3º EM A – 3º bimestre de 2010 – Profª Deborah Martini ®

1- O texto a seguir é de Arlindo Barbeitos, poeta angolano. Leia-o identifique a estrutura e o tema do texto:

"borboletas de luz" borboletas de luz esvoaçando de cadáver em cadáver colhem o fedor dos mortos em vão e pelos buracos da renda dos dias passam alacres do mundo do esquecimento ao país da indiferença levando consigo o pólen fatal das flores da guerra borboletas de luz (Na leveza do luar crescente) http://betogomes.sites.uol.com.br/ArlindoBarbeitos.htm (a) (b) (c) (d) Trata-se de um poema que desenvolve o tema da morte na guerra. Trata-se de um poema que desenvolve o tema das borboletas. Trata-se de uma dissertação que desenvolve o tema das flores que nascem durante as guerras. Trata-se de uma reformulação que desenvolve o tema da luz.

Leia os poemas abaixo e responda as questões 2 e 3 Meus oito anos Casimiro de Abreu Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias Do despontar da existência! - Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar - é lago sereno, O céu - um manto azulado, O mundo - um sonho dourado, A vida - um hino d'amor! Que aurora, que sol, que vida, Que noites de melodia Naquela doce alegria, Naquele ingênuo folgar! O céu bordado d'estrelas, A terra de aromas cheia As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar! Oh! dias da minha infância! Oh! meu céu de primavera! Que doce a vida não era Nessa risonha manhã! Em vez das mágoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minhã irmã! Livre filho das montanhas, Eu ia bem satisfeito, Da camisa aberta o peito, - Pés descalços, braços nus Correndo pelas campinas A roda das cachoeiras, Atrás das asas ligeiras Das borboletas azuis! Naqueles tempos ditosos Ia colher as pitangas, Trepava a tirar as mangas, Brincava à beira do mar; Rezava às Ave-Marias, Achava o céu sempre lindo. Adormecia sorrindo E despertava a cantar! Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! - Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras A sombra das bananeiras Debaixo dos laranjais! Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

OS MEUS OTTO ANNO Juò Bananere O Chi sodades che io tegno D'aquillo gustoso tempigno, C'io stava o tempo intirigno Brincando c'oas mulecada.

Che brutta insgugliambaçó, Che troça, che bringadêra, Imbaxo das bananêra, Na sombra dus bambuzá. Che sbornia, che pagodêra, Che pandiga che arrelía, a genti sempre afazia No largo d'Abaxo o Piques. Passava os dia i as notte Brincando di scondi-scondi, I atrepáno nus bondi, Bulino c'os conduttore. Deitava sempre di notte, I alivantava cidigno. uguali d'un passarigno, Allegro i cuntento da vita. Dibia un caffé ligêro, Pigava a penna i o tintêro Iva curréno p'ra scuóla. Na scuóla io non ligava! nunga prestava tençó, Né nunga sapia a liçó. O professore, furioso, C'oa vadiação ch'io faceva, Mi dava discompostura; Ma io era garadura i non ligava p'ra elli. Inveiz di afazê a liçó, Passava a aula intirigna, Fazéno i giogáno boligna Ingoppa a gabeza dos ôtro. O professore gridava, Mi dava un puxó de oreglio, I mi butava di gioeglio inzima d'un grão di milio. Di tardi xigava in gaza, Comia come un danato, Puxava u rabbo du gatto, Giudiava du gaxorigno, Dulia co'a guzignêra, Brigava c'oa migna ermá; I migna mái p'rá cabá, Mi dava una brutta sova. Na rua, na visinhança, Io era mesmo un castigo! Ninguê puteava commigo! Bulia con chi passaga, Quebrava tuttas vidraça, I giunto co Bascualino Rubava nus bottechino, A aranxia pera du Rio. Viva amuntado nus muro, Trepado nas larangiêra; I sempre ista bringadéra

Cabava n'un brutto tombo. Mas io éra incorrigive, I logo nu otro dia, Ricominciava a relia, Gaia traveis di novo! A migna gaza vivia Xiingna di genti, assim!!... Che iva dá parti di mim. Sembrava c'un gabinetto Di quexa i regramaçó. Mei páio, pobre goitado, Vivia atrapagliado P'ra si liverá dos quexozo. I assi di relia in relia, Passê tutta infança migna, A migna infança intirigna. Che tempo mais gotuba, Che brutta insgugliambaçó, Che troça, che bringadêra, Imbaxo das bananêra, Na sombra dus bambuzá! http://www.bananere.art.br/p19 2- Pode-se dizer que o poema de Juò Bananere é uma: (a) estilização do poema de Casimiro de Abreu (b) reformulação explicativa do poema de Casimiro de Abreu (c) análise crítica do poema de Casimiro de Abreu (d) paródia do poema de Casimiro de Abreu 3- Pode-se dizer que, em relação aos espaços dos poemas que, os poemas Meus oito anos e Os Meus Otto Anno, retratam respectivamente: (a) uma infância urbana e uma infância próxima à natureza (b) uma infância próxima à natureza e uma infância urbana (c) uma infância rica e uma infância pobre (d) uma infância pobre e uma infância rica 4 – Pode-se dizer que os personagens retratados no poema: (a) São muito semelhantes, pois são crianças ingênuas (b) São diferentes, pois o menino do poema de Juò Bananere é um menino arteiro, diferente do garoto inocente do poema de Casimiro de Abreu. (c) São idênticos pois ambos têm oito anos e têm os mesmos tipos de brincadeiras. (d) São idênticos porque ambos ficam sob a sombra das bananeiras. 5 – É possível dizer da linguagem utilizada por Juò Bananere no poema Os Meus Otto Anno que: (a) A linguagem utilizada pelo poeta é própria do Parnasianismo, marcado pela escolha de palavras diferentes. (b) A linguagem utilizada pelo poeta é a imitação da forma de falar dos migrantes nordestinos. (c) A linguagem utilizada pelo poeta é uma imitação da fala dos imigrantes italianos que misturavam o italiano com o português, o também chamado dialeto “macarrônico” . (d) A linguagem utilizada pelo poeta é um clichê ou chavão. 1. 2. 3. 4. 5. a d b b c