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Raízes da teologia contemporânea de Hermisten Maia Pereira da Costa © 2004, Editora Cultura
Cristã. Todos os direitos são reservados.

Ia edição em português - 2004
3.000 exemplares

Revisão
Madalena Torres
Wilson de Ângelo Cunha
Editoração
Vanderlei Ortigoza
Capa
Leia Design

Costa, Hermisten M.P. (Maia Pereira)
C837r

1956 -

Raízes da teologia contemporânea / Hermisten Maia Pereira da Costa - São
Paulo: Cultura Cristã, 2004.
432p. ; 16x23x2,25cm.
ISBN 85-7622-052-0
1.Teologia Contemporânea. 2.Filosofia 3.História da Teologia I.Costa, H.M.P. II.TÍtulo.
CDD 21ed. - 230.02

Publicação autorizada pelo Conselho Editorial:
Cláudio Marra (Presidente), Alex Barbosa Vieira, André Luís Ramos, Mauro Fernando Meister,
Otávio Henrique de Souza, Ricardo Agreste, Sebastião Bueno Olinto, Valdeci da Silva Santos

CDITOAA CULTURA CAISTA
Rua Mlgual Talas Junior, 394 - Cambucl
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www.oep.org.br - cep@cep.org.br

Superintendente: Haveraldo Ferreira Vargas
Editor: Cláudio Antônio Batista Marra

D edico este livro aos m eus M estres:
Rev. Paulo Viana de M oura, quem prim eiram ente m e iniciou
no cam po da leitura.
Rev. Oadi Salum , quem m e estim ulou a prosseguir, sendo ele
m esm o um exem plo que sem pre me fascinou.
Rev. A lceu D avi Cunha, que m esm o não sendo m eu professor
form al, foi e continua sendo aquele que tem m e ensinado a
responsabilidade ética de um M inistério com prom etido com a
Palavra.
Rev. Boanerges Ribeiro (1919-2003), com quem tive a honra
de estudar, trabalhar e conviver. Através de sua genialidade,
sim plicidade e piedade prática, pude rever conceitos, lapidar
conhecim entos e aprender m ais do que consigo perceber. Em
sua erudição e sim plicidade, pude ver a sua preocupação cons­
tante com as suas ovelhas, sem pre atento às suas necessidades,
para as quais ele m inistrava de form a eficaz o rem édio santo: A
Palavra de Deus. No Reverendo, com o era respeitosa e cari­
nhosam ente cham ado, vi personificado o significado de um
H om em Reformado.

PREFÁCIO

A publicação deste livro causa-m e alegria e temor. Tem or por saber que o
assunto tratado é de um a grande abrangência com toda a sua com plexidade
envolvendo diversos setores do saber que, por sua vez, englobam outros
com estudos cada vez m ais específicos. O nosso trabalho quando m uito tem
a pretensão de estabelecer um a linha de relações e correlações entre alguns
dos diversos pensam entos que contribuíram para a form ação da Teologia do
Século 20. N aturalm ente um trabalho com o este não contem pla todos os
sistem as nem dá a cada um deles o tratam ento que os eruditos em cada área
gostariam . Contudo, m esm o reconhecendo o problem a e as críticas que vi­
rão, não tem os m uitas opções. Toda linha seguida envolve um a escQlha que
nem sem pre parece ao outro ter a objetividade devida; corro esse risco,
aguardando outros trabalhos m ais com pletos que inevitavelm ente virão.
A alegria está relacionada não só com o produto final, m as com o
m odo com o foram elaboradas essas notas. H á 20 anos trabalho com esse
assunto; isto indica mais lentidão do que profundidade. Em 1984, professor
do então Sem inário Presbiteriano do Sul - Extensão de Belo Horizonte (Atual
Sem inário Presbiteriano Rev. D enoel N icodem os Eller) fui convidado para
lecionar a disciplina Teologia C ontem porânea. N a ocasião delineei os tra­
ços principais deste livro que pouco m udou em term os de itinerário. N esse
m esm o ano, continuando o que vinham os fazendo, prom ovem os alguns Se­
m inários naquela Instituição. Então realizam os o Segundo Sem inário de
Teologia C ontem porânea (21 -22/09/84), evento no qual participaram com o
palestrantes os então alunos: David da Cunha, C arlos Del Pino, José Carlos

8

R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a

Ribeiro, René Alves Stofel e o Rev. Ludgero B onilha M orais, que encerrou
o evento com a palestra que lhe fora sugerida: Teologia Contem porânea:
Um D esafio p ara a Teologia Reformada. Procurando m inhas anotações
encontrei um esboço da m inha palestra de 12 páginas m inistrada no início
do Sem inário: Elem entos Precursores da Teologia do Século 20. Iniciei a
palestra assim:
P o d em o s traçar “d ivisores de águ as” dentro da T eologia, co m o tam bém o
fa z em o s na F ilo so fia ; contudo, o elem en to que, na m inha op in ião, é o m ais
ev id en te para dividir o antes e o d ep o is da H istória da T eologia, é a R efo r­
ma Protestante d o sé c u lo 16... In icialm en te, c o m e c e i a form ular m inha
co n ferên cia partindo do co n tex to cultural da R eform a e, até m esm o dos
e le m en to s precursores dela e, d ep ois, analisan do o s principais sistem a s e
pensadores da R eform a até o in ício do sé c u lo 20; contud o, lo g o que c h e ­
guei ao sé c u lo 18, percebi que m eu intento era utóp ico em relação ao tem p o
de que dispunha... Entendi que a forma que pretendia dar à m inha co n ferên ­
cia seria viável para um curso, m as não para 6 0 m inutos de e x p o siç ã o ... Por
isso , m udei a form a e, apesar de com eçar do H um anism o do sé c u lo 14,
p o sso garantir que não discorrerei de form a sistem ática sobre os pensadores
que existiram d esd e então... T odavia, m e reporto ao sé c u lo 14 para tomar
c o m o pon to de partida um a nova co n cep çã o de vida e de n o v o s valores,
pois isto tudo tem in flu ên cia direta não som en te sobre a T eo lo g ia m as, tam ­
bém , sobre todos o s ram os do saber; por isso , verem os agora quais foram os
prin cíp ios que passaram a reger a m entalid ade d o hom em renascentista;
qu ais as características d e sse períod o...

Continuei lecionando a disciplina nos anos posteriores, passando desde
1985 até o presente a m inistrá-la no Sem inário Presbiteriano Rev. José
M anoel da C onceição em São Paulo, Capital.
No período de 28 a 31 de julho de 1986, participei com o um dos
preletores do Primeiro Encontro de Professores do Sem inário Presbiteria­
no do Sul e E xtensões, evento realizado em C am pinas, no S em inário
Presbiteriano do Sul. N a ocasião falei sobre o m esm o tem a tratado em Belo
H orizonte; a introdução é basicam ente a m esm a e o texto, ainda que mais
robusto (17 págs), continua com os m esm os princípios norteadores. N a oca­
sião contei com o apoio e sugestões de experientes e com petentes m estres
com o o Rev. Oadi Salum , m eu antigo professor no Sem inário Presbiteriano
do Sul, Rev. Jair Alvarenga, Rev. Thiago R ocha e Rev. D ante Sarm ento de
Barros, estes três da Extensão do Sem inário de C am pinas que funcionava
no Rio de Janeiro.
Hoje, quase 20 anos depois, os m esm os princípios orientam este li­
vro; a diferença reside nos anos e nas oportunidades que D eus nos concedeu
de pesquisar nos retalhos de tem po que tive entre fam ília, igreja e S em iná­
rio. O bviam ente sou devedor a mais pessoas do que sou capaz de lembrar.
N otadam ente nos últim os 19 anos tenho lecionado esta m atéria no Sem iná-

P r e f á c io

9

rio Presbiteriano Rev. José M anoel da Conceição; sem dúvida nenhum a
m eus alunos têm sido grandes colaboradores tanto desse com o de quase
todos m eus trabalhos, através de perguntas, críticas, sugestões e correções.
Sou extrem am ente grato a todos eles.
D este modo, responsabilizando-m e pelos eventuais equívocos e om is­
sões existentes tom o a liberdade de com partilhar com o leitor o resultado de
m inhas pesquisas que, evidentem ente não sendo finais, talvez possam con­
tribuir para que outros continuem de form a aperfeiçoante e corretiva o que
fizem os dentro de nossos parcos recursos e limitações, A Deus seja a Glória.
São Paulo, 15 de novem bro de 2003.
Rev. H erm isten M aia Pereira da C osta

SUAAÁRIO

P r e fá c io

7

I n tr o d u ç ã o

15

D e fin iç ã o

15

Im p o rtâ n cia d o E stu d o da T e o lo g ia C o n tem p o râ n ea

16

C o n s id e r a ç õ e s M e to d o ló g ic a s

16

P ar t e I - A C o n s t r u ç ã o

do

P e n sa m e n t o M

oderno

C a p ítu lo 1 - O R e n a s c im e n to

27

29

In tro d u ç ã o

29

D e f in iç ã o

44

R e n a s c im e n to e H u m a n ism o

46

C a r a cte r ístic a s d a F ilo s o f ia R e n a s c e n tista

48

R e sta u ra ç ã o da C u ltu ra C lá s s ic a

49

C r ia çã o d o N o v o

60

S ín te s e d o C r istia n ism o c o m a C u ltu ra C lá s s ic a

61

A V a lo r iz a ç ã o d o H o m e m

65

C a p ítu lo 2 - A R e fo r m a P r o te s ta n te

71

S u a s O r ig e n s

71

A R e fo r m a c o m o M o v im e n to R e lig io s o

73

A R e fo r m a e o H u m a n is m o -R e n a sc c n tis ta

77

A R e fo r m a e a P ro p a g a çã o das E scritu ras

80

A R e fo r m a e a E d u ca ç ã o

85

R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a

12

L u te r o

85

C a lv in o

89

A R e fo r m a e o T rabalho

117

A R e le v â n c ia das E scritu ras no S iste m a R e fo r m a d o

133

J o ã o C a lv in o : O E x e g e ta da R e fo rm a

133

A C o n fis s ã o d e W e stm in ster

162

A n o ta ç õ e s F in a is so b re o C a lv in is m o

205

Capítulo 3 - O Pensamento Moderno

209

In tro d u ç ã o

209

A F ilo s o fia

210

O q u e é F ilo so fa r ?

210

A F ilo s o f ia M o d e rn a

210

A C iê n c ia

213

T ip o s d e C o n h e c im e n to

214

C o m p r o m iss o e L im ite d a C iê n c ia

216

A C iê n c ia : S o n h o e T rabalho

218

C iê n c ia e R e lig iã o n o P e n sa m e n to M o d e rn o

220

A M o d e rn a C iê n c ia M o d e rn a
O D e u s S ob era n o : O

Capítulo 4

-A

Principium Essendi d e

225
to d o C o n h e c im e n to

Ortodoxia Protestante

228
233

D e fin in d o T erm o s

233

C o n c e itu a n d o

235

E le m e n to s G er a d o r es
A E d u c a ç ã o F orm al da É p o c a

239
239

A C o n tro v é rsia P ro testa n te

241

A C o n fia n ç a da R a z ã o

241

A P r e se r v a ç ã o da S ã D o u trin a

242

“A F é E x p líc ita ”

243

Capítulo 5 - O Pietismo

255

In trod u ção: O s J e su íta s, T ren to e a C o n tra -R efo r m a

255

C a r a cte r ístic a s d o P ie tism o

260

S p e n e r e a E x p e r iê n c ia R e lig io s a

263

V id a

263

O b ras

266

P o n to s E n fa tiz a d o s

266

F ran ck e: E ru d içã o e M is s ã o
A I n flu ê n c ia d o P ie tism o
Z ie g e n b a lg e P lü tsc h a u

267
268
268

N ic o la u L . V on Z in z e n d o r f

269

O “C o n tá g io ” P ie tista

270

A n o t a ç õ e s F in a is

277

Capítulo 6 - O Iluminismo

279

O Amyraldianismo R e p r e se n ta n te s d o A m y r a ld ia n ism o 5.13 S u m á r io P a r t e II .A ss u n t o s 415 Í n d ic e R e m iss iv o .A ut o r e s 419 . Cristianismo e Filosofia 4.1 8 0 4 ) 286 H egel (1 7 7 0 -1 8 3 1 ) 292 H is to r ic is m o 293 293 C ie n tif ic is m o 293 S u b je tiv is m o R e lig io s o 294 A n tr o p o c e n tr is m o 296 R a c io n a lis m o 298 T o le r a c io n is m o 298 O tim ism o 30 1 É tic a 302 C rítica 303 A u to n o m ia 313 H a rm o n ia 314 317 dendos 1.O I l u m in is m o Capitulo 7 e o L ib e r a l ism o T e o l ó g ic o do S éc u l o 19 . Confissão Auricular 2. A Reforma Pombalina 323 327 331 335 337 O Ilu m in is m o e a R e fo r m a P o m b a lin a 337 O S iste m a R e lig io s o no B r a sil em 1 8 1 0 349 A A u s ê n c ia P rotestan te A s P rim eira s A b ertu ras Ju ríd icas F a to re s q u e C on trib u íram Para a T o lerâ n cia R e lig io s a 349 350 362 O Ilu m in is m o P o rtu g u ê s 362 A N e c e s s id a d e d e M ã o -d e -o b r a 364 A S itu a ç ã o d o C le ro 366 A T r a d içã o L ib eral d o B ra sil O A lh e a m e n to entre o C a t o lic is m o P ó s-P o m b a lin o e o V a tic a n o 374 384 387 B ib l io g r a fia Í n d ic e R e m iss iv o . 285 A I n flu ê n c ia H u m in ista so b re a T e o lo g ia Á r ea s d e In flu ê n c ia d o Ilu m in is m o sob re a T e o lo g ia A 283 285 319 O rig e m 319 C o m o F o n te d e R e n d a 319 C o m o F o n te d e P o d e r 320 Universidades Medievais 3. K ant ( 1 7 2 4 .Liberalismo Teológico D e f in iç ã o de L ib e r a lism o T e o ló g ic o 285 In sp ir a d o r es C o n te m p o r â n e o s d o L ib e r a lism o 286 I.

em geral.Paul T illich . 1986. D e c lín io e Q u ed a d o Im p é rio R om an o. por exem plo. não.” . S ão P aulo. em m e io a um a raça de seres d éb eis e d egen erad os.Introdução “ Q uando o te ó lo g o sistem ático en sin a história. especialm ente.” . A S T E . 44. “O te ó lo g o pode bem se com prazer na d eleito sa tarefa de d escrever a R e li­ gião d escen d o do C éu revestida de sua pureza natural. Isto não significa que a Teologia C ontem porânea tenha com o escopo. P e r s p e c tiv a s d a T eo lo g ia P ro te sta n te n o s S é c u lo s 1 9 e 20. p. exercendo um a influência decisiva no desenvolvim ento teológico. 195. p. C u m pre-lhe descobrir a in evitável m istura de erro e corrupção por e la contraída num a lon ga resid ên cia sobre a terra. São P aulo.ain­ da que parcialm ente . quer “ortodoxo” . contrárias ao sistem a dela. Definição Teologia C ontem porânea é o estudo analítico-crítico das m anifestações teo­ lógicas surgidas após a R eform a e. A o historiador com pete um encargo m ais m e la n có lico . e le tem que expressar o que pen sa das co isa s. . N ã o pod e se lim itar a enum erar fa lo s c o m o se e stiv e sse seg u in d o um m anual. o C atolicism o.ao pensam ento e ao espírito da R eform a. aqueles teólogos e/ou m ovim entos que seguiram cam inhos contrários . quer não.Edw ard G ibbon. na realidade ela estuda com evidente m ai­ or ênfase a “teologia protestante” proveniente da Reform a. 1989. C om p anh ia das Letras/ C írcu lo do L ivro.

que 1 R o g e r N ico le. A E scrita da H istória.” 1 i) Ensina-nos a tirar lições im portantes. e um lado humano: os fatos com partilhados por todos nós que a vivem os.. T eologia C o n tem p o râ n ea . org. b) Fom enta o interesse pelo estudo bíblico e teológico. Considerações Metodológicas A história da Igreja. R io de Jan eiro . p. ao com preenderm os a sua relevância e a sua relação com o nosso pensam ento teológico e prática hodiernos. h) Proporciona m aior firm eza ao m inistro e autoridade naquilo que fala. São P au lo . após o R enascim ento e a R eform a do século 16. p. poderem os verificar que m uito do que aceitam os ou refutam os tem a ver direta ou indiretam ente com os postulados teológicos que per­ m earam a história. d) A reja a m ente para encontrar novos elem entos da Teologia. inspirados infalivelm ente por D eus. não som os Lucas. 5. o estudo dessa disciplina poderá p arecer ao es­ tu d an te algo tedioso e enfadonho. até m esm o daqueles dos quais discordam os.16 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a Importância do Estudo da Teologia Contemporânea N um prim eiro m om ento. A relação entre a história e a teologia é extre­ m am ente com plexa e de difícil interpretação. m uitas vezes. 2 “ ed. Os atos de Deus na H istória não são objeto de análise do histo­ riador. 2002. Assim considerando. F orense U n iv ersi­ tária. 1983. . de m odo especial. j) D esperta-nos. 33ss. Introdução: In: S tan ley N. M u n d o C ristão . apresentando um a interpretação inspirada. todavia. al­ guns elem entos que realçam a im portância da análise reflexiva desta matéria: a) Im pede a estagnação do estudo da B íblia. 2 Ver: M ichel D e C erteau. f) Faculta o conhecim ento dos pontos de vista contrários. tem um lado divino : Deus diri­ ge a H istória. pretendem os apresentar de form a indicativa.2 Som os hom ens com uns. para tem as que têm sido negligencia­ dos pelos círculos evangélicos. c) E sclarece e fortalece as convicções próprias. g) Fornece base para com bater os sistem as contrários à Palavra. Com o bem observou Roger Nicole: “N ão podem os esperar que o nosso próprio ponto de vista seja recom endado se nos m ostram os totalm ente ig­ norantes da posição sustentada por outros. e) A um enta a cultura teológica. G undry. bem com o da Teologia.

No entanto. Q u en tin S kinner. essa presa escapa-lhe sem pre. que afirm a: “U m papel co rre sp o n ­ d e n te p ara o h isto ria d o r do p ensam ento é o de ag ir com o um tipo de arqueólogo. que os fatos 3 N elso n W. sabendo contudo. p. F o rm a çã o H istó rica do B ra sil. lim pando sua po eira e p o ssib ilitan d o -n o s re c o n ­ sid erar o que p en sam o s d ele.3 E la tem com o pressuposto a consciência de determ inada ignorância .d. B rasilien se. p. H “ A h istó ria é um a aventura espiritual em qu e se com p ro m ete to d a a p erso n alid ad e do historiador. (1 9 6 2 ). p. 183]. a sua significação e o seu valor. 5 V d. 7 P o sterio rm ente. S ão P au lo . as nossas versões dos fatos que. D o C onhecim ento H istó ­ rico. carreg ad a de benevo- . N ão d ig am o s que o h isto riad o r é alheio às paixões.provisórios é verdade . a H istória é um a ciência social “cujo objeto é o conhecim en­ to do processo de transform ação da sociedade ao longo do tem po” . 4 “ ed. colocou isto de form a bela e ao m esm o tem po angustiante: “Todo historiador se extenua para conseguir a verdade. sobretudo. São P aulo. O historiador por sua vez. para ele. encontrei essa ex p ressão em S kinner.). Com o ciência histórica. S o d ré. para a qual buscarem os um a solução. R . exam inar docum entos.” [H. O estudo do passado pode nos levar a reavaliar as nossas próprias suposições que. em m uitos casos. m as tam bém de esperanças. fornece-nos novos cânones . buscando através dos docum entos. acontecido. N este sentido. a cons­ ciência da ignorância é um requisito fundam ental para o historiador .” (Q uentin Skinner. O grande historiador contem porâneo G eorge Duby (1919-1996). para resum ir. são “crenças correntes”5 já tão bem estabelecidas que ju lg á­ vam os acim a de qualquer “suspeita” . I. a fim de form ular um quadro interpretativo coerente com os docum entos disponíveis. ela é d otada. E ditorial P resença. (1 9 8 9 ). ele tem esta. P alavra. trazendo d e volta p ara a su p erfície tesouros intelectuais enterrados. ‘‘ “U m a palavra. podem já não ser consideradas evidências. C o llin g w o o d . (s. 6 G eo rg e D uby. 110. L isb o a.d.”6 A H istória da Igreja é um a ciência que não está atrelada a nenhum a ciência em particular. ele sem pre nos escapa. 3. 4 V d. p.Introdução 17 procuram os estabelecer m étodos. P alavra. 90). fazer-lhes pergun­ tas e interpretá-los a bem da m elhor com preensão possível do que aconteceu. E d ito ra U N E S P / C am b rid g e. M artins F o n tes. não d issim ulem os. deve apresentar um quadro histórico e cronológico dos principais fatos da vida da Igreja do período analisado. p. d o m in a e ilum ina nossos estudos: ‘c o m p re e n d e r’. d e um valor ex isten cial. nas quais possam os nos basear para exaurir as inform ações de cada época. O P ra zer do H isto ria d o r : In: Pierre N ora. L ib erd a d e a n tes do L ib era lism o . com preendem os sim as versões. L iberdad e a n tes d o L iberalism o. S ão P au lo. de aproxim ação das m esm as evi­ dências que. E d içõ es 70.. ao m enos. E n sa io s de E go-H istória. P ara tu d o diz e r num a palavra. 90. Para que isso seja feito com clareza. 21.. A Idéia de H istória.aliás. J999. carreg ad a de d ificu ld ad es. al. tornam -se necessárias fon­ tes docum entais. não captam os o fato absolutam ente. julgam os serem coerentes com eles. é com o um arqueólogo7 que envolve-se existencialm ente8 com o passado. L isboa. é d a í que receb e a sua seried ade. et. M arrou. (s.4 C ontudo.). agora. por sua vez. com ­ preender9 o sentido do vivido. p. há um a interação m utativa: as evi­ dências interferem em nossa cosm ovisão e esta. G.

L1 “A h istó ria nunca é o sim ples recontar do passado com o realm ente foi. a história adquire sem pre um sentido de contem poraneidade.com seus m éto­ lência. P az e T erra. m as que os reflexos elem entares não são m ais os m esm o s.15 N este sentido.” (Paul Johnson. o historiador conseguirá o tipo de fatos que cie quer. o h isto riad o r p recisa selecionar. m as em co m p reen d ê-lo .16 Portanto. P ara o bter dele um sentido. A riès conclui: “C e rtas coisas. R io de Jan eiro . indica p recisam en te que interveio entre elas e nós um a m udança de m entalidade. analisar.. in ev itav el­ m en te.” (E dw ard H. O que é h istó ria?. p. 1994. em itir o seu juízo de valor.” (M arc B loch. em determ inada cultura. o passado é infinitam ente com plicado. julgar. R io de Janeiro. p. M artin s F o n tes. eram co n ceb í­ veis. O b jetiv a. u> “P ara que escrev er a história. aceitáv eis. O que é h is tó r ia ? . que. É cô m o d o gritar ‘à fo rç a ’. “sem escrúpulos exagerados” . 15 “O trabalho do historiador não consiste nem em rejeitar o passado nem em idealizá-lo. S ão P aulo. A H istória das M entalidades: In: Jacques L e G off. Carr. N ão é que não ten h a­ m os m ais os m esm o s valores. por co nseguinte. S ão P aulo. que escrevia um a co letân ea de tex to s licen cio so s (H ep ta m erã o ) e outra co letân ea de poem as espirituais (O E sp elh o de um a A lm a P eca d o ra ). 4 8 ]. A Teologia d o s R eform adores. C a d ern o "M ais!"). p. 128). O R en a scim en to . 31/03/96. um a in terp retação do passado. p. conseqüentem ente. Jorge Z aíiar E ditor. um a visão retrospectiva do passado lim itada tanto pelas fo n tes em si qu an to pelo historiador que as seleciona e in terp reta. 14 “A h istória não pode ser escrita a m enos que o historiador possa atingir algum tipo de co n tato co m a m ente daqueles sobre quem está escre v en d o . 2001. se não fo r para ajudar seus contem porâneos a ter co n fian ­ ça em seu futu ro e a abordar com m ais recursos as dificuldad es q u e eles en contram cotidianam ente? O h isto riad o r. o historiador é sem pre um ser ativo em sua relação epistem ológica com o “fato” conhecido e consigo m esm o . A p o lo g ia da H istória. irm ã de F rancisco I. voltando para o seu castelo ouve um sino na igreja. 2001. 1. S ão P aulo. O fato de não p oderm os m ais nos com portai' hoje com a m esm a boafé e a m esm a n atu ralidade de nossos dois príncipes do século 16. 2001 (2a tiragem ). I! “D e um m odo geral. passa por um a seleção" e interpretação12e estas são ditadas em grande parte pelo critério de “im portância” . de ver o m undo. 11). Jam ais com preendem os o b astan te. A H istó ria N ova. 59). p. [E dw ard H allet C arr. O O fício de H istoriador. Carr.10Aconte­ ce que esta busca com prom etida.” [P hilippe A riès. entrevista à F olha de São Paulo. tentando pôr-se no lugar dos personagens. dentro de cada período histórico por isso que ao historiador não cabe apenas recontar . 60). O que é história?. portanto. p. entrou na igreja para assistir a m issa e orar devotam ente. org. 5. p. H istória sig n ifica in terp retação ” (E dw ard H. nas m esm as situações. tem o dever d e não se fechar no p assad o e de refletir assid u a­ . 17).” (E valdo C abral de M ello. em d eterm inada época. p.18 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a nunca lhe parecerão como foram percebidos pelos contem porâneos. sim plificar e dar fo rm a.1 A riès relem b ra u m a história contada por L ucien F eb v re a respeito do Rei F ran cisco 1 da F ran ça que após p assar um a noite nos braços da am ante. E m o cio n ad o. 13 mas interpretar. V ida N ova. diga-se de passagem .considerando que a precisão do “acontecido” deve ser um a obrigação . P aul Johnson: “C om posto de acontecim entos p equenos e grandes que se furtam a um a av aliação precisa. acentua que "o histo riad o r é necessariam ente um selecionador” . R elem bra outro caso a resp eito de M argarida de N avarra. É. 11 C arr. tam ­ bém . 1996 (7a re im p re ssã o ). esforçando-se por enten­ der a sua form a de pen sar14 e. varia extrem am ente de cultura para cultura e.” (T im othy G eorge. ou. 3" ed. 154]. já que o passado é visto pela ótica do presente dentro de um a perspectiva de inte­ resse atu al. M ais recen ten tem en te. e d eixavam de sê-lo cm outra ép oca e num a outra cultura. 4“ ed.

E d ito ra U N E S P /Im prensa O ficial do E stado. quanto a seus cham ados objetos. que o conduziria fatalm ente a um bloqueio intelectual e à assunção de determ ina­ das conclusões gratuitam ente. O relativism o cultural obviam ente se aplica. 1999. Com efeito.s P eter B urke. org.Introdução dos e percepção. 5. 20 M ichel D e C erteau. “dom esticadores” do real através de nossa apropriação interpretativa que segue sem pre a lógi­ ca de nossa perspectiva decorrente de nossa posição no m undo. se n sív e l em prim eiro lugar sob a sua form a m en te sobre os pro b lem as de seu tem p o . o historia­ dor deve ter com o princípio orientador. dado que o conhecim ento é sem pre obra de um sujeito. não podem os evitar olhar o passado de um ponto de vista particular. na p ista de nossos m ed o s. 34. H istó ria e Verdade. o aconselhável é tratar d e subm etê-las a um a vig ilân cia p erm an en te. 15. 1997. “É p reciso ad m itir que o conhecim ento objetivo só pode ser um am álgam a do que é objetivo e do que é su b jetiv o . pois aí.17 Com o escreveu Burke: “Por mais que lutem os arduam ente para evitar os preconceitos associados a cor.19 Ou com o expressou De Certeau (1925-1986): “A inda que isto seja um a redundância é necessário lem brar que um a leitura do passado. 1992. o aniquilam ento de qualquer tentativa ho­ n esta e cien tífica de superação. esquem as e estereótipos. . p.” (G eorge D uby.. 294-295). p. S ão P aulo. N ossas m entes não re­ fletem diretam ente a realidade.”20 C onsciente disso. é sem pre dirigida por um a leitura do pre­ sente. c o n sc iên cia que. A E scrita da H istória: no va s p ersp ectiva s. A n o 1000. C ad ern o “M a is!”). . São P aulo. São P aulo. por m ais controlada que seja pela análise dos docum entos. teríam os o caos pe­ trificado que. H istória e Verdade.” (E valdo C abral de M ello. 280ss. e por outro. 21 “ O b v iam ente o historiador. deste m odo. 14. seria por um lado a fuga do problem a com o qual tem os de conviver e superar. U m esforço honesto e positivo. a não paixão sem m edida. um entrelaçam ento que varia de um a cultura para outra. Só percebem os o m undo através de um a estrutura de convenções. 9). cre­ do. seu passado e seu futuro: ln: P eter B urkc. p. m as é preciso tam bém ad m itir que o p ro g resso no conhecim ento e a evolução do saber adquiridos graças a ele só são p o ssív eis se tran sp o ndo as form as concretas. M artins F ontes.” 18Somos. com o qualquer outro indivíduo. A dam Schaff. A E scrita da H istória. tanto um a quanto a outra se organizam em função de problem áticas im postas por um a situação. tem suas p róprias ten d ên ci­ as id eo ló g icas e com o não é possível não tê-las. en trev ista à F olha de São P aido. sem pre diferentes. p. 1995. 6“ ed. pp. tanto à própria escrita da história. de certo m odo. A bertura: a nova história. u> v er: P eter B urke.21 Por outro lado. U N ESP. 31/03/96. 17 Vd. p. classe ou sexo. do fator su b jetiv o .” (A dam Schaff. ano 2000. São P aulo. é-nos fornecido por A dam Schaff: U m d os p od erosos m otores da autocrítica cien tífica. A? F o rtunas d ' 0 C ortesão: a recepção européia a O cortesão de C a stiglione. a sim ples existência desse fato determ ina um grau im prescindível de subjetividade. E ditora da U N ESP. p. esta consciência não pode nos conduzir ao cam inho “fácil” do ceticism o. que deveria caracteri­ zar em perm anência a obra do cien tista e ser a garantia da sua vitalid ad e. é a c o n sc iê n c ia do con d icion am en to social e das lim ita çõ es su bjetivas do c o ­ n h ecim en to.

C arr observa que “o historiador não é um escravo hum ilde nem um senhor tirânico de seus fatos.” (M arc B loch. Todo Im pério P erecerá. p. I.23 O historiador e os fatos m antêm um a relação de com prom isso e identidade: Eles são o que são enquanto o são para o outro. À frente: “N aturalm ente. na m edida em que estes traços su b sistiram . M arro u . (Cf. diz: “E m essência. C arr. p. o que m e im porta a decisão retardatária de um historiador? A penas lhe pedim os . inteligíveis para nós. reflete: “Q u an to a isso.. ainda têm de ser p rocessados pelo historiador antes qu e se possa fazer uso deles: o uso que se faz deles é. Todo Im pério P erecerá.” (E d w ard H.. sobre o s lim ites e as d eform ações even tu ais dos seu s próprios pon tos de vista sob o efeito do fator su b jetiv o . os fatos e os d o cum entos são essen ciais ao historiador. os fatos sem seu historiador são m ortos e sem significado. com fontes e com im aginação. o historiador entra num processo contínuo de m oldar seus fatos segundo sua ijiterpretação e sua interpretação segundo seus fatos. E les po r si m esm os não constituem a h istó ria. 1999. 55). d aí a necessidade da interdisciplinariedade na tentativa de com preender a história. N ão podem os alcançar o passado diretam ente. M as que não se tornem fetiches. a necessidade de cautela na elaboração de nossos juízos históricos.1 E dw ard H. 1980. p. espe­ cialm ente na juventude. p. em que nós os encontram os e em q u e som os capazes de os interpretar. M arc B loch (1886-1944) em suas anotações inacabadas. p.) O historiador e os fatos históricos são necessários um ao outro. a um a reflexão m ais sistem ática sobre o c on d icion am en to social das suas próprias p o siç õ e s. o processo do processam ento. 9). senão prudência).” (Jacques Le G off... É im possível determ inar a prim azia de um sobre o outro. Com o qualquer historiador ativo sabe. 23 “O h isto riador não é esse nigrom ante que nós im aginávam os. São Paulo. por outro lado. O historiador sem seus fatos não tem raízes e é inútil. m ostra os lim ites do historiador: não dispom os de tudo que pre­ cisaríam os ou gostaríam os. 2000. se m e perm itirem colocar dessa form a. A história faz-se com docum entos e com o uso que fazem os deles. C arr. 61). sou o m esm o au to r (ap esar dos cabelos brancos e da crescente cautela. 65.” (Jean-B aptiste D uroselle. T am pouco. 293. L isboa. E d ito ra U niversida­ de d e B rasília/Im p ren sa O ficial do E stado de São P aulo. cap az de ev o car a som bra do p assad o p o r m eio de processos encantatórios. “ N enhum a ciên cia seria capaz de prescindir da abstração.”24 Isto revela. 52). 19). ou. O O fício de H istoriador. p. O R en a scim en to Italiano: cultu ra e so cied a d e na Itá lia . E ditorial E stam pa. q u e deixou atrás d ele. “ N ão há história sem acon­ tecim en to s. da im aginação. p. 130). 25 P eter B urke. A h istó ria trata de aco n tecim en to s.” (H. N ova A lex an d ria. ou não. e este é o m esm o liv ro ” (P eter B urke. O que é história?. D o C o n h ecim ento H istórico. por um lado. A p ologia da H istória. se ele pára para avali­ ar o que está fazendo enquanto pensa e escreve. não conseguim os captar toda a extensão do que 22 A d am S ch aff. O conceito de “falo ” em term os diferentes seria o m esm o d e “ aco ntecim ento” . D F /S ão P aulo. D o m esm o m odo. 19). O que é história?. co ntudo. p. tendem a ser tão dogm áticos e conclusivos25 e. Jean -B ap tiste D uroselle. só há “ acontecim ento” se o m esm o for perceb id o por alguém . H istó ria e Verdade.22 C om o se pode depreender tam bém . A relação entre o historiador e seus fatos é de igualdade e de reciprocidade. m esm o se en contrados em d o cu m en to s. aliás.20 R a Iz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a teórica geral. L e G off: “ A h istó ria fazse co m d o cu m en to s e idéias. 2. Li recentem ente: “O s fatos. revisando seu livro trinta anos depois. O que é h istó r ia ? .” (E d w ard H. p. con d u z em segu id a o cien tista a pôr em questão a sua própria obra. C arr. P or docum ento é necessário que entendam os não apenas os textos escritos. 20). o historiador necessitará sem pre de docum entos. P ara um N ovo C o n ceito d e Id a d e M édia. p. que. m as só através d os traços. (. B rasília.

da eco n o m ia à psicologia. constituem verdades objetivas. D o Conhecimento Histórico. para a prática. p. o que devem os ter sem pre diante de nós é que a nossa interpretação não é “absoluta”. se bem que incom pletas. E ditora U niversidade E stadual P aulista. A C ivilização do R en a scim en to . Adam Schaff.29 A figura do gigante usada para referir-se à ciência. por conseguinte. o u tro ra. pp.”26 D evem os notar tam bém .. 28 A d am S chaff. M arrou.. limitados. L isboa.os m esm os estudos realizados para este trabalho poderiam . 29 O p ró p rio B urke. São P aulo. E ssa co laboração interdisciplinar m anteve-se por m ais de sessenta anos.. E ssas extensões do território histórico estão vinculadas à desco b erta de no v as fontes e ao desenvolvim ento de novos m étodos para explorá-las.” (Jean D elum eau. . aquilo que fazem os hoje com o his­ toriador é sem valor. E stão tam ­ bém asso ciad as à co laboração com outras ciências. Somos finitos. não são erros. 1984 . I.. tenha sid o possível. E ditorial E stam pa. 126 . C o m ­ pan h ia das L etras. O O fício de H isto ria d o r. I. facilm ente experim entar não apenas utilização e tratam ento totalm ente distintos.) A historiografia jam ais será a m esm a. p. A lição do desenvolvim ento intelectual da h um anidade é no enlanto clara: as ciên cias sem pre se m ostram m ais fecu n d as e.”27 Isto não significa que a H istória seja sim plesm ente “subjetiva”. com o tam bém ensejar conclusões substancialm ente diversas.. 26 H. na m edida em que abandonam m ais deliberdam ente o velho antropocentrism o do b em e d o m al.. História e Verdade.. não encontram os todas as respos­ tas. têm papel relevante em nossas escolhas. tam bém . referindo-se à sua obra m agna sobre o R enascim ento (1855). ab ran g en do áreas inesperadas do com portam ento hum ano e a grupos sociais n eg lig en ci­ ad o s p elo s h isto riadores tradicionais. ainda que possa ser “objetiva” . tentando entender e sistem atizar os fragmentos com os quais nos deparam os e.” (Peter B urke. 1991 . m uito m ais proveitosas. A R evolução Francesa da historiografia: a E scola dos A nnales. A C ultura do R enascim ento na Itália: Um E nsaio. p. nem por isso. O grupo am pliou o território da histó ria. resum e: “D a m in h a p ersp ectiva. passando em revista a contribuição da E scola de A nnales.. 2 1 . adm itiu que: “ . “O historiador deve lem brar-se a tem po que é um sim ples hom em e que convém aos m ortais pensar com o m ortais.. tam bém pode ser utilizada q u e não se deixe h ip n o tizar por sua própria escolha a ponto de não m ais conceber que um a outra. É através da junção. incluindo-se as três g eraçõ es. 2 7 7 . 2 1 ). explícitos ou não. D o m esm o m odo D elum eau: “ Identificar um cam inho não im plica achá-lo sem pre belo. 1991. que o fato de term os as m esm as evidências em m ãos não nos conduzem necessariam ente ao m esm o ponto.In t r o d u ç ã o 21 dispom os. (. ligadas ao estudo da hum anidade. ou m elhor: dos acontecim entos e.. an­ tes. um fenôm eno sem p recedentes na história das ciências sociais. 127). m esm o que os neguem os. Jacob B urckhardt (1818-1897) . Vd.. não tem os todas as perguntas. S ão P aulo. en fim . da geografia à lingüística. 27 Ja co b B urckhardt. 5 1. 1 929-1989. com o não im plica que não haja outro possível. Vol. em nom e de outros pressupostos que am iúde estão na parte im ersa do iceberg.” (M arc B loch. os nossos pressupostos. 284. A p o lo g ia da H istória. con­ tribuirm os num a esteira infindável para o progresso do conhecim ento..”28 Portanto. frag­ m en tárias. “as verdades parciais. H istória e Verdade. foi ex p an d ir o cam po da história po r diversas áreas. faltam -nos m ais pedaços do que de fato os tem os. p. nas m ãos de outrem . p. m uitas vezes. com paração e superação das interpretações que podem os cada vez m ais ter um a visão m ais abrangente dos fenôm enos históricos. p.um dos m aiores historiadores do século 19 .127 ). a m ais im portante contribuição do grupo de A nnales. ou.

mas os próprios fatos a nós presentes. p ara alguns p eríodos. X V I). 20.32 Outro ponto que desejo m encionar é a questão do m étodo.. 6]. haverá sem pre de j u l­ gar em d ep en d ên cia d os valores e c o sm o v isõ e s m ais recen tes. Voi. 1. l . C . 166. S. condizente com o assunto que estam os tratando. p ara m u ito s filó so fo s é in ev itáv el term o -n o s de se rv ir de o u tro s escrito res. a fim de poder enxergar um pouco além deles. por ex em p lo .” (I b i d e m p. in atin gível c o m o todo ideal. não se p o d e se g u ir este ú n ico cam in h o . p. W. sem pre pronto a m an tê-los no en sin o ou na d iscu ssã o e b u scá -lo con stan tem en te. em particular. são estas as verdadeiras e próprias fontes. p. 19-20). 4 a ed. e. . num a tarefa ininterrupta. H egel sabia d a im p o ssib ilid ad e de p raticar isso ao pé da letra: “ E certo que. A o contrário. 37.B . L atourette. Vol. todavia. O C ristianism o A tra vés dos S éc u lo s.. (V d. In tro d u çã o à H istó ria da F ilo so fia . H istória da F ilosofia na A n tig ü id a d e. es­ creveu o filósofo Johannes Hirschberger: U m a absolu ta au sên cia de p recon ceitos nunca hou ve nem ja m a is haverá. H istoria d ei C ristianism o. 1969. as obras fu n d am en tais dos q u ais nos não chegaram . o principal é aplicá-lo bem ” . 167). 1973. 31 R en é D escartes. p. F. H erder.”30 O historiador trabalhará sem pre com os seus pressupostos. A bril C ultural. B uenos A ires. D iscurso do M étodo. São P aulo. a qual as evidências. H eg el. 1921 (?). O irônico de tudo isto . D isto não se con clu i que d ev a m o s re­ nunciar de todo à im parcialidade. S ão P aulo.” [H.é que provavelm ente sem perceber.. K. 32 Jo h a n n es H irschberger. e. ele deverá esforçar-se para que eles não interfiram na evidência dos “fatos” . C asa B autista d e P u b licacio n es. p ara a m ais an tig a filo so fia greg a. p . 1. é claro. eis o a lv o . R io de Janeiro (?)T y p . porque lo d o cultor das ciên cia s do espírito é filh o de seu tem po. p.22 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a aqui: todo historiador eqüivale a um anão sobre os om bros de gigantes. a fim de não sacrificar a “verdade” por sua paixão. por sua clareza. 2“ ed.se não for trágico . A ch ar a verdade e esculpi-la em relevo. 1978. No entanto. sem poder ultrapassar sua própria capacidade. (O s P ensadores. revelam ser equivocada. m as que d e v e ­ m os trazer sem pre diante d os o lh o s. 11 O h isto riad o r batista M uirhead coloca a questão nestes term os: “ Im parcialm ente deve p ro ced er o h isto riad o r na investigação dos fatos. H. não deixa de ser pertinente a recom endação de Hegel (1770-1831) aos seus alunos de filosofia (1816): “As fontes da história da filosofia não são os historiadores. e quem quiser estudar a sério a história da filosofia deve rem ontar a elas. d e v e m o s antes nos propor o ideal da o b jetivid ad e. fo rço so é reeo rrer a h isto riad o res e a outros e s c rito re s. do que talvez ja m a is tenha su ficien te c o n sciên cia . D escartes (1596-1650) observou corretam ente que “não é suficiente ter o espírito bom. P o r outro lado. ou sejam as obras dos filósofos.31 D entro desta linha de raciocínio. o historiador já se tornou prisioneiro de sua perspectiva e apenas 30 G. M uirh ead .A . po r serem m uito n u m ero sas. se valendo das contribuições de seus predecessores.33 A prova de bom senso é usar um m étodo sensato.

sem pre pretendem os ter os nossos “cativos”. Investigações F ilosóficas. 11). mas a própria história através das conseqüên­ cias dos atos daqueles que a fizeram .” (Q u en tin Skinner. tom o em prestada a conceituação de M orgenthau: “A prova 14 “ É n o tav elm en te difícil evitar cair sob o feitiço de nossa p ró p ria h eran ça in te le c tu a l. 1993. “form ar as nossas alm as”? Não im porta. de certo m odo. li cm T oynbee (1889-1975) o seguinte: “ C om o não vem os o futu ro até que ele ch eg u e a nós. T oynbee. social e política. 37 B em d ep o is dessas conclusões. p. nos apoderar da “im aginação do povo”36 ou de nossos leitores. co nform e d efendida pelo autor. C om panhia das L etras. 1999. S ão P aulo. Eric H obsbaw m . com o obviam ente não consegue ter “to­ das as visões” . 36 Jo sc M urilo de C arvalho. p. L iberdade a n tes d o L ib era lism o . 93). P lan ejam os para o futuro com a intenção dc co n tro lá-lo c m oldá-lo para p reencher nossas finalidades na m edida do possível. O valor de um ato histórico está na m esm a proporção de seus efeitos. N a vida privada.34 Para isto ele dispõe da linguagem com o m eio de com uni­ cação e persuasão. p. 35 “A F ilo so fia e um a luta co n tra o enfeitiçam ento do nosso entendim ento pelos m eios da n o ssa lin g u ag em . S ão P aulo.naturalm ente tem os dc planejai' para o futu ro na ad m in istração dos nossos futuros hum anos. E m todas as cpocas .38 cabendo ao historiador analisar o seu sentido.37 O historiador. 13-14). C om esta citação. E um dos traços que nos distingue das outras criaturas com as quais partilham os nosso lar neste planeta. 1975. em nom e da liberdade de pensam ento.In t r o d u ç ã o 23 queira com partilhar conosco daquilo que o enfeitiçou em nom e da razão e das evidências. refletindo a organização do seu pensam ento e o desejo de tam bém nos “enfeitiçar” . O R en a scim en to Italiano: cultura e so cied a d e na Itália. Sobre H istória. E ditora U N E S P /C am b rid g e. a ex p eriên cia é altam ente apreciada . cuja m atéria -p rim a é o passado. A bril C ultural. não estam os en d o ssan d o a p ersp ectiva cíclica da H istória. A F orm ação das A lm as: O Im aginário da R ep ú b lico no B ra ­ sil. O D esafio do N o sso Tempo. que F ernand B raudel (19021985) gosta d e afirm ar q u e o histo riad o r é prisioneiro de suas suposições e m entalidades (Peter B urke. N ossa experiência do passado dá-nos a única luz a que tem os acesso para ilum inar o futuro. p.. e no seu ju lg a­ m ento en co n tram o s a elab o ração da história. D o m esm o m odo. o juiz da história não será o historiador nem o povo que a lê. o historiador. p. W ittgcnstcin.35 “Persuadir” .tanto boas quanto m ás . . Z ah ar E ditores. E ssa tentativa co n scien te p ara con trolar e m odelar o futuro parece ser um a atividade caracteristicam en te h u m a­ na. com o o nom e já diz. Por sua vez. M C f. São P aulo. C o m panhia das L etras. Em outros term os e. torna-se. N ão po d em os planejar sem o lhar para a frente. A ex p eriên cia é outro nom e para história. d iz Skinner: “A história da filosofia. tem os que nos voltar para o passado a fim de esclarecê-lo . m udança e trans­ form ações. 1998. L iberdade antes do L iberalism o. cativo de sua perspectiva.” (Q uentin S kinner.. 11. p. 2a cd. XLV1). p.” [L. S ão P aulo.39 N esta elaboração o seu juízo deve ter com o com prom isso fundam ental a não gratuidade. Q uando falam os de ‘h istó ria ’. R io d e Janeiro. m as a experiência individual que cada um dc nós reúne num a única existência c história igualm ente legítim a.. está aí para nos im pedir de serm os m uito facil­ m en te e n feitiçad o s. e não podem os olhar para a frente exceto na m ed id a em que a luz da experiência nos ilum ina o futuro. com aspectos com ­ plem entares..e com razão. No entanto. n orm alm ente p en sam o s na ex p eriência coletiva da raça hum ana. 22. 58]. (O s P en sad o res. com o na pública. é aquele que julga.” (A rnold J. li através de P eter B urke. 1975. 38 D ep o is d e haver redigido estas linhas. 93). e talvez esp ecialm en te d a filosofia m oral. porque geralm ente se reconhece que a ex p eri­ ên cia au x ilia nosso ju lg am en to c assim nos perm ite fazer escolhas m ais sábias e tom ar decisões m elhores.

L isboa. A Teologia apesar de tratar de questões eternas e supra-racionais. quer pre­ sentes. devemos nos lem brar da observação de Claude Riviére: “P ertencer a um a cultura estudada não é nem um a desvantagem nem um a necessidade para o antropólogo. a Igreja não cam inha em um a dim ensão diferente do m undo. com o qualquer outro m ovim ento teológico. pertinente a definição do historiador Cairns. pelo contrário. 3. quando diz ser a história “a reconstrução subjetiva do passado. independente dos agentes históricos. p. quer pretéritos. E dições 70.24 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a pela qual tal teoria deve ser julgada tem de caracterizar-se por um a natureza em pírica e pragm ática. não surgiu isolada. m ais propriam ente ao nosso assunto. o Ilum inism o não está isolado. V ida N ova. A dam S chaff. p. m uitas vezes. mas. ela está no m undo exer­ cendo a sua influência com o sal e luz. com toda a sua com plexidade de efeito-causa de ontem -hoje-am anhã. podem os dizer que quatro elem entos são fundam entais para o estudo da H istória d a Igreja: 1) D ocum entação fidedigna. M o rgenthau. p. portanto.”41 R esum indo. além do elem ento da liberdade da vontade hum ana. E d ito ra U n iv ersid ad e de B rasília/Im p re n sa O ficial do E stado de S ão P a u lo /In sti­ tuto d e P esq u isas de R elaçõ es In tern ac io n a is. B rasília. deixa-se guiar por critérios e valores estra­ nhos à Palavra de Deus. antes. 282-283. O C ristianism o A través dos Séculos: Uma H istória da Igreja Cristã. 4) A consciência de que. portanto. D F /S ão P aulo. devem os ter sem pre em m ente que: a nossa perspectiva não é a única “correta” e as nossas conclusões são passíveis de questionam entos. 13. 14. Q uanto à suposta dificuldade própria da proxim idade do objeto. A Teologia Liberal do século 19. perdendo assim . o pensam ento teológico.”43 Passem os agora. C airns. que por sua vez. Introdução à A n tropologia. p. m u­ dando o que deve ser m udado. ele tem as suas origens próxim as e re­ 40 H ans J. Por isso. 42 Vd. e não apriorística e abstrata. 2) M étodo correto de verificação e análise desta docum entação.”40 Parece-nos. 3) A procura constante da im parcialidade42 na análise dos fatos e na elaboração das conclusões. o im portante é possuir a baga­ gem teórica e m etodológica que lhe perm ita um a distanciação científica. Com o sabem os.. com o se fosse um m ovim ento auto-suficiente em sua causação. infelizm ente. ela ocorre num locus tem poral. ultrapassando em m uito a nossa capacidade visual. tam bém . 1984. com o um a causa não-causada. 4:1 C lau d e R ivière. lançando-se rum o ao infinito. ainda que tem porariam ente. dos pressupostos do historiador e do ‘clim a da opinião’ do seu tem po. que este não pode ser dissociado da H istó­ ria da Igreja bem com o da H istória em geral.. à luz dos dados colhidos. recebe a sua influência e. 41 E arle E. sabendo de antem ão. S ão P au lo . (2000). H istó ria e Verdade. apesar de nossa seriedade. 2 003. A P olítica E ntre as N ações: a luta p e lo p o d e r e p e la p a z . a dim ensão de sua responsabilidade com o agente do Reino de Deus na história. partim os do pressuposto de que a Teologia C ontem porânea está ligada às contribui­ ções ilum inistas e. . o nosso trabalho é lim ita­ do.

lendo G raziano Ripanti interpretando o pensam ento do filósofo Hans G. 63. tentando m ostrar as causas rem otas do Ilum inism o. A T eologia do S écu lo 20. P sicologia e D ilem a H um ano. N o ssa h istó ria. devem os observar que. p. ela traz em seu bojo. p. que é a sua relação com o pensa­ m ento teológico. E les acen tu am : “ A teo lo g ia do século 19. fazem o seu corte no Ilum inism o. se esta herança não é “passi­ va”. R io de Janeiro. por su a vez. científicas. equivale a subverter o sentido de nossa própria historicidade. tentar negar isto. porém . “D esli­ gar-se da H istória é sinônim o de cortar o nosso vínculo arterial com a hum anidade”46 e. . 3° ed. 11). tem seu co n tex to h istó rico nas m udanças in tro d u z id a s pela g ran d e rev o lu ção da h istó ria intelectual do O cid en te . O rom pim ento com um tipo de pensam ento é feito à luz da própria história que nos cerca. E d ito ra C u ltu ra C ristã. coração novo que com eçou a pulsar por volta do século 14. n a Europa.45 Se isto é válido para o H um anism o. esp ecia lm en te nas ép ocas de transição e ren ovação. 4(' R ollo M ay. p o rtan to . S ão P aulo. d eve co m eçar com a Idade da R a zão . indicando apenas o que consideram os ter exercido um a influência significativa sobre este m ovim ento. com as contribuições racionalistas subseqüentes.I n t r o d u ç Ao 25 m otas. Vol. p. cujo contexto é tratado pelo autor da citação acim a. encarnando alguns de seus valo­ res. obviam ente do nosso cam po de interesse. econôm icas e teológicas. quer não. o é tam bém . G ren z & R o g e r E. E ditorial P resença. Estam os persuadidos de que o Ilum inism o foi o efeito de um novo espírito. 3a ed. H istória da F ilosofia. o leitor logo perceberá que o nosso despretensioso estudo iria m uito longe. estabelecem os limites à nossa pesquisa.por m ais livres que sejam . quer tenha consciência disso. ligadas a outras m anifestações filosóficas. nunca co n siste em herança passiva ou autom aticam ente transm itida. m as sim na e sc o lh a de um a herança. 5. tratando da teo lo g ia co n tem p o rân ea. envolvendo sem pre um a “escolha”.” (S tan ley J. O lso n .traz em si um condicionante de sua época. 2 003. que foram efeito-causa-efeito dos fenôm enos históricos. E sta lradição. R ecentem ente. Zahar. O filósofo N. os ilum inistas herdaram por opção o pensam ento filosófico do H um anism o Renascentista. 1977. no m ínim o um a “pitada” de determ inação histórica.44 Seguindo esta linha de raciocínio. encontrei esta observação: “Per44 G ren z e O lso n . conforme a sua perspectiva do mundo e da história. Contudo. 14. L isboa. 1984.o ch am ad o Ilum inism o. dentro. adaptando-os às suas necessidades. conseqüentem ente. fechar a porta que dá acesso à possibi­ lidade de sua com preensão. batizado pelos seus coevos de REN A SCIM EN TO . G adam er (1900-2002). isto porque o hom em em suas es­ colhas . A bbagnano observa com propriedade que: Cada é p o c a v iv e de um a tradição e de um a herança cultural das quais fazem parle o s valores fundam entais que inspiram as suas atitudes. para o Ilum inism o. todavia. 45 N icola A bbagnano. sem recuar dem asiadam ente na história.

acentuo que. d e se n v o lv e u e esclareceu m u i­ to m a is d o q u e .26 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a tencer à história significa estar inserido no interior de um a tradição. D eu s na F ilo so fia do S écu lo 20. Editora da UNICAM P.”47 Voltando ao nosso assunto. um a cultura. um a língua. p.). L oyola. na v e r d a d e . 1992. p. no tocante ao con teú d o de seu pensam en to. c o n tr ib u iu c o m id é ia s o r ig in a is e su a d em onstração (. 48 Ernst Cassirer. anos após chegar a essa con­ clusão . sistem atizou . m uito depend en te dos sé c u lo s precedentes. exam in ou . que em itiu o seu parecer da seguinte forma: A é p o ca das L u zes perm aneceu.li o filósofo alem ão Ernst C assirer (1874-1945). . 1998. H ans G eo rg G adam er: “ A A lterid ad e da H erm en êu tica T eo ló g ic a” . SP.48 47 G razian o R ip an ti.. A p rop riou-se da herança d e sses sé c u lo s e ordenou. N em por isso d eixou de instituir um a form a de p en sa­ m ento filo s ó fic o perfeitam en te nova e origin al. orgs. In: G io rg i P en zo & R o sin o G ib ellin i. S ão P au lo .. 9. no interior de um devir histórico que já determ ina ori­ ginariam ente as suas pré-com preensões. Campinas. 376. A Filosofia do Iluminismo.a respeito do Ilum inism o .

PARTE I A CONSTRUÇÃO DO PENSAMENTO MODERNO .

José O lym p io. “N ã o há um R en ascim en lo. devem os ter em m ente que é-nos im possível atingir a origem absoluta de todas as coisas. p. p.1O que podem os fazer é. A p u d G. por sua fecundidade. . que estes são decorrentes de outros e outros. foram . U m a N o v a Id a d e M é d ia .. 227). H is to r ia d e la F ilo so fia . V ozes. 9. R J. N ão o b sta n te . III. P etró p o lis. H istó ria da F ilo so fia C ristã: D esde a s O rig en s a té N ico la u d e C asa. um a alusão àqueles fatos e períodos que. R e ferin d o -se ao p erío d o d e C a rlo s M agno. sabendo contudo. (B i­ b lio tec a de A u tores C ristianos). S. V ol. 1985.” (P h ilo th e u s B o e h n er & E tien n e G ilso n . D este m odo. 10. La E ditorial C atólica. 1966. 2 Ju lián M arías observou ". lhe serv em com o p o n to s de p a rti­ d a . R io de Janeiro. Fraile.L. que não é suficiente um a sim ples ‘localizaçã o ’ de cad a ver­ d ad e num m o m en to da história. inclusive do nosso assunto.. A . 3" ed. ao iniciarm os a nossa em 1 D evo a G ilso n e B o e h n er esta o b serv ação . dentro de nossa perspectiva. quem sabe. senão m uitos ren ascim en tos. em v irtu d e de su a ex cep cio n al feeu n d id ad e. Q uando escrevem os história. M adrid.2 A história é com posta de fragm entos que interagem e se interpenetram .. Febvre.” . escre v eram : “ A H istó ria d e sc o n h e c e os in ício s abso lu to s. visto que cada um deles envolve os anteriores e é preciso ver nele a fo rm a pecu liar d e p resen ç a do passado histórico.Capítulo 1 0 Renascimento Introdução “N ó s assistim o s ao fim do R en a scim en lo ” . por conseguinte. de extrem a rele­ vância para o tem a ou período por nós tratado. p. 1936. d eve ser visto em m ovim ento. a h istó ria assin ala c e r­ tos p erío d o s qu e.N . B erd iaeff.

5 fazen d o -se e não com o um ponto estático. p. estam os confessando o nosso lim ite e. 9. O ra.” ( Uma N ova Idade M éd ia . Vol.” (Julián M artas. estabelece um a rela­ ção entre a R enascença e o m undo contem porâneo: V iv e m o s o fim de um a era. A ntes de M ay. rcv. está próxim a do fim . 21. escreve B e rd iaeff (1927?): ‘‘A inda está por explicar-se esta crise da civ ilização E u ro p éia. Introdução u F ilosofia. parcialm ente c o n sc ien tes. 10-11). 132). não seja a única possível. 1 R ollo May. m esm o que esta rota. 1974.. ao tratar do Renascim ento: O s contornos espiritu ais de um a ép oca cultural oferecem . A era que acentuou o racion alism o e o in d ivid u alism o sofre de um a transição interna e externa. do que poderá ser a n o v a id ad e. A rtenova. 4 Vd. e há por enquanto apenás esm a ec id o s p ressá g io s. I. 38. José O lym pio. 1936. na m aioria das vezes. 21. 5 Jacob B u rck hardt. O s cam in h o s h istó ricos não podem ser sim plesm ente p olarizados. aparecidos. em se tratando do conjun to de um a c iv iliz a ç ã o que é a m ãe da n ossa e que sobre esta ainda hoje se g u e ex er ce n ­ do a sua in flu ên cia. estes últim os à au ro ra dos tem pos m odernos para reger-lhe a história. não se p o d e ir m ais além p o r essas vias. p.. A contece que este novo sentim ento da vida e esta nova relação co m o universo chegaram ao seu term o. o hum anism o não significava sim p lesm en te um ren ascim en to da an tigüidade. e de fo rm a ainda m ais en fática. L iv raria D u as C id ad e s.3 Particularm ente não estou preocupado em analisar o caráter preditivo da afirm ação do Dr. iniciada de há m uito por diferentes faces e que hoje atinge o apogeu de sua m an ifestação . p. Rollo May. 1966. A h istó ria m oderna que term ina foi co n ceb id a na época do R en ascim en to . O fim do R enascim ento é p recisam en te o fim desse h u m an ism o q u e lhe servia de base espiritual. precisam . p. Por isso. urna nova m oral e um m ovim ento das ciências e das artes. tcndo-se-lhes esgotado todas as p o ssi­ b ilidades. P o d er e Inocência. parece-nos q u e B e rd iaeff não conseguiu en x erg ar que os cam in h o s históricos não eram apenas estes dois: Idade M édia x H um anism o-R en ascentista. 21..). A C iviliza ção do R enascim ento. R io de Janeiro. mas sim a relação estabelecida. A C ultura do R en a scim en to n a Itália: Um E nsaio. C am in h o u -se até ao fim das vias do hum anism o e das vias do R enascim ento. era ainda um n o v o sen tim en to da v id a e urna relação nova com o universo. é m ister que ju íz o su bjetivo e sentim ento interfiram a todo m om en to tanto na escrita co m o na leitura desta obra. . A idade que c o m eç o u com a R en a scen ça ali­ m entada no crepú sculo da Idade M éd ia. e. obviam ente. p. Jcan D elu m cau . ao m es­ m o tem po a nossa convicção. E claro que seguir um cam inho interprelativo não é o m esm o que gostar dele mas. N ós assistim o s ao fim do R enascim ento (. Jaco b B urckhardt.. p. São P au lo . o que nos im porta aqui é: D efinir o H um anism o Renascentista contrastando-o com a Idade M édia (quando for o caso) e traçar um a linha de relação com a Pensam ento M oderno e Contem porâneo.30 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a preitada pelo Renascim ento. R io de Janeiro. A p o ssibilidade dele estar certo q u an to ao fim do P ensam ento M oderno não im plica necessariam ente na volta à Idade M édia. a H istória segue p o r rum os m u ltifário s que não podem ser previstos e. ser vividos para serem desco b erto s. A C ultura do R en a scim en to na Itália: Um E nsaio. colocar o que nos parece m ais razoável. que prenunciava o fim de nossa Era. a cada o bservador um a im agem diferente. talvez. May. 2“ ed. O ra. sim.4 N esta interpretação devem os estar sem pre atentos às observações prelim inares de B urckhardt (1818-1897).

absortos em sua contem plação m ística. Por outro lado. de todas as preocupações filosóficas. que durou em torno de mil anos. 106). analisando a “totalidade do hom em ” enfatizada pelo Hum anism o. Daqui toda aquela literatura teológica.”9 Cada pessoa estava de certa form a presa a um papel na ordem social.8 em outras palavras. a absorve. R ichard V. São P aulo. 735). C o ntrastando a educação hum anista com a m edieval. E tien n e G ilson: “ A im ag em d e um a ‘Id ad e M é d ia ’. o que nos com pete aqui é apenas dizer em poucas palavras o que caracterizou o espírito m edieval no sentido de com preensão do mundo. nem lhes fora solicitado pela Bíblia. a qual não tem outro va­ lor senão o de docum ento histórico. C u ltu ra C ristã. fazendo indagações que. ascética. 207. na m aioria das vezes a ninguém interessava. 1982. sem que houvesse perspectivas de m udança. sem grande m obilidade social. 2a ed. Os P recursores do R enascim ento. a aterroriza e a inebria. onde as transform ações eram lentas nos diversos setores da vida cultural. m as sim o h o m em c u lto . 493. pragas e crises econôm icas. M a rtin s F o n tes. c um fantasm a h istó ric o que co n v ém d esco n fiar. D ois R e in o s . não se concebia hom em sem senhor nem senhor sem terra. quando. carente de um a com unhão m ais íntim a e direta com Deus. Os filósofos-teólogos estavam dom inados pela idéia do “sagrado”. sendo a m etafísica a “rainha das ciências” . p reen ch id a po r um a ‘e sc o lá stic a ’ c u jo s re p re sen tan tes repetiam su b stan cialm en te a m esm a co isa d u ran te sé cu lo s. A F ilo so fia na Idade M éd ia . é pertinente a observação de Abbagnano. eram causadas “por guerras. São P aulo. a m ística m uitas vezes era o que restava ao hom em religioso. . 8 H um anism o: ln: N icola A bbagnano. a hierarquia social estava tão rigidam ente estabelecida que se confundia com a própria ordem divina. Na Idade M édia havia tam bém um a sociedade estática. Por certo.. E ditora P arm a.” (B attista M ondin. com boa dose de exagero.C a p It u l o 1 . p.O R e n a s c im e n t o 31 A Idade M édia. não pode ser defini­ da em um parágrafo.6 Todavia. p. para um hom em inexistente. que a preocupa. S ão P aulo. p.m ais nom inal do que real . O que caracterizou a Idade M édia no plano religioso é o cham ado “teocentrism o” . P aulinas.”7 No que tange à Educação. de d u ração aliás indeterm in ada. lendária. D icio n á rio de F ilosofia. o ideal educativo não é m ais o perfeito eidadão. o santo. 2003. P ierard e E dw in M . escreve Adolfo Bartoni: “A Ida­ de M édia não pensa. p. Y am auchi. 7 A dolfo B artoli. 1995. econôm ica e política. 1983. 18. 1980. M estre Jo u . S ão P aulo. visto que houve vários períodos dentro da m esm a.” (E ticn n e G ilso n . diz que “O curriculum m edieval dos estudos era elaborado para um anjo ou um a alm a desencarnada” . não tem senão um único sentim ento predom inante. São P aulo. As m aiores m udanças. Introdução à F ilosofia. o de além -m undo. p. R o b ert G. social. L tda.A Ig reja e a C u ltu ra intera g in d o ao longo dos séculos. M ondin afirm a: “C om o h u m an ism o c o ren ascim ento. C tousc. ironi­ cam ente.que consistia em considerar D eus com o centro de todas as coisas. “N este m undo não havia lugar para o lucro e a aventura. todas as tarefas se reduziam à do servo que 6 P are c e -n o s p ertin en te a o b se rv aç ão do gran d e h isto ria d o r to m ista.

passam a ter n ecessid a d e de obter do cam po o suprim ento de alim en tos. T om as M . L a R eform a y Su D esarrollo Social. Vol. F u n d ação E ditora da U N E S P /C am b rid g e. língua falada por toda a classe cu lta12 e pela leitura dos m esm os poucos livros controlados pelo clero 13 . 1971.32 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a trabalhava. H odgett. A m edida de riqueza era d eterm in ad a por um único fator . que não pode ser enquadrada dentro do m undo herm ético m edieval. (s. “ N o p erío d o feudal.11 Ao m esm o tem po. reconstruída pela Igreja através do latim. havendo leis contra todos os “m ales” im agináveis. m as tam bém do direito e de boa p arcela da ad m in istração p ú b lica.15 N esta sociedade predom inantem ente agrícola. H istória S ocial da L inguagem . com o elem ento de fom entação das transform a­ ções sociais. H istó ria da C ultura e m P ortugal. a terra produzia p raticam ente todas as m ercadorias de q u e se n eces­ sitav a e. J. Em que pese a visão esposada por L eo H uberm an.. ao m esm o tem po. p. S araiva. .). 11 V d. p. p. Z ahar. com relação entre senhor e servo fixad a pela tradição. esta “estabilidade” seria “desestabilizada” gradativãm ente. liberdade e po d er. I. proporcionaram -lhe os m e io s de rom per os la ço s que o prendiam tão fortem ente. A n tônio J. portanto. 15 L eo H uberm an. 13 C f.que perm itia haver um m odo de viver sem elhante entre as classes iguais nos lugares m ais diversificados da Europa. o proprietário é si­ 10 A n tô n io Jo s é S araiv a. B arcelona. L isb o a. p.a q u an tid ad e de terra. Os usos da alfabetização no início da Itália M oderna: ln: P eter B u rk e & R o y P o n er. o outro na p rodu ção a g r íc o la para a b astecer o c re sc en te m ercad o representado p elo s que deixaram de produzir o alim ento que c o n so m e m . 7“ ed. foi praticam ente im p o ssív e l ao cam p on ês m e ­ lhorar sua con d ição.” (P eter B urke. orgs. 1950. C L IE . dirigida sem pre para o aspecto econôm ico. as suas observações nos parecem pertinentes aqui: E nquanto a so cied a d e feudal perm anecia estática. que perm eou o período de 800 até 1400. H istória S ocial e E conôm ica da Idade M édia. “quem possui terra. H istória da R iqueza do H om em . especialm ente a partir do século 13. São P aulo. 51. Surge. havia um a unidade cul­ tural das elites. E stava preso a um a c am isa-d e-força e co n ô m ic a . assim . 12 “O latim era a língua não só d a Igreja. a introdução de um a e co n o m ia m onetária. Zahar. disp u tad a co n tin u ­ am ente. Lindsay. a terra e apenas a terra era a ch av e da fortuna de um hom em . Q uan do surgem cid ad es nas quais o s habitantes se ocupam total ou princi­ palm ente do co m ércio e da indústria. não sendo p o r isso de surpreender que o período feudal tenha sido um período de guerra. 250. E sta era. U m a se concentra na produção industrial e no com ér­ c io . 96-97. 1. um a d iv isã o do trabalho entre cid ade e cam po. m as sistem aticam ente um a nova classe social. 1997. quando surge lenta.” 10 A ingerência do “E stado” era enorm e na vida privada. possui.16 por isso. portanto. Jo rn al do Fôvo. M as o crescim en to do com ércio.14Todavia. 75.d. à do padre que orava e pregava. p. H istó ria d a C ultura em P o rtu g a l. 19). à do guerreiro que guerreava. p. 1975. 14 G erald A. R io de Janeiro. R io de Janeiro. o c re s­ cim e n to das cid ad es. 26.

” (Ibidem . o “habitante de um a v ila” . C iviliza çã o M aterial. etc. “ aldeia” . p or volta dc 1390. ele [regim e feu­ dal] alargou e co n solidou esses m odos de exploração do hom em pelo hom em e. vile. P o r o u tro lado. a palavra vilão 17 designa. H istória E conôm ica e S ocial da Id a d e M édia. R io de Janeiro. P ara um estudo m ais porm enorizado deste assunto. p. desta vida m ortal. Com poucas ex­ ceções. A S o cied a d e F eu ­ dal. F rom m segue em g rande m edida o pensam ento de Jacob B urckhardt. L isb o a. H istória da R iqueza do H om em . Procurar riqueza é cair no pecado da avareza. 124. Vol. 1991. P ara m ais detalhes a respeito do sentido e em p reg o da palavra. 19. 17 e 19. O M edo à L iberdade. “cam p o ” . L eo H uberm an. quem dela está privado. até que. “rú s­ tico ” . 1998. ver: Jacques L e G off. sobretudo. no sentido m oral. “casa de cam p o ” . p. e a fo rm a de fazê-lo era co n tratar gu erreiro s. H uberm an. fica reduzido à servidão: assim . . ''' B u rck h ardt falando sobre o espírito de vanguarda da Itália . (1987). T ed. m ovim entos em prol de um a m aior liberdade.” (Jacob B urckhardt. pp. d ific ilm e n te p o d ia m u d ar geograficam ente de um a cidade ou de um país para outro. do m esm o m odo. D aí a conotação de “v ulgaridade” . 202-205. “um a m oda m asculina predom inante. “preço b aix o ” . 112).qu e d estoava das dem ais cidades . etc. O autor observa que o d esejo de liberdade não era apenas do hom em do cam po. era preciso aliciar lanta gente quanto possível. 280-301. p.diz que. São P aulo.” 18 Dentro desta perspectiva. A pobreza é de origem divina e de ordem providencial. B loch (18861944) o b serv a que a sociedade feudal herdou do espírito rom ano o conceito natural dc que cabia à “m u ltid ão de gente hum ilde” sujeitar-se a alguns poderosos. q u an d o n ecessário . Villa: ln: P ierre B onassie.” [M arc B loch. E m favor dum a oligarquia de prelados ou de m onges. E rich F rom m . 1. p. 18 H enri P irenne. até m esm o para não parecer diferente dos outros. concedendo-lhes terra em troca de certos p agam entos e p rom essa de auxílio. o cam ponês de um dom í­ nio e o servo. 457-458]. “ vileza” . p.. 17 L em b rem o-nos de que a p alavra “ vilão” e proveniente do adjetivo latino. torna-se evidente a insatisfação com este estado de coisas. 12ss. p. os hom ens não se sentiam livres para usarem as roupas que quisessem 19 ou m esm o. A C ultura do R enascim ento na Itália: Um E n sa io. A re­ núncia do m onge é o ideal a que toda a sociedade deve aspirar. M artins F o n tes. P or A m o r às C idades. H istória da R iqueza do H om em . Am iúde. 41 ss. “d esco rtês” . 38).C a p ít u l o 1 . S ão P aulo. reunindo num in extricável feixe o direito de renda do solo e o direito ao m ando. A C ultura do R enascim ento n a Itália: Um E nsaio. M estre Jou. “Tendo recebido das épocas an terio ­ res a villa já senhorial do m undo rom ano e as circunscrições rurais g erm ânicas.20 Contudo. 10“ ed. o senhorio. fez de tudo isto. as populações das cidades tam bém a q u eriam : “d esejav am a liberdade da terra. (2“ reim p ressão ). D icionário de H istória M edieval. 54-61. v erd ad eiram en ­ te. mas conservar-se na condição em que cada um nasceu. sugiro: F ernand B rau d el. um a vez q u e cad a um p ro cura vestir-se a sua m aneira. pp. “ barato” .21 sendo significativa a “R evolta C am pesiP ara v en cer as g uerras. “co m u m ” . p. p.O R e n a s c im e n t o 33 m ultaneam ente senhor. 1982. para com er o que gostassem . E d ito ra U nesp. São P aulo. Em favor. 211 C f. a palavra está associada íi villa. 1977. São P aulo. 6“ ed. surgindo de m odo m ais freqüente. 21 Vd. C o m panhia das L etras. (R eim p ressão). Z ahar.. “b aix eza” . L isb o a. passe à vida eterna. “ sem v alo r” . ele deveria perm anecer onde nascia. o historiador belga Henri Pirenne (1862-1935) continua falando da ideologia da igreja rom ana concernente ao trabalho: “A finalidade do trabalho não é enriquecer. encarregados de p ro p o rcio n a­ rem o C éu. já no final do século 13. E dições 70. N a pág in a seguinte. eco n o m ia e capitalism o: séculos X V -X V III. 1985. 1997. um hom em tinha pouquís­ sim as ch a n c e s de a sc e n d e r so c ia lm e n te . P u b licaçõ es D om Q uixote.” M ais à frente. o au to r co n tin u a ex em p lifican d o e d ocum entando a form a com um de pagar os serviços de um cav a­ leiro co m terras). sendo o villanus. há em F lorença.” (L. d um a o ligarquia de g u erre iro s.

C lo u se.” (Ibidem . p. da relação h arm oniosa entre a produção do cam p o e a d ev o lu ção m anufaturada da cidade: “O principal com ércio de todas as sociedades civ ilizad as é m antido entre os habitantes da cidade e do cam po. C louse. D ois R einos. p. p. 23 N a realid ade. M artins F o n tes. 1360. 168-171. et. [R eim p ressão ]. 86). . 211. 5" ed. 234). O bserve que Sm ith não está falando do nosso país. H istória do S o cia lism o e das L u cta s S ociaes. a quem G albraith atribui a fu n d ação d a eco n o m ia (John K. p.34 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a na” de 1381 na Inglaterra.e John Huss (c. ou feita por interm édio da m oeda. Também. In vestig a çã o S o ­ bre a N a tu reza e a s C ausas da R iqueza das N ações. a P este N egra era cíclica. No entanto. su sten ta a idéia.” (G eorge Duby. ano 2000. A E ra da Incerteza. 26 B ali: ln: H arry S. C onsiste na troca da produção b ruta p ela p ro d u ção m anufaturada. p. p. G eorge D uby. São P aulo. P ioneira. E d içõ es 70.. econom ia e capitalism o: sécu lo s X V -X V III. .23 que dizim ou grande parte da população da E u­ ropa chegando a m atar 30 a 40% da população de determ inadas regiões.d. para a já aludida revolta 12 V d.). 1330-1384) . D ois R einos. F ernand B rau d el. 84-85. 27 H uss. dos custos de produção.. na p ista de no sso s m edos. “ N ada é com parável a esse choque terrível da peste de 1348. Em outras palavras. C ivilização M aterial. p reg ador da C apela de Belém e professor da U niversidade de Praga. 210-211. G albraith. a n o 2000. al. 1983. p. S ão P aulo. é que gera o seu abandono da terra em direção à cidade. ou de alg u m a esp écie de papel que representa m oeda. XXV111). 86). gerando um aum ento dos salários e. A bril C ultural (O s P ensadores. M ax Beer. E ncyclopaeclia B rita n n ica .hav erá sem pre pre­ ju íz o s para todos: “Se as instituições hum anas não tivessem nunca m odificado essas inclinações n atu rais. p erm anecendo até o século 18 (Cf. O cam po fornece à cidade os m eios de su b sistên cia e as m atérias-prim as da m anufatura. 1. Vol. II. h av en d o d eseq u ilíb rio nestas relações que por sinal não ocorrem po r acaso . R o b ert G. A n o 1000. que nos p arece óbvia.” (Ibidem . rev.”25 A pregação de John Bali ( t c. as cid ad es não se poderiam nunca ter desenvolvido ao ponto de terem m ais habitantes do q u e aqueles que p udessem ser m antidos pela produção dos cam pos situados nas suas p ro x im id a­ des. A n o 1000. 4). que n u n ca é intrín seca.22 Isto ocasionou um a falta de m ão-de-obra rural. p. salvo. com o por exem plo.. al. G corgcs D uby. p. não se p o d eriam p o rtanto d esenvolver enquanto esses cam pos não tivessem sido com pletam ente m e­ lho rad o s e cu ltiv ad o s. ^ R o b ert G. 234). E conom ia R ural e Vida no C am po no O cidente M e d ie v a l. 1974. troca essa que é ou im ediata. 1370). 1. p. IV. 1. 13691415)27 contribuíram de form a direta ou indireta. N estas relações ninguém sai perdendo (I b i d e m IV. a invasão m ongol ou a A ids num país da Á frica neg ra. 1962. 235). Vol. (1 9 8 8 ). p. A dam S m ith (1723-1790). 24 Cf. tendo pregado contra as indulgências. 233). 74. a R evolta C am pesina na F rança onde “m ultidões de trabalha­ dores rurais desesperados atacaram as m ansões senhoriais e com eteram m uitas atrocidades. Vol.a de John W ycliff (c. A shm ore. fora ex co ­ m u n g ad o em 1412 por ter aderido às idéias de W ycliff. p. p ro d u ção essa que é condicionada pelo estado de m elhoram ento e cultivo desses cam pos. na esperança de en co n trar m elhores condições de vida. na p ista de nossos m edos. et. houve um êxodo rural cada vez mais intenso. 992. C h ica g o . 11 (s. São P aulo. consequen­ tem ente.” (A dam S m ith. 11. Tudo isso foi agravado pela “Peste N egra” (1347-1348. A cidade p aga esse abastecim ento enviando aos h ab itan tes do cam po um a parte da sua produção m anufaturada. A n o 1000. 1997. 1381). Vol. C ulturas B rasileiras. a insatisfação do hom em do cam po. na p ista de n o sso s m edos. IN C. L isboa.. p. o “Profeta do povo”. E d ito r in C liief. p. G eorges D uby. “O s h ab itan tes da cid ad e e os do cam po são servos uns dos o u tro s.a “Estrela d ’Alva da R eform a” .enfatizando o princípio da igualdade social26 . Vol.24 N estes ideais de m aior autonom ia houve tam bém exageros. São P aulo. talvez. E n cy clo p aed ia B ritannica. com o decorrência destas insatisfações sociais. ano 2000. 31-32.

N esses poed esafiad o a au to rid ad e do p apa e enfatizado a autoridade das E scrituras. p.” (R o b ert G. herd eiro s de toda um a co rre n te que. O P en sa m en to E co n ô m ico e Social de C alvinv. São P aulo. V I. c o n s id e ra n d o a ig re ja c o m o a u n iv e r sita s p ra e d e stiu o ru m . C asa B a u tista d e P u b licacio n es. C louse. III. 139. (D iscu tin d o a H istória). 216). 139. a assem b léia invisível dos esco lh id o s de D eus. 2112 1 2 . W y cliff co n tra a v alid ad e dos clérig o s po ssu írem terras e p ro p ried ad e s.. 2 8 0 -2 8 1 . P iren n e. 1. Vol. 1. que se constitui num docum ento precioso para a com preensão da história social do seu tempo. II. 1996. o Lavrador”). et. 24ss. a d erira m p ro n tam en te ao d iscu rso de H uss contra a Ig reja rica e dissipada. por sua vez. sendo supostam ente protegido por um salvoco n d u to do Im perador. Jean D elu m eau . D o is R ein o s. H us: In: E H T IC . na A lem anha. “ A salvação é um a qu estão entre o in d iv íd u o e C risto e o p apa dirig e ap en as a Ig reja visív el em R om a. 2000. p. A C ivilização do R en a scim en to . 36 0 ss). A C ivilização d o R e n a sc im e n to . 1. que co n stitu íam 40% da população. p. co n sid eran d o o p ap ad o um a in stitu ição h u m an a surgida na ép o ca de C o n stan tin o . H. 198.1332-c. C lo u se. H istó ria E co n ô m ica e S o cia l da Id a d e M é d ia . p. II. D ois R ein o s. g o sta riam de elim in ar os p relad o s p ecad o res e tam b ém lib ertar-se da so b eran ia eco n ô m ica dos senhores das g ran d es co rp o ra çõ es. havia já dois sé cu lo s. N as cid ad es. E m seu últim o ano de vida. H isto ry o f the C hristian C hurch. as p alav ras de H uss tam bém e n co n trav am eco. P hilip S ch aff & D av id S. n egando assim . Vol. C lo u se. estav am o rg a n iz a d o s cm c o rp o ra çõ es e su p o rtav am c o n trariad o s ter de pagar altos im postos ao p atriciad o e ao alto clero. p. 3 6 0 ss. p. Vol. S araiv a. H istó ria S o cio ló g ica da C ultura. 84]. M assachusetts. p. al. al. org. E m 1415 co m pareceu no C o n cílio d e C o n stan ça (1414-1418). H istory o fth e C hristian C hurch. E n tre os m iseráv eis. os in d ig en tes eram os que m ais pressio n av am no sen tid o da ab ertu ra de um a via re v o lu c io n á ria . H endrickson P u b lish e rs. p. p. 4“ ed. p. H isto ria dei C ristia n ism o . p. q u e term inou po r ser suspenso. 215-216: M ax Beer. E m P rag a. (V d. 7 7 3ss. 1. Vol. São P au lo . escreveu Piers the Plow m an (“Pedro. 216). 1. to d a e q u alq u er h ie ra rq u ia eclesiástica. com batia a idéia de in d u lg ên cias. S chaff. 192. os m en d ig o s e os assalariad o s. 315ss]. V I. os artesãos rep re sen tav am 60% da p o p u lação . “O s refo rm ad o res do sécu lo 16 foram . 776. portanto. et. o inglês W illiam L angland (c. A s H eresia s M ed ieva is. C lo u se.” Foi queim ado vivo. V ida N ova. 1988. L ato u rette. [Ver tam bém :. 1978. 1988-1990. C o m p a re com : K en n eth S co tt L ato u rctte. bem com o ao d irei­ to d o p a p a se im isc u ir em a s su n to s te m p o ra is. A C iviliza çã o do R e n a sc im e n to . eles estão en tre os “R e fo rm ad o re s an tes d a R e fo rm a ” .C a p ít u l o 1 . E n ciclo p éd ia H istó rico -T eo ló g ica da Igreja C ristã. N oll. p. H uss. S ão P aulo. A ndré Biéler. I.O R e n a s c im e n t o 35 dos cam poneses da Inglaterra em 1381. 139). A tual E d ito ra. 39. (Ver: M ark A. N a im p o ssib ilid ad e d e en co n trar um a saída legal p ara ev itar o qu e co n sid erav a m um a ex to rsão . E lw ell. aos poucos. H isto ry o f the C hristian C hurch. com o tam b ém a p o lítica papal. p. 1970. p. et. 651 (D o rav a n te citad o com o E H T IC )\ R o b e rt G. R o b ert G. M om entos D ecisivos na H istó ria d o C ristianism o. R o b e rt G. ele ch eg o u à co n clu são rad ical de q u e o p ap a era o A n ticristo e a en sin ar que a tran su b stan ciação era erra d a e qu e a ceia era sim p lesm en te a celeb ração da p resen ç a esp iritu al do corpo e san g u e de C risto . 384: P hilip S c h a ff & D av id S. . E ditora C ultura C ristã. S ão P aulo. R. H isto ria dei C ristia n ism o . al. Peabody. sem d ú v id a. B u e n o s A ires. T ereza de Q u eiro z ap rese n ta dados in teressan tes sobre a in flu ê n cia d e H uss: “T anto o cam p esin ato co m o os artesãos d as cidades tch ecas ap o iav am as d o u trin a s de H uss. os in d ig en tes. p. 2“ cd. Jean D elu m eau . esp e c ia lm e n te 365. K .” (Jean D elu m eau . C asa E ditora P resbiteriana.28 No século 14. São P aulo. Vol. D ois R einos. P. al. p. 1990. W ycliffe: ln: W alter A. p. 211 Cf.S. P hilip S ch aff & D av id S. Vol. A lfred W eber. Vol. “o poeta dos cam poneses livres”. K ubricht. H istó ria da C ultura em P o rtu g a l. p. Schafl'.l400). p.” [T ereza A line P. et. Vol. V I. sob a alegação de “não era necessário m an ter a palavra d ad a a um herege. linha d esv alo rizad o a h ierarq u ia eclesiástica e o p róprio padre e. fizera em ergir a d ig n id a ­ d e do le ig o . 314).G. H istó ria d o S o cia lism o e d a s L u cta s S ociaes. p. E ntre os se g u id o res d e H uss. S ch aff. S araiv a o b serv a que W yclilT c H uss fo ram os m ais in flu e n te s a n tecesso res da R eform a do século 16. C lo u se. M estre Jou. de Q ueiroz. pp. (A n tó n io J. D o is R einos.

. São P aulo. M aitland. E ste “am o r” .. T h e C hristian L iterature Com pany. o senh or secular era m ais hum ano. Vol. outros ainda pensam que se o riginou no sul da F rança. X III. 281]. outro s. H istória da R iqueza do H om em .. Vol. nem libertava nenhum servo ou arrendatário. p. A p u d L.31 A pesar de todas estas querelas e corrupções eclesiásticas. Im p ren sa M etodista. H alley. S . 698). ou m esm o. Vol. (1962). hom ens ou m ulheres de condição (servil) pertencentes aos m osteiros de nossa Or­ dem . W alker.R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a 36 mas..29 A igreja no entanto era a m ais severa dom inadora. C am b rid g e U niversity P ress. 1925. Langland descreve as condições dos pobres. 176-177. Indulgence: In: E n cyclo p a ed ia B ritannica. 1971. A igreja m esm o em suas contradições latentes e patentes.W. 56-57. Seja com o for. de tod os o s latifundiários. N a prática. A lexander R oberts & Jam es D onaldson. V. m as as m ais apegadas aos seu s direilos. The M ed ieva l Village. pp. pp. C a m b rid g e U niv ersity P ress.S. E d ito ra F u nd o de C u ltu ra. In: The A ute-N icene F athers. p o r volta de 1016 (Cf. E ssa instituição im orial. p.não as m ais agressivas. S ch aff diz que “até cerca de 1150. da com pra de indulgências. E m o ry S. 31 F. 692 -6 9 3 . com sua riqueza de registros m in u cio so s.W. há m u iio s in d ício s de que. tentava transm itir aos in­ d iv íd u o s a id éia do seu am o r in co n d icio n al. R io de Ja n eiro . H istória da R iqueza do H om em . m as sem alm a. W.32 que tinham o poder de perdoar. Vol. a corrupção e os abusos do clero.. o testem unho de dois his­ toriadores ingleses. pp. (Cf. é contra e le s (o s sacerd otes) que o s cam p on eses se qu eixam com m ais en erg ia . In: G. C oulton. 349). M aitland. F. em 1320. Pollock e F. se opondo ao m ovim ento cada vez mais forte de libertação dos servos. B uffalo.A . [Cf. 2“ ed. 12. 1964. G. 147148 A p u d L eo H uberm an. X V I. 2 9 6 . pp. ninguém sube ao certo q u an d o teve o seu início. Vol. Schaff. 1965.. p. pp. porque podia morrer. o certo é que com o passar dos anos esta . M anual B íblico. X X II. N ossa C rença e a de N ossos P ais. pp. p. B o g ard u s. 56. L angland: In: E n cyclo p a ed ia B rita n n ica . 1962. por ser m en os cu id ad oso. as ordens r elig io sa s eram as m ais severas . de form a declarativa. H istory o f E nglish L aw B efore the Time o f E dw ard I. 378-9. bispo de C artago (248-258) (E p ísto ­ las. m as não real.H. S ão P aulo. 329). a estrutura sacram ental (da indulgência) não estav a co m p letam en te d esen v o lv id a. por n ecessitar de dinheiro im ed iato. H istória da Igreja C ristã. nos Estatutos da Cluníaca —um a ordem religiosa . 2“ ed. p. defendiam a m anutenção das c o n d iç õ es feudais e dos d ireilos sobre as aldeias.” (D .”30 C ontra os religiosos deste período. São P aulo. I. H á quem sugira que com eçou com os papas P ascoal I (817-824) e João V III (872 -8 8 2 ). concedam a essas pessoas cartas e privilégios de liberdade. que dizem: . H. salvar 2'J Vd.2 9 9 -3 0 1 ).lemos: “(Excom ungam os) os que tendo controle de servos ou não-libertos. XXI. A E vo lu çã o do P en sa m en to S o cia l. bem com o expressa a esperança dos cam poneses de m elhores con­ dições de vida. en co n tram o seu fundam ento histórico em C ipriano. através da possibilidade de se adquirir a sua salvação m ediante as penitências. 1886. Vida N ova. Com o exem plo disso. 12 A prática das “Indulgências” é bem antiga na Igreja rom ana. não ced ia um a polegada. Palm er. ela dizia oferecer a “todos” os seus filhos. A S T E . havia um elem ento ideologicam ente agregador entre os indivíduos: a Igreja. podem os citar ainda. P o llo ck & F. Paul F. 1. H uberm an. 1967.

o m eio .” (Cf. invocam o testem unho de H om ero. H istória da Igreja Cristã. os fiéis sentiam -se m uitas vezes identificados com a Igreja e consequentem ente m elhor sociap rática Joi sendo am pliada. um filósofo pagão. M ercadores e B a nqueiros da k la d e M édia. P orto A legre.” [P la tã o . H arrison. o C onfessionário se constituiu num instrum ento de grande im ­ portância na aproxim ação da Igreja. 364c-e]. D entro do quadro descrito. ( C ouncil o f C lerm ont. 36 O C ódigo do D ireito C anônico. G rand R ap id s. Indulgência: In: E verett F. P aul F. pp. § 1. M ansi. santa e julgadora36 com os seus filhos pecadores e. invocam os deuses com o testem u n h as. 1985. m ediante pequena despesa. abrandar as penalidades do Purgatório. p. L oraine B oettner. 3 4 9 1. 1985. para m ostrar com o os deuses são in flu en ciad o s pelos hom ens. gord u ra d e vitim as.L . xx. co m sacrifício s. realizad o ao ar livre. Este sínodo.34 além de fonte de renda. K. um a das fórm ulas usadas por esses líderes relig io so s. p. V am berto M orais. . quando a lgum saiu do seu cam inho e e r ro u ' (Ilía d a IX . no S ínodo de C lerm ont na F rança. W.m ais poderoso para exercer a disciplina na igreja.L .C a p ít u l o 1 . 1973. ao o u v ir con fissõ es. Vol. (1993). (1983) C ânon 978. de cu rar por m eio de prazeres e festas. esp ecialm en te das ricas. Em n o v em b ro de 1095. foi p rom etida a indulgência plenária.4 9 7 -5 0 1 ). com d iscernim ento correto. P equena H istória do A nti-Sem itism o. po r H ar O phel (M onte das T revas). e ide reconquistar a T erra S anta. p. H istória da Teologia. 213-215. os deuses seriam p ortanto lim i­ tados e aéticos. D onald G. a todos aqueles que participassem po r pura d ev o ­ ção d a P rim eira C ru zad a cm Jerusalém . 816).C . d esem penha sim ultaneam ente o papel de ju iz e de m édico. libações. 1972. pois tam bém ele disse: 'F le­ xív e is a té os d eu ses o são.S. p. p. q ualquer crim e com etido pelo próprio ou pelos seus antepassados. e. O utros. pp. M ichigan. H istoria d e i C ristianism o. orgs.os quais exploravam a credulidade das p essoas.). C oncilia.ainda que nem sem pre eficaz37 . São P aulo.). p rejudicarão com igual facilid ad e ju sto e injusto. F undação C a lo u steG u lb en k ian . C om as suas preces. O s usos da alfabetização no início da Itália M oderna: ln: P eter B urke & R o y Portcr. Im p ren sa B atista R egular.35 dom inação e fortalecim ento do poder do papa e do clero. P latão (427-347 a. 136.33 O C on­ fessionário. en ten d ia que um dos m ales de sua ép o ca era a corrosão da religião praticada po r supostos sa cerd o ­ tes e pro fetas . 7a ed. p ersuadindo os deuses a serem seus servidores .O R e n a s c im e n t o 37 ou. [Vd. Os ju d eu s odiaram tanto este concílio que substituíram o n o m e d e C lerm o n t (M o nte C laro). pp.. São P aulo. diz: “L em bre-se o sacerdote q u e. o u to rg ad o pelos deuses devido a sacrifícios e encantam entos. 38 B cngt H agglund. pela p rim eira vez. W alker. uni-vos! T om ai da cru z e da espada. teve um apelo entusiástico do papa: “C ristãos da E uropa. pelo p apa U rbano 11 (1 0 8 8 -1 0 9 9 ). 491. e o perdão concedido foi se tornando cada vez m ais exaustivo. C asa P ublicadora C oncórdia./! R epública. sem padrão de m oral. C atolicism o R om ano. S ão P aulo. T ornan­ d o -se a p artir d aí esta prática com um ..dizem eles g raças a tais ou q uais inovações c feitiçarias. 78ss. 12. p o r m eio de sacrifícios.. sendo guiados pelas seduções hum anas: “ M endigos e adivinhos vão às portas dos ricos tentar persuadi-los de que têm o poder. 14. 30. se tornou um elem ento im portante de controle.. P ara todas estas pretensões. 53 C u riosam ente. D ifusão E u ro p éia do L ivro. uns sobre o vício. votos aprazíveis. R S . p. por o u tro lado. I. M artins F o n tes. L isboa.E . Palm er. 281.. Jacq u cs Le G off. org. 35 Ver: P eter B urke. D iccionario de Teologia. Indulgence: In: E ncyclopaedia B rita n n ica . Por outro lado. ■ w Ver adendo sobre C onfissão A uricular. na pior das hipóteses. 281. os hom ens tornam -nos propícios.38 Através da confissão. L atourette. era fazer as pessoas crerem que poderiam m udar a vontade dos deuses m ediante a o ferta de sacrifício s ou. (1962). 624625. garantindo facilidades (.” 37 Vd. H istória Social da L inguagem . I.. 1991. que se acha nas m ãos dos turcos e m ao m etan o s.que ele ch am a de m endigos e adivinhos . D avis. 168-169). se se q u iser fazer mal a um inim igo. T . através de determ inados encantam en tos.

A C onfissão e o Perdão: A s D ificuldades da C onfissão nos Séculos 13 a 18. al. Jean D elum eau (1923. e le é um c o n fi­ dente 'ca rid o so ’.41 C ontudo.. L eyde. 99).42 Aliás. p. pp. sc constitui num bom exem plo de que a confissão auricular.os quais ele p raticav a com freqüente rigor . Erasm o (1466-1536) declara: Por certo são n u m erosos e fortes o s argum entos contra a in stitu ição da c o n ­ fissã o p elo próprio Senhor.). 37.. P ersp ectiva s da T eologia P rotestante n o s S écu lo s 19 e 2 0. o b rig ató rio s e p ro d u to re s d a c o m u ­ n id ad e. sob retu d o no to ean te aos assim c h a ­ m ados ‘cristão s-n o v o s’. 309 -3 1 0 ). (*) T illich defin e “ ironia” com o significando “que o infinito é superior a q ualquer coisa finita e leva a o u tros tipos de concreção finita. “o m ais refin ad o rep re sen tan te crític o da iro n ia(* ) ro m â n tic a ” .havia recom endações específicas para os confessores. Para instaurar. No B rasil colonial. A p u d Jean D elum eau. por ex em p lo .. p. 34. ao m en os um a p assagem entre os d o is interlocutores. N este sentido. usufruíam em algum as circunstâncias do “alívio” da declaração de seu perdão. E rasm o. I I /l. N este caso. observa que: . se não um n ível de igu ald ad e. 100). e le não é m en os pecador que seu interlocutor. já que o papel de juiz estava presente na figura do confessor . sendo a experiência de Lutero (1483-1546) . 42 A experiência de L utero durante o seu noviciado c depois com o m onge A gostiniano.. 307. et. S ão P aulo. o b se rv a que.. ou ju d eu s forçosam ente convertidos ao cato licism o .” (Paul T illich .R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a 38 lizados.que adquiriu um sta tu s “tão fundam ental e ecntral com o o do b atism o ” .” (Ibidem . sublinha três particularidades do con fessor: ele ja m a is infringirá o in v io lá v e l segred o de que é depositário. N outro co n tex to . os je ju n s e as penitências . p. com o sublinha Tillich (1886-1965). T illich o b serv a q u e “S ão m uitas as pessoas que d ep o is d c e x p e rim e n ta r a fa lta dc sen tid o na vida e a perda de co n teú d o s n o rm ativ o s. 1986. 310).que a partir da reform a de 1503 feita po r Johannes von S taupitz (c.fosse feita de form a mais eficaz. daí ele se ex ced er cada vez m ais aos d a sua o rdem . 145-6. São P aulo. 1704.m uito antes da R eform a um bom exem plo disso. 1469- . et.foi tão bem incorporada na m entalidade do povo. o conforto do fiel estava em pertencer à Igreja. ‘c o m p a ssiv o ’ e ‘f ie l’. I I / l .. fazendo parte do seu corpo. Jl Jean D elum eau.39 C oncom itantem ente. p. E du ard o H oornaert. M as com o negar a segurança em que se encontra aqu ele que se c o n fe sso u a um padre q u alificad o?40 Para que esta ligação . nos fins da Idade M édia o que se tornou evidente foi um sentim ento de “ansie­ w E d u ard o H o o rn aert. sentir-se am parado e perdoado por ela. a confissão . A C onfissão e. H istó ria G era l da Ig reja na A m érica L a tin a .” (E duardo H oornaert. nunca dispensavam os seus capelães para confessarem -se nos seus m om entos de an g ú s­ tia (Cf. H istória G eral da Igreja na A m érica L atina. et. a n a lisa n ­ do o ro m an tism o d e F riedrich S chlegel (1 7 7 2 -1 8 2 9 ). que os bandeirantes. O pera O m nia. al. al. in g ressam na igreja ca tó lic a rom ana na b u sc a da m ãe p ro teto ra e a c o n c h e g a n te . etc. “E stu d o s recentes acerca da in q u isição em P o rtu g al c no B rasil d em o n stram eom o a relig ião cató lica era d ecisiv a e d e fin itiv a em relação à in teg ração d e um a p esso a na so c ied ad e colonial b rasileira. o P erdão: A í D ificu ld a d es da C onfissão nos Séculos 13 a 18. enfim . p. C o m p an h ia das L etras. a suposta identificação do fiel com a Igreja não era unâni­ me. v. eol.não lhes p roporcionava a paz esperada. 1991. A S T E ...Igreja e penitente .

pp. d esenvolvendo a sua crítica às indulgências. Vol. seguindo a o rd em b íblica. o n d e ele resu m e as suas 95 T eses.43 que fazia com que os fiéis não poupassem esforços no sentido de obterem a salvação sonhada e jam ais obtida: os recursos eram vários. A? Instituías. A C oragem de Ser. 210). A confissão de nossos pecados e o perdão dc D eus não im plica a necessidade dc enum erá-los.O R e n a s c im e n t o 39 dade m oral” e “ansiedades da culpa e da condenação”.. 1988. todos os p ecados m o rta is” está m uito d istan te de nós. Nas suas 95 Teses (31/10/1517). L utero. ainda que som a­ dos. A C oragem de Ser. D o C ativeiro B a b iló n ico da Igreja (06/10/1520).45 1524) era ain d a m ais severa . contudo. Vd. 44 “ Sob tais condições jam ais alguém p oderia saber se seria salvo. 1976. 1994.” (C harles Chiniquy. p. 2" ed. (§ 8. am parando-nos nos m é­ ritos de C risto (V d. pp. S ão P aulo. O Padre. V icente T hem udo L essa. ln: O bras S elecio n a d a s.4-24). escreveu no sécu­ lo p assado: “A co n ex ão da P az com a C onfissão A uricular. E m outro trab alho. D o C ativeiro B abilónico da Igreja: U m P relúdio de M artinho L utero. H istória do P ensam ento C ristão. (1917) C ânon 870. São L eo poldo/P orto A legre. 1983. pois ja m a is sc pode fazer o su ficiente. buscando encontrar a paz com D eus e a certeza da sa lv ação de sua alm a. § 2. N o ano seguinte. L utero revela o seu m aio r am ad u recim en to quanto a este assunto. p. 61). 1. R S . 45 O C ódigo d o D ireito C anônico. (L utero. Lutero: E n sa io B iográfico. Nós co n fessam o s a D eus os nossos pecados com o indicativo de nosso arrependim ento. nem realizar n úm ero su ficien te de m éritos e de obras dc acese. m as sim na m isericó rd ia de Deus. P osteriorm ente. para q u e não tenha a p resu n ção de p ro v o car D eus à rem issão dos pecados através da sua d iligência. S ão L eo poldo/P orto A legre. C a sa E d ito ra P resb iterian a. todos. p. p. R io de Janeiro. V ida N ova. 1942. R S. através da b o n d ad e de sua du lcíssim a prom essa. 1. P az c T erra. se distanciando ainda m ais da prática católica.44 N essa relação: Igreja e pecador penitente. o confessor era o instru­ m ento de ligação entre eles. D eus nos perdoa em C risto porque E le assim O prom ete. 31 -34). 44 e 45. convertido ao P rotestantism o. e m uito m ais de confessar. p. 1989. 1989. S inodal/C on córdia. p. sendo esta um a fo rm a de g lo rificá-L o (§ 11. 344). ninguém podia rcceb er doses suficientes do tipo m ágico da graça.” (Paul T illich. (V d. S in o d al/C o n có rdia. A lbert G reiner.C a p ít u l o 1 . tam bém : T im othy G eo rg e. E le resu m e o seu p en sam ento com esta frase: “ A s indulgências são m aldades d o s aduladores ro m a­ n o s” (M . p. 53).4. Um S erm ão so b re a In dulgência e a G raça: In: O bras Selecionadas. a m ais cruel ironia já ex p ressa na linguagem h u m an a. sua lem brança e suas fo rças. p. São P aulo. en q u an to que D eus m esm o já se adiantou a ela.” (M artinho L utero.” O seu equivalente no . L utero publicou Um S erm ão sobre a In d u lg ên cia e a G raça. 1989. C alvino. a aliciou e provocou a aceitar a rem issão e fazer a co n fis­ são . dizia: “ N o C o nfessionário o m inis­ tro tem o p o d er de perdoar todos os erim es com etidos depois do b atism o . C om o resultado desse estado de coisas havia m u ita an sied ad e no final da Idade M édia. São L eopoldo/P orto A le­ gre. com poderes para perdoar pecados. 4-’ Paul T illich. R io de Jan eiro . L utero escreveu (1520) contra o esp írito católico d a confissão. 25ss). Vol. RS. representando em m uitos aspectos o próprio S enhor Jesus C risto. S in o d al/C o n có rd ia. tam bém as páginas seguintes. prontíssim o a rem itir e.. 130). II. já que “ a possibilidade de conhecer. 45ss. ele já esboça o seu pensam ento a respeito do “ v alo r” das indu lg ên cias. São P au lo . O im portante é co m p reen d erm o s que o perdão não se am para na confissão. onde o autor ilustra com o essa an sied ad e se m an ifestava e tam bém : Paul T illich. p. 25ss. L iv raria E d itora da F ederação E spírita B rasileira. A S T E . M odo de C onfessar-se: In: O bras Selecionadas. L u te m . São L eopoldo.em penitências. 1II. a fé nessa p ro m es­ sa é a p rim eira e a m aior coisa que necessita ter a p esso a que quer se confessar. é. 56-57). confiante na S u a prom essa de perdão: “D esta m aneira. O ex -p ad re can adense C harles C hiniquy. A Teologia d o s R eform adores. p ortanto d ev em o s ap render a depositar toda a nossa con fian ça na S ua m isericórdia. eram insuficientes. sem dúvida. Vd. A M u lh e r e o C onfessionário. RS. Vol. m ostrando que o pecador arrependido d eve co n fessar os seus peca­ d os d iretam en te a D eus. 30ss. 3" ed. 1956. p. 3“ ed.

e tirar todo o o bstáculo que possa im pedir os fiéis de gozarem eternam ente a D e u s” (P ad re Jú lio M aria. toda a p ena eterna com o tem p o ra l. E duardo H oornaert. 1989. o P apa e a Igreja. P aris. Afonso M aria de Ligório (1696-1787). e aum . passando esta análise introspectiva pelo ju lg a­ m e n to d a su a “b o a ” ou “ m á ” in te n ç ã o .40 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a Para que o penitente pudesse usufruir desses privilégios. o perdão dos pecados com etidos após o batism o. em O euvres com pletes.é um a única e m esm a pessoa: o Cristo. mas se são abordados por um pobre pecador. Le G off diz que agora. ou o fazem de m á vontade. H o ornaert tam bém analisa a questão da m udança que a confissão auricular provocou na relig io sid ad e popular. al. São Paulo. Código de D ireito Canônico. deve procurar sobretudo a confissão do pecador. o P apa e a Igreja. p. 12. 310-312). M anluim irim . A C onfissã o e o P erdão. o P apa e a E greja ou Segredos ín tim o s do P apado. “ A Igreja é a obra de D eus. MG. . e ao m esm o tem po se reconciliam com a Igreja. profissional. ainda que de form a atenuante. 310-311). 3Ded. “O P ap a é o representante de D eus. “S ão três naturezas distintas. et. 2“ ed. B rasilicnse. isto é. I I / 1. A B olsa e a Vida: A U sura na Idade M édia. 11/1. 1983). q u e L e G o ff cham aria dc “ in tro sp ectiv a” . diz: “ N o sa c ra ­ m en to da pen itên cia. “O C risto . l. 4' A fonso de L igório. 1842. 3). m ediante a absolvição d ad a pelo m inistro. recolher sua contrição. percorria previam ente um a via cruxis. (V d.. 27 (O euvres m orales.19.. G uide du C onfesseur p o u r la D irection des G ens des C am pagnes. unidade na pessoa. p. constatou que: “Há os que reservam sua caridade às pessoas distintas ou às alm as devotas. (1983) C ânon 959. alcançam de D eus. E ditora: O L utador. à p ag in a 13: “O C risto . A p u d Jean D elu m eau . p. “ interpretando” M ateus 16. p. 79).” 46 Jacqucs L e G off. et. “O C risto é D eus. H o ornaert diz que o “ sacram ento da co n fissão ” foi “d es­ m o ralizad o ” e “d o m esticado". A n a lis a n d o e s ta q u e stã o . (Vd. especialm ente a partir de Latrão (1215). O C hristo.”47 Há evidências posteriores de que a prática da confissão anual passou a ser cada vez m ais dolorosa para os fiéis. fundador da Congregação dos Redentoristas (1732). cedendo lugar à um a religião m ais “ individual” . e tanto quanto a ‘satisfação’. à qual ofenderam pelo pecado. da qual eles procuram se desinC ódigo do D ireito C anônico.” (Vd. 17. A penas com o curiosidade. diz: “E stas palavras m ostram cla ra ­ m en te que P edro e seus sucessores têm o poder de p erdoar todo o pecado.. O confessor deve levar em conta esses parâm etros individuais. arrependidos c com o p ro p ó sito dc se em endarem . H istória G eral da Igreja na A m é ­ rica L a tin a . os fiéis que confessam seus pecados ao m inistro legítim o. São Paulo. rcv. N o B rasil. 492. “o penitente é obrigado a explicar seu pecado em função de sua situação familiar. 1940.. E dições Loyola. no seu Guia do C onfessor para a D ireção Espiritual dos H om ens do C am ­ po. H istória G eral da Igreja na A m érica Latina. E duardo H oornaert. ou não o escutam . e enfim o dispensam injuriosam ente. a penitência. al. “E um a T rindade na u n id a d e: T rindade na natureza. das circunstâncias e de sua m otivação.. social. O P adre Jú lio M aria. t. .”46 Um outro problem a ligado ao C onfessionário era a evidente discri­ m inação que os padres eram tentados a fazer entre os fiéis. Ele deve de preferência purificar um a pessoa em vez de castigar um erro. p. p. cito a “T rin ­ d ad e” descrita pelo P adre Júlio na referida obra. referindo-se aos confessores.

F ra n ço is L ebrun: As R eform as: D evoções C om unitárias e P iedade P essoal: tn: P h ilip p c A riès & R o g er C hartier. 82. d e scu lp a -se d efen d e a sua causa quando o padre censura algum p ecado que presen ciou . Jean D elum eau. não se acusa de nada. A p e sso a se aproxim a sem ter feito n e ­ nhum ex a m e de co n sciên cia. lança-se. e sc o n d e as próprias faltas. ri. 2. lê-se nas C onferências E clesiásticas da diocese d e A m ie n s sobre a p en itên cia (1695). m en os o que d ev e fazer. fala de sua m iséria e de sua pobreza. p. culpa o próxim o. sem que o confessante se sentisse à vontade em fazê-lo e. p. procura enganar-se a si m esm a querendo enganá-lo. 81. Bauru. orgs. que é declarar todos os seu s p ecad os com dor é sinceridade. 50A p u d François Lebrun. H istória da Vida Privada: D a R enascença ao Século das L u zes. em sum a. quase nunca se lem bra da o ca siã o em que se c o n fe sso u pela últim a vez. quando fosse o caso. 111. p recipita-se no c on fession ário. não fez nada. que segue a tese da “vergonha” dos fiéis com o sendo o p roblem a do confessionário. 2003. D elum eau. deu a ab so lv içã o im ed iatam ente após essa ‘c o n fissã o ’. faz tudo no co n fessio n á rio . relata baixinh o e entredentes o s grandes p ecad os com m edo de que o padre escu te. São P aulo. conversando am enidades.51 4# Cf. 258-259.50 Ao que parece a prática da confissão. pp.48 sendo a vergonha “o m ais com um dos obstáculos. p. quando está aos pés do padre.”49 C hristophe Sauvageon. As Reform as: Devoções Com unitárias e Piedade Pessoal: ln: Philippe A riès & R oger Chartier. 146. s o ­ bretudo por parte daq ueles cuja vida não é cristã nem regular. p. 1991. A C onfissão e o P erdão. b em com o adm ite este problem a o C atecism o do C oncílio de T rento e o padre L ejeiinc no século 17. ver: Jean D elum eau. 111. em itindo opiniões sem a devida reflexão e. A C onfissão e o P erdão.C a p ít u l o ] . estava mais próxim a de um costum e aprendido. O Pecado e o M edo: A culpabiliz. vigário-prior da paróquia de Sennely. acusa todo m undo e se ju stifica. racionalizando os seus pecados. História da Vida Privada: D a Renascença ao Século das Luzes. SP. quando ele narra a sua d olorosa experiência co n cern en te à . 19ss). em geral não cum priu a últim a penitência. só faz o sinal da cruz se é advertida. e. orgs. na Sologne. C o m panhia das L etras. Vol. faz um a descrição desalentadora da prática da confissão por volta do ano 1700: N e ssa paróquia há um deplorável costu m e inveterado de apresentar-se à co n fissã o sem nenhum preparativo. etc. p. Edilora da U niversidade Sagrado C oração. Vol. se é que pode ser generalizada. w Cf. Vol. defendendo suas convicções. de um a form a ou de outra. D o m esm o m odo.O R e n a s c im e n t o 41 cum bir da m elhor m aneira possível.ação no Ocidente (séculos 13-18). na m aioria das v e ze s. quer dizer. conclui: T ão grandes são a hum ilhação e a vergon ha inerentes ao ato de co n fessa r que a Igreja ca tó lica viu neste a ex p ia çã o principal da falta e. 51 Jean D elu m eau. 21. ali d efen d e o mal co m o bem . procurava passar aqueles m om entos dolorosos. e com certeza há pou qu íssim as c o n fissõ e s boas. quase se bate para ser dos prim eiros a entrar. O ex-padre canadense C hiniquy talvez co n trib u a para ex p licar este fenôm eno. ( Vd.

E não som en te e sse p rocesso endurece m ais o s h om ens. eom o foi a sua p rim eira co n fis­ são. São Paulo. ao fazerem a sua c o n fissã o ao sacerd ote. o seu prazer em lê-la. a consternação. e a vergonha dum pobre m en in o cató lico quando ouve o padre d izer do púlpito em tom grave e solene: ‘E sta sem ana. E assim e le s im agin am que D eu s e sq u eceu o que c ie s deram a con h ecer ao sacerd ote. 193ss. d esig n ad a por D eus para ser a glória e a com panheira do h om em . F azei-os eom p reen d er que este ato é um dos m ais im p o rtan tes d a sua vida. o qual e le s deram ao sacerd ote e para e le transferiram . R io de Janeiro. pp. verdadeiro rep resen tan te de D eus na terra. “O co n fessionário assem elha o hom em . d ecorar e recitar extensas passag en s d ian te de seus pais. o s seus próprios dizeres são falsos. N este últim o livro. 1947. A s Instituías.42 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a Calvino já com batera este argumento: E co m o pod e ser que.. se p o r vossas ou suas faltas. A M u lh er e o C onfessionário. para q u e co n fes­ sem tudo ex atam en te corno sucedeu. ou m elh o r a Jesus C risto dc quem ele é representante. V ejam -se tam bém as transcrições de testem unhos p essoais q u e fu n d am en tam a tese do aulor ln: Ib id em . este p ecado se rá quase sem p re irreparável. acham que pod em m order o s b e iço s e dizer que não fizeram nada. E nsinai-os. quando os desp ejam . aquelas dos irrem ediavelm ente condenados. N as páginas seguintes ele conta de form a trágico-côm ica. sem um único engano ou d e tu rp a ç ã o ’.. quando lh es parece bem . num a d esp rez í­ vel e abjeta escrav a do pad re. vossas crianças são culposas de um a falsa confissão.. por causa da vergonha de um hom em nós d eixam os de pecar. m entirão ao seu confessor. à besta perecível. ou ruína.. N a o casião ele tinha cerca de dez anos de idade (1819): “ N enhum a! N enhum a palavra pode expressar àqueles que nunca tiveram q u alq u er ex p eriên cia a respeito deste assunto. 33-40. O Padre. co ra vistas à sua prim eira com unhão. T ran s­ fo rm a a m ulher. 21-25). acham que ficam a liviad os do seu fardo. até que. que ele costum ava im itar para os seus co leg as de escola. pensam entos e d esejos. 1942. Ora. suas vidas serão um a série de sacrilégios. se não co n fessam tudo ao padre. p. 131132).” (C harles C hiniquy.52 Um outro aspecto que vale ressaltar com o presente na Idade M édia é a questão do individual e do coletivo. . e v ã o juntando pecad o e m ais p ecad o. a ansiedade. O individualism o que vai caracterizar sua p rim eira confissão. evitan do com isso o ju íz o de D e u s. despejam todos ju n tos de um a vez. A narrativa d este episódio aparece tam bém no seu livro. não por outra c o isa . Porque o que ocorre com u m en te a o lh o s v isto s é que o s h om en s vão se endu recen do tanto em sua lic e n ç a para a prática do m al. ju sta m e n te d ian te de um padre. cujos trejeitos e gagueira. palavras. sen d o que não tem os vergonha nenhum a quando tem os D eu s te s­ tem unhando a n ossa m á con sciên cia! P elo que se vS. m as. pp. m an d areis vossos m eninos fazer suas confissões. a exam inar m etieu lo sa e co m p letam ente todos os seus atos. lev a n d o -o s a pecar m ais ao lon go d os m e ses.5. não voltam m ais a exam in ar-se a si m esm os. 52 Jo ão C alv ino. L ivraria E ditora da F ederação E spírita B ra­ sileira.. P ais g uardiões dessas crian ças. 131-132). (1541). sua m o rte e etern id ad e. O Padre. o autor narra de form a sensibilizante com o foram os seus prim eiro s con tato s com a B íblia na sua infância. criado à im agem divina. 1947 (s/editora). pp. im presso na G ráfica B entivegna. que deeidirá da sua felicid ad e eterna. não se preocupando em co n fessa r-se no resto do ano nem suspirando por D e u s. (pp. portanto. o dem ônio to m ará p osse de seus corações. C inqüenta A nos da Igreja Católica A postólica R om ana. 11. sen ão p elo fato de que.” (C harles C hiniquy. A M u lh e r e o C onfessionário.

T aurus E diciones. p.. co m o que en voltas por um véu com um . com o. M adrid. A C ivilização do R enascim ento. Jean D elum eau. A lister M cG rath. p. partido. M a ss a e h u se tts . 19 s . todavia. nem um salto brusco. s o ­ nhando ou em estado de sem i vigília. senão o resultado de um processo histórico. B lae k w ell P u b lish ers. de um a preven ção infantil e de ilu são tecera-se e sse véu. com contornos não muito nítidos. Ao que parece a característica mais forte neste sentido era o de corporação: o hom em encontra o seu valor no fato de pertencer a um determ inado gru­ po. São P aulo. A reform a protestante. segundo a in teip re ta ção corrente. E le diz: “E m m uitos aspectos. não exclui as suas causas. a etapa final de um longo processo de desenvolvim ento.. l .” (E rnst B loch.. A C ultura do R en a scim en to na Itália: Um E n sa io . contudo. 1984. 12 e 16]. cujas raízes m ais p ro fu n ­ das e autên ticas d ev em ser buscadas em solo m edieval (. 173.”55 51 Ja co b B u rck h ard t. O R en ascim en to não é lim a ruptura com pleta com seu passado im ediato. não fazendo jus à sua com ­ plexidade. D e fé. a A ntigüidade. The In te lle c tu a l O r ig in s o f T he E u ro p ea n R e fo rm a tio n . po r exem plo. M adrid..ora afirm an­ do a sim ples continuidade.. não devem os nos esquecer. (B iblioteca de A utores C ristianos). Pode parecer estra­ nho o que estam os afirm ando. A Igreja da R enascença e da R eform a: I. E rn st B loch. [Vd. indireta. “nesse terreno.54 Com o bem observa Daniel-Rops. am bas as fa ces da c o n sc iên cia . não poupa elogios à R enascença: “N osso tem a é um a aurora com o a h istó ria u niversal rara vezes contem plou. o ‘R en ascim en to ’ é a cu lm in ação da Idade M édia. 111. P or isso. N ão obstante. Vol.). que por isso m esm o. desejoso de m ostrar a grande relev ân cia do p erío d o M edieval.. para o interior do próprio h om em .. que. todo o juízo de valor se revela subjetivo e gratuito. L a E d ito rial C ató lica. D an iel-R o p s. 1995 (rep rinted). A reform a protestante.apesar de ser um a decorrência da Idade M édia veio im plodir a Idade M édia e m uitos dos seus valores. p..cai num a sim plificação deturpante dos fatos históricos. P o r sua vez. Vol.A . 54 M esm o o filósofo católico G uillerm o F raile. tem de se render aos fatos. em um a p ala­ vra: o R en ascim en to . um a irru p ção de figuras com o jam ais havia sido vista sobre a terra. na Idade M édia era apenas um a som bra.). p. que os m ovim entos históricos não são determ inados apenas positivam ente pelos fatos.. N ão foi sim plesm ente um novo renascim ento no sentido de que algo velho h o u v era v oltado a aparecer. . H isto ria de la F ilosofia. senão q u e foi um nascim ento de algo que antes jam ais havia p assado pela m ente hum ana. P orém ao m esm o tem p o entram em função outros fatores que abrem o eom eço de um a nova era (.C a p ít u l o 1 . 191 ss. 173ssJ. o R enascim ento não é um a sim p les co n tin u ação da Idade M édia.jaziam . C a m b rid g e . S . o hom em reco n h ecia -se a si próprio apenas enquanto raça. Q u ad ran te. m e­ nos ain d a um a ressu rreição. E ntrem undos en la H isto ria d e la F ilosofia. pp. qualquer tentativa de explicar a relação entre a Idade M édia e o R enascim ento de form a reducionista . 149).aquela voltada para o m undo exterior e a outra. p. antes. 35 D an iel-R o p s. A Igreja da R enascença e da R eform a: I.O R e n a s c im e n t o 43 tão fortem ente o R enascim ento. 8-9. o hom em coletivo era a tônica principal do individualism o. há um a determ inação por via oposta. 1996. N a Idade M éd ia.” [G uillerm o F raile. torna difícil precisálo.p . 1966. p o v o . III. através do qual se viam o m undo e a história com um a coloração extraordinária.’-1 O R enascim ento . com o frescor de um a classe ascendente. cor­ poração. fam ília ou sob qualquer outra das dem ais form as do c o le tiv o . ora declarando a total oposição .

São P aulo. L indsay. As palavras Renascença e Renascim ento são provenientes do latim. que abrangeu todos os setores da vida social. A . E n cy clo paedia B ritannica E ditores. L isboa. 12. R enascim ento: ln: W illiam B enton. podem os colocá-lo aproxim adam ente entre os fins do século 14 e m eados do século 17. 2a ed. p. M. tanto substancial com o cronologicam ente. 4) (D oravante. as d e fin iç õ e s se tornariam in ú teis. D ev em o s co n sid erar tam b ém que o R e n a sc im e n to não oco rreu sim u ltan eam e n te em todas cidades e países que o co n h ece ram (Ver: P au l Jo h n so n . p. T ó p ic o s. V ol. V I. H isto ria de la F ilo so fia . Veja-se: E dith S ichel. 7. 1982. (O s P en sad ores. A bril Cultural.B . p. 59. H istória dos Ju d eu s. H istó ria da F ilosofia. B arcelo n a. 246. 11. 9. S araiva. p.E . 341ss. 57 L in d say afirm a que. Im ago E ditora. B u en o s A ires.59 Definição “U m a d efin içã o é um a frase que sig n ifica a e ssê n c ia de um a c o isa . p. p. pois ele foi um m ovim ento com plexo. w “A Itália é. S ch aff. org. H istória da C ultura em P ortugal. p. 8-9. III. La R efo rm a en su C ontexto H istó rico . São P aulo.” . L eo H uberm an. 2a cd. um “novo nascim ento” . S d a c c a . E ntrem undos en la H istoria de la F ilosofia.56 Torna-se difícil definir o R enascim ento. H istória da R iq u eza do H om em . P eter B urke. Esta conjunção lingüística denota um a “renovação”. L ó g ic a ou O s P r im e i­ ros D e se n v o lv im e n to s d a A rte d e P en sa r. citada com o E NB). H isto ry o f t h e C hristian C hurch. p.58 pois foi lá onde surgiram as prim eiras evidências de fortalecim ento econôm ico capitalista. 1973. p.A r is­ tó tele s (3 8 4 -3 2 2 a. G. M estre Jou. p. R io de Janeiro/ S ão P aulo. se fo sse p o ssív el ver sem definir. 1965.F. “A n ecessid ad e de definir é apenas a n ecessid a d e de ver as c o isa s sob re as quais se quer raciocinar e. 13. por exem plo. p. 8).R. 1967. (M . “as transform ações econôm icas eram tão grandes que nenhum a d escrição do m eio am biente da R eform a seria com pleta sem algum tipo de relato acerca da rev o ­ lu ção social que se estava o perando. Abril C ultural. CL1E.. o berço do R en ascim en to e do C ap italism o m o d ern o ” (F ern an d o S. 121. H istória Sociológica da C ultura. M ich ele S ciacca. Vol. Vol. 93]. 1973. Vol. p. P h ilip S c h a ff & D av id S. F raile. Z ahar. T revor-R oper. p. 3“ ed.5 .). S ão P aulo. E nciclopédia B arsa. org.C . D iccio n a rio de F ilo so fia . p. R io de Janeiro. E ditorial S u d am erican a. a um só tem po. de C on d illac (1 7 1 5 -1 7 8 0 ). (O s P en sad ores. E rnst B loch. R eligião. S ão P aulo. Vol. A Igreja da R enascença e da R eform a: /.. V ejam -se: A llred W eber.57 O seu embrião foi a Itália. H enri P ircnne. Paul Jo hnson.M. econôm i­ ca e cultural da Europa. 111. O R en a scim en to . T. O R enascim ento Italiano: cultura e sociedade na Itália.” . A reform a p rotestante. X X V II). L a R eform a en su C ontexto H istórico. 62. A bril C ultural. 5 6 1 . R eform a e T ransform ação Social. São P aulo. todavia. política. (1985). p. p. R io de Janeiro. foi um fen ô m en o italian o . H. 2. Durante a Idade M édia. H istória E conôm ica e So cia l da Id a d e M édia. O R en a scim en to . São P aulo. 1. 6a ed. 35. 160ss. o co lo ca com o que indo dos sécu lo s 13-14 até 17-18. 1989. H istória das C ivilizações. a palavra 56 O p erío d o é co n sid erad o co m ce rta elastic id a d e no que se refere ao seu início e fim .” (D an iel-R o p s. V ictor C ivita. Vol. 58 “A R enascença. p. IV ).J. 175). R enascim ento: ln: Jo sé F e rra tc r M ora. 150. p. p. L indsay. E ditorial P resença/M artins . 5 61-562.” [T. 1977.1 . 1968.R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a 44 O período de abrangência da R enascença varia m uito entre os auto­ res. 12ss). Vol. Re (“re­ petição”) e N asci (“nascim ento”). 1 9 7 3 . p. L im a. 26. Vd. M estre Jou. 3“ ed.

T revor-R oper. p. “ V ejam -se: O tto M. Já o term o R enascença foi em pregado pela prim eira vez em 1858 pelo h isto riad o r fran cês Jules M ichelel. Vol. 11). datada de 7 de ju lh o d e 1228. sendo trad u zid o s por “nascer dc novo”. 25ss. no sentido secular.A . Leite. C arpeaux & S ebastião U. a palavra adquire o sentido de “re-forma ” do hom em e do seu mundo.5). quer da igreja. E ncyclopaedia B ritannica do B rasil. São P aulo. pp.R . “ O term o g rego qu e den o ta o “ renascim ento” ou “reg en eração ” . sem tutelas ou influências externas. 27). esforçando-se por pensar. 1969. reflete bem a concepção m edieval de que a teologia é a rainha das ciências. F o ndo dc C u ltu ra E conóm ica. N ascim en to: In: C olin B row n.C a p ít u l o 1 . E m M ateus.H. O R enascim ento. T t 3. determ inando a sua época. p. 1.64 F o n tes. foi o arquiteto. Vol.63 Nesta obra. O H um anism o R enascentista crê que a autonom ia da m aioridade finalm ente chegara. M otyer. M éxico. lem o sentido de “ren o ­ vação do m u n d o ” .que em 1524 já era aluno de M iguel  ngelo (1475-1564) o prim eiro a usar a palavra “renascim ento” .O R e n a s c im e n t o 45 “renascim ento” era em pregada no sentido teológico. 20. aceitando. Vite D ei Piú E ccelenti Pittori. Escultores e A rquitetos Italianos). Vol. tendo o m esm o sentido espiritual de Tt 3. sentir e sonhar por si só. J. N ova York. N o lexto de P aulo.28. V ida N ova.5). P aul Jo hnson. E n ciclo p éd ia M ira d o r Internacional. A bbagnano & A. se constitui na consciên­ cia da R enascença. (C f. Ibidem . John W illcy & S ons. term inaram -se as tutelas.62 Ao que parece. V isalberghi. p. A C ivilização do R enascim ento. 52. os efeitos de seus atos. conferindo à poste­ ridade a responsabilidade de estudá-la e interpretá-la. o co r­ re ap en as duas vezes no N ovo T estam ento (M t 19. “ Vd. O H um anism o. org. Vd. III. Tt 3. Inc. 202. John F. .5. H istoria de la P edagogia. N ovo D icionário In tern a cio n a l de Teologia do N ovo T estam ento. R enaissance a n d R eform alion: A S h o rt H istory. N. 1987. O R enascim ento é um dos raros m om entos da história. Scultori edA rchitetti Italiani (Vida dos M ais Im portantes Pintores. ger. p. p.60 No “R enascim ento”. N o texto bíblico dc João 3.. pintor e escritor italiano Giorgio Vasari (1511-1574) . I. quer da Escolástica. “O conceito de que o capitalism o industrial em grande escala era id eo lo g icam en te im possível anies da R eform a é destruído pelo sim ples fato de que já ex istia. p. 250-253. p. na sua obra.” (H . Vasari matizou também o período anterior de “Idade Média”. São Paulo. em que os seus coevos se denom inam . Vasari: ln: A ntonio H ouaiss.28. New . 1983. 12. M t 19.61 O próprio nom e “Renascim ento” reflete o juízo altam ente entusiasta daqueles que assim se autodenom inaram . através da reno­ vação de sua capacidade e poderes. por conseguinte. R enascim ento: In: E N B . L im a. ex em plos ln: Jean D elum eau. Em 1550. Vol. (D o rav an te citado com o ND ITN'T). N ovena reim presión. 15ss. 1981. Vasari escreveu: Q uem con tem p lou a história da A rte em sua ascen são e em seu d e c lín io com preenderá m ais facilm en te o su ce sso de seu ren ascim ento (d elia sua renascita) e da perfeição a que tem ch egad o em n o sso s d ias. quer da tradi­ ção. o sentido é de “regeneração esp iritu al” . conform e fora usada nas Escrituras (Cf. os term os que ali aparecem são: “Y£VVr|9fj ctvcüS ev” . referindo-se à renascença das artes e da civilização. com o m ovim ento histórico. c. 11313 (D o rav ante citada com o E M I) e F ernando S. 87. org. 1990. jia X . Q uanto ao seu em p reg o na literatu ra secular e na S eptuaginta (com restrições no aspecto teológico).. Vd. p. M A carta do p apa G regório IX aos m estres em teologia da U niversidade de P aris.iY Y £ v e a 'ia . entretanto.3. m as não de nom eá-la..

10.. tais com o a Filosofia. 1965. O P roblem a da E duca­ ção. O ito M . 71 W crner Jaeger. o R enascim ento e o H um anism o são dois m om entos interligados. 65 Vd.). H istória da E ducação no R enascim ento. 4. p. 319. II. sem os limites im postos pela autoridade de A ristóteles (384-322 a. a Arte e a E loqüência. M ichele F. H um anism o: In: E M I. a M oral e a Religião. S araiva. R obert G. p.67 Renascimento e Humanismo C onform e já vim os acima. 202). 488-489). S ão P aulo. p. 29.72 envolvendo a polidez dos costum es. o R enascim ento e o H um anism o são dois m o­ m entos interligados. S ão P aulo. pp.”71 A palavra sig­ nificava tam bém “erudição” . m as servi-lo com o súdita. 212. 22. p. V isalberghi. B lack w ell P u b lish ers. além do sentido popular de “hum anitário” . Vd. a palavra “H um anism o” vem do term o latino. C louse. 1989. X III. 11. S ão P aulo. M artins FonLes. para que o leitor não fique com um a idéia excessivam ente vaga a respeito do Hum anism o. 1980. C arpeaux & S eb astião U.. m Cf.C. 68 O u. H istória da F ilosofia. al. R uy A fonso da C. Vol.10 “H um anitas” . 70 Cf. 45. p. tendo em com um os seus caracteres principais.).65 que. C f.73 d iz ele: “ A cativ a to m ada do inim igo e à qual se une um israelita. M cG ralh. et. Tomás de Aquino (1225-1274). p. tam bém . 1824. 67 Vd.. de um único m ovim ento. H erd er/E dilora da U niversidade de São P aulo. farem os aqui algum as anotações a respeito dele. O m esm o vale para a verd ad e teo ló g ica que. outros aspectos ainda que im portantes. M assachusetts. Vol. p. usa­ do por C ícero (106-43 a. ou m elhor. V isalberghi: “ O hum anism o não é senão um m om ento. não deve dom iná-lo. “cultura”. G. 5869. dom inando virilm ente todas as outras ciências.. “com portam ento correto e civil”. S ciacea. e “dignidade”. L eite. H um anidades: In: F rancisco da S ilveira B ueno. com o seu autêntico ser. H isto ria de la P edagogia. A b b ag n an o & A. que é da m esm a raiz de homo e hom inis (= “hom em ”). E PU /E D U S P .46 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a Na realidade.C. G rande D icio n á rio E tim ológicoP rosódico da L ín g u a P ortuguesa.C. N unes. um aspecto desse fenôm eno m ais vasto que denom inam os R enascim ento.66 O H um anism o está prim ordialm ente preocupado com a Educação. a “civilização” . tinha um significado m ais rico e preciso. 9 e Id em . S ão P aulo. . A F ilosofia na Idade M édia. já fora criticado por G uilherm e de O ckham (c.) (D efesa do Poeta Arquías). F raile.C. depois de lhe ter raspado os cab elo s e cortado as unhas. Aulio Gelio (N oites Áticas.X V I) e de C ícero (106-43 a.69 Já nos tem pos de Varrão (116-27 a. “H um anitas”.” (In: E tien n e G ilson. de um único m ovim ento.” (N . R eform ation T hought: A n Introduction. perpetuada através de sua cristianização. p. exerce sua autoridade sobre elas com o o esp írito a exerce sobre a carne para dirigi-la pelo bom cam inho e im pedi-la de errar. 1300-1349). Etim ologicam ente.). tais como: a sustentação da dignidade da natureza hum ana e a livre pesquisa na área científica. p. A bbagnano e A. via S. têm um a im portância secundária. na realidade. H istoria de la F ilosofia. 2" ed. A lisler E. “ Cf. 2“ ed. 1993. p. D ois R einos. que era “a educação do Hom em de acordo com a verdadeira form a hum ana.68 Todavia. P aidéia: A F orm ação do H o m em G rego. 1966. co n fo rm e expressão d e N.

M úsi­ ca. S ão P aulo. Vol. J. a palavra “H u m a n ism o ” é docum entada em 1613 (Cf. 1490 [Cf. 1987. A. 875) ou. E m inglês a p alav ra é encontrada pela prim eira vez nos escritos de Sam uel C oleridge T aylor em 1812. D icio n á rio d e F ilo so fia . 62. p. Idem . E. V d. H um anism o: ln: Jo sé F errater M ora. o vocábulo “H um anista” (italiano: um anista)74 era em pregado na Itália. P ierre de N olhac reivindica a intro d u ção d este term o em 1806. pelo m estre e educador b áv aro . D icio n á rio L a tin o P o rtu g u ê s. O v o cáb u lo “ H u m a n ís tic o ” (H u m a n is tis c h e ) foi u sado p e la p rim e ira vez em 1784.40. P az e Terra. nota 2). p.G. 5869. 13ss. (S u p lem en to ). bem com o as co n cep çõ es filosóficas cham adas de “ H um anistas” . 1973. n Vd. E stes dois autores dizem que a p alavra já se d ocum enta em A riosto (1474-1533)]. Vol. C louse. Retórica. II. 1990. R io de Janeiro. São Paulo. 1 9 7 5 . A C ivilização do R enascim ento. H um ano: ln: Julio C orom inas. p. p. (S uplem ento). num a co n cep ção teológica. Apucl P edro D. 18. 5870. M artins F ontes. P orto. p. ela só se tornou usual. 75 “Todos estes estudos tinham em vista a form ação m oral dos estudantes tornando-os m ais hum anos pelo desenvolvim ento das qualidades que tornam o hom em superior aos anim ais. Veja-se tam bém : H um anism o: In: A ndré L alande. II. p. 11. F. F orense. R io de Janeiro. 11. et. C andeia. p. 105: M artin H eidegger. H u m a n ism o s e A n ti-H u m a n ism o s. N ogare. 2“ ed. 1985.. (Cf. P orto. Jcan D elum eau. © 1954. R efo rm a tio n T h o u g h t: A n Introduction. R efúgio E ditora.76 distinguindo-se deste m odo. P orto. I. D e O ratore. H u m an itas: ln: F ra n cisco T o n in h a . 386. Vol.77 72 C ícero. L eite. Id e m . al. 1969. 74 O term o “ H um anism o” foi usado pela prim eira vez em alem ão. E na Inglaterra.75 que correspondia às “Artes L iberais” CArtes libero dignae)\ isto é: História. por exem plo: P edro D. N ieth am m er (1766-1848). C arpeaux & S ebastião U. p. D o m esm o m odo. referindo-se aos que se dedicavam ao estudo das H u­ m anidades (Studia H um anitatis). 7(1 É im p o rtante observar as distinções cabíveis à palavra “ H um anism o” . G iovanni R eale & D ario A ntiseri. D iccio n a rio C rítico E tim ológico de la L engua C astellana. São P aulo. p. F rancis A. Josh M cD ow ell & D on Stew art. M cG rath. H um ano: ln: Julio C orom inas. H um anism o: In: E M L . 1981. R efilg io /A B U . E ditorial G redos. 42). “H u m a n is ta ” ap arece em inglês desde 1589 (C f. “ H um anista” (U m a n ista) foi em pregado pela prim eira vez em 1538. B lackham .17 e 56. (V d. Ibidem . 2“ ed. P etró p o lis. H. p. E ncyclopaedia B ritannica do B rasil.” (H um an id ad e: In: F rancisco da S ilveira B ueno. (Cf. Vol. H um anism o C ristão: ln: E H T IC . 1993. 1975. 3’ ed. 975... Em portu g u ês. H um anism o: ln: N icola A b b ag n an o . p. do “ju rista” . p. 27ss. p. D iccio n a rio de F ilosofia. II. 5869). N o sentido cultural a p alavra é usada som ente em 1832. indicando a crença do autor na exclusiva hum an id ad e d e C risto. pp. D e O fficiis. O D eus que Intervém . G ráfic o s R e u n id o s. p. G rande D icionário E tim ológico-P rosódico da L ín g u a P ortuguesa. . (1 9 8 9 ).4 2 0 p. 1989. B rasília. em sua obra. H u m a n ism o s e A n ti-H u m a n ism o s. O tto M . Vocabulário Técnico e C rítico da F ilosofia. Vol. 65ss. 4 “ ed. II.. Vol. 11. p.J. Lógica.. P aulus. T avares M artins. 1808) (O C on­ flito entre o F ilantropism o e o H um anism o na Teoria P edagógica do N osso Tempo) (Cf. 1270]. A uguste E tcheverry.C a p ít u l o 1 . F errater M ora. A ritm ética. E. E ntendendo as R eligiões Seculares. 11. N o víssim a H istória da F ilosofia. Vol. Vocabulário Técnico e C rítico da F ilosofia. do “canonista” e do “artista” . 493. p. 5“ ed. A. Vol. p. H istória da F ilosofia. N o entanto. Vol. C arpeaux & S eb astião U. V ejam -se. [Cf. R eform ation Thought: A n Intro d u ctio n . D iccionario C rítico E tim o ló g ico d e la L engua C astellana. D e r Streit D es P hilantropism us U nd D es H u m a n isn u is In D er Theorie D es E rzie h u n g sm te rric h ts U nserer Z e it (T übingen. p. H um anism o: A n d ré L alan d e. 16-17. São P aulo. aum entada. IV. V ozes. 11. M adrid. RJ. 276-277. O C onflito A ctu a l d o s H um anism os. p. p. D iccionario de F ilosofia. 875. 333.O R e n a s c im e n t o 47 No século 14. p. S chaeffer. A uguste E tcheverry. 1824). M anifesto C ristão. 42). T avares M artins. 3a ed. O C onflito A c tu a l dos H u m a n ism o s.. São P aulo. 1. do “legista”. R. H um anism o: In: J. 281. A stronom ia e G eom etria. depois 1860. p. 1270. 975 e O tto M . 1979. O b jeçõ es a o H u m anism o. H um anism o: In: EM1. p. N ogare. M c G rath . 87-88. L eite. Todavia. p. C retella Júnior.

I r m ã o P o n g e tti . tam bém . 1 9 4 5 . p. D icionário de F ilosofia. [Vd.81 O H um anism o R enascen­ tista estava convencido da grandeza e capacidade do hom em . 876. p. H istoria de la Filosofia. com a finalidade de form ar o estilo H um anista de falar. D iccionario de F ilosofia. 4 93-494. alcançando o seu esplendor nos séculos 15 e 16.48 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a Posteriorm ente. c o li g i d a s e c o m e n ta d a s p o r E lo y P o n t e s ) . H um anism o: In: José F errater M ora. Resum indo: na divisão de águas da História.E r n e s t R e n a n ( 1 8 2 3 . 481 (sentido “C ” )]. H um anism o: In: N. 875-876. D iccionario de F ilosofia. nunca com o sim ples meio. os m ovi­ m entos interagem e coexistem com outros m ovim entos e culturas. há sempre um entrelaçam ento dos tem pos e dos m ovim entos. por sua vez. a expressão passou a se referir àqueles que estuda­ vam os C lássicos da antigüidade. na anterior. 1973. p. R i o d e J a n e ir o . D iccionario cle F ilosofia. sendo de certo modo arbitrárias. H um anism o: In: N. p. Ao banho pois! O H um anism o teve início na segunda m etade do século 14 80 na Itália. A bril C u ltu ral. III. estes. So b re o “H u m a n is m o ". Ou seja. p. D icio n á rio cle F ilosofia. 1 5 5 ). os elem entos saudados com o a grande m arca de um a nova fase.”78 Todavia este não era o sentido com um . e a s s is ti r a m a o d e s ­ p e r t a r d o e s p í r it o h u m a n o . R eform ation Thought: A n Introduction. a Sagrada Escritura e a teologia. Vol. (O s P en sa d o res. Vol. contudo. III. D iccionario de F ilosofia. já viviam ainda que em brionariam ente e tantas vezes anônim os. P á g in a s S e le t a s ( T r a d u z id a s .1 8 9 2 ) .” . escrever e viver. Fraile. I. Vocabulário T éc­ n ico e C rítico d a F ilo sofia. Características da Filosofia Renascentista “ O s s é c u lo s 15 e 16 n a I tá lia . sem dúvida. 77 Cf. tendo-o com o fim de tudo. geralm ente está ainda com o que um so­ brevivente . A b b ag n an o . H um anism o: A ndré L alande. não estabelecem o limite. ainda que nem sem pre prontam ente percebido. 351. p . p. . H um anism o: In: A ndré Lalande. H isto ria de la F ilosofia. p. 8(1 Cf. H um anism o: ln: Jo sé F errater M ora. f o r a m é p o c a s h o r r ív e is . 23. F raile. visto que as transformações não ocorrem sim plesm ente por decreto ou por decisão de um líder ou concí­ lio. 876. 478-482. não podem os atravessar o M ar Verm elho sem nos molhar. H um anism o: ln: Jo sé F errater M ora. A bbagnano. 81 V d. 7<) Cf. a idéia prevalecente era m ais de “renovação” do que de “abolição da igreja C ristã” . 493. H um anism o: A ndré L alande. m u ita s c o is a s c r i a m . são m uitas vezes fundam entais para um processo. I. S ão P au lo . 1. H um anism o: In: José F errater M ora. algu­ m as vezes estava im plícita “a contraposição cristã entre letras hum anas e divinas. 28ss. p. p.79 Devem os ter em m ente que as fronteiras históricas são sem pre difí­ ceis de demarcar. G. 876-877. Um outro aspecto é que norm alm ente aquilo que caracteriza um período. p. M cG rath.s e e m te m p o s d i f íc e i s . I. 4 5 ). p.incôm odo para o historiador diga-se de passagem . 78 G. 22-25.E d it o r e s . ou seja. Vocabulário Técnico e C rítico da F ilosofia. A lister E.no posterior e. A te m p e s ta d e n ã o é r u im p a r a o c r e s c im e n to d a s á r v o r e s a lta s . pp. N a m ente de certos hum anistas.

O H um anism o foi. co m o fe z no p rincíp io da Igreja prim iliva sobre o s A p ó sto lo s. R io de Janeiro. p. 87 P h ilip S ch aff & D avid S. não se p od e ir m ais além por e ssa s v ia s. 193. p. 85 E. o R enascim ento desejava se libertar das “fantasi­ as” m edievais . The In telle ctu a l O rigins o fT h e E uropean R efo rm a tio n . To­ davia. A p u d Jean D elu m eau. I. 44. p. 573. e n v ia sse o dom de lín guas aos hom ens por m e io s m iracu losos.82 A pesar dessa m ultifacetada fecundidade intelectual.. Veja­ m os. p.pedagógicas. B eza. estilísticas. 1936. o H um anism o R enascentista se perm ite classificar. nos c o n d u zisse a poder ler no original o letreiro que puseram na cruz sobre a ca b eça do Senhor: e além d isso o s estu d os de ciên cia s lib erais despertaram esp íritos que antes d isso estavam profundam ente ad orm ecid os. p. R efo rm a tio n T hought: A n In tro d u ctio n . encontram os um a va­ riedade de conceitos . antes. 84 A lister M cG rath. A lis te r E . 345. ( 1580). M cG raih . m as. voltando aos grandes escritores da A ntigüidade Clássica. filosóficas. científicas e religiosas85 . usando os m eio s ordinários de aprendizagem de lín guas. C assirer. I. p. A C ivilização do R enascim ento. então.).divergentes. A C iv iliz a ç ã o d o R e n a sc im e n to . 86 V eja-se: Jacob C. p. lá do alto.T héodore de B e z a (1 5 1 9 -1 6 0 5 ).^ O R enascim ento estava prim ariam ente interessado com a literatura e a eloqüência. Como um dos representantes dessa época descreveu: “ir beber na fonte fecunda do gênio grego e do gênio latino. C am in h ou -se até ao fim das v ia s do h u m an is­ m o e das vias do R en ascim en to. a filosofia e a política eram aspectos secundários em seus planos. a filosofia do R enascim ento. sonhando viver as glórias da civilização greco-romana.” .84 N estes projetos. A F ilosofia do Ilum inism o. José O ly m p io . H istoire E cclésiastique eles É glises R éfo rm ées du R o ya u m e de F rance. harm oniosa em todas as suas vertentes. 85. . La R hétorique. Um a N o v a Id a d e M é d ia . 98.O R e n a s c im e n t o 49 “O fim do R en ascim en to é p recisam ente o fim d e sse hu m anism o que lhe servia de base espiritual (. A reform a protestante.” . A Igreja da R en a scen ça e da R efo rm a : l. dentro de alguns contornos genéricos. inclusive . há de se ressaltar que o H um anism o não representava um a filosofia única. 83 T. Vol. ou então que. A p u d D aniel R ops. S chaff. H istory o f lhe C hrislian C hurch.Jean D elu m eau . foi o iniciador deste processo.com o seu entusiasm o pelos clássicos. de certa forma.o hom em m ais culto do seu tem ­ po87 . Vol.”88 82 Vd. Vol. 142.entre os seus representantes. p. 88 G u illau m e F ichei. V I./! C ultura do R en a scim en to na Itália: Um E nsaio. B u rck h ard t.86 Francesco Petrarca (1304-1374) . estes contornos: Restauração da Cultura Clássica “O R en ascim en to quis voltar às fon tes do pensam en to e da b e le z a . é verdade. 33.” N ic o lá u B erd iaeff.e para isso. que estavam de form a evidente em seus pensadores.C a p ít u l o 1 . “A barbárie tinha sepultado com p letam en te o c on h ecim en to das lín gu as em que estão escritos o s segred os de D e u s e era p reciso ou que D e u s. 10-11.. elegeu a A ntigüidade C lássica com o guia de sua libertação e busca. p.

Em outro lugar. pp. H istória da F ilosofia M oderna. . de Q uintiliano (c. IJI É m ile B réhier. alterando a sua perspectiva e gosto literário. 26-27. Dicionário de Filosofia.). II. m arcada pelos valores da A ntigüidade. p. por isso. H istó ria da F ilosofia M o ­ d ern a . E ditorial P resença. H istória da F ilosofia. 5. 346. p. com o bem observou Bréhier (18761952). quem escrevia e falava com m aior facilidade e elegância em latim e grego: os H um anistas procuravam escrever. p. L im a. 493). de C ícero (106-43 a. Vd. N icola A bbagnano. p.C ícero e Q uintiliano .por associarem -no ao espírito m edieval. sem as “distorções” medievais.93 Portanto. Os hum anistas.). C o n fo rm e a expressão de H irschberger. L isboa. 3. A bbagnano observa: “A adm iração e o estudo da antigüidade nunca faltaram na Idade M édia. com outros olhos e com um espírito mui distinto. H istória da F ilosofia. esta A ntigüidade era m ais am ada do que conhecida. os pensa­ dores renascentistas procuravam reim plantar um a velha ordem . Rabelais (c. pensar e sentir com o os antigos gregos e latinos.”92 Há de fato. Em 1533. p. sabia mais e era m ais respeitado quem tinha lido e assim ilado m aior núm ero de obras antigas. D an icl-R o p s. 1967.fo­ ram redescobertos em detrim ento de A ristóteles. p. Herder.94 Deste m odo. T om o 1. Abbagnano. com desconfiança . os quais..”91 Do m esm o m odo. p.89 Eles rejeitaram o filtro m edieval por onde passava a C ultura A ntiga. A C ivilização do R en a scim en to . H istória da F ilosofia. I I.90 Daí.C. Johannes Hirschberger. 30 . J. são filó­ logos praticantes. Vol. F ern an d o S. C ultura passou a ser sinônim o de C ultura C lássica. 100) e de outros. F asc í­ cu lo 3. R enascim ento: ln: E N B . I. 1. 206 e 208. Por isso. alcançaram o ponto alto do conhecim ento. ex em p lo s In: Jean D elu m eau . Vd. buscando sem pre o significado autêntico do texto. a necessidade de um estudo filológico criterioso. livrando-o das incrustações que a tradição m edieval acu m u lara. ™ Cf. ciosos dos m étodos que lhes perm itam reconstruir as form as e pensam entos dos antigos. Neste período. aquilo que constitui o próprio do H um anism o é a ex ig ên cia de desco b rir o vulto au tên tico da antigüidade. antes de ser pensadores. 1984. Platão .. 27. Vd. cor. N este afã. H istoria de la F ilosofia. p. G iovanni R eale & D ario A ntiseri. o ge­ nuíno pensam ento de A ristóteles (384-322 a. Vol.quem serviu de inspiração para a didática hum anista . que passou a ser olhado. A C ul­ tura grega e latina tornaram -se paradigm a e referência. um a sensi­ bilidade distinta. na m aioria dos círculos H um anistas. No entanto. pp. 17. I I2ss.50 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a Os renascentistas cultivavam a adm iração pelos clássicos.). São Paulo. 3“ ed. Vol.” (H um anism o: In: N. segundo eles. 12. di­ zendo que os renascentistas “sentem que com eles com eça um m odo novo.96 89 V d.c.). H irschberger.“um dos lum inosos astros no céu da R enascença”95 . acentua Fraile.2 G u illerm o F raile. que se tom ara o padrão e norm a. julgando-se capazes de descobrir o verdadeiro Platão (427-347 a. A Igreja da R enascença e da R eform a: I. 12. 1483-1553) escreve dizendo que quem não soubesse o grego seria vergonhoso considerar-se sábio. “É m enos im portante a descoberta de novos textos do que a m aneira pela qual se os lêem (.. 1977/1978. 2a ed. III. alguns equí­ vocos e im propriedades foram com etidos nesta restauração. M estre Jou.C. tam bém . “papa da filosofia”. A reform a p ro testa n te. e aum. São P aulo.C.

na segunda m etad e do século 14. 146. A C ivilização d o R enascim ento. a m aior b ib lio te c a da A m érica do N o rte b ritâ n ic a. tam bém . A . p. aqueles que sabiam o grego. 1990. N ão devem os nos esquecer tam bém . que d isp u n h a na sua b ib lio teca do V aticano de 5 mil m an u scrito s. A C ultura do R enascim ento na Itália: Um E nsaio. E d ito ra U n esp . H isto ria cie la F ilo so fia .97 Os copistas eram bem rem unerados e. H o m en s e S a b e r n a Id a d e M éd ia . H istó ria da C ultura em P o rtugal. O au to r d ed ica um cap ítu lo às bib lio tecas do R en ascim en to . S ão P aulo. ocupavam lugar de desta­ que. O hebraico. aconselhado por Vespasiano. p. rei da F ran ça q u e em 1380 c o n sta v a de p o u co m en o s de 1300 v o lu m es. M a tth e w B attles. 174) . 97. pp. E d ito ra P la n e ta do B rasil. 150-152. “p a p e l” e ®f|KT| = “ca ix a ” . onde X im enes fundou um a U niversidade q u e co n tin h a o A ntigo T estam ento em 3 idiom as. H isto ria d e ta s B ib lio te c a s. Jaco b B urckhardt.M . H o m en s e S a b e r na Idade M éd ia . “ ca rta ” . Jean D elu m eau A C ivili­ za çã o do R en a scim ento. Vd. p. 4 0 -4 1 . grandes bibliotecas são form adas. H ipólito E scolar. lendo desde cedo. e a d e S o rb o n n e . 571 p.J. I. co n stitu íd a de 2 m il v o lu m es.O R e n a s c im e n t o 51 N esta época. p. V d. In: G u illerm o F raile.as “g ran d es b ib lio te c a s” eram com o a de C arlos V. L indsay. C osm e de M édice desejando dotar de um a biblio­ teca um a abadia um pouco abaixo de Fiesole. M adrid. Jo sé B a rb o za M ello. 1985. SP. 152. 118 Cf. T . E spanha. q u an to à m u d an ça p ed ag ó g ica d eco rren te da co n stru ção de p réd io s p ara biblio teca. 2a ed." Com o reflexo desse espírito desejoso de saber.A . S ão P au lo . E d ito ra da U n iv ersid ad e do S ag rad o C o ração . que copiaram duzentos volum es em 22 m eses. q u e é fo rm ad a p o r B ip X í o v = “ p eq u en o liv ro ” . p. 5 8-59. ] 91 ss. um a tradução latina interlinear. form atado e m três colunas p aralelas: H ebraico. Jaco b B urckhardt. E m 1764. 21 4 ss). 1 52-153. H oje a b ib lio teca d isp õ e d e m ais de 10 m ilh ões de ex em p lares (V d. p. a d o p ap a N ico lau V (1 4 4 7 -1 4 5 5 ). tendo. p. q u e em m eados do século 14. pagos diariam ente. desde a an tig ü id ad e até o século 20. 97. co n su lte . S alam an ca.recebendo este nom e por ter sido im pressa cm C o m p lu tu m . ex em p lo s d a criação de bib lio tecas. A s U n iversid a d es n a Id a d e M édia. o q u e ' d e fato era u m a p recio sid ad e. fo rm a latina da atual A lcalá. F u n d ació n G erm án S an ch ez R u ip érez. que era então ainda m ais ignorado. III. encontram os os filhos dos nobres.100 Surgindo então as fam osas escolas que ensinavam os A p alav ra “ b ib lio teca” é p roveniente do grego. A ig re ja da R en a scen ç a e da R eform a: I. p. Ja cq u es Verger. A s U n iversid a d es na Id a d e M édia. A C on tu rb a d a H istó ria d a s B ib lio te c a s.. foi tam ­ bém redescoberto. p. 64. p. escrita po r um cristão. A s U n iversid a d es n a Id a d e M éd ia . B ib lio teca de H arvard. recebendo o título de scrittori?% Em certa ocasião. Jean D elu m eau . V d. Ja c q u e s V erger. A C ultura do R en a scim en to na Itália: U m E nsaio. Jacques Verger. co n tav a com 1722 u n id ad es. d isp u n h a de 5 m il v o lum es. Ja c q u e s V erger. q u e c o rre sp o n d ia a 17 bois ou 50 p o rco s. P ara um a visão ab ra n g e n te da H istó ria das B ib lio tecas. 1972. 1011 Vd. I. 2 0 0 3 .p/Uo9f|Kr|. Foi assim q u e surgiu a prim eira g ram áti­ ca hebraica. que é deste p eríodo a p u b licação da B íblia P oliglota C om plutense .” (D anielR o p s.. d os papas de A vinhão.no século 13 d o cu m en ta-se a co m p ra de um có d ig o de leis e u m a co leção de leis can ô n ic a s p elo eq u iv alen te a 200 carn eiro s. I. contratou 45 copistas. L a R efo rm a en su C o n tex to H istó ric o . S ín tese H istó rica do L ivro. A reform a p ro te sta n te. 1999. 7 9 ss. se co n sid erarm o s que no 10° século o catálo g o de tuna fam osa b ib lio te c a d e um co n v en to co n tav a com 590 volum es. Vol. valia o e q u iv a le n te a três b o is. “c o fre ”. Cícero e Platão. w Ibidem . p. D ev em o s estar aten to s ao fato de que devido à d ific u ld a d e da fa b ric a ç ã o e co m p ra d e liv ro s . em 1466. Bl.C a p ít u l o 1 . E d ito ra L eitu ra. S . latim (da vulgata) e grego (da L X X ). B au ru . 106ss. 112 ss. R euchlin (1455-1 5 2 2 ) em 1506. R io de Ja n eiro . “ arm azém ” . Ja cq u es Verger. Vol. S araiv a. pp. p. V d. p. S o b re o p reço dos liv ro s e o seu aluguel feito pe lo s estu d an tes. (V d. “ a B íb lia q u e M en tel im prim iu em E strasb u rg o . além do estudo sistem ático de grego e latim. p. “d e p ó sito ” . N a parte . 154. 90). p.

o p apa L eão X só deu p erm issão para a sua circulação em 22/03/1520. pp. m uitos caíram num a im itação servil104 dos antigos. 105 Cf. W ilson P aroschi. então. São L eopoldo. Ruy A. 1988. São P aulo. m as tornou-se tam bém o instrum ento de um a ed u cação m ais e le v a d a . S in o d al. as disputas. I. T odavia. sendo constituída por seis volum es... E sc o la s de latim e x istiam em todas as cid ad es de algum ren om e. 95-100. L ohse.em Lovaina (1517). A C ivilização do R enascim ento. I. p. ver: P eter B u rk e. sob a direção de algun s n otáveis hum anistas. R S. Q uanto à d isp o sição das três co lunas da obra: H ebraico. L utero não se utilizou dela para a sua tradução do N ovo T eslam en to (V d. e. Introdução ao N ovo T estam ento. 102 Vd.103 D evem os ressaltar que esta volta ao passado tinha com o m óbil prin­ cipal a inspiração para novas descobertas. das freq üentes m udanças de p rofessores e da raridade dos livros.G. da Costa Nunes. 1997. tam bém do grego. p. F undación G erm án S ánchez R uipérez/P irám ide. 107-108. Calvino (15091564) no seu com entário de Sêneca. p. K üm m el. visando form ar o hom o trilinguis. 104 P ara um a d iscussão a respeito da co m p lex id ad e do sentido de “ im itação ” . Fundam ental afigura-se o fato de e ssa s e sc o la s não d e p e n ­ derem da Igreja. ao bem pelo nobre. L atim e G rego. A o que parece. além . p. Oxford (1517 e 1525). P au lin as. em não p o u ­ c o s ca so s. Vol. se g u id o do estu d o da lóg ica . não a p e ­ nas atingiu um a grande perfeição organ izacion al. 416ss). E sta obra sendo pro m o v id a pelo C ardeal F ran cisco X im enes de C isneros (1437-1517). o estím ulo ao belo pelo belo. aliás. p. da escrita e do c á lc u lo . esíu obra não ch eg o u à A lem an h a antes de 1522 e. Introdução ao N ovo Testam ento. (C f. algum as delas decerto con stitu in d o em preend im entos privados. cham a Cícero de “o primeiro pilar da filosofia e literatura rom ana. in ferio r d a página. foi iniciada em 1502 sendo co n clu íd a em 1517 (O N T estav a con clu íd o desde 1514). S ão P aulo. Vol. In: W. m as porque o c o n h e c im e n to d o latim era tão n e c essá rio quanto o aprendizado da leitura. send o. 11. p. pp. 713-714. não apenas enquanto instrução preparatória para os estu d os m ais avan ça­ d os. c o rrig id a e am p liad a. Vol. C rítica Textual do N ovo Testam ento. m áxim e de C ícero. conferiam aos estu d os da é p o c a um a con figu ração que apenas com dificu ld ad e logram os im aginar. fin alm en te. apesar deste adm irável desiderato. E d ito ra d a U N ESP. 2" ed. 1982. Jean D e lu m e a u . H isto ria clel L ibro. co n stava o N ovo T estam ento em grego e latim . A? F o rtu n a s d ' 0 C ortesão: a recepção européia a O cortesão de C astiglione. 97). m as da adm inistração m un icipal. V ida N ova. 1993. E sse sistem a escolar. pp. 150-152. 31. História da Educação no Renascimento. 97. Jean D elum eau. A C ivilização do R enascim ento.1 D aq u i o rig in o u -s e o C o llég e de F ra n ce. Todavia.3 Jaco b B u rckhardt. São P aulo. S alam an ca/M ad rid . m ais detalhes. © 1972.w2 B urckhardt nos inform a que: A c o n v iv ê n c ia p esso a l. H ip ó lito E scolar.52 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a três idiom as . 11. A C iv iliza ç ã o do R en a scim en to . I. Paris (1530)101 -.105 Os governantes.” . 98). 261. A C ultura do R enascim ento na Itália: Um E nsaio. o u so constan te do latim e. E. pp. “C isneros dizia que adotara esta d isp o sição p ara reco rdar o lugar q u e a Igreja rom ana ocupava entre a sinagoga e a Igreja grega: posição análoga à do C risto entre os dois lad rõ es!” (Jean D elum eau.

portanto. 99-100]. 108 A tarefa dos copistas era extrem am ente árdua. E logio da L o ucura. que neste contex­ to .. e despertando a inveja entre os “intelectuais” . Aliás. com o este: “Q uem . m ani­ pulando a vaidade dos poetas. que consiste em trazer em si a m aior p arte do gênero h um ano.. pp. afinal. P erg u n tar-m e-eis por q uê? P ois já não vos disse m il vezes? E porque quase todos são m alucos. ele coroou em P isa. E dições de O uro. era agora assunto seu. E m 1509. por m ais g ro sseira que seja. recorram os ao indispensável B urckhardt: C arlos IV.é m ortífera.). e outro. ainda é pouco: quanto m ais co n trária ao b om senso é um a coisa. e. Im peradores em viagem seguiram coroan do poetas aqui e ali. que se recusa a reconh ecer a legitim id ad e d essa láurea pisana (. tanto m aior é o núm ero dos seus adm iradores. para c eleb rar os pró p rios louvores. A im prensa foi a satisfação de um a necessidade vital. M as não penseis que não encontrem q uem os aplauda.o “ C ícero ” de seu tem p o . A Igreja da R enascença e da R eform a: I. recorriam a um a ostentação ingênua.C a p ít u l o 1 . e co n stan te­ m en te se vê q u e tudo o que m ais se opõe à razão é ju stam en te o que se adota com m aior avidez. E lo g io da L oucura. com enta Sichel: “O R enasci­ m ento nunca poderia ter sido o verdadeiro Renascimento. A reform a p rotestante. A C ultura do R enascim ento n a Itália: Um E n sa io . pp. foi de fu n d a m e n ta l im p o rtâ n c ia p a ra o H um anism o-R enascentista. Partindo da p rem issa fictícia de que a coroação dos poetas fora outrora assunto dos an tigos im peradores rom anos e de que. com um a dose de exagero. local e circu nstâncias da c o ro ­ ação passaram a não m ais ter qualquer im portância. prática à qual aderiram. apareceu então na Itália.108 m esm o que houvesse centenas deles. se esse entusiasm o não tivesse surgido sim ultaneam ente com o m eio de difundi-lo. para grande d e s­ g o sto de B o c c a c io [1 3 1 3 -1 3 7 5 ]. no sécu lo 15. satisfazendo a sua vaidade. que o próprio entusiasm o produziu a invenção da im prensa.O R e n a s c im e n t o 53 por sua vez. 159. As festas eram costum eiras e além do calendário. (s. coroando celebridades. Até parece. Ibidem . R io de Janeiro. C ertam ente. até que. M as. pois. que tinha verdadeiro prazer em im pressionar com cerim ôn ias h om en s v a id o so s e a m assa ignorante. D aniel-R ops. 195. podem os observar. analisando os “ vaidosos ap reciad o res da p rópria nobreza” (p. p. a im prensa não teria tanto su­ cesso se não houvesse um público carente do seu produto e disposto a adquiri-lo. 1117 Jaco b B urckhardt.d. levando-os sistem aticam ente a concluí­ rem o seu trabalho com um desabafo. com o não poderia deixar de ser. 159160). q u e consiste em estar de perfeito acordo com o am or-próprio. que julgavam ser com um na A ntigüidade. na sua obra. E digno de nota que esta prática continuou. 98).. tanto m ais perfeitos se ju lg a m em sua arte.). assim com o um a corrente poderosa força um a passagem .107 R etornando à nossa rota inicial. ainda que com algum as m odificações (V d.” [E rasm o de R o terd ã. A ig n o rân cia tem . as idéi­ 1. diz: “Q uanto m ais ignorantes. a m oda era tam bém rom a­ n a.16 Cf. sem pre encontra sequazes. na verdade. pois toda tolice. a im p re s sã o de liv ro s. a difusão da cultura entre a m ultidão. a fina ironia do hum anista E rasm o de R oterdã (1466-1536) . assim prevenidos em benefício próprio. p. o erudito florentino Z anobi d elia Strada. dois grandes privilégios: um . N um a época em que a dissem inação da literatura dependia de copistas de m anuscritos. o s papas e outros príncip es. não desejand o ficar para trás. aproveitam iodas as ocasiões. que ficava registrado no livro copiado. N este sen tido.106 M ais um a vez.

45. org. A P ro p ag ação do C alvinism o no S éculo 16: ln: W. C asa E ditora P resbiteriana. 73-74). 349).” (D. S araiva afirm a que “ o clcro foi durante longo tem po o interm ediário único entre o livro e as cam adas m ais largas da população. era tão grande que para satisfazer se introduziu na indústria tipográfica a produção em m assa. 567. 18. E m vez disso. por isso. S ão P aulo. e.” 115 Sem dúvida. a virtude e as conseqüências das coisas descobertas.'11 rom pendo. 115 A bb ott P. H istória das Invenções M ecânicas.)• É sem pre um a questão interessante a de que os hom ens produzem os m ovim entos. 150]. à pólvora e à agulha de m arear [bússola]. em bora recentes. são obscuras e inglórias. o b servou que “ seria d ifí­ cil m en cio n ar o u tra invenção. m E dith S ich el. surgiu um desejo intenso de aprendei' a ler.” [O L ivro: Im p ressã o e F abrico. "-1 Vd. 1111D o u g las C. (L ucien F eb v re & H enry-Jean M artin. 2“ ed. 77). 112 V d. n j R u y A. 1. H u citec. 2. M cM u rtrie observa que no século 16 “A educação foi estim ulada por esta convulsão intelec­ tual e religiosa. o que em nada é tão m anifesto quanto naquelas três descobertas que eram desconhecidas dos antigos e cujas origens. E ditora U N E S P/Im prensa Oficial do E stado. 1992. . N ão deix a de ser oportuno lem brar a obser­ v ação de F cb v re e Jean M artin. p. Vol. et. 1.110 iniciou-se um processo efetivo de confecção de livros para os estudantes. B auru. p. Vol. da C osta N unes. exceto as m ais baixas. L isboa.. D icio n á rio Temático do O cidente M edieval. ou os m ovim entos produzem os hom ens. p. aos poucos. p. S P /São P aulo. O R enascim ento. al„ Priting: In: E ncyclopaedia B ritannica. referindo-se à im prensa. Vol. L isboa. “a linha divisória entre as tecnologias m edieval e m oderna. p.” 109 D esta form a. de q u e um livro sozinho talvez nunca co n v en ça ninguém . E dições C osm os. e consideravam com o seu dever explicar a história. p. R eid. de q u e o m undo estivesse tão d esejad o .54 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a as estavam fadadas a perm anecer em possessão da m inoria (. com o m onopólio intelectual do clero e 112 a transm issão oral do saber. 11-12. Ver: Jacq u es L e G off. 542. ele c ap en as a p ro v a m aterial dc conceitos. C. E d ito ra da U n iv er­ sidade S ag rad o C o ração /Im p ren sa O ficial do E stado. E fetivam ente essas três descobertas m udaram o aspecto e o estado das coi­ não sabe escrev er ju ig a que isso não é trabalho.. In tro d u çã o à B iblioteconom ia. J. a procura popular de livros largam ente difundidos. p. com o conseqüência. (1982). U sher. O A p a recim en to do L ivro. p. H istória da E ducação no R enascim ento. p. A. M cM urtrie (1888-1944). que caracterizou bem a Idade M édia.” 114 E. p. V ictor Strauss. não deixa de ter razão Bacon (1561-1626). H . de Lutero. 2002. H istória da C ultura em P ortugal. 17). H istó ria da C ultura em P o rtug a l. 18. Pivennc. R eferi­ m o-nos à arte d a im prensa. SP. na p ista de nossos m edos.113 “A im prensa foi o fator fundam ental p ara a prom oção da dem ocracia na área cultural.” (E dson N ery da F o n seca. S tanford R eid. 1992. A n o 1000. A s U niversidades n a Idade M édia. 1999. S araiva.S. 1990. ano 2000.” (G eorges Duby. F undação C alouste G ulb en k ian . 409). coords. São P au lo . 38. Jacq u es Verger. com o a tradução da B íblia. de m aneira a nela d etectar os sinais de D eus. T rabalho: In: Jacques L e G o ff & Jean -C lau d e S chm itt. C alvino e Sua Influência no M u n d o O cidental. H istória E conôm ica e Social da Idade M édia. 21. após a invenção da im prensa.” (V d. 1. os livros nunca m ais se consideraram propriedade exclusiva de um a classe reduzida..” (A ntónio José Saraiva. O Livro: Im pressão e Fabrico. W. N ery d a F o n seca d iz q u e a im prensa “ a nível universal deflag ara o R e n ascim en to . p. em q ualquer época. A n tónio José S araiva. São P aulo. “S om ente os servidores dc D eus sabiam escrever e ler. não se deve ex ag erar a im portância do livro no su rg im en to e d ifu são d a R eform a. p. e essa função de transm issor dos ensinam entos aureolados do prestígio m ágico do que ‘está escrito ’ foi um a das razões d a sua força m oral. 1973. Isto é perfeitam ente aplicável ao H um anism o. p. H istória da C ultura em P ortugal. M cM urtrie.. p. ao afirmar: “Vale tam bém recordar a força. pp. pp. 2. 73ss. P ioneira. São P aulo. E ntre todas as classes sociais. 58. 47) 111 Vd. (1973).

al.” (Peter B urke. 273. 365. p. H ip ó lito E scolar. S ão P au lo . O A p a recim en to d o Livro. a d su n tT u rc a e : esboço para um a história social do latim pós-m edieval. H ipólito E scolar. e as de Ciência 10% . \b l. p.S. 39. Vol. o latim foi p erdendo terreno para as línguas nacionais. 366. orgs. deve ser observado que a m aioria esm agado­ ra dos livros publicados era de autores antigos que eram tidos explícita ou veladam ente com o o m odelo do saber. 1211 E stes n úm eros são estim ativ o s. E m bora o toscano estivesse am pliando seu esp aço no início do p erío d o m o d ern o no d om ínio da literatura. Ver tam bém : Jacques Verger. 94. seguida de perto pela A lem an h a: 80. Heu d om in e. 2% em inglês e 1% em holandês e espanhol. et. representando 15 a 20 m ilhões de exem plares. 18. H isto ria dei L ib ro . (V d. H om ens e S a b e r na Idade M édia. Vd. p. as obras clás­ sicas 30%. outtos dados. 6% em alem ão. 9. E ste m o v im en to longe de dim in u ir co n tin u a in crem en tad o no século 16. H istoria dei Libro. S o b re a pro em in ên cia do latim nas obras dos séculos 14 ao 19. Jacques Verger. F ernand B raudel. 124. ver: P eter B urke. 38 7 ss). O A p a re c im e n to do L i­ vro. E d ito ra da U n iv ersidade E stadual P aulista. pp. p. acredita-se que no século 16 foram im pressos en tre 150 e 200 m ilhões de exem plares. Priting: In: E n cyclopaedia B ritannica.. Imprensa: ln: ENB. O s usos da alfab eti­ zação no início da Itália M oderna: In: P eter B urke & R oy Porter. ln: P eter B urke e Roy Porter. C ontudo. Os livros religiosos alcançaram o total de 40-45% .C a p ít u l o 1 . H istoria d ei Libro. 542. ele ainda não havia invadido os dom ínios dos negócios. (Vd. 273). p ela E spanha: 48% e Inglaterra: 45% . 121 E ste n ú m ero tendeu a aum entar. H istória S ocial da L in g u a ­ g em . L inguagem . 1993. p. 366. gradual. Assim.122 10% em italiano. 374. (1981). O A p a recim en to do L ivro. as de Direito 10%. l . 2 7 3ss. p . L ucien F ebvre & H enry-Jean M artin. m ais distantem ente.117 R etornando à im prensa. no século 16. pp. econom ia e capitalism o: sécu lo s XV-XVII1. 374). O A p a recim en to d o Livro. 192. org. 41-74.123 Outros dados apontam 116 F ra n cis B acon. 448ss). H ipólito E scolar. 5% em francês.O R e n a s c im e n t o 55 sas em todo o mundo: a prim eira nas letras. V ictor S trauss.118 D esta form a a transform ação no cam po cultural será. W. 1973. p. (C f. L ucien F ebvre & H enry-Jean M artin. H om ens e S a b e r na Id a d e M édia. 118 V d. 364. m as tam b ém do direito e de boa p arcela da adm inistração pública. H ipólito E scolar. p. L ucien F eb v re & H en ry -Jean M artin. p. H istoria d ei Libro. 77% eram em latim . S ão Paulo. p. Vol. 364. X III).119 Neste período. H istoria dei Libro. (O s P en sa d o res.” 116 Sem a im prensa o progresso da ciência seria pro­ telad o . há registro de 1125 estabelecim entos im pressores. N o vu m O rgaim m . S tanford R eid. Cf. F ebvre e M artin falam q u e ” 236 lo calid ad es pelo m en o s viram p relos fu n c io n a r” (L ucien F eb v re & H enry-Jean M artin. esp ecialm en te a p artir de 1530. Vd. O A parecim ento do Livro. orgs. p. Vol.. 122 A Itália era cam peã em publicação de livros em latim . (1973). 377ss. p. O A p a re c im e n to do L ivro. R eid. pp. 19). estim a-se que foram feitas 35 a 40 mil edições na Europa. A alternativa a ele não era o italiano. In d ivíd u o e Sociedade: H istória Social da L inguagem . a segunda na arte m ilitar e a terceira tia navegação. B urke observa que “o latim era a lín g u a não só da Ig reja. L ucien F eb v re & H enry-Jean M artin . ln: Lucien Febvre & Henry-Jean Martin. p. ainda que rápida. . da p o lítica e d a Igreja. 82. 119.121 Destas obras im pressas.5% . A P ropagação do C alvinism o no S éculo 16: ln: W . 1. p. A bril C u ltu ral.129. C alvino e Sua Influência no M undo O cidental. m as sim os dialetos. 365). Hipólito Escolar. (V d. calculando-se por baixo.. entre 1450 e 1500. p. m uito m enos a privacidade da fam ília.3% e F rança: 71% e. 117 Cf. C ivilização M aterial. p. em 2 5 9 120 cida­ des européias. 121 Cf. p.

A p rim eira Bíblia im p ressa na F ran ça se deu em 1476. p. p. . Vamos encontrá-la na Itália (14641465).128 Boêm ia (1468). Em Florença. 271). 2. p.. Epistolaram L iber. D icio ná rio T em ático d o O cidente M edieval. a não ex istên cia de nenhum exem plar da suposta prim eira obra. H ipólito E scolar.. (V d. L ucien F ebvre & H enry-Jean M artin. 35). 23 cidades alemãs possuíam oficinas impressoras. a correspondência latina de Gasparino Barzizi. 3 1 8ss. Instalaram a sua p ren sa prim eiro no m o steiro d e S ubiaco (1465). em 1469 [No m esm o ano porém um pouco antes. O L ivro: Im pressão e F abrico. U niversidade: ln: Jacques L e G off & Jean -C lau d e S chm itt. V eneza. 77. a fim d e seus editores escaparem da perseguição m ovida pelas autoridades.127 Todavia. 125 P eter B urke. a expansão da im prensa não era apenas na Alemanha. pp.” 125 A partir de 1460. p rivilegiava a educação (V d. (Cf. continuando no século 16 seu p ro g res­ so. O A parecim ento d o L ivro. II. 17. a imprensa difundiu-se com relativa rapidez. H ipólito E scolar. 37.) que se pode encontrar a verdadeira invasão de m aterial im­ presso. C ícero]. tornar-se-ia a “ a capital dos im p resso res. 283). “E la foi introduzida na Itália pelos alem ães [K onrad de] S w eynheim e [A rnold] P an n artz.8 3 5 . Vol. B ernardo C ennini estam pou o com entário de Servius à o b ra de V irgílio (1471-72). França (1470). A C ivilização do R enascim ento. A im p ren sa p roliferou na F rança nos últim os 20 anos do século 15. Em 1500 já se haviam publicado na Itália uns cinco m il livros dos quais F lorença e B olonha produziram trezentos. 12(1 C f. pp. Antes de 1500. No final do século 15. 127 Vd. New. não m enos de 73 cidades italianas dispunham de im presso ras. ain d a que algum as tip ografias tivessem um a duração efêm era. 1460). 205). e Veneza. orgs. pelos tipógrafos alem ães radicados em P aris. S araiva. Juan T orquem ada] e com eçaram a editai' obras de C ícero. pp. M ichael d e F riburgo e M artin C rantz. o Velho.56 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a para o fato de que entre 1445 e 1520. conform e estudo feito por H onrad H aebler (Cf. 1460). O A p a recim en to do L ivro. 75% das obras im pressas eram religi­ osas. 211).. O A p a ­ recim ento d o L ivro. Vd. J. fez duas edições de E pistolae a d fa m ilia res. p. E m V eneza.. C o n sta que no século 15 foram feitas 133 ed içõ es da V ulgata. John F.” (Cf. Jacques Verger. 316-317. H istoria dei Libro. já tendo alcançado em 1470 as cidades alemãs de Bamberg (c.” (Ruy A. O problem a de se d atar com precisão a introdução da im prensa nos diversos países se d eve a três fatores especiais: 1) E m alguns caso s. com cerca d e 85 m il habitantes no início do século 15. M cM urtrie. 98. L ucien F ebvre & H enry-Jean M artin. O s usos da alfabetização no início da Itália M oderna: In: P eter B urkc & R oy P orter. 115).H. H istó ria S o cia l da L in g u agem . O N a scim en to e A firm a çã o da R efo rm a . Em 1480. 21-22). O Livro: Im p ressã o e F a b rico. U lrich G ering. 128 O u em 1462. (Cf. L ucien F ebvre & H enryJean M artin. M cM urtrie. 2 0 9 . 106). este núm ero tinha sido am pliado para 60 cidades. 2) A ausência dc d atas e nom es dos im pressores em algum as dessas obras. em 1480 só havia im p resso ras em nove cidades. p. 267). H istória da C ultura em P ortugal. P eter B urke. P io n eira . 2. orgs. Vol. q u e haviam trabalhado com F ust em M ainz. depois no palácio dos M assim i em R om a (1467) [M editationes de vita C hristi. em 1500 atingiu 40 cidades. A ntes do final do século 15.129 124 C f. 587. 272. p. H istó ria So cia l da L inguagem .então a m aior cidade da A lem anha que já dispunha de um a Universidade desde 1388126. O s usos d a alfab etização no início da Itália M oderna: In: P eter B urke & R oy Porter. 1989. A. (V d. p. Jean D elu m eau. R om a m ais de novecentos. H istória da E ducação no R enascim ento. p. Estrasburgo (c. D . p. pp. da C osta N unes. 278ss. M ilão editou seiscentos. 124Referindo-se à Itália dos séculos 16 e 17. sendo a prim eira obra im pressa na França. Jean D elu m eau . pp. Colônia (1466) . coords.C . 3) A lgum as obras serem atribuídas à o u tras cidades. (V d. p. S ão P au lo . H istoria dei Libro.Augsburgo (1468) e Nurem berg (1470). João S pira im p rim iu P lín io . Burke diz que é “no domínio da política (. R e n a issa n c e a n d R efo rm a tio n : A S h o rt H isto r y . 1.

de L udolfo da S axônia ( t 1378). de A ltdorf. de divulgar a B íblia em P ortugal. L ello & Irm ão E ditores. [Vd. A. G rande E nciclopédia P ortuguesa e B rasileira. org. 1986. N o en tan to E scolar. P o­ lônia (1474-1475).em 1522.. 124ss. A. vie­ ram p ara P o rtu g al. 132 A im pressão foi feita em G enebra. H allew ell. alista-se 1312 edições p u b licad as no século 16. E. C a irn s. 1-2. p. 2 1 4 ).130 E spanha. 727-728). devem os nos lem brar que no século 15. O Livro no B rasil: su a H istória. 128). (Cf. Igreja e E stado no B ra sil H o la n d ês 1630-1654. J. A. São P aulo. então bastante d esacred ita d a. S chalkw ijk. O A p a recim en to d o Livro. O L ivro: Im p ressã o e F abrico. L isboa. M e M u rtrie.que foi traduzido do latim em 1445. eito q u e a “co n v ersã o ” de Inigo L o p ez de L o y o la (1491 -1556) . pelo tipógrafo ju d e u Sam uel P o rteira e seu filho D avi. B asiléia estav a sob o dom ínio alem ão. Im prensa: In: Jo sé L ello & E d g ar L ello.1 H á um a variedade de obras candidatas a prim eira a ser im pressa em território espanhol. 1988. 1270. pp. na cidade de F aro. 1985. D . deu -se através d a leitura desta obra. pp. 2-3. p. 327. 212. Portugal (1487). p. editado em 30/06/1487. O Livro no B rasil: sua H istória. E d ito rial E n ciclopédia L im itada. II. pp. p. “ A característica desta prim itiv a im prensa e sp an h o la foi o em prego em larga escala d a lín g u a hebraica. G radiva. em 4 volum es . O C ristia ­ n ism o A tr a v é s d o s S écu lo s. V d.” (L aurence H allew ell. L ucien F ebvre & H enry-Jean M artin . em L isb o a p o r V alentim F ernandes da M orávia. Cf. L isboa. H istó ria da C ultura. onde im prim iram livros para o P rior do C onvento de Santa C ruz. L isboa/R io de Jan eiro . Pe. R ecife. (Cf. II.C .132 Á ustria e D inam arca (1482). p. vizinha de P o rtu g a l. Inglaterra (1477).O R e n a s c im e n t o 57 H olanda (1469-1470). . 314. a prim eira im prensa a editar obra vernácula em Portugal foi fu n d ad a em B raga. 216-217. A d ifu são da im prensa foi lenta em P o rtu g a l. Vol. 1960. O Livro: Im pressão e F abrico. A. m as tam bém m uitos textos cristãos.C . D ocum entos p a ra a H istó ria da T ipografia P ortuguesa nos Séculos 16 e 17. O L ivro: Im pressão e F ab rico . II. p. S araiva. 31. Q ueiroz/E D U SP . 1985.). 25-26]. L ello U niversal. L o g o . 3). p. M. p u b lican d o não só obras em h eb reu . foi p u b licad o o p rim eiro N ovo T estam ento em h o landês. F rancisco de E m x o b reg as . E arle E. pp. V enâneio D eslandes. 1. F undarte. depois.133 Turquia (1494). (dir. M c M u rtrie. A penas eom o curiosidade. 263). 13-14. d escartam esta hipótese. (V d. I.futuro fundador da C om panhia de Jesus (27/0 9 /1 5 4 0 ) . fo ram fator de relevo na divulgação desta arte naquele país. Suíça (1478). os im pressores E m anuel S em ons.pub licad a em 1495 por ordem da rainha D. Vol. L aurence H allew ell. pp. L eonor. p. 25). T. (C oleção P ernam bucana .131 B élgica (1473) e H ungria (1473). su p erio r em categ o ria à p ró p ria u n iv ersid ad e de L isboa. H ipólito E scolar. p. afirm a que por volta do ano de 1465.C a p ít u l o 1 . (V d. apesar da Inq u isição . M éxico (1539). M cM u rtrie. e para isso um a Real P rag ­ m ática foi p ro n tam en te baixada (julho de 1502) em C astela. p. H istoria d ei Libro. D . A prim eira obra im pressa na S uíça deu-se em B asi­ léia (1 4 6 7 -1 4 6 8 ). E m 1523. L. A ssim . 329ss). S araiva. Im prensa N acional-C asa da M oeda. pelo frei B ern ard o de A lcobaça e p osteriorm ente revisado pelos padres da ordem de S. o seu prim eiro trabalho foi a Vita C hristi.d. alegando falta d e b ase d o cu m ental. 329. H istória da C ultura. p. dizendo que a p rim eira o b ra im pressa em P ortugal eom tipo m óvel foi o P en tateu co em h ebraico. 124-125). H istoria dei Libro. M ichael M ullett. L eonor. Suécia (1483). a ig re ja ro m a n a iria dar o p rim e iro sin a l de ala rm e c o n tra as p u b lic a ç õ e s ind iscrim in ad as. O Livro no B ra sil: sua H istória. P orto.C . 130 O u em 1473. H istória da C ultura. A C ontra-R eform a e a R eform a C ató­ lica nos P rin cíp io s da Idade M o d ern a E uropéia. pelo im pressor alem ão itinerante João de G herlinc (dez/1494) e. todavia. F rans L. 727). 36). 133 N o caso de P ortugal tem os um problem a de data.” (p. J. J. O L ivro: Im p ressã o e F a b rico . “ cujo C olégio eo n stitu ía n aq u ele tem po o m ais alto Instituto de ensino em P o rtugal. M cM urtrie. 195ss. D . “em 1501 o papa A lexandre VI [1492-1503] ex ig ia que os príncipes cris­ tãos in stituíssem um sistem a de autorização de trabalhos tipográficos.” (D . os ju d e u s espanhóis.).P. p. pp. S araiva. H allew ell e S araiva (H ipólito E scolar. H ipólito E scolar. pp. A ntónio M endes C orreia (Tipografia: In: A n tó n io da C o sta L eão. e N icolau da S axônia. et. Vol. M cM urtrie. (V d. 267). 2 16.2“ fase. al. A o que parece. H isto ria d ei Libro. Q uanto à tentativa da rain h a D. (s. nurem berguês e C h risto p h e Sol]. pp.

140 N o entanto ele m orreu durante a viagem de vol134 O p rim e iro livro d atad o é d esta ép o ca (A póstolo). G raças ao afluxo dos tipógrafos alem ães. G rand Rapids. m as tam bém na Itália . que teve a sua prim eira im pressora apenas em 1563. 137 A segunda im pressora só seria instalada no M éxico 20 anos depois (1559). 8 na H olanda. em L ondres. Sa n to s no M undo. a m aioria das quais consistia em com entários bíblicos e serm õ es p u ritanos. que receberia o nom e de H arvard C ollege (1638). 1996 (R eprinted). A C onturbada H istó ria d a s B ib lio teca s. contudo.137 O Peru foi o segundo país am ericano a possuir tipografia (1579). p. p. p. L eland R yken. FIE L . S ão Jo sé d o s C am p o s. Com exceção da Rússia. D o cu m en to s H istó rico s d o s E stados U nidos. p. D . A esco la reccb eu outros donativos e o E stado com pletou o resto [Vd.. recebeu este nom e em h o m en ag em ao pastor puritano. M a rk A. John H arvard (1607-1638). (C f José B arboza M ello. 267ss).135 N a América. M ichigan. 5 na B élgica. S ín tese H istórica d o L ivro. 136 O u 1535. O A p a reci­ m en to d o L ivro. A C onturbada H istória das B ibliotecas. P rim eiros F ru to s da N o v a In g la terra . “A p ro x im ad am en te três q u arto s dos livros eram obras de teologia. p. O m aquinário tipográfico foi trazi­ do da Inglaterra pelo pastor puritano José G lover (sic) para o colégio que ele juntam ente com outras pessoas desejava fundar. 280). 87). A H isto ry o f C hristianity in the U nited States and Canada. apareceu nos Estados Unidos em 1639. 138 S endo im presso o prim eiro livro em 1584. em h o m en a­ gem à a lm a m a te r do fin ado pastor. 299). a coleção de um p astor puritano atuando num a co lô n ia p erd id a nos co n fins do N ovo M undo. O L ivro: Im p ressã o e F ab rico. 140 H arvard C ollege. O A p a recim en to do L iv r o . 305.136 em virtude de C arlos V. Síntese H istórica do L iv ro . 411 ss). o crescim en to d esta em p resa dar-ser-ia de form a sistem ática: N o século 16 foram im pressas 116 o b ras. N oll. voltara à Inglaterra para adquirir um a m áquina tipográfica. 2 na B oêm ia. M cM urtrie. p. 1992. 87). p. S êncca e H om ero figuravam entre as opções clássicas. D esde essa data. m as não havia ou tras o b ras literárias além dessas. pp. da Espanha. 135 “Em 1480. tipografias funcionaram em m ais de 110 cidades situadas em toda a E uropa O cid en tal. 303). utilizam -se p o r to d a p arte os livros im pressos (. 13‘J Q u an to à p ersp ectiv a puritana de “edu cação ” . 1. M atthew B attles. com vistas ao estabelecim ento do Colégio. p. tinta e os acessórios necessários para a im pres­ são. po r o casião da .” (L u cien F eb v re & H enry-Jean M artin. a tipografia surgiu pela prim eira vez no M éxico (1539). 167-181. C ícero. 4 4 . O A p a recim en to do Livro. José B arboza M ello. 1 na P olônia e 4 na Inglaterra. Vd. John H arvard que estudara em C am brigde]. E erdm ans. H isto ria d e i Libro. (Cf. papel. M as os livros legitim aram a p equena escola. (E ste folheto foi publicado em 1643.). E ra. L ucien F eb v re & H enry-Jean M artin. (C om pare: L ucien F eb v re & H en ry -Jean M artin.139 G lover que já residia na N ova Inglaterra desde 1634-1635. enfim . os m aio res cen tro s de im p rensa não estão m ais situados som ente na A lem anha. 270). 8 na E spanha. en q u an to que no século 17. e N ew tow n passou a cham ar-se C am bridge. das q uais um as 50 na Itália.228. tom an­ d o p ara si o so b ren o m e d e seu benfeitor. 431 ss.138 D epois disso. L u cien F eb v re e H enryJean M artin d izem que p o d em o s re c u a r a d a ta até 1553 se co n sid erarm o s ed içõ es an ô n im as não d ata d a s (L u cien F eb v re & H en ry -Jean M artin. O A p a recim en to do Livro. haver autorizado o bispo Juan Zum arraga (1468-1548) a instalar um a oficina na terra recém -descoberta. A escola foi-lhe grata.58 R a Iz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a ín d ia (1557). que foi criado em 1636 na vila de N ew T ow n [depois (1638) ch am a­ d a de C am b rid g e em h o m en ag em ao Rev. C ultrix. provendo -a dos fu n d am en to s intelectuais de que um a faculdade necessita. p. cerca de 30 na A lem anha. S ão P au lo .. (V d. H ipólito E scolar. 5 na S uíça. (V d. p. N o en tan to . 29]. (1 643) ln: H arold C. que havia doado 800 libras e um a b iblioteca com 260 títulos perfazendo um total de 40 0 volum es.C .134 toda a Europa a possuiu no século 15. 9 na F ran ça.” (M atthew B attles. S yrett. SP. p. org. p. 1980.

Q uanto às dificuldades p o sterio res da B iblioteca. 2 0 0 0 (R ep rin ted ). 142 Vd. F u n k & W agnalls. M . p.que se dedicou ao trabalho m issionário nesta tribo. [S. 36 outras “canções da E scritura” foram inseridas. 1977. H istó ria das M issões. M atthew D aye (c. pp. T h e B an n er o f T ruth T rust. São P aulo. a n d P ra ctica l T heology. Eliot. N ova York. patrocinada pela A ssociação Inglesa para a P ropagação dos E vangelhos en tre os índ io s da N ova Inglaterra. 94). 1992.. de E lio t [V d.. “P ritin g ". Vd: M atthew B attles. G eorge L. A C o n tu rb a d o H istória d a s B ibliotecas. (revised edition). (C f.C. A qui tem os um a espécie de histórico da instituição. pp. T ennesse. 1594-1668) e seus dois filhos. aprendendo a língua e elab o ran d o um a gram ática. 90). M cE lrath . do qual restam muitos exemplares.. um a das coisas que m ais am bicionávam os era incentivar o E nsino e perpetuá-lo p ara a P o sterid ad e. E ste '‘H in á rio ” to rn o u -se o m ais p o p u lar de to d o s os “ sa lté rio s” p u b licad o s em inglês. havia sido im presso C om m union o f C hurch. na língua algonquiana. aco m p an h ad o dos seus estatutos e vida cotidiana. 4 “ ed. pp. ed ificam o s locais convenientes para o culto de D eus e estabelecem os nosso G overno C ivil: D e­ pois d isso. São P aulo. C h ica­ go.” (L ucien F eb v re & H en ry -Jean M artin. 1939. 1981. ele é um apelo para aquisição de m ais fundos. 93.. contudo o seu projeto foi levado adiante por sua viúva e pelos hom ens que trouxera consigo com este fim. S ão P aulo. T ucker. C arlisle. O Jo r n a ­ lism o A n te s da Tipografia.O R e n a s c im e n t o 59 ta (talvez de varíola) (1638). geral. p. P ublishers. to rn an d o -se extrem am ente popular. P ennsylvania. 31). S tep h en ". p. I. 421 ss. q uando nossos atuais M inistros rep o u sarem ao P ó . p 88ss. verbetes: "D aye. "H a rv a rd U niversity". org. pp. P rentiss. V ida N ova. N a 3a ed ição de 1651. E m 1773 esta o b ra já havia atingido cerca de setenta ediçõ es. H istorical. . Vol. V ida N ova. 1661). G lover. H.” H oughton apresenta um a gravura dos p rédios de H arvard em 1726. B ay P salm Book: In: D onald K. 161. 1986. N ashville. R elig io u s E n cyclo p a ed ia : O r D ictionary o f B iblical. org. by Mr. 1983. M cK im . p. p. B ay P salm B ook: In: K eith C rim . falad a pela tribo P eq u o t dos índios Iroquianos de M a s s a c h u s e tts . W estm inster/John K nox P ress. H ough to n .. m ais conhecido com o B ay P salm s B ook (1640).). E ste d o cu m en to co m eça assim : “D epois que D eus nos conduziu sãos e salvos p ara N ova Inglater­ ra. 89-90.. A 9a edição de 1698 “foi a p rim eira a incluir tons. G ordon Tait. “ um a língua não-escrita com posta de sons g u tu rais e in flexões de voz. H arper & B ro th ers P u b lish ers. A bingdon. inseridos num a sessão final. O Livro: Im pressão e F abrico. 1887. i 144 E sta B íblia. Ibidem . treze deles em duas partes. C arlos R izzini. pp. sendo con sid erad a a prim eira com posição m usical im pressa na A m érica.C a p ít u l o 1 . E n cyclopaedia B rita n n ica .. Os prim eiros trabalhos publicados [F reem an’s Oath (Juram ento do hom em livre) (Janeiro de 1639)141 e A n A lm anack fo r 1639.“ o apó sto lo d os ín d io s” . e co n stru ím o s nossas casas e asseguram os o necessário para nossos m eios de subsistência. é The Whole Booke o fP sa lm es F aithfully Translated Into English Metre. A ntes da B íblia.. K entucky. C alculed f o r N ew England. m elodia e baixo. 305). 141 “ A fó rm ula do ju ram en to de o b ed iên cia prestado pelo cidadão ao G o v ern o . C o m panhia E ditora N acional. S tephen Neill. D . E a té a o s C onfins da Terra. Sketch es F rom C hurch H istory. dos quais um era tipógrafo. D outrinal. 2 3 0 -2 3 1 . foram feitos sob os auspícios do H arvard C ollege. R o b ert H. O autor desta proeza foi o m inistro presb iterian o John E lio t (1604-1690) . o serralheiro Stephen D aye (c. W illiam Pierce.143 A prim eira B íblia im pressa naquele país foi em 1663 (Novo Testam ento. L ouisville. p. não foi p ublicada em inglês m as. E ncyclopaedia o f the R eform ed F aith. dos quais não restam exem plares.' In: P hilip S chaff.” (R uth A. 143 E sta ed ição m etrificada dos S alm os foi destinada à adoração p ú b lica e p rivada dos fiéis. tem endo deixar um C lero ignorante para as Igrejas. M ariner]. A b in g d o n D ictio n a ry o f L iving R eligions. O A p a recim en to do Livro.142 O terceiro.” (L.144 através dos im pressores M arm aduke fo rm atu ra da p rim eira turm a de H arvard. 1619-?). org. 85-87. 171]. (D o rav an te citado . M cM urtrie. 715-716. The P rogress o f W orld-W ide M issions.

C . G io v an n i R eale & D ario A ntiseri. Vd. porque. foi o “Pentecostes da C ivilização O cidental.145 A im prensa viria a ter um novo e grande im pulso no século 19. visto que na opinião dos hum anistas. pp. p. p. L ivro: In: E M L . H istoria d ei Libro. 427 ss. H ipólito E scolar. O A p a recim ento do L ivro. O antigo servia de alim ento para o novo espírito vigente.148 Criação do Novo “ O R en ascim en to não sig n ifica im itação ou c om p ilação fragm entária. 9. 67. A C u ltu ra d o R e n a sc im e n to na Itá lia : U m E n sa io . p. A reform a protestante. O frontispício d esta B íblia encontra-se tam b ém rep ro d u zid a In: M ark A.R a Iz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a 60 Johnson e Sam uel Green (1649-1692).D. p. p. 287). p. D aniel-R ops. 147 Vd. O Jo rn a lism o A n te s da Tipografia. com o advento das m áquinas de im pressão a vapor (1815) e da com posição m ecâ­ nica (1838).C . N ogare. C. P ara m aiores detalh es sobre a evolução da im prensa nos E stados U nidos. 423 ss. o que barateou sensivelm ente o custo da sua produção. p. O Livro: Im p ressã o e F a b rico . L ivro: In: O távio M alta. cada vez mais acessível a um m aior núm ero de pessoas. E dw in Em ery. (1981). q u e re p e rc u tiu em to d as as a tiv id a d e s so c ia is. 148 C f. acelerando o processo de form ação das línguas nacionais. R izzini. na realidade. ct. p. Vol. mas sim o nascer de n o v o . 6959..149 Assim . trazendo contribuições fundam entais para o ingresso do hom em na Idade M oderna. 1996. 145 Cf. M cM urtrie. (1 9 6 5 ).” 150 A R enascença assinala a concorrência gigantesca de gênios que despontaram em todas as áreas do saber. O L ivro: Im pressão e F abrico. 161 ss. O Renascim ento. D . E M L . p. A prim eira fábrica de papel foi fun­ dada por W illiam Bradford. p. Vol. 470]. L ucien F ebvre & H enry-Jean M artin. M cM urtrie. p. São Paulo. et. p. este ilum inou o antigo com um a nova luz até então ignorada. 13. p. Im prensa: In: E N B . 13. Síntese H istórica do Livro. 172. 23. em 1690. 75. C.” .Jacob Burckhardt. a volta renascentista à C ultura C lássica visava buscar um a fonte de inspiração. p. 142. . E sta B íb lia é co n sid erad a p rim o ro sa em seu cuidado tipográfico.147 D esde então. A H isto ry o f C hristianity in the U nited States a n d C anada. Tam bém . o livro passou a ser elaborado com papel fabricado da polpa de m adeira. facilitando a difusão de idéias. (Cf. 305ss. N oll. O A parecim ento do Livro. da R eform a: I. H istória da Im prensa nos E stados U nidos. E ditora Lidador.146 sendo o livro im presso o grande contribuidor para o dealbar dos tem pos m odernos. sobre isso. Vd. 192-193. L ucien F eb v re & H enryJean M artin. R io de Janeiro. M cM urtrie. 421ss. H istória da F ilosofia. na expressão do tom ista Pedro D alle N ogare (1913-1990). H um anism os e A nti-H um anism os. Q uadrante. 150 P. perto de F iladélfia. p. 11. al. p. D. 6 9 5 9 e D . Com o vim os. I4<J Vd. isto era im­ possível de encontrar nos autores m edievais. O Livro: Im p ressã o e F ab rico . Vol. 146 Vd. 39ss. tornando-se assim . al. com o RED)'. A Igreja da R enascença e. traz a reprodução do frontispício das seguintes obras citadas: T he W hole B ooke o fP s a lm e s e da "B íb lia d e E lio t" . instaura-se um a nova m a­ n e ira d e p en sa r. O táv io M alta. José B arboza M ello. 447ss.

4 5 2 p. . H istó ria da E ducação no R en a scim en to . 155 Ver ad en do sobre C ristianism o e Filosofia. na realidade. 158 Nos séculos 13 e 14 encontram os o clím ax do debate pró e contra o arislotelism o. 12.onde o H um anism o se desenvolveu m ais efetivam ente155 que. da C osta N unes.3 2 . único grande sistem a m onista da antigüidade. e extraiam de am bas a luz da invenção. não existe contradição entre eles. III. org. nesse sentido. 1 . O tom ism o tornou-se a interpretação padrão . W. p.do pensam ento de Aristóteles para a Igreja rom ana. A d v a n c e m e n t o f L ea rn in g . o L ogos. 1977. A sua influência deveuse aos dom inicanos e.540-c.C.O R e n a s c im e n t o 61 Francis B acon (1561-1626). 1 9 6 9 .157 ainda ligadas às form as tradicionais da cultura. L isb o a: E d ito rial P re sen ça /M artin s F o n tes. especialm ente A gostinho (354-430).158 As prin151 F ra n c is B acon. R io de Janeiro. (18571874). além da leitura obrigatória de seus fragm entos. C ultrix. Vol. em W orks. p. D am ião Bcrge. Filosofia da Religião. P ara um estudo abrangente do pensam ento de H eráclito. Tomás de Aquino (1225-1274) . org. Corduan.ainda que não a única . L im a.155 E ssa síntese encontrou um am biente propício nas A cadem ias dos hum anistas . R eligião.). a consolidação do seu pensam ento foi alcançada no século 16 através dos jesuítas e do Concílio de Trento (1545-1563). 1968. 3“ ed. se contrapunha às universidades. principalm ente a filosofia de H eráclito (c. R u y A. o “Verbo Encarnado” dos Evangelhos. um a com preensão de que é possível estabelecer um a harm onia entre a Filosofia e a Teologia dos Pais da Igreja. Esta concepção passou a vigorar em geral nas U niversidades católicas. M elhoram entos/ED U SP. Fries. 154 U m bcrto Padovani. São Paulo. que form ulou diversos de seus pronunciam entos am parados na interpretação de S. em que a erudi­ ção faz a sua terceira visita.C. O L o g o s H eraclítico: Introdução ao E studo dos F ragm entos. (Vd. In: G erd A. O Logos governa o universo.). B ornheim . tendo vencido a batalha S. (Vd.). Palavra: In: ND 1TN T. escreveria: “Seguram ente. p. tam bém : G.com a sua síntese do pensam ento de A ristóteles (384-322 a. R efo rm a e T ra n sfo rm a çã o So cia l. São Paulo. Vd.C a p ít u l o 1 . em m uitos casos. consulte.aquele que é considerado o “apogeu do pensa­ m ento escolástico” . al. m esm o que alguns vivam com o se cada um tivesse um entendim ento particular.1 6 .540-c. 153. 20. quando considero a condição destes tem pos. 392-393. Instituto N acional do L ivro. A p iu l H. p. bem ao seu estilo otim ista.6 7 e 72. 4 7 6 -4 7 7 . 89.C . perm eadas pelo sistem a tom ista. 5. é com um a todos os hom ens. 36ss). ver adendo: U niversidades M edievais. J. (1 9 8 1 ). R enascim ento: In: EN B. pp. 153 Para H eráclito de Éfeso (c. F ragm entos.480 a. 543-545). H eráclito.desde que os hom ens tom em conhecim ento da sua força e da sua fraqueza. pp. 3. p. Tomismo: ln: EH TIC. Os F ilósofos P ré-Socrãticos. F ern an d o S. a inteligência divina. e não o fogo da contradi- Síntese do Cristianismo com a Cultura Clássica N este período passou a haver um a com preensão predom inante de que exis­ tia um a identidade quase essencial entre a Filosofia e a R eligião e. seria a m esm a razão (Logos) que governa o pensam ento dos filósofos gregos. (1967). 156 Cf. R. S p ed d in g et. T revor-R oper.480 a. Vol. pp.6 4 . 157 S o b re este assunto.” 154 Há então. Tomás.152 Surge daí um neoplatonism o m al d efinido. não posso deixar de me persuadir de que este terceiro período de tem po ultrapassará de longe o da erudição grega e rom a­ na .153 “Encontra o pensam ento m oderno um a paternidade ideoló­ gica no neoplatonism o. 111.

L utero (1483-1546) escrevendo um a carta a seu am igo João L ang. em reco lh er diversas experiências. em preguei o resto de m inha m o cid ad e em viajar.” (C olin B ro w n . citada por Joachim F ischer na introdução do livro: M a rtin h o Lutero: O bras Selecio n a d a s. 7 0 -7 1 ). T ran sferiu -se. este é c o n sid e ra d o co m o um p recu rso r de C risto. D u q u e de B aviera.1. com o observou C olin B row n.” (C arta de 0 8 /0 2 /1 5 1 7 . em freqüentar gente de diversos hum ores e co n d içõ es. em provar-m e a m im m esm o nos reencontros que a fo rtu n a m e p ro p u n h a e. T. revelando a sua fru s­ tração. Vol. 38]. e por m e haver persuadido de que.159 N ápoles . R e n é D escar­ tes (1 5 9 6 -1 6 5 0 ).. D iscurso do M é to ­ d o . p ro cu ­ ran d o instruir-m e. 1. em ver cortes e exéreitos. con fo rm e sua p ró p ria descrição: “E is p o r que. D ois m e­ ses d epois. 39-40). 17). ainda que tardio. M . 1. Vida cle A ristó teles.. insistiu na inutilidade da L ógica aprendida nas esco ­ las. por toda parte. dedicando-se. sentia ex trao rd in ário desejo de aprendê-las. m udei inteiram ente de opinião. (1604). O D eb a te de H eid elb erg (1 5 1 8 ). con fo rm e o co stu m e da época.” (M artin h o L u te ro . 1. (O s P ensadores. se p odia adquirir um conhecim ento claro e seguro de tudo o que é útil à vida. em o u tra carta a João L ang. N o início d o século 16. no entanto. 1973. São L eopoldo/P orto A legre. diz: “N ossa teologia e A gostinho progridem bem . tese 44.). pp.” [R. com sua m áscara grega.” (Ibidem . P o esia e R etórica (1606-1612). nin guém se torna teólogo” . estu d an d o G ram ática. S inodal/C on córdia. com batendo o conceito vigente de que “sem A ristó teles. A ristóteles decai pouco a pouco e está sendo arru in ad o . P o d em o s to m ar o testem unho de D escartes. m as atuante no século 17. L utero exarou: “Q uem quiser filosofar sem perigo em A ristó teles p recisa antes to rn ar-se b em tolo em C risto . p. p.. p. ainda q u e em declínio. RS. p. a se m elh an ça d e F ran cis B acon (1561-1626). V ida N ova. Vol. M as.. que eu p u d esse tirar delas algum proveito (.. D escartes estu d o u no recém -inaugurado R eal C o lég io da C o m p an h ia de Jesus L a F lèche. E le deixou o C olégio cm 1612. “ Se A ristóteles tiv esse conhecido o poder ab so lu to d e D eus. tanto enganou a Ig reja. alistan d o -se no exército do príncipe P rotestante M aurício de N assau (1618). por m eio d elas. p. tese 29. tão logo a idade m e perm itiu sair da sujeição de m eus preceptores. A p u d Ibidem . No p erío d o de 21/08/1517 a 04/09/1517. São Paulo. ter-lhe-ia sido im possível afirm ar q u e a m atéria p erm an ece po r si m esm a . 38). São P au lo . M as logo q u e term inei todo esse curso de estu d o s... na H olanda. Vol. em 1619. co nvencido de q u e o m étodo e a física aristotélicos. L a R e fo rm a en su C ontexto H istó rico . ninguém se torna teólogo a não ser sem A ristó teles” (M artinho L utero.” (C arta de 18/05/1517. T endo um a form ação tradicional no escolasticism o aristotélico. com a aju d a de D eu s. tese 34. pp. (C f. 13). em fazer tal reflexão sobre as coisas que se m e ap rese n ta­ vam . E m 1637. ao cabo do qual se co stu m a scr recebido na classe dos doutos.. ln: Ibidem . refe re-se a A ristó teles com o “esse palhaço que. à carreira m ilitar. ingressou no exército co m andado pelo católico M a x im ilian o . escreveu: “M uito pelo contrário. D e 1619 a 1628. ou então no grande livro do m undo. E. contra o rei d a B oêm ia. no seu D iscurso do M étodo. D escartes. se é que existiam em algum lugar da T erra. em um a obra m ed iev al. então para P aris.161A Itália de modo T anta é a d ev o ção para com A ristó teles que.62 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a cipais A cadem ias foram as de F lorença. eram resp o n sáv eis p ela falta de progresso das ciências. 39). C ontudo. X V ). vem os com o este era p red o m in an te nas U niversidades m esm o no século 16. que m e p arecia não haver obtido outro p roveito. H istória. depois que em preguei alguns anos em . D ebate sobre a Teologia E scolástica: ln: Ibidem . eom o um bom exem plo da p erp etu ação da fo rm açã o tom ista. q u e é considerado o “ Pai da F ilo so fia M od ern a” e da “G eom etria A n alítica” . 13-14). L utero. senão o de ter descoberto cada vez m ais a m inha ignorância. 1983. estiv era num a das m ais célebres escolas da E uropa [La Flèche]. onde pensava que deviam existir hom ens sapientes. “sem pre to m an d o o cuidado de transferir-se para outro lugar quando surgiam d ific u ld a d es. N o ano seguinte.que fundada no final do século 15 sobreviveu som ente até 1543160 . Vol. F ilo so fia e F é C ristã. 1987. A bril C ultural. N o entanto.e R om a. além d aq u e­ la que se p o d eria achar em m im próprio. term inou o seu curso. e p red om inam em nossa universidade. resolvendo-m e a não m ais p rocurar outra ciência. D escartes viajou po r vários países da E u ro p a para ler e estu d ar “ no g ran d e livro do m u n d o ” . deixei in teiram en te o estu d o das letras. E. escreveu: “Fui n u trid o nas letras desde a infância [10 anos]. L indsay. P ois m e ach av a en lead o em tantas dúvidas e erros. aliad a d a F ran ça co n tra os espanhóis e. N o eom bate de L u tero aos ensinos de A ristóteles. pp.

29-30. 20-21. 18). (.1. m onges e frad es. H istó ria da F ilo so fia M oderna. parece-m e. R enaissance T h o u g h t a n d T h e A r ts : C o llected E ssays. em sua sociedade que tornou a cair em geral ignorância. M as um a síntese na qual u m a co n cep ção o tim ista e ébria da beleza diria ‘sim ’ ao m undo. pertence à Igreja. pp. o velho (1389-1464) . 163 S obre a A cadem ia de F lorença. D este m odo. seus chanceleres. vem os a indisposição p ara com A ristó teles em d eterm in ad o s círcu lo s. S eus inum eráveis dom ínios são tão su p erio ­ res aos d a n o b reza p o r sua extensão. e os adversários dos hom ens de F lorença sem p re lho lan çav am em ro sto . analisando a Idade M édia. só ela possui ainda estes dois in stru m en to s in d ispensáveis a toda cultura: a leitura e a escrita. no clero. fundada em 1440 por C osm e de M édice. antes abafou b astan tes que o p o d eriam ter sido se lhes tivesse sido perm itido. A bril C u ltural. em tem po de penúria.” [Filosofia: In: E nciclopédia F rancesa. p. Jean D elu m eau. gradativam ente. E n fim . P irenne. e em p ro cu rar adquirir algum a exp eriên cia... A lém d isso. o prim eiro lugar.O R e n a s c im e n t o 63 especial foi o berço das A cadem ias.164 na Renascença. p erm an ecia nos círculos hum anistas. R io d e Jan eiro. 2003. 161 R uy A. de um a fo rtu n a m o n etária que lhe perm ite. P aul O skar K risteller. reis e príncipes são fo rçad o s a recrutar. ela m esm a. e o puserem no lugar de A ristóteles. . p. N a síntese da R enascença há penetração do paganism o. H istória E conôm ica e So cia l da Id a d e M éd ia . íb id em . p. posteriorm ente. todo o p es­ soal d o u to de que lhes é im possível prescindir. D ev em o s reco rd ar que o deb ate sobre a proem inência da F ilosofia de A ristóteles ou a de P latão. do que se ja m a is tiv esse m e afastado de m eu país e de m eus livros. graças às o ferendas dos fiéis e às esm olas dos peregrinos. 109ss). N o verbete “F ilo so fia” da fam osa E nciclo p éd ia F rancesa. tom ei um dia a reso lu ção de estu d ar tam bém a m im próprio e de em pregar todas as forças de m eu espírito na esco lh a d o s cam in h o s que devia seguir. N em sem pre d elib erad a e co n sciente. m ais previdente. A C ivilização do R enascim ento. (V d. espe­ c ia lm e n te cm P á d u a . p. p.. em sum a. 1990. com o. 1974. U m a H istó ria S o cia l d o C onhecim ento: D e G utenberg a D iderot.” [R ené D escartes. A in d a no final do século 17 e início do 18.) A ristóteles n unca criou um verdadeiro filósofo. p. o fica p o r m uito tem po. praticam en te dar-se-á o m esm o incon­ v en ien te. M uitos hum anistas adotaram o aristotelism o. X V ). Vd. P rinceton. pp. d u ran te séculos e sécu lo s a ela se recorre. D iscurso do M é to d o . (O s P ensadores. é superior à nobreza po r sua instrução. secretários e ‘n o tário s’. Vol. pp. influenciando. d a C osta N unes. vai se form ando um a estu d ar assim no livro do m undo. T he In te lle c tu a l O r ig in s o f T h e E u ro p ea n R e fo n n a tio n . N ew Jersey. E d ito rial E stam p a. Jorge Z ahar E ditor. Vol. diz: “N esse m undo rig o ro sa­ m en te h ierárq u ico . 74.C a p ít u l o 1 . m as este se fazia presente. A liste r E.tornou-se o local de encontro e peregrinações dos hum anistas da E uropa. H irschberger diz: “ O que nela se p reten d ia era um a síntese da F ilosofia grega e do C ristianism o. 78]. um a vez estab elecid a en tre os hom ens um a fantasia desta espécie. 162 V d. 41]. 21. H istória da E duca çã o no R enascim ento. pp. 1973. Já havia um a síntese no platonism o dos Padres: era o platonism o p en etrad o de C ristian ism o. e de m odo m ais desenvolto do que p o d ia ou sá-lo o C ristianism o. 89-101. 2728). com a sua ciência da natureza hum ana enfraquecida p elas paixões e necessitada da graça. 34).governante extrem am ente preocupado com a educação . lem os: “N ad a parou tanto o progresso das coisas nem lim itou tanto os espíritos com o essa ex ces­ siva ad m iração p elo s A ntigos. M c G ra th . toda a E uropa e as colônias am ericanas. L isboa.. O que m e deu m uito m ais resultado. 164 H cnri P ircnne (1862-1935). 159 C om en tan d o a respeito da A cadem ia P latô n ica de F lorença. E sta possui. E o m al esta em que. S ão P aulo. S e um dia se en tu sia s­ m arem co m D escartes.” (Johannes H irschberger.” (H.163 Lem brem o-nos de que na Idade M édia os educadores eram padres. e o m ais im portante.. m esm o depois de se lhe ter conhecido o ridículo. ao m esm o tem po. II. ascen d ên cia eco n ô m ica e ascendência m oral.162 A A cadem ia Platônica de Florença. em prestar seu dinheiro aos leigos n eces­ sitados. só ela p o d e dispor. (A E nciclopédia: Textos E scolhidos). (Ver: P eter B urke.

essas esco las relig io sas to rn a m -se o ú n ico in stru ­ m en to atrav és do qual se ad q u ire e tran sm ite a cultura. a cidade inteira enlutava-se q uando dos fu n era is dos p ro fesso res. 64. tendo que co m p letar a sua renda com o pro fesso r particular. C o ntudo isto não p o d e ser g en eralizado visto qu e m uitos p rofessores c o n tin u av am g an h ando pouquíssim o. 2003. 95ss. Com esta m udança de perspectiva educacional. de parte a parte. P o r A m o r à s C idades. escreve B urckhardt (1818-1897): O s salários d os cated ráticos eram extrem am en te variados. P o r fo rç a das circu n stân cias. o ensino vai se laicizando. E . as U niversidades ficam cad a vez m ais d istan tes d o estu d an te de p o u co s recu rso s fin an ceiro s . J. de m od o que as d iferentes in stitu içõ es lançaram -sc ao intento. havia tam bém p rofessores v o ­ luntários.. por tem p o lim itado. O s In telectu a is na Idade M édia. B rasiliense. Ver: Jacques L e G off. A s U niversidades na Idade M éd ia . 512). p. prom etiam não ensinar em qualquer outro local o que haviam en sin ad o em um a universidade.P. Verger. Sobre isto.” (J. 1990. Jacq u cs L e G off. acab a ram de desaparecer. 54. 28).” O s estu d an tes tratam os seus m estres favoritos por d o m inus m eu s (“m eu senhor” ). 3“ ed. T odos os seus b en eficiário s são. e P eter B urke. o au to r acrescen ta: “ E n tretan to . 2“ ed. A s U ni­ versid a d es na Id a d e M édia. sem vinculação nacional.167 M arcílio Ficino (1433-1499). A lé m d isso .. p. social ou religiosa. de atrair para si ren om ados p rofessores de suas rivais. S ão P aulo/R io de Janeiro. p. pouco a pouco.64 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a “R epública C ulta” . R io de Jan eiro . 142ss). a p artir do m o m en to em q u e as esco las p ro fan a s. disputados pelas Escolas e Universidades. d iz -se que B o lo n h a teria. 5“ reim p ressão . nas igrejas dos m endicantes e m esm o ao ar livre. 1980. an tes de tudo. os túm ulos dos d o u to ­ res b o lo n h eses e p ad u an o s são p ara nós a últim a m anifestação dc sua g ló ria .165 Os m estres m ais concei­ tu ad o s p assa ram a ter altas h o n rarias e p re stíg io . até m esm o por um ú n ico sem estre. E ainda hoje. p. p. m iste r do c le ric a to ? ” .” (H e n ri-lré n é e M arro u . aplicad o m etade de suas receitas (2 0 m il du cad os) na u n iversidad e. O s m estres de B olonha são denom inados de “hom ens nobres e p rincipais cid ad ão s. p. São P aulo. Jo rg e Z ah ar E ditor. A C ultura do R en a scim en to na Itália: Um E nsaio. U m a H istória S ocial do C onhecim ento: D e G utenberg a D iderot. às v e z e s. 167 J.os quais “haviam sido o ferm ento das facu ld ad es” . a figura do professor sobe na escala social. C oncom itante a isso. sendo altam ente venerado.desejando N a re a lid a d e . p. F icin o foi quem traduziu pela prim eira vez P latão e P lotino. C ontudo havia tam bém n o m e a ç õ es vitalícias. h e rd a ­ d a s d a A n tig ü id ad e.166 sendo in clu siv e. H istó ria da E d u c a ­ ç ã o n a A n tig ü id a d e . colocando-os em latim e p arte da . (Vd. Com a aproxim ação de pessoas instruídas. 165 V erger diz q u e “em B olonha. 146). T odavia.. Jacq u cs Le G off. em p rin cíp io . p. 168 A ndré C orvisier. Verger. A s n o ­ m ea çõ es d os cated ráticos eram . (V d. a “alm a da A cadem ia florentina” 168 que se autodesignou filho espiritual de C osm e de M édice169 . 140ss. Por v e z e s. em certas ép ocas. O avanço da ed u cação trouxe c o n sig o a com p etiçã o . p esso as d a Igreja: m as não é um traço característico de nossa idade m éd ia la tin a que a ciê n c ia seja. há m uito q u e a Ig reja co n tro lav a o saber. receb i­ am até m esm o algum capital de presente.e. não rem u nerad os. “ . m uitos dos professores passam cada vez m ais a olhar com atenção os seus ganhos. M arrou o b se rv a q u e nos séculos 6°-7°. co m o se fo ssem atores. 99).U . B u rck hardt. 160. D1FEL. em geral. p. S o b tais circu nstâncias. co p ista o u cm alg u m a de suas especialidades (V d. O s Intelectuais na Idade M é d ia . H istó ria M o d ern a . de m od o que os d ocen tes levavam um a vid a erran­ te. São P au lo . 1993. J. A s U niversidades na Id a d e M éd ia ... Verger. p. já d esd e o sécu lo 6 o su a clien tela co m eça a am p lia r-se .

p. A reform a p ro testa n te. B elém .É. No 5o século antes de Cristo. tão quanto possível parecido ao seu autor. É m ile B réhier. 29-30.N ic o la u B erd iaeff. que afirm ava ser o hom em a m edida de todas as coisas (. 1977/1978.” 172 A Valorização do Homem “A co n c ep çã o n ova do hom em e da natureza é m ais realizadora do que se p en sa .. 172 D an iel-R o p s.” . ou na form a com pleta: “O hom em é a m edida de todas as coisas. E som ente em Deus que pode o hom em encontrar a felicidade perfeita. 198. 169 C f. 1/1. C itad o tam bém em P latão. A ristóteles diz: “O p rin cíp io (. p. O hom em pode.um a lâm pada acesa diante do busto de P latão. A Igreja da R enascença e da R eform a: I.” 173 A R enascença se caracteriza pela tentativa de vivenciar este conceito. 152a: In: T eeteto-C rátilo. H istó ria da F ilosofia M oderna. U niversidade F ederal do Pará.C a p ít u l o 1 . espelho da beleza universal de Deus.) e x ­ p resso p o r P ro tág o ras. 208. Ilustra. R io de Janeiro. o hom em . A través de sua auto-afirm ação.. A Igreja da R enascença e da R eform a: I. 154). A reform a p ro testa n te. N a A cadem ia de F icin o . artistas e poetas.C. N este trad u ção em italiano. D an iel-R o p s. U m a N o v a klacle M é d ia . Deus expressa-se inspirando engenheiros. Bréhier.. deb ilitou o h om em .). p. p.” . dizendo que “Deus criara o universo com o um todo harm onioso. São P aulo. pois se Deus o desejar. pelo am or da beleza. O hom em pode atingir a D eus penetrando o m undo das idéias em prestadas de Platão onde se situa o pensam ento divino. E nlrem undos en la H isto ria de la F ilosofia. 170 C f.. Jo h an n es H irschberger.” 171 D aniel-R ops observa que m uitos hum anistas desejosos dessa síntese não percebiam os aspectos irreconciliáveis entre pontos tão divergentes.. 385e. fix o u -se um d ia da sem ana em que era proibido usar o utra língua q u e não fo sse a de Platão. 193). 1936. 11. enfim . pp. p 15. E le tam b ém foi resp o n sável p elo reavivam enio do interesse pelos escritos de Platão. Teeteto. J. “C ontraditórios com o toda a sua época. caiu em estad o de decrepitude e não pod e m ais ser experim en tado de m aneira tão patética quanto nos dias da m oça e fer v escê n c ia d o hu m anism o (. E rnsl B loch.). da existência das que existem e da não existência das que não existem .) o u tra coisa não .O R e n a s c im e n t o 65 encontrar um a síntese no platonism o (ou neoplatonism o) que favorecesse o C ristianism o. H istó ria d a F ilo so fia . p. 166.tal é o térm ino paradoxal da história m oderna. . M estre Jou. C orvisier. C rátilo. A Verdade (A À . por sua vez. A fé no h om em e nas forças autônom as que o sustinham está abalada até o fundo (. 171 A. O hu m anism o não fortaleceu. 2“ ed. 173 A p u d P latão . A C ultura d o R enascim ento na Itália: Um E nsaio. 1/1. “H á m uito que o sentim ento hum anista da vida perdeu o seu frescor. H istória da F ilosofia.. p.. (C f. José O lym p io. H istó ria M o d ern a . B u rckhardt. hoje perdida. p. assem elhar-se a Deus. 1988. pode criar.) na sua obra.f]0£ia) disse: Homo M ensura . (Cf. o hom em perd eu -se ao in v és de se encontrar.170 ensinava a associação do C ristianism o com o platonism o. achavam norm al ir à m issa e ter em casa . 208. o filósofo sofista grego Protágoras (c. p. 54.com o M arsílio Ficino .. 480-410 a.

H istória da E du ca çã o no R enascim ento. G om brich. o hom em tornou-se o tem a geral e central do saber: o corpo hum ano passou a ser reproduzido em telas. a im agem com pleta de todas as coisas. A lbrecht D ürer: In: J. N. 178 “É em o cio n an te o bservar D ürer experim entando várias reg ras de proporções. orgs. D este m odo. a fim de descobrir o equilíbrio ad equado e a harm onia perfeita. S chaeffer. o hom em não deve ficar olhando para as alturas m as. 1995. o lem a im plícito do H um anism o R enascentista. alguns artistas . I. a m etafísica é substituída pela introspecção. 7 I6 c . C ultura C ristã. p. R u y A. D iscurso do M étodo. pp. copula m undi (“N exo do m undo”). W h o ’s W ho In C h ristia n H istory. para dentro de si m esm o. po rq u e am iúde um a cousa parece b ela a uns e feia a outros. 58-60. Platão. 6. N ão é d em ais lem brar q u e as contribuições artísticas na R enascença não estiveram restritas a Itália (Ver: P eter B urke. “A os nossos olhos a d ivindade será ‘a m edida de todas as co isa s’ no m ais alto g rau . S ão P au lo . 195. 27.visando conhecer m ais exatam ente os órgãos do corpo hum ano. P au lin as. “O hom em pelo hom em para o hom em ” . p. surgem grandes m estres. 41. a quem já nos referim os. 286). sua existência individual. de certa form a. e. p. profundam ente otim ista no que se refere à sua capacidade. .” (P lãtao . SP. 1 062. conse­ q ü en tem en te. XI. Vol. São P aulo. tam bém . este é. e d ev e v aler co m o m edida o q u e parece a cada um .66 R a Iz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a período houve um a “virada antropológica” . IV..” (M eta física . A H istó ria d a A r te . 294). E . M arcílio Ficino (14331499). 14.V. ele se ju lg a em plenas condições de pla­ n ejar o seu próprio futuro. nada lhe escapa. M as. W heaton. pp. 1999.praticaram a dissecação de cadáveres [Leonardo da Vinci (1452-1519 )179e M iguel Ângelo (1475-1564)]. B attista M ondin. P latão.180 No cam po educaci­ onal. p. os olhares baixam do céu para o hom em em sua concretude e beleza. Illinois. Inc. H ope.175 Assim . 1992. ou.174 O hom em passou a ser considerado o centro do m undo.” (E . A H istó ria da A rte. reú n e em si todos os opostos. na sua expressão. A Igreja da R enascença e da R eform a: I. C om o V iverem os. entendia que a m ed id a de todas as coisas estav a em D eus. 176 V d. B auru. Ver tam b ém D aniel-R ops. 16“ ed. L ivros T écnicos e C ientíficos E ditora. G om brich. da C osta N unes. 1711E le d isseco u m ais de trinta cadáveres (Cf. A í F o rtunas d ’0 C ortesão: a recepção européia a O co rtesã o de C astiglione. p. p. II. deixando de ser o centro das atenções. o livro da natureza. vê-lo d isto rcen d o d elib erad am en te a com pleição h um ana ao desenhar corpos dem asiado longos ou d e ­ m asiad o largos. E d ito ra d a U N E S P . A í L eis. T yndale H ouse P ublishers. E D IP R O . E . São P aulo. diferen tem en te de P rotágoras. preocupados com a form ação do hom em . E u tid em o . 180 C f. para poder retratá-los m elhor em suas obras [O luterano177 A lbrecht D ürer (1471-1528) tornou-se um especi­ alista nesta arte ]178. o “hom em virtuoso” passou a ocupar o trono da história. E sta m udança refletiu-se em todas as áreas do conhecim ento hum a­ no.D . tudo está em suas mãos. p. p. ™ Cf. 2003. C urso de F ilosofia. considerava o hom em com o um a “síntese de todas as m aravilhas do universo” . S ão P au lo .H . A reform a protestante. Este “antropocentrism o refletido” se retrata no hom em renascentista. D o u g las & P hilip W. 1981. R en é D escartes. 347).H . G om brich. C om fort. Vejam se ex trato s de seu d iário (1521) e um a de suas cartas (1520) citados por F rancis A. 217. se isto é verdade. há um a m udança de ótica e perspectiva176 e. 304-305.H . assim . de valores. Vd. é senão q u e aq uilo q u e parece a cad a um tam bém o é certam ente. desta m an eira. concluise que a m esm a cousa é e não é ao m esm o tem po e que é boa e m á ao m esm o tem po. 189). 13). 175 V d. D eus cedeu lugar ao hom em .. 1997. aproxim ar-se da perfeição. 177 C f. p. A H istória d a A rte.

23. p. pelo contrário.” 181 N ão é sem razão. B u rck h ard t. naturalm ente. obras sobre o com portam ento hum ano. O hom em não pode suportar seu abandono.. lutando para o m odificar. A C ivilização do R enascim ento. o grande veículo de com unicação das idéias. tudo aponta para a capacidade do hom em em seus avanços vitoriosos. aparentem ente. fazendo-o a medida de todas as coisas. 183 Jean D elu m eau. é a pior de todas.. 182 Jean D elu m eau.. do casam ento e da esposa.” . M a n ife sto C ristão. entender e criticar a literatura e a arte antigas. 144-146. em que d e fin itiv a ­ m ente desap arecesse a ind ividu alidad e humana. da fam ília... aos poucos. dizendo que o “Humanismo é a colocação do homem como centro de todas as coisas. Vol. Vol. A civilização ocidental fez-se então m enos antifem inista.” 186 B erdiaeff (1874-1948) . A C ivilização do R enascim ento. o hom em é o tem a e senhor da história. m enos hostil ao am or no lar.. já não é mero espectador passivo do universo.A.. 186 F. m ais sensível à fragilidade e à delicadeza da criança. . S chaff. Vol. antes. Jo s é O ly m p io . I. p. por isso. Vol.. sen­ sual. O hum anism o renascentista é em inentem ente ativista. já não espera favores divinos. 1936. P h ilip S ch aff & D av id S. 1985. que o hum anism o não alcançou o que desejava.183 Enfim . Jean D elum eau.propondo um a “N ova Idade M édia”. O h om em experim en ta um a fad iga im en sa e está pronto a apoiar-se sob re qualquer gên ero que seja d e c o le tiv ism o . I. ele é o centro de todas as coisas. as línguas da Europa tornam -se. p p. Schaeffer (1912-1984) resume bem o antropocentrismo do Humanismo. R io d e Janeiro. outrora tarefa dos teólogos. C opérnico (1 4 7 3 -1 5 4 3 )184 e G alileu G alilei (1564-1642) revolucionam a astronom ia com um a nova com preensão do sistem a so lar185. sem dúvida. DF. em prega seu talento pessoal para con­ seguir realizar os seus desejos. A C ultura do R en a scim en to n a Itália: Um E n sa io . Schaeffer. Diz ele: A história m oderna é um a em preitada que não resultou bem . que não g lo ri­ fico u o h om em . Creio que Francis A. a situação do hom em m oderno. B erdiaeff.C a p ít u l o 1 .em sua obra datada. co m o o fizera esperar. E d ito ra R e fúgio. ele estava acom panhado pela nova form a de ler. E ste otim ism o não era gratuito. ago­ ra passa tam bém a ser. m elhorar e recriar. para este não há lim ites. no sentido estrito da palavra. “a escritura de tratados acerca da educação dos príncipes.O R e n a s c im e n t o 67 originando-se daí. p. 184 Vd.187 181 J. B rasília. A C ivilização d o R enascim ento. A s prom essas do h u m anism o não foram cum pridas. é verdade . 185 V d.. H isto ry o fth e C hristian C hurch. 163-164. declara de form a patética. a im prensa floresce. U m a N ova Idade M édia. 12-13. m as seu agente. pp. que D elum eau diz que o R enascim ento “foi tam bém descoberta da criança. 27. 561. a navegação conhece seu sucesso através das descober­ tas de novos continentes. 187 N. sua s o lid ã o . p. 23. II. enfim . pp.” 182 O prazer “carnal” por sua vez passa a ser apreciado em detrim ento do propagado “ascetism o” m edieval: “O R enascim ento foi. assunto dos hum anistas. V I.

por toda parte obtém crédito esta op in ião de todo vã: que o h om em é a si am plam ente su ficien te para viver b em e venturosam ente (. . acrescenta que. por aproxim ar-nos dela mais c m ais em contínuo progresso. m esm o a d esp eito de alg u m a in co n sistên cia no c a m in h o .í Instituías. é preciso um a dim ensão verdadeiram ente teológica. E m bora sendo assim dc tão grande altitude. com ju stiça. ela só pode alcançar as superfícies ou as bordas delas. se haja transviado... II. com entando o desejo hum ano por lisonjas. precipilar-se-á na m ais ruinosa ig n o râ n cia . /4. o quanto nos é oportuno. Ora. 1. Vol.N ad a há que a natureza hum ana m ais c o b ic e que ser afagada de lisonjas. para e s s e rum o propende com dem asiada credulidade. devem os. de m uito bom grado se per­ su adem de que nada n eles e x iste que. a busca de sua essência com o fim últim o de todas as coisas. um a v e z que é in gên ito a tod os os m ortais m ais do que c e g o am or de si m esm o s. q u an d o assev era: “ C o m o cristão s in fo rm ad o s p ela P alav ra de D eus.K . ao contrário. Portanto. (SI 40. A S o b era n ia B a n id a : R e d en çã o p a r a a c u ltu ra p ó sM o d e rn a . A inda hoje. m as d o lu g ar q u e a pesso a tem no plano de D eus. ao v e m o s tam bém a m ão divina estendida para descortinar-nos. 15). não obstante.5). p. ond e o u v e seu s predicad os revestir-se de grande realce.. antes. o quanto nos for possí­ vel. S ão P a u lo . D estarte.” (R .2. A s p ressu p o siç õ e s ain d a determ in am nossos d estin o s.68 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a De fato. D a í. 1998. E. O Livro dos Salm os. por isso . se algu ém dá o u v id o s a tais m estres que nos detêm em som en te m irarm os n ossas boas qualidades. destarte. de m aneira profundam ente danosa. curiosam ente. p. som os muitas vezes levados a pensar no hom em “com o a m edida de todas as coisas” : com o se a solução de todos os seus problem as estivesse sim plesm ente na capacidade de olhar para dentro de si. p erceb em o s q u e o m undo não p o d e in lerp retar-sc a si p róprio. m uito acim a de nosso alcance. é que a essência do hom em não pode ser sim plesm ente determ inada em si e por si.. o au to -ex am e é tão difícil agora co m o sem p re fo i. com seu e n c ó m io . diligenciar-nos. 2.. e to d o s nós tem o s áreas em n o ssa v id a que n ão ex am in am o s b em de p erto . perm anece absorto na sua ignorância. M c G reg o r W right.” [João Calvino. deva ser abom inad o. O verd ad eiro co n h ecim en to do ‘e u ’ e n v o lv e p rim e iro o o u v ir D eu s falar na E scritu ra. não prosseguindo em suas investigações. m esm o sem in flu ên cia de fora. o que estam os propondo. porque tem sid o .IR(J 188 S eg u n d o m e p arece. Calvino. a centralização do hom em . para que possam os entender m elhor o que so­ m os. E le contrapõe esta prática à real necessidade que tem os de m editar na providência de Deus: “P or m ais diligentem ente um a pessoa se põe a m editar sobre as obras d e D eus..). quando o hom em se detém em si m esm o. acolh td o c o m o grande aplauso de quase todos o s sé c u lo s cada um que. não avançará no co n h ecim en to de si pró­ prio. n este ponto. a m aioria esm agadora d os hom ens. I8'' J. aquelas m aravilhas que por nós m esm os som os incapazes de descobrir. 223]. não poderia nem pode gerar valores perm anentes. não estam os dizendo que a reflexão e a auto-análise não sejam rele­ vantes. . A g en u ín a an tro p o lo g ia deve ser sem pre e in co n d icio n alm en te teocêntrica!188 C alvino (1509-1564). Portanto.). não é de adm i­ rar que. Ora. haja mui favoravelm en te exaltad o a e x c e lê n c ia da natureza hum ana (. um a co m p reen sã o sem elh an te p o d e ser e n c o n tra d a em W rigth. E d ito ra C u ltu ra C ristã . C o n tu d o . O s cristão s tam b ém têm co n clu íd o q u e o v alo r da vida dc um a p esso a n ão d ep en d e da cap ac id a d e de ex am in ar-se a si m esm a em term o s d e alg u m a filo so fia .

sem dúvida.O R e n a s c im e n t o 69 O H um anism o renascentista. em geral. todavia. tom ou um a parte im por­ tante da realidade. a valorização do hom em pelo hom em tornou-se paradoxal­ m ente a destruição da sua própria dignidade. D este m odo. é que o esquecido é A quele Q uem dá sentido a tudo o mais. .C a p ít u l o 1 . o mais trágico de tudo. com o ser essencial que é. esqueceu-se da principal e. resultante da im agem de Deus.

a Igreja e a te o lo g ia pen savam poder ap oiar-se. Foi um m o v im en to d os ‘últim os d ia s’. p. enum erem os alguns pontos que caracterizavam a igreja rom ana no início do século 16. grande parte da vida econôm ica girava em torno das igrejas paroquiais. A Teologia d o s R eform adores. .Jacques de S e n a r c le n s. V ida N ova. 1970. p.T im othy G eorge. A S T E . um dos se r v iç o s prestados p elo s hum anistas do sé c u ­ lo 16 à ca u sa da verdade fo i o de levantar dú vidas quanto à leg itim id a d e dos e ste io s h u m anos sobre o s quais a fé. S ão P aulo.” . H erd eiro s da R efo rm a . 2 T im o th y G eorge. 1 Ja c q u e s d e S en arclen s. ei-los: 1.Capítulo 2 A Reforma Protestante “D o prism a te o ló g ic o . v iv i­ d os num a forte tensão e sc a to ló g ica entre o ‘não m a is’ da antiga d isp en sação e o ‘ainda n ã o ’ do reino perfeito de D e u s . 319. ocasionando um a insatisfação por parte das autoridades civis. 103.2 Suas Origens Antes de adentrarm os à R eform a Protestante do século 16. a R efo rm a c o n sistiu e sse n c ia lm e n te num m o v im en to visan d o ao futuro. devido à ingerência do papa em seus negócios. O papado era um a potência religiosa e política e.” . São P aulo.1 “A p esar de toda sua ên fa se no retorno à igreja p rim itiva do N o v o T esta­ m en to e da é p o c a patrística. 1994.

P o rtu g al. C asa E d ito ra P resbiteriana. onde não se podiam achar culpados. p. buscando encontrar a paz com D eus e a certeza da sa lv ação de sua alm a. algum as vezes. O s R e fo rm ad o re s “ c o n sid e ­ rav am o p ap ad o co m o colossal falsificação da cren ça de que p ro fessav a ser o ex p o en te au to riza­ d o . As ten tativ as re fo rm ista s6 eram cru elm en te elim in a d as pela Inquisição e. L ivro I.d. o esforço incessante para obter m éritos. M a ssach u setts. 5 5-56. 1983. C o m panhia das L etras. P ublicações E u ropa-A m érica.).7 5. 7 V eja-se: A lexandre H erculano. H istória da O rigem e E sta b elecim en to d a In q u isiçã o em P ortu g a l. H istória do P ensam ento C ristão. 4 A in d a que E rasm o (1466-1536) pudesse declarar de form a am bígua: “ P or certo são nu m ero so s e fortes os argum entos contra a instituição da co n fissão pelo próprio Senhor. queim a­ vam -se os inocentes. o com ércio de indulgências. A liste r E. repleto de superstições." (Jo h n T.3 3.não lhes proporcionava a paz esperada. deusas e sem ideuses do Paganism o.. 1953. p. ainda era p reciso realizar obras de reparação. H avia um a corrupção política. com o não poderiam deixar de ser. p. (s. José M anoel da C onceição. " “A refo rm a do século 16. pp. C alvino ou os padres d e T renlo entrassem na lista. 8). A inda que p o r m o tiv as diferen tes.4 Tillich (18861965) resume: “Sob tais condições jam ais alguém poderia saber se seria salvo. 25ss). A R e fo rm a E ra N ecessária?: In: W illiam K. 30ss. Com o resultado desse estado de coisas havia m uita ansiedade no final da Idade M édia. T he In te lle c tu a l O rig in s o f The E u ro p e a n R e fo rm a tio n . L u tero. p. 1956. 1993. L eyde. V icente T h em u d o L essa.que a partir da reform a de 1503 feita por Johannes von S taupitz (c. A S T E . portanto. 5 Paul T illich. p. 1867. 30). O pera O m nia. A n d erso n . M as co m o n eg ar a seg u rança em que se encontra aquele q u e se confessou a um padre q u alific ad o ?” (E rasm o .em penitências. C a m b rid g e.. O C ulto há m uito que se tornara apenas num ritual m eram ente externo. pois jam ais se pode fazer o suficiente. (V d. Typographia Perseverança. os jejuns e as penitências . Lutero: E nsaio B iográfico. contribuindo para um sentim ento anti-clerical. Ju n ta G eral de E d u cação C ristã da Ig reja M e to d ista do B rasil. RS. podem os ilustrar o “trabalho” efetivo da inquisição. A lbert G reiner. eram sem pre insuficientes para elim inar o sentim ento de culpa latente. 34). O m esm o pode ser dito pelo ex-padre José M anoel da Conceição. São L eopoldo. consistindo em grande parte na leitura da vida dos santos. D a í o advism o febril da religião no fim da Idade M édia: a construção de novas igrejas. 2a ed. Sentença de E xcom unhão e sua R esposta. A C onfissão e o P er­ d ã o : A s D ificu ld a d es da C onfissão nos Séculos 13 a 18. foi um a co ntinuação da busca pela igreja verdadeira q u e h av ia co m eçad o m uito antes que L utero. col. B lackw ell P u b lish ers. v. 25ss (em especial). 1991. 1704. M cN eill. induzia os fiéis à realizarem boas obras que. dir. 1988. A experiência de L utero durante o seu noviciado e depois com o m onge A gostiniano. 3a ed. antes que a absolvição pudesse ser solicitada. daí ele se exceder cada vez m ais aos da sua ordem . 210.”5 4. 13). 145-6. M c G rath . A Teologia dos R eform adores. S ão P aulo. as suas 3 V d.os quais ele praticava com freqüente rigor . ao m esm o tem po. 14691524). através do testem unho . p. 37). E sp írito e M en sa g em d o P ro testa n tism o . E ste sen tim ento não p arece ser generalizado: “D epois de tal confissão ser feita. A Teologia d o s R eform adores. p. p. São P aulo. São P aulo. econôm ica e m oral generalizada na “igreja” e no clero. R io de Janeiro. era ainda m ais severa .72 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a 2. nem realizar núm ero suficiente de m é­ ritos e de obras de ascese. S ão P aulo. U m a profunda carência espiritual: A igreja tornou-se extrem am en­ te m eticulosa no confessionário e.” (T im othy G eorge. ninguém podia receber doses suficientes do tipo m ágico da graça. p. “Os deuses. (Vd. A p u d Jean D elum eau.” (Tim othy G eorge. se constitui num bom exem plo de que a confissão auricular.

W right. 194. É a única verdade. 9 A p u d D. S ch aff. p. Todo texto das santas e divinas Escrituras deve ser elucidado e explicado por outros textos. H isto r y o f t h e C h ristia n C hurch. m ais do que um sim ples protesto. 194.13 d e um fam oso in q u isidor da Sicília. e nada que seja contrário a ela. F. declaram o seu protesto. constata o holandês H uizinga (1872-1945). Não pode nos enganar nem lograr. brilha claram ente na sua própria luz e é visto' ilum inando as trevas. a perm anecerm os exclusivam ente na Palavra de Deus. P h ilip S c h a ff & D . (C f.C a p ít u l o 2 . M assachusetts. Peabody. 1978. org. calcula q u e nos últim os 150 anos.10 A idéia de protestar é praticam ente a m esm a de confessar. quando. 31. a palavra foi usada no sentido de testem unho positivo a respeito da suprem acia da E scritura. Bainton.11 A Reforma como Movimento Religioso “Nos fins da Idade M édia pesava na alm a do povo um a tenebrosa m elanco­ lia” . p. R oland H. “O ‘protesto’ era. À pergunta. p. p. Johan H uizinga. E lw ell. em padroeiros. L uis de P aram o. B eacon Press. E nciclopédia H istóricoTeológica d a Ig reja C ristã. tendo sua origem na segunda D ieta de Spira (1529). no santo Evangelho contido nos livros bíblicos do Antigo e do N ovo Testa­ m ento..A R e f o r m a P r o t e st a n t e 73 im agens e estátuas sagradas.12 Os séculos anteriores à R eform a são descritos com o período de grande ansiedade. 529). São P aulo. pela graça de Deus e com a Sua ajuda. H endrickson Publishers. VI.”9 D este m odo. para o cristão. H en d rickson P ublishers. nenhu­ ma outra doutrina deve ser pregada. B oston. P hilip S chaff & D. proteto­ res e m edianeiros. T illieh d enom ina a an siedade pred o m in an te nos fins da Idade M édia de “ ansiedade m oral” e “ansiedades da culpa e d a co n d en a­ . São P aulo. 111. 1996. um a objeção. ao m esm o tem po. 10V d. E nciclopédia H istórico-T eológica d a Ig reja Cristã. cristãos em buídos do m esm o espírito de Lutero. que escrevendo em 1597 (O rigem e P rogres­ so da In q u isiçã o ). Som ente essa Palavra deve ser pregada. P rotestantism o: in: W alter A. M assachusetts. C arlo s P ereira. 11 D. passim . O P roblem a R eligioso na A m érica L atina. W right. em objetos de culto idólatra. The R efonnation o fth e Sixteenth C entury. p. 149. 8 E.S . III.F. O D eclínio da Idade M édia. São P aulo. 13 Vd. P eab o d y . É o ju iz certo de toda doutrina e conduta cristã. Vol. 1996. (1 9 2 0 ). org. p. V ida N ova. 1985 (Enlarged E diton). p. “qual é a igreja verdadeira e santa?” . H istory o fth e Christian Church. 30 m il pessoas foram executadas pela prática d e fe itiç a ria .”8 O nom e protestantism o aplicado à Reform a surgiria alguns anos de­ pois. O D eclínio da Idade M édia. Estam os resolutos. V erbo/ED U SP. um apelo e um a afirm ação” . transform aram os heróis do C ristianism o e as suas supostas efígies. VII. Vol. 1990. M assach u setts. 12 Jo h an H uizinga. reafirm an­ do o seu ap e g o à B íb lia e à n e c e s s id a d e d e p re g á -la c o n tín u a e exclusivam ente.S. em todas as coisas. 16. respon­ dem: “Não há nenhum a pregação ou doutrina segura senão aquela que perm anece fiel à Palavra de Deus. Vol. Segundo o m andam ento divino. Vol. E lw ell. P rotestantism o: in: W alter A. Schaff. 690ss. E m p resa E d ito ­ ra B rasileira. Esse Livro Santo é neces­ sário. O politeísm o e a idolatria inundaram a Igreja.

A Teologia d o s R eform adores. p. A Teologia d o s R eform adores.” “E m vista destes acontecim entos. 210ss.” “E m outra ocasião. sustenha deb ilm en te o sô freg o e lângu id o alen to. A C oragem d e Ser. M onta um cavalo: no tropeçar de um a pata a tua vida periclita. relaciona: In con táveis são o s m ales que cercam a vida hum ana. p.da censuram e blasfem am a D eus. 2 ' reim p ressão . O S ig n ifica d o de A n sie ­ d a d e. não se d eve o h om em . D e ix o de referir en ven en am en tos. assaltos. Para que não saiam os fora de nós m esm os: c o m o seja o corp o recep tácu lo de m il enferm idad es e dentro de si. na verdade. ainda que não sendo dom inado por esse sentim ento.” (João C alv ino. esterilid ade te anuncia e. d o s quais parte n os assed ia em casa.” 14 C alvino.” (Paul T illich . quando nem se esfria. Em m e io a estas d ificu ld ad es. um a atrás d a outra: ou a p estilên cia nos en clausura. não m en o s que se tiv e sse um a esp ad a perpe­ tuam ente a im pender-lh e sobre o p e sc o ç o ? 15 ção . cu lp am o sol e às estrelas. Av Instituías. c o n te ­ nha in clu sas e fom en te as causas das doen ças. A nda pelas ruas de um a cidade: quantas são as telh as nos telh ad os. p ois hajas de dizer. 1980. 4 4 ss. S ão P aulo. H istó r ia d o M e d o n o O c id en te: 13 0 0 -1 8 0 0 . a in cên d io con stan tem ente su jeita . sem p erigo? A gora. d ela a resultar. à geada. H istória d o P ensam ento C ristão. 43). Sobre os perigos próprios da vida. e ain. refletia um a constatação natural: a fragilidade hum ana. S ão P aulo. C o m panhia das L etras. a fom e. co m o quem na vida apenas se m iv iv o . T im othy G eorge. em b oscad as. de certo m od o. Ver tam bém : P aul T illich. 1. p. Je an D e lu m e a u . A quantos anim ais fe ro z es v ê s. 175ss. parte nos acom panh a ao largo. 2 5 ss . a m e a ça -te p o b reza durante o dia. a v io lê n c ia m an i­ festa. A Verdadeira Vida C ristã. 1993. A tua terra d e plantio. 44 e 45). o hom em não pod e a si próprio m over sem que le v e c o n sig o m uitas form as de sua própria d estruição e. pp. co m o esteja ex p o sta ao granizo. Se um instrum ento cortante está em tua m ão ou de um am igo. arm ados e stã o -te à d estruição. ou os desastres da guerra nos atorm entam . verem os o q u ão n ecessário s é exercitarm os nossa m en ie desta m an eira. com o se E le fo ra cruel e in ju sto . R ollo M ay. onde nada senão am enidade se m ostre. N ovo S éculo. p.17. as pessoas m aldizem suas vidas. u m a c id a d e sitia d a . 26 15 Jo ão C alv ino. e ainda som os am eaçad o s p ela escassez e a p o b reza. à se c a e a outros fla g elo s. para ond e quer que te v o ltes. O u qu e te pro­ cures encerrarem bem cercado jardim . R io d e Jan eiro . as g eadas e os granizos destroem nossas colheitas. m an ifesto é o detrim ento. as co u sa s todas que a teu der­ redor estão não som en te não se m ostram dignas de con fian ça. m ales que oütras tan­ tas m ortes am eaçam . 14 T im o th y G eorge. sentir a ssaz m iserável. durante a n o ite até m e sm o su focação.10. nem sua. Z ahar. porventura. Tua casa. E m ­ barca em um navio: um p asso distas da morte. a tantos p erigos estás e x p o sto . p. passim . P au l T illich . a vida arraste entrelaçada co m a morte. Q ue outra cou sa. 2 000. e até o dia em que nasceram . E m outro lugar: “Se co n sid erarm os a enorm e quantidade de acidentes aos quais estam os sujeitos.74 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a Lutero (1483-1546) e as suas famosas angústias espirituais espelhavam “a epítom e dos m edos e das esperanças de sua época.” “E n ferm id ad es de todos os tipos tocam nossos débeis corpos. . aí não raro se escon d erá um a serpente. m as até se afiguram abertam ente am eaçadoras e parecem intentar m orte pronta. A C oragem de Ser.

o cren te fiel se d eix ará d o m in ar p ela paciên cia. Pois assim com o. (Sl. essa luz da D ivina Providência um a vez dealbou ao hom em piedoso. F elipe F ernández-A rm esto & D erek W ilson. P or m ais grave que seja a im produtividade d a terra. p. N ão é p reciso q u e o universo inteiro se arm e para esm ag á-lo : um vapor. com razão. 66.” [João C alvino. P ensam entos. 20 Jo ão C alv in o. (Sl. p. porém . em Q uem encontram os es­ tabilidade no m eio de um m undo que se corrom pe. m esm o que o u niverso o esm ag asse. pela saraiv a ou p o r q u alq u er outro tipo de tem pestade. São Paulo. 19 B laise P ascal. po rq u e sabe q u e m orre e a v an tag em q u e o univ erso tem sobre ele. R e fo r­ . ele conclui falando da “incalculável felicida­ de da m ente piedosa. 22 Jo ão C alv in o. estam os sob a proteção de D eus. som os ‘o v elhas d e sua m ão ’ e ‘rebanho do seu p astoreio’. não a d eix ará triste e vazia. A ssim . o hom em cren te e fiel é lev ad o a contem plar. p. S chaff. o m ais fraco d a n atu reza. Vol.”20 “Quando. A F o rça O culía d o s P rotestantes. até que tornem os para Deus. p. persistirá em sua firm e co n fian ça. P en sa ­ m entos. N ossa C rença e a de N o sso s P ais. m esm o n essas co isas. ainda q u e as suas vinhas e suas lavouras sejam destru íd as pela geada. Parakletos.” (B laise P ascal. 3. “O hom em não p assa de um caniço. A bril C ultural. C asa E d ito ra P resb iterian a. M esm o que o crente p adeça en ferm idade. p. (1 5 4 1 ). A ndré B iéler. 586.10. 1964.C a p it u l o 2 . Vol. IV. porque “ele se conhece m iserável. prev en d o -se por isso o perigo de fom e. se arrepia de pavor da Sorte. ao m esm o tem po grande.”21 C alvino adm ite que para qualquer lado que olharm os encontrarem os sem pre desespero. O L ivro dos Salm os. Im p ren sa M etodista. S ão P au lo . 136. A o contrário. c o n sid eran d o a ju stiç a e a b ondade do P ai celestial nos castigos que nos m inistra. 102. na certeza própria de um coração dom inado pela Palavra de Deus.17. 21 Jo ão C a lv in o . m as é um caniço pensante. 23 V d. P ensam entos. 18 B laise P ascal. (Sl 102.397.16 E o que m ais so m o s n ós sen ão um e sp e lh o da m orte?17 Pascal m ais tarde constataria que “Só o hom em é m iserável” 18 e. O L ivro d o s S alm os. O Livro dos Salm os. 585. (O s P ensadores. 127-128). 586. tam bém assim ousa entregar-se a Deus com plena segurança. 102. 1973. a clem ên cia de D eus e S u a b ondade paternal. X V I). S ão P aulo. “ . A n tes se dedicará a m editar: V isto que a graça de D eus hab ita em su a casa.1 1 . D avid S. 2” ed. p. ainda assim ele não p erd erá o ânim o e não ficará descontente com D eus. M as. E m v ez disso. d izendo em seu coração: A pesar disso tudo. A n d ré B iéler. A s Instituías.22 A R eform a Protestante do século 16 foi um m ovim ento em inente­ m ente religioso23 e teológico24 (pelo m enos em sua origem ). V1. 49-5 1 . V1. 3. São Paulo. As In stitu ía s. V I. Vol.25 estando ligada 16 João Calvino. p. pp. o universo d esconhece tudo isso . bastam para m atá-lo.” 19 No entanto..26). 1999. S ão P aulo. não se d eixará ab ater p ela d o r nem se d eix ará arrastar p ela im p aciên cia e queixar-se de D eus. ainda que se sinta c o n stern ad o p ela m o rte de todos os que lhe são chegados e veja sua casa deserta.26). 4 3 .25). 17]. C alvino não term ina o seu argum ento num a descrição “existencialista” da vida.347. o h o m em seria ainda m ais nobre do que quem o m ata. I. 3. A s In stitu ía s.I7 . O P en sa m en to E conôm ico e S ocial de C alvino. E d ito ra C u ltu ra C ristã. m as. Vol. E le sem p re nos dará o sustento.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 75 N ã o há parte de n ossa vida que não se apresse v e lo z m en te para a m o r te . 1990. 17 Jo ão C alv in o.. já não só está aliviado e libertado da extrem a ansiedade e do tem or de que era antes oprim ido. não d eix ará de b en d izer a D eus.6 7 . 2002. 136. m as ainda de toda preocupação. pp.399. 1. E assim . um a g o ta de água.

98.v In so n d á veis R iq u eza s de C risto. L éonard. Vol. sim. De fato. a R efo rm a protestante foi antes e acim a de tudo um acontecim ento religioso.27 quer através de um a proposta m ais ousada que desejavam reform ar a sua Igreja. ignorando a teológica. pp. P aul T illich. É m ile G. quer através do m isticism o. P E S . São P aulo. p.a quem se refere com grande apreço . revitalizando-a. E ditora C u ltu ra C ristã. T im othy G eorge. p. afinal. org. de que “T entativas de R eform a através do tratam ento de d im en sõ es m orais. p. A Teologia d o s R eform adores. ao longo dos séculos tinham m anifestado a sua insatisfação. F elipe F ernández-A rm esto & D erek W ilson.. pp. a R eform a ocor­ reu na história. O bras Selecionadas de M a n in h o L utero. S ão L eo p o d o/P orto A legre/R S . p or exem plo. V III. 112ss) e Johannes von S tau p itz (c. 134). 1997. R elig iã o de P oder. econôm icas e culturais. cujo espírito original a R eform a se prop u n h a restab elecer. A. 24 P artilh o da idéia de Tom N ettles. C uritiba. 1996. 259). 23. P R . JU E R P /A S T E .” (D.” (Tom N ettles. dentro das categorias tem po e espaço.1 Vd. vem apenas dem onstrar o que a Palavra de Deus ensina e no que creram os reform adores: Deus é o Senhor da história. R io de Janeiro.(Vd. O P rotestantism o B rasileiro. p. E m co n se­ q ü ên cia d isso. Em outro lugar reafirm a: “C om o d issem os no início do capítu lo . C urso d e F ilosofia. P au íin as. 3]..c. O antigo pro fesso r de H istória E clesiástica da U niver­ sidade de Yale. . The Reform ation o fth e Sixteenth C entury. B ainton (1894-?). Um C am inho M elhor: C rescim ento de Igreja através de reavivam ento e reform a: ln: M ichael H orton. 1260. diz que “A R eform a foi acim a de tudo um reavivam ento da relig ião . p.”28 Toda a relação “naturalm a: O C ristia n ism o e o M undo 1500-2000. era seu m estre. A F o rça O culta d o s P rotestantes. p.que através dos tem pos não encontravam n a igreja rom ana espaço para a m anifestação de sua fé nem alim ento para as suas necessidades espirituais. sem pre falh ara m . II. S inodal/C oncórdia. B eacon P ress. M iam i. B oston. p. tornar a existente mais bíblica. M ondin. Todavia. H istória do P ensam ento C ristão. D o Temor à F é. a R eform a deve ser vista não com o um m ovim ento externo mas. O filósofo católico B attista M ondin disse: “A R e fo rm a pro­ testan te foi um aco n tecim ento essencialm ente religioso. SP. 1981. am igo e incentivador. 41). P h ilip S chaff. 27-28. transform ando-a na Igreja dos fiéis. 1992. “ A s nações p o d em levantar-se e cair. 27). 50-51. 1987. pelo contrário. M u d a n ça p a ra o Futuro: P ia D esideria. sociais. 2a ed. M assachusetts./S âo B ernardo do C am po. A ndré B iéler. que antes da R eform a. H isto ry o fth e C hristian C hurch. sim. 1998. São P aulo. senão o palco onde Deus efetiva o Seu Reino?! “A chave da história do m undo é o R eino de D eus. Ph. M o n d in . 1985 (E nlarged E diton). ela d eve ser estudada e ju lg a d a segundo critérios religiosos. Vol. pp.. R io de Jan eiro /S ão Paulo. m as causou ao m esm o tem po profundas tran sfo rm açõ es po líticas. p. /4. 188). E d ito ra Vida. não podem os nos esquecer que as m udanças causadas pelo R enascim ento e H um anism o contribuíram para ela. I. firm e e sem in terru p ção . M estre E ck h art (c. com o um m ovim ento interno por parte de “católicos” piedosos26 . J. espirituais e eclesiológicas.76 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a à insatisfação espiritual de dezenas de pessoas .” (B. p. pp. P or­ tanto. Isto não dim inui as causas e m uito m enos o valor intrínseco da Reform a. 25 Vd. Biéler. onde o hom em está inserido. pp. m ais p recisam ente. 1981. 28 D . este. 27 L u lero . C urso de F ilosofia. 69-70). R eform a: O C risti­ a n ism o e o M u n d o 1500-2000. 11. B ainton. M artyn L lo y d -Jo n es. todavia o plano de D eus prossegue. Spener. Johannes T auler (c.” (B. (V d. 1465-1524). M artyn L lo y d -jo n es.que certam ente expressa­ vam o sentim ento de m ilhares de outras anônim as . p. E ncontrão E dito ra/In stitu to E cum ênico de P ós-G raduação em C iências da R eligião. 47-4 8 .” [R oland H. 1985. II. seg u n d o os critério s da fé cristã. 2. 1327) (V d. p. 20. 1300-1361) . R ecord. R oland H. Vol. As insatisfações não visam criar um a nova igreja m as. o que é a história. O P ensam ento E conôm ico e S o cia l de C alvino. Vol. foi grandem ente influenciado por A gostinho (354-430).que digase de passagem . São P aulo. 10-11.

(V d. N ovena reim presión. a v id a e a m eta do m undo que correspondem às intenções do C ria­ dor. L a A urora. 10. 1982. 11 A liás. social e político na história da E uropa31 e. p. 50. 1989.T im othy G eo rg e. nunca alcan çou nem a gravidade da con d ição hum ana.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 77 histórico” não é casual nem cegam ente determ inada: É dirigida por D eus. A lister E. The In tellectu a l O rigins o f The E uropean R eform ation. V isalberghi. 13 N. M ck im . A B íb lia e o Futuro. 1(1Veja-se A . P en d ão R eal. p. M cG rath. 2a ed. entendem os que a R eform a foi um m o­ vim ento de grande alcance cultural. B uenos A ires. org. e principalm ente E rasm o entre e le s.” . O hum anism o. m as que em si m esm a não era su fic ien te para fornecer um a resposta duradoura às o b se ssiv a s perguntas da é p o c a . 12 A lister E. M adrid. 4). CEP.”32 N ão deixa de ser significativo o testem unho de dois estudio­ sos católicos. um legítim o e significativo lugar na história das id éias. “O R eino de D eus é no N ovo T estam ento. A am plitude da influên­ cia da R eform a em diversos setores da vida estava im plícita em sua própria constituição: E ra im possível alguém abraçar a R eform a apenas no cam po da religião e continuar em tudo o m ais a ser um hom em de um a ética m edi­ eval. M cG rath.”33 A Reforma e o Humanismo-Renascentista “A d esp eito da im portância do hum anism o c o m o um a preparação para a R eform a.” . L a O ra tio n . H oekem a. “ F rancis A. S chaeffer. 1968. A b b ag nano & A. nem o triunfo da graça d ivin a. o S enhor da H istória. G randes Temas d a T radição R efo rm a d a . F elire.35 M V d. . em todo o Ocidente. S ch aeffer. posteriorm ente. p. com a sua perspectiva da realidade e prática intocáveis. 39ss. T he In tellectu a l O rigins o f The E uropean R efo n m itio n . foi parte da estrutura que p ossib ilitou aos reform adores q u esti­ onar certas su p o siç õ es da tradição recebida. p. H istoria de la P edagogia. A Teologia dos R eform adores. 51).30 A concepção da R eform a com o um m ovim ento originariam ente reli­ gioso não im plica na com preensão de que ela esteve restrita a apenas esta esfera da realidade. 1990. o que m arcou os reform adores.F rancis A . 74. quando afirm am que a “contribuição fundam ental à form ação da m entalidade m oderna foi a reform a religiosa de L utero e C alvino. institucional. a m aioria dos hum anistas. 253. S ão P aulo. p. F o n d o d e C u ltu ra E conóm ica. 1999. 34 T im othy G eorge. M éxi­ co. Abbagnano e Visalberghi. A lister M cG rath. p. pelo contrário.” (K arl B arth. p.29 O propósito de Deus na história com o realidade pre­ sente faz parte da essência de nossa fé. B en jam in W irt F arley. e deve continuar a ocupar. p.34 “A R eform a foi revolucionária porquanto se apartou tanto do h u m anism o cató lico -ro m a n o c o m o do secular.A . L a F e de los H um anistas. A R eform a em sua própria constituição era extrem am ente revolucionária: “A R eform a ocu­ pou.C a p ít u l o 2 . assim c o m o o m isticism o . 4. S ão P aulo. “ A P ro v id ê n cia de D eus na P ersp ectiv a R e fo rm a d a ” : ln: D o n ald K. este é o pressuposto fundam ental do jo v e m brilh an te estudioso.

H âg glund. P hilip S chaff. N ova York. 1992.” (B . Vol. [Philip Schaff. no entanto.41 estavam acordes 36 C f. A E ra d o s R efo rm a d ores. E arle E. Introduccion a la Teologia S istem a tica . H isto ry o fth e C hristian C hurch. L utero (1483-1546). p. B aker . nunca conseguiu reduzir a um sistem a. (Cf. Z u ín g lio nunca abandonou seu p o n to de vista h u m an ista. 111). 37 Veja-se. sem os h u m an istas. A F o rça O cu lta d o s P ro testa n tes. A n d ré B iéler. abandonou as suas concepções. 253. T he E vang elical L iterature L eague. p. p. M elanchton foi um discípulo e nunca o proclam ador p io n eiro de u m a teologia. 579). P o rto A leg re. 2 57-260. 2* ed. L a F e de los H u m a n ista s. G eorge. 103). E. M ichigan. S o b re Z u ín g lio. G rand R apids. V III. V isalberghi. as diferenças são m ais profundas do que as sem elhan­ ças. C asa P ublicadora C oncórdia. 1986.40 de ênfase e de estilo.36 com o exem plo disto citam os o fato de que a ênfase hum anista no retorno às fontes prim árias fez com que os hum anistas cristãos se despertassem para o estudo dos originais da Bíblia. A. seguiu as idéias de E rasm o. M assach u setts. passou a sustentar a total depravação do hom em e que este só teria salv ação se fo sse transform ado por C risto. revisada e aum entada. p. 79-80. E d ito ra da U N IC A M R . o que ocasionou a verificação de um a evidência cada vez m ais forte: as dife­ renças existentes entre os princípios do N ovo T estam ento e a religião rom ana. apesar das divergências de com preensão. p. 223. The C reeds o f C hristendom . H âg g lu n d o b ­ serva q u e “ A p esar d e sua perspectiva reform ada. pp. SP. “É p o ssív el q u e. R e fo r m a tio n T h o u g h t: A n In tro d u ctio n . C airns. S ão P aulo. B erkhof. pp. A Teologia d o s R eform adores. The R en a issa n ce a n d the R eform ation. S ch aeffer. B ainton. L utero foi um p o d ero so revolucionário com um a p rofunda intuitiva sensibilidade relig io sa que. 195. 219). H isto ria de la P ed a g o g ia . d escrendo parcialm ente do p rogram a h u m an ista e d a visão p elagiana de E rasm o. assim o descreve: “O desenvolvim ento inicial de Z uínglio foi m oldado po r dois fatores q u e co n tin u aram a influenciar seu p ensam ento po r toda a su a carreira: o p atrio tism o suíço e o h u m an ism o erasm ian o. p. p. R o lan d H. na ju v en tu d e. B lackw ell P u b lish ers.” (H en ry S. p. N u n c a é d e m a is le m b ra r q u e . e le não foi um teó lo g o siste m á tic o . M c G ra th . 41 L ucas ap resenta a seguinte distinção entre alguns reform adores: “O sistem a teológico d e C a lv in o foi o m ais elaborado e científico corpo de dog m a p roduzido no cam po P rotestante. 1934. T he R efo rm a tio n o fth e S ixteen th C entury. © 1932. 220). 38 C f. 1993. w Z u ín g lio . G onzalez. 10.” (Jacq u es de S enarclens. tendo inclusive alguns pontos em com um . C am pinas.. L.37 Contudo. p o sterio rm en te. falan d o sobre o jo v e m Z u ín g lio . que era um adm irador dos clássicos. N. Vd. N oll. antes. B engt H âgglund. F. e mais tarde todos os reform adores. p. 62-6 5 .) p o d e-se afirm a r q u e os p erío d o s de crise são m ais p ro p ício s p ara a teo lo g ia do que os tem pos de riq u eza esp iritu al e m o ral. H e r d e iro s d a R e fo rm a . pp. V ida N ova. os refo rm ad o res não tiv essem c o n se ­ g u id o ab a la r o p o d ero so ed ifício da ordem m ed iev al e su scitar sen tim en to s de co n stern aç ão h u m an a e de b u sca ard en te da g raça (. 107. O R e n a sc im e n to . S ich el. 40 Ver: M ark A. 1973. O C ristianism o A tra vés d o s S écu lo s: U m a H istó ria da Igreja C ristã. A F ilosofia do Ilum inism o. Z uínglio foi o produto de diversas influências e atuou som ente sob o im p u lso d e ev en to s e sp ecífico s. p. p. A b b ag n an o & A . 1519-1520. 44 -4 5 ). Justo L. H arper & B rothers P ublishers. tendo o b v iam en te pontos d is c o rd a n te s e o b je tiv o s d if e re n te s (V d . tam b ém . esta seguiu um ru m o d iferen te d aq u ele. Zuínglio (1484-1531)39 e C alvino (1509-1564). 3. 17.. p. p. M ichigan. S ch aff d iz q u e a sua im portância foi m ais histórica que doutrinária. R S. A lis te r E . não se deixaram lim itar por um a visão puram ente hum anista. pelo contrário. a p e s a r d a im p o rtâ n c ia do H u m an ism o p ara a R e fo rm a.” (T im othy G eorge. p. 198ss. H istó ria da T eolo­ gia. L u cas..38 e a R eform a tam bém não foi sintética em term os dos valores cristãos e pagãos: Lutero (1483-1546). 6 a ed.78 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a A R eform a surgiu num contexto H um anista e R enascentista. G rand R apids. E rn st C assirer. H istória da T eologia. M o m en to s D ecisivo s na H istó ria do C ristianism o.

antes. tais com o E rasm o. 7-8). T im othy G eorge. p. No entanto devem os te r e m m ente que Z uínglio escreveu seus trab alh o s em m en o s de dez anos e. independente de toda interpretação feita pela au toridade eclesiástica. darm os conta de que ele é p ortador da im a­ g em d e D eu s. ele não é considerado “a m edida de todas as co isas” . (C f. H arriso n . na E scritura com o sendo a fonte. A Verdadeira Vida C ristã. B ullinger d iz que Z uínglio m em orizou em grego todas as E pístolas de P au lo . p. tendo copiado com suas p ró p rias m ãos.1/3. 37-38). ao criar o hom em . b asean d o -se na ed ição do N ovo T estam ento G rego de E rasm o (1516). para se pensar acerca de D eus. pp.15. o que é suficiente para encher-nos de p asm o . pp. A Teologia d o s R efo rm a d o res. N a R eform a. 1990. o ponto de partida não é o hom em ." (T im othy G eorge. 17]. a dissociação entre a R enascença e a R eform a teria de ser com o foi: in evitável. O L ivro d o s Salm os. a do reform ador. é afirm ar e dem onstrar a grandeza do hom em . 31). Vol. A í In stitu to s. São P aulo. p. porque nega. R enega o hum anism o. K.43 P ortanto. “N ão tem os de pensar co n tin u am en te nas m aldades do hom em . 1977-1978. Vol. 38). e em bora.” (Jo ão C alv in o . 47. feita co n fo rm e a im agem de D eus. S chaeffer. m enos po r seus erros do que por seu s p erig o s.3-4. o que deve o p o rtu n a­ m en te ex tasiar-n o s co m real espanto. “ A E sc ritu ra nos ajuda com um ex celen te argum ento. p. senão em sua insistência contínua na p rim a zia do singelo sentido gram atical do tex to por d ireito p róprio. A Verdadeira Vida C ristã. (Cf. 173-174). N eg a a teo lo g ia esco lástica. “D eus. A Verdadeira Vida C ristã. Vol. com O ckham . segundo a ex p ressão de C alv in o . p.44 B o o k H ouse. A F o rça O cu lta d o s P rotestantes.42 Os reform adores vão enfatizar o estudo da P alavra. conhecia m uito bem o grego. p. 20ss. 44 E rn st C assirer. 360]. Introcluccion a lA n tig u o Testam ento. H istó ria d a F ilosofia. 43 O hom em d eve ser respeitado. F ran cis A. I. É d igna de nota a observação do filó so fo católico E m ile B réhier (1876-1952): “A R eform a opõe-se tanto à teologia escolástica. Vol. afirm a o historiador francês B oisset: “ A preocupação do hum anista. C o n tu d o . m as. I. p. não obstante ainda h á nele alguns vestígios da libera­ lid ad e d iv in a então dem onstrada para com ele. essa feliz condição ten h a ficad o q u ase que totalm ente em ruína. A M o rte da R azão. (1931). V III. 1. M estre Jou. A Verdadeira Vida C ristã. em sum a. visto que este fora ofuscado pela preocupação filosófica: A R a­ zão havia tom ado o lugar da R evelação. III. que nossas faculdades racionais possam co n d u zir-n o s d a natu reza ao seio de D eus.C a p ít u l o 2 . 113). ele. ensinando-nos a não pensar no v alor real do hom em . 1974. 37). 42 T im o th y G eorge observa corretam ente q u e os reform adores “E m b o ra acolhessem en tu ­ sia sticam en te os esfo rços d o s eruditos hum anistas. H istory o ft h e C hristian C h u rch . Ver tam bém : João C alvino.6. p o ssiv elm en te influ enciado por E rasm o.” (João C alv in o .A R e f o r m a P r o t e st a n t e 79 quanto à centralidade da Palavra de Deus. d ev em o s considerar: “A im agem de D eus nele é d igna de disporm os a nós m esm os e nossas posses a ele” . m ediante a q ueda do hom em . (João C alvino. posto que as forças naturais não podem co m u n icar qualquer sentido relig io so . quanto ao hum anism o. d e m odo destro. A B U /F IE L . 312). Jenison.” (João C alvino. E les eram irrestritos em sua aceitação da B íb lia com o a única e d iv in am en te in sp irada P alavra do S enhor. (C oleção “S ab er A tual”). A ndré B iéler. (V d. p. m as só em sua criação . D ifu são E u ro p éia do L ivro. São P aulo. p. São P aulo. am ado e ajudado porque é a im agem de D eus (Ver: João C alv in o . M ichigan. [SI 8. A Teologia d o s R eform adores. B réhier. 1. D en tro de outro prism a afirm a H arrison: “A im portância da R eform a para a crítica bíblica. 1971. p.7. a sua dignidade consiste em ter sido criado à im agem de D eus. 119ss). eles não viam a B íb lia m eram ente co m o um livro en tre m u ito s outros. raram ente teve tem po de rev isar alguns de seus serm ões para serem pub licad o s. T im o th y G eorge.” [Jean B oisset. São P aulo. p.7-9]. A Teologia d o s R efo rm a d o res. A ele devem os toda honra e o am o r de nosso ser. H istó ria do P ro testa n tism o . 209). deu um a d em o n stração d e sua graça infinita e m ais que am or paternal para com ele. A F ilosofia do Ilum inism o. N ovo S éculo.” (É. 38). não estev e tanto na p reocupação co m os processos históricos ou literários en v o lv id o s na fo rm u la ­ ção do cân o n b íb lico . as E pístolas de P aulo e a E pístola aos H ebreus. P o r m ais indigno q u e seja. P hilip Schaff. é d ar testem unho d a ‘honra de D e u s’. 196 . A inda d en tro d e outra ótica. antes. p. po r recu p erar o prim eiro tex to bíb lico e su b m etê-lo a um a rigorosa análise filológica. 2000.” (R. pp. p.

“A R eform a n ad a in v en to u p ro p riam en te falan d o .. m uitos protestantes com preenderam m uito cedo as conclusões políticas do p rin cíp io d a liberdade do ex am e. 389). 1983. se preocupava em colocar a B íblia na língua do povo . A F orça O culta dos Protestantes. p. A. 48 Ver: João C alvino. 47 L aco u tu re diz q u e no século 16 “o livre ex am e av ança nas consciências.” (A n d ré B iéler. da adoração e da doutrina à luz da Pala­ vra de D eus. no d o m ín io religioso. (H b 4.12). H isto ria d ei Libro.4 R ep ú b lica A m ericana. a fim de reform ar a Igreja que havia caído ao longo dos séculos. não porque outros dizem que elas são. 4‘' F. em todas as co n sciên cias. é a B íblia que se autentica a Si m esm a com o Palavra autoritativa de D eus48 e. p o rq u an to só fe z reb u sca r e re e n c o n tra r as raízes p róprias da fé cristã. L eith.”49 Partindo desses princípios.”45 D esta forma. A Tradição R eform ada: Uma m a n eira de se r a co m u n id a d e cristã. a R eform a atiçou as aspirações à lib erd ad e p olítica. E xposição de H ebreus. 1997. p. d in am izad as pelo E sp írito S a n to . 95). num a deca­ dência teológica. 50 E scolar escreve: “O livro teve um a influência considerável na difusão da R eform a e na fix ação das idéias dos distintos grupos que se separaram da Igreja R o m an a . L & P M . corrig id a e am pliada. S alam anca/M adrid. o exercício do sacerdócio universal dos crentes na Igreja preparara-os para a prática da dem ocracia na vida política. p. B ruckberger. A F o rça O culta d o s P ro testa n tes. Os Jesuítas. do hom em e do mundo! “A reform a foi acim a de tudo um a procla­ m ação positiva do evangelho C ristão. “P or toda parte nos países protestantes.a fim de que todos tivessem 45 C o lin [3row li. F ilo so fia e F é C ristã . A preocupação dos reform adores era principalm ente “a reform a da vida. p. I. L a Fe de los H u m a n ista s. 46 Jo h n H. 1960. mas. . P en d ão R eal.” (A ndré Biéler. São Paulo. V ida N ova. A s co n se­ qü ên cias d este esp írito são incalculáveis na form ação e transform ação de um a cultura. R io de Jan eiro . é E le m esm o Q uem nos ilum ina para que possam os interpretála corretam ente. e a salvação tinha com o base única a obra definitiva do Senhor Jesus Cristo. p. Paracletos. “a Palavra de Deus era a única autoridade. passaram a pensar acerca de Deus. N ão é possível lim itar esse princípio. q u e nos é tran sm itid a p elo N ovo T esta­ m en to . 110.”46 O princípio protestante do “livre exam e” cam inhava na m esm a dire­ ção do espírito hum anista de rejeição a qualquer autoridade externa:47 as coisas são o que são porque são. 10. 36. 2a ed. a partir da Palavra.80 R a Iz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a A Reforma e a Propagação das Escrituras A R eform a teve com o objetivo precípuo um a volta às Sagradas Escrituras.” (H ipólito Escolar. S ão P au lo . 1994. A fo rça dos refo rm ad o res co n siste em nos ter en sin ad o um m éto d o de rein terp retação se m p re n o v a (co m refe rên cia a situações histó ricas cam b ian tes e a cu ltu ras d iferen tes) da etern a e im u táv el P alav ra q u e D eus dirig e a suas criatu ras po r m eio das E scritu ras. q u e m erg ulham tanto no p atrim ô n io ju d e u integral do A n tig o T estam en to q u an to na h eran ça dos ap ó sto lo s e dos d iscíp u lo s de Jesus C risto .” (Jean L acouture. sim.e neste particular a tipografia foi fundam ental para a Reform a50 . p. D e fato. “A o pro ­ clam ar. São Pau lo . Vol. 56-57). 36. p. o princípio do ex am e livre (sic). na atividade parlam entar. P orto A legre. m oral e espiritual. Se é proclam ado num setor. Isto é válido tanto para as verdades científicas com o para as verdades teológi­ cas: N ão é a Igreja que autentica a Palavra por sua interpretação “oficial”. acaba sem pre po r tran sb o rd ar para outro. a R eform a onde quer que chegasse.L. F undación G erm án S ánchez . pp. E d ito ra F undo de C ultura. S chaeffer. 30). consum ada na cruz.” (Padre R . N a Reform a. 1997.

John M ein. L isboa.. Q uero que todas as m u lh eres. por exem plo. (s. com tácitos p ro ­ g resso s. 475. (1 9 8 5 ). J. p. D idáctica M agna. OR: A ges S ofw are. Eu alm ejo o d ia q uando o lavrador recite p ara si m esm o porções das E scrituras enquanto vai acom panhando o arado.” [E dw ard G ibbon. 1998). 91. com o sintom a disso en contram os a sua co rre sp o n d ên cia p esso al p assan d o p o r um aum ento considerável atingindo diversos países. L isboa. O A p a recim en to d o L ivro. se tran sfo rm em cm hom ens robustos em C risto.20. (A lbany. E.d. as E scrituras eram m ais um a revela­ ção pessoal que dogm ática. Lindsay.. (1 9 8 1). H arper & Row . (revista e am pliada). P orém o p rim eiro p asso necessário é fazê-los inteligíveis ao leitor.sendo o “reavivam ento” da pregação da Palavra um dos m arcos fundam entais da Reform a. . 1. todos os crentes teriam acesso à presença de Deus. e que.” 51 C alvino. La R eform a en su C ontexto H istórico. B arcelona.. F. N o prefácio da sua edição do N ovo T estam ento G reg o (1516) e em outros lu g ares escrev eu : “E u discordo veem entem ente daqueles q u e não perm item a particulares a leitura d as S ag rad as E scritu ras. 1957.” (C f. 198). 3“ ed. V olum e 5 [C D -R O M ]. S obre as crianças: “Q ue a prim eira palavra q u e se ap ren d a a b alb u ciar seja C risto.” The M a ste r C h ristian L ibrary. SP. p. (1985). 3a ed. E rasm o é cham ado por W estcott (1 8 2 5 -1 9 0 1) de “o d irigente verdadeiro das escolas literárias e críticas da R e fo rm a. “Logo.. p. m esm o m eninas. O teólogo liberal alem ão Jo h an n S. Johan H uizinga. 52 Jo ão C alv ino. 293]. para que fossem am adas pelas crian ças. G oodspeed. p.. 1992. p. Portanto. 4 0 9 e 447). 51 T. N ova York e E vanston.7. 116. subjugada nossa ousadia de contraditá-la. q uando o tece­ lão as b alb u cie ao ritm o da sua lançadeira e o v iajante repare o cansaço da sua viagem com as narrativ as bíb licas. JU ER P. “para eles. com os S eus E v angelhos. 53 E rasm o d e R oterdã (1466-1536) dem onstrou a sua preo cu p ação em tornar a P alavra de D eu s acessível ao povo. E ditorial P resença/ M artin s F o n tes. Im prensa M etodista.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 81 acesso à Sua leitura . p. F eliz aquele que a m orte encontra com a B íblia na m ão !” [A pud João A m ós C om énio. O fato é que com a publicação da edição grega do N ovo T estam ento a au toridade de E rasm o cresceu em todos os grandes centros.” . C L IE .. e que todas as conversas sejam sobre tem as da B íblia! C om efeito.. os reform adores esbarraram num problem a estrutural: o analfabetism o generalizado entre as m assas. se lhes vol­ vemos olhos puros e sentidos íntegros.). E ra sm u s a n d the A g e R eform ation. M. p. enten d ia que as Escrituras eram tão superiores aos outros escritos que. depois. que. A F ilosofia do Ilu m in ism o .ç Institutos. a R eform a protestante não pode ser sim p lesm en te rotulada com o ■‘filh a d a im p ren sa” . 1981. que sem a im p ren sa não h av eria a R eform a. A. S ão Paulo. 1977. p. 64]. [Vd. P rovera a D eus que a B íb lia fo sse trad u zid a em todas as línguas de todos os povos. W estcott. 610]. São B ern ard o do C am p o . F undação C alouste G u lb en k ian . S em ler (1725-1791) considerou E rasm o “ o verdadeiro fu n d ad o r da teologia p ro testan te. todos os que qui­ sessem poderiam ouvir a voz de Deus e. XXIV. p. nós som os aquilo que fo rem as nossas conversas q u o tid ian as.” [B. as crianças aos estudos bíblicos. E l C anon de la Sagrada E scritura. Os R eform adores criam que se as E scrituras estivessem num a língua acessível aos povos.4..”52 Contudo. C assirer. p. (V d. 387).C a p It u l o 2 . B arcelona. O h isto riad o r G ibbon tam bém o d esig n o u de “pai da teologia racional. po r exem plo. leiam os E vangelhos e as epístolas de P aulo. R. 1988. E sta com preensão não q u er indicar. p ara q u e p u d esse se r lida e co n h e c i­ d a. H ucitec. D ed iquem -se. 3" ed. até que. P ublishers. 153]. T revor-R oper.. E. É digno de nota. R eligião.. 361-362. p. se form e a p rim e ira in fân ­ cia: d esejaria que estas coisas lhe fossem ensinadas entre as prim eiras. as pertinentes observações de L ucien F ebvre & H enry-Jean M artin. R io d e Janeiro. não só p elo s escoceses e pelos irlandeses. m as tam bém pelos turcos e pelos sarracenos. C om o nos veio a B íb lia .). R eform a e Transform ação So cia l. “D ecline and Fali o f the R om an E m p ire. A B íb lia e com o chegou a té nó s. de pronto se nos antolhará a majestade de D eus. C L IE . que antes m esm o do hum anista Erasm o de R oterdã (1466-1536) editar o Novo Testam ento Grego (1516)53 e de Lutero afixar as R u ip érez/P irám id e. nem as perm item ser traduzidas em língua v ulgar (. H. nos com pele a obe­ decer-lhe.

82 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a suas 95 teses às portas da catedral de W ittenberg (31/10/1517). 20) o u . sem consultar os O riginais H ebraicos e Gregos. B rom iley. verifica-se um desejo m ais intenso de ler as Escrituras. M artin h o L utero. 44. O P rotesta n tism o B rasileiro. 28). H isto ria d ei C ristianism o. pp. p. p. p. Ian S ellers. p. G oodspeed. W alker. p.. G en eral E d ito r. W h o ’s W ho In Christian H istory. 4. o n ze sem anas [Cf. 1982. 575. 5 a ed. J.55 C oube a N icholas a tradução da m aior parte do Antigo Testam ento. p. 1989). Vol. A versão d e P urvey só foi im pressa em 1731 e a de W ycliff. G oodspeed. Inc. G. E diciones C U P S A . Z o ndervan. A bingdon P ress. 761. org. V ersions. N o entanto. em 1848. (Seleção de textos do autor). N icholas o f H ereford: In: J. C om fort. fez u m a revisão d esta tradução em 1388. 1967. IV. 3“ ed. p. p. (1973). geral The Z o n d erva n P ictorial E n cyclo p a ed ia o f the B ible. Illinois. 58 O N o v o T estam ento foi traduzido prim eiro.. B u en o s A ires. 255]. L ato u rette. 172] ou em três m eses [Cf. 3" ed. E. 64 e W.« Q ' p ]yj Bechtel & P. M ich ig an . B ro m iley .M.58 A sua tradução é um a obra prim orosa.”57 L utero traduziu a B íblia para o alem ão. etc. R . S ão P aulo. sendo considerada 54 L éo n ard (1 891-1961) observa qu e constitüi-se em “p u ra lenda o fato de que a Igreja [rom ana] tenha co n stan tem en te m antido seus fiéis afastados das S agradas E scritu ras. I. 57 A n d ré B iéler. P orto A leg re/ São L eopoldo. II.R. h á o p ro g ressiv o interesse com ercial. J. Z o n d erv an P ublishing H ouse. K . 735. m elh o ran d o -a consideravelm ente. N ova York. 1353-1428) traduziram a B íblia para o inglês em 1382-1384. L éo n ard . pro v av elm en te aux iliad o p o r N icholas d e H erefo rd .. 1980. H istoria dei L ibro. R S . Purvey: In: J. (Vd. The In te rn a tio n a l S ta n d a rd B ib le E n ciclo p a ed ia . J. D ou g las.M .54 John W ycliffe (c. Com o nos veio a Bíblia. E nglish Versions: In: M erril C. IV.D . 1420) e John Purvey (c. T odavia. A S T E . Tyndale H ouse Publishers. geral The N ew In tern a tio n a l D ictio n a ry o f the C hristian C hurch. C om o nos veio a B íblia. org. E nglish: In: G eorge A. p. 55 J. G rand R ap id s. G G. já q u e a im prensa co m tipos m ó v eis ainda não fo ra utilizad a no O cidente. p. ainda que com m enor qualidade. O utro ponto que deve ser realçado a esse respeito é que quanto mais os tem pos se avizinham do século 16. 31 Oss). 114-115. Vol. 19). org. 1979. E n cyclo p a ed ia B rita n nica. p. Branton. G en eral E d ito r. H ipólito E scolar. E d ito r in C hief. II. E n g lish : In: G e o ffre y W . em notas à co letân ea de textos d e L u tero . Versions.J. 2“ ed. p. N icholas de H ereford ( t c. (V d. Jean B oisset. B ible. A tradução do N ovo T estam ento ficou p ronta em 1382 e a do A n tig o T estam en to em 1384. B ible. John P urvey. depois de um trab alh o de cerca de nove m eses (Cf. M ich ig an . já se tom ara visível o esforço por colocar a B íblia no idiom a nativo de cada povo.: In: G eo ffrey W. p. M éxico. H ere I Stand: A L ife o f M a rtin L uther. B ainton. T ranslations of: In: H arry S. W M . “de 1457 a 1517 são publicadas mais de quatrocentas edições da B íblia. H istória d a Igreja C ristã. N ova York. geral The N ew In tern a tio n a l D ictio n a ry o f the C hristian C hurch. G rand R apids. 709). M ich ig an . que estim ulava alguns im pressores a p roduzirem m ais im p ressõ es. 584 e N estor B eck. D ouglas & P hilip W. C reio que esta divergência de inform ação se .S. O P ensam ento E conôm ico e So cia l de C alvino. W ycliffe: In: J. (Vd. m ed iev al. p. N orm an. E. B ra n to n .D. D o m esm o m odo entende B oisset. (E ste foi traduzido p ara o espanhol: R oland H. 1950). V ersions. 1984. P elo E vangelho de C risto. Vos. tanto a versão de W y cliff com o a rev isa d a d e P u rv ey só circu laram em form a m anuscrita. 1992. 1962. p. 1977. p. P osteriorm ente. M artin L u te ro . Vol. (c. W heaton.56 E sta tradução que incluía os apócrifos foi feita diretam ente da Yulgata. concluindo o seu trabalho em outubro de 1534. J. 773 e R oland H. . M etzger. p ro cu ­ ran d o co lo car a trad u ção num inglês m ais acessível. Vol. M e n ter B o o k s. 1320-1384)..” (É m ile G. B uttrick. T enney. org. S inodal/C oncórdia. G rand R ap id s. 3a ed. C om fort. 114. Ill. The In tern a tio n a l Sta n d a rd B ib le E n ciclo p a ed ia . org. D ouglas. Vol. The In terp reter’s D ictionary o f the B ible. A sh m o re. 815. B . C om o reflexo disto. p. devem os reco n h ecer q u e tudo isso prep aro u o cam p o p ara o êxito da R eform a. B ainton. 761. E erdm ans P u b lish in g C o. H istó ria d o P ro testa n tism o . C a sa B au tista de P u b licacio n es. Vol.D . C o m o decorrência disso.

M . C airn s. E. H istoria d e i C ristianism o. O A p a recim en to d o Livro. tam bém . p o r isso se d esdobrava em outras várias atividades. não sem atraso. recebia. chegavam a custar 5 0 0 tálares. aco n tece que a sua lingua­ g em era m u ito im p erfeita. 714. The International Sta n d a rd B ib le E nciclopaedia.. C o m o se sabe. 101. Vol. W. J. 117). M etzger. Introdução ao C om entário T extual do N ovo T estam ento G rego: ln: R ussel N. O N o v o Testam ento Interpretado. (Cf. g ran d e patro cin ad o r das artes) [Vd. m ed ie­ val. p. W. G eneral E ditor. que o trabalho de Lutero consistiu “num a assom brosa ressurreição da Palavra.M . (s. D eus D espertou L utero. 181). 131.H .d. p. 773. H isto ria d e i Libro. B . SP. P elo E va n g elh o de C risto. (E scolar fa la d e 5. A trad u ção de L utero foi b asead a na 2" edição do T exto G rego de E rasm o (1 466-1536). p. 417). W alker. F. 155ss. revisou continuam ente a sua tradução. S ão P au lo. B . p. p. O C ristia n is­ m o A tra vés d o s S éc u lo s: U m a H istória da ig re ja C ristã. 380). p. 11. pp. p. que já havia corrigido m uitíssim os erros da prim eira ed ição (A p rim e ira e d i­ ção q u e co m eço u a ser im pressa em 11/9/1515 foi con clu íd a em 0 1/3/1516. M etzger. A Voz B íblica. 171). 390). 773). ele escreveu m ais d e dez obras (Cf. G. K üm m el. p. M etzger. doze m edidas de m ilho e duas pipas de v inho. outros n ú m ero s ln : L u cien F eb v re & H enry-Jean M artin. R S . sendo d ed icad a ao P ap a L eão X. p. pp. C om o n o s veio a B íb lia . Q uadrante. etc. C alcula-se que d u ran te a vida de L u tero foram feitas 11 edições (C f. V d. 231. C alvino q u e passou inú m ero s apuros fin an ceiro s em E strasburgo (1538-1541). o eq u iv alen te a duas garrafas po r dia. In tro d u çã o a o N o v o T estam ento. E d ito ra Vida E vangélica. p.: In: G eo ffrey W. G oodspeed. W ilson P aroschi. N o seu regresso à G enebra (1541). além de trad u zir o N ovo T estam ento. M o m en to s D ecisivos na H istó ria do C ristianism o. 94-95. Van H alsem a. 108-110. B .G. ancient: In: G eoffrey W. 111-112). O b v iam en te ele n ão co n seg u iria v iv er com tão pouco. em poucos anos diversas edições já tinham sido p u b licad as em várias cidades d a E u ro p a (Cf. W estcott. T hea B . B asiléia. A dam Petri p ublica 7 reim pressões. V ersions. p. p. O A p a recim en to d o L ivro.M . 3 fran co s).). d ev e ao fato d e q u e no tem p o em que L utero perm aneceu no castelo de W artburgo (4 de m aio/ 1521-] d e m arço /1 5 22). IV. 1993.C a p It u l o 2 . V d. 128. H istó ria d a R efo rm a do D écim o -S exto Século.d. 1983. D aniel-R ops.000 ex em p lares. 390). 773]. Vol. Ju st. S ão P aulo. B. de form a poética. G u aratin g u etá. W . p. S ão P aulo. contudo. E strasburgo e L eipzig. D aniel-R ops. São P aulo. 1989. etc. p. Q uadrante. Jean D elu m eau . 1 florim p o r sem ana. V ida N ova. 111. T. 416). 64 e N. D ’aubigné. p. p. (Cf. P aulinas. po r outro lado. con fo rm e verba votada pelo C onselho de R epresentantes da cidade. C rítica Textual d o N ovo Testam ento. E a rle E . The In tern a tio n a l S ta n d a rd B ible E nciclopaedia. S ão P aulo. p. sendo inadequada para a leitura do povo. H istó ria da R eform a do D écim o -S exto S éculo.M . M etzger. D eus D espertou L utero. ln: M artinho L u tero . (s. os seus h o n o rário s to rn aram -se generosos: 500 florins po r ano. O N ovo T estam ento traduzido por L utero foi vendido p o r apenas W i flo rin s (= c. em B asiléia. p. B rom iley. O N ovo T estam ento de L utero foi pub licad o em 21/09/ 1522 [Cf. M ark A. p. São P aulo. 194]. P orto A legre. (T hea B.M . p. as B íblias u tilizad as nas igrejas eram latinas e custavam 360 florins. G eneral E ditor. (H ipólito E scolar. 714. L atourette. G ustav Just.A R e f o r m a P r o t e s t a n t e 83 o m arco inicial da literatura alem ã. J o ã o C alvino E ra A ssim . 112. E sco lar m en cio n a 4 0 0 ed içõ es. h av ia outras trad u çõ es d o N o v o T estam ento na língua alem ã an teriores à de L utero. V ersions. p erm anecendo neste labor até o dia da . B eck.: ln: G eoffrey W. 1. N oll.59 Febvre diz. m esm o assim nada sobrava: o custo de vida em E strasburgo ao q u e p arece era m uito elevado (Vd. II. A reform a protestante. 238. p. m edieval. E ntre 1522 e 1524 foram feitas 14 reim p ressõ es do N T em W ittenberg e 66 outras em A ugsburgo. B. 1996. 1968. p. C ham plin. S ão P aulo. 20. M erle D ’aubigné. A reform a p ro testa n te. G eo rg e. H istoria dei Libro. pp. The Intern a tio n a l S ta n d a rd B ib le E n ciclopaedia. J o ã o C alvino E ra A ssim .). H ipólito E scolar. B rom iley. K . 99. J. p. perto de E isenach. IV. A Ig reja da R e n a sc e n ­ ça e d a R efo rm a : I. 1996. 111. Van H alsem a. p. E l C anon de la S a grada E scritu ra . C o n có rd ia. C asa E d ito ra P resb iterian a. G eneral Editor. 94.G K üm m el. (Cf. A Teologia d o s R eform adores. auxiliado por M elanchton (1497-1560) e o u tro s eru d ito s. p. L ucien F ebvre & H enry-Jean M artin. O N a scim en to e A firm a çã o d a R eform a. p u b licad o em 1519. 1982. 396). 84 im pressões originais e 253 b asead as nelas (C f. P ioneira. H istó ria d a Igreja C ristã. as m ais elaboradas. L utero. p. B rom iley. O s três m il ex em p lares da prim eira edição logo se esgotaram e.S. A Igreja da R enascença e da R eform a: I. V ersions. In tro d u çã o ao N o v o Testam ento. IV.

A R evo lu ­ çã o d a C u ltura Im p ressa: O s p rim ó rd io s da E uropa M oderna. trazer aos seus irm ãos. 1998. 1987. M esm o am parando-se em d ados “im p reciso s” .ainda m ais pop u lares do qu e a sua tradução da B íb lia . O P ensam ento E conôm ico e So cia l de C alvino. C om o nos veio a B íblia. ou melhor. (V d. en tre (154 6 -1 580) publicou 37 edições do A ntigo T estam ento. H istoria dei Libro. E stim a-se que as o b ras d e L u tero em suas respectivas prim eiras edições se esgotavam em 7 a 8 sem anas (Cf. 70-84. 118). 2a ed. C airns. e assim por diante. 417. sem constrangim ento. p. Herm isten M. 4 1 3 ss). G oodspeed. O C ristianis­ m o A tra vés dos Séculos: Uma H istória da Igreja Cristã. O A p a recim en to do L ivro. H ans Lufft d u ran ­ te q u aren ta anos (1 5 3 4-1574) chegou a im prim ir 100. Vd. A d ivulgação de sua obra foi extensa. de um labor didáti­ co de um filólogo. O A p a recim en to do Livro. Johann C ocleau (C ochlaeus) (1479 -1 5 5 2 ). O A p a recim en to d o L ivro. p. p.” (A p u d G. D outrina e Interpretação da B íblia. A Inspiração e Inerrância d a s E scrituras: U m a P erspectiva R eform ada. p.” (T. É o esforço. A lianza E ditorial. L indsay.M .. Leite. Bíblia: ln: A ntonio H ouaiss. p. C asa P ublicadora Batista. cap acitar-se a discutir. publicou 111. 1520.0 0 0 exem plares (Cf. p. com padres e m onges aspectos da fé e do ev an g elh o .” (L ucien F ebvre & H enry-Jean M artin. Para um a visão panorâm ica da história e algum as das prin­ cipais traduções d a B íblia para o inglês e francês. E sta últim a edição (1545) é considerada a m ais im portante. p. II. A lém da sua p ro d ig alid a d e em n ú m ero s de escritos. Joseph A ngus.”60 su a m orte: “A últim a pág in a im pressa que passou a vista foi a p ro v a da últim a rev isão . p. 20. estim a-se q u e em 1518 a A lem an ha publicou 71 obras. O A p a recim en to d o Livro. 390. p. M adrid. p. (H ipólito E scolar. 321). p. 59 E. D o u ­ to r em T eo lo g ia (1517). H istoria d ei C risti­ a n ism o. O tto M . 4 5 1 . Também. L ucien F eb v re & H enry-Jean M artin. 280 obras. d estin a­ da e acessível a to d o s. p. 1352. L utero e o N a cim ien to d e i P rotestantism o. os hom ens. 238. sendo 20 de L utero. 417). . V d. E n ciclopédia M iradorInternacional. Sim .M . T.E. p. 316-317). H ipólito Escolar. M éxico. em 1519. D estarte. E isenstein.P. A contecia m esm o. L ucien Febvre & H enry-Jean M artin.“co n statam o s que. L a R eform a en su C ontexto H istó rico . o liam com g ran d e avidez dentro de suas naturais lim itações. p. L ucien F eb v re & H enry-Jean M artin. 368). E. O N a scim en to e A firm a çã o da R efo rm a . Vol. IV. R io de Janeiro. o rem édio m ilagroso que acaba de curá-lo. L utero é um sucesso de venda (m uitas d e suas obras são reeditadas inúm eras vezes num p eq u en o espaço de tem po). pp. L ucien F ebvre & H enry-Jean M artin . A p rim e ira ed ição co m p leta da B íblia foi de 4 . M artin Lutero: un destino. p.M . D elu m eau . 118. D eus D espertou L utero. feliz. Walker. 6. H istória da Igreja Cristã. 98). L a R efo rm a en su C ontexto H istórico. H istoria d e i L ib ro .4 5 2 . sim . tam bém : A n d ré B iéler. L atourette. sendo 50 d e L u tero . 1971. até m ulheres e crian ças que m al haviam aprendido a ler algum as poucas palavras nas em balagens de um bolo de m el. de um m édico que quer curar.84 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a E stando o mais distante possível de um a fria exposição. 187. L indsay. p. H istória. 255). 114.. F ebvre e M artin d izem q u e ju n ta n d o as obras de L utero .” (R oland H. constituiu-se então um a literatura de m assa. F o ndo de C ultura E co n ó m ica. 1998. São Paulo. 172).000 exem plares da B íblia trad u zid a por L u tero e. W. (Cf.1 L u cien F ebvre. p. E d ito ra Á tica. pp. Lindsay. p. 64. O A p a recim en to do L ivro. eles conseguiam em p o u co s m eses. L in d say diz que. houve tam bém o caso de m ulheres hum ildes que tiveram a ousadia de d isc u ­ tir tem as religiosos co m d outores e hom ens letrados.S. J. “Q uase p oderia d izer-se qu e o m ovim ento da R eform a criou na A lem an h a o co m ércio de livros. E ditora C ultura C ristã. pela prim eira vez. p. A lguns o carregavam consigo p o r o n d e an d av am e. H avia tam bém um a estratég ia própria para estas vendas (Ver: E lisabeth L. Just. p. K. que tam bém alfaiates e sapateiros. 133 do reform ador. que leigos luteranos m o stravam m ais facilidade para citar passagens bíblicas de im proviso que m uitos m o n g es e sa cerd o te s. 322. 1976. C arpeaux & Sebastião U. nessas d iscussões. 124. de um prega­ dor que quer convencer. violento adversário de L utero e da R eform a. T . na m edida do possível. p. L a R e fo r­ m a en su C o n texto H istó rico .J. 322). II. pp. Jam es A tkinson. sem dúvida dram ático. adm itiu: “O N ovo T estam en­ to d e L u tero foi d iv ulgado de tal form a. todos os hom ens. M artin L u tero . 1992. 390. 7° reim presión. é m ais do que um ‘trabalho de artista’ em busca de um estilo pessoal. 3a ed. o aprendiam de cor. org. Costa. São P aulo. B a in to n .

o “preceptor da G erm ânia”. a n d P ra ctica l T heology. 8]. o C redo de N icéia. R io de Janeiro. m as tam bém . o C red o d e A tanásio e a C o n fissão d e A u gsburgo” (H ayw ard A rm strong. p. II. L em brem o-nos de que A C onfissão de A u gsburgo foi escrita pelo próprio M elanchton em 1530. p. o problem a da instrução universal. H istó ria da E d u ca çã o . volta n ecessária pela e x i­ g ên cia d e que to d o cristão deve estar em condições de ler as S agradas E scritu ras. 119. H istória da E du ca çã o no R enascim ento. N este particular. 69). 1887 (Ed. p. p. V isalberghi observam : “T am bém no aspecto pedagógico teve a refor­ m a p ro testan te u m a im portância decisiva. C o m p a­ nhia E ditora N acional.” (P. J o ã o C alvino E ra A ssim .”61 L uzuriaga observa que. e para isso a sua tradução das Escrituras foi fundamental. p. V III.). podese dizer que M elanchton (1497-1560). rev. p. ele “exigiu que os pro fesso res en sin assem de acordo com o C redo A postólico. e também serve de base para todo um processo de alfabetização. e pela prim eira v e z. M elanchton: In: P hilip Schaff. São P aulo. T hea B. R eligious E n cyclo p a ed ia : o r D ictionary o f B iblical. 260.R.) organiza a educação pú blica não apenas no grau m éd io. 1461. B ases da E du ca çã o C rista. p. entre outras razões porque com ela se delineia pela p rim e ira vez. org.C a p ít u l o 2 . é um fato de reper­ cussões incalculáveis na história religiosa dos Estados germânicos. .62 Lutero insistiu com as autoridades públicas no sentido de se criarem escolas com vistas à educação secular e eclesiástica. A bbagnano & A . 17“ ed. H isto ria de la P edagogia. 1987. Van H alsem a. Sem que queiram os tornar este assunto um a bandeira em nossas ano taçõ es. em 1535. 62). H isto ry o f the C hristian Church. pp. 179 e L orenzo L u zu riag a. F u n k W agnalls. (Vd.63 foi o M inistro da E ducação de Lutero. N. 11” ed. E P U / ED U SP. p. 43 D esignativo com um dado a M elanchton. C om panhia E ditora N acional. S ão P aulo. H istó ria da E d u ca ­ ção. 1980. 108-109. P ublishers. com o escreveu Giles: pode-se afirm ar que a B íblia de Setem bro de 1522. Vol. 1976. S ão P aulo. A R eform a (. de 1524. além de tratar do des61 T. 64 C f. 1992. p. P hilip S chaff. São P aulo.” (N. [Vd.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 85 A Reforma e a Educação Lutero A nalisando um a outra vertente da questão. 180). N a presidência da U niversidade de W ittenberg. H istória da E d u ca çã o P ú b lica.. Lutero. em term os concretos. p. C h ica­ go. da C osta N unes.. 101. M onroe. H istorical. H istória da E ducação e da P edagogia. “ tornou-se o fundador do sistem a escolar do E stado m oderno. A b b ag n ano & A.. H errlinger & M ax Landerer. com a e sc o la prim ária pú blica. Paul M onroe. 1987. devem os frisar que foi Lutero quem lançou as bases da m oderna escola pública e do ensino obrigatório. H istó ria da E duca ção. am pliand o a ação d os c o lé g io s hum anistas da R en ascen ça. Vol. V isalb erg h i. JU ER P. G iles. E P U . M onroe diz que M elanchton. 253). D octrinal. cham am os a atenção para o fato de que H alsem a reivindica o pioneirism o da escola p ú b lica p rim ária a G enebra. “ L o ren zo L uzuriaga. p o r ter redigido em 1528 os R e g u la m e n ­ tos E scolares da Saxônia. R uy A.64 N a carta A os Conselhos de Todas as C idades da Alem anha para que criem e m antenham escolas cristãs.

quando não as ed u cam os (.da qual não restou nenhum exem p lar . 303. pp. m u itos cid ad ãos ajuizados. 305. A n u alm en te é p reciso levantar grandes som as para armas. pontes. h on estos e bem edu cad os.69 Por isso v o s im ploro a tod os. que não con sid ereis esta causa [c ria ç ã o d e e s ­ c o la s e v erb a p a r a e d u c a ç ã o ] de som en os im portância. o n d e um m en in o se o c u p a vin te. P or que não levantar igual som a para a pobre ju ven tu d e n e c e s s i­ tada.. da qual m uito depend e para C risto e para o m u n ­ do. p.12 sem nada ter aprendido. da construção de m uros de fortificação.68 diz: E m m inha op in ião. p.86 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a caso para com as escolas.67 a criação de boas bibliotecas. para que um a cid ade p o ssa viver em paz e segurança tem poral. o esvaziam ento das universidades.. R S . 71 Ibidem . E lio D onato (4° séc.. m Ibidem . diques e inúm eras outras obras sem elh an tes.. p. Vol. nenhum p ecado exterior pesa tanto sobre o m undo p e ­ rante D e u s e nenhum m erece m aior castigo d o que ju stam en te o p ecado que c o m ete m o s contra as crianças. Para ensinar e educar bem as crianças p recisa-se de gente esp e c ia liza d a . do franciscano A lexandre de V illedieu (séc. p. de m u i­ tos can h ões e da fabricação de m uitas armaduras (.. 13). preservar e usar corretam ente riquezas e todo tipo de b e n s... 1995. 66 Ibidem .. 306. p. N ão d eix a de ser significativo que a p rim eira ou um a das prim eiras obras im pressas na Itália foi a de D o n ato (c. geral M a rtln h o L utero: O bras S e le cio n a d a s. L utero defende tam bém o aspecto lúdico d a edu cação (V d. m eus caros senh ores e a m ig o s. p. 309. 322ss..m as.66 a utilização de m elhores m étodos na educação. 1464) .. de casas bon itas. M inha id éia é a seguinte: O s m en in os d evem ser e n v ia d o s a estas e sc o la s diariam ente por um a ou duas horas e. por am or de D eu s e da pobre ju ven tu d e.65 a necessida­ de do estudo do alem ão e de outros idiom as. D o m esm o m odo a obra de A lexandre atingiu a m arca esp an to sa de . que ajud em os e a co n selh em o s a ju ven tu d e (. P o is se trata de um a causa séria e im portante. org. n ão sou d a o p in iã o d e q u e se d e v a c r ia r e sc o la s ig u a is à s qu e e x is ti­ ram a té a g o r a . p. co m o o fazem m uitos que não en xergam a intenção do príncipe do m undo. 70 Ibidem . L u te ro .). São L eo p o ld o /P o rto A leg re. um lin g ü ista rom ano e D octrinale P uerorum . pelo q u e parece. S in o d al/C o n có rd ia. 68 Ibidem . é a m esm a referid a por L utero. 72 A lu são às o b ras co m u m en te utilizadas nas escolas: A rs G ram m atica.71 O ra. e as c o i­ sas são feitas de outro m odo.). 3 07 e 308. estradas. A o s C o n selh o s de T odas as C id ad e s da A lem an h a para q u e crie m e m a n te ­ n h am esco las cristãs: In: U son K ayser.. su stentand o um ou d o is h om en s com p eten tes co m o p rofessores?70 O progresso de um a cid ad e não depen d e apenas do acú m u lo de grandes tesouros. 310ss. o m elhor e m ais rico progresso para um a cid ade é quando possu i m u itos h om en s bem instruídos....73 O m undo hoje é d iferente. Ibidem .). 67 Ibidem . não 65 M . 5. E stes e n ­ tão tam bém podem acum ular. M u ito antes. trin ta a n o s c o m D o n a to e A le x a n d re .). 319).

1995. no Prefácio do C atecism o M enor (1529): A q ui tam bém d e v e s insistir particularm ente co m as autoridades e os pais. p. L isboa. a sua proposta é que se aprendesse latim co m explicações em p ortuguês. d estaca-se o intitulado. custand o -lh e isso um alto preço. p. E ntre os seus trabalhos. m ostran d o-lh es por que é sua obrigação fa z ê-lo e que p ecado m aldito co m etem se não o fazem . P o is c o m isso . form ou-se B acharel em A rtes na U niversidade de É vora (1730). N a sua p erspectiva. estim a-se que a im prensa de G utem berg fez pelo m enos 16 edições da obra de Donalo antes de im prim ir a fam osa “Bíblia de G ulem berg. derrubam e assolam tanto o reino de D e u s c o m o o reino do m un­ do. E D U S P /S araiv a. além da praticidade de sua tese. jo g a r bola. ele estav a criticando a G ram ática L a tin a do je s u íta M anuel Á lvares (1 526-1583). padre p o rtu g uês de ascendência francesa e de form ação je su ític a (C olégio de S anto A ntão) e orato rian a nos E stu d o s M enores. L indsay. D o contrário. São P au lo . H ipdlito E scolar.74 A ênfase dada por Lutero à Educação é decorrente da sua visão teoló­ gica. ocasionando então um a disputa com os Jesuítas. desta fo rm a. fora p reconizado pelos pedagogos franceses que seguiram os en sin am en to s de C o m en iu s. 68-69). os O ratorianos . 319. 1950. diz que o R efo rm ad o r tinha na m em ó ria um sistem a que facilitava a vida com um ente dissoluta dos estudantes universitários da época.tam b ém criticaram a G ram ática L a tin a . pp. certam ente aludindo à esta passag em de L utero. etc. L uís A ntônio V erney (17131792). notários.C. S egundo R am os de C arvalho.C a p It u l o 2 . de sorte que por isso D e u s lh es há de in fligir 279 edições nos séculos 15 e 16 (Vd. Verney veio co locar m ais sal na ferid a dos Jesuítas. no qual se opôs à tradição escolástica. gastam d e z v e z e s m ais tem p o com jo g o s de b olin h as. “o ensino do latim por interm édio da lín g u a vern ácu la. pregadores. 300. (V d. havia um a tentativa de v alo rizar a língua p ortuguesa. Vol. 74 M. tendo com o principal ex p o sito r o padre A ntónio P ereira d e F igueiredo (1725-1797). L utero. 1978. pp. pp. U m a das críticas de V erney q u e abalaram o sistem a p ed ag ó g ico português foi a resp eito do estudo do latim . 5. que além de co m p lex a. A os C onselhos d e T odas as C idades da A lem anha para que criem e m an te­ nham esco las cristãs: ln: M a rtin h o Lutero: O bras Selecionadas. (Cf. com o latim não d everia ser d iferen te. A ntónio José Saraiva. H istoria dei L ibro. D. ver: Jacq u es L e G off.q u e conquistavam terreno no cam p o p edagógico em P ortugal . p. H istória do C ultura em P ortugal. N o fundo. E le escrev eu d iv ersas o bras q u e causaram grande reboliço no sistem a p ed ag ó g ico de P o rtugal. II. 73 L indsay. 2“ ed. L a R eform a en su C ontexto H istórico. licen cian d o -se em F ilosofia (1736). O Livro: Im pressão e F abrico. 365-366). E frisa b em que horrível dano causam . E le desejava ren o v ar os m étodos p ed ag ó g ico s em P o rtu g a l. do m esm o m o d o com o se ap rendia o inglês c o francês através do português. M cM urtrie. se não cooperam na ed u cação de crianças para serem p asto­ res. Jornal do Fôro. para que govern em b em e lev e m os filh o s à esc o la . aprender um o fíc io ou para o que sejam en cam in h ad os. F undação C alousle G ulbenkian. já que a R atio Studiorum reco m en d av a a referida obra. j á que d esd e 1729. corridas e lutas. A obra dc D onato era adotada em “todas as universidades da E uropa” . Verdadeiro M éto d o de E stu d a r.” (L aerte R am os de C arvalho.. c o m o os piores in im ig o s de D e u s e d o s h om en s. assim . P o r A m o r às C idades. T. L isboa. q u e se transform ou num dos pontos fundam entais da reform a po m b alin a dos estu d o s m en o res. 168]. .A R e f o r m a P r o t e st a n t e 87 obstante. para que as duas c o isa s andem juntas enquanto são jo v e n s e p od em dedicar-se a isso .M . D e fo rm a m ais tênue. fora escrita totalm ente em latim . fazer o serv iço em casa. p. C om o um atestado da im portância de D onato na Idade M édia. Vol. 66-67. 64). 114).” [Cf. 320. cu ja decadência atribuía ao ensino jesu ítico . (1982). A s R efo rm a s P om balinas da In stru ç ã o P ública. V erney foi p rofundam ente influenciado pelo Ilum inism o. L utero d e certa form a antecipa certas críticas que o padre Verney faria ao sistem a português no século 18. isto se torna ainda m ais patente.

deixand o apenas um a casca va zia de p esso a s inú teis. O horário era das 9 às 12 horas e de 1 às 4. C o n c ó rd ia /S in o d a l. C atecism o M en o r. C atecism o M enor. 78 M artinho L utero. p ois não p od em os pres­ cin d ir d e les. Vol. N. ao ap erfeiço a­ m en to d os E stad o s alem ães em assuntos de ed u cação . M onroe conclui: “ N enhum outro povo chegou. 261. V d. até retirar o cerne. escrevendo em 1907. R S . cujo propósito é sugar solapad am en te cid ad es e principa­ dos. é o m esm o d os E stados alem ães da época presente. H istória da E ducação e da P edagogia. O diabo tam bém leva de mira a lgo de cruel com isso . 5. pastores. com adaptações do sistem a de M elan ch to n (1528). esp ecia lm en te aqu eles aos quais m e referi acim a. ger. p. O s pais e g overn an les pecam n isso agora de m aneira in d izív el.7fi 75 M a rtin h o L u tero . p rofessores e outros. 1983. tam bém as autoridades têm o dever de obrigar os sú d itos a m andarem seu s filh os à esc o la . escalar o s m uros e outras co isa s m ais que d evem ser feitas em caso de guerra. a guerra contra o enfadon ho diabo. p. D eve-se ao D u q u e E rnesto o P ied o so . as quais pode m anipular e usar a seu bel-prazer. A bbagnano & A.88 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a m ed on h o castigo. As d iscip lin as estudadas co n sistiam em: L eitura. E m 1642 ele adotou. 190. su b stan cial­ m ente. Se p od em obrigar o s sú d itos ca p a zes de carregar lanças e arcabuzes. m esm o aproxim adam ente. 362. H istó ria da E d u ca çã o . quanto m ais pod em e d evem obrigar o s sú ditos a m andarem o s filh os à e sc o la . 365. m ais do que a qualquer outro governante. P o is é n ecessário pregar sobre e ssa s co isa s. em 1619. O ano esco lar tinha a duração de 10 m eses e as crian ças eram o b rig ad as a freqüentar a escola todos os dias úteis da sem ana. escrita. juristas.”76 Em 1530. A instrução é bem -vinda “tanto no reino de Deus com o no reino do m undo.75 D este m odo. para as escolas do ducado. escritores. todos os dias da sem ana. Porque aqui se trata de um a guerra pior. V isalberghi. m éd icos. O s C a tecism o s. Lutero declarou a responsabilidade do E sta­ do em obrigar as crianças a irem à escola:77 Em m inha op in ião. p. D eterm in av a q u e todos os m en in o s e m eninas freqtientassem a escola desde 6 até 12 anos. a fundação do sistem a m oderno das esco las alem ãs. tam bém . 76 M artinho L u tero. desde a idade de 5 anos. . de lodo m en ino c m enina da província. sobre “ A s E scolas E le­ m en tares nos países p rotestantes” . P o is na verdade é dever dela preservar os o fíc io s e estados su pram en cionad os. p. porém . M a rtin h o L u tero : O bras Selecionadas. H istória da E d u c a ­ çã o . L o ren zo L u zu riag a. P o rto A leg re/S ão L eo p o ld o . exceto as tardes de quarta e sábado. § 19-20: In: L u tero . E x ig ia-se a freqüência. disse: “O prim eiro E stado a adotar o princípio da edu cação o b rig ató ria p ara crian ças de todas as classes foi W eim ar. § 20. de G o th a. H istoria de la P edagogia. O s pais eram m u ltad o s pela falta de freqüência de seus filh o s.” (Paul M onroe. 190). 126). m úsica sacra e latim . religião. 77 O P ed ag o g o P aul M onroe (1869-1947). num sermão. org. esv a z ia n d o -o s das p essoas capacitadas.” (Paul M onroe. U m a P rédica P ara que se M a n d e m o s Filhos à E scola (1530): In: Uson Kayser. p. P refácio. que eram livres. o Evangelho tem tam bém um a im plicação fundam ental com a educação de nossos filhos. P refácio. um regulam ento que. p. p aia que no futuro p o ssa m o s ter pregadores.

S c h a ff. pp. pp. P hilip Schaff. João C alvino nasceu em 10 de julho de 1509 em N oyon. tantas eram as ig rejas e as relíq u ia s que possuía . Vol.d. V lll. 365-366). m orrendo quando C alvino tinha uns 5 ou 6 anos. V icente T em udo L essa. 32-33. e ded icou m etad e de sua vida ao sagrado m inistério. E erdm ans. V lll. Gérard Cauvin era de origem hum ilde. H istory o f the C hristian C hurch.P hilip. V III.81 A Formação de Calvino82 C om ecem os do início. (C D -R O M ). e d e z e sse te d ias.79 “A s Igrejas R eform ad as de am b os o s h em isfério s são o m on u m en to de C alvin o. 1985.e procurador fiscal do m unicípio. Com o G érard era secretário apostólico de Charles de H angest . 168-169. sendo ele próprio um am bicioso visi­ onário que procurou encam inhar a educação de seus filhos da m elhor m aneira possível usando dos m eios e recursos de que dispunha. p.era a sua cid ad e natal. C am pinas. A Teologia dos R efo rm a d o res. H istory o f the C hristian C hurch.” (D aniel-R ops. Life o f John Calvin: In: Tracts a n d Treatises on the Reform ation o f the Church. OR: Ages Softw are. E le tinha estatura m ediana. então um privilégio não raro. 826. SP. que ajudaria a custear as despesas de sua educação. Vol. proveniente de fam ília abasta­ da. o s o lh o s eram brilhantes até m esm o na m orte.bispo de N oyon (1501-1525) . d e z m e ses. p.83 sendo possivelm ente o segundo (?) filho de um a fa­ m ília de cinco irm ãos. John Calvin Collection. a sua fam ília m antinha íntim as relações com as fam ílias nobres de sua região. pp.C a p ít u l o 2 .A R e f o r m a P r o t e st a n t e 89 Calvino “E le v iv eu cin qü en ta e quatro anos. não podendo portanto ser ord en ad o .P hilip S ch a ff. exp ressan d o a agud ez da sua com p reen são. h av en d o disputa quanto à datas e lugares.84 Seu pai. Influ ên cia e Teologia. sua m ãe. M ichigan. /4 Igreja d a R en a scen ça e da R eform a: I.80 “R e v o lu ç ã o é segu id a por reconstrução e c o n so lid a ç ã o . ed u ca­ ção. capital diocesana. 257.85 T> T heodore Beza. cxxxv. G rand Rapids. pp. p. p ag av a a um p ad re p ara co b rir a sua escala. 1998). O utra tradução. L uz p ara o C am in h o . T heodore Beza. Para esta tarefa C alvin o foi provid en cialm en te preordenado e equipado por g ên io . p. A reform a p rotestante. Life o f John Calvin. C alvino ainda crian­ ça (m aio de 1521) recebeu um beneficio eclesiástico na catedral. 1958. que distava cerca de 92 quilôm etros de P aris com um a p o p u lação d e ap ro x im adam ente 12 m il pessoas. C a sa E ditora P resbiteriana. “N oyon a S anta. H avia quatro capelães em N oyon que alternavam na recitação d a m is­ sa m atinal. (s. T im othy G eorge. a aparência som bria e pálida. d o tad a de um clero po d ero so e d e um bispo com assento entre os doze pares da F ran ça. 64 80 P h ilip S chaff. H istory o f the C hristian Cluirch. Vol. 85 C id ad e em inentem ente religiosa. 82 C a b e aqui um a nota de advertência: alguns dados referen tes à ju v en tu d e d e C alv in o são incerto s. . 81 P hilip Schaff.” . C alvino 1509-1564: Sua Vida e O bra. . 85 Ver: W ilson de C astro F erreira. Picardia. C a lv in o sendo ainda m uito jo v em .T heodore B e z a .. S ão P au lo . 1. p. e circu nstâncias. [Cf.” .). 84 A sua m ãe teve 7 filhos porém dois m orreram prem aturam ente. Jeawne Lefranc. 27-28. um a senhora piedosa. C alvino: Vida. Vol. com o se dizia p o r vezes. m ais duradouro que o m árm ore” . (Albany.

Inácio de Loyola. L oyola. diz: “ N osso C om entário que recom endo à sua guarda. H is L ife. Jo h n C alvin. ainda m enino fui educado dentro da sua casa c iniciado nos m esm os estudos ju n to com você. Posteriorm ente.” Jo h n C alvin Collection. anim a­ do por um estrito senso de dever. filhos de nobres de sua terra natal. C alvino estudou na m esm a escola dos filhos dos nobres de sua cidade. W ilson de Castro Ferreira. debaixo do m esm o telhado e se sentando à m esm a mesa. dedicado e inscrito po r direito e m érito a você. Influência e Teologia. p. (A lbany. o Velho (n ascid o p o r v o lta de 1471).” [John C alvin. (A lbany. 143-144. devido a um a disputa de seu pai com os clérigos de N oyon assunto ainda não esclarecido satisfatoriam ente . L isboa. e sum am ente religioso.estudando sob a direção de um m estre espanhol grandem ente com petente. en tre ou tras coisas. entrou na m esm a faculdade e estudou sob o m esm o professor. 1528. F undação C alouste G u lbenkian. contudo. não só porque eu d ev o a você tudo que sou e que tenho. estudioso. foi para Paris. V icente T em udo L essa. . onde recebeu seu treinam ento para o sacerdócio. à form ação de teólogos p o rtu g u eses co m b o lsas fornecidas pela coroa portuguesa.87 Aqui dá-se algo curio­ so: “Em fevereiro. O R : A g es S o ftw are. q u e se propusera. 1998). pp. (1986). 11-12]. 170ss. 8]. reconhecendo a sua dív id a para com a fam ília de seu am igo. na d ed icató ria. V III. [C D -R O M ]. OR: A ges Softw are.por onde tam bém passaram Erasm o de R oterdã e Rabelais . [Vd. 87 Foi aqui que Calvino se familiarizou com a teologia de Aquino. ficaria p o u co tem p o no C olégio de M ontaigu. redigida em P aris (04/4/1532). W illiam W ilcm an. Eloi em N oyon. estudando alguns m eses no Collège de la M arche (H um anida­ des e Latim ) (agosto de 1523). p. 86 O C o m en tário d e C alvino sobre S êneca publicado em abril de 1532 seria ded icad o a C lau d e. 41). Calvino: Vida. em 01/11/1529 foi estudar F ilo so fia no já trad icio ­ nal C o lég io d e Santa B árbara (fundado em 1460). H is T eaching & Influence. que se tom aria abade de St. o C olégio de Capeto. foi para um a escola m enos requintada em seus costum es e mais dura em sua disciplina e de orientação escolástica: Collège de M ontaigu (Gram ática. Agostinho e Jerônimo.86 A lém de professores particulares.concluído o seu curso de A rtes . Filosofia e Teologia) (1524) . tendo com o m estre o grande hum anista M aturinus C orderius.”88 N esse m esm o ano (1528) . Entre os seus am igos de infância. Lorde de Genlis. 88 P h ilip Schaff. (Cf. foi que C alvino aprendeu e adquiriu educação e m odos refinados próprios da nobreza que o perm itiram posteriorm ente transitar em todos os m eios sociais com polidez. reservado. Claude de H angest (M om m or).ele resolveu enviar seu 300. Os líderes das duas correntes opostas no m ovim ento religioso do século 16 viveram m uito próxim o. dirigido pelo padre português D io g o de G ouveia. o fundador da ordem dos Jesuítas. 302. H istory o f the C hristian C hurch. p. C alvino já durante este período m ostrou as características proem inentes do seu caráter: ele era consciencioso. C alvino: 1509-1564: Sua Vida e Sua O bra.dá-se algo inusitado. pois desde bem cedo. entre outros teólogos antigos. e depois. silencioso. Aqui. pp. Calvino recebeu a sua prim eira educação juntam ente com as crianças da nobre fam ília de Hangest. R óm ulo de C arv alh o . John C alvin C ollection.90 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a No entanto. destaca-se um dos filhos de Adrien. eu estou endividado com a sua m ui nobre fam ília por m eu prim eiro aprendizado na vida e nas letras. p. “C om m entary on S en eca’s d e C lem en tia. Vol. 284]. [C D -R O M ]. receba-o com o os p rim e iro s fru to s d e nossa colheita. H istó ria do E n sin o em P ortugal. acom panhado de alguns am igos. 27. 1998). Calvino.

1998). 4 5 . V icente T. tal prospecto o induziu a subitam ente m udar seu p ro­ pósito. p. pp. C alvino o ajudou a preparar o seu discurso. lxi. não há consenso se C alvino aceitou ou não o título. ao ponderar que a profissão jurídica com um ente prom ovia aqueles que saíam em busca de riquezas. A Igreja da R enascença e da R eform a: I. p. Vol. 5]. Q uando um de seus am igos. trocou o cargo de San M artin para o da aldeia P o n t-l’Evèque (local de nascim ento de seu pai). A resposta foi im ediata.em reconhecim ento aos seus serviços presta­ dos . estudaria com A lciati e M elchior W olmar. A essa atividade m e diligenciei a aplicar-m e com toda fidelidade. R occo. (A lb any. L essa. no entanto. I. o italiano A ndrea Alciati. m as Deus. T heodore Beza. contudo na sua n arrativa não fic a c laro esse p o n to [T h eo d o re B eza. R io d e Jan eiro . E assim aconteceu de eu ser afastado do estudo de filosofia e encam inhado aos estudos da jurisprudência. 1999.”92 Na já fam osa U niversidade de Bourges. 91 B eza e m sua reticência deixa entender que ele recebeu. 306. “um ju rista de prim eira linha.” John C alvin C ollection. P aracletos. Vol. O L ivro d o s Salm os. finalm ente deu um a direção diferente ao m eu curso. pp. p. 45-46. fundada em 1463 por Luís X I. p. sem cobrar-lhe as taxas habituais. M ais tarde. N icolás Cop foi eleito reitor da U niver­ sidade de Paris. teórico da soberania do P ríncipe. 90 Cf. onde se de­ dicaria ao estudo de Direito.. V ejam -se: P hilip S chaff. V III. 37-38. 325. 53 Jo ão C alvino. Vol. p. 50. Em 30 de abril de 1529 C alvino resignou a capelania de La Gesine em favor do irm ão m ais jovem . O M endigo e o P rofessor: a sa g a da fa m ília P la tter no sé cu lo 16. C alvino: Vida. A reform a protestante. Vol. cognom inado de “rei da jurisprudência”89 e “príncipe dos ju ris­ tas. V icente T. L ife o f J o h n Calvin'. Ele m esm o resum iria a sua infância: “Q uando era ainda bem peque­ no. recebeu outro encargo. Cop voltou à sua terra natal. 51. W ilso n de C astro F erreira. D aniel-R ops. [C D -R O M ].C a p ít u l o 2 . p. C alvino 1509-1564: Sua Vida e O bra. S ão P aulo. H isto ry o f the C h rístian C hurch. L essa. a A cadem ia . “L ife o f John C alvin. 94 Cf. C alvino 1509-1564: Sua Vida e O bra. 1. B asiléia e 89 C f. 1. C om a m orte de seu pai (25 ou 26 de m aio 1531) tornou a Paris para continuar seus estudos literários e durante certo período voltou a Orléans para concluir seu curso de Direito. O R : A ges S o ftw are.resolveu por voto unânim e de seus professores conferir-lhe o grau de D outor em D ireito.91 Foi para Bourges certam ente atraído pelo fam oso hum anista e mestre de Direito. porém .A R e f o r m a P r o t e st a n t e 91 filho para a conceituada e concorrida universidade de O rléans. pela secreta providência. em 5 de ju lho de 1529. C alvino: Vida. o curato de SaintM artin de M artheville (setem bro de 1527). no qual propunha um a reform a na Igreja. . Cop e C alvino tiveram de fugir de Paris. m eu pai m e destinou aos estudos de teologia. que foi lido na igreja dos M aturinos. W ilson de C astro F e rre ira .”93 Q uanto à sua capelania. C om o C alvino resolveu deixar a universidade antes de com pletar os seus estudos. A ntoine e. In: T racts a n d T reatises on the R efo rm a tio n o fth e Church.94 com o de costum e no dia Io de novem bro de 1533. sob a influência do conceituado jurista. 370. In flu ê n c ia e T eologia. Influ ên cia e Teologia. em obediência a m eu pai. Pierre 1’É toile.”90 A qui C alvino tom ou-se B acharel em D ireito (“licencié ès lois”) (14/ 2/1532). a quem conhecera em Orléans. 1999. 92 E m m an u el L e R o y L adurie. p.

do tradicionalism o escolástico p ara a sim plicidade bíblica. Vol. “foi um a transform ação do R om anism o para o Protestantism o. L ife o fj o h n Calvin: ln: T ractsiand Treatises on lhe R e fo n n a tio n o fth e C hurch. The H istory a n d C h a ra cter o f Calvinism . (1991). agora é o m om ento de assum ir de fato a sua fé e ofício. q u e será fácil p e la m alev o lên cia caluniar. Ju a n C alvino: Su Vida y Su O bra. 195. baseada no e stu d o d a :E scritu ra e d o s S an to s P adres. V III. a questão é: com o e quando? A Conversão de Calvino N ão nos é possível precisar as circunstâncias e data da “súbita con­ versão” de C alvino. C L IE . C a lvin o : 1509-1564: Su a Vida e S u a O b r a . O sábio L efèvre desejava um a reform a na igreja rom ana. contudo as evidências apontam para um período entre (c.e renunciou aos seus benefícios eclesiásticos. voltou a N oyon. escreve: “N a prática. Vol. 305. p. H isto ry o f the C hristian C hurch. p. tam ­ bém . A reform a p ro testante.98 Félice chega a afirm ar que “ . 110. 310. seu d isc íp u lo e sucessor. O x ford U n iv ersity P ress. 64-65. p. H isto ry o fth e C hristian C hurch. O u tra tradução: T heo d o re B eza. [T heodorc B eza. P o r qu e m eio s se realizaria tal refo rm a? P or um regresso da alm a fiel à verdade de C risto e por . 1532-1534). passaria algum tem po na Itália. 310. L ife o f Jo h n C alvin.já tão com um nos jovens de seu tem po . O h isto riad o r cató lico D an iel-R o p s (1901-1965) (pseudônim o de H enri P etiot). Estrasburgo e B asiléia (1535). M elchior W olm ar ( t 1561). M cN eill. ‘■ ’‘’P h ilip S chaff.. C. Em 1534. portanto. A Igreja da R enascença e da R e­ fo rm a : I. 367).. P hilip S chaff. E u penso q u e estou qu alificad o p ara d eclarar que nele foi exibido diante de todos os hom ens. pp. As perseguições então intensificaram -se. C a lvino: Vida. [C D -R O M ]. um dos m ais belo s e ilu stres ex em p los de vida p iedosa e m o rte triunfante de um verdadeiro cristão. H. o que ele p reco n izav a era u m a reform a levada a cabo na Igreja e pela Igreja. N ova York. P hilip S chaff. p. In flu ê n cia e Teologia. p. 65). I. 356). John T. p. V d. Angoulêm e. idade legal para ser ordenado.a B íblia que recebeu das m ãos de u m de seus ‘is v e r: V icente T em udo L essa. Q R: A ges S oftw are. H istory o f th e C hristian Cliurch. T eodore B eza (1519-1605). V IU . Vol. e tam bém um a reform a m oral e d iscip lin ar qu e p u sesse fim aos abusos g rita n ­ tes. com o será difícil devido a sua ex altad a virtude im itar” . B era m ais tarde. e d e seu discíp u lo. p. W ilson d e C a stro F erreira. Assim .92 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a C alvino para outras cidades francesas. B arcelo n a. 1954. (A lbany. em Orléans ou Paris. 272]. Irw in. Vd. John C alvin C ollection. a sua conversão. um a reform a intelectual que su b stitu ísse a d eg en erada escolástica por um a teologia p ositiva. pp. pp. 97 F ala-se tam bém de Jacques L efèvre D ’É taples (1455-1536). C alvino com pletaria 25 anos. cx xxviii. 22]. m esm o não ad m itin ­ d o que L efèv re nulria sim patia p ara com o luteranism o (p.95 N ovam ente ele inicia as suas peregrinações: Paris. C alvino havia sido convertido ao protestantism o. [Vd. V III.ainda que mão isoladam ente97 teve um a participação im portante na sua conversão ao Protestantism o. co n fo rm e ex pressão de D aniel-R ops (D aniel-R ops. Com o fica evidente. D evem os estar atentos. a “ estrê la -d ’alva” da R e­ fo rm a. Poitiers. nesse ínterim .”96 C rê-se que o seu prim o Olivétan . para o fato de que a vida de C alvino m esm o antes da sua conversão não fora m arcada por um com portam ento dissoluto e im oral . escreveria: “E stes são os ev en to s principais na vid a e m orte de C alv in o que eu m esm o testem unhei durante os últim os dezesseis anos. da supersti­ ção papal para a fé evangélica. com o observa Schaff. p rofessor de grego de C alvino e “ fanático de L u te ro ” . em 4 de maio de 1534. 1998. Vol.antes. 6 3.

Fisher. por toda m inha vida. (1 9 8 4 ). C a lvino 1509-1564: Sua Vida e O bra. W ho's W ho In C h ristian H isto ry.S.104 foi a um a p en etração d o E van g elh o em todas as consciências. p 121. eu ouvia com m uita m á vontade e.1506-1540)103 . 62. W illiam R. O P ensam ento E co n ô m ico e S o cia l de C alvino. Jorge P. visto eu me achar tão obstinadam ente devo­ tado às superstições do papado. A Bíblia Francesa (1535). S chaff. pp. pp. W . H isto ry o f the C h ristian C hurch.C a p ít u l o 2 .. Vol. B arcelona. em nenhum m om ento. S ão Paulo. p.S. pp. C am p i­ nas..). (s. 47-48. [Veja-se: T im othy G eorge. Tracts a n d Treatises on the R efo rm a tio n o f the C hurch. “p refa ce” . V III. p.102 No entanto. p. 1111 Jo ão C alv ino. A Igreja da R enascença e da R eform a: I. 6-7. T ypographia International. orgs. W illiam . resisti com energia e irritação. 352). 171-185 (especialm ente)]. H isto ria de la R efo rm a . E. p.. a “B íb lia” m encionada por F élice. SP. resultantes do que a igreja pregava. pp. m G. A P ropagação do C alvinism o no S éculo 16: In: W. Juan C alvino. F ranklin S quare. em 1539 diz: “C ontrariado com a novidade. 1882. B arcelona. p. C airns. p. Deus por um ato súbito de con­ versão. 1958. p.” (D an iel-R o p s. W ilson de C astro F erreira. S ão P aulo. ln:l O livétan estudou grego e hebraico com B ucer em E strasburgo (1528). The H isto ry a n d C h a ra cter o f C alvinism . no início.prim o de C alvino. p. W. E ras an d C haracters o f H isto ry. m u ito s anos an tes d e L utero. E. E. 63. daí. C alvino: Vida.D . A Teologia d o s R eform a d o res.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 93 p a re n te s . The In telle ctu a l O rigins o f The E uropean R eform ation. R esp u esta a t C ardeal Sadoleto. 1888. O livétan: In: J. m John T. A lister M cG rath. E ra à E scritura.” 100 N a introdução do seu com entário de Salm os (1557) diz que: “Inicialm ente. G eo rg ia H arkness. o a rre b a to u do c a to lic is m o . pp. D ouglas & P hilip W. d e Félice. 100 Ju an C a lv in o . p. pp. (Cf. C om fort. No que se refere à sua conversão. P. A bingdon P ress. Vol. 38. A reform a p rotestante.”99 L em brem o-nos de que C alvino não é m uito pródigo ao falar da sua vida. a qual era m ais em pedernida em tais m atérias do que se poderia esperar de m im naquele prim eiro período de m inha vida. L essa. N ova Y ork. E. confesso. seja a edição do N ovo T estam ento de 1534). C alvino 15091564: S ua Vida e O bra. 47. pp. The C reeds o f C hristendom . eu estivera na ignorância e no erro. p. à p alav ra sagrada. 299). Vol. 1. 104 C f. p. p. 207. V icente T. Calvino m enciona o instrum ento hum ano usado por Deus. R eid. Influ ên cia e T eologia. L essa. 108-117. p. 4 2 5ss. F undación E ditorial de L iteratu ra R efo rm ad a. p. 2 5 2 . Olivétan (c. M cN eill. porque (tal é a firm eza ou descaram ento com os quais é natural aos hom ens resistir no cam inho que outrora tom aram ) foi com a m aior difi­ culdade que fui induzido a confessar que. S tanford R eid . C L IE . 54. A Igreja da R en a scen ça e da R efo rm a : I. O C ristianism o A tra vés d o s Séculos: U m a H istó- . 520. 4 a ed. 1990. traduzida por Pierre R obert . 51 (P ro v av elm en te. R esp u esta al C ardeal Sa doleto. 1. 61-64. 1985. C airn s. D an iel-R o p s. V icente T. O C ristianism o A tra vés d o s Séculos: U m a H istória da Igreja C ristã. O L ivro d o s Salm os. C asa E ditora P resbiteriana. para que pudesse desvencilhar-m e com facilidade de tão profundo abism o de lama. 368ss. L uz para o C am inho. 196-198. A reform a p rotestante. C alvino e Sua Influência no M u n d o O cidental. P e d ro R o b erto O liv e ta n . R eid. H arp er & B rothers. H istória d o s P rotestantes d a F rança. John C alvin. I. subjugou e trouxe m inha m ente a um a disposição suscetível.apelidado de “O livetanus” . Vol. A ndré Biéler.” 101 Tam bém na já citada carta ao C ardeal Sadoleto (01/09/1539). "I2 Vd.d. P hilip Schaff. J o h n C alvin: The M an a n d H is E thics. N ova York. 50-51. que. 4 6. L efèvre d ’E taples confiava as possibilidades da indispensável re n o ­ v ação . org. C alvino descreve as suas angústias espiri­ tuais no rom anism o.

que gastaram na im pressão 1. R elig io u s E n cyclopaedia: o r D ictio n a ry o f B ib lica l. G en eral E d ito r. H istorical. Versions. p. D an iel-R o p s. O N ascim ento e A firm a çã o da R eform a. The H isto ry a n d C h a ra cter o f C alvinism . H istorical. The C reeds o f C hristendom . 116. S chaff. foi revisada e prefaciada por C alvino. C . org.4 2 4 . E rn esto T ron. 125). foi utilizada pela prim eira geração de C alvinistas Franceses na proclam ação do E vange­ lh o . (V d. p. L inder. J. sendo a prim eira B íb lia francesa a ser im pressa (1487). A Teologia d o s R eform adores. Vol. a n d P r a c tic a l T h eo lo g y. a do cató lico Jacques L efèv re D ’É taples (1 4 5 5 -1 5 3 6 ) . p. partindo da V ulgata. II. E l C anon de la S a g ra d a E scritu ra . C olonia V aldense. A ngus. p. D o uglas. p. feita diretam ente dos O riginais H ebraicos e Gregos. 288. acom panhado do Antigo Testam ento. D. 4 7 . d esejando orar “em lín­ g u a q u e se en ten d a” . pu b licada. D elu m eau . sendo editada 12 vezes no período de 1487-1545. T im othy G eorge. p. O. O livétan: In.M . E sta edição (segunda do N ovo Testam ento e prim eira da B íblia com pleta). R obert. O N ascim ento e A firm a çã o da R eform a. Vol. p. L essa. Idem . The In te rn a tio n a l S ta n d a rd B ible E n ciclo p a ed ia . p. 1694. 772. L inder. I. W estcott. p. L a A uro ra/C asa U nida de P ublicaciones. 109 A n tes da tradução de O livétan. estando profundam ente interessado pelo ser hum ano. 105 C f. A Igreja d a R en a scen ça e da R eform a: /. F ritzsche.110 Calvino como Humanista Podem os dizer no sentido m ais pleno da palavra que C alvino (15091564) era um genuíno hum anista.F. D ouglas. 120. 372-373. R obert. p.94 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a prim eira tradução Protestante francesa das E scrituras. O. B. A ngus. 288. J.106 A tradução. T im othy G eorge. p. ger.109 que continuou sendo revista de quando em quando nos séculos seguintes. 25. E la foi cham ad a d e / l G rande B íb lia .500 escudos. A reform a protestante. p. 730. M cN eill. D outrina e Interpretação d a B íblia. J. M etzger.T. J. L os F orjadores del C ristianism o. D octrinal.F. II. an d P ra ctica l T heology. H isto rica l. B eza (1519-1605) fez nova revisão da B í­ blia F rancesa. E sta tradução. org. p o r ordem d e C arlo s V III. org. S c h m id t. 172. (1956). a n d P ra ctica l T heology. 107 C f. 247. H istória. John T. D octrinal. F ritzsch e. org. The C reeds o f C h risten d o m . 730. ger. 116. p. saindo a segunda edição em 1535. S chaff. Posteriorm ente. The N e w Intern a tio n a l D ictio n a ry o f the C h ristian C hurch. pp. p. D eluraeau. 126.que. 1 . org. I. p. C alvino 15 0 9 -15 64: Sua Vida e O bra. H isto ria de los V aldenses.105 feita a pedido e às expensas dos Valdenses. A inda que de passagem . ria da Ig reja C ristã. 1. B uenos A ires. co m o a d e (1226-1250) feita por um g rupo de tradutores d a U niversidade de P aris e a de G u iars d e M o u lin s. foi. B . IV. 108 V d. 106 C f. 1952. O livétan: In: J. The N e w In tern a tio n a l D ictio n a ry o f the C h ristian C h m vh . D . p. J. intitulada: A todos os que am am a Jesus Cristo e a seu evange­ lho. 424.D . B ible Versions: In: P h ilip S ch aff.D . o francês já disp u n h a de ou tras traduções co m p letas das E scritu ras. B ro m iley . B ible V ersions: In: P hilip S chaff. foi p ublicada o utra tradução. D o u trin a e Interpretação d a B íblia. 209. L ib reria P asto r M iguel M o rel. P ouco antes d a v ersão d e O livétan.p o ssiv elm en te parcialm eftte sim patizante do L uteranism o. P. V. A Teologia d o s R efo rm a d o res. p. P. p. 252.F. depois de ser rev isad a. publicou a tradução do N ovo T estam ento em . p. Vol. D octrinal. 172. etc: In: G eo ffrey W. R e lig io u s E n cyclo p a ed ia : o r D ictio n a ry o f B iblical. R elig io u s E ncyclopaedia: o r D ictio n a ry o f B iblical. H istória. M e d ie v a l. O liv é ta n : In: P h ilip S ch aff. 108 A qui tem os o prim eiro testem unho público de C alvino que indica a sua conversão. fe ita entre 1291-1295. exam inem os alguns pontos que ilus­ tram a nossa tese.107 O N ovo Testam ento foi editado em 1534.

11. W arfield). IV. p. p.que fora lapidado dentro de um a análise filológica e literária da m elhor qualidade . 104. S chaff. já revelava o seu gosto literário. na editora C ollin. C alvin a n d C alvinism . K. M . Calvin. D ’A ubigné. 1981. P. D e Clem entia (4 de abril de 1532) . p. W alker. IV. P. nem por quaisq u er tradições hum anas. 171). Faber. W ho's W ho In C h ristian H istory. sol. (1 9 6 3 ). 141ss. (6/3/1531). H istória da R eform a do D écim o -S exto Século. p. p.pelos seus escrito s an terio res à R e fo rm a . The C reeds o f C hristendom . B ible.D . W. 115 G eo rg e a denom ina de “O bra-prim a de erudição” . Vd. 1. 5. 116 V d. D ’A ubigné. F erreira. 19. 4 9 2 . G eneva a n d the Reform ation. H istó ria do P rotestantism o. Influência e Teologia. 1954. 168ss). 113 Jean B oisset. pp. e em 1525 um a versão francesa dos S alm o s. D aniel-R ops. p 109. H istória da R efo rm a do D écim o -S exto S écu lo . D ’A ubigné apresenta datas um pouco diferen tes. A n g u s.L. foi reim pressa.que se tornaria um a de suas m arcas em seus com entários bíblicos. 125. V irginia. p. 100-101. T ranslations of: In: H arry S. A n ta p o lo g ia . Vol. p. G ordon A. Jacobus: In: J. A reform a p rotestante. Justo L. S C M P ress. que não pod em salvar. ele d iz: “N o d ia 30 de O utubro de 1522 publicou um a tradução fran c esa dos quatro E v an g elh o s. D ouglas & P hilip W. H istó ria . diz M cN eill. pp. H istoria d ei C ristianism o. G onzalez. A F o rça O culta dos P rotestantes. p. P arker. 114 T .era um a espécie de L utero antes de L utero. Calvino: Vida. po rém . um a perspectiva sóbria e um estilo próprio de análise . 112 Jo h n T.D . p. tam b ém . V. D o u g las.m o stra que no prefácio da tradução do N ovo T estam ento. The In tellectu a l O rigins o f The E uropean R eform ation. 110 Cf. G rand R apids. em 1546 a trad u ção d e L efèv re foi incluída no “Index” . W allace. C a lv in ’s E xegetical P rinciples: In: Interpretation 31 (1977). S chaff. E d ito r in C h ief. com enta B oisset. S. [Cf. 418. W ilson C.“o principal m onum ento dos conhecim entos hum anísticos do jovem C alvino” . B . D o utrina e Interpretação da B íblia. D o u trin a e Interpretação da B íb lia . e a do A n tig o T estam ento em 1530. p. N o entanto. M cN eill. Vol. acrescenta Parker. sustentando que L efèvre . 4 2 4ss. após alguns expurgos das p assag en s co n sid erad as heréticas. 169. p. U K . M cG rath . A Ig reja cia R en a scen ça e da R eform a: I. p. 57. W arfield. A E ra d o s R eform adores. todos esses livros ju n to s. V. 1990. . J. Ill.114Nesse trabalho . p. L efèvre escreveu: “C hegou o tem po em que N osso S enhor Jesus C risto. N unca é dem ais lem brar que C alvino do m in av a o latim . pp. verdade e vida. Vol. P ortrait o f C alvin. L ondres.116 Já nesse trabalho pioneiro. ainda qu e não precur­ so r d este .T. em 1550. 54. p.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 95 A prim eira obra escrita por C alvino111 foi publicada com seus própri­ os recursos: a edição com entada do livro de Sêneca. p. único. IN C . p. A tradução de L efèvre D ’É taplcs foi d e grande im p o rtân cia p ara a im plantação e d issem in ação d a R eform a na F ran ça (V d. L atourette. p. T im othy G eorge. R onald S.” (M . ger. S chaff. C atherall. M ichigan/E dinburgh. para q u e ninguém se deixe ex trav iar po r loucas p ro m essas ou criatu ras. 1523. p. 126.B . M ichigan: B aker B ook H ouse (T h e W o rk ’s o f B en jam in B. Calvino 150 9 -1 5 6 4 : S ua Vida e Obra. G rand R apids. The N e w In tern a tio n a l D ictionary o f the C hristian C hurch. H istó ria da Igreja C ristã. no dia 6 de N ovem bro os livros restantes do N ovo T estam ento. (T im othy G eorge. em M eaux. G. 69-71.. L essa.112 “Sólido trabalho de um hum anista m ui­ to jo v em e já brilhante” . J. erudi­ çã o . A lister C. The C reeds o f C hristendom . H istória.” (D anielR o p s. p. C om fort. 231). no dia 12 de O utubro de 1524.do qual um a cópia foi enviada a Erasm o . 4. E n cyclo p a ed ia B ritannica. p. 11. P. A Teologia dos R efo rm a d o res. quer que o seu E vangelho seja pu ram en te an u n ciado em todo o m undo. B aker B ook H ouse/ S co ttish A cad em ic P ress. p. 111 N ão co n sid eram o s aqui o prefácio de C alv in o ao trabalho de seu am ig o N icholas D u ch em in . 367.o então jo v em autor (23 anos). Vol. 585. H ansJo a ch im K raus. orgs.113 um “erudito de prim eira linha” . 354). E n cy clo p aed ia B ritannica. A Teologia dos R efo rm a d o res.H . A n g us.C a p ít u l o 2 . org. C hicago. 14-15].115 am plo conhecim ento da literatura grega e rom ana. 1. L efèvre D ’É taples: In: J. 171. A shm ore. 47. h eb raico e grego [Vd. The H isto ry a n d C h a ra cter o f C alvinism . 45]. A nd ré B iéler. B rom iley.

C a lv in ’s C om m entaries. p. (SI 4 5. Irw in. 1. H isto ria de la R eform a. com o h istoriador. II. quando define o tirano com o aquele que “g o v e rn a c o n tra a v o n ta d e de seu p o v o ” .que foi fundam ental na form ação do estilo de C alvino . pp. ao seu m estre de gram ática e retórica. O “hum anism o” de C alvino é visível em sua form ação. 4 2 4-425. E isto eu estava desejoso de testem unhar à p o ste ri­ d ad e que. conhecido hum anista. do q u e g overná-los po r leis e com ju stiç a com o p esso as tratáv eis e o b ed ien tes. C L IE .” (John C alvin. C ultura C ristã. que era cha­ m ado de “Prodígio da França” . Introdução à H erm enêutica B íblica. que tão bem caracterizará a sua vida com o pregador. T im othy G eorge. foi considerado o “triunvirato do hum anism o europeu. L a E ditorial C atólica. M cN eill. 2002.121 Corderius. Vol. p o r q u em é considerado com o d errogatório de sua dignidade d ialo g ar com seus súdi­ to s e em p reg ar a cen su ra a fim de assegurar sua subm issão. & M oisés Silva. C alv in o faria um a crítica aos reis de sua época que g overnam pela força e não pela p ersu asão d os argum entos: “Q uão m anifestam ente isso reprova a pobreza de espirito dos reis de no sso s dias. A Igreja da R en a scen ça e da R eform a: /. Vol. Vol. a Igreja e a esco lástica. M aturinus C orderius (1479-1564) . C alvin's C om m entaries. 234. bu scando antes com peli-los pela força do que p ersuadi-los com hum anidade. 117 Jo h n T. M ichigan. G rand R apids. 210. H isto ria de la F ilosofia. Vol. V d. pp. 62. em 8 de setem bro de 1564. O L ivro dos S alm os. Jorge P. Vol. S.120Posteriorm ente. C . m as qual? exibem um espírito de b árb ara tirania. pp. (1 9 8 4 ).. 195-196. se q u alq u er vantagem p ro v irá a eles de m eus escritos. P hilip S chaff.” [João C alvino. (P refácio do seu com entário de 1 T essalonicenses) p. 307]. sendo inclusive durante algum tem po diretor daquela instituição. p. L os F orjadores dei C ristianism o. escritor e adm inistrador. H istory o f the C hristian C hurch. com o se fossem escravos. M oisés Silva. The . 170.a quem C alvino cham a de “hom em de em inente piedade e erudi­ ção” 119 reconhecendo a sua dívida para com ele. co m en tan d o o S alm o 45. 118 Cf. p. G uillerm o F raile. eles saberão que tem em algum grau o rig in ad o com v ocê.” 118 B udé. M ais tarde. perm anecendo ali até a sua m orte em 1564. X X I. Em F avor da H erm enêutica de Calvino: In: W alter C. 119 John C alv in . São Paulo. convertido ao Protestantism o. “M uitas farpas que d isp a rav a tinham em vista a ordem estabelecida. The C reeds o f C hristendom . piedade e integridade. Vol. III. pp. B aker B ook H ouse C om p an y . K aiser Jr. M cN eill. p. juntam ente com Erasm o (1466-1536) e Juan Luis V ives (1492-1540). 120 N a D ed icatória de I T essalonicenses. era conhecido por sua erudição.H . A reform a p ro testa n te. 308-309. pp. " 7 re v e la n d o . F isher. 1966. co ntribuiu para o reavivam ento do interesse pela língua e literatura gregas e colaborou na introdução do H um anism o na França. 17/02/1550). c em p referir antes ab u sar deles. além de brilhante e laborioso professor. quatro m eses depois de C alvino. foi convidado por C alvino a lecionar na A ca­ dem ia de G enebra. e. X X I. p.96 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a C alvino parece desafiar o soberano. Juan C alvino: Su Vida y Su O bra. p. 367-368).” (D aniel-R ops. 1981. disse: “E u m e reconheço endividado p ara com você pelo p ro g resso q u e foi feito desde então. escritos e atitudes. a in d a q u e em brionariam ente a sua ousadia. filósofo e helenista. 234). Ele apoiou o hum anista Guillaum e Budé (1467-1540). B arcelona. 121 C o rd eriu s m orreu em G enebra.2).A. Vol. Corderius. M adrid. o que C orderius aceitou. 2. 246-247. John T. V III. 16s. C alvino tam bém dedicou o seu Co­ m entário da P rim eira E pístola aos Tessalonicenses (Genebra. A Teologia dos R efo rm adores.

p. V III. não é tanto q u estão de v irar as costas ao hum anism o. “P elo p ecad o estam os alien ad o s d e D eu s.” 123 O hum anism o de Calvino. em bora eon ced am o s não haja sido nele an iq u ilad a e apagada de lodo a im agem de D eus. C .” C ontinua. L o s F orjadores d e l C ristianism o.. S ão Paulo. N a sua carta ao Rei Francisco 1 (1515-1547) da F rança. p. com o já fizem os m en­ ção. (H b 2. para que sejam os por E le libertados. Ju a n C alvino: Su Vida y Su Obra. Todos os hom ens estão “ totalm ente alienados de D eus. o que q u er que resta. 305. o quanto o hom em tornou-se infeliz por ter pecado.15. C alv ino enfatiza em diversos lugares. foi ela. Vol. V III. 1. 110. p.. para que se ­ ja m o s por E le sustentados. E fêsios. 97}.H . para que sejam os dEle ilu m in ados. A Igreja da R en a scen ça e da R eform a: I. Irw in. alien an d o -se de D eus. Vol. 301-302. 261). 122 V d. todavia.4.22). The H isto ry and C haracter o f C alvinism . C alv in o ex p ressa a sua con cep ção “hum anista” . e m ais co n v en ien tem en te.C a p It u l o 2 . 57].122 C alvino diz que W olm ar era “o m ais distinguido dos m estres [de grego]. e scra v o s do p ecad o. com o cri­ atura de Deus. 98. C alv in o . H isto ry o f the C hristian C hurch. escreve: P o is quê m elhor se coaduna com a fé. c o x o s. M cN eill. P h ilip S chaff. 124 A liás. “ P ara C a lv in o . p. 32]. no entanto. 1997.” 124 N a sua obra M agna.” [John C alvin. 373). não há a m ínim a d ú v id a d e que por esta d efeeção se haja alienado de D eus. p. C a lv in ’s C o m m en ta ries. c e g o s . v a z io s de tod o bem . 123 J. d e insp iração firm e e co m ed id a. que rec o ­ n h ecer-n os d esp id os de toda virtude. p. 1998. que lhe m inistrara aula de grego (e tam bém a Beza). não deve ser confundido com 0 “hum anism o secular”. Vol.5). (E f 1. D e um co nheeim ento antropoeêntrieo. B iélcr co m en ta que a eonversão de C alvino é m areada p o r “sua rutura com as eoneepçõcs esp iritu ais do hum an ism o e sua descoberta de um a nova eondição do hom em e da sociedade.” (D aniel-R ops. eo rrom pida a tal ponto qu e. Vol.9). fracos. P araeletos. 22. S ão P aulo. ele passa ao conheeim ento do hom em total. para que só E le g lo rio so avulte e n E le nos g lo riem o s? . p. quem .T. para que sejam os v e stid o s por D eus. Idem . que consiste em reconhecer a grandeza do hom em .” (Aç In stitu ía s. P hilip S ehaff.” [João C alvino. P araeletos. M elchior W olm ar ( f 1561).192. P araeletos. adem ais.. p. (Jo 14. 1995. 125 N a o p in ião do historiador D aniel-R ops.). foi ele im ediatam ente despojado de todas as co isas boas que reeebera. para que sejam os d E le restaurados. é horren d a defo rm id ad e. “Q uando de seu estado original decaiu A dão.125 a quem dedica a prim eira edição de sua obra. 8.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 97 C alvino dedicou o seu com entário de 2 Coríntios (01/08/1546) a ou­ tro hum anista de influência luterana. .195. possivelm ente pode ter despertado em seus alunos o interesse pela R eform a. C alvino rejeitava este tipo de “hum anism o. p. pp. H isto ry o f the C hristian C hurch. D edicatória. a Quem deve adorar e glorificar. A In stitu iç ã o da R elig iã o C ristã . J. para que sejam os por E le p len ificad os. II. essa earta é um “m agnífico treeho de elo q ü ên ­ cia. X V III. A reform a pro testa n íe. desp ojar-n os de todo m otivo de glória própria. que colocava o hom em com o centro de todas as coisas.” (A ndré Biéler. O P en sa m en to E co n ô m ico e S o cia l de C alvin o . p. lai co m o lh e fo i rev elad a pelas S agradas E scritu ras. q u e tem seu cen tro no m istério de D eu s. 207. São P aulo. H isto ry a n d C h a ra cter o f C alvinism . E xposição de H ebreus. “T ão logo A dão alien o u -se de D eus em eonseqüêneia de seu pecado. quanto de ir além dele e m arcar as suas verdadeiras d im en sõ es.” [João C alvino. P elo que. E xposição de 2 C oríntios. pp.

S ão P aulo. S ão P aulo. C am p in as. B erk h o f. D eu s o E spírito Santo. 5 8 3 ss. Vol. portan to. p. p.. 1980. X.3. A s In stituías. 1895. II. p. p. W ayne A. não devem os rejeitá-lo.1. se algum ímpio disser algo verdadeiro. V III. 549. entendendo que Deus é Senhor de todas as coisas. (Ver: P hilip Schaff. S ystem a tic Theology. P latão. [Vd. C ícero . p. São P aulo.2. S ystem a tic Theology..27.E. D. C ap.. C ap. P u b licaçõ es E vangélicas S elecionadas. (Tt 1. 2) A restrição do p ecado feita pelo E spírito S anto na vida dos in d iv íd u o s e na sociedade: “ A obra da graça divina se vê em tudo que D eu s fa z para restrin g ir a d ev astad o ra in flu ên cia e desenvolvim ento do pecado no m undo. A. G rand R apids. C L IE .T. 805. org. (1987). E lw ell. P. visto que todas as coisas procedem de Deus. alim en to . G eneva a n d íhe R efprm ation. C ap. Teologia S istem á tica . Teologia Sistem ática.L . B erkhof. pp. M ichigan. R o n ald S. porém . 1986. água. Além disso. toda verdade é verdade de Deus. I. Fiel a esse princípio. V irgílio.A . podem os dizer que. escreveu: “ A d m ito que a leitura de D em óstenes ou C ícero. 318. M ichigan. H odge. W illiam G. C om entário de L a C onfesion d e F e d e Weslminsíer.2.. jam ais terem os um conhecim ento verdadeiro de nós m esm os. visto que toda verdade pro­ cede de Deus. E erdm ans. P aracletos. L. N em por outra razão nos d esp ojam os de vã glória. E sb o ço s de T h eo lo g ia . B aker B ook H ouse. 155-156.concedendo-lhes os bens necessários à sua existência: chuva. D este m odo. II. 11. p. H om ero. o hom em continua sob o ju íz o de D eus. W allace.4. pode ser resu m id a em três p o ntos. 1999. 11. V ida N ova. v estuário. p. N ashville. II. 1. pp. 1. A s Instituías. senão para que aprendam os a gloriar-nos no S en h or. na A cadem ia de G enebra. pp.98 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a C om o. tudo quanto pode ser corretam ente usado dessa form a?” 129 Em outro lugar: “Se reputam os ser o Espírito de Deus a fonte única da verdade m esm a. 216-217. 1985.12). sem as Escrituras. que nada m ais é do que a co m p re­ ensão d e q u e o E sp írito S anto ex erce in flu ên cia com um sobre os hom ens em geral. 1990. O v ídio. B arcelona. p. B a rata S an ch es. 1998.eleito s e rép robos . Vol. N o entanto. porquanto o m esm o procede de Deus. do m undo e do próprio Deus.” (L. 11. 433ss. 1) U m a atitude favorável da p arte de D eus para com a hum an id ad e em geral . 128 C f. L is b o a . 3. para sua glória. A . abrigo. que mal haveria em em pregar. 4 2 0 -4 2 1 . Teologia S iste m á ­ tica. Vol. p. A.16-17. 121 João C alv ino. S h ed d ..128 Ele diz: “ .2. esta ação do E spírito d ev e ser d istin ta d a S ua operação efetiva no coração dos eleitos através da qual E le os regenera. G rudem . H isto ry o f t h e C hristian C hurch. nada d ev em o s presum ir de nós próprios. pp. L ectures in S ystem a tic Theology. G raça: In: W alter A. tam ­ bém : A s In stitu ía s. É notório que jam ais chega o hom em ao puro conhecim ento de si m esm o até que haja antes contem plado a face de Deus e da visão dEle desça a exam inar-se a si próprio. L uz para o C am inho. E nciclopédia H islórico-T eológica da Ig reja C ristã. E sta doutrina. M artyn L lo y d -Jo n es. São P aulo. C harles H odge. A s P astorais. Esta perspectiva am parava-se no conceito da “G raça C om um ” ou “G raça G eral” de D eus sobre todos os hom ens. assim tudo se d ev e de D e u s presumir. C alvino escreve: “ . 436). N as Instituías. H odge. sol. l2'J Jo ão C alvino. In: A s In stitu ía s. C alvino tinha um a visão am pla da cultura. 1998. entre outros. deve ser dito que esta graça: a) N ão rem ove a culpa do pecado. onde 126 C arta ao Rei F ra n cisco 1 de F rança. X enofonte. Vol.16. lais com o: H eródoto. Vd. P lutarco. D em óstenes. 3) A possibilidade da aplicação da ju stiça civil p o r p arte do não regenerado: A quilo que é certo nas atividades civis ou naturais. XLVIII.. estudavam -se au to res greg o s c latinos.126 Em outro lugar. T h o m as N elson P ublishers. de P latão ou A ristóteles. V ida N ova. X X V III. 4 8 3ss. D abney. R . 99). 654ss. 34-42]. b) N ão su sp en d e a sentença de co n d en ação . Vol. G rand R ap id s.5.2. 1990. por isso. ou de q u al­ . Calvin. SP.” 127 Com o a B íblia é o registro inerrante da Palavra de Deus. H ughes.

.16). porém .. se n eg lig en ciarm os as dádivas de D eus nelas graciosam ente ofere cid as. B uenos A ires/ M éxico. aqui. e todos são co n iventes em fazer com que seus negócios sejam do agrado d o s perversos.2 J. indiretam ente d esdenham de D eus.” 132 Essa com preensão tinha im plicações em outras áreas.133 D ig o .” (J. 130 Jo ão C alvino. 1959. de sorte que ju lg u e devam ser fom en tados. L a A u ro ra/C asa U nida de P ublicaciones.11] que. B rasília. contu d o . pois. /\. na dialética. em que som en te se retenha salva e ilibada essa doutrina. . J.r Instituías. a su ficien tem en te indicar que o d issen tim en to accrca d estas co u sa s não assim necessárias não d eve ser m atéria de separação entre cristãos? Por certo que estará em pri­ m eira plana que em todas as cou sas estejam os em acordo.2. nem a desprezarem os.. /U In stitu to s.” 130 H ooykaas resum e: “Ele era um hum anista talentoso e realista dem ais para aceitar que a Q ueda tivesse levado o hom em a um a total depravação no cam po científico.í Institutos. M as. onde quer que se encontrasse. m as pelas suas obras. todos. m ercê da qual se m antém firm e a q u er o u tro d a elasse deles. C alvino.2. 113 “P aulo. que não d e v e m o s por cau sa de quaisquer d issen tim en to zin h o s abandonar irrelletidam ente a Igreja.2 . por exem plo: C alvino entende que a divergência em questões secundárias não deve servir de pretexto para a divisão da Igreja. E d ito ra U n iv ersid ad e de B rasília. . quando não reprovam os os m aus. E le acrescenta: Se o S enhor nos quis d este m odo ajudados pela o bra e m inistério dos ím pios na física. um a vez que ninguém há que não esteja en v o lto de algum a nu ven zin ha de ignorân­ cia. E crdm ans. A s In stitu to s. a m enos que queiram os ser insultuosos para com o E spírito de D eus. G rand R apids. M ichigan. im p õ e -se que ou nenhum a igreja d e ix em o s. [Vd. 152. na m atem ática e nas d em ais áreas d o saber.. sequer o s m ais d im in u tos.” 131 Essa im parcialidade era com um em Calvino. p.1 5 ]. 11. porventura. (1541). ou perd oem os o engano n essa s co u sa s que possam ser ignoradas não som en te in violad a a sum a da religião. m as.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 99 quer que ela haja de aparecer. 46. N ã o está e le . tam bém isto vos haverá de revelar o S en h o r’ [Fp 3 .24]. São palavras do A p óstolo: ‘T odos quantos so m o s p erfeitos sin tam os o m esm o. 1988. H ooykaas. B reve Tratado Sobre La S anto C ena: In: T ratados Breves. 1. (V d. p. não quereria eu patrocinar a erros. DF. nos d eleita e nos co m o v em ao ponto de nos arreb atarem ” [João C alvino. Packcr. não tanto pela pessoa do perverso. essa é um a esp écie d e co m u n h ão com as obras infrutíferas das trevas. com entou: “Uns e outros erraram em não ter paciência para escutar-se a fim de seguir a verdade sem parcialidade. II. buscando alcançar o favor hum ano.I5 . sem exceção. estão envol­ tos por “algum a nuvenzinha de ignorância” .C a p ít u l o 2 . sc a lgo entendeis de m aneira diferente. J. O lio- . "F undam entalism ” a n d the Word o fG o d . analisando a divergên­ cia entre os Zuinglianos e os Luteranos concernente à C eia do Senhor. 1988 (R eprintcd).. p. sen te d eferência. façam os uso destas. A R eligião e o D esenvolvim ento da C iência M oderna. C alv in o . 1. m as tam bém aquém da perda da salvação. 131 R.l. II. nem a rejeitarem os. para que não sofram os o ju sto castigo de nossa disp li­ cên cia. C alvino. afinal. com agir com c o m p la cê n c ia e serlh es c o n iv e n te . nos atrai m aravilhosam ente. 34].4. nos ensina [E f 5. D avi.12-17). É certam ente um m odo de agir m uito p erv erso q u an d o ccrtas pessoas.

a exp eriên cia de todas as ép o ca s n os ensina quão perigosa esta tentação se torna quando v e m o s a Igreja de D e u s. em M ateus 2 5 . até que as coisas se tornem am adurecidas e ch egu e o tem p o próprio de purificar a Igreja.135 C ontanto que a religião continue pura quanto à doutrina e ao cu lto. nenhum a razão por que um a igreja.1). p. Vol.12. pp. em honra d e sse rem an escen te. que cham a c rivo d e jo e ir a r . . P aracletos. Vol. m as são q u ase que co m pletam ente deform adas. . 134 J. N ão d evem os. se praticavam os S acram entos e se ex ercia algum gênero de m inistério. 1. P aracletos. 401. e por isso nos adm oesta que d e v e m o s suportar os m aus. C alvino. 25]. desd e que contenha uns p o u co s m em bros san tos. e algum as têm não só um as poucas m anchas aqui e ali. o que D eu s aqui declara com respeito a toda injustiça d eve ficar in d elevelm en te im presso em n ossa m em ória. com ju sta razão a le ­ ga ser seu. lançará fora a palha. O L ivro d o s S a lm os. ( . não d e v e m o s deixar-n os abalar em d em asia ante o s erros e p ecad os que o s h o ­ m ens com etem . de san to p o v o de D e u s .4).136 m em q u e vê o perv erso sendo honrado. 115 João C alvino. ali perm an eciam as m arcas da Igreja. a em pregar tod os os seu s e sfo rç o s para que a Igreja de D e u s seja purificada das corrup ções que nela ainda persistem . . o s fiéis são aqui in tim ad os. e que de bom grado dá seu consentim ento ou aprovação. 1. com isso não estará en altecen d o o vício.100 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a in colu m id ad e da piedade e con servad o é o uso dos sacram entos instituíd o p elo S en h or. se ad o rav a um único D eus. (SI 15.” [João C alvino. A s Instituías. ao contrário. (G1 1. de forma algum a ser indiferentes acerca d esse assunto. ) O sagrado celeiro de D eus não estará perfeitam ente purificado antes do últim o dia. e que não está em n osso poder corrigi-los.3 2 . c o m o se com isso a unidade da Igreja fo ss e dilacerada. O Livro dos Salm os. 1. 293"). (SI 50. A cim a de tudo. ou seja. p. o o fíc io peculiar de separar as o v elh a s dos cabritos. 136 Jo ão C alv ino. N em sem pre encontram os nas igrejas tal pu reza com o era de se desejar. . en tão p ro n tam en te n egam os ser ela um a igreja. cada um em su a própria esfera. c o envolvendo de soberano po d er?” [João C alvino. IV. 2. que E le os proíbe de entrar em seu santuário. porém . e pelos aplausos do m undo se torna ainda m ais obstinado em sua perv ersid ad e. em sua vinda. 1999. Entretanto. A in d a a m ais pura tem suas m áculas. N ão devem os ficar tão d esconcertados pelo ensin o e vida de alg u m a sociedade que. G álatas. O Livro dos S alm os. . porém . 287-289. E m outro lugar: “ O nde se professava o C ristianism o. ( .1). para que todos nós que professam os ser cristãos possam os levar um a vida santa e im aculada. não d e v a ser d en om in ad a. nutrindo em seu se io um grande núm ero de hipócritas ím p io s ou p e sso a s perversas. por m ais u n iversal­ m ente corrom pida. em vez da autoridade. São Paulo.2). 1998. com toda propriedade. (SI 15. A o m esm o tem p o. se não ficam os satisfeitos com tudo o q u e sc procede ali. p. pois.134 N ã o vejo. quando C risto. d evem os antes m ostrar-nos absolutam ente sérios. Vol. S ão P aulo. ) M as C risto. M as E le já com eçou a fazer isso através da doutrina do seu E vangelho. que d eve prossegu ir ise n ­ ta de toda e qualquer m ancha p olu en te e resplandecer em incorrup tível pureza. e condena sua ím pia presunção em irreverentem ente introm eter-se na socied ad e dos san tos.

John C alvin. E. 272.137 H á tanla rabugice em quase Iodos e sse s in d ivíd u os que. I'"1Jo ão C alv in o. p.25). São P aulo. E fésios. P aracletos. E xposição de H ebreus. XV. IV. 1998. não apenas em um a parte. B aker B ook H ouse C om pany. os escám ios e as exprobrações.25). P aulo.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 101 T odavia. p. senão q u e o pad rão de p ied ad e d ev e ser to m ad o d a P alav ra de D eu s. p.1). Vol. L em b rem o-n os. (E f 4. E quem quer que persista em tal m oderação ignorará e tolerará m uitas coisas nos irm ãos. G rand R apids.” [João C a lv in o . 108. M ichigan. a regra única. portanto.139 N a sua concepção a hum ildade se constitui num prim eiro passo para alcançar a unidade. 1996. (H b 10.” 141 C alvino entende que Satanás m uitas vezes se vale de nossos bons sentim entos para fazer com que quebrem os a unidade da Igreja.. C a lv in o . a soberba e as injúrias lançadas contra os irm ãos? Donde procede as questiúnculas. 1997. enquanto n ossas m en tes têm o m esm o sentir cm C risto. 351. tam bém isto é de notar-se: que esla conjun ção de am or assim depend e da unidade de fé que lhe deva ser esta o in ício.C a p ít u l o 2 . quando para com ela 137 J. ou para desacostu m ar-n os dela de m aneira fu rtiva. Continua: “Donde procede a im pudência. IW Jo ão C alv in o.(. a m enos que tenham os iniciado com hum ildade. “devem os ser unidos. 141 Jo ão C alv in o. não por isso será direito de cada um em particular a si p essoalm en te assum ir a d e c isã o de sep arar-se. E fésios. porque Satanás está bem alerta.1-5). C alvin ’s C om m entaries.15. 531. 273. tam bém entre si conjun gid as nos hajam sid o as vontad es em m útua b e n e v o lên cia em C risto. (R ep rinted). ressalta que a unidade cristã deve ser na Palavra: C om e feito . I3S João C alvino. quantas v e z e s se nos recom en da a unidade e c lesiá stic a . 109. 1. a não ser do fato de cada um am ar excessivam ente a si próprio e de querer agradar em dem asia a si próprio? A quele que se desfaz da arrogância e cessa de agradar a si próprio se tornará m anso e acessível. seja para arrebatar-nos da Igreja.) Será inútil ensinar a m ansidão. o fim .” 140 Portanto. E m outro lugar C alv in o diz: “D eus só é c o rre ta ­ m en te serv id o q u an d o sua lei for obedecida.142 Após argum entar contra aqueles que cham avam os reform ados de hereges.. (A g 2. E xposição de H ebreus. (E f 4. P aracletos. 142 Cf. N ão se d eix a a cada um a lib erd ad e de c o d ificar um sistem a d e relig iã o ao sabor de sua p ró p ria inclinação. estand o em seu poder. assim . p. O L ivro d o s S a lm o s.Bs É indubitável que a nós com p ete cultivar a unidade da form a a m ais séria. mas no corpo e na alm a. isto ser requerido: que. em busca de um a Igreja ideal. afinal. p. Para este mister. Vol. suposta­ m ente. São P aulo. (H b 10.1). ainda quando a Igreja seja rem issa em seu dever. de bom grado fariam para si suas próprias igrejas. A s In stitu ía s. porquanto se torna d ifícil acom od arem -se aos m od os das dem ais p e ss o a s. 1. .1-4). som os capazes até de reunir textos que falam da santidade da Igreja com o pretexto para a nossa atitu d e. p. (SI 1.

A s In stitu ía s. Deus lhes havia concedido um lugar onde poderiam adorar a Deus em liberdade. se os incrédulos resistirem . 182-183). consola-os m ostrando que apesar dos grandes proble­ m as pelos quais passava o m undo. T. (A lbany. E xp o siçã o de 1 C o rín tio s. estejam o s plen am en te certos de que D eus não está rein an d o ali. se assim fosse. P aracletos. 1998. 125. C ontudo. G eo rg c com enta co m acerto que “C a lv in o não estava d isp o sto a c o m p ro m eter pontos essen ciais em fav o r de um a p az falsa.. E d içõ es P aracleto s. sendo tolerantes a fim de preservar a unidade. p. To the B rethrcn o f W ezel. d ev e­ m os terçar armas contra eles.102 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a nos exorta. O R: A ges S oftw are. não acordo de fiéis a unidade que se processa à parte da Palavra do S en h or. tV. 146 J. que sofriam diver­ sas pressões de luteranos e sobreviviam num a pequena Igreja R eform ada.5 ] ou: seg u n d o C risto [Rm 15. 1996. S ão P aulo. 147 A rceb isp o de C antcrbury. 145 John C alvin. 437. acrescenta im ediatam ente: em C risto [Fp 2 . os exorta a jam ais faze­ rem acordos em pontos doutrinários. d e v e m o s.1 . pp. instaii: “A m elhor form a de prom over a unidade é congregar [o povo] para o ensino com unitário. ao aspecto co n gregacional da ad o ração cristã.” [J. significan do ser conluio de ím pios. C alv in o. A T eologia d o s R efo rm a d o res. m esm o se for n ecessário m over céu e terra. pp. E fésios. 144 Jo ão C alvino. ou seja. a paz da qual a verdade de D eu s é o v ín cu lo. ( IC o 14. essa dita paz seria maldita: N aturalm ente. perseverar na luta. n° 346. é algo m aldito. São P aulo. p. fa­ zer que a n ossa preocu pação prim ária cuide para que a verdade de D e u s seja mantida em qualquer controvérsia. C alvino entendia que essa paz nunca poderia ser em detrim ento da verdade pois.5. Thom as C ranm er (1489-1556)147 escreveu a C alvino . p. (E f 4 . C alv in o . on d e quer que nos en sin a o A p ó sto lo a sentir o m esm o e a querer o m esm o. N os d izeres de S chaff. G eo rg e. à leitura da P alavra de D eus e. m as ele tentou ch am ar a igreja de volta à verd ad eira b ase de sua u n id ad e em Jesus C risto . por fundam ento assum e haver um só D e u s. m esm o desejando a paz e a concórdia.bem com o a M elanchton (1497-1560)148 e a B ullinger (1504J. ( IC o 14. um a só fé e um só batism o [E f 4. C alvino. C alv in o entendia q u e “ o n d e os hom ens am am a d isp u ta.51.” John C alvin C ollection.. que em 1549 havia elaborado o L ivro de O ração C om um . C a lv in o . 1998). P o is a paz. D e fato. D e v e m o s. não obstante. E xposição de 1 C oríntios. Tam bém os desafia a não aban­ donarem a Igreja por pequenas divergências nas práticas cerim oniais. no qual d av a ênfase ao culto em inglês. in d isp en sáveis à d e fe sa do reino de C risto. m antendo com este am pla correspondência.51.33). há um a con d ição para entenderm os a natureza desta paz. 4361.” 144 Para os irm ãos refugiados em Wezel (Alem anha).2.145 Portanto. enquanto que as lutas. [C D -RO M 1.12).33). 148 M elanchton m esm o sendo luterano c am igo pessoal dc L utero desfrutou tam bém de b o a am izad e com C alvino.143 Em outro lugar. P o is se tem os de lutar contra o s en sin am en tos da im pied ade. “ L etter. da qual a reb elião contra D eu s é o em b lem a.146 Em 20 de m arço de 1552. porém . certam ente. em 1554. e não d evem os temer serm os responsabilizados p elo s distúrbios.” (T. 32-34. . são b e n d ita s.

E u tenho freqüentem ente desejado. E ste tratado foi a prim eira obra de teologia sistem ática protestante do p erío d o da R eform a. quando se com em orava a coroação do m onar­ ca. [C D -R O M ]. Selected from the B onnet E dition. estando em seu poder. se pu d esse fazer algo. p orquanto se torna difícil .C a p ít u l o 2 . E d ev em o s nós n eg lig enciar convocar um sínodo piedoso que nos possibilite refutar os erros deles. estando preocupado de m odo especial com a questão da Ceia do Senhor. 368-370). C alvino então responde (abril de 1552). 1998).” John Calvin C ollectio n . constituíssem um a assem ­ b léia em um lugar co nveniente. V I!. Pai de n o sso Senhor Jesus C risto. de bom grado fariam para si suas próprias igrejas. um só Senhor. “L etter. se n ecessário fo sse. N ele M elanehton segue a o rdem d a E p ístola aos R om anos. eu não m e recusaria a cruzar até dez mares. diz. exortando-nos a am ar os nossos irm ãos: (R eto m o aqui. assim nada m ais eficazm ente os une.. 1511 C ranm er. ao m esm o tem po a falta de tolerância. encorajando C ranm er a per­ severar no seu objetivo. 132-133. (A lbany. e eom parando as suas o p in iõ es. eles poderiam discutir todas as principais doutrinas da igreja. A certa altura diz: . onde se realizasse um a consulta m útua. p a rte d e citação j á feita ) “ H á tanta rabugice em quase todos esses indivíduos que. E dinburgh. C alvino escreve. O seu prineipal trab alh o teo ló g ico foi Loci C o m m u n es (abril d e 1521). a sua p reocupação eom T rento era pertin en te e a h istória já dem o n stro u am plam ente esse fato. e união em o p in iõ es reco n h ecidas. n o sso ú n ico Salvador. en tre elas. o corpo sangra. 260)... assim M e la n d ito n “p erm an eceu com o um hom em de p az entre dois hom ens de gu erra. um só batism o. E stando o s m em bros da Igreja d ivid id os. na carta a C alvino. H isto ry o f th e C hristian C hurch. T he B anner o f T rulh T rust. e agora desejo que esses hom ens in stru íd o s e pied o so s que superam outros em erudição e ju lg am en to . m areando época portanto.. 1980. Vol. (Ver: P hilip S chaff. O R : A ges S oftw are.152 O próprio C ranm er com pôs no Livro de O ração Comum.150 C ranm er tinha em vista tam bém a realização do C oncílio de T ren to 151 que estava em andam ento.” (P hilip Schaff. um a só fé. um só D e u s e Pai de tod os nós. na h istó ria da teologia. A oração diz: Ó D e u s. e fo rtalece a o b ra de C risto m ais poderosam ente. tendo eserito cerea d e 150 o b ras. C om entando sobre o egoísm o hum ano que g era divisões na Igreja e. que a d outrina incorrupta do evangelho. Isso m e p reocu ­ pa tanto que. p. 152 L etters o f John Calvin. pp. I4‘J B u llin g er foi am igo.convidando-o para um a reunião no Palácio de Lam beth com o objetivo de preparar um credo que fosse consensual para as Igrejas R efor­ m ad as. co m o e x iste som en te um só corpo e um só Espírito e um a só esperança de n ossa v o c a çã o . A Segunda C onfissão H elvética (1562-1566). por e ssa c a u sa . diseípulo e sucessor de Z ttínglio (1484-1531). retira lod o o ó d io e precon ceito e tudo o m ais que p ossa im pedirnos de ter um a união c con córd ia piedosas.. para que. o Príncipe da Paz: D á -n o s a graça para com seriedad e nos com penetrarm os d os gran­ d es p erig o s cm que nos en con tram os por cau sa de n o ssa s la m en tá v eis d iv isõ e s. pp. “C om o nada m ais tende a se p ara r as Igrejas de D eus que as heresias e diferenças sobre as doutrinas de religião. e p u rificar e p ro p ag ar a verdadeira d o u trin a ?” [Thom as C ranm er to C alvin. H isto ry o f the C hristian C hurch.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 103 1575)149 . N ossos adversários estão ag o ra o rg an izan d o o seu concílio em T rento. Vol. p. um a oração para o culto anual anglicano. no qual cies podem estabelecer os seus erros. 151 C ran m er era um teólogo e estadista. V III. 16].

S ch aff analisa: “ A Ig reja de D eus era a sua casa. portanto. porque S atanás está alerta. T orna-se urgente que abracem os co m fraternal benevolência àqueles q u e nos são ligados po r um a fé com um . E xp o ­ siç ã o d e H eb reu s. P aracletos. ele ainda perm aneceu um católico na m elh o r acep ção da palavra. org. C alvin o ataca aqu eles hum anistas que fazem a ap oteose do ser hum ano e pensam que a realização daquilo que é hum ano pode ser alcançada som en te na presum ida ind ep en d ên cia de D eu s e de Sua revelação. H isto ry o fth e C hristian C hurch. a id éia de que o hom em é a fon te criadora de seu s própri­ os valores e. está m uito in separavelm ente ligad o ao seu m odo global de pensar. c aquela Igreja não conhece nenhum lim ite de nacionalidade e idiom a. 272-273]. pois. de fé e caridade. E le m esm o co m o um hum anista. antes que odiar..153 Retornem os ao nosso ponto inicial: R obert D. O C alvinism o C om o um a F orça C ultural: In: W. diz: É um erro su p or que o duradouro in te re sse de C a lv in o p e lo s e stu d o s h u m an ísticos e p elo d esen v o lv im en to cultural do hom em fo sse um sim p les rem an escente do tem p o que precedeu sua con versão à fé ev a n g élica . no fundo. tratando da visão “hum anística” de Calvino. ou alguns atrativos pessoais. p. Vol. São P aulo. c o n h e c e verdadeiram ente tam bém a D eu s. A través de toda a sua vida. M o m en to s D ecisivos na H istória do C ristia n ism o . se se c o n h e c e verdadeiram ente. incapaz de pecar. e le teve um profundo com p rom isso para com aquilo que é hum ano. 204. (H b 10. para perm itir um a tal interpretação. Sua preocu pação para com o s e slu d o s h u m anísticos e para com aquilo que diz respeito ao que é hum ano.” [João C alvino. E ssa adv ertên cia. N oll. K nudsen. n o sso Senhor. 154 R obert D. 151 Aj>ud M ark A.25). C alvino pode ser cham ado d e ‘hum anista’. p. C a lvin o e S ua Influência no M undo O cidental.. .” (P hilip S chaff. K nudsen. será m uitíssim o difícil m anter um a p erene com unhão entre nós. D e l ato num sentido que precisa ser b em d efin id o e cu id ad osam en te preser­ vado de m á com preensão. 799). rejeitou aquilo que era o coração da idéia de personalidade do R en ascim en to. e orou e trabalhou para a unidade de todos os cren tes. A m é m . e raram en te se en co n tra um en tre cem que acredite que os pobres são tam bém dignos de ser cham ados e incluídos en tre seu s irm ãos. ou van tag en s que nos unam . a fim de serm os en corajados a am ar.R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a 104 p o ssa m o s de agora em diante ser tod os de um só coração. 1997. É indubitável que a nós co m p ete cu ltiv ar a unidade da form a a m ais séria. Os ricos invejam uns aos outros. estará verdadeiram ente aco m o d arem -se aos m odos das dem ais pessoas. de um a só alma. com o corolário im p lícito de que.154 (S egu n d o C alvin o). e p o ssa m o s de um a só m ente e com um a só b oca glorificar-te: por m eio de Jesus C risto. o h om em só se co n h ece verdadeiram ente. estando verdadeiram ente relacionado com D eu s pela piedade. seja para arreb atar-n o s da Ig reja. se torna m ais q u e neeessária a todos nós. ou p ara d esaeostum ar-nos dela de m aneira fu rtiv a. u n id os em um ú n ico e santo v ín cu lo de verdade e paz. O m undo era a sua paróquia. A m enos q u e haja sim ilaridade em nossos hábitos. 13-14. V III. p. S tan fo rd R eid. N ão é m uito extrair desta correlação o pensam ento de que o hom em . quando se co n h ece à luz de D e u s e de Sua revelação. e não nos separarm os daqueles a quem D eus nos uniu. Tendo rom pido eom o papado. p.

. podem os dizer que o “hum anism o” de C alvino era um “hum anism o cristocêntrico” .. Por v e ze s. p. acrescen tou.C a p ít u l o 2 . O C a lv in ism o C o m o um a F orça C ultural: ln: W. em si m e s­ mo. K nudsen. de um lado. lo n g e de ser o cam in h o para a auto-realização hum ana. estará verdadeiram ente relacion ado com D e u s . S tan fo rd R eid. pois. red eseo b erta pelo C ristian ism o refo rm ado.. e do hom em por D e u s. O Humanismo Social de Calvino. 12-13. e le se op ôs aos hum anistas. D e um co n h ecim en to puram ente antropocêntrico. um a distorção daquilo que é h u m an o. perm itia a eada indivíduo co m preender que sua natureza atual era um a .156 De m odo sem elhante. e estando relacion ado c o n sig o pela piedad e. A c iê n c ia de C alvin o.. essa nova im agem do hom em . o estud o do hom em . cujo centro se lo ca liza no m istério de D eu s. o c on h ecim en to do hom em que D eu s revela à sua criatura atra­ v é s de Jesus C risto.11 “E sse h u m a n ism o cristocêntrico. de dar as costas ao hu m anism o e sim de su plantá-lo dan do-lhe talvez as suas m ais am plas d im en sõ es. O h om em . é. sem confundir. sem todavia cair nas en gan osas sín teses alm eja­ das pela e sc o lá stic a rom ana e que im portava evitar a tod o preço. C a lvin o e S u a In flu ê n cia no M u n d o O c id e n ta l. O cam in h o foi aberto pela idéia de que o hom em se to m a hum ano em sua relação com D eu s. C alvin o queria passar ao c o n h e ­ cim en to do hom em total.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 105 relacion ado c o n sig o m esm o . m as sua o p o siçã o não visava tanto ao hu m anism o co m o tal. N ã o se tratava. Edições Oikoumene. C alvin o. con fin ad os no seu orgulho intelectu al e num a con fian ça ilim ita­ da no hom em in com p atíveis com a le cristã. por sua vez. e sim ao ateísm o e ao antropocentrism o e x c lu s iv o de algun s. 19 156 /í/em. àqu ilo para o que foi criado (. é um hum anism o te o ló g ic o que inclui a um tem p o o estud o do hom em e da socied ad e através do duplo co n h e c im e n to d o hom em p elo hom em . enquanto a c iê n c ia da Idade M éd ia foi a teo lo g ia . escreve A ndré Biéler: A d iferen cia ção clara das atribuições d e sses d o is cam pos (teocen trism o e antropocentrism o) ex p lica a grande liberdade com que C alvin o sou b e c o m ­ b in ar as v a lio s a s c o n q u is t a s do h u m a n ism o c o m o s e n s in a m e n t o s in su b stitu íveis da teo lo g ia .157 Em epítom e. p. tornou-se p o ssív el relacionar a idéia de hum anidade à antíte­ se religiosa retratada na Escritura. o estud o de D eu s. 1. São Paulo.155 Para C alvin o. em si m esm a. R esu m in d o. um hum anista. 157André Biéler. a da R en ascen ça foi o hum anism o. foi portanto. ao c on h ecim en to natural do hom em p elo próprio h om em . 1970. org. E o foi no seu m ais alto grau porque.).158 155 R o b e rt D. de o u tro . 20. caracterizando-se pela com preensão de que o hom em encontra a sua verdadeira essência no conhecim ento de D eu s.. A autonom ia hum a­ na pecam in osa. c verdadeiram ente hom em quando responde àquilo que constitui o m odo de ser dc sua natureza. p.

porlanlo.2. Vol. “E la [a doulrina] só será consistente com a piedade se nos estab elecer no tem or e no culto divino. afinal. em recebendo-o.22). C alv in o . 1. quando são guiados pela sua própria opinião sem a pala­ vra ou m andam ento de D eus. (Jo 4. C a lv in ’s C om m entaries. p. tam bém . B aker B ook H ouse C om pany. 1. A s Instituías. X V I1.” (A ndré B iéler.20-21).14. G rand R apids.” 165 O conhecim ento verdadeiro do verdadeiro Deus tem tam bém um sen­ tido profilático. então pergunta: “Quê ajuda.9. A s Instiiuias. a recípro­ ca tam bém é verdadeira: não há conhecim ento genuíno de Deus sem um conhecim ento correto de si mesm o. A F o rça O culta dos P rotes­ tantes.” 166 E. João C alvino.22). conhecer a um Deus com Q uem nada tenham os a ver?” 160 A sua resposta é sim ples: O conheci­ m ento de D eus deve valer-nos “prim eiro. d ev e ob serv ar-se que som os co n v id ad o s ao conhecim ento de Deus.2.. tendo-o por guia e mestre. 1. C alv in o . IW J. 160-161. Vd. não pesquisar com curiosida­ d e. que aprendam os a dEle buscar todo bem e. 1. não é a Deus a quem adoram os. K’7 J. C a lv in ’s C om m entaries.5. sim ­ plesm ente voluteia no cérebro. se o conhecim ento de D eus nos conduz ao culto. inibe o pecado: “Refreia-se do pecado não pelo só tem or do castigo.” 164 À frente continua: “se nós desejam os que nossa religião seja aprovada por Deus. em segundo lugar. não àquele que. com o são cham adas.2. C alv in o .1.2. o conhecim ento de D eus está associado à verdadeira piedade. (Jo 4.” 159 Ele. 1. A s Instituías.” 163 Portanto. são golpeadas por esta sen­ tença. M as essa nova concepção p erm itia-lhe lam bem d esco b rir que ele trazia em si. 1. mas um fantasm a ou ídolo. os hom ens nada podem fazer senão errar.5. conhecer-se a si m esm o e redescobrir q u e io d a a criação era lam b ém co n v id ad a p ara sua renovação (R m 8. (1541). pp. J. Vol. a pieda­ de e a san tifica ção : “ . 47).” 167 Em n atu reza d eg rad ad a e que devia ser restaurada.2. contente com vã especulação. 159. 1981.. ainda assim Lhe trem e à só ofensa. 1. C alv in o . C ada in divíduo podia. se é de nós retam ente percebido e finca pé no coração. traz com o im plicação necessária. mas Lhe traz consigo o culto. p. A s Instituías. que C alvino define com o “reverência asso­ ciada com am or de D eus que o conhecim ento de Seus benefícios nos faculta. que nos induza ao tem or e à reverência. Todas as boas intenções. os traços m aravilhosos de sua identidade p rim e i­ ra. h o n ra -0 e c u ltu a-0 com o Senhor e. m as porque am a e reverencia a D eus com o Pai. Todavia. 160 J. M ichigan. não podem os adorar e servir a um Deus desconhecido: “a m enos que haja co­ nhecim ento. haverá de ser sólido e frutuoso. tam bém : A s In stitu ía s. 161J. A? Instituías. C alv in o . a Ele creditá-lo. 1. porque o conhecim ento de Deus não tem um fim em si m esm o. 164 Jo h n C alv in. mas àquele que. A s Institutos.9. “O conhecim ento de D eus não está posto em fria especulação.” 162 “O Ser essencial de Deus devem os adorar. se nos exercitar na p aciência e na . com o toda pessoa. se ed ificar nossa fé.12. C alv in o . m esm o que infernos nenhuns houvesse. com o por um raio.2. A s Inslilulas. ela tem que descansar no conheci­ m ento obtido de Sua Palavra.1. 162 J.” 161 Isto. disto nós aprendem os que.2. 165 John C alv in. X V II.106 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a C onhecer a Deus significa ter um a perspectiva clara de si m esm o.

C alv in o . P aris. C. ™ J.” [João C alvino. tendo a D eus com o guia e m estre.1). 173-174. pp. 1. M ichigan. 1. M ich ig an . (Philip S chaff. (SI 8. Vol. H isto ry o f the C h ristian C hurch. “V isto que todos os questionam entos supérfluos que não se inclinam p aia a ed ificação dev em ser co m to d a razão su sp eitos c m esm o detestados pelos cristãos pied o so s. 207. SP. A s P astorais.171 No hom em a “Sua im agem e glória peculiarm ente brilham .1).15. a única reco m en d ação leg itim a da do u trin a é que ela nos instrui na reverência e no tem or de D eus. G rand R apids. 1. E erd am an s P u b lish in g C o. 20ss. H.” [João C alvino. p. pp. p. 55ss. C riados à Im agem d e D eus.” 168 R esum e: “O conhecim ento de Deus é a genuína vida da alm a. C alvin.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 107 outro lugar. 1. S ão P aulo.L. especialm ente. presidida por C alvino na C atedral de São Pedro. 174 Cal vino (1509-1564) criou um a A cadem ia em G enebra (5/6/15 5 9 )175 . E assim aprendem os que o hom em que m ais progride na piedade é tam bém o m elhor discípulo de C risto. p. B iéler. 1999.. A s Instituías.26-27). e o único hom em que d ev e scr lido na conta dc genuíno teólogo c aquele que pode edificar a consciência h u m an a no tem or de D eus. © 1948. E d ito ra C ultura C ristã. 37-38. C ap. 192. (A . p. ( IT m 3.. P hilip Schaff. p. H enry M eeter. V d. Introdução à Teologia Sistem ática. 1997. V III. 1992. p. M a n : The Im age o f G od. 300]. O P en sa m ento E conôm ico e S ocial de C alvino. acrescenta: Jam ais o poderá alguém conhecer devidam ente que não apreenda ao m esm o tem po a santificação do Espírito. p.) A fé consiste no conhecim ento de Cristo.173 Fiel ao seu princípio de que “ . 227. relacionar-se com o Seu C riador. A s Pastorais. B erkouw er. buscando nEle todo o bem . (T l 1. 302. (G n 5.9). B aker B ook H ouse C om pany. 82. A M o rte da R azão. C alvino. H isto ry o f the C h ristian C hurch. (G n 1. O Livro dos S alm os. G. E rickson. Van H alsem a. 1966. B arcelona.. um “berçário de pregadores evan g élico s” . p. S ão Jo sé dos C am p o s. V ida N ova. A s Instituías. John C alvin. p.. A F orça O culta dos P rotestantes. 1996. 148ss. p. Francis A. p. J. F IE L .1). (E f 4 . (T g 3. C alv in o . T h ea B. C om m entaries on the E pistle o f Jam es.3 e 4. O P ensam ento E conôm ico e S ocial de C alvino. (.d.. G ran d R ap id s. Iw João C alv ino. portanto. Vol.as escolas teológicas [são] berçários de p asto res” . La Ig lesia e El Estado. (s.2. A ndré B iéler. João C alvino. E erdm ans. 175 D ata da sessão solene de inauguração.. N a ocasião estavam p resen ­ tes lodo C o n selh o e os m inistros. Santos no M undo..E. C alv ino. 164-165]. p.” 169 A dignidade e beleza do hom em estão em ter sido criado “à im agem e sem elhança de D eus” . p. A lisler E.. p. 1984 (R eprinted). 265ss.2.170 podendo. S o b re a relação entre o R cnascim enlo c os P uritanos. V III. 805. B reve In stru c tio n C ristiana. p. Efésios.8. Juan C alvino.2.L . A s Pastorais. P aracletos. X X II). pp.ç Institutos. 170 V ejam -se: J. A. 47. S ch aff usa essa ex p ressão referindo-se à A cad em ia de G en eb ra.). A nthony H oekcm a. M cG rath. a qual estava . J. 171 Vd. Tcxles C hoisis par C harles G agnebin. L eland R yken. 322. E gloff. VI e V II. S ão P aulo.7-9). p. Vol. Segue-se. João C alvino E ra A ssim . 173 C f. A ndré Bicier. 92.3). C alvino rogou a bênção de D eus sobre a A cadem ia. pp. S ão P aulo. E Cristo não pode ser conhecido senão em conjunção com a santificação do Seu Espírito. 195). M ichigan. pp. III.” 1720 conhecim ento de Deus deve nos conduzir ao tem or e à reverência.contando com 600 alunos. consequen­ tem ente. 172 John C alv in. p. 1998.18). M illard J. C om m entaries on The F irst B o o k o f M o ses C a lled G enesis. A Verdadeira Vida Cristã.C a p ít u l o 2 . M ichigan. 820). 25. 136-137. pp. Vol. (C alv in ’s C om m entaries. 5 5-62 (especialm ente). The In telle ctu a l O rigins o f The E uropean R eform ation. 175-177 (especialm ente). 63-91. p. que de m odo nenhum a fé se deve separar do afeto piedoso. 1996 (R ep rin ted ). G rand R apids. Fundación E ditorial de L iteratura R eform ada. Vol. T . (IT m 6. Jo ão C alv in o. S chaeffer. aum entando já no prim eiro ano h u m ild ad e e e m iodos os deveres do am or.

p. 2“ ed. V III. Vol. E sp an h a e H olanda. assim ele se lim itou à A cadem ia. A s taxas eram b aix as até que foram abolidas (1571) conform e pedido de Beza. G enebra se tom ou um grande centro m issionário. sendo reo rg an izad a por C alvino em 1541. aum en tan d o p ara m ais de 13 mil em 1543. H istory o f the C hristian C hurch . W allace. T hea B. 13 m il d e acordo com N ichols (R o b ert H. 113.177 A lém disso. A reunião foi en cerrada com um a breve p alavra de C alvino e oração pelo próprio. p. 63) au m en tan d o este núm ero com os estudantes que para lá se dirigiram com a fundação da A cad em ia de G en eb ra (1559). 263. T am bém . B eza foi proclam ado reitor. Itália. R o n ald S. H istó ria da Igreja Cristã. (Cf. B arcelona. levar para os seus países e cidades o E vangelho ali aprendi­ do. E dinburgh. H isto ria d el P rotestantism o. org. 52). p. W ilson C. CEP.co n trariam en te à D e d e m e n ti a to rn ara-se um sucesso editorial desde o seu lançam ento em 1536. B onivard. “C alvino às vezes é ch am a­ do o fu n d ad o r do sistem a de escola p ú b lica. II. N ova York. diversos estrangeiros que ali resid iam co n trib u íram g enerosam ente. p. . P hilip S chaff. p. no entanto ela havia entrado em decadência. C L IE . Jo ã o C alvino E ra A ssim . 178. O P ensam ento E conôm ico e So cia l de C alvino. Van H alsem a. M cN eill. posteriorm ente. Calvin. El E stan d arte de la Verdad. P hilip S chaff. N ichols. 460. 1. pp. L indsay.108 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a para 900 alunos176 . P h ilip S chaff. S ch aff o b serv a que havia um a faculdade em G enebra. 99. p. Vol. S tanford R eid. Justo L. 192. Vol. p. Vd. 413). H istory o f the C hristian Church. T im othy G eorge. escrev eria m ais tard e a um a am ig a (1556). In flu ê n cia e Teolo­ gia. John K nox (1515-1572). o velho. P h ilip S chaff. 195). A instrução era gratuita. M ichael R oset. 804-805). A inda segundo S chaff. tam bém : T om as M. 117. 12 m il con fo rm e M cN eill (J. 805. desde 1428 cham ada F aculdade Versonnex. W endel nos diz que a p rim eira ed ição da In stitu içã o esgotou-se em m enos de um ano [François W endel. m inistrando um a aula inau­ gural em latim . p. A. 176 Cf. G onzalez. Vol. 1963. p.” (John T. alunos estrangeiros vindos da França. que se d estin av a à preparação de clérigos. p. Vol. C alvino: Vida. B iéler. o secretário de E stado. A reform a protestante. que d o o u to d a a sua fortuna à instituição. p. conseguindo arrecad ar a so m a respeitável de 10. p. 1978. C orrigida. La R eform a y Su D e sa rm llo Social. H isto ry o f the C hristian C hurch. 802. M cN eill. 164)].a quem coube a educação dos protestantes de língua francesa. H isto ry o f the C hristian C hurch. Vol. V III. 193]. 805. p. 196. id em . C alvino in cen ­ tivou a ed u cação fu ndando diversas escolas estrategicam ente d istribuídas na cidade. The H isto ry an d C haracter o f C alvinism . H arp er & Row. p. A fora isso. a sua In stitu içã o . V III. H istory o f the C hristian C hurch. A Igreja da R en a scen ça e da R eform a: I. L em brem o-nos que a população de G enebra era de 9 a 13 mil h ab itan tes [9 mil segundo R eid (W . (Cf. G eneva a n d the R eform ation. São P aulo. C alvino e Sua Influência no M undo O cidental. um a verda­ deira “escola de m issões”. P u b lishers. o grau sendo d ed icad a à ciência e religião. co n tu d o os recu rso s da R epública eram pequenos para isso. havendo tam bém um genebrino. dizendo ser a Igreja de G enebra “ a m ais perfeita esco la de C risto que jam ais hou v e na terra desde os dias dos A póstolos. tendo um surto de crescim ento de 1543 a 1550. 167). L os F orjadores de! C ristianism o. F erreira. leu a C o n fissão de Fé o os estatu to s que regeriam a instituição. 211). A Teologia dos R eform adores. da Itália e de outras cidades da S uíça. 1995. da A lem anha. S ão P aulo. R eid. quando a po p u lação saltou p ara 20 mil [Philip S chaff. p. R icardo C ern i.. p. C o n tu d o até p ara criar a A cadem ia ele teve de pedir de casa em casa donativos. porque os foragidos que lá se instalaram. Vol. p. E m 1564 a A cadem ia co n taria com 1200 alunos nos cursos su p erio res c 300 nos inferiores. Holanda. H istory o f the C hristian C hurch.T. T h ea B. V lll.” C alvino desejava criar um a grande universidade. V III. (Cf. A E ra d o s R eform adores. atingindo em sua m atoria. D an iel-R o p s. 177 G en eb ra chegou a abrigar m ais de 6 mil refugiados vindos da F rança.. Inglaterra. V lll. quem cstudou na A cadem ia. p. A A cadem ia tornou-se grandem ente respeitada em toda a Europa. (1986).S. P hilip Schaff.024 guilders de ouro. C alvin. The C reeds o f C h ristendom . C alvino exerceu p oderosa influência atrav és d a palavra falada e escrita. (Cf. puderam. S ch aff apresenta d ad o s m ais esp ecíficos relativos a cada período: C erca de 12 m il habitantes no início do século 16. Inglaterra. p. p. Van H alsem a. João C a lvino E ra A ssim . 802. A P ropagação do C alvinism o no S éculo 16: In: W.

a últim a . Calvin. In: P refácio à edição F rancesa: Jean C alvin. 1550 (sem alterações: 1553 e 1554)] . Vol. A Institution ch rétienne é. 116-117. pp. sozinha. O M endigo e o P rofessor: a saga d a fa m ília P la tter no século 16. F rançois W endel. IX. tendo m uito m aterial da edição de 1536 (Vd. A lister C .A R e f o r m a P r o t e st a n t e 109 concedido aos seus alunos era am plam ente aceito e considerado em univer­ sidades de países protestantes. S ociété L es B elles L ettres. tipo 8). T ive acesso a um a destas. W arfield com enta que “no sentido literal da palavra. aco n teceu com as d em ais traduções francesas (Cf. 1.que não foi sim plesm ente um a tradução da ed ição de 1539. Tam bém . não am arelaram passadas quinze geraçõ es” . E sta edição original escrita em latim . 112). T im o th y G eorge. 1545). 156). p. adm i­ ra-se L adurie. p. 1936. 1986 (R eim pressão). Vol. L 'In stitu tio n C hrétienne. p. Introduction à Institution de la R elig io n C hrestienne.” (L ucien F ebvre & H enry Jean -M artin . X X II) . Vol. H isto ry o f the C hristian C hurch. I. 111J. Jean C ardier. este livro pode ser realm ente ch am ad o de o trabalho de sua vida ( ‘life -w o rk ’)” (V d. ao q u e p arece. m ais . pp. Vol. O trabalho tipográfico foi prim oroso: “ A s páginas de sua In stitu içã o C ristã e calvinista. esta loi a obra-prim a de teologia sistem ática p ro testan te em lodo esse século. F ran ço is W endel. A reform a protestante. na realidade. O bjetivando facilitar a d ifu são da o b ra de C alvino na F rança. um anagram a do seu próprio n om e que possivelm ente visava d es­ pistar seus inqu isid o res (Vd. p. A Teologia dos R eform adores. Jean C ardier.C a p It u l o 2 . (S obre a saga da fam ília P latter e as p erip écias d e T h o m as P latter. F eb v re diz que “de 1550-1564 [ano da m orte de C alvino] serão publicadas 256 edições.um livro de bolso que facilitava o seu tran sp o rte d iscreto. P hilip S chaff. (V d. L abor et Fides.p u b licad a em G enebra (1559) na tipografia de R obert E stienne. p. C o n fo rm e o próprio C alvino nos diz ele só se satisfez com o arranjo e ordem desta últim a (P refácio à E dição de 1559). a realid ad e é q u e a sua teologia não m udou. ao que parece. 383). C alvin a n d C alvinism . até atingir a form a d efi­ n itiva . cm G enebra (1541) . 4 42-443). V d. eo n clu íd a em agosto de 1535. D aniel-R ops.B. p.passando p o r algum as am pliações. A pesar das sueessivas edições am pliadas da In stitu i­ ção. B. foi trad u zida inteiram ente po r C alvino. E m m anuel L e R oy L ad u rie. 166). 1936. A reform a protestante. D anielR ops. 1557 e a definitiva: 1560. O u. L ’Institution C hrétien n e. O M endigo e o P rofessor: a saga da fa m ília P la tter no sécu lo 16. O M endigo e o P rofessor: a saga da fa m ília P la tter no século 16. nove latinas e d ezesseis francesas das quais a m aioria provém dos prelos g en eb rin o s. Vol. E m m anuel L e R oy L adurie. (Vd. E la ex erceria p o d ero sa in flu ên ­ cia sobre as Igrejas da F rança. A L ife o f John Calvin: A Study in the S haping o f W estern Culture. 1.foi im pressa na tipografia de Jean G irard (ou de M ichel du B ois). p. E sta foi reim p ressa duas v ezes em 1561. L adurie diz que o ponto m ais alto da tipografia d e Platter-L asius foi com a obra de Calvino a qual “projetara T hom as” . V III. M cG rath. 297). tendo o P arlam ento francês inclusive interditado a obra e destruído alguns volum es (1542) e a F aculdade de T eologia a incluiu entre os livros censurados (23/06/ 1545). In stitu tion de la R eligion C hrestienne.d ispunha de 6 cap ítu lo s em ap en as 520 p áginas. 1. V. m ais precisam ente em ja n e iro de 1537 (Cf. Vol. constando d e 980 p áginas e m ais 67 páginas de índice rem issivo (form ato: 18x11. (sem alterações: 1553 e 1554).. na Holanda.. A Instituição. das q u ais 160 em G enebra.esta edição tem um sabor especial pois. com form ato aproxim ado de 15x10 . As m odificações refletem . Vol. pa ssim ). parte da segunda edição latina (1539) circulou subscrita sob o p seu d ô n im o d e A lcuino. G enève. W arfield. 153. Vol. vulgo “R ucli” . ln: P refácio à edição F rancesa: Jean C alvin. (E m m anuel L e Roy L adurie. 374). p. O A p a recim en to do Livro. conform e. teve a sua prim eira edição em m arço de 1536 (B asiléia).” (Justo L. pp. p. 152. 177-178). p. p. não apenas revisada. A tradução francesa (1541) . Calvin. IX. de 1536. S ociété L es B elles L ettres. O historiador católico M arc Venard com enta que a A cadem ia “será daí em diante um vi­ vida N ova. 7). P aris. p. revisões e reorganizações [1536. A Igreja da R en a scen ça e da R efo rm a : I. 113-114.se guindo-se outras: 1545. Jacques Pannier. então. 1539. XX -X X1. ob jeto de 25 reedições. 1955. editada em G enebra por A ntonius R eb u ü n s. p. d iv id id a em 80 capítulos. 1. G onzalez. A Ig reja da R en a scen ça e da R eform a: I. G o n zalez acrescenta: “Sem dúvida algum a. 1551. 1543 (sem alteração. com o por exemplo. p. (V d. ln: P refácio à edição F rancesa com em orativa do 4 o centenário de 1“ edição: Jean C alvin. Jacq u es Pannier. A E ra dos R eform adores. na tipografia dos “ am igosin im ig o s” T h o m as P latter e B althasar L asius. 138) . 1. Paris.

S anta B árbara D ’O este. N ova York. I7‘' D an iel-R o ps. (s. To M onsieur de Falais. “L etters. ele jam ais d eix aria a igreja de G enebra. 178 M arc V enard. John C alvin. financeiros e. fa­ zendo eco a um dito com um . Vol. pp. P reserved Sm ith. D elum eau. P aulus. seguindo a ordem do C re ­ d o A p o stó lico . (Cf. 38-39. 161. 2 Vols. 1995. 1998. São P aulo.110 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a veiro de pastores para toda a Europa reform ada. II. Vol. principalm ente. A reform a pro te sta n te. (Cf. C asa E ditora Presbiteriana.” 181 0 conceituado historiador católico contem porâneo. Vols.. francês: 1560).” John Calvin C ollection. a Instituição tem para a Igreja P rotestante a m esm a relevância d a Sum a Teológica dc Aquino p ara a Igreja C atólica [Vd. OR: A ges Softw are. X V e X V I). E ditorial E stam pa. A Life o fJohn Calvin: A Study in the Shaping o f Western Culture. não aceitou. A R evo lu çã o da C ultura Im pressa: Os p rim ó rd io s da E uropa M o ­ d ern a . A ssim co m o a edição definitiva da instituição. (V d. m as em m eio a inúm eros problem as: adm inis­ trativos. 185.D o C o n h ecim ento de D eus. M cG rath. L. João Calvino E ra A ssim .L. 4 1 5 e E lisab eth L. E d ito ra Á tica. 339. “L etters. The A g e o f The R eform ation. São P aulo. 131-132].a bem da verdade com tons românticos e caricatos . U SA . T. SC M Press LTD. p. n° 665. 445.D o C on h ecim ento de D eus. 2001. Vol. n° 34. To the Physicians o f M ontpellier. L os F orjadores del Cristianism o. A Igreja da R enascença e da R eform a: I. The C reeds o f C hristen d o m . L essa.d. de saúde. 78]. 148). SP. Vol. A L iturgia R eform ada: E n sa io histórico. 12 8-129. “L etters. p. a prim eira edição encontra-se traduzida para o esp an h o l d iretam ente do latim [Institución de la R eligion C ristiana.que C alvino fez de G enebra “a R om a do Protestantism o. A Igreja da R enascença e da R eform a: I. 29. I. . La A urora.. Sua casa do p ão. O C oncílio L ateranense V e o T ridentino. p. Parker. T h ea B. co n sid eran d o o objetivo m ais pedagógico do que m etodológico de C alvino que se har­ m o n izav a m uito m ais com o ideário hum anista do que com o escolástico. H istó ria dos C o ncílios E cum ênicos. 213.179 A form ação dada em G enebra era intelectual e espi­ ritual. [C D -R O M ]. [C D -R O M ].” 178 A A cadem ia contribuiu em grandes proporções para fazer de G enebra “um dos faróis do O cidente” adm ite D aniel-R ops. p. V d. 186). os alunos participavam dos cultos das quartas-feiras bem com o em todos os três cultos prestados a Deus no dom ingo. P ortrait o f Calvin. P ortrait o f Calvin. p. In: G iuseppe A lberigo org. O xford. Bail’d. num a “ torre de m arfim ”. C harles W. 1.O E sp írito S an to e a a p lic a ç ã o da o b ra sa lv a d o ra dc C risto (P n e u m a to lo g ia / S o terio lo g ia) IV . 30. 1920. V icente T. 414. Parker. pode ser. Van H alsem a. p. A L ife o f John C alvin: A Study in the Shaping o f Western C ulture. H. A reform a protestante. p.H. pp. p. 1991. Vd.” John Calvin C ollection. M cN eill. 72. P. N o entanto. 74. p. D an iel-R ops. p. p. A lister E. São Paulo. A ed ição d efin itiv a da Instituição (latim : 1559.” 182 um a p reo cu p ação p ed ag ó g ica do que m etodológica e m enos ainda teológica. V III. quando foi convidado a pasto rear a P rim eira Igreja P rotestante de P aris. J. S chaff. UK & Cam bridge. p. 1954.” John Calvin C ollection. (A lbany. 807). assim esboçada: 1 . p. o R edentor (C ristologia) UI . John C alvin. 181 A p u d C h arles W. A C ivilização do R enascim ento. afirm a . p. To Farei. A L iturgia R eform ada: E nsaio histórico. 148). grosso m odo. E bom lem brar que toda a sua obra foi produzida não num clim a d e sossego e paz. C alvino 1509-1564: Sua Vida e Obra. (U m esboço m ais detalhado pode ser encontrado em T im othy G eorge. O utras com parações In: T. John C alvin. [C D -R O M ]. H enry H olt and Com pany. [Vd. H istory o f the C hristian C hurch. B lackw ell Publishers. o C riador (Teologia) II . E isenstein. M cG rath. (1 9 5 8 ) (O b ra s C lasicas de la R eform a. 1998). A listcr E.). 163. A Teologia dos R eform adores.O s m eios externos de salvação: a Igreja e os S acram entos (Eclesiologia).]. B uenos A ires. p. Bail'd. Londres. 180 Cf.180 U m escritor referiu-se à G enebra deste modo: “Deus fez de G enebra Sua Belém . pp. deve ser lem b rad o que o cam po das com parações entre A quino e C alvino não pode av an çar em d em asia. E xpressão já usada p o r Schaff. T. SO C E P. dom ésticos. N ão é exagero dizer que devido a sua profundidade e coerência teológica. L isboa. 182 Jean D elum eau. 1984. É curioso que m esm o C alvino tendo um a alm a francesa. isto é. Vd.

G ran d R apids. 192-193. em 1646 o Parlam ento escocês aprovou a criação de um a escola para cada região con­ form e indicação do presbitério. W ilso n C . B ak er B o o k H ouse. nem papa. nem basílica. 28. pp. ex-aluno de Genebra. bem com o os recursos das escolas..) P rim eiram en te. 17. 108-116. IV. L. C o m p an h ia E d ito ra N acio n al.. as o rd en an ças eclesiásticas e a p ró p ria p esso a d e C a lv in o d e u m a au to rid ad e p ro fética e apostólica. Ilw Vd. 6“ cd. L u zu riag a. 193. Aqui houve um a cooperação entre a Igreja e o Estado. V eja-se. pp. F erreira. 1977. S chaff. 188-189. 9 7 -1 0 2 . Influência e Teologia. (1541). H istó ­ ria d a E d u ca çã o e d a P edagogia. Calvin. S ão P aulo. 1. m Bartli. “delineou um sistem a nacional de educação que prom etia conduzir a Escócia ao bem -estar espiri­ tual e m ateria l” . 1987. F erreira. p. senão de vida. 11). apelou para doações e legados. 188 Planejam ento da Educação: Um L evantam ento M undial de Problemas e Prospectivas. escre v eu q u e cra um eq u ív o co re v e stir “ a in stitu ição cristã. V I11. 1975. c o m b aten d o a figura de G en eb ra co m o a R om a do P ro te stan tism o . entre os Reform adores. W ilson C. 17“ ed.. G olden B o o klet o fth e True C hristian L ife. nem bispo. Visto que o Estado estava em pobrecido. in flu ên cia e Teologia. Vol. C alvino: Vida. 4.189 Conform e as suas idéias. pp. A ndré B iéler. 187 P. pp. estando a supervisão das escolas e professores entregue à Igreja. em introdução à obra. The C reeds o f C hristendom . 119-128.senão em c a ric a ­ turas. Editora da Fundação Getúlio Vargas. essa perspectiva pode ser adotada por analogia por um católico no entanto. p p. C alvino: Vida. essa figura não existe: não tem os m eca.184 Sem dúvida. o term o R o m a p ro te s­ tan te é u m a flo r d e retó rica sen tim en tal. 17. bem -in ten cio n adas ou m alévolas. 186 John C alv in. Vol.188 tendo a B íblia com o tem a principal de estudo e a gratuidade patrocinada pela Igreja.185 entendendo que “o Evangelho não é um a doutri­ na de língua. R. A n d ré B iélcr. H istó ria da E d u ca çã o n o R e n a sc im e n to . pode ser considerado o pai da N ova Inglaterra e da república A m ericana.” (K arl B arth. C. ele exerceu poderosa influência sobre a Europa e Estados Unidos. P h ilip S chaff. G iles. tão bem sucedido na Escócia. O P ensam ento E conôm ico e S o cia l de C alvino. C alvino: Vida. e penetra no m ais íntim o recesso do coração. p. para nós Reform ados. 185 V d.196. W ilson C. nem catedral. Conferências Prom ovidas pela Unesco. Ver tam bém .C a p ít u l o 2 . p. Rio de Janeiro. In flu ê n c ia e Teologia. F e rre ira .” 187 John Knox (1515-1572). Não pode assim ilar-se som ente por m eio da razão e da memória. senão que chega a compreender-se de form a total quando ele possui toda a alma. Este sistem a. V d. . T extes C hoisis p ar C h a rle s G ag n eb in . H istó ria da E d u c a ç ã o . 198. A ‘R om a p ro te sta n te ’ n unca ex istiu . tam bém . Que Deus nos livre disso tu d o !183 E nos tem livrado. p. João C alvino. 445. C alvino foi quem m ais am plam ente com preendeu a abrangência das im plicações do Evangelho.” 186 Por isso. N u n es. nas diversas facetas da vida hum ana. só viria sofrer alterações significativas no século 19. (. Ele insistiu junto aos C onselhos para m elho­ rar as próprias condições do ensino.. votando-se verba para salário dos professores. pp. pp. M ichigan. Schaff chega dizer que C alvino “de certo m odo. H isto ry o ftlie C h ristian C hurch. T. p. A s Instituías. O P en sa m en to E conôm ico e S o c ia l de C alvino. R u y A. R etornem os a Calvino. 184 C alv in o p esso alm en te ch eg o u a sair p ed in d o don ativ o s de casa em casa para a e sco ­ la.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 111 Bem . p. 8 0 4-805.

T ílulo da obra de Will S. the evangelist o f m o d e m ped a g o g y". P aul K leinert. A R eform a e a E du cação (V ): In: R evista P roposta. D octrinal. a obra ilustrada de C o m én io era am p lam ente estudada em L eipzig. C om en iu s: In: H arry S. Vol. e seus dois filhos m orreram vitim ados pela peste. 131) m Cf. O s G randes P edagogistas. N os. M artin s F ontes. Vd. O s G randes P edagogistas. p. 1885. S ão P aulo.a D idática M agna (escrita em 1632 e publicada em latim em 1657).” 195 Ele foi o últim o bispo da Igreja dos Irm ãos Boêm ios (1632). P. C hicago. Vol. 1978. p. E d ito r in C hief. P orto A legre. C om payré (H isto ire critiq u e d es d o ctrin e s de V éducation. com a invasão da B oêm ia e de sua cidade. p. 41). com o objetivo de trabalhar na catequese dos índios. 1978. E d ito ra C u ltu ra C ristã. apesar de suas tribulações. P iobetta. C om énio foi proscrito em 1621.teve um a vida difícil: órfão aos 12 anos (1604). I.190 natural de Nivnitz. João A m os C om en iu s: In: Jean C hateau. foi bati­ zado com este nom e em hom enagem ao pré-reform ador João H uss (c. C o m p an h ia E ditora N acio n al. Iw N os séculos X V II-X V III. 5a ed. . São P au lo . ao B rasil (1836). H ern iisten M. C ontudo. Em 1611 ingressou na U niversidade de H erborn e em 1613 foi adm itido na U niversidade de Heidelberg (A lem anha).19' A quele que seria conhecido com o Pai da D idática M oderna192 . (Ver: D aniel P. A shm ore. sendo o seu principal trabalho .-P. F red erick Eby. P aris. F. O sg o o d . ela foi dissipada devido à m á ad­ m inistração de seus tutores. P io b etta. (1951). publicada cm B oston (1892): “ C om enius.-P. p. ele foi o “evangelista da m oderna pedagogia. I9! E le foi alcunhado de o “B acon da P ed ag o g ia” conform e a expressão de G. 517 e John C. H erder/ E D U S P. No entanto. al. et. Jo ão A m os C o m en iu s: In: Jean C hateau. org. O P roblem a da E ducação. E d ito ra G lobo. M ichelet. R elig io u s E n cyclo p a ed ia : or D ictio n a ry o f B iblical. (E x p ressão usada po r J. T am bém foi cham ado de “o G alileu da edu cação ” . D esde 1618 exerceu o pastorado na cidade de Fulnek. O m étodo audiovisual encontrou a sua gênese em C om énio. E isen stein . al. A p u d J. 53).112 R a Iz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a O utro p ersonagem de grande d estaq u e é C om énio. 4 o trim estre de 2 002. foi acolhido por um a tia paterna. M ichelet. S ciacca. |. H istorical. A p u d J. et. ju n tam en te com o C atecism o de L utero. 1966. 22-24. Ele pas­ sou a ter um a vida errante pela Europa.193 N este período pôde estudar na escola dos Irm ãos U nidos (1604-1605). P aris. o R egente F eijó ten tará trazer os “ Irm ãos M o ráv io s” . 1369-1415) e iniciador da Igreja M orávia (Irm ãos U nidos). C om énio pôde produzir um a obra vastíssim a ligada especialm ente à educa­ ção (m ais de 140 tratados). M onroe. 1. 154. A R evo lu çã o da C u ltura Im pressa: O s p rim órdios da E uropa M oderna. E x p ressão usada por J. 1998. que m ais tarde.194 De fato. M orávia. C osta. E ncyclopaedia B ritannica. p.196 i‘j" Ver. la­ m en tav elm en te eles estavam “ im possibilitados de atender” o eonvite. perdeu sua biblioteca e m anuscritos e. São P aulo. que foi saqueada e queim ada. C om enius: In: P hilip S chaff. p. a n d P ractical T heology.que resum e bem a sua obra . 1869. Em 26 de abril de 1616 foi ordenado pastor. E lisabeth L. R e­ m in isc ên cia s de Viagens e P erm anência no B rasil ( Rio de Janeiro e P rovíncia de São P a u lo ). K idder. tam bém . No entanto. E ditora Á tica.fils. H istória da E ducação M oderna. onde estudou teologia. João A m ós C om énio (C om enius) (1592-1670). pp. 1 31. São P aulo. (Cf. M . I% C f. Som ente aos 16 anos (1608) é que entrou para a escola latina de Prerau. p. 396). S ão P aulo. na M orávia.J1 C ito com o curio sid ad e. o pior: sua m ulher. grávida. M esm o seus pais tendo-lhe deixado um a boa herança.

E d ito ra M ackenzie. um a árvore. o solicitou para que ajudasse a reform ar o sistem a de escola nacional sue­ co ... E n cy elo p aed ia B ritannica. 59.) Se se devem aplicar rem édios às corruptelas do gênero hum ano. E d ito r in C hief. então com 24 anos. editor-in cliief. Vol. L eibniz (1646-1716). D eigliton. editor-in chief. 1962. 100. Inez A ugusto B orges. S alo m on B luhm . O sgood. D eighton. The E n cyclo p ed ia o f E ducation. m esm a educação e governo. N a verdade. 17. (1606-1676) a presi­ d ir o H arvard C ollege (1642). 19 7 1.198 Em 1656 ele foi. p. p . im porta fazê-lo de m odo especial por m eio de um a eduE n cy clo p aed ia B ritannica. IN C . D idáctica M agna.. O filósofo luterano G. p. The E ncyclopedia o f E ducation. 145. D idáctica M agna. Um de seus desejos era que toda a hum anidade fosse um a só família. S ão P aulo.W. E n cycln p a ed ia B rita n n ica . Vol. tendo em com um um a m esm a língua.. 2002. M orreu em 15 de novem bro de 1670. L isboa. C om enius: In: H arry S. p. já que é mais difícil reeducar o hom em na vida adulta: “. (. 3“ ed. tendo a sua obra exercido grande influência durante a sua vida e especialm ente nos séculos posteriores. IN C. S alom on B luhm . p. proporcionando um a m elhor com preensão dos povos. p. m as também tuas esperanças e teus votos. D em ocracia educacional: “E nsinar tudo a todos” Um de seus princípios educacionais era: “ensinar tudo a to d o s”. cargo que de fato nunca o c u p o u . eidade). 100. A b bagnano & A.C a p ít u l o 2 . Introdução à D id áctica M agna: In: Jo ão A m ós C om énio. os quais não pôde atender. (1 9 8 5 ). com o o do C ardeal R ichelieu da França. tal com o cresce. l . T he M acm illan C o m p an y & T he F ree P ress. dedicou-lhe o seguinte verso: Tem­ po virá em que a m ultidão dos hom ens de bem te honrará e honrará não som ente tuas obras. sendo um dos incentivadores da Escola Pública. V isalberghi. N ão há coisa m ais difícil que voltar a educar bem um hom em que foi mal educado. que em nom e do rei Gustavo A dolfo da Suécia. com os ram os bem direitos ou tortos. II. Joliann A m os C om enius: In: L ee C. Vol. Em 1641 C om énio atendeu o con­ vite de Luís de Gerr. 6. assim perm anece depois de adulta e não se deixa transform ar. 302. da cidade de Ham burgo e de alguns nobres poloneses. A shm ore.A R e f o r m a P r o t e s t a n t e 1 13 C om énio foi o filósofo da educação e o educador m ais im portante do século 17 e um dos m ais im portantes de toda a história. H isto ria de la P edagogia. (s. Joaquim F erreira G om es. Há evidências de que ele teria sido convidado por John W inthrop Jr. 199 com eçando desde bem cedo. . C h icag o . Jo ão A m ós C om énio. 303. 301. alta ou bai­ xa. Vejamos alguns de seus princípios educacionais. Vol. II. E d u ca çã o e P erso n a lid a d e: a d im ensão só c io-histórica da E ducação C ristã. p. à convite.197 N a realidade.. p. John C. F un d ação C a lo u ste G ulbenkian. A educa­ ção seria o grande veículo para atingir este objetivo. 197 Vd. C om énio recebeu ao longo da vida diversos convites. Joliann A m os C om enius: In: L ee C. 1. 6. onde passou o resto de seus dias. ™ C f. N. 1962. viver na Holanda. X .

N ada o m o stra m elh o r que a com paração das bibliotecas das duas com unidades num a m esm a cidade.”200 E ntende que “as escolas são ofi­ cinas da hum anidade. “ N os países reform ados e nas nações católicas.. P ergunta atual? R elev an te? T alvez. nas cidades e nos cam pos. q u e toda a cultura protestante estava v in cu lad a à leitura d a B íblia (V eja-se. en tre 1645-1672.. 88% e 50% na área m édica. no Velho e no N ovo M undo. pp. a B íblia é um livro popular. p. p. C o m o cu rio sidade.. em três cidades da A lem anha renana e luterana ." (Ibidem . A ssim . no qual a porcentagem das m elhores regiões não p assav a d e 4 0 % .. “D este m odo. D idáctica M agna. seja na província (nas novas cidades do o este fran cês a po rcen tagem é de 36% em 1757-1758: em L yon. C om o é fran c a a m ensagem p ara todos os q u e a aceitem . C hartier. 6 3 % em M ary lan d . As P ráticas da E scrita: In: R. C o m p an h ia das L etras. a S ecretaria M unicipal de E d u cação do R io de Jan eiro fez a seg u in te pergunta: “Q ual será a op ção do educador: rep ro d u zir a atual sociedade ou lu tar p a ra tran sfo rm á-la?” (S ecretaria M unicipal de E d ucação do R io de Janeiro. com alguns testem unhos históricos. H istória da Vida P rivada. P or exem plo. org. artesãos ou pequenos fu ncionários. . S chaff. um liv ro tanto p ara o lar com o para o santuário.”201 e: “vivas oficinas de hom ens. In: A va lia ção. N o ssa C rença e a de N o sso s P ais. D id á ctica M a g n a . 25% e 9% entre trabalhadores b raçais e ag ríco ­ las. a d iferença é pequena com relação a outros países protestantes . O autor sustenta que foi com o pietism o que a p rática da leitura se d ifu n d iu am p lam en te na A lem anha (Ibidem .os inventários com livros co n stitu em em m eados do século 18 respectivam ente 89% . 3.”202 2(10 Jo ã o A m ó s C o m én io . com bibliotecas calvinistas dez vezes m ais ricas que as dos católicos. E m 1657. 63% na V irgínia assinalam a presença de livros .3. 116). E a distância é sem pre m uito acentuada. a situ ação é id ên tica para com erciantes. pp. o triplo dos seus hom ólogos católicos. os protestantes tam bém possuem m ais livros: os refo rm ad o s m em bros das profissões liberais têm em m édia. D . E m M etz. S p ey er e F rankfurt . O au to r m ostra. de 35% na segunda m etade do século). ela será tão livre com o o ar e a luz do sol. Q uestionando a A va lia çã o .S . dotando as populações de com petências culturais q u e an tes co n stitu íam apanágio de um a m inoria. X. S.114 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a cação sensata e prudente na juventude. É o livro da v id a. 1987. o advento da im prensa trouxe consigo um a m aior d ifu são da literatu ra im pressa. Vol. “ À frente da E uropa q u e p o ssu i liv ro s estão incontestavelm ente as cidades dos países p rotestantes. M ais nu m ero so s com o proprietários de livros.” C o m o é n otório na H istória.7 5 % dos inventários no condado de W orcester. a fronteira religiosa p arece um fator decisivo no tocante à p osse do livro. 100% e 18% entre p equenos funcionários. assim o v o lu m e que contém a m ensagem deve ser aberto a todos os que queiram ler. p. p. 133ss). 131-133). b em com o acarretou g radativam ente um aum ento significativo da alfab etiza­ ção. seja na capital (na d écad a de 1750 apenas 22% dos inv en tários parisienses incluem livros). e as porcentagens são de 86% e 29% nos m eios ju ríd ico s. os da A m érica. e entre os burgueses a d iferen ça é ainda m aior. é g ran d e a d iferença em relação à F rança católica. 71. seja qual for a categ o ria p ro fissio n al considerada: 75% dos nobres reform ados têm livros. m as apenas 22% dos cató lico s os po ssu em . A o co n trário . em M assachusetts. 85% e 33% entre co m ercian tes. tanto para a cho u p an a com o para o g abinete do eru d ito . 146.o que traduz um belo pro ­ g resso em co m p aração com o século anterior. a fam iliarid ad e com a escrita progride. M ais à frente ele reconhece q u e a leitu ra e p o sse de livro. S ão P aulo.. 5).. 1991. 172-173). C o m én io já fo rn ecera a resposta: “as escolas são oficinas da hum an id ad e. 18-19. Ibidem . seja qual for o nível social de seu p ro p rietário . por exem plo.” escrev e R o g e r C h artier (R oger C hartier. 65. 70% dos inventários d o s protestantes incluem livros contra apenas 25% dos in ventários católicos. p.. 201 Jo ão A m ós C om énio. D edicatória. todas são organizadas em torno do m esm o con junto de livros relig io so s. cito que em 1987. 73% e 5% entre ‘b u rg u eses’. a m en sag em do E vangelho. 52% e 17% en tre artesão s.” (D . p. se tornaram m ais evidentes nos países protestantes. pp. 121-122). “ N o final do século 18 .T ü b in g e n .m esm o que m ajo ritariam en te rurais com o. “ A essa d iferen ça na posse do livro acrescentam -se outras que opõem a p rópria eco n o m ia das b ib lio tecas ãs práticas da leitura. S ch aff observou co rretam ente que: “P ara o protestante. 88% e 77% do total registrado. 202 Jo ão A m ós C om énio. T rad u zid a p ara a linguagem do leitor. N os países luteranos. D idáctica M agna.

nas e sc o la s . fonte da verdadeira fe licid a d e . 353ss. m en os c o n fu sã o . 2% J. 4 2 5 .”203 Portanto. até ao suprem o e eterno senh or de todas as co isa s. m en o s trabalho inútil e m ais só lid o p rogresso.. XXIV. sem ob stácu lo. 73-74. p. D idáctica M agna.1. as n o ssa s m en tes subiriam . A m ó s C o m én io . haja m en o s barulho. Q uanto à so lid e z da moral e da p ied a ­ de. m as todos por igual. considerando indigno o ensino que não conduzisse a esse propósito. m as verdadeira.. e de que se ocu p a a in telig ên cia hum ana. não su perficial m as sólida. A m ós C om énio. haja m en o s trevas. (In tro d u çã o ). entendia que todos os seres hum anos deveriam receber “um a instrução geral capaz de educar to­ das as faculdades hum anas. Ver. m en o s en fad o. pp. 207 J. se habitue a deixar-se guiar. m as pela sua. 44.A R e f o r m a P r o t e st a n t e D este m odo. enquanto anim al racional. X II. ou seja. pela qual. 1ss. e m ais luz. 208 J. 2W J. que o hom em . . discordando de outros teóricos. e não apenas a ler livros e a entender. 139. A m ó s C om énio. 365. D idáctica M agna. ricos e pobres. D id á ctica M agna. “devem ser enviados às escolas não apenas os filhos dos ricos ou dos cidadãos principais. tendo m isericórdia de nós. D id á ctica M a g n a . XXIV. D idáctica M agna.”204 2. p. nobres e plebeus. não pela razão dos outros. p. D idáctica M agna. aldeias e locais isolados. rapazes e m oças. ou ainda a reter e a recitar de cor as o p in iõ e s d os outros.) tod os se for­ m em com um a instrução não aparente. É im p o rtan te ler todo o capítulo. p. A m ó s C om énio. m ais ordem . nas quais se em baraça e se im erge o m undo! A ssim teríam os um a e sp é c ie de escada sagrada. 157.. 205 y e n j A m ós C om énio. Sólido conhecim ento aliado à piedade A piedade para C om énio era um dos alvos fundam entais da educa­ ção.205 P rom etem os um a organização das e sc o la s. IX . na C ristand ade.C a p ít u l o 2 .2011 203 J. e a voltar para o estu d o das c o isa s c ele ste s todas as o c u p a ç õ e s desta vida. M etodologia voltada para o aluno A proa e a popa da n o ssa D id á c tica será in v e stig a r e d escob rir o m étod o se g u n d o o qual o s p ro fe sso r es e n sin em m en o s e os estu d an tes aprendam m ais. m as a penetrar por si m esm o até ao âm ago das próprias c o isa s e a tirar delas c o n h e c im e n to s gen u ín os e utilidade. 15. pp. capaz de n o s ensinar a voltar para D e u s todas as c o isa s que estão fora de D e u s. m ediante todas as co isa s que ex istem e que se fa zem .206 Ele ora a Deus neste sentido Oh! que D e u s. através da qual (. m en o s d issíd io s.207 3.. em todas as cida­ des. nos faça encontrar um m od o e um m étod o geral. 163-164. p. d eve d izer-se o m e sm o . A m ó s C om énio. m ais paz e m ais tran­ q ü ilid a d e.

pertencem os à eternidade. D id á ctica M agna. é necessário que esta vida seja apenas um a passagem . .5. que é nosso dever pensar nos m eios pelos quais toda a ju v en tu d e cristã seja m ais fervidam ente im pelida para o vigor da m ente e para o am or das coisas celestes. IU .”217 Ele apresenta os 21 cânones para conduzir o jovem à piedade. XXIV. sustenta que os autênticos requisitos do hom em são: “ I o Q ue tenha conhecim ento de todas as coisas [instrução]. fonte de tudo [piedade]. D idáctica M agna. p. A m ós C o m én io . 87. A m ós C o m énio. desde o princípio da vida. P orque.209 4. A m ós C o m énio. Aqui não tem os espaço para transcrevê-los.116 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a No entanto. 1V.”215 C onsiderando o hom em com o im agem de D eus. a vida eterna com D eus (céu). 356. p. D idáctica M agna. p. p. 97. 10. 93. 75. 212 J. santo (Lv 19.218 2o) “A prendam . devendo ser.211 sus­ ten ta que a educação não visa apenas a nossa atuação nesta vida (terra) m as. p. D idáctica M agna. p. no entanto. A m ós C om énio. todo os m étodos legítim os devem ser usados acom pa­ nhados de oração para que. A m ós C o m én io . C onsiderando que tem os três espécies de m orada .6.6. 358. pela m isericórdia divina. A m ós C o m énio. D idáctica M agna. o m ais que possam nas coisas que condu­ 2115 J. pois.”216 C om énio entendia por instrução o pleno conhecim ento das artes e das línguas. 76. 214 J. 1V.29).”210 O seu objetivo é que nesta vida sejam os m oldados conform e à im agem de C risto (Rm 8.10. D idáctica M agna. a A cadem ia Eterna:2'2 “F eliz aquele que sai do útero m aterno com os m em bros bem form ados! M il vezes m ais feliz aquele que sair desta vida com a alm a bem lim pa!”213 Toda a sua m etodologia destina-se a isso: “C re­ m os. 11. 92. portan­ to. III. 215 J. os homens sejam salvos e D eus seja glorificado.”214 Este é o fim últim o do hom em : “a beatitu d e eterna com D eus. 91. IV. por honestidade de costumes. Ver. 2o que seja capaz de dom inar as coisas e a si m esm o [honestidade de costum es]. 216 J.o útero m aterno. D idáctica M agna.8 J. a form ação interior do hom em que se revelasse no seu com portam ento. p.3. 3o que se dirija a si e todas as coisas para Deus. p. p.1 J. 211 J. A m ós C o m énio. 21. quero destacar alguns que ju lg o resum ir os seus princípios: Io) “O cuidado para incutir a piedade com ece nos prim eiros anos da infância” . Educação para o tem po e para a eternidade Som os criados para a eternidade: “som os destinados à eternidade. 217 J. e por piedade ou religião. 215 J. D id á ctica M a g n a . 95. a terra e o céu . a ocuparem -se. 2.1. p. 111. A m ós C o m énio. Ver p. D idáctica M agna. 97. portanto. D idáctica M agna. portanto. pela qual a alm a hum ana se liga e se prende ao Ser suprem o. p. A m ós C o m énio. 353.2). “a vene­ ração interior.6. A m ós C o m énio. nos p rep arar para o nosso fim últim o.

rev.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 117 zem im ediatam ente a Deus: na leitura das Sagradas Escrituras.11. 2002. era um p é ss i­ m o c a lv in ista . SP. 2098. estaca). 2211J. que significava o instrum ento de tortura de três paus e que tam bém servia para “ferrar os anim ais rebeldes. 1986. 223 Cf. o m aior de todos o s con d ottieri. 2“ ed. nos exercí­ cios do culto divino e nas boas obras corporais” . nas escolas cristãs. org.H . lenho.”220 À Reforma e o Trabalho “ [A lbert von ] W allenstein. cujo nom e é proveniente da sua própria constituição gram atical: tres & palus (pau. D icio nário E tim ológico N ova F ronteira da L ín g u a P ortuguesa. Vol. M as por detrás de W allenstein estava. aum .223 Le G off nos cham a a atenção para um a conexão intressante: a condenção de A dão .20. XXIV. p. T rabajar: In: J. p. N ova F ro n teira. T rabalho: In: Jacq u es L e G o ff & JeanC lau d e S chm itt. Este é derivado de tripalis. (1954). pp. B auru. S P /São P aulo. C orom inas. São P aulo. p. 1991. R eform a e T ransform ação Social. A m ó s C om énio. D id á ctica M a g n a . só recen tem ente foi revelada: H ans de W itte. D ic i­ o n á rio T em ático d o O cidente M edieval.. 20 e 22.” . R io de Janeiro. Vol. fábricas e m inas. 224 Jacq u es Le G off. 560. A ntônio G eral­ do d a C u n h a.R . Vol. R eligião. coords. 5 20-521.222 Trabalho pode ser definido com o o esforço físico ou intelectual. 4. pp. C o n flu ên cia. L isb o a. 2. “obrar” . E nciclopédia M ira d o r Internacional. p. torturar com o tripalium.219 3o) “Que a Sagrada E scritura seja. por m uito tem p o oculta. 222 H . pp.221 descob riu o segred o de manter um exército pagan do-lhe com as con trib u ições cobradas nas provín cias e cid ad es conqu istadas e alim entando. 2“ ed. D icionário Temático do O cidente M edieval. D iccionário C rítico E tim o ló g ico de la len g u a C astellana.0 J. T rabalho: ln: Jacques L e G o ff & Jean-C laude S chm itt. N ovo D icionário da L ín g u a P ortuguesa. R io de Ja n e i­ ro.e E va .C a p ít u l o 2 . p . E ditorial G redos. o A lfa e o O m ega. “laborar” . M adrid. um outro hom em . 1956. 2. . 19. 1987. O verbo “trabalhar” é proveniente do latim vulgar tripaliar. T rabalho: In: A ntonio H ouaiss. E d ito ra da U n iv ersidade S agrado C oração/Im prensa O ficial do E stado. 221 C h efe d e um a hoste de soldados m ercenários da E uropa. “H ans de W itte. sab em ô-lo hoje. m adeira. 559-560. D idáctica M agna. XX1V. T revor-R oper. apesar de professar o c a lv in ism o até ao fim .. 1695. nos séculos 14-16.que daria a luz em m eio de dores..que após a Q ueda obteria o alim ento em “fadigas” . 360. p. E ncyclopaedia B ritan n ica do B rasil. T revor-R oper. D icionário E tim o ló g ico da L ín g u a P ortuguesa.H . Vol. F erreira. tom ando o sentido de “esforçar-se” . coords. N o v a F ro n teira. designando ainda hoje a sala de parto em um a m aternidade. T rabalho: In: José P edro M achado.” A idéia de tortura evoluiu. cuja presença.R . 10963-10964. dizendo: “A origem etim ológica da palavra ‘trabalho’ aparece com um sentido particular na locução ‘sala de trabalho’. 19. Jacques Le G off..”224 2.. com vistas a um determ inado fim. A m ós C o m én io .779. 360. v estin d o e arm ando os seu s h om en s nas suas próprias o ficin a s. p. T rabalhar: ln: A urélio B . um ca lv in ista de A ntuérpia.

pp. 19. m p a v c u x j í a está associada à “vida e hábitos de um m ecân ico ” . “a finalidade do trabalho não é enriquecer. c) Todo o trabalho está ligado a um a necessidade.”227 Conform e já nos referim os. ao ó cio . p.no sentido manual ( p a v a w í a ) . O xford. 2. p. N a visão de São Tomás de Aquino (1225-1274).226 e in fe rio r à (G%oÀ. M ax W eber. b) O trabalho se propõe sem pre a um a transform ação. 2. 1967. 6“ ed. Procurar riqueza é cair no pecado da avareza. m e­ diante o em prego de determ inada energia . ocupando um lugar proem inente. C laren d o n P ress. todavia. 23s H . A pobreza é de origem divina e de ordem providencial. a posição ocupada pelo trabalho era regida pela divisão gradativa de im portância so­ cial: Oradores (oratores) (eclesiásticos). H avia na realidade opiniões divergentes entre as ordens eclesiásticas a respeito do v alor do trabalho m anual. cam poneses). coords. P a ra um N o v o C o n c eito d e Id a d e M éd ia . 128b). S ão P aulo. o trabalho m anual. considerando o trabalho .228 A inda na Idade M édia. 1935. passe à vida eterna. H istória E conôm ica e Social da Idade M édia. d e sc a n so . o trabalho era no m áxim o considerado “eticam ente neutro. um retorno à idéia grega. (V d.fi). externa ou interna. P iren n e. 88ss. (Ver: Jacques L e G off. “arte m ecânica”. coords.entre duas tradições antagônicas: a greco-rom ana que desprestigia o trabalho e a cristã que o valoriza225 . considerado com o um a necessidade tem poral desprezível com relação aos Cf. p. A E tica P rotestante e o E spírito do C apitalism o. Defensores (bellatores) (guerreiros) e Trabalhadores (laboratores) (agricultores. G reek-E nglish L exicon. d) Todo trabalho traz com o pressuposto fundam ental o conceito de que o objeto. os eclesiásticos. p. 1980.esforço e perseverança. 337 V d. segundo a Igreja rom ana. --1’ Ver: Jacq u es L e G off. à v ida contem plativa e ociosa ( C f % o ? i á Ç c o ) . D icio n á rio T em ático d o O cidente M edieval. D icio nário T em ático do O cidente M edieval. no seu ócio e abstrações “teológicas” é que tinham a prio­ ridade. B iéler com enta: “O trabalho.intencionalidade. E d ito rial E stam pa. T rab alh o : ln: Jacq u es L e G o ff & Je a n -C la u d e S ch m ilt. Vol. 568-569. Ja cq u es L e G off. P ioneira. coords.há de certa forma. T rabalho: In: Jacques L e G o ff & Jean-C laude S chm itt. 1982. Vol. T rabalho: In: Jacques Le G o ff & Jean-C laude S ch m ilt. sobre o qual se trabalha. por um lado. p. especialm ente o trabalho criador de bens e riqueza. e à atividade m ilitar pelo outro. L isb o a. se não decaíra m ais até o nível do trabalho servil da A ntigüidade. especialm ente a partir do século 11. 2.118 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a Etim ologia à parte. D ic io n á r io T em ático do O cid en te M ed ieva l. A renúncia do m onge é o ideal a que toda a sociedade deve aspirar. Jacq u es L e G off. com o sendo algo degradante para o ser hu­ m a n o . M estre Jou. N a Idade M édia . 52ss. m etaforicam ente é ap licad a à “m au g o sto ” e “ v u lg arid ad e” . é de algum modo aperfeiçoável. devem os observar que o trabalho apresenta as seguintes características: a) E nvolve o uso de energia destinado a vencer a resistência ofereci­ da pelo objeto que se quer transform ar . Vol. 568-570). 566. foi. p. até que desta vida m or­ tal. re p o u so . mas conservar-se na condição em que cada um nasceu.229 D esta forma. L iddell & S cott. São P au lo . .” interpreta P irenne.

quando traduziu para o alem ão o N ovo Testam ento (1522). C om entando o SI 15. 23J “O lucro que obtém alguém q u e em presta seu dinheiro no interesse lícito.) E m sum a.5). A F orça O culta dos P rotestantes. p. deve ser a nossa fonte de recursos para a m anutenção de nossa família. não se quer dizer que o hom em deva ser um ativista. fazei-lhes tam bém o m e sm o ’ [7. devem os m encionar que a R eform a resgatou o conceito cristão de trabalho. eram p articu larm en te desconsiderados. M ax W eber. . não será necessário en trar em longa controvérsia em torno da usura. um a vez que tenham os g ravada em nossos corações a regra de eqüidade que C risto p rescreve em M ateus: ‘P o rtan to . contu­ do. R io de Janeiro. O P ensam ento E conôm ico e S ocial de C alvino. U niversidade: In: Jacques L e G o ff & Jean-C laude S chm itt. (SI 15. D icio n á rio Tem ático do O cidente M edieval. M a rtin s F o n tes.12]. tenderam a seguir o exem plo de Lutero. S érgio B u a rq u e de H olanda. receberem os o consolo de saber que não há trabalho insignificante ou nojento que não seja verdadeiram ente res­ peitado e im portante ante os olhos de D eus. p a ssim . Com isto. Um princípio ju s­ to é que em todas as negociações haja benefícios para am bas as partes. 574. 21“ ed.. 118. S ão P aulo. O L ivro dos Salm o s. inglesas e francesas. p. fruto do nosso labor. os negociantes e b anqueiros. m as sim. vivendo sim plesm ente de transações financeiras. sem fazer in jú ria a quem q u er que seja.” Lutero teve um a influência decisiva. A idéia que se fortaleceu é a de que o trabalho é um a vocação divina.5. p. 1989. A ndré Biéler.. que não estudou as artes liberais). 77. p. 299]. Vol. E aqueles que se dedicavam às atividades econôm i­ cas e fin an ceiras. 52 (e notas co rresp o n d en tes). em pregando a palavra èerw /para trabalho. As traduções posteriores.C a p ít u l o 2 . ( . 1991. 1. vítim as do duplo preconceito dos antigos contra o trabalho m anual e do cristianism o contra o dinheiro e a m atéria. A É tica P rotestante e o E spírito do C apitalism o. A Verdadeira Vida C ristã..”230 No próprio currículo das universidades m edievais era explícita a vi­ são desprivilegiada do trabalho: “ . N a ética do trabalho. Vol.232 C alvino diz: “Se seguirm os fielm ente nosso cham am ento divino. Jacq u es L e G off.”233 A inda que o dinheiro em prestado a juros seja perm itido. tu d o qu an to quereis que os hom ens vos façam .as disciplinas ‘m ecânicas’ ou ‘lucrativas’. 232 V ejam -se. não está incluído sob o epíteto de usura ilícila. eram banidas da escola. R a ízes do B rasil. 628. que o trabalho é um a “bênção de D eus. Lutero (1483-1546) e C alvino (1509-1564) es­ tavam acordes quanto à responsabilidade do homem de cum prir a sua vocação através do trabalho. p.234o trabalho honesto. 114. p.” [João C alvino. faz um a longa explanação sobre isso: 230 A n d ré B iéler. coords.. Não há lugar para ociosidade. não devem os nos aproveitar das necessidades alheias. M e rc a ­ d o re s e B a n q u eiro s da Idade M é d ia . J o s é O ly m p io E dilora. em lugar de arbeit.”231 Não nos cabe aqui analisar a história da filosofia do trabalho.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 119 exercícios da piedade. B e ru f acentua m ais o aspecto da vocação do que o do trabalho propriam ente dito. deixadas para os leigos pecadores e ‘iletrados’ (illiteratus quer dizer aquele que igno­ ra o latim. V d. 233 Jo ão C alvino. 231 Jacq u es Verger. p. 2.

G rand R apids. p. C om respeito à usura. p ara podei1 defender-se.” [N. W allace. seja que nom e lhe dam os. M aquiavel.os agiotas se d e i­ xam levar por vida fácil sem fazer c o isa algum a. na sua obra O P ríncipe. tam b ém . p elo s quais tirem p roveito de seu s sem elh an tes. 19). Vd. A Ig reja C ató lica sem pre condenou o lucro. É tam bém algo m uito estranho e deprim ente que. extrem am ente rica. P irenne. ( . pp. e o s m ercadores não só se em penham em variados labores. é raríssim o encontrar no m undo um usuário que não seja ao m e sm o tem p o um extorquidor e viciad o ao lucro ilíc ito e d eson roso. (SI 15. A s Q uestões Sociais e a Teologia C ontem porânea. a Ig reja conseguiu.120 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a N e ste v ersícu lo D avi prescreve aos san tos a não oprim irem seu próxim o com usura. O L ivro d o s S a lm o s. Pou­ pança e Frugalidade. quando para outros é grave e prejudicial. m as tam bém se e x p õ e m a m uitas in co n v en iên cia s e p erigos . O P ensam ento E conôm ico e S ocial de C alvino. am iúde. diz: “ .. Idem . .7. de que toda e qualquer barganha em que um a parte injustam ente se em penha por angariar lucro em prejuízo da outra par­ te. tornando-se desprezível. P iren n e (1 8 6 2 -1935) continua: “E ev id en te que a teoria dista m uito da prática: os próprios m osteiros. A bril C u ltu ral. 61-68. geralm en te. III. 72]. ainda que a sua prática não se harm o n izasse co m a sua teoria. p ois o ob jetivo d e ssa c la sse de p esso a s é sugar o san gue de outras p essoas. (itálicos m eus).5). 237 Vd. M ichigan. B aker B ook H o u se/S co ttish A cad em ic P ress. sab em os que. 165ss. João C alv in o e o D iaconato em G enebra: In: F ides R eform ata. V eja-se. R onald S. A lderi S o u za de M atos. A lé m d isso. Q u an d o à ação prática dos conceitos de C alvino em G enebra. pp. Vol.) sem pre foi p ro ib id o ao clero. 643. diz: “M oisés adm oesta o povo que por 255 Jo ão C a lv in o . . ( . G eneva a n d lhe R eform aíion. C ato desd e outrora corretam ente c o lo c a v a a prática da usura e o h o m icíd io na m esm a categoria de crim in alid ade. Calvin.. e pouco cuidado lhe dê a pecha de m iserável. sim .ç Instituías. 1986. d ed icad a a L o ren zo di M edieis. ) L em b rem o-n os. (2 C o8). e para que não im agin em que qualquer c o isa pod e ser-lh es lícita. E xp o siçã o de 2 C oríntios. C osta.. Vol. p recisam en ­ te quem deveria ser aliv ia d o . “O em préstim o a ju ro s (. que se tornasse p roibida tam bém aos leigos. C alvino. esta im pregnou tão profu n d am en te o m undo com seu .5-6. IX ). pois esse é um dos d efeito s q u e lh e dão a possibilidade de bem reinar. enquanto todos o s dem ais h om en s obtêm sua su b sistên cia por m eio do trabalho.235 C alvino defendeu três princípios éticos fundam entais: Trabalho.6 E in teressan te notar que em 1513. N. 10.4-5. São P aulo. H erm isten M.” (H. . sendo ela m esm a. p ois. (O s P en sadores. 2 97-298.. p. os pobres. enquanto o s côn ju ges se fatigam em suas o c u p a ç õ e s diárias e o s operários servem à com u n id ad e com o suor de sua fronte. nem a forçá-lo a aceitar suborno em favor de cau sas injustas. e.237 C om entando 2Co 8. São P au lo . C on seq ü en tem en te. . A ndré B iéler. in frin g i­ ram os p receito s da Igreja. e reservou o castigo desse delito à ju risd ição de seus trib u n a is. p. 1990. O P ríncipe.. p. p ara não ser fo rçad o a tornar-se rapace. 1. 1973. N ão obstante. III. u m p rín c ip e deve g a sta r p o u c o p a ra n ã o se r obrigado a ro u b a r seu s súditos. H istória E co n ô m ica e S o cia l d a Id a d e M édia. para não se em pobrecer. A. por exem plo. não são o s ricos que são em p ob recid os por sua usura.15. M aquiavel (1469-1527). 2. receb en do tributo do labor de todas as outras p essoas. a p artir do século 9o.236 Note-se que a poupança deveria ter sem pre o sentido social. J.p a ss im . é aqui condenada. 2 /2 (1997). ) A con selh aria a m eus leitores a ser precaverem de en gen h osam en te inventar pretextos. P.

p. 31). E xposição de 2 C oríntios. calcular entradas e saídas e.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 121 algum tem po fora alim entado com o m aná. 32-33). 2000. poder eq u ilib rá -las. O L ivro dos S a lm os.” (João C alvino.. João C alvino. o tem os recebido com a co n d ição d e que o apliquem os em benefício com um da Igreja. para que soubesse que o ser hum ano não é alim entado por m eio de sua própria indústria e labor. Vol. 2. senão pela bênção de Deus. “T odas as bênçãos de que gozam os são depósitos divinos que tem os recebido com a co n ­ dição de d istrib u í-lo s aos d em ais. D am os p referên cia a p o sição e esplendor. “T em os d e com partilhar liberalm ente e agradavelm ente todos e cada um dos favores do S en h o r com os d em ais. 1. 645]. O rig en s d a U niversidade: A Singularidade do C aso P ortuguês. num espelho. Vd. E ditora d a U n iv ersid ad e d e S ão P aulo. N ovo Século. “ Indubitavelm ente a sobriedade significa castidade e tem perança. 2V>Jo ão C alvino. p.15). e proibiu que o hom em exceda por causa da sua abundância. 177. a im agem do pão ordinário que com em os.” (A ldo Jan o tti. (V d. H istória E c o ­ n ô m ica e S o cia l d a Idade M édia. sem reservas m entais. seja por herança ou por conquista de sua própria indústria e labor. 238 R e le rin d o -se ao texto de T ito 2. aqueles que têm riquezas. Idem .” [João C alvino.”239 e sp irito . que era acum ulado com o excesso de ganância ou falta de fé. o b serv a que: “ A p rep o n d erân cia econôm ica se m anifestava tanto através da riqueza ag rária quanto da m o netária: p o ssu ía a Igreja inúm eros dom ínios. p. q u e se rão necessá rio s vário s sé cu lo s p ara qu e se ad m itam as novas p rá tic a s qu e o ren ascim en to eco n ô m ico do futuro exigirá. p. E m outro lugar: “ As E scritu ras ex ig em de nós e nos ad v ertem a co n sid erarm os que qualquer favor que obtenham os do Senhor. com entando a respeito da superioridade intelectual e riqueza da Igreja ro m a­ na na Idade M édia. III. de m odo que não conseguim os im aginar que a form a de um rico cres­ cer é fazendo provisões para um futuro distante e defraudando os nossos irm ãos pobres daquela ajuda que a eles é devida. e logo perecerão. m as para aliviar as necessidades dos irmãos. no m aná vem os claram ente com o se ele fosse.10. 19-20). 2“ ed.” (Ib id e m . e seu possuidor será arruinado juntam ente com elas./! Verdadeira Vida C ristã.4. m as a ansie­ d ade em torno delas é sem pre pecam inosa.238 Por isso. da valorização do capital e dos em préstim os com ju ro s. em seguida o bserva a atitude p ecam inosa com um aos hom ens: “G eralm en te distrib uím os nossas atenções onde esperam os nos sejam elas retribuídas.C a p ít u l o 2 .) A ssim com o o m aná. ficava im ediatam ente putrificado. C alvino enfatiza que o D eus da glória é tam bém o D eu s m isericordioso.. S ão P aulo. Vd. 75. O L ivro d o s S a lm o s.8). pois só ela tinha hom ens habilitados para estabelecer polípticos.. mas ele nos recom endou a frugalidade e a tem perança.) O Senhor não nos prescreveu um ôm er ou qualquer outra m edida para o alim ento que tem os cada dia. p. e desprezam os ou negligenciam os os p o b res. 33). pp. A ssim . (SI 68. a leg iti­ m id ad e dos lucros com erciais. devem lem brar que o excedente não deve ser usado para intem perança ou luxúria. tam bém : João C alvino. com o tam b ém em organização. ln: P irenne. (2C o 8. (. C om entando o S alm o 68. superiores em extensão aos da aristocracia laica. p. ter reg istro s de contas. assim tam bém não devem os alim entar dúvidas de que as riquezas que são acum uladas à expensa de nossos irm ãos são m alditas. ( lT m 6.11-14.” [João C alvino. p. “Tudo quanto extrapola o uso natural é supérfluo. C alvino com enta: “O apóstolo resum e todas as açõ es da nova vida em três grupos: sobriedade. 1992. 45.. Vol. ju stiç a e piedade.. tam bém . (. 36).4-6). A Verdadeira Vida Cristã. com o tam bém o uso puro e frugal das bênçãos tem porais. c para que se aceitem . u m a anedota bastante ilustrativa do conflito da Igreja. pois isto é a única coisa que os legitim a. incluindo a paciência na pobreza. A? Institutos.” (João C a lv in o . Não que algum uso m ais liberal de possessões seja condenado com o um mal em si m esm o. . A ld o Jan o tti. 169]. pp. p. por conseqüência.. São Paulo. A s P astorais. A Verdadeira Vida C ristã.

com o o principal dos sacrifícios. 1997. concernentes ao uso dos bens concedidos por Deus. então devem os invocar seu N om e.. Exposição de Hebreus . 395. que supre a falta de todos os demais. interpretando H ebreus 13. o qual solenem ente dedicou a Si o que ordenou fosse feito em favor dos hom ens. entende que os benefícios que prestam os aos hom ens se constituem parcialm ente em culto a Deus.16. onde nosso amor não se manifesta. e é um genuíno distintivo do amor que os que se encontram unidos pelo Espírito de D eus comunicam entre si. (Hb 13. Por outro lado. fazer conhecida sua m unificência através de ações de graça e fazer o bem aos nossos irmãos. Sobre a vida exem plar de Calvino.241 ‘Repartir com os outros’ tem uma referência mais ampla do que f a z e r o bem . sejam quais forem os benefícios que façamos pelos hom ens.16). a pregação do reformador é o prolongamento de sua ação. A lém disso. e o fato de valorizar tanto nossas obras.. p. 242 João Calvino.16). e não sobra nem tempo nem lugar para qualquer outro. no entanto con ­ sidera nosso ato de invocar seu N om e como Sacrifício.122 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a 0 Comportamento Cristão na Riqueza e na Pobreza Calvino. Importuna persisten­ 240 João Calvino. 394. A modéstia em que vive com seus colegas é proverbial e toca as raias da pobreza. se porventura queremos oferecer sacrifício a D eus. Inclui todos os deveres pelos quais os hom ens se auxiliam reciproca­ mente. (Hb 13. escreve A ndré Biéler: . E sses são os verdadeiros sacrifícios com os quais os verdadeiros cristãos devem comprometer-se. e lhes imprime o título de sacrifício. Em suma. Pode-se perceber em suas orientações a fundam entação teológica de sua prática. aliás. . p. o nosso auxí­ lio recíproco revela a unidade do Espírito em nós. Paracletos. p. Exposição de Hebreus. D eus os considera com o feitos a Ele próprio. uma vez que nos desviam da genuína forma de sacrificar. 241 João Calvino. mas também a D eus m esm o.2411 N ão é uma honra trivial o fato de D eus considerar o bem que fazem os aos homens com o sacrifício oferecido a Ele próprio. 394. não só despojamos as pessoas de seus direitos.242 Seguem alguns princípios apresentados e vivenciados por Calvino. Portanto.16). para que fique evidente que os elem entos da lei são agora não apenas supérfluos. Não am ar ao nosso próxim o constituí-se num a ofensa a Deus e às pessoas. que as denomina de sa n ta s. Exposição de Hebreus. Suas providências em favor dos deserdados são constantes. sendo isto um a grande honra que D eus nos concede. Embora D eus não possa receber de nós nenhum benefício. São Paulo. mas até mesmo nocivos. (Hb 13. o significado consiste em que.

”244 Os recursos de que dispom os devem ser um estím ulo a serm os agra­ decidos a Deus por sua generosa bondade: A luz desse fato aprendemos. F undación E d ito rial dc L iteratu ra R eform ada. O H u m a n ism o S o c ia l de C alvino. escreve: “Davi afirm a que a prosperidade havia obnubilado de tal form a seus sentidos. 245 Jo ão C alvino. 1.diz: “.6). pp. a m enos que o Senhor queira nos prosperar. ÍII. 246 Ju an C alvino. graças.4). “Às vezes pensam os que podem os alcançar facilm ente as riquezas e as honras com nossos próprios esforços. 631. 2000. rendendo-Lhe. (SI 30.”246 C o­ m entando o Salm o 30. ao esquecer-se de sua m ortal e m utável condição de ser hum ano. que os que são responsáveis pelo presunçoso uso da bondade divina. 244 Jo ão C alvino. O Livro dos Salm os.243 Vejamos. pp.quando Davi reflete a sua m om entânea confiança no sucesso adquirido . 165-166. 40-41. lembrá-los de que ela tem sido gratuitamente conferida aos que são.245 2. Usem os deste m undo com o se não usássem os dele Devem os viver neste m undo com m oderação. e ao pôr dem asiadam ente seu coração na prosperidade.. 241 A n d ré B iélcr. sem colocar o coração nos bens m ateriais pois.. Davi reconhece que havia sido justa e merecidam ente punido por sua estulta e precipitada confiança. porém . 1967 (N ueva E dición R evisada). . fazendo m enção da m es­ m a passagem . pois. criaturas vis e desprezíveis e totalmente indignas de rcceber algum bem da parte de Deus. (SI 8. que deixou de pôr seus olhos na graça de Deus. Vol. ou com o se a possuíssem por seu próprio mérito. Vol. N ovo S éculo. O Livro dos Salm os. antes.C a p ít u l o 2 . Em tudo devem os contem plar o Criador. 45. D epois da chacina dos protestantes em Provence. tais preocupações nos fazem esquecer da vida celestial e de “adornar nossa alm a com seus verdadeiros atavios. or­ ganiza pessoalm ente uma coleta geral. em 1 5 4 5 . P aíses B ajos. 247 Jo ão C alvino. tenham os sem pre presente que estas coisas não são nada em si m esm as.4. com o se a possuíssem por sua própria habilidade. Institución de la R eligión C ristiana. Qualquer qualidade estim ável. p. São P aulo. enquanto que sua origem deveria. e dar-Lhe G raças E sta ação é resultado do reconhecim ento de que tudo que tem os foi criado por Deus a fim de que reconhecêssem os o seu autor. subindo as escadarias dos edifícios repletos de refugiados para recolher a esm ola de todos. A Verdadeira Vida Cristã. que ela nos estim ule a celebrarmos a soberana e imerecida bondade que a D eus aprouve conceder-nos. R ijsw ijk.. 1. também. ou por m eio do favor dos dem ais.10.6 .”247 Em outro lugar. p. assim . e que não poderem os abrir cam inho por nossos própri­ os m eios. que porventura virmos em nós m esm os. se aproveitam dela para orgulhar-se da excelência que possuem.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 1 23 temente os conselheiros da cidade para que tomem medidas de atendimento aos pobres. ao contrário. alguns dos princípios estabelecidos nas Instituías. 1. agora.

C on fo rm e já citam os. 1996 (C a lv in ’s C om m entaries. se atormentará com o desejo de outra mais rica e abundante. com o tam bém ser honrado. John C alvin.124 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a da qual deveria depender continuam ente. sem dúvida deve regular-se pelo princípio de que deve regalar-se o mínimo possível. (IT m 6. 254 Vd.10. com enta: Quem sofre a pobreza com impaciência.253 A tendência é de nos envaidecerm os com a abundância e nos depri­ m ir com a carência. 252 Jo ão C alv in o.250 O pobre deveria aprender a ser paciente sob as privações. p. ao contrário. 3. 74.20.16.8).” (Fp 4. lJo 2. 24‘' J.12). usem os m oderadam ente da abundância Seguindo o que Paulo disse aos Filipenses: “Tanto sei estar hum ilha­ do. p. 74. Vol. M ichigan. 73.251 D evem os aprender a superar a pobreza quieta e pacientemente.254 “ Aquele que é im paciente sob a privação m anifestará vício oposto quando estiver no m eio do luxo. p.” [João C alvino..15). III. 47. A V erdadeira Vida C ristã. aprendamos a controlar nossos desejos de modo a não querermos mais do que é necessá­ rio para a manutenção de nossa vida.17).252 Para assegurarmos que a suficiência [divina] nos satisfaça.10.ç P astorais.1-4. 253 Jo ão C alv in o.. 255 Jo ão C alv in o . . devem os usar nossos bens com m oderação: . 111. In stitu tio n . P ara m uitos de nós. Em vez disso. toda vã ostentação de abundância . e desfrutar da abundância com m oderação.4.5. agir de modo santo MSJo ão C alv in o .”248 Portanto. p. A. G rand R apids. que tem os que estar mui atentos para cortar toda superfluidade.14.devem estar longe da intemperança! e guardar-se diligentemente de con­ verter em impedimentos as coisas que se lhes há dado para que lhes sirvam de ajuda. Fp 3. 169. C alv in o . Suportem os a pobreza. B aker B o o k H ouse C om pany. 2511 J. (IT m 6. A Verdadeira Vida C ristã.. p. In stitu tio n . Cl 3. A s P astorais. C alvino entendia que: “Q uando d ep o sita m o s nossa co n fiança nas riquezas. que quem não se con­ tenta com a mesa frugal. e. p.”255 Paulo sabia. não se ensoberbecer com a riqueza pode ser m ais difícil do que não se desesperar com a pobreza. 251 João C alv in o . para não se en­ contrar atormentado com uma excessiva paixão pelas riquezas. Hb 11.19. 124. Quero dizer com isso que quem se envergonha de andar pobremente vestido. A Verdadeira Vida Cristã. ainda que a liberdade dos fiéis com respeito às coisas externas não deva ser limitada por regras ou preceitos.249 (Jo 15. C alv in o . mostra o vício contrário na abun­ dância. creu que poderia andar por suas próprias forças e im aginou que não cairia jam ais.12). p. 17.. na verdade estam os transferindo para elas as p rerro g a­ tivas que perten cem ex clusivam ente a D eu s. 182]. X X I) (Fp 4 . C om m entary on the E pistle to the P hilippians. se vangloriará de ver-se ricamente ataviado. A Verdadeira Vida Cristã. por experiência própria.

Mas quando ninguém possui o suficiente parà suas necessidades pessoais.E . (SI 48. 259 Deus concede-nos bens para que o gerenciem os. O apóstolo Paulo constitui-se num exem plo de sim plicidade em qualquer situação (Fp 4.3. ‘Dá conta de tua m ordom ia’ (Lc. T . Ele sem pre continuará sendo Senhor e Dono de tudo” .6). para que não caiam os na torpeza do excesso. Vol. pois.) E ainda que os hom ens possuem cada um sua porção segundo Deus os há engrandecido m ediante os bens deste m undo. p.C a p ít u l o 2 . C alvino observa que tem os que usar m oderadam ente dos recursos qpe Deus nos deu.14). III.. pp.3). 10.L . e em contrapartida admite ser também assistido pelas dádivas alheias. 16. 430. então surge um vínculo de comunhão e solidarieda­ de. III.. (S erm on n° 2). pois que cada um se vê forçado a buscar empréstimo dos outros. sabendo que em Cristo poderia suportar e vencer qualquer situação. nem deixa de ter senhorio sobre elas (com o o deve ter) por ser o C riador do m undo. P aracletos. Em tudo Paulo era agradecido a Deus (lT s 5.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 1 25 em am bas as circunstâncias. São P aulo.2). D este m odo. e ainda reparte com seus irmãos as dádivas recebidas. tudo que tem os constitui-se em um depósito do que um dia terem os de d^r conta. . revelarão a sua arrogância e orgulho. Jenison.256 “Os bens terrenos à luz de nossa natural perversi­ dade. 258 Jo ão C alvino.”257 C alvino insiste no ponto de que aqueles que não aprenderen) a viver na pobreza. (. 1997. não devem os perm itir que obscureça o conhecim ento do poder e da graça de D eus. 2. Ele continua sendo o Senhor de tudo: “Q uando Deus nos envia riquezas não renuncia a sua titularidade. “Temos. El S e n o rd io y El S enor quito: In: Serm ones Sobre Job. e portanto devem os ponderar. atentando-nos especialm ente para epta dou­ trina: tudo quanto possuím os. por m ais que pareça digno da maiofl estim a. 355-356. C alv in o. O L ivro d o s S alm os. 1988. de adm inistrá-las com o se de contínuo.L . 10. 255 J. não obstante. da vanglória e da arrogância (R m 13. quando ricos.5.12). 42. p. que a com u n h ão d o s sa n to s só é possível quando cada um se vê con ­ tente com sua própria medida.258 4.260 256 J.. In s titu tio n . C alvino. 2W) Juan C alvino.as pessoas desejam possuir o bastante que as poupe de depencjer do auxílio de seus irmãos. ressoasse em nossos ouvidos aquela sentença. C a lv in o . Ele tam bém entende que na pobreza é que tendem os a nós tornar m ais hum ildes e fraternos: Todas. Som os A dm inistradores dos B ens de Deus A B íblia nos ensina que todas as coisas nos são dadas pela benignida­ de de Deus e são destinadas ao nosso bem e proveito. In stitu tio n .18). Acjmito. E xposição de R o m a n o s. M ichigan. 257 J. pois. tendem a ofuscar nossos olhos e a levar-nos ao esquecim ento qe Deus. (R m 12.

(SI 62. 11. 631. 267 Jo ão C alv ino. m Jo ão C alv ino.. som os levados a ignorar quão frágeis somos. De onde se infere que nem sem pre Deus declara am or aos que Ele faz prosperar tem poralm ente.”265 C om entando o Salm o 62.6). p. p. 580. Vol.? P astorais. 168]. e a se precipitarem em lançar injúria contra seus sem elhantes. Jenison. (1 T m 6.. d ev eras. afirma: ”Se alguém quiser ju lg ar pelas coisas presentes quem Deus am a e quem Deus odeia. p. ( lT m 6.8 ). E scla­ recendo um a interpretação errada de Eclesiastes 9.6). p o is a razão p e la q u al não aceitam o s esse lim ite está no fato d e n o ssa an sied ad e ab arcar m il e um a ex istê n c ia s. que não sou p obre. (SI 30. “ N o ssa co b iça c um ab ism o in saciáv el. e quão soberba e insolentem ente nos exaltam os contra D eus. (1541). m ais prudentem ente deve ele vigiar para não ser preso em tais m alhas.E . 2.261 Por sua vez. para o nosso bem . “ . visto que a prosperidade e a adversidade são com uns ao ju sto e ao ímpio. 265 Jo ão C alv ino. 1. p. 4 6 ).269 Portanto. p. tam bém entendia que a prosperidade po­ deria ser um a arm adilha para a nossa vida espiritual: “N ossa prosperidade é sem elhante à em briaguez que adorm ece as alm as. (. (SI 30. 169]. o Senhor nos ensina através de várias lições a vaidade dessa existência. ou seja..L . 181. diz: “P ôr o coração nas riquezas signi­ fica m ais que sim plesm ente cobiçar a posse delas. D c sorte que podem os co n si­ .”268 A nossa riqueza está em Deus.6). 1988. Aquele que soberanam ente nos abençoa..” [Jo ão C alv in o . 4. 168. 2m ". p.264 Os servos de Deus não podem ser reconhecidos sim plesm ente pela sua riqueza.126 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a Para C alvino a riqueza residia em não desejar mais do que se tem e a pobreza. 227.10).4. Ver tam bém : João C alvino.”267 “Q uando depositam os nossa confiança nas riquezas. trabalhará em vão.”263 D aí que. p. a gló ria dc D eu s deve resplandecer sem pre e nitidam ente em todos os dons com os quais p o rv en tu ra D eus se agrade em abençoar-nos e cm adornar-nos. A? P astorais.”266 Em outro lugar: “Quanto m ais liberalm ente D eus trate al­ guém .10." (Jo ão C alv in o . O Livro dos Salm os.T .. O Livro dos Salm os. o oposto. O L ivro dos S alm os. Vol.. 261 Jo ão C alv ino. avaliar 261 “C o n fesso . O L ivro d o s Salm os. (lT m 6.”262 “Aqueles que se afer­ ram à aquisição de dinheiro e que usam a piedade para granjearem lucros. na verdade estam os transferindo para elas as prerrogativas que pertencem exclusiva­ m ente a D eus. na verdade o pior efeito a ser tem ido de um espírito cego e desgovernado desse gênero é que. A? Instituías. ( lT m 6. 2<’2 Ju an C alv ino. ( lT m 6. levando pron­ tam ente os hom ens a nutrirem presunção em seu procedim ento diante de D eus. as q u ais d eb ald e son h am o s só p ara n ó s. a m en o s que seja ela restrin g id a. p. pois não d esejo m ais além d aq u ilo qu e p o s­ su o . p. 633. (Scrm on n° 19).7). A s P astorais.. tom am -se culpados de sacrilégio. com o tam pouco declara ódio aos que Ele aflige. A í P astorais. p. í4 Verdadeira Vida C ristã.) É invariavelm ente observado que a prosperidade e a abundância engendram um espírito altivo.. “Todos quantos têm com o seu am b ici­ oso alvo a aq u isição de riquezas se entregam ao cativeiro do d iab o ” [João C alvino.17). Vol. 1. 182. ao que serve a Deus e ao que Lhe é indiferente.1. Jo ão C alvino. e a m elh o r fo rm a de m an lê-la sob co n tro le c não d esejarm o s n ad a além d o n ecessá rio im posto p ela p resen te vida. p. 268 Jo ão C alvino. na intoxicação da grandeza externa. M ic h ig a n . A s P a sto ra is. Vol. El U so A decuado de la A fliccion: ln: Serm o n es Sobre Jo b . Im plica ser arrebatado p or elas a nutrir um a falsa confiança. é um a tentação m uito grave.L . M as.17). 2W V d. 1. 60.

pp. Ele constata com tristeza: Quase ninguém é capaz de dar uma miserável esm ola sem uma atitude de arrogância ou desdém. que ater-se à regra da caridade. sendo eu. que não há outra maneira de despensar devidamente o que D eus pôs em nossas mãos. antes deve ser praticada com amor. p. O H u m a n ism o S o cia l de C alvin o .. 270 Jo ão C alv ino. p. prontidão. com o de fato sou.C a p It u l o 2 . p. p. C alvino. Ver tam bém A ndré Biéler. A piedade que surge do coração fará com que se desvaneça a arrogância e o orgulho. uma lingua­ gem educada. O L ivro d o s Salm os. 39. (SI 56. soberba. III. Vol. ao fazer o bem a nossos irmãos e mostrar-nos humanitários. oferecendo sua ajuda com espontaneidade e rapidez com o se fosse para si mesmos. uma expressão amáve!.5. com o tudo que tem os provém de Deus. Seu dever é mostrar uma verdadeira humanidade e misericórdia. p. trabalho ou boa sorte. te­ nhamos em mente esta regra: que de tudo quanto o Senhor nos tem dado. D aí resultará que não som ente juntaremos ao cuidado de nossa própria utilidade a diligência em lazer bem ao nosso próximo. (SI 4 8 . 346. e nos prevenirá de termos uma atitude de reprovação ou desdém para com o pobre e o necessitado. O Livro d o s Salm os. (SI 17. ™ Jo ão C alv ino. 356]. 72-74. subordinaremos nosso proveito aos dem ais. mas antes ter sem pre presente que D eus é quem prospera e abençoa. 2. com o que podemos ajudar a nossos irmãos. A Verdadeira Vida C ristã. e em nenhum a outra fo n te. 2. “o dinheiro em m inha mão é tido com o m eu credor.”270 Quanto ao dinheiro.14). 272 Jo ão C alvino. ostentação e vaidade. In stitu ció n . esta ajuda não poderá ser com arrogância.274 d erar-n o s ricos e felizes nele. som os despenseiros. Vol. senão que incluso. 42.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 127 alguém o am or e o favor divinos segundo a m edida da prosperidade terrena que ele alcança. 504. .3 ).) A o praticar uma caridade. Em primeiro lugar. (. 273 J. hum ildade.”272 Jesus Cristo é quem nos pedirá conta.7. deveriam se colocar no lugar daquela pessoa que n eces­ sita de ajuda. Portanto. Vol. 1.” [João C alvino. A Verdadeira Vida C ristã. seu devedor. com batendo todo excesso. O Livro d o s S a lm o s. 371 Jo ão C alv ino. os cristãos deveriam ter mais do que um rosto sorridente. cortesia e sim patia. O m esm o Jesus. e simpatizarem-se com ela com o se fossem eles m esm os que estivessem sofrendo..273 No entanto. que em sua vida terrena viveu de form a sóbria e m odesta. que estamos obrigados a dar conta de com o o temos realizado.”271 Som os sem pre e integralm ente dependentes de Deus: “Um verdadeiro cristão não deverá atribuir nenhum a prosperidade à sua própria diligência.12).

en com en dam a D eu s a si m esm o s ou outros. D e igual m od o. E. p. o am or que nutrim os por e le s n os i ncita a im itá-los em sua santidade de vid a. que o s crentes co n sid erem toda a sua propriedade c o m o à d isp o siçã o dos p ie d o so s e san tos m estres. G álatas. m as avaliá-la p elo prism a de sua piedade ou de seu tem or a D e u s. 276 Jo ão C alv ino. Portanto. C ontudo. P aracletos. p. p ois. não c o n ­ trariam a vontad e de D eu s aq u eles que. ao m e sm o tem p o. con siderando e tendo em m ente a so cied a d e com u m da igreja. m as por sua piedade. com palavras particulares. m as p od em os e d ev em o s ajudar pela oração m esm o aq u eles d os quais não te m o s c o n h ecim en to . da m e s­ m a form a. e d ev em evitar o perigo do regalo e do fausto. S ão P aulo. Socorro e Oração D a O ração do Senhor C alvino extrai o princípio de que devem os nos preocupar com todos os necessitados. Isso se faz por causa da am plitude 275 Jo ã o C a lv in o . Vol. 1. ou por não poderem c o n h e c ê -lo s a tod os. não obstante não dão ajuda a tod os os que têm igual n ecessid ad e. diz que a ajuda não exclui a oração nem esta àquela. a com u n id ad e cristã. os que o b ed ecem a e sse m andam ento e com este fim fazem m isericórdia esten d en d o seus b ens a todos o s que e le s vêem ou sab em que têm n e c essid a d e . 1998. por outro lado. tam bém não reveren cie os servos de D e u s. nem p e lo prism a de suas honras transitórias. sabendo da im possibilida­ de de conhecerm os a todos e de term os recursos para ajudar a todos os que conhecem os. m as com esp ír i­ to am plo e afeto com u m . 294. e que estão distantes de n ós por qualquer distân­ cia que haja no tem po ou no esp aço.128 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a As pessoas devem ser avaliadas não pelo seu dinheiro. O L ivro d o s S a lm o s.6). C alvino apresenta um a reco­ m endação: O s m inistros d evem viver con ten tes com um a m esa frugal. fazem u so das orações particulares por m eio das quais. 181.276 5. ou porque não têm m eios su ficien tes para su pri-los.4). . (G l 6. Porque não p o d em o s socorrer com os n o sso s b ens senão aqu eles cuja pobreza c o n h e c e ­ m os. até ond e suas n e c essid a d e s o req uei­ ram. a não avaliar um a p e sso a p e lo prism a de seu estad o ou seu din heiro. (SI 15. E certam ente que n in ­ gu ém ja m a is aplicará verdadeiram ente seu in telecto ao estud o da piedade q ue.275 Aos pastores e aos crentes em geral. Os piedosos aprendem a reverenciar e a im itar os genuínos servos de Deus: A p rend am os. todavia. cuja n ecessid a d e E le lh es quis dar a con h ecer m ais de perto. S e bem que nem tudo que d iz respeito à oração é sem elh ante a fazer caridade. Portanto devem os orar por todos: O m andam ento de D e u s que n os c o m p ele a socorrer a in d igên cia d os p o ­ bres é m andam ento geral.

p. mas sim. o b ed ecei em tudo aos v o ss o s senh ores segu n d o a carne.22-23). 195ss. (1 5 4 1 ). lT m 6. o trabalho dignifica o hom em . 1973. no nú m e­ ro dos quais e le s tam bém estão in c lu íd o s. em bora as Escrituras tam bém observem que o trabalhador é digno do seu salário (Lc 10.5 -9 ).1 7 . p ois aqu ele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita. E l N uevo Testam ento C om entado. A C risto.. Tudo quanto fizerd es. tem en d o ao Senhor. 278 Vd. L a A urora. afirm ando: “O trabalhador deve fazê-lo com o se fosse para Cristo. sendo objeto de satisfação humana: “Em vindo o sol. é Ele com o seu escrutínio perfeito e eterno Q uem julgará as obras de nossas m ãos.C a p ít u l o 2 . resum e bem o espírito cristão do trabalho.15). C o m p an h ia das L etras.A R e f o r m a P r o t e st a n t e geral das orações. Trabalham os de tal m aneira que possam os tom ar cada traba­ lho e oferecê-lo a C risto.”279 (Vd.2 2 -4 . p.277 M ax W eber (1864-1920). devendo o cristão estar m otivado a despeito do seu baixo salário ou do reconhecim ento hum ano. daí a recom endação do A póstolo Paulo: E tudo o que fizerd es. faz parte do propósito de Deus para o ser hum ano.. A prestação de contas de nosso trabalho deverá ser feita a Deus.1 ) (V d. dando por e le graças a D eu s (. e para o seu encargo até à tarde” (SI 104. cien tes de que receb ereis do S enh or a recom p en sa da herança. III.7). e não para hom ens. certos de que tam bém v ó s ten d es Senhor no céu. 277 Jo ã o C alv in o . (. seja em a ç ã o .28. (C l 3 .9. deste m odo...9-12/E f 4. para a glória de Deus. 1988. nem para satisfazer a um am o terreno. este é o fator preponderan­ te. portanto. nem por am bição. N a concepção cristã. 176. /ta In stitu ía s. Um com entarista bíblico.) sai o hom em para o seu trabalho. mas sim o espírito com o qual ele é feito. conform e W eber entendeu.1-2). S en h ores. lT m 5.8. Seu trabalho deve ser entendido com o um a prenda feita a D eus. tratai aos servos com ju stiç a e co m eqüid ade. O trabalho. Vol. é que estais servindo. lam b ém : C hristopher H ill. O E leito de D eus: O liver C rom w etl e a R evolução In glesa . não há desculpas para a fuga do trabalho. . E f 6 . B uenos A ires. m as em sin g e lez a de coração. S ão P au lo .278 As E scrituras nos ensinam que Deus nos criou para o trabalho (Gn 2. visto que as realizam os para o Senhor.). independentem ente dos senhores terrenos. ao analisar o progresso econôm ico protes­ tante. que enfatiza o trabalho. S ervos. seja em palavra. não é o trabalho em si. Nós não trabalham os pelo pagam ento. visan d o tã o -só agradar hom en s.11-13).fa z ei-o em n om e do Senhor Jesus. m esm o em nom e de um m otivo supostam ente religioso (lT s 4. co m o para o S e ­ nhor. e nisto não há a cep ção de p e ss o ­ as. não sim plesm ente pelo dever ou vocação. o que de fato im porta. não conseguiu captar este aspecto fundam ental no protestantism o. não servin do apenas so b v igilân cia. o Senhor. que escapou à sua com preensão. fa z ei-o de todo o coração. 27‘J W illiam B arclay. a dignidade deve perm ear todas as nossas obras. Portanto. 11. am plitude que abrange todos os filh o s de D eu s.

A F o rça O cu lta d o s P ro te sta n te s. a sua vida é um eterno devir. que se realiza no fazer com o expressão do seu ser. O trabalho escravo teve um a atuação fundam ental na construção de nosso país. P etrópolis. Acontece..”280 O hom em é um ser que trabalha. 111. “O hom em que valoriza a orig in alid ad e ja m a is será original. ligado por interesses econôm icos.285 A pesar de não saberm os precisar quando chegou a prim eira leva de 280 B iéler fa z um a co n statação relev an te: “ A ín tim a in terp en etraç ão d a R e fo rm a e da R e n aseen ç a c o n trib u iu am p lam en te p ara a sua p ro m o ção no O cid en te. 284 S o b re a d efinição de potência. está sem pre à procura de novas criações. B attista M ondin. p. o fazer estará rev elan d o o hom em que faz. p. 1980. H erm isten M . q u e se m ostram p ro p íeio s a to d a sorte d e no v id ad es in flam ad as da d em ag o g ia relig io sa.. 285 “C o m g rande surpresa chegam os à conclusão de que os ju d e u s ibéricos foram os p rin ­ cipais deten to res do com crcio negreiro. pp. 282 L ew is ob servou que. L isb o a. no pensam en­ to m oderno.282 O hom em au ten tica-se no seu ato construtivo. no d eeu rso dos séculos su b seq ü en tes. E ssas id eo lo g ias su b stitu tiv a s p ro li­ fera ram . 195-196. p. abandonando aos poucos a concepção religiosa que lhe dera suporte. p. 1. foi secularizado. V ida N ova. ficou-se apenas com a “superestrutura. pp. 2“ ed. não necessariam ente de “vocação” ou de “glorificação a D eus. Vo­ zes.... u m a v ez d issip ad as. não im porta. 24ss).28' Faz parte da essência do hom em trabalhar.. tran sfo rm aram -se em cren ças q u e. D eixar de trabalhar. A inda que de passagem . tom ando-se agora apenas um a questão de racionalidade. Q uem é E le?. filo só fic a ou p o lítica. L ew is. significa deixar de utilizar parte da sua potência.” (A n d ré B iéler. P. A “originalidade” do seu trabalho será um a decorrên­ cia n atural da sua autenticidade. e m ais: que um clã. R J. em outras palavras. instrum ento exclusivo e incom parável de construção. deixaram no O cid en te e no m undo atual um v ácuo esp iritu al. 1977. P eso de G lória. ainda que este seja resultado de suas tensões. A sua m ão é um a arm a “politécni­ ca ”. tente trabalhar com p erfeição por am or ao trabalho. 281 Se o “ex cesso” d e trabalho em determ inadas ocasiões assum e a característica de um a “fu g a” . S.. o conceito Protestante do trabalho. G uim arães e C* E ditores. O H om em . com o ob serv ou R ollo M ay (/4 A rte do A co n selh a m en to P sicológico. nunca poderem os ter com o m eta da sociedade. e m u itas v ezes um d esesp ero . São P au lo .130 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a L am entavelm ente. que se o hom em é o que é. Vd.” Perdeu-se a “infra-estrutura” . Vd. M as o m aterialism o e as id eo lo g ias su b stitu tiv a s en g en d rad as p ela se cu lariza ção do p en sam en to . M as ten te d izer a v erdade tal com o você a vê. 1993. 47). a ausência do trabalho.. reconstrução e transform ação. 63ss. C osta. 1997. O hom em é um artífice que constrói. O S o b erano P o d er de D eus.283 P or isso. São P aulo.5.284 eqüivale a deixar parcialm ente de ser hom em .) T odas essas id eo lo g ias. quero citar a questão do Brasil no século 19. o seu trabalho revela parte da sua essência. de q ualquer m aneira. O sw ald S pengler..” (C. 5 4 -5 5 ). 1980. e aqu ilo que os ho m en s cham am de originalidade surgirá espontaneam ente. transform a. São P aulo. . O ser com o não pode se lim itar ao sim ples fazer. P aulinas. m odifica. (. O H om em e a Técn ica . que en­ volvem trabalho. que tom aram o lu g ar da fé cristã. seria um a desum a­ nidade. acab a ram po r fa z e r crer qu e um a civilização arran cad a de suas raízes esp iritu ais c o n se g u iria p ro d u zir esp o n tan eam en te todos esses valores. 281 S obre as m ãos com o instrum ento de trabalho. b em com o as suas circunstâncias.

H istó ria E conôm ica do B rasil. às vezes. PE . V III. S eus hábitos de tranqüilidade e d e in d o lên cia o levam a ser d oce m as indiferente. S ecretaria de E d ucação e C u ltu ra. L isboa. 2IWCf. p. pp. H. E ssas d iferen ças entre as duas classes de senhores é facilm ente ex plicada. ainda que de form a tênue para am enizar a estafante rotina escrava. Vol.290 as quais de certa form a contribuíam . X V II). seguindo assim . 1916). em 14/08/1881: q u an d o não tam bcm por laços sangüíneos. C o n tin u a o ritm o que fora m antido pelos prim eiros possuidores. lendo m enos tem po e fiscalizando a com ida p esso al­ m en te. S ão P au lo . M aria B eatriz N izza da Silva. 28S “O bservei que. E ditorial E stam pa. e não tom a o cuidado com a p ró p ria m anuten­ ção d e sua escrav aria q u e um europeu teria. n o la 5. A educadora Ina von Binzer (1856-c. (O livro foi editado em inglês em 1816).B rasilien se. 1986. M esm o assim . p. H istória E conôm ica do B rasil. O que causava espanto aos europeus que por aqui passavam . afora isso. sempre dependente do escravo. D e m odo que. carência de em barcações. R ecife. Viagens ao N ordeste do B ra sil. H enry K oster. p. adentrava a noite. escassez de p o v o ad o res brancos e d e ob reiro s q u e se sujeitassem a trabalhos servis. O s p rim eiro s alim entam m elhor m as exigem trabalhos m ais p esados.” [H cnry K oster. 287 V d. (N ova H istória da E xpansão P ortuguesa.” (Josc G onçalves S alvador.286 E n­ quanto que era com um o trabalho branco na A m érica (os escravos só seriam introduzidos em 1619 por traficantes holandeses). . tinham um trabalho m ais pesado. o explorou largam ente. D epartam ento deC ultura. G o v ern o do E stado de P ernam buco. o nosso país era um a festa contínua. P ioneira/E D U S P . variando de região para região . O s M a g n a ta s do Tráfico N egreiro: S éculos 16 e 17. é provável que tenha sido já em 1531. 286 C aio P rado Júnior. 22. 1981. o tráfico seria q u ase im possível. assim com o a colonização do B rasil c da A m érica E sp an h o la. 1978. O brasileiro herdou sua p ropriedade e não há urgência em obter largos p ro v e i­ tos. a exem plo dos exigidos pela indústria açucareira c pelo en iab u lam en to das jazid as m ineralógicas. d e O liv eira M arques). os europeus são m enos indulgentes para seus escravos q u e os brasileiro s. Koster observa que os escravos europeus apesar de disporem de m elhores condições de tratam ento. 21-22. O Im pério L u so -B ra sileiro (1 750-1822). al. 532ss.que eram inúm eras. 389 2W) Vd. prolongava-se por todo o dia e. sem pre procurando m otivos para com em orações. O europeu ad­ q u iriu a m aio ria de seus escravos a créd ito e d urante o curso de su a vida a acum ulação de riquezas é o o b jeto p rincipal. por falta d e o u tro s m ercadores habilitados. et. negando-se a exe­ cutar tarefas corriqueiras e. 1978. cito alguns testem unhos da época.288 O que aliviava um pouco o trabalho escravo era o fato do brasileiro ter m uitos dias santos (35 dias durante o ano) nos quais. no Brasil jam ais se cogi­ tou em “ensaiar o trabalho branco”. Grete. C o o rd en ad a por Joel S errão & A. pp. Vol. 376-377]. p. X IV ). ao mesmo tempo. era a ociosidade de nosso povo. 21“ ed. a tradição portuguesa que tinha escravos desde o início do século 15.289 A liado a tudo isso. São P aulo. C aio P rado Júnior. (C oleção P ernam bucana..287 O trabalho escravo além de duro. havendo tam bém as festas popu­ lares .A R eform a P rotestante 131 negros em nosso território. Viagens ao N ordeste do B rasil. os escravos não trabalhavam para os seus senhores. escreve à sua amiga..C ap Itulo 2 . juntam ente com os dom ingos. en quanto os seg u n d o s d eix am que os negócios de suas propriedades sigam o cam inho a que estão habituados a seguir. sendo ávido por um em prego público. Para concluir esta pequena nota. 2“ ed. em geral.

p. B elo H orizonte/ S ão P aulo. 293. São P aulo. p. na salvação pessoal e na responsabilidade de cada hom em diante de D eus. p. 9-10). A g assiz. o s prelos represenlam o papel principal. são m ais senh ores do que escra v o s d os brasileiros. A Igreja P resbiteriana n o B rasil. naturalizou-se am ericano. (Cf. E ditora U niversidade de B rasília.132 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a N e sle país [B rasil]. O P rotestantism o. A gassiz & E.25.2 R etornando. 79). o co zin h eiro é preto e a escrava am am enta a criança branca.291 O casal Agassíz. 124). 9. A gassiz & E . A M a ço n a ria e A Q uestão R elig io ­ sa n o B r a s il B rasília. T odo hom em que aqui lenha receb id o algum a instrução aspira a um a carreira política. toda a riqueza é adquirida por m ãos negras. Viagem ao B ra sil 1865-1866. V ieira. D a A u to ­ n o m ia ao C ism a. E lizabeth C ary A gassiz. 76ss). A gassiz foi agraciado pelo Instituto H istórico e G eográfico. O P rotestantism o. 75). acho que no fun do. pp. 73. A im portância exagerada que em toda parle se dá aos em p regos p ú b licos é um a desgraça. DF. Viagem a o B ra sil 1865-1866. N a sessão do dia 19/05/1865. D avid G V ieira. m L u iz A g assiz & E lizabeth C. gostaria de saber o que fará e ssa gen te. atravancam os serviços p ú b licos e esgotam o Tesouro. F letch er viajou ao B rasil (1862-1863). 1980.1 Ina von B inzer. com a sua ênfase no livre exam e das Escrituras. e quando é pobre prefere viv er c o m o parasita em casa d os parentes e de am igos ricos. porque o brasileiro n ão trabalha. com os seus princípios eco­ nôm icos.” (L. com o m eio aristocrático e fácil de ganhar a vida. p. p. F letcher foi um dos que incentivaram a vinda de A g assiz ao B rasil (V eja-se. P refácio de L uiz A gassiz & E lizabeth A g assiz. B oanerges R ibeiro. 74. era filha d e um p asto r calvinista. O prévio conhecim ento que assim adquirira do assunto m e foi d e gran d e utilid ade quando continuei os m eus estudos no próprio lo cal. M. devi à gentileza do Rev. . A M a ço n a ria e A Q uestão R elig io sa n o B rasil.C. O s M e u s R om a n o s: a le g ria s e tristeza s de um a ed u ca d o ra a le m ã no B r a s il. contribuiu na esteira 2. Viagem ao B rasil 186 5 -1 8 6 6 . A gassiz. ob­ servou . alguns anos antes da m inha viagem ao A m azonas. Viagem ao B ra sil 1865-1866. R io d e Ja n eiro . T odo trabalho é realizado p elo s pretos. q u e fez parte da sua ex p ed ição ao B rasil. Jean L o u is R od o lp h e A g assiz era suíço de nascim ento porém . L. T odo o serviço d o m é stic o c fe ito por pretos: é um coch eiro preto quem nos con d u z. co m posta de ccrca de quinze pessoas. jun to ao fo g ã o . 1975. p. Itatiaia/E d itora da U niversidade de São Paulo. A g assiz registra em seu livro: “ A crescentarei tam bém que. 5 “ cd. P az e T erra. 1987. E le era filho de um m inistro p ro testan te e. O S em eador. relega para a som bra todas as dem ais o cu p a çõ es e sobrecar­ rega o E stado com um a m assa de em p regad os pagos que. 34. co m o título de m em bro honorário (Cf. 1991. quando for decretada a com p leta em an cip ação dos e sc r a v o s. sem utilidade. vemos que o Protestantism o. um a preta quem nos serve. A gassiz veio ch efian d o a E xp ed içã o T hayer (p atro cin ad a pelo m ilionário N athaniel T hayer). A ntes da vinda de A gassiz.C . a sua esposa. (Cf. recolhendo peixes raros do A m azonas para o natu ralista. em v e z de procurar um a ocu p ação honesta. p. D avid G. que viajou pelo Brasil nos anos de 1865-1866. S om en te há p ou co tem p o e que o s m oços de boa fam ília com eçaram a entrar no c o m ér cio . F letcher (sic) um a preciosa co leção de peixes d esta localid ad e e d e outras do A m azonas. A gassiz.

T am bém citad a em T. Teoria G eral da A d m in istra çã o . 3“ ed. na folha de rosto. T & T C lark. todavia. tam bém . T aylor (1856-1915). e seu s c o ­ m entários estã o entre o s m elh ores do p assad o e do p resen te. m P h ilip S chaff.. não apenas da vida religiosa. [C D -R O M ]. 2.” . A F orça O culta d o s P ro testa n tes. falando das diversas calúnias que levantavam contra ele. Vol. era protestante e norte-am ericano. C a lv in ’s O ld Testam ent C om m en ta ries.294 Eu poderia fe liz e p roveitosam en te assentar-m e e passar o resto de m i­ nha vid a som en te com C a lv in o . Lem brem o-nos de que a R evolução Industrial ocorreu na Ingla­ terra P ro testan te e. Vol.45. M cG raw H ill. de que F. tam bém . p. 1.C a p ít u l o 2 .4).W. P aracletos. à guisa de conclusão.. p. A ndré B iéler.M5 Calvino. H isto ry o f the C hristian C hurch. 429 298 Jo ão C alv in o. A Teologia dos R efo rm a dores. 4 4 . 343. O L ivro d o s Salm os. (SI 4 7 . o aspecto com unitário da vida cristã e a relevância da sociabilidade entre os fiéis. P aracletos. 296 E sta ex p ressão é com um a C alvino. 1999. partindo. P arker. n° 398. inclusive de falsos irmãos. pelo qual Deus distin­ gue entre os réprobos e os eleitos. Vol. V I]].P h ilip S ch a ff. Eduard T hurn eysen . Vd. Outros tudo fazem para destruir o eterno propósito divino da predestinação. R evo lu tio n a ry Theology in the M aking.H . A p u d T im othy G eorge. p. 1.290 um a m ultidão de hom ens presunçosos se ergue contra mim alegando que apresento Deus com o sendo o autor do pecado297.7 Ver: Jo ão C alvino.3 ).293 A Relevância das Escrituras no Sistema Reformado A credito que esta questão vem sendo dem onstrada ao longo destas anota­ ções. 1993 (reprinted). O R : A ges S o ftw are. 113ss. Onde quer que o Protestantism o fincasse suas raízes. João Calvino: O Exegeta da Reforma “E le [C alvino] foi o h ab ilid oso ex eg e ta entre o s reform adores. diz: “Só porque afirm o e m antenho que o m undo é dirigido e governado pela secreta providência de D eus.” . escrita em 8 de ju n h o de 1 9 2 2 . 101. p. a sua influência se tornaria notória com o um a força m odeladora da cultura. E d in b u rgh. 295 K arl B arth. 2. Vol..”298 2‘” V d. 2.. enfatizando a respon­ sa b ilid a d e in d iv id u a l p eran te D eus. S ão P aulo. . p. 163. 261. apresentarei de form a resum ida a perspectiva de C alvino (1509-1564) e. Vd. (A lbany. Ver: O L ivro d o s S a lm o s.” John C alvin C ollection. 1987. “To th e S eigneurs o f B erne. O Livro d o s S alm os. “o fu n d ad o r da adm inistração científica” .Carla de Karl Barth (1 8 8 6 -1 9 6 8 ) a um am igo.L. tam bém : Jo h n C alv in . (SI 51. p. 1999. sem e x c lu ir co n tu d o . 65. p. ld alb erto C h iavenato. S ão P aulo. p. 1998). algum as proposições par­ tindo da Confissão de Westminster. S ão P aulo.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 133 R enascentista para a m aturidade do hom em m oderno.

quando a n ecessidade era em extrem o p rem en te. a m aio r p arle dos escrito res su b se q ü e n te s p a re c ia p ro lix a .naq u ela cid ad e no dom ingo de 21 de m aio de 1536. assim . ho u v era esten d id o sua poderosa m ão sobre m im e m e ap risionado. D epois de um a rápida e turbulenta passagem por G enebra (1536-1538). “ não propriam ente m ovido po r conselho e ex o rtação . caso m e e sq u i­ vasse e recu sasse d ar m inha assistência. os qu ais cita com ab u n d â n cia. e p erceb en d o ele q u e não lu craria nada eom seus rogos. A F o rça O culta d o s P rotestantes.conse­ guiu seguir um cam inho por vezes diferente. Em 1539. p. m C alv in o d everia ter chegado a E strasburgo em 1536.. poderem os entender a sua visão herm enêutica e exegética. K aiser Jr. o tím ido e diserelo C alvino. agora. é o fato de que ele. que desejava passar an ô n im o .134 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a O que nos cham a a atenção na aproxim ação bíblica de C alvino é. o C o n selh o de G en eb ra. Van H alsem a. buscando na própria Escritura o sentido específico do texto: a Escritura se interpretando a si mesma. a reflexão e a pregação. levar adiante a R e fo rm a q u e oficialm en te fora adotada . a R eform a surgiu não de um a sim ples d ecisão autoritária. a qual m e fez. 245-2 4 6 ). A ntes disso. e.” (M o isé s S ilv a.” Farei conseg u iu : “ S ob o im paeto de tal im precação. B aird. m esm o se valendo dos clássicos . N o entanto. T h ea B. d iria que Farei o co nvenceu. tev e que p ern o itar em G en eb ra. sentir com o se D eus p esso alm en te. foi desco berto. nunca escondeu . tais com o: M elanchton.o que aliás. contudo. d izen d o qu e D eus h averia de am ald iço ar m eu isolam ento e a tranqüilidade dos estudos qu e eu tanto buscava. (Cf. ao desco b rir [Farei] q u e m eu coração estava com pletam ente devotado aos m eus p róprios estudos pessoais. & M o isés S ilva. desejosa de um a transform ação espiritual qu e se m anifestasse num a Igreja que aten d esse às suas necessidades m ais íntim as. 70). A L iturgia R eform ada: E nsaio h istó rico . Jo ã o C alvino E ra A ssim .“dem ocrática e u nanim em ente pelo C onselho G eral” . V iret e F rom ent) e os da causa rom ana. E scapar de um clichê histórico-teológico é especialm ente difícil. o seu am plo e em geral preciso conhecim ento dos clássicos da ex e g e se b íb lic a. “ não m ais que um a n o ite. em 1557. Outro aspecto é o dom ínio de algum as das prin­ c ip a is o b ra s dos te ó lo g o s p ro te s ta n te s c o n te m p o râ n e o s. “ A R efo rm a em G enebra havia se espalhado entre o povo antes que seus m agistrados pu­ d essem ser p ersu ad idos a aderir ao m o vim ento. precisam os refletir um pouco sobre a sua form a de aproxi­ m ação da B íblia. depois de o u v ir os rep resen tan tes d a causa protestante (Farei. p. pp.disposto a m “ Q u an d o e o m p arad o s com os escrito s de C risó sto m o . p.” E ra o m ês de agosto. C alvino. E m F av o r d a H erm en êu tica de C alv in o : In: W alter C. m ais tarde. que desisti da . o m ais fascinante. E n tão teve o seu encontro dram ático com o ousado e “destem ido" (C onform e expressão de E rasm o) p asto r G u ilh erm e F arei (1489-1565) q u e o persuadiu a p erm an ecer em G enebra e ju n to s. m ovido p o r u m a fulm inante im precação. o jovem de 30 anos podia tornar a fazer o que ju lg av a determ inado à sua vida: o estudo. Van H alsem a. B ucer e Bullinger. p o r en contrar-se im p ed i­ d a a estrad a que d aria acesso direto àquela cidade. Para que possam os ter um a visão m ais clara da perspectiva de C alvino a respeito das Escrituras. In tro d u çã o à H erm en êu tica B íb lic a .. 18). para os q u ais d esejav a con serv ar-m e livre de quaisquer outras ocupações. então lançou sobre m im um a im precação. fi­ nalm ente300 está em Estrasburgo301 . m as no seio na p ró p ria p o p u lação . relem b ran d o o fato. C om ecem os do início. C ontudo. sim . J o ã o C alvino E ra A ssim . em edital (27/08/1535) decidiu que o catolicism o não seria m ais a religião d e G enebra. prim eiram ente. O seu am igo L o u is du Tillet contou a F arei de su a estada em G enebra. Calvino. e sp e c ia lm e n te a C risóstom o299 e Agostinho. (Cf. lá d o céu. 71: T h ea B. p. eu m e senti tão abalado de terror.” (C harles W. 69). A ndré B iéler.” C ontinua: “E. O u seja. C om o bem observa B aird.a “A ntioquia da R eform a” .

precedidos por um arauto. T h ea B. 71). “L ette r to F arei. que c o n v en cera C alv in o em 1536 a p erm an ecer em G enebra. arrasto u -m e de volta a um a nova situação.persuade C alvino a reto rn ar à G enebra em 1541. não obstante. tristeza. a pedido do C o n selh o daquela cid ad e . E em bora co n tin u asse com o sem pre fu i. [C D -R O M ]. C om am bos vós desem penhei aqui o ofício de pastor. A refo n n a p ro te sta n te. A F orça O c u lta d o s P rotestantes. 1. 1998). p assando pela p o rta C o rn av in em d ireção a V ersoix.” (T hea B. 292). escreve (29/11/1549): “C reio que jam ais h o u v e n a vida ro tin eira um círculo de am igos tão sinceram ente d evotados uns aos outros quanto tem o s sido nós em n osso m inistério. p. Van H alsem a. 2 7 6 -277]. no dia 16. 179-180).C apítulo 2 . F arei e V iret se tornariam os m aiores am igos de C alvino p o r to d a sua vida. A n d ré B iéler. 59-60). C alvino hesita. Idelette. T h ea B. com o m arco desta nova fase. p. E m 22 de o u tu b ro de 1540 . ele contaria que regressou à G enebra com lágrim as.A R eform a P rotestante 135 recom eçar a sua vida pastoral e de estudo. cham ad o M artin B u cer (1 4 9 1 -1 5 5 1 ) que. Jo ã o C alvino Era A ssim . org. en tre outros: T.o C onselho dos D uzentos reso lv e convidar C alvino a v o ltar à G en eb ra (V d. ev itan d o por todos os m eios a celebridade. (Cf. o C o n selh o G eral. Vol.” (João C alvino. p. sem o saber. A Teologia d o s R efo rm a d o res. onde. 119ss). (A lbany. C a lvino e Sua In flu ên cia no M u n d o O cidental. Van H alsem a. A p artir de então. cu idando das Igrejas de D eus: Farei em N euchâtel e V iret em L ausanne. C alvin. p.” [John C alvin. era algo tão íntim o de m eu coração. G eorge.entre outras cartas enviadas . M as D eus tinha outros p lanos. T hea B . m inha tim idez. Jo ã o C alvino E ra A ssim . a redação do seu com entário do livro que considerava o principal viagem que h av ia co m eçad o . OR: A ges S oftw are. N a m an h ã de terça-feira de 13/9/1541 os m agistrados de G enebra. p. a co m p arecer às assem b léias im periais. C alvino dá p rosseguim ento à im plantação de um a in ten sa refo rm a naq u ela cidade. ainda prossegui na obra do ensino. A certa altura. Farei e d e C o rau lt foi votado pelo C onselho de G enebra em 23 de abril de 1538. O L ivro d o s Salm os. C alvino. S tanford R eid. ele dedicou o seu c o ­ m en tário da E p ísto la de Tito a seus am igos que estavam distantes. pp. m esm o desejan d o p erm an ecer em E strasb u rg o .visto q u e C alvino não atendera ao seu convite . 1. p. E le s saíram de G enebra no dia 25. J o ã o C alvino E ra A ssim . n° 76. V d. C alvino já se decidira. 115116. Q u an to a F arei. voluntária ou involuntariam ente. (Cf. 120). confessa: “ o bem -estar desta Ig reja. m orreu (29/3/1549). p erco rren d o o m esm o cam inho qu e ele e Farei fizeram três anos antes. F arei. T hea B. m esm o continuando o seu ex ten u an te trab alho. A Igreja da R en a scen ça e da R eform a: I. tam b ém . p. agora. “L ette r to F arei. sugeriu-m e m u itas razões p ara escu sar-m e um a vez m ais de. contrariando a sua “aspiração e in clin ação ” . an siedade e abatim ento. todavia fui levado. Textes C h o isis p ar C h arles G ag n eb in .” (João C alv in o . “ em pregando um gênero sim ilar de censura e protesto ao que Farei recor­ rera antes. P retendia continuar a viagem . 71. com o pela força. H alsem a co lo ca em tom poético: “O viajor chegou para um a noite de sono. p. o qual ele p u sera d ian te de m im . que por su a cau sa não hesitaria a o ferecer m in h a p rópria vida. Em agosto de 1541. pp. p. é verdade. (Cf. 1998). pp. Van H alsem a. foram receber C a lv in o . E longe de ex istir q u alq u er ap arência de rivalidade. 297). D aniel-R ops. W. [John C alv in . J o ã o C alvino E ra A ssim . Van H alsem a. 4 1 -4 2 ). 395. N este m esm o dia. E m 1° de m aio de 1541. sem pre senti haver entre nós um a só m en te. Vd. O L ivro d o s S a lm o s. contudo. S tanford R eid.” (João C alvino. escrev e a Farei dan d o -lh e notícia da sua en tre­ vista co m os M ag istrados e dos passos para a elaboração da form a para d iscip lin a eclesiástica. (Cf. A P ropagação do C alvinism o no S éculo 16: In: W. Vol. pp. vo ltaria à G enebra: “ M as quando eu m e lem bro q u e não pertenço a m im próprio. p arte da carta In: T hea B. revoga o edito de banim ento de 1538. por co n sid e­ rar C a lv in o e Farei “p essoas de bem e de D eus”. o seu estilo era ag ressiv o e ousado (V d. (A lbany. O R : A ges S oftw are. apresentado com o um sacrifício ao S enhor. Q u ando sua esposa. (Veja-se tam b ém . d esap erceb id o.” John C alvin C o llectio n. n° 73]. O ito m eses depois. 4 0-41). A larm ado com o exem plo de Jonas. evidentem ente sentiu-se só. p. ele tin h a d entro d e si um sentim ento m aior do que sim plesm ente fazer o q u e desejava. Van H alsem a. p. eu o fereço m eu co ração . M ais tarde (1557). 4 7. voluntariam ente. [C D -R O M ]. tendo então. 125). tom ar sobre m eus om bros um fardo tão p esa­ . pp. C alv in o entra em G enebra. J o ã o C alvino E ra A ssim . O exílio de C alvino. 93). A s P astorais. fui forçado a apare­ c e r an te os o lhos d e m u ito s. J o ã o C alvino E ra A ssim . Van H alsem a. 301 N ão sabia C alvino que em E strasburgo encontraria um outro “F arei” .” John C alvin C ollection.

Em seus com entários encontram os: profundidade exegética. com enta Schaff. Van H alsem a. 3(10 C f. aliada a um a singeleza cristã erudita. The C reeds o f C hristendom . p. D e fato este fora o desejo dos 25 conselheiros que. S chaff. “Seus com entários têm resistido ao teste do tem po. 1.136 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a das Escrituras: A E pístola de Paulo aos R om anos (1539). I. E xpor e com entar a P alavra de D eus sem pre foi para C alvino algo de extrem a seriedade e prazer. 42). Vol. 354). sim ples e fiel das Escrituras.” (T hea B. 1. (SI 13. pp. firm eza doutrinária. adm ite que C alvino foi o “criador da genuína ex eg ese.305 L udw ig von D iestel (1825-1879). com o resultado de seu apego irrestrito ao texto sagrado. S chaff. registraram : “R esolve-se co n serv a r C alv in o aqui para sem pre. 459. sobre o qual o seu sistem a teológico está principalm ente fundam entado. 1.302 Este foi o seu prim eiro com entário de um livro da B íblia. “ H oje sabem os pela p rópria ex p eriên cia que o q u e se requer não é o labor de um ou dois anos para levantar as igrejas caídas a u m a co n d ição m ais ou m enos funcional. 305 P. 311:1 Cf.escrev eu . The C reeds o f C hristendom . V III.” (João C alvino. A s P astorais. “ é pela fé que to m am o s p o sse de S ua p rovidência invisível. P. João C alvino E ra A ssim . 1.303 seu objetivo: “o bem pú­ blico da Igreja” . p. ainda hoje C alvino continua sendo lido com entusi­ asm o e proveito por todos aqueles que desejam obter um a interpretação clara. p. 525. 304 “E x p o r as E scrituras em livros. diz: “N ão há nada m ais m iserável do que um a pessoa.” [João C alvino. p. P h ilip S chaff. É pro v áv el que esse trabalho seja o resum o de suas aulas m inistradas em G enebra no p erío ­ do de 1536-1538.” (João C alvino. M as. que en tra em d esespero por agir segundo o m ero im pulso de sua pró p ria m ente e não em o b ed iên cia à vocação divina. com o ele m esm o diria.5]. p.e com m uito boa saúde . Vol. considerado o m elhor historiador de exegese do A ntigo Testam ento. A s P astorais. Vol. A queles que têm alcançado diligente pro g resso po r m u i­ tos anos devem ainda preocupar-se em corrigir m uitas co isas.304 A partir de R om anos ele com entará quase todos os livros da B íblia e no púlpito fará tam bém exposição da m aior parte dos livros das Escrituras.5). sendo. Vol. S chaff. 302 P ublicado em m arço de 1540. The C reeds o f C hristendom . E n tretan to . quando o convidaram a voltar.” (P. escreve na C arta D edicatória. com o que descrevendo a sua p rópria vivência em G enebra: “A edificação de um a igreja não é u m a tarefa tão fácil que se torne possível fazer com que tudo seja im ediata e p erfe ita­ m en te co m p letad o . I. 457-458). ainda que de form ação liberal. 306). co m en tan d o o S alm o 13. .com enta B oanerges R ibeiro do. “C alvino é ex egeta com petente e erudito . um dos aspectos da teologia de C alvino que fazem com que ela perm aneça viva . objetividade e um a piedade que b ro ta com naturalidade de sua pena. e sem pre pode ser consulta­ do com pro v eito” . fin alm ente um a solene e conscienciosa co nsideração p ara com m eu dever p rev ale­ ceu e m e fez co n sen tir em voltar ao rebanho do qual fora se parado. O L ivro d o s S alm os. O utras edições revisadas foram publicadas em 1551 e 1556. A sua tarefa não foi fácil nem tranqüila: N o com entário de Ti to (1549) . [Tt 1. Vol. 262]. p. p. Sem dúvida. H isto ry o f the C hristian C hurch. O L ivro dos S a lm o s.é a sua sim p licidade bíblica.” (João C alvino. Vol. p.1). não sem razão alcunhado de O E xegeta da R eform a.” [João C alvino. tornando-se um dos m aiores e m ais im portantes exegetas de todos os tem ­ pos.d edicado aos seus am igos Farei e Viret . da cátedra. C o m en tan d o o S alm o 18. C alv in o p erm aneceria em G enebra até o fim de sua vida (17/5/1564). foi sua o cupação fav o rita. 458. em adv ersid ad e. (Tt 1. e do púlpito. p. Vol. 127). O L ivro dos Salm os.” 306 D e fato. 306].

1974. al.” [João C alvino. p. S ão P aulo. tam ­ bém : Jo ão C alv in o . 1998. (Rm 10. e aum .” [José F rancisco da R ocha P om bo. S ão P au lo . que “a lúcida brevidade [ “perspicua brevitas ”] constituía a peculiar virtude de um bom intérprete. 126]..os A nligo p rofessor de G rego em H cidelberg (1524-1529) e. na rica e variada biblioteca do C ônego de M ariana... no Brasil entravam de algum a form a. escreveria: “ . pp. qu e nem sequer havia interesse pela literatura religiosa protestante. S ão P aulo.. um puro form alism o. Visto que quase a única tarefa do intérprete é pene­ trar fundo a m ente do escritor a quem deseja interpretar. Simon Grynaeus (1493-1540). 1999. no m ínim o.” [E d u ard o H oornaert. L uís V ieira da S ilva (1735-?). A p olítica d a ignorância colonial não sc restringia à im prensa. ou m elhor. c sem pre preferirá.222 5).22).29)..dispunha do N ovus orbis regionum ac in sularam veteribus incognitarum (1532). R J. a quem cham a de “hom em dotado de excelentes virtudes”308 . o m esm o erra seu alvo. era um grande problem a: era p reciso su b trai-lo à v igilância das autoridades. ainda q u e as obras de caráter não religioso. (H istória G eral da Ig reja na A m érica L atina.. 376.”310 A 3117 B o an erg es R ib eiro em P re fác io à T rad u ção B rasile ira do C o m en tário de S alm os de C a lv in o (Jo ão C a lv in o . O historiador paranaense R ocha P o m ­ bo (1 8 5 7 -1 9 3 3 ) diz: “ O bter um livro. E duardo F rieiro. P ctró p o lis.2 0 . A o que parece. H istória do Bra7.“o m ais instru íd o e elo q ü en te de todos os conjurados m ineiros” . 1.”307 N a sua carta dedicatória . p. p. um instrum ento nas m ãos dos po d ero so s.2 4 . (s. João C alvino. 2a ed.) Vol. se leva seus leitores para além do significado original do autor. ultrapassa seus lim ites. qu e se p ro p ag a pelos escritos. 510 Jo ão C alvino. 30IJ João C alv ino. P aracletos. p. ou. (. 138-144. E xposição de 1 C oríntios.E ditor. que d isp u n h a de cerca de 800 volum es e 270 obras. de G rego (1529) c T eologia (1 536) cm B asiléia. V II. 1981. p. as especulações que aparentam en genhosidade. A b iblioteca do C ônego . F orm ação do C a to licis­ m o B rasileiro: 1550-1800. conform e tam bém pensava G rynaeus.5 5 ). Vd.il. um puro m oralism o. C om o era G onzaga?: e O utros tem as m ineiros.”309 Anos mais tarde (1546).C a p ít u l o 2 . m esm o de autores protestantes fossem encontradas. 19.d. N o entanto. feita pelo filólogo protestante alem ão Sim on G rynaeus. II/ 1). H istória da Igreja no B rasil: E nsaio de interpretação a p a rtir do p ovo. 3 2 5 -3 2 6 ]. et. O L ivro d o s S a lm o s. em qualquer ponto da C olonia. p. O D iabo na L ivra ria do C ônego. 3 5 .A R e f o r m a P r o t e st a n t e 137 “e é crente em Jesus C risto: sabe que qualquer texto da P alavra de Deus se entende no contexto de toda a P alavra de D eus.dirigida a seu am igo de B asiléia. Um cristian ism o sem livros se expõe ao perigo de tornar-se um cristianism o divorciado d a leo lo g ia. obras “p ro ib id a s” de caráter político e filo só fico . (G 14. 11). ( IC o 15. E xposição de R om anos. 30. .” (E duardo H oornaert.) É fácil im aginar o prejuízo d ecorrente desta falta d c livros. ad q u irir livros im p o rtad o s no Brasil tam bém era praticam ente im possível. não aprecio as interpretações que são mais engenhosas do que sadias. R J. ele adm ite q u e “o inundo preferiu. P aracleto s. G álatas. E xposição de R om anos. São P aulo. de circu lação dc livros: não pode h av er reflexão pro p riam en te cristã sem espírito crítico.com quem discutira alguns anos antes sobre a m elhor m aneira de interpretar as Escrituras. (G1 4 . D edicatória. C u rio sam en te. isto em 1789. 472. no entanto. B enjam in A gu ila . 139].. por ex em p lo . 1 3 . ou então alcançar um a licença especial para recebêlo da E u ro p a. a “pro filax ia” católica tinha sid o tão b em feita. pp. U m a curiosidade: O historiador H oornaert o bserva que a au sên cia d e livros no Brasil trouxe graves prejuízos ao cristianism o brasileiro: “O B rasil colonial co n stitu iu p raticam en te um a civilização sem livro. G álatas. obra de com pilação das narrativas de diversos viajan ­ tes. Ílatiaia/E D U S P . p. Paulinas/V ozes. R io de Janeiro. 20). à só li­ d a d o u trin a . E m outro lugar. p. rev. p osteriorm ente. V ozes. 1983. não obras religiosas protestantes.18). . concluía. Vol. P ctrópolis. (Vd. insiste: “D ifícil ex ag erar a in fluência negativa da inquisição sobre a form ação de um a teologia livre e viva no B rasil.

(1541).” .5]. O rígenes (c. tendo com o um de seus m aiores representantes. 3a ed. M exico/B uenos A ires. P rin cíp io s de In terp retação B íblica. P orém se nota im ediatam ente que seu costum e é desatender o sig n ificad o com um das p alav ras e d ar-lh es todo tipo de idéias fantásticas. N ão extrai o significado legítim o da linguagem do au to r senão q u e in troduz nele tudo o qu e o capricho ou fantasia do in térp rete se lhe o co rre. 312 C f.22. É um p ro cesso que carece de objetividade e que não refreia a im aginação. O L ivro d o s S alm os. V d. A. G álatas. 111. 139-140. (2C o 3. m ais do que virtudes. 215) e seu discíp u lo .v In stitu ta s.t Institutas. (1 9 2 4 ).8). 140. pp. na­ tural e sim ples. p. A s In stitu ta s. C a lv in ’s E xegetical P rincipies: In: Interpretation 31 (1977).. m as lhe está d istan te e na verdade disso ciad o .5. “o genuíno significado da Escritura é único. 30).1 “ T enho alm ejad o clareza m ais do q u e ele g â n c ia . V ida N ova. (SI 18. m an ip u lan d o o texto. E le é claro.” (João C alvino. E le in clu siv e ev itav a o em prego de palavras não utilizadas nas E scrituras. Clark. (G 14.2 4 ). V irginia. Sanday e H eadlam afirm am que C alvino “foi sem dúvida o m aior dos com entaristas da Reform a. A Interpretação B íblica. São P aulo. E xp o siçã o cle 2 C oríntios. L em b rem o -n o s de q u e o m étodo aleg ó rico de interpretação teve proem inência entre os ju d e u s de A lexandria.22). Z uck. p. S ua m ensagem não se im põe. e o aleg ó rico c q u e ap resenta o verdadeiro significado..22). 34). honesto e direto. fazendo alegorias313 ao invés de expor o genuíno sentido da passa­ gem . Terry. J.” [M. ao passo que outra pessoa é capaz de en x erg ar um sig n ificado com pletam ênte diferente. E la encobre o verdadeiro sentido dos textos bíblicos. pp. S egundo este m étodo. (G1 4 . pp. 314 V d. 21].1. d ando-lhe a form a que im aginarm os. A. p. G álatas. 1985. Headlam. 368-369. “ achava que o m étodo aleg ó rico era u m a artim anha satânica para o b scu recer o sentido da E scritu ra” (L ouis B erkhof. C asa U nidade P ublicaciones/E ditorial “L a A u ro ra” . S.315 daí a im portância de se entender o sentido das palavras316 1.6. m as eu g o staria que sem pre fo sse m antida pelos cristãos esta sobriedade: que.v Institutas. IV. visto que para ele. H ans-Joachim K raus. G á la ta s. p. 150-c. p. E m ou tras palavras. 1. não h a ­ .138 R a Iz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a clareza311e a brevidade recom endadas por Calvino. 141]. lúcido.314 C alvino optou por um a interpretação que considerava ser a única bíblica. É um a form a de d esp o jar as E scritu ras de q u al­ q u er au to rid ad e.17. C lem ente de A lexandria (c.19). (G1 4. Á. “A leg o rizar é p ro cu rar um sentido ocu lto ou obscuro q u e se ach a p o r trás do significado m ais evidente do texto. 2“ ed. À frente. ainda q u e soubesse ser im p o ssív el cu m p rir isso à risca. 3 6 3-364. & T. 65-69].” [João C a lv in o . João Calvino. p. 1994. A través dela torn am o -n o s o leiro s arbitrários.” [W illiam Sanday & Arthur C.5. se constituíam para ele em princípios decisivos de exegese. p. 185-254).” [ Vd. falando sobre a palavra “m érito ” . Jo ão C alvino. que b u scav am u m a síntese entre a filosofia grega e sua fé em D eus. 5“ ed. [Ver tam b ém . in C alvino considera a interpretação alegórica com o o “m ais danoso erro. H erm en eu tica B iblica. B e rk h o f com enta que C alvino. tão longe está de que bastem de si m esm as p ara serv irem de base a quaisq u er do u trin as. Vol. 13. 11.” (R oy B. N as Instituições. ciii]. 516 Cf. o literal é superficial. 1975 (reim pression). fu jo com todas as veras da alm a de todas as contendas que se travam por causa de p alav ras. T erry com enta: “O m étodo alegórico de interpretação se baseia em um a p ro fu n d a rev erên cia pelas E scrituras e um desejo de ex ib ir suas m últiplas pro fu n d id ad es e sab ed o ria. R io de Janeiro. P o r exem plo: C o m o conciliar o A n tig o T estam en to com o pensam ento de P latão? A base teórica desta escola é en co n trad a em Filo d e A lex an d ria. pois alguém pode d izer que certa p assa­ gem en sin a d eterm inada verdade em term os alegóricos. A Criticial an d E xegetical Comm entary on the E pistle to the Rom ans. 315 João Calvino.” {Ibid. Edinburgh. continua: “ A alegorizaçâo passa a ser arbitrária. 53). JU ER P. p. faz um apelo: “Q u an to a m im . E le escreve: “A s alegorias não devem ultrap assar os lim ites da norm a da E scritura q u e se lhes antepõe. T. o sentido literal é um a espécie de código que precisa ser decifrado p ara rev elar o sentido m ais im portante e oculto. C alvino.6).. Jo ão C alvino.312 M esm o tendo consciência de que o “m undo” prefere aqueles que torcem o sentido literal do texto. 11. Jo ão C alvino.

(SI 4 2 . 415. C alvino.326 u m a pessoal. pp. F. .319 Deste m odo.324 se g u ir a in te rp re ta ç ã o tra d ic io n a l.6). (SI 30. 272. Após falar sobre três possibilidades de interpretação de determ inada palavra hebraica. p o r ex em plo: João C alvino. A s Institutos. pp. I . p. 1. Id em .320 não deixando de. X V III. de adm itir ter m udado de opinião.8. (1541). J. Vol. p.31). O L ivro d o s Salm os. dentro do m étodo histórico-gram atical. 5 2 3-524. pp. p. 1. 390-391. p. Interpretação da B íblia: In: W alter A .” Pois bem.4. 2. 321 P o r ex em p lo.8. (SI 45).1 3.4). p. E lw ell. II.14.317 Ele sustentava que com petia ao intérprete entender o que o autor quis dizer e o seu propó­ sito. 324 Jo ão C alv ino. (1 C o 11. p. sim plicidade e fidelidade textual. 120. 3.23. g u ia d o ta m b é m p o r u m a s in g u la r a c u id a d e herm enêutica e exegética que lhe perm itiram interpretar textos com plexos com clareza. 412-413.1 ).3. O Livro d o s Salm os. (SI 48. E le exem plifica isso quando com enta o Salm o 8. O L ivro d o s S a lm os. 328 V d. João C alvino. Efésios. p.1 ). (lC o 4 . 341.6]. 367. (IC o 1. 641.5). III. 4 3 1 . 648. p. 4 7 2 . E xp o siçã o de H ebreus. 322 J. 156.8 ). org. Vol.323 deixar a questão indecisa. pp. 295. 85. (SI 36). 0 © 1 996. p.2. (R m 5. A G E S S o ftw a re A lbany. (R m 16. (B ooks F o r T he A ges. E xposição de R om anos. pp. foi sob esta bandeira que C alvino c o m e n to u R o m a n o s .]. conform e expressão de M urray. ( I Tm 2 . (SI 8).A R e f o r m a P r o t e st a n t e 1 39 e o contexto histórico ou “circunstância” da passagem . (I Co 14. ■ 1M Jo h n M urray. 1.5 ). 327 Jo ão C alv ino. E ssa ig norância adquire em m uitos casos a co n o tação d e “d o u ta.66).12). p. p.325 de o u tro s in té r p r e te s . 264. ( IC o 12.F. Exposição de I Coríntios.21). O R U SA V ersion 2 . p. III.”318 C alvino se insere. 1. A s In stitu ía s. 318 Jo ão C alv ino. (SI 30. é “teologicam ente orientada. Jo ão C alvino. em Introdução à tradução am ericana da Instituição. p. G álatas. 8. (SI 48. João Calvino. V o l. p. 135-136. 5. 242. 2 (SI 31. Jo ão C alv in o . C om m entary upon the A c ts o f the A p o stles.21. 494. (SI 14. conclui: “O elem ento prim ordial a ser apreendido é no que tange ao conteúdo do salm o e ao que ele visa. G rand R apids. Vol. 326 Cf.C a p It u l o 2 . 2. p. 17. 319 Cf. O L ivro dos Salm os. (R m 12. O Livro dos Salmos. 128. A í P astorais. p. A s In stitu to s. Vol.6). introdução.322 deixar à critério do leitor a escolha da m elhor interpretação apresentada.1).17-20). II. (SI 68. 538. E xposição d e R om anos. a sua exegese. (E f 4. pp.29). de quan­ do em vez.11). (SI 15. p. Vol. 183. John C alvin.8. E xp o siçã o de I C oríntios. E xp o siçã o de I C oríntios. 144. 133. 628-629. João Calvino. Jo ão C alv in o.4-6).”329 C alvino não buscava algo novo ven d o n ecessid ad e ou algum propósito. p. Vol. (C alv in ’s C om m entaries). (A t 1.6 ).1). C alvino. 67. 305. C alv in o . introdução). 325 Cf. Id em . (SI 6.7). (SI 17. 55. E xposição de 1 C oríntios. p. 1997). B ruce. Vol. (SI 25. 1981. p. 317 C f. 357. portanto. não façam uso de palavras alheias à E scritu ra que possam g erar m u ito escân d alo e pouco fruto.327ou.1). (SI 6 8 .28).13). p.328 Calvino em sua interpretação e exposição procurava entender as pas­ sagens bíblicas à luz de toda a Escritura.26-27). O L ivro dos Salm os.4). João C alv in o . (E f 3. 156-157. M ich ig an . Vol. o que o norteia em seus com entários é a “brevidade na interpretação. p. p. p. 6. Jo ão C alvino. (G 1 4 . p.2.321 reconhecer com o não destituída de fundam ento um a posição diferente da sua.18). 54. 638-639. (SI 50. p. p.9-10). Vol.. p . p. B a k er B ook H ouse C om pany.9. (SI 78. O L ivro d o s Salm os. (SI 5 6 . João C alv in o . 320 Vd. III. ( IC o 15. A s Institutos.” (V d. J. João Calvino. p o r ex em plo. II. 345. 123. confessar a sua ignorância.8).2 5 ).4).3). (H b 7. (SI 51. E n ciclo p éd ia H istárico-T eológica d a Ig reja C ristã. pp. II. Vol. 336. 4 3 0 . 323 Cf.” [João C alvino. 192. Jo ão C alvino. p.15).

Portanto. Vol. p. O Verbo de Deus nas Escrituras é sem pre criador. age por m eio de todos e está em todos.”334 Não deixa de ser interessante o fato de que C alvino na m edida em que escrevia os seus com entários da Bíblia. um só Deus e Pai de todos.antes desejava com preender a Palavra de Deus e aplicá-la à sua vida e à Igreja. Porém a graça foi concedida a cada um de nós segun­ do a proporção do dom de Cristo (E f 4. p. V. cla co n serv a sua inquestionável preem inência com o o m aior e m ais influente de todos os tratad o s d o g m ático s. 1999. V. Jo ao C alvino. O ur R easonable F a ith. 1. acrescen­ ta: “Se porventura conseguirm os atingir um a genuína com preensão desta Epístola. E xposição de R om anos. de nós e do significado de todas as coisas. 26. p.”330 A credito que a essa altura. p. B. um só batism o. Deus Se revelou na Sua Palavra para que possam os ser conduzidos a C risto. (O L iv ro d o s S a lm o s. 8). P aracleto s.140 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a .com o resultado 330 Jam es A n d erso n .“obra-prim a da teologia Protestante”335 .1 H erm an B avinck.”333 Isto. um a só fé. A p u d B.5-7). 15-16). Entre o instruído e o sim ­ ples há um a diferença de grau.. Por que com eçar por R om anos? C alvino enten­ de que nesta Epístola tem os um a “porta am plam ente aberta para a sólida com preensão de todo o restante da E scritura. 31. H istória dos P rotestantes da F rança. 315 E xpressão de A lbrecht R itschl (1822-1889). teólogos jovens . Ele deseja nos ensinar. o qual é sobre todos. é aquele que fala de Deus. um verdadeiro teó­ logo. p. aprendendo dEle a respeito de Si m esm o..” (B. “A pós três séculos e m eio. E xposição de R om anos.. S ão P au lo .aliás.”331 Tornem os a Calvino.. não seria mal . p. Enquanto não apren­ derm os a aprender. Vol.especialm ente para nós. é o de C unningham (1805- . 9.recordar a observação do experiente e erudito teólogo calvinista H erm an B avinck: (1854-1921): “ . Vol. portanto. O histo riador F élice a denom ina de “prim eiro m onum ento teo ló g ico e literário da R efo rm a fran cesa. E xp o siçã o de R om anos. a busca do novo pelo novo sem pre m e soou estranha teologicam ente falando . Inlrodução à T radução Inglesa do C o m en tário de S alm os de C alvino. de F clice.”332 Em outro lugar. não poderem os ser teólogos! O teólogo tem paixão por ensinar. Am bos têm um só Senhor. Ou. mas a sua paixão prim eira e prioritária deve ser a de ouvir a voz de Deus nas Escrituras. a respeito de Deus. com o sum ariou Jam es A nderson em 1845: “Seu prim eiro e grande objetivo é descobrir a intenção do Espírito Santo. porque ele considera o assunto principal de toda a Epístola a “justificação pela fé. 332 Jo ão C alv ino. M ichigan.” (G. ™ Jo ão C alvino. 1. W arfield. o trabalho do teólogo é procurar ouvir a voz de Deus e proclam á-la com fidelidade. 53). C alvin a n d Calvinism . p. 4 “ ed. W arfield. da parte de Deus. B aker B ook H ouse. D edicatória.B . C alvin a n d C alvinism . U m testem unho que co n sid eram o s de g rande valor. Deus fala através da Sua Palavra. terem os aberto um a am plíssim a porta de acesso aos mais profun­ dos tesouros da Escritura. Teólogo. am pliava a sua Instituição cla R eligião C ristã . G rand R apids. 27. pp. A Teologia deve estar sem pre a este serviço: aprender e ensinar. 21. 1984. ao qual poderíam os anexar dezenas. e sem pre faz isto para a glorificação do Seu nom e.

A Teologia d o s R eform adores. A Tradição R eform ada: Uma m aneira de s e r a co m unidade cristã. Vol. 226. p. um teó lo g o . R eid. C a rlisle. p.C a p ít u l o 2 .” (Tim othy G eorge. 152-153.” (W illiam C u n n in g h am . W einrich. A n to lo g ia dos Santos P adres. dispondo 1861): “A prim eira edição da sua grande obra. C hristian T heology: A n Introduction. G eorgia H arkness.13. C am bridge. pp. 1969. Este título fora dado ao A póstolo João e a G reg ó rio de N azianzo. I. 11. R eid acentua: “C alvino era p rim ariam ente um teólogo b íb lico . 1994. p. “C alvino é um teólogo bíblico. 258). (Vd. Vol. A ndré B iéler. 225). S. E d icio n es S iguem e. p. pp. 451).” (W. John C alvin: The M an an d His E thics. M cG rath. E nciclopédia H istórico-T eológica da Igreja C rislã. co ntudo nenhum a alteração de qualquer im portância foi feita nas doutrinas que ali estab ele­ c e u . Gregório Nazianzeno: In: R. ■ 1Í7 E ste co m entário bíblico não significa o uso apenas de term os bíblicos para ex p ressar o seu en sin am en to m as. The R efo rm ers a n d the T h eo lo g y o f the R e fo rm a tio n . F olch G om es. A L ife o f John Calvin: A Study in th e S h a p in g o f W estern C ulture. p. 1. ■ 1M C u rio sam en te M cG rath escreveu: “ E le [C alvino] foi in q uestionavelm ente um pensa­ do r sistem ático . p.” (K arl B arth. Aliás a sua teologia nada mais era do que um esforço por com entar as E scrituras. em In tro d u ção à tradução am ericana da Instituição. Vol. W. M assachusetts. pp.A R e fo r m a P r o t e st a n t e 141 do seu ap ro fu n d am en to b íb lic o . 178). 117). (V d. (A lbany. 138 A lister E. que plenam ente reconheceu a necessidade de garantir consistência interna entre os vário s co m p o n en tes de seu p ensam ento. J. 1989 (R eprinted). org. p. E nciclo p éd ia H istóricoTeológica da Ig reja C ristã. La P m cla m a cio n d e l E vangelio. e ainda que algum as alterações tenham sido feitas em sua d isposição dos tópicos d isc u ­ tidos. C alvino. M urray acrescenta: “C alvino foi um exegeta e teólogo bíblico de prim eira linha. 112. 979). sim . B arth diz que os serm ões de C alvino “ são ex celen tes ex p licaçõ es da E scritu ra. S ch aff diz que “C alvino foi. T he B an n er o f Truth T rust. antes de tudo. C.N . 4]. Tliea B. E lw ell. John H. do cu id ad o com que ele estudou a P alavra de D eus.. A s Instituías. por exem plo: W illiam C u n n in g h am . S. 1980. Paulinas. deve ser toda a teologia. W. A p rim eira e m ais im portante fo n te d e suas idéias religiosas era a B íblia. e da pro fu n d id ad e e vastidão de suas m ed itaçõ es sobre as coisas divinas. p. q u e perdura com o um a das m ais lúcidas e m ais vigorosas sum as teo ló ­ g icas da h istó ria cristã. o dom ínio do pensam ento bíblico.” (A lister E. M cG rath. C ham plin & J. foi publicada q u an d o ele tin h a 27 anos de idade. São Paulo.”338 certam ente escrita por um teólogo sistem ático339 que tão bem sabia se valer dos recursos da exegese e da herm enêutica. A obra de C alvino com o um co m en tarista bíblico serve para refo rçar a im p ressão geral que se tem por m eio de um a leitura atenta das Instituías: que ele se co n sid era com o um ex p o sito r obediente da B íblia. Idem . 192). p. como. p. 261. I. Van H alsem a. The C reeds o f C hristendom . P hilip S chaff. A L ife o f John C alvin: A Study in the Shaping o f Western Culture. N este sentido a sua teologia foi um a obra apologética. C alvinism o: In: W alter A. V III. S alam anca. C . 260. 245.M . p. M cG rath. Vol. p. Vol. B lack w ell P u b lish ers. p.” [John M urray. E lw ell. Jo ã o C alvino E ra A ssim . O P en sa ­ m en to E co n ô m ico e S ocial de C alvino.” (Philip S chaff. especialm ente devido à sua defesa da divindade de C risto (distinção h o m o lo g ad a em C alcedônia. (revista e aum entada). 150).” (A lister E. na realidade. P en n sy lv an ia. Vd. 458. I. . 295. II.336 tendo em vista tam bém os novos questionam entos de seu tem po. 4 4 6 . ‘A Instituição da R eligião C ristã ’. 1991. Vol. Vol. O R : A ges S oftw are. p. espalha-se po r toda a E u ro p a. e não obstante a obra ter sido p osteriorm ente grandem ente am pliada. 294).” (A ndré Biéler. H isto ry o f the C hristian C hurch .337 por isso sua obra pode ser corretam ente cham ada de um a “te­ ologia bíblica. e ela é a m ais extraordinária prova da m aturidade e vigor de sua m en te. T im othy G eorge cham a a obra de C alvino de “enorm e tom o e tesouro da dogm ática protestante. The R efo rm ers a n d the T heology o f the R eform ation. V III. [CDR O M ]. 192. Bentes. E nciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. The Creeds o f C hristendom .” E le acrescenta q u e M elan ch to n den o m inou com grande ên fase a C alvino de “o T eólogo. (Cf. 1997). O P ensam ento E conôm ico e S o cia l de C alvino. 150-151). 71. “E sta o bra m ag istral. org. L eith. p. São Paulo. [R eform ation H isto ry L ibrary].3). p. 2a ed. p. Philip Schaff. ■ ni’ V d. G regório de N azianzo: In: W alter A. H istory o f the C h ristian C hurch. Candeia. 83). p.

6]. L abor et F ides. que não só lhe tenham fácil acesso. C alv in o . 1998). 1. 1976. P en n sy lv a n ia . na obra presente. m as ainda possam nesta escalada avançar sem tropeços.”342 N a tradução francesa de 1541 tradução que. ele diz: “ . J o ã o C alvino E ra A ssim . e n s in a ra s verdades da religião cristã d e m o d o co n v in cen te à instrução d o s principiantes. p. p rolixidade e assuntos d esin teressan tes . Vol. 384-386.” (Philip S ch aff. V III. tam bém . (Jcan C alvin. A Teologia d o s R efo rm a dores. G eorge. H isto ry o fth e C hristian C hurch. am pla­ m ente lida: “N enhum livro seria m ais lido durante o século 16”. p. Vol. em In tro d u ção à trad u ção am erican a da In stitu içã o . 1). no prefácio. V d .4S V d. A s Pastorais. G enève. 1955. Vol. I.” N o prefácio de S alm os. entre outros.. [C D -R O M ]. força e eleg ân cia.18). o testem unho do erudito Joseph Scaliger (1540-1609) e dos católicos Etienne P asquier (1528-1615) em Ibidem .feita pelo próprio Calvino.1 4 ). Vol. 342 J. 272-274 e D aniel-R ops. . ( C ollected W ritings o f Jo h n M u rra y. pp. Van H alsem a. 1980. juntam ente com outros dos seus m uitos e belos escritos. o que respeita à d outrina sagrada. (1559). P refácio à edição da In stitu içã o .142 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a tudo isso de form a erudita e devocional. de qualquer país que fossem . alm ejando com unicar o que daí poderia advir de proveito à nossa gente francesa. 267). 181-182. E nossa intenção. pp. S ch aff diz que C alvino “escreveu em duas línguas com igual clareza.” A pós falar das dificuldades encontradas p e ­ los leitores n eófitos na leitura de obras de outros autores . 1). traduzi-a tam bém para nossa língua. nosso P ai. pp. na m edida em que a m atéria o co m p o ria. C a rlisle. tentarem os. “ P rólogo” .p . (E f 4. algum as vezes ele nos rem ete para seus serm ões [Ver por exem plo: João Calvino. (IT m 3. C alv in o . . 105. Vd. [R eform ation H isto ry L ibrary. p.. p. T. Sum a Teológica. (E f 3. ajuda-m e com tuas p reces diante de D eu s. p. E le conclui o P refácio: “F elicid a­ d es.341 A sua exegese era teologicam ente orientada e a sua teologia estava am parada em um a sólida exegese bíblica.8). 39-40). então. 266. ela é um clássico d e v o c io n a l. T h e B a n n e r o f T r u th T ru st. C alvino explica os m otivos q u e o levaram a escrever a In stitu içã o (J. pp.. 2“ ed.. 1266-1273) de T om ás de A quino (1 22 5 -1 2 7 4 ). ao depois. 92. R S . p. O L ivro d o s S alm os. X IX ). 344 É cu rio so que no P ró lo g o d a Sum a Teológica (c.6 ) . P h ilip S chaff. P o rto A legre/C axias do S ul. p. p. (A lb an y . p.”344 N o parágrafo anterior justificara: “Redigi-a prim eiram ente em latim.basicam ente. 100. I. O R : A ges S o ftw a re. especula 340 “ A In stitu tio não é so m e n te um a o b ra-p rim a de teo lo g ia C ristã. C alvin as T heologian a n d E x p o sito r. diz que a sua obra poderia servir com o “um a chave e entrada que a todos os filhos de Deus outorgue acesso a correta e cabal com preensão da Santa Escritura. (lT m 2 . H istory q f the C hristian C hurch. 67. o seu propósito perm anecia o mesmo: preparar e instruir os candidatos à Sagrada Teologia. Portanto. sendo. Tam bém . 124]. Efésios. C alvino desejava que a Instituição fosse lida em co njunto com os com entários: Vd.5). E sco la S u p erior de T eologia S ão L ourenço de B rindes/L ivraria S ulina E d ito ra/U n iv ersi­ d ad e de C ax ias do S ul.co ntinua: “E sforçando-nos po r evitar esses e outros defeitos. co n fi­ antes no d iv in o auxílio.” [John M urray. p. não obstante as diversas revisões e adições da Instituição. 3 11]. A Igreja da Renascença e da R efonna: /. A reform a protestante. tam bém : Jo h n M urray.. para que pudesse servir a todos os estudiosos. p. leitor am igo. V III.340 Por isso a história dos C om entá­ rios B íb lico s de C alvino e a das sucessivas edições d a Instituição se confundem e se com pletam . Vol. 341 A liás. e se destes labores m eus algum fruto colhes. 110.” A Instituição foi logo traduzida para diversos idiom as. con­ tribuiu para m odelar essa língua343 . (IT m 4 . P refácio à ed ição latina a p artir da segunda edição (1 539) e o P refácio à edição francesa (1560). breve e lucidam ente. T hea B.” (Tom ás de A quino. L 'In stitu tio n C hrétienne. expor.

O seu objeti­ vo era puram ente didático. era a obra dum grande escritor. 374. p. passando então. durante o inverno de 1536-1537.348 N este ínterim . O C a te­ cism o pode ser assim esboçado: I . Esta obra foi intitulada: Instrução e Confissão de Fé. A re fo rm a p ro te sta n te. 347 B . Vol. p. é o que as ‘In stitu içõ e s’ de C alvin o é entre o s tratados te o ló g ic o s . La R eform a y Su D esarrollo Social. A Ig reja da R en a scen ç a e da R efo rm a : I. 1Ó0. ou a Ilíada entre os é p ico s. Segundo o Uso da Igreja de Genebra. 295. A Igreja da R enascença e da R eform a: I. L indsay.350 E sta nova edição foi 145 D an iel-R o p s. w Cf. o qu e P latão é entre os filó s o fo s. escrito de modo que julgou acessível a toda Igreja.O s D ez M andam entos (131-232) III . Foi a p rim eira ex p o sição sistem ática do pensam ento teológico de C alvino em língua francesa. 383. escrevera W illiam C unningham (1805-1861). T om as M . A reform a p rotestante. 383. C alvino elaborou em francês.A R eform a P rotestante 143 um historiador católico.A O ração (233-295) IV . 3i|'’ D an iel-R o p s.B . m udando inclusive a sua form a. ou Sh akesp eare entre o s dram as. W arfield. 348 Ver: W illiam Cunningham. p.C apítulo 2 .F é (1-130) in tro d u ção (1-18) S eg u e a exp o sição do C redo A postólico.e a am pliou consideravel­ m ente. C alvin a n d C alvinism .347 N a m esm a linha. C alvino a reviu . The R eform eis and the Theology o fth e Reformation. ou G ibbon entre o s historiadores in g le ­ se s do sé c u lo 18. Além disso.tornando a sua teologia mais acessível aos seus destinatários: as crianças349 . fazendo um a com paração da Institui­ ção com outros trabalhos: O que T u cíd id es é para o s G regos. p. p. 350 E ste C atecism o consistiu num resum o da prim eira edição da Instituição (1536). contendo 373 questões. (R eprinted. dizendo que na ciência teológica.D efin ição e S ignificado (309-323) . a ser constituída de perguntas e respostas. sendo traduzida para o latim em 1538. da seguinte form a: a) D eus Pai (19-29) b) D eus F ilho (30-87) c) D eus E spírito S anto (88-91) d) A Igreja (92-130) II .”346 W arfield (1851 -1921) escreve.C eia do S en h o r (340-373) . a Instituição ocupa um lugar sem elhante ao Novum Organum de B acon e aos Princípios M atem áticos de N ewton nas ciências físicas.B atism o (324-339) . pro­ fessor (1843) e reitor (1848) do New C ollege de Edim burgo.A P alav ra e os S acram entos (296-373) a) A P alav ra e o M inistro (296-308) b) O s S acram entos (309-373) . não sendo constituído em form a de perguntas e respostas. Posteriorm ente.345 A justificativa para essa enorm e popularidade énos fornecida parcialm ente pelo m esm o autor: “É que ele trazia para a reform a o essencial do que ela esperava para ganhar fisionom ia própria perante a Igreja católica. um Catecism o. 2000). V.

11. nove latin as e dezesse is fran c esas d as q u ais a m aioria pro v ém d os p relo s g en eb rin o s. tendo eserito eerca d e 150 o b ras. fazendo tam bém o prefácio355 . G o n zalez. en tão . 368-370). n. P. O A p a re c im e n to do L iv ro . 113. en tre elas. preso num a estaea e queim ado. pp. 7-8. (V d. In: John C alvin. N ele M elan ch to n segue a ordem da E pístola aos R om anos. E erdm ans. tornando-se juntam ente com a Instituição um sucesso editorial. p.. In: C atecism os de la Iglesia R eform ada. E le passou seus últim os dias co laborando ativam ente com o professor de teo lo g ia na U n iv ersidade de C am bridge.353 R etornando ao estilo de Calvino. Vol. sob a p erseguição de M aria T udor. H. 357 B ucer. observam os que a sua brevidade desejada não era estranha a outros com entadores contem porâneos. m arean d o época p o rtan to . sob o rein ad o d a R ain h a E lizabeth.a h istó ria d a teologia. p. Vol. (V d. visto que des­ de então todo m inistro da Igreja deveria ju rar fidelidade aos ensinam entos nele expressos e com prom eter-se a ensiná-los. 1. (V d.” (P h ilip S chaff. 31 e 41. 1962. 1986 (R eim p ressão ).J. M elanchton “perm aneceu eom o um hom em de paz entre dois hom ens de g u er­ ra. H isto ry o f the C hristian C hurch.351 Em 1545. Tam bém . F e b v re d iz que “de 1550 -1 5 6 4 [ano da m orte de C alv in o ]. E ste tratado foi a prim eira obra de teologia sistem ática p ro te sta n te d o p erío d o da R e fo rm a. L a A u ro ra. A Teologia do s R eform adores. V III. 36). B ullinger (1504-1575)356 e. P hilip S ehaff.” (L ucicn F eb v re & H enry Je an -M artin . pp. serão p u b licad as 256 ed içõ es. d esfru to u tam bém d e boa am izade eom C alvino. M elanchton (14791560)354 . A In stitu tio n c h ré tie n n e é. V III. Nos d izeres d e S chaff. o C a té ch ism e par d em an d es e t rep o n ses que C a lv in o p u b lica em 1541. 35J L o ci C om m unes (abril de 1521).. seu eo rpo foi desenterrado. C atecism o de la Iglesia de G inebra. A E ra d o s R efo rm a d o res. P o sterio rm en te. 355 P h ilip S ehaff. 364). de m odo especial M artin B ucer (1491-1551 )357 que. 260). a quem ele se reporta cotn gratidão sincera.A ded ieató ria de C alvino é de 02/12/1545. 111]. pp. pp. desem penhando im portante papel na reform ulação do L ivro de O ração C om um (1552). 177-178). 1958. H isto ry o f the C hristian C hurch. 356 B u llin g er foi am igo. m antendo com este am pla correspondência. Vol. p. V III. C alvino o cham a de “o mais fiel doutor da Igreja de D eus” e “mui excelente servo de C risto. das q u ais 160 em G enebra. C alvin. p. 358 Jo ão C alv ino. M ichigan. S chaff.144 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a publicada entre o fim de 1541 e o início de 1542. m ais ainda talvez. Vol. Vol. pp. M elanchton m esm o sendo luterano e am igo pessoal de L utero. foi tam bém m ais profundo em sua interpretação. V ida N ova. Vol. M elanchton e C alvino . e.352 C alvino traduziu o Catecismo para o latim visando dar um alcance m aior aos seus ensinam entos. 4 4 2 -4 4 3 ). o b jeto de 25 reed içõ es. foi um dos líderes da R eform a em E strasb u rg o (1 5 2 3 -1 5 49) e. T. a sua tum ba foi reconstruída e sua m em ória honrada. O L ivro d o s S alm os. G eorge. 35. p. p.”358 351 C o n fo rm e já fizem o s m en ção . 353 Cf. m ais extenso do que os outros. (Cf. so zin h a. A Segunda C onfissão H elvética (1562-1566). trabalhou ativam ente com o p ro fesso r de T eologia da U n iv ersid ad e de C am bridge (1549). . este Catecism o ganhou m aior im portância. discípulo e sucessor de Z uín glio (1484-1531). am igo de L utero. G rand R apids. A partir de 1561. S ão P au lo . Ele m enciona Ph. H isto ry o f the C hristian C hurch. Seis anos depois de sua m orte. 270. Tracts a n d Treatises on the D o ctrin e a n d W orship o f The C hurch. Ju sto L. V II.obra que o próprio C alvino traduziria para o francês (1546). B uenos A ires. contribuindo deste modo para a m aior unidade entre as Igrejas Reform adas. W endel nos d iz que a p rim e ira ed ição da Instituição esg o to u -se em m en o s de um ano [F ran ço is W en d el. Em outro lugar. posteriorm ente. H isto ry o f the C hristian C hurch.

p. Vol. (1 C o 1. o critério estabelecido por C alvino para avaliar a doutrina é a sua edificação para a Igreja. desejem penetrar no núcleo.17). p. Vd. P ois tal teologia outra coisa não c senão contendas c vãs . diz: “ .16). não estan d o contentes com a casca. de questões periféri­ cas.27).A R efo rm a P ro te s ta n te 145 C alvino está convencido de que ninguém pode “provar sequer o mais leve gosto da reta e sã doutrina. 1. G oiden B o o klet o fth e True C hristian L ife. The C reeds o f C hristendom . nada é m ais im portante do que granjear o respeito que produza a ed ificação d a Ig reja. 1996. entretanto.14). tam bém .A s P astorais.. 228. C alvino. adaptada firm em ente à edificação dos filh o s de D eus que. C alv in o . 367 Ju stifican d o o seu estilo.. Jo h n C alvin. G rand R ap id s. 126]. C om pare com : João C alvino. S chaff. 1. 12-13. d iz (1 5 5 7 ):“ . tam ­ bém : Jo ão C alv in o . A in d a que não tem esse a F ilosofia. ( IC o 11. (SI 4 0..fugindo sabiam ente da aridez escolástica364 . Tais são todas as q u estõ es sutis nas quais os hom ens am biciosos praticam suas habilidades. p. As In stitu to s. 318]. A. João C alvino. X III.. 360 J. p. C alv in o escrev e a D ed icató ria do seu com entário do livro de O séias. p. p. entendendo inclusive.. não contribuem para esclarecer o texto e edificar o povo de D eus. Vol. a não ser aquele que se haja feito discípulo da E scritura”359 e. P. 2.) Se D eu s m e dotou com alg u m a inteligência para a interpretação da B íblia.365 bem com o. que “só quando Deus irradia em nós a luz de seu Espírito é que a Palavra logra produzir algum efeito. ao m enos a arte d iab ó lica das controvérsias ferinas..20). E xposição de R om anos. C alvino.de certos refinam entos exegéticos ou especulativos. 366 Vd. pp. B aker B ook H ouse C om pany. E fésios. H istory o fth e C hristian C hurch. e tu d o o que só serve para suscitar con tro v érsia d eve ser duplam ente condenado. Jo ão C alvino.porque há m uito tem po aprendi a não co rtejar o aplauso do m undo. 363 C f.”360 Portanto. E xp o siçã o de 1 C oríntios. porém procuro ser aceitável.”361 D aí o seu estilo inconfundível. O Livro d o s S alm os. p. Calvin ’s C om m entaries. d iz que a “sua teologia. M ich igan. I d e m .” (John C alvin. A s Instituías.2.” (Philip S chaff.. ( IC o 1. 1.6. E xposição de 1 C oríntios. eu estou co m p letam en te co n v encido dc qu e tenho fiel e cuidadosam ente p rocurado ex clu ir todo e q u ais­ q u er refin am en to s estéreis. J. ainda qu e a religião viesse a se co rro m p er por m uitos erros. Vol. 11. p. “O conhecim ento de todas as ciências não passa de fum aça quando separada da ciência celestial de C risto. 60. E xposição de 1 C oríntios. a qual recebeu a aprovação da teologia escolástica. V IU .í In stitu to s. (T t 1. É m ister que lem bre­ m o s de que todas as doutrinas devem ser com provadas m ediante esta regra: aquelas que co n trib u ­ em para a edificação devem ser aprovadas. E xposição de I C oiintios. então. é m ais b íb lica que esco lástica. 11. ainda que não tenha nenhum outro defeito. p.2. m as aquelas que ocasionam m otivos para co n tro v érsi­ as in fru tíferas d ev em ser rejeitadas com o indignas da Igreja de D eus. (IC o 1. 56.17). XVII1-X1X).” (João C alvino.7. não h av eria p rev alecid o em grau tão elevado. p. Se este houvera sido aplica­ d o há m uitos séculos. que toda verdade provém de D eus [Vd. O L ivro d o s Salm os. 320.12). (E f 4 .13). (R m 10. 458). (.366 que quando muito servem apenas para revelar “erudição” ou “sim plória invenção” mas.” [Ver: João C a lv in o . Vd. a eloqüência m J. O s v erd ad eiro s d isc íp u lo s d a E sc ritu ra to rn am -se “d isc íp u lo s d a Ig re ja .367 Aliás. p. 361. 50ss.C a p ítu lo 2 . p. E m 26 de ja n e iro de 1559. Vol. p. da eloqüência frívola.2. A s P astorais. N as palavras dirigidas ao rei G u stavo da S uécia.. agradável e adcquável às pessoas. 3(11 Jo ão C alvino.. 364 S ch aff após elo g iar a erudição de C alvino. e tem todo o frcscor da d evoção entusiástica p ara com as verdades da P alav ra d e D eu s. evitando discussões filosófi­ cas362 e sutilezas gram aticais363 .8). 374. 48). J. (Tt 1. que não seria o m ais apetecível àqueles que d esejavam grande acervo d e m aterial. Jo ão C alvino. 261) (Vd. p reser­ vando a g enuína sim plicidade. C a lv in o .15. Vol.368 Isso não significa que ele achasse más a retórica e a erudição: “ . 368 “T udo o que não edifica deve ser rejeitado. 362 Vd..

148-149]. 373 Jo ão C alv ino. 79]. E xposição de I C oríntios. 55. p. Além do m ais. não há nada de irreligioso nessas artes.. m as ja m a is d esco brirão q u e P aulo h a ja falado em vão ao condenar aqui tudo quanto é da m esm a natureza. ninguém terá por g en u ín a a verd ad e q u e se apóia na excelência da oratória. enquanto que o poder de que P aulo fala aqui é com o a alm a. sem a m enor dúvida. “D eus q u er q u e su a Igreja seja ed ificad a com base na genuína pregação de sua P alavra. 30]. a utilidade que é derivada e experienciada delas não deve ser atribuída a ninguém . E xp o siçã o de 1 C o rín tio s. E xposição de 1 C oríntios. pp. E xposição de 1 C oríntios. (. ( IC o 1. E xposição de I C oríntios. p. Paulo não seria tão irracional que condenasse com o algo fora de propósito aquelas artes. o que Paulo diz aqui não deve ser considerado com o um desdouro das artes. E xp o sição d e 1 C oríntios.” [João C alv in o . 394.”371 Em outro lugar.. p. com o se estas estivessem agindo contra a religião.5). nem fazer cócegas em seus ouvidos com sua suave m elodia. m as esla não p o d e d epender d aq u ela.” 373 “O Espírito de esp ecu laçõ es sem q u alquer conteúdo real de valor. e visto que são úteis e adequáveis às atividades gerais da sociedade hum ana.” [João C alvino. são com o u m corpo bem fo rm ad o e saudável n a aparência. 371 João C alv ino. as quais. “N ão ex iste n ada de grandioso em alguém ser adepto de um a elo cu ção flu en te q u an d o o tal n ada em ite senão sons vazios! P ortanto. m ais m iseráv el o d ev em o s considerar. ( lT m 1. E xposição de 1 . senão a D eus. P or m ais versado um hom em seja nela. 370 Jo ão C alv ino.. ( IC o 1.” [João C alv ino. quando se vê divorciado do amor.. m as não em D eu s. diz: “ .17). Portanto. dons estes que poderíam os cham ar de ins­ trum entos para auxiliarem os hom ens no desem penho de suas atividades nobres. ( IC o 2. 369 Jo ão C alv ino. nem intoxicar com deleites fúteis. responden­ do a um a p o ssív el p erg u n ta referen te à p o ssib ilid ad e de P aulo estar condenando a sabedoria de palavras com o algo que se acha em oposição a C risto (IC o 1. são esplêndidos dons de D eus.do que para a salvação de h o m en s. ( I C o 2.” [João C alvino.) S utilezas desse gênero edificam os hom ens na soberba e na vaidade. ( IC o 4 .13). p..17).”372 A questão está em não usar desses m eios com o sendo a força do Evangelho. (. E xposição de 1 C oríntios. 55. p. e a h ab ilid ad e na transm issão do ensino. esquecendo-se de sua sim plicidade que é-nos com unicada pelo Espírito: “Não devem os condenar nem rejeitar a classe de eloqüência que não alm eja cativar cristãos com um requinte exterior de palavras. pp. A. nem m ergulhar a Cruz de Cristo em sua vã ostentação.2 0 ). não com b ase em ficções hum anas.146 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a não se acha de form a algum a conflitante com a sim plicidade do Evangelho quando.. 372 Jo ão C alv ino. aprendam os q u e a atralividade lin­ g ü ística m eram en te su perficial. mas tam bém o serve com o um a em pregada à sua patroa. devem os estar sem pre em alerta a fim de im pedir que a sabedoria de D eus venha sofrer degradação por um brilhantism o forçado e corriqueiro. “ D em ais. e estão subordinados a princípios verdadeiros. 91. livre do desprezo dos hom ens.17). pois são detento­ ras de ciência saudável.”370 A eloqüência “é um dom m uito excelente. ( IC o 13. N aturalm ente que a oratória pode servir de au x ílio para a v erdade. Portanto.. E stou cônscio d o s argum entos plausíveis com q u e ela é d efen d i­ d a.”369 No entanto: “Para que possa haver eloqüência. é indubitável que sua origem está no Espírito. p.17). mas que. ( IC o 1. de nada serve para alguém obter o favor divino.) N esta categ o ria estão q uestões especulativas que geralm ente fornecem m ais para ostentação ou algum louco desejo . não só lhe dá o lugar de honra e se põe em sujeição a ele.4).1).ç P astorais. 53-54.

p. E xposição de 1 C oríntios. para que o m ais sim ples possa entender. M cK im . ( IC o 1. não deve ela ser o fu scad a p o r um rev estim en to dissim u lan te de v erb o sid ad e. p. (1 C o 1. tem os de aprender co m toda p ru d ên cia a refrear nossos sen tid o s para não nos entregarm os a invencioniccs estranhas. E d ito ra o s P u ritanos. A L ife o f John C a lvin : A Study in the S haping o f Western C ulture.375 com o tam bém não produz um forte volum e de ruídos que eqüivalem a nada. Antes.17). p. (T t 1.C a p ítu lo 2 . não sem ra­ C oríntios.” [João C alvino. A s P asto ra is. anti­ g os ou m o d ern o s. E le é o guardião. 376 Jo ão C alv ino.” [João C alvino. Pois. 64-65. são com o um a preparação p ara o m inistério. p.” [João C alvino.”376 Em outro lugar: “A erudição uni­ da à piedade e aos dem ais dotes do bom pastor. Av P a s­ tora is.” (D avid M . 167).17). E xposição de 1 C oríntios. p.1). D onald K. 2000. P ois assim q u e a p esso a passa a dar atenção às fáb u las. B aker B ook H ouse.3. A í P astorais. N ão é apenas um h o m em fino e agradável que visita as pessoas. o diretor.. e o único hom em que deve ser tido na conta de genuíno teólogo é aquele que pode edificar a consciência hum ana no tem or de D eus. 313]. 56. p. A U nida­ d e C ristã. p o r m ais elegantes q u e sejam . o vigia. aqueles que o Senhor escolhe para o m inistério. p. “O pastor é aquele a cujos cuid ad o s são co n fiad as alm as.14). e possui muito mais sinceridade do que refinam ento. São P aulo.”377 E.” [João C alvino. p. (IT m 1. falando sobre o M inistério p astoral. 377 Jo ão C alv ino. “ Se po rv en tu ra d esejar­ m o s co n serv a r a fé em sua integridade. C alv in ’s View o f Scripture: In: D onald K. 40).379 dispondo o seu m aterial de form a clara. ela perde tam bém a integridade de sua fé. m Vd.” (O D iretório de C ulto de W estm inster. 1994. A s P astorais. (T t 1.17). diz que na p reg ação . E x p o siç ã o de 1 C o ríntios. p ara que a cruz de C risto não seja tornada ineficaz.11. (T t 1. equipa-os antes com essas armas que são requeridas para desem penhá-lo. 112]. lógica e sim ples. V irginia. ao p onto de ja m a is ap artar-se dela” [J.9).A R e fo rm a P r o t e s t a n t e 147 Deus tam bém possui um a eloqüência particularm ente sua. G rand R apids. São P aulo. ela é genuína e eficaz. 34]. 54]. não em palavras sedutoras de sabedoria hum ana. citan d o bem p oucas vezes sentenças de escritores teológicos ou outros hum anistas. “ [A] fé saudável eq u iv ale à fé que não sofreu n enhum a corrupção p ro v en ien te d e fáb u las. R eadings in C a lv in ’s T h eo lo g y. A s P astorais. sendo cham ado. ( IC o 3. p. 151. M cK im . M ichigan. 56. quando fazem p ro n u n ciam en to s p recipitados sobre coisas das quais nada sabem . de sorte que lhe não venham vazios e despreparados.7). q u e g o v ern a o reb an h o . frases estranhas. O m estre m inistra instrução na doutrina. na verdade. 375 “P o is nin guém é m ais radical do que os m estres desses discursos b om básticos. 320]. M cG rath . o preceptor.12). portanto. m as tam b ém inabalável fidelidade pela sã doutrina.”378 D eve ser enfatizado que C alvino usou com o ninguém de todas as ferram entas disponíveis no seu tem po para um a boa exegese. 320]. o organizador. p. IV . o m inistro d eve desem penhar a sua tarefa “claram ente. “ A p regação de C risto é nua e sim ples. ex p o n d o a verdade. m as na d em o n stra­ ção d o E sp írito e d o poder. C a lv in ’s E x egetical P rinciples: In: Interpretation 3 1 (1 9 7 7 ). C alvino. org. ab sten d o -se tam ­ b ém d e um uso sem proveito de línguas desconhecidas.. P E S . (Tt 1.14). tom a um a chávena de chá com elas à tarde ou se en tretém com elas. p. . O D iretório de C ulto de W estm inster ( 1645). e cadência dc sons e p alav ras. ( IC o 1. “ N ão se requer de um p asto r apenas cultura. 300.”374 Continua: a eloqüência que está em conform idade com o Espírito de D eus não é bom ­ bástica nem ostentosa. L loyd-Jones. A s In stitu to s. p. 374 Jo ão C alv ino. 378 Jo ão C alv ino. 12. A lister E. 1984. H an s-Joachim K raus. p. com o vim os: “O hom em que m ais progride na piedade é tam bém o m elhor discípulo de C ris­ to. p.

E xposição de R om anos.”389 380 C f. (R m 9. a C alvino com o intérprete da P alav ra. (2C o 12. p. E xp o siçã o de R om anos. Vol. pp. co m ­ p aran d o C alv in o com o u tro s R e fo rm ad o re s. p.” [A gostinho.148 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n tem porân ea zão. 432.3. 330. João Calvino. 387 Jo ão C alv ino. G eo rg e com enta: “C o m io d a sua rep u tação de teólogo de lógica rigorosa.”388 “O alvo de um bom m estre deve ser sem pre converter os hom ens do m undo para que voltem seus olhos para o céu. 431-432]. 242. A t Institutos. 306). com ju stiç a . (Ver tam bém : A lisler E.”386 Afinal. O L ivro d os S a ím o s. o nosso reverente temor.. 430-432. 382 Vd. 209).” [Jorge P. E xposição de I C oríntios. p. que nós igualm ente im peçam os nossas m entes de avançar sequer um passo a m ais. . E xp o siçã o de 2 C oríntios. João C a lv in o . O nde o Senhor fecha seus próprios lábios. p. “à norm a da fé” .383 D a própria Escritura procedem os princípios de interpretação e os term os em ­ pregados: “Das Escrituras deve buscar-se a regra precisa tanto do pensar quanto do falar. 390. A Teologia d o s R eform adores.13. (SI 6). e x p re ssã o de S inger.”384 D esse m odo.5). 9/1). Vol. A s Institutos. M cG rath.382 Portanto. pp. 459). co n clu em que ele pode. será considerada falsa. B arcelona. 2. p. A b in g d o n P re ss. G re e n v ille . o príncipe dos co m en taristas. C o­ m en tá rio a o s S a lm o s. 204]. I. John M urray. 301. 1998. 243. E xposição de R om anos.. qualquer doutrina ou m esm o profecia que não se harm onize com Escritura. 60]. C alvin as T heologian a n d E xp o sito r.2). ser ch am ad o d e o “ p rín cip e e g u ia [stan d ard -b eare r] dos teó lo g o s. C alv in o . 385 J. São P aulo. (C. A t P astorais. (Rm 12. p.6).” (C f.. a eloqüên­ cia de Deus deve propiciar a nossa adoração. 388 Jo ão C alv ino. 147). (1984). E xposição de R om anos. com o tam bém as palavras da boca.” (P. senão o de ensinar as Escrituras: “M estre é aquele que form a e instrui a Igreja na Pala­ vra da v erdade. IV. 381 “ A p alm a p erten ce a L utero com o tradutor.28). de o “príncipe dos expositores. J o h n C alvin: H is R o o ts a n il F r u its .381 sustentando que a Escritura é a m elhor intérprete de si m esm a. [Vd. (SI 51. com enta: “Tudo o m ais que pesa sobre nós e que devem os buscar é nada saberm os senão o que o Senhor quis revelar à Sua igreja. C alv in o. 381 Jo ão C alv ino. The C reeds o f C hristendom . p. p. Vol. (R m ] 2. o seu silêncio.6). Que esta seja a nossa regra sacra: não procurar saber nada m ais senão o que a Escritura nos ensina. C alvino preferiu v iv er com o m istério e a in co erên cia d e ló g ica a violar os lim ites da revelação ou im pular culpa ao D eus q u e as E scrituras retratam co m o in fin itam ente sábio. ( IC o 12. S chaff. pela qual se pautem não apenas os pensam entos todos da m ente. G re g g S in g er. 3tw J.7). H isto ria de la R efo rm a . 386 Jo ão C alv ino. co m pletam ente am oroso e absolutam ente ju s to . p. P aulus.”387 Em outro lugar: “A tarefa dos m estres consiste em preservar e propagar as sãs doutrinas para que a pureza da religião perm a­ neça na Igreja. “ L utero foi o príncipe dos trad u to res. p. F ish er. O s ed ito res das o b ras de C a lv in o em B ru n sw ic k . 1989.14). A titude sim ilar en contram os em A g o s­ tinho: “ Ig n o rem o s de bo a m ente aquilo que D eus não quis que so u b éssem o s. C alv in o . em nossa inter­ pretação devem os nos lim itar ao revelado: “ .”385 Portanto. 17. 6). p. p. I. (Patrística. o papel do m estre cristão não é outro. (T t 1. 1. pp. Em outro lugar.” (T im othy G eorge. (R m 12.4). 432. CL1E. tentar ensinar fora das Escrituras é tolice e. A L ife o f John C alvin: A Study in the S haping o f W estern C ulture.32.”380 C alvino foi de fato o exegeta por excelência da R eform a. Eis o lim ite de nosso conhecim ento. 384 Jo ão C alv ino.

C alv in o. delim ita o cam po da sua teo­ logia: “A Escritura é a escola do Espírito Santo. “O fim de um teólogo não pode ser deleitar o ouvido.4 J. n osso saber não d eve ser outra cousa senão abraçar com branda docilidad e e. 12]. “é quase impossível exagerar o volume de prejuízo causado pela prega­ ção hipócrita. A s P a sto ra is.” [João C alv in o . era fazer-nos o bem .392 Por isso. tam bém . conclui que. aqueles a quem isto se afigura áspero.C a p ít u l o 2 .16) p. antes. p. 3')l J. 1.’3™ S e g u e -se daqui que é errôneo u sá-la de forma inap roveitável. 3.16. certam ente. p.3'-11 O “proveitoso” tem a ver com o objetivo de Deus para o Seu povo: que tenha um a vida piedosa e santa. . IV. 17.18.3'J5 Portanto.21.36. W2 J. (2T m 3. Ora. cujo único alvo é a ostentação e o espetáculo vazio.”394 Nas Instituições. 3W J.14. A s Institutos.4.3). A s Instituías. Ac Institutos. 3'JS João C alvino. mas tam bém proveitoso de conhecer-se. 165]. sem restrição. 164. a d o u trin a ção não será sã. D este m odo. por uns instan tes. o Senhor não pretendia satisfazer n ossa curiosid ade. na qual. p. C alv in o. exige de form a im perativa um com prom isso de vida e obe­ diência. (IT m 6. a não ser que h ou vesse reco­ nhecido serem proveitosas de conhecer-se. A o dar-nos as Escrituras. a m en o s q u e e u id e p ara q u e seja p ro v e ito sa a seus o u v in tes. A s P a sto ra is. nem tam pou­ c o deparar-nos um a chance para in v e n ç õ es m ísticas e palavreado tolo. 1. rejeitam matéria atestada de claros testem unhos da Escritura e inquinam de v ício o serem a público trazidas cou sas que. III. Vd. (2T m 3. com o nada é omitido não só necessário. o uso correto da E scri­ tura d ev e guiar-nos sem pre ao que é p ro v eito so . IV. seja maduro (perfeito).16-17). lim itando-o ao seu raciocínio: P onderem . quando. tudo quanto foi ensinado nas Sagradas Escrituras. A s Instituías. porque lh es e x c e d e a com p re­ ensão.3).”396 350 “A q u ele qu e não ten ta en sin ar cora o intuito de beneficiar. nem alim entar n ossa ânsia por ostentação. orienta e adverte àqueles que querem discutir com Deus. C alv in o. 3W Jo ão C alvino. tudo o que o Senhor ensinou e fez registrar em Sua Palavra é útil e necessário para a Sua Igreja. A s P a sto ra is. a doutrina não é apenas para o nosso deleite espiritual e reflexivo. quão tolerável lhes seja a im pertinência. sua intenção. A s Instituías. (1541). C alvino diz: ‘A Escritura é p ro v eito sa .A R e f o r m a P r o t e st a n t e 149 Por outro lado. ( lT m 6.3. e se d ev e ig n o rar tudo o que não é ensinado nela” [João C alvino. E assim . P a sto ra is. ao contrário. 263. D eu s jam ais haveria ordenado fo ssem ensinadas através de Seus Profetas e A p óstolos.4. C om entando o texto de 2Tm 3. 264.”393 Tratando da doutrina da Predestinação. C alv in o. p o r m ais q u e faça b o a ap resen tação . “ A tal p onto se tem p ro v eito em S ua escola que não há necessidade de acrescentar nada que venha de outros. não p o d e e n sin ar c o rre ta ­ m en te. senão confirm ar as Consciências ensinando a verdade e o que é certo e pro­ veitoso. assim tam bém nada é ensinado senão o que convenha saber.

Calvin a n d A u g u stin e. ( IC o 2. 406 Jo ão C alv in o. (João C alvino. 1.”408 é E le que nos ilum ina com a Sua luz para nos fazer entender as grandezas da bondade de Deus. ressoa atrav és do m u n d o inteiro. 339. p. D . p. 4<MJo ão C alv in o. p.17). aliás. em favor de quem a salvação está o rd en ad a.3. 1: In: C atecism os de la Iglesia R efo rm a d a .150 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a O conhecim ento de Deus e da Sua Palavra não visa satisfazer a nossa curiosidade pecam inosa m as.” [João C a lv in o . 21-24. P aracleto s. tam b ém .8). 1. 311).” (John M urray.”399 É o Espírito Q uem nos ensina através das E scrituras.405 “ótim o M estre” . São P au lo . 1. E xposição de I C oríntios. John H esselink. O E sp írito Santo.14). (B .403 e.9. C alv ino. São P aulo. J. Vol. p. é d esv airad o . A s In stitu ía s. C atecism o de la Ig lesia de Ginebrci. IV. 55. F ilad élfia. M cK im . IV.34. 229]. org. Vd.3). 398 “S ab em o s que som os postos sobre a terra para louvar a D eus com um a só m ente e um a só boca. 402 João C alv in o. ( IC o 1. A s Institutos. I. de quem em ana o ensino do evangelho.398 “A função peculiar do Espírito Santo consiste em gravar a Lei de D eus em nossos corações. h av erem o s de sem p re servir aos íd o lo s. PE S .) A voz de D eus. p. Junta de P ublicaciones de las Iglesias R efo rm ad as/E d ito rial L a A urora. 133. (SI 4 0. 12. . O s P uritanos. 1998.1.1). 14. 261). C alvino pode com razão ser cham ado de o T eólogo da P alav ra e do E sp írito S anto. e que esse é o propósito de nossa vida.21. A s Institutos. C alvin as Theologion a n d E xpositor. 400 V d.9. (1541). 1998.406 é o “M estre interior” .. (1541). que em Jesus Cristo possuím os. 1.400 esta é “a escola do Espírito Santo”401 que é a “escola de C risto”. 100.402 “escola do Senhor” . 1. O L ivro dos S alm os.7. III. C a lv in o .. (. C alv in o . p. S ão P aulo. H istory o fth e C hristian C hurch. p. com cu ja d issim u lação p o dem os e n co b rir n o ssa fa lsa relig iã o . 228.36.3). e que a Sua ilum inação são os olhos do nosso entendim ento. A s Instituías. 127]. E xposição de R om anos. p.M . p. 93. G randes Temas da Tradição R eform ada. m as ela só penetra o coração dos santos. (G1 4 . p o rtan to .5). A s Institutos. Vol. 1962. 23. 2000.16). P erg. 10]. (SI 4 0. L loyd-Jones.9. L a A urora. 129]. (SI 6. O L ivro d o s Salm os. A s Institutos. não iso lad am ente declara: “C alvino tem sido co rretam en te cham ad o de o teó lo g o do E sp írito S an to . W arfield.” (P hilip S chaff. (S obre o testem unho do E sp írito . 12. 4111 J. 111. 2.17). In: D o n ald K. Vol.. 1. 408 Jo ão C alv in o. A s In stitu to s. H endriksus B e rk h o f.” [João C alvino. p. IV. conduzir-nos a Ele em adoração e lou­ vor: “O conhecim ento de D eus não está posto em fria especulação. Vol. “A té q u e sejam os ilu m in ad o s do g en u ín o c o n h e c i­ m en to do D eu s ú nico.4. S ch aff diz q u e a “teologia de C alvino está baseada sobre um perfeito co n h ecim en to das E scritu ras.” [João C alvino. A s In stitu to s. Av In stitu to s. é o único genuíno intérprete para no-lo tom ar acessí­ vel. 58.B . P resbyterian & R eform ed P ublishing. p. O prim eiro a assim d esig n á-lo foi o teólogo presbiteriano B.8 ). p. p. V III. p. ( IC o 3. (R m 1. m as Lhe traz consigo o culto”397 que é o objetivo m áxim o de nossa existência. D eus o E sp írito Santo. L a D o ctrin a de! E spiritu Santo. (E f 4 . G álatas. B uenos A ires.3. sim. 13. B uenos A ires. C alvino d iz qu e q uem rejeita o “ m ag istério do E sp írito ” .404 “o m elhor m estre” . 1956.12.2. m Jo ão C alv in o. IV. Por essa causa Ele é agora chamado Penhor V>1 J. M urray. 405 Jo ão C alv in o.4-5. Tão im por­ tante é o Seu m inistério que com justiça podem os dizer que Ele é a chave com a qual são abertos para nós os tesouros do reino celestial. “O ensino interno e eficaz d o E sp írito é um teso u ro qu e lhes pertence de form a peculiar. III. O leg ítim o culto divino. o Espírito é o “M estre” .407 “O Espírito de Deus. p. 1. 2.8 ). O L ivro d o s Salm os. W arfield (1851-1921). d eve ser p re c e d id o po r um s ó li­ d o c o n h e c im e n to . B. F erguson. E fésios. 107 [Cf. Vd.9. que nos habilitam a con­ tem plar os mencionados tesouros. S in clair B. 407 Jo ão C alv in o. p. 4<B Jo ão C alv in o. (1969). O M ovim ento C arism ático e a T radição R eform ada. 17. E xposição de 1 C oríntios.

senão que m acula sua pureza com opiniões falsas e corruptas. veja-se: Vernon L. (1 Tm 3. M artin L utero. tam bém : C onfissão E sco cesa ( 1560). In: W . Com o tam bém agora Ele é cham ado m estre da verdade. B aker B ook H ouse. (. senão q u e usa as ativ idades dos pastores.S. T he History o f H om iletics: In: R alph G T urnbull.15). A s P a sto ra is. pp. ( lT m 3. N o período da R enascença e da Reform a liou ve diversas contribuições neste cam po (Para um a am ostragem destas. (1 T m 3. p. para que cuidassem de não negligenciá-la (com o é costum eiro) com o se fosse algo de pouco ou nenhum risco. conhecim ento e discernim ento. L eith. A s P astorais. 36. 125. a quem se tem confiado o encargo de um tesouro tão inestim ável!”413 Em outro lugar. p. insiste: “Essa cláusula os adverte de quão danosa é a corrupção da doutrina. p. 158-159.” [João C a lv in o . H enry B u llinger (1 504-1575). C ap.15). a qual ela deve preservar em seus ensinam entos e prática (Rm 3. ou esperada do céu: e que a própria P alavra an unciada é que d eve ser lev ad a em conta e não o m inistro que a anuncia. a Igreja a proclam a. a transm ite à p o ste rid ad e. Jo h n H. 11.15). E xposição de 1 C oríntios. A s P a sto ra is.5. 52-53). visto que sela em nosso coração a certeza das prom essas. C alvino e Sua Influência no M u n d o O cidental. .”414 4IWJo ã o C alv in o . 41(1 Jo ão C alvino. A rtigo 5. 411 Vd. org. não perm itindo que algo (estranho) seja adicionado à íntegra doutrina do E vangelho. C alvino. e por isso fazem um a resistência m enos radical. a pregação a ser estudada. A Tradição R eform ada: U m a m aneira de se r a co m u n id a d e cristã. R eid.A R e fo rm a P r o te s ta n te 151 e Selo. Daí. “Se porventura de­ sejam os lo g rar algum progresso na esco la do Senhor.”409 Portanto. m esm o que este seja m au e pecador. porém . 100. crem os q u e a p ró p ria P alav ra de D eus é anunciada e recebida pelos fiéis.411 “A R eform a foi antes de tudo um a proclam ação positiva do evangelho C ristão. IV. 412 John H. Vd.. 97. 411 Jo ão C alv ino. C alvino entendia que “a verdade. co ntinua falando da responsabilidade dos pastores: “D eus m esm o não desce do céu p ara nós. 1).9). que peso de responsabilidade repousa sobre os pastores. (1 5 4 1 ). por m eio d a p reg ação . na Segunda C onfissão H elvetica ( 1562-1566). diz que: “Q uando esta P alav ra de D eus é agora anunciada na Ig reja por pregadores legitim am ente cham ados. nem d iariam ente nos envia m ensageiros angelicais para que publiquem sua verdade. p.15). 97]. C o nfissão B elga (1561). p. a Igreja m antém a verdade porque. (G 1 5. M ichigan. T ed. p.”410 C onform e já vimos. L eith. org. E m relação aos hom ens. após decla­ rar o reco n h ecim en to da B íblia com o P alav ra q u e contém autoridade de D eus. A s In stitu to s. com en tan d o a ex p ressão "c o ­ luna d a v erd ad e” . devem os antes renunciar nosso próprio entendim ento e nossa própria vontade. ( IC o 3.2. pp. R o lan d H. fonte de sabedoria.4. C a p í­ tulo X IX . tam bém .3). lT m 3. 49. Satanás entra em ação com astúcia. [Vd. Stanfield..”412 À Igreja foi confiada a Palavra de Deus. considerando-se a sua natureza e propósito. p. 98].) Devem os ser m uito cautelosos. só é preservada no m undo através do m inistério da Igreja. autor da luz. S tanford R eid. I]. p. a R eform a teve com o um a de suas característi­ cas principais a ênfase na pregação da Palavra. B a k e r ’s D ictio n a ry o f P ractical Theology. a quem destinou p ara esse p ro p ó sito . B ainton. P odem os d iz e r q u e na R efo rm a hou v e um a revitalização d a p regação bíblica.” [João C alvino.C a p ítu lo 2 . A P alavra de D eus passou a ser p regada com ênfase e. W. 1. C onfissão de W estm inster (1647).4 Tradição R eform ada: U m a m an eira de s e r a co m unidade cristã. 391.9.. 414 Jo ão C alv ino. A P ropagação do C alvinism o no S écu lo 16. G álatas. 1970.” (C ap. c obviam ente não destrói o evangelho em sua totali­ dade. co­ m entando G álatas 5. A t Institutos. “ . e q u e nenhum a o utra P alavra de D eu s p o d e ser inv en tada. M uitos não levam em conta a gravidade do mal.. a conserva pura e íntegra. . contudo a P alav ra p erm an ece boa e verdadeira. pois.

103]. até que as igrejas sejam m elhor providas de pastores qualificados que possam desem penhar com seriedade o ofício de pastor.L.F. (A lbany. p. 141-142.dem onstrando conhecer bem o hebraico. “L e tle r. O R: A ges S o ftw a re. D o m esm o m o d o . 33. 2“ ed. D eus. N ew Testam ent Interpretation. D o m esm o m odo afirm a W. p. Vd. S ch aff. o m étodo de expor e aplicar417 quase todos os livros das E scrituras à sua congregação. Vol. não deixa de ser surpreendente o conse­ lho de Jacobus Arm inius (1560-1609). S elected from th e B o n n et E d itio n . antigo aluno de B eza (1582): “Eu exorto aos estudantes que depois das Sagradas Escrituras leiam os C om en­ tários de Calvino. org. é profundidade. L o u isv ille. etc . F alando sobre a sua voeação. A sua m ensagem se constitui num m onum en­ to de exegese.9-11. T . E xposição de 1 C oríntios.420 Portanto.”419 A fecundidade exegética de C alvino tinha sem pre um a preocupação prim ordialm ente pastoral. p.6).” (J. grego. M arshall. 1. Ltd.visam sem pre esclarecer de­ term inada doutrina ou passagem bíblica que tem pontos de debate ou que são passíveis de interpretações diferentes. Vol. O P ensam ento da R eform a.152 R a íz e s d a T e o l o g ia C on tem porân ea Escrevendo a C ranm er (jul/l 552?) diz: “A sã doutrina certam ente jam ais prevalecerá.S. p. 1998). org. isto sim. E ssays on P rinciples a n d M eth o d . sabendo aplicá-la com m aestria aos seus ouvintes. IV. No entanto. H isto ry o f the C hristian C hurch. percebem os que a sua erudição é dem onstrada em sua sim plicidade. p. 7]. T h e T rintiny F o u ndation.. R eid. 1979. P. G ray C ram pton.”415 C alvino. W hat C alvin S a ys. os Pais da Igreja. M a ry lan d . 417 Vd. . 1963. V d. Vd. E nciclopédia H istó rico -T eo ló g ica d a Igreja C ristã.” (W. Reid: “ [C alvino] não era um estudioso e n c e n a d o num a torre de m arfim . Jam es C lark e & Co.H .” [João C alvino. S. O A rg u m en to em F av o r da H erm enêutica de C alvino: ln: F ides R eform ata 5/1 (2000). 416 E le escreveu: “ . L etters o f J o h n C alvin. C alvin's P reaching. Percebe-se que para C alvino o academ icism o. clareza418 e fidelidade à Palavra. pois eu lhes digo que ele é incom parável na interpretação da E scritura. K entucky. E xeter. C alvinism o: In: W alter A. W estm inster/John K nox P ress. 1992. O L ivro dos S a lm os. 1992. e quão indispensável é que a m esm a seja realizad a contin u am en te. m as um p astor que pensava e escrevia suas obras teológicas sem pre tendo em vista a edificação d a igreja cristã. Q uão necessária é a pregação da P alavra. 418 “O s co m en tários de C alvino são m odelos de clareza e excelência” [M oisés S ilva. A.. 415 C alv in to C ranm er. fiel à sua com preensão da relevância da pregação bíblica. P arker. m e h av en d o tirado d e m inha orig in ariam en te o bscura e hum ilde condição.416 usou de m odo especial. 1950. V III.” (H enri Strohl. pp. p. p. C alvino. latim. M itchell H unter. ou seja: falar de assuntos com plexos de form a sim ples e clara. 419 C arta escrita a S ebastian E gbertsz. 18. 225). tam bém A s Instituías. 37). B ruce. revised. L ondres. In: I. por si só era irrelevante para a vida da Igreja. São Paulo. E lw ell. 280. N otam os em suas obras que os pontos em que ele revela m aior erudição . 28.. De fato. 420 “O m aior exegeta do seu tem po sem pre m anifestou nos seus serm ões p reocupação nitid am en te p asto ral. [C D -R O M ]. C alvino diz: “ . (IC o 3. p. considerou-m e digno de ser in v estid o co m o su blim e ofício de pregador e m inistro do E v an g elh o . 1.H . o seu direcionam ento não era sim ­ plesm ente acadêm ico. 222). 1. 20. p. T h e H istory o f N ew T estam ent Study. A S T E ...” Jo h n C alvin C o llectio n . The Teaching o f C alvin: A M o d ern Inlerpretalion. F. p ublicada em 1704. p. T he P atern o ster P ress. 79ss. tam bém : W. p.

1993. 422 John C alvin. V1II/4. C alvino era carta a Farei revela incid en talm en te o quão p esada era a su a rotina diária: preparação de serm ões. R o m a n o s.”423 A contribuição de C alvino nas diversas áreas do pensam ento hum ano (econom ia. p. P arak leto s. p. IV. A in d a em 1539 (20 de abril).” [João C alvino. tradução para o francês da Instituição. P o rtan to . /4 Teologia dos R eform adores. G reef. ( IC o 2. N ova Y ork/O xford. 2 001. 82. 1998).pregando dois serm ões por dom ingo e um a vez por dia em sem anas alternadas .”425 balbuciando a Sua Palavra a nós com o as am as fazem com 421 Jo ão C a lv in o . porque sem a eficácia do Espírito. [C D -R O M ]. T. que “em bora não possa realizar nada sem o Espírito de Deus. H. “P o rq u e se viesse a nós em S u a m ajestade estaríam os perdidos. etc. antes.tenha pregado mais de três mil serm ões. através da operação interior do m esm o Espírito.C a p ítu lo 2 . em m édia. G eorge. E m 11/9/1542. todavia. John C alvin: A SixteenthC en tu ry P ortrait. Logo. m ais de três por sem ana. 187. “L ette rs.” John C alvin C ollection. (C alvin’s C om m entaries). (W illiam J. O xford U niversity P ress. política. 425 João C alvino. 29). so m e n te os estultos é que buscam conhecer a essência de D eu s. a pregação do E vangelho de nada adiantará.424 C alvino entendia que Deus.A R efo rm a P ro te s ta n te 153 A convergência de sua interpretação era a vida da Igreja. G rand R apids. em geral. Ele entendia que “a pregação é um instru­ m ento para a consecução da salvação dos crentes” e. adverte ser sacrilégio. John C alvin. na Sua Palavra. M ichigan. (Cf. filosofia. 64].6. Vol. To F arei. p. OR: A ges S oftw are. p. Estim a-se que C alvino durante os seus trinta e cinco anos de M inisté­ rio . interrupções constantes. cartas p ara responder. W. O princípio orientador de sua teologia é a glória de Deus.14). porém . p. em b o ra D eus acom ode à nossa tacanha capacidade toda declaração que faz de si m esm o. C om m entary on the B o o k o f the P rophet Isaiah. B ouw sm a. 1. a sua preocupação estava longe de ser m eram ente acadêm ica. S ão P aulo.3). de seus serm ões e com entários bíblicos. se o hom em a si arroga algu­ m a parte de um a e outra dessas duas operações. B aker B ook H ouse C om pany. m as que há certos lim ites d entro dos quais os hom ens d ev em m anter-se. C alvino. entendendo que as Escrituras foram dadas visando à nossa obediência aos m andam en­ tos de Deus." [João C alvino. p. J. L eith.21). colocando-a diante do povo a fim de que este pudesse entendê-la e colocá-la em prática. m as perm anecerá estéril. (R m 1. n° 34]. A Tradição R eform ada: U m a m aneira de se r a co m unidade cristã. “ O E spírito Santo p ro p o sitad am en te acom oda ao nosso e n ten d im en to o s m o delos de oração registrados na E scritu ra. a Si prescrevendo a ilum inação da m ente e a renovação da m ente e a renovação do coração.7). (SI 13. tendo um a dim ensão m ais am pla da fé cristã em todo o âm bito de nossa existên­ cia. The W ritings o f Jo h n Calvin: An Introductory G uide. B ouw sm a calcula qu e C alvino tenha prega­ do cerca de 4 m il serm ões depois que voltou para G enebra em 1541. 2a ed. O L ivro d o s Salm os. p. ética) emerge. E xp o siçã o d e R o m a n o s. (R m 11. 407. “ N ão p o dem os co m preender p len am en te a D eus em toda a sua grandeza. 425 J. 1. não pregasse m ais do qu e um serm ão.19). 1988. Ele não tinha a pretensão de revolucionar nenhum a dessas áreas. 434 Cf. [Vd. E xposição de I C oríntios. pou co m ais de 170 serm ões po r ano. p. o C o n selh o decidiu quc C alvino aos dom ingos. 1996. 126. 271. (A lbany. p. 265]. G rand R apids. “se acom odava à nossa capacidade. A s Institutas. (Is 59. desejava interpretar as Escrituras. 110).”422 “D eus. B aker B ook H ouse. M ichigan. ela revela a ação divina m uito m ais poderosam ente. Vol. conform e já frisam os.”421 “O ‘E sp írito ’ está unido com a Palavra.

C alv in o . M ichigan.25). qual é possível de ser d e nós ap reen d id o .65).” (J. às vezes tam bém . D isto. pp. 4 0 9 . Vol. p. H ooykaas sustenta que a “ teoria da acom odação de C a lv in o ” ex erceu p o d ero sa in fluência sobre os astrônom os protestantes (Ver: R. de outra sorte.8. 241 ]. 1. com a luz de Seu Santo Espírito a m ente nos ilum ina e abre acesso em nosso coração à Palavra e aos sacram entos. 1.E.1). que não necessite do artifício das p ala­ v ra s? ” (J. para qu e houvessem eles d e ser adereçados em m ais esp len d o ro sa elo qüência. (SI 13.. os ím pios não alegassem cav ilo sam en te que a só força desta aqui im pera.17. A í Institutos. T. E m que pese o m arxism o do autor. 43ss. (SI 78. q u an do essa não burilada e quase rústica sim plicidade p ro v o ca m aio r rev erência de si q u e q u alq u er elo q ü ên cia de retóricos oradores. 3. O L ivro dos S a lm o s.. C alvino. Vol. q u an d o Se nos ap resen ta por m eio de hom ens se acom oda a nossas d ebilidades para que possam os c o n h ece r m ais co n v en ien tem en te sua v erdade a qual E le nos pro p õ e. p. A s Institutos. F alan d o sobre os antropom orfism os b íb lico s. 1. senão que a p u jan ça da v erdade d a S agrada E scritu ra tão sobranceira se estadeia. não lhes d an d o alg o que p orventura seja m ais forte do que podem su p o rtar” [J. que é de ju lg ar-se. A utoridad y R everencia q u eD eb e m o s a la P a la b ra d e D io s: ln: S erm ones Sobre Job. ( I P e 1. 54. tornou-se pe­ queno. veja-se a o b ra p u b licad a recen tem en te em p ortuguês de C hristopher H ill. B ak er B ook H ouse (C alv in ’s C om m entaries. finalm ente. por assim dizer. tanto quê D eus seja. (S erm o n n° 17). se m e é perm itida a expressão. Ver tam bém : João C alvino. p.” [Juan C alvino. C alvino. 1988. C alvin's C om m entaries.426 “ . X X II. Vol. 2. então.13.21). na verdade. XVI11). C alvino diz que E le se acom oda “ à estupidez do p o v o ” [João C alvino. Vol. H ooykaas. p. p. 212]. “ A descrição q u e d E le se nos o u to rg a tem d e aco m o dar-se-nos à capacidade. 1. A R elig iã o e o D esen vo lvim en to d a C iência M oderna. p. E xposição d e I C o ríntios.8. ele tirou um prin cíp io pedagógico: “ Um sábio m estre tem a resp o n sab ilid ad e de acom odar-se ao poder de com preensão daqueles a q uem ele adm inistra o en sin o . que sublim es m istérios do reino celeste fossem .14. 1996 (R eprinted). 17. prim eiro. porém . “A gora.9. 1996 (R ep rin ted ). para que seja de nós entendida. A s In stitu to s. C alvino. M ichigan. p. Vol. (Jo 21. acom oda-se ao nosso m odo ordinário de falar por causa de nossa ignorância. a fo rm a d e aco m o d ar-se: que tal se nos represente. Q uando D eus se com para a um hom em em briagado. em larga m edida transm itidos em term o s de lin g u ag em apoucada e sem rcalce.3. . 1.11. necessário L he é descer m u ito ab aix o de S u a ex celsitu d e. C alvino continua: “O ra.L. G rand R ap id s. O L ivro d o s S a lm o s. quando lem os as Escrituras. m esm o q u e de bem parco entendim ento. com os sacram entos no-la confirm a. R io de Janeiro. 98-99]. G rand R apids. 1. para acom odar-se à nossa com preensão. gagueja. Vol.13). IV. com Sua Palavra nos ensina e instrui o Senhor.”429 Esses pontos tornam o hom em inescusável e real­ çam a relevância das Escrituras para a vida cristã. 265.”427 R esum indo: “Em C risto. que.1). diz em lugares diferentes: “P ois q u em . 299. Ele diz: “Ora. não percebe que D eus assim conosco fala com o q u e a b albuciar.1. form as de expressão q u e tais não ex p rim em .. Deus.14). 160ss). Jenison.11. C alv in o . E sta é. e não sem a exfm ia p rovidência d e D eu s isto se faz.154 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a as crianças.1). não qual é em Si. Deus. assum indo um caráter estran h o ao S eu. com o as am as costum am fazer com as crianças? P o r isso. M ichigan. p.”428 Portanto. de m aneira clara e precisa. 241.3). apenas feririam os ouvidos e aos olhos se apresentariam . A s In stitu to s. P ara que assim se dê.65). 2003. A s Institutos. 1. C ivilização B rasileira. 426 C alvino usou deste recurso herm enêutico para explicar assuntos ap arentem ente co n tra­ d itó rio s na B íb lia. d e m odo a iniciar-se com os princípios rudim entares quando instrui os débeis e ignorantes. quanto L he acom odam o co n h ecim en to à pau cidade da com preensão nossa.L .16. C om m entary on the G ospel A ccording to Jo h n . “som os arrebatados mais pela dignidade do conteúdo que pela graça da linguagem . 427 John C alv in . 428 John C alv in. B aker B ook H ouse C om p an y . p.” (J. ( IC o 3. 2. A B íblia Inglesa e as R evoluções d o S écu lo X V II. 429 J. (SI 78. (SI 50.

21). até m esm o esp len d o ro so . nós julgarem os a doutrina e discernirem os de tal m aneira que não poderem os ser enganados por nenhum a de todas as tentações de Satanás.2. assim que a elo q ü ên cia lhes não cede aos esc rito re s p ro fa ­ n o s. perm anece para todas as suas obras tam bém com o princípio avaliador de qualquer labor hum ano: “Im porta em tudo quanto exponho recorrer ao testem unho da Escritura. VI11/4. longe estariam de afetar-nos o íntim o. 4. Jen iso n . ufanam -se do nom e do Espírito. (Is 59. 435 Juan C alvino. C om entando 1 N o en tan to . B aker B o o k H ouse C om pany. 431 J. (Jo 17. a qual o Espírito de Deus está continuam ente unido. G. (S erm on n° 17).432 “A Palavra de Deus é um a espécie de sabedoria oculta. 432 C f.” (J.L . 14. ele tam bém en ten d ia que “ alguns P rofetas têm um m odo de d iz e r eleg an te e p o lid o .21. 11. M ich ig an . os “tesouros da sabedoria celestial” . acham -se fora “do alcance da cultura hum ana. 208. 1981. desprezando a palavra. M ichigan.”431 Todos som os incapazes de entender os “m istérios de D eus” até que Ele m esm o por Sua graça nos ilum ine. A s Institutos. A s In stitu ía s. Vol.E . em suas próprias im aginações.2).33.3 Jo ão C alvino.não foge a este princípio: o reconhecim ento de que é o Espírito Q uem deve nos guiar na com preensão das Escrituras. O testem unho do Espírito é m ais relevante e efi­ caz do que qu alquer argum ento ou arrazoado hum ano. É o espírito de Satanás que é separado da palavra. G rand R apids. p. C a lv in o .16).20). Ele produz a sua boa obra em nós. p. H endriksen.o prim eiro de sua lavra .”434 “Se Deus nos ilum ina pelo Seu Espírito Santo. gerando a fé salvadora que se direciona para Cristo e para os feitos de Sua redenção. 1.437 O com entário de Rom anos . M ichigan.21). C alvino.”430 A qui tem os um paradoxo: A P alavra acom odatícia de D eus perm anece. e increm entam coisas. A s Institutos.L . até que o Espírito abra os olhos ao cego. ‘a P alavra’ não pode ser separada ‘do E spírito’. E xposição de R om anos. C alv in o . SLC . G rand R apids.. p. tam bém J. .A f Institutos. 271. A utoridad y R ev eren cia qu e D ebem os a la P alabra de D ios: In: S en n o n es S obre Jo b .11). 1996. E. 430 J. pp. III. V d. com o im aginam os fanáticos. IV. 89. E l E vangelio Segun San Juan. E xposição de R om anos. E xposição de 1 C oríntios. a luz brilha nas trevas.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 155 m as. que aduzo para ajuizar da procedência e justeza do que afirm o. (R m 10. Assim . com o algo m isterio­ so para os que não crêem ou que desejam entendê-la por sua própria sabedoria pois.2. (1 C o 2. 522.8. Jo ão C alvino. T .”435 “D a m es­ m a form a.C a p ít u l o 2 . concedendo-nos discernim ento espiritual. (C a lv in ’s C om m entaries). 434 Jo ão C alvino.8. p. 636. a cuja profundidade a frágil m ente hu­ m ana não pode alcançar. p. (R m 16..”436 Portanto.”433 “De nenhum efeito é a Palavra sem a ilum inação do Espírito Santo. entretanto. quando o Espírito aplica a Palavra ao nosso coração. 437 V d. 436 Jo h n C alvin. 373-374. C o m m en ta ry on the B o o k o f the P rophet Isaiah. 1988.” C alvino sustentava que o m esm o Espírito que inspirou o registro das E scrituras convence-nos da autoridade de Sua Palavra. que. com o confidenciais. C alv in o. o conselho que o próprio C alvino em itiu no Prefácio à edição francesa da Instituição (1541).

São Paulo. p. E ele [Pedro] não se refere som ente à vocação externa. o que faz suas consciências m ais seguras e todas as dúvidas resolvidas. G ran d R ap ids. 22. No entanto. (2P e 1. 36. 72. 88. () C o 2 .13). 441 John C alv in . A? Instituías. sem a ilum inação do Espírito jam ais seriam os persuadidos de Sua autenticidade e nunca poderíam os com preender salvadoram ente a revela­ ção de Deus. C alvino não ignorava os argum en­ tos em prol da autoridade bíblica.”439 A Palavra de Deus jam ais poderá ser recebida salvadoram ente sem o ensino do Espírito. pretende ensinar duas coisas: 1) que o ensino do evangelho só pode ser entendido pelo testem unho do Espí­ rito Santo. 1987. aqui. ou de argum entos hum anos e filosóficos. quando Deus não som ente em ite sons em nossas orelhas pela voz do hom em .que lhe dão auto­ ridade. 369. reali­ zada pelo poder secreto do Espírito. Portanto. M ichigan. E xp o siçã o de 1 C oríntios.3. mas à vocação interna. Vol. não é o testem unho interno do Espírito . 1996 (rep rin ted ). 442 Jo ão C alv in o. L isboa. baseia-se na autoridade divina do seu autor que nos fala através da Escritura: “a credibilidade da doutrina se não firm a antes que se nos persuada além de toda dúvida de que seu autor é Deus. não nos enganem os. sim da selagem do Espírito.sem dúvida fundam ental para a com preensão das Escrituras . p. B aker B ook H ouse. antes a sua autoridade é proveniente da inspiração divina que a produziu e a preservou pelo Espírito. ele sim plesm ente entendia que sem a ■™ Jo ão C a lv in o .H . 1998. que é em si m esm a ineficaz. com o se o que crêem pudesse realm ente ser tocado com suas m ãos e isto em razão do fato de que o Espírito é um a testem unha fiel e confiável.”438 Em outro lugar: “A genuína convicção que os crentes têm da Palavra de Deus. o Espírito e a Palavra são inseparáveis.4. Na Palavra tem os um a ação retroalim entadora: O Espírito nos conduz à Palavra. p. pelo Seu próprio Espírito atrai intim am ente nossos corações para Ele m esm o. diz: “A causa eficaz de fé não é a perspicácia de nossa m ente. S p urgeon. p. acerca de sua própria salvação e de toda a religião. C a lv in ’s C om m entaries. interpreta: “Paulo. e 2) que a segurança daqueles que possuem tal testem unho do E spírito Santo é tão forte e firm e. e. antes.40 C .”440 C alvino com entando o texto de 2 Pedro 1.7. . mas. m as a vocação de Deus.3). (E f 1.”442 Portanto. E fésios. que fala mais ao coração do que ao ouvido. a suprem a prova da Escritura se estabelece reiteradam ente da pessoa de Deus nela falar. 11).”441 A autoridade da Palavra não depende do testem unho de nenhum ho­ m em ou instituição. a Palavra nos instrui sobre o Espírito. é Ele Quem de fato abre as Escrituras diante dos nossos olhos. 4W Jo ão C alv in o. “Nós nunca conhecerem os nada enquanto não form os ensinados pelo Espírito Santo. não em ana das percepções da carne. 1.156 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a C oríntios 2. capacitando-nos a enxergar o Evangelho da G lória de Deus. Sem a inspiração do Espírito não haveria o registro da P ala­ vra. 4. P eregrino. D estarte.11. P aracletos. F irm es na Verdade.

São P aulo. M cK im . 1984 (R esum o feito por J.. m as.C a p ítu lo 2 .4-5). n o sso co n h ecim en to é tal que é co n sisten te com o m elh or dos argum entos. 2. C alvino. 339). 41. G randes Temas da Tradição R efo rm a d a . Vol. por razões além do ju lgam en to hum ano tem o s perfeita certeza. V ida N ova.. In: D onald K. o fato de crerm os que as Escrituras vêm da parte de D eu s. C alvino disse: D eu s não deu a con h ecer a P alavra aos hom ens com vistas a m om en tân ea apresentação. assim que de pronto a ab o lisse com a vind a de S eu Espírito.A R e fo rm a P r o te s ta n te 157 ilum inação do Espírito estes argum entos.11). 1. A D o u trin a da Ig reja sobre a In sp iração B íblica: ln: Ja m es M.) C alvino não ensina que o Espírito é a evidência em prol da inspira­ ção da B íblia.. é tal que não requer argum entos. 444 J. A s In stitu ía s. p. A s In stitu ía s da R eligião Cristã. que elas foram transm itidas a nós da própria b o c a de D e u s. 1982. P E S . nem ao de outros. O Livro d o s Salinos. N o ssa c o n ­ v icç ã o . já não d e v e m o s ao n o sso próprio ju íz o . O M o v im en to C arism ático e a T radição R eform ada. pela instrum entalidade d os h om en s. a m en os que seja apoiada por d o is ou três textos da Escritura. O m esm o E spírito que falou através d os profetas d eve entrar em n o sso cora­ ção para con ven cer-n os que e le s entregaram fielm en te a m ensagem que D eu s lhes deu. não haveria evidência objetiva que se tornasse persuasiva ao hom em . (. (SI 62. 4 0 . .) S en d o ilu m in ados pelo Seu poder. Tudo quanto faz é levar as pessoas a crerem na evidência. e .. p. org. de m a­ neira sem elh an te. sim. co m o se nelas co n tem p lá ssem o s a glória do próprio D e u s. G erstner interpreta: “O papel do Espírito Santo não é alterar a evidência (de insatisfatória para satisfatória) m as. Sua P alavra não será verdadeiram ente crida n os corações dos hom ens até que tenha sid o selada p e lo testem u nh o do Seu E spírito.P. por mais razoáveis que fossem (e ele os considerava convincentes). D e u s na Sua Palavra é a única testem unha adequada a respeito de Si m esm o.7. N ão procuram os argum entos ou probab ilidad es sobre os quais fundam entar n osso julgam ento. portanto. e não a aprovação dada à abom inável prática da recusa de receber um a doutrina. G erstner. S ão P au lo . John H esselink.” (I. não produziria um conhecim ento salva­ dor. mas sim sujeitam os n osso ju lgam en to e nosso in telecto a ela s co m o sen d o algo acim a c além de toda disputa. (V eja-se. p. 582. C alv in o .7. m udar as atitudes dos hom ens. O A lice rce da A u to rid a d e B íb lica . p. W iles). 445 Jo ão C alv ino. da resistência à verdade para a subm issão a ela. I. B o ice. (.. J.445 Em outro lugar. H esselink diz q u e “ a co n trib u i­ ção m ais o riginal e du rad o u ra de C alvino para um a com p reen são ev an g élica da natureza e da autoridade da E scritura foi sua doutrina do testem unho interno do Espírito S anto. Em síntese: Sem o Espírito.444 C om entando o Salm o 62: T oda palavra q ue foi pronunciada por D eu s d ev e ser recebida com autorida­ de im p lícita. org.”443 Calvino escreveu m agistralm ente sobre este ponto: O testem u nh o do E spírito é superior a todos os argum entos. porque nelas a m ente d e s ­ cansa com m ais segurança e firm eza do que em quaisquer argum entos. 441 Jo h n H.

que a luz d o E spírito é su focad a assim q u e e m desp rezo vêm as p rofecias. febre.”447 C om entando 1 C oríntios 2. se fize ssem sáb ios de si m e sm o s. escrev eria a m édicos de M ontpellier agradecendo os rem édios e a gentil atenção. recebendo o sacram ento das m ãos de Beza. 1. 447 Ju an C alvino. hem o rró id es (que o im pedia de cav alg ar).) Aprende. Baird. m as im ed iatam ente acrescen ta que as pro­ fe cia s não deveriam ser d esprezadas (lT s 5 . C om o que acena. “L etters.” Jo h n C alvin CoU ection. pregador e celebrante. separando-0 e di vid in d o -0 da Palavra. indigestão. To the P hysicians o f M ontpellier. um m ês antes de morrer. The H istory a n d C h a ra cter o f C a lvin ism . 2 de abril. n° 665]. “ L ife o f John C alv in . cólicas. p. e n v io u o m esm o E spírito. tam bém . 39-42. A ges S oftw are. (A lb an y . tendo-os à sua volta. [C D -R O M ].451 a certa altura diz: 44í’ J. escreveu: “A ssim esta luz esplêndida da reform a foi levada de nós com o . convoca os m in is­ tros de G enebra à sua casa. pp. para que realizasse Sua obra m ediante a e fic a z confirm ação d e ssa m esm a Palavra.449 No dia de Páscoa.9. cx x x i. D ois dias d epois. não para que. R espuesta ctl C ardeal S a d o leto . 451 Vd. A tosse e o sangue que subia pela boca o im pediram de concluir a sua m ensagem . pp. D e m odo sem elh an te. u * Jo ão C alvino E xposição de I C oríntios. C risto abriu o en tendim ento aos d ois d isc íp u lo s de E m aús (L e 2 4 . O R : A ges S o ftw are. M esm o com a voz trêm ula.. 199-200. Jo h n C alv in . na ocasião falou sobre a harm onia dos Evangelhos. N esta carta ele d escrev e suas enferm idades: artrite. despede-se. T h eo d o re B eza.3. [C D -R O M ]. p elo poder d e Q uem havia d isp en ­ sad o a Palavra. 1998). João C alvino Era A ssim . Veja um a descri­ ção desse acontecim ento em C harles W. A pós sua m o rte . C a lv in o . 08/ 0 2 /1 5 6 4 .1 9 . em issão de sangue p o r via urinária. Van H alsem a. enquanto exorta aos tessa lo n icen s e s a q u e não e x tin g a m o E sp írito .450 Em 28 de abril de 1564. pp.. p.” J o h n C alvin CoUection. P aulo. p. m as para que en ten d essem essas Escrituras. 820-821. M cN eill. 30 (V d. Calvino. 227.4 5 ). a vãs e sp e c u la ç õ e s à parte da Palavra. a p. p. que é tão insuportável vangloriar-se do Espírito sem a Palavra. V III.. 1. L ife o fJ o h n Calvin: In: Tracts a n d Treatises on the R efo rm a tio n o f the C hurch. T hea B. 4« y j x iie a B. 50 e 52. (A lbany. J. 2 7 /05/1564 . A Liturgia R eform ada: E nsaio histórico. Vol.. nefrite. pp. n ão o s arrebata às alturas.2 0 ).”448 Em 6 de fevereiro de 1564. 29). João C alvino E ra A ssim . p.2 7 . H isto ry o f th e C hristian C hurch. por tua própria falta. participou da Ceia. p ostas de parte as E scri­ turas.por volta das 20 horas e 30 m inutos de sábado. pois. já m uito enferm o foi transporta­ do para a Igreja num a cadeira. pedras nos rins. Van H alsem a. cantou junto com a congregação o C ântico de Sim eão. 201-202. 1998). úlceras. Ver tam bém : P.11. C alvino diz: “ .B eza que o acom panhou d u ran te to d o o tem po. lo n g e de du biam en te.T. OR-. foi levado pela últim a vez de sua casa na R ua do C anhão à Igreja. A s In stitu ía s. S chaff.446 Em resposta ao C ardeal Sadoleto.158 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a p elo contrário. Hás sido castiga­ do pela injúria que fizeste ao Espírito Santo. arrem ata: “N ão há nada mo próprio D eus que escape ao seu Espírito. (. com o desagradável o preferir a P alavra sem o E spírito. [Vd. Vol. pregando então com dificuldade o seu últim o serm ão.11). D esta form a.. 450 T h eo d o re B eza. 88.. (1 C o 2.

q u e entre outras coisas. pp.. nas co m em orações dos 300 anos da R eform a de G enebra. tam bém : P. o P astor e P ro teto r de G en eb ra. e que o p o v o o con serve sem desejar a lgo m elhor.” [T heodore B eza. e todos se afligiram pela perda daquele que foi. 129. p. seja d edicada à Sua glória. nem in o ­ vem . Tracts a n d Treatises on the D octrine a n d W orship o f the C hurch. V III. H isto ry o f the C hristian C hurch. m as sem pre c oloq u ei fielm en te diante de m im o que ju lg u e i ser a glória de D e u s. era o u tra tradução: T heo d o re Beza. Vd. resisti à tentação e sem pre estud ei a sim p licid ad e.. a A cadem ia se entristeceu por se ver p rivada de um pro fesso r incom parável. J. S chaff.454 Em outro lugar: “Sabem os que som os postos sobre a terra para lou­ var a Deus com um a só m ente e um a só boca. dizia: “ Q uebrado no corpo. Vol. a Igreja lam entou a m o rte de seu p asto r fiel. 1. 4M C alvin. 43. acrescenta: . e o dia seguinte. N u n ca escrevi nada com ó d io de algu ém . lemos: M estre: Q ual é o fim principal da vid a humana? D iscíp u lo: C on h ecer o s hom ens a D eu s Seu Criador. construiuse um m o n u m en to em hom enagem a C alvino.” John C alvin C ollection. (N a tradução em inglês. O R: A ges S o ftw are. 454 Jo h n C alv in. 825). Vol. p. 63. p. S ch aff. D u ran te aquela noite.. p. In: John C alvin. 42-43 (H á tradução em inglês. para a R ep ú b lica a tristeza da perda de um de seus cidadãos m ais sábios. T extes C hoisis par C harles G agnebin. Vd. nem co n scien tem en te as distorci. N ã o que eu queira por m inha própria causa. 227]. . E sq u ecia -m e de um ponto: p e ç o -lh e s que não façam m udanças. houve grande lam entação p o r to d a cidade. a dem onstração da­ quilo que anos antes redigira no Catecismo de Genebra. M estre: Por que razão cham ais este o principal fim ? D iscíp u lo : Porque nos criou D eu s e pôs neste m undo para ser g lo rifica d o em nós. da qual E le é o c o m eç o . o R eform ador da Igreja.” (P.5). V encedor pela fé. L etters o f John C alvin. sob D eus. p. cxxxiv e. na prim eira parte de sua despedida.452 N a seqüência. p. H istory o f the C hristian C hurch.”455 pôr-do-sol.C a p ít u l o 2 . “L ife o f John C a lv in . pp. L ife o f Jo h n Calvin: In: Tracts a n d Treatises on the R efo rm a tio n o f the C hurch.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 1 59 A respeito de m inha doutrina. M cN eill. e que esse é o propósito de nossa vida. E m 1835. Nas prim eiras duas perguntas. S elected from the B onnet E dition. II. Vol. a perm anência do que e sta b e lec i. p erguntas 1 e 2. m as por­ que as m ud anças são p erigosas. 259-260. o pai e co n fo rtad o r de to d o s.T. p. (A lbany. 455 Jo ão C alv ino. F iz isso do m od o m ais fiel p o ssív el e nunca corrom pi um a só p assagem das Escrituras. V III. por am bição. 452 C alvin.453 Temos aqui. [C D -R O M ]. 260). e às v e z e s n o c iv a s. p. Q uando fui ten­ tado a requintes. O Livro d o s S alm os. 833-834). 37. P o d ero so no espírito. L etters o f Jo h n C alvin. C atechism o f the Church o f G eneva. pp. en sin ei fielm en te e D eu s m e deu a graça dc escrever. (SI 6. 1998). T extes C hoisis par C harles G agnebin.. E é c o isa ju sta que n ossa vida. The H isto ry a n d C h a ra cter o f C alvinism . Vol. A s p esso a s m uitas v e z e s p edem novid ade.

” [João C alvino. p.20. en q uanto nos tornam conscientes de nossa m iséria.14-15). C alv ino d ed ica 63 a oração. C a lv in o fez da certeza. H isto ry o f the C h ristian C hurch. (1 C o 2. 111.”460 e: “Os crentes genuínos.12). tal pessoa não pode entregar-se alegrem ente à o ração até q u e seja feita m aleável pela cruz e com pletam ente subjugada. não tem nenhum sentido debates “aca­ dêm icos” sem um coração novo: a revelação de Deus não visa satisfazer a nossa curiosidade ou perguntas acidentais da nossa vida. 34). que en sin o u o co n ceito cató lico da in certeza su b ­ je tiv a d e salv ação . N este p o n to ele d iferiu de A g o stin h o . sendo o Espírito Q uem nos conduz a E le. que “a oração é um dever com pulsório de todos os dias e de todos os m om entos de nossa vida. A s Institutas.8-10). P eabody. 549).12. 2. das 373 perg u n tas. inacessível a todos os hom ens”. p. quando confiam em Deus. (SI 5 0 .” [João C alvino. diz q u e “ seu p rin c ip a l in teresse foi m ais relig io so do que m etafísico . H isto ry o fth e C hristian C hurch. E m outro lugar. O Livro dos Salm os. Q uando vem os a aborda­ gem de C alvino a este assunto. (SI 5 0.1 5 ). O L ivro dos S alm os. 1. e.20. . em seguida. ou seja. “ N ossas orações só são aceitáveis q u an d o as o ferecem o s em subm issão aos m andam entos de D eus e som os po r elas anim ados a um a co n sid eração d a p ro m essa que E le tem fo rm u lad o .” (João C alv in o.11). poderem os usufruir de m odo consciente as bên­ çãos que E le reservou para o Seu povo. p. (R m 12. 412]. H en d rick so n P u b lish ers. E le achou nesta d o u trin a [pred estin ação ] o apoio m ais forte p ara a sua fé. 133]. 635]. certos de que através deste aprendizado. p. Vol. não se tornam por essa conta negligentes à oração. Vol. O L ivro dos Salm os. M a ssach u setts. 451 V d. 1. E esta é a vantagem p rim ordial das afliçõ es. “A genuína oração provém . Vol. 633. “Q uando a segurança carn al se haja assen h oreado de alguém . V III. III. V III. 461 Jo ão C alv ino.458 C alvino entendia que “com a oração encontram os e desen­ te rra m o s os te so u ro s que se m o stram e d esc o b rem à n o ssa fé pelo Evangelho”459 e. enfatiza que “ a diligência na oração é o m elh o r antídoto co n tra o risco de so ç o b rarm o s.457 De form a figurada. um estím u lo ao zelo e sa n tid a ­ d e .456 Não deixa de ser instrutivo e revelador o fato de Calvino. 561. sozinho. Vol. O Livro d o s S alm os. escrevem os: E sta doutrina deve ser estudada não com espírito arm ado e defensivo. Schaff. na edição final da Instituição (1559). p. C o m en tan d o R m 12. A go stin h o a in certeza. p. 438]. C alvino. (SI 30.” [João C alvino. de um real senso de nossa necessidade. 1. 4<i0 Jo ão C alv ino. Vol.8). 88. p. D o m esm o m odo. ter trata­ do deste assunto depois de um longo capítulo sobre a oração que. E le co m b in o u com isto a certeza da salvação. é m aior do que os quatro dedicados à doutrina da eleição. Deus sem pre trata do que é vital para esta existência e para a por vir. 410. p. p. 2. Vol. nos estim ulam novam ente p ara su p licarm o s o favor div in o .. O que se segue é que este assunto deve ser tratado pelo povo de Deus. p. A f Institutas.” (P h ilip S c h a ff & D avid S. 1. Vol. 1996. S chaff. E xposição de 1 C oríntios. da fé nas prom essas de D e u s . an tes de tudo. escreve: “Se dev em o s receb er algum fru to d e no ssas orações. J. Vol. devem os tam bém crer que os ouvidos de D eus não se fecharam contra e las.” [João C alv in o . no C atecism o cie G enebra. Ver tam bém : P hilip S ch aff & D avid S. 4M J. 45tl João C alv ino.”461 4“ P h ilip S c h a ff (1 8 1 9 -1 8 9 3 ) refe rin d o -se a C a lv in o .6). C alv in o . que é o p riv ilég io e co n fo rto de todo cren te. E xp o siçã o de R o m a n o s. percebem os que a sua preocupação é fortem ente pastoral e não especulativa.160 R a íz e s da T e o l o g ia C o n tem porân ea A lhures. com o desejo sincero de aprender de Deus a Sua Palavra. (SI 6.2. O Livro dos S alm os. (SI 30. C alvino diz que “o coração de Deus é um ‘Santo dos S an to s’. mas em oração. tratando da doutrina da eleição. O L ivro dos Salm os.

22). 10). o que significa q u e já não m ais v iv em o s p ara nós m esm os. P erg. O Livro dos Salm os.”468 Ele observou que na oração “a língua nem sem pre é necessária.Jo ã o C alv in o . E f 4. P aracletos. ap razer-m e-ia resp o n d er sem pre: a h u m ild ad e. G olden B o o kleí o f lhe True C liristian L ife. 467 Jo ão C alv ino. Perg. C a lv in o .2. (E f 4 . revela a sua 4(i. Vol. 375. p. Vol. p.1. . com o um dos prim eiros historiadores da França. A. C alv in o . C alv in o . 'IM C alv in o cita A gostinho: “Se m e inleiTogues acerca dos preceitos da religião cristã. (. Ver R m 12.) S erá inútil a m ansidão. 1. P arakletos. E m razão disto.. C alv in o . dev em o s antes renunciar nosso próprio en ten d i­ m ento e nossa própria v ontade.1). A. 11. que é o Espírito “Q uem deve prescrever a form a de nossas orações. segundo a per­ cepção de Calvino: Estudo hum ilde463 e oração. mas a oração verdadeira não pode carecer de inteligência e de afeto de ânim o” . a m enos que tenham os iniciado com a h um ildade ” [João C alvino. 4<* J. (1 C o 3. (R m 8. 111. 465 P hilip S chaff..23.”470 O seu grande consolo e estím ulo.”465 “A oração tem prim azia na adoração e no serviço a D eus. porém a filo so ­ fia cristã d em an d a q u e rendam os nossa razão ao E spírito S anto.469 a saber: “O prim eiro. 310. facilm ente negligenciarem os a prática. é saber que o Deus soberano. (D n 6. se porventura deseja­ m os lo g rar algum p rogresso na cscola do Senhor. Í. seg u n d o e terceiro. p. p. E xposição de R om anos. p. 243. p. p rim eiro . e que este desejo acenda em nós o ardor de orar. Vd. Ernest Renan (1823-1892). V III. E fésios. G1 2 .A R e f o r m a P r o t e st a n t e 161 Portanto. 471 Jo ão C alv ino. Vol. (SI 28.ç In stitu ía s. C atecism o de G enebra. H isto ry o fth e C hristian Clutrch. a corrupção natural.”471 C erca de 300 anos depois.3). e obediência de sua vontade à vontade de Deus: esta foi a alm a de sua religião. São P aulo. este tesouro não pode ser negligenciado com o se “enterrado e oculto no solo!”462 Aqui está o segredo da Palavra de Deus. que estejam os inflam ados com um veem ente e verdadeiro desejo de alcançar m isericórdia de Deus. 466 Jo ão C alv in o. 600. Vol. devem os ter sem pre presente o fato. 1997. atitudes que se revelam em nossa obediência a C risto. 2000.ç In stitu ía s. (Dn 6 . ela tom a posse d e sua m en te p ara que a sabedoria divina não logre entrada. 448. 1).1. E xp o siçã o de I C oríntios.”466 D aí o seu conselho: “A não ser que estabeleçam os horas definidas para a oração. tam bém .2 0 . é m ister que com ecem os com a hum ilda­ de.”467 No entanto. p. 464 “ S em pre que a carne. 240. 470 J. utiliza-se de nossas orações na concretização de Seus propósitos: “D eus responde aos verdadeiros crentes quando m ostra através de suas operações que Ele leva em conta suas súplicas. de sab ed o ria e conduta. 100]. “Os filó so fo s pagãos p õ em a razão com o o único guia de vida.10). ou seja.464 Schaff resum e: “A bsoluta obediência de seu intelecto à Palavra de Deus. de form a m isteriosa a nós.C a p It u l o 2 . governa um a pessoa. S ão P aulo. m J.26).” [João C alvino. p. 291. que sintam os nossa pobreza e m iséria. um erudito católico francês.” (Jo h n C alv in .20. C atecism o de G enebra.11). T he C reeds o f C h ristendom . P. “ A o cultivarm os a b ondade fraternal. O segundo. 108]. 1. Schaff. O P rofeta D aniel: 1-6. senão que C risto vive e reina em nós. e que este sen­ tim ento gere dor e angústia em nossos ânimos. p.” (J. 371. O P rofeta D aniel: 1-6.

. U m a carta. A R efo rm a . 342. N o ssa Suficiência em C risto.472 Após a sua m orte. não c o n h e ç o o u ­ tro h o m em q u e p u d e sse riv a liza r com e le n e ste s raros p r e d ica d o s.475 472 E rn st R en an . V icente T em udo L essa. R enata de França que. na área do pensam en to.M . SP.” . M acArthur. V ejam -se tam b ém : T . 280.. B eza escreveu: “Agora que C alvino m orreu. p osto que lânguida doçura de S. um g e sto é bastante para se form ar d eles um ju íz o . 474 Jo h n F. (s.d . Jr. sua elo c u ç ã o tão severa. por sua in fluência. p. L isb o a. 1995. tem por ob jetiv o distrair a aten­ ção d os hom ens para que não percebam o real perigo no qual se encontram . num a é p o ca e num país em que tudo anunciava um a reação contra o C ristianism o.John F. e que se estudam por m eio de um sim p les olhar. C alvino: 1509-1564: Sua Vida e Sua O bra. B aird. num a senda que tão e sp in h o ­ sa lhe deveria ter sido? S em elh an tes vitórias só pod em ser alcançadas por aqu eles que trabalham com sincera co n v icç ã o . nos seus Estudos da H istória das Religiões.. .” .. 14. e isso sim p lesm en te por ser o m aior cristão do seu sé c u lo . A p u d P hilip S eh aff. É tu d es d ’histoire religieuse. no seu palácio de Ferrara. ind iferente às pom pas. A L iturgia R eform ada: E nsaio h istó rico . P aris. E d ito ­ ra F iel. sem possu ir o encanto.John C alvin . 279-280. S em m anifestar aqu ele ar­ dente d esejo de procurar o bem d os outros que foi o que assegu rou a Lutero o b om ê x ito de seu s trabalhos. C a lv in o saiu vito rio so . L iv ra ria E v an g élica. p. que continuava vivo em seu país e em quase todo m undo O cidental. enveredan do. F ran cisco de S a lles. que um a das m ulheres m ais distintas dc seu tem p o. E sta eitação é m u ito utilizada. p.. aparentem ente hu m ild e. 40. E surpreendente c o m o um hom em cuja vida e cujos escritos atraem tão p ou co as nossas sim patias se tornasse o centro de um tão grande m ovim en to e que suas palavras tão ásperas. H isto r y o f t h e C hristian C hitrch. G olden B o o klet o fth e True C hristian Life. m od esto no viver. p. nem a honras. se via cercada dos m ais brilhantes talen tos da Europa. Jr.”473 A Confissão de Westminster “O uso de m odas. V III. tudo sacrificava ao d esejo de tornar os outros igu ais a si. L indsay.). a vida será m enos doce e a m orte m enos am arga. C om o se pod e explicar. se d e ix a sse cativar por aq u ele severo doutrinador. pp. pu d essem 1er um a tão esp an tosa in flu ên cia sobre os esp íritos de seu s contem p orân eos. M acA rthur. Vol. N ã o dava im portância a riquezas nem a títulos. lh es pediria que nos m ostrem um plano m ais e x ce le n te que ob ed ecer e s e ­ guir a C risto. 473 A p u d C h arles W. revela sua perplexidade: Era C alvin o um d aq ueles h om en s ab solu tos que parecem ter sid o vazad os de um só ja to num m olde. São José dos C am pos. Assim. a p erigosa. T ed. 475 John C alvin. p. 83.474 “A aq u eles que pensam que o s filó s o fo s têm um sistem a m elh or de conduta. E xcetu ando In ácio de L oy o la . p. 9. 1880. por e x em p lo .162 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a incom preensão diante da figura inquietante daquele personagem distante no tem po e nas idéias mas.

esses hom ens diziam : “D e que vale aderir assim tão estritam ente à B íblia? A Bíblia! Sem pre a Bíblia! Po­ derá a B íblia nos fazer serm ão? Será suficiente para a nossa instrução? Se Deus tivesse tencionado ensinar-nos. p. 64. dando ênfase ao E sp íri­ .9. um a B íblia? Som ente pelo Espírito é que poderem os ser ilum inados. H istória da R eform a do D écim o-Sexto S éculo. certeza dessa esp écie é ab su rd am en te ridícula. 1983. gostaria de saber deles que lal é esse E spírito de cuja inspiração se transpor­ tam a alturas tão su b lim adas que ousem desprezar com o pueril e rasteiro o ensino das E scrituras? O ra. M elanchton (1497-1560) e Lutero (1483-1546) depararam -se expli­ citam ente com esse problem a bem no início da R eform a Protestante. ao contrário. surgiu um grupo de hom ens “ilum inados” . porém. certos d esvairados que. fazem poueo caso de toda leitura da B íblia e se riem da sim p licid ad e daqueles q u e ainda seguem . S ua função é selar-nos na m ente aquela p ró p ria d outrina que é reco m en d ad a atrav és do E v an g elh o . ten d o m ais tarde as su a s idéias p róprias. G eo rg e H. não nos teria m andado do céu. próspera e culta cidade alem ã de Zwickau. M ais tarde. o m agistério do E spírito.. 111. ao contrário. C om batiam tam bém o batism o infantil. possivelm ente relerin d o -se aos “ lib ertin o s” .” A sua religião partia sempre de um a suposta revelação interior do Espírito. C alv ino escreveria. tam bém : A.os ímpios seriam exterm inados .. se resp o n d em que é o E spírito de C risto. M cN eill ex p lica que o term o “ libertino” foi usado por C alvino para “designar um a seita relig io sa que se esp alh ou na F rança e na P enínsula D inam arquesa. 101). A s Instituías. co n ced em . W illiam s. na realid ad e. V d.1). a qual. 477 A p u d J. N ão c fu n ção do E spírito Q ue nos foi prom etido co n fig u rar novas e inauditas re v e la ­ ções ou fo rjar um novo gênero de doutrina. o mais com um é a suposição de sua falibilidade. 1989. No entanto. em tem pos recentes. P io n eira . C alvino. A creditavam que o fim dos tem pos estava próxim o . m ediante quê sejam os distraídos do ensino do E v an g e­ lho já receb id o . M éx ico . 66ss. não era necessário estudar teologia. 1. O fato é que nenhum deles d aí aprendeu o m enoscabo d a P alav ra de D eus. M erle D ’aubigné.C a p ít u l o 2 . p o rém .. Deus em pessoa nos revela aquilo que devem os fazer e aquilo que devem os pregar. a letra m orta e q u e m ata. surgiram . La R efo rm a R a d ic a l.9. 1490-1525) se tornaria o m ais fam o so dos q u e foram in flu e n ciad o s po r esse círcu lo . tam bém co n h eci­ d o s com o “esp iritu ais” : “O ra. por meio de um livro. p. ainda que muitas vezes velada.v Institutos. S ão P au lo . com o eles próprios a cham am .que alegavam ter revelações especiais vindas diretam ente de Deus. O N a scim en to e A firm a çã o cla R efo rm a . cada um foi antes im buído de m aior reverência. Por volta de 1520. se. M areos T om ás e M a rco s S tiibner. F o n d o de C u ltu ra E co n ó m ic a. de que as Escrituras não são suficientes para nos dirigir e orientar.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 163 introdução D urante toda a história a Palavra de Deus foi alvo dos m ais diversos ataques: entre eles.2-3. visto que o Espírito estaria inspirando os pobres e ignorantes. arrogandose. na pequena.e que por isso.. “ .. que os A póstolos de C risto e os dem ais fiéis na Ig reja P rim i­ tiva não de outro E spírito hão sido ilum inados. segundo penso.”477 ^ O s p rin cip ais líderes eram : N ícolas S to rck . Assim pensando. 1. entendendo ter sido cham ado por D eus para “com ple­ tar a Reform a.cham ados por Lutero de “pro­ fetas de Z w ick a u ”475 . com o seus escrito s o atestam mui lum inosam ente. ainda que fiel aos m esm os p rin cíp io s (V d. co m extrem ad a presunção.” (J. Jean D e lu m e a u . “Eu. p. Vol. O próprio Deus fala dentro de nós. um ataque m ais sutil que tam bém perm eou boa parte da H istória da Igreja é a concepção. H. T om ás M iin zer (c..

foi a W ittenberg (27/12/1521) . m ais m otivados politicam ente em resistir a C alvino. 254ss. porém . essa form a de m isticism o ainda está presente na Igreja e. 71. designada por D eus para com pletar a R eform a que M artinho L utero deixara inacabada. p. Elw ell. M erle D ’aubigné.”481 D aí ouvir-se em W ittenberg o clam or pelo auxílio de Lutero. M cN eill. Stübner. M erle D ’aubigné. pp. H istória da R eform a do D écim o-Sexto S éculo. S to rck . Religioits Encyclopaedia: or D ictionary o fB ib lic a l. The H isto ry a n d C h a m c te r o f C alvinism . 169). o seu prim eiro serm ão ln: M artinho L utero. o que fez. Vol. 153-161. Lutero escreveria: “Onde. M iinzer: In: P hilip Schaff. pregou oito dias consecutivos em W ittenberg. W eaver. se necessário. 479 C o m o resultado das supostas revelações diretas de D eus. tem sido extrem am ente perniciosa para o povo de Deus. perm aneceu. E nciclopédia H istórico-Teológica da Igreja Cristã. Vd: J. p. Q uanto aos detalhes da sua volta. 1984. con­ tribuindo grandem ente para a agitação daquela cidade.que já enfrentava tum ultos lidera­ dos p or Andreas B. H istória da R eform a do D écim o-Sexto Século. Storck e seus com panheiros sustentavam que “dentro de cinco a sete anos os turcos invadiriam a A lem anha e destruiriam os sacerdotes e todos os ím pios. org. p. E la estava à beira do abism o. interveio na ques­ tão. II. que conversou com Stübner. rejeitav a a Lei. 482 Ju stifican d o -se com o príncipe o m otivo da sua volta. acarretan­ to. ali a espiritualidade será deteriorada. 481 J. E rbkam . p. III. 64-65. p. M erle D ’aubigné. III. o term o veio a ser aplicado em G enebra. 254. acom panhado de M arcos S tübnere M arcos Tomás. H istória da R eform a do D écim o-Sexto Século. von C arlstadt (c.” (J.”480 C om entando os problem as suscitados pelos “espiritualistas”.483 M ais tarde. Vol. Vol. 334. RS. escrev eu -lh e no dia de sua ch e­ gada a W ittenberg. aban­ donou a segurança de Warteburgo retornando à W ittenberg482 a fim de colocar a cidade em ordem (1522). não se anuncia a Palavra.478 Ele. “era um m om ento crítico na história do cristia­ nism o. 657). p. consciente da necessidade de sua volta. 7 de m arço de 1522: “N ão são acaso os W ittem berguenses as m inhas ovelhas? N ão m as teria co n fiado D eus? E não d everia eu. L utero e o N acim iento dei P rotesta n tism o . 1477-1541) e Gabriel Zw illing (c. 478 Cf.. D octrinal. III. 484 M artinho L utero. declarando que finalm ente tinham sido devolvidos à Igre­ ja os profetas e apóstolos. 5. ain d a que tim id am en te. III. C oncórdia E d ito ra/E d ito ra S in o d al. 1596a. 483 L utero. L utero e o N acim iento dei P rotestantism o. expor-m e à m orte por causa delas?” (A p u d J. P osteriorm ente. P elo E vangelho de Cristo: O bras Selecio n a d a s de m o m en to s d ecisivo s da R eform a. escolheu doze apóstolos e setenta e dois discípulos. M elanchton. N ícolas Storck. E Lutero. Storck via-se com o cabeça de um a nova igreja. 83). antigo aluno de W ittenberg. M erle D ’aubigné. 1995. logo partiu de W ittenberg. Stübner. 4811 Jam es A tkinson. Profetas de Zw ickau: In: W alter A.479 m ais inquieto. o historiador D ’aubigné (1794-1872) conclui: “A Reform a tinha visto surgir do seu próprio seio um inimigo m ais trem endo do que papas e im peradores.164 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a U m certo alfaiate. 1487-1558) . Vol. a n d P ra ctica l T heology.”484 Não nos iludam os. os quais incluíam pessoas que d esconsideravam a lei m oral e outros. H istória da R efo rm a do D écim o-Sexto Século. 72ss. H istorical. P orto A legre/S ão L eopoldo. ju stam en te por ter m elhor preparo. Vd. no entanto. .H .H . foi com issionado a representá-los. U m a P redica P ara que se M andem os F ilhos à E scola (1530): ln: M a rtin h o L u tero : O bras Selecionadas. p. J. org. iniciando no dia 09/3/1522. àqueles q u e se o p u ­ nham à discip lin a.H .pregar o que considerava ser a verdadeira religião cristã. com firm eza e espírito pastoral. p.H . p. H einrich W. realizando ali um intenso e eficaz trabalho proselitista.” (John T. p. Jam es A tkinson. III.D.

C a p ítu lo 2 . p. c) Ela é “indispensável” para a vida cristã (CW. 30. deslocando o “eixo herm enêutico” da P alavra para a experiência m ística.que juntam ente com os Cate­ cismos M aior e Breve. p.Ele é o seu A utor (CW.. B uenos A ires. 1. 1.segundo nos parece. a m enos que nos conduza a honrá-lo. sob o pretexto de serem elas um m istério oculto.487 Autoridade Interna A a u t o r i d a d e d a E s c r i tu r a S a g r a d a .' .2. G reat B ritain. O objetivo do correto conhecim ento de Deus não é a nossa satis­ fação pessoal e. do Deus da Palavra.. nos afastando assim . com o se todos os que o tem em de coração. a fim de que o hom em possa.8). Karl B arth. P ergunta 6.. 1.. m a s d e p e n d e 485 Jo ão C a lv in o .1 4 ). 1. I9 6 0 . crer. Vol. O L ivro cios S alm os. 1 4 ) . com o para os R eform adores. a Palavra de Deus é a fonte autoritativa de Deus para o nosso pensar. tem com o pressuposto fundam ental: a) Que as Escrituras são inspiradas por Deus (CW.. p. b) Tendo Deus as concedido “para serem a regra de fé e de prática” (CW. bem com o usufruir das bênçãos espirituais decorrentes da com preensão das Escrituras (CW. não fossem expressam ente cha­ m ados ao conhecim ento da aliança de D eus. O trágico é que justam ente aqueles que supõem desfrutarem de m aior “intim idade” com Deus são os que patro­ cinam o distanciam ento da Palavra revelada de Deus.4). N esse texto. portanto. Por isso. da P alavra e. não tem valor em si mesm o.. 1962. a nossa intim idade com Deus revela-se em nosso apego à sua Palavra.8). r a z ã o p e l a q u a l d e v e s e r c r i d a e o b e d e c i ­ d a . (SI 25 . consequentem ente. a Igreja deve pro­ m over a sua tradução para todos os idiomas.. E u m a ím p iae danosa invenção ten­ tar privar o povo com um das Santas Escrituras. para nós. C atecism o de la Iglesia dc G inebra: In: C atecism os cle la Iglesia R efo rm a ­ da.A R e fo rm a P r o te s ta n te 165 do um desvio espiritual e teológico.1).. estudem os o assunto. 1. devendo ser lida e estudada “no tem or de D eus” (CW. 1. norm alm ente constituem os Símbolos de Fé das Igrejas Presbiterianas . The F aith o f the C hurch: A C o m m en ta ry on A p o s tle ’s C reed A ccording to C a lv in ’s C atechism . C alvino. pela Palavra. C alvino faz um a aplicação bastante contextualizada: ". Portanto. Davi enfatiza: “A intim idade do S enhor é para os que o tem em . aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” (SI 2 5 . conhecer a Deus. 24.1-2). A Confissão de W estminster (1647)486 . n ã o d e p e n d e d o te s te m u n h o d e q u a l q u e r h o m e m o u ig r e ja . 558. adorando-o de form a aceitável. seja qual for seu estado e condição em outros aspectos. D o rav an te cilada com o CW. Jli’ J. Sob esta ótica.”485 Nós som os herdeiros dos princípios bíblicos da Reform a.8) . L a A urora. 1. sentir e agir: A Palavra de Deus nos é sufici­ ente. também . à sua aliança. F ontana B ooks.

1. 4‘'' F ran ço is T urretini.6.1 -2). tem .R a íz e s d a T e o l o g ia C on tem porân ea som en te de D eu s (a m esm a verdade) que é o seu Autor. 86).” (A p u d F rançois T urretini. L loydJo n es. A s P astorais. portanto o seu testem unho é interno e evidente. 1..7.9).6. 1. S ão Paulo. 1 11]. 1. 4!WA ntes.” (A p u d F ran ço is T urretini. P hillipsburg. p. p. 21 / U o 5.3. 126ss. Institutes o fE le n c tic T heology. não há um a negação da p rocedência das E scrituras.4 ). é ele m esm o quem nos ilum ina para que possam os inteqnretá-la corretam ente (SI 119. 2Pe 1. p. Vida N o E sp írito . as pp. J. a n d P ractical T heology. /4/w f/T urrctin. ( IC o 3. 103]. C alvino.9. C a tecism o M a io r de W estm inster.. p.6. m esm o que os ho­ m ens assim não creiam . se destituída da autoridade da ig reja. C alvino. p.10. In stitu tes o fE le n c tic T heology. 57).M . (R m 3. 1991. S u d h o ff. Vd. A bril C u l­ tural. V III). 69. A s In sth u ta s. E la não depende do nosso testem unho para ter autoridade. 1992. I. J. “ A s E scritu ras não são autênticas. Vol. portanto. p.492 Som ente pela operação divina poderem os reconhecer a sua ori­ gem divina bem com o com preendê-la salvadoram ente. Não é a Igreja que autentica a Palavra por sua interpretação. p.2. Vd. escreveu em 1525 que.2. Z u ín g lio (1484-1531) disse textualm ente: “E ntendo a E scritu ra som ente na m aneira em q u e ela in terp reta a si m esm a pelo E spírito Santo. Vol. Vd. 1973.18). H osius d isse q u e “ As E scrituras têm tão -so m en te a m esm a força q u e as fábulas do E sopo. p.. 11. In stitu tes o fE le n c tic Theology.16.. a P a la v ra do S e n h o r é sem en te fru tífe ra po r sua p ró p ria n atu reza. Vol. nestas questões levantadas p elos católicos. C a lv in o escre v eu : “ É ch o can te b lasfêm ia afirm ar q u e a P alav ra de D eus é falível até q u e o b ten h a da p arte d o s h o m en s u m a ce rte z a e m p re sta d a . ela é o que é! (lT s 2. R om anos.489 com o a igreja rom ana sustentou em diversas ocasiões. . am igo e depois severo oponente de L utero. B renz (1499-1570)?]. P erg u n ta 4. S ão Paulo. P or isso.6 ).4). S egundo citação de T urretin..” [João C a lv in o . p.. ( IT m 3. In stitu tes o fE le n c tic T heology. P resbyterian a n d R e fo rm e d P u b lish in g C o m p a n y . R e lig io u s E ticyclo p a ed ia : o r D icíio n a ry o f B iblical. N este caso. Vol. o Espírito não pode ser separado da Palavra. São P aulo. PE S . de ser receb id a.. H o siu s: ln : P h ilip S c h a ff. p. T om ás de A quino.490 “um testem unho hum a­ no falível (como o da igreja) não pode m oldar o fundam ento da divina fé. V I. E m o u tro lugar: “ . 1. 1. 1. 126-130. citam os Stanilaus H osius (1504-1579) q u e con sid erav a a B íb lia com o “ p ro p rie d a d e d a Ig re ja C a tó lic a ” (C f.13. ela é o q u e digo (no caso a Igreja C a tó lica R o m an a) que ela seja. N otem os que aqui. 234ss). A S T E . E xp o siçã o de 1 C o rín tio s. C alvino: “A v erdade de D eus não d epende da verdade do h o m em . 1. H istória do P ensam ento C ristão. é da P alavra que nasce a Igreja e é ju sta m e n te pela fidelidade à P alavra que a Ig reja d e C risto é reconhecida (V d. 98]. H osius “ não h esito u em blasfem ar ao d izer” : “ M elhor seria para os interesses da igreja se ja m a is houvesse ex istid o a B íb lia. 89.6. (O s P en sad o res. 86]. Súm ula C ontra os G entios. org .”491 É a B íblia que se autentica a si m esm a com o Palavra que tem autoridade de Deus e.1. P arak leto s. exceto pela autoridade da igreja.20.15). Paul T illich. H istorical. In stitu tes o f E len ctic T heology.2.” (E nchirdion o fC o m m o n p la c es. “A suprem a prova 481i Vd.4S>( A autoridade da B íblia é derivada do fato de ser ela a P alavra de Deus. 4‘JÜC o m o ex em plo. São P au lo . 1988. p. D octrinai. p. A s Instituías. 86).. Isso não requer nen h u m a opinião h u m an a.” ( C W .” (A p u d T im othy G eorge.” [João C alvino. 2001. N ew Jersey. m as sim a afirm ação da suprem acia do subjetivo so b re o objetiv o . 2Tm 3. porque é a palavra de D e u s.” [João C alv in o . 1024). a verdade não é o q u e é. E screv en d o contra B rentius [J. [F rançois T urretini (1 6 23-1687) cita d iv erso s o u tro s p ro nunciam entos feitos por católicos a respeito deste assunto. 2" ed. A Teologia dos R eform adores. Johann M aier von E ck (148 6-1543). 129. p. D .

495 A Palavra de Deus direcionada ao hom em revela a seriedade com que Deus nos trata: “Sem pre que o Senhor se nos acerca com sua Palavra. [.12). Vd. t.4 D o m esm c m odo diz a C onfissão B elga (1561)..C a p ítu lo 2 .7 Jo ão C alv in o. e a regra segura de n ossa fé (SI 19.4. 4. A? In stitu ía s. 4. registra a Confissão de W estminster . A n ossa plena persuasão e certeza da sua in fa lív el verdade e d ivin a auto­ ridade p rovém da operação interna do E spírito Santo.”495 Cabe a nós subm eter o nosso juízo e entendim ento à verdade de Deus conform e testem unhada pelo Espírito.. 1. A í Instituías.” ( C W .5). prim ariam ente por C alvino (15091564). não há parte de nossa alm a que não receba sua influência. pp. ser n ecessária a íntim a ilu m in ação do E sp íri­ to de D eu s para a salvadora com p reen são das cou sas revelad as na palavra. . 124-125.5.. mas a sua ação através da qual Ele abre os olhos de um pecador. 403 J.9. ‘ra P aulo A nglada.9).. 1. Ele está tratando conosco da form a m ats séria. 2/2 (1997). 4‘* J.7.. perm itindo-lhe reconhecer a verdade que lá estava.3. por­ tanto. E xposição de H ebreus. que p elo testem u nh o e persuasão interna do Santo E spírito. no Capítulo IV diz: N ó s crem os que o s livros das Escrituras são ca n ô n ico s. A í In stitu ía s. quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sen tid o que não é m últiplo. N a m esm a linha. entretanto. 12. 108. C alv in o .”497 Autoridade Hermenêutica A B íb lia ap resen ta a m elh o r in terp re taçã o a re sp e ito dos seus ensinam entos! “A regra in fa lív e l de interpretação da Escritura é a m esm a Escritura. (I. com o fim de m over todos os nossos sentidos m ais profundos. m as ú n ico). tam bém . .7.A R e fo rm a P r o te s ta n te 167 da E scritura se estabelece reiteradam ente da pessoa de Deus nela a falar. do seguinte m odo: “O testem unho do Espírito não é um a nova luz no coração. C a lv in o . redigida.4M A nglada resum e bem este ponto...9.6 ).6).”493 N a C onfissão Gaulesa (1559). e sse texto pode ser estud ado e com preend id o por outros textos que falem m ais claram en te. não tanto pelo com u m acordo e c o n se n so da Igreja. (H b 4. R e co n h e ce m o s. p. que pela palavra e com a palavra testifica em n o sso s corações (1. A D outrina R eform ada da A utoridade S uprem a das E scrituras: In: Fides R efo rm a ta . A rt 5.. mas não podia ser vista por causa da sua cegueira espiritual.. Portanto.

4‘w V d. e urna parte do atual trabalho do E spírito Santo no tocante aos crentes é abrir-lhes as Escrituras. para que eu contem ple as m aravilhas da tua lei” (SI 119. A s In stitu ía s.F. o Espírito Santo.16-19). A s Insondáveis Riquezas de Cristo. interpretan­ do o Antigo e o N ovo Testam entos. E f 1. IT m 1.17). II. PES. H erm isten M.168 R a íz e s d a T e o l o g ia C ontem porân ea Nós não podem os criar um a suposta categoria científica que se torne a v arin h a de co n d ão p ara a in terp re taçã o da P alav ra . M artyn U oyd-Joncs. David M. 17. 4. da própria Palavra: A harm onia do seu todo e das suas partes estabelecem um a unidade harm oniosa.500 Q uando nos aproxim am os da B íblia partim os do pressuposto de que ela é o registro fiel e inerrante da revelação de Deus (Jo 10. esse vos ensinará todas as cousas e vos fará lem brar de tudo o que vos tenho dito” (Jo 14. Ju n ta E ditorial C ristã. “M as o Consolador. Lloyd-Jones (18991981): “Quão im portante é dar-nos conta do perigo de com eçar com um a teoria e im pô-la às Escrituras! (.26/Jo 5.16. ele vos guiará a toda a verdade. por isso. B ru ce. 1.6. S ão P aulo. a quem o Pai enviará em m eu nom e. 5111 C o n fissã o de W esím inster. É através das Escrituras que aprendem os que o m elhor intérprete da Palavra é “o Espírito falando na E scritura”501 (M t 22. 2Tm 3.. os profetas .D . 2000. 3. deve ser com o a do salm ista: “D esvenda os m eus olhos..15. tam bém . .1. através da qual. p. 4. 1992.9. 300 F. tendo com o m estres.13). con form e o Cristo ressurreto as abriu para o s d o is d isc íp u lo s no cam in ho para E m aús (L c 2 4 .18/Lc 24.. p a ssim . li a advertência do Dr. org.10-16). com o nos instruiu o Senhor Jesus Cristo: “Q uando vier.9. o Espírito da verdade. C osta.P. 43. form ulam os os princípios de interpretação.44-45. São Paulo. C a lv in o . J. ao afirm ar que: O s crentes p ossu em um padrão perm anente e um m o d elo no uso que n o sso Senh or fe z do A n tig o T estam ento. que usa os m eios científicos disponí­ veis. IC o 2. O s p rin cíp io s herm enêuticos devem estar subordinados a esta verdade e.35. S ão P au lo . V d.2 5 s s ). e vos anunciará as cousas que hão de vir” (Jo 16. 2Pe 1.30.Jesus Cristo e os apóstolos. O N o v o D ic io n á rio da B í­ b lia . 4® D.25. podem os dizer com o Paulo: “Fiel é a P alavra” (IT m 3. porém . Temos que ser cuidadosos quando estu­ dam os as Escrituras para não suceder que elaborem os um sistem a de doutrina baseado num texto ou num a com preensão errônea de um texto.498 R ecentem ente.24-26. porque não falará por si m esm o.9). m as dirá tudo o que tiver ouvido.10. os quais deram lições práticas de herm enêutica. devem ser deri­ vados. 753. B ruce (1910-1990) está correto.3.31. 14.). 1. portanto. T eologia S istem á tica : P ro teg ô m en a .que inter­ pretaram os acontecim entos passados e a história dos seus dias . D o u g las.29. Vol. At 4. A oração do exegeta cristão. p.1.20-21).”499 F. In terp retação B íb lica: In: J.F. 1966. 28.

em geral.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 169 Autoridade Norteadora “Sob o n om e de Escritura Sagrada. com o bem expressou J. so b re a ex istê n c ia h u m an a. proeesso esse que. A T radição R efo rm a d a : U m a m a n eira de se r a co m u n id a d e cristã.. p. tendo com o m eta a com preensão e sistem atiza­ ção de toda a d o u trin a cristã. 5. gradativam ente. sobre a natureza do u n iv erso e so b re a p ró p ria fé à lu z da rev elação d e D eu s re g istra d a nas E scritu ras c. a Escritura é infalível não a nossa interpretação. ‘A dogm ática vai em busea da verdade ab so lu ta ’. N ão existe teologia inspirada infalivelm ente por Deus. a rev elação fin al. em conexão com toda a verdade revelada. um estudioso de H eráclito. A T eologia é um a reflex ão interp retativ a c sistem atizada da Palavra. p. sendo portanto um a ciência ‘n o rm ativ a’. 300. ou Palavra de D eu s escrita. 1. F ries. que agora.. Instituto N acional do Livro. 1982. esp ecialm en te. que é. in c lu em -se agora io d o s os livros d o V elho e do N o v o T estam en tos. org.504 ou seja. antes ela sabe que o seu vigor estará sem pre na sua p ro cu ra acad êm ica e piedosa pela interpretação correta e fiel das E scrituras. 62). mas sim na sua conform ação às E scrituras. R io de Janeiro. a rev elação defin itiv a.. nos ilum ina pelo m esm o Espí­ rito (E f 1. L o y o la.503 O m érito de toda teologia está no seu apego incondicional e irrestrito à Revelação. buscando sem pre um a com preensão exata do que Deus revelou e inspirou pelo Espírito e. C om o bem sabemos. Stott. R io de Janeiro.15-21/S1 119.. Não há nada mais edificante e prático do que a Verdade de D eus!505 A Teologia R eform ada é um a reflexão baseada na Palavra em sub­ m issão ao Espírito. CPA D .u D am ião B erge. 35). descreveu a função do intérprete. para a co m u n id ad e eristã.” (H.C a p ít u l o 2 . que. A relevância de nossa form ulação não dependerá de sua “beleza”. F ries. culm ina num ensaio de tradução tão verbal com o aeessív el. isto c.” (D am ião B erge. L eith .” (H erm isten M . A Teologia é um a reflexão502 interpretativa e sistem atizada da Palavra de Deus.I. portanto.” (C W . pp. é retirá-lo de sua reclusão e pô-lo. 503 E m o u tro lugar escrevem os: “ A T eologia S istem ática não reiv in d ica para si o ‘sta tu s’ de d eten to ra da v erdade ou de infalibilidade. 5. 63). A sua fidedignidade estará sem pre no m esm o nível da sua fidelidade à Escritura. o critério p ara todas as ou tras re v e la ç õ e s. O L ogos H era clítico : Intro d u ção ao E studo dos F ragm entos. ao alcance do leitor. São Paulo.2).” (John R. 140). . 2“ ed. “populari­ dade” ou “significado para o hom em m oderno”. N ada co lo ca o co ração em fogo com o a v erd ad e.W . 302). p erso n ificad a em Je su s C risto . P.” (John H. pode nos ser útil aqui.18). Teologia Sistem ática: P rolegom ena. Packer: “O calvinism o é um a 502 O co n ceito da “T eo lo g ia” com o “reflex ã o ” é com um en tre teó lo g o s. a m elhor interpretação é a que expressa o sentido do texto à luz de toda a Escritura. Vol. C ristianism o E quilibrado. cujo com prom isso é com D eu s e com a S ua verdade revelada. devem os buscar sem pre nas Escrituras o sentido pleno da revela­ ção. 505 S to tt co lo ca a questão nestes term os: “. p. p. D icio n á rio de T eologia.. todos d ad os por inspiração de D eu s para serem a regra de fé e de prática. T eo­ logia: In: H. 1987. 2000. C osta. L eith conceitua: “T eo lo g ia cristã é reflex ão crític a sobre D eus. 1969. É a partir desta com preensão que a Teologia R eform ada passa a ava­ liar tudo o m ais. D iz o autor: “ Interpretar é apreender o sentido depositado nas palavras do autor. m esm o de q u a­ d ro de refe rên cia d iferen tes. O p resb iterian o Jo h n H. S ão P au lo . O teólogo cató lico alem ão H einrich F rie s (1 9 1 1-) d e fin e a teologia c o m o sc /en t/a fi d e i ( “ciên cia da fé ”) e “reflex ão sistem ática sobre a re v e la ç ã o .

P ack er. M ichigan. G rand R apids. 8. Q uando nós o usarm os. em introdução à obra. a partir da Palavra. 36. p. C alvin a n d C alvinism . W arfield. p. R eid. M cG rath. assim a expressão queria indicar algo que era “estran g eiro ” . o hom em com o agente ativo.” 50® O C a lv in is m o 507 e n v o lv e u m a n o v a cosm ovisão. Zoologia e H istória. M cG rath. 1989. B. 202203).” (K arl B arth. 562). a preocupação dos R eform adores era principal­ m ente “a reform a da vida. Vol. 6). o objeto de estudo é passivo. Com o já dissem os. 9: A lister E. e m esm o as do século 18. tendo em vista que o term o “fon­ te” no estudo científico tem um significado mui definido. usando o term o neste sentido..S.7 A p esar de saberm os que a ex pressão “C a lv in ism o ” foi in troduzida p elo p o lem ista lu teran o Jo acq u im W estphal (e. não havendo escaninhos do ser e do saber onde a perspectiva teocêntrica não se faça presente de form a determ inante em nossa epistem ologia doutriná­ ria e existencial. 111. p. R efo n n a tio n T hought: A n Introduclion. ja m a is se nom earam com o sendo ‘c alv in istas’. que ali está passivam ente esperando o seu descobridor. da adoração e da doutrina à luz da Palavra de D eus. neste caso.170 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a m aneira teocêntrica de pensar acerca da vida. C alvin. 5(19A brnham K uyper. 51. A Teologia sem pre será o efeito da ação reveladora. p. com o na Botânica. 1510-1574). sob a direção e controle da p ró p r ia P a la v ra de D e u s .”508 D esta form a. pode se colocar sobre as Escrituras.B. Textes C hoisis par C harles G agnebin. faz um a triagem para a sua pesquisa. tem -se a im pressão. org. p. tenham os a certeza que as Igrejas refo rm ad as do século 16. do hom em e do mundo! Aqui parece-nos relevante destacar a observação de A. p. D aí que.. W. o hom em é que é ativo. The InteU ectual O rigins o fT h e E uropean R e fo n n a tio n . Em geral denota um a área de estudo sobre a qual. B arth está co rreto quando nos diz que “O ‘calv in ism o ’ é um conceito que devem os aos h isto riad o res m odernos. 1980. debruçando-se sobre o fenôm eno para extrair do objeto o conhecim ento desejado. A lister E.509 de que não devem os considerar a Revelação Especial ou a Escritura com o fonte da Teologia (fons theologiae).” (V d. F ilosofia e F é C ristã. S ão P au lo . P rincipies o fS a c r e d Theology. p. M cG rath oferece-nos dados co m p lem en tares sobre o uso da ex p res­ são em outro d e seus valiosos livros. F iel. m as u sam os o term o no sentido que p erm anece até os nossos dias. passaram a pensar acerca de D eus. de que: “ sua região d eter­ m in a sua relig ião ” ). M cG rath . A lister E . K uyper (18371920). para referir-se em especial aos conceitos teológicos d e C alv in o (C f. A L ife o fJ o h n Calvin: A Study in the Shaping o f W estern C ulture. São P aulo. 341 ss. que afeta obviam ente todas as áreas de nossa existência. pp. Vol. que havia penetrado no até então in ab alá­ vel territó rio luterano (lem brem o-nos do princípio predom inante então. era “ calv in ista. Assim sendo. 508 C olin B row n. T radição R eform ada: In: W alter A. estranho à fé lu terana. p. com o d esignativo d a teologia R efo rm ad a em co n traste com a L uterana (Vd. 10). E lw cll. . indicando que a p alavra foi em pregada pelos luteranos ale­ m ães referin d o -se ao C atecism o de H eidelberg (1563). O “A n tig o ” E va n g elh o . Sabem os que isto não é verdade! Deus se revela ao ho­ m em e m ais um a vez ativam ente fornece os meios para a com preensão desta revelação: O E spírito Santo. de que o hom em com o agente ativo. para descobrir ou tirar dela o conhecim ento de Deus. V ida N ova.6 J.l. 51. 1986. do sécu lo 17. 353. V. B aker B ook H ouse. E nciclopédia H istórico-T eológica da Ig reja C ristã. inspiradora e ilum inadora de Deus através do Espírito.

513 João C alv ino. “Senhorio significa liberdade” . Hb 1. 27. C alvino acentuou que “O conhecim ento de D eus não está posto em fria esp ecu lação . 1. 306. (10.C a p ítu lo 2 . são pensa­ m entos hum anos concernentes ao conhecim ento de D eus.9-11. 510 V d.1-4). G ran Bretafia. Teologia do C ulto. 5 e n o v e m b ro /1985. p.).”514 D eus não se deixa invadir pela razão hum ana ou m esm o pela fé. “No princípio D eus.2). I / I .16). T. 512 Edw in H.3.5" Deus se revela e se interpreta.P. 515 K. C lark L im ited. Deus Se revela a Si m es­ m o com o Senhor e.517 Em C risto nós som os confrontados com o clím ax e plenitude da revelação de D eus (Jo 14. senão tam bém na ilum inação do E spírito S an to . D aí a vocação interna. “No F ilho tem os a re­ velação final de D eus.5I° A Teologia nunca é a causa prim eira. no m ínim o.9. o u tu ­ b ro /l 98 5 . H erm isten M. este serviço. Européia ou da A m érica Latina. pp. Cl 1. El E standarte de la Verdad.12. E l Espiritu Santo. A vocação eficaz do eleito “não co n siste so m en te na p regação da P alavra.512 “Só quando Deus irradia em nós a luz de seu Espírito é que a Palavra logra produzir algum efeito. 10. 50. C alvino. 1975. 6. A s Instituías. m as L he traz consigo o c u lto ” (J. 511 Vd. Church D ogm atics.A R e fo rm a P r o te s ta n te 171 falar de Teologia A m ericana. p. em que regim e político for . o hom em passaria toda a sua vida e estaria na eternidade sem o m enor conhecim ento de Deus ou de sua negação (não ex istiria “teísm o” nem “ateísm o”). H e rm iste n M. isto deve ser sem pre considerado em todo e qualquer enfoque que derm os à realidade. . por m ais que evoluísse a ciência. 2. p. graças a D eus porque ele soberanam ente se revelou. por m ais engenhosos que fossem os seus m étodos. Ele se dá a conhecer livre. T e o lo g ia H o je: B íb lic a ou I d e o ló g ic a ? : In: B r a s il P resb ite ria n o .19. D eus continuaria sendo o que sem pre foi: O Senhor! Todavia. Barth. Este ato seguinte. E xposição de R om anos.515 Sem a revelação. por m ais sistem áticos que fossem as suas pesquisas. Assim com o é certo que quem viu o Filho viu o Pai. 374. 1987..” (J. distingue-se da voz externa dos ho­ m ens. Barth. The F aith o f the C hurch.”513 A teologia sem pre é relativa: “relativa à revelação de D eus. C alv ino. surja em que continente for. que só é eficaz no eleito e apropriada para ele.d. O hom em nunca conseguiria chegar a Deus ou m esm o à sua idéia: Ignoraria eternam ente a própria ignorância!516 E n­ tretanto. III.P. Palmer. p. 3 e O F asc ín io do D esco m p ro m isso : In: B ra sil P resb ite ria n o . J. ju lh o /l 984 p. São P aulo. C asa E d ito ra P resbiteriana. & T. C o s ta .” .. sem pre é o efeito da ação pri­ m eira de Deus em revelar-se. 1.... p. “O Espírito Santo é a chave para todo verdadeiro co n h ecim en to ” . 12-13. 5M K.ç Instituías. A. em que m ovim ento for. A s In stitu ía s.2.24. E dinburgh. p. 3“ ed. num a ignorância bíblica: Ou a Teologia é bíblica ou não é Teo­ logia. Deus precede e o hom em acom panha.. C osta. C alv in o .30. se constitui. fidedigna e explicitam ente. 516 Vd.1). 517 C o m o tem os insistido. para que pudéssem os conhecer-lhe e render-lhe toda a glória que som ente a ele é devida. (s.

130 ss.F. partim os sem pre da revelação co ntida nas E scrituras. com toda razão se conta entre as b ênçãos de D eus. 394. com entando a respeito desta vida e da futura. 1989. A s Instituías.. D iccionario de T eologia. 2000. p. por m ais que esteja ch eia d e in fin itas m isérias. é a Palavra de Deus que deve dirigir toda a nossa abordagem e interpretação teológica. J. G ran d R a p id s. A Verdadeira Vida C ristã. é ju stam en te isto que nos distingue de form a m arcante de outros sistem as teo ló g ico s. 1986. acrescenta: “E m uito m aior é essa razão. p.2. Vd.. John O w en . . E l E va n g elio Segun San J u a n . Som os o que se cham aria de “positivistas teológicos. E f 1.” (Insíiíuías. G rand R apids. ao contrário. 62). q u e não é lícito m en o sp rezar. S u b eo m isio n L ite ra tu ra C ristian a. III. nunca o objeto na relação do conhecim ento. 1982.nossos constantes esforços para dim inuir a estim a po r este m undo p re se n ­ te. 521 C alv in o . N o v o S éculo. 1. . P ositivism o: ln: E. S ão P au ­ lo.” (João C alvino. contem pla so­ m en te o D eus único e verdadeiro. “P orém .2). (Q uanto à expressão “P ositivista T eológico” . não o tão decantado bem -estar hum ano . 417). 9. 1980. 109. G ran d R apids. tendo com o alvo principal. 95 ss. en quanto que o “n o v o ” está p reo cu p ad o em “ ajudar” o hom em . de que o hom em não pode se colocar sobre a B íblia para fazer um a investigação de D eus. Som ente pela G raça. A G lória de C risto.3). T . A Verdadeira Vida C ristã. B ernard R am m .. p. ver Ibidem . H en d rik sen . 29ss. 73ss.. Vd. Se bem que esta vida está chcia de incontáveis m isérias. M ic h ig a n . m as se co n ten ta co m tê-Lo tal qual E le próprio Se m anifesta e. 69 e 71. C o lo sen ses e F ile m o n . p.” (Institu ía s. I6ss. m ercê de ousada tem eridade. pp. p. bem com o de toda a nossa com ­ 518 G. E xp o siçã o de H ebreus. O "A m ig o " E vangelho. B onhoeffer (1906-1945) fez a Barth. diz: “.L . Id e m . 1. “ ... 134. nunca da especulação filosófica ou m etafísica.” (A . 10). C alvino. 1975. p. P E S . 1985. p. E l E va n g elio Seg u n San J u a n . E sta vida. 2" cd.. H endriksen. P acker. M ic h ig a n .. 515 Foi esta acusação que D. P az e T erra/S inodal.”519 isto porque. 543.«o “ a m en te p iedosa não sonha para si um D eus qualquer. pp. não o bstante.” (João C alvino. S L C . m erece ser contada entre aquelas b ê n ­ ção s d iv in as que não devem ser desp rezad as. com exceção de tudo o que nela nos sujeita ao pecado. E m 1768. ln: D. 543ss. III.. 2“ ed. São P au lo .172 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a tam bém é certo que aquele que não viu o F ilho não viu o P ai.. p recavém -se sem pre. RS. Kuyper. traça lim a boa distinção entre o “ A n tig o ” e o “N o v o ” E v an g elh o .11-12). 1981. D o m esm o m odo.3). e.522 Para nós R eform ados.m as a G lória de Deus..33. C asa B autista de P ublicaciones. B onhoeffer. quem se dá. com a m áxim a diligência. p ara que não venha.”518 Jesus C risto é a m edida da revelação! L em brem o-nos m ais um a vez das palavras de A. ele é sem pre o sujeito. trespassados os lim ites de Sua v o n tade. M ichigan.9.” (João C alvino..520 A Teologia R eform ada reconhece a centralidade real de Deus em to­ das as coisas. sabendo que as dem ais coisas serão acrescentadas (M t 6. 1ss. a sua carta datada de 0 5 /0 5 /1 9 4 4 . B uenos A ires. 64).9. p. H arrison.L . nem lhe atribui o que q u er qu e à im aginação haja acudido. A braham B ooth (1734-1806) ob serv ara que a m en sag em dos cristãos prim itivos gerava a perseguição “porque a verdade que pregavam ofendia o o rg u lh o hum an o (. A frente. pp. à vida presente não se deve odiar. R io de Jan eiro /P o rto A legre. D iccio n a rio de Teologia C ontem poranea. P E S .que por certo tem a sua relevância521 . D eus é quem se com unica..) não dava lugar ao m érito luim ano. B ooth.. V ejam -se tam bém : G. org. 122 J. a vaguear errática.E . este ódio não deve aplicar-se à vida m esm a. m ostrando que o “ antigo” buscava a G loria de D eus. S ão P au lo . se refletirm o s que nesta vida nos está D eus de certo m odo a p rep arar para a glória do R eino C e le ste. p. pp. R esistência e S ubm issão. não d ev em nos levar a o diar a vida ou a serm os m al agradecidos para com D eus. Idem .

. Vol.” (D.. todavia não são su ficien tes para dar aquele c o n h e c i­ m ento de D eu s e de sua vontad e. Teologia do Culto. e p elo seu singular euidad o e 523 J. 525 C. D itos e F eito s M em o rá veis de Sócrates. P. elaram ente testificam que e x iste um D eu s.” ( C a te c ism o M a io r. Cristo não pode ser co­ nhecido salvadoram ente. p.”523 Todavia. 45. já que. M oule.4. O Espírito através da Palavra é quem deve nos guiar à correta inter­ pretação da Revelação. A s Instituías.F. São P aulo. 27..39-40). O S en h o r que Se F ez Servo. a sabedoria e o poder de D eu s. 149]. a epistem ologia cristã é determ inada pelas “lentes” da Palavra. adorando-o na liberdade do Espírito e nos parâm etros da Palavra. C osta. salvo se assistida e sustentada por Sua Sagrada Palavra. p. e as obras de D e u s. P ergunta 6). C a tecism o de la Iglesia de G inebra .. tam bém sabem os que este conhecim ento não deve ter um fim em si m esm o. H erm isten M . B o an erg es R ibeiro.39/R m 10.6. em d iversos tem p os e diferentes m od os. (O s P ensadores. para a sua sa lv a ç ã o .0 filó so fo S ó crates (4 6 9-399 a. “A própria luz da natureza no hom em . S ão P aulo.1 2 .”525 Autoridade para Julgar a Nossa Teologia “O V elho T estam ento em H ebraico (. 1989.D .1 .3. P E S .) foi igu alm en te servid o fa z ê-la eserever toda. J.C . a revelação foi-nos dada a fim de que fôssem os conduzi­ dos ao Deus da revelação (Jo 5.. 1 . C alvino. em razão de sua obtusidade. 24). p..524 Sem as Escrituras. com o bem observou C alvino (1509-1564): “Ora.1. A s In stitu ía s.. C a lv in o . 1991. tam bém . 534 Vd. que o s hom ens ficam in e sc u sá v e is. IV..17). revelar-se e declarar à sua Igreja aquela su a vontade (.) sen d o inspirados im ed iatam ente por D eu s. P aulinas. 1972. 47. “A co m u n icação d ivina é a base fu n d am en tal da fé c ristã . M arty n L lo y d -Jo n es. p.) faz um a pergunta que perm anece relevante em nossos dias: “H a­ verá c u lto m ais su blim e e piedoso q u e o que prescreve a pró p ria d iv in d ad e?” [X enofonte. N ós Reform ados entendem os que sem as Escrituras não podem os ter um conhecim ento correto e salvador de Jesus Cristo (Jo 5. O conhecim ento de Cristo deve im plicar sem pre na sua adoração. São P aulo. A bril C ullural. Autoridade para nos Conduzir a Deus “A ind a que a luz da natureza e as obras da eriação e da provid ên cia m ani­ festam de tal m odo a bondade. 1. de m odo nenhum pode a m ente hum ana chegar até Deus. O C om bate C ristã o . n ecessário à salvação. p.16.1)." (C W .C a p ít u l o 2 . só a su a P alavra e o seu E spírito o revelam de um m od o su ficien te e e fic a z. por isso foi o Senhor servid o. Pergunta 2). 11).) e o N o v o T estam ento em G rego (. C alv in o . O S em eador. J.. (Vd. aos h om en s. A s O rigens do N ovo T estam ento.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 173 preensão do real. porém . S ão P aulo. 1979. “O culto é a essência e o coroam ento da atividade cris­ tã.

N a filo ­ sofia.10). (O s P ensadores. com o tem os insistido em outros trabalhos..174 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a p rovidência con servad os puros em Iodos o s sé c u lo s. insp iradora e ilum inadora de D eus através do E spírito. su bentende-se. antes. ao que parece. 1. 1. são. A N a tu reza M issio n á ria da Ig reja. P or isso é que reafirm am os que a Teologia ou é bíblica ou não é Teologia. M ichigan. a T eologia é sem pre o efeito d a ação p rim eira de D eus em revelar-se. 1987. A bril C ultural. se não crer­ m os e não aceitarm os sua Palavra. S ão P aulo.1 O. 3o D iálogo. “ O tem a e o conteúdo da teologia 6 a R evelação de D e u s” (Jo h n M a ck ay . 1973. p. originou-se no teólogo Polanus (Cf. passando pelo latim ectypus (feito em relevo. A vivacidade da Teologia R efor­ m ada está em sua preocupação em ser fiel às Escrituras.. e co n tra a ten tativ a de su b stitu ir o m o tiv o g en u in am en te b íb lico e h istó rico po r um a tran sfo rm aç ão filo só fic a (. é ela que deve ju lg ar a veracidade do nosso sistem a: O Espírito falando através da P alavra é o fogo depurador da genuína Teologia. ". (**) _ “É ctip o ” é um a p alavra de derivação grega. p. em cuja sentença nos d e v e m o s firmar. porque som ente E le Sc conhece perfei­ tam ente.E sta distinção. D eus se revela e se in terpreta através do E sp írito . 52. ou natural.. X X II). não terem os direito de esp erar a bênção d o E spírito S anto. P o st-R efo rm a tio n R efo rm ed D ogm atics. 119]. S eja o que for que fizerm os. não pode ser outro sen ão o E spírito Santo falando na Escritura” (C W 1. S ão P au lo . M icliel escre v eu : “T oda te o lo g ia g en u ín a é a b a ta lh a c o n lra o te o lo g ism o .pertence som ente a D eus. Foi o E spírito Santo quem nos deu esta P alavra. .” (CW . 257ss).." (D. O E spírito não h o nrará nada.. autênti­ co s.” [G. e assim em todas as controvérsias relig io sa s a Igreja d ev e apelar para e le s co m o para um suprem o tr ib u n a l.” . ou reflex o de um arquétipo). seguindo a linha de K uy p er(* ) (A. A S T E . e este segundo desde todo o sem pre existiu no espírito de D eus. Vol. M. Bcrkeley. Vol. São P aulo. 1946. E le não nos ho n rará.526 N ão julgam os a B íblia. D esta concepção.. se não honrarm os esta verdade. 126-127). “É ctip o ” é o oposto a arquétipo (do grego. &p%èTU7lOÇ = “o rig in al” . ao p asso q u e o outro é arquetípico e eterno? A quele prim eiro foi criado no tem po. Três D iálogos entre H ilas e F ilonous. por isso . p. B crk eley (1685-1753) estabeleceu esta distinção no cam po das idéias: “P ois acaso não adm ito eu um duplo estado de coisas. e é so m ente através dE le que poderem os ter um genuíno conhecim ento de D eus.. G. G rand R apids. pp. ou se de algum m odo nos desviarm os dela. a T eologia sem pre será o efeito da ação rev elad o ra. A T eologia deve ser entendida com o o estudo da R evelação pessoal de D eus conform e reg istrad a nas E scritu ras S agradas. B aker B ook H ouse. E le é o seu Autor. A tu alm en te desejam os cada vez m ais ouvir a nós m esm os. P re fa c io a la T eo lo g ia C r istia n a . ü-KTtmoç (cópia de um m odelo. 103).. 105).se é que p o d em o s falar d este m odo . que a T eologia nunca é “arq u etip a” m as sim “éctip a” . 28). 1991. 527 C o rretam en te declarou L loyd-Jones (1899-1981): “O E spírito S anto é o p o d er atuante na Igreja. p. e n ­ q u an to a B íb lia nos co n v id aria a o u v ir a p alav ra p u ra . senão Sua P alavra. O C om bate C ristão. P rincipies o fS a c r e d T heology. P o rta n to .” (A p u d Jo h a n n es B lauw . R ichard A.. “m odelo” ). Para nós R eform ados o valor da teologia estará sem pre subordinado à sua fidelidade bíblica. U m a “T eologia A rq u étip a” . O Juiz Suprem o. a saber: um etípico.527 A nossa doutrina estará de pé ou cairá n a m edida em que for ou não bíblica. N ão é dos hom ens! T am pouco a B íblia é produto da ‘ca rn e ’ c do ‘san g u e’ (. e não honrará outra coisa.). saliente). 1966.. m as sim o resu ltad o da revelação soberana e pessoal de D eus. M é x ic o /B u e n o s A ire s . L lo y d -Jo n es. M uller.). Por isso. K uyper. isto deve ser sem pre co n si­ d erad o em todo e q u alq u er enfoque que derm os à realidade. O E spírito Santo honrará a verdade. “N o princípio D eu s. p. (*) . e o E spírito S anto ja m a is honrará coisa algum a senão a Sua P alavra. a teo rização .(**) ela não é gerada pelo o esforço de nossa o bservação de D eus. § 60.8).. C a sa U n id a de P u b licacio iies/L a A urora.

128. (V d. K. In tm d u ccio n a la Teologia Sistem atica. Im p ren sa B atista R egular. H oekem a. A P essoa de Cristo.não pode ser mais rico do que a Palavra de Deus. não se fará nenhum acréscim o. 1. A E scritura é a revelação com pleta de Deus. exclui obviam ente. As dem ais verdades reveladas “que precisam ser obedecidas.6). pp. escreveu Kuiper: “ . 1. tudo o que D eus quer que saibam os a respeito da nossa salvação está registrado de form a explíci­ ta (CW. p.3).32. B erkhof. À Bíblia.. 186-189.” ( C W . p. E la é a palavra final de Deus. G rand R apids. 1977. J. pp.A R e fo r m a P r o t e st a n t e 175 Autoridade Completa “T odo o con selh o de D eu s concernente a todas as coisas necessárias para a glória d ele e para a salvação. Ap 22. fé e vida do hom em . 5ss.6).18.528 as interpretações “oficiais” (CW . 1977. Autoridade Escrita Final A Escritura nada se acrescentará em tem p o algum . ou é expressam ente d ecla ­ rado na Eseritura ou pode ser lógica e claram ente deduzido dela. correção ou elim inação (Dt 4.10). São P aulo.6). Im p ren sa B atista R egular. a aceitação dos apócrifos (CW.C. L. pp. a partir de 1820.” ( C W . 1.4) e a tradição verbal ou escrita (com o no caso da igreja rom ana). S ubcom ision L ite ra tu ra C ristia n a dc la Iglesia C ristian a R efo rm ad a. El C uerpo G lorio so de Cristo. 1. O nosso sistem a doutrinário. o critério últim o de análise será sem pre “O Espírito Santo falando na E scritura” (CW. Van B aalen.. p.atingindo tudo o que Deus deseja . 99).. 1.2. no que se refere à sua vontade para nós: A R evelação é com pleta . M t 5. O C a o s d a s S eita s. C atolicism o R om ano. a um reestudo das Escrituras. por m ais excelente e atento ao Verbo divino que este possa ser?”530 Por isso.. 1. 3“ ed. 1. São P aulo. 72. am parada no conjunto dos ensinam entos bíblicos (CW. 1985. como bem observou Berkouwer: “Porventura a Escritura não é mais rica do que qualquer pronunciam ento eclesiástico. cridas e observadas para a salvação” podem ser com preendidas através de um a interpretação lógica.7). Kuiper.” (R .18. 530 G. B erkouw er. Entendem os que nos 66 livros canônicos encontra-se a R evelação escrita de D eus.19). ™ V d. por m elhor que seja . Todos ju n to s. M ichigan..B .. nem por novas reve­ la çõ es do E spírito. A. 144). O que afirm am os. as supostas revelações com plem entares. B oettner. 531 T im othy G corgc observa que “O s reform adores eram grandes exegetas das E scrituras S agradas. nem por tradições d os h o m e n s.. 12. 1964. D entro desta m esm a linha d e pensam ento. 121 ss.. 15ss. 6 7-88 e L.. os credos do cristian ism o . A S T E .e eu estou convencido de que é .e final: perm a­ nece para sem pre. S ão P aulo. registrada de form a inerrante. S uas obras teológicas m ais incisivas cnconlram -se em seus serm ões e com entários bí- .529 Daqui concluím os que o nosso sistem a doutrinário deve perm anecer sem pre aberto a um a volta..C a p ít u l o 2 . de n en h u m a m aneira se aproxim am de esgotar a verdade da S agrada E scritu ra.. M o n n o n ism o .531 52s O M o n n o n ism o o rig in o u -se das supostas visões e rev elaçõ es alegadas po r Jo sep h S m ith Jr.

. H ustad. C ontribuição da R eform a ao D esenvolvim ento M usical. 1986. 99a (notas de T. D onald P. D. H istory o fth e C hristian C hurch. F. R io de Janeiro. T h ea B.d). C alvino diz que B u cer c “o m ais fiel d o u to r da Igreja de D eu s. T orrance). Ju b ila te! A M úsica na Igreja. E vangelista. 1998. Van H alsem a. 100. p. 536 P h ilip Schaff. 130). G rand R apids. A Tradição R eform ada: U m a m aneira de se r a c o m u ­ n id a d e cristã. havia um notável acordo entre as com u nidades P resbiterianas e R eform adas qu an to à n atu reza e co n d u ta do cu lto . N ão p oderia ser nada m enos que um a inter­ p retação das E scritu ras. Vol. O L ivro d o s Salm os. Van H alsem a. L eith com enta: “O prim eiro ato significativo co m relação à liturgia de C alvino é que ela não é canônica. ?34 Cf. Tliea B. O C ulto C ristão na P ersp ec­ tiva d e C alvino. João C alvino E ra A ssim . 1. JU ERP. pp. S o b re a ordem d o culto estab elecid a por C alvino. Vol.537 entendendo que m uitos detalhes poderiam ser m odificados à critério da con­ blicos. ■ ’3:' V d. 77. N enhum a o utra proclam ação possui direito ou esp eran ça na igreja. U m a teo lo g ia que se baseia na d outrina reform ada das E scrituras S agradas não tem nada a tem er com as d e s c o b e rta s p re c is a s d o s e s tu d o s b íb lic o s m o d e rn o s . C om o p assar dos anos. E les estavam convencidos de que a p ro clam ação da igreja cristã não p oderia o rig in ar-se da filo so fia ou de q u alq u er co sm ovisão auto-elaborada. H cn riq ucta R. II.” [João C alvino.14). (D ocum ento oficial da O rthodox P resbyterian C hurch). C alvino nutriria profundo respeito c adm iração po r Bucer. Jouberto H cringev da Silva. Tratacts a n d Treatises. A T eo lo g ia d o s R efo rm a d o res. form ando um coro de crianças que depois de bem ensaiado. A M ú sica na L iturgia de C alvino em G enebra: In: F ides R eform ata. espalhadas pela E uropa O riental desde o século 16 até m eados d o século 18.Suíça. adaptou m uitos elem entos da liturgia de Bucer.536 Calvino não foi dogm ático no estabelecim ento da O rdem do C ulto. Vol. “E m bora C alvino e outros R eform adores hesitassem em p rescrev er um a liturgia esp ecífica para todas as igrejas. e deve-se m antê-los só até ao p o n to em que n os são úteis na confirm ação de nossa fé. Cf. C alvino em ite o seu conceito sobre os ritos externos: “ E stes ritos ex tern o s são. S ão P aulo. C onform e já fizem os alusão. P. 1976. trabalho m im eo g rafad o . França. p. Tliea B. p. (s. y32 E ste capítu lo é um a transcrição parcial do m eu trabalho. 410]. (Vd. 296). V11. 3]. (SI 50. p.” (John H. T liea B. 537 C o m en tan d o o S alm o 50. O Livro dos Salm os. p. tornan­ do-se o rito de G enebra (1542) a base para a adoração das Igrejas calvinistas em toda a Europa . B raga. p. Vol. São Paulo. 118. H olanda e E scócia.534 É verdade que na sua prim eira estada em G enebra já propusera o cântico de Salm os. p ortanto. p. traduzido por S onedi H.176 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a A Adoração Conforme Calvino : Uma Perspectiva Teocêntrica532 C alvino foi influenciado de certa m aneira pela adoração dirigida por M artin B ucer (1491-1551) em Estrasburgo. 313). p.F. J o ã o C alvino E ra A ssim . em si m esm os. H ustad. 99-100. 1. J o ã o C a lvino E ra A ssim .” (João C alvino. V. a q uem pede que o corri ja com o um pai a um filho. p. A M úsica Sacra e Sua H istória. de sorte que possam os in v o car o nom e do S en h o r co m um coração puro. C alvino se ajustou às práticas litúrgicas d e G en eb ra e E strasb u rgo. p.535 Q uando C alvino retornou a G enebra. Van H alsem a. Ichter. 119.” [/4 Igreja P resbiteriana O rtodoxa e o C ulto. L eith. 1958.” (T im o th y G e o rg e . p. de nenhum a im portância. John C alvin. org. João C alvino E m A ssim . E erdm ans. p. 99.2 (2002). A lem anha. ensinaria ao resto da congregação. p. Vida N ova. M ichigan. 82. J u b ila te! A M úsica na Igreja. 533 C f. Van H alsem a. p. 371. durante o período em que lá perm aneceu (1538-1541). In: Bill H. V III. Algo que cham ava a atenção de C alvino era o entusiasm o com que os franceses ali exilados cantavam salm os quan­ do se dirigiam ao culto. 31).533 pastoreando os franceses banidos que deseja­ vam cultivar a sua fé em liberdade.

que vise a seu pró p rio bem . ( IC o 14.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 177 gregação. m as construiu... é por ele rejeitad o e d esv an ece. diz ele [Paulo]..1. 2.”539 Calvino. com o nós não podem os ascender à altura de Deus. de algum m odo. 17. e para isso há h o m en s in clin ad o s e d ev o tad o s.6). pp. 541 Jo ão C alv ino. C alvin's C om m entaries. considerando “com suspeita tudo o que nos está satisfazendo de acor­ do com a carne. 164. “D evem os ter sem ­ pre em m en te que. 444. portanto. da form a a mais sólida possível. ou..43. (SI 4 0. estão a fav o re cer m u ito s ab u so s.. Vol. D u q u e de S o m erset. 14. Além disso. a fo rm a de adoração n ecessita se r aco m o d ad a a c o n d iç ã o e g o sto d as pessoas. sob o p retex to de m o d eração . adm oesta-nos para a dis­ tinção entre o Deus que é “Espírito” e nós que som os “carne”. A s P astorais. (Jo 4. I V. 542 Jo ão C alv ino. pp. e pelo m odo com o se deve preservar a liberdade espiritual que se refere a Deus. C a lv in o . ™ Jo ão C alvino. M as as e o rru p ç õ es de S atan ás e do A n tieristo não d ev em ser ad m itid as sob esse pretex to . E xposição de 1 C orintios. p. que som ente à luz de sua Palavra é que podem os orientar nossas m entes sobre o que é correto. visto que “as coisas que agradam a m aioria são objetos da Sua re­ pugnância e aversão” . R e g en te d a In g laterra d u ran te a m en o rid ad e d e E d u ard o V I: “ H á alguns que. escreve (1556) ao Príncipe Eduardo. 10. sem que com isso propiciasse abusos. 10. 226-227].Letters o f John C alvin. se porventura é posto no lugar de seu eulto e serviço v erdadeiros. senão banindo os ídolos e assentando ali o genuíno culto que Deus prescreveu para que lho tributemos. Vol. S elected fro m th e B o n n et E d itio n . p. 98-99). De onde procede essa aparência enganosa? Do fato de terem sido inventadas por hom ens. e som ente até onde ele leva a algum outro fim . O L ivro dos Salm os. O espírito hum ano reconhece nelas o 518 J.24. A? Institutos.”542 “As tradições hum anas.40).”541 (itálicos meus). tudo quanto não agrada a D eus. de fato. restrin­ giu a liberdade que nos deu. p. devem os lem brar que nós deveríam os buscar na palavra dele a regra pela qual som os governados. IV. e q u e ex c e d e r não é p ru d en te nem útil.. para não concluirm os que o seu culto se acha lim itado por essas coisas.” [João C alvino. m ostrando que não podem os sim plesm ente querer agraciar a Deus com aquilo que nos agrada. C o m p are com IV.” (C alvin to S om erset. X V II. C a lv in o esere v eu a E d w ard S eym our. . Ao m esm o tem po. [E n tretanto] E u reeo n h eço isso de b o a vonlade qu e nós tem os que se r m o d erad o s.538 A Palavra de D eus será sem pre o elem ento aferidor de toda a nossa alegada liberdade: “O Senhor nos perm ite liberdade em relação aos ritos externos.31.. Em outro lugar: “Deus ordenou com o deve ser devidam ente adorado.. E m 22 de o u tu b ro de 1548.”540 N a D edicatória do seu com entário das Epístolas Pastorais.C a p ít u l o 2 . cerca em torno dela. entre­ tanto. de tal maneira.24). In -. 54(1 Jo h n C alvin. Ele não nos concedeu liberdade ilim itada e descontrolada. à parte da Sua Palavra. Tem-se tornado costum e cham ar de tradições hum anas a todas as disposições relativas ao culto a Deus criadas pelos hom ens. N ós vem os quão fértil é a sem en te de falsid ad e e q u e ap en as um ú nico grão é necessá rio p ara en ch er o m undo com ele em três tem pos. D edicatória. com entando o texto de João 4. ocultam o engano sob a aparência de sabedoria. devem os ser m odestos em nossos juízos e atos.L e«<?r21. Duque de Somerset: “N ão há outro cam inho pelo qual podeis estabelecer o reino da Inglaterra. por assim dizer. A í In stitu ía s.

P o r essa razão. certam ente gostará do que lhe oferecem os. contudo ela im perava no culto fictício que se praticava em toda parte. O R: A ges S o ftw are.545 B em sei quão d ifícil é persuadir o m undo de que D eu s desap rova tod os os m od os de culto não san cion ad os exp ressam en te pela Sua Palavra. O erro d e sse item d e v e -se a várias razões: ‘todo m undo tem -se em alta c on ta’. especula.22). um a vez reconhecido.” John C alvin C ollection. afinal. sem m edida e sem fim . A s Institutas. E le m es­ m o p ro clam a que não há nada que valorize m ais do que a obediêneia ( 1Sm 15. IV. m a n ten d o a m en te em si m e s m o s . Não é p ecado exclusivo de nossa era. 10. 1998). em vez de sim p lesm en te adorarem a D eu s em espírito e verdade. por assim dizer. “T h e N ecessity o f R efo rm in g the C h u rch . pp. c o m o adm ite P aulo. Aç In stitu ta s. co m o tem e le em grande parte um esp len d or exterior agradável à vista. além d isso . [CD R O M ]. mas não tão de acordo com a sua vaidade. O R: A ges S oftw are.. . a todos os m odos d e culto inventados contrariam ente ao S eu m andam ento. [C D -R O M ].178 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a que é propriam ente seu e. “D o Seu cam inho estão bem longe aqueles que pensam que podem agradar-lhe com observâncias form uladas ao belp razer dos h o m en s” [João C alvino. e. “T h e T rue M ethod o f G iv in g P eace to C hristendom and R eform ing the C h u rch . é m ais aprazível à n o ssa natureza carnal do que som en te aqu ele que D eu s requer e aprova. que se lh es entranha. 250]. 1998). m as condena claram ente.. (A lbany. (A lbany. 545 John C alvin. 1998). A persu­ asão op osta.) E m b o ra d e m a n d e -s e d o s v e r d a d e ir o s a d o r a d o r e s a e n tre g a d o c o ra ç ã o e d a m en te. se n d o o o b je tiv o d e le s cu m prirem em Seu f a v o r a lg u m a o b s e r ­ v â n c ia fís ic a .” [John C alv in . que o Senhor. Calvino insiste no seu ponto: N ã o eslo u inadvertido de quão d ifícil é persuadir o m undo de que D eu s rejeita e até m esm o abom ina tudo que. fic a r a m . 240]. criativos e bem intencionados. diz o antigo provérbio. “O s hom ens se dão o direito d e im aginar todos os tipos d e culto. relativam ente a Seu cu lto. p. “T he N eeessity o f R eform ing the C liureh. e sse pretenso culto tem aparência de sabedoria. e por que preferem andar erráticos num labirinto perpétuo. sem q u e pecássem os. somos tão inteligentes. deix ar de rep reen d er a zom baria que é ad o ­ rar a D eus eo m nada m ais q u e g esticulações exteriores e fantasias h um anas? S abem os o quanto E le odeia a hip o crisia. Portanto. po is d esd e o p rincípio que o m undo porta-se lieeneiosam ente assim para eom D eus. (. im agin am q u e p o r terem L he fo r ç a d o e ssa p o m p a exterior. e de m oldá-los e rem odelá-los ao seu bel-prazer. 218-219. (1541 ). IV. 544 “C o m o p o deríam os. m as que é m en o s o ste n to so . 15].” 543 A contece que o hom em costum a ter um alto conceito de si m esm o. é in ven ta­ do pela razão hum ana. a tr a v é s d e s s e a r ­ tifíc io liv re s d e d a re m a s i m esm os: E ssa é a razão pela qual su b m etem -se a in u m eráveis observâncias que os fatigam m iseravelm en te..1]. p. Por e ssa causa é que o fruto da n ossa própria m ente nos d elicia.” John C alvin C ollection. E le não apenas os rep u ta por vazios. Q ue n ecessidade tenho eu de aduzir provas num a q u estão tão ó b v ia? P assagens com esse sentido deveriam ser proverbiais entre os cristão s. abraça-o com mais prazer do que a qualquer outra coisa verdadeiram ente excelente. o s h om en s e stã o se m p re q u e ­ ren do in v e n ta r um m o d o d e s e r v ir a D e u s co m c a r a c te r ís tic a to ta lm en te diferen tes. (A lbany. achando que o que lhe agrada é agradável a Deus. nas suas próprias juntas ■ ‘i4-1 Jo ã o C a lv in o .544 A lém d isso. O R: A ges S oftw are..” [John C alv in .” John C alvin C ollection. [C D -R O M ].

pouco se lhe im portava se alguns aspectos externos. C a lv in o . P orque essas . Devem os observar prim ariam ente que. a oferta.. sincero e com prom etido com os seus preceitos. N ão há nenhum a alteração propriam ente dita.” Jo h n C alvin C ollection. A t in stitu to s. quer o pão seja feito com ferm en to . com tam bém abom ina totalm ente. 1998). a diferença entre o Antigo e o N ovo Testam ento estava m esm o no aspecto ritual. nada m ais é que pura corrupção.14). M as D eu s não apenas considera infrutífero.547 M as. p.é tudo a m esm a coisa e pouco im porta. a Palavra. (A lbany. 55(1 João C alv ino. no que concerne à celebração da C eia por exem plo. tudo o que por n ossa própria conta con sid eram os ser z e lo p elo Seu culto. prontam ente in ferim os que a form a total do culto d iv in o d os dias presentes. [CDR O M ]. O R: A ges S oftw are. Tudo isso deveria ser decidido pela congregação.17. Em outro lugar C alvino explica: “Em todo aspecto essencial. enquanto nos estendia um a form a sim ples de culto que atingiu um a época de m ais m aturidade desde a vinda de Cristo. 17. o que ganh am os ind o contra ele? (IS m 15 . “Q uer os crentes peguem o p ão com a m ão. 551 J. ou ao que E le aprova. II.A R e fo rm a P r o te s ta n te 179 e m edulas. com o elem entos essenciais ao culto. O Livro cios Salm os. 54<’ Jo h n C alv in . q uer o passem ao próxim o seguinte. é de que tudo aquilo que fazem . 2 2 . 201. p.549 C alvino propôs um culto sim ples. P o is os hom ens não atentam ao que D e u s orde­ nou. A í in stitu to s. q u er cad a um com a o que lhe for dado. A integridade exigida por Deus perm anece a m es­ ma: Deus sem pre desejou um culto responsável.32. a C eia e a oração.44. o culto era o m esm o. 1998). Aç Instituías. externo. O R: A ges S o ftw a re. C alv in o .. quer branco . 54') J. se o pão . Deus seria mais espiritual no Novo Testam ento do que no A nti­ go. 2. q u an d o ele m esm o prescreveu d iv erso s rituais para o seu culto? O bviam ente que não. 198. se o vinho deveria ser tinto ou branco. IV. 548 João C alv ino. q u er tom em o cálice da m ão do m in istro . Vol. “T he N ecessity o f R eform ing the C hurch. 409. quer sem . 541 John C alv in.que cham a de “pão m ístico” 550 .deveria ser ou não ferm entado. no aspecto litúrgico. “T h e N ece ssity o f R e fo rm in g the C lu irch . [C D -R O M ]. 9).”548 Ele estabelece então. tais com o se o participante devolvia o cálice ao diácono ou passava a outro participante. (SI 50. p. quer não. q u er o v inho seja tinto. de m od o geral. M t 15 .551 Assim ele sugere um m odo despretensioso.C a p ítu lo 2 . IV .d esd e que apresente algum tipo de z e lo pela honra de D e u s . e d ep ois o s im p õem a E le corno substituto à o b ed iên cia . para poder servi-L o de m od o apropriado. m as dão a si m esm o s o direito de inventar m od os de cu lto.”546 H aven d o notado que a P alavra de D eu s é o teste que d istin gu e entre o Seu culto verdadeiro e aquilo que é falso e corrom pido.” John C alvin C ollection. (A lb an y . E se estiv er em o p o siç ã o ao Seu m andam ento. A distinção era de form a inteiram ente exter­ na: Deus acom oda-se às apreensões m ais fracas e im aturas deles m ediante os rudim entos da cerim ônia.tem em si m esm o aprovação su ficien te.8. q u er eles o d iv id am enlre si.43.

em buscar e salvar o que está perdido. 1V. participariam o s fiéis do sacrossan to banquete. 1963.180 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a sem as cerim ônias pom posas da Idade M édia. EI C ulto C ristiano: sua evolución y su s fo rm a s .17. h in os e louvor. 552 V d. (SI 50.. bem fazem os então em orar por tod os os hom ens. d e p o is. reiteraria as prom essas que nos foram nela deixadas.. mártires e san tos P adres. 12. ação de graças se daria e lo u ­ vores se cantariam a D eu s. E m b o ra seja certo q u e o co stu m e d a ig reja antiga tenha sido que todos o pegavam com a m ão.16). E Jesus C risto disse: ‘R eparti en tre v ó s’.. porque verdadeiram ente receb em os a Jesus C risto neste saeram ento. que pareciam feitas para “ofus­ car os olhos de D eus” :552 E o in ício far-se-ia por preces públicas. a c o n fissã o de n ossa fé (ou seja. p. lhe adoram os em espírito e verdade. a seguir. tem os outra des­ crição. então. IV.. C alv in o . Term inada a C eia. IV. 1. 554 A p u d W illiam D. Por fim .. O L ivro dos Salm os. por Sua m isericórdia. Jo ão C alvino. palavras de a b so lv iç ã o . p ela b e n ig n i­ dade com que nos prodigalizou este alim ento sagrado.35... o serm ão. na ordem que co n v ém . ‘acrescentando v e rsíc u lo s da Lei e o E van gelh o (ou seja. a vida de C risto co n siste nisto. vedaria à com unh ão todos aqu eles que são dela barrados p elo interdicto do Senhor. . e stim u la ­ dos e anim ados p ela leitura e pregação do E v a n g elh o e a c o n fissã o de n o ssa fé. d ign os nos fize sse de tal repasto.. tam bém a isto receber em fé e gratidão de alm a nos instruísse e preparasse. ao m e s­ m o tem p o. o C redo A p o stó lic o ). 413. esta é toda a ordem e razão para sua adm inistração desta forma.553 No seu M anual do C ulto. con tin u am os eom sa lm o s. A s In stitu ía s. e eoncord a tam bém com a adm inistração da antiga Igreja dos ap óstolos. e a igreja d eve ser deixada em liberd ade quanto a elas... ao am or cristão e a com portam ento d ign o dc cristãos. findos o s quais. E. A q ui. n ós so m o s ju stific a d o s nE le e v iv e m o s a nova vida m ediante o m esm o Jesus C risto. p. e. (L c 22 . o s m i­ nistros partindo o pão e o fe re ce n d o -o ao povo. e assim e o m o E le v iv e por am or do Pai. a leitura do E van gelh o.. e as santas o b la ç õ es e oferend as. e sc re v e. se se g u e que d e v e m o s orar pela salvação de todos os h om en s.36]. sem pre atenta à sim plicidade da Igreja antiga: C o m eça m o s co m a c o n fissã o de n o sso s p ecad os. 555 J. 139. 12. A s Institutos.. para que a vida de C risto se aeenda grandem ente dentro de nós. na terceira edição (1545).. e receb em os a euearistia eom grande reverência. orar-se-ia para que o Senhor. (1541). e logo que nos assegu ra que. M elhopress E d ito rial y G rafica. ter-se-ia um a exortação a fc sincera e a sincera c o n fissã o d essa fé.. (1541). Vol. p osto na m esa pão e vinh o. repetiria o m inistro as palavras da in stitu ição da C eia. M axw ell. um a vez que de nós m esm o s não o so m o s. con clu in d o todo o m istério c om lou vor e ação de graças. D o m esm o m odo: A s Instituías. após isto. assim co m o Jesus C risto possu i em si m esm o ju stiça e vida. Portanto. ter-se-ia. A gora bem .1 7 ).. a con gregação seria d esp ed id a em p az.” [João C alvino. ou cantar-se-iam salm os ou ler-se-ia a lgo da Eseritura. e. E .. porém .43.554 co isas são in d iferen tes. B uenos A ires.

p. ou o juram ento que os soldados presta­ vam ao seu com andante. S chaff.7). 559 Cf.9. D ictionary o f L atin a n d G reek T heological Term s. M ichigan.” . Calvino.” . Teologia Sistem ática. 557 J. p o rq u e têm nele o testem unho de haverm o-nos unido com C risto em um só coipo. M uller. 7. e sob re­ tudo a manter a caridade e am or fraternal entre nós.3.. p. John: In: N P N F I. traduziu o grego |rucrtf|plO V (“m istério”). A p regação é com entário. Av Institutas. 4 “ ed. de tal sorte q ue tudo qu an to é d E le nosso seja lícito cham ar. p. (Vd. 14. 17. L a P ro cla m a tio n del Evcm gelio. Vol. C a lv in o . R efo rm ed W orship. 14. ela vem do latim Sacram entum . A s In stitu ía s. G en ev a P ress.2).111.556 A palavra “Sacram ento” não ocorre nas Escrituras. Ap 1. XXVI. IV. 19. 14. 19. S acram entum : In: R ichard A. nem de e x p lic á -lo a lín gu a. 622.S. N a C eia [tem os] um a veem en te exortação a viver santam ente. 556 J.. não vejo p ossa eu su ficien tem en te com p reen ­ der c o m a m ente. porém cm palav ras.13.J. 1993. 5. B erkhof. p.3. 1990.27. passou a significar aquilo que era separado com o santo. p. 562 Cf.J. m as não se­ parando-a da Palavra audível de D eus. Teologia S istem á tica . afinal. C alv in o.561 N a Escolástica predom inou o conceito de sacram ento com o a “Palavra visível de D eus”. E m outro lugar: “G ran d e frulo. 560 A gostinho.” (K arl B arth.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 181 Sacramento: a Santa Ceia ". B reve Tratado Sobre La Santa C ena: ln: Tratados B reves. H ow ard L. em si. p.20. C alvino. C alv in o. . IV. na Vulgata.16. E f 1. B aker B ook H ouse. 32). B arth observa que “ a p reg ação extrai seu conteíido do sacram ento q u e em si m esm o é um a referência em ato ao aco n te­ cim en to da revelação. 558 J. D . A s In stitu ía s. porém . C a lv in o . 2001. e de b om grado por isso o c o n fe sso . A s Catequesis.555 “ . C a lv in o . A p u d i. 5IÍ1Agostinho.557 A palavra Sacram entum . interpretação do sacram ento. envolvendo as obrigações decorrentes deste com prom isso. 3. lT m 3.. m istério que. L uz para o C am in h o . 105. sen d o incorporados a E le e a E le un idos. tem o m esm o se n ti­ do que este.562 555 J. R ice & Jam es C. P o is se na C eia so m o s fe ito s m em bros de Jesus C risto. L. 344b. p. significava prim ariam ente um depósito financeiro fei­ to em ju ízo entre as partes litigiantes. T ractate L X X X ..7. que. A s Institutos. 290.9. N ossas C rença e a de N o sso s P ais.2. 17.558 Tornou-se clássica a definição pioneira559 de Agostinho (354-430) de Sacram ento com o sendo a “palavra visível”560 e um sinal visí­ vel de um a graça invisível. Cl 1. 622. distinguindo-a. nada resta.12. sen ão que prorrompa eu em adm iração d e s­ se m istério ao qual nem pode estar em c o n d iç õ es de p e n sá-lo claram ente o in telecto .) Portanto.1. para que não lhe m eça algu ém a su blim id ade pela m edidazin ha de m inha pob reza de exp ressão. 267. de co nfiança e satisfação podem deste sacram ento co lig ir as alm as pias. que é a n ossa cabeça. IV.32. On The G ospel o f St. A s Instituías. p.. H uffstutler. IV. há razão m ais que su ficien te para que nos co n fo r m e ­ m os à sua pureza e in o cên cia e mui esp ecialm en te que tenham os entre nós a caridade e concórd ia que d eve reinar entre os m em bros de um m esm o cor­ p o .50. na verdade. Cartas. L. C am p in as..” (J. SP. K entucky. L o u isv ille. posteriorm ente.C a p ít u l o 2 . (. G rand R apids.. C alv in o. 17. B erkhof. IV.

elevem os e dirijam os o nosso testem unho de fé A quele que é o A utor dos sacram entos e de todos os dem ais bens. IV. 17. “N inguém pode ordenar ou instituir nenhum sinal ou sím bolo que testifique algum a vontade e prom essa de D eus. 17. Antes. (1541). p. declarou: ‘Eu poderia ter confiado este assunto contro­ vertido a ele (C alvino) desde o princípio. ^ João C alvino. (1541). o sacram ento deve dar segurança e consolo à consciência dos crentes.” 563 “O poder de instituir sacram entos só pertence ao Deus único. IV. p o ndo diante dos nossos olhos a boa vontade do nosso Pai eelestial para eonosco. A.19. (1541). D epois de lê-lo. 111. lim itar-se à perspectiva de am bos. A s Institutos. na m edida em q u e im prim e em nosso eo ração essa co n firm ação tornando-a efieaz. sendo q u e é no co n h ecim en to da S ua boa vontade que subsiste a firm eza da nossa fé e se apóia toda a sua força. João C alvino. .182 R a iz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a C alvino entende que som ente Deus pode instituir o Sacram ento e que este traz consigo sem pre um a prom essa ou: “onde a prom essa brilha na cerim ônia. A? Institutos.” [João C alvino. As Instituías. graças à prom essa firm e e segura de Deus. Pois. envolve um a síntese do pensam ento de Lutero e de Zuínglio. (1541). Se os m eus adversários tivessem feito o m esm o. Todos os hom ens juntos não saberiam nem poderiam garantir coisa algum a quanto à nossa salvação. teríam os nos reconeiliado sem m uita d em o ra’. p. deixando de lado todas as coisas e delas nos des­ prendendo. Van Halsem a. V III. IV. IV. P hilip Sehaff. ordenar nem planejar nenhum sacram ento. 17.571 3<’1 Jo ão C a lv in o . “O sacram ento deve ser para nós um testem unho da boa vontade de Deus para conosco. Vol. A s Instituías. João C alvino E ra A ssim . 12. nem transferir para eles a glória de Deus. Vd. O sacram ento deve ser para nós um testem u­ nho da boa vontade de Deus para conosco. Aç In stitu to s. não podem . A s In stitu to s. 12]. IV. 5. com o se eles fossem a causa e a fonte das bênçãos que por meio deles recebem os. segurança que eles nunca poderiam obter dos hom ens. Vd.” (Thca B. H istory o fíh e C hrisíian Church. eles m esm os. 568 Jo ão C a lv in o . 590ss. 13. 13. 111. IV. João C alvino. O E sp írito ig u alm ente eonfirm a e fortaleee a fé. 566 Jo ão C alv ino. (1541). 13. A? Instituías. Av Institutos.”564 “O sacram ento é um selo que se im prim e no Testam ento e na prom essa de D eus”565. A s In stitu to s. 565 Jo ão C alv ino.10]. P or isso a igreja cristã se satisfaz com estes dois [Batismo e Santa Ceia]. Nunca. 571 João C alvino. Logo.30. 113).”567 “Não deve­ m os pôr a nossa confiança nos sacram entos. É unicam ente E le que. (1541). conseguindo com binar de form a adequada o “espiritualism o”569 de Zuínglio com o “realism o”570 de Lutero sem contudo. pode nos dar testem unho de Si m esm o.í Institutos.5. mas tam bém não deseja nem espera jam ais um terceiro. 567 Jo ão C alv ino. olhando firm em ente para o A utor da prom essa: “N ão há sacram ento sem prom essa de salvação. (1541). IV. A s Instituías. (1541). E não som ente não adm ite nem aprova nem reconhece no presente. dandonos um sinal. “ O s saeram entos confirm am e fo rtalecem a n o ssa fé.” [João C alvino.”566 A Igreja alim enta-se dos Sacram entos firm ada na prom essa de Deus. IV.11.0 V d. até à consum ação do século.”568 A com preensão bíblica de C alvino a respeito da Ceia. “U m a eópia desse pequeno livro (B reve Trotado Sobre o Santa C eia) traduzido do francês para o latim foi encontrada por M artinho L utero em 1545 num a livraria na A lem anha.10.13. IV.

(1541).”573 Os sacram entos são sinais visíveis que representam um a realidade espiritual. 8. que o precede. Perg. totalm ente vencidas. 310. E por m aior que seja o entendim ento. IV. sendo-nos concedidos para ajudar a nossa fé . C alv in o. quanto ju n to aos h o m en s. selando um a prom essa que sem pre lhes precede. A s ln stitu ta s. Vd.14. as quais são tão fracas que sucum bem . tanto diante dE le e dos anjos.v In stitu ía s. Com isso vem os que jam ais o sacram ento é apresentado sem a P alavra de D eus. m as que subam a pontos mais altos. com o tam bém a língua é incapaz de o explicar. (1541). pois o Senhor vê que tem os necessidade disto pela ignorância com que ju l­ gam os as coisas e pela fraqueza da nossa carne. na edição de 1559. Buenos A ires.574 propiciando um recurso m aterial para exem plificar um a realidade m ais am pla e profunda. e descrevê-lo com o um testem unho da graça de Deus. e nós. 1962).575 sendo com o que colunas de nossa fé apoiadas sobre a Pala­ 572 Jo ão C a lv in o . depois de esforçar-m e para dizer tudo que posso.1. não obstante. de nossa parte. além daqueles aos quais eu os possa conduzir.com o pedagogos . não m e resta outra coisa se não prostrar-m e em adm iração ante esse m istério. IV. J. Tam bém se pode definir diferentem ente o sacram ento. 6. P orque eu m esm o. A s In stitu ía s. 571 Jo ão C alvino. 9. escre­ ve: “um sinal ex terno m ediante o qual o S en h o r nos sela à consciência as p rom essas de Sua b en ev o lên cia p ara conosco. Ele é acrescentado à Palavra com o um apêndice ordenado para sim bolizá-la. IV. testem unho declarado m ediante um sinal exterior. In: C ate­ cism o s de Ia Ig lesia R eform ada. para pensar nele adequadam ente o entendim ento não é suficiente. . atestam os n ossa pied ad e p ara com E le. a fim de suster-nos a fraqueza da fé. Não significa que a Palavra não seja suficientem ente forte e firm e em si m esm a. 12 575 J. em si e por si tão certa e segura que não pode receber de outra parte m elhor confirm ação e fortalecim ento. D o m esm o m odo. o objetivo é que com ela e por ela sejam os fortalecidos. O C atecism o de G enebra. M as. e por m elhor que a língua se exprim a. C alvino. 10. III.C a p ít u l o 2 . C alvino faz um a advertência: “Isso confesso de boa vontade. por outro lado. adm oesto os lei­ tores a que não se m antenham entre m arcos e lim ites tão estreitos. IV. a fim de que ninguém m eça a grandeza do m istério por m inhas palavras. tudo isso é sobrepujado e hum ilhado por tal grandiosidade.em sua lim itação. 12. para sustentar. por mais capacidade que se tenha de pensar e de avaliar. Assim . L a A urora.” (J. 14. vejo quanto m e falta para alcançar a excelência. C alvino. ou que ela própria careça de m elhor confirm ação e fortalecim ento (porque outra coisa ela não é senão a verdade de Deus. 3. 574 V d.1. 14. m istério tal que.”572 C alvino define “sacram ento” com o “um sinal exterior pelo qual o Senhor representa para nós e nos testifica a Sua boa vontade para conosco. só o pode rece­ ber de si m esm a).ç Instituías.3. sem pre que trato dessa m atéria. confirm á-la e certificá-la m ais fortem ente em nosso interesse. confirm ar e fortalecer a nossa fraca fé. A. A s Instituías. A. tam bém : Juan C alvino.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 183 Antes de expor a sua interpretação a respeito da Ceia.

582 J. 580 J.579 antes. C alvino.10]. Antes. IV. assim tam bém a fé d escan sa e se su stém so b re a P alav ra d e D eu s com o so b re seu fu n d am en to . S e esta ação do E spírito de D eus faltar. 1. eles p ro d u zem eficazm ente o esperado efeito quando o M estre interno. IV. 578 J. C alv in o .6. IV. estes lhe serv em co m o co lu n as. Vol. sensibilizar nossos afetos e p o ssib ilita r a en trad a dos sacram entos em nosso ser interior. m as porque foram instituídos por D eus p ara essa finalidade. elevem os e dirijam os o nosso testem unho de fé Aquele que é o A utor dos sacram entos e de todos os dem ais bens. sendo q u e serão inúteis e vãos sem a operação do E spírito. no en­ tanto. firm ar-nos não nos sacram entos em si m esm os. os quais devem os ev itar por serem 576 J. 14. só restan d o aos sacram entos a função de instrum entos dos quais o S enhor se serve a nosso favor.581 já que a fé é a principal obra do Espírito. C alv in o . assim com o um ed ifício se fixa e se sustém so b re o seu fu n d am en to . Por isso eu traço esta d iferença entre o E spírito e os sacram entos. ao contrário d e Z uínglio e L utero. 581J. portanto. a sua efetividade está na atuação do Espírito. (A t 8. 14. deixando de lado todas as coisas e delas nos desprendendo. (1541). ou a ouvidos m oucos ressoe um a voz. C alv in o . 58.13).10. os sacram entos com preendidos corretam ente com o sinais. (1541).9/1V. 579 V d. com o se eles fossem a causa e a fonte das bênçãos que por m eio deles recebem os. A s In stitu ía s. 14. 335-336. 581J.”580 Tudo isso porém deve ser acom panhado de fé.583 Devem os. I I I . 10].16/C atecism o de G enebra. 317. nem m ais que o que urna voz altissonante pode dar a ouvidos surdos.9. P orquanto.576 portanto. nem transferir para eles a glória de Deus. G ran d e é.1 João C alvino. The C o n sen su s Tigurinus (1549. 1 9 8 1. A s In stiíu ia s.14/C atecism o de G enebra. P or exem plo. 14.184 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a vra que é o fundam ento. nosso “M estre interior”. 14. instruidor do espírito. 577 J. sobre as quais se apóia com m ais firm eza e m ais se fo rta le c e . 471-473). m as em Deus: “não devem os pôr a nossa confiança nos sacram entos. “P odem os usar ainda outras figuras para d esig n ar os sa cra m e n to s e. único poder cap az de penetrar o coração. H isto ry o f the C hristian C hurch. III. pois se este nos faltar. pp. (1 5 4 1 ). não porque eu considcre que eles tenham em si a virtude necessária e p erp étu a para fazerem isso. II. IV. C alv in o .6.4. A s ln stiiu ta s. e. pp. publicado em 1551). IV.578 Eles não têm nenhum poder m ágico. o s sacram en to s não poderão oferecer ao nosso espírito m ais que aquilo q u e a luz do Sol pode o ferecer aos cegos. John C alvin.. (Para a história d este “C o n sen su s” . atribuiu gran d e im p o rtân cia à agência sobrenatural do E spírito S anto na celebração da C eia (Cf. The C reeds o f C hrisiendom . 14. p o r elas. P hilip S ch aff. A s Instituías. co n tu d o .”584 D este modo. eles nada acrescentam à P alavra. Vol. a sua eficácia.” [João C a lv in o . q u an d o o E spírito age internam ente. que o poder de ação reside no E sp írito . Vol. P. A s Instituías.” [João C alvino. Perg. Schaff. IV. A í Instituías. lhes acrescen ta a S ua v irtude. D e resto. . C alvino. John C alvin. atestando a sua fidedignidade. Perg. e le se to rn a m ais seg u ro e m ais firm e. qu an d o se acrescen tam a ele co lu n as q u e lhe d êem suporte. quando lhe são acrescen tad o s os sa cra m e n to s. XVI11. podem . porém . 111. tornar a sua sig n ificação m ais co m p leta c m ais clara. 1. A? In stitu ía s.10. p o d em o s ch am á-lo s co lu n as da nossa fé. vd. C a lv in o . 312. FII. V III. que é então confirm ada por aquele que antes a produziu. “A tribuo aos sacram entos o ofício de co n firm ar e au m en tar a fé. m as. sugerir-nos dois cam inhos. A í Instituías. C om m entary upon the A rts os the A p o stles (C alv in ’s C om m entaries). C alv in o .5. A s Institutos. “nada nos podem m ais à m ente oferecer os sacram entos que se ou a olhos cegos refulja o esplendor do sol. 592). 1. p. A s Institutos.582 O E spí­ rito dispõe os nossos corações à Palavra e aos S acram entos.577 m as nos conduzem sem pre de volta à Palavra.

14. C a lv in o . inane e vazio. o vaso m esm o .588 Ele faz um a analogia entre o alim ento físico e o espiritual. quando ouvim os m en­ ção da palavra sacram ental. perm anecerá. 169]. não se prende à exterioridade. ou que a água lim pa as im purezas da alm a. 58<’ Jo ão C alvino.4. pois o propósito legítim o e próprio do sacram ento é levar-nos pela m ão d iretam en te a C risto e firm ar-nos nele.. som os levados a pen sar no efeito .) Se p o rv en tu ra não fizerm os nem quiserm os fazer do santo batism o um ato nulo e vazio.. sustenta e m antém a vida do nosso corpo. 12. III.. 587 J. a m en os que receb id os em fé. C alvino. P aracleto s. assim co m o o pão nutre. “ O p o d e r e o uso dos sa c ra m e n to s são c o rre ta m e n te su b e n te n d id o s q u an d o co n ectam o s o sinal com aquilo q u e está im plícito nele. Portanto. entendam os por ela a prom essa.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 185 equivocados: deter-nos nos sinais. ou p ara o m in istro . eflu irá. devem os im ediatam ente tom ar essa fig u ra ou sem elhança no sentido de que.” [J. não d espojam os o E spírito S anto do q u e lhe p erten ­ ce. J. 10]. IV.”586 Calvino observa que “Sem pre que Deus deu algum sinal aos patriar­ cas. E quando vem os o vinho q u e nos é oferecido com o sinal do sangue de Jesus C risto. m as sim . ou óleo. assim tam bém o corpo de Je su s C risto é o alim ento. e q u an d o . fix o perm aneça que não são outras as fu n çõ es d os sacram entos que da Palavra de D eu s. 588 J. p. (.. as quais são oferecer-n os e apresentar-nos C risto. (E f 5 . D evem os precaver-nos de transferir p ara o sinal. IV.C a p ít u l o 2 .) A qui tam bém é de notar-se que D e u s realiza interiorm ente o que o m i­ nistro representa e atesta pela ação externa. (1541). 350]. A í Institutos. q uerendo enaltecer o sinal.5. E fésios. não diferentem en te do vinh o. Deus. E m síntese.” [J. a m en os que aberto o b ocal do v a so . “O hom em crente.589 “P orém ” . im aginar qu e o m inistro é o au to r da lavagem .. não obstante. devem os precaver-nos de aplicar algum a porção de nossa con fian ça ao elem en to ou ao hom em . 17. tem -nos dado com o “testem unho de Sua bondade pa­ ternal” . A í In stitu ía s. com o Pai providente. IV. N ada. Av Institutos. o uniu indissoluvelm ente com a doutrina. 1998. ao ver o sacram ento. que deve ser pregada em voz alta pelo m inistro para levar ao povo aonde tem o sinal. (1541). elev a-se para co n tem p lar os altos m istérios ali ocultos conform e a h arm o n ia e x is­ ten te entre a fig u ra carnal e a realidade esp iritu al” [João C alvino. 14. a nutrição e a p reservação da nossa vida espiritual. m as. com santa co n sid eração . não im porta o quão cop iosam en te o derram es. exaltando desproporcionalm ente o seu valor. sem a qual nossos sentidos ficariam atônitos com visão única do signo. C alv in o. o que som ente o sangue de C risto p o d e efetuar. m ostrando que aquele que é fundam ental para a m anutenção de nosso corpo. A s Institutos. São P aulo. entretanto. para que não seja atribuído ao h om em m ortal o que D e u s para Si S ó reivin d ica.585 Entende que na C eia “nos são oferecidos todos os dulçores do Evangelho. 5tw “ P o rq u e quando vem os o pão que nos é apresentado com o sinal do sacram ento do co rp o d e Jesus C risto. p. C alvino.17. d ev em o s p rovar su a eficácia através da n o vidade de vida.continua . e se perderá. IV. (T t 3. de tal form a que o sinal não é algo vazio e ineficaz. no entanto.“assim com o é espiritual a vida em que nos 585 C f.5).”587 Creio que Calvino resum e bem o seu pensam ento a este respeito quan­ do diz: P elo que. A s In stitu ía s. o que pertence ex clusivam ente a D eus . ou outro líq uido.ou seja.. regado de todos o s lados. ou desvalorizá-los excessivam ente. (. “ .2 6 ). A s P astorais. C alv in o. e nEle o s tesouros da graça c eleste. con ferem ou a p rovei­ tam.

pp.. (1541). I. quem se m ostrar negligente. presentes nela.1. “P ara a igreja. IV. Av Instituías. Vol. IV. A s In síitu ta s. 8. IV.591 m ostra que no início da Igreja não era assim . John. Vol.44-45. Letter. In: N P N F 1 . p.” (T. 2“ ed. C alv in o . p. Vol.2 e 7 In: N P N F 1.594 Escreve: “Pois bem . 5M J. H o m ilies on E phesians. 7. 168-169. A gostinho. 321 (d o ravante. C alv in o . IV. IV. M aiores detalhes podem ser eneontrados em H ans L ictzm an n. M assachusetts. Idem . -TO. 50. IV. e devem ser proclam adas as prom essas que.. C ertam ente ninguém deve ser constrangido a participar. 111. pp. (1541). aos dom ingos em T rôade (A t 20. Vol. C risóstom o. IV. citado eom o N P N F 1). Pcabody.. que nos torna preguiçosos e nos faz dorm ir por todo o resto do tem po. Portanto.46.186 R a íz e s d a T e o l o g ia C on tem porân ea há regenerado.”595 N a realidade. org. não é sem m otivo que desde o começo eu insisto em dizer que a prática ordenada de um a ministração da C eia por ano. From C onstantine to Julian (A H istory o f th e E arly C hureh.592 Portanto. N os séculos seguintes. é necessário proceder doutra forma.43ss. 13. P orque. nos dá refrig ério e nos alegra. P aul the A p o stle lo Tim othy. ■ w" J. C alvino refere-se à decisão do 4 o C oncílio de L atrão (1 2 1 5 ). J.”590 C alvino com batendo o costum e da A lta Idade M édia de se celebrar a C eia um a vez por ano. C ân o n X X I. e que seja ofcrccid a à igreja desta m an eira” [João C alvino. (F irst series).12]. In: P hilip Schaff. In: N P N F 1. se reúnam para tão feliz repasto. 12.3. (C risó sto m o . a eeia era tão im portan­ te com o nutrição espiritual que C alvino advogava sua celebração sem anal. Ao m enos um a vez por sem ana se deve oferecer à congregação dos cristãos a C eia do Senhor. 593 Jo ão C alv in o. C alvino. N o N ovo T estam ento encontram os testem unho que indiea a celebração diária da C eia em Jerusalém (A t 2. 54. E le nos fortaleee. C alv in o ... 170. para tris­ e n o p ro v eito so b en efício do vinho p ara o corpo h u m ano. 17. 1960 (R eprinted). Aç In síitu ta s. pp. V. gerando um a variedade de form as de eelebração e o pior. deve ser repreendido e corrigido. p. C alvino discute algu­ m as destas questões.J. L o n d res. nos renovam e nos nutrem espiritualm ente.. com o que fam intos espiritual­ m ente. verem os claram ente que é m uito p ró p rio o que se atribui ao pão e ao vinho. B reve Tralaclo Sobre La Santa Cena: In: Tratados B reves. 298ss. A s In síitu ta s. Ill). 17. C alvino faz um resum o das d eturpações ro m an as d este sacram ento In: E xposição de I C oríntios. C risóstom o (347-407) recrim in a aqueles q u e vão à eeleb ração da C eia m as não participam . p. Av Insíitutas. A s Instituías. a C eia era celeb rad a dom inicalm ente em algum as igrejas. 17. rctirando -sc então ou alegando indignidade. T raetate X X V I. Aç Instituías. On The G ospel o fS t. 12]. 1995. wl J. 366. 17. que todos.7). 63-64). N ic e n e A n d P o st-N ic e n e F athers o f lh e C hristian Ciuirch. Cf.593 que todos os m em bros deveriam participar do pão e do vinho. Idem . IV.42-47) c. p. 10. “Q uanto à sacra C eia. ( IC o 11. 4 23-426]. é preciso que tam bém o seja o alim ento que deve nutrir-nos e confirm ar-nos nela. em três dias d a sem ana.30). (1541). sustenta que a C eia deveria ser celebrada sem analm ente e. em outras. IV. In: N P N F 1. A s Instituías.48. ao m enos um a vez por sem ana. Então. Vol. H o m ilies on lhe G ospel o fS a in t M a ííh ew . A s In stitu ía s. Vol. 13. . 17. pp. G corge. 17. H om ilies on lhe E pistles o fS t. L u tterw o rth P ress.2. C alv in o . falta de d iscern im en to [V d. 238). foi introduzida pela astúcia do D iabo. nos eonsola. 51. H endriekson P ublishers. é co n v en ien te qu e seja ad m in istrad a co m b astante freqüência. m as todos devem ser exortados e. diariam ente e ainda. 312-313.46. A Teolo­ gia d o s R efo rm a d o res. fazendo-nos apreciar o que o sangue de Je su s C risto efetu a em nós e o proveito que nos dá espiritualm ente. nos term os desta analogia e sím ile” [João C a lv in o . em ou tras. se avaliarm os bem a bênção que é para nós o fato de que o co rp o sacratíssim o de Jesus foi entregue e Seu sangue foi derram ado por nós.3.5 Jo ão C alv in o.44.

1977. p. P áscoa.. A s ln stitu ta s. A L iturgia R eform ada: E nsa io histó rico . D.A R e fo rm a P ro te s ta n te 187 teza de Calvino. . M ax D o m in icé em notas à edição F ran cesa das lnstitutas (1541). 163]. n° 395.”600 Visto que sem a Pala­ vra “os sacram entos não são sacram entos. requer a P alavra. G rnnd R apids. B aird. A L iturgia R efo rm a d a : E nsaio h istó rico . 28). S tanford R eid. Ju b ila te! A M ú sica na Igreja. A L iturgia R efo rm a d a : E n sa io h istó rico . M axw ell. D iccio n a rio de la Teologia P ráctica. u° 395. a sistem aticidade da C eia por ele proposta jam ais foi prati­ cada em G enebra. q u e a C e ia fo sse m in istrad a m en salm en te.” [John C alvin. 140-141. O R: A ges S oftw are. 141. M axw ell. 28). Ver tam bém : p. na Páscoa. 12.” ''97 C ostum e este que se tornou com um na E scócia. (A lbany. M axw ell. lam en ta a prática de B erna c G en eb ra . H ustad. S L C . M icliig an . W. T h ca B. que podia com ungar em um a igreja vizinha. não adm itia o Sacram ento sem a Palavra já que a “correta m inistração do sacram ento não subsiste à parte da Palavra. ■ W7 W illiam D.” J o h n C alvin C o llectio n .1. 22. IV. 28). co m um ro d ízio para asseg u rar a celebração todo dom ingo ao m enos num a igreja. m V d.. “C alvino procurou atenuar a severidade destes decretos fazendo arranjos para que as datas da com unhão variassem em cada igreja da cidade. “ a S anta C eia deveria ser celebrada ao m enos um a vez po r m ês em cada igreja. E l C ulto C ristiano: su a evolución y su s fo rm a s. M axw ell. no Pentecostes e na Festa das C olheitas.” John C alvin C ollection. E l C ulto C ristiano: su a evo lu ción y su s fo rm a s.599 Se por um lado C alvino conviveu com a separação entre a Palavra e a Ceia. C a lv in o em carta aos M a g is­ trad o s d e B ern a (1 5 5 5 ). p. ger. 17.39. q u e tan to vós com o nós sejam os cap az es de esta b e le c e r um uso m ais freq ü e n te . E sta p rática era com um em E strasburgo desde 1534. A ssu n ção e Pentecostes. A s lnstitu ta s. O R : A ges S o ftw a re. que da C eia nos provém . P. 163. Vd. 61. E le en ten d ia q u e d urante o culto d ev eria haver um a d eclaração de p erd ão feita pelo d irig e n te após a co n fissão de pecados.” [C onform e M. p. El C ulto R efo rm ad o : ln: R. [CDR O M ]. 140. C alv in o . 139-140. ced eu (Ver: C h a rle s W.”601 E ntre o final de 1539 e início de 1540. 1998). . p. (V d. Vol. A s cinco festas da Igreja R eform ada eram : N atal. S ex ta-F eira S anta. p. 1998). C alvino publicou seu prim eiro m anual de culto com pleto em língua francesa. T u rn b u ll. Os m agistrados com preendiam que a C eia deveria ser m inistrada apenas quatro vezes por ano. p. “To lhe S eig n eu rs o f B e rn e. Van H alsem a. E m B erna a C eia era m in istrad a 3 vezes ao ano.. (A lb an y . E l C ulto C ristiano: su a evo lu ció n y sus fo rm a s. contendo diversos salm os e v e rs o s a c o m p a n h a d o s d e suas re s p e c tiv a s m e lo d ia s p a ra o c a n to 5'® Cf. qualquer benefício que seja.. nem com isso co n co rd aram . já que os m agis­ trados determ inaram que a C eia fosse celebrada no Natal. C harles W. C a lv in o p ro p ô s en tão . 4 5. [C D -R O M ]. W illiam D.. pp.. 119. provendo assim oportunida­ de para a com unhão m ais freqüente do povo. em G enebra C alvino não teve esta oportunidade. p. 81 ss. (1541). M axw ell. B aird . 141.1 João C alv ino. C onform e decisão dc um S ínodo realizado em ju n h o de 1533. W illiam D .598 No entanto.d iz e n ­ do: “Q u eira D eu s. pp. Pois. IV]. -ws c r W illiam D. “To the S eigneurs o f B ern e. El C ulto C ristiano: su a evolución y su s fo r m a s . G. B aird . (Cf. p. org.. J o ã o C a lvin o E ra A ssim . C h arles W. N o en tan to co m o não enco n tro u apoio p a ra esta prática.C a p ítu lo 2 . E l C ulto C ristiano: su a evo lu ció n y sus fo rm a s.596 No entanto. cav alh eiro s. IV. John C alvin.qu e co n sid era um erro . p. C a lv in o não perd eu ap en as esta q u estão . p. co ntudo. tam bém : W illiam D. N um a ten tativ a de n eg o ciar co m os m ag istrad o s de G en eb ra. p.

Eí C ulto C ristiano: sua evolución y sus fo r m a s . E l C ulto C ristiano: sua evolución y sus fo rm a s . O canto co n gregacion al estava asso cia d o ao protestantism o de m aneira tão profunda e os protestantes foram tão e fic a z e s na u tilização d os h in os que algun s person agen s im portantes da Igreja C atólica por breve tem p o consideraram a p roibição da m ú sica nas m issa s. B erk h o f.(MCf. observa-se que esta foi ainda mais simplificada. C alvino “introduziu tam bém a prática regular do cântico da congregação. infelizm ente não sobreviveu. a m enos que algum grande im p ed im en to o o b rig u e a abster-se.” (J. d ev eria su b m e te r-se a re ­ gras p aram elra is d o u trin á rias. 3) A unidade entre o sinal e a coisa significada. 2 000. p.. aos d e sv io s. 206.”609 Cânticos M ark Noll. São P aulo. F ig u e ire d o co m en ta: “C a lv in o en ten d ia q u e a Ig reja. 1997. 25]. M axw ell.w illia m D.606 Calvino esforçou-se por recuperar o sentido singelo da Santa Ceia conform e o descrito nos Evangelhos e praticado na Igreja Prim iti­ va.” [O nezio F ig u eire d o . B aird. segundo a capacidade do povo. “ 7 E m 1541 escreveria: “ .”603 E ssa prim eira edição. “O sinal externo torna-se um meio em pregado pelo Espírito Santo na com unicação da graça divina. S ão P aulo. E l C ulto C ristiano: sua evolución y sus fo rm a s . p. M om entos D ecisivos na H istória do C ristianism o. p. a liturgia de Estrasburgo com a de G enebra. O culto é im p o rtan te d em ais p ara fiear à m ereê de id io ssin cra sias de lid eran ças. 136. 136. «is Q . Valérand Pullain. 1) O Sinal visível.605 C om parando-se. E l C ulto C ristiano: su a evo lu ció n y su s fo r m a s . p ara ser u nida. p. pp. M a x w ell.W illiam D. W illiam D. B reve Tratado Sobre La Santa Cena: In: Trata­ d o s B reves. 26.l° M ark A. C ulto (O p ú scu lo II). mx> Q . inicia o capítulo de um de seus livros. nestè ponto tem os a essência do sacram ento.604 Este M anual continuou sendo adotado em Estrasburgo m esm o pelo seu sucessor à frente daquele rebanho. Teologia Sistem ática. 2) A graça interna que o acom panha. ou ex p o sto às in flu ê n cias e x te rn a s. C alvino. C a d a c o m u n id ad e p re s­ tan d o cu lto à su a m an eira. M axw ell. m C harles W.610 602 Cf. entretanto. a p orta ficaria ab erta às d isto rçõ es. 623. go v ern am en tais e litúrgicas. El C ulto C ristiano: sua evolución v sus fo rm a s . 136.”608 Do que foi exposto subentende-se que o sacram ento é com posto de três partes. A L iturgia R eform ada: E nsaio histórico. a saber.607 no seu M anual do Culto. 136. M axw ell. <. nem sem p re bem fo rm a­ das. 137-138. d isc ip lin ares.R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a 188 congregacional. M axw ell. pp. E cada um em particular deve p re p a ­ rar-se para receb ê-la cada vez que é adm inistrada na congregação. a de G enebra (1542) e a de E strasburgo (1542). p. p. e às d ivisões. W illiam D. p. (. E ditora C u ltu ra C ristã. só existem exem ­ plares da segunda edição em diante. N oll.. com o diz Baird. 26-27) sos Q .602 Aliás. p. ao que parece por influência dos m agis­ trados genebrinos. intitulou: “As formas das orações e m aneira de adm inistrar os sacramentos de acordo com o uso da Igreja antiga. m L. todas as Igrejas bem ordenadas devem ter o costum e de cele­ brar com freq ü ên cia a C eia. .W illiam D. assim: A enxurrada de h in os protestantes que inundou a E uropa ju n tam en te com as prim eiras crises da R eform a criou d ificu ld a d es in com u n s para a Igreja C a­ tó lic a R om ana.

quan­ do Davi em grande aflição. coloca o livram ento. N unca se abalam os gêneros m usicais sem abalar as m ais altas leis da cid ad e. 401 d.”613 O canto tinha tam bém um a relação direta com a nossa expe­ riência religiosa. ao apressar-se com prontidão de alm a a cantar os benefícios divinos. C f. entendendo que som ente a P alavra de D eus era digna de ser cantada.. Com o a Escritura é a Pala­ vra de D eus. W. não estando relacionado sim plesm ente a m om entos de lazer e entretenim ento. 269. pp.” (Platão.7). 615 Jo ão C alvino. p. que aparentem ente estava então distante. 4 2 4 b e ss. 119. [1993]. El C ulto R efo rm ad o : ln: R. honrem os e O glorifiquem os. D.19). recom endado por Paulo (Ef 5. S tanford R eid. orar a Ele.IJ Jo ão C alvino. H ustad.C . quão trem endo é o poder da m úsica para agitar as em oções do ser hum ano. 133). tem am os. 612 P latão cita um a frase do fam oso m estre de m úsica ateniense do 5 o séc. C om entando o salm o 13. E xp o siçã o de I C oríntios. devem os nos exercitar em louvar agradecidam ente a Ele: “devem os exercitar-nos a um fe rv o ro so zelo n esse santo e x e rc íc io . 41-42. p.” (P latão. p. pp. a fixação das Escrituras. de so rte q u e n o sso s c â n tic o s correspondam à grandeza do favor que porventura nos tenha sido conferi­ d o . O que Santo Agostinho diz é totalm ente verdade. o cantar além de refletir a nossa fé . e tornando aquela p erfe ita. de um a for­ ma ou outra.. significa relem brar e fixar os seus ensinam entos.por se am parar o seu conteúdo na Palavra .... porque o ritm o e a harm onia penetram m ais fundo na alm a e afetam -n a m ais fortem ente.”614 Do m esm o m odo. por exem plo: P latão.C a p ítu lo 2 . 1. com en­ tando o salm o 40.616 No Prefácio do Saltério Genebrino.3). (SI 13. 133). 217.6). O Livro dos Salm os.”615 U m a fé que se expressa em cântico se fortalece do seu próprio conteúdo proveniente da Palavra de Deus.612 dizendo que. conclui o salm o dizendo: “C antarei ao Senhor.. C alvino explica-nos os m otivos dessa prática: “Os salm os nos incitam a louvar a Deus. Í. é com o o “falar entre vós com salm os”.611 C alvino não ignorava o poder da m úsica: “ . T urnbull. p. m esm o antes que os houvesse recebido. 168-170. diz que à m edida que Deus nos socorre. p. ger. Vol. V d. p. 400d. 52-53. a.. H u ghes O lip h an t O ld . a pessoa não pode cantar nada m ais digno de 611 V d.. objetivando inclusive. 131) e que “ a ed u cação p ela m ú sica é capital. D âm on: ". 414. Vol. ( IC o 14. C alvino diz: “. /4 R ep ú b lica . <’13 Jo ão C alvino. Ju b ila te! A M úsica na Igreja. m editar nas Suas obras a fim de que O am em os. A R epública. A R ep ú b lica . trazendo consigo a perfeição. O Livro dos Salm os. P latão sustenta q u e o ritm o e a h arm o n ia devem se adaptar à p alavra (Platão. A tlanta. 401 d. pp. W orship: That Is R efo rm e d A c c o rd in g to S crip tu re. John K nox P ress. a m úsica é da m aior im portância para m oldar o caráter moral do E stado. org. A R ep ú b lica . p.tem tam bém um a conotação de lem brete e estím ulo espiritual para aquele m esm o que canta. T ed..P. L isboa. (SI 40.. . F un d ação C alouste G ulbenkian.. 2. Davi. im ediatam ente diante de seus olhos.. com o corretam ente ensina Platão.A R e fo rm a P r o te s ta n te 189 Para os R eform adores os cânticos tinham um grande apelo didático. porquanto me tem feito muito bem ”. Ele tam bém optou pelo cântico de Salm os. G. Todos sabem os pela própria experiência. D iccionario de la Teologia P ráctica. cantá-la. 1984.

622 as orações eram sugeridas mas não deveriam ser lidas. V III. p.tornou-se um a parte im portante na liturgia de C alvino. V III. S tanford R eid. . P etrópolis. p. O cântico congregacional .P H ustad. 2 1 7-218. IC o 12.”617 Aqui. São P aulo. C asa E ditora P resbiteriana. (Vd. P ai-N osso: A O ração do S e ­ n h o r. deu ênfa­ se especial à Palavra de Deus com o elem ento central do culto. El C ulto R eform ado: ln: R . C a lv in C o m m e n ta r ie s .3. F p 2. 626 W. El C ulto R eform ado: In: R. 1. Jo h n H. sendo recitados após a leitura das E scrituras. 5 -6 . B aker B ook H ouse C om p an y . G. Jubilate! A M úsica na Igreja. 371.20). resp o n siv am cn te a sua fé na ocasião do batism o.A o que parece. P a u lin a s. org.22. H ipólito de R om a. El C u lto R eform ado: ln. 1957. A Tradição Reform ada: Uma m aneira de ser a com unidade cristã. 621 John H. obviam ente. São Paulo. (s.9). G. 118. é-nos ensinado 617 A p u d Hughes O liphant Old. eram espontâneas. ao nos porm os a buscar a Deus em oração. a E ucaristia com o elem ento integrante do culto público e. p.618 O cântico a quatro vozes era utilizado no culto. 44). § 46 ss. 42. L eith. Rm 10. [Vd. org. S tanford R eid. T urnbull. § § 21. O c o s tu m e de u tiliz a r o C re d o A p o stó lic o liturg icam cn te nas igrejas era bem antigo: a) B atism o: O s fiéis d eclaravam (no caso de serem ad u lto s) (V d. C onfis­ sões. p. D iccionario de la Teologia P rá ctica . C ontraste esta inform ação com o p róprio co n cei­ to d e C alv in o .20. c) C u lto . J. El C ulto R eform ado: In: R. pp. (O s Pensadores. 336). ger. L eith. 336. orações e exclam a­ ções devocionais. Vol. p. C harles W. b) Santa Ceia: N a E ucaristia a Igreja declarava a sua fé através de hinos.621 os cânticos eram com o na sinagoga.8 V d.d. D idaquê. D iccionario de la Teologia P ráctica. 3 37 seg u in d o aqui as conclusões de D oum ergue. pp.625 “As Igrejas R eform adas sim bolizaram isto nos edifícios que ergueram durante a R efor­ ma. In stitu tos. A? In stitutos. S ão P au lo . 23. D iccionario de la Teologia P rá ctica . 621 Ver: Jo h n C alvin.31-32 <ll!) Cf. T urnbull. 299. ger. 43. com o já vim os. R . L eith.” (John H.37.”626 Calvino entendia que “os salmos constituem um a expressão muito a p ro p ria d a d a fé re fo rm a d a . Im prensa M etodista. VI). 1. 1976. 119.w W. 152-154] (V d. S tanford R eid. pp. a partir do 4 século.623 o Pai N osso e o C redo A postólico eram recitados pela congregação. Worship: That /. G. A L itu rg ia R efo rm a d a : E nsaio histórico. org. sem acom panham ento instrum ental. org. p. D iccionario de Ia Teologia P rá ctica . A t 8. A gostinho. M ichigan. 625 P h ilip S chaff. p. Jerem ias. A T radição A p o stó lica . (V d. 42-43. 1981. Vol. 622 W.). A Tradição R efor­ m a da: U m a m a n eira de se r a com unidade c ristã . G. H á evidências de que na Igreja P rim itiva só poderia recitar esta oração litiirgicam enle o m em bro com ungante da Igreja. 111. pp. A Tradição R eform ada: U m a m aneira de se r a co m unidade cristã. ger. í.>2“ John H. enfatizou o cântico congregacional.20. ao colocar o púlpito à frente e no centro do tem plo. está im plíci­ to o princípio da inspiração bíblica: Os Salm os provêm do Espírito Santo. ger. Tradição A p o stó lica .que com o tudo o m ais deve ser acom pa­ nhado do verdadeiro afeto do coração . <’w W.619 todavia.190 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a Deus do que aquilo que recebem os dele. C alvino 15091564: S u a Vida e O bra. . 1973. 51-53. p. 16. 51 -52.2. A Tradição Reform ada: Uma m aneira de ser a com unidade cristã.v R eform edA ccording to Scripture.32. os credos passaram a ser usados nos cultos regulares. L eith. A bril C ultural. p.624 Colocou. B aird. 1996 (R ep rin ted ). p. D . 43. 1II. p. S uinford R cid.” 627 e que “T udo q u a n to nos se rv e de encorajam ento. V ozes. L em brem o-nos de que a m úsica estava subordinada à P alavra e que o órgão era u sado no século 16 com “propósitos não litúrgicos. H ipólito de R o m a. R J. p. 70. V II. 10). p. G rand R apids. H isto ry o f lhe C hristian C hurch.5-11). São P aulo. (G n 4. T urnbull. Vol.620 A inda que C alvino fosse apreciador da harpa. 6. T urn b u ll. V icen teT em u d o L essa. p.

n eg a m -se a acom panhá-la. (. o seu tom tão pastoral no C om entário de Salm os. Só porque. E n co n trão E ditora. preocu pand o-m e im oderadam ente com este em buste. O rando co m os Salm os.0 João C alv ino. G rand R apids. B o n h o effer (1906-1945) ap reci­ an do o L ivro d e S alm os. pp. ao qual se não d eve dar licen ça de enervar a alm a. C alvino seguiu de perto o pen­ sam ento de A gostinho (354-430) que. ainda que p arcialm en te. (. [Vd.A R e fo rm a P r o te s ta n te 191 neste livro [Salm os]. 1995. 1973.”631 Q uanto à questão da m úsica na Igreja. p. Sin to que todos os afetos da m inha alm a encontram .. IX . seja de todas as suas obras. O s sen tid os. 1996 (R eprinted). Vol. 35-36. havia dito: Q uando o u ço cantar e ssa s v o ssa s santas palavras com m ais piedad e e ardor. PR . sin lo que o m eu espírito tam bém vibra com d ev o çã o m ais relig io sa e arden­ te do que se fo ssem cantadas doutro m odo. O L ivro elos S a lm o s. vibrando em razão dum parentesco o c u l­ to. se expõe de um m odo m ais pessoal. “Não existe outro livro onde m ais se expressem e m agnifiquem as celebrações divinas. p. m ereceram ser ad m i­ tidos. Vol. 34. A gostinho (354-430) tam bém j á d em onstrara o q u an to a leitu ra d os S alm os foi im portante em sua vida. 1. em co n ju n to . ou em que som os mais poderosam ente estim ulados à reali­ zação desse sacro exercício. . que entre e le s ex iste. 1. Vol. N os S alm os. 23. XXXV. de p referên cia. mas advirto depois. será p resen tead a com forças ja m a is im aginadas. para m im d esco n h ecid o ..4. nas Confissões. IV). P refácio . C onfissões. B aker B o o k H ouse (C a lv in ’s C om m entaries. (T radução b rasileira. eu não terei nenhum a razão para lam entar por ter em preendido este trabalho. A credito que em nenhum outro de seu s co m en tário s tem os acesso tão direto ao coração de C alvino com o nesses.8. C alvino. A bril C u ltu ral.C a p ítu lo 2 . O utras v e ze s. na v o z e no canto. São Paulo.. seja da liberalidade de D eus sem para­ lelo em favor de sua Igreja. 1. A gostinho. 33.) A o esq u ecer-se do S altério. '’. não querendo colo ca r-m e h u m ild em ente atrás da razão. a cristandade perde um tesouro inigualável. C om m entary o f the B o o k o f P salm s. as suas próprias m od u lações. 24). 1. p. a fim de lerm os este liv ra diversas vezes ao ano. diz: “Se a leitura destes m eus com entários confere algum benefício à Igreja de Deus com o eu obtive vantagem da com posição deles. Vol. en gan a-m e m uitas v e ze s. peco por dem asiada severidad e.”630 No Prefácio do seu com entário ao Livro de Salm os. 611 John C alvin. Vol. 175].” (D ietrich B onhoeffer. O Livro d o s Salm os. C reio que isso explica.. (O s P ensadores. no Livro de Salm os temos um guia segu­ ro para a edificação da Igreja que pode cantá-lo sem correr o risco de proferir heresias m elodiosas. O Livro dos S alm os. pp. U s o às v e z e s de tanto rigor que desejaria dester­ rar m eus ou v id o s e da própria igreja todas as m elod ias d os su a v es cân ticos 628 Jo ão C a lv in o . M as o d eleite da m inha carne. graças à razão. A o recuperá-lo.”628 Portanto. p. p. segu n d o a diversid ade de cada um . diz: “D ev em o s ler vários S alm os diariam ente e.”629 Calvino considerava os Salm os com o “Uma A natom ia de Todas as Partes da A lm a. V I). João C alv in o. 629 João C alv ino. C u ritib a. penetrando nele com m ais p ro fu n d id a­ de. Vol. já se esforçam por preced ê-la e arrastá-la! D e ste m odo p eco sem c on sen tim en to.) N ão há outro livro em que som os mais perfeitam ente instruídos na correta m aneira de louvar a Deus. 31). dentro da sua d iscrição característica. M ichigan. O L ivro d o s Salm os.

C alv in o .634 E. c o m o é escorregad ia e versátil. de certo m od o. m as p elas letras d essas m elod ias. c o n fe s ­ so com dor que pequei.633 Assim .32. p elo s d eleites do ou vid o. por ca stig o . Q uando. A gostinho relata o seu im passe: A ssim flutuo entre o perigo do prazer e os salutares e fe ito s que a e x p eriên ­ cia n os m ostra. portanto. Ora. 220. certam ente. E is em que estado m e encontro.635 632 A g o stin h o . m uito os recom en dam os. tod os e quaisquer cantos que hão sid o c o m p o sto s apenas para o e n ­ canto e o d e leite dos o u v id o s nem são co m p a tív eis com a m ajestade da Igreja. Portanto. m uito vale para incitar o s ânim os ao verdadeiro z elo e ardor de orar. de n o v o . por outro. III.. C o n fissõ es. d em asiad o fraco.2 0 . A í ln stitu ta s. N e ste caso. C onfissões. com o em cada parte de n osso corpo. a m en o s que seja de variados ad m in ícu los sustentada. 611 A g ostinho. [. 219-220. C ontudo. assim ex er­ citam a m en te na c o g ita ç ã o de D e u s e a retêm atenta.4 J. quando m e lem bro das lágrim as derram adas ao ouvir o s cân ticos da v o ssa Igreja nos prim órdios da m inha c on versão à fé.. dúvida nenhum a há de que seja um a prática m uito santa e sadia.] A p licada. não pela m ú sica. para que. sen ão que antes.20. cantadas em v o z lím p id a e m odu lação apropriada. a m ú sica m e se n sib iliza m ais do que as letras que se cantam . A s ln stitu ta s. A d em a is. às v e ze s.33. da m esm a form a que. N e ss a s o c a s i­ õ e s parece-m e que o m ais seguro é seguir o costu m e de A tan ásio. X . adjudicada e devotada a este m inistério.. sem proferir um a sen ten ça irrevogável.. se e le v e até aos afetos da piedade. facilm en te se afrouxa e a variadas d ireçõ es se d is­ trai. e ao sentir-m e agora atraído. preferiria não ou vir cantar. que foi criada p e c u li­ arm ente para declarar e proclam ar o lou vor de D e u s. se a e ssa gravidade que c o n v é m à vista de D e u s e dos anjos haja sid o tem perado o canto. im p õ e-se d iligen tem en te guardar q ue não estejam o s ou v id o s m ais atentos à m elod ia que a m ente ao sentido espiritual das palavras. a grande utilidade d este c o stu m e . quer cantando. a qual. recon h eço. c o n c ilia dign id ade e graça aos atos sacros. C alvino escreveu: N em . um a a um a. in clin o -m e a aprovar o co stu m e de cantar na Igreja. aqui con d en am os a v o z ou o canto. c o n v é m esp ecia lm en te seja a língua. W5 Jo ão C alv ino. p.R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a que ordinariam ente costu m a acom panhar o saltério de D a v i. III. 6. esta m oderação. nem pod em a D e u s não desagradarem sob rem aneira. quer fa la n d o . o esp írito. X . a glória de D e u s. contud o.632 A seguir. por um lado. por outro lado. R ecord o-m e de m uitas v e ze s m e terem dito que aqu ele prelado obrigava o leitor a recitar o s sa lm o s com tão dim inuta in flex ã o de v o z que m ais parecia um leitor que um cantor.3 1. pp. . P orém . d esd e que acom panhem o afeto da alma.33. b isp o de A lexandria. d eva luzir.

apresenta-nos o Senhor n o sso . Por esta razão. tenha p e so e m ajestade. ou de efem inar-nos em d eleites d e sr e g r a d o s. bon dad e. p. queixaram se freq üentem ente os antigos doutores da Igreja de que o p o v o de seu tem po era dado a c a n ç õ es in d ecorosas e im pud icas. Verdade é que toda palavra m á (co m o d iz São P aulo) perverte o s bons costu m es.A R e fo rm a P r o te s ta n te 193 Em outro lugar: E na verdade.. co n h e c em o s por exp eriên cia que o canto p ossu i grande força e poder de co m o v er e inflam ar o coração dos hom ens para invocar e louvar a D eu s com z e lo m ais v eem en te e ardoroso. A c im a de tudo. sabedoria e ju stiça. que não sem cau sa consideram e cham am ven en o mortal e satânico para corrom per o m undo. co m o d iz Santo A g o stin h o. A p u d A ndré B iéler. em segu n d o lugar. O pera C alvini. não é sem cau sa que o Santo E spírito exorta-n os tão cu id ad osam en te pelas Sa­ gradas Escrituras a regozijar-nos em D e u s e que toda n ossa alegria a isso se reporte. porém . m uito m ais profundam ente penetra ela o coração e de tal m od o se instila dentro de nós que. ou con teú d o e m atéria. entre outras c o isa s pró­ pria para recrear o hom em e proporcionar-lhe prazer. assim . 167. H á sem pre a considerar-se que o canto não seja frívolo e leviano. Outra con sid eração não h o u v esse senão esta. d e v e -n o s ela bem m over a m oderar o uso da m úsica. pois. de tal sorte que n os seja ela útil e de m aneira algum a perniciosa. Ora. haja grande d iferença entre m ú sica feita para alegrar o s hom ens à m esa ou em casa e os sa lm o s que se cantam na Igreja. E is porque tanto m ais d e v e m o s tom ar tanto a dela não abusarm os. de sorte a fazê-la servir a tudo que é decen te e não nos seja o c a siã o de soltar-nos a rédea à d issolu ção. o canto. con verten d o-a à c o n ­ d e n a ç ã o n o ssa o n d e foi d ed ica d a a n o s so p ro v eito e b e n e fíc io . assim tam bém .. ad m ito-lhe duas partes: a letra. c o m o a seu verdadeiro fim . . p. Tanto quanto. quando. nos in clin a e induz n ossa própria natureza a procurar todos os m eio s de alegria levian a e v icio sa . M esm o nas casas e nos cam pos é-n o s e le um in cita ­ m ento e d ir-se-á um órgão para louvar a D eu s e elevar-L h e o coração para que nos c o n so le enquanto m editam os em Seu poder. V olum e V I. são lançados ao fundo 636 Jo h n C a lv in . 577.636 C ontinua: E is porque d e v e m o s ser tanto m ais d ilig en tes em regu lá-la. se bem que o u so do cântico vai bem m ais lon ge. ou m elod ia. O P en sa m en to E c o n ô m ic o e S o c ia l d e C alvino. Ora. para detrair-nos e d em over-n os das se d u çõ e s da carne e do m undo. na presença de D eu s e de S eu s anjos. Sabe E le quanto so m o s in clin ad os a regozijar-n os em frivolid ad es. se lhe a sso cia a m elod ia. M ais n ecessário é isso do que se poderia dizer. falando particularm ente da m úsica. e qu e se ja in str u m e n to de d e v a ss id ã o n em de q u a lq u er im p u d icícia . a m úsica é ela dom de D eu s d eleg a d o a este uso. a fim de ocupar-nos n essa alegria espiritual que E le tanto nos recom enda. p elo contrário. E. tem end o consp urcá-la e contam iná-la. através da m elod ia.C a p ítu lo 2 . todos os m eio s p o ssív e is. assim co m o por um funil é o vinh o entor­ nado na vasilha.

.1510-c. te m ê -lo . pp. E n cy clo p aed ia B ritan n ica. 2002. The H isto iy a n d C haracter o f C alvinism . p. C lém ent M arot: ln: H arry S. o que se não pod e dar a m en os que tenham os o cân tico im presso em n o ssa m em ória para jam ais cessar de cantar. F. 111. A shm orc. pp. E ditor in C hief. São P aulo. L o n d res.. O coração. L oys B ourgeois: ln: S tanley Sadie. 138 e 142). 642 Cf. Vol. tendo um co m p o rtam en to am bíguo ( Vd. p. MS Cf. requer o entendim ento.que adaptou as canções populares641 e antigos hinos latinos e. O Saltério iniciado por Calvino a i Jo h n C a lv in .637 C alv in o . E dw ard D ickinson. p. cantarão bem . E ld e r & C o. im porta lem brar-nos do que São P aulo diz: que as ca n çõ es espiritu ais se não p od em cantar bem sen ã o de coração. m as sem entenderem o que cantam . O pera C alvini. 36. 578. 133. e assim . Vol. Vol. Í>TO P hilip S chaff. V III. O P en sa m en to E co n ô m ico e Social de C alvino. p. contribuíram em m uito para a sua divulgação. tam bém . C a lvinism o. M cN eill. H istory o f the C hristian C hurch .e C laude G oudim el (1510-1572). S m ilh. M u sic in The H istory o fT h e Western Church. E d ito ra C u ltu ra C ristã.638 valendo-se efetivam ente do talento do poeta francês C lém ent M arot (c. 176-177. org.l560)640 . 43. para que lhes seja isso co m o pia m editação e a sso c iá -lo s à c o m ­ panhia d os A n jos. p. E ncyclopaedia B ritannica. ainda que cie não fo sse pro p riam en te R e form ado. 1496-1544) . sab en do o que está a dizer. que n os sejam co m o ag u ilh õ es a instigar-nos a orar e louvar a D eu s.B. p o is. A braham Kuypcr. m orreria em Lyon no m assacre da noite de São B artolom eu.e T héodore de B eza (1519-1605) e. E nisto (d iz Santo A go stin h o ) está a d iferença entre o canto dos h om en s e o cantar das a v e s. The N ew G rove D ictionary o fM u s ic a n d M u sicia n s. Vol. tam bém . 175-176. V olum e VI. 176-177. pp. C alvinism o. São Paulo. 1962. 113. em suas m elodias levaram a seriedade do coração a triu n far sobre o calo r das p aixões in feriores. V II!. ao en ten d im en to d eve segu ir-se o coração e a afeiçã o . C alvinism o. 111. m as no santuário. 1980.” (A braham K uyper. P h ilip Schaff. N ova York.lo . As lindas m elodias de G oudim el tornaram -se um ingrediente enriquecedor do Saltério e. a m editar em Suas obras. 640 Ver: A braham Kuypcr. U m pintarroxo. IN C. um papagaio. p. 641 Isso foi le ito com o objetivo de que “ agora o povo não cantaria m ais no bar ou na rua. adv o g an d o “ m aterialm ente” a causa da R eform a na F ran ça (Cf. M acm illan Publishers. p. pp. C alvinism o. 1902. A tradução de M arot tornou-se extrem am ente popular na corte e na cid ad c. 374. A ndré B iéler. E ditora Cultura C ristã. 176). f>4i Ver: A braham K uypcr. porém . W atson. Jo h n T. 91. de fazer? É de ter ca n ç õ es não apenas d ecorosas. O P en sa m en to E c o n ô m ico e S o c ia l de C a lv in o .. 14. 2002. 46. traduziu alguns salm os (SI 25. Q uê se há.194 R a Iz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a do coração o ven en o e a corrupção. p. 374. n a elab o raçã o do que seria co n h ecid o com o S a ltério G enebrino. h o n r á -lo e g lo r if ic á . F ran k D obbins. com pôs outras m úsicas para a m étrica dos salm os de Marot*542. E is p orq u e e x o r ta C risóstom o tanto a hom ens co m o a m ulheres e crianças a acostum arem -se a cantá-las. 120. C hicago. 167. A p u d A ndré B iéler. p. posteriorm ente recorreu ao precioso trabalho do com positor francês Loys Bourgeois (c. 936). Q uanto ao m ais.J. H isto ry o f the C hristian C hurch. 148. 359-360). Ora. um rouxinol.643 que aderindo à Igreja R eform ada em 1562. o próprio dom do hom em é cantar. m as tam bém santas.que conhecera na C orte da D uquesa de Ferrara em 1536639 . a fim de a m á -lo ..

italiano. V III. m alaio. C u rio sam en te. descreveu em ocionado o que viu: 644 E d w ard D ick in so n . seriam im pressas várias edi­ ções em Genebra. E le tam bém se tornou um grande sucesso editorial. 40. 299. A m ú ­ sica. p.C apítulo 2 .. V III. H isto ry o f the C hristian C hurch. H isto ry o f the C hristian C hurch. N os quatro anos seguintes foram publicadas 62 edições.A R eform a P rotestante 195 em 1539. 217]. p. 3 7 4 . 646 C f. M ichigan. 648 Em o u tro ponlo: “ A invenção das artes e outras coisas que servem ao uso com um e ao co nfo rto d esta vida é um dom de D eus que não é de desprezar e um a virtude digna de louvor.”645 tendo um verdadeiro “dom de línguas”. A L itu rg ia R e fo r­ m a d a : E n sa io h istó rico . p. csco im a d a dos v ic io so s e n g o d o s e. Vol. até a definitiva. sendo traduzido para o alem ão. As edições foram sendo aum entadas. I. luteranos e outras denom inações. (G n 4 . P hilip Schaff. 336). G rand R apids. C a lv in ’s C om m entaries. inglês. Calvino escreveu: . 218. p.644 Ele tornou-se “um dos livros mais im portantes da reform a. o que de fato não é im possível. N ó s sab em os por exp eriên cia que o canto tem grande força e v ig o r para m over e inflam ar o s cora çõ es dos hom en s. (V d. 647 A p u d Jo h n T. dispunha de 19 salm os. 26. da vã d eleitação que detrai o s hom ens de m elh ores e x e r cíc io s para o c u lp á -lo s com a vaidad e. 299. T am bém . p. L eilh. A T radição R eform ada: U m a m a neira de se r a com unidade cristã. p. p.20). etc. <’4') John C alvin.20). Talvcz S ch aff possa estar se referin d o ao p o ssível fato do S a ltério G enebrino. entretanto.” [John C alvin. C harles W. latim . Jo h n H. p. 645 John H. I. A Tradição R eform ada: Uma m aneira de ser a com u n id a d e cristã . 265-266). boêm io. 1561-1562). B aker B ook H ouse C om pany. a fim de in vocar e louvar a D eu s com um m ais v eem en te e ardente z e lo . p.646 No Prefácio à edição de 1542 do Saltério Genebrino. p. m ais detalhes In: Jo h n H. concluída por B eza (c. espanhol. m esm o tendo sido traduzido para vários idiom as. pp. C alvin's C om m entaries. Vol.649 Um estudante francês refugiado. S ch aff diz que o Saltério de G enebra nunca se tornou p o p u lar (Vd.. 360. tendo aco n tecid o fatos sem elh an tes em nossa pró p ria igreja no Brasil. é de tal natureza que pode ser aplicada aos e x e r c íc io s de piedade e pod e beneficiar aos hom ens.647 C om entando o Livro de Gênesis. ja m a is ter usu fru íd o m aciçam en te do g osto popular. The H istory a n d C h a ra cter o f C alvinism . holandês. ainda assim não se pod e tê -lo s por de todo su pérfluos e ainda m en os m erecem ser c o n d en a ­ d o s /’4*1É verdade que se im p õe condenar a volup tu osidad e que não se afina com o tem or de D eu s e o b e n e fício com um da com unidad e hum ana. M ais tarde. . L eith . P h ilip S ch aff. tam is. M cN eill. contendo 50 salm os (1543) e um a outra em Estrasburgo (1545). diz: Em bora a in v en çã o da harpa e de sim ilares instrum entos de m ú sica p ossa servir antes ao d eleite e ao prazer que à n ecessid ad e. que visitou a Igreja de C alvino em Estrasburgo (1545). 1996 (R ep rin ted ). L eith. sendo publicadas 25 edições já no prim ei­ ro ano de sua edição. sendo usado por católicos. B aird. 148. (G n 4. tam bém . M u sic in The H isto ry o f The W estern C hurch. polonês. hebraico.. A Tradição R eform ada: U m a m aneira de s e r a com u n id a d e cristã. Vol. Vol.

651 P hilip S chaff. P h ilip S ch aff. »2 o u “P actu an tes” . 181. a m enos que nós ren u n ciássem os o F ilh o de D eu s. porém . 374. para a razão hum ana é estranho que o s filh os de D e u s sejam tão intensam ente a flig id o s. por o u v i-lo s tod os cantan­ do tão sinceram ente. V ltt. em um a de suas gran­ des dem onstrações de fé. p. e é certo de alcançar pela C ruz — por infâm ia e m orte.). L utero com pôs 36 hinos e várias m elodias.. pp. T he H isto ry a n d C lia ra cter o fC a lv in is m . as quais adaptou aos hinos. D e fato. E ste grupo foi du ram en te p erse­ g u ido p rin cip alm en te no período cham ado de “T em pos de T rucidam ento” (K illing T im es) (16841688). tam bém : John T. constituindo-se tam bém . Schaff resume: “A introdução do Saltério na língua vernácula foi um dos m ais im portantes feitos. co m o diríam os. nos dias de am argo sofrim ento e perseguição. C ontudo. hom ens e m ulheres. Esta ele dirige em especial a dois deles: Denis Peloquin de Blois e Louis de M arsac. que nos com prou para Si m esm o p elo p recioso preço. bu scand o aqu ela so lu ç ã o fe ­ m A p u d T. grupo de presbiterianos escoceses que lutou co n tra o estab elecim en ­ to do sistem a ep isco pal de governo na Igreja da E scó cia e a in terferência do governo em assuntos eclesiástico s. C a sa E d ito ra P resb iterian a. E le pode ser considerado o fundador da hinologia alem ã e o grande d ifu so r da m ú sica na Igreja. A certa altura. tem os resistid o firm em ente as a b om in ações do P apado.. C alvino escreve mais um a carta aos “prisio­ neiros de Lyon” que aguardavam a sua condenação por terem aderido à Reform a Protestante.196 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a T od os cantam . p.”653 Em 7 de julho de 1553. (. p. conform e fora acordado pelos P arla­ m en to s da E scó cia e Inglaterra. Cada um tem um livro de cân ticos nas m ãos. A T eologia do s R eform adores. ainda m ais. p. M ed ite. depois. diz: M eu s irm ãos (. estejam certos de que D eu s. que se m anifesta em tem p os de n e cessid a d e e ap erfeiçoa Sua força em n ossa fraqueza. e é um b e lo esp etácu lo. (. H istó ria da Ig reja C ristã . e triunfem sobre nós. naquela glória c elestia l e im orta­ lid ade para as quais n ós so m o s cham ados. não v o s deixará d esp rovidos daquilo que poderosam ente glorificará o Seu nom e.) O lhando para e sse p eq u en o grupo de e x ila d o s. e. e para os C ovenanters652 presbiterianos da Escócia. Vol. m as de alegria. respectivam ente em 1638 e 1649. . e o com eço de um longo e heróico capítulo na história do culto e da vida cristã. H isto ry o f th e C hristian C hurch. tam bém elaborou o H in á rio de W ittenberg (1529). S u sten ta a m anutenção do presbiterianism o..650 Os salm os tiveram um papel extrem am ente m arcante na form ação espiritual dos R eform ados. M cN eill. 1978 (edição revisada). enquanto o s ím p io s d ivertem -se em prazeres.. V III. H isto ry o f t h e C h ristian C luirch. igualm en te. [Ver: R o b e rt H astin g s N ich o ls..651 E le foi a fonte de conforto e força para a Igreja dos H uguenotes do Deserto. chorei. não de tristeza. 651 L iitero foi o criad o r do prim eiro hinário alem ão (1524). V d. que o s escra v o s de Satanás esm a g u em -n o s sob seu s pés. 373. G eo rg e. 217-218]. enquanto cantavam agradecendo a D eu s por tê-lo s levad o a um lugar ond e seu nom e é g lo rifica d o . S ão P a u lo . 147. tem os m e io s de confortar-nos em todas as n ossas m isérias..) E com o v o c ê sabe. O Saltério ocupa um lu g a r tão im p o rta n te n a Ig re ja R e fo rm a d a co m o os h in o s e n tre os L uteranos. Vol.

C a tv in o atendeu à solicitação e. M eu s irm ãos os saúdam m ui a fetu osa­ m ente. e as eras in terv en ien tes ja m a is p o d erão ap ag ar o q u e foi escrito no reg istro d ivino d as m em ó ria s. Leith com enta que. — S eu irm ão.” [João C a lv in o . corno com p an h eiros. o s adoradores respondiam à Palavra de D eu s e afirm avam sua con fian ça. da carta que você enviou para m eu irm ão Denis Peloquin que passou-a a um de nossos irm ãos que estavam num a cela abobadada acim a de mim. escreveu-lhes novam ente [Vd. eom ansiedad e e su ave eom p aixão. pois isso nos convida a chorar e orar. To D en is P elo q u in and L ouis de M arsactie.655 Louis de M arsac.8. “Letters. Vol.8 ). A liás o canto em meio às cham as tornou-se um testem u­ nho fervoroso da fé calvinista na França. [CD-ROM ]. [C D -R O M ]. O s tira n o s podem q u eim ar sua carn e e seus o sso s. que E le não apenas nos libertará m ediante Seu s anjos. sendo queim ados: M orreram cantando um hino. p.. Etienne G ravot de Gyen. Por m eio d eles. n° 320. n° 323].. . nem por isso d eix a m o s de lular ju n to com v o c ê s em oração.657 O cântico de sa lm o s tornou-se esse n c ia l para a piedad e calvin ista.. (SI 5 6 . ao serem levad os para a prisão ou para a fogu eira. 301. O s pro­ testantes fra n ceses. n° 320. cantavam sa lm o s com tanta v e em ê n c ia que foi proibido por lei cantar sal654 C o m en tan d o o salm o 56. apesar de não estar n este m om en to em suas co n d iç õ es. que E le os co n serv e sob S u a p roleção e lhes dê tal segurança d isso que possam estar aptos a desprezar tudo o que é deste m undo. n o ssa cabeça. John C A L V IN . percebendo que agradou a n o sso Pai c ele ste . O s sa lm o s eram as orações do p o v o na liturgia de C alvin o.C a p ít u l o 2 .” John C alvin C ollection. e assim tam bém m uitos outros.A R e fo r m a P r o t e st a n t e 197 liz que e slá prom etida para nós. Se D eus co n c e d e tal h o n ra às lág rim a s d e seus santos [lem brar-se d elas]. em Su a bon da­ de infinita. O L ivro d o s S a lm o s.” John Calvin Collection. prim o de Louis serão condenados à m orte. m as p essoalm en te enxugará as lágrim as de n o sso s o lh o s /’54 E. e. Louis de M arsac. m as seu san g u e c o n tin u a a c lam ar cm altos brados por vin g an ça. 654 In: To the P risoners o f Lyons. 501]. 2.. eu não posso expressar o grande conforto que recebi. eu lhe peço que persevere nos ajudando com sem elhante consolação. p. A Tradição R eform ada: Uma m aneira de se r a com unidade cristã. assim . responde-lhe: “Senhor e irm ão. que para a própria ruína levantam seu ódio contra o céu. L eith. tem os todo o direito de desprezar o orgulho d e sses pobres h om en s c e g o s. gratidão e leal■ dade a D e u s . P elo que eu lhe su plicarei que p ossa garantir a v o c ê s e ssa graça. O cân tico dos salm os contribuiu para m oldar o caráter e a piedad e reform a­ da e sua in flu ên eia d ificilm en te poderia ser superestim ada. unir-nos em um só corpo sob S eu F ilh o. “L etters. em 22/08/1553. na prisão. sendo incapaz de ver qualquer coisa em meu calabouço. C a lv in o assim se expressou: ". 657 John H. Então. 655 John Calvin. porque eu não pude lê-la por mim mesm o.” Jo h n C alvin C ollection. To the Prisoners of Lyons. “L ette rs. [C D -R O M ]. João C a lv in o .”656 Posteriorm ente. e leu-a para m im em voz alta. então p o d e ete c o n ta b iliz a r cada g o ta do san g u e q u e eles d erra m a ram . e M arsac.

“d izer sem pre a m esm a co isa” . 1935. (C a lv in ’s C om m entaries. H ym nology: In: Rev. S lo ll. “ r e p e lir p a la v r a s ou so n s in arlic u la d o s” . tom ou a jo v e m com o concubina. B á T tO ç : In: A L exicon A b rid g e d fro m L id d ell a n d Scott's G reek-E nglish L exico n . é necessário que tenha­ mos consciência daquilo que falamos.ao S alm o 68. B o m a X o Y é c ü . p. “um a repetição supérflua e exagerada” . N o entanto. em diversas ocasiões os protestantes foram atacados en ­ quanto prestavam culto a D eus. p. G rand R apids. p. 2000).. Vol. I. p.R .J. 3° ed. H istó ria . O nosso “am ém ” não pode se transform ar em “vãs repetições”660 desconexas. no fim de certo tem po. A T radição R eform ada: U m a m a n eira de se r a co m u n id a d e cristã . (R io . que m uitos dos salm os refletem a expressão de fé dos servos de Deus na A ntiga Aliança. 146]. 6511 C h arles W. 77). deve ser observado. W . cantamos e ouvimos. H istó ria . T he G ospel A cco rd in g to M atthew : In: W. T h eo lo g ica l cmd E c c le sia stic a l L itera tu re. Ichler. “ b a lb u c ia r ” . A B U . recebeu o nom e de B a to ” (H eródoto. “tagarelar” . Vol.B .” (H eródoto. q u e d iscorda desla ex p licação p ara o nom e do m enino. Vd. po r exem plo..T . JU E R P . M ichigan. org. que os hinos da Igreja não precisam estar lim itados ao Livro de Salm os. p arece ser o n o m a to p é ic a . a n d Luke.. entendia q u e esta expressão era p roveniente de “ B a to ” . B aird constata: “A Liturgia do protestantism o francês foi banhada com o sangue de seus m ártires. D epois de narrar algum as dessas perseguições. orando. John R. além disso. que teria feito hinos extensos.F. O salm o 68 era a M arselh esa h u g u e n o le . devemos observar contudo. 155). John M cC Iintock & Ja m e s S tro n g . O hino de L u te ro b asead o no S alm o 46 foi ch am ad o po r H. B attus. W l„ A ges S o ftw are. Vol.51t Jo h n H. 118-119. L eilh . 1976. IV. Baker.65“ N a França. “gaguejar” . Velha Versão Siríaca: “ Não digais coisas ociosas. M ark. pp. segundo os T ereus e C ireneus. 1985. org. e o casal teve. T am bém especula-se que esta ex pressão v iria po r d erivação de um p o eta m ed í­ o cre. B aird. 4. H eródoto. 1983 (R eprinted). “repelir um a fórm ula muitas vezes” [John Calvin. A M ensagem d o S erm ã o da M o n tanha. elc. A . m esm o reconhecendo o seu indiscutível valor com o Palavra inspirada de Deus. L o n d res. T yndale lraduz: “Tagareleis d em ais” . hom em de alta p o si­ ção. “falar fu lilm en te”. 130]. 1. aquele que selou a N ova A liança com o seu próprio sangue. 155. C yclo p ed ia o f B ib lica l. o rgs. F oi o p ró p rio C a lv in o quem adaptou a m elo d ia de um dos co rais d e M a lh ias G re ite r o rg a n ista de E strasb u rg o . p erso n agem descrilo por H eródoto: “C hegando a T e ra s. B rag a. 299. conform e nos é ensinado nas Escrituras. P o lin eto . 313]. p. Culto como Profissão de Fé Todas as partes do culto devem ser a expressão daquilo que crem os. portanto.W . O fato é qu e n inguém consegue . diz q u e “batus significa rei na língua dos L íb io s. Vol. p. antes.”659 Quanto aos cânticos. deve ser t. R io de Ja n eiro . um filho que g ag u eja­ va e sibilava. p. cheios de repetições [Vd. São P aulo. M attew . E erdm ans. X V I). R oberlson N icoll. lendo a Palavra e cantando salmos. C o n trib u ição d a R e fo rm a ao D e se n v o lv im e n to M usical: In: B ill H. IV. (Cf.198 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a m os e aq u eles que persistiam tinham sua língua cortada. M ichigan. C larendon P ress. C om m entary on a H arm ony o f the E vangelists. A ex p ressão usada por C risto em M t 6.7. Knox: “ U seis m uitas frases” . s ig n if ic a n d o “ f a la r sem s e n tid o ” . E ssa criança. G ran d R apids. A M ú sica Sacra e Sua H istó ria . 65. H en riq u eta R . “ falar sem p en sar” .” [Cf. 128b). que ainda não se plenificara em C risto. E rasm o (1466-1536). The E xpositor's G reek Testam ent. [C D R O M ]. E le é de d eriv ação incerta. A L iturgia R eform ada: E nsaio h istórico. H ein e (1 7 9 7 -1 8 5 6 ) de “ M a rselh esa da R e fo rm a.” O verbo B c M ra A c r/é ü ) é constiluído de ( B á v t o ç = “ gago” & X o y é M = “falar” ). 1981. B ruce. que só oco rre aqui.

todas as coisas ex p ressas na língua do povo. A. P hilip S chaff. à qual de um som não com pre­ endido nenhum fruto absolutam ente advém . L eith. P ai N osso: A O ra çã o d o S enhor. falando sobre a leitura dos livros da Bíblia no culto. que possa ser generalizadam ente entendida por toda a assem bléia. exorta: “C alem -se. na verdade. (1 C o 14. na m elhor tradução perm itida. C alvino. distin­ tam ente. tendo em v ista o en sin am en to bíblico. “nem trabalho em pedra. 662 J. 209. G rand R apids. p. 111. Vol. p. K ittel & G. 661 C alvino com enta: “ ..) N ão im porta qu ão refin ad a u m a lín g u a venha ser. p. B o m aX o Y É co . 1981. nem boa construção. dizendo: “Disto tam ­ bém fica claro que as orações públicas devem ser form uladas não em grego entre os latinos. p. p. com preendida por todas as p essoas presentes. B cm o X o Y èco : ln: Jam es H ope M oulton & G eorge M u llig an . p. S ão P aulo. H isto ry o f lhe C hristian Cluirch. G rand R apids. E xposição de 1 C oríntios.P. D este m odo. “ ■* John H. prescreve: “serão lidos publicam ente na língua do povo. ou seja. The Vocabulary q fth e G reek N ew Testam ent. C alv in o . um a vez que. p. paca que todos possam ouvir e entender” (O D iretório de Culto de W estminster. D elling.OY£Cü: ln: W alter Bauer. E erd m an s..” O D iretório de C ulto de W estminster (1645).33. com o até aqui a cada passo se tem feito.20. 597. 1. dirigir o culto de form a não com ­ preensível aos participantes é um ato de desrespeito para com os adoradores. 303. é um a atitude de barbárie. Pois onde é recom endada a b o n d a­ d e d e D eus e rev elad a aos hom ens. In: H orst B alz & G erhard S chneidcr. E erdm ans. 107. orgs. B aiz. todas as línguas estranhas nas reuniões de culto. M ichigan. P a ra m aiores detalhes. 5“ ed. 137]. nem em latim entre os franceses ou ingleses. B o m c A o Y é c ü . M ichigan. Vd.”662 Leith com enta: C a lv in o abandonou m uitos recursos litú rgicos que não atendiam su fic ie n te ­ m ente a adoradores d iscip lin ad os e com prom etidos. nos capítulos X X II e X X III. M ichigan. a língua co n h ecid a do p o v o . 29). E xegetical D ictio n a ry o f N e w Testam ent. deve ser inteligível (IC o 14.. e sejam . 1958. A Segunda C onfissão H elvética ( 156 2-1566). p. m as na fala popular. G rand R apids. e alm as são enco rajad as para que possam d ep en d er dc D eus e . I. vejam -se: G. pois. 1982 (rep rin ted ). m as a P alavra de D eus e a sã pregação. 1999. F riedrich. im porta isso se faça para edificação de toda a Igreja. m esm o assim um a pessoa será d escrita com o ‘b á rb ara’ se nin g u ém a p o d e en ten der!” [J. T he C h icag o P ress. Vol. 415]. H erm istcn M. ln: G. 371. C osta.9-11). L utero (1483-1546) en fatizo u que. Ba'tTOC^. [Para m aiores detalhes. H. orgs. É fo ra de pro p ó sito e um absurdo q u e alguém fale num a assem ­ bléia da Ig reja sem que os ouvintes entendam sequer um a p alavra do qu e ele diz. C hicago.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 199 fruto da fé e da com preensão do que foi falado e cantado. V II]. 19ss. (R eprinted).11). p. O culto calvin ista e x ig ia um a co n g reg a çã o d iscip lin ad a que su stentasse o d iá lo g o da fé com o m ín i­ m o de ap oio exterior. A G reek-E nglish L exicon o fth e N ew Testam ent. (. o culto deve ser com preensível aos participantes a fim de que todos possam fazer ressoar em seus lábios a oração de seus corações: Am ém ! O apóstolo Paulo enfatiza que o culto deve ser prestado no idiom a dos participantes. “C erto é q u e se p erm ite a quem q u er que seja orar em particular em q ualquer língua que en ten d a. Vol. 1978-1980. T heological D ictionary o f the N e w Testam ent. Vd.663 p recisar a o rig em da palavra..661 C alvino (1509-1564) resum iu e aplicou isto.í Instituías.C a p It u l o 2 . m as as o raçõ es públicas nas reuniões do culto devem ser feitas em vernáculo. nem p rata tornam um a igre ja fo rm o sa e santa. nem ouro. E erdm ans. A Tradição R eform ada: U m a m aneira de se r a com unidade cristã.

À luz disto e le con clu i que p recisava ser guiado por outro princípio. S erm on IV. sua fascinação estética. diz: D e u s não requer m eras cerim ôn ias daq ueles que o servem . Interpretando o pensam ento de Davi. II.” (T y m o lh y G e o rg e . 78). p. 317). Vol. S P .29-30).” [Jaroslav P elik an . Vd. O em in en te teólogo puritano John O w en (1616-1683) disse em um serm ão: “Q uão pouco p en sam os h o m en s sobre D eus e seus cam inhos.”666 M ais à frente continua: “Os que desejam colocar a dram atização. 28.200 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a A visão de C alvino é bastante clara a respeito do culto agradável a Deus. ch am ar pelo S en h o r em tem pos de perigo. além de uma mera atenção a essas coisas. 2. inclusive na form a de adorá-lo. 117-118. enfatizando corretam ente com o fazem os a centralidade das Escrituras em todas as coisas. No culto somos aperfeiçoados. so a no m ín im o e stra n h o que. João C alvino. (G n 13. a m úsica e outros m eios mais sutis no lu­ gar da pregação deveriam levar em conta o seguinte: Deus. p. . sendo a P alavra de D eus a norm a de nosso pensar.4). o que ele deseja de nós é obediência aos seus pre­ ceitos. até m esm o. pp. A s Institutos. 332]. In: The W orks o f John O w en. no altar. P en n sy lv an ia. o cu lto d ev e se rv ir p a ra o lo u v o r do D eus v iv o . C a rla ao Rei F ran cisco 1. 664 Jo ão C alvino. na qu eim a de in cen so. A queles que trocam a Palavra por entreteni­ m ento ou artifícios descobrirão que não possuem um m eio eficaz de alcançar as pessoas com a verdade de C risto. A herança lilúrgiea da R eform a nos recorda a co nvicção de que. acim a de tu d o . C oncordia P ublishing H ouse. aí está v erdad eiram ente um a santa igreja. Fom os separa­ dos por Deus para prestar-lhe culto e. seu ren d im en to eco n ô m ico. sentir e atuar. 225.”665John Mac Arthur acentua com a sua costum eira veem ência: “ . Deus não se fascina com nada disso.“ 4 D esse m odo. p.. 1982. com a fé e san tid ade da vida. L u th er's Works. “ 5 “O cu lto cristão contem porâneo é m otivado e ju lg ad o po r padrões d iversos: seu valor de en treten im en to . Com Vergonha do E vangelho. na ilu m in ação. m as que se sa tis­ faz u n icam ente com a sinceridad e do coração. São Jo sé dos C am pos. org. E D eu s não tem prazer algum m eram ente no santuário v isív e l. nos aparelhos c a ­ ros e nas ab lu ções externas.. (SI 4 0. Vol. seu suposto apelo evangélico. P o rta n to . O L ivro d o s Salm os.. T h e B anner o f T ruth T rust. a pom pa artificial de um a cerim ônia religiosa serve apenas para nos enganar. S aint L ouis. conform e a perspectiva de Calvino. intencionalmente. se im aginarem que um pouco de tinta c de verniz fazem um a b eleza aceitáv el!” (John O w en. para que pudesse dedicar-se totalm ente a D e u s. através do culto a nossa santidade se aperfeiçoa. p a ra nós C a lv in ista s. Vol. 1960. na m orte de anim ais. p. A T eologia d o s R efo rm a d o res. p. sendo transform ados cada vez m ais na im agem de Cristo. C arlisle. que é o nosso m odelo e m eta (Rm 8.6). M acA rthur Jr. IX. 1997. talvez. Fiel. 666 John F. O culto cristão é oferecido por santos em santificação. Não ousem os m enosprezar o principal instrum ento de evangelism o: a proclam ação direta e cristocêntrica da genuína Palavra de Deus. estejam os com dem asiada freqüência avaliando o nosso culto pelo grau de entretenimento e prazer concedidos ao “adorador. e observar outra regra no culto d ivin o.

p. as quais e le com toda razão abom ina. C om V ergonha do E vangelho. O term o grego traduzido por ‘loucura’ [1 Co 1.. Perg. é preciso que estejam os vigilantes para que não cam inhem os em direção oposta à satisfação de Deus. C onfissão de F é C om en ta d a p o r A . V d. 28ss. literalm ente. Q uem assim proce­ de. qualquer direito.. m as tam bém toda form a d e cu lto p róprio.1ter. C ap. O P rin cípio R eg u la d o r do Culto. com entando a expressão. O m odo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele m esm o e tão lim itado pela sua vontade revelada. 130. v isto que p õe a ob ed iên cia acim a de qualquer s a c r ifíc io .. Deus se tornou um m ero instrum ento para a expressão de nossa vontade. ao seu agrado. quando n os fala por boca do 667 Jo h n F. C alvino diz: “Só quando seguim os o que D eus nos ordenou é que v erd ad eiram en te o adoram os e rendem os obediência à sua P alavra. que não deve ser adorado segundo im aginações e invenções dos hom ens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer outra m aneira não prescrita na Santa Escritura.670 O ser hum ano d eleita-se c o m suas próprias in v e n ç õ es e (c o m o diz o a p ó sto ­ lo alhures) com suas vãs e x ib iç õ e s de sabedoria. p ratiq u em o s o nosso próprio. A C on­ fissã o de W estm inster ( 1647) capta bem isso ao dizer: “ .”667 Segundo nos parece. m as aprendem os o que o Juiz c elestia l declara em o p o siç ã o a tudo isso . já recebeu a sua recom pensa: a satisfação m om entânea do seu desejo pecam inoso. co m entando o C apítulo X X I.1tmin. não só todo o ensin o hum ano em term os de doutrinas e de m andam entos. 6711C o m en tad o R m 5. com base nos gostos. “Culto racional” (Rm 12.” (A rchibald A. H odge.669 aqui há um a in­ versão total de valores: em nom e de Deus buscam os satisfazer os nossos caprichos e desejos. adoram os na realidade a nossa própria vontade e gosto. é isso o que im porta.A . PE S . é um a o fensa e um p ecado co n tra ele qu e negligenciem os seu m étodo ou. 198]. im be­ cil aos olhos da sabedoria hum ana. pois deste modo. Packer. (1998). 96. J. Mas é a única estratégia de Deus para proclam ar a m ensagem . O C onhecim ento de D eus. São P aulo. 369). diz: “P o r isso. E xp o siçã o de R o m a n o s. p. p. são abom ináveis para D eus.” (XXI. São P aulo. descontraídos e leves. 1980. 1 da C onfissão de W estm inster. (R m 5. C alvino. tam bém : C atecism o M a io r de We. p.. de atos c form as dc culto estabelecidos pelo hom em . em nenhum a circunstância.” [J. Vd. na m oda [fashion] ou co n v en iên cia. H odge. P au lo A n g lad a. Q uando os hom ens se perm item cu ltu ar a D eus . Se D eu s só é corretam ente adorado à m edida que regu lam os n o ssa s ações p elo prism a de seu s m andam entos. X X I. Perg. diz: .. H odge. d e ir além da clara autoridade da E scritu ra. Em outro lugar: “ . 37. n ecessariam en te segue-se: visto que D eus prescreveu o m odo com o devem os aceitavelm ente adorálo e servi-lo. de onde o idiom a inglês tira a sua palavra moronic (im becil).1).19. (.19). em p re fe ­ rên cia. Calvino. O instrum ento que Deus utiliza para realizar a salvação é..) C om o dem onstram os anteriorm ente à luz da E scritura. p.21 ] é m õria.668 A dorar a Deus de m odo não prescrito em Sua Palavra é um ato idólatra. M a eA rth u r Jr.l. 109 e C atecism o de H eidelberg. E ditora O s P uritanos.C a p It u l o 2 .. M undo C ristão. 1999.. então de nada nos valerão todas as d e ­ m ais form as de cu lto que porventura engendrarm os. a lógica dessa atitude é a seguinte: desde que estejam os satisfeitos... I).. (. São P aulo.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 201 escolheu um a m ensagem e um a m etodologia que a sabedoria deste m undo considera com o loucura.) N ão tem os..

ao enfatizar a norm a que estabelecer.4 0 ]. e daqui su ced e que toda a vida é d irecionada para ele com o seu suprem o alvo.os 66 livros C anônicos .) O serviço do S enhor não só im plica um a autêntica obediência. adoração da p ró p ria natureza. ainda que sejam A póstolos.” [John C alvin.671 Em outro lugar: São falsas e espúrias todas as form as de culto que o s h om en s perm item a si m e sm o s inventar m o v id o s por sua ingenu id ade. E xposição de H ebreus. senão tam bém a vontade de pôr aparte seus desejos pecam inosos e subm eter-se com pletam ente à direção do E spírito S anto. A s Instituías. m Jo ão C alvino. P ara C alvino. porque eles próprios im põem as leis ou norm as que observam . não obstante não são hum ildes diante de D eus. M ich ig an . se porventura não o bservarem o m odo co rreto .. E assim .5). C alvino.” (John Calvin. 1: “ Só honram legitim am ente a Lei os que não aceitam nada qu e se op o n h a ao .672 co n fo rm e suas pró p rias fantasias. (H b 8. e que tudo o que o h o m em está obrigado a crer para ser salvo se ensina suficientem ente nela. B aker B o o k H ouse. D o m esm o m odo. Q uando D eu s esta b e lec e que tudo d e v e ser feito em co n so n â n cia com sua norm a.” [João C alvino. já que toda form a d e culto que D eus exige de nós ali está extensam ente descrita. que “A história das religiões d em o n stra que qu an d o o p ró p rio h o m em se arroga o direito de conceber form as de adoração a D eus. culto a dem ônios e a espíritos im undos. bem co m o aquelas c o isa s a que cham am sacram entos. com en tan d o D eu tero n ô m io 4 . G rand R apids.) Sua doutrina é perfeitíssim a e com pleta em todas suas form as. que esta S agrada E scritura contém de um m odo com pleto a vontade de D eus.31). 15]. luxúria.” (A rt. o b serva com pertinência. m as tam bém perniciosas. pp. e não observam os Seus m andam entos. C om m entaries on the P rophet Jerem iah. realiza­ d os seg u n d o o ap etite dos hom ens. seguir-se-á in ev itav el­ m en te q u e serem o s conduzidos a reverenciá-lo e a tem ê-lo. P rostitutas cultuais. íV. pp. sacrifícios hum anos. 414]. ensinar de outra m aneira que com o agora se nos ensina pela S agrada E scritura. A C onfis­ sã o B elga (1561). E xp o siçã o de H ebreus. co m o sen d o m ero e sfo rço in sen sato. (R m 12. A nglada. e q u e todas as religiões q u e não contêm o genuíno conhecim ento de D eus são não só fúteis. G olden B ooklet o f lhe True Christian Life. Se um g enuíno conhecim ento de D eus habita os nossos corações. 424-425. após dizer o que entende por E scritura . É desse fator qu e nasce o desejo de servi-lo. são alguns ex em p lo s.acrescenta: “C rem os. in síp id o e in c o n se q ü e n te . visto que todas aquelas que não sabem d istinguir D eus dos ídolos estão sen d o im p ed id as de se aproxim arem dele. 305-306].” (P aulo A nglada. N ão é possível ter genuíno co n h eci­ m en to d e D eu s ex ceto pelo prism a de sua m ajestade. 7). todas as form as de cu lto produzidas p elo s hom ens caem por terra. nem a ser governado po r sua própria razão. a racionalidade legítim a consistia em subm eter o nosso intelecto a Deus: “Q uanto tem avançado aquele hom em que tem aprendido a não pertencer-se a si m esm o. (Jr 7. ( C a lv in ’s C om m entaries. em bora os que O adoram dessa form a m ostrem um a certa espécie de hum ildade ao se sujeitarem às leis ou norm as dos hom ens para L he prestarem honra. “É e v id e n te . senão que subm ete a sua m ente a D eus! (. Vol. m as que são contrárias ao m andam ento de D eu s. A o denom inar o culto que D e u s ordena de ra c io n a l. os m aiores absurdos p o d em acontecer. assim não é perm itido aos hom ens. N ão pode haver religião algum a onde não rein e a v erdade. 1996 (reprinted). não nos é perm itido fazer qualquer co isa d ife ­ rente: O lh a qu e f a ç a s tu do se g u n d o o m o d elo . 7-8). ‘’1l J. perv ertem a verdadeira relig iã o . D eu s nos proíbe afastar-nos dela. que os hom ens cultuarão a D eus inutilm ente..” [João Calvino. 208. auto-flagelação. (. E xposição de R om anos.6). Por essa razão.1). e con tu d o não têm sua origem em D e u s. e: Vê qu e n ã o f a ç a s n a d a a lém cio m o d e lo [Ex 2 5 . “ P ara o S enhor os cultos m al o rien tad o s. p.. 21). Pois. P o rq u e. à lu z d esse fato . pp. e le repudia tudo quanto contrarie as norm as de su a Palavra. (1541). O P rin cíp io R eg u la d o r do Culto. (H b 11.202 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a a p óstolo. p. são um a verdadeira abom inação para E le. IX ). p. m esm o que seja um m ínim o..

29.5. O C ristão e a C ultura. IV. p. (SI 50.” (João C alv in o . co n d en an d o ab ertam en te tudo aq u ilo q u e a in g e­ n u id ad e h u m an a p o ssa in v en tar para o c u lto a D e u s . ainda que nem sem pre engendre farto am ontoad o de erros. 10. H orton.. P ortanto . 1998. 197-198].ao in v en tarm o s p erv erso s m o d o s de c u lto . tem q u e ser c u id ad o sam en te o b ed ecid o . m as d ep en d am o s in teira m e n te da S u a so b eran ia.1 ). a seu irresp o n sáv e l ca p ri­ cho n o v as leis [D t 12. . p. E um a vez q u e ten h am o s nos ap artad o da reta vereda. C a lv in o . e não os de fora da igreja. A p rim e ira tende g ran d em en te a e s ta b e le c e r a S ua au to rid ad e de m odo q u e não sig a m o s nosso pró p rio arbítrio. a m ãe do erro. I I /] . (A lbany. C a lv in o . é. “P o rta n to .. A s In stitu ía s. d e p ro n to . [C D -R O M ].A R eform a P rotestante 203 O culto a Deus é caracterizado pela subm issão às Escrituras: “É de­ ver de todo crente apresentar seu corpo com o sacrifício vivo. pp.” (M ichael S. esse estatu to . u m a vez que. “T h e N ece ssity o f R efo rm in g the C h u rch . de se g u ir-se na ad o ração de D eu s.é m erecid am en te qu e o S en h o r im põe com rig o r aquilo que E le q u er q u e façam os e re jeita.6 ]. santo e agradável a D eus. em segundo lugar./«/»! C alvin C ollection. não obstante. e. até que estejam o s so te rra d o s sob um a m u ltid ão de su p e rstiçõ es. ou o co n sen so da an tig ü id ad e. 1998).17). resta q u e o pró p rio D eu s dê do céu teste m u n h o de S i. V eríam os. São P aulo. 1. C o m m en ía ries on lhe F o u r L a s í B o o k s o fM o s e s . d eix an d o de lad o todas as m ásc a ra s e d isfarces. 1. que nos dá o m odelo de cu lto .C apítulo 2 .23). A Verdadeira Vida C ristã. p. N isto consiste a verdadeira adoração. O Livro d o s Salm os. p. p ara que não nos seja p e rm itid o . O L ivra d o s S alm os. H orton está co rreto ao dizer: “É D eus. O R : A g es S o ftw a re. o tipo de ig reja q u e C risto qu eria p ara q u e p u d éssem o s nos m o ld ar e aju star ao pad rão dela. facilm en te q u e não é ig reja a q u e.5.13. se o E sp ír ito S a n to r ep u d ie c o m o d e g e n e re sc ên cia s a todos o s cu ltos in ven tad os pelo arbítrio dos h om ens. p ois que em se tratando d os m istérios c e le ste s. ao c o n d e ­ n ar e p ro ib ir todo c u lto fictício . 82).13). p. n im iam en te frac o e frágil v ín cu lo da p ie d a d e seja ou a p ra x e da cidade. alen tássem o s verd ad eiram en te p ara aq u ilo que d e v e ria ser a n o ssa p rim e i­ ra p reo cu p ação e q u e é de g ran d e im p o rtân c ia p ara nós.675 D e u s só aceita a aproxim ação daq u eles que o buscam com sin cero coração e de m aneira correta. Pv 3 0 . É um a p assag em n o táv el. nada de su rp re e n d e n te .para fazer v aler o S eu d ire ito de d o m í­ nio ab so lu to . (D t 4 .5). 675 Jo ão C alv in o. “ . se p reten d em o s te r a S ua ap ro v ação à nossa ad oração. E ditora C ultura C ristã. a o p in ião hu m anam ente c o n ­ cebida. ao serm o s d eix ad o s livres. É tam bém co m ju s tiç a q u e d e fin e ex p ressam en te q u ais sejam os nossos lim ites. 345]. diz: seu se n tid o n atu ral. Vol.p ro v o car a S u a ira co n tra n ó s. m Jo ão C alv in o. 2.” (J. 674 J. 403. a nossa inse n satez é tanta q u e.674 O culto que não tem um a distin ta referência à Palavra outra c o isa não é senão um a corrupção das c o isa s sacras.32. ex ig e q u e o b ed eça m o s ap en as à S ua voz. S u p o n h a -se que. Vol. form ula.” [John C alv in . u ltra p assan d o os lim ites da P alav ra de D eu s. (SI 50.”673 C alvino (1509-1564) nos adverte quanto à tentativa de adorar a Deus conform e o “senso com um ” : P e lo q u e.” . todos os m eios h u m an o s em desaco rd o com Seu m andam ento. tudo de que so m o s cap azes de fazer é d esv iarm o -n o s. en tão .676 C om entando o segundo M andam ento. com o indica as Escrituras. H á um a d u p la razão p ela qual o S enhor. A s In stitu ía s. isso é. não terá fim a nossa p ereg rin a ção .” [John C alv in . q u e E le em todo lugar reitera com o m aior rig o r. 420. 2. A s In stitu to s. Vol. m Jo ão C alv ino.

677 Segundo Calvino. is to c . (SI 1. e.5. e o so­ berano Deus. p. D o m esm o m odo. 108-110. Grand Rapids. (SI 50. contum ácia e transgressão. 21. e m s ín te s e . Michigan. C alvino co m en ta n d o o tex to de D euteronôm io diz: “N esta pequena cláusula Ele ensina que não há outro serviço considerado lícito por Deus a não ser aquele que Ele deu Sua apro­ vação na Sua Palavra. A s In stitu to s. Vol. A s In stitu ía s.17.2). II). não percebendo o salto qualitativo entre nós. im aginam que algum a atenção para as cerim ônias constitui a sum a de seu dever. B reve C atecism o. m edindo D eus segundo a própria m edida deles. . O L ivro dos Salm os. P e lo q u e . E . pecadores que som os. senão que o padrão de pieda­ de deve ser tom ado da Palavra de D eus. 678 Jo ão C alvino. Commentaries o f the F our L ast B o o h o f M oses. 53. 679 John Calvin.”679 Em outro lugar insiste na necessidade de sermos obedientes a Deus se quiserm os apresen­ tar-lhe um culto agradável: “Deus só é corretam ente servido quando sua lei for obedecida. p. Deus requer de nós unicam ente isto: o que Ele preceitua. nada lhe acrescentarás nem dim inuirás” (Dt 12. Vol. c m r a z ã o d c s u a c r a s s it u d e . o fim d e s te m a n d a m e n t o é q u e D e u s n ã o q u e r q u e S e u le g ítim o c u l t o s e ja p r o f a n a d o m e d ia n te r ito s s u p e r s t i c io s o s .32). II. Este é o princípio que deve governar todo o nosso relacionam ento com Deus: a obediência. o b ed iên c ia não é. obser­ varás. p. a d e m a i s . c o s t u m a i n v e n ta r q u a n d o c o n c e b e a D e u s . o q u e é m a is g r o s s e ir o d e f e ito n e s ta tr a n s g r e s s ã o : a i d o la t r i a e x te r i o r . C alv in o . A s s in a la . 1996 (Reprinted). A s Institutos.8 .”678 Antes do povo de Israel entrar na Terra Prom etida. C o n fissã o de W estm inster. do seu gosto e preferências. 453. em nosso curso de ação.32). II. O conhecim ento de Deus é um a experiência de amor. I . o Senhor da Glória. '* Jo ão C alvino. C a tecism o M a io r. E le n o s r e c a m b i a e a f a s ta to ta l m e n te d a s i n s ig n i f i c a n t e s o b s e r v â n c ia s m a t e ­ r ia is q u e n o s s a m e n te b r o n c a . é com o se Ele tivesse dito que todos os m odos de devoção são absurdos e infetados com superstição. Vol. n o s in s tr u i a S e u le g ítim o c u lto .1 -2). 4 9 -5 2 . (C alvin’s C om m entaries. “Os hom ens se dispõem naturalm ente a exibição exterior da religião. d a í. Deus o exorta estabelecendo um princípio positivo que deveria seguir: “Tudo o que eu te ordeno. C onfissão B elg a . 681 Jo ão C alvino. Deus o adverte para que não im item o m odelo pagão. Pergs.”680 “Portanto. o problem a está no padrão que o hom em estabele­ ce para Deus: ele o analisa partindo de si mesm o. 398. Baker Book House. e que a obediência é a m ãe da piedade. (Dt 12.8. 7. Se inten­ tam os algo co n tra o Seu p receito . quando não são dirigidos por esta regra. Então. Vol.17. ver tam bém : J. 1.204 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a P o r t a n to . 2. que se revela em nossa o b ed iên c ia aos S eus m an d am en to s. p elo co n trário . a o c u l t o e s p i r i tu a l e e s ta b e le c i d o p o r S i P r ó p r io . P ergs.1 6 . deve-se-nos ter em m ira esta vontade de Deus que E le declara em Sua Palavra. O Livro d o s Salm os.1. 1. Não se deixa a cada um a liberdade de codificar um sistem a de religião ao sabor de sua própria inclinação.”681 677 Jo ão C a lv in o .

«** M arc Venard. p. N um docum ento recente publicado pela Igreja Presbiteriana O rto­ d o xa . A reform a protestante. C alvino.C a p ít u l o 2 . . A Igreja da R enascença e da R eform a: I. In: G iu se p p e A lberigo org. D o u g la s /’87 N a França e nos P aíses B a ix o s. m’ D an iel-R o ps.I 9 8 I .r Instituías. com e n sin o sobre tod os o s asp eetos da verdade.. D .” [João C alv in o . S ão P aulo.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 205 Em síntese: “Todas as form as de culto são defectivas e profanas. a cham ada “flexibilidade litúrgica” nada m ais é do que um a “flexibilidade teológica” que envolverá sem pre um a “teologia” de rem endos. S tanford R eid. então. E xp o siçã o cie H ebreus. arg. (H b 9 . p. (SI 6. quem sabe.S4 “O cu lto reflete a teologia eclesiológica c deve m arcar a fronteira entre o m undano co n cu p iscen te e o sag rado esp iritu alizad o . 290.f. 8a. J. tradução de S onedi H.5).683 o nosso responder revela a nossa teologia. M . M a rtvn LioydJo n es: C artas I 9 1 9 . D ou g las.M .8S Anotações Finais sobre o Calvinismo . 685 A Ig reja P resbiteriana O rtodoxa e o C ulto. p. 1. p. em cuja p resen ­ ça e le s entram . 73.”682 O culto reflete a nossa m aneira de perceber a Palavra de D eus. A te o lo g ia im própria ou errônea produz falsa adoração. 683 Vd. Á. Vol. (. lemos: O cu lto. 1291. E vangelista. o c a lv in ism o im p ô s-se eo m o o herdeiro do e v a n g e lism o . C a lvino e S ua In flu ên cia no M undo O cidental. O Livro dos Salm os.. a m enos que Cristo as purifique pela aspersão de seu sangue. É ev id en te que o c a lv in ism o é um sistem a perfeito. p.. In: D.16. H istó ria d o s C o n cílio s E cum ênicos. ele nada requer em troca senão um a g rata lem brança de seus b en efício s. no decorrer d os sé c u lo s.D a n ie l-R o p s. 238. 421. A verdadeira te o lo ­ g ia produz um cu lto verdadeiro e aceitável.D. II.689 682 Jo ão C a lv in o . “D ep o is de D eus nos co n ced er gratuitam ente todas as coisas. em acordo. 339. P E S . apesar das p erseg u içõ es cada v e z m ais rig o ­ rosas. L lo y d-Jones cm carta à sua esposa. p. e quem o s tirou de um estado de pecad o e m iséria.J. . m oldaram com as suas m ãos o d estin o do m undo. C ulto ( O púsculo //). L lo y d -J o n e s/’86 O C a lv in ism o d eixou um a marca profunda m esm o naq ueles que eontra ele se revoltaram .M are V e n a r d /88 C alvino pertence incontestavelm ente ao p eq u en íssim o grupo d e m estres que. . não é algo fe ito su p erficialm en te ou sem séria eon sid eração.1 8 ).D . .8. com a cultura que nos circunda. p. distante da plenitude da revelação bíblica.684 é im possível um a genuína teologia bí­ blica divorciada de um a adoração bíblica. N o culto o s crentes professam e honram o caráter de D e u s. p. 687 J. visto que no culto respondem os com fé em adoração e gratidão a D eus. 251. O culto sem pre reflete a co n cep çã o que as p esso a s têm de D eu s. 686 D . A C ontribuição do C alvinism o na E scócia: In: W. O eulto não é um a qu estão de gosto: é um a declara­ ção de c o n v icç ã o te o ló g ic a .” [O nezio F igueiredo. O C oncílio L ateranense V e o T ridentino. datada de 16/09/1939. 1996.

691 E Deus nos fala objetivando a nossa edificação.D .4. E xposição de H ebreus.. A C on trib u ição d o C alvinism o na E scócia: In: W. A s Instituías.690 pelo contrário. Vol. a fim de se r afastad o ao m áx im o de toda e q u alq u er o ste n ta ç ã o . C alv in o.3. III. ml V d. é através dela que Deus nos fala. 183]. C alvino.”693 Proceder assim é “douta ignorância.21.21. C alv in o. H.”695 O C alvinism o. tam bém . V d. C alv in o. 654 J.m Jo ão C alvino. é sobretudo. D ouglas. C alv in o. Vol. Abraham K uyper (1837-1920). p.2.9. (H b 7.696 O C ristianism o .25. <m D o m esm o m odo. com sua ênfase na centralidade das Escrituras. 1. R ich ard N iebuhr. à cela ou à igreja.14. C risto e C ultura.14. p.25. m as. C om o salm ista. C alvino e Sua Influência no M u n d o O cidental. P az e T erra. Portanto. Onde o Senhor fecha seus próprios lábios. <ws J. que redundará necessaria­ m e n te n u m a m u d a n ç a n o s c â n o n e s d e c o m p o rta m e n to . é freqüente a sua preocupação com a sim plicidade e. Stanfovd R eid. X III. (R m 9.3. Ser R eform ado não é apenas um status nom inal vazio de sentido. “É estulto e tem erário de cousas desconhecidas m ais profundam ente indagar do que Deus nos perm ita sa­ ber. .14).« Institutos. IV .I7.11. 111. D. que nós igualm ente impeçam os nossas m entes de avançar sequer um passo a m ais.36 J.não é um a for­ m a de acom odação na cultura. e le in v o ca o céu e a terra. p. interpretar e atuar na história.3.R 206 a íz e s d a T e o l o g ia C on tem porân ea C alvino de modo especial era um intelectual. 177-178. A s Instituías. C a lv in s C o m tn en ta ries. A. era um a filo so fia co m p reen siv a que abrangia toda a vida. III.5. através de especulações pecam inosas.21. 4 8 ). 1. in v o ca todas as p esso a s e n a çõ es a dar glória a D eu s. 1967.” (João C a lv in o . é m ais do que um sistem a teológico. D e u s está presente em toda vida com a in flu ên cia de seu poder onip resente e T od o-P od eroso e nenhum a esfera da vid a hum ana é c on ceb id a na qual a mo “p o rta n to .”694 Isto porque..6. p. não tenho só ob serv ad o do co m eço ao fim um estilo sim p les de ensinar. m J. p. com o já vim os. . C alvino insistia: “Que esta seja a nossa regra sacra: não procurar saber nada m ais senão o que a E scritura nos ensina. org. p.23. III. E xposição de R om anos. 1.692 Portanto.8. um a m aneira teocêntrica de ver. antes de formação e de transform ação através de um a m udança de perspectiva da realidade.” (J.conform e entende o C alvinista697 . em não tentar ultrapassar o revela­ do. A Palavra é a “E scola do Espírito” . J. X V III-X IX . John C alv in . O L ivro d o s S a lm o s. III. III. 223ss. a nossa fé tem com pro­ m issos existenciais inevitáveis. 330. todavia não usava do púlpito ou de seus escritos para ostentar isso. A t In stitu ía s.8. a lte ra n d o sensivelm ente as suas agendas e praxes. 1. interpretando o pensam ento refor­ m ado. D ouglas: “ O C alvinism o era m ais do que um credo. diz J.23. antes reflete a nossa fé em atos de form ação e transform ação. 290). tam bém : A s Institutos. I II .3. [V d. diz: C alvin o abom ina a religião lim itada ao gab in ete. S ão P aulo.8).

62-63. Q uenlin Skinner. C o m p an h ia das L etras. C alvino e S u a Influ ên cia n o M u n d o O cidental. G rand R apids. Schaff com enta que “O senso da soberania de Deus fortaleceu os seus seguidores contra a tira­ nia de senhores tem porais.d. 1990. no qual vive e atua para a glória de Deus. um coração prazerosam ente subm isso a Deus e um com prom e­ tim ento existencial no mundo.702 a literatura703 e outros diversos setores da cultu­ ra. e que tod o la b o r a seja im pregn a­ d o com sua o r a em ferven te e contínua oração.. A red ação de nossos sábios editos. m as principalm ente através de seus ideais que fizeram com que hom ens fiéis m orressem pelo testem unho de sua fé. (O s P ensadores. “Os protestantes franceses. interpretar e atuar na realidade. “O E stado [segundo C alvino] não é. haverá sem pre. cantavam salm os com tanta vee­ MS A b rah am K uyper.C a p ít u l o 2 . e os fez os cam peões e prom otores de liberdade civil e política na França. A bril C ultural. num esforço constante de atender ao cham ado de Deus a viver dignam ente o Evangelho no mundo.698 Todavia.J. 344 -3 4 6 . 64]. d a qual participou ativam ente. A Tradição R eform ada: U m a m aneira de se r a com u n id a d e cristã. pp. m as um in stru m en to d a p ro v id ên cia divina” (A ndré Biéler. A T radição R eform ada: U m a m aneira de se r a co m u n id a d e cristã. Vd. ja m a is a m em ória desse gran d e hom em d eix ará de se r ab en ço a d a. p a ssim . Isso tudo. John H. M ichigan. H . pp. (s. ao serem levados para a prisão ou para a fogueira. C alvinism o. p. honra-o tanto quanto sua Instituição. pp.”705 No entanto. A F orça O culta dos P rotestantes. fortalecendo. um m al necessário. no C ontrato Social. H istory o f th e C hristian C hurch. A ndré B iéler. p. passim . C alvinism o. m esm o com toda essa influência.699 a política. X X IV ). org. o calvinism o não m ol­ dou a cultura ocidental som ente através das idéias. C a sa E d ito ra P resb iteriana. L eith. confor­ m e a necessidade.H . A Tradição R efo rm a ­ da: U m a m a n eira de se r a com unidade cristã.11. para que as ordenanças de D eu s sejam observadas. em m aior ou m enor grau. '''M Vd. 369). Com o vimos. O P ensam ento E conôm ico e So cia l de C alvino. .704 O calvinism o fornece-nos óculos cujas lentes têm o senso da soberania de D eus com o perspectiva indispensável e necessária para ver. L eith. L eith.701 a econom ia. 149-177. ™ vd. R o u sseau . O P ensam ento E conôm ico e S ocial de C alvino. A braham Kuyper. A ndré Biéler. 4 6 5 ss. 322-327. pp. L a Iglesia e E l E stado. São P aulo. R o u sseau.A R e f o r m a P r o t e st a n t e 207 religião não su stente suas e x ig ê n c ia s para que D e u s seja lou vad o. pp. Holanda. e Escócia. A Tradição R eform ada: U m a m aneira de se r a co m unidade cristã. p.). o estigm a do pecado. Jo h n H. 7115 P h ilip S chaff. 117-147. neste estado de existência. 1973. V III. assim se referiu a C alvino: “O s que consideram C a lv in o so m en te um teólogo não conhecem bem a extensão de seu gênio. nenhum a cultura é ou será per­ feita. S ão P aulo. pp. p. Vol. a transfor­ m ação cultural é apenas um resultado daqueles que têm os olhos firm ados na Palavra. Q u alq u er que seja a rev o lu ção que o tem po possa trazer a nosso culto.7. John H. W. 93ss.” [J. 328-330. 3a ed. 562. p a ssim 7113 John H. pois. M eeter. T E L L . D o C on tra to S o c ia l. S tanford R eid. Com estes princípios o Calvinism o influenciou as artes. O calvinism o consiste num a busca constante de fidelidade a Deus. p. m odificando ou transform ando-a. ™’ J.700 a ciência. C alvinism o. A í F undações do P ensam ento M oderno. 702 Vd. Inglaterra. 1996. L eith. Vol. São Paulo.J. 701 A braham K uyper. enquanto o am or à pátria e à lib erd ad e não se ex tin g u ir en lre nós. pp. 3 3 7 -3 4 4 .

H istoria d e l P rotestantism o.70“ C alvino. L éonard. L a R éform ation. Santa B árbara d'O este. A arte não pode fechar o ab ism o que e x iste entre o ideal e o real. p. A grande contribuição do C alvinism o não se restringe aos m anuais das m ais variadas áreas do saber. I 9 6 I . A T radição R e fo rm a d a . 7111 Karl B arth.. conduzindo-as. SP. E la n ão pode transform ar o além de sua visão no aqui de n o sso m undo presente. 2001. “[a] vida que o C alvinism o tem pleiteado e tem selado. “O verdadeiro discípulo de C alvino só tem um cam inho a seguir: não obedecer ao próprio Calvino. é apenas na im agin ação que nós p o d em o s desfrutar da b e lez a que e la revela.) A arte não pod e perdoar pecad os. m as não n os introduz n esse país nem n os faz cid adãos dele. mas Aquele que era o m estre de C alvino. S O C E P . p. C alvinism o. pp. 149. Vol. B avinck assim se expressou: M as apesar de tudo o que a arte p od e realizar. 707 A b rah am K uyper.”710 7“’ Jo h n H. mas com seu m elhor sangue na estaca e no cam po de batalha. Ela não pod e nos lim par de n ossa sujeira.208 R a íz e s d a T e o l o g ia C on tem porân ea m ência que foi proibido por lei cantar salm os e aqueles que persistiam ti­ nham sua língua cortada. 708 H erm an Bavinck. E ela não é capaz de enxugar nossas lágrim as nos fracassos da vida. R icardo C erni. O salm o 68 era a M arselhesa huguenote. 22 m ç f É m ile G..709 que vive no tem po. em introdução à obra. p. H istoire G énérale d u P rotestantism e. em subm issão ao Espírito.”707 A força prática da teologia reform ada não está sim plesm ente em seu vigor e capacidade de influenciar intelectual­ m ente os hom ens. Paris. L eith . Teologia Sistem ática. m as. m as não é tu d o.(. E la nos m ostra a glória de Canaã à distân cia. I.”706 C om o nos adverte Kuyper. com sua vida e ensinam entos. p. estende-se à integralidade da vida dos discípulos de Cristo que seguem esta perspectiva. contribuiu para forjar um tipo novo de hom em : “O reform ado” . 299. 64-65. não com lápis e pincel no estúdio. a plenitude do seu tem po para a glória de Deus! Portanto. T extes C hoisis par C harles G agnebin. mas no que tem produzido na vida de m ilhões de pessoas. . 11. C alvin. p. 307. A arte é m uito. à fidelidade bíblica e a um a ética que se paute pelas Escrituras.

O H o m e m à P r o c u r a d e S i M e s m o . perm eada p o r transform ações econôm icas. educacionais e políticas.C úv]? M o s t r e e m m a n s id ã o d e s a b e d o r ia . 2 0 . p. 5 a e d .T ia g o 3 . praticam ente im possível determ inar com precisão qual foi a causa 1 E ric H o b sbaw m .R o l l o M a y . p o r­ tanto. filosóficas. R J . Sobre H istória.f]|i. 1 9 6 0 .” 1 No entanto.” . sendo um período. estando todas elas entrelaçadas. com o todo pensam ento. entre outras. H e r d e r . p. H i s t ó ­ r ia d a F ilo s o fia M o d e r n a . m e d ia n te c o n d ig n o p r o c e d e r . S ã o P a u lo . p.” . . “crucial no desenvolvim ento do período m oderno.1 3 . 1998. S ão P au lo .” . 176. usando expressão de H obsbaw n. V o z e s . Os séculos 16 e 17 foram decisivos para o pensam ento contem porâ­ neo. C o m p an h ia das L etras. tornando-se. 196.Capítulo 3 O Pensamento Moderno Introdução “ O h o m e m m o d e r n o p e r d e u e m g r a n d e p a r te a c a p a c id a d e d e c r e r e a f i r m a r q u a l q u e r v a lo r .J. P e t r ó p o li s . “ A F i l o s o f i a M o d e r n a é r e l a li v a m e n t e m o d e r n a . determ inando um a nova form a de pensar e de analisar a realidade. não é resultado de um ato ou de um novo conceito que irrom peu na história. Ele é produto de um a evolução histórica. a s s u a s o b r a s . religiosas. H ir s c h b e r g e r . “ Q u e m e n tr e v ó s é s á b io [a o ())ó ç ] e e n te n d i d o [fe7U ai. o P ensam ento M o­ derno. 1 9 7 6 .

a p erg u n ta p erm an ece: “ O que é F ilo so far?” Filosofar é a busca-do-ente-do-ser. todavia. Q ue é Isto . não é o nosso objetivo analisar neste trabalho as inúm eras escolas filosóficas... M artin H eidegger. é a procura desle conhecim ento que caracteriza o filósofo. N a pretensão da ignorância sabida. em suas m ultifárias relações. . 211-222.210 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n tem porân ea prim eira.. A F ilosofia e o ato de filosofar com portam diversas respostas. S ão P au lo . com a sua perspec­ tiv a do ato de filo so far.A F ilo so fia ? .2 e o cam inho rumo à essência do real em si com o tal e. que a distingue da F ilo­ sofia M edieval5 e que refletem as m udanças ocorridas desde o século 14. pp.3 P ensar e con h ecer as c o isa s e os seres co m o são . ju lg o m elhor dizer que a filoso­ fia é a busca do conhecim ento do que é. e em suas relações. Q uando perguntam os sobre “o que é filosofar?” ou “o que é a Filosofia?”. 1973.. a sim p licid ad e. É m e lh o r p e n sa r em c o n c a u s a s que tiv e ra m d e fo rm a inter-relacionante a sua im portância na geração do denom inado “P ensa­ m ento M o derno. e nesta revelação. estam os na realidade buscando a filosofia da filosofia. X LV). dem onstram os ignorar aquilo que de certo m odo sabem os. C ontudo. A bril C u ltu ra l. Vol. Ele diz: A filo s o fia é o c on h ecim en to do que é .e is a lei suprem a. Ludwig Feuerbach (1804-1872) revela-nos a tarefa da filosofia. Filosofar significa bus­ car a com preensão das coisas com o seres essenciais.” A nalisem os agora. (. (O s P e n ­ sad o res. a Filosofia e a C iência M o­ dernas. A Filosofia O que é Filosofar? U m a questão que vem à baila é: O que significa filosofar? Esta pergunta já envolve por si só um a atitude filosófica.4 A Filosofia Moderna A Filosofia M oderna apresenta três características. Ei-las: 2 V d. co n ­ form e a visão de cada escola de pensam ento. oferece-nos um a pista do significado do filosofar.) A veracid ade. qual elem ento teve um papel m ais preponderante nestas trans­ fo rm a ç õ e s . revelam os a práti­ ca do que buscam os. de form a resum ida. a m ais elev a d a tarefa da filo so fia . que é o alvo principal de nossos estudos. 1 P articularm ente acho por dem ais am biciosa esla definição. a exatid ão são as características form ais da f ilo ­ so fia real. traçando um a linha de influência com a Teologia.

C a p ít u l o 3 . 1981. em 1764. II. 15B attista M ondin. to rn o u -se im p o ssív e l a p re s e n ta r u m a visão globalizante do saber.. cabe à filo s o fia o direito de servir de guia ao h om em . Leibniz. V ocabulário T écnico e C rítico da F ilosofia. 14. nem m esm o nos autores que a cultuam . e outros que negam algum as ou todas estas afir­ mações. Ela tem agora um a nova meta. a im ortalidade da alm a. a lei m oral. São Paulo. 1993. a m etafísica era considerada a ra­ inha das disciplinas filosóficas e. Vol. com aguda ironia e m enosprezo pela m etafísica: 4 L. consequentem ente. Herder. não tendo m ais com prom eti­ m entos explícitos com nenhum sistem a teológico. 666-675. E d içõ es 70. A gora. Teses P ro visó ria s p a ra a R efo rm a da F ilosofia. q u e n ão p o d iam se r re s p o n d id a s no “c u rríc u lo ” tra d ic io n a l. entre outros. 1980. São Paulo. Dentro deste pluralism o. devido à pluralidade de disciplinas que surgem . Paulinas. o filósofo m oderno sente-se livre para sustentar qualquer sistem a que apre­ sente elem entos de racionalidade ou de pretensa racionalidade. Espinosa. S ão P aulo. D escartes. já que a história revela que em nom e da razão.O P e n s a m e n t o M o d e r n o 211 Autonomia da Filosofia A F ilosofia se desvincula da Teologia. In: P rin cíp io s d a F ilo so fia d o F u tu ro e O utros E scritos. com o ocorria na Idade M édia. se nega o raciocínio. Vd. de todas as ciências. etc. Isso lhe con sen te assum ir n ovas responsabilid ades perante o h om em . (1 9 8 8 ). 20-21. encontrarem os sistemas que afirm am a exis­ tência de D eus (panteísm o e deísm o).7 O Progressivo Desinteresse pela Metafísica No pensam ento grego e m edieval. pp. P aulinas. "M e ta física " . A F ilo so fia recupera sua auton om ia perante a teologia. 1960. 7 Vd. ela já não ocupa o prim eiro lugar. de red im i-lo de todo erro e de todo m al e de a ssisti-lo na con q u ista da m eta da felicid a d e. re­ su lta n te s de n o v as p e rg u n ta s. 26. Ox Teólogos da L ibertação. p. 6-7. com o por exem plo. A Filosofia passou a ser estudada por si m esm a e não m ais para fornecer um a base racional à Teolo­ gia.8 Com o sintom a disso. a criação do m undo. 5 Seguirei neste tópico o esboço de Battista M ondin. P or outro lado. p. S ão P aulo.1' 0 Pluralismo das Perspectivas Filosóficas Com o decorrência da autonom ia da Filosofia em relação à Teologia. (1 8 4 2 ). pp. Johannes Hirschberger. Curso de F ilosofia . pp. História da Filosofia M odem a. m uitas vezes. L isboa. encontram os Voltaire (1694-1778). G raças ao seu papel de rainha de todo saber. * L alande faz um a boa descrição da concepção de “ M etafísica” através da história. A ndré L alan d e. escre­ vendo no seu D icionário Filosófico. F eu erb ach . M artins F ontes. .

Jo h an n es H essen. “ tra ta d o ” . “c o n h e c im e n to ” . então. E d ito ra d a UN1CAM P. A rm énio A m ado . J a p ia ss u . 1976. E P U / ED U S P. V oltaire. C oim bra. 135). en co n ­ trando a sua sistem atização decisória em K ant (1724-1804). Jo sé F errater M ora. 4 a ed. de m o d o esp ecial. 253. esta obra se con stitu i num a p erfeita síntese da filosofia de D escartes. H istória da F ilo so fia . p.A . (revista e am pliada). vem os ser continuam ente colocada. a saber: f e m a i í p r i . A o invés de o co n h ecim ento ser sim plesm ente tratado com o um instrum ento e utilizado de m odo singelo co m o tal. tão am plam ente tratada p or Descartes (1596-1650) e per­ petuada. estaticam ente estab elecid o na Idade M édia. S ão P au lo . na Idade M éd ia. L ivraria F ran cisco A lves. E um em baraço contínuo. freq üentem ente é o rom ance do espírito. SP. que sig n ifica: “ arte” . 1979. p. L ocke (1632-1704). A L ó g ica de P ort-R oyal foi escrita por ele ju n ta m e n te co m outro filósofo cartesiano. Vol. da verdade da natureza e da sua própria verdade. p. apesar de seguir de p erto o p ensam ento de D escartes (1 5 9 6 -1 6 5 0 ).” E sta co m p o sição lingüística apareceu pela prim eira vez no século 19. 1973. Teoria do C onhecim ento: In: M arilena C hauí. T odavia. p ro cu ­ ran d o assim asseg u rar-se. e m uitos espíritos preferiram sonhar d ocem en te do que se fatigar. en tre o p ro b lem a da natureza e o problem a do conhecim ento. em term os m ais prem entes. p. sendo cham ad a de “T eoria do C o n h e c im e n to ” . A E p istem o lo g ia c o estudo das questões relacionadas aos problem as filosóficos do c o ­ nhecim en to . 111 A p a la v ra “E p iste m o lo g ia ” é p ro v en ien te da ju n ç ã o de d o is term o s g reg o s. F ranklin L. p. E ditorial S udam ericana. 3a ed. N ico le (P ierre) e A rnauld (A ntoine)].E ditor. a E p istem o lo g ia estav a atrelad a à M etafísica. 11 P ierre N icole (1625-1695) era jan sen ista e. 3a ed. 1982.n o m e m ais freq ü e n te m e n te utilizado em inglês . 7a ed. 25]. B uenos A ires. descriçõ es co m p lem entares in T hom as R. num só e m esm o ato. as atenções se voltam para a “E pistem ologia” 10 e para a “M etodologia”. sucessivam ente. São P aulo. X ò y o ç : “d isc u rs o ” . (c) 1984. A m etafísica é m ais divertida. A bril C u ltu ­ ral. 2a ed.a exem plo da filosofia em geral. na Lógica de Port-Royal (1662). V I. al. A p esar dos pro blem as relacionados com o conhecim ento hum ano serem tratados desde a A n tig ü id ad e.” [H ilto n F. L isb o a." Os filóso­ M etafísica: In: F ra n ço is M . et. [Vd. C assirer. A F ilosofia cio Ilum inism o. . “h a b ilid a d e ” . 38. esp e c ia lm e n te em italiano. A rtigos: PortR oyal (L ó g ica de). D icio n á rio F ilosófico. E rn st C assirer (1874-1945) com enta: “ Um dos traços característicos do século 18 é a estreita relação . Introdução à F ilosofia. medir. p. T odavia. da Silva. O p ensam ento não pode d irig ir-se ao m undo dos objetos exteriores sem voltar-se sim ultaneam ente para si m esm o. E la tam bém receb e o d esig n ativ o geral de “C rítica do C o n h e c im e n to ” . 1979. N icola A bbagnano. H um e (1711-1776) e B erkeley (1 685-1753).A . esp ecialm ente em A ristóteles e P latão . 1992. fran cês e espanhol. em alem ão e francês. A ssim .212 R a íz e s d a T e o l o g ia C ontem porân ea É por isso que se pod e ser m eta físico sem ser geôm etra. A ntoine A rnauld (1 612-1694). p. Vol.” (E. B rasiliense. interpretar e descrever filosoficam ente os princípios e s­ senciais que co n d u zem ao conhecim ento científico ou. discípulo de D escartes. Teoria do C onhecim ento. S ão P aulo. O seu o b jetivo é conhecer. D iccio n a rio d e F ilosofia. ainda que não exclusivam ente. C rítica da R azão P u ra (1781). da form ação dos term os g reg o s tem os: “d isc u rso sobre a ciê n c ia . A E p istem o lo g ia . Em geom etria. p o d eríam os até d izer o vínculo indissolúvel que existe. co m a im plosão do universo do saber.9 N este período. pelo c o n ­ trário. 1637) e. § 416. C am p in as. “ sa b er” e.tam bém é d en o m in ad a de “ G n o sio lo g ia ” . a E p istem o lo g ia co m eçará a enco n trar o seu espaço próprio. X X III). “ estu d ar a gên ese e a e s tru tu ra d o s c o n h e c im e n to s c ie n tíf ic o s . 1965. no âm bito do seu p en sa­ m en to . T em os o em brião de sua au to n o m ia no R en ascim en to . no seu trabalho. com L eib n iz (1 6 4 6 -1 7 1 6 ). 113. Vd. (O s P en sa d o res. P rim eira F ilo so fia . G iles. revela elem entos aristotélicos. E ditorial P resença. é p reciso calcular. In tro d u ç ã o a o P e n sa m e n to E p istem o ló g ico . 121. com D escartes (1596-1650). escrita por Pierre N icole (1625-1695). a q uestão da leg itim id ad e d esse uso e da estrutura desse instrum ento. R io de Janeiro. ao tratar do p ro b lem a do M étodo (D iscurso do M étodo. “p a lav ra” . 175. cm outras palavras. “c iê n c ia ” . S.

no Prefácio da segunda edição da Crítica cla R a ­ zão Pura (1787). um m ero tatear e. que­ rem usar os m esm os m étodos em suas pesquisas para obterem progressos sem elhantes. o que é pior. 1974.. um co n h ecim en to esp ecu la tiv o da razão inteiram ente iso la d o que se e le v a com p letam en te acim a do ensin am en to da exp eriên cia através de sim p le s c o n c eito s (não com o a M atem ática. p. A g a ssiz.” . 52. 1980. não teve até agora um d estin o tão favorável que lhe perm itisse encetar o c a m i­ nho de um a c iên cia (. São P a u lo /B e lo H orizon te.. . K ant (1724-1804).O P e n s a m e n t o M o d e r n o 213 fos im pressionados com o progresso científico das ciências naturais. E n foqu e C ristia n o d e la C iên cia. S ão P au lo ..H endrik van R iessen . E D U SP /Itatiaia. A bril C ultural.. P a íses B ajos. Editora U n iversid ad e de B rasília. 291.. L. A d m ir á v e l M u n do N ovo. pelas in cessan tes m aravilhas que a sua m u n ificên cia difun diu pela terra?” -T h o m a s E w bank (1 7 9 2 -1 8 7 0 ).e sem sentir sua n atu ieza alcançar estád ios m elh ores de ex istên cia .. sob sim p les c o n c e ito s . através de ap licação da m e s­ ma à in tu ição). Seu p roced im ento [da M etafísica] constitui até hoje. 276. B e lo H orizon te/S ão P aulo.” . 1975. B rasília. (O s P en sad o res.). “F oi a fé o que deu ex istên cia a n ossa c iê n c ia . pp. tem os de m antê-la cu id ad osam en te am ordaçada (. C rítica da R a zã o P ura. Tenho in teresse na verdade. 1976. É hoje tão p erigosa co m o foi antes b en fa zeja .12 A Ciência “A c iê n c ia é perigosa.R.C a p ít u l o 3 . e o que são estas sen ão ‘verdades rev ela d a s’. 1988. Itatiaia/E D U SP . “A revolu ção esse n c ia l do pensam en to c ie n tífic o teve lugar n os sé c u lo s 16 e 17. 2“ ed. In. 1990. sem dúvida algum a. na qual portanto a razão d eve ser aluna de si própria. “A n in gu ém é dado predizer qual virá a ser o resultado de um a descoberta feita no d om ín io da N atu reza. D F. pp.L uiz A g a ssiz (1 8 0 7 -1 8 7 3 ). FELIR E. diz: A M etafísica. A R e lig iã o e o D e se n v o lv im e n to d a C iên cia M o d e r ­ na. M as a verdade é uma am eaça e a ciê n c ia um perigo pú b lico. p. 75. p. A g a ssiz & E lizabeth C. 2 7 4 . “O que é a verdadeira c iên cia senão um a m an ifestação das a ç õ es do C ria­ dor. que nin guém p od e estudar corretam ente sem tornar-se m elh or e m ais sáb io .)..” . 13. A razão em perra continuam ente na M eta física (. A Vida n o B ra sil. S ão P aulo. p. 11-12. H ooyk aas. e suas a fe iç õ es pu lsand o de grati­ dão ao Pai do U n iverso. aino a ciên cia. Vol. 1 8 6 5 -1 8 6 6 . Abril C ultural. 121.A ld o u s H u xley (1 8 9 4 -1 9 6 5 ).” . X X V ). Viagem a o B rasil. K ant.).

T|.f||i. 55 D . E rn st C assirer (1874-1945) observa: “O cientista não atin g e seu ob jeti­ vo sem um a estrita ob ediência aos fatos da natureza. 14 E rnst C assirer. devem os observar. a ciência co m eça sem p re p o r um ato de fé. (V d. p. todavia apresenta vários significados. P latão . O term o grego é. 98. P aíses B ajos. São P aulo. foi um trabalho teórico. D e fato.” 14 Platão (427-347 a.ri).17 que ultrapassa a possibili­ E m p alav ras co m p o sta s. F ilebo. inclusive o de d ireção13) &'ÍGTr]|-ll (“E stabelecer” .não foi um a sim ples reunião de fatos. A o bra d e todos os grandes cientistas naturais . p o d e ter tam bém o sen tid o de “d escan sa r em um lu g ar” .I(> Tipos de Conhecim ento Entretanto. Vocabulário T écnico e C rítico cia F ilosofia.) de fo rm a lúcida afirm ou que. 1935). está a ciên cia (fcracjT Íp ri) para a fé e o entendim ento para a su p o sição . H endrik van R iessen.” No M ênon. pp. tendo com o objeto o ser. 1990.” [Platão. p. “fixar”). 62 A -D . A t T h e C laren d o n P re ss. M artins F ontes. Par­ tindo deste ponto. Teeteto.e o conhecim ento da fé . 2" ed. por sua vez. (s. B arcelona. é im possível haver ciência sem fé. E ditorial Labor. “C om o a inteligência está para a o p inião. fragm entado. (R ev isad a c am p liad a). F undação C alouste G ulbenkian.C. o conhecim ento perfeito.d. 17 P latão (4 2 7 -347 a. (V d. “firm ar”. etc. V Íl. 1(1 P latão . visto haver graus de conhecim ento. esp ecialm en te. G reek-E nglish L exicon. 58 E. O xford. A R ep ú b lica . e nunca deverá avançar sem a fé eristã. c o m o transfor­ c iê n c ia . se caracterizando por ser teórico e prático. E assim . pp. 108-109. 534 A. em c iê n c ia (Só£a) são amarradas. A ndré L alan d e. A ntro p o lo g ia F ilosófica. F E L IR E . de P lan ck e E instein .C . 345). A ciência . 1977.f||J. 1961. (1993). p.15 N a sua visão a feTUGUfpri é a form a mais elevada de conhecim ento. ain d a que não ex clu siv am en te (E ntre outros. F ederico K lim ke & E usebio C olom er. e. E ditora T ecnoprint. 2“ ed. tam bém . escreveu: |X T |. 15 C om pare: P latão. 51 ss. Por e sse m otivo é que d iz em o s ter a c iê n c ia m ais valor do que a op in ião certa: a c iên cia certa (5ó^a) (fcTUcn. E n fo q u e C ristia n o cie la Ciência. E nfoque C ristiano cie la Ciência. M as esta obediência não é um a subm issão p assiva.214 R a íz e s d a T e o l o g ia C ontem porân ea A palavra “ciência” vem do latim scientia.). A ntro p o lo g ia F ilosófica. constituído de dois outros: feTCÍ (Preposi­ ção cujo sentido radical é “sobre” . sendo resultado de um “encadeam ento racional. “ A inda que a ciên cia esteja livre de certos elem entos subjetivos e os transcenda. quando as o p in iõ e s certas m a m -se em c o n h e c im e n to .” (H endrik van R iessen. 58-59).de G alileu e N ew ton. à estabilização e à consolidação do m undo das nossas percepções e pensam entos. que nem todo saber é considerado científico. “habilidade”. Vd. “A ciên cia nunca avança sem um a fé. 1993. p. “saber”. que carece de dem onstração mas que nem por isso deve ou pode ser desprezado . bem com o o conhecim ento em pírico. M estre Jou. L iddell & S cott. A R epública. nunca estará livre d a fé do cientista. R io de Janeiro. de M axw ell e H elm h o ltz.) dizia ser a fe7ticn. o q u e q u er dizer. 534a. p. co n stru tiv o . A ciência é única porém lim itada. “conhecim ento”. 7“ ed. pois. M ênon. “ciência” . H istoria de la F ilosofia.r|) se d istin gu e da op in ião por seu encadeam en to racion al. (femaxf||J.” (E rnst C assirer. p. traduzindo o grego 87UGTf| que significa “arte” . 350]. 154-156. 61 ss). 326. 3“ ed. Vd. 190 A -C ). São P aulo. "C iência". perm anecem está v eis. L isb o a. C assirer (1874-1945) diz que “o processo científico conduz a um equilíbrio estável.

” (E rn st C assirer. O resultado dep en d erá da b enção de D eus. A n tro p o lo g ia F ilosófica. R ev elar-se-á frac a se não ch eg ar a p erceb ê-lo . 2. A bril C ultural.é substituir a experiência por um a sistem atização passível de verificação ex­ perim ental. d izendo que “ a tese que ele sustenta é a de im potência radical da razão. E n fo q u e C ristiano de la C iência. R io de Janeiro. que a “ciência” de hoje pode se tornar o “m ito” de amanhã. 1973. P ascal não pretende exigir ou pregar a n ecessidade dessa subm issão: q u e r p ro v á -la . B laise Pascal (1 6 2 3 -1 6 6 2 ) ex p resso u bem a com p reen são do lim ite da razão. o conhecim ento científico julga-se capaz de descrever os fenôm enos de form a objetiva. o conhecim ento científico deve ser passível de com ­ preensão. apesar de relevante. m esm o que isso fosse possível satisfatoriamente. Ele se propõe a com preender. a ciência com o um em pre­ sem p re está g u iad a e inspirada pelo crer. é extrem am ente lim itado. São P aulo. p. Ele alm eja ser um a leitura da experiência através de um a ótica que se esforça por ser obje­ tiva e sistem ática. D entro de um a perspectiva sem elhante. ln: Jean G uitton. P or isso. 101. SP. P apirus 1988. IV. Todavia. X X X II). ela faz um a “correspondência sim bólica. 43 . 110]. G richka B ogdanov & Ig o r B ogdanov. m etódica e sistem ática.” (E rnst Cassirer. 15 V d. aliás. a m enos que seja guiada pela fé (IC o 1.”22 sendo tam bém o seu meio de expressão. Que é F ilosofia?. N ova F ronteira. E nfoque C risliano de la C iência. N ietzsche. H en drik van R iessen. A E ssência do C ristianism o. 59. 199). p.”23 D este m odo. L ivro Ibero-A m ericano. H um ano. descrever. (O s P en sa d o ­ res. A bril C ultural. 21 J. 23 L.dentro do âm bito que lhe com pete . R io de Janeiro. D em asiado H um ano. dentro de princípios definidos.18 C ontudo. A n tro p o lo g ia F ilosófica.14). controlar e até predizer os fenôm enos por ele analisados. tal dem onstração não conduziria ninguém a Deus. à fé.1. P en sa m en to s. escreveu C assirer: “A lin g u ag em é a p rim eira tentativa do hom em para articu lar o m undo d e suas p ercep çõ es sensoriais. sem reser­ vas.”21 sendo a linguagem o m eio de que a ciência dispõe para assim se expressar: “A linguagem é o prim eiro grau do esforço em direção à ciência. p. ao escrever: “A últim a tentativa da razão é reco n h ecer q u e há um a infinidade dc coisas que a ultrapassam . 40. A pesar desta lim itação. Ele a transcende.O P e n s a m e n t o M o d e r n o 215 dade racional de explicação e dem onstração. e esta é um dom de Deus. 62). Vol. ju stam en te. p. 17. buscando. p. não um a conquista da razão. E rnst C assirer faz um com entário m ordaz a respeito do pensam ento de Pascal. Portanto. nem sem pre isto ocorre. ordenar os fenôm enos.11. X V I). P ois. 22 F. em d ireção ao m etarrealism o. E sta tendência é um a das características fundam entais da linguagem hum ana.1.” (H endrik van R iessen . p. 1961. a ciência deve poder ser realizada novam ente e de form a aperfeiçoada. D eu s e a C iência. p. 20 Vd. se as coisas naturais a ultrapassam . 1992. por isso.21. C am pinas. F eu erb ach. São P aulo. Jean G uitton. A nossa “sabedoria” não conta neste cam po. 1 9 7 4 . o conhecim ento científico. 328-329. A F ilosofia do llum inism o. (O s P ensadores. E rn st C assirer. identifi­ cando o seu objeto e tendo condições de discorrer sobre ele. é que a ciência pode ser considerada com o “a consciência dos gêne­ ros. O rteg a y G asset.. D eus não é passível de dem onstração racional. q u e só pode ch eg ar à verdade renunciando a ela própria e su b m etendo-se inteiram ente.20 A função da ciência . 267. incapaz po r si m esm a da m enor certeza. que dizer das so b ren atu rais?” [B laise P ascal.19 não sendo estranho observar na história. 328). O cientista cristão deve escu tar e p edir a seu Pai celestial q u e lhe gu ie em sua tarefa científica. p. Vol. p. '* Vd. dem onstração e com provação. pp. M as.C a p ít u l o 3 .

C iência e P esq u isa em P sicologia: U m a in tr o d u ­ ção. pp. m ais im portante que o interpretar o claro con teú d o de um enun ciad o é inquirir os in teresses que nos guiam (. que nunca co n clu i. filho do tem po. 152. H istoria do Futuro. * 15.. d eve ser tom ado com certa cautela.”26 Dentro desta perspectiva. ou a sua ignorância. p. 85. C. 3a ed. A R azão na É poca da C iência. 164-165. Vd. Q . O R ealism o e o O bjectivo da C iência (P ós-E scrito à L ó g ic a da D esco ­ b erta C ien tífica. que é a im agem da realidade. 1). São Paulo. a fim de não cairm o s no perig oso labirinto do subjctivism o. parece-nos correta: “O obje­ tivo da ciência é encontrar explicações satisfatórias do que quer que nos apresente e nos im pressione com o estando a precisar de explicação. A interpretação é algo que está sem pre a cam in ho. cam inha dentro da dialética do saber-ignorância-saber. A bril C ultural. * 15. P ublicações D om Q uixote. M a ria M a rth a H. (C o leção T em as B ásicos de P sico lo g ia. 1987.1 . N o vu m O rganum . 71 e 72. R io de Janeiro. 27 Karl R. A pala­ vra interpretação faz referência à finitude do ser hum ano e à finitude do co n h ecim en to hum ano (..”25 Com prom isso e Limite da Ciência A ciência está com prom etida com a com preensão do real. com o a filosofia. do passado m enos. M . 1984.?. a respeito do objetivo da ciência. Vol. elim inando a diferen ça fundam ental entre “sen tid o ” e “sig n ificad o ” na interpretação de um texto. contudo. observa que: U m a interpretação d efin itiv a parece ser um a contradição em si m esm a. T em po B rasileiro. S ão P au lo . S eabra e T. não cabe a ela escolher um “real ideal” . reparte com o m esm o a sua ciência. m as sim trabalhar com o que existe. 26 F rancis B acon. X III).1 2 0 . busca novos problem as.24 e talvez m uitos dos seus projetos tenham que se contentar em perm anecer com o m eras projeções não atingidas. que am iúde estão abrigados nas soluções encontradas. que está sem pre a cam inho. E. 1. As coisas vis existem tanto quanto as adm iráveis.P.216 R a íz e s d a T e o l o g ia C on tem porân ea endim ento hum ano é extrem am ente com plexa. do presente sabe pouco... por exem plo.” Por isso. procurando respostas para problem as pretéritos e presentes e. 197 3 . tam bém . p. D ’O H veira. p. analisando a herm enêutica filosófica.).. a definição de Popper (1902-1994). e do futuro nada.). P o is então. pp. J. a 24 Vd. 3). Nas palavras de Vieira. 6. m esm o que este não lhe pareça algo agradável ou digno. 1855. concom itantem ente. p. m antendo este “equilíbrio dinâm ico. ao afirm ar que: “Tudo o que é digno de existir é digno de ciência. Vol. L isboa. L isboa. P opper. . A h erm en êu tica filo só fic a está m ais interessada nas perguntas que nas res­ postas . G adam er (1 9 0 0 -).. A ntunes.”27 O cientista caracteriza-se pela posse do espírito sem elhante ao do filósofo.. A n tó n io V ieira. “O hom em . 25 Pe. (O s P ensadores. Creio que Bacon (1561-1626) captou bem este sentido. Vol. 28 H an s-G eo rg G adam er... E ste com entário de G adam er.U .2ÍI A ciência portanto. 1983..

* 27. A bril C ultural (O s P e n sa d o re s. devido a nossa lim itação. N este particular. 1987. m as toda corroboração é relativa aos outros en u n ciad os que. P opper. ao contrário. da verdade irrefutável. disse que “o prim eiro valor (do intelectual) deve ser a busca da verdade. 30 K arl R. de um a “desconfiança necessária e proveitosa” . 12. o que caracteriza o vigor de um a ciência não é a sua rigidez. S ão P au lo .sofre. 1975. S ão P aulo. L I). para ser genuinam ente ciência. não m e acom odei com a m iragem do saber.30 N um a entrevista concedida (fins de 1984?). d em onstrável .O P e n s a m e n t o M o d e r n o 217 ciência. L isboa.) A ciê n c ia nunca p ersegu e o fim ilu sório de que suas respostas sejam d efin itiv a s ou m esm o prováveis.. caso o que eu saiba seja realm ente “ciência”. 383. m ais profundos e m ais gerais. 20/01/85. pois. m as sua ind agação persistente e tem erariam ente crítica da verdade. P ublicações D om Q uixote. (. concordo com as observações de Karl Popper (19021994): O v elh o ideal c ie n tífic o da ep istém e do co n h ecim en to ab solu tam en te certo.29 H oje em dia toda a gen te recon h ece que a plena certeza é a lgo de in atin gível nas c iê n c ia s a que se cham a ‘in d u tivas’. “C u ltu ­ ra” . C om o íd olo da certeza (in clu in d o -se os graus de certeza im perfeita ou pro­ b ab ilidad e) cai um dos baluartes do obscurantism o que barra o cam in h o do avanço c ie n tífico . o que faz o hom em de c iên cia não é sua p o sse do con h ecim en to. Seu avanço d irig e-se.. . A c o n c ep çã o errada da c iê n ­ cia trai-se em sua pretensão de ser correta.... 1975.provou ser um íd olo... Vol. tem de ser necessariam ente verda­ deira . Vol. A L ó g ica da In vestig a çã o C ientífica. novam ente. X L 1V ). 384. é o grau de desconfiança que se aplica aos seus enunciados a fim de M K. Com o não posso ter certeza de que aquilo que penso saber é de fato “ciência”. A E p istem o lo g ia G enética. Popper.. Popper (1902-1994). pp. 234-235. S om en te p o d em o s e s ­ tar ‘absolu tam en te c er to s’ de n o ssa s exp eriên cias su bjetivas de co n v icç ã o . cri­ ticando os intelectuais da linha hegeliana. antes. caso contrá­ rio. e de sujeitar suas respostas sem pre p rovisóri­ as a testes sem pre ren ovados e cada vez m ais rigorosos. O R ealism o e o O bjectivo da C iência (P ós-E scrito à L ó g ica da D esco ­ b erta C ien tífica. tam b ém . A bril C u ltu ral (O s P en sad o res. P o pper. a fim de que. são provisórios. reprim indo a audácia de n o ssa s q u estõ es e pondo em perigo o rigor e a integridade de n o sso s testes. A e x ig ê n c ia da ob jetivid ad e c ie n tífica torna in evitável que todo enun ciad o c ie n tífic o perm aneça p rovisório para sem pre. 129-130]. de n ossa fé subjetiva. p p. E stado de São Paulo. R. o novo “edifício do saber” passará pelo crivo da m esm a “desconfiança” . N esta hipótese.C a p it u l o 3 . para o fim in fin ito e ainda assim atin gível de sem pre descobrir problem as novos. 31 K arl R. Vol. [V d. pp. não tenho o que temer. estou sem pre duvidando do que sei. 1). P o d e -se de fato corroborá-lo. § 85. p. E ntrevista publicada no jo rn al. Jean P iag et.”31 Portanto.

a fim de poder enxergar um pouco além deles. V ida N ova. A ciência com o verdade é sem pre vigorosa. Rio de Janeiro. eterno: porque tudo quanto é de absoluta necessidade. G alileu (1564-1643) e D escartes (15961650). p.”37 É a necessidade que se revela no trabalho. 34 D u rk h eim d isse com accrto que “a ciência c obra coletiva. Vol. S ão P aulo. . 40. A “ciência” que foi negada evidenciou. confessando o ocaso de seu saber. com os seus valo­ res próprios. m esm o que os hom ens tentem negá-la ou ridicularizá-la. tem que ser ingênito e incorruptível. contudo. P arece que esta figura tam bém foi em p reg a­ da p o r outro teólogo m edieval “que m orreu quase 300 anos antes de L utero nascer. 23). 1990. 203.usando a figura de João de Salisbury (c. p.34 todo cientista . se valendo das contribuições de seus predecessores.) p. 1973. que nem por isso devem estar acim a de nosso exame. na pesquisa. ’* B. M elhoram entos. m as não absolutam ente. 37 A ristó teles. m enos ainda de um indivíduo. (s. V isalberghi. 16 D iscordo neste particular de Jean P iaget (1896-1980). Q ue é F ilo so fia ? . na procura do saber. renascerá do seu ocaso. enquanto está estrita­ m ente lim itada a seu próprio princípio..d. e esta necessidade está ligada a um determ inado contexto histórico e social. A bbagnano & A. p orquanto supõe v asta co o ­ peração de to d o s os sábios. H istoria de la P edagogia.3. m ais tarde. H istoria de la P ed a g o g ia . 130).” . IV. (Vd. p. Espinosa. (Cf. 18. E. C alvinism o. J. (s. en tre outros.” (Jean P iaget. N. E spinosa (1632-1677) disse que: “o desejo é a própria essência do hom em . 13 A braham K uyper.d. 110. por isso m esm o. XVII). a convicção de que existem conhecim entos absolutos mas. o tem po a solidifica e a rejuvenesce. 35 C f. V isalberghi. A Teologia d o s R eform adores.36 Parece-m e fundam ental para o cien­ tista o constante reexam e da “ciência” . N ew to n . 147. tam bém faria uso desta analogia.2. V I. p.”38 Parece-m e ser fato que o desejo é fruto da carência ou da 32 Vd. T im o th y G eorge. M éxico. p. 280). F o n d o d e C u ltura E conóm ica. se ela de fato for. o que é eterno. A Ética. referindo-se a K epler (1571-1630)..218 R a Iz e s d a T e o l o g ia C o n tem porân ea aperfeiçoá-los. São Paulo. São Paulo.. destarte. A Ciência: Sonho e Trabalho A ciência é em grande parte filha da necessidade e do trabalho. m as dc todas as épocas que se sucedem na h istória.”33 A ciência não tem pátria nem idade. Abril Cultural. 244.C. p.. A ciência que envelhece assina o seu obitu­ ário. E ducação e Sociologia. 1994. 5“ ed. A b b agnano & A. N. P edro de B lois.eqüivale a um anão sobre os om bros de gigan­ tes. p. Ética.). tendo com o referencial paradigm ático. que não era ciência. E dições de O uro. p. 1110-1180)35 . (Os Pensadores.) diz que “o objeto da ciência (fejciOiTfpri) é de necessidade. que co m preende que “ não e x is­ tem co n h ecim en to s ab so lu to s” e que “ toda ciência está em p erm anente transform ação e não co n ­ sidera ja m a is seu estado com o definitivo. N ovena reim presión.32 “Só é realm ente livre a ciência que. (É tica a N icôm aco).” [Ém ile D urkheim . não som ente de d ada cpoca. 35]. contudo. A E pistem ologia G enética. C reio que esta p o stu ra é saudável apenas m etodologicam ente. O rteg a y G asset. tem o poder de livrar-se de todos os laços artificiais. atestando a sua perenidade . é eterno.. ela não é privilégio de um povo. A ristóteles (384-322 a.

N ova F ronteira. M em ó ria s P óstum as de B rás C ubas. 4(1A p u d J..2. 1981. 1994. nesta construção. XL1V). perm anecem escondidos. p. E nisto.44 Sem sonho não há possibilidade de ciência e.” observou A gostinho (354-430).) estava correto ao declarar: “Q uem não se considera incom pleto e insuficiente. C a lv in o . onde não há perig o de serem co n cretam en te confrontados. B. São P aulo. de seus benefícios. com eça pelo sonho dos inconform ados que não se con­ tentam com os atuais lim ites da sua ignorância. E rich Frornin. 43 M achado de A ssis. L u cette V alensi. São P aulo..F. p. 1960.”45 Por outro lado. São P aulo. 6ss. novos valores obviam ente sur­ gem e. Popper. In: C iência e C o m p o rta m en to H um ano. sendo portan­ to.C a p ít u l o 3 . A bril C ultural. 11. 1975..ç I n stitu ía s. Idem . 45 Karl R... E ditora T ecnoprint. 1978.41 Sócrates (469-399 a. A A rte de Amar. 383. num esquecim ento. outros se perdem . não deseja aquilo cuja falta não pode notar. A. 65. a ciência é produto do hom em consciente da sua necessidade e ao m esm o tem po disposto a suprim i-la.d. juntam ente com o sonho.. A am nésia é um a “estratégia com pensadora” . este desejo precisa ser conscientizado: a ignorância do desejo é a acom odação na ausência: O desejo é a consciên­ cia da lim itação. E de quando em quando nos lem bram os de form a nostálgica “daqueles tem pos”. p. A ssim todos trazem os dentro ■*' “ A e s p era n ça não é m ais do que o alim en to e a fo rç a d a fé . O desejo produz esperança39 e desespero. Itatiaia. B a n q u ete. p. 1966. repletos de significado. a saudade constitui o seu ser. F á b u la s de M em ória: A B atalha de A lc á c e r Q u ib ir e o m ito do seb a stia n ism o . 27-2 8 . 16 42 P latão .46 Todavia.). S kinncr. se faz parte do hom em o sonho. sem trabalho. (s.. da falta de onisciência. por ser “racional”. A R evolução da E sperança. 41 Vd. há um a valorização exagerada do que foi. § 85. o cientista deve ter a disposição de aceitar as evidências m esm o quando elas colidem com os nossos desejos. C ultrix. só vindo à luz duran­ te as “ tre v a s” do sono. um atributo dos mortais. com o fruto do labor hum ano. p.). 111. “Aquilo de que não tem os desejo não pode ser objeto de nossa esperança nem de nosso desespero. pp. do m esm o m odo. os sonhos não se constróem .40 Todavia.43). A ciência. Todavia. C írcu lo do L ivro. A L ó g ica da Investigação C ientífica.”42 Assim sendo. 165. “A queles de nós que não estão dispostos a expor suas idéias ao risco da refutação não tom am parte no jogo da ciência.” (J. p.. B elo H orizonte. A bril C ultural (O s P en sad o res.. “O sonho é um a fresta do espírito”43 e a fé que perm eia a ciência..O P e n s a m e n t o M o d e r n o 219 consciência da carência de totalidade. 157ss. Vol. deve ser essencial­ mente ativa. ainda que m om entâneo do que é. que apaga o que m uitas vezes nos convém . 46 V d. os quais são norm alm ente prioritariam ente positivos nas injustiças com eti­ das im punem ente por nossa memória.. A ciência tende am iúde a construir um universo diferente do que estávam os acostum ados e. São P aulo. traz consigo um a saudade. p. A P ossibilidade de um a C iência do C om portam ento. (s.d. . 204. S ão P aulo. R io de Janeiro. 44 V d. R io de Janeiro. a ciência.C. do m esm o modo. H erder. M oltm ann. (O b ras P rim as). Teologia da E sperança.

p. p. A M açonaria e a Q uestão R elig io sa no B rasil. 9). G ilb erto F rey re ex p ressou bem isto.”0 trabalho científico do pre­ sen te século seguiu essen cialm en te o m étodo descoberto e desenvolvido por C opérnico. Fries. Vol. É a m arca do historiador in telectu alm en te honesto. Contudo. os pressupostos49 dos cientistas são de grande relevância na elaboração científica. G rad iv a. nos cham a a atenção para o fato de que “a ciência m oderna em seus prim órdios foi o produto daqueles que viveram no consenso e cenário do Cristianism o. 51 F. 50 Vd. 145. São P aulo. 48 V d. 178. São P aulo. A n a to m ia d o P oder. 47 R. 5. Fries. 1980. 52 F. tem sid o en orm e. ainda que por um breve m om ento. tam bém . 29.” [W erner H eisenberg. 80-81]. por exem plo. “Nos países protestantes.. São Paulo. 1989. ao dizer: “ A p erfeição objetiva nas C iências do hom em ou nos E stu d o s S ociais talvez não exista.”52 A lhures.” (H. In: W erner H eisenberg: P á g in a s de reflexão e a uto-reflexão. Teologia: ln: H. Dicionário de Teologia.. B rasília. atesta a ligação da física m oderna com B acon.”51 Em outro lugar. Schaeffer (1912-1984). 1999. 53. A ciência excita o nosso sonho mas. o sinal do intelectualism o deso n esto .. p. 31. p. p. H istó ria d a F ilo sofia ( l/l) . org. P ion eira. W. 27. A M o rte da R azão. A. G alilcu e K epler: “A física m o d ern a não é m ais do que um elo na longa cadeia de acontecim entos que se iniciaram com a o b ra de B acon. E nfoque C ristiano de la Ciência. na A p resen tação d a o b ra de D avi G ueiros V ieira. C osta. p.ainda que através da história tenha estado com freqüência próxim a da religião48 antes. 13ss.50 Francis A. os cientistas não eram obrigados a aceitar o ju ízo de não-cientistas em m atéria de ciência” . E d ito ra U niversidade de B rasília. H cisen b erg (1 9 0 1 -1 9 7 6 ).220 R a íz e s d a T e o l o g ia C on tem porân ea de nós um a “m áquina do tem po” que nos faz ir e vir sem im pedim entos. 19ss. 58. G albraith. pp. Um dos grandes cientistas do século 20.. G radiva.. A “n eu tralid ad e” é im possível tal qual a “o b jetividade” com pleta. A M orte da R azão. acres­ centa: “A m entalidade bíblica é que deu origem à ciência. afirm a H ooykaas. Tentar negar a existência de pressupos­ tos em nom e de um a suposta “neutralidade” seria um a postura pueril e inútil. E sua ausência. G alileu e seus su cesso res nos séculos 16 e 17. 1990.” (G ilberto F reyre. H o o y k aas. 3a ed.47 De fato. Loyola. 19 p. G alileu e K epler e das aplicações práticas das ciências da natureza nos séculos 17 e 18. d eve ser buscada. N ingu ém se engane: o e feito da c iê n c ia sobre o poder r elig io so . e sp e c ifica m e n te s o ­ bre seu poder con d icion ad o.K. S ehaeffer.A. . p. p. onde trabalham os com a questão dos p ressu p o sto s n a abordagem histórica).” (W erner H eisenberg. In: W erner H eisenberg: P áginas de reflexão e auto-reflexão. * “Toda eiêneia vive dos seus pressupostos e tem por objeto o seu próprio conteúdo. está com prom e­ tida com a verdade. L isboa. exercitando os nossos sonhos e as nossas lem branças. (V d. 302). H en d rik van R iessen. L isboa. O P rotestantism o. M as o afã dc objetiv id ad e pode existir. a ciência se não tem pátria nem idade. SchaetTer. A R elig iã o e o D e sen vo lvim en to da C iência M o d ern a . 1990. P. pp. no entanto.” . Ciência e Religião no Pensamento Moderno “C iên cia e religião trabalham num a asso cia çã o instável protegidas pela afir­ m ação freqüente de que não há con flito irreconciliável entre am bas. H endrik van R iessen. ela não tem que estar atrelada a um sistem a religioso . 5 2 ). R eflexões Sobre a Viagem do A rtista ao Interior.J. A Tradição na C iência (C onferência realizad a em 24/04 /1 9 7 3). tam bém não tem religião. 54. 1987. H erm isten M. resgata do exílio m ental a lem brança saudosa “daqueles tem pos” . 2“ ed. E nfoque C ristiano de la Ciência.

A Teolo­ g ia d o Sécu lo 20. p. . Alan R ichardson. JU E R P . 55 C o m en ta K uyper: “A liberdade da ciência não consiste em lieenciosidade ou ileg alid a­ de. (1975). que quando a autoridade deste nos cam pos da A stronom ia ou da Física se pôs na tela do juízo.” (A braham K uyper. C iência e P esquisa em P sicologia: U m a Introdução.. sendo u m a fig u ra fundam ental na transição do pensam ento hum anista-renascentista para o Ilum inism o57.]. a qu in tessên cia do p en sa­ m en to ren ascen tista foi a obra. 56 A lan R ich ardson. Calvinism o. seguindo Alfred Nort W hitehead (1861-1947). S ão P aulo. G ren z. D o m esm o m odo: S tanley J. Schaeffer. G ren z & R o g e r E. E m certo sentido.C a p it u l o 3 . 54 V isto q u e a pesquisa é “ o m eio que os cientistas têm para verificar suas hipóteses. P ós-M odernism o: Um guia pa ra en ten d er a fd o s o fia do n osso tem po. B uenos A ires. 57 G ren z acentua com perspicácia que “ sob diversos aspeetos. São P au lo ..54 visto que um dos basilares da pesquisa científica é a sua “au­ tonom ia” . o sistem a religioso sofre tam bém as conseqüências.q uem re v o lu c io n o u o m étodo c ie n tífic o . 12.” (S tanley J.”56 De fato. S chaeffer. Bacon colocou as pa­ 53 F. testar suas idéias. B acon flo res­ ceu no lim iar d a Idade da R azão. p. 1.. R io de Jan eiro . V ida N ova. ainda que em nosso discurso a nossa perspectiva seja m ostrada com o um a das possíveis interpretações. D ’0 1iveira. N o vu m O rganum .58 N o frontispício da prim eira edição do Novitm Organum.com batendo o m étodo dedutivo de Aristóteles (384-322 a. Sião. p. p. foi com o se a fé cristã m esm a tivesse sido atacada im piam ente. [de] F rancis B acon.. <4 Igreja no F inal do S écu lo 20.96.C. L a B ib lia En La E dad de la Ciência.”53 Estes pressupostos não devem significar um atrelam ento determ inante da pesquisa. p.. m as em ser liberta de todos os laços artificiais. O lson. é com um os hom ens confundirem as suas interpretações com a própria verdade. já não consigo im aginar um a conclusão “racional” diferente. que quando um sistem a religioso se vincula a um a determ inada concepção “científica”.. M as o fato é que a Ciência M oderna. “São Tomás havia cristianizado a A ristóteles com tanto êxito. V d. conform e já obser­ vamos. 1988. 2" ed. Francis Bacon (15611626) . B aeon. 1976. o bservar os fatos. Devem os notar tam bém .). P o lu içã o e a M o rte do H om em : U m a P ersp ectiva C ristã da E co lo g ia . (rev isla). diz: “A ciência m oderna surgiu porque estava cercada por um a estrutura de referências cristãs. 5). 58 F. observa que.. porq u e não estão enraizados em seu princípio v ital. E m bora fruto d a R enascença. que teve a sua gênese no século 17. 15).14. 1997. portanto. p. su sten to u que a ú n ica esp eran ça da ciên cia estav a na in d u ç ã o . D F. 51. B rasília. liberdade indispensável para o seu avanço. E dilora C ultura C ristã. suas teorias. A visão de B acon lançou os fundam entos da sociedade tecnológica m o d er­ n a. Q uando sou possuído por um a interpretação. F. 133).A. 2“ ed.. p. 2003. p. não estava em princípio dissociada da fé cristã. E ditorial P aidos.55 não significando isso um a ausência de pressupostos e m esm o de desejos. 21. ele m arca a transição da R enascença p ara o Ilu m in ism o [. 12. 94.O P e n s a m e n t o M o d e r n o 221 Schaeffer. A. A nossa perspectiva tende a assum ir um tom “final” . filosófica ou ideológica e esta se torna ultrapassada.” (M aria M artha H.

disse: “A C iência não d eve portanto perturbar-se em nossa Fé.89. pretendem que. sobretudo para os ignorantes. C on tud o. e o saber se m ultiplicará. d ep ois da palavra de D eu s. 1. m ais en g e n h o so s. o hom em que p esso al­ m en te ex p erim en to u a esm agadora im ensidade das coisas e su a m iserável d issociação . a filo s o fia natural. é interior ao M undo. um a v e z que um a (as Escrituras) torna m an ifesta a vontade de D e u s. o sentido que dizem as Sagradas Escrituras a respeito dos que querem penetrar nos m istérios d iv in o s. entendendo que a filosofia nada pode contra as Escrituras.60 M Cf. é a m elhor m ed icin a contra a su perstição. m esm o depurada.7). será m ais fácil atribuir-se os ev en to s singu lares à m ão e à férula d ivin as . 1974. constatar-se-á. tenho a convicção dc que não existe m ais poderoso alim ento natural p ara a vida religiosa que o contacto das realidades cien tíficas bem com preendidas. parecem tem er que a in vestig a çã o da natureza acabe por subverter ou abalar a auto­ ridade da religião. O utros tem em que. feita po r Jo sé A luysio R eis de A ndrade. antes.o que pensam ser do m áxim o interesse para a religião. se se ignoram as causas segu n d as.”39 B acon dem onstra crer na suprem acia da fé sobre a razão. R J. 64-65. p. Ele diz: F in alm en te. e o alim ento m ais su b stan cioso da fé. P etrópolis.” ( C iência e Cristo. N a verda­ de. foi quase que totalm en te barrado o a cesso à filo so fia . Q u anto a m im . d e sc o n fia ssem e d u vid assem da firm eza da religião e do im pério da fé sobre a razão e. o cientista católico. tenho certeza. no r ecesso de suas m entes e no segred o de suas r efle ­ x õ e s. B acon. Vozes. en raizado no M undo. A lg u n s. N ovum O rganum . p o r sua E n carn ação . O utros. Outros finalm ente. 68. procuram ‘agradar a D eu s pela m entira’ (Jó 13. . O hom em que viv e h ab itualm ente na com panhia dos elem entos deste m undo. tem essem o risco da in v estig a çã o da verdade na natureza. m ercê da in fâm ia de algun s te ó lo g o s. ajudar-nos a m elhor conhecer. por isso .este. A este respeito. outra (a filo s o fia natural) o seu poder.4: “M uitos o esquadrinharão.222 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n tem porân ea lavras do texto bíblico de Daniel 12. c o m o se o s hom en s. em sua sim p licid ad e. p. M as estes d o is últhmos tem ores parecem -n os saber inteiram ente a um instinto próprio de anim ais. P icrre T eilhard de C h ard in (1881-1955). até ao coração do m enor dos á to m o s. “ F. tem em que a in vestigação m ais profunda da natureza avan­ c e além dos lim ites perm itidos pela sua sob riedade. no ta n° 71. ao contrário. os m o v im en to s e as m udanças da filo s o ­ fia acabam por recair e abater-se sobre a religião. com p reen d er e ap reciar a D eus. bem consideradas as e o isa s. por suas análises. ela é a sua fiel serva. pp. N in g u ém com o o H om em debruçado sobre a M atéria com p reen d e até que ponto o C risto. transpondo. em 1921. para os que se v o lv em para os segred os da natureza. à refe rid a ed ição da o b ra de B aco n . Por isso . pelo e x em p lo . e d essa forma distorcen d o. a filo s o fia natural é ju stam en te reputada c o m o a m ais fiel serva da religião. ad q u ire um a consciência m ais aguda que ninguém tanto da im ensa n ecessidade de u n id ad e que im pele o U niverso sem pre para a frente quanto do inaudito futuro que lhe está reser­ vado. cuja exp loração não está além de m aneira algum a interdita. D eve. 43).

) que é A utor do bem e Pai das lu z es. B acon. pp. sem pre e em todos o s lugares. sentia-se com o sendo ‘um sum o sacerdote no livro da natureza. 62 F.W. X II).O P e n s a m e n t o M o d e r n o 223 O suprem o m otivo de esperança em ana de D eu s (. L eith.129.). m as co m o Senh or de tudo. religiosam ente obrigado a não alterar nenhum jo ta ou til daquilo que havia agradado a Deus escrever n ele. p. sua duração se esten d e da eternidade à eternidade. 61 F. N ew ton . R estilu a-se ao h om em e s s e poder e seja o seu e x er eíc io guiad o por um a razão reta e pela verdadeira r elig iã o .62 O astrônom o luterano63 alem ão. I. A R eligião e o D esenvolvim ento da C iência M oderna. Johannes K epler (1571-1630) que procurou dar precisão m atem ática às descobertas de N. escreve: E sse Ser govern a todas as co isa s. 62. N o vu m O rganum ... 64 A p u d M ichael G reen. foram cientistas que reconheceram o poder de D eus na natureza.. A bril C ultural. 63 Cf. com o sacerdotes de Deus. C am p an ella. 37. m as e le dura e está presente.”66 N.65 Tomás C am panella (1568-1639). B aco n . (s. São P aulo. H ooykaas. 1973..) D eu s é o m esm o D e u s. ele govern a todas as e o isa s que são ou pod em ser feitas.). O D eu s Suprem o é um Ser eterno. afirm ou (1602) que “a verdade do Evangelho é conform e a natureza. 65 Cf. . V ida N ova. N ovum O rganum . p. O M u n d o em F uga.. m as eterno e infinito. 1988. (O s P en sad o res. G. Johannes H irschberger. DF.’”64 Ele entendia que os astrônom os. “sentia-se com o se estivesse ‘pensando os pensam entos de Deus após E le’. isto é.descobrindo as leis dos m ovim entos dos planetas. reconhecendo a soberania de Deus. p. e por causa de seu d om ín io eo stu m a -se ch am á-lo Senhor D eu s (. p.d. John H. 95. 173-174.nos seus Princípios M atem áticos (1687). 68.ainda que pese o fato dele conceber um m undo ordenado que funcionava segundo as suas próprias leis67 . Vol. não encontrando nenhum a contradição entre sua fé em Deus e as suas pesquisas científicas. não co m o a alm a do m undo. p. R. direitos que lhe c o m p e le m por dotação divina. absolu tam en te p erfei­ to (.. Copérnico (1473-1543). 137. 146. (. Copérnico (14731543) . A R eligião e o D esenvolvim ento da C iência M oderna. infinito. 1997.). p. E d ito ra U n iv ersid ad e de B rasília. P endão R eal. A C idade do Sol. 67 Cf. São P aulo. H istó ria da F ilosofia M o d ern a . R. “ T. Galilei (1564-1642). L eibniz (1646-1716). 1. no exam e do livro da natureza deveriam glorificar a D eus. N ewton (16421727) e G.93. E le não é eternidade e in iín itu d e. B rasília.C a p ít u l o 3 .. apesar de sua filosofia ter um forte teor panteísta. 1... A Tradição R eform ada: U m a m a n eira de se r a com u n id a d e cristã.61 Q ue o g ên ero hum ano reeupere os seu s direitos sobre a natureza. S ão P au lo . E le é eterno e in fin ito. sua presença do infinito ao infinito. ele não é duração ou esp a ço . p. H oo ykaas. on ip oten te e on iscien te. 274.

através de sua experi­ m entação . 27. p o is a perfeição é.) A ssim c o m o um h om em c e g o não tem idéia das cores. E onde não hou ver quaisquer lim ites. m as o que a su bstância real de qualquer c o isa é. pp. p. havendo p ensadores m edievais. escreveu na sua M onadologia: . (S uplem ento) sobre “E sco lástic a” . tod avia nenhum afeta o outro. L eibniz. A partir de C opérnico (1473-1543). p. Ora. [Vd. está entrelaçada em toda parte. S e g u e -se daí que D eu s é absolutam ente perfeito. É o que ch am am os D eu s. nem d e v e ser ele adorado sob a representação de qualquer c o isa eorporal. 68 Isaac N ew ton. A razão últim a das co isa s d ev e encontrar-se num a su bstância necessária.111. Abril C ultural (Os P ensadores.. 1974. 67. A bril C ultural. e não pod e por­ tanto nem ser visto . A autoridade de A ristóteles foi questionada e relegada à “crendices” m edievais. há um só D e u s. M onadologia. . ex clu íd o s os lim ites ou res­ trições nas c o isa s em que o s há.existindo autonom am ente com o disciplinas em píricas independentes. sem nada externo ind ep en dente dela. nem ou vid o. havia se libertado da teolo­ gia70 . Vol. S ão Paulo. n ós tam bém não tem os id éia da m a­ neira pela qual o tod o-sáb io D e u s percebe e entende todas as c o isa s. p ois a virtude não pode subsistir sem substância. 70 A p esar de ser ponto pacífico o fato de que na Idade M édia a F ilosofia estava atrelada à T eologia. por sua vez. parece-n o s que isto não é um dado uniform e. apenas. nem tocado. sen d o esta substância razão su ficien te de tod o aqu ele porm enor que.W. E le é com p letam en te destituído de tod o corp o e figura corporal. S ão P aulo. e e sse D e u s é su ficien te.desenvolveu-se. na qual o porm enor das m o d ifica ç õ es só esteja em in en tem en te.. 12571. a grandeza da realidade num a rigorosa m ente. V ocabulário T écnico e C rítico da F ilo so fia . M artins F ontes.. quer dizer. m as tam bém su b stan cialm en ­ te. A ndré L alande. 26. Vol. (O s P en sa d o res. N e le . § 3 8 -4 1 . que esta ­ vam m ais p ro p en so s a fazer o oposto. (.. E sta suprem a substância única. P rin cíp io s M atem áticos. a p erfeição é absolutam ente in fin ita/'51 N otem os. n ós não s a b e m o s /’“ Leibniz em 1714. pod e tam bém ju lg a r-se que não é su scetív el de lim ites e que con tém o m áxim o p o ssív e l de realidade.que. a B íblia desfrutava o status de autori­ dade em assuntos espirituais e A ristóteles era a autoridade em questões científicas. X IX ). T em os id éias de seu s atributos. que na Idade M édia. seguindo argum entos de A nselm o (1033-1109) e de Tomás de A quino (1225-1274). o m étodo experim ental que perm ite a com provação ou não das hipóteses. A história e a ciência gradati vãm ente vão se em ancipando da filosofia . são todas as co isa s contidas e m ovidas. 1974. X tX ). e sim p les resultado da sua p ossib ilid ad e. m G. por sua v e z. em D eu s. S ão P au lo .224 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n tem porân ea E le é onip resente não som en te virtualm ente. universal e necessária. c o m o na origem . 1993.

tam bém não encontrou lugar para o próprio ho­ m em .. en tre outros. sem pre cria um a ex p ectativa extraordinária e exagerada..a filosofia. p.. L a B iblia En La E dad de la C iência. e. N o século 20. de que D eus e o hom em eram partes do m ecanism o e poderiam afetar a operação do processo de causa e efeito Assim se desenvolveu a ciên­ cia. (Vd. um a ciência que tratava do m undo natural e real que. com a R evolução Industrial a ciência tornou-se cada vez m ais “m aterialista” . A “m oderna ciência m oderna” seguindo esta linha de raciocínio. F. H endrik van R iessen. .0 P e n s a m e n t o M o d e r n o 225 Aos poucos. Esta com preensão m oderna era resultado natural do desco­ brim ento da existência de outros povos e culturas e da aplicação do m étodo em pírico. em bora sustentasse a uniform idade das causas naturais.G.” conform e observou R ichardson. S ão P aulo. atestam a ig n o rân cia co n tem p o rân ea do que seja o hom em . A M o rte d a R a zã o . p rim eiro. p. A Ig reja no F in a l d o S écu lo 20. 1999. essa hipótese não co n ta. A “autonom ia” pretendida pela ciência não significa o abandono da fé cristã.era um a ciência natural porque tratava de coisas naturais.. 11 A lan R ich ardson. C osta. A ntro p o lo g ia Teo­ lógica: Uma Visão B íblica do H om em . O que parece estar resolvido vem a ser um novo m istério. considerou D eus desnecessário. tam bém . 12ss. segundo. que depois de um período de decadência entra em período de fortalecim ento.72 O irônico disso tudo. 17. N essas épocas ela vive a es­ p eran ça de que através de um a séria investigação ela resolverá o enigm a do m undo. “D eus não pertence ao cam po da explica­ ção científica e portanto. Jung (1875-1961). ainda não se havia tornado naturalista. com o assinala H endrik van R iessen (1911. p. Tais cientistas nutriam a con­ v icção. porém . é que a “toda-poderosa” ciência que não tinha lugar para D eus.A. S ch aeffer. p.”71 A Moderna Ciência Moderna A o que parece.A. 71 Vd. 5). E m vez de dim inuir. não concebia a Deus e ao hom em com o presos dentro do m ecanicism o. antes.).C a p ít u l o 3 .escreve Schaeffer . “A C iência m oderna nos seus prim órdios . e o fim de todo o conhecim ento é então novam ente a triste e às vezes desesperadora con­ 71 F. pois. M as sem pre depois dessa fervente expectativa chega a velha desilusão. mas longe estava de ser naturalista. !7 ss. os pensadores m odernos passaram a falar de um a nova física e nova geografia. hom ens d a estatu ra de M artin H eidegger (1899-1976) e C. p. S chaeffer. 109ss.73 B avinck (1854-1921) com enta: “ . de que D eus pro p icio u co n h ecim en to ao hom em conhecim ento de Si próprio e tam bém do universo e da história.). (V d. que soava para alguns com o um estorvo no cam inho do verdadeiro pensar. distanciando-se da concepção de Deus. os problem as aum entam com os estudos. H erm isten M. na ciência com o tal. P. 31. ela estava repleta de valores cristãos. 32. E nfoque C ristiano de la Ciência. passando a estar preocupada com as necessidades apa­ rentem ente em ergentes.

o n o sso mar. N o lugar do D e u s cristão e do reino das id é ia s p la tô n i­ 7-4 H erm an B avinck. 94. p. A Religião dentro dos Lim ites da Sim ples R azão. H erm isten M. talvez nunca e x istisse antes sem elh ante ‘mar aberto’. D eus em N ietzsche. K ant. I. 20.16 Essa “m aioridade” foi saudada jubilosam ente por N ietzsche (18441900). 25. C osta. o s filó s o fo s e ‘esp íritos liv r e s’ sen tim o-n os irradiados co m o por um a n ova aurora pelo relatório de que o ‘velh o D eu s está m orto’.75 M ais tarde. In: E.já c o m eç a a lançar suas prim eiras som bras sobre a Europa. 4 “ ed. que caracterizaria bem o pensam ento ilum inista.. São P aulo. pp. n o sso s c o ra çõ es transbordam de gratidão. 12 p. São P aulo. ainda que recon h eçam os que não está brilhante. Vd. que em 1882 escreveu: O m ais im portante d os ev en to s m ais recen tes . B a k er B ook H o u se. 367-389. A terra ocupa lugar de deus. F ilosofia e F é C ristã. 76 E d ição b rasileira. G rand R ap id s. K ant. N a realidade. The Jo yfu l W isdom. dc pressentim en to e de exp ectativa. e n ­ frentando todo o perigo. o mar. n o sso s n avios podem finalm en te sair para o mar aberto.ilustrou bem o espírito “pós-m odem o” na sua fam osa definição de Ilum inism o. Fondo de C ultura E conóm ica. (O s P ensadores. 1983. num artigo para um a revista. 1987. que a crença no D eu s cristão se tornou ind ign a de crédito .”74 I. m ais um a vez fica aberto diante de nós. M en oridad e é a incapacid ade de se servir do seu próprio in telecto sem a orientação de um outro.que ‘D eu s m orreu’. Vol. . pa­ rece que o horizonte está aberto de n ovo. S ó a e le s próprios se d eve tal m enoridade se a causa dela não lbr um d e fe ito do in telecto m as a falta de d e c isã o e de coragem de se servir d ele sem guia. C o n v en ce n d o -se de que D eu s m orreu.R 226 a íz e s d a T e o l o g ia C on tem porân ea fissão de que o hom em cam inha sobre a terra em m eio a enigm as. 77 F ried rich N ietzsehc. O u r R ea so n a b le F aith. V ida N ova. Q ue es la llustracion?. p. K ant escreveria um livro. n ós. F in alm en te. de assom bro. M éxico. X X V ). Kant. A p u d C olin B row n. Em 1784. p. e que a vida e o destino são um m istério. todo risco é perm itido outra v ez para quem tiver discern im ento.77 Zilles com enta: A partir da m orte de D e u s tudo é reavaliado. Kant (1724-1804) . 1974. M ic h ig a n .de quem voltarem os a falar . São P au lo . em 1793. A R eligião D entro d o s L im ites da Sim ples R azão. 275. 7> 1. 1984.P. A bril C u ltu ral.. F ilosofia de la H istoria. o hom em se abre livrem en te para suas p o ssib ilid a d es. 1996. p. 3a reim presión. K ant perguntou: “O Que é o Ilum inism o?” Ele respondeu: O Ilu m in ism o é a em an cip ação de um a m enoridade que só aos h om en s se devia. ‘Sapere aude! Tem a coragem de te servires do teu próprio in te le c to !’ é o lem a do Ilu m in ism o.

p. não pode descobrir a Cristo . o hom em fala para o h om em . a ob­ servação de Pierre Teilhard de Chardin. p.” já não há m ais lugar para Deus. H cndrik van R iesscn. A O pção C onservadora. Se um a so cied ad e p lan ificad a é cien tificam en te correta. no entanto. G richka B ogdanov & Igor Bogdanov. N ão há lugar para a oração. p. Assim .82 78 U rb an o Z ille s. sendo que os dois resultam na rejeição do C riador e na neg ação da criação . num a conferência em Paris. E n fo q u e C ristiano de la Ciência. 110 H arold O. J. J. S ão Paulo. ” Vd. S ão P aulo. 81 P ierre T eilhard de C hardin. B row n captou bem a polarização da m ente m oderna ao d izer que: “A m ente secu lar do século 2 0 v acila entre dois extrem os. 1983. N este se n ti­ do. tornou-se escravo do seu próprio saber. O homem tornou-se prisioneiro da sua própria concepção da realidade. p. já não necessita de D eus. 43). se so m o s b em -su ced id o s apenas em salvar a T eologia. fican d o en carcerado pelos próprios valores d este século. tendo um a perspectiva equivocada da realida­ de. 158 p. . vai um a advertência de K uyper especialm ente a nós. com o conseqüência disso. arroga-se no direito e na possibilidade de descartar o Senhor da Glória. Vozes.” (H arold O. É realm en ­ te in sen sato lim itar-se à salvação de seu quarto superior. o seu conceito o aprisiona. e. 171.80 E. org. Reform ados: S e nos c o n so la m o s com o pensam en to de que p od em os sem perigo deixar a c iê n c ia secular nas m ãos de n o sso s op on en tes.”81 Aqui. veja-se: Jean G u itton. O hom em .7“ O hom em m oderno na sua pretensa auto-suficiência propõe-se a con­ trolar todas as coisas. que ele consciente ou inconscientem ente .ajudou a for­ mular. todavia. enquanto o resto da casa está em cham as. faz o m undo m ais profano e o distan cia ainda m ais dc D eu s. C alvinism o. 43. Não d eix a d e ser notável a tentativa feita no final deste século dc se conseguir um d iálo g o produtivo en tre a ciên cia e a filosofia. m o tiv ad a por suas pressuposições. C iência e Cristo.”79 e até m esm o incôm oda. N ova F ronteira. In: S tanley G undry. P etrópolis. em direção ao m etarrea lism o . in v o ­ cando sua p ossib ilid ad e suprema: o su per-h om em . nem para a b ênção de D eus. Teologia C ontem porânea. p. partindo do pressuposto teológico da existência dc D eus. sozinha. 1 9 8 1. assum indo um a postura secular autônom a. 42ss. não o real. 1992. 1974. C ada passo que sc dá nessa direção. n o ssa s táticas serão as do avestruz. 367). 82 A braham K uyper. 145. nem para a graça divina. B row n. der a solução defin itiv a e determ inada. ele disse: “A C iência.” (H en d rik van R icssen . não terá lugar p ara D eus.C apítulo 3 . A p ó s a m orte de D eu s. Não nos cabe adentrar à “m oderna ciência m oderna” .O P ensam ento M oderno 227 cas p õ e a terra. RJ. Deus torna-se um a “hipótese desnecessária. quando muito. M undo C ristão.m as o Cristo sacia os anseios que nascem em nosso coração na escola da C iência. “ S em pre que a ciên cia. este é retido em algum lugar som brio da m em ória. esse desconhecido para si m esm o. E nfoque C risliano de la Ciência. F ilosofia da R elig iã o . P au lin as. Em 27 de fevereiro de 1921. parece-nos oportuna na conclusão deste tópico. p. D eus e a C iência. R io de Janeiro.m as não im punem ente . quando ele considera o seu m undo perfeitam ente elaborado dentro dos m oldes daquilo que ele cham a de “ciência.

ss E sta co m p reensão esteve sem pre presente no pensam ento teológico da Igreja. depois de D eus. Introduccion a la Teologia Sistem ática.L .4. que d izer das so b ren atu rais?” (B. 1998. p. 1993.228 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a O Deus Soberano: O Princip ium E ssend i de todo Conhecimento E nquanto que o conhecim ento hum ano é lim itado.. onde q u er que ela h aja de aparecer. 96. p. “ .. 100-165): ". podem os concluir daí algum as coisas: 1) Deus é o principium essendi de todo conhecim ento. cis cm que co n siste o cristia­ n ism o . a consci­ ência total da perfeição e am plitude do Seu conhecim ento. p. o conhecim ento de Deus é im ediato e com pleto. em b o ra D eus tenha colocado este desejo no m ais profundo do coração h um ano. 110). A s in stitu ía s. A g o stin h o (354-430): “ Todo bom e verdadeiro cristão há de saber que a V erdade. 1976. ao escrever: “A últim a ten tativ a d a razão é reconhecer q u e há um a infinidade de coisas que a ultrapassam . que m al haveria em em pregar. B arth accnlua: “ A vcvelação é um círculo fechado o n d e D eus é o sujeito. o fará rejeitar as ficçõcs supersticiosas q u e se en contram até nos L ivros sa grados. 122). para sua glória. o V erbo.” (K arl B arth. abarcando todas as idéias que estão expressas nas obras de sua criação. (O s P ensadores. é p ropriedade do Senhor. E ste trabalho. 269. O m esm o E spírito divino que deu revelação a am bas está ainda presente. naturalm ente. 35a cd. P ensam entos.L .. 1973. São P aulo. 19. 2) toda verdade é proveniente de D eus. H oeksem a. IV. S trong (1835-1921): “ A C iê n c ia e a E scritu ra lançam luz um a sobre a outra. 110). visto que toda verdade p rocede de D eus. . cap ac itan ­ do o cren te a interp retar um a pela outra c então progressivam ente ch eg ar ao conhecim ento da verdade.. S ão P aulo.” (Justino. B. cito al­ guns exem plos: Justino M ártir (c. 1973.” (A. nem a desprezarem os. X V I). 104). II. B laise Pascal. porque nós adoram os e am am os. Ibidem . um a vez reco n h ecid a e p ro fes­ sada. II. P ascal (1623-1662): “S ubm issão e uso da razão. P araclcto s.” (C alvino.. M ichigan. 15.” (Tom ás de A q uino. p. R efo rm ed D ogm atics. expressou bem a com preensão do lim ite da razão. Strong. B crk h o f. p orquanto o m esm o proccde de D eus. T . p. T he Judson Press. p. 1991. p erten ce a nós. PA. C alvino (1509-1564): “ Se rep u ­ tam o s scr o E sp írito de D eus a fonte única da verdade m esm a.. A D ou trin a C ristã. (T t 1. V III). A bril C ultural. T om ás de A quino (1 225-1274): “N inguém pode cntregar-sc à pesquisa da verdade divina sem m uito trabalho e diligência. R cvclar-se-á fraca se não chegar a pcrcebc-lo. P aulinas. 27). S ú m u la C ontra os G entios. A lém d isso. nem a rejeitarem o s. Ele Se conhece perfeitam ente. Vol. P ois. X III. m uito poucos estão dispostos a assum i-lo por am or à ciência. IV. que procede do m esm o D eus ingênito e inefável. Possui um conhe­ cim ento arquetípico de todas as coisas criadas. Segunda A p o lo g ia . 7). 84 H.” (B. M ichigan. São P aulo. 1995. p. 67). R cform cd F rec P u b lish in g A sso ciation. inclusive o científico. cm q u al­ q u er p arte on d e se en contre. 19). A. 318]. A. o objeto e o term o m édio. p.15). (Os P ensadores. não devem os rcjcitá-lo.E . 267. Pascal. p.” (A g o sti­ nho. Hodge. visto que todas as eoisas procedem de D eus. p. IV. A bril C ultural. System atic Theology. La P roclam acion dei E vangelio. Tudo o que de bom foi dito por eles (filósofos). a m enos que queiram os ser insultuosos para com o E sp írito de D eu s. A s P astorais. São P aulo.. Pascal. E ssa verdade. que é a sua fonte inesgotável. Vol. H odge (1823-1886): “Toda verdade é um só todo” (A.S5 por­ 81 L. portanto. 3" ed. G rand R apids. ele conhece todas as coisas em suas relações e na sua essência: “D eus é a origem e a fonte de todo nosso conhecim ento.A. P au lu s. p.” 83 Deus com o fonte de todo conhecim ento tem . G rand R apids.12). se algum ím pio d isser algo verdadeiro. S. São P aulo. logo. 1-1. só alcançando um co­ nhecim ento científico das coisas e suas relações através de um processo laborioso de pensam ento dialético. E sboços de Theologia. tudo quanto pode ser co rretam ente usado dessa form a?” [C alvino. cristãos. tendo ciência de toda a Sua perfeição: “Em si m esm o Ele é sujeito e objeto de todo conhecim ento.”84 Q ualquer tipo de conhecim ento parte de Deus. (1 9 7 3 ). se as coisas naturais a ultrapassam . Valley Forgc.2.

B erkouw er. C om grande satisfação li a declaração de P ackcr: “A tradi­ ção n os p erm ite ficar sobre os om bros de m uitos gigantes que pensaram sobre a B íb lia antes de nós. 72. A. que corre sem pre atrás dos m odism os científicos e filosóficos para adaptar a Teologia. El C uerpo G lorioso de Cristo.O P e n s a m e n t o M o d e r n o 229 que “todas as coisas procedem de D eus” . m “A teologia tem a tendência dc ajustar-se a m odas.A.86 portanto. O P o d er d e D eus.I. São Paulo. logo.não pode ser m ais rico do que a P alavra de Deus. V III). K uiper. B erkouw er. A S T E . está laborando em erro. org. A P essoa de Cristo. E le faz cintilar a beleza dc C risto no coração su rp reso . 71). 1. C o nfissão de Westininster. com o recurso valioso para co m preender a B íblia com resp o n sab i­ lidade. Por outro lado. os credos do cristianism o. e absolutam ente sem atentar para as ên fases do u trin árias ou as m odas teológicas que passam . o nosso sistem a dou­ trinário. E ditora C ultura C ristã. p. São P aulo. é porque ou há um a com preensão errada da fé ou. Por isso é preciso que haja hum ildade de am bas as partes: do teólogo na interpretação da Palavra de D eus. p. M ich ig an . C onform e já citam os. com o bem observou B erkouw er: “P o rventura a E scritura não é m ais rica do que qualquer pronunciam ento eclesiástico..” (R . 88 “N ão d ev em os supor que tem os toda a verdade e que não estam os enganados em nada. Abril C ultural.. p. Súm ula C ontra os Gentios. com entou: “Já que a palavra de D eus ultrapassa o enten­ dim ento. 1. C.” (J. p. 72. Tozer. 70]. p. p. 3) A ciência e a fé não se contradizem . desde os prim eiro s Pais até o presente. p. 71. 1998. A braham Kuyper. C.e eu estou convencido de que é . com o a filosofia” (A. (O s Pensadores. não pode haver contra­ dição em Deus m esmo. M undo C ristão. Tozer. Tozer. sem pre em subm issão ao E spírito de D eu s. A P essoa de Cristo. São Paulo. A s P astorais. V d. “O E spírito sem p re diz a m esm a coisa a todo aquele a quem E le fala. H odge. 137-138. 7. pp. 70). C ontudo. Eles estavam convencidos de que a p ro clam ação da ig reja cristã não poderia originar-se da filosofia ou de q u alq u er co sm ovisão auto- .C a p It u l o 3 . 1986. C alvinism o.1 G. E sboços de Theologia. p. S uas obras teológicas m ais incisi­ vas en co n tram -sc em seus serm ões e com entários bíblicos. 1985.B . Todos ju n to s. São P aulo. B erkouw er. 87 Tom ás dc A quino. P o d em o s co n clu ir pelo consenso do m aior e m ais am plo corpo dc pensadores cristãos. p. 1973. O C onforto do C onservadorism o: ln: M ichacl H orton. D entro desta m esm a linha de pensam ento. C. A P essoa de Cristo. 2“ ed. p. (T t 1. portanto.10. T im othy G eorge observa que “Os refo rm ad o res eram grandes exegetas das E scrituras Sagradas. 318.”93 86 Jo ão C a lv in o . alguns acreditam que ela esteja em contradição com ele. 99).W .8) é o criador das verdades científicas. G rand R ap id s. R elig iã o de P oder. escrev eu K uipcr: “ . a ciência não é ciência. 235). precisam os entender que a P alavra de D eus é m ais rica do que qualquer dogm a. de nenhum a m aneira se aproxim am de esg o tar a v erdade d a S agrada E scritu ra. e o reverente espírito a recebe com um m ínim o de interferência. p or m ais excelente e atento ao Verbo divino que este possa ser?”92 P o r isso.W . 1. tais interpretações (tradições) jam ais serão finais.2 G.. p. S L C . precisam sem pre ser su b m e ti­ das às E scritu ras p ara m ais rev isão . J 2). G. Isto não pode ocorrer.. o critério últim o de análise será sem pre “O E spírito Santo falando na E scritura.” (A.89 E preciso que nós teólogos entendam os que trabalhar com a teologia não sig­ nifica dizer sempre coisas novas.88 sem cair num dogm atism o ingênuo nem num relativism o dogm ático. 70).87 o m esm o d oador da fé (E f 2.W . O P o d er de D eus. V II. por m elhor que seja .” (A. 1964. quando am bas parecem contraditórias.90 em bora reconheçam os “as situações novas que am eaçam a salvação dos hom ens”91 para as quais devem os buscar na Palavra a resposta.” [Tomás de A quino. Packcr. m Cf. com acuidade. O P o d er d e D eus.

todo e qualquer conhecim ento científico que o hom em te­ nha é parte do conhecim ento de Deus expresso na Sua criação. sem a sua revelação livre e soberana. com o bem acentuou B avinck (1854-1921): “Q ualquer ciência. N en h u m a outra p ro clam ação possui direito ou esp eran ça na igreja.29. ^ A b ra h am K uypcr. e do geral para a lei que governa acim a dele. porque não foi carne e sangue quem to revelou. 313). v5 H erm an B avinck. At 1. 20.17). O u r R easonable Faith. nem tem os m edo de pensar porque sabem os que toda verdade é verdade de D eus e a razão corretam ente conduzida e o exercício da gen u ín a ciência não oferecem perigo à fé. N inguém conhece o Filho senão o Pai.6-16). N ão p o d eria ser nada m enos que um a interpretação d as E scrituras. J. perm anecem ignoradas por nós. e desta lei para o princípio que dom ina sobre tudo. Quando. considerando inclusi­ ve o pecado hum ano conform e registrado nas Escrituras. Sim ão B arjonas. “Som ente quando há fé na conexão orgânica do U niverso. E erd m an s. transform a-se em seu próprio opositor e desilude a to­ dos que constróem suas expectativas nisto. até que Deus m esm o nos dê a conhecer de acordo com a sua vontade (Dt 29. U m a teologia que se baseia na d outrina refo r­ m ada das E scritu ras S agradas não tem nada a tem er com as descobertas precisas dos estudos b íb lico s m o d ern o s. então nos referim os ao conhecim ento que podem os ter do próprio Deus. 123. podem os dizer. IC o 2. p. pois ele é o seu autor e revelador. G rand R apids. porque sabem os que os fatos são de D eus. que confessara ser Jesus o Filho de Deus.7. % V d. antes ela só encontrará o seu sentido pleno naquele que é o seu Senhor e para onde todo o real converge e encon­ tra o seu v erdadeiro significado. p. exclam a o Senhor Jesus: “B em -aventurado és. são suas aliadas. m as meu Pai que está nos céus” (M t 16. do seu caráter e m ajestade. deixando Deus de fora de suas considerações.230 R a íz e s d a T e o l o g ia C on tem porân ea O m undo do conhecim ento pertence a Deus. 1988 (R ep rin ted ). M ichigan. filosofia ou conhecim ento que suponha poder firm ar-se em suas próprias pressuposições. tem os de reafirm ar a verdade bíblica de que este conhe­ cim ento provém do próprio Deus. que não existe conhecim ento fora de Deus. a ciência genuína nunca nos afastará de Deus.”94 Jesus Cristo declara: “Tudo me foi entregue por meu Pai. antes.l. C alvinism o. Sem Deus não há conhecim ento. por isso. p. e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (M t 11. haverá tam bém a possibilidade para a ciência subir da investigação em pírica dos fenôm enos especiais para o geral. A creditam os na coerência de toda a realidade. o conteúdo do conhe­ cim ento perm aneceria oculto a nós.”95 P ortanto. A Pedro. desta forma. e ninguém conhece o Pai senão o Filho.” (T im othy G eorge.96 elab o rad a. " F undam entalism " an d the W ord o f G od. nós não tem os m edo dos fatos. Deus é o autor e o conteúdo do conhecim ento. e é justam ente o que acontece conosco em relação às coisas não reveladas. 34. logo.27). P ackcr. A liás. . A Teologia d o s R eform adores. p.

l . por exem plo. Vol. propriam ente com preend id as e organizadas.O P e n s a m e n t o M o d e r n o 231 C ontudo. Ver tam bém : A ndré B iéler. devem os estar atentos ao fato de que as E scrituras não se pro­ põem a fazer ciência. porém E le deu -n os na B íb lia as verdades que. nesse caso. 84.2.C a p ít u l o 3 . 1. ver G il i . porém relata aquelas coisas que em toda parte observou.5. a ciência dirigida pela fé nos aproxim aria de Deus. um dos grandes teólogos Calvinistas norte-am ericanos do século 19." 1. se redigisse o relato da Criação de form a científica absoluta. G rand R apids. . Deus se designou fazer e o fez. que cer­ tam en te não era a dos egípcios e. sim plesm ente pela nossa ignorância científica. pp. pp. que M oisés não fala com agudez filosófica sobre os m istérios ocultos. G ran d R a p id s.já que este não era o seu objetivo . M ic h ig a n . A s Institutos. não é a nossa. escreveu: E le [D eus] não ensinou astronom ia ou qu ím ica aos hom en s. ao com entar G ênesis 1.o que de fato não fez. 85-86. e que igualm ente são com uns aos hom ens sim p les. 571-573. p. Vol. porém E le deulh es os fatos extern os sob re o s quais aqu elas c iê n c ia s sã o construídas. . (G n 1.14).JS C h a rle s H o d g e. B ak er B ook H ouse. D o m esm o m odo. pergunto: entenderíam os hoje o que ele teria dito? A resposta é não. con stitu em a ciên cia da T e o lo g ia .de registrar com term inologia científica os fatos.certam ente o que dissesse seria ridiculariza­ do hoje por ser considerado fruto de um a concepção pré-científica. 1. A linguagem descritiva dos fatos conform e se apre­ sentam à nossa percepção é o m elhor m odo de tornar algo com preensível a todas as épocas. assim . 1986. W m . M ic h ig a n .p . concedendo-nos um a com preensão mais adequada d e le .98 D entro da perspectiva de Calvino. C om m entaries on The F irst B o o k o f M o ses C a lled G enesis. as Escrituras continuariam sendo ridicularizadas. S y s te m a tic T heology. C harles H odge (1797-1878).14: “E necessário relem brar. T am pou co e n sin o u -n o s te o lo g ia sistem ática. escreveu do ponto de vis­ ta fenom enológico. 1981 (R ep rin ted ). Por outro lado. 'w Ver: Jo ão C alvino. M oisés. O P ensam ento E c o ­ n ô m ico e S o cia l de C alvino. sendo isso extrem am ente im pressionante se consi­ derarm os que ele teve um a form ação prim orosa dentro dos m oldes egípcios e conseguiu rom per com ela .”97 Ou seja.15. tam bém . sem a preocupação . E e rd m a n s P u b lish in g Co. A crescentaríam os: Na hipótese de M oisés ter escrito conform e os padrões científicos de sua época . 3. o próprio C alvino (1509-1564) destacou isso. inspirado por Deus.7 Jo h n C alv in .

50. 349 e 3 50).25. Definindo Termos “O rtodoxia” é um a transliteração da palavra grega. III. V I .5 ).2 . A bril C u ltu ral. S. c. E u séb io tam b ém fala da “ v erd ad eira o rto d o x ia” (H E . IV ).13) e Ôó ça. 1151 a 19.. P latão (4 27-347 a.eo nvertido através de P aulo em A tenas. com o aqueles q u e rep re sen tav am a “o rto d o x ia da Ig re ­ j a ” [E u seb io d e C e sarea. b isp o de B ostra.3 1 .). 82].nem nos escritos seculares ou cristãos até o 2a século1.21/V . “o rto d o x ia e e le siá stic a ” (H E ... fF edro.G. Vol. É tica a N icô m a co .. p. “o rto d o x ia a p o stó lic a ” (H E .14. B erilo .no entanto.W illiam Warburton (1 6 9 8 -1 7 7 9 ).8. C lem en te e O ríg en es. IV .C . usou a p alav ra “o rto d o x ia ” com alg u m a freq ü ê n cia.” .. C hesterton (1 8 7 4 1936). que é com ­ posta p o r duas outras: Òp0óç. V II.. E u séb io d e C e saréia. S ão P aulo. V. . Òp0OÔO^ia. Vol. IV.2). 325 A D . (O s P en sa d o res. as quais E usébio d iz que eram “ eatequeses de o rto d o x ia” (H E .Capítulo 4 A Ortodoxia Protestante «ra 0<fcK íí>0 zrin- “A ortodoxia.18.2). com o se n ti­ do d e “reta o p in iã o .22). h eterod oxia é a d oxia de outra p e sso a ” . H isto ria E c le siá stic a . Hb 12. A bril C u ltu ral.36. “doutrina.. III.2 /V I. qu e se to rn ara bispo de C orinto escrev e carta às Ig rejas. p.27). V l.7). bisp o de G loucester. Livraria Tavares M artins.33. (O s P en sa d o res. 1972.1). p. “au to res o rto d o x o s” (H E . “certo”. 1973. (D o rav an te citad o com o H E )]. (B ib lio teca de A u to res C ristian o s. “ opinava retam en te” (H E .) nos fala do “reto ju íz o ” (= “ m ente re ta ” ) ( v o ú ç Ò p 0 ó ç). 3 8 .10.” òpBoôo^la não aparece nas Escrituras . III). 5 a ed. O r to d o x ia . M adrid. III. 1974. “O s m aterialistas e o s d oid os não têm d ú vid as. m eu senhor. D ion ísio ..A . V I.C .K.” [A ristóteles. L a E d ito rial C a tó lica. “direito” (At 14. referin d o -se a Irin eu . é m inha doxia.6 .23. São P aulo.2 3 . Vols. 368].4. 73a. Porto.. o sentido nos 1 E n co n tram o s ap en as o verbo Ò p 0 o 8 6 ^ e iv em A ristó teles (3 8 4 -3 2 2 a. “ o rto d o x ia da sa n ta fé ” (H E . 1973. “opinião” . entre os árabes.

P etrópolis..28. E usébio de C csaréia usaria a expressão aludindo aos en sinam entos de P aulo de S am osata (Vd.2.18). E usébio diz que Paulo “caiu (. 1998. 53. V II.. “ Se alguém ensina outra doutrina (8T £poôlôaG K aÀ . com a elaboração dos “cânones de fé” [Sínodo de N icéia (325). 1984. V 1I.. era ele quem co ntrolava todas as p alav ras e obras d e Jesus.iç) do céu. deste m odo.14.2). E ste poder. H erm isten M. 325.1. c. ram o da M acedônia.. 2T m 2.29.”2 Este sen­ tido opõe-se à “heterodoxia”.5 quando a Igreja decidia as questões pertinentes à fé conform e os padrões adotados. Paulo escreve: “Quando. (Eusébio. l C o 15 .”4 A palavra “ortodoxia” parece ter ganho força no sentido eclesiástico.. m ais detalh es.£i) e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo. e com o ensino segundo a piedade.” E le ensinava que Jesus era orig in ariam en te um m ero hom em (E u séb io .3 -4 ). (V d. assim descrita por Paulo: “Q uando eu estava de viagem . p. E usebio de C esarea.3). C alcedônia (425)] e com o reconheci­ m ento do Cânon Bíblico [3o Sínodo de C artago (397)].1).. Jesus era o filho adotivo de D eus. quando recebeu o poder (5 \)v a|0 . diz: “Não vos deixeis iludir pelas doutrinas heterodoxas. O L ogos o cap acito u a ex ercer um m inistério especial e. H E . V. Até onde se sabe. (V d.. 2C o l l . 2000. o que se harm onizasse com este padrão era considerado “ortodoxo”. A ssim . H E. no entanto. porém .”3 N a Carta aos Esm irnenses.30. 8ss).9). H E . portanto. Jesus foi elevado a um a posição in term ed iária en tre D eus e os hom ens. 2 . O bispo de R om a. nem pelos velhos m itos sem uti­ lidade. N a Carta aos M agnésios.) da ortodoxia d a fé” (H E.l 7 . vinda a nós.. R J.. V II. A Inspiração e In errâ n cia das E scrituras: U m a P erspectiva R efo rm a d a . 110 AD).I. 5 Vd. 29. V.15.. S ão P aulo.. 30. Introdução à C ristologia. 12. Jesus não é essencialm ente divino. a sua “ div in d ad e” era apenas de “h o n ra ” .. 1 ln: C a n a s de S anto Inácio de A ntioquia... p.” (lT m 6. V II. que passou a residir na pessoa hu m an a de Jesus. V III. foi o grande d ifu so r do ch am ad o “ M onarquianism o D in âm ico .6-9. escreve: “C onsiderai bem com o se opõem ao pensam ento de Deus os que se prendem a doutrinas heterodo­ xas a respeito da graça de Jesus Cristo. Òp0OTCo5oó3oiV TtpÒÇ xriv á W i G e i a v T O Í E to Y Y e X io u .11. C onstantinopla (3 8 1).2. te roguei perm anecesses ainda em Efeso para adm oestares a certas pessoas a fim de que não ensinem outra doutrina (fetep oôiôaaK a^ eiv)” (lT m 1. p. 3 ' ed. M ais tarde.27. 2 “. 80. co n fo rm e o e s ta b e ­ lecid o p o r D eu s em S u a P alav ra.” O N ovo T estam ento o fere ce-n o s o u tro s texios q u e insistem no ensino do verd ad eiro E v an g elh o . bispo de A ntioquia por volta do ano 260. 4 . A co n sciên ­ cia de ser o p o rtad o r do L ogos foi crescendo g radativam ente em Jesus a p artir do seu batism o. a partir do 4° século. sendo ele ex co m u n ­ gado..1) e àqueles que se desviaram das E scrituras para ensinos “heterodoxos” (H E.3). bispo de A ntioquia o prim eiro escritor c ris tã o a u sa r a e x p re ssã o “ h e te ro d o x ia ” p ara se re fe rir aos falso s ensinam entos (c.1. C o m o sabem os. ela “ocorre p ela g raça” . qu alificou-o para um a tarefa especial.28. .2). Vitor. de “ ad o ção ” e não de essência. E ditora C ultura C ristã. VI. sendo elevado a um a p o sição superior no b atism o .P. V ozes.2.24. vi que não procediam corretam ente (Òp0o7to8éco) segundo a verdade do E vangelho. C osta. tentando disciplinar as Igrejas da Ásia.234 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a é dado em G1 2. foi Inácio. R m ! 6 . In: H erm isten M.. P aulo de S am osata. C osta. 4 ln: Ibidem. G l 1. V I. São P aulo.P. alegou que elas eram heterodoxas (H E. Seus en sin am entos foram condenados no S ínodo de A ntioquia (268).

143. elaborando com riqueza de detalhes os posicionam entos teológicos da igre­ ja. J.A O rto d o x ia P r o te s ta n te 235 o que era contrário era “heterodoxo. citad o com o C B T E L ).P C osta. dentro da H istória da Teologia há um período denom inado de “O rtodoxia P rotestante” ..”8 O term o “O rtodoxia” é norm alm ente em pregado pelos protestantes para se referir ao sum ário das doutrinas defendidas pelos R eform adores e em geral aceitas pelas Igrejas da Reforma.. Editorial Verbo. R E D . corresponde à verdade. é conhecido na H istória da teologia protestante. 3) O que aquela comunidade ou grupo professa. m ais precisam ente.f] (descanso. seja em que campo for. Vd. que se caracte­ rizou por um a preocupação profunda e sistem ática pelo rigor doutrinário. conform e a com preensão da am plitude da revelação bíblica.C a p ítu lo 4 . 70. p. crê p ro fessá-la em seu sistem a.”6 Posteriorm ente. Conceituando O período entre a R eform a e o Ilum inism o ou. passim . C yclopaedia ofB ib lica l. com o “Escolasticism o9 Protestante. N esse caso. O rtodoxia: In: E H TIC . se baseia nos seguintes pressupostos: 1) O hom em pode conhecer a verdade. O rth o d o x y : In: P hilip S chaff. II. A Form ação da Europa Cristã. V II. 7 Vd. (D o rav an te. vagaroso. A In sp ira ç ã o e In e rrâ n c ia d a s E scrituras: U m a P ersp ectiva R e fo rm a d a . O rthodoxy: In: CBTEL. H arp er & B ro th ers. N ova York.” “O rtodoxia Protestante” ou “C onfessionalista”. Podem os dizer que este período consistiu na sistem atização das doutrinas da R efor­ 6 Vd. daí a observação abrangente de Trevor-R oper. ainda que a posição ortodoxa não se considere neces­ sariam en te p ro p rie tá ria ex clu siv a da verdade. 460. p. III. F ra n k lin S q u are. * Hugh Trevor-Roper. orgs. consagrar o seu descanso a. 1894. enquanto sistem a de pensam ento. de que “um a das grandes vantagens da ortodoxia é o ím peto que im prim e à difusão do co­ nh ecim en to . org. D este m odo. p. V II.I. dedicar todo o tem po ao aprendizado) que é derivado de a% oX áÇ co (estar o cioso. p. o século 17. Vol. a p alavra “E scolasticism o” fora em pregada de form a dep reciativ a pelos h u m a n ista s p a ra d e s ig n a r a filo s o fia m e d ie v a l. John M ’C lintock & Jam es S trong. 4 6 0 b . a n d E c c le sia stic a l L iterature.) e C%oA. ser discípulo. ’ C o m o sabem os. a Igreja O riental se declarou “Santa O rtodoxa A postólica. T h eo lo g ica l. 1707a.. O rthodoxy: In: Rev. e é justam ente sobre isto que vam os tratar nas anotações deste capítulo. (s. P u b lish ers. P ara um a substanciai d o cu m en tação so b re isto. 2) A verdade é conhecida. ser ortodoxo signi­ fica estar de acordo com os princípios da Reform a. Vol. Contudo. p. H erm isten M .d). etc. Lisboa. .”7 A “O rtodoxia”. D ev em o s nos lem b rar q u e os P ais da Ig reja e alg u n s C o n e ílio s u sav am com certa freq iiên eia a ex p ressão “c â n o n ” (Kavcóv) p ara d istin g u ir o s en sin am en to s da Igreja cristã das heresias qu e surgiam . A p a la v ra “ e s c o lá s tic a ” p ro v é m do g reg o a%oXacraKÓç (deso cupado. Packer.

M assachusetts. " C f . (V d. orgs. C hristian Theology: A n lntroduction. p. O rthodoxy: In: E B . e H. p. 3 1 8 ). (V d. D icio n á rio d e F ilo so fia .” (N. M estre Jou. P or outro lado. S inodal. e à atividade m ilitar pelo outro. p. em vez de se renovar pelo contato im ediato da o bservação e da vida. 16. 69. P rolegôm enos à dogm ática cristã: ln: C ari E. C larendon P ress. 6" ed. 10 Cf. 1993. 52ss. Vocabulário T écnico e C rítico da F ilosofia. H istória da Teologia. 171. um a tendência para se fech ar em teses ou questões tradicionais fo rm u la­ das de um a vez por todas. Jo h n H. com o tendo sido arquitetada a partir dos escritos de Teodoro de B eza (1519-1605). p. considerando o trabalho . 1 9 7 3 . p. ( P a v a u a í a ) . um retorno à idéia grega. 1967. H istó ria E conôm ica e S o cia l da Id a d e M éd ia. p. cicio ser este o espírito. co erên cia e consistência que o adjetivo envolve. C ari E. M cG rath e P iep k o rv to m am co m o ponto de partida para a definição deste período o ano da m orte de C alvino (1 564) (V d. com o sendo algo degradante para o ser hum ano ( p a v a w í a ) está associada à “vida e hábitos de um m ecân ico ” . São P aulo. Jcn so n . São P aulo. com o já fizem os m enção algures. R efo rm a tio n T hought: A n ln tro d u c tio n . 2a ed. há de certa form a. 259. 70). P orto A legre. Tom ás de A quino (1225-1274). R S .. p. Vol. a posição ocupada pelo trabalho era regida pela divisão gradativa de im p o rtân cia social: O radores (eclesiásticos).. p. pp. São L eopoldo. O term o “E sco lástic a” é usado por d eriv ação para “to d a filosofia que assum a a tarefa de ilustrar e defender racionalm ente um a d eter­ m in ad a tradição o u revelação relig io sa. I. os eclesiásticos. co m su as v ariáveis. A rthur C. P endão R eal. D o gm ática Cristã. perm aneceu do século 9o até o 15-16. passe à vida eterna. m as conservar-se na condição em que cad a um nasceu. L alan d e com enta: “ No sentido pejorativo.Vol. P ioneira. até que desta vida m ortal. N o entanto. 16. podem os o bservar o seg u in ­ te: N a Idade M édia. -4 É tica P ro testante e o E spírito do C apitalism o. 1997.no sen tid o m anual. A bbagnano. devem os estar sem pre atentos ao sentido real de p recisão .). O rthodoxy: In: E ncyclopaedia B rita n n ica . P irenne. (H. d escanso. S egundo a Ig reja C a tó lica “a fin alid ad e do trabalho não é enriquecer. Piepkorv. X V I. C am b rid g e. A lister E. M artins F o n ­ tes. E stes pequenos contrastes servem para ilustrar a o bservação do luterano . considerado “eticam ente n e u tr o ” (Vd. (V d. Na visão de São Tom ás de A quino (1225-1274). São P aulo." rep o u so . 128b). 1990. 2“ ed. B raaten. A bbagnano. São P aulo. 57. L eith. L eith. ao ócio. 1997.10Livro que contém todos os sím bolos aceitos pela Igreja Luterana. M estre Jou. Vol. M ax Weber. A rthur C. e a “O rtodoxia R eform ada” . m etaforicam ente é aplicada a “ m au g o sto ” e “v u lg arid ad e” . São P aulo. O seu m aior rep resen tan te é in d iscutivelm ente S.. A liste r E. 263. 67ss). 1126a. p. o trabalho era no m áxim o. C asa P ublic adora C o n ­ có rd ia. A Tradição R efor­ m ada: U m a m aneira de se r a com unidade cristã . 1982. 1982. e inferior à (<J%oVn). 172-173). 1973. Ibidem . a qual se esm era po r sua precisão. diz-se quer daquilo que apresenta um caráter exagerado de fo rm alism o (ex cesso de divisões. 1126b. 1126b). O rthodoxy: In: E B . Q u anto à palavra. P rocurar riqueza é cair no pecado da avareza. 326b). p. O p ensam ento escolástico. p. “E sco lástic a” com o “filosofia cristã da Idade M édia” (E scolástica: In: N. o cu p an d o um lugar proem inente.236 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a ma. B engt H agglund. p. A Tradição R eform ada: Uma m aneira de ser a com u n id a d e cristã. de distinções. quer do que m anifesta um ar de esp írito escolar. L eith. S ão P aulo. 326a) era em p reg ad a na Idade M édia para se referir à “ filosofia da esco la” . Piepkorv. por um lado. p. repouso. “ arte m ecân ica”. No caso da designação “E scolasticism o P ro te s­ tan te” . A in d a na Idade M édia. p. B lackw ell P ublishers.. N orm alm ente a “O rtodoxia Luterana” é colocada a partir do Livro da Concórdia (1580). B raaten & R obert W. a p alav ra às v ezes é em pregada de lb rm a pejorativa. R S . O xford. G reek-E nglish L exicon. Piepkorv. Zanchi (1516-1590). 1973. no seu ócio e abstrações “ teológicas” é que tinham a p rio rid a­ de. 1993.” interpreta P irenne. M cG rath acentua que o período entre 1559-1622 é caracterizado pela ênfase d o u trin ária (A lister E. John H. M cG rath. L iddell & Scott. 1935. D esta form a. A renúncia do m onge é o ideal a que toda a so cied ad e deve aspirar.” (E sco lástica: A n d ré L alande.. P en d ão R eal. M c G rath . D efensores (guerreiros) e L avradores (ag ricu lto ­ res). A pobreza é de o rig em d iv in a e d e ordem pro v id en cial. estudo). A rthur C. à vida contem plativa e o cio sa (a% oWcÇcc). de raciocínio in verbis). 19). 1973. M cG rath. C hristian Theology: A n ln tro d u ctio n . pp.

4 2-52). p.” (R ich ard A. não foi porque os teólogos dessa época en­ sin aram tal p rática. que consiste em separar a doutrina da piedade individual ou. C onform e M uller.C a p ít u l o 4 . M ackintosh (1870-1936). Todavia. 1964.” (C ari E. 11. e a B íb lia foi m ais um a v e z u tilizad a sem um a p ersp ectiv a crítica e h istórica.. 1. The N ature a n d D estiny o f M an. B raaten. de que “a o rtodoxia do cristianism o reform ado estava definida com m uito m enos elareza do q u e a lu teran a. em confundir a fé em Cristo com o m ero assentim ento intelectual a determ inadas doutrinas tidas com o fundam entais à fé Cristã. 1. 188. A B íb lia foi c o n sid e r a ­ da não som en te co m o um livro isen to dc erros e co n tra d içõ es. A B íb lia . especialm ente nos cam pos da exegese bíblica e da história eclesiástica. significa. Na religião. foi e s tu ­ dada co m o p o ssu in d o um n ív el ú n ico dc valor te o ló g ic o . 1700-1790). a O rtodoxia pode ser dividida em três período: “O rtodoxia P rim itiv a” : (c. p. M ackintosh.A O r t o d o x ia P r o t e st a n t e 237 A denom inação “Escolasticism o”. (R ichard A. m as tam bém c o m o sem d e se n v o lv im e n to ou p rogresso. Ladd (1911-1984): O s resu ltad os o b tid os p e lo s estu d o s h istó rico s da B íb lia . M ichigan. 1. B aker B ook H ouse. aplicada a este período da teologia protestante. C harles S c rib n e r’s S ons. JU ER P.. para servir de a p oio à doutrina ortod oxa. Vol. realizad os p e lo s reform ad ores. pp. M uller. 1964. seguindo de certa forma. P o st-R efo rm ation R efo rm ed D ogm atics. “um a disposição de ânim o intelectual que pode invadir qualquer tem a em qual­ quer época. S eg u n d o M uller. P ost-R eform ation R efo rm ed D ogm atics. N ova Y ork. G rand R apids. 1985. B u en o s A ires. 1565-1640). L add. 20. lo g o se perderam no períod o im ed iatam en te após a R efo r­ m a. . Vol. p. Teologia do N ovo Testam ento. na visão de Hugh R. 57).13 N iebuhr (1892-1971) chega a dizer que esta ortodoxia era “estéril” e na qual a experiência da “justificação pela fé” degenerou-se em “justiça de crença. “A lta O rtodoxia” : (c.. Vol. se isso ocorreu. p. R io de Janeiro. é o espírito da lei que se im põe ao espírito do Evangelho. ' 12 H ugh R. 11 G eorge E. no seu todo. M uller. Vol. A H istória foi co m p leta m e n te absorvida p e lo d o g m a e a filo lo g ia torn ou -se um ram o da d o g m á tic a . u R ein h o ld N iebuhr. O resultado foi o estancam ento teológico. 14. escreveu George E. 17). p. 1640-1700) e “O rtodo xia T ardia” : (c. M ethopress E ditorial.” 12 N o m esm o diapasão. C orrientes Teológicas C ontem porâneas: D e Sch leierm a ch er a Barth. 1987. C ertam ente a ênfase acentuada e por vezes isolada na teologia trouxe algum as anom alias que geraram um a atitude perniciosa.” 14 C reio que as colocações feitas por M ackintosh. essa d esig n ação des­ crev e “ o lado técnico e acadêm ico do processo de institucionalização da doutrina P ro te stan te. em ­ bora tam bém saiba que eles não partilham sozinhos deste conceito. P rolegôm enos à dogm ática cristã: In: D ogm ática C ristã. um clichê repetido tantas vezes um tanto irresponsavelmente. N iebuhr e Ladd são extrem am ente negativas em relação ao “Escolasticism o P rotestante” . 14ss. m as sim devido a um d esv irtu am e n to da ênfase B raaten .

Paul Tillich (1886-1965). 15 S o b re a q u estão d a T eo lo g ia e P ied ad e. p. de d iscu ti-la e refutá-la. 308-309). pp. (Vd. org. a ênfase na fidelidade doutrinária não eqüivale a um desm erecim ento da piedade cris­ t ã . 1963. S tanford R eid.). d ev em o s e sta r a te n to s ao fato de q u e a visão preconceituosa desse período tem feito com que não consigam os enxergar as contribuições positivas da teologia sistem atizada nessa época. procurando apresentar a doutrina pura e com p leta de D e u s.P..15 P o r o u tro lado. en ten d e John H. O s te ó lo g o s ortod oxos não eram leig o s em teo lo g ia . B runner e Tillich. d e se n v o lv id a s em contraste com a C on tra-R eform a. Berkhof. S ão P aulo. 251. T eologia S iste m á ­ tica : P ro leg o m en a . em con­ flito com a vida e a piedade da Igreja. D o m esm o m odo. W. ignorantes do que queriam d izer o s c o n c e ito s que em pregavam na interpretação bíblica. quando eu fa lo de ortodoxia. N ão podem os sim plesm ente identificar a ênfase num ponto. Robert Godfrey observa acertadam en te q ue “o d esen v o lv im en to da teo lo g ia esc o lá stic a não pode ser caricaturizado com o um exercício acadêm ico. L eith.) os te ó lo g o s ortod oxos irabalharam ob jetiva e construtivam en te. Hodge. E mais. Strong. 2000. C reeds o f the Churches. árido e irrelevante.” 16 A credito que um exam e m ais detido deste período revelará a sua im­ portância com o elem ento fundam ental para que a R eform a pudesse ter sobrevivido e finalm ente triunfado teologicam ente. O fato de perm ane­ c e r e m na tr a d iç ã o d o s r e fo r m a d o r e s n ã o o s im p e d iu de c o n h e c e r profundam ente a te o lo g ia e sc o lá stic a . d ep o is que o m ovim en to d in âm ico da R eform a ter­ m in o u . das quais som os herdeiros diretos ou indiretos. A. É a siste m a tiz a ç ã o e a c o n s o lid a ç ã o d as id é ia s da R e fo rm a . p.. A n ch o r Books. H erm isten M. enquanto form a eclesiá siica dc vida e pensam en to. e até m esm o dc aceitá-la quando era o caso. 133. com o se significasse a exclusão dos dem ais. do hom em e do m undo (. V d. Vol.17 A ortod oxia protestante era construtiva (.238 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a apresentada. Shedd. Em outras palavras.. . I. poderem os des­ cobrir os clássicos de Teologia Sistem ática. C alvino e o C alvinism o nos P aíses B aixos: In: W. H istória do P ensam ento C ristão. P oderíam os cham á-la de esc o lá stic a protestante.. Barth. C on heciam tam bém a história da filo s o fia e a teo lo g ia da R eform a. refi­ ro-me à m aneira co m o a R eform a e siab cleceu -se. C o sta. 1988. São P aulo. m esm o não sendo um teólogo “ortodoxo” . N ova York. A STB . 17 P aut T illich. 16 W. Sabiam m uito bem o seu sig n ifica d o ao lo n g o de q u inze sé c u lo s de história da igreja já p assad os. C a lvino e S ua In fluência no M undo O cidental. enfatiza em diferentes lugares a im portância do Escolasticism o Protestante: A ortod oxia c lá ssica relacion a-se com um a grande teo lo g ia . A ssim . com todos o s refinam entos e m étod os que a palavra ‘e s c o lá s tic a ’ in clu i. passando por C harles e A. R o b ert G odfrey.

1986. § 360. Sinodal. B arcelona. Isto porque a suposta irrelevância de A ristóteles não era unânim e. escrevendo em 1469. A S T E . p. os estudos de nível secundário na A lem anha não deixam de ter. p.) ter perdido em grande parte a sua força desde a Renascença. 101 ss. 90ss. |. The In te lle c tu a l O rig in s o f The E uro p ea n R e fo rm a tio n .. 26ss. p. ela perm aneceu com o m atéria de estudo em m uitas universidades. que é 18 Paul T illich . São P aulo. M elanchton (1497-1560)22 um “em inente hum anista. 36.) (U niversidade de Pádua. Vol. H istó ria da F ilosofia. 191 ss.”21 Entre os protestantes. A liste r E . E ditorial P resença. P ersp ectiva s da Teologia P rotestante n o s S écu lo s 19 e 20. P or isso. Por essa razão deve-se evitar um julgam ento precipitado da época da ortodoxia. 1993. p. na qual dizia: “Am o a Platão e am o a Aristóteles.. São L eopoldo. A bbagnano coloca a questão nesses term os: “ O s platônicos viam no platonism o a síntese do pensam ento religioso da A n tig ü i­ d ad e e. an alogias com os dos colégios católicos. no regresso ao platonism o. p. G u illerm o F raile.) e aqueles que sustentavam a suprem acia de A ristóteles (384-322 a.C. 1981. Jo h an n es H irschberger.C. A R enascença: ln: M aurice . L a E ditorial C atólica. 1966. por exem plo.” (N icola A bbagnano. Vol. 1961. fundada em 1222). p. p. 231.”23 na U niversidade em W ittenberg (1518). Os aristo télico s viam no arislotelism o o m odelo de ciên cia naturalista e. 3“ ed. § 353. C am b rid g e.” 'lJ Elementos Geradores Para que possam os fazer um a análise objetiva deste período. 5. F ederico K lim ke & E usebio C olom er. A Educação Formal da Época A pesar da filosofia de Aristóteles (384-322 a.A O r t o d o x ia P r o t e st a n t e 239 Tudo isso faz da ortodoxia c lá ssica um d os grandes ev en to s da história do p en sam en to cristão. R S. 109ss. H istória da F ilosofia M oderna. § 360. H istoria de la F ilosofia.” (M aurice D ebesse. em sua ép o ca.. B lackw ell P ublishers.por considerar que Platão se aproxim ou m elhor da verdade do cristianism o . A F é C ristã A tra vés d o s Tempos.J B ernhard L ohse. p. M elanchton não rom pe com o hum anism o d a P ré-refo rm a. 2a ed. venerando a am bos com o dois hom ens sapientíssim os. 22 "D e caráter conciliador e am ante da erudição. H istória da F ilo so ­ fia . Ph. L isboa. 5. 385ss. H isto ria d e la F ilosofia. M assach u sells. Vol. 1984. no regresso ao naturalism o. M c G rath . m esm o sendo partidário da suprem acia platônica . 3" ed.C. a condição do renascim ento religioso. quando escreve: “N aque­ la época levou-se extrem am ente a sério a questão da verdade. p o r co n seg u in te. o ren ascim ento da p esquisa na n atureza. analisa B ernhard Lohse. um a obra intitulada: Contra um C aluniador de Platão.. 109). N icola A bbagnano. 21 Vd. p. tem os que considerar alguns pontos ligados ao seu contexto histórico.procurou adotar um a atitude conciliatória.18 Da m esm a form a. III.20 O Cardeal Basílio B essarion (1403-1472). E ditorial Labor. 20 V d. p o r conseguinte. Houve debates prolongados entre aqueles que defendiam a superioridade da Filosofia de Platão (427-347 a. M adrid.C a p ít u l o 4 .

p.. E le estim ulou em W itten b erg o estudo das M atem áticas. A bbagnano & A. Vol. do que a adoção dos m esm os m eios po r p arte da Ig reja C atólica R o m an a .” (M artinho L utero. Tratado das Ciências. p. foi quem escreveu a p rim eira o bra de T eologia S istem ática do período da R eform a. 3 9 ). tese 29. 183). org. M elanchton insistia: “Q uem quer que hoje. M esm o havendo dúvida em d eterm i­ nados círcu lo s p ro testantes a respeito do hum anism o. Vol. 25 Sob a influência de Beza. (Vd. 43.” (Paul M onroe.). 1987. R en é H ubert.E . 72).L . M elanchton (1497-1560). à retórica e à F ilosofia prática. C o m panhia E ditora N acional. São P aulo.”Sc A ristóteles tivesse conhecido o poder absoluto de D eus. o rganizadores. (*) S o b re A ristóteles. M éxico. ap resentando ex celente co n trib u ição no cam p o da étiea a p artir do seu com entário da É tiea de A ristóteles. na qual expôs a T eologia R eform ada. N o v en a reim p rcsió n . P hilip S chaff. Conrado Gesner. S inodal/C oncórdia. 79). No entanto. 1992). 41]. C o m p an h ia E d ito ra N acional. O A lice rce da A u to rid a d e B íblica. T cd. 38). 2f) Cf. H istória da F ilosofia M oderna. H istó ria da P edagogia. a d espeito do pensam ento c o n trário de L u tero (* ). p. Jerônim o Zanchi (1516-1590).26 D eb esse & G aston M ialaret. 139. L ouis. Vol. 11a ed. sob p retexto d a religião. [Cf. tese 34. em Estrasburgo (1553) e depois em Heidelberg (1568). Vol.J.24 Pedro M ártir Vermtgli (1500?1562). T he In tellectu a l O rigins o fT h e E uropean R efo rm ation. p. usando a lógica aristotélica. EHT1C. com o já vim os em outro lugar. Christian T heology: A n Introduction. e assuntos se m elh an tes. p. H istória da P edagogia. “L u te ro reco n h eeia o valor do filósofo grego para a política. O D ebate de H eidelberg (1518): ln: M a rtin h o L u te ro : O bras Selecionadas. o seu aristo tclism o à dialética. P olítica. Tractationes Theologicae (1570-1582) (3 Vols. RS. G erstner. H istória da E du ca çã o . E scolasticism o P rotestante: In: W alter A. H istória da F ilosofia M o d ern a . p. B eza exerceu um a influência considerável sobre os R efor­ m ados. A lister E. 1976. pp. C o m ­ pan h ia E d ito ra N acio n al/E ditora da U niversidade de S ão P aulo. F raile. T . bem com o de h isto riad o res e o rad o res da antiguidade. p. T odavia. 23 G. L. pp. H istória da F ilosofia M o d er­ na. G rand R apids. p. R cné H ubert. em Oxford (1548). (V d. p. é m ais feroz do que um urso e m ais ím pio do que jam ais foram os epicureus turcos. O D ebate de H eidelberg (1518): ln: Ibidem . P h ilip S chaff. O historiador Paul M onroe (1869 -1 9 4 7 ) diz: “N enhum a prova m ais concludente pode ser citada para dem o n strar a eficiên cia das esco las p rotestantes com o fatores de reform a dos m ales sociais e eclesiásticos e dc estab elecim en to s de igrejas. I38ss). C oncordia P ublishing H ouse. H isto ry o fth e C hristian C hurch. 44. a L ógica S ilogística de A ristóteles veio a ser um com ponente essen cial no cu rrícu lo da A cadem ia de G enebra. a retórica. São P aulo. p. (refundida). conform e assinala John H. 1932. abom ina as boas letras. 234). continuaram dando ênfase ao pensam ento aristotélico. (Vd. 1967. V II. (Vd. H isto ry o fth e C hristian C hurch. B oice. para a revitalização do pensam ento de A ristóteles na A lem anha. L utcro disse: “Q uem quiser filo so far. p.P edagógicas. H istoria de la Pedagogia. tam bém : G uillerm o F raile. p. 194).L . E lw ell.sem perigo em A ristóteles p recisa antes to rn ar-sc bem tolo em C risto .” (M artinho L utero. (L o ci C om m unes. ainda que não do m esm o m odo Escolástico. 1990. São P aulo.240 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a considerada “a M eca do protestantism o” .. São L eopoldo/P orto A legre. ele q u e su ced eu a C alvino na A cadem ia de G enebra. Visalberghi.. da L íngua G rega. II. A lister E. 33. 369-370). St. p. V II. V anderm olen. 2J Cf. intitulada L o ci C om unnes (abril de 1521). M elanchton tinha um caráter sistem ático: ele contribuiu. intitulando-o de P h ilo so p h ia e M o ra lis E pitom e (1535) (Cf. M cG rath. M ichigan. H ebraica e L atina.” (John H. G erstner. as esco las p ro testan tes d esem penharam um relevante papel social e religioso. A D outrina da Igreja S obre a Inspiração B íblica: In: Jam es M . ter-lhe-ia sido im p o ssív el afirm ar que a m atéria p erm anccc por si m esm a. Vol. F ondo de C ultura E conóm ica. Johannes H irschberger. 39-40). 1977. A R efo rm a teve um a influência m aior sobre a educação do que o H um anism o. lim itando con tu d o .25 em Genebra (1558).” (A pud N. R . Introduccion a la Teologia Sisteniatica. 1. p. 260). org. N ela M elanchton se­ gue a o rd em da E p ísto la aos R om anos. . lecionando teologia d urante quarenta anos (1 5 5 9 -1 5 9 9 ) e escrevendo entre outras obras. 11. M cG rath. em Zurique e Teodoro de B eza (1519-1605). B erkhof. p. 3 6 8 -3 7 0 .

172. C a lv in o e o C alv in ism o nos P aíses B aixos: In: C S IM O . A T radição R eform ada: U m a m a n eira de s e r a co m u n id a d e cristã . a disputa entre L u te m (1483-1546) e Zuínglio (1484-1531) a respeito da Santa C eia (1529) e as controvérsias calvinistas posteriores referentes à predestinação (Dort). M as esta ab d icação form al da vontade. A bril C u ltu ral.” (J. (O s P ensadores. procurando m anter um sistem a coerente.31 A Confiança da Razão Os teólogos posteriores à R eform a estavam m ais abertos às exigências da razão. dispostos a exam inarem as im plicações decorrentes desta ou daquela doutrina. o jesu itism o p regava a d outrina da subm issão e p roclam ava a obediência sistem ática (. 2‘J “R e ag in d o contra a ex p lo são violenta do h ero ísm o dos h o m en s da R e n ascen ç a. 1973. J1 C om a sua ironia coslum eira. pois o jesu itism o soubera conciliar a transcendência com a realidade. nas m ãos dos confessores e m inistros de D eus. X X III). e da Inquisição. contribuindo para a elaboração de um pensam ento sistem ático e coeso. inevitavelm ente. H istoria de P ortugal.recuperava terreno desde m e­ ados do sécu lo 16. C airns. bem com o o seu aspecto sistem ático form al. em 1764. 28 Vd.. assim pregada.P. p. W.no espírito do C oncílio de Trento (1545-1563) . (V d. R o b e rt G odfrey.27 De fato. p. O liv eira M artins. fo­ m entaram de form a acentuada a necessidade de um a m aior sistem atização doutrinária. sendo os je s u íta s in stru m en to s p o d e ro so s29 p ara “reconverter os adeptos do protestantism o. 6" ed.”30 tendo o reforço do Index (1543).. diz: “A Inquisição é. com o se sabe. C hristian T heology: A n Introduction. 228]. e o prim eiro princípio da educação: o sacrifício d a v o ntade é um a abdicação real. p. A Controvérsia Protestante “As controvérsias do século 17 eram inevitáveis no desenvolvim ento da vida da igreja.C a p ítu lo 4 . um a invenção adm i­ rável e ab so lu tam en te cristã destinada a tornar o papa e os m onges m ais poderosos e a tornar todo um rein o hip ó crita. num segundo m om ento. 284. 133). e d ar ao m isticis­ m o um caráter prático. 86).).28 A crescente-se a isso um inim igo com um existente: a igreja rom ana que. so bre a “ Inquisição” . num prim eiro m om ento. não era sim plesm ente um a regra de consciência relig io sa. 1901. E arle E. estava rejeitando a autori­ d ade final da Igreja. P arceria A ntonio M aria P ereira L iv raria E ditora. cada vez m ais m inuciosa. L isboa. A lister E. o que de fato houve.. p. estava contribuindo para a existência de com preensões diferentes dentro do pró­ prio Protestantism o. D icionário F ilosófico. Voltaire. p. A ortodoxia protestante dem onstrou ser possível utilizar a filosofia aristotélica sem os pressupostos da teologia rom ana.. padres da C o m p an h ia. 70. L eith. S ão Paulo. E ra um a ordem da m oral p ositiva..” conclui Leith. Voltaire (1694-1778).A .” [Inquisição: ln: F rançois M . Vol. quando a R eform a proclam ou o direito do ju ízo privado. O C ristianism o A tra vés d o s Séculos. escrevendo no seu D ic i­ on á rio F ilo só fico . Tom o II. através da C ontra-R eform a . M cG rath. Portanto. que pudesse ser com pre­ 27 Jo h n H.A O rto d o x ia P r o te s ta n te 241 N esse tipo de form ação. a lógica dedutiva de A ristóteles tinha gran­ de ênfase. . p.

H erm isten M .”34 “Os lim ites entre as diversas confissões foram definitivam ente colocados. têm servido com o baluartes co n tra os assalto s e a desintegração. apresentando um todo siste­ m atizado que pudesse servir de m anual doutrinal e confessional da Igreja.. partindo do princípio de que Deus é senhor de todo o saber. 31 S o b re isso. senão que surgiram de um a fé viva.36 32 Vd. C L IE . p. “O elem ento doutrinário tornou-se m uito mais im portante para a ortodoxia do que para a R eform a. E m 1675.32 Todavia não nos parece que era este o seu desejo.. portan to ... P R . e pela qual está disposta a sofrer se for necessário . 226-227]. C o m eterem os grave equívoco se. não p o d e p o r m enos que ex pressar-se em form as que não tenham validade perm anente [. nos p erm itirm o s crer que são euriosidades arqueológicas..242 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a endido e ensinado. A Igreja P resbiteriana e os S ím b o lo s de Fé.. B arcelona. (1 9 8 8 ). um a época que p o ssu ía um a fé que é capaz de d efin ir-se dc m odo inteligente. 1996. São P aulo. p. antes. . de toda a verdade. e isto praticam ente pela p rim eira vez. 14 Paul T illich. p p . p. L eith. e encerram verdades que nenhum a Igreja pode ab an d o n ar sem certo detrim ento de sua própria vida. onde o elem ento espiritual sem pre teve m ais valor do que as doutrinas fixas.” [Jam es O rr. P ó s-G ra ­ d u ação em C iên c ia s da R e lig ião . M u d a n ça p a ra o F uturo: P ia D esid eria . A F é C ristã A tra vés dos Tempos. Um perigo evidente é a tentativa. Jo h n H. SP. de reduzir a vida cristã à razão.e que. nota 85. Cada igreja estava particularm ente ocupada com a doutrina pura. A T radição R efo rm a d a : U m a m a n eira de se r a c o m u n id a d e c r istã . às g ran d es d outrinas sobre as quais foram estabeleeidas as Igrejas. E stes credos não são produtos ressecados com o o pó. seguindo um a tendência prevalecente [1897]. L ohse. “O s cred o s da R eform a dão. C osta..”35 É nesse contexto que se acham inseridos alguns dos principais C re­ dos protestantes. A Preservação da Sã Doutrina O objetivo dos teólogos desse período foi preservar a doutrina bíblica de heresias. 228.” (P h illip J. Jam es O rr (1844-1913). 1988. 36 Vd. inclusive em período de decaim ento. 172-173. ainda que nem sem pre consciente.. aquelas [a sim p licid ad e e os en sin am en to s de C risto ] to rn am -se-lh e in síp id as.] E stes cred o s se têm m antido erguidos eom o testem unhos. S p en er (1 6 3 5 -1 7 0 5 ) escrev eria: “ Q u an d o o hom em d eix a que o p alad ar se aco stu m e a o u tras co isas atraentes à razão. na sua obra prim a. co n fira p./S ão B e rn ard o do C am po. P. São P aulo. 2000. S pener. com preendendo que tal tarefa é um a prerrogati­ va do homem. 231. p. O P rogresso do D ogm a. 48). A S T E . São produtos clássieos d e um a ép o ca que se co m p razia em fo rm u lar credos.33 lançaram -se em sua busca. principalm ente das heresias rom anas.. eserevendo sobre os “C red o s d a R e fo rm a” disse: “ . esquecendo-se que ela é m ais do que isso. 253. H istó ria do P ensam ento C ristão.. que contribuíram de form a inestim ável para a preservação doutrinária do Protestantism o histórico. com o qual quero dizer. têm form ado um núcleo de reunião e reafirm ação em tem pos de av iv am en to . e talvez têm representado sem pre com preeisão substancial a fé viva da parte espiritu al de seus m em bros. F arem o s bem se não m enosprezarm os o ganho que resu lta p ara nós destas criações do espírito do século 16. E l P rogreso d e i D ogm a. A idade da R eform a se destacou por sua p rodutividade de credos. um a exposição c o n ju n ­ ta d e todos os gran d es artigos da d outrina cristã. 35 B. C u ritib a. E n co n trão E d ito ra/In stitu to E cu m ên ico .

São Paulo. terrivelm ente enfraquecida. (R m 10. B en g l H ãg g lu n d .declarando que a nossa fé deve ser “explícita. surgiram as discussões infindáveis de pontos nem sem pre rele­ vantes. . C alvino. H istó ria da T eologia. p. que era com um aos reform adores.” No . apesar dos ideais nobres. tanto entre os luteranos c o m o e n ­ tre o s reform ados. com m uita freqüência. estes ensinam entos deve­ riam ser inteligíveis ao cristão mais sim ples. D este m odo. que era um a necessidade presente. para que ele pudesse filiar-se à Igreja. que. Esta situação era a m esm a. Com o filho indesejado deste desiderato. B e rk h o f.que era paten­ te na teologia católica . 3<J Q ue ch am a de “espectro p ap ista” [J. no Escolasticism o os teólogos estavam inte­ ressados em reproduzir. P aracleto s.37 que contribuíam para o radicalism o. H istória da Igreja Cristã. o que restava era um m inis­ tério vazio e um enfraquecim ento espiritual da Igreja. L. de form a coerente e abrangente. C alvino (1509-1564) já com batera a “fé im plícita”39 . 2 6 2 . a riqueza da revelação bíblica. penetrando nos porm enores das Escrituras. C asa E ditora Presbiteriana. que certas posições intransigentes eram tom adas no calor da disputa. (. Contudo. 1997. p.T V d. fruto m uitas vezes. gerando um m aior conhecim ento da Palavra de D eus. o oponente tende a seguir um destes caminhos: Ou apela para o sentimento. co nsiderando a autonom ia individual proclam ada pela Reform a.17).. tenta elaborar um sistem a tão bom ou m elhor do que o outro. 1978 (edição rev isad a). fugindo de qualquer sistem atização doutrinária ou. P ois por . o proble­ m a não estav a sim plesm ente na form ulação doutrinária. 375] e.. a intolerância e a perda do espírito bíblico.A O rto d o x ia P r o te s ta n te 243 É digno de menção que. Com o tem os insistido. mas sim nos exageros. E xp o siçã o d e R om anos. conhecendo o que ela cria e ensinava. 80. partindo de um quadro de referência diferente. acredito. 198. In tro d u ccio n a la T eologia. sem m aior discernim ento. N ichols com enta: O e n fr a q u e c im e n to r e lig io s o e as c o n tín u a s d isp u ta s te o ló g ic a s entre luteranos e calvin istas ex p lica m o papel obscu ro do protestantism o alem ão nos prim eiros anos da Guerra dos Trinta A n os. de um co­ ração sincero porém . Outras vezes. que ti­ nham por fim preservar a Igreja do que era considerado herético.) É assim que encontra­ m os a vida religiosa do protestantism o alem ão dep ois de 1648. p.C a p ítu lo 4 .. S ão P aulo. “fé forjada e im plícita inventada pelos papistas. p. no período de controvérsias em que o lado oposto apresenta um sistem a doutrinário solidamente elaborado. A ortodoxia era considerada a característica m ais importante de um m inistro..s R obert H aslings N ichols.31* " A Fé Explícita” D evem os ressaltar. ao m esm o tem po em que a doutrina cristã precisa­ va ser ap resen tad a de form a m ais com pleta possível. O m in istério era pobre quanto à r elig iã o p e sso a l.

E dições P aracletos. depois de um extenso com entário. São P au lo .” [João C alvino. bem com o à nossa ignorância e pequenez espiritual.” (Aç In stitu to s. senão tam bém de sua divina v o n tad e. senão no que nos foi p ro m etid o por D eu s. São P au lo.42 fó im p lícita eles q u erem d izer algo destituído de toda luz da razão. Pois. tam bém 111.7). (V d. m as firm ar o ânim o a m anter a unidade com a Igreja.3).” (C alvino.“É um conhecim ento firm e e certo da vontade de D eus concernente a nós. E xposição de H eb reu s. S erm ones Sobre la O bra Salvadora de Cristo. 1988.40 C om este pretexto. N ão é q u al­ q u er g ên ero de voz que é capaz de produzir le.1. 41 J.23. a f é j a z no co n h e c im e n to d e D eu s e d e C risto (. de o u tra” (J. 270]. a d o r n a r c o m o n om e d e f é à ig n o râ n c ia te m p e ra d a com h u m ild a d e. Ibidem . (H b 11.17).” [J. p. C alvino (1509-1564). (R m 9. nem é lícito saber. C alvino. 1997.” (J. as que pôs a descoberto não negligenciem os. C alv in o . de um a parte. é o cú m u lo d o a b su rd o . deposta a m assa da carne.5ss).4). a avidez de co nhecim ento. “ N em nos envergonhem os em até este ponto subm eter o en ten d im en to à sabedoria im ensa de D eus. C alvino ressalta que devido ao fato de que nem tudo foi revelado por Deus.” [J. Jcnison.” [J. A í Institutos. p. ninguém poderá crer. p o rq u anto a voz divina tem de soar prim eiro para q u e possam os crer. “N ossa fé rep o u sa no fu n d am en to de q u e D eus é verdadeiro. T E L L . 1997. M as para o s cristãos não e x iste fé o n d e não haja co n h e c im e n to . tal c o isa pode ser su ficien te. Se D eus não prom eter. E m outras passagens.21. m uito do que crem os perm anecerá nesta vida de form a im plícita. 111. “F é verdadeira é aquela que ouve a P alavra de D eu s e d escan sa em sua p ro m essa.3. 111. Aç Pastorais. co u sa s e ssa s em que nada pareça m ais co n v en ien te que suspender ju lg a ­ m ento. O r a . “N ossa fé não tem que estar fu n d am en tad a no que nós tenham os pensado por nós m esm os.” (A s Instituías. senão no co nh ecim en to . ou de ingratidão.11) p. dessas co u sas que nem é dado. A lém do m ais. 411Foi com este espírito que C alvino nos advertiu diversas vezes: “As cousas que o S enhor deix o u recô n d itas em secreto não perscrutem os. que nós ig u alm en te im p eçain o s nossas m entes de avançar sequer um passo a m ais. C alvino.lo 17. E xposição d e R o m anos. G álatas. esta verdade se acha contida em su a p ro m essa. 1. e este conhecim ento há de ser não som ente de D eus. que se deixam dom inar pela fé im p lícita. M ichigan. p. “ S erm on n° 13” . para q u e não sejam os co n denados ou de excessiva curiosidade. 25. D esta passag em . 330]. nos hajam os achegado m ais perto à presença de D eu s. Aç Institutos.. III. p. E d içõ es P aracletos. ”Q ue esta seja a nossa regra sacra: não p rocurar saber n ada m ais senão o que a E scritu ra nos ensina. e ainda o hajam de ser. 318].2. 156). (T t 1. 375]. UI. 299].244 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a entanto. um a esp écie d e lo u cu ra.2. porém .” (A s Institutos. 42 João C alv in o. douta é a ignorância.2). senão a que repousa sobre um a única prom essa. C alvino.7.'m (itá lic o s m eus).2. cito aqui algum as delas: “Fé verdadeira. Av Instituías.1). que “separa a fé da P alavra de D eus.23).8). p. “ A fé não consiste na ignorância. pois. C alvino. fu n d am en tad o sobre a verdade da prom essa gratuita feita em Jesus C risto. C alvino d isc o rreu so b re a fé.5). . O nde o S en h o r fecha seus p róprios lábios. revelada ao nosso en ten d im en to e selad a em nosso coração pelo E spírito S an to . que em S eus m uitos arcanos sucum ba.14). (H b 10.” [J. até que. (G1 1. C alvino. (Rm 10. podem os d eduzir a relação m útua entre a fé dos hom ens e a pro m essa de D eus. E xposição de R om anos. é aquela que o E sp írito de D eus sela em n o sso co ração . Em outro lugar: Q ue co stu m e é e sse de professar o e v a n g e lh o sem saber o que e le sig n ifica ? Para o s pap islas.2). p. 111. n ã o na re v erê n c ia à lg r e ja . C alv in o . nos diz: C ertam ente que não n ego (de que ignorância so m o s c ercad os!) que m uitas co u sa s nos sejam agora im p lícitas.

N esse contexto e. ou para os futuros professores de te o lo g ia . 111. N o en sin o d essas doutrinas não se em prega o m esm o m étod o para o p ovo com um e para o s candid atos às or­ dens.19. tenha condições de se posicionar diante de Deus de form a consciente. sendo com o é. KoíTT|%éco = “ensinar” . 41. II. C alv in o . 44 P au l T illich. “instruir” . At 18. “inform ar.. L ulero. G1 6. E is dois m arcos do en sin o orto d o x o : am plitude e sim plicidade. Essas declarações de fé precisavam ser. constituídos. R S.21. m as tam b ém pro v eito so de con h ecer-se.21. e se tornar certo de sua salvação em C risto. C om o se pod e e n s i­ nar a tod os? N aturalm ente. assim . a fé explícita é patenteada pela Igreja através do ensino da Palavra. tendo oportunidade. portanto. o crente teria. e ao m es­ m o tem p o .45 este é o m otivo que contribuiu decisivam ente para a proliferação de catecism os. um a com preensão bíblica da sua fé. 1983. ainda que não exclusivam ente.25. P o rto A leg re/S ão L eopoldo. na qual. diz: C ada in d ivíd u o d ev e ser capaz de con fessar o s próprios p ecad os. assim tam bém nada é en sin ad o senão o qu e c o n ­ v en h a sab er.” (J. ele dará contas de si m esm o ao seu C riador. responsável diante de Deus. objetivavam tom ar clara e objetiva a fé dos crentes. 21. com a prática do latim c grego.). 391. para que o crente co­ m um (não iniciado nas questões teológicas) pudesse entender o que estava sendo dito. .A O rto d o x ia P r o te s ta n te 245 Pelas palavras de Calvino. N esse período são com postas diversas “C onfissões”. co m o n ad a é o m ilid o não só n e c e s­ sário. E ssa e x ig ê n c ia gerava um problem a no protestantism o. com perguntas e respostas. O ser hum ano é responsável diante de D eus. até certo ponto.44 E ssa necessidade determ ina o uso cada vez m ais evidente da razão. Os catecism os visavam servir para instruir as crian­ ças e os adultos.4. com objetivos em inentem ente didáticos. a fim de que cada hom em .6. 45 V d. A s In stitu ía s. P refácio.24. 1986. a fim de apresentar de form a m ais razoável possível a doutrina. precisavam ao mesm o tem po ser sim ples. interpretando esse fato. apenas se tornarm os o en sin o extrem am en te sim p le s. A S T E .. surgem os catecism os (Gr. S ão Paulo. p.” (Cf. P erspectivas ela Teologia P rotestante nos S écu lo s 19 e 20. p. C oncórdia/S inodal.18. de fo rm a sim p les. que além de vi­ sar preservar a sã doutrina. M.C a p ítu lo 4 . C onfrontando este ensinam ento com a Palavra de D eus. C atecism o M aior. ex p eri­ m entar o sig n ifica d o do arrependim ento. 1-6: In: M artinho L utero. da história da e x e g e s e e do pensam en to cristão. sendo que a m aioria deles jam ais passou da 4:1 “ A E sc ritu ra é a esc o la do E sp írito S anlo. podem os observar a necessidade latente do ensino e estudo constante da Palavra de D eus. O s C atecism os.3). E ntretanto. S ig n ifi­ cava que todas as p essoas precisavam ter o m esm o co n h ecim en to básico das doutrinas fundam entais da fé cristã. IC o 14.43 Tillich. ele p recisa conhecer devidam ente a P alavra de D eus em toda a sua plenitude revelada. Rm 2. Lc 1. com pletas.

47 L u tero viajo u pela S axônia E leitoral e po r M eissen. esp ecia lm en te nas aldeias. apresenta tam bém sugestões de com o ensiná-lo à C ongregação. No decorrer dos sete capítulos. 50 P h ilip p J.51 46 P ara m ais d etalh es sobre a elab o ração das C o n fissõ es R e fo rm ad as. H erm isten M. capítulo 176. S ão P aulo. 48 C a tecism o M enor: ln: O s C atecism os. o reconhecim ento da piedade de Johann G erhard (1582-1637). V d. visto que m uitos pastores os elaboravam apenas para a sua congregação local. feita por Spener: A q u e le s que não têm o verdadeiro am or a C risto e n eg lig en cia m a prática da piedad e. 190. 2000. e sse s não alcançam o p len o c on h ecim en to de C risto e a m ais rica c o n c e ssã o do E spírito Santo. Para se obter o verdadeiro. G erh ard .do contrário.). v iv o . nem o s D e z M an dam entos.. 1967.. ou seja. Transcreverei apenas o que Lutero disse a respeito das suas motivações: A lam en tável e m ísera n ecessid a d e experim en tada recen tem ente. quando tam bém eu fui visitador.. 1333b.49 Isto se torna ainda m ais patente. C o sta. nem o C redo. é a citação da obra de G erhard.48 A pesar de exageros de ênfase. E . visando atender às suas necessidades doutrinárias. 51 J. N ã o sa­ bem nem o P a i-N o sso . 107. Spener. A í é p reciso que se acrescen te o am or de C risto. H istó ria da Igreja C ristã.e que se busque com afin co a vida p ie d o sa .246 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a form a m anuscrita. 107. J. M eu D eu s. M u d a n ça p a ra o F uturo: P ia D esid eria . levan ta-se um a barreira contra o E spírito Santo . 363. A Ig reja P resb ite ria n a e os S ím bolos de Fé.50 M ais surpreendente ainda. que haja o cuidad o de não pecar contra a c o n sc iên cia . não é su ficien te ler e estudar as Escrituras. Ph. M ud a n ça pa ra o F uturo: P ia D esideria.47 é que m e obrigou e im p u lsion ou a preparar este ca tecism o ou doutrina cristã nesta form a breve. conform e já m encionam os. ele quase sem pre inicia di­ zendo: “Com o o chefe de fam ília deve ensiná-lo a sua casa” ou “Com o o chefe de fam ília deve ensiná-lo com toda a sim plicidade a sua casa” e ex­ pressões sim ilares. J. W.P. . ativo e salutar co n h ecim en to das c o isa s divin as. H arm onie E vangelistarum (1627). A S T E .46 Lutero (1483-1546) exerceu poderosa influência através de seus C a­ tecism os: O Catecism o M aior (1529) e O Catecismo M enor (1529). sim ples e singela. 11. Spener (1635-1705). in fe liz m en te . p. m u itos pastores são de tod o in com p eten tes e in cap azes para a obra do en sin o (. A p u d Ph. Pia D esideria (1675). Vol. tido com o um dos m aiores teólogos luteranos da ortodoxia. entre 2 2 /10/1528 e 09/01/1529. No prefácio do Catecismo M enor. Lutero declara os m otivos que o levaram a redigir este C atecism o e. quanta m iséria não vi! O hom em com um sim p lesm en te não sabe nada da doutrina cristã. H arm onie E vangelistarum . p. São P au lo . Spener o cham a de “pie­ doso teólogo. não deve­ m os nos esquecer de que nesse período há evidências de um a viva e sólida piedade cristã. 4V Cf. quando encontram os na obra do pai do Pietism o. p. p. W alker. p. Spener.

C alóvio: In: E H T IC . R udolf O tto (1869-1937) diz que a partir de G erhard a teologia luterana tornou-se m ais racionalista. O Sagrado. 1989. Abraão C alovius (1612-1686). notável por seu desenvolvim ento filosófico e pelo arranjo sistem ático de seu conteúdo. T lioluck. desta­ cam-se: 1) Johann G erhard (1582-1637): luterano. In: R E D . p. 1985. publicada em Jena. 192).52 Spener faz um a extensa citação de sua obra. São B ernardo do C am po. C hristian Theology: A n Introduction. B erkhof diz que o trabalho de G erhard “ é um a obra de prim eira im portância. 55 Cf. 108.54 G erhard sentiu a necessidade de apre­ s e n ta r de fo rm a s iste m a tiz a d a a T eo lo g ia L u te ra n a em o p o siç ã o à C alv in ista. (D o rav a n te. p. Introduccion a la Teologia Sistem atica. p.. C alovius: In: W ilto n M.. A in d a que ele n eg asse o seu g o sio por co n tro v érsias (Cf. considerando-se tudo quanto a B íblia dizia a respeito de cada tópico. Martinho Lutero dificilmente teria sobrevivido. 54 Um ditado popular a respeito de Chem nitz dizia: “Se Martinho Chem nitz não tivesse chegado.) cada doutrina foi tratada por sua vez. Não houve tentativa de fazer da teo­ logia um sistem a filosófico. C a lo v iu s. Por sua vez. ■ w E sta o bra foi reeditada em L eipzig (1863-1876) em 10 volum es. ger. p. P aedia Theologica de M ethodo Studdi Theologici (1652). Ph. p.A O r t o d o x ia P r o t e st a n t e 247 Spener d á tratam ento sem elhante a outro teólogo luterano. bem com o por um espí­ rito polêm ico e exclusivista.. J. 1. Ian S ellers.” (L.59 52 V d. B erkhof. ele escreveu um a obra de nove volum es. S P . I. D iccio n a rio de H isto ria de la Ig lesia . 5S J. G erhard é conhecido p o r sua piedade e erudição. p. Im prensa M e todista/P rogram a E cu m ên ico d e P ó s-G rad u ação em C iências da R elig ião . intitulada Loci C om m unes T heologici (1610-1622) (L ugares C om uns da T e o l o g i a ) . p. 51 Vd..C a p ít u l o 4 . C ada doutrina foi colocada em relacionam ento com outras doutrinas. um dos principais representantes do Escolasticism o Protestante do século 17.M .” 57 Nesse seu trabalho. 277).. G erhard: In: E H TIC . Chemnitz: In: EHTIC. II. M iam i. especialm ente com a doutrina principal: o evangelho do perdão dos pecados. pp. E d ito rial C arib e. aconselhando os estudantes de teologia a seguirem a orientação de C alovius.. perm a­ necendo por muitos anos como um a exposição clássica da Teologia Luterana. N elso n . 80). Johnson. 57 lan S ellers.F. S pener. Gerhard analisou exaustivam ente a doutrina evan­ gélica. 72. 469. S . M ud a n ça p a ra o Futuro: P ia D esideria. I. 105-106.que foi considerada “o apogeu da teologia dogm á­ tica luterana. Ele “organizou a teologia de conform idade com o m étodo sintético (. 197. J. conhecido por sua piedade. entre outros teólogos de grande im portância.. A. G undry.53 Deste período. 2 2 4 -2 2 5 .” (Cf. p. M cG rath. S'J R u d o lf O tto.”58 A obra de Gerhard m oldou a Teologia L uterana do século 18. por causa da m orte de Jesus na cruz.N . citado com o D H L ). D rickam er. A lister E. p. org. G erhard: In: D H L . sendo considerado o m aior teólogo luterano depois de L utero e M artinho C hem nitz (1522-1586). 365. que lecionou em Jena de 1616 até a sua m orte em 1637.55 A ssim . .

S obre o S ín o d o de D o rt. W . 1989.. reafirm ada e solenem ente sancionada por H en riq u e IV. p.. T urretin. III. W alker. 1978. N. Inicial­ m en te tin h a 35 capítulos. R eid. H ope. filho do pastor calvinista. A C onfissão G aulesa in flu en cio u p ro fu n d am en te a C onfissão B elga (1561) e a C onfissão dos Valdenses (1655). B eza (1519-1605). À ocasião. São P aulo. P. Vol.V. C airns. I. II. K.” 2 3 -2 4 /0 8 /1 5 7 2 . Cf. N esse S ínodo. H erm isten M. I. 170. III. esta C onfissão foi revista e am pliada em m ais cinco capítulos [Cf. E . Benedito. seguidor da Teologia de D ort (1618-1619). The C reeds o f C hristendoin. m esm o não tendo sido delegado em Dort. W. C o n fissão G aulesa: In: E H T IC . T hom as. C O C . L ato u rette. das m ais de 100 que existiam na F rança . p. (R evised and E nlarged). X. 83. seu filho H enrique IV (1 5 5 3 -1 6 1 0 ) e o A lm irante C oligny (1519-1572). desde então a ser tam bém cham ad a de “C onfissão de R o c h elle . p ro v av elm en te com a ajuda de T.. Illinois. W heaton.” (Vd. . 257). p. redigiu ju n ta­ mente com outros três pastores de G enebra um a carta. 332. T urretini: In: C B T E L . 401b).. C a lc u la -se que à ép o ca. H ope. p. Vol. 4 9 4 . p. 332. tam b ém foi apresentada po r B eza a C arlos IX (1561) (Cf. (R o b e rto G. C O C .E. II. pp. p. D ouglas & P hilip W. B enedito Turretini (15881631). P. 1997. H istó ria da Igreja C ristã. G rand R apids. W ho ’.). D ennison. realizou-se o S étim o S ínodo N a­ cio n al dc L a R ochelle. A Idade de O uro do C alvinism o na F rança: (153 3 -1 6 3 3 ): In: C S IM O .. 97). p. 6 “ ed.248 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a 2) François Turretini (1623-1687): Com Turretini a O rtodoxia P ro­ testante Reform ada alcançou seu ponto mais alto de sistematização. Beza: In: W W „ p. um sexto da população (Cf. Vol. pp. m orto du ran te “O m assacre da S ão B artolom eu. E m 1571. P ierre C ourthial. 111. 356. W alker. 111) ou. (D oravante citado co m o C O C ). Turretini fot um teólogo suíço. H istó ria d ei C ristianism o. 64. N. tendo com o m oderador T. I. (D o rav an te citad o com o W W ). p. p. p. E la foi escrita p o r C alv in o (1 5 0 9 -1 5 6 4 ) c seu discípulo A ntoine de la R oche C handieu (D e C handieu) (15341591). p.60 e professor de teologia em G enebra (1618). I. P ierre C o u rth ial. p.D . Jr.. exerceu g ran d e influência doutrinária sobre outras C onfissões R eform adas. Jean D elu m eau . 149-150). M ich ig an . A Idade de O uro do C alvinism o na F rança: (1533-1633): In: C S IM O .61 tornando-se um polem ista de renom e. E sco lastic ism o : In: D H L . III.62 Ele foi representante da Igreja de G enebra no V igésim o Terceiro Sínodo N acional da Igreja R eform ada na França. V d. p assando. p. p. realizado em Alès (01/10/1620).reunido secretam ente . Vol. B aker B ook H ouse. P ioneira. C airns.v W ho In C h ristian H istory. p. quando os Cânones de D ort (1619) e a Confissão Francesa (1559)63 foram adotados 60 C lo u se d iz q u e D o rt consistiu na principal afirm ação do E sco lastic ism o R efo rm ad o . 61 Dr. 356. a Fi ança já p o ssuía 4 0 0 mil p rotestantes (Cf. Baivd. P ierre C ourthial. 117. T h e L ife and C areer o f F rançois T urretini: In: F. S. S chaff.. W.. contribu­ indo para o triunfo do decreto de D ort entre os calvinistas na França. II. 599a. T yndale H ouse P ublishers. III. III. P h ilip Schaff. 257. 641.. N ew Jersey. dem onstrando a sua posição anti-arm iniana.S. S chaff. P resbyterian and R eform ed P ublishing C om pany.. C O C . 2408. In stitu tes o fE le n c tic T heology. e x istin d o em fins d e 1561 m ais de 670 igrejas calvinistas erigidas em território francês (C f. natural de Zurique. Jam es T. S chaff. Inc. T urretin: In: R E D . pp. 4 “ ed. P. I. p. B eza (1519-1605) e P ierre V iret (1511-1571). C onfissão G aulesa: In: E H T IC . en q u an to cantava e orava em seu leito (V d. a C o n fissão foi revisada. G. O C ristianism o A tra vés d o s Séculos. P. C harles W. p. orgs. que congregou rep resen tan ­ tes de m ais d e 6 0 igrejas. p. p. enviando-a ao Sínodo de Dort (06/10/1618). 93]. O C ristianism o A tra vés d o s Séculos. 23-24. N o S ínodo G eral d e Paris (26-28/05/1559). H istó ria da Igreja C ristã. A L iturgia R efo rm a ­ da: E n sa io h istórico. 356). p. P hillipsburg. estavam presentes: a R ainha de N avarra. 1992. C om fort. B rom iley. a A C onfissã o F rancesa ou G aulesa q u e não é m uito co nhecida e difu n d id a em nosso m eio. 495. tendo um prefácio dedicado ao rei F ran cisco II (1560) e p o sterio rm en te. C O C .. O N a scim en to e A firm a çã o da R eform a. E arle E.tendo co m o m o d erad o r F raçois de M orei. (1931). C o sta. 4 9 4 -4 9 5 ... A Ig reja P resb ite ria n a e os S ím b o lo s de Fé. C oligny: In: J.V. C lo u se. B uenos A ires C asa B autista de P ublicaciones.

Lucas Gernler. O utro m estre de T urretini. The A u th o rity a n d Interpretation o f the B ible: A n H istorical A p p m a c h . Paris .66 François Turretini . Jam es T. p. p. H odge (1823-1886). p. M ais tard e em dois períodos seria R eitor da A cadem ia: 1654-1657 e 1668-1670. estudou física e astronom ia com P ierre G assendi (15921655). juntam ente com John Henry Heidegger.. lecionando teologia em G enebra (1631) e L eyden (1648). X. (Cf..é um legítim o representante do “Escolasticism o P rotestante” Calvinista.1. X. M ontauban e N im es. T urretini tam bém foi influenciado pelo teólogo reform ado. F riedrieh S panheim (16001648). P ro testa m T hought B efore K ant. sendo a sua edição anotada. Sob vários aspectos. S ão F rancisco.. D iodati: In: R E D . A. p. I. p. M cG iffert. III. Turretini é filho teológico da A ca­ dem ia de G enebra e do Sínodo de D ort. de Basiléia (1625-1675) elaborou a Formula Consensus H elvética (1675). 1.o n de além de teologia. Jack B. que lecionara hebraico na A cad em ia de G enebra (1597). 2222. A ssim com o T urretini. 111. T urretini foi indicado su cesso r de S panheim na cadeira de T eologia na A cadem ia.. V anderm olen. escreveu obras co m b aten ­ do os en sin am en to s de M oisés A m yraut (1596-1664). ju n ta m e n te com D iodati.” Este docum ento w O V ig ésim o Q u arto S ín o d o N acional da F ran ça. com o tam bém já fizera nas línguas o rien tais q u an d o aq uele assum ira a cadeira de T eologia. perm anecendo nesta função até sua m orte (1653-1687). pp. então p ro fesso r de M atem ática no C olégio R eal de P aris . reafirm o u este p ro ced im en to V d. p.e todos os m inistros e presbíteros juraram solenem ente defendê-los. 113).. 153].A .64 François seguiu as pegadas de seu pai.. Jr„ T he L ife and C areer o f F rançois T urretini: ln: F. A pós seus estudos básicos (1644). 172-173. 1997. Em 1607 D iodati fez um a tradução da B íb lia para o italiano. p. 111. Francês e Italiano. que estu d ara em H eidelberg e G enebra. teólogo genebrino. X X II. tam bém de ascendência italiana. Ele. T urretini: ln: C B T E L . Franccsco. D ennison. 599a). U trecht. certam ente com um a boa dose de exagero. T urretin: ln: EHT1C. substituindo a D iodati.A O r t o d o x ia P r o t e st a n t e 249 . retornou a G enebra com o professor de Teologia. foi T h eo d o re T ronchin (1 582-1657). 648ss. P hillipsburg. Institutes o fE le n c tic T heology. Foi pastor da congregação Italiana em G enebra (1647/1648). 65 O seu avô. p. realizad o em C h aren to n ( S e t/1623). casad o co m a filha adotiva de B eza. A. N ew Jersey.. 580-581. T ronchin: In: R E D . 22 6 . tendo com o principais m estres G iovanni D iodati (15 7 6 -1 6 4 9 ). 64 0 . 630. Em jan eiro de 1653. T urretini: ln: C B T E L . T alv ez se ria m elh o r d iz e r que esta D eclaração T eo ló g ica foi a m a io r ex p ressão do E sco lastic ism o P rotestante. sendo p rofessor de H ebraico na A cadem ia d e G enebra (1606) e p o sterio rm en te de T eologia (1618).C a p ít u l o 4 . O N a scim en to e A firm a ç ã o da R efo rm a . 4 7 8 . M cK im . P resbyterian and R efo rm ed P u b lishing C om pany.67 a qual negava a “Expiação U niversal. G loucester M ass. 229.por serem considerados em total harm onia com a Palavra de Deus . C O C „ Vol. p. E m 1644 D iodati fez outra trad u ­ ção das E scritu ras. E le. p. P h ilip S ch aff. pp. adquirindo então grande circulação. 2 3 97-2398. (Vd. C. S panheim . 1979. agora para o francês. 599a. H odge. Publishers. Depois de um breve pastorado em Lyons. R ogers & D o n ald K. foi d eleg a­ do d e G en eb ra no S ínodo de D ort: S om ente os dois foram enviados com o delegados. Jean D elu m eau . teólogo genebrino. pp. de Zurique (1633-1698) e o Rev. D iodati foi delegado de G enebra em D ort. 111.). a den o m in a de “ a m ais científica c com pleta de todas as C onfissões R eform adas” (A .J. P eter S m ith P ublisher.o cam peão da ortodoxia calvinista no século 17 . estudando em L eyden.S aum ur. R . “ T urretini estudou na A cadem ia de G enebra. Vol. tornando-se reitor da A cadem ia em 1618.. . [Vd. H arper & Row. T urretin. vindo a ocupar a cadeira de T eologia (1609-1645). que era um profícuo escritor. 1971 (R eprinted).65 Ele pregava com igual facilidade em Latim . Inc. E sboços de Theologia. era um protestante italiano que por questões religiosas (Inquisição) em igrou de L u cca para a S uíça em 1579.. T urretini viajou pela E uropa. T urretini: In: E B . Seu d iscurso inaugural foi baseado em H b 1. que fora de C alv in o e Beza. bl A. S p an h eim : ln: R E D .

. em 1722 /1 7 2 5 . C O C . p. E dinburgh. 1954. 75 V d. H o d g e. Institutes o f E lenctic Theology. 184. . que visava “consolidar e preservar a teologia R eform ada. 1071. C osta. Jam es T. p asto r em G en eb ra (1693). R ich a rd A. 1 (1679). p. M cK im . 1 IN S (1 9 9 0 ). p orém tam b ém p ara unir os cantões evangélicos da S uiça na com um definição da fé reform ada. O x fo rd U n iv ersity P re ss. encerran­ do assim o período de “Credos C alvinistas” . 24 0 8 b . 1. H . A Tradição R eform ada: Uma m aneira de ser a com unidade cristã. T u rretini: In: R E D . 18.250 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a foi a últim a C onfissão doutrinária da Igreja R eform ada na Suíça. Ill (1685). 5 99b. 1981. 70 Ver ad en d o sobre a A m yraldianism o. 648). P. p. T riu n fo e D eclín io : ln: C S IM O . Jr. S chaff.. M cN eill. não c o n co rd an d o com o en sin o do seu pai. 113. Je an -A lp h o n se T urretini.) e de Tomás de Aquino (12541275). em 1847/1848. E sta ed ição foi p atrocinada pelo em inente teólogo inglês W illiam C unningham (1805-1861). K lauber. C O C . ou “A nti-A m yraldensis” devi­ do ao com bate à teologia de M oisés A m yraut (1596-1664) da escola de Saum ur. The A u th o rity a n d Interpretation o f the B ible: A n H isto rica l A p p ro a ch. 16791685. X. R e ito r (1 7 0 1 ) e p ro fe sso r de T eologia (1705). encontram os um a reafirm ação das doutrinas de Dort.” [M artin 1. D ennison. o seu m étodo revela conhecim ento de A ristóteles (384-322 a. V irginia. L ow e. 18471848. p. A . com ênfase especial na “Expiação L im itada. Vol. W . M esm o não estendendo sua autoridade além da Suíça. G am b le. U N S (1990). Ver tam bém : H erm isten M. S uíça. p ro fesso r em G en eb ra.68 e para o fortalecim ento da união entre os refo rm ad o s nos cantões su íço s.70 N esta Confissão. Ill. São P aulo. T he L ife and C a reer o f F rançois T urretini: In: F. “T u rretin i.”71 Institutio Theologiae Elencticae (G enebra. p ro fesso r do N ew C o lleg e de E dim burgo desde 1843 e reito r a p artir de 1848. John T.G B laikie. qu e era su b scrita por todos os p astores d esd e 1679. L isb o a. W illiam : In: R E D . c.72 2a ed. de H istó ria E clesiástic a (1 6 9 7 ).C. não c o n tin u o u co m o e n sin o C a lv in ista . V d. lógica. 585. “Form ula A nti-Salm uriensis”. T he H elvctic F orm ula C onsensus (1675): A n Introduction and T ran slatio n : ln : T rinity Journal. T rev or-R oper. 173ss. S oteriologia: A S a lva çã o do D eu s Triúno p a ra o Seu Povo. [Vd. p. N o v a York. K lauber. 406. 1997.. p. C u n n in g h am . p. P hilip Schaff. E ditorial P re se n ç a /M a rtin s F o n tes. esta Fórmula é de grande relevância para a histó­ ria da teologia P rotestante. R ogers & D onald K.. P o st-R efo rm a tio n R e fo rm e d D o g m a tics. R e fo rm a e T ra nsform ação So cia l. P resb y terian and R e fo rm ed P u b lish in g C om pany.. o J o ­ v em ” (1 6 7 1 -1 7 3 7 ). não fo sse m ais e. M uller. 1688 em 3 volum es. 159. 74 John H. Institutio T heologiae E lencticae. fin a lm e n te co n seg u iu que fo sse ren u n ciad a. L eith. p. C a lv in ’s E x eg etical P rin c ip les: In: In terp reta tio n 31 (1 9 7 7 ).”74 N esse tratado teológico Turretini expõe a Teologia R eform a­ da de form a sistem ática. em E dinburgh73 e N ova York). (V d.75 A Institutio “é a m ais im portante obra de teologia sistem ática escrita 68 M ais tard e o filh o de F ra n ço is T urretini. P hillipsburg. pp. 72 Vol. p. 73 F ran cisco T u rreltino. H an s-Jo ach im K raus.. pp.. M artin 1. T h e H elvetic F o rm u la C o n sen su s (1 6 7 5 ): A n In tro d u ctio n and T ran slatio n : ln: T rinity Jo u rn a l. M c N eill. The H istory a n d C haracter o f C alvinism . p.R .69 E la tem sido cham ada de “S ím bolo S ecundino” . T urretini: In: C B T E L . A. I. p. precisa e científica. 4 7 8 -4 7 9 . republicada em latim . 103-114. Jo h n D . 1. Vol. R elig iã o .'Vol. II (1 6 8 2 ). 51]. R ich a rd C . M “ E ste C o n sensus foi significativo não som ente para con d en ar a teologia S alm uriana. p.P. IV. p. N ew Jersey. S em elh an te u n idade foi necessária para o fortalecim ento reform ado da S uíça contra a Igreja C ató­ lica R o m an a . 71 John T. 82. Jack B. p. 478. I.tin h a in clin ação arm in ia n a assim ele co n seg u iu que em 1706 a F ó rm u la . The H isto ry a n d C h a ra cter o f C alvinism . T urretin. p. E sb o ço s de T heologia. 2000. Vol. Q u an to à u m a sín tese de seus p rin cíp io s h erm en êu tico s.” A principal obra de Turretini foi o “lúcido e com petente m anual de T eologia S istem ática. 4 0 5 -4 0 6 .

s2 F. P hillipsburg. sendo. destaca­ mos que na Institutio ele dedica 123 páginas às Sagradas Escrituras. K entucky.78 As traduções são essenciais para a vida da Igreja conform e a história tem dem onstrado.C a p ít u l o 4 . Institutes o f E le n ctic T heology. É “ um a das expressões m ais p len as do esco lasticism o calvinista. John H. 81 F. I. L eith . 125. por isso. 580).80 Com o a nossa fé está fundam entada nas Escrituras. p. mas m aterialm ente sobre a substância das doutrinas ali ensinadas. I.” (R. org. Vol. p.. I. I. pp. “A A utoridade das Escrituras Sagradas . p. Vol. T urretin. E ncyclopaedia o f the R efo rm ed F aith. 378. Institutes o f E lenctic T heology.85 Se um a versão pudesse conter a pura palavra de 76 D onald G. Vol. 80 F.”76 O trabalho de Turretini. Vol. tais como: “A Palavra de Deus . III. 132.Era neces­ sário que a palavra de Deus fosse com pletam ente escrita” . pp. 81 F. p. p. T urretin: E H T IC . 1992.79 contudo elas não são inspira­ das por D eus. Institutes o f E lenctic Theology. I. 123. Todavia. Vol. T urretin. Assim. Institutes o f E le n ctic T heology. Institutes o f E lenctic T heology. pp. Vol. a nossa fé não se apoia sobre as palavras. Ele diz que um ponto característico de todas as “igrejas orto­ doxas” é a afirm ação de que a revelação da palavra de Deus ao hom em é absoluta e necessária para a salvação. F. M cK im . 55. 1. 116-123. especialm ente a de W estm inster. não é igual ao original porque é um trabalho hum ano expresso num a linguagem hum ana e não divina. (V d. Q ualquer versão (contanto que fiel) realm ente é conform ável ao original porque tem substancialm ente a m esm a doutrina. 125. 1. A T radição R eform ada: U m a m a n eira de se r a com unidade cristã. I. T urretin. I. Institutes o f E le n ctic T heology. T urretin. 116-117. 125-126. Institutes o f E lenctic Theology.A O r t o d o x ia P r o t e st a n t e 251 em G enebra durante o século 17. a Igreja deve ter com o seu propósito fundam ental preservar a B íblia incólum e con­ tra os ataques daqueles que querem negar a sua autoridade. p. N ew Jersey. é um a das obras m ais com pletas e precisas do pensam ento reform ado. Vol.Era necessária à revelação verbal?” . sustenta que as dúvidas teológicas devem ser decididas à luz dos originais bíblicos. 78 F. Institutes o f E lenctic Theology. o m esm o fazendo quando houver divergências nas traduções. 125. 128. T urretin.77 Seguindo os m esm os princípios da Confissão de W estminster. p. sem perigo de com eterm os algum exagero. 85 F. ele segue de modo natural o pensam ento de C alvino e das C onfissões R eform adas. Institutes o f E lenctic Theology. Vol. 1992. infalíveis. 84 F. T urretin. 184-185). P resbyterian and R e fo n n e d P ublisliing C oinpany.São as santas Escrituras verdadeiram ente autênti­ cas e div in as?” Podem os perceber que Turretini não apresentou novas contribuições na questão da autoridade bíblica.82 Todas as versões são fluxos. pp.84A conform idade para com o original é diferente de igualdade.J. Vol. W estm inster/John K nox Press. “A N ecessidade da Escritura . G rohm an.81 As traduções devem sem pre retornar às fontes (originais) por que estas foram ditadas por D eus. pp. T urretin. ” F. V anderm olen. L ouisv ille. o texto ori­ ginal é a fonte de onde elas fluem . 77 C l. R esum indo o pensam ento de Turretini a respeito da Bíblia.83 A inda que as versões possam conter erros elas não se equivocam no que diz respeito à doutrina. . tratando o assunto atráves de 20 perguntas. T u rretin. T urretin. T urretin: In: D onald K.

T he P rinceton Theology: I 8 I 2 .que a adotaria com o livro-texto no Sem inário de Princeton. m as com respeito às condições que especialm ente em passagens difíceis e obscuras podem ser traduzidas diferentem ente por pessoas diferentes de acordo com a m edida do dom de C risto. pp. através do seu prim eiro professor A rchibald A lexander (17721 851) . com o com pete a nós colocar em palavras hum anas a palavra de Deus. T hom as N elson P ublishers. 1978 (Reprinted). org. lecionando Teologia Exegética e D idática na m es­ m a instituição (1840-1878). N oll. tornou-se sucessor im ediato de A rchibald A lexander. The A uthority a n d Interpretation o f the Bible: A n H istorical Approach. pp. T he Jtidson P ress. G. 184-185. Jack B. Shedd (1 8 20 -1 8 9 4 ). '* “ S ua o b ra foi m uito influente no d esenvolvim ento da teologia am ericana no século 19. p. Vd. System atic Theology. B aker B ook H ouse. p. não com respeito à própria doutrina (que ainda perm anece a m esm a). N este m esm o ano H odge casou-se com S arah B asch e (17/06/1822). John H. M cK im . o m elhor escritor de teologia sistem ática que conhecem os. A in fluência de T urretini se tornaria tam bém evidente não apenas em P rinceton. T urrctin. M ichigan. 2a ed. ingressou no S em inário de P rinceton (1816) graduand o -se em 1819. In stitu tes o fE Ie n c tic T h eo lo g y. 1983. I. I. Vol. S trong (18351921). o g ran d e teó lo g o b atista do século 19. M ark A. Ernest R. 115. segue que pode adm itir-se a necessidade de correção. m ais tarde.90 tendo profundo respeito por este. No p erío d o de 1826-1828. Contudo. O próprio A. p or sugestão do D r. 1993. Foi O rd en ad o M in istro P resbiteriano (outubro de 1821) e. de d iferentes escolas. estu d ar hebraico na F iladélfia. Sandeen. A rchibald A lexander. Institutes o fE Ie n c tic T heology. nenhum a correção poderia ser feita. em m aio de 1822 foi eleito professor do S em in ário de P rinceton. p. D abney (18 2 0-1898).T. usa e eita T urretini um as dez vezes.a p re c ia d o r d e John L o c k e (1 6 3 2 -1 7 0 4 ) e da filo s o fia do senso-com um 88 . 89 H o d g e fez sua P úbliea P rofissão de F é na Igreja P resb iterian a de P rinceton (13/01/ 1815).G. m as tam b ém em outros teólogos presbiterianos do século 19. G rand R apids. G rand R apids. indo. N ashville. 1985) e W. T. ela 86 F. 88 Cf. tais com o R o b ert L. A pós estu d ar no P rinceton C ollege. Hodge escrevera a respeito de Turretini: “ .” (R. 268ss: 279ss.I 9 2 I . pp. Em 1845. 87 F. C harles Hodge (1797-1878). The R oots o f Fundamentalism: British an d A m erican MiUenarianism. tornando-nos perfeitos na prática de boas obras. 1800-1930. M ichigan.. Vol. S trong. refe rin d o -se a ele c o m o um “claro e vigoroso teó lo g o . S o b re a in flu ên cia de T urretini na T eologia de P rinceton. 126-127. R ogers & D onald K.252 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a Deus em palavras divinas. L eith . B aker B ook H ouse. H esselgrave. passou estudando na E uropa: Paris (1826-1827) e A lem anha. F ilad él­ fia.. N o todo. .86 As Escrituras são suficientes para conduzir-nos em nossa fé e prática. Em 1840. N ão obstante a tintura de escolasticism o que está presente em sua obra. pp. desde a sua fundação em 1812. 35“ ed. S hedd. p articu larm en te no P resb ilerian ism o am ericano. tendo publicado a sua m onum ental T eologia em 1872-1873. H.” (A ugustus H. D ogm atic Theology. B aker Book House. p ro fesso r de Teologia no U nion S em inary de R ichm ond (Lectures in S ystem a tic Theology.87 A Institutio exerceria. um a forte influência na Teologia de Princeton. M ichigan. 136. p ro fesso r de T eologia do U nion S em inary de N ova Y ork (W. 683b. T urretin: In: W W „ p. 46).89 adotou tam bém o livro de Turretini. A Tradição R efo rm ada: Uma m aneira de ser a com unidade cristã. G rand Rapids. na U niversi­ d ad e d e H alle (182 7 -1 828). per­ m an ecen d o n esse cargo até a sua m orte em 1878. 1980). 29-30. T u rrctin . que fora aluno e sucessor de Alexander.

O S em eador. 2001. M cC lendon. 251. A penas com o am o strag em . 190. aluno de H odge. 449. 4 a ed. N oll. quanto ã natureza da expiação. M ullins. devem os ter em m ente que. 29 e John H. T. . D octrina C ristiana. Amyraut.P. A. H odge sobre os deveres da igreja na educação. 750-751. Pois estou agora co nvencido de que devo co nsiderar a p o ssib ilid ad e seriam ente. C onner foi aluno do já m encionado teólogo batista E dgar Y. publicada posteriorm ente. p. 195. “Turretini refu­ ta Arminius quanto ao livre arbítrio. etc.A O r t o d o x ia P r o t e st a n t e 253 se adapta..”96 L em brando a observação de Tillich. 1997. (W.95 Boanerges Ribeiro (1919-2003) resum e: na sua obra. através d e um antigo aluno d e C.G. p. S ão P aulo. C o n n er (1877-1952) dedica a sua D octrina C ristiana. Lutero quanto aos sacram entos. 20) .C a p ít u l o 4 . L eith . A S T E . p. sem pre parti do princípio de que m inha esfera de trabalho seria em nosso país.. São P aulo. v]. Hodge. 97 Paul T illich. H erm isten M. '"T rad u ção brasileira: Charles Hodge.92 É sem pre bom lem brar que A.93 estudou teologia nesta obra. Sim onton (1833-1867). Igreja E vangélica e R eP ública B rasileira (1889-1930). M ark A. 93 B asta um exam e superficial para verificar este fato: C harles H odge. S trong (1835-1921) no S em inário de R o ch ester (N ova York). 352. 1980. M u llin s ( 18 6 0 -1 9 28) e de A. desenvolvidas em contraste com a C ontra-R eform a. S im onton registrou no seu D iário.só substituiria o livro de Turretini a partir de 1872-1873. F alou da necessidade absoluta de instruir os pagãos antes de poder esperar qualquer sucesso na p ro p ag ação do E vangelho (. a Igreja de R om a e os racionalistas quanto à natureza e autoridade da B íblia. 1988. m ais que qualquer outra pessoa do nosso século. São P aulo.. pp. S trong e E. La Religion Cristiana Ert Su Expresión Doctrinal. p. P resbyterian R eview ." (Jam es W. 4 4 5-446.5 A in flu ên cia de P rinceton se estendeu para fora dos lim ites presbiterianos. C onner. H. Os P rim órdios do P resbiterianism o n o B rasil.. E ditora Hagnos. (corrigida). H istória do P ensam ento C ristão. 1991. São Paulo. p. Boyce (1827-1888) (Vd. 2001. 1 86.). aos seus m estres: C alvin G o o d sp eed . C asa B autista d e P ublicaciones. à situação atual da teologia em nosso país. Y. p ro ferido em outubro do m esm o ano. não será m eu dever p artir?” (Veja-se. de modo adm irável. C asa Bautista de Publicaciones. presidente do S em inário B atista do Sul em L ouisville.. já que a Teologia Sistem ática de H odge94 ainda em fase de elaboração . E d itora H agnos. % B oanerges R ibeiro. 1. 4 “ ed. 1972. org. Buenos A ires. 1978). 14/10/1855: “O uvi ho je um serm ão m uito interessante do Dr.”97 ‘Jl A rtig o p ro v av elm en te escrito po r C h a rles H odge. em S etem bro de 1855. ” S im onton ingressou no S em inário de P rinceton. p. p. Turretini é citado com algum a freqüência com o um dos fundam entos de suas conclusões. Vd. a O rtodoxia Protestante “É a sistem atização e a consolidação das idéias da R eform a. foi influenciado pela teologia de P rinceton. São Paulo. e que cresce tanto. C osta. A T radição R efo rm a d a : U m a m a n eira de se r a c o m u n id a d e cristã. W alter T. H. Eu nunca h avia co nsiderado seriam ente a alter­ nativ a de trab alh ar no estrangeiro. o influenciado bastante quanto ao seu futuro trabalho m issio n ário . 2a ed. 53). M ullins. 31 ss). Teologia Sistem ática. The P rin ceto n T heology: 1812-1921. U m antig o aluno de C onner escreveu dizendo que talvez ele tenha influenciado o “pensam ento teo ló g ico entre os B atistas do Sul. tão vasto. 640. Jam es P. p. B uenos A ires. [Edgar Y. tendo um ser­ m ão d e H odge.).a quem ele dedica a sua Teologia. M ark A. M ullins (1860-1928). Teologos D estacados dei Siglo 20. citam os: E dgar Y. teólogo batista. e se há tantos que preferem ficar.”91 Na sua Teologia Sistem ática. Teologia S istem á ­ tica. p. Noll. C asa B autista de Publicaciones. E sse serm ão teve o efeito de levar-m e a pen sar se ria­ m en te no trab alh o m issionário no estrangeiro (. Buenos Aires. The Princeton Theology: 1812-1921. org.

com o verem os. os quais devem ser preservados. que se m anifeste em nossa doutrina e vida. Nós.tentará superá-la. acarretando um a estagnação espiritual. este não era o desejo dos R eform adores. O “Pietism o”. P or certo. todavia. m esm o sem jam ais ter ensinado isso. É fato tam bém . sustentando um a fé viva em C risto. todos os m ovim entos teológicos posteriores sem pre estiveram dependentes da ortodoxia clássica. m arcada p o r um form alism o vazio: ortodoxia doutrinária e heterodoxia vivenciada. mas o fato é que a O rtodoxia contri­ buiu na pavim entação do cam inho para o racionalism o. que a O rtodoxia Protestante num estágio posterior. tentará subjetivá-la. R efor­ m ados.cada grupo com sua ênfase específica . tendo a razão com o elem ento norteador de toda a sua teologia. acarretou a reação pietista que enfatizava m ais precisam ente o aspecto em otivo da fé cristã. som os herdeiros de m uitíssim os de seus conceitos. O “L iberalism o” . nem dos teólogos ortodoxos do século 17. sem pre em atenção ao Verbo Divino. insistim os.254 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a E ste período trouxe consigo a elaboração e sistem atização da teolo­ gia protestante. Por outro lado. im pulsionou a preocupação puram en­ te doutrinária. .

(1920). J.através da bula R egim ini M ilitantis Ecclesiae. Ii. 3 Cf. 35. R io de Janeiro. 333. C asa P ublicadora B atista. com um a ap rese n ta ção de P ró c o ro V. 57). H.. P R /S ão B e rn ard o do C am p o . 1994. Afonso Salmeron. P ia D e sid e ria . batizando-a com o nom e de “C om pa­ nhia de Jesus. indicarei assim : P h J. qu an d o fizer uso d a m esm a. . E m p resa E d itora B rasileira. além dos votos de pobreza e castidade. o italiano. (1 6 7 5 ) . 106. Spener. I. 1982. Os Jesu íta s. F ilho. Jo sé C arlos Sebe. 274. E n co n trão E d ito ra/In stitu to E cu m ên ico de P ó s-G rad u ação em C iên c ia s da R e lig ião . Os Jesuítas'. C on tem p lam os a aparência externa de n ossa Igreja [luterana] com os o lh o s [ristes. C u ritib a.papa desde 1534 . apesar de ser um a Igreja verdadeira e possu id ora da doutrina pura. J. P orto A legre. S pener. M u irh ead. Im p ren sa M eto d ista/P ro g ram a E cu m ên ico de P ó s-G rad u ação . S pener. 2 Jean L aco u ture.1 A O rdem dos jesuítas foi organizada e reconhecida em 27 de setem ­ bro de 1540 pelo papa Paulo III (1468-1549) . H.Capítulo 5 O Pietismo Introdução: Os Jesuítas. RS. D iogo Lainez. Vol. B rasiliense.”2 N o entanto. SP. (C oleção “P rim eiros P asso s” . p. E duardo C. L & P M . 1996. p. 1985. p. Pedro Fabro e o português Sim ão R odrigues. p.”3 Todos eles desejavam preservar a fé ca1 Ph. Os C onquistadores. p. São P aulo. esta sociedade com eçara em 15 de agosto de 1533 com 6 am igos de Inácio de L oyola (1491-1556): os espanhóis. SP. um terceiro. 62. 1963.” . N esta data “fizeram . pelo qual se com prom etiam ir a Jerusalém lutar contra os infiéis. S ão B e rn ard o do C am p o . N icolau Bobadilha. F ran­ cisco Xavier. P ia D e s id e ria . São P aulo. E x iste o u tra tradução m ais antiga. O P roblem a R eligioso da A m érica L a tin a . M u d a n ça p a ra o F uturo: P ia D esid eria .Ph. P ereira.. O C ristianism o A tra vés dos Séculos. Trento e a Contra-Reforma ".

contudo. Os C onquistadores. O C oncílio L ateranense V e o T ridentino. C ontarini e G ropper. In: G iuseppe A lberigo.”7 E ste C oncílio teve vários percalços. Jean L acouture. em Trento. Os jesuítas foram a força m otriz do Concílio de Trento. que devia ser um concílio de condenação e de refutação das teses p ro testan tes.H .estes dois sugeridos por Loyola . P aulus. N este período de incertezas. p.6 C laude Le Jay. p. Pedro C anísio e Oto von Truchsess. H istó ria d o s C o n cílios E cum ênicos. 332. O C ristia n ism o A tra v é s d o s S é c u lo s. de reform ar a igreja romana. p. Dia 13 com eçaram a chegar os prelados. H . Os Jesuítas: 1. Cláudio [Afonso?] Salmeron . d e­ pois de sete m eses de espera. desde a sua origem .”8 Em 1542. essas atitudes conciliatóri­ as não desfrutavam de apoio total das igrejas: Lutero e R om a desaprovariam em breve esse C olóquio. A O rdem inicialm ente lim itava-se ao núm ero de sessenta m em bros. a com eçar das suas convoca­ ções. esta cláusula foi abolida. vivia-se na expectativa do co n ­ cílio. com a presença de 4 Cf. onde participaram pelo lado protestante. também. org. 331. Tiago Lainez. O C oncílio L ateranense V e o T ridentino. 8 M arc V enard. Vol.em geral pertencentes às ordens religiosas . II. eles se valiam de teólogos . de m odo especial. M uirhead. 7 M arc V enard. entre eles. II. p. Finalm ente. A lém disso. a desem penhar no Concílio um “papel teológico de prim eira linha. que passaram . houve tentativas de diálogo entre católicos e protestantes: N o colóquio de R atisbona (1541). 274. sendo pressionado por C arlos V (1500-1558). cidade vertente dos A lpes italianos. visto que antes de ser realizado. os “representantes” de cada lado não avançaram quando se depararam com a questão da Ceia. alguns deles. personificaram o papado e os seus interesses. C om pareceram alguns poucos bispos que. Eles surgem com o um a resposta católica à necessidade de dim i­ nuir o avanço da Reform a Protestante e. . V icência 01/05/1538. B ucer e M elanchton e. Paulo III (1468-1549). aliás. p. em 21/05/1539 fi­ cou adiado indefinidam ente. um a bula papal convoca o Concílio para Trento.4 Os jesuítas. atuando em lugares diferentes com propósitos específicos conform e a necessidade. 1995.H . H istó ria d o s C o n cílios E cum ênicos. 5 C f. Com o os bispos geralm ente não dispunham de grande conhecim ento teológico. 278. dispersaram -se. pelo lado católico. São P aulo.256 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a tólica e a conversão de fiéis. Vol. M u irh ead . m esm o conseguindo um consenso quanto à ju stificação . In: G iu sep p e A lberigo.que os assessoravam . “Em Rom a. sendo alguns teólogos enviados diretam ente pelo Papa.5 sendo de fato os teólogos do Papa. e. que destacam -se os jesuítas. 6 C f. ele foi convocado em 04/6/1536 para M ântua em 07/05/1537. E nessa condição. O C ristianism o A tra vés d o s S éc u lo s. m esm o titulados em D ireito Canônico. H . 232. porém três anos m ais tarde. redigiu um a nova bula (19/11/1544) convocando o concílio para o dia 15/03/1545. org. o Concílio só teve o seu início em 13/12/1545.

sem estarem presentes ao m esm o tem po. em seu período áureo: 1563. 13 M arc V enard. org. 21 bispos e cinco gerais de ordens. O C oncílio L ateranense V c o T ridentino. sob Pio V (1562-1563). P ereira. 3. A Vulgata foi elevada à condição de igualda­ de com os O riginais H ebraicos e Gregos. In: G iuseppe A L B E R IG O . O C oncílio L ateranense V c o T ridentino.10 não ultrapassando o núm ero de 213 prelados presentes. In: G iuseppe A L B E R IG O .14 Ao longo de seus 18 anos de funcionam ento. 1(1 Cf. org. O P roblem a R elig io so da A m érica L atina. 2. no pontificado de Pio IV (1559-1565). H istó ria d o s C o n cílios E cum ênicos. Ju sto L.. Venard diz que no côm puto geral. M Cf. realizou 25 sessões. G onzalez. 2-3. conform e Eduardo Carlos P ereira. que devia girar em torno de 700 m em bros. “participaram do concílio. org. 1969.C apítulo 5 . o Concílio reuniu-se por 50 m eses. H istó ria dos C o ncílios E cum ênicos. Jo sé G o nçalves S alvador. O C oncílio L ateranense V e o T ridentino. E D U SP. O C oncílio L ateranense V e o T ridentino. Sessões 1-10 (13/12/1545 a 02/06/1547). aqueles que participaram de Trento não eram de fato os m ais representativos do catolicism o. .” lemos: “Se alguém não receber com o sagrados e canônicos os livros do A ntigo e do N ovo Testa'' C f. C ontudo. In: G iuseppe A L B E R IG O . Jesu íta s e Inquisição: A sp ecto s de sua a tu a çã o nas ca p ita n ia s do Sul. Esses núm eros devem ser postos em relação com o episcopado católico da época. 12 M arc V enard. C ristãos-N ovos. p. 198. H istó ria cios C o n cílio s E cu m ên ico s. 339-340. 1530-1680. p. a m édia de pre­ sença nas reuniões era abaixo de 50.9 núm ero este que foi aum entado para 60 e 70 posteriorm ente. 39 patriarcas e arcebis­ pos. além disso. A Escritura e a tradição são igualm ente fontes de verdade. 236 bispos e 17 abades ou gerais de ordens. 111Cf.O P ietismo 257 4 cardeais. Os prim eiros consistiram na rejeição dos postulados protestantes.” 12 isso. H istó ria d o s C o n cílios E cum ênicos. 332 e 334. pp. Sessões 17-25 (17-18/01/1562 a 04/12/1563). São P aulo. sendo algum as delas m eram ente for­ m ais. 11 Cf. 4 arcebispos. O C oncílio deliberou em nível de decretos de definições doutrinárias e de ordem disciplinar. só no final o núm ero de votantes elevou-se a 250. p. A E ra d o s R eform adores. 331. considerando o fato de que este Concílio estava grandem ente preocupado com a situação de expansão do protestantism o. 331. 15 Cf. V ida N ova. org. 9 cardeais. 331. N a 4a Sessão de 08/4/1546. pp. conform e G onzalez.11 em suma: “pouco m ais de duzentos padres.15 O Concílio de Trento pode ser dividido historicam ente em três fases: 1. no pontificado de Júlio 111(1550-1555). P ioneira. In: G iu se p p e A lberigo. no “D ecreto C oncernente às Escrituras C anônicas.16 Os sete sacra­ m entos são confirm ados à m aneira m edieval. no pontificado de Paulo 111(1534-1549). M arc V enard. pp. p. H istó ria dos C o ncílios E cum ênicos. p. org.” 13 E. E du ard o C. In: G iuseppe A L B E R IG O . Sessões 11-16 (01/05/1551 a 28/04/1552). M arc V enard. 1983. 331. O C o n c ílio L ateran e n se V e o T rid en tin o . M arc V enard. São P aulo.

21 C f. 43. que se convencionou denom inar Index Librorum Prohibitorum (índice dos Livros Proibidos). E los. (V d. The C reeds o f C h risten d o m . 1954. Para o com bate ao P rotestantism o. assunto que até então era muito disputado (se o papa ou o concílio tinha a palavra final). e conscientem ente os condenar. A publicação da prim eira lista se dera em 1559. II. pp. (s. H istória da Igreja C atólica. a C ongregação do Index. R io de Janeiro. Os segundos (decretos de ordem disciplinar) proibiam a venda de indulgências. p. Versão e Introdução de O Papa e o C oncílio.258 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a m ento. como se contêm na velha edição Vulgata. P rotestantism o no B ra sil M o n á rq u ico . duas palavras: de um regalista e de um tridentino. 3“ ed. n o p r o c e s s o de f o r m a ç ã o e c o n so lid a çã o nacionalista. enfatizando sem pre a suprem acia papal. en larg . para a censura de publicações. 6 a ed. além de m edidas corretivas na própria Igreja C atólica. 1822-1888.d. . A C ontra R eform a e a R eform a C atólica n o s P rincípios da Idade M o d ern a E u ro p éia . 51. M ich ig an . B a k er B ook H ouse. 18 B o an erg es R ibeiro. em 1571. L isboa.” 17 (destaques meus). algum as restrições aos bispos. Para enfrentar a am eaça de fragm entação. surgindo daí. a criação da lista dos livros m ais perigosos. Vol. 82. porém as conserva com o “grandem ente salutar para o povo cristão” (Sessão. m esm o onde não se d e sse o cism a. São P aulo. (1931). C airns. p ara isso. E arle E. p. 212.”20 T ren to deu ên fase à C o n tra-R efo rm a e. p. rev. e te v e de im p e d ir q u e.). que teriam de residir em suas paróquias. p.19 “Sem a participação da C om panhia de Jesus. Sobre o serviço dos jesuítas. 20 P h ilip H ughes. p. 284).”21 17 ln : P h ilip S ch aff. 1984. A E spanha e a Itália foram fundam entais nesse processo de “recatolização. a C ontra-R eform a não teria passado talvez de um a solenidade de resoluções religiosas. 49-50. C om panhia E d ito ra N acional. seja anátem a. O C ristianism o A tr a ­ vés d o s S éculos. São P aulo. em Rom a. I.18 Os jesuítas que foram fom entadores do Concílio de Trento saíram por toda parte levando tais resoluções. G radiva. B oanerges Ribeiro escreve resum idam ente sobre as tarefas gigantes­ cas de Trento: O C o n cílio de Trento realizou tarefas c o lo ssa is: teve de enfrentar a R efor­ m a P r o te sta n te . Vol. P io ­ neira. form ulou o C o n cílio sua o p o siç ã o doutrinária aps princíp i­ os b ásicos da R eform a Protestante. M ichael M ullett. G ra n d R a p id s. a Igreja R om ana se fragm entasse. v aleu -se da inquisição com o um de seus m eios eficazes para reter o avanço protestante e reconquistar antigos territórios dom inados pela fé rom ana. form ulou teses de suprem acia p ap al. (V ersão e In tro d u ­ ção d e R ui B arbosa da obra de Janus). inteiros e em todas as suas partes. 25). 19 Vejam -se: Rui B arbosa. 1973. através de Pio V (1566-1572).

24 José C arlos Sebe. T revor-R oper. m otins. (V d. C a sa E d ito ra P resbiteriana. 86.. Tom o II. não era sim p lesm en te um a regra de c o n sc iên cia religiosa. E arle E. O bviam ente houve o u tros en o rm es preju ízos com o há em todas as guerras: alia tributação.P. p. 1901. selado o acordo com a Paz de W estfália (1648). 1978. 43). O s Jesu íta s: I. p. quando diz: R eagin d o contra a ex p lo sã o violen ta do heroísm o d os h om en s da R en a s­ c e n ç a . conseguiram os jesuítas dar respostas às expectativas gerais.. L isboa. a A lem anha.R. S ão P aulo. p. E ditoria P resença/ M artin s F ontes. oferecendo escolas de boa qualidade. L isboa. 6 “ ed. . parece-nos perfeitam ente pertinente o com entário. as confissões a exortação à com unhão freqüentes . P arceria A ntonio M aria P e­ reira L iv raria E d ito ra. teve a sua popula­ ção reduzida a um terço com a m orte de m ilhões de pessoas. p. O s J e su íta s. O C ristianism o A tra vés dos Séculos. (. 288. 26 C f.” resum e N ichols de form a quase m elancólica.26 O utros efeitos foram sentidos com a Paz de W estfália: “Este acordo acabou com a agres­ são da C ontra-R eform a e tam bém com o progresso do protestantism o. R eligião. 189. p ois o je su itism o soubera conciliar a transcendência com a realidade. Tanto em relação aos protestantes com o em relação à crise da Igreja.27 22 V d. pp.” (José C arlos S ebe. A ssim sendo. 1981.22 sendo portan­ to procuradas pelas fam ílias dos nobres:23 “A C om panhia era a própria expressão de Trento. o je s u itis m o p reg a v a a d ou trin a da su b m issã o e p ro cla m a v a a o b ed iên cia sistem ática. por exem plo. O liv eira M artins.) M as esta abd icação form al da vontade. assim pregada.25 Os jesuítas foram peças importantes na Guerra dos Trinta Anos (16181648) ocorrida na Europa entre Protestantes e C atólicos. d esem prego.am parados sem pre em um a forte coesão interna . O liveira M artins (1845-1894). A G uerra fazia parte de um a engrenagem considerada fundam ental para a “reconquista” espiritual da E uropa para o seio da igreja rom ana. 226-227. os educandários jesu ítico s eram recom endados e aeeilos com o essen ­ ciais à boa ed u cação dos filhos da elite.e as escolas que abriam . Após guerra. já aludido. usando com o instrum ento de pregação. A Igreja reform ada encontrou na C om panhia de Jesus um a form a nova para sua sobrevivência.C a p ít u l o 5 . É claro que isso custou um alto preço. p. R eform a e T ransform ação Social. Je an L aco u tu re. adaptando-se assim às trans­ form ações dos tem pos m odernos. H . Era um a ordem da m oral positiva. N iehols. 25 J.”24 A fidelidade ao papa era um dos pontos fundam entais do jesuitism o. H istoria cle P ortugal. e dar ao m is­ ticism o um caráter prático. geográfico e religioso. 25 “P or estas razões. p. 27 R o b e rt H. o Pro­ testantism o alcançou o seu espaço político. prosseguiram em sua jornada. e o prim eiro princípio da educação: o sacrifício da vontade é um a abd icação real. Os C o n q u ista d o res. O s Jesuítas. 4 1. atingindo principalm ente as classes ricas e lugares estratégicos. padres da C om p an h ia. etc.0 P ie t is m o 259 Os jesuítas que tinham com o regra núm ero um a obediência ao papa. 44). H istória da Igreja C ristã. nas m ãos d os c o n fe sso r es e m inistros de D eu s. C airns. do historiador português.

A lex an d re H erculano. alguns padres. que haviam se tornado num erosos no sul da França e no norte da Itália. criando inclusive a inquisição que estréia no cenário his­ tórico em 1022 com as prim eiras execuções dos “hereges” albigenses em O rléans e em Toulouse. algum as regiões fornecendo de m odo “ p riv i­ leg iad o ” m ais can d id atos às garras da inquisição: “O s 98 d o ssiês im portunaram ou puseram em causa 114 pessoas. através de m ovim entos até certo ponto am orfos mas. entre as quais p red o m i­ nam . p. C orbett. 48 m ulheres são enum eradas.31 A cruzada contra os albigenses. 1984. M a ss. Além disso. p. H istória da O rigem e E stabelecim ento da In q u isiçã o em P o rtu g a l. A lbingenses). M o ntaillou. a p rópria vida da com u n id ad e. Ja c q u e sF o u rn ie r (1285-1342). além das crenças e dos desvios. E ntre essas 114 pessoas. p. P ro testa n t T h o u g h t B efo re K a n t. 28.”28 A guerra por si só abatera em m uito a vida moral e religiosa dos sobreviventes. A gran d e m aio ­ ria. P aulinas. São P au lo .” (Em m anucl L e R oy L ad u ric. Schw enckfeld) ou. ( 1975). 1. G lo u cestcr. H istória da C ultura em P o rtu g a l. a fé em determ inados cír­ culos tornara-se apenas um a questão de assentim ento intelectual. Thom as à Kempis. havendo am bos os sexos e. 11 Vd. que tenham em com um o elã vital de busca da pureza e de um contato m ais direto com Deus sem interm ediações (Cátaros. (rcp rin tcd ). cam poneses. 29 V d. 155. Isto nos conduz ao nosso tema. No conjunto do grupo ‘im portunado’ contam -se alguns nobres. Vol.” (Ibid.d. ou S abarthès. M c G iffert. com erciantes ínfim os.”30 E s­ tas m anifestações podem ser m ais ou m enos isoladas e individuais. p. (A ntónio José S araiva. P o rtu g al. E ntre . p. “O controle da Igreja pelo governo civil nos vários principa­ dos não trouxe espiritualidade. p. 1971. P u b licaçõ es E u ro p a A m érica (s. quando concluída. 1997. L isb o a. hom ens e m ulheres. influenciada pela p ro p ag an d a dos irm ãos A uthié (eles foram m issionários cátaros e citadinos da cid ad ezin h a de Axles-T h erm es). O C eleste P orvir: A inserção do P rotestantism o no B ra sil. Jam es A. K asper Von O.C . tendo com o válvula de escape um a religiosidade m ais fortem ente m ística (M estre Eckhart. 94 com pareceram efetivam ente.). 172. 61.ainda que m uitas vezes necessária e inevitável29 . A Tradição R eform ada: U m a m aneira de se r a co m unidade c ristã . E n tre os 114 in d iv íd uos acusados ou im portunados. p. 1950. 17) “ Ilum ina.. L eith. 25. P eter Sm itli P u b lislier. Características do Pietismo Form as de pietism o sem pre existiram no seio da Igreja com o m anifestações de um a “posição dialética face ao intelectualism o e ao clericalism o. em m aioria. é originária da alta região dc F oix. ■ 1" A ntô n io de G o u v êa M endonça. tabeliães e so b retu d o um a m assa esm agadora de gente m iúda. C ontra esses a igreja rom ana lutou arduam ente. São P aulo. os heréticos de tendência albigense. 1294-1324. Vol.controvérsia teológica. I. Johannes Tauler. O s albigenses eram constituídos p rin ci­ palm en te p elos pro letários citadinos. B uenos A ires. 67. Jo rn al do F ôro. artesãos. C om panhia das L etras. P en d ão R eal. H istoria de los P a p a s. Jo h n H. E sse ardor refo rm ador do bispo contabiliza algum as surpresas no que se refere às diferenças sociais d c seus acusados. 28 A .260 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a De fato. essa m aio ria sabarthesiana com põe-sc de 92 pessoas. que em p regara de todas as suas habilidades nos interrogatórios. 1996. p o vo a d o O ccitãnio. 19). m ascu lin a c fem inina. m ostrando-se “m inucioso com o um escolástico. a vida espiritual carecia de algo m ais sólido do que a sim ples . E ditorial P aidos. p. S ão P aulo..

teria consum ido um m ilhão de pessoas. M a e k in to s h . Num universo de conhecim ento “acabado”. p. B uenos A ires. A F orm ação da E uropa Cristã. fundaria em 1229 a univ ersid ad e de Toulouse.33 N otem os que a representação social da realidade era unívoca e. M o n ta illou. E ditorial B ruguera.se o nosso estim ado Lutero. o qual teve com o um a de suas caracterís­ ticas mais evidentes. deveriam ser “conver­ tidos” ou destruídos. em seu tem po.” (H u g h R . P o r A m o r às C idades. 502). a única estatística de que disponho. não há argum en­ tos plausíveis. sim plesm ente. p. cabem aos “poderosos” o direito de interpretá-la e m odificá-la se assim o desejarem sem pre em nom e da fé. o papa G regório IX (1227-1241). E ditorial Verbo. 25 acusados. p o vo a d o O ccitânio. w Cf. nossa ald eia de M ontaillou [cora um a população entre 200 c 250 h abitantes][Ibid. exceto a confissão do “erro” ou a “clem ência” tardiam ente suplicada. que faz a sua an álise a p artir d a vida do futuro p apa dc A vignon. p. ainda que se tenham argum entos “con­ vincentes” ou m esm o “inquietantes” para este pensar e agir. sozinha. não existem razões convincentes. diz: “Se o mais brilhante dos apóstolos [Paulo] voltasse ao nos­ elas. 30. 1294-1324. © 1966. 2a ed.” (H ugh T revor-R oper. V isando co m b ater a “ h eresia” albigense. . p. A realidade “dada” é para ser vivida e engolida.34 O alvo do Pietism o é um retorno à teologia viva dos apóstolos e da R eform a.C a p ít u l o 5 . os frad es. 156157). contudo c. 1294-1324. M ontaillou. Jacques F ournier (1 2 8 5 -1 3 4 2 ). confesso que o cito com algum a insegurança. 13..” (E m m anuel L e R oy L adurie. p o ­ voa d o O ccitâ n io . B ento X II (1 334-1342). p. conclui: “O s dois triunfos m ais significativos foram o an iq u ilam en to dos A lbigenses e a subm issão dos pregadores da santa pobreza.. na segunda m etade do século 17. “Eu me pergunto . 14 “O pietism o em suas m elhores expressões era um a reação de fé viva contra urna o rto d o ­ x ia m o rta e r íg id a . E l M ilagro C a ta m . 1964.escreveu Spener em 1675 . não teria tam bém para nossas universidades palavras de repreensão quanto a essas e outras coisas. não existe possibilidade do pensar diferente. 1976. a quem cham a de “ bispo inquisidor. 120). e ainda delega algum as testem unhas à barra do tribunal!” (Em m anuel L e R oy L ad u ric. (Cf. O Pietism o alem ão denota um m ovim ento surgido na Igreja Luterana. à sem elhança de com o agiu com zelo. X1II-XIV) na obra de L aduric. 16). acom panhada de um testem unho cristão condizente. 22). nada a ser falado. todos aqueles que ousassem pensarem -na diferentem ente.. p. B arcelona. com entando sobre as seitas dos séculos 12 e 13 e com o a Igreja aniquila­ va os seu s p rincipais ch efes e “am ansava” os outros. “m arginais” . com o sinal de arrependim ento na hora da execução. C o n sid eran d o o p ro b lem a docum ental e a sua evidente sim patia para com os “C átaro s” e m ovi­ m entos. 33 T revor-R oper. com forte ênfase na pregação do Evangelho. não há nada a ser dito. C o r r ie n te s T eo ló g ic a s C o n te m p o râ n e a s : D e S c h le ie rn w c h e r a B arth. M ontaillou. A n d ré N ataf. tendo um a prática dissociada da genuína doutrina bíbli­ ca. E m m anuel Le Roy L adurie.32 A elim i­ nação dos A lbigenses provavelm ente foi a m aior “vitória” da inquisição nesse período. L isboa. 23] fornece. caso ressurgisse nos dias de hoje. p o vo a d o Occitânio. por en­ quanto. enfim . a reação contra um cristianismo que sob muitos aspectos se tornara vazio. 1294-1324. p. T ernos u m a d escrição fascinante desse período (sées.O P ie t is m o 261 cerca de 50 anos depois.” Em outro lugar. dig am o s. pp. Jacq ues L e G off. M ethopress E ditorial. O au to r não cita nen h u m docum ento com o base para esse núm ero ou m esm o com o chegou a ele.

S u b co m isió n L iteratu ra C iistia n a d e la Iglesia C rislian a R eform ada.”39 O Pietism o. que priorizava a independência intelectual e espiritual. b) D iligente exercício do sacerdócio espiritual. . pp.112 .”35 A nalisando a Pia D esideria de Spener . J. S pener. H ágglund. S p en er. Teologia C ontem porâneo en el M undo . estava de certa form a m elhor harm onizado com o espírito m oderno. com o tam bém é cham ado. que se base­ ava em novo conceito de realidade e que continha em seu âm ago as sementes da posição m oderna. e no racionalism o. pp. Biblicism o: Seus padrões doutrinários em anam da Bíblia. H ágglund. R S. Ph..37 3. . c) Ensinar que o saber não é suficiente. ob serv ad o p o r B.obra que m arca “o nasci­ m ento do pietism o”36 . bem com o na proclam ação do E vangelho e na prática social de socorro aos necessitados. 110. 40 Paul T illich.7 Vd. 42-43. H istória da Teologia. 4 4 e 50. ou avivalism o.). ele próprio não com preenderia muitas coisas que as nos­ sas engenhosas m entes proclam am dos púlpitos e das cátedras. R eform a na Igreja: Desejo de reform ar a Igreja.. p. d) Espírito de am or cordial na controvérsia. e) A lim ento devocional e preparação pas­ toral dos estudantes de teologia. pp. O misticismo era o denom inador comum presente no pietismo. 111. P erspectivas da Teologia P rotestante nos S écu lo s 19 e 20. S pener. Um dos asp ecto s. 18 Vd. com batendo a sua letargia espiritual. 281. atribuindo um caráter m ais subjetivo à religião. V d.). bem com o as suas práticas consideradas m undanas. (s. M ud a n ça p a ra o F uturo: P ia D esideria. desejando o rom pim ento com qualquer tipo de tradição. é que o Pietism o era um a “nova posição teológica. M ichigan. A S T E . Estava m ais próxim o da m ente m oderna por causa da sua sub­ jetividade (.d. 1973. M u dança p a ra o F uturo: P ia D esideria. T am bém . 118. J. ele deve se m anifestar em obediência a Deus. p.. Paul Tillich (1886-1965)40 diz: “O pietism o era mais m oderno do que a ortodoxia. G rand R apids. S ão Paulo. que nos parece relev an te. w B. C onn. 36 H arvie M. a saber: 1. C oncórdia. Perfeccionism o: Preocupação com o seu desenvolvim ento espiri­ tual. A inda que o C atecism o (Catecismo M enor de Lutero. P orto A legre. 2. 1529) deva ser ensinado às crianças e aos adultos.podem os destacar quatro características principais do Pietism o. p. Esse program a pode ser assim dividido:38 a) M aior uso das E scritu­ ras. J. 82ss. Esta é um a das 35 P h . 1986. A E xperiência Religiosa: A experiência religiosa assum e um cará­ ter preponderante na vida do crente. Ph.R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a 262 so convívio hoje. p. com a sua ênfase na experiência. 4. M u d a n ça p a ra o F uturo: P ia D e s id e ria .

São B ernardo do C am po. em geral se pensa. M artin. Vol. C uritiba. V d. org. a surpreendente cifra d e 7 4 4 edições. 98. P h J. (Vd. Spener. D . p. E nciclopédia H istó rico -T eo ló g ica d a Igreja Cristã. 112ss. [Cf.. por vezes.” Os extrem os muitas vezes se tocam e se confundem em suas frontei­ ras. D unbar. J. In: E u séb io d e C e saréia.1327) . Im prensa M etodista/P rogram a E cu m ên ico de P ó s-G raduação em C iências da R eligião.C apítulo 5 . O bras S elecio n a d a s d e M a n in h o Lutero. Johannes Tauler (c. 31. tornando-se difícil distinguir o território de cada suposto inimigo. ju lg an d o qu e o assunto j á está reso l­ vido q u an d o sabem os resp o n d er aos erros dos papistas. teve contato com a Teologia R eform ada. S P . . reconhecido com o um pioneiro na prom oção da causa do pietism o 41 P o licarp o . Spener. que estudou em Estrasburgo. E lw ell. Schw enckfeld (14891561). p. D. M u d a n ça p a ra o Futuro: P ia D esideria. Fischer.. 493-494). P R . H istó ria E clesiá stica . M eister E ckhart: In: W alter A. Joachim H..20.” (Ph. J. N o p eríodo de 1600 a 1740. 45 Ph. Vol. pp. 1987. II. B asiléia. G enebra. 1260c. V ida N ova. p. E n ciclo p édia H istórico-Teológica da Igreja C ristã. (E stas p ala v ra s fo ­ ram citad as p o r S p en er no 2 o cap ítu lo de su a obra.45 K asper Von O. pp. não devendo. M u d a n ç a p a r a o F uturo: P ia D e sid e ria . I. T odavia. com um a dose excessiva de paixão. p.42 S pener recebeu influências diversas. 42 M u itos colocam todo o peso nas controvérsias. III. p.quem recebeu influência43 de M estre Eckhart (c. dos reform ados. em Introdução à obra de S pener (Ph. 41).) 13.. Johannes Tauler: In: W alter A. S P .P olicarp o (6 9 -1 5 9 A D ). m uitas das quais ainda são dis­ cutidas em nossos dias. 19881990./S ão B ernardo do C am po. portando. São P aulo.)• O racionalism o e o m isticism o não se contradizem como. Na Suíça (1659). 1300-1361) . ser idealizada ao ponto de tran sfo rm ar T auler em discípulo de E ckhart. M udança p a ra o Futuro: P ia D esideria. 43 E sta in flu ên cia foi apenas parcial. O Sagrado. toda­ via continuou na C onfissão Luterana.44 T hom as à K em pis (c. J. p. São L eopodo/P orto A legre/R S . R u d o lf O tto. org. Contudo. M udança p a ra o F uturo: P ia D esideria. 12]. E lw ell.O P ietismo 263 m ais im portantes observações para se entender o desenvolvim ento da teo­ logia p rotestante depois da R eform a até hoje (. o livro de K em pis. para ter de suportar estas c o is a s!” . P ia D esid eria . 1985. 1379-1471). E ncontrão E d ilo ra/In slitu to E cu m ên ico de P ós-G raduação em C iências da R eligião.41 Vida O prim eiro grande líder do Pietism o foi o alem ão Philipp Jakob Spener (1635-1705). S pener. A Im itação de Cristo.7. 95-109. 44 V d. S inodal/C oncórdia. Spener. Vol. Stuttgart e Tübingen. essa citação é ex tra íd a d a fo n te prim ária). 432 -433. 1996). Spener e a Experiência Religiosa “D e u s b on d oso! A té que tem p os m e tens con servad o. incluindo as traduções. parece haver um certo acordo quanto ao fato de Spener ter sido influenciado pela leitura de obras atribuídas ao místico dom inicano.G. alcançaria.D . V . entre ou tro s. pp. dos anabatistas. cujos escritos Lutero (1483-1546) cita com enorm e apreço.

S P . T h e P h ilo so p h ical L ibrary. A rn d t: ln: Jo h n M ’C lin to c k & Ja m es S lro n g . M u dança p a ra o Futuro: P ia D esideria. Lewis Bayly (c. 12). Verdadeiro C ristianism o . A pesar de S chw enck feld ser luterano. 98. os seus ensinam entos fo ram c o n d en ad o s n a C onvenção de S m a lc a ld ( 1540). quando era estudan­ te em Estrasburgo. A n ab ap lisls: In: V ergilius F erm . aceitando o convite para pastorear a principal igreja da cidade. M udança p a ra o F uturo: Pia D esideria. em Introdução à obra de Spener. pp. C h a tta n o o g a . 50 E sta o b ra foi publicada de form a resum ida em português pela editora “P ublicações E v an g élicas S elecio n ad as” . com o título de "O P a sto r A provado. M u d a n ça p a ra o F uturo: P ia D esideria. org. p. n a F ó rm u la C oncórdia (1575). M udança p a ra o Futuro: P ia D esid eria. São Jo sé dos C am pos. 4l) T endo 104 edições até 1740. especialm ente dos trabalhos do bispo anglicano. E lw ell. proliferou grandem ente. tornou-se pastor auxiliar na principal igreja de Estrasburgo. a n d E clesia stica l L itera tu re. 362). oração e discussão do serm ão do dom ingo anterior. org. III. Spener estabeleceu em sua casa aos dom ingos e quartasfeiras. foi para Frankfurt. N ova York. em 1989. Vol.51 No ano de 1663. p. 1565-1631). orgs. Spener tam bém fez um bom uso dos escritos puritanos. 52 Cf. um grupo de estudo da Bíblia. E n c ic lo p é d ia H istó rico -T e o ló g ica da Igreja C ristã.B .49 e de R ichard B axter (16151691). " 51 O livro de B axter só seria traduzido para o alem ão em 1716.264 R a íz e s da T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a alem ão. recebendo o nom e de Collegia Pietatis. K u y p er o d e n o m in a de “ fa n á tic o p e rig o so ” (A b ra h a m K uyper. D . 47 A p rim eira parte foi p ublicada em 1605 e as outras três cm 1609. p. J. 24. (Cf. 51 T rab alh o sem elhante foi tam bém feito entre os puritanos na Inglaterra. The W ork o f T he H o ly S p irit. Fischer. advieram concom itantem ente dificuldades para a Igreja. lid erad a p o r Ph. S a n to s no M u n d o . p. p. P o r exem plo. 1992. A pedido de alguns irm ãos. C y clo p a ed ia o f B ib lic a l. O Necessário Ensino da Negação de Si M esmo e O Pastor Reformado (1656). S pener. pp. E ller. H arp er & B ro th ers. pp. L eland R yken. através de sua principal obra. Vol. em Introdução à o b ra de Spener. H ouston.M . N ova York. pp. 128-129). 1995.52 O ano de 1670 foi significativo para o m ovim ento Pietista. 14-15. T h eo lo g ica l. (Cf. P u b lish ers. 119ss. E sta obra alcançou 123 ed içõ es até 1740.47 que é citada freqüentem ente por Spener. em nota à ed ição p o rtu g u esa de O P astor A provado. Jo ach im H. I. 60. (V d. P u b lish ers. de onde proveio a denom inação “P ietism o. Joachim H. 1951. Joachim H. aparentem ente despretensioso. A Prática da Piedade. Fischer. Em 1666. 9. Fischer. Ph J. A P ro testa n t D ictio n a ry .50 Spener parece ter tido contato com esta obra.48 A rndt foi opositor da O rtodoxia Luterana. (Cf.53 A pesar de hom ens e m ulheres participarem destas reu­ niões. S ch w en ck feld : In: W aller A. .46 pelo m ístico Johann A rndt (1555-1621). em Introdução ã obra de S pener. 46 C f. som ente os hom ens poderiam fazer uso da palavra. 12). p. FIE L . M e lan ch lo n (1 4 9 7 -1 5 6 0 ) e tam b ém . AM G. (C f. 48 Vd. Este trabalho. tendo sob seu encargo a supervisão de outros doze pastores. 12).” Junto com a expansão destas reuniões. 4). 1894. doutorando-se e contraindo núpcias no ano seguinte. 4 2 9 -4 3 0 .

Vol. aonde encontrou abundante m aterial para saciar sua curiosi­ dade de saber. pp. Virgílio.” (G uillerm o Fraile. A ntes dos treze anos com punha versos em latim e havia lido a Tito Lívio. H orácio. dentro e fora da A lem an h a. p.W. recusan­ d o-se a participar do culto juntam ente com o s im p ie d o so s e receberem a Santa C eia das m ãos dos paslores m u n dan os. L eibniz. Aristóteles. de julgar-m e católico de coração. C ontudo foi incapaz de controlar a proliferação d os c o lle g ia p ie ta tis (." (A pud É m ile Bréhier. em P rólogo y N otas à obra de G. 56 Ele escreveu a M adam e de B rinon (1701 ?): “Tendes razão. A usônio.11/1. A essência da catolicidade não consiste em com ungar.W. La E ditorial C atólica. C olin B row n. C asa B au tista de P u b licacio n es. Fonseca.S. jansenistas e arm inianos. em Dresden.. p. unir o Protestantism o ao C atolicism o. sendo desde bem cedo. 17. 1966. tornando-se exclusivistas e cism áticos. B uenos A ires.C apítulo 5 . H isto ria dei C ristia n ism o . é a caridade. pp. sem saber o que se passava a sua volta. M adrid. 258). onde restaurou o estudo da Bíblia.. que faz que participem os do corpo de Jesus C risto. F ilosofia e F é C ristã. M estre Jou. Em 1691. fugindo ao propósito de sua criação. 3a ed. os que são excom ungados injustam ente deixariam de ser católicos e sem culpa própria. Em 1682. 41.54 M esm o Spener sendo m ais m ístico do que pensador. S. historiadores e filósofos. Por exem plo. das casas dos m em bros para os tem p los. V ida N ova. ele estava longe de ser um pastor destituído de um a inteligência sensível e perspicaz.35 G. F ilho em ap rese n ta ção à o b ra de S pener. aceitou o convite do Eleitor de Brandenburgo.. H istoria d e ia F ilosofia. Ill. A lg u n s dos participantes . com o filósofo protestante. II p.. A guilar.passaram a cham ar a Igreja de B a b el. 1978. senhora. 6 5 0 -6 5 1). P ia D esid eria . durante boa parte da sua vida. Santo Tom ás. L a P rofesion de F e dei F ilosofo. H isto ria d a Filosofia. Frederico III (1657-1713). E m sua autobiografia declara haver lido os escolásticos com o m esm o interesse que um a novela. Se entregou com avidez à leitura de poetas. indo para Berlim . p. . denunciar seu s paslores co m o n ão-con vertid os. R ubio e folheado um pouco a Platão e PIotino. lecionando nas Universidades de Wittenberg e Leipzig. O seu pai faleceu quando ele conlava com apenas 6 anos de idade (1652). L eibniz possuía uma inteligência extrem am ente privilegiada. São Paulo. São P aulo. Suarez. F rancisco de P. S am aranch. B u en o s A ires. Leibniz (1646-1716). Vol. o qual por sua vez. O p ietism o e sfa c e lo u -se em se ita s. L ato u rette. aprendendo in­ clusive o latim sozinho. A com u­ nhão verdadeira e essencial. 11-12. encontra­ m os um a am pla correspondência. 1978. 1978. 55 Cf. 1983. A o s pou cos foram surgindo c o n v e n tíc u lo s ind ep en dentes das Igrejas e dos pastores.).O P ietismo 265 Com o passar do tem po os Collegia Pietatis ganharam para os seus participantes.56 No período de 1686-1690. (Vd. Z arabclla. Spener foi capelão na corte do Eleitor da Saxônia. com R om a. pastoreando a partir de 1697 (?) a Igreja 54 P ró c o ro V. 237). G uillerm o F raile com enta: “A os oito anos lhe perm itiram entrar na bem provida biblioteca de seu pai [professor de M oral na U niversidade]. em suas cartas. exteriorm ente. estava interessado na união entre Luteranos e Calvinistas na Alemanha.A. Leu tam ­ bém L utero (D e Servo A rbítrio) e autores tom istas. tendo como objetivo posterior. o status de igrejas dentro da Igreja (Ecclesiolae in ecclesia). K . Spener tentou mudar o local dos c o lle g ia p ie ta tis . se­ não. 4 “ ed. Foi a tentativa de trazer os c o n v en tíc u lo s para dentro das Igrejas. iniciado nas letras.e screv e P rócoro V elasqu es .

102. •w Para um a classificação um pouco diferente.S. org. (V d.R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a 266 de Saint-N icolas. N o v o s E n sa io s S obre o E n te n d im en to H u m a n o (1 7 0 1 -1 7 0 9 ). m oral e história. J. versavam sobre teologia. A u sleg u n g d e r Sonntagsevcm gelien (E xposição do E vangelho do S enhor). M ud a n ça pa ra o F uturo: P ia D esideria.J. ensinando e ajudando uns aos outros. onde perm aneceu até a sua m orte em 1705. H istoria d e i C ristianism o. As p rin cip ais fo ram : M m m d o lo g ia (1 7 1 4 ). bailes e teatro. oração e abstinência — C om bate ao jogo. S pener. M udança p a ra o Futuro: P ia D esideria. enfatizando a m oderação nas vestes. S pener. 258. bem com o um com porta­ m ento cristão nos negócios. em detrimento da especulação. Heitzenrater. 71 ss. M Ph. sendo assíduos nos estudos bíblicos. bebedeira. m Ph. L alourelle.”63 d) Teologia com ênfase na vida prática. P rin cíp io s da N a tu reza e da C om u n ica çã o das S u b stâ n c ia s (1695). M udança p a ra o F uturo: P ia D esideria. P ioneira. p. Richard P. estar preocupado com a piedade prática dos cristãos. III. 57 Cl'. II. J. 83ss. Editeo/Pastoral Bennell. J. T eodicéia (1 7 1 0 ). pp. 114ss. M udança p a ra o Futuro: P ia D esideria. devido a d iv erso s pedidos. 62 Ph.64 L eib n iz escreveu d iv ersas obras. 424. Spener. Wesley e o povo cham ado M etodista. T odavia. 58 E ste livro foi escrito prim ariam ente com o prefácio à reedição do “S erm onário” de Johann A rn d t. quase iodas p u b licad as postu m am en te. outros pontos parecem ser decor­ rentes:59 a) O Sacerdócio U niversal dos C rentes — Todos os crentes devem participar dos serviços religiosos. 19. 64 Ph. D este princípio fundam ental. E nciclopédia H istórico-Teológica da Igreja Cristã. S pener. 241. D isc u rso de M e ta físic a (1 6 8 5 -1 6 8 6 ).58 Pontos Enfatizados Spener revela em suas obras e com portam ento. O N a scim en to e A firm a çã o da R eform a. p. M ud a n ça p a ra o Futuro: P ia D esideria. R. 50ss. na bebida e nos alim entos. p. envolvendo livros. 1989.57 Obras Spener produziu mais de 300 publicações. S P /R io de Janeiro. p. J. p. São Bernardo do C am po. M udança p a ra o Futuro: P ia D esideria. E lw ell. etc. Vol. resgatando o sentido de um a experiência viva com Deus. Jean D elu m eau . S pener. 1996. S p en er perm itiu que ele fosse publicado separadam ente poucos m eses depois. conform e o ensinam ento de IP e 3. Ph.61 c) R igor na disciplina da Igreja — Santidade de vida:52 “U m com por­ tam ento santo contribui em m uito para a conversão das pessoas.12. São P aulo. p. tendo o am or com o parâm etro visível da piedade cristã. J. tornando-se o inspetor eclesiástico de Brandenburgo. serm ões e cartas. K. S pener: ln: W aller A. 61 Ph. p.60 b) Cultivo da vida espiritual: leitura sistem ática da Bíblia. . A sua obra principal foi: Pia D esideria (1675). p. 16-21). J. V anderm olen. sendo que 123 de seus trabalhos. S pener. p. vd.

Grande parte da influência de Francke se deve ao fato dele com binar de form a harm oniosa erudição bíblica com a vida devocional e fervor evangelístico. pp. E leitor de Brandenburgo. D octrinal. Pastor fiel em sua própria paróquia. estas são relevantes.O P ietismo 267 e) A B íblia tem autoridade superior às Confissões. onde se tornou livre docente. en tu siasm o e capacid ade co m o organizador. A S T E . K ram er.” (Paul M onroe. expunha em sala de aula não só a teoria senão tam bém a exp eriên cia prática. Em H a lle fundou e s c o ­ las que foram fam osas d evido aos novos program as educativos d esen volvid os em urna alm osfera im pregnada de p ie tism o . M onroe d iz que a U niversidade de H alle foi fundada “p rincipalm ente com o um protes­ to co n tra a estreiteza das velhas instituições. p o rq u e foi aí que p ela p rim eira vez as m atérias ‘re a is’ foram ensinadas. “ A U n iv ersidade H alle seria criada em 1694 e. Francke: In: P hilip Schaff. H istória da E d u ca çã o . A ST E . S p en er. 38-39./ Iugar. Latourette (1884-1968) descreve a presença de Francke em Halle: D e energia p rod igiosa. p. Francke estudou em Erfurt. fu n d o u o C o lég io F ilo b íb lic o (“C o lle g iu m F ilobiblicum ”). 229). M udança p a ra o Futuro: P ia D esid eria. J. H alle é considerada a prim eira u n iversidade m oder­ na. Aqui. H istória do P ensam ento C ristão.de. São P aulo. [Cf. S pener. Foi professor na U niversidade de Leipzig em dois períodos (1685-1687 e 1689-1690).htm ). com o resultado de acordos na C o n ferên cia d e V iena.uni-halle.65 f) A experiência é o fundam ento de toda certeza. (Para m ai­ o res detalh es so b re a cid ad e de H alle e a sua universidade.. por m étodos novos e na lín g u a m o d e rn a .66 Entretanto. 5 7-58. h ttp://w w w . org. 67 Ph. vejam -se: P aul Tillich. 40ss. em 1686. p. “ Iniciou o o rfanato em sua casa. Um dos maiores personagens do Pietism o alem ão foi August H erm ann Francke (1663-1727).. 1986. 118. juntam ente com sete o u tro s p ro fe sso re s. que se destinava ao estudo da Bíblia. m inistrou aulas de línguas orientais e. Kiel e Leipzig.C apítulo 5 . contudo. São P au lo. foi a figura d om inan te da faculdade te o ló g ic a e na preparação d os jo v e n s para o m inistério. criada (1694)68 por Frederico III. Deus fala a sua Palavra m esm o através dos ím pios. K. R elig io u s E n cyclopaedia: o r D ictio n a ry o f B iblical. 2 5 4 ss . “ P ara um a d iscussão sobre o assunto. tam bém lecionou na que seria a U niversidade de Halle (1692-1727). M ud a n ça p a ra o F uturo: P ia D esid eria . tanto do ponto de vista filológico (exegético) com o prático e para oração. tam bém de teologia.S. a partir de 1698. apenas um cristão regenerado pode ser um verdadeiro teólogo e possuir um conheci­ m ento real da verdade revelada.s Ph. p. P erspectivas da Teologia P rotestante nos S é c u ­ los 1 9 e 2 0 .69 O su stento d estas in stitu içõ es <. H istorical. J. Posteriorm ente.67 Francke: Erudição e Missão O Pietism o foi responsável pelo início de um grande reavivam ento espiritu­ al na Alemanha. 32-33. Idem . por influência de Spener. Em Halle.ceisal98. por isso. pp. 1986. em 5/11/1695. em 1817. Vd. devendo ser ensinadas. H alle se uniria à u n iversidade de W ittenberg (criada em 1502). a n d P ra ctica l .

70 K . vd. orgs. Ziegenbalg e Plütschau não se intimidaram.72 T h eo lo g y. (Ver. a prim eira im prensa evangélica da Á sia (esta com a ajuda financeira da Sociedade A nglicana para a Prom oção do Conhecim ento Cristão). S tephen N eill. São P aulo. Ziegenbalg continuou o seu trabalho. o qual enviou B artholom ew Z iegenbalg (1683-1719) e Henry Plütschau (1677-1747). 1967. compilou um a gram ática tamil.S. H eitzenrater. W alker.” (H arv ie M . 1984). S w ellengrebel.268 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n t e m p o r â n e a foi p o ssív e l d ev id o às d o a ç õ e s que receb ia. orações e hinos luteranos. as quais Francke cria sin cera­ m ente que ch egavam em resposta à oração. 1. H istó ria da Igreja C ristã . objetivo e influência desta sociedade. Q u an d o Jo h n W eslcy v isito u esle o rfan a to em 1738. fieou en ean tad o com a su a o rg a n iz a ç ã o e com o n ú m ero d e cria n ç a s qu e abrig av a: 6 5 0 . 16421651) e no C eilão ( 1656-1663). R io de Janeiro. os quais partiram da E uropa no fim de 1705. tendo Ziegenbalg se destacado pela facilidade em aprender outras lín­ guas.71 A pesar de não serem bem recebidos pelos colonos dinam arqueses. II.. Vol. J. R iehard P. não encontrando em seu reino quem se dispusesse a fazê-lo. W esley e o p o v o ch a m a d o M eto d ista . C a irn s. 2“ ed. W esterv elt (?). esco la ele m e n ta r q u e se d estin a v a à crian ças po b res e. Vd. (C f. pp. Um Tradutor P o rtu g u ês d a B íb lia em Ja va . por questões de saúde. 111). U m su m ário das c o n trib u i­ çõ es d e F ran ck e. II. as boas o b ras vieram a ser a ex p ressão e x te rn a d e ssa fé. d an d o in stru ção a três m il. C y clo p a ed ia o f B ib lica l. P u b lish e rs. 17. 9370). tam ­ bém. Vol. E a rle E. W esley e o p o vo ch a m a d o M etodista. O C ristia n ism o A tra v é s d o s S écu lo s. Quando o rei Frederico IV da D inam arca precisou de m issionários para enviar aos seus súditos. p. L ato u rette. W.P. . p. Em m eados do século 17 João F erreira de A lm eida (1628-1691 ) havia trabalhado em M álaca (c. “ C o m o o cristian ism o era a p rática de um estilo tran sfo rm ad o r de vida. p. T h eological. 327. 71 C f. H eilzenvater. chegando em T ranquebar no dia 9 de julho de 1706. C ésar. 1887 (R ev ised E d itio n ). Francke (16631727). C o m o bem d isse C o nn. H istória d a s M issões. F u n k W agnalls. p. a n d E clesiá stica ! L iterature. V d . A fé e ra o sol. p. Z w ín g lio M ota D ias & W aldo A ra n h a L. pp. que lecionava na U niversidade de Halle. p. 84). as b o as o b ras eram os ra io s do so l. 1989. escreveu um a obra sobre o Hinduísmo. 21 ss. 111. na colônia dinam arquesa de Tranquebar. traduziu para o tamil o Novo Testam ento (1714) e o Antigo Testamento até o livro de Rute.L . 2 3 3-234. p. H isto ria de! C ristianism o. Jo ã o F erreira de A lm eida. Plütschau regressou definitiva­ mente para a Europa.™ A Influência do Pietismo Ziegenbalg e Plütschau Francke tam bém deu ênfase e impulso à missão cristã. iniciando os seus estudos do idioma nativo.. 233-234. 12 Q uanto ao surgim ento. Eles traduziram para o tamil o Catecismo de Lutero. S ão P au lo . C h ica g o . T eologia C o n tem p o râ n eo en el M u n d o . A S T E . Im prensa B íblica B rasileira. recorreu ao pietista alemão August H. Em 1711. O rganizou neste ano o “ P a e d a g o g iu m ” . sendo os prim eiros m issionários não católicos a chegarem na índia. p. F rancke: In: John M ’C lin to ck & Ja m es S tro n g . provenientes da Europa. 194. em 1697 o rg an izo u um a esc o la se cu n d ária (Cf. 259. Vida N ova. em J. Ele fundou um a escola industrial e outra para a preparação de catequistas e. C onn. R ich a rd P. Vol. P ro te stan tism o : ln : E n ciclo p éd ia M ira d o r. 833]. Vol.

Zinzendorf atendeu a solicitação e. © 1939. Vol. 4“ ed. 77 C h ristian D avid viria a ser. S. existia em Tranquebar um a com unidade luterana de cerca de 350 pessoas. org. Term ina­ do os seus estudos em Halle. Vol. convertido do rom anism o. 1530-1531. pp. Harper. p. III. um centro m issionário. K . D octrinal. N ova York. 96. Depois fez um a dem orada viagem à H olanda e à França. 75 A n tônio d e G ouvêa M endonça. V ida N ova. sob a orientação de Francke. H istória d a s M issões. criou-se um a escola de missões (1714).que na realid ad e era o rem anescente da U nidade dos Irmãos Boêm ios ( Unitas Fratrum) .C a p ít u l o 5 . II. cursou D ireito na U niversidade de W ittenberg (1716-1719). The Progress o fW o rld -W id e M issions. 162-163. Aos dez anos de idade. sendo amigo de Spener. 1984. p. S ão P aulo. foi enviado para estudar em Halle. 74 V ejam -se: Justo L. 82. com o interesse particular pela Lapônia e G roenlândia. 234. Zinzendorf. D ez/1 9 6 2 . G lover. A E ra dos D ogm as e clas D úvidas. 2 7 8 -2 7 9 . tornou-se. bem com o preparando m issionários para enviá-los a diversas partes do mundo. H istorical. L ato u relte. C a m p in as.. a baronesa H enrietta C atarina von G ersdorf e um a tia. M issions: ln: P hilip Schaff. o prim eiro m issionário m o rav ian o na G ro en lândia (1733). SP. 1939.”75 Ele é conside­ rado o grande m issionário estadista. A H isto ry o f the E xp a n sio n o f C hrisrianity. p. Paul P ierso n . Em C open­ hague. p. seguindo assim a tradição da família. co n vidou um grupo de refugiados . em Dresden. 2 3 3 ss. natural de Dresden. sob a liderança de Francke. o “teólogo dos m oravianos. R o b ert H. perm anecendo ali durante o período de 1710 à 1716. O P ietism o : In: R evista T eológica.74 Nicolau L. ingressou no serviço do Eleitor. neste mes­ m o ano. arrecadando fundos para as m issões. O m esm o aconteceu na Dinam arca.O P ie t is m o 269 Q uando Ziegenbalg m orreu em 1719. O seu pai m orreu logo depois do seu nascim ento e a sua m ãe casou-se novam ente. que deu novo im pulso ao trabalho m issionário m oderno.77 pediu abrigo para si e para outros Irmãos que estavam fugindo da perseguição dos Habsburgos. ju n tam en te com outros Irm ãos. H arpers & B ro th ers. n° 30. 76 Cf. am bas pietistas. No ano de 1721. G onzalez. N eill. 70. G ustav W arneck. O C eleste P orvir: A inserção do P rotestantism o no B ra sil. pp. era filho de um alto oficial da Corte eleitoral da Saxônia.a se 13 V ejam -se: S.76 Christian David (16901751 ). N ova York.73 Estim ulados com o trabalho desses pioneiros (Ziegenbalg foi um cor­ respondente minucioso no relato de suas atividades). A experiência decisiva de sua vida teria início em 1722.S. . H istó ria d a s M issões. quando um carpinteiro da M orávia. pp. p. N eill. Ele foi educado pela avó. a n d P ractical T heology. devido às pressões fam iliares. a Universidade de Halle. R eligioits E ncyclopaedia: or D ictionary ofB iblical. Von Zinzendorf O Pietism o exerceu poderosa influência sobre o Conde N icolau Ludw ig von Z inzendorf (1700-1760).

W . pp. 7 2-86. W. John T. Ill. A E ra d o s D ogm as e das D úvidas. pp. 7'J Vejam-se: R. John H esselink. A com unidade cresceu.78 O “Contágio” Pietista O pensam ento pietista não se limitou à A lem anha e D inam arca. 81-84. no séeulo 18.” (I. H istória da Igreja C ristã. . Vol. pp. G o n z a le z . 1998. Z in zen d o rf: In: W alter A. II. L ato u rette. ". pp. O N a scim en to e A firm a ç ã o da R efo rm a . W alker. P endão R eal. G onzalez.J. 260. 84 “ N a H olanda. G. Ju sto A. Tuttle. p. en tre outros: V. Reily. D unean A. eo n su lte . G lover. 242ss. O M ovim ento C arism ático e a T radição R eform ada: In: D onald M.79 A tingiu tam bém a A m érica (1725/1726). pp. sendo m ais tarde ordena­ do M inistro.. H istó ria d a s M issõ es. Vol. org. M cN eill. 58ss. org. O xford U n iv ersity P ress. R io d e Ja n eiro .. H. 344. A té os C onfins da T erra": U m a H istó ria B io g rá fica d a s M issõ e s C ristãs. São P aulo. H istória d a Igreja Cristã. um a d o en tia . O C ristia n ism o A tr a v é s dos S écu lo s. ele atingiu a Inglaterra. E nciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. p. p. 197-202. The P rogress o f W orld-W ide M issio n s. a n d E clesia stica l L iterature. V ida N ova. E n ciclo p éd ia H istórico -T eo ló g ica d a Ig reja C ristã. 340). S eus descendentes tiveram um a p rofícua vida p ú b lica.. 1981. W. tornando-se evangelista e pregador leigo.. E erdm ans. 76ss. 660-661). no grande centro de preparação e envio de m issionários. M ichigan. 6 53-654. 2 41-243. 163-173 (com fo to s). Foi neste período que ele teve a con­ vicção de ter sido cham ado para o M inistério. p. Vol. posteriorm ente cham ada de H errnluit (“Refúgio do Senhor”). SP.Z inzendorf se tornaria bispo da Igreja dos Irmãos em 1737 . Im prensa M etodista.alguns diriam . I ll. Theodore Jacobus Frelinghuysen (1691-1748)80 natural de Born.270 R a íz e s d a T e o l o g ia C ontem porân ea estabelecer em sua propriedade em B erthelsdorf.R. H isto ria deI C ristia n ism o . R o b e rt H. 83 O seu p astorado foi até cerca de 1747. W esley: In: W alter A. Vol.. Ill. II. G randes Temas da Tradição R efo rm a d a . F relin g h u y en : In: Jo hn M ’C lintoek & Jam es S trong. 84ss. pp. pp.84 onde fizera os seus estu­ 78 P ara um a visão m ais eom pleta da vida e obra de Z in z e n d o rf e dos Irm 5os M oravianos. N ova Y ork. S. K. S. 642-644. de m odo especial através de John Wesley (1703-1791). N ova Jersey. 2 0 1 . C a sa P u b licad o ra B atista. 95-9 7 . desenvolveu-se um a interessante ..T. W estphalia81 . Ill. M uirhead. W alker. quem recebeu am pla influência dos M oravianos. Heitzenrater. orgs. M cK im . 1986. H istó ria d a Igreja C ristã. organizando-se em Igreja em 13/08/1727 . R uth A. N eill. p. 1949. M ark A.aliança da o rtodoxia reform ada eom o pietism o . S eus cinco filhos foram ordenados M inistros e suas duas filhas casaram -se eom M inistros evangélieos. W esley e o povo cham ado M etodista. 209. abandonando o seu serviço público. The H istory an d C haracter o f C alvinism . org. através do pastor da Igreja R eform ada H olandesa. que u ltrapassou cm m uito os lim ites de N ova Jersey. (Vd. 80 F relin g h u ysen era um hom em de profunda piedade e zelo religioso. E lw ell. H. pp. R o b ert H. Theological. II. que se fam iliarizara com o Pietism o na H olanda. p. 173ss. pp. T ueker. no Vale de R aritan. P ierard . Jean D elum eau. A H istory o f C hristianity in the U nited States an d C anada. J. 81 Cf. 111. E lw ell. N ichols. pp. São B ernardo do C am po. 1954. p. G rand R apids. M etodism o B rasileiro e W esleyano: R eflexões H istó ri­ cas sobre a A u tonom ia. C yclopaedia o f B iblical. R ichard P.transform ando-se. 1993 (R eprinted). 8:1 Cf. posteriorm ente. passando a liderar a com unidade de Herrnhut. N oll. L./! E ra d o s D o g m a s e d a s D úvidas. p.que viera para a A m érica em janeiro de 172082 pastorear os im igrantes holandeses residentes em N ova Jersey83 e. p. São P au lo .

orgs. IN C . S ch alk w ijk . W heaton. (B ib lio teca H istórica B rasileira. B rasília. A M a ço n a ria e a Q uestão R eligiosa no B rasil. M ark A N oll. três dos seus quatro filhos: G ilbert (1703-1764). C oalter Jr. (Vd. C om fort. p. convidaria os Irm ãos M o ráv io s a virem p ara o B rasil cateq u izar os índios. 335. O P rotestantism o. Pen si 1vânia.. V ieira.87 chega na A m érica. Vol. (1963). L éonard. 8(' Cf. 276. Ill. que já funcionava antes da sua construção.” (Cf. C hicago. T yndale H ouse P ub lish ers. 1992. Vol. em frente 85 S ch alk w ijk com enta: o Rev.q u e h a v ia re je ita d o anteriorm ente o sistem a anglicano88 .D . p. G reg g Singer. o P adre F eijó. C om fort. E ste “Sem inário”.” R ev. E ncyclopaedia B ritannica. que p o r sua vez tinha receb id o m uita in flu ên cia do p u ritan ism o inglês: não so m e n te u m a d o u trin a e fé b íb lic a s. a n d P ra ctica l T heology. Q u ase um século depois (1836). 336 e C.. 2316.S. com troncos de árvores. Foi ordenado D iácono em 01/7/1704 e S acerdote em 22/09/1706. G ilbert Tennent: In: J. 88 Cf. 249ss). p. II. org. fundou o Log College (1726). p. São P aulo. Sam uel Finley (1715-1766). H istoria dei C ristianism o. W. A H isto ry o f C hristianity in the U nited States a n d Canada. D octrin a l.O P ie t is m o dos e fora ordenado M inistro (1717/1719 )85 e do presbiteriano G ilbert Tennent (1703-1764). III). 21. . S trick lan d . I ll. É m ile G. a n d E c le sia stic a l Literature. 41].ingressando na Igreja Presbiteriana. S tanford R eid. N. 931. São P au lo . W illiam (17051777) e John (1707-1732) bem como. pp. C arl Joseph H ahn.P. W illiam Tennent: ln: D onald K. p. C ontudo. W illia m T en n e n t (1 6 7 3 -1 7 4 5 ) . D. Inc. im p o ssibilitados de atender. W estm inster/John Knox P ress. W illiam : ln: H arry S. o tam bém irlandês. 87 A d ata d e 1716 é indicada por K. tendo form ação presbiteriana.D . de quem falarem os a seguir. org. m as tam b ém um a étic a e c o m p o rta m e n to b íb lic o s . p. ao que responderam que “estavam com g ran d e pesar.. C. Vd. 89 O Rev. T ennent. de form a rústica. o Rev.86 Entre 1716 e 1718. T h eo d o re era h erd eiro de um a ên fase do p u ritan ism o h o lan d ês. W h o ’s W ho In C hristian H istory. Tennent preocupado com a preparação de pastores que atendessem a dem anda na região de fronteira. tam bém . D o u glas & P hilip W. p. L eonard J. 39-40. 31-32.P. 1992. A S T E . tendo com o alunos. tam bém alude ao assunto. L ouisville. torn o u -se m in is­ tro da Ig reja A nglicana. E ncyclopaedia B ritannica. Vol. C alvino e Sua In flu ê n c ia no M u n d o O cid en ta l. T rinterud. através do Sínodo de Filadélfia (17/9/1718). X. W. orgs. Vol. 1980. entre outros. T ennent (1673-1745). W ho's W ho In C hristian H istory. E d itor in C hief. K idder (1815-1891). p. T h e o lo g ic a l. p. 71.89 M ais tarde. K idder.” [F ran s L. o “pu­ r ita n o . C yclo p a ed ia o f B ib lic a l. foi elaborado fisicam ente (1736-1737). H ope. H istorical. p. p rovavelm ente se form ou no T rinity C ollege. 2316. p. A p ren d en d o da H istó ria dos A vivam cntos: ln: F ides R efo rm a ta . p. H istória do C ulto P rotestante no B ra sil. a n d P ractical T heology. M ilton J. 362. 2/2 (1 9 9 7 ). K entucky. 1962. Tennent: In: P h ilip S chaff. pp. D ublin e na U n iv ersid ad e de E dim burgo (1695). docum ento in D avid G. editor. Illinois. 1989. E ncyclopedia o f the R efo rm ed F aith. (Vd. A shm ore. 663). R eligious E ncyclopaedia: o r D ictionary o f B iblical. P or o u tro lado. (1951). T ennent: In: John M ’C lin to c k & Ja m es S trong. L ivraria M artins F ontes. então R egente do Im pério. 63]. procedente da Irlanda.V. W illiam Tennent: In: J.C a p ít u l o 5 . O próprio Zinzendorf visitou a A m érica (1741-1743) ajudando a fundar a com unidade M oraviana em B ethlehem . M cK im . O P rotestantism o B rasileiro. D ouglas & P hilip W. o rgs. p. R elig io u s E ncyclopaedia: o r D ictionary o f B iblical. A S T E . São P au lo . org. servindo tam bém com o pastor num a igreja L uterana. R em in iscên cia s de Viagens e P erm a n ên cia no B rasil.P. Os Irlandeses-escoceses na A m érica: In: W. E ditora U niversidade de B rasília. que viria ser presidente do College de N ew Jersey (1761). M itchell. Tennent: ln: P hilip Schaff. H isto rica l. D octrinal. 662 presentam a data de 1718. L atourette. [D .

A. X .96 “ O p ró p rio G eo rg e W h itefield (1 7 1 4 -1 7 7 0 ).90 A pesar da oposição de m uitos pastores que tem iam o rebaixa­ m ento acadêm ico na form ação dos m inistros presbiterianos . m ais de quatro mil libras para o College de N ew Jersey (quantia que ultrapassou em m uito às suas expectativas). X.P.D . an d P ractical Theology. 276). sendo os seus antigos alunos capazes de levar o Evangelho às regiões mais longínquas da Pensilvânia às C arolinas do Norte e do Sul. 64]. Frelinghuysen (pietista).94 Em 1747. 2316. Pensilvânia. (Cf. C a lvino e S ua In flu ên cia no M undo O cidental. G regg Singer. Theological. m C. a n d P ractical T heology. Sam uel Davies (1724-1761) . w Cf. Os Irlandeses-escoceses na A m érica: In: W. S trickland.. Ill. Vol. Tennent. p. con tu d o . p. influenciado pelo Rev. p. ele seria um dos fundadores do College o f N ew Jersey (Princeton C ollege). org.tam bém antigo aluno do Log College. p. Princeton: ln: P hilip Schaff. A. Vol. T h eological. p.. p. . org. Theodore J. org. D octrinal. aluno do prim itivo Log College. C f. 2/ 2 (1 9 9 7 ). 335-336.P. pp. Ill. A data de 1725 parece-m e equivoeada devido ao fato do L o g C ollege só ter sido criado em 1726. A prendendo da H istória dos A vivam entos: In: F ides R eform ata.272 R a íz e s d a T e o l o g ia C o n tem porân ea à sua casa em Nesham iny. org. pp. C yclo p a ed ia o f B ib lica l. G ilb ert Tennent: ln: J. R eligious E ncyclopaedia: o r D ictionary o f Biblical. orgs. O s Irlandeses-escoceses na A m érica: In: W. G regg Singer. G ilbert Tennent. Princeton: ln: P h ilip S chaff.. que produziram cristãos devotos e pregadores fervorosos. M itchell. C yclo p a ed ia o f B ib lical. que surgira com o resultado da pregação de G. Tennent: In: John M ’C lintock & Jam es S trong. a n d E clesia stica l L itera tu re. editor. D ouglas & P hilip W. 612-613. 1928. através de doações. H istorical. Ill. v isito u o L og C o lleg e em 1739. Ibidem . 275. Posteriorm ente. foi pastorear a Segunda Igreja Presbiteriana de Filadélfia. S tanford R eid.5Vd. o ferece a data de 1726.. A. C alvin o e Sua In flu ên cia no M undo O cidental. S chalkw ijk. C. an d P ractical T heology. S tanford R eid.” [Frans L. T ennent: In: John M ’C lin to ck & Jam es S tro n g . I. considerado um dos m aiores pregadores am ericanos do sécu­ lo 18 e notável com positor . W. Em 1743. W hitefield (1714-1770) . orgs. org.92 pelo Presbitério de Filadélfia. Sam uel D avis: ln: P hilip S chaff. R elig io u s E ncyclopaedia: or D ictionary o f B iblical. H isto rica l. trabalhando por um breve tem po com o assistente de seu pai no Log College.91 Os jovens que se form aram nesta escola construíram outras iguais. p. S trickland. Ibidem . ou seja. H isto rica l. q u an d o W hitefield fez um a cam panha evangelística nas colônias (1739-1741). 1. co n co rd am com o m ês de m aio. 1. org. no outono de 1727. Vol. C. foi orde­ nado e instalado pastor da igreja de New B runswick.preocupação que não deixava de ter algum a pertinência .. R eligious E ncyclopaedia: o r D ictionary o f B iblical. cm d o is anos m ais de trinta m il pessoas foram ganhas. H odge. ju n ­ tam ente com o Rev.3 V d. Tennent: In: P hilip Schaff. A m bos. foi licenciado em m aio de 1726. 10% da população am ericana da é p o c a .95 Em 1753-1755. H odge.o Log College cum priu o seu papel. Tennent: In: P hilip Schaff. apresentam a d ata de 1725 e. am igo de W illiam e de G ilb ert T ennent.que com eçara a pregar na A m érica em 1739. Nova Jersey. Vol. vindo daí o nom e jocoso de Log C ollege . C o m fo rt. Vol.4 ".93com eçou a pregar a necessidade de um avivam ento (1733). D octrinal. G ilbert Tennent. an d E clesia stica l L iterature. 663 e W.A. org. 1. D octrinal. W ho's Who In C hristian H isto ry. 346. p. Vol. no Vale Raritan.conseguiu levantar na Inglaterra. 1928. I ll. Vol.

. que zelava pela piedade indivi­ dual e tam bém pela pureza doutrinária. H istória da Igreja C ristã. 53.C a p ít u l o 5 .. pp.S. N oll. H ügll