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QUEM éDIFERENTE
é diferente!

no madame satã...

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Não sei bem como fui parar no Madame Satã pela primeira vez, ainda que hoje pareça o caminho natural migratório de todos os jovens esquisitos da década. O Satã era um misto de portal com outro lado do espelho, onde você se encontrava e se perdia. Onde qualquer excesso era natural e as pessoas eram parecidas de tão diferentes.
elaine gomes

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A Pista do Satã: misto de euforia e subversão

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N
UMA NOITE eu passava horas com uma Dinamarquesa riquíssima, esposa de um banqueiro que sustentava a amante do Presidente João Figueiredo. Duas músicas depois rachava um Martini (eca, a gente adorava essa porcaria encefalizante) com o Heitor Werneck e fumava um maço de Benson&Hedges com o Caio Fernando de Abreu. O porão (pista de dança) enchia e esvaziava numa velocidade tamanha, que os DJs Marquinhos e Magal sabiam na hora se estavam agradando. Pra encher, era só ouvirmos aquela bateria maravilhosa na introdução de Inbetween Days do The Cure, ou Incertain Smile do The The ou Smiths e One Thousand Violins, e pra esvaziar bastava que o Paulo Ricardo subisse no palco. Era senso comum odiar o RPM e adorar o Ira!. A música não precisava ser dançante, bastava ser boa que descíamos todos para a pista e ficávamos ouvindo maravilhados, assim era com o Durutti Column e Cocteau Twins (que tocou no meu casamento no final da década!). O Satã era estranho, desconfortável e descabido. Exatamente como nos sentíamos com 18 anos. Era perfeito. Tudo fervia junto naquele caldeirão. Descer a Conselheiro Ramalho depois das 11 da noite era uma festa. Ali se encontravam, de terça a sábado, componentes de bandas, grupos de teatro, gente da noite e quem importava na cidade. Era vanguarda? Tava no Satã. Dividir a pista com o Renato Russo não era nenhuma novidade (e era quase uma temeridade dançar com ele), nem com o Cazuza, Rita Lee, e todos os componentes das bandas da época. Como alunos de uma mesma escola, nos indentificávamos como fulano “do Satã”, e era a senha pra entrar de graça em shows e nas outras casas Cultural Madame Satã. O nome foi uma homenagem ao famoso malandro carioca, por estar sempre à frente de seu tempo. O que começou como um restaurante virou o antro sujo (já dizia Arrigo Barnabé) de onde saiu boa parte da criação cultural de uma década. Ninguém sabe ao certo como toda aquela gente foi parar no Satã, mas eu sempre achei que era porque, uma vez do lado de dentro, éramos iguais, invisíveis e especiais. Ninguém se chocava nem reparava muito em nada. Cada um fazia o que bem entendia, desde passar a noite olhando pro teto, até cheirar metros de cocaína. Ninguém te incomodava, nem ligava pro teu modo de dançar (até porque não dava pra enxergar muito na pista). O Satã ainda existe como a juventude da década de 80. Resiste ao envelhecimento, sapateia, inventa e produz, mas sente que o tempo passou noite começava assim que a e que nada mais chegará perto noturnas. Era raro, mas havia as noites de festa no Rose ou gente chegava, e não poderia de uma única noite vivida naquelas temperaturas. no Napalm, Anny 44, Carbono ser melhor. 14 ou Val improviso que valiam uma escapada, mas Receita da Fervura ninguém voltava pra casa sem O Satã foi uma idéia de dois casais de irmãos: Wilson e passar no Satã. Elaine de As turmas eram diferentes, o Williams Santos, e Márcia e Almeida Gomes tem povo mais engomadinho ia Miriam Dutra. O local, na Rua 42 anos, é ao Radar Tantã, Radio Clube, Conselheiro Ramalho, bairro editora e Aeroanta ou no Dancing. do Bexiga, era um antigo estudante Nos domínios satânicos, só show room de uma fábrica de de jornalismo. Assídua frequentadora dos porões balanças industriais que, com entravam convidados. Éramos satânicos. uma panelinha hermética e a reforma, virou o Restaurante felizmente insuportável. Aos sábados era a noite mais fraca, as festas geralmente eram em dias de semana, e com a fila na porta cheia de “desavisados”, nossa diversão era barrar os curiosos implicando com os figurinos “papai-é-rico-eeu-sou-bestinha”. Aparecer muito colorido ou muito arrumadinho era pedir pra ficar do lado de fora. Quando o Kiko Zambianchi fez sua festa de aniversário no Rose, fomos especialmente escalados (e pagos, o que era raro) pra ficar na porta barrando as pessoas! Eu me sentia a própria Rainha de Copas do filme Alice no País das Maravilhas, bradando: cortem a cabeça! As coisas eram assim, exclusivas. A sensação é que a

“Numa noite eu passava horas com uma Dinamarquesa riquíssima e fumava com o Caio Fernando de Abreu”

quem é?

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