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O Perfil Socioeconômico e Cultural dos Acadêmicos de Comunicação da Ufam - 2007 a 2009

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Trabalho publicado nos anais do X Congresso Alaic, GT Teoría y Metodología de la Investigación en Comunicación.
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O Perfil Socioeconômico e Cultural dos Acadêmicos de Comunicação da Ufam - 2007 a 2009
Luiza Elayne AZEVEDO1 Rosiel do Nascimento MENDONÇA2 Universidade Federal do Amazonas, Manaus, AM

RESUMO Realizou-se um estudo com o objetivo de conhecer o perfil dos acadêmicos de Comunicação Social da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), referente ao período de 2007 a 2009. A partir de variáveis socioeconômicas e culturais, procurou-se verificar a origem escolar dos acadêmicos, alguns indicadores do seu consumo informacional e de que forma esses e outros fatores interagem com o conceito de capital cultural, proposto por Pierre Bourdieu. Para isso, trabalhou-se com um universo de 137 acadêmicos e uma amostra de 97 questionários, aplicados aos acadêmicos dos cursos de Jornalismo e Relações Públicas. PALAVRAS-CHAVE: Ufam; comunicação social; perfil socioeconômico e cultural.

1. Introdução O curso de Bacharelado em Comunicação Social da Universidade Federal do Amazonas, com 41 anos de existência, conta hoje com as habilitações de Jornalismo e Relações Públicas, tendo sido um dos primeiros a desenvolver projetos de extensão na universidade. Atualmente, há um curso de Jornalismo em Parintins, como parte do programa de interiorização de ensino de graduação da Ufam, fato que vem consolidando a atuação do Departamento de Comunicação Social (Decom) nos municípios do interior do estado. O momento atual tem sido marcado pela experiência de produção acadêmica dos professores e alunos em disciplinas da grade e demais programas, como Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), Programa de Educação Tutorial (PET), na revista eletrônica Maloca Digital e nos 3 grupos de pesquisa existentes: Grupo de Estudos e
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Jornalista, doutora em Ciências Socioambientais, professora do curso de graduação e pós-graduação do Departamento de Comunicação Social da Ufam, tutora do Programa de Educação Tutorial de Comunicação Social (PETCom) e líder do Grupo de Estudos e Pesquisa em Comunicação Social (Gepecs). E-mail: luindia@uol.com.br. 2 Acadêmico do 5º período do curso de Jornalismo da Ufam, bolsista do PETCom e colaborador do Gepecs. E-mail: rosielmendon@hotmail.com.

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Pesquisa em Ciência da Informação, Comunicação, Design e Artes (Interfaces), Grupo de Estudos e Pesquisa em Comunicação Social (GEPECS) e Núcleo de Estudos em Relações Públicas (NERP), credenciados pelo CNPq3. Além disso, o curso da Ufam adquiriu reconhecida importância na região amazônica nos últimos anos, tendo implantado em 2008 o primeiro mestrado em Ciências da Comunicação da região norte (PPGCCOM)4. O ingresso no curso de Comunicação se dá através de seleção específica para cada habilitação (38 vagas para Jornalismo e 34 para Relações Públicas). Dentre as várias formas de ingresso, as mais comuns são o Processo Seletivo Contínuo (PSC) e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)5, processo ao qual a Ufam aderiu há pouco mais de um ano, abrangendo a oferta de 50% das vagas. Ademais, a crescente demanda pelo vestibular da instituição inclui o curso na lista dos mais concorridos na área de Ciências Sociais Aplicadas6. Em decorrência disso, há uma procura intensa por cursinhos pré-vestibulares da cidade como meio facilitador ao ingresso na universidade. Com o objetivo de conhecer as condições socioeconômicas dos ingressantes no curso de Comunicação da Ufam se realizou em 2007 um diagnóstico do perfil dos seus acadêmicos. Especulava-se: a maioria dos acadêmicos era proveniente de escolas particulares, tese que remete à elitização das universidades públicas federais e do próprio curso. Entre os resultados obtidos se destacam: 62% dos entrevistados eram oriundos de escolas particulares; 11,3% vinham de famílias com renda acima de 20 salários mínimos; 69% haviam cursado pré-vestibulares. Sabemos, no entanto, da complexidade do indivíduo a partir de suas características socioeconômicas e de outros fatores promotores do sucesso na sua formação enquanto profissional capacitado para o mercado de trabalho. Dessa forma, conhecer também o perfil de consumo cultural e informacional do acadêmico se torna de extrema importância no contexto da graduação, permitindo inclusive o redirecionamento das próprias ações pedagógicas a partir dos resultados. Atendendo à necessidade de se expandir a compreensão acerca do perfil do corpo discente de Comunicação da Ufam, se iniciou um novo estudo que integrasse não
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http://decomufam.wordpress.com. http://www.ppgccom.ufam.edu.br. 5 Substituiu o Processo Seletivo Macro (PSM), de acordo com a Resolução nº 005/2009, do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. 6 Dados do vestibular de 2009 revelam que a relação candidato/vaga era de 8,42 (PSC) e 12,96 (PSM) para a habilitação de Jornalismo, e 5,80 (PSC) e 7,65 (PSM) para Relações Públicas.

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somente as categorias socioeconômicas, mas especificamente as características e preferências culturais dos acadêmicos, uma vez admitida a existência de relações intrínsecas entre cultura e formação profissional.

2. Discussões iniciais: elitização e capital cultural Várias pesquisas e a própria mídia vêm relatando a ocorrência de um processo de elitização das Universidades Públicas Federais do país. Além disso, as escolas particulares estão assumindo cada vez mais um papel duplo na educação: o de fornecer conhecimento aos alunos e prepará-los ao máximo para que obtenham sucesso nos vestibulares das universidades públicas. Enquanto isso, as escolas públicas, a priori, se voltam para o mercado de trabalho. Schwartzman7 fornece algumas considerações a respeito dos exames vestibulares, pressupostos úteis nesta discussão inicial. Em primeiro lugar, o autor estabelece uma relação diretamente proporcional entre o nível socioeconômico da família do candidato e as suas chances de sucesso no vestibular. Em seguida, revela uma tendência que leva os candidatos de mais baixa renda a escolherem cursos menos concorridos; os alunos de maiores rendas, dessa forma, acabam se concentrando nos cursos do mais alto prestígio social, como Direito e Medicina. Apesar do significativo aumento das vagas nas universidades brasileiras, não estaria havendo uma democratização na entrada dos alunos mais carentes, na visão de Schwartzman. Por fim, ele afirma que os cursos que formam professores para o ensino de segundo grau são justamente os que recebem os alunos em piores condições de aproveitamento, gerando uma cadeia viciosa de deficiência no ensino. Outros autores, no entanto, assumem posições contrárias. É o caso de Wilson Mesquita8, que ao contestar a tese da elitização das universidades e problematizar o próprio conceito de elite, afirma: “embora a renda exerça influência, ela não é variável única para qualificação dos alunos entre os diversos cursos”. Mesquita defende que não se pode generalizar a “existência de indivíduos „nesse patamar‟ presentes na universidade pública brasileira” para o conjunto dos alunos. Na mesma linha, Fiamengue (2002), em sua tese de doutorado sobre o vestibular da Universidade Estadual Paulista, afirma que o conceito de elite é uma “abstração com
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Disponível em: http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/es/artigos/165.pdf. Disponível em: http://www.anped.org.br/reunioes/29ra/trabalhos/trabalho/GT14-1794--Int.pdf.

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forte componente ideológico, que a partir de uma utilização muito abrangente serve muitas vezes para mascarar processos sociais”. (p. 154). Assim, o conceito apenas perderia seu caráter abstrato a partir do momento em que fosse relacionado com a detenção de poder, conforme atesta a autora em sua conclusão: “a utilização do conceito de elite é válida para conceituar as cúpulas que possuem o poder e que aliás não mandam seus filhos para a universidade pública”. (p. 158). Outro conceito fundamental na análise do atual perfil dos acadêmicos de Comunicação da Ufam foi o de capital cultural, proposto por Bourdieu (2002). Segundo o autor, a estrutura de distribuição do capital cultural nada mais é que um reflexo da estrutura de distribuição do capital econômico. Efetivando a discussão, Amaral (2007) argumenta sobre o capital cultural como um conjunto de “disposições estéticas dos indivíduos, manifestadas em suas preferências e gostos, resultantes do seu habitus cultural e determinantes do seu consumo de bens culturais” (p. 101). Assim, o capital cultural assume três formas básicas:  estado incorporado – preferências musicais, experiências adquiridas em viagens, lugares que freqüenta, conhecimento assimilado, etc. Pressupõe investimento em tempo e dinheiro;   estado objetivado - sob a forma de quadros, livros e outros bens culturais/simbólicos; estado institucionalizado – um diploma, por exemplo, que confere ao indivíduo o respaldo de um conhecimento ou preparo adquirido institucionalmente.

Partindo dessa perspectiva, se infere existir um paradigma no sentido de validar a tese de que o sucesso e desempenho escolar de um indivíduo mantêm relação direta com a sua origem socioeconômica, expressa em variáveis como nível de instrução dos pais, renda familiar, local de residência e sua própria escolaridade, conforme propõe Amaral (2007). Com base nesses pressupostos, um dos objetivos da atual pesquisa foi relacionar os resultados obtidos com o conceito de capital cultural, capaz de gerar, do ponto de vista de um acadêmico em formação profissional,
“uma grande capacidade de ampliação e conversão de diferentes capitais, potencializando a mobilidade e a

5 capitalização de recursos na luta concorrencial por melhores posições no espaço social” (BRANDÃO, 2003, p. 514).

Portanto, procura-se agora preencher esta lacuna, uma vez que na primeira pesquisa não se pode detectar com precisão a existência desse capital cultural, pois a sua ênfase se deu no diagnóstico da elitização do curso.

3. Perfil dos acadêmicos da Ufam No primeiro estudo sobre o perfil dos acadêmicos de Comunicação da Ufam9, coordenado pela professora Luiza Elayne Azevedo Luíndia (Decom-Ufam) e as acadêmicas Alana Santos, Cristiane Naiara de Souza e Taianne Mafra, o universo de análise correspondia a 153 estudantes de Comunicação, sendo 74 de Relações Públicas; 79 de Jornalismo. A partir daí, obteve-se uma amostra de 132 acadêmicos com a aplicação de questionários socioeconômicos aos universitários do 1º ao 9º período de ambas as habilitações (correspondendo aos anos de 2003 a 2007). Dessa forma, constatou-se:  A maioria dos acadêmicos entrevistados tinha renda mensal familiar oscilando entre 06 e 15 salários mínimos (SM)10;  A maioria havia feito cursinho pré-vestibular;  Notável crescimento de alunos provenientes de escolas particulares ao longo dos anos pesquisados;  A proveniência escolar do acadêmico em pouco influenciou no seu desempenho acadêmico, medido através do seu coeficiente de rendimento.

Dependendo da necessidade, pesquisas precisam ser realizadas continuamente, com certos intervalos de tempo, de modo a verificar possíveis mudanças no perfil estudado ou até mesmo para aperfeiçoar os métodos de análise. Assim, uma segunda pesquisa com o objetivo de traçar o perfil dos acadêmicos de Comunicação foi realizada entre o segundo semestre de 2009 e o primeiro semestre de 2010. Além das variáveis sociais e econômicas, foram inseridas variáveis culturais, como consumo informacional

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A pesquisa resultou em artigo apresentado no XII Encontro Nacional de Professores de Jornalismo (ENPJ), realizado em abril de 2009, na cidade de Belo Horizonte/MG. 10 Em 2007, o salário mínimo era de R$ 380,00.

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e cultural desses acadêmicos, seu envolvimento em atividades de pesquisa e extensão e em outras atividades que venham a somar na sua formação.

3.1. Métodos e materiais Na pesquisa mais recente, trabalhou-se com o universo de 137 alunos11 e uma amostra igual a 97, distribuída da seguinte forma: 18 alunos do ano de 2007 (18,6%); 29 de 2008 (29,9%); 50 de 2009 (51,5%): sendo 50,5% da habilitação de Relações Públicas e 49,5% de Jornalismo. Foram utilizados questionários mistos (perguntas abertas e fechadas) como instrumento de coleta de dados.

3.2. Definição da amostragem A pesquisa atual aponta para um total de 80,4% de acadêmicos entre 18 e 21 anos e uma maioria de 72% de mulheres, levando em conta as duas habilitações. Em relação à instituição de origem, 52,6% dos entrevistados concluíram o Ensino Médio em escola particular e 47,4% em escola pública.

3.3. Perfil econômico Quanto ao perfil econômico, foi considerada a variável de renda familiar mensal e origem da renda pessoal, caso houvesse. Verificou-se que a maioria dos acadêmicos (53,6%), levando em conta tanto o grupo de escola particular quanto o de pública, possuía renda de até 10 salários mínimos12. Ainda assim, nota-se que o grupo de escola particular é o que apresenta o maior número de pessoas com renda familiar oscilando entre 10 e mais de 20 SM, conforme demonstra o (Gráfico 1):

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Conforme dados coletados junto à Pró-reitoria de Ensino de Graduação (PROEG). Na época, o salário mínimo era de R$ 465,00.

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Gráfico 1

Esta variável é a mais indicada quando se quer avaliar o perfil econômico, pelo fato de estar diretamente relacionada ao poder de acesso a escolas particulares, cursos preparatórios, livros e diversos outros meios facilitadores do ingresso nas universidades públicas, espaço cada vez mais competitivo. A pesquisa revelou ainda que a maioria dos entrevistados (16,5% de escola pública e 19,6% de particular) possui mesada ou pensão como fonte de renda pessoal. Por outro lado, 29,9% dos respondentes declararam ter como fonte de renda estágio ou atividade profissional remunerada (13,4% de escola pública e 16,5% de particular). Bolsas concedidas por atividades acadêmicas vêm em seguida, com 15,5% de acadêmicos de escola pública e 6,2% de escola particular. No âmbito geral, entretanto, a renda pessoal dos acadêmicos não ultrapassa a faixa de 01 SM.

3.4. Características sociais e educacionais Em relação ao Ensino Médio, 25,8% dos entrevistados concluíram o curso em escolas estaduais, 12,4% em escolas técnicas federais, 10,3% no Centro Educacional Lato Sensu, 8,2% em escolas militares, 7,2% no Centro Educacional La Salle e 35,1% em outras instituições. Dos universitários entrevistados, tem-se que 55,7% cursaram pré-vestibulares, conforme o (Gráfico 2). Na pesquisa anterior, essa maioria era de 69%.

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Gráfico 2

Esses resultados sugerem, em consonância com os dados do perfil econômico, o poder aquisitivo desses acadêmicos, uma vez que os cursinhos pré-vestibulares exigem o pagamento de mensalidades que variam entre RS 200 e R$ 400, em Manaus. Em relação ao envolvimento em atividades de pesquisa e extensão percebemos uma inexpressiva participação dos acadêmicos: vinculados ao Decom, apenas 15,5% desenvolvem pesquisa e 17,5% participam de atividades de extensão, sendo que a maioria dos que estão envolvidos são provenientes de escola pública, conforme os (Gráficos 3 e 4):

Gráfico 3

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Gráfico 4

Essa realidade reflete o que Lima (2009) define como “alienação da vida acadêmica em relação ao mercado profissional”, o conseqüente desinteresse pela pesquisa e sua desvalorização. Quanto à formação complementar desses acadêmicos, obtiveram-se os seguintes dados: 50,5% fazem ou já concluíram curso de idiomas (30,9% de escola particular); 44,3% fazem ou já concluíram curso de informática (27,8% de escola pública); 19,6% fazem ou já concluíram cursos artísticos (música, teatro, dança, etc.), sendo 12,4% destes de escola particular; apenas 7,2% dos entrevistados fazem ou já concluíram cursos técnicos da área de Comunicação (6,2% de escola particular), conforme o (Gráfico 5):

Gráfico 5

Constatou-se também:

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 Apenas 25,8% cursam outra graduação. Publicidade, Letras e Turismo, áreas que de certa forma se relacionam com a Comunicação, foram os cursos que apareceram com mais freqüência;  Dos entrevistados que têm domínio fluente das línguas Inglesa e/ou Espanhola (27,8% e 6,2%, respectivamente), a maioria é proveniente de escola particular;  Os que possuem computador com acesso a internet representam 82,5% dos entrevistados, contra 13,4% que possuem computador sem acesso à internet e 3,1% que não possuem computador.

3.5. Perfil cultural Em relação às áreas culturais de interesse, parte expressiva dos acadêmicos entrevistados (82,5%) se disse interessada por Cinema e Audiovisual, 75,3% por Música, 48,5% por Literatura, 46,4% por Teatro, 35,1% por Esportes, 30,9% por Dança e apenas 22,7% por Artes Plásticas. De modo a conhecer também o perfil de consumo informacional dos entrevistados, perguntou-se qual o meio de comunicação os acadêmicos mais utilizam para se manterem informados. O resultado revelou que a internet é o veículo mais utilizado por 85,6% dos entrevistados, seguida pela televisão, através de seus telejornais, com 77,3% de preferência, revistas com 55,7%, jornais impressos com 52,6% e rádio com apenas 24,7% da preferência. Em se tratando dos jornais impressos, de acordo com o (Gráfico 6), os cadernos culturais se destacam com 82,5% da preferência de leitura dos acadêmicos, seguidos pelas notícias de Educação, com 55,7%, e Política, com 51,5%.

Gráfico 6

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Conforme o (Gráfico 7), as revistas de notícias semanais e as de variedades/curiosidades aparecem como as mais lidas pelos acadêmicos, com 57,7% e 50,5% de preferência, respectivamente, contra apenas 3,1% em se tratando de revistas com conteúdo regional.

Gráfico 7

A partir do (Gráfico 8), temos que no rádio a preferência dos acadêmicos se concentra na programação musical (73,2%), nos radiojornais (44,3%) e nos programas de entrevista (24,7%).

Gráfico 8

Na televisão, os programas que lideram a preferência dos acadêmicos são os seriados (81,4%), filmes (84,5%), telejornais (80,4%) e entrevistas ou documentários

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(75,3%). Programas culturais vêm em seguida, com 46,4% da preferência, humorísticos, com 37,1%, novelas, com 28,9%, e esportes, com 23,7%. A maioria dos entrevistados, 76,3%, acessa a internet diariamente, sendo que 45,4% utilizam o microblog twitter e 35,1% produzem conteúdo em blogs ou sites pessoais. Uma variável importante no diagnóstico do perfil cultural dos acadêmicos de Comunicação da Ufam é a que revela os seus níveis de leitura. Para isto, usou-se como parâmetro a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2007), realizada pelo Instituto Prólivro: a média de leitura anual dos brasileiros para aqueles que se encontram no ensino superior é de 5 livros não-acadêmicos (fora da escola) e 3,3 livros acadêmicos (indicados pela escola). Desse modo, chegou-se ao seguinte resultado: em se tratando de leitura nãoacadêmica, a maioria do grupo de escola particular (29,9%) está na média nacional, ou acima dela, enquanto a maioria do grupo de escola pública (24,7%) se encontra abaixo dessa média, conforme o (Gráfico 9).

Gráfico 9

Quanto à preferência por gêneros de leitura, os romances aparecem em primeiro lugar, com 72,2%, seguidos pelos livros de não-ficção, com 49,5%, e livros religiosos, com 20,6%. Quando perguntados sobre os três últimos livros lidos, os mais recorrentes foram A Cabana, O Caçador de Pipas, O Código Da Vinci, A Menina que Roubava Livros, O Menino do Pijama Listrado, e os da série Crepúsculo (Lua Nova, Eclipse, Crepúsculo e Amanhecer), livros que figuram na lista dos mais vendidos do ano de 2009.

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Em relação à leitura de livros acadêmicos, de acordo com o (Gráfico 10), o resultado se inverte: a maioria do grupo de escola pública (23,7%) está na média nacional, ou acima dela, enquanto que a maioria dos de escola particular (26,8%) está abaixo, conforme demonstra o gráfico abaixo. A inferência que pode ser feita com base nesses dados diz respeito ao fato de os acadêmicos provenientes de escola pública serem os que mais se envolvem em atividades de pesquisa e extensão, pois isto influenciaria diretamente no seu nível de leitura acadêmica.

Gráfico 10

Por fim, a pesquisa demonstrou a inexpressiva participação dos acadêmicos em atividades políticas/partidárias (1%), esportivas (11,3%) e estudantis (19,6%), o que acena para uma preocupante falta de articulação e mobilização política no curso. Além disso, a maioria dos envolvidos em atividades artísticas ou culturais se encontram no grupo de escola particular (cerca de 12%).

4. Considerações Considerando as variáveis utilizadas nesta pesquisa e as suas interrelações, percebe-se uma aproximação entre os componentes socioeconômicos e os culturais avaliados, confirmando, desse modo, uma das proposições da pesquisa: o capital cultural do acadêmico cresce conforme a sua posição econômica. A sua constatação se interliga com o fato de que os acadêmicos com domínio fluente das línguas inglesa e/ou espanhola se encontram situados no grupo proveniente de escola particular. A mesma relação vale para os que mais investem em formações complementares, como cursos de idiomas, artísticos ou cursos técnicos na área de Comunicação. Estes dados revelam,

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portanto, uma busca por diferenciação no mercado de trabalho através do investimento em capital cultural institucionalizado. Ademais, confirmaram-se as hipóteses principais: a maioria dos acadêmicos continua sendo proveniente de escolas particulares e a maioria cursou pré-vestibulares. Em se tratando de renda familiar, encontramos acadêmicos que em sua grande parte se encontram na faixa entre 01 e 10 SM. Em contrapartida, o grupo de escola particular abriga a maioria dos que possuem rendimentos acima de 10 SM e 10,3% dos 12,4% que possuem rendimentos acima de 20 SM13. O elevado interesse dos entrevistados pela área de Cinema e Audiovisual se mostra como um desafio tanto para os professores quanto para o curso, na medida em que se precisa buscar atender a essa demanda. Pode-se dizer que essa realidade ganha reflexos tanto na constituição da nova grade curricular do curso de Jornalismo14, que passou a incluir disciplinas específicas voltadas para a área de Audiovisual, quanto na existência de projetos como SetUfam15 e Cine&Vídeo Tarumã16. Por outro lado, a baixa participação dos acadêmicos em atividades de pesquisa e extensão também se configura como um desafio. Dada a sua importância, a produção acadêmica precisa ser constantemente incentivada, quer seja através da produção de artigos científicos, quer seja pela participação dos corpos docente e discente nos eventos científicos da área. De modo geral, a pesquisa revelou a heterogeneidade da formação do corpo discente do curso de Comunicação da Ufam, no qual não se percebe a predominância de um grupo economicamente elevado, ou elite econômica. A elitização se dá na medida em que se percebe a distinção natural entre os demais acadêmicos e aqueles que possuem trajetória escolar privilegiada – maiores rendas e mais chances de incrementar o seu capital cultural, mas que não pressupõe envolvimento acadêmico, por exemplo.

5. Referências bibliográficas AMARAL, Daniela Assunção; FÍGOLI, Leonardo Hipólito; NORONHA, Ronaldo de. Desigualdades sociais e capital cultural. In: AGUIAR, Neuma. Desigualdades sociais, redes de sociabilidade e participação política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.

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Em 2007 essa estatística era de 11,3%. Implementada a partir de 2009. 15 http://setufam.blogspot.com 16 http://cinevideotaruma.blogspot.com

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AZEVEDO, Luiza Elayne; MAFRA, Taianne; SANTOS, Alana; SOUZA, Cristiane. Perfil sócio-econômico: acadêmico de Comunicação Social da Ufam. Disponível em: http://www.fnpj.org.br/soac/ocs/viewpaper.php?id=560&cf=18. Acesso em: 29 jun. 2010. BOURDIEU, Pierre. Os três estados do capital cultural. In: NOGUEIRA, M. A.; CATANI, A. (orgs). Escritos de educação. Petrópolis: Vozes, 2002. BRANDÃO, Zaia; LELLIS, Isabel. Elites acadêmicas e escolarização dos filhos. Campinas, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010173302003000200011&script=sci_arttext&tlng=e. Acesso em: 29 jun. 2010. FIAMENGUE, Elis Cristina. Mas afinal que elite é essa? Elitização/Deselitização no vestibular Vunesp. Tese (Doutorado) - Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista. Araraquara, 2002. Disponível em: www.bdae.org.br/dspace/bitstream/123456789/1226/1/tese.pd. Acesso em: 03 jul. 2010. INSTITUTO PRÓ-LIVRO. Retratos da Leitura no Brasil. 2007. Disponível em: http://www.prolivro.org.br. Acesso em: 03 jul. 2010. LIMA, George Santos. O ensino de Jornalismo no Piauí e a prática no mercado. Anais do XI Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste. Teresina, 2009. MESQUITA, Wilson. Que elite é essa de que tanto se fala? Disponível em: http://www.anped.org.br/reunioes/29ra/trabalhos/trabalho/GT14-1794--Int.pdf. Acesso em: 29 jun. 2010. SCHWARTZMAN, Jacques. A seletividade sócio-econômica do vestibular e suas implicações para a política universitária pública. Disponível em: http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/es/artigos/165.pdf. Acesso em: 29 jun. 2010.

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