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Verificando a apropriação da teoria piagetiana do desenvolvimento cognitivo usando tecnologia computacional: estudo de caso na formação de psicólogos

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Este estudo tem o objetivo de investigar a inserção da tecnologia computacional enquanto bem cultural na formação do psicólogo. Para tal, procuramos definir o objeto de estudo da Psicologia fundamentados na concepção sócio-histórica e, em seguida, ressaltamos algumas propostas para efetivar essa formação.
Apresentamos algumas experiências que nas quais o uso dos diversos aplicativos da tecnologia computacional vem possibilitando ao aluno do curso de Psicologia desenvolver postura mais ativa e participativa em seu processo de aprendizagem. Desenvolvemos estudo de caso a partir da elaboração de um Site, sobre uma temática estudada no curso de Psicologia, para ser pesquisado por alunos de um Centro Universitário. A partir da análise dos resultados, concluímos que o uso da tecnologia computacional, como mediadora de informações via Site, pode possibilitar ao futuro psicólogo ter mais autonomia no seu processo de aprendizagem, manter-se atualizado, retirar suas dúvidas através de correio eletrônico, possibilitando-lhe também criticar e avaliar suas atuações.
Este estudo tem o objetivo de investigar a inserção da tecnologia computacional enquanto bem cultural na formação do psicólogo. Para tal, procuramos definir o objeto de estudo da Psicologia fundamentados na concepção sócio-histórica e, em seguida, ressaltamos algumas propostas para efetivar essa formação.
Apresentamos algumas experiências que nas quais o uso dos diversos aplicativos da tecnologia computacional vem possibilitando ao aluno do curso de Psicologia desenvolver postura mais ativa e participativa em seu processo de aprendizagem. Desenvolvemos estudo de caso a partir da elaboração de um Site, sobre uma temática estudada no curso de Psicologia, para ser pesquisado por alunos de um Centro Universitário. A partir da análise dos resultados, concluímos que o uso da tecnologia computacional, como mediadora de informações via Site, pode possibilitar ao futuro psicólogo ter mais autonomia no seu processo de aprendizagem, manter-se atualizado, retirar suas dúvidas através de correio eletrônico, possibilitando-lhe também criticar e avaliar suas atuações.

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Carmen Cristina Rodrigues Schffer

Verificando a apropriação da teoria piagetiana do desenvolvimento cognitivo usando tecnologia computacional: estudo de caso na formação de psicólogos.

Belo Horizonte Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET-MG 2001

Carmen Cristina Rodrigues Schffer

Verificando a apropriação da teoria piagetiana do desenvolvimento cognitivo usando tecnologia computacional: estudo de caso na formação de psicólogos.
Dissertação apresentada como exigência parcial para a obtenção do grau de Mestre em Educação Tecnológica.

Belo Horizonte Centro Federal de Educação

Tecnológica – CEFET-MG 2001

III

Dedicatória
A meu querido esposo Ronaldo que, com amor, carinho e atenção me incentiva e ensina a cada dia a arte de viver e compartilhar, sem nada cobrar, dedico esta dissertação.

IV

Agradecimentos
A experiência de cursar o mestrado me proporcionou crescimento pessoal e intelectual. Muitas pessoas estiveram envolvidas nesse processo, algumas diretamente, outras de forma indireta, oferecendo incentivo e apoio. Dentre todas as pessoas que tiveram importância, manifesto os meus sinceros agradecimentos, particularmente, Ao meu orientador e amigo Prof. Dr. Sérgio Roman Palavecino, que com carinho, competência, seriedade e disponibilidade me permitiu crescer intelectualmente ajudando-me a trilhar o caminho da pesquisa; Ao Prof. Dr. Heitor Garcia de Carvalho, pela atenção, incentivo e disponibilidade com que me auxiliou nos momentos difíceis desta caminhada; Aos Professores Dr. Ronaldo Luis Nagen, Dr. Dácio Guimarães de Moura, Dr. Newton Ribeiro dos Santos, pela competência e seriedade nas atividades acadêmicas; Ao Prof. Dr. Sebastião Rogério Moreira pelo seu apoio e sua solicitude, dedicando seus esforços e tempo preciosos, para auxiliar uma recém-colega em seu trabalho; Aos diretores da Faculdade de Ciências Humanas do Centro Universitário – FUMEC, pelo incentivo e auxílio financeiro na capacitação de seus docentes; Ao Professor Irlen Antônio Gonçalves, meu amigo, que tanto me incentivou e auxiliou para que cursasse o mestrado no CEFET/MG; Aos amigos do Centro Universitário – FUMEC, aos quais sempre se mostraram companheiros e solidários e não me abandonaram nos momentos difíceis pelos quais passei; Às bibliotecárias (os) do Centro Universitário – FUMEC que não mediram esforços para que conseguisse ter acesso à bibliografia necessária; Aos sujeitos que participaram desta pesquisa, despendendo tempo e energia na contribuição ao trabalho de uma professora, sem nada receber em troca além de meus agradecimentos e carinho; Aos meus pais que tanto incentivaram e trabalharam que seus filhos tivessem acesso ao conhecimento ao qual eles não tiveram oportunidade; E a todos aqueles que, com carinho e apoio, me incentivaram nesse percurso, agradeço com singela gratidão.

V

Resumo

Este estudo tem o objetivo de investigar a inserção da tecnologia computacional enquanto bem cultural na formação do psicólogo. Para tal, procuramos definir o objeto de estudo da Psicologia fundamentados na concepção sócio-histórica e, em seguida, ressaltamos algumas propostas para efetivar essa formação. Apresentamos algumas experiências que nas quais o uso dos diversos aplicativos da tecnologia computacional vem possibilitando ao aluno do curso de Psicologia desenvolver postura mais ativa e participativa em seu processo de aprendizagem. Desenvolvemos estudo de caso a partir da elaboração de um Site, sobre uma temática estudada no curso de Psicologia, para ser pesquisado por alunos de um Centro Universitário. A partir da análise dos resultados, concluímos que o uso da tecnologia computacional, como mediadora de informações via Site, pode possibilitar ao futuro psicólogo ter mais autonomia no seu processo de aprendizagem, manter-se atualizado, retirar suas dúvidas através de correio eletrônico, possibilitando-lhe também criticar e avaliar suas atuações. Palavras Chave: formação psicólogo, site, desenvolvimento cognitivo, hipertexto.

VI

Summary

This study has the objective of investigating the insert of the technology computation while very cultural in the psychologist's formation. For such, we tried to define the object of study of the Psychology based in the partner-historical conception and, soon after, we pointed out some guidelines to execute that formation. We presented some experiences that in which the use of the several applications of the technology computation is making possible the student of the course of Psychology to develop more active posture and participation in your learning process. We developed empiric study starting from the elaboration of a Site, on a thematic one studied in the course of Psychology, to be researched by students of an Academica Center. Starting from the analysis of the results, we ended that the use of the technology computation, as mediation of information through Site, it can make possible the future psychologist to have more autonomy in your learning process, to stay updated, to remove your doubts through electronic mail, also making possible him/her to criticize and to evaluate your performances.

VII

Sumário
Dedicatória ...........................................................................................................................................III Agradecimentos .................................................................................................................................... IV Resumo .................................................................................................................................................. V Summary .............................................................................................................................................. VI 1 1.1 Introdução .................................................................................................................................... 1 A escolha da temática ............................................................................................................. 1

1.2 A necessidade de mudança na formação profissional e a inserção da tecnologia computacional ...................................................................................................................................... 4 2 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.5.1 2.5.2 2.5.3 2.5.4 2.5.5 2.5.6 2.5.7 2.5.8 2.5.9 2.6 3 3.1 3.1.1 3.1.2 3.1.3 3.1.4 3.1.5 O contexto antropológico na formação do psicólogo ................................................................ 15 A concepção de ser humano e o fenômeno psicológico segundo a abordagem positivista...... 15 A concepção de desenvolvimento .......................................................................................... 19 A constituição do ser humano e do psiquismo segundo a abordagem sócio-histórica ............ 21 Críticas da abordagem sócio-histórica ao positivismo .......................................................... 27 Formação do psicólogo ........................................................................................................ 31 Formação básica, sólida e pluralista ............................................................................................. 32 Formação científica, crítica e reflexiva......................................................................................... 34 Articulação teoria-prática ............................................................................................................. 34 Atendimento ás demandas sociais ................................................................................................ 35 Articulação ensino, pesquisa e extensão ....................................................................................... 36 Estágio Acadêmico ...................................................................................................................... 36 Compromisso ético ...................................................................................................................... 37 Formação interdisciplinar ............................................................................................................ 37 Formação continuada ................................................................................................................... 38 Habilidades requeridas ao psicólogo diante das novas demandas sociais ............................. 38 Tecnologia computacional e educação ...................................................................................... 40 A tecnologia computacional aplicada ao processo ensino-aprendizagem .............................. 41 Aprender informática ................................................................................................................... 42 Aprender a programar .................................................................................................................. 42 Recursos informáticos projetados especificamente no ensino ....................................................... 44 Aplicações informáticas da base para o tratamento da informação ............................................... 51 Internet ........................................................................................................................................ 53

3.2 Hipertexto e Educação.......................................................................................................... 57 3.2.1 Criação e apresentação de um site referente a conteúdo de psicologia .......................................... 62 4 4.1 5 6 7 Apresentação do método e análise dos resultados .................................................................... 67 Análise dos resultados .......................................................................................................... 73 Considerações finais .................................................................................................................. 94 Referências Bibliográficas ......................................................................................................... 98 Anexos ...................................................................................................................................... 107

VIII

Índice de Gráficos
GRÁFICO 1 – Distribuição por sexo dos futuros psicólogos que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ......................................................................................... 74 GRÁFICO 2 – Faixa etária dos futuros psicólogos que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ................................................................................................................. 75 GRÁFICO 3 – Estado civil dos futuros psicólogos que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ................................................................................................................. 76 GRÁFICO 4 – Grau de instrução do pai dos futuros psicólogos que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ......................................................................................... 76 GRÁFICO 5 – Grau de instrução da mãe dos futuros psicólogos que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ............................................................................. 77 GRÁFICO 6 – Distribuição percentual dos futuros psicólogos que trabalham, estagiam remuneradamente e não recebem remuneração e que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ......................................................................................... 77 GRÁFICO 7 – Percentuais dos futuros psicólogos que trabalham e não trabalham, e que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ........................................ 78 GRÁFICO 8 – Distribuição percentual dos responsáveis pelo custeio dos estudos dos futuros psicólogos que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ............................ 78 GRÁFICO 9 – Distribuição percentual dos futuros psicólogos que residem com os pais e não residem, e que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ............................ 79 GRÁFICO 10 – Distribuição percentual das zonas residenciais nas quais residem os futuros psicólogos que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ............................ 79 GRÁFICO 11 – Utilização do computador na vida acadêmica dos futuros psicólogos que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ...................................................... 80 GRÁFICO 12 – Distribuição percentual geral dos locais de utilização do computador pelos futuros psicólogos, que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ...... 81 GRÁFICO 13 – Distribuição percentual dos locais específicos de utilização do computador pelos futuros psicólogos, que se encontram entre o sexto e oitavo períodos dos cursos noturno e matutino do Centro Universitário – FUMEC. ...... 81

IX

Índice de Tabelas
Tabela 1 – Resultados da 1a aplicação da Escala de Likert em 5 sujeitos da amostra da pesquisa, que posteriormente tiveram acesso ao Site sobre “A teoria piagetiana do desenvolvimento cognitivo”. ........................................................... 85 Tabela 2 – Resultados da 1a aplicação da Escala de Likert em sujeitos da amostra da pesquisa, que posteriormente tiveram acesso ao Site sobre “A teoria piagetiana do desenvolvimento cognitivo”. ........................................................... 86 Tabela 3 – Resultados da 2a aplicação da Escala de Likert em sujeitos da amostra da pesquisa após terem acesso ao texto impresso sobre “A teoria piagetiana desenvolvimento cognitivo”. ................................................................ 88 Tabela 4 – Resultados da 2a aplicação da Escala de Likert em sujeitos da amostra da pesquisa apos acesso ao Site sobre “A teoria piagetiana do desenvolvimento cognitivo”. .................................................................................. 89 Tabela 5 – Resultados do Pré-teste em 10 sujeitos que não fizeram parte da amostra da pesquisa, e estão cursando Psicologia entre o sexto e décimo períodos para verificação do grau de consistência interna da escala de Likert. ........................................................................................................................... 1517

Índice de Anexos
ANEXO – 1 CARTA DE EXPLICAÇÃO.................................................................................................107 ANEXO – 2 FICHA – IDENTIFICAÇÃO:...............................................................................................108 ANEXO – 3 Questionário (II) destinado aos alunos/estagiários............................................................109 ANEXO – 4 Atitude sobre a teoria piagetiana do desenvolvimento infantil...........................................110 ANEXO – 5 Tabela 5 – Resultados do Pré-teste em 10 sujeitos que não fizeram parte da amostra da pesquisa, e estão cursando Psicologia entre o sexto e décimo períodos para verificação do grau de consistência interna da escala de Likert....................................................117 ANEXO – 6 Questionário (III) destinado aos alunos/estagiários:..........................................................118 ANEXO – 7 Teoria piagetiana do desenvolvimento cognitivo................................................................119

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1 Introdução
1.1 A escolha da temática
Esta dissertação investiga os aportes da tecnologia computacional na formação do futuro psicólogo, percorrendo a necessidade de ampliar e contribuir para melhor formação profissional, tendo em vista atender de forma mais efetiva as necessidades sociais. A motivação para a realização deste trabalho tem origem nas experiências da autora, nos últimos dez anos, no ensino de Psicologia do Centro Universitário – FUMEC (Fundação Mineira de Educação e Cultura). Nessa instituição, a autora teve oportunidade de iniciar a docência no Curso de Psicologia na Disciplina Psicopatologia Prática. Posteriormente, assumiu a disciplina Psicologia Comunitária, no sexto período do curso e teve a preocupação de trabalhar o paradigma interacionista na psicologia social e enfatizar seus campos e formas de intervenção, articulando-os à metodologia de ensino e prática interdisciplinar; objetivando assim entender o ser humano inserido no contexto histórico. Buscava-se compreender o ser humano a partir de sua inserção na sociedade, como enfatiza BOCH (1999). Diante dessa concepção de ser humano, visava-se construir a atuação comprometida com a realidade social dos grupos carentes e excluídos da cidadania mínima; já que esse tipo de enfoque teórico-prático, até o momento, não era contemplado. A experiência anterior foi geradora, no ano de 1991, de proposta de Estágio Comunitário, na periferia de Belo Horizonte, para possibilitar aos alunos a articulação entre a teoria da disciplina de psicologia comunitária e a prática. Com essa prática, objetivava romper com a ênfase nos aspectos estritamente individuais e patológicos, tão presentes na formação do psicólogo (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 1988). Acreditava que a atuação em psicologia social possibilitaria ao futuro profissional aproximar-se das novas demandas e das necessidades da sociedade e, com isso, pudesse voltar ao ambiente acadêmico repensando suas atuações, o que acarretaria reflexões e intervenções mais contundentes e eficientes. Mas, apesar de todo empenho, esse objetivo nem sempre foi alcançado pela grande maioria dos estagiários. Isso pelo fato deles se sentirem inseguros diante dessa nova prática, demandarem modelos técnicos e normatizantes para suas atuações e apresentarem dificuldades no trabalho com a diversidade de pensamentos.

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Além da formação profissional, outra questão foi objeto de preocupações da autora: a contribuição que esta profissão tem dado à sociedade, no sentido de atender às suas necessidades de forma poder, efetivamente, beneficiá-la. Todo seu esforço foi direcionado ao acompanhamento das atividades e na instrumentalização dos alunos. Porém, percebeu que apenas a disciplina que lecionava não era capaz de romper com o modelo no qual todo o curso de Psicologia estava estruturado, o modelo tecnicista no qual todo o curso de Psicologia estava estruturado. Nesse caso, começou a indagar sobre o perfil do profissional vigente na instituição e o que deveria formar, bem como, sobre as inovações e mudanças ocorridas na sociedade que não entravam no ambiente acadêmico. Essas inquietações a mobilizaram participar da chefia e vice-chefia do Departamento de Organizações e Grupos; mas, diante da estrutura das relações de poder, pouco, ou quase nada pôde ser feito, na tentativa de repensar o tipo de profissional que a instituição estava formando e o que deveria ser mudado ou inovado. As questões que a inquietavam, enquanto docente e psicóloga, eram respaldadas por crítica do Conselho Federal de Psicologia e dos respectivos Conselhos Regionais. Os questionamentos externos sobre a formação do psicólogo vieram somar-se aos de alguns docentes da FUMEC. Com a proporção tomada por esse movimento, a FUMEC instituiu a Primeira Comissão de Reformulação do Currículo do Curso de Psicologia, a partir de 1996, da qual a autora fez parte e que concluiu suas atividades em 1998. Porém, a proposta elaborada para formação do futuro psicólogo foi submetida à avaliação de representantes da comunidade docente e de uma consultora em currículo, que a avaliaram como proposta que não contemplava as transformações pelas quais vêm passando a ciência e a sociedade. Diante disso, nova comissão foi constituída, da qual também fez parte, para elaboração de novo currículo. Essa comissão iniciou suas atividades em 1998 e encerrou-as em novembro de 2000. Ainda que haja inovações nas propostas para a formação do psicólogo, salientada por MELLO (1980), BORGES (1988), MELLO (1989), BUETTNER (1990), PARDO et al. (1993), BOCK (1997) e BETTOI (1998), grande parte dos cursos de Psicologia ainda não discute e nem mesmo utiliza significativamente a tecnologia computacional. Nessa trajetória, a autora vem constatado que os recursos tecnológicos têm migrado para a educação e constituído equipamento favorecedor do processo ensinoaprendizagem. No II Seminário Nacional de Informática Educativa, realizado em

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Salvador, no ano de 1982, um grupo de psicólogos destacou como uma de suas preocupações “a formação de professores para o trabalho do computador na educação” (OLIVEIRA, 1997:33). Os questionamentos dos psicólogos sobre a tecnologia computacional aplicada no processo ensino-aprendizagem já ocorrem a algum tempo, mas o mesmo não se pode dizer sobre essa reflexão no processo de formação dos psicólogos na grande maioria das universidades, com exceção da Universidade de São Paulo (USP) e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Alguns autores como MOREIRA (1986), MACEDO (1997) & GONÇALVES (1999) enfatizam a migração da tecnologia computacional para o campo da educação e avaliam suas possibilidades enquanto um recurso a mais a ser utilizado no processo ensino-aprendizagem, com a finalidade de melhor instrumentalizar os alunos para ingressarem no mercado de trabalho cada vez mais competitivo. No processo de formação profissional, o recurso computacional, quando presente no curso de psicologia, não pode ser visto como adereço, pois, dessa forma, em nada estaria contribuindo efetivamente para a melhoria da formação profissional e expansão dos serviços prestados à sociedade. O próprio Conselho Federal de Psicologia, através da Resolução nº003/2000, de 25 de setembro de 2000, considera que são necessários incentivos e pesquisas da interação humana mediada pelo computador nos cursos de Psicologia e nos fóruns de debate da categoria profissional, a fim de avaliar seus alcances e limitações na atuação do psicólogo. E reconhece:
“os serviços psicológicos mediados por computador desde que não psicoterapêuticos, tais como orientação psicológica e afetivo-sexual desde que pontuais e informativas, orientação profissional, orientação de aprendizagem e psicologia escolar, orientação ergonômica, consultorias a empresas, reabilitação cognitiva, ideomotora e comunicativa, processos prévios de seleção de pessoal, utilização de softwares informativos e educativos com respostas automatizadas, e outros, desde que não firam o dispositivo no Código de Ética Profissional do Psicólogo” (Art. 5º. Resol. 003/2000).

Diante desse quadro de transformações, a prática docente da autora sinaliza a necessidade de ampliar seus conhecimentos sobre a questão: que benefícios que o uso da tecnologia computacional, como transmissora de informações sobre os fundamentos da teoria piagetiana do desenvolvimento cognitivo, pode proporcionar à formação do futuro psicólogo. Já que esse recurso tem estado presente enquanto um equipamento promissor na educação e em diversos cursos superiores, é preciso

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 Epistemologia genética – estudo da passagem de um conhecimento a outro conhecimento superior.  Estágios – “são estruturas de conjunto caracterizadas por leis de totalidade de tal forma que cada estrutura se relaciona ao todo e só é significativa em relação a este todo” (COUTINHO & MOREIRA, 1992:63).  Estágio da inteligência sensório-motora – “consiste numa adaptação prática ao mundo (…) construída, progressivamente, após o nascimento a partir dos reflexos (…) e se compõe de seis subestágios através dos quais a criança chega a uma adaptação inteligente” (COUTINHO & MOREIRA, 1992:64).  Esquema – pode ser definido como modelo de atividade que o organismo utiliza para incorporar o meio.  Estágio da inteligência lógico-formal – neste estágio o pensamento da criança “afasta-se do nível figurativo e concreto, tornando-se capaz de refletir sobre suas próprias operações independente de seu conteúdo. As operações formais recaem sobre hipóteses e não mais sobre os objetos (…). O raciocínio hipotético-dedutivo torna-se possível e, com ele, a constituição de uma lógica formal aplicável a qualquer conteúdo” (COUTINHO & MOREIRA, 1992:81).  Estágio da inteligência operatório-concreta – esse estágio pode ser subdividido em dois subestágios: “o primeiro, de preparação, é caracterizado por condutas pré-operatórias (…). O segundo é marcado pelo surgimento das operações, isto é, de ações representativas tornadas reversíveis e pela organização das operações em estruturas de conjunto, inicialmente simples, mas que vão se tornando cada vez mais complexas” (COUTINHO & MOREIRA, 1992:69).  Imagem mental – é produto da interiorização dos atos de inteligência. É a imagem criada na mente em relação ao objeto ou ação distante.  Inteligência – é a capacidade de adaptação do organismo à situação nova.  Interacionista – teoria psicológica que sustenta que o desenvolvimento do comportamento humano é construção resultante da interação do organismo com o meio em que está inserido. Esta teoria valoriza igualmente o organismo e o meio.  Jogo simbólico – reprodução de situações já vividas pelo indivíduo através de imagens mentais. No jogo simbólico, "a representação é nítida e o significante diferenciado pode ser um gesto imitativo, porém acompanhado de objetos que vão se tornando simbólicos" (PIAGET & INHELDER, 1989:48).  Método clínico – conversação livre com a criança sobre tema dirigido pelo interrogador, que segue as respostas da criança, e lhe pede que justifique o que disse. O interrogador faz contra-sugestões à criança em cada resposta e faz com que ela fale, cada vez mais, livremente. Assim, acaba-se por

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obter, em cada domínio da inteligência um procedimento clínico de exame, análogo ao que os psiquiatras adotaram como meio de diagnóstico.  Pensamento intuitivo –caracterizado pelo raciocínio simbólico, baseado na intuição subjetiva, falta-lhe o caráter estável e reversível do verdadeiro pensamento operacional (PULASKI, 1990).  Processo de Equilibração – refere-se às mudanças sucessivas no sujeito resultantes dos processos de assimilação e acomodação. É processo regulador interno de diferenciação e coordenação que tende sempre para melhor adaptação (KAMIL & DEVRIES, 1991).  Transmissão social – diz respeito ao fator da educação que é fundamental, mas não suficiente. Para a transmissão ser possível entre o adulto e a criança ou entre o meio social e a criança a ser educada, é necessário que ela assimile o que o meio lhe quer transmitir. E essa assimilação é acionada pelas leis do desenvolvimento.  Transposição simbólica – representação através das brincadeiras de cenas ou fatos reais.

Referências Bibliográficas:
CARVALHO, Vânia Brina de. Desenvolvimento Humano e Psicologia: generalidades, conceitos, teorias. Belo Horizonte: UFMG, 1996, p. 38-91. COUTINHO, Mª. Tereza da C. & MOREIRA, Mércia. Psicologia da Educação: um estudo dos processos psicológicos de desenvolvimento e aprendizagem, voltados para a educação. Belo Horizonte: Lê, 1992. GOULART, Iris Barbosa. Psicologia da Educação: fundamentos teóricos e aplicações à prática pedagógica. 6ª. ed. Petrópolis: Vozes, 1999. KAMIL, Constance, DEVRIES, Retha. Piaget para a educação pré-escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991. HARDY, Malcolm & HEYES, Steve. O desenvolvimento do intelecto. In: Uma nova introdução á Psicologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1981, p.105-109. PIAGET, Jean. A linguagem e o pensamento da criança. 3ª ed. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1973 a. PIAGET, Jean. A Psicologia da criança. 2ª. ed. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1973 b. PIAGET, Jean. A construção do real na criança. 2ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1975. PIAGET, Jean. Psicologia da inteligência. Rio de Janeiro: Zahar, 1977. PIAGET, Jean, INHELDER, Barbel. A psicologia da criança. 10a ed., Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989. PULASKI, Mary Ann Spencer. Compreendendo Piaget – uma introdução ao desenvolvimento cognitivo da criança. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1986. RAMOZZI-CHIAROTTINO, Zelia. Psicologia e epistemologia genética de Jean Piaget. São Paulo: EPU. 1988.

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