ASTROBIOLOGIA

Molécula orgânica achada em meteorito é extraterrestre
DA FRANCE PRESSE

Um grupo de cientistas do Imperial College de Londres publicou ontem um estudo que reforça as evidências de que moléculas precursoras da vida encontradas em um meteorito achado na Austrália são mesmo extraterrestres. Usando cromatografia – método para separar substâncias – os físicos chegaram à conclusão de que os compostos orgânicos complexos achadas no objeto não são "contaminação" da amostra com material terrestre. As moléculas achadas no meteorito, a uracila e a xantina, são nucelobases – peças que integram moléculas genéticas como o DNA. Segundo os cientistas, o estudo na revista "Earth Planetary Science Letters" não é uma evidência direta da existência de ETs, mas aponta maior probabilidade de que a vida surja Universo afora. "Achamos que a vida inicial na Terra tenha adotado nucleobases de fragmentos de meteoritos para uso no código genético", diz Zita Martins, que assina o estudo. Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1606200803.htm ----------------------------------

A PRIMEIRA CÉLULA
10-02-2008 + Marcelo Gleiser MARCELO GLEISER, é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro "A Harmonia do Mundo" A primeira célula

Para entender a vida, temos de buscar a origem de sua unidade Aprendemos em biologia, numa das primeiras lições: a célula é a unidade fundamental de um organismo, consistindo de uma membrana circundando um núcleo que flutua em citoplasma. Sabemos que células podem sobreviver por conta própria. Muitos organismos microscópicos, como a ameba ou o paramécio, consistem em apenas uma célula. Um vírus é uma entidade ainda mais simples, mas que não é propriamente viva: consistindo de uma cápsula feita de proteína e um interior com material genético, só consegue se replicar quando está dentro de uma célula viva. Portanto, podemos dizer que a célula é a unidade fundamental da vida. Se quisermos entender a origem da vida, temos que entender como surgiram as primeiras células. Alguns cientistas estão tentando fazer exatamente isso. Em seus laboratórios, procuram sintetizar uma célula primitiva, capaz de se reproduzir e sobreviver por si mesma. Em ciência, a mesma questão pode ser abordada de várias formas diferentes. No caso da origem da primeira célula, existem três caminhos. No primeiro, investigado no Instituto J. Craig Venter, cientistas procuram uma célula mais básica: usando o micróbio parasita Mycoplasma genitalium, responsável por infecções urinárias, partem do mais complicado para o mais simples. O parasita tem apenas 528 genes no seu DNA, dos quais muitos são supérfluos. A questão é quais são eles e qual é o número mínimo de genes numa célula capaz de sobreviver. O processo é lento: combinações de genes são extraídas metodicamente e a célula resultante é testada. Um dia os pesquisadores esperam chegar ao conjunto mínimo de genes capaz de manter a célula viva. Uma vez que estes sejam encontrados (se forem encontrados), o plano é recriar o DNA sinteticamente. A tarefa é complexa: ninguém conseguiu criar um DNA com centenas de milhares de unidades. Mesmo se o projeto falhar, as técnicas que estão sendo desenvolvidas permitirão o reparo e a reconstrução de material genético. Por exemplo, seria possível criar uma célula capaz de converter detritos orgânicos em hidrogênio combustível.

Críticos afirmam que esse procedimento não leva de fato à resolução do enigma da primeira célula. Afinal, esse parasita evoluiu durante centenas de milhões de anos para chegar ao seu estado atual. Outro grupo publicou uma receita para a construção de uma célula usando partes avulsas, como num kit de montagem de aeromodelo. Nessa receita, o maquinário molecular responsável pela vida seria baseado num genoma sintético com 151 genes e mais algumas proteínas. Uma vez encontrado, esse material é circundado por uma membrana de gordura (lipídios). Ao menos a membrana foi construída com sucesso. E proteínas foram sintetizadas em seu interior, o começo de algo semelhante à vida. Mesmo esse processo usa moléculas modernas, produtos de bilhões de anos de evolução. O desafio é começar do começo, criando vida a partir do que não vive, como ocorreu na Terra há aproximadamente 3,8 bilhões de anos. Um terceiro grupo, da Universidade Harvard, vem tentando fazer isso: uma célula consistindo de uma membrana e uma única molécula de RNA capaz de se auto-replicar. O desafio aqui é encontrar essa molécula. Estamos em desvantagem: a vida teve centenas de milhões de anos para realizar seus experimentos até encontrar a combinação certa. Por outro lado, temos nossa curiosidade e o conhecimento acumulado de centenas de anos de ciência. Com paciência e persistência, não se surpreenda se, em algumas décadas, gerar vida no laboratório virar rotina. MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro "A Harmonia do Mundo" http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1002200802.htm

O PARADOXO DE FERMI (OU ONDE ESTÃO OS EXTRATERRESTRES?)
03/07/2005 O paradoxo de Fermi (ou onde estão os extraterrestres?) A evidência de que dispomos diz que estamos sozinhos

Marcelo Gleiser, é professor de física teórica do Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "O Fim da Terra e do Céu" Enrico Fermi foi um dos grandes físicos do século 20 e da história. Além de descobrir uma das propriedades mais importantes da matéria (a de que partículas como elétrons, prótons e nêutrons, quando sujeitas a alta pressão, exercem uma força repulsiva que explica a condutividade térmica de metais e a estabilidade de estrelas de nêutrons), foi o pioneiro do estudo de reação nuclear em cadeia, importante para bombas atômicas e reatores nucleares. Além de sua legendária rapidez de cálculo e habilidade em estimar respostas para perguntas aparentemente absurdas ("Quantos afinadores de piano moram em São Paulo?", por exemplo), Fermi gostava de criar paradoxos. No verão de 1950, ele estava em Los Alamos, onde a bomba nuclear americana foi desenvolvida. A revista "New Yorker" tinha publicado uma charge com um ET roubando todas as latas de lixo de Nova York, aparentemente explicando o seu misterioso sumiço. Durante o almoço, Fermi comentou o assunto. De repente, no meio da conversa, ele exclamou: "Cadê todo mundo?". Seus colegas sabiam que Fermi falava dos ETs. Mesmo que ninguém tenha publicado o que foi dito, podemos estimar o teor da discussão. Nossa galáxia tem 100 mil anos-luz de diâmetro e uma idade aproximada de 10 bilhões de anos. Vamos supor que a vida só é possível em planetas como a Terra, girando em torno de estrelas como o Sol. Foram necessários 5 bilhões de anos para que a vida inteligente se desenvolvesse aqui na Terra, metade da idade da galáxia, a segunda metade. É razoável supor que estrelas como o Sol tenham surgido também durante os cinco primeiros bilhões de anos de existência da galáxia. Portanto, deveria haver várias civilizações inteligentes, muito mais antigas que a nossa, talvez bilhões de anos mais antigas. Supondo que existam, imaginemos uma "apenas" 1 bilhão de anos mais velha. Se os ETs fossem capazes de viajar à 1/10 da

velocidade da luz, em 1 bilhão de anos já poderiam ter atravessado a galáxia mil vezes. Ou seja, essa civilização já poderia ter colonizado a galáxia inteira. Cadê todo mundo? Esse é o paradoxo de Fermi. Inúmeras soluções foram propostas ao longo dos anos. Não tendo espaço para discuti-las em detalhe (o leitor pode consultar o livro de Stephen Webb, "Where is Everybody?") , menciono os três tipos de solução. 1) "Eles estão aqui". A mais popular para os que acreditam em objetos voadores não-identificados e em intrigas secretas, especialmente as atribuídas ao governo americano. Infelizmente, não existem provas convincentes. Uma idéia curiosa é a de que vivemos em uma zona de proteção criada por ETs. "Eles" não querem que saibamos de sua existência. Esse cenário, embora interessante, não pode ser testado. 2) "Eles existem, mas ainda não se comunicaram conosco". Ou porque os sinais ainda não chegaram, ou porque ainda não somos capazes de decodificá-los, ou porque os alienígenas não querem se comunicar. 3) "Eles não existem". Planetas rochosos com água são raros, a vida é rara e a vida inteligente mais ainda, especialmente no mesmo nível mental e tecnológico alcançado por nós. A evidência de que dispomos aponta em uma direção: estamos sozinhos. Felizmente, ainda não podemos concluir nada com base nisso. A situação pode mudar a qualquer momento, com um sinal de rádio, uma visita com provas. Mas, se estamos sozinhos, temos a responsabilidade de preservar nosso planeta e a vida nele. Até estarmos prontos para colonizar a galáxia. Marcelo Gleiser é professor de física teórica do Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "O Fim da Terra e do Céu"
Autor: MARCELO GLEISER Origem do texto: COLUNISTA DA FOLHA Editoria: MAIS! Página: 9 Edição: São Paulo Jul 3, 2005 Seção: + CIÊNCIA; MICRO/MACRO Assuntos Principais: ASTRONOMIA; UFOLOGIA; ENRICO FERMI

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Livros recomendados::mg
“O fim da Terra e do Céu”, O apocalipse na Ciência e na Religião, Marcelo Gleiser, 336 páginas, Editora Companhia das Letras, Rio de Janeiro, 2002. www.companhiadasletrinhas.com.br/ “Cartas a um Joven Cientista”, O Universo, a vida e outras paixões, Marcelo Gleiser, Rio de Janeiro, RJ, Editora Elsevier, 2007. “Poeira das Estrelas”, De onde viemos? Para onde vamos? Estamos sozinhos no Universo?, Marcelo Gleiser (Textos de apoio: Frederico Neves), São Paulo, SP, Editora Globo, 2006. “A Harmonia do Mundo”, Aventuras e desventuras de Johannes Kepler, sua astronomia mística e a solução do mistério cósmico, conforme reminiscências de seu mestre Michael Maestlin. Marcelo Gleiser, São Paulo, SP, Editora Companhia das Letras, 2006. “Micro Macro”, Marcelo Gleiser, Publifolha. “Micro Macro 2”, Marcelo Gleiser, Publifolha. "Micro Macro 2" é uma reunião das colunas de Marcelo Gleiser, publicadas no caderno "Mais!" da Folha de S.Paulo de 2004 a 2007. “O Livro do Cientista”, Col. Profissões. Marcelo Cipis / Marcelo Gleiser, Companhia das Letrinhas. “Mundos Invisíveis: da Aquimia à Física de Partículas”. Marcelo Gleiser, 288 páginas. Editora Globo, 2008.

Depois do sucesso de Poeiras nas Estrelas, o físico Marcelo Gleiser lança seu novo livro Mundos invisíveis: Da alquimia à física de partículas, pela Editora Globo. Nesta obra, o autor analisa os fenômenos físicos do micro para o macro, partindo das subpartículas do átomo para desvendar o universo. Para explicar tudo isto, Gleiser parte da simples pergunta: Do que tudo é feito?. Logo nas primeiras páginas, o escritor nos apresenta a frase O essencial é invisível aos olhos, de Antoine de Saint-Exupéry, sugerindo a idéia de que geralmente não prestamos muita atenção naquilo que está ao nosso redor.Posteriormente, ele explica ao leitor como a partir da simples observação de um fenômeno natural, ou de algo que intrigava as pessoas, foi possível chegar às principais descobertas do conhecimento.Ao longo de dez capítulos, Gleiser, autor também de um quadro no programa Fantástico, da Rede Globo, aborda os principais questionamentos da ciência na história. A busca do elixir da vida pelos alquimistas, os estudos sobre o cosmo, a eletricidade e o magnetismo e a fascinante teoria da relatividade são alguns dos temas abordados no livro. Com exemplos e analogias simples, presentes no nosso cotidiano, Gleiser explica as descobertas e experimentações de estudiosos como Aristóteles, Isaac Newton e Albert Einstein, na busca de desvendar um mundo invisível que determina a composição de tudo o que existe na natureza. Além de fotos e ilustrações, que enriquecem as teorias apresentadas, a obra também conta com textos de apoio, escritos pelo jornalista Frederico Neves.Desde o pensamento de Nicolau Copérnico, para quem o Sol, e não a Terra, era o centro do cosmo, até o surgimento da bomba nuclear, na Segunda Guerra Mundial, o autor propõe uma espécie de viagem no tempo para contar a história dos mais antigos mestres da ciência e seus discípulos - pessoas que foram capazes de trazer grandes descobertas para a humanidade.O livro é essencial para todos aqueles que querem conhecer os estudiosos que, movidos pela curiosidade e pelo seu espírito criativo, foram corajosos o suficiente

para desafiar todos os conceitos de sua época e quebrar paradigmas. ------------------------------------“MARCELO GLEISER, OBRIGADO PELOS SEUS ARTIGOS TÃO ESCLARECEDORES. TENHA CERTEZA DE QUE, O SEU TRABALHO DE DIVULGAR INFORMAÇÕES CIENTÍFICAS ‘CORRETAS’ E ‘VERDADEIRAS’ VÃO DE ENCONTRO A TODOS QUE PROCURAM O CONHECIMENTO VERDADEIRO E HONESTO”.

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