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Ciências Contábeis
Contabilidade Geral

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Instituto Mantenedor de Ensino Superior Metropolitano S/C Ltda.
William Oliveira Presidente Samuel Soares Superintendente Administrativo e Financeiro Germano Tabacof Superintendente de Ensino, Pesquisa e Extensão Pedro Daltro Gusmão da Silva Superintendente de Desenvolvimento e Planejamento Acadêmico

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Reinaldo de Oliveira Borba Diretor Geral Marcelo Nery Diretor Acadêmico Roberto Frederico Merhy Diretor de Desenvolvimento e Inovações Mário Fraga Diretor Comercial André Portnoi Diretor Administrativo e Financeiro Jean Carlo Nerone Diretor de Tecnologia Ronaldo Costa Gerente de Desenvolvimento e Inovações Jane Freire Gerente de Ensino Luis Carlos Nogueira Abbehusen Gerente de Suporte Tecnológico Osmane Chaves Coord. de Telecomunicações e Hardware João Jacomel Coord. de Produção de Material Didático

MATERIAL DIDÁTICO Produção Acadêmica Maria Valesca Silva| Coordenação de Curso Lorena Pinho e Maria Alice Porto| Autor(a) Produção Técnica João Jacomel | Coordenação Carlos Magno Santos e Márcio Magno Melo | Revisão de Texto Amanda Rodrigues | Editoração Amanda Rodrigues | Ilustrações

Equipe André Pimenta, Antonio França Filho, Amanda Rodrigues, Bruno Benn, Cefas Gomes, Clauder Frederico, Francisco França Júnior, Hermínio Filho, Israel Dantas, Ives Araújo, John Casais, Márcio Serafim, Mariucha Silveira Ponte e Ruberval da Fonseca Imagens Corbis/Image100/Imagemsource

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SUMÁRIO

A ENTIDADE E AS OPERAÇÕES COM MERCADORIAS.......................................................................................5 Tema 01 - AS ORGANIZAÇÕES E AS OPERAÇÕES DE COMPRAS E VENDAS.................................5 1. FUNDAÇÕES E ASSOCIAÇÕES ...............................................................................................................6 2. REGISTRO DAS OPERAÇÕES MERCANTIS..............................................................................................8 3. ASPECTOS CONCEITUAIS DOS IMPOSTOS INCIDENTES SOBRE AS COMPRAS E VENDAS DE MERCADORIAS.................................................................................................................................................. 13 4. IMPOSTOS SOBRE AS COMPRAS E VENDAS DAS INDÚSTRIAS E DAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS................................................................................................................... 16 Tema 02 - INVENTÁRIO DE MERCADORIAS E CONTAS A RECEBER............................................... 24 1. SISTEMA DE INVENTÁRIO PERIÓDICO: CONTAS DESDOBRADAS ..................................... 24 2. SISTEMA DE INVENTÁRIO PERMANENTE: PEPS E UEPS E SUA CONTABILIZAÇÃO EM RAZONETES...................................................................................................................................................... 30 APURAÇÃO E DESTINAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO.............................................................. 51 Tema 03 - DESPESAS, RECEITAS E APURAÇÃO DE RESULTADOS.................................................. 51 1. DESPESAS E RECEITAS A VENCER................................................................................................. 51

2. DESPESAS E RECEITAS OPERACIONAIS ......................................................................................... 57 3. DESPESAS E RECEITAS NÃO OPERACIONAIS .............................................................................. 63 4. APURAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO ............................................................................... 66 Tema 04 – DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS: DRE E DVA ........................................................................... 74 1. DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO – DRE – Critérios Gerais ................ 74 2. ASPECTOS PRÁTICOS DA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE .. 80 3. ASPECTOS CONCEITUAIS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, SEGUNDO A LEI Nº 6.404/76............................................................................................................................................................. 81 4. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO: ELABORAÇÃO E PRÁTICA......................... 91 REFERÊNCIAS........................................................................................................................................................107

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CARTA DE APRESENTAÇÃO Olá, alunos e alunas! É com imenso prazer que apresentamos este maravilhoso material que lhes proporcionará a construção do conhecimento de forma ordenada, objetiva, sistematizada e, acima de tudo, prazerosa. A partir deste momento vocês irão conhecer a Contabilidade Geral pelo mundo virtual, que lhes permitirá uma aprendizagem de forma fácil e interativa de modo a despertar a vontade de conhecer cada vez mais esse formidável mundo das Ciências Contábeis. Elaboramos este material com carinho e utilizamos conceitos atuais e contextualizados com a dinâmica do mundo moderno para deixar-lhes sempre atualizados com o que há de mais recente na Contabilidade. Esperamos que vocês aproveitem este material da melhor forma possível! Professoras: Lorena Pinho e Maria Alice Porto

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Bloco Temático 01

A ENTIDADE E AS OPERAÇÕES COM MERCADORIAS
Queridos educados e educandas! Estamos aqui, juntos mais uma vez, para cumprir uma nova e estimulante etapa na construção do conhecimento. Deste modo, convidamos a todos e a todas a participarem desta nova etapa com alegria, de modo a renovar os votos da aprendizagem da Contabilidade como algo prazeroso e gratificante. Entender das Ciências Contábeis é compreender o mundo com um novo olhar. Um olhar de quem quer e pode transformar este mundo através do conhecimento e da gestão responsável das organizações. Este novo caminhar remete a uma ampliação do horizonte de vida e de conduzir a vida. Nesta etapa estudaremos a Contabilidade Geral e sua nuances, tais como: a organização e as operações com mercadorias e suas implicações. Também trataremos de algumas contas que surgem em decorrência dos fatos realizados em empresas comerciais, como: duplicatas a receber, o desconto destas duplicatas e a provisão para devedores duvidosos. É importante estarmos juntos nesse processo de construção do conhecimento contábil. Convido todos (as) a essa jornada!

TEMA 01 - AS ORGANIZAÇÕES E AS OPERAÇÕES DE COMPRAS E VENDAS
Para iniciarmos os nossos estudos é necessário saber que as operações com mercadorias são transações realizadas em empresas do comércio e que envolvem fatos como: compra, venda, devolução, abatimento, transferência e descontos. Mas, antes de conhecermos detalhes sobre estas operações, devemos conhecer como as sociedades são constituídas, não é? No material impresso você tem explicações sobre como as sociedades são constituídas e aqui, no AVA, uma complementação sobre este assunto: trataremos das fundações e associações. Além deste assunto, veremos: Registro das Operações Mercantis, Aspectos conceituais dos Impostos Incidentes sobre as Compras e Vendas de Mercadorias e Impostos sobre as Compras e Vendas das Indústrias e das Empresas Prestadoras de Serviços. E então, vamos começar o nosso estudo?Vamos lá!

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1. FUNDAÇÕES E ASSOCIAÇÕES Uma entidade pode ser constituída de diversas formas. Nos termos do Código Civil Brasileiro (CC/2002) as pessoas jurídicas de direito privado são:

- as associações; - as sociedades; - as fundações; - as organizações religiosas; e - os partidos políticos.

Como o objetivo deste tópico é discorrer sobre as Fundações e Associações, não serão abordadas as pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de organizações religiosas e partidos políticos. No que se refere aos tipos de sociedades, estas foram trabalhadas no material impresso. Em uma abordagem geral, as organizações sociais que não pertencem à esfera pública, também denominada de Primeiro Setor (Estado), e nem ao setor privado, também conhecido como Segundo Setor (Mercado), começam a ter lugar de destaque no Brasil e no mundo. Estas organizações são consideradas como entidades do Terceiro Setor. Elas crescem em paralelo ao Estado - primeiro setor, e as organizações privadas, classificadas como segundo setor. Em uma visão simplista entende-se como Terceiro Setor as organizações que exercem atividades de cunho social, que são públicas e não objetivam os lucros. Apesar das entidades dotadas com estas características existirem no Brasil desde o período colonial, foi na década de 90 que elas cresceram de forma significativa. As três esferas se divergem e se assemelham em diversos aspectos e, no entanto, estão interligadas, como mostra a figura nº 1.

Figura 01: Os Três Setores Fonte: Adaptado de Fonseca (2000)

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Observa-se na figura que existe a intercessão entre o Primeiro, Segundo e Terceiro setores, significando uma parceria em suas atividades, não deixando de manter a autonomia entre os mesmos. No que se refere às Fundações e Associações, Pinho (2006) esclarece que no Brasil as organizações sem fins lucrativos, que compõem o Terceiro Setor, podem ser constituídas sob dois formatos: fundação privada e associação civil sem fins lucrativos. Uma associação tem sua origem na vontade de duas ou mais pessoas unidas por um ideal, causa ou objetivos sociais em comum, enquanto uma fundação se origina a partir de patrimônio ou relação de bens destinados a atender os objetivos sociais. FUNDAÇÕES A fundação, em nosso Direito, é uma instituição de fins determinados (finalidade esta que depende da vontade do instituidor), formada pela atribuição de personalidade jurídica a um complexo de bens livres, que é o patrimônio, o qual será administrado por órgãos autônomos de conformidade com as previsões do estatuto (PAES, 2006). As fundações são entidades jurídicas que têm como fator preponderante o patrimônio, o qual deve ser constituído por bens livres e suficientes, ou seja, disponíveis integralmente, e ainda deve ser satisfatório para o desenvolvimento das atividades fundacionais de acordo com a sua Escritura Pública. Estas entidades não são governamentais, não objetivam lucros e, sim, benefícios assistenciais, religiosos, morais ou culturais. ASSOCIAÇÕES No que tange à associação, o Código Civil brasileiro determina, no seu artigo 53, que “constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos”. No que tange à discussão acerca das associações, Paes (2003, p. 42) estabelece que associação é “a forma pela qual certo número de pessoas, ao passo que se consagrem, colocam, em comum, serviços, atividade e conhecimentos em prol de um mesmo ideal, objetivando a consecução de determinado fim, com ou sem capital e sem intuitos lucrativos.” No estatuto social da associação devem constar, necessariamente, os fins da entidade, o funcionamento e a composição dos órgãos administrativos e deliberativos. O controle principal das atividades e das contas de uma associação cabe aos próprios associados. Entende-se, então, como associação a união de duas ou mais pessoas com objetivos em comum, que visam o bem-estar social, que trabalham em prol de uma entidade constituída através do estatuto social, sem finalidade lucrativa. Esta associação de pessoas poderá ter finalidade: econômica não lucrativa – associação de socorro mútuo; altruística – associação beneficente; e/ou egoística – associação literária, esportista ou recreativa. Agora que já conhecemos um pouco sobre as fundações e associações vamos identificar algumas diferenças entre elas?

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Existem algumas diferenças entre a associação e a fundação, as mais comuns evidenciadas no quadro a seguir: CARACTERÍSTICAS Elemento Essencial Constituição ASSOCIAÇÃO Pessoal Junção de duas ou mais pessoas com objetivos em comum Próprios associados FUNDAÇÃO Patrimônio Manifestação de vontade de um instituidor Ministério Público O instituidor se desliga, geralmente, quando se conclui o processo de constituição ou com seu falecimento.

Controle e Acompanhamento Relação entre os Criadores

Sempre ligado na forma de associado

Diante do quadro vimos que, apesar de ambas as instituições fazerem parte do Terceiro Setor, cada uma possui as suas particularidades! É verdade que o número de entidades com estas características tem crescido muito no Brasil, no entanto nós, como profissionais ou futuros profissionais da área contábil, devemos informar aos instituidores sobre a verdadeira filosofia destas entidades, pois, em alguns casos, as Fundações e Associações podem não ser inidôneas, e ao invés de filantrópica, podem ser “pilantrópicas”, ok? Sites recomendados: - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm - http://www2.pgr.mpf.gov.br/ - http://www.cnmp.gov.br/ - http://www.mpu.gov.br/ - http://www.ethos.org.br/DesktopDefault.aspx?Alias=Ethos&Lang=pt-BR - http://www.filantropia.org.br/

2. REGISTRO DAS OPERAÇÕES MERCANTIS

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Sabemos que um dos objetivos da Contabilidade é um sistema de avaliação e informação que se destina a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação à entidade, que é o objeto de contabilização. Desta forma, no registro das operações mercantis, ou seja, operações de compra e venda, poderão ser utilizados dois tipos de métodos, o da conta mista ou o da conta desdobrada, e dois tipos de sistemas, o sistema de inventário periódico ou o sistema de inventário permanente, de acordo com o interesse de cada grupo de usuário. A seguir veremos os métodos da conta mista e os da conta desdobrada, ok? MÉTODOS PARA O REGISTRO DAS MERCADORIAS Entende-se como método a maneira pela qual serão registradas as operações de compra e venda de mercadorias nas organizações, sendo utilizado o método da conta mista e/ou da conta desdobrada. CONTA MISTA O método da conta mista consiste na adoção de uma só conta para o registro de todas as operações que envolvem mercadorias. Normalmente essa conta é denominada mercadorias e exerce, ao mesmo tempo, duas funções: patrimonial e de resultado.

Exerce função patrimonial porque registra o valor dos estoques inicial e final, figurando no balanço patrimonial junto com as demais contas do ativo. Exerce função de resultado porque registra, também, as compras, as devoluções de compras, as vendas, as devoluções de vendas, etc., permitindo, assim, que por meio dela seja apurado o resultado bruto do exercício. Vamos ver como isso funciona na prática?

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No método da conta mista teremos: 1ª Situação: a empresa Negócios Corretos compra a prazo 30 itens de mercadorias, sendo que cada um custou R$ 100,00, totalizando um valor de compra de R$ 3.000,00. Débito Ativo Circulante Mercadoria a) 3.000,00 Crédito Débito Passivo Circulante Fornecedores 3.000,00 a) Crédito

Pelo método da conta mista, na apuração de resultado a conta Mercadorias já estará com as compras incorporadas, apresentando normalmente o seu saldo final. Neste método os lançamentos são feitos de forma mais simples e direta.

No decorrer deste material utilizaremos, para fins explicativos, o método da Conta Mista.

Que tal conhecermos agora o método da conta desdobrada para podermos traçar uma relação entre ambas? CONTA DESDOBRADA A conta desdobrada consiste em desdobrar a conta Mercadorias em tantas quantas forem necessárias para a contabilização isolada de cada tipo de fato que envolva as operações com mercadorias. Basicamente, as contas são três: estoque de mercadorias, compras e vendas, podendo ainda existir abatimentos sobre compras, abatimentos sobre vendas, compras anuladas, vendas anuladas, fretes e seguros sobre compras, descontos incondicionais obtidos, descontos incondicionais concedidos, ICMS sobre vendas, PIS sobre faturamento e COFINS. Vamos colocar estas idéias em prática? 2ª Situação: a empresa Negócios Corretos realiza uma compra de 40 itens de mercadorias para pagamento a prazo no valor de $4.000,00. No método da conta desdobrada teremos:

Conta de Resultado Compras a Prazo a) 4.000,00

Passivo Circulante Fornecedores 4.000,00 a)

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No método da conta desdobrada, na apuração de resultado o saldo da conta “Compras” será transferido primeiramente para a apuração do custo da mercadoria e, posteriormente, para a Conta Mercadorias, através do estoque final. SISTEMAS PARA REGISTRO DAS MERCADORIAS Os sistemas para registro das mercadorias são as técnicas utilizadas para controle e apuração dos custos das mercadorias ou produtos nos estoques, sendo eles o Sistema de Inventário Periódico ou Sistema de Inventário Permanente.

O inventário periódico tem este nome porque a partir de sua adoção as empresas passam a elaborar o inventário físico das mercadorias existentes em estoque somente no final de um período, que normalmente corresponde a um ano. Assim, o resultado da conta Mercadorias (resultado bruto ou exercício) só será conhecido no final desse período. Já o inventário permanente consiste em controlar permanentemente os estoques de mercadorias efetuando os respectivos registros a cada compra ou devolução e a cada venda ou devolução. Dessa forma, como os estoques de mercadorias são mantidos atualizados constantemente, as empresas podem apurar o resultado da conta Mercadorias no momento que desejarem. A combinação entre os dois métodos e os dois sistemas resulta em pelo menos três maneiras diferentes que podem ser adotadas para o registro e controle das operações com mercadorias: • • • conta mista com inventário periódico (conta mista de mercadorias); conta desdobrada com inventário periódico; e conta desdobrada com inventário permanente.

Legalmente não há uma exigência que determine a adoção desse ou daquele método ou sistema. As empresas são livres para escolher a maneira mais adequada às suas realidades, normalmente em função do porte e dos interesses internos. As empresas de menor porte, por
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não necessitarem de detalhes em seus registros, normalmente utilizam com mais freqüência o método da conta mista com inventário periódico, enquanto as empresas de maior porte, por necessitarem de detalhes em seus registros, adotam o método da conta desdobrada com inventário periódico ou com inventário permanente.

Vale salientar que os sistemas de Inventário Periódico e Inventário Permanente serão mais aprofundados no Tema 2.

Sites recomendados: - http://www.anefac.com.br/ - http://www.bacen.gov.br/ - http://www.cfc.org.br/ - http://www.cjf.gov.br/bvirtual/ - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.eac.fea.usp.br/eac/revista/ - http://www.fipecafi.com.br/ - http://www.marion.pro.br/portal/modules/tinycontent/?id=1 - http://www.redecontabil.com.br/ - http://www.teses.usp.br/

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3. ASPECTOS CONCEITUAIS DOS IMPOSTOS INCIDENTES SOBRE AS COMPRAS E VENDAS DE MERCADORIAS Podemos perceber que as operações mercantis compreendem as compras e vendas, e nestas situações ocorre a tributação. Vamos conhecer um pouco mais sobre este assunto? O Código Tributário Nacional (LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966) estabelece que “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.” Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. O imposto, objeto do nosso estudo neste bloco, é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte. Os impostos do nosso Sistema Tributário Nacional competem à União, aos Estados aos Municípios e ao Distrito Federal.

Vamos conhecer os tributos mais comuns aplicados às empresas? TRIBUTOS COFINS ICMS NOMES Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações Imposto sobre Produtos Industrializados Imposto de Renda Pessoa Jurídica Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza Programa de Integração Social COMPETÊNCIA União Estados

IPI IRPJ ISS PIS

União União Municípios e Distrito Federal União

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Antes de comentarmos especificamente sobre a tributação nas operações de compra e venda, vejamos alguns termos que são comuns no que tange aos aspectos fiscais relacionados com as operações mercantis, dentre eles: Fato Gerador, Contribuinte ou Responsável, Base de Cálculo e Alíquota. Dentro destas considerações, estaremos apresentando o significado dos tributos que iremos estudar neste conteúdo. FATO GERADOR Denomina-se fato gerador a concretização da hipótese de incidência tributária prevista em abstrato na lei, que gera (faz nascer) a obrigação tributária. Alguns exemplos de fatos geradores: Prestar serviços = ISS Fazer circular mercadorias = ICMS Receber rendas = IRPJ Os atos que levam à ocorrência do fato gerador são: emissão de notas fiscais, escrituração de livros fiscais, inscrição no CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), inscrição no Estado e no Município, além de manter e conservar livros e documentos, prestar declarações em formulários, etc. CONTRIBUINTE OU RESPONSÁVEL O contribuinte é o sujeito passivo da obrigação tributária com relação pessoal e direta com o fato gerador. Toma-se como exemplo o IPTU (Imposto Sobre a Propriedade Territorial e Urbana), que é uma obrigação tributária e cujo contribuinte é o proprietário de um prédio. Já o responsável é a pessoa que a Lei escolher para responder pela obrigação tributária, em substituição ao contribuinte de fato, dada a maior complexidade para alcançá-lo. O responsável não arca com o ônus tributário, que é suportado pelo contribuinte de fato. Atua como uma espécie de agente arrecadador do fisco e como seu depositário. Seguem alguns exemplos para ampliar o entendimento: IRRF - Imposto de Renda Retido na Fonte; Contribuição ao INSS - Instituto Nacional da Seguridade Social; IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados, cobrado do comprador na Nota Fiscal. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo é o valor sobre o qual é aplicada a alíquota (percentual) para apurar o valor do tributo a ser pago, ou seja, o valor sobre o qual incide a tributação é a base de cálculo. BASE DE CÁLCULO x ALÍQUOTA = IMPOSTO DEVIDO

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Alguns exemplos de base de cálculo: Para a COFINS, a base de cálculo será o faturamento mensal. Para o IRPJ, a base de cálculo será o lucro real, presumido ou arbitrado. ALÍQUOTA A alíquota é o percentual definido em lei que, aplicado sobre a base de cálculo, determina o montante do tributo a ser pago. Vejamos alguns exemplos de alíquotas: IRPJ - 15% COFINS - 3% ou 7,6% Atenção! Vale destacar que algumas alíquotas são definidas em Lei Complementar e, em alguns casos, a lei estabelece as alíquotas mínima e máxima que poderão ser cobradas. Desta forma, para os tributos estaduais, municipais e do Distrito Federal, estas alíquotas são estabelecidas por estas esferas, atentando para os limites impostos pela legislação, podendo ser diferentes de um Estado para o outro e de um Município para o outro.

Alguns dos tributos citados acima ainda não serão abordados neste tópico e foram utilizados apenas como exemplos, mas trataremos do ICMS, IPI, ISS, PIS e COFINS. Para tanto, dividiremos o assunto em três esferas: empresas comerciais (discutidas no material impresso), industriais e prestadoras de serviços (apresentadas no AVA) e, assim, daremos um tratamento específico a cada situação. A seguir, apresentamos um gráfico resumo dos aspectos de tributação nas operações mercantis, incluindo a competência da Administração Pública de cada um dos tributos, mesmo aqueles que não comentamos: SÍNTESE DE TRIBUTAÇÃO
ESFERA GOVERNO Municipal Estadual Federal Federal Federal Federal Federal Federal IMPOSTOS SUJEITOS ISS ICMS IPI PIS COFINS SIMPLES IRPJ CSLL EMPRESAS INDUSTRIAL Não Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim

COMERCIAL Não Sim Não Sim Sim Sim Sim Sim

PREST. DE SERVIÇO Sim Não Não Sim Sim Sim Sim Sim

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Sites recomendados: - http://www.cfc.org.br/ - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.cvm.gov.br/ - http://www.fipecafi.com.br/ - http://www.marion.pro.br/portal/modules/tinycontent/?id=1 - http://www.portaltributario.com.br/ - http://www.receita.fazenda.gov.br/ - http://www.redecontabil.com.br/

4. IMPOSTOS SOBRE AS COMPRAS E VENDAS DAS INDÚSTRIAS E DAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS Como vimos no tópico anterior, as operações de compras e vendas de mercadorias, bem como a prestação de serviços, sofrem tributação. Existem algumas exceções em que alguns os produtos e/ou serviços são imunes ou isentos destas tributações. Nas situações apresentadas a seguir trabalharemos os aspectos gerais e comuns, em que a tributação é normal. Vale salientar que as operações das empresas comerciais foram tratadas no material impresso. Vamos ver como podem ser contabilizadas estas operações nas indústrias e nas prestadoras de serviços? EMPRESAS INDUSTRIAIS As empresas industriais são aquelas em que por qualquer operação modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo. O resultado final desta operação é o produto objeto de comercialização.

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As indústrias são contribuintes do ICMS, PIS, COFINS e também do IPI. O IPI é considerado imposto cobrado por fora, pois o seu cálculo é feito sobre o valor dos produtos e, na operação, é adicionado ao valor do mesmo produto. O percentual do IPI varia de acordo com o tipo do produto que está sendo industrializado. Este imposto só será recuperado (compensado) entre indústrias, pois, para as demais empresas, o IPI será incorporado ao preço de custo das mercadorias, ok? Já veremos esta operação na prática! Pode-se, então, concluir que se a atividade principal for industrialização poderá ser constituído no Ativo Circulante, direito de compensação do mesmo. Porém, se a empresa for, por exemplo, comercial, não irá registrar o IPI como direito e sim adicioná-lo ao custo da mercadoria, na Ficha de Estoque (próximo assunto).

E, então, vamos praticar? 1ª Situação: a indústria Geração de Bons Produtos adquire a prazo 1.000 unidades de produtos, no valor unitário de R$ 60,00, com incidência de ICMS (17%), IPI (10%) e direito ao PIS (1,65%) e COFINS (7,6%).

INFORMAÇÕES SOBRE A OPERAÇÃO DE COMPRA Valor total da compra = R$ 66.000,00 Valor total dos produtos = R$ 60.000,00 (1.000 x R$ 60,00) IPI a ser adicionado ao produto (10%) = R$ 6.000,00 ICMS (17% dos produtos) = R$ 10.200,00 PIS (1,65% dos produtos) = R$ 990,00 COFINS (7,6% dos produtos) = R$ 4.560,00

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Vale ressaltar que alguns impostos são recuperáveis, ou seja, quando compramos uma determinada mercadoria o imposto que pagamos na compra pode ser recuperado na venda. Isto ocorre porque o imposto não é cumulativo. Desta forma, alguns impostos podem ser recuperáveis (não cumulativos) e não recuperáveis (cumulativos). Nesta situação, sendo o IPI (R$ 6.000,00) um imposto recuperável, como o ICMS (R$ 10.200,00), o PIS (R$ 990,00) e a COFINS (R$ 4.560,00), então todos serão deduzidos do valor total da operação para apurarmos o valor do estoque dos produtos. Logo, teremos o valor de R$ 44.250,00 a ser registrado no estoque. E, contabilizando, teremos:

Passivo Circulante Fornecedores 66.000,00 a) a)

Ativo Circulante Estoque de produtos 44.250,00

Ativo Circulante IPI a Recuperar a) 6.000,00 a)

Ativo Circulante ICMS a Recuperar 10.200,00

Ativo Circulante PIS a Recuperar a) 990,00

Ativo Circulante COFINS a Recuperar a) 4.560,00

No momento da venda dos produtos os saldos das contas de impostos a recuperar serão transferidos para as respectivas contas de impostos a pagar, no passivo circulante. Observem que isto ocorrerá em operações normais, ou seja, quando os valores das vendas são superiores aos valores de compras, pois, se em um determinado mês a indústria comprou mais matériaprima do que o valor total de vendas dos produtos acabados, teremos, neste caso, um valor superior de impostos a recuperar. Perceberam como é simples a contabilização? Basta prestar atenção, identificar as contas a serem movimentadas, diferenciar as origens e aplicações dos recursos e debitar e creditar as contas corretamente!

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2ª Situação: a indústria Geração de Bons Produtos utiliza os produtos adquiridos no processo de industrialização e, posteriormente, vende todos os produtos existentes no estoque pelo valor total de R$ 100.000,00, à vista. Sobre a venda dos produtos incidiram o ICMS (17%), PIS (1,65%), COFINS (7,6%) e, por se tratar de uma indústria, teremos ainda o cálculo do IPI, seguindo o mesmo critério da compra.

INFORMAÇÕES SOBRE A OPERAÇÃO DE VENDA Receita total = R$ 100.000,00 IPI (10% sobre os produtos) = R$ 10.000,00 Valor total da receita venda = R$ 110.000,00 ICMS (17% sobre os produtos) = R$ 17.000,00 PIS (1,65% sobre os produtos) = R$ 1.650,00 COFINS (7,6% sobre os produtos) = R$ 7.600,00

Vejamos na prática a contabilização desta venda, em que seguiremos três passos: • • • Registro da receita de venda (lançamento “a”) Baixa dos produtos do estoque e reconhecimento do Custo dos Produtos Vendidos - CPV (lançamento “b”) Registro da obrigação de pagamento dos impostos e respectivas deduções da receita de vendas no resultado (lançamentos “c”, “d”, “e”, “f”)

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Registro da receita de venda Conta de Resultado Receita de Vendas 110.000,00 a) Ativo Circulante Caixa a) 110.000,00

Baixa dos estoques Ativo Circulante Estoque de Produtos S 44.250,00 44.250,00 b) a) Conta de Resultado Custo dos Produtos Vendidos 44.250,00

Lançamento dos impostos

Conta de Resultado ICMS s/ Vendas c) 17.000,00 Passivo Circulante ICMS a Recolher 17.000,00 c) d)

Conta de Resultado PIS s/ Vendas 1.650,00 Passivo Circulante PIS a Recolher 1.650,00 d)

Conta de Resultado COFINS s/ Vendas e) 7.600,00 f)

Conta de Resultado IPI s/ Vendas 10.000,00

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Passivo Circulante COFINS a Recolher 7.600,00 e)

Passivo Circulante PIS a Recolher 10.000,00 f)

No momento da apuração do exercício iremos fazer a compensação dos direitos e obrigações dos impostos, creditando as contas de direito (Ativo) e debitando as contas de obrigação (Passivo). Ou seja, iremos verificar os saldos das contas dos impostos a Recolher (Passivo) e a Recuperar (Ativo), a conta que apresentar menor saldo será transferida para a de maior valor. Nesta 2ª Situação, os saldos das contas a recolher são maiores do que os saldos das contas a recuperar, assim a empresa pagará os impostos deduzindo os valores a recuperar.

Vocês notaram que a quantidade de lançamentos aumentou, não foi? Mesmo assim, continua sendo fácil. Basta prestar atenção e realizar os lançamentos com calma. Aí vão algumas dicas: Identifiquem as contas a serem movimentadas. Analisem quais são as origens e aplicações dos recursos, para saber quais contas serão creditadas e debitadas (Crédito=Origem / Débito=Aplicação). Toda vez que lançarem uma conta a crédito, lancem imediatamente a sua contrapartida, ou seja, a conta a débito, e vice-versa Fazendo assim, o sucesso na realização dos lançamentos será certo!

EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS As empresas prestadoras de serviços, como o nome já diz, realizam serviço e, em contrapartida, recebem seus pagamentos. Estas empresas são contribuintes apenas do ISS, PIS e COFINS, os quais serão calculados apenas sobre o faturamento da prestação de serviços.

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As alíquotas do ISS poderão diferenciar de acordo com o local onde a empresa está prestando os serviços e giram em torno de 2% a 5%. Estas empresas, quando são exclusivamente prestadoras de serviços, não revendem mercadorias ou produtos, mas podem adquiri-los para utilização como insumos na prestação de serviços. Como estas aquisições serão feitas em empresas comerciais ou industriais, certamente nas Notas Fiscais de compra incidirão o ICMS e IPI. Sobretudo se as prestadoras de serviços não são contribuintes destes impostos, então não poderão constituir direito de recuperação no ativo, o que faz com que estes impostos representem para elas custo e sejam registrados em contas de resultado. 1ª Situação: suponhamos que a empresa Serviços Qualificados necessitou de produtos para utilizar na prestação de serviços, no valor total de R$ 660,00 (a prazo). Na Nota Fiscal houve a incidência de R$ 102,00 de ICMS e R$ 60,00 de IPI. Ao prestar os serviços, mediante pagamento à vista, cobrou R$ 5.000,00.

COMPRA DE PRODUTOS PARA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Produtos = R$ 600,00 IPI = R$ 60,00 Total = R$ 660,00 ICMS = R$ 102,00 Vamos contabilizar essa operação? Pela aquisição dos produtos

a)

Conta de Resultado Produtos p/ Acabamento 660,00

Passivo Circulante Fornecedor 660,00

a)

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Observe que o valor da aquisição foi totalmente reconhecido como custo, sem deduzir nenhum dos impostos. Pelo registro da receita de serviços Conta de Resultado Receita de Prestação de Serviços 5.000,00 b) Ativo Circulante Caixa 5.000,00

b)

Pelo reconhecimento dos impostos sobre a receita será cobrado ISS 5%, PIS 1,65% e COFINS 7,6%. Conta de Resultado ISS s/ Serviços 250,00 Passivo Circulante ISS a Recolher 250,00 Conta de Resultado PIS s/ Serviços 82,50 Passivo Circulante PIS a Recolher 82,50 Passivo Circulante COFINS a Recolher 380,00

c)

d)

c)

d)

e)

Conta de Resultado COFINS s/ Serviços 380,00

e)

Logo após a apuração do resultado do exercício iremos fazer a compensação dos direitos e obrigações dos impostos, creditando as contas de Ativo e debitando as contas de Passivo. Note que, no caso das empresas prestadoras de serviços, não se movimentam as contas de impostos a recuperar, pois não fazem parte do regime de não cumulatividade! Sites recomendados: - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.eac.fea.usp.br/ - http://www.fipecafi.com.br/ - http://www.marion.pro.br/portal/modules/tinycontent/?id=1 - http://www.portaltributario.com.br/ - http://www.receita.fazenda.gov.br/ - http://www.redecontabil.com.br/

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TEMA 02 - INVENTÁRIO DE MERCADORIAS E CONTAS A RECEBER
No tema anterior aprendemos como efetuar o registro das operações mercantis, os aspectos conceituais dos impostos incidentes sobre as compras e vendas de mercadorias, bem como nas operações realizadas pelas indústrias e pelas empresas prestadoras de serviços, não foi? Nas operações de compras de mercadorias temos a necessidade de descobrir os custos dos produtos para sabermos quais serão os nossos lucros e o nosso preço de venda. Paralela a esta necessidade precisamos, também, inventariar e controlar os custos das nossas mercadorias. Para isto estudaremos o Sistema de Inventário Periódico, pelo método das Contas Desdobradas; o Sistema de Inventário Permanente: PEPS e UEPS, junto com a sua contabilização em razonetes; o Sistema de Inventário Permanente: Média Ponderada e sua contabilização em razonetes. Outro assunto em que nos debruçaremos é a contabilização da Antecipação de Recebimentos com Desconto de Duplicatas. Então, vamos começar a nossa longa viagem por estes conteúdos? 1. SISTEMA DE INVENTÁRIO PERIÓDICO: CONTAS DESDOBRADAS No bloco anterior começamos a trabalhar as operações de compras e vendas de mercadorias. Ao realizar estas operações as empresas necessitam desenvolver métodos para controlar os seus estoques. Para isto existe o sistema de inventário. Antes de iniciarmos o nosso estudo sobre o sistema de inventário periódico, para melhor compreensão vale relembrar as funções de algumas contas que serão utilizadas. Vamos lá? Palavras ou expressões Abatimentos sobre compra de mercadorias Significado A fim de evitar os possíveis prejuízos decorrentes de devoluções de mercadorias em desacordo com o pedido, o cliente pode entrar em acordo com o fornecedor e obter do mesmo o desconto das mercadorias adquiridas. Geralmente os abatimentos decorrem de perda por deterioração parcial ou total de mercadorias, defeitos técnicos, prazo de entrega e qualidade do produto. Reconhecimento da autenticidade da dívida por parte do cliente – sujeito que assina a duplicata. Em caso de não reconhecer a dívida, o cliente não deve dar o seu aceite por meio da assinatura. Tipo de comércio em que a aquisição das mercadorias é realizada diretamente do produtor ou de outros comércios atacadistas para que sejam enviadas ao consumidor final ou a outro atacadista. Realiza a mediação da mercadoria entre atacadista ou produtor diretamente ao consumidor final com habitualidade

Aceite de duplicatas

Comércio atacadista

Comércio varejista

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e fins lucrativos. Assim, um supermercado, por exemplo, é uma empresa comercial varejista. Compra ou Aquisição de Operação na qual a empresa mercantil adquire a propriedade sobre bens materiais, os quais são denominados mercadorias, mercadorias para revenda. Transação na qual uma empresa emite mercadorias de sua Consignação propriedade para que outra empresa realize a comercialização das mesmas, obtendo, pela prestação do serviço, uma comissão. Desta forma a empresa que recebe a comissão tem uma receita, a qual é denominada comissão ativa, enquanto a entidade que é proprietária das mercadorias tem uma comissão passiva, ou seja, uma despesa de vendas. Este tipo de desconto decorre de análises do setor financeiro Desconto Condicional em parceria com a administração geral da empresa. O ou Financeiro desconto condicional é criado de acordo com a política de crédito da empresa e, em geral, busca viabilizar algum objetivo financeiro maior a partir da mudança de comportamento dos clientes. Portanto, é estabelecido para todos os clientes em determinado período de tempo. Desconto Incondicional Como o próprio nome designa, o desconto incondicional é aquele realizado sem o preestabelecimento de uma condição ou Comercial por parte do fornecedor. Em regra, ele se dá por causa do volume de mercadorias adquiridas, para manter a fidelidade de um bom cliente, também conhecido como cliente preferencial, ou interesse de realizar promoção para que o produto tenha maior saída ou que o mesmo se torne mais conhecido, dentre outras promoções. Transação na qual as mercadorias adquiridas regressam para Devolução de o fornecedor. A devolução de uma mercadoria adquirida é mercadorias possível quando ela não está de acordo com pedido realizado. É um título de crédito utilizado em comercializações cujo Duplicata recebimento se dá a prazo. A entidade emissora da duplicata é o credor, enquanto aquele que a aceita é o devedor. Documento comercial que comprova as vendas efetuadas a Fatura prazo ao mesmo cliente e que, portanto, pode englobar uma ou mais notas fiscais. A finalidade precípua da fatura é informar ao cliente a relação das notas fiscais a fim de que ele possa conferir as notas fiscais a prazo e as receptivas datas ou data de pagamento, já que este será realizado em menos de 30 dias. Chama-se de imposto “por dentro” aquele já embutido no Imposto “por dentro” valor da operação. O ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - é um exemplo de imposto “por dentro”. Denomina-se imposto “por fora” aquele que não está Imposto “por fora” embutido no valor da operação. O IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) é um exemplo de imposto “por fora”.
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Inventário

Mercadoria Nota Fiscal

Nota Fiscal - Fatura

Venda de mercadorias

Levantamento físico das unidades em estoque, que é demonstrado por um documento contábil que mostra toda a movimentação de estoques de mercadorias, ou seja, entradas por aquisição, transferência ou consignação, e saídas por devolução vendas, transferência e ou consignação. Assim, um inventário pode ser periódico, quando é feito num período de tempo delimitado pela empresa, ou permanente, quando o controle de estoque é contínuo, ou seja, a cada movimentação há adição ou diminuição do valor do estoque. Bem comprado por um estabelecimento comercial - de um produtor ou atacadista – com o objetivo de revenda. Documento emitido quando ocorre qualquer movimentação de mercadoria (venda, devolução, transferência, consignação, dentre outras). Empresas que prestam serviços também devem emitir nota fiscal, entretanto, se a empresa for comercial varejista, ela poderá optar pela emissão do Cupom Fiscal – documento que tem a mesma validade da nota, mas é emitido automaticamente por máquina apropriada. Documento utilizado para evitar o trabalho do faturamento depois da emissão da fatura, já que ele é, ao mesmo tempo, uma nota fiscal e uma fatura. Transferência do direito de propriedade de um bem material, adquirido de um fornecedor, ao seu cliente, que pode ser um consumidor final ou um varejista.

Ferrari (2002) Antes de iniciarmos o estudo sobre o sistema de inventário periódico, vamos fazer uma retrospectiva para melhor compreender os sistemas de inventários? Nos meados do século XVIII as grandes indústrias não existiam e, neste cenário, a contabilidade de custos era voltada para o comércio e não para a indústria. Desta forma, os custos eram calculados periodicamente, pelo menos na época da elaboração do Balanço Patrimonial. Para calcularmos os custos poderíamos usar uma fórmula, com a ajuda da qual eram calculados os custos, pois não havia inventários permanentes de estoques. Como dito no material impresso, o inventário periódico é utilizado quando não há um controle contínuo das mercadorias existentes em estoque. Periodicamente será realizado um levantamento físico das mercadorias, com a finalidade de apurar o estoque final, tendo em vista necessidade de apresentação deste valor no Balanço Patrimonial. Por este critério o custo das mercadorias vendidas é apurado por dedução, ou seja, utilizamos a seguinte fórmula:

CMV= EI + C - EF

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Devemos saber: CMV = Custo da Mercadoria Vendida EI = Estoque Inicial C = Compras Diante do apresentado, temos o Custo da Mercadoria Vendida como o resultado da subtração do estoque final (apurado a partir do levantamento físico) do valor total das mercadorias disponíveis para venda (estoque inicial + compras). Com a adoção do sistema de inventário periódico as empresas passam a elaborar o inventário físico das mercadorias somente no final de um período, assim o resultado operacional bruto (Resultado Com Mercadorias - RCM) só será conhecido no final desse período. Vale ressaltar que, no momento da contagem física do estoque, deve ser atribuído a este, como valor unitário das mercadorias, o custo das últimas entradas. Na contabilização das operações do estoque pelo inventário periódico cabe retomar os métodos para a escrituração: Conta Mista de Mercadorias ou Conta Desdobrada de Mercadorias. Lembrando que a Conta Mista foi explanada e exemplificada no material impresso, vamos trabalhar no AVA com a Conta Desdobrada! A Conta Desdobrada O Inventário Periódico por contas desdobradas consiste em desdobrar a conta de Estoque de Mercadorias em tantas quantas forem necessárias para a contabilização isolada de cada tipo de fato que envolva as operações com mercadorias. Basicamente, as contas são três: estoque de mercadorias (patrimonial) compras (resultado) venda (resultado) Para que possamos comparar os dois métodos por conta mista (disponível no material impresso) e contas desdobradas (na situação a seguir), vamos utilizar o mesmo exemplo. 1ª Situação:

Temos os seguintes dados Estoque Inicial = R$ 23.000,00 Compras no período, a prazo = R$ 104.500,00 Venda à vista = R$ 150.000,00 CMV = (?) Vamos apurar Estoque Final (levantamento físico) = R$ 22.500,00 RCM = (?) Vamos apurar Vamos para a contabilização? Pelo Estoque Inicial (EI), cujo valor corresponde ao final do período anterior = R$ 23.000,00, temos:
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S

Ativo Circulante Estoque de Mercadorias 23.000,00

Iremos registrar as aquisições em uma Conta Desdobrada, “Compras”, conta de resultado que, na apuração, será encerrada com a conta CMV.

Conta de Resultado Compras a) 104.500,00

Passivo Circulante Fornecedores 104.500,00

a)

No método da Conta Desdobrada de Mercadorias o lançamento das vendas não difere muito do método das Contas Mistas. Conta de Resultados Vendas à Vista 150.000,00 Ativo Circulante Caixa 150.000,00

b)

b)

Realizada a venda, vamos partir para a apuração do Custo da Mercadoria Vendida. Para tanto, não podemos esquecer o levantamento físico do estoque final, cujo valor apurado foi de R$ 22.500,00. Retomando a fórmula, temos que: CMV = EI + C – EF CMV = R$ 23.000,00 + R$ 104.500,00 - R$ 22.500,00 CMV = R$105.000,00 Ativo Circulante Estoque de Mercadorias S 23.00,00 23.000,00 d) 22.500,00 0 Conta de Resultados Compras Saldo 104.500,00 104.500,00 e 0 0

c)

c)

Conta de Resultados Custo da Mercadoria Vendida 23.000,00 22.500,00 d) 104.500,00 105.000,00

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Observe que na conta “Estoque de Mercadorias” foi registrado apenas o valor dos estoques inicial e final. Na apuração do Resultado Com Mercadorias (RCM) teremos o mesmo efeito: RCM = V – CMV Em que, V = Vendas CMV = Custo da Mercadoria Vendida Assim, RCM = R$ 150.000,00 – R$ 105.000,00 = R$ 45.000,00 Conta de Resultados Vendas 150.00,00 150.000,00 S 0 0 Conta de Resultados Custo da Mercadoria Vendida Saldo 105.000,00 105.000,00 0 0

e)

f)

f)

Conta de Resultados RCM 105.000,00 150.000,00 e) 45.000,00 S

Para apurar o Resultado Com Mercadoria basta encerrar o saldo das contas Receita de Venda e CMV com a conta RCM. Vale ressaltar que o Inventário Periódico por Contas Desdobradas é pouco utilizado. O método mais utilizado é o das Contas Mistas!

Sites recomendados: - http://www.cfc.org.br/ - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.cvm.gov.br/ - http://www.eac.fea.usp.br/ - http://www.fipecafi.com.br/ - http://www.marion.pro.br/portal/modules/tinycontent/?id=1 - http://www.portaltributario.com.br/ - http://www.receita.fazenda.gov.br/ - http://www.redecontabil.com.br/ - http://www.teses.usp.br/

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2. SISTEMA DE INVENTÁRIO PERMANENTE: PEPS E UEPS E SUA CONTABILIZAÇÃO EM RAZONETES Pudemos notar, com o estudo do tópico anterior, que o sistema de inventário permanente era utilizado principalmente por existir uma necessidade grande de controles periódicos dos estoques. No entanto, com a Revolução Industrial, surgiram as produções em série e em escalas cada vez maiores. Diante deste fato, foram sendo desenvolvidas técnicas para cálculo de custos. Assim, os inventários deixaram de ser periódicos e tornaram-se permanentes, significando que os registros de entradas e saídas de mercadorias passaram a ser evidenciadas a cada nova operação, ou seja, a cada nova entrada e a cada nova saída. Foram três as técnicas que surgiram e foram aperfeiçoadas. Como apontado no material impresso, o inventário periódico difere do sistema de inventário permanente, pois este último consiste em controlar permanentemente os estoques de mercadorias efetuando os respectivos registros a cada compra ou devolução e a cada venda ou devolução. Assim, como os estoques de mercadorias são mantidos atualizados, freqüentemente as organizações podem apurar o resultado da conta Estoque de Mercadorias no momento necessário.

Vale destacar que na aplicação deste sistema pode ser realizado um controle contínuo de entradas e saídas de mercadorias do estoque. As operações de entradas e saídas são controladas com o auxílio de Fichas de Estoque, as quais possuem quatros colunas (dentre elas a data) e três destas colunas são subdivididas em mais nove colunas, assim dispostas: entrada (quantidade, valor unitário e total); e saída (quantidade, valor unitário e total). Este método possui a vantagem de estar sempre atualizado em relação ao saldo do estoque. Para utilização do sistema de inventário permanente podemos contar com três critérios diferentes. Para vocês, quais são?

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Os critérios para avaliação possuem a seguinte denominação: • PEPS ou FIFO • UEPS ou LIFO Média Ponderada Móvel

Para um aproveitamento maior, trabalharemos os três critérios separadamente, sendo que, neste tópico, vamos conhecer os dois primeiros critérios de avaliação de estoque, o PEPS, ou FIFO, e o UEPS, ou LIFO, com suas respectivas contabilizações. O critério da Média Ponderada será visto no próximo item. PEPS ou FIFO A sigla PEPS significa Primeiro que Entra, Primeiro que Sai. Também é conhecida por FIFO, iniciais da frase em inglês First In, First Out. Este sistema utiliza a seguinte técnica para dar baixa nos estoques: são baixadas, do estoque de mercadorias, nos casos de vendas, a mercadorias que foram compradas primeiro, ou seja, vendem-se ou consomem-se antes as primeiras mercadorias adquiridas. Vamos ver como isto funciona na prática? 1ª Situação: considerando as movimentações do mês de agosto de X1 da empresa Boas Vendas, vamos elaborar a Ficha de Estoque pelo método do PEPS e em seguida contabilizar os fatos. Seguem as movimentações:

DATA 01/08/X1 04/08/X1 09/08/X1 15/08/X1

FATOS Saldo inicial de 10 unidades ao custo unitário de R$ 50,00 Compra, a prazo, de 15 unidades, ao custo unitário de R$ 60,00 Compra, a prazo, de 05 unidades, ao custo unitário de R$ 70,00 Venda, à vista, de 28 unidades pelo preço de venda unitária de R$ 100,00

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Para elaboração da Ficha de Estoque, pelo critério PEPS, devemos observar: • • • • • • Inserir o saldo inicial (quando houver); A ordem cronológica (as data em que primeiro ocorreram os eventos); Iniciar os lançamentos de forma individualizada, ou seja, a quantidade de produtos e seus respectivos preços devem ser mantidos separadamente; Na ocorrência de novas movimentações o saldo anterior deve ser resgatado (quando necessário ajustado); Na venda de mercadoria devemos retirar dos estoques as primeiras mercadorias que entraram (somente no critério PEPS); Depois de concluídos todos os registros, finaliza-se o preenchimento da ficha através da soma.

Depois destes primeiros passos, vamos à elaboração da ficha?

FICHA DE ESTOQUE Entradas Saídas Valor Valor Quant. unitário Total Quant. unitário Total

PEPS Saldos Valor Quant. unitário Total 10 50 500 10 50 500 15 60 900 10 50 500 15 60 900 05 70 350

Data 01/08/X1 04/08/X1

15

60

900

09/08/X1

5

70

350 10 15 03 28 50 60 70 500 900 210 1.610

15/08/X1 SOMA

20

1250

2 2

70

140 140

Observem que na venda dos 28 itens de mercadorias utilizamos inicialmente as 10 unidades do saldo, depois as 15 unidades da segunda compra, do dia 04/08/X1, e, por último (para completar o total de 28 unidades vendidas), os 03 itens do estoque, referentes à aquisição do dia 09/08/X1, com valor unitário de R$ 70,00. Neste critério, a Primeira mercadoria que Entrou foi a que Primeiro Saiu, pois refere-se ao método PEPS!

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Atenção! Existem situações em que podem ocorrer devoluções, tanto de compra como de venda de mercadorias. As devoluções referentes às vendas recebidas dos clientes serão escrituradas negativamente entre parênteses na coluna das saídas, o valor das devoluções recebidas deverá ser o valor do custo da respectiva saída do estoque. As devoluções de compras efetuadas aos fornecedores serão escrituradas negativamente entre parênteses na coluna das entradas, o valor das devoluções efetuadas deverá ser o valor do custo da respectiva entrada no estoque. Desta forma, a soma das colunas entradas e saídas do controle de estoque representará o valor das compras e vendas.

Agora vamos contabilizar em razonetes estas operações?

FATOS Saldo inicial de 10 unidades ao custo unitário de R$ 50,00 Compra, a prazo, de 15 unidades ao custo unitário de R$ 60,00 Compra, a prazo, de 05 unidades ao custo unitário de R$ 70,00 Venda, à vista, de 28 unidades pelo preço de venda unitário de R$ 100,00

LANÇAMENTOS S a) b) c)

Ativo Circulante Estoque de Mercadorias S 500,00 1.610,00 a) 900,00 b) 350,00 S 80,00

c)

Passivo Circulante Fornecedores 900,00 2500,00

a) b)

c)

Conta de Resultado Custo da Mercadoria Vendida 1.610,00

c)

Ativo Circulante Caixa 2.800,00

Conta de Resultado Receita de Vendas 2.800,00

c)

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Para iniciarmos o próximo assunto a ser estudado, vamos começar apurando o Resultado Com Mercadorias (RCM)?

Sabemos que todo o desenvolvimento empresarial depende do bom empenho da atividade mercantil. Por este motivo, faz-se necessária uma apuração periódica do Resultado Com Mercadorias (RCM). Para melhor compreender o RCM devemos saber que as Vendas representam o total faturado contra o cliente, independente da forma de pagamento, à vista ou a prazo. O Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) é o valor de custo da mercadoria para a empresa. Na apuração do Resultado Com Mercadorias deveremos confrontar todos os fatos que afetam as compras e vendas, já referenciados em conteúdos anteriores a este módulo (na disciplina Introdução à Contabilidade), e demonstrá-los, discriminadamente, na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), a qual estudaremos nos próximos tópicos. Resultado com Mercadorias ou Resultado Bruto com Mercadorias é a diferença total entre as receitas obtidas pelas vendas de mercadorias, as deduções destas vendas e o custo destas mercadorias que estão sendo vendidas. Desta forma, o RCM é assim encontrado: RCM = V - CMV

Em que RCM = Resultado Com Mercadorias V = Vendas (ou receita de vendas) CMV = Custo das Mercadorias Vendidas Agora, que já sabemos um pouco sobre o RCM, que tal encontrarmos o seu valor neste exemplo prático trabalhado? Vamos lá! Na contabilização dos fatos da 1ª Situação encontramos os seguintes valores: Vendas = R$ 2.800,00 CMV = R$ 1.610,00 RCM = ?

34 | CIÊNCIAS CONTÁBEIS

Já sabemos que o RCM pode ser encontrado através da fórmula

RCM = V - CMV

Então teremos: RCM = V – CMV RCM = R$ 2.800,00 - R$ 1.610,00 RCM = R$ 1.190,00 Vejamos a sua contabilização: Conta de Resultado Custo da Mercadoria Vendida 1.610,00 1.610,00 Conta de Resultado Receita de Vendas 2.800,00 2.800,00

S

a)

b)

S

a)

Conta Transitória Resultado Com Mercadorias 1.610,00 2.800,00 1.190,00

b)

Só para fixar: Na apuração do Resultado Com Mercadorias deveremos confrontar todos os fatos que afetam as compras e vendas, ou seja, a diferença total entre as receitas obtidas pelas vendas de mercadorias, as deduções destas vendas e o custo destas mercadorias que estão sendo vendidas. Neste exemplo, o RCM foi encontrado confrontando o valor da receita de Vendas com o Custo da Mercadoria Vendida! UEPS ou LIFO A expressão UEPS significa Último que Entra, Primeiro que Sai, e é também conhecida por LIFO, iniciais da frase inglesa Last In, First Out. Neste critério de controle de estoque a organização vai dando baixa nas mercadorias do estoque a partir das últimas compras, ou seja: vendem-se ou consomem-se, primeiramente, as últimas mercadorias compradas. Que tal vermos esta escrituração na prática? Para que possamos estabelecer uma base de comparação e análise usaremos os mesmos fatos da 1ª Situação, ok?

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2ª Situação: verificando as movimentações do mês de agosto de X1 da empresa Boas Vendas, vamos elaborar a Ficha de Estoque pelo método do UEPS e, em seguida, contabilizar os fatos. Seguem as movimentações: DATA 01/08/X1 04/08/X1 09/08/X1 15/08/X1 FATOS Saldo inicial de 10 unidades ao custo unitário de R$ 50,00 Compra, a prazo, de 15 unidades, ao custo unitário de R$ 60,00 Compra, a prazo, de 05 unidades, ao custo unitário de R$ 70,00 Venda, à vista, de 28 unidades pelo preço de venda unitária de R$ 100,00

Na execução do preenchimento da Ficha de Estoque, pelo critério UEPS, devemos seguir os passos indicados abaixo: • • • • • • Inserir o saldo inicial (quando houver); A ordem cronológica (as datas em que primeiro ocorreram os eventos); Iniciar os lançamentos de forma individualizada, ou seja, a quantidade de produtos e seus respectivos preços devem ser mantidos separadamente; Na ocorrência de novas movimentações o saldo anterior deve ser resgatado (quando necessário ajustado); Na venda de mercadoria devemos retirar dos estoques as últimas mercadorias que entraram (somente no critério UEPS); Depois de concluídos todos os registros, finaliza-se o preenchimento da ficha através da soma.

Vamos agora dar os primeiros passos na Ficha de Estoque para saber se compreendemos realmente o método UEPS?

36 | CIÊNCIAS CONTÁBEIS

FICHA DE ESTOQUE UEPS Entradas Saídas Saldos Valor Valor Valor Data Quant. unitário Total Quant. unitário Total Quant. unitário Total 01/08/X1 10 50 500 10 50 500 04/08/X1 15 60 900 15 60 900 10 50 500 15 60 900 05 70 350 09/08/X1 5 70 350 05 70 350 15 60 900 15/08/X1 08 50 400 2 50 100 SOMA 20 1250 28 1.650 2 100

Na elaboração desta segunda Ficha de Estoque podemos notar que na venda dos 28 itens de mercadorias utilizamos inicialmente as 05 unidades compradas por último, referentes à aquisição do dia 09/08/X1, no valor unitário de R$ 70,00; em seguida as 15 unidades da mercadoria compradas em 04/08/X1, pelo preço unitário de R$ 60,00; e, por fim, foi dado baixa em 08 itens constantes no saldo (para completar o total de 28 unidades vendidas), custando cada elemento R$ 50,00. Neste critério, a Última mercadoria que Entrou foi a que Primeiro Saiu, pois refere-se ao critério UEPS! Atenção! Assim como no método anterior, podem ocorrer situações em que existam devoluções de compra e/ou de venda de mercadorias dos estoques. As devoluções referentes às vendas recebidas dos clientes serão escrituradas negativamente entre parênteses na coluna das saídas, o valor das devoluções recebidas deverá ser o valor do custo da respectiva saída do estoque. As devoluções de compras efetuadas aos fornecedores serão escrituradas negativamente entre parênteses na coluna das entradas, o valor das devoluções efetuadas deverá ser o valor do custo da respectiva entrada no estoque. Desta forma, a soma das colunas entradas e saídas do controle de estoque representará o valor das compras e vendas.

Com a Ficha de Estoque devidamente preenchida, que tal nos divertirmos um pouco com a contabilização dos fatos em conta “T”?

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FATOS Saldo inicial de 10 unidades ao custo unitário de R$ 50,00 Compra, a prazo, de 15 unidades ao custo unitário de R$ 60,00 Compra, a prazo, de 05 unidades ao custo unitário de R$ 70,00 Venda, à vista, de 28 unidades pelo preço de venda unitário de R$ 100,00

LANÇAMENTOS S a) b) c)

Ativo Circulante Estoque de Mercadorias S 500,00 1.650,00 a) 900,00 b) 350,00 S 100,00

c)

Passivo Circulante Fornecedores 900,00 350,00

a) b)

c)

Conta de Resultado Custo da Mercadoria Vendida 1.650,00

c)

Ativo Circulante Caixa 2.800,00

Conta de Resultado Receita de Vendas 2.800,00 c) Depois da contabilização das compras e vendas de mercadorias, com suas respectivas entradas e saídas dos estoques, vamos apurar o RCM? Já sabemos que o RCM pode ser encontrado através da fórmula RCM = V - CMV Em que RCM = Resultado Com Mercadorias V = Vendas (ou receita de vendas) CMV = Custo das Mercadorias Vendidas Na contabilização dos fatos da 2ª Situação encontramos os seguintes valores: Vendas = R$ 2.800,00 CMV = R$ 1.650,00 RCM = ? RCM = R$ 1.150,00

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Vejamos a sua contabilização: Conta de Resultado Custo da Mercadoria Vendida 1.650,00 1.650,00 Conta de Resultado Receita de Vendas b) 2.800,00 2.800,00

S

a)

S

a)

Conta Transitória Resultado Com Mercadorias 1.650,00 2.800,00 1.150,00

b)

Atenção! A utilização do critério de avaliação de estoque do sistema de inventário permanente UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai) não é permitida pela legislação do Imposto de Renda!

PEPS x UEPS Depois de conhecer e praticar os dois critérios de avaliação de estoques do sistema de inventário permanente, PEPS e UEPS, vamos analisá-los? Analisando os dois métodos e as suas respectivas Fichas de Estoque podemos chegar às seguintes considerações:

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PEPS Primeiro que Entra, Primeiro que Sai Na venda de mercadoria devemos retirar dos estoques as primeiras mercadorias que entraram Permitida pelo Imposto de Renda Utilização do custo do lote mais antigo no momento da venda da mercadoria Desvantagem: existe a necessidade de controlar vários lotes para sabermos o custo do mais antigo; na prática, muitas vezes isto pode dificultar

UEPS Último que Entra, Primeiro que Sai Na venda de mercadoria devemos retirar dos estoques as últimas mercadorias que entraram

Não é permitida pelo Imposto de Renda Utilização do custo do lote mais novo no momento da venda da mercadoria Desvantagem: não se acaba de usar todo um lote, abandona-se este e começa-se a usar o último, mais recente, existindo, assim, diversos controles de lotes com saldos no qual se usa parcialmente Desvantagem: a tendência é de que as Desvantagem: a tendência é de que as últimas primeiras compras possuam um custo compras possuam um custo mais alto mais baixo e o valor das compras aumentem com o tempo Seguindo esta tendência, provocará um Seguindo esta tendência, gerará um custo estoque com valor mais alto, um custo normalmente maior, conseqüentemente os mais baixo e um lucro maior, fazendo com estoques e o lucro serão menores, fazendo que a empresa pague mais impostos com que a empresa pague menos impostos Agora que você já tem o conhecimento sobre os critérios PEPS e UEPS, vamos entender um pouco sobre a Média Ponderada e sua contabilização.

Sites recomendados: - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.cvm.gov.br/ - http://www.eac.fea.usp.br/eac/revista/ - http://www.fipecafi.com.br/ - http://www.marion.pro.br/portal/modules/tinycontent/?id=1 - http://www.portaldeauditoria.com.br/ - http://www.portaltributario.com.br/ - http://www4.usp.br/index.php/home

40 | CIÊNCIAS CONTÁBEIS

3. SISTEMA DE INVENTÁRIO PERMANENTE: MÉDIA PONDERADA E SUA CONTABILIZAÇÃO EM RAZONETE A Média Ponderada Móvel (MPM) é o terceiro critério de avaliação de estoque do sistema de inventário permanente. Geralmente esta é a técnica mais usada, pois o custo médio será sempre a divisão do saldo financeiro pelo saldo físico. O custo da MPM nos dá um custo mediano, um lucro mediano e um estoque mediano. Neste critério, o valor médio de cada unidade em estoque altera-se pelas compras de outras mercadorias, se os preços forem diferentes. A utilização deste critério evita o controle de custos por lotes de compras, como nos métodos anteriores, no entanto obriga a maior número de cálculos, dando como custo de aquisição um valor médio ponderado das compras. Uma vantagem da utilização da Média é que os métodos anteriores possuem uma relativa complexidade de controle, sendo agrupados os seus valores por lotes de mercadorias compradas e vendidas, conforme as suas respectivas datas de entradas e saídas. Já pela aplicação do critério da Média Ponderada, a avaliação do estoque é por um custo médio, apurado dividindo-se o custo total do estoque pelas unidades nele existentes, não exigindo um controle diferenciado por lotes de movimentações. Vamos ver como isto funciona na prática?

Este exemplo será chamado de 3ª Situação, pois, por finalidade didática e para fins de comparação, usaremos os mesmos fatos contábeis aplicados nos outros critérios (PEPS e UEPS). 3ª Situação: considerando as movimentações do mês de agosto de X1 da empresa Boas Vendas, vamos preencher a Ficha de Estoque pelo método da Média Ponderada e, em seguida, contabilizar os fatos. Seguem as movimentações: DATA 01/08/X1 04/08/X1 09/08/X1 15/08/X1 FATOS Saldo inicial de 10 unidades ao custo unitário de R$ 50,00 Compra, a prazo, de 15 unidades, ao custo unitário de R$ 60,00 Compra, a prazo, de 05 unidades, ao custo unitário de R$ 70,00 Venda, à vista, de 28 unidades pelo preço de venda unitária de R$ 100,00

Para elaboração da Ficha de Estoque, pelo critério da Média, devemos: • • • Inserir o saldo inicial (quando houver); A ordem cronológica (as datas em que primeiro ocorreram os eventos); Na ocorrência de novas movimentações o saldo anterior serve de base para encontrar o novo saldo;

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• •

A coluna destinada ao saldo indicará sempre as quantidades em estoque com seus respectivos valores médios, isto é, atualizados sempre em função das últimas compras; Em novas operações somam-se os custos anteriores com os da aquisição atual e divide-se o total pela quantidade de unidades, obtendo-se, assim, o custo médio; Na venda de mercadoria devemos utilizar como valor unitário de venda o valor constante na coluna do saldo, o valor unitário, pois o mesmo já foi encontrado pela média; Depois de concluídos todos os registros, finaliza-se o preenchimento da ficha através da soma.

Depois destes primeiros passos, vamos à elaboração da Ficha de Estoque pela Média Ponderada Móvel? FICHA DE ESTOQUE Entradas Valor Quant. unitário Data 01/08/X1 04/08/X1 15 60,00 09/08/X1 5 70,00 15/08/X1 SOMA 20 MÉDIA PONDERÁDA Saídas Saldos Valor Valor Total Quant. unitário Total Quant. unitário Total 10 50,00 500,00 900,00 25 56,00 1400,00 350,00 30 58,33 1750,00 28 58,33 1633,33 2 58,33 116,67 1250,00 28 1.633,33 2 116,67

Que tal analisarmos nesse item operação por operação e de que forma foi escriturada na Ficha de Estoque da Média Ponderada? Então vamos lá! 1º escrituração: inserção do saldo inicial de 10 unidades ao custo unitário de R$ 50,00, totalizando o valor de R$ 500,00 na coluna de “Saldos”; 2º escrituração: aquisição de 15 unidades ao custo unitário de R$ 60,00, totalizando um desembolso de R$ 900,00. 3º escrituração: sabemos que no nosso estoque já existia saldo de 10 unidades e, com a compra de mais 15 itens, passaremos a ter um total de 25 unidades. O custo do primeiro lote, o do saldo inicial, foi de R$ 500,00; com a nova aquisição desembolsamos mais R$ 900,00; assim, tivemos um desembolso total de R$ 1.400,00. Para acharmos o valor médio ponderado do valor unitário da mercadoria basta dividir o valor total desembolsado pela quantidade de mercadorias, ficando assim: R$ 1.400,00 ÷ 25 = R$ 56,00. 4º escrituração: no dia 09/08/X1 foi realizada uma compra, a prazo, de 05 unidades ao custo unitário de R$ 70,00. Observem que já temos um novo saldo registrado. Para encontrar a nova média ponderada iremos realizar os mesmos passos da 3º escrituração. Vejamos: considerando os novos valores das colunas de saldos, em que temos 25 unidades a um custo 42 | CIÊNCIAS CONTÁBEIS

unitário de R$ 56,00 e um preço total de R$ 1.400,00; porém, com a nova compra de 05 itens a um custo unitário de R$ 70,00, totalizando um pagamento de R$ 350,00, para acharmos o valor médio ponderado do valor unitário da mercadoria basta dividir o valor total desembolsado até o momento pela quantidade de mercadorias, ficando assim: R$ 1.750,00 ÷ 30 = R$ 58,33. 5º escrituração: no dia 15/08/X1 ocorreu uma venda, à vista, de 28 unidades pelo preço de venda unitária de R$ 100,00. Para a escrituração na Ficha de Estoque não precisamos do preço de venda unitário, pois damos baixa nas mercadorias pelo seu custo. Esta informação será usada nos lançamentos contábeis e para apuração do RCM. Até o momento da nossa análise temos, na coluna do saldo, 30 mercadorias a um custo unitário de R$ 58,33, totalizando um valor de R$ 1.750,00, não é? Pois bem, se vou realizar uma venda de 28 itens, quanto será o custo unitário de cada para que eu realize baixa do estoque? Para isto basta vocês verificarem, na coluna do saldo, o custo unitário, pois nas outras operações vocês já tinham encontrado e escriturado o valor médio ponderado. Desta forma, baixaremos na coluna de saídas: 28 unidades por um custo unitário de R$ 58,33, totalizando R$ 1.633,33. Para finalizar esta operação não se esqueça de ajustar a coluna do saldo, retirando 28 unidades das 30 existentes (ficando apenas 02 unidades), bem como o seu saldo final total, equivalente a R$ 116,67 (referente a R$ 1.750,00 - R$ 1.633,33). Desta forma podemos concluir que, na venda dos 28 itens de mercadorias, utilizamos o valor unitário de R$ 58,33, pois ele representa a média ponderada do preço da mercadoria constante no estoque inicial, bem como as mercadorias que foram adquiridas em datas distintas e com preços diferenciados. Atenção! Existem situações em que podem ocorrer devoluções, tanto de compra como de venda de mercadorias. As devoluções referentes às vendas recebidas dos clientes serão escrituradas negativamente entre parênteses na coluna das saídas, o valor das devoluções recebidas deverá ser o valor do custo da respectiva saída do estoque. As devoluções de compras efetuadas aos fornecedores serão escrituradas negativamente entre parênteses na coluna das entradas, o valor das devoluções efetuadas deverá ser o valor do custo da respectiva entrada no estoque. Desta forma, a soma da coluna entradas e saídas do controle de estoque representará o valor das compras e vendas.

Agora vamos contabilizar em razonetes estas operações?

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FATOS Saldo inicial de 10 unidades ao custo unitário de R$ 50,00 Compra, a prazo, de 15 unidades ao custo unitário de R$ 60,00 Compra, a prazo, de 05 unidades ao custo unitário de R$ 70,00 Venda, à vista, de 28 unidades pelo preço de venda unitário de R$ 100,00

LANÇAMENTOS S a) b) c)

Ativo Circulante Estoque de Mercadorias S 500,00 1.633,33 a) 900,00 b) 350,00 S 116,67

c)

Passivo Circulante Fornecedores 900,00 2500,00

a) b)

c)

Conta de Resultado Custo da Mercadoria Vendida 1.633,33 Conta de Resultado Receita de Vendas 2.800,00

c)

Ativo Circulante Caixa 2.800,00

c)

E qual o valor do Resultado Com Mercadorias (RCM)?

Sabemos que o RCM é assim encontrado:

RCM = V - CMV

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Em que RCM = Resultado Com Mercadorias V = Vendas (ou receita de vendas) CMV = Custo das Mercadorias Vendidas Na contabilização dos fatos da 3ª Situação encontramos os seguintes valores: Vendas = R$ 2.800,00 CMV = R$ 1.633,33 RCM = R$ 1.166,67 Vejamos a sua contabilização: Conta de Resultado Custo da Mercadoria Vendida 1.633,33 1.633,33 Conta de Resultado Receita de Vendas b) 2.800,00 2.800,00

S

a)

S

a)

Conta Transitória Resultado Com Mercadorias 1.633,33 2.800,00 1.167,67

b)

Agora eu gostaria de saber de vocês: qual dos critérios deve ser utilizado?

Já conhecemos os três critérios, então vamos confrontá-los para tirarmos as nossas conclusões? Comparando o PEPS, o UEPS e a MÉDIA, pelo exemplo trabalhado, e considerando as entradas e as saídas, os resultados obtidos são:

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CRITÉRIOS PEPS UEPS MÉDIA

VENDA R$ 2.800,00 R$ 2.800,00 R$ 2.800,00

CMV R$ 1.610,00 R$ 1.650,00 R$ 1.633,33

RCM R$ 1.190,00 R$ 1.150,00 R$ 1.167,67

ESTOQUE FINAL R$ 140,00 R$ 100,00 R$ 116,67

Podemos ver nitidamente que temos a mesma quantidade de estoque, porém os resultados obtidos foram diferentes, em conseqüência dos critérios de atribuição de custos utilizados, apesar de todos se basearem no mesmo custo de aquisição. O PEPS possui um custo menor em virtude das compras realizadas no período, pois compramos por preços diferentes e crescentes, e, no momento da baixa, retiramos dos estoques as primeiras compras, ou seja, um estoque final com valor mais alto, um custo mais baixo e um resultado (RCM) maior. Na análise do UEPS constatamos um custo menor em virtude da compras realizadas no período, pois compramos por preços diferentes e crescentes, e, no momento da baixa, retiramos dos estoques as últimas compras, ou seja, as compras com valores mais altos, resultando em um estoque final com um custo maior. Conseqüentemente os estoques e o resultado (RCM) serão menores. No caso da Média Ponderada os valores são intermediários entre o PEPS e o UEPS. Nestas situações, para evitar distorções, o mais recomendável dos três critérios é o Custo Médio, pois é o que espelha maior realidade nos Custos, no resultado e no Estoque Final.

Atenção! Voltamos a informar que a utilização do critério de avaliação de estoque do sistema de inventário permanente UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai) não é permitida pela legislação do Imposto de Renda.

Sites recomendados: - http://www.anefac.com.br/ - http://www.cfc.org.br/ - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.fipecafi.com.br/ - http://www.marion.pro.br/portal/modules/tinycontent/?id=1 - http://www.portaltributario.com.br/ - http://www.prossiga.br/nuca-ie-ufrj/economia/ - http://www.teses.usp.br/

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4. ANTECIPAÇÃO DE RECEBIMENTOS COM DESCONTO DE DUPLICATAS As transações de desconto de duplicatas têm por objetivo a captação de recursos por meio da antecipação no recebimento de títulos decorrentes de vendas de mercadorias, produtos ou serviços a prazo. Nas operações de desconto de duplicatas a entidade transfere o direito de recebimento dos títulos para a instituição financeira, mas, caso o cliente não cumpra com o compromisso de liquidar a duplicata, a empresa é que se responsabiliza por tal procedimento perante a instituição.

Nesse tipo de operação a empresa endossante é responsável, coobrigada pela liquidação de tais títulos descontados. Esta transação é similar a uma operação de empréstimo de curto prazo, utilizado para cobrir insuficiência de recursos no caixa da empresa. Diz-se que funciona como um empréstimo de curto prazo, porque a empresa, ao negociar com o banco, entrega as duplicatas como garantia do empréstimo. No verso do título (duplicata) a empresa faz o endosso ao banco, transferindo o direito de recebimento da duplicata para o banco. A responsabilidade só desaparece após o pagamento efetuado pelo devedor. Por este motivo, quando da antecipação do valor do título, não poderemos efetuar a baixa do mesmo na conta do Ativo “Clientes”, pois o título ainda não foi liquidado, apenas houve uma antecipação que não foi feita por este cliente. Sendo assim, a baixa do titulo será efetivada em uma conta retificadora deste direito: “Duplicatas Descontadas”.

E então, vamos ver como esta operação pode ser contabilizada em razonetes?

1ª Situação: a empresa Vende Muito descontou em 01/04/X1, junto ao Banco País Legal, uma duplicata no valor de R$ 40.000,00 cujo vencimento ocorrerá em 30/04/X1. O banco
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descontou antecipadamente despesas financeiras (juros) de R$ 5.000,00 e comissões bancárias pela contratação do serviço de R$ 1.000,00. Creditou na C/C Bancária o valor líquido de R$ 34.000,00. A duplicata foi integralmente quitada na data do vencimento. Para realizar estes lançamentos, vamos realizar dois blocos de operações: Pela negociação com o banco Pela liquidação do título Pela negociação com o banco Não está ocorrendo a liquidação da duplicata, por isso o valor nominal do título deverá ser contabilizado na conta retificadora da conta clientes (Duplicatas Descontadas). Ativo Duplicatas Descontadas 40.000,00 Conta de Resultado Despesa Financeira Juros Passivos 5.000,00 Ativo Banco Conta Movimento 34.000,00 Conta de Resultado Despesa Financeira Comissões Bancárias 1.000,00

a)

a)

a)

a)

Pela liquidação do título Quando ocorrer o efetivo pagamento, o Banco encaminha um aviso de recebimento e, então, a empresa procede com a baixa do direito. Vamos ver a contabilização? Ativo Duplicatas a Receber 40.000,00 40.000,00 Ativo Duplicatas Descontadas 40.000,00 40.000,00 S

S

b)

b)

Vocês perceberam como a contabilização da antecipação de recebimentos com desconto de duplicatas é simples?

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Pois é, estamos encerrando o 1º Bloco e espero que vocês tenham aproveitado ao máximo as informações deste material! Agora vamos testar esses conhecimentos adquiridos brincando um pouco? A brincadeira é simples, vocês vão preencher as lacunas com as palavras corretas e encontrá-las no caça-palavras, ok? Então, vamos começar?

Sites Recomendados: - http://www.anefac.com.br/ - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.cvm.gov.br/ - http://www.fipecafi.com.br/ - http://www.marion.pro.br/portal/modules/tinycontent/?id=1 - http://www.portaltributario.com.br/ - http://www.prossiga.br/nuca-ie-ufrj/economia/ - http://www.redecontabil.com.br/ - http://www.teses.usp.br/

PERGUNTAS

1 - As ________ são entidades jurídicas que têm como fator preponderante o patrimônio e são acompanhadas e controladas pelo Ministério Público. 2 - Constituem-se as ________ pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos. 3 - No registro das operações mercantis poderão ser utilizados dois tipos de métodos, o da conta ________ ou o da conta ________, e dois tipos de sistemas, o sistema de inventário ________ e o sistema de inventário ________. 4 - O ________ é um imposto de competência dos Municípios e tem como fato gerador a prestação de serviços. 5 - A _______ __ _______ é o valor sobre o qual é aplicada a alíquota (percentual) para apurar o valor do tributo a ser pago, ou seja, o valor sobre o qual incide a tributação é a base de cálculo. 6 - As empresas ________ são aquelas que por qualquer operação modifiquem a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto ou o aperfeiçoe para consumo.

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7 - Existem três critérios de avaliação de estoque utilizados pelo Sistema de Inventário Permanente. São eles: ________, ________ e ________ ________. 8 - As transações de desconto de ________ têm por objetivo a captação de recursos por meio da antecipação no recebimento de títulos decorrentes de vendas de mercadorias, produtos ou serviços a prazo.

C A G H S I A I R T S U D N I D L B X A S H K L M E M O T Y P U E D S

T U O Q A X I A C E D S E T N E R R D C S E T N E L E V I U E E C U T

S H O Q A B D F T A D S P R E W I T U O O B V N C E D R Y A R U W Q V

P I C T O F U N D A Ç O E S R I S O P S T L A Z X M I I K S S U Y T E

E S O X A N G V R E E W R R E C C V L I N P U J J E O H N S H B I S S

U T F R E S W E E R Y H I F D M O I I A E T N C R R O C O O S U C G E

D E I D E D I A T X D I O E I S O S C C A J U H L C I P I C A T O H E

D R N V G T Z L N K M T D B Q H G S A O V D N M H A I G T I I O T E A

D P E P S I S T E D G B I M I T E A T E D C I B U S C E N A D R A D A

A V V A L O R E N D E S C I D A S P A C P S O U T B V E E Ç A S T R G

I J V A L S A D A R T N O E D S E R S L T V P O Q N E R D O L T S U C

R F E B P L J I M E D I A P O N D E R A D A R I P I M L B E F W R T G

F R M E N S U R R C A O D O S A T I V O S I S E R O L A V S S R D U F

A D A R B O D S E D S D E L I Q U I D A C A 0 X A C V F D R T A N O T

E R T F V G B N P J U I P L O T R F E O S C V A S E R T R V A L B V G

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Bloco Temático 02

APURAÇÃO E DESTINAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
Olá, queridos (as) alunos (as)! Iremos, a partir de agora, galgar mais degraus em direção à construção de novos conhecimentos e, assim, ascender profissionalmente no sentido de tornar um (a) contador (a) pró-ativo (a)! Deste modo, buscaremos aprender e compreender a Contabilidade como um fator de fundamental importância para as organizações, que procuram contadores (as) capazes de decifrar o cenário que se apresenta e nortear o rumo das organizações em que trabalham.

TEMA 03 - DESPESAS, RECEITAS E APURAÇÃO DE RESULTADOS
Como já sabemos, tanto as receitas quanto as despesas participam das operações organizacionais e, portanto, conferem o resultado econômico, o lucro ou os prejuízos. Abordaremos, neste bloco, as características que estabelecem relação com o resultado pelas despesas e receitas, pela apuração do resultado, pela demonstração do resultado do exercício, bem como pela demonstração de lucros ou prejuízos. Entendemos que o conhecimento da apuração do resultado é de fundamental importância para as organizações, pois todas elas dependem do resultado para tomadas de decisão de forma segura e confiável. Assim sendo, trataremos de peças contábeis que permitirão auxiliar a gerência no que se refere à tomada de decisão gerencial. Vejamos o quanto será empolgante aprender sobre como apurar o resultado da organização. Então daremos início agora a essa interessante experiência! 1. DESPESAS E RECEITAS A VENCER

Conforme já visto anteriormente, as despesas representam todos os bens ou serviços consumidos de forma direta ou indireta com o objetivo de se obter receita. As despesas reduzem o Patrimônio Líquido e ainda possuem a característica de representar um sacrifício financeiro no processo de obtenção de receitas. Despesas a Vencer ou Antecipadas

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Despesas Antecipadas compreendem as aplicações em gastos que venham a ter realização no curso do período subseqüente à data do balanço patrimonial.

Como fazer a apropriação? Quando da elaboração de balancete e de balanços patrimoniais deverão ser feitos os lançamentos de apropriação das despesas relativas ao mês que terminou, que serão registradas proporcionalmente ao prazo total dos contratos. Seguros: a apropriação é feita linearmente, mas a mesma deve ser efetuada no mesmo método de apropriação utilizado pela seguradora. Juros: a apropriação deve ser feita do mesmo modo que foi feito pela instituição que concedeu o empréstimo ou financiamento. Materiais em Estoque: os custos com os materiais de escritório devem ser apropriados quando da sua utilização ou mensalmente, após ser feito o inventário das quantidades existentes. O saldo das contas deve ser conciliado mensalmente no levantamento dos balancetes e balanços ou até mesmo em períodos menores. Todos os arquivos referentes às conciliações devem ser guardados para possível conferência posterior, devendo ser feita confrontando com documentos contábeis. Se forem apuradas diferenças, estas deverão ser apuradas e regularizadas fazendo-se o lançamento de acerto dos saldos. Inventário: Mensalmente, na elaboração dos balanços patrimoniais, os inventários relativos ao material de estoque devem ser efetuados, com a lavração de termo de apuração devidamente assinado por seus responsáveis, sendo que os valores constantes do termo de apuração devem ser comparados com a escrituração contábil. Em caso de possíveis diferenças entre os valores inventariados e os contabilizados, deverão ser apuradas as causas dessas diferenças e a regularização dos acertos. A avaliação pode ser feita pelo sistema PEPS (Primeiro a Entrar é o Primeiro a Sair) ou pelo Custo Médio. A avaliação também poderá levar em conta o preço de reposição (preço atual). Como os estoques de materiais de consumo são de uso exclusivo da entidade, normalmente não têm valor comercial, podendo, desta maneira, ser constituída provisão para trazê-los ao preço de venda como sucata. As despesas antecipadas, conforme a Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76), serão classificadas no Ativo Circulante. Todavia, tais despesas não possuem muita representatividade 52 | CIÊNCIAS CONTÁBEIS

em relação a outros ativos. Deste modo, no Balanço, elas são apresentadas pelo seu valor absoluto. Segundo a Lei das Sociedades por Ações, tais ativos contemplam os pagamentos que a companhia efetua de forma antecipada e cujos benefícios serão, na realidade, auferidos no exercício social seguinte. Como exemplo temos as despesas com seguros, bilhetes de passagens comprados e ainda não utilizados, assinaturas de revistas e periódicos, aluguéis pagos antecipadamente, despesas com descontos de duplicatas, IPTU, IPVA, comissões, etc.

Você sabia? As Despesas Antecipadas geralmente não serão recebidas em dinheiro, tampouco contemplam bens físicos. Sua realização será pela apropriação aos resultados.

Classificação das Despesas a Vencer No Ativo Circulante As Despesas a Vencer ou Antecipadas, cujo fato gerador ocorrer no exercício social subseqüente, são classificadas como último item do Ativo Circulante, já que seu grau de liquidez é o maior dentre os ativos que compõem este grupo de despesas. No Realizável a Longo Prazo As Despesas a Vencer ou Antecipadas, cujo fato gerador ultrapassar o exercício social subseqüente, são classificadas, na parte que exceder o exercício social subseqüente, no Realizável a Longo Prazo. Sabemos que o Princípio da Competência diz que as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado no período em que ocorrerem, independente de seu pagamento. Assim, as despesas que forem efetuadas nesse período não devem compor o resultado do exercício, ainda que já tenham sido pagas.

Atenção! Não confundir as Despesas a Vencer ou Antecipadas com despesas classificadas no grupo do Diferido, pois as Despesas Antecipadas não são despesas incorridas, ainda. Por outro lado, as despesas do Diferido já incorridas, pagas ou a pagar são ativadas para serem apropriadas em exercícios futuros devido as suas contribuições para a formação de resultados futuros (FIPECAFI, 2008).

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Exemplificando... A organização ALFA contratou seguro para a sua sede pelo período de doze meses (1º de maio de 2007 a 30 de abril de 2008), no valor $ 12.000. Esta despesa, paga antecipadamente em 10 de maio, irá compor o Ativo Circulante. Assim, temos a contabilização: Na contratação: Como não existe a configuração de despesa ato do pagamento do seguro, deve-se contabilizar na Conta de Prêmio de Seguros a Apropriar, contra a Conta Caixa: D – Prêmio de Seguros a Apropriar (Ativo Circulante) C – Caixa (Ativo Circulante) .................................................................. $ 12.000 Razonete: Seguros a Vencer (Ativo) Débito (1) 12.000,00 Crédito

Caixa (Ativo) Débito Crédito XXXXXXXXX 12.000,00 (1)

O reconhecimento deste gasto em cada mês, relativo ao período da vigência do contrato (doze meses), será igual a $ 1.000. D – Despesas de Seguros C – Prêmios de Seguros a Apropriar (Ativo Circulante) ......................... $ 1.000 Portanto, quando do encerramento do exercício a companhia reconhecerá a parcela da despesa de seguros incorrida, dos meses decorridos (de maio a dezembro), no valor de: D – Despesas de Seguros (Resultado do Exercício) C – Seguros a Apropriar (Ativo Circulante) ............................................. $ 8.000

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Razonete: Seguros a Vencer (Ativo) Débito Crédito (1) 12.000,00 8.000,00 (2) Sd = 4.000,00 Despesas de Seguros (Resultado do Exercício) Débito Crédito (2) 8.000,00

Exemplo de Despesas Antecipadas representadas no Plano de Contas:

ATIVO CIRCULANTE DESPESAS A VENCER / ANTECIPADAS Seguros Pagos Antecipadamente Contratação de Seguros à Vista Lançamento em Contas de Compensação Contratação de Seguros a Prazo Pagamento das Parcelas do Seguro Apropriação das Despesas Baixa do Seguro em Contas de Compensação no final do Contrato Seguros Pagos Antecipadamente – Descontos de Duplicatas Desconto da Duplicata Contabilização da Co-Obrigação por Aval Apropriação dos Juros Pagamento da Duplicata Estoque de Material de Expediente Aquisição à Vista Aquisição a Prazo Pagamentos de compra a Prazo Utilização de Materiais de Escritório ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO DESPESAS A VENCER / ANTECIPADAS Prêmios de seguros a apropriar a Longo Prazo Imposto de Renda e Contribuição Social Diferidos

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Atenção! Os adiantamentos a funcionários para despesas não devem ser classificados nesse grupo, pois ainda não representam as despesas formalizadas. Se a companhia pagar comissões e prêmios de vendas de forma antecipada aos seus funcionários, deverão ser contabilizados nesta conta até que ocorra a realização da venda. Você sabia que... As Despesas a Vencer / Antecipadas devem figurar no Balanço pelas importâncias aplicadas deduzidas das apropriações feitas até a data do Balanço, conforme o Princípio da Competência? Receitas a Vencer ou Antecipadas Receita se configura como “o valor monetário, em determinado período, da produção de bens e serviços da entidade, em sentido lato, validado, mediata ou imediatamente, pelo mercado, provocando acréscimo de patrimônio líquido e simultâneo acréscimo de ativo, sem necessariamente provocar, ao mesmo tempo, um decréscimo do ativo e do patrimônio líquido, caracterizado pela despesa” (IUDÍCIBUS, 2004). Em relação às Receitas Antecipadas podemos dizer que são receitas que a companhia recebe de uma obrigação de terceiros, pela venda de um bem ou pela prestação de um serviço. Estes valores recebidos como receitas antecipadas serão classificadas em Resultado de Exercícios Futuros. Assim, registra-se o que foi recebido antecipadamente, diminuído dos custos e despesas correspondentes a serem apropriadas em períodos seguintes e que, de algum modo, sejam restituíveis. Exemplos de rendas que podem ocorrer por antecipação: • • • • Aluguéis; Comissão sobre Fianças; Comissão de Abertura de Crédito; Outras Despesas Operacionais.

Se, porventura, os custos ou despesas excederem as respectivas rendas, deve-se considerar tal excesso no próprio período, mediante adequado registro nas contas de despesas (operacional ou não operacional). Contabilização: - Crédito pelo valor das rendas recebidas. - Débito pela apropriação, como renda efetiva, por fluência do prazo das operações a que se referem.

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Vamos ao exemplo prático:

A companhia GAMA recebeu um aluguel de um imóvel de sua propriedade, em dezembro de 2007, no valor de $ 5.000, relativo ao mês de janeiro de 2008. Sua contabilização: I) Pelo recebimento em dezembro de 2007: A classificação é feita no Resultado de Exercícios Futuros: D – Caixa ou Bancos C – Aluguéis recebidos antecipadamente..............................................$ 5.000 II) Pela apropriação ao resultado do período em janeiro de 2008: A classificação é feita em Outras Receitas Operacionais: D – Aluguéis recebidos antecipadamente C – Receita de Aluguéis........................................................................ $ 5.000

Sites recomendados: - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.cosif.com.br

2. DESPESAS E RECEITAS OPERACIONAIS Despesas Operacionais se configuram por serem despesas pagas pela empresa para a realização de operações que possuam relação direta com o objeto da companhia. São despesas administrativas e de comercialização, indispensáveis à colocação dos produtos no mercado. Estas despesas são dedutíveis perante a legislação do Imposto de Renda. Deste modo, para a apuração do Resultado Operacional, são deduzidas das receitas, além dos custos, as demais despesas, tais como:

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• • • •

Despesas de vendas Despesas gerais e administrativas Despesas financeiras Outras despesas operacionais

As Despesas Operacionais são classificadas em: • • • • Despesas com vendas: valores pagos para a promoção, colocação e distribuição das mercadorias ou produtos, e os riscos assumidos com vendas; Despesas gerais e administrativas: valores pagos ou incorridos para a direção ou gestão da companhia; Despesas financeiras: gastos incorridos pela companhia pelo uso de capitais de terceiros; Outras despesas operacionais: valores necessários ao objetivo primário da companhia, não incluídos nas classificações anteriores.

Exemplos de Despesas com Vendas: • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Propaganda e publicidade; Despesas com a constituição da provisão para créditos de liquidação duvidosa; Despesas com créditos insolventes; Encargos de depreciação de bens utilizados para vendas; Despesas de pessoal de vendas; Encargos sociais do pessoal de vendas; Aluguéis de salas ou lojas de vendas; Material de expediente do setor de vendas; Viagens, estadas e representações dos vendedores; Água, luz, telefone das lojas ou setor de vendas; Comissões sobre vendas; Corretagem sobre vendas; Arrendamento mercantil de bens utilizados para vendas; Despesas de Correios de bens utilizados para vendas; Despesas com copiadora relativas a vendas; Frete sobre mercadoria vendida, quando ocorre por conta do vendedor; Brindes; Embalagens; Devolução de vendas de períodos anteriores; Honorários da diretoria responsável por vendas; Seguros; Outras despesas relativas a vendas.

Exemplos de Despesas Gerais e Administrativas: • • • • Despesas com pessoal; Encargos sociais decorrentes das despesas com pessoal; Alimentação; Gratificações;

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• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

Transporte; Férias; Assistência médica; Energia elétrica; Água; Telefone, telex, fax; Seguros; Serviços de terceiros; Higiene e limpeza; Revistas e publicações; Material de escritório utilizado pelo setor administrativo; Arrendamento mercantil de bens utilizados pela administração; Honorários da diretoria administrativa; Viagens e estadias do pessoal administrativo; Contribuições e doações; Impostos e taxas; Provisões; Encargos com depreciação; Encargos com amortização; Encargos com exaustão; Outras despesas gerais e administrativas.

Exemplos de Despesas Financeiras: • • • • • Descontos de títulos de crédito; Deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito; Variações patrimoniais passivas; Aluguéis; Juros passivos. Atenção! Os juros pagos são dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, conforme as seguintes normas: Os juros pagos de modo antecipado, os descontos de títulos de crédito e os de ágio concedidos na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados pro rata temporis aos períodos de apuração a que competirem; Os juros de empréstimos contraídos para financiamento de compra ou construção de bens do Ativo Permanente, incorridos durante a fase pré-operacional, podem ser registrados no Ativo Diferido, para fins de amortização. Exemplos de Outras Despesas Operacionais: • Resultados negativos em participações societárias; • Ágio de investimento, quando amortizado; • Gratificações de diretores e funcionários previstas no estatuto; • Gratificações a empregados.
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Atenção! A empresa poderá contabilizar e deduzir como custo ou despesa operacional, na data do Balanço, a provisão para pagamento de gratificação a empregados. Todavia, a gratificação a empregados difere da participação de empregados, tendo em vista que esta depende do lucro, enquanto a gratificação depende da política salarial da empresa em termos de incentivo à produtividade.

Curiosidade! DESPESAS NAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS Nas Despesas das Entidades Sem Fins Lucrativos não há preocupação com o custo, tampouco a obtenção de lucro pela diferença entre o custo e a sua recuperação. De igual forma, não há diferença entre o que foi adquirido para imediata aplicação e o que é destinado a consumir futuramente ou mesmo a incorporação ao patrimônio. Considera-se despesa tudo o que é inerente à atividade financeira de pagar. Assim, o aumento do patrimônio dessas entidades ocorre com a aquisição de bens incorporados ao patrimônio, o que, nessas entidades, considera-se despesas (FRANCO, 2006). Receitas Operacionais Sabemos que Receita se configura em um conjunto dos rendimentos de um Estado, de uma entidade ou de uma pessoa destinados a enfrentar gastos necessários. Em sentido geral, constitui a soma dos valores recebidos por uma instituição durante o exercício financeiro do ano. As Receitas Operacionais são decorrentes do exercício das atividades-fim da empresa, relacionadas ao seu objetivo social. Contabilmente, corresponde à receita operacional principal.

Então, podemos dizer que: Na realidade, tanto do ponto de vista técnico-contábil como do tributário temos, em caráter amplo, receita operacional correspondente à totalidade das receitas operacionais, que são compostas da receita bruta operacional, adicionada de eventuais outras receitas operacionais, ou seja, aquelas direta ou indiretamente ligadas aos objetivos sociais. (http://www.asscontcontabilidade.com.br/portal/index.php?option=com_content&task=v iew&id=84&Itemid=31).

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As Receitas Operacionais são classificadas em: • • • Receitas Brutas; Receitas Líquidas; Receitas Financeiras.

Receitas Brutas

Receita operacional bruta é o produto da venda de produtos industrializados de produção da pessoa jurídica, nos mercados interno e externo.

Para aprofundar seu conhecimento, que tal navegar pelo site: http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/IPI/dcp2003/Orientacoes/conceitos.htm Em outra definição, temos que receita bruta é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Integram a Receita Bruta Operacional: I – o produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II – o resultado auferido nas operações de conta alheia; III – as recuperações ou devoluções de custo, deduções ou provisões; IV – as subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado ou de pessoas naturais (Lei 4.506/64, art. 44). § 1° Integra a receita bruta o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n° 4.506/64, art. 44). § 2° Não integram a receita bruta os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Receitas Líquidas Para o cálculo das Receitas líquidas somam-se os valores recebidos e, depois, deduzem-se os impostos incidentes sobre vendas (como o ICMS), os descontos incondicionais e as vendas canceladas. Há que se atentar para não haver confusão entre Receita Líquida e Faturamento Líquido, pois faturamento líquido é o total do faturamento abatido dos impostos em substituição, tais
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como IPI Faturado e ICMS Substituição, que possuem categoria diferente dos impostos sobre vendas - ICMS. Cálculo da Receita Líquida Receita Bruta de Vendas = 500.000,00 (-) Devoluções de Vendas= 5.000,00 (-) Descontos Comerciais = 1.000,00 (-) Impostos incidentes sobre vendas = 100.000,00 (=) Receita Líquida = 394.000,00

Outras Despesas e Receitas Operacionais Outras Despesas Operacionais Incorrem em Outras Despesas Operacionais as despesas que estão no contexto operacional, mas que não se enquadram em contas especificadas anteriormente. Assim, dizemos que as Outras Despesas Operacionais não estão contidas no grupo de vendas, administrativas e financeiras. Como exemplos de Outras Despesas Operacionais temos: • • • • Impostos sobre Veículos Automotores (IPVA); Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU); Multas Fiscais; Prejuízos decorrentes de participações em coligadas e controladas.

OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS As Outras Receitas Operacionais não possuem relação direta com os objetivos sociais da empresa. São receitas de natureza secundária aos objetivos sociais da organização. Neste grupo incluímos outras receitas de caráter eventual, ou não, tais como: lucros de participações em outras sociedades, receitas de juros, descontos obtidos. Como exemplo, temos: • • • • • Receitas financeiras (juros, aluguéis); Resultado na venda de bens patrimoniais; Receitas eventuais de vendas de sucatas; Indenização de seguros; Resultados eventuais.

Portanto, podemos dizer que as Outras Receitas Operacionais representam receitas que estão no contexto operacional, mas que, igualmente a outras despesas operacionais, não estão diretamente relacionadas com contas especificadas anteriormente.

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Sites recomendados - http://www.asscontcontabilidade.com.br/ - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.cosif.com.br/ - http://www.fadepe.com.br/ - http://www.receita.fazenda.gov.br/ 3. DESPESAS E RECEITAS NÃO OPERACIONAIS Despesas Não Operacionais Outras Despesas Não Operacionais Outras Despesas Não Operacionais são de natureza eventual e possuem vínculo com as operações normais da empresa. São despesas esporádicas e os seus valores não possuem correlação direta com as operações tradicionais da empresa (PADOVEZE, 2004). Procedendo a Conciliação: Os saldos das contas devem ser conciliados mensalmente, sendo que as eventuais diferenças devem ser circularizadas até que a regularização das pendências seja documentada. Depois será procedida a correção dos saldos, mediante o lançamento de acerto. Exemplos de Outras Despesas Não Operacionais: • • • • Despesas financeiras; Juros sobre o capital; Perdas de capital; Despesas operacionais diversas.

Analiticamente... Despesas Financeiras: Juros e despesas bancárias; Juros de debêntures; Juros e multas de pagamentos em atraso; Outras despesas financeiras. Neste caso, essa conta deverá registrar nos subtítulos apropriados o valor das despesas financeiras. Para uma adequada conciliação os saldos, bem como a movimentação dos subtítulos, devem ser conciliados com seus correspondentes lançamentos em contas patrimoniais. A obrigatoriedade da conciliação de saldos se dá quando do levantamento dos balancetes mensais, dos balanços patrimoniais ou balancetes intermediários. As possíveis

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pendências serão regularizadas com o seu registro na contabilidade. Assim, devem ser contabilizadas as despesas pendentes comprovadas por documentos. • Juros sobre o Capital: Outros Juros sobre o Capital

Esta conta deve registrar o valor dos juros pagos sobre o capital social, conforme a legislação em vigor. Quanto às conciliações, o saldo e as movimentações devem ser conciliados com seus correspondentes lançamentos em contas patrimoniais. Tal conciliação de saldos se dará obrigatoriamente na época do levantamento dos balancetes mensais. As possíveis pendências devem ser regularizadas efetuando-se o seu registro na contabilidade, com comprovação por meio de documentos. • Perdas de Capital: Diferenças Negativas na Avaliação de Aplicações em Ouro; Diferenças Negativas na Avaliação de Moedas Estrangeiras; Diferenças Negativas na Avaliação de Depósitos e Cauções.

A conta deve registrar nos subtítulos apropriados o valor das perdas de capital. No que tange à conciliação, o saldo e as movimentações sobre os subtítulos da conta devem ser conciliados com seus correspondentes lançamentos em contas patrimoniais. A obrigatoriedade de conciliação de saldos ocorre em decorrência do levantamento dos balancetes mensais, dos balanços patrimoniais ou balancetes intermediários. As pendências serão regularizadas através do seu registro na contabilidade e deverá existir a comprovação documental. • Despesas Operacionais Diversas: Diversas Outras Despesas Operacionais

Essa conta deverá registrar nos subtítulos apropriados o valor das demais despesas operacionais que não puderam ser lançadas nas demais contas deste grupamento. Quanto à conciliação, o saldo e as movimentações sobre os subtítulos da conta devem ser conciliados com seus correspondentes lançamentos em contas patrimoniais. Essa conciliação de saldos será obrigatoriamente efetuada quando do levantamento dos balancetes, dos balanços patrimoniais, sendo a regularização das pendências efetuada a partir da contabilização das despesas pendentes, as quais deverão ser comprovadas através de documentos. Quer conhecer um pouco mais do assunto e ficar “cobra” em Contabilidade? Entre e navegue à vontade pelo site: http://www.cosif.com.br/mostra.asp?arquivo=p_contas939 Receitas Não Operacionais Consideram-se como não operacionais as receitas decorrentes de vendas de bens e direitos classificados no ativo permanente. Além destas receitas propriamente ditas também

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são classificadas como receitas não operacionais as reversões das reservas de reavaliação e das provisões para perdas prováveis na alienação de investimentos. As Receitas Não-Operacionais são ingressos provenientes de transações (atípicas ou extraordinárias) não incluídas nas atividades principais ou acessórias da empresa. Devem ser contabilizados os valores que não puderam ser lançados nas demais contas de receitas não operacionais. As Receitas devem ser contabilizadas pelo Regime de Competência. Para a correta conciliação, o saldo das contas deve ser conciliado quando do levantamento dos balancetes e balanços. As possíveis diferenças encontradas devem ser regularizadas, devidamente documentadas, procedendo, assim, aos corretos lançamentos de acertos dos saldos. Exemplos de Receitas Não Operacionais: • • Reversão de Provisões Não Operacionais; Diversas Receitas Eventuais.

Detalhando... • Reversão de Provisões Operacionais: o Reversão de Provisões Operacionais; o Outras Reversões Operacionais.

Essa conta deve registrar nos subtítulos apropriados o valor da Reversão de Provisões Operacionais. Para se fazer uma conciliação da maneira correta, o saldo e as movimentações sobre os subtítulos da conta devem ser conciliados com seus correspondentes lançamentos em contas patrimoniais na época do levantamento dos balancetes mensais, dos balanços patrimoniais ou balancetes intermediários. A regularização das pendências será efetuada por meio de seu registro na contabilidade, com a correta contabilização das despesas pendentes. • Reversão de Provisões Não Operacionais: o Reversão de Provisões Não Operacionais; o Outras Reversões Não Operacionais.

A conta deve registrar nos subtítulos apropriados o valor da Reversão de Provisões Não Operacionais. O modo correto de se fazer a conciliação será de forma que o saldo e as movimentações sobre os subtítulos da conta devam ser conciliados com seus correspondentes lançamentos em contas patrimoniais. Tal conciliação de saldos deverá ser efetuada obrigatoriamente na época do levantamento dos balancetes mensais, dos balanços patrimoniais ou balancetes intermediários. Se ocorrerem pendências, estas deverão ser corrigidas com o seu registro na contabilidade. Devem ser contabilizadas as despesas pendentes, comprovadas através de documentação. • Diversas Receitas Eventuais. o Diversas Outras Receitas Eventuais.
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Essa conta deve registrar nos subtítulos apropriados o valor dos créditos que não puderam ser lançados nas demais rubricas. O saldo e as movimentações sobre os subtítulos da conta devem ser conciliados com seus correspondentes lançamentos em contas patrimoniais. A conciliação será tem obrigatoriamente de ser feita a tempo do levantamento dos balancetes mensais, dos balanços patrimoniais ou balancetes intermediários. Se houver eventuais pendências, estas devem regularizadas através do seu correto registro na contabilidade. Tal registro, para ser efetuado, deve apresentar comprovação por meio de documentos. Sites recomendados - http://www.asscontcontabilidade.com.br - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.cosif.com.br/ - http://www.fadepe.com.br - http://www.fag.edu.br 4. APURAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO É absolutamente necessário que as organizações apurem com acurácia o Resultado de seus Exercícios. O nível de relacionamento entre Receitas e Despesas durante o exercício social define se a empresa obteve lucro ou prejuízo, pois, como sabemos, o objetivo das empresas é a obtenção de lucro, que se traduz em resultado positivo de suas atividades. O Resultado nada mais é do que a diferença entre as Despesas e as Receitas.

Atenção! “Não se deve confundir custo com saída, nem receita com entrada de dinheiro, também o resultado não pode ser confundido com saldo obtido em dinheiro. Se o resultado das atividades foi positivo, tendo-se verificado aumento de patrimônio, ele estará representado por aumentos em bens ou direitos ou redução de obrigações, que formam o referido patrimônio” (FRANCO, 2006).

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Para que possamos apurar o Resultado do Exercício com eficácia é importante que tenhamos, antes, conhecimento acerca dos Regimes Contábeis, que são: o Regime de Competência e o Regime de Caixa REGIME DE COMPETÊNCIA No Regime de Competência, também conhecido como “Regime Econômico”, considerase a Receita gerada em determinado exercício social de forma a não importar quando foram recebidas. O que importa é o momento em que a Receita foi ganha, ou seja, quando ocorreu o seu fato gerador. No que tange às Despesas, aplica-se a mesma lógica, ou seja, o que importa é a despesa efetivada em determinado período contábil, independente do período do seu pagamento. A Legislação do Imposto de Renda entende que este é o Regime correto para que a organização possa apurar seu resultado de forma transparente e segura, atendendo, deste modo, ao Princípio da Competência. Como exemplo, temos uma receita a receber decorrente da prestação de serviço que não foi faturado ao destinatário e, assim, não recebido, porém deverá ser registrada: 31 de dezembro de 2006 - Pela Prestação do Serviço D – Serviços a Faturar C – Receita de Serviços ....................................................................... $ 5.0000 O saldo devedor da conta Serviços a faturar do Ativo Circulante aparecerá no balanço, representando quantia a faturar pela empresa por conta de serviços já prestados no período que se encerrou. O saldo credor da conta de Receita de Serviços aparecerá na Demonstração do Resultado do Exercício, de forma positiva na apuração do resultado do exercício encerrado.

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Período seguinte – Pelo Faturamento do Serviço Prestado D – Contas a Receber (Ativo Circulante) C – Serviços a Faturar........................................................................... $ 5.0000 Pelo Recebimento da Fatura seria debitado caixa a crédito de contas a receber. Outro exemplo que podemos utilizar seria o pagamento das despesas de salário. Apesar do pagamento normalmente ser efetuado no mês seguinte, a despesa será apropriada no período em que foi incorrida - mês anterior, já que o fato gerador desta despesa, ou seja, o trabalho dos funcionários, ocorreu no mês anterior. Vejamos: Mês em que as despesas foram incorridas D – Despesas de Salários C – Salários a Pagar ......................................................................... $ 600.0000 Mês do pagamento das despesas de salários D – Salários a Pagar C – Caixa ou Bancos c/ Movimento................................................... $ 600.0000 Vamos fazer uma reflexão sobre o Regime de Competência e as Antecipações de Despesas, com o Prof. Lopes de Sá? Então, acessem o site e boa leitura! http://www.ctoc.pt/downloads/files/1196446895_40a43_contabilidade.pdf REGIME DE CAIXA Na apuração do Resultado do Exercício devem ser consideradas todas as Despesas pagas e todas as Receitas recebidas no respectivo Exercício, independentemente da data da ocorrência de seus Fatos geradores. Conforme o Regime de Caixa entrarão na apuração do Resultado as Despesas e as Receitas que passam pelo Caixa (RIBEIRO, 2003). Exemplificando… A organização ÔMEGA vendeu mercadorias no valor de $ 8.000. Recebeu 50% do valor à vista e 50% no prazo de 40 dias. Sabemos que o reconhecimento será apenas pelo valor devidamente recebido, ou seja, o valor à vista. Vejamos D – Caixa ou Bancos c/ Movimento (Ativo Circulante) C – Receita de Vendas (Resultado do Exercício) ................................... $ 4.000 Contabilização nos Razonetes: 68 | CIÊNCIAS CONTÁBEIS

Caixa ou Bancos (Ativo) Débito Crédito (1) 4.000 Receita de Vendas (Resultado do Exercício) Débito Crédito 4.000 (1)

Curiosidade! No Brasil, as empresas com fins lucrativos são obrigadas a apurar seus Resultados pelo Regime de Competência. Já as entidades sem fins lucrativos, adotam comumente o Regime de Caixa.

Que tal vocês se aprofundarem um pouco mais sobre o Regime de Competência e fazerem o diferencial, agregando conhecimento? Acessem o site! http://www.cosif.com.br/mostra.asp?arquivo=cosifxirpj

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E agora... Vamos praticar!

Regime de Caixa: Em dezembro de 2007 a Empresa DELTA Ltda. realizou as seguintes operações: Situações 1. Vendas de mercadorias a prazo...................................................................$ 50.000 2. Provisão da folha de pagamento..................................................................$ 25.000 3. Recebimento de clientes (em dinheiro, referente às vendas a prazo do mês de outubro de 2007)............................................................................................. $ 5.000 4. Pagamento antecipado, em dinheiro, do aluguel de janeiro de 2008................................................................................................................. $ 3.000 Como podemos observar, as situações 1 e 2 não serão contabilizadas, já que não ocorreram entradas e saídas de dinheiro. Situação 3 D – Caixa (Ativo Circulante) C – Receita de Vendas (Resultado do Exercício) ................................... $ 5.000 Situação 4 D – Despesas de Aluguéis (Resultado do Exercício) C – Caixa (Ativo Circulante) .................................................................... $ 3.000

Vamos aos lançamentos nos razonetes e à apuração do resultado: Caixa (Ativo Circulante) Débito Crédito (3) 5.000 3.000 (4) (Sd) 2.000 Receita de Vendas (Resultado do Exercício) Débito Crédito (5) 5.000 5.000 (3) 0 (Sd) Despesas de Aluguéis (Resultado do Exercício) Débito Crédito (4) 3.000 3.000 (6) (Sd) 0 Apuração do Resultado do Exercício - ARE Débito Crédito (6) 3.000 5.000 (5) 2.000 (Sd) 70 | CIÊNCIAS CONTÁBEIS

Notamos que houve um lucro de $ 2.000 no período, ao adotar Regime de Caixa.

Agora vejamos o que ocorre ao se adotar o Regime de Competência: Situação 1 D – Clientes (Ativo Circulante) C – Receita de Vendas (Resultado do Exercício) .................................. $ 50.000 Situação 2 D – Despesas de Salários (Resultado do Exercício) C – Salários a Pagar (Passivo Circulante) ............................................. $ 25.000 Situação 3 D – Caixa (Ativo Circulante) C – Clientes (Ativo Circulante) ................................................................ $ 5.000 Situação 4 D – Aluguéis a Vencer (Ativo Circulante – Despesas do Exercício Seguinte) C – Caixa (Ativo Circulante) ................................................................... $ 3.000 Vamos aos lançamentos nos razonetes e à apuração do resultado: Clientes (Ativo) Débito Crédito (1) 50.000 5.000 (3) (Sd) 45.000 Receita de Vendas (Resultado do Exercício) Débito Crédito (5) 50.000 50.000 (1) Despesas de Salários (Resultado do Exercício) Débito Crédito (2) 25.000 25.000 (6) Salários a Pagar (Passivo Circulante) Débito Crédito 25.000 (2) Caixa (Ativo Circulante) Débito Crédito (3) 5.000 3.000 (4) (Sd) 2.000 Aluguéis a Vencer (Ativo Circulante) Débito Crédito (4) 3.000
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Apuração do Resultado do Exercício - ARE Débito Crédito (6) 25.000 50.000 (5) 25.000 (Sd) Ao analisarmos a apuração do Resultado do Exercício, conforme cada tipo diferente de Regime, concluímos que estes influenciam diretamente nesta apuração. Todavia, a apuração pelo Regime de Caixa proporciona um resultado menor do que a apuração pelo Regime de Competência. Isto vai depender da situação de cada empresa. Como vimos, todas as organizações, sejam elas do primeiro, segundo ou terceiro setor, necessitam apurar seus resultados confrontando as despesas com as receitas no sentido de verificarem se auferiram lucro ou prejuízo. Para proceder a essa apuração é necessário que algumas fases sejam seguidas: • • • • • • • Proceder ao encerramento das contas de resultados, através dos lançamentos de encerramento; Lançar na Conta de Resultado, a débito, o valor dos saldos das contas de despesa; Lançar na Conta de Resultado, a crédito, o valor dos saldos das contas de receita; Apurar o Lucro Líquido ou Prejuízo, se o total dos créditos da conta de Resultado for maior do que o total dos débitos, ou se, ao contrário, o total dos débitos for superior ao total dos créditos; Transferir o resultado apurado para a Conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados, conforme o caso; Após essa transferência, o Resultado do Exercício poderá ser distribuído para outras contas do Patrimônio Líquido; Finalmente, proceder à elaboração das Demonstrações Contábeis.

Curiosidade! O Resultado Líquido em uma empresa comercial corresponde ao Resultado Bruto (Lucro ou Prejuízo sobre as Vendas de Mercadorias) adicionado ou subtraído das Despesas e das Receitas Operacionais e Não-Operacionais.

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SITES RECOMENDADOS - http://www.asscontcontabilidade.com.br http://www.asscontcontabilidade.com.br/portal/index.php?option=com_content&task=vi ew&id=84&Itemid=31 - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.ctoc.pt/downloads/files/1196446895_40a43_contabilidade.pdf - http://www.cosif.com.br/ - http://www.cosif.com.br/mostra.asp?arquivo=cosifxirpj - http://www.direitovirtual.com.br/artigos.php?details=1&id=50 - http://www.fadepe.com.br http://www.fag.edu.br/professores/jackson/Contabilidade%20Basica/DEMONSTRA%80% E5ESFINANCEIRAS%20FAG.DOC - http://www.netlegis.com.br/indexRC.jsp?arquivo=/detalhesDestaques.jsp&cod=2225 - http://www.netsaber.com.br/apostilas/apostilas/945.doc - http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0871/mm/m0082772.html - http://www.portaltributario.com.br/guia/rec_bruta.html - http://www.rau-tu.unicamp.br/contabeis/read.php?tid=13&qid=763&key - http://www.receita.pb.gov.br/Informativos/paraibasim/Cartilha_pbsim.doc - http://www.sinprorp.org.br/Jornais/filantropia103.htm - http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm

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TEMA 04 – DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS: DRE E DVA
Vamos continuar a construção do conhecimento sobre Contabilidade Geral? A partir deste momento iremos nos aprofundar um pouco mais e trabalharemos com as demonstrações contábeis que exprimem o resultado do exercício e informam a capacidade de geração de valor e a forma de distribuição da riqueza das empresas. Mãos à obra! 1. DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO – DRE – CRITÉRIOS GERAIS Na atualidade, a Contabilidade firma-se como um vasto campo do saber e atende aos variados níveis organizacionais de modo a fornecer informações que propiciarão aos gestores tomadas de decisão com confiabilidade e segurança. Estas informações são advindas das demonstrações contábeis em que estão evidenciados os aspectos econômicos e financeiros das organizações. As informações, sob o aspecto econômico, relacionam-se com as despesas, custos, receitas e o resultado, que pode ser lucro ou prejuízo. As despesas, os custos, as receitas obtidas e o resultado (lucro ou prejuízo) possuem relação direta com o aspecto econômico das entidades. As informações financeiras expressam a movimentação de numerário em si. O lucro será expresso como resultado de uma organização quando, no confronto entre receitas e despesas, as primeiras superarem as segundas. Se, porventura, ocorrer o inverso, ou seja, houver superação das despesas em relação às receitas, a entidade incorrerá em prejuízo. A Demonstração do Resultado do Exercício - DRE apresenta, ao final de cada exercício social, em conformidade com a Lei 6.404/76, uma demonstração obrigatória mesmo para as sociedades que não se configurem em Sociedades Anônimas. Na DRE se destacam as receitas, que geralmente representam aumento no Ativo, ao ingressarem novos elementos, tais como: numerário e as despesas que representam redução no Ativo ou aumento do Passivo Exigível. Demonstrações Financeiras O tratamento destas demonstrações financeiras varia de acordo com o tipo de constituição da sociedade empresarial. Há dois tipos principais: • Sociedade Anônima: caracteriza-se por seu capital dividido em partes iguais, chamadas ações (acionistas); deverá publicar as Demonstrações Financeiras no Diário Oficial e em outro jornal de grande circulação editado na localidade onde se situa a empresa;

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Limitada: caracteriza-se por seu capital dividido em quotas (sócios); não precisa publicar em jornal, mas deverá apresentar as demonstrações financeiras junto ao Imposto de Renda ou para atender ao novo Código Civil. Apuração de Resultado A cada exercício social a empresa deve apurar o resultado dos seus negócios. Para saber se obteve lucro ou prejuízo, a Contabilidade confronta a receita (vendas) com as despesas. A apuração de resultado é realizada de forma destacada na Demonstração do Resultado do Exercício (resumo ordenado das despesas e receitas do período). Receita e Despesa A Receita corresponde, em geral, à venda de mercadorias ou prestação de serviços. Portanto, podemos dizer que Receita se configura como um produto gerado por uma empresa. Entende-se Receita como um fluxo da empresa, já que sem ela não haveria lucros e sem os mesmos as empresas não existiriam. Assim, a Receita é um aumento de lucro – ela determina a criação de bens e serviços de uma organização em um determinado período. A Receita pode ser mensurada através do valor de troca do produto ou do serviço, que se reflete no valor que será recebido no presente ou no futuro. Deste modo, nas Demonstrações Contábeis, tanto a Receita quanto o Lucro devem ser reconhecidos conforme os critérios a seguir: o O produto deve ter tido seu valor acrescentado pela organização; o É necessária a mensuração do nível da receita; o As despesas correspondentes devem ser estimadas com certo nível de precisão. Portanto, entende-se que as Demonstrações Contábeis vão sendo refinadas à medida que as Receitas são registradas. A Receita é refletida no Balanço através da entrada de dinheiro no Caixa ou em forma de direitos a receber. A Despesa é todo sacrifício, todo esforço da empresa para obter Receita, ou seja, é todo o consumo de bens e serviços no processo de obtenção de Receita. Assim como a Receita, a Despesa também possui o conceito de fluxo. Para as organizações, as Despesas conferem redução de lucros. Em outras palavras, pode-se inferir que as Despesas reduzem o patrimônio da entidade – reduzem os ativos líquidos. Como sabemos, as Despesas ocorrem quando há consumo de bens e serviços no processo de geração de Receita. Assim, o registro de uma Despesa pode ter coincidência com utilização dos bens ou serviços ou pode se dar após a atividade de utilização dos bens ou serviços. Em alguns casos excepcionais, pode ainda ocorrer antes de tal atividade. Algumas Despesas, como custo dos produtos vendidos, são vinculadas a receitas e reconhecidas na mesma oportunidade de reconhecimento de receitas decorrentes das mesmas transações que as despesas. Algumas Despesas, a exemplo de salários de vendedores, têm o seu reconhecimento no período em que são pagas ou quando são criadas obrigações de pagamentos que dizem respeito a bens ou serviços utilizados ao mesmo tempo em que foram adquiridas.

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A classificação da Despesa deve ser feita conforme a sua natureza, ou seja, despesas fixas ou variáveis, em relação à produção, ao volume de vendas, etc. A Despesa é refletida no Balanço através de uma redução do Caixa (à vista) ou aumento de uma dívida – Passivo (a prazo) ou ainda na redução de Ativo como depreciação. Balanço Patrimonial (BP) X Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) As contas só podem ser classificadas em duas demonstrações: ou Balanço Patrimonial (BP) ou Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Despesa x Custo • • Despesa: Todo sacrifício (esforço) realizado pela empresa no sentido de obter receita. A Despesa não pode ser definida em termos de vencimentos ou alocações de custos. Ex.: (indústria) gastos no escritório, administração, vendas e finanças; Custo: É todo sacrifício (gasto) relativo a bens e serviços que serão utilizados na produção de bens e serviços. Se há pagamento à vista, a apuração do custo é bem definida. O valor pago se confere no valor de troca estipulado pelo preço de mercado. O pagamento em dinheiro representa o valor monetário de direitos a recursos econômicos de que abre mão o comprador. Ex.: gastos na fábrica (produção): MP, MO, energia, embalagem.

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) A DRE evidencia o aspecto econômico da organização ao demonstrar as operações efetuadas durante determinado exercício social, destacando o resultado líquido apurado neste período. A decisão acertada é, portanto, o fator mais importante do processo decisório e deve ser embasada pela análise e uso adequado da informação (PORTO, 2007). Portanto, as interpretações feitas pelos decisores a partir das informações geradas pela DRE confirmam a importância desta demonstração contábil. A Contabilidade é uma Ciência que procura quantificar os recursos das organizações - espelhando os direitos contra as organizações e os interesses que nelas existem -, promover a quantificação desses recursos, direitos e interesses, bem como considerar as variações em momentos determináveis. Pode-se, então, inferir que tais definições são pilares de ênfase no Balanço e na DRE, como medidas de níveis e variações de riqueza. Ao demonstrar o resultado econômico das entidades, as informações contidas na DRE devem ser oportunas e confiáveis para fins de tomadas de decisão e devem, também, provocar mais benefícios do que custos e ser relevantes para quem delas necessita. Como existem tipos variados de tomadas de decisão nas organizações, as informações da DRE devem servir para todos os modelos, pois o processo decisório é fundamental para a definição dos objetivos e metas das empresas e esses dependem de informações confiáveis existentes na DRE.

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A Demonstração do Resultado do Exercício é a demonstração contábil que confronta as despesas e as receitas da entidade e apura qual o resultado líquido do período. Se a entidade for recém criada e não tiver encerrado seu exercício social, a DRE poderá ser substituída por um balanço atualizado, no qual devem constar detalhadamente as receitas e despesas efetuadas. Ao contrário do Balanço Patrimonial, que é um demonstrativo estático, a DRE é um demonstrativo contábil dinâmico que apresenta, de forma resumida, as operações da entidade durante um exercício social. Ela possui a função de registrar as causas das mudanças patrimoniais em períodos de tempo determinados, permitindo uma comparação real entre origens e aplicações de recursos, buscando resultados precisos. Deste modo, entendemos que a DRE é considerada como um dos mais importantes demonstrativos contábeis, pois contém informações mais dinâmicas sobre os fatos administrativos, demonstrando também a eficiência administrativa ao evidenciar se as empresas conferiram resultados positivos ou negativos. Atkinson et. al (2000, p. 37) admite a importância da informação contábil ao afirmar que: “através de ferramentas que permitem uma interpretação dos números da empresa a contabilidade poderá executar o seu papel de gerar informações aos empresários para que estes tomem decisões mais acertadas e em tempo hábil”. Assim sendo, a DRE consolida-se como uma ferramenta gerencial para as organizações, qualquer que seja o seu porte e ramo de atuação. Conforme o Art. 187 da Lei 6.404/76 - Lei das Sociedades Por Ações, alterada pela Lei 11.638/07, a DRE, confrontando as receitas com as despesas em determinado exercício, apresenta: I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas e outras despesas operacionais; IV - o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais (Redação dada pela Lei nº 9.249, de 1995); V - o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, de empregados e administradores, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa (Redação dada pela Lei nº 11.638, de 2007); VII - o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Destacamos que, mencionado no supracitado, bem como na sua conceituação, dada pela redação da Resolução CFC nº 686/90, a DRE observa, além do Princípio da Competência, na sua elaboração, mais dois princípios, que são: Principio da Realização da Receita e Principio do Confronto das Despesas.
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Outrossim, temos que o Princípio da Realização da Receita preconiza que: as receitas serão reconhecidas no exercício em que serão realizadas; quando do fornecimento de bens ou serviços em troca de dinheiro ou outro tipo de ativo, como títulos a receber. Desse modo, entende-se que a contabilização das vendas de bens e de serviços e o conseqüente registro das contas a receber são orientados por este principio. É em função desses princípios que: • • • • A contabilização da receita de venda é feita pela ocasião da venda e não quando do seu recebimento; O reconhecimento da despesa de pessoal é feito no mês em que se recebeu esta prestação de serviços, ainda que seja paga no mês subseqüente; A contabilização de aquisição de uma determinada matéria-prima é feita quando do seu recebimento e não no seu pagamento; O registro da despesa do Imposto de Renda é feita como provisão no mesmo período em que os lucros a que se refere e não no exercício subseqüente, na sua declaração e pagamento. Você sabia que... Nos mesmos períodos em que forem lançadas as receitas e os rendimentos deverão estar registrados todos os custos, despesas, encargos e riscos correspondentes àquelas receitas (FIPECAFI, 2008)? Como sabemos, o objetivo da DRE é fornecer aos usuários das demonstrações financeiras das entidades as informações necessárias referentes ao resultado de cada exercício social. Neste sentido, objetivando o melhor atendimento ao usuário, a Lei das Sociedades por Ações estabelece a apresentação da DRE contendo por início o valor total da receita apurada nas operações de venda, da qual se deduz o custo total em relação a essas vendas, procedendo à apuração da margem bruta, que se traduz no lucro bruto. Representação do exposto acima: Despesas com Vendas Despesas Financeiras Despesas Gerais e Administrativas Outras Despesas e Receitas Operacionais Após a dedução das despesas operacionais totais obtém-se o lucro operacional, que se configura em um dado essencial na análise das informações de uma organização. Depois do lucro operacional são discriminadas as receitas e despesas nãooperacionais, transações que foram realizadas no período, mas não correlacionadas às

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atividades-fim da organização, apurando-se em seguida o resultado antes do Imposto de Renda. Em seguida são deduzidos o Imposto de Renda e contribuição social a pagar, e, finalmente, as participações de terceiros, tais como empregados, administradores, partes beneficiárias, debêntures e contribuições para fundos de benefícios a empregados, para então chegar ao lucro/prejuízo do exercício que se configura no valor final da DRE. É exigência da lei que se apresente o lucro líquido por ação. Finalmente, chegou o momento em que iremos visualizar o que foi descrito acima, com a apresentação da estrutura da DRE. Estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) DISCRIMINAÇÃO RECEITA BRUTA (-) Deduções RECEITA LÍQUIDA (-) Custo das Vendas ou dos Serviços RESULTADO BRUTO (-) Despesas Operacionais Vendas Administrativas Financeiras (deduzem-se as receitas) Outras despesas ou receitas RESULTADO OPERACIONAL Receitas Não Operacionais (-) Despesas Não Operacionais (+/-) Ganho/Perda RESULTADO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA (-) Provisão para o Imposto de Renda LUCRO DEPOIS DO IMPOSTO DE RENDA (-) Participações (Debêntures, Empregados...) RESULTADO LÍQUIDO

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Sites recomendados - http://www.sinprorp.org.br/Jornais/filantropia103.htm https://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/aplicacoes/atspo/pgdarf.app/ajud a/Conte_do_PGDAS/ManualdoCalculo/ConceitosCalc.htm http://www.fadepe.com.br/restrito/conteudo/pos_4_audi_fisc_trib_apostila_fund_contab .doc

2. ASPECTOS PRÁTICOS DA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE Vamos agora praticar... A partir dos dados abaixo, elabore a DRE: Agrupamento das Contas de Receitas e Despesas para a elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício

DESPESAS COM VENDAS Fretes e Carretos Despesas com Créditos de Liquidação Duvidosa TOTAL DESPESAS FINANCEIRAS Juros Passivos RECEITAS FINANCEIRAS Juros Ativos DESPESAS GERAIS E ADMINISTRATIVAS Aluguéis Passivos Encargos Sociais Material de Expediente Prêmio de Seguro Salários Depreciação Amortização TOTAL

20.000 4.000 24.000

3.000

25.000

120.000 50.000 20.000 5.000 100.000 180.820 14.325 490.145

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Sites recomendados - http://www.bacen.gov.br/ - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.cvm.gov.br/

3. ASPECTOS CONCEITUAIS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, SEGUNDO A LEI Nº 6.404/76 Na disciplina Introdução à Contabilidade iniciamos os estudos sobre as Demonstrações Contábeis, também chamadas de Demonstrações Financeiras. Sabemos que a Contabilidade tem por principal finalidade a obtenção de informações econômicas e financeiras sobre as entidades. • • As informações de natureza econômica abarcam principalmente os fluxos de receitas e despesas, que geram lucros ou prejuízos, e as variações no patrimônio da entidade; As informações de natureza financeira abarcam principalmente os fluxos de caixa e do capital de giro.

As demonstrações contábeis servirão para os usuários da Contabilidade, que tomarão decisões em função das informações geradas e fornecidas pela contabilidade. Entretanto, estes usuários não são apenas usuários internos, mas outros que utilizam as informações da organização. São estes: • • • • • Investidores, sócios e acionistas: verificam a situação econômica e financeira da organização e necessitam das demonstrações contábeis para a tomada de decisão acerca de melhores alternativas de investimentos; Fornecedores: estes utilizam as demonstrações contábeis para analisar a capacidade de pagamento da organização com quem mantêm relacionamento de compra; Bancos e outras Instituições Financeiras: necessitam das demonstrações contábeis para conceder empréstimos, limite de crédito, financiamentos e demais operações financeiras para as organizações clientes; Governo: precisa destes demonstrativos para fins de arrecadação de impostos, bem como para dados estatísticos no sentido de melhor redimensionar a economia; Sindicatos: se utilizam das demonstrações contábeis para estabelecer a produtividade na intenção de reajustes salariais.

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Diante do exposto, a Contabilidade deve produzir informações que sejam úteis, relevantes, confiáveis e tempestivas aos seus usuários. O art. 176 da Lei nº 6.404/76, alterado pela Lei 11.638/07, determina que, ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I - balanço patrimonial; II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III - demonstração do resultado do exercício; IV – demonstração dos fluxos de caixa; e V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. Vale lembrar que até o exercício de 2007 a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) também era obrigatória, no entanto, a partir do exercício de 2008, houve substituição da DOAR pela Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). Outra demonstração que não era obrigatória e passou a ser, para as companhias abertas, é Demonstração do Valor Adicionado (DVA). O Conselho Federal de Contabilidade, através da RESOLUÇÃO CFC N.º 686/90, explica o conceito, conteúdo, estrutura e nomenclatura das demonstrações contábeis. Para elaboração deste tópico foi observado o que determina a Lei das Sociedades Anônimas e a Resolução CFC nº 686/90. Vamos conhecer e, em alguns casos, relembrar o objetivo e características destas demonstrações?

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Balanço Patrimonial - BP

O Balanço Patrimonial é a demonstração contábil destinada a evidenciar, qualitativa e quantitativamente, em uma determinada data, a posição patrimonial e financeira da Entidade. Esta demonstração contábil é constituída pelo Ativo, pelo Passivo e pelo Patrimônio Líquido, em que: • • • O Ativo compreende os bens, os direitos e as demais aplicações de recursos controlados pela entidade, capazes de gerar benefícios econômicos futuros, originados de eventos ocorridos; O Passivo compreende as origens de recursos representados pelas obrigações para com terceiros, resultantes de eventos ocorridos que exigirão ativos para a sua liquidação; O Patrimônio Líquido compreende os recursos próprios da Entidade e seu valor é a diferença positiva entre o valor do Ativo e o valor do Passivo. Quando o valor do Passivo for maior que o valor do Ativo, o resultado é denominado Passivo a Descoberto. Portanto, a expressão Patrimônio Líquido deve ser substituída por Passivo a Descoberto.

Vamos relembrar um pouco as características do Balanço Patrimonial? No Balanço Patrimonial as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. Assim, no Ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos: a) ativo circulante; b) ativo realizável a longo prazo; c) ativo permanente, dividido em investimentos, imobilizado, intangível e diferido. Em relação às contas do Passivo, elas serão classificadas nos seguintes grupos: a) passivo circulante; b) passivo exigível a longo prazo; c) resultados de exercícios futuros. Já o Patrimônio Líquido é dividido em: - capital social; - reservas de capital; - ajustes de avaliação patrimonial; - reservas de lucros; - ações em tesouraria; e - prejuízos acumulados. Outra informação importante é a forma como são dispostas as contas no Balanço Patrimonial:
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• •

as contas do ativo são dispostas em ordem crescente dos prazos esperados de realização; e as contas do passivo são dispostas em ordem crescente dos prazos de exigibilidade, estabelecidos ou esperados, observando-se iguais procedimentos para os grupos e os subgrupos.

Os direitos e as obrigações são classificados em grupos do Circulante, desde que os prazos esperados de realização dos direitos e os prazos das obrigações, estabelecidos ou esperados, situem-se no curso do exercício subseqüente à data do balanço patrimonial. Os direitos e as obrigações são classificados, respectivamente, em grupos de Realizável e Exigível a Longo Prazo, desde que os prazos esperados de realização dos direitos e os prazos das obrigações estabelecidas ou esperadas situem-se após o término do exercício subseqüente à data do balanço patrimonial. Pode-se dizer, então, que o Balanço Patrimonial encerra a seqüência dos procedimentos contábeis, apresentando, de forma ordenada, os três elementos que compõem o patrimônio da empresa, que são bens, direitos e obrigações. Da análise de balanço podem-se extrair informações que serão úteis para um objetivo econômico da organização. Neste sentido, entendemos que a utilização da análise de Balanço é um instrumento fundamental para as tomadas de decisões nas empresas. Neste sentido, a análise das demonstrações contábeis pode ser realizada de várias formas, tais como: análise propriamente dita, análise por quocientes, análise vertical, análise horizontal ou comparação com padrões, sendo importante frisar que nenhum índice deve ser considerado isoladamente. Este tópico sobre o Balanço Patrimonial foi só para relembrar! Vamos agora conhecer um pouco mais sobre as outras demonstrações contábeis obrigatórias? Demonstração do Resultado do Exercício - DRE Como visto no tópico anterior, a Demonstração do Resultado do Exercício é a demonstração contábil destinada a evidenciar a composição do resultado formado em um determinado período de operações da entidade, diante do confronto das receitas, custos e despesas apuradas segundo o regime de competência. Neste item, apenas reforçaremos o entendimento sobre este demonstrativo. Para maior detalhamento será necessário voltar ao tópico específico sobre ele, ok?

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De acordo com o art. 187 da Lei nº 6.404/76, a DRE discriminará: I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV - o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; V - o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, de empregados e administradores, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; VII - o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.

Vale destacar que na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.

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Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados - DLPA A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados é a demonstração contábil destinada a evidenciar, em um determinado período, as mutações nos resultados acumulados da entidade. A DLPA, em relação ao seu conteúdo e estrutura, segundo a Resolução CFC nº 686/90, deverá discriminar: o saldo no início do período; os ajustes de exercícios anteriores; as reversões de reservas; a parcela correspondente à realização de reavaliação líquida do efeito dos impostos correspondentes; o resultado líquido do período; as compensações de prejuízos; as destinações do lucro líquido do período; os lucros distribuídos; as parcelas de lucros, incorporadas ao capital; o saldo no final do período. De forma resumida, a Lei nº 6.404/76, em seu art. 186, estabelece que a DLPA discriminará: I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial; II - as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. A DLPA deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social. Uma informação importante: sabemos que os lucros e/ou prejuízos do exercício são destinados para o Balanço Patrimonial, especificamente para o grupo de Patrimônio Líquido, não é? Ora, se desenvolvermos uma demonstração que contemple todo o grupo do Patrimônio Líquido (PL) estaremos, de qualquer forma, evidenciando os lucros e/ou prejuízos do período e do exercício, uma vez que estes fazem parte do PL, não é? Pois é, em nossa escrita contábil temos uma demonstração, chamada de Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), que incorpora a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados. Assim, quem elaborar a DMPL está desobrigado de elaborar a DLPA.

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As empresas de capital aberto são obrigadas, por exigência da CVM, a elaborar a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL).

Assim, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados poderá ser incluída na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, se elaborada e publicada pela companhia.

Demonstração dos Fluxos de Caixa Conforme FIPECAFI (2000), as Demonstrações do Fluxo de Caixa (DFC) têm como objetivo primário prover informações relevantes sobre os pagamentos e recebimentos em dinheiro, de uma empresa, ocorridos durante um determinado período. Desta forma, o Fluxo de Caixa assume importante papel no planejamento financeiro das empresas. Portanto, constitui-se em um exercício dinâmico que deve ser constantemente revisto, atualizado e utilizado na tomada de decisões. As informações contidas em uma DFC, quando utilizadas com os dados e informações divulgados nas outras demonstrações contábeis, destinam-se a ajudar seus usuários a avaliar a geração de fluxos de caixa para o pagamento de obrigações e lucros e dividendos a seus acionistas ou cotistas. As informações desta demonstração também ajudam a identificar as necessidades de financiamento, as razões para as diferenças entre o resultado e o fluxo de caixa líquido originado das atividades operacionais e, finalmente, revelar o efeito das transações de investimentos e financiamentos, com a utilização ou não de numerário sobre a posição financeira. Embora, no Brasil, a DFC tenha se tornado obrigatória, somente a partir de 2008, esta demonstração, seguindo uma tendência internacional, tornou-se obrigatória desde no ano de 1998. Antes, teve seu início no Canadá, em 1985, devido à sua importância e utilidade para os usuários internos da Contabilidade. Aliado a isso, nota-se uma tendência de padronização dos procedimentos contábeis no mundo em virtude da globalização. Isso possibilitaria menos esforços e custos para as empresas que, de certa forma, têm negócios em outros países, pois não necessitariam refazer seu movimento contábil de acordo com normas diferenciadas. A Demonstração dos Fluxos de Caixa mostra a origem do dinheiro que entrou no caixa da empresa, como também mostra a aplicação do dinheiro que saiu do caixa em determinado período. Mostra, também, o Resultado do Fluxo Financeiro da empresa. O objetivo da DFC é informar acerca dos resultados das operações de caixa das organizações e sua posição de solvência ou insolvência. Neste sentido, Thiesen (2000) afirma

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que a DFC mostra, direta ou indiretamente, as mudanças que tiveram reflexo no caixa, suas origens e aplicações. A DFC está contida no Balanço Patrimonial da entidade e, assim como a Demonstração do Valor Adicionado, converte-se em instrumento gerencial para as organizações. Assim, diante da conjuntura econômica mundial, exige-se dos administradores o seu preparo para desafios cada vez maiores. Há de se administrar da melhor maneira os recursos financeiros disponíveis na organização. Na elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa deverão ser utilizadas técnicas que permitam que haja a projeção das entradas e das saídas da organização de modo objetivo. Assim sendo, a DFC bem elaborada conterá informações confiáveis para que o processo decisório possa transcorrer com a segurança necessária. Vamos ver agora como se faz a elaboração do fluxo? A DFC pode ser elaborada sob duas formas distintas: • • Da conta “Caixa”, ordenando as operações de acordo com a sua natureza e condensando-as, pode-se extrair todos os dados necessários; Das Demonstrações Financeiras, procede-se a uma técnica bastante prática de elaboração da DFC para organizações.

Destaque-se que, dada a praticidade, há preferência pela elaboração da DFC pela segunda técnica. Assim sendo, daremos destaque a esta técnica. PRINCIPAIS TRANSAÇÕES QUE AFETAM O CAIXA A seguir serão relacionadas, em dois grupos, as principais transações que afetam o Caixa. TRANSAÇÕES QUE AUMENTAM O CAIXA (DISPONÍVEL) • • • • • Integralização do Capital pelo Sócios ou Acionistas: investimentos realizados pelos proprietários. Se a integralização não for em dinheiro, mas em bens permanentes, estoques, títulos, etc., não afetará o Caixa. Empréstimos Bancários e Financiamentos: recursos financeiros provenientes de instituições financeiras. Geralmente os empréstimos bancários são utilizados como capital de giro e os financiamentos, para aquisição de ativo permanente. Venda de Itens do Ativo Permanente: mesmo não sendo comum, a organização pode vender itens do Ativo Fixo. Neste caso, há uma entrada de recursos financeiros. Vendas à Vista e Recebimentos de Duplicatas a Receber: principal fonte de recursos do caixa, resultado das vendas. Outras Entradas: juros recebidos, dividendos recebidos de outras empresas, indenizações de seguros recebidas, etc.

• TRANSAÇÕES QUE DIMINUEM O CAIXA (DISPONÍVEL) • Pagamentos de Dividendos aos Acionistas;

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• Pagamentos de Juros, Correção Monetária da Dívida e Amortização da Dívida; • Aquisição de itens do Ativo Permanente; • Compras à Vista e Pagamentos de Fornecedores; • Pagamentos de Despesa/Custo, Contas a Pagar e Outros. • TRANSAÇÕES QUE NÃO AFETAM O CAIXA Já verificamos os principais encaixes (entrada de dinheiro no caixa), bem como os principais desembolsos (saídas de dinheiro do Caixa) das empresas. Agora veremos algumas transações que não afetam o caixa, ou seja, não há encaixe e nem desembolso: Depreciação, Amortização e Exaustão. São meras reduções de Ativo, sem afetar o caixa: • • Provisão para Devedores Duvidosos. Estimativa de prováveis perdas com clientes, que não representa o desembolso ou encaixe; Acréscimo (ou diminuição) de itens de investimentos pelo método de equivalência patrimonial. Poderá haver aumentos ou diminuições em itens de investimentos sem significar que houve vendas ou novas aquisições.

A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) deverá indicar, no mínimo: As alterações ocorridas, durante o exercício, no saldo de caixa e equivalentes de caixa, segregando-se essas alterações em, no mínimo, 3 (três) fluxos: a) das operações; b) dos financiamentos; c) dos investimentos; Deve-se observar que: • • o excesso ou insuficiência das origens de recursos em relação às aplicações, representando aumento ou redução do capital circulante líquido; os saldos, no início e no fim do exercício, do ativo e passivo circulantes, o montante do capital circulante líquido e o seu aumento ou redução durante o exercício.

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Vale ressaltar que a obrigatoriedade da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) e da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) passou a ser exigida a partir do exercício de 2008, através da Lei nº 11.638/07. Em relação à Demonstração dos Fluxos de Caixa, a companhia fechada com patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) não será obrigada a elaborar e publicar esta demonstração. A DVA só é obrigatória para a companhia aberta.

Podemos observar que cada demonstração tem a sua importância e informa um determinado aspecto do patrimônio da entidade. De forma sucinta, cada uma das demonstrações contábeis obrigatórias, relata:

Neste tópico, relembramos um pouco sobre o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício. Iniciamos o estudo sobre a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados e a Demonstração dos Fluxos de Caixa. No entanto, o seu detalhamento e prática serão realizados em outras disciplinas. No próximo tópico iniciaremos o estudo sobre a Demonstração do Valor Adicionado.

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Sites recomendados - http://www.bacen.gov.br/ - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.cvm.gov.br/ - http://www.fipecafi.com.br/ - http://www.ibracon.com.br/ - http://www.portaltributario.com.br/ - http://www.presidencia.gov.br/legislacao/ - http://www.receita.fazenda.gov.br/ - http://www.redecontabil.com.br/ 4. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO: ELABORAÇÃO E PRÁTICA Vimos, no tópico anterior, que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) passou a ser obrigatória para as empresa de capital aberto a partir do exercício de 2008. Conforme já previa a lei 4.604/76 – a Lei das S/A -, as companhias, em geral, deviam, ao final de cada exercício social, apresentar o Balanço Patrimonial (BP), a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), a Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) e a Demonstração das Origens e Aplicações dos Recursos (DOAR). A Lei 11.638/07 substituiu a Demonstração das Origens e Aplicação dos Recursos (DOAR) pela Demonstração dos Fluxos de Caixa DFC) e passou a exigir, também, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA). A Reforma da Lei das S.A determina que as empresas brasileiras deverão se enquadrar aos novos processos de internacionalização da contabilidade, adequando-se aos padrões internacionais (IFRS) necessários à mundialização de informações de caráter gerencial para as organizações. Consoante o exposto, percebe-se uma tendência à padronização dos procedimentos contábeis no mundo em função do processo de globalização, implicando em menores custos para as organizações que possuem negócios em vários países, pois, deste modo, não haveria a necessidade de elaborar movimentos contábeis diferentes conforme as normas vigentes em cada país. A Demonstração do Valor Adicionado possui em sua estrutura, sugerida pela NBC T 3.7, aprovada pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade - CFC n.º 1.010/05, as mesmas informações da Demonstração de Resultado do Exercício (DRE), mas separadas de modo a permitir uma visão social dos resultados das organizações. Para a elaboração da Demonstração do Valor Adicionado são extraídas da contabilidade informações econômicas e financeiras em que esses valores devem ter por base o regime de competência.

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A Demonstração do Valor Adicionado torna possível a avaliação do nível de produtividade da organização, bem como o seu desempenho social no setor econômico em que está inserida. Portanto, a Demonstração do Valor Adicionado pode ser considerada um importante instrumento de ordem macroeconômica, servindo para mensurar a riqueza gerada pelas atividades das organizações, demonstrando a forma como está distribuída essa riqueza entre os agentes econômicos. A DVA mostra informações úteis e necessárias para concessões de empréstimos, análises de investimentos, avaliação de subsídios e na avaliação de projetos de repercussão social. Estas informações encontram-se disponíveis de forma ordenada nesta demonstração. A Demonstração do Valor Adicionado, como um demonstrativo de natureza tanto econômica quanto social, utiliza as informações contábeis para evidenciar a agregação de recursos junto à sociedade, evidenciando como é possível verificar e analisar quanto a empresa contribuiu no valor de seu setor econômico para o país. Apesar de a DVA informar o valor da riqueza criado pela organização e a forma de sua distribuição, ela não pode ser confundida com a Demonstração do Resultado do Exercício, que possui informações quase que exclusivamente direcionadas para os sócios e acionistas, já que a DVA informa o modo de distribuição de suas riquezas entre o governo, funcionários, fornecedores externos e os próprios sócios e acionistas. Assim, a DVA converte-se em um importante elemento pertencente ao Balanço Social por ofertar vários indicadores, bem como várias e importantes informações que servirão de base para as mais diversas análises da empresa, assim como para os diversos grupos que participam das suas operações. O Conteúdo Social da Demonstração do Valor Adicionado

As organizações foram obrigadas a mudar as suas estratégias de negócio e padrões gerenciais para enfatizar mais o lado social, adotando gestão responsável nas suas relações com 92 | CIÊNCIAS CONTÁBEIS

os funcionários, com o meio ambiente e até mesmo com o Governo e passaram a promover projetos sociais de desenvolvimento sustentável nas comunidades em que estão inseridas. A inclusão da responsabilidade social na gestão administrativa organizacional passa a conferir uma realidade mundial para as organizações. A percepção da realidade organizacional é essencial para que o administrador possa realizar a escolha de uma ou mais alternativas que melhor se adeqúem a esta realidade e levem ao encontro dos objetivos organizacionais. Sendo assim, uma decisão de qualidade está pautada no uso adequado da informação no processo decisório, de modo a traçar as alternativas e escolher a opção que leve a resultados positivos para a organização (PORTO, 2007). Diante dessa premissa, a Demonstração do Valor Adicionado relaciona-se diretamente ao conceito de responsabilidade social. Embora seja exigida apenas para as companhias abertas, essa demonstração contábil mostra os valores relativos à formação da riqueza gerada pela organização em determinado período e a sua distribuição entre os setores que contribuíram, direta ou indiretamente, para a sua geração. O Balanço Social oferece informações acerca do desempenho econômico e social das organizações para a sociedade, destacando o perfil social das mesmas. Estas informações são sobre os funcionários, tributos pagos, investimentos para a comunidade, investimentos no meio ambiente, etc. (MARION, 2007). A Demonstração do Valor Adicionado, inserida no Balanço Social das organizações, é extremamente importante para informações sociais, ambientais e econômicas à sociedade. A riqueza gerada pela empresa, medida no conceito de valor adicionado, é calculada com base na atividade que ela agrega aos bens e serviços consumidos no seu processo produtivo. Portanto, pode-se inferir que, através da Demonstração do Valor Adicionado, é possível verificar e analisar como as organizações contribuíram mais significativamente para cada setor da sociedade. Assim sendo, os resultados encontrados na Demonstração do Valor Adicionado identificam o fator de interatividade social e quanto a organização agregou à sociedade em seus processos. Esses valores são divididos pelos setores da economia que abarcam os diversos meios de atividade social. Através da análise da Distribuição do Valor Adicionado de todas as empresas em âmbito nacional é possível qualificar os setores da economia que melhor interagem com a sociedade e estruturar, através da soma de todos os valores adicionados pelas empresas, o valor do Produto Interno Bruto (PIB). Você está percebendo que a informação contábil está cada vez mais próxima da sociedade? Sim! E isto é possível através das informações contidas na DVA que demonstra, no Balanço Social, a importância das organizações e o quanto podem colaborar, tanto para a economia quanto para o desenvolvimento social.

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A Demonstração do Valor Adicionado como instrumento gerencial

A Contabilidade fornece informações de natureza econômica, financeira, física e social das entidades para os seus usuários, externos e internos, a fim de que estes possam obter uma visão sistêmica da entidade. Antes mesmo de se tornar obrigatória para as companhias abertas, a Demonstração do Valor Adicionado já vinha sendo elaborada por algumas organizações no Brasil, pois essa demonstração se configura em uma excelente ferramenta de apoio gerencial por se tratar de um indicador de eficiência da gestão empresarial. Diversos países da Europa Ocidental já a incluíram nas suas demonstrações contábeis antes de se tornar obrigatória pelos padrões internacionais (IFRS). O cenário em que as organizações estão inseridas modifica-se constantemente, exercendo nelas toda a sua influência. Diante disto, faz-se necessário permanente alerta por parte dos administradores para perceberem o que os ambientes interno e externo da organização indicam em relação às ameaças e oportunidades, pois as escolhas devem ser feitas com base na realidade organizacional (PORTO, 2007). Neste sentido, a Demonstração do Valor Adicionado compõe o Balanço Social e é uma importante fonte de informações, pois torna possível analisar o desempenho econômico da organização, evidenciando a geração de riqueza e os efeitos sociais produzidos pela distribuição dessa riqueza. Kroetz (2000) assevera que através da Demonstração do Valor Adicionado pode-se verificar o quanto a entidade contribuiu economicamente para cada segmento com o qual ela tem relação. Assim, infere-se que a Demonstração do Valor Adicionado é um importante instrumento de gestão financeira e informação gerencial, ao fornecer um resumo das informações relevantes sobre o fluxo operacional, de financiamento e investimento da organização. A Contabilidade de Custos, por exemplo, utiliza-se das informações da DVA para análise gerencial de custos no sentido de evidenciar e interpretar as variações existentes nos principais tópicos deste demonstrativo, no que tange aos custos das empresas.

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A utilização da Demonstração do Valor Adicionado como instrumento gerencial é demonstrada a seguir: • Ao comparar o valor das saídas com o valor das entradas, as organizações podem mensurar a eficiência e a eficácia organizacional quando da utilização dos fatores de produção, a DVA serve como índice de avaliação do desempenho na geração da riqueza da organização; A DVA se traduz em um índice de avaliação do desempenho social quando evidencia, na distribuição da riqueza gerada, a participação dos empregados, do Governo, dos Agentes Financiadores e dos Acionistas; A DVA evidencia também a real contribuição da organização, pela ótica de desempenho, para a geração de riqueza da economia em que está inserida. Você sabia que... As informações do Balanço Patrimonial podem ser melhor detalhadas através da análise da Demonstração do Valor Adicionado? O Conselho Federal de Contabilidade, através da Resolução CFC nº 1.010/05, aprovou a NBC T 3.7, que dispõe sobre a Demonstração do Valor Adicionado. A seguir, apontaremos como elaborar a DVA, segundo o CFC. A Resolução CFC nº 1.010/05 estabelece procedimentos para evidenciação de informações econômicas e financeiras relacionadas ao valor adicionado pela entidade e sua distribuição. A Demonstração do Valor Adicionado, complementar à Demonstração do Resultado do Exercício, é a demonstração contábil destinada a evidenciar, de forma concisa, os dados e as informações do valor da riqueza gerada pela entidade em determinado período e sua distribuição. As informações devem ser extraídas da contabilidade e os valores informados devem ter como base o princípio contábil da competência. A riqueza gerada pela entidade, mensurada no conceito contábil de valor adicionado, é calculada a partir da diferença entre o valor de suas vendas e dos insumos adquiridos por terceiros. As suas informações permitem a análise do desempenho econômico da entidade auxiliando no cálculo do Produto Interno Bruto e de indicadores sociais, além de fornecer informações acerca de benefícios obtidos por cada um dos fatores de produção (trabalhadores, acionistas, financiadores, credores, governo). As alterações trazidas pela Lei no 11.638, aprovada em 28/12/2007, que entrou em vigor a partir de 01/01/2008, promoveu alterações relevantes na Lei no 6.404/76. A Inclusão da Demonstração do Valor Adicionado foi uma dessas alterações. Em seu art. 176, IV, a referida Lei trata da obrigatoriedade da inclusão da DVA no conjunto de demonstrações financeiras elaboradas, divulgadas e que devem ser aprovadas pela assembléia geral ordinária.

• •

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Art. 176. (...) V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. A DVA demonstra a geração de valor e sua distribuição para pagamento de insumos, para pagamento de salários de empregados, impostos ao governo, dividendos, juros sobre o capital próprio aos acionistas e reinvestimentos da empresa. Em relação à DRE, A DVA evidencia o valor adicionado da entidade - a geração de riqueza e a forma como esta riqueza foi distribuída entre os agentes. Já a DRE evidencia o resultado do período, detalhando seus componentes. A Lei no 11.638/07, em seu art. 7º, permite que, no primeiro exercício social, a DVA seja divulgada sem a indicação dos valores referentes ao ano anterior. Todavia, a Comissão de Valores Mobiliários - CVM entende que as companhias que já vinham divulgando estas demonstrações deverão divulgá-las com a indicação dos valores dos exercícios anteriores. Art. 7º da Lei no 11.638/07: “As demonstrações referidas nos incisos IV e V do caput do art. 176 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, poderão ser divulgadas, no primeiro ano de vigência desta Lei, sem a indicação dos valores correspondentes ao exercício anterior”. Conceito de Valor Adicionado Utiliza-se o conceito de valor adicionado em Economia para mensurar as atividades econômicas de uma nação através da definição de Produto Nacional. Entretanto, em Contabilidade, a definição de valor adicionado considera a avaliação das transações econômicas ocorridas nas organizações. As organizações são extremamente importantes para a economia, pois atendem às necessidades de consumo da sociedade. A Demonstração do Valor Adicionado deve ser apresentada de forma comparativa, mediante a divulgação simultânea de informações do período atual e do anterior demonstrando: • A receita bruta e as outras receitas; • Os insumos adquiridos de terceiros; • Os valores retidos pela entidade; • Os valores adicionados recebidos (dados) em transferência a outras entidades; • Valor total adicionado a distribuir; • Distribuição do valor adicionado. No Grupo das Receitas Brutas e Outras Receitas devem constar: • • • • Vendas de mercadorias, produtos e serviços, de forma a incluir os valores dos tributos incidentes sobre essas receitas - o valor da receita bruta, deduzidas as devoluções, os abatimentos incondicionais e os cancelamentos; Outras receitas decorrentes das atividades da empresa, que não constam do item acima; Provisão para devedores duvidosos; Resultados não-operacionais: ganhos ou perdas na baixa de imobilizado, investimentos, etc., exceto os valores adicionados recebidos (dados) em transferência a outras entidades.

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No Grupo de Insumos Adquiridos de Terceiros devem constar: • • • • Materiais consumidos incluídos no custo dos produtos, mercadorias e serviços vendidos; Demais custos dos produtos, mercadorias e serviços vendidos, exceto gastos com pessoal próprio e depreciações, amortizações e exaustões; Despesas operacionais incorridas com terceiros, tais como: materiais de consumo, telefone, água, serviços de terceiros, energia; Valores relativos a perdas de ativos, como perdas na realização de estoques ou investimentos, etc.

No Grupo de Retenções devem constar: • Depreciação, amortização e exaustão contabilizadas no período.

No Grupo dos Valores Adicionados recebidos em transferência a outras entidades devem constar: • Resultado (positivo ou negativo) de equivalência patrimonial; • Receitas Financeiras. Valor Adicionado Total a Distribuir: • • Pessoal e Encargos: férias, décimo-terceiro salário, FGTS, alimentação, transporte. Devem ser apropriados ao custo do produto ou resultado do período. Não incluir INSS, SESI, SESC, SENAI, SENAT, SENAC, etc.; Governo: impostos, taxas e contribuições, inclusive as contribuições devidas ao INSS, SESI, SESC, SENAI, SENAT, SENAC, Imposto de Renda, contribuição social, ISS, todos os demais tributos, taxas e contribuições. Nos valores relativos a ICMS, IPI, PIS, COFINS devem ser considerados os valores devidos ou já recolhidos aos cofres públicos, representando a diferença entre os impostos incidentes sobre as vendas e os valores considerados dentro do item "Insumos adquiridos de terceiros"; Agentes Financiadores: despesas financeiras relativas a quaisquer tipos de empréstimos e financiamentos com instituições financeiras, entidades do grupo ou outras e os aluguéis (incluindo os custos e despesas com leasing) pagos ou creditados a terceiros, exceto para entidades financeiras, que devem classificá-las no grupo de insumos adquiridos de terceiros; Acionistas: valores pagos ou creditados aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio ou dividendos. Os juros sobre o capital próprio apropriados ou transferidos para contas de reservas no patrimônio líquido devem constar do item "Lucros retidos"; Participação dos minoritários nos "Lucros retidos": valor da participação minoritária apurada no resultado do exercício, antes do resultado consolidado; Retenção de Lucro: o lucro do período destinado às reservas de lucros e eventuais parcelas ainda sem destinação específica.

• •

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Lembrando mais uma vez que a Demonstração do Valor Adicionado deve ser compatível com a Demonstração do Resultado do Exercício. Deve, também, conter representação percentual participativa. A DVA deve ser apresentada de forma comparativa, mediante a divulgação simultânea de informações do período atual e do anterior, e deve evidenciar os componentes abaixo: GRUPO 1 2 3 4 5 6 COMPONENTES a receita bruta e as outras receitas; os insumos adquiridos de terceiros; os valores retidos pela entidade; os valores adicionados recebidos (dados) em transferência a outras entidades; valor total adicionado a distribuir; e distribuição do valor adicionado. Atenção! O Valor Adicionado constitui-se da receita de venda deduzida dos custos dos recursos adquiridos de terceiros. É, portanto, o quanto a entidade contribuiu para a formação do Produto Interno Bruto (PIB).

Para melhor entendermos a DVA, trabalharemos grupo a grupo, do 1º ao 6º.

Vamos ao passo-a-passo?

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GRUPO 1 1 - No grupo de receita bruta e outras receitas devem ser apresentados: a) as vendas de mercadorias, produtos e serviços, incluindo os valores dos tributos incidentes sobre essas receitas, ou seja, o valor correspondente à receita bruta deduzidas as devoluções, os abatimentos incondicionais e os cancelamentos; b) as outras receitas decorrentes das atividades afins não-constantes da letra “a” deste item, acima, ou não constantes do item 5, a seguir; c) os valores relativos à constituição (reversão) de provisão para créditos duvidosos; d) os resultados não-decorrentes das atividades-fim, como: ganhos ou perdas na baixa de imobilizado, investimentos, etc., exceto os decorrentes do item 5, a seguir.

GRUPO 2 2 - No grupo de insumos adquiridos de terceiros devem ser apresentados: a) materiais consumidos incluídos no custo dos produtos, mercadorias e serviços vendidos; b) demais custos dos produtos, mercadorias e serviços vendidos, exceto gastos com pessoal próprio e depreciações, amortizações e exaustões; c) despesas operacionais incorridas com terceiros, tais como: materiais de consumo, telefone, água, serviços de terceiros, energia; d) valores relativos a perdas de ativos, como perdas na realização de estoques ou investimentos, etc. GRUPO 3 3 - Nos valores constantes dos itens “a”, “b” e “c”, acima, devem ser considerados todos os tributos incluídos na aquisição, recuperáveis ou não.

GRUPO 4 4 - Os valores retidos pela entidade são representados pela depreciação, amortização e exaustão registrados no período.

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GRUPO 5 5 - Os valores adicionados recebidos (dados) em transferência a outras entidades correspondem: a) ao resultado positivo ou negativo de equivalência patrimonial; b) aos valores registrados como dividendos relativos a investimentos avaliados ao custo; c) aos valores registrados como receitas financeiras relativos a quaisquer operações com instituições financeiras, entidades do grupo ou terceiros, exceto para entidades financeiras, que devem classificá-las conforme descrito no item 1; e d) aos valores registrados como receitas de aluguéis ou royalties, quando se tratar de entidade que não tenha como objeto essa atividade. GRUPO 6 6 - No componente relativo à distribuição do valor adicionado devem constar: a) colaboradores – devem ser incluídos salários, férias, 13º salário, FGTS, seguro de acidentes de trabalho, assistência médica, alimentação, transporte, etc., apropriados ao custo do produto ou ao serviço vendido ou ao resultado do período, exceto os encargos com o INSS, SESI, SESC, SENAI, SENAT, SENAC e outros assemelhados. Fazem parte desse conjunto, também, os valores representativos de comissões, gratificações, participações, planos privados de aposentadoria e pensão, seguro de vida e acidentes pessoais; b) governo – devem ser incluídos impostos, taxas e contribuições, inclusive as contribuições devidas ao INSS, SESI, SESC, SENAI, SENAT, SENAC e outros assemelhados, Imposto de Renda, contribuição social, ISS, CPMF, todos os demais tributos, taxas e contribuições. Os valores relativos a ICMS, IPI, PIS, COFINS e outros assemelhados devem ser considerados os valores devidos ou já recolhidos aos cofres públicos, representando a diferença entre os impostos incidentes sobre as vendas e os valores considerados dentro do item "Insumos adquiridos de terceiros". Como os tributos são, normalmente, contabilizados no resultado como se devidos fossem e os incentivos fiscais, quando reconhecidos em conta de reserva no patrimônio líquido, os tributos que não forem pagos em decorrência de incentivos fiscais devem ser apresentados na Demonstração do Valor Adicionado como item redutor do grupo de tributos; c) agentes financiadores – devem ser consideradas, neste componente, as despesas financeiras relativas a quaisquer tipos de empréstimos e financiamentos com instituições financeiras, entidades do grupo ou outras e os aluguéis (incluindo os custos e despesas com leasing) pagos ou creditados a terceiros, exceto para entidades financeiras, que devem classificálas conforme descrito no item 2; d) acionistas – incluem os valores pagos ou creditados aos acionistas, a título de juros sobre o capital próprio ou dividendos. Os juros sobre o capital próprio, apropriados ou transferidos para contas de reservas no patrimônio líquido, devem constar do item "Lucros retidos"; e) participação dos minoritários nos "Lucros retidos" – deve ser incluído neste componente, aplicável às Demonstrações Contábeis Consolidadas, o valor da participação minoritária apurada no resultado do exercício, antes do resultado consolidado; f) retenção de lucro – deve ser indicado neste componente o lucro do período destinado às reservas de lucros e eventuais parcelas ainda sem destinação específica. 100 | CIÊNCIAS CONTÁBEIS

DISPOSIÇÕES GERAIS Além das informações contidas nos itens 1 ao 6, a entidade deve acrescentar ou detalhar outras linhas na Demonstração do Valor Adicionado quando o montante e a natureza de um item ou o somatório de itens similares forem de tal magnitude que a apresentação em separado ajuda na apresentação mais adequada da Demonstração do Valor Adicionado. A Demonstração do Valor Adicionado deve ser consistente com a demonstração do resultado e conciliada em registros auxiliares mantidos pela entidade. A Demonstração do Valor Adicionado deve conter representação percentual participativa. As informações contábeis contidas na Demonstração do Valor Adicionado são de responsabilidade técnica de contabilista registrado no Conselho Regional de Contabilidade. A Demonstração do Valor Adicionado deve ser objeto de revisão ou auditoria se a entidade possuir auditores externos independentes que revisem ou auditem suas Demonstrações Contábeis. Segue modelo exemplificativo da Demonstração do Valor Adicionado.

DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO DOS EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO, EM MILHARES DE REAIS
20X 1 1-RECEITAS 1.1. Vendas de mercadoria, produtos e serviços 1.2. Provisão para devedores duvidosos 1.3. Resultados não-operacionais 2-INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS 2.1. Materiais consumidos 2.2. Outros custos de produtos e serviços vendidos 2.3. Energia, serviços de terceiros e outras despesas operacionais 2.4. Perda na realização de ativos 3 – RETENÇÕES 3.1. Depreciação, amortização e exaustão 4 - VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE xxx xxx xxx % 20X 0 xxx xxx xxx %

(xxx) (xxx) (xxx) (xxx)

(xxx) (xxx) (xxx) (xxx)

(xxx) xxx

(xxx) xxx

5 - VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA 5.1.Resultado de equivalência patrimonial e dividendos de investimento avaliado ao custo 5.2. Receitas financeiras 5.3. Aluguéis e royalties xxx xxx xxx xxx xxx xxx

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6 - VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR

xxx

100%

xxx

100 %

7 - DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO 7.1. Empregados Salários e encargos Comissões sobre vendas Honorários da diretoria Participação dos empregados nos lucros Planos de aposentadoria e pensão 7.2. Tributos Federais Estaduais Municipais Menos: incentivos fiscais 7.3. Financiadores Juros Aluguéis 7.4. Juros sobre capital próprio e dividendos xxx xxx xxx % 7.5. Lucros retidos/prejuízo do exercício xxx % xxx Y% Y% Y% xxx xxx xxx Y% Y% Y% xxx xxx xxx xxx xxx Y% Y% Y% Y% Y% xxx xxx xxx xxx xxx Y% Y% Y% Y% Y%

xxx xxx xxx (xxx)

Y% Y% Y% Y%

xxx xxx xxx (xxx)

Y% Y% Y% Y%

Agora, que já conhecemos todos os elementos que devem contar na DVA, que tal praticarmos? De acordo com a memória de cálculo da EMPRESA TUREAD FTC, em que constam a GERAÇÃO DO VALOR ADICIONADO e a DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO, monte a DVA do exercício de 2007:

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EMPRESA TUREAD FTC
D V A EM 31 DE DEZEMBRO DE 2007 - MEMÓRIA DE CÁLCULO
GERAÇÃO DO VALOR ADICIONADO RECEITA DE VENDAS Produtos A e B 31.01.00.00 31.02.00.00 146.457 146.457 147.380 (923) (64.688) (8.643) (8.643) (13.590) (11.750) (1.840) (14.965) (14.620) (300) (45) (5.200) (2.000) (3.200) (11.650) (8.300) (1.500) (1.850) (10.640) (700) (9.940) 81.769 (4.450) (3.000) (1.450) 77.319 (5.100) (1.100) (4.000) 72.219
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Receita de vendas Deducoes de Vendas

CUSTO DOS PRODUTOS E SERVIÇOS Aquisição de produtos 51.00.00.00 Matéria prima Materiais e combustíveis 52.01.00.00 Materiais 52.02.00.00 Combustíveis Serviços contratados 53.00.00.00 Serviços contratados (serviços - custo) 41.30.01.00 Despesas com serviços terceiros PF 41.30.02.00 Despesas com serviços terceiros PJ Aluguéis e arrendamentos 56.00.00.00 Serviços e locações (serviços - custo) 41.30.03.00 Aluguéis e arrendamentos (despesa) Energia elétrica, comunicação e outros 54.00.00.00 Energia elétrica fábrica (serviços - custo) 41.30.04.00 Água (despesa) 41.30.05.00 Telefone (despesa) Fretes e carretos e seguros 55.00.00.00 Seguros contratados (serviços - custo) 41.30.06.00 Fretes e Carretos (despesa) VALOR ADICIONADO BRUTO Depreciações e amortizações 57.00.00.00 Depreciação e amortização 41.07.00.00 Depreciação e amortização VALOR ADICIONADO LÍQUIDO Recebido de Terceiros 41.50.00.00 Receita financeira 41.60.00.00 Equivalência patrimonial VALOR ADICIONADO AJUSTADO

EMPRESA TUREAD FTC DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (Informação adicional) PARA OS EXERCÍCIO FINDO EM 31 DE DEZEMBRO DE 2007

Geração do valor adicionado Receita de vendas, vendas canceladas e receitas não operacionais Menos: Serviços contratados Aquisição de Produtos Materiais Óleo combustível Despesas com vendas e administrativas Valor adicionado bruto Depreciações, amortizações e exaustão Valor adicionado líquido Recebido de terceiros Receitas financeiras Equivalência patrimonial Valor adicionado gerado Distribuição do valor adicionado Empregados Governo Financiadores Acionistas Reinvestimento Valor adicionado distribuido

2007 R$ mil

-

-

-

-

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A partir das informações constantes no balancete (memória de cálculo) elabore a DVA da empresa TUREAD FTC. Para facilitar ainda mais, vou fornecer a estrutura desta DVA.
EMPRESA TUREAD FTC DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (Informação adicional) PARA OS EXERCÍCIO FINDO EM 31 DE DEZEMBRO DE 2007

Geração do valor adicionado Receita de vendas, vendas canceladas e receitas não operacionais Menos: Serviços contratados Aquisição de Produtos Materiais Óleo combustível Despesas com vendas e administrativas Valor adicionado bruto Depreciações, amortizações e exaustão Valor adicionado líquido Recebido de terceiros Receitas financeiras Equivalência patrimonial Valor adicionado gerado Distribuição do valor adicionado Empregados Governo Financiadores Acionistas Reinvestimento Valor adicionado distribuido

2007 R$ mil 146.457 (25.620) (8.643) (11.750) (1.840) (16.835) 81.769 (4.450) 77.319 (5.100) (1.100) (4.000) 72.219

13.090 33.222 5.180 5.780 14.947 72.219

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Vamos relembrar? A Demonstração do Valor Adicionado pode ser considerada como principal item que compõe o Relatório da Diretoria (MARION, 2007).

Sites recomendados - http://www.classecontabil.com.br/ - http://www.cvm.gov.br/ - http://www.eac.fea.usp.br/ - http://www.fipecafi.com.br/ - http://www.ibracon.com.br/ - http://www.presidencia.gov.br/legislacao/ - http://www.receita.fazenda.gov.br/ - http://www.redecontabil.com.br/ - http://www.teses.usp.br/

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REFERÊNCIAS

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