Mecânica dos Sólidos – 2012/02

MOMENTO ESTÁTICO DE UMA ÁREA
Consideremos a área A situada no plano yz (Fig. 1). Se y e z forem as coordenadas
de um elemento de área dA, definimos o momento estático de área A em relação ao eixo y
como a integral.
Sy = ∫A z.dA
De maneira análoga, o momento estático da área A em relação ao eixo z é definida
como a integral
Sz = ∫A y.dA

Figura 1

Vemos que, dependendo da posição dos eixos coordenados, cada uma das
integrais pode ser positiva, negativa ou nula. Os momentos estáticos Sy e Sz são
usualmente expressos em m3 ou mm3, no Sistema Internacional de Unidades.
BARICENTRO OU CENTRÓIDE DE UMA ÁREA
O centróide de área A é definido como o ponto C de coordenadas y e z (Fig. 2),
que satisfazem as relações:
∫A y.dA = A . yG
∫A z.dA = A .zG

Figura 2

Comparando as equações Sy e Sz com as equações acima, vemos que os momentos
estáticos da área A podem ser expressos pelo produto da área através das coordenadas do
seu centróide.
Sz = A.yG
Sy = A.zG
Quando uma área possui um eixo de simetria, o momento estático da área em
relação a esse eixo é zero. Realmente, considerando a área A da figura 3, que é simétrica

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para a área retangular da figura 6. das equações Sy = ∫A z. a integral da equação Sz = ∫A y. o que mostra que o centróide coincide com o centro de simetria. vemos que a todo elemento de área dA de coordenadas -y e –z. o centróide de uma área circular coincide com o centro do círculo (Fig. o seu momento estático em relação a um certo eixo pode ser obtido imediatamente das equações Sy = A. as integrais nas equações S y e Sz são ambas nulas e Sy = Sz = 0. seu centróide se localiza nesse eixo. que zG = yG = 0. temos: 2 . se uma área possui um eixo de simetria.dA é igual a zero e. 4b). Temos ainda. Como conseqüência. Conseqüentemente. desse modo. vemos que a todo elemento de área dA de abscissa y corresponde ao elemento de área dA’ de abscissa -y. Figura 3 Como um retângulo possui dois eixos de simetria (Fig. tomando a área A da figura 5.dA e Sz = ∫A y. o centróide de uma área retangular coincide com seu centro geométrico. Figura 4 Quando uma área possui um centro de simetria O. Realmente.dA. o momento estático da área em relação a qualquer eixo que passe por O é zero. 4a).zG e Sz = A. Assim. Sz = 0.yG. Da mesma maneira. tem um simétrico na posição +y e +z. Figura 5 Quando o centróide C de uma área pode ser localizado por meio de simetria. Por exemplo.Mecânica dos Sólidos – 2012/02 em relação ao eixo z.

na verdade. temos: u h-z h-z = u=b b h h dA = u dz = b h-z dz h Figura 8 3 . 8). Muitas vezes. Exemplo 1 Determinar. para a área triangular da Fig. (b) a ordenada zG do centróide da área. Esse procedimento é aplicado no exemplo 1. é necessário realizar-se as integrais das equações para a determinação dos momentos estáticos e do centróide de uma dada área. no entanto. porém.yG = (bh) (b) = b2h Figura 6 Na maior parte dos casos.zG = (bh) (h) = bh2 e Sz = A. Por semelhança de triângulos. tomandose elementos de área dA na forma de faixas horizontais ou verticais. integrais duplas. As integrais indicadas nas equações são.Mecânica dos Sólidos – 2012/02 Sy= A. Escolhemos como elemento de área uma faixa horizontal de comprimento u e espessura dz. 7: (a) o movimento estático Sy da área em relação ao eixo y. Vemos que todos os pontos no elemento de área se situam à mesma distância z do eixo y (Fig. se consegue reduzir o problema ao cálculo de integrais em uma variável. Figura 7 (a) Momento estático Sy.

Usando a primeira das equações e observando que A = bh. zG3 são as ordenadas dos centróides de cada área resultante da divisão da figura.dA = ∫A1 z1.dA.b.dz = [h . Se dividirmos A nas partes A1.dA = A. .z  z ). zG2.dA + ∫A2 z2. zG1 + A2 . escrevemos.dA + ∫A3 z3. temos: bh 2 h Sy = A zG = (bh)zG zG = 3 6 DETERMINAÇÃO DO MOMENTO ESTÁTICO E DO CENTRÓIDE DE UMA ÁREA COMPOSTA Consideremos uma área A que possa ser dividida em formas geométricas simples. Estendendo esse resultado para uma divisão em um número qualquer de partes.dA ou usando a segunda a equação ∫A z.dA =  z. estendida a toda a área A. 4 . A2. zG2 + A3 . como a área trapezoidal da figura 9.zG Sy = A1.] 0 h h 2 3 h 0 0 h bh 2 Sy = 6 (b) Ordenadas do centróide. zG3 onde zG1. Figura 9 O momento estático Sy da área em relação ao eixo y é representado pela integral ∫z.dz =  (h. para Sy e Sz. A3 escrevemos: Sy = ∫A z.Mecânica dos Sólidos – 2012/02 O momento estático da área em relação ao eixo y é: b h b z2 z3 h hz 2 Sy = ∫A z.

vemos que o centróide C deve estar localizado sobre o eixo z.YG. Temos: n A.ZG e Sz por A.zGi  A.yGi i 1 i 1 Resolvendo então para YG e ZG e lembrando que a área A é a soma das áreas Ai. Temos então Y G = 40 mm. Sy por A.YG = Ai. pois esse eixo é um eixo de simetria. nas equações acima. o centróide C da área indicada na Figura 10 Adotando os eixos auxiliares y’ e z’ como indica a figura 10. substituímos. escrevemos: n  YG Ai yGi i 1 = ZG n  Ai i 1 n  = Ai zGi i 1 n  Ai i 1 Exemplo 2: Determinar figura 10.ZG =  n Ai. 5 .Mecânica dos Sólidos – 2012/02 n n Sy =  Ai zGi Sz =  Ai yGi i 1 i 1 Para determinarmos as coordenadas ZG e YG do centróide C da área composta A.

12). (um eixo como este é chamado de eixo centroidal.Mecânica dos Sólidos – 2012/02 Figura 11 Dividindo A nas partes A1 e A2. usamos a equação YG =  Ai yGi  Ai ZG =  Ai zGi  Ai para determinarmos a ordenada Z do centróide. A1 A2 O cálculo se simplifica se for feito em forma de tabela. determinamos as ordenadas z’1 e z’3 das áreas A1 e A3 e calculamos o momento estático S’y. mm (20) (80) = 1600 70 (40) (60) = 2400 30  Ai = 4000 Aiz .) Chamando de A’ parte da área A situada acima do eixo centroidal (Fig. Sabendo do exemplo 2 que C está localizado a 46 mm acima do eixo inferior de A. de A’ em relação à y’. determinar o momento estático de A’ em relação a y’. Área. 13). Figura 12 Solução: Dividimos a área A’ nas partes A1 e A3 (Fig. vamos considerar o eixo y’que passa pelo centróide C. temos: 6 . mm3 112000 72000  Ai zGi = 184000 n  ZG = Ai zGi i 1 = n  Ai 184000 = 46 mm 4000 i 1 Exemplo 3: Tomando a área A do exemplo 2. mm2 zi .

y’ = A (0) = 0 Tomando a área A’’.S’’y’ o que mostra que os momentos estáticos de A’ e A’’ têm o mesmo valor. como Iy = ∫A z2dA Iz = ∫A y2dA RAIO DE GIRAÇÃO 7 . o momento estático de A’’ em relação a y’. escrevemos: S’’y’ = A4. de modo que o momento estático S’y’ da área total A em relação a y’.y’4 = (40 .S’’y’ = +42300 mm3 Figura 14 MOMENTO DE INÉRCIA DE UMA ÁREA Consideremos novamente a área A situada no plano yz (Fig. 46)(-23) = . temos Sy’ = S’y’ + S’’y’ = 0 S’y’ = . com sinais contrários. Com os dados da Fig. e chamando de S’’y’ .Mecânica dos Sólidos – 2012/02 Figura 13 Solução alternativa:Devemos notar inicialmente que o centróide C da área A se localiza sobre y’. 14. O momento de inércia da área A em relação ao eixo y e o momento de inércia de A em relação ao eixo z são definidos respectivamente. 1) e o elemento de área dA de coordenadas y e z. parte da área A situada abaixo do eixo y’.42300 mm3 e S’y’ = . Sy’ = A. é zero.

podemos definir o raio de giração em relação ao eixo z Iz Iz = r2z A rz = A Exemplo 4: Determinar. Calculando o valor de r y na equação acima. temos Iy ry = A De maneira análoga. Figura 15 (a) Momento de inércia Iy. para a área retangular da figura 15: (a) o momento de inércia I y da área em relação ao eixo centroidal y. escrevemos b 3 h / 2 b z h / 2 = Iy = ∫ dIy = ∫ z2 (bdz) = 3 3   8  h 3 h 3  bh 3    = 8  12  8 . Todos os pontos dessa faixa estão situados à mesma direção z do eixo y. Vamos adotar como elemento de área a faixa horizontal de largura b e espessura dz (Fig. que satisfaz a relação Iy = r2y A onde Iy é o momento de inércia de A em relação ao eixo y. (b) o raio de giração r y correspondente. 16).Mecânica dos Sólidos – 2012/02 O raio de giração de uma área A em relação ao eixo y é definida pela grandeza r y. e o momento de inércia da faixa em relação a y é dIy = z2 dA = z2 (bdz) Figura 16 Integrando de y = -h/2 a y = + h/2.

Mecânica dos Sólidos – 2012/02 (b) Raio de giração rx. Se chamarmos de z a distância de um elemento de área dA até esse eixo. dessa forma. Iy = Iy’ + Ad2 Essa fórmula indica que o momento de inércia I y de uma área em relação a um eixo arbitrário y é igual ao momento de inércia I y. Esse momento estático é nulo. A distância do elemento dA até esse eixo será chamada de z’. da área em relação ao eixo centroidal y’. Sy’ = AzG = A(0) = 0 Por último. mais o produto Ad2 da área A pelo quadrado da distância d entre os dois eixos. conhecendo-se o valor do momento de inércia dessa área em relação a um eixo 9 . Essa propriedade é conhecida como o teorema dos eixos paralelos. Temos. Substituindo esse valor de z na integral que representa Iy. vamos encontrar Iy = ∫A z2 dA = ∫A (z’+d) 2 dA Iy = ∫A z’2 dA +2d ∫A z’dA + d2 ∫A dA A primeira integral da equação acima representa o momento de inércia I y. e teremos z = z’+d.bh 12 TEOREMA DE STEINER OU TEOREMA DOS EIXOS PARALELOS Consideremos o momento de inércia Iy de uma área A em relação a um eixo y arbitrário (Fig. quer dizer. da área em relação ao eixo centroidal y’ paralelo ao eixo y. 17). vemos que a terceira integral é igual à área total A. Ela torna possível a determinação do momento de inércia de uma área em relação a um dado eixo. temos Figura 17 Vamos desenhar o eixo centroidal y’. o eixo paralelo ao eixo y que passa pelo centróide C da área. onde d é a distância entre dois eixos. A segunda integral representa o momento estático S y. calculando ry. ry = bh 3 h  12. da área em relação ao eixo y’. uma vez que o eixo y’passa pelo centróide C. Da equação Iy = r2y A. temos: 1/12bh3 = r2y (bh) e.

Figura 19 10 . No entanto. quando se conhece o momento de inércia Iy da área em relação a um eixo paralelo. de uma área A em relação ao eixo baricêntrico y’. Devemos observar que o teorema dos eixos paralelos só pode ser usado se um dos eixos for um eixo centroidal. A2. etc. antes de se somar simplesmente os valores dos momentos de inércia das partes componentes. No entanto. etc. devemos usar o teorema dos eixos paralelos para transferir cada momento de inércia para o eixo desejado. Exemplo 5 Determinar o momento de inércia Iy da área indicada em relação ao eixo centroidal y (Fig. seu momento de inércia pode ser calculado através das fórmulas dadas. de modo que o momento de inércia de A em relação a um certo eixo será obtido pela soma dos momentos de inércia de A1. se a área é formada de várias formas geométricas comuns. esse cálculo já foi feito no exemplo 2. DETERMINAÇÃO DO MOMENTO DE INÉRCIA DE UMA ÁREA COMPOSTA Consideremos uma área composta A constituída de várias partes A1. e calculamos os momentos de inércia de cada parte em relação ao eixo x. onde se viu que C fica a 46mm acima da base da figura. Inversamente. Este procedimento é usado no exemplo 6. A2 e outras. em relação ao mesmo eixo.Mecânica dos Sólidos – 2012/02 baricêntrico de mesma direção. Assim. 19). para o momento de inércia de cada parte componente. A integral que calcula o momento de inércia de A pode ser subdividida em integrais estendidas às áreas A1. subtraindo-se de Iy a parcela Ad2. Determinação do momento de inércia: Dividimos a área A em duas áreas retangulares A1 e A2 (Fig. 18). ela possibilita que se determine o momento de inércia Iy. Figura 18 Localização do centróide: Devemos inicialmente localizar o centróide C da área. A2.

encontramos (Iy’’)2 = 1/12 bh3 = 1/12 (40)(60)3 = 720000 mm4 (Iy)2 = (Iy’’)2 + A2d22 = 720 . 60)(16)2 = 1334000 mm4 Área total A: O momento de inércia Iy da área total é obtida somando-se os valores dos momentos de inércia de A1 e A2 em relação ao eixo y: Iy = (Iy)1 + (Iy)2 = 975000 + 1334000 Iy = 2310000 mm4 11 . transferimos o momento de inércia de A1 do seu eixo centroidal y’para o eixo y: (Iy)1 = (Iy’)1 + A1d12 = 53. 103 + (40 . Usando a fórmula do momento de inércia centroidal do retângulo deduzido no exemplo 4. temos (Iy’)1 = 1/12 bh3 = 1/12 (80mm)(20mm) 3 = 53300 mm4 Usando o teorema dos eixos paralelos. 103 + (80 . 20)(24)2 = 975000 mm4 Área retangular A2: Calculando o momento de inércia de A2 em relação ao seu eixo centroidal y’’. calculamos inicialmente o momento de inércia de A1 em relação do seu próprio peso centroidal y’. e usando o teorema dos eixos paralelos para transferi-lo para o eixo y.3 .Mecânica dos Sólidos – 2012/02 Área retangular A1: Para obtermos o momento de inércia (I y)1 de A1 em relação ao eixo y.