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Genilson Do Carmo Tcc

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Uma reflexao sobre igreja e justica social.
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GENILSON DO CARMO

MISSÕES E A PREFERÊNCIA PELOS POBRES

FOLSOM, CALIFORNIA 2010

GENILSON DO CARMO

MISSÕES E A PREFERÊNCIA PELOS POBRES

Monografia apresentada ao Curso Livre de Graduação em teologia, da FATE-SP – Faculdade de Educação Teológica de São Paulo, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em teologia.

Orientador: Professor Lawton Ferreira

FOLSOM, CALIFORNIA 2010

DEDICÁTÓRIA

Dedico esta tese à:

A minha amada esposa Tânia do Carmo, fiel serva do Senhor, minha companheira e auxiliadora; e aos Pastores Vanilson Alcantara, Carlo Walth, Mick Andrews e Perry Mayforth grande homens de Deus que acreditaram no meu sonho.

AGRADECIMENTO

Ao meu Refúgio, minha Fortaleza, meu Socorro bem presente na hora da angústia, a Ele, O meu Deus, por ter me resgatado e sustentado até aqui, tanto nas horas de alegria como de angústia, Ele foi e sempre será O meu Rochedo. Obrigado meu Deus por ter me dado a vitória nessa longa jornada. A minha querida esposa Tânia do Carmo, que em todo este tempo esteve me apoiando tanto moralmente como espiritualmente. Obrigado pelo encorajamento em momentos que quis desistir e pela grande esposa que tem sido para mim. Aos meus queridos pais, sr. Francisco e Dona Linda, que me ensinaram os primeiros passos de minha vida, a tratar as pessoas como elas são e não pelo que elas têm, que trabalhar com dignidade é melhor do que muito ter sendo injusto. Agradeço também ao meu avô (avô da Tania), sr. Douglas, que sempre me motivou com palavras de sabedoria. A todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram na realização desta obra. Os meus sinceros agradecimentos.

RESUMO

Missiologia pode ser definida como "a ciência da comunicação cultural transversal da fé cristã". De maneira simples é a matéria que estuda missões e os movimentos missionários. Esta obra trás em seu conteúdo um assunto complexo, pois aqui registra-se acerca da prática missionária e como a mesma “apóia-se” nos conceitos da Teologia da Libertação. Este trabalho de conclusão do curso do Curso Livre de Graduação em teologia, da FATE-SP – Faculdade de Educação Teológica de São Paulo é uma análise da sociedade atual e os desafios que esta trás para a Igreja do Senhor. A injustiça e opressão são constantes no cenário mundial corrente. É com base nesse contexto que temos de proclamar o Evangelho. A pergunta que se levanta é: Qual é a relevância da Igreja dado ao quadro de tremenda necessidade por justiça? Afim de responder a esta pergunta iremos nos adentrar na história de missões, missões em nossos dias e a opção pelos pobres, (opção ou preferência pelos pobres se refere à Teologia da Libertação).

Palavras chave: Missões, Igreja, Reino, Justiça, Injustiça, Pobre, Opressão, Libertação, Mundo.

Sumário Introdução ......................................................................................................................................... 1. Entendendo a História de Missões ........................................................................................09 1. 1 - As eras de missões...................................................................................................11 1. 2 - Os exploradores Europeus......................................................................................12 1. 3 - As missões evangélicas no Brasil............................................................................13 2. Missões em nossos dias ...........................................................................................................16 3. A opção pelos pobres ..............................................................................................................22 4. Nem tudo é ruim na opção pelos pobres...............................................................................26 5. Missões e a opção pelos pobres..............................................................................................28 6. Conclusão................................................................................................................................30 7. Bibliografia..............................................................................................................................32

INTRODUÇÃO “Tens sido refúgio para os pobres, refúgio para o necessitado em sua aflição, abrigo contra a tempestade e sombra contra o calor quando o sopro dos cruéis é como tempestade contra um muro e como o calor do deserto.” Isaías 25.4-5 NVI Certamente o Senhor tem sido e sempre será o refúgio e abrigo do pobre e oprimido. Cabe nos seguir os seus passos e atuarmos como seus súditos. Estamos testificando um período nunca visto na história da humanidade. Temos usufruído de bugigangas eletrônicas em níveis jamais antes pensado. Nossas igrejas estão cada vez mais sofisticadas, com seus sistemas de som, projetores e outros, nossos carros mais inteligentes e nossa linha de produção muito mais eficiente. Mas quem realmente tem desfrutado dessa realidade? É assustador notar que bilhões de pessoas estão vivendo uma vida de sobrevivência. Literalmente comendo o pão que o diabo amassou. Deus é zeloso por justiça, pois a falta da mesma abre o caminho para a injustiça e nós que somos seus filhos devemos zelar pelo que Ele tem zelo e odiar o que Ele odeia. Temos realizado missões de várias maneiras, mesmo que a forma tradicional (plantação de igrejas) de execução desta obra ainda seja a mais usada, temos de buscar do Senhor o caminho correto para dá maior validade à igreja que esta sendo plantada. Isso nos leva ao caminho do ministério holístico, o qual se engaja com a justiça social. Um dos maiores desafios na realização deste tipo de ministério é sem dúvida sua similaridade com obras de caridade. Por isso se faz necessário entendermos um pouco acerca da Teologia da Libertação. Não para copiá-la por completo, mas para assumirmos que não há nada errado em atuarmos no campo social como Igreja.

1 - Entendendo a história de Missões Missões começa a partir do momento em que o homem rompe seu relacionamento com Deus seu criador. A opção pelo conhecimento do bem e do mal, arrancou de nós o que tínhamos de más precioso, não a vida eterna em si mesma, mas a doce presença de nosso Criador, sua companhia e amor, pois vida eterna sem Ele é sofrimento eterno. Contudo Deus em sua complexidade, sendo Ele totalmente amor e justiça, lá mesmo no Éden, onde o homem deixou de confiar em Deus, temos a primeira evidência do plano de reconciliação de Deus:
“Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”1

Deus em sua justiça, julga Lúcifer e a humanidade. A porção de Satanás é sua derrota e a do homem a possibilidade real de ser regenerado, na condição de reconhecer o ser Divino e que Deus e só Ele pode nos salvar. No Curso Livre de Bacharelado, na disciplina de Missiologia da Faculdade Teológica de São Paulo, na introdução da matéria deixa bem claro a continuação da ação divina,
“Jesus, O Missionário Enviado dos Céus” 2

Sim Jesus é o enviado do Pai para expiação e redenção de nossos pecados, mas outro fato extra-ordinário é que nosso Salvador nos convida para com ele trazer redenção, a todos que a desejarem, pois Ele com seu sangue nos livrou da condenação eterna, que é, não viver com o Pai, Filho e Espírito Santo. A ordem/convite foi dada/feito aos
“...Discípulos. No momento da ascensão de Jesus, os discípulos com Ele reunidos, representavam a Igreja na sua vocação e missão no mundo”. Diz ainda que “a ordem missionária foi dada a Igreja hodierna. A Igreja de hoje está ligada à Igreja primitiva, não apenas por suas raízes históricas. Esta se identifica com aquela na responsabilidade de evangelizar os povos em todas as nações. Por isto, os seus membros devem ser treinados para serem testemunhas de Jesus até aos confins da terra (Atos 1.8).”3

                                                                                                               
1 2 3

Genesis 3.15, João Ferreira de Almeida Atualizada FACULDADE TEOLÓGICA DE SÃO PAULO. Curso Livre de Graduação Bacharelado. Missiologia. São Paulo. 64 p. FACULDADE TEOLÓGICA DE SÃO PAULO. Curso Livre de Graduação Bacharelado. Missiologia. São Paulo. 64 p.

Ou seja, Missão tem seu início e sua realização em Deus. Missão é o ato de graça, misericórdia e amor de Deus para com sua criatura. O homem decidiu separa-se de Deus. Deus decidiu reconstituí-lo, reconciliando o homem consigo mesmo.
“Tudo isso é obra de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo, através daquilo que Cristo fez por nós e nos confiou a missão de anunciar essa mesma reconciliação. Porque Deus estava em Cristo, reconciliando o mundo consigo mesmo, não mais considerando os pecados dos homens como razão de acusação contra eles. Eis pois a mensagem que pregamos. Somos então como embaixadores de Cristo. E é como se Deus por nosso meio lançasse um apelo aos homens. Nós vos suplicamos então, da parte de Cristo, que se reconciliem com Deus!”4

A esperança é que quando entendermos o que significa ser reconciliado, nós iremos viver adorando Aquele que tudo criou e esse ato de constante adoração irá nos conduzir a entender a ordem de como devemos servir. Como disse bem John Piper:
"As missões não representam o alvo fundamental da igreja, a adoração sim. As missões existem porque não há adoração, ela sim é fundamental, pois Deus é essencial e não o homem. (...) Elas (as missões) representam, no momento, uma necessidade temporária. Mas a adoração permanece para sempre" "A adoração é, portanto, o combustível e a meta das missões. É a meta das missões porque nelas simplesmente procuramos levar as nações ao júbilo inflamado da glória de Deus. O alvo das missões é a alegria dos povos na grandiosidade de Deus" "As missões começam e terminam com a adoração".5

Viver na presença de Deus é se relacionar com Ele, se relacionado com o Pai iremos descobri-lo, ao descobri-lo iremos reverenciá-lo em devoção e adoração.

                                                                                                               
4 5

2 Corintios 5.18-20, O livro PIPER, John. Alegrem-se os povos: a supremacia de Deus em missões, São Paulo: Cultura Cristã, 2001. 256 p.

1.1 - As eras de missões Em sua obra intitulada “História de Missões Mundiais”, Jorge Manriquez nos fornece um resumo sobre a obra missionária, como segui abaixo:
“a. Na 1a era: Abrão foi escolhido em Gn 12.1-3. O mesmo mandamento foi dado à Isaque em Gn 26.1-5, à Jacó em Gn 28.10,15, e José tranqüilizou seus irmãos dizendo: “Vocês me venderam, mas Deus me enviou”, Gn 4.4-8. Ele se tornou uma Bênção para o Egito. Até mesmo faraó reconheceu, que José estava cheio do Espírito Santo, Gn 41.38. Porém, esta não foi à obediência missionária intencional que Deus desejava. b. Na 2a era, dá-se o cativeiro, 70 anos Israel é escravizado pelo rei da babilônia, Nabucodonozor, Jr 25.9-11; 29.1,4,10; 2Cr 36.18-21; Ed 5.12. c. Na 3a era, Deus começa a usar os Juizes para lutar em favor do povo, Jz 1.16; 5a d. Na 4a era, Deus começa a contar com reis em Israel, 1Sm 8; 2Cr 36; e. Na era, dá-se o segundo cativeiro e a diáspora; f. Na 6a era, Roma foi conquistada, mas não estendeu o evangelho aos povos bárbaros, celtas e godos. Quase por castigo, Roma foi invadida pelos godos e toda parte ocidental do império foi desmoronada. g. Na 7a era, os godos foram evangelizados, mas não levaram o evangelho mais ao Norte; h. Na 8a era, novamente quase por castigo os vikings invadiram a região dos celtas e godos cristãos e os vikings se tornaram cristãos em meio a esse processo. i. Na 9a era, a Europa, pela primeira vez mudou na fé cristã, se lançou a um exercício de pseudomissão aos serracenos e se dirigiu ao oriente mais distante como conseqüência do grande fracasso das cruzadas. j. Na 10a era, a Europa atingiu então aos confins da terra, mas com motivações muito confusas.”6

No curso de missões transcultural, “Perspectivas no movimento cristão mundial”, curso este mundialmente conhecido e difundido entre as igrejas evangélicas, afim de educar e encorajar o povo de Deus a cerca de missões. Trás em um de seus tópicos de ensino uma suma do movimento missionário evangélico. Cobrindo o período de missões moderna de 1872 até os dias de hoje. As três eras das missões moderna tiveram quatro homens que influenciaram a maneira como levamos a Palavra de Deus aos povos distantes. Assim o artigo é intitulado “Quatro Homens Três Eras”.
1ª 2ª Era: Missão na Costa (de 1872 a 1910) – Willian Carey Era: Missão no interior (de 1865 a 1980) – Hudson Taylor

3ª Era: Missões para os povos ocultos não alcançados (de 1934 até o Presente) – Cameron Townsend, Donald McGavran7

                                                                                                               
6 7

Manriquez, Jorge. História de Missões Mundiais. Serra Negra, 10 de agosto de 2004. 47 p.

Lee, Paul Sungro; Kinyanjui, Edward K. (Comp.). Treinamento para o Candidato a Missionário: Levantando Missionários no Terceiro Mundo. ed. Aliança Evangélica para o Treinamento e Comissão de Pregadores, 2008. 93 p.

Isso nos dá uma boa panorâmica do que Deus fez no passado, e queira Ele que esta nos ajude a olhar para o futuro de missões até que Jesus venha dos altos céus para resgatar aqueles que os amam.

1.2 - Os exploradores europeus O ponto mais relevante da história de missão para as Américas, em especial as Américas Central e do Sul, é sem sombra de dúvidas durante o século XV, quando os exploradores Europeus iniciaram a disputa pelo Novo Mundo. Devido ao status e a influência da igreja Católica Romana em alguns dos reinos europeus deste período, predominantemente o Espanhol e Português. Tais reinos, serviram como plataforma para expedição missionária.
“No final do século XV, a Igreja Católica Romana iniciou um novo período de missões estrangeiras. O Novo Mundo foi visto como um campo propício para a expansão do cristianismo. Os papas e líderes políticos estavam ansiosos para estender o domínio católico a estas terras. A rainha Isabel considerava a evangelização dos índios como a justificativa mais importante para a expansão colonial, pelo que insistia em que sacerdotes e frades estivessem entre os primeiros a estabelecer-se no Novo Mundo. Os franciscanos e os dominicanos e mais tarde os jesuítas aceitaram o desafio. Dentro de algumas décadas o catolicismo tornou-se uma força permanente e de influência. O cristianismo se firmou com extrema rapidez.”8

É exatamente nessa parte de nossa história onde se encontram as repostas para muitas de nossas perguntas acerca de nossa fé, tradições e desafios hoje. Historicamente a igreja Católica Romana é vista como a fé/religião da “situação”, ou seja, a igreja a serviço da política e a política a serviço da igreja. O que em muitas ocasiões trouxe mais malefícios do que benefícios para os cristãos católicos ou não.

                                                                                                               
8

Manriquez, Jorge. História de Missões Mundiais. Serra Negra, 10 de agosto de 2004. 47 p.

1.2 - As Missões Evangélicas no Brasil As Missões Evangélicas que em sua essência se preocupa mais com o ser espiritual do que o com ser carnal, vieram à acontecer cerca de 100 anos depois das missões católicas. As primeiras tentativas em trazer o evangelho “protestante” ao Brasil si dá através dos Franceses e Holandeses. Ainda usando o modelo católica de propagar o evangelho, o que proporcionou a queda quase que imediata quando os mesmo foram expulsos pelos Portugueses.
1. No final de 1555, chegou à Baía da Guanabara uma expedição francesa comandada pelo vice-almirante Nicolas Durand de Villegaignon, para fundar a "França Antártica." Esse empreendimento teve o apoio do almirante huguenote Gaspard de Coligny, que seria morto no massacre do dia de São Bartolomeu (24-08-1572). Em resposta a uma carta de Villegaignon, Calvino e a igreja de Genebra enviaram um grupo de crentes reformados, sob a liderança dos pastores Pierre Richier e Guillaume Chartier (1557). Fazia parte do grupo o sapateiro Jean de Léry, que mais tarde estudou na Academia de Genebra e tornou-se pastor (†1611). Em 10 de março de 1557, esses reformados celebraram o primeiro culto evangélico do Brasil e talvez das Américas. A França Antártica é considerada como a primeira tentativa de estabelecer tanto uma igreja quanto um trabalho missionário protestante na América Latina. 2. Em 1624, os holandeses tomaram Salvador, a capital do Brasil, mas foram expulsos no ano seguinte. Finalmente, em 1630 eles tomaram Recife e Olinda e depois boa parte do Nordeste. Sob os holandeses, a Igreja Reformada era oficial. Foram criadas vinte e duas igrejas locais e congregações, dois presbitérios (Pernambuco e Paraíba) e até mesmo um sínodo, o Sínodo do Brasil (1642-1646). Mais de cinquenta pastores ou "predicantes" serviram essas comunidades. A Igreja Reformada realizou uma admirável obra missionária junto aos indígenas. Além de pregação, ensino e beneficência, foi preparado um catecismo na língua nativa. Outros projetos incluíam a tradução da Bíblia e a futura ordenação de pastores indígenas. 9

O protestantismo só reaparece no Brasil em meados do século XIX. Desta vez devido à acordos comerciais entre Inglaterra e Portugal.
Após a expulsão dos holandeses, o Brasil fechou as suas portas aos protestantes por mais de 150 anos. Foi só no início dos século XIX, com a vinda da família real portuguesa, que essa situação começou a se alterar. Em 1810, Portugal e Inglaterra firmaram um Tratado de Comércio e Navegação, cujo artigo XII concedeu tolerância religiosa aos imigrantes protestantes. Logo, muitos começaram a chegar, entre eles um bom número de reformados.

                                                                                                               
9

Matos, Alderi Souza de. O Protestantismo no Brasil. Disponível em: http://www.thirdmill.org/files/portuguese/58714~11_1_01_10-18-11_AM~O_Protestantismo_no_Brasil.html. Acesso em: 10 de dezembro de 2009.

Em 1827 foi fundada no Rio de Janeiro a Comunidade Protestante Alemã-Francesa, que veio a congregar, ao lado de luteranos, reformados alemães, franceses e suíços.10

Como podemos observar no decorrer de nossa história Estado e Religião andavam de mãos dadas. Alguns países ainda preservam esse modelo, outros tentaram eliminar religião de uma vez por toda a qualquer custo (por exemplo países comunistas, mas sem sucesso) e outros ainda simplesmente separaram religião e estado, estabelecendo assim o que conhecemos como secularismo, também podemos chamar de estado sem Deus.

                                                                                                               
10

Matos, Alderi Souza de. O Protestantismo no Brasil. Disponível em: http://www.thirdmill.org/files/portuguese/58714~11_1_01_10-18-11_AM~O_Protestantismo_no_Brasil.html. Acesso em: 10 de dezembro de 2009.

2 - Missões em nossos dias

Vivemos num tempo extra-ordinário, ousaria até repetir as palavras do apóstolo Paulo quando ele se referiu à chegada do Cristo ao mundo, vivemos na plenitude do tempo11, não sugiro aqui que Jesus voltará em nossa geração, pois com respeito a isso só o Pai o sabe. Nunca na história da humanidade se produziu e avançou tanto, os meios de transporte, indústria e comunicação atingiram incríveis níveis nas ultimas décadas. Com isso o contexto missionário do século XXI trás vantagens e desvantagens. Vantagens tais como, podemos viajar em menos tempo, podemos nos comunicar de forma instantânea. Desvantagens, nos distraímos muito más facilmente com computadores e o fácil acesso à internet para manter contato com família e amigos, outra desvantagem marcante da nossa época é o individualismo gerado como consequência do consumismo e entretenimento. Sobre isso escreveu bem Augusto Cury:
Criamos um mundo que promete prazer ao homem: a TV aberta e fechada, o cinema, os esportes, os parques de diversões, os jogos eletrônicos e o mundo da internet. Nunca tivemos uma indústria de lazer tão grande e um homem tão triste.12

Este é o mundo pós-moderno em sua complexidade. A população mundial teve um aumento inacreditável, de 2 bilhões em 1930 para algo em torno de 6.790.062.216 em 2009 (estimativa feita em julho 2009)13. Hoje a ONU reuni 192 nações14. Podese ainda afirmar que existem 202 nações de acordo com o Departamento de Estado NorteAmericano15 e entre essas nações existem 12.000 povos16 dentre os quais se fala cerca de 6.809 línguas17. Para completar a infinidade de idéias em nosso planeta, têm-se o fator religioso que se divide em: Cristão 33% (Católico, Ortodoxo e Outro 22%; Evangélico 11%); Muçulmano 21%; Sem Religião 18%; Hindu 13%; Budista 6%; Chinês 6%; Animista 3%; Judeu < 1%; Sikh < 1%;                                                                                                                
Gálatas 4.4 Cury, Augusto. Treinando a emoção para ser feliz. São Paulo: Academia de inteligência, 2001. 194 p. 13 The Central Intelligence Agency (CIA). World. Disponível em: https://www.cia.gov/library/publications/the-worldfactbook/geos/xx.html. Acesso em: 30 de janeiro de 2010. 14 Las Naciones Unidas. Información general. Disponível em: http://www.un.org/es/aboutun/. Acesso em: 25 de janeiro de 2010. 15 U.S. Department of State. A-Z List of Country and Other Area Pages. Disponível em: http://www.state.gov/misc/list/index.htm. Acesso em: 22 de janeiro de 2010. 16 "Barrett, David B. Annual Statistical Table on Global Mission. Overseas Ministries Study Center, Jan 2002. 22 p. 17 COMIBAM. Situação do mundo. Disponível em: http://www.comibam.org/transpar/_menus/por/17jogo-mundo2002.htm. Acesso em: 25 de janeiro de 2010.
12 11

e Outro 1%18. E o fator político-econômico, a maioria dos países são democracias capitalistas, pode-se afirma que apenas seis países são comunistas/socialistas como segui: China, Cuba, Vietnã, Korea do Norte, Laos e Myanmar. Esse número pode variar. Residimos num mundo globalizado, ou diria numa nova globalização, desde que os primeiros reinos e impérios eram essencialmente uma ação globalizante num sentido de unificação e expansão dos mesmos. Na nova globalização o que era um produto local agora é um produto mundial, o que parece ser uma lógica justa e benéfica. Em análise geral, a globalização tem nos fornecido um cenário de desigualdade econômica e social. O positivismo da globalização afeta primariamente os ricos (pessoa física e jurídica). Com o intuito de dialogar sobre os desafios do mundo globalizado a Organização Internacional do Trabalho (OIT) publica vários documentos afim de achar o ponto de equilíbrio na nossa sociedade de injustiças sociais, em um desses documentos relata-se:
Pessoas amplamente favoráveis a maior abertura e inter-relacionamento entre as sociedades são muito menos positivas quando perguntadas sobre o impacto em seus empregos e renda. Um participante do diálogo nas Filipinas disse: “Não se justifica uma globalização que reduz o preço dos sapatos de uma criança, mas custa o emprego de seu pai”. Houve freqüente referência às dificuldades enfrentadas por empresas de pequeno porte para tirar proveito da globalização – apesar de ser a maior geradora de empregos. As economias rural e informal permanecem à margem, e o resultado é a pobreza persistente. Outros estavam preocupados com a perda de empregos, como resultado da reestruturação industrial dos mercados globais competitivos, e com pressões para rebaixar as condições de trabalho e direitos dos trabalhadores – na Europa e na América do Norte, assim como em países de renda média e em transição.19

O nosso mundo hoje é rico, o que nos ajuda a identificar o nível de desigualdade social atual, segundo o relatório de Desenvolvimento Humano editado em 2005 pela ONU, o valor do PIB mundial em 2003 em dólares era de cerca de 36 trilhões de dólares, o que dava um PIB per capita de cerca 5 mil dólares/habitante20. Contudo quase metade do mundo vive com menos de 2 dólares/dia.
O Banco Mundial define a pobreza extrema como viver com menos de 1 dólar por dia (PPP) e pobreza moderada como viver com entre 1 e 2 dólares por dia. Estima-se que 1

                                                                                                               
Johnstone, Patrick; Mandryk, Jason. Intercessão Mundial. ed. Missão Horizontes, 2003. 798 p. Organização Internacional do Trabalho. Uma globalização justa: criando oportunidades para todos. Brasília: MTE, Assessoria Internacional, 2005. 166 p. 20 United Nation. Relatório de Desenvolvimento Humano 2005. Cooperação internacional numa encruzilhada: ajuda, comércio e segurança num mundo desigual. Disponível em: http://hdr.undp.org/en/reports/global/hdr2005/chapters/portuguese/. Acesso em: 15 de janeiro de 2010.
19
18

bilhão e 100 milhões de pessoas a nível mundial tenham níveis de consumo inferiores a 1 dólar por dia e que 2 bilhões e 700 milhões tenham um nível inferior a 2 dólares21.

As drogas ilícitas constituem um câncer no nosso querido planeta, sem relatar o abuso do álcool e outros tipos de drogas temos os seguintes dados, fornecido pela Central Intelligence Agency - CIA (Agencia Central de Inteligência em português).
Cocaína: o cultivo mundial de folhas de coca em 2007 ultrapassou a 232.500 hectares; Colômbia produziu pouco mais de dois terços da colheita mundial, seguido pelo Peru e Bolívia. Ópio: o cultivo de papoula continua a aumentar, em 2007 a produção de ópio atingiu 8.400 toneladas. O Afeganistão é o maior produtor de ópio do mundo, representando 95% do abastecimento global22.

Já não bastasse o tráfico de drogas, agora temos em evidência o tráfico de pessoas, o que acontece em grande parte dos países do mundo, ousaria dizer sem medo de errar, em todos países do mundo. A definição de tráfico de pessoas de acordo com a Convenção das Nações Unidas Contra o Crime Organizado Transnacional (mais conhecida como Convenção de Palermo) é:
“o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos"23.

Estima-se que milhares de pessoas no mundo se encontram em escravidão. Não se pode dizer com exatidão a quantidade de indivíduos nesta situação. Aqui segui dados que são comumente utilizados por pesquisadores pelo mundo afora:
a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimou em cerca de 2,4 milhões o número de pessoas no mundo que foram traficadas para serem submetidas a trabalhos forçados. A OIT calcula que 43% dessas vítimas sejam subjugadas para exploração

                                                                                                               
Wikipedia. Pobreza. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pobreza#Medir_a_pobreza. Acesso em: 10 de janeiro de 2010. The Central Intelligence Agency (CIA). World. Disponível em: https://www.cia.gov/library/publications/the-worldfactbook/geos/xx.html. Acesso em: 30 de janeiro de 2010. 23 Dias, Claudia Sérvulo da Cunha (Coord.). Tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. Brasília : OIT, 2005. 80 p.
21

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sexual e 32% para exploração econômica —as restantes (25%) são traficadas para uma combinação dessas formas ou por razões indeterminadas.24

Das 2,4 milhões de pessoas traficadas 80% são mulheres, 50% são menores de idade e 75% são destinadas para exploração sexual. Este último pedaço do quebra-cabeça monta o cenário no qual a Igreja do Senhor deve viver e atuar como representante do Reino de Deus, até que Ele nos resgate para a morada eterna. O objetivo do Evangelho não é construímos nosso próprio reino. Mas sim, para desenvolvermos o Reino de Deus que já está entre nós (e em nós) e ainda está por vir em sua completa glória e revelação. Como estamos respondendo ao mundo atual? Estima-se que 1.000 igrejas são abertas por semana no mundo e que na America do Sul 500 novos cristãos são adicionado na igreja do Senhor a cada hora25. O que isso significa para os oprimidos na Janela 10 – 40 ou os oprimidos na esquina de nossos igrejas? Com qual relevância tem a Igreja do Senhor atuado na vida do pobre, cativo, doente e oprimido? Ou como a igreja tem tratado os ricos de nosso mundo? A realidade missionária atual está além do que pode ser. Se os cristãos fossem contados como um país, esta nação estaria entre 5 maiores economias do mundo. Seria um país sem drogas. Seria um país sem tráfico de humano. Mas mesmo conto esse positivismo uma pergunta ficaria no ar sobre essa nação, seria ela uma nação justa? Como a mesma trataria sua população pobre? Muito difícil responder. Analisemos então as características do modelo missionário evangélico/protestante e católico romano. O modelo missionário evangélico/protestante é sem dúvida caracterizado pela ênfase dada a salvação da alma, o que significa vida eterna no céu, o Reino vindouro. Daí então, não importa se a pessoa está em pobreza ou riqueza, em perseguição ou liberdade, fome ou abundancia e assim por diante. Nesse contexto, o cristão vive num futuro que parece muito distante. Se a pessoa está no extremo “positivo” da vida será muito fácil viver assim, se ao contrário, viver o presente representa angústias diária, ou seja, aquela nação cristã deixaria o seu pobre como ele está e continuaria pregando para ter certeza que o pobre chegaria ao céu. Já a característica principal do modelo missionário católico romano, como se constata no quadro histórico, é a manutenção da tradição, o que significa a obediência ao                                                                                                                
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Dias, Claudia Sérvulo da Cunha (Coord.). Tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. Brasília : OIT, 2005. 80 p. Johnstone, Patrick; Mandryk, Jason. Intercessão Mundial. ed. Missão Horizontes, 2003. 798 p.

Papa, o reconhecimento da Virgem Maria, festivais para lembrar os santos da igreja, a eucaristia e assim por diante. Nesse caso a vida parece ser aqui apenas, o Reino presente. A salvação da alma pode esperar, pois o purgatório está à disposição dos seus fiéis não tão fiéis, ou seja, o pobre será assistido, contudo o valor espiritual se perde em meio a busca pelo bem está. Precisamos encontrar em Deus e em sua Palavra o equilíbrio para sabermos como levar, proclamar e viver o Evangelho do Reino de Deus. Demos ouvidos à Palavra:
“Não é verdade que ele não mostra parcialidade a favor dos príncipes, e não favorece o rico em detrimento do pobre, uma vez que todos são obra de suas mãos?” Jó 34.19 NVI “Você acha que acumular cedro faz de você um rei? O seu pai não teve comida e bebida? Ele fez o que era justo e certo, e tudo ia bem com ele. Ele defendeu a causa do pobre e do necessitado, e, assim, tudo corria bem. Não é isso que significa conhecerme?”, declara o SENHOR. “Mas você não vê nem pensa noutra coisa além de lucro desonesto, derramar sangue inocente, opressão e extorsão.” Jeremias 22. 15-22 NVI “Quem de nós pode conviver com o fogo consumidor? Quem de nós pode conviver com a chama eterna?” Aquele que anda corretamente e fala o que é reto, que recusa o lucro injusto, cuja mão não aceita suborno, que tapa os ouvidos para as tramas de assassinato se fecha os olhos para não contemplar o mal, é esse o homem que habitará nas alturas; seu refúgio será a fortaleza das rochas; terá suprimento de pão, e água não lhe faltará. Seus olhos verão o rei em seu esplendor e vislumbrarão o território em toda a sua extensão.” Isaías 33.14-17 NVI “Será esse o jejum que escolhi, que apenas um dia o homem se humilhe, incline a cabeça como o junco e se deite sobre pano de saco e cinzas? É isso que vocês chamam jejum, um dia aceitável ao SENHOR? “O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo?” Isaías 58. 5-7 NVI “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. “Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?’ “O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’.” Mateus 25. 34-40 NVI26

Temos inúmeras passagens bíblicas que deixam clara a posição de Deus                                                                                                                
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Nova Versão Internacional

com respeito ao pobre e oprimido. Ao mesmo tempo que Ele deseja restaurar o relacionamento com o homem Ele deseja que o mesmo seja tratado com justiça e dignidade. Se realmente acreditamos no “ide e fazei discípulos”, vale apena nos desafiar perguntando-nos se estamos levando o evangelho todo para o homem todo. Pois nos é claro que Deus cuida dos seus integralmente, não parcialmente.

3 - A opção pelos pobres  
 

A rebelião católica, a ameaça à ordem evangélica. A temerosa Teologia da Libertação (TdL) e suas controvérsias teve início no fim dos anos 60 e começo dos anos 70. O seu ponto de partida se deu por conta de estruturas políticas opressoras. Na era da ditadura no Brasil e na América Latina de formal geral. Uma teologia de sonhos utópicos e aspirações fenomenais. Baseando-se no pensamento Marxista.
Marx foi um estudioso da sociedade e seu patrimônio teórico é bastante vasto, desvendando os fortuitos mecanismos do funcionamento do capitalismo e também fez uma porção de considerações filosóficas e outras estratégicas, que tinham por objetivo pensar os caminhos da revolução socialista e abrir os caminhos para a aplicação da economia planificada.27  
 

Existem muitas razões pelas quais se justifica não endossar tal teologia. Das quais muitas sãos legítimas e outras nem tanto. Por exemplo dizem que a TdL não crê no Reino vindouro. Em pesquisas constata-se que essa informação não procede, como é confirmado por um dos maiores ícones da TdL, Leonardo Boff:
“O Reino de Deus não é apenas futuro e utopia; é uma presente e encontra concretizações históricas. por isso deve ser pensado como um processo que começa no mundo e culmina na escatologia final. Em Jesus encontramos a tensão dialética sustentada adequadamente: por um lado, a proposição de um projeto de total libertação (Reino de Deus) e, de outro, mediações (gestos, atos, atitudes) que traduzem processualmente na história. Por um lado o Reino é futuro e há de vir e, de outro lado, é presente e está perto.”28

O senhor Leonardo Boff articula bem como se entende Reino na TdL. Podemos afirmar que está é uma excelente definição, pois nos informa do Reino que ainda será instituído e da realidade do reino entre nós, causando-nos a atuar conforme quem somos e a quem representamos. É obviou a real razão pela qual se rejeita a TdL. As idéias socialista/comunista que estão de fato enraizadas em seu discurso, o que faz com que os seus teólogos sejam agentes revolucionários contra o sistema capitalista. Quando foi que ouvimos um renomado líder da igreja evangélica falando                                                                                                                
a

Lacerda, Lucelmo; Ribeiro, Prof Dra Maria Aparecida Chaves. Marxismo e teologia da libertação: Uma reflexão (IM) pertinente. Disponível em: http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2006/inic/07.htm. Acesso em: 30 de janeiro de 2010. 28 Boff, Leonardo. Jesus Cristo Libertador: Ensaio de Cristologia Crítica para nosso Tempo. Petrópolis: Vozes, 1986. 240 p.

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contra as atrocidades do capitalismo canibal que está instalado no mundo? Assim tem sido feito em conferências pela America Latina pelos teólogos da libertação. Um exemplo real disso é esse relato registrado em 2006, um ataque a um grande símbolo do capitalismo:
“Os paraísos fiscais existem, sobretudo em ilhas britânicas, com a cobertura do governo britânico, dos EUA e de outros países capitalistas. Eles é que mantêm os paraísos fiscais e, por aí, passa o dinheiro. As ilhas Caymán têm 40 mil habitantes. São dependentes da Grã Bretanha. Aí, se instalaram 45 mil multinacionais que pertencem às ilhas Caymán, de nacionalidade Caymán porque aí não se paga imposto, não existe controle, ninguém procura saber de onde vem ou para onde vai o dinheiro. É um paraíso. Ali todo dinheiro fica branco. Todo dinheiro fica limpo. É ótimo, é ideal para qualquer operação, mais ou menos ilegal, mais ou menos fora da lei. É o ideal e lá se acumulam capitais, por aí passam enormes capitais.”29

Nós evangélicos de forma geral somos capitalista/democrático, mesmo observando tais injustiças, que em sua maioria é articulada por aqueles em posição de poder (seja este cultural, financeiro ou liderança), nós nos limitamos afim de não tomarmos ação alguma. Pois aprendemos desde cedo que socialismo é mau e opressor e que o comunismo é arma de Satanás. E por tudo isso fica patente para nós, que melhor nos é apoiar o sistema e seguir como se nada tivesse acontecendo. Existe uma guerra declarada contra a TdL, como está claro quando se falando sobre o termo “práxis”.
“A práxis palavra que significa, neste contexto, muito mais do que a prática de algumas virtudes cristãs. Xosé Miguélez conclui que, em certo sentido Gutiérrez está usando esta palavra como os marxistas a usam. Para eles, a práxis tem uma forte conotação política. Tem a ver com o esforço da parte do proletariado para mudar as estruturas da sociedade, tendo em vista um novo projeto para o futuro, o novo homem em uma sociedade sem classes.”30

Com que estamos preocupados quando fazemos este tipo de comentário? Com o cristianismo ou o sistema governamental em que vivemos? Devemos encorajar uns aos outros a nos engajarmos em todos níveis da sociedade, inclusive no político. Votando, nos candidatando e cobrando mudanças quando adequado. O Evangelho não é apenas para o ser espiritual em nós, mas para o ser completo. Tomemos a situação de Cuba. Quem é o opressor? O governo cubano ou o conglomerado de países que impõe sanções econômicas em nome da democracia?
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COMBLIN, Pe. José. Retomar a Teologia da Libertação na América Latina. In: Seminário Com Pe. José Comblin. 25 e 26 de Setembro de 2006, São Paulo, CEPIS, 2006. 79 p. 30 Carson, D. A. (Ed.). Biblical Interpretation and the Church: Text and Context. ed. Paternoster Press, 1984. 240 p.

A igreja não está fora da sociedade, ela é parte da sociedade e como tal deve atuar como agente de mudança. A luta não para acabar a pobreza, mas sim a opressão ao pobre. Opressão esta que acontece de várias formas, só para dá alguns exemplos temos, trabalho forçado, trabalho infantil, exploração sexual, e tanta outras formas. Talvez a maneira como a TdL aborda essas questões seja um tanto quanto “radical” para os padrões evangélicos. Mas não devemos usar isso como desculpa para não agirmos, temos sim de achar meios pelos quais nós evangélicos possamos viver a nossa “práxis” do evangelho com integridade de coração, como reflete William Temple (1881-1944).
O método de impacto da Igreja sobre a sociedade em geral deve ser duplo. Primeiro, a Igreja deve anunciar os princípios cristãos e apontar onde a ordem social existente está em conflito com eles. Em segundo lugar, deve, então, passar para os cidadãos cristãos, no exercício das suas capacidades cívicas, a tarefa de remodelar a ordem existente em estreita conformidade com os princípios.31

A questão da justiça social deve ser encarado baseado no caráter de Deus, quem é justo e ama a justiça.
No meio dela está o SENHOR, que é justo e jamais comete injustiça. A cada manhã ele ministra a sua justiça, e a cada novo dia ele não falha, mas o injusto não se envergonha da sua injustiça. Sofonias 3.5 NVI Quem é sábio? Aquele que considerar essas coisas. Quem tem discernimento? Aquele que as compreender. Os caminhos do SENHOR são justos; os justos andam neles, mas os rebeldes neles tropeçam. Oséias 14.9 NVI Pois o SENHOR é justo, e ama a justiça; os retos verão a sua face. Salmos 11.7 NVI Tua justiça chega até as alturas, ó Deus, tu, que tens feito coisas grandiosas. Quem se compara a ti, ó Deus? Salmos 71.19 NVI “Porque eu, o SENHOR, amo a justiça e odeio o roubo e toda maldade. Em minha fidelidade os recompensarei e com eles farei aliança eterna. Isaías 61.8 NVI32

Sigamos os preceitos do soberano Senhor sem temor. Pratiquemos justiça e que a mesma traga, a quem quer que seja, justo juízo. Lembremos que não somos juízes e assim como julgamos seremos julgados.
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Foster, Richard J.; Smith, James Bryan (Ed.). Devotional Classics: Selected Readings for Individuals and Groups. ed. HarperCollins Publishers, junho 2005. 400p.

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“Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. Mateus 7.1-2 NVI33

A TdL é uma linha teológica altamente política dada a forma como a mesma nasceu. Isso faz parte de sua natureza, por certo há exagero por parte de alguns de seus líderes, contudo eles têm dado uma voz ativa aos oprimidos que estão sem teto, sem terra e com os seus direitos violados. Realmente precisamos entender a questão do ponto de vista do pobre. Pois não é justo um grande número de pessoas que nunca experimentaram “o pão que o diabo amassou” tirar conclusões baseando-se na analise fria em seus estudos sobre pobreza e justiça social.

                                                                                                               
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4 - Nem tudo é ruim na opção pelos pobres Em nossa jornada de retorno à Deus, que começa a partir do momento que o Espírito nos convence do pecado, justiça e juízo, devemos viver de maneira equilibrada. Por certo temos muito que aprender e muitas vezes temos de desaprender para que possamos reaprender corretamente. O problema com os modelos sócio-econômicos não é necessariamente que um sistema é melhor que outro. Da mesma forma que é possível ter um sistema capitalista justo, o mesmo verdade para qualquer outro modelo, seja ele socialista, monárquico ou comunista. O problema em toda essa discussão é o coração humano que sem o temor do Senhor se inclina ao mal. Se os líderes temerem ao Senhor e seguir os seus preceitos certamente o Senhor governará e não os homens. Existem lições valiosas dentro da TdL a nós nos cabe sermos humildes em admiti-las. E outra vez cito William Temple, afim de achar tal equilíbrio no nosso viver.
“Questões políticas frequentemente se preocupam com as pessoas como elas são, e não como as pessoas deveriam ser. Parte da missão da Igreja é ajudar as pessoas a viver suas vidas de maneira a levá-las para o que deveria ser. Supondo que elas já são como elas deveriam ser sempre leva ao desastre. Não é minha convicção que as pessoas são totalmente más, ou mesmo que eles são mais más do que boas. O que estou afirmando aqui é que nós não somos totalmente bons, e que mesmo a nossa bondade está infectada com o egocentrismo. Por esta razão, estamos expostos à tentação. A crença da Igreja no pecado original deve fazer-nos intensamente realista e deve libertar-nos de tentar criar uma utopia. Pois não há tal coisa como um ideal cristão social a que devemos tentar conformar a sociedade em que vivemos, tanto quanto possível. Afinal, ninguém quer viver na "sociedade ideal", como descrito por alguém.”34

Aqui ele sugere que nós façamos parte da sociedade sem medo de expressar os ensinamentos bíblicos. Como iremos fazê-lo é outra história, pois como evangélicos temos envergonhado o Evangelho com os nossos políticos que lá estão para gerar privilégios para a igreja e si mesmo. Quando deveriam fiscalizar e trazer a luz a sujeira, estão fazendo parte dela. O político cristão deve ser um agente de transformação, estabelecendo justiça onde a mesma não existe.

                                                                                                               
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Foster, Richard J.; Smith, James Bryan (Ed.). Devotional Classics: Selected Readings for Individuals and Groups. ed. HarperCollins Publishers, junho 2005. 400p.

E nós cristãos eleitores devemos aprender com as Comunidades Eclesial de Base (CEBs), o que basicamente é uma reunião dos leigos da igreja católica não só para fins espirituais.
“Eles possuem seu próprio lugar dentro da igreja como leigos e devem agir nesta capacidade, a título próprio. O leigo não é um homem secular. É um membro da igreja no mundo secular. Possui um mandato direto de Jesus Cristo.” “Quando leigos se reúnem, fundam um movimento de Ação, Justiça e Paz, por si mesmos, fazem seus trabalhos, suas campanhas, como hoje em tantas comunidades cristãs, estão usando de um direito e exercendo um dever.”35

Atuar em nossa capacidade é um direito adquirido e um dever de todo cidadão. A igreja deve educá-lo e motivá-lo para que o mesmo aja de acordo com o que lhe compete, fazendo seu ato político sem politicagem.
devemos tentar nos aplicar na tradição profética da Bíblia, o Sermão da Montanha, e outros textos, há muitos dos que lidam com questões de justiça e paz. Enquanto você lê a Bíblia, tente imaginar o que um profeta diria se estivesse em nossa situação hoje. É muito fácil isolar a Escritura, reduzir o seu conteúdo para uma época passada, e nunca perguntar o que a sua palavra profética é para nós hoje. Também é importante ler boa literatura, na tradição cristã de homens e mulheres que dedicaram suas vidas a fome de justiça e buscando a paz. A grande nuvem de testemunhas nos pode ensinar muito, se estamos dispostos a olhar para trás, recordar a nossa história, e ouvir. A combinação de uma visão bíblica e tradição podem se formar em nós, se permitirem, uma mente cristã, e essa mente, se é verdadeiramente unida com o coração de Cristo, vai sentir a dor do mundo e ao longo prazo para acabar com ela. Nós devemos também ler alguma boa literatura contemporânea que lida com a relação das boas novas de justiça e paz, e deveríamos tentar ler os livros que sonda o significado da justiça em nosso tempo.36

Se nós não fazemos justiça, estamos contribuindo para a injustiça. Assim confirma-se no livre de Tiago: “Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado”.37 Tanto o que faço quanto o que não faço representa alguma coisa. A questão da justiça social não recai apenas nos nossos líderes, mas em todos, do simples irmão na mais remota cidade aos grandes líderes nas mega metrópoles.

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Boff, leonardo. Igreja: carisma e poder. Rio de Janeiro: Record, 2005. 472 p. Green, Michael. Evangelism Through the Local Church: A Comprehensive Guide to All Aspects of Evangelism. ed. Thomas Nelson, maio 1992. 608 p. 37 Tiago 4.17 Nova Versão Internacional

5 - Missões e a opção pelos pobres A grande controvérsia evangélica com respeito à TdL se dá a partir do momento que a igreja envia seu missionário para uma localidade onde a fome, a miséria, o desemprego e aí por diante, são a realidade. Lá o missionário precisa achar uma alternativa cabível à situação, pois nada lhe valerá pregar palavras sem ações. O que fazer quando o povo não tem acesso à educação, saúde e lazer? Como pregar se estão famintos? É nesse momento onde a ação libertadora começa a ocorrer no campo missionário. Mesma que esta muitas vezes seja baseada no “toma lá da cá”, - lhe darei educação se você se converter -, o que é algo que precisa ser corrigido. Pois devemos dá de graça o que de graça recebemos38, para evitarmos esse tipo de testemunho que está relatado em um documento Hinduísta em titulado, Hinduism under Threat! (Hinduísmo debaixo de ameaça, em português), temos dados interessantes sobre a obra missionária na Índia. Dados esses que realmente revelam a percepção dos líderes religiosos local de como temos feito a obra do Senhor.
"a nível mundial, as igrejas invetiram 145 bilhões de dólares. 4 milhões de trabalhadores de tempo integral. 13.000 bibliotecas, 22.000 jornais publicados 1.890 estações de rádio e TV. Há 250 mil de missionários estrangeiros e mais de 400 instituições para treiná-los.” “Em um período de 5 anos 50mil templos hindus (25%) foram fechados por falta de fundo. O contraste é que somente uma das denominações cristã planeja plantar 10 mil igrejas em um só ano (2005).” “Estratégias para Conversão com a Sedução de Bens - Para adquirir o direito de utilizar uma bomba d’água, bem em frente da igreja, exigese a conversão. - Durante as catástrofes, as mercadorias são dadas para as vítimas que se converterem. (Por exemplo, um barco é dado a um pescador que é uma vítima do tsunami, se ele concorda em converter).”39

Afim de ter a oportunidade de proclamar a verdade do Evangelho tomamos ações socialistas com o intuito de dividir o pouco que temos, através de programas educacionais, de alimentação, de saúde e de esporte e lazer. Mesmo que não reconheçamos isto como a “práxis” da TdL, isto é exatamente o que é. Damos diferentes nomes tais como, Missão de Ação Humanitária, Obra de Justiça Social, Ministério Holístico e por aí e diante.                                                                                                                
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Mateus 10.8 Nova Versão Internacional Hinduism under Threat!

Até mesmo o mais voraz dos inimigos da TdL, os Estados Unidos da América (EUA), segui o modelo libertador. Quando se enfrenta o problema cara à cara não há outra saída. É por essa razão que os pobres do mundo têm visto uma luz de esperança no fundo do longo túnel da vida.
57% de todas as doações para obra de caridade nos EUA são para organizações de assistência social e religiosa. Cerca de 4,5 bilhões de dólares foram contribuído para as dez mais importantes Organização Não Governamentais cristãs dos EUA em 2005.40

Tomemos como exemplo o que faz uma das mais renomadas Organização Não Governamentais (ONGs) cristã norte americana atuando no Camboja, sudeste Asiático.
Samaritan's Purse (que tem como presidente e CEO Franklin Graham) Tem ajudado comunidades a remover minas e abrir escolas nos ex-campos minados. A ONG tem parcerias com ONGs locais que ministram para aqueles que vivem com o vírus HIV/AIDS e as famílias deles e provendo treino para o mercado de trabalho para jovens garotas que estão em risco de exploração.41

Não há nada de errado com os serviços que eles prestam. Isso só demonstra que em missões nossa atitude não está longe da prática da TdL. Poderia aqui escrever uma exaustiva lista de ONGs cristãs, mas isso faz desnecessário por não ser vital ao Trabalho de Conclusão do Curso (TCC), o que realmente importa aqui é o fato de que estarmos indo contra algo que praticamos.

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Arizona State University. College of Public Programs. Disponível em: http://www.asu.edu/copp/nonprofit/res/Arizona%20Giving%20and%20Volunteering.pdf. Acesso em: 28 de janeiro de 2010. 41 Samaritan’s Purse. Camboja. Disponível em: http://www.samaritanspurse.org/index.php/Where_We_Work/cambodia/. Acesso em: 02 de fevereiro de 2010.

6 - Conclusão Busquemos em primeiro lugar o Reino de Deus e sua Justiça42 e ao longo caminho aprendamos à andar de acordo com a lei do Reino em nós. Sejamos justo, pois Ele é justo e ama a justiça43. Não nos deixemos corromper com esse mundo vil que está cheio de coisas aparentes aos olhos, não foi assim que o primeiro homem se deixou vencer, com o que parecia bom ao paladar e atraente aos olhos?44 Não nos escondamos atrás de acusações contra a TdL, o que nos leva apenas à vans argumentos e fecham nossos olhos para o que se tem feito de bom e justo. Façamos pois, uma analise e ao invés de apontar erros, apresentemos soluções. Se é errado para igreja apoiar uma greve, mostremos então como tais trabalhadores podem receber um salário justo. Se falta escolas em comunidades carentes, de que forma nós evangélicos podemos contribuir para solucionar tal carência? Nós vivemos em um mundo injusto, mundo este que favorece os mais poderosos. Ele são protegido por inúmeras leis e pela avareza dos magistrados por dinheiro. Nossa guerra não deve ser contra a TdL e seus teólogos, mas sim contra a impunidade, a corrupção, a negligência dos menos favorecidos e a opressão. Tomando iniciativa contra um grupo que tem como ideal destruir tudo isso, significa que estamos apoiando exatamente o que queremos eliminar de nossa sociedade. A intenção desse TCC é trazer diante de nosso olhos a realidade do mundo atual, a analise do que é a TdL e suas intenções e ajudar a equilibrar a retórica evangélica concernente injustiça social e a Tdl. Obra missionária evangélica tem contribuído para minimizar a injustiça no mundo e pode contribuir ainda mais. Precisamos reconhecer que não podemos aplicar os mesmos métodos de como pregar o evangelho do século passado. E pregar o Evangelho no contexto atual, o que em muitas ocasiões vai requerer mais que um sermão muito bem elaborado. O requerimento será um sermão vivido.

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Mateus 6.33 Nova Versão Internacional Salmos 11.7 Nova Versão Internacional Gênesis 3.6 Nova Versão Internacional

7 - Bibliografia ARIZONA STATE UNIVERSITY. College of Public Programs. Disponível em: http://www.asu.edu/copp/nonprofit/res/Arizona%20Giving%20and%20Volunteering.pdf. Acesso em: 28 de janeiro de 2010. BARRETT, David B. Annual Statistical Table on Global Mission. Overseas Ministries Study Center, Jan 2002. 22 p. Bíblia 2 Corintios 5.18-20, O livro Bíblia Gálatas 4.4 Bíblia Genesis 3.15, João Ferreira de Almeida Atualizada Bíblia Gênesis 3.6 Nova Versão Internacional Bíblia Mateus 10.8 Nova Versão Internacional Bíblia Mateus 6.33 Nova Versão Internacional Bíblia NVI Nova Versão Internacional Bíblia NVI Nova Versão Internacional Bíblia NVI Nova Versão Internacional Bíblia Salmos 11.7 Nova Versão Internacional Bíblia Tiago 4.17 Nova Versão Internacional BOFF, leonardo. Igreja: carisma e poder. Rio de Janeiro: Record, 2005. 472 p. BOFF, Leonardo. Jesus Cristo Libertador: Ensaio de Cristologia Crítica para nosso Tempo. Petrópolis: Vozes, 1986. 240 p. CARSON, D. A. (Ed.). Biblical Interpretation and the Church: Text and Context. ed. Paternoster Press, 1984. 240 p. COMBLIN, Pe. José. Retomar a Teologia da Libertação na América Latina. In: Seminário Com Pe. José Comblin. 25 e 26 de Setembro de 2006, São Paulo, CEPIS, 2006. 79 p. COMIBAM. Situação do mundo. Disponível em: http://www.comibam.org/transpar/_menus/por/17jogo-mundo2002.htm. Acesso em: 25 de janeiro de 2010. CURY, Augusto. Treinando a emoção para ser feliz. São Paulo: Academia de inteligência, 2001. 194 p.

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