A Crônica de Akakor

KARL BRUGGER
Prefácio de ERICH VON DANIKEN Tradução de BERTHA MENDES

LIVRARIA BERTRAND PREFÁCIO DE ERICH VON DANIKEN

O

s cientistas não são os únicos que enriquecem ao explorar o desconhecido. Karl Brugger, nascido em 1942, depois de completar os seus estudos de história e sociologia contemporânea, foi para a América do Sul como jornalista e obteve informações acerca de Akakor. Desde 1974 que Brugger é correspondente das estações de rádio e televisão da Alemanha Ocidental. Atualmente, é considerado um especialista em assuntos que dizem respeito aos Índios. Em 1972, Brugger encontrou Tatunca Nara, filho de um chefe índio, em Manaus, na confluência do rio Solimões com o rio Negro, isto é, no início do Amazonas. Tatunca Nara é chefe dos índios Ugha Mongulala, Dacca e Haisha. Brugger, investigador escrupuloso, ouviu a história inacreditável mas verdadeira que o mestiço lhe contou. Depois de ter verificado tudo conscienciosamente, decidiu publicar a crônica que tinha registrado no gravador. Como estou habituado ao fantástico e sempre preparado para o extraordinário, não me emociono facilmente, mas devo confessar que me senti invulgarmente impressionado com A Crônica de Akakor tal como me relatou Brugger. Abre uma dimensão que obriga os céticos a verificar que o inconcebível é muitas vezes possível. Incidentalmente, A Crônica de Akakor foca precisamente o quadro que é familiar aos mitologistas de todo o mundo. Os deuses vieram “do céu”, instruíram os primeiros humanos, deixaram atrás de si alguns misteriosos instrumentos e desapareceram

novamente no “céu”. Os desastres devastadores descritos por Tatunca Nara podem ser relacionados até ao mínimo pormenor com Os Mundos em Colisão, de Immanuel Velikovsky, as suas extraordinárias descrições de uma catástrofe mundial e mesmo as referências às datas são simplesmente espantosas. Igualmente, a afirmação de que certas partes da América do Sul são cortadas por passagens subterrâneas não pode chocar nenhum conhecedor do assunto. Num outro livro referi-me ter visto as tais estruturas subterrâneas com os meus próprios olhos, A Crônica de Akakor dá resposta a muito do que é apenas aflorado noutros trabalhos sobre assuntos semelhantes

INTRODUÇÃO
A Amazônia começa em Santa Maria de Belém, a cento e vinte quilômetros da costa do Atlântico. Em 1616, quando duzentos portugueses, sob a chefia de Francisco Castelo Branco, tomaram posse deste território em nome de Sua Majestade o Rei de Portugal e Espanha, o seu cronista descreveu-o como uma doce e convidativa zona de terreno com árvores gigantescas. Presentemente, Belém é uma grande cidade, com arranhacéus, de tráfego intenso e uma população de seiscentos e trinta e três mil habitantes. É o ponto de partida da civilização branca na sua conquista das florestas virgens da Amazônia. Contudo, através de quatrocentos anos, a cidade tem conseguido preservar traços do seu passado heróico e místico. Palácios de estilo colonial dilapidados e edifícios de azulejos com enormes portões de ferro são testemunhas de uma era famosa, quando a descoberta do processo de vulcanização da borracha elevou Belém ao nível de uma metrópole européia. O mercado de dois andares na área do porto também data desta época.Aqui quase tudo pode ser comprado: peixe do Amazonas ou do oceano, perfumados frutos tropicais; ervas medicinais, raízes, bulbos e flores; dentes de crocodilo, que dizem ter propriedades afrodisíacas, e rosários feitos de terracota Santa Maria de Belém é uma cidade de contrastes. No centro, ruas ruidosas de tráfego, mas o mundo selvagem da ilha de Marajó, outrora povoada por uma das populações altamente civilizadas que tentaram conquistar a Amazônia, fica apenas a duas horas de viagem, rio acima, na margem oposta. De acordo com a história tradicional, os Marajoaras chegaram à ilha mais ou menos em 1100, quando a sua civilização estava no apogeu, mas na altura em que os exploradores europeus chegaram, este povo já tinha desaparecido. Tudo o que ele resta são belas cerâmicas, figuras estilizadas traduzindo dor, alegria e sonhos. Parecem contar uma história, Mas qual? Até à ilha de Marajó, o Amazonas é uma confusa rede de canais, afluentes e lagoas. O rio estende-se por uma distância de seis mil quilômetros: nasce no Peru e atinge os rápidos colombianos, mudando de nome em cada país que atravessa – de Apurimac a Ucayali e Marañon, e de Marañon a Solimões. Para além da ilha de Marajó, o Amazonas tem um caudal maior que qualquer outro rio do mundo. Um grande barco a motor, único meio de transporte na Amazônia, leva três dias para fazer a travessia de Belém à Santarém, a localidade mais próxima. É impossível compreender o grande rio sem ter experimentado estes barcos a motor, que incorporam a noção de tempo, vida e distância na Amazônia. Podem fazer-se cento e cinqüenta quilômetros por dia (não por hora) rio abaixo; nestes barcos o tempo passa-se a comer, a beber, a sonhar e a amar. Santarém fica situada na margem direita do Amazonas, na embocadura do rio Tapajós. Uma população de trezentos e cinqüenta mil habitantes atravessa uma época próspera, pois a cidade é terminal da Transamazônica e atrai garimpeiros, contrabandistas e aventureiros. Uma das mais antigas civilizações da Amazônia floresceu aqui, o povo do Tapajós, provavelmente a maior tribo da selva índia. O historiador Heriarte afirmou que, se fosse necessário, tinham possibilidade de alinhar cinqüenta mil arqueiros para uma batalha. Mesmo considerando este número um exagero, sabe-se que os Tapajós foram suficientemente numerosos para fornecer ao mercado de escravos portugueses durante

as Tribos Escolhidas Aliadas. A mais longa parte da sua história referia-se às lutas dos índios contra os brancos. Apelava agora para os seus maiores inimigos. vinda das montanhas que o rodeavam. aventureiros e soldados do Peru. contra os espanhóis e portugueses plantadores de borracha. em mau alemão. Com certa relutância. Antes de falar comigo. castanhos. que governou no Sul do continente americano.oitenta anos. tinha um longo cabelo escuro e um rosto delicadamente modelado. à chegada dos Bárbaros e à aliança dos índios com dois mil soldados alemães. Só quando venceu a sua reserva e as suas suspeitas iniciais me contou a história mais extraordinária que jamais ouvi. Os seus olhos. leva-se vinte minutos para chegar a Manaus.481 a. as Amazonas desciam até o lago. eram característicos dos mestiços. M. tinha sido o encarregado de me proporcionar este encontro. Esta orgulhosa tribo não nos legou senão espécimes arqueológicos. cada vez mais para os Andes. Tatunca Nara vestia um desbotado uniforme tropical. C. O lago Iacy. a 3 de Março de 1972. os brancos. Esta. Era alto. Mergulhavam em busca de pedras estranhas. o trânsito das ruas. à origem dos Incas. Os primeiros minutos da nossa conversa foram difíceis. De barco.. tornavam reais as lendas maia e inca. que comandava o contingente da selva brasileira em Manaus. quando havia lua cheia. era a sua história. Foi aqui que encontrei Tatunca Nara. até mesmo nas instalações subterrâneas. O verdadeiro rio Amazonas nasce na confluência do rio Solimões com o rio Negro. debaixo de água. só interrompido para mudar a fita no gravador. mas que em terra adquiriam dureza. se existisse. mas sem qualquer êxito. Foi no Bar Graças a Deus que encontrei pela primeira vez o chefe índio. podiam ser amassadas como pão. colonos. Tatunca Nara contou. até 1972. que. Empurraram os Ugha Mongulala. no entanto. tal como mais tarde me explicou. Os cientistas consideram-nas “milagres arqueológicos”: duras como o diamante. ele contou a história dos Ugha Mongulala. os elevados edifícios e o insuportável barulho. se bem que a evidência tenha provado que os Tapajós não tinham ferramentas para trabalhar esta espécie de material. para encontrarem os apaixonados que as esperavam. que não tem qualquer estrada de comunicação com a costa. um povo que há quinze mil anos foi “o eleito dos Deuses”. Ia dar crédito ou não? No úmido calor do Bar Graças a Deus foi-me revelado um estranho mundo que. junto à povoação de Faro. que. cidades e lendas da Amazônia sucedem-se de Santarém a Manaus. têm formas artificiais. De acordo com a lenda. de acordo com o calendário da civilização . pequenos e cheios de suspeita. E contou-me que todos estes fatos tinham sido registrados num documento chamado A Crônica de Akakor. um filho dos Deuses. de quem pretendia ser o príncipe. Presume-se que o aventureiro espanhol Francisco Orellana combateu os habitantes da Amazônia na foz do rio Nhamundá.. e o rio que tem o seu nome. “Espelho da Lua”. Tatunca Nara falou-me da tribo dos Ugha Mongulala. pedindo auxílio perante a iminente extinção do seu povo. Descreveu duas grandes catástrofes que haviam devastado a Terra e referiu-se ao príncipe Lhasa. Num monólogo que durou horas. lhe fora dado pelos oficiais. às suas relações com o Egito. O segundo e o terceiro encontro com Tatunca Nara foram no meu quarto de hotel com ar condicionado. As Amazonas chamavam a estas pedras muiraquitã e davam-nas aos seus apaixonados. com a sua imensa população. Rios. do ano zero até 12.453 (de 10. as suas impressões da cidade branca.. situa-se na margem direita do rio. O seu largo cinto de couro com fivela de prata era impressionante. Falou de gigantescas cidades de pedra e instalações subterrâneas dos divinos antepassados. Tatunca Nara conversara com altas personalidades brasileiras do Serviço de Proteção aos Índios.

Em 1972. Estes fatos foram documentados nos arquivos do serviço secreto brasileiro. Aparentemente.. Mas Tatunca Nara não desistiu. o misterioso chefe índio fala uma mau alemão. As minhas buscas no Rio de Janeiro. encontrei um amigo. Com o propósito de evitar a continuação dos ataques. Apelou também para o Serviço de Proteção aos Índios do Brasil (a atual FUNAI) e contou a N. uma região miserável e esquecida na encosta oriental dos Andes. surgiram grandes lutas entre as tribos de índios selvagens e os colonos brancos da fronteira do Peru na província de Madre de Dios. Em 1969. Era membro do serviço secreto e fazia parte do “segundo departamento”. quando um chefe índio branco é mencionado por ter salvo a vida de doze oficiais brasileiros obtendo a sua libertação dos índios Haisha e levando-os para Manaus. o Governo do Peru pediu ao Brasil a sua extradição. pelo menos. os índios do Peru partilharam da sorte dos seus irmãos brasileiros: foram assassinados ou morreram de doenças características da civilização branca. Decidi investigar ainda mais a história de Tatunca Nara. Tatunca Nara voltou à civilização branca. mas as autoridades brasileiras recusaram-se a cooperar. de acordo com os relatos da imprensa do Peru. que. o oficial brasileiro M. seguidos da vitória dos brancos. Tatunca Nara foi recompensado com uma carteira de trabalho e um documento de identidade. mas é fluente em algumas línguas índias faladas no alto Amazonas. As tribos índias selvagens fugiram para as quase inacessíveis florestas perto da nascente do rio Yaku. Devido ao auxílio que prestou aos oficiais. A história de Tatunca Nara está documentada em jornais e começa em 1968. Tatunca Nara desapareceu subitamente. Tatunca Nara desaparecera. Três meses mais tarde. fugiu para território brasileiro após derrota. De acordo com testemunhas oculares. De acordo com o que dizem as testemunhas. O chefe dos índios. Quando Tatunca Nara acabou a sua narrativa eu tinha doze gravações de um fantástico conto de fadas. o fim das suas aventuras. numa outra vez. Poucas semanas depois da sua chegada a Manaus. A história de Tatunca Nara só começou a parecer plausível quando. fruto do calor tropical e do místico efeito da selva impenetrável. sem deixar rastro. O chefe indio salvara a vida de doze oficiais brasileiros cujo avião caíra na província do Acre e devolveu-os à civilização. Desde que a província do Acre tinha sido considerada “livre de índios” nem ao bispo foi concedido qualquer auxílio do Estado. conhecia Tatunca Nara já havia quatro anos e confirmou. Com o auxílio dos doze oficiais cuja vida salvara. M. A velha história da Amazônia revivia: a revolta dos oprimidos contra os opressores. muito embora não lhes pertencesse. O Peru fechou a fronteira com o Brasil e iniciou a invasão sistemática da floresta virgem.branca). A luta de fronteira da província de Madre de Dios acalmou aos poucos durante os anos de 1970 e 1971. Mas o meu entusiasmo inicial tinha desaparecido. Juntos pediram alimentos para os índios do rio Yaku nas igrejas da capital do Acre. As tribos índias de Yaminauá e Kaxinauá reverenciavam Tatunca Nara como chefe. monsenhor Grotti morria na queda misteriosa de um avião. Manaus e Rio Branco tiveram resultados extraordinários. sempre vitoriosos. a história dos dois mil soldados alemães que desembarcaram no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial e que ainda estavam vivos . Brasília. era conhecido por Tatunca (“grande serpente-d’água”). compreende só algumas palavras em português. e na cidade brasileira de Rio Branco relacionou-se com o bispo católico Grotti. A história parecia-me excessivamente extraordinária: uma outra lenda da floresta. secretário da Embaixada da Alemanha Ocidental em Brasília. entrou em contato com serviço secreto brasileiro.

Avistávamos a selva no horizonte. Quando Tatunca Nara sugeriu que o acompanhasse a Akakor. Uma má nutrição crônica deixara o povo num estado de triste resignação. utensílio de cozinha. a capital do seu povo. A primeira cidade que alcançamos foi Sena Madureira. Eu tinha verificado a sua história e comparado a fita gravada com o material dos arquivos e relatórios de historiadores contemporâneos. as instalações subterrâneas e o desembarque dos dois mil soldados alemães. nem piranhas. as pessoas dependiam sobretudo da aguardente de cana. O rio Purus era como um lago que não tivesse margens. estes planos foram interrompidos devido à resistência das autoridades da província do Acre. na fronteira entre o Brasil e o Peru. como por exemplo. e depois continuaríamos a pé pelas colinas dos Andes até Akakor. O nosso carregamento era constituído por redes. nem cobras-d’água. Levávamos também uma canoa com motor de popa e utiliza-la-íamos para alcançar a região afluente do rio Yaku. N. O Serviço organizou então uma expedição para estabelecer contato com os misteriosos Ugha Mongulala e deu instruções a Tatunca Nara para fazer os preparativos necessários.última povoação antes de se entrar nas inexploradas regiões fronteiriças entre o Brasil e Peru. dois gravadores e máquinas fotográficas. com os seus mistérios oculto atrás de uma muralha verde. E aqui me tornei a encontrar com Tatunca Nara. Era típica de toda a Amazônia: estradas de argila suja. as habituais roupas para a selva e remédios. Num bar. Devido a instruções pessoais do governador Wanderlei Dantas. cabanas desmanteladas e um cheiro desagradável de água estagnada. À procura de ouro. o fotógrafo brasileiro J. Alguns pontos podiam ser explicados. mas eu ainda pensava que muita coisa era inteiramente inacreditável. Como armas levávamos uma Winchester 44. Comecei a acreditar numa história cuja incredibilidade se tornava um desafio. seu único meio de escapar a uma infeliz realidade. descreveu a rota dos soldados alemães de Marselha até o rio Purus e referiu-se a vários dos seus chefes. dizemos adeus à civilização e encontramos um homem que presumivelmente conhece a parte superior do rio Purus. uma tribo . Oito entre dez habitantes sofriam de beribéri. O tempo destinado à expedição era seis semanas. Tatunca Nara. contando nós. e as da história de Tatunca Nara coincidiam. Tatunca Nara repetiu a história mais uma vez. aceitei. Indicou num mapa a aproximada localização de Akakor. regressar nos princípios de Novembro. Levávamos também equipamento para filmar. eram leprosos ou tinham malária. No decorrer deste encontro. O encontro seguinte teve uma seqüência diferente. Mas era improvável que tudo isto fosse inventado: as datas do oficial M. A FUNAI só concordou em cooperar depois de muitos pormenores da história de Tatunca Nara acerca das tribos índias da Amazônia serem confirmados. uma espingarda de caça e grandes machados.em Akakor. Tatunca Nara foi preso. os oficiais seus amigos libertaram-no da prisão de Rio Branco e tornaram a leva-lo para Manaus. não acreditou na história e recusou o acesso de Tatunca Nara à embaixada. e eu partimos de Manaus a 25 de Setembro de 1972. Voltava constantemente a estes misteriosos antepassados cuja memória ficara para sempre intacta no seu povo. alimentos. esteve cativo dos índios Haisha. durante o Verão de 1972. Rodeadas pela brutalidade da selva e isoladas da civilização. dois revólveres. Os primeiros dias foram inteiramente diferentes daquilo que esperávamos: não apareceram nem mosquitos. Pouco antes da sua extradição para o Peru. Pretendíamos alcançar a parte superior do rio Purus num barco que alugáramos. mosquiteiros. Desenhou vários símbolos dos deuses que presumivelmente apareciam na Crônica de Akakor. No entanto.

o esforço físico e o receio do desconhecido influíram poderosamente sobre nós. com as pinturas de guerra do seu povo. Em Maio. Só no Verão de 1973 a recordação voltou: o Brasil principiara a sistemática invasão da Amazônia. A 13 de Outubro não temos possibilidade de regresso. sob árvores inclinadas. a paisagem começa a modificar-se. E finalmente. Tatunca Nara prepara-se para voltar para seu povo. Trinta mil índios tomaram os bulldozers por antas gigantes e fugiram para a selva. em Junho de 1973. pinta o corpo: na cara traços vermelhos. usando só um pano a cobrir-lhe os rins. Basicamente. trocamos o barco pela nossa canoa. A viagem transforma-se em expedição contra as nossas próprias dúvidas. que é decorada com os estranhos símbolos dos Ugha Mongulala. A cinco de Outubro. os guardas de fronteira brasileiros estabeleceram contato com índios que eram chefiados por mulheres. Depois do meu regresso ao Rio de Janeiro. Em Abril de 1973. J. que vinha em caixas. O que em Manaus parecia uma fantástica aventura tornou-se agora num pesadelo. Agora navegávamos entre cipós. a canoa é apanhada por um redemoinho e vira-se. . sem praias. durante trabalhos de reconhecimento no Pico da Neblina. As primeiras montanhas dos Andes cobertas de neve surgem no horizonte: atrás de nós estende-se o verde-mar das terras baixas da Amazônia. Prende o cabelo atrás com uma tira de couro. numa distância de sete mil quilômetros. antes de ser demasiado tarde. e eu tínhamos ambos uma sensação desagradável: haverá na realidade um local chamado Akakor? Podíamos confiar em Tatunca Nara? Mas a aventura provava ser mais forte que a nossa ansiedade. Ainda não encontramos índios. Doze dias depois de deixarmos Manaus. Numa estranha cerimônia. Akakor e os Deuses. Aceitamos o seu convite para ali passar a noite e escutamos as suas estranhas histórias de índios de cabelos pintados de azul encarnado que usavam setas envenenadas. e eu deixamos o nosso último acampamento. Estamos a uns escassos dez dias da nossa suposta meta. várias tribos índias foram avistadas na região do Acre. Depois de uma curva do rio encontramos um grupo de prospectores que construíram uma fábrica primitiva na margem do rio e peneiravam uma areia grossa. em Outubro de 1972. E com isto recordava as velhas lendas. O que ele nos conta é desencorajante: falanos em rituais canibalescos e setas envenenadas. e de agora em diante dependemos de Tatunca Nara.. metade dos nossos alimentos e remédios perderam-se também. a FUNAI descobriu uma tribo de índios brancos na parte superior do rio Xingu. Os mapas mostram muito deficientemente o curso do rio Yaku. tentei esquecer Tatunca Nara. pensávamos que gostaríamos de voltar e esquecer tudo acerca de Akakor. toma a estrada que o levará à sua tribo. que Tatunca Nara me mencionara um ano antes. e no peito e nas pernas riscas amarelo-escuras. na cachoeira Inglesa.semi-civilizada da vizinha região do rio Yaku. Tatunca Nara. que antes havia sido considerada “livre de índios”. Na manhã seguinte. perde-se na densa floresta das margens. Estes também tinham sido descritos por Tatunca Nara. O nosso equipamento fotográfico. O rio até esse ponto parecia um mar acastanhado. J. Depois de uma perigosa passagem sobre as corredeiras.. tão fascinantes e míticas como antes. A dieta monótona. Nesta situação desesperadora decidimos desistir da expedição e voltar para Manaus. Tatunca Nara reage com irritação: está impaciente e desapontado. Começara o último ataque a Amazônia. As tribos índias que vivem nesta região não têm qualquer contato com a civilização branca. Este foi o meu último contato com o chefe dos Ugha Mongulala. Doze mil trabalhadores construíam duas estradas através da ainda não explorada selva.

Por esta razão não me baseei nas teorias que dizem respeito a astronautas ou a seres divinos como possíveis antecessores da civilização humana. também prediz uma terceira grande catástrofe. Verifiquei o mais cuidadosamente possível todas as informações da “Introdução” e do “Apêndice” no que diz respeito à sua veracidade. Este livro. em contraste com a dos Bárbaros Brancos. mas que. Fiz o mesmo com os mapas e desenhos baseados nas datas fornecidas por Tatunca Nara. Depois de tornar a ouvir as gravações de Tatunca Nara decidi escrever a sua história “com boas palavras e numa escrita clara”. mas restringem-se aos acontecimentos mais importantes da história da América do Sul. A maior parte deste livro. O terceiro livro. Akakor existiu realmente? Há uma história escrita dos Ugha Mongulala? As minhas próprias dúvidas obrigaram-me a dividir este livro em duas partes. a maior herança dos Ugha Mongulala. no fim do livro. no entanto. sem dúvida alguma. As citações dos historiadores contemporâneos vêm de fontes materiais espanholas e traduzi-as eu próprio. A tábua cronológica. Só acrescentei as minhas próprias considerações no “Apêndice”. para auxiliar o leitor a compreende-las melhor.000 e 11. fornece a justaposição do calendário de Akakor com o da história tradicional. Todas as subseções estão precedidas por um curto sumário da história tradicional. mas a cidade é. em pele e mais tarde também em pergaminho. fiz o sumário dos resultados das minhas pesquisas nos arquivos brasileiros e alemães. Segundo ele. para dar ao leitor uma base de comparação. Tatunca Nara pensa que o bispo os escondeu ou que estão guardados nos arquivos do Vaticano. A ênfase deste livro diz respeito à história e à civilização dos Ugha Mongulala. A minha contribuição não é muita. real. Na quinta parte. O quarto e último livro. O bispo Grotti foi o único homem branco a vêla e trouxe com ele vários excertos. descreve a chegada de dois mil soldados alemães a Akakor e a sua integração no povo dos Ugha Mongulala. Noutro quadro refiro-me aos nomes prováveis dados pela civilização branca às várias tribos referidas no texto. e está guardada por sacerdotes no Templo do Sol. que as sabia de cor. A Crônica de Akakor. E o leitor deve ele próprio decidir se isto é um relato inteligentemente inventado. o “Apêndice”. “O Livro do Jaguar” relaciona-se com a colonização da Terra pelos Deuses e vai até o período da segunda catástrofe mundial. a atual Crônica de Akakor. fala-nos de luta contra os colonizadores portugueses e espanhóis depois de desembarcarem no Peru e no Brasil. Esta é uma história que pode ter tido origem numa lenda. os documentos desapareceram. baseado em passos de escritos inadequadamente . Tentei torná-la tão literária quanto possível.000 (do seu calendário) e descreve a chegadas dos Bárbaros.Akakor existe realmente? Talvez não seja exatamente da maneira como Tatunca Nara a descreveu. com os Primitivos Mestres. “O Livro da Águia” compreende o tempo entre 6. leis divinas. As citações da Crônica de Akakor impressas como suplemento foram ditas por Tatunca Nara. Depois da sua misteriosa morte. instalações subterrâneas e muitas outras coisas. segue justamente a narrativa de Tatunca Nara. “O Livro da Serpented’Água”. mesmo quando os fatos parecem contradizer a historiografia tradicional. comparada com a história de um povo misterioso. como dizem os Índios. Os escritos foram feitos por Tatunca Nara em Manaus. Na Crônica de Akakor só incluí os relatos de Tatunca Nara. pode ser confirmada. a crônica atual foi escrita em madeira. “O Livro da Formiga”. tem cinco partes. O “Apêndice” contem o material que fui buscar nas respectivas origens.

históricos. ou um pedaço de história verdadeira relatada “com boas palavras e numa escrita clara”. .

O LIVRO DO JAGUAR Este é o jaguar Poderoso é seu salto E forte as suas patas. Todos os animais são seus súditos. Destrói o desobediente E devora-lhe a carne . É o senhor das florestas. Não tolera resistência.

. até ao momento atual..481 a. e os primeiros humanos não conheciam ferramentas nem o uso do fogo. a hora zero. Esta é a história. No entanto. Deus criou o mundo em seis dias para a sua própria honra e para a honra da humanidade. o homem de Neandertal. A historiografia tradicional coloca o início da história da humanidade em 600. C.I600. o Livro do Maia. a história escrita do meu povo. o homem só surgiu na quarta criação divina. as primeiras tribos da Ásia Central atravessaram o estreito de Bering em direção à América. E assim. a primitiva história do homem.000 a. A Pré-História. desde o início. caçava o mamute. quando o meu povo era o único do continente e o Grande Rio ainda corria de um e de outro lado.000 a. Explica o testamento dos Antigos Pais – o seu saber e a sua prudência. tendo desenvolvido ritos funerários. OS MESTRES ESTRANGEIROS DE SCHWERTA A Crônica de Akakor. Os homens viviam como animais. começa em 50. o homem era caçador e pastor. desde a partida dos Deuses. A Crônica de Akakor é testemunha perante a História do mais antigo povo do mundo. cerca de 80. a hora zero. de acordo com o calendário dos Bárbaros Brancos. C. as suas pinturas nas paredes dos abrigos são evidência de uma arte surpreendentemente sofisticada. a história do meu povo.000 a. Esta é a história dos Servidores Escolhidos. baseada nos ritos de caça mágico-religiosa. sem conhecimento. C. Durante a Idade da Pedra. depois de três mundos anteriores terem sido destruídos por medonhas catástrofes. C. Ina. tem sido dividida em Idade da Pedra. I. Nessa época. cavalos selvagens e rangíferos. sem razão. de acordo com achados arqueológicos. o primeiro príncipe dos Ugha Mongulala. Tudo isto está escrito na crônica.481 A. quando os Deuses nos deixaram. Mas de acordo com o Popol Vuh. do Bronze e do Ferro. No início era o caos. que avançara extraordinariamente e conhecia o uso do fogo. C.000 a. quando os Bárbaros Brancos estão a tentar destruir o nosso povo. começa na hora zero. C. Então ele moldou o homem do pó e deu-lhe o sopro da vida. quando os Primitivos Mestres nos deixaram. gradualmente foi seguindo os animais que se dirigiam para o norte: a agricultura e os animais domésticos eram-lhe ainda desconhecidos. e sem . – 10. sem leis. Segue-se. resolveu que tudo quanto acontecesse fosse narrado com boas palavras e numa escrita clara. Está assente que cerca de 25. Com a lenta regressão da camada de gelo. quando o país era ainda plano e suave como o lombo de um cordeiro..O REINO DOS DEUSES O início da história da humanidade é uma questão contestada. E descreve a origem do tempo. C. De acordo com a Bíblia. que corresponde ao ano de 10.000 A.

Viviam em grupos de dois e três. sem se vestirem. Os nossos sacerdotes dizem que era um poderoso império constituído por muitos planetas e com inúmeros grãos de pó na estrada. nem sequer cobrindo a sua nudez. Quem pode aprender a penetrar os atos dos Deuses? Quem pode aprender a compreender os seus feitos? Seguramente. apareceram no céu. mesmo quando o seu ensino encontrava oposição. que nem sequer o conhecimento dos sacerdotes consegue esclarecer. E os Deuses reconheceram-nos como seus irmãos. Também dizem que ambos os mundos. Instalaram as tribos errantes. e por causa de tudo quanto sofreram pela humanidade e por quanto nos trouxeram e nos esclareceram. Não sabemos quando tudo isto aconteceu. como o acaso os juntava. Conheciam o curso das estrelas e as leis da natureza. O seu rosto nobre era emoldurado por uma cabeleira de um preto azulado. um mundo muito distante. Tinham uns corpos graciosos e pele branca. deram-lhes bons quinhões de todos os comestíveis. . Na realidade. C. esses oriundos de Schwerta não eram diferentes do homem. A terra tremeu e o trovão ecoou sobre as colinas. Então os Deuses voltam. segundo o calendário dos Bárbaros Brancos).481 a. Donde vieram esses seres estranhos é um tênue conhecimento. E assim a imagem dos Primitivos Mestres ficou descrita até aos nossos dias. Cento e trinta famílias dos Antigos Pais vieram para a Terra e trouxeram a luz. dourados. o dos Primitivos Mestres e a própria Terra. Aparentemente. Estes estranhos indivíduos disseram que a sua pátria se chamava Schwerta. O homem baixou a cabeça em sinal de veneração. Eles trouxeram a luz. Trabalharam diligentemente para ensinar ao homem as suas leis. Mas o sinal que os distinguia decisivamente dos homens era terem seis dedos nas mãos e nos pés. E os nossos artistas mais hábeis reproduziram imagens dos Deuses que testemunham através de toda a eternidade a sua verdadeira grandeza e maravilhoso poder. De repente. navios brilhantes. Enormes línguas de fogo iluminaram a planície. a época deve ter sido 3. na profundeza do universo. se encontravam de seis mil em seis mil anos. De acordo com a tradição. Um denso mistério envolve a origem dos Primitivos Mestres. característica da sua origem divina. eram poderosos e incompreensíveis para os vulgares mortais. onde viviam os seus antepassados e donde eles tinham vindo com a intenção de espalhar conhecimento pelos outros mundos. com carne e sangue. os Antigos Pais eram seres vulneráveis. Tal como os homens. Por todo este labor.000 anos antes da hora zero (13. Uma barba espessa cobria-lhes o lábio superior e o queixo. Cento e Trinta famílias dos Antigos Pais vieram para a Terra para libertar o homem da escuridão.trabalhar o solo. Caminhavam com os pés e as mãos até a chegada dos Deuses. eram-lhes familiares as mais altas leis do universo. Com a chegada dos estranhos visitantes ao nosso mundo começou a Idade do Ouro. nós veneramo-los como os iniciadores da nossa luz. perante as poderosas e estranhas criaturas que vinham tomar posse da Terra.. em cavernas ou nas fendas das rochas. Não conheciam nada dos segredos da natureza.

Juntavam raízes. Antes de estes estranhos vierem de Schwerta.453 anos. tal como foi escrito na Crônica de Akakor: A linhagem dos Servos Escolhidos não desapareceu. de modo que o homem pudesse entrar na posse dos segredos da natureza.AS TRIBOS ESCOLHIDAS A memória dos nossos mais antigos antepassados torna-me assombrado e triste. Devemos-lhe a nossa força e tudo quanto sabemos. Os Ugha Mongulala são o único povo de pele branca do continente. servos a quem legaram todo o seu saber. os homens vagueavam como crianças que perderam o lar. viviam em cavernas e buracos cavados no solo. Pacientemente. ligaram-se aos servos. que na língua dos Bárbaros Brancos significa “Tribos Escolhidas Aliadas”. Eram os descendentes dos Deuses. apesar das horríveis catástrofes e das terríveis guerras. da vida e das tribos. cujos corações não albergavam amor. Este foi o início da luz. Como os Servos Escolhidos dos Primitivos Mestres. a história do meu povo também explica a história dos Deuses. A única diferença eram os cinco dedos dos mortais. Com o seu conhecimento. Mas a força dos Servos Escolhidos permaneceu intacta. tanto nas mãos como nos pés. a que deram o nome de Ugha Mongulala. Portanto. Ensinaram aos nossos antepassados que um animal não é só presa de caça. bulbos e frutos selvagens. Depois vieram os Deuses e estabeleceram uma nova ordem no mundo. foi-lhes fácil modificar a Terra de acordo com as suas próprias idéias. Muitos dos seus filhos podem ter morrido em guerras devastadoras. o rosto é caracterizado por maçãs salientes. Ensinaram-lhes a tecer e distribuíram lares permanentes às famílias e aos clãs. Dividiram o país e construíram estradas e canais. São altos. Deliberaram. abandonados pelos nossos Primitivos Mestres. determinaram a história da humanidade durante 12. Os chamados Ugha Mongulala sobreviveram. Eram os senhores. E foi assim que as tribos se desenvolveram. consideraram e fizeram reuniões. Semearam plantas até então desconhecidas pelo homem. mas que também pode constituir uma posse valiosa e indispensável contra a fome. Se bem que os Primitivos Mestres guardassem muitos segredos. e tinham disputas com os vizinhos por causa das peças caçadas. O IMPÉRIO DE PEDRA . Os estranhos vindos de Schwerta fundaram um poderoso império. partilharam o conhecimento necessário. Baseados nesta sabedoria. Como penhor dos seus eternos acordos. O meu coração pesa-me porque agora estamos sós. medonhas catástrofes deram-se nos seus domínios. os Ugha Mongulala sobreviveram durante milênios. Ensinaram aos homens a cultivar a terra e a criar animais. um nariz bem delineado e olhos em forma de amêndoa. Com as famílias escolhidas os Deuses fundaram uma nova tribo. E entre o povo escolheram os criados que deviam viver com eles. os Ugha Mongulala parecem-se com os seus divinos antepassados mesmo ainda hoje. a sua superior sabedoria e os seus misteriosos utensílios. Tanto os homens como as mulheres têm um espesso cabelo pretoazulado. Os Deuses juntaram os homens. Depois tomaram decisões.

Os Ugha Mongulala atingiram o seu mais elevado grau. foi construída há catorze mil anos pelos nossos antepassados. correspondendo aos quatro pontos universais dos nossos Deuses.315. o que o tornava superior a todos os outros. Akakor é traçada em retângulos. à Idade do Ouro. No ano zero. Desta época muito poucos testemunhos se têm conservado. Duas ruas principais cruzadas dividem a cidade em quatro partes. Akakor é a segunda fortaleza. ordenou que todos os acontecimentos fossem registrados com boas palavras e numa escrita clara. Os trajes são enfeitados com desenhos semelhantes. que só pode ser interpretada pelos nossos sacerdotes. O templo está voltado a leste. Só começa depois da partida dos Primitivos Mestres. no ano zero. capital do domínio. guiados pelos Primitivos Mestres. As paredes interiores estão cobertas de relevos.A Crônica de Akakor. no local em que os dois oceanos se encontram. uma planície que desce gradualmente alcança a selva de cipós da grande região da floresta. Mas a história dos Servos Escolhidos remonta a mais tarde. Akahim. Duraram doze mil anos. Os Deuses devem ter estabelecido um poderoso império. os Deuses legaram as suas cidades e templos às Tribos Escolhidas. Está protegida em três lados por rochas escarpadas. Poucos Bárbaros Brancos têm visto estes monumentos ou a cidade de Akakor. A planície a leste é guardada por vigias de pedra onde guerreiros escolhidos estão sempre vigilantes. por causa dos inimigos. Nesta altura. Uma escrita estranha. a história escrita do povo dos Ugha Mongulala. Toda a cidade é rodeada por uma alta muralha de pedra com treze entradas. A sua historia está intimamente ligada à de Akakor. o primeiro príncipe dos Ugha Mongulala. O telhado do Templo é aberto de modo que os raios do sol-nascente podem alcançar um espelho dourado que data da época dos Primitivos Mestres e está montado na frente. e com a devida veneração pelos Primitivos Mestres. Era povo de grande sabedoria. As criaturas divinas usam um bastão encimado pela cabeça de um jaguar. entre dois países: Peru e Brasil. quando os Antigos Pais ainda governavam o Império. onde a todas as tribos foram distribuídas tarefas. a terceira fortaleza. As suas paredes exteriores não têm enfeites e são feitas com pedras engenhosamente cortadas. ao centro. só é mencionada na crônica anterior ao ano 7. Figuras de pedra de tamanho natural erguem-se de ambos os lados da entrada do templo. capital do meu povo. Para leste. e é decorado com imagens dos nossos Primitivos Mestres. . Os nossos sacerdotes também falam na primeira fortaleza. Aventureiros e colonos brancos que descobriram a nossa capital têm sido presos pelo meu povo. Alguns soldados espanhóis capturados pelos Ugha Mongulala conseguiram fugir servindo-se de passagens subterrâneas. Ina. Estas são tão estreitas que só dão entrada a uma pessoa de cada vez. Erguia-se num estreito istmo na região que é hoje o México. Akakor. fala da fundação da cidade. para o sol-nascente. A figura está coroada por um toucado de ornamentos animais. nas montanhas. O Grande Templo do Sol e um portal de pedra cortado de um só bloco erguem-se numa vasta praça. Numa grande arca de pedra embutida na parede fronteira do templo estão escritas as leis dos nossos Primitivos Mestres. O nome também foi dado por eles: Aka significa “fortaleza” e Kor significa “dois”. A nossa capital ergue-se num vale. Akanis. Todas as cidades de pedra que foram construídas pelos nossos Primitivos Mestres têm um portal semelhante. O mais impressionante edifício de Akakor é o Grande Templo do Sol.

e são todas mencionadas na crônica. Os seus palácios e templos ficaram completamente cobertos pela selva de cipós. elevava-se uma gigantesca pirâmide. Estas eram as residências terrenas dos Primitivos Mestres e terreno proibido para os Ugha Mongulala. outras vinte e seis cidades de pedra rodeavam Akakor. Depois do primeiro contato desta tribo com os Bárbaros Brancos. mares e vales. Os telhados são de uma espessa camada de relva assente em estacas de bambu. num afluente do Grande Rio. coberto por uma densa mata de arbustos e árvores. ela retirou-se para as florestas inacessíveis que rodeiam Salazere. nas montanhas da atual Venezuela. na região onde hoje se estende a Bolívia. matando quem ouse invadir a sua comunidade. só vi Salazere com os meus próprios olhos. e Cadira.O território da Tribo que Vive nas Árvores está rodeado por profundos pântanos. e uma vasta escadaria erguia-se até a plataforma. À luz do solnascente. decorados com placas brilhantes. Para eles. erguiam-se outros edifícios. que está sujeito a um tempo diferente. da luz e da Vida. Eram seres . Estes sinais estão gravados numa pedra na parte superior da plataforma da pirâmide. Irradiavam uma luz misteriosa que brilhava nas montanhas cobertas de neve. as pessoas vivem nas árvores como macacos. Mas todas elas foram completamente destruídas na primeira Grande Catástrofe. Estes edifícios têm forma retangular e são feitos de blocos de pedra esculpidos. os Antigos Pais. Os Primitivos Mestres ensinaram-nos que há um lugar entre a vida e a morte. Mesmo os iniciados têm dificuldade em chegar ao local onde moravam os Deuses. mas também símbolos de vida e de morte. as pirâmides eram não só moradias. Na época do reino dos nossos Primitivos Mestres. em colinas criadas artificialmente. na parte baixa do Grande Rio. No centro. entre a vida e o nada. Além destas poderosas cidades.Contíguas ao Grande Templo do Sol. Ali. no elevado planalto do sul. Emim. O cercado do templo também se mantém um mistério para o meu povo. no Grande Lago e Manoa. Embora possamos copiá-los. há milhares de anos. o palácio do príncipe e os aposentos dos guerreiros. A sua visão alcançou as colinas. incompreensível para os humanos Para os Deuses. perdemos toda a compreensão do seu significado. contam os sacerdotes. O edifício principal era rodeado por pirâmides menores interligadas por colunas. Os edifícios são testemunho de um elevado conhecimento. na parte superior do Grande Rio. Só consegui alcançar os arredores do templo por esta tribo ser. e ainda hoje respeitam os sinais secretos de reconhecimento. planícies. Dos recintos do templo sagrado. Eram sinais do Sol. onde os Deuses celebravam cerimônias que hoje nos são desconhecidas. e mais adiante. aliada dos Ugha Mongulala. as cidades dos Deuses pareciam estar em chamas. Só o topo da grande pirâmide ainda se ergue acima da floresta. erguem-se às instalações dos sacerdotes e dos seus criados. florestas. Tiahuanaco. Fica a uma distância de oito dias de viagem da cidade que os Bárbaros Brancos chamam Manaus. a pirâmide era o elo com a segunda vida. AS MORADIAS SUBTERRÂNEAS Grande era o conhecimento dos Primitivos Mestres e grande era a sua sabedoria. As maiores eram Humbaya e Patite. treze anos após a partidas dos Deuses. também ergueram três complexos sagrados: Salazere.

Budo. . A cidade fica assentada numa caverna gigantesca feita pelo homem. Só Mu. O meu povo fugiu para os abrigos subterrâneos. Todas as estradas lhes são paralelas. os seus trabalhos eram poderosos. a pátria dos Antigos Pais. Perspicazes. profundamente ocultas nas montanhas que se chamam Andes. os guerreiros Ugha Mongulala destruíram a nossa capital há três anos. tem altas colunas. As entradas na superfície estão cuidadosamente disfarçadas. assim. Todas as cidades subterrâneas são cruzadas por canais que trazem água das montanhas. As casas. Têm paredes inclinadas e um teto liso. A luz altera-se de acordo com o brilho do Sol. Tanum. Rino. Os senhores do cosmo. que correspondem aos quatro cantos e aos quatro lados do universo. A Baixa Akakor fica no centro. Por minha ordem. Cipós crescem no Grande Templo do Sol. eram capazes de grandes decisões. exploraram o sistema de túneis e procuraram o sistema de respiro. criaram quatro cantos e quatro lados do universo. nós abandonamos Akakor. Conheciam o futuro. Tal como na parte superior de Akakor. Durante anos mediram os subterrâneos dos Deuses. os subterrâneos podem ser desligados do mundo exterior por grandes rochas móveis que servem de portões. O seu plano corresponde à constelação de Schwerta. Nada sabemos da construção da Baixa Akakor. A cidade teria traído a nossa presença perante os Bárbaros Brancos e. No interior do templo há doze entradas para os túneis que ligam a Baixa Akakor com outras cidades subterrâneas. Amam. Gudi. Kish. A verdade fora-lhes revelada. Akakor e Akahim. das instalações dos guerreiros e das mais modestas casas do povo. seres do céu e da terra. Um enorme espelho de prata espalha a luz do Sol sobre toda a cidade. a décima terceira e a menor das cidades. Os nossos Primitivos Mestres construíram as habitações subterrâneas de acordo com os seus próprios planos e leis. Em caso de emergência. Kos. A grande entrada de pedra está destruída. Sanga. Mesmo os soldados alemães que viveram com o meu povo não conseguiram esclarecer este mistério. têm no centro o Grande Templo do Sol. Akakor agora está em ruínas. O maior edifício é o Grande Templo do Sol. Temos treze cidades. com torres que sobem além dos edifícios onde estão instalados os sacerdotes e os seus criados. Tata e Sikon – são iluminadas artificialmente. A última dádiva dos Deuses. e de acordo com o Supremo Conselho e os sacerdotes. Boda. do palácio do príncipe. ordenadas em círculo e contornadas por uma muralha decorativa. Qualquer das outras cidades fica a grande distância de Akakor. a cidade está dividida por duas ruas em cruz. Doze das cidades – Akakor.milagrosos. Ergueram Akanis. Pequenos afluentes fornecem edifícios individuais e casas. Os túneis são suficientemente largos para comportar cinco homens lado a lado. que nos são desconhecidos. mas sem terem o mínimo êxito. A sua história perdeu-se na escuridão do mais remoto passado. Na verdade. como o eram os métodos que usavam para os criar: a maneira como determinaram os quatro cantos do universo e os seus quatro lados. que atingem a superfície.

tal como se afirma na Crônica de Akakor: E os Deuses governaram Akakor. Tinham pedras mágicas por onde viam a distância. Durante milhares de anos. rios. as habitações subterrâneas protegeram os Ugha Mongulala dos seus inimigos e suportaram duas catástrofes. tanto de dia como de noite. colinas. Tinham navios mais rápidos que o vôo das aves. e lagos. E os Deuses deram-nas aos seus Servos Escolhidos como última dádiva. Tudo quanto acontecia na Terra e no Céu se refletiam nessas pedras. Governaram sobre os homens e sobre a Terra. um império de 362.000 de indivíduos.000. Os ataques das tribos . de modo que podiam ver cidades. Para os Primitivos Mestres são do mesmo sangue e têm o mesmo pai.Daqui governavam o seu vasto império. Mas as habitações subterrâneas eram as mais maravilhosas. navios que atingiam os pontos a que se destinavam sem velas nem remos.

II . . os últimos homens da minha raça esperam a vinda dos Bárbaros Brancos.481 A. No interior. que avançam pelo Grande Rio. Os nossos sacerdotes profetizaram que em última análise descobrirão Akakor e que nela encontrarão a sua própria imagem.A HORA ZERO 10.selvagens não tinham êxito contra os seus portões. num número infinito. tal como formigas. C. C. Então o circulo fecharse-á. – 10.468 A.

pouco mais temos que alguns meses. com fogo e trovões. Negros na África e Caucasianos na Europa. C. as principais divisões raciais do Homo sapiens da última época glacial desenvolveram-se cerca de 13. com boas palavras e numa escrita clara: No dia em que os Deuses abandonaram a Terra chamaram Ina. de Tiahuanaco. Conserva-nos na tua memória e não nos esqueças. Ensinamos-te sabedoria e demos-te bons conselhos. Desapareceram por cima das montanhas de Akakor. registrada na Crônica de Akakor. Porque somos irmãos do mesmo sangue e temos o mesmo pai. chegariam à conclusão de que não podemos apoderar-nos do que não nos pertence. Vieram do leste e do oeste como um fogo assoprado por um forte vento e espalharam um manto de escuridão sobre o país. E Ina viu como os navios os levavam para o céu. Assim. Deixaram a sua herança ao servo de maior confiança: “Ina. Os sacerdotes afirmam que dentro em pouco se passará o tempo. E ordenou uma nova contagem do tempo para comemorar a partida dos Primitivos Mestres. acabados. aproxima-se do seu fim. não se comovem. Mas os Bárbaros Brancos querem ter tudo só para si. mesmo quando realizam as mais terríveis ações. E quando vejo o desespero e a miséria do meu povo não posso deixar de acreditar nestas profecias. De acordo com Platão. Esta é a história escrita dos Servos Escolhidos. tal como está escrito . temos de nos afastar. Vamos para casa.000 a. os Índios. Eram um sinal dos Antigos Pais. Os nossos dias de viver aqui. Voltaremos quando estiverdes ameaçados. Então o destino dos Ugha Mongulala será cumprido. vamo-nos embora para os nossos lares. . Os seus corações são duros. Eram considerados e venerados como se fossem sagrados. e só Ina os viu partir. Mas agora fique com as Tribos Escolhidas. e ter esperança de que os nossos Primitivos Mestres possam um dia voltar. para as proteger da catástrofe que se aproxima”. A Crônica de Akakor.: Mongóis na Ásia. Segundo a opinião de alguns historiadores e etnólogos. Levem-nas para as moradias subterrâneas. O cientista germano-boliviano Posnansky acredita na existência de um enorme império na região da cidade boliviana. Voltamos para junto dos que são iguais a nós. agora em ruínas. Mas se os Bárbaros Brancos pensassem. Estas foram as suas palavras. As descobertas arqueológicas de Altamira e da Amazônia confirmam pela primeira vez a existência de humanos no continente sul-americano.O velho épico hindu Mahabharata conta como os Deuses e os Titãs lutaram para ter o domínio da Terra. Mas os Deuses deixaram atrás de si um rastro de sabedoria e bom senso. O nosso trabalho está feito. Então compreenderiam que os Deuses nos deram uma grande mansão para a partilharmos e a gozarmos. o lendário império da Atlântida atingiu o seu ponto mais elevado neste período. nós. Isso foi o que eles disseram quando se despediram. para o poderem dominar. A PARTIDA DOS PRIMITIVOS MESTRES A história do meu povo. Os Bárbaros Brancos estão penetrando cada vez mais no nosso território. As principais fixações no continente europeu encontram-se nas regiões costeiras. E Ina reuniu os mais velhos do seu povo num Conselho e disseram-lhes quais tinham sido as últimas instruções dos Deuses.

que faziam com que as suas leis fossem obedecidas.481 a. 362. segundo a sua seqüência. Os Deuses superiores já não governam o seu império. e mais além. Todos os inícios da crônica começam e acabam com estes símbolos. A primeira Grande Catástrofe estende-se como um véu sobre os acontecimentos dos primeiros treze anos da história do meu povo.. o primeiro príncipe dos Ugha Mongulala. Nem sequer os Incas conhecem a escrita dos Deuses. Só três complexos de templos – Salazere. representadas pelo pão e pela água. cujos limites ficavam a muitas luas de distância. Depois da chegada dos soldados alemães. nem qualquer som. serviço da comunidade.000 de aliados prestavamlhes vassalagem. em 1942.000. por explícitas instruções dos Antigos Pais. “partidário”.000.000 que compreendem as Tribos Escolhidas governaram um império de 362. que são suficientes para descrever todos os mistérios da natureza. previa os terríveis acontecimentos que se sucederiam.000 de pessoas. que têm diferentes significados. perscrutavam o céu. na extensão das planícies do sul. O céu conservava-se desabitado.000. Os seus guerreiros protegiam as fronteiras dos ataques das tribos selvagens. Este era chefiado pelos Ugha Mongulala. nos dez . consta de simples e boas palavras. De acordo com os sacerdotes. até as baixas colinas do norte. São evidência de fato.Na hora zero (10. de acordo com o calendário dos Bárbaros Brancos. A LINGUAGEM DOS DEUSES Na língua dos Bárbaros Brancos. Os Ugha Mongulala governaram vinte e seis cidades. ao longo do Grande Rio. Ugha significa “aliado”. Degeneraram. Uma nova era iniciou-se para eles depois da partida dos Primitivos Mestres. Os 2. Rejeitaram os legados dos Deuses e dentro em pouco esqueciam a sua língua e a sua escrita. desde que os Primitivos Mestres dominaram as outras tribos no decorrer dos séculos. Os Ugha Mongulala governavam entre dois oceanos. os sacerdotes começaram a registrar os acontecimentos também na escrita das Tribos Aliadas. Manoa e Tiahuanaco – ficavam de fora da sua jurisdição. segundo o calendário dos Bárbaros Brancos) os Deuses deixaram a Terra. mas depois da primeira Grande Catástrofe revoltaram-se contra as leis dos Ugha Mongulala. “exaltado”. Os céus mantinham-se vazios – nem a mínima brisa. Os Ugha Mongulala são as Tribos Escolhidas Aliadas. seu mais leal servo e primeiro príncipe dos Ugha Mongulala. e Lala significa “tribos”. como os Bárbaros Brancos chamam à nossa língua. mas os navios dourados não voltavam. Língua. muitas fortificações poderosas e as habitações subterrâneas dos Deuses. O Povo Escolhido estava angustiado com a partida dos Primitivos Mestres e atormentado pelo desalento e pela angústia. O quíchua. Mongu significa “escolhido”. Conheço poucos pormenores acerca do período que se seguiu à partida dos Primitivos Mestres. Com olhos ardentes. Há mil e quatrocentos símbolos. veneração pelas pessoas idosas e respeito pelo príncipe são as coisas mais importantes documentadas anteriormente a primeira Grande Catástrofe. Mas nessa época nem sequer Ina. Os sinais mais importantes traduzem a vida e a morte. Ina governou o maior império que jamais existiu. Só a imagem dos Deuses ficou nos corações dos Servos Escolhidos. Deram o sinal de um novo capítulo na história do meu povo. tinha a seu cargo enormes tarefas. Ina. C.

a providência dos Deuses salvou os Ugha Mongulala . A penumbra cobriu a face da Terra. Um caminho cruzado sobrepunha-se. vermelho. Uma neblina venenosa cobria as colinas. Obedeceram às ordens de Ina. No entanto.mil anos da sua história. Foi assim que eles falaram. As duas raças de deuses que estão representadas nas imagens do Grande Templo do Sol de Akakor começaram a guerrear-se. Ina comandou a retirada para as moradias subterrâneas. as estranhas criaturas pareciam-se com humanos. A confusão e a escuridão reinavam por toda à parte. E a multidão reuniu-se. Começara a era do sangue. O Sol ainda brilhava. e cada um tentou tirar ao outro o seu poderio. tigres. Dizem que no período antes da hora zero existiu também outra nação de deuses que eram hostis aos nossos Primitivos Mestres. a Lua ou as estrelas. Também possuíam o conhecimento que os tornava superiores aos homens e iguais aos Primitivos Mestres. pela primeira vez. todos os quatro cantos do mundo estavam vermelhos. Queimaram o mundo com calor solar. Atravessaram . Mas dos ombros saiam-lhes cabeças de serpentes. Foi assim que eles decidiram. Reuniram-se os mais velhos do povo. Tinham muito cabelo e uma pele avermelhada. grande e intensa. Recordando as últimas palavras dos nossos Primeiros Mestres. Um Sol vermelho. Estranhos sinais viam-se no céu. Esqueceram o testamento dos Deuses. O que aconteceu nesta época. Tal como os homens. “Vamos seguir as ordens dos Deuses e albergar-nos nos abrigos subterrâneos. que anunciavam a catástrofe. que começava a esconder a luz do dia. Matavam os seus próprios irmãos. As nossas idéias não serão suficientes para toda uma nação? Nenhum de nós deve faltar”. Já não viam o Sol. tinham cinco dedos nas mãos e nos pés. Iniciou-se uma tremenda guerra entre os planetas e esta guerra levou o meu povo à perdição. quando os Deuses nos deixaram? Quem foi o responsável que fez regredir o meu povo ao abatimento durante seis mil anos? Uma vez mais. As estrelas eram como tristes pedras. Ninguém pode imaginar o que aconteceu naquela época. os nossos sacerdotes podem interpretar os acontecimentos devastadores. e ao entardecer os homens desesperavam em busca de comida. De acordo com as imagens do Grande Templo do Sol de Akakor. diziam eles. Um fogo malcheiroso pendurava-se nas árvores. “Como poderemos nos proteger? Os sinais estão cheios de ameaças”. e a nossa crônica relata-a com terror: Os Servos Escolhidos ficaram temerosos e aterrorizados. Negro. treze anos depois da partida dos Primitivos Mestres. falcões e outros animais. Estranhas imagens passavam sobre as suas cabeças. o meu povo ter só uma finalidade: preservar o legado dos Primitivos Mestres. Do céu caia resina. SINAIS LUMINOSOS NO CÉU Houve estranhos sinais no céu. mas havia uma névoa cinzenta. A catástrofe foi enorme. A primeira Grande Catástrofe alterou a vida do meu povo e a face do mundo. Os nossos sacerdotes dizem que estes deuses também governaram um enorme império.

O Grande Rio foi cortado por uma nova montanha e agora corre apressadamente para leste. Ainda não havia grandes florestas. Isto é o relato de como os homens morreram. protegidos no interior das montanhas. A primeira Grande Catástrofe remodelou a face da Terra. mas as árvores repeliam-nos. quando as águas do Grande Rio inundaram a região. Era muito mais fria e a chuva caía regularmente. tal como uma ave se esconde atrás de uma rocha quando a tempestade se aproxima.. na costa sul. para se proteger da iminente catástrofe. Isto é uma história contada pela Crônica de Akakor. Excedeu mesmo a segunda Grande Catástrofe. O que aconteceu à Terra? Quem a fez tremer? Quem fez dançar as estrelas? Quem fez as águas brotarem das rochas? Numerosos eram os flagelos que atingiam os homem. O som e a fúria dos Deuses não se acalmavam. O curso dos rios foi alterado e a altura das montanhas e a força do Sol modificaram-se. diferia consideravelmente da sua forma atual. Os continentes ficaram inundados. Depois desse tempo. Aqui ficaram eles até a Terra se aquietar. Os afluentes ligavam-no ao lago gigante. O chão tornava-se teto. Chegaram ao fim. seis mil anos mais tarde. A oeste. . Os Ugha Mongulala estavam salvos da catástrofe porque haviam confiado nos Antigos Pais. Depois de se terem refugiado nos subterrâneos. Com confiança na promessa dos Primitivos Mestres. Desceram as ravinas e cruzaram-nas. tal como fora predito pelos Primitivos Mestres. C. A primeira referência da forma do continente antes da primeira Grande Catástrofe reporta-se à partida dos Primitivos Mestres. As águas do grande Lago voltaram ao oceano. corriam de um lado para o outro. as pessoas gelavam no tremendo frio das altitudes. e o teto desaparecia nas profundidades. O Grande Rio era menor e desaguava em ambos os oceanos. na moradia dos Primitivos Mestres. Os períodos de seca e de chuva eram mais distintos uns dos outros. Tentavam alcançar as cavernas. Até os abrigos subterrâneos começaram a tremer. onde as quatro estradas se cruzam. A Grande Catástrofe causara tremendas devastações. Estava excessivamente quente e a própria respiração das pessoas queimava-as. o povo de Ugha Mongulala mudou-se para a Baixa Akakor. Homens e animais fugiam em pânico. E assim se cumpriu a ordem de Ina.as águas. onde os Deuses erigiram o templo de Tiahuanaco. Desesperados.468 a. A primeira Grande Catástrofe destruiu o império dos nossos Primitivos Mestres e matou milhares de pessoas. Estava sujeito a várias calamidades. Tentavam trepar nas árvores. Enormes florestas surgiram nas suas margens. segundo o calendário dos Bárbaros Brancos) é um ano fatídico na história do meu povo. onde se ergueram montanhas gigantescas. Estava terrivelmente frio e um vento gelado soprava sobre a Terra. A PRIMEIRA GRANDE CATÁSTROFE O ano 13 (10. estas abatim-se e sepultavam-nos. Um calor úmido espalhou-se pelas regiões orientais do império. Contudo. a Terra foi atingida pela maior catástrofe de que há memória.

000 a.000 a. embora os egiptólogos suspeitem de uma cultura mais antiga no vale do Nilo. Enquanto os Bárbaros Brancos. tudo volta num ciclo que dura seis mil anos. que começou por volta de 5. mas. acrescentadas por transformações econômicas de longo alcance: a transição para a agricultura e para os sistemas econômicos produtivos. vivem na escuridão e no mal. Os animais fogem em pânico. sol. Jericó foi considerada como estágio preliminar das altas civilizações urbanas. C. Porque a história da humanidade cumpre-se segundo rotas preestabelecidas: tudo se repete. O homem neolítico cultivava cereais selvagens e criava carneiros.E a mesma coisa acontecerá na futura catástrofe. As leis são desrespeitadas. aproxima-se o cumprimento do destinado. Pensam que estão vendo a luz. Eles sabem-no e esperam com resignação. A América do Sul continua a ser colonizada por vagas de imigrantes vindos da Ásia. Descobertas arqueológicas em Eridu e Uruk referem-se aos primeiros edifícios sagrados.000 e 6. são descritos na Bíblia como o Grande Dilúvio. Ainda são eles que decidem quem. seguem-lhes as pegadas. Instalaram-se grandes famílias em aldeias e mais tarde em cidades fortificadas. Governam o céu e a terra e são ao mesmo tempo ave. cabras e porcos. Surgem guerras. Vários dilúvios e catastróficas erupções vulcânicas.166 A. O cientista germano-boliviano Posnansky calcula que Tiahuanaco foi destruída cerca de 10. Encontraram-se as primitivas placas de argila..A ERA DA ESCURIDÃO 10. os Bárbaros Brancos são um povo poderoso. deve morrer e quando. C. Mas os Deuses são ainda maiores e mais poderosos que todos os Bárbaros Brancos juntos.. – 3. C. C. verme e cavalo. E o pior é que negam o seu próprio Deus e lutam eles próprios serem deuses e para nos fazer acreditar que governam o mundo. Mais uma vez apareceram nos céus sinais ominosos. entre nós. C. Com a imagem dos Deuses no coração. Os geólogos referem-se às extraordinárias modificações de clima que podem ter sido causadas pela deslocação do eixo da Terra. destroem o elo entre a natureza e o homem. O COLAPSO DO IMPÉRIO Verdadeiramente.468 A. Palavras e sinais fonéticos substituíram a primitiva escrita pictórica. Entre 8. provavelmente cerca de 3. III. Tranqüilidade. viu importantes inovações culturais. Passaram-se seis mil anos desde a última Grande Catástrofe e seis mil anos se passaram desde que os nossos Primitivos Mestres nos deixaram pela segunda vez. que os nossos sacerdotes calcularam de acordo com a rota das estrelas. Em todas as civilizações se observa um considerável cuidado com os mortos. Seguem os que são do mesmo sangue e tem o mesmo pai.000 a. C. Porque acreditam no legado dos seus Primitivos Mestres. por pura arrogância. A Época Neolítica. água e . Os nossos Primitivos Mestres ensinaram-nos esta lei. no entanto..000 a.

E sacrificaram-nos para fazer com que os Deuses voltassem à Terra. O domínio das Tribos Escolhidas chegara ao fim. Na verdade. Então as águas dividiram-se. Os anos de sangue. mel das abelhas e incenso. Foi uma época medonha. Os homens haviam perdido a razão. Perderam-se por entre as colinas. o império ficou numa situação desesperadora. As patrulhas enviadas trouxeram a notícia de que muito pouco das Tribos Aliadas haviam sobrevivido à catástrofe. Este foi o início do inglório fim do império. e grande foi a sua mágoa. A Terra modificou-se quando os Servos Escolhidos deixaram as moradias subterrâneas.fogo servem-nos primeiro. A Terra acalmou de novo. A Crônica de Akakor não se refere a estes acontecimentos. Mas o céu manteve-se vazio. Porque os Deuses não permitem que descubram os seus segredos. A escuridão envolveu a Terra. a destruição medonha. Os recintos dos templos sagrados de Salazere. As moradias subterrâneas agüentaram os terríveis desmoronamentos e nenhuma das treze cidades foi destruída. o período entre o ano 13 e o ano 7315. abandonaram as suas velhas instalações e penetraram no território dos Ugha Mongulala. As vinte e seis cidades foram destruídas por uma tremenda inundação. Tiahuanaco e Manoa ficaram em ruínas. mas muitas das vias que ligavam os limites do império ficaram bloqueadas. A verdade era terrível. Esmigalhou os ossos dos Servos Escolhidos. Atacavam-se uns aos outros como animais. Durante milhares de anos não há registros de qualquer espécie. A era do jaguar começara: época de sangue quando tudo foi destruído. Tinham o espírito confuso. desânimo e miséria espalharam-se por todo o império. foram épocas horríveis. Estavam abatidos. A transmissão oral também é pobre e entremeada com escuras profecias. Assim foi separado o elo entre os Primitivos Mestres e os seus servos. Os nossos sacerdotes dizem que farão um julgamento que libertará os Bárbaros Brancos do fardo dos seus erros. destruídos pela terrível fúria dos Deuses. A sua misteriosa luz extinguira-se como uma vela assoprada pelo vento. . As águas subirão cada vez mais e lavarão a maldade e a ambição do poder e da riqueza. trazendo atrás de si a morte e a perdição. Matavam o seu vizinho e comiam-lhe a carne. O selvagem jaguar veio e devorou carne humana. As Tribos Escolhidas juntaram dádivas: jóias. Tremiam de medo e terror. Tal como acontecera já há mil anos. Andavam nos campos com as mãos pelo chão. é a mais escura época na história do meu povo. tudo isto foi registrado na crônica com boas palavras e numa escrita clara: Três luas passaram e três vezes três luas. Os seus olhos procuraram as planícies. E principiou uma nova vida. os rios e os lagos. Depois da primeira Grande Catástrofe. Desespero. Altas montanhas se ergueram em direção ao Sol. tirará toda a escuridão dos seus corações. Travaram-se renhidos combates nas últimas regiões férteis. Ergueram o rosto para o céu. As correntes seguiram diferentes cursos. Obrigados pela fome. Cairá uma chuva contínua que. lavando. Arrancou as cabeças dos seus servos. E Ina reuniu o Conselho dos Velhos.

468 a. Cometeram então o mais vergonhoso crime dos dez mil anos da história do meu povo. Depois da partida dos Deuses. a 3. começou a governar o povo como considerou melhor. Quando Uma foi morto na batalha contra as Tribos Degeneradas.O terrível período entre a primeira e a segunda Grande Catástrofe. Isto é o que contam os nossos antepassados. os Ugha Mongulala arrastaram-se cada vez mais na humilhação. De modo que se reuniram em conselho.. O seu poder tornava-se maior à medida que desaparecia o seu sagrado legado. E assim precipitavam-se contra Akakor. Berravam e assobiavam metendo os dedos na boca. Estávamos no ponto máximo da era do sangue. começaram a adorar árvores e rochas. Confundidos com este incompreensível acontecimento. E eis como aconteceu. Marcharam em formação para matar o príncipe Uma. Derrotaram os exércitos dos Ugha Mongulala e fizeram-nos recuar até as portas de Akakor no nosso ano de 4. os sacerdotes governaram onipotentes os Ugha Mongulala. Porque sofreu o meu povo estes crimes? Porque é que os mais velhos toleraram a má conduta do grande-sacerdote? Só há uma explicação. Os sacerdotes já não transmitiam os seus conhecimentos. Todas as Tribos Escolhidas se haviam reunido junto de Uma quando os Degenerados se aproximaram. A derrota na montanha de Akai representa o ponto mais baixo da infelicidade do meu povo. com arcos e setas. A massa dos seus guerreiros estendeu-se mais longe do que os olhos podiam alcançar. O nome da montanha era Akai. até mesmo a sacrificar animais e seres humanos. Os nossos sacerdotes contam que os Ugha Mongulala perderam a batalha e Uma morreu. A SEGUNDA GRANDE CATÁSTROFE . Tal como os Bárbaros Brancos. época em que era chefe o selvagem jaguar. Mas os Servos Escolhidos tinham-se preparado Mantiveram-se no cume da montanha.166 a.C. Juntaram-se em grande número. Disseram: “Como podemos nós tratar com os nossos primitivos chefes? Na verdade. Neste ponto A Crônica de Akakor é imprecisa. “Façamos uma emboscada e matemo-los. Vinham gritando. eles ainda são poderosos”. Os sobreviventes retiraram para as suas habitações subterrâneas. As tribos dos Degenerados formaram uma aliança. Queriam tomar Akakor de assalto. segundo o calendário dos Bárbaros Brancos. porque só a verdade se mantém através do tempo na memória do homem. Cantavam canções de guerra. trouxe o meu povo até a beira da extinção. E deve ser verdade. o grande-sacerdote recusou que o seu filho Hanan entrasse nos secretos recintos dos Deuses e sem o respeito devido aos Antigos Pais. Não somos mais numerosos? Não somos mais que suficientes para os vencer?” E todas a tribos se armaram. Dentro em pouco só eles se sentiam responsáveis pelos acontecimentos da terra e do céu. só certas pessoas tinham consciência da sabedoria dos Primitivos Mestres. Ensinavam a história dos Antigos Pais só aos de grande confiança. C. que negam os Deuses e se consideram para além das leis. Tribos degeneradas que haviam sido aliadas dos Ugha Mongulala antes da primeira Grande Catástrofe fundaram os seus próprios impérios. de 10. Durante milhares de anos.130.

depois de treze luas. Enviaram uma poderosa estrela. E quando. As águas do oceano subiram. O sagrado legado havia sido esquecido. E ficava ao mesmo tempo triste e irritado. Aqui. Não via nem pessoas nem plantas – só animais e aves assustadas que voavam sobre o infinito lençol de água. A sua escrita tornara-se ilegível. Madus deixou os animais irem para a terra e os pássaros voarem. no cume do monte Akai. Madus atreveu-se a seguir a estrada que leva à superfície da Terra. Arrancá-lo-emos da terra . E as águas que subiam elevavam mais a jangada para as montanhas. Viviam para além de todas as fronteiras como animais da floresta Andavam com as mãos e os pés no chão. Isto viu Madus. duas serpentes. E o povo foi destruído. Terrível é a verdade. Quando a necessidade era premente. E enviaram fogo mais vivo que um milhar de sóis. Os seus servos tinham traído o combinado com os Deuses. até que cansadas caíam. agora se acusavam como responsáveis pelo segundo terrível acontecimento. Todos morreram afogados no terrível dilúvio Os Ugha Mongulala sobreviveram à segunda Grande Catástrofe da história da humanidade. Olha com tristeza o país devastado. duas antas e dois falcões. tal como se escreve na crônica. E os Deuses começaram a destruir o povo. Durante treze luas caiu chuva. Protegidos nas habitações subterrâneas dos seus Primitivos Mestres. ele continua o seu caminho. um corajoso guerreiro dos Ugha Mongulala. Arranjou um casal de cada dois jaguares. . Sem recear nem tempestades nem água. E o seu regresso abre um novo capítulo na história dos Ugha Mongulala. voltou para Akakor e narrou o fim da terrível era do sangue. mesmo nos momentos mais difíceis. Surgiram lutas e querelas. os Primitivos Mestres voltaram. Juntou madeira flutuante. mil anos. E disseram: “Castigaremos o povo. Rompeu uma guerra civil na Baixa Akakor. Construiu uma jangada para auxiliar os animais. não perdera a fé no legado dos Deuses. observando a destruição da Terra com temor. vermes e pássaros do céu – porque desprezaram o nosso legado”. O Grande Rio transformou-se num imenso lago. o segundo livro da Crônica de Akakor. cuja cauda vermelha cobria todo o céu.homens e gado. Os rios corriam às avessas. E os Deuses sentiam-se com estas atitudes. que.Terrível é a história. Os Servos Escolhidos ainda viviam nas habitações dos Deuses – seis. que levaria o meu povo à extinção se não tivesse acontecido o que desde há muito era previsto pelos sacerdotes. Enquanto os Servos Escolhidos sabiam que estavam inocentes da primeira Grande Catástrofe. as águas baixaram e o sol desfez as nuvens. O grande julgamento começou. Cometiam-se crimes à luz do dia. Arrancou tocos de árvores do solo inundado. O primeiro livro acaba com os feitos de Madus. Os seus corações enchiam-se de tristeza devido à maldade do homem. a montanha de destino das Tribos Escolhidas.

) é antiguidade. Os seus olhos Olham imperiosamente sobre a Terra. O explorador inglês Niven assegura que os primeiros estabelecimentos urbanos dos antepassados astecas foram fundados cerca de 3. onde o homem se desenvolve na existência histórica. O período que vai até às migrações germânicas (375 d. C . e termina em 24 de Dezembro de 2. a misteriosa cidade em ruínas de Machu Picchu.113 a. I – O REGRESSO DOS DEUSES 3. A vida espiritual limitava-se à religião organizada.500 a. O calendário maia começa em 3. C. do serviço civil e de uma tecnologia espantosamente eficiente. A historiografia tradicional rejeita ambas as datas. Durante treze dias ergue-se no céu. foi fundada antes da catástrofe universal que na Bíblia é descrita como o Dilúvio. Poderosas são as suas asas E poderosas as suas garras. C. o homem da Europa e da Ásia conserva-se no nível neolítico. O Oriente é o berço da escrita. C. – 2. Não pode ser Nem vencida nem morta. nos Andes. Entretanto. O EXALTADO FILHO DOS DEUSES . A historiografia tradicional coloca o início dos acontecimentos históricos cerca de 3. Os pontos altos da história oriental são marcados por grandes impérios que governavam empregando a força agressiva dos monarcas.O LIVRO DA ÁGUIA Esta é a águia. começando com o aparecimento de altas civilizações nos oásis do Baixo Nilo e entre o Eufrates e o Tigre. Está acima do homem. C. É verdadeiramente sublime.000 a. C. E durante treze dias Voa ao encontro do sol-nascente. C.166 A. LHASA. Sugerem-se datas diferentes para o início das civilizações americanas.Na opinião do arqueólogo peruano Daniel Ruiz.011 d.981 A.

os Ugha Mongulala ergueram altas muralhas ao longo do Grande Rio e fortificaram-nas com largas paliçadas de madeira. Dos 362. voltaram à Terra.A Crônica de Akakor. Mas não restava muita gente. E os animais regozijavam-se também. assim foi registrado. para o solnascente. mandou construir grandes fortalezas. mel das abelhas. A penumbra ainda envolve a face da Terra. Lhasa reconstruiu o velho império. com boas palavras e numa escrita clara. Então as naves apareceram no céu. Eram constituídas por treze edifícios rodeados de muralhas segundo os moldes dos complexos templos dos nossos Antigos Pais. a história escrita do meu povo desde a hora zero até o ano 12. escrita na velha língua dos nossos Antigos Pais. outra no exterior. é o nosso maior tesouro. Aos guerreiros escolhidos foi dada a tarefa de guardar a nova fronteira e avisar Akakor da aproximação das tribos inimigas. Estava sob o comando do príncipe de Akakor e sujeitas à obediência de guerra. porque os Primitivos Mestres tinham voltado. Depois. que tão ansiosamente tinham sido esperados pelo meu povo. . dominavam a área circundante. Os Deuses haviam morto a maioria como castigo da sua maneira de proceder. O Sol e a Lua estavam velados. se ergueram nos vales e olharam espantados para os Antigos Pais. for destruído o povo. Porque A Crônica de Akakor descreve o erguer e o declínio de um povo escolhido pelos Deuses até ao fim do mundo. Os Servos Escolhidos colocaram estas dádivas aos pés dos Deuses e dançaram com o rosto voltado para leste. Lhasa. Só os irmãos Lhasa e Samon não voltaram para a pátria dos Antigos Pais. Lhasa ergueu as bases de Mano. um telhado inclinado e duas salas abobadadas. Mas só alguns navios alcançaram a nossa capital e os Deuses ficaram com os Ugha Mongulala só durante três meses. Poucos estavam ainda vivos para saudar os Primitivos Mestres com todo o respeito. Como proteção contra as tribos inimigas que avançavam. Desceram à Terra com rostos brilhantes. No sul do país chamado Bolívia. desde o mais humilde. Samon dirigiu-se para leste e fundou o seu próprio império. que moldaram a vida do meu povo durante mais de dez mil anos. quando. incenso e frutos. uma no interior. Povoados e cidades estavam em ruínas. Registra o legado dos Primitivos Mestres.000. Uma pirâmide com uma escadaria na frente. o Exaltado Filho dos Deuses. Hordas de tribos degeneradas cruzavam as fronteiras. Por sua ordem.000 sobreviveram à segunda Grande Catástrofe. O legado dos Deuses fora esquecido. Os Primitivos Mestres das Tribos Escolhidas voltaram a Akakor e retomaram o poder. A guerra alastrava por todo o país. Os Primitivos Mestres estavam de volta.315 (3. só 20. Samoa e Kin. Lhasa instalou-se em Akakor. tomou o poder de um império devastado.000 que tinham vivido na Era do Ouro. novamente abandonaram a terra. Assim está escrito. E o Povo Escolhido trouxe as suas dádivas: penas das grandes aves da floresta. Lhasa instalou as Tribos Aliadas na vizinhança das três fortalezas. Contém os segredos das Tribos Escolhidas e também corrige a história dos Bárbaros Brancos. poderosas e douradas. Todos.000. C.) os Deuses. Grande foi a alegria dos Servos Escolhidos.453. depois de uma terceira catástrofe. Dançavam com lágrimas de alegria nos olhos. No ano de 7.166 a. Contém toda a sabedoria dos Ugha Mongulala.

Os seus templos são dedicados ao Sol . As Tribos Escolhidas começaram a revoltar-se e a amaldiçoar os Antigos Pais. Estava verdadeiramente exaltado. preocupado com a segurança de Akakor. E. As montanhas estavam tintas de vermelho com o seu sangue. Sentiam-se fortes. Os pormenores da sua construção estão ocultos por muitos segredos eternamente escondidos na alcantilada montanha da Lua. Lhasa era um dos deuses. Machu Picchu é uma cidade santa. De acordo com as histórias dos sacerdotes. Durante treze dias transformou-se em águia. Saíam com as instruções de Lhasa. Esta nação. o Exaltado Filho dos Deuses. Os lamentos dos Servos Escolhidos ressoavam no ar. Durante treze dias subiu ao céu. Mas Lhasa não lhes deu alívio. Sob o governo de Lhasa o número de guerreiros aumentou. presos eternamente dentro das suas pedras. Durante treze dias caminhou para encontrar o sol-nascente. mandou edificar uma fortaleza na fronteira oeste e deu ordens para a edificação de Machu Picchu. Não tinham preocupações nem de país nem de família. chamaram à montanha a “montanha do Sangue”. Vinham as chuvas e o frio. os trabalhadores cortavam as pedras das rochas para as casas dos guerreiros e para as habitações dos padres e seus criados. Durante treze dias tomou a forma de um pássaro e foi realmente um pássaro. Foi desta maneira que os rebeldes foram castigados. que protege Machu Picchu. Lhasa ordenou que fossem levados para as montanhas e metidos nas paredes das escadas de Machu Picchu. Após quatro gerações terem completado a cidade. Um exército de operários transportava blocos de granito dos vales distantes das encostas ocidentais dos Andes para o palácio de Lhasa. O suor perlava as testa dos carregadores. Lhasa mudou-se daqui e levou o império a um período de florescimento e prestígio. Assim. Não podia nem ser derrotado nem morto. ao mar e aos animais. O desespero dos Deuses explodiu com o ribombar do trovão e terríveis relâmpagos. Os seus sacerdotes também sabiam do legado dos Deuses. os chefes dos descontentes eram transformados em pedra – pedras vivas com pernas. verificavam as posições dos inimigos.Por milhares de anos. O Sol nascia e punha-se. No fim da segunda Grande Catástrofe. porque o Exaltado Filho dos Deuses era realmente um grande príncipe. havia uma nação que confinava com a fronteira oeste do império e com a qual os Ugha Mongulala sempre mantiveram uma especial amizade. Levaram a cidade santa sobre os seus ombros. Protegidos pelos Deuses. E os sacerdotes também contam que duas gerações não foram suficientes para completar a cidade e que os lamentos dos Ugha Mongulala se tornavam mais insistentes à medida que o tempo passava. os Incas. A edificação da cidade sagrada de Machu Picchu é um dos grandes acontecimentos da história do meu povo. Só tinham interesse pelas armas. E assim se passavam os dias. esta tribo mudou-se para as montanhas do Peru e fundou o seu próprio império. uma nova cidade de templos num grande vale dos Andes. Todos se . A nação dos Servos Escolhidos penitenciou-se da traição dos seus antepassados. Lhasa. Com prantos entoavam cânticos aos seus sofrimentos. à Lua. Então ouviu-se um estrondo no céu e o dia transformou-se em escuridão. à Terra. conheciam a língua e a escrita dos Primitivos Mestres. enquanto caía uma chuva pesada. Parecia estar iminente uma revolta contra Lhasa.

Antes de os seus raios atingirem a cidade santa subiu à montanha da Lua. Depois voltou para junto dos Deuses. no seu disco voador e para sempre se separou dos humanos. Isto é o que os sacerdotes contam acerca da misteriosa partida do Exaltado Filho dos Deuses. que se ergue sobre Machu Picchu. SAMON E O IMPÉRIO DO LESTE . Lhasa foi o decisivo inovador do império dos Ugha Mongulala. Reuniu os mais velhos do seu povo e os sacerdotes e ditaram-lhes leis. Ordenou que o povo vivesse de acordo com legado dos Deuses e que obedecesse às suas ordens. o único príncipe das Tribos Escolhidas que veio das estrelas. Durante os trezentos anos do seu governo instituiu as bases de um poderoso império. Então Lhasa voltou-se para leste e curvou-se perante o sol–nascente.curvavam perante o seu aspecto. E as tribos inclinaram-se perante o divino mestre. A sua força alcançou os limites do Céu e as fronteiras da Terra. Lhasa.

os Ugha Mongulala. que desceu à Terra com os Deuses no ano de 7. navios do império de Samon deixavam aqui as suas valiosas cargas. falhou e os homens vivem sem esperança. que o meu povo desconhecia. O disco voador tem a cor brilhante do ouro e é feito de um metal desconhecido. que também determinaram as vidas dos Ugha Mongulala. que são do mesmo sangue e provêm do mesmo pai. De acordo com a história escrita do meu povo. Escolheu tribos nômades e ensinou-lhes os seus conhecimentos e sabedoria. Estes são os últimos vestígios do glorioso império de Lhasa e Samon. Dentro em pouco Ofir tornou-se uma das mais ricas cidades do império e alvo das selvagens tribos do Leste. visitava regularmente o irmão no seu império e ficava como ele nas magníficas cidades da margem do Grande Rio. . desenvolveu-se e foi-se construindo de acordo com o legado dos Deuses. E assim acontecerá. Voltarão para auxiliar os seus irmãos. Os Ugha Mongulala cederam as províncias banhadas pelo oceano a leste e retiraram-se para o interior do país. Para fortalecer o elo entre as duas nações. que era a imagem de Akakor. O primitivamente poderoso império. Mas os Deuses voltarão. A Crônica de Akakor não diz muito acerca do império de Samon. A estranha nave é também misteriosa. Quando o império se desintegrou. Precipitaram –se contra a cidade em ataques repetidos. Voou para o grande Império do Leste. E foram cortadas as ligações com o império de Samon. depois de uma grande campanha.Lhasa esteve muitas vezes ausente com o seu disco voador. Três pernas dirigem-se para a frente. O meu povo recorda o império de Samon e as dádivas a Lhasa – os pergaminhos escritos e as pedras verdes. conseguiram conquistar Ofir. Saquearam a cidade e incendiaram-na. Tem a forma de um cilindro de argila e a altura e a largura de dois homens um sobre o outro. Mas os nossos sacerdotes dizem que Lhasa podia voar mais depressa com ele do que a águia mais forte e podia atravessar as nuvens tão ligeiro como uma folha levada pelo vento. cento e trinta famílias dos Deuses que vieram para a Terra. uma poderosa cidade fluvial na embocadura do Grande Rio. Novos elos de sangue desenvolverse-ão entre os impérios de Lhasa e Samon. instalou-se num grande rio para além do oceano do Leste. Um forte império. no ano de 7. o príncipe de Akakor. Sob a sua chefia. cultivaram campos e edificaram poderosas cidades de pedra. três para a retaguarda. A aliança entre os seus povos será renovada e os seus descendentes encontrar-se-ão de novo. mil anos depois da partida de Lhasa. tal como está escrito na crônica: Isto é o que Lhasa predisse. E levou consigo um estranho barco que podia passar sobre a água e sobre as montanhas. Em troca de ouro e prata trouxeram pergaminhos com escritos na língua dos nossos Antigos Pais e trouxeram madeiras raras.). os mais belos tecidos e pedras verdes. que pode passar sobre as montanhas e água.315. Desde então muita água correu sob as pontes. C. terminam em rodas tão grandes como a vitória-régia. Durante quase mil anos. Não tem nem velas nem remos. Sete longas pernas transportam um grande vaso chapeado de prata. No disco há espaço para duas pessoas. onde estão guardados o disco voador e a estranha nave. Os nossos sacerdotes preservam-nos no complexo subterrâneo do templo de Akakor. Lhasa. o irmão de Lhasa.425 (3. Visitou o seu irmão Samon. ordenou a construção de Ofir. Assemelham-se a hastes de bambu e são móveis. Então os Primitivos Mestres voltarão.056 a. assaltaram barcos nos portos e interromperam as comunicações com o interior.

de uma extraordinária sabedoria e dos segredos dos Deuses. Desde então. Foram testemunhas de um elevado conhecimento. Consta de espelhos de prata da altura de um homem montados em grandes andaimes de bronze. com boas palavras e numa escrita clara: Esta é a nossa mais elevada lei. mas seguireis a vontade dos Deuses. Essas habitações são desenhadas como a constelações dos Deuses e têm comunicação entre si por meio de túneis de forma trapezóide. Não sabemos quem construiu Akahim e só temos uma idéia vaga de quando a cidade foi erigida. na fronteira norte entre os países chamados Venezuela e Brasil. que legaram aos Ugha Mongulala com a finalidade de preservar a herança. Akakor e Akahim foram ligadas em íntima amizade. tal como lhes chamam os Bárbaros Brancos. Só é referida na crônica depois do regresso dos Primitivos Mestres. tal como está escrito na crônica. Akahim e Akakor estão ligadas por um corredor subterrâneo e um enorme mecanismo de espelho. tendo o seu portal de pedra. Assemelhase a Akakor. Conservareis o nosso legado. A primitivamente tão poderosa Akahim alberga hoje somente cinco mil almas. a terceira fortaleza. A TERCEIRA FORTALEZA Conhecemos Akahim. junto dos Andes. onde quer que puderdes construir as vossas cabanas. Eu próprio visitei várias vezes a nação irmã das Tribos Escolhidas. Esta cidade de pedra fica nas montanhas. A segunda e a terceira fortaleza são os últimos restos do outrora poderoso campo dos nossos Primitivos Mestres. A entrada atual está oculta por uma grande catarata. Conservá-lo-eis onde quer que fordes. Ouvireis as suas palavras com reverência e gratidão. Todos os meses os sacerdotes transmitem os acontecimentos mais importantes na secreta linguagem dos sinais. a nação irmã de Akahim soube pela primeira vez da chegada dos Bárbaros Brancos ao país chamado Peru. o Templo do Sol e os edifícios para os príncipes e os sacerdotes. II – O IMPÉRIO DE LHASA . Não fareis de acordo com a vossa vontade. os nove restantes estão vazios. no ano 7. Posso revelar estes segredos porque há quatrocentos anos que Akahim jaz em ruínas. As águas precipitam-se numa profundidade de trezentos metros. O mecanismo de espelho vai de Akai. o povo de Akahim destruiu casas e templos que ficavam à superfície e retirou-se para as moradias subterrâneas. O caminho para a cidade é marcado por pedra cortada na forma de um dedo estendido. Desde o tempo de Lhasa. até as montanhas de Roraima.315. O túnel começa no Grande Templo do Sol de Akakor. Presentemente só quatro edifícios são ainda habitados. onde quer que encontrardes um novo lar. Depois das terríveis guerras contra os Bárbaros Brancos.AKAHIM. Deste modo. Porque grande e infinito é o seu saber. continua sob o leito do Grande Rio e termina no coração de Akahim.

O meu povo também está sujeito a esta lei..470 A. E o Povo Escolhido tornou-se mais famoso quando reconstruiu Akakor com cimento e cal. Não desejam encher o nosso coração com falsas esperanças. Portanto. Muitas coisas aconteceram. descreve a glória do império. – 2. tal como o Exaltado Filho dos Deuses tinha ordenado. a pirâmide.982 A. Lhasa restaurou a fama dos Ugha Mongulala.. que veio para fundar um novo império e proteger os Ugha Mongulala da destruição. Tinha uma administração central e um serviço de estado civil admiravelmente estruturado. Mas os Servos Escolhidos não trabalhavam. A NOVA ORDEM Durante muito tempo não havia mais que terra e montanhas. de ordenar ou de usar violência. Não construíam nem fortalezas nem habitações.000 a. Em 2. Cerca de 2. A bem desenvolvida escrita hieroglífica. O gado selvagem desaparece depressa. lutar e morrer tal como Lhasa nos ensinou. C. Uma vez extintos. pertencemos ao Sol e à Luz. Seremos obrigados a render-nos aos Bárbaros Brancos. C. somos homens livres. aperfeiçoada pelos sacerdotes. As tribos inimigas haviam sido derrotadas. C. A sua mais importante ação oficial é a construção de um gigantesco túmulo de pedra. Esta é a lei da natureza. que podem ser felizes e alegres mesmo quando os seus irmãos estão infelizes e tristes. Não queremos ser como os Bárbaros Brancos.500 a. Deixavam isso às Tribos Escravas. As estátuas e os relevos mágicos das câmaras funerárias são evidência tanto do alto nível do material como da cultura espiritual. O poder dos Servos Escolhidos era grande. Isto foi o que os Deuses nos ensinaram. Filhos nasceram. O império expandia-se. As únicas datas sobre o desenvolvimento histórico no continente americano são fornecidas pelo historiador espanhol Fernando Montesinos. não temos outra alternativa senão pegar na Seta Dourada. Havia decisões e governo. que situa o início da dinastia dos Reis do Sol incas no terceiro milênio a. Todos obedeciam com prazer aos novos senhores. C. Querem que vivamos segundo os seus costumes e leis. Mas nem sequer isso os satisfará.350. fundado pelo rei Menes. teremos de morrer de fome. No entanto. É suficientemente forte para confiar na mais elevada lei do mundo. O Faraó e a Grande Casa têm absoluto poder para governar como divina reencarnação. O cultivo dos vales do Nilo. C. o rei semita Sargon fundou o primeiro grande império conhecido na História. que ainda há poucos anos eram muito abundantes. Mas que sentido tem para nós a vida se não combatermos? Que sentido haverá se os Bárbaros Brancos nos quiserem eliminar? Roubaram-nos as nossas terras e perseguiram homens e animais. os Sumérios avançaram na Babilônia. Não tinham necessidade de pedir. As Tribos Aliadas estavam sujeitas ao serviço militar. iniciaram o desenvolvimento das mais velhas civilizações do Oriente. Lhasa o Exaltado Filho dos Deuses. Mas Lhasa não só .2. o velho Reino. Lhasa deixou atrás de si poder e glória. do Eufrates e do Tigre. estabeleceu-se no Egito. As suas leis eram válidas nos quatro cantos do império. Há só alguns jaguares. Os limites eram tranqüilos e seguros. Cerca de 3.

O povo chama-lhe o Exaltado porque o escolheram para administrar o império. como está escrito na Crônica de Akakor: Assim falou e resolveu Lhasa. o príncipe está acima da lei dos homens e destinado a invalidar por três vezes o Conselho dosVelhos. As veneráveis leis de Lhasa só podem ser alteradas com a sua aprovação. Instruíram-no na história das Tribos Escolhidas e prepararam-no para a sua futura tarefa com exercícios físicos e espirituais. É o mais elevado servo dos Deuses.restabeleceu o exterior poder do império. Esta foi a origem de todas as categorias e classes. levando armas. Os exércitos das Tribos Aliadas devem-lhe obediência. que determinou a vida dos Ugha Mongulala. Conhecia as fraqueza dos humanos. concedido pelos sacerdotes desde a idade de onze anos em diante. Se estes pensarem que ele merece herdar o seu legado. Designa os mais elevados dignatários civis e os chefes militares. o grande-sacerdote e os mais velhos do povo – todos os títulos e dignitários foram de novo designados. E esta é a maneira como o príncipe governa as Tribos Escolhidas: ele é o supremo chefe e o maior administrador do império. . Aos guerreiros regulares não era permitido faze-lo. estavam sob as ordens diretas do príncipe. Três mil dos melhores guerreiros. no seu conhecimento. com o auxílio das estrelas. Esta foi a nova ordem do Exaltado Filho dos Deuses. E assim se renovaram as fileiras e se distinguiram as classes. O príncipe. também renovou a ordem interior do reino. selecionados nas melhores famílias. o seu filho primogênito é chamado perante os mais velhos. Determinou o futuro e o bemestar das Tribos Escolhidas. Aqui deve ficar durante treze dias e conversar com os Deuses. Os guerreiros de Ugha Mongulala estão sob as suas ordens. Depois de ter passado o exame. os sacerdotes determinam. Deve provar-lhes que está destinado a ser o mais alto servo dos Primitivos Mestres. sob castigo de exílio. a quem é atribuído o legado dos Deuses. O eleito desta época é levado para Akakor e preparado para o seu futuro cargo. onde moravam os Deuses. Só se completaram depois da chegada de dois mil soldados alemães. Assenta na sua sabedoria. Não foi eleito. “Temos de dividir as nossas tarefas”. o legado dos Deuses. muitos séculos mais tarde. descendente dos Primitivos Mestres e governador das Tribos Escolhidas. Eram os únicos autorizados a entrar nas moradias subterrâneas. o correto herdeiro. Se os Deuses o rejeitarem e ele não voltar depois de treze dias das regiões subterrâneas. Por ser legítimo descendente dos Deuses. Depois da morte do príncipe. O ofício de príncipe é hereditário e passa de pai para filho. Calculam o nascimento de uma criança do sexo masculino com seis anos de antecedência. Porque Lhasa era sensato. Lhasa dividiu os Ugha Mongulala em grupos e classes e pela primeira vez se assentou a herança dos Deuses em leis escritas. Assim falou e resolveu Lhasa. Durante milhares de anos estes governaram a vida do meu povo. o príncipe é o chefe dos Ugha Mongulala. o grande-sacerdote manda-o para a secreta região das moradias subterrâneas. Só ele decide da paz e da guerra. De acordo com a lei escrita de Lhasa. Com as suas leis dominou a sua ambição. Mas a posição do príncipe não é baseada no seu poder pessoal. os mais velhos oferecer-lhe-ão as novas regras de governo do povo. na sua perspicácia.

em sandálias e botas. que são irrigados por um denso sistema de canais. e juntos cultivam e colhem o que semeiam. inteligentemente escalonadas. mel das abelhas e resina. Desta maneira mantém-se fresca até a próxima estação seca. O sacerdote da comunidade sacrifica então frutos escolhidos da última colheita no templo da aldeia e pede a bênção dos Deuses. da anta e do javali. uma árvore. que é ao mesmo tempo seu servo. enquanto os homens passam o tempo caçando. E a terra assegurava abundância. e a semente é lançada à terra. um montículo de terra -. dependendo o seu tamanho do número dos seus membros. Juntaram os frutos da terra. Utilizam a seiva de vegetais e de árvores desconhecidas dos Bárbaros Brancos para tingir . Depois do avanço dos Bárbaros Brancos. Sempre que virdes qualquer coisa do seu mundo – uma peça de fruta. há sempre alguém que clama que lhe pertence. É assim que o meu povo cultiva os alimentos nas planícies e nas montanhas. Porque o produto pertence a todos e o solo também é propriedade de todos. as mulheres estão ocupadas. o segundo terço aos sacerdotes. As mulheres tecem os melhores tecidos da lã do carneiro da montanha. o meu povo começou a construir plataformas nas encostas e nas colinas. quando se inicia a preparação das sementeiras. saem para os campos para colher os frutos. com cestos e jarros. Na época das colheitas. Havia comida mais que suficiente nas ilhas. O trabalho começa no fim da estação seca. O duro solo dos campos torna-se solto com a cava. água. Durante a subseqüente estação das chuvas. evitam que o solo fértil seja arrastado. Eis como Lhasa organizou tudo de modo que não houvesse diferenças nem fome. Todas as grandes edificações têm enormes cisternas e canais subterrâneos para levar água aos campos. Cereais e batatas são guardados em grande armazéns e mais tarde levados par Akakor. o fértil solo dos vales dos Andes e as regiões superiores do Grande Rio tornaram-se estéreis. Gozam da proteção do príncipe. A terra pertence a todos igualmente. e o último terço fica para a comunidade. para ficar armazenada. Com um arco e uma longa lança de bambu seguem a pista do jaguar. nas planícies e nas floretas. O meu povo fez muitos objetos maravilhosamente trabalhados que serviam para uso cotidiano.A VIDA DA COMUNIDADE Os Bárbaros Brancos só pensam no seu próprio bem estar e distinguem estritamente entre o que é meu e teu. A sua presa é cortada em pedaços: a carne é untada com mel e enterrada fundo no chão. de acordo com o que está prescrito quanto à divisão dos bens. tecendo e tingindo tecidos. as famílias. Assim. Muitas famílias associam-se no estabelecimento da comunidade. As peles dos animais são curtidas e trabalhadas pelas mulheres. Um terço da colheita pertence ao príncipe. Na língua dos Ugha Mongulala meu e teu são uma palavra apenas e significam a mesma coisa. O meu povo não tem posses nem propriedades pessoais. Conjuntamente cultivavam cereais e batatas. Fazem o seu trabalho nos campos sob a direção de funcionários. tal como Lhasa ordenou e da maneira como está escrito na crônica: Agora falaremos sobre o que aconteceu nos campos onde os Servos Escolhidos se reuniram. Muralhas protetoras. O povo sentia-se feliz com a fartura e a vida. Os servos civis do príncipe distribuem um bocado de terreno fértil a cada família. ao longo dos rios e na imensidão das lianas. A maioria dos Ugha Mongulala passa toda a sua vida na aldeia.

Bebemos água e sumo de cereais fermentados em todas as nossas refeições. durante a noite. Isto é óbvio em todos os aspectos da vida e também no seio da família. As batatas são assadas. sacerdotes e os membros do Grande Conselho – usam um tufo de penas de cor. Às refeições a família ajoelha-se no chão de argila e de noite dorme sobre os bancos de pedra cortada. Se o homem e a mulher insistem. Se ele ainda quiser casar com ela depois dos três meses terem passado. A comida é guardada em grandes bilhas de barro. o grande-sacerdote dá à mulher um remédio que a torna estéril. o príncipe e os mais idosos do povo usam no peito tatuagens. feito com a terra vermelha das montanhas. vive com ela durante três meses em casa dos pais. Os Deuses não nos divulgaram estes segredos. trocam sandálias na presença de todos os membros da comunidade. porque há uma íntima relação entre o céu em cima e a terra em baixo. Assim falam os Deuses. Enfiam-se ganchos de bronze no interior das paredes das casas e. A sua alimentação básica é constituída de batatas. Durante este período de prova não é autorizada qualquer intimidade. Todos os homens estão sujeitos às suas leis. Se um jovem gosta de uma rapariga. Os enfeites são usados unicamente em festas especiais. evitou a miséria e a fome. O meu povo submeteu-se à vontade dos Deuses. Como distinção particular da sua situação social. Os homens pintam-se com as quatro cores da tribo dos Ugha Mongulala: branco. cada família só pode ter dois filhos. Como acontece com todos os que vivem junto ao Grande Rio. os tecidos de lã ficam pendurados à entrada. Inicia a sua própria família com a idade de dezoito anos. na sua sabedoria. nem desenvolvimento. frita ao ar livre ou na entrada da casa. a carne. as necessidades diárias dos Ugha Mongulala são modestas. De acordo com as leis de Lhasa. Deste modo. Para quem conhece só um homem ou uma mulher a vida pode ser verdadeiramente feliz. arremessavam raios ou derretiam rochas. e depois decoram-se com belos desenhos. E assim o ensinaram às Tribos Escolhidas. correspondentes às cores respectivas das povoações da comunidade. Não há mesas nem cadeiras nas cabanas de pedra retangulares. Com grandes cordas. que. Cada um dos Ugha Mongulala tem de cumprir os seus deveres para com a comunidade. suspendiam as pedras mais pesadas. As mulheres enfeitam o cabelo com fios coloridos. para poderem secar. . Mas a natureza não conhece a passagem do tempo. que representam cenas da história dos Ugha Mongulala. como por magia. vermelho e amarelo. o Exaltado Filho dos Deuses. Defendemo-nos do frio das montanhas com um casaco feito de lã rústica. animais e humanos – tal como está escrito na Crônica de Akakor: Tudo existe e passa. Nas planícies e nas florestas do Grande Rio usamos só tangas seguras por um cinto de lã colorida. O eterno círculo da vida determina todos os seres – plantas. mas sob a pena de serem exilados se tornarem a casar. Só as classes superiores oficiais. O meu povo não acredita no divórcio. Nos seus legados só estão refletidas as leis da natureza. e também tubérculos e raízes de várias plantas. Só com os soldados alemães o meu povo aprendeu a utilidade dos colchões cheios de erva. Como sinal de lealdade mútua. Não temos as ferramentas que eles tinham. nem progresso. o sacerdote proclama o seu casamento. descem-se até ao interior de vulcões extintos. podem voltar a viver separadamente. Servimo-nos com colheres de pau e de facas de bronze para comer. Depois.tecidos e poder transformá-los em simples mas belas texturas. cereais. azul. Mas não se podem comparar com os objetos dos nossos Primitivos Mestres.

E Hama. há quinhentos anos. foi expulso. que se haviam revoltado contra Akakor. Tribo dos Demônios do Terror.“Cometeste um triste feito. o seu caráter consiste nas mudanças. Também atribuiu nomes aos povos que viviam nas florestas das margens do Grande Rio: Tribo dos Corações Negros. Tribo das Grandes Vozes. A nossa herança ensina-nos que a morte destrói qualquer coisa que de fato podemos dispensar. As nossas crenças diferem fundamentalmente da falsa fé dos Bárbaros Brancos. Tribo dos Vagabundos. Indica-nos o caminho de uma vida para além da morte. Quando da chegada dos Bárbaros Brancos. Viveu para além das fronteiras como um corrupto. que adoram a propriedade. Portanto. Que a desgraça te envolva. Deu nomes às Tribos Aliadas das províncias e da região de Akakor: Tribo que Vive na Água. E Hama. O seu coração foi dominado pela angústia e pelo terror. Mandar-te-ei para o exílio. Fizeram dos Ugha Mongulala seus Servos Escolhidos e depois da sua partida legaram-lhes o seu enorme império. os sentimentos também se extinguem. Assim o grande-sacerdote falou a Hama. está fora do tempo. Então Lhasa restabeleceu o império na sua primitiva glória e poder. Esta é a nossa decisão”. Mas o grandesacerdote não se comoveu. que desprezara sua mulher e chamara para junto de si uma rapariga. Tribo dos Comedores de Serpentes. E nunca tinha consigo qualquer mulher. Infringiste a nossa lei mais sagrada. As tribos selvagens fora do império eram excluídas desta honra. Comia casca de árvores e liquens. É . A GLÓRIA DOS DEUSES Cento e trinta famílias dos Deuses vieram para a Terra e selecionaram as tribos. Tribo dos Comedores de Refugo. cerne dos humanos. “Nem a morte nem a prisão te estão destinadas. Dominou os Degenerados. Por esta razão não pode representar a nossa vida real. Tribo das Caras Torcidas e Tribo da Glória Crescente. E a morte é a mudança total. Para salvaguardar a unidade obrigou-os a falar a língua dos Ugha Mongulala e a escolher novos nomes. Presentemente. Ensina-nos como o corpo é criado. A maioria das Tribos Aliada traiu o ensino dos Antigos Pais e começaram a adorar o sinal-da-cruz. Ninguém mais cuidou da sua cabana. Porque tanto o nosso corpo como os nossos sentidos estão sujeitos ao tempo. que os Deuses te tivessem mostrado a luz! Que fizeste? Porque desrespeitaste as leis dos Antigos Pais? És culpado”. Mas o testamento dos nossos deuses ensina-nos como viver e como morrer. Chorou lágrimas amargas. da vida. também não podem representar a nossa vida real. como morre e como é constantemente transformado em comida. os liquens amargos que crescem nas rochas. Quando a vela se extingue. Tribo onde Cai a Chuva. que renegara a mulher. As Tribos Aliadas abandonavam os seus antigos territórios e viviam de acordo com as suas próprias leis. a riqueza e o poder e consideram que não é grande sacrifício conseguir um pouco mais que o seu vizinho. só os Ugha Mongulala vivem de acordo com o legado dos Deuses. Tribo dos Matadores de Antas. Os nossos sentidos dependem do nosso corpo e são levados por ele como a chama de uma vela. Com a primeira Grande Catástrofe o império dos Deuses desintegrou-se. Não sabia o que fosse boa comida. Tribo dos Maus Espíritos. Tribo que Vive nas Árvores. a velha ordem de Lhasa foi destruída. O verdadeiro Eu. admitiu o delito. Oh!. e integrou muitas tribos selvagens no novo império em desenvolvimento. Ele vagueava pelas montanhas.

Aqui se reúnem o príncipe e os sacerdotes. tal como está narrado na crônica. com boas palavras e numa escrita clara: Assim. O sacerdote mostra a cabeça ao sol-nascente. Aí aprendem as leis da comunidade. Deste modo. O povo queimava incenso. O homem faz parte de um grande e incompreensível acontecimento cósmico que decorre vagarosamente e é governado por uma lei eterna. Os Ugha Mongulala reúnem-se nas montanhas ao redor de Akakor e saúdam o Ano Novo. Depois da morte do corpo volta para donde veio. Gisho. os vivos sacrificavam-se pelos mortos. o solstício. Depois da morte.imortal. Os conhecimentos dos nossos Primitivos Mestres eram vastos. Aos dezoito anos. da caça aos animais selvagens e do cultivo da terra. Os nomes que deram aos treze meses foram Unaga. Só então se torna digno de ser aceito pela comunidade dos Servos Escolhidos. a cozinhar e a trabalhar no campo. As raparigas aprendem a tecer. O príncipe queimava as penas azuis da ave da floresta – como sinais para os Deuses. desligada do tempo e da matéria. Mas a tarefa mais importante das escolas dos sacerdotes é a revelação e a explicação do legado. Ofereciam resina e ervas mágicas. os Servos Escolhidos prestavam homenagem aos seus Antigos Pais. Mena.” . celebramos o nosso mais sagrado feriado. Após a sua morte. Chama-se assim em honra dos Deuses. como está escrito na crônica: E agora falaremos do templo que tem o nome de “Grande Templo do Sol”. a família cortalhe a cabeça e queima o corpo. O jovem Ugha Mongulala aprende os sinais sagrados dos Deuses e como viver e morrer. regressa ao nada. Manga. Denama e Ilashi. quando começa a renovação da natureza. ao primeiro começo do mundo. o Eu serve-se do homem para manifestar a vida. Mostraramnos que a morte do corpo é insignificante e que só a imortalidade conta. Ceros. tal como prescrevem as leis dos Deuses. Deste modo. incenso e frutos escolhidos. Mens. Os pranteadores ficavam em frente dos olhos dos Deuses. ao início do tempo. Duas luas de vinte dias são seguidas por uma lua dupla. porque só quem enfrenta a morte pode compreender a vida. Laime. do bem-estar. Excelente é a sua ordem no céu e na terra. O grande-sacerdote inclina-se perante o disco de ouro no Grande Templo do Sol e profetiza o futuro imediato. Tal como a chama usa a vela. Tin. Juntavam-se no Grande Templo do Sol. Klemnu. Freqüentam escolas de sacerdotes desde os seis até aos dezoito anos de idade. que são do mesmo sangue e têm o mesmo pai. Cada jovem tem de lutar contra um animal selvagem do Grande Rio. E o grande-sacerdote falava: “Agradecemos verdadeiramente aos Deuses. Eles deram-nos duas vidas. É autorizado a escolher um nome e a iniciar uma família. Então. Os nossos Primitivos Mestres conheciam essa lei. O legado dos Antigos Pais rege a vida dos Ugha Mongulala desde que nascem até que morrem. os Deuses ensinaram-nos o segredo da segunda vida. Depois a cabeça é conservada num dos nichos do Grande Templo do Sol. Sabiam qual era o curso do Sol e dividiram o ano. Lano. o rapaz tem de fazer uma prova de coragem. Cinco dias extraordinários no fim do ano são dedicados à veneração dos nossos Deuses. Meinos. como sinal de que aquele que partiu cumpriu todos os seus deveres para com a comunidade. Nas cerimônias do Grande Templo do Sol agradecemos a luz de um novo dia e sacrificamos mel das abelhas.

470 A. as tribos indo-germânicas começaram a espalhar-se pela Europa. as tribos são extintas pelos Bárbaros Brancos. C.000 a. a Terra e o meu povo pertencem-se. Se a comunidade se defendia. Estão inseparavelmente ligados. os homens eram assassinados e as mulheres e as crianças eram tratadas como animais. a idade do Bronze florescia na Europa e levava ao desenvolvimento das civilizações mais diferenciadas. Dois milhões de guerreiros dominavam as planícies do Grande Rio. na altura de o império atingir o seu máximo. A unidade política durante o governo do rei Hammurabi atingiu ainda um mais elevado nível de arte e civilização. C. Primeiro. Estes contaram a história erradamente. No Novo Mundo. no Peru. Isto eram tributos das tribos escravas.000 a. governador de Akakor. Tudo isto aconteceu antes do príncipe.) o império de Akakor atingiu o seu mais alto grau. C. acreditam que criarão um mundo novo e melhor. só era habitada pelos Ugha Mongulala e tribos selvagens.500 a. O IMPÉRIO NA MAIS ELEVADA FORMA DO SEU PODER Os territórios do meu povo são vastos. C. prata. Duzentos e quarenta e três milhões de pessoas viviam de acordo com as leis do Exaltado Filho dos Deuses. Alcançaram grande poder e receberam grandes tributos: ouro. Isto está escrito na nossa crônica e não na dos Bárbaros Brancos. a Terra foi criada com o auxílio do Sol. Todas as estruturas de estado do Velho Mundo tiveram uma nova imagem devido aos carros de combate. Iniciadas cerca de 2. mel das abelhas. Não esbanjaram sacrifícios. C. Eles próprios os comeram e beberam. O Mundo. Aproximadamente na mesma altura.421 A. Os Bárbaros Brancos estão mentindo constantemente. Só se referiram aos seus feitos heróicos e à estupidez dos “selvagens”. Mas.150 a. tal como Lhasa nos ensinou e está escrito na Crônica de Akakor: Os Servos Escolhidos não governaram de mão leve. Esta terra. as vastas regiões de florestas de Mato Grosso e as férteis planícies das encostas orientais dos Andes. – 1. No Egito. Enquanto o poderoso Novo Reino egípcio de Thotmés estendia as suas relações internacionais até Creta.III – APOTEOSE E DECLÍNIO DO IMPÉRIO 2. cerca de 900 a. Afirmaram muitas coisas que não são verdadeiras. Quebrando todas as leis da natureza. entre as quais muitas nações poderosas do Grande Rio. a documentação dos acontecimentos históricos começa com as nações Chavin. C. Lhasa. apareceram alterações que tornaram a colocar Akakor na defensiva das . a Babilônia foi destruída. C. frutos e carne. O império de Sumer e Akkad estabeleceu-se cerca de 2. enganando-se uns aos outros. O seu código forneceu as bases das subseqüentes leis do Império Romano. No oitavo milênio (2. segundo o legado dos nossos Deuses. devido a invasão das tribos da montanha. o Velho Reino terminou cerca de 2.. primitivamente. começou a declinar. Uma após outra. Até esta data nada se sabia sobre os índios da Amazônia. Porém.

Se a luta parecia perdida. Tinham criado as suas próprias leis. de acordo com as suas informações. o legítimo governador das Tribos Escolhidas. E as Tribos Aliadas igualmente se revoltaram contra o domínio dos Ugha Mongulala. mas com o seu palácio guardado. Só em casos muito raros o príncipe acompanhava o exército. Tem um escudo de grossas tranças de bambu. Surgiram novas nações. Cada guerreiro está equipado com arco e seta. Dez mil homens eram chefiados por um capitão ou um Chefe de Dez Mil Homens. Mas os guerreiros dos Servos Escolhidos eram corajosos. A Tribo das Grandes Vozes fugiu em pânico. As Tribos Aliadas fizeram muitos prisioneiros e rejeitaram o legado dos Deuses. É ele também que envia o batedor com a Seta Dourada.tribos selvagens. Dificilmente a terra produzia alimento para tanta gente. O exército é acompanhado por grande número de batedores. os guerreiros das Tribos Escolhidas foram para a guerra. fundas e lanças de bambu nos vales e florestas banhados pelo Grande Rio. Viviam de acordo com as suas regras. Fizeram arcos. Tanto de noite como de dia os caçadores partiam para trazer a caça necessária para os guerreiros. nas montanhas. o Chefe de Cem Mil Homens. os exércitos dos Ugha Mongulala tinham sido superiores aos dos guerreiros das tribos rebeldes. setas. Derrotaram o inimigo e deixaram-no sangrar. Hoje. declarou então guerra às tribos inimigas. como sinal de batalha iminente. temos simplesmente um exército de dez mil guerreiros. Como um poderoso exército de toda a parte do império se começasse a organizar. Maid. De acordo com o que contam os sacerdotes. uma funda e uma faca de bronze.500. repetidamente invadiram os territórios do império. Levados pela fome. que lhe serve de proteção contras as setas do inimigo. Assassinando e roubando. tribos selvagens dos limites norte do império aliaram-se com a Tribo dos Vagabundos. A época das grandes campanhas havia passado. A declaração de guerra é decidida pelo príncipe. que Akakor teve dificuldade em vencer. Os Chefes de Mil Homens e os Chefes de Cem Homens iam à frente do exército e davam sinal de ataque. As mulheres teciam panos de guerra para os seus homens e cantavam canções . Eram batedores e guerreiros acompanhados pelo mensageiro com a Seta Dourada. Os chefes determinam a duração do ataque. uma comprida lança pontiaguda. Estão agrupados em partes iguais e sob o comando de cinco dos mais altos comandantes e cinco dos mais altos sacerdotes. para qualquer caso de emergência. Mesmo um enorme exército não poderia resistir às setas invisíveis deste novo inimigo. os Ugha Mongulala retiravam-se a coberto da escuridão e preparavam as suas posições. porque eram cuidadosamente treinados e iam para o campo de batalha de acordo com planos legados por Lhasa Cem mil guerreiros estavam sob as ordens do comandante-chefe. avançaram até ao Grande Rio. o meu povo abandonou esta ordem de batalha. fizeram prisioneiros e dividiram o saque. Quando os Bárbaros Brancos vieram. Durante milhares de anos. e também ocuparam os terrenos circunvizinhos. de modo a poder dar-lhes assistência. Por ordem do alto comando saíram para a região do Grande Lago. Juntos. que agora atingiam os milhares. Batedores escolhidos mantinham-no em contato com os guerreiros. Tinham sido enviados para observar os inimigos de Akakor e derrotá-los. os Ugha Mongulala iniciaram as necessárias preparações militares. A maior campanha antes da chegada dos Godos deu-se cerca de 8. Depois de uma batalha vitoriosa. todos treinados para combate individual.

Durante dois meses. Outros chefes travaram outras batalhas: Anau combateu contra a Tribo dos Comedores de Serpente e a dos Corações Negros. pois. os Ugha Mongulala empreenderam várias campanhas contra as tribos rebeldes. Todo o reino de Maid foi dominado por um grande desejo de combater. Ton castigou os Matadores de Antas pela sua desobediência e mandou os batedores até às costas do oceano leste. Depois começou a grande marcha para a fronteira norte. Lhasa. Muda construiu um segundo cinto de defesa em volta de Akakor e armazéns subterrâneos nos vales dos Andes. Os Ugha Mongulala venceram a Tribo dos Vagabundos num poderoso ataque. que fundara o seu próprio império nas montanhas do Peru depois da segunda Grande Catástrofe. no país chamado Bolívia. Os seus chefes renderam-se implorando perdão. os seus chefes dominaram numerosos povos selvagens e avançaram até Machu Picchu. quando um exército de trezentos mil homens estava reunido. Vestindo a toga brilhante de ouro de Lhasa e com o bastão azul. gritos de entusiasmo que alcançaram os quatro cantos do mundo e espalharam o medo e o terror entre as tribos inimigas. Espalhou-se a alegria por entre as tribos dos Servos Escolhidos. A fim de evitar que tribo atacasse Akakor. O perigo que vinha do oeste parecia ter sido vencido. chamou os mais velhos e os sacerdotes. Kohab. derrotou a Tribo das Caras Torcidas numa sangrenta batalha que durou três dias. na manhã seguinte o combate foi retomado com intensidade dobrada. Quando este chegou. Maid finalmente venceu a Tribo que Vive na Água e fez prisioneiro o seu chefe. os tambores ressoaram e fizeram tremer a terra. o Alto Conselho decidiu submetê-lo. mandou chamar o batedor da Seta Dourada. Trata-se da luta contra a Tribo que Vive na Água. que durou três anos e em que os Ugha Mongulala sofreram muitas derrotas humilhantes. Mas Maid não os escutou. Tanto a tristeza como a alegria se espalharam ao mesmo tempo por todo o império. os guerreiros precipitaram-se uns contra os outros. Samoa e Kin. nenhum guerreiro pode entrar na segunda vida se morrer durante as horas de escuridão. Finalmente. Maid derrotou a Tribo dos Vagabundos e repeliu o ataque das tribos selvagens da zona baixa do Grande Rio. e estendeu o seu império até ao país chamado Colômbia. vermelho e amarelo. Contudo. Maid deu-lhe pão e água. E os sacerdotes contam também que no fim do segundo mês as Tribos Escolhidas encontraram o exército inimigo. de acordo com o legado dos Deuses. o príncipe. Nimaia edificou as três fortalezas de Mano. Numa guerra com pesadas baixas. um descendente do Exaltado Filho dos Deuses. Maid. e construiu fortes posições defensivas na vizinhança dos recintos do destruído templo de Mano.sobre os feitos heróicos dos grandes príncipes. na parte superior do rio Negro. Os arqueiros lançaram as suas setas e desbarataram a vanguarda do inimigo. depois de seis meses. A batalha cedeu na noite seguinte. . todos os presentes fizeram uma profunda vênia. com penas pretas. particularmente heróico. Mas foi o príncipe Maid que teve de suportar a guerra mais violenta. e nenhum foi poupado. No decorrer de oitocentos anos. Eram seguidos por tropas de lanceiros que tentaram vencer a principal força que resistia. OS POVOS DEGENERADOS Durante o oitavo e o nono milênio. sinais de vida e de morte. é isto que os sacerdotes contam. Seja como for.Gritando os seus brados de guerra.

para nós. na verdade. Tudo lhes era revelado: sabiam se a guerra e a discórdia tinham acabado. Neste ano. o segundo filho do príncipe Sinkaia. Grande é o número dos Servos Escolhidos. Não conheciam o tear. nação irmã das Tribos Escolhidas. O FILHO DO SOL Os Bárbaros Brancos acreditam que possuem o mais elevado conhecimento. C. homens poderosos em magia. As suas instalações eram cercadas por uma alta barreira de madeira. Os Servos Escolhidos têm lealmente preservado o legado dos Deuses. No decorrer dos milênios fugiram à soberania dos Ugha Mongulala e esqueceram o ensino dos Antigos Pais. o segundo filho de Sinkaia. Os Degenerados também sabem do essencial Eu. tal como animais. Fugiu para a Tribo que vive na Água e fundou o seu próprio império. Sabiam sobre futuras guerras. A Lua é a mãe de todas as plantas e animais.). As tribos rebeldes citadas na crônica pertencem aos Degenerados. Eles devastam os nossos campos e matam os nossos filhos. O legado dos Deuses nunca foi revelado aos Bárbaros Brancos ou às tribos selvagens. São os Incas. A sua história começa no ano 7. Se uma tribo acredita que é infeliz. São imperiosos e muitos são os povos que dominaram. vagueiam pelo país. Plantam mandioca. são mistério. vivem como animais. Viviam como tribos selvagens em cabanas de palha ou casas feitas de canas com feitio retangular. Em combate usam a lança com a ponta de pedra afiada. Lhasa integrara-os no império de Akakor e ensinaram-lhes o legado dos Deuses. mas menores e mais leves. Não usavam roupas. E. Mas são peritos em trabalhar as penas que usam na cabeça. VIRACOCHA. fazem muitas coisas que nunca compreenderemos e que. o seu conhecimento era poderoso. castigaram-se e jejuaram no Grande Templo . Adotam o mesmo veneno que os Ugha Mongulala. o sacerdote mágico afasta os maus espíritos. os sacerdotes se juntaram.Como acabará isto? Cada vez mais. que moldaram a vida de todos os povos da Terra. o Sol é a mãe de toda a vida da Terra. Os Degenerados cultivam a terra depois de queimarem a floresta. Para eles a caça é tão importante como o cultivo da terra. Para eles. Viracocha. as pessoas fazem as suas próprias leis e esquecem o legado dos Deuses. Na verdade. Acreditam que esta segunda vida se realiza nas moradias subterrâneas dos Primitivos Mestres. ergueu-se contra o legado dos Deuses. O meu povo venera o legado dos Deuses. e as Tribos Degeneradas adoram três diferentes divindades: o Sol.530 a. O conhecimento dos Bárbaros Brancos é simplesmente um reaprender e redescobrir dos segredos dos Deuses. trigo e batatas. que se solta do corpo no momento da morte e inicia uma segunda vida. bastante grandes para toda a comunidade tribal. E desde que previra a traição de Viracocha. As Tribos Degeneradas dificilmente recordam a época dos seus antepassados e vivem na escuridão.951 (2. Só um povo à parte dos Ugha Mongulala conhece as leis dos Deuses. mas inúmeros são os Degenerados. O deus do Amor protege a tribo e é responsável pela fertilidade dos povos. E. e o seu conhecimento é conseqüente maior. a Lua e um deus do Amor.Mas o verdadeiro elevado conhecimento dos humanos há muito que desapareceu. Os seus arcos e setas são semelhantes aos nossos. que.

conquistaram muitos países e submeteram inúmeras tribos selvagens. Nenhuma mulher se lhes juntou. Deste modo desenvolveram o seu império. reclamou a soberania sobre o povo dos Ugha Mongulala. O seu império ergueu-se rápido e poderoso. Juntaram enorme fortuna na capital do império e introduziram novas leis contra o legado dos Deuses. Mas estava escrito que os descendentes de Viracocha rejeitariam o legado dos Deuses. Esse foi o maior castigo do meu povo até a chegadas dos soldados alemães. foi o único descendente de Lhasa que infringiu as leis dos Deuses e teve de pagar o seu crime com o exílio. Cada nó e cada corda tem um significado definido. o povo dos Incas. Eclodiu uma cruel guerra fratricida que abalou o império nas suas próprias bases. sacrificando incenso e sangue. Rezavam com corações exaltados. Em vez de viver sozinho na montanha. Só comiam três espécies de fruta e pequenos bolos de trigo. As orações dos sacerdotes não conseguiram comover o coração do segundo filho de Sinkaia. A preguiça é considerada uma fratura das leis da comunidade e é punida com um período de serviço nas mais perigosas fronteiras. Para crimes menores. o Degenerado. fugiu para a Tribo que Vive na Água. Consta de cordas multicoloridas atadas em nós. Revoltou-se contra o legado dos Deuses e infringiu as leis de Lhasa. Tal como os adúlteros.o Alto Conselho levou Viracocha a julgamento. os culpados devem justificar-se publicamente.do Sol de Akakor. os rebeldes e os ladrões são também enviados para o exílio. Os seus guerreiros conquistaram as costas ocidentais do oceano e avançaram profundamente na selva de cipós do Grande Rio. Os Incas até desenvolveram a sua própria escrita. Uma nação irmã nascera. A embriaguez é somente um crime se o acusado não cumpriu com os seus deveres por causa dela. como mais tarde chamou a si próprio. perscrutando o futuro. que insistiram na introdução da pena de morte. como lhe chamou. Levou a tribo para um vale da montanha. fundado na idolatria e na opressão. o filho do Sol. Embora não fosse autorizado a ocupar o cargo do príncipe. pelo perdão para o descrente filho de Sinkaia. Viracocha. e não levou muito tempo a montarem uma campanha de destruição contra os Ugha Mongulala. Para manter a paz no reino. Várias cordas atadas representam uma mensagem. Era na verdade um grande jejum. os assassinos. O seu julgamento foi a pena maior e mais dura. para vergonha de Viracocha. e foi enviado para o exílio. O mais hediondo crime é o roubo. Sob a chefia de Viracocha e dos seus descendentes. tal como a violência ou desobediência. não só infringiu o legado dos Deuses como também ignorou a decisão do Alto Conselho. que não tinha fé. a cidade dos quatro cantos do mundo. E a destruição foi completada com a chegada dos Bárbaros Brancos. visto o meu povo possuir tudo em comum e a propriedade individual não ter significado. . cumpriu-se o predito pelos nossos sacerdotes. nos Andes. Era assim que passavam o seu tempo desde a madrugada ao entardecer e ainda as suas noites. Quando o seu poder atingiu o máximo. Viracocha. Durante muitos dias ficaram sozinhos no templo. os filhos do Sol. como é prescrito pelas leis do meu povo. Na Grande Sala do Trono os mais velhos do povo consideraram-no culpado. e construiu Cuzco.

Com o colapso dos grandes impérios. . C. Ao mesmo tempo. C. despertava na Grécia uma grande civilização e. Nesta época começavam na América as histórias dos Astecas. A Idade Média européia inicia-se no ano de 900. Depois da divisão do Império Romano. Teodorico. Presume-se que o nascimento de Jesus tenha sido em Belém em 7 a. Nada se sabe acerca dos sobreviventes desta raça. o Grande. a mais forte característica dos Incas foi a expansão do seu império. com a sua estrutura de classes. O ousado povo marinheiro ocupou a costa oeste da França e da Inglaterra e estabeleceu uma base na Groenlândia. desenvolveram uma pura civilização neolítica exemplificada pelos hieróglifos e pelo calendário maia. o último rei dos Bárbaros. De acordo com informações não confirmadas. o general romano Narses derrotou inteiramente Teja. o velho mundo oriental desintegrou-se em pequenos estados. fundaram na Itália o seu próprio império. à beira do Tibre. até alcançou a costa leste da América do Norte.421 A. dos Maias e dos Incas. mais tarde. chefiados pelo seu rei. Em 552. No entanto.000 a. que alcançou o apogeu no princípio do século XV. uma outra florescia em Roma. A história dos Vikings fez-se no mesmo período.Israel foi fundado cerca de 1.400 D. os Ostrogodos. – 1. As tribos dos Astecas e dos Incas. C. na batalha do monte Vesúvio.IV – OS GUERREIROS DO LESTE 1. C. sob a chefia de Huayana Capac.

As Tribos Aliadas abandonaram as tradicionais pousadas e seguiram novos caminhos. no entanto morrem queimados. E os homens discutiam acerca de suas irmãs e pela sua presa. na planície e no Grande Rio. onde pode viver em liberdade e respirar livremente. . e o terceiro. Contra a vontade do Alto Conselho de Akakor. e quando estas ardem pode-se ver os animais cercados pelo fogo. Os Bárbaros Brancos penetraram mais ainda no nosso terreno. Os festivais da comunidade degeneraram em ébrias orgias. que correm tentando escapar às chamas. e o caos pode vir. A mesma coisa acontece-nos a nós. Mas o homem nascera livre nas montanhas. tem havido uma guerra contínua. devastando tudo como um tornado.A CHEGADA DOS GUERREIROS ESTRANGEIROS Os Bárbaros Brancos são cruéis. Os Bárbaros Brancos enviaram os primeiros guerreiros. Desde que os Bárbaros Brancos vieram para o nosso país. Mas os nossos sacrifícios foram em vão. mesmo durante as batalhas. Dominaram as Tribos Aliadas e obrigaram-nas a seguir os seus costumes. Mas os Ugha Mongulala nunca foram os primeiros a apontar a seta. que eram ditados por espíritos mesquinhos. onde se instalaram. edificaram numerosas cidades. Cada um dos seus novos chefes comandava o seu próprio exército. mas que. tal como está escrito na Crônica de Akakor: A discórdia e a inveja surgiram de toda a parte. Incendeiam florestas. Só então mandamos o nosso batedor com a Seta Dourada. onde o vento sopra liberto e nada escurece a luz do Sol. e o segundo. Os Servos Escolhidos revoltaram-se uns contra os outros e atiraram uns aos outros ossos e crânios dos seus mortos.

Mas desde a destruição da cidade de Ofir. Então. uma estranha mensagem chegou a Akakor. E o seu povo continuou em busca dos .No meio do décimo primeiro milênio. E assim os Bárbaros alcançaram o império das Tribos Escolhidas. As mulheres e os filhos acompanhavam-nos. O clã de Viracocha seguira para Cuzco. tão fortes como o gato-selvagem e tão corajosos como o jaguar. E aqui se cumpriu o seu destino. a ligação tinha sido cortada. Este é o nome do príncipe dos Bárbaros. Aí os Incas haviam travado ferozes batalhas e subjugado muitas tribos. Até a chegada dos Bárbaros. e que fora governado por Samon. os sacerdotes acreditavam que o império de Samon tinha desaparecido. A falsa fé e a idolatria ameaçavam o legado dos Primitivos Mestres. Conquistaram as estradas de acesso aos estreitos do norte e avançaram pelas encostas orientais dos Andes para destruir a cidade-templo de Tiahuanaco. Concluiu uma aliança com os ousados marinheiros do Norte. Porque os valentes guerreiros foram batidos. Já cento e quatro príncipes tinham sucedido a Lhasa. Tinha grande sabedoria e muito espírito. Guerreiros estrangeiros subiam o Grande Rio – homens valentes. Já tinham decorrido trezentas e sessenta e quatro gerações desde a partida dos Deuses. os Bárbaros foram obrigados pela fome e pelas tribos inimigas a vaguear em terra alheia. Uma velha família principesca viera dos céus e tinha-lhes ensinado tudo acerca da vida e da morte. De acordo com a história dos Bárbaros. Era um profeta de boa vontade e realizara feitos heróicos. O povo dos Ugha Mongulala beneficiou com a sua ordem e com as suas leis. Aí construiu as suas cabanas. Iam em busca dos seus deuses. da vida e da tribo. Os Ugha Mongulala tinham provavelmente sido informados. mas não conseguiu evitar uma lenta desagregação do império. o império dos Ugha Mongulala ultrapassara o seu zênite. desde o tempo de Lhasa. Grandes exércitos de tribos selvagens dominaram as fortalezas da fronteira em Mato Grosso e na Bolívia.. Salvou-os da destruição. da existência de um grande império para além do oceano que ficava a leste. Era assim que se chamavam a eles próprios. O exemplar reino de Lhasa tremeu com a revolta das Tribos Aliadas. Eles chamaram-lhe o Caçador Selvagem. Aí erigiu templos aos seus deuses e pregou o ódio e a guerra. E falaremos também da chegada dos Bárbaros. Havia muitas tribos e nações poderosas para além do oceano oriental. Mas então aconteceu o que na nossa crônica é descrito com as seguintes palavras: Agora falamos dos guerreiros do Leste. que foi mais tarde acelerada pelos acontecimentos da fronteira ocidental. Os guerreiros estrangeiros vindos do leste trouxeram uma mensagem inteiramente diferente. também provinham de seres divinos. hordas hostis penetraram até às muralhas de Akakor. E aqui está a sua história. Só a tripla divisão do poder introduzida por Lhasa evitou o colapso do império. Os corações dos Servos Escolhidos estavam tristes. Pela primeira vez desde o regresso dos Deuses. Muitos milhares de anos mais tarde. Esse era o seu alimento diário desde a madrugada ao entardecer e durante a noite. A chegada de guerreiros estrangeiros que a si próprios se chamavam Bárbaros é um dos grandes mistérios da história do meu povo. desde o começo da luz. no sétimo milênio. pareciam condenados à perdição na montanha que vomitava fogo. Em Akakor aumentava a tensão entre o Alto Conselho e os sacerdotes.

como está escrito na Crônica de Akakor: Assim. o Alto Conselho e os sacerdotes estavam afastados da luta pelo poder. os operários começaram a fazer grandes facas e aguçadas pontas de lança. no Extremo Azul do Mundo e no Extremo Vermelho do Mundo. Não havia nem violência nem disputa.Restabeleceram o desintegrado império e tornaram-no forte e poderoso. A ALIANÇA ENTRE DUAS NAÇÕES A chegada dos Bárbaros no ano de 11. Os Bárbaros procuravam pelos quatro cantos do mundo. mas um só espírito. os navios podiam transportar sessenta homens e eram movidos por um meio de uma vela de fino tecido que estava ligada a um elevado mastro. O Povo Escolhido ganhara a sua confiança no legado dos Antigos Pais. A aliança entre os Bárbaros e os Ugha Mongulala foi selada pela troca de dádivas. Não era nem de discórdia nem de combate. e o país dos Servos Escolhidos. Mas a sua melhor dádiva foi o segredo de produzir um duro metal negro que era desconhecido do meu povo e a que os Bárbaros Brancos chamam ferro. E depois de trinta luas fundaram uma nova pátria. Até a chegada dos Bárbaros nós só tínhamos trabalhado ouro.) teve um decisivo significado para os Ugha Mongulala. contra as quais não tínhamos proteção. Durante séculos. E assim se estabeleceram em Akakor. O ouro e a prata vinham da região da destruída cidade-templo de Tiahuanaco. Segundo o desenho dos nossos sacerdotes. C. Depois vieram os Bárbaros Brancos com as armas de fogo. Uma vez mais. Os Bárbaros presentearam o meu povo com novas sementes e uma espécie de enxadas puxadas por animais. Não conheciam nem ciúme nem inveja. os Bárbaros alcançaram o império das Tribos Escolhidas. Os seus corações eram tranqüilos. infinitamente superior ao das tribos rebeldes. Agora existiam dois clãs. Guiados pelos novos aliados. Os sacerdotes conseguiam o bronze em grandes queimadores de carvão voltados para leste. a profecia dos Deuses provava ser verdadeira. Mais de mil guerreiros alcançaram Akakor transportados em quarenta navios. Durante mil anos os nossos chefes foram para a guerra com essas armas. Buracos abertos a distâncias regulares asseguravam a ventilação e o aumento de calor. Cruzaram a infinidade dos oceanos. Ora os Bárbaros construíram fornalhas de pedra. Ensinaram-lhes outras formas de cultivar o solo e mostraram aos artífices como construir melhores teares.051 (570 d. prata e bronze. O Alto Conselho concedeu habitações e terra fértil aos recém-chegados. Fizeram peças de vestuário trabalhadas com ferro para os dirigentes e para os Chefes de Dez Mil Homens. A paz reinava entre eles. Mas o seu calor não era suficiente para fundir o castanho minério do ferro. Operários escolhidos arrastavam redes nos rios em que se encontravam pedras onde havia ouro e prata. com boas palavras e numa escrita clara: . Na hora da direta necessidade eles enviaram auxílio. que eram superiores às das outras tribos. as velas negras e as coloridas cabeças de dragão dos navios dos Bárbaros foram guardadas até agora no Grande Templo do Sol. Akakor conseguiu o apoio de um grupo de experimentados guerreiros. tal como está narrado na crônica. A armadura de ferro.Deuses.

Eis a lista: flautas de osso e chavelhos de concha. foram colocadas a seis horas de distância. Só na fronteira oeste de Akakor se puseram à defesa. Segundo A Crônica de Akakor. Deste modo. Construíram um poderoso império. Governaram em muitas terras. Desde essa época os sacerdotes começaram a descobrir no céu sinais ominosos e o Alto Conselho receava um iminente ataque de nações desconhecidas. os Bárbaros continuaram a ser uma nação de guerreiros. o Alto Conselho limitou-se a mandar erigir um alto paredão contra os Incas. e um grande saque caiulhes nas mãos. Fiel à ordem dos Antigos Pais de nunca combater contra os seus próprios irmãos. C. no cálculo dos Bárbaros Brancos. trinta mil aliados trabalharam na larga muralha de pedra. O velho império de Lhasa parecia ressurgir do passado. A CAMPANHA DO NORTE Apesar da sua derrota na montanha que vomita fogo. Quando da sua chegada. Atacaram a Tribo das Grandes Vozes. Os exércitos dos Servos Escolhidos avançaram. a grandeza e o poder dos Servos Escolhidos aumentou. O seu poder alcançou os quatro cantos do mundo.126 (645 d. Uma grande campanha para o norte foi o maior feito militar no décimo primeiro milênio. Esmagaram a sua arrogância. Viviam para além dos estreitos do Norte e haviam comerciado com os seus antepassados. No princípio do sétimo século. Estradas pavimentadas ligavam as fortalezas com Akakor. um milhão de guerreiros Ugha Mongulala e das Tribos Aliadas partiram no ano 11. os exércitos aliados dos Ugha Mongulala e os Bárbaros combateram nos quatro cantos do império e obrigaram as Tribos Degeneradas a pôr-se em fuga. Com as novas armas de ferro fizeram recuar a Tribo das Grandes Vozes para a estéril região de lianas na parte baixa do rio Vermelho.Assim. Torres de vigia quadradas. Arrombaram as portas das povoações do inimigo. que tinha cessado de pagar tributo. Mataram mais adversários do que os que se podiam contar. Dominaram a Tribo da Glória Crescente e a Tribo onde Cai a Chuva. e destruíram inúmeras tribos selvagens. os guerreiros Ugha Mongulala mais uma vez avançaram até ao coração da grande floresta no sul do império e até à parte baixa do Grande Rio. A fama dos seus filhos e a glória dos seus guerreiros cresceu. Aliados aos guerreiros do ferro.). Eram armazéns de armas e mantimentos e também casernas. Os arqueiros e fundeiros subiram as paliçadas. Era a época do castigo e da retribuição da sua traição ao legado dos Primitivos Mestres. As Tribos Escolhidas ganharam uma força que não possuíam há milhares de anos. Assim principiou a Grande Guerra. feitas de gigantescos silhares. tal como está escrito na crônica: . Durante treze anos. a passo. O Conselho decidiu organizar um grande exército e enviá-lo para a fronteira mais setentrional. os Bárbaros tinham-se referido a um povo de pele castanha que usava penas. derrotaram os seus inimigos. peles de jaguar e escravos. Capturaram tudo. com os seus suportes e defesas. Pouco depois da sua chegada começaram a defender os Ugha Mongulala na sua luta contra as tribos rebeldes. preciosos enfeites de penas dos Grandes Pássaros da Floresta.

Haviam divido o país entre eles e viviam em paz. Protegei o nosso povo do mal e do pecado. fundeiros e lanceiros. e dentro em pouco fundiram-se na nossa nação. os receios do Alto Conselho foram confirmados: estranhos guerreiros vieram do norte e destruíram o império Inca. matem-nos. a nação das Tribos Escolhidas e os Incas. continuaram a avançar.E o príncipe assim falou à assembléia reunida: “Partam para esse país. O país para além das fronteiras era agora um mar de chamas. combatam-nos. o legítimo sucessor dos nossos Antigos Pais governava de acordo com o legado dos Deuses. Só mil anos mais tarde. UM MILÊNIO DE PAZ O império tranqüilo durou mil anos. E também ocuparam as praias dos oceanos. Os .051 a 12. Passaram para além das colinas.). Protegei-o da lascívia. Aprenderam a nossa língua e a nossa escrita. C.012 (570 – 1531 d. Marcharam para o norte e construíram poderosas cidades para mostrar a força das Tribos Escolhidas. Mas os sacerdotes voltaram a face para o céu. As últimas informações a chegar a Akakor referiam-se a uma tremenda catástrofe. para que a paz e a felicidade possam governar no império das Tribos Escolhidas”. Na verdade. E os Deuses prestaram atenção às orações dos sacerdotes e abençoaram a união entre a nação dos Bárbaros e dos Ugha Mongulala. Preservai a unidade nos quatro cantos e nos quatro lados da Terra. E rezaram assim aos Deuses: “Dainos filhas e filhos. Os guerreiros estrangeiros que haviam cruzado o oceano nos seus navios com dragões de boa vontade se submeteram ao legado dos Deuses. Em Akakor. E todos marcharam: batedores. A maior campanha da história das Tribos Escolhidas terminou sem qualquer resultado concreto. Defendei-nos os caminhos e as estradas. Os guerreiros sobreviventes fugiram para o norte e juntaram-se a um povo estranho. não os deixei tropeçar quando sobe e quando desce. Dispunham-se a servir as Tribos Escolhidas e trouxeram muitas dádivas. Os descendentes de Viracocha. governaram um enorme império desde Cuzco. Se houver inimigos. desde 11. só duas tribos tinham força e prestígio: os Ugha Mongulala. o seu império era grande. Poucas luas depois da partida do exército. Estas foram as suas palavras. Tudo começou com a chegada dos Bárbaros. Os seus chefes ocuparam importantes cargos na administração do império. E. Tanto as maiores como as mais pequenas tribos ficaram transidas de medo. arqueiros. Sacrificaram incenso e mel das abelhas. a sua força crescia constantemente. Neste período. Ninguém os podia derrotar. E mantenham-nos informados para vos podermos ajudar”. quando os Bárbaros Brancos avançaram no Peru. Viveram em paz. Ninguém os podia prejudicar. Deram graças pelos seus fortes aliados. receavam os guerreiros de ferro. Os Servos Escolhidos conheceram a felicidade. por ordem do príncipe. as comunicações foram subitamente cortadas. Que nenhuma infelicidade e nenhum mal aconteçam a esta aliança. Nada receiem. o Degenerado. os filhos do Sol. E com a sua chegada o poderoso e tranqüilo império dos Ugha Mongulala e dos Bárbaros desapareceu também. E a força gigantesca partiu.

Constrói grandes colinas. como está escrito na crônica: Foi há muitos. de acordo com o legado dos Antigos Pais. Não conhece desfalecimento. quando o Sol e a Lua se queriam casar. que veio à Terra em sinal-da-cruz para libertar os homens do obscurantismo. que está descrita na terceira parte da Crônica de Akakor. ninguém os uniu e os Sol e a Lua separaram-se. Este livro. Mil anos mais tarde os Bárbaros traçaram a sua origem divina com o mesmo sinal. que cresceram durante seis luas e desceram durante outras seis luas. Estabelece poderosas comunidades. muitos anos. tantas que teriam inundado a Terra. a Lua deixou-as cair na Terra e com elas criou o Grande Rio. O LIVRO DA FORMIGA Esta é a formiga. Mas até a sua chegada. Destrói tudo.seus generais tornaram-se o terror das tribos inimigas. Mas a Lua chorou durante todo o dia e toda a noite. a que os soldados alemães chamavam “Bíblia”. os Ugha Mongulala e os Bárbaros viveram tranqüilamente unidos. O seu número é incontável. . está escrito com sinais ininteligíveis para o meu povo. E o mar zangou-se e as suas águas. que tinham trazido escrito num grande e pesado livro encadernado em ferro. E as lágrimas da Lua eram muitas. Mas ninguém podia uní-los. honravam os Deuses e recordavam o muito distante período em que na Terra não havia nem homens nem o Grande Rio. Arranca a carne dos ossos Do jaguar abatido. E as lágrimas do seu amor inundaram a Terra e aumentaram o mar. Faziam os sacrifícios prescritos. Assim. Infatigável no seu trabalho. Porque o amor do Sol era feito de fogo e poderia incendiar a Terra. repeliram as lágrimas. Assim. Os seus sacerdotes chegaram mesmo a renunciar ao seu falso credo. Contem gravuras da vida dos Bárbaros no seu próprio país e também fala num poderoso Deus. Em seu nome e em sua honra destruíram o império dos Incas e deram a morte a milhões de pessoas. O Sol seguiu um caminho e a Lua seguiu outro.

Os Deuses estavam voltando. As novidades espalharam-se de tribo em tribo.I – OS BÁRBAROS BRANCOS NO IMPÉRIO DOS INCAS 1. Levaram as nações do Ocidente da Europa através do oceano. foi reduzida para três milhões dentro de poucos anos. narrado com boas palavras e numa escrita clara. E as alegres notícias eram propagadas de homem para homem. Ousados navegadores já haviam descoberto as ilhas do Atlântico na primeira metade do século quinze. que por fim. O seu rei do Sol. para fazer um relato sobre o passado e o futuro. Eram como os nossos Antigos Pais. Estou a expor o Livro da Sabedoria e a vida do meu povo de acordo com o legado dos Deuses. E ofereceram sacrifícios aos Deuses. O poderoso império dos Incas. tal como está escrito na crônica: Estranhas notícias chegaram ao Alto Comando acerca de estrangeiros de barbas e de poderosos navios que deslizam silencioso sobre as águas. Cada vez morrem mais árvores com a raiz apodrecida. Porque os Ugha Mongulala estão condenados à perdição.492 – 1. que fora traído e capturado. Em 1. Fez quatro viagens ao Novo Mundo e fundou a primeira colônia espanhola no Haiti. com mastros que chegam ao céu. Mas eu estou a contá-lo quando o tempo já está no fim.500. Chegaram novas sobre estrangeiros brancos. o navegador português Cabral descobriu o Brasil.519.533. O valor dos lingotes de ouro do Peru transportados pelos espanhóis totalizou cerca de cinco mil milhões de dólares em moeda atual. Um interminável rio de sangue passa através das florestas para o Grande Rio e até as próprias ruínas de Akakor. Pizarro começou a conquista do Peru. sobreviveram a esta destruição. Porque se cumprira a profecia. .531. muito mais bem armadas. Zelosos missionários cristãos destruíram a velha civilização mexicana. Ataualpa. que enfraquecera devido a uma guerra civil. E o Alto conselho ordenou que se acendessem fogueiras de alegria. foi derrotado depois de três anos de luta contra as tropas espanholas. Em 1. Em 1. os tambores soavam dia e noite. Cortez partiu para a conquista do México. pensando nos Primitivos Mestres.534 A transição da Idade Média para a Era Moderna foi caracterizada pelas descobertas dos Portugueses e dos Espanhóis. fortes e poderosos como deuses. A população inca. tal como arquitetura. O rei asteca Montezuma II capitulou ao fim de três anos de luta e foi assassinado pelos espanhóis. Desde que os Bárbaros Brancos avançaram no país a depressão dominou o meu povo. Apenas alguns restos desta civilização altamente desenvolvida. Os guerreiros mortos pelas setas invisíveis dos Bárbaros Brancos são cada vez mais numerosos. e toda a nação chorava de alegria. haviam voltado. que os escritores contemporâneos calculam ter atingido dez milhões. A CHEGADA DOS BÁRBAROS BRANCOS Tudo está incluído na Crônica de Akakor. escrita de nós e objetos de ouro.492 Cristóvão Colombo descobriu a América. e em 1. é estrangulado em 1.

Esta chegada evitou a sua última vitória. Ataualpa teria destruído os partidários do seu infeliz irmão se os estrangeiros não tivessem desembarcado nas costas do oceano ocidental. E homens com barbas desembarcaram com armas eficazes e estranhos animais. observavam no céu sinais ominosos. Não confiam no legado dos Antigos Pais. oeste e leste. os estrangeiros destruíram o império da nação nossa irmã. Em vez de felicidade e paz interior. Seis mil anos tinham passado desde a morte de Lhasa. “Os estrangeiros não trazem paz. mas vermelho como sangue espesso”. sul. Espalharam sangue sobre todo o império”. Surgia uma nova era. que eram falsos e cheios de ardis. embora a data correspondesse ao que haviam predito. Duvidavam da notícia do regresso dos Deuses. Dentro em pouco verificou-se que era um erro cruel a notícia do regresso dos nossos Primitivos Mestres. Queimaram cidades e aldeias e mataram homens. Assim falaram os sacerdotes. Parecia que a profecia dos Antigos Pais se podia cumprir. O Sol não é brilhante e amarelo. voltavam tal como haviam prometido. C. Quem não partilhavam do júbilo geral eram os sacerdotes. Os seus pensamentos são feitos de sangue. Por isso. desprezaram o legado dos Antigos Pais. Na sangrenta batalha nos campos em redor de Cuzco. a norte. iniciaram uma cruel guerra de conquista. Rompeu uma guerra civil no seu império. que tudo sabem. Mas os sacerdotes.532 d. tal como está escrito na Crônica: “Desgraça sobre nós. os Bárbaros Brancos juntaram-se para uma . para assumir o poder com generosidade e sabedoria. os Bárbaros Brancos deixaram conhecer as suas intenções. O Sol também mudara. o regresso aos dias em que os Ugha Mongulala governavam o mundo. E. poderosos inimigos ergueram-se contra Ataualpa. Ganhou cruéis inimigos. Os estrangeiros não vinham com boas intenções. que vêem o futuro e para quem nada é oculto. Depois. o primogênito Huascar foi derrotado pelo seu irmão mais novo. Numa fúria de ódio e ambição. cortando a água. Poderosos navios alcançaram a costa.013 (1. A DESTRUIÇÃO DO IMPÉRIO INCA Pouco depois da sua chegada ao Peru. Ocuparam os terrenos adjacentes e subjugaram as Tribos Aliadas dos Incas. Seis mil anos depois da sua última visita à terra. trouxeram lágrimas. Impressionados com a riqueza de Cuzco. tão rápidos e fortes como o caçador jaguar. a alegria do Povo Escolhido era grande. O vencedor e o seu exército avançaram para a capital e começaram um reino sangrento de terror. Vinham silenciosamente. Erigiram templos com a cruz e sacrificaram milhões de homens em sua honra. Ataualpa. como ainda hoje lhes chamamos. mulheres e crianças. num dia.) tais pensamentos ainda eram considerados sacrílegos. Primeiro atacaram cidades junto à costa. os Incas. Os Bárbaros Brancos. O desastre que os nossos sacerdotes haviam predito incidiu primeiro sobre os Incas. carnificina e violência. Os dois filhos de Huayana Capac lutaram pelo cargo de príncipe. Uma grande estrela aproximou-se da Terra e espalhou uma triste luz sobre as planícies e montanhas. Os sinais indicam desastre. Há doze mil anos os Antigos Pais haviam abandonado a Terra.No inicio do ano 12.

O império inca desmoronava-se numa terrível tempestade de fogo. combateram duramente em defesa do seu país. Os guerreiros de Ataualpa fugiram em pânico. Os sobreviventes tinham-se retirado para as . Os guerreiros contam histórias terríveis. iluminado só pelas cidades e aldeias em chamas. A era do sangue começara para os filhos do Sol. batidos até sangrarem. nem sequer as crianças. encontraram o exército de Ataualpa. Comportavam-se como animais selvagens. eles cessaram de resistir. os Ugha Mongulala tiveram de reconhecer a terrível verdade: a nação irmã estava condenada a perecer. A tristeza e o desespero dominaram as montanhas onde outrora Ataualpa. os que restavam do exército juntaram-se nas montanhas que cercam Cuzco e nos limites do país chamado Bolívia. e se cumpriu o que os nossos sacerdotes haviam predito. Umas simples doze luas tinham passado depois da sua chegada. Foi traído e capturado. Que medonha sorte se abateu sobre eles! Traíram o legado dos Deuses. Assassinando e roubando. Os seus guerreiros foram mortos pelos Bárbaros Brancos. pelos Bárbaros Brancos. No local chamado Catamarca. que chegava aos tornozelos quando os Incas perderam a batalha. Porque estes estrangeiros não conheciam piedade. E os dias maus começaram quando o Sol e a Lua se escureceram com o sangue. O meu povo soube da verdadeira crueldade dos Bárbaros Brancos por muitos refugiados incas. Toda uma nação está a expiar os pecados de Viracocha. o príncipe dos filhos do Sol. Vilas e aldeias haviam sido queimadas. A força principal cortou os caminhos da montanha que levavam à costa. Tinham estranhos animais com pés de prata. o império inca assemelhava-se a Akakor depois da sua primeira Grande Catástrofe. destruindo tudo no seu caminho. E os guerreiros Barbados avançaram ainda mais. espalhavam a morte e a perdição nas fileiras dos filhos do Sol. A sua capital estava em ruínas. Caiu vítima de uma cilada dos estrangeiros. Desgraça dos filhos do Sol. Só quando os estrangeiros queimaram Ataualpa vivo. como formigas. Mas os Incas eram uma nação forte. guiados pelos homens. Os estrangeiros Barbados cometeram piores atrocidades do que as tribos selvagens. Os estrangeiros tinham armas especiais que mandavam trovões em chamas. Apesar da superioridade das armas dos estrangeiros. Foram castigados. A RETIRADA DOS UGHA MONGULALA Cinco anos depois da chegada dos Bárbaros Brancos. E o segundo filho de Huayana Capac foi preso. quando uma profunda escuridão envolveu o império dos filhos do Sol. Não poupavam as mulheres. Medonhas eram as suas revelações. e agora eles próprios tinham sido traídos. Depois da terrível derrota de Catamarca. Desta maneira evitaram o avanço dos Bárbaros Brancos durante muito tempo. Violaram mulheres. alcançaram Cuzco. havia sido poderoso. que. Pouco depois. o príncipe dos filhos do Sol. Roubaram o ouro. Ataualpa teve de pagar caro a sua arrogância. a dez horas a pé de Cuzco. A planície tingiu-se de vermelho com o sangue. Até os túmulos foram partidos para serem abertos.campanha nas montanhas dos Andes. em honra do seu deus.

altas montanhas ou serviam os Bárbaros Brancos como escravos. O sinal-da-cruz que se identifica com o sinal da morte, podia ver-se em toda parte. Até então os Ugha Mongulala tinham testemunhado a tragédia só à distância. Os Bárbaros Brancos estavam inteiramente ocupados com a pilhagem da riqueza dos Incas. Os guerreiros receavam a densidade da selva de cipós na encosta leste dos Andes e só os incas em fuga atravessaram a fronteira fortificada que Lhasa havia construído. No ano 12.034, a guerra também alcançou Akakor. Os espanhóis, como os Bárbaros Brancos se chamavam, souberam da existência da nossa capital por traição. Como sua ânsia de ouro era infinita, equiparam um exército. Após grandes lutas com a Tribo dos Demônios do Terror, avançaram pela parte oriental dos Andes, na região de Machu Picchu. O Alto Conselho tinha de tomar uma decisão da mais alta importância: ou combater os Bárbaros Brancos ou retirar-se para o interior da região de Akakor. O príncipe Umo e os mais velhos do povo decidiram pela retirada, embora os chefes guerreiros aconselhassem o contrário. Ordenaram que as cidades fronteiriças fossem abandonadas e que todos os sinais da capital fossem destruídos. Só pequenas tropas de defesa eram deixadas atrás, nas regiões abandonadas, para observar os movimentos dos guerreiros inimigos a avisar Akakor de qualquer ataque. Esta foi a decisão de Umo. E assim se fez. Posteriores acontecimentos provaram a perspicácia do príncipe Umo. A sua decisão salvou os Ugha Mongulala de uma guerra que nunca poderiam ter ganho. Mas também condenou os Incas à extinção. O Alto Conselho recusou o apelo de auxílio feito pelos generais incas e preparou-se para um conflito defensivo. Se na verdade tivesse de haver uma guerra, que se travasse onde as altas barreiras pudessem pôr em perigo os Bárbaros Brancos – nos altos vales dos Andes e entre a selva de cipós do Grande Rio. Os guerreiros obedeceram às instruções do Alto Conselho. Retiraram-se das regiões que ofereciam mais perigo. Com o coração angustiado, de má vontade, abandonaram Machu Picchu, a cidade sagrada de Lhasa. Longas filas de carregadores transportaram todos os objetos, como jóias, dádivas para sacrifícios e provisões, para Akakor. Depois os guerreiros arrasaram as casas e os muros e destruíram as estradas que lhes ficavam para trás. Os sacerdotes destruíram templos. Os artesãos bloquearam todas as entradas com pesadas pedras. Tão cuidadosamente cumpriram as ordens dos seus maiores que hoje mesmo os Ugha Mongulala só conseguem encontrar Machu Picchu com auxílio de mapas e de desenhos. Só os subterrâneos da Montanha da Lua ficaram incólumes. Porque ninguém que não entenda os sinais do passado é capaz de revelar o segredo do Exaltado Filho dos Deuses, Lhasa. E, assim. O grande-sacerdote vedou a entrada da cidade santa. Ocultava o segredo do Exaltado Filho dos Deuses, o criador e formador, o governador dos quatro ventos, nos quatro cantos do mundo e sobre a face do céu. E com estas palavras vedou o segredo: “Devem ficar na sombra da vossa sombra quando os olhos dos Deuses se erguem e a Terra ainda está escurecida pela noite. Então a sombra da sua sombra apontará o caminho. Mostrar-lhes-á a direção do coração do Céu ao coração da Terra”. Durante muito tempo parecia que os Deuses queriam poupar os Ugha Mongulala à sorte da nação sua irmã, e Akakor foi interdita aos Bárbaros Brancos. Se bem que na sua campanha avançassem na região dos afluentes do rio Vermelho, nunca passaram as florestas nas encostas orientais das montanhas. Os seus guerreiros morreram devido a doenças desconhecidas das Grandes Florestas, caíram feridos pelas setas envenenadas das

Tribos Aliadas. Só um simples grupo alcançou os arredores da capital do meu povo. No monte Akai, a três horas de distância a pé de Akakor, foi travada uma memorável batalha, que foi descrita na crônica para conhecimento da posteridade. Foi no monte Akai que os guerreiros encontraram os Bárbaros Brancos, com as suas terríveis armas e os guerreiros de ferros dos Servos Escolhidos. Durante muito tempo a batalha manteve-se indecisa. Os exércitos batiam-se valentemente. Então os Servos Escolhidos atreveram-se a atacar. Avançaram para o centro dos seus inimigos. Cegaram-nos com tochas. Dificultaram-lhes os movimentos das pernas estendendo cordas. Bateram-lhes com pedras na cabeça até o sangue lhes saltar pelo nariz e pela boca. E os Bárbaros Brancos fugiram em pânico, deixando atrás de si as suas armas, os seus animais e os seus escravos. Só queriam salvar a vida, e nem isso conseguiram inteiramente. Dificilmente alguns conseguiram fugir e muitos foram trazidos como cativos para Akakor. Os cativos foram os primeiros Bárbaros Brancos de Akakor. Os Ugha Mongulala olharam-nos com horror e com medo. Só os sacerdotes os consideravam com desprezo. Atiraram a porcaria da terra sobre os falsos crentes como penhor da sua humilhação. Então o Alto Conselho enviou os Bárbaros Brancos como escravos para as minas de ouro e prata. Até ao fim dos seus dias expiaram os seus crimes, tal como está escrito na crônica: Estas são as notícias. Assim falou o alto-sacerdote aos Bárbaros Brancos: “Quem vos fez nascer para poderdes governar sobre a vida e a morte? Quem sois vós que desprezais o legado dos Deuses? Donde viestes para trazerdes a guerra ao nosso país? Verdadeiramente o que fazeis é mau. Derramastes sangue. Fizestes a caça ao homem. Destruístes as tribos dos filhos do Sol e espalhastes o seu sangue sobre as montanhas”. Estas foram as palavras do grande-sacerdote. Foram terríveis. Mas o coração dos Bárbaros Brancos manteve-se duro e levou-lhes tempo a encarar a sua sorte. Enfrentavam o cativeiro eterno.

II – A GUERRA NO LESTE
1.534 – 1.691 Seguindo as descobertas dos navegadores espanhóis e portugueses, a civilização começou a expandir-se no Novo Mundo. O poder marítimo da Espanha e de Portugal (a que mais tarde se juntaram a Inglaterra e os Países Baixos) tornou-se rico com a exploração das suas colônias. Enquanto a Espanha saqueava o Peru e o México. Portugal iniciava a conquista da costa leste do Brasil. Em 1.541 – 1.542, Orellana, um companheiro de luta de Pizarro, iniciou a sua histórica viagem através do continente sul-americano. Foi o primeiro a navegar no Amazonas, a que deu este nome devido ao encontro que teve com mulheres guerreiras. Depois do seu regresso ao Novo Mundo, em 1.546, morreu de malária na

embocadura do Amazonas. Nesta época, os Ingleses e os Holandeses começaram a explorar os afluentes do Amazonas. Belém foi fundada em 1.616 pelo português Caldeira Castelo Branco, em nome de Portugal e Espanha, e a exploração da Amazônia pelos portugueses iniciou-se aqui. A figura principal foi Pedro Teixeira, que repetiu a proeza de Orellana em 1.637, mas em direção oposta. Determinou, em nome de Portugal, a futura fronteira oeste do Brasil, na confluência do rio Aguarico com o rio Napo. Pedro Teixeira, que se gabara de ter morto trinta mil selvagens com as suas próprias mãos, morreu em 1.641. De acordo com o que calcula o padre jesuíta Antonio Vieira, os conquistadores portugueses assassinaram dois milhões de índios no período de trinta anos. A CHEGADA AO LESTE DOS BÁRBAROS BRANCOS Onde está a Tribo da Glória Crescente? Que foi feito dos Incas, os filhos do Sol? Onde estão a Tribo das Grandes Vozes, a Tribo dos Comedores de Refugo e muitos dos povos primitivos poderosos das Tribos Degeneradas? Digamos que a cobiça e a violência dos Bárbaros Brancos fizeram-nos desaparecer, derreter, como acontece à neve sob o calor do sol. Muito poucos conseguiram fugir para o interior das florestas. Outros esconderam-se no topo das árvores, tal como a Tribo que Vive nas Árvores. Aí não têm quaisquer roupas de proteção nem nada para comer. Ninguém sabe onde estão, e talvez agora já estejam mortos. Outras tribos se renderam aos Bárbaros Brancos, que lhes dirigiram palavras amigas. Mas as boas palavras não são compensação para a miséria de todo um povo. As boas palavras não dão saúde e não evitam que o povo morra. As boas palavras não dão ás tribos um novo país onde possam viver em paz, caçar livremente e tratar dos seus campos. Tudo isto viu o meu povo com os próprios olhos. Os nossos batedores trouxeram essas notícias depois de se terem aventurado no território dos Bárbaros Brancos. O meu coração sofre quando penso em todas as falsas promessas que fizeram. Mas, na realidade, não podemos esperar que os rios corram da foz para a nascente, como também não esperamos que os Bárbaros Brancos cumpram a sua palavra. Porque são maus e traidores, como está escrito na crônica: “Seiva vermelha escorre das árvores, seiva que é como sangue”. Assim falaram os mensageiros das Tribos Aliadas quando vieram para junto dos Servos Escolhidos. “Porque os Bárbaros Brancos também tinham desembarcado no Leste com os seus navios, cujos mastros tocavam o céu. Vieram com as suas armas, cujo ribombar enviava a morte a distância e cujas setas não se conseguiam ver. Assim ocuparam a terra”. Isto foi o que os mensageiros contaram. Esperaram com muita impaciência e pediram a decisão do Alto Conselho. Imploraram a proteção dos Deuses:”Não nos abandoneis”, suplicavam eles. “Daí armas aos nossos homens, para que possam expulsar o inimigo do nosso país, de modo que a luz possa voltar ao império dos Servos Escolhidos”. Assim falaram os mensageiros, os guerreiros que sofriam, os desesperados homens das Tribos Aliadas. E esperavam pelo Sol que ilumina a abóbada do Céu e a face da Terra. Assim eles esperaram e trouxeram para Akakor a notícia da chegada ao Leste dos Bárbaros Brancos.

foi colocada entre o império recentemente estabelecido e o reino dos Ugha Mongulala. A DESTRUIÇÃO DAS ATRIBOS ALIADAS A Tribo das Caras Torcidas. Mas os Ugha Mongulala tinham aprendido com a extinção dos Incas. Contudo.No início do décimo terceiro milênio. a tribo. que tinha originariamente considerado os Bárbaros Brancos com suspeita. iniciou a rebelião das Tribos Aliadas nas províncias do Leste do Império. eles começaram a desembarcar no Leste também e ocuparam a região costeira. abandonou as suas velhas instalações. melhores que a dos Servos Escolhidos”. Perderam o legado dos Deuses. Os seus guerreiros atacavam os Bárbaros Brancos só em emboscadas. Subiram o Grande Rio até alcançarem os acampamentos das Tribos Aliadas. segredo mantido desde os Primitivos Mestres. ficaram muito surpreendidos. Muitos deles caíram vítimas da arma mais terrível. Nas florestas impenetráveis mantinham-se em círculo. Traíram o legado dos Deuses e começaram a adorar o sinal-da-cruz. Alcançaram na orla do .templo de Salazere. Assassinando e roubando. Muitas tribos aliadas renunciaram à sua vassalagem a Akakor. Com o decorrer dos séculos os seus descendentes juntaram-se às tribos selvagens. Quando ouviram as notícias acerca dos homens com barba. Já não havia perigo de que a nossa capital pudesse ser descoberta. na parte baixa do Grande Rio. A Tribo dos Vagabundos. A luta começou outra vez: uma nova guerra entre os Bárbaros Brancos e o Povo Escolhido. Depois da chegada dos Bárbaros Brancos. Os espanhóis estavam cansados das batalhas devastadoras. E partiram. As mais pesadas perdas deram-se durante os combates nas regiões do Sul do Império. o veneno. a guerra na fronteira oeste alcançou um temporário período de calma. Com estas novas táticas o meu povo conseguiu por muito tempo manter os Bárbaros Brancos afastados do centro do Império. devastou as fortalezas de Mano. que contava oitenta mil cabeças. Só alguns guerreiros Ugha Mongulala conseguiram fugir à carnificina. Os nossos inimigos só encontravam nas suas investidas acampamentos desertos. Ao mesmo tempo abandonavam todas as cidades e aldeias nesta região. na região baixa do rio Negro. Esta nação fora aliada dos Ugha Mongulala desde os tempos de Lhasa. seguiram ao longo da parte baixa do Grande Rio até à costa leste do oceano. Os seus guerreiros atacaram as cidades do complexo. que fora aliada de Akakor. Uma vasta terra-de-ninguém. Dentro de alguns meses a guerra generalizava-se por todo o Império. e penetraram profundamente no interior do Império. Porque não ir lá? Porque não ir ver os estrangeiros? E exclamaram: “Com certeza trazem muitas prendas. Samoa e Kin. a Tribo da Glória Crescente revoltou-se. Sofriam de fome e de sede. mal os Bárbaros Brancos haviam parado com o seu avanço no oeste do país. só guardada pelos nossos batedores. tal como está escrito na crônica: Esta é a história da deserção da Tribo dos Vagabundos. Só conservam a pele branca dos Servos Escolhidos como testemunho da sua origem. Fugiram para as regiões de florestas inacessíveis. Aí então aconteceu um fato inesperado. Renunciaram à conquista das encostas orientais dos Andes e desistiram de atacar Akakor. Evitavam encontrar o inimigo em campo aberto. traiu o legado dos Deuses e declarou guerra a Akakor. Na região afluente do Grande Rio. A Tribo dos Matadores de Antas.

O seu rosto. A traição das Tribos Aliadas pôs em perigo a vida dos Ugha Mongulala. Deram-lhes bonitas roupas e pérolas brilhantes. nem nunca. Tinham corações falsos. os povos selvagens e os Ugha Mongulala. Guerreiros escolhidos pintados com as cores das tribos rebeldes atacaram os postos avançados dos Bárbaros Brancos. Agora perdera o seu valor e só os restos ficavam. Quase todo o povo foi massacrado. As suas sombras vagueavam pela terra sem descanso. A Tribo da Glória Crescente só teve a possibilidade de se submeter a Akakor. A sua essência não se perdeu. Foi terrível a sorte dos rebeldes. Assim chegou ao fim a sua aliança dom os Servos Escolhidos. A Tribo dos Matadores de Antas fugiu para as montanhas ao norte do Grande Rio. É mais forte que a traição das Tribos Aliadas. o seu corpo e a sua própria alma ficaram vermelhos de sangue. eram espertos. Foram mortos. Mas o legado dos Deuses é maior. não se pode desperdiçar.oceano os navios dos Bárbaros Brancos. Sofreram toda espécie de dores. A imagem dos Primitivos Mestres não se pode extinguir – nem por milhares de anos. O castigo da sua falsidade foi a morte. Os estrangeiros Barbados receberam-nos com simpatia. A Tribo dos Vagabundos sofreu pesadas perdas. E os Vagabundos ansiaram tanto por estas dádivas que esqueceram o legado dos Deuses. . Lhasa estabelecera-o: era sagrado. Ofereceram-nos como penhor de amizade. Os Bárbaros Brancos vingaram-se cruelmente do que julgavam ser o ataque dos seus aliados. Submeteram-se aos Bárbaros Brancos. Mataram os inimigos e deixaram atrás de si sinais dessas tribos. Dentro em pouco uma grande e confusa guerra eclodia entre os Bárbaros Brancos e as tribos que haviam desertado de Akakor. Akakor serviu-se de ardis. Nem uma só vida foi poupada. ao mesmo tempo pretos e brancos. E pagaram com a morte a sua traição. Com o fim de perturbar as forças superiores do inimigo.

O declínio final do meu povo começou com a deserção das Tribos Aliadas. Como uma horda de formigas. Construíram cidades e acampamentos e estabeleceram o seu próprio império na parte baixa do Grande Rio. os Bárbaros Brancos avançavam cada vez mais.Se centenas deles eram mortos. Seguiu-se uma época de obscurantismo. . Surgiu uma nova ordem. que excluía os Servos Escolhidos e era contra o legado dos Deuses. na qual só o terrível som das asas dos abutres e o piar dos mochos se podiam ouvir. Mas antes de o obscurantismo alastrar até os limites de Akakor desceram os Akahim na nação irmã dos Ugha Mongulala. surgiam milhares.

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A LUTA DE AKAHIM .

E então a força de Akahim cedeu. aconteceu uma coisa jamais ouvida: as mulheres resistiram a esta decisão. Esmagou os seus ossos como faz a mó ao trigo para transformar em farinha. O desembarque dos Bárbaros Brancos na foz do Grande Rio deu uma forma decisiva à sorte de Akahim. “Não somos bastante numerosos para expulsar os estrangeiros de barbas? Não somos bastante fortes para os derrotar?” E as mulheres de Akahim ergueram-se. Só a chegada dos Bárbaros Brancos. o Alto Conselho decidiu pela retirada. A guerra dos Akahim contra os Bárbaros Brancos é um dos mais orgulhosos capítulos da história da humanidade. Durante todo este tempo mataram milhares de guerreiros Barbados e também foram mortos aos milhares. Queriam mostrar a sua força aos Bárbaros Brancos. Mas era uma boa morte que a valorosa Akahim encontrara – a melhor. A fim de evitar uma guerra sangrenta. obrigaram os homens a pegar nos arcos e nas setas e a enfrentar os Bárbaros Brancos. Atiraram setas de fogo contra as suas velas e incendiaram-nos. os Ugha Mongulala e o povo de Akahim haviam trocado presentes. As mulheres guerreiras atacaram com grandes canoas os navios inimigos que estavam ancorados. Regularmente havia embaixadas que visitavam os respectivos países. A terra estava vermelha. quando o império dos Incas fora vencido: a escolha era a guerra contra os Bárbaros Brancos ou recuar para as montanhas de Parima.Lhasa. Iam esmigalhar-lhes os ossos e transformar em pó a sua carne. Batedores dos dois impérios encontravam-se raramente. Aliados aos sobreviventes da Tribo dos Vagabundos. a cidade irmã nas montanhas de Parima. As mulheres tinham provado a sua coragem e trazido o seu povo quase para a perdição. no décimo segundo milênio. Quebrou a força dos inimigos. Os Akahim receavam as terríveis armas de ferro e pensaram que os Ugha Mongulala os queriam submeter. vermelha de verdadeiro sangue. Deste modo. Os Akahim enfrentavam o mesmo dilema que os Ugha Mongulala oitenta anos antes. tanto as menores como as maiores. “Vamos para a guerra”! Assim falaram as mulheres. quando cento e trinta dos mais velhos deram ordem de paz. E a água levou-os por entre montanhas. . Tal como os Ugha Mongulala. trouxe certa tensão a estes laços fraternais. Atirou com os seus ossos para a corrente do rio.Desde a época do Exaltado Filho dos Deuses. Os seus guerreiros combatiam juntos as tribos inimigas. Derrubaram o Alto Conselho e tomaram elas próprias o Poder. Quebraram as suas tigelas e quebraram as suas panelas. Apagaram o fogo das lareiras e foram para a guerra. fazer sacrifícios e reafirmar amizade e paz. Para parar o avanço dos inimigos. para trocar ofertas. Equiparam os seus navios e partiram em busca da misteriosa cidade. Durante milhares de anos. Os lamentos da nação irmã eram tão grandes que choros. Praticamente Akahim quebrou todas as relações. destruíram o seu próprio país. Porém. tristezas e lamentos também se ouviam em Akakor. os Akahim resistiram ao ataque dos Bárbaros Brancos durante sete anos. obstruíram os rios com pedras gigantescas. Sob a chefia da corajosa Mena. Akakor e Akahim. travaram grandes batalhas contra o inimigo. tinham sido aliadas. As Tribos Aliadas traíram o seu império a favor dos guerreiros estrangeiros.

Tona envelheceu. Era infeliz. e em 1. Muitos destes infelizes têm fugido para Akakor. É soberana absoluta do seu povo. Aqui têm casado com mulheres Ugha Mongulala e fundado uma nova família. E Tona voltou para casa. E ela foi procurar o sacerdote e pedir-lhe conselho. Não têm quaisquer direitos e vivem como escravos. Escolhe os membros do Alto Conselho. São expulsos da união tribal à menor falta e são obrigados a abandonar as moradias subterrâneas. Todos os altos cargos são reservados às mulheres. Como no meu país. Não escrevera nem uma só nota das faltas do marido.783 a Inglaterra . Só durante a gravidez homens e mulheres entram numa união livre. Apesar das pesadas perdas. Mas o grande-sacerdote ordenou que Tona fosse paciente. III – OS IMPÉRIOS DOS BÁRBAROS BRANCOS 1. E assim passaram os dias. Mesmo o mais alto sacerdote é uma mulher.691 – 1. A vida dos Akahim diverge completamente da do meu povo. E os anos passaram. pela luta do predomínio colonial. Presentemente só dez mil pessoas restam da primitivamente tão poderosa tribo que vivia nos inacessíveis vales das montanhas de Parima. Era feliz e um exemplo para os filhos e para os filhos dos seus filhos.776 foi uma data decisiva na história do continente norte-americano. Porque as mulheres do meu povo estão contentes com a parte que Deus lhes distribui: serem leais servas dos homens. além-mar. ela preserva o legado dos Deuses. Tinha de ficar com o marido até ter escrito as suas dez maiores faltas: só então poderia abandonar. o homem é mais uma vez rejeitado pela mulher. Tona não estava contente com o marido. Separaram-se das Tribos Aliadas e estabeleceram uma nova ordem na vida da comunidade. Queria separar-se do marido. Queria tomar nota do que não gostava nele. O seu coração estava angustiado.920 A história da Europa até a Revolução Francesa foi caracterizada pela rivalidade entre a França e a Casa de Habsburgo e. Uma lua seguiu-se a outra. Depois do nascimento da criança. Desde os doze anos as raparigas têm o privilégio da educação nas escolas das sacerdotisas e são treinadas na arte da guerra e na administração do seu domínio. Quando descobriu a segunda falta pareceu-lhe demasiado insignificante. Desta idade em diante os rapazes são obrigados a trabalhar. conseguiram ordenar de novo a vida da comunidade no decorrer dos séculos e evitar o avanço dos Bárbaros Brancos no território tribal. Necessitava de ajuda. na verdade.As mulheres de Akahim eram chamadas “Amazonas” na linguagem dos Bárbaros Brancos e mantêm-se valentes guerreiras. Mas quando encontrou o seu primeiro erro achou que este. os chefes guerreiros e os oficiais. Akahim não conhece o casamento. Desde a rebelião das mulheres. não merecia ser registrado. Passam a maior parte da sua vida nas moradias subterrâneas dos Deuses. São governados por uma princesa que é descendente da belicosa Mena. Só vêm à superfície para tratar dos seus campos e caçar. Queria registrar as dez maiores faltas do marido. 1. Os homens servem como simples soldados ou trabalham nos campos.

Em 1. a paz e a unidade reinava entre as Tribos Escolhidas. os conquistadores brancos continuaram a sua progressão. Planejaram um ataque à noite. o maior movimento revolucionário social na história do Brasil. Dois terços da população amazônica foram destruídos. o Brasil declarou-se independente de Portugal. comandante do Patriota de Simon Bolívar. a Bolívia e o Chile. nós também desejamos ficar e morrer aqui. nem na guerra nem na paz. e nunca nos aventuramos a ir ao país dos Bárbaros Brancos. O mesmo ano viu o início da Cabanagem. Aqui nascemos e aqui crescemos. Se os Bárbaros Brancos tentarem rouba-lo lutaremos. No início do décimo terceiro milênio (século décimo oitavo). Durante milhares de anos vivemos no Grande Rio e nas montanhas dos Andes. Nunca fomos mais além. A exploração econômica da Amazônia foi suspensa temporariamente. Tiraram-lhes os enfeites de prata dos braços e atiraram-nos para o Grande Rio.822. Os colonos brancos avançaram até à nascente do Grande Rio e roubaram a nossa terra. É o melhor e o último pedaço de terra que temos. Perseguiram-nos. cometeram atos hediondos e ensinaramnos muitas coisas horríveis. Então os Bárbaros Brancos partiram. derrotou decisivamente os mercenários espanhóis. Os seus guerreiros eram numerosos quando subiram o Grande Rio. o mais velho do mundo. Mas os Servos Escolhidos sabiam da sua vinda. Mas somos um povo antigo. Haviam observado o inimigo enquanto se estavam preparando para a batalha. A DESINTEGRAÇÃO DO IMPÉRIO Os Ugha Mongulala tornaram-se uma pequena nação. Em quarenta anos. cedeu ao Brasil a província fronteiriça do Acre. O sono venceu-os no caminho e os guerreiros das Tribos Escolhidas vieram cortarlhes as barbas e as sobrancelhas. quando os Servos Escolhidos estivessem adorando os seus deuses. Mas agora há guerra constante. estando entre elas o Peru. tomando posse dele.915 a competição das plantações britânicas na Malásia fez com que os preços da borracha caíssem para metade do seu valor prévio. Mas os Bárbaros Brancos entraram no nosso país. tal como fizeram os nossos antepassados e está escrito na crônica: Os Bárbaros Brancos reuniram-se.870. A valorização da borracha começou cerca de 1. Mas não atingiram a sua finalidade.903. quando Antonio José de Sucre. que . cento e cinqüenta colonos do Norte colheram oitocentos milhões de quilos de borracha. Deste modo mostraram a sua força. Fizeram isto como retribuição e para os humilhar. o Equador. Tomaram as suas armas e os animais em que podiam montar.824 com a batalha de Ayacucho. Os meus antepassados aqui viveram e morreram. Numerosas repúblicas independentes se desenvolveram então. O país é nosso. contra o pagamento de dois milhões de libras esterlinas. Não tinham dormido. A história das colônias espanholas na América do Sul acabou em 1. Depois dos soldados vieram os mineiros. Depois de sangrentas lutas de fronteira. O extermínio dos índios norte-americanos começou ao mesmo tempo. Os mestiços e os índios chefiados por Angelim foram derrotados pelas forças do Governo central. Antes de atravessarem o oceano. Em 1. a Bolívia em 1. numa guerra que durou três anos.reorganizou a independência dos Estados Unidos da América.

e também fortes e poderosos. Saudaram os seus guerreiros com penhores de amizade. onde pudessem viver em paz e tranqüilidade. Os Vagabundos sobreviventes viviam em Akahim. caçadores ainda seguiam o rastro do javali e guardavam-no para a estação das chuvas. Porque os Servos Escolhidos nunca tinham estado tão cegos pelo poder ou pela riqueza como os Bárbaros Brancos. quiseram tirar vingança dos seus crimes. Mas todas as vidas e ações do Povo Escolhido foram sombreadas por uma profunda tristeza. Da melhor vontade se aliaram à mais poderosa nação do mundo. da Tribo dos Corações Negros. que. Queriam enfrentar os Bárbaros Brancos e combater. Cento e cinqüenta anos após a chegada dos primeiros navios à costa leste. E os Servos Escolhidos uniram-se. Os únicos sobreviventes das primitivamente poderosas Tribos Aliadas eram os componentes da Tribo dos Matadores das Antas. Impotentes. Os seus rostos eram pálidos. que lhes tinham prometido riqueza e poder. agora serviam os Bárbaros Brancos. As mulheres ainda usavam as roupas dos seus maridos. Queriam acabar com eles nos quatro cantos do Império. Sem receio das poderosas armas. Assim começou a vitória dos Bárbaros Brancos. Só desejavam a sua terra. experimentaram o declínio do seu outrora tão poderoso império. Tal como a formiga dilacera a carne dos ossos do jaguar ferido. A Tribo dos Demônios do Terror tinha fugido para a profunda vastidão das lianas. também deviam governar os Bárbaros Brancos? O povo não viu saída. A fronteira fortificada de oeste estava em ruínas. Muito embora tivessem antes suportado os Ugha Mongulala. destruindo o que quer que fosse que lhes opusesse ou que lhes desagradasse. as regiões do rio Vermelho. Nem sequer os sacerdotes tiveram resposta. Pegaram em armas. Cometiam crimes mesmo à luz do dia. e a sua maneira de pensar muito . Caçadores com armas e com armadilhas juntavam peles de jaguares e de antas. Os padres dos Bárbaros Brancos erguiam templos sob o sinal-da-cruz. de acordo com o legado dos Deuses. assim destruíram o império das Tribos Escolhidas. vieram ao seu encontro trazendo-lhe presentes. Num desespero sem forças. A GUERRA NO GRANDE RIO As tribos selvagens da parte baixa do Grande Rio são indolentes e tranqüilas como a água antes de chegar ao mar. a parte norte da Bolívia e as encostas orientais dos Andes. os guerreiros mantinham-se vigilantes nas poderosas muralhas de Akakor sob a proteção das altas montanhas e dos profundos vales. Só depois da chegada dos Bárbaros Brancos começaram as tribos selvagens a alterar a sua maneira de viver. brancos e fatigados como as flores que se abrem nas profundidades da vastidão da liana. Este foi o inglório fim do império. o império dos Ugha Mongulala era só constituído pelos territórios da parte superior do Grande Rio. Este foi o começo do declínio. Eram como os maus espíritos. Mas os Bárbaros Brancos não sabem nada quanto ao valor das promessas. Os Bárbaros Brancos avançaram inexoravelmente. que haviam prometido voltar quando irmãos do mesmo sangue e do mesmo pai estivessem em perigo? Que foi feito da justiça das eternas leis. da Tribo dos Maus Espíritos e da Tribo dos Comedores de Refugo. O seu coração é frio. As comunicações com Akahim tinham desaparecido. os Ugha Mongulala esperavam o ataque dos inimigos. Onde estavam os Deuses.procuravam nos rios as pedras que brilham. Quando Lhasa expandiu o Império até à embocadura do rio.

onde até os grandes navios dos Bárbaros Brancos estão perdidos. Então a terra no Grande Rio parecia como se tivesse sido toda limpa. Os sobreviventes arrastavam-se pelo país como se fossem sombras e pediam justiça aos Deuses. As tribos selvagens da parte baixa do Grande Rio também começaram a experimentar isto. que dentro em pouco degenerou numa luta civil entre os Bárbaros Brancos. Os guerreiros não regressaram. Parecia uma vasta extensão de oceano. São quebradores de ossos. tal como está escrito na crônica: Que espécie de povo é este que nem sequer respeita os seus próprios deuses. e chorar os mortos. Matavam o povo comum com armas que cuspiam fogo. Três vezes o Sol passou de leste para oeste antes que a guerra acabasse. Os fundeiros e os lanceiros. A coberto da escuridão. um povo miserável. que mata porque se regozija com o sangue de estrangeiros? São miseráveis. os Ugha Mongulala tiveram muita necessidade de espaço para respirar. Não lutam uns contra os outros pela honra de um homem ou para provar a sua força. sugaram-nos até ficarem secos e espalharam os seus ossos pelos campos. Os seus raios predizem a morte. Juntaram em frente de espelho dourado para dar graças pela luz. Durante as décadas seguintes. Caíram na batalha do Grande Rio. A sua luz cobre a Terra de tristeza. Os batedores trouxeram notícias ao Alto Conselho de Akakor no que dizia respeito a esta revolta. A guerra sem perdão dos Bárbaros Brancos durou três anos. O brilho do Sol é negro. Maldição sobre nós. Acenderam resina. Sacrificou incenso e mel das abelhas e venerou a memória dos mortos. As Tribos Escolhidas reuniram-se. O meu povo tomou outra vez coragem. os Servos Escolhidos cantaram a canção do Sol negro. . É o que eles são: quebradores de ossos. Podiam retirar-se e tornar a arranjar a defesa das restantes regiões. Os chefes foram pendurados pelos calcanhares nas árvores e os seus corações foram cortados. Os relatos dos combates eram horríveis. As atrocidades que os Bárbaros Brancos cometeram eram tão horríveis que até este povo tranqüilo pegou em armas. atacavam cidades e aldeias. esmigalhadores de crânios. Os arqueiros e os batedores. E pela primeira vez na História.estranha e complicada. Uniram-se e declararam guerra aos seus opressores. Os Bárbaros Brancos perseguiram os rebeldes sem a mínima piedade. Bateram nos seus próprios irmãos até ficarem em sangue. As tribos selvagens foram exterminadas. Dentro em pouco a Grande Floresta ressoava com os gritos dos moribundos. queimaram ervas mágicas e incenso. Apenas um terço da população havia sobrevivido. O brilho do sol é negro. Mas a força dos Bárbaros Brancos também estava exausta. Maldição sobre nós. fazem guerra só por causa das coisas. com dó e tristeza: Maldição sobre nós.

A escuridão cobre a Terra. Os seus chefes tinham armas fortes e superiores. O segundo avanço dos Bárbaros Brancos surpreendeu os Ugha Mongulala. que viviam no planalto do Mato Grosso e na fronteira da Bolívia. Também a usaram para as cores da pintura de guerra e para a construção de casas. há quinze mil anos. que eram construídas sobre postes. De modo que o Alto Conselho resolveu estabelecer uma nova fronteira do Império na Grande Catarata. tal como os Bárbaros Brancos chamam à seiva das árvores. Vinham em enorme número. Os que ficaram eram mortos pelos seringueiros ou ficavam presos como animais em grandes acampamentos. Este renovado avanço dos Bárbaros Brancos tornou-se mesmo mais perigoso para Akakor do que as suas campanhas cem anos antes. os Bárbaros Brancos recuperaram-se das suas perdas. Estes eram os mais antigos territórios tribais do meu provo. Os Bárbaros Brancos. os chefes desenvolveram novas táticas. Os Bárbaros Branco . os nossos guerreiros entraram nos acampamentos. Evitam tudo que possa prejudicar a vida da flores. Dominaram os guardas e levaram as choupanas. o primitivamente fértil país transformou-se num desolado deserto. As tribos selvagens tinham de fugir. Mesmo a maior força dos Ugha Mongulala não teria sido capaz de deter os Bárbaros Brancos. Porque os Bárbaros Brancos não conhecem a luz de Deus. Mal se tinham passado cinqüenta anos depois das batalhas travadas na parte baixa do Grande Rio. O AVANÇO DOS SERINGUEIROS A paz nas fronteiras orientais do Império prevaleceu um curto período. tendo a vantagem da dificuldade do terreno. Agora mantinham-se nas florestas. Daqui defenderam Akakor. avançaram numa grande frente para zona superior do Grande Rio. Mas o meu povo respeita as leis da natureza. O meu povo conheceu o segredo da árvore da borracha há mil anos. Os nossos sacerdotes usavam a sua seiva para fazer remédios e venenos. quando os Bárbaros Brancos ainda estavam a dormir. De Manaus como chamam à sua maior cidade. no sopé dos Andes. devastaram a natureza. Aqui tinham vivido os nossos antepassados desde a chegada dos Deuses. Junta só pequenas quantidades de borracha. Prepararam-se para um novo ataque na Grande Floresta. e resolveram morrer em nome do legado dos Primitivos Mestres. Às primeiras horas da manhã. os Ugha Mongulala aceitaram a batalha. Enviaram para a floresta de cipós centenas de milhares de homens. E de novo eram movidos pela sua insaciável ambição. o rio Vermelho e o rio Negro. Os Bárbaros Brancos haviam descoberto o segredo da borracha. até o rio. Os guerreiros foram obrigados a recuar perante o avanço dos seringueiros e dos colonos. Instalavam-se e cultivavam o solo. Aqui. No decorrer das batalhas. levados pela promessa de uma riqueza rápida estimulada pelas armas dos chefes. Dentro de pouco tempo. a face da Terra escureceu. Nesta época contentavam-se com um rápido saque. Generalizou-se um grande desânimo. impiedosamente.

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