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15 de Junho de 2009


SEMESTRE
ANATOMIA HUMANA II

Resumo do exame teórico | Sofia Silva


Anatomia Humana II

Índice
Índice.........................................................................................................2
Sistema nervoso...........................................................................................6
Medula espinal:..........................................................................................6
Neurónios:................................................................................................6
Neuroglia: ................................................................................................7
SNP:..........................................................................................................8
Há vários tipos de nervos.........................................................................9
Nervos cranianos:...................................................................................10
Parassimpático:......................................................................................12
Funções das partes do SNA:...................................................................13
Sensibilidade visceral:............................................................................14
Vias motoras e vias sensitivas.................................................................14
Bulbo raquidiano......................................................................................18
Vista lateral:...........................................................................................20
Ponte de Varólio:....................................................................................21
Configuração interna:.............................................................................21
Cerebelo ..................................................................................................22
Quarto ventrículo.....................................................................................25
Conformação externa do cérebro:............................................................28
Lobo Temporal.......................................................................................28
Lobo Parietal..........................................................................................29
Lobo Occipital.........................................................................................30
Diencéfalo .............................................................................................30
Tálamo. .................................................................................................31
Subtálamo..............................................................................................31
Epitálamo...............................................................................................32
Hipotálamo ............................................................................................32
Telencéfalo – Hemisférios Cerebrais......................................................32
Face superior e Lateral:..........................................................................33
Face medial do Cérebro:........................................................................34
Face Inferior:..........................................................................................34
Estruturas Internas dos Hemisférios Cerebrais......................................35

Anatomia Humana II – exame teórico Página 2


Anatomia Humana II

Correlações Clínicas .............................................................................36


Conformação interna do cérebro..............................................................37
Meninges..................................................................................................42
Dura-máter.............................................................................................44
Aracnóide-máter....................................................................................44
Nervos cranianos......................................................................................45
Nervo olfactório (NC I)............................................................................45
Nervo óptico (NC II):...............................................................................46
Nervo oculomotor (NC III):......................................................................46
Nervo troclear (NC IV):...........................................................................48
Nervo trigémio (NC V)............................................................................48
Nervo oftálmico (NC V1) ........................................................................49
Nervo maxilar (NC V2)............................................................................49
Nervo mandibular (NC V3).....................................................................49
Nervo abducente (NC VI)........................................................................49
Nervo facial (NC VII)...............................................................................50
Sistema circulatório..................................................................................52
Artérias...................................................................................................52
Vascularização arterial do encéfalo........................................................52
Polígono de Willis...................................................................................52
Artéria Carótida Interna .........................................................................53
Artéria Vertebral e Basilar (Sistema vértebro-basilar) ...........................53
Vascularização Venosa do Encéfalo ......................................................54
Vascularização dos pulmões e das pleuras............................................55
Vascularicação coração..........................................................................55
Artérias importantes do corpo humano..................................................56
Sistema do tronco pulmonar..................................................................56
Sistema da artéria aorta.........................................................................56
1.1.Artérias do pescoço e cabeça...........................................................57
Artérias membro superior......................................................................58
Artérias dos membros inferiores ...........................................................59
Veias...................................................................................................... 59
Algumas veias importantes do corpo humano: .....................................60
Veias cabeça e pescoço.........................................................................61
Pescoço..................................................................................................63

Anatomia Humana II – exame teórico Página 3


Anatomia Humana II

Tórax .....................................................................................................63
Abdómen:...............................................................................................64
Veias dos membros superiores .............................................................65
Capilares sanguíneos.............................................................................67
Sistema linfático.......................................................................................69
Plexo linfático – pulmão .........................................................................70
Pleuras e pulmões....................................................................................70
Nariz.......................................................................................................70
Faringe...................................................................................................71
Laringe...................................................................................................71
Pleuras................................................................................................... 72
Pulmões..................................................................................................74
Traqueia e brônquios ............................................................................77
Circulação sistémica (brônquica)...........................................................78
Respiração bocal (curiosidade)..............................................................78
Mediastino................................................................................................79
Pericárdio.................................................................................................80
Coração e grandes vasos.........................................................................81
Limites do Coração.................................................................................81
Camadas da parede cardíaca.................................................................81
Configuração interna..............................................................................82
Aurícula direita.......................................................................................82
Aurícula direita.......................................................................................82
Ventrículo esquerdo...............................................................................83
Ciclo cardíaco.........................................................................................83
Inervação: .............................................................................................84
Sistema digestivo.....................................................................................84
Funções..................................................................................................84
Boca.......................................................................................................85
Dentes ...................................................................................................86
Língua.................................................................................................... 86
Faringe...................................................................................................86
Esófago.................................................................................................. 87
Estômago...............................................................................................88
Intestino delgado....................................................................................89

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Anatomia Humana II

Intestino grosso......................................................................................89
Cólons ...................................................................................................90
Funções do Intestino Grosso .................................................................91
Peristáltismo..........................................................................................91
Peritónio.................................................................................................91
Órgãos anexos.......................................................................................92
Fígado.................................................................................................... 92
Vesícula biliar.........................................................................................93
pâncreas................................................................................................94
Sistema urinário.......................................................................................94
Rim.........................................................................................................94
Anatomia interna dos rins......................................................................95
Néfrons ..................................................................................................95
Funções dos Rins ...................................................................................96
Glândulas supra-renais...........................................................................96
Uréter.....................................................................................................96
Bexiga....................................................................................................96
Uretra ....................................................................................................97
Uretra Masculina ...................................................................................97
Uretra Feminina ....................................................................................97

Anatomia Humana II – exame teórico Página 5


Anatomia Humana II

Sistema nervoso

Medula espinal:
Estrutura do sistema nervoso é constituído por:

• Parte central do sistema nervoso (SNC);

• Parte periférica do sistema nervoso (SNP).

Funcionalmente divide-se em:

• Divisão somática do sistema nervoso (SNS);

• Divisão autónoma do sistema nervoso (SNA).

O tecido nervoso é constituído por dois tipos de células: neurónios (célula


nervosa) e neuroglia (células da glia), estas últimas sustentam os neurónios.

Neurónios:
• Corpo celular;

• Dendrites – extensões dos corpos celulares;

• Axónios – conduz impulsos que entram (entram nas dendrites) e


saem (axónios) do corpo celular.

A mielina é uma camada de lípidos e substâncias proteínas que formam a


bainha de mielina – aumentam muito a velocidade do impulso nervoso.

Os neurónios comunicam entre si através de sinapses


Neurotransmissores
(células secretadas ou
libertadas pelo neurónio.

Continuando ou impedindo a transmissão de impulso Excitam ou

inibem o neurónio

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Anatomia Humana II

Neuroglia:
• Mais abundante que os neurónios;

• Não são neurónios nem excitáveis;

• Sustenta, isola e nutre o neurónio;

• SNC – pequenas células da glia;

• SNP – células satélite ao redor do neurónio nos gânglios sensitivos


espinais e autónomos e células do neurolema (schawann).

SNC constituído por:

• Encéfalo;

• Medula espinal (substancia branca e cinzenta);

Funções do sistema nervoso central:

• Integrar e coordenar sinais neuronais que chegam e saem, e realizam


funções mentais superiores – como raciocínio e o aprendizado.

NOTA:

Núcleo (SNC) – conjunto de corpos de células nervosas;

Trato – é um feixe de fibras nervosas (axónios) que ligam um núcleo a


outras vizinhas ou distantes do SNC.

Os corpos das células nervosas estão na substância cinzenta e as fibras


estão na substancia branca.

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Anatomia Humana II

A medula possui substância cinzenta, substancia branca, cornos anteriores


e posteriores e um canal ependimário.

Meninges
• Pia-máter – camada transparente e a mais externa;
• Aracnóide-máter
• Dura-máter – mais espessa e rígida.
As meninges e o líquido cefalo cerebroespinal (LCE) circulam e protegem o
SNC. O LCE está localizado entre a pia-máter e a Aracnóide-mater.

NOTA:
Quando há uma lesão na medula ou no encéfalo na maioria dos casos os
neurónios não se recuperam. Os cotos dos neurónios próximos crescem
no âmbito da regeneração, mas por outro lado a proliferação dos
astrócitos impedem a regeneração.
SNP:
• Fibras nervosas

• Corpos celulares fora do SNC.

A função do sistema nervoso é organizada em nervos que unem a parte


central à periferia.

Fibras nervosas ≠ nervos


As fibras nervosas estão nos axónios, neurolema – células de schawann –
separa os axónios uns dos outros e no tecido conjuntivo endoneural
circulante.

O nervo periférico é constituído por: endoneuro – tecido conjuntivo laxo que


reveste as células do neurolema e axónios, o perineuro – tecido conjuntivo
denso que envolve o
fascículo de fibras
periféricas e o epineuro –
circunda e encerra o feixe
de fascículos, formando o
revestimento externo do
nervo. O nervo periférico é
semelhante a um cabo
eléctrico: o axónio é
revestido por neurolema e
endoneuro, estes são
revestidos pelo epineuro. O epineuro forma o revestimento externo.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 8


Anatomia Humana II

Há vários tipos de nervos


Os nervos cranianos saem da cavidade craniana, através de forames no
crânio e são identificados por um nome específico ou algarismo romano.
Apenas 11 dos 12 nervos cranianos tem origem no encéfalo, só o nervo
craniano XI origina-se na medula espinal. Os nervos espinais saem da
coluna através de forames intervertebrais. Todos os 31 pares se originam
na medula espinal e são identificados por uma letra e um número (ex.T4).
Estes nervos espinais inicialmente originam-se na medula espinal nas
radículas que convergem para formar as raízes nervosas. A raiz ventral
(anterior) possui fibras motoras (eferentes), saem das células nervosas no
corno anterior de substância cinzenta. A raiz dorsal (posterior) tem as fibras
sensitivas (aferentes). Vêm do gânglio sensitivo que se estende ate as
terminações sensitivas e centralmente até o corno posterior da substância
cinzenta. As raízes posteriores e anteriores unem-se antes de sair do forame
intervertebral e formam um nervo espinal misto, mas dividem-se
rapidamente em dois ramos primários, um anterior (motor) e posterior
(sensitivo). Denominam-se de sensitivo ou motor pela abundância de fibras,
pois estão misturadas os dois tipos de fibras.

• Exemplo: os nervos da porção abdominal têm 40% de fibras


sensitivas, conduzem a informação da propriacepção e da dor. A
porção cutânea tem fibras motoras para suprir as glândulas, mas
maioritariamente são sensitivas.

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Anatomia Humana II

NOTA:
• Nervo que inerva a pele (unilateral) – dermátomo
• Nervo que inerva o músculo (unilateral) – miótomo
• A inervação dos membros é através dos ramos anteriores e
adjacentes – plexos nervosos – aqui misturam-se os dois tipos de
as fibras nervosas e formam-se os nervos periféricos
multissegmentares

Os ramos anteriores dos nervos segmentares que participam na formação


do plexo enviam fibras para múltiplos nervos periféricos originados no plexo
nervoso. Portanto, os nervos periféricos originados pelo plexo contêm fibras
de vários nervos espinais. É importante a distinção entre a distribuição das
fibras conduzidas por nervos espinais e das fibras conduzidas por ramos de
um plexo. Os nervos espinais – dermátomos e miótimos. As fibras
conduzidas por ramos do plexo são os nervos periféricos e identificados por
um nome. Estes dois tipos de nervos têm distribuição diferente excepto na
zona do abdómen.

Nervos cranianos:
Alguns nervos possuem apenas fibras sensitivas, outras apenas motoras. E
ainda outras que possuem os dois tipos de fibras. Há comunicação entre os
nervos cranianos e entre os nervos cranianos e espinais (cervicais). Assim
um nervo que inicialmente conduzia apenas motoras pode conduzir também
fibras sensitivas unidas distalmente do seu trajecto e vice-versa. Excepto os
dois primeiros nervos responsáveis pelo olfacto e a visão – nervos sensitivos
que levam a informação para o encéfalo através dos gânglios sensitivos.

Existem ainda dois tipos de fibras somáticas e viscerais. As fibras somáticas


podem ser sensitivas ou motoras. As fibras sensitivas gerais (fibras
aferentes somáticas gerais) transmitem sensações do corpo para SNC,
podem ser sensações esteroceptivas da pele (dor, temperatura, tacto e
pressão). As fibras motoras gerais (fibras eferentes somáticas gerais)
transmitem impulsos do SN para os músculos esqueléticos (voluntário). As
fibras viscerais podem ser de dois tipos: sensitivas e motoras. As fibras
sensitivas viscerais (fibras aferentes viscerais gerais) transmitem sensações
reflexas viscerais subconscientes – informações sobre distensão, gases
sanguíneos e níveis de pressão arterial – de órgãos ocos e vasos sanguíneos
para o SNC. As fibras motoras viscerais (fibras eferentes viscerais gerais)
transmitem impulsos para os músculos lisos e tecidos glandulares (pré-
sináptica e pós-sináptica).

Estes dois tipos de fibras sensitivas somáticas e viscerais possuem


processos de neurónios pseudo-unipolares com corpos celulares localizados
em gânglios sensitivos de nervos espinais ou cranianos.
NOTA:

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Anatomia Humana II

As fibras motoras são axónios de


neurónios multipolares e os seus
corpos estão localizados na substância
cinzenta na medula espinal (pré-
sináptica). As fibras pós-sinápticas
estão localizadas fora do SNC – nos
gânglios viscerais.

O sistema nervoso é dividido ainda em duas porções a somática e a


autónoma. O sistema somático sensitivo transmite sensações de tacto, dor,
temperatura e posição a partir dos receptores sensoriais (temos consciência
delas). O sistema motor somático inerva apenas o músculo-esquelético,
estimulando o movimento voluntário ou reflexo, causando contracção
muscular, como ocorre quando se agarra um ferro quente. O sistema motor
visceral (sistema nervoso visceral) consiste em fibras motoras que
estimulam o músculo liso (involuntário), o músculo cardíaco (complexo
estimulante do coração) e as células glandulares (secretoras).

Nota:
As fibras eferentes viscerais do SNA são acompanhadas por fibras
eferentes viscerais.
As fibras nervosas eferentes e os gânglios do SNA são originados em duas
partes: simpático (toracomotor) e parassimpático (craniossacral). Ao
contrario da enervação somática na qual a passagem de impulso entre o
SNC e a terminação sensitiva envolve um único neurónio. Nas duas partes
do SNA, a condução do impulso do SNC para o órgão efector envolve uma
serie de 2 neurónios multipolares.

A distribuição autónoma entre as duas partes do SNA baseia-se:

1. Localização dos corpos celulares pré-sináptios;

2. Nervos que conduzem fibras pré-sinápticas para o SNC.

A sinapse normalmente liberta noradrenalina (simpática) excepto nas


glândulas sudoriparas e acetilcolina (parassimpático).

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Parassimpático:
Os corpos celulares dos neurónios só se encontram nas colunas celulares
intermédias ou núcleo da medula espinal (T1-T12 e L1-L2/L3 – medula espinal).
As colunas IM são responsáveis pela inervação da cabeça que se situa-se
superiormente, e a inervação pelas vísceras pélvicas e dos membros
inferiores estão localizadas inferiormente. As distribuições dos corpos
celulares pós-sinápticos desenvolvem-se através dos gânglios
paravertebrais e gânglios pré-vertebrais. Os gânglios paravertebrais estão
associados para formar o tronco sináptico direito e esquerdo, e estendem-se
ao longo da coluna vertebral. Este gânglio superior (cervical) situa-se na
base do crânio e o gânglio impar situa-se entre os dois troncos se unem ao
nível do cóccix. Os gânglios pré-vertebrais situam-se nos plexos que
circundam a origem da aorta abdominal, como os 2 grandes gânglios
celíacos que circundam a origem do tronco celíaco.
Nos troncos simpáticos as fibras pré-sinápticas podem seguir quatro
trajectos:
1. Ascender o tronco simpático para fazer
sinapse com um neurónio pós-sináptico
de um gânglio paravertebral mais alto;
2. Descer no tronco simpático para fazer
sinapse com um neurónio pós-
simpático de um gânglio paravertebral
mais baixo;
3. Entrar e fazer sinapse imediatamente
com um neurónio pós-sináptico do
gânglio paravertebral naquele nível.
4. Atravessar o tronco simpático sem
fazer sinapse, continuando através de
um nervo esplénico abdominopelvico
para chegar a gânglios paravertebrais.
As fibras pré-sinápticas são responsáveis
pela inervação autónoma: cabeça, tronco, parede do corpo, membros e
cavidade torácica. Já as fibras pós-sinápticas inervam também cabeça,
tronco, membros e parede do corpo. Estas fibras seguem os gânglios
paravertebrais anteriores, para ramos adjacentes dos nervos especiais
através de ramos comunicantes cinzentos (sem bainha de mielina). Desta
forma, entram todos nos 31 pares de nervos espinais para estimular vasos
sanguíneos (vasomotricidade) e estimular músculos erectores dos pêlos –
piloerecção (pode causar sudorese). As fibras simpáticas pós sinápticas
executam funções na cabeça pois possuem os corpos celulares no gânglio
cervical superior.
NOTA:
Neurónios pré-sinápticos----------> T1-T12 e
L1-L2/L3
O sistema nervoso simpático atinge praticamente todas as partes do corpo,
com a rara excepção do tecido avascular, como cartilagens e unhas. Com

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dois grupos de gânglios simpáticos estão posicionados centralmente no


corpo e estão próximos da linha média, nessa parte as fibras pré-sinápticas
são relativamente curtos, enquanto as fibras pós-sináptico são
relativamente longas, devendo estender-se a todas as partes do corpo.
Na substancia cinzenta sacral da medula espinal (S2-S4), as fibras saem do
SNC através das raízes anteriores dos nervos espinais sacrais e os nervos
esplénicos pélvicos – porção pélvica parassimpática.
Na parte cinzenta do tronco encefálico, as fibras saem do SNC nos nervos
cranianos (NC) – III, VII, IX e X – parte cranial parassimpática. Esta região é
responsável pela inervação parassimpática da cabeça. O nervo vago (NC X)
inerva vísceras torácicas e abdominais (a porção torácica gastrointestinal,
porção pélvica gastrointestinal, cólon descendente, sigmoide e recto).
Possui uma distribuição muito mais restrita do que o SN simpático, não
inerva os membros inferiores nem superiores e local S 2-S4 não pertence aos
nervos espinais, exceptuando o ultimo. Há quatro tipos de gânglios distintos
na cabeça. Em outras partes as fibras pré-sinápticas fazem sinapse com os
corpos celulares pós-sinápticos que ocorrem isoladamente ou não parede
orgão-alvo. Consequentemente nessa parte, a maioria das fibras pré-
sináptios são muito longas, estendendo-se do SNC até ao órgão efector,
enquanto as fibras pós-sináptico são muito curtas seguido de um gânglio
localizado perto ou incrustado no órgão efector.
Funções das partes do SNA:
Embora o sistema simpático e parassimpático inervam estruturas
involuntárias, possuem efeitos diferentes, geralmente contrastantes, porem
coordenados.

A sua função principal é controlar os vasos sanguíneos, isto é, mantém num


estado de repouso de vasoconstrição moderada. Uma estimulação do
simpático aumenta a vaso constrição e inibição do simpático aumenta a
vasodilatação. Há alguns vasos que estão sempre vasodilatados.

Excepção:
Vasos coronários e dos músculos esqueléticos após uma inervação
simpática os vasos sofrem dilatação.

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Sensibilidade visceral:
Os reflexos viscerais controlam a pressão arterial e a bioquímica mediante a
alteração de funções como frequência cardíaca e respiratória e resistência
vascular. A sensibilidade visceral que atinge um nível consciente,
geralmente é mal localizada ou é uma forma de cólica ou náusea. Mas uma
estimulação adequada pode sentir-se o verdadeiro problema através de:
distensão súbita, espasmos e contracções fortes, irritações químicas,
estimulação mecânica quando o órgão é activo e distúrbios patológicos (ex:
isquemia). A maioria dos impulsos de dor visceral seque em direcção central
ao longo das fibras aferentes viscerais que acompanham as fibras
simpáticas.

Vias motoras e vias sensitivas


Transposição entre o que é o SNC e o SNP é feita normalmente ou a nível
cranianos através dos doze pares de nervos cranianos – tem a sua origem
no interior da cavidade craniana ou a nível raquidiano através do nervos
raquidianos - partem efectivamente do SNC mas ao nível do raquis (coluna
vertebral) – partem da espinal medula através de duas raízes, uma posterior
e uma anterior. Normalmente a
raiz anterior é uma raiz motora,
como em quase todas as
estruturas do sistema nervoso a
parte anterior normalmente é
sempre motora, e a raiz
posterior uma raiz sensitiva
(normalmente). Estas raízes irão
juntar-se mais tarde,
normalmente, num gânglio, que
encontra-se geralmente situado
nos buracos de conjugação (na
vista lateral da coluna vertebral
– sobreposição das vertebral na
zona do pedículo) que imergem
a partir da espinal medula. Estes
gânglios vão acabar por fazer
uma redistribuição de fibras que
anteriormente estariam separadas numa raiz anterior (motora) e numa
posterior (sensitiva).
Vai-se encontrar de dois tipos de fibras motoras: fibras parietais/somáticas
que se vão dirigir para os músculos, articulações, ou seja, vão-se dirigir para
as paredes – parietais. Fibras viscerais/ do SN simpático estas fibras não se
vão dirigir tanto para as paredes ósseas, musculares e articulares, mas sim
para as todas as vísceras do corpo humano – pulmões, fígado, laringe,
esófago…
As fibras motoras somáticas atribui-se o nome típico de somaticomotoras. Já
a fibra simpática vai-se atribuir o nome de simpaticoeferentes.
Normalmente estas fibras somaticomotoras e simpaticoeferentes são fibras

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que as vamos incluir originalmente na raiz anterior do nervo raquidiano.


Sendo que na raiz posterior vai-se encontrar fibras sensitivas de origem
somática (somaticosensitivas) ou simpática (simpaticoaferentes).

NOTA:
Aferente – sensitivo
Eferente - motor

Vai-se encontrar 3 tipos diferentes de nervos raquidianos: nervos


exclusivamente sensitivos – que as suas fibras vêm essencialmente da raiz
posterior, que depois do gânglio vão formar o nervo com a exclusividade de
fibras sensitivas. Nervos exclusivamente motores – as fibras que vêm das
fibras da raiz anterior. E nervos que vão ser mistos - resultantes de uma
reorganização de fibras que vêm da raiz anterior e posterior – também
desta reorganização vão estar fibras que somaticomotoras e também
simpaticoeferentes, e estes nervos mistos vão ser os mais comuns, pois
conseguem transportar mais informação. Para os estímulos chegarem a
estes nervos raquidianos vão ter de fazer um trajecto pelo SNC.
Via medular consciente - Vias sensitivas são as que trazem a sensibilidade
das paredes musculares e ósseas. A sensibilidade muscular consciente é
uma sensibilidade que entra no SNC através de outros nervos cranianos que
chegam as raízes posteriores dos nervos raquidianos, ou seja, ao gânglio
através de uma fibra somaticosensitiva, e irão dirigir-se para a região do
feixe grácil e do feixe cuneiforme. Chegados a espinal medula estes feixes
(estes impulsos) seguirão para o bulbo raquidiano. Os núcleos do feixe
grácil e cuneiforme serão os seus núcleos ao nível do bulbo raquidiano,
nesta região estas fibras apanham o núcleo arqueado (fibras arqueadas) na
região da ponte e posteriormente para a região do leminisco medial – Cinta
de Reil na ponte. Posteriormente vai-se dirigir para o tálamo que é como um
secretário da informação, toda a informação que vai-se dirigir do córtex
cerebral para o tronco cerebral ou vice-versa, normalmente passa pelo
tálamo, onde é estabelecida a prioridade entre informações de saída e
entrada no cérebro. As vias sensitivas musculares conscientes evidente que
irão dirigir para o tálamo óptico, para que a informação de uma dor
qualquer do dedo pequeno do pé não supere a dor ao nível da grade costal,
este tipo de prioridades estão normalmente associadas a nossa
sobrevivência. Estes estímulos passarão através da coroa radiada e se irão
dirigir para circunvalação parietal ascendente (configuração externa,
exclusiva da parte sensitiva cerebral). As fibras musculares inconsciente o
seu trajecto não será cortical, será ao nível do cerebelo ou próximo dos
pedúnculos cerebrais ou quanto muito ao nível do tálamo. A informação a
nível postural a parte sensitiva inconsciente está relacionada com a
percepção em termos posturais e espaciais, esta informação não
processamos corticalmente. Estas fibras podem chegar através de três vias:
passa através do núcleo cuneiforme e grácil (essencialmente das vias
sensitivas musculares conscientes) e vai em direcção do núcleo cerebelar
inferior, dirigindo-se para o cerebelo (menos comum). As vias mais comuns,

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passam pelos feixes que estão situados na margem lateral do cordão lateral
da espinal medula, o feixe espinho cerebelar dorsal e o feixe espinho
cerebelar central, para a transmissão da via sensitiva muscular consciente.
Os neurónios que aproveitam o feixe espinho cerebelar dorsal são neurónios
que têm os seus núcleos na região da haste posterior de substancia
cinzenta da espinal medula principalmente através do núcleo dorsal. A nível
do tórax estão muito bem organizados, na região cervical e lombar não quer
dizer que não existam, só não esta organizados como na região torácica.
Tendo o núcleo ao nível da haste posterior vão-se colocar no feixe
cerebeloso directo/espinho cerebelar posterior, este feixe entra no cerebelo
ao nível dos pedúnculos cerebelares anterior, ou seja, situa-se perto dos
corpos restiformes e entra no cerebelo através dos pedúnculos cerebelares
inferiores. Em relação ao núcleo do feixe espinho cerebelar central ou feixe
de Gower, este é também uma via de transporte de vias sensitivas
musculares inconsciente, mas esta informação já está mais relacionada com
o feixe de Gower (coloca-se ao pé da oliva no bulbo raquidiano, atravessa a
região da ponte até os pedúnculos cerebrais, o topo deste feixe encontra-se
ao nível dos tubérculos quadrigémios anteriores) com o núcleo rubro com o
cerebelo, e este é a sede da parte sensitiva da postura e o núcleo rubro é a
sede da parte motora da postura. Então este feixe de Gower dirige-se
primeiro para a região do núcleo rubro – pedúnculos cerebrais – parte dessa
informação fica no núcleo rubro e outra parte dirige-se para o cerebelo. No
entanto alguma das decisões a nível postural não são tomadas
exclusivamente pelo cerebelo mas podem ser tomadas automaticamente
pelo núcleo rubro – uma via bastante mais eficiente a via que apanha a
região do núcleo rubro.
Algumas vias específicas da via sensitiva - via da temperatura – esta via não
é completamente compreensível, a via mais comum é uma via que tem
origem na haste posterior da espinal medula para pela fissura branca pelo
lado contra-lateral para se colocarem novamente no feixe do Gower.
Algumas destas fibras que são constituídas por neurónios fazem também
sinapses a nível do tálamo. As decisões relacionadas com a integração
desta informação correspondente a temperatura (externa) normalmente
chegam ao tálamo, a informação do que fazer nesta situação. No entanto a
decisão nesses casos é uma decisão que
é tomada imediatamente – parte reflexa,
estes mecanismos não são
perfeitamente identificáveis. Quando se
põe a mão numa panela a ferver, a
reacção de tirar de lá a mão verificou-se
na substância gelatinosa de rolando.
Normalmente estas decisões nem saem
da espinal medula, é transmitido para a
espinal medula a informação, que chega
a substância cinzenta e sai
imediatamente pela via motora. No
entanto apesar de não se saber bem que

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vias os reflexos usam, sabe-se que esta região da medula. Raramente os


mecanismos de temperatura e dor são assim tão rápidos – mecanismos
reflexos – p.e. a temperatura da água quando tentamos perceber se está
quente ou frio, neste caso e na maior parte dos casos que não sejam
extremos esta via chegará ao tálamo e até mesmo ao córtex. Percepção
táctil - tacto – chega ao sistema nervoso central, através do feixe
cuneiforme ou do feixe grácil, chegando a região do tálamo até aqui pela
cápsula interna e pela circunvalação parietal ascendente. Chega no fundo
através da via normal da sensibilidade muscular consciente. Há duas
grandes vias motoras: vias conscientes e as inconscientes. As vias motoras
conscientes também podemos designa-las por vias piramidais – para
compreensão do trajecto – e as vias motoras inconscientes chamadas as
vias extra-piramidais (para compreender melhor o seu trajecto). As vias
conscientes é uma informação que parte do SNC e que se dirige para p
sistema nervoso periférico, por esta razão o seu ponto de partida
normalmente ao nível do SNC. O trajecto das vias piramidais a principal
região motora é o lobo frontal. Os neurónios que irão ter os seus núcleos no
córtex na circunvalação parietal ascendente vão aproveitar a região da
coroa radiata, colocam-se para a cápsula interna (fibras com mielina) –
fibras piramidais. Mas há fibras que tem origem na terceira e segunda
circunvalação frontal, estas fibras para alcançarem a cápsula interna têm de
fazer um trajecto ligeiramente curvo formando um joelho, e então estas
fibras são designadas por fibras geniculadas.
Estes dois tipos de fibras encontram-se em locais distintos na cápsula
interna: as fibras geniculadas encontram-se mais próximas do tálamo óptico
e as fibras piramidais mais próximas do núcleo lenticular. As fibras vão
encontrar-se na região mais anterior do pedúnculo cerebral – as fibras
geniculadas mais internamente e as piramidais mais afastadas. Na ponte as
fibras piramidais estão situadas na parte mais anterior da ponte e as fibras
geniculadas também se situam mais ou menos por essa zona. Na transição
da ponte para o bulbo, as fibras geniculadas e piramidais vão ocupar a
pirâmide anterior do bulbo raquidiano. Estas fibras vão-se agrupar nas
pirâmides anteriores. Na transição do bulbo para a espinal medula era
marcada na face anterior por uma interrupção do sulco mediano anterior da
espinal medula – decussação das pirâmides – local onde as pirâmides
anteriores - fibras geniculares e fibras piramidais – que 90% das fibras
cruzam para o lado oposto e se colocar no cordão lateral – feixe piramidal
cruzado – as restantes 10% de fibras vão-se colocar na linha medial próximo
do sulco mediano anterior constituindo o chamado feixe piramidal directo.
Os neurónios vão-se colocar na haste inferior da haste cinzenta e divergirem
pelas raízes anteriores da medula.
Vias extra-piramidais não controlam a motricidade voluntaria, mas
controlam a mobilidade involuntária, ou seja, o equilíbrio do corpo, é uma
forma postural que o ser humano tem em inconsciência. Da mesma forma a
coordenação motora normalmente é feita inconscientemente. Esta é uma
informação que para não chegar ao córtex e uma decisão que é tomada é
através de neurónios em que o seu núcleo é ao nível do núcleo rubro. Este

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núcleo rubro não só recebe aferencias sensitivas em relação a nossa


postura (p.e) como é também ele que toma a decisão em relação a
estimulação dos músculos postural. Estas fibras são fibras que descem da
espinal medula através das goteiras rubroespinhais e encontram-se na
proximidade do feixe piramidal rodado.
Plexo óptico a decisão motora que decorre da observação de algo, não pode
ser considerado um reflexo, porque este tipo de órgão sensorial tem de ter
por trás da acção pelo menos o tronco cerebral, normalmente ao nível do
tálamo óptico. A maior parte das decisões de reflexo são tomadas nos
tubérculos quadrigémios anteriores ou do tálamo óptico, poucos são na
medula espinal.

Bulbo raquidiano
Continuo inferiormente com a espinal medula e superiormente com a
protuberância anelar ou ponte de Varólio.

Tronco cerebral é a região da ponte de Varólio com o bulbo raquidiano.


O bulbo raquidiano possui semelhanças com a espinal medula, sendo
uma fase de transição. Mede aproximadamente 3 cm e possui o peso
aproximado de 17 gramas. O bulbo encontra-se na chamada Fossa craniana
posterior, onde se encontra o buraco occipital (principalmente as estruturas
do osso occipital), no interior da parte craniana. Na fossa craniana posterior
normalmente consideramos que o bulbo raquidiano fica na proximidade
ósseas do chamado clivo, que é a parte superior da apófise basilar do osso
occipital. A distinção do que é bulbo raquidiano e medula espinal não ocorre
na linha média mas sim no sulco mediano anterior da espinal medula vai ser
contínua com o sulco mediano anterior do bulbo raquidiano. No entanto a
transição, parece haver uma confusão de fibras quando se da união do sulco
mediano anterior da medula com o do bulbo raquidiano, a esta confusão de
fibras atribui-se o nome de decussação das pirâmides. Esta estrutura vai ser
extremamente importante na descrição das vias motoras. Como na medula
existe vias motoras, de motricidade que estão ligadas as vias piramidais, e
por esta razão esta decussação das pirâmides, cruzamento de fibras, é
perfeitamente perceptível no plano anterior do sulco mediano anterior e é
isto que genuinamente marca a divisão do bulbo raquidiano e a medula
espinal.
O sulco mediano anterior superiormente vai terminar na bulbo tuberancial,
marca novamente o limite superior do sulco mediano anterior. No limite
superior também se encontra o buraco cego. Cada um dos lados do sulco
mediano anterior, vão permanecer também as duas formações semelhantes
ao cordão anterior, no entanto atribui-se o nome de pirâmides anteriores do
bulbo raquidiano. Estas pirâmides encontram-se limitadas lateralmente por
um sulco, denominado sulco colateral anterior ou sulco pré-olivar. Na vista

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posterior do bulbo raquidiano existe no interior da espinal medula,


encontrava-se o canal do ependimo ate se abrir superiormente numa
grande cisterna do líquido cefaloraquidiano. Esta cisterna encontra-se
posteriormente ao bulbo raquidiano e da ponte de Varólio e anteriormente
ao cerebelo. Este líquido vai ser descrito como o quarto ventrículo. Este
quarto ventrículo inferiormente comunica com o canal do ependimo, o que
nos permite marcar de um forma evidente duas metades da parte posterior
do bulbo raquidiano. No canal do ependimo como no quarto ventrículo há
líquido cefaloraquidiano, há comunicação.
O bulbo raquidiano em relação a espinal medula parece que vai alargando.
Cada um dos lados, daquilo como era descrito o cordão posterior da espinal
medula. Junto do sulco colateral posterior da espinal medula vamos
encontrar o sulco colateral posterior do bulbo raquidiano ou sulco retro
olivar. Pela vista posterior do bulbo raquidiano vamos encontrar o sulco
parasiano que já marcava a separação ente o feixe grácil e o feixe
cuneiforme na medula e agora também entre no bulbo (cordão posterior do
bulbo raquidiano). Parte inferior do bulbo raquidiano é designada por região
posterior. A estrutura que era designada por feixe grácil, como vai-se
alargando vão-se designar por pirâmides posteriores do bulbo raquidiano. O
feixe cuneiforme na espinal medula, estava entre o sulco colateral posterior
e sulco parasiano. O bulbo raquidiano vai-se comunicar directamente com o
cerebelo, transformando-se nos sulcos cerebelares inferiores ou pedúnculos
inferiores do cerebelo. Estes pedúnculos são como a porta de entrada de
qualquer fibra que queira vir do bulbo raquidiano em direcção ao cerebelo.
O feixe cuneiforme está ligado as vias sensitivas. Os pedúnculos cerebelares
inferiores não são estruturas que em termos de funcionais estejam
continuas com o feixe cuneiforme, não esta ligado incondicionalmente aos
pedúnculos (funcionalmente não morfologicamente).
Continuando superiormente (problemas de audição por causa da tosse da
patrícia):
Existem três regiões de forma triangular, duas delas com uma cor mais
esbranquiçada sendo outra com uma cor mais acinzentadas. Estas três
regiões serão uma asa branca interna, uma asa branca externa e asa
cinzenta. Quando o bulbo raquidiano tem ligação com o quarto ventrículo,
nesta região onde estariam as pirâmides posteriores do bulbo raquidiano
transforma-se em asa branca interna, asa branca externa e asa branca
cinzenta. As duas asas brancas parecem se cruzarem em dois gomos. As
asas brancas são saliências e a asa cinzenta uma escavação.
NOTA:
Núcleo do nervo vago – asa branca interna
Núcleo do nervo hipoblosso – asa branca
externa
Fosseta inferior do bulbo raquidiano – asa
cinzenta

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Superiormente encontram-se as estrias medulares, marcam genuinamente


a separação ente o bulbo raquidiano e a ponte de Varólio. Pedículo facial
não pertence ao bulbo raquidiano.
Na metade superior do bulbo raquidiano há uma alteração morfológica, uma
ligação das pirâmides do bulbo raquidiano para se transformarem nas duas
asas brancas e na asa cinzenta.
Vista lateral:
O cordão lateral na medula espinal, encontra-se entre o sulco colateral
posterior e as raízes anteriores do bulbo raquidiano. Neste caso, no bulbo
raquidiano apresenta praticamente a mesma estrutura. Torna-se cada vez
mais largo. Mais superiormente vamos encontrar uma saliência em forma de
azeitona, que se vai atribuir o nome de oliva. Esta oliva é uma característica
quase específica do bulbo raquidiano, pois também a encontramos no
cerebelo e na ponte de Varólio. A região da oliva no bulbo raquidiano marca
na realidade a região do bulbo raquidiano. O sulco colateral posterior que
passa pela oliva agora tem mais sentido denomina-lo, por sulco retro olivar.
O sulco colateral anterior na medula espinal passa a denominar-se sulco pré
olivar no bulbo raquidiano, pois este sulco passa a frente da oliva.
Superiormente a esta oliva passamos a encontrar também uma pequena
escavação, fosseta supra olivar. Desta fosseta nasce o chamado nervo
espacial, um dos doze nervos cranianos.
Na medula tínhamos substância branca na periferia e internamente a massa
cinzenta. Vai arrastando posteriormente esta massa cinzenta, chegando ao
bulbo raquidiano encontra-se uma grande concentração de substância
cinzenta. Em algumas regiões do bulbo raquidiano já possuem alguma
diferenciação. No caso do quarto ventrículo a transformação do canal do
ependimo. Na parte interna do bulbo raquidiano encontra-se a oliva,
descrita lateralmente, encontra-se no seu interior um núcleo olivar inferior.
Os neurónios que se encontram fazendo parte do feixe grácil e do feixe
cuneiforme, o seu núcleo encontra-se precisamente ao nível do bulbo
raquidiano.
À periferia do núcleo olivar inferior encontram-se dois núcleos paraolivares
(corpos restiformes). Neurónios que fazem parte do feixe grácil e
cuneiforme (face posterior), neurónios diamielinicos e amielinicos, a toda
esta região vai-se chamar a formação reticular do bulbo raquidiano. Fibras
restiformes do bulbo raquidiano, superiormente a este, na região mais
inferior do quarto ventrículo. Os pedúnculos cerebelares inferiores são a
cabeça dos corpos restiformes. Na comunicação dos corpos restiformes do
lado direito e esquerdo vamos encontrar as fibras restiformes. Estas fibras
têm a função de unir os corpos restiformes. Os neurónios são vias de
comunicação, do sistema nervoso central para a periferia ou vice-versa.
Todos os neurónios vão ter ligação com o bulbo raquidiano, isto é, um
qualquer estímulo que nos queiramos transmitir da nossa região cortical
para a periferia.
Vias da motricidade voluntária, ou seja, as vias piramidais. O feixe piramidal
directo que se encontraria nas margens do sulco medial anterior (na

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medula), na realidade no bulbo raquidiano faz parte das pirâmides


anteriores são sequenciais com o cordão anterior da espinal medula. Este
feixe piramidal directo mantém-se nas pirâmides anteriores do bulbo
raquidiano. O feixe piramidal cruzado na espinal medula encontra-se no
cordão lateral, quando esta na zona de transição na espinal medula e bulbo
raquidiano estas fibras vão cruzar, e vão-se dirigir anteriormente do bulbo
raquidiano, para que elas ocupem as pirâmides anteriores bulbo raquidiano.
Aproximadamente 90% do estímulo nervoso passar pelo feixe piramidal
cruzado e apenas 10% no feixe piramidal directo.
A mudança de posição do feixe piramidal cruzado vai fazer com que invada
o espaço da asa anterior cinzenta, obrigando os neurónios que se
encontrariam nesta posição a caminharem em direcção lateral e
progressivamente também a agregarem-se e formarem a formação
reticular. Na decussação sensitiva em que o feixe grácil e cuneiforme, vão
cruzar as suas fibras, vai fazer que a asa anterior de substancia cinzenta
seja desestruturada, fazendo que os seus neurónios se espalhem.

Ponte de Varólio:
Esta na transição entre o bulbo raquidiano e os pedúnculos cerebrais. Esta
parece uma ponte entre os dois hemisférios cerebelares (direito e
esquerdo). Ou seja, em princípio farão a comunicação entre eles, através da
ponte de Varólio. Também vai ter a obrigação de transportar neurónios
desde o bulbo raquidiano para os pedúnculos cerebrais e vice-versa. O sulco
basilar que vai se inserir a artéria basilar. As raízes do nervo trigémeo, uma
raiz mais fina (sensitiva) e uma mais espessa (motora), emergem a nível da
ponte de Varólio (face anterior).
Configuração interna:
Parte posterior da ponte de Varólio encontra-se o quarto ventrículo, de
forma triangular. Nesta massa difusa de substancia branca e de substancia
cinzenta. Existem 3 tipos de fibra na substancia branca: fibras
transversais – são aquelas que passam do hemisfério cerebelar direito para
o esquerdo e vice-versa (direcção transversal); fibras intercerebelosas, que
fazem a comunicação entre o cerebelo do lado direito e o esquerdo; ainda
algumas fibras vinda do cerebelo, vão-se unir a neurónios que estão na
ponte de Varólio (cerebelo ponticas). Fibras longitudinais estão presentes
em quatro regiões, fazem união entre estruturas do bulbo raquidiano e de
estruturas do pedúnculo cerebelar (as fibras do fascículo piramidal e o
fascículo genicular). Cinta de Reil, é precisamente o local onde o feixe
cuneiforme e o feixe grácil iriam colocar os seus neurónios para
conseguirem atravessar a região da ponte. Posterior e interiormente nas
margens do quarto ventrículo está a cinta longitudinal posterior. Nesta cinta
estarão o feixe de Gower e os feixes do fascículo fundamental do cordão
antero-lateral. As fibras restiformes vêm do cordão antero-lateral aproveita
para se curvar em direcção lateral, mas que na realidade acabam todas elas
por ir parar a cinta longitudinal posterior. Substância cinzenta é

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constituída por uma série de núcleos, que vem da região do bulbo


raquidiano e outros tem origem na ponte, e são 12 pares de nervos. Os
nervos cranianos são semelhantes aos nervos raquidianos, a diferença é
que os nervos raquidianos nas cem ao nível da coluna (raquis), e os nervos
cranianos nascem no interior da cavidade craniana. Nervo trigémeo,
abducente, facial, patético, troclear, auditivo, todos estes nervos, e outros
como o nervo vago, irão ter núcleos, vão estar presentes dentro da ponte e
no interior do bulbo raquidiano. Fazendo com que essa região (ponte) seja
pontuada (num corte transversal) por muitas aglomerações de substância
cinzenta.

Cerebelo
O quarto ventrículo é uma das cavidades que constitui o sistema
ventricular. Situa-se entre a ponte de Varólio, cerebelo e bulbo raquidiano.
O cerebelo encontra-se mais posteriormente a região da ponte de Varólio e
também mais posteriormente ao bulbo raquidiano. Tem uma relação
indirecta com lóbulo occipital externo. Recebe o nome de cerebelo pelo
facto de parecer um cérebro pequeno. Está separado do bulbo raquidiano e
da ponte de Varólio por causa do quarto ventrículo. Considera-se que o
cerebelo constitui o tecto do quarto ventrículo.
O cerebelo possui duas faces e uma circunferência. A face superior que é
uma face que esta dirigida para o lóbulo occipital externo do cérebro, mas
tem uma relação indirecta com este lóbulo. Este apresenta dois hemisférios
cerebelares, um do lado esquerdo e outro do lado direito, em que na linha
média é como uma união entre os dois hemisférios, sendo atribuído o verme
do cerebelo. Este verme encontra-se em cima do lóbulo médio do cerebelo.
A face inferior direito tem uma estrutura quando idêntica a superior, tem
dois hemisférios: um esquerdo e outro direito, e na linha média encontra-se
novamente o verme cerebelar. Esta parte inferior do cerebelo apresenta
uma chanfradura cerebelar mediana que corresponde a escavação que os
dois hemisférios fazem. Na união dos hemisférios, nos 2/3 posteriores, há
uma região mais ampla aproximadamente na linha média, e esta zona vai-
se designar de pirâmides de Malacarne. Anteriormente as pirâmides de
Malacarne podem encontrar a região da úvula. Tanto a úvula como as
pirâmides de Malacarne situam-se no verme do cerebelo, logo estas nomes
são regiões destes, que permitem diferenciar as faces do cerebelo. São
todas estas regiões que permitem diferenciar as partes do cerebelo. Se
seguirmos pelo cerebelo em direcção ao quarto ventrículo, perto do quarto
ventrículo estará presente a válvula de Tarin ou véu medular inferior (ou
posterior). Já a circunferência que constituí a forma do cerebelo apresenta
duas chanfraduras. Há uma chanfradura mais anterior - chanfradura
semilunar - e outra mais posterior e talvez mais profunda – chanfradura
marsupial. O cerebelo apresenta sulcos, o que o torna irregular, dai ser
designado por cérebro pequeno pelos primeiros anatomistas.
Os chamados sulcos de primeira ordem é que vão dar esse relevo quer pela
parte superior quer pela parte inferior. Na proximidade do quarto ventrículo
situa-se o flóculo do nervo vago ou flóculo do lado esquerdo, esta

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insinuação inferior ao quarto ventrículo é bastante evidente. Também é


bastante evidente, mais inferior ainda ao flóculo, está situada a chamada
amígdala cerebelosa. Esta ocupa uma zona muito particular do cérebro,
está extremamente próximo do buraco occipital. Inclusivamente esta região
considera-se sendo a parte do cerebelo que está parcialmente dentro do
canal vertebral. Está tão próximo do buraco occipital, que em certas
posições da cavidade craniana a amígdala continua genuinamente para o
interior, e fica alojada dentro do canal vertebral. Por causa da presença de
alguns lóbulos e de alguns sulcos de primeira ordem. No entanto todo o
cerebelo tem o aspecto granular. Este aspecto granular quer da parte
superior (que é mais evidente) quer da parte inferior. No entanto parece
que os sulcos de primeira ordem têm mais relevância do que os outros. Na
face anterior da vista superior do cerebelo encontra-se o lóbulo anterior. O
lóbulo posterior é contínuo para a face inferior.
Um patologista há algum tempo atrás atribuiu características aos lóbulos,
por exemplo, o lóbulo anterior do cerebelo representa em termos toda a
região da cabeça e do pescoço. Isto é, as fibras que se dirigem para o
cerebelo tendo origem na cabeça e no pescoço, todas estas fibras terminam
ao nível do lóbulo anterior.
Ainda na parte superior progressivamente após a curvatura da parte
superior para a parte inferior, vão estar alguns sulcos, mas mais
profundamente. Um deste é o lóbulo simplex está imediatamente adjacente
ao lóbulo anterior do cerebelo. Este lóbulo está também relacionado com a
região do tronco. Sequencialmente acompanhando a curvatura dos
hemisférios cerebelares, vais estar o lóbulo médio e na parte inferior o
lóbulo paramedio, estes dois lóbulos também estão relacionados com a
região do tronco. O lóbulo ansiforme é onde as fibras cerebelosas do
membro inferior e superior irão terminar, e simultaneamente mais próximo
da região da amígdala, vai-se encontrar os chamados lóbulos vermiculares.
Estes lóbulos possuem vias vermiculosas que se situam mais ou menos na
zona lombar, nunca é muito certo. No lóbulo posterior vai-se encontrar o
lóbulo médio, lóbulo paramedio, lóbulo ansiforme e o lóbulo vermicular.
Os sulcos de segunda ordem (a segmentação de segunda ordem), ocorrem
no interior dos sulcos de primeira ordem. Alguns dos sulcos de segunda
ordem são tão profundos que marcam os tais lóbulos e flóculos. Na
profundidade dos sulcos de primeira ordem também vai-se encontrar
substancia branca e cinzenta, como em quase todas as zonas do SNC. A
configuração interna do cerebelo assemelha-se muito com a configuração
interna do cérebro, pois também no cérebro se encontrará sulcos, e
também se vai encontrar esse aspecto de substancia cinzenta a periferia e
alguns núcleos de substancia cinzenta na sua profundidade. A substancia de
periferia será designada de córtex. No caso do cerebelo esta substancia
cinzenta que se verifica na periferia adapta-se aos sulcos de primeira ordem
da mesma forma aos sulcos de segunda ordem e passa a designar-se córtex
cerebelar. Já a substancia cinzenta no cérebro, a mais profunda é designada
por substancia cinzenta central. No caso do cerebelo apresenta um núcleo
extremamente bem identificado, este núcleo e visível quer no hemisfério

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cerebelar esquerdo quer no direito, e este núcleo vai ser designado como
núcleo dentado porque tem a forma de dentes. Na proximidade do núcleo
dentado ou oliva cerebelosa, vão-se encontrar os núcleos paraolivares (que
estão a periferia). O mais próximo desta oliva terá a forma de êmbolo e por
esta razão atribui-se o nome de núcleo emboliforme. Já mais próximo do
verme, encontram-se dois núcleos rubosos, e no lóbulo médio do cerebelo
estão situado os núcleos fastigiais. As fibras cerebelos dirigem-se para a
substancia cinzenta central do cerebelo que na maior parte dos casos
terminam no núcleo dentado.
A substancia branca que se encontra na profundidade do cerebelo o aspecto
desta é muito diferente.
O cerebelo tem a principal função de coordenação motora como o equilíbrio.
No entanto se relacionarmos as relações com o a ponte de Varólio e o bulbo
raquidiano pode-se considerar também, que em toda região do tronco os
núcleos são responsáveis pela respiração, motricidade, etc. O cerebelo se
relaciona com o resto do sistema nervoso através de 3 vias apenas:
pedúnculo cerebeloso inferior que tem relação com a face posterior do
bulbo raquidiano; Pedúnculo cerebeloso médio estabelecesse
essencialmente a relação e conexão entre o cerebelo e a ponte de Varólio; o
pedúnculo cerebeloso superior vai estabelecer ligação entre o cerebelo
entre os pedúnculos cerebrais. Na organização dos pedúnculos não é muito
evidente, pode-se diferenciar o inferior dos restantes, mas o superior e o
médio estão extremamente próximos. O pedúnculo cerebeloso superior
mantém a união entre os dois pedúnculos superiores, encontra-se uma
comissura entre os dois pedúnculos superiores de ambos os lados do
cerebelo. Essa comissura será designada por válvula de Vieussens. Esta
válvula também tem relação com o quarto ventrículo, fica extremamente
próximo do ângulo superior do quarto ventrículo (em forma de losango).
Esta válvula faz parte do tecto do quarto ventrículo e algumas fibras do
pedúnculo cerebeloso superior cruzam por esta válvula.
Vias aferentes vêm para o para o sistema nervoso central, e vias eferentes
saem do sistema nervoso central. As aferencias são essencialmente
sensitivas e as eferencias são motoras. No caso do cerebelo as vias
aferentes podem ter várias origens, podem vir da espinal medula, do bulbo
raquidiano, da ponte de Varólio ou do núcleo vestibular. No caso da origem
medular estarem em contacto com o cerebelo através do espinho-cerebelar
central cerebelar posterior ter relação com o feixe espinho-cerebelar
posterior (o feixe cerebeloso directo ou espinho-cerebelar dorsal). Na de
origem bulbar, mas tem a sua origem na oliva cerebelosa - núcleo olivar
inferior – um conjunto de neurónios dirige-se para a região do cerebelo.
Estas fibras vão ser designadas de fibras olivares. As fibras da ponte de
Varólio ou cerebelo pontinas (ponto-cerebelosas) têm origem na ponte e
vão para o cerebelo. Têm origem no núcleo vestibular e o núcleo hipoglosso.
As fibras eferentes, as fibras que saem do cerebelo para outras regiões,
para o SNC, SN periférico. O fascículo mas superior aquele que se vais dirigir
através do pedúnculo cerebelar superior e serão chamados: fascículo
cerebelo talâmico, fascículo cerebelo púbico. No pedúnculo cerebral está o

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núcleo rubro, e é aqui que temos o fascículo cerebelo-pubico, que não é


mais do que um feixe que se vai dirigir para o pedúnculo cerebral. E neste
pedúnculo irá haver sinapses no núcleo rubro e no fascículo cerebelo-
pubico. Estas fibras também se dirigem para os núcleos vestibulares, fibras
que se dirigem através do pedúnculo cerebeloso inferior para o cerebelo
espinhais.
Pedúnculo cerebeloso inferior: encontra-se a manter a união entre o
cerebelo e o fundo do bulbo raquidiano e a medula espinal. Portanto as
estruturas que constituem o pedúnculo cerebeloso inferior: serão de origem
da espinal medula ou do bulbo raquidiano, ou então tem origem no
cerebelo. No caso das vias aferentes irá se encontrar essencialmente o feixe
cerebeloso directo (feixe da espinal medula), o feixe oliva cerebeloso (bulbo
raquidiano), o feixe vestíbulo cerebeloso (núcleos da face posterior do bulbo
raquidiano). As fibras eferentes que partem do cerebelo vão-se dirigir pelo
pedúnculo cerebeloso inferior só se podem dirigir ou para o bulbo, para a
espinal medula ou para os tais núcleos vestibulares no interior do bulbo.
Pedúnculo cerebeloso médio: tem uma íntima relação com a ponte de
Varólio. Esta ponte é assim designada porque estabelecia ligação entre os
dois hemisférios. O ponto de união do cerebelo com a ponte vão estar os
pedúnculos cerebelosos médios possui no seu interior feixes cerebelo-
ponticos e outros feixes. Os feixes que ocupam o pedúnculo cerebeloso
superior vão-se dirigir para o tálamo, fascículo cerebelo talâmico e o
fascículo cerebelo púbico. O feixe de Gower tem origem na medula espinal
mas no entanto não entra no cerebelo.

Quarto ventrículo
É uma estrutura do sistema reticular da parte craniana do sistema nervoso
central. São cisternas que têm uma dimensão suficiente para serem
considerados ventrículo e não apenas canais. Na região craniana o canal do
ependimo termina ao nível do bulbo raquidiano. O líquido cefaloraquidiano
que se encontra no interior das estruturas do sistema nervoso central vai-se
encontrar em cisternas, que se vai atribuir o nome de ventrículos. Vamos
encontrar alguns na porção craniana e na região do tronco cerebral, o
sistema ventricular que está presente, é precisamente designado como
quarto ventrículo. Este quarto ventrículo apresenta uma forma de um
losango com um ângulo superior, um ângulo inferior e dois ângulos laterais.
Terá uma parede que corresponde a parede posterior do tronco cerebral, ou
seja, corresponde a face posterior da ponte e do bulbo raquidiano pela
forma vai-se atribuir o nome de soalho. E uma parede que corresponde a
parte anterior do cerebelo e que se vai designar de tecto do quarto
ventrículo. A designação de soalho e tecto não parece muito evidente, pelo
facto de não se encontrar num plano longitudinal puro, o ventrículo tem
uma posição inclinada, ligeiramente oblíquo e desta forma. Logo aquilo que
deveria ser face anterior (parece do tronco cerebral) passa-se a chamar de
soalho e a face posterior (parede de cerebelo) irá chamar-se de tecto.
Em relação ao soalho do quarto ventrículo apresenta no fundo duas
metades, uma metade superior é um pouco mais extensa que a metade

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inferior. A metade inferior corresponde a estruturas do bulbo raquidiano e a


metade superior correspondendo a estruturas da ponte de Varólio. As
estruturas do bulbo raquidiano são: a asa branca interna, asa branca
externa e asa cinzenta, que são os vários núcleos que se encontram
superiormente, mas na realidade vai-se atribuir o nome de núcleo do nervo
vago, núcleo do nervo hipoglosso e núcleo do nervo vestibular (perto do
núcleo do nervo hipoglosso e em simultâneo com o núcleo do nervo
coclear). Existe uma pequena fosseta, designada por fosseta inferior. O
limite que separa a parte superior da parte inferior, são as estrias acústicas
(vão-se dirigir para o nervo auditivo). O triângulo superior corresponde a
face posterior da ponte. Existe um sulco mediano na ponte de Varólio que
pode ser designado por sulco mediano anterior ou posterior, mas não é o
mais correcto. Pois não existe dois sulcos logo não é necessário haver
distinção. Cada um dos lados do sulco mediano vão-se encontrar dois
folículos que têm a foram arredondada por esta razão designou-se: folículos
esteres. Nestes folículos na sua profundidade podemos identificar o núcleo
do nervo facial ou folículo facial. De cada um dos lados destes folículos
esteres, vai existir uma pequena fosseta e acima dessa pequena fosseta,
uma região ligeiramente mais acinzentada. Esta fosseta é análoga a fosseta
inferior encontrada no bulbo raquidiano, e esta encontra-se na região da
ponte. E a superfície encontra-se mais acinzentada, é desta tonalidade pelo
facto de no seu interior estar o núcleo sensitivo do nervo trigémeo. Cócus
ceruleus sabe-se que marca onde se encontra o núcleo sensitivo do nervo
trigémeo (nervo motor da face e da região craniana).
O tecto do quarto ventrículo é constituído principalmente pela face anterior
do cerebelo. Esta parede anterior é constituída também por um
prolongamento que parte do cerebelo em direcção aos tubérculos
quadrigémios do pedúnculos cerebelar. Este prolongamento do cerebelo
para o tubérculo vai ser designado de membrana tectória. Já a inferior a
válvula de Tarin (véu medular superior) esta dirigindo-se inferiormente para
a região do bulbo e da espinal medula. A membrana tectória e a válvula de
Tarin são recobertas de umas células coróideas. Esta célula coroidea é
responsável por segregar o líquido cefaloraquidiano. Este epitélio é
alimentado através de uns prolongamentos laterais destas células
coróideas, que vão fazer o aporte sanguíneo à célula coroidea. Estes
prolongamentos vão-se designar de plexos coróides. Nos restantes sistemas
ventriculares também ocorrem veias coróideas e plexos coróides.
O quarto ventrículo superiormente comunica-se com o terceiro ventrículo. O
terceiro ventrículo faz parte do sistema ventricular. Comunica-se
superiormente através do aqueduto de Sylvius. Este aqueduto de Sylvius é
uma insinuação na profundidade da região do pedúnculo cerebral.
Inferiormente o quarto ventrículo é contínuo com o canal do ependimo. A
comunicação entre o quarto ventrículo com o canal do ependimo vai-se
designar de pico do cálamo. Lateralmente no quarto ventrículo irá se
encontrar o plexo lateral de Reichert. O plexo coroideo insinua-se para o
plexo lateral de Reichert, vamos observar lateralmente orifícios que vão
fazer a comunicação entre o quarto ventrículo e líquido cefaloraquidiano,

Anatomia Humana II – exame teórico Página 26


Anatomia Humana II

que se encontra a periferia da camada de SNC. Simultaneamente ao líquido


cefaloraquidiano no interior do quarto ventrículo e os restantes ventrículos
do SNC, também se vai encontrar este liquido a periferia. E é da
equivalência de forças entre a pressão que o líquido a periferia exerce, e a
pressão que o líquido cefaloraquidiano no interior do SNC faz, é deste
equilíbrio de forças que conseguimos manter a forma do cerebelo (p.e.). O
líquido cefaloraquidiano que se encontra a periferia comunica com o liquido
cefaloraquidiano que se encontra no quarto ventrículo através de um
orifício. Este orifício ocupa também o ângulo inferior do quarto ventrículo
em simultâneo com o pico do cálamo, este orifício vai-se designar o nome
de buraco de Magendie. Lateralmente os plexos de Reichert permitem a
comunicação com o sistema do líquido cefaloraquidiano do ventrículo para a
periferia através de dois orifícios, designados de buracos de luschka.
Os pedúnculos cerebrais fazem a transição entre o tronco cerebral e o
cérebro propriamente dito. São duas saliências, duas grandes colunas, uma
do lado esquerdo e outra do direito. Estas duas são divergentes pela parte
anterior, de baixo para cima, e posteriormente não se torna muito evidente
essa forma divergente. Mas tem uma característica diferente, tem 4
tubérculos gémeos, designados como tubérculos quadrigémios semelhantes
entre si. Superiormente os pedúnculos cerebrais têm relação directa com o
tálamo óptico, região mais inferior que toma relação com o pedúnculo
cerebral. Inferiormente os pedúnculos cerebrais vão ter uma relação
anterior com a ponte e no exterior com o cerebelo. A face anterior destes
pedúnculos, esta divergência, atribui uma fossa, designada fosse
interpeninsular, porque se encontra precisamente no local de separação dos
pedúnculos cerebrais. Desta fossa peduncular aloja-se o nervo oculomotor.
É precisamente o vértice inferior que se encontra a fossa interpeduncular. A
periferia do aqueduto de Sylvius, a região central possui substancia
cinzenta. No entanto o que genuinamente marca o pedúnculo cerebral são
três regiões separadas pelo chamado lócus Níger, uma região de substancia
negra. Os núcleos dos neurónios têm dendrites muito volumosas o que
fazem com que esta região chamada lócus Níger seja bastante mais negra
do que a substancia cinzenta que habitualmente encontrada no SNC.
Esta massa mais negra encontra-se entre o pé e a calote. Pela região mais
posterior que corresponde a calote vai-se encontrar um sistema reticular
(substancia branca intercalada com substancia cinzenta). Nesta substancia
reticular perto do aqueduto de Sylvius encontra-se o núcleo do nervo
oculomotor e na proximidade deste o núcleo do nervo patético. Mas o
núcleo mais relevante que ocupa toda a parte interna da calote, o núcleo
rubro. Este núcleo rubro tem uma importância fundamental nas vias
motoras involuntárias (p.e. equilíbrio) – feixe de Gower transmite a nossa
postura.
A substancia branca é uma cinta de Reil vai-se encontrar a maior parte das
vias sensitivas que depois se irá dirigir para o tálamo ou para o córtex
cerebral. A grande via sensitiva de comunicação de substancia branca está
localizada na cinta de Reil. Lateralmente encontra-se a ligação dos
pedúnculos cerebrais com o cerebelo através de um pedúnculo cerebeloso

Anatomia Humana II – exame teórico Página 27


Anatomia Humana II

superior. O lócus Níger é constituído normalmente por núcleos de células


com dendrites bastante volumosas e para as quais se dirigem fibras que
vem do córtex cerebral e do corpo estreado (conjunto de núcleos da base
do crânio), e estabelecem relação interiormente com fibras que se dirigem
para o bulbo raquidiano e para a medula.
Na base do pé tem-se essencialmente um conjunto de fibras da base do
pedúnculo cerebral. A mais relevante, o fascículo piramidal. Estabelece-se
uma regra que no SNC tudo que é anterior é motor e tudo que é posterior é
sensitivo. Simultaneamente algumas fibras da cinta de Reil têm
comunicação com o pé. O fascículo genicular pertence as vias da
motricidade. E algumas fibras que vêm do córtex para a ponte de Varólio.

Conformação externa do cérebro:

Em cada hemisfério cerebral, os dois sulcos mais importantes são o sulco


lateral (de Sylvius) e o sulco central (de Rolando). O sulco Lateral inicia-se
na base do cérebro lateralmente à substância perfurada anterior, como uma
fenda profunda que, separa o lobo frontal do lobo temporal, dirige-se para a
face superior e lateral do cérebro, onde termina dividindo-se em três ramos:
ascendente, anterior e posterior. O ramo ascendente e anterior é curto e
penetram no lobo frontal; o ramo posterior é muito mais largo, dirige-se
para trás e para cima, terminando no lobo parietal. Separa o lobo temporal,
situado abaixo, dos lobos frontal e parietal, situados superiormente. O sulco
central é um sulco profundo e geralmente contínuo, que percorre
obliquamente a face superior e lateral do hemisfério, separando o lobo
frontal e parietal. Inicia-se na face medial do hemisfério, aproximadamente
no meio de sua borda dorsal e a partir deste ponto dirige-se para a frente e
para baixo, em direcção ao ramo posterior do sulco lateral, do qual é
separado por uma pequena prega cortical.
Lobo Temporal
Na face superior e lateral do cérebro apresenta dois sulcos principais: o
sulco temporal superior: inicia-se próximo ao pólo temporal e dirige-se para
trás, paralelamente ao ramo posterior do sulco lateral, terminando no lobo
parietal. E o sulco temporal inferior: paralelo ao sulco temporal superior, é
geralmente formado por duas ou mais partes descontínuas. Entre o sulco
lateral e temporal superior está o giro temporal superior; entre os sulcos
temporal superior e temporal inferior situa-se o giro temporal médio; abaixo
do sulco temporal inferior localiza-se o giro temporal inferior.
Na face inferior apresenta três sulcos principais:
a. sulco occípitotemporal: limita com o sulco temporal inferior o giro
temporal inferior; medialmente limita com o sulco colateral o giro
occípitotemporal lateral (ou giro fusiforme).
b. sulco colateral: inicia-se próximo ao pólo occipital e se dirige para
frente, delimitando com o sulco calcarino e o sulco do hipocampo,
respectivamente, o giro occípito-temporal medial e o giro para-
hipocampal, cuja porção anterior se curva em torno do sulco do

Anatomia Humana II – exame teórico Página 28


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hipocampo para formar o úncus (unco). O sulco colateral pode ser


contínuo com o sulco rinal, que separa a parte mais anterior do giro
para-hipocampal do resto do lobo temporal.
c. sulco do hipocampo: origina-se na região do esplênio do corpo caloso,
onde continua com o sulco do corpo caloso e se dirige para o pólo
temporal, onde termina separando o giro para-hipocampal do úncus.

NOTA:
O giro para-hipocampal se liga posteriormente ao giro do cíngulo através
de um giro estreito, o istmo do giro do cíngulo.

Lobo Parietal
Na face superior e lateral do cérebro apresenta dois sulcos principais:
a. sulco pós-central: quase paralelo ao sulco central, é frequentemente
dividido em dois segmentos, que podem estar mais ou menos
distantes um do outro.
b. sulco intraparietal: muito variável e geralmente perpendicular ao pós-
central, com o qual pode estar unido, estende-se para trás para
terminar no lobo occipital.
Entre o sulco central e o pós-central fica o giro pós-central, onde se localiza
uma das mais importantes áreas sensitivas do córtex, a área somestésica. O
sulco intraparietal separa o lóbulo parietal superior do lóbulo parietal
inferior. Neste último descrevem-se dois giros: o giro supramarginal,
curvado em torno da extremidade do ramo posterior do sulco lateral, e o
giro angular, curvado em torno da porção terminal e ascendente do sulco
temporal inferior.
Na face medial existem dois sulcos que passam do lobo frontal para o
parietal:
a. sulco do corpo caloso: começa abaixo do rostrum do corpo caloso,
contorna o tronco e o esplênio do corpo caloso, onde continua, já no
lobo temporal, com o sulco do hipocampo.
b. sulco do cíngulo: tem curso paralelo ao sulco do corpo caloso, do qual
é separado pelo giro do cíngulo. Termina posteriormente dividindo-se
em dois ramos: o ramo marginal, que se curva em direcção à
margem superior do hemisfério, e o sulco subparietal, que continua
posteriormente.
Destacando-se do sulco do cíngulo em direcção à margem superior do
hemisfério, existe quase sempre o sulco paracentral, que delimita com o
sulco do cíngulo e seu ramo marginal, o lóbulo paracentral, assim
denominado em razão de suas relações com o sulco central, cuja
extremidade superior termina aproximadamente no seu meio.
Acima do corpo caloso temos o giro do cíngulo; mais acima temos, de trás
para diante, o pré-cuneus, o lóbulo paracentral e a face medial do giro
frontal superior.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 29


Anatomia Humana II

Lobo Occipital
Na face superior e lateral do cérebro o lobo occipital ocupa uma porção
relativamente pequena, onde apresenta pequenos sulcos e giros
inconstantes e irregulares. Um importante desses inconstantes e variáveis
sulcos é um sulco em meia-lua, o sulco lunatus.
Na face medial apresenta dois sulcos importantes:
a. sulco calcarino: inicia-se abaixo do esplênio do corpo caloso e tem um
trajecto arqueado em direcção ao pólo occipital.
b. sulco parietoccipital: muito profundo, separa o lobo occipital do
parietal e encontra em ângulo agudo o sulco calcarino.
Entre o sulco parietoccipital e o sulco calcarino, situa-se o cúneus, giro
complexo, de forma
triangular. Adiante do
cúneus, por conseguinte
já no lobo parietal temos
o pré-cuneus. Abaixo do
sulco calcarino situa-se o
giro occípito-temporal
medial, que continua
anteriormente com o
giro para-hipocampal, já
no lobo temporal.

O cérebro é a maior
parte do encéfalo,
constituinte de
expansões do
prosencéfalo, situado na
fossa anterior e média do crânio, muitos autores são da opinião que
possuímos dois cérebros, um direito e um esquerdo, já que o cérebro é
dividido em dois hemisférios. Esse conjunto, denominado cérebro possui
duas grandes divisões: o diencéfalo (uma porção mais medial, central) e
outra, mais periférica, maior, observada nas espécies mais desenvolvidas,
como nos humanos, trata-se do telencéfalo. Observamos nos animais
inferiores, um cérebro mais primitivo, equivalente ao nosso tronco
encefálico. Na medida que vamos evoluindo, observamos a formação
telencefálica, sendo os lobos temporais, estruturas que originaram-se
centralmente e descenderam lateralmente, sendo as mais afectadas nos
traumatismos cranianos.
Diencéfalo
O diencéfalo consiste no III ventrículo, e nas estruturas que formam sua
parede. Posteriormente o III ventrículo se estende até o aqueduto
mesencefálico e, anteriormente, até o forame interventricular ou forame de
Monro.
O III ventrículo é uma estreita fenda, ímpar, mediana, que comunica-se com
os ventrículos laterais pelo forame interventricular (Monro) e com o IV

Anatomia Humana II – exame teórico Página 30


Anatomia Humana II

ventrículo via aqueduto de Sylvius. Há um sulco hipotalâmico que subdivide


o tálamo do hipotálamo. O assoalho do III ventrículo é composto pelo
quiasma óptico, pelo infundíbulo, túber cinéreo e corpos mamilares. A parte
posterior do III ventrículo é obscurecida pelo fórnice: feixe grosso de fibras
originados no hipocampo (lobo temporal) passando sobre o tálamo para
unir-se aos corpos mamilares. A porção superior do III ventrículo é composta
pelo tecto do III ventrículo consistindo em uma camada de epêndima que
reveste o III ventrículo. Superiormente esse epêndima é recoberto por uma
dobra vascular de pia-máter (tela coróide do III ventrículo).
A superfície lateral do diencéfalo é limitada pela cápsula interna (substância
branca – fibras nervosas) conectando o córtex cerebral com o tronco
encefálico. A porção lateral é composta pelo hipotálamo, bilateralmente.
Fibras de feixes nervosos partem para o núcleo habenular (epitálamo)
formando uma crista denominada estria medular talâmica. A porção anterior
do diencéfalo é composta pela lâmina terminalis (lâmina terminal) e pela
comissura anterior.
Tálamo.
Grande massa ovóide de substância cinzenta (núcleos celulares) formando a
maior parte do diencéfalo. A extremidade anterior do tálamo é estreitada e
arredondada, formando o limite posterior do forame de Monro. A
extremidade posterior forma o pulvinar do tálamo, localizando-se acima do
colículo superior. O corpo geniculado lateral e medial são expansões
arredondadas situada na porção inferior do tálamo. A parte superior do
tálamo é recoberta, medialmente, pela tela coróide e pelo fórnix além do
epêndima do ventrículo lateral. O tálamo esquerdo conecta-se com o tálamo
direito pela aderência intertalâmica. O tálamo é separado do núcleo
lentiforme (um dos núcleos da base) pela cápsula interna. Em conjunto os
corpos geniculados laterais e mediais formam o metatálamo (via auditiva e
visual). A face inferior do tálamo faz contacto com o subtálamo e com o
hipotálamo.
O tálamo é subdividido em diversos núcleos (estações de
retransmissão para o córtex cerebral e para regiões subcorticais): pulvinar
do Tálamo; Corpo Geniculado Lateral e medial; Núcleo Ventro-Posterior
medial; Núcleo Ventro-Posterior Lateral; Núcleo Posterior Lateral; Núcleo
Dorsal Lateral; Núcleo Anterior Ventral; Núcleo Lateral Ventral; Núcleo
Anterior; Lâmina Medular Interna.
Subtálamo
Localiza-se inferiormente ao tálamo, relacionando-se ao tegumento
mesencefálico (posteriormente) e ao hipotálamo (anteriormente). Quanto às
estruturas do subtálamo devemos considerar: núcleo rubro; substância
cinzenta e formação reticular; sendo estas três estruturas, em conjunto,
denominada zona incerta do subtálamo. Há também os núcleos
subtalámicos que fazem conexão como o globo pálido pela via pálido-
Subtálamo-Palidal. Lesões no subtálamo ocasionam uma situação clínica
denominada hemibalismo.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 31


Anatomia Humana II

O subtálamo é extremamente complexo, tanto anatomicamente como


funcionalmente: o subtálamo é atravessado por vários feixes de fibras
nervosas. Há também a alça lenticular e o fascículo subtalámico cuja
descrição funcional é feita pela neurofisiologia.
Epitálamo
O epitálamo limita posteriormente o III ventrículo sendo constituído pela
glândula pineal (glândula endócrina secretora de melatonina, capaz de
influenciar nas secreções pancreáticas, hipofisárias, paratireóideas,
adrenais e gonadais – em humanos a melatonina parece inibir a secreção de
FSH e LH hipofisários); comissura posterior; comissura das habenulas;
estrias medulares; trígono das habenulas (contendo os núcleos
habenulares).
A glândula pineal não possui barreira hematoencefálica, sendo suas
funções, em maior parte, inibitórias, isto é, inibem as secreções hormonais.
Os núcleos habenulares, posteriores ao tálamo recebe fibras aferentes do
núcleo amigdalóide, via estrias medulares do tálamo. Outras vias de origem
hipocampal atingem a os núcleos habenulares pelo fórnix. Acredita-se que
os núcleos habenulares sejam locais de integração entre as vias aferentes
olfatórias, viscerais e somáticas.
Hipotálamo
Estrutura diencefálica que estende-se da região do quiasma óptico até a
borda caudal dos corpos mamilares. Fica abaixo do sulco hipotalâmico, na
parede lateral do III ventrículo. Contém: quiasma óptico; corpos mamilares;
túber cinéreo e o infundíbulo. O hipotálamo fica bem próximo ao sistema
límbico, do tálamo, dos tractos ascendentes e descendentes e da hipófise.
Fisiologicamente o hipotálamo é extremamente complexo, não havendo
função orgânica que, de alguma forma, não sofra sua influência. O
hipotálamo coordena o sistema nervoso autónomo, sistemas endócrinos
fazendo conexões com o córtex cerebral.
Quiasma óptico é um feixe de fibras nervosas localizadas na junção entre a
parede anterior e o assoalho do III ventrículo. Sua superfície superior
prende-se à lâmina terminal, relacionando-se inferiormente à hipófise
(separados pelo diafragma da sela – camada de dura-máter que isola a
hipófise do córtex cerebral propriamente dito). O túber cinéreo é uma
massa de substância cinzenta continuado inferiormente pelo infundíbulo. O
infundíbulo, por sua vez, continua-se com o lobo posterior da hipófise
(neuro-hipófise). Os corpos mamilares são massas esféricas posteriores ao
túber cinéreo. Posteriormente aos corpos mamilares encontramos uma área
encefálica perfurada por pequenos orifícios sendo denominada substância
perfurada anterior.
Telencéfalo – Hemisférios Cerebrais.
Constituem a maior parte do encéfalo sendo 2 os hemisférios (direito e
esquerdo) separados pela fissura longitudinal do cérebro. Essa fissura
contém dobras de dura-máter que se invaginam por entre os hemisférios
até o corpo caloso, sendo denominadas foice cerebral. O corpo caloso é a

Anatomia Humana II – exame teórico Página 32


Anatomia Humana II

maior comissura do cérebro interligando os dois hemisférios cerebrais. Uma


segunda dobra de dura-máter separa o cérebro do cerebelo, trata-se da
tenda do cerebelo. Para que a área seja maior, os hemisférios cerebrais
apresentam em sua superfície, dobras ou giros, formando o que chamamos
de circunvoluções. Entre os giros, frestas são observadas e chamadas de
sulcos. Os hemisférios separam-se didacticamente entre lobos frontal,
parietal, occipital, límbico, temporal e insular. Dentre os sulcos temos que
observar o sulco central (sulco de Rolando – sulco profundo que separa o
lobo frontal do parietal; paralelos ao giro pré-central e pós-central); sulco
lateral (fissura de Sylvius – separa o lobo frontal do lobo temporal – possui
três ramos: ascendente, anterior e posterior); Sulco Parietoccipital
(separando o lobo parietal do occipital – pré-cuneus do cúneus) e Sulco
calcarino (dividindo o lobo occipital em cúneus e giro occípitotemporal
medial).
Face superior e Lateral:

No lobo frontal encontram-se três sulcos principais: sulco pré-central; sulco


frontal superior e sulco frontal inferior. O lobo central possui os seguintes
giros: giro pré-central, giro frontal superior, giro frontal médio e giro frontal
inferior (subdividido em três porções: pars orbitalis, pars triangularis e pars
opercularis). Neste lobo frontal ainda encontramos a Área de Broca
(motricidade da fala) e a área pré-frontal relacionada à memória de
trabalho, planeamentos, cálculos, agressividade, iniciativas,
comportamento.

No lobo temporal encontram-se dois sulcos: sulco temporal superior (separa


o giro temporal superior do médio) e sulco temporal inferior (separa o giro
temporal médio e inferior). Entre os giros encontramos o giro temporal
superior, giro temporal médio e giro temporal inferior. Ainda no lobo
temporal, encontramos o giro temporal transverso ou giro de Heschl
relacionado à audição e ao equilíbrio (giro temporal superior). Estes giros
transversos ligam o lobo temporal ao lobo da ínsula (lobo pequeno que
cresceu pouco durante o desenvolvimento cerebral). No lobo temporal uma
área associativa relacionada à inteligência é encontrada e denominada área
de Wernicke (trata-se de uma área parieto-occipito-temporal).

No lobo parietal e occipital encontra-se no lobo parietal o sulco pós-central e


o sulco intraparietal (perpendicular ao giro pós-central). Dentre os giros no
lobo parietal encontramos o giro pós-central, giro parietal superior e giro
parietal inferior (sendo este último dividido em giro supra-marginal e giro
angular). O giro parietal superior é separado do giro parietal inferior pelo
sulco intraparietal. O lobo occipital possui uma incisura pré-occipital
(responsável pelos movimentos sincrónicos dos olhos).

O lobo da ínsula está recoberto pelos lábios superiores e inferiores do sulco


lateral. Seu ápice é voltado para baixo constituindo o límen da ínsula. A

Anatomia Humana II – exame teórico Página 33


Anatomia Humana II

ínsula possui três giros curtos (anteriores) e um giro longo (posterior),


separados pelo sulco central da ínsula.
Face medial do Cérebro:
Num plano sagital mediano identificamos diversas estruturas de grande
importância anatómicas e fisiológica que devemos saber.

1. Corpo Caloso: maior comissura inter-hemisférica que penetra o centro


branco medular (substância branca cortical) também chamado de
centro semi-oval. O corpo caloso é subdividido em porções: rostrum,
joelho, corpo ou tronco, esplênio do corpo caloso. O rostrum do corpo
caloso se continua com a comissura anterior e lâmina terminal.
2. Fórnix: dividido em porções – coluna do fórnix ligada aos corpos
mamilares, corpo do fórnix e perna do fórnix seguido pelas fímbrias
do hipocampo (penetram o corno temporal do ventrículo lateral
formando o hipocampo).
3. Septo pelúcido: fina membrana presente entre o corpo caloso e o
fórnix. São duas delgadas lâminas que delimitam a cavidade do
ventrículo lateral.
4. Lobo occipital: possui o sulco calcarino (divide o cúneus do giro
occípitotemporal medial) e o sulco parietoccipital que divide o pré-
cuneus do cúneus. O giro occípitotemporal medial continua-se com o
giro para-hipocampal formando mais anteriormente o úncus do lobo
temporal.
5. Lobo frontal e parietal: encontramos o sulco do corpo caloso
(imediatamente acima do corpo caloso), continuando-se com o sulco
do hipocampo; sulco do giro do cíngulo (imediatamente acima do giro
do cíngulo) subdividido em três porções: ramo marginal do giro do
cíngulo (divide o lóbulo paracentral do pré-cuneus), ramo subparietal
(abaixo do lobo parietal) e sulco paracentral (divide o giro frontal
medial do lóbulo paracentral).
6. Área Septal: composta pelo giro paraterminal ou subcaloso associada
à área subcalosa.
Face Inferior:
O lobo temporal visto inferiormente possui o sulco colateral separando o
giro occípitotemporal medial (antigo giro lingual) do giro occípitotemporal
lateral. O sulco colateral muitas vezes é contínuo com o sulco rinal
(presente no úncus do lobo temporal – relaciona-se ao olfacto), outras vezes
há uma evidente separação. Já o sulco occípitotemporal lateral separa o giro
occípitotemporal lateral do giro temporal inferior. O sulco do hipocampo
separa o úncus do temporal do giro para-hipocampal, sendo que o giro para-
hipocampal liga-se ao giro do cíngulo através do istmo do giro do cíngulo. O
conjunto de estruturas interligadas que forma o lobo límbico (límbico vêm
de limbo – periferia) constitui-se do úncus do lobo temporal, do giro para-
hipocampal, istmo do giro do cíngulo e giro do cíngulo.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 34


Anatomia Humana II

Lobo Frontal: encontramos o sulco olfactório onde se apoia o I par de nervo


craniano (olfactório), o giro recto, bulbo olfactório (porção mais ovalada na
extremidade do nervo olfactório) e substância perfurada anterior.
Encontramos também os giros orbitais que são laterais ao giro reto
constituindo a base do lobo frontal.
Estruturas Internas dos Hemisférios Cerebrais
VENTRÍCULOS LATERAIS; NÚCLEOS DA BASE E SUBSTÂNCIA BRANCA
Ventrículos Laterais – são cavidades (em forma de C) revestidas por
células da glia (ependimárias) contendo líquido cefalorraquidiano (LCR) ou
líquor. Drenam seus conteúdos através dos forames interventriculares ou
forame de Monro para o III ventrículo. São subdivididos anatomicamente
em: corno frontal (anterior) do ventrículo lateral; corpo (lobo parietal) do
ventrículo lateral; corno occipital (posterior) do ventrículo lateral; trígono
(parte central) do ventrículo lateral; corno temporal (inferior) no ventrículo
lateral. O plexo coróide do ventrículo lateral está presente no trígono e no
corno temporal do ventrículo lateral.
Núcleos da Base – grupo de massas cinzentas (corpos celulares de
neurónios) no interior do hemisfério cerebral. São compostos pelo corpo
estriado ou striatum, corpo amigdalóide e claustrum. O corpo estriado fica
lateral ao tálamo sendo constituído pela cápsula interna, núcleo caudado e
núcleo lentiforme.
a. O núcleo caudado é uma grande massa em forma de C
possuindo uma cabeça, um corpo e uma cauda.
b. O núcleo lentiforme é dividido em outros três núcleos: Putame
(lateral), globo pálido lateral e globo pálido medial. Relaciona-
se medialmente com a cápsula interna e lateralmente com a
cápsula externa. Os globos pálidos em conjunto são
denominados pálido ou paleoestriado enquanto o Putame,
associado ao núcleo caudado, são denominados neoestriado.
Os núcleos da base podem ser considerados didacticamente
como consultores do córtex cerebral na realização dos
movimentos, recebendo aferencias do tálamo, subtálamo,
tronco encefálico e do próprio córtex cerebral. Vale ainda
destacar que a porção ventral do corpo estriado denomina-se
núcleo accumbens.
c. Núcleo amigdalóide: situado no lobo temporal, próximo ao
úncus, faz parte do sistema límbico sendo um centro de alarme
para o corpo. Possui eferencias pelo sistema nervoso autónomo
simpático e aferencias de diversas porções viscerais e
somáticas do organismo.
d. Claustrum: delgada lâmina, separado lateralmente do córtex
da ínsula pela cápsula extrema e medialmente pela cápsula
externa.

Substância Branca dos Hemisférios Cerebrais: são fibras nervosas


classificadas em três tipos: fibras comissurais (corpo caloso, comissura

Anatomia Humana II – exame teórico Página 35


Anatomia Humana II

anterior, comissura posterior, comissura das habenulas); fibras de


associação (fibras curtas e fibras longas – fascículo uncinado, fascículo
longitudinal superior, fascículo longitudinal inferior e fascículo frontoccipital)
e fibras de projecção (cápsula interna com seus braços anteriores e
posteriores além do joelho da cápsula interna; corona radiada e radiação
óptica).
Correlações Clínicas
• Lesões do Tálamo: lesões resultam em trombose ou hemorragias, são
portanto, fenómenos vasculares. Os sintomas serão contralaterais às
áreas lesionadas.
• Lesões subtalámicas: haverá fortes e súbitos movimentos involuntários
por conectarem-se com os globos pálidos. Sempre contralateralmente.
Aos movimentos violentos denominamos balísticos e irregulares,
denominamos coreiformes.
• Glândula Pineal: frequentemente encontramos lesões tumorais nesta
glândula com necessidade de abordagem neurocirúrgica. Depósitos de
cálcio são encontrados na pineal com o avanço da idade.
• Hipotálamo: alteração nessa região poderá originar descontrole térmico
central como hipertermia maligna, alteração na ingestão de alimentos
(compulsões), diabetes insípidus (deficiência de ADH), alterações no
sono e nas funções reprodutivas. Tumores hipotalâmicos poderão ser
encontrados sendo o craniofaringioma um dos mais comuns. Estes
tumores acometem inicialmente a hipófise expandindo-se para o
hipotálamo. Síndromes metabólicas como a síndrome adiposo-genital
podem ser observadas.
• Lesões Corticais Cerebrais: através das áreas funcionais de Broadman, o
clínico pode determinar através de sintomas neurológicos que região
está a ser acometida seja por um tumor, seja por um distúrbio cérebro-
vascular.
• Ventrículos Laterais: os plexos coróides podem ser acometidos por
tumores, ependimomas ou mesmo terem seus forames obstruídos
causando dificuldade na drenagem de líquor, a essa situação clínica
denominamos hidrocefalia não comunicante. Por outro lado após uma
hemorragia subaracnóidea o líquor fica mais espesso sendo mais difícil
para as granulações aracnóideas fazerem sua drenagem, originando a
chamada hidrocefalia comunicante.
• Núcleos da Base: tumores nesta região podem originar sintomas motores
clássicos também por obstruírem as fibras descendentes e ascendentes
que caminham pela cápsula interna. São encontradas hemiplegias
espásticas progressivas (compressão dos 2/3 anteriores da cápsula
interna) ou hemiparestesias (comprometimento dos 1/3 posterior da
cápsula interna).

Anatomia Humana II – exame teórico Página 36


Anatomia Humana II

Conformação interna do cérebro


O cérebro é constituído por neurónio amielinicos (substância
cinzenta) e mielinicos (substância branca). O cérebro pode ser observado
num corte transversal ou coronal.

O corpo caloso é uma grande comissura de fibras nervosas entre o


hemisfério cerebral direito e o hemisfério cerebral esquerdo. Situa-se na
profundidade da fissura interhemisférica e entre mais interiormente entre os
hemisférios. Apresenta uma região côncava em direcção inferior, ao longo
do corpo calosa no centro, da frente para trás encontra-se uma lâmina
ligeiramente mais fina, até a região do quiasma óptico. Este centro vai-se
designar como rostrum do corpo caloso. As estruturas mais evidentes deste,
da frente para trás, serão: a região do joelho, a região do troco e mais
posteriormente a região do esplênio. Há uma região de transição de fibras
de um hemisfério cerebral para o outro hemisfério, estas fibras fazem a
comunicação entre os dois hemisférios. A região do joelho apresenta duas
insinuações em direcção anterior, prolongam-se em direcção anterior,
formando o córtex anterior. Este faz a comunicação entre o corpo caloso e o
lóbulo frontal. As Fibras que se queiram dirigir para o lóbulo occipital
aproveitam a região do esplênio do corpo caloso e dirigem-se para o córtex
occipital e posteriormente para o lóbulo occipital. E a região do troco para
os lóbulos parietais e temporais. Partindo da linha media do corpo caloso há
um tecido bem mais fino que o corpo caloso, em direcção inferior, é
designada por septo pelúcio. Este septo vai servir para separar o ventrículo
médio ou terceiro ventrículo dos restantes. Na região da base do crânio está
o tálamo óptico, uma das funções mais óbvias deste é a de passagem das
vias visuais, mas sabe-se que não é a única. O tálamo estabelece prioridade
nas informações que irão chegar córtex e estabelece que informação deve
chegar antes. Independentemente de serem estímulos motores ou
sensitivos eles vão estabelecer prioridade entre estes. O tálamo óptico é
basicamente constituído por duas estruturas de forma oval. O tálamo fica
por baixo do corpo caloso. A aderência intertalámica faz a união entre os
dois tálamos ópticos. Apresenta uma face superior e uma face inferior, esta
última assenta sobre a região infratalamica/subtalámica, que é a região dos
pedúnculos cerebrais. Também tem uma extremidade anterior e uma
posterior. E superiormente ao corpo caloso está a fissura inter-hemisférica.
Na região dos pedúnculos cerebrais encontra-se o núcleo rubro. O sulco
coroideo, anteriormente faz um triângulo e pela parte posterior é
exactamente igual. É uma estrutura de substância cinzenta. O espaço
anterior e posterior tem nas suas extremidades um tubérculo. Na
extremidade possui um tubérculo anterior toma ligação com o lobo frontal,
sendo que através do tubérculo posterior estabelece ligação, à região mais
posterior, nomeadamente ao lobo occipital e aos tubérculos quadrigémios.
Ainda na extremidade posterior encontra-se umas estruturas denominadas
por corpos geniculados. Este faz a ligação com os tubérculos quadrigémios
anteriores e posteriores.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 37


Anatomia Humana II

Anatomia Humana II – exame teórico Página 38


Anatomia Humana II

Fissura inter-
hemisférica
Corpo
Tálamo caloso
óptico
PutamAderência
eintertalámica
Núcleo
lentifor
Globo
me
pálido

Lobo insular
Núcleo
caudado

O tálamo é o centro de decisão intermédio entre o tronco cerebral e o


cérebro, este faz como um sistema de triagem de informação. Além disso
está ligado as vias visuais a daí a sua designação. Parte das decisões
emocionais são tomadas ao nível do tálamo óptico e está ligado
essencialmente a vias sensitivas. Este também estabelece ligações com a
cinta de Reil e que estão ligados aos pedúnculos cerebrais e as vias
sensitivas consciente. Estabelece também ligações as cerebelo e ao núcleo
rubro através de fascículos cerebelorubrotalamicos. Também estabelecem
sinapses com o neurónio que se encontra em alguns núcleos da base,
núcleos do corpo estriado. O corpo estriado é constituído por 3 regiões
bastante bem definidas: duas de substância de cinzenta, e com substância
branca interposta entre elas. A substância cinzenta vai-se encontrar em
forma de lente, que é convexa para
o lado externo e concava para o lado
interno, e uma outra substância
cinzenta que tem a forma de um
verme, com uma cauda bastante

Anatomia Humana II – exame teórico Página 39


Anatomia Humana II

longa o que vamos atribuir o nome de núcleo caudado. O espaço que


parece que não tem qualquer tipo de estrutura entre as substâncias
cinzentas, entre o núcleo lenticular e o núcleo caudado, este é preenchido
com substância branca – neurónios com mielina – e esta região vai ser
designada pela cápsula interna.

No corte coronal o núcleo caudado será arredondado, mais grosso em


direcção anterior, mais fino em direcção posterior e vai-se situar
anteriormente perto do tálamo óptico. O núcleo lenticular encontra-se
lateralmente ao tálamo óptico. O núcleo caudado apresenta uma cabeça
anteriormente que é a região mais ampla e possui uma cauda em direcção
posterior. O núcleo lenticular tem uma relação internamente com o tálamo,
também com a cápsula interna e está próximo do núcleo rubro.
Externamente tem uma proximidade com a fissura de Sylvius. O que separa
o lobo da ínsula do núcleo lenticular é o claustro. O núcleo lenticular pode
ser dividido em três regiões: a mais externa vai ser designada de putame
(lamina medular externa), e as duas regiões mais profundas denomina-se
de globo pálido (lamina medular interna e media). Entre o núcleo lenticular
e a região do claustro está a cápsula externa, ou seja, o núcleo lenticular
encontra-se delimitado pela cápsula interna e externamente pela cápsula
externa – o que separa a parte do putame do claustro.

NOTA:

Organização dos núcleos da base

Núcleo caudado putame globo pálido

Estriado núcleo lentiforme

Corpo estriado

Anatomia Humana II – exame teórico Página 40


Núcleo da base
Anatomia Humana II

A região do núcleo caudado e lenticular está mais relacionado com as


decisões motoras, na passagem de estímulos motores – equilíbrio, posição
espacial. A substância branca – cápsula interna - que se encontra ao pé do
núcleo caudado e lenticular, é um local de passagem de fibras
maioritariamente motoras para o córtex, sem passar pelo tálamo para
serem desviadas. Também é o local de passagem de neurónios (onde irão
passar os estímulos) e a comunicação com os restantes núcleos da base. Há
três grupos de fibras (proximidade): talamoestriadas (tálamo e o corpo
estriado) que se dirigem para o núcleo caudado ou para o lenticular;
lenticuloestriadas (núcleo lenticular e caudado). Fibras que estabelecem
ligação entre o córtex e a base designadas por corticoestriadas,
corticotalamicas.

Terceiro grupo de fibras:


fibras da cinta de Reil são
a parte sensitiva
voluntária (basicamente a
conformação do feixe
grácil e cuneiforme), e
alguma destas fibras
dirigem-se pela cápsula
interna, e outras para o
tálamo. Fibras do feixe
piramidal - motoras –
passam para o córtex
pelo tronco cerebral. O
feixe genicular está
sempre associado ao
feixe piramidal pelo
menos na região do
pedúnculo, este feixe
genicular curva-se ao
longo da cápsula interna
para se dirigir para o lobo
frontal. Os feixes sensitivos da parte inconsciente que passam pela cinta de
Reil e que alguns se dirigem para o núcleo caudado e lenticular. Todo o que
resta no cérebro que não seja núcleos ou zonas já delimitadas vai-se
designar de centro oval – local onde se encontram as restantes fibras para a
comunicação entre os hemisférios ou no próprio hemisfério cerebral – p.e.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 41


Anatomia Humana II

entre o lobo occipital e a região do lobo frontal. As fibras que fazem


comunicação entre regiões do mesmo hemisfério cerebral são designadas
como sendo as fibras de associação. Fibras comissurais são fibras que
fazem a comunicação entre dois hemisférios diferentes, essencialmente
através da região do corpo caloso, são fibras que têm de atravessar a
comissura que é formada pelo corpo caloso para se dirigirem do hemisfério
cerebral direito para o esquerdo (e vice-versa). As restantes fibras
constituem uma irradiação que normalmente se abre em leque
superiormente na região dos núcleos da base, nomeadamente na
proximidade do tálamo, designa-se por coroa radiada ou radial. Esta coroa é
constituída pelas fibras que vêm de todos os lobos de um hemisfério
cerebral e que se estão a dirigir para o tálamo óptico - do núcleo caudado,
lenticular – são fibras que depois se irão dirigir para a região do troco
cerebral – cinta de Reil, corpo geniculado, feixe piramidal.

O cérebro mantém-se na sua posição original é devido a um jogo de forças,


pressões, pelo líquido cefaloraquidiano que o está a banhar a periferia e o
liquido que se encontra no seu interior. As cavidades em que o liquido
cefaloraquidiano no interior do cérebro, a cavidade medial vai-se atribuir o
nome de terceiro ventrículo que é maior que o quarto ventrículo. É uma
cavidade grosseiramente oval, é interrompida na linha média pela presença
de uma pequena cavidade – aderência intertalámica - encontra-se entre os
dois tálamos ópticos na linha média, nos cortes sagitais não é muito
evidente. O terceiro ventrículo comunica-se inferiormente com o quarto
ventrículo através do aqueduto de Sylvius ou ducto cerebral. Superiormente
ele comunica-se com duas grandes massas laterais cavidades onde se
encontra liquido cefaloraquidiano que se atribui o nome de ventrículos
laterais, comunica-se através do buraco de Monro. Os ventrículos laterais
são bastantes mais amplos, que se dividem em três grandes porções: uma
superior (a mais ampla) – porção frontal, uma mais inferior – esfenoidal, e
outra mais posterior – porção occipital. O ventrículo médio é uma estrutura
impar os ventrículos laterais são em numero par.

Meninges
Se por algum motivo se perder algum liquido cefaloraquidiano quer
internamente ou na periferia é evidente que o SNC vai sofrer outro sentido
de pressão. A forma como o liquido cefaloraquidiano se mantém em
proximidade com o SNC decorre da presença de três membranas que
envolvem o SNC que tem o nome de meninges. A camada mais externa das
meninges tem o nome de dura-máter, uma camada intermédia com o nome
de aracnóide e uma mais interna a piamater. A perfuração de uma destas
meninges é potencialmente letal. Uma meninge pode ser lesada devido a
uma infecção o que pode ser muito perigoso porque está muito perto do
SNC, pois a principal protecção do SNC são as meninges. A piamater
encontra-se em adesão com as estruturas do SNC. A dura-máter devido a
ser mais externa e normalmente mais resistente. Na região da coluna
vertebral também vai apresentar a dura-máter a periferia aderida camada

Anatomia Humana II – exame teórico Página 42


Anatomia Humana II

óssea do crânio, a aracnóide firmemente aderida à dura-máter e na


profundidade a piamater e esta adapta-se a todas as características
anatómicas de superfície da espinal medula ou na região craniana. Na
região craniana vai a mesma distribuição das meninges. O espaço epidural
é um espaço que se prolonga ao longo de todo o canal vertebral
corresponde ao espaço entre o canal vertebral e a dura-máter. Mais
profundamente da dura-máter existe o espaço subdural é um espaço
virtual, porque a aracnóide está tão próxima da dura-máter que essa
cavidade que na realidade não existe, alias só existirá em situações
patológicas. Todo o SNC encontra-se envolvido por estas meninges, a
medida que se vai descendo a medula espinhal, passa por várias camadas
como a cauda equina, parte terminal o “filo terminal” e chegando ao final
deste, a nível coccígeo, a dura-máter tem de formar um saco para envolver,
e que designará de saco dural. Na porção craniana a dura-máter está mais
próxima das paredes ósseas, normalmente aderida as paredes ósseas da
calote craniana, apenas se afasta em algumas regiões, como na região dos
sulcos. Em regiões craniana a dura-máter se afasta das estruturas ósseas e
permite a presença de uma cavidade entre ela e cavidade craniana, e
nessas cavidades irá circular sangue, nomeadamente sangue venoso.
Raramente se encontrarão veias no interior do crânio porque irão estar
nessas cavidades. A dura-máter pode ter três funções: parece induzir o
crescimento ósseo, reveste o SNC e serve de parede a existência desses
vasos para a condução do sangue venoso no interior da cavidade craniana.
Também reveste as diversas cavidades mais evidentes dos espaços do
sistema nervoso central, nomeadamente na fissura inter-hemisférica. A
dura-máter abandona a proximidade com o osso e faz uma invaginação
para o interior da fissura inter-hemisférica formando uma grande porção
tecidular que se interpõe precisamente nos hemisférios cerebrais. No
interior da foice do cérebro encontra-se o seio longitudinal superior. Outro
tipo de prolongamentos que a dura-máter sai da proximidade do crânio é na
região do cerebelo, aquele espaço que existe entre o cerebelo e o cérebro,
que tem o nome de fenda do cerebelo. Também se verifica esta situação
nos hemisférios cerebelares que tem o nome de foice do cerebelo. Fenda da
hipófise – pesquisar.

A aracnóide tem uma relação de muita proximidade com a dura-máter.


Entre a aracnóide e a pia-
máter encontra-se o espaço
subaracnoideo. Este espaço é
o local onde se encontra o
liquido cefaloraquidiano. A
dura-máter é uma camada
fibrosa com líquido
cefaloraquidiano a volta. A
pia-máter é a meninge mais
profunda e a que protege o
sistema nervoso central, na
região raquidiano vai ter um

Anatomia Humana II – exame teórico Página 43


Anatomia Humana II

prolongamento anterior em direcção anterior, em direcção a aracnóide vai-


se ter o prolongamento posterior, mas estes prolongamentos não são
muitos proeminentes ao espaço subaracnoideo. No entanto os dois
restantes prolongamentos laterais chamados os ligamentos dentados um do
lado direito, e outro para o lado esquerdo. Estes já são muito proeminentes
na região raquidiana do SNC divide dois prolongamentos no espaço
subaracnoideo.

Dura-máter
A dura-máter, ao contrário das outras meninges, é ricamente inervada.
Como o encéfalo não possui terminações nervosas sensitivas, toda ou
qualquer sensibilidade intracraniana se localiza na dura-máter, que é
responsável pela maioria das dores de cabeça.
Pregas da dura-máter: em algumas áreas o folheto interno da dura-máter
destaca-se do externo para formar pregas que dividem a cavidade craniana
em compartimentos que se comunicam amplamente. As principais pregas
são:
• Foice do cérebro: é um septo vertical mediano em forma de foice que
ocupa a fissura longitudinal do cérebro, separando os dois
hemisférios.
• Tenda do cerebelo: projecta-se para diante como um septo
transversal entre os lobos occipitais e o cerebelo. A tenda do
cerebelo separa a fossa posterior da fossa média do crânio, dividindo
a cavidade craniana em um compartimento superior, ou
supratentorial, e outro inferior, ou infratentorial. A borda anterior
livre da tenda do cerebelo, denominada incisura da tenda, ajusta-se
ao mesencéfalo.
• Foice do cerebelo: pequeno septo vertical mediano, situado abaixo da
tenda do cerebelo entre os dois hemisférios cerebelares.
• Diafragma da sela: pequena lâmina horizontal que fecha
superiormente a sela túrcica, deixando apenas um orifício de
passagem para a haste hipofisiária.
Aracnóide-máter
• Cisternas subaracnóideas: a aracnóide justapõe-se à dura-máter e
ambas acompanham apenas grosseiramente o encéfalo e a sua
superfície. A pia-máter adere intimamente a esta superfície que
acompanha os giros, os sulcos e depressões. Deste modo, a distância

Anatomia Humana II – exame teórico Página 44


Anatomia Humana II

entre as duas membranas, ou seja, a profundidade do espaço


subaracnoideo é muito variável, sendo muito pequena nos giros e
grande nas áreas onde parte do encéfalo se afasta da parede
craniana. Forma-se assim nestas áreas, dilatações do espaço
subaracnoideo, as cisternas subaracnóideas, que contém uma grande
quantidade de líquor. As cisternas mais importantes são as seguintes:
• Cisterna magna: ocupa o espaço entre a face inferior do cerebelo e a
face dorsal do bulbo e do tecto do III ventrículo. Continua
caudalmente com o espaço subaracnoideo da medula e liga-se ao IV
ventrículo através da abertura mediana. A cisterna magna é a maior
e mais importante, sendo às vezes utilizada para obtenção de líquor
através de punções.
• Cisterna pontina: situada ventralmente a ponte.
• Cisterna interpeduncular: localizada na fossa interpeduncular.
• Cisterna quiasmática: situado diante o quiasma óptico.
• Cisterna superior: situada dorsalmente ao tecto mesencefálico, entre
o cerebelo e o esplênio do corpo caloso. A cisterna superior
corresponde, pelo menos em parte, à cisterna ambiens, termo usado
pelos clínicos.
• Cisterna da fossa lateral do cérebro: corresponde à depressão
formada pelo sulco lateral de cada hemisfério.

Nervos cranianos
Nervo olfactório (NC I)
Tem a função sensitiva – olfacto. Os corpos celulares dos neurónios
receptores olfactivos (também são condutores) estão localizados no órgão
olfactório que está localizado no tecto da cavidade nasal, ao longo do septo
nasal e da parede medial da concha nasal superior. As superfícies apicais
dos neurónios possuem cílios olfactórios do epitelio. As superfícies basais
dos neurónios receptores bipolares da cavidade nasal de um lado dão
origem aos processos centrais reunidos aproximadamente 20 filamentos do
nervo olfactório (direito ou esquerdo) – atravessam a lâmina cribriforme (do
etmóide) e entram no bulbo olfactório (na fossa anterior do crânio). Esta
lâmina está em contacto com a superfície inferior cerebral.

Cada trato divide-se em: estrias olfactórias (lateral e medial) e termina no


córtex piriforme da parte anterior do lobo temporal. Tecnicamente os bulbos
e tratos olfactórios são extensões anteriores do prosencéfalo. O nervo
olfactório é o único nervo a entrar directamente no cérebro.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 45


Anatomia Humana II

Nervo óptico (NC II):


Tem a função sensorial – visão. As estruturas envolventes na recepção e
transmissão de estímulos ópticos desenvolvem-se como evaginações do
diencéfalo. Portanto são realmente tratos de fibra do SNC formando axónios
de células ganglionares retinianas. (neurónios de 3ª ordem). Os neurónios
são circundados por meninges cranianas e liquido cerebrospinal (LCE). As
meninges estendem-se em bulbos até ao olho. O nervo craniano II começa
onde os axónios amielinicos das células ganglionares retinianos perfuram a
esclera e tornam-se mielinizados, profundamente ao disco óptico. O nervo
segue saindo através do canal óptico para entrar na fossa medial do crânio,
onde forma o quiasma óptico. Aqui as fibras da metade nasal (medial) da
retinam decussam no quiasma e unem a fibra não-cruzada da metade
temporal da retina, para formar o trato óptico – permite profundidade de
percepção de campo (visão tridimensional) Terminam
maioritariamente nos
corpos geniculados
Fibras
Trato laterais
direito do tálamo – os
esquerdas axónios são transmitidos
para os córtices visuais de
Fibras Trato
lobos occipitais do
direitas esquerdo
encéfalo.
O campo visual é o que é
Nervo oculomotor (NC III): observado por uma
Tem a função motora somática e motora pessoa visceral. com 2 núcleos
Há dois olhos
abertosfuncionais
oculomotores, cada um servindo um dos componentes e que estádoanervo.
olhar
em frente

Núcleo motor somático mesencéfalo

Dorsalmente aos
Núcleo motor visceral 2/3 rostrais do
acessório núcleo motor
somático

Funções do nervo oculomotor:

• Motor de 4 dos 6 músculos estriados extrínsecos do bulbo do olho, e


pálpebra superior;

• Propriacepção para os músculos supracitados;

• Através do gânglio ciliar e do músculo liso do esfíncter da pupila o


parassimpático constringe a pupila e o corpo ciliar – acomodação
(visão perto).

Anatomia Humana II – exame teórico Página 46


Anatomia Humana II

Percurso:

Na divisão inferior as fibras parassimpáticas pré-sinápticas estão no gânglio


ciliar. E as fibras parassimpáticas pós-sinápticas estão no bulbo no olho.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 47


Anatomia Humana II

Nervo troclear (NC IV):


Tem a função motora somática e de propriacepção para um musculo
extrínseco do bulbo do olho.

O núcleo do nervo troclear situa-se no mesencéfalo caudalmente ao


músculo oculomotor. É o menos nervo craniano e este emerge da superfície
posterior do mesencéfalo, passando ao do tronco cefálico e seguindo um
trajecto mais interior. O músculo oblíquo posterior usa uma espécie de
roldana, para direccionar sua linha de acção (este músculo é enervado pelo
nervo troclear).

Nervo trigémio (NC V)


Tem a função sensitivo geral e de motor braquial (derivação do 1º arco
faríngeo). Possui 4 núcleos: 1 motor e 3 sensitivos e é o maior nervo
craniano. O NC V é o principal nervo sensitivo da cabeça (boca, dentes,
cavidade nasal, dura-máter). A grande raiz sensitiva é constituída pelos
processos centrais dos neurónios pseudo-unipolares que formam o gânglio
trigémio. Este gânglio está alojado no recesso da dura-máter lateral ao seio
cavernoso. Os processos periféricos neuronais ganglionares formam três
nervos: nervo oftálmico (NC V1), nervo maxilar (NC V2) e o nervo mandibular

Anatomia Humana II – exame teórico Página 48


Anatomia Humana II

(NC V3) – sensitivo. As fibras motoras do nervo passam inferiormente ao


gânglio trigemial ao longo do soalho da camada trigemial, desviando-se do
gânglio, como as raízes anteriores espinais. São distribuídas pelo nervo
mandibular (NC V3) unindo-se as fibras sensitivas à medida que atravessa o
forame oval (craniano)

NOTA:
O nervo mandibular (NC V3) inerva os M. da mastigação, milo-hioideo,
ventre anterior do M. digástrico, tensor do véu palatino e tensor do
tímpano (derivado 1º arco faríngeo).

Embora o NC V não conduza fibras parassimpáticas pré-sinápticas do SNC,


todos os gânglios parassimpáticos estão associados ao NC V – fibras
parassimpáticas pós-sinápticas dos gânglios unem-se aos ramos do NC V e
são conduzidas até os seus destinos (motoras e sensitivas).

Nervo oftálmico (NC V1)


Não é um nervo braquial, ou seja, não inerva derivados do 1º arco faríngeo.
As fibras sensitivas do NC V1 são distribuídas para a pele, mucosas e
conjuntiva anterior da cabeça e do nariz – reflexo da córnea (tocar a
córnea).

Nervo maxilar (NC V2)


As suas fibras sensitivas geralmente são distribuídas para a pele e mucosas
associadas à maxila. O gânglio pterigopalatino (parassimpático) está
associado a esta divisão do NC V, envolvendo na inervação das glândulas
lacrimais e mucosas.

Nervo mandibular (NC V3)


Conduz fibras motoras e inerva os músculos da mastigação. Dois gânglios
parassimpáticos estão associados a esta divisão do NC V: óptico e
submandibular. Ambos estão relacionados com a inervação das glândulas
salivares.

Nervo abducente (NC VI)


Tem a função motora somática – para o músculo estriado do bulbo do olho.
O núcleo abducente está na ponte de Varólio perto do plano mediano.
Emerge entre a ponte de Varólio e o bulbo raquidiano e atravessa a cisterna
pontina do espaço aracnoideo. Vai em direcção a artéria basilar, percorre a
artéria e atravessa o anel tendíneo comum, quando entra na orbita.
Seguindo sobre a face medial do reto lateral abduz o olho.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 49


Anatomia Humana II

Nervo facial (NC VII)


Tem três funções: sensitivo, motor e parassimpático. Também conduz fibras
propriaceptivas do músculo que inerva. O núcleo motor do nervo facial tem
a designação de núcleo braquiomotor e situa-se na ponte de Varólio. Os
corpos celulares dos neurónios sensitivos primários estão situados no
gânglio geniculado. Os processos centrais relacionados com o paladar
terminam nos núcleos do trato solitário do bulbo. Já os processos
relacionados com a sensibilidade geral estão no núcleo espinal do nervo
trigémio (terminam).

A raiz motora maior inerva os músculos da expressão facial. O joelho do


nervo facial localiza-se no gânglio geniculado. O nervo intermédio conduz as
fibras do paladar, parassimpáticas e sensitivas somáticas. O nervo motor
braquial supre os músculos derivados do 2º arco faríngeo principalmente os
músculos da expressão facial e os das orelhas. Também supre o ventre
posterior do digástrico, estilo-hioideo e estapédio. O parassimpático pré-
sináptico envia fibras para gânglio pterigopalatino – inervação das glândulas
mucosas lacrimais – e para o gânglio submandibular – supre glândulas
salivares: sublingual e submandibular. O gânglio pterigopalatino está
associado ao nervo maxilar (NC V2), que distribui as fibras pós-sinápticas. O
gânglio submandibular está associado ao nervo mandibular (NC V3).

sinaps
Fibras parassimpáticas Gânglios
es

Fibras simpáticas e outras Gânglios


Atravess
Anatomia Humana II – exame teórico amm Página 50
Anatomia Humana II

NOTA:
Sensitivo geral: algumas fibras do gânglio geniculado suprem uma
pequena área da pele da concha da orelha, perto do meato acústico
externo.
Paladar: As fibras conduzidas pelo nervo corda do tímpano unem-se
ao nervo lingual para conduzir a sensibilidade gustativa de 2/3
anteriores da língua e do palato mole.

O sistema nervoso central é aquele localizado dentro do esqueleto axial


(cavidade craniana e canal vertebral); o sistema nervoso periférico é aquele
que se localiza fora deste esqueleto. O encéfalo é a parte do sistema
nervoso central situado dentro do crânio neural; e a medula é localizada
dentro do canal vertebral. O encéfalo e a medula constituem o neuro-eixo.
No encéfalo temos cérebro, cerebelo e tronco encefálico.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 51


Anatomia Humana II

Sistema circulatório
O sangue sob muita pressão deixa o coração e é distribuído pelo corpo
através de artérias ramificadas. Os vasos de distribuição final – arteriolas –
levam o sangue oxigenado para os capilares. Os capilares formam um leito
capilar, onde ocorre troca de oxigénio, nutrientes, resíduos e outras
substâncias com líquido extracelular. A maioria dos vasos do sistema
circulatório possui 3 camadas: túnica intima que é um revestimento interno
formado por uma única camada de células epiteliais extremamente
achatadas – endotélio – sustentado por tecido conjuntivo; túnica média é
uma camada intermediária que consiste basicamente em músculo liso e a
túnica externa que consiste numa bainha externa de tecido conjuntivo. A
túnica média é mais variável. As artérias veias e vasos linfáticos são
distinguíveis pela espessura dessa camada em relação ao tamanho da luz e
também podem variar na quantidade de fibras elásticas.

Artérias
Conduzem o sangue que sai do coração e distribuem-no para o corpo. Há
uma mudança gradual das características morfológicas das artérias. As
grandes artérias elásticas (artérias condutoras) possuem muitas camadas
elásticas em suas paredes. Sua elasticidade permitem que se expandam
quando o coração contrai, minimizando a mudança de pressão e retornam
ao tamanho normal entre as contracções cardíacas. As artérias musculares
médias (artérias distribuidoras) têm paredes constituídas principalmente por
fibras musculares lisas dispostas de forma circular. As contracções pulsáteis
de suas paredes musculares contraem suas luzes de forma temporária e
rítmica em sequencia progressiva, propelindo e distribuindo o sangue para
as várias partes do corpo. As pequenas artérias ou arteriolas possuem luzes
relativamente estreitas e paredes musculares espessas.

As anastomoses entre múltiplos ramos de uma artéria oferecem vários


possíveis desvios para o fluxo sanguíneo em caso de obstrução do trajecto
habitual por compressão, pela posição de uma articulação, patologia ou
ligadura cirúrgica.

Vascularização arterial do encéfalo


Polígono de Willis
O encéfalo é vascularizado através de dois sistemas: vértebro-basilar
(artérias vertebrais) e carotídeo
(artérias carótidas internas). Estas são
artérias especializadas pela irrigação
do encéfalo. Na base do crânio estas
artérias formam um polígono
anastomótico, o Polígono de Willis, de
onde saem as principais artérias para
vascularização cerebral.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 52


Anatomia Humana II

As artérias vertebrais se anastomosam originado a artéria basilar, alojada


na goteira basilar. Ela se divide em duas artérias cerebrais posteriores que
irrigam a parte posterior da face inferior de cada um dos hemisférios
cerebrais. As artérias carótidas internas originam, em cada lado, uma
artéria cerebral média e uma artéria cerebral anterior. As artérias cerebrais
anteriores se comunicam através de um ramo entre elas que é a artéria
comunicante anterior.
As artérias cerebrais posteriores se comunicam com as arteriais carótidas
internas através das artérias comunicantes posteriores.
Artéria Carótida Interna
Ramo de bifurcação da carótida comum, a carótida interna, após um
trajecto mais ou menos longo pelo pescoço, penetra na cavidade craniana
pelo canal carotídeo do osso temporal. A seguir, perfura a dura-máter e a
aracnóide e, no início do sulco lateral, divide-se em dois ramos terminais: a
artéria cerebral média e anterior. A artéria carótida interna, quando
bloqueada pode levar a morte cerebral irreversível. Um entupimento da
artéria carótida é uma ocorrência séria, e, infelizmente, comum.
Clinicamente, as artérias carótidas internas e seus ramos são
frequentemente referidos como a circulação anterior do encéfalo.

Artéria Vertebral e Basilar (Sistema vértebro-basilar)


As artérias vertebrais seguem em sentido superior, em direcção ao
encéfalo, a partir das artérias subclávias próximas à parte posterior do
pescoço. Passam através dos forames transversos das primeiras seis
vértebras cervicais, perfuram a membrana atlanto-occipital, a dura-máter e
a aracnóide, penetrando no crânio pelo forame magno. Percorrem a seguir a
face ventral do bulbo e, aproximadamente ao nível do sulco bulbo-pontino,
fundem-se para constituir um tronco único, a artéria basilar. As artérias
vertebrais originam ainda as artérias espinhais e cerebelares inferiores
posteriores. A artéria basilar percorre o sulco basilar da ponte e termina
anteriormente, bifurcando-se para formar as artérias cerebrais posteriores
direitas e esquerda. A artéria basilar dá origem, além das cerebrais
posteriores, às seguintes artérias: cerebelar superior, cerebelar inferior
anterior e artéria do labirinto, suprindo assim áreas do encéfalo ao redor do
tronco encefálico e cerebelo. O sistema vértebro-basilar e seus ramos são
frequentemente referidos clinicamente como a circulação posterior do
encéfalo.
Abaixo, temos um resumo esquematizado da vascularização encefálica:

Anatomia Humana II – exame teórico Página 53


Anatomia Humana II

Vascularização Venosa do Encéfalo


As veias do encéfalo, de um modo geral, não acompanham as artérias,
sendo maiores e mais calibrosas do que elas. Drenam para os seios da dura-
máter, de onde o sangue converge para as veias jugulares internas, que
recebem praticamente todo o sangue venoso encefálico.
As veias jugulares externas e interna são as duas principais veias que
drenam o sangue da cabeça e do pescoço. As veias jugulares externas são
mais superficiais e drenam, para as veias subclávias, o sangue da região
posterior do pescoço e da cabeça. As veias jugulares internas profundas
drenam a porção anterior da cabeça, face e pescoço. Elas são responsáveis
pela drenagem de maior parte do sangue dos vários seios venosos do
crânio. As veias jugulares internas de cada lado do pescoço juntam-se com
as veias subclávias para formar as veias braquiocefálicas, que transportam
o sangue para a veia cava superior.
As veias do cérebro dispõem-se em dois sistemas: sistema venoso
superficial e sistema venoso profundo. Embora anatomicamente distintos,
os dois sistemas são unidos por numerosas anastomoses.
• Sistema Venoso Superficial – Drenam o córtex e a substância branca
subjacente. Formado por veias cerebrais superficiais (superiores e
inferiores) que desembocam nos seios da dura-máter.
• Sistema Venoso Profundo – Drenam o sangue de regiões situadas mais
profundamente no cérebro, tais como: corpo estriado, cápsula interna,
diencéfalo e grande parte do centro branco medular do cérebro. A veia
mais importante deste sistema é a veia cerebral magna ou veia de
Galeno, para a qual converge todo o sangue do sistema venoso profundo
do cérebro.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 54


Anatomia Humana II

Vascularização dos pulmões e das pleuras


Cada pulmão possui uma grande artéria pulmonar que o irriga e duas veias
pulmonares que drenam seu sangue. A artéria pulmonar direita e esquerda
originam-se no tronco pulmonar ao nível do ângulo esternal e conduzem
sangue pouco oxigenado aos pulmões para oxigenação. No pulmão cada
artéria desce postero-lateramente ao brônquio principal e divide-se em
arterial lobares e segmentares. Consequentemente, um aramo arterial
segue para cada lobo e segmento broncopulmonar do pulmão. As artérias e
os brônquios formam pares de pulmão, ramificando-se simultaneamente e
seguindo trajectos paralelos. As veias pulmonares duas de cada lado, levam
sangue bem oxigenado dos pulmões para o átrio esquerdo do coração.
Estas seguem independentemente das artérias e dos brônquios, passando
entre os segmentos adjacentes e recebendo sangue deles no seu trajecto
em direcção ao hilo. As artérias brônquicas levam o sangue para a nutrição
das estruturas que formam a raiz dos pulmões, os tecidos de sustentação
dos pulmões e pleura visceral. As pequenas artérias brônquicas emitem
ramos para a parte superior do esófago e ramos mais distais anastomosam-
se com ramos de artérias pulmonares nas paredes dos bronquíolos e na
pleura visceral. As veias brônquicas drenam apenas parte do sangue levado
aos pulmões pelas artérias brônquicas, principalmente o sangue distribuído
para a parte mais proximal das raízes dos pulmões. O restante sangue é
drenado pelas veias pulmonares, especificamente aquele que retorna da
pleura visceral, das regiões mais periféricas do pulmão e dos componentes
distais da raiz do pulmão.

Vascularicação coração
A irrigação do coração é assegurada pelas artérias coronárias e pelo seio
coronário. As artérias coronárias são duas, uma direita e outra esquerda.
Elas têm este nome porque ambas percorrem o sulco coronário e são as
duas originadas da artéria aortas. Esta artéria, logo depois da sua origem,
dirige-se para o sulco coronário percorrendo-o da direita para a esquerda,
até ir se anastomosar com o ramo circunflexo, que é o ramo terminal da
artéria coronária esquerda que faz continuação desta circundado o sulco
coronário. A artéria coronária direita: da origem a duas artérias que vão
irrigar a margem direita e a parte posterior do coração, são ela artéria
marginal direita e artéria interventricular posterior. A artéria coronária
esquerda, de início, passa por um ramo por trás do tronco pulmonar para
atingir o sulco coronário, evidenciando-se nas proximidades do ápice da
aurícula esquerda.
Logo em seguida, emite um ramo interventricular anterior e um ramo
circunflexo que da origem a artéria marginal esquerda. Na face
diafragmática as duas artéria se anastomosam formando um ramo
circunflexo. O sangue venoso é colectado por diversas veias que
desembocam na veia magna do coração, que inicia ao nível do ápice do
coração, sobe o sulco interventricular anterior e segue o sulco coronário da
esquerda para a direita passando pela face diafragmática, para ir
desembocar no átrio direito. A porção terminal deste vaso, representada por

Anatomia Humana II – exame teórico Página 55


Anatomia Humana II

seus últimos 3 cm forma uma dilatação que recebe o nome de seio


coronário. O seio coronário recebe ainda a veia média do coração, que
percorre de baixo para cima o sulco interventricular posterior e a veia
pequena do coração que margeia a borda direita do coração. Há ainda veias
mínimas, muito pequenas, as quais desembocam directamente nas
cavidades cardíacas.
Artérias importantes do corpo humano
Sistema do tronco pulmonar
O tronco pulmonar sai do coração pelo ventrículo direito e se bifurca em
duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se
ramifica a partir do hilo pulmonar em artérias segmentares pulmonares. Ao
entrar nos pulmões, esses ramos se dividem e subdividem até formarem
capilares, em torno alvéolos nos pulmões. O gás carbónico passa do sangue
para o ar e é exalado. O oxigénio passa do ar, no interior dos pulmões, para
o sangue. Esse mecanismo é denominado HEMATOSE.

Sistema da artéria aorta


É a maior artéria do corpo, com diâmetro de 2 a 3 cm. Suas quatro divisões
principais são a aorta ascendente, o arco da aorta, a aorta torácica e aorta
abdominal. A aorta é o principal tronco das artérias sistémicas. A parte da
aorta que emerge do ventrículo esquerdo, posterior ao tronco pulmonar, é a
aorta ascendente. O começo da aorta contém as válvulas semilunares
aórticas. A artéria aorta se ramifica na porção ascendente em duas artérias
coronárias, uma direita e outra esquerda que vão irrigar o coração.
A artéria coronária esquerda passa entre a aurícula esquerda e o tronco
pulmonar. Divide-se em dois ramos: ramo interventricular anterior (ramo
descendente anterior esquerdo) e um ramo circunflexo. O ramo
interventricular anterior passa ao longo do sulco interventricular em
direcção ao ápice do coração e supre ambos os ventrículos. O ramo
circunflexo segue o sulco coronário em torno da margem esquerda até a
face posterior do coração, originando assim a artéria marginal esquerda que
supre o ventrículo esquerdo.
A artéria coronária direita corre no sulco coronário ou atrioventricular e dá
origem ao ramo marginal direito que supre a margem direita do coração à
medida que corre para o ápice do coração. Após originar esses ramos,
curva-se para esquerda e contínuo o sulco coronário até a face posterior do
coração, então emite a grande artéria interventricular posterior que desce
no sulco interventricular posterior em direcção ao ápice do coração, suprindo
ambos os ventrículos. Logo em seguida a artéria aorta se encurva formando um
arco para a esquerda dando origem a três artérias (artérias da curva da aorta)
sendo elas:
• Tronco Braquiocefálico arterial
• Artéria carótida comum esquerda

• Artéria subclávia esquerda


O tronco Braquiocefálico arterial origina duas artérias:

Anatomia Humana II – exame teórico Página 56


Anatomia Humana II

• Artéria carótida comum direita

• Artéria subclávia direita

1.1. Artérias do pescoço e cabeça


A artéria vertebral direita e esquerda e as artérias carótida comum direita e
esquerda são responsáveis pela vascularização arterial do pescoço e da
cabeça. Antes de entrar na axila, a artéria subclávia dá um ramo para o
encéfalo, chamada artéria vertebral, que passa nos forames transversos da
C6 à C1 e entra no crânio através do forame magno. As artérias vertebrais
unem-se para formar a artéria basilar (supre o cerebelo, ponte e ouvido
interno), que dará origem as artérias cerebrais posteriores, que irrigam a
face inferior e posterior do cérebro. Na borda superior da laringe, as artérias
carótidas comuns se dividem em artéria carótida externa e artéria carótida
interna. A artéria carótida externa irriga as estruturas externas do crânio. A
artéria carótida interna penetra no crânio através do canal carotídeo e supre
as estruturas internas do mesmo. Os ramos terminais da artéria carótida
interna são a artéria cerebral anterior (supre a maior parte da face medial
do cérebro) e artéria cerebral média (supre a maior parte da face lateral do
cérebro). Artéria carótida externa: irriga pescoço e face. Seus ramos
colaterais são: artéria tiróide superior, artéria lingual, artéria facial, artéria
occipital, artéria auricular posterior e artéria faríngea ascendente. Seus
ramos terminais são: artéria temporal e artéria maxilar.

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Anatomia Humana II

Artérias membro superior

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Anatomia Humana II

Artérias dos membros inferiores

Veias
As veias normalmente reconduzem o sangue desoxigenado (venoso) dos
leitos capilares para o coração, o que confere as veias uma aparência azul-
escura. As grandes vais pulmonares são atípicas porque conduzem sangue
bem oxigenado dos pulmões para o coração. Normalmente as veias não
pulsam e não ejectam nem jorram sangue quando seccionadas. Existem
três tamanhos de veias: as venulas drenam os leitos dos capilares e unem-
se a vasos semelhantes para formarem pequenas veias; as veias médias
drenam os plexos venosos, e acompanham as artérias médias, nos
membros e em alguns outros locais a força da gravidade se opõe ao fluxo
sanguíneo em direcção ao coração, mas não na direcção inversa. Existem
também as grandes veias e estas são caracterizadas por largos feixes de

Anatomia Humana II – exame teórico Página 59


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músculo liso longitudinal. As veias são mais abundantes que as artérias. As


paredes finas das veias permitem que tenham uma grande capacidade de
expansão, e expandem-se quando o retorno do sangue para o coração é
impedido por compressão ou pressões internas. . Tal como as artérias as
veias formam um circuito. Ao contrário que seria esperado 20% do sangue
está nas artérias e 80% está nas veias pela sua grande capacidade de
expansão. Nos livros as veias são sempre ilustradas separadamente das
artérias mas o que se verifica é que as veias são veias acompanhantes –
circundam a artéria em uma rede com ramificações irregulares. Por causa
desta posição as veias são distendidas e achatadas quando a artéria se
expande durante a contracção do coração, o que ajuda a conduzir o sangue
venoso para o coração – bomba arteriovenosa. As válvulas das veias
interrompem as colunas de sangue, assim aliviando a pressão nas paredes
mais baixas, permitindo que o sangue venoso flua apenas em direcção ao
coração.
Algumas veias importantes do corpo humano:
Veias da circulação pulmonar (ou pequena circulação): As veias que
conduzem o sangue que retorna dos pulmões para o coração após sofrer a
hematose (oxigenação), recebem o nome de veias pulmonares. São quatro
veias pulmonares, duas para cada pulmão, uma direita superior e uma
direita inferior, uma esquerda superior e uma esquerda inferior.
As quatro veias pulmonares vão desembocar no átrio esquerdo. Estas veias
são formadas pelas veias segmentares que recolhem sangue venosos dos
segmentos pulmonares.
Veias da circulação sistémica (ou da grande circulação): duas grandes veias
desembocam no átrio direito trazendo sangue venoso para o coração. São
elas: veia cava superior e veia cava inferior. Temos também o seio
coronário que é um amplo conduto venoso formado pelas veias que estão
trazendo sangue venoso que circulou no próprio coração.
Veia cava superior: a veia cava superior tem o comprimento de cerca de
7,5cm e diâmetro de 2cm e origina-se dos dois troncos braquiocefálicos (ou
veia braquiocefálica direita e esquerda).
Cada veia braquiocefálica é constituída pela junção da veia subclávia (que
recebe sangue do membro superior) com a veia jugular interna (que recebe
sangue da cabeça e pescoço).
Veia cava Inferior: a veia cava inferior é a maior veia do corpo, com
diâmetro de cerca de 3,5cm e é formada pelas duas veias ilíacas comuns
que recolhem sangue da região pélvica e dos membros inferiores.

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Anatomia Humana II

Seio Coronário e veias Cardíacas: O seio coronário é a principal veia do


coração. Ele recebe quase todo o sangue venoso do miocárdio. Fica situado
no sulco coronário abrindo-se no átrio direito. É um amplo canal venoso
para onde drenam as veias. Recebe a veia cardíaca magma (sulco
interventricular anterior) em sua extremidade esquerda, veia cardíaca
média (sulco interventricular posterior) e a veia cardíaca parva em sua
extremidade direita. Diversas veias cardíacas anteriores drenam
directamente para o átrio direito.
Veias cabeça e pescoço

Crânio: a rede venosa do interior do crânio é representada por um sistema


de canais intercomunicantes denominados seios da dura-máter.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 61


Anatomia Humana II

Seios da dura-máter:
São verdadeiros túneis escavados na membrana dura-máter. Esta, é a
membrana mais externa das meninges. Estes canais são forrados por
endotélio. Os seios da dura-máter podem ser divididos em seis ímpares e
sete pares.
SEIOS ÍMPARES (6): são três relacionados com a calvária craniana e três
com a base do crânio.
Seios da calvária craniana:
• Seio sagital superior: situa-se na borda superior e acompanha a foice
do cérebro em toda sua extensão.
• Seio sagital inferior: ocupa dois terços posteriores da borda inferior da
parte livre da foice do cérebro.
• Seio reto: situado na junção da foice do cérebro com a tenda do
cerebelo.
• Anteriormente recebe o seio sagital inferior e a veia magna do
cérebro (que é formada pelas veias internas do cérebro) e
posteriormente desemboca na confluência dos seios.
Seios da base do crânio:
• Seio intercavenoso anterior: liga transversalmente os dois seios
cavernosos. Situado na parte superior da sela túrsica, passando
diante e por cima da hipófise.
• Seio intercavernoso posterior: paralelo ao anterior, este liga os dois
seios cavernosos, passando por trás e acima da hipófise.
• Plexo basilar: é um plexo de canais venosos que se situa no clivo do
occipital.
• Este plexo desemboca nos seios intercavernoso posterior e petrosos
inferiores (direito e esquerdo).
SEIOS PARES: são situados na base do crânio.
• Seio esfenoparietal: ocupa a borda posterior da asa menor do osso
esfenóide.
• Seio cavernoso: disposto no sentido ântero-posterior, ocupa cada lado
da sela túrsica.
• Recebe anteriormente a veia oftálmica, a veia média profunda do
cérebro e o seio esfenoparietal e, posteriormente, se continua com o
seios petrosos superior e inferior.
• Seio petroso superior: estende-se do seio cavernoso até o seio
transverso, situa-se na borda superior da parte petrosa do temporal.
• Seio petroso inferior: origina-se na extremidade posterior do seio
cavernoso, recebe parte do plexo basilar, indo terminar no bulbo
superior da veia jugular interna.
• Seio transverso: origina-se na confluência dos seios e percorre o sulco
transverso do osso occipital, até a base petrosa do temporal, onde
recebe o seio petroso superior e se continua com o seio sigmóide.
• Seio sigmóide: ocupa o sulco de mesmo nome, o qual faz um
verdadeiro "S" na borda posterior da parte petrosa do temporal, indo
terminar no bulbo superior da veia jugular interna, após atravessar o

Anatomia Humana II – exame teórico Página 62


Anatomia Humana II

forame jugular. A veia jugular interna faz continuação ao seio


sigmóide, sendo que o seio petroso inferior atravessa o forame
jugular para ir desembocar naquela veia.
• Seio occipital: origina-se perto do forame magno e localiza-se de cada
lado da borda posterior da foice do cerebelo.
Posteriormente termina na confluência dos seios ao nível da protuberância
occipital interna.
Face: Normalmente as veias tiroidea superior, lingual, facial e faríngea se
anastomosam formando um tronco comum que vai desembocar na veia
jugular interna. O plexo pterigoídeo recolhe o sangue do território
vascularizado pela artéria maxilar, inclusive de todos os dentes, mantendo
anastomose com a veia facial e com o seio cavernoso. Os diversos ramos do
plexo pteridoídeo se anastomosam com a veia temporal superficial, para
constituir a veia retromandibular. Essa veia retromandibular que vai se unir
com a veia auricular posterior para dar origem à veia jugular externa. A
cavidade orbital é drenada pelas veias oftálmicas superior e inferior que vão
desembocar no seio cavernoso. A veia oftálmica superior mantém
anastomose com o início da veia facial.
Pescoço
Descendo pelo pescoço, encontramos quatro pares de veias jugulares. Essas
veias jugulares têm o nome de interna, externa, anterior e posterior.
Veia jugular interna: vai se anastomosar com a veia subclávia para formar o
tronco Braquiocefálico venoso.
• Veia jugular externa: desemboca na veia subclávia.
• Veia jugular anterior: origina-se superficialmente ao nível da região
supra-hioídea e desemboca na terminação da veia jugular externa.
• Veia jugular posterior: origina-se nas proximidades do occipital e
desce posteriormente ao pescoço para ir desembocar no tronco
braquiocefálico venoso. Está situada profundamente.

Tórax
Encontramos duas excepções principais:
• A primeira se refere ao seio coronário que se abre directamente no
átrio direito.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 63


Anatomia Humana II

• A segunda disposição venosa diferente é o sistema de ázigos.


As veias do sistema de ázigo recolhem a maior parte do sangue venoso das
paredes do tórax e abdómen. Do abdómen o sangue venoso sobe pelas
veias lombares ascendentes; do tórax é recolhido principalmente por todas
as veias intercostais posteriores.
Sistema de ázigo forma um verdadeiro "H" por diante dos corpos vertebrais
da porção torácica da coluna vertebral. O ramo vertical direito do "H" é
chamado veia ázigos. O ramo vertical esquerdo é subdividido pelo ramo
horizontal em dois segmentos, um superior e outro inferior. O segmento
inferior do ramo vertical esquerdo é constituído pela veia hemiázigos,
enquanto o segmento superior desse ramo recebe o nome de hemiázigo
acessória. O ramo horizontal é anastomótico, ligando os dois segmentos do
ramo esquerdo com o ramo vertical direito. Finalmente a veia ázigo vai
desembocar na veia cava inferior.
Abdómen:
Há um sistema venoso muito importante que recolhe sangue das vísceras
abdominais para transportá-lo ao fígado. É o sistema da veia porta. A veia
porta é formada pela anastomose da veia esplénica (recolhe sangue do
baço) com a veia mesentérica superior. A veia esplénica, antes de se
anastomosar com a veia mesentérica superior, recebe a veia mesentérica
inferior. Depois de constituída, a veia porta recebe ainda as veias gástrica
esquerda e prepilórica. Ao chegar nas proximidades do hilo hepático, a veia
porta se bifurca em dois ramos (direito e esquerdo), penetrando assim no
fígado. No interior do fígado, os ramos da veia porta realizam uma
verdadeira rede. Vão se ramificar em venulas de calibre cada vez menor até
a capilarização. Em seguida os capilares vão constituindo novamente
venulas que se reúnem sucessivamente para formar as veias hepáticas as
quais vão desembocar na veia cava inferior. A veia gonodal do lado direito
vai desembocar em um ângulo agudo na veia cava inferior, enquanto a do
lado esquerdo desemboca perpendicularmente na veia renal.

RESUMINDO O SISTEMA PORTA-HEPÁTICO: A circulação porta hepática


desvia o sangue venoso dos órgãos gastrointestinais e do baço para o
fígado antes de retornar ao coração. A veia porta hepática é formada pela
união das veias mesentérica superior e esplénica. A veia mesentérica
superior drena sangue do intestino delgado e partes do intestino grosso,
estômago e pâncreas. A veia esplénica drena sangue do estômago,
pâncreas e partes do intestino grosso. A veia mesentérica inferior, que
desagua na veia esplénica, drena partes do intestino grosso. O fígado
recebe sangue arterial (artéria hepática própria) e venoso (veia porta
hepática) ao mesmo tempo. Por fim, todo o sangue sai do fígado pelas veias
hepáticas que desaguam na veia cava inferior

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Anatomia Humana II

Veias dos membros superiores

As veias profundas dos membros superiores seguem o mesmo trajecto das


artérias dos membros superiores. As veias superficiais dos membros
superiores:
• A veia cefálica tem origem na rede de venulas existente na metade
lateral da região da mão. Em seu percurso ascendente ela passa para
a face anterior do antebraço, a qual percorre do lado radial, sobe pelo
braço onde ocupa o sulco bicipital lateral e depois o sulco
deltopeitoral e em seguida se aprofunda, perfurando a fáscia, para
desembocar na veia axilar.
• A veia basílica origina-se da rede de venulas existente na metade
medial da região dorsal da mão. Ao atingir o antebraço passa para a

Anatomia Humana II – exame teórico Página 65


Anatomia Humana II

face anterior, a qual sobe do lado ulnar. No braço percorre o sulco


bicipital medial até o meio do segmento superior, quando se
aprofunda e perfura a fáscia, para desembocar na veia braquial
medial.
• A veia mediana do antebraço inicia-se com as venulas da região
palmar e sobe pela face anterior do antebraço, paralelamente e entre
as veias cefálica e basílica.
Nas proximidades da área flexora do antebraço, a veia mediana do
antebraço se bifurca, dando a veia mediana cefálica que se dirige
obliquamente para cima e lateralmente para se anastomosar com a veia
cefálica, e a veia mediana basílica que dirige obliquamente para cima e
medialmente para se anastomosar com a veia basílica.
1.2. Veias dos membros inferiores

Anatomia Humana II – exame teórico Página 66


Anatomia Humana II

As veias profundas dos membros inferiores seguem o mesmo trajecto das


artérias dos membros inferiores. As veias superficiais dos membros
inferiores: Veia safena magna: origina-se na rede de venulas da região
dorsal do pé, margeando a borda medial desta região, passa entre o
maléolo medial e o tendão do músculo tibial anterior e sobe pela face
medial da perna e da coxa. Nas proximidades da raiz da coxa ela executa
uma curva para se aprofundar e atravessa um orifício da fáscia lata
chamado de hiato safeno. A veia safena parva: origina-se na região de
venulas na margem lateral da região dorsal do pé, passa por trás do
maléolo lateral e sobe pela linha mediana da face posterior da perna até as
proximidades da prega de flexão do joelho, onde se aprofunda para ir
desembocar em uma das veias poplíteas. A veia safena parva comunica-se
com a veia safena magna por intermédio de vários ramos anastomósticos.
Capilares sanguíneos
Para que os nutrientes e o oxigénio conduzidos pelas artérias beneficiem as
células que formam os tecidos do corpo, devem deixar os vasos
transportadores e entrar no espaço extra vascular entre as células. Os
capilares são tubos endoteliais simples que unem os lados arterial e venoso
da circulação e permitem a troca de materiais com o liquido extracelular
(LEC) ou intersticial. O sangue entra nos leitos capilares através de
arteriolas que controlam o fluxo e é drenado pelas venulas. As paredes dos

Anatomia Humana II – exame teórico Página 67


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capilares são relativamente impermeáveis às proteínas plasmáticas. Os


locais de comunicação anastomoses arteriolo-venulares permitem que o
sangue que está nas artérias passe directamente para as veias sem passar
pelos capilares. O sangue no sistema venoso porta atravessa dois leitos de
capilares antes de retornar para o coração (normalmente atravessa apenas
um leito capilar).

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Sistema linfático
Embora o sistema linfático esteja presente na maior
parte do corpo, grande parte não é visível no cadáver,
este sistema é essencial para a sobrevivência.
Diariamente até 3 litros de líquido não são reabsorvidos
pelos capilares sanguíneos. Além disso parte da proteína
plasmática passa para os espaços extracelulares e o
material originado pelas células não pode atravessar a
parede dos capilares sanguíneos. Se houvesse uns
acúmulos desse material no espaço extracelular poderia
ocorrer uma osmose inversa, atraindo mais líquido para
esse espaço. Não há esse acumulo devido à existência
do sistema linfático, que mantém equilibrado o líquido no
espaço extracelular. O sistema linfático é constituído por:
plexos linfáticos, vasos linfáticos, linfa, linfonodos,
linfócitos e tecido linfóide. Os plexos linfáticos são redes
de capilares linfáticos que são formados por um
endotélio simples, assim é mais fácil para as proteínas plasmáticas,
bactérias, resíduos celulares ou até mesmo células inteiras passarem para
dentro destes plexos. Os vasos linfáticos são uma rede presente em quase
todo o corpo, com vasos de paredes finas com válvulas linfáticas
abundantes. Em indivíduos vivos, estes vasos destacam-se nos locais onde
se encontram as válvulas regularmente separadas conferindo ao sistema
linfático um aspecto de contas. Os vasos linfáticos não estão nos dentes, no
osso, na medula óssea e em toda a parte central do sistema nervoso. A linfa
é um líquido tecidual que entra nos capilares linfáticos e é conduzido por
vasos linfáticos. Geralmente é transparente, aquosa e ligeiramente
amarelada. Os linfonodos são pequenas massas de tecido linfático situados
ao longo do trajecto dos vasos linfáticos nas quais a linfa é filtrada em seu
trajecto até ao sistema venoso. Os linfócitos são células circulantes do
sistema imunitário, que reagem contra materiais estranho. Os tecidos
linfóide são locais onde se produz linfócitos.
Os vasos linfáticos superficiais e profundos atravessam os linfonodos em
seu trajecto no sentido proximal, tornando-se maiores à medida que se
fundem com vasos que drenam regiões adjacentes. Os vasos linfáticos
maiores entram nos grandes vasos colectores, denominados troncos
linfáticos, que se unem para formar o ducto linfático direito ou o ducto
torácico. O ducto linfático direito drena a linfa do quadrante superior direito
do corpo. O ducto torácico drena a linfa restante do corpo. Os troncos
linfáticos que drenam a metade inferior do corpo fundem-se no abdómen,
algumas vezes formando um saco colector dilatado, a cisterna do quilo.
Outras funções do sistema linfático: absorção e transporte de gordura da
alimentação (ex: lácteos) e formação de um mecanismo de defesa para o
corpo (ex: quando há remoção de uma proteína estranha).

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Plexo linfático – pulmão


O plexo linfático superficial situa-se profundamente à pleura visceral e
drena o parênquima pulmonar e a pleura visceral. Os vasos linfáticos deste
plexo superficial drenam para os linfonodos broncopulmonares no hilo do
pulmão. O plexo linfático profundo está localizado na submucosa dos
brônquios e no tecido conjuntivo peribrônquico. Está relacionado
principalmente à drenagem das estruturas que formam que formam a raiz
do pulmão. Os vasos linfáticos desse plexo profundo drenam inicialmente
para os linfonodos intrapulmonares, localizados ao longo dos brônquios
lobares. A linfa dos plexos linfáticos superficiais e profundos drena para os
linfonodos traquebrônquicos superiores e inferiores. O pulmão direito drena
principalmente através dos respectivos conjuntos de linfonodos no lado
direito, e o lobo superior do lobo do pulmão esquerdo drena principalmente
através dos respectivos linfonodos do lado esquerdo. A linfa daqui
proveniente segue para os troncos linfáticos broncomediastinais direito e
esquerdo. O tronco broncomediastinal esquerdo pode terminar no ducto
torácico. O tronco broncomediastinal direito pode chegar até ao ducto
linfático direito curto.

Pleuras e pulmões
Nariz
O nariz é uma protuberância situada no centro da face, sendo sua parte
exterior denominada nariz externo e a escavação que apresenta
interiormente conhecida por cavidade nasal.
O nariz externo tem a forma de uma pirâmide triangular de base inferior e
cuja a face posterior se ajusta verticalmente no 1/3 médio da face. As faces
laterais do nariz apresentam uma saliência semilunar que recebe o nome de
asa do nariz. O ar entra no trato respiratório através de duas aberturas
chamadas narinas. Em seguida, flui pelas cavidades nasais direita e
esquerda, que estão revestidas por mucosa respiratória. O septo nasal
separa essas duas cavidades. Os pêlos do interior das narinas filtram
grandes partículas de poeira que podem ser inaladas. Além disso, a
cavidade nasal contêm células receptoras para o olfacto.
A cavidade nasal é a escavação que encontramos no interior do nariz, ela é
subdividida em dois compartimentos um direito e outro esquerdo. Cada
compartimento dispõe de um orifício anterior que é a narina e um posterior
denominado coana. As coanas fazem a comunicação da cavidade nasal
com a faringe. É na cavidade nasal que o ar torna-se condicionado, ou seja,
é filtrado, humedecido e aquecido. Na parede lateral da cavidade nasal
encontramos as conchas nasais (cornetos) que são divididas em superior,
média e inferior. O esqueleto ósseo do nariz é formado pelo osso frontal,
ossos nasais e maxilares. A cavidade nasal contém várias aberturas de
drenagem, pelas quais o muco dos seios paranasais é drenado. Os seios
paranasais compreendem os seios maxilares, frontal, etmoidal e o
esfenoidal.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 70


Anatomia Humana II

Faringe
A faringe é um tubo que começa nas coanas e estende-se para baixo no
pescoço. Ela se situa logo atrás das cavidades nasais e logo a frente às
vértebras cervicais. Sua parede é composta de músculos esqueléticos e
revestida de túnica mucosa. A faringe funciona como uma passagem de ar e
alimento. É dividida em 3 regiões: nasofaringe, orofaringe e laringofaringe.
A porção superior da faringe, denominada parte nasal ou nasofaringe, tem
as seguintes comunicações: duas com as coanas, dois óstios faríngeos das
tubas auditivas e com a orofaringe. A tuba auditiva se comunica com a
faringe através do ósteo faríngeo da tuba auditiva, que por sua vez conecta
a parte nasal da faringe com a cavidade média timpânica do ouvido. A parte
intermediária da faringe, a orofaringe, situa-se atrás da cavidade oral e
estende-se do palato mole até o nível do hióide. A parte da orofaringe tem
comunicação com a boca e serve de passagem tanto para o ar como para o
alimento. A laringofaringe estende-se para baixo a partir do osso hióide, e
conecta-se com o esófago (canal do alimento) e posteriormente com a
laringe (passagem de ar). Como a parte oral da faringe, a laringofaringe é
uma via respiratória e também uma via digestiva.
Laringe
A laringe é um órgão curto que conecta a faringe com a traqueia. Ela se
situa na linha mediana do pescoço, diante da quarta, quinta e sexta
vértebra cervicais.
A laringe tem três funções:
• Actua como passagem para o ar durante a respiração;
• Produz som, ou seja, a voz (por esta razão é chamada de caixa de
voz);
• Impede que o alimento e objectos estranhos entrem nas estruturas
respiratórias (como a traqueia).
A laringe desempenha função na produção de som, que resulta na fonação.
Na sua superfície interna, encontramos uma fenda ântero-posterior
denominada vestíbulo da laringe, que possui duas pregas: prega vestibular
(cordas vocais falsas) e prega vocal (cordas vocais verdadeiras).

A laringe é uma estrutura triangular constituída principalmente de


cartilagens, músculos e ligamentos. A parede da laringe é composta de
nove peças de cartilagens. Três são ímpares (cartilagem Tiroidea, cricóide e
epiglótica) e três são pares (cartilagem aritnóidea, cuneiforme e
curniculada). A cartilagem tiroidea consiste de cartilagem hialina e forma a
parede anterior e lateral da laringe, é maior nos homens devido à influência

Anatomia Humana II – exame teórico Página 71


Anatomia Humana II

das hormonas durante a fase da puberdade. As margens posteriores das


lâminas apresentam prolongamentos em formas de estiletes grossos e
curtos, denominados cornos superiores e inferiores. A cartilagem cricóide
localiza-se logo abaixo da cartilagem tiróide e antecede a traqueia. A
epiglote se fixa no osso hióide e na cartilagem tiróide. A epiglote é uma
espécie de "porta" para o pulmão, onde apenas o ar ou substâncias gasosas
entram e saem dele. Já substâncias líquidas e sólidas não entram no
pulmão, pois a epiglote fecha-se e este dirige-se ao esófago. A cartilagem
aritnóide articula-se com a cartilagem cricóide, estabelecendo uma
articulação do tipo diartrose. As cartilagens aritnóides são as mais
importantes, porque influenciam as posições e tensões das pregas vocais
(cordas vocais verdadeiras). A cartilagem curniculada situa-se acima da
cartilagem aritnóide. A cartilagem cuneiforme é muito pequena e localiza-se
anteriormente à cartilagem curniculada correspondente, ligando cada
aritnóide à epiglote. As cavidades pulmonares são revestidas por
membranas pleurais (pleura) que também se reflectem e cobrem a
superfície externa dos pulmões contidos nas cavidades.
Pleuras
Cada pulmão é revestido e envolvido por um saco pleural seroso que
consiste em duas membranas contínuas: a pleura visceral – que reveste
toda a superfície pulmonar – e a pleura parietal – que reveste as cavidades
pulmonares. A cavidade pleural é um espaço virtual e contém uma camada
capilar de líquido pleural seroso, este lubrifica as superfícies pleurais e
permite que as camadas pleurais deslizem suavemente uma sobre a outra
durante a respiração. A pleura visceral cobre intimamente o pulmão e está
aderida a todas as superfícies, incluindo as superfícies no interior das
fissuras horizontal e oblíqua, não podendo ser dissecada de suas
superfícies. Este pleura é contínua com a pleura parietal no hilo do pulmão,
onde as estruturas que formam a raiz do pulmão entram e saem. A pleura
parietal reveste as cavidades pulmonares, assim aderindo à parede
torácica, ao mediastino e ao diafragma. É mais volumosa que a pleura
visceral, e esta pleura está dividida em 4 partes: a parte costal cobre as
superfícies internas da parede torácica; a parede mediastinal cobre as faces
laterais do mediastino; a parte diafragmática cobre a superfície superior ou
torácica do diafragma de cada lado do mediastino; e a cúpula da pleura,
esta estende-se através da abertura superior do tórax e entra na raiz do
pescoço, formando uma cúpula pleural caliciforme sobre o ápice do pulmão.
Inferiormente à raiz do pulmão, essa continuidade entre a pleura parietal e
visceral é uma dupla camada “vazia” de pleura - o ligamento pulmonar -
estende-se entre o pulmão e o mediastino, imediatamente anterior ao
esófago.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 72


Anatomia Humana II

• Uma camada fina, mais


elástica da fáscia
endotorácica – fáscia
frenicopleural – une a
parte diafragmática da
pleura às fibras
musculares do
diafragma. A cúpula da
pleura é forçada por um
extensão fibrosa da fáscia endotorácica – membrana suprapleural –
que se fixa à borda interna da 1ª costela e ao processo transverso da
vértebra C7.

Existem linhas de reflexão das pleuras que consistem em linhas


relativamente abruptas as quais a pleura muda de direcção à medida que
passa de um à outra parede da cavidade:
• Linha esternal de reflexão pleural é abrupta e ocorre no local onde a
pleura costal torna-se continua com a pleura mediastinal;
o A direita segue inferiormente o plano mediano até a face
posterior do processo xifoide;
o A esquerda segue inferiormente o plano mediano apenas até
ao nível da 4ª cartilagem costal.
• A linha costal de reflexão pleural também é abrupta e ocorre o local
onde a pleura costal se torna contínua com a pleura diafragmática
inferiormente.
• A linha vertebral de reflexão pleural é esta é muito arredondada e
gradual e ocorre no local onde a pleura costal torna-se continua com
a pleura mediastinal posteriormente.

Os pulmões não ocupam completamente as cavidades pulmonares durante


a expiração. Assim, a pleura diafragmática periférica está me contacto com
as partes mais inferiores da pleura costal. Os espaços virtuais aqui são os
recessos costodiafragmáticos, que circundam a convexidade superior do
diafragma dentro da parede diafragmática. Recessos pleurais semelhantes,
mas mais pequenos, estão localizados posteriormente ao esterno, onde a

Anatomia Humana II – exame teórico Página 73


Anatomia Humana II

pleura costal está em contacto com a pleura mediastinal. Os espaços


pleurais virtuais aqui são os recessos mediastinais. O recesso esquerdo é
potencialmente maior devido à incisura cardíaca no pulmão esquerdo.
NOTA:
As bordas inferiores dos pulmões aproximam-se dos recessos pleurais
durante a inspiração e afastam-se deles durante a expiração.

Pulmões
A sua principal função é oxigenar o sangue colocando o ar inspirado bem
próximo do sangue venoso nos capilares pulmonares. Os pulmões em
pessoas vivas e saudáveis são normalmente leves, macios e esponjosos, e
ocupam totalmente as cavidades pulmonares. Também são elásticos e
retraem-se para aproximadamente 1/3 do tamanho original quando a
cavidade torácica é aberta. Os pulmões são separados um dos outros pelo
mediastino, ao qual estão fixados nas raízes dos pulmões – brônquios e
vasos associados (artérias e veias pulmonares, plexos pulmonares nervosos,
vasos linfáticos).

Anatomia Humana II – exame teórico Página 74


Anatomia Humana II

NOTA:
Antes da ramificação do
brônquio a configuração
geral é:
• Artéria pulmonar
superior à
esquerda;
• Veias pulmonares
superior e inferior,
mais interior e
mais inferior,
respectivamente;
• Brônquio
aproximadamente
ao meio do limite
posterior, com os
vasos brônquicos
imediatamente

Medial ao hilo, a raiz está encerrada na área de continuidade entre as


lâminas parietal e visceral de pleura – a bainha pleural ou mesopneumonio.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 75


Anatomia Humana II

NOTA:
O hilo do pulmão é uma área cuneiforme da superfície medial de cada
pulmão, o ponto no qual as estruturas que formam a raiz entram e saem
do pulmão. O hilo pode ser comparado à área da terra na qual as raízes
de uma planta penetram no solo,

A fissura horizontal e oblíqua dividem os pulmões em lobos. O pulmão


possui 3 lobos o pulmão possui 2. O pulmão direito é mais pesado do que o
esquerdo, porém é mais curto e mais largo,
porque a cúpula direita do diafragma é mais alta
e o coração e o pericárdio são mais salientes à
esquerda. A borda anterior do pulmão é
relativamente recta, enquanto essa borda do
pulmão esquerdo possui uma incisura cardíaca
profunda. A língula estende-se abaixo da incisura
cardíaca e desliza para dentro e para fora do
recesso costomediastinal durante a inspiração e a
expiração. Cada pulmão possui: um ápice é uma
extremidade superior arredondada do pulmão
que fica em cima da 1ª costela até a raiz do
pescoço, recoberta pela cúpula da pleura; 3 faces (costal, mediastinal e
diafragmática) e 3 margens (anterior, inferior e posterior). A face costal do
pulmão é: grande, lisa e convexa. Está relacionada à pleura costal, que a
separa das costelas, cartilagens costais e dos músculos intercostais íntimos.
A parte posterior desta face está relacionada aos corpos das vértebras
torácicas e algumas vezes denominada – parte vertebral da face costal. A
face mediastinal do pulmão é côncava, porque está relacionado ao
mediastino médio, que contém o pericárdio e o coração. Esta face inclui o
hilo e assim recebe a raiz do pulmão, ao redor do qual a pleura forma a
bainha pleural. O ligamento pulmonar pende inferiormente da bainha
pleural ao redor da raiz pulmonar. Há um sulco para o esófago e uma
impressão cardíaca na face mediastinal do pulmão direito. Esta face do
pulmão esquerdo também possui um sulco contínuo e proeminente para o
arco da aorta e a aorta descendente e também um sulco menor para o
esófago. A face diafragmática do pulmão esquerdo, que também é côncava,
forma a base do pulmão, que se apoia sobre a cúpula diafragmática. A
concavidade é mais profunda no pulmão direito devido à posição mais alta
da cúpula direita do diafragma, que fica sobre o fígado, que é grande. A
margem anterior do pulmão é o local onde as faces costal e mediastinal se
encontram anteriormente e se sobrepõe ao coração – a incisura cardíaca
entalha esta margem do pulmão esquerdo. A margem inferior do pulmão
circunscreve a face diafragmática do pulmão e a separa das faces costal e
mediastinal. A margem posterior do pulmão é o local onde as faces costal e
mediastinal se encontram posteriormente – é larga e arredondada e situa-se
na cavidade ao lado da região torácica da coluna vertebral.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 76


Anatomia Humana II

Traqueia e brônquios
As paredes das vias aéreas são sustentadas por anéis de cartilagens hialina
em formato de ferradura que constitui a árvore traqueobrônquica.

O brônquio principal direito é mais calibroso, mais curto e mais vertical que
o brônquio principal esquerdo, porque entra directamente no hilo do
pulmão. O brônquio principal esquerdo segue ínfero-lateralmente, abaixo do
arco da aorta e anterior ao esófago e à aorta torácica, para chegar ao hilo
do pulmão.

Nos pulmões, os brônquios ramificam-se de forma constante para formar as


raízes da árvore traqueobrônquica, como componentes da raiz de cada
pulmão. Cada brônquio principal divide-se em brônquios lobares, dois à
esquerda e três à direita, cada qual suprindo um lobo do pulmão. Cada
brônquio lobar divide-se em vários brônquios segmentares que suprem os
segmentos broncopulmonares. Os segmentos broncopulmonares são:
• Segmentos piramidais do pulmão, com seus ápices voltados para a
raiz do pulmão e suas bases na superfície pleural;
• As maiores subdivisões de um lobo;
• Separadores segmentares adjacentes por septos do tecido conjuntivo;
• Supridos independentemente por um brônquio segmentar e um ramo
terciário da artéria pulmonar;
• Designados de acordo com o brônquio segmentar que o suprem.

Os nervos dos pulmões e da pleura visceral são derivados dos plexos


pulmonares anteriores e posteriores às raízes dos pulmões. Estas redes
nervosas contêm fibras parassimpáticas – nervo vago – e fibras simpáticas –
troncos simpáticos. As células ganglionares parassimpáticas estão situadas
nos plexos pulmonares e ao longo dos ramos da árvore brônquica. As

Anatomia Humana II – exame teórico Página 77


Anatomia Humana II

células ganglionares simpáticas estão situadas nos gânglios simpáticos


paravertebrais dos troncos simpáticos.

Circulação sistémica (brônquica)


Esta circulação destina-se à nutrição das estruturas pulmonares. O sistema
brônquico apresenta pressão sistémica, com a resistência elevada e a
perfusão muito reduzida. É importante ressaltar que, quando ocorrem
determinadas pneumopatias ou em casos de interrupção da circulação
pulmonar, podem-se abrir anastomoses pré-capilares entre artérias
brônquicas e pulmonares. Com isso, a perfusão brônquica para o pulmão
lesado é aumentada consideravelmente. O volume total de sangue
circulante nos pulmões é de aproximadamente 450 ml, cerca de 9% do
volume total de sangue existente no sistema circulatório. Cerca de 70 ml
desse sangue total encontram-se nos capilares, estando o resto dividido de
modo aproximadamente igual entre as artérias e as veias. Como o volume
da circulação sistémica é de aproximadamente nove vezes o da circulação
pulmonar, a passagem de sangue de um sistema para o outro, afecta
grandemente a circulação pulmonar, mas usualmente tem efeito apenas
modestos sobre a circulação sistémica. Os factores que controlam o débito
cardíaco, principalmente os factores periféricos, controlam também o fluxo
sanguíneo pulmonar. Isso porque volume de sangue que flui através dos
pulmões é essencialmente igual ao débito cardíaco. Na circulação pulmonar
quando os níveis de oxigénio estão extremamente baixos, a resistência
vascular aumenta cerca de cinco vezes além do seu valor normal. Como
exemplo, podemos citar uma situação onde a concentração de oxigénio nos
alvéolos diminui abaixo do normal, especialmente quando ela cai a menos
de 70% do normal (PO2 abaixo de 70 mm Hg), com isso os vasos
sanguíneos adjacentes entram lentamente em constrição. Esse efeito é o
oposto do normalmente observado nos vasos sistémicos, os quais dilatam-
se quando expostos a baixas tensões de oxigénio, ao invés de contraírem-
se. Acredita-se que isso ocorra devido a uma liberação pelo tecido pulmonar
de substâncias vasoconstritoras, frente a uma baixa concentração de
oxigénio. O efeito que o baixo nível de oxigenação causa sobre a resistência
vascular pulmonar tem uma importante função; que é dirigir o fluxo de
sangue para as áreas onde ele será mais útil. Exemplificando, quando uma
parte dos alvéolos apresenta baixa concentração de oxigénio, os vasos que
se dirigem para esse local entram em constrição. Com isso, a maior parte do
sangue será distribuída para outras áreas dos pulmões, mais bem arejadas.
Dessa forma, estabelece-se um mecanismo automático de distribuição do
fluxo sanguíneo para as diferentes áreas pulmonares em proporção ao seu
grau de ventilação.
Respiração bocal (curiosidade)

As fossas nasais são o início da árvore respiratória e são divididas pelo


septo nasal que, por sua vez, é formado por uma estrutura
osteocartilaginosa. A porção mais interna do nariz é chamada de coanas e

Anatomia Humana II – exame teórico Página 78


Anatomia Humana II

está em contacto com a rinofaringe. A porção mais externa é chamada de


narinas. Existe uma parede externa ou lateral composta por três saliências
que são denominadas cornetos e o espaço existente entre eles é
denominado meato. O meato mais importante é o médio, pois ali drenam os
seios frontais, maxilar e etmóide anterior; no meato superior, drenam os
seios esfenóides e etmóide posterior; e no meato interior, desemboca o
canal lacrimonasal. As fossas nasais são muito importantes na fisiologia
respiratória, pois têm como funções a filtragem ou purificação, o
aquecimento, a humidificação do ar inspirado e olfacto. São cobertas por
uma mucosa denominada pituitária, que é muito vascularizada e que sofre
alterações de alergias e resfriados. Sua superfície é revestida por uma
camada epitelial.
O ar inspirado faz uma trajectória representada por uma curva cujo vértice
atinge o meato médio e cujas extremidades são as narinas e as coanas.
Existe uma corrente principal, uma inferior (secundária) e outra superior
(olfactiva). A faringe é um conduto músculo membranoso que se segue às
fossas nasais e à cavidade bucal, terminando abaixo, na entrada da laringe
e boca do esófago, podendo dar passagem ao ar da respiração ou ao bolo
alimentar.
É dividida em três porções: a porção superior ou nasal (nasofaringe ou
cavum); a porção média ou bucal (orofaringe) e a porção inferior ou laríngea
(hipofaringe ou laringofaringe). As vegetações adenóides encontram-se na
parede superior do cavum. O orifício da tuba auditiva é encontrado na
parede lateral do cavum que estabelece comunicação da nasofaringe com a
orelha média. Na orofaringe encontramos as amígdalas palatinas e na base
da língua a amígdala lingual. O anel linfático de Waldeyer é formado pelas
vegetações adenóides, amígdalas palatinas e linguais. A superfície interna
da faringe é coberta por uma mucosa faríngea, que é revestida por epitélio
cilíndrico ciliado vibrátil.

Mediastino
O mediastino ocupado pela massa de tecido entre as cavidades pulmonares,
é o compartimento central da cavidade torácica. É coberto de cada lado
pela pleura mediastinal e contém todas as vísceras e estruturas torácicas,
excepto os pulmões. O mediastino estende-se da abertura superior do tórax
até ao diafragma inferiormente e do esterno e das cartilagens costais
anteriormente até os corpos das vertebrais torácicas posteriormente. Nos
indivíduos vivos é uma região muito móvel, porque consiste principalmente
em estruturas viscerais ocas unidas apenas por tecido conjuntivo frouxo,
frequentemente infiltrado com gordura. O mediastino também é circundado
vasos sanguíneos, linfáticos, linfonodos, nervos e gordura. Para fins de
descrição, o mediastino é artificialmente dividido em parte superior e
inferior. O mediastino superior estende-se inferiormente da abertura
superior do tórax até o plano horizontal que inclui o ângulo esternal
anteriormente e passa aproximadamente através da junção das vértebras
T4 e T5 posteriormente, frequentemente definido como plano transverso do
tórax. O mediastino inferior situado entre este plano e o diafragma. O

Anatomia Humana II – exame teórico Página 79


Anatomia Humana II

pericárdio e o seu conteúdo constituem o mediastino médio. Algumas


estruturas, como o esófago, seguem verticalmente através do mediastino e
portanto situam-se em mais de um comportamento mediastino.

Pericárdio
O mediastino médio inclui o pericárdio, o coração e as raízes de seus
grandes vasos – aorta ascendente, tronco pulmonares e Veia Cava Superior
– que entram e saem do coração. O pericárdio é uma membrana
fibrosserosa que cobre o coração e o inicio de seus grandes vasos. O
pericárdio é um saco fechado formado por duas camadas: camada externa
resistente, o pericárdio fibroso é contínua com o tendão central do
diafragma. A superfície interna do pericárdio fibroso é revestida por uma
membrana serosa brilhante – lâmina parietal do pericárdio seroso. Esta
lâmina é reflectida sobre o coração nos grandes vasos – aorta tronco e veias
pulmonares e, veias cavas superior e inferior – como a lâmina visceral do
pericárdio seroso. O pericárdio seroso é constituído essencialmente por
mesotélio, uma única camada de células achatadas que formam um epitélio
que reveste a superfície interna do pericárdio fibroso e a superfície externa
do coração.
Características do pericárdio fibroso:
• Continuo superiormente com a túnica adventícia dos grandes vasos
que entram e saem do coração e com a lâmina pré-traqueal da fáscia
cervical profunda;
• Fixado anteriormente à superfície posterior do esterno pelos
ligamentos esternopericardicos, que são muito variáveis em seu
desenvolvimento;
• Unido posteriormente por um tecido frouxo às estruturas no
mediastino posterior;
• É contínuo inferiormente com tendão central do diafragma.
A parede inferior do saco pericárdico fibroso encontra-se firmemente fixada
centralmente devido ao ligamento pericardicofrénico. O pericárdio fibroso
protege o coração contra o superenchimento súbito, porque é tão inflexível
quanto intimamente relacionado aos grandes vasos que o perfuram
superiormente. A aorta ascendente leva o pericárdio superiormente além do
coração até o nível do ângulo esternal. A cavidade pericárdica é um espaço
virtual entre as camadas opostas das lâminas parietal e visceral do
pericárdico seroso. Existe uma camada muito fina de líquido para não haver
atrito aquando o batimento cardíaco. A lâmina visceral do pericárdio seroso
constitui o Epicárdio (camada mais externa da parede cardíaca) – estende-
se sobre o inicio dos grandes vasos, tornando-se contínua com a lâmina
parietal do pericárdio e seroso, onde a aorta e o tronco pulmonar deixam o
coração, onde a VCS e VCI e veias pulmonares entram no coração. À medida
que as veias do coração se desenvolvem e se expandem, uma reflexão
pericárdica que as circunda forma o seio obliquo do pericárdio. Este está
aberto inferiormente.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 80


Anatomia Humana II

A inervação do pericárdio pelos nervos frénicos e o trajecto desses nervos


somáticos entre o coração e os pulmões fazem pouco sentido, excepto se
for considerado o desenvolvimento do pericárdio fibroso.

Coração e grandes vasos

Apesar de toda a sua potência, o coração, em forma de cone, é


relativamente pequeno, aproximadamente do tamanho do punho fechado,
cerca de 12 cm de comprimento, 9 cm de largura em sua parte mais ampla
e 6 cm de espessura. Sua massa é, em média, de 250g, nas mulheres
adultas, e 300g, nos homens adultos. O coração fica apoiado sobre o
diafragma, perto da linha média da cavidade torácica, no mediastino, a
massa de tecido que se estende do esterno à coluna vertebral; e entre os
revestimentos (pleuras) dos pulmões. Cerca de 2/3 de massa cardíaca ficam
a esquerda da linha média do corpo. A posição do coração, no mediastino, é
mais facilmente apreciada pelo exame de suas extremidades, superfícies e
limites. A extremidade pontuda do coração é o ápice, dirigida para frente,
para baixo e para a esquerda. A porção mais larga do coração, oposta ao
ápice, é a base, dirigida para trás, para cima e para a direita.
Limites do Coração
A superfície anterior fica logo abaixo do esterno e das costelas. A superfície
inferior é a parte do coração que, em sua maior parte repousa sobre o
diafragma, correspondendo a região entre o ápice e aborda direita. A borda
direita está voltada para o pulmão direito e se estende da superfície inferior
à base; a borda esquerda, também chamada borda pulmonar, fica voltada
para o pulmão esquerdo, estendendo-se da base ao ápice. Como limite
superior encontra-se os grandes vasos do coração e posteriormente a
traqueia, o esófago e a artéria aorta descendente.
Camadas da parede cardíaca
• Pericárdio: a membrana que reveste e protege o coração. Ele
restringe o coração à sua posição no mediastino, embora permita
suficiente liberdade de movimentação para contracções vigorosas e
rápidas. O pericárdio consiste em duas partes principais: pericárdio
fibroso e pericárdio seroso. Pericárdio: a membrana que reveste e
protege o coração. Ele restringe o coração à sua posição no
mediastino, embora permita suficiente liberdade de movimentação
para contracções vigorosas e rápidas. O pericárdio consiste em duas
partes principais: pericárdio fibroso e pericárdio seroso.
• Miocárdio: é a camada média e a mais espessa do coração. É
composto de músculo estriado cardíaco. É esse tipo de músculo que
permite que o coração se contraia e, portanto, impulsione sangue, ou
o force para o interior dos vasos sanguíneos.
• Endocárdio: é a camada mais interna do coração. É uma fina camada
de tecido composto por epitélio pavimentoso simples sobre uma
camada de tecido conjuntivo. A superfície lisa e brilhante permite que

Anatomia Humana II – exame teórico Página 81


Anatomia Humana II

o sangue corra facilmente sobre ela. O Endocárdio também reveste


as valvas e é contínuo com o revestimento dos vasos sanguíneos que
entram e saem do coração
Configuração interna
Aurícula direita
O átrio direito forma a borda direita do coração e recebe sangue rico em
dióxido de carbono (venoso) de três veias: veia cava superior, veia cava
inferior e seio coronário. A veia cava superior, recolhe sangue da cabeça e
parte superior do corpo, já a inferior recebe sangue das partes mais
inferiores do corpo (abdómen e membros inferiores) e o seio coronário
recebe o sangue que nutriu o miocárdio e leva o sangue ao átrio direito.
Enquanto a parede posterior do átrio direito é lisa, a parede anterior é
rugosa, devido a presença de cristas musculares, chamados músculos
pectinados. O sangue passa do átrio direito para ventrículo direito através
de uma válvula chamada tricúspide (formada por três folhetos - válvulas ou
cúspides). Na parede medial do átrio direito, que é constituída pelo septo
interatrial, encontramos uma depressão que é a fossa oval. Anteriormente,
o átrio direito apresenta uma expansão piramidal denominada aurícula
direita, que serve para amortecer o impulso do sangue ao penetrar no átrio.
Os orifícios onde as veias cavas desembocam têm os nomes de óstios das
veias cavas. O orifício de desembocadura do seio coronário é chamado de
óstio do seio coronário e encontramos também uma lâmina que impede que
o sangue retorne do átrio para o seio coronário que é denominada de
válvula do seio coronário.

Aurícula direita
O átrio esquerdo é uma cavidade de parede fina, com paredes posteriores e
anteriores lisas, que recebe o sangue já oxigenado; por meio de quatro
veias pulmonares. O sangue passa do átrio esquerdo para o ventrículo
esquerdo, através da valva bicúspide (mitral), que tem apenas duas
cúspides. O átrio esquerdo também apresenta uma expansão piramidal
chamada aurícula esquerda.

1.2.1. Ventrículo direito

O ventrículo direito forma a maior parte da superfície anterior do coração. O


seu interior apresenta uma série de feixes elevados de fibras musculares
cardíacas chamadas trabéculas carnosas. No óstio atrioventricular direito
existe um aparelho denominado valva tricúspide que serve para impedir
que o sangue retorne do ventrículo para o átrio direito. Essa valva é
constituída por três lâminas membranáceas, esbranquiçadas e
irregularmente triangulares, de base implantada nas bordas do óstio e o
ápice dirigido para baixo e preso às paredes do ventrículo por intermédio de
filamentos. Cada lâmina é denominada cúspide. Temos uma cúspide
anterior, outra posterior e outra septal. O ápice das cúspides é preso por
filamentos denominados cordas tendíneas, as quais se inserem em

Anatomia Humana II – exame teórico Página 82


Anatomia Humana II

pequenas colunas cárneas chamadas de músculos papilares. A valva do


tronco pulmonar também é constituída por pequenas lâminas, porém estas
estão dispostas em concha, denominadas válvulas semilunares (anterior,
esquerda e direita). No centro da borda livre de cada uma das válvulas
encontramos pequenos nódulos denominados nódulos das válvulas
semilunares (pulmonares).

Ventrículo esquerdo
O ventrículo esquerdo forma o ápice do coração. No óstio atrioventricular
esquerdo, encontramos a valva atrioventricular esquerda, constituída
apenas por duas laminas denominadas cúspides (anterior e posterior). Essas
valvas são denominadas bicúspides. Como o ventrículo direito, também tem
trabéculas carnosas e cordas tendíneas, que fixam as cúspides da valva
bicúspide aos músculos papilares. O sangue passa do átrio esquerdo para o
ventrículo esquerdo através do óstio atrioventricular esquerdo onde localiza-
se a valva bicúspide (mitral). Do ventrículo esquerdo o sangue sai para a
maior artéria do corpo, a aorta ascendente, passando pela valva aórtica -
constituída por três válvulas semilunares: direita, esquerda e posterior. Daí,
parte do sangue flui para as artérias coronárias, que se ramificam a partir
da aorta ascendente, levando sangue para a parede cardíaca; o restante do
sangue passa para o arco da aorta e para a aorta descendente (aorta
torácica e aorta abdominal). Ramos do arco da aorta e da aorta
descendente levam sangue para todo o corpo. O ventrículo esquerdo recebe
sangue oxigenado do átrio esquerdo. A principal função do ventrículo
esquerdo é bombear sangue para a circulação sistémica (corpo). A parede
ventricular esquerda é mais espessa que a do ventrículo direito. Essa
diferença se deve à maior força necessária para bombear sangue para a
circulação sistémica.

Ciclo cardíaco
Um ciclo cardíaco único inclui todos os eventos associados a um batimento
cardíaco. No ciclo cardíaco normal os dois átrios se contraem, enquanto os
dois ventrículos relaxam e vice-versa. O termo sístole designa a fase de
contracção; a fase de relaxamento é designada como diástole. Quando o
coração bate, os átrios contraem-se primeiramente (sístole atrial), forçando
o sangue para os ventrículos. Uma vez preenchidos, os dois ventrículos
contraem-se (sístole ventricular) e forçam o sangue para fora do coração.
Para que o coração seja eficiente na sua acção de bombeamento, é
necessário mais que a contracção rítmica de suas fibras musculares. A
direcção do fluxo sanguíneo deve ser orientada e controlada, o que é obtido
por quatro valvas já citadas anteriormente: duas localizadas entre o átrio e
o ventrículo - atrioventriculares (valva tricúspide e bicúspide); e duas
localizadas entre os ventrículos e as grandes artérias que transportam
sangue para fora do coração - semilunares (valva pulmonar e aórtica).
Complemento: As valvas e válvulas são para impedir este comportamento
anormal do sangue, para impedir que ocorra o refluxo elas fecham após a
passagem do sangue. Sístole é a contracção do músculo cardíaco, temos a

Anatomia Humana II – exame teórico Página 83


Anatomia Humana II

sístole atrial que impulsiona sangue para os ventrículos. Assim as valvas


atrioventriculares estão abertas à passagem de sangue e a pulmonar e a
aórtica estão fechadas. Na sístole ventricular as valvas atrioventriculares
estão fechadas e as semilunares abertas a passagem de sangue. Diástole é
o relaxamento do músculo cardíaco, é quando os ventrículos se enchem de
sangue, neste momento as valvas atrioventriculares estão abertas e as
semilunares estão fechadas. Em conclusão disso podemos dizer que o ciclo
cardíaco compreende:
1- Sístole atrial
2- Sístole ventricular
3- Diástole ventricular
Inervação:
A inervação do músculo cardíaco é de duas formas: extrínseca que provém
de nervos situados fora do coração e outra intrínseca que constitui um
sistema só encontrado no coração e que se localiza no seu interior. A
inervação extrínseca deriva do sistema nervoso autónomo, isto é, simpático
e parassimpático. Do simpático, o coração recebe os nervos cardíacos
simpáticos, sendo três cervicais e quatro ou cinco torácicos. As fibras
parassimpáticas que vão ter ao coração seguem pelo nervo vago (X par
craniano), do qual derivam nervos cardíacos parassimpáticos, sendo dois
cervicais e um torácico. Fisiologicamente o simpático acelera e o
parassimpático retarda os batimentos cardíacos. A inervação intrínseca ou
sistema de condução do coração é a razão dos batimentos contínuos do
coração. É uma actividade eléctrica, intrínseca e rítmica, que se origina em
uma rede de fibras musculares cardíacas especializadas, chamadas células
auto-rítmicas (marca passo cardíaco), por serem auto-excitáveis. A
excitação cardíaca começa no nó sino-atrial (SA), situado na parede atrial
direita, inferior a abertura da veia cava superior. Propagando-se ao longo
das fibras musculares atriais, o potencial de acção atinge o nó
atrioventricular (AV), situado no septo interatrial, anterior a abertura do seio
coronário. Do nó AV, o potencial de acção chega ao feixe atrioventricular
(feixe de His), que é a única conexão eléctrica entre os átrios e os
ventrículos. Após ser conduzido ao longo do feixe AV, o potencial de acção
entra nos ramos direito e esquerdo, que cruzam o septo interventricular, em
direcção ao ápice cardíaco. Finalmente, as miofibras condutoras (fibras de
Purkinge), conduzem rapidamente o potencial de acção, primeiro para o
ápice do ventrículo e após para o restante do miocárdio ventricular.

Sistema digestivo
Funções
• Destina-se ao aproveitamento pelo organismo, de substâncias
estranhas ditas alimentares, que asseguram a manutenção de seus
processos vitais.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 84


Anatomia Humana II

• Transformação mecânica e química das macromóléculas alimentares


ingeridas (proteínas, carbohidratos, etc.) em moléculas de tamanhos
e formas adequadas para serem absorvidas pelo intestino.

• Transporte de alimentos digeridos, água e sais minerais da luz


intestinal para os capilares sanguíneos da mucosa do intestino.

• Eliminação de resíduos alimentares não digeridos e não absorvidos


juntamente com restos de células descamadas da parte do trato
gastrointestinal e substâncias secretadas na luz do intestino.

Mastigação: Desintegração parcial dos alimentos, processo mecânico e químico.

Deglutição: Condução dos alimentos através da faringe para o esófago.

Ingestão: Introdução do alimento no estômago.

Digestão: Desdobramento do alimento em moléculas mais simples.

Absorção: Processo realizado pelos intestinos.

Defecação: Eliminação de substâncias não digeridas do trato gastrointestinal

Boca
A boca também referida como cavidade oral ou bucal é formada pelas
bochechas (formam as paredes laterais da face e são constituídas
externamente por pele e internamente por mucosa), pelos palatos duro
(parede superior) e mole (parede posterior) e pela língua (importante para o
transporte de alimentos, sentido do gosto e fala). O palato mole se estende
posteriormente na cavidade bucal como a úvula, que é uma estrutura com
forma de letra V e que está suspensa na região superior e posterior da
cavidade bucal. A cavidade da boca é onde o alimento é ingerido e
preparado para a digestão no estômago e intestino delgado. O alimento é
mastigado pelos dentes, e a saliva, proveniente das glândulas salivares,
facilita a formação de um bolo alimentar controlável. A deglutição é iniciada
voluntariamente na cavidade da boca. A fase voluntária do processo
empurra o bolo da cavidade da boca para a faringe – a parte expandida do
trato digestiva– onde ocorra a fase automática da deglutição.
A cavidade da boca consiste em duas partes: o vestíbulo da boca e a
cavidade própria da boca. O vestíbulo da boca é o espaço semelhante a
uma fenda entre os dentes e a gengiva e os lábios e as bochechas. A
cavidade própria da boca é o espaço entre os arcos dentais superior e
inferior. É limitada lateral e anteriormente pelos arcos alveolares maxilares
e mandibulares que alojam os dentes. O teto da cavidade da boca é
formado pelo palato. Posteriormente, a cavidade da boca se comunica com
a parte oral da faringe. Quando a boca está fechada e em repouso, a
cavidade da boca é completamente ocupada pela língua.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 85


Anatomia Humana II

Dentes
Os dentes são estruturas cónicas, duras, fixadas nos alvéolos da mandíbula
e maxila que são usados na mastigação e na assistência à fala. Crianças
têm 20 dentes decíduos (primários ou de leite). Adultos normalmente
possuem 32 dentes secundários. Na época em que a criança está com 2
anos de idade, provavelmente já estará com um conjunto completo de 20
dentes de leite. Quando um adulto jovem já está com algo entre 17 e 24
anos de idade, geralmente está presente em sua boca um conjunto
completo de 32 dentes permanentes

Língua
A língua é o principal órgão do sentido do gosto e um importante órgão da
fala, além de auxiliar na mastigação e deglutição dos alimentos. Localiza-se
no soalho da boca, dentro da curva do corpo da mandíbula. A raiz é a parte
posterior, por onde se liga ao osso hióide pelos músculos hioglosso e
genioglosso e pela membrana glossohióidea; à epiglote, por três pregas da
mucosa; ao palato mole, pelos arcos palato-glossos, e a faringe, pelos
músculos constritores superiores da faringe e pela mucosa. O ápice é a
extremidade anterior, um tanto arredondada, que se apoia contra a face
lingual dos dentes incisivos inferiores. A face inferior possui uma mucosa
entre o soalho da boca e a língua na linha mediana que forma uma prega
vertical nítida, o frênulo da língua. No dorso da língua encontramos um
sulco mediano que divide a língua em metades simétricas. Nos 2/3
anteriores do dorso da língua encontramos as papilas linguais. Já no 1/3
posterior encontramos numerosas glândulas mucosas e folículos linfáticos
(tonsila lingual).
• Papilas Linguais - são projecções do cório, abundantemente
distribuídas nos 2/3 anteriores da língua, dando a essa região uma
aspereza característica. Os tipos de papilas são: papilas valadas,
fungiformes, filiformes e simples.
• Músculos da Língua - a língua é dividida em metades por um septo
fibroso mediano que se estende por todo o seu comprimento e se fixa
inferiormente no osso hióide. Em cada metade há dois conjuntos de
músculos, extrínsecos e intrínsecos. Os músculos extrínsecos são:
genioglosso, hioglosso, condroglosso, estiloglosso e palatoglosso. Os
intrínsecos são: longitudinal superior, longitudinal inferior, transverso
e vertical.
Faringe
A faringe é um tubo que se estende da boca até o esófago. A faringe
apresenta suas paredes muito espessas devido ao volume dos músculos
que a revestem externamente, por dentro, o órgão é forrado pela mucosa
faríngea, um epitélio liso, que facilita a rápida passagem do alimento. O
movimento do alimento, da boca para o estômago, é realizado pelo ato da
deglutição. A deglutição é facilitada pela saliva e muco e envolve a boca, a
faringe e o esófago.
Três estágios:

Anatomia Humana II – exame teórico Página 86


Anatomia Humana II

• Voluntário: no qual o bolo alimentar é passado para a parte oral da


faringe.
• Faríngeo: passagem involuntária do bolo alimentar pela faringe para o
esófago.
• Esofágico: passagem involuntária do bolo alimentar pelo esófago para
o estômago.
Limites da Faringe:
• Superior - corpo do esfenóide e porção basilar do osso occipital
• Inferior - esófago
• Posterior - coluna vertebral e fáscia dos músculos longo do pescoço e
longo da cabeça
• Anterior - processo pterigoídeo, mandíbula, língua, osso hióide e
cartilagens tiróide e cricóide
• Lateral - processo estilóide e seus músculos
A faringe pode ainda ser dividida em três partes: nasal (nasofaringe), oral
(orofaringe) e laríngea (laringofaringe).
• Parte Nasal - situa-se posteriormente ao nariz e acima do palato mole
e se diferencia da outras duas partes por sua cavidade permanecer
sempre aberta. Comunica-se anteriormente com as cavidades nasais
através das coanas. Na parede posterior encontra-se a tonsila
faríngea (adenóide em crianças).
• Parte Oral - estende-se do palato mole até o osso hióide. Em sua
parede lateral encontra-se a tonsila palatina.
• Parte Laríngea - estende-se do osso hióide à cartilagem cricóide. De
cada lado do orifício laríngeo encontra-se um recesso denominado
seio piriforme.
A faringe comunica-se com as vias nasal, respiratória e digestiva. O ato da
deglutição normalmente direcciona o alimento da garganta para o esófago,
um longo tubo que se esvazia no estômago. Durante a deglutição, o
alimento normalmente não pode entrar na via nasal e respiratória em razão
do fechamento temporário das aberturas dessas vias. Assim durante a
deglutição, o palato mole move-se em direcção a abertura da parte nasal da
faringe; a abertura da laringe é fechada quando a traqueia move-se para
cima e permite a uma prega de tecido, chamada de epiglote, cubra a
entrada da via respiratória. O movimento da laringe também
simultaneamente puxa as cordas vocais e aumentando a abertura entre a
parte laríngea da faringe e o esófago. O bolo alimentar passa pela parte
laríngea da faringe e entra no esófago em 1-2 segundos.
Esófago
O esófago é um tubo fibro-músculo-mucoso que se estende entre a faringe
e o estômago. Se localiza posteriormente à traqueia começando na altura
da 7ª vértebra cervical. Perfura o diafragma pela abertura chamada hiato
esofágico e termina na parte superior do estômago. Mede cerca de 25
centímetros de comprimento. A presença de alimento no interior do esófago
estimula a actividade peristáltica, e faz com que o alimento mova-se para o
estômago.
As contracções são repetidas em ondas que empurram o alimento em
direcção ao estômago. A passagem do alimento sólido, ou semi-sólido, da

Anatomia Humana II – exame teórico Página 87


Anatomia Humana II

boca para o estômago leva 4-8 segundos; alimentos muito moles e líquidos
passam cerca de 1 segundo.
Ocasionalmente, o refluxo do conteúdo do estômago para o interior do
esófago causa azia (ou pirose). A sensação de queimação é um resultado da
alta acidez do conteúdo estomacal.
O refluxo gastresofágico se dá quando o esfíncter esofágico inferior
(localizado na parte superior do esófago) não se fecha adequadamente após
o alimento ter entrado no estômago, o conteúdo pode refluir para a parte
inferior do esófago.
O esófago é formado por três porções:
• Porção Cervical: porção que está em contacto íntimo com a traqueia.
• Porção Torácica: é a porção mais importante, passa por trás do
brônquio esquerdo (mediastino superior, entre a traqueia e a coluna
vertebral).
• Porção Abdominal: repousa sobre o diafragma e pressiona o fígado,
formando nele a impressão esofágica.
Estômago
O estômago está situado no abdómen, logo abaixo do diafragma,
anteriormente ao pâncreas, superiormente ao duodeno e a esquerda do
fígado. É parcialmente coberto pelas costelas. O estômago está localizado
no quadrante superior esquerdo do abdómen (Ver quadrantes abdominais
no menu principal), entre o fígado e o baço. O estômago é o segmento mais
dilatado do tubo digestivo, em virtude dos alimentos permanecerem nele
por algum tempo, necessita ser um reservatório entre o esófago e o
intestino delgado. A forma e posição do estômago são muito variadas de
pessoa para pessoa; o diafragma o empurra para baixo, a cada inspiração, e
o puxa para cima, a cada expiração e por isso não pode ser descrita como
típica. O estômago é divido em 4 áreas (regiões) principais: cárdia, fundo,
corpo e piloro. O fundo, que apesar do nome, situa-se no alto, acima do
ponto onde se faz a junção do esófago com o estômago. O corpo representa
cerca de 2/3 do volume total. Para impedir o refluxo do alimento para o
esófago, existe uma válvula (orifício de entrada do estômago - óstio cárdico
ou orifício esofágico inferior), a cárdia, situada logo acima da curvatura
menor do estômago. É assim denominada por estar próximo ao coração.
Para impedir que o bolo alimentar passe ao intestino delgado
prematuramente, o estômago é dotado de uma poderosa válvula muscular,
um esfíncter chamado piloro (orifício de saída do estômago - óstio pilórico).
Pouco antes da válvula pilórica encontramos uma porção denominada antro-
pilórica. O estômago apresenta ainda duas partes: a curvatura maior (margem
esquerda do estômago) e a curvatura menor (margem direita do estômago).

Funções Digestivas
• Digestão do alimento
• Secreção do suco gástrico, que inclui enzimas digestivas e ácido
hidroclorídrico como substâncias mais importantes.
• Secreção de hormona gástrica e factor intrínseco.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 88


Anatomia Humana II

• Regulação do padrão no qual o alimento é parcialmente digerido e entregue


ao intestino delgado.
• Absorção de pequenas quantidades de água e substâncias dissolvidas.

Intestino delgado
A principal parte da digestão ocorre no intestino delgado, que se estende do
piloro até a junção iliocólica (ileocecal), que se reúne com o intestino
grosso. O intestino delgado é um órgão indispensável. Os principais eventos
da digestão e absorção ocorrem no intestino delgado, portanto sua
estrutura é especialmente adaptada para essa função. Sua extensão
fornece grande área de superfície para a digestão e absorção, sendo ainda
muito aumentada pelas pregas circulares, vilosidades e microvilosidades.
O intestino delgado retirado numa é de cerca de 7 metros de comprimento,
podendo variar entre 5 e 8 metros (o comprimento de intestino delgado e
grosso em conjunto após a morte é de 9 metros). O intestino delgado, que
consiste em duodeno, jejuno e íleo, estende-se do piloro até a junção
ileocecal onde o íleo une-se ao ceco, a primeira parte do intestino grosso.
Duodeno: é a primeira porção do intestino delgado. Recebe este nome por
ter seu comprimento aproximadamente igual à largura de doze dedos (25
centímetros). É a única porção do intestino delgado que é fixa. Não possui
mesentérico. Apresenta 4 partes:
• Parte Superior ou 1ª porção - origina-se no piloro e estende-se até o
colo da vesícula biliar
• Parte Descendente ou 2ª porção - é desperitonizada.

o Ducto colédoco - provêm da vesícula biliar e do fígado (bile);


o Ducto pancreático - provêm do pâncreas (suco ou secreção
pancreática);

• Parte Horizontal ou 3ª porção

• Parte Ascendente ou 4ª porção


Jejuno: é a parte do intestino delgado que faz continuação ao duodeno,
recebe este nome porque sempre que é aberto se apresenta vazio. É mais
largo (aproximadamente 4 centímetros), sua parede é mais espessa, mais
vascular e de cor mais forte que o íleo.
Íleo: é o último segmento do intestino delgado que faz continuação ao
jejuno. Recebe este nome por relação com osso ilíaco. É mais estreito e
suas túnicas são mais finas e menos vascularizadas que o jejuno.
Distalmente, o íleo desemboca no intestino grosso num orifício que recebe o
nome de óstio ileocecal. Juntos, o jejuno e o íleo medem 6 a 7 metros de
comprimento. A maior parte do jejuno situa-se no quadrante superior
esquerdo, enquanto a maior parte do íleo situa-se no quadrante inferior
direito. O jejuno e o íleo, ao contrário do duodeno, são móveis.
Intestino grosso
O intestino grosso pode ser comparado com uma ferradura, aberta para
baixo, mede cerca de 6,5 centímetros de diâmetro e 1,5 metros de

Anatomia Humana II – exame teórico Página 89


Anatomia Humana II

comprimento. Ele se estende do íleo até o ânus e está fixo à parede


posterior do abdómen pelo mesocólon O intestino grosso absorve a água
com tanta rapidez que, em cerca de 14 horas, o material alimentar toma a
consistência típica do bolo fecal. O intestino grosso apresenta algumas
diferenças em relação ao intestino delgado: o calíbre, as tênias, os haustras
e os apêndices epiplóicos. O intestino grosso é mais calibroso que o
intestino delgado, por isso recebe o nome de intestino grosso. O calibre vai
gradativamente afinando conforme vai chegando no canal anal. As tênias
do cólon (fitas longitudinais) são três faixas de aproximadamente 1
centímetro de largura e que percorrem o intestino grosso em toda sua
extensão. São mais evidentes no ceco e no cólon ascendente. Os haustras
do cólon (saculações) são abaulamentos ampulares separados por sulcos
transversais. Os apêndices epiplóicos são pequenos pingentes amarelados
constituídos por tecido conjuntivo rico em gordura. Aparecem
principalmente no cólon sigmóide. O intestino grosso é dividido em 4 partes
principais: ceco (cecum), cólon (ascendente, transverso, descendente e
sigmóide), reto e ânus. A primeira é o ceco, segmento de maior calibre, que
se comunica com o íleo. Para impedir o refluxo do material proveniente do
intestino delgado, existe uma válvula localizada na junção do íleo com o
ceco - válvula ileocecal (iliocólica). No fundo do ceco, encontramos o
Apêndice Vermiforme. A porção seguinte do intestino grosso é o cólon, segmento
que se prolonga do ceco até o ânus.

Cólons
• Colo Ascendente – é a segunda parte do intestino grosso. Passa para
cima do lado direito do abdómen a partir do ceco para o lobo direito
do fígado, onde se curva para a esquerda na flexura direita do colo
(flexura hepática).
• Colo Transverso – é a parte mais larga e mais móvel do intestino
grosso. Ele cruza o abdómen a partir da flexura direita do colo até a
flexura esquerda do colo, onde curva-se inferiormente para tornar-se
colo descendente. A flexura esquerda do colo (flexura esplénica),
normalmente mais superior, mais aguda e menos móvel do que a
flexura direita do colo.
• Colo Descendente – passa retroperitonealmente a partir da flexura
esquerda do colo para a fossa ilíaca esquerda, onde ele é contínuo
com o colo sigmóide.
• Colo Sigmóide – é caracterizado pela sua alça em forma de “S”, de
comprimento variável. O colo sigmóide une o colo descendente ao
reto. A terminação das tênias do colo, aproximadamente a 15cm do
ânus, indica a junção reto-sigmóide.

o Flexura Hepática - entre o cólon ascendente e o cólon


transverso.

o Flexura Esplénica - entre o cólon transverso e o cólon


descendente.

Anatomia Humana II – exame teórico Página 90


Anatomia Humana II

O recto recebe este nome por ser quase rectilíneo. Este segmento do
intestino grosso termina ao perfurar o diafragma da pelve (músculos
levantadores do ânus) passando a se chamar de canal anal. O canal anal
apesar de bastante curto (3 centímetros de comprimento) é importante por
apresentar algumas formações essenciais para o funcionamento intestinal,
das quais citamos os esfíncteres anais. O esfíncter anal interno é o mais
profundo, e resulta de um espessamento de fibras musculares lisas
circulares, sendo consequentemente involuntário. O esfíncter anal externo é
constituído por fibras musculares estriadas que se dispõem circularmente
em torno do esfíncter anal interno, sendo este voluntário. Ambos os
esfíncteres devem relaxar antes que a defecação possa ocorrer.
Funções do Intestino Grosso
• Absorção de água e de certos eletrólitos;
• Síntese de determinadas vitaminas pelas bactérias intestinais;
• Armazenagem temporária dos resíduos (fezes);
• Eliminação de resíduos do corpo (defecação).

Peristáltismo
Ondas peristálticas intermitentes e bem espaçadas movem o material fecal
do ceco para o interior do colo ascendente, transverso e descendente. Á
medida que se move através do colo, a água é continuamente reabsorvida
das fezes, pelas paredes do intestino, para o interior dos capilares. As fezes
que ficam no intestino grosso por um período maior perdem o excesso de
água, desenvolvendo a chamada constipação. Ao contrário, movimentos
rápidos do intestino não permitem tempo suficiente para que ocorra a
reabsorção de água, causando diarreia.
Peritónio

O peritónio é a mais extensa membrana serosa do corpo. A parte que


reveste a parede abdominal é denominada peritónio parietal e a que se
reflecte sobre as vísceras constitui o peritónio visceral. O espaço entre os
folhetos parietal e visceral do peritónio é denominada cavidade peritoneal.
Determinadas vísceras abdominais são completamente envolvidas por
peritónio e suspensas na parede por uma delgada lâmina fina de tecido
conjuntivo revestida pela serosa, contendo os vasos sanguíneos. A estas
pregas é dado o nome geral de mesentério.
Os mesentérios são: o mesentério propriamente dito, o mesocólon
transverso e o mesocólon sigmóide. Em adição a estes, estão presentes,
algumas vezes, um mesocólon ascendente e um descendente. O mesentério
propriamente dito – tem origem nas estruturas ventrais da coluna vertebral
e mantém suspenso o intestino delgado. O mesocólon transverso – prende o
cólon transverso à parede posterior do abdómen. O mesocólon sigmóide –
mantém o cólon sigmóide em conexão com a parede pélvica. O mesocólon
ascendente e descendente – ligam o cólon ascendente a descendente à

Anatomia Humana II – exame teórico Página 91


Anatomia Humana II

parede posterior do abdómen. O peritónio apresenta dois omentos: o maior


e o menor. O omento maior é um delgado avental que pende sobre o cólon
transverso e as alças do intestino delgado. Está inserido ao longo da
curvatura maior do estômago e da primeira porção do duodeno. O omento
menor estende-se da curvatura menor do estômago e da porção inicial do
duodeno até o fígado. Apêndices Epiplóicos – são pequenas bolsas de
peritónio cheias de gordura, situadas ao longo do cólon e parte superior do
reto.
Órgãos anexos

O aparelho digestivo é considerado como um tubo, recebe o líquido


secretado por diversas glândulas, a maioria situadas em suas paredes como
as da boca, esófago, estômago e intestinos. Algumas glândulas constituem
formações bem individualizadas, localizando nas proximidades do tubo,
como qual se comunicam através de ductos, que servem para o
escoamento de seus produtos de elaboração. As glândulas salivares são
divididas em 2 grandes grupos: glândulas salivares menores e glândulas
salivares maiores. A saliva é um líquido viscoso, claro, sem gosto e sem
odor que é produzido por essas glândulas e pelas glândulas mucosas da
cavidade da boca.
• Glândulas salivares menores: constituem pequenos corpúsculos ou
nódulos disseminados nas paredes da boca, como as glândulas
labiais, palatinas linguais e molares.
• Glândulas salivares maiores: são representadas por 3 pares que são
as parótidas, submandibulares e sublinguais.
• Glândula Parótida - a maior das três e situa-se na parte lateral da
face, abaixo e adiante do pavilhão da orelha. Irrigada por ramos da
artéria carótida externa. Inervada pelo nervo auriculotemporal,
glossofaríngeo e facial.
• Glândula Submandibular - é arredondada e situa-se no triângulo
submandibular. É irrigada por ramos da artéria facial e lingual. Os
nervos secretomotores derivam de fibras parassimpáticas craniais do
facial; as fibras simpáticas provêm do gânglio cervical superior.
• Glândula Sublingual - é a menor das três e localiza-se abaixo da
mucosa do assoalho da boca. É irrigada pelas artérias sublinguais e
submentonianas. Os nervos derivam de maneira idêntica aos da
glândula submandibular
Fígado
O fígado é a maior glândula do organismo, e é também a mais volumosa
víscera abdominal. Sua localização é na região superior do abdómen, logo
abaixo do diafragma, ficando mais a direita, isto é, normalmente 2/3 de seu
volume estão a direita da linha mediana e 1/3 à esquerda. Pesa cerca de
1,500g e responde por aproximadamente 1/40 do peso do corpo adulto. O
fígado apresenta duas faces: diafragmática e visceral. A face diafragmática
(ântero superior) é convexa e lisa relacionando-se com a cúpula

Anatomia Humana II – exame teórico Página 92


Anatomia Humana II

diafragmática. A face visceral (postero inferior) é irregularmente côncava


pela presença de impressões viscerais. O fígado é dividido em lobos. A face
diagramática apresenta um lobo direito e um lobo esquerdo, sendo o direito
pelo menos duas vezes maior que o esquerdo. A divisão dos lobos é
estabelecida pelo ligamento falciforme. Na extremidade desse ligamento
encontramos um cordão fibroso resultante da obliteração da veia umbilical,
conhecido como ligamento redondo do fígado. A face visceral é subdividida
em 4 lobos (direito, esquerdo, quadrado e caudado) pela presença de
depressões em sua área central, que no conjunto se compõem formando
um "H", com 2 ramos antero-posteriores e um transversal que os une.
Embora o lobo direito seja considerado por muitos anatomistas como
incluindo o lobo quadrado (inferior) e o lobo caudado (posterior) com base
na morfologia interna, os lobos quadrado e caudado pertencem mais
apropriadamente ao lobo esquerdo. Entre o lobo direito e o quadrado
encontramos a vesícula biliar e entre o lobo direito e o caudado, há um
sulco que aloja a veia cava inferior. Entre os lobos caudado e quadrado, há
uma fenda transversal: a porta do fígado (pedículo hepático), por onde
passam a artéria hepática, a veia porta, o ducto hepático comum, os nervos
e os vasos linfáticos.
Aparelho Excretor do Fígado - é formado pelo ducto hepático, vesícula biliar,
ducto cístico e ducto colédoco. O fígado é um órgão vital, sendo essencial o
funcionamento de pelo menos 1/3 dele - além da bile que é indispensável
na digestão das gorduras - ele desempenha o importante papel de
armazenador de glicose e, em menor escala, de ferro, cobre e vitaminas.
A função digestiva do fígado é produzir a bile, uma secreção verde
amarelada, para passar para o duodeno. A bile é produzida no fígado e
armazenada na vesícula biliar, que a libera quando gorduras entram no
duodeno. A bile emulsiona a gordura e a distribui para a parte distal do
intestino para a digestão e absorção.

Outras funções do fígado são:


• Metabolismo dos carboidratos;
• Metabolismo dos lípidos;
• Metabolismo das proteínas;
• Processamento de fármacos e hormonas;
• Excreção da bilirrubina;
• Excreção de sais biliares;
• Armazenagem;
• Fagocitose;
• Activação da vitamina D.
Vesícula biliar
A vesícula Biliar (7 – 10cm de comprimento) situa-se na fossa da vesícula
biliar na face visceral do fígado. Esta fossa situa-se na junção do lobo direito
e do lobo quadrado do fígado. A relação da vesícula biliar com o duodeno é
tão íntima que a parte superior do duodeno normalmente é manchada com
bile no cadáver. A vesícula biliar tem capacidade para até 50ml de bile. O
Ducto Cístico (4cm de comprimento) liga a vesícula biliar ao Ducto Hepático

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comum (união do ducto hepático direito e esquerdo) formando o Ducto


Colédoco. O comprimento varia de 5 a 15cm. O ducto colédoco desce
posterior a parte superior do duodeno e situa-se na face posterior da cabeça
do pâncreas. No lado esquerdo da parte descendente do duodeno, o ducto
colédoco entra em contacto com o ducto pancreático principal.

pâncreas
O pâncreas produz através de uma secreção exócrina o suco pancreático
que entra no duodeno através dos ductos pancreáticos, uma secreção
endócrina produz glucagon e insulina que entram no sangue. O pâncreas
produz diariamente 1200 – 1500ml de suco pancreático. O pâncreas é
achatado no sentido ântero-posterior, ele apresenta uma face anterior e
outra posterior, com uma borda superior e inferior e sua localização é
posterior ao estômago. O comprimento varia de 12,5 a 15cm e seu peso na
mulher é de 14,95g e no homem 16,08g.
O pâncreas divide-se em cabeça (aloja-se na curva do duodeno), colo, corpo
(dividido em três partes: anterior, posterior e inferior) e cauda.
Ducto Pancreático - O ducto pancreático principal começa na cauda do
pâncreas e corre para sua cabeça, onde se curva inferiormente e está
intimamente relacionada com o ducto colédoco. O ducto pancreático se une
ao ducto colédoco (fígado e vesícula biliar) e entra no duodeno como um
ducto comum chamado ampola hematopancreática.
O pâncreas tem as seguintes funções:
• Dissolver carboidrato (amilase pancreática);
• Dissolver proteínas (tripsina, quimotripsina, carboxipeptidase e
elastáse);
• Dissolver triglicerídios nos adultos (lípase pancreática);
• Dissolver ácido nucléicos (ribonuclease e desoxirribonuclease).

Sistema urinário
Rim
Os rins são órgãos pares, em forma de grão de feijão, localizados logo acima
da cintura, entre o peritónio e a parede posterior do abdómen. Sua
coloração é vermelho-parda. Os rins estão situados de cada lado da coluna
vertebral, por diante da região superior da parede posterior do abdómen,
estendendo-se entre a 11ª costela e o processo transverso da 3ª vértebra
lombar. São descritos como órgãos retroperiotoneais, por estarem
posicionados por trás do peritónio da cavidade abdominal. Os rins são
recobertos pelo peritoneu e circundados por uma massa de gordura e de
tecido areolar frouxo. Cada rim tem cerca de 11,25cm de comprimento, 5 a
7,5cm de largura e um pouco mais que 2,5cm de espessura. O esquerdo é
um pouco mais comprido e mais estreito do que o direito. O peso do rim do
homem adulto varia entre 125 a 170g; na mulher adulta, entre 115 a 155g.
O rim direito normalmente situa-se ligeiramente abaixo do rim esquerdo
devido ao grande tamanho do lobo direito do fígado. Na margem medial
côncava de cada rim encontra-se uma fenda vertical – o HILO RENAL – onde

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a artéria renal entra e a veia e a pelve renal deixam o seio renal. No hilo, a
veia renal está anterior à artéria renal, que está anterior à pelve renal. O
hilo renal é a entrada para um espaço dentro do rim. O seio renal, que é
ocupado pela pelve renal, cálices, nervos, vasos sanguíneos e linfáticos e
uma variável quantidade de gordura. Cada rim apresenta duas faces, duas
bordas e duas extremidades.

• Faces (2) - Anterior e Posterior. As duas são lisas, porém a anterior é


mais abaulada e a posterior mais plana.
• Bordas (2) - Medial (côncava) e Lateral (convexa).
• Extremidades (2) - Superior (Glândula Supra-Renal) e Inferior (a nível
de L3).
Anatomia interna dos rins
Em um corte frontal através do rim, são reveladas duas regiões distintas:
uma área avermelhada de textura lisa, chamada córtex renal e uma área
marron-avermelhada profunda, denominada medula renal. A medula
consiste em 8-18 estruturas cuneiformes, as pirâmides renais. A base
(extremidade mais larga) de cada pirâmide olha o córtex, e seu ápice
(extremidade mais estreita), chamada papila renal, aponta para o hilo do
rim. As partes do córtex renal que se estendem entre as pirâmides renais
são chamadas colunas renais. Juntos, o córtex e as pirâmides renais da
medula renal constituem a parte funcional, ou parênquima do rim. No
parênquima estão as unidades funcionais dos rins – cerca de 1 milhão de
estruturas microscópicas chamadas NÉFRONS. A urina, formada pelos
néfrons, drena para os grandes ductos papilares, que se estendem ao longo
das papilas renais das pirâmides. Os ductos drenam para estruturas
chamadas cálices renais menor e maior. Cada rim tem 8-18 cálices menores
e 2-3 cálices maiores. O cálice renal menor recebe urina dos ductos
papilares de uma papila renal e a transporta até um cálice renal maior. Do
cálice renal maior, a urina drena para a grande cavidade chamada pelve
renal e depois para fora, pelo uréter, até a bexiga urinária. O hilo renal se
expande em uma cavidade, no rim, chamada seio renal.

Néfrons
O néfron é a unidade morfofuncional ou a unidade produtora de urina do
rim. Cada rim contém cerca de 1 milhão de néfrons. A forma do néfron é
peculiar, inconfundível, e admiravelmente adequada para sua função de
produzir urina. O néfron é formado por dois componentes principais:
Corpúsculo Renal:
• Cápsula Glomerular (de Bowman);
• Glomérulo – rede de capilares sanguíneos enovelados dentro da
cápsula glomerular
Túbulo Renal:
• Túbulo contorcido proximal;
• Alça do Néfron (de Henle);
• Túbulo contorcido distal;
• Túbulo colector.

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Funções dos Rins


Os rins realizam o trabalho principal do sistema urinário, com as outras
partes do sistema actuando, principalmente, como vias de passagem e
áreas de armazenamento. Com a filtração do sangue e a formação da urina,
os rins contribuem para a homeostasia dos líquidos do corpo de várias
maneiras. As funções dos rins incluem:
• Regulação da composição iónica do sangue;
• Manutenção da osmolaridade do sangue;
• Regulação do volume sanguíneo;
• Regulação da pressão arterial;
• Regulação do pH do sangue;
• Liberação de hormonas;
• Regulação do nível de glicose no sangue;
• Excreção de resíduos e substâncias estranhas.

Glândulas supra-renais
As glândulas supra-renais (adrenais) estão localizadas entre as faces
supero-mediais dos rins e o diafragma. Cada glândula supra-renal, envolvida
por uma cápsula fibrosa e um coxim de gordura, possui duas partes: o
córtex e a medula supra-renal, ambas produzindo diferentes hormonas. O
córtex secreta hormonas essenciais à vida, enquanto que os hormonas
medulares não são essenciais para a vida. A medula da supra-renal pode ser
removida, sem causar efeitos que comprometem a vida. A medula supra-
renal secreta dois hormonas: epinefrina (adrenalina) e norepinefrina. Já o
córtex supra-renal secreta os esteróides.
Uréter
São dois tubos que transportam a urina dos rins para a bexiga. Órgãos
pouco calibrosos, os ureteres têm menos de 6mm de diâmetro e 25 a 30cm
de comprimento. Pelve renal é a extremidade superior do uréter, localizada
no interior do rim. Descendo obliquamente para baixo e medialmente, o
uréter percorre por diante da parede posterior do abdómen, penetrando em
seguida na cavidade pélvina, abrindo-se no óstio do uréter situado no
assoalho da bexiga urinária. Em virtude desse seu trajecto, distinguem-se
duas partes do uréter: abdominal e pélvica. Os ureteres são capazes de
realizar contracções rítmicas denominadas peristaltismo. A urina se move
ao longo dos ureteres em resposta à gravidade e ao peristaltismo.

Bexiga
A bexiga urinária funciona como um reservatório temporário para o
armazenamento da urina. Quando vazia, a bexiga está localizada
inferiormente ao peritónio e posteriormente à sínfise púbica: quando cheia,
ela se eleva para a cavidade abdominal. É um órgão muscular oco, elástico
que, nos homens situa-se directamente anterior ao reto e, nas mulheres
está à frente da vagina e abaixo do útero. Quando a bexiga está cheia, sua
superfície interna fica lisa. Uma área triangular na superfície posterior da

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bexiga não exibe rugas. Esta área é chamada trígono da bexiga e é sempre
lisa. Este trígono é limitado por três vértices: os pontos de entrada dos dois
ureteres e o ponto de saída da uretra. O trígono é importante clinicamente,
pois as infecções tendem a persistir nessa área. A saída da bexiga urinária
contém o músculo esfíncter chamada esfíncter interno, que se contrai
involuntariamente, prevenindo o esvaziamento. Inferiormente ao músculo
esfíncter, envolvendo a parte superior da uretra, está o esfíncter externo,
que controlado voluntariamente, permitindo a resistência à necessidade de
urinar. A capacidade média da bexiga urinária é de 700 – 800ml; é menor
nas mulheres porque o útero ocupa o espaço imediatamente acima da
bexiga.

Uretra
A uretra é um tubo que conduz a urina da bexiga para o meio externo,
sendo revestida por mucosa que contém grande quantidade de glândulas
secretoras de muco. A uretra se abre para o exterior através do óstio
externo da uretra. A uretra é diferente entre os dois sexos.

Uretra Masculina
A uretra masculina estende-se do orifício uretral interno na bexiga urinária
até o orifício uretral externa na extremidade do pénis. Apresenta dupla
curvatura no estado comum de relaxamento do pénis. É dividida em três
porções: a prostática, a membranácea e a esponjosa, cujas as estruturas e
relações são essencialmente diferentes. Na uretra masculina existe uma
abertura diminuta em forma de fenda, um ducto ejaculatório.

Uretra Feminina
É um canal membranoso estreito estendendo-se da bexiga ao orifício
externa no vestíbulo. Está colocada dorsalmente à sínfise púbica, incluída
na parede anterior da vagina, e de direcção oblíqua para baixo e para
frente; é levemente curva, com a concavidade dirigida para frente. Seu
diâmetro, quando não dilatada, é de cerca de 6mm. Seu orifício externo fica
imediatamente na frente da abertura vaginal e cerca de 2,5cm dorsalmente
à glande do clítoris. Muitas e pequenas glândulas uretrais abrem-se na
uretra. As maiores destas são as glândulas parauretrais, cujos ductos
desembocam exactamente dentro do óstio uretral.

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