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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE FAMÍLIA

DA COMARCA DE GUAÍBA - RS.

PROCESSO N.: 052/1.09.000098-5

GERSON SILVA DA ROSA, já qualificado na ação supra,


por intermédio de seus procuradores, com instrumento de
mandato anexo, vem, mui respeitosamente à presença de
Vossa Excelência, interpor a presente contestação.

da ação proposta por DANIELA RODRIGUES DA SILVA, já


qualificada nos autos do processo supra, pelos fatos e fundamentos que passa a
expor.

DO MÉRITO
A autora propôs ação de separação judicial pretendendo
separação de corpos, alimentos, guarda dos filhos menores, partilha de bens, a
mantença do nome de casada. Liminarmente este M.M. Juizo deferiu a liminar para a
separação de corpos e alimentos.

Realmente as partes celebraram matrimônio em 10 de maio de


1999, pelo regime de comunhão parcial de bens, sendo que, na constância casamento,
nasceram 02 (dois) filhos homens, hoje, todos menores e impúberes com 10 (dez) e 14
(quatorze) anos.
A vida do até então casal vinha se desenvolvendo em perfeita e
completa harmonia. O Requerido no desenrolar do convívio, arcava com todas das
despesas da família em questão, como vestuário, alimentação, educação, moradia,
cuidados com a saúde, lazer e demais obrigações, pois naquela época o mesmo tinha,
relativamente, um bom cargo na empresa em que trabalha, o qual lhe dava condições
de arcar com essas obrigações.

Aliás, o Requerido além de custear o sustento dos filhos e da


Autora, pagou também todos os estudos da mesma, até o fim do curso universitário de
Direito na Universidade Luterana, em Guaíba, conforme confirma as deduções nas
declarações do imposto de renda do requerido (doc. anexo).

Porém, no começo do ano de 2009 o Requerido teve o infortúnio


de, frente a uma crise enfrentada pela empresa, ter sua carga horária reduzida, tendo
conseqüentemente a sua renda reduzida, passando a perceber o valor de R$ 2.000,00,
conforme cópia da CTPS anexa. Sendo assim, depois deste lamentável fato, teve início
insistentes cobranças da Requerida em relação à queda do poder aquisitivo do casal.

Devidos às referidas cobranças, brigas e humilhações que foi alvo


o Requerido por parte da Autora, o mesmo foi acometido por uma profunda depressão
que o levou a procurar tratamento psicológico, o qual, em momento algum teve a
colaboração da Requerente, que achava o fato de seu companheiro precisar de uma
orientação profissional um grande desperdício de dinheiro, pois na sua visão, tais
valores deveriam ser consumidos também por ela.

Importante ainda salientar que quando o Requerido foi demitido a


Autora, conseguiu boa fonte de renda, vendendo jóias e semi-jóias, de forma
autônoma, atividade a qual desenvolve até hoje. Porém, mesmo assim, levando em
consideração a difícil situação que estava passando o cônjuge, a Requerida em nada
contribuía para amenizar o problema, pois todos os seus proventos mensais foram
destinados na compra de (01) um carro relativamente de luxo, deixando o primeiro
arcando, mesmo assim, com todas as despesas da casa.

Depois de quase 01 (um) ano de crise financeira e conjugal a


Autora no dia 02 de fevereiro de 2010 não pensando duas vezes, informou o fim do
relacionamento, mandando o requerido embora da casa do casal, abandonando-o sem
qualquer tentativa de conciliação.

Contudo, o Requerido mesmo abalado com atitude de sua


companheira, não se deixou dominar pela depressão. Aliás, o próprio tinha tido alta
pelos seus médicos 01 (um) mês antes da Autora ter o expulsado de casa, conforme
laudo anexo.

Como se não bastasse o Requerente ter que reconstruir sua vida


praticamente a partir do zero e destinar voluntariamente, conforme comprovantes de
depósitos na conta da autora, anexos, boa parte de seu salário para o sustento de seus
filhos, a Requerente, ainda, se negava a deixar o primeiro a visitar seus próprios filhos,
que sempre amou e cuidou da melhor maneira que lhe era possível, apesar de todos
estes contratempos aqui aludidos.

A autora postula 45% dos rendimentos líquidos do requerido, o


que não faz jus, senão vejamos:

A autora desenvolve atividade informal, conforme elencado


acima, o que o autor comprova com algumas notas, recibos e catálogos de produtos
anotados com a letra da autora, os quais teve acesso durante a vida conjugal.
Porquanto, não faz jus ao pedido de alimentos para a autora.

Conforme o artigo 1.704 do Código Civil:


Art. 1.704. Se um dos cônjuges separados judicialmente vier
a necessitar de alimentos, será o outro obrigado a prestá-
los mediante pensão a ser fixada pelo juiz, caso não tenha
sido declarado culpado na ação de separação judicial.

Tendo em vista o artigo citado e a condição da autora, uma vez


que com a venda de suas jóias conseguiu efetuar a compra de um carro de luxo,
comprovada está a sua capacidade e independência financeira.

Em relação à partilha dos bens, não faz sentido a “sugestão” da


autora em face do artigo 1.660, I do Código Civil, o qual prescreve que:
Art. 1.660. Entram na comunhão:
I - os bens adquiridos na constância do casamento por
título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges;

Tendo em vista a prescrição legal, requer a divisão dos bens


descritos na inicial na cota de 50% do total dos bens do casal para cada cônjuge.

Quanto aos alimentos aos filhos, o autor não se escusa de prestá-


los, o que requer sejam arbitrados em 25% dos seus rendimentos, com base na Lei nº
5.478, de 25 de julho de 1968.
Quanto à visitação, o requerido não concorda com os termos
propostos pela autora, uma vez que acredita ser essencial para o bom
desenvolvimento dos filhos um contato maior com o pai. Por isso requer sejam os filhos
entregues ao pai todos os sábados às 20 horas, os quais voltarão à casa da mãe às 20
horas do domingo, tendo duração de 24 horas por semana.

Diante do acima exposto, REQUER:

a) O recebimento da presente peça e sua juntada nos autos do processo


supra, eis que tempestiva;
b) Sejam fixados os alimentos ao final da ação no importe de 25% dos
rendimentos líquidos auferidos pelo requerido, em nome da autora. Em
caso de desemprego requer sejam arbitrados os alimentos em 30% do
salário mínimo nacional;
c) Sejam os bens do casal divididos em partes iguais determinando 50% do
total dos bens para o requerido e os outros 50% para a requerente;
d) Seja deferido ao Réu os benefícios da JUSTIÇA GRATUITA, nos termos
da Lei 1.060/50 e de conformidade com a declaração de pobreza, anexa;
e) Seja julgada parcialmente procedente a ação com relação aos itens que
dizem respeito à separação judicial, guarda, e partilha de bens, conforme a
inicial.
f) Seja julgada improcedente a ação com relação aos alimentos, visitação
dos menores, divisão dos bens, nos termos do acima exposto.

Requer a produção de todas as provas em Direito admitidas, em especial pela


juntada de documentos, oitiva de testemunhas e depoimento pessoal da autora, sob
pena de confesso.
Termos em que,
Pede Deferimento
Guaíba/RS, 08 de junho de 2010.

Advogado Advogado
OAB OAB