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Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães

CONTABILIDADE E FISCALIDADE DAS MAIS-VALIAS
(MENOS-VALIAS) DO IMOBILIZADO

Boletim APECA n.º 87, Dezembro de 1998, pp. 17

Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães

INTRODUÇÃO

O tratamento contabilístico (POC) e fiscal (IRC e IRS) das mais-valias e menos-valias do
imobilizado já mereceu da nossa parte uma abordagem, não tão profunda quanto esta, em
estudo anterior1. Assim, iremos aproveitar sinergias, através da reprodução de alguns en-
tendimentos, nossos e de outros autores, sobre a matéria em epígrafe.

O motivo pelo qual decidimos retomar o assunto preende-se, essencialmente, com a neces-
sidade de alargar o desenvolvimento do tema a outros aspectos aí não abordados, de que
destacamos:

a) Um enquadramento dentro da problemática da internacionalização da Economia e da
Fiscalidade, com algum realce para o comportamento fiscal dos contribuintes;

b) A conceptualização e a internacionalização da Fiscalidade e da Contabilidade, com os
respectivos reflexos nas mais-valias;

c) Um maior aprofundamento dos conceitos ligados às mais-valias, designadamente os de
“reinvestimento”, de “não tributação” (ou “exclusão de tributação”) e de “tributação diferida”;

d) A importância da tomada de decisões (Fiscalidade) inerente às mais-valias;

e) A análise de alguns casos especiais (particulares) de aplicação das mais-valias, nomea-
damente nas SGPS e nas Sociedades Desportivas;

f) Algumas referências pontuais a aspectos do enquadramento das mais-valias em sede do
IRS;

g) Apontamentos breves sobre o enquadramento internacional das mais-valias.

1. ALGUNS ASPECTOS (PROBLEMAS) ACTUAIS DA FISCALIDADE

1.1 A INTERNACIONALIZAÇÃO DA ECONOMIA E A FISCALIDADE

Um dos problemas importantes relacionados com a Fiscalidade é, sem dúvida, o problema
da internacionalização da economia e, consequentemente, das empresas.

A internacionalização ou globalização da economia tem por efeito a importância crescente
da Fiscalidade. As distorções são mais possíveis, a influência do factor fiscal no investimen-
to mais evidente. E menciona-se ainda o aumento da possibilidade de evasão e planeamen-
to fiscais. Com efeito, desaparecidos factores que seriam impeditivos do investimento, o
factor fiscal assume importância não conhecida (Pires, 1993: 16).

1
Vide nosso livro, artigo com o mesmo título, pp. 389-400. Este trabalho foi também publicado na revista Euro-
contas n.º 30, de Setembro/97.

Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães

É neste quadro, no quadro da internacionalização ou globalização, no quadro da integração,
que se fala crescentemente de harmonização2, pensando no âmbito das receitas (o domínio
das despesas tem de ser atentamente considerado em conjunção, pois pode frustar o que
se pretende com a harmonização) (Pires, 1993: 18).

O problema da internacionalização desemboca num outro que tem gerado muita polémica: o
da evasão e fraude fiscal3, que origina a perda de receitas por parte do fisco. Porém, não
devemos confundir este fenómeno com o planeamento fiscal (fiscal planning).

Uma das formas mais comuns da evasão e fraude fiscal internacional reconduz-se à utiliza-
ção pelo contribuinte de paraísos fiscais (Menezes Leitão, 1993: 306-7)4.

De notar que alguns desses paraísos fiscais (“off-shore”) não prevêem qualquer tributação
dos rendimentos das mais-valias e do capital. É o caso das Baamas, das Ilhas Cayman, das
Novas Ibéricas, das Ilhas Turks e das Caicos.

A sociedade de base5 pode, além de se limitar a armazenar os fluxos de rendimentos, pro-
ceder, em segundo grau, à própria alteração da qualificação desses rendimentos, benefi-
ciando das isenções previstas em convenções internacionais ou em disposições internas do
país da residência. Por exemplo, os dividendos recebidos pela sociedade de base podem
ser transformados em mais-valias, através da alienação da participação ou da liquidação da
sociedade, escapando-se assim à imposição nos Estados que não tributam os ganhos de
capital (Menezes Leitão, 1993: 314).

A propósito da Fiscalidade das empresas e seu estudo e enquadramento na UE, destaca-
mos o denominado relatório Ruding6, que se pronunciou sobre as disponibilidades existen-
tes quanto ao imposto de sociedades e encargos fiscais das empresas que ocasionavam
importantes distorções nas decisões de investimento, afectando o funcionamento do merca-
do interno (Freitas Pereira, 1993: 80).

2
Harmonizar é “estabelecer harmonia entre”, isto é, “dispor ordenamente as partes de um todo”, é “por em
harmonia duas ou mais partes de um todo, duas ou mais coisas que devem concorrer para o mesmo fim”. Por
outro lado, harmonizar implica os aspectos colidentes do “quid” sobre que se opera, não coincidindo, pois,
com uniformizar (Pires, 1993: 19-20).
3
Menezes Leitão (1993: 304) sublinha como factores responsáveis pelo desenvolvimento da evasão e fraude
fiscal internacional o seguinte:
- a mobilidade dos indivíduos;
- a mobilidade dos capitais;
- a internacionalização das empresas;
- o aperfeiçoamento das práticas evasivas.
4
Citando BEAUCHAMP, “Guide Mondial des Paradis Fiscaux”, Paris, Grasset, 1981, p. 39, o autor aponta a
seguinte definição de paraíso fiscal: “Um país ou um território que atribua a pessoas físicas ou colectivas van-
tagens fiscais susceptíveis de evitar a tributação no seu país de origem ou de beneficiar de um regime fiscal
mais favorável que o desse país, sobretudo em matéria de impostos sobre o rendimento e sobre as suces-
sões.”.
5
É uma forma de paraíso fiscal. Duas outras formas costumam ser mencionadas: o estabelecimento de resi-
dência e a prática de preços de transferências (transfer pricing).
6
Assim chamado devido ao nome do presidente (Onno Ruding) do Comité de Peritos Independentes (compos-
to por 8 elementos). Este comité reuniu três vezes sobre estas matérias de Janeiro de 1991 a Fevereiro de
1992, altura em que apresentou o relatório. Nele se destacam as seguintes prioridades:
“a) Supressão das discriminações e distorções que entravem os investimentos transfronteiriços;
b) Fixação de uma taxa legal mínima para os impostos de sociedade assim como regras comuns para o cál-
culo de uma base tributável mínima, que evite uma concorrência fiscal excessiva entre os Estados com vista a
atrair os investimentos mobiliários ou lucros tributáveis das empresas multinacionais.
c) Encorajamento do máximo de transparência no domínio dos benefícios fiscais ao investimento, dando pre-
ferência, se possível, aos incentivos que não tenham carácter fiscal.” (Freitas Pereira, 1993: 81).

a proposta da Comissão representa ainda um nível. Obvi- amente a problemática das mais-valias não foge a este regra. .Programas de investigação que pretendam avaliar a opinião dos cidadãos acerca do fisco e do seu funcionamento. os quais se efectuam mediante a exploração informática dos dados tributários em poder da Administração. Com efeito. Reforma através da qual a Fiscalidade passa- ria a favorecer os comportamentos conformes ao ambiente. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães 1. de uma reacção negativa. como instrumento de implementação de medidas de carácter económico-social. de acordo com os seguinte progra- mas: . 7 A autora destaca o desenvolvimento de uma Fiscalidade do ambiente (1993: 197).g. IRC.Programas de exploração dos dados recolhidos nos Serviços de Informações e Apoio aos Contribuintes..”. . por exemplo a nível da tributação indirecta (v. pois ninguém gosta que se lhe imponha seja o que for. muito importantes.Programas de análise do comportamento fiscal dos contribuintes. na sua opinião. o comportamento fiscal do cidadão e a imagem que este tem da Administração Fiscal (AF) são factores determinantes na prossecução dos objectivos da mesma. A Fiscalidade é usada. de forma a servirem de apoio à tomada de decisões. foram bem sublinhados por Pombo Gruchinho (1993: 182) que destacou a necessidade de avaliação da opinião dos cidadãos. até. Queremos com isto dizer que a Fiscalidade e a Contabilidade deve- rão ser analisadas em conjunto. . sem desencadear um aumento efectivo e real da carga tributária. Eduarda Azevedo (1993: 199) sublinha os esforços que a nível da UE se estão a desenvolver: “Equilibrada no seu conjunto. derivada de “imposição”. Veja-se o caso da utilização da Fiscalidade no domínio do ambiente. exemplificando as medidas da UE sobre a gasolina sem chumbo e o imposto sobre o dióxido de carbono/energia. a própria etimologia da palavra “impostos”. Ora. para os Estados Membros. Estes factores. Diz-se até que na Dinamarca existe um partido político cujo objectivo programático principal é o não pagamento de impostos. 1. dentro duma perspectiva legal ou não da sua acção. A este respeito. IRS).2 O COMPORTAMENTO FISCAL DOS CONTRIBUINTES A optimização da lei fiscal resulta também da vocação natural do ser humano para contribuir com o mínimo de impostos possível. IVA) e da tributação directa (v. de que convirá caminhar para uma reforma progressi- va e a médio prazo da Fiscalidade. não raras vezes.g..7 A articulista (1993: 200) defende para o desenvolvimento da política do ambiente a criação de benefícios fiscais e não de impostos.3 A FISCALIDADE E A CONTABILIDADE Seja qual for a matéria contabilística que abordemos. ela tem necessariamente o seu en- quadramento fiscal. veicula a ideia de retracção do indivíduo. já que estes. assumem o risco de um acolhimento frio ou.

Lopes Amorim (1968: 36) apresentou a Contabilidade como a ciência do equilíbrio patrimo- nial que tem por objecto o conhecimento do património de qualquer empresa (ou entidade) no seu tríplice aspecto quantitativo. Armandino Rocha (1991: 36) definiu a Contabili- dade como a ciência do equilíbrio patrimonial. até porque já o fizemos com maior desenvolvi- mento noutro estudo8. Círculo de Leito- res. designadamente as acções necessárias ao lançamento. quer em Portugal quer no estrangeiro. 65 – 118. até) para racional orientação da sua gestão (em sentido lato). Pinheiro Pinto (1997) integra o conceito de Fiscalidade no contexto da tomada de decisões. aliás de conteúdo mais lato. qualitativo e valorativo. p. os conceitos de Fiscalidade e de Contabi- lidade e verificar as relações entre as duas áreas. em termos gerais. iremos abordar. a par da expressão Direito Fiscal. . a Fiscalidade9. com a finalidade de estabelecer (ou permitir estabelecer) a aná- lise da situação económica e financeira (social. ao passo que o termo Fiscalidade indica um tratamento predominante concreto e técnico. pois inclui. actuação destes e dos contribuintes perante as imposições legais. LV – 1. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães Antes de mais.º 217 – Vol. depois. em qualquer e em todo o momento da sua existência. Grande Dicionário da Língua Portuguesa. 9 Etimologicamente “Fiscalidade” é uma palavra derivada de “fisco”. Para Fernandes Ferreira (1984a: 8). Ed. mais recentemente. selecciona. Acrescenta ainda que (1984b: 5) é uma expressão que hoje tem um sentido técnico amplo e que corresponde aos anseios dos que querem apetrechar-se para uma vida profissional com conhecimentos variados e práticos sobre as estruturas dos órgãos da Administração Fiscal. proveniente do latim “fiscu”. Cimourdain de Oliveira (1997: 33) observa que nas últimas décadas aparece muito. o estudo da Técnica Fiscal e da Política Fiscal. e é a designa- ção dada quer ao Estado. qualidade do que é fiscal. p. para a eventual utilização por outros possíveis destinatários. da Ciência Fiscal. Acrescenta ainda que se distingue. publicado na Revista de Contabilidade e Comércio n. preocupando-se com todos os acontecimen- tos que a possam influenciar e por isso os identifica.º tri- mestre 1998. Na senda do mestre. naturalmente. por outro lado. avaliação e comunicação de dados. liquidação e cobrança dos impostos.1 Definições de “Fiscalidade” e de “Contabilidade” Sem querermos alongar esta problemática. quer ao tesouro público. facilitando a tomada de decisões. 1. considerado como tributador dos cidadãos. analisa e promove medi- das. 8 Sob o título “Auditoria Fiscal”. é a disciplina que se ocupa da matéria dos impostos. 97). na me- dida em que esta expressão implica a visão abstracta e científica daquelas matérias. por recolher todas as receitas provenientes de tributos (cf. o termo Fiscalidade. para além do Direito Fiscal. processos.3. referindo que a Contabilidade existe nas empresas em primeiro lugar para servir a sua gestão e. iremos conceptualizar a Contabilidade de acordo com uma visão pa- trimonialista da empresa e assumir o conceito de Fiscalidade numa óptica de escolha da melhor opção entre várias que se colocam perante determinado facto patrimonial. Cimourdain de Oliveira (1986: 2) destaca o papel da Contabilidade na gestão e consequen- temente na tomada de decisões.

pelo que há que decidir sobre aquela que optimiza a função fiscal dentro dos objectivos definidos pela gestão da empresa. para os que preparam. A relacionação do Direito com as disciplinas de Economia e Contabilidade permite enten- der mais convenientemente o sentido de certos conceitos e de expressões usadas nos diplomas fiscais. ou seja. Não há praticamente transacção ou decisão que não apresente implicações fiscais. Ainda na opinião deste especialista (1996: 480) a Fiscalidade assume. e. de optimizar esses recursos. London. na análise de um determinado facto/operação poderão alinhar-se várias opções.2 Relações entre a Fiscalidade e a Contabilidade As relações entre a Fiscalidade e a Contabilidade são muito importantes para a respectiva aplicação teórico-prática. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães Assim. Apelando para um conceito actual de “Contabilidade Criativa”11 também podemos associar esta conceptualização à de uma “Fiscalidade Criativa” que poderíamos definir como o pro- cesso de manipulação da Fiscalidade para aproveitamento dos vazios das normas fiscais e ou das melhores alternativas possíveis. (1993: 59) in “Creative Financial Accounting: its nature and use”. uma divergência total ou uma complementaridade de princípios. na prática.”. Por outro lado. hoje. referem que este autor apresenta a seguinte definição de Contabili- dade Criativa: “O processo de manipulação da contabilidade para aproveitar-se dos vazios das normas contabilísticas e das possíveis eleições entre diferentes práticas de valorimetria e contabilização que esta oferece. não só estudos tradicionais de Direito Fiscal como também de outras matérias. M.3. Pinheiro Pinto (1995: 3) apresenta o seguinte esquema de relações entre a Fiscalidade e a Contabilidade: 10 Sublinha ainda que a Fiscalidade acarreta. surgem. i. 1. para transformar as contas anuais que têm de ser nas que. H. citando NASER. BLAKE (1995: 653). Fernandes Ferreira (1996: 473) destaca que a influência da Fiscalidade é cada vez maior na gestão. diremos que o seu objectivo prioritário é o de aplicar os recursos legislativos disponíveis no sentido de suportar uma menor carga fiscal. diferenciações e distorções várias na legislação ou na execução da lei fiscal10. 11 AMAT SALAS e D.e. K. Prentice Hall. . Enfatizando deste modo o conceito de Fiscalidade na tomada de decisões. um carácter instrumental e ajuda para boas decisões. no sentido da apresentação do resultado fiscal que melhor satisfaz os desígnios dos que o calculam. prefiram que sejam. na matéria que aqui abordarmos. Nessas relações há quem defenda uma convergência total.. não nos podemos alhear des- sa realidade. havendo variedade de situações surge diversidade de tratamento fiscal. para os gestores.

reconhece a aplicação daquele último modelo (é a chamada corrente continental da normalização conta- bilística). Deste modo. . . de certa forma. cit. nos países da área continental.Subordinação do resultado fiscal ao resultado contabilístico . França.Subordinação do resultado contabilísti- co ao resultado fiscal . em estudo anterior escrevemos12: “Quando se alude ao relacionamento entre a contabilidade e a Fiscalidade estão normalmente subjacentes os diferentes ângulos de apreciação entre o resultado contabilístico e o resultado fiscal. não havendo lugar a correcções extracontabilísticas). Inglaterra. Os países da corrente anglo-saxónica (v. O primeiro é determinado pela aplicação dos princípios contabilísticos geralmente aceites e o segundo por regras fiscais anali- sadas numa vertente dos impostos sobre o rendimento (no caso português. apesar do reconhecimento da inde- pendência entre as duas disciplinas. tal como a maioria dos países do Sul da Europa (v. Portugal. aparente..Com regras autónomas.Aceitação da Contabilidade como lístico e fiscal base. assente exclusivamente em cri- térios de gestão. . Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães .g.. uma interferência da contabili- dade na Fiscalidade e vice-versa. Dinamarca.A subordinação da Contabilidade à Fiscalidade (o resultado contabilístico é for- temente influenciado pelas regras fiscais).A autonomia entre a Contabilidade e a Fiscalidade (o resultado contabilístico é o ponto de partida para o cálculo do resultado fiscal e as divergências entre ambos são tratadas extracontabilisticamente nas declarações de rendimentos). Espanha.A subordinação da Fiscalidade à Contabilidade (o resultado fiscal é o resultado contabilístico. por vezes. Itália). através dos seus normativos contabilísticos e fiscais. As relações entre a Contabilidade e a Fiscalidade são normalmente analisadas numa tríplice perspectiva: .Independência entre resultados contabi. . espe- cialmente.. . a Contabilidade e a Fiscalidade são interdisciplinares. Nestes países a normalização contabilística e fiscal assume um papel primordial na relevação dos factos patrimoniais. em que cada empresa apresenta o resultado contabi- lístico de acordo com a sua realidade económica.g. Deste modo. Irlanda) seguem o primeiro modelo. op. fazendo com que essa autonomia seja. há. os Códigos do IRC e do IRS). 12 Estudo sob o título “Auditoria Fiscal”. com correcções para efeitos fiscais A este propósito.

e concretamente em primei- ro lugar o Direito Fiscal.g. pelo Código do Re- gisto Comercial e legislação bancária e financeira. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães Armandino Rocha13 afirma que: “Considerando a contabilidade como a ciência do equilíbrio patrimonial. pelo Código das Sociedades Comerciais. relacionando e analisando. francês Robert Teller (1984) relativamente ao que se passava em França e que Cimourdain de Oliveira equiparou a Portugal. tenham de tomar o encargo de estabelecer normas reguladoras em matéria contabilística que directamente se relacione com matéria fiscal. p. vida útil efectiva do bem) e a sua relevação contabilística em contas de custos e proveitos influenciam directamente o resultado contabilístico (resultado líquido). Fernandes Ferreira (1993: 230) reforça a ideia ao referir que a Administração Fiscal apenas deverá impor normas sobre matérias contabilísticas para efeitos de apuramentos fiscais extracontabilísticos (e não para relevações contabilísticas).ª A adopção de critérios fiscais (v. ela não pode deixar de ter em conta os que se relacionam com a Fiscalidade. Efectivamente. Os problemas da Fiscalidade são importantes e pertinentes para a contabilidade. outros ramos do direito. identificando- os.. afectam (in)directamente o mesmo resultado contabilístico.g. O que o Direito Fiscal tem de dizer. 13 No prefácio ao nosso livro. 15-6. 2.g. preocu- pando-se com todos os acontecimentos que o possam influenciar. quando se lhe revelar de todo necessário fixar orientações tendentes a evitar quebras menos justificadas de impostos. 1986: 2)14.ª A utilização de certas práticas contabilísticas divergentes das regras fiscais origina cor- recções extracontabilísticas nas declarações de rendimentos (v. em Contabilidade. o Direi- to Fiscal teve necessariamente de substituir-se a um Direito Contabilístico ainda inexisten- te15. Quando se toma uma opção fiscal não nos podemos abstrair dos seus efeitos contabilísticos que. o Direito da Contabilidade encontra-se ainda hoje disperso pelo POC. Nessa fase. devido ao facto de poderem influenciar o equilí- brio patrimonial. pelo Código do Mercado de Valores Mobiliários. para efei- tos fiscais. No mesmo articulado o autor sublinha que devemos compreender que. e daí o seu interesse em se estudarem fora do contexto fiscal como contributo para uma melhor actuação da contabilidade. por influência da estimativa do IRC (conta “86 – Imposto sobre o rendimento”). na nossa opinião e salvo melhor.. é o que. isto cabe ao Direito Contabilístico.” (sublinhado nosso). 14 Citando o Prof. Normalmente. visto que a Administração torna obrigatórios certos lançamentos que não estão de acordo com a doutrina contabilística (Ci- mourdain de Oliveira. provisões) em detrimento de critérios de gestão ou económicos (v. isso sim. Para Fernandes Ferreira (1993: 221). Na prática não é assim. 15 O mestre sublinha ainda que o Direito Fiscal não tem de dizer o que são custos e o que são proveitos do exercício. amortizações. as disposições fiscais não deveriam dar lugar.. não são custos e o que não são proveitos. o Direito Fiscal poderá influenciar o referido equilíbrio patrimonial quando as suas normas entram directamente no campo da Contabilidade. . assumem duas facetas: 1. senão a rectificações extracontabilísticas. Q17 da DR22) que. enquanto não existir um Direito específico da Contabilidade.

Para Teixeira Ribeiro. sendo definida como aquele conjunto de critérios de natureza tributária (fiscal) dirigidos à qualificação. 2. determinado segundo o balanço comercial e com correcções que tornem mais difícil os casos mais ele- mentares da contabilidade criativa –ou seja segundo o balanço fiscal – é um facto incontroverso nos países industrializados. valorização e imputação temporal dos proveitos (ingressos) e custos (gastos). Curiosa é também a apreciação de Saldanha Sanches (1997: 112): “Por isso a tributação seguindo o modelo do lucro comercial. 1996. Por último. como no caso dos nossos vizinhos espanhóis16. julgamos oportuna a clarificação de alguns con- ceitos e a apresentação de algumas considerações prévias sobre as mais-valias. respectiva- mente. CONCEITOS E ALGUMAS CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES RELACIONADAS COM AS MAIS-VALIAS Para um melhor desenvolvimento do tema. citado por Martins (1997: 12)18. o que fa- remos de seguida. 19 Este conceito é aqui referido a propósito da tributação das mais-valias dos títulos representativos do capital das sociedades anónimas: as acções. Ed. condenou as más práticas contabilísticas com vista a obter aproveitamentos de opções fiscais legalmente consentidas ou baseadas em interpretações controversas. imprevistos. p. do valor dos bens” 19. p. incorpóreo e financeiro. embora os termos “mais-valias” e “menos-valias” sejam utilizados na gíria contabilística.”. enquanto determinantes do resultado (benefício) empresarial. as mais-valias definem-se como sen- do “os aumentos inesperados. quase sempre ao ganho e perda da alienação do imobilizado corpóreo. Pinheiro Pinto (1995: 5) defende ainda um relacionamento respeitoso e pacífico entre as duas ciências. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães Mais recentemente este mestre (1996c:4).1. Círculo de Leitores. 1991. 17 Grande Dicionário da Língua Portuguesa. referência bibliográfica: “Lições de Finanças Públicas”.1 Em termos gerais e para efeitos contabilísticos De acordo com o dicionário17 a mais-valia é o aumento do valor adquirido por uma mercado- ria ou a diferença entre o preço do custo e o preço de venda. 258. 651. tendo em conta as suas diferentes finalidades. .1 AS MAIS-VALIAS E AS MENOS-VALIAS 2. nas demonstrações contabilísticas20 e nos restantes capítu- 16 A editora CISS-Gestión tem publicado um manual de folhas soltas com o título “Contabilidad Fiscal en la Em- presa”. Os conceitos de mais-valia (MV) e de menos-valia (mv) têm sido associados. Efectivamente. sublinhamos que a designação “Contabilidade Fiscal” começa a ser usada com certa propriedade. apelando à convergência entre a Fiscalidade e a Contabilidade. 18 Cf. 2. constatamos que.

21 Veja-se também o exemplo da nota 10 do anexo ao balanço e à demonstração dos resultados em que se refere “alienações” e “transferências e abates”. A redacção vigente desde 1/1/89 até àquela data não contemplava a parte final desse artigo (“e tendo em conta o disposto no n.º 1 do Decreto-Lei n.º 5 do artigo 28. os derivados de sinistros ou os resultantes da afectação permanente daqueles ele- mentos a fins alheios à actividade exercida.º. bem como nas Directrizes Contabilísticas.º 420/93. sob o título “Conceito de mais-valias e de menos-valias”.º.”. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães los do POC/89. . 24 Com a redacção do Decreto-Lei n. referindo-se antes “perdas em imobilizações” (conta 694 do POC/89. cf. 2. de 24 de Novembro (em vigor desde 1/12/92).º 6 do art. São apenas. e tendo em conta o disposto no n. e que está em vigor no Continente desde 8 de Dezembro de 1993 e nas Regiões Autónomas desde 18 do mesmo mês. apre- senta a seguinte definição: “1 – Consideram-se mais-valias ou menos-valias realizadas os ganhos obtidos ou as perdas sofridas relativamente a elementos do activo imobilizado mediante transmissão onerosa. pela diferença entre o valor de reembolso ou de amorti- zação e o preço de emissão.º”).24 No que concerne à clarificação dos elementos relevantes do regime das mais-valias e me- nos-valias. bem assim. 23 Com a redacção do art. qualquer que seja o título por que se opere e.As mais-valias e menos-valias são dadas pela diferença entre o valor de reali- zação líquido dos encargos que lhe sejam inerentes e o valor de aquisição dedu- zido das reintegrações ou amortizações praticadas sem prejuízo do disposto na parte final da alínea a) do n. de títulos de dívida cuja remuneração seja constituí- da. de 28 de Dezembro (em vigor desde 1/1/94). em relação às menos-valias) e “ganhos em imobilizações” (conta 794 do POC/89.º 44. Por seu lado. 115-141) sob o título “As Demonstrações Financeiras” justificámos a nossa preferência pela utilização da expressão “Demonstrações Contabilísticas” em detrimento da de “Demonstrações Financeiras”. total ou parcialmente.º do CIRC.º 71/93. não são usadas estas expres- sões. de 14 de Março. 23 b) Os resultados obtidos na transmissão onerosa.º 263/92.º 7. Circular da DGCI n. como tal considera- 20 Em estudo publicado no nosso livro (p. Além disso.º 1. o n. 22 Com a redacção dada pelo art. ou na afectação permanente nos termos referidos no n.º delimita no conceito das MVF e mvf o seguinte (definição pela negativa): “6 – Não se consideram mais-valias ou menos-valias: a) Os resultados obtidos em consequência da entrega pelo locatário ao locador dos bens objecto de locação financeira. de 26 de Novembro (Orçamento Suplementar do Exercí- cio de 1993). que nem todos os ganhos obtidos ou as perdas sofridas relativamente a elementos do activo imobilizado são consi- deradas mais-valias ou menos-valias realizadas.1.º da Lei n.2 Para efeitos fiscais O n. destacamos a posição de Meireles (1994: 2-3): “Resulta. por outro lado.º 1 do art. da noção em apreço.º 42. o n.º 6 do art.º 2 do mesmo articulado22 refere a metodologia de cálculo: “2 . primeira colocação ou endosso”.º 10/94.”. relativamente às mais- valias)21.º 42.º 6 do artigo 44.

inclu- indo as reservas de reavaliação legalmente autorizadas. de mais-valias contabilísticas (MVC) e menos-valias contabilísticas (mvc).º 1 do a . p.º a 44. 391-2. 28 Vide nosso livro.º (conceitos. designadas. válidos para efeitos fiscais nas respectivas cédulas em apreciação.º 1 do art.”. especialmente aplicáveis às reavaliações (para mais ou para menos) do imobilizado. 26 Com a seguinte redacção: “As mais-valias potenciais ou latentes. Portanto. correcção monetária e reinvestimento) – Regime das mais-valias e menos-valias realizadas. à contabilização de ganhos (conta “794”) ou perdas (conta “694”).”.º 24.º .º 23.º 1 do art. dizen- do: o colega referiu as MVC e as MVF mas há uma terceira de que se esqueceu .os 20.º do CIRC27 (variações patrimoniais negativas). o n.os 42.“Mais-valias” do CIRS estabelece um conceito genérico e remete para os art.º 44. o CIRC destina os seguintes articulados: F f . determinadas nos termos dos artigos se- guintes. ainda que expressas na contabilidade. rt. Por outro lado.º e 23. que não afectam directamente qualquer conta de proveitos e ganhos ou de custos e perdas.º 21.º consideram-se cláusulas gerais que são complementadas pelos art. não são considerados mais-valias ou menos-valias para efeitos do IRC” (Sublinhado nosso). obviamente.º a 47. de uma forma geral. Estas caracterizam-se pela aplicação de coeficientes de correcção (ou actualiza- 25 Com a seguinte redacção: “1 – O valor dos rendimentos da categoria G é o correspondente ao saldo apurado entre as mais-valias e as menos-valias realizadas no mesmo ano. de sinistros e de afectação permanente a fins alheios a actividade exer- cida. Presenciá- vamos uma sessão de um Curso da DGCI quando o monitor falou desta dicotomia.º.º (custos ou perdas) – Menos-valias realizadas. 2.º (proveitos ou ganhos) – Mais-valias realizadas. Assim.Art.Contabilísticas: o abate do imobilizado dá lugar. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães dos. distinguimos: “As MV e mv podem ser classificadas da seguinte forma: a) QUANTO À SUA RELEVAÇÃO . Os conceitos aqui referidos são. os ganhos ou perdas relativos a imobilizações que não derivem destes factos.”.os 42.º 20. que nem é contabilística nem fiscal mas que ocorre no dia-a-dia. Alínea i) do n. rt.a mais valia estar calado. 30 Relativamente ao enquadramento das MV e mv .os seguintes (42. 29 Ocorre-nos um episódio real que não resistimos a narrar (pedimos desculpa pela eventual inoportunidade. 27 Com a seguinte redacção: “As menos-valias potenciais ou latentes. .. mas julgamos que o sentido de humor a que tão bem Pinheiro Pinto nos tem habituado faz falta). a . respectivamente.º do CIRC26 (variações patrimoniais positivas) e na alínea b) do n. os que resultam de transmissão onerosa.Extracontabilísticas: em sede do CIRC30. De notar que as alíneas dos art.º 1 do a .º) a sua concretização25.2 CLASSIFICAÇÃO DAS MAIS-VALIAS (MENOS-VALIAS) CONTABILÍSTICAS E FISCAIS Anteriormente28 apresentámos uma classificação29 das mais-valias e menos-valias numa dupla óptica de análise e tendo em conta os critérios da sua relevação contabilística e dos seus reflexos no lucro tributável.º 41. ainda que expressas na contabilidade. as expressões “mais-valias” e “menos-valias” são também usadas na alínea b) do art. Além disso. qualquer que seja o título por que se opere. Alínea f) do n. Então interviemos. o abate do imobilizado gera ganhos (MVF) e per- das (mvf).

º 5 do preâmbulo do Código.º 42.º do CIRS (vide Anexo n. as reservas de reavaliação.º do CIRC e do art. obviamente. 2. deve ler-se: “… e que poderão ser tributadas num ou mais exercícios.Realizadas (ou fiscais ou efectivas): são os ganhos (MVF) e as perdas (mvf) que resultam da realização através de qualquer uma das situações previstas no n.º 43. o conceito de “valor de realização” consta expressamente do n. Porto Editora. 1399. de sinistros ou de aba- tes de imobilizações. no último parágrafo do n.º do CIRC e que poderão ou não ser tributados.os 21.º 42. nas referências a perdas (conta “694” e ganhos (conta “794”). Assim. 32 Incluem-se. Dicionário da Língua Portuguesa. que não são tribu- tadas em IRC por força dos art. como transcrevemos36: “Regista as perdas (ganhos) provenientes de alienações. .º 3 do art. porém. dependendo das condições do reinvestimento do valor de realização..3 VALOR DE REALIZAÇÃO Entre outros significados.º 1). entendida em sentido lato.g.º e 24. de modo a abranger os chama- dos ganhos de capital voluntários (v. resultantes de expropriações ou indemnizações por destruição ou roubo). sendo as respectivas subcontas creditadas pelo produto da venda. à Fiscalidade. O legislador do IRC.º 42. variando. derivando de vendas ou troca). “realizar” quer dizer “converter em dinheiro”34. i.º 16 sob o título “Reavaliação de Activos Imobilizados Tangíveis” apela ao conceito de “realização” relativamente ao uso ou alienação dos bens que originam o excedente obti- do do processo de reavaliação. contudo.º do CIRC. dependendo do reinvestimento”. no apuramento do lucro tributável. Sublinha-se. onde se lê: “… e que poderão ou não ser tributadas.º32. pois poderão incluir-se. quando decorridos pelo menos dois anos após a data de aquisição (art. que a MVF ou a mvf poderá influenciar o resultado líquido do exercí- cio através do cálculo da estimativa do IRC (86 a 241).”. 35 De notar que a Directriz Contabilística n. 21.º 3 do art. 33 Impõe-se uma correcção à parte final desta última classificação.ª Edição. que os denominados ganhos de capital involuntários (v. O conceito de “realização”.Potenciais (ou latentes): são as MV/mv não realizadas ou não efectivas.g. de “valor de realização” não está contemplado explici- tamente no POC35. 31 Compreende-se que assim seja. . 34 Cf. ou melhor. as notas explicativas das contas “694 – Perdas em imobiliza- ções” e “794 – Ganhos em imobilizações” apelam implicitamente para esse conceito.e. caso contrário estaríamos a aplicar duas vezes os coeficientes de correcção monetária: uma pela reavaliação e outra pelo apuramento da MVF/mvf. Porém. b) QUANTO À SUA TRIBUTAÇÃO .”. 6. p. por exemplo.º do CIRC). Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães ção) monetária ao valor contabilístico dos bens. dispõe a alínea b) do art. refere: “A realização é. expurgado de eventuais reavaliações31. pela indemnização ou pelo valor atribuído à saída e ainda pelas amortiza- ções respectivas e debitadas pelos custos correspondentes. Por outro lado. dependendo do reinvestimento. Somos de opinião que esta distinção é fundamental para avaliarmos os efeitos fiscais ine- rentes à tomada de decisões.” (sublinhado nosso). cf. positiva ou negativamente. 36 O texto é comum nas duas notas explicativas..”33.

mediante requerimento prévio de au- torização. sublinha que a palavra “reinvestimento” quer dizer simplesmente investir outra vez.º-A do Decreto Regulamentar n. 656. É o caso. Ou seja.Art. ao autonomizar as operações de reinvestimento e de desinvestimento. relatório da CDRF. de 12 de Janeiro40. Grande Dicionário da Língua Portuguesa.Art. Fernandes Ferreira (1993: 6) clarifica que a palavra “reinvestimento” não significa somente o sentido de que reinvestir será só depois de desinvestir. A palavra “reinvestimento” não é assumida em qualquer dos catorze capítulos do POC. que aprovou o CIRC. . . .º do EBF39.º 2/90. 2. Lisboa.4 REINVESTIMENTO “Reinvestir” significa “investir novamente” ou “tornar a investir”37. embora a palavra seja utilizada em diversos articulados. que aprovou o Orçamento Suple- mentar de 1993. de uma forma geral. edifícios industriais). de 30 de Novembro. designadamente: .º4 da Lei n. b) A CDRF aconselha a extensão do benefício à aceitação do reinvestimento em exercício anterior em casos como a substituição de instalações. 39 Este articulado foi revogado pelo n. Lei n.º 57. com certeza.os 5.º 442-B/88.º 44. Ed. as MV e mv estão associadas a um “valor de realização” que é bastante mais abrangente do que o termo “alienação (venda)”. logo não significará investimento posterior ao desinvestimento do investimento anterior.º do Dec. mais abrangente. já atrás referida. 1997. p.º 71/93. . pelo que considera inapropriada a redacção do art. não raras vezes. repetir investimento.º 21.º 15.Art.º 16/94. o investimento novo terá de se iniciar antes de se vender o antigo (v.Diplomas de reavaliações de âmbito fiscal41. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães Daqui resulta inequivocamente que.º do CIRS. a troca.º 18.N. 456. Círculo de Leitores. nomeadamente a alienação. Com efeito. pois. julgamos oportuno acrescentar o seguinte: a) Na prática a AF tem admitido que o investimento possa ocorrer antes do desinvestimento. 37 Cf.º 44. por exemplo. 40 Com a redacção do Decreto Regulamentar n. 6 e 7 do art.º 10. Concordando com este entendimento.º ao referir-se a “reinvestimento do valor de realização do investimento alienado”.g. Assim. 38 Cf.º e n. o conceito de “abate” do imobilizado que incorpora todas aquelas situações. para efeitos fiscais. o “valor de realização” engloba. . investir de novo. recorrendo à teoria dos conjuntos.. c) A opinião de Fernandes Ferreira é. p.º 4 do art. a “alienação” é um subconjunto do “valor de rea- lização”. dos investimentos de substituição. de 12 de Julho. o de “reinvestimento” não aparece definido concretamente nos referidos códigos fiscais.Art. as expropriações e os sinistros. Tal como o conceito de “valor de realização”.º do CIRC. desde que tais operações se verifiquem dentro do mesmo exercício38. . de 26 de Outubro.

com a redacção do D. o art. Esta distinção é fundamental para se diferenciar a MVF tributada por valores de realização não reinvestidos. O RP acontece quando o valor de realização é parcialmente reinvestido.5 “NÃO TRIBUTAÇÃO” E “TRIBUTAÇÃO DIFERIDA” Estes dois conceitos estão associados aos efeitos fiscais inerentes ao reinvestimento do valor de realização.º do CIRC. 2. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães A palavra “reinvestimento” já era usada no art. Como teremos oportunidade de desenvolver. era enunciado da seguinte forma: “Os lucros retidos ou levados a reservas e que dentro dos três exercícios seguintes ao da formação dos mes- mos sejam reinvestimentos na própria empresa…” (Sublinhado nosso)..º 8.Traba- lhos para a própria empresa”). ou seja. se o bem novo resulta do processo produtivo próprio da empresa (conta “75 .º 437/86. este é o factor principal de gestão fiscal destas ope- rações. O “reinvestimento” pode ser parcial (RP) ou total (RT). n. i. Os dois conceitos estão sempre ligados à existência de mais-valias fiscais e não de menos- valias fiscais. de 11 de Fevereiro. A MVFa acompanha o ritmo de amortização dos novos bens onde se concretizou o reinvestimento do valor de realização.º 44. 41 Veja-se. de 27/12. .e. Assim. o “reinvestimento” constitui o factor mais de- terminante neste estudo. é acrescida ao lucro tributável numa percentagem equivalente ao período de vida útil dos bens novos44.. 43 Ou valor de produção. quando a diferença entre as mais-valias e as menos-valias realizadas (ou fiscais) é positiva.e. L. Lei n.º 1 do art. por exemplo. A “tributação diferida” significa que a MVF originada pela realização dos bens antigos – Mais Valia Fiscal associada (MVFa) – é deduzida ao valor de aquisição43 dos bens novos para efeitos de tributação. para seguirmos a terminologia do n. através da “não tributação” e ou “tributação diferi- da”. 42 O art. ou melhor.º 44. da mais-valia fiscal tributa- da diferidamente – Mais-Valia Fiscal associada (MVFa). o valor de realização é menor ou igual ao reinvestimento (VR ≤ R). A “não tributação” significa que a MVF não é acrescida ao lucro tributável (linha 18 do Q17 da DR22).º 44.º 31/98. O RT surge quando o valor de realização é totalmente reinvestido.para adquirir imobilizado (bens novos) e este pro- cesso é incentivado por benefícios fiscais. o contribuinte vende (ou qualquer outra forma de abate) imobili- zado (bens velhos) – valor de realização . o valor de realização é superior ao valor do reinvestimento (VR > R). ou seja.º do CCI. i. pois é o gerador do benefício-fiscal em cédulas do CIRC e do CIRS. 44 Como teremos oportunidade de visualizar mais à frente.º do anterior Código da Contribuição Industrial a propósito do incentivo fiscal denominado de “DLRR” (Dedução de Lucros Reti- dos e Reinvestidos)42. a mais-valia fiscal não associada (MVFna).º do recentemente aprovado Dec.

º 21.º enumeram grande parte das variações patrimoniais não reflectidas no resultado líquido (aumentos e diminuições as contas da classe 5 do POC). foi entendido que neste clausulado também se incluem as reava- liações do activo imobilizado não enquadráveis em diploma legal (as denominadas reavaliações livres ou ex- traordinárias). não concorrem para o apuramento do lucro tributável. a alínea b) do art. de acordo com a denominada teoria do incremento patrimonial.º e 24.º 17.º do CIRC estabelece que a contabilidade de- verá estar organizada de acordo com a normalização contabilística e outras disposições legais em vigor para o respectivo sector de actividade. Assim. É dentro deste conceito de lucro tributável que as mais-valias/menos-valias potenciais ou latentes e as mais-valias/menos-valias realizadas deverão ser analisadas. no caso em apreço.º do CIRC estabelece que as mais-valias potenciais ou latentes. o conceito de lucro tributável que se aco- lhe em IRC assenta numa noção extensiva de rendimento (“rendimento acréscimo”).º 24. por força desses articulados. c) Os art.º 21.º 2 do art. .º do CIRC aprofunda aquele conceito de lucro e determina que o lucro tributável é constituído pela soma algébrica do resultado líquido do exercício e das variações patrimoniais positivas (art.º 17.º do CIRC estabelece que o lucro consiste na diferença (leia-se “acréscimo”. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães 3. Além disso.º do CIRC) e negativas (art.º do CIRC) verificadas no mesmo período e não reflectidas naquele resultado. pois só há lugar 45 Sobre este assunto vide estudos publicados no nosso livro (p. determinadas com base na contabilidade e eventualmente corrigidas nos termos do CIRC. 273-288). Destes normativos concluímos que: a) É importante a normalização contabilística e o resultado contabilístico para o apuramento do lucro tributável do IRC. incluindo as reservas de reavaliação legal- mente autorizadas46. pois constituem excepções aí previstas45. tais variações não são incluídas no lucro tributável (não inscritas nas linhas 2 e 3 do quadro 17 da DR22). b) O incremento patrimonial é medido pela variação (positiva ou negativa) dos capitais pró- prios (situação líquida) da empresa. OS EFEITOS CONTABILÍSTICOS E FISCAIS EM IRC DAS MAIS-VALIAS 3. Nesta perspectiva.º 3 do art.º 1 do art. Com efeito. 49-73. Como é referido no item 5 do preâmbulo do CIRC. Por outro lado. quer seja positivo ou negativo) entre os valores do património líquido no fim e no início do período de tributação. o n. O resultado líquido do exercício é o ponto de partida para o cálcu- lo do lucro tributável. 46 Por Despacho de 21/12/89 – Proc.os 21. Esta constatação é evidenciada pelo próprio quadro 17 da DR22 em que a primeira linha se refere ao resultado líquido.1 A TEORIA DO INCREMENTO PATRIMONIAL NO IRC Para a interpretação dos efeitos contabilísticos e fiscais das mais-valias é necessário com- preender as bases teóricas em que assentam a tributação do rendimento e. sem prejuízo da observância das disposições previstas no CIRC. com as correcções estabelecidas no Código. a alínea a) do n.º 3. ainda que expressas na contabilidade. o n. em cédula do IRC.º 1794/89.

mas é neutral em relação à formação do capital. de 26 de Novembro.º determina que as menos-valias potenciais ou latentes.º. como o “cash-flow”47. o valor acrescentado e o volume de negócios. DR22. A partir de 1 de Janeiro de 1989.2 OUTRAS BASES (FORMAS) DE TRIBUTAÇÃO DAS EMPRESAS A tributação das pessoas colectivas com base no lucro não é uma questão pacífica. a valorização (ou desvalorização) do bem não releva para o apuramento do lucro tributável do IRC. falando- se hoje noutras formas de tributação que estão a ser equacionadas nomeadamente no âm- bito da harmonização da tributação directa da UE. com os reflexos no lucro tributável do IRC (Q17/DR22): 47 A tributação com base nos fluxos de caixa conceitualmente é baseada no consumo.º 44. cf. a alínea b) do art. pois só as menos-valias realizadas é que são consideradas como custo fiscal no momento da realização.º da referida Lei n.º 42. na medida em que o saldo positivo das mais-valias e menos-valias fiscais deixou de ser tributado (acrescido ao lucro tributável) na proporção do reinvestimento do valor de realização.º 24. pelo que só na altura da realização do bem é que o ganho (perda) se torna efectivo e é incluído no lucro tributável do IRC. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães à sua consideração como proveito fiscal no momento da realização (mais-valias/menos- valias realizadas). Porém. 3. nos termos da alínea f) do art. respectivamente. também não relevam para o apuramento do lucro tributável. Em síntese. Com efeito.2) deste trabalho reflecte-se na Contabilidade e na Fiscalidade através do resultado contabilístico e do resultado fiscal48. 48 Se for positivo denomina-se “lucro tributável”. começam a aparecer outros indicadores da tributação. com a entrada em vigor do CIRC. No quadro seguinte49 resumimos a passagem de um para o outro regime. veio estabelecer um novo regime de tributação das mais-valias fiscais.º e do art. 3. se for negativo é ”prejuízo para efeitos fiscais”. pois constituem ganhos (perdas) potenciais ou latentes. .º 71/93. 49 Cf. face ao preceituado na alínea i) do n. passou a existir o já mencionado novo incentivo ao investimento do art.º 7. 398.º 42.º 3 do art. o n. dado que se passou de um regime de “não tributação” (ou “exclusão de tributação”) para um regime de “diferimento de tributação”. nosso livro p.3 OS REFLEXOS DAS MAIS-VALIAS (MENOS-VALIAS) NO LUCRO TRIBUTÁVEL A classificação que apresentámos no Capítulo 2 (item 2.º do CIRC.º do CIRC.º e no art. ainda que expressas na contabilidade.º 20. No que se refere às variações patrimoniais. De notar que este quadro não aborda as situações previstas na Circular da DGCI N.º 1 do art.º 23.º 10/94 de 14 de Março (regime transitório de um para outro regime).

MVC (conta 794) ∆ no campo 229 Idem 2. . da identificação desse valor de realização e ou da opção ou não pelo seu reinvesti- mento. mvc (conta 694) ∆+ no campo 217 Idem 3.3 Conclusão (Tributação) Não tributação da MVFA Tributação diferida da MVFA 3. não raras vezes. Queremos com isto dizer que a decisão do órgão gestionário de vender (ou qualquer outra das situações relativas ao valor de realização) determinado bem dependerá. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães REFLEXOS NO LUCRO TRIBUTÁVEL (Q07/DR22) OPERAÇÃO REGIME ANTERIOR REGIME ACTUAL ATÉ 7/12/93 A PARTIR DE 8/12/93 – 1. Leonor Fernandes Ferreira (1996: 26-7) sublinha que a opção pelo reinvestimento dos valo- res de realização constitui um dos factores em que a Fiscalidade intervém na aplicação das poupanças das empresas.Ano N (ano da venda do bem ∆+ no campo 218 da ∆+ no campo 218 da antigo) MVFNA MVFNA e ∆+ no campo 207 da MVFA x Taxa do novo bem .Ano N+1 e seguintes (de acor. ∆+ no campo 216 ∆+ no campo 216 do com a vida útil do novo bem) e + ∆ no campo 207 da MVFA x Taxa do novo bem 4. Saldo (+) MVF e mvf (MVF > mvf) 4.4 A TOMADA DE DECISÕES (FISCALIDADE) SOBRE AS MAIS-VALIAS REALIZADAS A tomada de decisões sobre as mais-valias realizadas é determinada em função dos dois conceitos aqui enunciados: o “valor de realização” e o “reinvestimento”.1 Não há reinvestimento ∆+ no campo 218 da Idem MVF 4.2 Há reinvestimento . Saldo (–) MVF e mvf (MVF < mvf) ∆– no campo 230 Idem 4.

etc. . o “justo valor” é aquele que “dá mais jeito” ao comprador e ao vendedor e não o correspondente ao valor de mercado. reduzi- da. Esta opção origina a tributação da mais-valia fiscal no exercício da alienação (acréscimo ao lucro tributável). consequentemente. Ao conceito de valor de realização está associado implicitamente o de “justo valor”50. Quando nos referimos ao “reinvestimento” queremos obviamente referir-nos à decisão da gestão de optar ou não por beneficiar do regime fiscal estatuído no art. Contudo. quando a gestão. entre um compra- dor conhecedor e interessado e um vendedor nas mesmas condições. mas poderá não optar pelo benefício fiscal inerente àquele articulado. O conceito de “justo valor” está expresso na Directriz Contabilística n. decide alienar um determinado bem. sem dúvida.4. originando a divisão das mais-valias realizadas em duas parcelas: . na maioria dos casos. em vez da tributação diferida. o parâmetro que maior influência tem sobre o efeito fiscal das mais-valias realizadas. pois influenciará obviamente o cálculo das mais-valias. por exemplo. da expropriação. b) Opção pelo RT.a mais-valia fiscal não associada (MVFna). o valor de realização corresponderá (ou deverá corresponder) ao “justo valor” da venda. uma empresa poderá. que será tributada no exercício em que se alie- nou o bem antigo. que refere: “Os auditores já há muito fizeram corresponder aos termos «fair value» os de valor adequado ou valor apropriado e. Na verdade. . tributada diferidamente ao longo da vida útil do novo bem ou até à sua realização. às vezes. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães 3. na prática. Assim.º 13 da seguinte forma: “Justo valor é a quantia pela qual um bem (ou serviço) poderia ser trocado.2 A influência do reinvestimento O reinvestimento é. nunca consideramos como alternativa de tradução os termos «valor justo»”. Tal decisão é influenciada por diversos factores. Neste caso.2. por exemplo.1 A influência do valor de realização A influência do valor de realização na tomada de decisões é. So- bre a designação “justo valor” destacamos a posição de Carqueja (1995: 70). nomeadamente: 3. fá-lo por- que constatou essa necessidade e não.º 44.1 Opção pelo reinvestimento parcial ou pelo reinvestimento total a) Opção pelo RP. originando que a mais-valia realizada seja também totalmente associada ao valor do novo bem e. que eu saiba. numa transacção ao seu alcance”. 3. que será tributada diferidamente ao longo da vida útil do novo bem e ou até à sua realização. 50 Tradução do Inglês “fair value”.a mais-valia fiscal associada ao reinvestimento do valor de realização (MVFa).4. da troca. porque esse bem poderá ori- ginar um cash-flow superior ou inferior. vender um determinado bem com a inten- ção de adquirir um outro (de substituição ou não). há também uma influ- ência sobre a Fiscalidade. pura e simplesmente.º do IRC. Ou seja. alguns dos quais já salientámos no nosso estudo a que nos temos vindo a referir.4.

Lei n. Na maioria dos casos.4. após nossa sugestão.º do Dec. admitindo que a empresa utiliza as taxas máximas de amortização das tabelas fixadas pelo Decreto Regulamentar n.º 8. Deste modo.º 44.º 31/98. temos conhecimento que a CROC está a preparar uma rectificação a essa Interpretação Técnica.º 2/90. no caso de alienações de “Investimentos em imóveis” (classificados no POC na conta “41. i. já que não são as mais-valias que são rein- vestidas mas o valor de realização. acrescentou que. pelo que a opção pelo reinvestimento deverá ser orientada para os bens de maior duração. o que originará a divisão da tributação diferida das mais-valias realizadas por esses bens. 53 Vide. O art. de 24 de Novembro). Considerando que em Portugal é utilizado o “método do imposto a pagar”53 no cálculo da estimativa do IRC. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães 3. pelo que os bens novos poderão ser diferentes dos bens antigos. não há qualquer norma emanada da Comissão de Normalização 51 Não tratamos aqui o caso em que o reinvestimento se concretiza em vários bens. Daqui resulta inequívoco que a escolha (opção) do bem em que se concretiza o reinvesti- mento é fundamental para um melhor aproveitamento do benefício fiscal do art. Lei n. 3. i. por exemplo. além de manter a obrigatoriedade. tendo em conta a possibilidade de existência de diversas taxas. Lei n.2. se a empresa associar essa mais-valia à aquisição de um terreno. poderá dizer-se que ao órgão de gestão interessará um diferimento da tributação o mais alargado possível.5 O IMPOSTO DIFERIDO NO REINVESTIMENTO A Câmara dos ROC emanou a Interpretação Técnica n.. de Dezembro de 1993. já consagrada nos dois últimos diplomas (Dec.º 4. ao passo que o reinvestimento num edifício industrial (taxa de 5%) provocará esse diferimento por 20 anos. No nosso estudo apresentámos um caso prático desta situação. bens com maior utilidade esperada.º do CIRC não estabelece qualquer regra quanto à escolha dos bens em que se deve concretizar o reinvestimento. a mais- valia não será tributada enquanto o terreno não for vendido.e.º do IRC. de 12 de Janeiro.Investimentos financeiros”) o reinvestimento possa efectuar-se em bens da mesma natureza.2 Opção (escolha) pelo bem em que se concretiza o reinvestimento A escolha do bem51 em que se concretiza o reinvestimento do valor de realização é funda- mental e determinante para um maior ou menor diferimento da tributação da mais-valia fis- cal. em que alerta os ROC para considerarem no seu parecer (certificação legal das contas) as situações que dão lugar à contabilização do imposto diferido quando esses efeitos forem materialmente relevantes. o diferimento da tribu- tação da mais-valia é reportado para a altura em que o terreno for alienado.º 49/91.. de 25 de Janeiro e Dec.º 264/92. que veio permitir a reavaliação de bens reportados a 31 de Dezembro de 1997. nosso livro (p. 52 Quanto a nós impunha-se desde já corrigir o título desta norma. o reinvestimento numa viatu- ra ligeira de passageiros (taxa de 25%) originará um diferimento da tributação da mais-valia realizada por 4 anos. de reinvestimento total do valor de rea- lização dos bens reavaliados. 249-258) estudo sob o título “A Estimativa do IRC”. . . De salientar ainda que o já referido art. Por outro lado.º 44.e. sob o título “Verificação do Imposto Diferido no Reinvestimento das Mais-Valias52 nas Alienações de Elementos do Imobilizado Corpóreo”. Neste sentido. ou seja. de 11 de Fevereiro.

pelo que este método não apela ao tratamento das diferenças temporais (Pinheiro Pinto. designadamente a inclusão dos n. No fundo esse diploma só pretendeu alargar o âmbito do n. porém.º 2 do art.º 44. têm reflexos no apuramento dos resultados do exercício56. que no nosso país tal prática não tem muitos exemplos de aplicação.º 44.º 2). pois então o saldo positivo das mais-valias/menos- valias realizadas não era tributado em IRC (exclusão da tributação). 4.º 12 (NIC 12).P. contudo. a saber: . 55 A NIC 12 consagra como métodos de contabilização dos efeitos fiscais o “método do diferimento” e o “método da responsabilidade”. 7 e 8 que. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães Contabilística que apele para a contabilização dos impostos diferidos.G. As diferenças temporais originam-se num período e revertem num ou em mais períodos subsequentes. “as mais-valias e menos-valias obtidas pelas SGPS.º do CIRC já sofreu algumas alterações (ver Anexo n. sempre que o respectivo valor de realização seja reinvestido. a serem contabilizadas. ANÁLISE DE ALGUNS CASOS ESPECIAIS (PARTICULARES) DE APLICAÇÃO DAS MAIS-VALIAS 4. em face das regras fiscais vigentes.º 2 do art.º 495/98 não oferecia dúvidas. a interpretação do n. não existiam. 56 Sem nos querermos alongar nesta questão.º 7. de discutível aplicação54.S. mediante a venda ou troca das quotas ou acções de que sejam titula- res é aplicável o disposto no art. . efectivamente.Com a redacção inicial do art. sob o título “Contabiliza- ção dos Impostos sobre os lucros”. Considerando. poderíamos. Constatamos.º do CIRC.1 AS S. o método do imposto a pagar consiste em considerar que o imposto imputável ao resultado de um dado exercício coincide com o imposto que. Na verdade. deduzir que a Directriz Contabilística n.”. 1994b: 296).º 44. constitui também um “handicap” para a aplica- ção da NIC 12 e respectivo tratamento dos impostos diferidos. quando foi publicado aquele diploma das SGPS.º 7. surgem algumas dúvidas. De acordo com esta norma. que o art. e aqueles de que temos conhecimento resultam essencial- mente de imposições de empresas-mãe localizadas noutros países em que tal prática contabilística é utiliza- da.º 495/88.º 44. tal interpretação é. Nos termos do n.º 1 do art. na aquisição de outras quotas. de certa forma. acções ou títulos emi- tidos pela Estado. pelo menos. é liquidado em relação ao rendimento desse exercício. 54 O que poderá justificar-se pelo facto de a CROC a considerar como “Interpretação”. no prazo aí fixado.º do Decreto-Lei n.º do CIRC. As diferenças permanentes são as diferenças entre o lucro tributável e o resul- tado contabilístico de um período em que se originam no período corrente e que não revertem nos períodos subsequentes.º 18.º não o restringindo somente ao imobiliza- do corpóreo.º do Decre- to-Lei n. A referida NIC 12 faz efectivamente a distinção entre as diferenças temporais (ou temporá- rias) e as diferenças permanentes55 que existem entre o resultado contabilístico e o resulta- do fiscal e. total ou parcialmente. o diferimento de tributação das mais-valias por valores de realiza- ção reinvestidos suscita diferenças temporárias que.os 6. ao hierarquizar a aplicação das normas contabilísticas. nos termos da Norma Internacional de Contabilidade n. as diferenças temporais são as diferenças entre o lucro tri- butável e o resultado contabilístico de um período que surgem porque o período em que algumas rubricas de proveitos e de custos foram incluídas no lucro tributável não coincidem com o período em que elas foram in- cluídas no resultado contabilístico. de Julho de 1979.

58 Este articulado estabelece: “À diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias realizadas mediante transmissão onerosa dos elementos do activo imobilizado referidos no artigo anterior é aplicável. que estabelece o regime fiscal das sociedades desportivas (SD)57. desde que inscritos em competições despor- tivas de carácter profissional ao serviço da SD. que estabelece o regime jurídico das sociedades desportivas. 60 Na redacção primitiva. de 2 de Julho.º 67/97.º 62.º 1 (do artigo 44. em vez da palavra “resultados” era referida a expressão “mais-valias ou menos-valias realizadas”. a Lei n.º 1. 59 Com a redacção dada pelo Dec.º do DL 495/88 para o artigo 44. desde que o valor da realização correspondente à totalidade desses elementos seja reinvestido na contrata- ção de jogadores ou na aquisição de bens do activo imobilizado corpóreo afectos a fins desportivos até ao fim do terceiro exercício seguinte ao da realização. Lei n.º do CIRC não pode abranger o seu n.58 4. sublinhamos o exemplo apresentado por Pinheiro Pinto (1997) relativo ao caso do reinvestimento realizado por uma SGPS na aquisição de acções de uma socie- dade que mais tarde se dissolve (ver Anexo n. de 13 de Setembro. nem sequer o legis- lador aquando das alterações teve tal intenção..º 4. de 3 de Abril. i.e. Ainda nesta matéria.º do CIRC refere expressamente que o «valor da diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias não tributado nos termos do n. 57 Como o próprio art.2 AS SOCIEDADES DESPORTIVAS Recentemente.º (reinvestimento dos valores de realização) alargou a aplicação do art. tanto mais que à data da entrada em vigor do regime jurídico das SGPS não existia tal imposição.º 103/97. .º) será deduzido ao custo de aquisição ou ao custo de produção dos bens do imobilizado corpóreo em que se concretizou o reinvestimento». o disposto no artigo 44. parece-nos que a remissão feita no artigo 7. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães .º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas.”.”.º 6.º 44. não se pode ignorar que nas SGPS se está perante situações de rein- vestimento dos valores de realização de activo imobilizado financeiro e que o n. 4. Silva e Pinheiro (1997: 29) sublinham a este propósito: “De facto.º do CIRC ao activo imobilizado incorpóreo relativo aos direi- tos de contratação dos jogadores profissionais.º 24.º do CIRC59. com as devi- das adaptações. uma vez que aí só foram contem- plados os bens do imobilizado corpóreo.Com a já sublinhada alteração do benefício fiscal.º 6 do artigo 44.º (regime fiscal) do Decreto-Lei n. na determinação do lucro tributável da sociedade para a qual são transmitidos os elementos patrimoniais das socieda- des fundidas ou cindidas o apuramento dos resultados60 respeitantes aos elementos patri- moniais transmitidos é feito como se não tivesse havido fusão ou cisão.º 3).º do diploma refere. pelo que julgamos que esta nova redacção se destinou essencialmente a contemplar também as mais valias e as menos-valias contabilísticas. Assim.3 REGIME DAS FUSÕES E CISÕES DAS SOCIEDADES Face ao preceituado na alínea a) do n. sem prejuízo do já estabelecido no art. a passagem de um regime de não tributação para um regime de tributação diferida. no seu art.º 123/92.º 3 do art. coloca-se a questão de saber como é que esse efeito fiscal irá ser quantificado. bem como o regime especial de gestão a que ficam sujeitos os clubes desportivos que não optem pela constituição das SD.

não obstante serem eliminadas integralmente no exercício em que são obtidas. de 2 de Julho. às entradas de activos.º do CIRC61. no caso de opção pelo reinvestimento) seja “transferida” para a nova sociedade fundida ou cindida. verificados os requisitos nos mesmos mencionados.os 59. 61 Com a redacção da Lei n. não concorre para a formação do lucro tributável a mais-valia ou menos-valia eventualmente resultante da anulação dessa participação em consequência da fusão ou cisão. 64 Esta Circular revogou a n.º e 62-A63 aplicam-se. daí que a sua tributação (e ou diferimento de tributação. 62 Aditado pelo Decreto-Lei n. nos termos do n.º 4/90. haverá que proceder a alguns ajustamentos contabilísticos. reporta-se às fusões e cisões de sociedades de diferentes Estados membros da União Europeia. atribuída aos respectivos elementos pela sociedade adquirente65. item 7. Por último. desde que.º 6/93. de 6 de Maio64. não entram no apuramento do lucro tributável das sociedades fundidas ou cindidas todos os resultados derivados dessas operações. 63 Para não alongarmos a questão. com as necessárias adaptações.º 15/94. referimos somente que este articulado.º 4 do art. tendo em conta os condicionalismos previstos naqueles articulados. de 2 de Julho.º e 60. Neste contexto. 65 Cf. que aprovou o OGE/93.º 62. Na verdade. Lei 123/92. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães Por outro lado. irão reflectir-se de forma parcelar no resultado consolidado de cada um dos exercícios abrangidos pelo período de utilidade esperada. de 28 de Dezembro.4 REGIME DO LUCRO CONSOLIDADO A sociedade dominante de um grupo de sociedades poderá requerer ao Ministro das Finan- ças a tributação pelo lucro consolidado.3. na qual o patri- mónio será objecto de realização. considerando que a fusão ou cisão não implica a interrupção da actividade.º 1 do art.º 238/91. que transpôs para o ordenamento jurídico português a 7. nomeadamente às eliminações internas desses ganhos ou perdas. de 9 de Janeiro. .º do CIRC e da Circular da DGCI n. quando a sociedade para a qual são transmitidos os elementos patrimoniais das sociedades fundidas ou cindidas detém uma participação no capital destas. de acordo com o preceituado nos art. devido à publicação do Dec. No que concerne às mais-valias e menos-valias apuradas nas transmissões de elementos do activo imobilizado entre empresas pertencentes ao grupo.º 62-B do CIRC62 sobre “Regime especial aplicável às entradas de activos” estipula que “os artigos 62. Lei n. As mais-valias e menos-valias obtidas em elementos do activo imobilizado. 4. na determinação ulterior das mais-valias ou menos-valias realizadas respeitantes às partes de capital social recebidas em contrapartida da entrada de activos. sujeitas a depe- recimento. o n.º 30-C/92. aditado também pelo Dec.ª Directiva da UE sobre consolidação de contas.3 da Circular n. serão meramente potenciais. as eventuais mais-valias daí resultan- tes. estas partes de capital se- jam consideradas pelo valor líquido contabilístico que os elementos do activo e do passivo transferidos tinham na contabilidade da sociedade que efectua a entrada de activos”.º 15/94.

Deste modo. Assim. relativa- mente a rendimentos não sujeitos a retenções na fonte.5 REGIME DA TRANSFORMAÇÃO DE SOCIEDADES Face ao preceituado no n. Como podemos verificar. por si só. há lugar a tributação.”. 5.7 REGIME FISCAL DOS FUNDOS DE INVESTIMENTO Recentemente o Dec. 66 Os n. alterou a redacção da alínea a) do n.º 61. Lei n. que não sejam mais-valias. por retenção na fonte como se de pessoas singulares residentes em território português se tratasse ou.os 2 e 3 do art. a dissolução e consequente liquidação do património da sociedade poderá originar ganhos e ou perdas (v. 4.6 REGIMES DE DISSOLUÇÃO E LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADES Os regimes de dissolução (art.º 1 do art.º 61.. 4. com a ressalva de não se colocar o problema do reinvestimento do valor de realização para benefício do dife- rimento da tributação.º 19. obtidos em território português.º do CSC) não têm qualquer tratamento especial no CIRC no que se refere às mais-valias e menos-valias das operações daí resultantes. o regime previsto neste diploma não abrange os rendimentos das mais-valias.º constituem excepções a esta regra.º 1 do art. mesmo quando ocorra dissolução da anterior. quaisquer consequências em matéria de IRC. no que concerne às mais-valias e menos-valias. alteração do regi- me fiscal que vinha sendo aplicado nem determina.g. não implica. (sublinhado nosso).º 146.º 367/97. autonomamente. alienação do imobilizado) que seguirão a regra geral de tributação. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães 4. de uma forma geral66. Nestes termos.º do Estatuto dos Benefícios Fiscais para: “a) Tratando-se de rendimentos. autonomamente à taxa de 25% incidente sobre o respectivo valor líquido obtido em cada ano. designadamente através dos designados acordos (convénios) para evitar a dupla tributação. de 23 de Dezembro. mas a sua abordagem não é significativa para o presente trabalho. . esses resultados são englobados no lucro tributável du- rante o período de liquidação. a transformação de sociedades..º a 165.º do CSC) e liquidação de sociedades (art. pelo que a estas se lhes aplica o regime geral de tributação. a transformação de sociedades não implica qualquer alteração ao regime geral que atrás abordámos.º a 145.1 ACORDOS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO A problemática fiscal das mais-valias tem sido uma das matérias objecto de tratamento internacional.º 141.º do CIRC. BREVES REFERÊNCIAS INTERNACIONAIS AO TRATAMENTO DAS MAIS- VALIAS 5.

Os impostos que incidem sobre as mais-valias variam de país para país. . designadamente a nível dos países da OCDE.º 21. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães A dupla tributação jurídica internacional pode ser definida. de 14 de Abril. designadamente. 1995. p. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE) estabeleceu um Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Património. 69 Em Espanha. Neste documento. 9. através do Código do Imposto de Mais-Valias. “Introdução” do “Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Património da OCDE”.º 2). pelo Real Decreto 573/1997. O regime actual da tributação das mais-valias em Espanha (Art. o seu art.º da Convenção não trata o problema do modelo de tributação. verificando-se a existência nomeadamente dos seguintes regimes: . com algumas particularidades que passamos a descrever: 67 Cf. em termos gerais. A maior parte dos Estados que tributam as mais-valias fazem-no no caso de alienação de bens e.Sujeição das mais-valias a impostos especiais68. ou um imposto sobre a valori- zação do capital (impostos sobre as mais-valias latentes). estabelece. nalguns deles. não são tributadas se o produto da alienação (valor de realização) for afecto à aquisição de novos activos. foi aprovado o Regulamento do Imposto sobre Sociedades e foram modificadas outras normas tributárias. publicação n. em sede de mais-valias. 5. intitulado “Mais-Valias”. nalguns casos. podemos concluir que as políticas fiscais de Portugal. do Centro de Estudos Fiscais da DGCI. Por outro lado.º 1) e dos bens mobiliários (n. no caso do reinvestimento do valor de realização. alienação de activos das empresas). Neste contexto.g. de 27 de Dezembro) que substituiu a anterior no que respei- ta à tributação dos lucros das empresas.º da Lei supracitada) é semelhante ao nosso 69.º 13. O referido art. como o imposto sobre a alienação de bens imobiliários. de um regime de “não tributação” ou “exclusão da tributação” para um regime de “tributação diferida”. como a inci- dência de impostos equiparáveis em dois Estados (ou mais) relativamente a um mesmo contribuinte. têm acompanhado a evolução internacional. também se passou.º 172 dos Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal. na afirmativa.º 13.Tributação das mais-valias como rendimento normal acrescido a outras fontes de rendi- mento (v. Mesmo estas. ou um imposto geral sobre as mais-valias. terão de segui-lo.º. Lisboa. 68 Era o caso de Portugal antes da reforma fiscal de 1989. de que modo. pelo que cabe ao direito interno de cada Estado contratante determinar se as mais-valias devem ser tributadas e. ao mesmo facto gerador e a períodos de tempo idênticos67. . só tributam as mais-valias realizadas. onde se inclui Portugal.2 O CASO ESPANHOL A partir de 1 de Janeiro de 1996 entrou em vigor em Espanha uma nova lei do imposto sobre sociedades (Lei 43/1995. as regras de tributação dos ganhos resultados da alienação de bens imobiliários (n. cujos países mem- bros.

nos períodos tributáveis concluídos nos 7 anos seguintes ao encerramento do período tributável em que se venceu o prazo do reinvesti- mento.Incluir no lucro tributável a mais-valia fiscal de 1. na aquisição de um bem de 10. Em termos conclusivos. e) A lei espanhola. 1996: 117). pois o rein- vestimento só se venceu em 31/12/2000 (três anos após a realização). Para melhor compreendermos este regime. tal como em Portugal. d) Os bens em que se concretizarem o reinvestimento têm de permanecer no património do sujeito passivo.Tratando-se de bens amortizáveis. Assim. salvo perdas justificadas. . não prevê o diferimento das mais-valias por valores de realização reinvestidos parcialmente. admitamos que uma empresa alienou em 1997 um bem que gerou uma mais-valia fiscal de 1. há jurisprudência anterior que prevê tal mecanismo (Àngel Segarra.Valores representativos de participações no capital ou em fundos próprios de todas as entidades que outorguem uma participação não inferior a 5% sobre o capital social das mesmas e que sejam retidas. nomeadamente no que respeita aos bens em que se pode concretizar o reinvestimento e aos prazos de diferimento. o contribuinte poderá optar por: .000 × 10%) e prolongar-se-á por 10 anos (de 1997 a 2006 inclusive).Imobilizado incorpóreo. no mesmo ano.Imobilizado corpóreo. a amortização anual do novo bem é de 1.000 no período de 1997 a 2006 (100 em cada ano). pelo menos.000 (10. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães a) A realização e o reinvestimento podem ocorrer em: . durante um ano.000 e o valor de realização foi totalmente rein- vestido. podemos inferir que em Espanha.. as mais- valias são tributadas diferidamente. b) O valor de realização pode ser reinvestido dentro do prazo compreendido entre o ano anterior à data da entrega ou posto à disposição do elemento patrimonial e os três anos se- guintes. nos períodos tributáveis correspondentes à amortização dos bens patrimoniais em que se materializou o reinvestimento. . c) O valor do rendimento (mais-valia) não integrado no lucro tributável. amortizável à taxa de 10%. . . . Porém. até que se cumpra o prazo de sete anos [. de acordo com uma das opções a efectuar pelo sujeito passivo: ..000 contos.Ou incluir no lucro tributável dos exercícios de 2001 a 2007 os mesmos 100. somar-se-á ao mes- mo por partes iguais.Para qualquer bem (amortizável ou não).]. com matizes pontuais. contrariamente à portuguesa. Deste modo.

Não Sim go das acções Portugal Sim Não Sim Sim Reino Uni- Sim Não Sim Sim do Suécia Sim Não Não Não 70 Dados reportados a 31/12/95. sobre os ganhos de capital das pessoas colectivas procedentes da transmissão de activos fixos em alguns países da Europa: Tributação Diferimento do Ajuste como imposto País Tributação do tipo especial da rendimento em caso de inflação ordinário reinvestimento Alemanha Sim Não Não Sim Áustria Sim Não Sim Sim Activos possuídos durante 5 anos tributam a 19. ção Holanda Sim Não Não Sim Irlanda Sim Sim ao tipo de 40% Sim Sim Itália Sim Não Não Não Isenção do imposto na Luxembur- Sim transmissão de determina. . 1995.5% e em Bélgica Sim Não Sim determinados casos chegam a estar isentos Ganhos por vendas de ac- Dinamarca Sim ções mantidas mais de 3 Sim Não anos estão isentas Sim Não. Este quadro foi elaborado pelo próprio autor a partir de “European Taxation”. no caso Na transmissão de imóveis das acções. e.3 QUADRO COMPARATIVO DOS GANHOS DE CAPITAL EM ALGUNS PAÍSES DA EUROPA Izquierdo Llanez (1997: 193) apresentou um quadro comparativo70. Venda evitar a tributa- de participações a 20%. Nueva York. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães 5. que a seguir transcre- vemos. excepto Espanha que são relativos a 1 de Janeiro de 1996. 1996 e Coopers & Lybrand International Tax Network. Amsterdão. International Bureau of Fiscal Documentation. Jhon Willey & Sons. com ex- Espanha Sim Não cepção das (parcial) PME’s Finlândia Sim Não Não Não Para activos possuídos du- França Sim Não Não rante mais de 2 anos – 18% Sim. “International Tax Sumaries”. tipos de 25 a 10% (desde 5 a Grécia Sim Não pode chegar a 20 anos de posse).

nome individual ou activo da sua empresa e) No caso de alienação de títulos de dívida.No caso previsto na alínea d) prevalecerá. se o houver. o valor atribuído no con- diminuído. 1 emissão. que os elementos são inscritos na contabi. sil- qualquer vencimento.No caso de troca por bens futuros. trato aos bens ou direitos recebidos. se ainda não houver ocorrido exercício de uma actividade agrícola.º 263/92. valor de mercado. prevalecerão. b) e e) do mente. te a fins alheios à actividade exercida. Considera-se valor de realização: 1. indemnização. o valor por seu valor de mercado. te a fins alheios à actividade exercida. exista ou este for superior. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães ANEXO N.º 4 do artigo 32. b) No caso de expropriação. os que devessem ser. de 17 de Julho. o valor da respectiva entre o valor de reembolso e o preço da contraprestação. indemnização. silví- o valor da transacção. um ou outro.º 1 VALOR DE REALIZAÇÃO CIRC (N. não havendo lugar a esta liquidação.º 42) 3. o valor de mercado dos a IRS. por aquela diferença. 2 quando superiores. consoante o caso.º 141/92. quando aquele não da ou paga. tratando-se de direitos f) Nos demais casos o valor da respectiva reais sobre bens imóveis.º. da importância sinistrados. de afectação à sua empresa comercial ou mento ou da emissão. caso fosse devida1. . e) Nos demais casos.º) CIRS (ART. 4 . o valor resultante da correc- ção a que se refere o n.º 3 DO ART. 3 . acrescidos ou b) No caso de expropriações ou de bens diminuímos. 1 1 Com a redacção do Decreto-Lei n.º 1 repor- tam-se à data da celebração do contrato. 2 – Nos casos das alíneas a). acrescido ou a) No caso de troca. o valor da correspondente em dinheiro a receber ou a pagar. 2 Com a redacção do Decreto-Lei n. d) No caso de afectação de bens imóveis do lidade da entidade para a qual se transmi. 1 parte correspondente àqueles períodos. Para a determinação dos ganhos sujeitos a) No caso de troca. os valo- res referidos na alínea a) do n. bem assim. líquido dos juros cola ou pecuária e. nos casos de títulos cuja remu- neração seja constituída. da impor. o d) Nos casos de fusão ou cisão. no caso contáveis desde a data do último venci. património particular do empresário em tem em consequência daqueles actos. contraprestação. bem como da diferença pela data da afectação. até à data da vícola ou pecuária. primeira colocação industrial de prédios rústicos afectos ao ou endosso. ou o tância em dinheiro conjuntamente recebi. de 24 de Novembro. comercial ou industrial ou agrícola. os valores por que os bens houverem sido considerados para efeitos de liquidação de sisa ou.º 42. considera-se valor de realização: bens ou direitos recebidos. o valor da c) No caso de bens afectos permanentemen. o c) No caso de bens afectos permanentemen- seu valor de mercado. 2 número anterior. o valor de mercado à transmissão. total ou parcial.

aplicando-se então o disposto nos núme- ros anteriores com as necessárias adaptações. fabricação ou construção de elementos do activo imobilizado corpóreo até ao fim do terceiro exercício seguinte ao da realização. a) 5 . de 27 de Dezembro de 1996 (OE de 1997). poderá autorizar. não havendo lugar ao apuramento de IRC.O Ministro das Finanças. b) Redacção do n. acrescido dos juros compensatórios correspondentes.º 1. a) 6 .º da Lei n. c) Redacção pela Lei n. de 21 de Janeiro de 1997. o prejuízo fiscal declarado. b) 8 . em vigor desde 1 de Janeiro.º REINVESTIMENTO DOS VALORES DE REALIZAÇÃO (Redacção Actual) * 1 .A dedução a que se refere o número anterior será feita proporcionalmente à parte que no total a reinvestir represente o valor de cada bem em que se concretizou o reinvestimento. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães ANEXO N.º 7.º e 36. em conformidade.os 1 e 2. não con- corre para o lucro tributável a parte proporcional da diferença referida no número anterior que lhe corresponder b).Não sendo concretizado o reinvestimento. no caso de investimento em que o seu período de realização o justifique.º 3 do art.º 44. b) 7 . os contribuintes mencionarão a intenção de efec- tuar o reinvestimento na declaração de rendimentos do exercício da realização.O valor da diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias não tributado nos termos do n. . a diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias realizadas mediante transmissão onerosa de elementos do activo imobilizado corpóreo ou em consequência de indemnizações por sinistros ocorridos nestes elementos sempre que o valor de realização correspondente à totalidade dos referidos elementos seja reinvestido na aquisição. ao valor do IRC liquidado relativamente ao terceiro exercício posterior ao da realização adicionar-se-á o IRC que deixou de ser liquida- do em virtude do disposto no n. comprovan- do na mesma e nas declarações dos três exercícios seguintes os reinvestimentos efectua- dos.º 1 será deduzido ao custo de aquisição ou ao custo de produção dos bens do activo imobilizado corpóreo em que se concretizou o reinvestimento para efeitos da respec- tiva reintegração ou determinação de qualquer resultado tributável em IRC relativamente aos mesmos. a) a) Redacção pela Lei n. 3 .c) 4 .º 71/93.º-A. em vigor desde 8/12/93.º 52-C/96.Para efeitos do disposto nos n.º 2 ART. ou. que o prazo de reinvestimento seja alargado até ao fim do quarto exercício seguinte ao da realização.º 21/97.No caso de se verificar apenas o reinvestimento parcial do valor de realização. a) 2 . * O OGE/1998 não procedeu a qualquer alteração. corrigir-se-á. de 26 de Novembro (OE Suplementar de 1993).Não concorre para o lucro tributável do exercício a que respeitar.Não é susceptível de beneficiar do regime previsto nos números anteriores o investimen- to em que tiverem sido utilizadas a provisão referida no artigo 36. na parte que tenha influenciado a base tributável. a requerimento apresentado pelos interessados até ao fim do exercício a que respeitam as mais-valias.

Mais tarde.. a Sociedade A. SGPS será não de 500 000.....A.. S. S... Pretende-se saber qual o reflexo fiscal da dissolução da Sociedade K....... 500 000 Mais-valia fiscal .A. do modo como tiver sido realizado o capital social da Sociedade K. RESPOSTA: Para efeitos de determinação do resultado decorrente da partilha da sua participada... S..........º 3 1/2 REINVESTIMENTO NA AQUISIÇÃO DE ACÇÕES DE SOCIEDADE QUE MAIS TARDE SE DISSOLVE ENUNCIADO: Suponhamos que a Sociedade A..300 000 = 250 000. como acabamos de ver.. S.A... o resultado da partilha não será...... SGPS alienou uma participação de capital (quota ou ac- ções). Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães ANEXO N... SGPS...... é deliberada a dissolução da Sociedade K.. Por conseguinte.. Quanto à qualificação deste resultado tributável.. de 50 000.200 000 = 300 000.. Em resultado desta....... neste caso... o custo de aquisição a considerar em relação à Sociedade A.... mas de 500 000 . SGPS recebe 550 000..A. concretizando-se as inerentes liquidação e partilha... dependerá.. 200 000 No prazo legalmente previsto para o efeito.... na tributação da Sociedade A.... Admitamos dois cenários: . sendo fiscalmente relevantes os seguintes valores: Valor de realização. o valor de realização da venda atrás referida (500 000) é reinvestido na aquisição de acções da Sociedade K. mas antes de: 550 000 ...

pois.000 Total 250.º Cenário 2.570 (a) 250 000 .6%) 4.º Cenário Capital social Capital social Realizado em numerário 20000 Realizado em numerário200 000 Realizado em espécie 30000 Realizado em espécie 100 000 300 000 Incorporação de reservas 150000 200000 Prémios de emissão 100 000 Reservas livres 20 000 Prémios de emissão 100000 Total do capital próprio 420 000 Reservas de reavaliação 20000 Reservas livres 70 000 Resultados transitados 30 000 Total do capital próprio 420 000 A qualificação do rendimento tributável e inerente tributação serão. Autor: Joaquim Fernando da Cunha Guimarães ANEXO N. em cada um destes ce- nários.º Cenário Aplicação de capitais 250.95% x 150 000 Conclui-se. .500 (b) IRC apagar (taxa 39.000 150.º 3 2/2 1.000 250.000 Resultado tributável 12.500 (a) 107. os seguintes: Qualificação do rendimento 1.º Cenário 2.950 42.000 Mais-valias .95% x 250 000 (b) 250 000 . que a tributação do ganho apurado na partilha virá substancialmente redu- zida em comparação com a que decorreria da tributação imediata da mais-valia inicial e apenas virá mais agravada se existir uma parcela do rendimento imputável à dissolução que seja qualificada como mais-valia (como acontece no cenário 2). 100.

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