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Apontamentos de Estruturas Metalicas - Parte I

Apontamentos de Estruturas Metalicas - Parte I

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SECÇÃO DE MECÂNICA ESTRUTURAL E ESTRUTURAS

DISCIPLINA DE ESTRUTURAS METÁLICAS E MISTAS




APONTAMENTOS DE ESTRUTURAS METÁLICAS





DINAR CAMOTIM
CILMAR BASAGLIA
NUNO SILVESTRE




LISBOA, SETEMBRO DE 2010





1






Estruturas Metálicas (de Aço)

1
ESTRUTURAS METÁLICAS (DE AÇO)

1. INTRODUÇÃO

• Em Portugal, as estruturas metálicas são quase exclusivamente utilizadas na construção
de edifícios com fins de natureza industrial e/ou comercial (instalações fabris, armazéns,
centros comerciais, pavilhões gimnodesportivos, etc.). Utilizam-se ainda frequentemente
em pontes de pequeno porte e em passadiços para peões.


Figura 1.1 – Estruturas de edifícios industrial e comercial

• Recentemente, tem-se observado a utilização de estruturas metálicas em várias obras
“de prestígio” (e.g., na Expo 98), com grande impacto estético/visual, e ainda na reparação
de estruturas deterioradas (constituídas por diversos materiais: betão, madeira, etc.).


Figura 1.2 – Edifícios (i) “Turning Torso” (Suécia) e (ii) “Burj Al Arab” (Dubai)

• É (ainda) rara a utilização de estruturas metálicas em edifícios destinados a habitação
ou a escritórios, apesar de esta tendência esteja a mudar lentamente. Existem várias razões
para este facto, nomeadamente razões de natureza económica/comercial (não científica).

Estruturas Metálicas (de Aço)

2


Figura 1.3 – Estruturas de edifícios destinados a habitação

• Tem-se ainda assistido recentemente a um incremento significativo da construção mista –
elementos estruturais em que o aço e o betão (armado) trabalham conjuntamente.


Figura 1.4 – Estruturas mistas aço-betão

• O objectivo da primeira parte da disciplina de Estruturas Metálicas e Mistas (EMM)
consiste em fornecer os conhecimentos necessários para o dimensionamento e verificação
de segurança de estruturas constituídas por um conjunto de pórticos planos, nomeadamente
edifícios industriais correntes.


Figura 1.5 – Pórticos planos com divesas configurações

Estruturas Metálicas (de Aço)

3

Figura 1.6 – Estrutura tridimensional constituída por um conjunto de pórticos planos

• Procurar-se-á proporcionar uma familiarização com a filosofia, os fundamentos e a
aplicação das disposições do novo Eurocódigo 3, o qual está já em vigor no nosso país com
o estatuto de Norma Europeia (EN). Após um “período experimental”, que se estenderá até
2012-2013, a utilização deste regulamento passará a ser obrigatória em todos os países da
Comunidade Europeia.

• Algumas disposições do Eurocódigo 3 (versões ENV ou EN) foram já introduzidas na
disciplina de Estruturas Metálicas e/ou de Dimensionamento de Estruturas.

• O Eurocódigo 3 (EC3) – Dimensionamento de Estruturas de Aço – é um de um conjunto
de dez regulamentos estruturais europeus. É constituído pelos seguintes 17 documentos,
os quais se encontram agrupados em 6 “Partes”:

(i) Parte 1.1: Regras Gerais e Regras para Edifícios
(ii) Parte 1.2: Segurança ao Fogo
(iii) Parte 1.3: Elementos e Chapas Enformados a Frio
(iv) Parte 1.4: Aços Inoxidáveis
(v) Parte 1.5: Estruturas Laminares Planas (carregadas no seu próprio plano)
(vi) Parte 1.6: Cascas
(vii) Parte 1.7: Estruturas Laminares Planas Carregadas Transversalmente
(viii) Parte 1.8: Ligações
(ix) Parte 1.9: Fadiga
(x) Parte 1.10: Tenacidade

Estruturas Metálicas (de Aço)

4
(xi) Parte 1.11: Estruturas com Elementos Traccionados
(xii) Parte 1.12: Aços de Alta Resistência.
(xiii) Parte 2: Pontes
(xiv) Parte 3: Torres, Mastros e Chaminés
(xv) Parte 4: Reservatórios, Silos e Condutas
(xvi) Parte 5: Estacas
(xvii) Parte 6: Estruturas de Aparelhos de Elevação

• Nesta disciplina apenas se vão abordar disposições contidas nas Partes 1.1 (regras gerais e
regras para edifícios), 1.5 (estruturas laminares planas) e, eventualmente, 1.8 (ligações).
Note-se que algumas das Partes referidas atrás não se encontram ainda traduzida em
português – encontram-se em vários “estágios de evolução” (muito provavelmente,
algumas delas não chegarão msmo a ser traduzidas).

• Apresentar-se-ão ainda vários anexos da Parte 1.1 da versão anterior do EC3 (ENV
– estatuto de Pré-Norma Europeia), os quais deixaram de figurar na nova versão (EN).

• Para além destes apontamentos, fundamentais para o acompanhamento da primeira parte
desta disciplina (Estruturas Metálicas), referem-se ainda os livros (i) “Estabilidade
Estrutural”, de António Reis e Dinar Camotim, (ii) “Manual de Dimensionamento de
Estruturas Metálicas”, de Rui Simões, e (iii) “Manual de Dimensionamento de Estruturas
Metálicas: Métodos Avançados”, de Luís Simões da Silva e Helena Gervásio. Enquanto o
primeiro contém princípios fundamentais de estabilidade estrutural e métodos de análise
não-linear de estruturas (esbeltas), o segundo e terceiro abordam e ilustram a aplicação
das disposições das Partes 1.1 e 1.5 do EC3.

• A restante bibliografia fornecida na disciplina tem um carácter mais abrangente e destina-
se a proporcionar conhecimentos fundamentais e/ou especializados sobre tópicos
relacionados com a análise e o dimensionamento de estruturas metálicas (de aço).

Estruturas Metálicas (de Aço)

5
2. SISTEMATIZAÇÃO DAS DISPOSIÇÕES DO EC3 RELATIVAS A PÓRTICOS PLANOS

• A utilização do EC3 para dimensionar e verificar a segurança de pórticos planos envolve
o cumprimento sequencial de um certo número de etapas que não se encontram explicita
e/ou adequadamente identificados no texto do EC3.

• Identificam-se e descrevem-se sucintamente as várias etapas, definidas de modo a
minimizar o (inevitável) grau de interdependência entre elas. Em seguida, trata-se cada
uma delas separadamente, introduzindo os conceitos fundamentais e ilustrando a aplicação
das respectivas disposições regulamentares.

• Pode dizer-se que, para cada combinação de acções relevante, o Dimensionamento e
a Verificação da Segurança (DVS) de um pórtico plano envolve as seguintes etapas:

(I) Classificação do Pórtico

- Necessidade de considerar efeitos de 2ª ordem (equilíbrio na configuração deformada
– não linearidade geométrica)

- Secção das barras (fenómenos de encurvadura local – esbelteza das paredes)
Classe 1: Análise plástica (com formação de rótula plástica)
Classe 2: Análise plástica (sem formação de rótula plástica)
Classe 3: Análise elástica (secção bruta)
Classe 4: Análise elástica (secção efectiva − “enfraquecida”)

Rigidez (análise elástica)
- Ligações
Resistência (análise plástica)

(II) Consideração das Imperfeições

- Imperfeições Globais (do pórtico)

- Imperfeições Locais (das barras)

- Forças Equivalentes às Imperfeições


Estruturas Metálicas (de Aço)

6
(III) Escolha do Método de Análise Global

- Análise Elástica

Rígido-Plastica
- Análise Plástica Elástica-Perfeitamente Plástica (conceito de rótula plástica − RP)
Elasto-Plástica (espalhamento)

(IV) Cálculo dos Esforços de Dimensionamento

- Análise de 1ª ordem (geometricamente linear)

- Análise de 2ª ordem (geometricamente não-linear − várias possibilidades)

(V) Verificação da Estabilidade do Pórtico

- Escolha e cálculo dos comprimentos de encurvadura das barras comprimidas

(VI) Verificação da Segurança das Barras

- Tensões Directas (secções)

- Fenómenos de Instabilidade (barras e/ou troços livres de barra – contraventamento)

- Outros Fenómenos

(VII) Verificação da Segurança das Ligações

corte
Parafusos tracção
corte + tracção

Conjuntos de parafusos

- Ligações soldadas – tipos de cordões de soldadura

- Ligações mistas – parafusos + soldadura

(VIII) Verificação da Deformabilidade do Pórtico

Deslocamentos
- Estados Limites de Utilização (Serviço)
Vibrações
- Ligações aparafusadas

Estruturas Metálicas (de Aço)

7
• Para combinações de acções que incluam uma acção sísmica, há ainda que satisfazer as
disposições relevantes do Eurocódigo 8 (EC8). Estas disposições serão abordadas na
disciplina de “Dinâmica e Engenharia Sísmica”.

• De uma maneira um pouco simplista, pode dizer-se que o processo de DVS de um
pórtico plano pode subdividir-se nos seguintes grandes blocos:


Dados: Geometria + Acções
Esforços de Dimensionamento

Comprimentos de Encurvadura
VS das

Barra
VS das

Ligações
Deformabilidade
(I) – (V)
(VI) (VII)
Estados Limites Últimos (ELU)
Estados Limites
de Serviço (ELS)
(ou de Utilização)


• Inicialmente, aborda-se a Verificação da Segurança (VS) das barras, admitindo conhecidos
os valores dos esforços de dimensionamento e dos comprimentos de encurvadura.

• Abordam-se em seguida os aspectos relacionados com a determinação dos esforços
de dimensionamento e dos comprimentos de encurvadura.

• Finalmente, no caso de haver ainda tempo disponível, apresentam-se alguns conceitos
relativos à VS das ligações.

Estruturas Metálicas (de Aço)

8
3. VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA DAS BARRAS
3.1 CLASSIFICAÇÃO DAS SECÇÕES TRANSVERSAIS

• A geometria da secção transversal dos perfis é, muitas vezes, condicionada pelos requisitos
específicos de uma determinada aplicação, o que faz com que existam secções com uma
enorme variedade de formas e dimensões (sobretudo no caso dos perfis enformados
a frio). A figura 3.1 mostra as geometrias das secções de alguns dos perfis de aço utilizados
com mais frequência em estruturas de edifícios: secções em U, C, Z, “hat”, “rack” e I.



Figura 3.1 – Geometria das secções dos erfis em U, C, Z, “hat”, “rack” e I

• A classificação de uma secção está relacionada com a sua resistência e capacidade de
rotação quando submetida a tensões normais. Essa classificação depende das dimensões e
da tensão de cedência dos seus elementos (paredes) comprimidos, os quais podem ser
(i) interiores (ambas as extremidades apoiadas) ou (ii) salientes (uma extremidade
apoiada e a outra livre).


Elementos salientes
Elemento interior
Elemento interior

Figura 3.2 – Defnição dos elementos (paredes) interiores e salientes de uma secção

• Esta classificação destina-se a permitir avaliar a resistência última e a capacidade de rotação
da secção, tomando em consideração a possibilidade da ocorrência de fenómenos de
encurvadura local (das paredes da secção – a abordar mais adiante).

Estruturas Metálicas (de Aço)

9
• O EC3 considera 4 Classes de Secção, as quais se caracterizam em seguida (aprsenta-se a
exemplificação para o caso de uma secção a flexão pura)


4 3 2 1
σ
ε

cr
)
EL

Encurvadura Local


(i) Classe 1 – secções em que se pode atingir a resistência plástica e, para além disso,
existe capacidade de rotação suficiente para que se forme uma rótula plástica.


ϕ
pl
ϕ

M
pl
M

EL

ϕ
pl
ϕ

M
pl
M

EL

f
y
f
y
M
pl


(ii) Classe 2 – secções em que se pode atingir resistência plástica, mas sem ser possível
garantir capacidade de rotação suficiente para que se forme uma rótula plástica
(é necessário efectuar a verificação, a qual depende da ordem de formação das rótulas
plásticas na estrutura m análise).


f
y
f
y
M
pl
ϕ
pl
ϕ

M
pl
M

EL

ϕ
pl
ϕ

M
pl
M

EL




Estruturas Metálicas (de Aço)

10
(iii) Classe 3 – secções onde se pode atingir apenas a resistência elástica (tensão de
cedência na fibra mais solicitada), em virtude de os fenómenos de encurvadura
local impedirem que se chegue à resistência plástica.


f
y
f
y
M
el
ϕ

M
pl
M

EL

M
el
ϕ

M

EL

M
el
ϕ
el


(iv) Classe 4 – secções onde a ocorrência (prematura) de fenómenos de encurvadura local
faz com que não se atinja sequer a tensão de cedência na fibra mais solicitada.


f
y
σ
max
< f
y
M
max
< M
el
ϕ

M
pl
M

EL

M
el
M
max
ϕ

M
pl
M

EL

M
el


O processo de dimensionamento das secções de classe 4 envolve a substituição
da secção bruta por uma secção efectiva, a qual é posteriormente tratada como uma
secção de classe 3.


f
y
f
y
Zona não efectiva
da secção

σ

σ




Estruturas Metálicas (de Aço)

11


Estruturas Metálicas (de Aço)

12
ANEXO: FENÓMENOS DE ENCURVADURA LOCAL

• Os “fenómenos de encurvadura local”, de grande importância no dimensionamento de
estruturas metálicas constituídas por perfis com paredes muito esbeltas (por exemplo, as
vigas de alma cheia ou os perfis enformados a frio), consistem na encurvadura das
paredes dos perfis, enquanto os respectivos eixos permanecem indeformados (rectos).
Deste modo, é indispensável utilizar conceitos de estabilidade de placas para efectuar a
verificação da segurança das barras em relação a estados limites últimos que envolvam este
tipo de fenómenos de encurvadura.

• A figura A.1 ilustra fenómenos de encurvadura local em barras de aço com secção em I.


Figura A.1 – Fenómenos de encurvadura local em barras com secção em I.

A.1 PLACAS UNIFORMEMENTE COMPRIMIDAS E SIMPLESMENTE APOIADAS

• A tensão crítica de bifurcação elástica de uma placa quadrada “ideal” (geometricamente
“perfeita”) simplesmente apoiada e uniformemente comprimida é dada por


2
2
2
cr
b
t
v 1 12
E
4
|
¹
|

\
|

=
) (
π
σ , (A.1)

onde (i) E é o módulo de elasticidade, (ii) v é o coeficiente de Poisson e (iii) b e t
são a largura/comprimento e a espessura da placa. A bifurcação ocorre num modo
de instabilidade (ou encurvadura) caracterizado por uma semi-onda tanto na direcção
longitudinal (a da compressão) como na direcção transversal.


Estruturas Metálicas (de Aço)

13

σ/σ
cr
1

δ

σ
b
σ
b
b
b

Figura A.2 – Bifurcação de equilíbrio e modo de encurvadura de uma placa quadrada
“ideal” simplesmente apoiada e uniformemente comprimida

• Em “placas longas” (a >>b − em termos práticos, basta que se tenha a > 4 b), como é o caso
das paredes das barras metálicas com secção de parede fina, os valores de σ
cr
são
(praticamente) independentes do comprimento da placa (a) e do grau de restrição à
rotação dos bordos transversais (de comprimento b). Esta característica deve-se ao facto
de o modo de encurvadura da placa envolver uma combinação de (i) várias semi-ondas
longitudinais, de comprimento igual à sua largura, com (ii) uma única semi-onda
transversal. Deste modo, pode dizer-se que uma placa longa se comporta como um
“conjunto” de placas quadradas ligadas entre si, conforme mostra a figura A.3, o que quer
dizer que os resultados relativos a placas quadradas são também válidos para placas longas.

σ σ σ
a >>b
b
b
σ
b
b
b b
b b b b

Placa quadrada Placa longa
Figura A.3 – Modo de encurvadura de uma placa quadrada e uma placa longa

• A título de exemplo, a figura A.4 mostra dois elementos estruturais constituídos por
placas longas e submetidos a compressão: (i) uma coluna tubular e (ii) um painel reforçado.
Em ambos os casos, podem obter-se estimativas (em geral, conservativas) da tensão crítica
das placas/paredes através de (A.1), pois são placas longas cujos bordos longitudinais se
admitem (conservativamente) como simplesmente apoiados (i.e., sem restrição à rotação).

Estruturas Metálicas (de Aço)

14

(a) (b)
Figura A.4 – Elementos estruturais constituídos por placas longas: (a) coluna tubular e
(b) painel reforçado.

• As placas comprimidas têm, em regime elástico, um comportamento de pós-encurvadura
(trajectória de equilíbrio) estável caracterizado por uma elevada “resistência pós-crítica” (ou
“resistência de pós-encurvadura”). Isto significa que, mesmo após ocorrer a encurvadura
(bifurcação), a placa pode ainda suportar um aumento de carga considerável sem apresentar
deslocamentos significativos. O comportamento de pós-encurvadura de uma placa
(quadrada ou longa) comprimida “ideal” (sem imperfeições geométricas) é definido por


2
2
cr
t
q
v 1
8
3
1
|
¹
|

\
|
− + = ) (
σ
σ
, (A.2)

onde σ é a tensão aplicada e q o deslocamento transversal máximo por ela provocado.
A trajectória de pós-encurvadura da placa está representada na figura A.5, onde se mostra
também as distribuições das tensões de compressão na placa antes e depois da bifurcação.
Observa-se que as tensões permanecem uniformes até à bifurcação, passando a exibir um
andamento não linear após essa occorrência − dá-se uma redistribuição das tensões normais
longitudinais, caracterizada por uma “transferência” da zona central (mais flexível ou
“fraca”) para a vizinhança dos bordos longitudinais (zona mais rígida ou “forte”). Por outro
lado, a figura A.6 mostra as distribuições das tensões normais longitudinais (σ
x
) e
transversais (σ
y
) instaladas na placa na fase de pós-encurvadura. Para além da redistribuição
de σ
x
, já referida, desenvolvem-se também tensões transversais de tracção na zona central
da placa, as quais têm um papel crucial na resistência de pós-encurvadura (a tracção
transversal aumenta a rigidez de flexão da zona central da placa − analogia com um cabo).

Estruturas Metálicas (de Aço)

15
δ
σ/
cr
σ
cr
σ

Figura A.5 – Distribuições das tensões de compressão na placa antes e depois da bifurcação


Figura A.6 – Distribuição de tensões, na fase de pós-encurvadura, de uma placa quadrada

• A figura A.7 compara qualitativamente as trajectórias de equilíbrio de colunas e placas
“ideais” comprimidas. Observa-se que a resistência de pós-encurvadura das placas é
muito superior à das colunas (quase desprezável), o que justifica a diferença entre os
métodos de dimensionamento destes dois elementos estruturais. Enquanto é aceitável


σ/σ
cr
1

Trajectória
Fundamental
Trajectórias de
Pós-encurvadura
Bifurcação
q/t
Coluna

Placa


Figura A.7 – Trajectórias de equilíbrio de placas e colunas uniformemente comprimidas

Estruturas Metálicas (de Aço)

16
admitir que σ
cr
é a máxima tensão (carga) que as colunas podem suportar, essa hipótese é
claramente demasiado (excessivamente) conservativa no caso das placas.

• Põe-se então a seguinte questão, de grande importância para o dimensionamento de estruturas
metálicas constituídas por perfis de parede fina: qual o valor da tensão (carga), já em fase
de pós-encurvadura, que corresponde ao estado limite último da placa (colapso iminente)?
Na grande maioria dos regulamentos de estruturas metálicas, a resposta a esta questão
envolve o conceito de “largura efectiva”.

A.1.1 CONCEITO DE LARGURA EFECTIVA

• A resposta mais lógica à questão colocada no ponto anterior consiste em admitir que o
estado limite último da placa corresponde a atingir-se a tensão de cedência (f
y
) na
fibra mais solicitada. Esta situação está representada na figura A.8. Note-se que, ao admitir
esta hipótese se está a desprezar a “reserva de resistência elasto-plástica” da placa (o
colapso dá-se quando se atinge um ponto limite da trajectória). Esta resistência adicional, de
difícil determinação (é necessário um método numérico que contabilize o espalhamento da
plasticidade), é pequena e pode ser encarada como um “factor de segurança” − a figura A.8
ilustra este facto.

δ
σ
σ
max
= f
y
σ
max
= f
y
Colapso
Reserva de resistência
elasto-plástica

Figura A.8 – Estado último (cedência da fibra mais solicitada) e colapso da placa quadrada

• Subsiste a (muito importante) questão de saber para que carga (isto é , em que ponto da
trajectória de pós-encurvadura) se tem σ
max
=f
y
. Para resolver este problema, von Karman
sugeriu uma metodologia aproximada baseada nas seguintes duas ideias fundamentais (uma
delas é uma hipótese simplificativa que foi posteriormente validada experimentalmente):

Estruturas Metálicas (de Aço)

17
IDEIA 1: Substituir a secção bruta com uma distribuição de tensões variável por uma
“secção efectiva” submetida a uma distribuição de tensões uniforme (ambas estaticamente
equivalentes ao esforço de compressão actuante) − a secção efectiva obtém-se removendo
material da zona central da placa (a zona mais “fraca”). No estado limite último da
placa, o valore do esforço normal (N
u
) é então dado por

b
b /2
e
b /2
e
f
y
f
y
f
y
f
y


u
b
0
u
t b dy t y N σ σ = =

) ( (secção bruta)
y e u
f t b N = (secção efectiva)

onde
u
σ é a tensão média da placa no estado limite último (ou “colapso”). Igualando as
duas expressões, obtém-se

y
e
u
f
b
b
= σ

expressão que relaciona a tensão média no colapso com a largura efectiva.

DIFICULDADE: Para determinar o valor de b
e
é necessário conhecer a distribuição de
tensões instalada na placa ( ) ( y σ ), no estado último da placa (σ
max
=f
y
). Por outras palavras,
apenas se “substituiu o conceito de “pós-encurvadura” pelo conceito de “largura efectiva”,
mas sem dimnuir a complexidade do problema a resolver. Para simplificar o problema, é
indispensável a segunda “ideia” que se apresenta a seguir. Antes disso, apresenta-se na
figura A.9, a título ilustrativo, a variação “exacta” da largura efectiva com a tensão aplicada

m
é a tensão média actuante na placa).



1 σ
m
/ σ
cr

1
0.5
b
e
/ b

Figura A.9 – Variação da largura efectiva com a tensão actuante (placa simplesmente apoiada)

Estruturas Metálicas (de Aço)

18
IDEIA 2 (Hipótese Simplificativa): Na placa com a secção efectiva a encurvadura ocorre
precisamente quando se atinge a tensão de cedência, isto é, tem-se σ
cre
=f
y
. Logo, vem


2
2
2
cr
b
t
v 1 12
E
4 |
¹
|

\
|

=
) (
π
σ (placa real)

2
e
2
2
cre
b
t
v 1 12
E
4
|
|
¹
|

\
|

=
) (
π
σ (placa efectiva − fictícia)

Utilizando agora a hipótese simplificativa , tem-se


y
2
e
cr
2
e
2
2
cre
f
b
b
b
t
v 1 12
E
4 =
|
|
¹
|

\
|
=
|
|
¹
|

\
|

= σ
π
σ
) (

y
cr e
f b
b σ
= (mas sempre < 1)

Finalmente, utilizando a relação da página anterior, vem

y cr y
e
u
f f
b
b
σ σ = =

expressão que permite determinar (aproximadamente) a tensão média no colapso a partir
de duas quantidades fáceis de calcular − deste modo, evita-se a necessidade de
conhecer o comportamento de pós-encurvadura da placa.

A.2 PLACAS SUBMETIDAS A OUTRAS DISTRIBUIÇÕES DE TENSÕES

No caso de placas submetidas a outras distribuições de tensões, definidas por um
parâmetro ψ=σ
1
/ σ
2
, onde σ
1
é a máxima tensão de compressão e σ
2
é a tensão actuante na
outra extremidade da placa, é necessário introduzir, na expressão que fornece
u
σ , o
valor correcto de σ
cr
, o qual é dado pela expressão genérica

σ
1
σ
1
σ
1
ψ
(ψ > 0) (ψ < 0)
σ
2
= σ
1
ψ
σ
2
=



2
2
2
cr
b
t
v 1 12
E
k
|
¹
|

\
|

=
) (
π
σ
σ
, (A.3)

Estruturas Metálicas (de Aço)

19
onde k
σ
é um coeficiente de encurvadura que depende da distribuição das tensões actuantes
e pode ser encontrado na literatura (por exemplo, nas tabelas 4.1 e 4.2 do EC3-1-5). A título
ilustrativo, refira-se que (i) k
σ
=4.0 para a compressão pura (ψ=1 − problema estudado) e
(ii) k
σ
=23.4 para a flexão pura (ψ= −1 ).

A.3 PLACAS COM OUTRAS CONDIÇÕES DE FRONTEIRA

• A expressão (A.3) também se aplica a placas com outras condições de fronteira (apoio)
− é válida para placas com combinações arbitrárias de distribuições de tensões actuantes
e condições de apoio. Os valores de k
σ
podem ser encontrados na literatura,
nomeadamente nas tabelas 4.1 e 4.2 do EC3-1-5 (para duas condições de apoio: (i) quatro
bordos simplesmente apoiados e (ii) três bordos simplesmente apoiados e um bordo
livre). A tabela A.1 ilustra alguns valores de coeficientes de encurvadura.

Condições de Fronteira Carga
Coeficiente de
encurvadura (k
σ
)



Compressão
Uniforme
4.0



Compressão
Uniforme
0.43



Flexão Pura 23.9
Tabela A.1 – Valores de k
σ

A.4 ESBELTEZA NORMALIZADA DE PLACA − LARGURA EFECTIVA

• Tal como as restantes esbeltezas normalizadas (de coluna, de viga, etc.), a “esbelteza
normalizada de (uma) placa”, definida como


cr
y
p
f
σ
λ =
é uma grandeza que traduz a importância relativa da plasticidade e da instabilidade no
colapso da placa. Assim, enquanto (i) valores baixos e elevados de
p
λ (em relação a 1.0)
indicam colapsos governados pela plasticidade e pela instabilidade, respectivamente, (ii) um

Estruturas Metálicas (de Aço)

20
valor de
p
λ próximo de 1.0 significa que ambos os fenómenos têm uma influência
significativa no colapso da placa.

• No caso de uma placa constituída por uma aço com E=210 GPa (10
3
N/mm
2
), tomando
em consideração (A.3) e fazendo [ ]
5 0
y
MPa f 235
.
) ( / = ε , o valor de
p
λ é dado por


σ
ε
λ
k 4 28
t b
p
.
/
=

expressão que figura no EC3 e a partir da qual se obtém directamente o valor da
largura efectiva da placa no seu estado limite último (b
e
).

• Tem-se então que b b
e
ρ = , onde ρ é um coeficiente (ou factor) de redução. Pode
mostrar-se que este coefciente de redução relaciona também os valores de N
u
(esforço
normal último) e N
pl
(esforço normal de plastificação ou resistência plástica). De facto,


pl y
e
y e u
N f t b
b
b
f t b N ρ = = =

• Com base neste conceito, von Karman propôs a seguinte fórmula para determinar a
resistência útima de uma placa (a qual corresponde à curva da figura abaixo)


¦
¹
¦
´
¦
≥ =
≤ =
1 se
1
1 se 1
p
p
p
λ
λ
ρ
λ ρ



1
ρ
λ
p
1
f
y
f
y
σ
cr
σ
cr
σ

σ

δ

δ

1 /λ
p

Note-se que os dois troços da curva correspondem ao colapso de placas em que se tem
(i) σ
cr
>f
y
(troço horizontal) e (ii) (i) f
y

cr
(troço horizontal) expressão que figura
no EC3 e a partir da qual se obtém directamente o valor da largura efectiva da placa

Estruturas Metálicas (de Aço)

21
no seu estado limite último (b
e
). Para além disso, é importante realçar a semelhança
formal entre a fórmula de von Karman e a expressão da curva de dimensionamento
de colunas perfeitas, estudada na disciplina de Estruturas Metálicas. A única (e muito
importante) diferença reside na troca de “
2
1 λ / ” (colunas) por “
p
1 λ / ” (placas), o que
traduz o facto de o dimensionamento de colunas não contabilizar qualquer resistência
de pós-encurvadura (a curva de colunas fica “abaixo” da de placas − ver a figura A.11).

A.5 PLACAS “REAIS” (COM IMPERFEIÇÕES)

• No caso das placas “reais”, as quais possuem imperfeições geométricas (sobretudo) e
tensões residuais, deixa de ocorrer bifurcação de equilíbrio. O conjunto “trajectória
fundamental + trajectória de pós-encuvadura” das placas “ideais” é substuído por uma
trajectória de equilíbrio não linear, à qual estão associados deslocamentos de flexão
desde o início do carregamento, conforme mostra a figura A.10.

• Como, para um determinado nível de carregamento, existem maiores deslocamentos na
placa “real” que na placa “ideal”, o correspondente estado limite último é atingido
para uma carga mais baixa − ver a figura A.10.


Placa “real”
Placa “ideal”
σ
max
= f
y
σ

q
σ
cr


Figura A.10 – Trajectórias de equilíbrio e estados limites últimos das placas “ideais” e “reais”

• Para contabilizar a diminuição da carga última, devido à presença das imperfeições
geométricas e das tensões residuais, Winter propôs, com base num elevado número de
resultados experimentais, a substituição (modificação) da fórmula de von Karman por


¦
¹
¦
´
¦


=
≤ =
673 0 se
22 0
673 0 se 1
p 2
p
p
p
.
.
.
λ
λ
λ
ρ
λ ρ


Estruturas Metálicas (de Aço)

22

expressão que ainda hoje figura em vários regulamentos, nomedamente no EC3. Deve
referir-se, no entanto, que os valores do coeficiente 0.22 e da esbelteza limite 0.673
têm sofrido variações resultantes de estudos mais recentes (a título de curiosidade, é
interessante mencionar que Winter propôs originalmente o valor 0.25 para o coeficiente).

• Finalmente, a figura A.11 mostra uma comparação entre as curvas de dimensionamento (i)
de von Karman, (ii) de Winter e (iii) baseada na carga crítica de bifurcação (semelhante
à curva de dimensionamento de colunas). É interessante observar que, para valores de
p
λ
superiores a cerca de 1.3, a curva de Winter (placas “reais”) passa a estar acima da
curva baseada na tensão crítica de bifurcação (placas “ideais” ), facto que reflecte a
contabilização da resistência de pós-encurvadura (note que a diferença aumenta com
p
λ ).


Figura A.11 – Comparação entre curvas de dimensionamento de von Karman, de Winter e
baseada na tensão crítica de bifurcação.

Estruturas Metálicas (de Aço)

23
3.2 DETERMINAÇÃO DA CLASSE DE UMA SECÇÃO

• A determinação da classe de uma secção faz-se classificando os seus elementos (paredes)
comprimidos, através das Tabelas 5.2 do EC3-1-1 (ver figs. 3.2 a 3.4) e com base
nos diagramas das tensões actuantes.

• A classificação faz-se com base na esbelteza dos elementos b/t, envolve o parâmetro
y
f 235 / = ε e o coeficiente de encurvadura k
σ
. Depende ainda do tipo de elemento, o
qual pode ser interior (tratado como simplesmente apoiado) ou saliente (tratado como
apoiado-livre).

• Os valores limites de esbelteza dos elementos comprimidos são fixados com base em
análises estatísticas de resultados experimentais e/ou numéricos, os quais contabilizam a
influência de imperfeições geométricas iniciais, tensões residuais, etc.

• A classe de uma secção é maior das classes dos seus elementos comprimidos.

• A classe de uma barra é maior das classes das suas secções.

• A classe de uma secção depende (i) dos esforços que nela actuam, no estado limite último,
e (ii) do aço que a constitui (ver tabelas).

• A determinação da classe de uma secção submetida a flexão composta não é imediata –
conservativamente, pode sempre considerar-se o caso da compressão pura.

• Um grande número de perfis laminados correntes (formados por aços de resistência
“normal”) são de classe 1 ou 2 para qualquer solicitação (e.g., ver a tabela da fig. 3.5).

• Os perfis soldados e as chapas utilizadas na construção mista têm frequentemente secções
de classe 3 ou 4.



Estruturas Metálicas (de Aço)

24

Figura 3.2

Estruturas Metálicas (de Aço)

25

Figura 3.3

Estruturas Metálicas (de Aço)

26

Figura 3.4

Estruturas Metálicas (de Aço)

27

Figura 3.5




Estruturas Metálicas (de Aço)

28
EXEMPLO ILUSTRATIVO

IPE 550
Aço S235 (f
y
=235 MPa = 235N/mm
2
) ⇒ ε=1
Área A=13440 mm
2


d
=
4
6
8
m
m
b=210mm
f
t =17.2mm
t =11.1mm
w


Classificar a secção representada, quando submetida a flexão em torno do eixo de maior
inércia composta com compressão de valor N
Ed
=1300kN (Caso I) ou N
Ed
=750kN (Caso II)

RESOLUÇÃO

• Classificação do Banzo Comprimido

Compressão uniforme

45 99
2
1 11 210
2
t b
c
w
.
.
=

=

= (desprezando os raios de concordância)

9 9 78 5
2 17
45 99
t
c
f
= < = = ε .
.
.
⇒ Banzo de classe 1

• Classificação da Alma

42 42 2 42
1 11
468
t
c
w
= > = = ε .
.
⇒ Alma de classe 4 à compressão pura (classificação conservativa)

∴ Nada se pode concluir

(i) Determinação da classe da secção para N
Ed
=1300kN (Caso I)

Hipótese 1: Distribuição plástica de tensões no estado limite último da secção (classe 1 ou 2)

- Cálculo do esforço normal de plastificação da alma


Estruturas Metálicas (de Aço)

29
kN 1221 10 235 1 11 468 f dt N
3
y w w pl
= × × × = =

.
,

Como N
pl,w
=1221kN < N
Ed
=1300kN, a alma estaria submetida a compressão uniforme e,
portanto, seria de classe 4 – esta conclusão estaria em contradição com a hipótese admitida, pois
numa secção de classe 4 não pode existir uma distribuição plástica de tensões.

Hipótese 2: Distribuição elástica de tensões no estado limite último da secção (classe 3 ou 4)

- Determinação da relação entre tensões ψ


h c
2
h
h
1
ψfy
y
f


- Determinação das alturas h
1
e h
2

mm 4 502 2 17 2 468 h . . = × + = (desprezando os raios de concordância)

mm 85 426
177 1
4 502
h
1
.
.
.
= = mm 55 75 h h h
1 2
. = − =

- Determinação da relação entre tensões na alma ψ
w

1 141 0
2 17 85 426
2 17 55 75
w
− > − =


− = .
) . . (
) . . (
ψ

36 67
141 0 33 0 67 0
42
33 0 67 0
42
2 42
t
c
w w
.
. . . . .
. =
× −
=
+
< =
ψ
ε
⇒ Alma de classe 3

∴ Secção de classe 3

(ii) Determinação da classe da secção para N
Ed
=750kN (Caso II)

Hipótese 1: Distribuição plástica de tensões no estado limite último da secção (classe 1 ou 2)
Parcela
da flexão
Parcela
da compressão
Eliminando σ
f
A
N
f
Ed
f y
+ =σ
A
N
f
Ed
f y
+ − = σ ψ
177 0 1
235 13440
10 1300 2
1
f A
N 2
3
y
Ed
. − = −
×
× ×
= − = ψ

Estruturas Metálicas (de Aço)

30
Como N
pl,w
=1221kN > N
Ed
=750kN, a linha neutra plástica cruza a alma, como mostra a figura
3.18. Assim, o primeiro passo consiste em determinar a zona plastificada da alma devido ao
esforço normal, i.e.,

y w N Ed
f t c N = ⇒ mm 52 287
235 1 11
10 750
c
3
N
.
.
=
×
×
=

mm 76 377
2
52 287 468
2
c
2
c
N
C
.
.
=
+
= + = α

Em seguida, determina-se o parâmetro α, o qual corresponde à relação entre a altura da zona
da alma comprimida (α
c
) e a altura total da alma (c).

5 0 807 0
468
76 377
c
C
. .
.
> = = =
α
α

7 41
1 807 0 13
396
1 13
396
2 42
t
c
w
.
.
. =
− ×
=

> =
α
ε


05 48
1 807 0 13
456
1 13
456
2 42
t
c
w
.
.
. =
− ×
=

< =
α
ε
⇒ Alma de classe 2

∴ Secção de classe 2

h
f
y
c
y
f f
y
y
f
f
y
αc
c
N
Zona da alma plastificada
devido a N =750kN
Ed
Zona da secção plastificada
devido ao momento flector

Figura 3.6 − Zonas plastificadas da secção devido ao esforço normal e ao momento flector

Estruturas Metálicas (de Aço)

31
3.3 RESISTÊNCIA A TENSÕES DIRECTAS

3.3.1 TENSÕES NORMAIS (N
Ed
+ M
y,Ed
+ M
z,Ed
)

• Secções de Classe 1 e 2

- Resistência Plástica
- Critérios (diagramas) de interacção não lineares


Resistência plástica (a forma do diagrama
varia de secção para secção)
Resistência plástica (aproximação
linear – conservativa)
Resistência elástica
1

1

M / M
pl


N / N
pl



Figura 3.7 – Critérios (diagramas) de interacção não lineares

No caso mais geral (comportamento tridimensional), existem N+M
y
+M
z
. É habitual serem
desenvolvidos critérios de interacção planos M
N,y
– M
N,z
, em que a presença do esforço
normal já está “embebida” nos valores de M
N,y
e M
N,z
. Em alternativa, pode utilizar-se um
critério (diagrama) de interacção espacial (tridimensional).

• Secções de Classe 3

- Resistência Elástica
- Critérios (diagramas) de interacção lineares equivalente a


yd Ed x
f ≤
,
σ , (3.10)

onde
0 M y yd
f f γ / = e
0 M
γ é o coeficiente parcial de segurança (para o qual o EC3-1-1
propõe o valor 1.0).



Estruturas Metálicas (de Aço)

32

1

1

M / M
el


N / N
el



Figura 3.8 – Critério de interacção linear

• Secções de Classe 4

- Resistência Elástica da secção efectiva

• Critérios que envolvem secções efectivas correspondentes à actuação individual de
cada um dos esforços actuantes (N
Ed
, M
y,Ed
, M
z,Ed
)

• Equivalência a


yd Ed x
f ≤
,
σ
0 M y yd
f f γ / = , (3.11)

na reunião das secções efectivas.

• Já se estudaram, na disciplina de Estruturas Metálicas, as VS das secções de Classe 1 e 2.

• A VS das secções de Classe 3 envolve apenas a resistência elástica e resume-se a um
simples problema de Resistência de Materiais.

• A VS das secções de Classe 4 é qualitativamente semelhante à das secções de Classe 3,
mas requer o conhecimento prévio das características geométricas da(s) secção (ões)
efectivas envolvidas − propriedades efectivas.

EXEMPLO ILUSTRATIVO (SECÇÃO DE CLASSE 2)

Verificar a segurança da secção

Estruturas Metálicas (de Aço)

33
d=h
w
=249.6mm A=45.94cm
2
t
w
=6.6mm W
pl.y
=484cm
3
b=135mm W
pl.z
=96.95cm
3
t
f
=10.2mm

de aço S235 (f
y
=235MPa), sujeita aos esforços N
Ed
=580kN, M
y,Ed
=25.5 kNm e M
z,Ed
=16.4 kNm

RESOLUÇÃO

• Necessidade de contabilizar a redução de M
pl.y,Rd
devida a N
Ed
– EC3-1-1 (6.2.9.1)

kN 59 1079
0 1
10 235 4594
Af
N
3
0 M
y
Rd pl
.
.
,
=
× ×
= =

γ


N
Ed
=580kN > 0.25N
pl,Rd
=270kN

kN 56 193 10
1
235
6 6 6 249 5 0
f t h
5 0 N 5 0 kN 580 N
3
0 M
y w w
Rd w pl Ed
. . . . . .
, ,
= × × × × = = > =

γ


∴ É necessário reduzir M
pl.y,Rd
(bastava uma das condições)

• Necessidade de contabilizar a redução de M
pl.z,Rd
devida a N
Ed
– EC3-1-1 (6.2.9.1)

kN 12 387 10
1
235
6 6 6 249
f t h
N kN 580 N
3
0 M
y w w
Rd w pl Ed
. . .
, ,
= × × × = = > =

γ


∴ É necessário reduzir M
pl.z,Rd

• Como a secção está submetida a flexão desviada, adopta-se o critério

1
M
M
M
M
Rd z N
Ed z
Rd y N
Ed y

+

β α
, ,
,
, ,
,


onde (i) M
N,y,Rd
e M
N,z,Rd
são momentos plásticos reduzidos pela presença de N
Ed
e (ii)
α e β são constantes que dependem do tipo da secção

Secção em I: 1 β mas n 5 β ; 2 α ≥ = =

537 0
59 1079
580
N
N
n
Rd pl
Ed
.
.
,
= = = ⇒ β=2.685 > 1.0
IPE 270

Estruturas Metálicas (de Aço)

34

Estruturas Metálicas (de Aço)

35




Estruturas Metálicas (de Aço)

36
) . (
) (
, , , ,
a 5 0 1
n 1
M M
Rd y pl Rd y N


=

kNm 74 113
0 1
10 235 10 484
f W
M
6 3
0 M
y y pl
Rd y pl
.
.
,
, ,
=
× × ×
=
×
=

γ


{ } 401 0 401 0 5 0
94 45
02 1 5 13 2 94 45
5 0
A
bt 2 A
5 0 a
f
. . , . min
.
. . .
, . min , . min = =
)
`
¹
¹
´
¦ × × −
=
)
`
¹
¹
´
¦ −
=

) ( .
) . . (
) . (
.
, , , Ed y Rd y N
M kNm 87 65
401 0 5 0 1
537 0 1
74 113 M > =
× −

=


n ≤ a: M
N,z,Rd
=M
pl,z,Rd

n > a: M
N,z,Rd
=M
pl,z,Rd

|
¹
|

\
|



2
a 1
a n
1

n=0.537 e a=0.401 ⇒ n > a

kNm 78 22
0 1
10 235 10 95 96
f W
M
6 3
0 M
y z pl
Rd z pl
.
.
.
,
, ,
=
× × ×
=
×
=

γ


) ( .
.
. .
, , , , , Ed z
2
Rd z pl Rd z N
M kNm 61 21
401 0 1
401 0 537 0
1 M M > =

|
¹
|

\
|


− =

Finalmente, tem-se

1
M
M
M
M
Rd z N
Ed z
Rd y N
Ed y

+

β α
, ,
,
, ,
,
⇒ 1 627 0 477 0 15 0
61 21
4 16
87 65
2 25
685 2 2
< = + =

+

. . .
.
.
.
.
.


∴ A segurança da secção está verificada


• Nota: Se se utilizasse o critério linear (mais simples) – EC3-1-1 6.2.1 (7)

1 481 1 720 0 224 0 537 0
78 22
4 16
74 113
5 25
59 1079
580
M
M
M
M
N
N
Rd z pl
Ed z
Rd y pl
Ed y
Rd pl
Ed
> = + + = + + = + + . . . .
.
.
.
.
.
, ,
,
, ,
,
,

∴ A segurança da secção não seria verificada (o critério linear é muito conservativo)


Estruturas Metálicas (de Aço)

37
3.3.1.1 SECÇÕES DE CLASSE 4

• A VS das secções de Classe 4 requer, no caso mais geral, o conhecimento dos valores
das seguintes características geométricas:

(i) Área Efectiva A
eff


(ii) Excentricidades e
Ny
e e
Nz
(afastamento em relação ao eixo – nova posição de G)

(iii) Módulo de flexão efectiva W
eff,y,min
(fibra com tensão máxima)

(iv) Módulo de flexão efectiva W
eff,z,min
(fibra com tensão máxima)

• Os valores de A
eff
, e
Ny
e e
Nz
são determinados numa secção efectiva obtida admitindo
que na secção bruta actua apenas N
c,Ed
(esforço nomal de compressão)

• O valor de W
eff,y,min
é determinado numa secção efectiva obtida admitindo que na secção
bruta actua apenas M
y,Ed
.

• O valor de W
eff,z,min
é determinado numa secção efectiva obtida admitindo que na secção
bruta actua apenas M
z,Ed
.

• Deste modo, constata-se que, no caso mais eral, existem três secções efectivas diferentes.
A figura 3.9 ilustra as secções efectivas de uma secção em I com banzos iguais.


Figura 3.9 – Tipos de secções efectivas numa secção em I

• Em secções bissimétricas e monossimétricas tem-se e
Ny
=e
Nz
=0 e e
Ny
=0 ou e
Nz
=0.


Estruturas Metálicas (de Aço)

38
3.3.1.1.1 DETERMINAÇÃO DE UMA SECÇÃO EFECTIVA

• Passos

(i) Determinar os valores de ψ (os quais definem o diagrama das tensões actuantes) nos
elementos (paredes) comprimidos paralelos ao eixo de flexão, com base nos valores dos
esforços actuantes e nas propriedades da secção bruta.

(ii) Determinar os valores e a localização das larguras efectivas nos elementos comprimidos
paralelos ao eixo de flexão, através do seguinte procedimento:

(a) A partir do valor de ψ, determinar o coeficiente de encurvadura k
σ
, através das
tabelas 4.1 e 4.2 do EC3-1-5.

(b) A partir do valore de k
σ,
determinar a esbelteza normalizadas de placa
p
λ ,
através da expressão


σ
ε σ
λ
k 4 28
t b
f
cr
y
p
.
/
= = . (3.12)

(c) A partir dos valores de
p
λ e ψ, determinar o factor de redução ρ, através de expressões
que dependem de o elemento ser interno ou saliente:

- Elementos Internos

ρ=1.0 para 673 0
p
. ≤ λ

2
p
p
3 055 0
λ
ψ λ
ρ
) ( . + −
= para 673 0
p
. > λ [com 0 3 ≥ + ) ( ψ )]

- Elementos Salientes

ρ=1.0 para 748 0
p
. ≤ λ

2
p
p
188 0
λ
λ
ρ
) . −
= ρ=1.0 para 748 0
p
. > λ

Estruturas Metálicas (de Aço)

39


Estruturas Metálicas (de Aço)

40
(d) Uma vez conhecido o valor de ρ, determinar os valores das larguras efectivas (b
c,eff
) dos
elementos comprimidos através das tabelas 4.1 e 4.2 do EC3-1-5 − a partir dos
valores de b
c,eff
, é imediato obter as respectivas áreas efectivas (A
c,eff
).

(e) Se for necessário (i.e., se a largura efectiva não for “contínua”), determinar, a partir
de b
c,eff
, as parcelas que constituem a largura efectiva do elemento comprimido
(b
e1
e b
e2
), também através das tabelas 4.1 e 4.2 do EC3-1-5.

(iii) Determinar os valores de ψ nos elementos (paredes) comprimidos perpendiculares ao
eixo de flexão, com base nos valores dos esforços actuantes e nas propriedades de uma
“secção fictícia”, constituída pelas respectivas áreas brutas e pelas áreas efectivas
dos elementos paralelos ao eixo de flexão (já determinadas em (ii)).

(iv) Determinar os valores e a localização das larguras efectivas nos elementos comprimidos
perpendiculaes ao eixo de flexão, através do procedimento descrito em (ii).

(v) Determinar a(s) propriedade(s) efectiva(s) relevante(s).

• NOTA: No caso de uma secção submetida a compressão pura, tem-se sempre ψ = 1.

3.3.1.1.2 VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA

• Flexão desviada composta com tracção


0 M
y
yd
z eff
Ed z
y eff
Ed y
Ed
f
f
W
M
W
M
A
N
γ
= ≤ + +
min , ,
,
min , ,
,
. (3.13)

• Flexão desviada composta com compressão


0 M
y
yd
z eff
Nz Ed Ed z
y eff
Ny Ed Ed y
eff
Ed
f
f
W
e N M
W
e N M
A
N
γ
= ≤
+
+
+
+
min , ,
,
min , ,
,
. (3.14)

• OBSERVAÇÕES

(i) A aplicação das equações de interacção faz-se para a fibra mais solicitada pertencente
à reunião de todas (no máximo três) secções efectivas. Os valores de W
eff,y,min
e
W
eff,z,min
dizem respeito a essa fibra.

Estruturas Metálicas (de Aço)

41
(ii) No caso de a fibra mais solicitada não pertencer a alguma das secções efectivas, o
valor da parcela associada ao esforço correspondente será nulo.

(iii) Os sinais das parcelas dependem da combinação de compressões e tracções, a qual
varia de caso para caso. Não podem “somar-se” compressões e tracções e é
conveniente adoptar a convenção de atribuir sinal positivo à tensão “dominante”
(compressão ou tracção).

EXEMPLO ILUSTRATIVO

Verificar a segurança da secção

10
400
6
10
800
300
y
z
G
(mm)
z
z
G
=444.32 mm (medido a partir da base)

formada por três chapas de aço S355 (f
y
=355MPa) soldadas entre si (cordões de soldadura de
largura a=6 mm), sujeita aos esforços N
Ed
=390kN (compressão ou tracção) e M
y,Ed
=630 kNm
(momento flector positivo)

RESOLUÇÃO

- 814 0
355
235
f
235
y
. = = = ε

- Área:
2
mm 11800 6 800 10 300 400 A = × + × + = ) (

- Cordões de soldadura: a=6mm ⇒ mm 49 8 2 6 a . = =
a
a
6 mm


Estruturas Metálicas (de Aço)

42
(I) Determinação de A
eff
e e
Ny
(N
Ed
)

• Secção Efectiva do Banzo Superior

mm 51 188 2 49 8 2 6 400 c . / ) . ( = × − − =

ψ=1.0 (banzo uniformemente comprimido) ⇒ k
σ
=0.43

k
σ
=0.43 ⇒
( )
748 0 244 1
43 0 814 0 4 28
10 51 188
K 4 28
t c
f
p
. .
. . .
) / . (
.
/
> =
× ×
= =
σ
ε
λ

682 0
188 0
2
p
p
.
.
=

=
λ
λ
ρ

mm 56 128 51 188 682 0 c b
eff c
. . .
,
= × = = ρ

mm 1 280 49 8 2 6 56 128 2 a 2 t b 2 b
w eff c banzo e
. . . ) (
, sup .
= × + + × = + + =

• Secção Efectiva do Banzo Inferior

mm 51 138 2 49 8 2 6 300 c . / ) . ( = × − − =
ψ=1.0 (banzo uniformemente comprimido) ⇒ k
σ
=0.43

k
σ
=0.43 ⇒
( )
748 0 914 0
43 0 814 0 4 28
10 51 138
K 4 28
t c
f
p
. .
. . .
) / . (
.
/
> =
× ×
= =
σ
ε
λ

869 0
188 0
2
p
p
.
.
=

=
λ
λ
ρ

mm 37 120 51 138 869 0 c b
eff c
. . .
,
= × = = ρ

mm 72 263 49 8 2 6 37 120 2 b
banzo e
. . . ) (
inf .
= × + + × =

• Secção Efectiva da Alma

mm 02 783 49 8 2 800 b . ) . ( = × − =
ψ=1.0 (alma uniformemente comprimida) ⇒ k
σ
=4.0


Estruturas Metálicas (de Aço)

43
k
σ
=4.0 ⇒
( )
673 0 823 2
4 814 0 4 28
6 02 783
K 4 28
t b
w
p
. .
. .
) / . (
.
/
> =
× ×
= =
σ
ε
λ

327 0
823 2
1 3 055 0 823 2
3 055 0
2 2
p
p
.
.
) ( . .
) ( .
=
+ −
=
+ −
=
λ
ψ λ
ρ

mm 05 256 02 783 327 0 b b
eff c
. . .
,
= × = = ρ

mm 03 128 b 5 0 b b
eff c 2 e 1 e
. .
,
= = =

mm 52 136 49 8 03 128 b
alma e
. . . ) ( = + = (junto de cada banzo)

A figura abaixo mostra a secção efectiva determinadas.

136.52
136.52
263.72


• Cálculo da área efectiva (A
eff
) e da excentricidade (e
Ny
)

2
eff
mm 44 7076 6 52 136 2 10 72 263 1 280 A . ) . ( ) . . ( = × × + × + =

mm 37 419
44 7076
6 74 741 52 136 26 78 52 136 10 5 72 263 815 1 280
z
eff G
.
.
) . . . . ( ) . . (
) ( =
× × + × + × × + ×
=

mm 95 24 37 419 32 444 e
Ny
. . . = − = (↓)

(II) Determinação de W
eff,y,min
(M
y,Ed
)

• Secção Efectiva do Banzo Superior

mm 1 280 49 8 2 6 56 128 2 b
b e
. . . ) (
sup .
= × + + × = (idêntico ao caso anterior)


Estruturas Metálicas (de Aço)

44
• Secção Efectiva da Alma

- Cálculo de ψ na alma

280.1
1
σ
σ = ψ
2
1
σ


2
mm 10601 6 800 10 300 1 280 A = × + × + = ′ ) . (

mm 40 402
10601
410 6 800 10 5 300 815 1 280
z
G
.
) . (
=
× × + × × + ×
= ′

962 0
40 402 49 8 810
49 8 10 40 402
.
. .
) . . (
− =
− −
− −
− = ψ

- Cálculo de ρ na alma

962 0. − = ψ ⇒ 91 22 78 9 29 6 81 7 k
2
. . . . = + − = ψ ψ
σ
(Tabela 4.1 do EC3-1-5)

91 22 k . =
σ

( )
673 0 179 1
91 22 814 0 4 28
6 02 783
K 4 28
t b
w
p
. .
. . .
) / . (
.
/
> =
× ×
= =
σ
ε
λ

768 0
179 1
962 0 3 055 0 179 1
3 055 0
2 2
p
p
.
.
) . ( . .
) ( .
=
− −
=
+ −
=
λ
ψ λ
ρ

- Cálculo de b
c
e das parcelas b
e1
e b
e2




mm 09 399
962 0 1
02 783
1
b
b
c
.
.
.
=
+
=

=
ψ


Estruturas Metálicas (de Aço)

45

mm 50 306 09 399 768 0 b b
c eff
. . . = × = = ρ

mm 6 122 50 306 4 0 b 4 0 b
eff 1 e
. . . . = × = =

mm 9 183 50 306 6 0 b 6 0 b
eff 2 e
. . . . = × = =

mm 09 131 49 8 6 122 a b b
1 e alma e
. . . ) (
sup ,
= + = + =

mm 32 576 49 8 09 399 02 783 9 183 a b b b
t 2 e alma e
. . ) . . ( . ) (
inf ,
= + − + = + + =

A figura abaixo mostra a secção efectiva determinada.

280.1
131.09
576.32
300


• Cálculo do Módulo de Flexão Efectivo (W
eff,y,min
)

) base da partir a medido ( .
) (
mm 67 389
6 131.09) (576.32 10 280.1) (300
65.55) - (810 6 131.06 298.16 6 576.32 10 815) 280.1 5 (300
z
eff G
=
=
× + + × +
× × + × × + × × + ×
=


4
2 2
2 2
3 3 3 3
eff y
mm 1175472955
67 389 55 65 810 6 09 131 16 298 67 389 6 32 576
67 389 815 10 1 280 384 10 300
12
09 131 6
12
32 576 6
12
10 1 280
12
10 300
I
=
= − − × × + − × × +
+ − × × + × × +
+
×
+
×
+
×
+
×
=
) . . ( . ) . . ( .
) . ( .
. . .
) (


3 eff y
y eff
mm 72 2731561
67 389 820
I
W .
) . (
) (
) (
sup min , ,
=

=

3 eff y
y eff
mm 714 3016585
67 389
I
W .
) . (
) (
) (
inf min , ,
= =


Estruturas Metálicas (de Aço)

46
(III) Verificação da Segurança

MPa 355
0 1
355
f
f
0 M
y
yd
= = =
. γ


• N
Ed
=390kN (Compressão)

- Fibras superiores

0 1 815 0 660 0 155 0
355 72 2731561
95 24 10 390 10 630
355 44 7076
10 390
f W
e N M
f A
N
3 6 3
yd y eff
Ny Ed Ed y
yd eff
Ed
. . . .
.
.
. ) (
sup min , ,
,
< = + =
=
×
× × + ×
+
×
×
=
+
+


∴ A segurança da secção está verificada

• N
Ed
=390kN (Tracção)

- Fibras superiores

0 1 557 0 650 0 093 0
355 72 2731561
10 630
355 11800
10 390
f W
M
Af
N
6 3
yd y eff
Ed y
yd
Ed
. . . .
. ) (
sup min , ,
,
< = + − =
×
×
+
×
×
− = + −

∴ A segurança está verificada

- Fibras inferiores

0 1 681 0 588 0 093 0
355 714 3016585
10 630
355 11800
10 390
f W
M
Af
N
6 3
yd y eff
Ed y
yd
Ed
. . . .
. ) (
inf min , ,
,
< = + =
×
×
+
×
×
= + −

∴ A segurança está verificada

• NOTA: As fibra mais solicitada são as inferiores, que não correspondem ao valor mínimo do
módulo de flexão efectivo. Por outro lado, como a compressão é sempre mais penalizadora
que a tracção, não havia qualquer dúvida que a segurança da secção seria verificada.

EXEMPLO ILUSTRATIVO

Verificar a segurança da chapa de pavimento misto representada na figura 3.10 durante a
fase construtiva (i.e., enquanto o betão está “fresco” e, portanto, não desempenha
funções resistentes − traduz-se apenas por uma acção).

Estruturas Metálicas (de Aço)

47
L=2.60 m
p
b/2 b/2 b c c
a
t
a = 150.0mm b = 60.5mm h = 54.0 mm
c = 14.5mm t = 1.0mm
h
H
Secção Transversal
Betão
H = 120mm
y y
G
Z

Figura 3.10 – Geometria, dimensões e acções da chapa de pavimento misto


Estruturas Metálicas (de Aço)

48
RESOLUÇÃO

(I) Dados

- Chapa de pavimento: HI Bond 55 com f
y
=320MPa

857 0
320
235
. = = ε

- Valor do momento actuante máximo

m m kN 438 2 25 0925 0 10 8 9 83 12 p
3
/ / . ) . . . ( = × + × × =

(carga uniformemente distribuída)

Chapa Betão

Coeficiente de majoração
m kNm 09 3
8
6 2 438 2
5 1 M
2
Ed y
/ .
. .
.
,
=
×
× = (momento máximo − meio vão)

(II) Características Geométricas da Secção Bruta

- Área

º .
.
03 15
54
5 14
arctg = = α mm 91 . 55
º 03 . 15 cos
54
= (comprimento das paredes inclinadas)

2
mm 83 232 0 1 91 55 2 5 60 25 30 2 A . . ) . . . ( = × × + × × = (célula com 150mm de largura)

m mm 2 1552
m 15 0
83 232
A
2
/ .
) ( .
.
= = (área por metro de largura)

- Centro de gravidade

z
G
=27mm (a partir da linha média)

- Momento de inércia:

I
a
=I
b
cos
2
α + I
c
sen
2
α
α
a a
b
c
c



Estruturas Metálicas (de Aço)

49
[ ] ) célula por ( . . . .
) . (
. .
) . ( cos
. .
. .
. .
4
2
3
2
3
2
3
y
mm 29 115389 313 0 79 13584 2 08 88219
03 15 sen
12
0 1 91 55
03 15
12
0 1 91 55
2 27 0 1 5 60
12
0 1 5 60
2 I
= + × + =
=

×
×
+

+ ×
×
× +

× × +
×
× =


m mm 9 769261
15 0
29 115389
I
4
y
/ .
.
.
= =

(II) Determinação de W
eff,y,min
(M
y,Ed
)

• Secção Efectiva do Banzo Superior

mm 5 59 5 0 2 5 60 c . . . = × − =

ψ=1.0 (banzo uniformemente comprimido) ⇒ k
σ
=4.0

k
σ
=4.0 ⇒
( )
673 0 222 1
0 4 857 0 4 28
0 1 5 59
K 4 28
t c
f
p
. .
. . .
) . / . (
.
/
> =
× ×
= =
σ
ε
λ

671 0
222 1
1 3 055 0 179 1
3 055 0
2 2
p
p
.
.
) ( . .
) ( .
=
+ −
=
+ −
=
λ
ψ λ
ρ

mm 92 39 5 59 671 0 c b
eff c
. . .
,
= × = = ρ

mm 96 19 92 39 5 0 b 5 0 b b
eff c 2 e 1 e
. . . .
,
= × = = =

b
e1
b
e2 e1
b
= = 19.96mm
e1
b


• Secção Efectiva das Almas

- Cálculo de ψ nas almas

[ ] ) célula por ( . . ) . . ( . .
2
mm 24 213 0 1 0 1 92 39 91 55 2 25 30 2 A = × + + × + × = ′

) secção da base da partir a medido ( .
.
. ) . . ( . . . . . .
mm 02 25
24 213
5 54 0 1 92 39 5 27 0 1 91 55 2 5 0 0 1 25 30 2
z
G
=
=
× + + × × × + × × ×
= ′


Estruturas Metálicas (de Aço)

50
829 0
02 24 53
02 24
1
2
.
) . (
.
− =


= =
σ
σ
ψ

- Cálculo de b
c
e das parcelas b
e1
e b
e2


829 0. − = ψ ⇒ 75 19 78 9 29 6 81 7 k
2
. . . . = + − = ψ ψ
σ
(Tabela 4.1 do EC3-1-5)

mm 91 54 5 0 2 91 55 b . . . = × − =

75 19 k . =
σ

( )
673 0 508 0
75 19 857 0 4 28
0 1 91 54
K 4 28
t b
w
p
. .
. . .
) . / . (
.
/
< =
× ×
= =
σ
ε
λ

∴ A alma é toda efectiva

• Cálculo de W
eff,y,min


(z
G
)
eff
=

25.02 mm

[ ]
) célula por ( . . . . .
) . . ( . . ) . . (
) . . ( . . ) . . ( . .
. .
) (
4
2
2 2
3
eff y
mm 464 98132 944 27857 039 33895 439 36374 042 5
02 25 5 27 0 1 91 55 313 0 79 13584 2
02 25 5 54 0 1 92 40 5 0 02 25 0 1 5 60
12
0 1 5 60
I
= + + + =
= − × × + + × +
+ − × × + − × × +
×
=


m mm 427 654216
15 0
464 98132
I
4
eff y
/ .
.
.
) ( = =

(III) Verificação da Resistência

0 1 443 0
0 1
320
762 21821
10 09 3
f W
M
6
yd mim y eff
Ed y
. .
.
.
.
, ,
,
< =
×
×
=

∴ A resistência da chapa está verificada

3.3.2 TENSÕES TANGENCIAIS (V
z,Ed
+ V
y,Ed
)

• Secções de Classe 1, 2, 3 ou 4 (a classificação das secções não tem qualquer relação com
a resistência às tensões tangenciais)

• O valor de cálculo do esforço transverso V
Ed
deve satisfazer a condição

Estruturas Metálicas (de Aço)

51

0 1
V
V
Rd c
Ed
.
,
≤ , (3.15)

onde V
c,Rd
é o valor de cálculo da resistência da secção ao esforço transverso. No
caso do dimensionamento plástico, V
c,Rd
é igual a V
pl,Rd
(valor de cálculo da resistência
plástica), dado por


0 M
y v
Rd pl Rd c
3 f A
V V
γ
) / (
, ,
= = , (3.16)

onde A
v
é a área de corte da secção, a qual depende da sua geometria e do sentido de
actuação esforço transverso.

• O dimensionamento elástico é conservativo e, por esse motivo, só se adopta quando tal é
indispensável, nomeadamente na verificação da segurança de secções de Classe 3 ou 4
submetidas a combinações de esforço transverso, momento flector e/ou momento torsor.

• O valor de V
c,Rd
=V
el,Rd
obtém-se a partir da condição

0 , 1
) 3 ( f
0 M y
Ed

γ
τ
, (3.17)

onde τ
Ed
é determinado através de expressão (já conhecida da Resistência de Materiais)


t I
S V
Ed
Ed
= τ . (3.18)

• Em secções em I ou H em que a relação entre A
f
(área de um banzo) A
w
(área da alma)
satisfaz a condição 6 0 A A
w f
. / ≥ , a tensão tangencial na alma (provocada por um esforço
transverso paralelo a ela) pode ser determinada, aproximadamente, através da expressão


w
Ed
Ed
A
V
= τ . (3.20)


Estruturas Metálicas (de Aço)

52


Estruturas Metálicas (de Aço)

53



Estruturas Metálicas (de Aço)

54
3.3.3 TENSÕES NORMAIS (N
Ed
+ M
y,Ed
+ V
Y,Ed
) + TENSÕES TANGENCIAIS (V
Z,Ed
+ V
Y,Ed
)

• O EC3 estipula que, no caso de se ter
Rd pl Ed
V 5 0 V
.
. ≤ (o esforço transverso actuante não
excede 50% da resistência plástica da secção ao corte), a influência do esforço transverso
pode ser desprezada e a resistência da secção é condicionada unicamente pelas tensões
normais (situação já abordada na secção 3.3.1).

• Se
Rd z pl Ed z
V 5 0 V
, , ,
. > e/ou
Rd y pl Ed y
V 5 0 V
, , ,
. > o EC3 preconiza que a influência do esforço
transverso (i) tem que ser considerada e (ii) pode ser traduzida por uma redução da tensão
de cedência do aço na(s) respectiva(s) área(s) de corte A
v,z
e/ou A
v,y
. Essa redução da
tensão de cedência é definida por:

A
v,z
: f
y
→ (1-ρ
z
) f
y
com
2
Rd z pl
Ed z
z
1
V
V 2
|
|
¹
|

\
|
− =
, ,
,
ρ (3.21)

A
v,y
: f
y
→ (1-ρ
y
) f
y
com
2
Rd y pl
Ed y
y
1
V
V 2
|
|
¹
|

\
|
− =
, ,
,
ρ . (3.22)

• Verifica-se então a resistência às tensões normais de uma secção transversal “enfraquecida”
(pela redução da tensão de cedência) em uma ou em ambas as áreas de corte.

• Observe-se que a redução da tensão de cedência pode fazer baixar a classe da secção.
Para além disso, nas secções de Classe 4 (sem e com redução de f
y
), a presença de esforço
transverso superior a 50% da resistência plástica da secção influencia as propriedades
efectivas (“aproxima-as” das propriedades brutas).

• No caso de secções de Classe 3 ou 4, as quais apenas podem atingir uma resistência
elástica, pode adoptar-se um procedimento alternativo: verificar a resistência da secção
através do bem conhecido critério de von-Mises, cuja expessão é


0 M
y
yd
2
Ed
2
Ed Ed comp
f
f 3
γ
σ σ σ = ≤ + =
,
. (3.23)

No caso das secções de Classe 4, o valor de
Ed
σ é nula nas zonas não efectivas da secção.


Estruturas Metálicas (de Aço)

55


Estruturas Metálicas (de Aço)

56
EXEMPLO ILUSTRATIVO (SECÇÃO DE CLASSE 1)

Verificar a segurança da secção de um perfil IPE 270 de aço Aço S235 (f
y
=f
yd
=235MPa)
cujas caracteristicas geométricas são

A=45.95 cm
2
h
w
=249.6 mm t
w
=6.6 mm W
pl,y
=484 cm
3
A
v,z
=22.14 cm
3
,

a qual se encontra submetida à combinação de esforços M
y,Ed
=105 kNm e
V
z,Ed
=210 kN, a qual ocorre tipicamente em apoios intermédios de vigas contínuas.

RESOLUÇÃO

) ( .
.
) / . ( .
) / (
,
,
, , Ed z
0 M
y z v
Rd z pl
V kN 4 300
0 1
3 5 23 14 22
3 f A
V > =
×
= =
γ


kN 2 150 V 5 0 kN 210 V
Rd z pl Ed z
. .
, , ,
= > =

∴ ∴∴ ∴ É necessário considerar a interacção entre tensões normais e tangenciais

• No caso das secções em I com banzos iguais submetidas a flexão em torno do eixo de
maior inércia, o EC3-1-1 preconiza explicitamente a utilização da expressão


0 M
w
2
w z
y pl
Rd V y
t 4
A
W
M
γ
ρ
|
|
¹
|

\
|

=
,
, ,
com A
w
=h
w
t
w
(área da alma) − em geral, tem-se A
w
<A
v,z


para estimar o momento resistente da secção, tomando em consideração a influência
do esforço transverso. No entanto, apesar de designar esse momento resistente por
“plástico”, estipula que ele deve ser limitado pela condição

W
pl,y
f
y
/ γ
M0
(Classe 1 ou 2)
= ≤
Rd C, y, Rd V, y,
M M W
el,y
f
y
/ γ
M0
(Classe 3)
W
eff,y
f
y
/ γ
M0
(Classe 4)


Como a aplicação desta disposição ao caso das secções de Classe 3 ou 4 parece não fazer
sentido (o momento resistente da secção sem esforço transverso é “elástico”), ela será
apenas considerada em secções de classe 1 e 2.

Estruturas Metálicas (de Aço)

57


Estruturas Metálicas (de Aço)

58
159 0 1
4 300
210 2
1
V
V 2
2
2
Rd z pl
Ed z
z
.
.
, ,
,
=
|
¹
|

\
|

×
=
|
|
¹
|

\
|
− = ρ

) . ( . . .
,
2
z v
2 2
w
cm 14 22 A cm 47 16 10 6 6 6 249 A = < = × × =



kNm 91 109 10
0 1
235
6 6 4
47 16 159 0
10 484 M
6
2
3
Rd V y
.
. .
. .
, ,
= × ×
|
|
¹
|

\
|
×
×
− × =



kNm 9 109 M kNm 105 M
Rd V y Ed y
.
, , ,
= < =


∴ A resistência da secção está verificada


EXEMPLO ILUSTRATIVO (SECÇÃO DE CLASSE 4)

Verificar a segurança da secção soldada já considerada anteriormente (ver página 30)

10
400
6
10
800
300
y
z
G
(mm)
z
z
G
=444.32 mm (medido a partir da base)

É formada por chapas de aço S355 (f
y
=355MPa), tem cordões de soldadura de largura a=6 mm
e está sujeita a N
Ed
=390kN (compressão), M
y,Ed
=630 kNm (momento positivo) e V
z,Ed
=800 kN.

RESOLUÇÃO

) alma a área (
,
d mm 4800 6 800 A
2
z v
= × =

) ( .
.
) / (
) / (
,
,
, , Ed z
3
0 M
y z v
Rd z pl
V kN 8 983
0 1
10 3 355 4800
3 f A
V > =
× ×
= =

γ


kN 9 491 V 5 0 kN 800 V
Rd z pl Ed z
. .
, , ,
= > =

∴ ∴∴ ∴ É necessário considerar a interacção entre tensões normais e tangenciais

Estruturas Metálicas (de Aço)

59
3923 0 1
8 983
800 2
1
V
V 2
2
2
Rd z pl
Ed z
z
.
.
, ,
,
=
|
¹
|

\
|

×
=
|
|
¹
|

\
|
− = ρ

w yd y z w y
f MPa 7 215 355 3923 0 1 f 1 f
, ,
. ) . ( ) ( ≡ = × − = − = ρ ⇒ 044 1
7 215
235
w
.
.
= = ε

f yd y f y
f MPa 355 f f
, ,
≡ = = ⇒ 814 0
355
235
f
. = = ε

(I) Determinação de A
eff
e e
Ny
(N
Ed
)

• Secção Efectiva do Banzo Superior

mm 51 188 2 49 8 2 6 400 c . / ) . ( = × − − =
ψ=1.0 (banzo uniformemente comprimido) ⇒ k
σ
=0.43

k
σ
=0.43 ⇒
( )
748 0 244 1
43 0 814 0 4 28
10 51 188
K 4 28
t c
f
f
p
. .
. . .
) / . (
.
/
> =
× ×
= =
σ
ε
λ

682 0
188 0
2
p
p
.
.
=

=
λ
λ
ρ

mm 56 128 51 188 682 0 c b
eff c
. . .
,
= × = = ρ

mm 1 280 49 8 2 6 56 128 2 a 2 t b 2 b
w eff c banzo e
. . . ) (
, sup .
= × + + × = + + =

• Secção Efectiva do Banzo Inferior

mm 51 138 2 49 8 2 6 300 c . / ) . ( = × − − =
ψ=1.0 (banzo uniformemente comprimido) ⇒ k
σ
=0.43

k
σ
=0.43 ⇒
( )
748 0 914 0
43 0 814 0 4 28
10 51 138
K 4 28
t c
f
f
p
. .
. . .
) / . (
.
/
> =
× ×
= =
σ
ε
λ

869 0
188 0
2
p
p
.
.
=

=
λ
λ
ρ

mm 37 120 51 138 869 0 c b
eff c
. . .
,
= × = = ρ

mm 72 263 49 8 2 6 37 120 2 b
banzo e
. . . ) (
inf .
= × + + × =

Estruturas Metálicas (de Aço)

60
• Secção Efectiva da Alma

mm 02 783 49 8 2 800 b . ) . ( = × − =
ψ=1.0 (alma uniformemente comprimida) ⇒ k
σ
=4.0

k
σ
=4.0 ⇒
( )
673 0 200 2
4 044 1 4 28
6 02 783
K 4 28
t b
w
w
p
. .
. .
) / . (
.
/
> =
× ×
= =
σ
ε
λ

409 0
200 2
1 3 055 0 200 2
3 055 0
2 2
p
p
.
.
) ( . .
) ( .
=
+ −
=
+ −
=
λ
ψ λ
ρ

mm 26 320 02 783 409 0 b b
eff c
. . .
,
= × = = ρ

mm 13 160 b 5 0 b b
eff c 2 e 1 e
. .
,
= = =

mm 62 168 49 8 13 160 b
alma e
. . . ) ( = + = (junto de cada banzo)

A figura abaixo mostra a secção efectiva determinada.

263.72
168.62
168.62


• Cálculo de A
eff
e e
Ny


2
eff
mm 64 7461 6 62 168 2 10 72 263 1 280 A . ) . ( ) . . ( = × × + × + =

mm 89 418
64 7461
6 69 725 62 168 31 94 62 168 10 5 72 263 815 1 280
z
eff G
.
.
) . . . . ( ) . . (
) ( =
× × + × + × × + ×
=

mm 43 25 89 418 32 444 e
Ny
. . . = − = (↓)




Estruturas Metálicas (de Aço)

61
(II) Determinação de W
eff,y,min
(M
y,Ed
)

• Secção Efectiva do Banzo Superior

mm 1 280 49 8 2 6 56 128 2 b
b e
. . . ) (
sup .
= × + + × = (idêntico ao caso anterior)

• Secção Efectiva da Alma

- Cálculo de ψ na alma

280.1
1
σ
σ = ψ
2
1
σ


2
mm 10601 6 800 10 300 1 280 A = × + × + = ′ ) . (

mm 40 402
10601
410 6 800 10 5 300 815 1 280
z
G
.
) . (
=
× × + × × + ×
= ′

962 0
40 402 49 8 810
49 8 10 40 402
.
. .
) . . (
− =
− −
− −
− = ψ

962 . 0 − = ψ ⇒ 91 22 78 9 29 6 81 7 k
2
. . . . = + − = ψ ψ
σ
(Tabela 4.1 do EC3-1-5)

91 22 k . =
σ

( )
673 0 920 0 9196 0
91 22 044 1 4 28
6 02 783
K 4 28
t b
w
w
p
. . .
. . .
) / . (
.
/
> ≅ =
× ×
= =
σ
ε
λ

954 0
920 0
962 0 3 055 0 920 0
3 055 0
2 2
p
p
.
.
) . ( . .
) ( .
=
− −
=
+ −
=
λ
ψ λ
ρ


Estruturas Metálicas (de Aço)

62
- Cálculo de b
c
e das parcelas b
e1
e b
e2




mm 09 399
962 0 1
02 783
1
b
b
c
.
.
.
=
+
=

=
ψ


mm 73 380 09 399 954 0 b b
c eff
. . . = × = = ρ

mm 29 152 73 380 4 0 b 4 0 b
eff 1 e
. . . . = × = =

mm 44 228 73 380 6 0 b 6 0 b
eff 2 e
. . . . = × = =

mm 78 160 49 8 29 152 a b b
1 e alma e
. . . ) (
sup ,
= + = + =

mm 86 620 49 8 93 383 44 228 a b b b
t 2 e alma e
. . . . ) (
inf ,
= + + = + + =

A figura abaixo mostra a secção efectiva determinada.

280.1
300
160.78
620.86


• Cálculo do Módulo de Flexão Efectivo (W
eff,y,min
)

) base da partir a medido ( .
) (
mm 90 399
6 160.78) (620.86 10 280.1) (300
80.39) - (810 6 160.78 320.43 6 620.86 10 815) 280.1 5 (300
z
eff G
=
=
× + + × +
× × + × × + × × + ×
=



Estruturas Metálicas (de Aço)

63
4 2
2 2
2
3 3 3 3
eff y
mm 1200655040 9 399 39 80 810 6 78 160
43 320 9 399 6 86 620 9 399 815 10 1 280
5 9 399 10 300
12
78 160 6
12
86 620 6
12
10 1 280
12
10 300
I
= − − × × +
+ − × × + − × × +
+ − × × +
×
+
×
+
×
+
×
=
) . . ( .
) . . ( . ) . ( .
) . (
. . .
) (


3 eff y
f y eff
mm 995 2858021
9 399 820
I
W .
) . (
) (
) (
sup , min , ,
=

= (fibras superiores do banzo comprimido)

3 eff y
alma w y eff
mm 851 2927712
10 9 399 820
I
W .
) . (
) (
) (
, min , ,
=
− −
= (fibras superiores da alma)


(III) Verificação da Segurança

• Fibras Superiores do Banzo Comprimido

1 778 0 631 0 147 0
355 995 2858021
43 25 10 390 10 630
355 64 7461
10 390
f W
e N M
f A
N
3 6 3
f yd f y eff
Ny Ed Ed y
f yd eff
Ed
< = + =
=
×
× × + ×
+
×
×
=
+
+
. . .
.
.
. ) (
, sup , min , ,
,
,


• Fibras Superiores da Alma

1 255 1 013 1 242 0
7 215 851 2927712
43 25 10 390 10 630
7 215 64 7461
10 390
f W
e N M
f A
N
3 6 3
f yd f y eff
Ny Ed Ed y
f yd eff
Ed
> = + =
=
×
× × + ×
+
×
×
=
+
+
. . .
. .
.
. . ) (
, sup , min , ,
,
,


∴ ∴∴ ∴ A segurança da seccção não é verificada (nas fibras superiores da alma)

• Em alternativa, poder-se-ia ter utilizado o critério de von Mises, o que envolveria os
seguintes procedimentos:

(i) Determinar as tensões normais devidas a N
Ed
+ M
y,Sd
, o que obrigaria a calcular
as propriedades efectivas da secção (tal como foi feito anteriormente).

(ii) Determinar as tensões tangenciais devidas a V
z,Ed
, com base na secção bruta.

(iii) Determinar o ponto da secção onde o valor da tensão de comparação σ
comp,Ed
é
máximo e comparar esse valor com f
yd
– como é óbvio, admite-se que a tensão normal
σ
Ed
é nula nas zonas não efectivas da secção.

Estruturas Metálicas (de Aço)

64
(iv) Neste caso particular, a máxima tensão de comparação ocorreria na vizinhança do
nó alma-banzo superior – (i) nas fibras superiores do banzo comprimido (ponto 1 −
máxima tensão normal) ou (ii) nas fibras superiores da alma (ponto 2 − tensão
normal um pouco inferior ao valor máximo, mas tensão tangencial cerca do dobro da
anterior – ponto 2). Como a tensão de cedência é menor no ponto 2, este
condiciona a resistência da secção.

2
1


3.3.4 TORÇÃO

• Uma barra com secção de parede fina aberta submetida a um momento torsor T exibe
(i) rotação φ das suas secções transversais em torno do eixo da barra e (ii) deslocamentos
axiais de empenamento u (a secção deixa de estar contida num plano).


u
u
x
y
T
T
φ

Figura 3.11 – Barra submetida a momento torsor T – empenamentos u e rotações φ

• Se as secções puderem empenar livremente, isto é, se (i) os apoios da barra não impedirem
o empenamento e (ii) o momento torsor for constante, diz-se que a barra está submetida a
“Torção Uniforme” (ou “Torção de Saint-Venant”) – ver a figura 3.12.


Estruturas Metálicas (de Aço)

65

Figura 3.12 – Barra submetida a torção uniforme

• Se (i) o empenamento for restringido (impedido) em alguma secção (e.g., num apoio) ou
(ii) o momento torsor for variável, diz-se que a barra está submetida a “Torção Não-
Uniforme” – ver a figura 3.13 (o empenamento está impedido no encastramento).



Figura 3.13 – Barra submetida a torção não uniforme

• No caso da torção uniforme, as secções exibem deslocamentos axiais de empenamento que,
por serem iguas em todas as secções, não introduzem tensões normais. O momento torsor
T
sv
é equilibrado unicamente por tensões tangenciais τ
sv
, cuja determinação foi
estudada na disciplina de Resistência de Materiais.


Estruturas Metálicas (de Aço)

66
• No caso da torção não uniforme, para além das tensões tangenciais τ
sv
, desenvolvem-se
também (i) tensões normais σ
w
(devidas à restrição ao empenamento), cuja resultante se
designa por bimomento (B
w
) e (ii) tensões tangenciais τ
w
(também devidas à restrição ao
empenamento) que equilibram as tensões normais σ
w
. Deste modo, o momento torsor
resistente (T
R
) é constituído por duas parcelas (ver a figura 3.13)


w sv R
T T T + =



onde (i) T
sv
=GJφ’ (torção uniforme) e (ii) T
w
=–EI
w
φ’’’ (torção não uniforme) − φ é
o ângulo de rotação da secção em torno do eixo da barra. Conforme mostra a figura 3.13,
os valores relativos de T
sv
e T
w
variam ao longo do comprimento da barra.


T
w
T
sv
T

T=T
R
=T
sv
+T
w

Figura 3.13 – Parcelas T
sv
e T
w
do momento torsor resistente

• Para caracterizar o comportamento de torção de uma secção é necessário conhecer duas
propriedades geométricas: (i) a constante de torção de Saint-Venant (J), cuja
determinação se estudou na disiplina de Resistência de Materiais, e (ii) a constante de
empenamento (I
w
). Existem tabelas com expressões analíticas e/ou valores de J e I
w

para diversos tipos de secções.

• O EC3 estipula que o momento torsor devido ao empenamento (T
w,Ed
) pode ser desprezado
nas secções de parede fina fechada (por exemplo, secções RHS − secções tubulares
rectangulares). Em secções circulares tubulares circulares, T
w,Ed
é mesmo nulo (devido à
simetria radial da secção).
Resultante
de τ
sv

Resultante
de τ
w


Estruturas Metálicas (de Aço)

67
• O EC3 estipula também que o momento torsor de Saint-Venant (T
t
,
Ed
) pode ser desprezado
nas secções de parede fina aberta (por exemplo, em I ou H). Neste tipo de secções a
resistência à torção é devida, quase unicamente, à resistência das secções ao empenamento.

• Como o comportamento das secções de parede fina aberta é bastante complexo (devido
ao empenamento), aborda-se aqui apenas a torção das secções de parede fina fechada.

• Sabe-se, da Resistência dos Materiais, que a tensão tangencial elástica devido à torção de
Saint-Venant, em secções tubulares circulares (CHS) e rectangulares (RHS), é dada por

r
I
T
p
t
t
= τ ) (
4
i
4
e p
R R
2
I − =
π





t A 2
T
m
t
t
= τ ) )( ( t h t b A
m
− − =



3.3.4.1 VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA

• Em secções de Classe 1, 2, 3 ou 4 (a classificação das secções não envolve a resistência às
tensões tangenciais, inclusive as devidas à torção), tem-se

0 1
T
T
Rd
Ed
. ≤

• Dimensionamento Plástico

- Secções circulares

( )
3
f
R R
3
2
dr r r 2
3
f
T
yd 3
i
3
e
R
R
yd
Rd pl
e
i
− = × × =

π
π ) (
,


- Secções rectangulares

3
f
t A 2 T
yd
m Rd pl
) (
,
=
R
i
R
e
r


3
f
yd

3
f
yd
r

t

h
b
A
m

Estruturas Metálicas (de Aço)

68
• Dimensionamento Elástico

- Secções circulares

|
|
¹
|

\
|
− =
|
|
¹
|

\
|
=
3
f
R R
R 2 3
f
R
I
T
yd 4
i
4
e
e
yd
e
p
Rd el
) (
,
π


Observe-se que, para um dado valor de R
e
, quanto maior for o valor de R
i
(isto é, menor
o valor de t=(R
e
–R
i
)), mais pequena é a diferença entre os valores de T
el,Rd
e T
pl,Rd
.

- Secções rectangulares

Como a tensão tangencial se admite uniforme na espessura em regime elástico, os valores
das resistências elástica e plástica são idênticos: (T
Rd
)
el
=(T
Rd
)
pl
.

3.3.4.1.1 ESFORÇO TRANSVERSO (V
Ed
) + MOMENTO TORSOR (T
Ed
)

• Numa combinação V
Ed
+ T
Ed
, a verificação da segurança toma a forma

0 1
V
V
Rd T pl
Ed
.
. .


onde V
pl.T.Rd
é o esforço transverso resistente (plástico) da secção reduzido pela presença das
tensões tangenciais de torção (τ
t,Ed
− tensões elásticas). Nas secções tubulares, tem-se

− = =
0 M
y
Ed t
Rd pl Rd T pl
3 f
1 V V
γ
τ
) / (
,
. . .


3.3.4.1.2 MOMENTO FLECTOR (M
Ed
) + ESFORÇO TRANSVERSO (V
Ed
) + MOMENTO TORSOR (T
Ed
)

• Numa combinação M
Ed
+V
Ed
+T
Ed
em que o nível de esforço transverso seja elevado em
relação ao esforço transverso reduzido pelas tensões tangenciais de torção (V
Ed
>0.5V
pl.T.Rd
),
o factor de redução da tensão de cedência do aço na área de corte (ρ) +e dado por


2
Rd T pl
Ed
1
V
V 2
|
|
¹
|

\
|
− =
. .
ρ

Estruturas Metálicas (de Aço)

69



Estruturas Metálicas (de Aço)

70
• Alternativamente, pode sempre recorrer-se ao critério de von-Mises, que neste caso toma
a forma

0 1
f
3
f
2
0 M y
Ed
2
0 M y
Ed
.
/ /

|
|
¹
|

\
|
+
|
|
¹
|

\
|
γ
τ
γ
σ


Como se trata de um critério de resistência elástica, a sua utilização é (i) rigorosa, nas
secções de Classe 3 ou 4, e (ii) conservativa, nas secções de Classe 1 ou 2.

EXEMPLO ILUSTRATIVO (SECÇÃO CIRCULAR)

Determine o momento torsor resistente de dimensionamento (i) plástico e (ii)
elástico de um perfil de secção CHS 127×10 de aço S235, cujas geometria é definida
por (i) um diâmetro exterior igual a 127.0 mm e uma espessura de 10.0 mm.

RESOLUÇÃO

mm 5 63
2
127
R
e
. = = mm 5 53 10 5 63 t R R
e i
. . = − = − =

( ) ( ) Nmm 10 25 29
0 1 3
235
5 53 5 63
3
2
3
f
R R
3
2
T
6 3 3 yd 3
i
3
e Rd pl
× =
×
× − = − = .
.
. .
,
π π


( ) ( ) Nmm 10 07 27
0 1 3
235
5 53 5 63
5 63 2 3
f
R R
R 2
T
6 4 4 yd 4
i
4
e
e
Rd el
× =
×
× −
×
= − = .
.
. .
.
,
π π


EXEMPLO ILUSTRATIVO (SECÇÃO RECTANGULAR DE CLASSE 1)

Verifique a resistência da secção RHS 400×200×10 representada, de aço S235 e
submetida aos esforços M
y,Ed
=220kNm, V
z,Ed
=435 kN e T
Ed
=100kNm.



Estruturas Metálicas (de Aço)

71
RESOLUÇÃO

1) Esforço Transverso Resistente V
pl.T.Rd

− =
0 M y
Ed t
Rd z pl Rd T pl
3 f
1 V V
γ
τ
/ ) / (
,
, , , ,


0 M
y z v
Rd z pl
3
f A
V
γ ×
=
,
, ,


2 2
z v
mm 7600 2 10 380 mm 3 7733
400 200
400 11600
h b
h A
A = × × ≅ =
+
×
=
+
×
= .
,


kN 2 1049
0 1 3
235 3 7733
V
Rd z pl
.
.
.
, ,
=
×
×
=

2
6
m
Ed
Ed t
mm N 5 67
10 190 390 2
Nmm 10 100
t A 2
T
/ .
) (
) (
,
=
× × ×
×
= = τ

kN 6 527
0 1 3 235
5 67
1 2 1049 V
Rd T pl
.
. / ) / (
.
.
, ,
=

− × = (redução de cerca de 50%)

2) Interacção entre V
Ed
e M
pl,y,Rd

kN 3 263 V 5 0 kN 435 V
Rd T pl Ed z
. .
, , ,
= > = ⇒ É necessário considerar a interacção

3) Factor de Redução da Tensão de Cedência em A
v,z


424 0 1
7 526
435 2
1
V
V 2
2
2
Rd T pl
Ed
.
.
, ,
=
|
¹
|

\
|

×
=
|
|
¹
|

\
|
− = ρ

MPa 6 135 235 424 0 1 f 1
y
. ) . ( ) ( = × − = − ρ


alma

Estruturas Metálicas (de Aço)

72
4) Verificação da Segurança

0 1
6 135
4 95 10 190
0 1
235
2 195 10 200 M
Rd V y
.
.
) (
.
) (
, ,
× × × × + × × × × =




kNm 220 M kNm 2 281 M
Ed y Rd V y
= > =
, , ,
. ∴ ∴∴ ∴ A resistência da secção está verificada
Banzos
W
pl,y
Almas
W
pl,y

1

Estruturas Metálicas (de Aço)

ESTRUTURAS METÁLICAS (DE AÇO)
1. INTRODUÇÃO
• Em Portugal, as estruturas metálicas são quase exclusivamente utilizadas na construção de edifícios com fins de natureza industrial e/ou comercial (instalações fabris, armazéns, centros comerciais, pavilhões gimnodesportivos, etc.). Utilizam-se ainda frequentemente em pontes de pequeno porte e em passadiços para peões.

Figura 1.1 – Estruturas de edifícios industrial e comercial • Recentemente, tem-se observado a utilização de estruturas metálicas em várias obras “de prestígio” (e.g., na Expo 98), com grande impacto estético/visual, e ainda na reparação de estruturas deterioradas (constituídas por diversos materiais: betão, madeira, etc.).

Figura 1.2 – Edifícios (i) “Turning Torso” (Suécia) e (ii) “Burj Al Arab” (Dubai) • É (ainda) rara a utilização de estruturas metálicas em edifícios destinados a habitação ou a escritórios, apesar de esta tendência esteja a mudar lentamente. Existem várias razões para este facto, nomeadamente razões de natureza económica/comercial (não científica). 1

4 – Estruturas mistas aço-betão • O objectivo da primeira parte da disciplina de Estruturas Metálicas e Mistas (EMM) consiste em fornecer os conhecimentos necessários para o dimensionamento e verificação de segurança de estruturas constituídas por um conjunto de pórticos planos. Figura 1.3 – Estruturas de edifícios destinados a habitação • Tem-se ainda assistido recentemente a um incremento significativo da construção mista – elementos estruturais em que o aço e o betão (armado) trabalham conjuntamente.Estruturas Metálicas (de Aço) Figura 1. nomeadamente edifícios industriais correntes. Figura 1.5 – Pórticos planos com divesas configurações 2 .

2: Segurança ao Fogo (iii) Parte 1.10: Tenacidade 3 .5: Estruturas Laminares Planas (carregadas no seu próprio plano) (vi) Parte 1.8: Ligações (ix) Parte 1.Estruturas Metálicas (de Aço) Figura 1.6 – Estrutura tridimensional constituída por um conjunto de pórticos planos • Procurar-se-á proporcionar uma familiarização com a filosofia. o qual está já em vigor no nosso país com o estatuto de Norma Europeia (EN).9: Fadiga (x) Parte 1. os quais se encontram agrupados em 6 “Partes”: (i) (ii) Parte 1. • O Eurocódigo 3 (EC3) – Dimensionamento de Estruturas de Aço – é um de um conjunto de dez regulamentos estruturais europeus. É constituído pelos seguintes 17 documentos.3: Elementos e Chapas Enformados a Frio (iv) Parte 1.6: Cascas (vii) Parte 1. Após um “período experimental”. • Algumas disposições do Eurocódigo 3 (versões ENV ou EN) foram já introduzidas na disciplina de Estruturas Metálicas e/ou de Dimensionamento de Estruturas.4: Aços Inoxidáveis (v) Parte 1. que se estenderá até 2012-2013.7: Estruturas Laminares Planas Carregadas Transversalmente (viii) Parte 1. os fundamentos e a aplicação das disposições do novo Eurocódigo 3.1: Regras Gerais e Regras para Edifícios Parte 1. a utilização deste regulamento passará a ser obrigatória em todos os países da Comunidade Europeia.

Mastros e Chaminés (xv) Parte 4: Reservatórios. eventualmente. (ii) “Manual de Dimensionamento de Estruturas Metálicas”. de Rui Simões. 1. e (iii) “Manual de Dimensionamento de Estruturas Metálicas: Métodos Avançados”. • Apresentar-se-ão ainda vários anexos da Parte 1.1 (regras gerais e regras para edifícios). Silos e Condutas (xvi) Parte 5: Estacas (xvii) Parte 6: Estruturas de Aparelhos de Elevação • Nesta disciplina apenas se vão abordar disposições contidas nas Partes 1. 1. 4 . o segundo e terceiro abordam e ilustram a aplicação das disposições das Partes 1. os quais deixaram de figurar na nova versão (EN).Estruturas Metálicas (de Aço) (xi) Parte 1. • A restante bibliografia fornecida na disciplina tem um carácter mais abrangente e destinase a proporcionar conhecimentos fundamentais e/ou especializados sobre tópicos relacionados com a análise e o dimensionamento de estruturas metálicas (de aço). Enquanto o primeiro contém princípios fundamentais de estabilidade estrutural e métodos de análise não-linear de estruturas (esbeltas). referem-se ainda os livros (i) “Estabilidade Estrutural”.1 e 1.11: Estruturas com Elementos Traccionados (xii) Parte 1.1 da versão anterior do EC3 (ENV – estatuto de Pré-Norma Europeia).5 (estruturas laminares planas) e. • Para além destes apontamentos. de António Reis e Dinar Camotim.5 do EC3. (xiii) Parte 2: Pontes (xiv) Parte 3: Torres. algumas delas não chegarão msmo a ser traduzidas). fundamentais para o acompanhamento da primeira parte desta disciplina (Estruturas Metálicas). de Luís Simões da Silva e Helena Gervásio. Note-se que algumas das Partes referidas atrás não se encontram ainda traduzida em português – encontram-se em vários “estágios de evolução” (muito provavelmente.8 (ligações).12: Aços de Alta Resistência.

Estruturas Metálicas (de Aço) 2. o Dimensionamento e a Verificação da Segurança (DVS) de um pórtico plano envolve as seguintes etapas: (I) Classificação do Pórtico . Em seguida. para cada combinação de acções relevante.Necessidade de considerar efeitos de 2ª ordem (equilíbrio na configuração deformada – não linearidade geométrica) .Forças Equivalentes às Imperfeições 5 .Ligações Resistência (análise plástica) (II) Consideração das Imperfeições .Imperfeições Globais (do pórtico) . • Identificam-se e descrevem-se sucintamente as várias etapas. trata-se cada uma delas separadamente. SISTEMATIZAÇÃO DAS DISPOSIÇÕES DO EC3 RELATIVAS A PÓRTICOS PLANOS • A utilização do EC3 para dimensionar e verificar a segurança de pórticos planos envolve o cumprimento sequencial de um certo número de etapas que não se encontram explicita e/ou adequadamente identificados no texto do EC3. introduzindo os conceitos fundamentais e ilustrando a aplicação das respectivas disposições regulamentares.Imperfeições Locais (das barras) .Secção das barras (fenómenos de encurvadura local – esbelteza das paredes) Classe 1: Análise plástica (com formação de rótula plástica) Classe 2: Análise plástica (sem formação de rótula plástica) Classe 3: Análise elástica (secção bruta) Classe 4: Análise elástica (secção efectiva − “enfraquecida”) Rigidez (análise elástica) . definidas de modo a minimizar o (inevitável) grau de interdependência entre elas. • Pode dizer-se que.

Análise de 2ª ordem (geometricamente não-linear − várias possibilidades) (V) Verificação da Estabilidade do Pórtico .Análise Elástica Rígido-Plastica .Análise de 1ª ordem (geometricamente linear) .Fenómenos de Instabilidade (barras e/ou troços livres de barra – contraventamento) .Estados Limites de Utilização (Serviço) Vibrações 6 .Escolha e cálculo dos comprimentos de encurvadura das barras comprimidas (VI) Verificação da Segurança das Barras .Análise Plástica Elástica-Perfeitamente Plástica (conceito de rótula plástica − RP) Elasto-Plástica (espalhamento) (IV) Cálculo dos Esforços de Dimensionamento .Ligações mistas – parafusos + soldadura (VIII) Verificação da Deformabilidade do Pórtico Deslocamentos .Tensões Directas (secções) .Ligações aparafusadas Conjuntos de parafusos .Ligações soldadas – tipos de cordões de soldadura .Outros Fenómenos (VII) Verificação da Segurança das Ligações corte Parafusos tracção corte + tracção .Estruturas Metálicas (de Aço) (III) Escolha do Método de Análise Global .

Estruturas Metálicas (de Aço) • Para combinações de acções que incluam uma acção sísmica. no caso de haver ainda tempo disponível. • De uma maneira um pouco simplista. • Abordam-se em seguida os aspectos relacionados com a determinação dos esforços de dimensionamento e dos comprimentos de encurvadura. pode dizer-se que o processo de DVS de um pórtico plano pode subdividir-se nos seguintes grandes blocos: Dados: Geometria + Acções (I) – (V) Esforços de Dimensionamento Comprimentos de Encurvadura (VI) VS das Barra (VII) VS das Ligações Estados Limites de Serviço (ELS) (ou de Utilização) Deformabilidade Estados Limites Últimos (ELU) • Inicialmente. 7 . • Finalmente. aborda-se a Verificação da Segurança (VS) das barras. admitindo conhecidos os valores dos esforços de dimensionamento e dos comprimentos de encurvadura. apresentam-se alguns conceitos relativos à VS das ligações. há ainda que satisfazer as disposições relevantes do Eurocódigo 8 (EC8). Estas disposições serão abordadas na disciplina de “Dinâmica e Engenharia Sísmica”.

Estruturas Metálicas (de Aço) 3. condicionada pelos requisitos específicos de uma determinada aplicação. muitas vezes. os quais podem ser (i) interiores (ambas as extremidades apoiadas) ou (ii) salientes (uma extremidade apoiada e a outra livre). “hat”. “rack” e I • A classificação de uma secção está relacionada com a sua resistência e capacidade de rotação quando submetida a tensões normais. 8 . Z. Elemento interior Elementos salientes Elemento interior Figura 3. “rack” e I. C.1 – Geometria das secções dos erfis em U. C. VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA DAS BARRAS 3.2 – Defnição dos elementos (paredes) interiores e salientes de uma secção • Esta classificação destina-se a permitir avaliar a resistência última e a capacidade de rotação da secção. o que faz com que existam secções com uma enorme variedade de formas e dimensões (sobretudo no caso dos perfis enformados a frio).1 mostra as geometrias das secções de alguns dos perfis de aço utilizados com mais frequência em estruturas de edifícios: secções em U.1 CLASSIFICAÇÃO DAS SECÇÕES TRANSVERSAIS • A geometria da secção transversal dos perfis é. Figura 3. Essa classificação depende das dimensões e da tensão de cedência dos seus elementos (paredes) comprimidos. Z. A figura 3. “hat”. tomando em consideração a possibilidade da ocorrência de fenómenos de encurvadura local (das paredes da secção – a abordar mais adiante).

fy M Mpl EL M Mpl EL fy Mpl ϕpl ϕ ϕpl ϕ 9 . a qual depende da ordem de formação das rótulas plásticas na estrutura m análise). para além disso. mas sem ser possível garantir capacidade de rotação suficiente para que se forme uma rótula plástica (é necessário efectuar a verificação. fy M Mpl EL M Mpl EL fy Mpl ϕpl ϕ ϕpl ϕ (ii) Classe 2 – secções em que se pode atingir resistência plástica. as quais se caracterizam em seguida (aprsenta-se a exemplificação para o caso de uma secção a flexão pura) σ (σcr)EL Encurvadura Local 4 3 2 1 ε (i) Classe 1 – secções em que se pode atingir a resistência plástica e.Estruturas Metálicas (de Aço) • O EC3 considera 4 Classes de Secção. existe capacidade de rotação suficiente para que se forme uma rótula plástica.

a qual é posteriormente tratada como uma secção de classe 3. fy M Mpl Mel EL M Mel EL fy Mel ϕ ϕel ϕ (iv) Classe 4 – secções onde a ocorrência (prematura) de fenómenos de encurvadura local faz com que não se atinja sequer a tensão de cedência na fibra mais solicitada.Estruturas Metálicas (de Aço) (iii) Classe 3 – secções onde se pode atingir apenas a resistência elástica (tensão de cedência na fibra mais solicitada). em virtude de os fenómenos de encurvadura local impedirem que se chegue à resistência plástica. σmax < fy M Mpl Mel Mmax M Mpl Mel EL EL fy Mmax < Mel ϕ ϕ O processo de dimensionamento das secções de classe 4 envolve a substituição da secção bruta por uma secção efectiva. σ fy Zona não efectiva da secção σ fy 10 .

Estruturas Metálicas (de Aço) 11 .

Deste modo. (ii) v é o coeficiente de Poisson e (iii) b e t são a largura/comprimento e a espessura da placa. A bifurcação ocorre num modo de instabilidade (ou encurvadura) caracterizado por uma semi-onda tanto na direcção longitudinal (a da compressão) como na direcção transversal.1 – Fenómenos de encurvadura local em barras com secção em I.1 PLACAS UNIFORMEMENTE COMPRIMIDAS E SIMPLESMENTE APOIADAS • A tensão crítica de bifurcação elástica de uma placa quadrada “ideal” (geometricamente “perfeita”) simplesmente apoiada e uniformemente comprimida é dada por σ cr = 4 t 2   12(1 − v )  b  π 2E 2 . de grande importância no dimensionamento de estruturas metálicas constituídas por perfis com paredes muito esbeltas (por exemplo. enquanto os respectivos eixos permanecem indeformados (rectos). consistem na encurvadura das paredes dos perfis. A. 12 . é indispensável utilizar conceitos de estabilidade de placas para efectuar a verificação da segurança das barras em relação a estados limites últimos que envolvam este tipo de fenómenos de encurvadura. (A.Estruturas Metálicas (de Aço) ANEXO: FENÓMENOS DE ENCURVADURA LOCAL • Os “fenómenos de encurvadura local”.1 ilustra fenómenos de encurvadura local em barras de aço com secção em I.1) onde (i) E é o módulo de elasticidade. • A figura A. as vigas de alma cheia ou os perfis enformados a frio). Figura A.

4 mostra dois elementos estruturais constituídos por placas longas e submetidos a compressão: (i) uma coluna tubular e (ii) um painel reforçado. Em ambos os casos. pois são placas longas cujos bordos longitudinais se admitem (conservativamente) como simplesmente apoiados (i.1). a figura A. os valores de σcr são (praticamente) independentes do comprimento da placa (a) e do grau de restrição à rotação dos bordos transversais (de comprimento b). de comprimento igual à sua largura. Esta característica deve-se ao facto de o modo de encurvadura da placa envolver uma combinação de (i) várias semi-ondas longitudinais.3 – Modo de encurvadura de uma placa quadrada e uma placa longa • A título de exemplo.e. basta que se tenha a > 4 b). como é o caso das paredes das barras metálicas com secção de parede fina. pode dizer-se que uma placa longa se comporta como um “conjunto” de placas quadradas ligadas entre si..3. b σ b σ σ b a >>b σ b b b b b b b Placa quadrada Placa longa Figura A.Estruturas Metálicas (de Aço) σ/σcr b σ b σ 1 b b δ Figura A. sem restrição à rotação). 13 .2 – Bifurcação de equilíbrio e modo de encurvadura de uma placa quadrada “ideal” simplesmente apoiada e uniformemente comprimida • Em “placas longas” (a >>b − em termos práticos. Deste modo. conservativas) da tensão crítica das placas/paredes através de (A. podem obter-se estimativas (em geral. com (ii) uma única semi-onda transversal. conforme mostra a figura A. o que quer dizer que os resultados relativos a placas quadradas são também válidos para placas longas.

Observa-se que as tensões permanecem uniformes até à bifurcação.4 – Elementos estruturais constituídos por placas longas: (a) coluna tubular e (b) painel reforçado. em regime elástico.Estruturas Metálicas (de Aço) (a) (b) Figura A. Isto significa que. passando a exibir um andamento não linear após essa occorrência − dá-se uma redistribuição das tensões normais longitudinais. desenvolvem-se também tensões transversais de tracção na zona central da placa. Para além da redistribuição de σx. O comportamento de pós-encurvadura de uma placa (quadrada ou longa) comprimida “ideal” (sem imperfeições geométricas) é definido por 3 σ q = 1 + (1 − v 2 )  σ cr 8 t 2 . (A.6 mostra as distribuições das tensões normais longitudinais (σx) e transversais (σy) instaladas na placa na fase de pós-encurvadura. 14 . Por outro lado. a placa pode ainda suportar um aumento de carga considerável sem apresentar deslocamentos significativos.2) onde σ é a tensão aplicada e q o deslocamento transversal máximo por ela provocado. já referida. a figura A. um comportamento de pós-encurvadura (trajectória de equilíbrio) estável caracterizado por uma elevada “resistência pós-crítica” (ou “resistência de pós-encurvadura”). caracterizada por uma “transferência” da zona central (mais flexível ou “fraca”) para a vizinhança dos bordos longitudinais (zona mais rígida ou “forte”). as quais têm um papel crucial na resistência de pós-encurvadura (a tracção transversal aumenta a rigidez de flexão da zona central da placa − analogia com um cabo). • As placas comprimidas têm.5. onde se mostra também as distribuições das tensões de compressão na placa antes e depois da bifurcação. A trajectória de pós-encurvadura da placa está representada na figura A. mesmo após ocorrer a encurvadura (bifurcação).

Estruturas Metálicas (de Aço) σ/σcr σcr δ Figura A. de uma placa quadrada • A figura A. Observa-se que a resistência de pós-encurvadura das placas é muito superior à das colunas (quase desprezável). Enquanto é aceitável σ/σcr Placa Trajectórias de Pós-encurvadura Coluna Bifurcação 1 Trajectória Fundamental q/t Figura A. o que justifica a diferença entre os métodos de dimensionamento destes dois elementos estruturais.5 – Distribuições das tensões de compressão na placa antes e depois da bifurcação Figura A.6 – Distribuição de tensões. na fase de pós-encurvadura.7 – Trajectórias de equilíbrio de placas e colunas uniformemente comprimidas 15 .7 compara qualitativamente as trajectórias de equilíbrio de colunas e placas “ideais” comprimidas.

em que ponto da trajectória de pós-encurvadura) se tem σmax=fy. A. von Karman sugeriu uma metodologia aproximada baseada nas seguintes duas ideias fundamentais (uma delas é uma hipótese simplificativa que foi posteriormente validada experimentalmente): 16 . essa hipótese é claramente demasiado (excessivamente) conservativa no caso das placas.1. que corresponde ao estado limite último da placa (colapso iminente)? Na grande maioria dos regulamentos de estruturas metálicas. a resposta a esta questão envolve o conceito de “largura efectiva”.8 ilustra este facto.8 – Estado último (cedência da fibra mais solicitada) e colapso da placa quadrada • Subsiste a (muito importante) questão de saber para que carga (isto é .8.1 CONCEITO DE LARGURA EFECTIVA • A resposta mais lógica à questão colocada no ponto anterior consiste em admitir que o estado limite último da placa corresponde a atingir-se a tensão de cedência (fy) na fibra mais solicitada. de difícil determinação (é necessário um método numérico que contabilize o espalhamento da plasticidade). ao admitir esta hipótese se está a desprezar a “reserva de resistência elasto-plástica” da placa (o colapso dá-se quando se atinge um ponto limite da trajectória). σ Colapso Reserva de resistência elasto-plástica σmax = f y σmax = f y δ Figura A. de grande importância para o dimensionamento de estruturas metálicas constituídas por perfis de parede fina: qual o valor da tensão (carga). Note-se que. • Põe-se então a seguinte questão. Para resolver este problema. Esta situação está representada na figura A. já em fase de pós-encurvadura. Esta resistência adicional.Estruturas Metálicas (de Aço) admitir que σcr é a máxima tensão (carga) que as colunas podem suportar. é pequena e pode ser encarada como um “factor de segurança” − a figura A.

9. o valore do esforço normal (Nu) é então dado por fy b fy fy be /2 be /2 fy N u = ∫ σ ( y ) t dy = b t σ u (secção bruta) 0 b N u = be t f y (secção efectiva) onde σ u é a tensão média da placa no estado limite último (ou “colapso”). apenas se “substituiu o conceito de “pós-encurvadura” pelo conceito de “largura efectiva”. No estado limite último da placa. é indispensável a segunda “ideia” que se apresenta a seguir. Por outras palavras. a variação “exacta” da largura efectiva com a tensão aplicada (σm é a tensão média actuante na placa).Estruturas Metálicas (de Aço) IDEIA 1: Substituir a secção bruta com uma distribuição de tensões variável por uma “secção efectiva” submetida a uma distribuição de tensões uniforme (ambas estaticamente equivalentes ao esforço de compressão actuante) − a secção efectiva obtém-se removendo material da zona central da placa (a zona mais “fraca”). DIFICULDADE: Para determinar o valor de be é necessário conhecer a distribuição de tensões instalada na placa ( σ ( y ) ).9 – Variação da largura efectiva com a tensão actuante (placa simplesmente apoiada) 17 . apresenta-se na figura A. no estado último da placa (σmax=fy). mas sem dimnuir a complexidade do problema a resolver. a título ilustrativo. be / b 1 0.5 1 σm / σcr Figura A. Para simplificar o problema. Igualando as duas expressões. obtém-se σu = be fy b expressão que relaciona a tensão média no colapso com a largura efectiva. Antes disso.

tem-se σ cre  t  b   = σ cr   = f y =4 2   b  12(1 − v )  be   e π 2E 2 2 ⇒ be σ cr (mas sempre < 1) = b fy Finalmente. é necessário introduzir. onde σ1 é a máxima tensão de compressão e σ2 é a tensão actuante na outra extremidade da placa. vem σu = be f y = σ cr f y b expressão que permite determinar (aproximadamente) a tensão média no colapso a partir de duas quantidades fáceis de calcular − deste modo. utilizando a relação da página anterior. isto é. evita-se a necessidade de conhecer o comportamento de pós-encurvadura da placa. (A.Estruturas Metálicas (de Aço) IDEIA 2 (Hipótese Simplificativa): Na placa com a secção efectiva a encurvadura ocorre precisamente quando se atinge a tensão de cedência. na expressão que fornece σ u .3) π 2E 2 18 . Logo. o qual é dado pela expressão genérica σ1 σ1 σ2= ψσ1 (ψ > 0) t σ cr = kσ 2   12(1 − v )  b  σ2= ψσ1 (ψ < 0) . tem-se σcre=fy. A. definidas por um parâmetro ψ=σ1 / σ2. o valor correcto de σcr. vem σ cr = 4 t 2   12(1 − v )  b  π 2E 2 (placa real) 2 σ cre  t    =4 2  12(1 − v )  be   π 2E (placa efectiva − fictícia) Utilizando agora a hipótese simplificativa .2 PLACAS SUBMETIDAS A OUTRAS DISTRIBUIÇÕES DE TENSÕES No caso de placas submetidas a outras distribuições de tensões.

4 ESBELTEZA NORMALIZADA DE PLACA − LARGURA EFECTIVA • Tal como as restantes esbeltezas normalizadas (de coluna.1 – Valores de kσ A.2 do EC3-1-5).3 PLACAS COM OUTRAS CONDIÇÕES DE FRONTEIRA • A expressão (A.0 para a compressão pura (ψ=1 − problema estudado) e (ii) kσ=23. (ii) um 19 .1 e 4. enquanto (i) valores baixos e elevados de λ p (em relação a 1. refira-se que (i) kσ=4.4 para a flexão pura (ψ= −1 ).1 ilustra alguns valores de coeficientes de encurvadura. A título ilustrativo. A tabela A. de viga. Assim.0) indicam colapsos governados pela plasticidade e pela instabilidade. Condições de Fronteira Carga Compressão Uniforme Compressão Uniforme Coeficiente de encurvadura (kσ) 4. nomeadamente nas tabelas 4. nas tabelas 4.1 e 4.2 do EC3-1-5 (para duas condições de apoio: (i) quatro bordos simplesmente apoiados e (ii) três bordos simplesmente apoiados e um bordo livre). Os valores de kσ podem ser encontrados na literatura. definida como λp = fy σ cr é uma grandeza que traduz a importância relativa da plasticidade e da instabilidade no colapso da placa. etc.3) também se aplica a placas com outras condições de fronteira (apoio) − é válida para placas com combinações arbitrárias de distribuições de tensões actuantes e condições de apoio.0 0.).9 Tabela A. respectivamente. A.Estruturas Metálicas (de Aço) onde kσ é um coeficiente de encurvadura que depende da distribuição das tensões actuantes e pode ser encontrado na literatura (por exemplo. a “esbelteza normalizada de (uma) placa”.43 Flexão Pura 23.

Pode mostrar-se que este coefciente de redução relaciona também os valores de Nu (esforço normal último) e Npl (esforço normal de plastificação ou resistência plástica). De facto.Estruturas Metálicas (de Aço) valor de λ p próximo de 1. tomando em consideração (A. o valor de λ p é dado por 0. N u = be t f y = be b t f y = ρ N pl b • Com base neste conceito.0 significa que ambos os fenómenos têm uma influência significativa no colapso da placa. onde ρ é um coeficiente (ou factor) de redução. • No caso de uma placa constituída por uma aço com E=210 GPa (103 N/mm2).5 λp = b/t 28.4 ε kσ expressão que figura no EC3 e a partir da qual se obtém directamente o valor da largura efectiva da placa no seu estado limite último (be).3) e fazendo ε = [235 / f y ( MPa )] . • Tem-se então que be = ρ b . von Karman propôs a seguinte fórmula para determinar a resistência útima de uma placa (a qual corresponde à curva da figura abaixo) ρ = 1  1  ρ = λ p  se se λp ≤ 1 λp ≥ 1 σ ρ σcr fy 1 δ σ fy σcr δ λp 1 Note-se que os dois troços da curva correspondem ao colapso de placas em que se tem 1 / λp (i) σcr > fy (troço horizontal) e (ii) (i) fy >σcr (troço horizontal) expressão que figura no EC3 e a partir da qual se obtém directamente o valor da largura efectiva da placa 20 .

10 – Trajectórias de equilíbrio e estados limites últimos das placas “ideais” e “reais” • Para contabilizar a diminuição da carga última. estudada na disciplina de Estruturas Metálicas. A. Winter propôs. conforme mostra a figura A.22  ρ = λp 2  λ p ≤ 0.10. o correspondente estado limite último é atingido para uma carga mais baixa − ver a figura A.5 PLACAS “REAIS” (COM IMPERFEIÇÕES) • No caso das placas “reais”. existem maiores deslocamentos na placa “real” que na placa “ideal”. devido à presença das imperfeições geométricas e das tensões residuais. O conjunto “trajectória fundamental + trajectória de pós-encuvadura” das placas “ideais” é substuído por uma trajectória de equilíbrio não linear.673 se λ p ≥ 0. a substituição (modificação) da fórmula de von Karman por ρ = 1 se  λ p − 0.11).Estruturas Metálicas (de Aço) no seu estado limite último (be). deixa de ocorrer bifurcação de equilíbrio. A única (e muito importante) diferença reside na troca de “ 1 / λ 2 ” (colunas) por “ 1 / λ p ” (placas). é importante realçar a semelhança formal entre a fórmula de von Karman e a expressão da curva de dimensionamento de colunas perfeitas. com base num elevado número de resultados experimentais.673 21 . à qual estão associados deslocamentos de flexão desde o início do carregamento. as quais possuem imperfeições geométricas (sobretudo) e tensões residuais. para um determinado nível de carregamento. • Como. σ Placa “ideal” σcr σmax = fy Placa “real” q Figura A. o que traduz o facto de o dimensionamento de colunas não contabilizar qualquer resistência de pós-encurvadura (a curva de colunas fica “abaixo” da de placas − ver a figura A. Para além disso.10.

É interessante observar que.11 mostra uma comparação entre as curvas de dimensionamento (i) de von Karman. é interessante mencionar que Winter propôs originalmente o valor 0. que os valores do coeficiente 0. para valores de λ p superiores a cerca de 1. facto que reflecte a contabilização da resistência de pós-encurvadura (note que a diferença aumenta com λ p ). Figura A.25 para o coeficiente).Estruturas Metálicas (de Aço) expressão que ainda hoje figura em vários regulamentos. nomedamente no EC3. de Winter e baseada na tensão crítica de bifurcação. a curva de Winter (placas “reais”) passa a estar acima da curva baseada na tensão crítica de bifurcação (placas “ideais” ). Deve referir-se. • Finalmente. a figura A. (ii) de Winter e (iii) baseada na carga crítica de bifurcação (semelhante à curva de dimensionamento de colunas). 22 .673 têm sofrido variações resultantes de estudos mais recentes (a título de curiosidade.11 – Comparação entre curvas de dimensionamento de von Karman. no entanto.22 e da esbelteza limite 0.3.

3. • Os valores limites de esbelteza dos elementos comprimidos são fixados com base em análises estatísticas de resultados experimentais e/ou numéricos.5). • A classe de uma barra é maior das classes das suas secções. 3. através das Tabelas 5. • Os perfis soldados e as chapas utilizadas na construção mista têm frequentemente secções de classe 3 ou 4. no estado limite último.2 DETERMINAÇÃO DA CLASSE DE UMA SECÇÃO • A determinação da classe de uma secção faz-se classificando os seus elementos (paredes) comprimidos.Estruturas Metálicas (de Aço) 3.2 do EC3-1-1 (ver figs. pode sempre considerar-se o caso da compressão pura.g. • A classe de uma secção depende (i) dos esforços que nela actuam. e (ii) do aço que a constitui (ver tabelas). os quais contabilizam a influência de imperfeições geométricas iniciais. Depende ainda do tipo de elemento. o qual pode ser interior (tratado como simplesmente apoiado) ou saliente (tratado como apoiado-livre).. envolve o parâmetro ε = 235 / f y e o coeficiente de encurvadura kσ.4) e com base nos diagramas das tensões actuantes. • A classe de uma secção é maior das classes dos seus elementos comprimidos.2 a 3. • Um grande número de perfis laminados correntes (formados por aços de resistência “normal”) são de classe 1 ou 2 para qualquer solicitação (e. tensões residuais. etc. 23 . • A classificação faz-se com base na esbelteza dos elementos b/t. ver a tabela da fig. • A determinação da classe de uma secção submetida a flexão composta não é imediata – conservativamente.

Estruturas Metálicas (de Aço) Figura 3.2 24 .

3 25 .Estruturas Metálicas (de Aço) Figura 3.

Estruturas Metálicas (de Aço) Figura 3.4 26 .

5 27 .Estruturas Metálicas (de Aço) Figura 3.

quando submetida a flexão em torno do eixo de maior inércia composta com compressão de valor NEd=1300kN (Caso I) ou NEd=750kN (Caso II) RESOLUÇÃO • Classificação do Banzo Comprimido Compressão uniforme c= b − t w 210 − 11.2 > 42ε = 42 ⇒ Alma de classe 4 à compressão pura (classificação conservativa) t w 11.Cálculo do esforço normal de plastificação da alma 28 .2 ⇒ Banzo de classe 1 • Classificação da Alma c 468 = = 42.Estruturas Metálicas (de Aço) EXEMPLO ILUSTRATIVO b=210mm IPE 550 Aço S235 (fy=235 MPa = 235N/mm2) ⇒ ε=1 Área A=13440 mm2 t f =17.45 = = 5.45 (desprezando os raios de concordância) 2 2 c 99.1mm Classificar a secção representada.1 = = 99.2mm d=468mm t w =11.1 ∴ Nada se pode concluir (i) Determinação da classe da secção para NEd=1300kN (Caso I) Hipótese 1: Distribuição plástica de tensões no estado limite último da secção (classe 1 ou 2) .78 < 9ε = 9 tf 17.

1 × 235 × 10 −3 = 1221 kN Como Npl.Determinação da relação entre tensões na alma ψw ψw = − (75.55 mm .Estruturas Metálicas (de Aço) N pl .55 − 17.w = dt w f y = 468 × 11.33ψ w 0.2 = 502. portanto.85 mm 1.85 − 17.2 < = = 67.Determinação das alturas h1 e h2 h = 468 + 2 × 17.2) c 42ε 42 = 42.2) = −0.4 mm (desprezando os raios de concordância) h1 = 502.141 ⇒ Alma de classe 3 ∴ Secção de classe 3 (ii) Determinação da classe da secção para NEd=750kN (Caso II) Hipótese 1: Distribuição plástica de tensões no estado limite último da secção (classe 1 ou 2) 29 .4 = 426.177 h2 = h − h1 = 75.33 × 0.w=1221kN < NEd=1300kN. Hipótese 2: Distribuição elástica de tensões no estado limite último da secção (classe 3 ou 4) . pois numa secção de classe 4 não pode existir uma distribuição plástica de tensões.177 A fy 13440 × 235 . a alma estaria submetida a compressão uniforme e. seria de classe 4 – esta conclusão estaria em contradição com a hipótese admitida.36 tw 0.Determinação da relação entre tensões ψ Parcela da flexão Parcela da compressão fy h1 h h2 ψ fy c N Ed A N ψ f y = −σ f + Ed A fy =σ f + Eliminando σf ψ = 2 N Ed 2 × 1300 × 10 3 −1= − 1 = −0.141 > −1 (426.67 + 0.67 − 0.

w=1221kN > NEd=750kN. determina-se o parâmetro α. Assim.1 × 235 N Ed = cN tw f y ⇒ cN = αC = c cN 468 + 287.6 − Zonas plastificadas da secção devido ao esforço normal e ao momento flector 30 .2 > = = 41.807 − 1 c 456 ε 456 = 42.76 = 0. 750 × 10 3 = 287. i.18.05 tw 13α − 1 13 × 0. α= αC c = 377.5 468 c 396 ε 396 = 42.52 + = = 377.Estruturas Metálicas (de Aço) Como Npl. como mostra a figura 3.2 < = = 48.e.76 mm 2 2 2 Em seguida.807 > 0..807 − 1 ⇒ Alma de classe 2 ∴ Secção de classe 2 fy fy h αc c cN fy fy Zona da alma plastificada devido a NEd=750kN fy Zona da secção plastificada devido ao momento flector Figura 3.52mm 11. a linha neutra plástica cruza a alma. o qual corresponde à relação entre a altura da zona da alma comprimida (αc) e a altura total da alma (c).7 tw 13α − 1 13 × 0. o primeiro passo consiste em determinar a zona plastificada da alma devido ao esforço normal.

7 – Critérios (diagramas) de interacção não lineares No caso mais geral (comportamento tridimensional).y – MN.z.Critérios (diagramas) de interacção lineares equivalente a σ x .y e MN. Ed ≤ f yd . É habitual serem desenvolvidos critérios de interacção planos MN. • Secções de Classe 3 .10) onde f yd = f y / γ M 0 e γ M 0 é o coeficiente parcial de segurança (para o qual o EC3-1-1 propõe o valor 1. Em alternativa.3. em que a presença do esforço normal já está “embebida” nos valores de MN.0). (3.Ed + Mz.Resistência Elástica .Critérios (diagramas) de interacção não lineares N / Npl 1 Resistência plástica (a forma do diagrama varia de secção para secção) Resistência plástica (aproximação linear – conservativa) Resistência elástica 1 M / Mpl Figura 3.Ed) • Secções de Classe 1 e 2 .z.Estruturas Metálicas (de Aço) 3. pode utilizar-se um critério (diagrama) de interacção espacial (tridimensional).1 TENSÕES NORMAIS (NEd + My. existem N+My+Mz.3 RESISTÊNCIA A TENSÕES DIRECTAS 3.Resistência Plástica . 31 .

Estruturas Metálicas (de Aço)

N / Nel 1

1

M / Mel

Figura 3.8 – Critério de interacção linear

• Secções de Classe 4
- Resistência Elástica da secção efectiva

• Critérios que envolvem secções efectivas correspondentes à actuação individual de
cada um dos esforços actuantes (NEd, My,Ed, Mz,Ed)

• Equivalência a

σ x , Ed ≤ f yd
na reunião das secções efectivas.

f yd = f y / γ M 0

, (3.11)

• Já se estudaram, na disciplina de Estruturas Metálicas, as VS das secções de Classe 1 e 2. • A VS das secções de Classe 3 envolve apenas a resistência elástica e resume-se a um
simples problema de Resistência de Materiais.

• A VS das secções de Classe 4 é qualitativamente semelhante à das secções de Classe 3,
mas requer o conhecimento prévio das características geométricas da(s) secção (ões) efectivas envolvidas − propriedades efectivas. EXEMPLO ILUSTRATIVO (SECÇÃO DE CLASSE 2) Verificar a segurança da secção

32

Estruturas Metálicas (de Aço)

d=hw=249.6mm
IPE 270

A=45.94cm2 Wpl.y=484cm3 Wpl.z=96.95cm3

tw=6.6mm b=135mm tf=10.2mm

de aço S235 (fy=235MPa), sujeita aos esforços NEd=580kN, My,Ed=25.5 kNm e Mz,Ed=16.4 kNm RESOLUÇÃO

• Necessidade de contabilizar a redução de Mpl.y,Rd devida a NEd – EC3-1-1 (6.2.9.1) N pl , Rd = Af y = 4594 × 235 × 10 −3 = 1079.59 kN 1.0

γ M0

NEd=580kN > 0.25Npl,Rd=270kN N Ed = 580 kN > 0.5 N pl , w, Rd = 0.5 hwtw f y = 0.5 × 249.6 × 6.6 × 235 × 10 − 3 = 193.56 kN 1

γ M0

∴ É necessário reduzir Mpl.y,Rd (bastava uma das condições)
• Necessidade de contabilizar a redução de Mpl.z,Rd devida a NEd – EC3-1-1 (6.2.9.1) N Ed = 580 kN > N pl , w, Rd = hwtw f y = 249.6 × 6.6 × 235 × 10 − 3 = 387.12 kN 1

γ M0

∴ É necessário reduzir Mpl.z,Rd
• Como a secção está submetida a flexão desviada, adopta-se o critério
 M y , Ed   M z , Ed    +  ≤1  M N , z , Rd   M N , y , Rd 
α β

onde (i) MN,y,Rd e MN,z,Rd são momentos plásticos reduzidos pela presença de NEd e (ii) α e β são constantes que dependem do tipo da secção Secção em I: α = 2 ; β = 5 n mas β ≥ 1
n= N Ed 580 = = 0.537 ⇒ β=2.685 > 1.0 N pl , Rd 1079.59

33

Estruturas Metálicas (de Aço)

34

Estruturas Metálicas (de Aço) 35 .

74 (1 − 0. Ed   M   25. Rd  α β ∴ A segurança da secção está verificada • Nota: Se se utilizasse o critério linear (mais simples) – EC3-1-1 6.537 ) = 65. z .59 113.401  2  M N .720 = 1.2. y . y .74 kNm 1. Rd (1 − n ) (1 − 0.Rd   n − a 2    1 −    1−a     n=0. Rd = 113. Rd = M pl .61 kNm (> M z . Ed  ≤ 1 ⇒  + = 0.61     M N . Ed ) (1 − 0.5 16.5 × 1. z . z .5 × 0.0 A − 2bt f   45. Rd 1 −    = 21.94    M N .5. z × f y γ M0 96.  = min{0.537 M pl . 0. tem-se 2 2.2   16.401) n ≤ a: MN.02   a = min 0. Rd 1079.481 > 1 N pl .  = min 0.627 < 1    65.Rd=Mpl.87 kNm ( > M y .5 a ) M pl .74 22.1 (7) M y .z.z. y . y .z.401 A  45. z .5. Ed )   1 − 0.94 − 2 × 13.4  +  z . Rd M pl .477 = 0.Rd=Mpl.5.401     Finalmente. Rd = M pl . Rd = e a=0. y . Rd M pl .537 + 0.z. y × f y γ M0 = 484 × 10 3 × 235 × 10 −6 = 113.87   21.95 × 10 3 × 235 × 10 −6 = 22. y .224 + 0. Ed M z .537 − 0.15 + 0.Estruturas Metálicas (de Aço) M N .4 + + = + + = 0.685  M y . Rd   M N . z .401} = 0.78 ∴ A segurança da secção não seria verificada (o critério linear é muito conservativo) 36 .Rd n > a: MN. Ed N Ed 580 25. Rd = W pl .78 kNm 1.0   0.401 = ⇒ n>a W pl .

1 SECÇÕES DE CLASSE 4 • A VS das secções de Classe 4 requer.y.9 – Tipos de secções efectivas numa secção em I • Em secções bissimétricas e monossimétricas tem-se eNy=eNz=0 e eNy=0 ou eNz=0.z. constata-se que.min é determinado numa secção efectiva obtida admitindo que na secção bruta actua apenas Mz. • Deste modo.z.Estruturas Metálicas (de Aço) 3.1. eNy e eNz são determinados numa secção efectiva obtida admitindo que na secção bruta actua apenas Nc. no caso mais geral. • O valor de Weff.min (fibra com tensão máxima) • Os valores de Aeff.3. 37 .min é determinado numa secção efectiva obtida admitindo que na secção bruta actua apenas My.min (fibra com tensão máxima) (iv) Módulo de flexão efectiva Weff. A figura 3. no caso mais eral.Ed. o conhecimento dos valores das seguintes características geométricas: (i) Área Efectiva Aeff (ii) Excentricidades eNy e eNz (afastamento em relação ao eixo – nova posição de G) (iii) Módulo de flexão efectiva Weff. Figura 3.9 ilustra as secções efectivas de uma secção em I com banzos iguais.Ed.Ed (esforço nomal de compressão) • O valor de Weff.y. existem três secções efectivas diferentes.

Estruturas Metálicas (de Aço) 3.1.Elementos Salientes ρ=1.4 ε kσ λp = σ cr = . (b) A partir do valore de kσ. determinar o factor de redução ρ. através da expressão fy b/t 28. (ii) Determinar os valores e a localização das larguras efectivas nos elementos comprimidos paralelos ao eixo de flexão.673 para λ p > 0. através das tabelas 4. através de expressões que dependem de o elemento ser interno ou saliente: . (3.1 e 4.748 38 .748 para λ p > 0.3.2 do EC3-1-5.0 ρ= λ p − 0.1 DETERMINAÇÃO DE UMA SECÇÃO EFECTIVA • Passos (i) Determinar os valores de ψ (os quais definem o diagrama das tensões actuantes) nos elementos (paredes) comprimidos paralelos ao eixo de flexão.1.0 2 λp para λ p ≤ 0.0 ρ= λ p − 0.12) (c) A partir dos valores de λ p e ψ. através do seguinte procedimento: (a) A partir do valor de ψ. determinar o coeficiente de encurvadura kσ .673 [com (3 + ψ ) ≥ 0 )] .Elementos Internos ρ=1.055(3 + ψ ) 2 λp para λ p ≤ 0. determinar a esbelteza normalizadas de placa λ p . com base nos valores dos esforços actuantes e nas propriedades da secção bruta.188 ) ρ=1.

Estruturas Metálicas (de Aço) 39 .

as parcelas que constituem a largura efectiva do elemento comprimido (be1 e be2). determinar os valores das larguras efectivas (bc. z . min Weff . Ed + N Ed eNz + + ≤ f yd = y Aeff Weff . (v) Determinar a(s) propriedade(s) efectiva(s) relevante(s). com base nos valores dos esforços actuantes e nas propriedades de uma “secção fictícia”.eff.1 e 4. (3. (iv) Determinar os valores e a localização das larguras efectivas nos elementos comprimidos perpendiculaes ao eixo de flexão.1 e 4.3.14) • OBSERVAÇÕES (i) A aplicação das equações de interacção faz-se para a fibra mais solicitada pertencente à reunião de todas (no máximo três) secções efectivas. (e) Se for necessário (i. Ed f M z . constituída pelas respectivas áreas brutas e pelas áreas efectivas dos elementos paralelos ao eixo de flexão (já determinadas em (ii)). Os valores de Weff.13) • Flexão desviada composta com compressão f N Ed M y . Ed + N Ed eNy M z .1.1. 3. min γ M0 . min Weff .z.y. a partir de bc. 40 . z .eff . tem-se sempre ψ = 1. é imediato obter as respectivas áreas efectivas (Ac.Estruturas Metálicas (de Aço) (d) Uma vez conhecido o valor de ρ.. y .2 do EC3-1-5.e. y .min dizem respeito a essa fibra. através do procedimento descrito em (ii). determinar.min e Weff. (iii) Determinar os valores de ψ nos elementos (paredes) comprimidos perpendiculares ao eixo de flexão.2 do EC3-1-5 − a partir dos valores de bc.eff). min γ M0 . (3.2 VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA • Flexão desviada composta com tracção M y . se a largura efectiva não for “contínua”). • NOTA: No caso de uma secção submetida a compressão pura.eff) dos elementos comprimidos através das tabelas 4. Ed N Ed + + ≤ f yd = y A Weff . também através das tabelas 4.

Área: A = (400 + 300 ) × 10 + 800 × 6 = 11800 mm 2 6 mm a .49mm a 41 . EXEMPLO ILUSTRATIVO Verificar a segurança da secção 400 10 y zG 6 800 10 z 300 (mm) zG=444. a qual varia de caso para caso.Cordões de soldadura: a=6mm ⇒ a = 6 2 = 8. o valor da parcela associada ao esforço correspondente será nulo. sujeita aos esforços NEd=390kN (compressão ou tracção) e My.32 mm (medido a partir da base) formada por três chapas de aço S355 (fy=355MPa) soldadas entre si (cordões de soldadura de largura a=6 mm).Ed=630 kNm (momento flector positivo) RESOLUÇÃO -ε= 235 235 = = 0.Estruturas Metálicas (de Aço) (ii) No caso de a fibra mais solicitada não pertencer a alguma das secções efectivas. (iii) Os sinais das parcelas dependem da combinação de compressões e tracções. Não podem “somar-se” compressões e tracções e é conveniente adoptar a convenção de atribuir sinal positivo à tensão “dominante” (compressão ou tracção).814 fy 355 .

49 ) / 2 = 188.49 = 280.814 × 0.56 mm (be )banzo. inf = 2 × 120.682 × 188.682 2 λp bc .56 + 6 + 2 × 8.748 28. eff + tw + 2a = 2 × 128.49 ) / 2 = 138.02mm ψ=1.51 / 10 ) = 0.0 (banzo uniformemente comprimido) ⇒ kσ=0.914 > 0.43 ρ= λ p − 0.4 × 0.51 / 10 ) = 1.37 + 6 + 2 × 8.49 ) = 783.51 = 120.51mm ψ=1.43 kσ=0.72mm • Secção Efectiva da Alma b = (800 − 2 × 8.37 mm (be )banzo.43 ⇒ λ p = (c / t ) f 28.0 (banzo uniformemente comprimido) ⇒ kσ=0.748 28. eff = ρ c = 0.188 = 0.43 ρ= λ p − 0.869 × 138. sup = 2bc .51mm ψ=1.0 (alma uniformemente comprimida) ⇒ kσ=4.1mm • Secção Efectiva do Banzo Inferior c = (300 − 6 − 2 × 8.43 kσ=0.4 × 0.49 = 263.244 > 0.4ε Kσ = (188. eff = ρ c = 0.Estruturas Metálicas (de Aço) (I) Determinação de Aeff e eNy (NEd) • Secção Efectiva do Banzo Superior c = (400 − 6 − 2 × 8.0 42 .869 2 λp bc .814 × 0.51 = 128.188 = 0.43 ⇒ λ p = (c / t ) f 28.4ε Kσ = (138.

823 − 0.055(3 + 1) = = 0.8232 λp bc .49 = 136.52 × 741.52 263.Ed) • Secção Efectiva do Banzo Superior (be )b.72 • Cálculo da área efectiva (Aeff) e da excentricidade (eNy) Aeff = ( 280.52 × 78.327 2 2.Estruturas Metálicas (de Aço) kσ=4.52 136. 136.74 ) × 6 = 419. eff = ρ b = 0.03 + 8. sup = 2 × 128.0 ⇒ λ p = (b / t ) w 28.814 × 4 ρ= λ p − 0.52) × 6 = 7076.72 × 5) × 10 + (136.02 / 6 ) = 2.1 + 263.4 × 0.5bc .95 mm (↓) (II) Determinação de Weff.03mm (be )alma = 128.05mm be1 = be 2 = 0.44mm 2 ( zG ) eff = ( 280.02 = 256.327 × 783.44 eNy = 444.37 = 24. eff = 128.72) × 10 + ( 2 × 136.37 mm 7076.26 + 136.32 − 419.823 > 0.52mm (junto de cada banzo) A figura abaixo mostra a secção efectiva determinadas.min (My.49 = 280.1mm (idêntico ao caso anterior) 43 .1 × 815 + 263.055(3 + ψ ) 2.y.673 28.56 + 6 + 2 × 8.4ε Kσ = (783.

49 − 402.Cálculo de bc e das parcelas be1 e be2 bc = b 783.768 2 λp 1.40 − 10 − 8.78ψ 2 = 22.179 2 .02 / 6 ) = 1.814 × 22.02 = = 399.91 ρ= λ p − 0.673 28.49 ) = −0.29ψ + 9.962) = = 0.179 − 0.179 > 0.91 ⇒ λ p = (b / t ) w 28.4ε Kσ = (783.Cálculo de ψ na alma 280.055(3 + ψ ) 1.1 × 815 + 300 × 5) × 10 + 800 × 6 × 410 = 402.962 44 .4 × 0.Estruturas Metálicas (de Aço) • Secção Efectiva da Alma .09 mm 1 − ψ 1 + 0.81 − 6.962 810 − 8.91 (Tabela 4.1 do EC3-1-5) kσ = 22.Cálculo de ρ na alma ψ = −0.40 ψ =− .962 ⇒ kσ = 7.1 σ1 σ2 = ψ σ1 A′ = ( 280.40 mm 10601 (402.055(3 − 0.1 + 300 ) × 10 + 800 × 6 = 10601mm 2 ′ zG = ( 280.

09 mm (be )alma .1 × 10 3 6 × 576.67 ) = 2731561.55 − 389. 280. min )inf = ( I y )eff (389.67 ) 2 = = 1175472955 mm 4 (Weff .Estruturas Metálicas (de Aço) beff = ρbc = 0.55) = (300 + 280. y . y . min )sup = ( I y )eff (820 − 389.65.02 − 399.32 300 • Cálculo do Módulo de Flexão Efectivo (Weff.09) × 6 = 389.67 ) 2 + + 576.67 ) = 3016585.sup = be1 + a = 122.09 ) + 8.1 × 815) × 10 + 576.06 × 6 × (810 .32 × 6 × (389.9 + (783.50 = 183.323 6 × 131.50 mm be1 = 0.4 beff = 0.09 3 + + + + 12 12 12 12 + 300 × 10 × 384 2 + 280.1 × 10 × (815 − 389.32 + 131.4 × 306.09 576.6 × 306.16 ) 2 + 131.1) × 10 + (576.32 × 6 × 298.6 mm be 2 = 0.min) ( zG ) eff = (300 × 5 + 280.49 = 131.09 × 6 × (810 − 65.768 × 399.714 mm 3 45 .50 = 122.72 mm 3 (Weff .09 = 306.6 + 8.9 mm ( be ) alma .6 beff = 0.67 mm ( medido a partir da base) ( I y ) eff = 300 × 10 3 280.16 + 131.y.inf = be 2 + bt + a = 183.67 − 298.49 = 576.1 131.32mm A figura abaixo mostra a secção efectiva determinada.

y . Ed N Ed 390 × 10 3 630 × 10 6 − + = + = 0..093 + 0. min )sup f yd 11800 × 355 2731561. y . não havia qualquer dúvida que a segurança da secção seria verificada.Estruturas Metálicas (de Aço) (III) Verificação da Segurança f yd = fy γ M0 = 355 = 355 MPa 1.681 < 1.Fibras superiores M + N Ed eNy N Ed 390 × 10 3 630 × 10 6 + 390 × 10 3 × 24.0 Af yd (Weff . y . Por outro lado.95 + y . portanto.44 × 355 2731561.0 • NEd=390kN (Compressão) . que não correspondem ao valor mínimo do módulo de flexão efectivo.557 < 1.0 Af yd (Weff . min )inf f yd 11800 × 355 3016585. 46 .155 + 0.588 = 0.660 = 0. Ed = + = Aeff f yd (Weff .e.650 = 0.0 ∴ A segurança da secção está verificada • NEd=390kN (Tracção) .Fibras inferiores M y .10 durante a fase construtiva (i. Ed N Ed 390 × 10 3 630 × 10 6 − + =− + = −0. enquanto o betão está “fresco” e. não desempenha funções resistentes − traduz-se apenas por uma acção).093 + 0. min )sup f yd 7076.72 × 355 ∴ A segurança está verificada . como a compressão é sempre mais penalizadora que a tracção. EXEMPLO ILUSTRATIVO Verificar a segurança da chapa de pavimento misto representada na figura 3.72 × 355 = 0.714 × 355 ∴ A segurança está verificada • NOTA: As fibra mais solicitada são as inferiores.815 < 1.Fibras superiores M y .

0 mm c = 14.10 – Geometria.0mm Figura 3.5mm t = 1. dimensões e acções da chapa de pavimento misto 47 .5mm h = 54.Estruturas Metálicas (de Aço) p L=2.60 m h Betão H H = 120mm t y Secção Transversal b/2 c b ZG a c b/2 y a = 150.0mm b = 60.

Chapa de pavimento: HI Bond 55 com fy=320MPa ε= 235 = 0.03º A = ( 2 × 30.857 320 .09 kNm / m (momento máximo − meio vão) 8 (II) Características Geométricas da Secção Bruta .91) × 1.438 kN / m / m (carga uniformemente distribuída) Chapa Betão Coeficiente de majoração M y .91mm (comprimento das paredes inclinadas) cos15.5 = 15.438 × 2.83 × 9.6 2 = 1.83 mm 2 (célula com 150mm de largura) A= 232.Valor do momento actuante máximo p = (12.15 ( m ) .83 = 1552.25 × 60.Centro de gravidade zG=27mm (a partir da linha média) .8 × 10 −3 + 0.Área α = arctg 14.2 mm 2 / m (área por metro de largura) 0.Momento de inércia: c b Ia=Ibcos2α + Icsen2α a a α c 48 .0925 × 25 ) = 2.5 × = 3.5 + 2 × 55.Estruturas Metálicas (de Aço) RESOLUÇÃO (I) Dados .0 = 232.03º 54 54 = 55. Ed 2.

222 > 0.4 × 0.96mm • Secção Efectiva das Almas .92 = 19. eff = ρ c = 0.222 2 λp bc .0 ρ= λ p − 0.25 × 1.0 )] × 1.5 = 39.25 + 2 × 55.92 mm be1 = be 2 = 0.0 × 27.15 (II) Determinação de Weff.0 × 27 2  + 2 ×  × cos2 (15.0 kσ=4.5 + (39.913 × 1.02 mm ( medido a partir da base da secção) 49 .Estruturas Metálicas (de Aço)  60.03) + 12 12    +  55.5bc .0 3 × sen 2 (15.0 = 213.5 / 1.0 3   55.0 (banzo uniformemente comprimido) ⇒ kσ=4.92 + 1.5 + 2 × 55.91 + (39.313] = 115389.92 + 1.5 × 39.179 − 0.5 = 59.055(3 + ψ ) 1.5 mm ψ=1.857 × 4.29 mm 4 ( por célula ) Iy = 115389.0 ) = 1.91 × 1.4ε Kσ = (59.08 + 2 × [13584.03) = 12  = 88219.9 mm 4 / m 0.91 × 1.min (My.5 × 1.79 + 0.0 ) × 54.Ed) • Secção Efectiva do Banzo Superior c = 60.96 mm b e1 b e1 b e1 = be2 = 19.673 28.0 Iy = 2×  + 60.5 = 213.y.24 = 25.671 × 59.055(3 + 1) = = 0.Cálculo de ψ nas almas A′ = [2 × 30.0 × 0.5 × 1.0 ⇒ λ p = (c / t ) f 28.5 − 2 × 0.29 = 769261.24 mm 2 ′ zG = ( por célula ) 2 × 30.671 2 1. eff = 0.

min (zG)eff = 25.02) 2 + 12 + 2 × (13584.5 × 1. Ed Weff .02 = = −0.Estruturas Metálicas (de Aço) ψ= σ2 − 24.0 × ( 27.92 × 1.78ψ 2 = 19.75 ∴ A alma é toda efectiva • Cálculo de Weff.0 = ∴ A resistência da chapa está verificada 3.79 + 0.5 − 25.Cálculo de bc e das parcelas be1 e be2 ψ = −0.762 × 1.0 3 + 60.829 σ 1 (53 − 24.91 − 2 × 0.1 do EC3-1-5) b = 55. y .5 − 25.02 mm ( I y ) eff = 60.Ed + Vy.042 + 36374.829 ⇒ kσ = 7.313) + 55. 3 ou 4 (a classificação das secções não tem qualquer relação com a resistência às tensões tangenciais) • O valor de cálculo do esforço transverso VEd deve satisfazer a condição 50 .91 / 1.15 ( por célula ) (III) Verificação da Resistência M y .944 = 98132.857 × 19.81 − 6.29ψ + 9.91 × 1.427 mm 4 / m 0.673 28.464 mm 4 ( I y )eff = 98132.3.4ε Kσ = (54.039 + 27857.02 − 0.439 + 33895.443 < 1. mim f yd 3.2 TENSÕES TANGENCIAIS (Vz.5 × 1.0 ) = 0.5 = 54.Ed) • Secções de Classe 1.0 × (54.09 × 10 6 = 0.75 (Tabela 4.91 mm kσ = 19.0 × ( 25.464 = 654216.508 < 0.5 ) 2 + 40. 2.4 × 0.0 320 21821.02) 2 = [ ] = 5.75 ⇒ λ p = (b / t ) w 28.y.02) .

18) • Em secções em I ou H em que a relação entre Af (área de um banzo) Aw (área da alma) satisfaz a condição Af / Aw ≥ 0. só se adopta quando tal é indispensável. aproximadamente.15) onde Vc. nomeadamente na verificação da segurança de secções de Classe 3 ou 4 submetidas a combinações de esforço transverso. • O valor de Vc. a tensão tangencial na alma (provocada por um esforço transverso paralelo a ela) pode ser determinada. a qual depende da sua geometria e do sentido de actuação esforço transverso. (3. • O dimensionamento elástico é conservativo e. (3.6 .Rd é o valor de cálculo da resistência da secção ao esforço transverso.Estruturas Metálicas (de Aço) VEd ≤ 1. Rd = Av ( f y / 3 ) . Rd . momento flector e/ou momento torsor.0 ( 3 γ M0 ) .17) fy onde τEd é determinado através de expressão (já conhecida da Resistência de Materiais) τ Ed = VEd S It . por esse motivo. (3.0 Vc . (3.Rd (valor de cálculo da resistência plástica).Rd obtém-se a partir da condição τEd ≤ 1. dado por Vc . Rd = V pl .Rd é igual a Vpl. Vc. através da expressão VEd Aw τ Ed = .20) 51 . No caso do dimensionamento plástico.16) γ M0 onde Av é a área de corte da secção. (3.Rd=Vel.

Estruturas Metálicas (de Aço) 52 .

Estruturas Metálicas (de Aço) 53 .

23) No caso das secções de Classe 4.3. Rd  2 . y . no caso de se ter VEd ≤ 0. Rd e/ou V y . Essa redução da tensão de cedência é definida por:  2V  com ρ z =  z . • Se Vz . Ed > 0. y . cuja expessão é fy 2 2 σ comp .21) Av. pode adoptar-se um procedimento alternativo: verificar a resistência da secção através do bem conhecido critério de von-Mises. (3.5 V pl . • No caso de secções de Classe 3 ou 4. a presença de esforço transverso superior a 50% da resistência plástica da secção influencia as propriedades efectivas (“aproxima-as” das propriedades brutas). z . Rd (o esforço transverso actuante não excede 50% da resistência plástica da secção ao corte).3.z : fy → (1-ρz) fy (3.Ed) + TENSÕES TANGENCIAIS (VZ.Ed + VY. o valor de σ Ed é nula nas zonas não efectivas da secção. Ed = σ Ed + 3σ Ed ≤ f yd = γ M0 . Ed − 1 V   pl . Rd  2 Av.5 V pl . a influência do esforço transverso pode ser desprezada e a resistência da secção é condicionada unicamente pelas tensões normais (situação já abordada na secção 3.Ed + VY. Ed > 0.5 V pl . Para além disso.Ed) • O EC3 estipula que.3 TENSÕES NORMAIS (NEd + My. 54 .y. • Observe-se que a redução da tensão de cedência pode fazer baixar a classe da secção.Estruturas Metálicas (de Aço) 3.1). Rd o EC3 preconiza que a influência do esforço transverso (i) tem que ser considerada e (ii) pode ser traduzida por uma redução da tensão de cedência do aço na(s) respectiva(s) área(s) de corte Av.y : fy → (1-ρy) fy  2V  com ρ y =  y . nas secções de Classe 4 (sem e com redução de fy). z .22) • Verifica-se então a resistência às tensões normais de uma secção transversal “enfraquecida” (pela redução da tensão de cedência) em uma ou em ambas as áreas de corte. as quais apenas podem atingir uma resistência elástica. (3.z e/ou Av. Ed − 1 V   pl .

Estruturas Metálicas (de Aço) 55 .

Estruturas Metálicas (de Aço) EXEMPLO ILUSTRATIVO (SECÇÃO DE CLASSE 1) Verificar a segurança da secção de um perfil IPE 270 de aço Aço S235 (fy=fyd=235MPa) cujas caracteristicas geométricas são A=45.y fy / γM0 (Classe 1 ou 2) (Classe 3) (Classe 4) Como a aplicação desta disposição ao caso das secções de Classe 3 ou 4 parece não fazer sentido (o momento resistente da secção sem esforço transverso é “elástico”). estipula que ele deve ser limitado pela condição Wpl.C.V. tomando em consideração a influência do esforço transverso. tem-se A < A = w ww w v. a qual se encontra submetida à combinação de esforços My.2 kN ∴ É necessário considerar a interacção entre tensões normais e tangenciais • No caso das secções em I com banzos iguais submetidas a flexão em torno do eixo de maior inércia.V . No entanto. Rd = Av . o EC3-1-1 preconiza explicitamente a utilização da expressão  ρ A2  W pl . ela será apenas considerada em secções de classe 1 e 2.95 cm2 hw=249.y fy / γM0 Weff.Ed=210 kN. Rd γ M0 para estimar o momento resistente da secção. Rd = 150. Ed ) 1.14 cm3 . z . z ( f y / 3 ) = 22. y − z w   4 tw   com A =h t (área da alma) − em geral. Ed = 210 kN > 0.6 mm Wpl.Rd ≤ M y.4 kN ( > Vz . 56 .y=484 cm3 Av.5 / 3 ) = 300. RESOLUÇÃO V pl .5 V pl .Ed=105 kNm e Vz.z=22.z M y .0 γ M0 Vz .Rd = Wel.14 × ( 23.6 mm tw=6. a qual ocorre tipicamente em apoios intermédios de vigas contínuas. z .y fy / γM0 M y. apesar de designar esse momento resistente por “plástico”.

Estruturas Metálicas (de Aço) 57 .

z .6 × 10 −2 = 16. tem cordões de soldadura de largura a=6 mm e está sujeita a NEd=390kN (compressão). Ed = 800 kN > 0. Ed ) 1. Rd =  484 × 10 3 −   1. Rd  2 Aw = 249.0 γ M0 Vz .6 × 6. Ed = 105 kNm < M y .14 cm 2 )  0. z = 800 × 6 = 4800 mm 2 (área da alma ) V pl .V . RESOLUÇÃO Av . Rd = 109.91 kNm 4 × 6. z .4   V pl .V .8 kN (> Vz . z = 22.9 kN ∴ É necessário considerar a interacção entre tensões normais e tangenciais 58 .Ed=630 kNm (momento positivo) e Vz.159 × 16. Rd = 491.47 cm 2 (< Av . z ( f y / 3 ) = 4800 × (355 / 3 ) × 10 −3 = 983. Ed   2 × 210    = ρz =  −1 − 1 = 0.159   300.32 mm (medido a partir da base) É formada por chapas de aço S355 (fy=355MPa).9 kNm ∴ A resistência da secção está verificada EXEMPLO ILUSTRATIVO (SECÇÃO DE CLASSE 4) Verificar a segurança da secção soldada já considerada anteriormente (ver página 30) 400 10 y zG 6 800 10 z 300 (mm) zG=444. My.47 2  235 −6 × M y .6   M y .Estruturas Metálicas (de Aço) 2  2Vz .0 × 10 = 109.5 V pl . z .Ed=800 kN. Rd = Av .

0 (banzo uniformemente comprimido) ⇒ kσ=0. w = (1 − ρ z ) f y = (1 − 0.49 = 280.748 28.7 f y .8   V pl .49 = 263.43 ⇒ λ p = (c / t ) f 28.51mm ψ=1.43 ⇒ λ p = (c / t ) f 28.044 215. Rd  2 f y .43 ρ= λ p − 0.4 × 0.3923) × 355 = 215.7 MPa ≡ f yd .37 + 6 + 2 × 8.244 > 0.51 = 120.814 × 0.Estruturas Metálicas (de Aço) 2  2Vz .188 = 0.4 × 0. f ⇒ ε f = (I) Determinação de Aeff e eNy (NEd) • Secção Efectiva do Banzo Superior c = (400 − 6 − 2 × 8.43 ρ= λ p − 0.56 mm (be )banzo.1mm • Secção Efectiva do Banzo Inferior c = (300 − 6 − 2 × 8.43 kσ=0.4ε f Kσ = (188.51mm ψ=1.56 + 6 + 2 × 8.0 (banzo uniformemente comprimido) ⇒ kσ=0.869 2 λp bc .869 × 138.3923   983.914 > 0.51 / 10 ) = 0.748 28.682 2 λp bc .49 ) / 2 = 138. eff = ρ c = 0. Ed   2 × 800    = ρz =  −1 − 1 = 0. f = f y = 355 MPa ≡ f yd .49 ) / 2 = 188.51 = 128.814 × 0.72mm 59 .188 = 0.43 kσ=0. eff = ρ c = 0.37 mm (be )banzo.51 / 10 ) = 1.814 355 235 = 1. eff + tw + 2a = 2 × 128. inf = 2 × 120.682 × 188. w ⇒ ε w = 235 = 0. z . sup = 2bc .4ε f Kσ = (138.

eff = 160.62mm (junto de cada banzo) A figura abaixo mostra a secção efectiva determinada.Estruturas Metálicas (de Aço) • Secção Efectiva da Alma b = (800 − 2 × 8.409 × 783.055(3 + ψ ) 2.4ε w Kσ = (783.31 + 168.72 • Cálculo de Aeff e eNy Aeff = ( 280.49 = 168.0 ⇒ λ p = (b / t ) w 28.1 + 263.43mm (↓) 60 .69 ) × 6 = 418.1 × 815 + 263.89 = 25.4 × 1.055(3 + 1) = = 0.200 − 0. eff = ρ b = 0.62 × 725.62) × 6 = 7461.49 ) = 783.72) × 10 + ( 2 × 168.89 mm 7461.5bc .673 28.02mm ψ=1.26 mm be1 = be 2 = 0.200 2 bc .200 > 0.64 mm 2 ( zG ) eff = ( 280.32 − 418. 168.62 263.13 + 8.64 eNy = 444.62 168.0 kσ=4.409 2 λp 2.0 (alma uniformemente comprimida) ⇒ kσ=4.13mm (be )alma = 160.02 / 6 ) = 2.044 × 4 ρ= λ p − 0.72 × 5 ) × 10 + (168.02 = 320.62 × 94.

49 − 402.40 mm 10601 ψ =− (402.91 (Tabela 4.40 − 10 − 8.Estruturas Metálicas (de Aço) (II) Determinação de Weff.81 − 6.49 ) = −0.40 ψ = −0.91 ⇒ λ p = (b / t ) w 28.920 > 0.920 2 61 .29ψ + 9.y.962) = = 0.4 × 1.1 + 300 ) × 10 + 800 × 6 = 10601mm 2 ′ zG = ( 280.49 = 280.962 ⇒ kσ = 7.91 ρ= λ p − 0.1mm (idêntico ao caso anterior) • Secção Efectiva da Alma .min (My.1 × 815 + 300 × 5) × 10 + 800 × 6 × 410 = 402.055(3 + ψ ) 0.1 σ1 σ2 = ψ σ1 A′ = ( 280.954 2 λp 0.78ψ 2 = 22.044 × 22. sup = 2 × 128.02 / 6 ) = 0.9196 ≅ 0.56 + 6 + 2 × 8.920 − 0.673 28.962 810 − 8.4ε w Kσ = (783.Cálculo de ψ na alma 280.Ed) • Secção Efectiva do Banzo Superior (be )b.055(3 − 0.1 do EC3-1-5) kσ = 22.

93 + 8.73mm be1 = 0.44 + 383. inf = be 2 + bt + a = 228.02 = = 399.min) ( zG ) eff = (300 × 5 + 280.78 × 6 × (810 .sup = be1 + a = 152.Estruturas Metálicas (de Aço) .44 mm (be )alma .Cálculo de bc e das parcelas be1 e be2 bc = b 783.6 beff = 0.73 = 228.09 mm 1 − ψ 1 + 0.49 = 160.86 mm A figura abaixo mostra a secção efectiva determinada.1 × 815) × 10 + 620.1 160.78 mm (be )alma .y.78 620.43 + 160.29 + 8.73 = 152.86 × 6 × 320.4 × 380.962 beff = ρbc = 0.86 + 160.954 × 399.39) = (300 + 280.86 300 • Cálculo do Módulo de Flexão Efectivo (Weff.49 = 620.78) × 6 = 399. 280.29 mm be 2 = 0.4 beff = 0.1) × 10 + (620.80.90 mm ( medido a partir da base) 62 .09 = 380.6 × 380.

9 ) + 620.242 + 1.39 − 399. min ) w.013 = 1.995 × 355 = 0. alma = ( 820 − 399. min ) f .778 < 1 • Fibras Superiores da Alma M y . y . y .1 × 10 3 6 × 620. y .43 + = + = Aeff f yd . 63 .1 × 10 × (815 − 399.86 3 6 × 160.Ed.7 2927712. poder-se-ia ter utilizado o critério de von Mises.147 + 0.255 > 1 ∴ A segurança da seccção não é verificada (nas fibras superiores da alma) • Em alternativa. (iii) Determinar o ponto da secção onde o valor da tensão de comparação σcomp. f (Weff . (ii) Determinar as tensões tangenciais devidas a Vz.64 × 215.86 × 6 × (399. o que obrigaria a calcular as propriedades efectivas da secção (tal como foi feito anteriormente). o que envolveria os seguintes procedimentos: (i) Determinar as tensões normais devidas a NEd + My.851 × 215.sup = ( I y )eff (820 − 399.Sd. Ed + N EdeNy N Ed 390 × 10 3 630 × 10 6 + 390 × 10 3 × 25. f 7461. Ed + N Ed eNy N Ed 390 × 10 3 630 × 10 6 + 390 × 10 3 × 25. admite-se que a tensão normal σEd é nula nas zonas não efectivas da secção. f 7461.78 3 + + + + 300 × 10 × (399.64 × 355 2858021.7 = 0.Ed é máximo e comparar esse valor com fyd – como é óbvio.Estruturas Metálicas (de Aço) ( I y ) eff = 300 × 10 3 280.sup f yd .9 − 10 ) = 2927712. min ) f . f (Weff . min ) f .631 = 0.9 ) 2 = 1200655040 mm 4 (Weff .9 − 5 ) 2 + 12 12 12 12 2 + 280.9 − 320.9 ) ( I y ) eff = 2858021.sup f yd . y .995 mm3 (fibras superiores do banzo comprimido) (Weff .851 mm 3 (fibras superiores da alma) (III) Verificação da Segurança • Fibras Superiores do Banzo Comprimido M y .43) 2 + + 160. com base na secção bruta.78 × 6 × (810 − 80.43 + = + = Aeff f yd .

64 . 1 2 3.Estruturas Metálicas (de Aço) (iv) Neste caso particular. Como a tensão de cedência é menor no ponto 2.4 TORÇÃO • Uma barra com secção de parede fina aberta submetida a um momento torsor T exibe (i) rotação φ das suas secções transversais em torno do eixo da barra e (ii) deslocamentos axiais de empenamento u (a secção deixa de estar contida num plano). este condiciona a resistência da secção.3.11 – Barra submetida a momento torsor T – empenamentos u e rotações φ • Se as secções puderem empenar livremente.12. diz-se que a barra está submetida a “Torção Uniforme” (ou “Torção de Saint-Venant”) – ver a figura 3. isto é. u T x T y u φ Figura 3. a máxima tensão de comparação ocorreria na vizinhança do nó alma-banzo superior – (i) nas fibras superiores do banzo comprimido (ponto 1 − máxima tensão normal) ou (ii) nas fibras superiores da alma (ponto 2 − tensão normal um pouco inferior ao valor máximo. mas tensão tangencial cerca do dobro da anterior – ponto 2). se (i) os apoios da barra não impedirem o empenamento e (ii) o momento torsor for constante.

τsv. diz-se que a barra está submetida a “Torção NãoUniforme” – ver a figura 3.Estruturas Metálicas (de Aço) Figura 3. por serem iguas em todas as secções. num apoio) ou (ii) o momento torsor for variável.13 (o empenamento está impedido no encastramento).13 – Barra submetida a torção não uniforme • No caso da torção uniforme. Figura 3.g. cuja determinação foi 65 .12 – Barra submetida a torção uniforme • Se (i) o empenamento for restringido (impedido) em alguma secção (e.. as secções exibem deslocamentos axiais de empenamento que. O momento torsor Tsv é equilibrado unicamente por tensões tangenciais estudada na disciplina de Resistência de Materiais. não introduzem tensões normais.

Tw T Tsv T=TR=Tsv+Tw Figura 3.Estruturas Metálicas (de Aço) • No caso da torção não uniforme. Deste modo. Tw. para além das tensões tangenciais τsv. cuja resultante se designa por bimomento (Bw) e (ii) tensões tangenciais τw (também devidas à restrição ao empenamento) que equilibram as tensões normais σw. secções RHS − secções tubulares rectangulares). os valores relativos de Tsv e Tw variam ao longo do comprimento da barra. desenvolvem-se também (i) tensões normais σw (devidas à restrição ao empenamento).13 – Parcelas Tsv e Tw do momento torsor resistente • Para caracterizar o comportamento de torção de uma secção é necessário conhecer duas propriedades geométricas: (i) a constante de torção de Saint-Venant (J). 66 .13.13) TR = Tsv + Tw Resultante de τsv Resultante de τw onde (i) Tsv=GJφ’ (torção uniforme) e (ii) Tw=–EIwφ’’’ (torção não uniforme) − φ é o ângulo de rotação da secção em torno do eixo da barra. o momento torsor resistente (TR) é constituído por duas parcelas (ver a figura 3.Ed é mesmo nulo (devido à simetria radial da secção). Conforme mostra a figura 3. cuja determinação se estudou na disiplina de Resistência de Materiais. Existem tabelas com expressões analíticas e/ou valores de J e Iw para diversos tipos de secções.Ed) pode ser desprezado nas secções de parede fina fechada (por exemplo. Em secções circulares tubulares circulares. e (ii) a constante de empenamento (Iw). • O EC3 estipula que o momento torsor devido ao empenamento (Tw.

• Sabe-se. é dada por Tt r Ip τt = Ip = π 2 ( Re4 − Ri4 ) Re Ri r t T τt = t 2 Am t Am = (b − t )( h − t ) h b Am 3.0 TRd • Dimensionamento Plástico . • Como o comportamento das secções de parede fina aberta é bastante complexo (devido ao empenamento).Estruturas Metálicas (de Aço) • O EC3 estipula também que o momento torsor de Saint-Venant (Tt. 3 ou 4 (a classificação das secções não envolve a resistência às tensões tangenciais. tem-se TEd ≤ 1. Rd = ∫ Re Ri 2π 3 (Re − Ri3 ) f yd ( × 2πr × r ) dr = 3 3 3 f yd f yd r 3 . 2.Secções circulares Tpl .Secções rectangulares Tpl . da Resistência dos Materiais.1 VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA • Em secções de Classe 1.Ed) pode ser desprezado nas secções de parede fina aberta (por exemplo. Neste tipo de secções a resistência à torção é devida. aborda-se aqui apenas a torção das secções de parede fina fechada. Rd = ( 2 Amt ) f yd 3 f yd 3 67 . à resistência das secções ao empenamento. inclusive as devidas à torção). quase unicamente. em secções tubulares circulares (CHS) e rectangulares (RHS).3. em I ou H). que a tensão tangencial elástica devido à torção de Saint-Venant.4.

3.Rd).2 MOMENTO FLECTOR (MEd) + ESFORÇO TRANSVERSO (VEd) + MOMENTO TORSOR (TEd) • Numa combinação MEd + VEd + TEd em que o nível de esforço transverso seja elevado em relação ao esforço transverso reduzido pelas tensões tangenciais de torção (VEd > 0.Rd e Tpl. Rd = V pl . Rd  2 68 .1 ESFORÇO TRANSVERSO (VEd) + MOMENTO TORSOR (TEd) • Numa combinação VEd + TEd. quanto maior for o valor de Ri (isto é. Rd = I p  f yd  π 4 4  f yd    3  = 2 R ( Re − Ri )  3     Re     e Observe-se que.Secções rectangulares Como a tensão tangencial se admite uniforme na espessura em regime elástico. a verificação da segurança toma a forma VEd V pl . menor o valor de t=(Re–Ri)). Rd ≤ 1. para um dado valor de Re.4. Ed  =  ( f y / 3)    γ M0   V pl . mais pequena é a diferença entre os valores de Tel.Rd.Ed − tensões elásticas).T.T . .1.3.3.T .5Vpl.Secções circulares Tel .Estruturas Metálicas (de Aço) • Dimensionamento Elástico . os valores das resistências elástica e plástica são idênticos: (TRd)el=(TRd)pl.4.0 onde Vpl. tem-se     1 − τ t . o factor de redução da tensão de cedência do aço na área de corte (ρ) +e dado por  2VEd  ρ = − 1 V   pl . Nas secções tubulares.Rd é o esforço transverso resistente (plástico) da secção reduzido pela presença das tensões tangenciais de torção (τt.T.T .1. Rd 3.

Estruturas Metálicas (de Aço) 69 .

Estruturas Metálicas (de Aço) • Alternativamente.5 mm Tpl .Ed=435 kN e TEd=100 kNm.53 )× 235 = 29. EXEMPLO ILUSTRATIVO (SECÇÃO CIRCULAR) Determine o momento torsor resistente de dimensionamento (i) plástico e (ii) elástico de um perfil de secção CHS 127×10 de aço S235.0  f /γ   f /γ   y M0   y M0  2 2 Como se trata de um critério de resistência elástica. de aço S235 e submetida aos esforços My.0 EXEMPLO ILUSTRATIVO (SECÇÃO RECTANGULAR DE CLASSE 1) Verifique a resistência da secção RHS 400×200×10 representada. Vz. e (ii) conservativa.0 mm.5 4 − 53. Rd = π 2 Re (R 4 e − Ri4 ) f yd 3 = π 2 × 63. a sua utilização é (i) rigorosa.0 Tel .53 − 53. pode sempre recorrer-se ao critério de von-Mises.5 mm 2 Ri = Re − t = 63.5 (63. 70 . cujas geometria é definida por (i) um diâmetro exterior igual a 127.5 − 10 = 53. nas secções de Classe 1 ou 2.07 × 10 6 Nmm 3 × 1.5 4 )× 235 = 27.25 × 106 Nmm 3 3 3 3 × 1. nas secções de Classe 3 ou 4. RESOLUÇÃO Re = 127 = 63.Ed=220 kNm. Rd = 2π 3 (Re − Ri3 ) f yd = 2π (63. que neste caso toma a forma  σ Ed      + 3  τ Ed  ≤ 1.0 mm e uma espessura de 10.

5 N / mm 2 2 Amt 2 × (390 × 190 ) × 10   67.T.T .Rd   τ t .T .7   V pl . z . z .0  2) Interacção entre VEd e Mpl.T .424 ) × 235 = 135. z .3 kN ⇒ É necessário considerar a interacção 3) Factor de Redução da Tensão de Cedência em Av.424   526. Rd = 263. Rd 1 −   ( f y / 3) / γ M 0    V pl . Rd = 7733.Rd Vz . Rd = Av . z = A × h 11600 × 400 = = 7733. Ed V pl .Estruturas Metálicas (de Aço) RESOLUÇÃO 1) Esforço Transverso Resistente Vpl.6 MPa 71 .0 τ t .5 V pl .6 kN (redução de cerca de 50%)  ( 235 / 3 ) / 1. Ed = 435 kN > 0.3 × 235 = 1049. Rd  2 (1 − ρ ) f y = (1 − 0.y.T .z 2  2VEd   2 × 435    = ρ = −1 − 1  = 0. Ed = TEd 100 × 10 6 ( Nmm) = = 67. Rd = 1049.2 × 1 −  = 527.5 V pl .3 mm 2 ≅ 380 × 10 × 2 = 7600 mm 2 b+h 200 + 400 V pl .2 kN 3 × 1. Rd = V pl . z f y 3 ×γ M0 alma Av .

y M y .0 1.0 Almas Wpl. Rd = ( 200 × 10 ) × 195 × 2 × Banzos Wpl. Ed = 220 kNm 235 135. Rd = 281.2 kNm > M y .V .6 + (190 × 10 ) × 95 × 4 × 1.Estruturas Metálicas (de Aço) 4) Verificação da Segurança M y .V .y ∴ A resistência da secção está verificada 72 .

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