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UM ESTUDO SOBRE A ARGUMENTAÇÃO NO RPG NAS AULAS DE BIOLOGIA. (ROBERTO SHINITI FUJII) - 2010

UM ESTUDO SOBRE A ARGUMENTAÇÃO NO RPG NAS AULAS DE BIOLOGIA. (ROBERTO SHINITI FUJII) - 2010

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Oratoris officium est de iis rebus posse dicere,
quae res ad usum civilem moribus et legibus
constitutae sunt, cum adsensione auditorum,
quoad eius fieri poterit2
.

(CICERO, 2009)

Aristóteles, filósofo nascido na Estagira (Tessalônica) entre 385 e 386

a.C. organizou as bases da ―lógica formal‖ em várias obras reunidas no Órganon.

A Analítica ou Órganon, como a chamaram os bizantinos por ser o
‘Ó instrumento, veículo, ferramenta, propedêutica) das ciências
(trata da lógica – regras do pensamento correto e científico, sendo
composto por seis tratados, a saber: Categorias, Da Interpretação,
Analíticos Anteriores, Analíticos Posteriores, Tópicos e Refutações
Sofísticas) (BINI in ARISTÓTELES, 2005, p. 23)

O texto a seguir construído realizará recortes das obras e que serão

importantes para a compreensão da retórica aristotélica dentro do que se propõe

esta pesquisa.

Destaca-se de sua obra ―Analíticos Anteriores, livro I‖, destinada à

retórica demonstrativa os chamados silogismos, que são afirmações ou conclusões

os quais são seguidos por uma ou duas premissas iniciais (premissa maior ou

universal e premissa menor ou particular), como por exemplo:

(1) Todos os humanos são mortais.
(2) Todos os gregos são humanos.
(3) Todos os gregos são mortais (conclusão).

No exemplo anterior descrito por van Eemeren e Henkemans (1996),

chamamos de premissas as afirmações (1) e (2) e de conclusão a afirmação (3). Os

silogismos são definidos nos Analíticos Anteriores juntamente com o que são as

premissas e os termos de um argumento. Afirma Aristóteles (2005):

Nossa primeira tarefa consiste em indicar o objeto de estudo de nossa
investigação e a que ciência ele pertence: que concerne à demonstração
e que pertence a uma ciência demonstrativa. Em seguida teremos que
definir o significado de premissa, termo e silogismo, e distinguir entre um
silogismo perfeito e um imperfeito; depois disso, necessitaremos explicar

2

A tarefa do orador público é ser capaz de discutir aquelas matérias que as leis e os costumes
constituem como adequadas para o uso da cidadania e ficar o máximo possível distante de um
acordo com seus ouvintes. (tradução nossa)

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em que sentido diz-se estar ou não estar um termo inteiramente contido
num outro e o que entendemos por ser predicado de todo ou de nenhum.
(p. 111)

Para o filósofo estagirita ―a premissa é uma oração que afirma ou nega

alguma coisa de algum sujeito‖ (p. 111). No exemplo anterior, (1) e (2) são as

premissas, nesse caso, afirmativas. Elas podem ser universais, ou seja, aplicam-se

a tudo ou a nada do sujeito (Todos os humanos são mortais), particulares (Nero é

imperador de Roma) por se aplicarem ou não a uma particularidade do sujeito ou

indefinidos, por não se aplicarem nem a uma universalidade e nem a uma

particularidade do sujeito (O amor é bom).

As premissas também podem ser demonstrativas ou dialéticas

(argumentativas). Aristóteles nos esclarece que as premissas demonstrativas são a

―suposição de um membro de um par de orações contraditórias‖ (Ibid, p. 112), pois o

orador não pergunta, mas faz uma suposição sobre uma situação. As premissas

dialéticas, entretanto, são respostas a uma pergunta feita pelo questionador. Os dois

tipos de premissas devem supor a existência daquilo que está constante nas

orações. Na premissa demonstrativa tentamos estabelecer a verdade, enquanto na

dialética se parte de premissas discutíveis. Por exemplo, ao afirmarmos que ―Todo
triângulo euclidiano possui como a soma de seus ângulos 180º‖ temos uma

premissa demonstrativa, muito utilizada em ciências da natureza, sempre rígida e

normal. Ao estabelecermos premissas que podem dar margem a opinião do que

responde a uma pergunta, cairemos nas premissas dialéticas. Ou seja, para

Aristóteles, as premissas argumentativas são racionais e levam a verdades ou

afirmações falsas se refutadas, enquanto as premissas dialéticas levam a

conclusões flexíveis, por exemplo, na assertiva ―A clonagem humana deve ser

aceita como o grande desenvolvimento da genética da atualidade‖ dependendo da

posição daquele que recebe, a opinião pode ser ou não discutida.

Aristóteles (2005) também define o termo

Chamo de termo aquilo em que a premissa se resolve, a saber, tanto o
predicado quanto o sujeito, quer com a adição do verbo ser, quer com a
remoção de não ser. (Ibid, p. 112, grifos nossos)

Os termos podem ser contidos ou não por outros anteriores, compondo

as premissas dos silogismos. Essa composição define os silogismos perfeitos e os

imperfeitos, que se categorizam de acordo com a interação hierárquica entre os

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termos das premissas.

Quando três termos estão de tal forma ligados entre si que o último está
completamente contido no termo médio e o termo médio está
completamente contido ou não contido no primeiro termo, então teremos
necessariamente um silogismo perfeito nos extremos. Entendo por termo
médio aquele que tanto está contido num outro quanto contém um outro
em si mesmo e que ocupa a posição mediana; por extremos entendo
tanto o termo contido ele mesmo num outro quanto aquele no qual um
outro está contido: se A é predicado de todo B e B de todo C. Já
explicamos o que queremos dizer ao asseverar que um termo é
predicado de todo um outro. Analogamente, também, se A não é
predicado de nenhum B e B é predicado de todo C, segue-se que A não
se aplicará a nenhum C. (Ibid, p. 116)

Tudo isso dependerá da interação entre as premissas e,

consequentemente de seus termos. Apesar de sua grande importância, a retórica de

Aristóteles será tratada apenas com o intuito de permitir que nos situemos

historicamente sobre seu trabalho e as bases para os demais teóricos abordados

neste capítulo.

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