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UNIVERSIDADE DE SOROCABA

PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

CARLOS ALBERTO DA SILVA

AUDITORIA INTERNA

Sorocaba-SP
Novembro/2009
2

1. DADOS SOBRE O PROJETO DE PESQUISA

Titulo do Projeto: Auditoria Interna.


Curso que pertence o projeto: Ciências Contábeis.
Período para a realização do projeto: Agosto a Dezembro de 2009.
Linha de pesquisa que se enquadra o projeto da Universidade: Ciências Sociais Aplicadas

2. INTRODUÇÃO

A auditoria interna, em razão da grande diversificação das atividades que


compõem os processos de uma entidade, torna-se muito importante. Preocupando-se
inclusive com a parte operacional, abrangendo não somente os relatórios e controles
contábeis, como também os controles internos. Tornando-se assim, de grande importância
para a administração.
Em um mercado cada vez mais competitivo, torna-se indispensável, para as
grandes e médias empresas, um departamento que assegure a garantia de controle de
100% do patrimônio e atividades, ou seja, um departamento de “auditoria interna”.
Surge uma oportunidade para os contadores, a de oferecer algo a mais do que
os serviços típicos da profissão, agregando muito mais valor ao ofício do contador, através
da união da contabilidade gerencial integrada com a auditoria interna.
O projeto está dividido em 3 tópicos, tópico 1 trata dos conceitos aplicação da
auditoria, tópico 2 estuda especificamente a auditoria interna, e o tópico 3 apresenta um
estudo de caso da auditoria interna em uma empresa.
3
3. INTRODUÇÃO

O objetivo deste projeto é o entendimento do que é auditoria interna, qual seu


ambiente de atuação, quais os parâmetros definidos para o exercício profissional,
posicionamento, subordinação e independência.
Com relação à transparência exigida atualmente, percebe-se a necessidade de
um controle mais rigoroso nos processos e procedimentos internos, visando elaborar
demonstrações contábeis em informações internas confiáveis.
Diante do que foi exposto, a questão para este projeto é: Qual a “importância” da
Auditoria Interna nas organizações?
Como hipótese, o que se espera com este estudo, é apresentar a auditoria
Interna aplicada nas organizações e aumentar a percepção dos administradores em
relação à relevância das informações que chegam à Contabilidade, contribuindo para a
construção de uma boa gestão empresarial.
A escolha deste tema é devido a um interesse pessoal, pois, já presenciei
empresas com a necessidade de um departamento de Auditoria Interna. Onde apresentava
uma extrema necessidade de melhoria nos sistemas de Controles e Processos Internos.
Com uma auditoria interna, revisam-se todos os procedimentos, visando uma informação
mais confiável para a preparação da Contabilidade.

4. MÉTODO CIENTÍFICO

Este projeto de pesquisa pode ser classificado como teórico – empírico baseado
em ampla pesquisa bibliográfica, com utilização de estudo de caso. O projeto realiza um
estudo bibliográfico sobre os aspectos do tema, suas principias linhas de pesquisa,
métodos de área e os estudos do tema.
O cronograma estabelecido foi de no período entre agosto e outubro a
montagem da pesquisa bibliográfica, do resumo e da introdução. Novembro a dezembro a
montagem dos objetivos e dos referenciais teóricos, finalizando com os comentários finais,
bibliografia e dos anexos. O financiamento do projeto ocorreu com recursos próprios.
4

5. OBJETIVO

Projeto de pesquisa teórico – empírico baseado em fontes de pesquisa


bibliográfica, complementada com estudo de caso e anexos.
Objetivo Geral
O objetivo principal desde trabalho é demonstrar que o departamento contábil de
uma empresa pode suprir a necessidade que a organização tem de um departamento
específico de auditoria interna.
Objetivos Específicos
1) Realizar pesquisa bibliográfica referente a conceitos e procedimentos de
auditoria utilizados nas empresas.
2) Realizar estudo sobre auditoria interna nas empresas.
3) Relacionar os conceitos e procedimentos específicos utilizados pela auditoria
interna para um bom desenvolvimento dos trabalhos e sugestões de melhorias.

6. DESENVOLVIMENTO

7.1 CONCEITO E APLICAÇÃO DA AUDITORIA


Pode-se definir Auditoria, de uma forma bem simples, como o levantamento,
estudo e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações e rotinas das
demonstrações financeiras de uma entidade. A auditoria das demonstrações contábeis
constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de parecer
sobre sua adequação, consoante às normas pertinentes e à legislação específica.
Segundo a doutrina de Hoog1,
“Auditoria contábil é o procedimento científico relativo à certificação dos elementos
da riqueza aziendal, normalmente contabilizados nas fundações, associações, sociedades
empresária e simples. Assegurando a credibilidade das informações das peças contábeis e a
integridade do conjunto de bens e obrigações e da situação líquida, visa a minimização ou
eliminação dos riscos fiscais, societários, ambientais, trabalhistas, previdenciários, sistêmicos
ou não da ambiência.”

1
HOOG, Wilson Alberto Zappa. Manual de Auditoria Contábil das Sociedades Empresárias. Curitiba: Juruá, 2007.
5

Consiste em controlar áreas-chaves nas empresas a fim de evitar situações que


propiciem fraudes, desfalques e subornos, através de testes regulares nos controles
internos específicos de cada organização.
Outra conceituação interessante extraímos de Franco2:
“A auditoria compreende o exame de documentos, livros e registros, inspeções e
obtenção de informações e confirmações, internas e externas, relacionadas com o controle do
patrimônio, objetivando mensurar a exatidão desses registros, e das demonstrações contábeis
deles decorrentes.”
O desenvolvimento da profissão do contador na atividade de auditoria foi
estruturado, fundamentalmente, na necessidade que tinham os usuários da informação
contábil de contar com uma opinião independente e objetiva que agregasse credibilidade e
confiabilidade às manifestações que a gerência faz, por meio das demonstrações
contábeis, sobre a situação econômica e financeira da entidade.
Conforme Attie3, temos:
“O objetivo do exame de auditoria das demonstrações contábeis é expressar uma
opinião sobre a propriedade das mesmas, e assegurar que elas representam adequadamente a
posição patrimonial e financeira, o resultado de suas operações e aplicações de recursos
correspondentes aos períodos em exame, de acordo com os princípios de contabilidade.”
O exame de auditoria deve ser efetuado de acordo com as normas usuais de
auditoria, inclusive quanto às provas nos registros contábeis e aos procedimentos de
auditoria julgados necessários nas circunstâncias.
Dessa forma, o objetivo principal da auditoria pode ser descrito, em linhas gerais,
como o processo pelo qual o auditor se certifica da veracidade das demonstrações
financeiras preparadas pela companhia auditada. Em seu exame, o auditor, por um lado,
utiliza os critérios e procedimentos que lhe traduzem provas que assegurem a efetividade
dos valores apostos nas demonstrações financeiras e, por outro lado, cerca-se de
procedimentos que lhe permitem assegurar a inexistência de valores ou fatos não
constantes das demonstrações financeiras que sejam necessários para seu bom
entendimento.
O objeto da auditoria é o conjunto de todos os elementos de controle do
patrimônio administrado, os quais compreendem registros contábeis, papéis, documentos,
fichas, arquivos e anotações que comprovem a legitimidade dos atos da administração,
bem como sua sinceridade na defesa dos interesses patrimoniais.

2
FRANCO, Hilário; MARRA, Ernesto. Auditoria Contábil. 4ª Edição. São Paulo: Atlas, 2001.
3
ATTIE, William. Auditoria: conceitos e aplicações. São Paulo: Atlas, 1998. p. 32.
6

A auditoria pode ter por objeto, inclusive, fatos não registrados


documentalmente, mas relatados por aqueles que exercem atividades relacionadas com o
patrimônio administrado, cujas informações mereçam confiança desde que possam ser
admitidas como seguras pela evidência ou por indícios convincentes.
Sobre esse objeto a auditoria exerce sua ação preventiva, saneadora e
moralizadora, para confirmar a veracidade dos registros e a confiabilidade dos
comprovantes, com o fim de opinar sobre a adequação das situações e informações
contidas nas demonstrações contábeis, na salvaguarda dos direitos dos proprietários, dos
financiadores do patrimônio, do próprio fisco e, até, da sociedade em geral.

7.1.2 Resultados da Auditoria Sobre o Patrimônio


A proteção que a auditoria oferece à riqueza patrimonial, dando maior segurança
e garantia aos administradores, proprietários, fisco e financiadores do patrimônio,
apresenta os seguintes aspectos:

* Sob o aspecto administrativo: contribui para redução de ineficiência, negligência,


incapacidade e improbidade de empregados e administradores;
* Sob o aspecto patrimonial: possibilita melhor controle dos bens, direitos e obrigações
que constituem o patrimônio;
* Sob o aspecto fiscal: é fator de mais rigoroso cumprimento das obrigações fiscais,
resguardando o patrimônio contra multas, o proprietário contra penalidades decorrentes da
lei de sonegação fiscal e o fisco contra sonegação de impostos;
* Sob o aspecto técnico: contribui para mais adequada utilização das contas, maior
eficiência dos serviços contábeis, maior precisão das informações e a garantia de que a
escrituração e as demonstrações contábeis foram elaboradas de acordo com os princípios
de Contabilidade;
* Sob o aspecto financeiro: resguarda créditos de terceiros – fornecedores e financiadores
– contra possíveis fraudes e dilapidações do patrimônio, permitindo maior controle dos
recursos para fazer face a esses compromissos;
* Sob o aspecto econômico: assegura maior exatidão dos custos e veracidade dos
resultados, na defesa do interesse dos investidores e titulares do patrimônio.

7.1.3 Estrutura da Auditoria


A auditoria é uma atividade relativamente nova no Brasil; podemos até dizer que,
nesse momento, ela encontra-se no estágio inicial em termos de técnicas, haja vista que
7

as legislações específicas brasileiras vêm abordando superficialmente o assunto, sem


definir de forma clara e precisa os procedimentos que os profissionais da área deveriam
adotar por ocasião das auditorias das demonstrações financeiras e auditorias realizadas
nas empresas publicas.
A atividade de auditoria é bastante dinâmica e está em permanente mutação, o
que requer maior atenção dos órgãos específicos ligados a essa área, no sentido de
padronizar e estabelecer os procedimentos, fortalecer o sistema de auditoria e mercado de
capitais, como conseqüência, dar maior segurança para os investidores, notadamente os
pequenos, nas Companhias de capital aberto.
Assim como, na conjuntura atual, a complexidade dos negócios, as modificações
freqüentes na legislação, as novas regras dos negócios em função de índices inflacionários
que flutuam, fazem com que a sobrevivência e o crescimento da empresa dependam muito
do talento e da habilidade do administrador em aceitar os desafios do dia-a-dia de suas
atividades, da mesma forma o auditor necessita de seu talento e de seu conhecimento
para julgar, de maneira independente, a credibilidade dos dados contábeis nas
demonstrações financeiras como fonte de informações para terceiros.
A estrutura da auditoria consiste em avaliar a política de sistema da empresa, em
termos da adequação, comunicação, aceitação, aplicação e controle, se é necessária na
situação, se contribui para atingir os objetivos da empresa, se permite assegurar a correta
utilização dos recursos da empresa, tanto de natureza financeira, econômica e humana.
A base fundamental da Auditoria está ligada diretamente à contabilidade, que,
exerça o principal papel da empresa, no sentido de registrar e informar os reflexos das
transações nos aspectos econômico-financeiros, muitas vezes é manipulada, por interesse
estranho ao objetivo maior da empresa, visando a vantagens ilícitas ou malversação dos
recursos como empréstimos, aprovação cadastral, financiamentos.
O papel primeiro do Auditor não é detectar fraudes, mas se no decurso de seu
trabalho ele as descobre, comunica, através de seu relatório, os efeitos correspondentes.
Atualmente a Contabilidade vale-se dos conceitos da Economia, como as palavras capital,
renda, consumo; outros conceitos derivam do Direito e outros, ainda da Administração.

Como se pode perceber, a Contabilidade envolve uma série de entendimentos


lógicos e genéricos ligados às atividades econômicas, políticas e até de costumes de
época em que está sendo aplicada.
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7.1.4 Tipos de Auditoria

A auditoria se classifica da seguinte maneira:


a) Auditoria de demonstrações financeiras e auditoria operacional.
Auditoria de demonstrações financeiras: Como já foi dito, é o exame das
demonstrações financeiras, feito por um profissional independente, com a finalidade de
emitir um parecer técnico sobre sua fidedignidade.
Auditoria operacional: É o exame da gestão da entidade, com a finalidade de
avaliar a eficiência dos seus resultados, no tocante a metas fixadas, recursos empregados,
organização, utilização e coordenação dos referidos recursos e os controles estabelecidos
sobre sua gestão.
b) Auditoria externa e auditoria interna.
Auditoria externa: É a auditoria das demonstrações financeiras. É feita por um
profissional alheio à empresa.
Auditoria interna: É realizada pelo pessoal da própria empresa, e não consiste
no exame de demonstrações financeiras, mas no de todo tipo de operação da empresa.
Atualmente os horizontes da auditoria foram ampliados para outras verificações que não
aquelas essencialmente ligadas a sua origem contábil, tais como, auditoria de sistemas,
auditoria da qualidade, auditoria ambiental, etc.

7.1.5 Diferenças Básicas Entre Auditoria Externa e Auditoria Interna

AUDITOR EXTERNO AUDITOR INTERNO

Não tem vínculo empregatício com É empregado da empresa


a empresa, profissional auditada;
independente; Exame dos controles operacionais
Exame das Demonstrações Promove melhorias nos controles
Contábeis operacionais
Opina sobre as Demonstrações Recomendações sobre controle
Contábeis interno e eficiência administrativa
Emite parecer Menor grau de independência;
Maior grau de independência; Responsabilidade Trabalhista
Responsabilidade Profissional, Civil Menor área de cobertura
e Criminal Maior intensidade de trabalho em
Maior área de cobertura cada área
Menor intensidade de trabalho em Trabalho contínuo
cada área
Trabalho periódico
9

7.2 AUDITORIA INTERNA


Auditoria Interna é um conjunto de procedimentos que tem por objetivo examinar
a integridade, adequação e eficácia dos controles internos e das informações físicas,
contábeis, financeiras e operacionais da entidade, como um serviço prestado à
administração ou auditoria operacional ou de gestão.
A auditoria interna é uma atividade de avaliação independente dentro da
empresa, que se destina a revisar as operações, como um serviço prestado à
administração. Constitui um controle gerencial que funciona por meio da análise e
avaliação da eficiência de outros controles. É executada por um profissional ligado à
empresa, ou por uma seção própria para tal fim, sempre em linha de dependência da
direção empresarial.
Franco 4assim define auditoria interna:
“É aquela exercida por funcionário da própria empresa, em caráter permanente”.
O objetivo da auditoria interna é auxiliar todos os membros da administração no
desempenho efetivo de suas funções e responsabilidades, fornecendo-lhes análises,
apreciações, recomendações e comentários pertinentes às atividades examinadas.
A auditoria interna preocupa-se, também, com a melhor rentabilização dos
recursos disponíveis, assim como com o cumprimento dos objetivos previamente fixados,
servindo as organizações na sua globalidade e não apenas os seus gestores.

7.2.1 Características do Auditor Interno


O auditor interno é pessoa de confiança dos dirigentes; está vinculado à
empresa por contrato trabalhista continuado e sua intervenção é permanente. Sua área de
atuação envolve todas as atividades da empresa; predominam a verificação constante dos
controles internos, a manipulação de valores e a execução de rotinas administrativas.

7.2.2 Funções do Auditor Interno


O auditor interno interessa-se por qualquer fase das atividades do negócio em
que possa ser útil à administração. Isto pressupõe sua incursão em campos além dos de
contabilidade e finanças, a fim de obter uma visão completa das operações submetidas a
exame. Testa a qualidade dos trabalhos, revisa, recomenda; enfim, assiste à administração
e lhe fornece informações periódicas principalmente no que tange:

4
FRANCO, Hilário. Auditoria Contábil. 4ª Edição. São Paulo: Atlas, 2001. p. 218.
10

* à aplicabilidade e adequação de controles internos, financeiros e operacionais; revisando


e avaliando a correção, adequando e aplicando os controles contábeis, financeiros e outros
de natureza operacional, propiciando controles eficazes a um custo razoável;
* à extensão do cumprimento das diretrizes, planos e procedimentos; determinando o grau
de atendimento;
* à salvaguarda dos ativos quanto à escrituração e perdas de todas as espécies;
determinando o grau de controle dos ativos da empresa quanto à proteção contra perdas
de qualquer tipo;
* à avaliação da qualidade e desempenho na execução das responsabilidades delegadas
determinando a fidelidade dos dados administrativos originado na empresa;
* à recomendação de melhorias operacionais.
Observa-se que a auditoria interna presta ajuda à administração com vistas à
possibilidade de eliminar inconvenientes ao desempenho da gestão. Por ser empregado da
empresa, o auditor interno perde a sua independência profissional. Pode ser muito zeloso
e cumprir a ética, mas é evidente sua demasiada submissão aos administradores.
Servindo à empresa, a auditoria interna não se presta para informações.

7.2.3 Responsabilidades do Auditor Interno


As responsabilidades da auditoria interna, na organização, devem ser
claramente determinadas pelas políticas da empresa. A autoridade correspondente deve
propiciar ao auditor interno livre acesso a todos os registros, propriedades e pessoal da
empresa que possam vir a ter importância para o assunto em exame. O auditor interno
deve sentir-se à vontade para revisar e avaliar diretrizes, planos, procedimentos e
registros.
As responsabilidades do auditor interno devem ser:
* informar e assessorar a administração e desimcumbir-se das responsabilidades de
maneira condizente com o Código de Ética do Instituto dos Auditores Internos;
* coordenar suas atividades com a de outros, de modo a atingir com mais facilidade os
objetivos da auditoria em benefício das atividades da empresa.
No desempenho de suas funções, um auditor interno não tem responsabilidade
direta nem autoridade sobre as atividades que examina. Portanto, as revisões e avaliações
feitas por um auditor interno nunca eximem outras pessoas da empresa das
responsabilidades que lhe cabem.
11

A independência é essencial para a eficiência da auditoria interna. Esta


independência se obtém, primordialmente, por meio do posicionamento na estrutura
organizacional e da objetividade:
* o posicionamento da função de auditoria interna na estrutura organizacional e o apoio
dado a esta função pela administração são os principais determinantes de sua amplitude e
valor.
O responsável pelas atividades de auditoria interna deve, portanto, reportar-se a um
executivo cuja autoridade seja suficiente, para assegurar uma ação efetiva, com respeito
aos assuntos levantados e recomendações efetuadas;
* a objetividade é essencial à função de auditoria. Um auditor interno não deve, portanto,
desenvolver ou implantar procedimentos, preparar registros ou envolver-se em qualquer
outra atividade que poderá vir normalmente a examinar e analisar, e que venha a constituir
empecilho à manutenção de sua independência.
Sua objetividade não é, entretanto, afetada pelas determinações e
recomendações de padrões de controle que venha a fazer, para aplicação no
desenvolvimento de sistema e procedimentos por ele revistos.

7.2.4 Redução de Custos


A atividade vem sendo pressionada pelos vários segmentos da sociedade, desde
o próprio cliente – que exige maior qualidade e menores preços – até o ambientalista – que
exigem maiores investimentos no combate à poluição.
Para atender a essas exigências e continuarem competitivas, as empresas têm
que se modernizar, não apenas em instalações, mas no processo de gestão. Para tanto,
têm que investir em seu recurso humano e com ele contar para imprimir maior
produtividade e flexibilidade necessária para sua manutenção no mercado de competição
cada vez mais acirrada.
Diante desse fato, e considerando que todas as atividades desenvolvidas pelas
empresas que não agregam valor ao seu produto final devem consumir o mínimo de
recursos, elas se contrapõem à realidade de vários órgãos de Auditoria Interna, que
possuem em seus quadros grande quantidade de pessoas não envolvidas diretamente
com a atividade-fim da auditoria, denominada de apoio e de planejamento.
Em alguns casos, a relação entre esse pessoal e os auditores de campo,
chegam a atingir 25 a 30%, e sua atribuição, além de secretárias, controlam as horas do
pessoal de campo, formam as equipes de cada projeto, controlam status das
12

recomendações e respostas dos auditados, e, no caso dos coordenadores / supervisores,


revisam os papéis de trabalho, sugerem avaliações complementares, acompanham
cronograma, etc., ou seja, são retrabalhos que evidenciam a falta de confiança no
comprometimento dos auditores de campo e / ou deficiência em sua capacitação.
Muitas destas anomalias são oriundas, também, da simples cópia da gestão das
auditorias externas sem que haja a preocupação de adaptá-las à realidade e necessidades
das auditorias internas. Nas auditorias internas, a realidade é outra. Além da efetividade
dos números avaliados, sua preocupação também é com a economicidade, com a
racionalização e com a produtividade, ou seja, com a gestão empresarial. Dessa forma, as
empresas têm que ter em cada auditor um gerente capaz e comprometido com as
diretrizes e metas da organização.
Para atender à necessidade de redução de custos e eficácias da função
“Auditoria Interna”, seu titular tem que capacitar todos os seus auditores e faze-los
completos no menor prazo; utilizar os recursos de informática para aumento de eficiência e
eliminar os “levantamentos maçantes” normalmente destinados aos “Trainees” e
“Juniores”; buscar o verdadeiro comprometimento dos auditores mediante sua participação
efetiva no planejamento dos trabalhos; adotar procedimentos administrativos mais simples
para emissão e controle das recomendações. Assim, o custo com pessoal de apoio e
supervisores pode ser zero, pois, com base no planejamento plurianual e as prioridades da
administração, estabelece-se o plano anual, onde cada auditor define e se compromete
com seus projetos para todo o exercício.
O cronograma de execução é acompanhado pelo próprio auditor, pelo Gerente
da Auditoria e pelo Presidente da companhia, sendo que o procedimento para emissão das
recomendações é bem simplificado. Quando se observa alguma oportunidade de melhoria,
o próprio auditor emite o plano de ação condensando as mudanças com os auditados e
acompanha a implementação, comprometendo-se com o processo de mudança.

7.2.5 Normas de Auditoria Interna

Normas Gerais
* os auditores devem ter, no conjunto, proficiência profissional para se desincumbirem das
tarefas a eles confiadas;
* a organização de auditoria e os auditores individualmente, não devem ter sua
independência prejudicada, mantendo-as nas atitudes e na aparência;
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* devem exercer zelo profissional ao fazerem a auditoria e prepararem o relatório;


* os auditores deve comunicar qualquer limitação imposta ao escopo do exame.

Normas de Exame e Avaliação


* o trabalho deve ser adequadamente planejado e supervisionado e corroborado por
papéis de trabalho corretamente feitos;
* deve-se obter evidência suficiente, competente e relevante, que proporcione uma base
razoável para o parecer do auditor;
* o auditor deve estar atento para possíveis circunstâncias de fraude, abuso e atos ilegais.

Normas de Relatório
* os relatórios devem ser feitos por escrito e revisados na forma de rascunho, pelo setor
auditado e pelos dirigentes que solicitaram a auditoria;
* os relatórios devem ser objetivos, imediatos e oportunos;
* os relatórios devem apresentar dados exatos e fidedignos e os fatos descobertos de
maneira: convincente, clara, simples, concisa e competente;
* os relatórios devem conter realizações dignas de nota e enfatizar principalmente as
melhorias, em vez das críticas.

Aplicação das Normas


A orientação contida nas normas é instrutiva, mas não esgota todo o assunto.
Nelas não se determina com precisão o que uma unidade de auditoria deve fazer para
atender à exigência de planejamento adequado do trabalho, nem há regras quanto à
quantidade de evidência exigida para se corroborar um fato descoberto. Todas essas
questões envolvem julgamento e sua solução pode variar segundo as políticas e práticas
da unidade de auditoria operacional e as características do trabalho executado.
Consequentemente, as unidades de auditoria desenvolvem práticas e
procedimentos internos para assegurar a uniformidade e a qualidade de seu trabalho.
Esses procedimentos dizem respeito a questões tais como a maneira de preparar e revisar
os papéis de trabalho. As unidades de auditoria muitas vezes descrevem os procedimentos
adotados para cumprimento das normas profissionais contidas em manuais internos ou em
material de treinamento. Recomenda-se enfaticamente para qualquer ambiente a
elaboração de manuais de procedimentos internos para corroborar a observância de
normas profissionais.
14

7.2.6 Papéis de Trabalho

Os papéis de trabalho constituem o elo entre o trabalho de campo e o relatório


de auditoria. Em essência, eles devem conter: o registro do exame preliminar; o programa
de auditoria; e os resultados do trabalho em campo.
O corpo de auditoria interna desenvolve e utiliza seus papéis de trabalho:
* Como registro das informações obtidas através de indagações, revisão de instruções e
diretrizes administrativas;
* para identificar e documentar as revelações ou descobertas e acumular a evidência
necessária a fim de determinar a existência e extensão das condições deficientes;
* para ajudar o auditor a desempenhar seu exame de um modo ordenado. Os papéis de
trabalho devem indicar o que foi feito, o que ainda precisa fazer e explicar as razões
porque determinados passos do programa não foram feitos;
* para servir de suporte ou municiar o auditor nas discussões com o pessoal auditado;
* como fonte de informação para o relatório de auditoria;
* como material e linha de defesa quando suas recomendações são questionadas;
* como base de revisão, pela chefia ou supervisão sobre o que já foi feito pelo auditor e
para determinar em que etapa se encontra o projeto de auditoria;
* como base para auxiliar o desempenho do auditor;
* como registro de dados de consulta para futuros exames.
Devido à importância e utilização, a preparação dos papéis de trabalho deve ser
orientada segundo os critérios abaixo descritos:
a) Boa apresentação - os papéis de trabalho devem apresentar uma boa
distribuição para facilitar a leitura, evitando-se o congestionamento de informações numa
mesma folha e a utilização no verso.
b) Uniformidade - os formulários, questionários, mapas, etc. devem ser do
mesmo tamanho. Quando há necessidade de incluir um documento de menor dimensão,
é preferível colocá-lo ou prendê-lo num papel de tamanho normal.
c) Concisão - entre os papéis de trabalho só deve ser incluído material
informativo, estritamente necessário para a compreensão da atividade examinada e sobre
o trabalho feito. Quando apenas uma frase de um regulamento ou de uma lei é suficiente
para esclarecer um assunto, o auditor deve transcrevê-la para o papel, em vez de anexar
todo o texto do regimento ou da lei. Por outro lado, quando há necessidade de incluir uma
extensa relação de itens, o auditor anexará uma fotocópia, evitando a transcrição da
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listagem. Dentro desse mesmo critério, o auditor só deve escrever o for essencial para
completa compreensão de uma matéria.
d) Acabamento - devem ser completados todos os passos do programa de
auditoria (esclarecendo-se as razões para os que não foram executados). Todos os
questionários devem ser devidamente respondidos e nenhuma informação ou dado
necessário (data, título, referência, rubrica) deixar de ser registrado.
e) Seqüência - é necessário colocar os papéis de trabalho em seqüência lógica
para facilitar a revisão e a consulta. Dentro de cada segmento de um projeto de auditoria, a
seqüência a observar seria:
* explicações quanto ao objetivo da atividade;
* informações gerais: organização, volumes, etc.;
* descrição do sistema de controle;
* propósito (detalhado) do exame;
* extensão do exame: o que foi ou não abrangido, método de seleção de amostra,
tamanho da amostra, etc.;
* registro das revelações: descrição das deficiências de controle e das deficiências de
desempenho;
* recomendações;
* folhas de teste: com título descrito, legenda para as marcas de verificação utilizadas,
data, rubrica e referência.
É conveniente lembrar o cuidado que se deve ter com os papéis de trabalho,
principalmente quando deixados no local de exame, após o expediente, ou quando o
auditor estiver ausente. Todo o esforço do auditor pode resultar inútil, no caso de extravio
de seus papéis de trabalho, e esse desperdício é bastante oneroso.

7.2.7 Relatórios

Basicamente os relatórios têm duas funções: comunicar e persuadir. Os


benefícios resultantes do trabalho do auditor interno são concretizados através dos
relatórios sobre suas revelações e recomendações. Conseqüentemente, os relatórios
devem ser cuidadosamente preparados, bem escritos e estruturados de modo a chamar a
atenção das pessoas a quem estão dirigidos.
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Os critérios para elaboração dos relatórios são:


* Precisão - Todas as declarações, valores e referências têm que ser fundamentadas em
sólidas evidências.
* Clareza - Significa colocar a informação de tal forma que seja compreensível para as
pessoas a quem está dirigida. O uso de expressões ou termos próprios de auditoria não é
recomendável. Algumas vezes é mais conveniente substituir uma longa narrativa por
gráficos, mapas ou outros demonstrativos;
* Concisão - Significa eliminar o que é supérfluo, irrelevante ou imaterial. Por outro lado a
concisão não deve prejudicar o relatório com a insuficiência de informações.
* Tempestividade - O relatório de auditoria deve atender às necessidades básicas da
administração em receber informações correntes, de outra forma perderá seu efeito.
Quando há necessidade de ação rápida é recomendável a emissão de um relatório
preliminar ou sumário, antes da liberação do relatório final.
* Tom - o auditor deve sempre considerar o efeito que suas palavras produzirão no
pessoal do órgão auditado. Dessa forma é recomendável o uso de um tom cortês. É contra
indicado ressaltar defeitos pessoais. A exposição calma, objetiva e desapaixonada atrai o
interesse e desperta a confiança do administrador no auditor.
A estrutura depende da natureza do relatório de auditoria:
* formal ou informal;
* final ou preliminar (sumário);
* escrito ou oral;
* parecer ou recomendações;
* financeiro ou operacional (compras, vendas, produção, etc.).
É essencial que a auditoria interna faça um acompanhamento subseqüente
quanto às providências adotadas como resultado do relatório emitido. Normalmente, após
um prazo razoável da entrega do relatório, as pessoas envolvidas emitiriam
correspondências relatando quais as providências que foram ou seriam adotadas com
referência aos problemas abordados.
O relatório permanecerá pendente até o auditor receber uma resposta
satisfatória. Se a resposta for considerada insatisfatória, ela deverá ser formalmente
rejeitada por escrito. Nesse sentido, é recomendável a instituição formal para
encerramento de relatórios.
17

7.3 ESTUDO DE CASO

7.3.1 Estudo de Caso 1: WorldCom

Pano de fundo da Worldcom


A WorldCom agarrou-se à indústria de telecomunicações no começo da loucura
das aquisições dos anos 90. As pequenas margens que a indústria estava acostumada
não eram o bastante para Bernie Ebbers, diretor executivo da empresa. De 1995 a 2000, a
WorldCom comprou mais seis empresas de telecomunicações. Em 1997, ela comprou a
MCI por US$ 37 bilhões. A WorldCom mudou para a indústria da internet e informações,
abraçando 50% de todo o tráfego de internet dos Estados Unidos e 50% de todos os e-
mails da rede mundial. Em 2001, a WorldCom era dona de um terço de todos os cabos de
dados nos Estados Unidos. Além disso, era a segunda maior transportadora de longa
distância em 1998 e 2002.

Como a fraude aconteceu


Em 1999, as receitas cresciam lentamente e os preços das ações começaram a
cair. Os custos da WorldCom como uma porcentagem de sua renda total aumentaram
devido a uma diminuição dos lucros. Isto também significou que os lucros da WorldCom
não atendiam as expectativas dos analistas de Wall Street.
Em um esforço para aumentar os rendimentos, a WorldCom reduziu o montante
de dinheiro que possuía em reserva (para cobrir as dívidas e obrigações que a empresa
tinha adquirido) em US$ 2,8 bilhões e colocou este dinheiro em uma linha de rendimento
em sua declaração financeira.
Isto não foi o bastante para aumentar os lucros que Ebbers queria. Em 2000, a
WorldCom começou classificar as despesas operacionais como capitais de investimento
de longo período. Esconder estas despesas foi a maneira como ela conseguiu mais US$
3,8 bilhões. Estas posses novamente classificadas eram custos que a WorldCom pagou
para alugar linhas de redes telefônicas de outras empresas para acessar suas redes.
Eles também adicionaram uma entrada diária de US$ 500 milhões em despesas com
computador, porém os documentos que mostravam isso nunca foram encontrados.
Estas mudanças transformaram as perdas da WorldCom em lucros de US$ 1,3
bilhões em 2001. Isto fez a WorldCom parecer mais valiosa.
18

Como tudo foi descoberto


Depois que pistas foram enviadas para a equipe de auditoria interna e
irregularidades de contabilidade foram encontradas nos livros da MCI, a SEC solicitou que
a WorldCom fornecesse mais informações. A SEC suspeitou porque, enquanto a
WorldCom estava obtendo um lucro muito alto, a AT&T (outra gigante das
telecomunicações) estava perdendo dinheiro.
Uma auditoria interna descobriu os bilhões que a WorldCom tinha anunciado
como gastos de capital assim como os US$ 500 milhões em despesas não documentadas.
Havia também outros US$ 2 bilhões em entradas questionáveis. O comitê de auditoria da
WorldCom foi questionado por documentos que sustentavam os gastos de capital, porém
ela não tinha como produzir isto.
O controlador admitiu à auditoria interna que eles não tinham os padrões de
contabilidade correspondentes. A WorldCom então admitiu ter aumentado seus lucros em
US$ 3,8 bilhões. Um pouco mais de um mês depois da auditoria interna ter começado, a
WorldCom decretou falência.

Onde eles estão agora?


Quando decretou falência em 2004, a WorldCom mudou de nome para MCI. O
antigo diretor executivo, Bernie Ebbers, e o antigo diretor financeiro, Scott Sullivan, foram
acusados por fraude e violação de leis de finanças. Ebbers foi considerado culpado em
março de 2005 e sentenciado a 25 anos de prisão, porém conseguiu ficar livre através de
apelação. Sullivan alegou culpa e testemunhou contra Ebbers em troca de uma redução de
5 anos em sua sentença.

7.3.2 Estudo de Caso 2: Tyco

Pano de fundo da Tyco


A Tyco International tem operações em mais de 100 paises e figura como o
maior fornecedor mundial de componentes elétricos e eletrônicos, o maior desenhista e
produtor de sistemas de telecomunicações submarinos, o maior produtor de sistemas de
proteção de incêndio e serviços de segurança eletrônicos, o maior produtor de válvulas
especiais e o investidor principal em produtos médicos, plásticos, e marcas de adesivos
disponíveis. Desde 1986, a Tyco já realizou mais de 40 grandes aquisições assim como
muitas aquisições menores.
19

Como a fraude aconteceu


De acordo com o Centro de Informações de Fraude Tyco, uma investigação
interna concluiu que existiam erros de contabilidade, porém não era um problema de
fraude simétrica na Tyco. Então, o que aconteceu? O antigo diretor executivo da Tyco,
Dennis Koslowski, e o antigo diretor financeiro, Mark Swartz, e o antigo Conselheiro Geral
Counsel Mark Belnick foram acusados de darem a si mesmos lucros livres ou empréstimos
com juros muito baixos (algumas vezes disfarçados de bônus) que nunca foram aprovados
pelo quadro da Tyco ou reembolsados. Alguns destes "empréstimos" eram parte do
programa de "Empréstimo Chave de Empregados" que a empresa oferecia.
Eles foram acusados de venderem suas ações da empresa sem avisar os
investidores, que é uma das regras da SEC. Koslowski, Swartz e Belnick roubaram US$
600 milhões da Tyco International através de bonificações sem aprovação, empréstimos e
extravagantes despesas da empresa. Boatos sobre uma cortina de banheiro de US$ 6 mil,
uma cesta de lixo de US$ 2 mil e uma festa de aniversário de US$ 2 milhões para a
esposa de Koslowski na Itália são apenas alguns exemplos do uso impróprio dos fundos
da empresa.
Pelo menos 40 executivos da Tyco tomaram empréstimos que depois foram
"esquecidos" pelo programa de perdão de dívidas da Tyco, embora se diga que muitos não
sabiam que o que estavam fazendo era errado. Suborno também foi pago para aqueles
que a empresa temia que "traíssem" Kozlowski.
Basicamente, eles esconderam suas ações ilegais para se manter fora dos livros
de contabilidade e longe dos olhos dos acionistas e membros do quadro.

Como tudo foi descoberto


Em 1999, o SEC começou uma investigação depois de uma análise reportando
práticas de contabilidade questionáveis. Esta investigação durou de 1999 a 2000 e foi
centrada em práticas contábeis para muitas aquisições da empresa, incluindo práticas
conhecidas como "spring-loading", que quer dizer mais ou menos, sobretaxa de primavera.
Assim, os lucros pré-adquiridos de uma aquisição da empresa não eram
relatados, dando à consolidação da empresa a aparência de lucros aumentados mais
tarde. A investigação terminou com o SEC decidindo agir.
Em janeiro de 2002, a precisão da contadoria e contabilidade da Tyco continuou
sob questão depois de chamar a atenção a um pagamento de US$ 20 milhões feito ao
diretor da Tyco, Frank Walsh Jr. Este pagamento foi mais tarde explicado como uma taxa
20

para a aquisição da Tyco de CIT. Em junho de 2002, Kozlowski foi investigado por
extorsão de impostos porque ele não pagou impostos de vendas de US$ 13 milhões em
obras de arte que ele comprou em Nova Iorque com os fundos da empresa.
Ao mesmo tempo, Kozlowski demitiu-se da Tyco "por razões pessoais" e foi
substituído por John Fort. Em setembro de 2002, todos os três (Kozlowski, Swart, e
Belnick) foram embora e as acusações contra eles foram arquivadas por falta de
informações em seus empréstimos milionários de acionistas.
O SEC mandou que Kozlowski, Swartz e Belnick devolvessem os fundos que
tomaram da Tyco em forma de empréstimos em sigilo e compensações.

Onde eles estão agora?


Kozlowski e Swartz foram condenados em 2005 por utilização de bônus da
importância de US$ 120 milhões sem a aprovação dos diretores da Tyco, abusando de um
programa de empréstimos a funcionários e adulteração das condições financeiras da
empresa para aumentar o preço das ações, enquanto vendiam US$ 575 milhões em
ações. Eles receberam sentenças de 8 anos a 25 anos de prisão. Belnick pagou uma multa
de US$ 100 mil. Desde de substituir os membros do Conselho Administrativo e vários
executivos, a Tyco International tem se mantido forte.
A diferença do caso da Tyco em relação aos demais é que está mais relacionado
à ambição individual que à fraude contábil.

7. CONCLUSÃO

Com a globalização e a necessidade crescente de otimização de resultados, as


empresas estão buscando cada vez mais a identificação de oportunidades e estratégias
para minimizar riscos aos seus negócios, e eficiência em suas operações e um nível
adequado de controle e retorno aos seus investimentos.
A auditoria interna, como elemento-chave no processo de avaliação contínua dos
processos e atividades das empresas, deve estar adequadamente sincronizada nesse
cenário. O enfoque tradicional de avaliação dos controles internos não é suficiente para
atender às novas exigências das empresas que estão inseridas num mercado altamente
competitivo e em constante transição.
21

No contexto atual deverão ser incorporadas às atividades de auditoria interna,


novas habilidades que considerem, por exemplo, uma atuação proativa no entendimento e
análise das estratégias das empresas e como os riscos estão inseridos nos respectivos
processos de negócios.
As empresas precisam ter a clara percepção dos riscos do segmento de indústria
em que estão inseridas, não apenas para minimizar a ocorrência de erros ou
irregularidades, como também para identificar soluções estruturais que propiciem ganhos
de produtividade e de vantagem competitiva.
A auditoria interna deve, portanto, assumir uma participação proativa no suporte
à gestão empresarial sendo responsável não só por assegurar a qualidade e efetividade da
estrutura de controle interno, como, também, por propor recomendações de valor agregado
às atividades e aos negócios das empresas.
Na verdade, o valor agregado da auditoria interna para as empresas implica a
proposição de recomendações que possam contribuir para otimização dos resultados,
redução de custos, aprimoramento das práticas de controle interno e gestão e o
entendimentos dos indicadores de performance definidos para os diversos processos e
atividades de negócios.
A efetividade do processo de auditoria interna está atrelada a um processo
abrangente de planejamento e avaliação de riscos que considere a identificação dos riscos
estratégicos relacionados com o cenário onde a empresa está inserida (exemplo: análise
da ocorrência, planejamento estratégico, mercado, aspectos legais); riscos aplicáveis aos
processos operacionais (exemplo: vendas, marketing, recursos humanos); riscos
financeiros (exemplo: mercado, crédito, fluxo de caixa) e riscos aplicáveis ao conhecimento
(exemplo: tecnologia, gerenciamento de informações, propriedade intelectual).
A auditoria interna deve buscar como produto de seu trabalho a proposição e
implantação de soluções alinhadas com as melhores práticas de negócios. A utilização de
metodologia com enfoque abrangente de revisão, considerando aspectos de controle e de
estratégias dos negócios, aliada à utilização efetiva dos recursos de tecnologia nas
revisões, é fator determinante para o sucesso das atividades e do produto gerado pela
auditoria interna.
O cenário mudou e com ele fora estabelecidos novos paradigmas de
sobrevivência para as empresas. Nesse novo cenário as funções de auditoria interna
ganham nova dimensão e importância como instrumento de vantagem competitiva.
Entender o papel da Auditoria Interna como função estratégica é fundamental no processo
moderno de gestão empresarial.
22

8. BIBLIOGRAFIA

CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil: teoria e prática. 3ª Edição. São Paulo:
Atlas, 2004.

SANTOS, José Luiz dos; SCHMIDT, Paulo; GOMES, José Mário Matsumura.
Fundamentos de Auditoria Contábil. Coleção Resumos de Contabilidade. Vol. 19. São
Paulo: Atlas, 2006.

HOOG, Wilson Alberto Zappa; CARLIN, Everson Luiz Breda. Manual de Auditoria Contábil
das Sociedades Empresárias: de acordo com o novo Código Civil – Lei 10.406/2002. 1ª
Edição. 2004, 4ª Tiragem. 2007. Curitiba: Juruá, 2007.

ATTIE, William. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1992.

PAGLIATO, Wagner; SANTOS, Aldomar Guimarães dos. Curso de Auditoria. Rio de


Janeiro: Freitas Bastos, 2007.

PAULA, Maria Goreth Miranda Almeida. Auditoria Interna: embasamento conceitual e


suporte tecnológico. São Paulo: Atlas, 1999.

FRANCO, Hilário; MARRA, Ernesto. Auditoria Contábil. 4ª Edição. São Paulo: Atlas, 2001.

HOOG, Wilson Alberto Zappa. Moderno Dicionário Contábil. Curitiba: Juruá, 2004.

http://www.reitoria.rei.unicamp.br/auditoria/documentos/mod1_ap.pdf

AUDITORES, Martinelli. Curso Básico de Auditoria Interna. Módulo 1. Campinas: Unicamp,


2002. Acesso em 06/10/2009. 14:23 h.

http://www.crc.org.br/legislacao/normas_tec/pdf/normas_tec_rescfc0986_2002.pdf

CFC. Resolução CFC 986/2003. NBC T 12 - Da Auditoria Interna. Brasília: CFC, 2003.
Acesso em 13/10/2009. 10:18h
23

http://www.administradores.com.br/producao_academica/auditoria_interna/488/

Auditoria Interna. 23 de janeiro de 2008. Acesso em 17/10/2009. 11:41h.

http://www.maph.com.br/ler_capitulo.php?products_id=151

Conceito e a Importância da Auditoria Interna. Acesso em 23/10/2009. 09:33h.

http://www.cpc.org.br/pronunciamentosIndex.php

CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. 2009. Acesso em 23/10/2009. 10:14h.

http://www.conab.gov.br/conabweb/download/nupin/ManualdeAuditoriaInterna.pdf

CONAB. Manual de Auditoria Interna. Coordenadoria de Auditoria Interna – Coaud. 2ª


Edição. 2008. Acesso em 07/11/2009. 13:52h.

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm
BRASIL, Senado Federal. LEI Nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga
dispositivos da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de
dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à
elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Diário Oficial da União, Brasília,
DF, 28/12/2007. Acesso em 18/11/2009 12:48h.

http://www.congressocfc.org.br/hotsite/trabalhos_1/570.pdf
MORAIS, Maria Georgina da Costa Tamborino. A Importância da Auditoria Interna para a
Gestão: Caso das Empresas Portuguesas. Acesso em 22/11/2009 16:32h.

http://www.tecnoaud.com.br/detalhe_artigo.asp?id=30
INDEPENDENTES, Tecnoaud Auditores. Nova lei contábil faz auditoria disparar. Acesso
em 28/11/2009 12:09h.
24

10. ANEXO I

10.1 FONTES DE PESQUISA

CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil: teoria e prática. 3ª Edição. São


Paulo: Atlas, 2004.

Este livro destaca a parte prática da Auditoria, incluindo-se diversas rotinas reais
analisadas e interpretadas, acompanhadas dos respectivos pareceres e de observações
esclarecedoras.
Inicialmente, mostra que a Auditoria é uma técnica que objetiva obter elementos de
convicção que permitam julgar se os registros contábeis foram efetuados de acordo com
os princípios fundamentais de contabilidade e se as demonstrações contábeis deles
decorrentes refletem adequadamente a situação econômico-financeira do patrimônio, os
resultados do período administrativo examinado e as demais situações nelas
demonstradas. O autor reuniu nesta obra os frutos de uma longa experiência na matéria,
de forma didática, tornando facilmente assimiláveis os fundamentos teóricos e as bases
operacionais dos processos descritos, dentro de uma abordagem atual, prática e objetiva.
Em resumo, enfoca fundamentos de auditoria; auditoria interna e externa; organização de
firma de auditoria independente; controle de qualidade no exercício de auditoria; origem,
evolução e desenvolvimento da auditoria; normas de auditoria; testes em auditoria;
controle interno; papéis de trabalho; planejamento da auditoria; programas de auditoria
para contas do ativo, do passivo, de resultados de exercícios futuros, do patrimônio líquido,
de resultado; verificação complementar; eventos subseqüentes; e revisão final.

10.2 FONTES DE PESQUISA

ATTIE, William. Auditoria interna. São Paulo: Atlas, 1992

Proporciona visão panorâmica das necessidades atuais da auditoria interna e


conhecimentos básicos para a implantação, manutenção e funcionamento do setor de
auditoria. Proporciona ainda um parâmetro do que se espera de um moderno auditor
interno, bem como visão prática dos requisitos indispensáveis aos profissionais de
auditoria interna.
25

10.3 FONTES DE PESQUISA

SANTOS, José Luiz dos; SCHMIDT, Paulo; GOMES, José Mário Matsumura.
Fundamentos de Auditoria Contábil. Coleção Resumos de Contabilidade. Vol. 19.
São Paulo: Atlas, 2006.

A Coleção Resumos de Contabilidade objetiva proporcionar uma visão geral de cada tema
da área contábil. Possui a característica de vincular conceitos contábeis com leis e
normatizações vigentes, tornando-a muito útil para consultas de profissionais do dia-a-dia,
sem se descuidar de seu cunho didático. Em função de ser um livro complementar, este
volume não dispensa a leitura dos livros-texto de perícia contábil, especialmente quando o
objetivo do leitor estiver relacionado a um aprofundamento da matéria.
Destaque-se ainda a inclusão de material prático, que não só elucida pontos mais difíceis
como também fixa melhor a visualização e o entendimento de diversas situações.
Este volume traz os seguintes capítulos: Introdução à auditoria; Conceito e aplicação da
contabilidade; Auditoria; Órgãos relacionados com os auditores; Auditoria interna e
externa; Fundamentos de auditoria das demonstrações contábeis; Controle interno; Papéis
de trabalho; Planejamento da auditoria; Parecer.

10.4 FONTES DE PESQUISA

PAULA, Maria Goreth Miranda Almeida. Auditoria interna: embasamento conceitual e


suporte tecnológico. São Paulo: Atlas, 1999.

A análise do embasamento conceitual da auditoria interna em seu confronto com a prática


profissional desenvolvida nas empresas é oportuna nesse cenário mundial de rápidas
mudanças, de modo a identificar desvios em relação a seus objetivos, redirecionando sua
ação quando necessário. Nesse contexto, torna-se fundamental suprir a auditoria interna
com um suporte tecnológico eficaz. Traduz-se assim uma das propostas deste livro, um
modelo de suporte automatizado para as rotinas de auditoria e para avaliação de risco.
Também são abordadas outras questões relevantes para a auditoria interna, como o
trânsito de informações em rede, a mudança do milênio, o controle de operações com
derivativos e a reação humana às mudanças, que são considerados grandes desafios e
estão sendo apresentados como um estímulo na busca de soluções e alternativas para o
aperfeiçoamento da auditoria nas empresas.
26

10.5 FONTES DE PESQUISA

FRANCO, Hilário; MARRA, Ernesto. Auditoria Contábil. 4ª Edição. São Paulo: Atlas,
2001.

Escrito com rigor técnico, ajustado às normas legais e fundamentado em prolongada


experiência profissional, este texto atende a uma exigência já há algum tempo manifestada
no país: a produção de literatura técnica sobre Auditoria Contábil, em nível compatível com
o desenvolvimento profissional verificado nessa área. A auditoria é, certamente, a técnica
de controle que mais se desenvolveu nos últimos dez anos, no Brasil, exigindo dos
profissionais conhecimentos abrangentes que vão além do tradicional campo da
contabilidade, envolvendo também a economia, a análise das finanças das empresas e do
setor público, o Direito Empresarial e o Processo Administrativo. constituindo-se em sólida
contribuição para a formação de profissionais nessa área, este texto não apenas expõe as
técnicas da Auditoria Contábil, como ainda analisa as condições necessárias(legais,
técnicas, culturais e éticas) ao exercício da função de auditor e à constituição de
sociedades profissionais..

10.6 FONTES DE PESQUISA

HOOG, Wilson Alberto Zappa; CARLIN, Everson Luiz Breda. Manual de Auditoria
Contábil das Sociedades Empresárias: de acordo com o novo Código Civil – Lei
10.406/2002. 1ª Edição. 2004, 4ª Tiragem. 2007. Curitiba: Juruá, 2007.

A presente obra analisa a auditoria contábil, com as inovações trazidas pelo CC/2002.
Como um manual prático de procedimentos contábeis, contém noções essenciais acerca
da auditoria contábil contemporânea quando o referente é a fidedignidade e segurança dos
controles internos do Patrimônio das cédulas sociais, consideradas como sociedades
empresárias, à luz da moderna hermenêutica e política contábeis, com ênfase no novo
Direito Civil e nas teorias das empresas e da ultra vires. Este produto avalia o referente
pelo viés da política contábil e destina-se tanto ao uso acadêmico quanto ao profissional.
27

ANEXO II

NBC T - 12 – DA AUDITORIA INTERNA

12.1 – CONCEITUAÇÃO E DISPOSIÇÕES GERAIS

12.1.1 – CONCEITUAÇÃO E OBJETIVOS DA AUDITORIA INTERNA


12.1.1.1 – A auditoria interna constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por
objetivo examinar a integridade, adequação e eficácia dos controles internos e das
informações físicas, contábeis, financeiras e operacionais da Entidade.
12.1.1.2 – A auditoria interna é de competência exclusiva de Contador registrado em
Conselho Regional de Contabilidade, nesta norma denominado auditor interno.

12.1.2 – PROCEDIMENTOS DA AUDITORIA INTERNA


12.1.2.1 – Os procedimentos de auditoria interna são os exames, incluindo testes de
observância e testes substantivos, que permitem ao auditor interno obter provas suficientes
para fundamentar suas conclusões e recomendações.
12.1.2.2 – Os testes de observância visam à obtenção de uma razoável segurança de que
os controles internos estabelecidos pela administração estão em efetivo funcionamento,
inclusive quanto ao seu cumprimento pelos funcionários da Entidade.
12.1.2.3 – Os testes substantivos visam à obtenção de evidência quanto à suficiência,
exatidão e validade dos dados produzidos pelos sistemas de informações da Entidade.
12.1.2.4 – As informações que fundamentam os resultados da auditoria interna são
denominadas de "evidências", que devem ser suficientes, fidedignas, relevantes e úteis, de
modo a fornecerem base sólida para as conclusões e recomendações.

12.1.3 – PAPÉIS DE TRABALHO


12.1.3.1 – Os papéis de trabalho são o conjunto de documentos e apontamentos com
informações e provas coligidas pelo auditor interno que consubstanciam o trabalho
executado.

12.1.4 – FRAUDE E ERRO

12.1.4.1 – O termo "fraude" aplica-se a atos voluntários de omissão e manipulação de


transações e operações, adulteração de documentos, registros, relatórios e demonstrações
contábeis, tanto em termos físicos quanto monetários.
28

12.1.4.2 – O termo "erro" aplica-se a atos involuntários de omissão, desatenção,


desconhecimento ou má interpretação de fatos na elaboração de registros e
demonstrações contábeis, bem como de transações e operações da Entidade, tanto em
termos físicos quanto monetários.
12.1.4.3 – O auditor interno deve assessorar a administração no trabalho de prevenção de
erros e fraudes, obrigando-se a informá-la, de maneira reservada, sobre quaisquer indícios
ou confirmações de erros ou fraudes detectados no decorrer de seu trabalho.

12.2 – NORMAS DE EXECUÇÃO DOS TRABALHOS

12.2.1 – PLANEJAMENTO DA AUDITORIA INTERNA


12.2.1.1 – O planejamento do trabalho de auditoria interna compreende os exames
preliminares da Entidade, para definir a amplitude do trabalho a ser realizado de acordo
com as diretivas estabelecidas pela administração.
12.2.1.2 – O planejamento deve considerar todos os fatores relevantes na execução dos
trabalhos, especialmente os seguintes:
a) o conhecimento detalhado dos sistemas contábil e de controles internos da Entidade e
seu grau de confiabilidade;
b) a natureza, oportunidade e extensão dos procedimentos de auditoria interna a serem
aplicados;
c) a existência de Entidades associadas, filiais e partes relacionadas que estejam no
âmbito dos exames da auditoria interna;
d) o uso do trabalho de especialistas e outros auditores;
e) os ciclo operacionais da Entidade relacionados com volume de transações e operações;
f) o conhecimento das atividades operacionais da Entidade, como suporte para a análise
eficaz dos procedimentos e sistemas de Contabilidade de Custos que estão sendo
aplicados
para acompanhar e controlar o uso e o consumo de recursos, visando verificar a existência
de desvios em relação às rotinas preestabelecidas;
g) o conhecimento da execução orçamentária, tanto operacional como de investimentos,
no sentido de verificar a exatidão de apropriação dos valores, se os desvios estão sendo
controlados e se as conseqüentes ações corretivas estão sendo aplicadas.
12.2.1.3 – O auditor interno deve documentar seu planejamento e preparar, por escrito, o
programa de trabalho, detalhando o que for necessário à compreensão dos procedimentos
que serão aplicados, em termos de natureza, oportunidade e extensão.
29

12.2.1.4 – Os programas de trabalho, estruturados de forma a servir como guia e meio de


controle, devem ser revisados e ou atualizados quando necessário.

12.2.2 – APLICAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA INTERNA


12.2.2.1 – O auditor interno deve obter, analisar, interpretar e documentar as informações
físicas, contábeis, financeiras e operacionais para dar suporte aos resultados de seu
trabalho.
12.2.2.2 – O processo de avaliação das informações contábeis compreende:
a) a obtenção de informações sobre todos os assuntos relacionados com os objetivos e
alcance da auditoria interna. As informações devem ser suficientes, adequadas, relevantes
e úteis no fornecimento de evidências às conclusões e recomendações da auditoria
interna:
1. a informação suficiente é factual e convincente, de tal forma que uma pessoa prudente e
informada possa entendê-la da mesma forma que o auditor interno;
2. a informação adequada é aquela que, sendo confiável, propicia a melhor evidência
alcançável através do uso apropriado das técnicas de auditoria interna;
3. a informação relevante é a que dá suporte às conclusões e recomendações da auditoria
interna;
4. a informação útil é a que auxilia a Entidade a atingir suas metas.
b) a aplicação dos procedimentos de auditoria interna, incluindo os testes e técnicas de
amostragem, e, onde praticável, deve ser definida antecipadamente e ampliada ou alterada
se as circunstâncias assim o exigirem.
12.2.2.3 – O processo deve ser supervisionado para alcançar razoável segurança de que o
objetivo do trabalho da auditoria interna está sendo atingido.
12.2.2.4 – O auditor interno deve adotar procedimentos adequados para assegurar-se que
todas as contingências ativas e passivas relevantes decorrentes de processos judiciais,
reivindicações e reclamações, bem como de lançamentos de tributos e de contribuições
em disputa, foram identificadas e são do conhecimento da administração da Entidade.
12.2.2.5 – O auditor interno deve examinar a observância das legislações tributária,
trabalhista e societária das legislações tributária, trabalhista e societária, bem como o
cumprimento de normas reguladoras a que estiver sujeita a Entidade.

12.2.3 – DOCUMENTAÇÃO DA AUDITORIA INTERNA


12.2.3.1 – O auditor interno deve documentar, através de papéis de trabalho, todos os
elementos significativos dos exames realizados, que evidenciem ter sido a auditoria interna
executada de acordo com as normas aplicáveis.
30

12.2.3.2 – Os papéis de trabalho devem ter abrangência e grau de detalhe suficientes para
propiciarem a compreensão do planejamento, da natureza, da oportunidade e extensão
dos procedimentos de auditoria interna aplicados, bem como do julgamento exercido e do
suporte das conclusões alcançadas.
12.2.3.3 – Os papéis de trabalho devem ser elaborados, organizados e arquivados de
forma sistemática e racional.
12.2.3.4 – Ao se utilizar de análises, demonstrações ou quaisquer outros documentos, o
auditor interno deve certificar-se de sua exatidão, sempre que integrá-los aos seus papéis
de trabalho.

12.2.4 – AMOSTRAGEM ESTATÍSTICA


12.2.4.1 – Ao determinar a extensão de um teste de auditoria interna de método de
seleção dos itens a serem testados, o auditor interno pode empregar técnicas de
amostragem estatística.

12.2.5 – PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS – PED


12.2.5.1 – O auditor interno deve dispor de conhecimento suficiente dos recursos de PED
e dos sistemas de processamento da Entidade, a fim de avaliá-los e planejar
adequadamente seu trabalho.
12.2.5.2 – O uso de técnicas de auditoria interna que demande o emprego de recursos de
PED, requer o auditor interno às domine completamente, de forma a implementar os
próprios procedimentos ou, se for o caso, orientar, supervisionar e revisar os trabalhos de
especialistas.

12.3 – NORMAS RELATIVAS AO RELATÓRIO DO AUDITOR INTERNO


12.3.1 – O relatório é o instrumento técnico pelo qual o auditor interno comunica os
trabalhos realizados, suas conclusões, recomendações e as providências a serem
tomadas pela administração.
12.3.2 – O relatório deve ser redigido com objetividade e imparcialidade, de forma a
expressar claramente os resultados dos trabalhos realizados.
12.3.3 – O relatório do auditor interno é confidencial e deve ser apresentado ao superior
imediato ou pessoa autorizada que o tenha solicitado.
12.3.4 – O auditor interno deve, no seu relatório, destacar, quando for o caso, as áreas não
examinadas, informando os motivos pelos quais não as contemplou.
31

ANEXO III

BOLETIM ON LINE

Nova lei contábil faz auditoria disparar

A nova lei contábil está ampliando a demanda por auditorias e deve gerar um
crescimento de até 45% dessas empresas em 2008. Aprovada em dezembro do ano
passado pelo Congresso Nacional, a Lei nº 11.638 estabelece que as empresas brasileiras
de capital aberto, bancos e seguradoras terão de apresentar seus balanços referentes a
2008 já com algumas informações dentro das normas internacionais de contabilidade
(IFRS, na sigla em inglês). Outra novidade da lei é que as empresas fechadas de grande
porte terão de submeter suas demonstrações financeiras à análise de uma auditoria.
Segundo especialistas ouvidos pelo DCI, esta demanda foi adiantada, uma vez que,
inicialmente, o processo de transição estava previsto apenas para o início de 2009, embora
o prazo-limite para a migração completa esteja marcado para 2010.
A demanda começou no ano passado para todas as empresas do mercado,
quando o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) começaram a
implementar a mudança, que será obrigatória a partir de 2010. "Todas as empresas vão
precisar de auditoria", resume Ramon Jubels, sócio da KPMG, que teve de ampliar o seu
quadro de colaboradores de 2,1 mil para 2,5 do ano passado para cá por causa do
aquecimento da sua atividade.
A empresa tem 15 escritórios no Brasil e é a terceira maior das quatro grandes
multinacionais de auditoria no País - as outras três são PricewaterhouseCoopers, Deloitte
Touche Tohmatsu e Ernst & Young. Em 2007, sua receita global foi de US$ 20 bilhões. A
empresa também atribui sua expansão ao crescimento do mercado brasileiro e espera,
este ano, incremento acima de 30% registrados em seu último balanço, divulgado no ano
fiscal encerrado em setembro de 2007. "O mercado estava esperando mais
posicionamento sobre o impacto contábil das mudanças e considerava que teria mais
tempo para fazer a implementação. Como o Banco Central e a Comissão de Valores
Mobiliários permitem a adaptação antecipada, há empresas que já estão publicando seu
balanço em IFRS", conta o sócio.
Outra dificuldade, segundo Ramon Jubels, é que o Comitê de Pronunciamentos
Contábeis (CPC), órgão criado para unificar e padronizar as normas dentro do padrão
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internacional, ainda está emitindo novas normas. No total, seis normas emitidas pelo CPC
estão dentro do plano de adequação. Os pronunciamentos mais importantes serão feitos
até o final do ano, o que deve esclarecer às empresas os efeitos que devem gerar e com
certeza estarão em consonância com os padrões internacionais. "As empresas que estão
passando pelas mudanças não sabem quais serão as normas nem qual será o efeito fiscal.
A lei dizia que não haveria efeito fiscal, mas há dúvida, e a Receita Federal ainda não se
pronunciou sobre isso", diz.
Por isso, a demanda era para esclarecer dúvidas sobre as mudanças acabou se
transformando em oportunidade para a área de consultoria. "Olhamos os efeitos na parte
contábil, nos sistemas e processos da empresa e nas equipes que terão de ser treinadas
para usar as novas normas. Além disso, a mudança no patrimônio e nos indicadores das
empresas também impactam em sua gestão, principalmente nas empresas que trabalham
por resultados", explica Ramon.

Trevisan
Outra que apresentou forte expansão foi a BDO Trevisan, que no primeiro
semestre somou 11 empresas de grande porte à sua carteira de clientes. Segundo
Eduardo Pocetti, diretor da empresa, a expectativa é fechar o segundo semestre com mais
20 empresas, completando até o final de 2008 o número de 31 novos clientes. Este ano, a
empresa tem como meta crescer 30%, superando os 17% do ano passado. A expectativa
de faturamento é de R$ 95 milhões, contra os R$ 73 milhões de 2007. Atualmente, a BDO
possui 15 escritórios no País, depois de ter inaugurado uma filial em Londrina, no Paraná.
Com sede em São Paulo e filiais em Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e
Recife, a Directa Auditores está sentindo uma grande demanda no interior paulista. A
empresa espera fechar o ano com crescimento de entre 40% e 45% nas áreas de auditoria
e consultoria contábil. "Houve uma grande evolução fora de São Paulo, onde há grandes
empresas que, pela lei nova, atingiram um faturamento alto e passaram a ter demanda por
auditoria pela primeira vez", afirma Ernesto Rubens Gelbcke, presidente da empresa.
Daqui a duas semanas, o empresário irá representar o CPC brasileiro em um
encontro que reunirá o Conselho Internacional de Normas Contábeis (Iasb) e os comitês
de regulação contábil do mundo inteiro. O encontro irá debater os planos de
implementação das normas em diversos países e as principais dificuldades de cada região
no processo. Ele aponta a que as empresas européias, por exemplo, implantaram em 2005
as regras internacionais apenas nos balanços consolidados, enquanto nos Estados Unidos
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a comissão de valores mobiliários (SEC) estuda exigir que as empresas do país passem a
adotar regras de contabilidade internacional a partir de 2014. "É um processo de
maturação grande em um período curto. Não é assunto dos contadores, afeta os balanços
das empresas e mexe com diversas áreas da empresa."

Fonte: DCI
02/09/2008

Artigo publicado no site da TECNOAUD AUDITORES INDEPENDENTES S/S.


http://www.tecnoaud.com.br/detalhe_artigo.asp?id=30 Acesso em 30/11/2009 12:09h