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Antologia de Literatura

Poesias: *Amor *Amor não correspondido *Mulher *Natureza

Introdução:
Por que ler poesias do século XIX?
Porque é lendo poesias do século XIX que melhoramos nossa percepção do mundo daquela época e da mentalidade dos autores românticos e realistas. Também é lendo que conhecemos o modo de vida a dois séculos atrás.

Essas poesias nos despertam o romantismo e de uma maneira mais clara de se compreender, além de nos permitir identificar muitas das vezes com elas .As poesias românticas mesmo sendo do século XIX são muito utilizadas até hoje pois ainda além de ter muito em comum são como inspiração para as pessoas despertando muitas vezes um lado sensível esquecido pela geração atual!

Se te amo, não sei!
Amar! se te amo, não sei. Oiço aí pronunciar Essa palavra de modo Que não sei o que é amar. Se amar é sonhar contigo,

Se é pensar, velando, em ti, Se é ter-te n'alma presente Todo esquecido de mim! Se é cobiçar-te, querer-te Como uma bênção dos céus A ti somente na terra Como lá em cima a Deus; Se é dar a vida, o futuro, Para dizer que te amei: Amo; porém se te amo Como oiço dizer, — não sei. Sei que se um gênio bom me aparecesse E tronos, glórias, ilusões floridas, E os tesouros da terra me oferecesse E as riquezas que o mar tem escondidas; E do outro lado — a ti somente, — e o gozo Efêmero e precário — e após a morte; E me dissesse: "Escolhe" — oh! jubiloso, Exclamara, senhor da minha sorte! — "Que tesouro na terra há i que a iguale? Quero-a mil vezes, de joelhos — sim! Bendita a vida que tal preço vale, E que merece de acabar assim!"

O amor
Amor! enlevo d'alma, arroubo, encanto Desta existência mísera, onde existes? Fino sentir ou mágico transporte, (O quer que seja que nos leva a extremos, Aos quais não basta a natureza humana;) Simpática atração d'almas sinceras Que unidas pelo amor, no amor se apuram, Por quem suspiro, serás nome apenas? A inútil chama ressecou meus lábios, Mirrou-me o coração da vida em meio, E à terra fez baixar a mente errada Que entre nuvens, amor, por ti bradava! Não te pude encontrar! — em vão meus anos No louco intento esperdicei; gelados, Uns após outros a cair precípites Na urna do passado os vi; eu triste, Amor, por ti clamava; — e o meu deserto Aos meus acentos reboava embalde. Em vão meu coração por ti se fina, Em vão minha alma te compreende e busca, Em vão meus lábios sôfregos cobiçam Libar a taça que aos mortais of’reces! Dizem-na funda, inesgotável, meiga; Enquanto a vejo rasa, amarga e dura! Dizem-na bálsamo, eu veneno a sorvo: Prazer, doçura, — eu dor e fel encontro! Dobrei-me às duras leis que me impuseste, Curvei ao jugo teu meu colo humilde, Feri-me aos teus ardentes passadores, Prendi-me aos teus grilhões, rojei por terra... E o lucro?... foram lágrimas perdidas, Foi roxa cicatriz qu'inda conservo, Desbotada a ilusão e a vida exausta! Celeste emanação, gratos eflúvios Das roseiras do céu; bater macio Das asas auribrancas dalgum anjo, Que roça em noite amiga a nossa esfera, Centelha e luz do sol que nunca morre; És tudo, e mais qu'isto: — és luz e vida, Perfume, e vôo d'anjo mal sentido, Peregrinas essências trescalando!... Também passas veloz, — breve te apagas, Como duma ave a sombra fugitiva, Desgarrada voando à flor de um lago!

Amar e ser amado
Amar e ser amado! Com que anelo Com quanto ardor este adorado sonho Acalentei em meu delírio ardente Por essas doces noites de desvelo! Ser amado por ti, o teu alento A bafejar-me a abrasadora frente! Em teus olhos mirar meu pensamento, Sentir em mim tu’alma, ter só vida P’ra tão puro e celeste sentimento: Ver nossas vidas quais dois mansos rios, Juntos, juntos perderem-se no oceano —, Beijar teus dedos em delírio insano Nossas almas unidas, nosso alento, Confundido também, amante — amado — Como um anjo feliz... que pensamento!?
Castro Alves

Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar — sozinho, à noite — Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Gonçalves Dias

Leito de folhas verdes
Por que tardas, Jatir, que tanto a custo À voz do meu amor moves teus passos? Da noite a viração, movendo as folhas, Já nos cimos do bosque rumoreja. Eu sob a copa da mangueira altiva Nosso leito gentil cobri zelosa Com mimoso tapiz de folhas brandas, Onde o frouxo luar brinca entre flores. Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco, Já solta o bogari mais doce aroma! Como prece de amor, como estas preces, No silêncio da noite o bosque exala.

Brilha a lua no céu, brilham estrelas, Correm perfumes no correr da brisa, A cujo influxo mágico respira-se Um quebranto de amor, melhor que a vida! A flor que desabrocha ao romper d'alva Um só giro do sol, não mais, vegeta: Eu sou aquela flor que espero ainda Doce raio do sol que me dê vida. Sejam vales ou montes, lago ou terra, Onde quer que tu vás, ou dia ou noite, Vai seguindo após ti meu pensamento; Outro amor nunca tive: és meu, sou tua! Meus olhos outros olhos nunca viram, Não sentiram meus lábios outros lábios, Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas A arazóia na cinta me apertaram. Do tamarindo a flor jaz entreaberta, Já solta o bogari mais doce aroma Também meu coração, como estas flores, Melhor perfume ao pé da noite exala! Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes À voz do meu amor, que em vão te chama! Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil A brisa da manhã sacuda as folhas! Gonçalves Dias

A Flor do Maracujá
Pelas rosas, pelos lírios, Pelas abelhas, sinhá, Pelas notas mais chorosas Do canto do Sabiá, Pelo cálice de angústias Da flor do maracujá ! Pelo jasmim, pelo goivo, Pelo agreste manacá, Pelas gotas de sereno Nas folhas do gravatá, Pela coroa de espinhos Da flor do maracujá.

Pelas tranças da mãe-d'água Que junto da fonte está, Pelos colibris que brincam Nas alvas plumas do ubá, Pelos cravos desenhados Na flor do maracujá. Pelas azuis borboletas Que descem do Panamá, Pelos tesouros ocultos Nas minas do Sincorá, Pelas chagas roxeadas Da flor do maracujá ! Pelo mar, pelo deserto, Pelas montanhas, sinhá ! Pelas florestas imensas Que falam de Jeová ! Pela lança ensangüentado Da flor do maracujá ! Por tudo que o céu revela ! Por tudo que a terra dá Eu te juro que minh'alma De tua alma escrava está !!.. Guarda contigo este emblema Da flor do maracujá ! Não se enojem teus ouvidos De tantas rimas em - a Mas ouve meus juramentos, Meus cantos ouve, sinhá! Te peço pelos mistérios Da flor do maracujá! Fagundes Varela

Juvenília VII
Ah! Quando face a face te contemplo, E me queimo na luz de teu olhar, E no mar de tua alma afogo a minha, E escuto-te falar; Quando bebo no teu hálito mais puro Que o bafejo inefável das esferas, E miro os róseos lábios que aviventam Imortais primaveras, Tenho medo de ti!... Sim, tenho medo Porque pressinto as garras da loucura, E me arrefeço aos gelos do ateísmo, Soberba criatura! Oh! eu te adoro como a noite Por alto mar, sem luz, sem claridade, Entre as refegas do tufão bravio Vingando a imensidade! Como adoro as florestas primitivas, Que aos céus levantam perenais folhagens, Onde se embalam nos coqueiros presas Como adoro os desertos e as tormentas, O mistério do abismo e a paz dos ermos, E a poeira de mundos que prateia A abóbada sem termos! ... Como tudo o que é vasto, eterno e belo; Tudo o que traz de Deus o nome escrito!

Como a vida sem fim que além me espera No seio do infinito.

Fagundes Varela

Seus olhos
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, De vivo luzir, Estrelas incertas, que as águas dormentes Do mar vão ferir; Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, Têm meiga expressão, Mais doce que a brisa, — mais doce que o nauta De noite cantando, — mais doce que a frauta Quebrando a solidão, Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, De vivo luzir, São meigos infantes, gentis, engraçados Brincando a sorrir. São meigos infantes, brincando, saltando Em jogo infantil, Inquietos, travessos; — causando tormento, Com beijos nos pagam a dor de um momento, Com modo gentil. Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, Assim é que são; Às vezes luzindo, serenos, tranqüilos,

Às vezes vulcão! Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco, Tão frouxo brilhar, Que a mim me parece que o ar lhes falece, E os olhos tão meigos, que o pranto umedece Me fazem chorar. Assim lindo infante, que dorme tranqüilo, Desperta a chorar; E mudo e sisudo, cismando mil coisas, Não pensa — a pensar. Nas almas tão puras da virgem, do infante, Às vezes do céu Cai doce harmonia duma Harpa celeste, Um vago desejo; e a mente se veste De pranto co'um véu. Quer sejam saudades, quer sejam desejos Da pátria melhor; Eu amo seus olhos que choram em causa Um pranto sem dor. Eu amo seus olhos tão negros, tão puros, De vivo fulgor; Seus olhos que exprimem tão doce harmonia, Que falam de amores com tanta poesia, Com tanto pudor. Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, Assim é que são; Eu amo esses olhos que falam de amores Com tanta paixão.
Gonçalves Dias

Zulmira
Sonhara-te eu na veiga de Granada, Tapetada de flores e verdura, Onde o Darro e Xenil no lento giro Volvem a linfa pura. Ali te vejo em leda comitiva Dos gentis cavaleiros do oriente, Quando, deposta a malha do combate, Vestem da paz a seda reluzente. Ali te vejo num balcão sentada, Grande preço da maura arquitetura, Pejando as asas das noturnas brisas Dum canto de ternura. Ali te vejo, sim; mas mais me agrada O que se m'afigura noutro instante, Ver-te em vistosa tenda d'ouro e sedas, Levantada no dorso do elefante. E em roda, ao largo, o séquito pomposo D'eunucos a teu gesto vacilantes Em cestas frontes negras se destacam Alvíssimos turbantes. E pergunto quem és? — Então me dizem Ciosos de guardar o seu tesouro, Nome tão doce aos lábios, que parece Escrever-se em cetim com letras d'ouro.

Gonçalves Dias

Não me Deixes!
Debruçada nas águas dum regato, A flor dizia em vão À corrente, onde bela se mirava ... “Ai, não me deixes, não!”

“Comigo fica ou leva-me contigo”. “Dos mares à amplidão”; Límpido ou turvo, te amarei constante; Mas não me deixes, não!”

E a corrente passava. Novas águas Após as outras vão; E a flor sempre a dizer curva na fonte: “Ai, não me deixes, não!”

E das águas que fogem incessantes A eterna sucessão Dizia sempre a flor, e sempre embalde: “Ai, não me deixes, não!”

Por fim desfalecida e a cor murchada, Quase a lamber a chão Buscava ainda a corrente por dizer-lhe Que a não deixasse, não.

A corrente impiedosa a flor enleia, Leva-a do seu torrão; A afundar-se dizia a pobrezinha: “Não me deixastes, não!”

Gonçalves Dias

O "adeus" de Teresa
A vez primeira que eu fitei Teresa, Como as plantas que arrasta a correnteza, A valsa nos levou nos giros seus E amamos juntos E depois na sala "Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala E ela, corando, murmurou-me: "adeus." Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . . E da alcova saía um cavaleiro Inda beijando uma mulher sem véus Era eu Era a pálida Teresa! "Adeus" lhe disse conservando-a presa E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!" Passaram tempos sec'los de delírio Prazeres divinais gozos do Empíreo ... Mas um dia volvi aos lares meus. Partindo eu disse - "Voltarei! descansa!. . . " Ela, chorando mais que uma criança, Ela em soluços murmurou-me: "adeus!" Quando voltei era o palácio em festa! E a voz d'Ela e de um homem lá na orquesta Preenchiam de amor o azul dos céus. Entrei! Ela me olhou branca surpresa! Foi a última vez que eu vi Teresa! E ela arquejando murmurou-me: "adeus!" Castro Alves

O laço de fita
Não sabes, criança? 'Stou louco de amores... Prendi meus afetos, formosa Pepita. Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?! Não rias, prendi-me Num laço de fita. Na selva sombria de tuas madeixas, Nos negros cabelos da moça bonita, Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem, Formoso enroscava-se O laço de fita. Meu ser, que voava nas luzes da festa, Qual pássaro bravo, que os ares agita, Eu vi de repente cativo, submisso Rolar prisioneiro Num laço de fita. E agora enleada na tênue cadeia Debalde minh'alma se embate, se irrita... O braço, que rompe cadeias de ferro, Não quebra teus elos, Ó laço de fita! Meu Deusl As falenas têm asas de opala, Os astros se libram na plaga infinita. Os anjos repousam nas penas brilhantes... Mas tu... tens por asas Um laço de fita. Há pouco voavas na célere valsa, Na valsa que anseia, que estua e palpita. Por que é que tremeste? Não eram meus lábios... Beijava-te apenas... Teu laço de fita. Mas ai! findo o baile, despindo os adornos N'alcova onde a vela ciosa... crepita, Talvez da cadeia libertes as tranças Mas eu... fico preso No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale Abrirem-me a cova... formosa Pepital Ao menos arranca meus louros da fronte, E dá-me por c'roa... Teu laço de fita. Castro Alves

Realismo:
Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas desejavam retratar o homem e a sociedade em sua totalidade. Não bastava mostrar a face sonhadora e idealizada da vida como fizeram os românticos; era preciso mostrar a face nunca antes revelada: a do cotidiano massacrante, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo humano, da impotência do homem comum diante dos poderosos. Uma característica comum ao Realismo é o seu forte poder de crítica, porém sem subjetividade. Grandes escritores realistas descrevem o que está errado de forma natural. Por exemplo, se um autor deseja criticar a postura da Igreja católica, não escreverá um soneto anti-cristão como no

Romantismo, porém escreverá histórias que envolvam a Igreja Católica de forma a inserir nessas histórias o que eles julgam ser a Igreja Católica e como as pessoas reagem a ela. Em lugar do egocentrismo romântico, verifica-se um enorme interesse de descrever, analisar e até em criticar a realidade. A visão subjetiva e parcial da realidade é substituida pela visão que procura ser objetiva, fiel, sem distorções. Em lugar de fugir à realidade, os realistas procuram apontar falhas como forma de estimular a mudança das instituições e dos comportamentos humanos. Em lugar de heróis, surgem pessoas comuns, cheias de problemas e limitações. Na Europa, o realismo teve início com a publicação do romance realista Madame Bovary (1857) de Gustave Flaubert.

Romantismo:
O Romantismo foi um movimento artístico e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que perdurou por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo que marcou o período neoclássico e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa. Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Se o século XVIII foi marcado pela objetividade, pelo Iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu. O termo romântico refere-se, assim, ao movimento estético ou, num sentido mais lato, à tendência idealista ou poética de alguém que carece de sentido objectivo. O Romantismo surge na literatura quando os escritores trocam o mecenato aristocrático pelo editor, precisando assim cativar um público leitor. Esse público estará entre os pequenos burgueses, que não compreendem os valores literários clássicos e apreciam mais a emoção que a sutileza.

A história do Romantismo literário é bastante controversa. Em primeiro lugar, as manifestações em poesia e prosa popular na Inglaterra são os primeiros antecedentes, embora sejam consideradas "préromânticas" em sentido lato. Os autores ingleses mais conhecidos desse Pré-Romantismo "extra-oficial" são William Blake (cujo misticismo latente em The Marriage of Heaven and Hell - O Casamento do Céu e Inferno, 1793 atravessará o Romantismo até o Simbolismo) e Edward Young (cujos Nights Thoughts - Pensamentos Noturnos, 1742, re-editados por Blake em 1795, influenciarão o Ultra-Romantismo), ao lado de James Thomson, William Cowper e Robert Burns. O Romantismo "oficial" é reconhecido nas figuras de Coleridge e Wordsworth (Lyrical Ballads - Baladas Líricas, 1798), fundadores; Byron (Childe Harold's Pilgrimage, Peregrinação de Childe Harold, 1818), Shelley (Hymn to Intellectual Beauty - Hino à Beleza Intelectual, 1817) e Keats (Endymion, 1817), após o Romantismo de Jena. Em segundo lugar, os alemães procuraram renovar sua literatura através do retorno à natureza e à essência humana, com assídua recorrência ao "PréRomantismo extra-oficial" da Inglaterra. Esses escritores alemães formaram o movimento Sturm und Drang (tempestade e ímpeto), donde surge então, mergulhado no Sentimentalismo, o Pré-Romantismo "oficial", i.e., conforme as convenções historiográficas. Goethe (Die Leiden des Jungen Werther - O Sofrimento do Jovem Werther, 1774), Schiller (An die Freude Ode à Alegria, 1785) e Herder (Auszug aus einem Briefwechsel über Ossian und die Lieder alter Völker - Extrato da correspondência sobre Ossian e as canções dos povos antigos, 1773) formam a Tríade. Alguns jovens alemães, como Schegel e Novalis, com novos ideais artísticos, afirmam que a literatura, enquanto arte literária, precisa expressar não só o sentimento como também o pensamento, fundidos na ironia e na auto-reflexão. Era o Romantismo de Jena, o único Romantismo autêntico em nível internacional. Em terceiro lugar, a difusão européia do Romantismo tomou como românticas as formas pré-românticas da Inglaterra e da Alemanha, privilegiando, portanto, apenas o sentimentalismo em detrimento da complicada reflexão do Romantismo de Jena. Por isso, mundialmente, o Romantismo é uma extensão do Pré-Romantismo. Assim, na França, destacam-se Stendhal, Hugo e Musset; na Itália Leopardi e Manzoni; em Portugal Garrett e Herculano; na Espanha Espronceda e Zorilla.

Tendo o liberalismo como referência ideológica, o Romantismo renega as formas rígidas da literatura, como versos de métrica exata. O romance se torna o gênero narrativo preferencial, em oposição à epopéia. É a superação da Retórica, tão valorizada pelos clássicos. Os aspectos fundamentais da temática romântica são o historicismo e o individualismo. O historicismo está representado nas obras de Walter Scott (Inglaterra), Vitor Hugo (França), Almeida Garrett (Portugal), José de Alencar (Brasil), entre tantos outros. São resgates históricos apaixonados e saudosos ou observações sobre o momento histórico que atravessava-se àquela altura, como no caso de Balzac ou Stendhal (ambos franceses). A outra vertente, focada no individualismo, traz consigo o culto do egocentrismo, vazado de melancolia e pessimismo ( Mal-do-Século). Pelo apego ao intimismo e a valores extremados, foram chamados de UltraRomânticos. Esses escritores como Byron, Alfred de Musset e Álvares de Azevedo beberam do Sturm und Drang alemão, perpetuando as fontes sentimentais. O romantismo é um movimento que vai contra o avanço da modernidade em termos da intensa racionalização e mecanização. É uma crítica à perda das perspectivas que fogem àquelas correlacionadas à razão.

Romantismo no Brasil
De acordo com o tema principal, os romances românticos no Brasil podem ser classificados como indianistas, urbanos ou regionalistas. Romance indianista O índio era o foco da literatura, pois era considerado uma autêntica expressão da nacionalidade, e era altamente idealizado. Como um símbolo da pureza e da inocência, representava o homem não corrompido pela sociedade, o não capitalista, além de assemelhar-se aos heróis medievais, fortes e éticos. Junto com tudo isso, o indianismo expressava os costumes e a linguagem indígenas, cujo retrato fez de certos romances excelentes documentos históricos. Romance urbano Os temas desenvolvidos tratam da vida na capital e relatam as particularidades da vida cotidiana da burguesia, cujos membros se identificavam com os personagens. Os romances faziam sempre uma crítica à sociedade através de situações corriqueiras, como o casamento por interesse ou a ascensão social a qualquer preço. Romance regionalista Propunha uma construção de texto que valorizasse as diferenças étnicas, lingüísticas, sociais e culturais que afastavam o povo

brasileiro da Europa, e caracterizava-os como uma nação. Os romances regionalistas criavam um vasto panorama do Brasil, representando a forma de vida e individualidade da população de cada parte do país. A preferência dos autores era por regiões afastadas de centros urbanos, pois estes estavam sempre em contato com a Europa, além de o espaço físico afetar suas condições de vida.

Biografias:
CASTRO ALVES NOME LITERÁRIO: ALVES, Antônio de Castro. NOME COMPLETO: ALVES, Antônio de Castro. PSEUDÔNIMO: Musset. NASCIMENTO: Fazenda Cabaceiras, Curralinho, hoje Castro Alves, BA, 14 de março de 1847. FALECIMENTO: Salvador, BA, 6 de julho de 1871.

Poeta, teatrólogo, tradutor. Iniciou os estudos no interior do estado. Em Salvador, cursou humanidades, estudando no Ginásio Baiano, onde tornou-se amigo de Rui Barbosa, com o qual fundou, em 1864, a Sociedade Abolicionista do Recife. Ingressou nas faculdades de direito em Salvador (1862) e em São Paulo (1868) sem, no entanto, completar os estudos. Em Recife, fundou o jornal O Futuro com outros intelectuais e escritores, obtendo grande fama por participar intensamente das atividades estudantis e literárias, bem como de manifestações abolicionistas, tornando-se o poeta mais destacado da causa anti-escravagista. Nesta cidade, onde viveu com a atriz Eugênia Câmara, dedicou-se a traduzir peças teatrais. Escreveu o texto para teatro Gonzaga, que levou para São Paulo, com passagem pelo Rio de Janeiro (1868), onde declamou em público, alcançando grande sucesso. Na cidade de São Paulo,

já com a saúde bastante abalada pela tuberculose, sofreu a perda de um pé num acidente de caça, em 1869. Retornou à Bahia em 1870 para se restabelecer, mas não se recuperou, vindo a falecer aos 24 anos. Embora tivesse colaborado em inúmeros periódicos, teve publicado em vida somente o livro Espumas Flutuantes. Além de intensa obra poética (muitos de seus poemas foram musicados), deixou desenhos e caricaturas. Por obra de sua beleza física, dos arroubos românticos e dos ideais de liberdade, sua figura é marcada por uma aura de lenda.

GONÇALVES DIAS NOME LITERÁRIO: DIAS, Gonçalves. NOME COMPLETO: DIAS, Antônio Gonçalves. PSEUDÔNIMO: Optimus Criticus NASCIMENTO: Sítio Boa Vista, Caxias, MA, 10 de agosto de 1823. FALECIMENTO: Costa do Maranhão, 3 de novembro de 1843.
Filho de português com cafuza, Gonçalves Dias nasceu de uma união não oficializada. Em 1829, quando seu pai casou-se com Adelaide Ramos de Almeida, o poeta foi morar com o casal. Iniciou os estudos em 1830, em sua terra natal, na escola do professor José Joaquim de Abreu, lá permanecendo por um ano, quando passou a trabalhar na casa comercial de seu pai como caixeiro e encarregado da escrituração. Em 1835, foi matriculado em uma escola particular, iniciando seus estudos de latim, francês e filosofia. Em 1838, foi para Coimbra, Portugal, onde terminou os estudos secundários e ingressou na Faculdade de Direito (1840). Nesta cidade, participou dos grupos medievistas da Gazeta Literária e de O Trovador, compartilhando das idéias românticas de Almeida Garret, Alexandre Herculano e Antonio Feliciano de Castilho. Bacharelou-se em 1844. Ainda em Portugal, escreveu a "Canção do exílio" e parte dos poemas de "Primeiros cantos" e "Segundos cantos"; o drama Patkull; e Beatriz de Cenci, posteriormente rejeitado, no Brasil, pelo Conservatório Dramático, por sua condição de texto "imoral". Neste período, escreveu também os fragmentos do romance biográfico Memórias de Agapito Goiaba, destruído pelo poeta, pois continha impressões sobre pessoas ainda vivas. Em 1845, retornou ao Maranhão. No ano seguinte, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde ocupou os cargos de funcionário do Instituto Histórico, oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros, chefe da seção de etnografia da Comissão Científica de Exploração e professor de história e latim do Colégio Pedro II. Em 1849, fundou a revista Guanabara, com Porto Alegre e Joaquim Manuel de Macedo. Colaborou em diversos periódicos, entre eles Jornal do Commercio, Correio Mercantil, Correio da Tarde, Sentinela da Monarquia e Gazeta Oficial, publicando crônicas, folhetins teatrais e crítica literária. Em 1854, voltou novamente à Europa, onde permaneceu até 1857, entrando em contato com Alexandre Herculano, que o introduziu na Real Academia de Ciências. Retornando ao Brasil, percorreu, em missão científica, o Norte e o

Nordeste do país. Em 1864, regressando de nova viagem à Europa, morreu no naufrágio do navio Ville de Boulogne, na costa do Maranhão.

Fagundes Varela
Luís Nicolau Fagundes Varela (1841-1875) foi um poeta romântico inspirado pelo byronismo. Boêmio, este estudante de direito que nunca conclui o curso perdeu seu filho ainda novo e da esposa o leva mais fundo à boêmia. Casando-se de novo, muda-se para Niterói e falece, alcoólatra e mentalmente desequilibrado. Considerado o menos ingênuo dos românticos, a perda do filho influenciou muito sua obra, sendo o Cântico do Calvário indicação disto. Segue uma passagem. "Eras na vida a pomba predileta Que sobre um mar de angústia conduzia O ramo da esperança. - Eras a estrela Que entre as névoas do inverno cintilava Apontando o caminho ao pergueiro."

Conclusão
Após a finalização desse trabalho concluir que as poesias do romantismo e realismo são que valorizam os momentos fortes do autores,estimulam a fantasia quem vem momentaneamente.

Nessas escolas literárias as poesias fogem do clássico para da entrada aos sentimentos mais profundos. Transformando o que eram as poesias em verdadeiras obras de artes. Em minha opinião ainda temos muito a aprender com esses brilhantes autores que ficarão marcados pra sempre na história. É agora momento de resgatar o que foi já esquecido pelas gerações anteriores. É preciso trazer de volta o amor a natureza,o amor ao ser humano e também o amor a própria vida relatado nas poesias. Esse amor incondicional que mesmo muitas das vezes sendo impossível supera até da morte e as diferenças como a dois séculos atrás!

Bibliografia: • Google • Jornal da poesia

• Apostila anglo literatura volume I e II

Nome: N°:
32

Nayara Cristina Camargo Cardoso

2°A