade apenas é assegurada através do treino. Se não conhecermos a técnica, não a empregamos adequadamente, logo não há continuidade; Um atirador não chega a nada se somente atirar. Para se lograr um bom desempenho e à vontade é preciso treinar; Dosear o esforço, não ir mais depressa que o possível. Queimar etapas no tiro apenas conduz ao fracasso. É preciso percorrer um percurso evolutivo, começando pelo estudo da técnica, e por uma boa preparação física e psíquica; É preciso aprender correctamente as posições de tiro de precisão e corrigir os defeitos pois logo se passará ao tiro sem grande tempo para alinhar miras, o que servirá para qualquer situação, inclusivé as de visibilidade reduzida; A tensão nervosa faz perder muito no resultado. A luta contra o relógio, nos treinos, ajudará a minorar os seus efeitos nocivos; Ao começo do tiro não deve haver tensão, só depois de alcançar um bom nível se deve criar essa tensão para que se aproxime o mais possível da realidade; O atirador deve procurar adoptar uma atitude mental correcta. Deve estar preparado para falhar, senão o desânimo toma dele conta. A realização dos exercícios não deve ser tida como uma obrigação, mas antes como um momento agradável, pelo qual se esperou; O cumprimento estrito das normas de segurança deve ser tido sempre em atenção mas não de tal forma que vá
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conflituar com os objectivos da sessão, derivado à sua sobrevalorização. Uma vez que todos somos profissionais, quem dirige o treino de tiro deve dar o máximo de liberdade a quem executa, supervisionando todas as operações que seja necessário efectuar, sobretudo em caso de interrupção de tiro, por forma a que o atirador não pense nem sinta que nas suas mãos está algo que é extremamente perigoso; Evitar o excesso de confiança. Quando parece que se sabe demasiado, aparece o excesso de confiança e produzem-se acidentes, por vezes irreparáveis; Conduzir o treino o mais perto possível da realidade. Para tal, é preciso reproduzir situações prováveis, agindo/ reagindo como se fossem reais. É importante movimentar-se, reduzindo a silhueta, e disparar para o tronco e não para a cabeça, pois existe uma maior área onde é provável acertar; Diversificar as situações de treino, por forma a habituarmo-nos a diferentes estímulos. Tal pode ser conseguido, por exemplo, através de; ♦ Selecção dos alvos para os quais vamos atirar, ♦ Selecção de zonas do alvo distintas, ♦ Adopção de diferentes posições, ♦ Criação de situações de visibilidade reduzida, ♦ Execução do tiro a partir de uma posição coberta, ♦ Etc, No treino de tiro, se o atirador não conhece a arma, deve trabalhar: ♦ Segurança e empunhamento, ♦ Montagem, desmontagem, ♦ Carregar, descarregar, ♦ Resolver possíveis avarias, ♦ Treinar o carregamento. Os dados estatísticos revelam que o recurso a arma de fogo se verifica a distâncias curtas, contudo, cerca de
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15% parecem ocorrer a distâncias superiores a 50 mts. Portanto é importante conduzir pelo menos 15% do seu treino a partir desta distância. Aqui exige-se uma maior precisão que velocidade, podendo-se aguardar alguns segundos até disparar. Isto significa que deve adaptar uma posição o mais equilibrada possível. Neste aspecto, a posição que oferece este equilíbrio e estabilidade é a posição de joelhos, a qual pode ser assumida numa questão de segundos, para além de proporcionar maior protecção facilitando a sua ocultação devido à redução da silhueta. O treino de “tiro em seco” é uma das melhores formas arriscamo-nos a dizer, indispensável - de se conseguir atingir bons resultados na execução do tiro real. Este tipo de treino oferece-nos algumas vantagens que muitas vezes não são possíveis de conseguir apenas com o tiro real. Destacamos algumas delas: • Permite o treino individualizado de cada um dos elementos fundamentais da técnica de tiro (desenvolvimento da posição correcta, treino do empunhamento, de alinhamento das miras, do disparo, de respiração e do seguimento); Não exige perdas de tempo com deslocações à CT; Pode ser praticado em qualquer local, quer no exterior, quer em recintos fechados; Possibilita a economia de munições; Permite o desenvolvimento da condição física específica, através do treino dos músculos empenhados no processo de disparo.

• • • •

Quando o treino é limitado apenas à realização do tiro para alvos, os atiradores não só não chegam a detectar os seus erros como não chegam a corrigir a sua postura. Ao efectuar tiro a curtas distâncias, apesar de ser essencial, permite-se uma larga margem de erro relativamente à técnica de tiro, apesar de se acertar na silhueta. Por este motivo, é necessário
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efectuar tiro a distâncias maiores – precisão – por forma a darmo-nos conta dos erros que são cometidos. Conforme se pode facilmente perceber, o factor mais importante ao nível dos treinos é usar a imaginação para a criação de diferentes cenários. Os exercícios de treino que a seguir se indicam devem ser executados, de preferência, frente a um espelho, por forma a que o atirador possa corrigir-se, e pela ordem indicada, voltando-se ao início sempre que se pretenda avançar na sequência, repetindo as vezes necessárias para se assimilar os movimentos. Para a sua execução torna-se necessário dispor do seguinte material: 1 pistola, 2 carregadores, 5 invólucros e 1 alvo AI 1/EPG, por cada atirador. 4.3 Treino de tiro de precisão 4.3.1 Treino da posição em relação ao alvo O objectivo do exercício n.º 1 é: assumir a posição correcta em relação ao alvo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Com os olhos fechados ou com a cabeça voltada para o lado, levantar a arma, na direcção do alvo (referência); • Abrindo os olhos ou rodando a cabeça para o alvo, verificar se a pontaria está correcta (centro do alvo); • Caso não esteja apontada em direcção, deslocar a posição dos pés, fazendo avançar ou recuar o pé direito, conforme o cano se apresente à direita ou à esquerda do centro do alvo, respectivamente (nunca rodar só os braços); • Repetir a operação, de modo a que a arma fique apontada na direcção do centro do alvo;

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• Para corrigir a elevação, será necessário ajustar a arma na mão, de modo a que esta fique apontada ao centro do alvo sem qualquer esforço; NOTA: Neste exercício não se deve disparar. 4.3.2 Treino da posição e estabilidade da arma O objectivo do exercício n.º 2 é: assumir a posição correcta e estabilizar a arma. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Em frente a uma parede clara, a uma distância de cerca de 5 metros, apontar a arma a essa parede e procurar a posição em que é mais fácil centrar e estabilizar o ponto de mira, durante períodos até aos 15 segundos; NOTA: Neste exercício não se deve disparar. 4.3.3 Treino de estabilidade da arma O objectivo do exercício n.º 3 é: alinhar correctamente as miras e estabilizar a arma. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Este treino é realizado, colocando uma marca numa parede clara (círculo de papel preto, círculo pintado a giz, etc.) e apontando a arma a essa marca, procurando a máxima estabilidade das miras; • A dificuldade poderá ser aumentada, aumentando a distância à marca de referência; • De vez em quando, os olhos devem ser fechados durante 2 a 3 segundos e abertos de seguida, verificando se a estabilidade por memória muscular se mantém; NOTA: Neste exercício nunca se deve disparar.

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4.3.4

Treino de disparo O objectivo do exercício n.º 4 é: depois de tirar a folga do gatilho, pressioná-lo suavemente, sem produzir “gatilhadas” (percepção do movimento e peso do gatilho): • Aqui o elemento importante é o disparo. Este deve sair durante uma boa focagem do ponto de mira, mas sem grande preocupação com o alinhamento dos órgãos de pontaria; • O treino é conduzido sem ponto de referência, em frente a uma parede clara; • Também se deve realizar de olhos fechados ou numa sala às escuras; • De início, o atirador deve procurar aperceber-se da folga e peso do gatilho da arma; • Accionar o gatilho várias vezes, tentando produzir um disparo o mais suave possível; • Deve procurar produzir o disparo em tempo útil, ou seja, antes de começar a sentir fadiga por ausência de respiração. Como regra, não deve ultrapassar-se os 10 segundos até à execução do disparo. NOTA: Na execução de exercícios de tiro “em seco”, sempre que se produzam disparos, deverá ser colocado um invólucro na câmara da arma, uma borracha ou esponja entre o cão e o percutor. Devendo, entre cada 5 disparos, mudar-se de invólucro. Os invólucros podem obter-se facilmente na arrecadação de material de guerra.

4.3.5

Treino de estabilidade e disparo coordenado O objectivo do exercício n.º 5 é: accionar o gatilho suavemente, sem produzir gatilhadas e sem desalinhar as miras (“jogo miras/gatilho”):
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• Igual ao exercício 3, mas agora pode-se executar o disparo; • Dar atenção a que a pressão exercida no gatilho não deve perturbar a estabilidade da arma. Se esta não se verificar, deve-se insistir no exercício 4. 4.3.6 Treino da respiração O objectivo do exercício n.º 6 é: determinar e treinar a capacidade pulmonar. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Em frente a uma parede clara, efectuar o alinhamento das miras e mantê-lo durante alguns segundos, até sentir desconforto e aumento da dificuldade em apontar; • Repetir o processo algumas vezes; • De seguida, apontar e disparar dentro do tempo útil, ou seja, antes de sentir cansaço por apneia - falta de oxigénio -. 4.3.7 Treino do “seguimento” O objectivo do exercício n.º 7 é: efectuar o “seguimento” do disparo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Tomar a posição de tiro; • Executar o disparo, observando a técnica correcta de todo o processo de tiro; • Manter as miras alinhadas durante alguns segundos após o disparo, procurando manter a estabilidade das mesmas, e só depois, desfazer a pontaria.

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4.3.8

Treino integrado O objectivo do exercício n.º 8 é: efectuar disparos correctos, observando todos os elementos fundamentais para a execução do tiro. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • • • • • Tomar a posição; Levar a arma à zona de pontaria; Suspender a respiração Alinhar correctamente as miras; Accionar o gatilho, sempre com a preocupação de manter as miras alinhadas e disparar (“miras/gatilho”); • Efectuar o “seguimento”; • Este exercício deve ser executado em 2 fases: na primeira, contra uma parede branca, sem qualquer referência; e, na segunda, apontando a uma referência. Treino diversificado O objectivo dos exercício que integram este tipo de treino é: diversificar as situações de treino, por forma a mecanizar procedimentos distintos. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Utilizar diferentes posições (disparando, também, com a mão fraca); • Utilizar diferentes tipos de alvos, ou combinação de alvos.

4.3.9

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Utilizar uma composição de figuras geométricas coloridas, criando

4.4

Treino de tiro policial 4.4.1 Treino da posição em relação ao alvo O objectivo do exercício n.º 1 é: assumir a posição correcta em relação ao alvo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Este treino é realizado colocando um alvo AI 1/EPG, para cada atirador, numa parede clara, a uma distância de cerca de 5 metros; • Com os olhos fechados, levantar a arma, colocando-a na direcção do alvo; • Abrindo os olhos, verificar se a pontaria está correcta (centro do alvo); • Caso não esteja apontada em direcção, deslocar a posição dos pés, fazendo avançar ou recuar o pé direito conforme o cano se apresente à direita ou à esquerda do centro do alvo, respectivamente (nunca rodar só os braços); • Repetir a operação de modo a que a arma fique apontada na direcção do centro do alvo;
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• Para corrigir a elevação, recordar que o cano da arma é o prolongamento do dedo (como se fosse para apontar a alguém) e assim não deve apontar para o chão mas sim ao centro do alvo; NOTA: Neste exercício não se deve disparar. 4.4.2 Treino para “armar” a pistola O objectivo do exercício n.º 2 é: colocar a arma pronta a disparar. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Com a mão direita a empunhar a arma e o dedo indicador ao longo do guarda-mato, puxar a corrediça à retaguarda e deixá-la ir à frente, armando a pistola. NOTA: O carregador deve ser retirado e a arma deve estar com a patilha em posição de tiro, para o cão poder ficar armado. Neste exercício não se deve disparar, mantendo a arma direccionada para o alvo. 4.4.3 Treino do saque O objectivo do exercício n.º 3 é: sacar a arma do coldre. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Sacar a arma do coldre, mantendo os olhos fixos no alvo; • Mão fraca vai auxiliar no empunhamento, quando a arma já está completamente fora do coldre; • Levar a arma à linha de vista. NOTA: Esta sequência deve ser feita com rapidez, sendo que a arma deve descrever uma trajectória rectilínea, desde que sai do coldre até à linha de vista.

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4.4.4

Treino da sensibilidade da folga do gatilho O objectivo do exercício n.º 4 é: retirar a folga do gatilho sem executar o disparo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Levantar a arma e quando esta estiver na direcção do alvo, retirar a folga ao gatilho.

4.4.5

NOTA: Neste exercício não se deve disparar. Treino do “jogo Cá-Lá-Cá-Lá” O objectivo do exercício n.º 5 é: habituar a vista a focar às diferentes distâncias. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Fazer, rapidamente, o jogo “Cá-Lá-Cá-Lá” ou seja: Cá (vista focada num dos órgãos do aparelho de pontaria), Lá (vista focada no centro do alvo); NOTA: Neste exercício nunca se deve disparar.

4.4.6

Treino de disparo O objectivo do exercício n.º 6 é: executar o disparo correcto. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Aqui o elemento importante é o disparo, dado que a folga do gatilho já foi retirada. Pressionar continuamente o resto do gatilho, até surgir o disparo. NOTA: Na execução de exercícios de tiro “em seco”, sempre que se produzam disparos, deverá ser colocado um invólucro na câmara da arma e uma borracha ou esponja entre o cão e o percutor, devendo, entre cada 5 disparos, mudar-se de invólucro. Os invólucros podem obter-se facilmente na arrecadação de material de guerra. Deve ainda ser colocado o invólucro na câmara, e assim sendo já não
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deve ser puxada a corrediça à retaguarda. Depois do disparo, o atirador só pode regressar à posição inicial ou trocar de carregador e é sobre isso que constam os próximos dois exercícios: 4.4.7 Treino de posição inicial O objectivo do exercício n.º 7 é: colocação na posição inicial para o próximo disparo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Se o atirador conseguir colocar-se rápida e correctamente na posição inicial ganha tempo para poder observar o resultado obtido. Assim deve colocar a arma em posição de espera (45º) por forma a quando ouvir a voz de fogo só tenha que levantar a arma. 4.4.8 Treino de troca de carregador O objectivo do exercício n.º 8 é: trocar de carregador rapidamente. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • O atirador deve controlar o n.º de tiros dados, com as munições existentes no carregador. Mas quando chegar à altura de substituir o carregador vazio, por outro municiado, deve fazê-lo com a sua silhueta reduzida e mantendo os “olhos no alvo”. Este treino deve ser conduzido com e sem corrediça à retaguarda. NOTA: O atirador, à ordem, (na Carreira de tiro esta não lhe deve ser dada, visto que a troca se faz quando a corrediça fica retida à retaguarda) simula o retirar do 1º carregador e faz a introdução do 2º, aguardando ordem para reiniciar o tiro.
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4.4.9 Treino diversificado21
O objectivo dos exercícios que integram este tipo de treino é: diversificar as situações de treino, por forma a mecanizar procedimentos distintos. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Utilizar diferentes posições; • Utilizar diferentes tipos de alvos, ou combinação de alvos; • Seleccionar exercícios que impliquem deslocamento do atirador. 4.5 Treino em caso de ferimento no braço Num confronto o militar nunca deve enjeitar a possibilidade de vir a ser ferido num dos braços (ou em qualquer outra zona do corpo). Se tal acontecer, a sua prioridade deve ser procurar uma zona que o proteja, especialmente se não sabe de onde os tiros partiram, pois até o descobrir não poderá contra-atacar. Torna-se assim importante aprender a manejar a arma com a mão fraca, caso tenha sido alvejado e do incidente resulte a imobilização do braço da mão forte. Tal implica não só sacar e atirar mas também recarregar e resolver avarias. 4.5.1 Treino de manuseamento O objectivo dos exercícios que integram este tipo de treino é: manusear a arma com a mão fraca, por forma a mecanizar procedimentos. Para tal deve-se observar a seguinte sequência: 1.º O militar, tendo sido atingido no braço direito, vai ter que fazer uso da arma manuseando-a com a mão fraca;
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Ver o exemplo dado para o treino da modalidade de tiro de precisão e ver também os exemplos de circuitos práticos no Anexo C. 71

2.º Para tal, vai ter que tirar o fiador para a empunhar e preparar para fazer fogo com essa mão.

4.5.2

Treino de recarregamento O objectivo dos exercícios que integram este tipo de treino é: trocar de carregador e introduzi-lo com a mão fraca, por forma a mecanizar procedimentos. Para tal deve-se observar a seguinte sequência: 1.º O militar, tendo sido atingido no braço esquerdo, verifica que a corrediça está à retaguarda e que não existem munições no carregador; 2.º Sem tirar os olhos da ameaça, coloca a arma numa posição que facilite o recarregamento e substitui o carregador vazio por outro municiado22;

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Após esta operação, o carregador substituído deve ser colocado no mesmo sítio de onde se tirou o outro. 72

3.º Após esta operação leva a corrediça à frente e prossegue o exercício.

4.5.3

Treino de procedimento em caso de avaria O objectivo dos exercícios que integram este tipo de treino é: resolver uma avaria com a mão fraca, por forma a mecanizar procedimentos distintos. Para tal deve-se observar a seguinte sequência: 1.º O militar, tendo sido atingido no braço esquerdo, verifica que existe um invólucro a impedir o movimento da corrediça para a frente; 2.º Acto contínuo, reduz a silhueta e tenta resolver a avaria. Para tal, utiliza o cinturão ou o calcanhar da bota, a fim de fazer recuar a corrediça para acabar de extrair o invólucro; 4.º Após esta operação leva a corrediça à frente e prossegue o exercício.
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74

4.6

Treino de pistola metralhadora No treino da pistola-metralhadora, regra geral, não é aconselhável efectuar tiro de rajada porque rapidamente se fica sem munições. A tendência da própria arma em elevar-se desaconselha-o. Se for treinado, é quase tão rápido apertar o gatilho tiro a tiro, como disparar em rajadas, mesmo que curtas, não havendo necessidade de fazer pontaria a cada disparo. Para além disso há uma maior possibilidade de atingir o alvo. Apontar e disparar será a base para todo o treino de tiro com pistola metralhadora. Só após se ter vencido esta etapa é que o atirador poderá experimentar outro tipo de exercícios com a arma, os quais podem incluir um género de tiro de precisão, o que certamente conduzirá a um melhor conhecimento da arma por parte do atirador. O treino inicial consiste numa série de exercícios de familiarização, os quais consistem em: • • • • • • • Praticar operações de segurança; Conhecer o funcionamento e capacidades da arma; Desmontar/montar e fazer a manutenção da arma; Exercícios de carregar e descarregar; Procedimentos em caso de avaria; Adoptar posições de tiro, Efectuar tiro. Treino de resolução de avarias

4.7

Sem qualquer dúvida, um dos atributos mais desejados da pistola é a fiabilidade. Contudo, não existe nenhuma que seja 100% fiável. Tudo aquilo que o homem faz é sujeito a falhas, muitas das vezes nos momentos mais inoportunos. Sabendo isto é importante aprender e compreender os procedimentos
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imediatos que se seguem a quaisquer avarias que surjam com a pistola, tentando minimizar não só os riscos de virem a surgir, como também procurando resolvê-los no mais curto espaço de tempo. As avarias têm origem nas armas, munições defeituosas, atirador ou ainda em carregadores defeituosos. Para prevenir o seu surgimento é preciso ter uma pistola devidamente limpa e lubrificada - nas peças devidas - e assegurar que os carregadores e as munições sejam de qualidade. Cada avaria que se verifique há-de ter a sua causa, contudo, no meio da refega não existe lugar para fazer um diagnóstico da mesma. Os seguintes exercícios que se podem fazer para treinar a resolução de avarias permitir-lhe-ão reconhecer as características da cada uma e tomar os procedimentos mais correctos, a fim de as resolver no mais curto espaço de tempo possível. É importante que em todas estas fases a arma seja mantida em linha de vista para não só poupar tempo como também procurar manter uma visão periférica adequada ao controlo da situação. Posição 1 de avaria – Esta avaria resulta de uma falha de disparo. Ao invés de ouvir “pum” ouve-se “click”. Tal pode ser causado por uma munição defeituosa, um percutor partido ou uma falha na introdução de munição na câmara. O procedimento a ter é dar uma pancada seca no carregador com a mão fraca para que o mesmo possa ser devidamente introduzido, depois rodar a arma lateralmente para a direita, puxar a corrediça à retaguarda, a fim de sair a munição defeituosa, e deixá-la ir novamente à frente (introduzindo nova munição). Se mesmo assim se manter a falha de disparo, voltar a repetir o mesmo processo. Se após este procedimento ainda se mantiver o mesmo problema então a deficiência pode ser devida ao percutor partido, ou simplesmente o carregador não ter munições !!! Posição 2 de avaria – Esta avaria resulta de uma falha de ejecção, podendo ser causada por um carregador defeituoso,
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que interfere com a ejecção do invólucro, ou por um ejector (ou extractor) defeituoso. Tal pode ser visualmente detectado pela presença do invólucro que não permite à culatra recuar (o que não permite armar novamente a arma, pelo que o gatilho fica imobilizado). O procedimento a tomar é semelhante ao anterior, procurando tirar o invólucro com a mão fraca e deixar ir novamente a corrediça à frente. Esta identidade de procedimentos entre as duas situações ajuda a resolver os problemas surgidos e a manter as coisas simples, fáceis de aprender e mecanizar. Posição 3 de avaria – Esta avaria resulta de uma falha de alimentação, em resultado do carregador não ter mais munições. Tal pode ser facilmente detectado porque a corrediça fica à retaguarda não existindo nenhuma munição na câmara e estando o carregador vazio. O procedimento a adoptar será substituí-lo por outro com munições. Posição 4 de avaria – Esta avaria verifica-se quando a corrediça, após ter vindo à retaguarda, não vai à frente, o que se pode dever ao defeito dos lábios do carregador. Apesar de, neste caso, o carregador ter de ser reparado, pode-se tentar resolver esta situação, descendo um pouco o carregador até que a corrediça vá à frente. Deve ainda ter o mesmo procedimento das posições anteriores, fazendo mais duas ou três tentativas para que a corrediça vá à frente. Qualquer um destes exercícios pode ser aperfeiçoado com munições inertes durante a prática de tiro em seco. A melhor forma de prevenir estas avarias é efectuar uma manutenção regular às armas e transportar consigo carregadores e munições em bom estado. No caso específico dos carregadores devem ser observados periodicamente, em especial, o estado da mola elevadora, do elevador, dos lábios e se o corpo não se encontra amolgado. Aqueles que não se apresentem nas melhores condições devem ser utilizados para os treinos e nunca no serviço operacional propriamente dito.
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4.8

Alvos a utilizar Os alvos que actualmente se podem utilizar para treino são muito mais variados que as silhuetas para as quais os militares estão habituados a treinar. Efectivamente, existe hoje toda uma panóplia de alvos, com especial relevo para os “shoot/no shoot”, isto é, alvos aparentemente idênticos, diferindo apenas no facto de uma determinada figura poder aparecer a empunhar uma arma (“shoot” – deve-se fazer fogo) ou um outro objecto qualquer (“no shoot” – não se deve fazer fogo, pois não existe o pressuposto da proporcionalidade de meios). Para além disso, os alvos podem ser estáticos ou móveis, o que ajuda a dar um maior realismo à situação de treino. Os militares devem treinar com variados tipos de alvo por forma a não dar a ideia de rotina, mas sim de diversidade. Esta questão da diversidade, em particular, é especialmente importante pois contribui para uma melhor preparação do militar, possibilitando-lhe uma melhor análise e escolha de soluções possíveis numa situação real onde possa ser necessário utilizar uma arma de fogo. Tendo em atenção o que se referiu anteriormente, a utilização de um alvo táctico ajuda bastante a dar um maior realismo ao exercício de treino, levando o atirador a pensar e a procurar atingir (quando tal for o caso) o alvo na zona demarcada. Relativamente a este pormenor, aconselha-se a evitar os alvos que tenham esta zona muito pequena pois senão o atirador tem tendência a fazer um tiro de precisão e, por isso, a demorar mais tempo, o que numa situação real pode vir a ser fatal. No caso onde não seja possível adquirir estes alvos, o formador pode optar por utilizar os alvos SP II, ou outros quaisquer, colando-lhe algumas formas geométricas de cores diferentes (conforme se viu no treino da modalidade de tiro de precisão) ou simplesmente traçando/dobrando uma zona do alvo para a qual se pode/não pode disparar. Pode ainda
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colocar 3 alvos lado a lado ou 2 em baixo e um em cima ou a diferentes alturas. Na utilização destes exercícios de treino deve-se: • • • • Procurar alvos com tamanho realístico. Procurar distâncias razoáveis. Criar cenários com base em exercícios vividos. Criar cenários com base em futuros problemas.

Se o atirador não puder olhar para o cenário e imaginá-lo como verdadeiro então o exercício de pouco servirá. A chave para o treino de “shoot/no shoot”23 é testar a capacidade dos atiradores para pensar com clareza sob situações de stress. Tal pode ser feito colando figuras de armas (“shoot”) no alvo ou outro tipo de figuras (“shoot/no shoot”). O formador pode fazer isto enquanto o formando está de costas e depois este recebe a indicação de apenas disparar, por exemplo, para os alvos com quadrados vermelhos ou círculos azuis.

23

Ver Anexo A. 79

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CORRECÇÃO DE ERROS NA EXECUÇÃO DE TIRO

Tão importante quanto reconhecer os erros cometidos em CT é saber como corrigi-los. Isso implica alguma perseverança e poder analítico por parte do atirador. Mas não basta ter alguma noção teórica sobre o motivo, ou motivos, que pode(m) estar na sua origem. Por vezes é preciso adoptar o procedimento da tentativa erro e ir experimentando até se ter algum sucesso. Só através desta insistência é que será possível chegar a alguma conclusão concreta e definida. Não obstante, existem algumas regularidades na ocorrência dos erros mais comuns. Para a sua correcção, torna-se necessário ter em consideração um conjunto de aspectos que podem exercer influências distintas no resultado do desempenho. A consciência da sua existência e forma de os controlar será um importante auxiliar para o atirador. 5.1 Causas do desvio dos projécteis 5.1.1 Da arma • Vibrações do cano, no momento do disparo; • Demasiado uso do cano (estrias gastas); • Ferrugem ou aderência de resíduos (pólvora ou metal) à câmara da arma; • Arma não regulada ou irregularidades no aparelho de pontaria. 5.1.2 Das munições • Diferenças de peso ou dimensões do projéctil; • Diferenças de qualidade ou quantidade da pólvora. 5.1.3 Circunstâncias exteriores • Vento (poderá desviar a trajectória ou produzir instabilidade na arma);
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• Sol (afecta a utilização correcta do aparelho de pontaria, pois o atirador dirige, involuntariamente, o ponto ou a alça de mira para o lado mais iluminado.
So l

5.1.4

Do atirador

É aqui que reside a principal causa de “desvio dos projécteis”, visto que o atirador pode não ter adquirido completamente a parte técnica do tiro. Assim, ainda é possível na CT, fazer algumas correcções quando os atiradores estiverem a obter resultados fracos (logo após a sessão de ensaio). Estas devem ser feitas de forma a que o atirador se aperceba dos erros cometidos. Não basta dizer-lhe, é preciso que ele próprio os reconheça, sem a interferência de ninguém. Natureza dos erros De uma forma geral, os erros que se verificam mais comummente apresentam a seguinte distribuição:
3% DEFICIÊNCIAS DO ARMAMENTO E MUNIÇÕES 20% MAU ALINHAMENTO DO APARELHO

65% COMETIDAS AO PRESSIONAR

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12% DEVIDO AO SISTEMA

Como se pode verificar, o atirador é o responsável pela ocorrência da maior parte dos erros cometidos. Regra geral, estes podem-se classificar em erros angulares e erros paralelos. Os erros angulares têm origem quando o atirador desalinha as miras, concentrando-se em focar apenas o ponto de mira, ou a alça e o alvo. Sucede, então, que o atirador pode estar alinhado com o alvo mas tem um dos elementos do aparelho de pontaria desalinhado. O resultado deste desalinhamento causa um desvio no ponto de impacto no alvo que é tanto maior quanto maior for a distância. Por esta razão, este tipo de erro é considerado o mais prejudicial para o atirador, e o mais difícil de contrariar, sendo também o que ocorre com mais frequência.

Os erros paralelos resultam do desalinhamento do aparelho de pontaria com o alvo. Quer isto dizer que o atirador tem as miras alinhadas entre si, mas desalinhadas em relação ao alvo. Este tipo de erro é menos prejudicial para o atirador e menos difícil de contrariar, sendo também o que ocorre com menos frequência.
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No entanto, outros erros poderão ser cometido pelo atirador. Vejamos, então, quais poderão ser as causas de alguns dos erros mais frequentes. 5.2.1 Impactos distribuídos agrupamento definido por todo o alvo sem

Verifica-se quando o atirador altera a posição do corpo ou o empunhamento em cada disparo. Se a empunhadura for alterada, o controlo do gatilho também se modifica, obtendo-se deste modo impactos sempre diferentes. Poderá também ser motivado pelo facto do atirador focalizar o alvo e não o aparelho de pontaria da arma. O atirador deve ter a noção de que: • Deve encontrar a melhor empunhadura possível. A sua importância deve-se ao facto de afectar a forma de controlar o gatilho; • A posição de tiro deve ser correcta e a ideal para si. A sua automatização permitirá mantê-la inalterável após cada disparo; • O aparelho de pontaria deve ser focado, deixando o alvo na visão periférica. A arma, como instrumento de precisão que é, necessita de ter o aparelho de pontaria perfeitamente alinhado com o local que pretendemos atingir no alvo. Tal só se consegue se o focalizar e não o alvo. Caso contrário, estará a ver a alça e o ponto de mira
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desfocados, logo aumentados, e como tal, a sua mirada poderá estar a ser feita por qualquer ponto da mancha em que estes estão a ser percepcionados, e não do modo exacto, parecendolhe, mesmo assim, estar a apontar correctamente. 5.2.2 Impactos concentrados entre as 12H30 e as 02H00 Verifica-se quando o atirador encaixa o punho da arma junto à base do dedo polegar. Ao ser assim empunhada, a arma fica com o rebordo definido pelas arestas posterior e lateral direita do carregador, junto à zona hipotenar proximal. Quando efectua o disparo, puxando o gatilho subitamente, crispa a mão. Os músculos dessa zona, actuando em conjunto com os dedos, empurram lateralmente a arma, fazendo com que a boca do cano suba para o lado direito do atirador. O atirador deve ter a noção de que: • A empunhadura deve ser feita encaixando a parte posterior do punho no vértice do ângulo formado pela inserção dos dedos indicador e polegar (zona mole); • Para efectuar o disparo deve mover apenas o dedo indicador, permanecendo imóvel o resto da mão; • A pressão sobre o gatilho deve ser lenta e suave. É preferível perder uns décimos de segundo, a fim de controlar correctamente o gatilho, do que falhar o tiro. Em situação de confronto directo, um erro deste tipo pode-lhe custar a vida, ou a de terceiros. 5.2.3 Impactos concentrados entre as 02H00 e as 03H30 Verifica-se quando o atirador exerce pressão através da falange sobre o corpo da arma, empurrando-a para o lado direito.
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Outra causa provável será uma empunhadura deficiente. A palma da mão de apoio, ao ser posta muito à frente, e não da forma correcta já referida, também pode ser responsável por este erro. Colocada da forma descrita, o seu vector de força não se efectuará no sentido pretendido, mas para o lado direito. Este tipo de concentração poderá advir ainda do facto de colocar qualquer porção da falange ou falanginha do dedo indicador sobre o gatilho, envolvendo-o totalmente. Estará assim a exercer dois tipos de pressão sobre o gatilho. Um provocado pela flexão do dedo, e para a esquerda. O outro, pelo envolvimento do gatilho, e para a direita. Como este último é o dominante, a arma irá deslocar-se no seu sentido. O atirador deve ter a noção de que: • O dedo polegar deve acompanhar a arma sem exercer qualquer pressão. Só a sua base é que actua e apenas para efectivar a empunhadura; • Deve concentrar a atenção na posição da mão esquerda. Não esquecer que é a zona de flexão da palma, junto à implantação dos dedos, que se sobrepõe aos dedos da mão direita. A pressão é efectuada, da frente para trás, sobre a face anterior do punho. Deste modo, a força (de aperto) exercida pela palma e pelos dedos desta mão, necessária para segurar a arma, ficará equilibrada, não provocando desvios; • Só a falangeta do dedo indicador, pela sua porção média, é que pode accionar o gatilho. Como já referido, deve encontrar uma situação de compromisso entre a forma anatómica da sua mão e a arma que utiliza. 5.2.4 Impactos concentrados entre as 03H30 e as 05H00
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Verifica-se quando o atirador contrai a mão ao aplicar a pressão no gatilho. Não estando a arma segura com a tensão suficiente, os dedos polegar e mínimo, fazendo excessiva força, são os principais responsáveis por este erro. O polegar empurrando para a direita, e o mínimo, ao pressionar na zona terminal do punho, puxando para baixo. O atirador deve ter a noção de que: • Numa empunhadura perfeita, a mão direita apenas sustem a arma, cabendo à mão esquerda segurá-la e guiá-la. A força, a aplicar pela mão que empunha, limita-se às bases dos dedos polegar e indicador. Mesmo o dedo médio não pode efectuar pressão excessiva; • Os dedos não devem apertar a arma, como se a quisessem espremer. 5.2.5 Impactos concentrados entre as 05H00 e as 06H30 Verifica-se quando o atirador, por saber que no momento do disparo o coice levantará a arma, dobra o pulso no sentido contrário procurando compensá-lo. Este movimento é puramente reflexo. No momento do disparo, o atirador pressiona excessivamente o punho com os dedos anelar e mínimo, provocando um desequilíbrio na arma que se manifesta por abaixamento da boca do cano. Este erro é designado, incorrectamente, de “gatilhada”. O atirador deve ter a noção de que: • A acção a efectuar sobre o gatilho, deverá ser lenta, suave e progressiva. Só deste modo conseguirá obter um tiro de surpresa, evitando o acto reflexo de antecipação do coice. Com o treino adequado, este movimento passará a ser cada vez mais rápido, mas sem provocar alterações na posição da arma;
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• Numa empunhadura correcta, a arma é segura apenas pelas bases dos dedos polegar e indicador, e apoiada pela zona de implantação dos dedos da mão. Os dedos médio, anelar e mínimo limitam-se a acompanhar a parte anterior do punho, sem exercerem pressão excessiva. No momento do disparo, estes dedos devem permanecer estáticos. Só o dedo indicador é que irá exercer pressão sobre o gatilho, com o cuidado de não tocar em mais nenhuma parte da arma. Outra das causas pode estar relacionada com a “gatilhada”, isto é, quando as miras estão alinhadas, instintivamente o atirador pensa em disparar e então o dedo efectua um movimento brusco e forte sobre o gatilho. Também ocorre quando começamos a apertar pouco a pouco o gatilho e, ao não sair o disparo parece que nos cansamos, razão pela qual exercemos maior força no gatilho produzindo-se dessa forma a “gatilhada”. O dedo não deve perder nunca o contacto com o gatilho pois se não existir esse contacto aumenta a possibilidades de dar “gatilhadas”. Igualmente se produz porque o ruído da detonação incomoda, tendo assim os mecanismos de defesa preparados. Provocamos então o disparo para aliviar a tensão que produz o estar pendente do disparo do camarada que está ao lado. 5.2.6 Impactos concentrados entre as 06H30 e as 08H00 Verifica-se quando o atirador puxa repentinamente o gatilho, dada a sua tendência em dar demasiada atenção ao alvo. Assim, devido aos movimentos da mão, o aparelho de pontaria surge-lhe enquadrado com o alvo, 1 em cada 5 segundos, levando87

o a tomar uma atitude expectante. Ao procurar efectuar o tiro no segundo em que tem a mirada correcta, o atirador puxa violentamente o gatilho que, ao ser assim accionado, provoca um desvio para baixo e para a esquerda. O desvio para a esquerda deve-se ao facto de, ao flectir o dedo indicador, este tender naturalmente (anatomicamente) a deslocar-se na direcção do dedo polegar. O atirador deve ter a noção de que: • Deve concentrar mais a atenção no aparelho de pontaria deixando o alvo na sua visão periférica. Só assim conseguirá verificar qualquer alteração que eventualmente provoque, tendo hipótese de a corrigir de imediato; • Obterá deste modo a estabilidade da arma necessária para poder efectuar um disparo correcto; • Não se deve esquecer que a pressão no gatilho se deve efectuar de modo uniformemente crescente, mas o mais lenta possível, para não alterar a posição da arma e conseguir que o tiro o surpreenda. 5.2.7 Impactos concentrados entre as 08H00 e as 09H30 Verifica-se quando o atirador pressiona o gatilho de uma forma incorrecta. Os atiradores com a mão pequena, ao efectuarem uma boa empunhadura para terem o controlo eficaz da arma, só conseguem alcançar o gatilho com a ponta do dedo indicador. Ao accionarem-no, a pressão exercese sobre a sua aresta lateral direita, e não na porção anterior. Em relação a atiradores com a mão ou dedos compridos, este erro é motivado por utilizarem a
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falanginha ou a dobra existente entre esta e a falange para pressionarem o gatilho, mas sem o envolverem. Em ambas as formas anteriores, o atirador empurrará o gatilho para a esquerda em vez de o puxar em linha recta para trás. Finalmente, a mão esquerda, que deve apoiar e guiar a arma, também pode provocar este tipo de erro se a sua colocação for deficiente. Se colocarmos a palma da mão muito atrás, em vez de ficarmos com a base de implantação dos dedos a pressionar na face anterior da coronha, serão as falanges a fazê-lo. Desta forma serão os dedos a exercer maior pressão, puxando a arma para a esquerda. O atirador deve ter a noção de que: • Deve utilizar a parte média da falangeta para pressionar o gatilho, exercendo uma acção lenta, suave, crescente e em linha recta da frente para trás; • O dedo nunca empurra o gatilho, e, ao inserir-se nele, a falangeta deverá fazer com o sentido longitudinal do corpo da arma um ângulo de 90º; • Nos casos de atiradores com mãos desproporcionadas em relação à arma que utilizam, deverão, em pretérito de uma boa empunhadura, encontrar uma situação de compromisso empunhadura/arma, que lhes permita efectuar o controlo do gatilho da forma descrita; • As zonas tenar e hipotenar da mão de apoio deverão cobrir a platina esquerda, de modo a que seja a zona de flexão da palma - inserção dos dedos – a pressionarem, da frente para trás, a parte anterior do punho. 5.2.8 Impactos concentrados entre as 09H30 e as 11H00
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Verifica-se quando o atirador, por saber que, ao ser deflagrada, a arma irá subir, numa tentativa de amortecer a violência do seu impacto, começa a executar este movimento quando ainda está a pressionar o gatilho. Por sentir o momento em que o cão ultrapassa o ressalto que lhe permite vir à frente para embater no percutor, o atirador larga violentamente o gatilho. Sendo estes movimentos simultâneos com a deflagração, vão alterar a posição da arma, fazendo-a saltar para cima e para a esquerda. O atirador deve ter a noção de que: • Não deve antecipar o movimento provocado pelo coice antes dele existir. Deverá efectuar a força necessária e suficiente com a mão esquerda para não deixar que a arma levante muito. Isto consegue-se se a mão esquerda pressionar a direita para trás, mantendo o cotovelo em direcção ao solo; • Após a deflagração, o gatilho deve ser seguido pelo dedo indicador no seu movimento de recuperação. Quer isto dizer que, ao ir à frente, o dedo não perde o contacto com o gatilho, deixando-o armar de forma lenta e suave. 5.2.9 Impactos concentrados entre as 11H00 e as 12H30 Verifica-se quando o atirador coloca a arma com a aresta posterior direita do punho junto à zona de flexão da mão. Nesta posição, ao apertar o punho no instante que antecede o disparo, o atirador empurra-o com a palma da mão – empalmar -. Como o eixo de rotação da arma se encontra na junção do punho com a carcaça, a
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boca do cano é elevada. Ao aperceber-se deste movimento, a atenção do atirador é desviada para o ponto de mira, foca-o, recentrando a pontaria apenas por ele. Como a alça baixou mas está desfocada, o atirador não toma consciência do erro, pois vê o ponto de mira no centro do alvo. O atirador deve ter a noção de que: • Ao fazer a pontaria, deve manter sempre focados com nitidez quer a alça quer o ponto de mira, principalmente no lapso de tempo que antecede o disparo. Só assim se conseguirá aperceber das alterações da mirada que possam advir, e corrigilas atempadamente; • Deve empunhar a arma convenientemente, o que lhe proporcionará o seu correcto controlo. No caso vertente, e para que os músculos da palma da mão não interfiram com a estabilidade da arma, não se pode esquecer que, a empunhadura deve ser conseguida através de uma pressão limitada da mão direita, devidamente acompanhada da mão esquerda. 5.2 Correcções a efectuar pelo Oficial de Tiro 5.3.1 Confirmar o alinhamento do aparelho de pontaria • Mostrando a figura correspondente ao aparelho de pontaria

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• Na pistola, por exemplo, a perspectiva que o atirador deve ter da mirada aos 10, 15 e 20 mts. É, sensivelmente, a seguinte:

10mts.

15mts.

20mts.

Como, à medida que a distância aumenta se torna mais difícil enquadrar o ponto de mira na zona de pontaria, o resultado traduz-se numa maior dispersão. 5.3.2 Folga do gatilho e disparo • Depois da sessão de ensaio, aproveitando o intervalo após a colagem de pastilhas, e não havendo ninguém à frente dos atiradores, isolar um dos piores atiradores e chamar os restantes, informando-os de que, quando este atirador estiver a disparar, devem ter especial atenção ao gatilho e ao cano da arma; • De seguida, chamar o atirador que não obteve bons resultados, fingir que vai municiar-lhe a arma (introduzindo um invólucro na câmara), dizendolhe que se enquadre com o alvo e faça um disparo; • É quase certo que este atirador vai dar uma gatilhada (o cano vai baixar, no momento do
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disparo) facto que todos os outros atiradores poderão confirmar;

• Explicar ao atirador onde errou, e demonstrar-lhe o jogo Miras/Gatilho ou Cá-Lá-Cá-Lá, deixando-o disparar duas ou três vezes “em seco” (até que o cano não se mova ao disparar); • Argumentando que se vai proceder à troca do invólucro, introduzir uma munição na câmara, dizendo-lhe para efectuar mais um disparo, utilizando toda a técnica vista anteriormente; • Assim, o resultado obtido com este disparo, será bem melhor que os antecedentes, dando confiança ao atirador e demonstrando aos restantes como poderão melhorar o seu tiro. 5.3.3 Exercer demasiada força nos dedos ao disparar • Para detectar este erro, é necessário que o atirador dispare “em seco”. Para se corrigir, basta relembrar-lhe que a arma deve ser empunhada com a força necessária para se cumprimentar alguém; • Se não resultar, obrigá-lo a empunhar a arma apenas com o polegar e o indicador, mantendo os restantes dedos afastados do punho, e disparar uma ou duas vezes.
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SEGURANÇA E CONDUTA PESSOAL
“Uma brincadeira com uma arma de fogo acabou da pior maneira num bar em Grândola, com um soldado da GNR a desfechar um tiro na sua própria cabeça, soube o Correio da Manhã. O acidente teve lugar por volta da uma hora da manhã de ontem num bar da vila de Grândola e foi presenciado por um colega da vítima e um grupo de mais de cinco pessoas. Os dois soldados da GNR, ambos a prestar serviço no posto territorial de Grândola, estavam a conversar sobre armas de fogo, quando, um deles pediu ao colega a arma pessoal emprestada para, segundo consta, mostrar um “truque novo”. Fonte do Comando Geral da GNR disse que o guarda Luís Fernando Branco Nunes, de 29 anos, alistado na corporação desde 1993 retirou as munições que estavam no tambor do revólver. Todavia, tudo leva a crer que uma bala .32 ficou esquecida no tambor e quando o militar levou o revólver à cabeça e premiu o gatilho foi atingido mortalmente, perante a estupefacção de todos os presentes. O militar da GNR ainda foi evacuado para uma unidade hospitalar, mas chegou cadáver. O mesmo responsável do Comando Geral da GNR, em Lisboa, adiantou que o soldado falecido estava fora de serviço, assim como o camarada. Recorde-se que este não foi o primeiro acidente com armas de fogo manuseadas por agentes de autoridade em aparentes brincadeiras que acabam por culminar em morte.” In Correio da Manhã de 17DEC96 5. A SEGURANÇA NO USO DE ARMAS DE FOGO Talvez este exemplo sirva de alerta quando não é atribuída a devida importância a um princípio irredutível que deve estar sempre presente em todos aqueles que fazem uso de armas de fogo, com especial incidência nos militares de uma Força de Segurança. A segurança é, efectivamente, uma das suas principais
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responsabilidades. A inobservância das suas mais elementares regras pode conduzir à situação que aqui se reproduz. A segurança é um conceito que aparece intimamente ligado ao de arma de fogo. Com efeito, se perguntarmos a alguém o que tem a dizer sobre as armas de fogo, aquele que se sente incomodado com o assunto dirá que todas as armas são perigosas. Esta opinião é partilhada por aquele que a elas está habituado, pois caso o não fossem seriam inúteis. Na realidade, as armas, por si só, são ferramentas inofensivas e inertes, até que alguém lhes toque, razão pela qual se costuma dizer que não existem armas perigosas, as pessoas é que são perigosas. Uma pessoa qualquer que veja uma arma carregada pode-a considerar perigosa, contudo a segurança é da responsabilidade do utilizador e não tanto de quem o está a observar. A segurança com as armas de fogo deve significar que apenas o adversário, ou o alvo de papel que se encontra numa carreira de tiro, se encontra em perigo de vir a ser alvejado, e nada nem ninguém para além disso. A segurança - a todos os níveis -, é um processo mental que deve ser aprendido e praticado para que seja efectivo. Os acidentes que ocorrem não podem ser prevenidos com leis ou sistemas de segurança demasiado seguros que tornem as armas de fogo em instrumentos de pouco valor táctico, ou mesmo inúteis. Os acidentes com estas armas são causados pela inépcia e pelo descuido negligente do seu manuseamento, por intermédio de pessoas que não possuem o necessário estado de espírito que lhes permita ter esta preocupação sempre presente. As armas não disparam por elas próprias, alguém, ou algo, faz com que elas disparem. As armas que são disparadas inadvertidamente ou acidentalmente causam grandes embaraços, quando não, tragédias. Quando tal acontece torna-se mais fácil para o prevaricador culpar a arma que admitir o erro e aceitar a responsabilidade do mesmo. Disparos acidentais não são de forma alguma “acidentes”, eles são causados pela negligência e devem antes ser sempre apelidados de disparos negligentes. Esta constatação remete-nos para a conduta pessoal do militar, para a sua atitude, assunto a abordar mais à frente.
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A fim de minimizar a ocorrência deste tipo de disparos, o ensino da moderna técnica de tiro tem reservado uma parte dedicada em exclusivo à compreensão das regras de segurança. De entre todas as que possamos considerar, talvez a mais importante, a regra de ouro relativamente à segurança, é: nunca colocar o dedo no gatilho, a não ser quando pretenda fazer tiro. Não obstante a sua importância, e uma vez que as regras devem ser vistas numa perspectiva de complementaridade, aqui ficam quatro sugestões claras, concisas e fáceis de lembrar:

• Regra um: Todas a armas estão sempre carregadas. Temos

muito mais confiança com uma arma que sabemos estar carregada, pois se tal não acontecer tornam-se inúteis. Por esta razão devemos sempre partir do pressuposto de que a arma está sempre carregada; • Regra dois: Nunca aponte a arma a ninguém, se não for para fazer tiro. Se alguém lhe apontar a arma tem de partir do pressuposto de que está pronto para o atingir, pelo que tem todo o motivo para reagir agressivamente contra ele(a). Quando tal sucede, a desculpa habitual é que “a arma não está carregada”. Deveria então ter em atenção a regra um. Uma excepção a esta regra, ocorre quando, por razões evidentes, não se pretende disparar sobre o adversário, mas torna-se necessário intimidá-lo ou dar-lhe a ordem de largar a arma que tiver empunhada. Se por acaso se confirmar que a pessoa está inocente ou não há razão para continuar com aquele procedimento, então baixa-se a arma. Contudo, quaisquer problemas poderão facilmente ser prevenidos, através da observação da regra três; • Regra três: Mantenha o dedo fora do gatilho até que as miras estejam no alvo. Lembre-se que num cenário táctico, as miras ainda não estarão no alvo, sendo esta a última possibilidade que há de prevenir quaisquer tiros inadvertidos. Mesmo (e sobretudo) em deslocamento o dedo que acciona o gatilho deve estar sempre colocado ao longo do guarda-mato;

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• Regra quatro: Certifique-se do seu alvo e do que está por trás

dele. Não dispare para um som ou um barulho, certifique-se sempre que se trata do alvo para o qual quer atirar.

Conforme se pode facilmente concluir, nenhuma destas regras se baseiam em dispositivos de segurança, mas antes num adequado estado de espírito o qual deve ser sempre observado quando se manuseiam armas. 1.2 Instruções de segurança A preocupação com a segurança começa logo que se toma contacto com uma arma. Mas antes de a manusear deve ler-se atentamente o manual de instruções, com particular atenção às medidas de segurança preconizadas, o que permite ao utilizador conhecer tudo aquilo que o fabricante considera essencial para uma correcta utilização da sua arma. A razão para tal é, fundamentalmente, evitar que um manuseamento impróprio ou descuidado da arma possa resultar no tiro inesperado (não intencional) podendo, em consequência, causar ferimentos, danos patrimoniais ou mesmo a morte do atirador ou de outra qualquer pessoa. As mesmas consequências podem também advir de modificações não autorizadas, corrosão, ou utilização de munições danificadas ou não aconselhadas. Apesar das armas serem testadas, inspeccionadas e empacotadas antes de saírem da fábrica, o fabricante aconselha sempre ao potencial utilizador de a inspeccionar cuidadosamente, a fim de se assegurar de que não está carregada ou avariada, reforçando assim a preocupação relativamente à segurança. Conforme se pode constatar, o próprio fabricante chama desde logo a atenção do utilizador para que confirme se a arma está ou não descarregada, uma vez que, sem a menor dúvida, uma arma descarregada e em segurança é a arma mais segura. Neste aspecto particular, mais que em qualquer outro, todo o cuidado é pouco. O militar deve ter extremo cuidado ao manusear a arma. Como é sabido, e de acordo com o artigo
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transcrito, os acidentes ocorrem muito rapidamente e ferir ou matar alguém pode ter consequências muito graves. Para segurança do utilizador e de terceiros, é sempre conveniente proceder de acordo com as seguintes instruções de segurança: • Nunca esquecer que uma arma de fogo é um instrumento de defesa, pelo que só deve ser utilizado para repelir uma agressão actual ou iminente, em legítima defesa ou de terceiros, esgotados que tenham sido quaisquer outros meios para o conseguir; • O utilizador de qualquer arma de fogo deve estar perfeitamente apto a manuseá-la, conhecer o seu funcionamento, montagem e desmontagem e a efectuar as operações de segurança; • Todo o militar deve estar seguro de que conhece e sabe pôr em prática os princípios da técnica de tiro; • Quando pegar na arma manuseá-la sempre como se estivesse carregada; • Não confie na memória nem na palavra de alguém. Uma arma deve sempre considerar-se como estando carregada e pronta a fazer fogo, até ao momento em que o utilizador se assegure pessoalmente do contrário, executando as operações de segurança; • Excepto em situações de serviço que assim o exijam24, uma arma de fogo deve ser sempre transportada em segurança e sem munição introduzida na câmara; • Introduza apenas a munição na câmara quando estiver pronto para atirar a um alvo conhecido e seguro; • Sempre que empunhar uma arma, qualquer que seja o propósito, aponte-a numa direcção segura, desarme o cão e verifique se está descarregada;
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Estas situações são as decorrentes do enquadramento legal (em particular o DL n.º 457/99 de 05 de Novembro). A ordem de introdução de munição na câmara será dada pelo Cmdt da força que estiver empenhada ou, na sua impossibilidade, deverá ser o próprio militar, mediante a análise que fizer da situação envolvente, a decidir. 99

• Nunca apontar a arma a alguém ou algo - excepto em situações imperiosas de serviço -, se não pretende fazer fogo, mesmo sabendo que está descarregada; • Nunca aceite, devolva ou pouse uma arma sem que esteja descarregada, com o cão desarmado e com o tambor aberto (no caso dos revólveres); • Verifique com frequência o estado de conservação e limpeza da sua arma, pois só assim poderá prevenir futuras avarias, que teriam consequências graves em situação de crise. Tenha especial atenção ao bom funcionamento e desobstrução do carregador, corrediça/culatra, câmara e cano; • Ao terminar o serviço, se possível, guarde a arma na arrecadação de material de guerra; • Não leve a arma para a caserna, nem a deixe guardada no armário; • Não se iniba de chamar à atenção ou repreender um seu camarada ou subordinado, sempre que verificar que estão a ser desrespeitadas as normas elementares de segurança; • Ao guardar a sua arma em casa, descarregue-a e efectue as operações de segurança, coloque-a num local onde seja inacessível a qualquer outra pessoa, em especial a crianças, de preferência num compartimento fechado à chave. A arma e as munições devem ser guardadas em locais separados; • Não abandone nunca a sua arma, pois pode ser usada contra si; • Nunca deixe a arma em local onde possa ser facilmente furtada, como por exemplo no porta-luvas do carro; • Quando trajar à civil, transporte a sua arma num local dissimulado. Deve de preferência usar uma “sovaqueira”; • Nunca trepe ou salte um obstáculo, com munição introduzida na câmara da arma; • De igual modo, nunca a aponte para si agarrando na boca do cano;
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• Quando transportar a arma na mão, nunca deixe que qualquer parte da mão ou outro objecto toquem no gatilho; • Nunca deixar a pistola pronta a fazer fogo, se essa não for a sua intenção; • Utilize sempre munições de qualidade e do calibre apropriado para a sua arma; • Nunca ingira bebidas alcoólicas ou drogas antes ou durante a realização do tiro; • Utilize sempre óculos de protecção e protectores de ouvidos durante o tiro; • Tenha sempre a patilha de segurança em segurança e o cão abatido, apenas alterando esta posição quando estiver pronto para fazer tiro. Mantenha a arma apontada numa direcção segura - linha de alvos ou espaldão - quando colocar a patilha de segurança em fogo; • Contar os disparos para saber as munições que ficam no carregador, para que se possa, numa acção rápida, trocar de carregador enquanto existe munição na câmara; • Mantenha-se fora da zona normal de ejecção dos invólucros, afastando da mesma eventuais camaradas que estejam perto de si; • Nunca premir o gatilho ou colocar o dedo no guarda-mato, se não tiver em condições de apontar a um alvo e fazer fogo; • Tenha sempre absoluta certeza quanto ao seu alvo e à zona por detrás dele, antes de premir o gatilho. Um projéctil pode percorrer uma distância de várias dezenas/centenas de metros, para além do alvo - se o espaldão não o retiver -; • Nunca dispare contra uma superfície dura, como rocha ou aço, ou uma superfície líquida, como água; • Nunca dispare perto de um animal, a não ser que esteja treinado para aceitar o som produzido; • Nunca incorra em “brincadeiras” quando tiver a sua arma empunhada; • Em caso de falha de disparo, mantenha sempre a arma apontada ao alvo, ou para uma área segura, e espere 10 seg.
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• • •

• • •

Se por acaso ocorreu uma falha na ignição da munição, retardando a mesma, o disparo pode ocorrer passados 10 seg. Se, após transcorrido este tempo a situação se mantiver, accione novamente o gatilho. Se mesmo assim não ocorrer o disparo, e o motivo não seja visível (como poderia acontecer se não tivesse havido extracção completa, e o invólucro estivesse a impedir a introdução da munição seguinte) devese proceder de acordo com a seguinte sequência: ♦ Colocar a patilha/comutador de segurança em segurança, ♦ Retirar o carregador, ♦ Puxar a culatra/corrediça à retaguarda, ♦ Retirar a munição e examiná-la, a fim de determinar se houve ou não percussão. Se não houve, a causa pode ficar a dever-se ao percutor estar partido, pelo que é aconselhável fazer com que a arma seja observada pelo mecânico de armamento. Se houve, a causa é a munição. Assegure-se sempre que a sua arma não está carregada antes de a limpar ou guardar; Não efectue modificações na arma, pois o mecanismo de segurança e o seu próprio funcionamento podem ser afectados; Tenha sempre particular atenção a sinais de corrosão, utilização de munições danificadas, deixar cair a arma no chão, ou outro qualquer tipo de tratamento inapropriado, pois tal pode causar estragos imperceptíveis. Se tal acontecer entregá-la ao mecânico de armamento da Unidade para que seja vista; Nunca abusar da utilização da arma, para fins distintos da realização de tiro (real/“em seco”); Não deixe que lhe aconteça a si, ou junto de si, acidentes em que posteriormente diga ou oiça dizer “pensava que a arma estava descarregada!...”; NÃO LEIA apenas estas regras básicas!, PRATIQUE-AS e obrigue quem estiver junto a si a fazê-lo.
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Pense sempre que o primeiro e mais importante aspecto da segurança de qualquer arma é o atirador. Todos os dispositivos de segurança são mecânicos e o atirador é o único que põe a arma em fogo/segurança. Não confie naqueles dispositivos, pense de forma prevista e evite situações que possam provocar acidentes. Pelo facto das armas se distinguirem pelo seu manuseamento, o atirador nunca deve disparar com a arma antes de com ela se ter familiarizado. É necessário estudar o seu funcionamento e praticar o seu manejo, sem a carregar - exercícios “em seco” -, para se familiarizar com ela. 1.3 Operações de segurança Tal como o próprio nome indica, as operações de segurança consistem num conjunto de procedimentos sistematizados cujo objectivo é garantir ao atirador que a sua arma se encontra em segurança. Independentemente de noutros casos serem necessárias, as operações de segurança executam-se obrigatoriamente nas seguintes situações: • Sempre que se manuseia uma arma; • Sempre que se levanta ou entrega a arma na arrecadação, no acto da sua recepção ou guarda; • Antes e depois da limpeza; • Antes de executar qualquer operação de desmontagem; • Imediatamente após a execução de tiro; • Após o regresso de qualquer serviço em que se utilize a arma; • Ao entregar a arma a um camarada por motivo de serviço. A fim de verificar se uma arma está descarregada, as operações deverão ser executadas respeitando a seguinte sequência: • Colocar a patilha de segurança/comutador de tiro na posição de segurança; • Retirar o carregador;
103

• • • • • 1.4

Puxar a corrediça/manobrador à retaguarda para verificar se existe munição na câmara, verificação essa que deverá ser visual e física25 (pela introdução do dedo na câmara); Levar a corrediça/manobrador à frente; Colocar a patilha de segurança/comutador de tiro em posição de tiro; Efectuar um (e só um) disparo de segurança em direcção segura; Voltar a colocar a patilha de segurança/comutador de tiro na posição de segurança; Introduzir o carregador, verificando se este está desmuniciado.

Segurança na Carreira de Tiro As regras de segurança enunciadas devem ser tidas em consideração quando nos encontramos numa Carreira de Tiro (CT), local destinado à prática de tiro. De entre elas, sublinham-se as que se seguem, com alguns procedimentos específicos. 1.º 2.º 3.º Na CT, todos os procedimentos são ordenados por quem dirige o tiro; É expressamente proibido manejar as armas sem ter sido para tal autorizado; Na CT é obrigatório o uso de protectores de ouvidos (auriculares) já que: • O som, que é uma perturbação periódica e agradável, por vibração do ar, converte-se em barulho ou ruído, quando a sua tonalidade, timbre e intensidade aumentam até alcançar níveis que o tornam desagradável;

25

Esta verificação física auxilia o atirador a reconhecer a sensação que lhe é transmitida pelo toque do dedo numa câmara com/sem munição. Isto é particularmente importante quando se conduzem operações em condições de fraca visibilidade. 104

• A quantidade mínima de décibeis (dB) de um disparo é, então, um ruído, pois atinge, normalmente, valores acima de 115 dB, valor esse que se enquadra na chamada “zona muito perigosa de audição”, como se pode observar no quadro seguinte: Grau de perigo para a audição humana Zona muito perigosa Zona perigosa Zona desagradável Zona agradável Exemplo e décibeis registados Reactor de avião (120/140 dB) Disparo (110/120 dB) Banda Rock (100/110 dB) Walkman (90/100 dB) Trânsito de uma cidade (70/90 dB) Conversação normal (45 dB)

• • • • • •

• Se ao ruído provocado pelo disparo (que acaba por destruir as células responsáveis pela transformação das vibrações sonoras em impulsos nervosos), juntarmos a destruição que essas células sofrem à medida que a idade aumenta, conclui-se que estão reunidas as condições para o aparecimento da surdez; • Todo o atirador deve, aquando da execução das tabelas de tiro, usar dispositivos para limitar esse ruído, provocado pelos disparos, tais como protectores de ouvidos ou tampões-esponja. Quando tais dispositivos não existirem, poderão ser utilizadas duas munições calibre 9 mm, obtendo-se um efeito similar.

105

4.º

Quando não estão a ser manuseadas, as armas devem estar com: • A corrediça/culatra à retaguarda (ou, no caso dos revólveres, com o tambor aberto); • A patilha/comutador de tiro em segurança e visível; • Cano direccionado ao alvo – quando não estiverem nos coldres -; • Janela de ejecção virada para cima (Espingarda Automática G-3 e pistolas metralhadoras);

É ainda admissível que as pistolas sejam transportadas nos coldres, mas sempre com a corrediça à retaguarda, sem munição na câmara e sem carregador. As pistolas apenas não estão assim acondicionadas aquando da execução de tiro. Cabe a quem dirige o tiro determinar qual a modalidade a adoptar. 5.º Mesmo depois da explicação do exercício, em caso de dificuldade de compreensão, é importante realizar uma sessão de ensaio de tiro “em seco”; Quando for ordenado o sacar da arma (na modalidade de tiro policial) esta deve ficar dirigida para a frente e para o solo, com uma inclinação de 45o; Enquanto o atirador não estiver a executar o tiro, deve manter o dedo indicador ao longo do guarda-mato, evitando assim disparos involuntários;

6.º

7.º

106

8.º

No caso de se efectuar tiro com movimento, um meio expedito para reforçar as condições de segurança, a fim de evitar um disparo fortuito, é colocar o dedo polegar da mão fraca (mão que auxilia aquela que empunha a arma) entre o cão e o percutor.

9.º

Para realizar qualquer operação, nunca apontar a arma em outra direcção que não seja a do alvo;

107

10.º

Durante a execução do tiro com pistola, evitar o “hábito” de, após o disparo, observar o alvo, apontando a arma para o próprio pé do atirador;

11.º

Ter particular atenção à colocação do dedo polegar esquerdo sobre o outro polegar e nunca sobre o pulso direito (pois a corrediça ou o cão, ao virem à retaguarda podem ferir a mão esquerda do atirador);

108

12.º

Durante a execução do tiro com espingarda ou com pistolas metralhadoras, os atiradores esquerdinos devem ter particular atenção à colocação do dedo polegar direito (nunca sobre a janela de ejecção);

13.º

A execução de tiro não deve ser conduzida em ambiente repressivo, de maneira a permitir que os atiradores estejam concentrados na execução das técnicas e na observação dos cuidados de segurança. Ao contrário do que por vezes se pensa, um ambiente de tensão e nervosismo26 conduz facilmente à perda de segurança, além de se reflectir negativamente nos resultados do tiro. Quando houver qualquer interrupção na execução do tiro, tomar sempre os seguintes procedimentos, adaptando-os às várias armas:

14.º

26

Não obstante, este ambiente de tensão e nervosismo é adequado para o treino de situações que possam vir a ocorrer, contribuindo para criar um maior realismo. Por esta razão, esse treino apenas deve ser conduzido numa fase posterior à técnica de tiro e ao tiro em CT. Após a apreensão destes pressupostos, pode-se então partir para a criação daquelas situações. 109

• Aguardar 10 seg. e efectuar novo disparo, pois a primeira percussão do fulminante pode não ter sido bem efectuada; • Colocar a patilha/comutador de tiro em segurança; • Retirar o carregador; • Puxar a corrediça/culatra à retaguarda; • Tentar identificar e solucionar a avaria. Caso não seja possível, levantar o braço livre, chamando a atenção de quem estiver a dirigir o tiro, aguardando que este se lhe dirija; • Em todo este processo a arma e o atirador estão sempre direccionados para a linha de alvos. 15.º 16.º Fora da linha de tiro a arma está sempre no coldre ou devidamente acondicionada; Se tem que manusear a arma fora da linha de tiro deve: • Pedir autorização a quem estiver a dirigir o tiro; • Transportar a arma desmuniciada e descarregada; • Afastar-se dos camaradas e dirigir-se para zona segura; 17.º Após haver terminado o manuseamento deve pedir autorização para se reintegrar, transportando a arma da mesma forma quando saiu da linha de tiro; Quando estiver terminada cada série/sessão de tiro, tomar sempre os seguintes procedimentos, adaptandoos às várias armas: • Colocar a patilha/comutador de tiro em segurança; • Retirar o carregador; • Puxar a corrediça/manobrador à retaguarda, fixandoa/o; • Colocar a arma em cima do pano de tenda, ou colocá-la no coldre, conforme foi visto no n.º 4; • Recuar cerca de 2 metros e municiar o carregador vazio;
110

18.º

• Aguardar a voz de ir “aos alvos”. Após esta, deslocar-se até à frente do alvo e verificar o resultado obtido - na CT de 100 metros o atirador não se desloca aos alvos, pois o resultado é-lhe dado através do apontador/pastilheiro e confirmado via rádio -; • Aguardar a voz de regressar “às linhas” - após esta, deslocar-se até à linha -; 19.º Quando estiver terminada a tabela de tiro, quem dirige o tiro deve dar indicações a todos os atiradores para: • Efectuarem as operações de segurança; • Acondicionarem novamente as armas nos locais onde foram transportadas; • Certificarem-se de que nada fica esquecido e que a CT continua limpa. 6. A ATITUDE DO MILITAR A natureza específica da missão da GNR faz com que a atitude do militar, no que diz respeito às armas de fogo e sua posse, seja desenvolvida no sentido de ir de encontro a algumas considerações que irão aqui ser tecidas. A prática e adopção de uma atitude correcta constituirá um forte contributo para minimizar as possibilidades de ocorrência de acidentes. Para além das limitações legais já referidas, sempre que se trate do emprego de armas de fogo ou outros meios mortíferos, o militar deve ainda observar o seguinte: • Ser conhecedor das condições em que pode “abrir fogo”, procurando, quando tal for absolutamente necessário, e sempre que possível, ferir e não matar; • Antes de “abrir fogo”, e sempre que possível, avisar o Adversário (ADV) no mínimo três vezes, de que se vai recorrer a esse meio. Para tal, é preciso ter a percepção que o próprio acto de introduzir munição na câmara pode ter um efeito psicológico sobre o presumível infractor;
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• Procurar avaliar o local onde se vai “abrir fogo”, incluindo o disparo de aviso para o ar, visto que nos centro urbanos, há possibilidade de atingir inocentes, dentro ou fora do local da actuação; • Não abandonar nunca a arma, a qual deve estar sempre em contacto físico com o atirador nem mudá-la de mão para efectuar qualquer operação. Por regra, a mão que empunha a arma nunca a deve largar, servindo a outra para a execução das operações que forem necessárias; • Se for necessário disparar contra uma viatura em fuga, tomar uma posição o mais baixa possível - de joelhos ou deitado - e apontar para os pneus da mesma, nunca directamente para o habitáculo dos passageiros; • É totalmente interdito o fogo de “rajada”; • Ao ser alvejado de local incerto, é interdita a abertura imediata de fogo, pois o procedimento correcto será procurar abrigo e tentar localizar a ameaça para posterior neutralização; • Deve praticar o disparo e o municiamento com a mão fraca porque pode ter essa necessidade em virtude de, por exemplo, ter sido ferido na mão forte (mão que empunha a arma); • Neste sentido, deve também praticar a montagem, desmontagem e municiamento da pistola com uma só mão; • Em situações de alteração da Ordem Pública, as armas devem ter o carregador municiado e introduzido, a câmara sem nenhuma munição e a patilha de segurança/comutador de tiro em segurança. A ordem de introdução de munição na câmara só deve ser dada pelo comandante das forças empenhadas e apenas quando houver fortes probabilidades de emprego das armas de fogo, já que em ambientes de grande tensão, qualquer provocação poderá conduzir a um disparo involuntário, levando o resto das forças a julgarem que teria sido dada ordem para abertura de fogo. Quando o comandante tiver necessidade de dar esta ordem, poderá indicar um número reduzido de atiradores. No caso da patrulha se deparar com uma situação que motive o recurso a arma de fogo, e não sendo possível ao militar mais antigo dar a ordem de introdução de munição na câmara, terá de
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ser o próprio militar a proceder em conformidade com o desenrolar da situação; • Depois de abrir fogo, devem ser tomadas as seguintes medidas: ♦ Identificar os feridos e prestar os primeiros socorros; ♦ Solicitar assistência médica; ♦ Caso tenham ocorrido mortes, não permitir que os corpos sejam removidos por parentes ou amigos; ♦ Recolha de identidades de testemunhas neutras, que possam ter presenciado a situação; ♦ Preservar os meios de prova (localizando e referenciando vestígios dos disparos); ♦ Deter os suspeitos; ♦ Comunicar a ocorrência (de forma verbal e escrita). É preciso, igualmente, não esquecer que a Comunicação Social pode aproveitar uma qualquer situação para denegrir a imagem das forças policiais, conforme se exemplifica através da legenda e fotografias a seguir indicadas: “A sequência exemplar: um agente da GNR, emboscado atrás de um muro, tira a pistola e carrega-a. Agora, ninguém sabe quem atirou a matar” in Revista Visão n.º 66 de 27JUN94.

113

2.1

Adequação do estado de espírito/prontidão à situação As potenciais situações de conflito que actualmente ocorrem a todo o momento na nossa sociedade, conduzem à necessidade dos agentes das Forças de Segurança, para salvaguarda da sua integridade física e da de terceiros, adoptarem uma atitude de prontidão, a qual se torna mais perceptível e real quando o agente se apercebe que a munição que entretanto introduziu na câmara pode ser aquela que lhe poderá salvar a vida. Enquanto agente de uma Força de Segurança, o militar da Guarda pode, com efeito, ver-se envolvido numa situação conflituosa que pode ocorrer a qualquer momento em qualquer lugar, razão pela qual é preciso que esteja preparado para tal. É este estado de permanente prontidão que pode muitas das vezes superar a intromissão de um factor surpresa que claramente possa jogar contra o militar. É preciso estar sempre preparado para lidar com situações difíceis, as quais podem mesmo envolver a utilização de uma arma de fogo. Também é evidente que é impensável estar num estado de permanente alerta. A análise constante do evoluir da situação deverá dizer ao militar se aquela é ou pode vir a ser uma situação de potencial perigo, obrigando-o a reagir em conformidade. O essencial é que não se deixe surpreender por qualquer evolução inesperada. O militar deve assim procurar desenvolver um estado de espírito em que o surgimento de uma possível ameaça não constitua uma surpresa para si. Ao invés de perguntar o que se está a passar, ou a tentar perceber isso, o militar deve ter a consciência de que o que eventualmente possa estar a acontecer é algo que por si já era esperado. Em vez de enfrentar a situação com perplexidade, deve-a enfrentar com coragem e tenacidade. A maior parte dos seres humanos têm alguma relutância em produzir violência contra os seus semelhantes. Efectivamente, mesmo ao ler estas linhas, o leitor não estará emocional e psicologicamente preparado para exercer violência contra alguém. Mesmo se fosse atacado repentinamente, demorariam
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alguns (preciosos) segundos até que se apercebesse aquilo que estava de facto a acontecer. A reacção que muitas pessoas revelam à súbita violência é de descrença. A realidade é algo que, momentaneamente, lhes escapa. Tal é facilmente perceptível, porque a violência não é algo com que tenham de lidar diariamente, sendo esta falta de “estímulo” que acaba por conduzir a alguma acomodação. Com alguma frequência, quando os agentes das forças policiais se envolvem em situações potencialmente perigosas, parecem inclinados a “negociar” uma saída pacífica duma situação que nada tem de pacífico. Para assegurar a execução das reacções mais adequadas, o militar precisa de desenvolver um estado crescente de alerta e prontidão. Isto auxilia-o na adopção das reacções mais apropriadas a qualquer tipo de situação, assim como a controlar eventuais tendências de “sobrereacções”. A melhor maneira para desenvolver isto é através da definição de um código de cores que representam diferentes estados de alerta e prontidão, relacionados com diferentes estados de espírito.

Condição branca - O primeiro estado mental corresponde a um estado de vigilância normal, de alguma despreocupação relativamente ao ambiente circundante, correspondendo à situação que experienciamos quando estamos a dormir ou envolvidos numa qualquer tarefa, como por exemplo, ler um livro. Este estado é caracterizado pela cor branca, sendo de evitar sempre que estamos no desempenho do serviço e, em especial, quando estamos armados. Condição amarela - Se a condição branca corresponde, de certa forma, a um relaxamento praticamente total, a uma desatenção, esta condição amarela corresponde a algum relaxamento, mas de forma atenta. Quando nos encontramos neste estado, apercebemo-nos daquilo que se vai desenrolando à nossa volta. Digamos que, 99% das vezes o ambiente circundante pode não ser hostil, mas encontramo115

nos prontos para a eventualidade da situação se inverter. Estamos atentos e em alerta.

Condição laranja - Nesta condição apercebemo-nos da possibilidade de um problema específico relativamente ao qual começamos a desenvolver um plano táctico. Agora apercebemo-nos de que não só pode haver a possibilidade de usar uma arma como o alvo específico contra o qual a usar. Mentalmente, é fácil transitar da condição amarela para a laranja, mas não tanto da branca para a laranja. Condição vermelha - A transição da condição anterior para esta depende das acções do possível infractor. Atingimos a condição vermelha quando nos apercebemos de que é muito provável desenrolar-se uma situação com alguma violência, pelo que o nosso sistema está em alerta total e pronto para uma resposta imediata. Muito provavelmente a pistola poderá já estar empunhada e pronta para efectuar o primeiro disparo num curto espaço de tempo, aguardando apenas o momento ideal para iniciar a acção, o qual corresponde a uma acção suficientemente agressiva que, à luz da legislação vigente, justifique a nossa resposta. Esta será assim uma resposta condicionada, instantânea. Quando a luta começar não nos podemos prender a pormenores irrelevantes que nos possam condicionar a nossa acção. É preciso focar toda a atenção no desenrolar da situação. Não devemos pensar sequer na possibilidade de falhar um tiro. Se por acaso falharmos tal não deve ser motivo de preocupação, outras oportunidades surgirão, tal como também não devemos pensar de que poderemos ser atingidos, contudo devemos sempre minorar o risco de tal vir a acontecer. A chave é concentrarmo-nos no momento que está a decorrer e nas tarefas a desenvolver, o que significa que estamos a focar a nossa concentração e atenção naquilo que estamos a fazer.

Mentalmente falando, existe uma linha muito ténue entre aquilo que experienciamos e aquilo que imaginamos, sendo
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este o segredo. Temos tendência a reagir antes, durante e depois de uma situação conflituosa da forma como programámos a nossa acção. Treinámos e programámos as reacções adequadas a ter em determinadas situações, as quais devem ser o mais variadas possível, sendo dessa forma que esperamos vir a reagir. Podemos também programar a forma como pensamos, através de treinos mentais baseados nas probabilidades com que nos podemos defrontar. Estes problemas tácticos serão resolvidos mentalmente, imaginando-nos a ter o controlo completo do nosso corpo, a não vacilar perante a situação e a disparar como deve ser, não nos preocupando tanto com o resultado. Visualisamos o adversário como alguém que está condenado pelos seus próprios actos, não sentindo quaisquer remorsos, quando não será a nossa própria integridade física, e a de eventuais terceiros, que poderá estar seriamente afectada. É preciso aprender a controlar a nossa mente da mesma forma que é preciso aprender a disparar correctamente. Todos estes processos que têm a ver com a concentração nas tarefas, a visualização mental e o controlo corporal são aspectos bastante desenvolvidos ao nível da prática de quase todas as modalidades desportivas. Se tiver curiosidade existe vasta bibliografia especializada sobre a matéria que lhe dará uma visão mais pormenorizada sobre o assunto. Após a refega, existirá provavelmente a sensação de alívio seguida por uma sensação de cumprimento da missão e de exaltação por estarmos vivos. Este sentimento poderá durar alguns dias, havendo também a tendência para contar o sucedido a todos os camaradas e amigos. É preciso resistir a esta manifestação entusiástica, tornando-se antes necessário manter alguma descrição. Existirão aqueles que, eventualmente, nos criticarão, nos acharão rudes, independentemente da nossa acção ter sido legal e necessária, tornando-se mesmo inconvenientes. Para quem procede assim, a melhor resposta a dar é ignorar a sua presença.
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É igualmente necessário estarmos preparados para eventuais referências pouco abonatórias por parte da comunicação social, pelo que, se agimos em consciência e dentro da legalidade, cumprimos a nossa missão. Antes de irmos à luta é preciso estarmos alerta, estarmos prontos e decididos. Durante a luta, concentremo-nos na solução dos problemas que nos forem surgindo, o que implica termos sempre a preocupação de disparar bem. Depois da luta, devemos estar conscientes de ter cumprido o nosso dever, mas mantendo sempre a tal descrição.

TÉCNICA DE TIRO DE ESPINGARDA
7. TIRO DE ESPINGARDA 1.3 Introdução A Técnica de Tiro de Espingarda apresenta muitas afinidades com a Técnica de Tiro de Pistola. Conforme iremos ver, os elementos que as constituem são idênticos. A grande diferença reside nas miras27 e nas características da própria arma. De tamanho superior, a espingarda é uma arma útil para o cumprimento de determinado tipo de missões que podem obrigar à utilização de um maior poder de fogo, como forma dissuasora. Por esta razão, tal como se referiu para a pistola, o militar deve identificar todos os procedimentos que lhe permitam tirar o máximo rendimento deste tipo de arma, caso dela tenha de fazer uso. Não basta apenas transportar a arma consigo, é preciso saber o que fazer e os cuidados a ter quando se utiliza uma arma que tem um alcance máximo superior aos 1000 metros. A inobservância dos princípios que irão aqui ser enunciados poderá conduzir a erros grosseiros

27

Na pistola temos miras abertas, isto é, os seus contornos não são circulares, enquanto na espingarda, ao invés, temos miras fechadas. 118

que, no limite, poderão causar danos em alguém, ou algo, situado muito longe do local da contenda. Comecemos então por tecer algumas considerações relativamente aos aspectos mais relevantes que o utilizador deve ter em mente para conseguir utilizar a arma de forma eficaz. A eficácia do tiro depende: • Do conhecimento, manutenção e preparação da arma para o tiro, tornando-se absolutamente necessário que o atirador: ♦ Conheça perfeitamente a arma que utiliza; ♦ Mantenha a arma em boas condições de limpeza e de funcionamento; ♦ Prepare cuidadosamente a arma para o tiro; ♦ Mantenha o aparelho de pontaria rectificado, limpo, seco, sem brilho e sem folgas; ♦ Prepare e inspeccione cuidadosamente as munições que vai utilizar. • Do correcto manuseamento da arma e aplicação da técnica de tiro, exigindo-se que o atirador: ♦ Saiba manusear a arma com segurança; ♦ Proceda com rapidez e facilidade às mudanças de carregador; ♦ Conheça o aparelho de pontaria e seja capaz de escolher, com facilidade, a alça apropriada para bater o alvo; ♦ Faça um criterioso aproveitamento na escolha da posição de tiro; ♦ Execute uma pontaria correcta e a mantenha até ao momento do disparo. 8. REQUISITOS FUNDAMENTAIS DO TIRO
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Para que o atirador possa obter eficácia no tiro, terá de fazer uso dos requisitos, ou elementos, fundamentais de tiro, que são: • • • • • Tomar a posição; Suspender a respiração; Fazer a pontaria; Executar o disparo; Fazer “seguimento”. Tomar a posição Um dos mais importantes requisitos para o tiro é a posição, a qual é evidentemente completada com o correcto empunhamento da arma. Sem uma posição correcta, é quase impossível ao atirador conseguir um tiro eficaz e ajustado e muito menos manter a pontaria após o primeiro disparo, quando tenha que executar uma série de tiros ou uma rajada. Existem três posições características para o tiro de espingarda: a posição de deitado, de joelhos, e de pé. Estas posições são definidas em função dos seus elementos essenciais; no entanto, elas devem sempre conferir ao atirador a possibilidade da execução do tiro com o mínimo de esforço e o máximo de comodidade, pelo que devem ser sempre feitos ajustamentos de pormenor de acordo com a compleição física de cada atirador, de forma a obter uma maior eficácia do tiro. Assim, se a melhor posição para um atirador é aquela que, sem desobedecer aos elementos essenciais, lhe permita executar o tiro com a arma estabilizada, naturalmente suportada sem esforço e com comodidade, conclui-se, então, que a melhor posição para esse atirador não é necessariamente igual à de outro. De qualquer modo, seja qual for a posição tomada, a arma deve ser sempre suportada, de forma a que nem os ossos nem os músculos sejam forçados a tomar posições tensas, mas sim, constituírem um firme e natural suporte para a arma, sem o que não se conseguirá dar estabilidade a esta durante o tiro.
120

2.1

Para evitar a rigidez da posição, os ossos devem constituir a estrutura de base que garanta a firmeza da posição, nunca os músculos deverão ser usados para levar a arma à posição correcta quando se faz pontaria. Isto conduziria, por um lado, a um esforço suplementar dos músculos e, por outro, forçaria os ossos a uma posição anti-natural, que não poderia ser mantida por longo tempo e que, após o primeiro disparo, seria alterada (dada a tendência que os ossos têm de voltar à posição inicial). Daqui resulta que a posição deve garantir que, com a arma devidamente empunhada, esta se dirija naturalmente para o alvo e esteja praticamente apontada ao mesmo.

2.1.1 Tomar a posição deitada para o atirador direito28
A posição de atirador deitado é a mais adoptada. É fácil de tomar, estável, confortável e aquela que mais diminui a silhueta do atirador. É a posição que oferece, em condições normais, maiores garantias de precisão do tiro, dada a grande estabilidade que permite. No entanto, não se deve pensar que é uma posição ideal em todas as situações (aspecto que será desenvolvido à frente). Assim, o atirador deve ter em consideração o seguinte: 2.1.1.1 Enquadramento com o alvo O atirador coloca-se exactamente em frente ao alvo e toma uma posição deitada, ficando com o corpo a fazer um ângulo com cerca de 30º29 com o eixo da arma, de forma a que a energia
28

Se o atirador for esquerdo, pratica-se o inverso daquilo que irá ser definido. Admitem-se, contudo, algumas variações, as quais decorrem da constituição anatómico-fisiológica de cada militar. Não obstante, devem ser observados e respeitados os princípios subjacentes a cada um dos itens a serem abordados para o “tomar de posição”. 29 Esta medida angular é meramente indicativa. O importante é que o militar defina a sua posição, a que lhe parecer mais cómoda. 121

do recuo seja suportada por todo o corpo e não somente pelo ombro.

30º

2.1.1.2 Posição dos pés • Os pés estão naturalmente estendidos e com as pontas voltadas para fora; • O pé direito com a face interna voltada para baixo, na direcção do solo; • O pé esquerdo com a biqueira voltada para baixo, conferindo apoio ao atirador. 2.1.1.3 Posição das pernas e tronco • As pernas confortavelmente afastadas; • Poderá flectir a perna direita pelo joelho, relaxando assim o corpo e conferindo maior apoio; • O tronco deve estar direito. 2.1.1.4 Posição do braço e mão esquerda • O braço deve ser flectido pelo cotovelo e este, deve situar-se, tanto quanto possível, por baixo da arma; • A mão esquerda deve segurar a arma pelo guarda-mão com firmeza, mas sem fazer esforço, encaixando a arma sobre o “V” formado pelo polegar e pelo indicador e sobre a palma da mão, mantendo o pulso
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direito e os dedos relaxados (o pulso deve ficar a cerca de, aproximadamente, 20 cm do solo); • Para os atiradores que não consigam segurar a arma na zona do guarda-mão, esta poderá ser agarrada na junção do alojamento do carregador com o guarda-mão, situando o cotovelo esquerdo, por baixo da arma, tanto quanto possível. A incapacidade de colocar o cotovelo esquerdo por baixo da arma é normalmente provocada por um músculo do ombro contraído ou preso. A descontracção do ombro esquerdo permitirá a tomada da posição correcta. 2.1.1.5 Posição do braço e mão direita • O braço direito deve fazer um ângulo de cerca de 45° com o solo e o cotovelo direito deve ficar avançado em relação à linha dos ombros, de forma a criar no ombro o encaixe para o coice da coronha; • A mão direita deve envolver naturalmente o punho, deixando o dedo indicador (dedo que dispara) livre para ser apoiado no guarda-mato (enquanto não está a executar o tiro) ou correctamente colocado no gatilho (para disparar). 2.1.1.6 Posição dos ombros, pescoço e cabeça • Os ombros devem estar praticamente ao mesmo nível; • O pescoço deve estar relaxado, de forma a não afectar a circulação; • A face deve permanecer firmemente apoiada contra a coronha (exactamente
123

abaixo da maçã do rosto, mas sem encostar o delgado a esta última. Caso contrário, o atirador, corre o risco de se magoar).

124

2.1.1.7 Situações em que se deve utilizar esta posição Idealmente, a posição de atirador deitado deverá ser adoptada nas seguintes situações: • Quando haja necessidade de grande precisão na execução do tiro; • Para bater um alvo móvel; • Quando o tempo disponível para a tomada de posição o permita (já que esta posição exige mais tempo de preparação do que a de joelhos ou de pé); • Quando o alvo a atingir esteja à mesma altura do terreno onde se encontra o atirador; • Quando se pretenda imobilizar uma viatura em andamento, atingindo as rodas, visto oferecer maiores garantias de que o tiro não atingirá os ocupantes; • Para bater alvos colocados a grandes distâncias. Tomar a posição de Joelhos para o atirador direito É uma posição equilibrada e também bastante estável. 2.1.2.1 Enquadramento com o alvo O atirador afasta os pés e coloca-se exactamente em frente ao alvo, como se o observasse “olhos nos olhos”. 2.1.2.2 Posição dos pés, pernas e tronco

2.1.2

Rodar ambos os pés para a direita, de forma a que se fosse traçada uma linha imaginária passando pelo meio dos seus pés, esta
125

última fizesse um ângulo de cerca de 40º30 com a linha do alvo;

4

• Seguidamente, colocar a ponta do pé e o joelho direito no solo, de maneira a ficar correctamente sentado sobre o calcanhar desta perna; • Inclinar, ligeiramente, o tronco para a frente, de forma a deslocar o peso do corpo para cima da perna esquerda. Assim, cerca de 60% do peso será suportado por esta perna, enquanto que o pé e a perna direita servem de suporte ao recuo da arma, estabilizando a posição durante o tiro; • A perna esquerda tomará uma posição tal, que ficará vertical, quando vista de frente, e inclinada, quando vista de lado, ficando o pé mais recuado que o joelho. 2.1.2.3 Posição do braço e mão esquerda • O braço esquerdo fica flectido, apoiando a parte inferior (antes do cotovelo) no joelho do mesmo lado, (ficando assim o cotovelo
30

126

ligeiramente avançado em relação ao joelho); • O joelho e o cotovelo esquerdo deverão situar-se tanto quanto possível por baixo da arma; • A mão esquerda deve segurar a arma na junção do alojamento do carregador com o guarda-mão com firmeza, mas sem fazer esforço, encaixando a arma sobre o “V” formado pelo polegar e pelo indicador e sobre a palma da mão. 2.1.2.4 Posição do braço e mão direita • O cotovelo direito é descaído, de forma a criar no ombro encaixe para o coice da coronha, devendo ser mantido um contacto firme da arma contra o ombro; • A mão direita deve envolver naturalmente o punho, deixando o dedo indicador (dedo que dispara) livre para ser apoiado no guarda-mato (enquanto não está a executar o tiro) ou correctamente colocado no gatilho (para disparar). 2.1.2.5 Posição dos ombros, pescoço e cabeça • O ombro esquerdo deve estar ligeiramente avançado, enquanto que o direito deve estar mais recuado, isto em relação ao alvo; • O pescoço deve estar relaxado, de forma a não afectar a circulação; • A face deve permanecer firmemente apoiada contra a coronha (exactamente abaixo da maçã do rosto, mas sem encostar o delgado a esta última).
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2.1.2.6 Situações em que se deve utilizar esta posição • Quando não há tempo para assumir a posição de deitado; • Sempre que o terreno, pelas suas características, não permita a posição de deitado; • Quando o alvo não for visível da posição de deitado.
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2.1.3

Tomar a posição de pé para o atirador direito É a posição menos estável e que exige maior esforço muscular. Por estas razões, a aquisição de uma boa posição de pé exige bastantes cuidados e treino, podendo ocupar bastante tempo. 2.1.3.1 Enquadramento com o alvo O atirador afasta os pés (sensivelmente a uma distância igual à largura dos ombros) e colocase exactamente em frente ao alvo como se o observasse “olhos nos olhos”. 2.1.3.2 Posição dos pés, pernas e tronco • Rodar ambos os pés para a direita, de forma a que se fosse traçada uma linha imaginária passando pelo meio dos seus pés, esta última fizesse um ângulo de cerca de 40º com a linha do alvo; • O tronco deve ser flectido, ligeiramente, para a esquerda. 2.1.3.3 Posição do braço e mão esquerda • O braço esquerdo fica flectido, devendo situar-se, tanto quanto possível, por baixo da arma; • A mão esquerda deve segurar a arma pelo guarda-mão com firmeza mas sem fazer esforço, encaixando a arma sobre o “V” formado pelo polegar e pelo indicador e sobre a palma da mão, mantendo o pulso direito e os dedos relaxados; • Para os atiradores que não consigam segurar a arma na zona do guarda-mão, esta poderá
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ser agarrada na junção do alojamento do carregador com o guarda-mão, encostando e apoiando o cotovelo e a parte interna do antebraço esquerdo ao peito. A incapacidade de executar a posição anteriormente referida fica-se a dever a que normalmente o atirador tem um músculo do ombro contraído ou preso. A descontracção do ombro esquerdo permitirá a tomada da posição correcta; • O atirador também pode optar por assentar o fundo do carregador sobre a palma da mão esquerda; mas deve ficar ciente que passa a existir a possibilidade de a arma “ficar encravada”. Este facto fica-se a dever à oscilação do carregador no momento do disparo, por existir folga entre este e o seu alojamento na arma. 2.1.3.4 Posição do braço e mão direita • O cotovelo direito é descaído, de forma a criar no ombro encaixe para o coice da coronha; • A mão direita deve envolver naturalmente o punho, deixando o dedo indicador (dedo que dispara) livre para ser apoiado no guarda-mato (enquanto não está a executar o tiro) ou correctamente colocado no gatilho (para disparar); • A arma deve ser agarrada firmemente, puxando-a para trás, de forma a ficar bem encaixada contra o ombro.

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2.1.3.5 Posição dos ombros, pescoço e cabeça • O ombro esquerdo deve estar ligeiramente avançado, enquanto que o direito deve estar mais recuado, isto em relação ao alvo; • O pescoço deve estar relaxado, de forma a não afectar a circulação; • A face deve permanecer firmemente apoiada contra a coronha (exactamente abaixo da maçã do rosto, mas sem encostar o delgado a esta última).

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2.1.3.6 Situações em que se deve utilizar esta posição • Quando se torna necessário executar o tiro rapidamente; • Quando se necessita tomar uma posição elevada para bater o alvo; • Para bater alvos em movimento; • Dado a sua pouca estabilidade, só deve ser assumida para bater alvos colocados a distâncias inferiores a 100 metros. 2.2 Suspender a respiração A respiração é um factor importante para a obtenção da pontaria correcta, na medida em que, tal como a estabilidade da posição, pode provocar oscilação da arma quando se efectua a pontaria. Se um atirador respira enquanto tenta apontar, a subida ou abaixamento do seu peito provocará a oscilação da arma para cima e para baixo, tornando impossível a manutenção do alinhamento do aparelho de pontaria. O único processo de evitar estes movimentos é

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suspender31 a respiração por alguns segundos, momentos antes de ultimar a pontaria e efectuar o disparo. A maneira correcta de respirar e suspender a respiração enquanto se faz pontaria é a seguinte: • Fazer uma inspiração normal e expirar parte do ar inspirado; • Manter algum ar nos pulmões, evitando manter o diafragma sobre tensão; • Não fazer uma suspensão demasiado prolongada, de forma a não ultrapassar 10 a 12 segundos; • Se não se conseguir fazer o disparo, retomar a respiração normal com dois ou três ciclos de respiração completa para relaxar e repetir então novamente o processo. 2.3 Fazer a pontaria Na pontaria, o atirador deve preocupar-se fundamentalmente com: 2.3.1 O alinhamento correcto do aparelho de pontaria O alinhamento correcto do aparelho de pontaria (ranhura de mira ou furo dióptrico, ponto de mira e túnel de protecção do ponto de mira), define a linha de mira; isto é, a correcta relação entre os três componentes vistos anteriormente; De notar, que se for traçada uma linha horizontal (imaginária), passando pela extremidade superior dos ramos da ranhura de mira em “V” ou pelo centro do diópter, ela deverá ser tangente ao topo do ponto de mira (e cortando em dois, o túnel de protecção do ponto de mira). Por outro lado, se fizermos passar uma
31

Observam-se aqui os mesmos reparos feitos na Técnica de Tiro de Pistola. A “suspensão” da respiração não significa que o atirador deve deixar de respirar, mas antes que deve ter a noção de que o ar não entra nem sai. Para optimizar esta procedimento deve aproveitar a pausa que se verifica entre cada ciclo inspiração/expiração. 133

outra linha vertical pelo vértice da ranhura de mira em “V” ou pelo centro do diópter, ela deverá cortar o ponto de mira exactamente ao meio (cortando, também, em dois, o túnel de protecção do ponto de mira); Para se obter um alinhamento correcto do aparelho de pontaria, este deve estar alinhado como se ilustra na figura:

1 Ranhura Alinhamento

2 Furo

134

2.3.2

A mirada, A mirada, ou seja o alinhamento do aparelho de pontaria em relação ao alvo, inclui o alinhamento do aparelho de pontaria e a sua colocação sobre o centro (para pequenas distâncias ou centro do alvo de grandes dimensões) ou base do alvo (para grandes distâncias ou centro do alvo de pequenas dimensões); Se uma linha vertical cortar ao meio o ponto de mira, o centro do alvo deverá aparecer também cortado em duas metades. Se uma linha horizontal passar pelo topo do ponto de mira, ela deverá ser tangente ao bordo inferior do centro do alvo ou, no caso deste ser de grandes dimensões, cortá-la horizontalmente em duas metades; Para se obter uma mirada correcta, o aparelho de pontaria deverá estar perfeitamente alinhado e centrado com o alvo, como se ilustra na figura:

Mirada ao

Mirada à

2.3.3

Importância do alinhamento do aparelho de pontaria e da mirada A execução correcta das duas acções é fundamental para a obtenção de um tiro eficaz; no entanto, revelase mais importante o alinhamento do aparelho de
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pontaria do que a mirada, dado que os erros cometidos no primeiro são muito mais significativos do que os que se cometem no segundo. Como se sabe, quando o aparelho de pontaria não está devidamente centrado, comete-se um desvio angular em relação ao eixo do cano; erro esse que se traduz, às várias distâncias, num desvio tanto maior, quanto mais distante estiver o alvo. Todavia, se o alinhamento do aparelho de pontaria for correcto, um erro na mirada representa um desvio paralelo, que se mantém constante a todas as distâncias e que, se for pequeno, tem relativamente pouca importância.

Desvio

Desvio

Pontaria

136

Como conclusão, um pequeno erro no alinhamento do aparelho de pontaria produzirá um maior desvio do impacto no alvo do que um pequeno erro na mirada, pelo que, a imobilidade da arma durante o disparo é da maior importância. Dada a importância da obtenção do perfeito alinhamento do aparelho de pontaria e da sua manutenção até ao momento do disparo, o atirador deve concentrar-se no mesmo antes e depois de efectuada a mirada; isto é, procurará inicialmente alinhar o ponto de mira e a ranhura de mira ou o furo dióptrico e o túnel do ponto de mira, colocando em seguida o centro do alvo sobre o ponto de mira e finalmente, enquanto prime, lentamente, o gatilho, ajusta de novo o alinhamento do aparelho de pontaria. Com a prática, estas três acções constituem um contínuo e automático processo, sendo efectuadas quase simultaneamente. Todavia, apesar da rapidez com que possam ser efectuadas, elas são sempre distintas, uma vez que a vista humana não consegue focar ao mesmo tempo objectos situados em planos diferentes, mas somente um de cada vez. Assim, quando o atirador olha através da ranhura de mira ou furo dióptrico, ele não verá com a mesma nitidez o ponto de mira com o seu túnel e o centro do alvo ao mesmo tempo. Assim, ele concentra-se primeiro no aparelho de pontaria, para estabelecer o alinhamento correcto; depois, concentra-se sobre o centro do alvo, para obter a mirada correcta e, finalmente, enquanto prime o gatilho, deverá focar, novamente, o aparelho de pontaria, de forma a assegurar o alinhamento correcto. Nesta altura, ele deverá ver com nitidez o ponto de mira, enquanto que o centro do alvo não lhe aparece nítido, mas sim enublado, conforme se vê na ilustração:
137

Mal

Bem

Com o objectivo de se manterem os contornos do ponto de mira nítidos, normalmente não se deve apontar directamente para o centro do alvo, mas sim à sua base, evitando assim, que o aparelho de pontaria, ao projectar-se sobre a cor escura do centro do alvo (não no caso do alvo da figura), perca a nitidez e origine o seu desalinhamento. 2.3.4 Utilização do olho director O olho director é o olho que aponta a direito. Preferencialmente, o atirador deve apontar com o olho director. No entanto, se o olho director não corresponder à “mão” que atira, o atirador deve optar por atirar com a mão que lhe dá jeito, desprezando o olho director, não se devendo contrariar a tendência natural para a tomada de posição; Há atiradores que têm dificuldade em fechar um olho para fazer a pontaria. Esses atiradores poderão solucionar facilmente o problema, colocando um pedaço de cartão improvisado (por exemplo uma embalagem exterior de munições) ou o próprio bivaque à frente do olho que pretendem tapar, podendo assim apontar com os dois olhos abertos, que é o processo mais correcto para se fazer pontaria, pois não provoca o cansaço inerente ao piscar o olho.
138

2.4

Executar o disparo Um pormenor importante do tiro com espingarda é o modo como se prime o gatilho, de forma que tal acção não modifique ou altere a pontaria feita até ao momento em que o projéctil abandona a boca do cano. Os maus impactos resultam normalmente da alteração da pontaria no momento em que se prime o gatilho e que antecedem a percussão da munição. Esta modificação do alinhamento do aparelho de pontaria pode ficar a dever-se, por um lado, à forma como se prime o gatilho e, por outro, a uma hesitação ou precipitação em relação ao momento em que se espera o recuo da arma. Dos dois factores apontados, o mais prejudicial é sem dúvida o segundo, pois provoca uma reacção do atirador, que o leva a alterar a posição, efectuando assim um movimento com o corpo, antes de o projéctil abandonar a boca do cano. Em suma, o atirador receia o disparo. Para evitar este inconveniente, o atirador deve concentrar mais a sua atenção na pontaria e menos no gatilho, devendo este ser premido tão suavemente que não permita ao atirador aperceber-se do momento em que o cão é solto. Esta pressão deve, com a habituação, fazer-se automaticamente, sem desviar a concentração do atirador na pontaria. Quando o atirador prime o gatilho instantaneamente logo que tenha ultimado a pontaria, só por mero acaso conseguirá um impacto satisfatório. O atirador deve manter a pontaria, exercendo sobre o gatilho uma pressão que vai aumentando constante e gradualmente, até se verificar o disparo. A maneira correcta de premir o gatilho deve constituir uma acção livre do dedo indicador para a retaguarda, segundo o eixo do cano, com uma pressão que aumente uniformemente depois de retirada a folga, de tal forma que o atirador não se aperceba do momento em que vai surgir o disparo. Se a pressão sobre o gatilho não se exercer segundo o eixo do cano, essa força, aplicada obliquamente, desviará o cano para
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um ou outro lado, provocando assim o desalinhamento do aparelho de pontaria. Como o gatilho das espingardas é, normalmente, muito “pesado”, o atirador poderá optar por colocar o dedo neste, de forma a que o seu accionamento seja efectuado pela junção da falanginha com a falangeta (curva a seguir à cabeça do dedo).

Assim, mesmo que o disparo aconteça antes do atirador esperar, será, em princípio, um bom tiro, porque a pontaria era correcta e o atirador foi surpreendido pelo disparo. 2.5 Fazer “seguimento” O “seguimento” do tiro consiste em manter a pontaria durante alguns segundos após o disparo ocorrer. Tem como objectivo evitar que a arma se mova antes que os projécteis tenham abandonado a boca do cano, já que o atirador, na ânsia de verificar o resultado do disparo que acabou de efectuar, cria o hábito de baixar ligeiramente o cano, a fim de observar o alvo; e tantas vezes o faz, que acaba por antecipar o tiro uma fracção de segundo antes do projéctil abandonar a boca do cano, só para poder ver o alvo.

140

2.6

Sequência ideal para o tiro Em resumo, e para se obter um tiro eficaz, o atirador deve executar a seguinte sequência: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. Tomar a posição correcta; Fazer a pontaria; Retirar a folga do gatilho; Suspender a respiração; Rectificar a pontaria; Pressionar o gatilho; Fazer o “seguimento.

9. EXERCÍCIOS DE PONTARIA E “TIRO EM SECO” Já foram vistas as vantagens dos exercícios do “tiro em seco”, aquando da explicação da técnica de tiro com pistola, que devem ser executados pela ordem a seguir indicada. 3.1 Treino das posição em relação ao alvo O objectivo do exercício n.º 1 é: assumir a posição correcta em relação ao alvo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • O atirador coloca-se numa das posições de tiro e verifica se está bem posicionado em relação ao alvo; • Repetir este exercício várias vezes, para cada uma das três posições anteriormente vistas. NOTA: Neste exercício, não se deve disparar. 3.2 Treino de alinhamento do aparelho de pontaria O objectivo do exercício n.º 2 é: assumir uma posição e alinhar o aparelho de pontaria. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Começar pela execução do exercício n.º 1;
141

• Depois do atirador assumir a posição correcta, vai alinhar o aparelho de pontaria, concentrando-se durante períodos de cerca de 15 segundos (deve apontar a uma parede branca). Durante a execução deste exercício, a preocupação fundamental e exclusiva deverá ser o alinhamento do aparelho de pontaria; • Repetir este exercício para uma das três posições anteriormente vistas. NOTA: Neste exercício, não se deve disparar. 3.3 Treino de mirada O objectivo do exercício n.º 3 é: alinhar o aparelho de pontaria com a base do centro do alvo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Este treino é realizado, colocando um alvo SPIII/ EPG a uma distância de cerca de 10 a 25 metros; • Começar pela execução do exercício n.º 1; • Depois do atirador assumir a posição correcta, vai alinhar o aparelho de pontaria com a base do centro do alvo; NOTA: Neste exercício, não se deve disparar. 3.4 Treino de “folga do gatilho” O objectivo do exercício n.º 4 é: retirar a folga do gatilho. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Começar pela execução do exercício n.º 1; • Sem ter a preocupação de alinhamento do aparelho de pontaria ou da mirada, pressionar o gatilho até lhe retirar a folga (depois de ter armado a culatra); NOTA: Neste exercício, nunca se deve disparar.

142

3.5

Treino de disparo O objectivo do exercício n.º 5 é: depois de retirar a folga do gatilho, pressioná-lo suavemente, sem produzir “gatilhadas” (percepção do movimento e peso do gatilho). Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Começar pela execução do exercício n.° 1, adoptando uma posição à escolha do atirador; • Depois de assumida a posição de tiro, fechar os olhos e concentrar-se única e exclusivamente no accionamento do gatilho (atenção à colocação correcta do dedo no gatilho); • O atirador, de início, deve retirar a folga do gatilho e procurar aperceber-se do peso do mesmo, até ser produzido o disparo; • Accionar o gatilho várias vezes, tentando produzir um disparo o mais suave possível. No entanto, deve procurar produzir o disparo em tempo útil, ou seja, antes de começar a sentir fadiga por ausência de respiração; como regra, não deve ultrapassar-se os 10 segundos até à produção do disparo.

3.6

Treino do “seguimento” O objectivo do exercício n.º 6 é: efectuar o “seguimento” do disparo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • Tomar a posição de tiro; • Executar o disparo, observando a técnica correcta de todo o processo de tiro; • Manter o aparelho de pontaria e a mirada alinhada durante alguns segundos após o disparo, procurando manter a estabilidade dos mesmos, só desfazendo a pontaria depois.

3.7

Treino integrado

143

O objectivo do exercício n.º 7 é: efectuar disparos correctos, observando todos os elementos fundamentais para a execução do tiro. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte: • • • • • • • • Tomar a posição de tiro; Levar a arma à zona de pontaria; Alinhar correctamente o aparelho de pontaria; Fazer correctamente a mirada; Pressionar o gatilho, retirando a sua folga; Suspender a respiração; Executar o disparo; Efectuar o “seguimento”.

10. TIRO COM ESPINGARDAS CAÇADEIRAS 4.1 Generalidades O poder derrubante da caçadeira é comparável com a sua reputação e aparência intimidativa. A caçadeira é uma arma versátil e rápida capaz de efectuar um tiro preciso a pequenas distâncias, tendo boa penetração e derrube. Em caso de haver problemas com a super-penetração é aconselhável utilizar munições com chumbos diferentes, permitindo assim que os mesmos reduzam a sua velocidade e potencial letais se não atingirem o alvo. Este tipo de armas oferece as seguintes vantagens: • Reduz a possibilidade de que um presumível infractor tenha para a tirar ao militar; • O seu alcance limitado torna-a aconselhável para operações em que tal seja um cuidado acrescido a ter em conta (exemplo; busca e montar segurança a essa operação). Contudo, oferece as seguintes desvantagens: • Reduzida capacidade de carregamento;
144

• Reduzida precisão; • Fracas características de empunhamento; • Grande dispersão de tiro (à medida que aumenta a distância); • O recuo é mais pronunciado; • É mais perigoso para o atirador. 4.2 Técnica de tiro A caçadeira é encostada ao ombro, da mesma forma que a espingarda, contudo é mais concebida para ser apontada que para alinhar miras. Deve-se ensinar o atirador a flectir ligeiramente o joelho da perna avançada e inclinar-se para a frente, a fim de compensar o recuo, em especial quando se dispara mais que um tiro. O recuo da caçadeira é mais parecido com um puxão do que propriamente com um “pontapé”, e facilmente levará a que o atirador se desequilibre se não fizer esta compensação. Relativamente à segurança, porque este tipo de armas tem um carregador tubular, é frequentemente difícil dizer se o tubo tem ou não munição.

145 Manobrador à Manobrador

4.3

Treino com caçadeira Tal como com as outra armas, os militares devem estar totalmente familiarizados com a caçadeira. Os tópicos a rever são: • • • • • Segurança e manuseamento. Carregar e descarregar. Fazer a manutenção. Resolução de possíveis avarias. Execução do tiro.

NOTA: A desmontagem e montagem da arma só deve ser feita por pessoal especializado.

O treino com este tipo de armas deve envolver a criação de situações que levem o militar a fazer tiro para uma determinada área, utilizando alvos ou pontos de referência (tais como uma caixa em cartão). Conforme se referiu, não é tanto a precisão que interessa, mas sim a habituação em

146

carregar/descarregar32 (normal e alternativo) e fazer tiro com rapidez.

PISTOLA HK VP 70 M/978 Calibre 9 mm
2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DA ARMA 2.1 Ficha histórica e destino Na década de 1950, a produção de armas voltou a ser uma actividade permitida na Alemanha. A empresa HECKLER & KOCH GMBH, fixou-se nas antigas instalações da Mauser em OBERNDORF-AM-NECKER, na Alemanha Ocidental, tendo no início de 1970, começado a produzir a HK Modelo P 7, rapidamente substituída pela VP 70. Esta arma, apesar de algumas inovações, como possuir parte do punho em plástico, não obteve o sucesso esperado, devido ao sistema de disparo de dupla acção (muito difundido actualmente), ao mau posicionamento da patilha de segurança e à falta de estética da própria arma. Na GNR, a pistola HK VP 70 Calibre 9 mm, Modelo 1978 é uma arma ligeira, individual e de tiro tenso, podendo ser destinada à defesa própria do militar da Guarda (apesar de ter um gatilho demasiado pesado), ou para “abater alvos seleccionados”, através de uma coronha que se pode adaptar, conferindo elevada precisão, até à distância de 50 metros. 2.2 Características de Funcionamento

32

147

2.2.1

Tipo de Funcionamento
É uma arma semi-automática, de cano fixo, que funciona pela acção indirecta dos gases (os gases resultantes da explosão da carga da munição exercem a sua acção na culatra, por intermédio da base do invólucro).

2.2.2

Corrediça
A arma não dispõe de culatra propriamente dita, mas sim de um bloco, designado de corrediça, que desempenha as mesmas funções.

2.2.3

Armar Arma no movimento de puxar a corrediça à retaguarda e levá-la à frente.

2.2.4

Mecanismo de disparar O mecanismo de disparar permite a execução de tiro semi-automático (tiro a tiro), sendo o disparo feito em acção dupla (ao ser puxado o gatilho, o percutor acompanha o movimento deste, através da peça de arraste e, quando esta faz o seu abaixamento, o percutor solta-se, indo embater no fulminante da munição) e ainda, permite o tiro automático (rajadas de 3 tiros), quando se lhe adapta uma coronha.

2.2.5

Segurança É conseguida através de uma patilha de segurança, situada à frente e por cima do gatilho, que, estando na sua posição mais baixa, coloca a arma em segurança (por imobilização do gatilho) e, estando na sua posição mais elevada, coloca a arma pronta a efectuar o tiro, sendo apenas necessário pressionar o gatilho.
148

2.2.6

Indicador de posição do percutor A alavanca esquerda do gatilho indica a posição do percutor, já que se torna saliente à medida que se vai accionando o gatilho.

2.3

Aparelho de pontaria • Ranhura da alça de mira com forma rectangular; • Ponto de mira “tipo rampas” (baseado no efeito de contraste de luz e sombra, sendo as rampas a luz e o centro destas, a sombra).

Alça de mira

Ponto de mira

2.4

Alimentação • Carregamento por carregador com capacidade para 18 munições; • Transporte no carregador através do elevador e mola.
149

2.5

Munições A pistola utiliza munições de calibre 9 X 19 mm Parabellum M/70, com projéctil derrubante e encamisado. Chama-se a atenção de que, para além desta munição, existe também a munição calibre 9 mm M/47, sendo esta mais potente e distinguindo-se da primeira, por o projéctil ter uma ogiva mais afilada, não devendo ser utilizada nesta pistola, visto provocar o desgaste prematuro do material. A munição 9 mm M/47 foi concebida para ser utilizada nas pistolas metralhadoras e noutras pistolas.

3

DADOS NUMÉRICOS 3.1 Pesos • Peso da arma com carregador municiado .............................................................................................. 1,161 Kg • Peso da arma .............................................................................................. 845,3 g • Peso do carregador .............................................................................................. 101,5 g • Peso da coronha .............................................................................................. 574,1 g • Peso da munição .............................................................................................. 11,9 g
150

• Peso do projéctil .............................................................................................. 7,5 g 3.2 Dimensões • Da arma .............................................................................................. 20,4 cm • Da coronha .............................................................................................. 34,2 cm • Do cano .............................................................................................. 11,6 cm • Altura .............................................................................................. 14,2 cm • Largura .............................................................................................. 3,2 cm 3.3 Estriamento • N.º de estrias .............................................................................................. 6 • Sentido das estrias .............................................................................................. Dextrorsum 3.4 Calibre • Calibre da arma .............................................................................................. 9 mm Parabellum
151

3.5

Capacidade • Capacidade do carregador .............................................................................................. 18 munições

3.6

Dotações • Carregadores .............................................................................................. 3 • Munições .............................................................................................. 54

4

DADOS BALÍSTICOS 4.1

Velocidade Inicial (V0) .............................................................................................. 360 m/s Alcances • Prático .............................................................................................. 50 m

4.2

5

ORGANIZAÇÃO MECÂNICA DA ARMA 5.1 Divisão da arma A Pistola HK VP 70 divide-se em 3 grupos: 1. Corrediça; 2. Punho; 3. Carregador.
152

1

2

3

5.2

Descrição das partes principais Corrediça 2 - Extractor; 4 - Mola do 6 - Mola 8 - Haste-guia 10 - Mola do 12 - Tampa do

5.2.1

1 - Corrediça com ponto de mira; 3 - Perno de pressão do extractor; extractor; 5 - Alça de mira; recuperadora do percutor; 7 - Percutor; da mola do percutor; 9 - Cilindro da haste-guia; percutor; 11 - Eixo do percutor; percutor. 5.2.2 Punho

13 - Alavanca direita do gatilho; 14 - Alavanca esquerda do gatilho com indicador de posição do percutor; 15 - Peça de arraste do percutor; 16 - Eixo da peça de arraste; 17 - Cavilha da peça de arraste; 18 - Mola da peça de arraste;
153

19 - Anilha de fixação; 20 - Alavancaguia da peça de arraste; 21 - Gatilho; 22 - Mola do gatilho; 23 - Haste-guia da mola do gatilho; 24 - Suporte da haste-guia do gatilho; 25 - Alavanca de segurança (contra disparo involuntário); 26 - Mola da alavanca de segurança; 27 - Garfo da alavanca de segurança; 28 - Cilindro-guia do eixo do garfo; 29 - Eixo do garfo; 30 - Mola recuperadora; 31 - Armação do punho com cano; 32 - Anilha com rosca; 33 - Haste-guia da mola amortecedora; 34 - Anel de travamento; 35 - Peça de pressão; 36/37 - Molas amortecedoras; 38 - Travão da patilha de segurança; 39 - Cavilha de fixação; 40 - Mola do armador; 41 - Armador; 42 - Patilha de segurança; 43 - Tampa de fecho; 44 - Cilindroguia; 45 - Tampa de fecho; 46 - Cavilha de fixação; 47 - Detentor do carregador; 48 - Cavilha de fixação do detentor do carregador; 49 - Mola do detentor do carregador. 5.2.3 Carregador

50 - Corpo do carregador; 51 - Elevador; 52 - Mola elevadora com fixador do fundo do carregador; 53 - Fundo do carregador.

154

155

5.3

Acessórios Esta arma é constituída pelos seguintes acessórios: 1. Bolsa de Cabedal (coldre); 2. Fiador; 3. Coronha-coldre com francaletes de botões, molas (3 a) e placa-bandoleira (3 b); 4. Livro de instruções.

3 2 1

3 b

4

3 a

156

6

DESMONTAR E MONTAR A ARMA 6.1 Generalidades A desmontagem e montagem da arma são executadas sempre que se torne necessário efectuar a sua limpeza ou qualquer outra operação de manutenção e ainda durante a instrução sobre a arma. Ao utente, estão vedadas quaisquer outras operações de desmontagem para além das autorizadas, que se resumem às seguintes: Separar a corrediça do punho, desmontar o carregador e desmontar o percutor. Quaisquer outras operações, somente devem ser executadas pelos mecânicos de armas ligeiras ou pessoal técnico autorizado. Antes de executar qualquer operação de desmontagem, deve considerar-se sempre a possibilidade de a arma estar carregada, pelo que obrigatoriamente devem executar-se as operações de segurança com vista a descarregar a arma. 6.2 Operações de segurança Para verificar se a arma está descarregada, executar-se-ão as operações a seguir descritas, respeitando a sua sequência: 1.º A patilha de segurança deve ser mantida na posição de fogo (posição superior), pois, caso contrário, corre-se o risco da arma se desmontar ao puxar a corrediça à retaguarda; 2.º Retirar o carregador, empurrando com o polegar esquerdo o detentor do mesmo para a retaguarda, extraindo assim o carregador do seu alojamento;

157

3.º Puxar a corrediça à retaguarda e segurá-la nessa posição; 4.º Observar se não há nenhuma munição na câmara; 5.º Levar de novo a corrediça à frente e efectuar um disparo, em direcção segura; 6.º Colocar a patilha de segurança em segurança e introduzir o carregador, verificando se está desmuniciado. 6.3 Desmontagem da arma autorizada ao utilizador 6.3.1 Separar a corrediça do punho 1.º Efectuar as operações de segurança. De notar, que a arma só pode ser desmontada se tiver a patilha de segurança na posição inferior;

2.º Retirar o carregador; 3.º Segurar a arma com a mão direita e, com a mão esquerda, puxar a corrediça à retaguarda, levantando-a e deixando-a deslizar para a frente;

158

4.º A corrediça está separada do punho; 5.º Retirar a mola recuperadora. 6.3.2 Desmontar o carregador 1.º Mantendo o carregador agarrado com a mão esquerda, com o fundo deste voltado para cima e a face posterior voltada para a retaguarda, premir com um punção, vareta, escovilhão ou outro objecto pontiagudo o perno de fixação do fundo;

2.º Ao mesmo tempo, actuar com o polegar da mão esquerda no fundo do carregador, fazendo-o avançar ligeiramente; 3.º Colocar agora o polegar sobre a abertura inferior do corpo do carregador e, com a outra mão, retirar o fundo do carregador, de forma a não deixar saltar a mola elevadora e o fixador do fundo;

159

4.º Aliviar gradualmente a pressão do polegar esquerdo, até retirar o fixador do fundo e a mola elevadora; 5.º Extrair finalmente o elevador, inclinando a abertura inferior do carregador para baixo.

6.3.3

Desmontar o percutor 1.º A mão esquerda segura na corrediça com a parte inferior para baixo e o orifício da boca do cano para a esquerda; 2.º A mão direita segura no fundo do carregador e introduz o mesmo na ranhura existente na tampa do percutor, conforme se mostra na figura, rodando um quarto de volta para a esquerda, ficando a tampa solta;

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3.º Retirar o conjunto da haste-guia do percutor;

4.º Rodar a corrediça de forma a ficar com a parte inferior virada para cima e, com o polegar esquerdo, pressionar o percutor e a sua mola recuperadora, até os retirar do seu alojamento da corrediça.

6.4

Montagem da arma A montagem é feita pela ordem inversa. Para tal: 6.4.1 Montar o percutor 1.º A mão esquerda segura na corrediça com a parte inferior para cima e a mão direita introduz o
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percutor com a sua mola recuperadora no alojamento da corrediça, tendo o cuidado de colocar o seu ressalto voltado para cima;

2.º Introduzir o conjunto da haste-guia do percutor, com a ranhura da tampa na horizontal, conforme se mostra na figura;

3.º Introduzir o elevador do carregador na ranhura da tampa do percutor e rodá-lo um quarto de volta para a direita. 6.4.2 Montar o carregador 1.º Mantendo o corpo do carregador empunhado na mão esquerda, com a abertura inferior voltada para cima e a face posterior voltada para a retaguarda, introduzir o elevador. Este, deve deixar-se escorregar no interior do corpo do carregador, com
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2.º

3.º

4.º

5.º 6.4.3

o ramo maior voltado para a sua face posterior e a extremidade voltada para cima; Introduzir a mola elevadora e o fixador do fundo do carregador, de forma que a extremidade da mola fique paralela aos rebordos da abertura inferior do corpo do carregador; Colocando o polegar esquerdo sobre o fixador do fundo do carregador, inserir este, completamente, no interior do corpo do carregador e mantê-lo nessa posição; Colocar o fundo, introduzindo as suas guias nos rebordos do corpo do carregador e fazendo-o deslizar para a retaguarda até que o perno do fixador entre no seu orifício central; Pressionar finalmente o elevador para baixo, verificando o funcionamento do carregador.

Montar a corrediça no punho 1.º Empunhar a arma com a mão direita e, com a outra mão, introduzir a mola recuperadora no cano; 2.º Introduzir a parte anterior da corrediça no cano com a mola recuperadora;

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3.º Puxar a corrediça à retaguarda até ao fim do seu curso, baixando-a para agarrar nas ranhuras da armação e deixá-la voltar à frente; 4.º A corrediça está de novo na sua posição normal; 5.º Colocar a patilha de segurança na posição de fogo; 6.º Introduzir o carregador. A arma está montada. 6.5 Colocar/retirar a coronha 6.5.1 Colocar a coronha 1.º Segurar na arma com a mão esquerda e com a outra mão segurar na coronha; 2.º Fazer coincidir as ranhuras da coronha com os respectivos entalhes na arma e pressionar para cima até ao seu total encaixe.

6.5.2

Retirar a coronha 1.º A coronha só pode ser retirada se o comutador de tiro estiver na posição 1; 2.º Segurar na arma e na coronha conforme foi visto para a sua colocação e pressionar o fixador da coronha, separando-as.

164

7

MANUSEAMENTO PARA EXECUÇÃO DE TIRO 7.1 Municiar Municiar e desmuniciar os carregadores é feito manualmente. Para tal o utilizador deve: 1.º Empunhar o carregador com a mão esquerda, tendo a base voltada para baixo e a face posterior voltada para a chave da mão; 2.º Agarrar na munição com a outra mão (ficando a base desta na direcção do carregador); 3.º Fazer pressão com a munição sobre a parte de cima do elevador, forçando-o a baixar e, simultaneamente, fazendo-a deslizar por baixo das orelhas do carregador, encostar a sua base à face posterior deste último; 4.º As munições seguintes são introduzidas da mesma forma, fazendo pressão sobre a munição colocada anteriormente. 7.2 Carregar 1.º Estando a arma com a patilha de segurança em posição de tiro (posição superior), empunhar a mesma com a mão direita e introduzir o carregador já municiado; 2.º Com os dedos indicador e polegar da mão esquerda, puxar com energia, a corrediça à retaguarda, fazendo-a atingir a sua posição mais recuada, largando-a depois.

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7.3

Tiro semi-automático em Acção dupla 1.º Apontar a arma e premir o gatilho, afrouxando, de seguida, o dedo indicador para deixar o gatilho voltar livremente à sua posição primitiva; 2.º Depois do carregador ficar vazio, após o último tiro, a corrediça desta arma não fica retida à retaguarda. Se for necessário continuar o tiro basta introduzir novo carregador municiado, puxar de novo a corrediça à retaguarda e levá-la novamente à frente, introduzindo assim uma munição na câmara; 3.º A execução do tiro semi-automático pode ser feita apenas com a pistola ou com a coronha, através do seu comutador de tiro na posição 1.

7.4

Tiro automático em Acção dupla
A execução do tiro automático apenas pode ser feita através da coronha, ficando a arma pronta a efectuar rajadas de 3 tiros pela simples mudança do comutador de tiro da posição 1 para a posição 3, seguida da pressão sobre o gatilho.

166

7.5

Descarregar Quando o tiro é interrompido e possam existir munições no carregador e/ou na câmara da arma, procede-se da seguinte forma:

1.º Extrair o carregador; 2.º Puxar, com energia, a corrediça à retaguarda e verificar se não ficou nenhuma munição na câmara, deixando a corrediça ir novamente à frente. 7.6 Desmuniciar Para desmuniciar o carregador, basta empurrar as munições para a face anterior deste, fazendo pressão na base destas, até saírem do carregador. 8 AVARIAS 8.1 Generalidades Uma avaria ou interrupção de tiro pode ocorrer por deficiência do funcionamento da arma ou por deficiência da munição. Não sendo possível distinguir de imediato se se trata de uma ou outra avaria, os procedimentos imediatos devem ser sempre tomados admitindo que se trata de uma deficiência da munição. Assim, sempre que ocorra uma interrupção de tiro, devem ser executados os procedimentos que a seguir se descrevem, sem omissões e pela ordem indicada, os quais constituem a Acção Imediata do atirador: 1.º Puxar o cão à retaguarda e, apontando novamente ao alvo, disparar de novo, pois pode acontecer que desta segunda percussão resulte o tiro; 2.º Caso não ocorra o disparo, colocar a arma em segurança mantendo a arma sempre direccionada para o alvo; 3.º Retirar o carregador;
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4.º Puxar a corrediça à retaguarda, retirando assim a munição que se encontrava introduzida na câmara, e fixá-la, pressionando o detentor da corrediça; 5.º Identificar e resolver a avaria; 6.º Caso não o consiga fazer, levantar o braço livre para chamar a atenção e esperar que o instrutor se lhe dirija. 8.2 Procedimentos a executar nas avarias mais frequentes 8.2.1 Falta de alimentação • Verificar se o carregador está bem introduzido; • Verificar se o carregador tem alguma amolgadela. Em caso afirmativo, substituir o mesmo. 8.2.2 Falha na percussão • Em caso de defeito da munição ou do fulminante, substituir a munição; • Após verificar que não foi introduzida munição, puxar a corrediça à retaguarda e levá-la de novo à frente, introduzindo-se assim a munição na câmara; • Mantendo-se a falha da percussão, existe a possibilidade do percutor estar partido. 8.2.3 Falha na extracção/ejecção • Puxar a corrediça à retaguarda e remover, se necessário manualmente, o invólucro que não foi extraído ou ejectado. Levar de novo a corrediça à frente, introduzindo a munição na câmara; • Mantendo-se a falha da extracção/ejecção, existe a possibilidade do extractor estar com defeito. 9 MANUTENÇÃO

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9.1

Generalidades

Tratando-se de uma arma de defesa pessoal, a garantia do seu funcionamento em qualquer circunstância é fundamental para o utilizador. A fim de se garantir o seu funcionamento, este deverá observar todos os cuidados de manutenção da arma, não só no que se refere à execução das operações a seu cargo, mas também na solicitação daquelas que estejam a cargo de outros escalões de manutenção.

9.2

Manutenção de 1º Escalão Regra geral, os trabalhos de manutenção de 1º Escalão consistem em: • Desmontagem para limpeza ordinária; • Passar várias vezes a vareta de limpeza com a mecha impregnada em óleo no cano e na câmara. De seguida enxugar com um pano seco; • Limpar a corrediça, o punho e a garra do extractor; • Lubrificar ligeiramente (com óleo) as peças móveis; • Limpar o carregador33 e as munições e verificar se a distribuição destas permite um manuseamento normal do elevador, indispensável ao bom funcionamento da arma;

UTILIZAÇÃO DE ARMAS DE FOGO
A. CUIDADOS GERAIS
Neste capítulo pretende-se tecer algumas considerações genéricas sobre os cuidados a ter por qualquer militar da Guarda com o uso e porte da sua arma de
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Os carregadores das armas não devem estar permanentemente com munições, a fim de não pasmarem as suas molas. 169

defesa, quer de serviço quer particular. Conselhos úteis, imprescindíveis que não devem ser esquecidos, pois constituem a garantia de que o militar está consciente da sua correcta utilização. Sendo assim:

1) O utilizador de qualquer arma de fogo, deve estar perfeitamente apto a manuseá-la, conhecer o seu funcionamento, montagem e desmontagem e a efectuar as operações de segurança, pelo que ao requisitar ou adquirir uma arma de fogo, deve sempre ler atentamente o seu manual de instruções; 2) Todo o militar deve estar seguro de que conhece e sabe pôr em prática os princípios da técnica de tiro; 3) Não confie na memória. Uma arma deve sempre considerar-se como estando carregada e pronta a fazer fogo, até ao momento em que o utilizador se assegure pessoalmente do contrário, executando as operações de segurança; 4) Excepto em situações de serviço que assim o exijam, uma arma de fogo deve ser sempre transportada em segurança e sem munição introduzida na câmara; 5) Sempre que empunhar uma arma, qualquer que seja o propósito, aponte-a numa direcção segura, desarme o cão e verifique se está descarregada; 6) Nunca apontar a arma a ninguém, mesmo sabendo que esta está descarregada; 7) Nunca aceite ou devolva uma arma sem que esteja com o cão desarmado ou com o tambor aberto, no caso dos revólveres; 8) Verifique com frequência o estado de conservação e limpeza da sua arma, pois só assim poderá prevenir futuras avarias, que teriam consequências graves em situação de crise;
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9) Ao terminar o serviço, se possível, guarde a arma na arrecadação do material de guerra; 10)Não leve a arma para a caserna, nem a deixe guardada no armário; 11)Não se iniba de chamar à atenção ou repreender um seu camarada ou subordinado, sempre que verificar que estão a ser desrespeitadas as normas elementares de segurança; 12) Ao guardar a sua arma em casa, descarregue-a e efectue as operações de segurança, coloque-a num local onde seja inacessível a qualquer outra pessoa, em especial a crianças, de preferência num compartimento fechado à chave. A arma e munições devem ser guardadas em locais separados; 14)Nunca deixe a arma em local onde possa ser facilmente furtada, como por exemplo no porta-luvas do carro; 15) Quando trajar à civil, transporte a sua arma num local dissimulado; 16) Nunca trepe ou salte um obstáculo, com munição introduzida na câmara da arma; 17) Nunca a arma aponte para si próprio; 18) Introduza apenas a munição na câmara quando estiver pronto para atirar a um alvo conhecido e seguro; 19) Quando transportar a arma na mão, nunca deixe que qualquer parte da mão ou outro objecto toquem no gatilho; 20) Verifique sempre por si mesmo se as armas estão ou não carregadas; 21) Não deixe que lhe aconteça a si, ou junto de si, acidentes em que posteriormente diga ou oiça dizer “pensava que a arma estava descarregada!...”; 22) NÃO LEIA estas regras básicas!, PRATIQUE-AS e obrigue quem estiver junto a si a fazê-lo.
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B. conduta pessoal Sempre que se trate do emprego de armas de fogo ou outros meios mortíferos, para além das limitações legais anteriormente referidas, deve ainda observar-se o seguinte: 1. Todos os militares devem ser conhecedores das condições em que podem “abrir fogo”, procurando, quando tal for absolutamente necessário, e sempre que possível, ferir e não matar; 2. Procurar avaliar o local onde se vai “abrir fogo”, incluindo o disparo de aviso para o ar, visto que nos centro urbanos, há possibilidade de atingir inocentes, dentro ou fora do local da actuação; 3. Nunca se deve disparar para o chão em zonas pavimentadas, porque existe sempre a possibilidade dos ricochetes atingirem inocentes; 4. Se for necessário, disparar contra uma viatura em fuga, tomar uma posição o mais baixa possível (de joelhos ou deitado) e apontar para os pneus da mesma e nunca directamente para o habitáculo dos passageiros; 5. É totalmente interdito o fogo de “rajada”; 6. Ao ser alvejado de local incerto, é interdita a abertura imediata de fogo, pois o procedimento correcto será procurar abrigo e tentar localizar a ameaça para posterior neutralização; 7. Em situações de alteração da Ordem Pública, as armas devem ter o carregador municiado e introduzido, a câmara sem nenhuma munição e a patilha de segurança/comutador de tiro em segurança. A ordem de introdução de munição na câmara e abrir fogo só deve ser dada pelo comandante das forças empenhadas. 8. Nunca esquecer que a Comunicação Social aproveita qualquer pretexto para denegrir a imagem das forças policiais, conforme as fotografias e legenda abaixo indicadas:
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GUARDA MORRE COM TIRO NA CABEÇA
Uma brincadeira com uma arma de fogo acabou da pior maneira num bar em Grândola, com um soldado da GNR a desfechar um tiro na sua própria cabeça, soube o Correio da Manhã. O acidente teve lugar por volta da uma hora da manhã de ontem num bar da vila de Grândola e foi presenciado por um colega da vítima e um grupo de mais de cinco pessoas. Os dois soldados da GNR, ambos a prestar serviço no posto territorial de Grândola, estavam a conversar sobre armas de fogo, quando, um deles pediu ao colega a arma pessoal emprestada para, segundo consta, mostrar um “truque novo”. Fonte do Comando Geral da GNR disse que o guarda Luís Fernando Branco Nunes, de 29 anos, alistado na corporação desde 1993 retirou as munições que estavam no tambor do revólver. Todavia, tudo leva a crer que uma bala P. 32 ficou esquecida no tambor e quando o militar levou o revólver à cabeça e premiu o gatilho foi atingido mortalmente, perante a
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estupefacção de todos os presentes. O militar da GNR ainda foi evacuado para uma unidade hospitalar, mas chegou cadáver. O mesmo responsável do Comando Geral da GNR, em Lisboa, adiantou que o soldado falecido estava fora de serviço, assim como o camarada. Recorde-se que este não foi o primeiro acidente com armas de fogo manuseadas por agentes de autoridade em aparentes brincadeiras que acabam por culminar em morte. (Correio da Manhã de 17DEC96)

ARMAS ESPECIAIS
As armas que a seguir se apresentam foram adquiridas para a força do Regimento de Infantaria deslocada em Timor. Pelo facto de poderem ser desconhecidas para o leitor, aqui fica o registo fotográfico de cada uma delas, juntamente com os respectivos acessórios de algumas. 10 LANÇA-GRANADAS COUGAR 56 mm Arma utilizada sobretudo na Manutenção de Ordem Pública, com a finalidade de lançar granadas para o interior das manifestações, provocando a consequente dispersão dos manifestantes. O Pelotão de Operações Especiais pode também utilizá-la para lançar granadas de gás ou de espanto no interior de um compartimento.

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10.1 Tipos de granadas que utiliza

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11 HK MSG 90 Arma de sniper que equipa o Pelotão de Operações Especiais sendo utilizada em missões de assalto como arma para cobrir o avanço das equipas de assalto. Pode servir também nas missões de segurança pessoal para, de um ponto elevado, neutralizar uma ameaça perigosa e para defesa de pontos sensíveis.

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12 STEYR SSG-69 Arma de sniper que também equipa o Pelotão de Operações Especiais tendo a mesma função que a arma anterior, sendo menos potente. Contudo, como o sniper policial executa tiro entre os 100 e os 300 metros, esta arma cumpre na perfeição a sua função.

13 HK MP5 SD6 Arma em tudo igual à HK MP5 A4 com a particularidade de ter silenciador o que permite, em missões encobertas, executar tiro sem ser detectado, não perdendo a importância do factor surpresa.

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14 HK MP5 K A1 COM MALA PARA SEGURANÇA PESSOAL Mala utilizada em missões de segurança pessoal, equipada no seu interior com uma pistola-metralhadora HK MP5 KA1. Para a pôr em funcionamento basta premir o gatilho que se encontra situado na pega da referida mala.

GLOSSÁRIO DE TERMOS DO ARMAMENTO
Abertura da culatra - Este é um termo que constitui uma força de expressão, na medida em que, na realidade, pretende significar a
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abertura da câmara pelo movimento da culatra. Tal como o termo “fechamento da culatra”, está tão generalizado que não constitui óbice na comunicação verbal e escrita.
A operação a que se refere é uma operação secundária do ciclo de funcionamento duma arma, que ocorre entre o destravamento da culatra e a extracção e que consiste em a face da culatra deixar de cobrir a entrada da câmara, deixando pois de ficar alinhada com o cano se for uma culatra de gaveta ou passando a ficar afastada desta abertura se tratar duma culatra de movimento longitudinal.

Adarme – Antiquíssima forma de descrever o diâmetro da alma das armas portáteis de cano liso. Este “sistema” ainda é o que hoje se aplica à medição do “calibre” das caçadeiras, o adarme de uma caçadeira é, simplesmente, o número de esferas de chumbo com o diâmetro da alma dessa arma, que perfaz o peso de uma libra. Por exemplo, uma “caçadeira de calibre 12” é uma caçadeira tal que 12 esferas de chumbo do diâmetro da alma dessa arma, pesam uma libra “antiga” (0,4895 kg). Os diâmetros das almas correspondentes aos valores dos adarmes mais comuns, são os seguintes: Adarme 4 23.75 mm “ 8 21.21 mm “ 10 19.69 mm “ 12 18.52 mm “ 16 16.81 mm “ 20 15.62 mm “ 28 13.97 mm Com o desaparecimento dos projécteis esféricos e a adopção de projécteis oblongos a que esta forma de medição não podia ser aplicada, ela é (exceptuando o caso das espingardas de caça) completamente abandonada, em favor da medida (o calibre) em milímetros, centímetros ou polegadas. Alça (“Rear Sight”) – Designação genérica dos componentes dos aparelhos de pontaria destinados a permitir o azeramento dos mesmos, operação que se designa habitualmente por “regular a alça da arma”. Dos dois elementos componentes do aparelho, é aquele que fica mais perto do olho do atirador.
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Alça fechada – Uma alça em que a visualização do ponto de mira e do alvo se faz através de um orifício circular existente num componente dessa alça. Nas espingardas de precisão destinadas ao tiro ao alvo, esse componente dispõe por vezes de uma provisão para a aplicação de uma íris, tal que a dimensão do orifício do referido componente – o dióptero -, pode ser regulada/alterada, para uma melhor adaptação da visão às condições de luz ambiente. Esta classe de alças tem o inconveniente de tornar bastante mais difícil a aquisição do alvo mas, por outro lado, as vantagens de tornar mais natural a centragem do ponto de mira – o alinhamento alça ponto de mira – e, em condições especiais, de aumentar a profundidade de campo da visão. Pode-se usar juntamente com pontos de mira de poste mas o uso mais comum – por mais eficaz – em tiro ao alvo é em conjunto com pontos de mira de anel ou pontos de mira de plástico. Alcance - A distância medida na horizontal entre a origem dessa trajectória e o respectivo ponto de cada. O alcance é função principalmente da velocidade inicial, do ângulo de projecção e do coeficiente balístico do projéctil. Alcance eficaz - A distância máxima a que os projecteis disparados de um dado sistema de arma, retêm a precisão e a capacidade de penetração, compatíveis com a finalidade do seu emprego contra os alvos designados.

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Alcance máximo - A distancia máxima a que um sistema de arma, mesmo com grande dispersão, ou sem suficiente capacidade de penetração, pode enviar os seus projecteis. O tiro para este distância implica, para os sistemas de arma clássicos, o uso de ângulos de elevação mais ou menos inferiores a 45º, tanto menores quanto mais pequeno seja o coeficiente balístico dos projecteis disparados. È porem curioso notar que o máximo de alcance do canhão Berta, usado pelas forças Alemãs na I Guerra para o bombardeamento de Paris, era obtido com ângulos de elevação superiores a 45º, uma vez que neste caso uma parte das trajectórias era percorrida na estratosfera. No caso dos sistemas de arma de cano estriado, para velocidades iniciais dos projecteis e de mais condições iguais, o alcance máximo é função directa do calibre do sistema. Isto é assim porque, sendo aproximadamente constante a relação entre o comprimento e o calibre/diâmetro desses projecteis – nos projecteis destes sistemas, o comprimento ideal dos projecteis é igual a cerca de seis milímetros – o seu peso é igual a (π.r².6d. d)=( π. r².12r.d) = (24. π. r³.), portanto um valor proporcional ao cubo do calibre, o que faz com que, dado que a área da secção recta é proporcional ao quadrado do calibre, a densidade seccional e portanto o coeficiente balístico, sejam proporcionais ao próprio calibre. Finalmente, como o alcance é tanto maior quanto maior for o coeficiente balístico, torna-se evidente a relação directa entre alcance máximo e calibre. De resto, é esta a razão porque a obtenção de maiores alcances – uma vantagem táctica suprema – requer necessariamente o emprego de calibres maiores. Alcance perigoso ou distância máxima de ricochete – Consiste na maior distância que pode ser atingida por um ricochete. É igual a ¾ do alcance máximo da arma/munição. Alimentação - O mesmo que municiamento da arma. É a operação que consiste na introdução das munições na arma. Nas armas de carregamento pela culatra, o carregamento não é precedido de alimentação e portanto esta operação não ocorre.
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Nas armas de repetição, a alimentação faz-se introduzindo as munições num depósito da própria arma ou introduzindo um carregador cheio nesta. No contexto das armas automáticas, o termo sistema de alimentação refere-se a um dos três processos como as munições são introduzidas nessas armas: • Por meio de uma fita • Por meio de um tambor • Por meio de um carregador. Alma - Nome do furo central, longitudinal, do cano de uma arma. É na alma das armas que, durante os disparos, os projecteis ganham a velocidade à boca e, nas de cano estriado, o movimento de rotação necessário à sua estabilização. As partes da alma são a câmara, a concordância e a parte estriada. A alma termina posteriormente, na boca. Alma estriada - Designação de uma alma que em parte é sulcada por estrias. Alma lisa - Designação de uma alma cujas paredes são completamente lisas, da câmara à boca. Alto explosivo – Um explosivo cuja característica é a detonação, isto é, a propagação da frente de reacção, tem velocidade superior à velocidade do som. As velocidades das reacções destes explosivos conhecidos, são normalmente da ordem de vários (2 a 9) quilómetros por segundo. Alvo – Designação genérica de um qualquer ser ou objecto – mecanismo, área demarcada desenhada numa cartolina, etc. – que se pretende atingir, em princípio, “no centro” com balas ou outros projécteis. Os alvos podem ser estáticos ou móveis e, se móveis, podem mover-se com velocidade que vão de uns poucos quilómetros por hora a várias vezes a velocidade do som. Podem encontrar-se na atmosfera, na superfície do solo ou da água ou abaixo desta superfície e podem ter um movimento guiado ou não. Podem ainda
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dispor de protecções muito extremamente resistentes.

variadas,

incluindo

armaduras

Alvo homotético – Alvo de tamanho inferior ao normal que se utiliza quando as carreiras de tiro não permitem a execução de tiro às distâncias pretendidas. As suas dimensões são calculadas segundo a expressão: D = Dimensão normal do alvo conhecido D x d’ D’ = d’ = Dispersão à distância pretendida d D = Dispersão para a distância do alvo conhecido Amortecimento - A absorção da energia de recuo de uma arma. Com armas de bala é feito pelo corpo do atirador. Nas peças de artilharia é feita pela acção conjunta do freio de amortecimento, do recuperador e dos atritos entre as partes recuantes e as partes fixas da peça. Pode também ser considerado como a regulação de um sistema de controlo que serve para que quaisquer oscilações na sua saída venham a anular-se automaticamente. Ângulo de queda duma coronha – Numa espingarda, é o ângulo que o eixo do coice da coronha faz com o eixo do cano. Dentro dos limites práticos, quanto maior este ângulo, maior o salto e menor o coice transmitido ao atirador. Aparelho de pontaria - Designação genérica dos equipamentos mecânicos, ópticos ou electroópticos que são usados na pontaria das armas, para estabelecer as linhas de mira. Os aparelhos de pontaria das armas pesadas, e nomeadamente os da maioria das peças de artilharia modernas, são frequentemente sistemas complexos destinados a permitir, em comando local, o cálculo dos ângulos de avanço. Nas espingardas, pistolas, etc, os aparelhos de pontaria são sempre dispositivos relativamente simples, embora por vezes extremamente precisos. Estes, se constituídos inteiramente por componentes
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mecânicos, constituem sistemas do género miras metálicas. Se contêm espelhos trata-se de alças de reflexão. Se usam lentes, tratase das chamadas miras telescópicas ou de aparelhos de visão nocturna. Os de natureza electroóptica constam das chamadas miras laser. Apontar - Por definição é a acção de dirigir e controlar uma arma por forma a que os projecteis disparados venham atingir um (centro do) alvo. Consiste no estabelecimento de uma certa posição tridimensional do cano da arma em relação a uma referência especial ou seja, no estabelecimento de uma linha de pontaria. No tiro com peças de artilharia trata-se de movimentar o cano em torno de três eixos, o eixo de elevação, o eixo de azimute, elevação ou marcação e o eixo que possibilita a horizontalidade dos munhões (o eixo de correcção de canting). Para que isto seja feito eficazmente e em conformidade com as tácticas modernas, torna-se imperioso, quase invariavelmente, o uso de dispositivos auxiliares de cálculo e de servo-sistemas que, em conjunto, efectuam automaticamente a função de apontar as armas, em função das coordenadas e as velocidades do alvo – as chamadas direcções do tiro -, sem que seja necessário estabelecer linhas de mira. Aqui, portanto, a noção clássica de apontar não é sequer utilizada. No tiro de precisão feito com armas portáteis equipadas com miras metálicas, o acto de apontar define-se como o alinhar do olho com a alça e com o ponto de mira e, portanto, paradoxalmente, nem inclui geralmente, a visão clara do alvo, uma vez que, neste processo, o olho é focado/acomodado sobre o ponto de mira. Uma outra característica da técnica do tiro de precisão tal como é efectuado pelos bons atiradores, tem a ver com o facto de o disparo se integrar com o apontar da arma numa operação única, interdependente, sem descontinuidades, vindo o disparo a resultar de um reflexo condicionado. No tiro de precisão feito com armas portáteis equipadas com miras telescópicas ou aparelhos de visão nocturna, não se pondo o problema de focagem do olho uma vez que as imagens da mira e do alvo aparecem no mesmo plano óptico, a tarefa é muito mais fácil,
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bastando que a mira esteja bem regulada para que o resultado da pontaria seja bom. No tiro de precisão feito com armas portáteis equipadas com miras laser, o processo é completamente diferente. Aqui, o atirador limitase a dirigir o feixe de luz emitido pela mira para o local que quer atingir e, isto bem feito, basta-lhe realizar o disparo, dado que o azeramento da mira deve à partida garantir que os impactos ocorram aproximadamente no ponto assinalado pelo feixe luminoso. No tiro com armas de caça e com armas de tiro a pratos, embora o aparelho de pontaria seja semelhante, o processo de apontar é completamente diferente. Dado que aqui se trata em princípio de alvos moveis, à partida torna-se óbvia a necessidade de o atirador ser capaz de identificar permanentemente a posição e a direcção do movimento dos alvos, para o que tem de focar a visão sobre eles. É de considerar aqui o facto de que a dimensão típica de uma bagada serve precisamente para compensar os pequenos erros angulares de pontaria que o atirador possa cometer. Aqui, dada a existência de uma componente transversal do movimento do alvo, torna-se obvia a necessidade de o atirador dirigir os projécteis para uma posição futura. Tendo em conta estas considerações é fácil entender as técnicas usadas neste tipo de tiro e que podem ser descritas como segue. Em qualquer dos casos o atirador mantém a sua visão focada no alvo e, sem propriamente se preocupar com o direccionamento da arma, deixa que seja a própria adaptação desta arma à sua anatomia, a proporcionar, automaticamente, aquele direccionamento. O disparo é depois executado, ou com a arma apontada para um ponto estimado, á frente do alvo ou, no momento em que a arma aponta para o alvo, durante um movimento contínuo e suave de varrimento, que é iniciado com a arma a apontar para um ponto algures atrás dele e que persegue por forma a acompanhá-lo e a ultrapassá-lo. Esta última técnica é a mais usada. Apresentação - É uma operação da alimentação de uma arma e que consiste em colocar, de cada vez, um dos cartuchos introduzidos no depósito, no caminho da peça que o há-de introduzir na câmara.
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Arma - Um objecto ou sistema que pode ser usado pelo homem, para a caça, para a defesa ou ataque a outros seres ou sistemas, em várias modalidades desportivas ou ainda para fins lúdicos. De notar que uma faca de cozinha, um martelo, uma bengala ou uma bota e as próprias mãos podem ser armas, quando usados com determinados intentos e consciência. No âmbito deste trabalho, o termo é usado frequentemente como abreviatura de arma de fogo. Arma de acção directa dos gases - Arma automática que aproveita uma parte dos gases produzidos pela deflagração da carga, fazendoos actuar sobre uma peça especial (o êmbolo) que comanda a culatra. Arma de acção indirecta dos gases - Arma em que a culatra está apenas fortemente encostada ao cano pela acção da mola recuperadora que tem o seu ponto fixo na armadura. Arma de Ar Comprimido – Designação genérica das armas em que a propulsão dos projécteis resulta da expansão, no cano, de uma determinada quantidade de ar ou anidrido carbónico comprimido. Arma automática - Uma arma que, quando devidamente municiada, faz tiros sucessivos a partir do momento em que se actue no mecanismo do gatilho, até que este deixe de ser actuado ou até se acabarem as munições no carregador, tambor ou na fita de alimentação. Isto é, uma arma que realiza automaticamente todas as operações do ciclo de funcionamento, enquanto o gatilho se mantiver pressionado. Uma característica importante destas armas, é o ritmo de fogo que produzem. É no contexto das armas automáticas, dado o perigo eminente de ocorrência de acidentes do género “cook-off” (ou disparo por auto-ignição, correspondendo este termo a uma anomalia no funcionamento de certas armas de fogo, em particular das armas automáticas, derivado a, após uma longa série de disparos e ao consequente sobreaquecimento, o qual leva ao aquecimento excessivo do invólucro metálico e da carga, poder ocorrer a ignição
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da sua carga de pólvora e portanto o disparo) que se encontram os conceitos de câmara aberta e câmara fechada. As armas automáticas classificam-se quanto à forma como se operam os seus automatismos nas seguintes classes: • Operação com o comando externo • Operação a gás • Operação a gás de uma arma de tambor • Operação por inércia da culatra • Operação por recuo • Operação com travamento semi-rígido Estes automatismo são obtidos: • Nas armas com operação com comando externo, através da actuação de uma força motriz “exterior” que no caso das armas modernas é fornecida por um motor eléctrico ou hidráulico. • Em todos os restantes sistemas de armas automáticas, pelo aproveitamento de uma pequena parte da energia libertada pelos propulsantes da munição usada no disparo precedente. Existem armas automáticas nas categorias seguintes: • Pistolas Metralhadoras • Espingardas de Assalto • Metralhadoras • Peças de Artilharia Arma branca - Uma arma que, constando essencialmente de uma lâmina, se destina à luta corpo a corpo e com a qual é a força própria do combatente que produz os ferimentos. O termo “branca” deve-se à cor do material - o aço - de que são feitas estas armas. Uma arma branca pode ser “de ponta”, “de gume” ou “de ponta e gume”, conforme a porção ou porções da lamina que, primariamente, se destina a ser usada. Arma curta (“Hand gun”) – Designação genérica do conjunto das Pistolas, revólveres e eventualmente outras armas de dimensões muito reduzidas, concebidas para poderem ser facilmente apontadas e disparadas com a penas uma mão. Estas armas oferecem
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adicionalmente as vantagens de, se necessário ou conveniente, a sua posse poder der facilmente ocultada pelo vestuário e de o seu transporte ser relativamente muito cómodo. Armador - Um componente do mecanismo de armar. É a peça que fixa o percutor ou o cão do mecanismo de percussão na posição de armado e na qual o mecanismo do gatilho vai actuar, fazendo com que ele liberte o percutor, para este realizar a percussão. Arma de fogo - Termo genérico que designa um qualquer engenho em que se usam as pressões dos gases gerados na queima dum propulsante dentro de um tubo resistente, fechado numa das extremidades, para projectar um ou mais projecteis, pela outra extremidade. Um sinónimo deste, é o termo “Arma Pirobalística”. Arma ligeira, ou portátil - Uma arma - arma de fogo, canhão sem recuo ou lançador (individual) de granadas foguete -, que se destina a ser transportado e utilizado por um só indivíduo. Nesta classificação cabem as pistolas, revólveres, espingardas, pistolas metralhadoras, alguns morteiros dos calibres mais pequenos e uma parte das armas de propulsão por reacção, destinadas ao combate anti-carro por forças de infantaria. Arma de impulso – Designação genérica das armas em que os gases que servem à propulsão do(s) projéctil(eis), encontrando-se encerrados dentro dum cano, impulsionam simultaneamente a arma em sentido contrário, naquilo que se diz ser o recuo desta. Arma de pressão de ar - Uma arma ligeira, do género arma de impulso, mas em que propulsão do projéctil é feita não por gases formados na queima dum propulsante, mas sim por ar ou anidrido carbónico (CO2) pré-comprimidos. Estas armas podem funcionar de quatro formas distintas: • na primeira o disparo vai libertar um êmbolo que, por acção duma mola pré-comprimida, avançando rapidamente dentro dum cilindro onde se comprime a quantidade de gás necessária. Este sistema, embora permita grandes velocidades à boca, tem o grave
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inconveniente de fazer com que a arma tenha uma grande instabilidade no instante do disparo, em virtude do rápido movimento do êmbolo e da mola que são corpos com uma massa considerável. Este facto torna estas armas incapazes para a realização de tiro ao alvo, Na segunda, existe também um êmbolo e uma mola mas, para obstar ao inconveniente do sistema anterior, existe uma massa que, durante o disparo, se desloca em sentido contrário, por forma a que o centro de gravidade da arma se mantenha muito aproximadamente constante. Este sistema permite uma qualidade do tiro muito superior à do sistema anterior, se bem que inferior à dos sistemas seguintes, Na terceira, a arma dispõe de um depósito cilíndrico onde um êmbolo, comandado por uma alavanca, comprime uma certa quantidade de ar. No disparo, liberta-se uma espécie de martelo percutor que vai bater numa válvula, assim se libertando o gás comprimido que é então canalizado para o cano. Este sistema, aparte a possibilidade de ser algo permeável a um certo desgaste do êmbolo referido e requerer um certo esforço muscular para cada disparo, permite de facto disparos de grande qualidade, Na quarta, a arma tem associado um depósito de anidrido carbónico liquefeito que comunica com uma câmara dotada de uma válvula semelhante à do caso anterior. O funcionamento è depois semelhante ao anterior e aparte a necessidade de dispor de uma botija grande de CO2 e a possibilidade de haver ligeiras variações no funcionamento, com variações na temperatura ambiente, os disparos podem ser também de grande qualidade, As armas de pressão de ar utilizam-se actualmente apenas com finalidades desportivas ou lúdicas.

Armar - Nas armas de carregar pela culatra como já antigamente, nas armas de carregar pela boca, é a acção que consiste em levar o percutor ou o cão a ficar retido pelo armador, com a mola real (mola, espiral ou de lâmina, do mecanismo de percussão que é responsável pela impulsão do cão ou do percutor durante a percussão) comprimida onde fica pronto a agir, se a cauda do gatilho for
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actuada. Esta acção pode constar da manipulação directa do cão ou percutor ou ser o resultado indirecto da manipulação normal da arma para a preparar para o disparo. Nas armas de repetição, é essencialmente a mesma acção, mas é apenas uma das operações que decorrem automaticamente da manipulação da culatra, para realizar o ciclo de funcionamento. Nas armas automáticas e semi-automáticas, é apenas uma das acções acessórias ao ciclo de funcionamento destas que decorrem do movimento para trás ou para a frente da culatra. A existir em qualquer destes tipos de armas um mecanismo de segurança, a sua manipulação para a posição de segurança deve ou impedir a acção de disparar ou mesmo a própria acção de armar. Noutras a própria acção de armar faz com que, automaticamente, a arma fique em segurança. Na espoleta de um projéctil, bomba, míssil ou mina, é a acção que decorre entre os seus componentes e que consiste em, na ocasião apropriada, tornadas já desnecessárias a segurança de armazenamento, segurança de queda, etc, mudar a condição da espoleta de “segura” para a condição de pronta a fazer a iniciação do reforçar e/ou do rebentador do engenho onde essa espoleta esteja montada. O armamento das espoletas faz-se como resposta a um dos seguintes géneros de estímulos: • Tempo (medido num mecanismo de relojoaria ou por um dispositivo pirotécnico), • Um conjunto de forças que actuam nos seus componentes mecânicos (força de set-bak, força centrífuga, de resistência do ar, etc,) que dão informação inequívoca sobre o ambiente onde o engenho se encontra, • A rotação, num determinado número de voltas, de um eixo comandado por um pequeno hélice, que é actuado pela corrente de ar que incide sobre o engenho durante a sua trajectória, • A alimentação, com corrente eléctrica, de certos circuitos, eléctricos ou electrónicos. • Da operação de armar, consta frequentemente o alinhamento dos elementos explosivos da cadeia explosiva, entre si ou com outros componentes, o fechamento de interruptores eléctricos, etc.
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Arma de repetição - È, essencialmente, uma arma provida com um depósito para várias munições ou um alojamento para um carregador e que dispõe de um mecanismo de repetição, a fim de que não seja necessária, como acontece numa espingarda de carregar pela culatra, a operação de carregamento efectuada manualmente entre tiros sucessivos. Esta classe de armas constitui de certa forma um estágio primitivo da espingarda semi-automática, distinguindo-se desta porque requer manipulação/acção manual da culatra entre tiros, para realizar parte dos passos do ciclo de funcionamento. Por outro lado porém, a rigidez intrínseca durante os disparos, de algumas armas deste género, faz delas armas excepcionalmente capazes como armas de tiro de precisão. Arma semi-automática - Uma arma que, enquanto municiada, faz um disparo por cada actuação do mecanismo do gatilho, sem que seja necessário efectuar qualquer outra operação do seu ciclo de funcionamento. Isto é, uma arma em que todas as operações do ciclo de funcionamento, à excepção do disparo, se realizam automaticamente. A guerra moderna e os outros géneros de confronto armado, requer volumes de fogo, nomeadamente em situação críticas, que já não podem ser satisfeitos com armas de repetição. Daí a adopção generalizada pelas Forças Armadas de todos os Países, como armas de bala, de armas automáticas e semi-automáticas. Em compensação, perdeu-se os padrões de alta consistência do tiro que era possível realizar com boas armas de repetição. As armas semi-automáticas existentes, podem ser classificadas quanto à forma como operam os seus automatismos, nas seguintes classes: • Operação a gás • Operação por inércia da culatra • Operação por recuo • Operação com travamento semi-rígido
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Qualquer que seja o sistema de operação, nestas armas o conceito de travamento da culatra é algo diferente do mesmo conceito para as armas de tiro simples e armas de repetição. Com efeito, nas armas semi-automáticas o travamento da culatra só perdura até o projéctil ter atingido um determinado ponto do cano em que as pressões dos gases já desceram bastante abaixo da pressão máxima. Os automatismos são obtidos em todas estas armas pelo aproveitamento de uma pequena parte da energia libertada pelo propulsante da munição em cada disparo. Existem armas semi-automáticas nas seguintes categorias: • Pistolas • Espingardas (a maior parte das espingardas de assalto também podem fazer tiro automático). • Peças de artilharia. Arrastamento do gatilho – Um termo da tecnologia do tiro de precisão. Designa o defeito que se encontra em alguns dos mecanismos do gatilho, dos géneros; gatilho sem folga, gatilho com folga e gatilho com dupla folga, e que se manifesta exactamente antes do ponto em que o disparo deve ocorrer, tal que o atirador sente, mais ou menos nitidamente, um atrito, um “arrastar”, entre as peças deste mecanismo. Este defeito, que é totalmente inaceitável, até por ser crítico o momento em que ocorre, uma vez que intervém grosseiramente na atenção que o atirador está a prestar à pontaria, pode ser às vezes corrigido através de afinações do mecanismo mas, noutros casos, só pode ser solucionado por um bom armeiro. Azeramento (“zeroing”) – A operação de ajustar o aparelho de pontaria de uma arma ligeira, que tem em vista permitir ao utilizador atingir uma dada zona dum alvo, a uma dada distância – a distância para a qual a arma fica “azerada” -, com um máximo de precisão, apontado exactamente ao centro da zona de pontaria seleccionada previamente. Com o azeramento não de pode porém, infelizmente, obter quaisquer efeitos na melhoria da consistência do tiro.

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Bagada – O conjunto das bagas – em princípio feitas de chumbo rijo – de uma munição (cartucho) de caça. O disparo de um destes cartuchos projecta uma matriz de esferas de chumbo rijo – os bagos ou chumbos – que, dadas as pequenas diferenças da resistência do ar sobre cada um, se vai alargando radialmente e em profundidade ao longo da trajectória dessa matriz. Principalmente esta dispersão em profundidade, faz com que, em comparação com o tiro em que se projecta um único projéctil, a probabilidade de atingir um alvo em movimento seja muito aumentada. Os diâmetros aproximados da bagada, em centímetros, dependente é claro do estrangulamento do cano (choke), são os indicados na tabela seguinte: Distância (metros) 10 “choke” cano Cilíndrico Cil. melhorado ¼ choque ½ choque ¾ choque Full choque do 54 38 34 31 27 23 15 20 25 30 35 Diâmetro da Bagada em Centímetros 71 55 49 44 39 33 88 72 64 58 52 45 105 89 80 73 66 59 122 106 97 90 82 75 140 124 115 108 101 94

Bagos – Também designados chumbos de caça, são os projécteis esféricos da munição (cartucho) de caça. Estes bagos são feitos de uma liga de chumbo e zinco ou chumbo e antimónio, chamada chumbo rijo. Aparte as formas irregulares dos primeiros projécteis proporcionados pela Natureza do homem (pedras?), se fizermos a comparação, do ponto de vista aerodinâmico, com os outros projécteis modernos das
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armas de fogo, esta sua forma esférica é a pior possível. Para já, a sua tendência para rodopiar sobre si próprios segundo uma direcção aleatória, torna as suas trajectórias muito imprevisíveis. Depois, a sua densidade seccional, por mais alta que seja a densidade do material de que sejam feitos, é muito baixa, daí resultando que a resistência do ar que actua neles durante as trajectórias, exerce desacelerações muito grandes. Dada esta relativamente grande influência da resistência do ar no avanço destes projécteis, é certamente oportuno mencionar aqui que não faz nenhum sentido tentar, pelo aumento das cargas de pólvora, tentar aumentar a velocidade inicial das bagadas com o intuito de melhorar o tio, pois esses aumentos de velocidade rapidamente se dissipam perante uma resistência do ar que duplica com esses aumentos de velocidade. Baixo explosivo – Por definição, é um explosivo em que a velocidade de reacção explosiva é inferior à velocidade do som na matéria explosiva ainda intacta. Na realidade, as velocidades das reacções explosivas destes explosivos, nas condições normais de utilização (a pressões médias da ordem dos 4000 kg/cm2), são da ordem das dezenas de centímetros por segundo. Exactamente por isso, estes explosivos libertam energia de uma forma relativamente lenta, o que leva à formação de pressões que aumentam progressivamente. Nas suas aplicações como propulsantes em munições de armas de fogo e em motores de foguete (por ser esta a sua principal aplicação, o termo baixo explosivo é praticamente sinónimo de propulsante), estes explosivos queimam ao longo de períodos relativamente longos, da ordem dos poucos milisegundos ou décimos de milisegundo. A sua reacção explosiva distingue-se também da dos altos explosivos, por haver transmissão de calor ao longo do material explosivo, a acompanhar esta reacção. Os baixos explosivos mais usados nas munições das armas de fogo e dos canhões sem recuo, são as pólvoras químicas ou propulsantes homogéneos.
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Os baixos explosivos mais usados em pequenos motores de foguete, tais como os que se empregam em mísseis e granadas foguete, são os chamados propulsores heterogéneos. Bala - È o projéctil inerte (construído praticamente na totalidade dos casos apenas com materiais metálicos e portanto inertes, de diâmetro até 15.24 mm (0.6’’)), da munição de pistola, espingarda, pistola metralhadora, metralhadora, etc. Dada a função generalizada entre a grande maioria dos apenas iniciados, justifica-se talvez chamar aqui a atenção para o uso incorrecto do termo “bala”, para designar as munições das armas referidas. A “bala” é evidentemente, apenas um componente duma destas munições, aquele que se projecta em direcção ao alvo. As balas podem ser formadas de um único corpo metálico – p.e. a bala lubrificada ou a bala estriada ou, como é muito mais frequente, por mais de um elemento, caso em que se trata das chamadas balas compostas. O termo bala aplica-se no entanto apenas quando os projécteis descritos foram concebidos para disporem de estabilidade (capacidade que o projéctil tem de manter-se com uma das extremidades apontada para a frente ao longo dessa trajectória, isto é, para manter aproximadamente constante o seu comportamento, com o seu eixo longitudinal aproximadamente coincidente com a tangente a essa trajectória) giroscópica (é a forma de estabilidade de projécteis que resulta de, quando um corpo está animado de movimento de rotação em torno dum dos seus eixos, a direcção espacial desse eixo tender a manter-se inalterada). Os projecteis, como estes, mas concebidos para usufruírem de estabilidade aerodinâmica (‘e a estabilidade que resulta de, considerando o sentido do movimento, o seu centro de gravidade, ficar sensivelmente à frente do seu centro de pressão), designam-se por flechettes. Os materiais empregues, e a construção de cada um dos componentes e a correspondente organização do seu funcionamento, em particular no contacto com o alvo, é o que distingue os vários géneros de balas que são descritas nos artigos seguintes.

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Bala de borracha - Uma bala feita de borracha sintética que é empregue em munições especiais que se destinam a acções do tipo controlo de multidões, onde é usada como um meio de dispersão das pessoas pelos efeitos violentos, embora normalmente não letais, que esse uso implica. De ter em atenção no entanto que a energia cinética desta bala, a pequenas distâncias, é tal que pode provocar a morte de um indivíduo, se disparada directamente sobre ele. Bala de plástico - Aproximadamente o mesmo que bala de borracha, com excepção do material empregue no seu fabrico que é neste caso uma espécie de nylon. Bala expansiva – Uma bala de munição de caça grossa que é construída tendo em vista o aumento do poder de choque que se pode retirar da deformação controlada da sua ponta no choque com um alvo, por forma a que essa ponta fique com um diâmetro francamente superior ao original, isto é, conseguindo fazer com que a bala tenda a sofrer, no impacto no alvo, uma deformação considerável através do colapso/rompimento parcial da camisa e do esmagamento/expansão controlado(a) do núcleo, mantendo a partir daí, aproximadamente, essa forma. Tudo isto sem que haja desagregações consideráveis dos materiais da camisa e do núcleo e, portanto, grandes perdas do seu peso original. Uma tal deformação conduz normalmente a que ela venha a parar num espaço relativamente curto e a libertar portanto com grande potência, a sua energia restante. Por vezes, para facilitar ou tornar mais rápida a dita expansão, certas balas empregam na ponta um componente especial chamado um expansor. É de uma bala que funciona desta maneira no local apropriado da anatomia dum animal, que se diz que tem um grande poder de choque. Tendo em conta, é claro, que dadas as diferenças fisiológicas de espécie animal para espécie animal, isto implica que haja uma grande variedade de balas expansivas a escolher e empregar conforme as espécies a que se destinam.
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É no entanto de notar o emprego que se faz actualmente de balas semelhantes em munições de pistola, pretendendo-se com estas conseguir um maior poder derrubante, através da combinação dos efeitos de uma penetração suficiente, com o de um poder de choque igualmente considerável. O uso de balas expansivas em acções de guerra, foi primeiramente proibido pela Convenção Internacional de Haia, de 1899. Bala sólida – Uma bala destinada à caça das espécies maiores e mais “perigosas”. Funciona através da capacidade de, sem se deformar ou apenas com um mínimo de deformação, vencer todas as resistências que os tecidos do animal – incluindo a maioria dos ossos -, possam oferecer, no trajecto para o órgão vital visado. É sempre uma bala de ponta romba para uma melhor manutenção da direcção original, aquando da perfuração dos tecidos do animal e de grande calibre, dada a corpulência e a resistência das espécies referidas. É uma bala feita de um único corpo – como a bala de cobre puro concebida originalmente pelo famoso caçador português, o Mestre José Pardal -, ou uma bala composta com uma camisa muito espessa e resistente a envolver e a reter firmemente um núcleo de material bastante rijo. Em qualquer dos casos, deve ter uma densidade seccional tão grande quanto possível. Isto para lhe conferir uma grande capacidade de penetração para que “lhe pese o rabo”, no dizer deste caçador -. Balística – Nas armas de fogo convencionais, quando se efectua um disparo, o propulsante (pólvora) do cartucho queima muito rapidamente e produz grande quantidade de gases a alta temperatura. Esses gases, confinados como estão, criam atrás do projéctil – ou projécteis -, muito rapidamente, pressões muito altas. A sua expansão cria forças que vão pôr em movimento o projéctil, acelerando-o e fazendo-o ganhar uma grande velocidade até à boca do cano. Aí chegado, o projéctil sai para a atmosfera. Os gases vão continuar ainda durante um certo espaço a actuar nele, acelerando-o ainda mais um pouco mas, se a sua saída do cano não for “simétrica”, imprime197

lhe impulsos tendentes a perturbar o seu deslocamento rectilíneo, uma vez que já deixou de beneficiar do suporte do cano. Dada a pressão a que estão submetidos e a sua muito menor densidade, ao expandirem-se, os gases ganham velocidades superiores à do projéctil e chegam a ultrapassá-lo. Nessa ocasião, o contacto dos gases com o ar atmosférico cria vários fenómenos típicos que se traduzem, grosso modo, na formação de chamas e ruído. Dada, no entanto, a sua muito pequena inércia, a nuvem de gases perde velocidade muito rapidamente e vem a ser ultrapassada pelo projéctil que, finalmente, passa a estar somente em contacto com a atmosfera. A partir daqui, para além da atracção terrestre, e dada a sua velocidade muito alta, o projéctil vai encontrar pela frente uma grande força desaceleradora, a da resistência do ar. Vai igualmente ficar sujeito a outros efeitos dado que a atmosfera não é um meio estático e que o seu movimento de rotação a alta velocidade o obriga a comportamentos específicos. Finalmente, se chega ao encontro com o seu alvo, com uma dada velocidade restante, vai ser posta à prova a sua capacidade de penetração e de realizar os efeitos “terminais” para que foi concebido. Fenómenos semelhantes, embora distintos, ocorrem nos disparos e trajectórias dos “projécteis” das munições das armas de propulsão por reacção e dos lançadores de granadas-foguete. A balística é a ciência que estuda as forças actuantes sobre os projécteis – e os foguetes – e os correspondentes movimentos destes, nos vários meios onde eles têm movimento, isto é, desde a sua posição inicial dentro das armas ou lançadores, até ao seu atravessamento/penetração dos alvos que são supostos atingir. Dada a diversidade da natureza desses meios e a consequente muito diversa natureza dos fenómenos, existem na realidade várias balísticas: • Balística interna – que é o estudo das forças e movimentos dos projécteis enquanto dentro das armas; • Balística interna das armas de propulsão por reacção – o estudo dos fenómenos que ocorrem durante os disparos destas armas;
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• •

• •

Balística interna dos motores de foguete – o estudo dos fenómenos que ocorrem dentro destes engenhos; Balística intermédia ou de transição – o estudo das forças e outras acções e movimentos dos projécteis e dos gases do propulsante, no relativamente pequeno percurso logo a seguir à sua saída da boca do cano; Balística externa – o estudo das acções da gravidade e do ar atmosférico nos movimentos do projéctil ao longo das possíveis trajectórias; Balística externa dos foguetes – o estudo das trajectórias destes, principalmente dos de trajectória quente; Balística terminal – o estudo das forças e movimentos dos projécteis após o contacto com os alvos e das reacções destes.

Bandoleira - Um apetrecho que consta essencialmente de uma tira forte de tecido, com um recorte especial e que é susceptível de várias regulações por forma a ser afinada, montada e usada, em conformidade com uma certa técnica entre um ponto de fixação no fuste duma espingarda e o braço do atirador que suporta a arma (o braço esquerdo, no caso do atirador direito). Aparte a sua utilização militar por franco atiradores, é empregue nas posições de tiro deitado e joelhos do tiro ao alvo com estas armas, onde tem a função de permitir que o dito braço fique completamente descontraído, uma contribuição notável para a consistência do tiro nessas posições. Este uso da bandoleira implica a solução técnica de dois problemas específicos. O da sua regulação correcta, dados os terríveis efeitos negativos que uma bandoleira mal regulada pode exercer sobre a posição de tiro e do seu potencial para transmitir à arma os movimentos pulsatórios da circulação sanguínea do atirador, uma vez que fique a exercer pressão sobre a artéria humeral, o que é quase certo acontecer principalmente na posição de joelhos, se a bandoleira for fixada numa posição alta, perto do ombro, e/ou ficar demasiado curta e portanto a apertar excessivamente o braço. Para cada uma das posições a boa regulação da bandoleira só pode ser feita eficazmente através de um trabalho sistemático de construção da posição, durante umas tantas sessões de tiro sem
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bandoleira, nas quais se deverá determinar pelo menos o ponto em que a mão esquerda deve ficar sob o fuste, e a melhor regulação da chapa de coice. A regulação da bandoleira deverá então decorrer destes dados. O couro não é um bom material para a confecção destes apetrechos, porque tende a ceder um pouco sob o esforço, o que conduz, imperceptivelmente, à transferência do peso da espingarda para o braço. Também pode ser designado como uma tira forte de couro, lona, ou tecido sintético que se usa como acessório duma espingarda, carabina ou pistola metralhadora, para facilitar o seu transporte. Base do invólucro – É a extremidade anterior do invólucro duma munição de invólucro metálico. Após o carregamento desta munição, a base do invólucro vai ficar encostada à face da culatra, que lhe serve de apoio durante o disparo. A base do invólucro tem de ser a parte deste com paredes mais espessas, uma vez que é a parte mais mal sustentada pelo conjunto câmara-culatra. A fim de permitir a extracção, a periferia desta base tem um perfil especial, que pode incluir um bocel (rebordo saliente em volta da base do invólucro de alguns invólucros metálicos) ou uma ranhura de extracção. Nas munições de percussão central, é no centro da base do invólucro que é cravada ou roscada a escorva e nas munições de percussão anelar, é no interior da sua periferia que se aloja o anel de mistura ignidora. Berdan – Nome de um dos primeiros invólucros metálicos que era fabricado a partir de uma só peça de metal sucessivamente estirada e encalçada, vindo a assumir a configuração que é hoje a única utilizada. Bigorna – Um dos componentes dos sistemas de ignição das munições que empregam escorvas de percussão. Nalgumas escorvas a bigorna é um componente da própria escorva enquanto noutras a bigorna faz parte do invólucro do cartucho. Em qualquer dos casos, o corpo/invólucro da escorva é constituído por um pequeno corpo
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metálico, em cujo fundo, pela parte de fora, o percutor irá bater. No interior deste corpo encontra-se uma pastilha de mistura ignidora. A seguira a esta, constituindo-se em apoio desta pastilha, é que fica situada a peça de metal que se designa por bigorna. A parte final da percussão consta na realidade, essencialmente, do esmagamento dessa pastilha de material explosivo, pelo percutor, entre a base, entretanto deformada, do copo e a bigorna. Nas munições de armas ligeiras usa-se duas configurações de escorva de percussão, a escorva Boxer e a escorva Berdan, sendo que a principal diferença entre elas é precisamente que na primeira a bigorna faz parte da escorva. Bloco da culatra – Designação do corpo principal da culatra, que aloja o mecanismo de percussão, serve de apoio ao extractor, etc. Boca do cano – É a extremidade posterior da alma do cano. A perfeição do seu acabamento no fabrico e o estado de conservação dessa perfeição ao longo da vida do cano, são factores determinantes para a consistência do tiro que a arma pode produzir. Sendo o último ponto onde os projécteis beneficiam do apoio do cano e, simultaneamente, o ponto de saída para a atmosfera dos gases do propulsante, a consistência do tiro a produzir por uma arma pode ser completamente arruinada por qualquer imperfeição ou defeito num dos lados da boca, uma vez que, logo a seguir ao projéctil ter abandonado o cano, uma fuga assimétrica dos gases, devida a essa imperfeição, actuando quando o projéctil já não beneficia de apoio, irá provocar nele, uma forte oscilação. Daqui que, a prática frequente de limpezas dum cano introduzindo a vareta pela boca, que conduz necessariamente à produção de desgastes assimétricos dessa região, seja uma prática a eliminar. Boca do carregador – É a abertura do carregador ou tambor, por onde se faz o seu municiamento. Boca do invólucro – É a extremidade aberta do invólucro metálico por onde é introduzida a carga de propulsante da munição e que, nas
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munições de carga unida, é depois fechada pelo projéctil. A zona que precede a boca do invólucro é a que primeiro se expande durante o disparo, a fim de garantir a obturação para trás. Bocel – É o rebordo saliente em volta da base do invólucro de alguns invólucros metálicos, precisamente os que se designam por invólucros com bocel. Nas munições que têm este tipo de invólucro, destina-se a: • Limitar o seu avanço nas câmaras, aquando do seu carregamento, • Ser agarrado pelo extractor da arma, para se fazer a extracção. Boxer – Nome de marca de um dos primeiros invólucros metálicos, já em desuso há muitos anos, que era fabricado a partir de uma folha de metal enrolada a formar um tubo, tubo esse a que se fixavam os outros componentes da munição. Braçadeira - Guarnição da espingarda cujo fim é a ligação do cano ao fuste. É constituída por um anel de aço que pode ser fechado ou com charneira. Esta última tem um parafuso que permite apertá-la mais ou menos, variando, portanto, o aperto do cano ao fuste. Bucha – Designação comum de qualquer dos cilindros de cortiça e feltro usados entre a carga e a bagada nos cartuchos de caça tal como estes eram carregados há cerca de 20 ou 30 anos atrás. Este componente tinha a função de realizar a obturação para a frente dos gases e de amortecer o choque do aumento brusco das pressões sobre a bagada. Note-se no entanto que estas buchas ainda se usam nesta classe de munições quando se pretende a maior dispersão possível da bagada, para além ainda do que se consegue usando apenas um dispersor. Modernamente, estas munições utilizam, em vez destas buchas, as chamadas buchas de plástico. Também designa os discos de cartão ou plástico – muitas vezes com a inscrição do “número do chumbo” -, que se usavam nestes cartuchos para efectuar o seu fechamento.
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Caçadeira - Designação comum das espingardas de caça. Cadência de tiro - Número máximo de tiros que poderia obter-se de uma arma sem qualquer pausa de funcionamento consecutivo durante um minuto, sem provocar desgaste exagerado no material. Caixa da culatra - O componente de uma arma de fogo a que se encontra rigidamente roscado, na sua extremidade posterior, o cano e em cujo interior se movimenta a culatra e se encontram outros componentes como o ejector, a mola recuperadora, etc. É a caixa da culatra que realmente, integrando todos estes componentes e proporcionando-lhes apoio ou guiamento, faz a função de dar unidade ao funcionamento da arma. A sua estrutura tem de ser suficientemente pesada/forte e rígida, para suportar sem cedências as enormes forças presentes durante os disparos e, nas armas que se usam em modalidades em que se pretende uma grande consistência do tiro, para praticamente anular as amplitudes das torsões e absorver completamente as vibrações do cano, produzidas durante estes. Na maioria das armas modernas, a caixa da culatra tem uma abertura para a fixação do carregador ou do tambor ou por onde passa a fita de alimentação e uma outra lateral por onde se faz a ejecção dos invólucros, a janela de ejecção. Mas, por exemplo, nas espingardas concebidas para oferecerem o mais alto nível de consistência do tiro, por exemplo nas usadas na modalidade de Bench Rest (modalidade específica de tiro ao alvo, a várias distâncias e onde, ao invés de fazer “10”, os atiradores tentam realizar agrupamentos de, geralmente, 5 impactos, com a menor dimensão possível) e nas empregues em competição de tiro ao alvo, a caixa da culatra é constituída por um volumoso bloco de aço, concebido para se comportar com um máximo de rigidez e neste bloco existe apenas, no máximo, uma abertura lateral, a da janela de ejecção. De tal forma que estas armas são necessariamente apenas armas de tiro simples, uma vez que estas não necessitam de abertura lateral para fixação dum carregador, sendo o carregamento feito através da própria janela de ejecção. Tudo para que a rigidez da caixa da culatra seja a máxima possível.
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Calibre - Termo que, em termos gerais, é usado para sugerir as capacidades ofensiva ou defensiva do sistema da arma considerado, capacidades estas que correspondem, em termos técnicos, a; alcance eficaz, capacidade de penetração, capacidade de neutralização, etc. Neste contexto, grande calibre significa portanto grande alcance eficaz, grande capacidade de penetração, etc. Na descrição de armas de fogo e lançadores de granadas-foguete, o termo refere-se, grosso modo, à medida do diâmetro interno dos canos ou tubos mas com significados algo diferentes conforme a configuração do cano: • Nas armas de cano estriado, é o diâmetro da alma medido entre os salientes das estrias. Nos países de língua inglesa este diâmetro é dado em centésimos ou milésimos de polegada. (.22, .223, .30, .45, .357, .375, etc) e nos outros em milímetros (5.56, 7.62, 9, etc) ou em centímetros, • Nas peças de artilharia com cano de alma lisa, é simplesmente o diâmetro da alma, • Nos lançadores de granadas-foguete, é o diâmetro interno do tubo do lançador, • Nas armas de caça, o calibre é dado pelo adarme. Na descrição de munições, o termo exprime, grosso modo, o diâmetro dos seus projécteis mas aqui quer se trate de munições destinadas a sistemas de arma de cano estriado ou destinadas a sistemas de arma de cano liso, o calibre designa sempre o diâmetro máximo do corpo do projéctil com a particularidade de, para validar esta definição, se ter de considerar que nos projécteis sub-calibre que empregam um sabot, o sabot faz parte de um corpo isto é o diâmetro a medir é o diâmetro externo do sabot. Calibre nominal – É o nome/designação por que são conhecidas internacionalmente as munições a usar num dado sistema de arma. No mesmo calibre nominal as munições só têm de ser do mesmo calibre especificado, isto é, só têm de ter em comum as características e dimensões do invólucro. Ou seja, cada calibre especificado é conhecido por um nome que é o seu calibre nominal.
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Esse “nome” pode ser formado por um número, conjunto de números ou um conjunto de número e palavra (por exemplo. .380, 30-06, 7.62x51, 7.62x39, ou o .38 special), suficientes para designar completamente e sem ambiguidades a munição que se aplica. Do que foi dito pode-se, é claro, inferir que nas munições de cada calibre nominal, se pode usar cargas de pólvora diferentes e projécteis de diferentes configurações e/ou pesos mas todos os seus invólucros têm de ser rigorosamente iguais, sendo que as especificações dimensionais do invólucro de cada calibre nominal, são dadas em termos do seu calibre especificado. É também usual dizer-se de uma dada arma que “é de calibre tal” empregando-se então para designar o calibre, o calibre nominal da munição usada, por exemplo, 30.06 ou 40L70. Cama do cano – É a preparação da coronha de uma espingarda para receber da forma mais extensa, uniforme, íntima e estável possível, a superfície externa da caixa da culatra, (e por vezes esta e parte do cano) dessa espingarda. Nas espingardas para tiro de precisão, onde se pretende levar ao maior potencial possível a contribuição da arma para uma grande consistência do tiro, um bom “bedding” revela-se uma operação particularmente delicada mas indispensável. Há que garantir que, durante cada disparo, a reacção da coronha ao recuo seja tanto quanto possível, sempre a mesma, para que as vibrações do cano sejam sempre exactamente iguais. Esta regularidade é portanto um contributo importantíssimo para a consistência da arma. A cama do cano pode constar simplesmente de um entalhe na madeira executado com rigor, tal que as partes metálicas assentem o melhor possível conforme atrás especificado. Modernamente, a cama do cano é frequentemente realizada com o recurso a resinas epóxidas (produto sintético com a consistência de um líquido viscoso que sujeito a uma “cura” operada por um reagente próprio – em geral aminas orgânicas, altamente tóxicas -, serve principalmente para impregnar telas resistentes de várias fibras – vidro, carbono, kevlar, etc. -, por forma a formar placas resistentes a impactos e à corrosão, as quais encontram grande aplicação em capacetes, coletes pára-bala, etc.) que se aplicam com ou sem telas de fibra de vidro, numa larga
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camada, na região do fuste sob a caixa da culatra – o único ponto onde, nestas armas, as partes metálicas da arma ficam em contacto com a coronha -. As partes metálicas, tratadas com um “desmoldante” que vai permitir a sua separação, são depois assentes sobre a resina ainda em estado pastoso, e os parafusos de fixação apertados com a tensão normal. Após a solidificação da resina e removidos os excedentes, a camada presente, além de garantir a maior intimidade do contacto, permite, pela sua rigidez, que a arma se torne praticamente insensível a possíveis “movimentos” da madeira da coronha quando sujeita a mudanças atmosféricas. Câmara - É a parte da alma, das armas de carregamento anterior onde se introduzem as munições no que constitui o carregamento destas armas. É portanto a porção anterior da alma do cano. Conforme o calibre nominal do sistema da arma a câmara pode ter um perfil cilíndrico ou ligeiramente troncónico e, é claro, porque o invólucro da munição tem geralmente um diâmetro consideravelmente superior ao do projéctil, a câmara tem um diâmetro correspondentemente superior ao da parte estriada. No contexto da balística interna, verifica-se que para maximizar a eficiência balística de um qualquer sistema de arma, deve fazer-se com que o volume da câmara seja o menor possível. Note-se ainda que no caso de se tratar de um sistema de arma que emprega invólucros metálicos, tratando-se da medição do volume da câmara para este efeito ou por exemplo para determinar a razão de expansão, considera-se que as paredes do invólucro fazem parte da câmara e que portanto o volume a medir é o do interior do invólucro. No caso das armas automáticas, interessando em geral que as munições sejam tão curtas como possível, para reduzir o deslocamento da culatra tornando mais eficaz o funcionamento da arma, isto corresponde a fazer-se sempre o possível para que a câmara seja o mais curta possível. Em todas as armas de um dado calibre nominal, por razões relacionadas com a consistência do tiro, a câmara deve ter o menor diâmetro possível para optimizar a centragem do projéctil na concordância e proporcionar o maior apoio possível aos invólucros
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nos disparos. Mas, por outro lado, as câmaras terão de ter diâmetros sempre suficientemente grandes para permitir sem falhas o carregamento das munições fabricadas dentro das tolerância superior e para permitir uma extracção suficientemente fácil, mesmo com os canos muito quentes. Camisa - É o componente das balas compostas que constitui o seu invólucro exterior. A camisa é feita geralmente de latão, um material muito mais duro e resistente que o chumbo rijo das balas lubrificadas e núcleos. Nas balas de munição de espingarda, a camisa tem como principal função, conferir-lhes a resistência/capacidade de suportar os enormes esforços a que são submetidos no contacto com as almas dos canos, aquando os disparos, disparos estes caracterizados pela criação de pressões e temperaturas elevadas. Nas balas de munição de pistola e de pistola-metralhadora, a principal função da camisa é dar às balas a dureza suficiente para que estas, no trânsito entre os carregadores e as câmaras, nos carregamentos, deslizem sem ficarem presas em quaisquer obstáculos. Nas balas destinadas a munições de caça grossa, compete às camisas dar um contributo importante na balística terminal dessas balas, fazendo com que, no impacto com os alvos, a sua expansão se faça sob o melhor controlo, ou, no caso das balas sólidas, não ocorra quase nenhuma expansão. Em qualquer dos casos mas principalmente nos casos das balas destinadas a tiro de precisão, as camisas requerem um fabrico muito cuidado, uma vez que a regularidade da sua espessura, em cada secção transversal, é um factor decisivo para que o centro de gravidade da bala se situe exactamente sobre o seu eixo longitudinal e portanto para que a sua oscilação na trajectória seja mínima. Campos de tiro – São extensões de terreno destinadas à execução do tiro em campo aberto, sobre alvos terrestres ou aéreos, com utilização de sistemas de armas não guiadas ou guiadas, de calibres normais ou reduzidos, em condições próximas de combate e com o maior realismo possível.
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Canal de fogo – Um orifício que se situa entre a escorva e o interior do invólucro metálico duma munição e por onde os produtos da explosão da pastilha de mistura ignidora da escorva, se introduzem, por forma a fazerem a iniciação do ignidor ou, directamente, da carga principal. A principal diferença, à vista, entre uma escorva Boxer e uma escorva Berdan, depois de montadas nos seus alojamentos nas bases dos invólucros, é precisamente que na primeira só há um canal de fogo, enquanto na segunda há dois. Note-se que no primeiro caso o canal de fogo faz de escorva, enquanto que no segundo os canais de fogo são perfurações da base do invólucro. Cano - É o componente de uma arma de fogo ou de uma arma de propulsão por reacção que tem por funções: proporcionar o meio para o desenvolvimento do impulso sobre os projécteis, o seu direccionamento para os alvos e, na maioria dos casos, para impor uma rotação sobre si próprios a fim de que venham a beneficiar de estabilidade giroscópica durante as trajectórias. A propulsão/aceleração dos projécteis resulta das enormes forças desenvolvidas pelos gases produzidos pelas cargas dos propulsantes dentro de um vaso altamente que é o próprio cano, que oferece grandes limitações à sua expansão. Quando é imprimido um movimento de rotação ao projéctil ao longo da sua viagem no cano, este resulta da torção imprimida pelas estrias sobre a cinta de forçamento ou sobre a camisa desse projéctil. O direccionamento resulta da pontaria da arma que consta essencialmente do posicionamento espacial do eixo do cano, numa direcção tal que o projéctil ao sair dele com uma determinada velocidade, possa originar a trajectória balística que passa pelo alvo que se pretende atingir. Os requisitos da concepção e fabrico dos canos resultam geralmente dos valores das altas tensões radiais e axiais que têm de suportar, do limite do peso, dum comprimento mínimo necessário à obtenção de uma dada velocidade à boca e de uma rigidez mínima tal que a flexão que resulta do próprio peso e as vibrações produzidas nos disparos, se situem dentro de dados limites.
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Estes requisitos, sendo todos conflituantes entre si, tornam a concepção, a escolha dos materiais e o fabrico dos modernos canos uma tarefa muito complexa que, pelo menos nos casos dos canos para peças de artilharia, só um muito reduzido número de empresas tem capacidade para empreender. Por outro lado, os canos são as partes das armas mais susceptíveis de desgaste. Este desgaste acontece através de um processo chamado erosão, que consiste da alteração química dos aços, ao nível das almas, alteração que resulta do seu contacto com os gases dos propulsantes a altas temperaturas e dos atritos entre as almas e os projécteis, durante os forçamentos e passagem dos projécteis. Cano estriado - Um cano em que a parte posterior da alma é estriada, isto é, cortada por sulcos helicoidais, os cavados das estrias. Entre estes ficam os salientes das estrias cujo desenvolvimento igualmente helicoidal à roda das paredes da alma, é verdadeiramente responsável pela impressão de movimento de rotação aos projécteis das munições que se disparam nesses canos. Estes projécteis ficam a beneficiar de uma estabilidade giroscópica durante as suas trajectórias. À parte da alma onde existem as estrias destes canos, chama-se a parte estriada. A maioria das armas de fogo e das armas de propulsão por reacção e alguns morteiros empregam canos deste tipo. Cano liso - Designação genérica dos canos de alma lisa, isto é, em que a alma não é cortada por estrias. Este tipo de cano é utilizado em: • Peças de artilharia, normalmente montadas em carros de assalto, destinadas ao disparo de projécteis de tipos específicos, • Morteiros, • Espingardas de caça. Cão - Designação clássica de um componente de alguns mecanismos de percussão, cujo movimento é caracteristicamente um de rotação em torno dum eixo próprio, o “eixo do cão”. Nalguns destes mecanismos é o cão que vai bater num percutor, para este realizar a
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percussão, noutros ,quando o percutor se encontra fixado a ele, o cão percute directamente a escorva. Em qualquer dos casos, na acção de armar, o cão comprime a mola real, vindo a ficar retido pelo armador, e é impulsionado por ela para realizar a percussão quando se acciona o mecanismo do gatilho. Por outro lado, nalguns mecanismos encontra-se um “cão exterior” (um cão que está à vista e pode ser armado com o dedo) enquanto que noutros o cão não se vê e não se tem acesso a ele. Trata-se então de um cão interior. Nalgumas das armas que empregam destes mecanismos de percussão, o cão pode ter três posições: • A de armado em que a arma fica pronta a disparar normalmente, • A de “desarmado ou abatido” em que se a arma estiver carregada e o cão receber uma pancada, por exemplo numa queda, a arma poderá disparar-se inadvertidamente, • E uma intermédia, de “descanso ou segurança” em que, em princípio, num acidente como este o cão estará retido, impossibilitado de realizar a percussão. Carabina - Designação técnica de uma qualquer espingarda de cano curto (menos de cerca de 55 cm), originalmente destinada ao uso por tropas de cavalaria. Em Portugal e noutros países latinos, o termo é usado (erradamente) para designar qualquer espingarda de cano estriado para uso civil ou mais particularmente, qualquer espingarda de calibre pequeno. É notável a tendência, desde há uns anos para usar carabinas as chamadas carabinas de assalto como armamento principal dos exércitos. Carabina de assalto – Uma carabina concebida segundo as especificações comuns às armas de guerra e que, em particular: • Deve ter dimensões e peso muito reduzidos, • Deve ter capacidade para fazer tiro semi-automático e tiro automático, • Deve ser desenhada para funcionar com um mínimo de recuo e salto, para permitir fazer tiro automático com bom controlo de pontaria.
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Este tipo de arma, um refinamento do conceito de espingarda de assalto, é hoje em dia adoptado, como arma comum de infantaria, pelas Forças Armadas da maioria dos países mais desenvolvidos, dadas as vantagens inerentes ao uso, por combatentes a quem é exigida uma grande mobilidade, de armas mais pequenas e mais leves que se prestam melhor a ser transportadas por forças que frequentemente usam transportes para as suas deslocações, e de munições que, sendo também mais pequenas e mais leves, podem ser transportadas em maior quantidade. Estas armas foram possíveis conceber apenas a partir do aparecimento de calibres nominais com calibres mais reduzidos mas de grande eficiência balística. Não é no entanto de perder de vista que, com a adopção destes calibres, tratando-se da realização de tiro para além dos cerca de trezentos metros de distância, se perde alguma capacidade em termos de consistência, precisão e capacidade de penetração. Carabina livre – Designação de uma espingarda de precisão de calibre nominal .22LR que se destina às duas modalidades de competição a seguir referidas. Estas duas modalidades de tiro ao alvo, fazem parte dos programas da I.S.S.F. e dos Jogos Olímpicos. Trata-se da competição a 50 metros, constando a primeira de 60 tiros na posição de deitado – a chamada “carabina deitado” ou “match inglês” -, e a segunda de 120 tiros, sendo 40 na posição de deitado, 40 na de pé e 40 na de joelhos – a chamada “carabina três posições” -. O termo “livre” justifica-se por esta ser um dos tipos de arma em que o número de restrições impostas à sua constituição é mínimo. Carabina de pressão de ar – Em geral, uma carabina que funciona como uma arma de pressão de ar e que é utilizada para fins lúdicos. Enquanto arma destinada a tiro ao alvo, trata-se de um objecto altamente sofisticado, reunindo nomeadamente todas as características próprias semelhantes às de uma espingarda de precisão.
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Carabina standard – Designação de uma espingarda de precisão de calibre nominal .22LR que se destina à competição entre senhoras. Esta espingarda emprega-se em duas modalidades de tiro ao alvo que fazem parte dos programas da I.S.S.F. Trata-se de competições a 50 metros, constando a primeira de 60 tiros na posição de deitado - a chamada “carabina deitado” ou “match inglês” - e a segunda de 120 tiros, sendo 40 na posição de deitado, 40 na de pé e 40 na de joelhos – a chamada “carabina três posições” -. Esta faz parte do programa dos Jogos Olímpicos. Carcaça – Designação comum do componente de base das pistolas que constitui a sua parte “fixa” sobre a qual na manipulação e nos disparos se movimenta a corrediça, onde se introduz o carregador e onde se fixam as platinas para que o punho possa ser confortável. Carga – Das várias definições que se podem encontrar, deixa-se aqui a referência a algumas delas: • Qualquer massa individualizada de um explosivo, • A massa de pólvora química ou propulsante heterogéneo que constitui a principal fonte de energia potencial de um dado cartucho ou motor de foguete, • Qualquer massa com uma função individualizada, tal como as que se usam como carga útil de qualquer projéctil convencional, míssil, bomba, etc., • A massa de agente químico, incendiário, gás, liquefeito, fumígeno ou material biológico que constitui o principal conteúdo de certas granadas ou bombas, • termo carga de chumbo significa o mesmo que bagada. Carga inerte – Designação da “carga” de um projéctil, bomba ou granada que simula todas as funções do seu congénere “de combate”, excepto as do domínio da balística terminal. Trata-se de uma massa de material inerte, com o mesmo peso da carga ou incendiário do correspondente engenho de combate, que serve para que esse engenho seja capaz de, para todos os efeitos pretendidos, em vários exercícios, simular um engenho “real”.
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Carregador - Um contentor de forma aproximadamente paralelepipédica (direito ou ligeiramente curvo), que se destina a armazenar uma certa quantidade de munições de uma arma de repetição, arma semi-automática ou arma automática e que é usado com a finalidade do municíamento dessas armas se fazer de forma muito expedita, apenas pela introdução e fixação do carregador na arma. Neste tipo de contentor as munições são empurradas para a boca do carregador para a extremidade que é introduzida na arma, por uma mola, a mola do elevador do carregador. O armazenamento das munições nos carregadores pode ser feito “em linha” isto é, com umas por cima das outras, ou fazendo um zig-zag. A propósito, é de notar a enorme contribuição dada ao aumento de poder de fogo das pistolas modernas, pela introdução de carregadores que, por terem as munições dispostas desta última maneira são capazes de acolher até quinze unidades. A capacidade dos carregadores determina em boa parte a capacidade operacional das armas em que se empregam, nomeadamente nas situações de combate a distâncias curtas, em que o volume de fogo é um factor determinante. Mas onde se pretende utilizar ritmos de fogo os maiores possível há que recorrer a armas alimentadas por fita. Uma grande parte das falhas de fogo dos sistemas de arma onde se usam carregadores, devem-se a defeitos ou desgastes destes, dado que são componentes relativamente frágeis e fáceis de danificar e que, quando os seus lábios deixam de reter as munições na posição apropriada, ocasionam as referidas falhas. Carregamento - É a acção de carregar uma arma. O carregamento é também usado para significar um dos seguintes processos: • A introdução, no invólucro do cartucho, da carga principal bucha e projéctil ou projécteis. • A introdução dos altos explosivos no corpo dos projécteis bombas ou outras cargas úteis. Carregar - É a acção que resulta da introdução de uma munição na câmara do cano.
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Carreira de tiro - Um espaço especialmente concebido para a prática de tiro, geralmente em várias modalidades. Consiste numa construção permanente destinada à execução de tiro contra alvos terrestres e aéreos com armas portáteis de tiro tenso, cano estriado, utilizando projécteis inertes de calibres normais. Incluem três zonas: de serviços, de tiro e perigosa. Na carreira de tiro de 25 metros podemos encontrar, por zonas: a zona de serviços, a zona de tiro e a zona perigosa. A Zona de serviços é composta por: • Arrecadação para alvos, • Sala de escrituração, • Instalações sanitárias, • Sistemas de abastecimento de água e energia eléctrica, • Área de reunião de pessoal, • Acesso à carreira de tiro. A Zona de tiro compreende: • Plataformas para atiradores, • Espaldão frontal, • Dois espaldões ou muros laterais, • Linha de alvos única, • Caminhos laterais para circulação do pessoal, • Linha de alvos, • Caminho transversal junto aos alvos. A Zona perigosa inclui a Zona perigosa de superfície e a Zona perigosa vertical. Na carreira de tiro de 300 a Zona de serviços é composta por: • Gabinete do Director, • Sala de escrituração, • Caserna, refeitório, sala de estar e cozinha, instalações sanitárias, • Arrecadações, • Oficinas de alvos, • Sistema de abastecimento de água e de condução da energia eléctrica, • Instalação telefónica,
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• Parque de estacionamento de viaturas, • Área de reunião do pessoal, • Acessos à carreira de tiro, A Zona de tiro compreende: • Leito, • Plataforma de tiro, • Linhas de tiro, • Linhas de alvos, • Espaldão convencional, • Muros pára-balas paralelos ao eixo da carreira de tiro, • Muros pára-balas laterais/oblíquos ao eixo da carreira de tiro, • Abrigos dos marcadores de alvos, • Sistema de alvos, • Caminhos laterais. No que se refere ao Tiro Desportivo, a parte do regulamento da I.S.S.F. (International Sport Shooting Federation) que se aplica a estas instalações, explica praticamente todos os requisitos a que elas devem obedecer para satisfazer as necessidades básicas dos utilizadores, nas provas patrocinadas por esta instituição. Entretanto, haverá que prever outras condições básicas, de entre as quais se salientam as seguintes: • O local deve ser aprovado pelas autoridades encarregues do planeamento urbanístico e ficar circundado por um espaço salvaguardado de construções que possam no futuro implicar o abandono da carreira, por questões de segurança na utilização, O local deve ser suficientemente isolado, afim de não causar problemas de poluição sonora,
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Deve procurar-se que a carreira não seja construída sobre solos rochosos, onde a probabilidade de ricochete é muito maior, Onde o espaço livre e seguro por detrás dos alvos não seja ilimitado, haverá que construir espaldões, pára-balas e outras protecções que reduzam ao mínimo a possibilidade de projecção acidental de um projéctil, para fora do recinto, Para obter a iluminação mais favorável, as linhas de tiro devem ser viradas a Norte ou a Nordeste, As linhas de tiro devem ser espaçosas e bem protegidas da chuva, da luz directa, do sol e dos ventos, Deverá haver espaços cobertos suficientes para abrigar escritórios, salas de classificação, balneários, sanitários, casas fortes, etc., No exterior deve haver suficiente espaço para parqueamento de viaturas.

Cartucho - É a parte duma munição convencional (duma que não é do tipo munição sem invólucro) de uma arma de fogo que se destina a implementar o impulso da outra parte, os projécteis. O cartucho pode ser do tipo invólucro metálico ou do tipo invólucro combustível. Tratando-se de um cartucho de invólucro metálico, o cartucho tem também a função fundamental de realizar a obturação, neste caso a chamada, “obturação por expansão”. Qualquer que seja o tipo, os componentes do cartucho são:
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O invólucro que, como se disse, pode ser um invólucro metálico ou um invólucro combustível, • A escorva, que pode ser uma escorva de percussão, uma escorva eléctrica ou uma escorva mista. • Na maioria das munições de artilharia, o ignidor. • A carga principal de propulsante. O termo cartucho é também usado correntemente, embora incorrectamente, para designar as munições das armas de caça (uma vez que, com se referiu, diz respeito à parte de uma munição).

Cartucho de salva – Designação comum de uma munição não equipada com projéctil, ou seja, de um cartucho de invólucro metálico, que se destina a providenciar o impulso de uma granada de espingarda. Embora parecido com o cartucho de salva do mesmo calibre especificado, a sua carga é muito diferente da deste, de tal forma que seria mesmo bastante perigoso usar um destes cartuchos naquela função. Isto porque, o cartucho lança granadas, que deve produzir um grande volume de gases, tem de ter uma carga muito volumosa mas constituída por uma pólvora de muito menor vivacidade. Cauda do gatilho - O componente do mecanismo do gatilho de uma arma, onde se actua com o dedo para efectuar os disparos. Nas modalidades de tiro de precisão em que se estabelece um peso do gatilho mínimo, o uso de uma cauda bastante larga pode dar ao atirador a sensação de ter de vencer uma menor resistência do mecanismo referido. Cavado da estria – Um dos sulcos de uma alma estriada, isto é, propriamente dita, uma estria. Nos seus movimentos nos canos, assentam sobre os cavados das estrias, as partes intactas das camisas
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das balas e a superfície externa deixada intacta das cintas de forçamento e dos sabots dos projécteis de artilharia. Cavalete – Um dos dispositivos que se usa, em laboratórios balísticos e em carreiras de tiro, para fazer a determinação da consistência de funcionamento de sistemas de armas. Consta de uma estrutura pesada presa ao solo, onde se fixa a arma, estrutura essa que inclui geralmente um dispositivo que permite reconduzir a arma exactamente sempre à mesma posição depois de cada disparo. Isto permite determinar a máxima consistência de tiro de que o conjunto arma/lote de munições é capaz mas, ao contrário do que às vezes erradamente se pretende, não permite fazer o azeramento das armas. Isto porque, sendo o salto da arma num cavalete, muito diferente do salto nas mãos do atirador em cada postura de tiro, o PMI (ponto médio dos impactos, isto é, o centro geométrico dos centros dos impactos de um conjunto de tiros apontados a um mesmo ponto de um mesmo alvo e disparados em condições tão exactamente iguais quanto possível) dos impactos dos tiros feitos nesse cavalete é geralmente muito diferente do PMI dos impactos feitos em condições reais. Cavilha – Designação de um componente do sistema de segurança de algumas espoletas. A cavilha, enquanto inserida no mecanismo, impede a espoleta de funcionar. A sua remoção constitui o primeiro passo do processo de armar a espoleta. Chama à boca – É a chama que por vezes se forma junto à boca do cano das armas de fogo aquando dum disparo, em simultâneo com a saída do projéctil. Resulta da combustão, devido ao contacto com o oxigénio atmosférico, de alguns dos produtos gasosos da combustão da pólvora (p. ex. CO e H2). A combustão é facilitada devido à alta temperatura dos gases e também, devido à projecção de partículas incandescentes. A redução ou anulação de chama à boca pode fazer-se – embora não se conheçam exactamente as razões – usando os seguintes meios: • Nalgumas armas de bala, pelo uso de oculta-chamas,
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Pelo uso de propulsantes com temperaturas de queima mais baixas, Usando propulsantes em cuja composição participam arrefecedores e moderantes.

Chapa de coice – Designação da peça que cobre a chamada “soleira” da coronha duma espingarda ou carabina. Este nome deve-se a que, nas armas antigas, tratava-se mesmo de uma peça feita de chapa de aço que servia para proteger a coronha das pancadas no chão. Nas armas de guerra modernas é quase sempre uma peça de plástico resistente. Nas espingardas standard de tiro ao alvo, a chapa de coice é uma peça cujo posicionamento sobre a coronha é ajustável verticalmente, por forma a permitir melhorar cada uma das (três) posições de tiro. Nas espingardas livres de tiro ao alvo, a chapa de coice é uma peça altamente elaborada que permite vários ajustamentos verticais, laterais e de curvatura, por forma a possibilitar o seu apoio no ombro na maior superfície possível, em cada posição de tiro. Ciclo de funcionamento - É o conjunto das principais operações que ocorrem numa qualquer arma de fogo moderna (isto é, numa arma de carregamento anterior), entre dois disparos consecutivos. Compreende (sempre nesta sequência mas, como em qualquer ciclo, começando em qualquer delas) as operações seguintes: • Disparo, • Destravamento da culatra, • Extracção (no início do “recuo” da culatra), • Ejecção, • Carregamento (no fim da “recuperação”), • Travamento da culatra. Paralelamente a estas realizam-se outras operações como sejam o armamento do mecanismo de percussão, as eventuais actuações automáticas do mecanismo de segurança, etc. A diferença fundamental entre as armas de carregar pela culatra, armas de tiro simples, armas de repetição, armas semi-automáticas e armas automáticas, reside precisamente no correspondentemente
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crescente grau de automatização com que estas mesmas operações decorrem. Coice da arma - Termo clássico que designa o recuo de uma espingarda, ou outra arma de bala. Na realidade o recuo é só um dos componentes do coice, o outro é o salto da arma, aquele que se traduz no movimento da arma paralelamente ao eixo do cano. Para o conforto do atirador o coice deve ser tão pequeno quanto possível, na prática, quando o coice, por demasiado violento, constitua problema pode-se recorrer a pelo menos duas soluções: • Nas armas de “grosso calibre” cujo coice seja demasiado violento , ele pode ser reduzido por um aumento do ângulo de queda da coronha, o que pelo contrário, irá aumentar o salto da arma, • Uma outra solução possível para os sistemas de arma dos calibres nominais em que o coice tenda a ser excessivo, é a escolha de uma arma mais pesada. Note-se ainda que uma folga de carregamento excessiva é geralmente causa de coice anormalmente grande.

Coice da coronha – É a zona anterior da coronha duma espingarda – ou outra arma semelhante -, que assenta no ombro e geralmente também na cara do atirador. O termo clássico que designa a face anterior da coronha com que o coice vai assentar no ombro, chamase “soleira”. Na maioria das armas, esta é quase sempre coberta por uma chapa de coice.

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Colo do invólucro - É a parte estrangulada na extremidade posterior do corpo da maioria dos invólucros metálicos, os dos chamados invólucros com colo - das munições de artilharia, munições de espingarda e de umas poucas munições de pistola, aonde, nestas munições, vai ficar fixado o projéctil. Esse estrangulamento destes invólucros serve precisamente para ser possível fixar o projéctil, uma vez que, nestes calibres nominais, este tem um diâmetro muito menor que o da parte central do corpo do invólucro. Comburente (ou Oxidante) – Designação genérica das substâncias capazes de alimentar a combustão doutra ou doutras (os combustíveis). Os comburentes são substâncias que contêm os elementos oxidantes (estes elementos encontram-se na tabela periódica à direita do azoto, enquanto que os combustíveis são os que se encontram à sua esquerda). Nos fenómenos de combustão mais comum, o comburente é geralmente o oxigénio do ar. Combustão – No contexto do tratamento das reacções químicas dos baixos explosivos/propulsantes, significa o mesmo que queima ou deflagração. No contexto dos explosivos, os termos combustão, deflagração e queima, são utilizados indiferentemente, pretendendo significar a explosão dos baixos explosivos. Isto dada a semelhança aparente entre a forma como se processa este fenómeno (da superfície para o interior da massa dos grãos) e a forma como queimam os combustíveis sólidos. Tratando-se simplesmente de combustíveis, é a propagação de uma reacção exotérmica por condução, convecção e radiação. Trata-se aqui de uma reacção química que consiste numa oxidação térmica que produz luz, chama faíscas e fumo. A combustão dos combustíveis, ao contrário da dos explosivos, depende sempre da
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presença de uma matéria comburente exterior a eles, geralmente o oxigénio do ar. Concentração – Termo que surge no contexto mais alargado da preparação psicológica dum atleta significando, em termos gerais, o cenário, o enquadramento mental, em que esse atleta treina ou participa numa competição. “Estar concentrado” significa que pela mente não passa nenhuma ideia estranha às técnicas ou às tácticas indispensáveis a um desempenho de “alto rendimento”, de tal maneira que a sua atenção e energia anímica possam ser apropriadamente dirigidas para um “objecto” funcionalmente útil. Não significando o mesmo, este termo é confundido por vezes com o termo “atenção”. Concordância – A porção da alma que constitui a transição entre a câmara e o começo do estriamento onde, idealmente, a ogiva do projéctil vai ficar encostada ao início das rampas que conduzem aos salientes das estrias. Caso isso não aconteça, é a zona da alma onde o projéctil realiza o seu salto livre, até começar a ser cortado pelos salientes das estrias. A concordância define-se ainda mais especificamente, conforme o tipo de cartucho usado, como sendo: • Nos sistemas de arma em que se usa cartucho de invólucro metálico, é a zona que fica imediatamente à frente do ponto onde deve ficar a extremidade do colo do invólucro, • Nos sistemas em que se usa cartuchos de invólucro combustível, é a zona onde, após o carregamento, fica fixada a cinta de forçamento do projéctil. Consistência do tiro – A consistência de um conjunto de tiros, pressupondo que todos eles foram apontados em condições exactamente iguais a um mesmo ponto dum alvo, é, por definição, a medida – feita por exemplo em termos de desvio médio – da concentração à roda do PMI dos vários impactos desses tiros. O termo consistência do tiro, considerada esta definição, significa portanto o inverso de dispersão à volta do PMI. Neste caso, a
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consistência é, na realidade, o resultado das consistências da arma, da munição e da actuação do atirador. Este produto das consistências de cada um dos subsistemas é portanto o factor que melhor exprime a “qualidade” do conjunto, o valor do funcionamento do sistema, e este é verdadeiramente, de facto, o seu substracto mais difícil de obter. Coronha - O componente de uma espingarda, carabina, pistola, metralhadora ou metralhadora, que serve para o utilizador apoiar no ombro e no peito, conferindo maior estabilidade à arma, para permitir ao utilizador uma maior consistência do tiro. A natureza do apoio que dá ao cano, faz com que a coronha contribua bastante para a regularidade ou irregularidade das vibrações do cano, sendo de notar que as coronhas inteiras são sempre melhores neste sentido, que as coronhas partidas. As partes duma coronha convencional são o fuste, o delgado e o coice. Nas armas de caça, conforme a sua configuração na região do delgado, as coronhas classificam-se em “coronha de pistola”, “coronha de semi-pistola” e “coronha à inglesa”. Em todos os tipos de armas modernas, dado principalmente a grande dificuldade em conseguir boas madeiras e dada a estabilidade dos materiais sintéticos perante a humidade e as variações de temperatura, é cada vez mais frequente o emprego destes materiais para a sua confecção. Coronha anatómica – Termo aplicado à maioria das coronhas das espingardas de tiro ao alvo, em que este componente é um órgão bastante sofisticado por forma a incluir uma boa cama do cano e a permitir o ajustamento da arma às diversas disposições das partes do corpo dos atiradores, nas várias posições de tiro. No mínimo, estas coronhas permitem ajustamentos do comprimento do coice e das posições da chapa de coice, do apoio regulável da cara do atirador e do fixador da bandoleira.

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Coronha inteira – Uma coronha que é feita de um única peça. Este tipo de coronha, por permitir dispor dum cano flutuante, é o que melhor se presta a equipar as armas em que é indispensável obter uma grande consistência do tiro. Coronha partida – Uma coronha que o fuste constitui uma peça separada que se monta sobre o cano ou se fixa à caixa da culatra. Corrediça - Designação comum do conjunto da culatra com a caixa da culatra das pistolas semi-automáticas que são as partes recuantes destas armas. Isto aparte o pequeno movimento do cano nas pistolas operadas por recuo. Culatra - É o componente da arma de fogo moderna que tem pelo menos as funções seguintes: • Fechar anteriormente a câmara do cano, servindo de suporte aos invólucros dos cartuchos durante os disparos, e assim tornando possível a obturação, • Alojar o mecanismo de percussão, • Servir de suporte aos(s) extractor(es), aos mecanismos de travamento da culatra e por vezes aos ejectores. Pelo que, é a culatra, o componente que se pode considerar que é o “coração” duma arma, o que realiza grande parte das operações do seu ciclo de funcionamento. Pretende-se quase sempre que sejam peças o mais leves possível e de dimensões pequenas, a fim que a energia cinética que acumulam e o espaço da arma que ocupam para o seu movimento, sejam tão pequenos quanto possível. Nas peças de artilharia automáticas, há normalmente que dispor de um dispositivo especial, eléctrico, hidráulico ou pneumático que permita a sua movimentação e a preparação do mecanismo de armar antes do primeiro disparo. Sendo sempre peças com uma solidez suficiente para suportar as grandes pressões que se exercem sobre elas, existem numa grande variedade de configurações e formas de operar. As culatras das armas
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modernas classificam-se, pela forma como se opera o seu movimento, em: • Culatras de cunha ou culatras de gaveta (com movimento transversal), • Culatras de parafuso (com movimento de dupla rotação), • Culatras de ferrolho (com movimento longitudinal e travamento, atrás ou à frente, por rotação), • Culatras de corrediça (com movimento longitudinal), • Culatras pendentes (com movimento de báscula). Cunhete - Uma caixa ou outro contentor para o transporte de munições, que deve ser concebida por forma a que as munições transportadas fiquem bastante protegidas contra choques e influências climatéricas. Deflagração – Consiste numa reacção química cuja frente de reacção se propaga com uma velocidade inferior à velocidade do som, isto é, ocorre como um regime subsónico. Este termo é usado com sinónimo de queima pretendendo significar a explosão dum baixo explosivo, em particular dum propulsante. Delgado - A parte central e em geral mais fina da coronha que serve de apoio à mão, ou para ser agarrada com a mão, que se usa para efectuar os disparos. A face superior do delgado, sobre a qual se posiciona o dedo polegar, chama-se a “dedeira”. Conforme a configuração desta parte da coronha, assim as coronhas se designam por “coronhas à inglesa”, “coronhas de pistola” e “coronhas de semipistola”. Dente do armador - Dente existente no armador, que se encontra saliente no interior e no fundo da caixa da culatra, ao qual se vai encostar o entalhe de armar e que assim provoca o armar do percutor. Depósito – É o alojamento onde se depositam as (5 ou mais) munições numa arma de repetição, em preparação para a sua transferência para o mecanismo de repetição, para onde são
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impelidas por um impulsor/elevador accionado por uma mola. Existem várias configurações de depósitos: • Tubulares, dentro do fuste ou dentro do coice da coronha, • De caixa/paralelepipédicos, ficando as munições sobrepostas numa só coluna ou em zig-zag, situados por baixo da caixa da culatra, • Mistos das configurações anteriores, • Rotativos, situados por baixo da caixa da culatra. Desarmador - Peça necessária para a execução de tiro automático, que obriga o detentor do cão a rodar, libertando o cão no momento em que a culatra se encontra travada e fechada. Tem por finalidade provocar disparos sucessivos sem aliviar a pressão no gatilho. Desenfiamento de uma infra-estrutura de tiro – É o conjunto de disposições destinadas a: deter e absorver os projécteis nas suas trajectórias directas ou depois de ricochetearem; limitar a amplitude do feixe de trajectórias; evitar a formação de ricochetes, por forma a impedirem que projécteis directos e ricochetes saiam para o exterior da infra-estrutura de tiro. São exemplos de dispositivos de desenfiamento vertical superior: • Espaldão pára-balas, • Câmara pára-balas, • Câmara de detenção/recolha de projécteis, • Limitadores de pontaria, • Muros diafragmas pára-balas, • Palas. São exemplos de dispositivos de desenfiamento vertical inferior: • Plataformas de tiro elevadas, • Banquetas de tiro, • Limitadores de pontaria, • Abrigos para marcadores, • Traveses e cordões, • Degraus, • Cortaduras,
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Espaldões intermédios, Espaldão final, Câmara pára-balas.

Destravamento da culatra - É uma das fases do ciclo de funcionamento da maioria das armas de tiro simples, armas de repetição, armas semi-automáticas e armas automáticas. Nos sistemas de arma em que se opera com munições de média e grande potência, dadas as pressões que as bases dos invólucros exercem na face da culatra, há que operar com uma culatra que, de forma infalível, enquanto a pressão dos gases dentro do cano for alta, se mantenha imóvel ficando a bloquear a expulsão dos invólucros da câmara. Este bloqueamento é garantido nestas armas, precisamente por um travamento da culatra, uma operação mecânica que tem lugar após o carregamento e fechamento da culatra. Pelo que, após o disparo, há que efectuar o correspondente “destravamento”, a fim de dar continuidade ao ciclo referido. Detentor da culatra - Peça destinada a evitar que a culatra deslize para fora da caixa da culatra, fazendo-a parar na posição de carregamento. Detentor do cão - Peça existente no mecanismo de disparar das armas semi-automáticas e automáticas, que prende o cão, embora o gatilho esteja premido e o armador rodado para baixo. O detentor do cão é accionado por forma a libertar o cão por uma peça de ligação que transmite o movimento do armador ao detentor. Detonação – É caracterizada por uma propagação da frente de reacção com velocidade superior à velocidade do som, sendo nessas circunstâncias considerado um regime supersónico. A detonação é uma reacção característica das cargas de alto explosivo. Numa detonação, a velocidade de reacção explosiva (que é a da própria onda explosiva que se propaga no interior do alto explosivo), varia entre o 2.000 e os 9.000 m/s. numa tal explosão, a referida
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velocidade é tal que não há tempo para que o calor libertado pela decomposição molecular duma parte do explosivo se comunique à restante massa. A ordem de grandeza destas velocidades dá lugar a fenómenos que decorrem “instantaneamente” e que portanto se caracterizam pela extraordinária potência dos seus efeitos. Os efeitos para o exterior da ocorrência de uma detonação são os resultantes da formação de uma onda de choque, mas os efeitos destrutivos resultam também (a maior parte das vezes) da projecção de estilhaços formados e acelerados na fragmentação do corpo/invólucro do engenho onde a carga se faz transportar. Detonação por simpatia – É a detonação de uma ou mais cargas de alto explosivo provocada pela onda de choque originada pela detonação de uma outra massa de alto explosivo que tenha explodido na sua proximidade, quando essa onda de choque, propagando-se no espaço entre as duas, a(s) atinja com suficiente intensidade. Detonador - Um componente duma espoleta, que, carregado com uma pequena carga dum alto explosivo primário, é o primeiro elemento de uma cadeia explosiva de detonação, na medida em que lhe compete iniciar o reforçador de espoleta ou directamente a carga principal. Pode também ser um dispositivo eléctro-explosivo ou pirotécnicoexplosivo que tem como carga uma pequena massa dum salto explosivo primário e que é usado em demolição, onde serve como iniciador da explosão de uma carga de demolição. Quanto à forma como se dá a sua iniciação, os detonadores podem ser classificados como: • Detonadores de percussão, • Detonadores de perfuração, • Detonadores eléctricos. Em qualquer dos casos, são constituídos por uma cápsula cilíndrica cheia até cerca de metade com uma carga comprimida de um explosivo primário e completa por um ignidor mecânico, pirotécnico ou eléctrico; uma cabeça eléctrica.
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Dióptero – Termo por que se designam as alças fechadas equipadas com mecanismos micrométricos de azeramento que se usam nas espingardas de tiro ao alvo. Trata-se obrigatoriamente de mecanismos de grande fiabilidade e precisão de funcionamento. Disciplina de fogo - Atitude tomada pelo utilizador, de uma arma de fogo e com a qual esta só desencadeia o tiro sobre objectivos que lhe sejam determinados e apenas quando ordenado pelo respectivo Comandante. Disparo - Em geral, este termo designa o conjunto de acções e reacções que se processam num sistema de arma desde o instante em que se acciona o mecanismo do gatilho da arma até ao instante em que o projéctil, granada-foguete ou míssil, sai do cano ou do lançador. Ou seja, a acção pela qual, usando uma arma de fogo, um lançador ou uma arma de propulsão por reacção e uma munição, granada foguete ou míssil, se põe o projéctil, a granada foguete ou o míssil em movimento. Isto a fim de que estes, percorrendo uma trajectória no espaço, venham a atingir um dado alvo. O disparo é portanto um processo na sua maior parte explicado pelas teorias da balística interna e vem a propósito referir que um disparo é, neste contexto, um processo físico-químico, pelo qual se faz a transformação da energia contida numa carga de propulsante em gases e calor e da energia interna/calorífica destes, em energia cinética dum projéctil ou outro engenho. Ainda a propósito, note-se que o disparo de uma arma de pressão de ar, é uma excepção pois é um processo meramente físico, pelo qual se transforma a energia acumulada numa porção de gás comprimido em energia dum projéctil. Entendido assim, o disparo é portanto a primeira fase dum tiro e a consequência de um disparo é um tiro. No contexto do funcionamento dos mecanismos do gatilho, um disparo é meramente a actuação na cauda do gatilho, com uma força superior ao peso do gatilho por forma a dar início ao processo referido.
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No contexto das técnicas do tiro de precisão, o termo “disparo” tem um significado muito amplo. Significa aqui todo o conjunto de acções que vão desde as de concepção e afinação dos mecanismos do gatilho, por forma a que seu funcionamento corresponda à sensibilidade e às necessidades do atirador, até à aquisição de um conjunto de habilidades psico-motoras, nomeadamente as de “independência” do dedo que actua no gatilho e de manutenção da imobilidade de todo o corpo até depois do projéctil sair da arma. Habilidades estas que têm de ser objecto de uma aprendizagem e de um treino sistemático, até porque qualquer que seja a técnica escolhida para a sua execução, os disparos, tendo de ser executados com o atirador em apneia, é imperativo que se completem num intervalo de poucos segundos, afim de ser possível manter uma perfeita oxigenação do cérebro e portanto manter uma capacidade da visão a 100%. A propósito, sendo que as componentes principais tecnológicas do tiro ao alvo, são: • A posição de tiro (posição exterior e posição interior), • A pontaria, • O disparo. esta última, para ser tecnicamente aceitável e “funcionar automaticamente”, é geralmente a de mais difícil domínio, a que requer uma verdadeira aprendizagem e uma maior dose de treino. Finalmente, refira-se que os melhores atiradores dispõem de mais do que uma técnica de execução a fim de lhes ser possível adaptarem-se às variações das condições ambientes. Disparo consciente – Termo que designa uma técnica de disparo susceptível de ser usada nalgumas disciplinas de tiro ao alvo, caracterizado por – além da sua possível associação à técnica de disparo em preparação -, o atirador escolher o momento preciso em que quer que o disparo ocorra. Consiste essencialmente de, encontradas as condições para a realização de uma boa pontaria e estando o atirador preparado para manter completamente inalterada a sua posição de tiro durante toda a duração do disparo (uma preparação só é possível através de anos de treino) e a seguir a uma
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“preparação do gatilho”, com um simples movimento do dedo indicador, fazer funcionar o mecanismo do gatilho, enquanto todo o resto do corpo se mantém imóvel isto é, sem registar qualquer contracção ainda que pequena. Para ser tecnicamente aceitável e útil, esta técnica requer, como se disse, um trabalho de preparação longo e sistematizado, nomeadamente da capacidade de mobilização inteiramente independente do dedo que actua a cauda do gatilho. Disparo inconsciente – Uma técnica de disparo que é porventura a mais usada nas várias disciplinas do tiro ao alvo. Caracteriza-se por com ela o atirador escolher simplesmente as alturas em que os disparos devem começar a processar-se, mas nunca os momentos precisos em que os disparos ocorrem. Para cada tiro, a partir do instante em que a sua estabilidade é boa e que sente que todo o processo está a decorrer normalmente, o atirador vai aumentar a pressão sobre o gatilho, segundo um dos vários métodos possíveis, até que, “inesperadamente”, o disparo ocorra. Esta técnica requer uma boa estabilidade, nomeadamente uma boa estabilidade da arma mas, em compensação, não requer a realização da técnica do disparo em preparação e não há que recear a ocorrência de movimentos incontrolados quase sempre susceptíveis de ocorrerem, no instante crítico, quando se executa com uma técnica menos que perfeita de disparo consciente. A única dificuldade está associada com o facto de que as acções de disparo, para serem sistematicamente eficazes, requerem a posse dum grande automatismo da actuação no gatilho, o que por sua vez requer uma grande dose de treino diário. Dispersão do tiro - Termo que se refere à distribuição do conjunto dos impactos dos projécteis disparados sob condições constantes, por uma arma ou conjunto de armas iguais que se apontam a um mesmo alvo. Note-se que sendo em geral verdade que a dispersão do tiro deve ser a menor possível, em certas condições tácticas, é desejável um considerável grau de dispersão.
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Embora apenas qualitativamente, o termo significa o inverso de consistência do tiro. O termo também se aplica à distribuição dos impactos de uma única salva. Dispositivo de desenfiamento – Elementos arquitectónicos destinados a interceptar os projécteis, o feixe de trajectórias e evitar a formação de ricochetes. Dispositivo de segurança e armamento - Um dispositivo que faz parte duma espoleta e que tem a função de impedir o seu funcionamento, isto é, manter na posição de desarmada essa espoleta e portanto da cabeça de combate onde ela se monta, até que ela seja projectada para além da distância de segurança à boca. Nessa altura, este dispositivo passa-a, infalivelmente, à condição de armada. Distribuição - Acção feita pelo elevador, posição dos elos da fita ou alojamento da lâmina por forma que os cartuchos sejam apresentados um após outro. Duração do Fechamento – É o intervalo de tempo, respeitante à viagem do percutor – ou do cão e do percutor -, desde que é libertado pelo armador do mecanismo do gatilho até que a sua ponta dá lugar ao funcionamento da escorva da munição. Este intervalo depende sobretudo da distância a percorrer pelo percutor e da relação entre o peso deste e a força exercida pela mola real quando comprimida. Em todas as armas mas em especial nas armas destinadas a realizar tiro de precisão, este intervalo de tempo deve ser tão pequeno quanto possível porque, ocorrendo numa altura em que o atirador pode cometer erros de disparo substanciais, a duração do fechamento, ao determinar em grande parte a demora do projéctil em sair do cano, condiciona extraordinariamente a consistência do tiro dessas armas. Pelo que o tempo de fechamento, um dos factores determinantes da qualidade desta classe de armas deve ser, no máximo, da ordem dos 3 ou 4 milésimos de segundo.
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Por outro lado, quaisquer tentativas de reduzir a duração do fechamento para além dos 2 milisegundos, conduzem quase certamente a falhas de percussão. Nas armas pesadas, a duração de fechamento é geralmente da ordem das poucas dezenas de milisegundos. Efeitos do vento sobre os projécteis - Em primeiro lugar há que estabelecer que os desvios provocados pelo vento nas trajectórias dos projécteis e portanto os desvios dos impactos num alvo, não são menores, ao contrário do que parece, para um projéctil de grande velocidade que permita uma menor duração do voo entre a arma e o alvo. As amplitudes desses desvios são sim proporcionais às suas perdas de velocidade nesse percurso. De facto, a deflexão (Def) provocada por um vento lateral de velocidade Vv sobre um projéctil de velocidade inicial Vi, que leva um tempo t a atingir um alvo à distância L, é dada pela expressão seguinte (um caso particular da equação de Didion): Def = Vv x ( t – L/Vi ) Note-se que a quantidade entre parêntesis tem sinal positivo e corresponde ao “tempo que o projéctil perde a atingir o alvo, pelo facto de perder velocidade”. Deste postulado, que é fácil provar, pode retirar-se duas conclusões muito importantes: • A primeira diz respeito a que, dado que os projécteis de maior velocidade sofrem de uma resistência do ar proporcionalmente muito maior, o que os faz perder muito mais da sua velocidade, eles são precisamente os mais desviados pelo vento. Daqui que, por exemplo, as munições de calibre nominal .22 LR de boa qualidade, destinadas a tiro ao alvo, sejam sempre munições de velocidade inicial relativamente baixa (velocidade subsónica). E que os melhores atiradores usem em dias de muito vento munições que produzem velocidades à boca excepcionalmente baixas, • A segunda tem a ver com o facto de, sendo o coeficiente balístico o factor que determina a maior ou menor perda de
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velocidade dum projéctil que opera numa dada gama de velocidades, os projécteis menos afectados pelo vento são os que apresentam um coeficiente balístico alto, ou um coeficiente de resistência baixo. Este é um facto a ter bem presente pelo menos em todas as situações de tiro a grandes distâncias. Ainda outros factos a ter em conta são: • Que os ventos de direcções aproximadamente paralelas ao plano da trajectória, têm efeitos muito menores do que os de direcções aproximadamente normais a este plano. Um vento que sopra na base do projéctil fá-lo ter um ponto de impacto mais alto e um vento que sopra “ de frente”, um ponto de impacto mais baixo. Isto porque um vento “de frente”, retarda ligeiramente o projéctil, fá-lo aumentar o tempo de voo para o alvo, aumento esse que, dando lugar a que a gravidade actue durante mais tempo, faz com que o impacto venha a ser mais baixo do que o do projéctil não actuado por este vento. Um vento “de frente” tem, pelas mesmas razões, o efeito de reduzir o alcance máximo, • Que os ventos laterais, desde que os projécteis sejam estabilizados por rotação, além de os desviarem lateralmente, também lhes provocam - ao darem lugar ao aparecimento do efeito de Magnus -, movimentos para cima ou para baixo conforme o sentido do vento seja respectivamente da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita, isto se os disparos se fizerem numa arma de passo das estrias direito. Os efeitos do vento sobre os projécteis dependem muito ainda do tipo de projéctil em questão. Um vento lateral desvia um projéctil estabilizado aerodinamicamente de uma quantidade que é menor que no caso dum projéctil estabilizado giroscopicamente. Finalmente, há que notar que os desvios causados pelos ventos sobre as granadas-foguete na fase de propulsão, além de serem em sentido contrário a granada-foguete, nesta fase de aceleração, desvia-se para o lado do vento, são proporcionalmente muito maiores, o que explica em grande parte a bastante menor consistência do tiro feito com estas munições.

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Efeito de simpatia - Designação do efeito pelo qual uma massa de alto explosivo pode ser levada a detonar, dado que uma outra detone na sua proximidade, produzindo uma onda de choque que venha a atingi-la com suficiente intensidade. As considerações sobre este efeito, para além de participarem no projecto de praticamente todos os engenhos explosivos, são as que presidem nos projectos de recintos de paióis de munições, tendo em vista a redução do risco de explosão dos materiais contidos em cada um deles em caso de acidente num outro. Ejecção - É a operação do ciclo de funcionamento que consiste na expulsão do invólucro metálico da munição anteriormente disparada, para fora da caixa da culatra, operação que se sucede á sua extracção da câmara. Nos sistemas de arma em que a ejecção pode ser feita para trás - em linha com o cano -, a ejecção do invólucro é apenas a continuação do movimento de extracção, aproveitando a inércia de movimento desta. Nas armas em que a ejecção pode ser feita transversalmente, ela opera-se geralmente pela acção conjunta do extractor e do ejector que, num certo ponto do ciclo de funcionamento a seguir à extracção, aplicam um binário de forças ao invólucro, fazendo-o rodar sobre si próprio e saltar por uma janela de ejecção. Nalgumas armas a ejecção do invólucro é feita não pelo ejector mas sim pela munição seguinte no seu movimento para a frente durante o seu carregamento. Idealmente, a ejecção deveria fazer-se sempre de tal forma que o projéctil fosse projectado para a frente e - numa arma destinada a um atirador direito - para a direita. A extracção e a ejecção são as duas operações que não têm lugar no ciclo de funcionamento, quando se usam munições de invólucro combustível ou munições sem invólucro. Ejector - Nos sistemas de arma em que a ejecção dos invólucros é feita transversalmente/lateralmente, é o componente que em conjunção com o extractor, exercendo um binário sobre a base do invólucro, realiza a ejecção.
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Nos sistemas de arma em que a ejecção é feita em linha com o cano, a ejecção é feita pelos próprios extractores. Os ejectores podem ter as seguintes configurações: • A de uma peça fixa num ponto da caixa da culatra, que corre num rasgo da culatra quando esta se move, • A de uma ponta saliente de um dos lábios do carregador que também corre num rasgo da culatra, • É o próprio percutor que ficando a fazer força sobre a escorva, leva à ejecção do invólucro - por acção combinada com a do extractor -, logo que este sai da câmara. • A de um conjunto de um impulsor com uma mola que se montam na face da culatra, de tal forma que o impulsor fica a comprimir fortemente para a frente um ponto da periferia da base do invólucro. Os ejectores que actuam fixados num ponto da caixa da culatra ou os que fazem parte dos carregadores, agem tal que, no fim da acção de extracção, um ponto da periferia da base dos invólucros vai bater neles quando emergem da face da culatra. Como os invólucros continuam agarrados do lado oposto pelo extractor, forma-se então um binário que, fazendo-o rodar, acaba por expeli-los pela janela de ejecção. O tipo de ejector que se monta na face da culatra age sob tensão da sua mola que o empurra contra um ponto da periferia da base dos invólucros, aproximadamente do lado oposto àquele em que actua o extractor. De tal forma que os invólucros ficam permanentemente sujeitos a um binário de forças que, no momento oportuno, isto é logo que o invólucro fica livre para rodar á frente, acaba por realizar a ejecção. Nas armas em que se usa aquilo a que se chama “ejectores automáticos”, o impulsor do ejector fica sob a tensão da mola até ao ponto do ciclo de funcionamento em que deve ocorrer a extracção. Nesse instante o impulsor do ejector é libertado e, sob o impulso da mola, vai dar uma pancada no extractor obrigando-o a fazer a extracção dos invólucros com tal violência que estes, sob a sua própria inércia são projectados bruscamente para fora das câmaras.
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Note-se que as falhas de ejecção são das causas mais frequentes de falhas de fogo, uma vez que os ejectores são componentes sujeitos a grandes esforços o que os faz quebrarem-se com bastante frequência. Elevador - Nas armas de repetição com um depósito sob a caixa da culatra, é o conjunto de peças que, no interior desses depósitos, serve para empurrar as munições neles introduzidas em direcção à caixa da culatra. Nas armas de bala em que se usa um carregador ou um tambor, é o conjunto de peças que serve para empurrar as munições nele introduzidas para a boca do carregador ou boca do tambor. Em qualquer dos casos, este conjunto é constituído pela mesa e pela mola do elevador. Elo - Peça de metal que suporta cada cartucho de uma fita carregadora de uma arma automática. Empunhadura (duma pistola ou dum revolver) - É o termo técnico que se usa para designar a forma como um utilizador empunha uma pistola ou revolver. Em termos de tiro de precisão, a empunhadura envolve bastantes complexidades técnicas, ao ponto de alguns teóricos garantirem que a aquisição de uma boa empunhadura é “meio caminho andado” na formação de um bom atirador. A “boa empunhadura” caracteriza-se essencialmente por três pontos: • É totalmente consistente, isto é, é sempre exactamente a mesma, em termos de colocação da mão no punho e do aperto deste. • É tal que o dedo indicador se pode mover livremente da frente para trás, paralelamente ao cano e ao fazê-lo não causa qualquer movimento espúrio da arma no instante crítico do disparo. Para conseguir isto, por vezes há que executar correcções especiais no punho. • Da boa empunhadura resulta, dentro das limitações impostas pela concepção de cada arma, que o salto da arma é mínimo sendo que a maior parte da energia do recuo é absorvida pelo braço e pelo ombro do atirador. Isto significa invariavelmente que a parte
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mais alta da mão fica situada o mais perto possível do eixo do cano. Erosão - O termo aplica-se em dois contextos: • Erosão dos canos: Um processo involuntário e de evolução praticamente exponencial, pelo qual os efeitos combinados das altas temperaturas e altas pressões dos gases das pólvora e do atrito dos projécteis, agindo sobre a superfície metálica das almas dos canos, as vão alterando e desgastando mecanicamente. A zona da alma onde a erosão é mais intensa é no início da parte estriada, ou na zona correspondente, nas armas de alma lisa, onde os gases, a alta velocidade e temperatura, rapidamente alteram a composição química dos aços da superfície, formando materiais quebradiços que facilmente são depois arrastados sob o atrito dos projécteis. Este fenómeno é particularmente dependente da temperatura dos gases. Na realização de tiro com altos ritmos de fogo, a menos que sejam usados métodos de arrefecimento artificial, por água ou ar, a temperatura do cano tende a subir incessantemente e isto acelera a velocidade da erosão. Esta erosão pode ser muito reduzida: pelo uso de certas ligas como a de aço crómio-molibdénio, no fabrico dos canos, dada a grande resistência destas ligas às altas temperaturas; pelo tratamento, por depósito electrolítico nas almas, por exemplo de crómio. Os canos com uma alma desenhada de uma forma especial em que o início do estriamento se faz bastante mais à frente e termina também antes da boca, são também bastante imunes à erosão. O uso de qualquer destes métodos, é no entanto um factor de complexidade e custo. Uma forma anormal de erosão, decorre da utilização de projécteis que não efectuam devidamente a obturação para a frente, o que faz com que os gases que se passam entre o projéctil e as paredes da alma exerçam um forte desgaste nesta. • Erosão das gargantas das agulhetas dos motores: O fenómeno pelo qual as gargantas das agulhetas de De Laval, sujeitas como estão a temperaturas muito altas por parte dos gases dos propulsantes usados em motores de foguete ou em armas de
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propulsão por reacção, também ficam sujeitas a desgastes consideráveis, segundo um processo idêntico ao anteriormente descrito. Erro angular - No tiro feito com armas equipadas com aparelhos de pontaria do tipo miras metálicas, é em princípio, de longe, o mais grave dos dois erros de pontaria possíveis. Este erro resulta do não alinhamento das referências “olho director/alça/ponto de mira”, que se traduz no apontar da arma segundo uma linha oblíqua à linha que une o olho ao centro da zona de pontaria. Os efeitos do erro angular são proporcionais à razão; distância ao alvo/base de mira. O chamado factor multiplicador do erro angular, a quantidade por que se tem de multiplicar o erro de alinhamento na pontaria - o erro angular -, para se obter o desvio do impacto no alvo. Dos valores concretos deste factor multiplicador pode-se tirar directamente algumas conclusões: • Sendo a base de mira muito menor nas pistolas e revólveres do que nas espingardas, para as mesmas distâncias os erros angulares têm efeitos muito maiores no tiro com as primeiras destas armas, pelo que a pontaria com estas consta praticamente só da eliminação dos erros angulares, por mais pequenos que estes sejam, • Porque o factor multiplicador no tiro ao alvo com espingarda a 300 metros é de facto muito grande, também nesta modalidade de tiro há que tomar maiores precauções quanto ao erro angular do que no tiro ao alvo de competição com espingarda, a 50 metros. • Porque o factor multiplicador é muito pequeno no tiro ao alvo com espingarda a 10 metros, este erro quase não tem de ser considerado nesta modalidade. Erros no disparo - São os erros mais graves que um atirador de espingarda ou pistola, pode fazer e faz normalmente. Resultam directamente da necessidade de ter de actuar no mecanismos do gatilho para realizar os disparos, o que em si constitui uma acção “dinâmica”, em princípio contraditória da necessidade de
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estabilizar/imobilizar a arma na acção de a apontar, o que constitui uma actividade “estática”. Os erros nos disparos a que, pelos enormes desvios que provocam, se chama gatilhadas, são erros do processo apontar/disparar, que ocorrem quando, no momento crucial deste processo, que é o da ultima fase da actuação no mecanismo dum gatilho, o atirador imprime, involuntariamente, movimentos indesejáveis à arma, tal que esta, durante os instantes em que a bala percorre o cano, se vai deslocar “angularmente” por forma a que o resultado dum tiro acaba por ser desastroso. A identificação da natureza destes erros passa necessariamente pelo reconhecimento do seguinte: • De que estes erros ficam muitas vezes a dever-se ao desejo de “libertação”, de raiz psico-fisiológica, que antecede cada disparo e que se pode descrever como um desejo do atirador, sujeito a uma certa tensão emocional, de libertar-se da ansiedade quanto ao resultado daquele disparo. Isto constitui uma dificuldade particularmente aguda quanto o atirador, imerso num clima gerador de tensão emocional, como é o da competição desportiva, sentindo-se pressionado pela responsabilidade de produzir um bom resultado dentro de um limite de tempo que sente esgotar-se rapidamente e pelos outros sintomas dessa tensão emocional; ritmo cardíaco acelerado, sensações de calor excessivo, sudação intensa, etc., começa a encarar os disparos como actos de “libertação”, como formas de, rapidamente, dar por finda essa situação, • Do facto de que a flexão de cada dedo da mão humana é realizado pela contracção de um dado número de fibras musculares do antebraço, fibras essas que são todas comuns a um mesmo músculo. De forma que, sem uma preparação/treino especial continuado, é quase impossível ser capaz de flectir o dedo que actua no gatilho da arma, sem que os outros músculos do braço também sofram contracções. • Do facto de que os erros no disparo têm consequências que são proporcionalmente mais graves se o tempo/duração de fechamento da arma for maior. Daqui que os erros de disparo
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sejam particularmente graves no tiro com armas de pressão de ar, notáveis como é sabido por terem tempos de fechamento muito grandes. Os referidos “movimentos indesejáveis”, resultam portanto da impossibilidade prática, inerente até à própria anatomia de qualquer indivíduo não profusamente treinado, de actuar no mecanismo do gatilho, sem que essa acção psicofisiológica desencadeie outros movimentos, esses em si mesmos incontrolados e tendentes a destruir a pontaria no momento mais crítico. Dado que todo o atirador acaba por participar em situações geradoras de tensão emocional a que ninguém é completamente imune, o principal objectivo da aprendizagem e treino das técnicas e das tácticas de cada modalidade de tiro de precisão, é exactamente a automatização dos procedimentos conducentes à irradiação das causas destes erros. Daqui também que, a preparação de um atirador de alto nível, passe necessariamente pela participação num grande número de competições ao longo de vários anos de esforços persistentes. Erro de translação (ou erro paralelo) Nas armas equipadas com miras metálicas, e no contexto do tiro de precisão, é o erro de pontaria que resulta de, a linha de mira/a linha olho director/alça/ponto de mira, cujo estabelecimento é indispensável para eliminar o erro angular, não ser dirigida exactamente ao centro do alvo ou ao centro da zona de pontaria. Este erro deve ser olhado não só como inevitável em certa medida, mas como tendo consequências geralmente pequenas, muito menores que as do erro angular, nomeadamente no tiro com pistolas e revólveres. Na realidade os bons atiradores com estas armas, aceitam o cometimento deste erro, para se concentrarem na redução dos erros angulares. Teoricamente, os erros de translação são independentes da distância ao alvo mas, na prática, pela sensação de insegurança que, a grandes distâncias, a sua observação pode transmitir ao atirador, são fonte de todo o tipo de outros erros, nomeadamente de erros no disparo.
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A redução automática dos erros de translação, faz-se pela criação de uma maior estabilidade do atirador - do seu corpo -, o que é o prémio da aquisição de uma posição exterior eficaz e de um treino muscular que permita ao atirador sentir-se em conforto total na posição de tiro. Estas condições conduzem, na prática, à quase imobilização da arma, de tal maneira que o atirador passa a dispor de uma confiança tal que, a observação de um período de oscilações acentuadas, é encarado apenas como um fenómeno passageiro. Escape de gases - Um ou mais orifícios no corpo da culatra de algumas espingardas que serve(m) para, em caso de ruptura duma escorva, por ele(s) se escaparem para o lado, os gases da pólvora que se infiltrem pelo orifício de passagem do percutor, quase certamente vindo a ferir gravemente a vista do atirador, se não desviados como assim se consegue. Escorva – É o primeiro elemento das cadeias explosivas de ignição dos cartuchos e ao mesmo tempo o dispositivo iniciador do funcionamento da maioria das munições. Compete-lhe criar uma quantidade suficiente de calor/chama fortemente penetrante, junto do elemento seguinte da cadeia explosiva, o ignidor nas munições de artilharia, ou directamente a carga principal de propulsante nas munições de armas ligeiras. Estima-se que o funcionamento de uma escorva tenha a duração de 0.001’’. Empregam-se escorvas nos sistemas de armas seguintes: • Naqueles em que se emprega munições de invólucro metálico ditas de percussão central, em que as escorvas se montam numa cavidade central das bases dos invólucros, • Naqueles em que se emprega munições de invólucro combustível, em que as escorvas que são neste caso semelhantes a um cartucho de uma munição de arma ligeira, são montadas num alojamento da culatra da arma. Por outro lado existem escorvas de percussão, escorvas eléctricas e escorvas mistas. Quando sujeitas as estímulo apropriado – choque de um percutor com uma mistura ignidora que é o componente activo da escorva, produz uma quantidade suficiente de calor, na forma de
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chama e partículas incandescentes que, através dos chamados canais de fogo, vão penetrar em toda a massa e fazer a ignição da pólvora negra do ignidor ou directamente dos grãos da carga principal. As misturas iniciadoras das escorvas modernas não produzem sais higroscópicos pelo que, na maior parte dos casos, deixou de ser obrigatório fazer uma limpeza cuidadosa dos canos após cada sessão de tiro. A designação mais comum da escorva é fulminante. Escorva Berdan – Uma escorva de percussão para munições de espingarda e munições de pistola, mas que apenas é empregue em munições fabricadas na Europa e destinadas a uso militar. Consta de um corpo que é um pequenino copo de latão ou aço tombaca, que contém uma pastilha de mistura ignidora. Este corpo vai encaixar numa cavidade situada no centro da base do invólucro, em cujo fundo e fazendo parte deste, se projecta uma ponta saliente, a bigorna, contra a qual a dita pastilha irá ser esmagada, aquando da percussão. A chama produzida na explosão da mistura ignidora comunica com a carga principal do propulsante através de dois canais de fogo. Esta escorva distingue-se à vista, precisamente olhando para o interior do invólucro, uma vez que comunica com este através dos referidos dois canis de fogo, ao contrário da do outro tipo, a escorva Boxer que o faz apenas através de um. Esta escorva quase nunca é usada em munições destinadas a usos civis porque sendo muito mais difícil a sua substituição nos invólucros, o carregamento das munições se torna também mais difícil. Escorva Boxer – Uma escorva de percussão para munições de armas de bala, que difere, essencialmente, da escorva Berdan, no facto da bigorna fazer parte dela própria e não do invólucro onde a escorva se monta. É constituída portanto por um corpo que é um pequeno copo de latão ou aço tombaca, pela pastilha de mistura ignidora e por uma peça circular com uma ponta saliente central, a bigorna. A instalação é feita, como na escorva Berdan, por cravação numa cavidade do centro da base do invólucro. A comunicação da chama
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resultante do seu funcionamento com a carga do propulsante é feita através de um único canal de fogo. Encontra-se em 4 tamanhos e potências muito distintas, conhecidos internacionalmente como “Small Pistol”, “Large Pistol”, “Small Rifle” e “Large Rifle”. Este tipod e escorva é o mais utilizado em munições destinadas ao uso civil, por a sua fácil remoção, depois de usada, tornar muito mais fácil o recarregamento das munições. Espingarda - Uma arma ligeira de cano estriado, concebida para proporcionar as seguintes condições favoráveis à realização de um bom tiro de precisão: • Bons apoios no tronco e num dos braços do utilizador, e ainda eventualmente noutros apoios, com vista a conseguir uma boa estabilidade da pontaria, • Uma base de mira “sight radius” suficientemente grande para obstar à realização de grandes erros angulares. A espingarda de guerra é a arma de base das forças de infantaria, uma vez que permite a realização de tiro com bons resultados, até várias centenas de metros. Por razões idênticas, é também uma arma cada vez mais usada por forças policiais e também o tipo de arma mais utilizada em usos civis, sejam estes de natureza desportiva ou de lazer. Espingarda anti-sniper – Este termo designa modernamente, não propriamente uma vulgar espingarda para franco atirador destinada à função de combate a este tipo de atirador, mas sim uma arma especial, de calibre .50’’ (12,7 mm) ou similar, com cuja grande consistência do tiro e grande capacidade de penetração dos projécteis dos calibres nominais existentes, se conta para penetrar as paredes muito resistentes dos abrigos – interior de casas, beiradas de terraços – onde eles estejam a operar em missões de guerrilha urbana. Espingarda de assalto – Uma espingarda de guerra concebida para corresponder aos seguintes requisitos: • Poder fazer tiro semi-automático e tiro automático,
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• • •

Utilizar uma munição que lhe permita um alcance eficaz no mínimo igual a trezentos metros, Utilizar uma munição que permita a realização de tiro automático controlado, isto é, sem excesso de salto de tira para tiro, Ter dimensões e peso tais que seja fácil o seu transporte e utilização por parte de combatentes a quem se pede normalmente uma grande mobilidade.

Espingarda para franco-atirador (“Sniper rifle”) – Um franco atirador (“Sniper”) é um soldado especialmente treinado para desempenhar a função de, a partir de uma posição favorável, devidamente camuflada e usando uma espingarda especial equipada com uma boa mira telescópica, atirar sobre indivíduos seleccionados das forças inimigas. A espingarda referida é uma espingarda para tiro de precisão, praticamente sempre da classe espingarda de repetição e do género com culatra de ferrolho, especialmente preparada para corresponder às exigências do seu emprego específico. Esta preparação consiste, entre outras, das seguintes provisões: • A arma tem de ser de um calibre nominal apropriado às distâncias médias de utilização, tendo em vista que mesmo um atirador de nível obterá uma maior consistência do tiro com um sistema de arma que produza coice e ruído reduzidos. Por exemplo, o Exército Norte Americano recomenda os calibres . 222 e .223R (5.56x45) nos casos em que se trate de tiro até aos 300m, • Um cano suficientemente pesado, montado geralmente na configuração de cano flutuante mas, em qualquer dos casos, montado por forma a permitir uma boa precisão do tiro logo no primeiro disparo, com o cano ainda frio, • Um mecanismo do gatilho preparado e afinado para corresponder às necessidades do seu utilizador, um atirador de elite, • Um aparelho de pontaria apropriado o que significa quase exclusivamente uma mira telescópica com ampliação de 2x a 10x,

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• •

Uma coronha de material sintético ou de madeira suficientemente dura e estável, tratada por forma a que não possa absorver a humidade, Um “bedding” de resinas sintéticas.

Espingarda de grosso calibre – Em geral, uma espingarda de calibre superior a 6 mm, se bem que a legislação indique valores diferentes de país para país. Em termos de competição de tiro ao alvo, em competições patrocinadas pela I.S.S.F. o termo significa uma espingarda livre ou uma espingarda standard de calibre máximo igual a 8 mm, destinada a competições a 300 metros. Espingarda de guerra – Uma espingarda concebida e construída de acordo com os requisitos impostos às demais armas de guerra. Estas espingardas, que nas Forças Armadas da maioria dos países mais industrializados, eram já todas da classe espingarda de assalto, têm vindo modernamente a ser substituídas por carabinas de assalto. Espingarda livre – Designação comum a duas modalidades de tiro ao alvo com espingardas, conduzidas de acordo com as regras I.S.S.F. Trata-se de competições a 300 metros, constando a primeira de 60 tiros na posição de deitado – a modalidade de “espingarda deitado” – e a segunda de 120 tiros – a modalidade de “espingarda três posições”, sendo 40 na posição de deitado, 40 na de pé e 40 na de joelhos. Designa também uma espingarda de precisão de calibre até 8 mm, que se emprega nas competições acima referidas. O termo “livre” justifica-se por estas serem as classes de armas em que o número de restrições impostas à sua constituição é mínimo. Espingarda de precisão – Designação genérica de uma espingarda concebida e construída por forma a oferecer ao utilizador um grande número de vantagens “técnicas” na sua utilização e, em particular, a permitir uma grande consistência do funcionamento próprio, a contribuição da arma para a consistência do tiro do sistema de arma.
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A propósito, note-se que a consistência de qualquer sistema é algo que só se consegue em parte com componentes produzidos com materiais de alta qualidade e com alta qualidade de engenharia e manufactura. Para se qualificar como espingarda de precisão, uma espingarda tem de reunir no mínimo as características seguintes: • Por concepção e construção, o conjunto deve ter uma grande rigidez estrutural durante os disparos. Note-se que a procura de uma grande consistência de funcionamento limita a escolha, à partida, a um pequeno número de tipos de armas, uma vez que um grau elevado de consistência só se pode obter com uma grande rigidez de todas as partes e das uniões entre estas e que essa é uma característica apenas inerente a certas configurações das armas. Por exemplo, em condições semelhantes, nomeadamente para o mesmo calibre nominal, uma espingarda de tiro simples com toda a coronha feita de uma só peça e a operar com uma culatra de ferrolho, é muito mais rígida e tem um funcionamento muito mais consistente que uma qualquer espingarda semi-automática. • O cano deve ser uma peça de material e manufactura de grande qualidade, o mais pesado possível e com o comprimento apropriado, por forma a reduzir-se ao mínimo os efeitos das variações nas vibrações do cano. O passo das estrias tem de ser apropriado ao calibre nominal escolhido, • A caixa da culatra tem também de ser uma peça “inteiramente” rígida e construída por forma a permitir um travamento da culatra extremamente sólido e radialmente uniforme, • Como já se disse, a coronha deve preferivelmente ser feita de uma só peça e esta fabricada com uma madeira densa e insensível às mudanças de humidade ambiente, • O bedding do cano na coronha deve ser muito sólido, se necessário recorre-se ao uso de resinas sintéticas, para a sua realização, • O mecanismo do gatilho deve ser um mecanismo de grande precisão e deve permitir todos os ajustamentos que o utilizador pretenda, para o afinar para a sua própria sensibilidade,
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O aparelho de pontaria tem de ter grande precisão de azeramento, por forma a ser possível conseguir obter, muito rápida e expeditamente, a máxima precisão de tiro.

Espingarda standard – Designação comum a duas modalidades de tiro ao alvo com espingarda, que fazem parte dos programas da I.S.S.F. Trata-se de competições de 300 metros, constando a primeira de 60 tiros na posição de deitado – a chamada “espingarda deitado” ou “match inglês” – e a segunda de 120 tiros, sendo 40 na posição de deitado, 40 na de pé e 40 na de joelhos – a chamada carabina “três posições” -. O termo designa também uma espingarda de precisão de calibre máximo até 8 mm, que se emprega em tiro a 300 metros, nas competições acima referidas. Espingarda de tiro ao alvo – Designação genérica do conjunto das espingardas livres, espingardas standard e espingardas de pressão de ar, conjunto este de armas destinada à competição desportiva. A espingarda de tiro ao alvo é necessariamente uma espingarda de precisão especialmente concebida e fabricada com vista a proporcionar o mais alto grau permitido pela tecnologia existente, de consistência de funcionamento e que se distingue em particular por: • Serem nela levados aos extremos permitidos pelos regulamentos, o peso e as várias possibilidades de ajustamentos susceptíveis de permitir a melhor adaptação possível da arma à anatomia de cada utilizador, • Ser equipada com um mecanismo do gatilho de altíssima precisão, susceptível de ser ajustado por forma a satisfazer todas as necessidades próprias de qualquer atirador, • Ser dotada de um aparelho de pontaria da mais alta qualidade. Aparte alguns exemplares manufacturados especialmente para os próprios utilizadores, trata-se de armas fabricadas por apenas umas poucas empresas especializadas (Anschutz, Hammerly, Unique, Walther, e mais duas ou três firmas).

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Espoleta - Designação genérica de todos os dispositivos equipados com um componente explosivo e/ou pirotécnico, e com outros componentes mecânicos, eléctricos, electrónicos e/ou ópticos, dispositivo esse que serve para ser montado em todos os projécteis convencionais, granadas de morteiro, mísseis, bombas e minas, e cujas funções são: • Estabelecer as principais condições de segurança de armazenamento e transporte, de segurança de queda e possivelmente de segurança à boca destes engenhos, • Controlar a ocorrência do armamento, no momento apropriado do disparo ou lançamento, do engenho onde está montada, • Realizar sem falhas e no instante mais apropriado, a iniciação dos altos explosivos da carga principal do rebentador desse engenho, • Em certos casos, proceder à sua autodestruição. É claro que o tipo e qualidade de fabrico de espoleta que se monta num dado engenho, são porventura os factores mais decisivos da acção que esse engenho vai ter junto do alvo a que for dirigido. As espoletas incluem sempre um dispositivo de segurança e armamento, que têm por funções, por vários processos, assegurar que os engenhos não funcionem durante o armazenamento e transporte nem durante o disparo e provocar, sem falhas, no momento oportuno, na proximidade, durante, ou após o contacto com os alvos, as referidas iniciações. Ainda assim, nos engenhos de grandes dimensões e capacidade destrutiva, as espoletas só são montadas imediatamente antes da sua utilização. Dada a muito grande variedade de engenhos explosivos e das condições em que se usam, é enorme a variedade de soluções de concepção e tecnológicas, incluindo estas dispositivos mecânicos, eléctricos e electromagnéticos, que permitem, isoladamente ou em conjunto, dar resposta a todas essas solicitações. Os tamanhos, configurações e complexidade variam imenso e, em alguns casos uma espoleta pode até constar de vários sub-sistemas implantados em vários locais do engenho que serve. Em qualquer dos casos, justificase perfeitamente o enorme investimento que tem sido feito no desenvolvimento de espoletas mais eficazes, uma vez que, toda a segurança e eficácia dos sistemas de arma onde se empregam,
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depende em grande parte do seu bom funcionamento, da sua fiabilidade. Espoleta bouchon – É a espécie de espoleta com retardo que equipa a maioria das granadas de mão. No essencial, é constituída por um conjunto percutor-mola que é retido até ao lançamento, por um manípulo que, por sua vez, é retido por uma cavilha. O início do funcionamento desta espoleta – corresponde à actuação do percutor – dá-se por libertação deste quando, no lançamento, o utilizador larga o manípulo que tinha estado retido pela cavilha durante o transporte da granada, cavilha que entretanto se retirou. Estabilidade – No domínio da Física – da Estática – este termo diz respeito à propriedade de um sistema que lhe permite manter-se imóvel ou, quando o seu equilíbrio/imobilidade é perturbado, desenvolver forças ou binários que o fazem regressar à posição de equilíbrio original. No contexto da pontaria das armas montadas em veículos, o termo refere-se à necessidade de tornar esta independente dos movimentos de balanço transversal dessas plataformas. Isto é feito geralmente pelo recurso a uma referência vertical. Uma outra forma de estabilidade “física” é referida no contexto das técnicas de tiro ao alvo. Aqui o termo implica realmente duas condições: • À partida, à imobilidade espacial – que deve ser tão boa quanto possível -, da arma em relação ao alvo, tal como é observada pelo atirador ao “dirigi-la” para o alvo, para que lhe seja possível, livre de movimentos descontrolados e inesperados da arma, concentrar-se no acto de a apontar com precisão e efectuar o seu disparo. Esta imobilidade espacial da arma resulta de uma boa condição física geral e especial, da adopção de uma posição exterior tecnicamente vantajosa, de uma posição interior inalterada em relação à aprendida e desenvolvida em treino e, e, particular, da estabilidade psicológica que resulta da confiança na capacidade própria, pessoal,
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À imobilidade do ponto de mira em relação à alça, tal como é observado pelo próprio atirador, para que lhe seja possível apreciar em todos os instantes o sentido e a amplitude do erro angular, para proceder à sua correcção, isto é, que lhe permita fazer a pontaria em boas condições. Estas duas condições são satisfeitas quando haja uma boa estabilidade do atirador e uma boa estabilidade da arma. Do domínio da Dinâmica, uma expressão particular da estabilidade “física” ocorre no contexto da balística externa. Trata-se aqui do comportamento dum projéctil durante a sua trajectória e o termo refere-se à capacidade que esse projéctil tenha para se manter com uma das extremidades – a ponta – apontada para a frente ao longo dessa trajectória, isto é, para manter aproximadamente constante a sua atitude como corpo fuziforme cujo eixo longitudinal se mantenha aproximadamente coincidente com a tangente a essa trajectória. Esta estabilidade dos projécteis pode ser conseguida por três meios, de tal maneira que é conhecida uma estabilidade aerodinâmica, uma estabilidade giroscópica e uma variante da primeira, a chamada estabilidade por resistência. A estabilidade dos explosivos ou estabilidade química de explosivos é a capacidade de um alto e baixo explosivo ou para se manter inalterado quimicamente durante o seu armazenamento. Três factores extremamente importantes para esta estabilidade são: • A higroscopicidade do explosivo, • A sua tendência para reagir ou não ao contacto com os materiais metálicos ou outros materiais dos invólucros/contentores, • O seu comportamento perante as condições atmosféricas extremas (frio ou calor intensos). Estabilidade da arma – Uma forma de estabilidade do âmbito da Física. No contexto das técnicas de tiro ao alvo, o termo refere-se à faculdade realizada pelo atirador de (quase) imobilizar a linha das miras sobre o alvo. Resulta em parte directamente da estabilidade do atirador, ma este poderá realizar também uma boa contribuição para a estabilidade da arma por um processo de compensação – que através do treino passa a ser realizado subconscientemente – com
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uma sequência de pequenos movimentos da arma, em sentidos contrários aos dos pequenos movimentos do seu corpo. Estabilidade do atirador – Uma forma de estabilidade do âmbito da Física. No contexto das técnicas de tiro ao alvo, o termo refere-se à capacidade, que todo o atirador procura ter, de “parar” o seu corpo numa dada posição de tiro. Isto, assumindo o atirador que essa é a condição necessária e indispensável para obter a desejada estabilidade da arma. Aparte o que os regulamentos dizem sobre “legalidade” das posições, esta estabilidade resulta da satisfação de um dado conjunto de imperativos dos domínios da psicologia e da biomecânica: • Estabilidade emocional, • Condicionamento mental incluindo capacidade de entrega do comando da maior parte das acções ao subconsciente, • Condição física e funcionamento fisiológico, • Colocação adequada dos componentes do esqueleto por forma a diminuir o jogo dos músculos, • Desenvolvimento da capacidade de equilíbrio (do jogo equilibrado dos grupos musculares), • Conforto da posição. Esta estabilidade, se suficientemente desenvolvida, permite ao atirador a calma necessária para se dedicar à apreciação dos outros elementos do tiro, nomeadamente à análise das condições ambientais, aos disparos e em particular às pontarias. Por outro lado, há que ter a noção de que, para além de certo ponto, independentemente de isso não ser sequer possível, não é de facto necessário melhorar a estabilidade do corpo, uma vez que em todas as situações práticas, se trata de atingir uma dada área do alvo com um projéctil que tem uma certa secção recta não desprezável. Estabilidade de uma pólvora – Capacidade de uma pólvora química para resistir à deterioração durante o armazenamento. As pólvoras químicas são produtos quimicamente instáveis que começam a degradar-se a partir do momento em que são fabricados, essa degradação consiste basicamente na libertação de óxidos nitrosos.
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No fabrico das pólvoras químicas (a maioria constituída por ésteres nítricos) é difícil eliminar totalmente os resíduos ácidos (usados no processo de nitração), estes resíduos vão promover a reacção inversa (hidrólise dos ésteres nítricos) da qual resulta a libertação de óxidos nítrico e nitroso, que à medida que se vão formando vão eles próprios catalisar (acelerar) essa mesma reacção, isto é, o envelhecimento das pólvora químicas. Estas pólvoras são sensíveis à acção do calor, luz, humidade, e nos casos de temperaturas elevadas, chegam mesmo a decompor-se com grande rapidez – na ordem de poucos dias ou horas – quando sujeitas aos chamados “castigos térmicos”, em ambientes de temperatura superior a cerca de 50ºC. O processo de degradação é normalmente muito lento às temperaturas de armazenamento normais, razão pela qual a única forma de travar o processo é introduzir como aditivos, estabilizadores que asseguram o prolongamento do tempo de vida útil das pólvoras. Uma forma de avaliar a estabilidade química de uma pólvora é através do doseamento do estabilizador e seus derivados. Estado de choque – Este termo refere-se e significa a condição psico-física altamente desequilibrada a que um animal pode ser levado em virtude de ser sujeito a um grande abalo. No contexto da balística terminal – balística das feridas -, interessa sobretudo ter em conta as seguintes considerações: • No ser humano o estado de choque pode ser causado por ferimentos visíveis ou não, por uma concussão forte ou apenas só pela acção de um grande excesso da estimulação dos sentidos, e traduz-se em perda de forças, sensações de frio e, se não atendido devidamente, em perda de consciência e morte. • Na maioria dos outros vertebrados o estado de choque parece só poder ser induzido por ferimentos graves mas, alguns animais não aparentam nunca quaisquer sintomas de um estado de choque e continuarão a mover-se e a funcionar quase normalmente durante bastante tempo, se não atingidos num órgão vital.
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Em qualquer dos casos em que o estado de choque se fique a dever a um ferimento de projéctil ou estilhaço, a “profundidade” desse estado parece ser não só proporcional à energia cinética que esse objecto perde em contacto com os tecidos vivos – a energia transferida -, mas também inversamente proporcional ao intervalo de tempo em que essa conversão de energia se opera – portanto à potência do fenómeno de “transferência” da energia -. Daqui o emprego extensivo em “caça grossa”, de balas expansivas.

Estrangulamento - Designação de uma redução do calibre/adarme da alma, na zona da boca dos canos, na maioria das armas de caça. O termo mais usado para designar este dispositivo é, no entanto, “choque”. O estrangulamento destina-se a, exercendo um aperto sobre ela, concentrar axialmente a bagada afim de que esta chegue correspondentemente mais concentrada e mais regularmente distribuída às várias distâncias do tiro. O “choque” existe em seis graduações e, na realidade, em vez de a cada uma destas corresponder uma certa medida da boca, a classificação faz-se por um processo empírico. De facto, está convencionado entre fabricantes deste género de armas, classificá-las, durante as suas provas finais, através duma contagem da percentagem do número total de chumbos da bagada que ficam no interior dum círculo de 75 cm de diâmetro, com o centro aproximadamente no PMI, feito o tiro para o alvo onde se desenha esse círculo, a uma distância de 30 metros. A tabela seguinte, foi elaborada segundo estes pressupostos, dandonos conta de um conjunto de dados a ter em conta para uma melhor compreensão entre os referidos diâmetros e a distância relativa:

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20 Choque ⇓ Cilíndric o
Cil. melhora.

75 85 90 97 100 100

Distância em metros 25 30 32 40 45 50 Percentagem de chumbos num círculo de 75 cm 63 53 43 35 28 22 74 80 86 93 100 64 70 76 83 90 53 58 64 70 74 43 48 54 58 62 34 39 43 47 51 27 31 34 38 41

55 18 22 25 27 30 32

¼ Choque ½ Choque ¾ Choque
Full Choque

Estratégia – No contexto da tomada de decisões em teatro de guerra, a estratégia é o factor básico da formulação das decisões – os outros são a táctica e a logística – que diz respeito à necessidade de definir os objectivos das missões. Estrias - São os sulcos, de traçado helicoidal, igualmente espaçados, com um passo uniforme ou progressivamente menor, que se encontram na parte estriada das almas dos canos da maioria das armas de impulso e das armas de propulsão por reacção, e que se destinam a conferir aos projécteis disparados nestas armas, uma estabilidade giroscópica durante as trajectórias. De facto, são as porções da alma que ficam entre as estrias, os chamados salientes das estrias que, ao cortarem as camisas ou as cintas de forçamento dos projécteis, vêm a obrigá-los a adquirir o movimento de rotação necessário a esta estabilidade. Às estrias propriamente ditas, chama-se por vezes cavados das estrias. As estrias são abertas por corte/arrancamento de material ou por impressão/calcamento da superfície das almas qualquer destes processos realizado por meio de tornos especiais, ou por um processo
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de martelagem a frio do cano um “macho” de carboneto de tungsténio colocado interiormente. Expansão – É o processo pelo qual a ponta duma bala expansiva se deforma de uma maneira especial (sendo esmagada expande-se radialmente), ao contacto com os tecidos (macios) dum animal. Este processo tem em vista, é claro, a vantagem da aquisição por parte da bala de uma secção recta muito maior, a fim de, acrescida a superfície frontal que contacta com os tecidos, a transferência da sua energia cinética se fazer muito mais rapidamente – ser maior ou ser mais rapidamente transmitida, a energia transferida -, com vista a conseguir-se realizar um muito maior poder de choque. Dado que se observem as condições seguintes: • que o calibre verdadeiro da bala seja minimamente apropriado ao abate da espécie animal em causa, • que a densidade seccional da bala seja suficiente, • Que a velocidade de impacto seja suficientemente alta para que os fluídos se comportem quase como se tratasse dum choque da bala com um corpo líquido, • que a constituição da ponta da bala seja nem demasiadamente frágil/elástica nem demasiadamente rígida por forma a que ela se deforme mas só até um certo ponto (a dificuldade na concepção destas balas reside precisamente em que, cada espécie animal oferecendo uma resistência diferente à penetração, cada penetração óptima requer uma ponta de uma determinada dureza, • e que, durante a penetração, a bala não se fragmente e perca uma parte substancial da sua massa original, o que faria com que o corpo principal perdesse muita da sua energia e portanto, da sua capacidade de continuar a perfurar, a ponta da bala irá deformar-se, mais ou menos rapidamente, através do rompimento (em sentido longitudinal) de parte dianteira da camisa e da deformação (em sentido radial) da porção subjacente do núcleo. Com isto, a bala toma, mais ou menos, a forma aproximada de um pequeno cogumelo, o que a faz perder densidade seccional e portanto capacidade de penetração mas a sua energia de impacto terá sido
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capaz de a levar a penetrar até à profundidade necessária onde se encontram os órgãos vitais. E, mesmo que a bala não atinja nenhum órgão vital, terá provocado entretanto, provavelmente, um considerável estado de choque. Expansor – Um componente de algumas balas expansivas. Consta de um pequeno acessório, que se instala na ponta da bala e que, no choque com o alvo, actuando por dentro da extremidade posterior do núcleo, tem por função obrigar esta a expandir-se radialmente, tornando mais rápida a expansão da bala. Extracção - É a operação do ciclo de funcionamento dos sistemas de arma em que se usam munições de invólucro metálico, que consiste em retirar da câmara da arma o invólucro da munição anteriormente disparada. A extracção é geralmente operada por um ou mais extractores, embora em certos casos especiais se possa dispensar o emprego destes. É de notar que esta operação se torna mais difícil à medida que, numa sucessão de tiros, os canos vão aquecendo. Razão por que, nalgumas armas automáticas, se usam as chamadas câmaras flutuantes. Extractor - É o componente de um sistema de arma que usa munições de invólucro metálico, que agarrando com uma das suas extremidades a unha ou garra do extractor, numa porção do bocel ou da ranhura de extracção do invólucro, realiza a extracção e que, em colaboração com o ejector, contribui também para a ejecção. A acção do extractor sobre o invólucro tem necessariamente de ser realizada de uma forma especial, primeiramente exercendo pouco força e movendo-o lentamente e depois, quando o invólucro já se encontra solto, agindo, progressivamente, com maior força e velocidade. Existem essencialmente dois tipos de extractores: • Os extractores de acção longitudinal que se montam em culatras que têm um movimento longitudinal e acompanham os movimentos destas culatras. São estes os chamados extractores de arrasto e extractores elásticos,
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Os extractores de alavanca que se montam em culatras de gaveta e culatras pendentes e que funcionam com uma acção de alavanca perto do fim dos movimentos de abertura destas culatras, quando estas actuam no seu braço “longitudinal”. Nalguns casos, estes tipo de extractor realiza também a função de retenção da culatra na posição de “aberta”. Dado que os extractores são componentes sujeitos a enormes esforços e que falham com uma frequência por vezes notável, as falhas de extracção, são razão de uma grande percentagem das falhas de fogo. Face da culatra - É a superfície da extremidade posterior da culatra. Num sistema de arma em que se empregam munições de invólucro metálico, é portanto a superfície onde vão assentar as bases dos invólucros e por onde sai a ponta do percutor quando ocorre a percussão. Na maior parte das armas em que a culatra se movimenta paralelamente ao eixo do cano, é também da face da culatra que se projecta o ejector quando aquela chega à extremidade anterior do seu percurso. Por outro lado, é entre a face da culatra e o ponto da alma onde a munição é impedida de continuar a avançar durante o carregamento, que se mede a folga de carregamento. Falha de fogo – É a falha no funcionamento normal de uma arma de fogo, que se traduz na inesperada não produção do seu disparo. Também designa a falha inesperada no funcionamento de um engenho explosivo, que leva a que não ocorra a sua explosão. Falha de percussão – É a falha de fogo que se traduz no facto do percutor não atingir a escorva da munição ou fazê-lo muito debilmente. Pode ficar a dever-se a falta de força da mola real, ao percutor partido ou desalinhado, ou ainda a falta de lubrificação ou acumulação de detritos no seu alojamento. Fechar a culatra - Esta é uma expressão corrente que pretende significar o fechamento da câmara do cano duma arma pela sua
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culatra. Apesar de constituir um contra-senso, está tão generalizada que não constitui óbice na comunicação verbal e escrita. A operação a que se refere é uma operação secundária do ciclo de funcionamento das armas, que ocorre entre o carregamento e o travamento da culatra e consiste em a face da culatra ficar a tapar a entrada da câmara, ficando pois alinhada com o cano se se tratar duma culatra de gaveta (mais usado em peças de artilharia) ou o mais chagada possível a este alojamento se for uma culatra de movimento longitudinal. Folga do gatilho - É o movimento inicial, relativamente livre, que a cauda do gatilho de um gatilho com folga pode realizar até se atingir o chamado ponto duro, característico do funcionamento desta classe de mecanismos do gatilho. Fragmentação – Este termo tem dois significados muito distintos. Designação do primeiro efeito da detonação do alto explosivo rebentador sobre o corpo e outras partes metálicas do projéctil convencional, bomba ou granada que o transporta. Consiste na fractura desse corpo em partes/fragmentos que se pretende que, pela sua distribuição e energia cinética, tenham a maior capacidade possível de neutralização dos alvos visados. Em geral pretende-se que os fragmentos não tenham uma massa/densidade seccional superior à necessária à neutralização do alvo em causa, a fim de que o seu número seja o maior possível. Para que isso aconteça mais facilmente os corpos dos engenhos são muitas vezes préfragmentados ou constituídos por fragmentos pré-formados. Quando não é este o caso, isto é, quando a fragmentação deva ocorrer aleatoriamente, o tamanho médio dos fragmentos é função: • Da razão entre a espessura das paredes do corpo da carga útil e o diâmetro da carga do rebentador, • Da dureza do material do corpo. Vindo os fragmentos a ser tão menores quanto maior esta dureza, há no entanto que ter em conta que, no caso dos projécteis de artilharia, o endurecimento dos corpos tem limites pois eles têm de resistir sem fracturar às forças de reacção do impulso durante os disparos,
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• Da razão de carregamento, • Das características do alto explosivo. À fragmentação segue-se a propagação da onda de choque que transporta cerca de 60% da energia libertada pelo alto explosivo e a projecção a grande velocidade dos fragmentos – normalmente então designados por estilhaços. A outra designação corresponde a uma das formas por que se pode processar a penetração duma armadura. Esta forma de penetração ocorre quando o material desta é excessivamente rijo e, por falta de elasticidade, simplesmente se parte em bocados, bocados estes que geralmente se comportam depois como projécteis secundários. Franco atirador – Um soldado ou polícia especialmente instruído e treinado para desempenhar a função de, geralmente a partir de uma posição dominante e devidamente dissimulada, usando uma espingarda especial, equipada com uma boa mira telescópica, neutralizar elementos seleccionados das forças inimigas ou civis envolvidos em actividades consideradas altamente perigosas. Fulminante - Uma pequena pastilha de uma mistura explosiva e que se usa em armas de brinquedo para produzir estampidos. A composição destas pastilhas é feita a partir de clorato de potássio e fósforo vermelho, mistura esta que é sensível ao choque. Fuste - Nome da parte posterior da maioria das coronhas das espingardas, a parte que, na configuração convencional destas armas, fica sob o cano, alojando-o e protegendo-o parcialmente e principalmente protegendo a mão do atirador quando - na utilização normal e quando se manipule a arma equipada de baioneta -, geralmente em resultado de uma série grande de disparos, ele é levado a ficar muito quente. Nas espingardas semi-automáticas é praticamente indispensável que o fuste cubra também a parte superior do cano, com a finalidade dupla de proteger a mão do utilizador contra o aquecimento referido e para evitar que o ar aquecido pelo cano se eleve através da linha de
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mira o que afectaria seriamente, as pontarias pela criação de miragens. Gatilho - O termo que, a maior parte das vezes, se usa para designar o mecanismo do gatilho. Designação comum do componente dum mecanismo do gatilho que, verdadeiramente, se chama cauda do gatilho, onde se actua com o dedo indicador, para efectuar os disparos. Gatilho de acção directa – Designação genérica dos mecanismos do gatilho em que a actuação na cauda do gatilho conduz directamente a uma actuação no armador com vista a que este liberte o percutor ou o cão, para que se realize o disparo. A grande maioria dos gatilhos são deste tipo. Gatilho de acção indirecta – Designação genérica dos mecanismos do gatilho, muitas vezes, mas impropriamente, chamados “gatilhos de cabelo”, que incluem um mecanismo de armas normal e um mecanismo de armar adicional. O conjunto destes dois mecanismos é constituído pelas seguintes peças: • Um armador normal, • A mola deste armador, • Uma peça que vai funcionar como um martelo, • Uma mola que serve para impulsionar este martelo e que é bastante mais fraca que a mola real, • Um segundo armador (que às vezes faz parte da própria cauda do gatilho do mecanismo e não é o armador do verdadeiro mecanismo de armar), • Uma alavanca. Depois da arma carregada, o que geralmente compreende também a operação de armar do verdadeiro mecanismo de armar, a referida “alavanca” é actuada o que faz com que o “martelo”, comprimindo a “mola”, vá ficar retido no “armador” secundário do mecanismo acessório. Isto faz com que a arma fique pronta para o disparo. Após isto, uma – geralmente ligeira – actuação na cauda do gatilho, faz
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com que o segundo armador liberte o martelo, e é a pancada que este vai dar no armador principal do gatilho que vai fazer com que este liberte o percutor ou cão. Este género de mecanismo oferece a vantagem de, não estando o armador secundário sujeito à tensão imposta pela mola real, a sua movimentação pela cauda do gatilho pode ser feita através de uma pressão muito ligeira sobre esta. Daqui o termo “gatilho de cabelo” que pretende significar um peso do gatilho quase insignificante, mais fácil de exercer. Tem no entanto o inconveniente de tornar a duração do fechamento (embora ligeiramente) maior. É o género de gatilho mais usado em pistolas livres com gatilhos mecânicos mas, para além de o seu uso ser proibido na maioria das outras disciplinas patrocinadas pela I.S.S.F., há que ter em conta que, devido precisamente à referida facilidade com que ele se presta a realizar os disparos, é também o que melhor se presta à ocorrência de acidentes, que podem ser muito perigosos. Além disto, há que considerar que o abuso da referida propriedade deste género de gatilho, no respeitante ao uso de pesos de gatilho extremamente pequenos é geralmente contraproducente, na medida em que isto poderá gerar algum receio – e gera sempre quando o atirador fica sujeito a alguma tensão emocional – de que a arma se dispare prematuramente e isto constituirá certamente uma inibição altamente indesejável. Gatilho deslizante – Um mecanismo do gatilho da classe gatilho de acção directa que se emprega em muitas espingardas e pistolas, embora raramente em armas destas destinadas a tiro ao alvo. Caracteriza-se por proporcionar os disparos através de um movimento relativamente longa da cauda do gatilho, havendo que vencer uma resistência quase constante ao longo de todo este movimento desde o início e até ao ponto de desenlace. Quanto ao seu emprego em armas de tiro ao alvo, este género de gatilho não oferece qualquer vantagem nas disciplinas de precisão pura, mas tem sido usado com bastante sucesso na disciplina de “tiro rápido” com pistola, conhecida entre nós por Velocidade Olímpica.
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Gatilho com dupla folga – Uma espécie de gatilho com folga mas em que o movimento da cauda do gatilho se divide em três fases intercaladas por dois pontos duras. Com esta disposição, a resistência a vencer depois do segundo ponto duro pode ser bastante reduzida o que pode facilitar a fase final dos disparos. Este género de gatilho, de concepção bastante recente, foi desenhado especialmente para utilização em pistolas de grosso calibre e pistolas sport usadas nas disciplinas em que se faz tiro de velocidade. Aqui, apesar de requerer uma técnica especial de disparo, tem tido bastante sucesso. Gatilho eléctrico – Designação genérica dos mecanismos do gatilho em que a acção mecânica do disparo decorre dum estabelecimento ou corte de corrente eléctrica realizado pela actuação na cauda do gatilho, que se vai reflectir numa actuação mecânica no armador, actuação esta geralmente realizada por um solenóide. Usado em armas de tiro ao alvo, este género de gatilho presta-se a uma grande regularidade no peso do gatilho, uma vez que a resistência do mecanismo é independente da força exercida pela mola real no armador, sendo essa precisamente a grande vantagem deste género de mecanismo. Gatilho com folga (ou gatilho de dois estágios) – Uma espécie de gatilho de acção directa que se caracteriza por o movimento da cauda do gatilho se processar em duas fases. De início, com uma pressão relativamente ligeira, a cauda é levada a mover-se até se encontrar uma resistência nítida, um ponto duro. A segunda fase consiste em, através dum aumento da força sobre a cauda e sem que se sinta que esta se movimenta, vindo esta força a ultrapassar o peso do gatilho, dar lugar a que o disparo propriamente dito ocorra. A força necessária para atingir o ponto duro – o chamado “peso da folga” – não deve ser excessiva, de tal forma que a força complementar para atingir o ponto de desenlace seja ainda uma percentagem considerável do valor total do peso do gatilho. De contrário, o atirador terá receio de que ocorram – e ocorrerão –
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disparos inopinados e isso constituirá uma inibição altamente indesejável. Uma noção muito importante a reter, é que, num gatilho deste género que se encontre bem afinado, qualquer movimento sensível da cauda a partir deste ponto duro deve provocar o disparo. De modo que na segunda fase o mecanismo deve funcionar apenas por aumento da força sobre a cauda mas sem que esta dê qualquer “sinal” de movimento. Gatilho sem folga – Um género de mecanismo de gatilho de acção directa que deve funcionar em tudo exactamente da mesma maneira exigida a um gatilho com folga, com a excepção de que nele não existe a primeira fase de movimento quase livre, encontrando-se o ponto duro logo no início da actuação do dedo sobre a cauda do gatilho. Nos gatilhos das armas em que se encontra estabelecido um valor mínimo do peso do gatilho, esta configuração do mecanismo, tem comparativamente com o gatilho com folga a desvantagem de que não é possível retirar uma parte da resistência a vencer, sem que se faça uma espécie de “preparação do gatilho”. Granada - Designação genérica de qualquer engenho não guiado engenho balístico que contenha uma carga dum material explosivo, incendiário, iluminante, fumígeno, agente químico ou agente biológico. No contexto da artilharia, o mesmo que projéctil convencional de artilharia. Granada defensiva - Designação genérica das granadas de mão que libertam um certo número de estilhaços relativamente grandes - com uma densidade seccional relativamente grande - à volta do ponto de rebentamento, com o que podem produzir raios letais consideráveis. O adjectivo “defensiva” deve-se a que, dado que a maior densidade destes estilhaços lhes confere um alcance grande, estes engenhos só podem ser empregues com segurança a partir de posições abrigadas/defensivas.
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Granada de mão – Uma pequena granada que se destina a ser projectada à força de braço. As granadas de mão classificam-se em granadas defensivas, ofensivas e polivalentes mas, em qualquer dos casos, a maioria usa uma espoleta bouchon. Pelo recurso a adaptadores de granada, empregam-se algumas granadas de mão como granadas de espingarda. Granada ofensiva – Uma granada de mão cujos efeitos da onda de choque - uma concussão - e dos poucos e pequenos estilhaços que produz, se manifestam apenas num raio muito inferior à distância a que pode ser lançada. O termo “ofensiva” deve-se a que este género de engenho pode ser usado em movimento, a descoberto, sem que o utilizador tenha de dispor de uma posição “defensiva”, para se abrigar dos seus efeitos. Granada polivalente – Uma granada de mão que, conforme lhe seja ou não instalada uma manga de fragmentação, se presta a ser usada respectivamente como granada defensiva ou como granada ofensiva. Guarda-mão - Revestimento de madeira, metálico ou plástico, mais ou menos longo, que cobre o cano das espingardas e que tem por fim proteger a mão do atirador do contacto com o cano aquecido e o cano contra os choques exteriores. Guarda-mato – O componente da maioria das armas portáteis que consiste de um meio arco geralmente feito de metal que se situa à frente e por baixo da cauda do gatilho e que serve para evitar que uma acção inadvertida de objectos estranhos sobre esta, possa ocasionar disparos indesejáveis, que seriam quase sempre perigosos. Ignição (ou inflamação) - A ignição é uma transição de um estado não reactivo a um estado reactivo em que a ocorrência de uma estímulo externo leva a um desenvolvimento termoquímico seguido de uma transição muito rápida que termina numa combustão auto-sustentada. A ignição é “conceptualmente” transitória, e
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normalmente iniciada por processos de aquecimento igualmente transitórios. Há várias formas de atingir a ignição, podendo os estímulos externos ser classificados em três categorias: 1. Estímulo térmico, através de transferência de energia térmica para os reagentes por condução, convecção ou radiação (ou qualquer combinação destes modos básicos de transferência de calor), 2. Estímulo químico, por introdução de agentes reactivos, 3. Estímulo mecânico, que pode ser por impacto mecânico, fricção ou onda de choque. Em qualquer dos casos há três condições a satisfazer: • A temperatura, deve ser suficientemente alta para provocar reacções químicas significativas e/ou pirólise, • O tempo, deve ser suficientemente prolongado para permitir que o calor introduzido seja absorvido pelos reagentes permitindo a ocorrência do processo termoquímico, • A turbulência, deve ser suficientemente alta para permitir que haja uma boa mistura entre combustível e oxidante e que o calor possa ser transferido do meio em reacção para o meio que ainda não reagiu. Muitos são os parâmetros que podem afectar a ignição: composição da mistura, pressão, velocidade de pressurização, duração do aquecimento, energia total adicionada ao sistema, concentração de oxidante no ambiente, velocidade da corrente convectiva, escala e intensidade de turbulência, propriedades térmicas e de transporte do material que está a ser aquecido, catalisadores, inibidores, etc. O processo de ignição depende ainda da geometria e composição do ambiente na vizinhança e das condições operatórias. No âmbito do emprego de explosivos e pirotécnicos, é através da ignição que se dá inicio ao funcionamento normal de um dos seguintes sub-sistemas: • Da cadeia explosiva de ignição de uma munição de grande calibre. Nas munições de artilharia, munições de sistemas de propulsão por reacção e nas granadas-foguete, a ignição da carga
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• •

principal, consegue-se pela acção combinada das escorvas com a dos ignidores a elas associados nestas munições, Duma carga principal da pólvora de uma munição de espingarda, munição de pistola ou das munições de outros sistemas de arma de calibres pequenos, em que a ignição é feita directamente pela escorva, Da cadeia explosiva de um detonador pirotécnico, De um detonador eléctrico, em que verdadeiramente a passagem de corrente o que faz é provocar o aquecimento de uma pequena porção de fósforo que por sua vez vai fazer a ignição, por produção de chama, duma “pastilha” de alto explosivo primário.

Ignidor - O componente do cartucho da munição de artilharia, cartucho da munição de propulsão por reacção ou motor de foguete que, dado que a carga principal do propulsante tenha mais de cerca de 30 gramas, não podendo por isso a sua ignição decorrer directamente da actuação da escorva, tem por função amplificar a energia térmica emitida por esta, com vista a produzir da forma mais eficaz a iniciação destes dispositivos. Nas munições de invólucro metálico, consiste numa porção de tubo com muitas perfurações laterais que é cheio, na maioria dos casos, com pólvora negra, fixado à extremidade posterior da escorva. Nas munições de invólucro combustível, tem a constituição de um pequeno saco de tecido, preenchido com material explosivo idêntico. No seu funcionamento, o explosivo do ignidor projecta gases à sua temperatura de queima, gases que envolvem uma grande quantidade de partículas incandescentes (a pólvora negra é um excelente produtor destas partículas), os melhores meios para desenvolver no interior do invólucro, câmara ou motor, as condições óptimas para a ignição da carga principal, isto é, ignições rápidas e em toda a superfície de todos os grãos. A duração do funcionamento destes ignidores é da ordem das dezenas de milisegundo. É a queima da pólvora negra do ignidor que é responsável pelo aparecimento da maior parte dos fumos à boca nos sistemas de arma em que as munições empregam ignidores.
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Um dispositivo pirotécnico explosivo ou electro-pirotécnicoexplosivo que serve para produzir a chama necessária à iniciação de um detonador. Introdução - Designação dada á operação da alimentação de uma arma de fogo que consiste em alojar o cartucho na câmara. Invólucro - É o componente da maioria das munições cuja função primária é a de servir de embalagem/contentor da carga de propulsante do cartucho. Tratando-se do chamado invólucro metálico, é constituído por uma caixa aproximadamente cilíndrica de metal, plástico ou cartão, fechada num dos extremos (a base do invólucro) e aberta no outro (a boca do invólucro). Tratando-se do invólucro metálico, cabe-lhe igualmente, as funções de alojar a escorva (na base) e o ignidor e de, no disparo, realizar a obturação para trás, dos gases produzidos pelo propulsante. Cabe-lhe ainda, nas munições de carga unida, alojar e fixar o projéctil na boca e fazer a centragem do projéctil no início do estriamento da alma do cano. Tratando-se dum invólucro combustível, é formado por um ou mais simples sacos de tecido, sacos esses que são consumidos aquando da queima da carga. Invólucro combustível – Designação genérica dos invólucros constituídos por simples sacos de tecido ou cartão, que vêm a ser consumidos durante a queima das cargas dos propulsantes. Este tipo usa-se geralmente em munições – necessariamente munições de carga separada de peças de artilharia – de grande calibre, para facilitar o seu transporte e carregamento. No ciclo de funcionamento dos sistemas de arma que empregam estas munições, não se opera, como é óbvio, nem extracção nem ejecção mas, em compensação, não se pode colher o benefício de uma obturação muito simplificada, a chamada obturação por expansão. Também é habitualmente aplicável aos invólucros fabricados com aglomerados à base de nitrocelulose, que exibem a particularidade de
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o material do próprio invólucro contribuir para o desempenho balístico da munição. Invólucro metálico – Designação geral de todos os invólucros constituídos essencialmente por um recipiente aproximadamente cilíndrico, rígido, feito de metal relativamente macio (latão ou aço), plástico ou cartão, onde se alojam os outros componentes do cartucho. Este tipo de invólucro serve ainda para realizar da forma mais simples e perfeita a obturação dos gases do propulsante, obturação que neste caso se designa por obturação por expansão. O invólucro metálico pode ser do género invólucro com bocel, invólucro com ranhura de extracção ou invólucro cintado e pode ou não ter um colo. A dureza do material dos invólucros é um factor crítico para o bom funcionamento do sistema de arma, uma vez que se o material for muito macio ocorrerão dificuldades na extracção e se for muito duro os invólucros poderão fracturar-se comprometendo a obturação. Note-se ainda, a propósito de dureza, que os invólucros são geralmente objecto dum tratamento térmico a fim de que as suas bases fiquem mais duras do que as partes centrais e estas mais duras do que os colos. Os invólucros metálicos têm de ser fabricados segundo tolerâncias bastante pequenas, afim de se assegurar a facilidade de carregamento e a regularidade dos seus posicionamentos nas câmaras, condição essencial para o bom funcionamento das escorvas. Íris – Um dispositivo que serve para controlar a quantidade de luz a admitir pela vista ou por um equipamento óptico – por exemplo um dióptero -. Consta, essencialmente, de um conjunto de “pétalas” de metal ou plástico duro dispostas circularmente à volta de uma abertura e de tal maneira montadas que a rotação de um manípulo faz com que elas, movendo-se, se aproximem mais ou menos do centro, de tal forma que o seu conjunto deixe ficar um orifício menor ou maior no centro da referida abertura, única zona por onde a luz poderá passar.
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As íris são muitas vezes usadas com a finalidade de aumentar a profundidade de campo das imagens captadas. I.S.S.F. – Sigla de International Sport Shooting Federation, em português, Federação Internacional de Tiro Desportivo. É a organização que superintende, regulamenta e promove a prática do tiro desportivo de competição, nas várias modalidades de tiro ao alvo com armas de bala e com armas de pressão de ar, tiro com arcos e bestas e tiro a pratos, ao mais alto nível internacional. Nela se encontram filiadas as Federações de Tiro da maioria dos países. Na Commonwealth e nos EUA – aqui a American Rifle Association – funcionam porém organizações de grande dimensão e vastos meios, que são independentes dela e que, com regulamentações próprias, organizam também os seus calendários de actividades. Janela de ejecção - Uma abertura lateral de muitas caixas da culatra, destinada à ejecção dos invólucros metálicos das munições já usadas. Dado que quaisquer sujidades que entrem por esta abertura poderiam às vezes facilmente ocasionar falhas de fogo, algumas armas de guerra dispõem de uma provisão pela qual a janela de ejecção só é aberta no momento da ejecção. Kevlar – Uma fibra sintética altamente resistente que é usada no fabrico de telas concebias para, em conjunto com resinas epóxidas, serem empregues no fabrico de placas a utilizar como armaduras e coletes pára-balas. O Kevlar distingue-se pela sua elevada resistência à temperatura e extraordinária resistência mecânica (5 vezes superior à do aço), e é mais resistente à abrasão que outras fibras análogas (à base de carbono, boro, silício ou óxido de alumínio). Esta classe especial de poliamidas aromáticas decompõem a temperaturas acima dos 400º C e a sua densidade é de 1.44 g/cm3. Lábios (dum carregador ou dum tambor) - São os lados da abertura do corpo dum carregador ou tambor, por onde é feito o seu municiamento e onde fica retida a última munição a ser introduzida
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nele, munição esta que é, obviamente, a primeira a passar para a câmara no carregamento da arma. A abertura referida é a boca do carregador ou boca do tambor. São estas as partes mais delicadas dos carregadores e tambores - de facto, das respectivas armas - e a sua má manutenção conduz, quase invariavelmente, à ocorrência de repetidas falhas de fogo. Lançador de granadas – Uma arma portátil de carregar pela culatra que utiliza uma munição que é constituída por um cartucho e por uma granada de fragmentação (anti-pessoal) ou por uma carga de um pirotécnico. Possivelmente, sistema mais antigo deste tipo é o conhecido M79 (EUA) de calibre 40 mm (40x53). Pode também designar uma pequena arma de fogo sem coronha e sem punho que se aplica, como acessório, sob o cano duma espingarda ou carabina e em que se usa também uma munição semelhante às acima referidas. Exemplos destes são os sistemas XM 148 (EUA) e M203 (EUA) que usam ambos a referida munição de 40 mm. Pode ainda designar um sistema de arma automática que usa uma munição igual ou semelhante às dos casos anteriores. São bastante conhecidos os sistemas Mk 19 Mod 3 (EUA) de 40 mm e o AGS-17 (ex-URSS) de 30 mm. Lançador de granadas anti-motim – Uma espécie de lançador de granadas destinado a forças de manutenção da ordem pública mas que se destina essencialmente a permitir a projecção a distâncias consideráveis de balas de borracha e de granadas de gases lacrimogéneos e/ou irritantes. Laser – Este termo constitui a sigla de “Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation”, que significa “amplificação de luz por emissão estimulada de radiação”. Consiste num dispositivo cujo princípio de funcionamento se baseia na amplificação de ondas electromagnéticas, gerando um raio (laser) de luz visível ou invisível, radiação essa que é coerente. Radiação coerente caracteriza-se por ser um grupo de ondas (ou fotões) em fase. A radiação coerente tem
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a característica de ser pouco difractada (é muito direccional) e pode transportar grandes quantidades de energia (e/ou de informação) a grandes distâncias. Militarmente, os lasers têm várias aplicações, como sejam a medição de distâncias e o controlo/guiamento de mísseis. Com o processamento da emissão e recepção de impulsos desse raio de luz, é também possível efectuar a medição de distâncias e velocidades de alvos. Na medição de distâncias, em que é feita a medição, por meio de circuitos electrónicos, do intervalo de empo entre o instante em que é enviado um curtíssimo impulso (aproximadamente 5 x 10-8 segundos de duração) de radiação e o instante em que o seu eco é recebido, os lasers revelam-se equipamentos de dimensões diminutas e portanto muito fáceis de instalar e transportar. Na medição de velocidades de alvos, são feitas, pelo mesmo processo, várias medições de distâncias em rápida sequência e as velocidades são calculadas por tratamento destas medições em calculadores. Merece referência que, dada a não divergência dos raios de luz e duração mínima dos impulsos, a detecção da localização do utilizador dum laser por parte do inimigo, é quase impossível. Actualmente, é também já mais que uma mera possibilidade o emprego de lasers como armas de defesa e ataque. Linha dos alvos - Um termo do tiro ao alvo. Designa a linha aproximadamente recta que passa pelos planos das visuais dos alvos, numa dada carreira de tiro. Quando esta linha é fixa, é a partir dela que se mede a distância a que há-de ficar a linha de tiro. Nas carreiras de tiro em que esta é fixa previamente, é a linha dos alvos que vem a ser marcada posteriormente. Linha de mira - No contexto do tiro de precisão/tiro ao alvo, é a linha que une o olho do atirador ao ponto visado do alvo, ou seja, aproximadamente ao centro da zona de pontaria. Neste contexto e no plano teórico, a pontaria correcta e exacta de uma arma, consta de fazer coincidir a linha das miras com a linha de mira.
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Em tiro directo de artilharia, é a linha que une o sensor do sistema de seguimento de alvos, a um dado alvo. Em tiro indirecto de artilharia, é a linha que une o dito sensor a um ponto auxiliar que serve de referência à pontaria. Linha das miras – No contexto do tiro de precisão/tiro ao alvo com armas equipadas com miras metálicas, a linha das miras define-se como o segmento de recta que passa pelos “centros” da alça e do ponto de mira, a partir desta definição, pode dizer-se que a anulação do erro angular de pontaria, consiste simplesmente no “alinhamento” da linha das miras com o olho do atirador. Pode-se também dizer que a pontaria correcta e exacta de uma arma, consta de fazer coincidir a linha das miras com a linha de mira. Linha de pontaria - No contexto do tiro de precisão/tiro ao alvo, por definição, a linha de pontaria é a linha que constitui o prolongamento da linha das miras em direcção ao alvo, quando se aponta a arma. Na realidade, nunca o atirador aponta a um ponto do alvo mas sim a uma “zona”, uma zona de pontaria, maior ou menor conforme a sua preparação física e mental. No plano teórico, a pontaria correcta e exacta de uma arma, consta de fazer coincidir a linha das miras com a linha de mira. Para o atirador apenas iniciado - o “novato” -, a pontaria consistiria em estabelecer uma linha que iria unir 4 pontos: o olho do atirador, o “centro” da abertura da alça, o “centro” do ponto de mira e o centro da zona de pontaria. É sabido entretanto que, na prática, um ou mais destes pontos se encontrariam sempre fora desta linha, sendo por isso necessário saber identificar quais destes desvios são aceitáveis - os que constituem erros de translação - e quais os que conduzem a grandes desvios dos impactos - os que constituem erros angulares -. De facto, para efeitos do tiro feito com pistolas e espingardas, quando equipadas com miras metálicas, há que ter primeiramente em conta que o olho funciona (à semelhança duma máquina fotográfica), condicionado pelo facto de que lhe é impossível acomodar-se/focar/ver distintamente, simultaneamente, dois ou mais pontos situados a distâncias bastante diferentes. Não podendo o olho
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ver com clareza, ao perto, as duas miras metálicas e, ao longe, o alvo. Na prática a materialização perfeita desta linha - e o referido alinhamento de quatro pontos -, é impossível. Daqui que o atirador devidamente preparado tenha sempre em mente a necessidade de usar a sua visão, acomodando-a por forma a alinhar sobretudo três pontos: o olho, o centro da alça e o centro do ponto de mira, com vista a evitar os referidos erros angulares. Por último, refira-se que a direcção da linha de pontaria no instante do disparo, não determina por si só o ponto de impacto no alvo. Isto porque é inevitável que o cano se movimente enquanto o projéctil se move dentro dele, sendo o ponto de impacto determinado sim pela posição desta linha no momento em que o projéctil sai da boca do cano. De tal modo que, para se garantir uma boa consistência do tiro, há que providenciar para que o referido movimento - a composição do recuo mais o salto da arma - seja sempre o mesmo, de disparo para disparo. Linha de tiro - No contexto da balística externa, é a linha que coincide com o eixo do cano da arma antes do disparo. Em termos da linguagem do tiro ao alvo, é: • O espaço com medidas delimitadas pelos regulamentos e geralmente numerado - designa-se abreviadamente por “linha número N” - de que um atirador dispõe para atirar para o alvo com o número correspondente, que lhe é atribuído geralmente por sorteio, • A linha marcada no solo, paralela e a uma distância exacta da linha dos alvos determinada pelo regulamento da prova, que o atirador não pode ultrapassar nem sequer pisar durante a realização das séries de disparos. Logística – No contexto da tomada de decisões em teatro de guerra, a logística é um dos factores básicos – os outros são a estratégia e a táctica – da formulação dessas decisões. Diz respeito à necessidade de, para se atingir os objectivos definidos, proporcionar no lugar próprio e na altura necessária, todos os meios indispensáveis,
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nomeadamente no respeitante a pessoal, abastecimentos, manutenção de equipamentos, transportes e construções. Lote - Uma certa quantidade - geralmente a produção de um dia de uma dada máquina ou de uma certa quantidade fixa -, de um dado produto fabricado em série, como por exemplo munições. Os artigos individuais de um lote têm características mais uniformes entre si, ao ponto de assegurarem um comportamento bastante constante das suas unidades. Cada lote de munições deve ser quantificado por um número de mérito e é identificado por um número de código. Manga de arrefecimento - Uma manga que reveste os canos de certas peças de artilharia e metralhadoras e que se destina a ser preenchida por um líquido circulante, de tal forma que a absorção de calor por parte deste permita um muito melhor arrefecimento dos ditos. Isto permite que essas armas possam operar com ritmos de fogo e sustentar volumes de fogo maiores. Manga de fragmentação – Uma manga de metal pré-fragmentado ou uma manga de plástico contendo fragmentos de metal, que serve para revestir os corpos de certos projécteis/granadas, a fim de lhes conferir uma grande capacidade de produção de estilhaços efectivos. Usa-se por exemplo como acessório em certas granadas ofensivas, a fim de as converter em granadas defensivas. Manual - Livro portátil que contém o resumo de um ou de vários assuntos, a maior parte das vezes de caracter técnico. Manutenção - É o conjunto das acções administrativas e técnicas que permitem conservar e até eventualmente melhorar o estado de funcionamento dos subsistemas de um dado sistema de arma, com vista a assegurar o mais elevado grau da sua disponibilidade operacional. A manutenção pode intervir segundo vários âmbitos e processos, que se classificam como segue:
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• Manutenção Correctiva que intervém apenas para reparar avarias.

Este processo é o que, relativamente, dificulta mais o papel da logística e pode impor graves limitações operacionais, • Manutenção Preventiva Sistemática, que, a partir de um planeamento e de um critério sobre número de horas ou ciclos de funcionamento - por exemplo, de tiros - define todos os equipamentos ou peças a substituir. Este é o processo mais dispendioso mas, além de facilitar a tarefa logística, torna-se indispensável nos casos em que - como em aéreos e submarinos -, as avarias podem ocasionar riscos demasiado elevados, • Manutenção Preventiva Condicionada, em que as intervenções deverão ocorrer antes das avarias mas logo que sejam detectados certos valores fora do aceitável, em parâmetros previamente seleccionados. Esta é uma solução muito mais económica que a anterior mas que requer um trabalho de base mais extenso, • Manutenção Preditiva, que se baseia num acompanhamento sistemático da condição dos equipamentos, verificando desgastes, deteriorações, aquecimentos, vibrações, ruído, consumos, etc., para, através de um critério previamente estabelecido, proceder a reparações apenas imediatamente antes da provável ocorrência de avarias. Este processo, pelo enorme número de dados a processar constantemente, requer a utilização de programas informáticos especiais mas é provavelmente o que assegura a melhor economia e a maior disponibilidade operacional dos subsistemas e equipamentos. Mecanismo de armar – Nos sistemas de arma em que a ignição do cartucho é feita por percussão – isto é, na grande maioria das armas de fogo -, o mecanismo de armar é o mecanismo que serve a função de reter o mecanismo de percussão na posição de armado até que a acção do mecanismo do gatilho o faça libertar o percutor – ou o cão – para que este, sob a acção da mola real, realize a sua função no disparo.

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Compreende sempre um armador, que é geralmente accionado no acto de armas pela resistência de uma mola própria e no acto de desarmar pelo mecanismo do gatilho. Mecanismo do gatilho (ou mecanismo de desarmar ou mecanismo de disparar) - Por vezes designado simplesmente por gatilho, é o mecanismo duma arma de fogo que, actuando no mecanismo de armar, tem por função dar início à primeira fase - a fase puramente mecânica – do seu disparo. Nas armas automáticas, cumpre as funções adicionais de as manter a disparar durante as rajadas e de as interromper quando tal seja pretendido. Na maioria das armas, estando a arma já carregada e a culatra já travada, o mecanismo do gatilho actua no mecanismo de armar e este no mecanismo de percussão. Porém, nas armas que funcionam segundo a especificação de câmara aberta, o mecanismo do gatilho efectua o disparo através da libertação da culatra que se encontra no início recuada na caixa da culatra, estando a comprimir a mola recuperadora. Neste caso, quando a culatra é libertada, avança, retira uma munição do carregador, tambor ou fita e faz o carregamento, assim dando início ao seu ciclo de funcionamento. A segunda função essencial destes mecanismos é a de contribuir em grande parte para a segurança de manipulação da arma, garantindo praticamente que, em nenhuma condição, a arma se dispare inopinadamente. Isto é conseguido na maioria das armas à custa de construir os gatilhos por forma a que o peso do gatilho seja considerável, isto é, por forma a que, para realizar os disparos, seja necessário aplicar uma pressão considerável na cauda do gatilho. Contudo, no caso das armas para tiro de precisão, esta forma de implementar a segurança de utilização teria inconvenientes graves para a exploração do objectivo principal da utilização destas armas. Com efeito, nestas armas, em que ao utilizador compete simultaneamente as funções de, com grande precisão e sincronização de movimentos, apontar e disparar, a função primeira dum mecanismo do gatilho consiste em permitir que ao atirador se torne o mais fácil possível, de uma forma altamente sincronizada, encadear estas duas acções.
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Ainda é mais assim no caso das armas de tiro ao alvo de competição, em que dada a enorme importância que a acção de disparar tem para a precisão e consistência do tiro, os mecanismos do gatilho têm de embora sem compromisso excessivo da segurança -, tornar o mais fácil possível a actuação do atirador. Estes mecanismos, para além de serem sempre mecanismos de grande precisão que permitem uma enorme regularidade do funcionamento e que incluem a possibilidade de ajustar as amplitudes dos movimentos da cauda do gatilho e as forças que lhe há que aplicar, para realizar os disparos, devem funcionar com actuações cujos “pesos” sejam os menores possíveis. A segurança aqui é suposta depender da proficiência e experiência dos utilizadores e é verdadeiramente uma imprudência deixar que um principiante utilize uma arma destas sem supervisão. O mecanismo do gatilho é geralmente um dispositivo inteiramente mecânico mas, nalgumas das armas de precisão, pelas razões referidas, emprega-se mecanismos electromecânicos, estes funcionando por corte ou estabelecimento duma corrente eléctrica, realizada num dado componente que pode ser simplesmente um pequeno platinado ou, mais elaboradamente, um sensor/transdutor óptico ou magnético. Conforme a sua constituição interna e forma de funcionar há essencialmente duas configurações de mecanismos: • A dos gatilhos designados por gatilhos de acção directa, em que a actuação da cauda do gatilho origina uma acção directa no componente - o armador - que faz a retenção do cão ou percutor, • A dos gatilhos de acção indirecta, por vezes chamados “gatilhos de cabelo”, em que a actuação na cauda conduz à libertação de uma peça que funciona como um martelo que se abate sobre o armador, fazendo-o libertar o cão ou o percutor. Estes gatilhos indirectos, têm a vantagem de permitir a utilização de pesos do gatilho da ordem de apenas poucas gramas mas com a desvantagem técnica de serem causa de tempos de fechamento ligeiramente maiores.

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Ainda no que diz respeito principalmente às armas usadas em tiro de precisão, usam-se vários géneros de gatilho, conforme os movimentos que a cauda do gatilho tem de realizar: • Os gatilhos sem folga, em que durante o disparo não há praticamente nenhum movimento da cauda e em que o disparo se dá a partir de um determinado nível da pressão aplicada nesta, • Os gatilhos com folga (ou de dois tempos), em que após o movimento correspondente a uma “folga”, se encontra um ponto duro, após o qual o gatilho funciona como o gatilho sem folga, acima referido. Este género de gatilho é o que oferece o maior número de vantagens e o que, desde que funcione sem arrastamentos, se revela o mais eficaz, sendo por isso, de longe, o mais usado, • Os gatilhos com dupla folga em que os dois primeiros movimentos da cauda servem apenas para tirar a maior parte do peso do gatilho, • Os gatilhos deslizantes, em que aparentemente sempre com a mesma pressão, a cauda do gatilho se move até um ponto que, sem qualquer aviso, se dá o disparo. Mecanismo de percussão - Nos sistemas de arma em que a ignição do cartucho da munição se faz por meio duma escorva de percussão, é o mecanismo que realiza a percussão da escorva. Existem duas espécies de mecanismos de percussão: • Os puramente mecânicos, constituídos essencialmente por um percutor ou cão e por uma mola real, em que o percutor ou cão actuam quando “autorizados” por um mecanismo de armar, • Os electromecânicos constituídos essencialmente por um electroíman cujo núcleo é o próprio percutor ou cão e que actuam quando o mecanismo do gatilho, que é um circuito eléctrico ou electrónico, faz passar uma corrente pela bobina do electroíman, fazendo com que o campo magnético criado por esta faça o núcleo ter um movimento brusco, com energia cinética suficiente para efectuar a percussão.

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Mecanismo de recuperação - É o mecanismo de uma peça de artilharia que, terminado o recuo que ocorre durante um disparo, reconduz as partes recuantes da peça à sua posição inicial. Nas armas automáticas e nas armas semiautomáticas, o mecanismo de recuperação, nesta sua actuação, vai também accionar o dispositivo de carregamento, o mecanismo de percussão e o mecanismo de armar, em preparação para o disparo seguinte. Em qualquer dos casos, estes mecanismos funcionam com base numa mola ou num órgão pneumático onde se comprime ar ou outro gás durante o recuo. Mecanismo de segurança (ou sistema de segurança) - É o mecanismo duma arma de fogo que permite seleccionar entre a inibição total do funcionamento do mecanismo de percussão e/ou do mecanismo do gatilho e os outros estados de possível funcionamento da arma (tiro semiautomático, tiro automático, tiro em seco, etc.). É portanto o mecanismo da arma que permite escolher entre as seguintes condições dessa arma: • Uma posição de segurança, em que a arma fica impedida de realizar disparos, • Nas armas de carregar pela culatra e nas armas de repetição, uma posição em que a arma pode disparar, • Nas armas que podem funcionar selectivamente em tiro automático e tiro semi-automático, uma terceira posição - a de “disparo simples” -, em que a arma só pode realizar um tiro de cada vez, • Nalgumas armas que podem realizar tiro automático, uma posição em que a arma pode fazer rajadas ”controladas” de um número limitado de disparos, • Nas armas automáticas, uma posição em que a arma pode realizar tiro em rajadas. Mesa do elevador - Nas armas de repetição com um depósito aproximadamente rectangular sob a caixa da culatra, é a placa onde as munições ficam apoiadas e que, por acção de uma mola, a mola do elevador, as impulsiona em direcção à caixa da culatra.
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Nas armas em que o municiamento é feito por um carregador tambor, é o componente destes que, impulsionado igualmente por uma mola do elevador, empurra as munições em direcção à boca onde, antes do carregamento, a primeira delas fica retida nos lábios. Em qualquer dos casos, o conjunto da mesa do elevador com a mola do elevador, chama-se o elevador. Metralhadora - Designação genérica das armas automáticas - das classes das armas ligeiras e armas pesadas que não trabalhem com um freio de amortecimento -, de calibre até .50” (12.7mm), concebidas para serem capazes de sustentar, prolongadamente, ritmos de fogo elevados. As metralhadoras classificam-se em metralhadoras pesadas (HMG), metralhadoras médias (MMG), metralhadora ligeira (LMG) e metralhadoras para veículos (VMMG), decorrendo esta classificação em boa parte do seu peso máximo, do tipo de suporte/apoio que utilizam e do seu ritmo de fogo sustentável, isto é, da extensão da sua máxima capacidade para fazer fogo durante períodos alargados. Dadas as modernas tácticas, tendentes para uma cada vez maior mobilidade das forças militares, é notável, desde a II Guerra Mundial, a procura de armas destas cada vez mais ligeiras. Uma característica muito desejável nas metralhadoras é a possibilidade de mudarem expeditamente os canos. Metralhadora ligeira - Uma metralhadora geralmente alimentada por carregador, com o peso máximo de cerca de 15 kg, que se monta sobre um bipé e que usa geralmente a munição do calibre nominal da espingarda de guerra/espingarda de assalto usada no país da sua adopção. Metralhadora média – Uma metralhadora geralmente alimentada por fita, com peso entre cerca de 15 e 30 kg, que se utiliza sobre um suporte fixo ou tripé. Destina-se em princípio a fazer tiro a distâncias muito maiores do que as metralhadoras ligeiras.

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Metralhadora pesada – Uma metralhadora de peso superior a 30 kg e de calibre geralmente igual ou superior a .50’’ (12.7 mm). Usa-se montada sobre um suporte próprio ou sobre um tripé muito sólido. Nalguns casos é difícil a distinção entre metralhadora pesada e peça de artilharia terrestre de defesa próxima. De notar que, por convenção internacional, é proibido o emprego anti-pessoal deste género de metralhadora. Miras - Designação geral dos equipamentos mecânicos, ópticos ou electroópticos dos aparelhos de pontaria usados nas armas ligeiras, para as poder apontar. Miras metálicas – Designação genérica dos géneros mais clássicos de aparelhos de pontaria. Um conjunto de miras metálicas é constituído essencialmente por dois pontos de referência, o primeiro uma abertura/ranhura duma alça e o segundo um ponto de mira, que são colocados, geralmente sobre o cano da arma, a definir uma linha ligeiramente oblíqua ao eixo longitudinal desse cano. A pontaria com este género de aparelho, consiste – ver erro angular – no atirador alinhar exactamente o seu olho director com estes dois “pontos de referência” e de, em seguida dirigir a linha que contém estes três pontos, o mais aproximadamente possível, ao centro da zona de pontaria do alvo. Mistura ignidora – Uma mistura de substâncias que se pretende essencialmente, que se comporte como um explosivo não produtor de choque mecânico, com vista ao seu uso principal, em muito pequenas quantidades na constituição de cargas de escorvas. A função do explosivo destas cartas é portanto, reagir com grande fiabilidade ao choque do percutor de uma arma (ou ao aquecimento causado pela passagem de corrente, no caso das escorvas eléctricas), gerando uma chama intensa, se possível contendo uma grande quantidade de partículas incandescentes, dado que tais partículas têm uma grande capacidade para fazer a ignição dos propulsantes nas zonas em que contactem com estes.
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Dado que a generalidade dos baixos explosivos não é sensível aos choques mecânicos, estas misturas explosivas têm necessariamente de ser constituídas a partir de uma certa quantidade de um alto explosivo primário. Como porém há que evitar a todo o custo que os grãos das cargas principais sejam atingidos por uma forte onda de choque que os poderia danificar, alterando a sua vivacidade, esta quantidade de alto explosivo tem de ser misturada com outras substâncias que intervenham por forma a que, por um lado, a quantidade de alto explosivo usada, sendo mínima, produza assim calor suficiente e, por outro, a energia da onda de choque por ele produzida, não provoque os danos referidos. Para que seja eficaz o resultado do funcionamento das escorvas, as misturas iniciadoras são portanto misturas de um alto explosivo com um “sensibilizador”, um “combustível”, um “comburente” e finalmente com um “inerte”. O sensibilizador tem como função tornar possível a iniciação de uma quantidade quase ínfima de alto explosivo. O combustível e o comburente, amplificam o calor recebido da detonação do alto explosivo. O inerte faz com que cada pastilha a usar em cada escorva tenha tamanho suficiente para ser facilmente manipulável e com que essa mesma pastilha produza bastantes partículas incandescentes, o que favorece bastante a ignição de carga principal do cartucho. Mola do elevador – Nas armas de repetição com um depósito, é a mola que se encontra sob a mesa do elevador. Nas armas providas de uma carregador ou tambor, é a mola que impulsiona a mesa do elevador, fazendo com que esta empurre as munições em direcção à boca (do carregador ou tambor) e portanto em direcção à caixa da culatra da arma. Mola real – É a mola – espiral ou de lâmina – do mecanismo de percussão que é responsável pela impulsão do cão ou do percutor durante a percussão.

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Mola recuperadora - Um componente de algumas armas semiautomáticas e armas automáticas. Nestas armas, é o componente principal do mecanismo de recuperação. Actua nas partes recuantes amortecendo o seu movimento e armazenando energia aquando do recuo até para lá da ejecção e devolve essa energia a essas partes pondo-as em movimento “para a frente”, para que as armas efectuem as restantes operações dos seus ciclos de funcionamento. Nas peças de artilharia, a sua acção tem de ser moderada pelo freio de amortecimento, para os movimentos de recuo e de ida à bateria, sejam suficientemente suaves. As molas recuperadoras estão sujeitas a esforços que são proporcionais às velocidades a que as culatras são obrigadas a trabalhar e, nos casos em que estas velocidades ultrapassam os 12 m/ s, têm de ser feitas de materiais especiais. Munição - Em geral é o sub-sistema de um sistema de arma com que se conta para gerar o impulso, isto é, libertar a “energia propulsiva” necessária à condução dum ou mais projécteis - que são parte dessa munição - até junto dum alvo, a fim de realizar a sua neutralização por efeito da energia cinética e quase sempre também da energia química dos altos explosivos contidos nesse ou nesses projécteis. Podem ser considerados munições dos respectivos sistemas de arma, os seguintes sub-sistemas: • As munições sem propulsor (por exemplo, as bombas e as granadas de mão), que são constituídas quase apenas por uma carga útil, • As munições das armas de fogo e as das armas de propulsão por reacção constituídas por um cartucho, o propulsor destas munições, que funciona durante o disparo e por um ou mais projécteis/cargas úteis capazes de, conseguida a desejada precisão do tiro, pela energia cinética e energia química que transporta(m), obter a neutralização do seu alvo, • As granadas-foguete constituídas por um motor de foguete, que fornece a propulsão e por uma carga útil com funções idênticas às das dos casos anteriores.
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Em ambos estes dois últimos casos, as armas, além de constituírem o apoio necessário ao bom processamento da propulsão, tem de conter os meios necessários ao direccionamento/pontaria apropriado dos projécteis. • Os mísseis, que para permitirem maiores probabilidades de atingir os alvos - particularmente tratando-se de alvos móveis integram na sua constituição pelo menos uma parte dos meios de controlo e comando - necessários à selecção das suas melhores trajectórias. Em qualquer dos casos, tendo em conta que qualquer sistema de arma pode ser considerado como uma máquina de combustão interna especial, uma máquina que processa transformações de energia, é a munição que deve ser olhada como agente activo/energético dessa máquina, realmente a fonte da grande maioria da energia que se pode utilizar. Munição de salva – Uma munição usada para salvas mas também em treinos e testes dos mecanismos de percussão das armas. Esta munição não tem projéctil e o seu cartucho compreende uma pequena carga de pólvora de grande vivacidade – muitas vezes emprega-se pólvora negra – destinada a produzir um ruído bastante forte. Municiamento - O mesmo que alimentação. Neste sentido, significa introduzir munições no seu alojamento/depósito duma arma de repetição, introduzir e fixar o carregador numa arma semiautomática e introduzir e fixar o carregador ou tambor ou ainda fixar o início duma fita de municiamento numa arma automática. O termo significa também a operação que consiste em introduzir munições num carregador, tambor ou fita de municiamento. Napalm – Uma mistura pirotécnica que é um incendiário poderoso, que tende a aderir vigorosamente às superfícies que contacta, tem uma combustão lenta de alta temperatura. Resulta da gelatinização de gasolina (90 a 95%) por palmitato de sódio (daqui a origem do termo, com NA de sódio e PALM de
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palmitato) ou alumínio. Saliente-se que a composição original do Napalm (muito higroscópico e pouco denso, o que constituía uma desvantagem logística) consistia num derivado do petróleo (“NAphthenic acid”) e num PALMitato (extraído do óleo de palma), razão pela qual alguns autores atribuem a origem do termo Napalm a estes dois compostos. A sua ignição faz-se normalmente por meio duma chama. Nas formulações mais modernas, o napalm arde mesmo submerso em água. Núcleo – Este termo tem significados bastante distintos: • O componente que se encontra no centro da bobine de um electroíman. • O componente central duma bala composta, portanto o que se encontra no interior da camisa desta e que constitui a maior parte da massa. É feito geralmente de chumbo rijo, um material que pela sua alta densidade faz com que este género de projéctil tenha, como é necessário, uma densidade seccional alta. Obturação – É a selagem, que se pretende perfeita, dos gases da pólvora, dentro do cano de uma arma de fogo, aquando de um disparo, entre a face da culatra eo projéctil, que faz com que estes sejam impedidos de passar quer para o mecanismo da culatra – a chamada “obturação para trás” -, quer para a frente do projéctil – a chamada “obturação para a frente” -. Olho director - É o olho que predomina sobre o outro na determinação de direcções. Quando, com ambos os olhos abertos, apontamos um objecto com o dedo, só um dos olhos pode fazer com o dedo e o objectivo visado, uma linha recta. Olho director é o olho que, instintiva e sistematicamente, sem que nos apercebemos disso, predominando sobre o outro, empregamos quando assim determinamos uma qualquer direcção. O olho director é, por esta razão, o olho que, também instintivamente, se tende a empregar quando se tenta fazer pontaria com uma pistola ou uma espingarda.
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Sendo que nas pessoas dextras o olho director é geralmente o olho direito e nos canhotos é geralmente o olho esquerdo, a utilização simultânea da mão mais hábil para realizar os disparos e do olho que é mais “potente”/natural empregar para apontar, corresponde às melhores condições possíveis de uma boa posição exterior para atirar. Caso contrário, isto é, no caso do atirador direito que tem o olho esquerdo como olho director ou no caso do atirador canhoto que tem o olho direito como olho director, deve ter-se em conta que a habilidade “motora” é a mais difícil de aperfeiçoar e, como tal, deve dar-se preferência à mão sobre o olho e - favorecendo igualmente a posição exterior -, deixar de empregar o olho que naturalmente funciona como olho director. Isto é, o atirador direito deve atirar “à direito” passando a usar o olho direito e o canhoto “à canhota”, usando o olho esquerdo. Nestes casos porém, é quase sempre necessário tapar o verdadeiro olho director com uma pala para obrigar o outro a funcionar aceitavelmente. Orientação do atirador – Este termo, usado na tecnologia de tiro ao alvo, qualquer que seja a modalidade, refere-se à colocação de um atirador em relação ao alvo, ou seja à sua implantação no solo/base de apoio. Parte-se do princípio de que o atirador já seleccionou uma postura e já tem treino muscular suficiente para assumir essa postura durante períodos prolongados. Isto porque só depois de o atirador ter repetido muitas vezes este processo e ter ganho uma certa “memória muscular” da sua postura, é que deve procurar orientar-se em relação ao alvo, para assim completar a sua “posição exterior de tiro”. Conforme a modalidade de tiro, o procedimento de orientação tem as suas particularidades. Por exemplo, em todas as disciplinas de tiro com pistola, o procedimento é o seguinte: • O atirador, tendo conseguido uma boa empunhadura da arma, posiciona-se aproximadamente no centro da sua linha de tiro, orientando-se de tal forma que lhe pareça que ao levantar o braço, este ficará dirigido para o alvo correspondente a essa linha de tiro,
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Em seguida, fechando os olhos durante todo o tempo que for necessário, levanta o braço e, socorrendo-se da sua memória muscular e das suas sensações de conforto/desconforto, assume o melhor possível a sua “postura de base”, eleita anteriormente, • Abre depois os olhos e observa a direcção em que o braço se encontra apontado. Normalmente, o braço encontra-se a apontar um pouco para a esquerda ou para a direita do alvo. Efectuar agora a correcção, apenas movimentação do braço, seria um erro grosseiro de que o atirador de resto se aperceberia rapidamente, pois o braço tenderia constantemente a regressar à posição inicial. Em vez disso há que rodar no sentido apropriado todo o corpo o que, é claro, só pode ser feito rodando a implantação dos pés no solo, da quantidade apropriada, • Este processo tem depois de ser repetido até se ter a sensação de que a acção de apontar ao alvo é feita sem qualquer esforço especial. A orientação do atirador de espingarda na “posição de pé” deverá decorrer exactamente da mesma forma até a arma ficar a apontar naturalmente para o alvo e na “posição de deitado” e “posição de joelhos”, igualmente por correcção da implantação dos seus apoios no solo. Pára-balas – Designação comum do espaldão que se situa atrás dos alvos nas carreiras de tiro. Principalmente quando estas se situam inseridas em zonas metropolitanas, é necessário que os pára-balas sejam feitos de areias livres de pedras a fim de evitar o perigo de ricochetes. Adicionalmente a isto, os pára-balas dispõem muitas vezes de um tecto resistente destinado a evitar a sua erosão pelas chuvas e a complementar a segurança contra ricochetes. Passo das estrias - É, por definição, a distância que o projéctil tem de percorrer dentro da parte estriada da alma de um cano estriado, para efectuar uma rotação completa. Para cada calibre, os projécteis mais compridos, para terem estabilidade giroscópica suficiente, necessitam de ter uma velocidade
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de rotação maior, e como tal, o seu disparo implica porventura o uso de canos com passos de estriamento menores. É no entanto de considerar que, para uma dada velocidade à boca, este aumento tem limites, uma vez que a diminuição do passo das estrias implica um aumento dos esforços sobre os projécteis e uma aumento da erosão do cano. De facto, a razão que determina que não seja possível usar projécteis estabilizados por rotação com comprimentos superiores a cerca de seis calibres, é o limite prático na redução do passo das estrias. A fórmula empírica para a determinação do passo das estrias de um cano que se preste ao disparo de determinados projécteis, é: Calibre2 PASSO = Comprimento do Projéctil Por vezes o passo das estrias é designado, à semelhança do que se faz para o cumprimento dos canos, em número de calibres (1/12, 1/14, etc). Por outro lado, o passo pode ter um valor constante, caso do chamado “passo uniforme”, ou um valor progressivamente menor, caso do chamado “passo progressivo”. Percussão - É a acção pela qual o percutor ou o cão duma arma de fogo, uma vez libertado do mecanismo de armar, vai bater ou na escorva de percussão duma munição de percussão central ou no rebordo da base do invólucro duma munição de percussão anelar. Em qualquer dos casos, a percussão tem necessariamente de ser feita com uma energia cinética do cão ou percutor que seja suficiente mas não excessiva e tendo a ponta do percutor uma forma apropriada. Se a percussão for insuficiente haverá retardos de ignição e perdas da consistência do tiro e se for excessiva, poderão ocorrer perfurações das escorvas, que conduzem a falhas graves de obturação para trás. x 180

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Percussão anelar ou periférica – É o género de percussão em que o percutor ou o cão da arma bate/indenta num qualquer ponto da periferia da base do invólucro da munição. Nas munições em que se emprega este género de percussão, a mistura ignidora encontra-se alojada – na forma de uma película contínua muito fina -, a toda a roda do interior do bocel e da base do invólucro, de tal forma que a iniciação se possa fazer qualquer que seja o ponto onde se faça a percussão. Porque as paredes dos boceis destes invólucros, para cederem ao coque da ponta do percutor, têm de ser bastante finas, o método só tem aplicação a munições em que as pressões desenvolvidas pelos propulsantes sejam relativamente baixas. Actualmente, esta forma de percussão quase só se usa nos calibres nominais .22 Short, .22 Long e .22 Long Rifle. Percussão central – Este termo aplica-se às armas e às munições em que a percussão se faz sobre uma escorva implantada no centro da base do invólucro. É o sistema usado na grande maioria dos sistemas de arma – nomeadamente nos de armas portáteis – e em todos os sistemas de artilharia onde se emprega uma iniciação mecânica. Percutor - O componente do mecanismo de percussão, móvel dentro da culatra, a que compete agir sobre a escorva nas munições de percussão central ou no rebordo da base do invólucro nas munições de percussão anelar. Estes percutores podem agir: • Por acção de uma mola do mecanismo referido, a mola real que os impulsiona, quando libertados dos armadores, • Quando martelados por um cão, • Quando percutidos por uma espécie de êmbolo quando este é libertado pelo mecanismo de armar, • Por acção de electroímans de que eles são o próprio núcleo e que os acelera quando é fechado um circuito eléctrico sobre estes dispositivos. Nas armas com culatras de gaveta e outras, cujo movimento é transversal em relação ao eixo do cano, é geralmente necessário que os mecanismos de percussão sejam providos de dispositivos que
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façam a recolha do percutor após os disparos, antes da culatra fazer o seu movimento de abertura. Usam-se então muito os chamados percutores elásticos. Estes percutores são peças muitas vezes sujeitas a grandes esforços pelo que a sua fractura constitui uma das principais causas das falhas de fogo nos sistemas de arma que os empregam. Designa também uma ponta saliente na face da culatra, dos sistemas operados por inércia da culatra em que se usa a chamada percussão antecipada. Designa ainda uma ponta saliente, sem movimento próprio, situada no centro do fundo do cano dos morteiros, onde a escorva das granadas vai embater quando elas são largadas na boca do cano. Peso de gatilho – É a força mínima que é necessário exercer, aproximadamente no centro da cauda do gatilho duma arma de fogo, para efectuar um disparo. Mede-se normalmente com um dispositivo – um pesa gatilhos (dispositivo que consta essencialmente de uma massa montada numa espécie de gancho e que serve para determinar se o peso de gatilho das armas de tiro ao alvo – e outras, eventualmente, se encontra de acordo com os valores regulamentares especificados) – que é engatado na cauda do gatilho, com a arma posicionada de tal forma que o cano fique na vertical. Os pesos do gatilho, para aquém de um dado valor, têm uma incidência directa na segurança de manuseamento das respectivas armas. Por outro lado, para além de um dado valor, os pesos do gatilho, na medida em que dificultam os disparos, são um factor determinante na consistência do tiro. Nas disciplinas de tiro ao alvo patrocinadas pela I.S.S.F. em que estão regulamentados os valores mínimos dos pesos dos gatilhos, as massas totais dos pesa gatilhos devem ser as seguintes: • Espingarda standard de grosso calibre – 1.360 gr, • Pistola de grosso calibre – 1.360 gr, • Pistola standard e Pistola sport – 1.000 gr, • Pistola de ar comprimido – 500 gr.

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Pistas de tiro de combate – São extensões de terreno dotadas com dispositivos e equipamentos apropriados que se destinam ao tiro de combate. Pistola - Uma arma de fogo, em geral, apenas semi-automática, de relativamente pequenas dimensões, que pode ser usada com apenas uma mão e é muito fácil de transportar e, sendo necessário, ocultar. Aparte o muito grande uso destas armas, fora do contexto defensivo/ ofensivo, em competições de tiro ao alvo, é precisamente por aquelas razões que continua a ter bastante utilização “civil” e operacional, apesar do alcance eficaz muito limitado e da relativa falta de consistência no tiro e precisão do tiro que pode produzir, a menos que utilizada por “peritos”. Estes sendo capazes de levar o alcance eficaz até cerca dos 100 metros. Como arma largamente distribuída, a pistola tem tendência a desaparecer nas Forças Armadas dos países mais industrializados, vindo a ser substituída pelas pequenas pistolas metralhadoras e carabinas de assalto que se consegue hoje em dia produzir. É claro que estas considerações se aplicam igualmente ao revólver que, de resto, tem vindo a substituir, principalmente desde que começaram a aparecer pistolas com carregadores com capacidade para dez e mais munições. Pistola de defesa – Uma designação, com significado legal variável de país para país, de algumas pistolas e revólveres, que não corresponde a qualquer conjunto de especificações técnicas, uma vez que, “tecnicamente” qualquer arma de fogo pode ser usada para defesa da integridade pessoal. É de ter bem presente que esta é a única classe de arma de fogo que a lei portuguesa permite que seja usado para este efeito e que, em caso desses uso, a lei obriga na prática o utilizador que tenha provocado ferimentos noutro indivíduo, ao “ónus da prova” de que estaria realmente em perigo a sua integridade pessoal. Paradoxalmente, ao assumir explicitamente uma postura de limitar fortemente nos calibres nominais que autoriza para esta categoria de armas, a alei portuguesa permite – quase sempre, implicitamente, 292

aos cidadão civis a compra das chamadas “armas assassinas”, as pistolas de calibre 6.35 mm. Tenha-se em conta que os tiros com este calibre, faltando-lhes poder derrubante, só podem deter rapidamente um assaltante determinado atingindo-o num órgão vital. E que por isso, como acontece muitas vezes, o utilizador, para deter o assaltante, vem a atingi-lo com vários tiros o que, quase inevitavelmente, pelo efeito acumulado dos ferimentos, lhe provoca a morte. Por vezes, ainda por cima, sem se ter conseguido que a defesa fosse eficaz, sem que, entretanto, tenha conseguido subtrair-se aos resultados da violência do assalto. Pistola de grosso calibre – Designação regulamentar de uma modalidade de competição de tiro ao alvo com pistola – ou revólver – com os alvos a 25 metros. Uma das que constam do programa da I.S.S.F. consta de 30 tiros de precisão pura e de 30 tiros de velocidade, ambas as partes em séries de 5, com uma série de “ensaio” antes de cada parte, sendo os alvos classificados de pois de cada série. Designa também uma pistola ou revólver destinados ao emprego nas provas de tiro ao alvo acima referidas. Trata-se de uma pistola que deve obrigatoriamente obedecer às seguintes especificações: • Calibre igual ou superior a .30’’ (7.62 mm) e inferior ou igual a .38’’ (9.65 mm), • Cano de comprimento máximo igual a 153 mm, • Base de mira igual ou inferior a 220 mm, • Peso de gatilho igual ou superior a 1360 gr, • Peso total inferior a 1.400 gr, • O eixo da alma tem de passar necessariamente acima do ponto mais alto da mão, • A pistola, incluindo o punho, deve caber numa caixa com medidas interiores de 300x150x150 mm, • Nenhuma parte do punho da arma pode envolver a mão, • Não é permitido nenhum género de freio de boca ou compensador. As armas desta classe, tendo começado por ser simples adaptações de modelos destinados a outras funções, são hoje em dia modelos
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especialmente concebidos tendo em vista as exigências técnicas da alta competição. Também se utiliza o termo como designação genérica comum de qualquer pistola de calibre igual ou superior a 7.65 mm. Pistola de guerra – Uma pistola dum calibre relativamente grande que é concebida tendo em conta particularmente as especificações gerais duma arma de guerra. Os calibres nominais mais usados nesta classe se sistemas de arma têm sido: • Nos países “de leste”, o 7.62 tipo P (7.62x25), • Nos países “ocidentais”, o 9 mm Parabellum, o .45 ACP e o .38 Special. Pistola livre – Designação regulamentar de uma modalidade de competição de tiro ao alvo com pistola, em que a distância a que se faz tiro é de 50 metros. Consta de 60 tiros de precisão pura em séries de 5, com uma série ilimitada no número de tiros de “ensaio”, a realizar no início da competição. Esta é uma das modalidades patrocinadas e regulamentadas pela I.S.S.F. e é também uma das modalidades de tiro ao alvo que faz parte do programa dos Jogos Olímpicos. É também a designação comum de uma pistola de tiro ao alvo, em princípio uma arma de tiro simples, de calibre nominal .22 Long Rifle. Trata-se sempre de uma arma especialmente concebida para debitar uma consistência do tiro muito alta, para o que, por concepção, tem o cano implantado numa posição bastante baixa em relação à mão, é equipada com um mecanismo de gatilho de alta qualidade, um aparelho de pontaria que é necessariamente um subsistema de alta precisão e um punho concebido para proporcionar um máximo de pontos de apoio. O termo “livre” tem origem, exactamente, no facto de, ao contrário das outras pistolas a empregar nas outras modalidades da I.S.S.F. esta não ter de obedecer a qualquer restrição de peso, dimensões ou quaisquer outras, aparte o facto de nenhum ponto do punho poder
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tocar no antebraço e de só lhe poderem ser aplicadas miras metálicas “abertas”. Pistola metralhadora (Submachine gun) – Uma arma de guerra que se pode definir como uma pequena metralhadora que emprega munições de pistola. A maioria das pistolas metralhadoras funciona no sistema de operação por inércia da culatra e usa percussão antecipada (a excepção mais conhecida é a HK MP5). Mas o facto de a consistência do tiro e a precisão do tiro produzido por este sistema de operação não serem muito boas, isso não constitui aqui um verdadeiro óbice, dado que estas armas se destinam a ser empregues quase sempre a pequenas distâncias. As pistolas metralhadoras mais modernas, as chamadas “pistolas metralhadoras de 3ª geração” são armas que trabalham com uma culatra que se encontra a envolver o cano no instante dos disparos, a fim de o seu peso contribuir ao máximo para a redução do salto e que incluem quase sempre um compensador, com esta mesma finalidade. Nos últimos anos tem-se observado um progressivo abandono deste género de sistema de arma em favor da adopção dos sistemas de carabinas de assalto – por vezes com canos encurtados – no que se pretende tirar partido do pequeno recuo produzido nestes últimos sistemas. Pistolas de pressão de ar – Designação regulamentar de uma modalidade de competição de tiro ao alvo com pistola, que é uma das patrocinadas pela I.S.S.F. e que é já também uma das que faz parte do programa dos Jogos Olímpicos. Esta modalidade pratica-se sobre alvos colocados a 10 metros de distância. Consta de 60 tiros de precisão pura, um tiro por alvo, com um número ilimitado de tiros de “ensaio” no início da prova. Designa também uma pistola de tiro ao alvo concebida especialmente com vista ao seu emprego na modalidade de tiro ao alvo acima referida. Com armas concebidas com a finalidade de possibilitar altas prestações, estas pistolas devem ter um recuo e um salto praticamente nulos, uma configuração do punho que facilite a reprodutibilidade do empunhamento e devem, é claro, ser equipadas
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com mecanismos do gatilho e aparelhos de pontaria de alta qualidade. Para obedecer aos regulamentos desta modalidade, devem satisfazer as seguintes especificações: • Serem do calibre nominal 4.5 mm ou 1.77’’, • O eixo longitudinal do cano deve passar acima do ponto mais alto da mão, • O punho não ter superfícies envolventes lateralmente, • O peso do gatilho ser igual ou superior a 500 gr, • As suas dimensões máximas serem tais que ela caiba numa caixa com dimensões interiores de 420x200x50 mm, Designa ainda uma qualquer pistola destinada a actividades de recreio, onde se usa chumbos de pressão de ar dos calibres 4.5 mm ou 5.5 mm ou ainda chumbos esféricos de BB (4.1 mm), Pistola semiautomática – Uma pistola que funciona como arma semiautomática, Pistola sport – Designação regulamentar de uma modalidade de competição de tiro ao alvo com pistola – ou revólver – a 25 metros, a ser disputada entre senhoras, e que é uma das patrocinadas pela I.S.S.F. Esta modalidade faz também parte do programa dos Jogos Olímpicos. O programa é igual ao da pistola de grosso calibre e consta de 30 tiros de precisão pura e de 30 tiros de velocidade, ambas as partes em séries de 5, com uma série de “ensaio” antes de cada parte e sendo os alvos classificados depois de cada série. Designa ainda uma pistola de tiro ao alvo destinada à modalidade acima referida. Os regulamentos que se lhe aplicam são exactamente os que se aplicam à pistola standard. Pistola de tiro ao alvo – Designação genérica das pistolas concebidas – originalmente ou adaptadas de armas concebidas para outros fins -, para realizar tiro de precisão em competições de tiro ao alvo. Distinguem-se em particular das demais principalmente pela consistência da sua operação, em particular pela dimensão maior da
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sua base de mira, pela qualidade dos seus aparelhos de pontaria e mecanismos do gatilho, pela qualidade dos canos e pelas provisões tendentes a facilitar a sua adaptação aos requisitos da anatomia de cada atirador. Como armas a empregar em competições devem satisfazer os requisitos dos regulamentos das modalidades em que se empregam. Pistola de velocidade – Designação comum de uma modalidade de tiro ao alvo com pistola, a 25 metros, que é uma das patrocinadas pela I.S.S.F. e faz parte dos Jogos Olímpicos. Consta de 60 tiros em séries de 5, em duas partes de 30 disputadas em dois dias consecutivos. Cada parte é precedida duma série de “ensaio”, e os tiros de competição são classificados depois de cada série. Dado que todo o tiro executado nesta modalidade é efectuado em séries a efectuar em períodos de tempo extremamente limitados – 8, 6 e 4 segundos -, não é possível usar aqui um revólver e usa-se sempre uma arma semi-automática. Designa também uma pistola de tiro ao alvo destinada à modalidade acima referida. A concepção desta pistola é sobretudo conducente à realização dos disparos com um mínimo de recuo e de salto, para o que emprega sempre um compensador e contrapesos colocados na extremidade posterior do cano. Para estar conforme com os regulamentos, deve satisfazer os requisitos seguintes: • O eixo da alma tem de passar acima do ponto mais alto da mão, • A altura da aresta superior do ponto de mira em relação ao ponto mais baixo do cano ou contrapeso deve ser no máximo de 4 cm, • As suas dimensões totais devem ser tais que a pistola caiba nua caixa com as dimensões interiores máximas de 300x150x50 mm, sendo autorizada uma tolerância de 5% numa destas medidas. Poder de choque – É a capacidade que têm algumas munições de armas de bala, destinadas à caça grossa, para provocar um estado de choque nos animais atingidos. Esta capacidade resulta em geral, principalmente das velocidades restantes produzidas e da concepção das balas empregues no seu carregamento.
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Em particular, este poder de choque está relacionado com: • A energia cinética transportada pela bala, em particular com a sua velocidade de impacto, na medida que desta velocidade depende a possibilidade de formação de cavidades temporárias. • A sua capacidade para perder/transferir para o corpo do animal, essa energia. Aparentemente, uma transferência muito rápida dessa energia, tem efeitos que vão para além dos efeitos fisiológicos. E é claro que esta transferência se faz mais rapidamente com as balas expansivas. • Da tendência para a estabilidade ou instabilidade da bala, após o contacto com os tecidos do animal. • Da tendência da bala para manter a sua integridade ou para se fragmentar. De notar ainda que, conforme os relatos de muitos atiradores experientes, algumas espécies ditas “perigosas” são completamente imunes a este efeito, só sendo vulneráveis aos efeitos directos das balas sobre os órgãos vitais. O parâmetro aproximadamente equivalente quando se trata de munições destinadas ao tiro contra pessoas, chama-se poder derrubante. Poder derrubante – Um termo que se usa associado com as questões de capacidade de defesa pessoal contra o ataque de um inimigo ou assaltante. Sendo evidente que qualquer bala que atinja um indivíduo em algum ou alguns dos órgãos vitais, lhe causará a morte quase instantânea, não é menos verdade que, provavelmente – e por isso esta matéria tem merecido tanta atenção -, a maioria da feridas causadas por balas, não tem capacidade para incapacitar o indivíduo visado, de forma tão rápida e radical. Poder derrubante é pois a capacidade potencial de um sistema de arma – arma de bala, em particular da sua munição - para, com um único tiro, neutralizar, fazer parar prontamente um atacante, apesar de o não atingir num dos referidos órgãos vitais. Depende, como se sugeriu, mais do calibre nominal do que da arma propriamente dita e depende em particular da constituição da bala usada na munição.
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Até recentemente, julgava-se que o poder derrubante máximo era obtido com uma bala lenta, de grande calibre. Crê-se agora que, dentro do mesmo nível de energia de impacto, um poder derrubante igual ou superior, se pode obter com uma bala mais leve e de maior velocidade, desde que, a essa velocidade, a bala se comporte como uma bala expansiva. É exactamente a falta de poder derrubante da sua munição que faz das “pistolas de defesa” de 6.35 mm as “armas assassinas”, que de facto são. Ao indivíduo armado com uma destas armas que é atacado por um assaltante determinado, à falta de lhe poder causar imediatamente um grande abalo, não resta quase nada senão despejar sobre ele vários tiros – todo um carregador ? -, o que, muito provavelmente – e muitas vezes tarde demais porque a violência do assalto não terá sido afinal contida -, lhe causará a morte. Ponto duro – No contexto da descrição do funcionamento do mecanismo dum gatilho com folga, este termo designa a condição que corresponde exactamente à condição desse mecanismo na altura em que, exercida uma certa pressão sobre a cauda do gatilho, termina o movimento correspondente à sua folga. A designação deve-se a que, a partir dessa altura, o atirador sente uma resistência muito maior ao movimento do dedo, de tal forma que só aumentando consideravelmente a pressão que vinha a exercer, poderá vir a atingir o ponto de desenlace. Ponto de mira – É o componente dos aparelhos de pontaria, do tipo miras metálicas, que se encontra mais próximo da extremidade posterior do cano ou seja mais perto da boca do cano, da maioria das armas portáteis. Tendo em conta a maior importância relativa dos erros de pontaria que se designam por erros angulares, o ponto de mira serve para ser “alinhado” com a alça e com o olho – em princípio o olho director -. Nas armas portáteis modernas é praticamente sempre um componente com uma das constituições e configurações seguintes: • Uma peça de aço de perfil transversal rectangular, caso em que se chama um ponto de mira de poste,
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Um pequeno anel de aço com o orifício central de maior ou menor diâmetro, caso em que se chama um ponto de mira de anel, • Um pequeno disco de plástico translúcido, com um orifício central contrapunçoado, a que se chama ponto de mira de plástico, O seu suporte no cano não é geralmente equipado com mecanismos de azeramento, sendo estes, quando existem, instalados na alça. O nome tem provavelmente origem no facto de, mesmo no tempo das primeiras espingardas e pistolas equipadas com este género de aparelho de pontaria, já se saber que, para impedir o aparecimento inadvertido dos referidos erros angulares, deve ser esse o ponto que se mira, isto é, o ponto onde a visão deve ficar focada, isto embora à custa de uma visão deficiente do alvo. Posição interior – Um termo usado no âmbito da tecnologia de tiro ao alvo. Refere-se ao estado de contracção-descontracção dos vários grupos musculares dum dado atirador durante os instantes que precedem os disparos. Tal como a posição exterior, deve ser uma constante. Mas, ao contrário desta, é algo que não pode ser observado/fotografado, que só pode ser meramente avaliado e isto por um treinador experiente e que só o próprio pode, através das suas sensações, sentir e controlar. Uma posição interior de um dado atirador resulta em grande parte da sua postura. Mas em parte resulta também do seu estado psicológico e o atirador tem de vigiar-se por forma a dar-se conta de estar anormalmente contraído devido a um estado anormal da sua tensão emocional. Por isso deve-se, depois de aprendida, a posição interior mais correcta, através de treino, ser memorizada – sensorialmente – em todos os seus detalhes, para que se possa em qualquer altura contrariar os efeitos da tensão emocional durante as competições, tensão esta que tende eventualmente a alterá-la, gerando falta de estabilidade. Posição de segurança – Este termo significa a condição do mecanismo de segurança de uma arma de fogo, em que este
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mecanismo inibe o mecanismo do gatilho e/ou o mecanismo de percussão de funcionar, por forma a que a arma não possa disparar. Esta condição é geralmente conseguida colocando numa dada posição uma alavanca ou patilha do primeiro dos mecanismos referidos. Posição de tiro – A posição de uma arma ou lançador que se encontra apontada a um alvo. Designa ainda um termo da tecnologia de tiro ao alvo. É a posição que o corpo dum atirador assume quando, na sua linha de tiro, se apronta para realizar um disparo. É o conjunto da postura do seu corpo com a orientação deste para o alvo correspondente a essa linha de tiro. Postura do atirador – Este termo refere-se à posição relativa – entre si – das partes/órgãos dos corpo dum atirador de tiro ao alvo, quando ele se encontra na linha de tiro, pronto a realizar um disparo. Esta posição relativa dá uma imagem – da posição da cabeça em relação aos ombros, do posicionamento da coluna vertebral, do afastamento das pernas, etc. – do atirador, que pode dar-nos uma ideia sobre se em princípio o atirador beneficia ou não de certas vantagens mas nada nos diz sobre a facilidade que ele tem em realizar uma pequena zona de pontaria. Isto é, não nos diz se é correcta ou não a orientação do atirador. Este tema é bastante vasto e variado dadas as muitas modalidades deste desporto e constitui uma boa parte do texto e fotografias dos manuais técnicos do tiro ao alvo. Pelo que não se pode aqui apontar sequer os princípios básicos para cada modalidade. Precisão do tiro – É o parâmetro do tiro realizado sobre um determinado alvo, que exprime a distância entre o PMI dos impactos e o ponto visado/centro desse alvo. De notar que a precisão do tiro nada tem a ver com a consistência do tiro – este um parâmetro muito mais complexo e com muito maiores implicações – isto é, que a precisão, que depende sobretudo duma regulação/azeramento apropriada do aparelho de pontaria, exprime
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apenas se o centro geométrico do agrupamento dos impactos se situa perto ou longe do ponto que se pretende atingir. A precisão do tiro, como factor “à priori”, só assume uma grande importância nos casos em que o atirador dispõe apenas de um ou no máximo dois ou três tiros para realizar um objectivo importante, como acontece no tiro dos franco atiradores e nalgumas modalidades de caça grossa. Nestes casos a arma tem de ser cuidadosamente azerada durante ensaios prévios em condições controladas completamente. Progressividade (dos grãos de um Propulsante) – Uma vez que os grãos dos propulsantes só queimam à superfície, a produção de gases por uma carga propulsante, ao longo da duração da queima, é função da forma como varia a superfície de cada grão, ao longo desta. A progressividade que é um parâmetro de cada grão e de cada carga, exprime a forma como vai mudando a superfície exterior dos grãos e, portanto como, em princípio, deve evoluir a produção de gases ao longo da queima dessa carga. É um parâmetro que claramente tem grandes repercussões na balística interna do sistema de arma em que se emprega um dado propulsante. Neste contexto, as cargas dos propulsantes classificam-se em: • Progressivas, em que a superfície total, não inibida, aumenta ao longo da queima, • Neutras, em que a superfície total, não inibida, se mantém constante ao longo da queima, • Regressivas, em que a superfície total, não inibida, diminui ao longo da queima. Isto depende, em princípio inteiramente, da geometria dos grãos. Por exemplo, em princípio, os grãos esféricos são regressivos, os grãos tubulares são neutros e os grãos multiperfurados são progressivos. A progressividade pode porém ser alterada com o tratamento da superfície dos grãos com moderantes, como sejam as centralites ou a cânfora.

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Na maior parte das aplicações e no caso dos motores de foguete em que geralmente se pretende que as pressões geradas sejam aproximadamente constantes, usam-se grãos neutros. As cargas progressivas usam-se quando se pretende obter as maiores velocidades à boca possíveis, com as menores pressões máximas possíveis. Projéctil - Designação genérica dos objectos susceptíveis de serem impulsionados por um cartucho numa arma de fogo ou arma de propulsão por reacção e de suster o seu movimento, embora com velocidade decrescente, em virtude da sua própria energia cinética, ao longo duma trajectória. A fim de que tenham densidades seccionais e coeficientes balísticos suficientes, os projécteis dos sistemas de arma modernos são corpos alongados (a única excepção a esta regra é a dos chumbos de caça). Daí, no entanto, resulta como requisito indispensável que lhes seja conferida uma estabilidade nas suas trajectórias. Isso, por sua vez, significa que ou eles dispõem de uma estabilidade aerodinâmica realizada pela adição de uma cauda ou, no caso dos que tenham de ter o seu centro de gravidade situado “atrás”/anteriormente do centro de pressão, que possam dispor de estabilidade giroscópica, para o que terão de ser lançados com um movimento simultâneo de rotação em torno do seu eixo longitudinal, rotação esta com velocidade suficiente. Neste caso, para isto ser possível, os canos das armas têm de ser providos dum estriamento. Durante as trajectórias, por efeito da resistência do ar, os projécteis perdem velocidade e portanto parte de referida energia. Começando com uma dada velocidade inicial, só se pode contar que, no contacto com os alvos tenham apenas uma certa velocidade restante, menor que aquela. Por outro lado, para que as trajectórias sejam tensas, para que os tempos de voo sejam os menores possíveis e para que as velocidades restantes sejam as maiores possíveis é indispensável que o perfil exterior dos projécteis seja desenhado para ser eficiente do ponto de vista aerodinâmico. A eficiência aerodinâmica consegue-se sobretudo pelo cuidado no desenho da ogiva e da base do projéctil.
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É também necessário que a construção dos projécteis modernos obedeça a tolerâncias de fabrico muito pequenas, a fim de que se consigam acelerações (nos canos) e desacelerações (durante as trajectórias, devidas às resistências do ar) muito uniformes, para se obter valores aceitáveis da consistência do tiro. Finalmente, cabendo aos projécteis a função última dos sistemas de arma, a de neutralizar os alvos visados e, dependendo esta capacidade do seu bom funcionamento na proximidade ou ao contacto com esses alvos, é fácil perceber que a eficácia total dos respectivos sistemas de arma depende em grande parte deste funcionamento. Note-se finalmente que, quando o projéctil é de facto uma granada um projéctil que transporta uma carga de um alto explosivo ou de um incendiário -, a energia libertada por essa carga tem uma ordem de grandeza muitas vezes maior do que a energia cinética do projéctil e que, em consequência é ela que vai provocar os maiores efeitos destrutivos no alvo. Os projécteis dos sistemas de arma actuais, podem ser classificados nas seguintes classes: • Chumbos de pressão de ar, • Bagos ou Chumbos de caça, • Balas, • Granadas de Morteiro, • Projécteis Convencionais de Artilharia, • Projécteis Cinéticos, projécteis de Cargas Especiais. Propulsante – Essencialmente, uma substância ou mistura de substâncias que, consistindo de um combustível e de um oxidante, constitui de facto um baixo explosivo. Dado mesmo que os baixos explosivos são usados principalmente em cargas de propulsores para a propulsão de projécteis, granadas foguete, mísseis, etc. -, o termo baixo explosivo é praticamente sinónimo de propulsante. Um propulsante é portanto um explosivo capaz de produzir um fenómeno químico típico, uma explosão com velocidades de reacção explosiva relativamente baixas mas grande capacidade de produção de gases e calor, as únicas características apropriadas a que estas
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substâncias possam ser aproveitadas em propulsores para fornecerem impulsos aos variados engenhos que empregam esses propulsores. Os diversos propulsantes podem ser caracterizados pelos parâmetros seguintes: • Pelo calor da explosão, • Pelo calor específico a volume constante, • Pela razão dos calores específicos dos gases que produzem, • Pelo volume específico, • Pela vivacidade (ou dimensão balística), • Pela progressividade, • Pelo coeficiente de queima, • Pela constante de força. Quanto ao seu estado físico, os propulsantes podem ser classificados como: • Propulsantes híbridos; o conjunto das misturas de um agente sólido e um agente líquido – usadas na carga de motores de foguete, • Propulsantes líquidos; o conjunto dos monoergóis simples, monoergóis compostos e diergóis que se usam em motores de foguete de grandes dimensões, • Propulsantes sólidos; o conjunto das pólvoras/propulsantes homogéneos usadas na carga dos cartuchos das munições das armas de impulso e das armas de propulsão por reacção e em alguns motores de foguete pequenos e dos propulsantes heterogéneos, estes usados exclusivamente em motores de foguete. Punho - A parte da carcaça de uma pistola ou revólver que serve para agarrar/empunhar estas armas. Designa também a projecção da carcaça da maioria das espingardas e carabinas de assalto, das pistolas metralhadoras, canhões sem recuo (portáteis) e lançadores individuais de granadas foguete, que serve para segurar estas armas com a mesma mão que actua no gatilho.

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Punho anatómico – Um punho que se destina geralmente a uma pistola de tiro ao alvo e que foi concebido tendo em vista, essencialmente, propiciar o seguinte: • O menor possível salto da arma, se possível ocorrendo este apenas no plano vertical (o que só é possível se a zona de mais firme apoio da mão no punho se situar perto do eixo da cano), • A maior regularidade no empunhamento da arma, de disparo para disparo, para que o salto seja sempre o mesmo (o que é possível fazendo com que o punho tenha suficientes “pontos de referência” que permitam à mão encontrar pelo tacto um seu posicionamento sempre igual), • Uma grande dose de conforto por parte do atirador, na posição de tiro (o que só é possível quando ao atirador, nesta posição, aparecer o ponto de mira “alinhado” naturalmente, sem esforço adicional, com a ranhura da alça, quer vertical quer lateralmente. Uma característica importante do punho anatómico com vista a permitir esta facilidade, é o ângulo que a sua face anterior faz com o eixo do cano, o chamado “ângulo de empunhadura”. Este ângulo é variável conforme a modalidade de tiro a que se destina a pistola em causa. Radar – Um sistema empregue em detecção, medição de distâncias, azimutes, elevações e velocidades e no seguimento de plataformas/veículos alvo ou de mísseis inimigos ou lançados pelo próprio utilizador. O princípio de funcionamento baseia-se no facto de a maioria dos corpos fazer a reflexão das radiações electromagnéticas de alta frequência que neles incida e de que é possível determinar a distância a que se encontram, pela medição do intervalo de tempo entre a emissão de um impulso dessa radiação electromagnética e a recepção da respectiva reflexão – o “eco” do alvo” -. A possibilidade existente de a radiação ser transmitida segundo feixes muito estreitos, permite adicionalmente a determinação de azimutes e elevações dos objectos visados. Os chamados radares Doppler, que são radares cujo princípio de funcionamento se baseia adicionalmente no facto de um alvo em
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movimento reflectir uma radiação de frequência diferente da frequência da radiação que neles incide, sendo a mudança de frequência função da sua velocidade relativa, além de medirem distâncias, azimutes e elevações, servem também a função de permitirem seleccionar, automaticamente, apenas os alvos em movimento. Além dos radares acima descritos e que são radares que emitem por impulsos, existem também os chamados radares de emissão contínua que, como a designação indica, emitem constantemente. Estes são radares que funcionam sempre em função do mencionado efeito Doppler. Radar Doppler – Um radar que mede as velocidades dos alvos, com base no efeito de Doppler. De acordo com este, um objecto em movimento sobre o qual incide uma radiação de uma dada frequência, reflecte essa radiação numa frequência diferente, que é função da velocidade relativa do objecto reflector. Radiação – É a emissão e propagação de energia electromagnética na forma de ondas ou partículas subatómicas. Quando uma radiação atinge um objecto, uma parte da sua energia é absorvida por ele e uma parte é objecto de reflexão. Raio eficaz – É a distância, em redor do ponto de rebentamento de uma granada anti-pessoal, à qual se projecta um estilhaço efectivo – um estilhaço capaz de produzir a incapacidade/neutralização pretendida -, por metro quadrado. Raio letal – É a distância, em redor do ponto de rebentamento de uma granada anti-pessoal, à qual se projectam dois estilhaços capazes de produzir a incapacitação/neutralização necessária, por metro quadrado. Ranhura de extracção – É a reentrância em toda a volta da base do invólucro de algumas munições de invólucro metálico – as das munições em que o invólucro não tem um bocel -, que serve para a
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preensão pelo(s) extractor(es) da arma a fim de, com estas munições, se poder realizar a operação do ciclo de funcionamento que se designa por extracção. Rebentador – Termo que designa a carga de alto explosivo secundário que constitui o último elemento de qualquer cadeia explosiva de detonação. O rebentador preenche quase completamente a cavidade do projéctil, bomba ou outra carga útil e é com a sua acção que se conta para produzir a onda de choque que realiza a fragmentação do corpo do engenho e para projectar os estilhaços que, além dela própria, vão actuar no alvo. Em suma, o rebentador é o principal agente da neutralização que pode ser realizada pelos engenhos mencionados. O rebentador é geralmente iniciado por um reforçador da espoleta. Recozimento – Um género de tratamento térmico que se faz a peças de vários metais e ligas, com o objectivo de as tornar mais macias e elásticas. Recuo - É o movimento para a retaguarda de uma arma de impulso durante um disparo, que resulta - em virtude do “princípio da conservação da quantidade de movimento dos sistemas isolados” - do ganho de quantidade de movimento do projéctil e dos gases do propulsante. O recuo total pode decompor-se num recuo primário e num recuo secundário. De notar que a quantidade de movimento que a arma adquire é o todo que pode ser dividido em duas fases; a primeira devida ao movimento do projéctil e dos gases dentro do cano e a segunda devida à expulsão dos gases pela boca do cano. A existência do recuo tem vastas implicações no desenho de todo o género de armas de fogo e na realização do tiro com estas. Para já, é um factor fortemente limitativo do calibre de todas as armas. No que diz respeito às peças de artilharia, há que ter em conta que, apesar da contribuição enorme dos freios de amortecimento para o funcionamento destas armas pesadas, todas as estruturas dos reparos
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e dos seus apoios, têm de ser calculados para resistir aos esforços impostos pelo recuo das partes recuantes. No respeitante ao tiro com armas de bala, a análise dos efeitos do recuo, conduz à formação de uma regra fundamental da consistência do tiro com estas armas. A formulação desta regra tem a ver com as considerações seguintes: • Em primeiro lugar há que ter em conta que o ponto de impacto de um projéctil é determinado não pela posição do cano no momento em que a actuação no gatilho dá início ao disparo mas sim pela posição do cano no momento em que a bala passa pela boca do cano, • Em segundo lugar há que considerar que o recuo primário, o que se processa enquanto a bala está ainda no cano, é função directa dos apoios e resistências que a arma encontra no corpo do atirador ou noutros objectos exteriores onde esteja apoiada no momento do disparo. Se de tiro para tiro os apoios variarem, por exemplo apenas porque o atirador mudou de posição ou porque a arma foi agarrada durante uma pontaria com maior firmeza do que no tiro anterior, o movimento do cano durante o recuo primário será diferente para estes dois tiros e, em função da primeira consideração, os pontos de impacto dos projécteis serão diferentes. Daqui a regra, como dissemos fundamental, de que para realizar tiro consistente sobre um alvo, a arma tem de ser sustentada sempre exactamente da mesma maneira, com os mesmos apoios e com forças iguais em cada um destes. É agora porventura interessante observar porque é que a energia de recuo da arma que, por exemplo um atirador de espingarda tem de absorver, é tanto menor quanto mais pesada for a arma. Isto é assim porque para uma dada quantidade de movimento da arma - valor que só depende da quantidade de movimento do projéctil e portanto da munição -quanto mais pesada for a arma, menor será a velocidade com que ela recua. Isto é, para uma mesma munição, se a arma for duas vezes mais pesada a velocidade do seu recuo só será metade. Como realmente o que o atirador sente/tem de absorver, é a
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quantidade de energia cinética da arma em recuo que, neste caso, com esta teria só metade do valor. Recuperação - È a acção/movimento de recondução das partes recuantes duma arma semi-automática ou arma automática, à posição em que os mecanismos ficam novamente prontos para um disparo. Nesta acção, os movimentos resultam da libertação da energia previamente armazenada na mola recuperadora ou outro órgão do mecanismo de recuperação/recuperador. Reflexo condicionado – Uma forma de actuação psicomotora que no ser humano permite por vezes a realização de um conjunto de acções complexas sem que haja intervenção do pensamento, isto é, que se processa automaticamente e que se caracteriza por, ao contrário do que se passa no reflexo nato, ser o resultado de uma prática repetida, isto é, ser o resultado de um processo de aprendizagem e bastante treino. Reforçador da espoleta – O elemento intermédio da cadeia explosiva de detonação de uma carga útil. É constituído por uma carga de alto explosivo intermédio que se coloca entre o iniciador – por exemplo o detonador da espoleta - e o rebentador dessa carga útil. O reforçador destina-se a amplificar a – pequena – onda explosiva produzida pelo alto explosivo primário iniciador, assim permitindo o uso de uma massa mínima desse alto explosivo primário, o que confere ao manuseamento da carga útil um máximo de segurança de armazenamento, segurança de transporte e segurança de queda. Resina epóxida – Um produto sintético com a consistência de um líquido viscoso que sujeito a uma “cura” operada por um reagente próprio (em geral aminas orgânicas, altamente tóxicas), serve principalmente para impregnar telas resistentes de várias fibras (vidro, carbono, kevlar, etc.), por forma a formar placas resistentes a impactos – e à corrosão -, que encontram grande aplicação (em
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capacetes, coletes pára-balas e outras) como armaduras resistentes relativamente leves. Retículo – Designação comum da marca que representa a linha das miras – a linha alça-ponto de mira -, nas miras telescópicas. O retículo deve aparecer representado no mesmo plano óptico em que se forma a imagem virtual do alvo, tornando possível obter uma imagem nítida de ambos. Com este género de aparelho de pontaria, apontar significa colocar/ver o retículo sobre o alvo, enquanto se processa o acto de actuar na cauda do mecanismo do gatilho para efectuar o disparo. Revólver - Uma arma curta especial, que se pode definir como uma arma com um só cano mas com várias câmaras. Existe em duas versões: • A mais antiga, de acção simples (“single action”) em que para efectuar um disparo é necessário armar o cão numa manipulação distinta, actuando sobre este, • A de acção dupla (“double action”), em que o recuo do cão pode ser feito como no primeiro caso ou, simplesmente em resultado da actuação no mecanismo do gatilho que, realizada essa acção, efectua depois o disparo. O revólver “de acção dupla” tem em relação à pistola (arma semiautomática) a grande vantagem de oferecer uma maior fiabilidade, uma vez que se ocorrer uma falha de fogo não há senão que premir o gatilho novamente. Por outro lado, este género de arma tem várias desvantagens. Por um lado, não permite um volume de fogo tão grande como a pistola uma vez que só se pode contar com um menor número de disparos entre municiamentos e que estes municiamentos também são geralmente mais demorados. Por outro, se se pretender ter um peso do gatilho e um movimento do mecanismo do gatilho conforme com os requisitos técnicos do tiro de precisão, requer sempre o armamento do cão entre disparos.

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Ricochete - Fenómeno que se dá quando um projéctil, ao descrever a sua trajectória, encontra o terreno ou qualquer corpo duro, desviando-se e descrevendo uma ou mais trajectórias secundárias. Roletes de travamento - Parte de peças pertencentes à cabeça da culatra. Sabot – Um dos componentes da munição sub-calibre equipada com um projéctil cinético. O sabor consiste aqui essencialmente duma peça em forma de copo ou vaso ou dum conjunto de – geralmente três – peças na forma de manga ou anel, feito de um material tão leve e resistente quanto possível – frequentemente uma liga de magnésio -. É montado por forma a ficar a envolver um corpo central pesado – o projéctil cinético propriamente dito -, durante a sua viagem no cano da arma e a separar-se desse núcleo, imediatamente após a saída do conjunto à boca do cano. Esta separação faz-se axialmente nos sabots em forma de copo e radialmente nos outros. O sabot tem de suportar a maior parte do impulso dos gases do propulsante e, nos canos estriados, as forças de torção que o estriamento impõe, impulso e torção esses que ele transmite ao projéctil, ao mesmo tempo que realiza as funções de centragem do corpo central na alma e de obturação – para a frente – dos referidos gases. Para tal, estes sabots são equipados com uma ou mais cinta(s) de forçamento. A vantagem do uso destes projécteis montados em sabots, consta do seguinte: • Do facto de que, tendo o conjunto projéctil-sabot uma densidade seccional relativamente pequena, isso o tornar susceptível de adquirir grandes acelerações e portanto grandes velocidades à boca/velocidades iniciais, • De que os projécteis propriamente ditos, sendo feitos de materiais muito densos, como seja o carboneto de tungsténio, quando libertos dos sabots, têm naturalmente grandes densidades seccionais, o que faz com que tendam a perder relativamente pouca da referida velocidade inicial ao longo das suas trajectórias
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o que, por sua vez, faz com que as velocidades restantes – e energias restantes – sejam notavelmente superiores às dos projécteis convencionais atirados das mesmas armas. Salas didácticas de tiro – São instalações destinadas ao ensino prático e testagem de exercícios de pontaria. Salientes das estrias – São as zonas que ficam entre os sulcos – as estrias propriamente ditas -, da parte estriada dos canos de alma estriada. São portanto as porções da alma deixadas intactas quando, no fabrico, depois de aberto o furo longitudinal do cano, se procede ao corte ou impressão dos cavados das estrias. É ente salientes opostos que se mede o calibre verdadeiro duma arma de fogo. O que faz sentido, na medida em que é sobre os salientes que assenta a parte do corpo do projéctil de maior diâmetro (a zona de centragem, nos projécteis convencionais de artilharia). Salto da arma – É o movimento de rotação de uma arma de fogo, geralmente para cima e para um dos lados, que ocorre durante o seu disparo, e que se deve, em primeiro lugar: • Nas peças de artilharia, à aplicação à arma de um binário de forças formado pela força do recuo que actua ao longo do eixo do cano e pela resultante das forças que o reparo opõe ao recuo, em princípio ao nível dos munhões assentes no berço e portanto a um nível inferior ao daquele eixo, • Nas espingardas e outras armas semelhantes, à aplicação à arma de um binário de forças formado pela força do recuo ao longo do eixo do cano e pela resultante das forças que o atirador opõe a esse recuo, resultante essa que se aplica segundo um eixo subjacente, aproximadamente ao nível do ombro do atirador, • Nas pistolas e revólveres, à aplicação à arma de um binário de forças formado pela força do recuo ao longo do eixo do cano e pela resultante das forças que o atirador opõe a esse recuo, resultante essa que se aplica mais abaixo aproximadamente ao nível do centro do pulso.
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Em qualquer dos casos, há ainda outras causas para a formação de salto, que são as seguintes: • A que resulta de a resultante das forças que originam o recuo não passar pelo centro de gravidade da arma e portanto tender a fazêla rodar sobre si mesma, • A que resulta das vibrações do cano que se estabelecem a partir da explosão do propulsante do cartucho e da passagem do projéctil pela alma aquando do disparo. A amplitude total do salto depende é claro da duração da viagem do projéctil dentro do cano, pelo que os sistemas de arma que usam munições que produzem grandes forças médias do recuo e/ou baixas velocidades à boca são os em que se observa saltos maiores. Note-se também que qualquer massa colocada perto da boca do cano, na medida em que ela aumente consideravelmente o momento de inércia da arma, tem um efeito considerável na redução do salto. Por outro lado, é de notar que – para igual energia de recuo -, quanto maior for o salto, menor é a componente do movimento longitudinal da arma, o recuo ou coice. É por isto que, por exemplo nas espingardas de grosso calibre, destinadas à caça grossa, quando é necessário reduzir o coice/quantidade de energia a ser absorvida pelo ombro do atirador, se faz por aumentar o salto, através do uso de um maior ângulo de queda da coronha. Note-se que o salto, por constar de um movimento muito rápido, que se traduz também na aplicação de uma velocidade transversal ao projéctil o que, é claro, se vai reflectir na localização do ponto de impacto. Finalmente, note-se ainda que, no tiro de precisão com armas ligeiras, é um factor fundamental a ter em conta o facto de a consistência do tiro depender muito a uniformidade absoluta do salto e portanto da uniformidade da sustentação/preensão da arma por parte do atirador. De facto, há que ter em conta que o ponto de impacto de um projéctil é determinado não pela posição do cano no momento em que a actuação no gatilho dá início ao disparo mas sim pela posição espacial do cano no momento em que a bala o abandona.
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Segurança de uma infra-estrutura de tiro – Conjunto de medidas a adoptar destinadas a permitir a execução de tiro com os sistemas de armas autorizados, a partir de plataformas de tiro ou de posições de armas sem perigo para o pessoal e animais, nem danos contra instalações e bens de qualquer natureza quer no interior quer no exterior dos limites dessa infra-estrutura. Semi-automático – Designação genérica do modo de funcionamento das armas de fogo, em que, cada disparo requer apenas uma actuação do gatilho, isto é, do modo de funcionamento em que todas as outras fases de cada ciclo de funcionamento decorrem automaticamente, em princípio por aproveitamento de uma parte das forças de impulso desenvolvidas no disparo anterior. Silhueta - Nome por que é conhecido um dos alvos empregues em competições de tiro ao alvo com pistola, patrocinadas pela I.S.S.F. nomeadamente nas do chamado “tiro rápido” (Velocidade Olímpica e a parte de Velocidade de Pistola de Grosso Calibre e Pistola Sport). Com uma área total igual ao usado para tiro de precisão pura a 25 e a 50 metros, tem uma visual muito maior. Sistema - Um conjunto de componentes ou subsistemas concebidos individualmente ou propositadamente para funcionarem em conjunto mas em qualquer dos casos interligados entre si com vista à produção, da forma mais optimizada possível, de um produto ou resultado. Sistema de arma – No contexto dos sistemas mais simples, em particular no das armas portáteis, há que ter em conta que, do ponto de vista concepcional, as armas têm de ser desenhadas em função das características das munições que se pretende utilizar. E que o reverso é também, embora menos frequentemente, verdadeiro. Neste contexto, o termo sistema de arma refere-se a um conjunto arma-munição concebido por forma a ter em conta as interacções destes dois subsistemas. No que diz respeito aos sistemas muito complexos que há que empregar para dar resposta a necessidades operacionais de solução
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difícil, um sistema de arma é o conjunto de um número geralmente numeroso de subsistemas de natureza frequentemente muito diversa que há que empregar para realizar o grande número de funções que se inicia na detecção e identificação de alvos, passa pelo seu seguimento e determinação das leis do seu movimento, pela projecção de projécteis e só termina na necessária neutralização dos ditos alvos. Subsistema – Um conjunto de componentes organizado com vista à produção de parte dos produtos ou de resultados parciais a serem desenvolvidos ou utilizados pelo sistema em que se insere. Tabelas de tiro - São os livros essencialmente constituídos por tabelas que, para cada sistema de arma de impulso, arma de propulsão por reacção, ou lançador de granadas-foguete, descrevem por números e graficamente, as coordenadas tridimensionais das trajectórias dos vários projécteis usados nesses sistemas, correspondentemente a cada ângulo de projecção e a cada velocidade inicial. Os valores tabelados assumem uma determinada altitude do local da origem das trajectórias e uma dada atmosfera padrão onde não houvesse vento. Pelo que, para além destes valores, as tabelas de tiro têm de fornecer as correcções a aplicar quando há que fazer tiro noutras altitudes, quando se trata de uma atmosfera com características diferentes ou quando um vento sensível esteja presente. A determinação de tabelas de tiro, é o principal objectivo final dos estudos de balística externa. Corresponde ainda, na GNR, à designação genérica das diversas modalidades de tiro executadas no âmbito do Tiro de Instrução e do Tiro de Manutenção, onde existe, para além de outros dados (como seja o local de tiro, a distância, o número de sessões e de munições consumidas, etc.) uma correspondência entre os pontos/impactos obtidos e a classificação correspondente.

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Táctica – No contexto da tomada de decisões em teatro de guerra, a táctica é um dos factores básicos – os outros são a estratégia e a logística – da formulação das decisões. Diz respeito à necessidade de definir os meios e os procedimentos para se atingir os objectivos propostos. Tambor – Este termo emprega-se com dois significados distintos: • Nas armas curtas que se designam por revólveres e nas armas automáticas que funcionam segundo o sistema de operação a gás de uma arma de tambor, é o componente de forma aproximadamente cilíndrica que é perfurado pelas câmaras, e que roda por detrás da extremidade anterior do cano destas armas, • Nalgumas armas automáticas e armas semi-automáticas, é um componente do seu sistema de alimentação. Consta de um contentor de forma aproximadamente cilíndrica, onde as munições ficam armazenadas formando uma espiral. Esta disposição tem a vantagem de permitir o armazenamento de um grande número de munições num relativamente pequeno volume. Tapa-chamas - Acessório das armas de fogo que serve para diminuir a possibilidade de referenciação da posição que ocupam, durante a execução do tiro. Consiste, essencialmente, num invólucro metálico solidamente fixo à parte anterior da arma e que mascara mais ou menos completamente a chama que sai do cano. Nas armas de cano curto é normalmente constituído por um tubo de forma tronco (cónica com pouco mais de 10 cm de comprimento). Não esconde completamente a chama mas transforma o clarão intenso destas armas num pequeno clarão vermelho pálido. Os tapa-chamas desempenham um outro papel não menos interessante como órgão protector da boca da arma, conservando-lhe a integridade que é exigida pela precisão. Teatro de treino de tiro – São recintos fechados destinados a: • Tiro sobre alvos móveis de projecção cinematográfica ou sobre alvos fixos, em condições de ambiente diurno ou nocturno, com quaisquer armas ligeiras ou anti-carro que possam ser equipadas
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com um sistema de sub-calibre que disparam munições macias e de baixa velocidade, Simulação com algum tipo de mísseis para treino de seguimento de alvos.

Tensão emocional – Este termo técnico significa um estado emocional alterado, algo semelhante ao resultado de uma angústia, significando esta, por sua vez, um medo indefinido, um medo sem objecto definido. Quando usado no contexto da utilização de armas em competições desportivas, designa aquilo a que vulgarmente se chama “nervos” e é uma reacção psicológica que tende a perturbar a actuação da grande maioria dos atletas participantes - em particular, mais intensamente, os atiradores principiantes – resultante de estes tenderem a encarar a competição como uma forma de confronto. A tensão emocional é sentida pelo próprio indivíduo como um estado físico anormal em que a pulsação sanguínea é sentida pelo próprio indivíduo como um estado físico anormal em que a pulsação sanguínea é sensivelmente mais rápida, existe uma certa descoordenação nos pequenos movimentos, uma atenção anormal aos sons e outros estímulos produzidos no local, uma sudação por vezes copiosa, etc. Todos estes factores não são nada conducentes à formulação de um necessário estado de concentração. É gerada naturalmente pela produção em grau anormal de uma hormona chamada adrenalina e, em última análise, o melhor remédio para o combate aos seus efeitos/sintomas, reside realmente na habituação a estes sintomas, o que só pode ser feito através da participação, com grande frequência, em muitas competições. O atirador de competição fará bem contudo em tomar conhecimento do seguinte: • De que um certo grau de tensão emocional é útil e necessário pois permite ao indivíduo “exceder-se” em relação ao seu desempenho nos treinos, • De que os sintomas desta tensão são também um sinal seguro de que o seu organismo se encontra especialmente preparado para desempenhos excepcionais (a visão é excepcionalmente boa, os
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reflexos são mais rápidos, etc.), na medida em que é exactamente para que isso aconteça, que o organismo produz adrenalina, Que os excessos de tensão emocional podem ser combatidos com antecedência, através de treino psíquico apropriado usando técnicas especiais como seja o “Treino Autogénio” e, talvez principalmente, através de uma atitude perante os treinos técnicos, que faça destes permanentes competições contra as dificuldades impostas por objectivos difíceis.

Tiro – A projecção de um ou mais projécteis, que resulta do disparo de uma arma de impulso ou arma de propulsão por reacção. No âmbito militar é usual dividir o tiro em “tiro com armas ligeiras” e “tiro de artilharia”. A projecção de granadas-foguete ou mísseis e de torpedos, designase geralmente por lançamento. Tiro ao alvo - Designação genérica do tipo de actividade desportiva ou de recreio que, envolvendo o uso de espingardas, pistolas e revolveres, consiste essencialmente da aferição, por um indivíduo isolado ou por uma equipa de indivíduos que aceitam submeter-se a um regulamento, da precisão do tiro e consistência do tiro que seja(m) capaz(es) de realizar com aqueles géneros de armas, sobre alvos fixos ou móveis. Esta actividade desenrola-se com várias valências: • Como meio de teste de armas e munições ou da proficiência própria, na utilização de uma técnica assimilada, • Como desporto de competição, usando exclusivamente armas de precisão, organizado em vários escalões e âmbitos. Ao mais alto nível desta valência, a actividade compreende a organização de Campeonatos Intercontinentais e Campeonatos do Mundo e a integração - desde o início da “Era Moderna” – nos Jogos Olímpicos. A este nível da competição, participam quase exclusivamente atiradores profissionais, que constituem a maior parte dos modernamente chamados “atletas de alta competição”,

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Com fins puramente lúdicos, numa actividade sumariamente organizada, ou como imitação da actividade dos atiradores referidos no ponto anterior, Como forma de adestramento organizado com vista à preparação de combatentes ou preparação e organização de civis, para a defesa civil do território. Esta valência do tiro ao alvo encontra-se muito desenvolvida em vários países da Europa, sendo porventura o expoente máximo, a Suíça.

Tiro directo – Por definição, é o tiro que é feito para um alvo que se encontra à vista do atirador e em que, o próprio alvo pode ser usado para definir uma zona de pontaria. Neste caso a linha de mira que se estabelece é portanto geralmente dirigida ao próprio alvo e as pequenas diferenças de cotas entre a arma e o alvo, podem ser ignoradas. São também aqueles em que o projéctil segue a sua trajectória normal, desde a boca da arma até ao ponto de chegada, sem sofrer qualquer ressalto. Compreendem os tiros normais, errados e fortuitos. Este é o tipo de tiro que é praticado com pistolas, espingardas e metralhadoras, nalgumas situações com morteiros e com algumas peças de artilharia. Tiro indirecto – Por definição, é o tiro que é feito para um alvo que o atirador não pode ver. Neste caso quando é usada uma linha de mira, esta é estabelecida usando um “ponto auxiliar” exterior ao alvo e as armas são apontadas depois de resolvido um problema trigonométrico. É este o tipo de tiro que, modernamente, cabe às peças de artilharia, para efeitos de bombardeamento. Tiro prático – Uma modalidade de tiro ao alvo com pistola, que não é patrocinada pela I.S.S.F. Tiro de precisão – Em geral, este termo designa o tiro realizado com armas de precisão concebidas para, na realidade, propiciar uma grande consistência no tiro.
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No contexto das práticas desportivas, o termo significa geralmente o mesmo que tiro ao alvo e nestas actividades o objectivo compreende também a realização de uma grande precisão do tiro. No contexto de outras actividades “não desportivas”, note-se que a precisão do tiro, como capacidade “à prior” só tem uma grande importância nos casos do tiro em que o atirador dispõe apenas de um ou no máximo, dois ou três tiros para atingir um objectivo importante, como acontece no tiro dos franco atiradores e nalgumas modalidades de caça grossa. Tiro em seco - Em geral, um disparo em que a arma não se encontra carregada ou em que a câmara se encontra preenchida apenas com o invólucro (inerte) de uma munição. Portanto um disparo que não produz um tiro. Serve geralmente apenas para desarmar o mecanismo de percussão e/ ou o mecanismo do gatilho da arma, sendo esta uma prática a evitar nos sistemas de arma em que se emprega munições de percussão anelar, sem que haja um invólucro na câmara, porque aqui o percutor vem a embater no topo do cano, deformando-se ou partindo-se e danificando a entrada da câmara. Em grande parte dos sistemas de percussão central, a realização de tiro em seco sem um invólucro na câmara também é de desaconselhar pois aqui obriga-se o percutor a ir ao limite do seu curso, por não encontrar resistência antes. No contexto do tiro ao alvo, o termo refere-se a uma importante e extensivamente usada técnica de treino de disparo. Alguns dos melhores atiradores realizam com esta técnica a maioria dos disparos em treino. Compreendendo como anteriormente a realização dos disparos sem que a arma esteja devidamente carregada, esta técnica serve essencialmente para que o atirador se possa aperceber, sem ser perturbado pelo movimento da arma devido ao recuo, da correcção da sua actuação no mecanismo do gatilho ou, pelo contrário, de qualquer tendência para praticar erros no disparo, “invisíveis” nos disparos verdadeiros. A maioria das armas de tiro ao alvo, compreende um dispositivo especial para permitir a realização de tiro em seco.
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Trajectória – É a linha curva – geralmente tridimensional – que é descrita pelo centro de gravidade dum projéctil, bomba, míssil ou torpedo, depois do seu disparo ou lançamento. A trajectória de um projéctil no ar é sempre uma curva assimétrica em relação ao plano vertical transversal que passa pelo vértice, verificando-se que a inclinação diminui constantemente da origem até ao vértice e que ela aumenta depois dele até ao ponto de queda. Esta forma de trajectória tem pois um “ramo ascendente” e um “ramo descendente” com perfis bastante distintos. Trajectória de ricochete – Quando um projéctil animado de energia restante suficiente, embate em qualquer meio resistente e não penetre nele, nem se desintegre, poderá descrever no ar uma ou mais trajectórias secundárias a que se dá o nome de trajectórias de ricochete. Travador - Designação que recebe cada um dos dentes do obturador ou cada uma das peças destinadas ao travamento da culatra. Travamento da culatra - Uma operação do ciclo de funcionamento da maioria das armas de fogo. Consiste da imobilização da culatra por meios mecânicos, garantindo a continuidade do fechamento da culatra - o fechamento da extremidade anterior das almas dos canos, pelo menos até que a pressão dos gases produzidos em cada disparo, tenha descido suficientemente abaixo da pressão máxima. È claro que nas armas de tiro simples e armas de repetição, o travamento perdura até o destravamento da culatra ser efectuado manualmente. É verdadeiramente nas armas automáticas e nas armas semiautomáticas que o travamento da culatra só perdura até as pressões dos gases já terem descido bastante abaixo da pressão máxima, ainda com os projécteis dentro dos canos. Esta operação é indispensável em todos os sistemas de arma de calibres nominais tais que as respectivas munições desenvolvam forças tão elevadas que a inércia das culatras não seria suficiente para suportar o referido fechamento e naquelas em que a utilização
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operacional, por razões de limite no peso máximo das armas não permite o recurso à chamada percussão antecipada. Treino – A actividade organizada que se segue e constitui o complemento da aprendizagem, tratando-se a aprendizagem e treino de fazer com que um indivíduo opere segundo um processo tecnologicamente evoluído e/ou utilize eficazmente um sistema. A organização dum treino (por exemplo do treino de um atirador de competição), deve ser tal que: • O indivíduo adquira as capacidades física e psíquica indispensáveis à sustentação prolongada do controlo das técnicas “aprendidas”, • Seja possível ao indivíduo chegar a uma forma de actuação em que a quase totalidade das acções decorra “automaticamente”, isto é, comandadas pelo subconsciente através de reflexos condicionados, de tal forma que os seus sentidos e a sua mente fiquem disponíveis para detectar e processar racionalmente os acontecimentos anormais ocorridos à sua volta ou para, simplesmente, dar toda a atenção a um qualquer detalhe da tarefa, • O indivíduo treinado adquira uma rotina mental – um hábito mental – comprovadamente capaz de enfrentar e ultrapassar as dificuldades usuais do processo ou da utilização, mesmo quando sob as influências de um estado de tensão emocional, • Prepare o indivíduo para resolver expeditamente um conjunto de situações anormais possíveis, embora improváveis. No âmbito do treino do tiro de precisão/tiro ao alvo, “treinar” é muito mais do que a grande maioria dos praticantes “amadores” deste desporto costumam fazer, e que é (enganando-se a si próprios e aos outros), “divertir-se a dar uns tiros”. Para de constituir em treino de uma actividade de “alto desempenho” como é por exemplo a prática de tiro ao alvo de competição, a actividade tem de ser, no mínimo: • Organizada, isto é, decorrente de um planeamento a longo prazo, • Faseada, ou “por elementos”, isto é, incidente separadamente sobre os vários aspectos técnicos distintos do processo (a
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posição, o disparo, a pontaria, etc.), muito antes de se processar à sua integração num processo global. A expressão “uma coisa de cada vez” tem aqui um significado essencial, • Paciente, uma vez que o treino por elementos não pode dar resultados – nos alvos –a curto prazo. A única panaceia contra a falta de “estímulos imediatamente gratificantes” é a curiosidade sobre o funcionamento do próprio corpo e mente e as únicas satisfações possíveis inicialmente, são a certeza dum trabalho bem feito e a sensação duma crescente facilidade de execução, • Permanentemente vigilância, crítica e actuante, não hesitando em, na busca da perfeição e da excelência retornar ao treino específico de cada um dos aspectos singulares que se revele menos que perfeito, • Realista, isto é, tendo em conta as circunstâncias da realidade da competição, nomeadamente as impostas pela tensão emocional. Isto só é possível através da realização dos treinos num clima de competição do atirador consigo próprio e, durante a época das competições, da aferição constante deste trabalho, através da participação em muitas competições, elas próprias consideradas como elementos de um treino que nunca cessa. Túnel - Um componente do aparelho de pontaria das espingardas de tiro ao alvo que são equipadas com miras metálicas do género “fechado”. O túnel serve essencialmente para com ele se fazer o alinhamento; olho director – orifício da alça fechada- túnel, a fim de se fazer a eliminação do erro angular. Serve também como apoio do ponto de mira de anel, mira de plástico ou mira de poste que, qualquer delas, ficam fixadas, concentricamente, no seu interior e ao abrigo da luz directa do sol para que não se formem reflexos sobre elas. Velocidade inicial – No âmbito da balística externa, é a velocidade, geralmente superior à velocidade à boca, que o projéctil atinge depois de cessarem os efeitos dos gases da pólvora, igualmente emergentes da boca do cano da arma. Estes, na sua expansão,
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ultrapassam o projéctil, criando uma onda de choque invertida, que vai imprimir uma aceleração adicional a esse projéctil, a partir da sua velocidade à boca. Os projécteis dos sistemas de arma destinados a conseguir grandes alcances eficazes e/ou altas capacidades de penetração, têm de ter velocidades iniciais muito altas mas isso não basta pois terão de possuir igualmente valores altos de coeficiente balístico – ou baixos de coeficiente de resistência As gamas de velocidade iniciais são distintas, conforme a classe de arma. Estas gamas são as seguintes: • Armas de bala (pistolas, espingardas, metralhadoras, etc.) – Velocidades iniciais entre os 300 e os 1200 m/s, • Morteiros – Velocidades iniciais entre os 100 e os 300 m/s, • Obuses – Velocidades iniciais entre os 300 e os 1200 m/s, • Outras peças de artilharia - Velocidades iniciais entre os 700 e os 1600 m/s. Visual – É a marca central dum alvo, geralmente circular e de cor negra, que serve de referência à pontaria das armas, nas várias modalidades de tiro ao alvo. Vivacidade – É o parâmetro que, embora apenas qualitativamente, exprime a rapidez com que uma carga de uma dada pólvora ou outro propulsante de consome. Dada a forma como se opera a reacção explosiva destes explosivos, sempre da superfície para o interior dos grãos, a vivacidade tem uma relação directa com o parâmetro, quantitativo, que se designa por dimensão balística da carga. Diz-se que uma dada carga é muito “viva” quando, dada principalmente a configuração dos grãos que a compõem, ela se consome (atinge o fim da queima ou deflagração) muito rapidamente. Zagalote - São os chumbos de caça dos tamanhos maiores, que se usam na constituição de bagadas de cartuchos de caça que se destinam a fins especiais, em particular ao uso em espingardas de guerra de cano liso. Fabricam-se nas classes e diâmetros seguintes:
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LG------9.1 mm SG------8.4 mm Spec. SG------7.6 mm SSG------6.8 mm AAA------5.2 mm Zarelho(s) - São as peças/argolas de metal, que se aplicam nalgumas espingardas e carabinas com coronhas de madeira e que servem para fixar as bandoleiras. Zona em ângulo morto - Zona do terreno em que o alvo não pode ser atingido, facto que sucede sempre que a inclinação do terreno for superior à do ramo descendente da trajectória. Zona batida - Agrupamento no qual o cone de fogo intercepta o plano que contém a linha de sítio e é normal ao plano de tiro. A Zona Batida tem a forma de uma elipse em que o eixo maior coincide com o plano de tiro e o menor é perpendicular a este, isto é, o eixo maior é no sentido do alcance e o menor no sentido da largura ou direcção. A profundidade da Zona Batida diminui à medida que a distância de tiro aumenta; porém, a partir de certa distância começa a aumentar. A largura da Zona Batida aumenta sempre com a distância. Mantendo-se constante a distância de tiro, a Zona Batida tem o seu valor máximo quando o ângulo de tiro é igual a zero, diminuindo à medida que este ângulo cresce e aumentando à medida que ele decresce. Zona perigosa de uma arma – É o espaço tridimensional a partir da posição de tiro que pode ser atingido pelos projécteis ou fragmentos provenientes dessa arma. Zona perigosa de uma infra-estrutura de tiro – É o espaço tridimensional estabelecido a partir de toda a largura das plataformas de tiro ou bases de fogos, acrescida, se necessário, de uma
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determinada extensão para ambos os flancos. Divide-se em zona perigosa de superfície e zona perigosa vertical. Zona perigosa de superfície é a parte da zona perigosa constituída pela projecção sobre a superfície do terreno, ou aquática, de todo o espaço tridimensional. É constituída por: • Área de dispersão, • Área de ricochetes, • Área perigosa de munição (só explosivos) Aquém desta zona existe a Área de protecção auditiva e a Área de acesso restrito.

50 METROS POSIÇÃO DE

50 METROS

50 METROS

ÁREA DE PROTECÇÃO

Zona perigosa vertical é a parte da zona perigosa constituída pelo espaço aéreo cuja altitude vai desde o nível do solo até à altura de segurança característica de cada arma e munição.

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Zona de energia total – É o espaço tridimensional em volta de uma posição de tiro que pode ser atingido pelos projécteis ou fragmentos provenientes de uma dada arma quando disparada em qualquer direcção. Corresponde a um círculo em volta da arma cujo raio é o alcance máximo, e a um espaço aéreo sobre o mesmo.
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Zona de pontaria – Um termo da tecnologia do tiro ao alvo. É a zona, aproximadamente circular, de um alvo, maior ou menor conforme a habilidade do apontador/atirador e conforme os condicionalismos impostos pela sua posição exterior e pela sua posição interior, para a qual se aponta a arma, a fim de atingir o centro desse alvo. No tiro ao alvo com pistola ou espingarda equipada com ponto de mira de poste, a zona de pontaria situa-se geralmente abaixo da visual do alvo, a uma distância tal que as pequenas oscilações da arma nunca levem o ponto de mira a “entrar” nessa visual, pois como o ponto de mira é também de cor negra, ele deixaria então de poder ser visto distintamente. No tiro ao alvo com espingarda equipada com mira de anel, a zona de pontaria é a própria visual do alvo, uma vez que é a própria visual que se pretende rodeada pela abertura cen
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