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SAMIZDAT6

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Por que Samizdat?, Henry Alfred Bugalho - ENTREVISTA com Fernando Bonassi - MICROCONTOS - Polítipo, Aluísio Azevedo - O Medo do Livro, Henry Alfred Bugalho - Lucas, o Menino Binário, Carlos Alberto Barros - O Convite, Volmar Camargo Junior - Capítulos 1,
Henry Alfred Bugalho - O Autor dos Passos, José Espírito Santo - O País, José Espírito Santo - Caiu a Sombra, Pedro Faria - O Templo dos Sorrisos, Alian Moroz - O Bicho-Papão, Giselle Sato - Diário dum Louco, Lu Xun - Hu Shi, o intelectual da reforma literária chinesa - A Única Paz Possível é a Jacimeire, Leo Borges - Por que escrevo?, Henry Alfred Bugalho - Três Versos, Volmar Camargo Junior - Brasileiros no Exterior: Patuscada no Carnegie Hall, Henry Alfred Bugalho - Teatro de Máscaras,
Carlos Alberto Barros - Utopia, Frederico Galhardo - Laboratório Póetico III, Volmar Camargo Junior - Poesia Concreta, Volmar Camargo Junior - Poetrix, José Espírito Santo - Dois Momentos, Marcia Szajnbok
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08/03/2013

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original

A garota sorriu ao guar-
dar o celular em seu bolso.

Não havia achado algo
particularmente engraçado.
Não, seu sorriso era aque-
le de pessoas que não tem
qualquer motivo para sorrir.
Era um sorriso de tristeza, e
de desprezo.

Principalmente, era um
sorriso de ódio.

*

O detetive encontrou o
sargento próximo a porta do
apartamento.

- E aí, o que nós temos?

- É melhor o senhor ver
por si mesmo.

O detetive entrou. Peritos
forenses tiravam fotos, ensa-
cavam copos usados, espa-
lhavam pós para a coleta de
impressões digitais.

No quarto, o detetive viu
o corpo. Ainda estava na po-
sição ereta, sentado à frente
do computador. O cutelo
ainda estava preso na cabeça,
praticamente aberta em dois
pedaços. Os olhos ainda esta-
vam abertos, e o detetive teve

http://www.fickr.com

/photos/ablem

an/1884813924/sizes/o/

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um calafrio ao olhar para
eles. O detetive não soube
porque sentira aquilo. Tinha
sido perturbado, e em quinze
anos de serviço, nunca tivera
sido perturbado dessa ma-
neira.

Voltou até a porta, e rece-
beu a identidade da vítima.

- Já temos algum suspeito?
-, perguntou, e de repente viu
de novo os olhos que acaba-
ra de ver, só que dessa vez
diretamente à sua frente, na
direção da escada.

O sargento tinha dito
alguma coisa.

- O que? -, perguntou o
detetive subitamente, inter-
rompendo algo que o sargen-
to dizia.

- Eu disse que sim, que na
verdade já temos uma boa
idéia de quem fez isso.

Ainda um pouco perplexo,
o detetive perguntou quem
tinha sido.

E o sargento lhe mostrou
um saco plástico.

Dentro, havia um celular.

*

Mário pagou o estacio-
namento, esqueceu de pegar
o troco e andou de cabeça
baixa até o carro.

Pensava em seu encontro
com Penélope, em como ela
parecia.

Ela estava muito feliz.

Mário estranhou isso, já
que esperava encontra-la
deprimida. Não queria isso,
mas tinha aceitado isso como
fato. Porém, o que encontrou,
foi uma Penélope sorriden-
te e alegre. Ela lhe abraçou
como se ele não fosse um
mensageiro de notícias ruins.

Ele perguntou como ela
estava. Ela estava bem.

Ele, cautelosamente, per-
guntou se ela tinha lido a
mensagem que ele lhe envia-
ra.

Ela disse que sim, que não
tinha problema, que a cul-
pa dela ter sido trocada por
outra não era dele. Ele era
apenas o amigo preocupado.

Foram ao cinema, come-
ram, não conversaram muito.

E, enquanto se dirigia à
seu carro, Mário sentiu-se
perturbado. Sabia que Pe-
nélope não era do tipo de
garota que aceitava notícias
ruins tão calmamente. Algo
estava errado.

Durante a volta para casa,
Mário decidiu ligar para
Penélope, perguntar como
ela realmente estava. Decidiu
arrancar a verdade dela, não
importasse o custo.

Tateou dentro de sua mo-
chila. Parou no sinal verme-
lho e continuou procurando.

O sinal fcou verde, o carro

continuou parado, Mário
procurando.

E nada.

Seu celular havia sumido.

*

- Aquela piranha! -, gritou

Carlos, pela terceira vez.

Havia recebido a infor-
mação de que tinham visto
sua garota com outro, e
não conseguia tirar isso da
cabeça. Se fosse um pouqui-
nho mais inteligente, Carlos
talvez enxergasse a ironia da
situação. Porém, ele não era,
e portanto não enxergou.

Irado, Carlos leu nova-
mente a mensagem em seu
celular. Não se agüentando

de raiva, decidiu fazer algu-
ma coisa. Nunca se sentira
tão mal, e alguém pagaria
por isso.

Apertando os botões com
mais força do que o necessá-
rio, enviou uma mensagem,
e saiu.

*

A sombra caiu sobre aque-

la casa.

Sentada no chão, a sombra
viu suas mãos vermelhas.
Vermelho era a única coisa
que conseguia enxergar. O
resto era preto e branco.

Na cadeira, em frente ao
computador, estava o resto de
ser humano. O sangue ainda
brotava do ferimento, como
uma fonte macabra.

A sombra se levantou, e
saiu do apartamento. E, ao
estar em segurança, voltou
de onde veio, deixando para
trás um corpo cansado e
sonolento.

*

- Abra! É a polícia!

Esfregando os olhos, ele
acordou, com dor de cabeça.

Dirigiu-se até a porta, a
tempo de vê-la ser derruba-
da, e um grupo de homens
de azul invadir sua casa.

Um dos homens (o único
não usando azul) jogou-o de

cara na parede, e o algemou.

- Carlos Rodrigues, você
está preso pela morte de
Joana Bagnoux.

Se estava de ressaca antes,
após ouvir isso, não estava
mais.

- O que? Você tá maluco,

cara?

Sua resposta foi ter sido
esmagado com mais força

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36

SAMIZDAT julho de 2008

contra a parede pelo detetive.

- Eu vi o que tu fez com
ela, seu doente -, murmurou
o detetive – e você foi burro

o sufciente pra deixar sua

mensagem no celular dela.
Você sabe, aquela que você
dizia que ela pagaria por ter
te traído.

- Mas eu não fz nada! Eu

saí ontem, para beber...

- E a matou. Continue ga-
roto, tu só tá se dando mais
corda para se enforcar.

Chorando e batendo os
pés, Carlos foi levado pela
polícia, de cuecas e sem ca-
misa, até a viatura.

*

Penélope viu Carlos ser le-
vado, de sua janela do outro
lado da rua.

Estava satisfeita. Tudo
dera certo. A sombra veio e
se foi, porém a memória do

que fzera com a vadia loira

continuou em sua mente.

Fez uma anotação mental,
de devolver o celular de Má-
rio, aquele que ela usara para
enganar Carlos.

Olhando a viatura se afas-
tar, Penélope lembrou-se da

sensação de enfar o cutelo

na cabeça de Joana, lembrou
dela emitindo um último
ruído abafado antes da vida
jorrar para fora dela. Havia
gostado disso, gostado muito.

Talvez fzesse de novo.

Provavelmente faria de

novo.

Penélope sorriu com esse
pensamento.

Dessa vez, um sorriso
verdadeiro.

Estava feliz.

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