A História de Israel

História de Israel SUMÁRIO Introdução 1. Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1.1. O Crescente Fértil 1.2. A Mesopotâmia 1.3.

A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a.C. 1.4. A Síria e a Fenícia 1.5. A Palestina 1.5.1. A Transjordânia 1.5.2. O Vale do Jordão 1.5.3. A Região Central da Palestina 1.5.4. A Costa Mediterrânea 2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista 2.2. A Teoria da Instalação Pacífica 2.3. A Teoria da Revolta 2.4. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual 2.4.1. Retirada Pacífica 2.4.2. Nomadismo Interno 2.4.3. Transição ou Transformação Pacífica 2.4.4. Amálgama Pacífico 3. Os Governos de Saul, Davi e Salomão

3.1. Ascensão e Queda de Saul 3.2. Davi e a Criação do Estado 3.3. Salomão e a Consolidação do Estado 3.4. A Ruptura do Consenso 3.5. As Fontes: Seu Peso, Seu Uso 3.6. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah 3.7. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? 3.8. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman 4. O Reino de Israel 4.1. A Rebelião Explode e Divide Israel 4.2. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II 4.3. A Assíria Vem aí: para Israel é o Fim 5. O Reino de Judá 5.1. Os Reis de Judá 5.2. A Reforma de Ezequias e a Invasão de Senaquerib 5.3. A Reforma de Josias e o Deuteronômio 5.4. Os Últimos Dias de Judá 5.5. Por que Judá Caiu? 6. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre 6.1. A Situação da Grécia e a Política Macedônia 6.2. As Conquistas de Alexandre Magno (356-323 a.C.) 6.3. Quem é Alexandre Magno? 6.4. A Anexação da Judéia por Alexandre 6.5. A Situação da Judéia no Momento da Anexação 7. Os Ptolomeus Governam a Palestina

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A História de Israel no Debate Atual Este artigo foi publicado, de forma mais resumida, em Cadernos de Teologia n. 9 (maio de 2001), Campinas: FTCR da PUC-Campinas, p. 42-64. Acréscimos ao texto são feitos sempre que surgem novidades. ABSTRACT This article surveys some perspectives in the current research of the "History of Israel", the challenges that this poses, and proposes some trajectories for those researching this subject. The scholarly consensus that existed up until the middle seventies of the twentieth century was shattered. The rationalistic paraphrase of the biblical text that constituted the core of the handbooks of the "History of Israel" is no longer acceptable to most scholars. An increasing number of scholars question the use of the biblical text as a source for the “History of Israel”. The implementation of modern literary criticism on the biblical text requires a moving away from issues of historicity, and this allows the "biblical" stories to be evaluated primarily from a literary perspective. The writing of a "History of Israel" using only the archaeological context and nonbiblical writings is a controversial undertaking, however, an increasing number of scholars are attempting to do this. It appears a revisionist “History of Syria/Palestine" will compete

against the traditional "History of Israel" as scholars from both sides continue their research. Até meados da década de 70 do século XX, havia um razoável consenso na História de Israel. Entre outras coisas, o consenso dizia que a Bíblia Hebraica era guia confiável para a reconstrução da história do antigo Israel. Dos Patriarcas a Esdras, tudo era histórico. Se algum dado arqueológico não combinava com o texto bíblico, arranjava-se uma interpretação diferente que o acomodasse ao testemunho dos textos, como no caso da destruição das (inexistentes) muralhas de Jericó pelo grupo de Josué[1]. Exemplos? Os patriarcas eram personagens históricos, o que podia ser comprovado pelos textos mesopotâmicos de Nuzi, do século XIV a.C., em seus muitos paralelos, de estruturas sócio-econômicas a tradições legais, com Gn 12-35. E a migração dos amoritas, que ocuparam a Mesopotâmia e a Palestina no final do terceiro milênio a.C., criava as condições ideais para a entrada dos patriarcas na região da Palestina e explicava seus nomes, sua língua e sua religião. José era personagem historicamente possível, pois havia grande quantidade de evidências egípcias que testemunhava os costumes contados em Gn 3750. Semitas poderiam ter chegado a altos postos de governo no Egito, incluindo o de grão-vizir, especialmente durante o governo dos invasores asiáticos hicsos. A escravidão dos hebreus no Egito e o êxodo não podiam ser questionados, pois textos egípcios testemunham que Ramsés II utilizou hapirus (= hebreus) na construção de fortalezas no delta do Nilo em regime de trabalho forçado. A Estela de Merneptah, faraó sucessor de Ramsés II, comprova a existência de israelitas na terra de Canaã na segunda metade do século XIII a.C., o que nos permitia fixar a data do êxodo aí por volta de 1250 a.C. A conquista da Palestina pelas 12 tribos israelitas sob o comando de Josué, como narrada no livro que leva o seu nome, contava com testemunhos arqueológicos respeitáveis, como a destruição de importantes cidades cananéias na segunda metade do século XIII a.C., embora muitos autores preferissem explicar a entrada na terra de Canaã de outro modo, como pacífica e progressiva infiltração de seminômades pastores a partir da Transjordânia.

O exílio babilônico e a volta e reconstrução de Jerusalém durante a época persa. rei do vizinho país de Moab. O melhor livro para detalhada exposição e defesa deste consenso é o de John Bright. que. A tradução brasileira desta 4a edição foi publicada pela Paulus no final de 2003. com uma Introdução e um Apêndice de William P. sendo tudo. A History of Israel. a questão das origens de Israel e a data e a historicidade dos patriarcas. 1981. Richmond. O autor atualizou o livro quanto a algumas descobertas arqueológicas e mostrou-se mais prudente nas afirmações sobre a historicidade de certos acontecimentos e personagens bíblicos. Virginia. e até pela Estela de Mesha. no ano 2000. muito bem detalhado nos livros dos Reis. como a 7a edição. após a sua morte em 1995. J. Philadelphia. Os reinos separados de Israel e Judá. marcando o nascimento do judaísmo baseado no Templo e na Lei que passa a ser lida sistematicamente nas sinagogas. traduzido da segunda edição inglesa de 1972. após a morte de Salomão. História de Israel. Westminster Press. Poucas mudanças foram feitas. parte da confiável Obra Histórica Deuteronomista. no Prefácio da 3a edição. até a sua morte. Bright pertence à escola americana de historiografia de W. 1978. Cf. Uma resenha da . Paulus. BRIGHT. revista e ampliada a partir da 4a edição original. F. basicamente. John Bright e sua História de Israel John Bright lançou uma 3a edição de sua História de Israel em 1981. São Paulo. Bright foi. eram bem testemunhados pelos textos assírios e babilônicos. Uma 4a edição do livro foi lançada. Professor de Hebraico e de Interpretação do Antigo Testamento no Union Theological Seminary. Albright e esta sua ‘História de Israel’ foi o manual mais utilizado por nós nos anos 70 e 80 do século passado. em muitos pontos onde anteriormente havia certo consenso. pela Westminster John Knox Press. hoje há um verdadeiro caos de opiniões conflitantes. constituíam matéria real e sem maiores problemas. Mas manteve. Diz o autor.A construção e a consolidação do poderoso império davídico-salomônico eram consideradas como pontos fixos e imutáveis na historiografia israelita. constituindo marco seguro para qualquer manual de História de Israel ou de Introdução à Bíblia quanto às datas dos acontecimentos e às realizações da sociedade israelita. como exemplo. USA. Brown. E cita.. graças à confiabilidade dos textos bíblicos que detalhavam os acontecimentos desta época. por sua vez. as posições da 2a edição.

pp. feita por Ludovico Garmus. que os problemas da interpretação do Pentateuco estão intimamente ligados aos problemas mais amplos da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião. A ‘tradição’ herdada dos antepassados e transmitida oralmente até à época da escrita dos textos freqüentemente não consegue provar sua existência. É preciso lembrar. conquista da terra. em 1950. que já em 1993 afirmava em artigo na revista Biblical Interpretation 1. porém. 69. pode ser lida na revista Estudos Bíblicos n. como Rolf Rendtorff. A paráfrase racionalista do texto bíblico que constituía a base dos manuais de ‘História de Israel’ não é mais aceita. A seqüência patriarcas. exegeta alemão. em 1894. que dispense o pressuposto teológico de Israel como ‘povo escolhido’ ou ‘povo de Deus’ que sempre a sustentou. não participava integralmente deste consenso. focalizando especialmente a 4a edição. uma ‘História da Síria/Palestina’ ou uma ‘História do Levante’ parece ser o programa para os próximos anos. Uma ‘História de Israel’. até Martin Noth. por exemplo. A arqueologia ampliou suas perspectivas e falar de ‘arqueologia bíblica’ hoje é proibido: existe uma ‘arqueologia da Palestina’. afasta-nos cada vez mais do gênero histórico. O uso dos textos bíblicos como fonte para a ‘História de Israel’ é questionado por muitos. império davídico-salomônico. exílio e volta para a terra está despedaçada. passando por Julius Wellhausen. .'História de Israel' de Bright. 90-93. Petrópolis. ou uma ‘arqueologia da Síria/Palestina’ ou mesmo uma ‘arqueologia do Levante’. a historicidade dos patriarcas. Uma ‘História de Israel e dos Povos Vizinhos’. confederação tribal. escravidão. em 1806-7. melhor. E há pesquisadores de renome na área. êxodo. O consenso foi rompido. de Wette. a ‘História de Israel’ está mudando. Vozes. 34-53. desde W. negando. 2001. que a historiografia alemã. Mas. O uso de métodos literários sofisticados para explicar os textos bíblicos. pp. A construção de uma ‘História de Israel’ feita somente a partir da arqueologia e dos testemunhos escritos extrabíblicos é uma proposta cada vez mais tentadora. professor em Heidelberg. José do Egito. divisão entre norte e sul. e as ‘estórias bíblicas’ são abordadas com outros olhares.

então Thompson poderia distinguir nelas as mais antigas histórias bíblicas da tradição posterior mais ampliada[2]. os paralelos feitos entre os costumes patriarcais e os contratos familiares encontrados na cidade de Nuzi. como quase todos os arqueólogos e historiadores acreditavam naquela época. na Alemanha. como herdeiro (Gn 15. Loyola. mas. como os casos da esposa-irmã Sara (Gn 12. A. que aceitou. 38-45. nem do segundo milênio. 1. 1500-1200 a.)[3].10-20 e paralelos). Abraão e sua Lenda. Garden City. Doubleday.. no qual o autor discute cerca de 20 coincidências entre os costumes patriarcais e os costumes de Nuzi. E. Isto quebrava o paralelismo feito pelos autores entre Nuzi e o mundo patriarcal e tirava a garantia de que os costumes patriarcais refletiam práticas do segundo milênio. porém.Este artigo quer traçar um panorama destas mudanças pelas quais vem passando a ‘História de Israel’ nos últimos vinte e tantos anos. Thompson percebeu que os costumes familiares de Nuzi e as leis sobre propriedades não eram exclusivos nem de Nuzi. New York. a mãe de aluguel como Agar (Gn 16. apontar as dificuldades que a crise vem criando e propor algumas pistas de leitura para os interessados no assunto. na clássica coleção The Anchor Bible. o norte-americano Thomas L. Quando Thompson começou seu trabalho.11. Thompson começou sua tese de doutorado na Universidade de Tübingen.C. Dois anos mais tarde.C. Eliezer. Sua idéia fundamental: se algumas das narrativas sobre os patriarcas hebreus estavam se referindo historicamente ao segundo milênio a.1-6). 2000. Patriarcas? Que Patriarcas? Em 1967. pp. . em 1969. São Paulo.2). Gênesis 12.1-25.C. no norte da Mesopotâmia. mais provavelmente. refletiam práticas típicas do primeiro milênio a. W. ele estava tão convencido da historicidade das narrativas sobre os patriarcas no Gênesis. sem questionar. 1964... e datados da época do Bronze Recente (ca. Genesis. Estes e outros exemplos podem ser mais facilmente vistos em VOGELS. O tema: as narrativas patriarcais. a adoção de um estrangeiro. Nuzi e os Patriarcas Um bom exemplo desse paralelismo pode ser lido no comentário de SPEISER.

Thompson. pelas mudanças climáticas na região. não podia ter existido uma ‘Monarquia Unida’ sob Saul. Neste artigo. O resultado foi academicamente desastroso. no século X a. retomando a argumentação publicada em um artigo de 1978. John Van Seters. não pôde defender sua tese na Europa nem publicar seu livro nos Estados Unidos. hoje. Thompson passou. Thompson percebeu que não havia prova alguma para tal pressuposto. então.C. sob o título de “O Background dos Patriarcas”. mais cientificamente. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região. ou seja. Davi e Salomão em Jerusalém. Em 1987 Thomas L. Isto implicava a exclusão de qualquer unidade política de Israel que abrangesse toda a Palestina. O livro só foi publicado em 1974 e Thompson conseguiu seu PhD na Temple University. independente de Thomas L. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. examinando a hipótese amorita. Estados Unidos. no Journal for the Study of the Old Testament. Thompson começou a trabalhar a questão das origens de Israel. de quem falaremos mais detalhadamente no próximo item a propósito do Javista.C. sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras. muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que antes eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. podem ser explicadas. Reino Unido. segundo a qual teria havido grande migração de nômades vindos das fronteiras do deserto siroarábico para a Mesopotâmia e para a Síria-Palestina no final do terceiro milênio. pesquisando a historicidade dos patriarcas. chegou a conclusões semelhantes.Além do mais. Além do que. Thompson localizava as origens de um Israel histórico na região montanhosa ao norte de Jerusalém durante o século IX a. vivendo da agricultura e da criação de gado. e a datação tradicional dos patriarcas e sua historicidade caíram por terra. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico. não atribuindo qualquer valor histórico às estórias sobre Abraão. . a defender que as narrativas patriarcais estavam refletindo muito mais o primeiro do que o segundo milênio. Thompson. que terminou a pesquisa em 1971. da editora Sheffield. Philadelphia. em 1976[4].

em 1993. com Esdras. os hoje chamados ‘minimalistas’. L. pp. Sheffield Academic Press. Thompson foi relançado em livro: The Background of the Patriarchs: A Reply to William Dever and Malcolm Clark.C. Van Seters Reinventa o Javista Ainda em 1964. V. Leiden. onde até hoje se encontra. Winnet não aceitava a fonte E como um documento independente. que o Pentateuco era composto pelas fontes JEDP – Javista. Isto porque o desenvolvimento literário do Gênesis teria ocorrido de modo independente de Êxodo e Números até o estágio final da composição do Pentateuco. o canadense John Van Seters aceita o desafio de um seu professor e começa a revisão da ‘Hipótese Documentária’ do Pentateuco. Quando muito. Com um detalhe: estas fontes não seriam documentos independentes. The Pentateuch. J. na corte davídico-salomônica até o século V a. desde o século XIX. em conferência feita em 1964. . quando então foram organizados e combinados pelo Sacerdotal (P). e onde encontrou um grupo com idéias avançadas sobre a ‘História de Israel’. A Sheffield Reader. A ‘Hipótese Documentária’ afirmava. Sheffield. elaboradas desde o século X a. Brill. levantou uma série de dúvidas sobre os fundamentos da Hipótese Documentária. Eloísta. em ROGERSON.C.O artigo de T. O mesmo deveria ser dito do P. W. Winnet. professor de Van Seters. 33-74. duas diferentes fontes deveriam ser vistas dentro do material J do Gênesis: uma mais antiga e outra da época do exílio. mas complementos de outras mais antigas.. ela poderia ser uma revisão de mais antiga tradição patriarcal e não poderia ser encontrada no Êxodo e Números. levando ao afastamento do autor da Marquette University. F. 1992 [19942].. 1996. na Jerusalém pósexílica. Deuteronômio e Sacerdotal. Thompson foi convidado para trabalhar no Departamento de Estudos Bíblicos da Universidade de Copenhague. Diz Thompson que a reação a este livro foi pior do que à tese sobre os patriarcas. admitia o pesquisador. examinando as tradições sobre Abraão. Mas. onde trabalhava. O estudo completo resultou no livro Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources [Antiga História do Povo Israelita a partir de Fontes Escritas e Arqueológicas]. nos Estados Unidos. Assim. 2.

The Pentateuch.1-11 ao J mais recente da proposta do professor. Van Seters publicou sua pesquisa em 1975.10-20. Sheffield. Abraham in History and Tradition. H. assim como o era o livro do Deuteronômio. Schmid. J. pelo menos em sua forma mais rígida.26.1-18. 1-18 ao complemento E e Gn 26. 1975. Estas conclusões podem ser lidas em VAN SETERS. mas sua relação é de complementação: Gn 12. Schmid procurou mostrar que o J dependia fortemente da tradição profética e estava muito próximo da escola deuteronômica. Von Rad de um ‘Iluminismo Salomônico’. como dissemos. Gn 20. percebeu que episódios paralelos – como a história de Sara “irmã” de Abraão em Gn 12. contestou a tese de G. A conclusão a que se chegou foi de que o Pentateuco era o produto do movimento profético.1-20 corresponde ao J mais antigo de Winnet. como o ambiente no qual o javista teria nascido. examinando as tradições sobre Abraão. era insustentável. Van Seters concluiu também que o material atribuído ao J mais antigo era muito pequeno. Em 1976 e em 1977 apareceram os livros de Hans Heinrich Schmid e de Rolf Rendtorff sobre o mesmo assunto. A Social-Science Commentary. New Haven. que o E consistia de uma única estória e que todo o material não-P pertencia ao javista mais recente. Sheffield Academic Press. então.. e de que o J deveria ser visto em estreita associação com a escola deuteronômica nos últimos anos da monarquia ou na época do exílio. em 1976. E também em VAN SETERS. do qual não se percebia nenhum sinal.. Van Seters.Embora a proposta de Winnet não tenha causado repercussão. 59-60. Yale University Press. Percebendo igualmente a forte afinidade do J com o Dêutero-Isaías. J. Examinando uma série de textos amplamente aceitos como javistas. Van Seters concluiu que o J deveria ser visto como um autor pós-D.1-11 – não são documentos independentes agrupados por redatores. H. pp. . e também que a forma da promessa da terra no J era um desenvolvimento posterior daquela encontrada no Deuteronômio e na tradição deuteronomista. 1999. A crise do Pentateuco explodiu. em plena luz do dia e ninguém mais podia escapar da constatação de que a teoria clássica das fontes do Pentateuco. e que a ‘Hipótese Documentária’ deveria ser totalmente revista.20.

semelhante ao trabalho do historiador grego Heródoto .no qual ele se baseia em fontes orais e escritas. Zürich. Neukirchener Verlag. As origens e a composição dos cinco primeiros livros da Bíblia à luz das pesquisas recentes. e que o desenvolvimento dos temas é que deve ser enfocado.Embora não tenha discutido a datação do J em relação ao D. Donde se conclui que a idéia de fontes.. Die Komposition der Vätergeschichte. 1976. 1977 (tradução inglesa: The Problem of the Process of Transmission in the Pentateuch. porém um significado teológico próprio. chegou à conclusão de que o Deuteronômio e a Obra Histórica Deuteronomista eram anteriores ao javista. em 1977. Studien zur Komposition des Pentateuch. em português.). Uma exposição do pensamento destes autores pode ser vista. confirma as intuições de seu mestre estudando as tradições patriarcais de Gn 12-50. Zürich. Petrópolis. ROSE. 2. H.. mais tarde. E. mas o alcança. que o Javista compõe uma obra unificada que vai da criação do mundo até a morte de Moisés. Ele defende que cada unidade maior teve seu próprio processo de redação antes de ser colocada em contato com outras unidades. ed.. em DE PURY. M. O Questionamento do Consenso Wellhauseniano em Alemão Os estudos destes pesquisadores resultaram nas seguintes obras: SCHMID. Der sogenannte Jahwist. Sheffield Academic Press. Deuteronomist und Jahwist. Vozes. Rolf Rendtorff. (org. 1990. Sheffield. deve ser abandonada. RENDTORFF. O J faz o trabalho de um historiador . Berlin. Noth da formação do Pentateuco a partir de temas independentes. Van Seters estendeu seu estudo sobre o J a todo o Tetrateuco e defendeu. pp. Berlin. em livros publicados em 1992 e 1994. em 1981. seu discípulo Martin Rose. 1984. Walter de Gruyter. BLUM. retomando a idéia de M. R. Theologischer Verlag. Walter de Gruyter. NeukirchenVluyn. 63-70. dando-lhe. por sua vez. H. chega à conclusão de que tal independência não deve ser limitada ao período pré-literário. Das überlieferungsgeschichtliche Problem des Pentateuch. 1981. .. A. Theologischer Verlag.. 1990). 2002. Rendtorff não vê nenhuma conexão original entre Gênesis e Êxodo-Números. O Pentateuco em questão. mas sim uma posterior costura deuteronomista ligando estas tradições. tal como a J. Untersuchungen zu den Berührungspunkten beider Literaturwerke. Seu aluno Ehard Blum.

. Mas é anterior ao Sacerdotal (P). Joseph Blenkinsopp.. em sua maior parte. 2002. Estados Unidos e .C. Josué. Os autores defendem que boa parte do Pentateuco é uma criação da monarquia da época de Josias.). Berlin. Thomas Dozeman.: esta obra mostra como a crise do Pentateuco continua e como um possível consenso parece ainda distante. no tempo do rei Josias. The Free Press. Hans-Christoph Schmitt. C. Contribuem. Por isso.. XII + 345 pp. (eds. William Johnstone. Já que o J era posterior ao D/OHDtr. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts.. Jan Christian Gertz. E a Crise do Pentateuco Continua. da qual ela é uma espécie de introdução. o Javista é posterior ao Deuteronômio e à Obra Histórica Deuteronomista (Deuteronômio. proveniente da Europa. J. para fornecer suporte ideológico para sua reforma política e religiosa. Jean Louis Ska. E que a Obra Histórica Deuteronomista foi igualmente compilada. O Eloísta (E) não se sustenta como documento independente e desaparece. que. Só para entendermos por onde pode caminhar a discussão atual. sendo contemporâneo do Dêutero-Isaías e tendo afinidades com Jeremias e com Ezequiel. com Josué como o objetivo das promessas patriarcais. & WITTE. Markus Witte. Van Seters conclui: “Deste modo. SCHMID. elaborada para defender a ideologia e as necessidades do reino de Judá. neste volume escrito em alemão e inglês. Ernst Axel Knauf. Juízes. Konrad Schmid. sustentando que a arqueologia hoje dá suporte à hipótese de que tanto o Pentateuco quanto a Obra Histórica Deuteronomista foram escritos no século sétimo a. Erhard Blum. Walter de Gruyter. K. no livro The Bible Unearthed. Albert de Pury. não é uma obra independente.O objetivo da obra do J é o de corrigir o nacionalismo e o ritualismo da Obra Histórica Deuteronomista.. eu procuro resolver o problema existente entre os argumentos de Noth a favor de um Tetrateuco separado do D/OHDtr e a insistência de Von Rad em um Hexateuco. mas uma série de suplementos pós-exílicos ao D+J. Abschied vom Jahwisten: Die Komposition des Hexateuch in der jüngsten Diskussion. GERTZ. 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis). Só gente do ramo. Thomas Römer. por sua vez. ele ligou as duas grandes obras e acrescentou sua própria conclusão final ao Hexateuco através do segundo discurso de Josué em Js 24" [5]. 2001. Uwe Becker. New York. Reinhard Gregor Kratz. cito aqui a proposta do arqueólogo Israel Finkelstein e do historiador Neil Asher Silberman. M. Graeme Auld.

2002. cada um mais sugestivo do que o outro. 1992. foram encontradas cerca de 3. Leia também artigo de 2006 de Rolf Rendtorff. É um material que ilustra brilhantemente a vida diária de uma comunidade da metade do segundo milênio a. Estou me inspirando no artigo de RENDSBURG. Cf. http://www. verbete Nuzi. p. [4]. Para além disso. Cada um constrói seu próprio paradigma. pp. ninguém concorda com ninguém. em maio de 1999. Cf. no contexto do abandono da teoria das quatro fontes. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. Berlin. D. Walter de Gruyter. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. no qual o autor lamenta e critica. VAN SETERS. habitada principalmente por hurritas. sociais. XI. Basic Books. de outubro de 2003. FREEDMAN. A Social-Science Commentary. em conferência pronunciada no Departamento de Estudos Judaicos da McGill University. J. Em Nuzi. Thompson: The Historicity of the Patriarchal Narratives: The Quest for the Historical Abraham. [2]. Sheffield Academic Press. em At the Cutting Edge of Jewish Studies.arts. a ruptura do consenso que passo a descrever. Especialmente significantes são as informações administrativas. 1997.. 656. 61-62. Doubleday & Logos Library System.. 1999. onde o pesquisador se pergunta: O que aconteceu com o Javista na atual pesquisa do Pentateuco? E responde: ele desapareceu e levou consigo a Hipótese Documentária do Pentateuco. New York.mcgill. THOMPSON.500 tabuinhas cuneiformes. E comenta Gnuse que os ensaios tipificam a natureza variada e caótica da pesquisa do Pentateuco.. New York. 1999.). [5]. The Mythic Past. T. L. Cf.Israel! E. Canadá. os autores concordam em rejeitar a fonte javista e sugerem que a coerência das narrativas do Pentateuco somente foi alcançada no pós-exílio com o D e o P.ca/programs/jewish/30yrs/rendsburg/index. (ed. em resenha do livro na CBQ 65/4. Sheffield. como observa Robert Gnuse. O livro de Thomas L. [3]. Trinity Press International. p.. que cobrem a vida da comunidade e de cidades vizinhas ao longo de seis gerações. econômicas e as descrições das práticas e estruturas jurídicas. 1974 e Harrisburg.C. Up with Reading: The Current State of Biblical Studies.html . Gary A.. NEXT [1]. Down with History. Cf. . N. mais aqui. The Pentateuch.

Todos os direitos reservados. As línguas semíticas constituem um ramo da grande família das línguas afro-asiáticas. colocando a outra ponta na foz do Nilo. amoritas.Marrocos. Argélia e Tunísia atuais) indo-europeus (eslavos. dentro do qual está também a Palestina. Quer conhecer as línguas do Oriente Médio? Experimente aqui! . fenícios etc) hamitas (que habitavam o Egito. no Egito. Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1. Esta faixa de terra é regada por importantes rios. hebreus. teremos uma região bastante fértil.1. A família afroasiática compreende seis ramos: semítico. É a chamada "meia-lua fértil" ou "Crescente Fértil". Mapa do Site . da sedentarização e das rotas comerciais por onde passavam as caravanas que iam desde a Mesopotâmia até o Egito ou a Arábia. onde se desenrolaram os acontecimentos narrados na Bíblia. A região é habitada pela raça branca. iranianos etc) fineses. þÿ 1. gregos. Foram os rios que determinaram o estabelecimento da agricultura.Sitemap. especialmente semitas e hamitas. berbere. cuxita. celtas.Copyright © 1999-2008 Airton José da Silva. itálicos. egípcio. árabes. O Crescente Fértil Se partirmos do Golfo Pérsico e traçarmos uma meia-lua. No seu conjunto. passando pelas nascentes dos rios Tigre e Eufrates. anteriormente chamada camito-semítica. cananeus. homótico e chádico. a Abissínia e o Magrebe . que condicionavam a vida do oriental antigo. a raça branca é constituída pelos: semitas (acádios.

com o acádico e o eblaíta. até os dias atuais com o árabe. documentada desde a metade do terceiro milênio a. .C.A família das línguas semíticas é bem antiga. o amárico e o hebraico. Nos três quadros a seguir pode-se ver um panorama simplificado das principais línguas semíticas[1].

mormente na vocalização raízes ternárias verbos com apenas dois tempos dois gêneros casos oblíquos. O vocabulário semítico: quase nenhum contato com o indo-europeu semelhanças apenas em palavras onomatopaicas .Algumas características das línguas semíticas: A estrutura gramatical: grande número de guturais muito especiais. pronomes possessivos e objeto pronominal do verbo são anexados como sufixos ausência de nomes e verbos compostos pequeno número de partículas e predominância da coordenação sobre a subordinação.

New York. Freedman. A Mesopotâmia A planície situada nos vales dos rios Tigre e Eufrates é chamada comumente de Mesopotâmia. nas cenas gravadas nos cilindros.poucos empréstimos de um grupo lingüístico para o outro. Doubleday & Logos Research Systems. Ele dirige o culto. As escavações feitas em Uruk revelaram o uso da escrita cuneiforme (sinais em forma de cunha) desde o início do III milênio. As únicas construções oficiais são os templos: as cidades eram dirigidas por senhores eclesiásticos. nome que vem do grego e significa (terra) entre rios.). O chefe da cidade suméria tem o título de En (= senhor). 1. mais ou menos. Foram os sumérios os inventores da escrita. . The Anchor Bible Dictionary.C. N. A Bíblia chama a esta terra de paddan aram ou aram naharayim (Síria dos dois rios). NEXT [1]. D. Clique na miniatura para ver o mapa da Mesopotâmia! Os sumérios construíram a sua civilização na Baixa Mesopotâmia entre os anos de 2800 e 2370 a. como os sumérios.. auxiliados por "anciãos". Cf. notadamente o Tigre e o Eufrates. (ed. os acádios. 1992. o etíope e o cuneiforme. de conotação religiosa. verbete Languages. os assírios e os babilônios. 1997. que formavam uma assembléia.2. A Mesopotâmia foi berço de civilizações antiqüíssimas e importantes. A escrita semítica: consonantal da direita para a esquerda exceções: escritas da esquerda para a direita são o sabeu.

ourives e ceramistas. Shurupak. Lagash. Permaneceram sempre isoladas. Contudo não permaneceram unificadas por muito tempo. puxados por quadrigas de burros. deusa da fecundidade e do amor. talvez subários e populações de língua semítica. Foi a função guerreira que fez surgir a realeza. Além de uma infantaria armada de lanças. Sua residência era mais uma fortaleza do que um palácio. Cada uma possuía ao seu redor um cinturão de aldeias e eram separadas por pântanos e desertos. Bad-Tibira. na forma de cidades-estado. e para An. Havia mercadores e um comércio privado.Visite a Sumerian Mythology FAQ! O culto era celebrado para Inanna (a futura Ishtar). pelo menos pode-se perceber que eles se misturaram às antigas culturas populares locais. bois. no trabalho dos templos. No palácio vivia o rei. Há. que entrou em luta com os chefes religiosos pelo controle interno das cidades e com as outras cidades em massacres periódicos. Usavam arados. Lugal (rei) era o seu título ou Ensi (chefe das cidades. havia carros de guerra com 4 rodas compactas. por camponeses. É impossível saber quando chegaram os sumérios à Baixa Mesopotâmia. Umma. Aparece o asno e o porco. Criavam principalmente carneiros e cabras e. Suas tropas chegavam a uma média de 600 a 700 homens. ao deus. mais raros. onde cultivavam-se a cevada e o trigo. Uruk e Ur. que era apenas um administrador do Estado. característicos da região. .C. marceneiros. governador. vice-rei). O templo era um centro econômico: possuía terras. na verdade. chefe militar e administrador dos canais de irrigação. Akshak. Mas. os especialistas descobriram que as cidades organizavam-se ao redor dos templos e palácios reais. Avançando um pouco mais no tempo e pesquisando outros lugares além de Uruk. As cidades mais importantes eram: Adab. era juiz supremo. Também já conheciam a prata e o ouro. Também a horticultura. reforçados. assim como um carro de 4 rodas e o barco. deus do céu. na guerra. Zabalam. Kish. ferreiros. mas era uma monarquia militar. pertencente. O metal mais citado é o cobre. Não se sabe quando se formou a monarquia suméria. a vinha e a palmeira eram conhecidas. Parece que estavam na região na segunda metade do IV milênio a. abrigada por grandes escudos e capacetes. que indicava um poder menor do que o primeiro. Nippur. O rei era sacerdote (mantinha os santuários).

Listas de deuses: 3 textos 1. Disputas entre criaturas: • Disputa entre dois . A religião tem predominância naturista: os cultos da fertilidade estavam em primeiro plano. Uruk tinha muralhas de 9. Em meados do III milênio.C. TEXTOS ACÁDICOS: Cosmogonias da metade do 20 milênio até o 10 milênio a. Já a cidade de Nippur parecia ser uma espécie de território neutro. baseada na cronologia e no gênero: TEXTOS SUMÉRIOS: Cosmogonias do 30 milênio até começo do 20 milênio a. SLT 122-124 1. TCL XV 10 = lista De Genouillac 3. épicos e mitológicos. Lagash e Umma foram duas das cidades que mais dominaram suas vizinhas. simbolizando o casamento sagrado entre um deus (Dumuzi?) e uma deusa (Inanna). Os templos podiam ter várias formas. Cosmogonias menores: Encantamentos: 3 textos Textos Namburbi 2.C. embora a primeira permanecesse. 2. a partir de 2800 a. são toscas demais. Uma classificação possível para as cosmogonias mesopotâmicas pode ser a seguinte. Revelam-nos o vestuário da época: o mais usado era o Kaunakés.Esta fase de guerras constantes. espécie de saia com longas franjas estilizadas. No ritual exerciam funções importantes a grã-sacerdotisa e o rei. porém. Lista do deus An = Anum 3.C. Links para o estudo da Mesopotâmia? Confira estes! Na literatura produziam-se textos sapienciais. As estátuas não são muito bonitas.. hínicos. em forma de lingüetas. com mais de 900 torres semicirculares. levou à construção de grandes muralhas nas cidades. cobrindo uma superfície de 5 km2.5 km de extensão. mas a disposição interna era a mesma em qualquer lugar. centro de uma anfictionia ou confederação. deu-se uma transposição da temática naturista para a cósmica (os deuses passam a figurar elementos do cosmos). Fundações ou refundações de Templos: 4 textos 4. início da idade clássica sumeriana. mais ou menos.

História Suméria do Dilúvio . A disputa entre o Pássaro e o Peixe 4. VAT 17019 Textos narrativos de Nippur . Enki e Ninmah A Teogonia Dunnu 5.insetos • • Disputa entre o Tamarindo e a Palmeira Disputa entre o Boi e o Cavalo 5. Enkidu e o Atrahasis Inferno 2. A disputa entre a Árvore e o Junco 4.motivo ctônico: 5 textos 1. Casamento de An e Ki em meio à tempestade 3. 6. NBC 11108 Hino ao Templo de Eridu Louvor à Enxada Enuma elish Textos narrativos de Eridu . Prólogos ao Grande Tratado Astrológico: 2 textos 6. Enki e a Ordem do Mundo 2. Gilgamesh. 5. Enki e Ninhursag (ou Mito do Dilmun) 3.motivo cósmico: 6 Cosmogonias antológicas textos 1.

1923. E. Wissenschaftliche Veröffentlichnungen der deutschen Orientgesellschaft XXVIII. Sumerian Lexical Texts from the Temple School of Nippur. De Genouillac: DE Genouillac. NBC: Nies Babylonian Collection. Keilschrifttexte aus Assur religiösen Inhalts. Liste alphabétique des dieux sumériens. 137-139. H. KAR: EBELING..Coleção de tabuinhas cuneiformes do Museu de Berlim. (ed. XXXIV. DE Genouillac. pp.). TCL: Textes cunéiformes . pp. RA 25 (1928). conseqüência de grandes migrações que foram uma das causas da queda de Ur. NEXT Na luta entre os vários grupos observamos que a maioria deles ostenta nome amoritas. VAT: Vorderasiatische Abteilung Tontafeln . 86-106. 1929.Musée du Louvre. H.Um único texto: KAR 4 * Abreviações: SLT: CHIERA.. Paris. E. Chicago University Press. RA 20 (1923). Grande Liste de noms divins sumériens. Esta entrada em cena dos amoritas (ou amorreus) assinala um fato fundamental na história da época. Yale University. Leipzig. . Chicago. 1919..

porém. muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. podem ser explicadas. enquanto na Alta Mesopotâmia a luta se dava entre Assur e Mari. hoje. também governadas por amoritas. baseados em sátiras como esta dos sumérios. significando "ocidentais" ou "povo do oeste". Hoje. diz: "É um homem que desenterra trufas [espécie de cogumelo comestível] no sopé das montanhas. onde a disputa era entre as dinastias de Isin e Larsa. chamados também de semitas do oeste. pelas mudanças climáticas na região. citada acima. vivendo da agricultura e da criação de gado. em acádico AMURRU. que não tem casa durante a vida. Durante muito tempo existiu certo consenso entre os especialistas. que não sabe dobrar os joelhos para cultivar a terra. e não é sepultado após a morte". não é mais possível sustentar esta posição. típica do século XIX. A caracterização dos amoritas é feita em uma epopéia da época que. Além do que. descrevendo o mito do casamento do seu deus Amurru.TU. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região mesopotâmica. que come carne crua. de que os amoritas eram nômades que invadiram a Mesopotâmia e também a Palestina vindos do deserto siro-arábico. mais cientificamente. e em uma visão romântica do nomadismo. sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras[3]. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico.Em sumério são chamados de MAR. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. É assim que se chega à luta pela hegemonia na Baixa Mesopotâmia. Mapa Cronológico do Antigo Oriente Médio II[4] Período Bronze Bronze Ferro Ferro Antigo Arqueológico Médio Recente Recente Mesopotâmia do Assírio Assírio Assírio Assírio Norte antigo médio médio recente ShamsiMitani Adad Cartas de .

Em 1792 Hammurabi (1792-1750 a. aos elamitas. Consolidou sua posição frente aos vizinhos da Baixa Mesopotâmia e em seguida estendeu seu domínio a Mari. No 31º ano de seu reinado Hammurabi já era senhor da Suméria e de Akkad.Mari Mesopotâmia do Sul Babilônico antigo Influências do Egito Síria/Palestina Hicsos Isin Larsa Cassita Babilônico médio Domínio egípcio Cartas de Tell elAmarna Israelitas Elamita antigo Irã/Golfo Pérsico Godin III Dilmun Comércio da antiga Assíria Hitita antigo Carros Desenvolvimento cultural e técnico Rodas com raios Alfabeto primitivo Hitita Frígios Camelos Galinhas Vidro Cerâmica vidrada Ferro fundido Frígios Elamita médio Tribos iranianas Babilônico médio Israel Povos do mar Israel Estados fenícios Estados arameus e neo-hititas Medos Invasões de Urartu Invasões assírias Urartu Frígios Lídios Cavalaria Algodão Moedas Latão Aramaico Domínio assírio Anatólia No final deste período a cidade que emergiu com maior poder foi Babilônia. tornando-se um principado independente e controlando algumas cidades vizinhas. . assírios e gútios.C. Sob a III dinastia de Ur fora governada por um ensi e progressivamente seu poder cresceu.) subiu ao trono de Babilônia.

homens de corvéia e funcionários do Estado que recebiam glebas em troca de serviços prestados. (Estas são) as sentenças de justiça. aos templos e a particulares.As terras na Babilônia pertenciam ao Estado. o babilônio e os idiomas semitas do noroeste. o rei perfeito. categorias estas sem nenhum estatuto jurídico e que viviam a verdadeira escravidão. pois podia exercer diversas profissões. com a sabedoria que Ea me destinou. fiz-lhes aparecer a luz. Para com os cabeças-pretas. resolvi dificuldades graves. na sua maioria. que Hammurabi. Eu (sou) Hammurabi. com a habilidade que Marduk me deu. Três classes compunham a sociedade: os ricos (awilum). pequenos artesãos e comerciantes. O comércio era dominado pelos tamkarum. Na Mesopotâmia governada pelos babilônios da época de Hammurabi temos populações que. colonos. contratos de trabalho. mas existia o concubinato. O casamento era monogâmico. como o assírio. No campo viviam agricultores sedentários e nômades. espécie de mercadores itinerantes e corretores. falam línguas semíticas. Através dele podemos conhecer a estrutura social da época. nem deixei cair os braços. não fui negligente. o povo (mushkenum) e os escravos. O Estado intervinha em todos os setores da economia. demandar em juízo e até assumir cargos públicos. especialmente quando a esposa era estéril. As terras do Estado eram exploradas por arrendatários. E interessante é observar que a mulher casada tinha certa autonomia. eu lhes procurei sempre lugares de paz. que Enlil me deu de presente e dos quais Marduk me deu o pastoreio. Além disso havia os prisioneiros de guerra (asiru) e os deportados. determinando preços. salários etc. estabeleceu e que fez o país tomar um caminho seguro e uma direção boa. Nas cidades. Com a arma poderosa que Zababa e Ishtar me outorgaram. Hammurabi desenvolveu uma legislação que ficou famosa através de seu conhecido código. que agiam em nome do Estado. além de haver grupos hurritas. mas acumulando também fortunas particulares. o rei forte. aniquilei os . As regiões intermediárias eram habitadas também pelos amoritas.

Meguido. A cultura suméria foi organizada e preservada. promovi o bem-estar do país (. minha estela escrita e ouça minhas palavras preciosas. na indústria (sobretudo na cerâmica) e um aumento geral da população. para fazer direito aos oprimidos. acabei com as lutas. tradução do texto cuneiforme e comentários. que está implicado em um processo. ele veja o seu direito. 222-223). para proclamar o direito do país em Babel. a história começou a se desenvolver sob a forma de listas reais e a literatura religiosa cresceu enormemente.. o templo cujos fundamentos são tão firmes como o céu e a terra. O Código de Hammurabi. Para que o forte não oprima o fraco. o seu coração se dilate! (.. para fazer justiça ao órfão e à viúva. Petrópolis. 1987. como Jericó. 1.C..). as sentenças do país que eu decidi. na Esagila.C. A literatura e as artes alcançaram grande esplendor na época de Hammurabi. para proclamar as leis do país. provável resultado da sedentarização de grupos novos que se estabeleciam na região. Começaremos a falar da Palestina na Idade do Bronze Antigo (3200-2050 a.) Que nos dias futuros. atentamente. Muitas das cidades que conhecemos através da história bíblica já existiam.3. Introdução. pp. Laquish. leia. . um rei que surgir no país observe as palavras de justiça que escrevi em minha estela. 4a edição totalmente revista e melhorada. Bet-Shan. que ele não altere os meus estatutos! (Trecho do Epílogo do Código de Hammurabi na tradução de EMANUEL BOUZON. Que o homem oprimido.. escrevi minhas preciosas palavras em minha estela e coloquei-a diante de minha estátua de rei da justiça (.). a cidade cuja cabeça An e Enlil levantaram. venha diante da minha estátua de rei da justiça. quando houve um notável progresso na vida urbana. que ele não mude a lei do país que eu promulguei.inimigos em cima e embaixo. Que minha estela resolva sua questão. A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a. Vozes..). Havia muitas escolas de escribas ao redor de palácios e templos. No centro e no norte da Palestina é que se situa a maior parte destas cidades. sendo mais rarefeita a população no sul.. Gezer. Ai. para sempre.

A agricultura era a atividade básica.C. nesta época.C. A vinha teria sido ali introduzida nesta época. A Palestina conheceu a sua fase antiga mais próspera entre os anos de 1800 e 1550 a. a partir do norte. provavelmente a ascendente do cananeu falado nos tempos israelitas. Bet-Shemesh. L. Jerusalém. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. Doubleday & Logos Research Systems. O curioso é que se observa que seus novos habitantes não reconstruíram imediatamente as cidades: ou acamparam sobre as ruínas.C. cercadas por poderosas muralhas floresceram. Tell Beit Mirsim. Cidades populosas e bem guarnecidas. Cf. Hoje se reconhece que as mudanças ocorridas então se devem muito mais a mudanças climáticas do que a qualquer entrada de povos na região. Tell elFarah do sul etc. THOMPSON. favas. pp. New York.. verbete Amorites. Meguido. e isto depois de alguns séculos de ocupação. NEXT [3]. Havia também a cultura da oliveira e da amendoeira. Podemos chamar convencionalmente estes povos de cananeus. Jericó. T. Na Síria. ou viveram em cavernas e quando reconstruíram as casas estas eram bastante modestas. . Já a Transjordânia não teve civilização sedentária até cerca de 1300 a. Os utensílios de pedra dominavam ainda. Freedman. esta civilização sofreu forte decadência. Basic Books. Só por volta de 1900 a. O mesmo aconteceu na Síria. Siquém. Sua língua era um semítico do noroeste. N. 1999. Por volta de 2300 a. 1997. Tell el-Duweir. lentilhas. do qual o hebraico bíblico é uma derivação. seu território e as cidades teriam sido destruídas. é que há sinais de nova vida urbana. Cultivavam. algumas bem violentamente. a cidade de Biblos conheceu um progresso semelhante e a influência egípcia tornou-se marcante graças ao comércio marítimo. O comércio funcionava em direção à Síria do norte e do Egito.C. embora já se começasse a fabricação de armas de cobre. New York. tais como Hazor. o trigo. 1992. (ed. e o Negueb até o século X a. a cevada.). The Mythic Past. D. Até a década de 70 do século XX se acreditava que povos teriam invadido. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. 101-225. Dizia-se que possivelmente eram estes povos os mesmos amoritas ou semitas do oeste que invadiram também a Mesopotâmia.C. Taanak. Gezer.

Dizia-se. .[4]. Infligilhes baixas e trouxe prisioneiros. Para falar da Síria.). 1996. M. A primeira menção segura dos documentos antigos sobre os arameus data do ano 1110 a. a Anatólia (Ásia Menor) e a Síria. sua derrota foi por mim consumada"[13]. A Síria e a Fenícia De novo. inimigos do deus Assur. Certo é que nunca houve uma união política aramaica. Da cidade de Tadmor (Palmira) da terra de Amurru. por isso seria melhor não falar mais dos arameus desta maneira. Edições del Prado. que estes eram nômades semitas que a partir do deserto siro-arábico invadiram a Alta Mesopotâmia. No quarto ano de seu reinado ele combateu os Ahlamu-Arameus no Eufrates e lhes queimou seis acampamentos no Djebel Bishri. os termos ahlamu e arameu tornaram-se sinônimos. à razão de duas por ano. Mas hoje não temos mais tanta certeza disso. cruzei o Eufrates em perseguição aos ahlamu-arameus. 6-7.C. Madrid. mais ou menos. bens e gado sem conta". até pouco atrás. pp. até a cidade de Rapigu da terra de Karduniash (Babilônia). meu senhor. Em um só dia realizei uma incursão desde as proximidades da terra de Suhi até Carquemish da terra de Hatti.. temos que falar dos arameus. aparentados. e está em textos cuneiformes do reinado do assírio Tiglat-Pileser I (1115-1077 a. ROAF. em um salto. Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente I. Eis o comunicado real:"Marchei contra os ahlamu-arameus.4. Cf. com sua capital Damasco. sendo a Síria a sede de vários reinos arameus. E ainda:"Por vinte e oito vezes. 1. porque estes dois países também nos interessam. da cidade de Anat da terra de Suhi..C. vamos ao norte da Palestina. mas é possível que fossem dois grupos diversos. contudo. Coleção Grandes Impérios e Civilizações. Com o tempo.

A província síria destacou-se depois. Ainda: Ugarit (Ras Shamra). Colocado a par da descoberta. dominando todo o território sírio. o Serviço de Antigüidades da Síria e do Líbano. Leia: Ugarit and the Bible! Uma necrópole supõe a existência de uma cidade. M. donde "Fenícia". remove uma pedra na qual seu arado bate e encontra os restos de uma tumba antiga. datável aí pelos séculos XIII ou XII a. era muito fértil. que imediatamente notifica a presença de uma necrópole e identifica a tumba como sendo do tipo micênico. construída metade sobre uma ilha. de uns 20 metros de altitude. Líbano. um pouco antes de Israel do norte. Concorrente de Tiro no comércio e navegação. arando sua propriedade a cerca de 12 km ao norte de Latakia. encontramos a cidade de Tiro. mas depois que Davi conquistou todos os outros.O reino de Aram-Damasco era pequeno. Sídon. por causa da neve no pico dos montes.. L. Foi quase sempre aliada de Israel. sob o domínio romano. que tinha toda a aparência de ser um tell . Tiro era famosa por seu comércio e suas naves. um lavrador alauíta. habitada por cananeus. Seu nome vem da púrpura que era extraída ali de certas conchas. Em fenício-hebraico. Albanese. antiga Laodicea ad mare. parente da hebraica. a faixa costeira ao norte de Israel e ao lado da Síria. relacionada com a literatura bíblica e sua língua. segundo os textos bíblicos. Os assírios conquistaram-na. Foi tomada por Alexandre Magno após sete meses de cerco. "púrpura" se dizia canaan e em grego foinix. As escavações aí realizadas enriqueceram muito os estudos bíblicos nos últimos tempos. chamada Ras Shamra.[14].C.C. seu nome atual. habitada por cananeus. A Fenícia. Foi destruída pelos filisteus. encarrega um especialista. metade no continente. mas foi cidade livre sob os romanos. Albanese e Dussaud prestaram atenção à colina vizinha. A descoberta Em março de 1928. foi famosa por causa de seus navegantes. Por isso. existente desde o III milênio a. É importante por causa de sua grande literatura. na época sob mandato francês. Por isso resistiu maravilhosamente a terríveis assédios assírios e babilônicos. Começando pelo sul da Fenícia. é devido à cadeia de montanhas assim chamada e significa "o branco". Foi aniquilado pelos assírios. Damasco se impôs como principal.

começaram as escavações.C. porque.C.1100 a.2100 a. 20 : 2100 .. Foi o começo de uma série de descobertas numa escavação que se prolonga até os nossos dias. Visite o ERSP . no tell. De 1929 a 1980 foram realizadas 40 campanhas arqueológicas no local. foram feitas as primeiras descobertas: tabuinhas de argila escritas em caracteres cuneiformes.. . no dia 2 de abril de 1929.1500 a. Os 5 níveis arqueológicos Os arqueólogos classificaram a seqüência estratigráfica em 5 níveis: 10 : 1500 . 30 : 3000 . Schaeffer. 50 : ? .C. primeiro da necrópole. que tem um extensão de uns 25 hectares e se encontra a cerca de 800 metros da costa. 40 : 4000 .C.) apresenta em suas camadas superiores cerâmica cananéia. empreendimento só suspenso durante II Guerra Mundial. ou seja.The Edinburgh Ras Shamra Project! Um ano mais tarde. no dia 8 de maio. "monte pelado".C. objetos de bronze e de pedra.C. do ponto de vista cultural e étnico esta é uma cidade cananéia.4000 a. dos romanos) que separa a região dos alauítas do vale e da desembocadura do rio Orontes. um acúmulo de ruínas antigas. ou Monte Zafon (o monte Casius. Poucos dias mais tarde. embora do ponto de vista geográfico Ugarit não se encontre em Canaã. A. E as pesquisas ainda continuam. O nível 3 (3000-2100 a.3000 a. e logo em seguida. Esta época manifesta contato ou influência da cultura contemporânea da Baixa Mesopotâmia. sob o comando de Claude F. Ao norte se vê o Jebel Aqra'. e que podia corresponder à cidade procurada.arqueológico. Isto é interessante.

pois os textos descobertos sugeriram imediatamente que se tratava de Ugarit (ú-ga-ri-it). como conseqüência de um processo de decomposição social interna coincidente com a passagem dos "povos do mar".) nos indica uma cultura tipicamente semita na cidade: cerâmica e templos são de tipo cananeu. que possuía diversas dependências para arquivos. A invasão dos hicsos não modificou substancialmente esta cultura. em hitita hieroglífico e cuneiforme. um sistema cuneiforme alfabético. O nível 1 (1500-1100 a. ocorre no começo da época do ferro. à última fase da cidade. que continuou sendo semítica e cananéia. O testemunho acerca do culto dos mortos na civilização cananéia.C. Chama a atenção. Tumbas familiares são feitas debaixo das casas. e guardam muitos utensílios e armas. neste nível. As tabuinhas estão redigidas em sete sistemas diferentes de escrita. já conhecida por referências da literatura egípcia e mesopotâmica.) mostra indícios de grande prosperidade no seu começo.C. em micênico linear e cipriota e em ugarítico. O estilo da cerâmica encontrada nas tumbas é ródio-cipriota. sobretudo pelas Cartas de Tell el-Amarna. correspondente a sete línguas diferentes: em hieróglifos egípcios. refletidos nas construções amplas e nas tumbas da necrópole de Mina' al-bayda'. A reconstrução foi esplêndida e dominada pela arte de estilo micênico. em acádico. e com ela a da cidade. Nesta língua. foram encontrados cerca de 1300 textos . portanto. Os vestígios de ocupação posterior são de menor importância. Mas há influências estrangeiras. que foi decifrado em poucos meses por H. Dhorme e Ch. da Mesopotâmia e da região do mar Egeu. A ruína desta civilização. Bauer. que é uma forma do cananeu. e verificado no tell por uma camada de cinzas que divide este nível em duas partes. é de grande importância para se entender a reação israelita ao tema presente na Bíblia Hebraica. A identificação da cidade A identificação do nome do local não foi difícil. Estavam principalmente na "Biblioteca" anexada ao templo de Baal e no "Palácio Real" ou "Grande Palácio". pertencendo. Os textos que nos interessam estão em ugarítico. Os textos ugaríticos Os textos foram encontrados todos no primeiro nível. onde se encontram algumas provenientes da própria Ugarit. Construiu-se neste época um bairro marítimo. vindas do Egito. Virolleaud. Entre os textos encontrados aparece o nome da cidade. em hurrita. incêndio mencionado em uma das cartas de Tell el-Amarna. toda uma necrópole com cerâmica cananéia. E. Um violento incêndio destruiu esta prosperidade. encontrado em Ugarit.O nível 2 (2100-1500 a.

com tema e tramas próprios ou se estamos lidando com versões diferentes de um mesmo mito. que governou Ugarit de 1370 a 1335 a.5 cm e 26 x 22 cm.3. Assim. Outra dificuldade é o número e a ordem das tabuinhas. Niqmaddu. A escrita ugarítica caminha da esquerda para a direita. apenas o transmissor desta versão tradicional do mito de Baal e o nome do rei. De modo que. Apesar do mesmo tom e da mesma concepção mitológica. Diz o autor: "Nos restam assim seis tabuinhas que podem representar uma versão ou redação unitária do ciclo mencionado. e a quem deveremos considerar como o autor.1. redator ou. Delas.5 x 19.. A exceção fica por conta da tabuinha 4.6 e 1. . G. mas de cima para baixo. ultrapassando a borda inferior. Attanu-Purlianni. há uma "história da tradição e da redação" dos textos. A divisão entre as colunas é feita por uma linha dupla profundamente marcada.). também em Ugarit. a terceira coluna continua diretamente.. junto com o nome do Sumo Sacerdote.O Ciclo de Baal O Ciclo de Baal (ou Ba'lu)[15] apresenta algumas dificuldades especiais dentro da literatura ugarítica: não é fácil determinar se temos um mito único. de modo que a correspondência anverso/reverso das colunas é a seguinte: 1/6. com rigorosa unidade de composição. em Mitos y Leyendas de Canaán. foram escritas pelo mesmo escriba que se identifica como Ilimilku em 1. as do reverso estão dispostas da direita para a esquerda.. 2/5 e 3/4. E o mais interessante no Ciclo de Baal é que as seis tabuinhas têm a mesma "caligrafia". podemos estar falando de diferentes redações de um mesmo "mitema" ou de "mitemas diferentes".. exclui os fragmentos que por suas características externas.16. que tem oito colunas e da tabuinha 2 que tem somente quatro colunas. história essa que é dificílima de ser feita. materiais ou epigráficas não podem constituir unidade editorial com os demais. enquanto as colunas do anverso estão dispostas da esquerda para a direita. para quem trabalhou e que deve ter ditado o texto. Isto sem contar que. Suas dimensões eram mais ou menos as mesmas"[16]. segundo o uso da epigrafia cuneiforme. quatro (1. três de cada lado (. a tabuinha não deve ser virada como uma página de um livro. da coerência e continuidade entre os diversos episódios que compõem o mito total. no verso.C.5. Como é comum nas tabuinhas cuneiformes. O número de linhas conservadas por coluna oscila entre 62 e 65. del Olmo Lete. quem sabe. ou se temos um ciclo que engloba diversas composições literárias. As dimensões padrão são 26.6) possuíam originalmente seis colunas de texto. ou seja.

Pastor Máximo. e no Museu de Aleppo (1.6 VI diz.5-6). shubbani. Sumo Sacerdote. Paris. deusa da guerra e da caça deusa sol .6).esposa de Baal esposa de El.1-2). da guerra e da fertilidade . Síria. Destacam-se: ILU (=EL) BA'LU (=BAAL) YAMMU (=YAM) KÔTHARU (=KOSHARWAHASIS) 'ATHTARU (='ATHTAR) 'ANATU (= 'ANAT) ATIRATU (= 'ASHERAH) MÔTU (= MÔT) 'ATHTARTU (= ASTARTÉ) SHAPSHU deus supremo. Provisor de nuestro sustento.KTU 1. Rey de Ugarit Señor Formidable. As tabuinhas do Ciclo de Baal foram encontradas todas nas campanhas arqueológicas de 1930.1. no seu final: El escriba fue Ilimilku. 1931 e 1933 e estão hoje no Museu do Louvre (1. enquanto alguns outros que ali aparecem têm um papel muito impreciso. criador dos deuses e do homem chefe dos deuses. deus da chuva e da fertilidade. composto de três mitos ou composições autônomas que giram cada uma em torno de um mitema particular: Luta entre Ba'lu e Yammu (1. deusa mãe deus da morte e da esterilidade esposa de Baal.5. Assim.2. O palácio de Ba'lu (1. discípulo de Attanu-Purlianni.4). apenas uns dez ou doze são ativos em sua literatura.3. O universo mitológico de Ugarit Entre os muitos deuses que constituem o panteão de Ugarit.3-4) e a Luta entre Ba'lu e Môtu (1. senhor da terra deus do mar deus artesão deus do deserto deusa do amor. Inspector de Niqmaddu. as seis tabuinhas trazem um ciclo mitológico.

Princeton. J. 1976. R. Para a ordem das tabuinhas.. Cf. Para outra hipótese. 88-89. Pontifical Biblical Institute. 87. del Olmo Lete. Loretz . DEL OLMO LETE. Para a posição de G. p. 1992. H. Neukirchen-Vluyn. Madrid. KTU: M. as pp. p. UT: C. Sanmartín. História de Israel e dos povos vizinhos. Neukirchener Verlag. Mitos y Leyendas de Canaan según la Tradición de Ugarit. 19693.. Cf. cf. Princeton University Press. (ed.. G. Herdner. New York. [16]. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. CLIFFORD. Ugaritic Textbook. Cf. 48-49. GORDON... 1981. DEL OLMO LETE. pp. 1997. [14]. Dietrich . NEXT [13]. Institución San Jerónimo & Ediciones Cristiandad. Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament (ANET). B. Doubleday & Logos Research Systems. DEL OLMO LETE. diferente da convencional que aparece na Bíblia Hebraica. onde são apresentadas as opções de 17 especialistas. para o que se segue. Cf.).). G. c. Assim é que Baal é Ba'lu. o. 81-97.275. pp. cf. São Leopoldo. (ed. G. FREEDMAN. PRITCHARD.Aprenda mais sobre os deuses de Ugarit com a Canaanite/Ugaritic Mythology FAQ! Abreviações usadas no texto CTA: A. J. Volume 1: Dos primórdios até a formação do Estado. também DONNER. El é Ilu e assim por diante. H. D. pp. cf. 1963. 23-31. Einschliesslich der keilalphabetischen Texte ausserhalb Ugarits.O. Paris.. . 1965.. Roma. Corpus des tablettes en cunéiformes alphabétiques découvertes à Ras Shamra-Ugarit de 1929 a 1939. 83 da mesma obra. 1997 [20043]. a p. Teil I Transcription. N.J. Sinodal/Vozes. verbete Ugarit. 274. 121. Creation Accounts in the Ancient Near East and in the Bible. c. o. Die keilalphabetische Texte aus Ugarit. del Olmo Lete adotou em sua obra a forma original semita na transcrição do nomes próprios. [15].

Canaã. Do Mediterrâneo ao Jordão. Os filisteus são de origem egéia. O comprimento é de 250 km de Dan a Bersheba. F. que era apenas uma parte de seu território. que não era propriamente território de Israel. incluindo o deserto do Negueb nesta última.C. com chuvas de novembro a março e seca de abril a outubro. dois renomados biblistas e arqueólogos. sem a Transjordânia. Haifa e Tiberíades são quentes e úmidas. Contando com a Transjordânia. mas foram vencidos pelo faraó Ramsés III e passaram a viver naquela parte da Palestina. em hebraico pelishtim. ou de 320 km de Dan a Cades-Barnea. em 800 mil habitantes.5. que nem sempre pertenceu a Israel. de Vaux. Tel-Aviv. são 25. considerado até meados da década de 70 do século XX como o mais florescente da história de Israel.000 km2. no norte. variando também segundo os lugares graças à topografia. A temperatura vai de -2 a 45 graus Celsius. tentaram invadir o Egito. Sob os hebreus. no período de Davi e Salomão. ou terra de Canaã. os cananeus. é melhor não projetarmos a população para este período. Cai neve em Jerusalém e Jericó é muito quente. quanto mais um Império davídicosalomômico. A população foi estimada por W. .1. Para a época do NT calcula-se: 500 mil habitantes na Palestina e 4 milhões no exterior (diáspora). nome proveniente de seus antigos habitantes. A superfície da Bélgica.000 km2 de território. são cerca de 48 km de largura e na altura do mar Morto são cerca de 80 km. Faziam parte dos "povos do mar". talvez de Creta. A Palestina Palestina é um nome derivado de "filisteus". que após 1175 a. mais ou menos. e mais tarde Judá ou Judéia. Albright e R. um povo que habitava a faixa costeira situada entre o Egito e a Fenícia. mais ou menos. é outro nome da região usado para designar esta terra. Mas hoje nem sabemos se houve um monarquia unida. Por isso. A superfície da Palestina é de 16.. Israel é uma zona subtropical. passou a ser chamada de terra de Israel.

C. Jabbok e Yarmuk. Do sul para o norte. Arnon. ao sul o golfo de Aqaba. ao norte. A Bíblia costuma unir Teman e Bosrah para designar todo o país de Edom. A configuração geográfica é a seguinte: há duas cadeias de montanhas que percorrem a Palestina de norte a sul e são: a continuação do Líbano. Galaad e Bashan. Moab. a moderna Kerak. por onde correm os afluentes ocidentais do Jordão. uma fortaleza perto de Sela. Sela. Dibon. 1. As cidades do ano 3000 a. o país foi novamente ocupado por semitas nômades e pastores. Bosrah e Tofel. numa depressão de 390 metros abaixo do nível do mar que vai do lago de Hule. Ammon. quanto ao relevo em quatro faixas verticais. Seu limite ao norte é o rio Zered. até o mar Morto. os afluentes são: Zered.1.C. Entre estas duas cadeias está o vale do Jordão.C. A Transjordânia As montanhas da Transjordânia são altas e apresentam profundas gargantas. Moab está situado entre os vales do Zered e do Arnon. ao sul. Kir-heres). Seu território principal está situado em um planalto de 1200 metros de altitude. ao norte. Cisjordânia. norte-sul: a Transjordânia. podemos descrever a Palestina. Sua capital. . Assim.Samaria. em um planalto de 1600 metros de altitude. 110 km de comprimento e 25 km de largura.5. teria cerca de 30 mil habitantes e a Jerusalém do tempo de Jesus também não passava de 25 a 30 mil habitantes fixos. foram destruídas e abandonadas. Cerca de oito km a oeste de Medeba está o monte Nebo (para a tradição sacerdotal) ou Pisgah (para a tradição eloísta) de onde Moisés teria contemplado a terra de Canaã e morrido. O país está ao sul do mar Morto.. Sua capital era Kir-hareseth (Kir. Medeba e Heshbon. Outras cidades: Aroer. quando foi destruída pelos assírios em 722 a.C. Aí por volta de 1300 a. Edom é o país ocupado por um povo semita do deserto siro-arábico aí por volta de 1300 a. porém levava freqüentemente sua fronteira ao norte do Arnon. a Cisjordânia e a costa mediterrânea. o vale jordânico. Na Transjordânia estavam antigamente os seguintes países ou regiões: Edom. Outras cidades: Teman. a Transjordânia. e a continuação do Antilíbano.

boas para o cultivo do trigo e ótimas para pastagens. Famoso era seu bálsamo e abundantes suas vinhas. Os limites de seu território não são bem definidos. Mahanaim. Pella. mas foi expulsa. Parece que se estabeleceram aí em 1300 a. Sua capital era Rabbath-Ammon. que se revezavam na sua posse.No tempo do NT. Não possuía cidades de destaque. Suas cidades principais: Penuel. Ramoth-Galaad. e Ammon foi o mais fraco dos reinos transjordânicos. mais ou menos. capital da Jordânia. Jabesh-Galaad. Cultuavam os amonitas o deu Moloc (ou Melek). Esteve freqüentemente submetido a Israel. Chove bem e era coberta antigamente por densos bosques. A tribo de Rubens tentou se estabelecer na parte norte de seu território. Seu deus principal era Kemosh.C. mas se libertou logo após a divisão de 931 a. Ammon era uma tribo aramaica que se estabeleceu na região superior do Jabbok. formada por férteis planícies. No tempo do NT: Gerasa. a atual Amman. Sua língua se assemelha ao aramaico.C. e sacrificavam-lhe crianças. Gadara. Esta região foi conquistada pelos israelitas e habitada pelas tribos de Gad e Manassés. Antes de Israel adotar a monarquia como forma de governo. Bashan (ou Hauran) é uma região ao norte do Galaad. Galaad (ou Gilead) está também na região do Jabbok. Sob Davi e Salomão. Succoth. Moab e Israel nunca foram amigos. onde Herodes Antipas mandou matar João Batista.. NEXT NEXT . Seu território tem uns 60 km de norte a sul por 40 km leste-oeste e é bastante fértil. Seus bosques eram comparáveis aos do Líbano. ao qual eles ofereciam sacrifícios humanos. Sua língua se assemelha bastante ao hebraico. Moab foi submetida. de quem sempre foi inimigo. A região sempre foi objeto de luta entre Israel e Síria. a sudoeste do monte Nebo estava a fortaleza de Maqueronte. Moab já o fizera.

sempre coberto de neve. Entre o lago de Hule e o lago de Genezaré. O mar Morto tem 75 km de comprimento por 16 km de largura. ainda a 80 metros acima do nível do mar. Tinha cerca de 4 km e foi drenado pelo atual Israel. 110 km abaixo. O Vale do Jordão À sombra do monte Hermon. santuário cananeu e depois israelita. Magdala. . Betsaida.1. pois realmente ele nasce acima do nível do Mediterrâneo. o Jordão corre violentamente no fundo de uma garganta de 350 metros de profundidade. rico em peixes. Por isso foi construída aí uma fortaleza. mencionada em Mt 11.21. Jordão significa aquele que desce ou também lugar onde se desce (bebedouro). por onde andou Jesus. O NT fala continuamente destes paragens.2. Para ir da Palestina para a Síria era necessário atravessar o Jordão ao sul de Hule. atravessa o lago de Hule. Tiberíades etc estavam na suas margens. uma das mais antigas cidades do mundo. A 9 km ao norte do mar Morto está Jericó. cerca de 25%. Cesaréia de Filipe (Baniyas). na época do NT. na confluência de quatro torrentes que descem das montanhas do Líbano. e é o ponto mais baixo da superfície terrestre: está a cerca de 390 metros abaixo do Mediterrâneo e tem outro tanto de profundidade. situado nada menos que a 390 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. nasce o rio Jordão. que já está a 210 metros abaixo do nível marítimo e tem sua foz no mar Morto. E também Guilgal. Nome bem adaptado ao maior rio da Palestina. de 21 km de comprimento por 12 de largura. Hazor. Cidades como Cafarnaum. Perto da desembocadura do Jordão no lago de Genezaré estão as ruínas de Corazim. com seus 2750 metros de altitude. forma a 16 km ao sul o lago de Genezaré. É um belo lago.5. O lago de Genezaré (do hebraico Kinneret = harpa) é chamado também de lago de Tiberíades ou mar da Galiléia. Nada vive nas suas águas. que contêm um alto teor de sal. que se tornou a principal cidade do norte da Palestina. O lago de Hule era pequeno e pouco profundo. pois provocava malária. Perto de suas nascentes estão as cidades de Dan e.

nos seus 150 km de extensão. os essênios. como por exemplo: • Hebron (Kiriat-arbá). Ao norte do Negueb se estende o território montanhoso de Judá. desde Bersheba até perto de Betel. cidade cananéia. do mar Morto ao golfo de Aqaba. a cidade mais alta da Judéia . No extremo sul da Arabá estava a fortaleza de Elat e o porto de Esion-geber. para salvá-los dos romanos que tudo destruíram em 68 d.C. Há em Judá várias cidades e localidades importantes na história do povo de Israel. Cerca de 80 km ao norte estava Bersheba (Bersabéia).3. está a 7 km de Jerusalém Jerusalém. oásis onde os israelitas estiveram após o êxodo do Egito. apenas um povoado a 19 km de Jerusalém Anatot. pátria do valente profeta Amós.A noroeste do mar Morto vivia. que se eleva progressivamente. Um pouco mais ao nordeste. terra de Lázaro etc. nos últimos séculos de Israel. Arad. por onde passavam importantes rotas de caravanas. A região é desértica.5.ligada à história de Abraão e de Davi. Ao sul do mar Morto está a Arabá. segundo o texto bíblico. a comunidade dos essênios. Fica a 32 km de Jerusalém Belém. esconderam em cavernas. alguns quilômetros ao norte de Jerusalém.está a 1000 metros de altitude . • • • • • . continuação da depressão palestina. 1. A Região Central da Palestina No extremo sul está o Negueb (deserto de Sin). a cidade conquistada por Davi aos jebuseus e transformada em sua capital Técua. Era das colinas da Arabá que Salomão extraía o cobre para sua indústria. povoado onde nasceu Jeremias Betânia. pátria de Davi e lugar tradicional do nascimento de Jesus. Importante no Negueb era Cades-Barnea. e nas grutas de Qumran foram encontrados em 1947 importantes manuscritos bíblicos que eles.

chegamos à região de Samaria. . sul. 1.C.VV. e para guardar a passagem foram construídas as fortalezas de Ibleam. AA.. Mais para o norte está finalmente a cidade de Dor. Paulus. Nesta região central encontramos: Ai. Silo. ocuparam uma faixa costeira formando a conhecida pentápoles filistéia. Ashdod. cidades com um longo passado de lutas e guerra. Leituras Recomendadas AA. cidades cujas histórias deveriam ser cuidadosamente estudadas. até Tiro. Madrid. por ser a pátria de Jesus. um vale ótimo para a agricultura. A Criação e o Dilúvio Segundo os Textos do Oriente Médio Antigo.Continuando a subir em direção norte. caminhos entre a filistéia e Judá. Dotan.. Maggedah.5. em seguida o promontório e o monte Carmelo. Por ali passava a estrada que ia do Egito para a Síria. em o NT. Os vales da Shefelah. Finalmente chegamos à região da Galiléia. Bet-Shemesh e Gezer. Bíblia. depois já é a Fenícia. onde eram cultivados o trigo e a oliveira. uma confederação de cinco cidades: Gaza. Por ali passavam as principais vias de comunicação entre o Egito e a Síria. Merecem ainda atenção: Bet-shan e Jezreel. Betel. vindo do Egeu. Afeq etc. Meguido e Jokneam. localizada a 60 km de Jerusalém. São Paulo. com as cidades de Jope. Taanak. de Gaza. Coleção Grandes Impérios e Civilizações. com o porto de Acco na planície de Asher. Azecah. crescendo. que aparece muito pouco no AT. Tirsá.VV. capital do reino do norte. Libnah. Os Caminhos de Deus I-II. Lod. Ao norte da planície filistéia está a planície de Sharon. Aí estão os mais antigos santuários de Israel. Ao norte de Samaria está a planície de Esdrelon (Jezreel). são cerca de 200 km de costa. Ascalon. Gat e Ekron. norte. Aí por volta de 1150 a. Lakish. os filisteus. Siquém. A planície filistéia tem de 7 a 15 km de largura. 1990. De Gaza. Caravanas em tempo de paz e exércitos destruidores em tempo de guerra eram uma constante. Edições del Prado. eram defendidos pelas fortalezas de Debir. 1996. contudo. A Costa Mediterrânea Vamos começar de novo pelo sul.4. Entre a planície filistéia e as montanhas de Judá há uma faixa de terra de 15 a 25 km de largura chamada Shefelah (= terras baixas).

BAINES, J. & MÁLEK, J., O Mundo Egípcio. Deuses, Templos e Faraós, 2 vols., Coleção Grandes Impérios e Civilizações, Madrid, Edições del Prado, 1996. CARDOSO, C. F. S., Sociedades do Antigo Oriente Próximo, São Paulo, Ática, 1986. CLIFFORD, R. J., Creation Accounts in the Ancient Near East and in the Bible, Washington, The Catholic Biblical Association of America, 1994. DEL OLMO LETE, G., Mitos y Leyendas de Canaan según la Tradición de Ugarit, Madrid, Institución San Jerónimo & Ediciones Cristiandad, 1981. DONNER, H., História de Israel e dos Povos Vizinhos I-II, São Leopoldo, Sinodal/Vozes, 1997 [20043]. ECHEGARAY, J. G., O Crescente Fértil e a Bíblia, Petrópolis, Vozes, 1995. FREEDMAN, D. N. (ed.), The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM, New York, Doubleday & Logos Research Systems, 1992, 1997. GALBIATI, E. & ALETTI, A., Atlas Histórico da Bíblia e do Antigo Oriente. Da Pré-História à Queda de Jerusalém no Ano 70 d. C., Petrópolis, Vozes, 1991. GARELLI, P., O Oriente Próximo Asiático I, São Paulo, Pioneira/Edusp, 1982. KRAMER, S. N., Os Sumérios. Sua História, Cultura e Carácter, Amadora, Livraria Bertrand, 1977. MAY, H. G. (ed.), Oxford Bible Atlas, Oxford, Oxford University Press, 19903. PRITCHARD, J. B. (ed.), Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament (ANET), Princeton, Princeton University Press, 19693. ROAF, M., Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente, Coleção Grandes Impérios e Civilizações, Madrid, Edições del Prado, 1996. THOMPSON, T. L., The Mythic Past. Biblical Archaeology and the

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2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista Israel invade a terra de Canaã, vindo da Transjordânia, pelo final do século XIII a.C. As tribos lutam unidas e, fazendo uma campanha militar em três fases, dirigidas ao centro, sul e norte, ocupam o país, destruindo seus habitantes, no espaço de uns 25 anos. Esta é a visão de Js 1-12 e a que dominou no mundo judaico. A síntese de Js 10,40-43 diz o seguinte:"Assim Josué conquistou toda a terra, a saber: a montanha, o Negueb, a planície e as encostas, com todos os seus reis. Não deixou nenhum sobrevivente e votou todo ser vivo ao anátema, conforme havia ordenado Iahweh, o Deus de Israel; Josué os destruiu desde Cades Barne até Gaza, e toda a terra de Gósen até Gabaon. Todos esses reis com suas terras, Josué os tomou de uma só vez, porquanto Iahweh, Deus de Israel, combatia por Israel. Finalmente Josué, com todo Israel, voltou ao acampamento em Guilgal". Mapas do Israel atual? Confira aqui!

Alguns defendem esta teoria, com matizes, baseados na "evidência" arqueológica como William Foxwell Albright, George Ernest Wright, Yehezkel Kaufmann, Nelson Glueck, Yigael Yadin, Abraham Malamat, John Bright, este último moderadamente[1]. A arqueologia atesta: a) Uma ampla destruição de cidades cananéias no final do século XIII a.C. Do norte para o sul, são essas as cidades: Hazor, Meguido, Succoth, Betel, Bet-Shemesh, Ashdod, Lakish, Eglon e Debir. Destas 9 cidades, 4 são ditas especificamente como destruídas por Josué: Hazor: Js 11,10-11 Lakish: Js 10,31-33 Eglon: Js 10,34-35 Debir: Js 10,38-39 b) A não destruição de cidades que os textos confirmam como não tendo sido tomadas por Josué: Gibeon: Js 9 Taanach: Jz 1,27 Siquém: Js 24 Jerusalém: Js 15,63; 2Sm 5,6-9 Bet-Shean: Jz 1,27-28 Gezer: Js 10,33 c) A reocupação das cidades destruídas foi homogênea e pode ser relacionada com a ocupação israelita que se seguiu à conquista. Além do que tal ocupação mostra, na sua maior parte, um empobrecimento técnico, típico do assentamento de populações seminômades (o tipo de cerâmica, de construções, de utensílios etc). d) Localidades que estavam abandonadas há muito tempo são ocupadas novamente no século XIII a.C., como: Dor, Gibeah, Bersabéia, Silo, Ai, Mispa, Bet-Zur...

Ora, em nenhuma destas evidências aparece qualquer inscrição dizendo tratar-se de Israel. Mas como nenhum outro povo ocupou tal região neste período, quem poderia ser senão Israel? Porém: • • • os dados arqueológicos não são puros, são interpretados várias destruições podem ter sido feitas por lutas internas, lutas entre as cidades cananéias o livro dos Juízes relata a conquista de maneira individualizada, feita pelas várias tribos isoladamente e não uma ação conjunta de um pretenso Israel unido o Dtr marcou muito sua obra com propósitos teológicos - necessários no tempo do exílio - e não tinha a nossa concepção de história. Ele projetou muito no passado o que era projeto para o presente, como: o hérem ou "anátema", uma guerra de extermínio, com o objetivo de manter os israelitas separados das populações estrangeiras que ocuparam a Palestina durante o exílio o processo de nacionalização através do chefe único - Josué - que interessava na reunificação dos israelitas no pós-exílio, quando na realidade Josué deve ter comandado apenas tribos da "casa de José", como Efraim, Manassés, Benjamim a chave litúrgica na apresentação dos fatos (o que interessava aos levitas e à reforma de Josias) como: a tomada de Jericó (Js 6), a travessia do Jordão (Js 3-5), o culto praticado num só lugar, na seqüência Guilgal, Silo, Siquém (Js 5,10;18,1;24,1) e a condenação do culto praticado em qualquer outro lugar (Jz 17-18), quando, na verdade, os lugares de culto parecem ter sido muitos nesta época, e contemporâneos! as cidades de Jericó, Ai e Gibeon não podem ter sido conquistadas nesta época, segundo os arqueólogos. Jericó foi destruída no século XIV a.C. e não há indícios de destruição nos séculos XIII-XII a.C., nem de reocupação; Ai (= ruína) também já fora destruída muito tempo antes, no III milênio. Gibeon não era nenhuma cidade importante na época de Josué, segundo mostra a arqueologia (cf. Js 9) o livro de Josué recorre muito à etiologia, quando diz: "e (tal está assim) até o dia de hoje" (Js 4,9;5,9;6,25;7,26;8,28-29;9,27;10,27 etc). O

o conduz pelo deserto e lhe dá a terra. O artigo já começa com uma constatação. Siegfried Hermann. Defende uma entrada diferenciada na Palestina. que assim acabam confirmando-na. Yohanan Aharoni e outros[2]. A Teoria da Revolta A teoria da revolta foi defendida primeiro por George Mendenhall. . pp. sem um conflito generalizado e organizado. Ligas anfictiônicas: primeiro duas (Noth): uma de clãs do sul (6 clãs posteriormente assimilados a Judá) e outra de tribos do norte.? 2. antes da monarquia. José Alberto Soggin. informando-nos. A Teoria da Instalação Pacífica Modelo defendido por Albrecht Alt (1925. para as tribos israelitas: êxodos diferentes para os vários grupos. Apóia-se também nas tradições patriarcais do Gênesis: os patriarcas viviam. Qual o valor histórico destes relatos? 2. nas proximidades das cidades cananéias[4]. Noth liga os hebreus aos hapiru. Os conflitos aconteciam quando um clã invadia o território de uma cidade-estado[3]. Martin Noth (1940.C. Os relatos de conquista de Josué são etiológicos e Josué não passou de um chefe local efraimita. pelo menos. mais ou menos pacificamente.1950). 1962.2. De fato. As tribos foram ocupando os espaços vazios entre as cidades-estado cananéias. Depois sua união. Manfred Weippert. com um artigo[5] chamado The Hebrew Conquest of Palestine. em doze tribos.mesmo acontece com o livro dos Juízes.1939). Tal teoria baseia-se na análise crítica dos textos bíblicos e interpreta à sua luz os dados arqueológicos. 66-87.3. Problemas: • • • • anfictionia israelita? hapiru/hebreu? conceito de etiologia e narrativas etiológicas e as destruições do final do século XIII a. que hoje tornou-se lugar comum em congressos ou salas de aula: "Não existe problema da história bíblica que seja mais difícil do que a reconstrução do processo histórico pelo qual as Doze Tribos do antigo Israel se estabeleceram na Palestina e norte da Transjordânia"[6]. a narrativa bíblica enfatiza os poderosos atos de Iahweh que liberta o povo do Egito. para o sul e para o norte. publicado em Biblical Archaeologist 25.

erroneamente vistos como nômades contrastando com os sedentários das cidades. continua Mendenhall. Igualmente critica a noção de tribo como um modo de organização social próprio de nômades. mas ocultando-nos as circunstâncias econômicas. Jacó e Labão. os pesquisadores sempre utilizaram modelos ideais para descrever as origens de Israel. que foi assumida sem criticidade pelos pesquisadores bíblicos e usada como modelo para o Israel primitivo. como. importada do mundo grego. Jacó e os filhos. caracterizando-as. onde há sempre uma parte do grupo que é sedentária. por exemplo.deste modo. A seguir. sendo a relação de parentesco seu traço fundamental. G. sociais e políticas em que se deu o surgimento de Israel. como o fez Martin Noth com a tese da anfictionia. entretanto. mostrando que tribos podem ser parte ou estar em relação com povoados e cidades. sobre a visão e os objetivos teológicos dos narradores de séculos depois. mas "a suposição de que os israelitas primitivos eram nômades. Ora. Frente a isso. Mostra que os próprios relatos bíblicos jamais colocam os antepassados de Israel como inteiramente nômades. o primeiro e o terceiro pressupostos até que podem ser aceitos. o da conquista militar e o da infiltração pacífica de seminômades e elenca os três pressupostos presentes em ambos: • • • as doze tribos entram na Palestina vindo de outro lugar na época da "conquista" as tribos israelitas eram nômades ou seminômades que tomam posse da terra e se sedentarizam a solidariedade das doze tribos é do tipo étnico. e é aqui a reconstrução de uma alternativa deve começar"[7]. sugerindo uma linha de pesquisa que levasse em conta elementos que até então não tinham sido considerados. em contraste com os cananeus. O que George Mendenhall propôs com o seu artigo foi apresentar um novo modelo ideal em substituição a modelos que não mais se sustentavam. . está inteiramente em contraste com as evidências bíblicas e extra-bíblicas. Mendenhall começa descrevendo os dois modelos existentes até então para a entrada na terra de Canaã. Mendenhall critica a visão romântica do modo de vida dos beduínos. inclusive.

E. de 1975. seu ponto mais crítico é o idealismo que permeia o seu estudo e coloca o "javismo". do ponto de vista de um historiador interessado somente nos processos sócio-políticos. didaticamente. Mendenhall usa os modelos de Elman Service expostos em sua obra Primitive Social Organization. como a causa da unidade solidária que faz surgir Israel. mas principalmente só o javismo e nenhuma outra esfera da vida daquele povo..C. através dos patriarcas. . Segundo Lemche. Alguns anos mais tarde. por seu uso arbitrário de macro teorias antropológicas. Norman K. Mendenhall procura demonstrar que ninguém podia nascer hebreu já que este termo indica uma situação de ruptura de pessoas e/ou grupos com a fortemente estratificada sociedade das cidades cananéias. Orbis Books. e que funciona como um poderoso mecanismo de coesão social. 1979. Mendenhall e avança por quase mil páginas em favor de uma revolta camponesa ou processo de retribalização que explicaria as origens de Israel. um javismo não muito bem explicado. Estes camponeses revoltados contra o domínio das cidades cananéias se organizam e conquistam a Palestina. como uma revolta camponesa contra a espessa rede de cidades-estado cananéias".Aproximando o conceito de hebreu ao de Hab/piru.. 1250-1050 B. 19622. no qual retoma a tese de G. tornando-os capazes de desafiar e vencer o complexo mal estruturado de cidades que dominavam a Palestina e a Síria no final da Idade do Bronze"[8]. pode ser creditada à teologia dos autores da época da monarquia e do pós-exílio que deram motivações políticas a uma unidade que foi criada pelo fator religioso. critica Mendenhall. pois esta é o símbolo formal através da qual a solidariedade era tornada funcional. mas especialmente por seu uso eclético destas teorias. New York. Niels Peter Lemche. e utilizando as cartas de Tell el-Amarna.. Maryknoll. New York. Por isso a tradição da aliança é tão importante na tradição bíblica. Esta motivação religiosa é a fé javista que transcende a religião tribal. em um artigo anterior. Gottwald publicou seu polêmico livro The Tribes of Yahweh: A Sociology of the Religion of Liberated Israel. muito acima de fatores sociais e políticos. Mas. por outro lado. E conclui: "Não houve uma real conquista da Palestina. e na identificação de Iahweh com o "deus dos pais". Random. A ênfase na mesma herança tribal. "porque uma motivação e um movimento religioso criou uma solidariedade entre um grande grupo de unidades sociais preexistentes. diz Mendenhall. O que aconteceu pode ser sumariado. coisa que os teóricos da antropologia não aprovariam de modo algum[9]. Sem dúvida.

a partir do momento em que o judaísmo é lido a partir da perspectiva do judaísmo tardio e do cristianismo. Os conceitos centrais que emergem deste deslocamento de pressupostos. o javismo é visto como fonte isolada e agente de mudança na emergência de Israel[11]. Israel teria ocupado a terra como recurso para realizar a passagem do seminomadismo para a sedentarização. seja por imigração seja por conquista militar o pressuposto da criatividade do povo do deserto em iniciar mudanças sociais em regiões sedentárias. indicações de que mudanças culturais e sociais são freqüentemente conseqüências do lento crescimento de conflitos sociais dentro de uma determinada população mais do que resultado de incursões de povos vindos de fora..Gottwald expõe sua tese então em desenvolvimento. podem ser sintetizados da seguinte maneira: • o pressuposto da ocorrência normal de mudança social ocorrida por pressão e conflitos sociais internos. desde a língua até a formação religiosa. resultando numa aculturação sócio-política o pressuposto de mudança social produzida por características especiais de um grupo ou por elementos culturais de destaque. ou seja. cada vez maior entre os estudiosos. a percepção de que a tecnologia e a organização social exercem um impacto muito maior sobre as idéias do que pesquisadores humanistas poderiam admitir. • • As forças e pressões que dobraram e quebraram estes pressupostos são muitos. ou seja.. ou seja: um hiato sócio-político em Canaã teria ocorrido como resultado da substituição demográfica ou étnica de um grupo por outro. a conclusão de que conflitos ocorrem tanto dentro de sociedades controladas por um regime único como entre estados opostos. e que usarei aqui para sintetizar seus pontos fundamentais[10]. evidências da fundamental unidade cultural de Israel com Canaã em uma vasta gama de assuntos. como resultado de novos avanços tecnológicos e de idéias em confronto numa interação volátil . mas basta citarmos umas poucas para que as coisas comecem a clarear: a evidência etnográfica de que o seminomadismo era apenas uma atividade secundária de populações sedentárias que criavam gado e cultivavam o solo. Ele diz que até recentemente a pesquisa sobre o Israel primitivo era dominada por três idéias básicas: • o pressuposto de mudança social ocorrida no deslocamento de populações.

que dividiu e opôs grupos que previamente viviam organizados em cidades-estado cananéias. Israel tornou-se aquele segmento de Canaã que se separou soberanamente de outro segmento de Canaã envolvendo-se na 'política de base' dos habitantes dos povoados organizados de forma tribal contra uma 'política de elite' das hierarquizadas cidades estados"[13]. nas quais determinados contextos tecnológicos e sociais adquirem configurações novas[12]. sendo que no Antigo Oriente Médio o seminomadismo era econômica e politicamente subordinado a uma região predominante agrícola e que nunca foi ocasião de deslocamentos maciços de populações ou de conquistas políticas provocadas por estes deslocamentos o pressuposto de que mudança social ocorre pela interação de elementos culturais de níveis diversos. era idiossincrática e mutável. Esse desligar-se da forma de organização social da cidade-estado tomou a forma de um movimento de 'retribalização' entre agricultores e pastores organizados em famílias ampliadas economicamente auto-suficientes com acesso igual aos recursos básicos. que lentamente se ajuntavam e se firmavam caracterizando-se por uma forma anti-estatal de organização social com liderança descentralizada. uma guerra civil. A religião de Israel. onde as funções políticas ou eram partilhadas por vários membros do grupo ou assumiam um caráter temporário. ou seja. Gottwald propõe um modelo social para o Israel primitivo que segue as seguintes linhas: "O Israel primitivo era um agrupamento de povos cananeus rebeldes e dissidentes. Assim. especialmente o fato de que os fatores ideológicos não podem ser desligados de indivíduos e grupos vivendo em situações específicas. NEXT . E Gottwald termina seu texto dizendo que o modelo da retribalização levanta uma série de questões para posterior pesquisa e reflexão teórica[14].• o pressuposto da função secundária do deserto em precipitar a mudança social. Gottwald vê o tribalismo israelita como uma forma escolhida por pessoas que rejeitaram conscientemente a centralização do poder cananeu e se organizaram em um sistema descentralizado. • A partir de tais constatações. que tinha seus fundamentos intelectuais e cultuais na religião do antigo Oriente Médio cananeu. se quisermos. O tribalismo israelita foi uma revolução social consciente. um ser divino integrado existia para um integrado e igualitário povo estruturado.

Penguin. E. pp. "On the Use of "System Theory". pp. & MEYERS. 19622. The History of Israel. The Archaeology of Palestine. Paulus. [10]. [6]. C. p.. Idem. pp. 1972. 173-174. [12]. História de Israel. Cf. 1996. SCM Press.). A. (eds... C. & MEYERS.[1]. pp. Cf. NOTH. Cf. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible. Idem. 19603. p. The Settlement of the Israelite Tribes in Palestine.. Community. 279. São Leopoldo. N. (eds. M. [9]. BRIGHT. & MEYERS. também Revisiting The Tribes of Yahweh (2006). 1971. p. Philadelphia. C. ibidem. L. 1987. E. L. Westminster Press. em CARTER. Y. [7]. 1978.. New York. HERMANN. & MEYERS. L. GOTTWALD. 158-159. J. K. 152-169. C. A History of Israel in Old Testament Times. 1960. Identity and Ideology.. LEMCHE. [8]. ibidem. Cf. o artigo em CARTER. p. The Hebrew Conquest of Palestine. A. "Macro Theories". Identity and Ideology. 19-110. Harper & Brothers. W. Indiana. Fortress Press. Eisenbrauns. Baltimore. G. ALT.. Joshua. S. Terra Prometida. C. Westminster Press. Cf. Terra Prometida. Cf. E.. [11]. pp. F. KAUFMANN. Community. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. Philadelphia. MENDENHALL. A. L. Cf. G. 1975.). Cf. 152. Identity and Ideology. Biblical Archaeology. C. pp. Idem. C. ibidem. New York. Cf.. 170-181. Terra Prometida. ALBRIGHT. .. 154. 1972. J.. Cf. M. 172. A. em CARTER. ibidem. Idem. [4]. (eds. Community. P. Philadelphia.. ALT. Ensaios sobre a história do povo de Israel. Identity and Ideology. E. WEIPPERT. London. and Evolutionistic Thinking" in Modern Old Testament Research and Biblical Archaeology. SOGGIN. (eds. São Paulo. N. Community. Schocken Books. 56 e 72-73.. C. E.). WRIGHT. Sinodal. em CARTER. E. The Religion of Israel: From its Beginnings to the Babylonian Exile.). Domain Assumptions and Societal Models in the Study of Pre-Monarchic Israel.. [5]. Winona Lake. [2]. [3]. ALT.

C. 180-181. Tutmósis III.[13]. Tutankhamon. que é o último faraó desta dinastia e que volta ao antigo culto a Amon e traz a capital de novo para Tebas. A XIX dinastia teve alguns nomes famosos: • • Ramsés II. Gazer foi tomada. Sob a XX dinastia.C. e o dominam durante um século. deixando um vazio político na Palestina. Canaã está privada de toda a sua maldade. Yanoam está como se não existisse mais.) também conhecido como Akhenaton. o faraó do culto a Aton -. Akhetaton. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. faraó da décima oitava dinastia que transforma o Egito na maior potência mundial.C. [14]. ibidem. Estela de Merneptah Os príncipes estão prostrados dizendo: paz. o Egito vai progressivamente perdendo toda a sua influência na Ásia. pp. Sua capital é Avaris. o Hatti está em paz. levou o Egito ao auge de seu poder.C. que cita Israel em estela de 1220 a. Mas são expulsos por Amósis (1580-1558 a. ibidem. arqueologicamente conhecida como ElAmarna. Cf. 174-175. Ramsés II é quem fez a aliança de paz com os hititas. PAUSA EM 06/10/2008 ÀS 16:30H O contexto histórico que apoiaria a teoria é o seguinte: Os hicsos conquistam o Egito por volta de 1670 a. a última do reino novo. estendendo seu domínio até o Eufrates. À décima oitava dinastia pertencem ainda: Amenófis IV (1372-1354 a. seu filho. Idem. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito. Ascalon está deportada. pp. Idem. . que construiu nova capital. A capital volta a Tebas. também da décima oitava dinastia. Israel está aniquilado e não tem mais semente. Tehenu [=Líbia] está devastado. o faraó do êxodo Merneptah.).

A chegada pouco depois da divisão Ptah pôs o exército hitita em fuga. Echegaray. O Crescente Fértil e a Bíblia: “Em 1286 a.500 carros de combate. o exército hitita possuía 3. Então o exército hitita. que teve de se retirar às pressas e se refugiar na cidade de Cades. os egípcios da XVIII dinastia davam condições de defesa à Palestina. mas também não podia ser contado como uma derrota. Ramsés II desistiu de tomar a cidade. espetacular confrontação militar de Ramsés II com seu rival hitita Muwatalli. O exército egípcio compunha-se de quatro divisões que levavam nomes religiosos. atacou a divisão Rá que acabava de atravessar o arroio Sabtuna (hoje El-Mukadiyeh). que mandou gravar nas paredes dos templos de Tebas. o faraó.000 homens. ocupando na região de Canaã. que ainda não atravessara o Orontes. não chegou a intervir na contenda. G. A divisão foi desarticulada e posta em fuga. Pelo contrário. As populações locais (cananéias) tiveram que reforçar a defesa de suas cidades e abrigar em seu interior as populações mais atacadas pelos invasores. induzida por um deficiente serviço de ‘inteligência’ que garantia que as tropas hititas ainda estavam longe. Os hicsos invadem o Egito e a Palestina.C. Jericó e Siquém. Embora a divisão Amon se defendesse valentemente com seu rei à frente. A batalha na realidade fora um confronto entre as duas maiores potências do mundo. que foi objeto de ataque imediato. Suteh. À vista dos acontecimentos. saindo de um bosque. A primeira. Alguns se refugiaram no acampamento de Ramsés. retirou-se ordenadamente para a Palestina. a fez passar por um ressonante triunfo. chamada divisão de Amon.500 carros de combate”[15]. aproximavam-se escalonadamente as divisões Rá. mas só tinha 1. Atrás. uma espécie de "feudo" seu: interesses estratégicos. Bem. rodeou a cidade pelo sul e. ocultando-se. deixando quase inteiro o exército inimigo encerrado na fortaleza. não teria podido resistir se não fosse a intervenção inesperada de um corpo expedicionário de cavaleiros ‘amorreus’ procedentes da costa. aconteceu a célebre batalha de Cades. O exército egípcio era composto por cerca de 25. comerciais (produtos do Líbano e rotas caravaneiras) etc levaram o Egito a . Ptah e Suteh. na qual ia o faraó. como bases centrais. acampou ao norte da cidade de Cades. os hicsos introduziram na Palestina o uso do carro de combate. Não tinha sido uma verdadeira vitória. a uma grande distância. que vinham para se unir ao exército egípcio na qualidade de aliados. abandoando sua missão de pacificar o país. A última divisão egípcia. Para rechaçar os hicsos.Vale citar aqui um longo trecho de J. porém. modificando todas as táticas de guerra então em uso.

Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. seus governantes se acusam. . vazio de poder egípcio porque Ramsés II não conseguiu vencer os hititas e foi obrigado a fazer um acordo com este povo da Ásia Menor. senhores das cidades. escritas pelos governantes das cidades cananéias à corte egípcia de Amenófis III e de seu filho Amenófis IV (são 377 cartas escritas em acádico vulgar. da ajuda. Os hapiru revoltavam-se contra seus opressores cananeus e libertavam-se de seu controle. e ocupam as regiões montanhosas. as cidades cananéias diminuíam ou interrompiam o pagamento do tributo. nas cartas. que em Early Israel. Quando o controle egípcio era menor. o livro de Gottwald suscitou uma grande polêmica e polarizou as atenções dos especialistas durante muito tempo. Unidos pela esperança javista os recém-chegados juntam-se aos revoltosos. Nos conflitos entre as cidades cananéias. que estava submetido ao faraó egípcio. A espoliação se dava em dois níveis. Muitas críticas também foram formuladas a Gottwald. uma aliança tribal. As populações de baixa condição. com muitos cananeísmos. tinham perdido o controle. feita pelo inimigo. Mas a liberdade das cidades não era repassada para a população marginalizada! Assim é descrita a situação nas cartas de Tell el-Amarna. procuravam aumentar seus domínios a expensas de seus vizinhos e rivais etc. príncipes das cidades-estado cananéias. O modelo da retribalização ou da revolta camponesa passou a ser citado como uma alternativa bem mais interessante do que os modelos anteriores e fez surgir outras tentativas de explicação das origens de Israel. Constituem um "governo" tribal. aos hapiru: estes estariam conquistando cidades em Canaã e provocando revoltas[16]. onde os cananeus.estabelecer guarnições na Palestina e a cobrar tributo dos senhores. estava assim submetida ao príncipe cananeu. analisa longamente os fundamentos do modelo de Gottwald[17]. Realmente. confronto entre os marginalizados e as cidades. sendo a de maior consistência a do dinamarquês Niels Peter Lemche. formando com eles uma mesma identidade social. descobertas a partir de 1887). vivendo ao abrigo das cidades e de seus exércitos locais. Quando os israelitas do grupo de Moisés chegam a Canaã esta é a situação: confrontos generalizados entre as cidades.

2. Khirbert Raddana. Har Adir. Gottwald fundamenta suas teorias no estudo de Morton Fried. Horvart Harashim. pois estes parecem constituir um só povo. K. Sasa. As características distintivas da teoria de conflito. New York. mas faz um uso eclético de outras teorias e autores. . de uma maneira que dificilmente qualquer um deles aprovaria. Tel Beit Mirsim. Mas a birra principal de Lemche com estes autores e suas teorias é que. Como nos lembra R. as descobertas arqueológicas dos últimos anos encorajaram os pesquisadores na elaboração de novas maneiras de compreender as origens de Israel. Tel Qasileh. Horvat ‘Avot. As escavações de localidades tais como Ai. Tel Isdar. 1967. estão inteiramente ausentes do estudo de Gottwald: nele Israel surge como unidade harmoniosa e indiferenciada. O crescente consenso entre os arqueólogos é de que a distinção entre cananeus e israelitas no primeiro período do assentamento na terra é cada vez mais difícil de ser feito. Entretanto. para ver Gottwald neste contexto [durkheimiano] antes do que na tradição de conflito a que pertence Marx. Mayes: “Existem. D. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual Quanto a esta teoria. boas razões. que tem certamente raízes na teoria social de Durkheim. Nas palavras de A. Arad. Random. Tel Quiri. faz uma leitura do Israel pré-monárquico segundo a tradição durkheimiana. The Evolution of Political Society. de alguma maneira. um dos problemas do ecletismo de Gottwald é que embora se reporte às vezes a Marx. Shiloh. a partir da transformação de parte da sociedade cananéia. deixaram os arqueólogos impressionados com a continuidade existente entre as cidades cananéias das planícies e os povoados israelitas das colinas. Tel en-Nasbeh. Dan. segundo ele.4. antes que sua dimensão histórica diacrônica”[18]. Tel Masos. os arqueólogos começam a falar cada vez mais do processo de formação de Israel como um processo pacífico e gradual.Segundo Lemche. vale a pena olharmos alguns autores que procuraram avançar a partir e além de Mendenhall e Gottwald. que entende a sociedade dentro do quadro da interação de diversas classes ou grupos de status. os modelos derivados da corrente antropológica do "evolucionismo cultural" desconsideram a variável chamada Homem (enquanto indivíduo livre e imprevisível em suas ações) por não ser controlável. Beer-Sheba. Giloh. Gnuse. As diferenças entre os dois aparecem apenas mais tarde. A continuidade está presente sobretudo na cerâmica. porém. “A teoria sugere que. e enfatiza sua dimensão estrutural sincrônica. Bet Gala. Beth-Zur e Tel el-Fûl. nas construções e nas ferramentas[19]. nas técnicas agrícolas. H. Izbet Sarta. Gottwald adota enfoque funcionalista da sociedade israelita. Por isso.

2.C.1. que são: • • • • Retirada pacífica Nomadismo interno Transição ou transformação pacífica Amálgama pacífico. Os defensores deste ponto de vista argumentam com o declínio cultural ocorrido no Bronze Antigo. Gnuse prefere classificar as teorias em quatro categorias. os desastres comuns a que uma monocultura estava sujeita nestas regiões tão instáveis. na construção de casas e de terraços para a retenção da água da chuva. Entre 1200 e 900 a. Joseph Callaway foi um dos primeiros a observar nas escavações de Ai e Khirbet Raddana. Mas o processo de evolução pacífica de onde surgiu Israel é descrito de maneira diferente pelos especialistas. o número de povoados nas montanhas passou de 23 para 114.cananeus gradualmente tornaram-se israelitas. com a crescente tributação. R. especialmente em . estas pessoas desenvolveram um sistema de colaboração ao nível de clã e de famílias. Gösta Ahlström e Carol Meyers[21]. talvez. na perfuração de cisternas. Gnuse cita especialmente Joseph Callaway. Para Hopkins. o que lhes permitia uma integração de culturas agrícolas com a criação de animais. K. com a deterioração da vida urbana causada pelas campanhas militares egípcias. de modo que R. na fabricação de ferramentas. Retirada Pacífica Como defensores de uma retirada pacífica de grupos cananeus das planícies para as regiões montanhosas.).4. David Hopkins. em uma avaliação detalhada da agricultura na região montanhosa da Palestina na Idade do Ferro I (1200-900 a. que os habitantes destas pequenas localidades situadas nas montanhas usavam as mesmas técnicas dos cananeus na agricultura. evitando. no território de Efraim. Isto implica uma continuidade cultural com os cananeus das cidades situadas nos vales e sugere que as pessoas se deslocaram para Ai e Raddana para fugir de possíveis conflitos nos vales. acompanhando transformações políticas e sociais no começo da Idade do Bronze”[20]. K. com mudanças climáticas. deste modo. Frank Frick. David Hopkins. observou que o desenvolvimento social aconteceu junto com a intensificação do cultivo da terra. por sua vez.C. e. James Flanagan. o que sugere uma significativa retirada.

levando à intensificação da agricultura. onde eles se dedicaram à agricultura e ao pastoreio. e busca reler os textos bíblicos dentro desta lógica. entretanto. Esta nova sociedade teria então evoluído de uma 'sociedade segmentária' (época dos Juízes) para uma 'sociedade com chefia' (Saul) e. ao tipo nômade. Teria havido um declínio de até 80% da população dos vales. ECHEGARAY. Ahlström contesta a tese de Gottwald de uma 'retribalização' ocorrida nas montanhas. agora possível pela construção de cisternas e terraços e isto produziu. Israel. reflete esta lógica. trazendo com eles o culto a Iahweh.exigiu mais alimento. Hopkins valorizou mais o sistema cooperativo baseado no parentesco do que o uso de técnicas como terraços. para o 'Estado' (Davi). Os recursos tecnológicos menores. Carol Meyers defende que Israel surgiu nas montanhas após uma violenta praga que devastou os vales. Para Hopkins. O próprio nome do povo. não indicam a chegada de um grupo de pessoas vindas de fora da terra.recursos hídricos.Talvez um grupo tenha vindo de Edom e se juntado a estes camponeses. Nenhuma 'revolta' de camponeses pode ser documentada. e cidades podem ter sido queimadas para evitar contágio. . 'Israel'. O Crescente Fértil e a Bíblia. Nas montanhas.de 23 para 114 povoados . cisternas e o uso do ferro para explicar o sucesso destes assentamentos agrícolas. J. igualmente. G. pp. diferentes unidades clânicas e tribais israelitas devem ter surgido a partir de diferentes atividades agrícolas.. evidente na cultura material. no final. divindade cananéia. já que construído com o nome de El. Frank Frick acredita que os assentamentos israelitas surgiram após um colapso das cidades cananéias. foi quem desenvolveu mais amplamente este modelo de uma retirada pacífica em vários de seus escritos. finalmente. NEXT [15]. o crescimento populacional . segundo ele. James Flanagan também acredita que o Israel pré-davídico surgiu da movimentação de grupos sedentários que deixaram os vales para uma organização mais descentralizada nas montanhas e na Transjordânia. Gösta Ahlström. já que sua estrutura social de base familiar não corresponde. Ele trabalha a continuidade entre israelitas e cananeus. 90-91. mas sim a escassez de recursos da área dos assentamentos.

Decatur. O Mundo do Antigo Israel. ibidem. MEYERS. 1988. H. The Formation of the State in Ancient Israel. L. 1984. Textos do Antigo Oriente Médio. em CLEMENTS. K. p.4. H.. D. Jahrhundert v. cf. J. und 11. (org. AA. F. Perspectivas Sociológicas. J. Georgia.. Antropológicas e Políticas. também MARTIN. A History of Ancient Palestine.. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico. Die Entstehung Israels im 12. H.. Los Orígenes de Israel. em CLEMENTS. 1997. SICRE. pp. C. New York. R. 32-61. [18]. p. D. FLANAGAN.. Georgia.. [17]. E. No Other Gods. 55. Lanham.). (ed. A Survey of Models and Theories. Georgia. 104-121. VV. (org. estes especialistas defendem uma origem pastoril para os primeiros. N. Israel e Judá.. CALLAWAY. pp. 1996. Sheffield Academic Press. [19].). David’s Social Drama: a Hologram of Israel’s Early Iron Age. Israel como sociedade tribal. Chr. Paulus. 1985. A.[16]. P. em Estudios Biblicos 46 (1988). pp. 1988. São Paulo. LEMCHE. Emergent Monotheism in Israel. pp. Idem.. H.. O Mundo do Antigo Israel. Embora admitindo a continuidade entre israelitas e cananeus. Cf. E. GNUSE. L. [20]. Cf. Sheffield. R. The Highlands of Canaan. Paulus. de Geus.. Almond Press. AHLSTRÖM.. 97118. 1993. 1995. Volkmar Fritz e Israel Finkelstein[22]. J. [21].2. G. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. Decatur. FRICK.. Kohlhammer. 421-456 e FRITZ. pp. 33. Early Israel. 2. D. V. Minneapolis. I. 1985. Fortress Press. Madrid. . J.. Decatur. Almond Press. 1985. HOPKINS. K. Oxford University Press. The Answers Lie Below: Essays in Honor of Lawrence Edmund Toombs. Cf. R. J.). 1985. Cf. 28-31. Almond Press. Nomadismo Interno Defensores do nomadismo interno são C. E. Stuttgart. em THOMPSON. onde os vários modelos são descritos e analisados. MAYES. Sociologia e Antigo Testamento.. Discovering Eve: Ancient Israelite Women in Context. Village Subsistence at Ai and Raddana in Iron Age I. University Press of America. São Paulo. Brill. Leiden. cartas G. J.

a arquitetura diferenciada dos povoados israelitas nas montanhas mostra que eles não saíram simplesmente das cidades das planícies. Moab e Edom. Volkmar Fritz. antes de se sedentarizarem. uma 'simbiose cultural'. J. gente que vivia na Palestina. mas eram etnicamente diferentes e trouxeram consigo suas próprias estruturas sociais e sua cultura material. Drews. Transição ou Transformação Pacífica Entre os proponentes de uma transição ou transformação pacífica se destacam o já citado Niels Peter Lemche e mais: William Stiebing. H. Israel Finkelstein é o principal defensor da idéia do 'nomadismo interno'. porém. estes pastores se dedicaram também à agricultura para conseguir cereais e outros alimentos não mais oferecidos pelas cidades. Eles estavam na região há séculos e pertenciam à cultura amorita siro-palestina do Bronze Médio. vivendo nas áreas intermediárias entre as cidades e com elas interagindo. para o norte e para o sul da região. mas que estavam em contato comercial com as culturas das cidades da região. A casa israelita de quatro cômodos significa uma evolução da arquitetura cananéia e a sua familiaridade com a criação de animais domésticos e seus trabalhos em metal e cerâmica mostram que eles não eram verdadeiros nômades. Ou seja: eles estavam culturalmente próximos dos cananeus. R. Robert Coote & Keith Whitelam e Rainer Albertz[23]. que. Com o declínio destas. Para Fritz. entraram em contato simbiótico com as culturas citadinas. Talvez resumindo excessivamente seu matizado pensamento. Eles seriam os hapiru das cartas de Tell elAmarna. acredita que muito pouco pode ser dito das origens de Israel . por isso. Quando as cidades sofreram um colapso eles expandiram seu controle. ao escavar no norte do Negev.3. 2. eu diria que. na proximidade das cidades.4. um dos mais brilhantes 'minimalistas' da Escola de Copenhague. Niels Peter Lemche. propõe que os israelitas eram etnicamente unidos. Eles teriam se assentado em grande número na região montanhosa de Efraim e. vindos de fora. os israelitas eram 'nômades internos'. O aumento populacional posterior colocou-os em conflito com populações das planícies até que se chegou à unificação davídica. percebe que a cultura israelita viveu um longo período em contato com a cultura cananéia e deslocou um pouco sua perspectiva. Eles seriam os hapiru ou os shasu dos textos egípcios. antigo defensor das teorias de Mendenhall e Gottwald. de Geus. a partir dali. que eventualmente deram origem a Israel. antes defensor da idéia de infiltração pacífica de Albrecht Alt. experimentando. por toda a Idade do Bronze. como defendia Alt. mas que foram proto-israelitas. se espalhado. morando nas montanhas e usando categorias tribais.C. para Finkelstein.

C. no conturbado enfrentamento de grandes potências no século XIII a. a não ser a percepção de um processo gradual de aumento da população nas montanhas da Palestina. provocada pela perda das rendas do comércio internacional. Segundo esta explicação. Lemche expõe a sua visão no livro de 1998. em sua exigência de mais tributos e mais trabalho forçado. por que não creditar à política egípcia o processo de criação de assentamentos sem fortificações. Mas Lemche vê problemas nesta proposta. por outro lado. e a presença de elementos nômades nestes assentamentos deve ser considerada. coloca as mudanças climáticas ocorridas na região do Mediterrâneo entre 1250 e 1200 a. regionais e religiosos diferentes.C. como fator fundamental para explicar o declínio da cultura urbana da Grécia Micénica à Palestina. pois ela pressupõe um vazio de poder egípcio na região e a conseqüente decadência das cidades.C. questiona o uso da Bíblia Hebraica na reconstrução da História de Israel. o que hoje se sabe é que a ausência egípcia na região não coincide com o aparecimento dos povoados na região montanhosa da Palestina. William Stiebing. Daí. 74. levando os habitantes dos povoados a se agrupar em grupos de parentesco. p. Ancient Israel: A New History of Israelite Society pressupõe que o aumento dos assentamentos tenha sido uma conseqüência natural da deterioração das condições de vida das cidades da Palestina durante a última parte do Bronze Recente. The Israelites in History and Tradition. consolidando o poder do império na região? Pois. Na verdade. os sobreviventes da fome que se abateu sobre as cidades foram para as montanhas. e por outro. Então.C. motivadas por interesses econômicos. diferenças étnicas só apareceram com o passar do tempo. que o afastamento desta população.C. diz Lemche. possibilitaram o aumento desta população e à . até cerca de 1200 a. pode ter sido causado não pela ausência. o Egito transferia parte da população de cidades. Lemche. saindo das cidades. ao mesmo tempo que procura superá-la com uma nova proposta nas páginas 75-77. assim como outros minimalistas. já que esta é um produto pós-exílico. monarquia unida. não há época patriarcal.antes do século X a.. Mas esta proposta não inclui a participação dos nômades na formação desta nova sociedade. juízes. Diz Lemche que o modelo 'evolucionário' por ele defendido na obra de 1988. Afugentados pela seca. mas pelo aumento da pressão egípcia sobre as mesmas. para novas regiões e garantia os seus rendimentos na região. linhagens e. a fixação dos migrantes. políticos. Assim o Egito compensava as perdas do comércio internacional. Entretanto. no final do processo. por um lado. deste modo. em tribos. Condições climáticas mais favoráveis por volta do ano 1000 a. êxodo. possivelmente da época helenística.. agora improdutivas.

mas pelo crescimento populacional tornado possível pelas condições climáticas favoráveis à agricultura. agora mais igualitário. Robert Drews defende que os 'povos do mar' que invadem a região não eram simples migrantes. surgiu não pelo simples deslocamento de determinados grupos. Baruch Halpern foi um dos primeiros a descrever o processo de assentamento como uma complexa interação de diferentes grupos nas montanhas: poucos habitantes dos vales. Rainer Albertz faz uma espécie de síntese de várias escolas. um grupo vindo do Egito com a experiência do êxodo. William Dever. Processo que pode ser chamado de 'realinhamento' ou 'transformação'. segundo estes autores. pois nos períodos de prosperidade as regiões das montanhas providenciavam recursos para as cidades dos vales. Ele dá pouca importância aos fatores climáticos na explicação dos acontecimentos. Daí o massacre das cidades e o aumento populacional dos habitantes das montanhas. Israel. por considerar melhor os pressupostos teóricos do debate atual[24]. Gnuse. muitos habitantes da região montanhosa. grupos . Com o desenvolvimento destas regiões o comércio foi recuperado. não propondo uma teoria específica. 2. a idéia de um amálgama pacífico de diferentes grupos nas regiões montanhosas da Palestina para explicar as origens de Israel tem como defensores especialistas como Baruch Halpern. K. com mudanças. Amálgama Pacífico Finalmente. processo pelo qual o colapso do comércio internacional forçou os habitantes das cidades a se deslocarem para os povoados das montanhas e aí se desenvolverem. em seu comportamento ético.4. Thomas Thompson e Donald Redford.criação do Estado. No surgimento de Israel o colapso do comércio foi o fator mais significativo.4. Robert Coote & Keith Whitelam vêem as origens de Israel como parte de um processo de integração milenar entre as regiões das cidades e as regiões das montanhas. A opinião de R. Albertz fala de 'digressão'. Para tais comunidades o grupo do êxodo trouxe as idéias do deus Iahweh. promovendo mais tarde o aparecimento do Estado. que aqui se alinha. indo de Albright a Lemche. mas mercenários treinados e com armamento superior ao dos exércitos locais. levando a um aumento populacional significativo. pois colocou em crise a sobrevivência das cidades e exigiu dos povoados das montanhas uma forma mais eficaz de colaboração e cooperação para a sobrevivência. é de que este grupo de pesquisadores prevalecerá sobre os outros. enquanto que nos momentos das crises elas absorviam as populações que deixavam tais cidades. portanto. inclusive.

Thompson. Todos estes grupos foram reunidos pela necessidade de manter rotas de comércio abertas com a ausência do Egito na região. que se misturaram com gente que veio das planícies. Progressivamente controlaram também as planícies. Hoje ele vê o surgimento de Israel entre as populações que praticavam a agricultura na Palestina e rejeita a dicotomia cananeu/israelita. após a destruição de Lakish por Senaqueribe. William Dever já foi simpatizante do modelo da revolta de Gottwald. mas foi o Israel histórico que produziu o Israel bíblico. uns poucos nômades. defende que existe uma diferença entre os habitantes das planícies e os habitantes das montanhas. . Ele sugere que o núcleo da população nas montanhas era formado por pastores que se sedentarizaram. Para Dever Israel se formou de refugiados das cidades. Toda a 'estória bíblica' do império davídico-salomônico e dos reinos divididos de Israel e Judá é. para Thompson. mas. um dos mais polêmicos 'minimalistas' é ferrenho defensor de uma História da Palestina escrita somente a partir dos dados arqueológicos e crítico de qualquer história e arqueologia bíblicas. A unidade política de Israel só aparece na época das interferências assírias na região. no século VIII a. e no século VII a.. principalmente. egiptólogo. Halpern sublinha ainda que o Israel histórico não é o Israel da Bíblia Hebraica. A população das montanhas era formada por nativos da região. movendo-se os grupos entre as cidades das planícies e os povoados das montanhas segundo as estratégias de sobrevivência exigidas pelas mudanças climáticas. Por fim. como cidade cliente da Assíria..C.. para ele. Na região das montanhas eles progressivamente criaram uma identidade que os diferenciou dos cananeus das planícies. Thompson observa que a população da Palestina permaneceu inalterada durante milênios. Anatólia e do Egeu. O grupo do Egito trouxe Iahweh. cananeus saídos das cidades. Thomas L. também ali se assentaram. principal fator de transformação social e política da região. enquanto o grupo sírio. pastores de outras áreas e imigrantes da Síria. levando ao surgimento da monarquia. no que diz respeito a Samaria.C. pura ficção pós-exílica. quando Jerusalém. dando início ao futuro Israel. das propostas de Coote & Whitelam e do modelo de simbiose de Fritz.. dizendo que a distinção entre urbano e rural explica as diferenças.vindos da Síria. trouxe a circuncisão e a proibição da criação do porco e criou o nome 'Israel' no século XIII a. e trazendo consigo o culto a Iahweh. alguns revolucionários. Donald Redford. 'bandidos sociais' (social bandits). distinto dos cananeus. mas que pastores shasu vindos de Edom. que são funcionais e não étnicas.C. de agricultores despossuídos. torna-se líder da região sul.

Outros. já que o processo de instalação parece ter sido diferenciado conforme as regiões e as circunstâncias. os mais discutidos entre os especialistas. Existe algum acordo mínimo sobre a questão? O consenso dos especialistas tende a crescer na seguinte direção: 1. existe uma certeza: ainda surgirão muitos modelos explicativos para as origens de Israel e é possível que a solução definitiva esteja bem distante. Um modelo apenas explica tudo ou devemos recorrer a vários modelos? Parece que não se pode usar um só modelo para explicar a ocupação de todo o território de Canaã. b. de uma revolta de camponeses marginalizados que somam suas forças aos recém-chegados hebreus do êxodo foi o mais discutido até a década de 90. hoje. a análise minuciosa dos textos bíblicos (exceto para alguns 'minimalistas') e as ciências sociais. de uma evolução progressiva. ainda não conseguiram espaço nos manuais. Leituras Recomendadas . O elemento cananeu cresce em importância na explicação das origens de Israel. Parece provável que em cada região tenha havido um processo social específico que deve ser explicado. Qual é o modelo mais aceito na atualidade? O modelo da instalação pacífica (de ALT/NOTH) sempre foi muito considerado. d.. Quais recursos devem ser usados para se elaborar um modelo explicativo? Certamente a arqueologia. c. como o de LEMCHE.. A arqueologia é importantíssima para definir o modo como Israel ocupou a região da Palestina 2.Conclusão a. De qualquer modo. A contribuição da antropologia é cada vez maior para explicar estes mecanismos sociais antigos. O modelo de MENDENHALL/GOTTWALD. Os dados arqueológicos apóiam cada vez menos a versão da conquista tal como está no livro de Josué ou nas explicações dos norte-americanos 3. mas são.

The Bible Unearthed. 1986 [20042]. 1995. Identity and Ideology. 1993. A. . L. Westminster John Knox. São Paulo. ALT. V. Paulus. Emergent Monotheism in Israel.. Terra Prometida.. Die Entstehung Israels im 12. L. FRITZ. Jahrhundert v. No Other Gods. The Mythic Past. Stuttgart/Berlin/Köln. 421-456. GOTTWALD. (eds. pp. Madrid. 1998. J. ECHEGARAY. Israel e Judá. pp. E. 1996.). pp..VV. Kohlhammer. R. SICRE. 37-38. 19972. Petrópolis. E.. pp. Los Orígenes de Israel. 1996. 1997.. Kentucky. 1987. Louisville. The Israelites in History and Tradition. Sheffield Academic Press. Vozes. Antropológicas e Políticas. pp. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico. Sheffield. 83-105. L. K. Paulus. pp. FINKELSTEIN. The Free Press. Uma Sociologia da Religião de Israel Liberto 1250-1050 a. I. Paulus. R. Basic Books. CERESKO. CARTER. São Paulo. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. N. A. 101-225. P. N. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible. Introdução ao Antigo Testamento numa Perspectiva Libertadora. N. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. O Crescente Fértil e a Bíblia.. 1999. As Tribos de Iahweh. N. 19-110. pp.. 104-121.. Indiana. und 11. K. Paulus. & SILBERMAN. J. pp. & MEYERS.. Textos do Antigo Oriente Médio. A. THOMPSON. 1996. G. Sinodal. pp.. São Paulo. 1988. Introdução Socioliterária à Bíblia Hebraica. 99-119.. K. São Leopoldo. 251-276. C. R..). Chr. CLEMENTS. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. 202-229. GNUSE. São Paulo.C.. GOTTWALD. T. C. Community.AA. Winona Lake. Paulus. New York. em Estudios Bíblicos 46 (1988). 2001. São Paulo. Perspectivas Sociológicas.. pp. 23-61. LEMCHE. O Mundo do Antigo Israel. Eisenbrauns. New York. (org.

19942. A History of Israelite Religion in the Old Testament Period. J. REDFORD. Israel Exploration Society. 1998. 1988. The Free Press.. W. DE GEUS.NEXT [22]. The Tribes of Israel: an Investigation into Some of the Presuppositions of Martin Noth’s Amphictyony Hypothesis. Princeton University Press. N. DREWS. Jahrhunderts v. & WHITELAM. Seattle. Cf. The Bible Unearthed. COOTE.. Leiden.. C. HALPERN. Prometheus. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. 1996. Canaan and Israel in Ancient Times. THOMPSON. H. Jerusalem. R. Almond Press.. 1996. . V. Sheffield Academic Press. The Canaanites and Their Land: The Tradition of the Canaanites. Brill. K. I. 1985. Die Vorgeschichte Israels. [23]. 1992. 1999. Recent Archaeological Discoveries and Biblical Research. W. 1976. 1994. FRITZ.. 1989. Cf. Out of the Desert? Archaeology and the Conquest Narratives. Philadelphia. [24]. Die Entstehung Israels im 12. 1993. Georgia. Sttutgart. R. Decatur.. 1992. The End of the Bronze Age: Changes in Warfare and the Catastrophe ca. 1983. Leiden. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. 2001. Von den Anfängen bis zum Ausgang des 13. FINKELSTEIN. DEVER. I.. Kentucky. The Mythic Past... Kohlhammer. & SILBERMAN.. N. Early Israel: Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society Before the Monarchy. ALBERTZ. LEMCHE. Westminster John Knox. New York. Cf. Chr. FINKELSTEIN. R. 1987. Amsterdam. Princeton.Chr.C. The Emergence of Early Israel in Historical Perspective. A. Stuttgart. L. Westminster Press. Jahrhundert v.. Ancient Israel: A New History of Israelite Society.. Van Gorcum. Sheffield. [1988].. 1995. Kohlhammer.. CA. The Archaeology of the Israelite Settlement. 1991. 1200 B.. Buffalo. Scholar Press. und 11. The Israelites in History and Tradition. Sheffield.. P. B. Basic Books. STIEBING. Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources. Chico. Louisville. Egypt. T. D. University of Washington Press. Sheffield Academic Press. Princeton University Press. The Emergence of Israel in Canaan. Princeton. New York. 1990. Brill.. 2 vols.

metal que sabiam trabalhar bem e perigosos carros de combate.1. como última esperança. Ashdod. superior às tribos todas em poder. os israelitas derrotados. Davi e Salomão Até meados da década de 70 do século XX. Gat e Ekron. Os filisteus não ocuparam todo o país. a Arca da Aliança. Ascalon.8-15. 3.C. foi a escolha de um chefe único. colocado acima de todos os grupos israelitas autônomos. Silo. haviam ocupado uma fértil faixa costeira no sudoeste da Palestina. destruído.e saquearam os produtos de boa parte do país. Nem que fosse alguém com poder despótico. raras vozes no mundo acadêmico ousariam contestar a versão abaixo para descrever a origem e as características da monarquia israelita. foi capturada. em um dos mais brilhantes panfletos anti-monárquicos que se conhece na história. como acontecia nos reinos vizinhos e como demonstra o apólogo de Joatão em Jz 9. Usavam armas de ferro. proibiram o trabalho em metal em todo o território israelita o que equivalia a um desarmamento geral do povo e à sua dependência dos filisteus até mesmo para os trabalhos mais elementares da agricultura . Samuel tentou por todos os meios levantar e organizar o povo para uma luta de libertação. mas posicionaram-se em postos estratégicos. então. Ou porque viam em Israel uma ameaça às suas rotas comerciais ou por algum outro motivo. A saída. Os filisteus formaram uma confederação de cinco cidades: Gaza.C. Eis o texto: . com perigoso precedente de utilização deste poder contra parte da população. Aí por volta de 1050 a. cortando as comunicações entre os vários grupos israelitas. um dos "povos do mar" rechaçados pelo Egito. os filisteus atacam e vencem os israelitas perto de Afeq. De acordo com 1Sm 4. Ascensão e Queda de Saul Os filisteus. os filisteus avançaram com um exército organizado contra os agricultores israelitas. levada pelos sacerdotes de Silo para o campo de batalha. Os Governos de Saul. Isto aconteceu por volta de 1150 a. Em vão.3. na região norte. Além do mais. além de possuírem uma longa tradição militar.

a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então as árvores disseram à figueira: 'Vem tu. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Vem tu. Disseram à oliveira: 'Reina sobre nós!' A oliveira lhes respondeu: 'Renunciaria eu ao meu azeite. e reina sobre nós!' A videira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar meu vinho novo. que alegra os deuses e os homens. e reina sobre nós!' E o espinheiro respondeu às árvores: 'Se é de boa fé que me ungis para reinar sobre vós.16). um impetuoso benjaminita. e os nomeará chefes de mil e chefes de cinqüenta. Sobre a ascensão de Saul.1-10. e reina sobre nós!' A figueira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar minha doçura e o meu saboroso fruto."Um dia as árvores se puseram a caminho para ungir um rei que reinasse sobre elas. a líder do povo. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' As árvores disseram então à videira: 'Vem tu. e os fará lavrar a terra dele e ceifar a sua seara. que tanto honra aos deuses como aos homens. outra que se opõe e alerta contra o perigo do empreendimento (1Sm 8). "Este é o direito do rei que reinará sobre vós: Ele convocará os vossos filhos e os encarregará dos seus carros de guerra e dos seus cavalos e os fará correr à frente do seu carro. sairá fogo dos espinheiros e devorará os cedros do Líbano!'". vinde e abrigai-vos à minha sombra. fabricar as . há duas versões opostas que refletem duas tendências: uma que aclama e defende a idéia (1Sm 9. Se não.

Tomará os vossos campos. segundo o Deuteronomista. Saul e seu filho Jônatas conseguiram uma boa vitória sobre os filisteus reunidos em Gibea e Micmas (1Sm 13-14).11-18). alguns acham que se pode considerá-lo como herdeiro de uma tradição antimonárquica que se manifesta já na época de Saul. após a sua falência. podemos dizer que Saul não foi propriamente um rei. o que deu a Israel um alívio temporário. naquele dia. que destinará aos seus eunucos e aos seus oficiais. acabou rompendo com Saul. Entretanto. cozinheiras e padeiras. Os melhores dentre os vossos servos e as vossas servas. aclamado rei em Guilgal (1Sm 11.suas armas de guerra e as peças de seus carros. Exigirá o dízimo dos vossos rebanhos. Este discurso. um texto deuteronomista. Davi. a queda de Saul devia acontecer em breve. e vós mesmos vos tornareis seus escravos. Mas. As causas poderiam ser identificadas na ambigüidade de sua posição (rei ou chefe tribal?). Saul teria usurpado funções sacerdotais (1 Sm 13) e violado antigas leis da guerra santa que não favoreciam sua estratégia militar (1Sm 15). avaliando. porém. e os dará aos seus oficiais. na verdade. Das vossas culturas e e das vossas vinhas ele cobrará dízimo. Ele tomará as vossas filhas para perfumistas. Gibea. quando o jovem pastor de . mas Iahweh não vos responderá.14-15). na independência tribal. Samuel. os vossos bois e os vossos jumentos. Então. Mas. Continuou a viver em sua terra. Segundo as fontes bíblicas de que dispomos. o que de fato a monarquia representou em Israel. numa atuação carismática e espontânea. As coisas se agravaram. os vossos melhores olivais. seu escudeiro. De qualquer maneira. colocado na boca de Samuel. Depois disso ele foi. pouco foi. é. naquele dia!" (1Sm 8. as vossas vinhas. Era um chefe militar: mantinha um pequeno exército permanente e regular e seu governo oferecia alguns cargos: seu primo Abner era general de seu exército. na sempre constante ameaça dos filisteus e principalmente no desentendimento entre a antiga ordem tribal e as exigências da nova ordem. Saul conseguiu uma vitória sobre os amonitas que entusiasmou o povo e o convenceu de suas capacidades guerreiras (1Sm 11). ele os tomará para o seu serviço. reclamareis contra o rei que vós mesmos tiverdes escolhido. significativo representante da antiga ordem. e não tocou na estrutura interna da organização tribal. Se houve mais.

Davi e a Criação do Estado Para substituir Saul não ficara ninguém válido a não ser seu último filho Isbaal. Davi. Os filisteus atacaram repetidamente e foram totalmente derrotados: tiveram que reconhecer a supremacia de Israel e tornaram-se seus vassalos. escolhendo posição favorável. A queda de Saul acontece quando os filisteus partiram mais uma vez de Afeq e. Não se agüentando. realmente. Ele não se fez de rogado.1-4). dos vários grupos israelitas. amigo de Jônatas e marido de Mical. dois anos mais tarde. Enquanto isso. 3. Davi é também aclamado rei da região norte do território por todo o povo (2Sm 5. Foi só uma pretensão. como exemplo para os israelitas. agora estabelecida em Nob. Saul liderou os israelitas de 1030 a 1010 a. cidade jebuséia situada no sul. muito ferido. Saul assassinou a família sacerdotal de Silo. no Negueb. mas Saul não voltou atrás. Isbaal é assassinado e. Resultado: seus três filhos morreram em combate e ele mesmo. tornou-se seu rival. Com efeito. porém. A batalha estava perdida antes mesmo de começar. Assim. Competia agora a Davi vencer os filisteus e acabar de vez com suas ameaças. filhos de Saul.1-5). porque esta defendera Davi (1Sm 22) e a partir daí perseguiu Davi implacavelmente.2.C. e faz dela a sua cidade. Então. nesta posição. Este o acolhe e lhe dá como feudo a cidade de Siclaq. ele conquista Jerusalém. com o consentimento dos filisteus e o apoio da população do sul. Isto teria acontecido por volta de 1010 a. Abner refugiou-se com ele em Mahanaim. na Transjordânia. Davi dirigiu-se com seus homens para Hebron e. entraram em choque com o exército de Saul a noroeste do monte Gelboé. ainda que frágil. .Belém. e de lá pretendeu que fosse dada continuidade ao governo de Saul através do fraco Isbaal. Davi consegue uma união. Os filisteus cortaram-lhe a cabeça e fixaram seu corpo e os de seus filhos nos muros de Bet-Shan.C. através de hábeis manobras políticas. ocuparam toda a terra. tornou-se o líder de Judá (2Sm 2. Segundo as fontes bíblicas. Em seguida. "se lançou sobre a sua espada" e seu exército foi totalmente desfeito (1Sm 31). Davi refugiou-se no deserto e formou um bando de guerreiros que fugiam de Saul e atacavam os filisteus. Davi e sua tropa oferecem seus serviços ao rei filisteu de Gat.

o recenseamento (com fins fiscais e militares) que ele mandou fazer gerou conflitos e críticas (2Sm 24) e a luta de seus filhos pela sucessão enfraqueceu muito seu prestígio.C. nomeou os chefes dos sacerdotes e fez tudo o que pôde para o culto. eram sacerdotes. uma corte imensa e dispendiosa. até o Eufrates. era o arauto. instituiu-se a corvéia . Moab. mantendo uma administração baseada no respeito às instituições tribais e alguns funcionários. filho de Joiada. comandava o exército. Apesar de tudo isto. Banaías. Davi levou para Jerusalém a Arca da Aliança. Assim. de maneira austera e modesta. Os filhos de Davi eram sacerdotes" (2Sm 8. Mandou matar seu irmão Adonias. procurando assim manter o consenso da população ao redor da nova instituição. Davi governara 39 anos. Salomão substituiu-o no poder em 971 a. Salomão eliminou drasticamente seus inimigos. filho de Ailud. "Davi reinou sobre todo o Israel.e de mercenários estrangeiros.estrangeiros obrigados a trabalhar grátis nos projetos do Estado – e Davi não interferiu na administração da justiça tribal.Segundo o texto bíblico. filhos de Aquimelec. filho de Aquitob. os arameus etc.seus homens de confiança desde os tempos da clandestinidade . pagavam-lhe tributos. de sua guarda pessoal . logo que se viu garantido no poder. Joab. Davi enfrentou tensões surgidas entre a antiga e a nova ordem: por exemplo. também o general Joab e desterrou o sacerdote chefe Abiatar. na verdade. como os cereteus e feleteus. 1Rs 4. Sadoc e Abiatar. 3.15-18). segundo o texto bíblico. segundo o texto bíblico. comandava os cereteus e os feleteus. um grande reino: submeteu Amon. Todos os reis da região. Edom. Josafá. filho de Sárvia.3. exercendo o direito e fazendo justiça a todo o povo. Davi construiu.2223 conta de seus gastos: um absurdo em cereais e carne: . Seu exército compunha-se de israelitas convocados das várias tribos. Criou. Os países dominados pagavam tributo. Saraías era secretário. E o Estado sob Davi funciona. Salomão e a Consolidação do Estado Salomão não era o herdeiro natural de Davi e sua posse foi recheada de intrigas e inimizades.

a população que aumentava consideravelmente em número.. antílopes. desrespeitando a divisão tribal e nomeando prefeitos estranhos às populações locais. Com base nesta notícia. diz C. em geral. Construiu uma frota mercante que comerciava até com Ofir (atual Somália) e com todos os portos do Mar Vermelho. Salomão sabia fazer se respeitar no armamento e na organização militar.500 pessoas. Seu exército era poderoso na época e seus carros de combate temíveis. vinte bois de pasto. Apesar de algumas revoltas nos reinos vassalos e de um possível enfraquecimento de poder. no lugar onde fosse preciso. DREHER[1]. como."Salomão recebia diariamente para seu gasto trinta coros de flor de farinha [1 coro = 450 litros] e sessenta de farinha comum. Exportava cobre e outros metais. cucos cevados". gazelas. conseguiu. E tem mais: cada província cuidava da manutenção da corte durante um mês (1Rs 4.000 a 4. poder-se-ia imaginar que a corte de Salomão se tenha composto de 3. por exemplo. Mas sua habilidade revelou-se totalmente foi no comércio e na indústria. Quanto à administração.28. Seus navios eram construídos e tripulados pelos fenícios. . Salomão. "Conforme Ne 5. fornecendo "a cevada e a palha para os cavalos e os animais de tração. manter o país nos limites estabelecidos por seu pai Davi. enquanto outra parte fazia a rota do Mediterrâneo até a Espanha. Estes carros foram uma inovação de Salomão. através de suas agências de compra e venda. a divisão do norte em 12 províncias.. além de veados. construções de grandes obras públicas por toda a parte.17s. Davi só usava a infantaria. mestres na arte da navegação. 150 homens eram alimentados por Neemias diariamente com 1 boi e 6 ovelhas. Salomão dominou igualmente o comércio da Arábia. e cada qual segundo o seu turno". Salomão introduziu novidades enormes. Se acrescentarmos ao consumo ainda a farinha. Embora não fosse um guerreiro. diz 1Rs 4. o número será bem maior". A. A população pagava por este exército. com o controle das caravanas: o comércio de cavalos da Cilícia e do Egito.119). uma vez que consumia 20 a 30 vezes mais carne que o grupo de Neemias. dez bois cevados. sempre segundo o texto bíblico. cem carneiros. Toda esta atividade comercial gerou uma expansão interna muito grande no país: cidades que se fortaleciam. mais algumas aves.

servindo ao mesmo tempo como santuário nacional e como capela real.20-22).. a mão-de-obra grátis em Israel (segundo 1Rs 9. durante 40 anos. sobre os motivos porque Salomão construiu o Templo: "Que fazer. Informações sobre o Templo de Jerusalém? A atual polêmica com os Palestinos? Confira aqui! A construção do Templo em Jerusalém. veremos sobre quais bases foi construído. embora haja notícias controvertidas na obra deuteronomista. Muito interessante é a observação de C. A construção do templo. Salomão governou a região de 971 a 931 a. precisava de muito dinheiro para funcionar com eficiência e assim por diante. Usou também. O Estado classista estava em pleno funcionamento. mas segundo 1Rs 5.) Um motivo religioso lhe será bem mais útil.28 também os israelitas foram submetidos ao trabalho forçado para o Estado). DREHER.Porém. lhe dará cobertura ideológica para garantir seu Estado e seu direito ao tributo"[2]. a casa de Javé. A burocracia estatal requeria um número respeitável de funcionários. Sobre a exploração de uma boa parte da população. num tempo de paz. Mas isso tem lá seus riscos na época de uma monarquia incipiente (. O exército.22 os israelitas não foram submetidos à corvéia. Resultado: Salomão colocou pesados impostos sobre a população israelita. recrutado entre o povo. Vejamos. NEXT . cuja arca já se encontra em Jerusalém. A. se olharmos menos ingenuamente este florescimento todo. transferia para o Estado todo o poder religioso.11. não mais respeitando as tribos. para continuar a garantir o direito ao tributo? Pode-se recorrer às armas e impor um governo através da força policial.. Com o correr do tempo. forçou seus vassalos estrangeiros e a população cananéia à corvéia (trabalho grátis para o Estado) e usou o trabalho escravo em grande escala nas suas minas e fundições no sul do país (1Rs 9.C. as diferenças de classe e as contradições internas foram se aprofundando até levar à divisão do território. As obras públicas requeriam dinheiro para sua concretização.27. altos cargos distribuídos a gente nascida na corte e que se julgava superior a todos os demais..

Petrópolis. em Estudos Bíblicos n. E. Thompson (1974). não tendo Israel e Judá jamais sido unidos? Existiu um Império davídico/salomônico ou só um pequeno reino sem maior importância? Se por acaso não existiu um grande reino davídico/salomônico. 51.. DREHER. Seu Uso .. p. especialmente. garantia o J salomônico: um círculo fechado. o edifício inteiro desabou. em que um texto bíblico amparava o outro. onde mais podemos buscar respostas? 3. A Ruptura do Consenso Entretanto. o consenso foi rompido. A. era explicada pela Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr). questões que pareciam definitivamente resolvidas.5. os estudos na linha de Gerhard Von Rad. composto pelas tribos de Israel e Judá. E então. A. foram de novo colocadas: O que teria sido o primeiro 'Estado Israelita'? Um reino unido.? Além da Bíblia Hebraica. assim. o que teria acontecido na região central da Palestina nos séculos X e IX a. sendo dividido em reinos do 'norte' e do 'sul'? Ou seria tudo isto mera ficção. por sua vez. Esta historicidade. quando o J começou a ser deslocado para outra época pelos autores acima citados. Vozes. 56. As Fontes: Seu Peso. até mesmo porque muitas das dúvidas hoje existentes sobre o Pentateuco dependem da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião[3]. Pois isto que acabo de descrever nada mais é do que uma paráfrase racionalista do texto bíblico. John Van Seters (1975). [2]. por que a Bíblia Hebraica o descreve? Enfim. p.[1].4. Hans Heinrich Schmid (1976) e Rolf Rendtorff (1977). caracterizada até como "iluminismo salomônico". curiosamente. E daí se estendeu à História de Israel. 11. 3. DREHER. hoje não mais aceita por todos. dominando todo o território da Palestina e. datação e significado das narrativas do Pentateuco.C. sustentavam a historicidade da época. C. ao colocarem o Javista (J) no reinado de Davi e Salomão. O trabalhador e o trabalho sob o reino de Salomão. vicioso. ibidem. 1986. Martin Noth e muitos outros. posteriormente. a crise começou com as reavaliações da origem. Ora. penso hoje que o chamado ‘consenso wellhausiano’ sobre o Pentateuco e. C. que. Assim. especialmente os estudos feitos por Thomas L.

além de suscitar muitos outros problemas. como denunciou o estudioso britânico Philip R. Isto significa excluir a literatura bíblica" [sublinhado meu]. com o resto da estória bíblica. a partir deste ponto. "embora sabendo que a estória de Israel do Gênesis a Juízes não deve ser tratada como história. como demonstram os estudos sobre o Pentateuco. 26. de Saul ou Davi em diante. mais para o final do livro. E. 51. tornada objeto de investigação histórica. conclui Philip R. a escravidão no Egito. E pergunta: "Pode alguém realmente deixar de lado a primeira parte da história literária de Israel. Davies. estas questões precisam ser recolocadas. na pressuposição de que. Davies na p. o Israel bíblico é para nós um problema. o obviamente literário tornou-se o obviamente histórico". Considerada mais polêmica ainda do que a de Philip R.Claro.. a narrativa bíblica. A Bíblia. de fato. Este construto erudito. 154. a literatura bíblica foi composta a partir da época persa. como uma criação literária e histórica é um conceito asmoneu[4]. cujo programa é fazer uma história do Levante Sul sem contar com os míticos textos bíblicos e considerando todos os outros povos da região. resultante da tomada de uma construção literária. que o Estado Asmoneu (ou Macabeu) é que viabilizou. que pressupõe a família patriarcal. sugerindo Philip R. Davies é a postura do norte-americano Thomas L. pois a maioria dos estudiosos. diz Philip R. é contraditório. Ele concluiu. não obstante. a conquista da terra que lhe é dada por Deus e assim por diante.. Para Philip R. a transformação do Israel literário em um Israel histórico. por ser este o momento em que os reissacerdotes levaram o país o mais próximo possível do ideal presente nas leis bíblicas. Thompson. Davies. é hoje uma incógnita. Davies na p.) Nós temos que extrair nossa definição do povo da Palestina de suas próprias relíquias. "Nós não podemos transferir automaticamente nenhuma das características do ‘Israel’ bíblico para as páginas da história da Palestina (. Thompson é contra . em seu estudo de 1992. não um dado sobre o qual se apoiar sem mais. que o ‘antigo Israel’ é um construto erudito. Thomas L.). até mesmo porque o ‘antigo Israel’. reter a segunda parte e ainda tratá-la como uma entidade histórica?" Para ele uma história de Israel que começa neste ponto deveria ser uma entidade bem diferente do Israel literário. não podemos identificar automaticamente a população da Palestina na Idade do Ferro (a partir de 1200 a. algo que parecíamos conhecer muito bem. garante o autor na p. prossegue. pois este constitui apenas uma parte desta região. Davies. com o ‘Israel’ bíblico. e de certo modo também a do período persa.C. não só Israel. Para o autor.

qualquer arqueologia e história bíblicas! Para ele. Em uma das reuniões do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica. Diz o britânico Lester L. Somente o diálogo entre as posições 2 e 3 podem levar a um resultado positivo. Aliás. assumir a impossibilidade de se fazer uma ‘História de Israel’. Na conclusão do livro onde foram publicados os debates deste encontro há uma boa amostragem do problema do uso das fontes. tem sido alvo de muitos debates e grandes controvérsias. debatendo o assunto. neste ponto. ignorar o texto bíblico como um todo e escrever uma história fundamentada apenas nos dados arqueológicos e outras evidências primárias: esta é a postura verdadeiramente ‘minimalista’. Praticamente todos os membros do seminário ficaram nesta posição 3 ou. Grabbe. Grabbe. mas fazendo uso do texto bíblico como fonte secundária usada com cautela. aceitar a narrativa bíblica sempre. se quisermos saber algo sobre a monarquia. talvez. o uso do texto bíblico como fonte válida para a escrita da História de Israel. enquanto outros defenderam que o texto bíblico usado cuidadosa e criticamente é um elemento válido para um empreendimento deste tipo. Parece-me. coordenador do grupo. que parece haver quatro possíveis atitudes a respeito da questão: 1. e ninguém neste grupo a defendeu. por exemplo. dar prioridade aos dados primários. mas o problema é que sem o texto bíblico muitas interpretações dos dados tornam-se extremamente difíceis. que já ficou claro para o leitor a importância do exame das fontes primárias. entre a 2 e a 3. 4. 2. alguns dos participantes acabaram classificando qualquer História de Israel como fictícia. E não há como fugir da questão. pelo menos enquanto muitas ‘Histórias de Israel’ continuarem a ser nada mais do que uma paráfrase racionalista da narrativa bíblica. 3. . O fato é que as posturas 1 e 4 são inconciliáveis e estão fora das possibilidades de uma ‘História de Israel’ mais crítica: isto porque a 1 rejeita a possibilidade concreta da história e a 4 trata o texto bíblico com peso diferente das outras fontes históricas. exceto quando ela se mostra como absolutamente falseada: esta é a postura caracterizada como ‘maximalista’. concluiu Lester L. o pior erro metodológico no uso das fontes é harmonizar a arqueologia com as narrativas bíblicas.

tais como a Estela de Merneptah. Assaradon. Cerca . o Obelisco Negro de Salmanasar III. por exemplo. menor valor devemos atribuir aos textos da Bíblia Hebraica[5]. podendo ser classificadas. 3. a Inscrição de Tel Dan. Fontes Terciárias: livros da Bíblia Hebraica que retomam fontes secundárias. sempre sujeita a um processo contínuo de mudança. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah Um exemplo de fonte primária muito interessante é a Estela de Tel Dan. todas mais ou menos contemporâneas aos eventos que relatam. os Óstraca de Arad. da agricultura. Fontes primárias: fontes escritas provenientes da Palestina. da organização social e da economia de uma região e de sua população. do clima. em Some Aspects of Working with the Textual Sources [Alguns Aspectos do Trabalho com as Fontes Escritas]. dos assentamentos humanos. Assurbanipal. a Carta Yavneh Yam. as fontes sobre a monarquia israelita são de quatro tipos diferentes. os Óstraca de Samaria.. foi descoberto um fragmento de uma estela de basalto de 32 por 22 cm. especialmente o Pentateuco e a Obra Histórica Deuteronomista. até mesmo porque quanto mais evidência primária tivermos com o avanço da pesquisa. e do Egito o Faraó Sheshonq. Naveh em novembro de 1993. publicada por A. ao fazer tal distinção. fontes primárias. norte de Israel. os testemunhos de reis assírios e babilônicos como Adad-nirari III. Senaquerib. em escavação sob a direção do arqueólogo israelense Avraham Biran. repassa os problemas metodológicos relativos ao uso de cada uma destas fontes. Sargão II. O alemão Herbert Niehr. os Anais de Salmanasar III.. TiglatPileser III. Antropologia histórica: considera os dados provenientes de estudos da geografia. a Inscrição de Siloé. Biran e J. Nabucodonosor. o Calendário de Gezer. argumentando que as tentativas para superar as diferenças existentes entre elas devem ser feitas cuidadosamente e concluindo que podemos fazer apenas tentativas de escrever uma História de Israel. fontes secundárias e fontes terciárias.Aliás. portanto. com uma inscrição em aramaico. em julho de 1993. em quatro níveis: antropologia histórica. escritos muito tempo depois dos fatos e com objetivos mais teológicos do que históricos. Fontes Secundárias: a Bíblia Hebraica.6. evidência arqueológica da Palestina e fontes escritas fora da Palestina. os Selos lemelek de Judá. como os livros das Crônicas que retomam a OHDtr. as Cartas de Lakish. a Estela de Mesha. Na localidade de Tel Dan.

a menção de Israel como reino. sendo um deles. no caso. com enfoque diferente. a Estela de Merneptah. lendo-se dwd não como "David". estão nos fragmentos menores. há o seguinte: Os príncipes estão prostrados dizendo: Paz. Contudo. contestações a tal leitura continuam a ser feitas. Imediatamente nos faz lembrar de outra famosa inscrição. se bytdwd está no fragmento maior. Ainda: os fragmentos menores são seguramente parte de uma mesma pedra. mas é incerto se eles pertencem à mesma estela da qual o maior faz parte. mas em um ponto diferente do primeiro. a inscrição foi aparentemente escrita pelo rei Hazael de Damasco. Giovanni Garbini ou nas conclusões de Niels Peter Lemche. como casa do amado. também. Mas o que causou grande rebuliço foi um termo encontrado no fragmento maior: bytdwd. como se pode ver em artigo do professor de Estudos Semíticos da Universidade La Sapienza.C. Daí. Lá no final da inscrição. ou. Qual é o problema? É que. Dinamarca[6].). de Roma. ou 1213-1203 a. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. E a leitura "casa de Davi" seria induzida por esta segunda informação. e foi encontrada em 1896 por Flinders Petrie no templo mortuário do faraó em Tebas. Porém.7-10. Esta estela comemora os feitos do Faraó Merneptah (1224-1214 a. (estes episódios. Iahweh. Tehenu . um epíteto para a divindade.36). são narrados em 2Rs 8. do qual só temos (ou tínhamos) informações na Bíblia Hebraica. os nomes dos dois reis. segundo outra cronologia)..C. é interessante..C.C. quinto ano do governo de Merneptah. Aparentemente. Jorão (de Israel) e Ocozias (de Judá) e de ter instalado Jeú no trono de Israel. a tradução mais provável seria casa de Davi. Pode ser datada por volta de 1220 a. do Instituto de Exegese Bíblica da Universidade de Copenhague. e celebra sua vitória sobre líbios que ameaçavam o Egito. na qual ele se vangloria de ter assassinado dois reis israelitas. (ou 1208 a. filho e sucessor de Ramsés II. a grande novidade: seria esta a primeira menção extrabíblica da dinastia davídica e até mesmo da existência do rei Davi. o que teria ocorrido por volta de 841 a.de 12 meses mais tarde. dois outros fragmentos menores foram descobertos na mesma localidade. avaliando serem partes da mesma estela e produzindo um texto coerente. segundo a Bíblia. no norte da Palestina. pois outras traduções são possíveis. Os arqueólogos agruparam os três fragmentos. Datada no século IX a.C. mas como dôd. davídico. bytdwd poderia ser o nome de uma localidade. A polêmica não está encerrada. Ocozias.C.

uma referência geográfica. em 1981. 38-43. . Israel está aniquilado e não tem mais semente. por exemplo. 2001. Ou uma versão mais resumida em Estudos Bíblicos n.). Cf. 156-165. Só que alguns acham que é um grupo étnico bem definido. R. tanto pode ser aos suprimentos agrícolas quanto à descendência! Mas quando e como surgiu Israel como Estado na região? NEXT [3]. Ascalon está deportada. Canaã está privada de toda a sua maldade. 19952. Petrópolis.. Cf. Sheffield. Ah. e é claro: a referência da estela à “semente” de Israel. L.e William G. e assim por diante. enquanto outros pensam que seja um grupo nômade das montanhas da Palestina. convido o leitor a ler o artigo A História de Israel no Debate Atual. Yanoam está como se não existisse mais. 71. tentando desligar este “Israel” da referência bíblica. The Israelites in History and Tradition. 1998. Sobre a ruptura do consenso e as várias etapas da pesquisa. pp. Dever vê aqui um ‘proto-Israel”. viu a inscrição como seguro testemunho de que Israel já estava na Palestina nesta época . [6]. Westminster John Knox. Can a ‘History of Israel’ Be Written? pp. Mas a identificação de quem ou o que é este “Israel” não é nada simples e tem gerado muitas controvérsias. seja qual for a natureza deste “Israel”. o Hatti está em paz. Gazer foi tomada. Esta é a primeira menção de Israel em documentos extrabíblicos que conhecemos. John Bright. [5]. traduziram o termo egípcio por Jezrael. (ed. DAVIES. Sheffield Academic Press [1992].. de Niels Peter Lemche. dizendo que este Israel pode ser pré-mosaico e não o grupo do êxodo . o texto de Herbert Niehr em GRABBE. Mas a maioria lê mesmo o termo “Israel” na estela. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito. Para Niels Peter Lemche.[=Líbia] está devastado. 6274. pp. Cf. Vozes. [4]. a estela de Merneptah atesta a presença desta entidade nas colinas do norte da Palestina e isto pode ter relação com o posterior surgimento do reino de Israel nesta região[7]. enquanto outros. L. In Search of ‘Ancient Israel’.embora tenha acrescentado uma nota na terceira edição do livro. o importante é que.. Kentucky. Louisville. P.

1992. G. a questão da origem dos antigos Estados Israelitas passa pela discussão da noção de Estado como forma de organização política. 145-146. N. Seguindo especialmente Henri Claessen. as guerras e as ameaças de guerras. tais como o crescimento da população e suas necessidades. além da influência dos Estados vizinhos já existentes. P. O processo de desenvolvimento de uma fase para outra passa pelo enfraquecimento dos laços de parentesco e o fortalecimento das ações políticas centralizadas. LEMCHE. de um Império davídico/salomônico e que traz dez conferências de renomados especialistas apresentadas em um Colóquio Internacional realizado em Jerusalém sobre A Formação de um Estado. (ed. 35-38. 1997. a alemã Christa Schäfer-Lichtenberger sugere que somente a arqueologia não resolverá esta discussão. D. as conquistas e invasões. Arqueológicos e Sociológicos no Período da Monarquia Unida em Israel. The Israelites in History and Tradition. o estado primitivo típico e o estado primitivo de transição. em FREEDMAN. N. no qual é apresentada a recente controvérsia sobre a existência ou não de uma monarquia unida em Israel e. pp. Cf. No volume de 1996. Max Weber e Henri Claessen.7. BRIGHT. Archaeology and the Israelite “Conquest”. a cobrança de tributos. pela transformação da posse comum da terra em propriedade privada dos .. Claessen e outros estabeleceram que para se explicar a origem de um Estado é preciso considerar a emergência de vários fatores. Ela questiona a aplicação pura e simples do conceito moderno de “Estado” às formas de organização política das comunidades antigas como forma de se desvelar sua existência e parte para uma discussão teórica na qual tentará definir a noção de Estado a partir dos estudos etnosociológicos de Georg Jellinek. DEVER.. o desenvolvimento da produção e o aparecimento do excedente. Doubleday & Logos Library System. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas. o surgimento de uma ideologia comum e conceitos de legitimação dos governantes.[7]. pp. J. História de Israel. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? Sem dúvida.. Problemas Históricos.). Christa vai distinguir três fases de desenvolvimento do Estado primitivo: o estado primitivo incoativo. editado por Volkmar Fritz & Philip R.. especialmente. W. 3. New York. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM.

ele já é um estado de transição. para a autora. Egito e Assíria não conseguiram hegemonia política sobre esta região nesta época. independência política e ideologia. estratificação. pelos critérios de governo centralizado. como se explica a ausência de documentos escritos extrabíblicos sobre um reino unido? Christa diz que a ausência de documentos escritos no Antigo Oriente Médio sobre Israel na Idade do Ferro I (ca. território. ideologia comum e conceitos de legitimação . e. é ainda um estado incoativo. E mesmo que inscrições em monumentos tenham existido. pois Estados com estruturas pequenas ou médias não podem ser medidos pelos mesmos critérios de grandes impérios. E. pois este último. por isso.C. estratificação social e produção de excedente. onde tais achados arqueológicos são comuns. mas pelos critérios de população. embora já possua algumas características de estado primitivo típico.meios de produção e pela substituição de uma economia de trocas de bens e serviços em uma economia de mercado. produção de excedente e tributos. independência política. 1200-900 a. onde dificilmente teriam sobrevivido . até o desenvolvimento de especializações por parte de oficiais estatais. considerando sete critérios usados tanto por Weber como por Claessen. governo centralizado. – população. Em seguida. o estabelecimento da taxação regular e constante. cada uma independente da outra: a) Não existiu uma entidade política de nome Israel nesta época b) Síria/Palestina. elas estariam em Jerusalém. fortalecendo o antagonismo de classes. segundo a autora. território.e usando os dados do Deuteronomista. Christa vai classificar o reino de Saul como um estado incoativo e o reino de Davi como um estado heterogêneo. nada registraram c) Os textos não sobreviveram porque foram registrados em papiros d) Os escritos ainda não foram encontrados. Christa trata também da ausência de monumentos e inscrições em monumentos nesta época na região e justifica tal ausência dizendo que não se deve colocar Judá-Israel no mesmo nível do Egito ou da Assíria.) pode ter quatro causas. Christa é de opinião que as causas b e d oferecem uma explicação suficiente para o silêncio do Antigo Oriente Médio. a codificação de leis e a constituição de estruturas jurídicas controladas pelo poder central.

porque mais comuns naquele continente) que a sociedade tribal de tipo patriarcal já representa uma forma típica de transição da comunidade primitiva para a sociedade de classes. mas que passa a ser uma exploração. pois a propriedade coletiva da terra. . Da economia tribo-patriarcal passa-se à economia do Estado tributário. na sociedade tributária o comércio é possível só a partir da acumulação do excedente feita pelo Estado. deixaria Thomas L. trabalhos de irrigação. Thompson desconfiado e Niels Peter Lemche contrariado! Para ficar ainda no campo da discussão teórica. As contradições da sociedade tribal aumentam progressivamente até provocarem o aparecimento do Estado. É um embrião de divisão de classes. Neste tipo de sociedade a escravidão só existe de maneira secundária: o peso da produção não cai sobre os escravos. anterior ao Estado. Aliás. das tribos líderes sobre as outras tribos etc. do primogênito sobre seus irmãos. torna-os desnecessários. O estudo é interessante quando questiona algumas posturas pouco elaboradas teoricamente de certos especialistas. através da necessidade de obras conjuntas (defesa contra inimigos. de grande obras etc). passa-se a uma economia tribo-patriarcal baseada em certa hierarquização que permite a acumulação para determinadas camadas: há os privilégios dos homens sobre as mulheres. mas o restante deixa uma sensação de “dèjá vu”! As categorias sócio-antropológicas da autora sobre o Estado me parecem insuficientes – especialmente quando confrontadas com as várias tentativas marxistas na área – e ela não escapa de uma leitura do Deuteronomista como sua fonte principal. No mínimo. construção de muralhas. Da economia de auto-subsistência. A mãode-obra é familiar. que inicialmente é uma função (de defesa. dizem especialistas de tendência marxista que analisam as sociedades de tipo tributário (também chamadas "asiáticas". Tem-se a impressão de que a leitura da OHDtr é que oferece as categorias etnosociológicas para a análise e não o contrário. como Davi e seus descendentes) e que passa a controlar também o comércio intertribal. que continua como na época tribal. por exemplo) e da dominação de uma linhagem superior que se impõe sobre as outras (família do líder. detectável em Israel já no período conhecido biblicamente como "dos juízes".às reformas religiosas de reis como Josias – por conterem nomes de outras divindades além de Iahweh – ou às maciças destruições militares de que a cidade foi vítima[8]. através do desenvolvimento das forças produtivas.

A terra pertence a Iahweh em Israel. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman Lester G. O indivíduo passa assim. ele não é a sua causa. o Estado tributário que inicialmente nascera com funções públicas (defesa. pouco a pouco. por duas mediações: da comunidade tribal a que pertence e do Estado tributário[9]. ninguém negou a existência de um ‘reino de Israel’. do qual já falamos acima. Se ela não evolui. e a outra é a de que ‘Israel’ deve canalizar e dominar o estudo da região na antigüidade. Grabbe nos lembra. editado por Volkmar Fritz & Philip R. mas os participantes do seminário fizeram objeções a duas concepções: uma é a de que o construto literário do ‘Israel bíblico’ pode ser diretamente traduzido em termos históricos. profetas e juízes pagos pelo governo. E Lemche define como típico de uma sociedade patronal sua organização vertical. e especialmente da Palestina. um membro de uma linhagem líder. mas o Estado detém o poder religioso através dos templos. as sociedades tributárias ficam estagnadas no seu nível social. controlando a vontade da divindade através dos sacerdotes. mas que não constituíam ainda Estados burocráticos. e abaixo dele seus clientes [clients]. O Estado é conseqüência da exploração de classe. é que se buscam outras soluções. O despotismo do governo é também uma conseqüência da formação de classes. A grande contradição interna desta organização: coexistência de estruturas comunitárias e de estruturas de classe.C. 1500-1200 a. onde no topo encontramos o patrono [patron]. Como a de Niels Peter Lemche que. . 3.8. Este modelo. na sociedade tributária. propõe o conceito de sociedade patronal [patronage society] para explicar a variedade social da Síria. a ser um autêntico poder de classe (a classe que se constitui nele) para manter e aumentar a exploração. em 1996. no volume de 1996. na conclusão do volume sobre o primeiro Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica.Assim. assim como de um ‘reino de Judá’. no Período do Bronze Recente (ca. Por tudo isto.). A descrição bíblica de um grande Império israelita foi tratada com muito ceticismo [sublinhado meu]. testemunhados pela Assíria. normalmente homens e suas famílias. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas. organização etc) passa. que durante as discussões em Dublin. freqüentemente chamado de ‘sistema social mediterrâneo’ parece ter sido onipresente em sociedades com um certo grau de complexidade.

nos lembram como. o restabelecimento de um sistema patronal semelhante ao anterior[10].C. Em tal sociedade. o aparecimento dos povoados da região montanhosa do centro da Palestina representa. de fato. Pois o que aconteceu no século X a.C. Daí.) pode ser explicada. até recentemente. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. com juramento de lealdade do cliente ao patrão e de proteção do patrono para o cliente. 2001. Descrevendo as características do território de Judá. o primeiro período bíblico realmente histórico. para os leitores da Bíblia. o Estado egípcio não os vê do mesmo modo e os trata de modo impessoal. A crise da Palestina que aparece nas Cartas de Tell el-Amarna (século XIV a. simplesmente. por povoados.Lemche explica que a ligação entre patrono e cliente é de tipo pessoal. a partir desta realidade: os senhores das cidades-estado palestinas vêem o faraó como seu patrono e reivindicam sua proteção em nome de sua fidelidade. escassamente habitado e isolado no período atribuído pela Bíblia a Davi/Salomão: é o que a arqueologia descobriu. foi. códigos de leis não são necessários: ninguém vai dizer ao patrono como julgar. E se perguntam: Davi e Salomão existiram? Mostram como os minimalistas dizem: "não". a (falsa) percepção dos pequenos reis das cidades de Canaã de que foram abandonados pelo faraó. porém. . no capítulo sobre a monarquia davídico-salomônica de seu livro The Bible Unearthed. que não está cuidando de seus interesses na região. organizados sem um sistema de proteção como o do patrono – o assim chamado ‘rei’ – ou com patronos locais. E a proposta de Lemche para o que pode ter acontecido é a seguinte: as fortalezas do patrono foram substituídas por estruturas locais. enquanto que para os estudiosos representavam. seguindo normas burocráticas. Hoje. Já Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. 123-145. Sem dúvida. pp. New York. um intervalo entre dois períodos de sistemas patronais mais extensos e melhor estabelecidos. Portanto. The Free Press. e colocam aquela que é para eles a questão chave: o que diz a arqueologia sobre Davi/Salomão? Para Finkelstein e Silberman a evolução dos primeiros assentamentos para modestos reinos é um processo possível e até necessário na região. concluem que este permaneceu pouco desenvolvido. os argumentos pró e contra a postura dos minimalistas. Davi e Salomão representam uma idade de ouro. a crise se abateu sobre o "império" davídico-salomônico. segundo Lemche. houve uma crise social na Palestina no final do Bronze Recente.

C. as "portas salomônicas" de Hasor.15.C. Teoricamente é possível que os israelitas da região montanhosa tenham controlado pequenas cidades filistéias como Tel Qasile. na década de 60. Meguido. Sua interpretação dos edifícios achados se baseou em 1Rs 7. da Universidade de Chicago. se perguntam os autores na p. ou identificou nas descobertas de outros. nada foi encontrado. Durante muitos anos. mas e Meguido. Yigael Yadin descobriu. em qualquer lugar em que se encontravam cidades destruídas por volta do ano 1000 a. o que o leva à seguinte conclusão: os palácios [a Universidade de Chicago encontrara outro antes] e a porta de Meguido são salomônicas. Mas será que o fizeram? E o glorioso reino de Salomão? Em Jerusalém. tendo havido. Gazer [=Gezer]".C. Y. só aparecem no século IX a. os "estábulos" de Salomão.15. na mesma época seria composto por cerca de 20 pequenos povoados e poucos milhares de habitantes.9. Mas o modelo arquitetônico dos palácios salomônicos veio dos palácios bit hilani da Síria. seu palácio. estas "portas salomônicas" de Hasor. na Jerusalém das Idades do Bronze e do Ferro mostram que não há nenhuma evidência de uma ocupação no século X a. Meguido ou Bet-Shean.C. O. Gezer e Meguido foram o mais poderoso suporte arqueológico ao texto bíblico. e estes.. enquanto que o resto de Judá.19. enquanto que os "estábulos" seriam da época de Acab. nas décadas de 20 e 30. E o contraste entre Meguido e Jerusalém? Como um rei constrói fabulosos palácios em uma cidade provincial e governa a partir de um modesto povoado? . pelo menos meio século após a época de Salomão. bem como Hasor. Gezer e Meguido.E Jerusalém? As escavações de Yigal Shiloh. escavada por Benjamin Mazar em 1948-1950. que diz: "Eis o que se refere à corvéia que o rei Salomão organizou para construir o Templo de Iahweh. rei de Israel do norte no século IX a. nas décadas de 70 e 80. um grande império davídico. L. Na década de 50. Mas.12. o Melo e o muro de Jerusalém. da Universidade Hebraica de Jerusalém. A postura mais otimista aponta para um vilarejo no século décimo. dificilmente. se descobriu. Yadin escava novamente Meguido e faz a descoberta de um belo palácio que parecia ligado à porta da cidade e abaixo dos "estábulos". isto era atribuído a Davi por causa das narrativas de Samuel. portanto. Mas e as conquistas davídicas? Até recentemente. "Como poderiam os arquitetos de Salomão ter adotado um estilo arquitetônico que ainda não existia?". Hasor e Gezer? Em Meguido P. ou até mesmo cidades cananéias maiores como Gezer. Também a chave aqui foi 1Rs 9. descobriu. 140. Guy.

nem monumentos.. de Jerusalém para o norte. nem uma espetacular capital.. do século IX a. 142). com grupos continuando o pastoreio. Enfim: a arqueologia mostra hoje que é preciso "abaixar" as datas em cerca de um século [anoto aqui que esta "cronologia baixa" de Finkelstein tem dado muito o que falar nos meios acadêmicos!].C. 140: "Agora nós sabemos que a evidência arqueológica para a grande extensão das conquistas davídicas e para a grandiosidade do reino salomônico foi o resultado de datações equivocadas". testes com o Carbono 14 em Meguido e outras localidades apontam para datas da metade do século IX a. estimativa populacional: dos 45 mil habitantes da região montanhosa. Primeiro. Nós últimos anos. os estilos arquitetônicos e as cerâmicas de Hasor.. de fato.. por último. de Davi e Salomão só podemos dizer que eles existiram . onde os seus argumentos são mais detalhados]. nem uma magnífica capital. 340-344. e as construções das monumentais portas e palácios de Hasor.e que sua lenda perdurou" (p. povoamento mais denso. fundamentava as conquistas davídicas. Mas. muitos motivos para questionarmos as dimensões e o esplendor de seus reinos. estas evidências começaram a desabar [aqui os autores remetem o leitor ao Apêndice D.. Gezer e Meguido testemunhavam o reino de Salomão. e se não existiu um grande império.. 143). qual era a natureza do reino de Davi?" (p. Hebron e mais uns 20 pequenos povoados de Judá. pp. nem cidades com palácios. sim.Pois bem. nenhum sinal de uma estrutura cultural necessária em uma monarquia. a cerâmica filistéia continua após Davi e não serve mais para datar suas conquistas. Dois tipos de evidência fundavam os argumentos em favor de Davi e Salomão: o fim da típica cerâmica filistéia por volta de 1000 a..C. e. segundo. Arqueologicamente. Davi e seus descendentes? "No século décimo. . cerca de 40 mil habitariam os povoados do norte e apenas 5 mil se distribuíam entre Jerusalém. entretanto. seu governo não possuía nenhum império. dizem Finkelstein e Silberman na p. Há.C. do ponto de visto demográfico.. pelo menos.. nenhum documento escrito.C. O que se atribuía ao século XI é da metade do século X e o que era datado na época de Salomão deve ser visto como pertencendo ao século IX a. Gezer e Meguido atribuídos à época salomônica são. O quadro é o seguinte: região rural. de Jerusalém para o sul... mais escasso. Dizem os autores: "Não há razões para duvidarmos da historicidade de Davi e Salomão.

R. 144) Leituras Recomendadas Ayrton’s Biblical Page: Cf. Conceito de modo de produção. Doubleday & Logos Library System. acabara com o ciclo idolátrico da época dos Juízes e concretizara a promessa feita a Abraão de um vasto e poderoso reino. 1990. pp. História de Israel e dos Povos Vizinhos I.. DAVIES. C. A. or a group. P. 10. Rio de Janeiro. P.C. FREEDMAN. W. Kohlhammer.. (org. Jerusalém tinha todas as estruturas de uma sofisticada capital monárquica. New York.Entretanto. Sinodal/Vozes. o ambiente desta época é que serviu de pano de fundo para a narrativa de um mítica idade de ouro.). Sheffield Academic Press [1992]. "Ancient Israel." and Anti-Semitism. GEBRAN. os artigos A História de Israel no Debate Atual e Pode uma ‘História de Israel’ Ser Escrita? CARDOSO. N. FRITZ. Sheffield. The Free Press. 2001. Uma bem elaborada teologia ligava Josias e o destino de todo o povo de Israel à herança davídica: ele unificara o território.. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Modo de produção asiático.). quando o Deuteronomista escreveu sua obra no século VII a.. 1996. Stuttgart/Berlin/Köln.. Sheffield Academic Press. 1997. I. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM.. DAVIES. “Minimalism” is an invention. (ed. & SILBERMAN.). Minimalism. V. Rio de Janeiro. (eds. R. 1997 FINKELSTEIN. & DAVIES. The Origins of the Ancient Israelite States.. DONNER. Die frühe Königszeit in Israel. In Search of ‘Ancient Israel’. Josias era o novo Davi e Iahweh cumprira suas promessas "O que o historiador deuteronomista queria dizer é simples e forte: existe ainda uma maneira de reconquistar a glória do passado" (p. P. em Bible and Interpretation. None of the “minimalist” scholars is aware of being part of a school. Chr. D. Ph. (org. 197-268. Nova visita a um velho conceito. Jahrhundert v.). New York. Campus. 1992. N. 1997 [20043]. DIETRICH. 2002. The Bible Unearthed. 19952. São Leopoldo. Sheffield. S. R. F. Então. H. .

NEXT [8]. M. 131-155. Cf. pp. um pressuposto não discutido aqui. Cf. Petrópolis. Como parece ter ficado claro. em FRITZ. Trabalhador e trabalho. 78-105..). L. Sheffield. toda a discussão sobre as origens dos Estados israelitas passa também pela discussão anterior sobre as origens de Israel. Vozes. From Patronage Society to Patronage Society. & DAVIES. [10].. V. 1978. 11.Paz e Terra. PIXLEY. em FRITZ.). mas que pode ser visto em detalhes no artigo A História de Israel no Debate Atual. J. V. et alii. pp. C. 4. Petrópolis. Vozes. The Origins of the Ancient Israelite States. P. 106-120. Louisville. Estudos Bíblicos n.... Rio de Janeiro. 1996.. P. Conceito de modo de produção. Paz e Terra. & DAVIES. pp. L. O Reino de Israel . [9]. The Israelites in History and Tradition. N. Sheffield. SCHÄFER-LICHTENBERGER. em GEBRAN. Cf. P. SCHWANTES. 1998. A Social-Science Commentary.). (org. Can a ‘History of Israel’ Be Written? Sheffield. P. 1996. Sheffield Academic Press. 22-36. N. GRABBE. (eds. Sheffield Academic Press. A História de Israel a Partir dos Pobres. Sheffield. 20049. Kentucky. Ph. 1978. pp. The Pentateuch. R. The Origins of the Ancient Israelite States. (ed. Sheffield Academic Press. VAN SETERS. FIORAVANTE. Sociological and Biblical Views of the Early State. E. Sheffield Academic Press. Do modo de produção asiático ao modo de produção capitalista. R. LEMCHE. 1999.). Westminster John Knox. 1997. (eds. LEMCHE. J. 1986.

. responderam-lhe: 'Eis o que dirás a este povo (. filho de Salomão. se te submeteres e dirigires boas palavras. agora chamado de Israel. meu pai vos castigou com açoites. seus companheiros de infância. Perguntou-lhes: 'Que aconselhais que se responda a este povo' (. Roboão não aceitou as condições e foi a gota d'água. 4. Quando o norte se rebelou. Samaria ou ainda Efraim. podemos anotar que o processo de sucessão de Salomão não foi bem visto. os israelitas impuseram-lhe uma condição: aceitariam o seu governo. foi a Siquém para que o norte o aclamasse senhor também das outras tribos. caso fossem retiradas as pesadas leis impostas ao povo por seu pai Salomão. Proclamado rei em Judá. separou-se do Estado davídico que permaneceu em Judá. então eles serão para sempre teus servidores'. alivia a dura servidão de teu pai e o jugo pesado que ele nos impôs e nós te serviremos' (..).Segundo o texto bíblico. então. A Rebelião Explode e Divide Israel Para começar.1. pois assim debilitados viram-se ameaçados pelos inimigos externos e deixaram suas rixas para acertar mais tarde.. e eu vos açoitarei com escorpiões!' " (1Rs 12.C. Roboão quis partir para a repressão armada. Inicialmente nem guerra houve entre os dois países irmãos. Israel do norte.. agora.). Em Siquém..) Os jovens. eis o que lhes responderás. com a morte de Salomão. "Disseram assim a Roboão: 'Teu pai tornou pesado o nosso jugo.C. um nobre da tribo de Efraim e inimigo de Salomão. Podemos seguir o desenrolar dos acontecimentos a partir do capítulo 12 do primeiro livro dos Reis. em 722 a. escolheu para seu rei a Jeroboão. mas eu aumentarei ainda o vosso jugo. mas foi desaconselhado. Mas ele rejeitou o conselho que os anciãos lhe deram e consultou os jovens que foram seus companheiros de infância e o assistiam.C. que se encontrava exilado.. especialmente porque o norte tinha consciência da exploração a que era submetido pelo poder central e levantou. 'Meu dedo mínimo é mais grosso que os rins de meu pai! Meu pai vos sobrecarregou com um jugo pesado. em 931 a.) O rei Roboão consultou os anciãos que haviam auxiliado seu pai Salomão durante sua vida. e perguntou: 'Que me aconselhais a responder a este povo?' Eles lhe responderam: 'Se hoje te sujeitares à vontade deste povo. chamado doravante simplesmente de Israel. até ser massacrado pelo poderoso Império assírio.. constituído pelas 10 tribos rebeldes. . E o reino do norte existiu durante 209 anos.3-11). a bandeira da rebelião. desabou a unidade do reino. Roboão (931-914 a. O norte.

já era a idolatria que dominava o norte. onde permaneceu apenas 5 anos. E quem saía perdendo. era o povo. Divididos. perto de Jerusalém. teve 19 reis de diferentes dinastias que se sucederam com golpes de Estado. embora a intenção do rei fosse apenas reavivar o culto naqueles santuários. tanto Israel quanto Judá eram fracos demais para dominar seus vizinhos. No curto espaço de 209 anos.Jeroboão escolheu a cidade de Siquém para capital do seu reino. e Betel. Só mais tarde. Os mesmos camponeses e pescadores antes explorados pelo sul. sob outro rei. Transferiu-a seguidamente para Penuel e Tirsá. E isto deu o que falar. Para o sul. Reis de Israel Nome Jeroboão I Nadab Baasa Ela Zimri Omri Acab Ocozias Jorão Data 931-910/9 a. Por outro lado. no extremo norte. a capital definitiva. no sul. como dizem ter feito Davi e Salomão. Jeroboão construiu dois touros de ouro e colocou-os em antigos santuários: Dan. 910-909 909/8-886 886/5-885 885/4 885/4-874 874/3-853 853-852 852-841 Duração 21 anos 2 anos 22 anos 2 anos 7 dias 11 anos 21 anos 2 anos 11 anos . tanto o norte quanto o sul perderam. Rejeitando o governo de Jerusalém.C. passaram a sê-lo pelo norte. como sempre. A incerteza quanto à localização da capital e ainda o perigo da pressão estrangeira (Fenícia. os nortistas rejeitaram também o Templo e as peregrinações nas grandes festas. Israel caracterizou-se pela instabilidade política. assassinatos e chacinas várias. segundo o texto bíblico. Para substituir o Templo e mesmo para evitar que o povo fosse a Jerusalém e passasse para o lado de lá. todas as suas possessões estrangeiras: definitivamente os tempos do Israel forte haviam acabado. Síria e Assíria) fizeram do novo país um foco de problemas e de crises sucessivas. foi construída Samaria.

casando seu filho Acab com Jezabel.C. O intenso comércio com a Fenícia aumentou a riqueza da classe dominante em Israel.. que. Quem quiser conferir.e sua gloriosa corte . filha de Etbaal.C. Para termos uma idéia da situação: a partir desta época ficou muito comum o camponês se vender ao rico credor para saldar suas dívidas. Houve também vários conflitos com Judá por causa das fronteiras. leia o episódio exemplar da vinha de Nabot (1Rs 21). Omri.. a situação do povo era muito difícil. . filho de Omri. Fez aliança com a Fenícia.2. se suicidou.. A lavoura não produzia quando a seca era forte? Os ricos vendiam mantimentos à população camponesa. foi um válido artífice da paz com Judá. seu filho Ela foi também assassinado por Zimri. que deu um golpe militar em 885 a. Sob Acab. Ou entregava seus filhos. Nadab foi assassinado por Baasa.Jeú Joacaz Joás Jeroboão II Zacarias Salum Menahem Pecahia Pecah Oséias 841-813 813-797 797-782 782/1-753 753 753/2 753/2-742 742/1-740 740/39-731 731-722 28 anos 16 anos 15 anos 29 anos 6 meses 1 mês 11 anos 2 anos 9 anos 9 anos[1] 4. quando viu a morte trazida pelo general Omri. como sempre. O rei . o progresso do país empobrecia largas camadas da população e levava a exploração classista ao máximo. Omri construiu Samaria em 880 a. Porém.puxava a procissão das explorações. Levou vantagem no confronto com Moab e com os arameus de Damasco. trabalhando como escravo. em "suaves prestações". por sua vez. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II De Jeroboão I a Omri (cerca de 50 anos) houve muita instabilidade em Israel. para capital do reino e desenvolveu bastante o país. rei de Tiro. Faltava dinheiro no país? O povo precisava de empréstimos? Os privilegiados emprestavam a juros exorbitantes.

sob o governo de Ozias. segundo a interpretação deuteronomista dos livros dos Reis. livres de pressões maiores.) o país se recupera . em 841 a. . Esta.também Judá.C. Perseguido pela rainha Jezabel. Havia paz entre os dois reinos irmãos.Em Samaria. de âmbito nacional e causador de todos os males que dominavam o país. Encontrando muita oposição entre as autoridades religiosas e entre o próprio povo explorado. assassinando toda a família de Jorão. atravessava um período de dificuldades.graças a uma série de circunstâncias favoráveis. Até aí tudo bem. O profeta Elias. E então.C. Mas com a subida ao trono de Jeroboão II (782/1-753 a. contemporâneo de Acab. vai lutar com todas as forças contra tamanha deterioração do javismo e de seus ideais de justiça. embora de forma lendária e extremamente carregadas pelas cores teológicas do Deuteronomista. por sua vez. cresce bastante nesta mesma época . como demonstra o significado de seu nome (Elias = só Iahweh é Deus). os dois reinos começaram a sua expansão. inclusive as regiões da Transjordânia até Moab. rei de Damasco. Elias faz ver ao povo. Tomou Damasco e submeteu a Síria.. que a idolatria e o abandono do javismo era um problema muito sério. Jeroboão II. com a aprovação do profeta Eliseu. Jeú e seus descendentes enfrentaram graves problemas na política externa: Jeú pagou tributo ao rei assírio Salmanasar III e perdeu a Transjordânia para Hazael. Resultado: por todo o país proliferaram os sacerdotes de Baal. dá um golpe militar sangrento.23-29). Elias tornou-se no seu tempo um símbolo da fidelidade a Iahweh. o rei de turno. bom militar. o mais sério deles sendo a exploração da maioria da população. Originário do Galaad. que prontamente percebeu o perigo por ele representado contra o seu culto e os seus privilégios. A Síria fora vencida pela Assíria. Acab construiu um templo para sua mulher Jezabel cultuar seu deus Baal. Mas Jezabel arrastou a corte toda e a aristocracia atrás de si neste culto. Suas ações estão narradas em 1Rs 17-22 e 2Rs 1-2. Isto era costume naquela época. levou a fronteira norte de seu país onde anteriormente a colocara Salomão (2Rs 14. a dinastia de Omri vai cair de maneira violenta: Jeú.

760 a.. Criaram-se extremos de riqueza e de pobreza. Porém. só achavam a razão do lado dos ricos. mais uma vez. Em Samaria os arqueólogos encontraram os restos de esplêndidos edifícios.C.C. Os pequenos agricultores..) e Oséias (755-725 a. regados a bom dinheiro.Israel controlou as rotas comerciais de então. a religião javista foi sendo colocada de lado em favor de outros deuses menos exigentes quanto à justiça e à igualdade social. À desintegração social somou-se a religiosa. O sistema administrativo adotado por Jeroboão II foi aquele mesmo próspero e injusto de Salomão: concentração da renda nas mãos de poucos com o conseqüente empobrecimento da maioria da população. viam-se nas mãos de seus credores. Nesta época. . Com os santuários cheios de adoradores. provas da riqueza alcançada.) destacaram-se na denúncia da situação em que se encontrava Israel. os profetas Amós (ca. o povo. enquanto os tribunais. bem providos do bom e do melhor. endividados.

6-8 Assim falou Iahweh: Pelos três crimes de Israel. na casa de seu deus. com os termos tsaddîq (justo). terra e liberdade com a política expansionista de Jeroboão II. não o revogarei! Porque vendem o justo (tsaddîd) por prata e o indigente ('ebyôn) por um par de sandálias. Eles se estendem sobre vestes penhoradas. designa as principais vítimas da opressão na sua época. e bebem vinho daqueles que estão sujeitos a multas. Amós. Eles esmagam sobre o pó da terra a cabeça dos fracos (dallîm) e tornam torto o caminho dos pobres ('anawim) . com o mínimo para sobreviver e que corre sério risco de perder casa. Sob estes termos. . Amós aponta o pequeno camponês. ao lado de qualquer altar. pelos quatro.Am 2. pobre. um homem e seu pai vão à mesma jovem para profanar o meu santo nome. dal (fraco) e 'anaw (pobre). 'ebyôn (indigente).

São os que vivem em palácios e acumulam (3. são os que vivem no luxo e na boa vida (6. Estes são. Enfim.Am 6. são os que aceitam suborno na administração da justiça (5. bebem crateras de vinho e se ungem com o melhor dos óleos. identifica os opressores com os que detêm o poder econômico. estendidos em seus divãs.4-6). . político e judicial"[2] . segundo Amós.11). os opressores de sua época. improvisam ao som da harpa. são as senhoras da alta sociedade (4. "Amós.1). são os que controlam o comércio (8. inventam para si instrumentos de música. como outros profetas após ele.12). mas não se preocupam com a ruína de José. comem cordeiros do rebanho e novilhos do curral.4-6 Eles estão deitados em leitos de marfim. como Davi. são os que constroem boas casas e plantam excelentes vinhas (5.4-6).10).

Oséias está dizendo que o problema em Israel é que não há mais espaço para os valores do javismo e isso causa a desagregação da sociedade.1-3 Ouvi a palavra de Iahweh. Por isso a terra se lamentará. NEXT . roubo. nem conhecimento de Deus (da'at 'elohîm) na terra. As feras. Temos aqui três categorias negativas superpostas: o o o a falta de conhecimento de Deus (da'at 'elohîm). homicídio a morte. causadas pela falta de conhecimento: perjúrio. assassínio. mentira. segundo Oséias. porque não há fidelidade (‘emeth) nem solidariedade (hesedh). desfalecerão os seus habitantes e desaparecerão os animais selvagens. a raiz mais profunda do mal é a falta de conhecimento de Deus. e o sangue derramado soma-se ao sangue derramado. filhos de Israel. Mas perjúrio e mentira. adultério. assassínio e roubo. É a experiência ou vivência do javismo que está em jogo. adultério e violência. O homem fenece. os pássaros e os peixes desaparecem. pois Iahweh vai abrir um processo contra os habitantes da terra. Portanto. as aves dos céus e até os peixes do mar. que se manifesta como ausência de fidelidade ('emeth) e solidariedade (hesedh) as desordens sociais. com a desagregação do universo.Os 4. Que não é conhecimento intelectual ou cultual.

Sinodal/Vozes. e foi assassinado Pecah (= Facéia). filho de Menahem.C. A Assíria Vem Aí: Para Israel é o Fim Com a morte de Jeroboão II desabou tudo o que ainda restava em Israel. governou 6 meses (753 a. abalado por assassinatos e golpes sangrentos. pp. p. seis reis se sucederam no trono de Samaria.[1]. Houve 4 golpes de Estado (golpistas: Salum.C. 4. Salum. são: os sacerdotes (Templo). A justiça social nos profetas. e ele estendeu a sua mão aos petulantes quando se aproximaram. em Biblica 45 (1964). os príncipes ficaram doentes pelo calor do vinho. Menahem. 1987. Amós. Oséias. V. J.. reinou de 742/1740 a.. L. Seu coração é como um forno em suas insídias. filho de Jeroboão II. o exército. apesar de tudo. segundo Amós. SCHWANTES.. São Paulo. Cf. filho de Ela. Pecahia e Pecah): o o o o o o Zacarias.C.C. 200./VOGT.) e foi assassinado Salum ben Jabes governou 1 mês (753/2 a. Todos eles estão quentes como um forno. de 731a 722 a. São Leopoldo/Petrópolis. pela manhã ela arde como uma fogueira. 1990.C. os cidadãos (os habitantes da cidade). 36-48 diz que os opressores de Israel. M. Há várias cronologias possíveis para o período dos reis. Pecah e Oséias) e 4 assassinatos (assassinados: Zacarias. [2].): foi assassinado Menahem ben Gadi (753/2-742 a. Roma.C. assassinou Pecah e foi o último rei do norte. Die Jahre der Könige von Juda und Israel. E.C. Paulus. Meditações e Estudos. O profeta Oséias lamenta o golpismo da época: "No dia de nosso rei. pp. De 753 a 722 a. os senhores de escravos.3. 321-347. SICRE. . a noite inteira dorme a sua ira. filho de Romelias. os juízes.) já teria começado a pagar tributo à Assíria Pecahia (= Facéias). Estou seguindo a de PAVLOVSKY. governou de 740/39 a 731 a.

. os filisteus e outros. Isto foi no ano de 734 a. Em seguida.C. ao norte. A grande ameaça internacional era a Assíria. também dominados por Judá. aproveitaram a ocasião e declararam sua independência. Invadiram o Negueb e a planície da Shefelah. e é a chamada guerra siro-efraimita. Depois. Foi um imposto per capita que atingiu cerca de 60 mil proprietários de terras. conquistando algumas cidades de Judá.5-7). Os filisteus. pôde ocupar-se com o oeste: começou pela Síria. Todos os seus reis caíram. Não há entre eles quem me invoque" (Os 7. queria que Judá se aliasse a ele. tomou Urartu. o eterno rival da Ásia Menor do controle do comércio do Mediterrâneo. Mas grupos patrióticos assassinaram em Israel o rei submisso à Assíria. o rei de Damasco e o rei de Israel invadiram Judá pelo norte e cercaram Jerusalém. sabiamente não quis. Por que a Assíria ambicionava a região? Por causa: o o o o da madeira e dos recursos naturais do Egito. Tiglat-Pileser III já submetera grande parte da Síria e da Fenícia. Isaías foi contra este passo e avisou Acaz de que suas conseqüências seriam terríveis. este era seu nome. Ele começou por resolver os problemas com os babilônios no sul da Mesopotâmia. Então. Pecah.devoram seus juízes. Em 745 a. A saída foi pedir o auxílio da Assíria.C. dominando-os. Os edomitas. igualmente não perderam tempo. Em Judá reinava Acaz. que dependiam de Judá.C. Derrotaram as tropas de Judá em Elat e destruíram a cidade. subiu ao trono assírio um hábil rei: Tiglat-Pileser III. Israel começou a pagar-lhe tributo possivelmente já sob o governo de Menahem. Pacificou os medos no norte do Irã. Judá foi invadido por três lados e não tinha como resistir.C. Em 738 a. Judá. E o oficial que subiu ao poder imediatamente tornou-se chefe de uma coalizão anti-assíria que congregava a Síria. Deste modo. contra a qual efetuou várias campanhas a partir de 743 a.

de Aram. Quando Tiglat-Pileser III foi sucedido por Salmanasar V. Efraim e o filho de Romelias tramaram o mal contra ti. Depois da tempestade. o que se viu foi o seguinte: a Síria não existia mais. "Salmanasar. Deportou uma parte do povo e destruiu numerosas cidades. ainda não era tudo. Oséias pensou ser o momento bom para a revolta. Faltava só Damasco. a Galiléia e o Galaad passaram para a Assíria. na estrada do campo do pisoeiro. prendeu o rei.C. tu juntamente com o teu filho Sear-Iasub [= um resto voltará]. ocupou o país e cercou Samaria em 724 a. Oséias (não se confunda o rei Oséias com o profeta homônimo). e não tinha pago o tributo ao rei da Assíria. Então o rei da Assíria mandou encarcerá-lo e prendê-lo com grilhões. como o fazia todo ano. pagando-lhe tributo. Tiglat-Pileser III destruiu rapidamente as forças aliadas.Is 7. A destruição foi paralisada. Depois. executou o rei e deportou a população. Começou pela costa e avançou sobre os filisteus desbaratando-os completamente. o rei . Estabeleceu uma base no extremo sul. passara a província assíria. Não veio ajuda nenhuma.C. Encontrá-lo-ás no fim do canal da piscina superior. Mas o rei da Assíria descobriu que Oséias o traía: é que este havia mandado mensageiros a Sô. e do filho de Romelias.3-6 Então disse Iahweh a Isaías: Vai ao encontro de Acaz. Foi um suicídio. cortando qualquer possível ajuda egípcia. marchou contra Oséias e este submeteu-se a ele. isto é. Tiglat-Pileser III conquistou-a. dizendo: 'Subamos contra Judá e provoquemos a cisão e a divisão em seu seio em nosso benefício e estabeleçamos como rei sobre ele o filho de Tabeel'. De Israel pouco restara: toda a costa. por causa da cólera de Rason. pois que Aram. Neste ínterim. O rei Oséias só se submetera à Assíria porque não tinha outra saída. Começou a negar o tributo à Assíria e a ligar-se ao Egito. rei do Egito. contra Israel e saqueou toda a Galiléia e a Transjordânia. mas conserva a calma e não tenhas medo nem vacile o teu coração diante dessas duas achas de lenha fumegantes. em 732 a. Salmanasar V atacou. Pecah de Israel foi assassinado e seu sucessor. Entretanto. Virou-se. submeteu-se imediatamente à Assíria e pagou-lhe tributo. em seguida. rei da Assíria. O Egito estava todo dividido e muito fraco. Tu lhe dirás: Toma as tuas precauções.

. mas está errado. o número de deportados samaritanos foi de 27. de uma monarquia unida. 87-96.C. mas há boas razões para se acreditar que sempre houve duas diferentes entidades políticas na região montanhosa de Canaã. cujo declínio quase arrastava à ruína todo o país. de outros povos e outros costumes chegou para Israel do norte o fim definitivo. no território. mas era nítida a perda de influência. pp.. Segundo os anais de Sargão II.C. Pioneira/Edusp. pela guerra civil. estabelecendo-o em Hala e às margens do Habor. Não há evidências de uma monarquia unida governada por Jerusalém. No nono ano de Oséias. estourou uma rebelião em Kalhu. Sargão II foi quem se encarregou da deportação e substituição da população israelita por outros povos que foram ali instalados. levou ao trono aquele que iria tornar-se um dos maiores reis da Assíria. que se desintegra após a morte de Salomão. O golpe de Estado. V. conduzindo ao trono Tiglat-Pileser III. pp. Com a instalação. garantem os autores.290 pessoas. Ignora-se a participação que teve na trama ou em sua repressão.C. Ela acusara o triunfo da alta nobreza. São Paulo. Para Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. em 746 a. A Assíria parecia inerte. 149-168. Tiglat-Pileser III Resumo de GARELLI. Samaria caiu em 722 a. tal como se ignora a filiação do novo soberano: enquanto em uma inscrição faz-se . em 746 a. o rei da Assíria tomou Samaria e deportou Israel para a Assíria. Verdade que não se dera nenhum revés de importância. Impérios Mesopotâmicos . rio de Gozã. A revolta que estourou em Kalhu. na realidade. assinala o termo da crise aberta. em detrimento da autoridade real. mas.. sem dúvida graças à energia do turtanu Shamshi-Ilu.Israel.3-6). este esquema bíblico. TiglatPileser III teria que enfrentar a perigosa situação que se desenvolvia nas fronteiras do reino. P. de fato. e o filho de Salmanasar V. poderia parecer um simples episódio de uma época fértil em tentativas similares. o verdadeiro fundador de seu império. e nas cidades dos medos" (2Rs 17. sempre foi aceito por arqueólogos e historiadores. até que.da Assíria invadiu toda a terra e pôs cerco a Samaria durante três anos. 1982. & NIKIPROWETZKY. em 827. O Oriente Próximo Asiático. no livro The Bible Unearthed.

e seus aliados. Espírito metódico e audacioso. Em seguida. Tiglat-Pileser III empreendeu uma série de operações militares contra a Babilônia e Namri. Os vizinhos da Assíria logo se aperceberiam disso. tiveram de submeter-se. é bastante curiosa. em política internacional. ele desbaratou a coalizão siro-urártia e se impôs aos dinastas aramaicos. pode muito bem ter sido de linhagem real. aliás. o que prova que a aparente paralisia do país refletia sobretudo uma crise do poder central. uma repetição da que Salmanasar III levara a efeito havia um século. Os reis caldeus. que dois anos antes subira ao trono da Babilônia. desde muito tempo. ou. ao longo do tigre e do Kerkha (Uknu).C. Milhares de deportados tomaram a rota da Assíria e foram estabelecidos em novas cidades. Sem dúvida o foi. O adversário. A expedição levada a cabo por Tiglat-Pileser III em 745 a.. que antes de ajustar contas com Sardur. cujo verdadeiro nome seria Pulu. A verdade é que. Desde sua ascensão. o que é pouco provável. dele se fez o tipo de "rei reformador". por outro lado. acabara de obter a adesão dos países sírios. por razões cronológicas. em 745 a. mas sabe-se que de 743 a 738 a. Atribui-selhe demasiado no plano interno. em suma. precisou transferir sua atenção para os medos e Urartu. As conquistas de Tiglat-Pileser III são mal documentadas. Encurraladas de Dur-kurigalzu e Sippar até o Golfo Pérsico. antes de efetuar a . É possível.passar como filho de Adad-Nirari III. uma das listas reais apresenta-o como um dos filhos de Assur-Nirari V. como Kar-Assur. o que pode surpreender. e a personalidade do soberano era visivelmente rica.C.C. mas só se atribui aos ricos. em grande parte era o mesmo: as tribos aramaicas e caldéias. os exércitos assírios ganharam a rota do Sul. o rei de Urartu. se a intervenção assíria não se devera ao apelo de Nabonassar. Imaginou-se. mas o fato também pode indicar que o perigo urártio não era tão premente quanto se tenderia a acreditar. Chegou-se a pensar que fosse um usurpador. visto que seu principal adversário. Em parte alguma as tropas assírias bateram-se com as forças de Nabonassar (Nabu-Nasir). pois assim o designam fontes babilônicas e bíblicas. pois. esforçavam-se por firmar sua autoridade. durante três anos. na Babilônia central. bem como em redor de Nippur. Tiglat-Pileser precisava garantir sua retaguarda e as grandes vias de comunicação com o Irã e o Golfo Pérsico. não tivera lugar com seu assentimento. rei de Urartu. porém conseguiram-no de forma bem imperfeita. pelo menos . Seria. inclusive. Pode-se indagar. Na Babilônia. a agitação permanecia endêmica. Nada mais incerto.

atingiu Gaza e o Wadi El Arish. de Israel. de conluio com os edomitas. qual seja a política de ocupação permanente inaugurada por Tiglat-Pileser III. Para tanto.C.C.C. Os vencidos tornavam-se tributários. mas. Pecah foi assassinado por um certo Oséias ben Elá.. Os conjurados tentaram então. que não parecia muito entusiasmado pela aventura. Em 740 a. seria necessário um acordo. A revolta de Mukin-Zeri forçou-o. No decorrer desse vaivém contínuo. Sua derrota incitou os países vizinhos. a neutralidade do rei de Judá. O primeiro a renunciar a tal concepção foi Tiglat-Pileser III. os soberanos da Assíria. eliminar seu importuno vizinho. apesar das advertências de Isaías (capítulos 7 e 8). encerrando-se em 738 a. Um elemento relevante. mais uma vez. o qual agiu prontamente: descendo pela costa. explica. e Razon.. que dispunham de guarnições permanentes. voltou-se contra Israel. houve raros confrontos de envergadura. Tiro. então.conquista de Damasco e da Palestina. Ante o desastre. aproveitam-se imediatamente da menor dificuldade experimentada pelo poder assírio. com quem a guerra converteu-se em guerra de conquista: o território ocupado era incluído nos limites da terra de Assur e dividido em províncias dirigidas por bel pihati. a aparente facilidade das vitórias assírias. em parte. . que recomeçar tudo. como conservam a independência. a seguir. Os dinastas aramaicos manifestariam. no mínimo. antes de sucumbir por seu turno em 732 a. Tudo decidira-se em 743 a. por ocasião de uma vitória decisiva sobre Sardur.C. Pecah. com a submissão de dezoito príncipes espalhados nos territórios compreendidos entre Tabal e Samaria.C. e o infeliz Acaz. Acaz. Havia. assim. Até então. de Damasco. sua indestrutível coragem: as revoltas sucederam-se com grande obstinação. Tiglat-Pileser iria receber seus tributos em Arpade. a dirigir-se novamente à Babilônia. que se apressou a pagar tributo. As tropas assírias estavam. em particular Damasco. oficialmente incorporada ao império em 729 a. Que (Cilícia) e Carquemish. esperavam uma virada da situação. Razon conseguiria resistir por três anos. ao que tudo indica. cujo território saqueou. como Salmanasar III. mesmo os mais audaciosos. Essa demonstração não bastou para desencorajar todos os vencidos. concebiam suas operações ofensivas como expedições destinadas a aniquilar o poderio material de seus vizinhos e recolher despojos.C. o Rio do Egito. de 734 a 732 a. a prestar submissão. que provocou a dissolução da coligação aramaica. ou. viu-se obrigado a apelar para o auxílio do rei da Assíria. em Comagena. impedindo qualquer possibilidade de socorro egípcio.

computou-as entre as pessoas da terra de Assur. incorporadas ao império. chegou a ser atacada. Em toda a parte praticou-se essa política de conquista e assimilação. Impossível evocar o reinado de Tiglat-Pileser III sem mencionar sua obra administrativa. Tiglat-Pileser pretendeu. Turushpa. dosando habilmente firmeza e brandura. refletiria suas mais aprofundas intenções em matéria de política interna. Certo é que Tiglat-Pileser III conseguiu perfeitamente manter as rédeas do seu mundo.portanto. portanto.C. Teria. a fim de separá-las de seu meio natural e impedir quaisquer veleidades de rebelião. O rei teria procedido a uma nova divisão das províncias.. no entanto. e TiglatPileser III não insistiu. revertido a evolução percorrida a partir de Shamshi-Adad V. Por outro lado. No resto. é sintomático verificar que as cidades fenícias. como tais. submetendo-as. que. o esforço foi inútil: Urartu conservava considerável poderio. fracionando as unidades demasiado vastas. Num único local. o rei deportou numerosas populações para regiões excêntricas. Mas é uma hipótese apenas. Tal revés não obscurece a amplitude de seus outros êxitos militares. cuja capital. só se lhes interditara o comércio com a Palestina e o Egito. às mesmas contribuições e corvéias. exceto nas regiões excêntricas do planalto iraniano. às vésperas da campanha contra Israel e Damasco. A propósito. Chegou mesmo a implantar o culto de Assur na Média. Apesar da derrota de Sardur. sempre a postos para sufocar as dissidências e empreender novas operações. a fim de diminuir o poderio da alta nobreza. sem dúvida. Por isso. E soube gerir seu imenso domínio. segundo certos historiadores. o rei fora paralisado. submetê-las a uma única jurisdição. tentou invadir o país.C. que enfraquecera o poder real. para a aramaização do império. as . Após a vitória de Comagena. Cerca de 734 a.. Urartu. Esse enorme amálgama de populações em muito contribuiu. em 735 a. E as vitórias se sucediam. Os prisioneiros de Babilônia foram disseminados por todo o arco de círculo montanhoso que cercava o reino a norte e a leste. sem confirmação nas fontes de que dispomos. canalizando as energias assírias para a conquista. freqüentemente. cabendo indagar se o exército assírio não sofreu uma profunda reorganização. continuaram a usufruir de grande liberdade.

. ao mesmo tempo.C. e o filho de Salmanasar V. O reino de Israel foi. Em 729 a. reduzido a província assíria. Nabu-Mukin-Zeri revoltou-se. Com efeito. Quando de sua morte. A data de 722 a.C. nesta ocasião. que recolhiam os impostos. o único senhor da Babilônia era o rei da Assíria. por sua vez.C. Tiglat-Pileser III só interveio quando o chefe da tribo Amukkanu. Tiglat-Pileser III não destronou o soberano legítimo. Embora fosse senhor deste país a partir de 745 a. Um incidente num templo de Tiro. O poderio do monarca assírio não era tal. . filho de Tiglat-Pileser III quem os reprimiu. que desencorajasse toda pretensão de independência. Foi o que ocorreu com Bar-Rekub de Sam'al e Oséias de Samaria. a intervenção da legião ituéia e algumas advertências prontamente restabeleciam a ordem. Não obstante. reduzir uma terra tão venerável. Nabonassar. e sim um império. em toda a medida do possível. todas as terras do Crescente Fértil se achavam unificadas sob o rótulo inédito de uma dupla monarquia assirobabilônica. mantido por guarnições administradas pelos governadores. Sargão II deportou sua população para Kalhu. Esta sutil mistura de firmeza e diplomacia. Entretanto. Sargão II contribuiu de forma decisiva para assegurar seu poderio e dar-lhe seu caráter definitivo. mesmo sem ter sido o fundador do império. Tiglat-Pileser III não caiu nesse erro: fez-se reconhecer como rei e sua decisão foi ratificada na lista real babilônica. Tampouco tomou qualquer medida contra o filho deste último. é duplamente simbólica: assinala uma importante inflexão da história de Israel e corresponde.autoridades locais agiam à vontade. uma investida de nômades em Moab imediatamente eram comunicados à capital..C. em 727 a. disposta.C. contudo. Foi Salmanasar V. Em caso de revolta contra os fiscais. pois densa rede de correios sulcava o império. a respeitar os interesses e franquias locais. observa-se ao mesmo tempo que a chancelaria de Kalhu era cuidadosamente mantida ao corrente da evolução da situação. à simples condição de província teria sido inabilidade. permitiu a incorporação oficial da Babilônia ao império. à ascensão de um dos mais prestigiosos monarcas do antigo Oriente. e tomou o poder em 731 a. e o fisco assírio contentava-se com a cobrança de uma percentagem sobre as mercadorias na entrada da cidade. Samaria foi tomada em 722 a.C. espoliados pelos exércitos assírios segundo as possibilidades do momento.. no Habur e para a Média. Daí em diante não houve mais um território nacional e territórios de caça. fonte de todas as tradições religiosas.

O Crescente Fértil e a Bíblia. The Bible Unearthed. 1997 [20043]. 1998.. História de Israel e dos povos vizinhos II. Petrópolis. 2001. Jahrhundert v. Tradução brasileira: A Bíblia Não Tinha Razão. I. 299-362. New York. Vozes. NEXT . The Free Press. 1998. H. 37-53. LEMCHE. PIXLEY. FINKELSTEIN. pp. A Girafa. Louisville. São Paulo. Westminster John Knox.. The Israelites in History and Tradition. G. 63-67. Kohlhamer.. J. Vozes. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. & SILBERMAN. ECHEGARAY. 1993. pp. traduzido do inglês por Tuca Magalhães. N.. SCHOORS. 273-285. A História de Israel a partir dos Pobres. São Leopoldo. N. Kentucky. 2003.. 20049. Chr. 137-174. Petrópolis. A. A. J. Stuttgart. pp. Sinodal/Vozes.Leituras Recomendadas DONNER. Die Königreiche Israel und Juda im 8.. und 7. P. Die assyrische Krise.

35-37 diz que o Anjo de Iahweh atacou o acampamento assírio. Logo os reis de Biblos. Moab. História II. Entretanto. Senaquerib tomou primeiro Ascalon. vencendo-a.141. Acreditavam ter chegado o momento da libertação. no último minuto.C. e Ezequias.. sua cidade real. Fortificou suas defesas e preparou-se cuidadosamente para esperar a Assíria. estudando o caso. juntamente com Judá. Que não se fez esperar.. cuja ruptura provocara a invasão assíria"[1]. talvez uma peste. ele levantou o cerco e voltou para a Assíria. Edom e Amon. Ashdod. Senaquerib não se fez de rogado e já em 701 a. de Judá. Hermann. Arvad. O Egito prometeu ajuda. conclui: "Pode-se considerar que algum fato. sitiei e conquistei 46 cidades que lhe pertenciam (..) Quanto a ele. 2Rs 19. por motivos desconhecidos. segundo a qual num confronto com os egípcios os exércitos de Senaquerib foram atacados por ratos (peste bubônica?). Não se sabe porque Jerusalém se salvou. Jerusalém voltou a respirar. entrou como um dos chefes da revolta.Senaquerib subiu ao trono assírio em 705 a. mais uma vez. e imediatamente teve que enfrentar nova revolta na Babilônia. Talvez Senaquerib tenha partido por causa de alguma rebelião na Mesopotâmia. Edom e Amon se entregaram e pagaram tributo a Senaquerib. Moab. ele começou por Tiro. Ascalon e Ekron. S.C. Nos Anais de Senaquerib se diz o seguinte: "Quanto a Ezequias do país de Judá.". com outras cidades fenícias. tenha obrigado à partida. Mas teve que pagar forte tributo aos assírios. com algumas cidades filistéias.. resistiram. acontecido no acampamento assírio que assediava Jerusalém. Existe uma notícia de Heródoto. como um pássaro na gaiola. Somente Ascalon e Ekron. mas isto não exclui que Ezequias tenha enviado o seu tributo e renovado de modo ostensivo o tratado de vassalagem. A coalizão integrava Tiro. encerrei-o em Jerusalém. Senaquerib tomou 46 cidades fortificadas em Judá e cercou Jerusalém. . Todas as províncias do oeste então se levantaram. que não se tinha submetido ao meu jugo. Os egípcios tentaram socorrer Ekron e foram derrotados. E foi a vez de Judá.

havia revestido de ouro. poltronas de marfim. Deuses. grandes blocos de cornalina. Seu sucessor Manassés foi um dos piores governos de Judá. rei de Judá. com 30 talentos de ouro. Um grande sincretismo religioso ameaçava o javismo. cantoras. mandou esta mensagem ao rei da Assíria. domínio assírio. 800 talentos de prata. Ezequias. leitos de marfim. cantores. e o entregou ao rei da Assíria".. ébano. cultos. em Laquis: 'Cometi um erro! Retira-te de mim e aceitarei as condições que me impuseres'. um pesado tesouro. rei de Judá. a reforma de Ezequias perdeu o rumo. Quem protestava era duramente reprimido. sua influência se espalhou. Então Ezequias mandou retirar o revestimento dos batentes e dos umbrais das portas do santuário de Iahweh. marfim. . mulheres de seu palácio. e suas filhas. toda sorte de coisas. o tributo pago por Ezequias ao rei assírio foi significativo: "Quanto a ele. e Ezequias entregou toda a prata que se achava no Templo de Iahweh e nos tesouros do palácio real. antimônio escolhido. e despachou um mensageiro seu a cavalo para entregar o tributo e fazer ato de submissão"[2]. minha cidade senhorial. rei de Judá. Estando fortíssimo o império assírio. De qualquer maneira.13-16: "No décimo quarto ano do rei Ezequias.Outra questão é se teria havido uma segunda campanha de Senaquerib na Palestina. meu esplendor terrível de soberano o confundiu e ele enviou atrás de mim. rei da Assíria. os irregulares e os soldados de elite que ele tinha como tropa auxiliar. E um longo governo: 55 anos. buxo. segundo os Anais de Senaquerib. O rei da Assíria exigiu de Ezequias. trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro. Então Ezequias. Informação que concorda com a de 2Rs 18. peles de elefante. que. em Nínive. costumes.. Senaquerib. veio para atacar todas as cidades fortificadas de Judá e apoderou-se delas. Com isso.

entre 626 e 610 a.32) e uma conclusão. Sob a influência de um forte espírito nacionalista. contudo. segundo outros. Ao ser promulgado por Josias em 622 a. Foi um momento bom para Judá.1-26.. banidos. Durante seu reinado. Positiva no geral. por grupos fugidos do norte.3-23. Principalmente os babilônios e os medos.um código de leis. segundo alguns. que contaria então com 20 anos de idade. em 640 a. E foi entronizado.16-28.44-11. introduzidos em Judá sob a influência assíria. o núcleo do atual livro do Deuteronômio. escrito no reino do norte e levado para Jerusalém em seguida à destruição de Samaria em 722 a. teve. o rei Josias deu início a uma ampla reforma. escrito em Jerusalém mesmo. como lei oficial do Estado.68. 5.. provavelmente. Segundo alguns. foi feita de cima para baixo. Josias recuperou o controle sobre as províncias do antigo reino de Israel. enfrentando uma violência proveniente de vários pontos do império. Povos dominados e oprimidos pela extrema violência e crueldade assírias levantaram as cabeças. imposta pelo .C. considerados idólatras. A Reforma de Josias e o Deuteronômio A Assíria estava nos seus estertores finais. Os santuários do antigo reino de Israel. Aproveitando a fraqueza assíria. foram definitivamente eliminados. os capítulos 26.C. destruídos. Houve uma limpeza geral no país: cultos e práticas estrangeiras. mostrando que a certeza do povo de que Judá era indestrutível devido à promessa davídica era uma loucura. Do Templo de Jerusalém foi recuperado um código de leis. o Deuteronômio original compreendia os capítulos 12. artífices da derrocada definitiva da Assíria. uma espécie de ritual de renovação da aliança ornamentados por uma introdução (os atuais capítulos 4.3. aumentando seus tributos e melhorando suas defesas.15 . Não encontrou uma independência prolongada para poder se desenvolver. pois só elas valiam a pena. descrita em pormenores em 2Rs 22. Parece que a reforma começou aí pelo ano de 629 a. pontos negativos.C. durante o governo de Ezequias.Manassés foi sucedido pelo filho Amon que acabou assassinado por elementos anti-assírios. décimo segundo do reinado de Josias. Era preciso reviver as antigas tradições mosaicas.25 como o obra mestra deste rei. como se lê em 2Rs 22. o Deuteronômio deu vida à reforma. com apenas 8 anos de idade.C. seu filho Josias.C. A reforma de Josias surtiu efeito? Sim e não. Judá alcançou esperançosa independência. A magia e os vários modos de adivinhação.

Storia d'Israele. P. cada mudança de reinado dava margem a sublevações esporádicas ou generalizadas. da Palestina ao Elam. 347.C. viu-se acuado em defensiva nos mesmos teatros de operações.C. Queriniana. sem base popular mais ampla. e a ascensão de Assurbanipal provocou a revolta do Egito. pp. Impérios Mesopotâmicos . que. apenas uma calma momentânea. suscitou uma interminável guerra civil. em cuja repressão Senaquerib gastaria quatro anos. Brescia. no decorrer dos cinco primeiros anos de reinado. 97-106. AA. Josias morreu cedo demais e a reforma se perdeu. São Paulo. Falemos. O Império Assírio de 721 a 610 a. a centralização do culto não deu bons resultados. em 705 a. até obter. 19792.C. cerca de 627 a. na melhor das hipóteses. em primeiro lugar da política externa. E o pior: os acontecimentos se precipitaram. São Paulo. HERMANN. tendo amiúde de reprimi-las os soberanos durante longos anos. esvaziando a vida e a religiosidade do povo. Pioneira/Edusp. a despeito de reveses passageiros.. & NIKIPROWETZKY.. 76.. p. em 612 a. S. Cf. V. Resumo de GARELLI.. .Israel. terminou por prevalecer sobre as ambições assírias.governo. O Oriente Próximo Asiático. vejamos: Sargão II praticamente não tivera trégua até sua conquista da Babilônia em 710 a. p. Textos do Antigo Oriente Médio. habilmente explorada pelos babilônios de Nabopolassar e à qual os medos dariam um termo brutal. Paulus.C. [2]. A morte do grande rei. foi o sinal para um levante geral. Senão. sua morte.. VV. 1982. Assarhadon.C. 1985. Israel e Judá.. Antes de mais nada. NEXT [1].. I tempi dell'Antico Testamento. suas medidas ficaram no exterior apenas sem levar o povo a uma reconstrução real do javismo.

para prevenir um perigo latente ou solidificar sua dominação. O faraó Taharqa instigou as cidades fenícias a alastrarem o incêndio. foi . Em 653 a. até certo ponto.Tal desfecho. O assassinato de Senaquerib em 681 a. já demasiado absorvido pelos problemas da Babilônia e do Elam. que só se salvou entregando seus tesouros. após uma revolta. pulverizando-se em poucos anos. assentar seu domínio no Egito. Moab e Edom em 714 a. sem poder castigar o faraó.. de Judá. entretanto. esmagada por Sargão II.C. e o tratado imposto a Baal de Tiro permitiram restaurar a ordem assíria nessas regiões. em 677 a. Em 701. que teve de se abrir ao comércio assírio. de resto muitas vezes assim julgadas pelos próprios contemporâneos.C. Os assírios jamais conseguiram.. só por milagre o Egito foi poupado por Senaquerib. Uma primeira tentativa. que adiou a invasão do Egito.C. No ano seguinte Taharqa retomou Mênfis e Assarhadon morreu nesse meio tempo.C. que levou Senaquerib a destruir 46 cidades de Judá e a sitiar Jerusalém.C. levou o faraó a abandonar sua atitude reservada. em 720 e 716. estourou a revolta. e acabou vítima de uma peste provocada por ratos no seu acampamento. conseguiu conquistar Mênfis sem maiores dificuldades. Assim aconteceu em 714 a. regulando definitivamente o problema egípcio. em 705. chegou mesmo a Tebas.C. Assurbanipal prosseguiu a obra do pai. Só depois de concluir um tratado com os medos. quando Sargão II resolveu acabar com a ameaça urártia. redundou em malogro. que. Às vezes também os assírios tomavam a ofensiva. Assarhadon pôsse à frente de uma expedição.. em 674 a. E o Egito? Após a ocupação da Síria por Tiglat-Pileser III. tendo que voltar à Assíria. justifica as rebeliões anteriores que. Sargão II chegou à fronteira egípcia. A Caldéia estava em efervescência. mas a tomada de Sídon. o Egito alimentara sem cessar a agitação na Palestina. em 671 a.C.C. Assarhadon resolveu então extinguir esse foco perpétuo de agitação. citas e cimérios agitavam-se na Ásia Menor. O projeto foi adiado devido às ameaças que pesavam sobre a fronteira ocidental do reino. Novamente apoderou-se de Mênfis e. consideradas isoladamente. Ou com a revolta de Ezequias. enquanto cercava Jerusalém. se nos afiguram como loucos cometimentos. Foi o que aconteceu com a revolta de Ashdod. Psamético I libertou o território egípcio e Assurbanipal. Quatro anos mais tarde. Em 666 a. Mas o domínio assírio permaneceu precário.. Por duas vezes.C. Em 670 a. o faraó Shabako apoiava secretamente a rebelião de Ashdod e saiu dessa difícil situação entregando a Sargão II o instigador da revolta.

a fim de rechaçar o invasor do Norte. ameaçava alastrar-se ao longo do Zagros e. Contudo. a fonte de toda espiritualidade. cortando assim as vias de comunicação com o planalto iraniano. pois a guerra. quando se tornasse flagrante a derrota. Isto porque. renunciariam a elas para concentrar os esforços no teatro de operações essencial. além de todo o seu prestígio. aos poucos. Ora.C. o inacreditável acontecera: a Babilônia era território assírio. visto que nele estavam em jogo. e nem sequer vacilaram em unir-se ao Elam. embora com seus particularismos. não empreenderiam outras campanhas militares antes de assegurar sua retaguarda nessa região e. . atingir as fronteiras orientais. Conquanto fosse um nítido revés para a Assíria. Por isso. Os novos senhores tudo fariam para conservar esse florão de sua coroa. seu tradicional inimigo. deixariam abater-se pesadamente à sua cólera. a Babilônia e o Elam. era com extrema atenção que os assírios vigiavam os acontecimentos na Babilônia. foram os caldeus que representaram a principal força de oposição. Tentariam todas as fórmulas constitucionais para poupar as suscetibilidades locais e. E eis que. se estas não haviam sido sustentadas com mais diligência. O reino de Nínive não podia desviar-se desse teatro de operações. O Egito não mais seria invadido até o reinado do persa Cambises. essa conjunção de caldeus e elamitas era bastante perigosa para os assírios. e de onde traziam os escritos fundamentais que inspiravam sua religião e a literatura de seu país. onde. em caso de necessidade. sua segurança mais imediata. os reis da Assíria regularmente iam em peregrinação. já estafante nos pântanos do sul. a repressão e as sucessivas destruições de Babilônia só serviram para galvanizar a resistência. a partir do século IX. Facilmente atraíram para a causa nacional as grandes cidades da planície. fora precisamente porque o grosso das forças assírias se achava imobilizado em um verdadeiro ninho de vespas. não se pode dizer que esta aventura desgastou suas forças. a terra dos santuários prestigiosos. em 525 a. de resto vitoriosas.obrigado a renunciar a quaisquer projetos de represália. A Assíria organizara apenas três breves expedições ao vale do Nilo. Havia séculos que encarava com inveja esse vizinho mais dotado que a rejeitava e talvez mesmo a desprezasse. sob o enérgico impulso de Tiglat-Pileser III. e foram simples guarnições que ali não conseguiram manter-se. A Babilônia era a jóia do império. E. a Assíria no global seguia as tradições do Sul. Os babilônios tinham uma impertinente propensão a não se deixar assimilar. pelo menos as principais. Desde que as campanhas de Shamshi-Adad V suprimiram o poder real tradicional da Transtigrina.

porquanto o domínio de Shamash-Shum-Ukin. em parte. e 612 a. as tropas assírias saquearam sua capital Susa e o país foi reduzido a província assíria. Sargão II fez-se reconhecer como soberano do país.C. de fato. A divisão. data presumível da morte de Assurbanipal. quando a revolta retumbava em todo o império. uma relativa calma na Babilônia. Vencedor no confronto. se não se levasse em conta o fato seguinte: entre 627 a. e a trama dos acontecimentos permanece objeto de discussão. foi ela que levou o rei da Babilônia à revolta. Borsippa. efetivamente. Quanto ao Elam. continuaria incompreensível.. Tal situação devia parecer injusta e. que com apoio do Elam se proclamara rei da Babilônia. houve uma sucessão quase ininterrupta de guerras civis .Isso se observa desde Sargão II. O filho mais novo. O desmoronamento do império assírio. durante alguns anos. múltiplas causas. cujo reinado foi praticamente todo consagrado a tentar resolver o problema babilônico. era o verdadeiro senhor do império. Após as primeiras medidas destinadas a apaziguar a opinião pública assíria. Assurbanipal. Por certo. ainda mal conhecidas. No confronto que se seguiu. havia sido bastante desigual. Assurbanipal tomou de assalto a cidade de Babilônia em 648 a.C. devido às disposições testamentárias de Assarhadon que dividira os territórios mesopotâmicos entre os dois filhos. a situação evoluiria de forma dramática. é freqüentemente considerado um "escândalo histórico".C. os quais ele nem sequer controlava de maneira absoluta. Esse terrível exemplo e quiçá também a clemência de Assarhadon asseguraram. O fenômeno. mas não usou qualquer subterfúgio diplomático: tornou-se rei da Babilônia sob seu nome assírio. A Babilônia reconquistada foi administrada por Kandalanu.C. e seu irmão Shamash-Shum-Ukin morreu no incêndio de seu palácio. experimentou diversas fórmulas constitucionais. Assurbanipal. Senaquerib em 689 a. cobria apenas os territórios de Babilônia. apesar de ser o primogênito. Senaquerib. Uns vinte anos depois. data da queda de Nínive. sem dúvida. que seguiu de perto o triunfo de seu maior soberano. recuperou a superioridade e deu livre curso a seu furor: saqueou Babilônia e a inundou com as águas do Eufrates. Assurbanipal e Shamash-Shum-Ukin. provavelmente. devem ter entrado em jogo. Cuta e Sippar. Após vários confrontos duvidosos com babilônios e elamitas. passou a hostilizar Merodaque-Baladam. O novo rei restaurou a capital do sul e restituiu-lhe o papel de encruzilhada comercial..

pois os assírios se achavam impossibilitados de controlar a Síria e a Palestina. a Assíria teve seu império assaltado e sua capital destruída pelos medos e babilônios. Enquanto as maiores potências da época mantinham grandes exércitos regulares e. que operavam a partir de bases militares em Babilônia. Em 612 a. Não estou falando de forças militares. Assim. com voluntários despreparados para guerras prolongadas. mas em 616 a. A direção tomada pelos acontecimentos levou o faraó Psamético a intervir. ocorrera com a morte de Assurbanipal: o problema da sucessão não pôde ser solucionado. novamente. com ajuda egípcia. o rei da Assíria é desalojado de Harã.C. balançando entre o enfraquecido Egito e a fortalecida Babilônia. foram atacados incontinente por Assur-Etel-Ilani. .5. como sempre acontecera até então. Seja como for. principalmente.C. chefe do País do Mar.C. tendo as províncias dessa região recobrado uma independência de fato. pelo menos três exércitos atuavam ao mesmo tempo na Babilônia. até os vaus do Eufrates. e Sin-Shum-Lishir logo desapareceu de cena. tomar Harã. a peso de ouro. a seguir. o país devia encontrar-se esgotado. a nação estava totalmente despreparada para a crise[6]. os pequenos reinos tinham que contar. financiavam. Os revoltosos.C. Nabopolassar. Um fato novo. Nabopolassar controlava toda a Babilônia e levava a cabo operações ofensivas ao longo do médio Eufrates. Sin-Shar-Ishkun. exércitos mercenários. Sem sucesso. Por Que Judá Caiu? Quando Judá entrou na fase crítica de enfrentamento com o poderio estrangeiro. os derradeiros restos do império assírio desapareceram então para sempre. para proveito de um caldeu. os assírios tentam. O direito de Assur-Etel-Ilani à sucessão de Assurbanipal foi contestado pelo general Sin-Shum-Lishir e. Em 609 a. Quando os medos intervieram. pois por aí é que o país não acharia mesmo nenhuma saída. As cidades mudavam freqüentemente de mãos. Em 610 a. Os fatos são um pouco confusos.ou externas. por um outro filho de Assurbanipal. com efeito. 5. e não mais sabiam onde se encontrava a autoridade legítima. A guerra entre os dois irmãos campeou daí em diante. Seu rei fugiu para Harã e resistiu ainda dois anos. em boa parte. nas cidades fenícias e nas antigas províncias aramaicas da Assíria. Toda a Djezireh passou a ser território babilônico e o faraó Necao implantou o domínio egípcio na Palestina.

Os tradicionais santuários do povo de Israel estavam mais ao norte. comandam o exército. espécie de trono móvel de Iahweh. como sabemos através de 2Sm 8. uma curiosa dualidade tanto no comando do exército quanto na chefia do sacerdócio. a da invencibilidade de Jerusalém. Despreparo gerado pelas atitudes políticas falhas e pela ideologia dominante enganosa de Judá. Ou seja: dois generais. 2Sm 6).Mas estou falando de outro despreparo. Bettenzoli . Tais como: a transferência da Arca da Aliança para a nova sede. distingue dois tipos de líderes judaítas desde a época de Davi. Ou seja: "Enquanto nas tribos do norte esta [a instituição monárquica] é inserida no direito sagrado javista. no território de Judá a monarquia é vista como uma realidade estranha à ordem sagrada. foi uma manobra davídica para dar legitimidade à sua cidade (cf. independente dos líderes tradicionais[7]. o que. Esta dualidade poderia significar que o general Joab e o sacerdote Abiatar representavam as forças tradicionais de Israel. Quando Davi conquistou Jerusalém e estabeleceu ali a sua capital. a constituição de uma sacerdócio associado e submisso ao Estado e a tentativa de construção de um Templo. representantes do poder da corte davídica de Jerusalém. sem ligação com as tradições tribais. BETTENZOLI. enquanto dois sacerdotes.15-18. foi feito por Salomão. sob Salomão. G. Há os "anciãos de Judá" (ziqnê y'hûdâh). Ora. Desde a época de Davi vinha sendo elaborada uma crença específica. Diferente do norte. Ele tinha. líderes tribais das várias cidades e aldeias judaítas e os "anciãos da casa" (ziqnê bayit). Guilgal etc. de fato. como um fenômeno estritamente dependente de uma oportunidade política"[8]. sabemos que. assumindo os seus cargos Banaías e Sadoc. antiga cidade-fortaleza jebuséia. o poder de Jerusalém constrói sua própria base. onde o poder real se constitui a partir das lideranças tribais. Joab e Banaías. 1Rs 2. Abiatar e Sadoc. comandam o sacerdócio. em interessante artigo. respectivamente (cf. carecia de legitimidade javista. Betel. algumas providências significativas foram tomadas. Silo. enquanto o general Banaías e o sacerdote Sadoc representavam a nova ordem monárquica. eram Siquém. Foi a vitória da nova ordem monárquica. A transferência da Arca. associada à crença na perpetuidade da dinastia davídica. Jerusalém. Joab foi morto e Abiatar desterrado. Outro dado interessante é a associação do sacerdócio à nova ordem real que se estabeleceu com Davi.26-35).

associou-se. e Jeremias.. o 89 e o 132. Esta teologia pode ser vista também em vários salmos. Quanto mais próximo estava o desenlace da crise. e da sacralidade de Sião. até o dia de hoje são atribuídos majoritariamente à autoria de Davi. como o 2.C. Israel e Judá. Para uma leitura a partir dos pobres a teologia davídica é muito ambígua. referendada pelo profeta Natã (2Sm 7).. vendo. que pregou entre 605 e 600 a. Elaborada pelos sacerdotes associados ao poder real de Jerusalém. os "anciãos de Judá" vão perdendo sua liderança. moradia de Iahweh.C. com o tempo. J. É neste contexto que se desenvolve uma teologia da perpetuidade da dinastia davídica. especialmente do Templo. podendo servir. porém. A. PIXLEY: "Essa nova teologia não foi. Podemos acompanhar. acerca desta época. gradualmente absorvidos pela monarquia e pela corte de Jerusalém. mais cedo ou mais tarde. Textos do Antigo Oriente Médio. o fim de seu país e indo morrer no Egito por volta de 580 a. mais a nação se apegava ao dogma da inviolabilidade da cidade. fortalecido pela centralização do culto. que garante a inviolabilidade de Jerusalém. quem a iniciou. para amparar e legitimar sua opressão"[9].VV. com a morte de Josias quase tudo se perdeu: o poder real sob Joaquim tornou-se extremamente despótico e o Templo.. Como vimos. Judá sabia. pois estes representam também orações e celebrações do Templo. observando os acontecimentos. obviamente esta teologia apareceria nos salmos. que atuou incansavelmente desde 627 a.. DA SILVA. provavelmente. pois garantia seus privilégios a curto prazo. que enfrentaria. Diz J. . São Paulo. a ameaça sem limites do poderio babilônico.assinala que. por exemplo. Nascido profeta. mais uma vez. aos desmandos da classe dominante enquanto a legitimava e ocultava suas práticas através da religião. angustiado. como aconteceu. 19972. Leituras Recomendadas AA. São Paulo. os testemunhos dramáticos dos profetas Habacuc. expressão máxima desta teologia. Foi ele. Paulus. Os Salmos. Isto interessava aos poderes dominantes. A vocação de Jeremias.C. toda elaborada no tempo de Davi.

. O Crescente Fértil e a Bíblia. G. Gli Anziani in Giuda. ibidem. em Biblica 64 (1983).. ECHEGARAY. Lester L.C. Gli Anziani di Israele. J.. pp. Idem. Leading Captivity Captive. A história de Israel a partir dos pobres. São Leopoldo. J. 1992. 47-73. Petrópolis.. S. entra com seus exércitos na Ásia Menor. [7]. 233. Westminster John Knox. GRABBE.. N. Queriniana. Sinodal/Vozes. Vozes.. pp. I tempi dell'Antico Testamento. pp. NEXT [6]. J. Vozes. Sheffield Academic Press. Brescia. 363-442. HERMANN. 1998. Kentucky. pp. pp. o. 143-188. 31-43.Paulus. Aos 23 anos de idade. o . rei da Macedônia. p. 73-90. 20049. Petrópolis. J. PIXLEY. [9]. P. História de Israel e dos povos vizinhos II. Storia d'Israele. 19792. Vozes... 211-224. G. 6. Cf. 1997 [20043]. a análise de PIXLEY. Louisville. pp. Petrópolis. ‘The Exile’ as History and Ideology.. (ed. H. depois de controlar toda a Grécia. 1993. The Israelites in History and Tradition. pp. 54-79. [8]. em Biblica 64 (1983). A história de Israel a partir dos pobres. LEMCHE.). DONNER. c. Sheffield. PIXLEY. 20049. Alexandre. 1998. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre Em 334 a. BETTENZOLI. p. 30..

A Situação da Grécia e a Política Macedônia O declínio da cidade-estado grega acontece antes mesmo de seu confronto com a Macedônia. De 431 a. Durante estas campanhas. Palestina.1. The Perseus Project 6. É o fim do Império Persa e o começo de uma nova era. A guerra é uma das principais características da Grécia do século IV a. E. Na Fenícia e na Palestina somente as cidades de Tiro e Gaza oferecem a Alexandre alguma resistência: Tiro resiste heroicamente a 7 meses de cerco e Gaza. .. e à política macedônia que possibilita a Alexandre a conquista do imenso Império Persa. fiel aos persas.a guerra quase nunca pára.macedônio derrota o principal exército persa em Isso.. Inclusive a comunidade judaica que vive em Jerusalém e arredores.C. Política que foi iniciada por Filipe II e desenvolvida de modo brilhante por seu filho. Tentarei.C. começo da guerra do Peloponeso. sem maiores problemas. As interrogações que afloram neste ponto dizem respeito à situação da Grécia no século IV a. data da vitória de Filipe II na batalha de Queronéia . pertencente à V satrapia persa. Estamos no ano de 333 a. assim. responder às seguintes questões: qual é a situação da Grécia no século IV a. vai acontecer sem interrupções significativas. de volta. Susa.C. a do helenismo. em direção à Babilônia.cerca de um século .C. Use-a para este capítulo. e o controle macedônio de todo o Oriente. Egito. Fenícia. A rota das conquistas de Alexandre passa pela Síria. toda a Palestina. Persépolis e além.? qual é a situação da Judéia no momento da anexação? O Projeto Perseu é uma enorme biblioteca digital sobre o mundo da Grécia antiga. é anexada ao novo império.C. cai após 2 meses.C. e qual é a política de Filipe II? qual é o roteiro das conquistas de Alexandre Magno? quem é Alexandre e quais são seus objetivos? como acontece a anexação da Judéia por Alexandre em 332 a. até o vale do rio Indo. a 338 a.C.

Atenas, no século V a.C., guiada por Címon e Péricles, torna-se uma potência imperial. Mas confronta-se com Esparta, dando origem à guerra do Peloponeso, que dura de 431 a 404 a.C., quando Atenas é derrotada. A guerra do Peloponeso "foi em seus aspectos mais importantes uma luta entre Atenas, um Estado democrático e uma potência marítima, que havia convertido a Confederação Délia (concebida para resistir aos persas) num império sob seu próprio comando, de um lado, e do outro a maioria dos Estados do Peloponeso conjuntamente com a Boiotia [= Beócia] e liderados por Esparta, uma potência oligárquica e conservadora, cujas forças terrestres constituíam o exército mais aguerrido da época"[1]. Esparta, senhora do mundo grego a partir de 404 a.C., cai rapidamente, especialmente porque sua estrutura institucional não lhe permite manter um império. O número de cidadãos espartanos, que é de cerca de 8.000 em 480 a.C., chega a cair para apenas 2.000 em 371 a.C. As causas podem ser vistas nas perdas da guerra, na concentração da terra em poucas mãos e na perda da Messênia, libertada pelo tebano Epaminondas em 370-369 a.C. Esparta perde sua hegemonia, definitivamente, na batalha de Leuctras, em 371 a.C., derrotada por Tebas. "Esparta não passará, desde então, de uma cidade de segunda categoria, limitada na sua ação ao Peloponeso, sobre o qual nunca mais conseguirá restabelecer a sua antiga dominação"[2]. Tebas sucede a Esparta na hegemonia sobre a Grécia, mas cai em 362 a.C., na batalha de Mantinéia - embora vitoriosa - quando morre seu célebre general Epaminondas. Em seguida, Tebas favorece os desígnios de Filipe II em relação à Grécia, mas acaba se aliando a Atenas, quando Filipe a ameaça. Termina derrotada pelo rei macedônio, em Queronéia, em 338 a.C. Posteriormente, em 335 a.C., Alexandre Magno reduz Tebas a ruínas. A batalha de Queronéia marca o fim da independência da Grécia[3]. No século IV a.C., por toda a Grécia, começa a emergir fortemente o contraste entre os ideais democráticos prometidos pelas constituições das cidades e a desigualdade criada pelas condições econômicas e sociais. O grande orador ateniense Demóstenes, em discurso de defesa pronunciado em 352 a.C., deixa bem claro esta situação: "Outrora, a cidade era rica, era magnífica, digo a cidade, pois entre os particulares, ninguém se elevava por cima da massa (...) Hoje, todos os

profissionais da vida pública têm, em privado, tal abundância de bens que mandam, por vezes, construir casas particulares mais imponentes do que muitos edifícios públicos; alguns compraram mais terras que aquelas que vós todos possuís, no tribunal"[4] O aumento dos mercenários é outro indício da desintegração da pólis grega. Ganhar a vida nos exércitos pagos pelos grandes reinos, seja a Pérsia ou outro qualquer, é a única saída para milhares de gregos empobrecidos. Estes homens perdem suas raízes cívicas, pois o exército é a única cidade que eles conhecem, ao mesmo tempo em que as cidades gregas perdem o controle da função militar. Há ainda inúmeros aspectos que poderiam ser analisados. Mas, enfim, vale apenas observar que os pensadores políticos do século IV a.C. começam a ficar sensíveis às tendências monárquicas, refletindo a evolução da época. "O poder efetivo passa cada vez mais das velhas cidades para os soberanos, gregos e não-gregos, que possuem os meios financeiros para assegurar a força militar que escapa às cidades. Ao perderem o controle da função militar, as cidades perdem igualmente a iniciativa política"[5]. Qual é a solução para o problema social da Grécia? Os gregos devem conquistar uma parte da Ásia, aí se instalarem, e submeter as populações locais à exploração do trabalho. Este será o projeto do macedônio Filipe II, realizado por seu filho Alexandre Magno. A Macedônia, com sua capital Pela, está situada ao norte da Grécia e é apenas semi-grega. Gregos de origem, os macedônios vivem, entretanto, em contato permanente com populações não-gregas, razão porque os atenienses, por exemplo, os qualificam como bárbaros. Na verdade sua língua é um dialeto grego com forte infusão de vocábulos estrangeiros e não é compreendido pelos gregos. Somente a aristocracia macedônia fala e escreve o grego ático. Mas os macedônios pertencem ao mesmo grupo étnico dos dórios e talvez tenham se originado de clãs ilírios ou trácios misturados com populações não-arianas... Da Macedônia arcaica quase nada sabemos. Mas, segundo o padrão conhecido dos dórios primitivos, os macedônios deveriam formar tribos de pastores parcialmente nômades, cada uma chefiada por um rei simultaneamente líder guerreiro e religioso -, um conselho de anciãos e uma assembléia. Com o tempo uma das tribos acaba controlando as outras.

No século VII a.C. estrangeiros se estabelecem entre os macedônios e acontece uma expansão de seu território e a consolidação de uma monarquia que se sustenta na aristocracia dos grandes proprietários de terra. A partir do contato e das alianças com a Pérsia, sob as pressões do persa Dario I (521-486 a.C.), o Estado macedônio absorve instituições políticas e militares do grande império oriental e se fortalece progressivamente até a época de Filipe II [6]. Filipe II, filho do rei Amintas, governa a Macedônia de 359 a 336 a.C. Tendo sido educado em Tebas, assimila a mentalidade grega clássica e também estuda as reformas militares de Epaminondas. As táticas militares deste grande comandante tebano, nascido por volta de 420 a.C., foram o segredo da (breve) hegemonia de Tebas sobre a Grécia, como vimos acima. Filipe II percebe que é necessário abrir à sua pátria os caminhos do mar Egeu, pois a região litorânea, com várias cidades autônomas, como Olinto, ou com cidades ligadas a Atenas, nunca tinha se submetido ao controle macedônio. Outro passo de Filipe II: a reorganização do exército macedônio. Especialmente a falange tebana, que é adaptada para fins ofensivos, tornando-se o principal instrumento de suas vitórias e das vitórias de Alexandre Magno. Filipe II "criou a infantaria `média' formada de macedônios e de mercenários ligeiramente armados: arqueiros, fundibulários, cavalaria onde serviam principalmente os nobres da Tessália e cavalaria ligeira empregada para reconhecimentos, tropas especialmente preparadas com meios adequados para o cerco e por fim a guarda real, tirada da infantaria"[7]. Filipe II cria o serviço militar obrigatório e profissionaliza o exército. Um corpo permanente de oficiais assessora o rei nas questões militares. Filipe II conquista a hegemonia sobre a Grécia. Faz uma política extremamente eficiente, sem escrúpulos, explorando as rivalidades entre as cidades gregas até se apresentar como a única alternativa possível para a solução dos conflitos. "Filipe II foi um excelente estrategista e um tático, homem de Estado e negociador perigoso, sabendo usar da corrupção, da mentira, da fraqueza ou da divisão dos adversários e do amor da paz em outros povos para os anestesiar e depois conquistar"[8]. Diante da ofensiva de Filipe II sobre a Grécia, três reações atenienses são típicas e servem para clarear a situação então vivida pelos gregos.

A primeira é a de Demóstenes, famoso orador, o maior opositor de Filipe II e principal porta-voz da democracia ateniense. Demóstenes vê na hegemonia da Macedônia o maior dos riscos que a Grécia corre e faz de tudo para impedi-la. Demóstenes, considerado o maior dos oradores gregos, nasce em Atenas em 382 a.C. e morre em 322 a.C. Temos hoje 61 discursos atribuídos a Demóstenes, mas é possível que alguns deles não sejam autênticos. Entre seus discursos destacam-se as quatro "Filípicas" - pronunciadas contra Filipe II -, as três "Olínticas" (também contra Filipe II), e a "Oração da Coroa", pronunciada em 330 a.C. (contra Ésquines), considerado o maior discurso do maior dos oradores[9]. Em maio de 341 a.C., diante da crescente ameaça representada por Filipe II, que utiliza vários subterfúgios para se intrigar com Atenas e destruí-la, Demóstenes pronuncia a "Terceira Filípica", na qual tenta alertar os atenienses para o perigo iminente. Entre outras coisas, ele aborda as transformações ocorridas na arte militar do século IV a.C. e chama a atenção para as suas conseqüências. Vejamos um trecho. "É verdade que os que querem consolar a cidade lhe pronunciam este discurso simplório: Filipe, dizem, não tem ainda o poder que outrora tinham os Lacedemônios [os espartanos] quando eram os senhores do mar e de todo o continente, quando tinham o Grande Rei [o rei da Pérsia] por aliado e ninguém lhes resistia. E, no entanto, a cidade fez-lhes frente, não foi dominada. Quanto a mim, constatando que tudo, por assim dizer, progrediu em dimensão, que o presente já nada se parece com o passado, penso que foram as coisas da guerra que conheceram as maiores mutações e o maior progresso. Primeiro que tudo, nada me diz que outrora os Lacedemônios, tal como todos os outros gregos, invadissem um país para lhe devastar o território com os seus hoplitas e os seus exércitos de cidadãos, a não ser quatro ou cinco meses por ano, durante a estação quente; após o que regressavam a casa. Além disso, tinham um comportamento tão arcaico, ou antes cívico, que não compravam qualquer serviço a ninguém; faziam uma guerra regular e aberta. Hoje, vós o presenciais, foram os traidores que tudo perdeu ou quase; as batalhas campais não servem para nada, e dizem-vos que Filipe se encontra aqui ou ali, onde ele quer, e não com uma falange de hoplitas; não, tropas ligeiras, cavaleiros, arqueiros, mercenários, eis o exército que lhe segue as passadas. Quando, por outro lado, ele cai sobre um povo minado por um mal interior e que não ousa sair dos muros para defender o seu território devido à desconfiança que aí reina, ele assesta as suas baterias e cerca a

Ésquines. amantes da liberdade. deveria ter lugar na praça pública ou no Senado e não no teatro de Dionísio como pretendia Ctesifonte. em 336 a. É então que Ésquines pronuncia o discurso "Contra Ctesifonte" e Demóstenes responde com sua "A Oração da Coroa". Sobre a Embaixada e Contra Ctesifonte. tendo nascido por volta de 390 a. Em 330 a. premiando o mais destemido adversário do expansionismo macedônio. no projeto em que propunha a concessão da coroa de ouro. torna-se famoso orador em Atenas. . e 3º porque Ctesifonte estaria atribuindo a Demóstenes. por força da lei. o Grande já era o senhor do mundo de então. após seis anos de tramitação do processo. 2º porque a coroação. acusando-o de haver violado a Constituição por três motivos: 1º porque Demóstenes ainda não havia prestado contas de sua gestão em importante cargo público. de ter se enriquecido. significativas vantagens materiais.C. tolerando o poder divorciado do direito'"[12]. não há qualquer diferença entre o verão e o inverno e que também não há para ele estação reservada onde interrompa as operações"[10]. Temos dele três discursos: Contra Tímarcos.C. e isso quando Alexandre. que a cidade conceda uma coroa de ouro a Demóstenes.cidade. de origem modesta. moveu uma ação contra Ctesifonte. É o grande adversário de Demóstenes e um fato bem o ilustra. e morrido provavelmente em 314 a.C.. certa vez. foi também um ousado protesto do povo ateniense.C. recebendo de Filipe II terras na Macedônia. Demóstenes acusa-o. além de determinada quantia em dinheiro.. Demóstenes vence. em troca. O cidadão ateniense Ctesifonte propõe ao povo. comprado pelo ouro de Filipe II. desde o início dos tempos. afirmações de Demóstenes como esta: `Ninguém até hoje foi capaz. "Essa vitória não foi somente o reconhecimento dos serviços prestados pelo orador a Atenas. E Ésquines não consegue desmentir seu rival e acusador. de persuadir Atenas a aceitar a servidão. Diametralmente oposta à de Demóstenes é a atitude de Ésquines. Devem ter pesado na decisão dos atenienses. por seus serviços prestados à pátria na sua luta contra a hegemonia macedônia. para ele. méritos que ele não possuía e serviços que ele não prestara"[11]. partidário da facção macedônia e rival do autor da Oração da Coroa nas lides oratórias e na vida pública. que se torna colaborador dos macedônios e destes recebe. E abstenho-me de analisar o fato de que. onde tenta provar que Ésquines é um traidor da pátria. os dois oradores se enfrentam. "Ésquines.

Atenas. Isso é o que dá poder à Pérsia. está submetida.. Quem deve exercer essa hegemonia?"[15]. Para isso é necessário que admitam uma direção única e que restabeleçam uma hegemonia necessária. NEXT [1]. escrito em 346 a.C. O mal é a desunião dos gregos. O "Filipe". de alto teor moral e inegável desinteresse mas não menos perigosas para a independência e a liberdade dos cidadãos"[16]. Filipe II é a solução.A terceira posição sobre a questão da hegemonia macedônia sobre a Grécia é a de Isócrates[13]. umas baseadas na democracia da cidade e levando à resistência a um imperialismo. Não chega já de um passado em que nem sequer se sabe que catástrofe nos faltou?"[14] "Feito o diagnóstico. Rio de Janeiro. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. tendo por suporte valores do passado. Segundo Isócrates. 1987. HARVEY. Tebas também não. Jorge Zahar. que agora desmorona. No "Panegírico" Isócrates pede a Atenas e a Esparta que esqueçam suas rivalidades e se unam contra a Pérsia: "É muito melhor fazer a guerra contra o Grande Reino do que disputarmos a nós próprios a hegemonia. segundo Isócrates. outras por concepções utópicas políticas e históricas. nem um colaboracionista como Ésquines. P. que nem é um combatente da resistência como Demóstenes. Isócrates considerou que bastava a união para reparar todos os males. É necessário que esta expedição seja feita pela geração atual a fim de que aqueles que conheceram juntos a infelicidade sejam também os que gozem a felicidade e não passem todo o seu tempo no infortúnio. outras aceitando esse imperialismo e constituindo-se numa variedade de colaboracionismo vulgar [ Ésquines]. As cidades devem entender-se para combater o bárbaro e estender sobre toda a Ásia as leis da civilização da Grécia. a de Isócrates.. Esparta não é a esperança. é uma exortação ao macedônio para que assuma o comando dos gregos contra os bárbaros. a uma má democracia e cometera o erro de fundar um império pela força. "Vemos assim que a unidade da Grécia podia ser concebida de muitas formas. Isócrates quer se ver livre da pressão e do domínio persas. . verbete Guerra do Peloponeso. no caso a de Demóstenes. Todos lutam contra todos. verdadeira "capital" da Grécia.

São Paulo.. 1973. São Paulo. Nancy. mas precisamente por essa razão parecia-lhe que o verdadeiro remédio para todos os males possíveis seria o fortalecimento dos costumes democráticos. GLOTZ. [4]. 216. c. p. 161: "Demóstenes era democrata. Cf. Cf. 1973. P. AUSTIN. 143./VIDAL-NAQUET.. Os gregos antigos../VIDAL-NAQUET. ROSTOVTZEFF. M. DE CASTRO. E acrescenta na p. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336-270 av. História da Grécia.. 23. pp. Editora Três. o. pp./VIDAL-NAQUET. M. Fundamentos de literatura grega. 257. AUSTIN. p. 1984. o Grande. HARVEY. verbete Demóstenes. da parte do povo. GOUKOWSKY. . G. I. o. HARVEY... cf. DE CASTRO. Contra Aristócrates. [3]. [7]. diz que "a agricultura a tal ponto se comercializa que a grande propriedade se reconstitui pela progressiva evicção dos pequenos camponeses e pela concentração das parcelas de terra entre as mesmas mãos". M. P. 21. Université de Nancy II. p.. p. Esta autora observa na p. P. também FINLEY. c. Economia e sociedade na Grécia antiga. pp. 217: "Na Grécia. P. Para isso ele reclama duas coisas: o respeito à lei. [10]. 9-12. Lisboa. 206ss. o. J. Edições 70. verbete Tebas. Sobre Demóstenes. 47-50.. P. 1978. c. 155-164./VIDAL-NAQUET. [5]..-C.. M. Alexandre.. p. comenta: "Quando a liga espartana se desintegrou e Tebas estava ficando cada vez mais fraca..) I. DEMÓSTENES. p. p. DEMÓSTENES. P. [8]. DE ROMILLY.. 312. 1986. pp.. comenta sobre a "Terceira Filípica": "Esta é uma das mais belas orações de Demóstenes. P.. [6].. P. a condição política da Grécia só pode ser definida pela palavra anarquia'"... marcada por um tom de gravidade e profunda preocupação". P. 75-80. 132-134. c. A cidade grega. M. o.[2]. J. o. o. c. Rio de Janeiro 1984. c. Cf. [9]. Zahar. P.. Lisboa. de aceitar suas responsabilidades". Cf. Cf. verbete Demóstenes. Terceira Filípica. M. o texto em AUSTIN. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Difel. 1980. Zahar. 325. e a vontade. o texto em AUSTIN. HARVEY. Edições 70. a democracia mostrou-se incapaz de criar uma forma de governo que deveria reconciliar o individualismo característico do país com as condições essenciais à existência de um Estado poderoso. Rio de Janeiro.

c. Isócrates.C. 6-7./VIDAL-NAQUET. não lhes fez perguntas pueris e banais. 313. P. o.. P.[11]. O mais famoso é o "Panegírico". DE CASTRO. Quem é Alexandre Magno? A cronologia das conquistas de Alexandre não é suficiente para se entender o macedônio e suas atitudes. como o seguinte narrado por Plutarco. Seus discursos políticos pregam a unidade grega... pp. Idem. o texto em AUSTIN.. p. o. ibidem. Panegírico.. certa vez. informou-se da extensão das estradas e da natureza da viagem pelo interior. estando ausente seu pai. [14]. Tratou-os com simpatia. ele ainda adolescente. [13]. s/d. vive entre 436 e 338 a.3. 30. o. da combatividade e poderio da Pérsia. [15].. p. outro grande orador ateniense. p. Assim. introdução a DEMÓSTENES. 166ss. c. quando Filipe estava ausente em viagem. [12]. É preciso perguntarmos agora: quem é Alexandre? Por que Alexandre invade a Ásia? Quais são os seus propósitos? Segundo os historiadores antigos. A Oração da Coroa. 29. P. provavelmente por ocasião do Festival Olímpico. 6. eles ficaram admirados e acharam que a falada capacidade de Filipe nada era comparada com a iniciativa do filho e sua tendência às grandes empresas"[21]. publicado em 380 a. Rio de Janeiro. de como o rei mesmo procedia nas guerras. M. E para ilustrar isso contam certos episódios. p. c. DE CASTRO. M. Certa vez.. recebe embaixadores persas e trata-os de maneira tão cativante que faz fama.C. . Ediouro. ele os entreteve de maneira cativante. Nas palavras de Plutarco: "Chegaram embaixadores do rei da Pérsia. Alexandre é um jovem brilhante. [16]. Temos dele vinte e um discursos e nove cartas. 6. Cf.. DA GAMA CURY. ISÓCRATES.

como fica evidente no final deste trecho. Ao vê-lo tombar gemendo e rugindo. caiu em si e. E que tudo o que tinham antes continuarão a ter. é necessário que leiamos tais narrativas com olhos críticos. trata-a com a maior deferência e humanidade. emitindo profundos suspiros"[23]. Passou a noite e o dia seguinte a chorar perdidamente. quando ele já é senhor do Oriente: "Então.. o mesmo Plutarco nos conta que ao aprisionar. por fim. a família de Dario. cansado de clamar e lastimar. Alexandre. diante dos amigos emudecidos e parados. manteve-se calado. dionisíaca. dada a exaltação e a "furores divinos". agarrando-lhe os braços e conduzindo-o à força para os aposentos. regrado pela disciplina militar e pela educação grega . tomando a lança de um de seus guardas. como veremos adiante. não as privou da mínima parte dos cuidados e honras a que estavam habituadas (. o risco é de: 1º) dar explicações psicológicas para fatos históricos ou sociais. Aqui. e que elas .) . "Ele permitiu sepultassem todos os mortos persas que elas quisessem. às vezes. Costuma-se explicar. apolínio. totalmente imoderada. e a fama de Alexandre. Em contraste com a irracionalidade deste episódio . seu amigo e companheiro. pois Plutarco é do século I d. pois é muito difícil determinar as causas de certos comportamentos de personalidades famosas da antigüidade apenas através de narrativas não muito próximas aos acontecimentos e condicionadas por inúmeros fatores que precisam ser primeiro explicitados[22]. 2º) fazer falsa psicologia. que vinha ao seu encontro afastando o reposteiro da porta. a personalidade de Alexandre através da dupla influência do pai Filipe . logo se lhe dissipou a cólera.Naturalmente.a mãe. há razões políticas para o assassinato de Clito -. que o insulta durante um banquete. com ela traspassou Clito. onde quem deve falar. a esposa e as duas filhas moças de Dario . Diz-lhes que sua guerra é com Dario.e da mãe Olímpia.pelo menos aparente. por causa do poder.nada têm a temer. é muito grande. pois. antes de tudo.C.. Um dos episódios que costumam ser citados para ilustrar a personalidade de Alexandre é o da morte de Clito. nesta época . após a batalha de Isso. tirando dos despojos as roupas e adornos fúnebres.espírito moderado. O brilhantismo de suas conquistas costuma ser retroprojetado para sua infância e adolescência. rapidamente arrancou a lança do cadáver e tê-la-ia cravado na própria garganta se não o contivessem os seus guardas pessoais. é o historiador ou o sociólogo.

pedagogos e professores. não lhes tocou. rei da Pérsia.C. Tucídides. outra mulher além de Barsina"[24]. metafísica. nasce perto de Tebas por volta de 522 a. Aristóteles orienta Alexandre durante 4 anos. Xenofonte.Alexandre aparentemente considerava mais próprio de rei vencer a si mesmo que ao inimigo. Xenofonte. mas temos apenas cerca de um quarto de sua obra. conhecida como Ilíada do Escrínio. Píndaro. Além de Homero. quem são estes autores que o jovem Alexandre lê. nasce por volta de 430 a. narrativa em prosa da expedição de Ciro. A educação ministrada a Alexandre por Aristóteles é a típica de um jovem grego. Heródoto. Escreve 17 livros.. com Aristóteles. "Considerava e chamava a Ilíada um vade-mecum da arte da guerra. nem conheceu. Vejamos. Quando destrói Tebas em 335 a. Historiador e militar. dialética. antes de casar. retórica. geografia. Entre suas odes mais notáveis estão as Odes Olímpicas e as Odes Píticas. Grande dramaturgo que escreve 82 peças. na época ainda sem a fama que mais tarde o caracteriza. ateniense. famoso poeta lírico. Estuda. No castelo de Mieza. rapidamente.C. Alexandre leva nas suas campanhas uma edição da Ilíada anotada por Aristóteles. e conservava-a sempre junto com o punhal debaixo do travesseiro. segundo conta Onesícrito"[25]. Alexandre ordena que se poupe a casa de Píndaro. o Jovem e seus 10 mil gregos contra seu irmão Artaxerxes II. Alexandre tem vários preceptores. moral.C. Píndaro. Homero é a leitura básica. sua obra mais conhecida é a Anábasis (= escalada). próxima a Pela.C. e morre em 406 a. O assunto de sua história é a luta entre a Ásia e a Grécia.C. Textos dos autores gregos? Escolha: em grego ou inglês! Eurípedes nasce em Salamina por volta de 485 a. das quais hoje sobrevivem 18 tragédias e um drama satírico. adotou a versão corrigida por Aristóteles. entre outros. em Halicarnasso.C. . É considerado por muitos como o pai da historiografia ocidental. medicina. Heródoto nasce aproximadamente em 480 a. Eurípedes. são as suas leituras. entre eles o filósofo Aristóteles.

que há uma família inteira (ou mesmo algum cidadão) de tal forma proeminente sobre as outras em qualidades que superam as de todas as outras.Tucídides.) Aristóteles reconhece as vantagens da democracia. porém descobre o tipo mais elevado de forma de governo na monarquia do governante perfeito. Harvey[27]. Logo. então é justo que esta família seja uma família real. mas de modo absoluto"[28]. Aristóteles preconiza a unidade grega e a vitória sobre os persas. cujo original grego se perdeu. então. e também pelos criadores de governos democráticos (todos baseiam suas pretensões na superioridade. Do ponto de vista político. soberana sobre todos..é óbvio .condenar tal homem ao ostracismo. mas com o próprio direito mencionado anteriormente.C. resta apenas à comunidade obedecer a tal homem. mas não a paridade entre gregos e bárbaros que Alexandre deseja e começa mais tarde.. e a ele ser o soberano. Na "Política" diz Aristóteles: "Quando acontece. uma das mais importantes obras históricas de todos os tempos por sua imparcialidade e seu método científico[26]. A carta é um programa de governo e Aristóteles recomenda a Alexandre que abandone suas tendências orientalizantes e volte a servir os gregos. pois como foi dito antes isto se coaduna não apenas com o direito geralmente argüido pelos fundadores de governos aristocráticos e oligárquicos. e um homem dotado dessa superioridade excepcional é como um todo em relação à parte.C. e que este cidadão seja um rei.. que imagina ser a comunidade política mais apta a proporcionar ao cidadão a vida em sua plenitude (. nem mesmo . se houve um governante dessa qualidade". ao conquistar o Império Persa. O pensamento político de Aristóteles pode ser visto de maneira clara em uma Carta do filósofo a Alexandre. "Nos oito livros da 'Política'. não é natural que a parte se sobreponha ao todo.. existindo apenas uma versão árabe. não teria cabimento matar ou banir. escrita provavelmente no final de 328 a. observa P. Escreve a história da guerra do Peloponeso. nem sequer que ele passe à condição de súdito quando fora a sua vez. vive entre 460 e 400 a. historiador ateniense. Eis os seus pontos principais: . Aristóteles discute a ciência política do ponto de vista da cidade-estado. aproximadamente. Na verdade. não em alternância. embora não na mesma superioridade).

Os gregos. Alguns acreditam que é para vingar as afrontas de Xerxes contra os gregos em 480 a. vence-os com lances de genialidade e ousadia. com a adesão voluntária dos gregos. sem mais conflitos internos.. Vários episódios de luta e coragem são contados a seu respeito. Apesar dos conselhos de Aristóteles .C. Somente no ano seguinte. quando este rei persa avançara através da Trácia. Alexandre deve se voltar para os gregos. pois grande número de cidades gregas dependem dele. dando assim continuidade ao projeto de seu .C. Os nobres persas devem ser deportados para a Grécia para que a paz seja mantida. Outros acreditam que o objetivo inicial de Alexandre seja o de libertar as cidades gregas da Ásia Menor. Alexandre deve se afastar dos maus conselheiros que tendem a fazer dele um tirano que não segue a justiça. às vezes contra os conselhos de seus melhores generais que recomendam maior prudência. Enfrentando exércitos persas muito superiores aos seus.que Alexandre não seguirá .é preciso lembrar que o macedônio é excelente soldado e estrategista brilhante.C. chegando a tomar Atenas. As vitórias de Alexandre geraram a paz e. em 479 a. criando na Grécia um Estado pan-helênico. em setembro de 480 a. Por isso. deve fazerse amar e ser respeitado pelos gregos e macedônios. sendo sua autoridade universal e seu poder ilimitado. Como ele é agora o soberano de muitos povos. poderão dedicar-se à filosofia. Alexandre deve estar atento ao fato de que é mais glorioso governar homens livres [gregos] do que escravos [orientais] e que uma glória duradoura não pode ser construída só com empreendimentos militares..o o o o Alexandre deve preferir a atividade legisladora à glória das armas. após derrotarem sua frota em Salamina. exercendo a função de legislador e fundador de cidades[29]. da Tessália e da Ática. da Macedônia. O que se impõe perguntarmos agora é o seguinte: quais são os objetivos de Alexandre ao invadir a Ásia e se confrontar com o Império Persa? As opiniões dos historiadores são variadas a respeito[30]. os gregos conseguem repelir Xerxes em Platéias e em Mícales. ele pode conseguir que os homens obedeçam à Lei.

ou então era preciso associar as populações autóctones à sua administração. É certo que não faz parte do plano original do macedônio. Histórias. A possibilidade de fusão das culturas grega e persa deve ter surgido provavelmente como conseqüência e necessidade.pai Filipe II que já enviara para lá um exército de 10 mil homens comandado por Parmênion e que está prestes a ser empurrado de volta para o mar. P. Parece-lhes que o objetivo inicial da Liga de Corinto foi abandonado e as conquistas do brilhante jovem macedônio nenhum benefício lhes trazem. seus contemporâneos gregos e macedônios não o vêem com bons olhos. questão interessante é a do mito de Alexandre. Alexandre necessita de uma burocracia persa para administrar os territórios conquistados e precisa de exércitos nativos para sustentar as conquistas. Goukowsky demonstra. Foi fácil vencer o enorme exército de Dario em Isso. Se a perseguição a Dario não continuasse após a volta do Egito. que as práticas e as teorias do absolutismo político persa são revestidas por Alexandre de um verniz grego. mais tarde Alexandre teria que se medir com ele para sustentar as suas conquistas asiáticas. tornando possível o exercício da monarquia absoluta com vocação universal. A reconciliação greco-persa não era uma quimera. É bem provável que a conquista de todo o Império Persa não faça parte de seus planos originais. "De duas uma: ou a própria amplidão de suas conquistas o obrigaria a deter-se. na sua análise do mito de Alexandre. Parece que a própria lógica da conquista é que leva avante sua expedição. A imagem de um Alexandre defensor do helenismo só surgirá no século II a. frente à ameaça romana[32]. . nem um capricho: era uma necessidade"[31].C. Mas as circunstâncias levam-no a isto. criadas após o tremendo sucesso de suas campanhas e o fascínio de sua figura de herói que conquista o mundo e morre jovem sem usufruir do poder e da riqueza que acumulara. após as conquistas das regiões mais diretamente persas. Como ele assume cada vez mais o modelo persa de governar e viver. Aliás. mas se não fossem anuladas as suas possibilidades navais ao longo da Fenícia e da Palestina daí a razão do duro cerco de Tiro e a tomada de Gaza .a Grécia e a Ásia Menor continuariam ameaçadas. na sua maioria inventadas..

da chaga brotou um fogo violento. grassaram por toda a parte e por fim se apagaram. "Na noite anterior à das núpcias. depois do casamento. mandou chamar. certa vez. Do mesmo gênero "apócrifo" é o caso do cavalo Bucéfalo. Ela recusou-se. Garanhão indomável. eram dias de mau agouro. por sua vez. Quando a arrastava à força para o templo. É ainda Plutarco quem diz que. mais tarde. deitado com sua mulher. menção o episódio de sua visita a Delfos. em meio a um trovão. ninguém pode contigo'. Além de se considerar descendente de Héracles. no Egito identificado a Amon. sonhou que aplicava sua chancela no ventre da esposa e a gravura da chancela. tornando viável o desenvolvimento de seus projetos orientalizantes[33]. a pitonisa chefe. a noiva [Olímpia] sonhou que. Merece. ela exclamou: `Filho. foi ele em pessoa buscá-la. "Desejando ouvir o oráculo a respeito de sua expedição. finalmente. pensava. lhe caía um raio sobre o ventre. contudo. Filipe. NEXT . O que narra Plutarco acerca de sua origem é uma espécie de "evangelho da infância" que legitima este mito de sua filiação divina. a quem vai reverenciar e consultar no oásis líbio de Siwah. obedece prontamente a Alexandre e provoca a seguinte "previsão" de seu pai: "Meu filho. procura para ti um reino compatível com o teu valor. Goukowsky observa.Entretanto. que o próprio conquistador constrói cuidadosamente esta imagem de super-herói que lhe rende altos dividendos políticos. primeiramente. Filipe II viu uma serpente estendida sobre o corpo de Olímpia: símbolo do deus. irromperam labaredas. alegando a lei. Consta que Alexandre se vê como privilegiado herói. P. nos quais não é lícito dar consultas. foi a Delfos. Ouvindo isso. Alexandre declarou não precisar de outro oráculo. filho de Zeus. Por acaso. como que subjugada por seu arrebatamento. era a figura dum leão"[34]. de quem procura imitar as façanhas sobre-humanas. Então. tinha já a resposta que dela desejava"[36]. onde teria ido consultar o oráculo acerca de sua expedição à Ásia. em seu detalhado estudo das origens do mito de Alexandre. a Macedônia é pequena para ti"[35].

HARVEY. 17-43. Du Cerf.[21].. A Ilíada. líder das forças gregas.D. p. autor da "Ilíada" e da "Odisséia". 19826.. 155. pp. Paris. pp. em o. c. ARISTÓTELES. Cf. pp.-135 a. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Histoire d'Israel III. B.. p.C.. causada por uma afronta cometida contra ele por Agamêmnon. J.. PLUTARCO. Editora da UnB. P. [27]. São Paulo. no seu décimo ano. Lisboa. Teorias da história. LÉVÊQUE. BOTTOMORE. Fundação Calouste Gulbenkian. Zahar. 1985. PLUTARCO. A imaginação sociológica. pp. [24]. Idem.. . BERGER. Introdução à sociologia. Uma visão humanística. C. 73-74. Alexandre Magno. pp. 50-55. 117-118. GOUKOWSKY. XI. 141. 15-90. P. p. Alexandre. em o. Zahar. J. PLUTARCO. 11-12. 8. 19899. Brasília.C. Lisboa. [23]. pp. esta é uma característica marcante dos autores da época imperial romana. Homero é o maior poeta épico grego. Fundamentos da literatura grega. Vozes. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre I. 47. Cultrix. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. PLUTARCO. O mundo helenístico. DE ROMILLY. em 24 cantos. c. C. Perspectivas sociológicas. 156-178. O assunto é a cólera de Aquiles. 181. [29]. c. p. SAULNIER. 1288a. verbete Aristóteles.. pp. 5. Alexandre. Rio de Janeiro.. Aliás. [28]. 21. conta um episódio do cerco de Tróia (também chamada Ílion) pelos gregos. p.Cf. P. Observe-se no final deste texto a avaliação moralizante do comportamento de Alexandre. pp. P. P. Rio de Janeiro. nos respectivos verbetes. em Vidas. 69-71.. ibidem.. WRIGHT MILLS.. e sua linguagem o relaciona com os dialetos jônio e eólio da Ásia Menor. [25]. Cf. [22]. feita por Plutarco. Alexandre.C. 51-52. Petrópolis. T.. [26]. em o.). s/d. 1983. Política III.. [30]. [31]. Homero é provavelmente do século IX a. Alexandre. 143. 19882.. GOUKOWSKY. Edições 70.. GARDINER. Cf.BENOIST-MÉCHIN. o. c. 19843. P. 1987. por volta de 1200 a. Cf..

6. P.) Depois de tomar Gaza. Isto feito.. Alexandre se encolerizou muito (. a Palestina é anexada ao novo império. PLUTARCO. O sumo sacerdote respondeu aos mensageiros que tinha prometido com juramento a Dario que não pegaria em armas contra ele.. e que não ia faltar à palavra jurada enquanto Dario fosse vivo.C. não sabendo como se apresentar aos macedônios. 17-68. p.. Alexandre prostra-se diante do sumo sacerdote. Alexandre se apressou em subir a Jerusalém. ibidem. Alexandre. Alexandre tomou Damasco.4. pp. Idem. Cf. GOUKOWSKY. dizendo tê-lo visto em sonhos e por isso pensa que vencerá Dario e quebrará o poder dos persas. que fornecesse provisões para o seu exército e que.. 6. Alexandre. Ouvindo isto. aceitando a amizade dos macedônios. Idem. Sobre a atitude de Jerusalém para com Alexandre. em trajes de festa. [34]. c. A Anexação da Judéia por Alexandre Durante as campanhas de Alexandre contra Tiro e Gaza.. O texto prossegue dizendo que o sumo sacerdote. Cf.. 142. em o. cujo rei devia estar muito irritado com a sua recente desobediência"[37].[32]. O sumo sacerdote Jadus. c. parcialmente transcrito. p. De lá enviou uma carta ao sumo sacerdote dos judeus. 138. 148. em 332 a. com os sacerdotes.. "Chegando à Síria. . e acrescentou que os judeus não teriam nada a temer. ao encontro de Alexandre. ao ouvir isto. [33]. Alexandre. segundo a qual ele deve ir. pedindo-lhe que lhe mandasse reforços. encheu-se de angústia e temor. a principal fonte que possuímos é um texto de Flávio Josefo. pp. lhe mandasse os presentes que costumava mandar a Dario. c. [35]. 69-78. [36]. em apuros. o. apoderou-se de Sidônia e cercou Tiro. em o. p. 14. que merece ser. pelo menos.. 2. Idem. c. suplica a Deus e deste recebe uma mensagem em sonhos. em o.

quando o prefeito de Alexandre na Síria. A punição determinada por Alexandre. C. é queimado vivo pelos samaritanos. Deste texto deduz-se que a situação da Judéia sob Alexandre permanece a mesma vigente na época persa: a comunidade continua governada pelo sumo sacerdote. Saulnier observa sobre este texto que "a referência às profecias de Daniel. ao voltar do Egito. sob a inspiração de romances gregos e mais especialmente do romance de Alexandre"[38]. Andrômaco. O que ele pode ter feito foi enviar até lá um de seus oficiais para obter a submissão da comunidade judaica aos novos senhores da região. A Situação da Judéia no Momento da Anexação . Acontece. se ela não foi introduzida pelo próprio Flávio Josefo. em um círculo filo-heleno. Samaria é destruída e no lugar se estabelece uma colônia macedônia. em seguida. onde sacrifica a Deus. que fica fora de sua rota em direção ao Egito. que Alexandre jamais esteve em Jerusalém ou na Judéia. As disposições tomadas por Alexandre a respeito do povo judeu. Já em Samaria a situação é diferente. na medida em que mostra a boa acolhida de Alexandre entre os judeus e as expectativas que suas conquistas criam para o pequeno distrito governado pelo Templo. Anexada sem maiores problemas. é terrível. uma revolta. acontece. este último. a pedido do sumo sacerdote. o do sumo sacerdote e o de Alexandre. Entretanto. e depois atende a vários pedidos do sumo sacerdote em benefício de seu povo.5. o texto é importante. porém.Alexandre vai ao Templo. os sonhos. indica que a história deve ter sido forjada aí pela metade do século II. regida pela Torá e ligada ao Templo. inclusive. 6. são plausíveis: o o o "a liberdade de viverem segundo as leis de seus pais" "a isenção de impostos a cada sete anos" "que os judeus de Babilônia e da Média vivessem segundo suas próprias leis". legitimando as suas conquistas como vontade de Iahweh. provavelmente alexandrino. O texto de Flávio Josefo é fantasioso e está construído sobre temas típicos: a proteção divina dispensada ao Templo e ao povo fiel a Iahweh.

gerando uma solidariedade de sangue muito coesa tem regras específicas de casamento. que se esclareça a situação da Judéia no momento da anexação. Segundo H.. A sociedade israelita tradicional sempre se fundamentara no clã (mishpâhâh). uma tribo[40].C. em 332 a. e de maneira pouco feliz para os judeus. Somente no nordeste é que ele se estende um pouco pela planície do Jordão. ou seja. do persa para o grego. Pois na região montanhosa o cultivo depende das chuvas. Pattai e E. esta condição geográfica vai determinar a produção de alimentos. em circunstâncias específicas. os rebanhos. com cerca de 1. O clã é constituído por uma agrupamento de famílias ampliadas (beth-'âbhoth) que moram na mesma região e se auxiliam tanto no setor social quanto no econômico. Ora. ocupa quase que só a região montanhosa da Judéia. mas deve ser mantida em poder do grupo através da herança de pai para filho é formada de famílias ampliadas seus membros têm responsabilidade mútua.100 km2 apenas. a linha de descendência corre de pai para filho é unidade de convocação do exército tribal caracteriza-se pela residência comum de seus membros transmite o direito de posse por herança: a terra. a mishpâhâh: o o o o o o o o é um grupo de descendência patrilinear. Daí . citando R. deixando o clã em segundo plano[41]. não altera significativamente a vida judaica e as condições econômicas e políticas vigentes. enfim. finalmente. O que acontece a partir da época persa é que a família (beth-'abh) vai tornar-se a unidade econômica fundamental. Kippenberg. G. sendo a irrigação possível apenas na planície. a propriedade é comunal e não pode ser vendida. constituindo uma comunidade jurídica local[39]. Por que isto acontece? Terá surgido algum progresso econômico que ameaça as relações de parentesco da sociedade judaica? O pequeno distrito de Judá.É preciso. já que a "mudança de dono". Meyer. com preferência pelo casamento entre primos patrilineares e com a obrigatoriedade do dote integra.

mercadorias ou qualquer espécie de víveres. a parreira e a figueira.32 diz: "Se os povos do país trouxerem para vender. Se um campo era usado para esta ou aquela cultura. na Grécia. E pode ser feito. nos ensinam que o tipo de aproveitamento da terra. em terrenos ruins para o trigo.5 hectares de plantações de oliveiras. como o da Judéia. Elas exigiam menos trabalho do que o cultivo do campo. como a oliveira. exige um certo capital.C. Ne 10. nada compararemos em dia de sábado ou em dia santificado". enquanto o agricultor produzia. dependia tanto do fator riqueza. . que calculavam a relação de uma pessoa para cada 6. cuja produção era inferior à relação de 1:4 (plantio/colheita). ele mesmo. "O produtor de oliveiras era obrigado a vender seu produto a troco de alimentos. davam mais lucro se fossem aproveitados como bosques de oliveira ou como vinhedo"[43]. no dia de sábado. apenas plantas de raízes profundas. e da Itália. Só que aqui a terra é calcária. Vamos acompanhar H. Pelo menos é o que afirmam os agrônomos latinos. Os casos da Ática. e esta os judeus não controlam mais[42]. Terrenos. rica em ferro. desenvolvendo-se. As encostas íngremes das montanhas do leste praticamente impossibilitam o aproveitamento da terra. Só que aí há um problema: este tipo de cultivo exige riqueza. mas de uma para cada 7. numa região de poucas chuvas.estar comprometida a rentabilidade da lavoura. G. O cultivo da oliveira é menos trabalhoso do que o do trigo. já que a oliveira só começa a dar lucro 10 anos depois de plantada. como vimos. nos séculos VII e VI a. enquanto que a região que desce para a planície costeira é mais favorável. Este fator troca já é testemunhado no tempo de Neemias. em geral. como do fator troca"[44]. Kippenberg: "As plantações de oliveiras podiam ser feitas em terrenos que para o cultivo do trigo não eram muito vantajosos.. portanto.25 hectares de campo. A terra adequada para o plantio de cereais é a terra-roxa. dependia de dois fatores: da existência de uma aristocracia que dispusesse de dinheiro para investir na produção agrícola e da possibilidade de troca de derivados da azeitona e da uva pelo trigo. seus mantimentos.

É possível que a produção de trigo da Judéia seja insuficiente para o consumo e que este comércio feito pelo 'am ha'arez inclua a venda de trigo produzido em outra região. para serem mandados para as batalhas. duas mil minas de prata e sessenta e sete túnicas sacerdotais". Outra coisa que caracteriza esta época persa é a propagação da moeda na Judéia[45]. A Judéia usa também as moedas de prata de Atenas e da Pérsia e as moedas yehud.08 g. e.C..6 g. cunhadas na região. cinco mil minas de prata e cem túnicas sacerdotais". os habitantes da Judéia devem produzir derivados de azeitona e vinho para trocar pelo trigo. daí serem mais práticas no uso quotidiano as moedas de prata yehud que pesam 2. "A dracma de ouro pesava cerca de 8. As doações feitas pelo resto do povo atingiram o montante de vinte mil dracmas de ouro. dado a enorme extensão do Império Persa. Por que Dario manda cunhar moedas? Heródoto nos informa: no tempo de Ciro e de Cambises não havia determinações fixas sobre o tributo devido pelas províncias do Império Persa.4 g. possuem valor bem menor. não há soldados persas suficientes para guarnecer todas as províncias e. As primeiras moedas citadas no AT são as dracmas persas de ouro. correspondendo à correlação de 1 por 13 entre ouro e prata"[46]. Elas eram trocadas na proporção de 1 por 20. especialmente. . de prata. cunhadas por Dario I após 517 a. Sabemos também que. Neste caso. E Ne 7. portanto. de múltiplas nacionalidades.69 diz a respeito das oferendas feitas ao Templo após a volta dos exilados: "Segundo suas posses. Dario cria um sistema que permite calcular receitas e despesas e regulariza os tributos com a criação da moeda[47]. Para pagá-los o Estado precisa de dinheiro. Esd 2. o siclo de prata persa 5.70-71 também diz: "Alguns chefes de família depuseram no cofre das obras vinte mil dracmas de ouro e duas mil e duzentas minas de prata. deram ao tesouro de culto sessenta e uma mil dracmas de ouro. Uma dracma de ouro vale 300 litros de cevada. os dáricos. É necessário a contratação de grande quantidade de mercenários.

Acontece que os moradores da Judéia não têm minas de prata. tem que vender seus filhos como escravos. entretanto. por não ter pago os impostos. Assim. Outros diziam: `Temos que empenhar nossos campos.1-5 testemunha o conflito social que explode na Judéia no século V a. ora. Uns diziam: `Somos obrigados a penhorar nossos filhos e nossas filhas para receber trigo. Vendem cevada e derivados da oliveira e da videira. Neste texto observamos três grupos de queixosos[50]: o o o o primeiro grupo penhora seus filhos para receber alimentos o segundo hipoteca suas terras na época da fome o terceiro grupo. temos que entregar à escravidão nossos filhos e filhas.995 quilos de prata[48]. Ne 5. dependem de negociantes estrangeiros[49]. para podermos comer e sobreviver'. Para vender o excedente. à qual pertence a Judéia. É o que apresenta Ne 5. Esta situação econômica gera graves conseqüências sociais: os agricultores judeus precisam diminuir o número de familiares que vivem da renda da terra e investir em produtos que dêem mais lucro. excedentes ou não. . a V satrapia persa.: "Levantou-se uma grande queixa entre os homens do povo e suas mulheres contra seus irmãos.4.Segundo Heródoto. os judeus. e adquirir prata para pagar o tributo persa. porque nossos campos e nossas vinhas já pertencem a outros'". Outros ainda diziam: `Tivemos que tomar dinheiro emprestado. devem vender seus produtos agrícolas. temos a mesma carne que nossos irmãos e nossos filhos são como os deles: no entanto. quando os judeus se queixam da situação a Neemias: "Tivemos que tomar dinheiro emprestado penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei". penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei. e há entre nossas filhas algumas que já são escravas! Não podemos fazer nada. o equivalente a 11. deve pagar à Pérsia 350 talentos de prata por ano. vinhas e casas para receber trigo durante a penúria'. Não havendo grande produção de cevada na Judéia.C. além do gado. o que compensa é o cultivo de oliveiras e videiras.

A penhora permite o ataque direto do credor à propriedade e à família do devedor. o fazem. acaba na escravidão. quando o profeta diz que os credores podem se apropriar com facilidade dos campos e das casas dos outros e. Os escravos devem receber provisões da parte do seu senhor para sobreviver como pessoas livres. Se o camponês que penhora sua produção não produzir o suficiente. este ato é definitivo e irreversível"[53]. "Se os produtores não tiverem condições de conseguir uma produção em seus campos que satisfaça sua fome. esta legislação de Dt 15. de fato.12: "Quando um dos teus irmãos.Há determinada seqüência na formação da dependência: primeiro penhoram-se os filhos (escravidão). Talvez porque a lei estipulada no livro do Êxodo não estivesse sendo obedecida. ao trigo.C. A penhora dos filhos é a `arabah. ao dinheiro. for vendido a ti. É o mesmo caso denunciado por Miquéias no século VIII a. como nos diz Ne 5. Se observarmos bem. Ou seja: o credor tem direito aos produtos excedentes. 12-18. correm o risco de serem vendidos como escravos. e merecem algo por seus anos de trabalho"[51]. Vamos ler Mq 2.12-18. prevista nas leis de Ex 21. ao vinho e ao óleo.2-4 e Dt 15. .11. Se cobiçam campos. eles os roubam. posterior à do Ex 21.1: "Ai daqueles que planejam iniqüidade e que tramam o mal nos seus leitos! Ao amanhecer eles o praticam porque que está no poder de sua mão. Diz Dt 15. casas e oliveiras e têm que empenhá-los numa situação de penúria[52]. "Agora as mulheres recebem o mesmo direito à liberdade. depois a terra. é mais avançada do que aquela. Trata-se de uma penhora que transfere ao credor o usufruto da terra e não a sua propriedade.. ele te servirá por seis anos. O caso de segundo grupo é o daqueles que possuem campos.2-4. No sétimo ano tu o deixarás ir em liberdade". para que não sejam de novo forçados à escravidão por dívidas. tampouco existem restrições quanto a se permitir que a família do escravo seja alforriada. hebreu ou hebréia. vinhas. Ao contrário da escravidão por dívida.

G. excluindo. E o que é denunciado em Ne 5. G. Kippenberg. Finalizo com H. cujos campos e vinhedos já estavam hipotecados.6-12 é que os credores dos quais os judeus dependem são seus irmãos de sangue e são pessoas de posses e classe alta. repreendi os nobres (horîm) e os magistrados (seghânîm) nestes termos: `Que fardo cada um de vós impõe a seu irmão!'"[55]. este imposto tinha que ser pago em moedas. Diz Ne 5.se casas.7: "Tendo deliberado comigo mesmo. eles oprimem o varão e sua casa o homem e sua herança". "E ainda mais. como aparece em Ne 5. divisão de heranças. deterioração da terra ou mau tempo. para apossar-se de imóveis ou para vender escravos"[56]. segundo a qual os credores devem renunciar às rendas das terras hipotecadas. Kippenberg. que observa: "Endividamento e principalmente insolvência não são frutos vindos diretamente de fatores como coação demográfica. a . Segundo H. Eles são importantes para a formação de classes somente quando se tornam instrumentos dos relativamente mais ricos ou mais poderosos para criar novas dependências. pode ter tido vários motivos. Que escolha tinham estes camponeses. pois o comércio de escravos no Mediterrâneo está em pleno florescimento. como: o o o o o piora da qualidade da terra mau tempo que prejudicou a colheita crescimento do número de familiares divisão e diminuição das terras por causa da herança exigências estatais de pagamentos de impostos. Por que a repreensão de Neemias? É que o endividamento tem como objetivo vender ao estrangeiro o judeu empobrecido. a crise do tempo de Neemias. Neemias declara uma anistia. eles as tomam. como conseqüência. senão vender seus filhos e filhas como escravos?"[54].

Lisboa. Edições 70. HERÓDOTO.. M. O mundo helenístico. 1987.). Leituras Recomendadas ARISTÓTELES. em Vidas. .. 1986.. 1980. 1989-1996. A cidade grega. Brasília. ou na edição inglesa. M. 1985. Université de Nancy II. GOUKOWSKY.-C. Minneapolis. Cultrix. pela SCM Press. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Verbo. Economia e sociedade na Grécia antiga. 2 vols. Os gregos antigos. P. em Vidas Paralelas IV. Lisboa. HARVEY. L. São Paulo... J. pp. LÉVÊQUE. 1973. BENOIST-MÉCHIN. Alexandre Magno.. 19882. São Paulo. História.. P. Paulus. Edições 70. ARRIAN. 138199. 1976. P. Isto se a lei tiver funcionado. Judaism from Cyrus to Hadrian I-II.. o Grande. Jorge Zahar. KIPPENBERG. FINLEY. Cambridge. GRABBE. Edições 70. Editora da UnB. Editora Três. G. Lisboa. Alexandre. São Paulo./VIDAL-NAQUET. 1992. Nancy. PLUTARCO. Difel. Massachusetts. L. Alexandre. P.. o que não sabemos. AUSTIN. ORLANDI (org. 1980. GLOTZ.) I-II. PLUTARCO. J. 1978-1981. Alexandre Magno. Lisboa/São Paulo. 1987. Fortress Press. Religião e formação de classes na antiga Judéia.. Lello & Irmão. s/d. G. Harvard University Press. São Paulo. P. Rio de Janeiro.. Porto. São Paulo. Política . 1988. Alexandre.. H. 1994. em um volume.escravidão do judeu ao estrangeiro. Editora da UnB. 1984. DE CASTRO. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336270 av. Brasília. I. Anabasis Alexandri.

pp.D. pp. [39].C.C... GOTTWALD. Idem. M. pp. 42.. 1986. Baker Books. pp. 1981. Paris. ROSTOVZEV. 1983. La Nuova Italia. NEXT [37]. ibidem.. pp. que se cristalizam por volta do século III d. para esta questão. Paulus. 348. Cf. 46-47. H.). 1952. [45]. no Anexo Tardio ao Meguillat Taanit (= Rolo dos Jejuns) e no Talmud da Babilônia (Yoma 69a). H. p. KIPPENBERG. Seguirei. [43].M. 1988. Além de Flávio Josefo. [44]. 1250-1050 a. KIPPENBERG. SAULNIER. São Paulo. [41].. 1992. Grand Rapids. Cf. Paris.). 63-64. 1996. [1990]. Paulus. Religião e formação de classes na antiga Judéia. a excelente análise de KIPPENBERG. JOSEFO. 43-44. sobrinho de Aristóteles. F... 1985. p. 40-50. O judaísmo tardio. [38]. São Paulo. Idem.-135 a. 71. o. Histoire d'Israel III. 10-12.. 44. H. c. G. Histoire de la Palestine depuis la conquête d'Alexandre jusqu'a l'invasion arabe I. Antiquitates Iudaicae. chama a atenção para a diferença entre dinheiro e moeda. p. C. A. Histoire d'Israel III. São Paulo. 133-208. G.C. YAMAUCHI..PAUMAPE. Paulus. também ABEL. p. História política. O dinheiro.. c. [40].. C. E. SAULNIER. o encontro do sumo sacerdote de Jerusalém com Alexandre é narrado também na "Recensão C do Pseudo-Calístenes" (um conjunto de lendas sobre Alexandre. N.. Firenze. 317ss. G. [42]. O texto em questão pode ser lido em PAUL. 22-28.. ibidem. F. Idem. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. Cf. pp. MI. Storia economica e sociale del mondo ellenistico I. Persia and the Bible.. ibidem. Uma sociologia da religião de Israel liberto. como medida de valor na . M. Du Cerf. pp. XI. Gabalda. o. K. As tribos de Iahweh. atribuídas a Calístenes. Cf.

[48]. A escravidão na Bíblia. 112-199.. p. Comunidade e propriedade na tradição bíblica. G. G.. também VENDRAME. pp. sendo o pagamento feito em presentes. na forma de peças de enfeite. c. a parte da Síria chamada Palestina. KIPPENBERG. 58. H. [53]. 1981. O conceito de irmão ('âh) designa o membro de uma sociedade solidária. [52]. São Paulo. diz: "A região situada entre Posidêon. o. KIPPENBERG... [49]. C. não havia tributo fixo.troca de produtos. 179-180. que abrangia toda a Fenícia. do vinho e do óleo que haveis emprestado". pesado segundo o método sumério-babilônico. História III. KIPPENBERG. Cambises era duro e insensível e Ciros era generoso e se preocupava com o bem-estar de seus súditos". História III. pp. [47]. Idem.. H. assim como a prata. e posteriormente no de Cambises. Desapropriação e escravidão não são compatíveis com esta ordem jurídica. KIPPENBERG. oliveiras e casas e perdoai-lhes a dívida do dinheiro. já existe bem antes da moeda. do trigo. 91. 50. vinhas. p. Cf. pagava trezentos e cinqüenta talentos e constituía a quinta província. 180. Cambises de déspota e Ciros de pai. para o que se segue. HERÓDOTO. É em Ne 5.. o shekel. Diz Heródoto: "No reinado de Ciros. [54]. R.. [46]. Loyola. ibidem... c. pois Dareios negociava com tudo. os persas chamaram Dareios de mascate.11 que se fala nas oliveiras: "Restitui-lhes sem demora seus campos. HERÓDOTO. 89. 56. São Paulo. 1985. Não roubarás. [51].. p. GNUSE. Editora da UnB. A queixa dos camponeses é baseada no conceito de solidariedade judaica. o. 47. o. No Israel antigo caracteriza-se a riqueza pela posse do gado. G. Por causa da fixação dos tributos e de outras medidas análogas. pp. o. 53-72. ibidem. [56]. c.. Cf. p. pp. Idem. 54-55. Ática. Cf. Brasília. c. [55]. e Chipre".. H. G. [50]. p. isenta de tributos). filho de Anfiáraos. uma cidade fundada na fronteira da Cilícia com a Síria por Anfílocos. c. . 41. e o Egito (à exceção da parte pertencente aos árabes. Cf. H. É usado também o ouro. fundamentada na relação de parentesco. 1986. o. p.

7. produz uma movimentação política e econômica incomum na Palestina. na época romana. Junto com o exército vem o comércio. Aliás.. na sua luta pela posse da Celessíria. cerca de 1 milhão de habitantes e a comunidade judaica alcança o significativo número de 200 a 400 mil pessoas[8]. Entretanto. dois dos cinco bairros da cidade são ocupados prioritariamente por judeus. . Os veteranos se fixam nas colônias militares. fazendo da diáspora alexandrina a maior comunidade judaica fora de Israel. mulheres. Os dados são escassos e problemáticos. a Palestina é cruzada cerca de oito vezes por exércitos em luta. núcleos de futuras cidades. seja sob o comando de Pérdicas. pois os senhores da região mudam constantemente. tais situações acabam aumentando espetacularmente o número de judeus no Egito. traficantes de despojos. A presença do exército macedônio. Apesar das atribulações.. sustento das guarnições etc. Em Alexandria. Entre 323 e 301 a. desmantelamento de defesas e bens imóveis para prejudicar o inimigo.. A cidade possui. na verdade. Daí as desgraças que atingem a região: pilhagens. Eumênio ou Antígono. A maioria é destinada ao trabalho escravo das minas e da agricultura[7]. A região da Síria. acaba ficando bem no centro das disputas entre os diádocos. as guerras trazem também alguns benefícios para a região. Ptolomeu I. pois milhares de civis acompanham as tropas: mercadores.2. por exemplo. somadas às migrações e aos mercenários. escravos. toma Jerusalém em 312 a. é muito difícil calcular a população judaica da diáspora.C. Antípater. requisições. C. porém. deportando alguns milhares de judeus para o Egito. A Situação da Palestina de 323 a 301 a. crianças.C. deportações. Qual é a situação da Palestina neste período de 22 anos de conflito entre os herdeiros de Alexandre? É claro que há uma enorme dificuldade de se seguir uma política coerente.

por Laodice. 7. porque não podem se sentir seguros no Egito se suas fronteiras não estiverem protegidas pela Celessíria. para sucedê-lo -. A 3ª guerra síria (246-241 a. quando Antíoco II ao morrer em Éfeso. a médio prazo. a Macedônia. A paz é feita quando Ptolomeu II cede aos Selêucidas suas possessões da Ásia Menor. Antíoco II retoma as cidades da Ásia Menor que Ptolomeu II incorporara ao seu reino. assim.) é um confronto entre Ptolomeu II Filadelfo. após a morte de Antíoco II. Todo o episódio é extremamente confuso pela quase total ausência de documentos[11].) coloca frente a frente Ptolomeu II Filadelfo e Antíoco II Theos. um direito dinástico sobre o reino dos Selêucidas.C.3. Berenice e seu filho são assassinados. nomeia Selêuco. direito a ser reivindicado na hora certa. seu filho mais velho com Laodice. A guerra começa com a invasão da Síria por Ptolomeu II. Outra invasão levao a algumas vitórias. com certeza. Motivado pelo assassinato de sua irmã Berenice . menos a Cária. e Antíoco I Soter. . agora.ou talvez chamado por ela em seu socorro. chegando até a Mesopotâmia. Ptolomeu III invade a Síria e obtém grandes vitórias.C. Só que alguns anos depois. de Alexandria. O acordo e o casamento são realizados. onde vivia Laodice. Deste conflito decorrem as chamadas "guerras sírias"[10]. que é repelido. de Antioquia. A região da Celessíria fica fora da guerra. A 1ª guerra síria (274-271 a. As Guerras Sírias entre Ptolomeus e Selêucidas O domínio dos Ptolomeus sobre a Celessíria dura 103 anos.C. além disso. talvez assassinado por Laodice. As grandes construções navais . Mas este deve repudiar sua esposa Laodice e os filhos que teve com ela. e dá sua filha Berenice em casamento a Antíoco II. enormes quantias de dinheiro. Durante todo este tempo Ptolomeus e Selêucidas lutam pela Síria. A 2ª guerra síria (260-253 a. desaparecido em circunstâncias misteriosas. Parece que Ptolomeu II procura construir. Os Ptolomeus.pois esquadras são montadas e destruídas fazem prosperar as cidades da costa[9]. Os Selêucidas lutam pela região porque precisam cortar as bases dos Ptolomeus instaladas na costa da Ásia Menor. E também por razões comerciais: a posse dos portos da Celessíria lhes garante o controle do Mediterrâneo Oriental e a ligação com a terra-mãe.A guerra coloca em circulação.) acontece entre Ptolomeu III Evergetes e Selêuco II Calínicos.

O plano da cidade é do ródio .). 7. tem apenas 5 anos de idade.C. os dois exércitos. Antíoco III avança novamente através da Celessíria e vence cidade após cidade.C. da Macedônia. selêucida. Estas três primeiras guerras sírias quase não afetam a região de Judá.C. travam grande batalha perto de Ráfia. Ptolomeu V. A Celessíria. de dono. um período de relativa paz. Há. daqui para a frente. a não ser em Gaza. no norte da Palestina. mas uma vez. perto do braço canópico do Nilo.. entretanto. por isso. Alexandria e os Judeus O governo dos Ptolomeus se faz a partir de Alexandria. no sul da Palestina. é totalmente derrotado por Antíoco III em Panion (Baniyas). no istmo entre o Mar Mediterrâneo e o lago Mareótis. e Antíoco III é derrotado. porém. O Egito só não é tomado porque Roma o proíbe a Antíoco III.C.) se dá entre Ptolomeu V Epífanes e Antíoco III. o Grande: Antíoco III tenta tomar a Celessíria. A Celessíria retorna às mãos dos Ptolomeus.C. A tutela e a regência ficam com os ministros Sosíbio e Agátocles.4. Antíoco III e Filipe V. Com o Egito assim enfraquecido. será. Em 219 a. com os nomes das 5 primeiras letras do alfabeto grego.C. em 198 a. Antíoco III invade a Celessíria e quase não encontra resistência. Construída segundo uma forma alongada. tem um perímetro de mais de 15 km. Em 217 a.) é entre Ptolomeu IV Filopator e Antíoco III. Em seguida. o herdeiro.C. planejam reparti-lo entre si. E os judeus de Jerusalém mudam. Selêuco II tenta tomar a Celessíria. o Grande. selêucida e ptolomaico. consegue retomar as cidades conquistadas pelos Ptolomeus. A 4ª guerra síria (221-217 a. até atravessar a Palestina em 218 a. Alexandria tem 5 bairros. Como é Alexandria? Qual é a sua relação com o Egito? Como vivem aí os judeus? Alexandria está localizada a oeste do delta do Nilo. a forma de uma clâmide12.C. O crescimento econômico acontece especialmente sob o governo de Ptolomeu II Filadelfo (285-246 a. Agátocles é assassinado e Scopas dirige o exército ptolomaico que.Selêuco II. que favorece o desenvolvimento da região sob a administração ptolomaica. mas é barrado pelas forças ptolomaicas no ano de 221 a. mas é repelido por Ptolomeu III. A 5ª guerra síria (202-198 a. Quando morre Ptolomeu IV Filopator.

a biblioteca teria sido queimada por ordem do califa Omar. por acidente.C. os edifícios públicos. aliás.C.Deinócrates: duas vias principais de 30 metros de largura cruzam-se em ângulos retos. Os monumentos que se destacam em Alexandria são o ginásio. obra de Sóstrato de . E em 642 d. L. cerca de 40 mil volumes são destruídos pelo fogo. chama o Museu de "gaiola das Musas". é fundada por Ptolomeu I e notavelmente aumentada por Ptolomeu II. o habitat"[13]. um filósofo (pitagórico?) que de fato parece ter sintetizado as pesquisas anteriores efetuadas especialmente nas cidades coloniais. Este plano é conhecido como hipodâmico. o que produz uma disposição em tabuleiro de xadrez. o túmulo de Alexandre. a maior e mais célebre das bibliotecas da antigüidade. que vive na corte de Ptolomeu II Filadelfo. de nome Timão. é complementada por outra localizada no Serapeum (o templo de Serápis). A biblioteca de Alexandria.. que vive em Atenas.C. anexo ou próximo à biblioteca. era preciso entendê-los. o tribunal. mas também como instrumento de dominação"[14]. conquistador árabe da região. Como explica P. um paredão de cerca de 1. onde "são criados uns garatujadores livrescos que se bicam eternamente"[15].250 metros que liga a ilha de Faros à terra firme. A tradição liga-o ao nome de Hipódamo de Mileto. próxima ao Museu. para dominá-los. existam dois eixos principais. por exemplo. Em 47 a. 2) o plano quer-se funcional e reserva. como virá a ser o caso nas criações romanas. Assim nasceram bibliotecas reais em todas as capitais helênicas: não apenas como fator de prestígio. discutem e produzem a ciência da época. feitas por Franck Goddio. Localizada no bairro real.C. o palácio. gramático latino do século II d. Um poeta e filósofo satírico grego do século III a.. O Farol. da Alexandria submersa O Museu. Está fundado em dois princípios novos: 1) as ruas cortam-se em ângulo reto. é uma academia literária fundada por Ptolomeu II. A biblioteca teria chegado a possuir cerca de 700 mil volumes. como Aulo Gélio. "o urbanismo hipodâmico apareceu cerca de 480. Canfora acredita que "os gregos não aprenderam a língua de seus novos súditos. sem que. Lévêque. O porto é dividido em dois pelo Heptastádio. Veja aqui as recentes descobertas. segundo autores antigos. O Museu é sustentado pelo Estado e ali os sábios convivem. bairros especiais para o porto. a biblioteca. mas compreenderam que. e que para entendê-los era necessário traduzir e reunir seus livros. o museu e o teatro.

enquanto que de largura os istmos encerrados entre o mar e o lago têm cada um de 7 a 8 estádios. Ela está muito favoravelmente situada perto do porto de Faros. que é de uma dimensão extraordinária e de uma solidez impressionante. suas dimensões. cujos lados maiores são aqueles banhados pelas águas: eles têm cerca de 30 estádios [o equivalente a 5. o rei dotou os habitantes de Alexandria de um clima temperado.8 diz o seguinte: "A cidade tem a forma de uma clâmide. A forma que ele lhe deu é bastante próxima à de uma clâmide. e o hábil traçado das ruas. a . A cidade tem jardins públicos muito belos. entre eles Estrabão e Diodoro[16]: Estrabão XVII. Situada.I. Ela se estende de uma ponta a outra com um comprimento de quarenta estádios e uma largura de um pletro [cerca de 30 metros] e ela é toda ornada de edifícios suntuosos. Alexandre ordenou também que se edificasse um palácio: esta grande e poderosa obra é também uma maravilha. com efeito. Como estes sopram sobre as vastas extensões do mar.). tirado de seu próprio nome. ela possui apenas duas vias terrestres de acesso. que é obra do rei. uma maravilha por suas dimensões e sua beleza. De fato. e refrescam o ar da cidade.Cnido.52.C. praticamente todos os reis do Egito até hoje têm acrescentado ao palácio edifícios suntuosos. assim como palácios reais que ocupam um quarto ou um terço de sua superfície"[17]. o rei deu à cidade o nome de Alexandria. a cidade adquiriu em seguida uma tal extensão que muitas a consideram como a primeira do mundo. ótimo para a saúde.5 km]. Enfim. Ele lançou igualmente as fundações da muralha. ele [Alexandre] ordenou às pessoas que deixou no local com esta missão que a edificassem entre o lago e o mar. estreitas e fáceis de vigiar. tem três andares e 110 metros de altura. mas há duas cuja largura excepcional excede um pletro [cerca de 30 metros] e que se cruzam em ângulo reto.1-5 descreve do seguinte modo as características de Alexandria: "Como decidira fundar no Egito uma grande cidade. com uma grande avenida que corta a cidade pelo meio. faz com que ela seja atravessada pelo sopro dos ventos etésios. Autores antigos nos falam de Alexandria. casas e templos. Sua construção se dá no começo do reinado de Ptolomeu II Filadelfo (285-247 a. Uma vez medido o terreno e dividido em bairros segundo todas as regras da arte. por sua beleza. Todas as ruas permitem a circulação a cavalo ou de carro. entre um grande lago e o mar. Diodoro XVII. Após Alexandre.

Entretanto. Segundo P. Hiparco. Sua manutenção é garantida pelo abundante trigo egípcio. diretor da biblioteca. calcula a duração do ano solar e cataloga estrelas. nascido em 190 a. Alexandria é um entreposto de produtos da África e do Oriente. que aí chegam por via terrestre e marítima[21]. Arquimedes.C. C. Seus bancos fazem crescer a receita real. provavelmente estuda em Alexandria.. diretor da biblioteca. E por aí afora[20]. as outras"[18]. importa e exporta inúmeros produtos é um dos centros culturais mais importantes do mundo grego[19]. Hesíodo. O rei. Euclides. Aristarco de Samotrácia. outro diretor da biblioteca. Píndaro etc. Alexandrinos controlam a Celessíria. desenvolvendo a geometria e a teoria dos números. que vive em Alexandria no século III a. Lévêque. famoso matemático. o único verdadeiro porto do Egito no Mediterrâneo. matemático e geógrafo. um dos maiores matemáticos da Antigüidade. um dos diretores da biblioteca de Alexandria. três fatores explicam o enorme desenvolvimento de Alexandria: o o o é a capital dos Ptolomeus e toda a burocracia do reino lágida aí se concentra é o centro de intensa atividade econômica. gramático e poeta. ela ultrapassa. . Préaux assim resume o caráter específico da economia de Alexandria: a cidade vive em simbiose com o rei. pois as outras duas que têm o estatuto de pólis. que inventa a trigonometria. que calcula a circunferência da terra. Alexandria é uma cidade totalmente isolada do Egito. Alexandria é praticamente a única cidade do Egito. Do ponto de vista cultural basta que nos lembremos de Eratóstenes. Do ponto de vista comercial exporta vários produtos do campo egípcio.C. gramático que prepara edições críticas de Homero. não podem rivalizar com ela. vivendo depois em Siracusa. gramático. Apolônio de Rodes. conquistada pelos Ptolomeus. de longe.. mas praticamente o Egito nada consome do que é produzido em Alexandria. Náucratis e Ptolemaida. Zenódoto de Éfeso.abundância das rendas públicas e de tudo aquilo que faz o prazer da existência. a corte e os gregos a serviço do rei são os clientes da indústria e do comércio.

Esta Carta é o primeiro documento que menciona esta comunidade. artesãos."[23].Já dissemos que os judeus são numerosos em Alexandria. À diferença da época romana. ou 'cidadania' grega total (isopoliteía) significava inegavelmente a apostasia"[26]. O etnarca exerce funções administrativas e judiciárias. Para os judeus. como a própria etimologia do nome indica (do grego pólis = "cidade" + sufixo que indica o resultado da ação). todavia. os anciãos da delegação de tradutores.pois não estão apenas em Alexandria .várias profissões: são soldados. Paul quem explica: "Segundo a tradição grega antiga. Não se sabe bem o alcance dessas funções judiciárias: as sentenças são executadas pela comunidade judaica ou por instâncias reais? O etnarca tem competência jurídica sobre todos os casos ou somente sobre aqueles em que a lei judaica difere do direito grego?[24]. É A. os representantes da comunidade (kaì tôn apó tou politéumatos) e os chefes da população e disseram. É uma espécie de cidade dentro da cidade. O políteuma é um recurso que permite às comunidades preservarem sua cultura e seus direitos. puseram-se de pé os sacerdotes. conhecida como a LXX. têm um políteuma em Alexandria[22]. com seus rigorosos critérios de raça. em todo o Egito . funcionários. certamente escolhido pela comunidade e referendado pelo rei. diz o texto: "Enquanto se liam os rolos. segundo a Carta de Aristéias a Filócrates. A cidadania alexandrina exigiria do judeus um modo de vida que violaria as regras específicas da Lei judaica. Qual é a sua situação? Os judeus ocupam dois dos cinco bairros de Alexandria..é impossível[25]. especialmente no que se refere às práticas alimentares. E nisto diferem da imagem clássica que temos do judeu. Em Alexandria provavelmente era este o meio habitual para se obter legalmente o título de cidadão. Falando da leitura da versão grega da Bíblia. que é uma imagem medieval. Mais raramente comerciantes. . o período dos Ptolomeus foi um pouco laxo neste ponto. título que a administração real confirmava quase automaticamente. a politeía. Os judeus têm em Alexandria um etnarca. a primeira condição para alguém adquirir a 'cidadania' ou a politeía era a educação recebida no ginásio com a formação específica no ephebeîon.como são os judeus . Exercem. E por isso os judeus não têm o título de cidadãos de Alexandria.. agricultores. Os judeus. Ser ""cidadão" e ser "diferente" .

. Histoire d'Israel III.C. o. a 20 d. 457-458. F. o.Soter.. com a música para flauta. p. Após se instalar em Roma.C. Polímnia. L. 18-19. p. "Salvador". 39-43. 4487.. com os cantos sacros. LÉVÊQUE. A clâmide é um manto grego que se prende por um broche no pescoço ou no ombro direito.. com a música para lira. 30-32. Terpsicore.245-251.. Cf. pp. C. CANFORA. E. CANFORA. PRÉAUX. que na mitologia grega são as nove deusas da literatura e das artes. Histórias da biblioteca de Alexandria.. Theos é o "deus" etc. o. c. Diodoro Sículo. [13]. [16]. 28. Urânia. História V. L. pp. Cf. 231-233. C. ABEL. pp. é chamado de Soter. Epífanes é o "Manifesto". o. 63-87. 233-238. Cf.. 2.. c... [11]. 293311. por exemplo. [9]. pp.lhes são. 39-45.C. Euterpe. Sobre a 4ª e a 5ª guerras sírias temos boas informações em POLÍBIO.. nota 3. Evergetes significa "Benfeitor".. [14]. 26-44. c. produz uma importante obra de geografia universal. 1982.NEXT [7]. historiador grego romanizado do século I a. O mundo helenístico.. Erato. Le monde hellénistique I.. Companhia das Letras. também PRÉAUX.-M. C. atribuídos por cidades às quais eles prestam algum serviço ou libertam de algum inimigo. A biblioteca desaparecida.. vol. pp. Editora da UnB. em 29 a. . [12]. ABEL. [15]. c.-M. com a astronomia e Talia. WILL. Clio. o. c. Melpomene. c.. o. PRÉAUX. P. c.C. em geral. pp.234-261. Cf. 194195... XVI. 1985. PRÉAUX. Cf. com a história. com a tragédia. pp. São Paulo. C. F. porque salvou os ródios de um cerco imposto por Demétrio. com a comédia. Brasília. pp.. [8]. C. pp. Cf. Filadelfo. pp. pp. o. O nome "museu" vem das musas. esta questão em SAULNIER.. Ptolomeu I. com a poesia épica. Estrabão é um geógrafo grego que vive de 63 a. Estes títulos dos reis helenísticos . c. 146150. Cada uma delas se relaciona com uma arte: Calíope.-M. 63. o. Epífanes etc . 286-287. pp. ABEL. com a dança. Theos. Evergetes. 1989. 139-155. 118-121.. [10].. F. Cf.

[20]. p. Idem.C. [24]. 510-511. O judaísmo tardio. Cf. p. para esta questão....) [17]. 1983.. pp. C. 69. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES.. p. 61.. ibidem.-C) II. pp. A data desta obra é discutida. O mundo helenístico. La Grèce et l'Orient (323146 av. C. [25]. pp. PRÉAUX. PAUL. Cristiandad. [18]. 7.C. Cf. a discussão sobre a cidadania dos judeus de Alexandria em STERN. Paris. Cf. 497. [22].. em 21 a. 399-403. de um escrito judeu.C.publica. que escreve a seu amigo Filócrates para lhe relatar sua embaixada junto ao sumo sacerdote Eleazar.. [19]. entretanto a hipótese mais razoável parece ser a que se situa na metade do século II a. Cf. A. PRÉAUX. Le monde hellénistique II. Cf. Cf. C. Cf. A.. durante os 103 anos de domínio de Alexandria sobre a região. pp. PRÉAUX. "O autor se faz passar por um grego. Mas. [21]. 359-360. Madrid. 456. P. com . Trata-se. M.. 454-455. Le monde hellénistique II. C. p. em DIEZ MACHO. [26]. 365. p. 310. P. SAULNIER. [23]. Histoire d'Israel III...6. adorador de Zeus. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Cf. A Administração Ptolomaica da Palestina Este sistema administrativo ptolomaico é também implantado na Palestina. J. respectivos verbetes. Presses Universitaires de France. 119-120. explica SAULNIER. p. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. HARVEY. Histoire d'Israel III. "Etnarca" significa aquele que governa uma etnia. Le monde hellénistique. LÉVÊQUE. profundamente marcado pelas categorias do pensamento helênico. de fato. Apócrifos del Antiguo Testamento II. 19882. uma história universal que abrange desde os tempos mitológicos até a conquista da Gália por César (58-51 a. C.".

Não há cidades livres. ao lado do sumo sacerdote. entretanto. Os judeus que habitam na Galiléia. da administração das finanças[38]. tanto na Judéia quanto na Iduméia. Acco-Ptolemaida. O modo de vida grego se implanta mais rapidamente nas cidades fenícias. Sídon. por elas. território sagrado. são inexoravelmente helenizadas. . Jope e Dor. na Samaria como na Galiléia. Ascalon. do direito de cobrar os impostos locais. O centro administrativo parece ser Acco. pois a estrutura social da região é diferente da egípcia e a complexidade política é maior. Politicamente a região da Celessíria é composta das seguintes etnias: o o o o o o cidades fenícias ao longo da costa. Acredita-se. Uma de suas funções é a de limitar o poder do sumo sacerdote.algumas modificações. a famílias ricas da terra. como Tiro. com seu povo judeu os povos samaritano e idumeu grupos descendentes de cananeus e sírios várias cidades no interior. repassados. no sentido da Grécia clássica. que já teria havido. Outra instituição que se desenvolve provavelmente durante o domínio ptolomaico é a gerousia (= senado). Mas há cidades que se aproximam do modelo da pólis grega. de Ortozia a Gaza o distrito do Templo de Jerusalém. Gaza. no sul e na Transjordânia. que tem seu nome mudado para Ptolemaida. Os Ptolomeus implantam um sistema de arrendamento. com seus magistrados e seu território. mas também as póleis mais significativas do interior. Será o conhecido Sinédrio da época de Jesus. Assim são as mais importantes cidades fenícias e palestinas. no tempo dos Ptolomeus. na Iduméia[37]. pelos sacerdotes e pelos escribas do Templo. Ou Marisa. onde valem as leis tradicionais do povo judeu e onde o sumo sacerdote é o chefe principal. um oficial especial que se encarrega. uma assembléia aristocrática composta pelos chefes das famílias mais influentes. incluindo as colônias militares macedônias as tribos dos nabateus e dos árabes. aos senhores estrangeiros. mas o distrito de Judá é considerado como "Estado do Templo". dentro do reino ptolomaico. na Iduméia e na Transjordânia não têm qualquer estatuto especial.

na verdade estabelece um monopólio real na venda de homens livres. Kippenberg observa a propósito: "Pode-se duvidar de que este decreto tenha realmente surtido efeito na Palestina. valendo o mesmo para as pessoas livres vendidas em leilões reais. continua o decreto: "E no futuro a ninguém será permitido. após declarar que podem ser conservadas as pessoas que já eram escravas antes da compra. Este decreto. onde naquela época grassava a escravidão. que compraram um nativo livre (sôma laikòn eleúteron) ou dele se apropriaram com violência. vender ou penhorar nativos livres. invadindo o território dos judeus . É uma medida econômica. também emitido por Ptolomeu II Filadelfo.C.De modo geral. É a maneira mais eficaz de impedir o avanço de seus rivais Selêucidas sobre a região. só que. É bem ilustrativo da política ptolomaica para a região da Celessíria um decreto de Ptolomeu II Filadelfo.: "Ordem do rei. desta vez. a respeito dos judeus: "Ordem do rei. ou o adquiriram de um ou outro modo. Todos aqueles que tomaram parte na expedição de nosso pai nas regiões da Síria e da Fenícia e. porque a caça ao homem livre cria uma desordem perigosa na região. convém observar que o desenvolvimento econômico da região da Celessíria faz parte de uma estratégia política bem definida por parte dos Ptolomeus. sob qualquer pretexto. Ele é digno de nota porque legaliza a escravidão como conseqüência da inadimplência fiscal"[40]. provavelmente de 261/260 a. Os habitantes da Síria e da Fenícia. G. Muito próximo deste decreto é outro conservado na Carta de Aristeas a Filócrates. dos quais já falei a propósito da crise agrária da época de Neemias. provocando a indignação e a revolta das populações locais. exceto aqueles que o governador das rendas do Estado sírio ou fenício entregou ao processo de execução (prosbolé = arremate de propriedade a terceiros). aparentemente filantrópico. também daqueles sobre os quais já foi pronunciada a pena de execução. como se encontra na lei do arrendamento"[39]. H. E tal política se implanta principalmente através da aliança grega com os aristocratas locais. devem declará-lo e apresentá-lo ao ecônomo em qualquer hiparquia dentro de vinte dias após a publicação deste decreto". Mais adiante. mas também política.

os militares no pagamento de seu soldo. quer os tenham trazido para a cidade [de Alexandria] e para o país [do Egito].. encontrados após 1910. de 261 a 248 a.do qual não temos mais notícias após 245 a. Acredita-se que teria sido para proteger-se contra possíveis problemas jurídicos e políticos futuros a respeito de suas posses que Zenão meticulosamente arquiva os papiros referentes aos negócios de Apolônio sob sua responsabilidade e os papiros relativos a seus próprios negócios. ligado às questões públicas. os papiros de Zenão são dispersos pelo mundo afora durante a 1ª Guerra Mundial. a sua dôréa durante nove anos . e Zenão está também. isto é. Zenão deixa Apolônio . no final de 260 a. A partir deste ano. a pública e a privada.C. portanto. no Cairo. Zenão vai para o Egito. onde o dioceta de Ptolomeu II Filadelfo. em New York. Fica na região até o começo de 258 a. o poderoso Apolônio. quer os tenham vendido a outros . no qual permanece 13 anos.C. ao mesmo tempo que é um poderoso ministro de Estado. Trata-se de uma coleção de cerca de 2. Zenão vai para a Palestina.igualmente os que são da mesma raça e que os tenham precedido aqui ou que tenham sido deportados depois deles . os outros no banco real"[41]. em viagem de negócios para seu patrão. Estão em Londres.C.. . localizada nas vizinhanças do oásis de Fayum..). por exemplo.C. Apolônio. originário de Caunos.. não sendo. Zenão é um de seus homens de confiança . O seu último documento datado é de 14 de fevereiro de 229 a. perto da antiga Filadélfia.e cuida de seus negócios particulares. Os papiros cobrem um período de 32 anos. Mas Apolônio parece não separar bem estas duas esferas de negócios.que os possuidores os deixem livres e recebam imediatamente em compensação 20 dracmas por cada pessoa.000 papiros. encarregado das finanças e da fiscalização de todo o reino. entre 261 e 229 a. A dôréa de Apolônio é liquidada em 243 a.e se dedica a seus negócios particulares em Filadélfia. por um período de 13 a 14 meses. na Alemanha.C.C. Estamos em plena segunda guerra síria (260-253 a. cidade da Cária controlada por Ptolomeu II.administra. Também os arquivos de Zenão são importantes para a compreensão da administração ptolomaica da Palestina[42]. é também um grande proprietário e negociante.C. um funcionário do governo.C.tornaram-se senhores de indivíduos judeus. na Itália. onde entra para o serviço de Apolônio. mantém sua dôréa. e trazem os arquivos de Zenão. por isso. . Descobertos por escavadores clandestinos.

Zenão. Demóstratos.]. filho de Filipe. na Iduméia. mas é possível que ele tenha desembarcado em Gaza e da lá ido a Marisa. C. filho de Timarcos. filho de Agreofon. Uma hiparquia é um distrito territorial governado por um hiparco. Como o dioceta Apolônio é também responsável pelos suprimentos do exército ptolomaico. por cinqüenta dracmas. filho de Ptolomeu. Interessante é também sua visita aos Tobíadas. Polemon. divide-se em aldeias (kômê) chefiadas por um comarca. uma escrava babilônia chamada Sfragis. Timopolis. todos os dois clerucos do corpo de cavaleiros de Tobias. registrada no seguinte contrato: "No ano vinte e sete do reinado de Ptolomeu. cauniano. ateniense. a missão de Zenão. Heráclito. assim como os nomos egípcios. na Transjordânia. filho de Dionísio. do séqüito de Apolônio o dioceta. segundo um papiro da coleção. do séqüito de Tobias. Foram testemunhas [. e de seu filho Ptolomeu. de sete anos de idade. O seu roteiro na região não é muito fácil de ser reconstituído.quando Ptolomeu II enfrenta-se com o Selêucida Antíoco II. aspendiano. sendo epônimos o sacerdote de Alexandre e dos deuses irmãos e a canéfora de Arsinoé Filadelfo que estão em função em Alexandria. Apolônio é o proprietário da aldeia de Beth-Anath da Galiléia. filho de Ananias. Com os Tobíadas. Nesta cidade ele se vê às voltas com a fuga de três escravos que comprara na Iduméia.. Nicanor. que atinge as fronteiras do reino. macedônio. o persa.]. Foi fiador [. . cleruco de Tobias. vendeu a Zenão. Zenão realiza negócios para Apolônio e para o rei Ptolomeu II. milésio. colofoniense. no mês de Xandikos. fazendo o leva-e-traz entre Alexandria e a Síria-Fenícia a fim de informar seu patrão diretamente sobre os problemas financeiros colocados pela proximidade das operações militares. Este distrito. não é apenas privada. Orrieux observa a propósito da visita de Zenão à fronteira com os Selêucidas: "Pode-se imaginá-lo como um enviado especial de Apolônio. como a compra de uma menina escrava. ele passa por Jerusalém e Jericó.. filho de Straton.. filho de Xanocles. cnidiano. juiz. Zenão fiscaliza também a hiparquia da região norte da Celessíria. Para lá chegar. todos os quatro do séqüito de Apolônio o dioceta"[43].. na birta de Auranítide. Sem ser funcionário ele tem a função de conduzir delicadas negociações oficiosas"[44]. filho de Botes. Zenão visita igualmente a Galiléia e fiscaliza propriedades de Apolônio nesta região.

Duas cartas de Tobias. descendente do Tobias da época de Neemias (Ne 13.O seu administrador consegue aumentar extraordinariamente a cultura da vinha. tendo ainda as funções de um prefeito do rei do Egito. A primeira é dirigida a Ptolomeu II. como documenta um dos papiros de Zenão[45]. identificada pelos arqueólogos com o `Arak el Emir atual. Xandikos 7"[46]. Ele me disse que a vinha tem 80 mil pés. entretanto. pertencentes aos papiros de Zenão. ilustram suas relações com os Ptolomeus. o Tobíada e de seu filho Hircano. Estes administram os territórios conquistados "com a mesma desenvoltura com que um agricultor macedônio administra suas próprias terras"[47].. Tobias. Estas notícias sobre a viagem de Zenão estão em cerca de 40 daqueles quase 2. Considero satisfatório a situação dos trabalhos. como testemunha a seguinte carta enviada a Apolônio: "Glaukias a Apolônio. eu tomei comigo Melas e nós examinamos as novas plantações e todos os outros empreendimentos. Ele me fez provar o vinho e eu não pude adivinhar se ele vem de Quios ou da propriedade. Os Tobíadas vivem numa espécie de feudo na Transjordânia.000 papiros do arquivo recuperado próximo a Fayum. Passe bem! Ano 23. Quando Zenão visita a Palestina em 259 a.. Paul: "Comandante de uma klerouchia militar (cujo centro era a birta ou `fortaleza' de família.) Ao chegar a Baitanata. Outro dado interessante para se conhecer a administração ptolomaica da Palestina é a história de José. saudações (. Tobias era o chefe de uma importante tribo local.C. vinho e figo que lhe devem fornecer. O centro do território é a birta (= fortaleza) de Amon. transmitida por Flávio Josefo[48]. . uva. o administrador consegue sucesso. a segunda a Apolônio. suas relações e suas influências"[49]. ao sul do Galaad. dirige uma cleruquia lágida na Transjordânia. a serviço do qual punha seus soldados. Diz A. O que resulta da leitura destes papiros é a impressão de intensa atividade política e econômica dos Ptolomeus na região da Palestina. No ano seguinte. Ele construiu uma cisterna e uma casa adequada. construída inicialmente para resistir às invasões dos beduínos do deserto). Tu podes acreditar que um acaso feliz te favorece de todas as maneiras. ele comanda o clã.4). mas os camponeses estão em desacordo com ele quanto à quantidade de trigo.

enriquecendo-se com isso consideravelmente.. cruzamento de jumenta. seu filho Hircano o sucede no cargo. escravos [. Quando acontece a terceira guerra síria ( 246-241 a.. Felicidades! Ano 29. Eu reproduzo. as características destes rapazes. vai representar os interesses da Judéia diante do rei Ptolomeu em 242 a. Ptolomeu III Evergetes. lembrando-me de ti sem cessar. "Tobias a Apolônio. se recusa a pagar os impostos devidos aos Ptolomeus.C.C. O rei Lágida. a seguir. Como? Diminui o número de bocas para comer. olivais em vez de cereais.C. seis cães. José. após ser designado pelo povo como chefe (prostátes). Xandikos 10 [13 de maio de 257]".que ainda rende mais excedentes . através da escravidão . A seguir vem as características dos escravos. que é de 20 talentos. nasce na Judéia em uma aldeia da família. sobrinho do sumo sacerdote Onias II por parte de mãe. Passe bem! Ano 29. o filho de Tobias. . partidário dos Selêucidas.). Tobias deseja bom dia! Eu te enviei dois cavalos. por exemplo. obtendo muito mais até: consegue o direito de recolher os impostos de toda a Celessíria[51]... Xandikos 10 [= 13 de maio de 257]"...] de excelente estirpe. um meio-onagro. Eu te enviei Aineas para te oferecer um eunuco e quatro rapazes. ameaça então reduzir a Judéia a uma colônia militar. José. dois filhotes de meio-onagro e um filhote de onagro. José ofereceu o dobro. Com créditos samaritanos ele financia antecipadamente o arrendamento e "em lugar de 8. graças aos deuses! Eu estou bem. pró-Lágida. As cidades provavelmente só puderam pagar as novas cargas fiscais impondo aos camponeses doação parcial em mantimentos.e estimula culturas mais rentáveis. Com o auxílio de 2 mil soldados ele exige duramente os impostos das cidades e dos campos. Ao morrer em 226 a. saudações! Se tu vais bem e se teus negócios e o restante estão como tu desejas."Ao rei Ptolomeu. tendo se suicidado quanto Antíoco IV assume o governo[53]. até o advento dos Selêucidas na região. José recolheu o tributo das cidades e mandou executar os parentes dos magistrados que relutaram. Onias II.000 talentos para a província sírio-fenícia. como é o certo. dois jumentos árabes brancos de tração. Flávio Josefo diz que ele leva os judeus à prosperidade. baseando-se no fato de que a terra era propriedade do dominador"[52]. para teu uso. Dotado de plenos poderes estatais para aplicar a força.[50].

Vejamos um trecho do relato de Flávio Josefo sobre José. mas ele soube castigá-los. . 1989. que o elogiou magnificamente e permitiu que. que mandou matar. foi para a Síria. dali por diante. L.. O príncipe ficou tão satisfeito com seu proceder. São Paulo. o Tobíada. mas o ultrajaram com palavras. que lhe abriram suas portas e pagaram seu tributo sem dificuldade alguma"[54]. Cronologia dos Ptolomeus Ptolomeu I Soter : 323-285 Ptolomeu II Filadelfo : 285-247 Ptolomeu III Evergetes : 247-221 Ptolomeu IV Filopator : 221-205 Ptolomeu V Epífanes : 205-181 Ptolomeu VI Filometor : 181-145 Ptolomeu VII Néos Filopator : 145-144 Ptolomeu VIII Evergetes (Físcon) : 144-116 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 116-107 Cleópatra III : 107-101 Ptolomeu X Alexandre : 101-88 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 88-80 Ptolomeu XI Alexandre II : 80 Ptolomeu XII Aulete : 80-58. depois de ter dado a Alexandria quinhentos talentos. depois. Mandou prender imediatamente vinte dos principais. Os habitantes de Ascalon foram os primeiros a desprezar suas ordens. Histórias da biblioteca de Alexandria. através do qual poderemos apreciar os seus métodos: "José tomou. usasse deles como quisesse. A biblioteca desaparecida. dois mil homens das tropas do rei. a fim de poder obrigar os que se recusavam a pagar os tributos e. Não se contentaram em não querer pagar. O castigo dos ascalonitas encheu de temor as outras cidades da Síria. Companhia das Letras. escreveu ao rei para lhe dar contas do que tinha feito e mandou-lhe mil talentos do confisco de seus bens. 55-51 Cleópatra VII Filopator : 51-30 Leituras Recomendadas CANFORA.

F. C. G. F. 24-29. LÉVÊQUE. H... E.. THACKERAY. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Rio de Janeiro. p. Madrid.. H. Paris. Cf. 19872. L. [39]. La Nuova Italia. 568 acredita na autenticidade deste documento. [40]. La Gréce et l'Orient (323-146 av. 364. KIPPENBERG./MARCUS. 22-23. WILL. JOSEFO. London. ORRIEUX.) I-II. 62-63.. Nancy. A. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. 22.. 1978... Macula. História dos Hebreus. 73-74. c. L'orizon d'un grec en Egypte an IIIe siècle avant J. o. Cf. p. [41].. pp. Le Monde hellénistique. F. pp. Histoire d'Israel III. C.. La civiltà ellenistica. pp. Cf.-C) I.. SAULNIER. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES. J. M. Cf. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I.. pelo menos nos seus termos mais gerais. em DIEZ MACHO. Apocrifos del Antiguo Testamento II.. c. M. ABEL. R./FELDMAN. H. p. The Israel Academy of Sciences and Humanities. C. C. Lisboa. Le monde hellénistique II. HENGEL. Judaism and Hellenism. STERN. 1976. Les papyrus de Zenon./WIKGREN. 1992. C. H. pp. HENGEL.. o. 19792. Histoire de la Palestine I. 1983. Cristiandad. A. Apócrifos del Antiguo Testamento II.. Josephus I-X. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I.-C.. PRÉAUX.-M. Judaism and Hellenism I.DIEZ MACHO. G. O mundo helenístico. 1987. KIPPENBERG. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. TARN. Paris. W. 1981. Harvard University Press.. . [38]. J. 1983. pp. Jerusalem. 74.-M. Obra Completa. A. SCM Press. Firenze. Cambridge. PRÉAUX. 19882. M. Presses Universitaires de Nancy. J.. Presses Universitaires de France. ABEL.. St.. 51-60. 1926-1965. NEXT [37]... Edições 70. P.

Histoire d'Israel III. XII. Aspetti dell'ellenizzazione del giudaismo in epoca precristiana. José se tornou o mais alto funcionário civil de Jerusalém".. c. pp. PAUL.. G. pp. C. [43]. p.. JOSEFO. KIPPENBERG. c. 74-75... o. C. KIPPENBERG. testemunhas etc. 42-43... Les papyrus de Zenon. C. 451-454. Antiquitates Iudaicae XII. p. diz PAUL. [53]. pp. pp. O judaísmo tardio. p. 76.. 1981. 178. corregência. Cf. [49]. de fato. p.. [47]. F. [51]. 8. Ebrei. A. H. [46]. efetuou-se. ABEL.. SAULNIER. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Cf. p. Les papyrus de Zenon.-M. HENGEL... Os Selêucidas: a Helenização da Palestina . Esta carta está datada em 9 de maio de 257 a. ORRIEUX. O contrato é redigido em abril/maio de 259 a. SAULNIER. 47. 43-44. Cf. H.. Cf. Cf. sacerdotes epônimos dos cultos dinásticos. 42. o. Histoire d'Israel III. C. p. o. F. 450-451. [54]. pp. Le monde hellénistique II. o. o. C. c. A. C.[42]. [45]. uma transferência de poderes do sumo sacerdote pró-selêucida para o Tobíada pró-lágida. Cf.. PRÉAUX. C. pp. fiador. 158-236.. ORRIEUX.. 6571. 48.. c. M... 571-572. "ao qual estava ligado o principal cargo administrativo e financeiro da Judéia. Brescia. JOSEFO. 179. Com isso. p. [50]... ORRIEUX. 181. O documento segue as regras mais estritas para este tipo de escrito: ano de reinado.. ORRIEUX. c. Cf.C. C. [44]. G. o. Greci e Barbari. sobre José e os Tobíadas. F. c. Antiquitates Iudaicae. ORRIEUX. Paideia. [48]. [52].. Com o título de prostátes.C.

Diz o decreto: "O rei Antíoco a Ptolomeu[1].C. 8. Em primeiro lugar. os reis Selêucidas. com quem entram em conflito. Para solidificar o fragmentado Império. o Grande.C. 1. o Grande Quando Antíoco III. os judeus de Jerusalém o apóiam nesta luta. e expulsa definitivamente os Ptolomeus da Ásia. saudações. e suas relações com os judeus e com Roma do governo de Antíoco IV Epífanes e seu conflito com os judeus das causas da helenização da Judéia. Como os judeus. nos testemunharam sua benevolência.1.460 médimos de trigo e 375 médimos[3] de sal. para os sacrifícios. como à nossa chegada em sua cidade. uma contribuição em animais de sacrifício. Jerusalém é contemplada com um decreto de Antíoco III.O Governo de Antíoco III. havemos por bem reconhecer todos esses bons ofícios.Em 198 a. e especialmente Antíoco IV Epífanes (175-164 a. os Selêucidas assistem aos progressivo declínio de seu Império. segundo Flávio Josefo. Pressionados por Roma. medidas segundo o costume do país. em vinho. fazendo voltar a ela os que foram dispersos. reconstruir sua cidade arruinada pelos infortúnios da guerra e repovoá-la. eles nos receberam magnificamente e vieram ao nosso encontro com o seu senado. desde que entramos em seu país. Por isso. em 197 a.C.).) vence os egípcios em Panion (Baniyas). em razão de sua piedade. decidimos. óleo e incenso. Que sejam terminados os trabalhos do templo. de nosso lado. artabes[2] sagradas de farinha de frumento. A anexação da Celessíria se dá a seguir. junto às nascentes do Jordão. como eles proveram abundantemente à subsistência de nossos soldados e de nossos elefantes e visto que nos ajudaram a expulsar a guarnição egípcia instalada na cidadela. fornecer-lhes. As madeiras serão tiradas na Judéia mesma e entre os outros povos e no . no valor de 20. As questões que abordarei neste capítulo tratam: do governo de Antíoco III . o Grande.000 dracmas de prata.C. nós. o Grande (223-187 a. implantam um acelerado processo de helenização dos vários povos e cidades da região. O partido selêucida em Jerusalém está mais forte do que o ptolomaico. Quero que todas estas contribuições lhes sejam entregues segundo minhas instruções. o Selêucida Antíoco III. os pórticos e tudo o que tiver necessidade de ser reconstruído. vence os exércitos dos Ptolomeus.

Além da reconstrução e do repovoamento da cidade . O senado. Com o tempo. em animais. O mesmo será feito com todos os outros materiais necessários para se enriquecer a restauração do templo. nós lhes restituímos a liberdade e ordenamos que lhes sejam restituídos os seus bens"[5]. É interessante observarmos as medidas de Antíoco III sobre os impostos[6]. os sacerdotes. 199 e 198 a. A madeira para a restauração do Templo está isenta do imposto alfandegário. Todos os membros da nação (éthnos) devem viver segundo as leis de seus pais. Examinemos um pouco o decreto. os sacerdotes. concedida aos vencedores dos jogos ou a um rei vitorioso[7]. os escribas do Templo e os cantores do Templo. para o futuro. do imposto coronário e da taxa sobre o sal isenção de impostos durante três anos para os atuais habitantes da cidade e para aqueles que vierem nela morar até determinada data. a fim de indenizá-los de suas perdas.o governo selêucida toma as seguintes medidas: o o o o o que seja dada uma contribuição real para os sacrifícios. os escribas do templo e os cantores do templo serão isentos da capitação.que sofrera três assédios consecutivos. incenso. concedo àqueles que a habitam atualmente e àqueles que nela se estabelecerem até o mês de hyperberetaios[4]. do imposto coronário e da taxa sobre o sal.C. Nós os isentamos ainda. óleo. vinho. para os gregos. imposto pessoal recolhido dos adultos. que incide sobre todas as mercadorias em circulação.Líbano. trigo e sal a madeira retirada da Judéia e do Líbano para os trabalhos de construção do Templo e dos pórticos está isenta de taxas todos os membros do povo judeu devem viver segundo as leis de seus pais o senado (gerousia). uma isenção de impostos durante três anos. . em 201. flor de farinha. ficam isentos da capitação. as cidades começam a oferecer aos seus reis coroas de ouro ou uma soma equivalente . Para que a cidade seja repovoada mais depressa. sem serem submetidas a nenhuma taxa. do terço do tributo. Quanto aos que foram tirados da cidade e reduzidos à escravidão. para que a cidade seja repovoada mais depressa. Ficam isentos também do imposto coronário: a coroa de folhas é. o símbolo da vitória. O senado e os funcionários do Templo ficam isentos da capitação.

o tributo. em prata ou em produtos. Kippenberg observa que "este decreto tem paralelo no documento de administração persa (Esd 7. a expansão selêucida sob Antíoco III. porteiros e servos do templo (vv. cantores. são isentos durante 3 anos do phóros. entretanto. Apesar de parecerem benevolentes. associada há muito ao poder através da gerousia e que.em dinheiro.C. está incluída a ordem ao encarregado das finanças da província Transeufratiana. É preciso observar também que a reconstrução e o repovoamento da cidade são medidas necessárias para o fortalecimento do governo e dos interesses de Antíoco III naquela região disputada pelos Ptolomeus. G. finalmente. exigido de uma província. levitas. Cartago é uma colônia fundada pelos . Deve-se observar que. O que Antíoco III faz é seguir a velha política persa em relação aos judeus. Entretanto. Esta taxa é conhecida na Palestina e na Babilônia.C. Na carta de nomeação de Artaxerxes a Esdras (do ano 398 a. Ainda: o senado e o Templo ficam isentos da taxa sobre o sal. pois não superam as decisões comuns tomadas em relação a outras cidades. mas porque o quer o governo selêucida[8]. naquela época. bem como a isenção de tributos para sacerdotes. nos enganar. o Grande. Roma disputa com Cartago a posse da Sicília e o controle do Mediterrâneo ocidental. Os habitantes da cidade. podendo somente o rei conceder a isenção. será impedida por Roma na medida em que seus interesses entram em choque com a forte república na Europa. O que antes era espontâneo acaba institucionalizado e tornado obrigatório.C. estas medidas não devem . que tem boas salinas. com este decreto.? Durante o século III a. sob outro aspecto.12-26). na Palestina. Pois as leis dos antepassados (a Torá) devem ser obedecidas não porque assim o decidem os judeus. Provavelmente paga-se determinado valor ao governo. ou talvez . Antíoco III reforça o papel da aristocracia. liga o destino do éthnos (= nação) judeu às decisões reais. 21-24)"[9].). se aceite o produto "in natura". H. de um éthnos ou de uma cidade. de um templo. Por que Roma e os Selêucidas se enfrentam no século II a. este último sendo o caso de Jerusalém. que regulamenta o apoio material ao culto.

outros. e a maior parte lançando coroas e fitas frontais em sua direção. Os cartagineses constroem importante império comercial. após a vitória sobre o rei Filipos e os macedônios. Durante os jogos Ístmicos. deixam livres os seguintes povos. como sempre. o arauto anuncia. sem guarnições em suas cidades e sem a imposição de quaisquer tributos e governados pelas próprias leis de suas respectivas pátrias: os coríntios. maneira de barrar a interferência de Filipe V na Grécia. desejosos de vê-lo frente a frente e de chamá-lo de seu salvador. A segunda guerra acontece de 218 a 202 a. os tessálios e os perrébios'. quase o reduziram a pedaços"[13]. na qual Roma destrói Cartago e anexa seus territórios. segundo Políbio: "'O Senado de Roma e o procônsul Tito Quíntio. falando com os seus vizinhos ou consigo mesmos.C.. os aqueus ftióticos.C. Após muitas negociações frustradas. Fatalmente os interesses das duas potências se chocam e o enfrentamento militar torna-se inevitável. de 264 a 241 a. em Corinto. os magnésios.C. O cônsul Flamínio proclama a "liberdade dos gregos" em 196 a. Então Roma faz uma acordo com a liga etólia12 . Roma ataca a Macedônia e vence Filipe V em Cinoscéfalos.) Cessadas as aclamações ninguém mais demonstrou o menor interesse pelos atletas. Roma enfrenta e vence Antíoco III na batalha de Magnésia. em 197 a.. refugia-se na corte selêucida e instiga Antíoco III a lutar contra Roma. no começo .. com a vitória de Roma sobre o famoso general Aníbal. Durante a segunda guerra púnica[11] Aníbal alia-se a Filipe V da Macedônia para abrir outro front para Roma. agiam a bem dizer como homens fora de si. os eubeus. de tal maneira que terminados os jogos a multidão quase matou Flamínio com suas demonstrações de gratidão. Após vencer Cartago. após ser derrotado por Roma. Desde o início haviam começado os aplausos ensurdecedores (.C.fenícios no norte da África (na região da atual Tunísia) talvez no século IX a. este tema da "liberdade dos gregos" é pura manobra política. A primeira guerra dura 23 anos. A terceira guerra. se dá entre 149 e 146 a. os foceus. alguns dos presentes. os lócrios. De fato. Aliás. bandeira desfraldada cada vez que reis e Estados rivais se enfrentam pela posse da região. oposta à Macedônia em um confronto pelo Épiro. Três grandes guerras são feitas entre as duas potências[10]. ao mesmo tempo em que Roma se torna líder de uma poderosa confederação italiana. Aníbal.C. e todos os presentes. ansiosos por apertar-lhe a mão. realizados naquele ano.C.

prontamente o esmagava"[16]. Antíoco deve pagar a Roma o equivalente a 390. 2. O equilíbrio de poder de que Roma se tornara guardiã continuou a existir. 500 talentos eubóicos imediatamente. sem consultar. que tem 72 mil soldados. quando são impostas humilhantes condições a Antíoco III[14]. nem mesmo em assuntos gregos. Ele pagará pelas despesas desta guerra. a paz entre Roma e os Selêucidas é estabelecida em Apaméia da Frígia. Se Antíoco respeitar lealmente estas condições. 3 mil cavaleiros. na Ásia. O tratado de Apaméia. ajudado por seu irmão Cipião. No futuro ele não terá mais elefantes e terá somente o número de navios que nós fixaremos. .de 189 a. Antíoco III e seus sucessores debater-se-ão em crescentes lutas internas pelo poder. Em 188 a. pai de Eumênio. diz o seguinte: "Antíoco deverá abandonar tudo o que ele possui na Europa e. M. Assim começa o declínio do império selêucida. assistindo à fragmentação progressiva dos seus domínios e lutando com grandes dificuldades financeiras. Rostovtzeff comenta: "A situação geral do mundo helênico não foi afetada por esta guerra.000 em doze anos.as fronteiras serão traçadas em seguida.000 talentos eubóicos. Antíoco. pesa cerca de 26 kg. Os romanos perdem apenas 400 homens. mas no momento em que qualquer um deles mostrava tendências de realizar uma política independente. embora de forma peculiar: Roma resolvia todas as disputas internas da Grécia. Daqui para a frente. Todos os reinos helênicos eram independentes.C.500 após a ratificação do tratado e 12. da qual ele é o responsável. nós lhe oferecemos paz e amizade sob condição de ratificação do Senado"[15]. Ele fornecerá vinte reféns.C. O talento eubóico. 15 elefantes e Cipião faz 1400 prisioneiros. Ele entregará todos os seus elefantes e todos os navios que indicaremos. perde 50 mil homens de infantaria. a opinião grega. do nome da ilha de Eubéia. o Africano.000 kg de prata. O exército romano é comandado por Lucius Cornelius Cipião depois cognominado "o Asiático" -. conservado por Apiano. as províncias aquém do Taurus . Só a Roma Antíoco deve pagar 15. mas nenhum poderoso. porém. segundo a lista elaborada pelo cônsul. Logo. A todos. Ele nos entregará todos os prisioneiros e os desertores e restituirá a Eumênio tudo o que ele ainda retém das possessões adquiridas em virtude do acordo feito com Átalo. Roma garantia 'liberdade'. e especialmente às cidades gregas. cada anuidade devendo ser paga a Roma.

Este foi o fim pouco glorioso de Antíoco. pelos habitantes que acorreram em defesa do santuário. Heliodoro é informado por ele de que os depósitos. ao contrário do que lhe fora dito. para conseguir dinheiro com que pagar aos romanos. É o conhecido incidente de Heliodoro. escolhendo a Heliodoro. O certo é que Heliodoro não consegue apossar-se do dinheiro do Templo. Não conseguindo prevalecer sobre Onias foi ter com Apolônio de Tarso.O que ocorrerá é que. Segundo 2 Macabeus. O texto continua dizendo que. narrado em 2Mc 3. em 187 a. investido no cargo de superintendente do Templo. Selêuco IV Filopator (187-175 a. a ponto de ser incalculável a quantidade de dinheiro. Abel explica que ele foi "ao templo de Bel. após trinta e seis anos de reinado com a idade de cerca de cinqüenta e cinco anos. Ele foi morto. F. apoiado por judeus dissidentes do sumo sacerdote Onias III. certo Simão. e tendo-o assaltado de noite com suas tropas. . E o rei. "Ora. quando saqueia um templo elamita. além do dinheiro do Tobíada Hircano. ao manifestar suas intenções a Onias III.C.250 kg). dito o Grande. E que. E que esse dinheiro não tinha proporção alguma com as despesas dos sacrifícios. Entrevistandose então com o rei. superintendente dos seus negócios. entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade. Esta lenda nos oculta totalmente o que de fato acontece em Jerusalém neste episódio.4-40. pertencem aos órfãos e às viúvas. por exemplo.C. famoso por possuir muito ouro e prata dedicado ao deus. pela população revoltada. o total dos depósitos é de 400 talentos de prata (10.24-34). não levou em conta a coragem vigilante das populações desta região rude. ele e os seus. em relação a cidades como Jerusalém. premidos que estarão por Roma."[17].. Apolônio informou-o acerca das riquezas que lhe haviam sido denunciadas.).4-7).500 kg) e de 200 talentos de ouro (5. da estirpe de Belga. os sucessores de Antíoco III não terão condições de manter a prometida isenção tributária. na verdade.-M. E referiu-lhe que a câmara do tesouro em Jerusalém estava repleta de riquezas indizíveis. enviou-o com ordens de proceder à requisição das referidas riquezas" (2Mc 3. O próprio Antíoco III é morto em 187 a. que naquela ocasião era o estratego da Celessíria e da Fenícia. Seu sucessor.C. tenta apoderar-se do dinheiro depositado no Templo de Jerusalém. sendo portanto possível fazer tudo isso cair sob o domínio do rei. o próprio Iahweh o impede através de anjos (2Mc 4.

como administrador do santuário. . Médimo é uma medida antiga de capacidade. de cerca de 50 litros. Nas cidades gregas. Muitas soluções são propostas[18]: ou Onias discorda da acumulação de cargos feita por Simão. A tal ponto que Onias III é obrigado a ir a Antioquia dar explicações ao rei.O desacordo entre o sacerdote Simão e o sumo sacerdote Onias III é a propósito da agoranomia. [3]. ou porque ele comete abusos na venda de animais destinados aos sacrifícios. Por outro lado. é o estratego e sumo sacerdote selêucida da Celessíria. enquanto em Jerusalém os acontecimentos se precipitam. estratego da Celessíria e da Fenícia. de cerca de 40 litros. ou porque Simão permite a venda. mas tendo em vista o interesse comum e o individual de toda a população. não era mais possível alcançar a paz na vida pública. Onias foi ter com o rei. NEXT [1]. sem uma intervenção do rei. Onias III acaba retido em Antioquia. É possível que neste conflito entre Simão e Onias III estejamos assistindo ao primeiro embate entre judeus helenistas e judeus ortodoxos. filho de Menesteu. a quem se dirige o rei Antíoco. de produtos proibidos pela Lei. [2]. ainda fomentava a maldade de Simão. então. segundo 2Mc 4. a supervisão dos mercados. Pois ele estava percebendo que. nem Simão haveria de pôr termo à sua demência". De qualquer modo. Este Ptolomeu. E isto.4-6: "Considerando. o perigo dessa rivalidade e como Apolônio. Simão pode ter acusado Onias de entesourar os excedentes das subvenções reais destinadas aos sacrifícios. nos mercados. Heliodoro vai embora. não para se tornar acusador de seus concidadãos. que é supervisor dos mercados e superintendente (prostátes) do Templo[19]. a agoranomia é uma fiscalização encarregada de verificar os pesos e medidas e a regularidade das transações comerciais. Não sabemos exatamente em que consiste a agoranomia em Jerusalém e nem qual é a razão do conflito entre Simão e Onias. garantidas pelo decreto de Antíoco III. mas as intrigas de Simão continuam. Artabe é uma medida egípcia de capacidade.

PRÉAUX./AUBOYER... PRÉAUX. [6]. de poeni (= fenícios). 1979. pp. sobre os impostos selêucidas. C. Israel e Judá. pp. Difel. pp. Uso para este texto a tradução que se encontra em AA. Rio de Janeiro.. c. [8]. "Instalados na margem setentrional do golfo de Corinto. em Olímpia. J. E. no vale de Neméia. 1991.. [5]. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt. o.. inclusive grande parte da Tessália".221-224. 384-388. Le monde hellénistique I. ROSTOVTZEFF. POLÍBIO. 46. BRADFORD. SAULNIER. 19822. Cf. The God of Maccabees. Rio de Janeiro. [7]. 1985. pp. 19774. Histoire d'Israel III. pp. Presses Universitaires de Nancy. M. WILL. G. Cf. os Jogos Ístmicos. 210-215. E. 102-104. Cf. em Delfos e os Jogos Nemeus. e obscuros durante muito tempo. F.. O Oriente e a Grécia Antiga II. pp. Ars Poetica.. Nancy. um desafio aos romanos. em latim. [13]. 98-99. KIPPENBERG. a formação de confederações de cidades gregas é vista como uma solução. Histoire d'Israel III. 19972. 56-78. 456-458. [14]. os Jogos Píticos. Aníbal. P. p. pp. 199. M. pp. 1993.. Textos do Antigo Oriente Médio. História XVIII. Aníbal. Religião e formação de classes na antiga Judéia.[4]. Hyperberetaios é um mês macedônio que corresponde a agosto/setembro. Antiquitates Iudaicae XII.. São Paulo. Leiden. Cf. SAULNIER. 19775. [9].VV. C. A. Brill. [12]. donde puni e "guerras púnicas". pp. Com a decadência da pólis. Histoire politique du monde hellénistique II. Zahar. Cf. Paulus. [11].. pp. KIPPENBERG.. São Paulo. H. As guerras entre Roma e Cartago são chamadas de "púnicas" porque os romanos chamam os cartagineses. Le monde hellénistique I. [10].. História de Roma.. Brasília. 78. p. PEIXOTO. em Corinto. dizem AYMARD. G. 32-34. os etólios acabam anexando quase toda a Grécia central. Editora da UnB. E.. .. Há quatro grandes jogos pan-helênicos: os Jogos Olímpicos. o pai da estratégia. 481-482.. São Paulo. H. 153-163. C. PAUMAPE. C. 77-81. BICKERMAN. 138-144. JOSEFO.

Syriaka 38-39.C. onde era refém desde 188 a. Atenas. 105-108. [19]. 8.[15]. "A civilização arcaica e clássica tinha coincidido com o desenvolvimento da pólis e era nos grandes centros urbanos. Histoire de la Palestine I. C. A instabilidade do reino selêucida aumenta e Antíoco IV toma medidas helenizantes como forma de consolidar o seu poder.. ao semear o Império que acaba de conquistar com numerosas Alexandrias"[21].. A fundação de cidades é um instrumento fundamental para a helenização do Oriente com o conseqüente fortalecimento do poder macedônio. também WILL. APIANO. Alexandre teria fundado 70 Alexandrias. A revolta dos Macabeus. promove a adoração de Zeus e reivindica para si prerrogativas divinas[20]. c. E. História de Roma. SAULNIER.C. Apiano é natural de Alexandria e morre aproximadamente em 160 d. pp. 1987. 19-21. Trabalha como advogado em Roma e compila narrativas em grego de várias guerras romanas em 24 livros. p. Histoire de la Palestine I. Antíoco IV e a Proibição do Judaísmo Em 175 a..).. 372-373.. pp. Siracusa. Cf. p. ABEL. Idem. . [17]. Paulus. 107-110. o texto em SAULNIER. C. pp. Histoire d'Israel III. ABEL. tais como Mileto. F. São Paulo. dos quais temos hoje dez. Segundo Plutarco. Assume o poder o seu irmão Antíoco IV Epífanes (175-164 a. O prostátes é o encarregado de administrar as finanças do santuário. 71. M. [18]. ROSTOVTZEFF. F.2.-M. Concede o status de pólis a várias cidades. 104. Cf.C.. o. [16].C.. pp. pp. que voltava de Roma. Histoire politique du monde hellénistique II. que se tinha desenvolvido a civilização grega.-M. Corinto. 238-240.. quando seu pai Antíoco III perdera a batalha de Magnésia e assinara o tratado de Apaméia. Alexandre tinha mostrado bem ser o herdeiro da tradição. Cf. Só que menos da metade pode ser testemunhada com certeza pelos dados históricos e arqueológicos. Selêuco IV é assassinado.

"Os objetivos desta urbanização [dos Selêucidas] são bastante diversos. Situados acima dos homens. dando-lhe um estatuto político e um nome grego. são a garantia da ordem política. assírios ou babilônios são deuses ou filhos prediletos dos deuses.A fundação de cidades tem..) Elas diminuem as resistências indígenas. fazendo deles camponeses que sustentarão as cidades[22]. a inscrição das moedas selêucidas é "Rei Antíoco Theos Epífanes". Os sucessores de Alexandre seguem a mesma política. e. recriação. fundação de uma cidade grega ao lado de uma cidade oriental[24]. que sua vitória o manifestou como deus. a fortuna do rei. Esta não é uma criação grega. de uma cidade arrasada pela guerra ou por um terremoto. ou que é um deus que se manifestou na sua carne.. objetivos estratégicos. A reivindicação de prerrogativas divinas pelo rei é outra arma de controle das populações orientais. herdeiros de um império multinacional. tornam-se lugares de comércio e atraem os nômades para as suas vizinhanças.C. face ao esfacelamento do império selêucida. na mesma proporção. para Alexandre. com estrutura grega. fusão entre cidades pequenas que não têm como se defender. . "Ele pensa. agora. Antíoco IV que. lembrar que a fundação das póleis gregas nem sempre começam do nada. símbolo da divindade. E a partir de sua vitória sobre o Egito. mas também da ordem cósmica e da fertilidade da natureza. de 175 a 169 a. É bom. habilmente incorporada pelos dominadores macedônios. Elas permitem a implantação de tropas.. usada desde Alexandre e. a partir desta época começa a ter sobre sua cabeça uma estrela. As cidades favorecem o desenvolvimento econômico. Especialmente os Selêucidas. mas oriental. aparece nas moedas cunhadas em Antioquia apenas com a inscrição "Rei Antíoco". Os reis egípcios. fragmentando as antigas satrapias entre as cidades"[23]. recorrem à política da difusão da pólis. enfatizada por Antíoco IV Epífanes. entretanto. definitivamente. que acresce. que guardam os grandes eixos de circulação e as posições estratégicas (. Ele é o praesens divus. Há vários modos de se criar uma pólis: fundação de uma cidade grega dentro de uma antiga cidade oriental. econômicos e políticos: servem para guardar passagens de grandes vias de comunicação.

. geradas pela pressão romana.segundo sua intenção. façamos aliança com as nações circunvizinhas. o conservador sumo sacerdote. em Jerusalém. o qual lhes deu autorização para observarem os preceitos (dikaiômata) dos gentios". especialmente entre a aristocracia sacerdotal e leiga. Gazara e Jope também não podem ser evitadas[26]. com sua apoteose"[25].-M. As dificuldades econômicas enfrentadas por Antíoco IV Epífanes.11-13 comenta o caso do seguinte modo: "Por esses dias apareceu em Israel uma geração de perversos (paránomoi) que seduziram a muitos com estas palavras: 'Vamos. que pretende incrementar o avanço civilizatório grego e. se alguém negocia na Galiléia não pode fugir de Citópolis ou Filotéria. por exemplo. ou na Transjordânia é necessário ir a Pella. oferece ao rei alta soma em dinheiro e um rápido programa de helenização dos judeus em troca do cargo de sumo sacerdote. está em Antioquia cuidando dos interesses de seu povo e Antíoco IV assume o poder. Forma-se um forte partido pró-helênico. F. está em luta com os judeus tradicionais e fiéis à Lei. E alguns de entre o povo apressaram-se em ir ter com o rei. 1Mc 1. Do lado do mar? Marisa está na rota de Gaza ou Ascalon. leva-o a sobrecarregar seus súditos e o instiga ao saque de templos para a obtenção de fundos. Quem vai a Ptolemaida passa por Samaria ou Dora. A ocasião favorável aos partidários da helenização surge quando Onias III. 'manifesto'. Jasão (Joshua). por isso. Estes helenizantes defendem urgente revogação do decreto de Antíoco III. é relacionado com Theós. Um irmão de Onias III. que os impede de se integrarem totalmente no modo de vida grego. Agradou-lhes tal modo de falar. que a Judéia está cada vez mais cercada por cidades helenizadas e é impossível ao judeu não tomar contato com o seu modo de vida. a quem deve pagar mil talentos por ano. ou seja. o epíteto epifanés. pois muitos males caíram sobre nós desde que delas nos separamos'. Enquanto isto. Abel observa. a Gadara ou a Filadélfia. Jâmnia. o processo de helenização avançara bastante desde o século anterior.

Antíoco IV Epífanes aceita a oferta de Jasão. ele.7-10 descreve do seguinte modo os fatos: "Entrementes. ele prometeu ao rei trezentos e sessenta talentos de prata e ainda. segundo Dt 13. Um ginásio grego não é mera praça de esportes. bem como de fazer o levantamento dos antioquenos de Jerusalém. praticados nus . usada no processo de helenização de várias cidades orientais. pois precisa de dinheiro. Também o dikaiômata tôn éthnôn (preceitos dos gentios) é significativo. a serem deduzidos de uma renda não discriminada. abandonar as normas da Lei e seguir leis gentias[27]. tem urgência em helenizar a região para garantir sua fronteira sul e. tão logo assumiu o poder. pessoas que fazem propostas de apostasia da Lei. Durante uma audiência. Assim. sendo recebido pelos filo-helenistas com grande entusiasmo.o que causa embaraço aos jovens judeus circuncidados -.14. Além dos esportes gregos. são algumas das atividades praticadas no ginásio. é instalado um ginásio em Jerusalém. Consta que o rei Antíoco IV vai a Jerusalém nesta época.C. Além disso. o consentimento do rei. começou a fazer passar os seus irmãos de raça para o estilo de vida dos gregos". pela autoridade real. assim. de construir uma praça de esportes e uma efebia.O termo paránomoi indica. Observar os preceitos dos gentios significa. Falar o grego corretamente. como Héracles (= Hércules) e Hermes e ensina a maneira grega de se viver e de se ver o mundo. Dikaíôma é usado pelos LXX para traduzir o hebraico derek ou mishpat (caminho. Jasão. mais oitenta talentos. se lhe fosse dada a permissão. em 174 a. empenhava-se em subscrever-lhe outros cento e cinqüenta talentos[28]. vestir-se à moda grega. 2Mc 4. contíguo à esplanada do Templo. É uma instituição cultural das mais importantes. Obtido. direito) significando obrigações legais. suspeita de tendências pró-ptolomaicas em Onias III. tendo passado Selêuco à outra vida e assumindo o reino Antíoco. conhecer e discutir a cultura grega. irmão de Onias. portanto. . cognominado Epífanes. Daí que "fazer aliança com as nações" indica renegar a Lei e seguir costumes gentios. ao que parece. o ginásio implica a presença de divindades protetoras. aos pés da acrópole. começou a manobrar para obter o cargo de sumo sacerdote.

se complica. apoiado pela poderosa família dos Tobíadas. irmão do já mencionado Simão.19. Estes judeus são chamados de "antioquenos" nos documentos da época. como se vê em 2Mc 4. que os próprios sacerdotes já não se mostravam interessados nas liturgias do altar".quer Antíoco IV tenha fundado uma pólis em Jerusalém. quando um sacerdote não-sadoquita. conduziu-os ao uso do pétaso[32]. pois. estabelecida dentro da cidade de Jerusalém"[29]. conseguiu para si o sumo sacerdócio. entrementes. "De qualquer modo . com direitos cívicos e legais definidos. Certamente porque estão sob a proteção real. . Menelau. 2Mc 4. esse ímpio e de modo algum sumo sacerdote.9. C. Diz 2Mc 4. obrigando os mais nobres de entre os moços. desse modo. superando em trezentos talentos de prata a oferta de Jasão". Jasão enviou Menelau. com satisfação que [Jasão] construiu a praça de esportes justamente abaixo da Acrópole e. Saulnier acredita que de duas uma: ou Antíoco IV autoriza a formação de uma pólis dentro de Jerusalém ou a organização de um políteuma em Jerusalém[30]. irmão de Simão . de modo que a Torá não é mais a única lei. por causa da exorbitante perversidade de Jasão.800 kg) suplementares na época de pagar o tributo. segundo alguns. quer ele tenha reunido um certo número de judeus em um políteuma de estrutura grega -. tal ardor de helenismo e tão ampla difusão de costumes estrangeiros.12-14a fala do ginásio de Jerusalém com grande desgosto: "Foi. porém.23-24: "Depois de um período de três anos.Além do que. a levar as quantias ao rei e a completar-lhe relatórios sobre certos assuntos urgentes. Verificou-se. "o ginásio parece ter sido realmente uma corporação separada de judeus helenizados. tendo se apresentado ao rei e adulando-o pela ostentação de sua autoridade.oferece a Antíoco 300 talentos de prata (cerca de 7. o decreto de Antíoco III não se aplica mais à totalidade da população"[31]. chamado Menelau. o resultado é o mesmo: uma parte dos judeus pretende doravante viver à maneira helênica. faz uma oferta maior a Antíoco IV e obtém o sumo sacerdócio. isto é.aquele Simão que entrara em conflito com Onias III por causa da agoranomia . A situação. ou mesmo porque são considerados como "cidadãos de Antioquia". Menelau.

Talvez seja a sempre crescente necessidade de dinheiro.. Como protestasse contra a venda de vasos sagrados do Templo (vendidos por Menelau para conseguir o dinheiro prometido a Antíoco IV). interessante para se avaliar o poder de Roma neste momento histórico: "Quando ele viu o general romano Popilius. Políbio comenta o episódio do encontro de Antíoco IV e Popilius Laenas. do véu. Ele tinha na mão uma vara de videira. Onias III é assassinado a mando de Menelau. já morto nesta época. do candelabro com todos os seus acessórios. início de 171 a. das taças. apoderou-se do altar de ouro.. Então Popilius e seus acompanhantes apertaram sua mão e o cumprimentaram com amizade. deste modo. O . Em 169 a. pensou um instante. quando oficialmente denunciam as arbitrariedades cometidas pelo sumo sacerdote. Roma defende.. os utensílios preciosos e os tesouros secretos que conseguiu descobrir".C. em sua segunda campanha contra o Egito. Mas o outro. o ouro. e de assim anexar o país. 1Mc 1.. Traçou com esta vara um círculo ao redor de Antíoco e convidou-o a lhe dar. Tomou. com a aprovação de Menelau[33]. da decoração de ouro sobre a fachada do Templo: tudo ele despojou. Já em 168 a. que tinha uma tabuinha onde estava transcrito o senatus-consulto. a resposta ao documento. para o feudo de Hircano. vê três membros da gerousia serem executados por Antíoco IV. revoltada com as ações de Menelau. lha estendeu e pediu que a lesse imediatamente (.Isto se dá em fins de 172 a. antes de sair. do qual se desconhece a causa. campanha vitoriosa.C. pelo legado romano Popilius Laenas. das coroas.21-23 narra este saque do Templo. o fraco Egito e vigia de perto os Selêucidas. Vejamos a narração de 1 Macabeus: "Entrando com arrogância no Santuário..) O rei a leu e declarou desejar deliberar com seus amigos acerca desta novidade. na volta de sua primeira campanha egípcia. das vasilhas para as libações. Ao ouvir isto. o Tobíada dissidente e pró-Lágida. aturdido com esta insolência. O rei. dos incensórios de ouro. de longe o saudou e estendeu-lhe a mão. A população de Jerusalém. da mesa da proposição. o rei [Antíoco IV]. além disso.C. e em seguida declarou que faria tudo o que os romanos pediam. a prata. Antíoco IV é impedido de entrar em Alexandria.C. Jasão foge para a Transjordânia. Antíoco IV saqueia o Templo de Jerusalém. Popilius fez um gesto aparentemente intolerável e de uma arrogância inusitada.

mas foge com a chegada de Antíoco IV.C.514). escravidão. Antíoco IV envia a Jerusalém Apolônio. Na Palestina corre o falso boato de que Antíoco morrera no Egito e Jasão ataca Jerusalém. o misarca (comandante das tropas mísias). apoiado pelos Tobíadas. C. no final do verão de 168 a.C. com forte contingente. Muralhas demolidas e construção de poderosa fortaleza em Jerusalém. Além disso. encostada no Templo. e Onias III.23b-24 assim fala da intervenção de Apolônio: "Nutrindo para com os súditos judeus uma disposição de ânimo profundamente hostil. Jasão promove sangrento massacre na cidade. executando muitos judeus e vendendo a outros como escravos. como Acra (= cidadela). Antíoco IV deixa na cidade o frígio Filipe com uma guarnição. 2Mc 5. Jasão e Menelau. Menelau refugia-se na acrópole.. de outro lado. Primeiramente. Consta que. no coração de Jerusalém. a existência de um partido pró-Selêucidas. espinho atravessado na garganta dos judeus fiéis. em grego. pensando estar havendo uma revolta. o rei Selêucida. filho de Tobias. os judeus estão divididos a propósito do helenismo em aproximadamente duas facções que podemos designar como a dos filohelenos e a dos assideus: os primeiros. . depois por Jasão e talvez por uma fração da população que já se esquecera das durezas da administração egípcia. parecendo amplamente encorajados por dois sumos sacerdotes sucessivos e rivais. o rei enviou o misarca Apolônio à frente de um exército de vinte e dois mil homens. e. sede de uma guarnição e verdadeira pólis. Saulnier assim resume estes acontecimentos: "Podemos dizer que há em Jerusalém dois motivos de dissensões que não coincidem entre si. No começo de 167 a. por Menelau e sem dúvida por aqueles que são designados como antioquenos de Jerusalém"[35]. as dificuldades do reinado de Antíoco IV sugerem a existência de um partido pró-Lágidas. conhecida. com a ordem de trucidar todos os que estavam na força da idade e de vender as mulheres e os mais jovens". pune Jerusalém. que restabelece Menelau no poder.senatus-consulto ordenava-lhe parar imediatamente a guerra contra Ptolomeu"[34]. Ataque. assassinatos em massa. mas este não consegue controlá-la (2Mc 5. outrora sustentado por Hircano. Durante cerca de 25 anos a Acra será o braço armado selêucida em Jerusalém.

Como norma geral. da circuncisão. homens perversos. Acredita-se que tenha sido para vencer a. uma cidade contaminada: os gentios controlam a sua população.C. a ereção de altares em todo o país e o sacrifício de porcos e outros animais impuros a deuses estrangeiros. Os habitantes do distrito judaico transformam-se em cidadãos sem direitos. Por outro lado. enfim. com seus mandamentos e suas proibições: ficam proibidas as práticas do sábado. Os fiéis seguidores da Lei. Abasteceram-na de armas e víveres e nela depositaram os despojos tomados em Jerusalém. resistência judaica ao programa de helenização é que Antíoco IV decide proibir a prática do judaísmo. Como é de praxe em tais circunstâncias.33-35 descreve a construção da Acra: "Então reconstruíram a cidade de Davi. no verão de 167 a. dotando-a de grande e sólida muralha e torres fortificadas. por enquanto pacífica. suas propriedades são confiscadas e transferidas para os Tobíadas ou para as colônias militares reais.41-53): o o a abolição da Torá. É quase certo que o partido helenista de Jerusalém tenha pedido a intervenção real e tenha apontado as medidas necessárias para aniquilar os judeus tradicionais[37]. Desencadeia-se feroz perseguição a todos os inimigos de Menelau. e nela se fortificaram. Todos os manuscritos da Lei devem ser destruídos. Povoaram-na de gente ímpia. Jerusalém é.1Mc 1. . tornando-se eles assim uma armadilha enorme"[36]. duas medidas são tomadas (1Mc 1. É nesta época que começa verdadeira caçada aos Oníadas e a seus partidários. é preciso considerar que esta intervenção direta e brutal contra os costumes e os deuses de outros povos não é uma praxe grega. os assideus (= piedosos) são obrigados a fugir para os desertos e montanhas. Qualquer violação destas normas tem a morte por punição uma reforma do culto em toda a Judéia: a abolição dos sacrifícios e da sacralidade do santuário e dos sacerdotes. das festas. da distinção de alimentos puros e impuros. e dela fizeram a sua Cidadela.

BRIGHT. Histoire politique du monde hellénistique II. SAULNIER.Para completar. pp.64 assim descreve a "abominação da desolação": "No décimo quinto dia do mês de Casleu do ano de cento e quarenta e cinco [8 de dezembro de 167 a.31. 326-341. o epíteto Olímpico recordava suas prerrogativas sobre as outras divindades e seu aspecto uraniano (isto é. M. pp. Explica C..-M. Tais aspectos podiam aparentemente aproximá-lo de Iahweh que. WILL. 109-132. o rei fez construir. uma verdadeira cruzada contra a Lei. A introdução deste culto no Templo é a "abominação da desolação". Enfim. Paulus.. pp. na Síria ele fora assimilado a Baal Shâmin.7). a Abominação da desolação. Zeus representava os valores do poder e da autoridade.C. Saulnier que "deus iminente dos gregos. de deus do céu).C. NEXT [20]. sobre o altar dos holocaustos. A revolta dos Macabeus. E. sírios e gregos reconhecer nela a emanação de um deus soberano"[38]. 1978. Os judeus são também obrigados a participar da festa de Dionísio e do sacrifício mensal em honra do aniversário do rei (2Mc 6. em dezembro de 167 a. J. Histoire d'Israel III. 1Mc1. podemos admitir que Antíoco IV quisesse introduzir em Jerusalém uma divindade sincrética. HENGEL. Quanto aos livros da Lei. para o reinado de Antíoco IV e seu confronto com os judeus. o decreto real o condenava à morte (. Onde quer se encontrasse em casa de alguém um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei. ABEL.. pp. pp. é introduzido o culto de Zeus Olímpico no Templo de Jerusalém. C. deus soberano. História de Israel. F. pp. Judaism and Hellenism I..54-57. com respectiva imagem e sacrifício. 105-121. segundo Dn 11. desde a época persa. 277-290. Idem. que permitisse a judeus. 21-31. Histoire de la Palestine I. Também nas outras cidades de Judá erigiram-se altares e às portas das casas e sobre as praças queimava-se incenso. Por detrás disso tudo podemos ver as tristes figuras de Menelau e dos Tobíadas[39]. senhor das tempestades e da fecundidade. era designado nos textos judaicos como "o Deus dos céus". os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. Cf....) Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel".. . São Paulo.]. Nestas condições.. 570-576.

109. [32]. Cf. tais regentes parecem ter declarado guerra contra Antíoco IV em 170. "O reinado [dos Ptolomeus] era dirigido por regentes que governavam em nome do jovem Ptolomeu VI. PRÉAUX.. [26]. 110-111. 23. 376-377. The God of the Maccabees. p. LÉVÊQUE.. p. 401-403. C. A revolta dos Macabeus. p. Le monde hellénistique II. Um talento ático pesa 26. [27]. BICKERMAN. que se tornara rei com a morte de seu pai em 180. [29]. p. Cf. p.. [22]. a análise do episódio em WILL. pp. C. pp. 403-408. C. p. Cf. [36]. 572. 59. também WILL. A revolta dos Macabeus. cf. [33]. Este começou as operações em 169 e.. p. depois de uma campanha fácil. História de Israel. 46-53. pp. O mundo helenístico. [23]. . pp.340 kg de prata. BRIGHT. [34]. J.. 24. ibidem. LÉVÊQUE. 320-325. ABEL. Histoire d'Israel III.2 kg.. Pétaso é o chapéu de copa baixa e abas largas usado nos exercícios pelos atletas gregos no ginásio. [31]. p. 113. c. Idem.. Cf. 27. História XXIX. 311-320. o equivalente a cerca de 15. 112. Cf. Histoire d'Israel III. SAULNIER.. Cf. este texto em SAULNIER. P. C. Le monde hellénistique II.[21]. Histoire de la Palestine I. Histoire d'Israel III. E. POLÍBIO.. [28]. Para o significado da Acra em Jerusalém. 128.. C. Cf. [24]. pp. SAULNIER.. Por motivos obscuros. SAULNIER. F. Jasão oferece a Antíoco 590 talentos. Histoire politique du monde hellénistique II. E. explica SAULNIER. [30]. [25]. ocupou Mênfis".. p. p. 61. C. pp. E. P. ibidem.. Cf. C. Idem..-M. o. PRÉAUX. [35].. Histoire politique du monde hellénistique II.

. HENGEL. Sem consideração para com os deuses de seus .3. C. Saulnier. até que a cólera chegue a seu cúmulo . 8.As Causas da Helenização Com muita freqüência.. p. BRIGHT.[37]. J. C. 292-303.. em seguida.. M. as motivações religiosas é que oferecerão os conceitos para a leitura dos fatos. 574-576. Os que transgridem a Aliança. exaltando-se e engrandecendo-se acima de todos os deuses. na típica visão teocrática do judaísmo de então. História de Israel. 26. Com sua linguagem guerreira carregada de simbolismos. Mas há a versão judaica. que todos formassem um só povo. SAULNIER. pp. ali introduzindo a abominação da desolação. [38]. M. Claro que. C. A revolta dos Macabeus. têm-se colocado as razões religiosa e cultural como motivo para a helenização da Judéia e conseqüente resistência macabéia. sugerido a Antíoco IV as medidas a serem tomadas. HENGEL. SAULNIER. o livro de Daniel descreve a maldade de Antíoco IV no seu ataque às práticas judaicas: "Tropas enviadas por ele virão profanar o Santuário-cidadela e abolirão o sacrifício perpétuo. [39].. ele os perverterá com suas lisonjas. Cf. Judaism and Hellenism I. 118-121. que diz: "O rei prescreveu. pp. inclusive. mas o povo dos que conhecem a seu Deus agirá com firmeza (.) O rei agirá a seu belprazer. A revolta dos Macabeus. Idem. pp. É a que considero mais provável.. a todo o seu reino. Cf. 287-289. renunciando cada qual a seus costumes particulares.41-42. pp. Ele proferirá coisas inauditas contra o deus dos deuses e no entanto prosperará. Uma é a que expus acima: a helenização forçada é conseqüência da pressão exagerada da aristocracia judaica. Histoire d'Israel III. Judaism and Hellenism I. pp. mostra que há duas interpretações divergentes para as medidas anti-judaicas de Antíoco IV Epífanes[40]. muito bem expressa em 1Mc 1. E todas as nações conformaram-se ao decreto do rei".porque o que está decretado se cumprirá. por exemplo.. 27-28. que teria.

como adotado pelos Selêucidas. Os reis Selêucidas antecessores de Antíoco IV cultuavam Apolo. está falando do deus Adônis-Tamuz. há motivos econômicos para o conflito que o processo desencadeia[42]. a Inanna suméria e a Ishtar acádica. Em Atenas. conhecido também sob o nome semítico de Adônis na mitologia mediterrânea. Quando o texto diz que ele não "tem consideração para com o favorito das mulheres". Além das razões estratégicas e políticas dos Selêucidas para incentivar a helenização dos judeus. Ou seja: não há uma burocracia profissional que administra as finanças do Estado. proporcionando-lhe lucros financeiros e influência política junto ao governo estrangeiro.36-37). não dispõe de um mecanismo fiscal para o recolhimento do tributo. daí o texto dizer que ele age "sem consideração para com os deuses de seus pais". Apesar de tudo isso. discutindo longamente com ourives ou outros peritos nos seus ateliês.pais. razões já apresentadas. sem consideração para com o favorito das mulheres ou para com qualquer outro deus. mas ele cultua especialmente a Zeus Olímpico. nos reinos helenísticos a função de recolher o tributo é arrendada à aristocracia dos povos dominados. mais para o fim de seu governo. alguns elementos precisam ser explicados: "Engrandecendo-se acima de todos os deuses" é uma referência à efígie de Antíoco IV cunhada nas suas moedas. além de protagonizar outras atitudes populistas41. local onde se reúne também a assembléia do povo) e se mete nas mais acirradas disputas. como vimos no caso dos Tobíadas. é preciso ir além na interpretação dos fatos. Assim. a não ser a satisfação do dever cumprido e o sentimento de contribuir para o bem comum[43] . Como esta é uma linguagem apocalíptica. porque também Políbio traça dele um perfil pouco lisonjeiro. Diz Políbio que Antíoco IV aprecia sair da corte e se misturar com as pessoas do povo.31-32. De qualquer maneira. Tamuz é estreitamente vinculado à divindade feminina da fertilidade. o cidadão se dedica à administração da cidade sem receber recompensa alguma. . Tamuz é uma divindade assírio-babilônica de origem popular. Ou que ele se infiltra nas festas do povo sem ser convidado ou vai ao mercado (ágora. é a si mesmo que ele exaltará acima de tudo" (Dn 11. Este texto de Daniel é bem representativo da visão judaica do rei ímpio perseguidor do povo justo. por exemplo. É que o sistema político grego tradicional. Ele é amante de Ishtar. com os traços de Zeus Olímpico. Antíoco IV não é bem visto pelos escritores da época.

e declaro isentos todos os judeus. cria condições para que a aristocracia judaica substitua as leis étnicas por leis políticas. uma relação de parentesco baseada na solidariedade dos laços de sangue. o Grande. Jerusalém seja considerada santa e isenta. reforça os privilégios da aristocracia. dá-nos uma idéia dos tributos recolhidos pelos Selêucidas na Judéia. Igualmente renuncio à terça parte da semeadura e à metade dos frutos das árvores. O verbo politeyestaí.que reivindica tal direito como "direito de lança" por ser o conquistador . trouxe em si elementos que ofereciam à aristocracia das cidades novas possibilidades"[45]. também significava simplesmente 'viver'"[44]. sem dízimos e sem tributos". autonomia (poder próprio) e autarquia (autogestão). baseada na vontade do rei Selêucida . do imposto sobre o sal e do imposto coronário.C. assim como seu território.Por outro lado.29-31. A lei. criando as condições para a sua emancipação da hierocracia e para o predomínio da pólis sobre o éthnos.. Os três primeiros impostos citados. que me caberiam de direito: de hoje em diante deixo de arrecadá-los à terra de Judá e aos três distritos que lhe foram anexos. já os conhecemos do decreto de Antíoco III: trata-se do phóros. que foi concedida oficialmente à Judéia.. "A autonomia étnica. Judá é e permanece um éthnos também na administração selêucida. dos tributos (phóroi). deve-se levar em conta que a noção grega de Estado é concretizada no Oriente: o o ou na pólis. do imposto sobre o sal e do ouro das coroas.e não nas tradições dos antepassados codificadas na Torá. A cidade era tudo para o cidadão grego. . M. Isto a partir do dia de hoje e para todo o tempo. em 152 a. bem como à Samaria e à Galiléia. O texto de 1Mc 10. que trata de uma isenção de impostos concedida aos judeus mais tarde. Ora. com seu decreto de 197 a. Mas o próprio Antíoco III. "Desde agora desobrigo-vos.C. uma associação de cidadãos livres e autônomos baseada na vizinhança ou no éthnos. por Demétrio I. que significava 'tomar parte nos negócios públicos'. Rodrigues explica que "três grandes princípios presidem à formação da pólis: eleuteria (independência).

C. 13.Agora. posse).1. Seu enriquecimento fácil. a terra é dom de Iahweh ao povo. Dt 12.29. Flávio Josefo também testemunha que os impostos são cobrados pela aristocracia. aponte uma razão econômica.10. Daí ser significativo que a primeira notícia a respeito do nascente conflito com o helenismo.4: "Ora. choca-se com as normas da Lei.20. Deus de teus pais te dará. certamente com ganhos. A terra em Israel é classificada como nahala (= herança. certo Simão. os Tobíadas e seus associados . e. a aristocracia começa a pressionar sempre mais na direção da helenização total. escrito a partir do século VIII a. Assim.16 e tantos outros lugares.16.9. investido no cargo de superintendente do Templo. A solução será pedir a Antíoco IV Epífanes a eliminação da Lei.10. Talvez cerca de 300 talentos anuais segundo 1Mc 11. Vamos lembrar o que diz 2Mc 3. mas somente dentro de determinadas normas. da estirpe de Belga.18. baseado na tributação e na manutenção de seus privilégios. como modo de quebrar as barreiras da tradição de solidariedade baseada na aliança. como em Dt 12. quando comenta o decreto de Antíoco III. Segundo as leis israelitas. como vimos acima.9.10.5. Vende. por exemplo.recolhe dos camponeses 1/3 do produto das colheitas e metade da produção das frutas. estes produtos e paga aos seus senhores Selêucidas determinada quantia em prata. a pagaram aos reis"[46]. o que aqui nos interessa é perceber como se faz o recolhimento do tributo na Judéia. Pode-se até negociar a terra. Diz Josefo: "Os nobres arrendaram nas suas próprias cidades paternas o direito de cobrar o tributo. O direito que regulamenta a venda da terra é o chamado ge'ulla (= resgate . depois que eles recolheram a quantia fixada. mas não é seu proprietário. A aristocracia . entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade".20.. O livro do Deuteronômio. Israel tem a posse da terra.20 etc).28.1.13. Some-se a isso a precariedade financeira dos Selêucidas e o mecanismo começa a ficar claro.por exemplo. durante todos os dias em que viverdes sobre a terra". 19. diz: "São estes os estatutos e as normas que cuidareis de pôr em prática na terra cuja posse Iahweh. repete isto sempre (Dt 12.

O resgate da terra é baseado no conceito de hesed (= fidelidade). Caso contrário. como no interior do clã a estratificação social avança bastante nos períodos persa e grego. Ora. H. Kippenberg assim resume a relação de parentesco em Israel: o o o a estrutura de parentesco determina a reprodução das famílias e as relações sociais dentro da família a estrutura de parentesco une as famílias em uma hierarquia baseada nas prerrogativas dos irmãos mais velhos sobre os mais novos. Entretanto. uma solidariedade que sustenta a relação comunitária no nível do clã. este princípio leva ao acúmulo de terras pelas famílias mais ricas[47]. deve ser libertado no ano jubilar (49º ou 50º ano). então o parente agnático (termo do direito romano que indica o parente por parte de pai) mais próximo deve comprá-lo.da terra).47-55 estabelece também que se um israelita for vendido a estrangeiros como escravo. a manutenção das regras do parentesco exigida pela Lei e confirmada por Antíoco III prejudica os interesses da aristocracia. Quem tem o direito de compra é apenas o parente do lado masculino da família. como pode protegê-lo também de ser vendido como escravo permanente a estrangeiros. mas cria laços de solidariedade entre eles a terra pode ser negociada entre parentes. porque ela lhe pertence por direito de conquista.. . Uma confirmação do avanço da estratificação social pode ser encontrada na regra do ano jubilar estabelecida por Lv 25. Segundo esta lei. Se isto não for possível. a aristocracia judaica que aí surge tende a excluir os mais pobres. G. A venda da terra pode proteger o proprietário empobrecido de pagar tributos e impostos a estrangeiros. no 49º ou no 50º ano o antigo dono deve receber de volta sua propriedade vendida. Compare-se esta concepção israelita da posse da terra com a concepção grega.C. provavelmente do século VI a. se o israelita deve vender seu terreno. deve ser resgatado pelo parente mais próximo.23-28. mas não com estranhos ao círculo de parentesco. onde a terra pode ser dada a quem o rei determinar. O conflito jurídico é evidente. Por outro lado. Lv 25.

21-27).C.42-48: a circuncisão.36-51: a purificação do Templo). que se tem de exigir a regra dos 49/50 anos[48]. dando aos camponeses maior folga em relação aos senhores da terra. sumo sacerdote insigne.1920. gerados pelo arrendamento estatal dos impostos à aristocracia. Tudo o que temos determinado a vosso respeito permanece firme e também são vossas as fortalezas que edificastes. aos anciãos e à nação dos judeus. Ex 21. não o seja doravante. estratego e chefe dos judeus'".1-11). e seus partidários assideus.. os revolucionários Macabeus fazem valer os antigos mandamentos (1Mc 2. É porque estas regras não funcionam mais.36-42 assim descreve o fato: "'O rei Demétrio a Simão.6. não resta dúvida. Quanto às faltas por ignorância e os delitos cometidos até o dia de hoje. 4. Voltemos ao confronto entre a aristocracia filo-helenista e os judeus fiéis à Lei. A desigualdade permanece a mesma. e estamos prontos a celebrar convosco uma paz duradoura e a escrever aos nossos administradores que vos considerem totalmente isentos.1-18. Que os motivos desta luta são também econômicos. sumo sacerdote e amigo dos reis. da solidariedade étnica contra a instalação do regime da pólis em Jerusalém. nos documentos e nos contratos: 'No primeiro ano de Simão. mas os camponeses conseguem controle sobre o excedente[49]. nós vo-los perdoamos. E reine a paz entre nós'. com o desaparecimento do arrendamento.Parece claro que a regra do ano jubilar está em contradição com a norma do resgate imediato da terra e do escravo e a lei do ano sabático (Dt 15. E o povo começou a escrever. bem como a coroa que nos deveis. Enquanto os partidários da helenização seguem as ordens do rei (1Mc 2. É que. se observarmos que. que eles se inscrevam. Se houver entre vós alguns homens que sejam aptos a ser recrutados para a nossa guarda de corpo. a aristocracia não é mais identificada com o Estado. 1Mc 13. em 142 a. E se alguma outra coisa era arrecadada em Jerusalém. . 2. devido à estratificação social. Como veremos daqui a pouco. os sacerdotes Macabeus. isto é festejado como libertação da escravidão e começo de uma nova era. defendem a manutenção dos laços de parentesco. foi retirado de Israel o jugo das nações. saudações! Recebemos a coroa de ouro e a palma que nos enviastes. No ano cento e setenta. quando o rei selêucida Demétrio II concede aos judeus a isenção dos tributos.29-38: o sábado. líderes da resistência judaica.

sem direito a cidadania. BICKERMAN. Aí vem o conflito com os Macabeus. Aníbal. Editora da UnB. London. Rio de Janeiro. O mundo helenístico. . Edições 70. em Jerusalém.A lógica grega deste arrendamento é a de reduzir o direito de cidadania a pequena faixa aristocrática. Leituras Recomendadas AUSTIN. La Gréce et l'Orient (323-146 av. São Paulo. GLOTZ. que não tem objetivos religiosos: o que se quer é uma reforma da constituição da Judéia. E. 1992. até que. JOSEFO. G. C. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I. Edições 70.. São Paulo. Aníbal. KIPPENBERG. 1987. M. 1986. 1981. Edições 70. Difel. São Paulo. 1979. História. Ars Poetica. F. Lisboa. SCM Press.. o pai da estratégia.. Paulus. POLÍBIO. The God of the Maccabees. Leiden. Lisboa. PEIXOTO. Casa Publicadora das Assembléias de Deus.. 1993. M. Brill.. 1985.. A cidade grega. H.. 1991. 1988. E. Obra Completa. BRADFORD. Economia e sociedade na Grécia antiga. MOSSÉ. PAUMAPE. PRÉAUX. P. As instituições gregas. uma camada aristocrática força a helenização e entra em choque com o direito sagrado tradicional do povo judeu. Lisboa. Le Monde hellénistique. São Paulo. LÉVÊQUE. 1980. HENGEL. P. P. 1985. G. M.. História dos Hebreus. Mas será a simbologia religiosa que exprimirá os interesses igualitários de sacerdotes e camponeses[50].. objeto de conquista.. Judaism and Hellenism. mantendo os produtores como simples moradores. um desafio aos romanos. Religião e formação de classes na antiga Judéia. & VIDAL-NAQUET. C. Brasília. E esta lógica está funcionando. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt..

História XXVI. As utopias gregas. SAULNIER. BICKERMAN. História de Roma. GLOTZ. 19872.. Histoire d'Israel III. Idem.-C. p. Difel. sobre Antíoco IV.C...-C. Histoire politique du monde hellénistique II. [41]. E. 1985. KIPPENBERG. WILL. As instituições gregas. C.) I-II. pp. W.) III. 152-161. Paris. c. o. P... Cf. [45]. sobre isto. C. [42]. Presses Universitaires de France. G. 80. AUSTIN.. Petrópolis. pp. Histoire d'Israel III. o. The God of the Maccabees. Antiquitates Iudaicae XII. Cf. Edições 70. JOSEFO... Paris. também. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av.. em Atualização 171-172. ao longo dos séculos. Religião e formação de classes sociais no Judá pós-exílico. 99-214. 39. H. Cf. SAULNIER. 19774. 151-183../VIDAL-NAQUET.. pp. cf. Cf. H. WILL. 118-121. Nancy. ROSTOVTZEFF. E. G. segundo H.1. A cidade grega. 306-308. [43]. São Paulo. 73-87. São Paulo. março/abril de 1984. pp. p. História da Grécia. Presses Universitaires de Nancy. Vozes. c.. Du Cerf. Cf. C. 1979-19822.-135 a. [47].. MOSSÉ.J. 24-31. G... Economia e sociedade na Grécia antiga.). M. GLOTZ. KIPPENBERG.. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. p. pp. este texto em SAULNIER.1987.. A revolta dos Macabeus. G. NEXT [40]. G. 377-378. Zahar. pp.. 19864. . Rio de Janeiro.. POLÍBIO.. [44]. 19882. [46]. C. Lisboa. 155. C. G. pp.D. 1988. 76. Para as tendências da historiografia. pp. SAULNIER. RODRIGUES. GRUEN. A revolta dos Macabeus.. Cf. M. pp. Histoire d'Israel III. 113-129. C. F. M. J. H. KIPPENBERG. Cf. A. A cidade grega.. Brasiliense. Cf. também GIORDANI. M. São Paulo. 1985. E. KIPPENBERG. 27-28. sobre a questão. 1980. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Paulus. pp.

9. irmão de Judas Macabeu. Cf. A posse de livros da Lei. Jônatas. pois os judeus mais tradicionais não podem admitir esta atitude. será o primeiro sumo sacerdote da família. Os Macabeus I: A Resistência Com a proibição das tradicionais práticas judaicas em 167 a. um sacerdote de Modin. Com seus cinco filhos e grande grupo de camponeses fiéis às tradições judaicas ele faz uma guerra constante aos helenizantes. Idem.1. desencadeia-se feroz perseguição àqueles que não se submetem às ordens do rei selêucida Antíoco IV Epífanes. os irmãos Macabeus vão pouco a pouco consolidando as suas conquistas na Judéia. Isto começa a criar divisões internas. 86. pp. pp. Neste capítulo abordarei exatamente a luta de Matatias. [49]. a prática da circuncisão ou qualquer observância de um ritual judaico leva a pessoa à morte. que se retirara de Jerusalém desgostoso com o rumo das coisas. Matatias e o Começo da Revolta . 86-87. embora esteja vago.C. que culminará. na libertação de Jerusalém e na purificação do Templo apenas três anos após a proibição dos sacrifícios javistas. 9. Cf. ibidem. chamado Matatias. p. 61-63. ibidem. de Judas Macabeu e de Jônatas pela independência da Judéia. com seu filho Judas Macabeu. começa um movimento de rebelião armada contra os gregos e seus associados da aristocracia judaica. ibidem. nesta primeira fase. Cf. Recusando-se a prestar culto aos deuses gregos. Idem. não lhe pertence.[48]. ocupando um cargo que. Idem. Aproveitando-se do aprofundamento da divisão interna do império selêucida e de seu enfraquecimento político e econômico. [50].

em nosso calendário. todos os anos. Segundo 2Mc 6. que as práticas tradicionais do judaísmo são proibidas pelo decreto de Antíoco IV Epífanes e o culto de Zeus Olímpico é introduzido no Templo de Jerusalém. um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei. É então que muitos judeus fiéis à Lei morrem. mas não abdicam da aliança javista herdada de seus pais. herdeiro presuntivo da coroa. Na sua prepotência assim procediam. Apesar de tudo. nas cidades. E ao chegarem as festas . A comemoração do aniversário do rei é uma prática persa retomada pelos macedônios no Oriente. No dia vinte e cinco de cada mês ofereciam-se sacrifícios no altar levantado por sobre o altar dos holocaustos. com todos aqueles que fossem descobertos. O dia 25 de cada mês é a data do aniversário do rei e da inauguração do altar a Zeus Olímpico: o dia 25 de Casleu. Eles aceitaram antes morrer que contaminar-se com os alimentos e profanar a Aliança sagrada. o decreto real o condenava à morte. e ainda com seus familiares e com aqueles que haviam operado a circuncisão. em casa de alguém. as executavam com os mesmo filhinhos pendurados a seus pescoços. no dia do aniversário do príncipe. eles. Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel". Onde quer que se encontrasse. como de fato morreram. Temos. importante testemunho de Platão: "Quando nasce o primogênito. Falando da perseguição desencadeada pelo decreto real e da resistência dos judeus fiéis. desta prática. Quanto às mulheres que haviam feito circuncidar seus filhos. no dia do aniversário do rei. logo é festejado o acontecimento por todo o povo e os próprios governantes. assim descreve 1Mc 1.Como vimos. que equivale. ao dia 15 de dezembro. é em 167 a.C. cumprindo o decreto. daí por diante. contra Israel. muitos em Israel ficaram firmes e se mostraram irredutíveis em não comerem nada de impuro. os judeus devem participar também da festa de Dionísio: "Eram arrastados com amarga violência ao banquete sacrifical que se realizava cada mês.56-64 os fatos: "Quanto aos livros da Lei. a Ásia inteira comemora a efeméride com festejos e sacrifícios"[1].7. os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. mês por mês.

coroados de hera. começo de fevereiro). Pecados cometidos pelos helenizantes que violam a Lei sagrada: "Agora. as Antestérias (a "festa das flores". que faz uma verdadeira teologia do martírio. também celebrado em Roma.12-13 garante ainda que o castigo que se abate sobre a nação judaica é a punição pelos pecados do povo e só servirá para purificá-lo e encaminhá-lo para o reto caminho. correção de . "Ao mesmo tempo. obviamente. C. donde "bacanal" -. as Lenéias (em fins de janeiro. a profunda divisão dos judeus permite-nos compreender que os helenistas deviam se sentir ameaçados e acolhessem de boa vontade o apoio e a proteção das forças gregas. as características de uma verdadeira revolta e de uma oposição política perigosa.o Baco.18-31) e o martírio dos sete irmãos com sua mãe (2Mc 7. Saulnier pensa que a resistência dos judeus piedosos assuma. o cortejo em honra de Dionísio". Na Grécia. obrigavam-nos a acompanharem. Assim. aos que estiverem defrontando-se com este livro. que morre e ressuscita. o começo desta crise é ambivalente. o que é interpretado em termos de perseguição pela literatura judaica. festa que comemora o renascimento da natureza) e as Grandes Dionísias ou Dionísias Urbanas (em março/abril. durante seis dias)[2] . celebram-se quatro grandes festas em honra de Dionísio: as Dionisíacas Rurais (em dezembro). sendo também o deus do vinho . O livro descreve detalhadamente os suplícios sofridos pelo velho escriba Eleazar (2Mc 6. Os rituais dionisíacos são repletos de êxtases. começos de março. Dionísio é um deus da vegetação. celebrada em fins de fevereiro. pode ser compreendido pelo historiador como uma reação contra a agitação que não parava de aumentar e a repressão de uma verdadeira revolta armada"[3] .1-42). Reafirma esta interpretação religiosa judaica o 2º livro dos Macabeus. especialmente em Atenas. Dionísio. com grande ênfase na sexualidade. aos olhos de Antíoco IV. na mitologia grega. que libera as forças do inconsciente humano e inspira a música e a poesia.dionisíacas. misticismos e orgias sagradas que celebram a vida. porque mistura a perseguição religiosa à guerra civil. 2Mc 6. gostaria de exortar que não se desconcertem diante de tais calamidades. Então. é filho de Zeus e da princesa Semele.

de ordenar a Apolônio. e de chamar ao nosso templo anônimo. É um rescrito (= decisão do rei comunicada por escrito) de Antíoco IV aos sidonianos de Siquém. que é como os samaritanos.17 apresenta a mesma perspectiva: "Antíoco subia até às alturas em seu pensamento. de não nos molestar fazendo contra nós as mesmas acusações que contra os judeus que nos são estranhos tanto pela raça como pelos costumes. por causa das secas que assolavam o país. o benfeitor e o salvador. 2Mc 5. tu. se designam nesta época. segundo Flávio Josefo. é sinal de grande benevolência". por exemplo. nos envolvem nestas mesmas acusações. ergueram sobre o Garizim um templo anônimo e ofereceram os sacrifícios que lhes convinham. Hoje. adotaram o costume de celebrar o dia que os judeus chamam de sábado. não percebendo que era por causa dos pecados dos habitantes da cidade que o Senhor estava irritado por um tempo. pensando que é por causa de nosso parentesco com eles que nós seguimos as mesmas práticas. Ao explicar a pilhagem do Templo por Antíoco IV. Deste modo. quando tu tratas os judeus como merecem por sua maldade. Não há sinal de perseguição entre os judeus da diáspora. Flávio Josefo traz um texto a propósito dos samaritanos datado de 166 a. obedecendo a um velho escrúpulo religioso. agente real. É bom lembrarmos que a perseguição atinge apenas os judeus do distrito de Jerusalém. "Memorando dos sidonianos de Siquém ao rei Antíoco Théos Epífanes: 'Nossos ancestrais. templo de Zeus. Mas é interessante observarmos também a atitude dos samaritanos durante estes acontecimentos. Nós te suplicamos.C. enquanto que. entre os de Tiro e de Antioquia. portanto. nós não seremos mais molestados e. por origem nós somos sidonianos. mas imediatamente atingi-los com castigos. . os oficiais reais. e que era por isso que se verificava essa sua indiferença para com o Lugar".nossa gente. como o demonstram claramente as atas públicas. não deixar impunes por longo tempo os que cometem impiedade. De fato. chefe do distrito e a Nicanor.

nós os isentamos de todas as acusações e ordenamos que o seu templo.29 que . e Jônatas. mas que eles desejam viver segundo o costume dos gregos. bisneto de um certo Asmoneu[5]. talvez. Afus é o "favorecido". possível alusão à sua força física ou. chamado Macabeu. chamado Afus". em seguida. o rei deu a seguinte resposta: 'O rei Antíoco a Nicanor. "martelo".2-5: "Tinha cinco filhos: João. seja chamado templo de Zeus'"[4]. Matatias tem cinco filhos. chamado Tasi. encontra-se um sacerdote chamado Matatias. ele não só se recusa. como nos relata 1Mc 2. diante de nós. pedindo a Matatias que oficiasse por ser um chefe ilustre na localidade. Abaron é o "desperto". e de nossos amigos reunidos em conselho. mas ainda mata outro sacerdote que se oferecera no seu lugar e mata também o emissário real. Eleazar. Quando os emissários reais chegam a Modin e convocam a população para o sacrifício sacrílego. Macabeu pode significar. Simão.27-28). Convoca. A tal pedido dos samaritanos. Começa assim a luta desta célebre família contra os Selêucidas e seus aliados helenistas de Jerusalém e povoados vizinhos. neto de Simeão. à forma de sua cabeça. "designado por Iahweh". do hebraico maqqabiahu. da linhagem de Joiarib. asseguraram que eles nada têm a ver com o que é censurado nos judeus. os judeus fiéis e foge com seus filhos para as montanhas (1Mc 2. Os sidonianos de Siquém nos apresentaram o memorando que segue. Mas a família de Matatias não está sozinha nesta luta. Já que seus emissários. Matatias se recusa a oficiar no Templo profanado pelo culto estrangeiro e se retira com a sua família para a sua propriedade situada em Modin. com o cognome de Gadi. nós aumentaremos as tuas rendas'. como eles o pediram. Entre os judeus que permanecem fiéis à Lei. Os cognomes dos filhos de Matatias significam o seguinte: Gadi é o "afortunado". chamado Abaron. Tasi tem significado incerto. Judas. povoado localizado a cerca de 12 km a leste de Lida/Lod. ou do grego. Diz 1Mc 2.podendo ocupar-nos com segurança de nossos trabalhos.

E 1Mc 2. A ênfase sobre a observância do sábado cresce a partir do exílio e se torna lei. amonitas. somente os filisteus (que são indo-europeus) não são circuncidados. claro que um motivo higiênico pode estar oculto pelos rituais e cerimônias. porque se tinham multiplicado os males sobre eles". árabes. em tempos mais remotos. Dos povos palestinos com os quais Israel entra em contato. os calendários mesopotâmicos assinalam como dias de azar. naqueles tempos. que significa "duas vezes sete" e indica o dia da lua cheia para os babilônios. ou dias tabu. seus filhos. operação feita pelo pai da criança. o sacerdote e o médico. homens valorosos e apegados à Lei se unem a Matatias e a seus filhos [6]. Quanto à sua origem. A prática do sábado parece ser muito antiga. As proibições de Antíoco IV Epífanes tocam em práticas bastante arraigadas no judaísmo pós-exílico. facas de pedra lascadas. Matatias e os seus percorrem o território destruindo altares sacrílegos. Aliás. fenícios e cananeus usam igualmente a circuncisão. as passagens das fases da lua. Para a cerimônia usam os israelitas. por exemplo. Pode derivar do acádico shabattu ou shapattu. A etimologia da palavra é incerta. A circuncisão. o que atesta a sua origem arcaica.45-48.3. Entretanto. a circuncisão não é um ritual exclusivamente israelita: tribos africanas. Mas a circuncisão é.42 acrescenta que os assideus. suas mulheres e seu gado. americanas e australianas praticam-na. Esta é a curta notícia que nos dá 1Mc 2. Para os judeus é um dia de descanso e dedicação do tempo a Iahweh. que consiste na remoção do prepúcio. circuncidando à força os meninos incircuncisos e recuperando a Lei das mãos dos gentios."Muitos que amavam a justiça e o direito desceram ao deserto para ali se estabelecerem. Quem não a conhece são os indo-europeus e os mongóis. eles. porque ela passa a ser uma marca característica do judeu fiel[7]. edomitas. segundo Lv 12. quando então o rei. Vamos comentar algumas delas. Egípcios. deve ser cumprida no oitavo dia pós o nascimento. . moabitas. não devem exercer suas funções.

são: a Páscoa/Ázimos.5-8. quando se sacrifica um animal novo para garantir a fecundidade de todo o rebanho. As três principais festas (hag = peregrinação) israelitas. . Quando a família é pequena demais para comer todo o cordeiro. no mês de Nisan (março/abril) e se celebra durante uma semana. É excluído o que vem do "ano velho". Esta festa marca o começo da colheita da cevada. é um ritual muito antigo tipicamente pastoril. A Páscoa (pesah). Ex 12. o seguinte: no dia 10 de Nisan cada família escolhe um cordeiro macho. Durante os sete primeiros dias da colheita. Também são consumidos nesta noite pães ázimos e ervas amargas. A tradição sacerdotal.) celebra-se a Páscoa na primeira lua cheia da primavera (14 de Nisan) e os Ázimos a partir do dia 15. Durante esta noite de lua cheia assam e comem o cordeiro. a festa das Semanas ou Pentecostes e a festa dos Tabernáculos ou das Tendas. agora proibidas por Antíoco IV. Dá-se também às duas festas um novo sentido: a celebração da libertação do Egito. simbolizando um novo ponto de partida. E é realizada uma primeira oferta das primícias a Iahweh. progressivamente os outros povos da região vão deixando-na de lado. estabelece. O seu sangue serve para aspergir as estacas da tenda. Os escravos e os estrangeiros residentes também podem participar. desde que sejam circuncidados. Não se pode quebrar nenhum osso e o que sobrar é queimado. estando todos vestidos para viajar.16-25. posterior ao exílio. sem defeito e de um ano. mais tarde os portais das casas. de sábado a sábado. O seu uso israelita como símbolo de pertença a Iahweh data dos tempos do exílio babilônico. quando. os sete dias da festa. A partir da reforma de Josias (629-609 a. Daí a ênfase dada ao rito pelo judaísmo como marca característica do povo israelita[8]. termo de etimologia incerta.C. une-se aos vizinhos. Os Ázimos (massôt) são pães sem fermento.provavelmente um rito de iniciação à puberdade: uma cerimônia pela qual os rapazes são reconhecidos como homens adultos. come-se somente pão feito com farinha de grão novo. celebrado na primeira lua cheia da primavera. Nm 28. pão sem fermento. para afastar delas os poderes malignos.1-20. No dia 14. entre as duas luzes (à noite) o cordeiro é degolado e o seu sangue aspergido nos portais de cada casa.40-51. em Lv 23.

o povo constrói cabanas ou abrigos nos pomares e vinhas. que são igualmente proibidas por Antíoco IV Epífanes. O nome sukkot vem da seguinte prática: durante as colheitas. celebrado de manhã e à tarde. recordando a vitória dos judeus da Pérsia contra aqueles que querem exterminá-los. É. ou Dia da Expiação pelo santuário. Mais tarde.38-42 e Nm 28. é preciso lembrar que há outras celebrações no Israel da época grega.No dia 15 começa a festa dos Ázimos. ou a festa dos Purim. que dura uma semana. Naturalmente esta é uma associação litúrgica e não histórica[9]. as primícias. Inicialmente a festa é celebrada ao ar livre e certamente assume o nome das cabanas (sukkot) que se espalham entre as plantações. celebrada nos dias 14 e 15 de Adar (fevereiro/março). em grego. terminando com um dia solene de descanso. No outono terminam todas as colheitas e se encerra o ano agrícola. segundo as leis sacerdotais. para se proteger do sol. o povo libertado do Egito chega ao monte naquele época do ano. como nossas festas juninas.2-8. Como o Yom Kippur.43). Por isso. esta é uma festa muito alegre. uma festa agrícola. pois segundo a tradição. Celebra o término da colheita. Há ainda um culto diário. quando os primeiros frutos da lavoura. A festa dos Tabernáculos ou Tendas é a mais importante das três festas de peregrinação em Israel. típico do pós-exílio. segundo Ex 29. feitos com a nova farinha de trigo. com uma duração de sete dias. como as outras duas. A festa das Semanas ou Pentecostes é celebrada 50 dias após a apresentação do primeiro molho de cevada na festa dos Ázimos. Mais tarde a festa passa a ser celebrada. Primeiramente chamada de festa da colheita (asip). clero e povo. sem data precisa. a partir do dia 15 de Tishri (o mês de Tishri corresponde a setembro/outubro). no deserto. A cerimônia consiste em oferecer dois pães fermentados. celebrada no outono. . após a libertação do Egito (Lv 23. "cinqüenta". "tendas" ou "tabernáculos". são oferecidos a Iahweh. Foi posteriormente ligada ao Sinai. a festa assume outro significado: o povo deve recordar o período em que vivera em tendas. segundo o livro de Ester. que se traduz por "cabanas". celebrada no dia 10 de Tishri. esta festa passa a chamar-se mais tarde sukkot. daí ser chamada pentecostés. No primeiro e no sétimo dia são feitas celebrações religiosas. Além destas três grandes festas.

A luta contra a helenização é comandada por um grupo sacerdotal, os Macabeus, o que faz parecer que os motivos religiosos sejam prioritários ou mesmo os únicos para a resistência. Como, aliás, insistem os livros dos Macabeus. Mas é preciso lembrar que há uma coincidência de interesses dos sacerdotes e levitas empobrecidos com os interesses dos camponeses. Por isso lutam lado a lado. Sacerdotes e levitas vivem da contribuição dos camponeses, pois o culto e o sacerdócio não têm propriedades, excetuando-se, é claro, uns poucos sacerdotes da nobreza. Os sacerdotes prestam serviços em Jerusalém só de tempos em tempos, morando no mais, em suas cidades e aldeias. O financiamento do culto fica, na maioria das vezes, por conta do Estado. Assim, a classe sacerdotal sem terras está interessada no controle público das terras, como manda a Lei, e não na privatização da propriedade da terra, que é a tendência da aristocracia filo-helênica. Só assim os sacerdotes podem ter certeza das contribuições para o Templo e para o sustento de suas famílias. Se a terra pertence a Iahweh, como diz a Lei, e os sacerdotes são os intermediários entre Iahweh e o povo, através da instituição do Templo, a sua sobrevivência está garantida. Mas se a terra pertence ao rei, como o quer o direito do conquistador grego, os sacerdotes que não pertencem à aristocracia e não se associam aos gregos são prejudicados[10]. NEXT [1]. PLATÃO, O primeiro Alcibíades 121c, em Diálogos vol. V, Belém, Universidade Federal do Pará, 1975, p. 226. [2]. Cf., sobre o tema, DE SOUZA BRANDÃO, J., Mitologia grega II, Petrópolis, Vozes, 19882, pp. 113-140; ELIADE, M., História das crenças e das idéias religiosas I/2, Rio de Janeiro, Zahar, 1978, pp. 199-217. BICKERMAN, E., The God of the Maccabees. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt,, Leiden, Brill, 1979, pp. 74-75, acredita que estas festas, celebradas em Jerusalém, fazem renascer, ou melhor, são meros disfarces dos antigos cultos cananeus da fertilidade, tão fortes em Israel até o exílio.

[3]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 126. [4]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, 258-264; cf. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 379-380. [5]. Joiarib é, segundo 1Cr 24,7, o chefe da primeira das vinte quatro classes sacerdotais que servem no Templo. Mas é possível que esta posição de destaque seja uma reformulação do texto após as vitórias dos Macabeus e seu acesso ao sumo sacerdócio. Os descendentes de Matatias são conhecidos como "Macabeus", do nome de seu filho Judas Macabeu, ou "Asmoneus" por causa de um bisavô de Matatias, segundo JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, VIII, 1. [6]. Assideus é a forma grecizada do hebraico hassidim, os "piedosos". 1Mc 2,42 diz que "a partir daí, uniu-se a eles os grupos dos assideus (hê synagôgê ton assidáiôn), que eram israelitas fortes, corajosos e fiéis à Lei". [7]. Cf. DE VAUX, R., Ancient Israel. Its Life and Institutions, London, Darton, Longmann & Todd, 19682, pp. 475-483. [8]. Cf. Idem, ibidem, pp. 46-48. [9]. Cf. Idem, ibidem, pp. 415-517. Cf. também BICKERMAN, E., The God of the Maccabees, pp. 88-90. [10]. Cf. KIPPENBERG, H. G., Religião e formação de classes na antiga Judéia, pp. 59-64.

9.2. A Luta de Judas Macabeu (166-160 a.C.) Matatias morre logo, no começo de 166 a.C., mas seu filho Judas, assumindo o comando da luta, desenvolve uma guerra de guerrilhas cada vez mais ampla e vence um a um os generais selêucidas enviados para detêlo. É preciso considerarmos, porém, que o reino selêucida tem forças mais do que suficientes para massacrar a rebelião judaica. Acontece, contudo, de estar Antíoco IV ocupado com vários problemas que explodem por toda a parte em seus territórios. Não pode, por isso, ocupar-se, para valer, com os judeus. Para sorte dos Macabeus e dos assideus, os judeus fiéis que os acompanham na luta anti-helênica.

É 2Mc 8,1.5-7 que nos conta a estratégia de Judas: "Entretanto Judas, também chamado Macabeu, e os seus companheiros, iam introduzindo-se às ocultas nas aldeias. Chamando a si os coirmãos de raça e recrutando os que haviam perseverado firmes no judaísmo, chegaram a reunir cerca de seis mil pessoas (...) Transformada a sua gente em grupo organizado, o Macabeu começou a tornar-se irresistível para os gentios, tendo-se mudado em misericórdia a cólera do Senhor. Chegando de improviso às cidades e aldeias, ateava-lhes fogo; e, apoderando-se dos pontos estratégicos, punha em fuga a não poucos de entre os inimigos. Para tais incursões, escolhia de preferência a noite como colaboradora. De resto, a fama de sua valentia propagava-se por toda parte". As primeiras tropas selêucidas mandadas contra Judas são comandadas por Apolônio, governador da Samaria, provavelmente o misarca que saqueara Jerusalém no começo de 167 a.C. Este pequeno exército, composto de gregos e de samaritanos é facilmente vencido por Judas (1Mc 3,10-12). Forças maiores vêm com o general Seron, comandante do exército da Síria, mas são igualmente vencidas em Bet-Horon (1Mc 3,13-26). Em seguida, são vencidas as forças dos generais Nicanor e Górgias, até que Lísias, o encarregado da pacificação judaica pelo rei Antíoco IV , vem pessoalmente combater Judas. Contudo, nem mesmo Lísias consegue vencê-lo e uma trégua é estabelecida entre as duas forças (1Mc 3,38-4,35). C. Saulnier comenta que "esta vitória, aparentemente fácil, de Judas Macabeu explica-se pelos problemas que enfrentava neste momento o governo selêucida. Com efeito, Antíoco IV partira no princípio do ano 165 a.C. para uma campanha nas satrapias superiores (isto é, na alta Ásia), deixando Lísias em Antioquia para assegurar o governo e a guarda de seu jovem filho"[11] .

É então que, livre de represálias selêucidas, Judas e os seus tomam Jerusalém, purificam e dedicam novamente o Templo. É dezembro de 164 a.C., exatamente três anos após a profanação do santuário. Para comemorar o fato é instituída a festa da Hanukka, isto é, "Dedicação", celebrada no dia 25 de Casleu (15 de dezembro). 1Mc 4,52-54.59 descreve assim este fato: "No dia vinte e cinco do nono mês - chamado Casleu - do ano centro e quarenta e oito, eles se levantaram de manhã cedo e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. Exatamente no mês e no dia em que os gentios o tinham profanado, foi o altar novamente consagrado com cânticos e ao som de cítaras, harpas e címbalos (...) E Judas, com seus irmãos e toda a assembléia de Israel, estabeleceu que os dias da dedicação do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, com júbilo e alegria". Durante esta festa os judeus acendem velas, fazem procissão com palmas e cantam salmos de louvor. Mesmo após a destruição do Templo a festa da Dedicação continua e o ritual de acender as velas ainda é observado, agora em casa[12] . Judas continua a guerra após a purificação do Templo. Entretanto, a seqüência dos fatos é um pouco confusa, porque as nossas fontes, 1 e 2 Macabeus, divergem entre si. C. Saulnier explica estas divergências pelas perspectivas diferentes de 1 Macabeus e 2 Macabeus. Segundo a autora, 1 Macabeus mistura dados históricos com uma teologia inspirada no deuteronomista, fazendo de Judas um libertador de Israel na linha dos juízes, os líderes da época da conquista. Já 2 Macabeus insiste muito na piedade de Judas, na sua fidelidade em observar o sábado e coisas do gênero. Mas, para além destes detalhes

1-68) [14] . sem parar. ordenou ao cocheiro que completasse o percurso prosseguindo sempre. Londres.12-13. Entretanto. Sucedem-se assim as campanhas contra os idumeus e os amonitas. ainda na Pérsia. a expedição no Galaad.1-17. porém.1-19. Segundo 2Mc 9. Antíoco IV tenta saquear um templo em Persépolis.. As versões de sua morte são muito estranhas e complexas. Sabendo. 2 Macabeus traz certas precisões que devem ser levadas a sério[13] . assalta-me a lembrança dos males que cometi em Jerusalém quando me apoderei de todos os objetos de prata e de ouro que lá se encontravam e mandei exterminar os habitantes de Judá sem motivo. Por esse motivo. Estando perto de Ecbátana[16] . Antíoco IV tenta saquear o templo de Ártemis. no final de 164 a. diz Antíoco aos seus amigos antes de morrer: "Agora. famoso por suas riquezas. Segundo 1Mc 6. entre outras coisas.edificantes.4-5 diz: "Fora de si pela cólera. Segundo 1Mc 6.C. Vede com quanta amargura eu morro em terra estrangeira". o rei morre em outubro de 164 a. pensou em fazer pesar sobre os judeus também a injúria dos que o haviam posto em fuga. Reconheço agora que é por causa disso que estes males se abateram sobre mim. morre Antíoco IV Epífanes. Segundo uma tabuinha conservada no British Museum. mas tem que fugir "acossado pelos habitantes do país". no nono mês do ano 148 da era selêucida. ou seja. da derrota de seus exércitos e da libertação de Jerusalém por Judas.C. 2Mc 9. em Elimaida. Judas dedica-se à proteção dos judeus que se vêem acuados pelos gentios em várias localidades. e tem que fugir diante da reação da população[15] . . provavelmente na mesma época em que o Templo é retomado e purificado. é notificado da derrota de Nicanor na Judéia e cheio de fúria se apressa para se vingar dos judeus. na Galiléia e na Judéia (1Mc 5. adoece e morre.

possa haver uma duplicata. apenas eu chegue aí!' Foi quando o Senhor. em Elimaida. Suspeita-se. . acaba caindo da carruagem. que morre ao saquear um templo na Elimaida[18] . e de seu corpo "começaram a pulular vermes. Antíoco IV acaba se arrependendo dos males que fizera aos judeus (2Mc 9. Os esquemas teológicos das versões dos livros dos Macabeus são evidentes: Antíoco IV morre porque é castigado na sua arrogância (especialmente segundo 2 Macabeus). o Deus de Israel. uma simples repetição da história de seu pai. que tudo vê. E o texto conclui que. desconjuntando os membros. na única coisa em que concordam o fato do rei Antíoco resolver saquear um templo na Elimaida -. que. Voltando a Tabe da Pérsia. Antíoco IV não desiste. diante destas versões. desejando aumentar suas riquezas. decidiu fazer uma expedição contra o Templo de Ártemis. na sua soberba: 'Farei de Jerusalém um cemitério de judeus. E até promete tornar-se missionário judeu! Políbio dá também a sua versão da morte de Antíoco IV: "Na Síria. prossegue o texto. as carnes se lhe caíam aos pedaços entre espasmos lancinantes" (2Mc 9.9).11-17). porque os bárbaros que habitam neste lugar não consentiram neste delito. Mas. E. porque algumas manifestações do demônio tinham sobrevindo na ocasião do delito cometido contra o templo visado"[17] . o rei Antíoco. feriu-o com uma doença incurável e invisível: apenas terminara ele a sua frase. deixou ele a vida. como dizem alguns. Tendo chegado a esta região foi frustrado em sua esperança. De fato.enquanto já o acompanhava o julgamento do Céu. assim havia ele falado. estando ele ainda vivo. diante do sofrimento. o rei Antíoco III. acometeu-o uma dor insuportável nas entranhas e tormentos atrozes no ventre". ferido por um demônio.

Atacam Betsur e Judas. Mas. mas. como seus contemporâneos.15). Antíoco IV deixa Lísias encarregado dos negócios do reino em Antioquia.17). ele confia a seu conselheiro Filipe o encargo de governar o reino em nome de seu filho menor de idade Antíoco V.).C. mas a luta de Judas Macabeu continua contra Antíoco V (164-162 a. a quem havia educado desde pequenino. onde ele está em campanha. A carta de Antíoco V a respeito está conservada em 2Mc 11. e deu-lhe o nome de Eupator" (1Mc 6. parece certo que seu fim se dá lá pelos lados da Pérsia. pouco antes de morrer.Na verdade. contra Demétrio I (161-150 a. Parece ter havido em Antíoco IV um homem de Estado nada desprezível. Will. "a documentação de que dispomos sobre o homem e sobre sua obra não nos autoriza nem a apologia nem a condenação. encarregando-o de tutelar Antíoco.C. Lísias e Antíoco V. Judas acaba cercado no monte Sião. não se sabe de que doença morre o rei Antíoco IV Epífanes. ao mesmo tempo. É a ele que Antíoco IV entrega "o diadema. Lísias "proclamou rei o jovem Antíoco. ultrapassado por uma conjuntura por demais complexa"[19] . enfrenta o exército selêucida em Bet-Zacarias. Mas. seu filho. como observa E.). e o regente Lísias e. deixando o cerco da Acra. o manto e o anel do sinete. Morre Antíoco IV. seu filho e de prepará-lo para o trono" (1Mc 6. Mas.22-26 nos seguintes termos: . Só que com a chegada de Filipe a Antioquia. A fama deste rei é muito ruim. Quando parte em campanha para as províncias mais orientais de seu Império. que tem apenas 12 anos de idade. Lísias tem que voltar às pressas para enfrentá-lo e decide fazer a paz com os judeus. em seguida. Mas. vêm então combater Judas. Judas aproveita-se destas circunstâncias e assedia a Acra em Jerusalém.

é executado (2Mc 13. saudações. homem poderoso no reino e fiel ao soberano. e fizera propostas de paz. um dos seus amigos. querendo nós que os súditos de nosso reino estejam livres de qualquer incômodo a fim de poderem dedicar-se ao cuidado dos próprios interesses. sabedores de nossa intenção fiquem de ânimo sereno e se entreguem prazerosamente às próprias ocupações". pois. Querendo. Demétrio I governará de 161 a 150 a. ou seja um helenizante: "O rei escolheu a Báquides. voltara a Jerusalém acompanhado de Báquides. bem farás enviando-lhes embaixadores que lhes dêem as mãos. decidimos que o Templo lhes seja restituído e que eles possam governar-se segundo os costumes de seus antepassados. de vinte e cinco anos de idade. que também este povo possa viver sem temor. governador das regiões de Além-do-Rio. e o enviou com o ímpio Alcimo. preferindo o seu modo de vida particular. por ordem de Lísias. por decreto real. que vive como refém em Roma. Filipe não consegue o controle do reino e foge para o Egito. Alcimo é um "ímpio". um filho de Selêuco IV. Segundo 1Mc 7. um dos amigos do rei.3-8). dando-lhe ordens de exercer a vingança contra os filhos de Israel". . Tendo-se trasladado nosso pai para junto dos deuses.Por isso. mata seu primo Antíoco V e Lísias e assume o poder. Demétrio. O helenizante sumo sacerdote Menelau é convocado a Antioquia e. consegue fugir. O que Antíoco V faz é revogar o decreto de seu pai que proibia as práticas judaicas. desejam que se lhes permita a observância das suas leis. a liberdade religiosa novamente. querida por nosso pai. Mas antes. Porém. a quem assegurou o sumo sacerdócio. enquanto Judas e seus partidários preferiam continuar na oposição"[21] ."O rei Antíoco a seu irmão Lísias. E então assistimos a uma primeira dissidência entre os revolucionários judeus. ouvimos dizer que os judeus não consentem na adoção dos costumes gregos.C[20] . E os judeus obtêm. No seu lugar é nomeado o sumo sacerdote Alcimo. Alcimo "confirmado em sua dignidade [por Demétrio]. chega à Síria.8-9. a fim de que. que os assideus se viram pressionados a aceitar.

Antíoco I Soter 280-261 Antíoco II Théos 261-246 Selêuco II Calínicos 246-226 Selêuco III Ceráunos 226-222 Antíoco III. o Grande 222-187 Selêuco IV Filopator 187-175 Antíoco IV Epífanes 175-164 Antíoco V Eupator 164-162 Demétrio I Soter 162-150 Alexandre Balas 150-145 Demétrio II Nicator 145-139 Antíoco VI Théos 145-142 Trifão 142-139 Antíoco VII Sidetes 139-128 Demétrio II Nicator 128-122 Selêuco V 125 Antíoco VIII Filometor 125-113 . os assideus raciocinam assim: "É um sacerdote da linhagem de Aarão que veio com este exército: ele não procederá injustamente conosco".. Isto indica que enquanto o objetivo da luta dos assideus é apenas conseguir a liberdade religiosa.C. segundo 1Mc 7. Os Macabeus continuam a sua luta e só em 160 a. o dos Macabeus é bem mais amplo. após seis anos de guerra. morto em Beerzet. que vai do Eufrates ao Egito. é que os Selêucidas vencem Judas.1-18). A DINASTIA DOS SELÊUCIDAS Selêuco I Nicator 312-280 a.C. em combate contra Báquides (1Mc 9. Mas na sua qualidade de aaronida legitimava sua nomeação e atraía à sua causa os assideus"[22] .Báquides é o governador da província da Transeufratênia. Alcimo "é tratado de ímpio porque convivia com os gregos e criava obstáculos às pretensões dos Asmoneus.14. Com efeito. 20 km ao norte de Jerusalém.

365-367. [12] .. Na realidade.. forma grega de Elam (Gn 10. [18] .22). Brescia.) I. este texto em AA. As tradições e as leis dos judeus praticantes. pp. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a. "Atualmente Hamadã.. SAULNIER.1) e. antiga capital da Pérsia (Ne 1.. O judaísmo vivo.. Israel e Judá. C. DE VAUX. não se tem notícia de cidade alguma com o nome de Elimaida.-M.Antíoco IX Filopator Antíoco VIII Filometor Antíoco X contra 5 filhos de Antíoco VIII Antíoco XIII 113-95 111-96 95-93 69-65 a..C. 700 km a nordeste de Persépolis. Cf. [17] . ibidem. Idem.C. 171. 222-233.. M. pp. ou em SAULNIER. SCHÜRER.. 29. diz a BÍBLIA DE JERUSALÉM. ABEL. F. Histoire de la Palestine I. explica a BÍBLIA DE JERUSALÉM.VV. Cf. 380. p.. as lutas de Judas em BRIGHT. em sentido restrito. E. pp. Paideia. [19] . A Elimaida é a região em torno de Susa. pp. NEXT [11] . p.. História XXXI. POLÍBIO. p. Textos do Antigo Oriente Médio. SAULNIER.1 nota q.-135 d. p. 1Mc 6. E. p. 1985. 510-514. pp. nota g a 2Mc 9. Imago. [14] . C. . pp. Histoire d'Israel III. C. WILL. Cf. História de Israel. 134-165. "De fato. Rio de Janeiro. 99. A revolta dos Macabeus.. 580-582.C. R. é a região montanhosa a nordeste dessa cidade". SAULNIER.3. a meio caminho entre essas duas cidades". pp. [15] . Cf. 9. PRÉAUX. Cf. 307. 30. Ancient Israel. [16] . 136-138. [20] . Epífanes morreu em Tabe. 227-229. Le monde hellénistique I. [13] . A revolta dos Macabeus. Histoire d'Israel III. Cf.. C. 1987. ASHERI. C. p. Histoire politique du monde hellénistique II. J.

proclama-se rei. Sua mulher Salomé Alexandra assume o poder depois dele e faz a paz com os fariseus. finalmente. continua o processo de reaproximação com o helenismo. consegue. Mas seus dois filhos. BÍBLIA DE JERUSALÉM. grupo que vai se tornando cada vez mais popular.. E a luta pelo poder no seio da família dos Macabeus é forte: Aristóbulo encarcera sua mãe e seus irmãos. levando suas fronteiras a um ponto que o país nunca mais tivera desde que fora destruído por Nabucodonosor em 586 a. ao dominar a Acra. Salomé Alexandra. 1Mc7. governando com grande habilidade.C.[21] . a luta dos Macabeus continua com seu irmão Simão a partir de 143 a. O general Pompeu anexa a . Simão. p. após a morte da rainha. que continua o processo de judaização da Palestina. Entretanto. que só acaba com a chegada definitiva dos romanos na região. Simão é sucedido por seu filho João Hircano I. a independência da Judéia. por adotar medidas militares políticas helenizantes. A revolta dos Macabeus. 32. a poderosa fortaleza selêucida de Jerusalém. João Hircano I começa a enfrentar a oposição dos fariseus. filho e sucessor de João Hircano. Aristóbulo I. Assassinado. Seu irmão Alexandre Janeu casa-se com a rainha viúva. [22] . Mas. entram em violenta disputa pelo poder. e continua o processo de anexação de territórios na Palestina.9 nota q.C. Os Macabeus II: a Independência Após a morte de Jônatas. Hircano II e Aristóbulo II. ele controla a situação após 6 anos de sangrentos conflitos. C. SAULNIER. Agindo com crueldade extrema. Janeu vai enfrentar pesada guerra civil no seu confronto com os fariseus. apesar de ter governado apenas um ano.

porém dali e purificou a Cidadela. Simão fortalece também as alianças com Esparta e com Roma. na parte contígua à Cidadela. filho de Abrebo. é o rei selêucida. e entoando hinos e cânticos. removendo-lhe as abominações. Este seu genro está em conluio com Antíoco VII Sidetes (irmão de Demétrio II). estratégica cidade helenística. címbalos e harpas. enfrentando Trifão. Então clamaram a Simão para que aceitasse a sua mão direita.C. ele com os seus". que entre 139 e 128 a. entre aclamações e palmas. porque um grande inimigo havia sido esmagado e expelido fora de Israel. Simão Consegue a Independência da Judéia Simão sucede a seu irmão Jônatas em 143 a. impedidos de sair e de andar pela vizinhança.49-52 descreve a tomada da Acra por Simão: "Ora. E a independência da Judéia do jugo dos Selêucidas é garantida com a destruição da Acra por Simão em 141 a. e a expulsão dos gentios do território.C. à Judéia.1. e ele os atendeu.Judéia à República Romana em 63 a. para confirmar a aliança com eles"[3]. restituindo. por um genro seu. sua importância política.C. Simão toma Gazara. com dois filhos. Expulsou-os. e. e habitou ali. perto de Jericó. começaram a passar muita fome. 1Mc 13. Este Antíoco VII inicialmente reafirma os . para comprar ou vender. 10. torna-se o seu governador militar. Fortificou ainda mais o monte do Templo.36-42. afinal. Demétrio II ainda comanda a Cilícia e a Mesopotâmia e Simão faz aliança com ele.24: "Simão enviou Numênio a Roma com um grande escudo de ouro. durante um banquete. filho de Simão. perecendo não poucos dentre eles à míngua.C. Simão acaba assassinado. Finalmente nela entraram no vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um[2]. como consta do decreto de Demétrio II citado em 1Mc 13. Consegue muitos benefícios para o povo judeu. Gazara (= Gezer) é judaizada à força e João Hircano. agora rei. Ptolomeu. de mil minas de peso. Simão estabeleceu que se comemorasse cada ano esta data com alegria. ao som de cítaras. A importante fortaleza é transformada no palácio dos Macabeus[1]. repele um seu ataque na Judéia. os da guarnição da Cidadela. em Jerusalém. Como narra 1Mc 14.

expressão grega usada na LXX para traduzir sar. não se pode mais fazer reuniões sem a sua aprovação"[4]. inclusive reocupando a Acra.C. João Hircano I e as Divisões Internas dos Judeus Quando Simão é assassinado.2. governando de 134 a 104 a. 44) . gravado em placas de bronze e afixado no monte Sião.25-26. Durante seus primeiros anos de governos João Hircano I enfrenta enormes dificuldades para manter a independência da Palestina. é chefe (hegoumênos.acordos dos reis anteriores. tinha obtido sobre ele. um filho seu. o que não consegue. Entretanto.é estratego (tem autoridade sobre o exército). 10.C. durante seu governo. Antíoco VII.. porque o povo é regido pela Lei. "Não se pode dizer que ele tenha um poder legislativo. Depois de ter devastado os campos e obrigado Hircano a se retirar para Jerusalém. que conservava ainda o ressentimento pelas vantagens que Simão. mas em seguida reclama de Simão as localidades por ele conquistadas e o tributo dos territórios anexados por Simão à Judéia (1Mc 15.27-49 traz a inscrição sobre os feitos de Simão e da família dos Macabeus. atacou a Judéia. entretanto. consegue cercar Jerusalém em 133 a. 1Mc 14. Flávio Josefo diz desse momento: "Antíoco. .25-26). tem o direito de usar a púrpura e a fivela de ouro (v. que era o primeiro do principado de Hircano e a centésima sexagésima segunda Olimpíada. no quarto ano de seu reinado.o que faz dele um dinasta . Aí vemos que ele é etnarca (líder da etnia judaica). muito querido pelos judeus que resolvem fazer-lhe um elogio. sob pena de condenação. chamado João Hircano. "chefe") e sumo sacerdote hereditário. Antíoco VII apóia a ação criminosa de Ptolomeu contra Simão. pai de HIrcano. "príncipe". por exemplo. segundo 1Mc 14. consegue escapar e assume o poder. para cercar assim toda a praça"[5]. Como não chegam a um acordo. Simão é. dividindo o seu exército em sete corpos. ele o sitiou. nem mesmo pelos sacerdotes. ou rosh. ele tem o direito de fazer 'julgamentos' que não podem ser contestados por ninguém. O decreto é de setembro de 140 a. impor a João Hircano o tributo e obrigá-lo a combater ao seu lado contra os partos. Sua intenção é a de submeter novamente a Judéia ao poder selêucida.C.

C. 'Ou o judaísmo ou a morte': esta frase poderia resumir o programa político dos grandes Asmoneus. o destino das grandes e prósperas cidades costeiras e das cidades helenísticas fundadas a leste do Jordão"[6]. . João Hircano I tenta punir este fariseu com a morte. mas também manda dizer que.tendo se tornado suspeita de ter sido violentada e tornada impura -. O Senado romano renova então a amizade (filia) e a aliança (symmachía) com os judeus em 126 ou 125 a. Adora. para explicar a ruptura de João Hircano I com os fariseus. as crueldades cometidas por João Hircano I contra as cidades conquistadas e as populações forçadamente judaizadas provocam a primeira reação dos fariseus contra os governantes Macabeus. com quem renova o tratado de amizade. Paul lembra que a expansão territorial e os métodos imperialistas dos Macabeus vão se tornando cada vez mais fortes. em particular. João Hircano destruiu o templo do monte Garizim e a cidade helenizada de Samaria e reduziu seus habitantes a escravos. João Hircano I continua as conquistas de seu pai Simão. mas apóiam qualquer iniciativa que possa enfraquecer os Selêucidas. ação que o partido farisaico não aprova.14. Entretanto. João Hircano I apela para os romanos. segundo o qual.. A. já antes estabelecido por seus antepassados. Pois sua mãe teria sido prisioneira de Antíoco IV Epífanes . cujo território ambicionam. Samega. o que o incapacitava para o cargo de sumo sacerdote. no momento. Os romanos não morrem de amor pelos judeus. Tal foi. Os idumeus e os itureus da Galiléia foram obrigados a se circuncidarem (...) Era necessário aniquilar a civilização grega com suas realizações. judaizando importantes localidades palestinas como Mádaba. A partir deste momento João Hircano I alia-se aos saduceus e rompe com os fariseus[8]. Logo que puder. um fariseu teria requerido de João Hircano I que abandonasse o sumo sacerdócio. Siquém. "A maior parte das guerras terminou com a conversão forçada dos vencidos e muitas vezes com extermínios que lembravam o 'anátema' praticado por Josué. Marisa. por sinal. o Senado procurará defender os interesses dos judeus[7]. entretanto. Foram destruídas assim muitas cidades de importância econômica e cultural tanto para a Palestina como para os territórios vizinhos. Para se libertar da tutela selêucida. a Iduméia. segundo Lv 21. durante um banquete. bastante lendário.Quando o poder selêucida muda de mãos. Flávio Josefo. há outros problemas mais urgentes em Roma. narra um episódio. e não só suas resistências.

João Hircano I, na verdade, para conseguir as suas conquistas e garantir o seu território, começa a incorporar ao seu exército mercenários gentios. Naturalmente pagos com os tributos recolhidos do povo judeu. O que já desagrada bastante aos aliados dos Macabeus. P. Sacchi explica: "Os gentios engajados eram impuros que viviam junto ao povo judeu. Para os essênios a contaminação da cidade crescia, para os assideus surgiam problemas sobre a pureza que antes não existiam. A suspeita em relação ao Asmoneu devia crescer"[9]. Originariamente aliados dos Macabeus no combate à helenização, os assideus acabam divididos na época de Jônatas. Deles saem os essênios, que rompem com o governo dos Macabeus, e os fariseus, que ainda o apóiam[10]. É preciso considerar também que, pouco a pouco, o governo macabeu toma rumos semelhantes aos de seus inimigos Selêucidas, afastando-se dos ideais originais da resistência. É isto principalmente que provoca os atritos com os judeus mais rigorosos na observância da Lei. Observando outro aspecto, A. Paul crê que a política macabéia de destruição do helenismo é, a longo prazo, um suicídio. Esta política "consistia, de um lado, em destruir todos os traços, inclusive os humanos, do helenismo político e cultural das cidades da Palestina justamente quando a numerosa diáspora manifestava sua legalidade e impunha sua verdade, impregnando-se profundamente do modo grego de pensar, de viver e de se exprimir". Além do que, esta política "significava o aniquilamento das infra-estruturas e das estruturas sociais e econômicas, das quais dependiam a salvação e a prosperidade da Palestina". E o autor acrescenta: "Poucos decênios depois, quando da queda súbita do Estado asmoneu em 63 a.C., a história mostrou que, já nos tempos dos troféus, o processo de morte estava profundamente consolidado e generalizado". Para concluir, diz A. Paul: "Da luta pelo restabelecimento da paz civil e, depois, pela independência nacional, passara-se, com efeito, a conquistas cuja finalidade era garantir a segurança necessária às novas fronteiras, muito vulneráveis. Formava-se assim uma engrenagem irresistível, já que a segurança conseguida pelas armas exigia a garantia de uma outra segurança, a qual, por sua vez, devia também ser conseguida pelas armas"[11].

Também M. Hengel acredita que nesta época só a monarquia de tipo helenístico ou a pólis têm condição de sobreviver, sendo inviável qualquer outro tipo de Estado. Por que? Porque sem um exército moderno, um aparelho administrativo e financeiro eficiente e uma participação competitiva no mercado mundial um Estado não tem espaço neste contexto. Os judeus não conseguem compreender isso e estão destinados à falência, pois tentam transplantar seu antigo ideal teocrático para uma realidade política de um mundo transformado[12]. NEXT [1]. Sobre Simão, cf. ABEL, F.-M., Histoire de la Palestine I, pp. 191-206; SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 146-149; SCHÜRER, E., Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I, pp. 250-261. [2]. O vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um da era selêucida corresponde aos começos de junho de 141 a.C. [3]. Uma mina ática pesa 436 gramas: o escudo pesaria quase meia tonelada de ouro. Entretanto, na resposta dos romanos à embaixada judaica se diz: "Eles nos trouxeram um escudo de ouro de mil minas" (1Mc 15,18). Deve-se entender que o escudo vale mil minas de prata, o equivalente a aproximadamente 44 kg de ouro, peso aceitável para esse tipo de escudo decorativo. [4]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 155. [5]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XVII, 236. Sobre João Hircano I, cf. SCHÜRER, E., o. c., pp. 261-279. [6]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 191-192. JOSEFO, F., Bellum Iudaicum I, 64-66 descreve o cerco e a queda de Samaria. [7]. Cf. o texto em JOSEFO, F., Antiquitates Iuadaicae XIII, 259-266. [8]. Cf. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XIII, 288-298. Cf. também SCHÜRER, E., o. c., pp. 275-278. Na p. 277 diz este autor: "Na sua forma anedótica, a história traz, sem dúvida, as marcas da lenda, e provavelmente Josefo a recebeu apenas de uma tradição oral. Não obstante, pode-se considerar como um dado de fato que Hircano verdadeiramente se distanciou dos fariseus e aboliu as suas prescrições".

[9]. SACCHI, P., Storia del mondo giudaico, Torino, Società Editrice Internazionale, 1976, p. 115. [10]. Cf., sobre os fariseus, saduceus e essênios, SCHÜRER, E., The history of the Jewish people in the age of Jesus Christ II, Edinburgh, T & T Clark, 1986, pp. 381-414; 555-590. [11]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 193-196. [12]. Cf. HENGEL, M., Ebrei, Greci e Barbari, pp. 134-135.

10.3. Aristóbulo I e a Reaproximação com o Helenismo Segundo Flávio Josefo, João Hircano tem cinco filhos, quando morre em 104 a.C. Mas ele não deixa o governo para nenhum deles, e sim para sua mulher[13] . É bem provável, entretanto, que tenhamos aqui uma confusão com a situação análoga ocorrida mais tarde, quando, ao morrer, Alexandre Janeu deixa o trono para sua mulher Salomé Alexandra. É que Janeu é rei e pode fazer isto, mas não João Hircano que não é rei[14] . De qualquer maneira, Aristóbulo, o filho mais velho de João Hircano I, aprisiona sua mãe e três de seus irmãos, assumindo o poder. Sua mãe morre de fome na prisão. Apenas um de seus irmãos, Antígono, fica livre. Contudo, as intrigas dos rivais de Antígono levam Aristóbulo a mandar matá-lo, temendo, provavelmente, sua concorrência, já que lhe fazem crer aspirar Antígono ao poder supremo[15] . Ainda segundo Flávio Josefo, Aristóbulo I terá sido o primeiro Macabeu a usar o título de rei: "Aristóbulo, que era o mais velho dos filhos de Hircano, cognominado 'Filélên', isto é, amigo dos gregos, mudou em reino, depois da morte de seu pai, o principado dos judeus e foi assim o primeiro que se fez coroar rei"[16] . Entretanto, esta notícia é controvertida. Nas suas moedas aparece apenas a seguinte inscrição: "Judas, sumo sacerdote e a comunidade dos judeus".

Além do que Estrabão diz que é seu irmão e sucessor Alexandre Janeu o primeiro Macabeu a ostentar o título de rei. Diz Estrabão: "De qualquer modo, quando agora a Judéia estava sob o domínio de tiranos, Alexandre foi o primeiro a se declarar rei em vez de sacerdote"[17] . Por outro lado, observe-se que tanto ele como seus irmãos têm nomes gregos - Aristóbulo, Antígono, Alexandre -, embora use para os judeus um nome semita, Judas. Isto significa que seu pai João Hircano já abrira as portas da família para a helenização. Helenização que um dia seus antepassados combateram. E Flávio Josefo chama Aristóbulo I de "filo-heleno", o que igualmente indica sua aproximação da cultura grega, certamente apoiado pelos seus aliados saduceus. Por sinal, os autores gregos o têm em grande conta, segundo relata o mesmo Josefo: "Era de natural tão doce e tão modesto, como Estrabão o refere com estas palavras, ante a relação de Timagenes: 'Este príncipe era muito afável (epieikês) e os judeus não lhe são devedores de pouco: porque ele levou tão longe os limites de seu país que ele aumentou com uma parte da Ituréia e uniu este povo a eles pelo laço da circuncisão'"[18] . Certo é que Aristóbulo I continua as conquistas de sua família: anexa e judaíza a Galiléia, segundo as fontes antigas habitada por tribos ituréias, obrigando seus habitantes a aceitar a circuncisão e a Lei[19] . Aristóbulo I morre, de dolorosa doença, tendo governado apenas um ano. 10.4. Alexandre Janeu, o Primeiro Rei Macabeu Após a morte de Aristóbulo I, sua viúva Salomé Alexandra, liberta seus irmãos da prisão e se casa com o mais velho, Alexandre Janeu, que se torna, assim, rei e sumo sacerdote. É o que nos diz Flávio Josefo: "Depois da morte do rei Aristóbulo, a rainha Salomé, sua esposa, que os gregos chamam de Alexandra, pôs em liberdade os irmãos desse príncipe, que ele mantinha na prisão, como vimos, e fez rei a Janeu, antes chamado de Alexandre, que era o mais velho e o mais moderado de todos"[20].

O comentário de Flávio Josefo é o seguinte: "Quando a rainha Cleópatra viu que seu filho crescia em poder daquele modo e devastava. mas se retira e deixa o território sob o comando de Alexandre Janeu.Nos primeiros anos de seu governo. Mas Ananias aconselhoulhe o contrário. Assim. cujo comando confiou a Helquias e Ananias.... Cleópatra III acaba tornando-se senhora de toda a Palestina. Porém. estivesse sujeito a um único homem. Alexandre teve primeiramente uma atitude pacífica. Conquista a região costeira da Palestina. Alexandre Janeu continua. filho mais velho da rainha Cleópatra III. filhos de Onias IV. os soldados saíram.C. Ela certamente teme as conquistas do filho e provavelmente é também influenciada por conselheiros judeus. outros para o outro. Alguns deles. desta vez a leste do Jordão e. o processo de conquista. então. sem resistência. A descrição que faz Flávio Josefo da conquista de Gaza é exemplar para avaliarmos os métodos de Alexandre Janeu: "Quando entrou na cidade. do Egito. da família sacerdotal de Jerusalém. Alexandre Janeu retoma. entre os quais se destacam Ananias e Helquias. Estes (. Ptolomeu IX vence Alexandre Janeu. generais do exército ptolomaico. com redobrado vigor.. uns para um lado. puseram fogo em suas casas para que não fossem saqueadas . judeus de nascimento (. anexação e judaização de várias cidades palestinas. vendo-se sozinhos. para onde fora expulso por sua mãe. reuniu grandes forças de terra e mar. apoderando-se inclusive da importante cidade de Gaza em 96 a. toda a Judéia.. tinha submetido Gaza à sua obediência e estava já quase às portas do Egito e que ele nada mais pretendia do que se apoderar do mesmo. ao norte."[21]. mas este recebe ajuda da rainha Cleópatra III. suas conquistas. no sul. ao tentar tomar Ptolemaida. entra em cena um rei ptolomaico: Ptolomeu IX Latiro. usando toda a sorte de armas que lhes caíam nas mãos e mataram tantos quantos foram os que perderam. homens de bem. em seguida.) Alguns dos seus servidores propuseram-lhe apoderar-se de seu país e não permitir que um número tão grande de judeus. antigo sonho dos Ptolomeus. desde a fronteira com o Egito.) defenderam-se dos judeus. no sul. sem perder tempo. Mas. julgou não dever esperar mais para enfrentá-lo. em seguida. é um pequeno rei em Chipre. matando os gazenses. soltou suas tropas sobre os gazenses e deixou seus homens se vingarem deles. até o Monte Carmelo..

mas Alexandre os matou e.C.C. Cerca de quinhentos membros da Assembléia se refugiaram no templo de Apolo. a leste do lago de Genezaré. Apoiado por seus mercenários estrangeiros. E como podem os fariseus aceitar como sumo sacerdote um guerreiro do tipo de Alexandre Janeu que não cumpre as rigorosas prescrições que o cargo exige? Pois terá sido após as conquistas acima mencionadas. Outros se desembaraçavam. que. a ajuda de Demétrio III.pelo inimigo. Isto terá sido por volta de 89 a. ao mesmo tempo. ele manda construir uma paliçada de madeira em torno do Templo e do altar. para se proteger da população. rei de parte da Síria. Ao fugir para Jerusalém encontra uma violenta rebelião armada contra seu governo.retornou a Jerusalém"[22]. Os fariseus vêm aumentando constantemente sua influência junto ao povo. Alexandre Janeu enfrenta uma guerra civil que dura seis anos e na qual terão morrido pelo menos cinqüenta mil judeus[25]. de seus filhos e de suas mulheres: era o único meio de evitar que se tornassem escravos de seus inimigos. aí por volta do ano 90 a. . seus mais ferrenhos adversários. E é então que Alexandre Janeu começa a enfrentar séria oposição interna. Em conseqüência desse episódio. A reação de Alexandre Janeu é violenta: manda que seus mercenários ataquem a multidão e cerca de seis mil pessoas são massacradas.. podem atravessar esta paliçada. com suas próprias mãos. perto de Siquém. porque o ataque teve lugar justamente quando eles estavam em conselho. Alexandre Janeu acaba sofrendo mais uma derrota militar. que enfrenta e vence Alexandre Janeu totalmente. durante a festa dos Tabernáculos. o povo atinge Alexandre Janeu com limões no momento em que ele está diante do altar para oferecer o sacrifício[23]. depois de ter demolido a cidade sobre seus cadáveres . colocando-se os dois poderes em nítido contraste. que são saduceus. A ruptura com os fariseus é total[24]. Os fariseus pedem. Só os sacerdotes. desta vez quando se confronta com os nabateus pela posse da região do Golã. ao mesmo tempo que os Macabeus se distanciam progressivamente de suas aspirações. capitaneada pelos fariseus.tendo decorrido um ano de cerco .

que se deve situar o combate impiedoso de Alexandre Janeu contra as cidades helenísticas e sua decisão de impor. estão relacionados à crise vivida por Roma nesta época. Flávio Josefo diz que a razão é a reviravolta dos sentimentos judaicos ao verem seu território ocupado pelos estrangeiros: cerca de seis mil judeus teriam abandonado Demétrio III e passado para o lado de Alexandre Janeu[26]. A guerra conhecida como "Guerra dos aliados" (Bellum sociale) . Consegue grandes vitórias. egípcios e sírios para cortar a influência romana na região. Somado a isso acontece o enfraquecimento definitivo do poder selêucida. Estes acontecimentos.faz com que Roma perca por breve período o controle do Oriente. apesar de um confronto desastroso com o rei nabateu Aretas tê-lo obrigado a fazer algumas concessões a este povo[30]. o elemento judaico em toda a Palestina"[29]. A. de modo que oito mil deles se retiram do país e não voltam enquanto ele permanece no governo[27]. é que permite igualmente a Alexandre Janeu o seu expansionismo judaizante. segundo muitos autores[28]. armênios. recua no controle de seus interesses na região. comenta: "É pois. . de curta duração. pela força ou pela morte. ao retornar a Jerusalém crucifica 800 de seus adversários enquanto participa de um alegre banquete. após fazê-los assistir ao massacre de suas esposas e filhos. Paul. Demétrio III abandona a Palestina e volta para a Síria. Aproveitando-se do conflito interno em Roma. Após a pacificação interna. sob o impulso de 'reorientalização' dos territórios e Estados do Oriente Médio que acompanhava o declínio dos Selêucidas gregos. segundo Flávio Josefo. porque em seguida ele é vencido por seu irmão que tem o apoio dos partos. Alexandre Janeu consegue então controlar a revolta interna e. temporariamente. expandindo o processo de judaização.na verdade. Alexandre Janeu dedica-se novamente às conquistas territoriais. Esta "ausência" de Roma. alia-se aos partos. que.Entretanto. Este gesto de terror teria desencorajado os seus adversários. que já não ameaça Roma. Mas é mais provável que Demétrio III tenha se retirado por causa dos conflitos internos dos Selêucidas. do Ponto. o rei iraniano Mitridates VI. violentas guerras civis entre o proletariado e a aristocracia romana e também entre os aliados italianos e os cidadãos romanos . por exemplo. por outro lado.

Díon e outras"[31]. todo o país a leste do Jordão. 10. De fato. Além disso. A costa. que fazem amar ou odiar o que eles querem (. Ocultai minha morte aos meus soldados até que esta praça [Ragaba] tenha sido tomada. que conseguiu conservar a independência. os fariseus devem ter aumentado . segundo o mesmo Josefo. senão por seu conselho"[33]. Com exceção de Ascalon. Alexandre morre de doença e não em combate. Pela.. na verdade. Alexandre morre. em seguida. Schürer sintetiza assim as conquistas de Alexandre Janeu: "No sul os idumeus foram subjugados e judaizados.seu poder no aristocrático . perante o povo. Talvez Josefo esteja apenas relatando. em 76 a. ficou sob seu domínio.ou iniciado? . levar o território judaico à sua extensão máxima desde que o país fora devastado pelos babilônios cerca de 500 anos antes.Alexandre consegue. a vossa magnanimidade. ao morrer. dando-lhes alguma autoridade. que estão rompidos com os Macabeus desde João Hircano I[34].. no norte o domínio de Alexandre se estendia até a Selêucia sobre o lago Merom. a fim de que a honra que lhes concedeis os leve a louvar publicamente. Josefo.) Dai-lhes vossa palavra.C. Depois que voltardes vitoriosa a Jerusalém.5. procurai conquistar o afeto dos fariseus. o poder é partilhado entre a resoluta rainha e os fariseus[35]. estava agora quase inteiramente sob controle judaico. Eles gozam de tanto poder sobre seu espírito. durante seus 37 anos de reinado. enquanto sitia a fortaleza de Ragaba. Salomé Alexandra e o Poder dos Fariseus Segundo Flávio Josefo. E. Gadara. inclusive um número de importantes cidades que até então tinham sido centros de cultura grega como Hippos. inventadas causas para um efeito real: Salomé Alexandra governa durante nove anos apoiada pelos fariseus. todas as cidades costeiras da fronteira egípcia ao monte Carmelo foram conquistadas por Alexandre. provavelmente por consumo excessivo de bebidas alcoólicas[32]. segundo F.. de que nada fareis no governo do reino. do lago Merom ao mar Morto. Alexandre Janeu deixa o trono para sua esposa Salomé Alexandra e faz-lhe a seguinte recomendação: "Se quiserdes seguir o meu conselho podereis conservar o reino e também os nossos filhos. Esta notícia pode ser verdadeira ou não. onde Jope fora outrora a primeira conquista dos Macabeus. baseado em alguma tradição. quando combate os nabateus na fronteira gerasena. Através destes relatos de Flávio Josefo podemos concluir que. Mas.

ambicioso. Cf.. até então por representantes da nobreza e dos sacerdotes. Esta portanto. E este comanda várias fortalezas. a longo prazo. liderados por Aristóbulo fazem exatamente o jogo contrário. SACCHI. Por outro lado. Salomé Alexandra não é nada ingênua nesta atribuição de poder aos fariseus. JOSEFO. Schürer comenta a propósito: os fariseus "podiam exercer tal autoridade somente se fossem um fator determinante no órgão administrativo supremo. NEXT [13]. de fato. p. que apoiavam Alexandre Janeu e eram também responsáveis pela morte de tantos partidários seus. a "bomba" está sendo armada para detonar nas mãos de seus filhos. pouco apto para o governo e que gosta de viver na ociosidade. E. Mas Salomé Alexandra controla a situação. Isto deixa amplo espaço para a atuação dos fariseus[37]. É através da gerousia. Estas medidas desmobilizam os intermináveis conflitos internos.senado criado muito antes pelos Ptolomeus para mais facilmente controlar o país. P. mais jovem que Hircano. Antiquitates Iudaicae XIII. Obviamente os fariseus fazem várias tentativas para punir os saduceus. a gerousia. F. Aristóbulo. agora deve ter admitido também mestres fariseus"[36]. ao mesmo tempo que os saduceus. Além de reforçar a estrutura de seu exército com novos mercenários e. Hircano. o futuro Sinédrio. . mas. ousado. homem sem ambições. segundo Josefo. ela entrega a defesa das fronteiras do país nas mãos de seu outro filho. Cf. oficializando o seu já imenso poder sobre o povo judeu. os conflitos são controlados. gerando próspero e pacífico período. 299-302. comandá-lo. Conta muito também o fato de ser nomeado para o sumo sacerdócio o filho mais velho de Alexandre Janeu. Storia del mondo giudaico. que só irá explodir após sua morte aos 73 anos de idade. deve ter sofrido uma importante transformação. empreendedor. assessorado por oficiais saduceus[38]. Talvez seja este o maior defeito de seu governo: a curto prazo. [14]. que os fariseus começam de fato a legislar. Enquanto era constituída.. 118.

380. [27]. pp.. C. É possível que os itureus habitem apenas as partes norte e nordeste da Galiléia e também que a anexação deste território (Galiléia) tenha começado antes do governo de Aristóbulo I. L.. Publicações Europa-América 19742. 81-109.C. ibidem XIII. 1982. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. M. Cf. Timagenes é um historiador alexandrino do século I a. ROSTOVTZEFF. c. Antiquitates Iudaicae XIII. A questão é controvertida. . pp. 362-364. Cf. F.[15]. SCHÜRER. Idem. G. [17]. pp. c. Geographica XVI. Este é o costume da época. 762. [22]. ESTRABÃO. STERN. ibidem XIII. 348ss. Cf.. F. Idem. I. que ele mostrara amar tanto. JOSEFO. Cf. [20]. Lisboa. A história social de Roma. A. STERN.. F. [16]. 303: "A esse crime [de matar a mãe] acrescentou o de mandar matar seu irmão Antígono. ibidem XIII.. pp. F. Diz JOSEFO. [28]. o. de J. Barcelona.. [21]. 320. O judaísmo tardio.. Cf. 137-212. Antiquitates Iudaicae XIII. 301. Durante a festa dos Tabernáculos cada participante leva uma folha de palmeira e um limão. o.. Editorial Labor. Antiquitates Iudaicae XIII. 375. pp. o texto de Estrabão em STERN. [23]. Editorial Presença. 372-373. Roma y la conquista del mundo mediterráneo 264-27 a. [26]. pp. Lutas sociais na Roma antiga. Zahar. p. pp. PAUL. 1989.. M. [19]. Calúnias foram a causa disso". Idem. pp. 107-118.. cf.. 225-226. ibidem XIII. 222-226. Antiquitates Iudaicae XIII. [18]. Cf. Idem.. JOSEFO.. cf. Rio de Janeiro. 207-216. ibidem XIII. Sobre esta questão. E. 282. NICOLET. 198-199. BLOCH. História de Roma. 379. Para a história da guerra dos aliados. 301-302. ALFÖLDY.. [29]. Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I. M. JOSEFO. 19774. Idem. 319. Idem. [24].. M. C. [25]. ibidem XIII.

. A. [36]. Alexandra conseguia subtraí-los às vinganças farisaicas e dava o comando do exército a homens que. JOSEFO. pp. venceu o rei Alexandre. [38].[30]. tinham experiência". Josefo não especifica que concessões são essas. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. Comenta SACCHI.. 405ss. Cf. ou em 69 a. Antiquitates Iudaicae XIII. Ou ela morre em 67 a. 408-409.. p. Hircano II e Aristóbulo II. F.C. "Assim ela tinha só o nome de rainha e os fariseus gozavam de todo o poder que lhes dava a realeza. como afirmo acima. 398. [34]. p.. Storia del mondo giudaico. 206-218. O judaísmo tardio. 401-404. [32].. Antiquitates Iudaicae XIII. neste tempo.. libertavam os prisioneiros e em nada se diferenciavam dos soberanos". Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. F. [35]. Cf. F.. avalia JOSEFO. 123: "Enviando os principais líderes saduceus para as fortalezas. Antiquitates Iudaicae XIII. E. Hircano II assume o posto de rei.. como sustentam alguns autores. 395-397.6. Sendo o mais velho e. F. Faziam voltar os exilados.C. E. cf. Aristóbulo II e a Intervenção de Pompeu Mal morre a mãe Salomé Alexandra. 10. Mas Aristóbulo II não concorda. à morte de Salomé Alexandra. 392. pp.. JOSEFO. P. [31]. SCHÜRER. 296. Antiquitates Iudaicae XIII. A história das cidades da região pode ser lida em PAUL. JOSEFO. 292-293. acontece a guerra entre os . pp. o conflito explode entre os dois irmãos. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. nota 1. JOSEFO. F. e voltou depois de ter conversado com ele".. Antiquitates Iudaicae XIII. [33]. A extensão do território judaico à época da morte de Alexandre Janeu nos é conhecida através do relato de JOSEFO. 262-263. Sobre a questão. Cf. Apenas diz: "Ele [Aretas] entrou com soldados na Judéia.. desde algum tempo.. perto de Adida. E. F.. SCHÜRER. [37]. sumo sacerdote. Antiquitates Iudaicae XIII. SCHÜRER. Sobre a data da morte de Salomé Alexandra existe alguma divergência.

Nicolau é também retor e diplomata. onde a mulher e os filhos de Aristóbulo se encontravam e assim o salvaram de uma ruína completa. Aristóbulo vence Hircano. próximo a Jericó. Além de escritor prolífico. representando Herodes em negociações decisivas. Há grande controvérsia quanto à identidade de Antípater. pois sabe-se que seu pai exerce altas funções políticas na cidade. Nicolau de Damasco é um historiador nascido. A partir desta sua ligação com Herodes Magno. em 14 a.C. É a seguinte a informação de Flávio Josefo: "Nicolau de Damasco fá-lo descender de uma das principais famílias de judeus que vieram da Babilônia para a Judéia. Tendo nas mãos reféns tão preciosos. . Os dois irmãos abraçaram-se com demonstrações de afeto"[39]. Eis a narrativa de Flávio Josefo: "Os dois irmãos travaram batalha para decidir. ele fugiu com o resto para a fortaleza Antônia.. Este ainda se refugia em Jerusalém. mas é obrigado a render-se ao irmão que possui forças superiores. Um acordo é feito entre eles: Hircano volta à vida privada. citando Nicolau de Damasco. Nicolau torna-se. como veremos a seu tempo"[40]. aquela grave divergência.. diz que Antípater seria um dos judeus descendentes dos exilados babilônicos. pelas armas.. É o pai do futuro e famoso Herodes Magno. que se tornará rei dos judeus de 37 a 4 a.C. ele negociou com seu irmão sem esperar chegar ao último extremo (. em Damasco. que a fortuna elevou depois ao trono de nossos reis. Mas Josefo mesmo considera falsa esta informação. seu filho. A maior parte das tropas de Hircano deixou-o para passar para o lado de Aristóbulo. mas ele o diz em favor de Herodes. enquanto Aristóbulo II torna-se rei e sumo sacerdote dos judeus.C. Quando tudo parece resolvido.) Esse acordo se fez no Templo em presença de todo o povo. um idumeu que se torna rei dos judeus. Sua nacionalidade: idumeu. Flávio Josefo. Seu nome: Antípater.. de uma família importante.dois irmãos e. amigo e conselheiro de Herodes Magno. por volta de 64 a. entra um complicador na história. compreende-se sua colocação a respeito de Antípater[41] .

com o resto dos despojos. o pequeno Antípater. Como o sacerdote não podia pagar o resgate pelo filho. Hircano lhe devolverá as 12 cidades da Transjordânia que Alexandre Janeu lhe tomara. o que confirma a opinião de Josefo a respeito de sua nacionalidade. quer pela sua descendência. Segundo Eusébio de Cesaréia. que se refugia no . interessou-se por ele"[43]. como o fora seu pai. e levaram da capela de Apolo.Flávio Josefo acredita que Antípater seja mesmo um idumeu. construída perto da muralha. em troca. e negocia com ele a retomada do poder: Aretas baterá Aristóbulo II e. Antípater procura convencer o próprio Hircano II de que deve lutar pelo poder e consegue. o apoio do rei nabateu Aretas para o projeto. Diz Eusébio: "Salteadores idumeus chegaram de surpresa a Ascalon. sumo sacerdote da Judéia. Além destes "judeus ilustres". que vem construindo seu poder através de alianças e amizades com árabes. Herodes. na época do conflito entre Hircano e Aristóbulo. Aretas vence Aristóbulo. Há outras notícias sobre este personagem. por ser o mais velho[45]. Segundo Flávio Josefo. o estratego (= governador militar) da Iduméia. também de nome Antípater. este nomeado para o posto por Alexandre Janeu[44]. Antípater é. ascalonitas e gazenses. mais tarde. Hircano. embora divirja quanto a outros dados. Antípater é da cidade de Ascalon. enquanto o fraco Hircano II poderá ser mais facilmente manobrado. lembrando-lhes que Aristóbulo é um usurpador do trono que pertence a Hircano. de origem nobre: "Ele era idumeu e o mais poderoso de sua nação. Ainda segundo Flávio Josefo. mas acaba sendo criado entre os idumeus. E isto explicaria a sua interferência nos negócios judaicos: para a família de Antípater. citando Júlio Africano. Antípater procura influenciar os judeus mais ilustres. Hircano II sai de Jerusalém. junta-se a Aretas em Petra. cidade da Palestina. filho de um hieródulo. E é de fato o que acontece. É então que Antípater se posiciona politicamente do lado de Hircano II e começa a manobrar para que este reconquiste o poder. e o mantiveram preso. através de presentes. quer pelas suas riquezas e por seu próprio mérito"[42] . Antípater foi educado segundo os costumes idumeus e. o ambicioso Aristóbulo II representa real perigo.

Há outros judeus poderosos e ricos.C.. estava se formando uma nova classe de ricos.que se expande em direção norte. Como se não bastassem as complicações locais. Cada vez mais a aristocracia se emancipa da hierocracia e se constitui em poderosa força econômica e política. na Transjordânia. vem para ficar.. parece que o conflito não se explica mais apenas pela luta entre fariseus e saduceus. que se criará um poder totalmente independente das tradições judaicas. especialmente a dos Ptolomeus e a dos Selêucidas. associados a Antípater que entram no jogo político... Sacchi. que é multinacional. pois agrupa etnias e Estados variados que vão do sul da Palestina às fronteiras da Índia.Templo com poucos seguidores. E agora com mais um detalhe: os governantes macabeus estão jogando também segundo as mesmas regras.C. distanciados tanto dos nobres saduceus como da burguesia farisaica"[46]. desta vez. Uma primeira constatação a ser feita: a decadência das monarquias helenísticas. Em primeiro lugar. Roma reaparece no cenário político da Palestina. principalmente no antigo reino dos Selêucidas. Esta é a opinião de P. E.. filho de Antípater. será sob o governo de Herodes Magno (37-4 a. Agora a maior parte do exército que antes passara de Hircano a Aristóbulo na primeira batalha. no século I a. pois este pode pagar mais. mas se dirige a homens 'poderosos em Israel' (. quer seja dos fariseus. Estão facilmente passando para o lado do vencedor. que será preenchido. povo nômade do sul do Mar Morto . quando diz: "Antípater (. Um dos povos a participar desse jogo: os árabes nabateus. baseado nesta aristocracia economicamente muito bem situada e etnicamente indiferente[47]. faz o caminho inverso: passa de Aristóbulo a Hircano.) não se dirige aos fariseus para reempossar o sacerdote legítimo. criadas após a morte de Alexandre Magno pelos Diádocos. ligada por tradição ao rei e à posse da terra.).C. onde fica assediado por Hircano e Aretas. leva à ascensão de novas potências regionais. É o antigo e irreversível mecanismo de helenização que continua em movimento. o exército macabeu é baseado em tropas mercenárias e não em judeus partidários. Sua fragmentação deixa um vazio político enorme. chegando a tomar Damasco dos Selêucidas em 87 a. por outros poderes. Acabamos de ver sua interferência nos negócios judaicos[48]. Estes acontecimentos nos levam a pensar que nestes confrontos há pelo menos dois fatores importantes.) Poder-se-ia dizer que ao lado de uma nobreza essencialmente guerreira. Em segundo lugar. quer seja dos saduceus. Porém.capital Petra . .

povo de origem incerta. rei da Bitínia. A situação se complica ainda mais quando Nicomedes. onde é acolhido como libertador pelas cidades da região.C. a Armênia Menor. o mais empreendedor dos novos reinos: o Ponto. da Sardenha e Córsega em 231 a. porém. o enfraquecimento dos grandes reinos helenísticos se faz acompanhar .C. Há um enfraquecimento do Senado e Roma vive permanentemente em conflito desde as tentativas de reforma dos Gracos (134 a. mas não alcança qualquer resultado na luta contra os piratas.. comandada por Tigranes. além de se aliar aos piratas da Cilícia.. É que os impostos da região são cobrados pelos publicanos. ao Senado romano. e negocia uma paz em 85 a. As ameaças orientais à hegemonia romana crescem em conseqüência do esfacelamento dos Selêucidas e de sua "ausência" da região em função dos conflitos internos.doado por seu rei Átalo.. deixa seu reino para Roma e Mitridates VI o invade. da Macedônia e da Grécia também em 146 a.. Mitridates VI toma a Grécia.C. na verdade uma base de operações militares na Panfília e na Lícia. que se torna senhora da Sicília em 241 a.C. que ocupam um território no interior do reino selêucida durante o século III a. em 133 a.C. Lúculo..C. da ordem dos cavaleiros. Ainda em 88 a.) até o estabelecimento do Império (30 a. que comanda as forças romanas na Cilícia contra-ataca.C.C.C.C. em testamento.C. que toda esta expansão de Roma provoca profundas transformações em sua estrutura social.C. acontece a ascensão da Armênia. Finalmente. Neste mesmo século I a. Acontece. a Cólquida. ao morrer. criando sérios embaraços para os interesses romanos na região[50]. que vem combatê-lo. Por volta de 80 a.). retoma Atenas em 86 a. Roma cria a província da Cilícia. Por outro lado.e um fato está ligado ao outro .C. de parte da Espanha em 197 a. em 88 a. que nada resolve.do fortalecimento de Roma. baseada na Cilícia torna-se fortíssima e se alia a Mitridates VI que.C. criando Roma a província da Ásia em 129 a.C. de Cartago em 146 a. vence e expulsa . que acaba dominando a Paflagônia..Os partos.C. governado por Mitridates VI Eupator. que reina também sobre a Síria a partir de 83 a. acabam conquistando a Mesopotâmia e tornando-se a mais significativa potência além do Eufrates[49]. na Ásia .C. massacra cerca de 80 mil italianos na província romana da Ásia.. Sula. e suas arbitrariedades são tão grandes que as populações locais sentem-se escravizadas. e de Pérgamo. A pirataria no Mediterrâneo oriental. o Bósforo Cimeriano.

As razões para esta criação parecem vir de dois lados: a segurança da região.C.C. ajuda Sula. tem a ordem de equipar 500 navios e de requisitar suprimentos onde e quando necessitar[51]. até 75 km para o interior. Conquista o Ponto no verão de 66 a. É janeiro de 67 a. Pompeu interfere na Judéia.C. porque. O poder de Pompeu é extraordinário.e expande extraordinariamente . e que é a maior beneficiária da tributação imposta aos conquistados. Mas Mitridates VI retorna ao Ponto. que dá poderes tão extraordinários a Pompeu. Gnaeus Pompeius nasce em 106 a. Lúculo cai em desgraça e vê seus poderes lhe serem retirados um a um pelo Senado..C. que se refugia na Armênia junto a seu genro Tigranes. Em seguida. ameaçada pelos partos de um lado e pela pirataria de outro. Em 64 a.. o imperium. O que faz Pompeu? Ataca com perícia e rapidez os piratas e os vence em 67 a. ao mesmo tempo que Crasso. que controla. não é tão alheia assim à criação de novas províncias[52]. graças a intrigas de seus adversários em Roma. chegando até mesmo ao porto de Óstia. Combate Mário. Pompeu ocupa o que resta do reino selêucida e cria a província da Síria.C. a cerca de 20 km de Roma. Mas a outra é econômica: Pompeu restabelece no Oriente . É eleito cônsul no ano 70 a.. parece ser uma das razões. . Este por sua vez é vencido por Lúculo e obrigado a deixar a Síria. para combatê-los. Neste e no ano seguinte submete a Armênia: Tigranes continua no poder. É então que Pompeu entra em cena. Ele tem o imperium sobre o mar e o litoral. É então que o Senado dá um comando extraordinário a Pompeu. vence Sertório na Espanha e elimina os últimos escravos do grupo de Espártaco. ele tem direito de recrutar seus legados . Nos anos 69 e 68 a. só que agora aliado a Roma e despojado de todas as suas conquistas na Síria. com autoridade acima dos governadores locais. mesmo ano da morte de Salomé Alexandra e do começo do conflito entre Hircano II e Aristóbulo II em Jerusalém. os piratas atacam com força.Mitridates VI. E.C. na foz do Tibre. finalmente.C. na Fenícia e na Cilícia. onde todos agora são aliados de Roma.o que é prerrogativa do Senado -. Pode-se perceber que a aristocracia romana. de uma família rica. Pompeu organiza a Ásia Menor.os interesses dos publicanos que cobram o tributo dos povos dominados. fazendo crescer notavelmente sua popularidade em Roma.

pisotearam-no orgulhosamente com suas sandálias. agora. Por que controlar os judeus? Amigos dos judeus desde a época do conflito dos Macabeus com os Selêucidas no século II a.C. Os Salmos de Salomão. de fato.C. os negócios judaicos. O idumeu Antípater torna-se uma espécie de ministro de Hircano II e controla. Este gesto marca definitivamente o domínio de Roma sobre a terra de Israel e o povo de Iahweh. levam o seu caso ao poderoso romano. o pecador destruiu com seu aríete as sólidas muralhas. em luta pelo poder. o expansionismo macabaico torna-se um risco para os romanos. o sul da Samaria e o norte da Iduméia. Aristóbulo e seu filho Antígono são levados presos para Roma. A Judéia paga os tributos a Roma. recolhidos por uma sociedade de publicanos sediada em Sídon.. a Galiléia. Pompeu ordena que se levante o cerco a Jerusalém. Povos estrangeiros subiram ao teu altar. .. Perde os territórios não-judeus. E na Transjordânia estão os perigosos nabateus. Porque os filhos de Jerusalém mancharam o culto do Senhor profanaram com suas impurezas as oferendas à divindade. Emílio Escauro..Hircano II e Aristóbulo II. escrito judaico de tendência farisaica situado entre 63 e 40 a. Aristóbulo II refugia-se no Templo com seus adeptos. Hircano II é reconduzido ao sumo sacerdócio. É provável que Pompeu apóie Hircano II exatamente por isso: é o mais fraco e o menos ambicioso dos dois irmãos Macabeus. com a criação da província da Síria. a Peréia (território "além do Jordão".200 judeus são mortos pelos romanos. perán tou Iordánou). No outono de 63 a. Pompeu entra com seu estado maior no Santo dos Santos. entre eles muitos sacerdotes. assim avaliam o gesto de Pompeu: "Cheio de orgulho. E a Judéia fica sob a jurisdição do legado romano na Síria. trabalhando para os romanos. quando toma o Templo. o mais sagrado espaço dos judeus. acessível apenas ao sumo sacerdote. conservando apenas a Judéia. Assediado. em grego. mas apóia Hircano II. Por isso disse Deus: afastai-as de mim. o Templo é tomado por Pompeu e cerca de 1.C. e Tu não o impedistes.

Seus filhos e filhas sofrem rigorosa escravidão. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a..C. SACCHI.C. São Paulo.. Paideia. NEXT . 1985. C. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. Leituras Recomendadas GRABBE. Edinburgh. M. Rio de Janeiro.) I. The Israel Academy of Sciences and Humanities. Paris.. 1976.. seu pescoço está marcado. Religião e formação de classes na antiga Judéia. L. marcado entre os gentios. História dos Hebreus. J. KIPPENBERG.. L.. H. Storia del mondo giudaico. P.. 1976.C. 1986. Judaism from Cyrus to Hadrian. Paulus. STERN. F.). E. 1988.) III. 1985. JOSEFO. Presses Universitaires de Nancy.D.. Torino. T & T Clark. SCHÜRER. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. Volume I: The Persian and Greek Periods. Minneapolis. por isso os entregou nas mãos dos vencedores"[53]. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a.-135 d. Società Editrice Internazionale.-C. G. WILL. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. E. SCHÜRER. SAULNIER. 1992. The History of the Jewish . Histoire d'Israel III. Brescia. Nancy. Augsburg Fortress.nelas não me comprazo. Jerusalem. Obra Completa. Du Cerf. 1979-19822.-135 a. Ele as desprezou totalmente. Deus os tratou de acordo com seus pecados.. E. A beleza de sua glória nada significou diante de Deus. 1992.

cf. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. H.. [41]. Antiquitates Iudaicae XIV. 450452.[39]. G. Eusébio vive entre 263 e 339 d. e é bispo de Cesaréia. 120-122. 103-105. Antiquitates Iudaicae XIV. [50]. E. pp. [48]. WILL.. Idem. Bellum Iudaicum I... STERN. E. G.. JOSEFO. em 10 livros. Sobre a origem de Antípater. F. 11. Cf. KIPPENBERG. Cf. 109-116. Cf. Idem. na Palestina. 9.. 56-62. [49]. Idem.. Para ver a estrutura romana de poder cf. p. SAULNIER. ibidem XIV.C. Cf. HARVEY. pp. Historia Ecclesiastica I. [43]. [42].C. [47]. H. VII. [40]. cf. Religião e formação de classes na antiga Judéia. nota 3.. P. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. pp. Escreve uma importante "História Eclesiástica". [44]. M. WILL.. [46].. 10. JOSEFO.. [45].. Sobre a incerta origem dos partos. SCHÜRER. EUSÉBIO. F. JOSEFO. Antiquitates Iudaicae XIV. Histoire politique du monde hellénistique I. pp. E.. do qual deriva seu nome: a região está en pôntoi. pp. SACCHI. 301-308. 123. Cf. também SCHÜRER. 227-260. "junto ao mar". Bellum Iudaicum I. C. Histoire politique du monde hellénistique II. JOSEFO. pp. pp. Histoire politique du monde hellénistique II. O reino do Ponto fica no noroeste da Ásia Menor. Cf. [52]. 125. verbetes Mitridates e Pontos. F. E. 509512. F. 481-484. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. KIPPENBERG. também. junto ao mar Negro. 1-7. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Histoire d'Israel III. 300-301. Cf. pp. [51].. P. que faz excelente análise deste processo na época de Herodes Magno. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. Storia del mondo giudaico. . cf. Mitridates VI nasce de uma família helenizada e governa o Ponto de 112 a 63 a. 11.. pp.

a famosa herdeira dos Ptolomeus. Madrid 1982. dá a Hircano II o título de etnarca (governador de um grupo racial com o seu território) da Judéia. em Roma as coisas se complicam. enquanto seus dois filhos Fasael e Herodes são nomeados respectivamente estrategos de Jerusalém e da Galiléia. governam os cônsules Crasso e Pompeu (55-54 a. chega César. Quando. O Domínio Romano 11. 24. Depois. A “Pax Romana” chega a Jerusalém 11.C. rainha do Egito e. o texto em DIEZ MACHO. para César. no delta do Nilo.C. A. pelo copeiro de Hircano II.. pelos partos. Antônio nomeia Herodes e .1. Cristiandad. Entretanto.C. toma a Itália e a Espanha. SALMOS DE SALOMÃO 2. São estas tropas que conquistam Pelúsio. no ano 48 a.). um pouco mais tarde. Pompeu é assassinado. Porém. Cf. Otaviano e Lépido.C. Como era Roma nesta época? Veja aqui! Entretanto. 11.1. como prêmio.C..1-7. Apócrifos del Antiguo Testamento III. César nomeia Cleópatra VII. na Grécia.1.) há paz na Palestina.C. Pompeu e César. enquanto César luta nas Gálias.. Em 41 a. nesta luta pelo controle do Egito.C. Da Intervenção de Pompeu a Herodes Magno Nos anos seguintes à interferência de Pompeu (63 a. Antípater recebe a cidadania romana e é nomeado prefeito ou procônsul da Judéia.[53]. ficando somente Pompeu como cônsul (51-49 a.C. e Roma volta a ser governada por triúnviros: Antônio. as intrigas palestinenses continuam: Antípater é envenenado em 43 a.). p.C. recebe apoio de Hircano II que lhe envia tropas comandadas por Antípater. César chega à Síria. Roma é governada pelo triunvirato Crasso. mas Crasso é derrotado em 53 a. confronta-se com Pompeu. De 69 a 62 a.C. que é finalmente vencido em Farsália. No Egito. confirmando-o também no cargo de sumo sacerdote. César é assassinado em meados de março de 44 a. em 47 a.

Reconstrói totalmente o Templo de Jerusalém. Herodes foge para Roma e no final do ano 40 a. e nomeado. que ele elimina. como sumo sacerdote e rei na Judéia (40-37 a. adversários seus. fortalezas.como esposa e filhos. hipódromos. Herodes luta com decisão para consolidar o seu poder. a autonomia interior para as finanças. antes de mais nada. Devido à fraqueza do controle romano na província da Síria. assim. fontes. Herodes torna-se o senhor da Palestina. Os partos colocam Antígono.C. mas quando este é vencido por Otaviano na famosa batalha naval de Áccio. com uma única condição: terá que conquistar seu reino. em gesto teatral. Casa-se com Mariana I. em 40 a. a exoneração de tributo a Roma. parente de Aristóbulo II e Hircano II. Consolidado o poder. Roma e suas Sete Colinas Em 37 a. constrói obras grandiosas na Judéia. para o cargo de sumo sacerdote (cf. pelos partos. termas. filho de Aristóbulo II. ginásios. Primeiro apóia Antônio. . Herodes Magno governa o povo judeu durante 34 anos (37-4 a. Lv 21. através de assassinatos e intrigas várias.). inclusive alguns membros de sua família . que está na ilha de Rodes. Herodes se equilibra no delicado jogo do poder porque sabe ser servil a Roma. Fasael se suicida. Isto significa. a justiça e o exército. depõe a coroa a seus pés. entrando definitivamente para a família asmonéia..17-23). Resultado: volta para casa reconfirmado rei por Otaviano e ainda consegue favores: como o engrandecimento de território. a partir do inverno de 20-19 a. Herodes vai imediatamente visitar o vencedor.C.C. seu tio.C.C. no ano 31 a. esta é invadida. Templos.C.. teatros. incapacitando-o. Antígono corta as orelhas de Hircano II. descendentes do antigo império persa. pelo Senado romano. a isenção de tropas de ocupação. rei da Judéia.). cidades. enquanto Hircano II permanece apenas como sumo sacerdote. e.C.Fasael etnarcas.

aparece diante do mundo. recebe uma grande construção que o valoriza. Observemos os nomes de suas construções. dando-lhe o nome de Sebaste. é perseguida . em homenagem a sua mãe Heródion. Cesaréia Marítima. Matando seus inimigos. Mambré.. Hircania etc. em homenagem a seu irmão Fasael Cipros. controla possíveis revoltas. lugar sagrado ligado a Abraão. em homenagem a Marco Antônio. feminino grego de Augusto. Apoiando a cultura helenística. Servindo fielmente a Roma. reveladores de seu espírito político: Sebaste (Samaria). Herodes constrói uma estrutura de poder independente da tradição judaica: o o nomeia o sumo sacerdote do Templo: destitui os Asmoneus e nomeia um sacerdote da família sacerdotal babilônica e. Valorizando o culto. fortalezas são reedificadas ou totalmente construídas como Alexandrium. por ser estrangeiro. Construindo fortalezas. da alexandrina exige de seus súditos um juramento que obriga a pessoa a obedecer às suas ordens em oposição às normas tradicionais. em homenagem a Augusto Cesaréia (Marítima). Jericó é embelezada e torna-se sua residência favorita. em homenagem a seu pai Antípater Fasélida. não tem para com os judeus nenhuma relação de reciprocidade e sua legitimidade se funda na própria estrutura do poder exercido[1]. Herodes não tem legitimidade judaica. se a pessoa recusar o juramento. constrói um importante porto. seleciona seus herdeiros. em homenagem a César Augusto Antipátrida. Assim. em homenagem ao Imperador romano.. Maqueronte. Massada. conserva-se no poder. Entretanto. em homenagem a si mesmo fortaleza Antônia (em Jerusalém). mais tarde. Quando vence os seguidores de Antígono. Herodes Magno ganha para si o povo.Reconstrói Samaria. Heródion. pois descende de idumeus e sua mãe é descendente de árabe.

Religião e formação de classes na antiga Judéia. como consegue legitimidade? A estrutura de poder do Estado sob Herodes é bem diferente da estrutura da época dos Macabeus: o o o o o o rei é legitimado como pessoa e não por descendência o poderio não se orienta pela tradição. quando diz que o rei é "lei viva" (émpsychos nómos). pp. se ele viola assim a tradição. sem direito a resgate a venda à escravidão e a execução pessoal (a morte) tornam-se normas comuns do arrendamento estatal. porque ele é regido pelo "nous": o rei tem função salvadora e. 109-116. o poder militar de Herodes se baseia em mercenários estrangeiros que ficam em fortalezas ou em terras dadas aos mercenários (cleruquias) por ele (terras no vale de Jezrael). .. G. com os camponeses dentro! Seus herdeiros: Arquelau.o o o interfere na justiça do Sinédrio manda vender os assaltantes e os revolucionários políticos capturados como escravos no exterior. Cf.. KIPPENBERG. Herodes Antipas e Felipe. 1988.. Kippenberg[2]. através das normas do Estado. e nas cidades não-judaicas por ele fundadas. p. KIPPENBERG. para o que se segue. H. mas pela aplicação do direito pelo senhor o direito à terra é transmitido pela distribuição: o dominador a dá ao usuário: é a "assignatio" a base filosófica helenística é que legitima o poder do rei. dá aos seus súditos uma ordem racional. "O rei em sua pessoa é a continuação do seu reino e o salvador de seus súditos". diz H. ou seja: o rei é a fonte da lei. São Paulo. em oposição à lei codificada. Mas. G. G. 114. [2]. Religião e formação de classes na antiga Judéia. por isso. a cujos cidadãos ele dá como posse o território que as rodeia. H. Confira os Mapas do Império Romano aqui! NEXT [1]. Paulus.

prefeito da Judéia. Pontius Pilate: Roman Governor. Tanto o prefeito como o procurador tinham funções fiscais. podemos falar de “procuradores”. Marcos Ambívio : 8-12 (?) Ânio Rufo : 12-15 (?) Valério Grato : 15-26 Pôncio Pilatos : 26-36 Marcelo : 36-37 Marulo : 37-41 (?) Cúspio Fado : 44-46 Tibério Alexandre : 46-48 Ventídio Cumano : 48-52 Antônio Félix : 52-60 Pórcio Festo : 60-62 Lucéio Albino : 62-64 Géssio Floro : 64-66 O procurador ou prefeito era um administrador em ligação com o legado que governava a província romana da Síria e dependia dele. eram equivalentes. Pôncio Pilatos. até Cláudio. os dois títulos. mas subia a Jerusalém e podia lá permanecer conforme as circunstâncias ou as necessidades. Residia em Cesaréia. que pronuncia a sentença de morte contra Jesus de Nazaré. Por causa de Flávio Josefo[9] se pensava que a Judéia fora governada por procuradores (epítropos. militares e judiciais[11]. mas hoje se sabe. latim). Após Cláudio. como era o caso da Judéia. . Os Prefeitos e Procuradores Romanos da Judéia Copônio : 6-8 d. leia Warren CARTER. Portanto. tendo perdido o significado original da época da República.1. procurator. em grego. que se tornou Imperador no ano 41. graças a uma inscrição sobre Pilatos encontrada em Cesaréia[10]. a partir de Cúspio Fado (4446). que nunca simpatizou com os judeus.4. para as províncias imperiais. Sobre Pilatos e seu papel na crucifixão de Jesus. em Bible and Interpretation. é um governante duro e decidido. Entretanto. que.11.C. os governadores romanos da Judéia tinham o título de éparchos ou praefectus = prefeito.

Pilatos é o único governante romano que tem tal ousadia[12]. à noite. para Jerusalém. Pilatos recusou-se a atender ao pedido deles. Todos quantos chegavam perto. para falar com Pilatos. descreve-o como inflexível por natureza e cruel por causa de sua obstinação. Certa vez. o poderoso prefeito da guarda pretoriana em Roma que é realmente quem manobra o poder. E consegue. Pouco a pouco a exacerbação dos habitantes da cidade atraiu grandes multidões de pessoas que moravam no campo. faz com que Tibério tome decisões anti-judaicas. Pertence à ordem dos cavaleiros. desrespeitando-os deliberadamente. Pilatos é nomeado procurador por Tibério. espécie de concha sagrada. que eles tomaram como uma zombaria grave à lei que proibia colocar qualquer imagem que fosse no interior da cidade. e ele tenta reprimi-lo. Sob um pretexto qualquer. extorsivo e tirânico. que os romanos chamavam de ‘estandartes’. Pilatos faz muitas coisas contrárias aos costumes judeus. Pilatos manda que seus soldados entrem em Jerusalém. Suplicavam-lhe que mandasse tirar as imagens de Jerusalém e desistisse de agir contra as normas da religião judaica. e o simpulum. para irritá-los e reprimi-los. uma grande agitação tomou conta da cidade. Quando amanhece. o povo se revolta com tal afronta. classe de pessoas ricas. que servia para demarcar o recinto onde os sacerdotes pagãos observavam as aves do sacrifício”. graças à influência de Sejano. um certo número de imagens veladas do César. Embora saiba que os judeus abominam a reprodução de imagens de qualquer espécie.September 2004. em forma de chifre. que fizeram fortuna das mais variadas maneiras. Pilatos mandou levar. Nas palavras de Flávio Josefo: “Certa feita. enchiam-se de indignação com o espetáculo. violento. Símbolos como o lituus “um bastão recurvado numa das extremidades. Mal o dia clareou. ele manda cunhar moedas com símbolos gentios. Herodes Agripa I. Acusa-o de venal. de noite. Sejano faz de tudo para prejudicar os judeus. levando efígies do Imperador nos estandartes. Então os . muitos de origem humilde e até descendentes de escravos. Mas tem que ceder diante da grande coragem dos judeus que preferem morrer a transgredir a Lei. escrevendo ao Imperador Calígula. E todos se dirigiram a Cesaréia.

[12] . Os judeus. como se tivessem combinado entre si. porém. como se quisesse comunicar-lhe uma notícia. 91-92. E. 2. Esta atitude heróica do povo em defesa de sua religião causou grande espanto em Pilatos. foi enviado por Augusto como procurador (epítropos).. Paulus. à uma. [13] . F. NEXT [9] . diz JOSEFO. SCHÜRER.. JOSEFO. 169-174. Brescia. que as insígnias do Imperador fossem retiradas de Jerusalém”[13]. caso não admitissem a presença de imagens do Imperador em seu meio. no lugar. no grande hipódromo da cidade. 1979. Ele ordenou. No sexto dia Pilatos sentou-se numa tribuna. e convocou o povo. Envolvidos por três fileiras de homens armados. São Paulo. . com plena autoridade”.. 117. Paideia. Bellum Iudaicum. Cf. e ofereceram o pescoço desnudo. fez aos soldados o sinal antes combinado.judeus se lançaram por terra e ficaram imóveis. SPEIDEL. 1985. Pilatos mandou massacrá-los. [10] . O julgamento de Pilatos. jogaram-se por terra. pp. 441-444. um romano da ordem dos cavaleiros. durante cinco dias e cinco noites. 2. pp. Para você entender a Paixão de Jesus. F. Em seguida. Cf.. Storia del Popolo Giudaico al Tempo de Gesù Cristo I. K. os judeus foram tomados de violenta comoção diante do fato inesperado. declarando em alta voz que preferiam deixar-se matar a transgredir a Lei. [11] . Fez então novo sinal aos soldados para desembainharem as espadas. “O território de Arquelau foi assim reduzido a província e Copônio. Bellum Iudaicum. Diz: TIBERIEVM PON]TIVS PILATVS PRAEF]ECTUS IVDA[EA]E. então. para cercarem os judeus. A inscrição foi encontrada no teatro romano de Cesaréia Marítima por uma expedição arqueológica italiana dirigida por Antonio Frova. de armas na mão. A.

quando prisioneiro em Cesaréia. oferecendo-lhe sacrifícios. Quando Jerusalém é destruída em 70 d. com freqüência. muitas delas com o deliberado propósito de irritar os judeus. O país é governado. O Imperador seguinte. Quando os judeus se recusam a cultuá-lo. especialmente pelos sacerdotes.3. os romanos não quiseram entregar logo o governo para seu filho Agripa II que é apenas um garoto de 17 anos e vive em Roma.23-26.C. com direito de designar o sumo sacerdote. pelos procuradores. Petrônio.5. De Agripa II ao Fim da Judéia Quando morre Herodes Agripa I (44 d. atribuída ao sempre vivo espírito nacionalista judaico e à sua imorredoura fé na libertação messiânica. que afinal é punido pelo que fizera. Agripa II recebe o governo de Cálcis. em 49 d. território antes dirigido por seu tio. julgados totalmente impotentes frente ao poderio romano.C. Já antes. Agripa II vive incestuosamente. com sua irmã Berenice e não é bem visto pelos judeus. proclama-se deus e obriga todas as províncias. ele muda-se para Roma. Calígula chega a exigir que uma estátua do Imperador seja colocada no Templo.). onde tem que se explicar. Calígula..11. Em 52 d. Vimos como Pilatos cometera arbitrariedades sem conta. legado da Síria. embora a Judéia continue governada por procuradores romanos.. sendo destituído por Tibério e chamado a Roma. graças às mudanças arbitrárias de sumos sacerdotes que sempre fez. a cultuá-lo.C. Agripa II é o último governante da família herodiana. inclusive a Judéia. então. onde morre após o ano 93 d. tenta demover .C. É diante de Agripa II e Berenice que Paulo comparece. ele havia sido nomeado Inspetor do Templo. mas historicamente é condicionada e ocasionada pela inabilidade dos procuradores e até mesmo de alguns Imperadores. E esta atitude prepotente não pára com Pilatos. por exemplo) como na Judéia e demais províncias.C. Mas em 48 d. A crescente revolta judaica contra a ocupação romana é. são perseguidos tanto na diáspora (em Alexandria. contra todo o bom senso. Agripa recebe também a antiga tetrarquia de Felipe e partes da Galiléia e da Peréia.1. dizem. segundo At 25. Teve pouca influência sobre a comunidade judaica.C.

E o autor acrescenta: “Estudos feitos por paleopatologistas indicam que doenças infecciosas e desnutrição eram generalizadas. Olhemos para a audiência de Jesus.. Por volta dos 26 anos 75% já tinha morrido e aos 46 anos. Só que assassinam Calígula em 41 d..) a tensão aumenta perigosamente. tinha uma expectativa de vida de 30 anos. diz sobre a expectativa de vida da população do Império Romano nesta época: “Cerca de 1/3 daqueles que ultrapassavam o primeiro ano de vida (portanto.C. Na Palestina do século I d.. com seus trinta e poucos anos de idade. por exemplo:este mesmo Jesus. Existia uma violência epidêmica na Palestina[16]. chegando aos 60 anos de idade menos de 3% da população”[14]. sem assistência médica. se tanto! Douglas E.o Imperador de seus propósitos: é condenado à morte. com uma má alimentação. e Cláudio. É no seu tempo que surge o grupo dos sicários. Fraudes. trabalhos forçados. não contabilizados como vítimas da mortalidade infantil) morriam até os 6 anos de idade. na Introdução de um volume sobre “As Ciências Sociaise a Interpretação do Novo Testamento ”. É claro que estes dados não são uniformemente distribuídos por toda a população da época. assim . Com moradias precárias. Rohrbaugh. endividamento. salvando também a vida de Petrônio.C. No tempo de seu sucessor Antônio Félix (52-60 d.. era mais velho do que 80% de sua audiência. Oakman.C.) 50% dos restos de cabelo encontrados nas escavações arqueológicas tinham lêndeas”[15]. seus dentes tinham sido destruídos e sua vista acabado (.. quando muito. Uma audiência doente. 90% já desaparecido. sem condições sanitárias adequadas. havia um verdadeiro clima de terror. perda da terra através da manipulação das dívidas atingiam a muitos. mostra que a violência que sofriam era brutal. no século I de nossa era. Por volta dos 30 anos a maioria das pessoas sofria de verminose. em um estudo sobre as condições de vida dos camponeses palestinos da época de Jesus . por causa de um ultraje cometido por um soldado romano. acontece violenta revolta dos judeus durante a festa da Páscoa. Richard L. Cumano reprime o tumulto e vinte mil judeus perdem a vida. seu sucessor. já que um pobre em Roma. Os que mais sofriam pertenciam às classes mais pobres das cidades e povoados. dispensa os judeus do culto ao Imperador. ou seja. recebe ordem do Imperador para se suicidar. desnutrida e com uma expectativa de mais 10 anos de vida. Quando Vitélio Cumano (48-52 d.) é procurador. roubos.C. Cerca de 60% dos sobreviventes morriam até os 16 anos.

legado da Síria. ataca com uma legião. assim como antes Floro teve que se retirar para Cesaréia ao ser derrotado. G. em supremo desprezo. Tinham se dirigido para uma fortaleza chamada Massada. Nessa época. ocupam o Templo e a fortaleza Antônia. Outros grupos tentam despertar no povo os sentimentos messiânicos.C. os revolucionários chefiados por Eleazar. O povo. Seu sucessor Géssio Floro (64-66 d. a revolução estoura. Este foi o começo propriamente dito . e o desprezo é vingado: há uma carnificina geral. filho do sumo sacerdote Ananias. Também as fortalezas de Massada e Heródion são ocupadas pelos rebeldes. proclamando-se profetas e fazendo promessas utópicas. Sua tática é provocar tumultos e desestabilizar o governo através de assassinatos inesperados de personagens importantes. Então. filho do sumo sacerdote. Um dos assassinados neste tempo pelos sicários é o sumo sacerdote Jônatas. Escondem a sica sob as vestes e misturados na multidão eliminam não só romanos.C. mas é rechaçado com pesadas perdas. “Reuniu-se um grande número daqueles judeus que queriam a guerra a qualquer preço. Félix manda crucificar inúmeros zelotas durante o seu mandato[17]. fazendo uma coleta para o “pobrezinho” Floro.) consegue então jogar a gota d’água para que o ódio acumulado pelos judeus derrame. Agripa II tenta conter a revolta e não consegue.chamados por usarem em suas ações uma adaga curva e curta chamada “sica”. Floro requisita 17 talentos do tesouro do Templo. não reage diante do saque. Céstio Galo. para que seja saqueada e crucifica alguns homens importantes da comunidade judaica. Tais grupos são duramente reprimidos pelos romanos através de grandes matanças. Eleazar. Aí surpreenderam a guarnição romana. o nosso conhecido historiador Flávio Josefo. mas também quem colabora com a ocupação estrangeira. massacraram-na e em seu lugar colocaram um destacamento constituído pela própria gente. Josefo fortifica várias cidades e se prepara.). É a guerra definitiva. após muitas arbitrariedades. A Galiléia é entregue ao sacerdote fariseu Josefo. Começam os preparativos para o que der e vier. incitou os sacerdotes em exercício a não aceitar donativos ou sacrifícios da parte de não-judeus. um jovem de grande atrevimento que comandava então a guarda do Templo. Os judeus escarnecem do procurador. Quando. Outro procurador terrivelmente corrupto e repressor é Lucéio Albino (6264 d. Resultado: Floro entrega para os seus soldados uma parte de Jerusalém.

A cidade está repleta de peregrinos. Até o outono a Galiléia está nas mãos dos romanos. Uma cidade com cerca de 30 mil habitantes fixos. O Imperador Nero confia então a Palestina a um experiente general: Vespasiano. abre um fosso ao seu redor para que ninguém escape e em julho de 70 toma a fortaleza Antônia. as montanhas da Judéia. mas Massada resiste um ano de cerco. e Simão Bargiora. Tito o incendeia. zelota. sicário. defendidas pelos sicários e zelotas. Como os muros do Templo não cedem. mas nenhum pára. Josefo é aprisionado e muito bem tratado. são aprisionados e levados triunfalmente para Roma. vendidos ou condenados a trabalhos públicos. Em setembro de 70 também o palácio cai. sem contar as tropas auxiliares. mas a fortaleza de Jotapata só cai após 47 tentativas de assalto. Vespasiano ataca a Galiléia na primavera de 67 com 10 legiões (60 mil soldados. um dos redutos rebeldes. mas os rebeldes conseguem se refugiar no palácio de Herodes. Mas nesta época ultrapassava os 180 mil. Estão ainda de pé três fortificações rebeldes: Heródion. com quatro legiões (24 mil soldados). A cidade é saqueada e os habitantes assassinados. Quando finalmente é . Três Imperadores passam pelo trono. que então podem hibernar tranqüilamente. Está para atacar Jerusalém quando Nero se suicida. Massada e Maqueronte. Os chefes rebeldes. Vespasiano espera se definir a situação em Roma. Tito cerca Jerusalém pouco antes da Páscoa de 70. Finalmente Vespasiano é aclamado Imperador no dia primeiro de julho de 69 e marcha para Roma.da guerra contra os romanos. Visite o Catálogo Virtual de Moedas Romanas! Tito ocupa o setor norte da cidade. Toda a construção é consumida pelas chamas. João de Gíscala. É agosto de 70[19]. a costa. Heródion e Maqueronte caem logo. Em companhia de seu filho Tito. a Iduméia e a Samaria. Conquistam facilmente o território. deixando a guerra sob o comando de Tito. Veja a posição ambígua de Flávio Josefo na guerra contra Roma aqui! Na primavera de 68 Vespasiano ocupa sucessivamente a Peréia. pois nesta ocasião foi praticamente rejeitado o oferecimento de sacrifício em favor dos romanos e do Imperador”[18]. o que duplica este número).

em ROHRBAUGH. A inscrição dizia: Judaea capta. Cf. R. ROHRBAUGH. pp. então. 4-5. em seguida. R. A Judéia torna-se parte da província Síria-Palestina. H. p. os rebeldes incendeiam-na e se suicidam em massa para não caírem em mãos romanas. Aos judeus Jerusalém foi proibida.).. [16].). celebra a vitória romana. (ed. L. o arco do triunfo de Tito.). p.C. É que o Imperador. um enviado especial de Adriano. começada em 131 d. Jerusalém torna-se. Simeão Bar-Kosibah é o chefe desta nova revolta. sob pena de morte. 1991. Hendrickson. D. Vespasiano manda cunhar moedas sobre as quais estão um soldado romano. em giro pelo Oriente. os rebeldes como escravos. 168. há ainda nova revolta judaica. Hendrickson. L. numa interpretação messiânica de Nm 24. Idem. de pé ainda hoje. vendendo. 1996. Colonia Aelia Capitolina e o templo a Júpiter é levantado no local do antigo Templo dos judeus. consegue dominar a revolta. decide reconstruir Jerusalém com o nome de Aelia Capitolina e manda fazer um templo dedicado a Júpiter no mesmo local onde existira o Templo de Salomão. The Countryside in Luke-Acts. É o ano 135 d.17. The Social World of Luke-Acts: Models of Interpretation. A Judéia é separada da Síria e torna-se uma província imperial. OAKMAN. Júlio Severo. J. Introduction. Massachusetts. 5. NEXT [14]. uma mulher de luto e uma palmeira simbolizando Israel. The Social Sciences and New Testament Interpretation. [15]. E. ibidem. além dos outros templos construídos na cidade.C. Quando reina Adriano (117-138 d. Peabody. Os rebeldes ocupam Jerusalém e algumas fortalezas espalhadas pelo território judaico. Ele é chamado também de Bar-Kokhba (filho da estrela). feita por Rabi Aqiba.C. Peabody. dirigida por um governador que mora em Cesaréia.. em NEYREY.tomada. MA. Em Roma. (ed. . Depois de muita luta.

F.[17]. 460.408-409. nota 115. Bellum Iudaicum. Cf. Cf. GRABBE. F.. JOSEFO. GRABBE... SCHÜRER. 613-614. Storia del Popolo Giudaico I. [19]. Minneapolis. L. Bellum Iudaicum. A tradição rabínica diz que foi no dia 9 do mês de Ab (29 de agosto de 70). A data exata da destruição do Templo é controvertida. L. . Judaism from Cyrus to Hadrian. 1991. 250. enquanto Flávio Josefo diz que foi no dia 10 de Ab. p. 2. L. Volume II: The Roman Period. 441-442. pp. Fortress Press. L. Judaism from Cyrus to Hadrian II. 6. [18]. JOSEFO. pp..

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