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Published by: Patricia Mel Barbosa Melka on Sep 29, 2010
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  • Introdução
  • As concepções na história
  • Exercícios
  • Modelo Unicausal ou monocausal
  • Modelo multicausal
  • Modelo da determinação social das doenças
  • AULA 03 • A HISTÓRIA DAS POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL
  • Brasil Colônia e Brasil Império
  • Brasil República
  • Ditadura Civil: “era Vargas”
  • A Ditadura Militar
  • A Crise do modelo de assistência à saúde
  • Abertura Política e os reflexos no novo modelo de assistência à saúde
  • AULA 04 • PANORAMA DE SAÚDE NO BRASIL
  • Desigualdade na transição demográfica e de indicadores sociais
  • Distribuição desigual dos estabelecimentos de saúde em 2006
  • Carga global de doenças no Brasil: a distribuição desigual da
  • Nascimento e desigualdade no Brasil
  • Mortalidade infantil no Brasil: determinantes e desigualdades
  • Desigualdade e determinantes da saúde dos adolescentes
  • Desigualdade da mortalidade materna
  • AULA 05 • SERVIÇOS DE SAÚDE E NÍVEIS DE ATENÇÃO À SAÚDE
  • Estrutura do Sistema de Serviços de Saúde
  • Atenção Primária à Saúde ou Atenção Básica
  • AULA 06 • PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA – CIDADE SAUDÁVEL
  • Evolução do conceito de Promoção à Saúde
  • Como fazer a Promoção da Saúde acontecer de fato?
  • A Promoção da Saúde no contexto do Sistema Único de Saúde
  • AULA 07 • REFORMA SANITÁRIA E O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE • SUS
  • Em busca da cidadania e acesso à saúde
  • Um pouco de História
  • Princípios e diretrizes que norteiam o SUS
  • Continuação
  • Objetivos, atribuições e competências do SUS
  • AULA 10 • MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE – PARTE 1
  • Do sanitarismo campanhista ao modelo liberal­privatista
  • Ação Programática em Saúde ou “Oferta Organizada”
  • AULA 11 • MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE – PARTE 2
  • Principais Modelos de Atenção à Saúde
  • Sistemas Locais de Saúde (Silos)
  • Vigilância da Saúde
  • Modelo de Atenção em Defesa da Vida (MDV)
  • AULA 12 • PROGRAMA AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE ­ PACS
  • Aspectos Legais do PACS
  • A equipe do Programa Agente Comunitário de Saúde e suas atribuições
  • AULA 13 • ESF OU PSF: HISTÓRICO, DEFINIÇÃO, PRINCÍPIOS E ESTRATÉGIAS • PARTE I
  • Um pouco de História da ESF/PSF
  • Conceitos Básicos
  • Prioridades e planejamento das ações na ESF/PSF:
  • Roteiro para planejamento das ações na ESF/PSF:
  • AULA 15 • PACTO PELA SAÚDE
  • O Pacto pela Vida:
  • O Pacto em Defesa do SUS:
  • O Pacto de Gestão do SUS
  • AULA 16 • SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE (SIS)
  • Algumas fontes de informação no SUS
  • Principais problemas para viabilização do Sistema de Informação em Saúde
  • AULA 17 • PRINCIPAIS ÓRGÃOS DE SAÚDE
  • Organização Mundial da Saúde (OMS)
  • Organização Pan­Americana da Saúde (OPAS)
  • Ministério da Saúde (MS)
  • Secretarias de Saúde
  • Cartão Nacional de Saúde ou Cartão SUS
  • Acolhimento
  • Farmácia Popular
  • Programa Nacional de Imunização (PNI)
  • AULA 20 • PAPEL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
  • A prática do profissional de saúde
  • Em busca de uma adequação de conduta
  • BIBLIOGRAFIA

SAÚDE COLETIVA

SAÚDE COLETIVA 

Este  material  é  parte  integrante  da  disciplina  “Saúde  Coletiva  I”  oferecido  pela  UNINOVE.  O  acesso  às  atividades,  as  leituras  interativas,  os  exercícios,  chats,  fóruns  de  discussão  e  a  comunicação  com  o  professor  devem  ser  feitos  diretamente no ambiente de aprendizagem on­line.

SAÚDE COLETIVA 

Sumário 

AULA 01 • O PROCESSO SAÚDE­DOENÇA: CONCEITUAÇÃO BÁSICA  EM SAÚDE COLETIVA  ........................................................................................................................................................6  Introdução ...................................................................................................................................6  As concepções na história...........................................................................................................8  Exercícios..................................................................................................................................10  AULA 02 • MODELOS EXPLICATIVOS DO PROCESSO SAÚDE­DOENÇA (UNICAUSAL,  MULTICAUSAL E DETERMINAÇÃO SOCIAL DA DOENÇA) .......................................................12  Introdução .................................................................................................................................12  Modelo Unicausal ou monocausal .............................................................................................13  Modelo multicausal....................................................................................................................15  Modelo da determinação social das doenças ............................................................................17  Exercícios..................................................................................................................................19  AULA 03 • A HISTÓRIA DAS POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL ..............................................21  Introdução .................................................................................................................................21  Brasil Colônia e Brasil Império...................................................................................................22  Brasil República.........................................................................................................................22  Ditadura Civil: “era Vargas” .......................................................................................................24  A Ditadura Militar .......................................................................................................................25  A Crise do modelo de assistência à saúde ................................................................................26  Abertura Política e os reflexos no novo modelo de assistência à saúde ....................................27  Exercícios..................................................................................................................................27  AULA 04 • PANORAMA DE SAÚDE NO BRASIL..........................................................................29  Introdução .................................................................................................................................29  Desigualdade na transição demográfica e de indicadores sociais .............................................30  Distribuição desigual dos estabelecimentos de saúde em 2006 ................................................31  Carga global de doenças no Brasil: a distribuição desigual da mortalidade...............................31  Nascimento e desigualdade no Brasil........................................................................................32  Mortalidade infantil no Brasil: determinantes e desigualdades...................................................33  Desigualdade e determinantes da saúde dos adolescentes ......................................................34  Desigualdade da mortalidade materna ......................................................................................35  Exercícios..................................................................................................................................36  AULA 05 • SERVIÇOS DE SAÚDE E NÍVEIS DE ATENÇÃO À SAÚDE .......................................38  Introdução .................................................................................................................................38  Estrutura do Sistema de Serviços de Saúde..............................................................................40  Atenção Primária à Saúde ou Atenção Básica ..........................................................................42  Exercícios..................................................................................................................................44  AULA 06 • PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA – CIDADE SAUDÁVEL................46  Introdução .................................................................................................................................46  Evolução do conceito de Promoção à Saúde ............................................................................47  Como fazer a Promoção da Saúde acontecer de fato?..........................................................50  A Promoção da Saúde no contexto do Sistema Único de Saúde...............................................51  Exercícios..................................................................................................................................52  AULA 07 • REFORMA SANITÁRIA E O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE • SUS ..............................54  Introdução .................................................................................................................................55  Em busca da cidadania e acesso à saúde.................................................................................55  Exercícios..................................................................................................................................58

.................................84  Introdução ....................................................... LEGISLAÇÃO E PRINCÍPIOS E  DIRETRIZES • PARTE 1 ...................................................77  Principais Modelos de Atenção à Saúde ....115  Ministério da Saúde (MS) ................93  AULA 14 • ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF) OU PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA  (PSF): HISTÓRICO...........................................................88  AULA 13 • ESF OU PSF: HISTÓRICO.......................................74  Exercícios.........................90  Um pouco de História da ESF/PSF...............104  O Pacto de Gestão do SUS...............................................................64  AULA 09 • SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: DIRETRIZES..................................................................99  Exercícios.......................................................................................................................................................................86  Exercícios.................................................................................................................................................................................107  Algumas fontes de informação no SUS ..................................................................................................................................98  Roteiro para planejamento das ações na ESF/PSF:..........................................................................82  AULA 12 • PROGRAMA AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE ­ PACS............... PRINCÍPIOS E ESTRATÉGIAS – PARTE II .............................................................................. atribuições e competências do SUS..........................................72  Principais Modelos de Atenção à Saúde ............................................114  Organização Mundial da Saúde (OMS) .......63  Exercícios..........................................71  Do sanitarismo campanhista ao modelo liberal­privatista ..............66  Objetivos........................................................................................................................................................................................................................................................................................80  Exercícios...................................................................................................................................................................................70  AULA 10 • MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE – PARTE 1 .........................................SAÚDE COLETIVA  AULA 08 • SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: HISTÓRICO............................78  Modelo de Atenção em Defesa da Vida (MDV)...................84  A equipe do Programa Agente Comunitário de Saúde e suas atribuições ..............75  AULA 11 • MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE – PARTE 2 ........................74  Ação Programática em Saúde ou “Oferta Organizada”..............................................................................................................................................................................102  O Pacto pela Vida:..................103  O Pacto em Defesa do SUS: ...............100  AULA 15 • PACTO PELA SAÚDE ......................................................................................84  Aspectos Legais do PACS............................................................................ DEFINIÇÃO....116 4  .......................................60  Um pouco de História .......................................91  Conceitos Básicos ......................................................................................................................................................67  Exercícios........................................................................................................................ ATRIBUIÇÕES E  COMPETÊNCIAS – PARTE 2 ....................................................................................................108  Principais problemas para viabilização do Sistema de Informação em Saúde ...............................................................................................................................................................................................................................................77  Sistemas Locais de Saúde (Silos) .......114  Organização Pan­Americana da Saúde (OPAS)...............66  Continuação ....107  Introdução .......................................................................................................................................................................................................................................................................................................... DEFINIÇÃO............................................................................................................95  Prioridades e planejamento das ações na ESF/PSF: ..102  Introdução ...................................................77  Vigilância da Saúde......................................................................................61  Princípios e diretrizes que norteiam o SUS.................................................................................112  Exercícios............................... PRINCÍPIOS E ESTRATÉGIAS • PARTE I......................................................................... OBJETIVOS....................................................................................112  AULA 17 • PRINCIPAIS ÓRGÃOS DE SAÚDE ...60  Introdução ..................................................................................................................................105  Exercícios...................................................................................................................................................................................................................................................................................................................106  AULA 16 • SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE (SIS)......................................................................................................................................................................................................................71  Introdução .........................................................................................................................................................................90  Introdução ................

..................................................................133  Introdução .............................................126  AULA 19 • CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO (CRIANÇA.................................................................................................................................122  Introdução ................................................................122  Cartão Nacional de Saúde ou Cartão SUS ....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................125  Exercícios.........................................................................................................119  Exercícios.......................................................................................................................120  AULA 18 • ATUALIDADES DO SUS: CARTÃO SUS.....128  Programa Nacional de Imunização (PNI)....124  Farmácia Popular ...131  AULA 20 • PAPEL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE........................128  Um pouco de História ...133  A prática do profissional de saúde........................................................................... ADULTO.........136  Exercícios........................................................................................................................................................................ ADOLESCENTE................................................................................................................................................................ IDOSO E  PROFISSIONAIS DE SAÚDE) ......................122  Acolhimento..............................................141 5  ...................................................................................133  Em busca de uma adequação de conduta.........................................................................................................................................................................................................130  Exercícios.......................139  BIBLIOGRAFIA .............................................. ACOLHIMENTO E FARMÁCIA POPULAR  ......................................................SAÚDE COLETIVA  Secretarias de Saúde .........................................................................................128  Introdução .....................................................................................................................................................................................................................

 políticos. políticos. sociais. morais e éticos. essa forma de adoecer e morrer. identifica­se.SAÚDE COLETIVA   Quando se fala em doença. O  conceito  que  se  tem  de  saúde  depende  do  entendimento  que  há  do  organismo  vivo  e  de  suas  relações com o meio ambiente. denominamos Processo Saúde­  Doença. de forma diferenciada.  de  imediato.  ou  seja. Como essa compreensão muda de uma cultura para outra e de  um momento histórico para outro. e está articulado aos processos econômicos.  o  seu  oposto:  a  saúde  –  desejo  incontestável de todas as pessoas. sociais.  a  síntese  da  totalidade  das  determinações  que  operam  sobre  a  qualidade  de  vida. mas também psíquicos. de relacionamento familiar e  de responsabilidade humana.  de  forma  diferenciada. aquele que  poderá  levar  à  morte. as noções de saúde  e de doença também se modificam. aquele que  poderá levar à morte. denominamos Processo Saúde­  Doença. a síntese da totalidade das determinações que operam sobre a qualidade de  vida e está articulado aos processos econômicos. ou seja. mas também psíquicos. A doença aparece como o lado sombrio da vida.  identifica­se.  1949) Introdução  Quando  se  fala  em  doença. À resposta dinâmica que as sociedades manifestam.  (OMS.  AULA  01  •  O  PROCESSO  SAÚDE­DOENÇA:  CONCEITUAÇÃO  BÁSICA  EM SAÚDE COLETIVA  “Saúde  é  o  resultado  do  equilíbrio  entre  o  indivíduo  e  o  seu  meio  ambiente”.  À  resposta  dinâmica  que  as  sociedades  manifestam. A doença aparece como o lado sombrio da vida. o seu oposto: a saúde. morais e éticos. levando em consideração a dimensão não apenas dos  sofrimentos físicos. desejo  incontestável de todas as pessoas. de relacionamento familiar e  de responsabilidade humana.  essa forma de adoecer e morrer. de imediato. Desse  6  . levando em consideração a dimensão não apenas  dos sofrimentos físicos.  O processo saúde­doença vem apresentando diferentes significados conforme a época.

 mas um "bem comum".  histórica e dinâmica das  relações  sociais e  das  forças  produtivas.  no qual  o  homem  é  também  transformado. tratamento e reabilitação de  doenças. decisões. existindo. em seu interior.  Tal  modo  de  produção  conforma  e  é  conformado  pela  superestrutura  jurídico­político­ideológica.  Toda  essa  estruturação  está  assentada  no  modo  de produção.  o  médico  e  outros  profissionais  de  saúde  de  suas  responsabilidades.SAÚDE COLETIVA  modo.  dentro  desse  enfoque.  envolvendo promoção e proteção da saúde.  total  ou  parcial.  Essa  sociedade  encontra­se  em  permanente  transformação.  Doença  (do  latim  dolencia  =  padecimento)  é  o  estado  resultante  da  consciência  da  perda  da  homeostasia  de  um  organismo  vivo.  como  sendo  “ um  estado  de  completo  bem­estar  físico.  diferentes  condições de saúde­doença.  e  não  a  mera  ausência  da  doença” . prevenção.  A  saúde  passou  a  ser  também  um  processo  de  cidadania.  mental  e  social.  na  produção da  vida  material.  síntese concreta  .  Esse  trabalho  está  estruturado  pela  base  econômico­social.  criou  uma  nova  dimensão  social.  em  sentido  mais  amplo.  portanto. considerar esse bem e esse direito como componente e exercício da cidadania.  mas  são  igualmente  responsáveis  pela  sua  manutenção.  A noção de que a saúde é um processo continuado e interdependente de preservação da  vida. um bem e um direito social.  Desse  modo. no sentido  de que a cada um e a todos possam ter assegurados o exercício e a prática desse direito à saúde.  assim.  compreensão esta que  é  um  referencial  e  um  valor  básico  a  ser  assimilado  pelo  poder  público.  O conceito de saúde foi definido pela Organização Mundial de Saúde – OMS – em 1948.  Assim. agrupamentos humanos que se inscrevem em diferentes classes sociais  conflitantes.  adequados às  suas  necessidades. estratégias e ações.  A sociedade brasileira assenta­se num modo de produção capitalista periférico.  para o balizamento e a orientação de sua conduta. a  conceituação do  processo  saúde­doença  é  considerada  intelectiva do  homem em  cada  contexto histórico e pelas condições concretas de existência em cada sociedade  Sociedade pode ser definida como sendo o  complexo integrado por homens diferenciados  ocupando determinado espaço geopolítico.  Isso  não  exime  o  Estado.  a  saúde  deve  ser  entendida.  a partir da aplicação e utilização de toda a riqueza disponível.  mas  agrega  uma  variável  fundamental  de  respeito  ao  indivíduo.  todos  cidadãos  têm  direitos.  Diferentes  classes  sociais  têm  distintas  condições  de  vida  e.  criando­  se  e  recriando­se pela  ação  humana  em  um  processo  de  criação.  como  componente  da  qualidade  de  vida  e.  e  também com  a  natureza.  portanto. Os homens interagem entre si a partir da inserção no  trabalho. diferentes condições de adoecer e morrer. ou seja.  A saúde.  doente  ou 7  . diagnóstico. não é um "bem de troca". ocorre  e é  conseqüência  de  ações  realizadas em  toda  a  sociedade. Ou seja. conhecimentos e tecnologia que a  sociedade  desenvolveu e  vem  desenvolvendo  nesse  campo.  no qual  eles  se  relacionam.

 ou  constante.  Hipócrates.  enfatizando  ser  a  base  da  arte  médica  a  compreensão  da  interação  entre  mente.  predominante  na  idéia anterior. podendo levá­lo à  morte.C). Nesse entendimento.  ocasionado  pelas  influências  do  ambiente  físico  –  astros.  e  o  caráter  mágico/religioso. a  história das ciências médicas não foi sempre linear. terra. Porém.  que  se  daria  através  do  reequilíbrio  da  energia  interna.  provocariam  o  desequilíbrio  entre  os  princípios  Yin  e  Yang. mas conflituosa e antagônica. motivados por um castigo. o homem  atua  ativamente  no  processo  de  doença  e  cura.  Na  Grécia. vitimavam o doente. nas últimas décadas.  advinda  das  plantas  e  dos  recursos  naturais.  a  pessoa deveria ser sujeita às terapêuticas da acupuntura e do­in.  já  apontava  em  seu  livro  Dos  Ares.  Para os hindus e chineses.  as  quais.  supostamente.  Argumentavam  que  para  o  restabelecimento  da  saúde. corpo e ambiente.  etc. que negou a concepção de doença causada  por  demônios  ou  forças  sobrenaturais. detentores de uma visão religiosa do mundo e capazes de atribuir o  caráter  religioso  ao  surgimento  e  à  cura  das  doenças.  A  cura  do  doente  caberia  ao  feiticeiro  ou  xamã.SAÚDE COLETIVA  sadio.  as  concepções  recepcionaram  as  idéias  dos  hindus  e  chineses    através  de  explicações  que  davam  à  saúde  o  significado  de  harmonia  entre  os  quatro  elementos  que  compõem o corpo humano – água. caldeus e hebreus. ar e fogo. perde influência. Esse modo de entender a saúde abrange aspectos  individuais e coletivos. Ele considerava que os fatores culturais – como modos de vida – e os  fatores  psicológicos  ou  “componentes  da  natureza  humana”  –  como  humores  e  paixões  –  somavam­se aos fatores ambientais na influência sobre o bem­estar dos indivíduos. envolvendo questões ambientais e sociais. a doença era causada pelo desequilíbrio entre os elementos do  organismo  humano.  Os  demônios e espíritos malignos.  Essas  concepções    estavam  mais  presentes    entre  os  assírios. No entanto.  As concepções na história  Os  povos  antigos  explicavam  a  doença  dentro  de  uma  visão  mágica  do  mundo. a relação entre fatores sócio­ambientais e o organismo 8  .  das  Águas  e  dos  Lugares  (480  a.  clima.  Os  chineses  alegavam  que  as  doenças  eram  determinadas  por  causas  externas.  através  do  compromisso  social  solidário  na  consecução  do  objeto  maior  de  garantir  condições dignas de vida a cada ser humano. e  os  aspectos  da  medicina  hipocrática  foram  negligenciados  com  o  predomínio  da  ciência  cartesiana. o criador da Medicina moderna.  o  único  com  poderes  de  convocar  os  espíritos  capazes  de  erradicar  o  mal.

  Dessa  forma.  a  doença volta a ser explicada como purificação. com o aumento da população urbana  nos países europeus e  a ascensão    do  sistema fabril.  convive  com  a  dicotomia  entre  as  práticas  esotéricas  e  a  ciência. e o termo data de 1848. 9  .  acusados  de  haver  provocado a doença.  Com  as  descobertas  da  Bacteriologia.  Na  Idade  Média  ­  conhecida  como  a  Era  das  Trevas  ­  sob  influência  do  cristianismo. emergiu a idéia de Medicina Social. uma forma de atingir a graça divina. seqüelas e óbito.  costumes  e  práticas  de  saúde. após a Revolução Francesa.  considerada  um  período  de  transição. tendo em  vista  produzir. Surge a teoria  do contágio e.  Assim.  relacionando­as  com  as  condições  de  vida  e  trabalho  das  populações. Surgiram os hospitais ou asilos  no intuito de segregar as pessoas portadoras de doenças infecciosas.  No final do século XVIII.  As  concepções  sociais  dão  lugar  ao  agente  etiológico. numerosos judeus foram jogados à fogueira.  condições  de  trabalho.  e  há  a  necessidade  da  compreensão  de  que  a  pobreza.  melhores  estados  e  níveis  de  saúde  dos  indivíduos  e  das  coletividades. considerado o “pai” da Patologia moderna.  volta  prevalecer  a  idéia  das  partículas  externas  provocando  o  aparecimento  da  doença.  com redução dos riscos de doença.  quando  merecida. centrando  as atenções nos sinais e sintomas.  Desse  cenário. que se dedicou  aos  estudos  da  Patologia  porque  a  medicina  social  mostrou­se  inócua  com  as  descobertas  do  microorganismo por Robert Koch e Louis Pasteur. secundária e terciária. que incluía a  cura. consolidando as práticas de saúde na  abordagem particular e do indivíduo.  entre  o  biológico e o social no processo saúde­doença.  o  objeto  do  sistema  de  saúde  deve  ser  entendido  como  as  condições  de  saúde das populações e seus determinantes. ou seja.  alimentação.  etc.  como  proposto  por  Hipócrates. mais uma vez. Dentre os defensores dessa  abordagem. ficou completamente esquecida.  essa  relação  orgânica.  são  fatores intervenientes no estado de bem­estar.SAÚDE COLETIVA  biológico  vem  sendo  bastante  pesquisada.  progressivamente.  A  Peste  Negra  assolava  o  continente  europeu  e. prevalece  a compreensão das alterações anatômicas decorrentes  da doença. o seu processo de saúde/doença. temos  Rudolph Virchow.  surge a  explicação  social na  causalidade  das  doenças.  moradia. atuando articulado e integralmente nas prevenções primária.  A  percepção  hipocrática  de  organicidade  continua relegada em favor dos elementos externos que penetram no organismo. na metade do século XIX .  A  Renascença  (século  XVIII).  na  Antiguidade  clássica.

  2.  Respostas dos Exercícios  1.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  enfatizando  ser  a  base  da  arte  médica  a  compreensão  da  interação  entre  mente. de relacionamento familiar e de responsabilidade humana.  sociais.  corpo e ambiente.  b) Incorreta.  na  Antiguidade  clássica.  entre  o  biológico  e  o  social no processo saúde­doença.  Hipócrates.  denominamos  Processo  Saúde­Doença.  e  está  articulado  aos  processos econômicos.  ou  seja. Água e Alimento.  políticos.SAÚDE COLETIVA  Exercícios  1.  Ele  considerava  que  os  fatores  culturais  –  como  modos  de  vida  –  e  os  fatores  psicológicos  ou  “componentes  da  natureza  humana”  –  como  humores  e  paixões  –  somavam­se  aos  fatores  ambientais na influência sobre o bem­estar dos indivíduos.  corpo  e  ambiente.  Ao ler o texto.  conforme  proposto  por  Hipócrates.  levando  em  consideração  a  dimensão  não  apenas  dos  sofrimentos  físicos.  2. o  criador  da  Medicina  moderna.  de  forma  diferenciada.  podemos  afirmar  que  Hipócrates  valorizava  os  determinantes  espirituais/religiosos  na  gênese  do  processo  saúde­  doença.  b) Incorreta.  3.  Ao  ler  o  texto.  mas  também  psíquicos  morais  e  éticos.  e  está  articulado  aos  processos  econômicos.  mas  também  psíquicos  morais  e  éticos. 10  .  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Hipócrates considerava  que  os fatores culturais  e  os fatores  psicológicos somavam­se  aos fatores  ambientais na  influência para  a  determinação do processo saúde doença. políticos. já apontava em seu livro Ares. já  apontava  em  seu  livro  Ares.  o criador da  Medicina  moderna. que negou  a  concepção de doença  causada  por  demônios ou forças sobrenaturais.  ou  seja.  volta  a  prevalecer  as  concepções  sociais  e  a  relação  orgânica. sociais.  denominamos  Processo  Saúde­Doença.  podemos  afirmar  que  o  processo  saúde­doença  vem  apresentando  diferentes  significados conforme a época.  Ao  ler  o  texto.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente o processo saúde­doença vem apresentando diferentes significados conforme a época.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  essa  forma  de  adoecer  e  morrer. enfatizando  ser  a  base  da  arte  médica  a  compreensão  da  interação  entre  mente.  a  síntese  da  totalidade  das  determinações  que  operam  sobre  a  qualidade  de  vida. podemos afirmar que o processo saúde­doença vem apresentando diferentes significados conforme a época.  podemos  afirmar  que  Hipócrates  valorizava  os  determinantes  espirituais/religiosos na gênese do processo saúde­doença.  Água  e  Alimento.  a síntese  da  totalidade  das  determinações  que  operam  sobre  a  qualidade  de  vida.  À  resposta  dinâmica  que  as    sociedades  manifestam.  essa  forma  de  adoecer  e  morrer. Ele considerava que os fatores culturais – como modos de vida – e os fatores psicológicos ou “componentes da  natureza humana” – como humores e paixões – somavam­se aos fatores ambientais na influência sobre o bem­estar dos indivíduos.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  de  relacionamento  familiar  e  de  responsabilidade humana.  À  resposta  dinâmica  que  as    sociedades  manifestam. Hipócrates. que negou  a concepção  de  doença causada por demônios  ou forças sobrenaturais.  de  forma  diferenciada.  b) Incorreta.  Com  as  descobertas  da  Bacteriologia.  Ao  ler  o  texto.  levando  em  consideração  a  dimensão  não  apenas  dos  sofrimentos físicos.

  como  proposto  por  Hipócrates.  Com  as  descobertas  da  Bacteriologia. As  concepções  sociais  dão  lugar  ao  agente  etiológico.  volta  a  prevalecer  as  concepções  sociais  e  a  relação  orgânica.  conforme  proposto  por  Hipócrates.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Com as descobertas da Bacteriologia. entre o biológico e o social no processo saúde­doença. ficou completamente esquecida 11  .SAÚDE COLETIVA  3.  essa  relação  orgânica. volta a prevalecer a idéia das partículas externas provocando o aparecimento da doença. na Antiguidade clássica.  Assim. entre o biológico e o social no processo saúde­doença.  na  Antiguidade  clássica.

 Assim.  finalmente.  ou  seja.  MULTICAUSAL  E  DETERMINAÇÃO  SOCIAL DA DOENÇA)  Introdução  O homem sempre buscou uma maneira de explicar a origem das doenças. especialmente.  Teoria  esta  que. com a descoberta dos micróbios (vírus  e bactérias) e. do coletivo e entre as classes sociais. houve a  teoria mística sobre a doença. veio a prevalecer a Teoria da Unicausalidade.  que  os  antepassados  a  julgavam  como  um  fenômeno  "sobrenatural". Assim. entre outros. houve a  teoria  mística  sobre  a  doença. das populações.  entre outros.  veio  esclarecer  melhor  a  determinação  e  a  ocorrência  das  doenças  nos  indivíduos e. portanto. que evidencia a multicausalidade na  determinação  da  doença  e  não  apenas  a  presença  exclusiva  de  um  agente  e. veio a ser complementada como  uma série de conhecimentos produzidos pela epidemiologia.  uma  série de outros estudos e conhecimentos provindos. Com os estudos  de Louis Pasteur (na França). uma série de outros estudos e conhecimentos provindos principalmente da  epidemiologia social. com a  descoberta dos micróbios (vírus e bactérias) e. Com os estudos de Louis Pasteur (na França).  pela  sua  incapacidade  e  insuficiência  de  explicar  a  ocorrência de uma série de outros agravos à saúde do homem. do Agente Etiológico. da epidemiologia social nos  meados  deste  século. e não apenas a presença exclusiva de um agente  e.SAÚDE COLETIVA   O homem sempre buscou uma maneira de explicar a origem das doenças. superada.  AULA 02 • MODELOS EXPLICATIVOS DO PROCESSO SAÚDE­  DOENÇA  (UNICAUSAL.  superada. do Agente Etiológico. finalmente.  posteriormente. 12  . surgindo a explicação da  multicausalidade na determinação da doença. Posteriormente. envolvendo as teorias dos miasmas e do contágio.  além  da  sua  compreensão  do  mundo. pela teoria de que a doença era um fato  decorrente das alterações ambientais no meio físico e concreto em que o homem vivia.  envolvendo as teorias dos miasmas e do contágio. principalmente. ou seja. veio a prevalecer a Teoria da Unicausalidade. portanto. aquele  que  causa  a  doença.  pela  teoria  de  que  a  doença  era  um  fato  decorrente  das  alterações  ambientais  no  meio  físico  e  concreto que o homem vivia. posteriormente.

  risco  e  vulnerabilidade fundamentaram  as explicações  sobre  os fenômenos  de adoecimento das populações.  A teoria dos miasmas influenciou o pensamento médico até o início do século XX.  a  predisposição  ao  adoecimento  de  vários  corpos  ao  mesmo  tempo. como  a malária.  constituição  epidêmica. estilo de vida.  que  atribuiu  a  uma  série    de  condições  climáticas  locais  um  estado  da  atmosfera  produtor  de  certas  doenças  capazes  de  se  espalharem.  De  qualquer  modo.  hospedeiro  e  meio. da doença e do processo saúde/doença. em uma população.  creditando­se  . que saúde e doença não são estados estanques.  transmissão. um processo causal. Em última instância. biologia humana e sistema/serviços de saúde.  a  manutenção  de  um  fluxo  contínuo  de  mercadorias  e  pessoas  entre  os  continentes  exigiu  um  controle  dessas  mercadorias. não se está com saúde ou doença por um acaso.  de causação aleatória.  Assim.  portanto.  os  conceitos  de  contágio.  miasma. numa permanente  inter­relação  e  interdependência. envolvendo ambiente (não apenas o  ambiente físico). os “vapores” emanados dos pântanos propiciariam o aparecimento de doenças.  como  o  do  "campo  de  saúde"  de  Lalonde  (este modelo será estudado na disciplina Epidemiologia). e assim por diante. Vinda  da concepção de Aristóteles.  considerados  como  "fatores  causais". surgiram vários modelos – entende­se modelos como sínteses provisórias de  debates  sobre  a  idéia  de  doença  e  seus  determinantes  –  expressando  a  explicação  e  compreensão da saúde.  evoluindo  para  modelos  mais  abrangentes.  o  importante  é  saber  e  reconhecer  essa  abrangência e complexidade causal. em determinado tempo e espaço) no Ocidente.  Modelo Unicausal ou monocausal  O  conceito  de  constituição  epidêmica  vem  dos  escritos  de  Hipócrates. que se identifica com o modo de organização da sociedade. como o modelo epidemiológico  baseado  nos  três  componentes  ­  agente.  e  foi  a  primeira  idéia  a  influenciar o conhecimento médico sobre as epidemias (aumento no número de doenças acima do  esperado.  no  meio  circulante.  e  em  última  instância. isolados. as prisões provocavam a “febre das prisões” (Tifo Exantemático).  de  navios  estrangeiros  e 13  . Há uma determinação  permanente.  Esse atributo dos lugares serviu por séculos como explicação para o surgimento das doenças.  Essa  concepção  desenvolveu­se  durante  os  séculos  XVI  e  XVII.  período  denominado  de  epidemiologia  medieval.  Até  o  começo  do  século  XX.SAÚDE COLETIVA  Desse modo. Daí  se dizer que há uma produção social da saúde e ou da doença. "o processo  saúde­doença constitui uma expressão particular do processo geral da vida social". que atribuía às entidades materiais alguns atributos inerentes à sua  “natureza”.

A  teoria  do  contágio.  O  nome  quarentena  provém  do  fato  de  outrora.  graças  aos  estudiosos  de  Louis Pasteur (1822­1895) e Robert Koch (1843­1910).  O  período  de  quarentena  depende  do  tempo  necessário  como  proteção  contra  a  propagação  de  uma  doença  determinada.  seriam  os  diminutos  agentes  infecciosos. As florescentes cidades comerciais eram as mais vulneráveis às epidemias de  doenças.  até  o  início  do  século XX.  Essas  “sementes”  da  moléstia  ou “seminária  prima”  seriam  específicas  para  cada  doença.  De fato.SAÚDE COLETIVA  áreas portuárias.   alterassem os  humores.  Medidas foram instituídas.  por  mais  drásticas que fossem. os  princípios  vitais  do  corpo. que estabeleceram a teoria dos germes  ou teoria bacteriana.  Tuberculose.  Quarentena  Isolamento  imposto  a  um  navio  que  transporta  pessoas.  também  teve  grande  influência  nas  idéias  sobre  doenças. já que pouco se sabia efetivamente da etiologia  (causa) das doenças  e  seus  mecanismos  de  transmissão. A doença instalar­se­ia quando as “sementes”. lugares e animais que podem acarretar perigo de infecção. que modificou profundamente as representações sobre o corpo e sobre as  relações homem­ambiente.  Tifo.  A  confirmação  definitiva  da  teoria  do  contágio  viria  em  1876. a  teoria dos “miasmas” era o modelo médico/sanitário dominante.  /  Isolamento  de  certas  pessoas.  Febre  Amarela. transmitidas de um indivíduo a outro por  contato  direto ou  por  meio de  roupas  e objetos.  este  ter  de  ficar  40  dias  ao  largo do porto.  Segundo  essa  teoria.  transmissíveis  e  que  reproduzem  por  si  mesmos  os  causadores  das  doenças. como quarentena e o isolamento das áreas (cordão sanitário)  para  proteger  as  cidades  do  contágio  de  doenças  vindas  do  exterior.  14  . todo germe é considerado ofensivo ou perigoso  para a saúde e causadores de diversos agravos.  animais  ou  mercadorias  provenientes  de  país  em  que  grassa  moléstia  contagiosa.  Essas  medidas.  que  concorreu  com  a  doutrina  atmosférico­miasmática até finais do século XIX e propiciou a busca por causas específicas das  doenças.  sistematizada  por    Hieronymus  Fracastororius  (1478  –  1548). eram as únicas possíveis.  principalmente  aquelas  ligadas  aos  portos  (Peste  Bubônica. Varíola). Segundo esta teoria.  A  partir  dessa  idéia  constituiu­se  a  teoria  do  contágio. Cólera. sem atracar. quando as autoridades de um porto suspeitavam  que houvesse portadores de  infecção  entre  os passageiros  ou  tripulantes de  um  navio.

 e impõe que as  causas sociais da doença são secundárias. a relação  saúde e ambiente era vista sob uma  perspectiva  predominantemente determinista. culturais. Portanto. ficaram conhecidas  como  correntes  “biologicistas”. embora procure traçar.  Nesse processo. C – e os escritos sobre medicina nas civilizações egípcias de Heródoto – 500 a . Esse modelo centra a explicação num único fator: o agente biológico. químicos.  Como modelo organizador do pensamento epidemiológico.  demonstrou  que  tais  teorias. físicos. Como pode ser observado. o campo de saber dos profissionais de saúde foi se restringindo ao corpo  humano  e à  biologia  humana. salário. saneamento. o tratado de Hipócrates.  tornando  irrelevante  o  conhecimento  sobre  o  ambiente.  gravidade.  pois  asseguravam  a  primazia  do  biológico  na  determinação  das  doenças. pois ele incorpora os fatores sócio­  econômicos. entre os  mesmos. não importando para o processo de cura. quando Casimir Funk enunciou a teoria das “deficiências” que  se tornou base da explicação para as doenças nutricionais. 15  .  Modelo multicausal  Há um avanço relativo em relação ao modelo anterior.  em  muitas  situações. relações de natureza apenas quantitativa. educação. Dos Ares. a teoria microbiana do contágio  permaneceu incontestada até 1912.  C  são  considerados  as  primeiras  abordagens  da  temática  das  relações  entre  a  saúde  e  os  “lugares”.SAÚDE COLETIVA  Até o aparecimento da teoria dos germes. estabelecendo  relações  lineares  de  causa  e  efeito  com o meio físico. alimentação. das Águas e dos  Lugares – 480 a . Dessa forma. a teoria unicausal foi comprovada como inconsistente.  Devido  à  crença na unicausalidade das doenças secundárias aos processos biológicos.  etc)  e  as  condições  de  trabalho  e  as  condições  materiais  de  vida (moradia. O  desenvolvimento  da  Microbiologia  e  o  descobrimento  das  bactérias  e  parasitas.  por  Pastuer  e  Koch.  instituindo  a  hegemonia  da  “teoria  bacteriana”  ou  “teoria  dos  germes”  sobre  a  “teoria  dos  miasmas”.  levaram  a  uma  série  de  transformações  nos  conhecimentos  da  Medicina. a observação científica. não eram suficientes para justificar amplamente a ocorrência de doenças; somente  a  presença  do  agente  etiológico.  freqüência. etc) .  no  decorrer  do  tempo. Esse evento levou a uma reformulação na concepção do processo saúde/doença que  se refletia no ensino da medicina e no campo de atuação da saúde.  não    determina  o  aparecimento  de  doenças.  embora  apresentassem  fenômenos  concorrentes. estabelecendo nexos entre os modos de adoecer (tipos  de  doença.

 expressos  na relação dos seus três elementos: o homem­hospedeiro.  de  unicausalidade.  desenvolvido por  Leavel & Clarck.  e  se  torna  o  pensamento  hegemônico.  resultado  de  interações  multicausais. Avançando cronologicamente.  diferencia­se dos seus antecessores pelo dinamismo dos processos de saúde doença.  Surge aí a idéia de risco.  na  verdade.  independentemente  da  necessidade  de  transformações  estruturais  que  alterem  o  equilíbrio  do  sistema.SAÚDE COLETIVA  O  modelo  multicausal  coloca  grande  ênfase  na  avaliação  estatística  e  quantitativa  das  variáveis do processo saúde­doença.  Baseando­se  na  dinâmica  do  equilíbrio  ou  desequilíbrio  dos  três  fatores  considerados  (hospedeiro. fazendo com que os indivíduos e fatores de doença sejam  agrupados  e  organizados. imunológicas.  nutricionais.  ignorando­se.  Assim.  que  supõe  ações  destinadas à recuperação do dano e à reabilitação. 16  . o que afasta a questão da determinação social da doença. propõe três níveis de intervenção: prevenção primária.  biológicos  e  sociais.  não  se  admitindo  mais  o  conceito  de  singularidade  .  que  ficou  estrito às possíveis ações bacteriológicas dos postulados de Pasteur e Koch. através da  promoção  à  saúde  e  da  proteção  específica  em  relação  a  um  agravo  determinado  –  a  ser  desencadeada  ainda  na  fase  pré­patogênica  da  doença  (na  qual  surge  a  doença);  prevenção  secundária. O meio  ambiente  diz  respeito  a  uma  combinação  homogênea  dos  fatores  físico­químicos.  constante  de  diagnóstico  e  tratamento;  e  prevenção  terciária. surge. livre de críticas por ignorar a  categoria  social  do  homem. Essas duas últimas intervenções aplicam­se à  fase patogênica (depois do aparecimento da doença).  apoiado  na  teoria  ecológica  de  causação de doenças. definiu  um propósito  prático para a  descoberta das  relações que oferecem possibilidades para prevenção de doenças.   no início do século XX. mas resultantes de  interações de ordem sócio­econômicas. etc. definido como possibilidade de perda ou responsável pelo dano. no entanto. o modelo multicausal de  Leavel  &  Clarck. o homem foi construindo os modelos de explicação causal para o processo saúde­  doença. o agente patogênico e o meio. agente e meio). psicológicas.  Modelo da História  Natural da Doença. não estando.  contudo.  o  peso  e  a  hierarquia  dos  fatores  de  origem  social  e de origem biológica. culturais.  satisfazendo­se  com  correlações  biológico­ecológicas.  O  complexo  processo  de  estruturação  de  saúde  é.  Esse  modelo  tornou­se  hegemônico  e  permeia  todo  o  conhecimento  das  doenças nas populações até os dias atuais.  A  idéia  de  risco  envolve  uma  relação  de  probabilidade  entre  eventos  e  interações  causais  (fonte/exposição). sendo caracterizado como “o que está em redor” ou “environmente” .  em 1965.  Não  obstante.  que  se  caracteriza  por  ser  uma  variante  mais  dinâmica  e  desenvolvida  desse  modelo  multicausal.

  da  Universidade Autônoma  Metropolitana de  17  . baseada na casualidade. Aponta­se.  A  relação  entre  o  biológico  e  o  social  no  processo  saúde­doença  é  explicado  mais  claramente pela pesquisadora  Asa  Cristina Laurell.  Tais  abordagens  apareceram  na  literatura.  Esses  reservatórios  de  água  se  convertem  em  criadouros  de  mosquitos  adultos.  especialmente na América Latina. para o modo de adoecer. ao contrário.  supera­se  a  concepção  da  mera  relação  de  causa­efeito  para  explicar  o  adoecimento e a morte.  Causa  Indireta:  a  cegada  das  chuvas  (estações  chuvosas)  favorece  a  formação  de  charcos  temporários  e  a  recuperação  dos  níveis  de  lagoas  e  pântanos. e se tornaram referência para a constituição  de  um  novo  campo  científico.  os  quais  trazem  um  aumento  na  densidade  de  anofelinos.  um  aumento  do  IPH  (número de picadas pessoa/noite).  portanto. Modelo da determinação social das doenças  Neste  modelo.SAÚDE COLETIVA  Causa Direta e Indireta  Causa Direta: picada de um  mosquito infectado.  como uma contraposição à Epidemiologia Clínica tradicional. nos anos de 1970. como um processo que  tem  como  elemento  modelador  a  estrutura  social.  o  da  chamada  Epidemiologia  Social  (baseada  na  determinação).  e.

 Ao conjunto articulado  dessas três dimensões denominamos modo de produção.  por  exemplo.  tais  como a produção de riquezas pela sociedade; as relações sociais que se estabelecem dentro dela  e o modo como a sociedade faz a regulação e o controle de tais relações.  adoecer  e  morrer  dos  homens  constitui. Nesse  caso. a sua expressão é  social na medida em que não é possível focalizar a normalidade biológica do homem desvinculado  do momento histórico por ele vivido.  embora  possam  existir  influências  de  outras  naturezas. agressões por parasitas. expressa em  grupos  sociais  marcados  por  traços  sócio­econômicos  particulares. a saúde­doença ganha objetividade: é uma realidade concreta.  produzindo.  Dessa forma.  nos  diferentes  grupos  sociais.  assim  como  seu  acesso  a  processos  benéficos ou potencializadores da saúde e da vida. portanto.  também.  genéticas. Ao enunciar a concepção saúde­doença da coletividade como  sendo o “ modo específico pelo qual ocorre.  o  que  equivale  a  dizer  que  o  modo  de  viver. no grupo.O conhecimento do modo de produção  ajuda  a  compreender  as  raízes  dos  processos  de  saúde­doença. 18  .  adoecem  e  morrem  depende  de  fatores  diversos.SAÚDE COLETIVA  Xochimilco. Mesmo em se tratando do processo saúde­doença de um grupo.  um  processo  socialmente  determinado.  O  modo  como  os  homens  vivem.  Certamente.  imunológicas. acidentes. o processo biológico de desgaste e  reprodução” .  que  evidenciam  as  suas  similaridades em termos de condições materiais de vida e condições materiais de trabalho. é igualmente diferente sua exposição a processos de risco que produzem o  aparecimento  de  doenças  e  formas  de  morte  específicas. etc.  o  aparecimento  de  riscos  ou  potencialidades característicos. da Cidade do México.  o  processo  saúde­doença  é  a  síntese  do  conjunto  de  determinações  que  operam  numa  sociedade  concreta. por sua vez manifestos na forma de perfis ou padrões de doença  ou saúde.  a  qualidade  de  vida  à  qual  cada  grupo  sócio­econômico  está  exposto  é  diferente e.

  de  causação aleatória.  A  doença  instalar­se­ia  quando  as  “sementes”.  transmitidas  de  um  indivíduo  a  outro  por  contato  direto  ou  por  meio  de  roupas  e  objetos.  não  se está  com  saúde ou doença  por  um acaso. seriam os diminutos agentes infecciosos.  Daí  se  dizer  que  há  uma  produção  social  da  saúde  e  ou da  doença.  isolados.SAÚDE COLETIVA  Exercícios  1. De qualquer modo. os princípios vitais do corpo.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. que se identifica com o modo de organização da sociedade.  alterassem os humores. podemos afirmar que o processo saúde­doença não apresenta relações com a  formação da sociedade em diferentes  épocas.  Ao ler o texto.  Essas  “sementes”  da  moléstia  ou  “seminária  prima”  seriam  específicas  para  cada  doença.  A  Teoria dos  Miasmas  influenciou o  pensamento  médico  até  o  início  do século  XX. Segundo  essa teoria.  Em  última  instância.  que  saúde  e  doença  não  são  estados  estanques.  Pode­se dizer que essa idéia está: 19  . um processo causal. o importante é saber e reconhecer essa abrangência  e  complexidade  causal.  Há uma determinação  permanente.  "o  processo saúde­doença constitui uma expressão particular do processo geral da vida social".  2. transmissíveis e que reproduzem por si  mesmos  os  causadores  das  doenças. e em última instância.

  seriam  os  diminutos  agentes infecciosos. A doença instalar­se­ia quando as “sementes”.  no  grupo.  diferencia­se  dos seus  antecessores  pelo  dinamismo  dos  processos  de  saúde­doença.    em  1965.  desenvolvido  por  Leavel  &  Clarck.  de  causação  aleatória.  Ao ler o texto.  um  processo causal.  Daí  se  dizer  que  há  uma  produção social da saúde  e  ou da doença.  emanados  dos  pântanos. Essas “sementes” da moléstia ou  “seminária prima” seriam específicas para cada doença.  O  Modelo  da  História  Natural  da  Doença.  isolados.  Os  “vapores”.  b) Incorreta.  que  se  identifica  com  o  modo  de  organização  da  sociedade.  alterassem os humores.SAÚDE COLETIVA  a) Correta.  o  processo  biológico de desgaste e reprodução”.  as  prisões  provocavam a “febre das prisões” .  propiciariam  o  aparecimento  de  doenças. Em última instância. desenvolvido por  Leavel & Clarck.  3.  diferencia­se  dos  seus  antecessores  por  enunciar  que  o  processo  saúde­doença  da  coletividade  como  sendo  o  “modo  específico  pelo  qual  ocorre.  Há  uma  determinação  permanente.  2.  o  agente  patogênico e o meio. que saúde e  doença  não  são  estados  estanques.   em 1965.  desenvolvido  por  Leavel  &  Clarck. podemos afirmar que o processo saúde­doença não apresenta relações com a formação da sociedade em diferentes  épocas. transmissíveis e que reproduzem por si mesmos os causadores das doenças. no grupo. "o processo saúde­doença constitui  uma  expressão particular  do processo geral da vida social". os princípios vitais do corpo.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  O processo saúde­doença vem apresentando relações com a formação da sociedade em diferentes  épocas.  Segundo  essa  teoria.  Respostas dos Exercícios  1.  diferencia­se  dos  seus  antecessores  por  enunciar  que  o  processo  saúde­doença  da  coletividade como sendo o “modo específico pelo qual ocorre.  3.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  O modelo da História Natural  da Doença. o importante é saber e reconhecer essa abrangência e complexidade causal.  O  Modelo  da  História  Natural  da  Doença.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  A  teoria  dos  miasmas. transmitidas de um indivíduo  a outro por contato direto ou por meio de roupas e objetos.) 20  .  b) Incorreta.  como  a  malária. e em última instância.  derivada  da  concepção  de  Aristóteles.  A  Teoria  dos  Miasmas  influenciou  o  pensamento  médico  até  o  início  do  século  XX. e assim por diante.    em  1965. De qualquer modo.  expressos  na  relação  dos  seus  três  elementos:  o  homem­hospedeiro. o processo biológico  de desgaste e reprodução”.  não  se  está  com  saúde  ou  doença  por  um  acaso.  atribuía  às  entidades  materiais  alguns  atributos  inerentes  à  sua  “natureza”.

  quando  Portugal  e  Espanha exploravam o oceano em busca de novas terras.  ou  seja. com o controle das epidemias nas grandes cidades  brasileiras.  chegou  a  América. Com o  governo de Getúlio Vargas vieram as investidas nas questões de saúde e previdência da massa  assalariada.  Portugal  realizava. em 1494. Gradativamente.  em  1492. houve a necessidade de estender as minguadas ações de saúde para  os espaços urbanos.  À  primeira vista. Com o advento da Proclamação da República. e persistência de  várias doenças infecciosas.  AULA 03 • A HISTÓRIA DAS POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL  Introdução  Sabemos  que  a  evolução  histórica  das  políticas  de  saúde  no  país  está  relacionada  diretamente  à  evolução  político­social  e  econômica  da  sociedade  brasileira. Pode­se afirmar que as primeiras ações de saúde pública surgiram com a vinda  da Família Real para a Colônia. A descoberta  e posterior colonização  brasileira pela Coroa Portuguesa apresentou diferentes formas de exploração humana e de  recursos naturais.  13  caravelas  portuguesas  lideradas  por  Pedro  Álvares  Cabral. Diante do fato de ambos terem as mesmas ambições e  com objetivo de evitar guerras pela posse das terras. foi celebrada a primeira missa no Brasil.  fato  que  ampliou as expectativas dos exploradores.  no  Brasil.  A  descoberta  do  Brasil  ocorreu  no  período  das  grandes  navegações. o modelo campanhista deslocou sua ação para o combate das endemias rurais. eles acreditavam tratar­se de um grande monte.  explorando  da  Mata  Atlântica  toneladas da valiosa madeira. Portugal e Espanha assinaram o Tratado de  Tordesilhas. Poucos anos antes da descoberta do  Brasil.  Em  22  de  abril  de  1500.  Cristóvão  Colombo.  navegando  pela  Espanha. o movimento da Reforma Sanitária e das “Diretas Já” clama por um Sistema de  saúde inclusivo e integral.  os  indígenas  recebiam  dos  portugueses  algumas  bugigangas 21  . foi  utilizado  o  escambo.  No dia 26 de abril.  chegava.  o  extrativismo  do  pau­brasil. cuja tinta vermelha era comercializada na Europa. Na  década de 1985.SAÚDE COLETIVA   A evolução histórica das políticas de saúde no Brasil está relacionada diretamente à  evolução político­social e econômica da sociedade. e chamaram­no de Monte Pascoal. Nesse caso. O golpe militar de 1964 trouxe a institucionalização do INPS e do INAMPS.  ao  Brasil.

  por  exemplo. o Colégio médico­cirúrgico no Real Hospital Militar da Cidade de Salvador. o que acabou gerando sérias conseqüências 22  .  com  a  expedição organizada  por  Martin  Afonso de  Souza.  em  1889.  fez  com  que  proliferassem  pelo  país  os  Boticários  (farmacêuticos). a febre amarela. posteriormente.  holandeses  e  ingleses.  controle  de  navios e saneamento dos portos. No  mês de novembro do mesmo ano. e.  Isso  ocorreu  pois havia um grande receio dos portugueses em perderem as novas terras para invasores que  haviam  ficado  de  fora  do  tratado  de  Tordesilhas.  os  portugueses  começaram  a  fazer  experiências  com  o  plantio  da  cana­de­açúcar. A colonização seria uma das formas de ocupar e proteger o território.  Em  1808. Até 1850. as atividades de saúde pública  estavam  limitadas  em:  delegação  das  atribuições  sanitárias  às  juntas  municipais. como a varíola. a  malária. anexa ao real  Hospital Militar. na Bahia. o processo de habilitação consistia em acompanhar um  serviço  de  uma  botica  já  estabelecida  durante  certo  período  de  tempo.  visando  um  promissor comércio dessa mercadoria na Europa.  A carência dos profissionais médicos e de uma assistência médica estruturada. Navegadores e piratas desses povos estavam praticando a retirada ilegal de madeira de  nossas matas.  Brasil Colônia e Brasil Império  Nesse  período. espelhos e chocalhos) e davam em troca o trabalho no corte e carregamento das toras de  madeira até as caravelas.  a  atenção  à  saúde  limitava­se  aos  próprios  recursos  da  terra  (plantas  e  ervas)  e  às  pessoas  que  desenvolviam  a  arte  de  curar  através  de  conhecimentos  empíricos.  Foi  somente a partir de 1530.  franceses.  que  a  coroa  portuguesa  começou  a  interessar­se  pela  colonização  da  nova  terra. a peste.  denominados  de  curandeiros. foi criada a Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro. no Brasil  Colônia  e  no  Brasil  Império.SAÚDE COLETIVA  (apitos.  como. caracterizado pela presença de várias doenças graves.  observa­se  que  a  falta  de  um  modelo  sanitário deixou as cidades brasileiras a mercê das epidemias.  Brasil República  Com  a  Proclamação  da  República. O Rio de Janeiro apresentava um  quadro sanitário caótico.  Dom  João  VI  fundou.  Não dispondo de aprendizado acadêmico. A  vinda  da família  real  para  o  Brasil  criou  a  necessidade de uma  estrutura sanitária mínima na cidade do Rio de Janeiro. Para tanto.

 instituiu a vacinação anti­varíola obrigatória para todo o território nacional.  Em  1920.  criando uma  seção  demográfica.  foi  aprovada. posteriormente transformado no Instituto Oswaldo Cruz. inovando o modelo campanhista já existente.  A  industrialização  resultou  de  uma  urbanização  crescente  e  da  necessidade  de  mão­de­  obra  nas  indústrias.  marco  inicial  da  previdência 23  . entre eles a Revolta da Vacina. A  acumulação  capitalista  advinda  do  comércio  exterior  tornou  possível  o  início  do  processo  de  industrialização no país.  Os  operários  da  época  não  tinham  quaisquer  garantias  trabalhistas. que se deu principalmente no eixo Rio­São Paulo.  pelo  Congresso  Nacional.  Apesar  dos  excessos  cometidos.  sucessor  de  Oswaldo  Cruz.  Em 24  de  janeiro  de  1923.  o  que  resultou  em  duas  greves  gerais  no  país:  uma  em  1917  e  outra  em  1919.  reestruturou  o  Departamento  Nacional de Saúde.  a  Lei  Eloi  Chaves. Ainda no início do  século XX. resultando em movimentos repressores em  torno de mudanças que deflagram conflitos.  Através  desses  movimentos. o que o tornou hegemônico como proposta de intervenção na  área de saúde coletiva durante décadas.  A  necessidade de  reordenação dos  espaços e  de  solucionar  a  situação  sanitária  leva as  autoridades  à  implementação  de  um  programa  de  saneamento  conhecido  com  modelo  campanhista.  entre  eles  a  Escola  Jonh  Hopkins;  segundo seus modelos. e introduziu a propaganda e a educação  sanitária na técnica rotineira de ação. Importam­se  conhecimentos  dos  maiores  centros  de  saúde  do  mundo.  um  serviço  de  engenharia sanitária e de profilaxia da febre­amarela. Nesse período Oswaldo Cruz organizou a diretoria geral  de  saúde  pública.  Gradativamente. é fundado o Instituto de Higiene e Saúde Pública. com o controle das epidemias nas grandes cidades brasileiras.  liderado  pelo  médico  sanitarista  Oswaldo  Cruz. assentada na manocultura do café. então ligado ao Ministério da Justiça.  A  Lei  Federal  nº  1261. e  o instituto soroterápico federal. o modelo  campanhista deslocou a sua ação para o campo e para o combate das denominadas endemias  rurais.SAÚDE COLETIVA  tanto para a saúde coletiva quanto para outros setores. um  laboratório  bacteriológico.  na  qual  o  uso  da  força  e  da  autoridade  eram  considerados os instrumentos preferenciais de ação.  de  31  de  outubro de 1904. como o do comércio exterior. Esse  modelo  foi  criado  dentro  de  uma  visão  militar.  o  modelo  campanhista  obteve  importantes  vitórias  no  controle das doenças epidêmicas. visto que os  navios estrangeiros não mais queriam atracar no porto do Rio de Janeiro em função da situação  sanitária existente na cidade. a inspetoria de isolamento e desinfecção.  Carlos  Chagas. dado ser a agricultura a atividade hegemônica da economia da época. hoje atual Faculdade de  Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). os  operários  começaram  a  conquistar  alguns direitos  sociais. a economia era basicamente agroexportadora.

  foram  instituídas  as  Caixas  de  Aposentadoria  e  Pensões  (CAP’s).  As  dificuldades  encontradas  para  governar  democraticamente  a  nação  levaram  à  instalação.SAÚDE COLETIVA  social  no  Brasil.  fazer  o  ônus  recair  sobre  o  público  em  geral  e. o que pode ser explicado pela importância que  esse  setor desempenha na  economia  do país  naquela  época e pela  capacidade  de  mobilização  que a categoria dos ferroviários possuía.  as  antigas  CAP’s  são  substituídas  pelos  Institutos  de  Aposentadorias  e  Pensões  (IAP”s).  assim. abrangendo cada  vez  maior  número  de  usuários  de  serviços.  A Lei Eloi Chaves deveria ser aplicada somente aos operários urbanos.  Como  resultado.  a  se  constituir  efetivamente  em  contribuição  da  União.  A crise dos anos 30 imobilizou temporariamente o setor agrário­exportador. empresas  e consumidores dos serviços das mesmas.  Através  dessa  lei.  No que se refere à previdência social. os trabalhadores eram organizados por categoria profissional (marítimos.  O  mecanismo  de  contribuição  tríplice  (em  partes  iguais)  refere­se  à  contribuição  pelos  empregados. a política do estado pretendeu estender a todas as  categorias  do  operariado  urbano  organizado  os  benefícios  da  previdência.  foi  criado  o  Ministério  da  Saúde.  limitou­se  a  um  mero  desmembramento do antigo Ministério da Saúde e Educação sem que isso significasse uma nova 24  . entre elas.  dependiam  do  poder  de  mobilização  e  organização  dos  trabalhadores  de  determinada empresa para reivindicar a sua criação e eram mantidas por empregados. a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública. redefinindo a  organização do estado que imprimirá novos caminhos à vida nacional. Assim é a crise do café.  na  verdade. e não por empresa.  com  a  criação  de  novas  Caixas  e  Institutos. as caixas deveriam  ser  organizadas  por  empresa  e  não  por  categorias  profissionais.  bancários).  o  que.  A primeira CAP criada foi a dos ferroviários. Getúlio Vargas instalou a  reforma política e administrativa.  Ditadura Civil: “ era Vargas”   Investindo na Presidência da República pela Revolução de 1930. a  ação dos setores agrários e urbanos que vão propor um novo padrão de uso do poder no Brasil.  Nesses  institutos. A extensão progressiva desse sistema. comerciários.  da  ditadura  do  Estado  Novo.  afinal.  a  partir  de  1937.  veio.  com  centralização  da  máquina  governamental  e  também bloqueamento das reivindicações sociais.  Em  1953.  empregadores  e  União  e  foi  obrigatoriamente  instituído  pela  Constituição Federal de 1934.  as  CAP’s  não  eram  criadas  automaticamente.

  promove  uma  intervenção  generalizada  em  todos  os  IAP’s. através de empréstimos com juros subsidiados.  denominada  Lei  Orgânica  da  Previdência  Social.  foi  promulgada  a  lei  3.  destinado  a  abranger  todos  os  trabalhadores  sujeitos  ao  regime  da  Consolidação  das  Leis  do  Trabalho (CLT). excluídos os trabalhadores rurais.  que.  de  beneficiários. formando um complexo sistema médico­industrial.  foi  grande  o  volume  de  recursos  financeiros capitalizados. ocorre  a efetivação do processo de unificação com a implantação do Instituto  Nacional de Previdência Social (INPS). os empregados domésticos e. naturalmente.  Em  1960. os  servidores  públicos  e  de  autarquias.  A Ditadura Militar  O  processo de  unificação dos  institutos avança com  o  golpe  militar  de  1964.  organiza­se  em  redes  de  clínicas  e  hospitais  com  caráter  lucrativo. Nesse momento. gerando um grande volume de recursos financeiros.  levando o governo militar a direcionar os recursos públicos para a iniciativa privada.  foram estabelecidos convênios e contratos com a maioria dos médicos e hospitais existentes no  país. Dessa forma.  A  medicina  liberal  também  perde  espaço. em 1978. Em 2  de janeiro de 1967.  recorre  às  instituições  privadas  no  sentido  de  complementar  o  atendimento  à  demanda.  No  entanto. o que  acabou  levando  a  criação  de  uma  estrutura  própria  administrativa:  o  Instituto  Nacional  de  Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS).  quando  foi  promulgada  a  lei  4.  proporcionando a unificação dos diversos benefícios ao  nível  de  IAP’s.  Esse sistema foi se tornado cada vez mais complexo dentro da estrutura do INPS.  que  instituiu  o  Fundo  de  Assistência  ao  Trabalhador  Rural  (FUNRURAL).  conseqüentemente.  nesse  mesmo  ano.  Os  trabalhadores  rurais  só  viriam  a  ser  incorporados  ao  sistema  3  anos  mais  tarde.  Incapacitado  de  atender  à  extensa  massa  de  usuários  com  serviços  próprios.  sendo  os  conselhos  administrativos substituídos por juntas interventoras nomeadas pelo governo revolucionário.  era  impossível  ao  sistema  médico  previdenciário  atender  a  toda  essa  população.  e  que  tivessem  regimes  próprios  de  previdência. o Ministério da  Previdência e Assistência Social ditava as políticas de saúde; juntamente com esse ministério foi  criado  o  Fundo  de  Apoio  ao  Desenvolvimento  Social  (FAS).  que  proporcionou  a  remodelação  e  ampliação dos hospitais da rede privada.  Na  medida  em  que  todo  o  trabalhador  urbano  com  carteira  assinada  era  automaticamente  contribuinte  e  beneficiário  do  novo  sistema.  que  veio  estabelecer  a  unificação  do  regime  geral  da  previdência  social.SAÚDE COLETIVA  postura  do  governo.  que 25  .807.  ao  aumentar  o  número  de  contribuintes  e.214  de  2/3/63/.

 O setor médico privado.  A população com baixos salários passou a conviver com o desemprego e as suas graves  conseqüências  sociais.  da  mortalidade  infantil.  a  partir  de  64.  Esses  indivíduos  eram  caracterizados  como  indigentes  e  encaminhados  a  serviços  filantrópicos para atendimento. cooperativas médicas.  que  se  beneficiou  do  modelo  médico­privatista  durante  quinze  anos.  Esse  sistema  baseia­se  num  universalismo  excludente.  e  à  assistência  médico­  hospitalar  para  poucas  doenças  servia  a  pessoas  que  não  tinham  acesso  ao  atendimento  do  INAMPS.  Desse  modo  foi  concebido  um  subsistema  de  Atenção  Médica­Supletiva  composto  de  5  modalidades assistenciais: medicina de grupo. seguro­saúde  e  plano  de  administração. os pobres  ficaram  mais  pobres  e  os  ricos  mais  ricos.  caracterizada  pela  crise  econômica  internacional  e  diminuição  do  fluxo  de  capital  estrangeiro  e  nacional.  entra  em  crise  em  1975.  Nesse momento. a atuação do Ministério da Saúde resumia­se às atividades de promoção  de  saúde  e  prevenção  de  doenças. 26  .  direcionando o seu modelo de atenção para parcelas da população. classe média e categorias de  assalariados.  implantado  pela  ditadura  militar.  como  aumento  da  marginalidade.  O  modelo de saúde previdenciário começa a mostrar as suas deficiências. passou a formular novas alternativas para sua estruturação.  realizadas  em  caráter  universal. auto­gestão.  A Crise do modelo de assistência à saúde  O  modelo  econômico. O país diminui o ritmo de crescimento resultando em desnivelamento social.  Ao  subsistema  público  compete  atender  a  grande  maioria  da  população  brasileira  com  os  minguados  recursos  dos governos federal. procurando através da poupança desses setores sociais organizar uma nova base  estrutural.  sendo  o  país  um  dos  que  apresentavam  um  dos  maiores índices de concentração de renda em nível mundial.SAÚDE COLETIVA  passam a conveniar­se com a previdência e empresas. garantindo assistência a seus funcionários  (surgem aí os primeiros seguros privados de saúde).  das  favelas.  beneficiando  somente aquela  parcela  da população  que tem condições financeiras de  arcar  com  o  sistema  e  sem  investimento  na  saúde  preventiva  e  na  mudança  de  indicadores  de  saúde.  observando  que o setor público estava em crise. estadual e municipal.

  Ao  ler  o  texto.  a  febre  amarela.  podemos  afirmar  que  as  CAP’s  eram  organizadas  pelo  Estado  e  todos  os  operários.  como  a  varíola. foi  aprovada.  No  entanto. empresas e consumidores dos serviços das mesmas”. proteção e recuperação” .  já  numa  transição  para  o  Sistema  Único  de  Saúde  (SUS). Em  24  de  janeiro de 1923. observa­se  que  a falta de  um  modelo sanitário  deixou as cidades brasileiras a mercê das epidemias. em 5 de outubro de 1988.  Exercícios  1. pelo  Congresso  Nacional.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  até  a  universalização  progressiva  do  atendimento.  posteriormente.SAÚDE COLETIVA  Abertura Política e os reflexos no novo modelo de assistência à saúde  Ao  longo  da  década  de  1980. O Rio de Janeiro apresentava um quadro  sanitário  caótico  caracterizado  pela  presença  de  várias  doenças  graves.  Retomaremos o assunto nas aulas 8 e 9 referente ao Sistema Único de Saúde (SUS). dependiam do poder de mobilização e organização  dos trabalhadores de determinada empresa para reivindicar a sua criação e eram mantidas por  empregados.  garantido  mediante  políticas  sociais  e  econômicas  que  visem  à  redução  do  risco  de  doença  e  de  outros  agravos  e  ao  acesso  universal  e  igualitário  às  ações e serviços para sua promoção. sem exceção.  Ao  ler  o  texto. As  CAP’s não eram criadas automaticamente.  prevista  pelo  Sistema  Único  e  Descentralizado  de  Saúde  (SUDS).  marco  inicial  da previdência  social no  Brasil.  como  o  do  comércio  exterior.  “Com a Proclamação da  República. no Artigo 196: “ A saúde é direito de  todos  e  dever  do  Estado.  conforme  vinha  sendo  imposta  pelo  Sistema  de  Saúde  anterior. 27  .  e. a  Lei  Eloi  Chaves.  defendida  na  8º  Conferencia  Nacional  de  Saúde  como  estratégia  viável  para  a  eliminação  da  assistência  à  saúde  excludente.  o  que  acabou  gerando  sérias  conseqüências  tanto  para  a  saúde  coletiva  quanto  para  outros  setores. Através dessa lei formam instituídas as Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAP’s). tinham direito à assistência médica.  Pode­se afirmar que essa idéia está:  a) Correta. em 1889. a qual culminou com a Promulgação da Constituição da República  Federativa do Brasil.  a  malária.  o  que  imprimiu a nova lógica de direitos civis e acesso aos serviços de saúde advém com a Assembléia  Nacional Constituinte de 1986.  2.  o  INAMPS  passaria  por  sucessivas  mudanças. que garante. visto que os navios estrangeiros não mais queriam atracar no porto do Rio de Janeiro  em função da situação sanitária existente na cidade”. liderado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz.  b) Incorreta.  “Os  operários  começaram  a  conquistar  alguns  direitos  sociais.  podemos  afirmar  que  a  necessidade  de  reordenação  dos  espaços  e  de  solucionar  a  situação  sanitária  leva  à  implementação  de  um  programa  de  saneamento  conhecido como modelo campanhista.  a  peste.

  Através  dessa  lei  formam  instituídas  as  Caixas  de  Aposentadoria  e  Pensões  (CAP’s). entra em crise em 1975. implantado pela ditadura militar. O país diminui  o ritmo  de crescimento.  nesse  momento. nesse momento. como o do comércio exterior. tinham direito  à  assistência médica. reordenação  dos  espaços  e  de solucionar  a situação sanitária leva  à implementação de  um programa de saneamento  conhecido como modelo campanhista. empresas e consumidores dos serviços das mesmas.  a  malária. entra em crise em 1975. é que o Estado provê assistência médica a toda à população indiscriminadamente. a  Lei  Eloi  Chaves.  Ao ler o texto.  Pode­se afirmar que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  As CAP’s não eram criadas automaticamente. “Com a Proclamação da República.  As  CAP’s  não  eram  criadas  automaticamente. Em 24 de janeiro de 1923.  sendo  o  país  um  dos  que  apresentavam  um  dos  maiores  índices  de  concentração de renda a nível mundial. liderado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz.  a  peste.  Pode­se afirmar que essa idéia está:  a) Correta. sem  exceção. pelo Congresso Nacional. caracterizada /  Ao  ler  o  texto.  Ao  ler  o  texto.  marco  inicial  da  previdência  social  no  Brasil.  como  a  varíola.  posteriormente. o modelo de atenção à saúde ainda permanecia excludente. implantado pela ditadura militar. podemos afirmar que. caracterizada pela crise econômica internacional  e  diminuição  do fluxo de capital  estrangeiro  e  nacional.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente.  Pode­se afirmar que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  No momento da crise de 1975. sendo que somente na década de 1980.  e. empresas e consumidores  dos serviços das mesmas”. O Rio de Janeiro  apresentava  um quadro sanitário  caótico caracterizado  pela  presença de  várias  doenças  graves.  os  pobres  ficaram  mais  pobres  e  os  ricos  mais  ricos. dependiam do poder de mobilização e organização dos trabalhadores de determinada  empresa para reivindicar a sua criação e eram mantidas por empregados. O modelo econômico.  3. em 1889. resultando  em desnivelamento social.  2.  com o advento do SUS.  podemos  afirmar  que.  3. O modelo econômico. podemos  afirmar que  as CAP’s  eram  organizadas pelo Estado  e  todos  os  operários. “Os operários começaram a conquistar alguns direitos sociais.  o  Estado  provia  assistência  médica  a  toda à população.  podemos  afirmar  que  a  necessidade  de  reordenação  dos  espaços  e  de  solucionar  a  situação  sanitária  leva  à  implementação  de  um  programa  de  saneamento  conhecido  como  modelo  campanhista. foi aprovada.  o  que  acabou  gerando  sérias  conseqüências  tanto  para  a  saúde coletiva quanto para outros setores. observa­se que a falta de um modelo sanitário deixou as cidades brasileiras a mercê  das  epidemias.  dependiam  do  poder  de  mobilização  e  organização  dos  trabalhadores de determinada empresa para reivindicar a sua criação e eram mantidas por empregados.SAÚDE COLETIVA  b) Incorreta.  Respostas dos Exercícios  1.  b) Incorreta.  Ao ler  o texto.  liderado  pelo  médico  sanitarista  Oswaldo  Cruz. 28  .  a  febre  amarela. visto que os navios estrangeiros não mais queriam atracar  no porto do Rio de Janeiro em função da situação sanitária existente na cidade”. o Estado provia assistência médica a toda à população.

  Tomados  aqui  os  problemas  de  saúde  na  dimensão  social  e  coletiva;  fica  claro  que  sua  superação  não  é  possível  apenas  mediante  decisões  de  âmbito  hospitalar  ou  de  assistência  médica.  É um pobre ficar na terra. que exigem diferentes aproximações. têm levado a profundas alterações no perfil epidemiológico no que diz respeito à  produção e a distribuição social dos problemas de saúde.  Porém. que a sociedade brasileira vem atravessando ao longo das  décadas.  são  processos  históricos  e  sociais  determinados  pelo  modo  como  vive.  Por  exemplo. Assim. abaixo de dez óbitos por mil nascidos vivos. as profundas  mudanças históricas e sociais.  (Mário Quintana) Introdução  Há  muito  sabemos  que  saúde  e  doença.  organiza­se  e  produz  cada  sociedade. pois se traduz em diferentes  expressões de desigualdade. muito mais difícil.  Assim.SAÚDE COLETIVA   Há muito se sabe que a saúde e doença são processos históricos e sociais determinados  pelo modo como vive.  as  profundas  mudanças  históricas  e  sociais  que  a  sociedade  brasileira  vem  atravessando ao  longo das  décadas  têm  levado a  profundas  mudanças  no perfil  epidemiológico  no que diz respeito à produção e à distribuição social dos problemas de saúde. verifica­se que sua complexidade é grande.  Quando se discute a desigualdade no  acesso à saúde. só poderá  29  .  longe  de  serem  fatalidade  ou  destino.  (Afirma o povo e não erra).  a  redução  da taxa  de  mortalidade infantil para valores aceitáveis.  AULA 04 • PANORAMA DE SAÚDE NO BRASIL  Custa o rico a entrar no Céu. está organizada e produz cada sociedade humana. O estudo da desigualdade em  saúde busca entender as diferentes expressões e as determinações dessas desigualdades para  seu melhor enfrentamento.  mas  depende  de  ações  intersetoriais  mais  amplas.

  Nenhum  estado  brasileiro  enquadra­se  nos  níveis  ideais  de  instrução  internacionalmente  aceitáveis.  cinco anos a menos que um residente da Região Sul.  em  média.  Um  nordestino  vive.  Os  municípios com mais de 100 mil habitantes estão em maior número situados na Região Sudeste.  que  exigem  diferentes  aproximações. que é hoje uma importante causa de morte no nosso país.  em  2005. e mesmo estados como São Paulo.  Os  municípios  com  mais  de  500  mil  habitantes  mostraram as menores taxas.  sendo  seguido  pela  Região  Sudeste  e  pela  Região  Sul.  o  homicídio  é  a  terceira  causa  de  óbito  entre os  homens  e  o  acidente  de  transporte  é  a  quarta  causa.  As  proporções  são  ainda  maiores  no  Nordeste  e  no  Norte  –  o  estado  de  Alagoas tinha 30% de analfabetos funcionais em 2005.  O  Nordeste  é  a  região  com  menor  expectativa  de  vida.  Desigualdade na transição demográfica e de indicadores sociais  Em 2006.  pois  se  traduz  em  diferentes  expressões  de  desigualdade.613.  Observa­se também que a população com maior taxa de analfabetismo concentra­se nos  pequenos  municípios  (<  100  mil  habitantes).  Para  superar  esse  problema.770. 72% tinham até 20 mil habitantes e somente 4.  mais  ainda.  sem  capacidade  de  ler  ou  escrever um bilhete simples ainda é muito alta.  Outro exemplo é o da violência. estando mais próximos destes o Distrito Federal e alguns estados das Regiões Sul e  Sudeste.5% tinham mais de 100 mil.  A  proporção  da  população  com  15  anos  ou. quatro anos a menos que um residente na  Região Sudeste e três anos a menos que uma pessoa vivendo na Região Norte.564 municípios.  vemos  que  sua  complexidade  é  grande.  A população rural teve cobertura mais baixa de saneamento básico 30  . Rio Grande do  Sul  e  Rio  de  Janeiro  mostravam. Dos  municípios brasileiros.  visto que vários determinantes do óbito infantil estão fora das ações de saúde. com 5.  a  Região  Nordeste  tem  o  maior  número  de  municípios  com  até  20  mil  habitantes  que  as  demais  regiões.  Em  números  absolutos.  Quando se discute a desigualdade na saúde como importante determinante dos problemas  de  saúde–doença–atenção  observados.  somente  ações  articuladas  entre  governos  e  sociedade  podem ter resultado significativo na redução.  O  estudo  da  desigualdade  em  saúde  busca  entender  as  diferentes  expressões  e  as  determinações  da  desigualdade para seu melhor enfrentamento.SAÚDE COLETIVA  ocorrer com ampla articulação do setor saúde com setores governamentais e da sociedade civil. o Brasil apresenta uma população de 186.  que  5%  da  população  com  15  anos  ou  mais  era  analfabeta  funcional.

  por  faixa  etária  e  por  indicadores  sócio­econômicos  individuais  e  municipais.  temos  o  Distrito  Federal. Esse aumento no Cadastro foi mais  concentrado  na  Região  Sudeste  e  nos  municípios  mais  populosos.  Distribuição desigual dos estabelecimentos de saúde em 2006  O  Cadastro  Nacional  de  Estabelecimentos  de  Saúde  (CNES)  teve  aumento  de  49%  de  estabelecimentos cadastrados no Brasil entre 2004 e 2006.  Em  seguida. Os municípios com menos de 100 mil habitantes também apresentaram  pior cobertura. com grande concentração de unidades de atenção básica (14.  reforçando  a  distribuição  desigual dos estabelecimentos de saúde entre as regiões e os estados.  O  Brasil  apresentou  66.  O  principal  grupo  de  causas  de  morte  no  Brasil.  em  todas  as  regiões  e  para  ambos  os  sexos.  foram  às  doenças  do  aparelho  circulatório.  com  poucas  unidades  (1.  As  diferenças  entre  estados  são  imensas:  em  um  extremo.  evidenciando  a  importância  dessas  doenças  e  mostrando  a  complexidade  da  transição  epidemiológica  no  Brasil.  De  forma  geral.  nos  indivíduos  brancos  e  amarelos e nos municípios maiores e com melhores indicadores sócio­econômicos. a carga de doenças transmissíveis mostrou­se maior que a de causa externa.  a  proporção  de  óbitos  por  doenças  não­transmissíveis  foi  mais  prevalente  entre  as  faixas  etárias  mais  elevadas. contudo os privados não ­ SUS representam  pouco mais de 40% dos estabelecimentos.5/10 mil habitantes) e.  vêm  os  agravos  por  causas 31  . no  outro.7/10  mil  habitantes)  em  seus  municípios.  observaram­se  diferenças  relevantes  na  mortalidade  segundo a faixa etária.1%  do  total  de  estabelecimentos  cadastrados  como  serviço  de  atenção  básica. A proporção de óbitos por grupos de causas variou entre as regiões e os estados.  Carga global de doenças no Brasil: a distribuição desigual da  mortalidade  Os  resultados  apresentados  mostram  que  as  doenças  não­transmissíveis  representaram  acima de 60% dos óbitos notificados no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) no Brasil no  ano de 2004.  nos  indivíduos  com  maior  escolaridade.SAÚDE COLETIVA  que a população urbana.  Além disso.  Assim  como  esperado. o sexo e as regiões do Brasil em 2004.  A  maior  parte dos estabelecimentos cadastrados é privada.  o  Amazonas.

 em face daquelas observadas para a população brasileira. por uma mãe. Em comparação com a população brasileira em geral. deve  ser abordada como resultado de um conjunto complexo de determinantes.  pois essa  doença atinge a população mais idosa.  Nascimento e desigualdade no Brasil  O acesso à consulta de pré­natal foi tomado como medida da desigualdade no acesso aos  serviços de saúde.  sendo  o segundo  grupo de causas de  morte  para os homens nas Regiões Sudeste.  como  as desiguais  condições  de  renda. Para as mulheres. observa­se que no grupo de  beneficiários há  maior número de  óbitos  por  neoplasias.  um percentual de 17. tanto para a população do Brasil quanto para  beneficiários.  observou­se  que  as  doenças  cerebrovasculares  e  as  doenças  isquêmicas  do  coração  são  as  causas  mais  incidentes  de  morte  dentre  o  grupo  de  doenças  do  aparelho  circulatório  e  apresentam distribuição etária bastante semelhante. parto e puerpério. seguidas das neoplasias e depois das causas externas. enquanto para as mulheres esse  percentual foi de 7. que vai além do acesso  à  rede  assistencial  suplementar. O risco de  morte  por  causas externas  difere  segundo o  sexo.  mostrando a desigualdade mesmo na saúde suplementar.  Nesse  sentido.  ocupação.  Entre  os  óbitos  masculinos. gravidez. A partir dos 50 anos.4%. as neoplasias foram o segundo grupo  de causas de morte em todas as regiões.  Um resultado importante na análise do perfil de mortalidade dos beneficiários de planos de  saúde  é  o  fato  das  pessoas  negras  (pardos  e  pretos)  morrerem  mais  jovens  que  os  brancos.  habitação e  desenvolvimento sócio­cultural. no ano de 2004.3% ocorreu na faixa etária de 15 a 39 anos.  reflexo  da distribuição etária.  a  diferença  no  perfil  de  mortalidade  em  beneficiários de plano de saúde. causas externas e causas mal definidas. aproximadamente 55% dos óbitos de pessoas amarelas ocorreram após  os 70 anos de idade. que determinam as diferentes condições de saúde.  Aproximadamente 30% dos óbitos de pessoas indígenas ocorreram antes dos 5 anos de  idade; em contrapartida.SAÚDE COLETIVA  externas na Região Centro­Oeste e no Nordeste e as neoplasias no Sul e no Sudeste. A população preta apresentou maior risco de morte por doenças infecciosas  e parasitárias.  Os  homens  morreram  mais  precocemente  que  as  mulheres. as doenças do aparelho circulatório foram o principal  grupo de causas de morte.  A condição sócio­econômica tem sido abordada como importante fator na determinação da  situação  de  saúde  de  uma  população. Os dados mostraram que ter tido sete ou mais 32  .  Na análise pelas causas específicas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório.

 atingindo um maior número de crianças de grupos sociais  desfavorecidos.  Os  grupos  socialmente  mais  vulneráveis  receberam  atenção  pré­natal  deficiente  em  2004. tendo aumentado no período recente. Indicam ainda diferenciais no acesso aos serviços de saúde.  pois  as  solteiras  referiram ter recebido menos consultas de pré­natal que as casadas. 33  .  a  todas  as  situações que resultam desse menor acesso.  Outra  diferença  que  gera  desigualdade  é  o  estado  civil  das  mães.SAÚDE COLETIVA  consultas  de  pré­natal  foi  explicado  pela  maior  escolaridade  das  mães  e  pelas  boas  condições  sócio­econômicas do município. Esse resultado aponta para a necessidade de intervenções direcionadas para a redução da  desigualdade no acesso ao pré­natal.  As condições de adoecimento e morte. A desigualdade na mortalidade infantil  pode  ser  expressa  pela  alta  taxa  entre  os  indígenas. contribuindo com 2% da mortalidade. são evidentes. Entre as faixas de idade. as mães  adolescentes referiram ter recebido menos consultas de pré­natal em relação às mães maiores de  19  anos.  Os dados apontam uma redução importante nos óbitos em crianças menores de 1 ano de  vida em todas as regiões.  Observou­se  que  12%  dos  óbitos  das  crianças menores de 1 ano indígenas foram por desnutrição; para os não­indígenas essa causa  de morte foi seis vezes menor.  A  proporção  de  óbitos  decorrentes  de  causas  perinatais apresentou aumento entre 1996 e 2004 e houve uma redução dos óbitos em menores  de 1 ano por doenças infecciosas e respiratórias.  A  mortalidade  por  causas  perinatais  representa atualmente o  principal  contingente  das  mortes  no  primeiro  ano  de  vida.  Os nascidos vivos negros tiveram uma maior chance de ter recebido menos consultas de  pré­natal  comparadas  às  mães  dos  nascidos  vivos  de  cor  branca. a maior redução verificada no Brasil ocorreu  no  período pós­neonatal. Os óbitos das causas mal definidas caíram 39%  no mesmo período.  portanto.  independentemente  da  escolaridade e das condições sócio­econômicas dos municípios.  Mortalidade infantil no Brasil: determinantes e desigualdades  Os  dados  revelam  desigualdades  sociais  na  determinação  dos  riscos  de  morte  Infantil  e  nos padrões reprodutivos no Brasil. Observa­se que ser um nascido  vivo  negro foi fator  de  risco  para  ter  tido  menor  assistência no pré­natal e. Da mesma forma. Também as diferenças de raça/cor se mostraram determinantes  no acesso desigual ao pré­natal.  Os dados dos nascidos vivos mostram que o baixo peso e a prematuridade no Brasil têm  uma alta freqüência.

8% do total de óbitos ocorridos no país.SAÚDE COLETIVA  Desigualdade e determinantes da saúde dos adolescentes  Dos  nascidos  vivos.  enquanto  as  mulheres  utilizaram  mais  freqüentemente  pesticidas  e  outras  substâncias  farmacológicas.  Em 2004.  e  na  população  adulta  concentraram­se  três  quartos dos óbitos. Nessa faixa etária.  é  alarmante  o  número  de  óbitos  em  conseqüência  de  causas  externas.  estão  mais  sujeitas  a  se  tornarem  mães  tão  precocemente.  para  muitas  meninas. O  risco  de  morte  por  homicídio  também  esteve  fortemente  associado  ao  porte  do  município  de  residência: quanto maior o município.  A  análise  dos  óbitos por homicídio mostra uma grande desigualdade de gênero (rapazes têm taxa nacional de  mortalidade  11  vezes  maior  que as  meninas) e de  raça/cor  (maior  risco para  negros).  Pode­se  supor  que  as  meninas  residentes  em  municípios  com  essas  características  têm  menor  oferta  de  suporte  social  e  de  recursos  educacionais  e  de  saúde  disponíveis  para  lidarem  com  o  início  de  sua  vida  sexual.  As  maiores  taxas  de  nascimento – 1.  Em  2004.  residentes  em  municípios  com  até  100  mil  habitantes  e  alto  índice  de  pobreza.  20%  tinham  mães  adolescentes  em  2004. a taxa de nascimentos entre as meninas  negras chegou a 6.2/1. eles  foram  a  quinta  causa  de  óbitos  em  adolescentes.000 meninas na Região Norte.  foi  especialmente  mais  destacada  a  maior  freqüência  de  maternidade  na  adolescência  entre  as  meninas  negras.  A  análise  dos  fatores  associados  a  ser  mãe  antes  dos  14  anos  sugere  que  meninas  negras.  Embora os óbitos por suicídio representem 0. nas idades superiores a 9 anos. maior o risco de morrer assassinado.276 meninas com idade até 14 anos tornaram­se mães no Brasil. 26.  Apesar  de  os  óbitos  entre  adolescentes  representarem  apenas  2%  do  total  de  óbitos  captados  pelo  SIM  em  2004. O principal meio utilizado para cometer suicídio foi enforcamento. tornar­se mãe seja a conseqüência de situações de violência doméstica.  com  especial  destaque  para  os  homicídios  e  os  acidentes  de  trânsito.  A  análise  dos fatores associados à morte por homicídio mostrou que esses dois fatores (sexo masculino e  raça/cor negra) mantêm­se importantes mesmo após o ajuste por variáveis sócio­econômicas.  em  especial  das  Regiões  Norte  e  Centro­Oeste.  as  maiores  taxas  padronizadas  de  mortalidade por suicídio foram observadas no estado do Rio Grande do Sul.  Também  é possível  que.000 meninas com idade entre 10 e 19 anos – foram observadas na Região Norte;  nessa  região. para ambos  os sexos. A proporção de suicídios praticados com uso de arma  de  fogo  foi  maior  entre  os  homens.  Já  na  Região  Sul.  a  maternidade  na  adolescência  foi  maior entre as meninas brancas. 34  . com chance  50% maior para as meninas negras. para ambos os sexos.

 e que.  uma  vez  que  são  afetados pelo pequeno número de eventos notificados. Após o ajuste pelo índice de pobreza. O aborto contribuiu com 9. não é doença. residir em  municípios  pobres  torna  as  meninas  mais  expostas  a  morrer  por  causas  maternas  do  que  suas  outras características).  Desigualdade da mortalidade materna  A  análise  da  morte  em  conseqüência  de  causas  relacionadas  à  gravidez.  o que  representa  16.4%  do  total de  óbitos por esse grupo de causas e a terceira causa de morte entre meninas adolescentes) mais  uma  vez  apontou  para  as  desigualdades  regionais  e  raciais  na  distribuição  dos  óbitos  (maiores  taxas na Região Norte e entre meninas negras).  ao  parto  e  ao  puerpério entre  adolescentes  (274 óbitos  no  país  em  2004. representando  25.  com  amplo  predomínio  das  causas  obstétricas  diretas (70. nas quais a gravidez indesejada é mais freqüente. o que significa uma razão de  morte  materna  de  54.  A  situação  de  ilegalidade  na  qual  o  aborto  é  realizado  no  Brasil  afeta  a  existência  de  estatísticas confiáveis que subsidiem a implementação de políticas públicas mais precisas para as  diferentes realidades regionais e faixas etárias.4/100  mil  nascidos  vivos.  Por  fim. 1.6% dentre todas as causas de óbito materno no parto ou no puerpério.  a  característica  mais  fortemente  associada foi  ser  indígena  (mesmo  após o  ajuste  pelas  variáveis  sócio­econômicas).  Os  resultados  encontrados  devem  ser  considerados  com  certo  cuidado. No entanto.  Foram notificados.9%).  ainda  é 35  . apenas residir  somente nas Regiões Sul e Centro­Oeste permaneceu como um fator de risco (ou seja.SAÚDE COLETIVA  No  caso  da  morte  por  suicídio  entre  adolescentes. a doença hipertensiva específica da  gestação (a eclampsia ­ O15 e a pré­eclampsia ­ O14) foi a que mais se destacou.  Quando analisamos a mortalidade associada ao ciclo gravídico­puerperal e ao aborto entre  as  mulheres  em  idade  fértil. manteve­  se a associação entre raça/ cor negra e morte por esse grupo de causas; todavia. na maioria dos  casos.  mesmo  com  políticas  de  sensibilização.645 óbitos maternos em 2004. as mortes maternas são evitáveis.  observa­se  que  essa  causa  de  morte  não  aparece  entre  as  dez  primeiras causas. portanto.5% desses óbitos.  os  resultados  encontrados  pelo  relacionamento  de  banco  de  dados  de  29  maternidades/hospitais  no  Brasil  apontam  que. a  gravidade do problema é evidenciada quando se chama a atenção para o fato de que a gravidez é  um evento relacionado à vivência da sexualidade. somente entre as adolescentes aparece como causa importante.  mostrando  um problema importante nesse grupo social e que tem sido pouco abordado na política social. ao SIM.

  quatro  anos  a  menos que um residente  na Região  Sudeste  e três  anos  a menos que uma pessoa  vivendo na Região  Norte. quatro anos a menos que  um residente na Região Sudeste. as doenças do sistema circulatório foram as primeiras causas  de óbito. em todas as regiões do Brasil. após intervenção  cirúrgica. cinco anos a menos que um residente da Região Sul.  Podemos afirmar que essa idéia está:  a) Correta.SAÚDE COLETIVA  considerável o número de óbitos de mulheres logo após o parto e no puerpério sem definição da  causa básica.  O  Nordeste  é  a  região  com  menor  expectativa  de  vida.  Quanto  aos  determinantes  de  saúde  na  adolescência.  com  relação  à  expectativa  de  vida  do  brasileiro. em todas as regiões  do Brasil.  Podemos afirmar que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Uma pessoa que vive no Nordeste vive.  3.  O  Nordeste  é a  região  com  menor  expectativa  de  vida.  Um nordestino  vive.  b) Incorreta.  Respostas dos Exercícios  1.  podemos  afirmar  que.  3.  o  Sul  e  Sudeste  são  regiões  com  menor  expectativa de vida. mesmo em mulheres que vieram a falecer no mesmo dia do parto. os agravos por causas externas foram a primeira causa de óbito. o Sul  e  Sudeste são regiões com menor expectativa de vida.  em todas  as regiões  do  Brasil.  2.  em  média. 36  . podemos  afirmar  que.  Podemos dizer que essa idéia está:  a) Correta.  Exercícios  1.  quatro  anos  a  menos  que  um  residente  na  Região Sudeste e três anos a menos que uma pessoa vivendo na Região Norte.  Podemos afirmar que essa idéia está:  a) Correta.  cinco  anos  a  menos  que  um  residente  da  Região  Sul.  Ao  ler  o  texto.  b) Incorreta. Com relação  à  mortalidade  no  Brasil:  entre  as doenças não­transmissíveis.  os  agravos  por causas  externas foram a primeira causa de óbito.  cinco  anos  a  menos  que  um  residente  da  Região Sul.  podemos  afirmar:  O  suicido  entre  adolescentes  descendentes  dos  povos  indígenas é alto e a gravidez na adolescência está relacionada ao baixo nível sócio­econômico.  com  relação  à  expectativa de  vida do brasileiro.  Um  nordestino  vive.  Podemos afirmar que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Entre as doenças não­ transmissíveis. em  média.  Ao  ler  o  texto.  2. em média.  Quanto  aos  determinantes  de  saúde  na  adolescência.  b) Incorreta.  podemos  afirmar:  O  suicido  entre  adolescentes  descendentes  dos  povos  indígenas  é  alto  e  a  gravidez  na  adolescência  está  relacionada ao baixo nível sócio­econômico. Com relação à mortalidade no Brasil: entre as doenças não­transmissíveis.

 o suicido entre adolescentes descendentes dos povos indígenas é alto e a gravidez na adolescência está relacionada ao  baixo nível sócio­econômico.SAÚDE COLETIVA  Podemos dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente. 37  .

  AULA  05  •  SERVIÇOS  DE  SAÚDE  E  NÍVEIS  DE  ATENÇÃO  À  SAÚDE  Introdução  Atenção à saúde pode ser definida como sendo tudo o que envolve o cuidado com a saúde  do ser humano. Essa estruturação visa à melhor programação e planejamento das ações e  serviços do sistema. que são a básica.  tais  como  meio­ambiente  (ambiente  físico.  influenciam  e  atingem  a  saúde  e  o  bem­estar. porque a atenção à saúde deve ser integral. prevenção.SAÚDE COLETIVA   Atenção à saúde pode ser definida como sendo tudo o que envolve o cuidado com a saúde  do ser humano. reabilitação e tratamento  de doenças e/ou agravos. Em  outras  palavras. como forma de posicionar as  organizações de saúde dentro de um macro­ambiente.  hereditariedade.  econômico. o cuidado com a saúde está ordenado  em níveis de atenção. como forma de posicionar as organizações de saúde dentro de um macro­ambiente.  da  mesma  forma. é importante atentar  para as variáveis que interferem sobre a saúde do indivíduo.  dentre  outros  tantos.  gênero.  atribui­se  a 38  . prevenção. considerar um desses níveis de atenção mais  relevante que outro.  no  entanto. Não se deve.  não  se  pode  considerar  apenas  as  instituições  que  estão  voltadas  para  o  serviço  de  saúde  propriamente  dito  .  social.  porque  a  atenção à saúde deve ser integral. No sistema de saúde brasileiro. a de média complexidade e a de alta complexidade.  é  importante  atentar  para  as  variáveis  que  interferem  sobre  a  saúde  do  indivíduo.  relações  de  trabalho.  ao  analisar  a  saúde. reabilitação e tratamento  de doenças e/ou agravos.    estilo  de  vida.  Pensando  assim. Essa  estruturação visa à melhor programação e planejamento das ações e serviços do sistema. incluindo as ações e serviços de promoção.  Antes de se falar sobre os níveis de atenção à saúde e sistema de distribuição de serviços  a  ela  relacionados. No sistema de saúde brasileiro.  etc).  Antes de falar sobre os níveis  de atenção à saúde e sistema de distribuição de serviços a ela relacionados. incluindo as ações e serviços de promoção. Não se  deve.  considerar  um  desses  níveis  de  atenção  mais  relevante  que  outro. o cuidado com a saúde está ordenado  em níveis de atenção.  mas  também  considerar  outros fatores  de  grande  importância  que. no entanto.

  influências  negativas anulam o que deve ser feito naturalmente pelo sistema.    por  sua  vez. políticos.  O  mais  importante  deste  modelo  deve­se  à  possibilidade  de  observação  de  que  o  Sistema  de  Serviço  de  Saúde  (Serviços  Médicos  ou  Organizações  de  Serviços  de  Saúde)  não  é  a  única  variável  no  Sistema  de  Saúde.  quando.  Segundo  esse  modelo.  que  permite  a  interdependência  entre  os  pressupostos econômicos.  O  modelo  de  Sistema  de  Saúde  de  Blum  mostra  que  há  uma  relação  de  dependência  entre  as  variáveis:  Serviços  Médicos  (Organizações  de  Saúde).  em  1970.  atuar  como  um  agente  corregedor.  Hereditariedade  e  Estilo  de  Vida  no  impacto  sobre  a  saúde  e bem­estar  que.  um  modelo  que  ilustra  bem  a  ação  dessas  variáveis  sobre  a  saúde  do  indivíduo. culturais.  Henrik  Blum  desenvolveu. etc.  Ambiente. 39  .SAÚDE COLETIVA  merecida  importância  à    questão  da  intersetorialidade. sociais.  depende dos quesitos  social  .  Sua  ação  é  limitada  e  visa.  como  diria  Hipócrates.  Visando  contrastar  essa    interdependência. existe uma interação dessas variáveis na definição da saúde e do bem­estar.  psíquico  e  somático.  principalmente.

  Os  tipos  de  Organizações  de  Serviços  de  Saúde  mais  comuns. Clínicas  de Planejamento Familiar.  A  classificação  pode  ser  feita  relacionada  à  visão  de  lucro.  Escolas de Educação em Saúde. de domínio público ou composição  mista (terceiro setor); pelo tempo de permanência do cliente. médio porte e grande porte.  O  Sistema  de  Serviços  de  Saúde  pode  ser  analisado  pelas  características  das  organizações  que  o  compõem.  3)  Cuidados  Terciários  –  Está  voltado  para  cuidados  médicos  super especializados   de  alta  complexidade.  serão  descritos  baixo.SAÚDE COLETIVA  Estrutura do Sistema de Serviços de Saúde  Uma  vez  analisado  o  Sistema  de  Saúde  ou.  neste  estágio. pequeno porte.  em  outras  palavras.  Unidades  Saúde  da  Família.  Serviços  de  Tratamento  de  Emergências.  assim  como  suas  principais  características  e  os  tipos  de  Organizações de Serviços de Saúde mais adequados a cada um deles:  1)  Cuidados  Primários  ou  Preventivos  –  O  objetivo  maior. são:  Hospitais especializados em doenças crônicas ou hospitais  geral com equipamento de alta tecnologia.  é  evitar  o  aparecimento  da  doença  através  de  educação  e  medidas  de  prevenção  básica. a  classificação mais utilizada é aquela que define o estágio de cuidado que demanda o cliente. que demanda um elaborado e  constante  processo  de  diagnóstico  e  acompanhamento  de  média  complexidade.  Os  tipos  de  Organizações  de  Serviços  de  Saúde  mais  comuns.  neste  estágio. a preocupação já está no diagnóstico precoce  e  tratamento  da  doença em  seu  estágio  inicial  ou  em  cuidados de  rotina. Centros de Informação e Controle de Tóxicos. Entretanto.  nos  quais  se  posicionam  as  Organizações  de  Serviços  de  Saúde.  Os  Estágios  de  Cuidados.  Seu  objetivo é o acompanhamento do cliente. assim  como  tratamento de urgência e emergência e cuidado intensivo. fechado e aberto; pelo tamanho.  consultórios  médicos.  suas instituições e suas principais características. seja em fase pós­operatória ou em cuidados  de  rotina  para  reabilitação. 40  .  2) Cuidados Secundários – Neste estágio.  Os  tipos  de  Organizações  de  Serviços  de  Saúde  mais  comuns. curto prazo e longo prazo; pelo corpo  clínico. etc. neste estágio. privada.  são:  Unidades  Básicas  de  Saúde.  o  Macro­ambiente.  são:  Hospitais  com  serviços  médicos  e  cirúrgicos  em  geral.  passaremos a mostrar como está estruturado e como funciona o Sistema de Serviços de Saúde.  lucrativa e não­lucrativa; pela composição acionária.  neste  estágio.  que  atendam  pacientes  de  uma  extensa  área  geográfica.

  neste  estágio.  em  reabilitação  ou  cuidados  domésticos.  5) Cuidado Contínuo – Neste estágio.  em  cuidados  de  rotina. seja em fase  pós­operatória. Os tipos de Organizações de Serviços de Saúde mais comuns. clínicas para pacientes psiquiátricos e agências de Serviços  de saúde domésticos.  Os  tipos de Organizações de Serviços de Saúde mais comuns. neste estágio.  são:  Centros  Geriátricos  de  cuidados  diários.SAÚDE COLETIVA  4) Cuidados Restaurativos – Seu objetivo é o acompanhamento do cliente.  serviços  de  enfermagem  domiciliar e centros de tratamento psiquiátrico. em  função  de doenças crônicas.  de  cuidados  pessoais  ou  de  problemas psiquiátricos. estão as pessoas que necessitam de cuidados de  saúde  a todo  momento. são: Clínicas  de reabilitação/fisioterapia. 41  .

  em  1978.uma  atenção  à  saúde  essencial. os Serviços de reabilitação e acompanhamento de atendimento domiciliar .  No Brasil.. da família e da comunidade com o sistema de  saúde. para a consolidação do sistema de atenção à saúde pública. constituindo o  primeiro elemento de um processo permanente de assistência sanitária”.  em  todas  as  etapas  de  seu  desenvolvimento.  baseada  em  métodos  e  tecnologias  práticas.  as  clínicas  e  os    consultórios  médicos  voltados  para  prevenção  e  diagnóstico  de  doenças  e  com  abrangência  de  atuação  limitada  (vizinhança);  os  hospitais  voltados  para  tratamentos  especializados  e  de  emergência  e  com  abrangência  mais  regional e. com a promulgação da Carta de Otawa. levando a atenção  à  saúde o mais próximo possível de onde residem e trabalham as pessoas. por último.  cujo  acesso  seja  garantido  a  todas  as  pessoas  e  famílias  da  comunidade  mediante  sua  plena  participação. como:  “.    A  atenção  primária  é  parte  integrante  tanto  do  sistema  nacional  de  saúde.  como  do  desenvolvimento  social  e  econômico  global    da  comunidade. em  1986.  e  alcançou  destaque  especial  na  Primeira  Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde.  cientificamente  comprovadas  e  socialmente  aceitáveis..  com  a  proposta  de  “ Saúde  para  Todos  no  Ano  2000” .  com  espírito  de  auto­responsabilidade  e  auto­determinação.  do  qual  constitui­se  como função central  e  núcleo  principal..  a  um  custo  que  a  comunidade  e  o  país  possam  suportar.  A Conferência de Alma­ata definiu atenção primária à saúde. o eixo central do  modelo de assistência foi direcionado para privilegiar a Atenção Primária à Saúde.  e  que  vem  sendo  somada  a  uma  série  de  declarações  internacionais  formuladas  em  conferências realizadas sobre o tema. (Organização  Mundial de Saúde – OMS – 1979) 42  .  Atenção Primária à Saúde ou Atenção Básica  A  Atenção  Primária  à  Saúde  surgiu  na  Conferência  de  Alma­ata..SAÚDE COLETIVA  Como  se  pode  observar  existem  três  grandes  grupos  de  Organizações  de  Serviços  de  Saúde:  As  Unidades  Básicas  de  Saúde.  Representa  o  primeiro  nível  de  contato  dos  indivíduos.

 da humanização.  43  . No Brasil.  pelas  quais  assume  a  responsabilidade sanitária.  Para  tanto. conforme consta nos princípios gerais da Política Nacional de  Atenção Básica do Ministério da Saúde – MS – significa “ um conjunto de ações de promoção e  proteção  da  saúde. na década de 1990.  sob  a  forma  do  trabalho  em  equipe.  tratamento.. como “porta de entrada” do sistema  ­  veremos PSF em  aulas posteriores.  com  inclusão  da  planificação  familiar;  a  imunização  contra  as  principais  enfermidades infecciosas; a prevenção e luta contra enfermidades endêmicas locais; o  tratamento apropriado das enfermidades e traumatismos comuns; e a disponibilidade de  medicamentos essenciais.  do  vínculo  e  da  continuidade.orienta­se pelos princípios da universalidade. (Portaria nº 648.  reabilitação  e  manutenção  da  saúde.  por  meio  de  práticas  gerenciais  e  sanitárias  democráticas  e  participativas.  um  reflexo  e  uma  conseqüência das condições econômicas e das características sócio­culturais.SAÚDE COLETIVA  Tomando alguns trechos da Declaração de Alma­ata:  VII  1  –  A  atenção  primária  de  saúde  é.  diagnóstico. Expressão brasileira que. da eqüidade e da participação social” .  a  Política  nacional  de  Atenção  Básica  do  Ministério  da  Saúde  define  que  a  organização  da  atenção  básica  dar­se­á  mediante  a  implementação  da  estratégia  Saúde  da  Família (Programa Saúde da Família). políticas  do país e de suas comunidades;  VII  3  –  Compreende. de Atenção  Básica.  ao  mesmo  tempo. a Atenção Primária à Saúde foi denominada. nem sempre um município necessita de todos os níveis de  atenção à saúde instalados em seu território para garantir a integralidade  do atendimento à saúde  de sua população. da acessibilidade  e  da  coordenação  do  cuidado. 2006)  Segundo o Ministério da Saúde.  da  integralidade.  pelo menos.  MS.  prevenção  de  agravos.  dirigidas  a  populações  de  territórios  bem  delimitados.. Isso pode ser feito por meio de pactos regionais que garantam às populações  dessas localidades acesso a todos os níveis de complexidade do sistema. A prioridade para todos  os municípios é ter a atenção básica operando em condições plenas e com eficácia.  desenvolvida  no  individual  e  nos  coletivos.  da  responsabilização.  as  seguintes  áreas:  a  educação  sobre  os  principais  problemas  de  saúde  e  sobre  os  métodos  de  prevenção  e  de  luta  correspondentes;  a  promoção  do  aportamento  de  alimentos  e  de  uma  nutrição  apropriada;  um  abastecimento adequado de água potável e saneamento básico; a assistência materno­  infantil.

 com inclusão da planificação  familiar; a imunização contra as principais enfermidades infecciosas; a prevenção e luta contra  enfermidades  endêmicas  locais;  o  tratamento  apropriado  das  enfermidades  e  traumatismos  comuns; e a disponibilidade de medicamentos essenciais.  prevê  que  os  cuidados  primários  sejam  aqueles  instituídos  antes  que  se  instale  o  processo  mórbido.  de  acordo  com  prioridades  e  pactuações  definidas pelos municípios. A classificação dos Sérvios de Saúde.  b) Incorreta.  conforme  o estágio de cuidados que demanda o cliente. Outras  áreas  serão  definidas  regionalmente.  podemos  afirmar  que  o  Programa  Fome  Zero  contempla  a  exigência  da  Declaração de Alma­Ata. visando à operacionalização da Atenção Básica.  Exercícios  1.  2.  Dessa  forma.  Ao  ler  o  texto. o Ministério da Saúde  define como áreas estratégicas para atuação em todo o território nacional:  • a eliminação da Hanseníase;  • o controle da Tuberculose;  • o controle da Hipertensão Arterial;  • o controle do Diabetes Mellitus;  • a eliminação da Desnutrição Infantil;  • a Saúde da Criança;  • a Saúde da Mulher;  • a Saúde do Idoso;  • a Saúde Bucal; e  • a Promoção da Saúde.  pelo  menos.  44  .  VII  3  –  Compreende.SAÚDE COLETIVA  Da mesma forma.  as  seguintes  áreas:  a  educação  sobre  os  principais  problemas de saúde e sobre os métodos de prevenção e de luta correspondentes; a promoção  do  aportamento  de  alimentos  e  de  uma  nutrição  apropriada;  um  abastecimento  adequado  de  água potável e saneamento básico; a assistência materno­infantil.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  podemos  concluir  que  as  Unidades  Básicas  de  Saúde  –  UBS  –  e  os  Consultórios  Médicos  são  as  Organizações  de  Serviços  de  Saúde  mais  apropriadas  para  prestar assistência à saúde neste estágio.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.

  podemos  concluir  que  as  Unidades  Básicas  de  Saúde – UBS – e os Consultórios Médicos são as Organizações de Serviços de Saúde mais apropriadas para prestar assistência à  saúde neste estágio.SAÚDE COLETIVA  b) Incorreta.  o    Programa  Fome  Zero  contempla  a  exigência  da  Declaração  de  Alma­Ata.  2.  Dessa  forma. VII 3 – Compreende. 45  .  3.  Visando  à  operacionalização  da  Atenção  Básica.  as Unidades Básicas de Saúde – UBS –  e  os Consultórios  Médicos são  as Organizações  de  Serviços  de Saúde  mais  apropriadas para prestar assistência à saúde nos cuidados primários.  Respostas dos Exercícios  1.  prevê  que  os cuidados  primários  sejam  aqueles  instituídos  antes  que  se  instale  o  processo  mórbido.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  O controle da obesidade não está entre as áreas estratégicas para atuação em programas de saúde para todo o território nacional.  uma  vez  que  recomenda  a  promoção  do  aportamento de alimentos e de uma nutrição apropriada.  Ao ler o texto.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente.  o  Ministério  da  Saúde  define  como  áreas  estratégicas  para  atuação  em  todo  o  território  nacional  a  eliminação  da  Hanseníase;  o  controle  da  Tuberculose;  o  controle  da  Hipertensão  Arterial  e  o  controle  da  obesidade.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. as seguintes áreas: a educação sobre os principais problemas de saúde e sobre os métodos de  prevenção  e de luta correspondentes;  a  promoção do  aportamento de  alimentos  e  de  uma nutrição  apropriada;  um  abastecimento  adequado de água potável e saneamento básico; a assistência materno­infantil. A classificação dos  Sérvios  de  Saúde.  b) Incorreta. pelo menos.  o  Ministério  da  Saúde  define  como  áreas  estratégicas para atuação em todo o território nacional a eliminação da Hanseníase; o controle  da Tuberculose; o controle da Hipertensão Arterial e o controle da obesidade.  Visando  à  operacionalização  da  Atenção  Básica. com inclusão da planificação familiar; a imunização  contra  as  principais  enfermidades  infecciosas;  a  prevenção  e  luta  contra  enfermidades  endêmicas  locais;  o  tratamento  apropriado  das enfermidades e traumatismos comuns; e a disponibilidade de medicamentos essenciais.  conforme   o  estágio  de cuidados que  demanda  o cliente.  3.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente. podemos afirmar que o  Programa Fome Zero contempla a  exigência da Declaração de Alma­Ata.

 2001).  Essa é a definição mais conhecida e aceita sobre Promoção da Saúde no  mundo e foi cunhada na Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde.  Para  um  melhor  entendimento.  tornando  a  busca  pela  saúde  uma  46  . é apresentada uma nova estratégia.  AULA 06  •  PROMOÇÃO  DA SAÚDE  E  QUALIDADE  DE  VIDA –  CIDADE SAUDÁVEL  Durante  a  leitura.  eles  vão  mostrar  para  você  coisas  muito  interessantes. em 1986. conforme consta na Carta de Ottawa.  econômico.  da  realidade  na  qual  está  inserido  e  também  é  transformado  por  esta.  precisamos  relacionar  essa  definição  com  o  conceito  ampliado  de  saúde. que vão complementar seu aprendizado! Introdução  Promoção  da  Saúde  “É  o  nome  dado  ao  processo  de  capacitação  da  comunidade  para  atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde.  na cidade de Ottawa. na  cidade de Ottawa.  psíquico. parte do princípio de que a saúde é  um instrumento para se viver.  ecológico.  acesse  os  links. são necessários recursos para  se  alcançar  a  saúde.SAÚDE COLETIVA   Promoção da Saúde é o nome dado ao processo de capacitação da comunidade para  atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde. Essa é a definição mais conhecida e aceita sobre Promoção da  Saúde no mundo e foi cunhada na Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde.  A  Promoção da Saúde.  o  homem  é  agente  ativo  de  transformação  do  meio  em  que  vive. Ao final dessa  reunião. Sendo instrumento. incluindo uma maior participação no controle  desse processo. não um objetivo. Em 1984. no Canadá. incluindo uma maior participação no controle  deste processo” (BRASIL.  Sendo  assim. denominada cidades saudáveis.  biológico.  que  nos  mostra  que  saúde  ou  doença  são  resultados  de  uma  série  de  processos  interativos  entre  o  homem  e  seu  ambiente  social. em 1986.  sejam  eles  pessoais  ou  sociais. no Canadá.  cultural. no Congresso Canadense de Saúde Pública.  entre  outros.  foram definidos os princípios para o que se delineava como Promoção da Saúde.

  como  um  todo.  governantes.  pesquisadores. um pouco dessa evolução histórica!  Evolução do conceito de Promoção à Saúde  A Promoção à Saúde foi assim denominada. portanto.  Promoção  da  Saúde  significava  ações de educação para a saúde e ações estruturais do Estado para melhorar a qualidade de vida  da população.  a  História  Natural  da  Doença.  Tratamento  dos  doentes  e  Reabilitação.SAÚDE COLETIVA  responsabilidade  coletiva.  Desde  o  século  XIX.  o  que  causou  controvérsias  entre  os  profissionais  da  saúde  e  pesquisadores.  A discussão da Promoção da Saúde passou também pelo modelo explicativo de Leavell e  Clark.  em  seu estudo sobre  a  Epidemia  de  Tifo.  não  a  diferenciando  desse  conceito.    Para  ele.  nutrição. XX.  já  se  discutia  a  influência  das  condições  de  vida  na  saúde  das  populações:  Rudolf Virchow.  Até chegar ao atual conceito de promoção de saúde.  o  modelo  explicativo  foi  um  avanço  considerável  para  entender  o  fenômeno  saúde­doença.  mudança  nos  níveis de vida. pela primeira vez. no início  do séc. por Henry Sigerist.  em  meados  do  século  XX.  relacionou  a  saúde com a liberdade. que a colocou entre as quatro funções da medicina. sendo as outras: Prevenção de  doenças. Vamos conhecer.  As  diferenças entre esses dois conceitos estão descritas no quadro 1. etc.  pois  colocava  a  atuação  sobre  os  determinantes  como  parte  crucial  no  controle  das  doenças. um longo caminho foi percorrido por  várias  pessoas  ­  profissionais  da  saúde.  na  Prússia.  Mesmo  com  essa  discussão. democracia e prosperidade da população; Thomas McKeown.  usuários  dos  serviços  de  saúde.  sendo  necessária  a  atuação  da  sociedade  civil  organizada. mostrou que os fatores que mais contribuíram pra  a  melhoria  das  condições  de  vida foram:  o desenvolvimento econômico. 47  . ao estudar  os fatores causais da mortalidade na Inglaterra. além das ações político­técnico­administrativas desenvolvidas no setor saúde.  que  coloca  a  Promoção  como  parte  do  nível  Primário  de  Prevenção.

  • Abordagens facilitadoras e integradoras. Promoção da Saúde. Sua meta era  “Saúde para todos no ano 2000”.  • Medidas incentivadoras são fornecidas  para a população.  • Organizações não­profissionais.  que esta definição não corresponde ao enfoque discutido em Ottawa.  Promoção da Saúde  • Saúde: conceito positivo e  multidimensional. Cabe lembrar.  Fonte: Stachtenko & Jenicek (1990) Extraído de: Freitas (2003)  Na década de 1970. o ministro canadense Lalonde publica o Informe Lalonde. regionais  dos grupos profissionais das disciplinas  e nacionais são necessários para se  da saúde.  como Prevenção e as que tinham como foco o estilo de vida.  • Programas focalizando principalmente  tópicos individuais e de grupos.  • Envolve patologias específicas.    Esse  informe  tornou­se  um  marco.  trouxe  mais  uma  variável  para  o  campo  da  Promoção:  os  cuidados  primários  de  saúde. grupos  • Programas preventivos são assuntos  cívicos e governos municipais.  em  1978.  Lalonde  denominou  as  intervenções  no  meio  ambiente  de  Proteção  da  Saúde.  Prevenção de Doenças  • Saúde: ausência de doença.  aquelas  dirigidas  ao  sistema  de  saúde.  • Medidas diretivas são fortalecidas em  grupos­alvo. onde mostra  o resultado de suas investigações sobre a causalidade do processo saúde­ doença em seu país e  verificou que os estilos de vida e ambiente eram responsáveis por 80% das doenças e que não  havia  investimento  sobre  esses  fatores.  pois  questionava  o  papel  da  medicina  como  principal  ator  na  resolução  dos  problemas  de  saúde  da  população  e  atribuía  ao  governo  a  responsabilidade  de  atuar  sobre  o  controle  dos  fatores  que  influenciam  o  meio  ambiente.  Cazaquistão. Diferenças entre os conceitos presentes nas abordagens de  Promoção da saúde versus  Prevenção de doenças.  • Direcionado principalmente aos grupos  de alto risco da população.  • Estratégias diversas e complementares.  • Envolve uma rede de questões de  saúde. 48  .SAÚDE COLETIVA  Quadro 1.  atingir as metas de promoção da saúde.  • Estratégias diretivas e persuasivas.  tais  como  poluição  e  tratamento  de  água  e  esgoto.  Modelo médico.  • Mudanças no status dos homens e de  seu ambiente são buscadas nos  programas.  • Estratégia única.  definidos  como  cuidados  de  baixa  complexidade tecnológica.  A  Conferência  de  Alma­Ata.  • Modelo participativo de saúde. mas alta penetração e resolutividade nas populações.  • Direcionado à população em seu  ambiente total.

  Na I Conferência Internacional de Promoção da Saúde.  as  discussões  acontecem.  política  e  ambiental;  combina  abordagens  diversas  e  complementares. Tabaco e álcool. principalmente a pobreza e a violência. Alimentação  e Nutrição. em Ottawa.  49  .  em  1992. realizada em Bogotá.  A  estratégia  de  MCS    encontra­se  inserida  em  um  processo  global  de  democratização  e  descentralização. onde a equidade foi tema recorrente das  discussões. é apresentada uma nova estratégia denominada Cidades Saudáveis. o tema ambiente foi colocado na agenda de  discussões  e  o  tema  central  foi  a  criação  de  “ambientes  saudáveis”.  Ao  final dessa reunião.  na  I  Conferência  Latino­Americana  de  Promoção da Saúde. Em 1991. que deixa cada vez mais  clara a necessidade de parcerias entre os setores da sociedade para a melhoria das condições de  vida  em  todos  os  países. na Suécia.  objetiva  a  participação  social. em 1986.  os  problemas  relacionados  ao  processo  de  globalização. na cidade de Sundsvall.  trabalham.  Na  América  Latina. é  aprovada a Carta de Ottawa. Colômbia.  Políticas  Públicas  compreendem  as  decisões  de  governo  em  diversas  áreas  que  influenciam a vida de um conjunto de cidadãos. no Congresso Canadense de Saúde Pública. São os atos que o governo faz ou deixa  de fazer e os efeitos que tais ações ou a ausência destas provocam na sociedade.  como  a  Conferência  de  Adelaide.  cultural.  Austrália. foram definidos princípios para o  que  se  delineava  como  Promoção  da  Saúde:  esta  envolve  a  população  como  um  todo  e  suas  ações  são  dirigidas  aos  determinantes  ou  causalidades  social.SAÚDE COLETIVA  Exigência de que.  em  1998. documento marco da Promoção da Saúde.  onde  de  demonstrou  que  as  políticas  públicas  de  todo  os  setores  do  governo  influenciam os  determinantes  de  saúde.. criando ambientes saudáveis.  Na  Conferência  de  Jacarta..  sob o marco da gestão local e da participação comunitária.  e  onde  vivem.  nos  espaços  onde  as  pessoas  estudam.  baseada  em  iniciativas  locais.  econômica.  Outras  conferências  se  seguiram. devido à enorme desigualdade social presente em todos os países da América Latina.  se  divertem.  amam. quando um indivíduo ou coletividade busca o atendimento ou quando  surge  um  problema  de  saúde  com  impacto  sobre  a  coletividade.  Nessa  conferência também  se determinou quatro  áreas  prioritárias para promover ações imediatas em políticas saudáveis: Saúde da Mulher.  o  serviço  correspondente esteja capacitado para resolvê­lo até o nível de sua competência”.  Indonésia. foram colocados em pauta.  pela  primeira  vez.  O objetivo dos Municípios e Comunidades Saudáveis é promover a saúde junto com as  pessoas  e  as  comunidades.  Em 1984. Canadá.

  Você pode conhecer mais sobre esses países em: http://www. Política Nacional do Idoso.  50  . em 2005.SAÚDE COLETIVA  Princípio segundo o qual a distribuição de recursos é feita em função das necessidades  de saúde de uma determinada população.  A V Conferência de Promoção da Saúde aconteceu no México em 2000. Tailândia.    A  VI  Conferência Global ocorreu em Bancoc.  como.  O  resultado  dessas discussões ainda não pode ser percebido.  com  o  objetivo  de  monitorar  e  incorporar  estratégias  de  ação  para  a  Promoção  da  Saúde.br/paisesat/ Como fazer a Promoção da Saúde acontecer de fato?  Para responder a esse questionamento. onde houve o  comprometimento  dos  governos  participantes  em  elaborar  Planos  Nacionais  de  Ação. a Carta de Ottawa traz uma matriz de ação:  Políticas públicas saudáveis que diminuam as desigualdades sociais por meio de ações  sobre  os  determinantes  dos  problemas  de  saúde.gov. Estatuto da Criança e do Adolescente.ibge.  por  exemplo:  Política  Nacional  de  Trânsito. e seu foco de trabalho foi como a  globalização  trouxe  impactos  positivos  e  negativos  para  a  saúde  das  populações.

  que  prevê  que  as  ações  de  saúde  sejam  realizadas  em  todos  os  níveis  de  atenção.  Os  serviços  devem  também  conhecer  e  respeitar  as  peculiaridades de cada região.  cura.  No  texto  Constitucional.  assim  como  na  Lei  Orgânica  de  Saúde  n  8080/1990. não encontramos aprofundamento de como a Promoção deve acontecer.  cultura.  Reorientação dos serviços de saúde: a responsabilidade da Promoção da Saúde deve  ser compartilhada entre todos os níveis de atenção à saúde. apoiando o desenvolvimento pessoal por meio de  educação.  existe  um  esforço  conjunto  entre  o  Ministério  da  Saúde.  universidades.  conservando  recursos  naturais  e  fazendo  o  acompanhamento  sistemático  do  impacto  que  as  mudanças  no  meio  ambiente produzem sobre a saúde. avaliação e implementação de ações promotoras de saúde. em todos  os  níveis  do  sistema  de  saúde.  Deve­se  capacitar  as  pessoas  para  aprenderem por toda a vida.  melhorando  o  meio  ambiente.  restauração  e  reabilitação  dos  o  indivíduos  e  comunidades.  Atualmente.  deve­se  aumentar o  poder  das  comunidades  para  a posse e  controle  dos  seus  esforços  e  destino. Para  isso.  Como  profissionais  de  Saúde. governo e sociedade.  focando  a  promoção. e uma delas é a  de  que  estamos  no  meio  do  caminho  para  Promover  Saúde.  para  a  tomada  de  decisões.  serviços  de  saúde  e  organismos  internacionais  de  fomento  à  saúde  para  a  elaboração  de  estratégias de implantação.  intensificação  das  habilidades  vitais.  Criando  ambientes  favoráveis. podemos chegar a várias conclusões. O setor saúde  deve  ser  orientado  para  a  promoção.  mas  sem  deixar  de  lado  sua  responsabilidade  em  prover  serviços  clínicos  e  de  urgência.  nos  deparamos  com  o  princípio  de  Integralidade  da  assistência.  devemos repensar nosso foco de atuação e trabalhar com as populações no sentido de ajudá­las 51  . Pesquisa e Documentação).  A Promoção da Saúde no contexto do Sistema Único de Saúde  Ao  conhecermos  os  princípios  e  diretrizes  do  SUS.  prevenção. e isso pode  ser  atribuído  ao  fato  desses  conceitos  serem  recentes  à  época  da  elaboração  dos  documentos  citados.  Alguns  casos  de  sucesso  podem  ser  encontrados  no  site  do  CEPEDOC ­ Cidades Saudáveis (Centro de Estudos.SAÚDE COLETIVA  Reforço  da  ação  comunitária/  participação.  com  envolvimento  concreto  e  efetivo  das  comunidades.  Ao analisar todo esse o panorama.  Desenvolvendo habilidades pessoais.  definição  de  prioridades  e estratégias  de  ação.

 quem quer ficar doente?  Para saber mais sobre Promoção da Saúde no Brasil: http://www.  para  Rudolf  Virchow. de fato. podemos  citar  as  Políticas  Públicas  Saudáveis. Entre os elementos norteadores para fazer a Promoção da Saúde acontecer.  podemos  afirmar  que. econômico.br Exercícios  1. relacionou a saúde com a  liberdade.  políticos  e  econômicos  não  estão  diretamente  relacionados  com  a  melhoria  da  qualidade  de  vida  da  população  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  os  fatores  sociais.  nutrição.  b) Incorreta.org.  2.  mostrou  que  os  fatores  que  mais  contribuíram  para  a  melhoria das  condições de  vida foram:  o desenvolvimento  econômico. cultural.  da  realidade  na  qual  está  inserido.  quando  trabalhamos  com  pessoas  saudáveis!  Estamos fazendo muito! Afinal.  b) Incorreta.  Está  na  hora  de  deixarmos  para  trás  aquela  impressão  de  que  “não  estamos  fazendo  nada”.  entretanto.  52  . Saúde ou doença são resultados de uma série de processos interativos entre o homem e seu  ambiente social.SAÚDE COLETIVA  a  manter  e  alcançar  níveis  satisfatórios  de  saúde.  Ao  ler  o  texto.  b) Incorreta. Rudolf Virchow.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. ecológico.  que  diminuam  as  desigualdades  sociais  por  meio  de  ações  sobre  os  determinantes  dos  problemas  de  saúde.  para  a  tomada  de  decisões.  3. biológico. Sendo assim.  com  envolvimento  concreto  e  efetivo  das  comunidades.cedaps.  não  há  possibilidade  de  o  homem  sofrer  transformações  impostas  pelo  meio em que vive. ao estudar os fatores  causais  da  mortalidade  na  Inglaterra.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. entre outros. democracia e prosperidade da população; Thomas McKeown. em seu estudo sobre a Epidemia de Tifo na Prússia.  mudança  nos  níveis de vida.  e  o  Reforço  da  ação  comunitária/  participação.  o  homem  é  agente  ativo  de  transformação  do  meio  em  que  vive. psíquico. definição de prioridades e estratégias de ação.

  econômico.  podemos  afirmar  que.  3. e também é transformado por esta.  e  o Reforço  da  ação  comunitária/  participação. nutrição.  com  envolvimento  concreto  e  efetivo  das  comunidades.  para  a  tomada  de  decisões.  em  seu  estudo  sobre  a  Epidemia  de  Tifo  na  Prússia. Saúde ou doença são resultados de uma série de processos interativos entre o homem e seu ambiente social.  psíquico.  democracia  e  prosperidade da população; Thomas McKeown. com envolvimento concreto e efetivo das comunidades.  definição  de  prioridades e estratégias de ação. ecológico.  da  realidade na qual está inserido.  o  homem  é  agente  ativo  de  transformação  do  meio  em  que  vive.  da  realidade na qual está inserido.  Ao  ler  o  texto.  relacionou  a  saúde  com  a  liberdade.  entre  outros. que diminuam as desigualdades sociais por meio de ações sobre os determinantes dos problemas de saúde.  os  fatores  sociais. ao estudar os fatores causais da mortalidade na Inglaterra. entre os elementos norteadores para fazer a Promoção da Saúde acontecer. entretanto. Entre os elementos norteadores para fazer a Promoção da Saúde acontecer. ecológico.  2.SAÚDE COLETIVA  Respostas dos Exercícios  1.  políticos  e  econômicos  não  estão  diretamente  relacionados com a melhoria da qualidade de vida da população  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Os trabalhos  de  Virchow  postulam que  os fatores sócio­políticos  e  econômicos  estão diretamente relacionados com  a  melhoria  da  qualidade de vida da população.  cultural.  que  diminuam  as desigualdades sociais por meio  de  ações sobre  os determinantes dos problemas  de saúde. mostrou que os fatores  que mais contribuíram para a melhoria das condições de vida foram: o desenvolvimento econômico. podemos citar as Políticas Públicas  Saudáveis.  cultural.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Saúde ou doença são resultados de uma série de processos interativos entre o homem e seu ambiente social. mudança nos níveis de  vida. de fato. definição de  prioridades e estratégias de ação.  Sendo  assim. biológico.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA:A  Realmente. 53  .  Sendo  assim.  psíquico.  econômico.  para  Rudolf  Virchow. biológico. e o Reforço  da ação comunitária/ participação. não há possibilidade de o homem sofrer transformações impostas pelo meio em que vive. de fato. para a tomada de decisões.  entre  outros. podemos citar as Políticas Públicas Saudáveis.  o  homem  é  agente  ativo  de  transformação  do  meio  em  que  vive.  Rudolf  Virchow.

 as quais  obrigavam a vacinação em massa de toda a população do Rio de Janeiro. foram implementadas reformas urbanas e sanitárias no  governo do então presidente Rodrigues Alves e colocadas em prática por Osvaldo Cruz. considerada vital para os setores agroexportadores e para a  incipiente indústria manufatureira. Assim.SAÚDE COLETIVA   No alvorecer do século XX. Embora não fossem as únicas doenças  a afligir as cidades e os demais estados da federação. comprometiam  a política de imigração estrangeira. além de atingir de  forma indiscriminada a população e gerar grandes prejuízos ao comércio exterior. essas enfermidades. a febre amarela e a peste bubônica. três grandes flagelos assolavam as principais cidades  brasileiras: a varíola.  AULA  07  •  REFORMA  SANITÁRIA  E  O  SISTEMA  ÚNICO  DE  SAÚDE • SUS 54  .

 Embora não fossem as únicas doenças  a  afligir  as  cidades  e  os  demais  estados  da  federação.  essas  enfermidades.  através  da  participação  e  do  exercício  de  uma  cidadania  plena.  devendo  ser  compreendida  como  início  de  uma  nova  fase  pela conquista de direitos.  foram  implementadas  reformas  urbanas  e  sanitárias  no  Governo  do  então  Presidente  Rodrigues  Alves  e  colocadas  em  prática  por  Osvaldo  Cruz.  desde  então. No entanto.  o  que  garante  é  a  efetiva  conquista  da  democracia.  incrementada  pelo  descontentamento da população  com  a  lei  da  vacinação obrigatória  contra  a  varíola e  acirrados  ainda pela política do “bota­abaixo”. e podemos encontrar  indícios de sua existência desde o princípio do Século XX.  Esse  fato  foi.  passa  a  ser  um  elemento  articulador  nas  relações  entre  o  Estado  e  a  Sociedade.  Assim. casar­se. trabalhar.  a  qual  evolui  até  seu  ponto  máximo:  o  movimento denominado  Reforma Sanitária. que culminou com o Sistema Único de Saúde ­ SUS.  Participação  popular  que.  Fato este  que deflagrou um dos mais importantes levantes populares ocorridos no Brasil.  Em busca da cidadania e acesso à saúde  A Reforma Sanitária Brasileira advém de muitos anos de uma luta. comprometiam  a política de imigração estrangeira. considerada vital para os setores agro­exportadores e para a  incipiente indústria manufatureira. nome pelo qual ficou conhecida a reorganização do espaço  urbano da cidade do Rio de Janeiro.  o  marco  inicial  da  participação  popular  nas  questões  relacionadas  à  saúde. ou seja. atrelando a prática da vacinação aos  direitos civis da sociedade. etc.  Lembrando  que a  lei  não  garante  a aplicabilidade  das ações e  serviços  de  saúde.  no  período  de  10  a  16  de  novembro  de  1904. aquele que se recusasse a receber a vacinação não poderia  tomar o bonde. a febre amarela e a peste bubônica.  sem  duvida.SAÚDE COLETIVA  Introdução  No alvorecer do século XX (1904). três grandes flagelos assolavam as principais cidades  brasileiras: a varíola. a conquista da proteção  jurídica  ocorreu  na  década  de  1980.  a  Revolta  da  Vacina. transitar em locais públicos.  além  de  atingir  de  forma indiscriminada à população e gerar grandes prejuízos ao comércio exterior. e conseqüente melhoria da qualidade de vida da população.  as  quais    obrigavam  a  vacinação em massa de toda a população do Rio de Janeiro. empreendida pelo Prefeito Pereira Passos. que  advém  da  participação  consciente  dos  vários  segmentos  da  população  na 55  .

 O movimento da Reforma Sanitária conta com a liderança dos intelectuais da área da  saúde coletiva.  com  outras  propostas. que contou com a participação de dirigentes  institucionais.  tendo.  A nova Constituição Brasileira criou o Sistema Único de Saúde – SUS – em conformidade  com os princípios basilares da Reforma Sanitária e prevê.  deverá ser protegido como a mais importante conquista.  vão  se  traduzindo  e  aperfeiçoando.  formulados  já  na  segunda  metade  da  década  de  1970. certamente.    que  “ a  saúde é um direito de todos e dever do Estado” . O relatório final da VIII CNS continha recomendações que passaram a constituir o  projeto da Reforma Sanitária Brasileira.  a  perspectiva  da  reforma  da  Constituição  Federal;  a  fim  de  subsidiar  a  discussão  da  saúde  na  Assembléia  Nacional  Constituinte. e na qual o SUS.  As décadas de 1970 e 1980 são muito produtivas em estudos sobre as questões da saúde  no Brasil.  no  artigo  196.  Essas  proposições  comuns  ao  movimento  concentram  seus  princípios  articuladores  na  estabilização  dos  serviços  de  saúde.  para  disputar. que buscam viabilizar a  constituição  da  saúde  como  um  direito  do  cidadão  brasileiro.  na  descentralização. no artigo 198.    foi  levado  à  Assembléia  Nacional  Constituinte.  na  constituição  de  um  Sistema  Único  de  Saúde.  Dessa  forma.  em  medidas concretas.  foi  convocada  a  VIII  Conferência  Nacional de Saúde – VIII CNS –  para o ano de1986. congregando estudiosos da saúde pública e da medicina social. e de profissionais  do setor público dos serviços de saúde. entendendo o  conceito  de  saúde  de forma  ampliada.  para  o  país.  em  1987. na década posterior.  a  qual  garante.  o  fim  do  regime  militar  e  a  implantação  da  chamada  “Nova  República”  trouxeram. Esse projeto reconhecia a saúde como um direito básico  do  cidadão  e um  dever  do  Estado.  políticos.SAÚDE COLETIVA  construção de uma sociedade com menores desigualdades sociais. que as ações e serviços 56  .  a  cidadania  como eixo comum de lutas.  com vistas à  implementação da  cidadania e  de uma  ordem democrática. Isso se materializa numa larga produção de textos com  forte teor de denúncia e na formulação de propostas para o setor saúde.  técnicos.  em contraponto com uma mera assistência  médica que segregava a população em indigentes e segurados do INAMPS (Instituto Nacional de  Assistência  Médica  da  Previdência  Social). o que seria inscrito na Constituição Federal brasileira  sobre a Saúde.  na  universalização  e  na  eqüidade  do  direito  à  saúde.  foi  promulgada  a  Constituição  da  República  Federativa  do Brasil  de  1988.  estudiosos.  Princípios  esses  que.  lideranças  sindicais  e  representantes da  sociedade  civil organizada.  Em  1985.  Em  decorrência  do  ideário  do  movimento  da  Reforma  Sanitária.  dessa  forma.

  cidadania  e  equidade  (descentralização.  transporte.  trabalho.  A  partir  dos  princípios  nela  inseridos. o essencial.  renda.  acabando  com  as  desigualdades. urge que a sociedade exerça seu direito de cidadania.  que  se  caracteriza  como  a  Lei  fundamental  do  nosso  país.  A metáfora contém uma mensagem a ser decodificada.  lazer.  uma vez  clarificada. os princípios que motivaram a Reforma Sanitária e o Sistema Único de Saúde. 57  . no cotidiano da vida  dos  cidadãos.  Nada do que se discute no âmbito da saúde brasileira continua mais atual do que o desafio  que se coloca para o presente e às futuras gerações: tornar concreto. Contudo.  A viabilização das reformas acima descritas passou necessariamente pela reformulação do  arcabouço  jurídico­constitucional  materializado  na  Constituição  Federal  de  1988.  •  Promoção  da  Justiça  Social  –  Busca  de  soluções  que  visem  recuperar  a  cidadania  e  promover  a  justiça  social. reivindicando  a aplicação dos dispositivos constitucionais e legais reguladores da matéria.  •  Reconhecimento  da  Saúde  como  Direito  de  Todos  e  Dever  do  Estado  –  É  dever  do  Estado reduzir o risco das doenças através das políticas sociais.  liberdade.  foi  possível a edição de Leis para regulamentar o funcionamento do sistema proposto pela Reforma  Sanitária – Lei 8080/90 e Lei 8142/90. para que  sejam efetivadas as reformas. não obstante à regulamentação legal.  traria a verdade.  através  da  equidade. da promoção.  habitação.  • Princípios Organizativos – Propõe estratégias para construção do SUS de acordo com os  princípios  que  orientam  a  democracia.  universalidade. proteção  e recuperação da saúde e da garantia do acesso aos serviços para todos os cidadãos.  emprego. de acordo com as seguintes diretrizes:  •  Conceito  Ampliado  de  Saúde  –  A  saúde  é  resultante  das  condições  de  alimentação.  e  constituem  um  sistema  único. acesso aos serviços de saúde.  analisada.  educação. organizado. acesso e posse da terra.  meio  ambiente.  regionalização e hierarquização). integralidade da atenção e controle social.SAÚDE COLETIVA  públicos  de  saúde  integram  uma  rede  regionalizada  e  hierarquizada.  Metáfora:  Maneira  de  descrever  as  coisas  de  uma forma  tal  que.

  4. podemos afirmar que  a Constituição Federal de 1988 garante o acesso de todos  aos serviços de saúde. “A Banda”. No entanto.  b) Incorreta. certamente. Em decorrência do ideário do movimento da Reforma Sanitária.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. pode nos passar.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  A efetiva conquista da democracia advém da participação e do exercício de uma cidadania plena.  No  entanto.  Ao ler o texto.  As  lutas  sociais  pelas  reformas  contribuíram  para  os  direitos  previstos  na    atual  Constituição  Federal. através da participação e do exercício de uma cidadania plena.  através  da  participação e do exercício de uma cidadania plena.  o que garante  é  a  efetiva  conquista da democracia.    em  contraponto  com  uma  mera assistência  médica  que  segregava a população em dependentes e não­dependentes do INAMPS (Instituto Nacional de  Assistência Médica e Previdência Social). A Reforma Sanitária Brasileira advém de muitos anos de uma luta que não se iniciou apenas na  década de 1970.  b) Incorreta.SAÚDE COLETIVA  Exercícios  1.  Lembrando  que  a  lei  não  garante  a  aplicabilidade  das  ações  e  serviços  de  saúde. foi  promulgada a Constituição  da República Federativa do Brasil de 1988. a qual garante.  que “a saúde é um  direito  de  todos  e  dever  do  Estado”.  b) Incorreta. é a de  que a participação popular se faz necessário para a articulação de possíveis mudanças sociais.  a  conquista  da  proteção  jurídica  ocorreu  na  década  de  1980.  Ao ler o texto. podemos afirmar que a lei garante a conquista da democracia.  2. 58  . deverá ser  protegido como a mais importante conquista. Lembrando que  a lei não garante  a  aplicabilidade das  ações  e serviços de saúde.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  3. e conseqüente melhoria  da  qualidade  de  vida  da  população.  Respostas dos Exercícios  1.  Ao ler o texto. certamente.  e na qual o SUS. com vistas à implementação da cidadania e de uma  ordem democrática. e conseqüente melhoria da qualidade  de  vida  da população.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. devendo ser compreendida como início de uma nova fase pela conquista de direitos.  A  Reforma  Sanitária  Brasileira  advém  de  muitos  anos  de  uma  luta  que  não  se  iniciou  apenas  na  década  de  1970. a conquista da proteção jurídica ocorreu na década  de 1980. deverá ser  protegido como a mais importante conquista.  b) Incorreta. no artigo 196. porém a reforma sanitária não contém propostas para democratização do país.  e na qual o SUS. podemos afirmar que a lei garante a conquista da democracia.  Podemos  encontrar indícios de sua existência desde o princípio do século XX. A mensagem que a metáfora da música de Chico Buarque.  o  que  garante  é  a  efetiva  conquista  da  democracia. Podemos encontrar indícios de sua existência desde o princípio do século XX.  devendo  ser  compreendida como início de uma nova fase pela conquista de direitos.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.

  de  que  “a  saúde  é  um  direito  de  todos  e  dever  do  Estado”.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  A  metáfora  da  música  “A  Banda”  representa  a  organização  popular. pode nos passar.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  As lutas sociais pelas reformas contribuíram para  os direitos previstos na   atual Constituição Federal. foi  promulgada a Constituição da República Federativa do Brasil de  1988.    que  “a  saúde  é  um  direito  de  todos  e  dever  do  Estado”. é a de que a participação popular se faz  necessário para a articulação de possíveis mudanças sociais. com vistas à implementação da cidadania e de uma ordem democrática.  e  a reforma sanitária contém  propostas para democratização do país. “A Banda”.    garante  o  direito  ao  acesso de todos aos serviços de saúde.SAÚDE COLETIVA  2. podemos afirmar que  a Constituição Federal de 1988 garante o acesso de todos aos serviços de saúde.  Ao ler o texto. 59  .  quando  descreve  que  todos  saíram  de  seus  afazeres  e  preocupações individuais e se envolveram juntos em torno da “Banda”.  a  qual  garante. Em decorrência do ideário do movimento da Reforma Sanitária.  no  artigo  196.    em  contraponto  com  uma  mera  assistência médica que segregava a população em dependentes e não­dependentes do INAMPS (Instituto Nacional de Assistência  Médica e Previdência Social). porém a reforma sanitária não  contém propostas para democratização do país.  3. As lutas sociais pelas reformas contribuíram para os direitos previstos na  atual Constituição Federal.  no  texto  constitucional.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente.  a  previsão. A mensagem que a metáfora da música de Chico Buarque.  4.

SAÚDE COLETIVA   O sistema de saúde brasileiro.  o  sistema  de  saúde    esteja  mais  próximo  dos  indivíduos.  Para  integrar  a  assistência  à  saúde.  solidário  e. que  foi iniciado com o movimento da Reforma Sanitária.  como resultado.  implementada  na  década  de  1986.  quando se pensa no cumprimento dos objetivos propostos pelo Sistema Único de Saúde. entre  outras.  mais  resolutivo. individuais e coletivos. passa por um processo de mudança que  foi  iniciado  com  o  movimento  da  Reforma  Sanitária. entre  outras.  a  reformulação  das  organizações  prestadoras  de  serviços  de  assistência  à  saúde  e  estabelecimentos sanitários. foi estabelecida a  necessidade de se  criar  condições  para  que.  AULA  08  •  SISTEMA  ÚNICO  DE  SAÚDE:  HISTÓRICO.  nos  níveis  mais  complexos  do  sistema.  nos  diversos  níveis. a reformulação das organizações prestadoras de serviços de assistência à saúde e  estabelecimentos sanitários. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu a saúde como um direito  dos cidadãos e um dever do Estado. implementada na década de 1986.  não   descuidando  do  atendimento  das  demais  necessidades  de  saúde. que definiu.  tendo  como resultado conquistas sociais importantes do ponto de vista jurídico legal.  Importante  ressaltar  que  essa nova  lógica dá   prioridade à prevenção. que é  assegurar o acesso universal e igualitário a todos os níveis de assistência à saúde e prestar ações  e serviços preventivos e curativos (Integralidade). o SUS. passa por um processo de mudança. Tornou­se consenso que fosse abandonada a lógica tradicional que  definiu o funcionamento do sistema por muitos anos. conquistas sociais importantes do ponto de vista jurídico legal.  e  aproveitar  os  recursos  disponíveis  nos  municípios. integral e  descentralizado. há duas décadas.  há  que  se  considerar  a  importância    da  regionalização.  LEGISLAÇÃO E PRINCÍPIOS E DIRETRIZES • PARTE 1  Introdução  O sistema de saúde brasileiro. há duas décadas. tendo. e essa universalidade de acesso aos serviços de atenção à  saúde será possível apenas com a estruturação de um sistema unificado.  tornando­se  mais  humanizado. Assim.  sobretudo.  que  busca  organizar  pólos  de  referência  para  o  atendimento  de  maior  complexidade  dentro  do  sistema  de 60  .  de  forma  descentralizada  e  permanente. que definiu.

 sociais.  durante  a  década  de  1985. e uma visão abrangente e integrada das ações e serviços de saúde.  surge  um  novo  sistema  de  saúde. o que foi possível com a promulgação da Constituição Federal de 1988.SAÚDE COLETIVA  referência  e  contra­referência.  Com  o  advento  da  abertura  política  e  da  Nova  República. que incluiu os condicionantes econômicos.  como  nos  lembra  a  proposta  do  primeiro  Sistema de Saúde implementada em 1975. e  que  leva  em  consideração  a  trajetória  da  atenção  à  saúde  no  Brasil. e que deve ser  provida mediante políticas públicas adequadas e que correspondam às  reais necessidades da população. necessitando que se desse um sentido de mudança radical à forma como se  desenvolveu a assistência à saúde no Brasil.  O  texto  Constitucional  de  1988  busca  resgatar  a  dívida  do  sistema  de  saúde  diante  da  prevenção  das  doenças  da  população brasileira.  Os  arranjos  político­ideológicos  ocorridos  no  Brasil.  As organizações no setor saúde sempre dividiram suas ações em médico­assistenciais e  preventivas.  Um pouco de História  A prioridade atribuída à prevenção tem sua gênese na história da discriminação social.  com  uma concepção ampliada de saúde.  Esse  novo  sistema  proposto  estava  calcado  nos  direitos  fundamentais  da  pessoa  humana  e 61  . o qual previa que o Ministério da Saúde ficaria com as  ações de saúde preventiva e o Ministério da Previdência e Assistência Social permaneceria com  as  ações  curativas. e a  estratificação  da  oferta  de  serviços  de  saúde.  o  texto  constitucional  prevê  que  a  saúde  é  um  direito  de  todos  e  um  dever  do  Estado.  sendo  oferecidas  de  maneira  desigual.  sob  forte  pressão  dos  movimentos  populares  e  da  sociedade  civil  organizada.  assim  considerando  uma  oferta  mais  abrangente  dos  serviços  oferecidos à população.  exigiam  uma  nova  perspectiva  jurídica  e  política    para  a  nação. com a derrubada do regime  militar  instituído  com  o  golpe  de  1964. superando a  visão dominante de enfocar a saúde pela doença. ambas  oferecidas de  maneira  desigual. culturais e  bio­ecológicos. sobretudo nas dimensões biológica e individual.  que  diferenciava  os  indivíduos  em  indigentes  (pessoas  que  não  contribuíam  para  a  seguridade  social)  e  segurados  da  Previdência  Social  (pessoas que contribuíam para a seguridade social).  Assim.  que  culminaram com o movimento das “Diretas Já” e. caracterizadas pelo enfraquecimento financeiro e  político do Ministério da Saúde em relação ao Ministério da Previdência  e Assistência Social. conseqüentemente.  Tal  situação  provocou  a hegemonia  das ações curativas sobre as ações preventivas.

  observamos  que  “ a  saúde  é  direito  de  todos  e  dever  do  Estado. às questões  inerentes  à  saúde.  cuja  expressão  maior  era  a  própria  temática  da  IX  Conferência:  " Municipalização  é  o  Caminho" .  com  a  Norma  Operacional Básica 93  ­ NOB 93. que  regulamenta  o  SUS. que  entregou  a  Jamil  Haddad  o  Ministério  da  Saúde.  foi  implementado  apenas  no  ano  de  1993. Estava ocorrendo o processo do impeachment do então  Presidente  Fernando  Collor  de  Melo    e  a  IX  Conferência  Nacional  de  Saúde  repercutiu  a  indignação nacional. 62  .  O Sistema Único de Saúde (SUS) foi um produto da Reforma Sanitária Brasileira.  No  artigo  196. proteção e recuperação” .  que  prevê  a  participação  popular  no  sistema. previsto  no texto constitucional de 1988.  Surge. foi apenas no ano de 1990 que surgiu  a Lei Orgânica da Saúde nº 8080/90. garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de  doença  e  de  outros  agravos  e  ao  acesso  universal  e  igualitário  às  ações  e  serviços  para  sua promoção.  e  a  Lei  8142/90.  integral  e  descentralizado.  o  documento  " Municipalização  das  ações  e  serviços  de  saúde:  a  ousadia  de  cumprir  e  fazer  cumprir  as  leis" . que se dedica.  Assim.  Foi  constituído.  Esse  espaço  temporal  de  cinco  anos decorridos  entre a  previsão  constitucional  /legal  do  SUS  e  sua  efetiva  implementação  técnico­política  deve­se  ao  conturbado  cenário  político  brasileiro do começo da década de 1990. a discutir uma proposta  de  descentralização.SAÚDE COLETIVA  centrado  na  integralidade  dos  cuidados.  o  Grupo  Especial de Descentralização (GED).  porém  com  franca  preferência  pelas  ações  primárias  (básicas) de saúde. e essa universalidade de acesso aos serviços de atenção à  saúde  ser  possível  apenas  com  a  estruturação  de  um  sistema  unificado.  Apesar de a saúde haver sido prevista na Constituição Federal de 1988 como um direito  dos cidadãos e um dever do Estado. bradando: fora Collor! Com a renúncia de Collor. desde o artigo 196 até o artigo 200.  a  despeito  de  sua  normalização.  temos  o  início  efetivo do Sistema Único de Saúde –SUS.  então.  pelo  então  Ministro. de forma colegiada. que começou.  Porém. assumiu Itamar Franco.

 às quais todo o desenvolvimento posterior dessa ciência deve  estar subordinado. no sistema  público  de  saúde.  Esses princípios e diretrizes se articulam e se complementam na conformação do ideário e  da lógica de organização do sistema e podem ser considerados como “regras do jogo do SUS”. O SUS está assentado em diretrizes organizacionais e princípios doutrinários incorporados  ao texto constitucional e às leis ordinárias que o regulamentam.  O  exercício deste princípio traz a perspectiva da oferta. além das ações de promoção da  saúde de caráter intersetorial.  a  proteção.  a  cura  e  a  reabilitação  dos  indivíduos e da coletividade.  as  regras  pétreas  do  SUS.  alterando.  •  Universalidade:  assegura  o  direito  à  saúde  a  todos  os  cidadãos  e  o  acesso  sem  discriminação  ao  conjunto  das  ações  e  serviços  de  saúde  ofertados  pelo  sistema.  prevista no texto da Lei.  entende­se  a  origem. que ofertam desde um elenco ampliado de ações básicas  de saúde até os serviços de reabilitação física e mental. a situação anterior em que o acesso era diferenciado entre os que tinham vínculo  com  a  previdência  e  os  demais  usuários  dos  serviços  de  saúde  tipificados  como  indigentes.  oferecendo a legitimidade e a direcionalidade do sistema.  uma  ação. e  justifica  a  prioridade  das  ações e  serviços  aos  63  .  etc.  assim.  • Eqüidade:  no acesso às ações e aos serviços de saúde.  visando  garantir  a  promoção.  apresentando­se  como  linhas  de  base  às  proposições  de  reorganização do sistema.  dos  procedimentos  mais  simples  aos  mais  complexos. e pressupõe a prestação continuada do conjunto de ações  e  serviços. Tais princípios e diretrizes constituem.  a  Eqüidade;  Campos e colaboradores apontam ainda o Direito à Informação. a todos os brasileiros.  portanto.  • Integralidade:  considera as várias dimensões do processo saúde­doença que afetam os  indivíduos e as coletividades. Este princípio orientou a expansão e qualificação das ações  e serviços de saúde do SUS.  Por  princípios.  começo;  elemento  predominante  na  constituição  de  um  corpo;  proposições  diretoras de uma ciência.SAÚDE COLETIVA  Princípios e diretrizes que norteiam o SUS  O  Dicionário  Houaiss  da  Língua  Portuguesa  (2001)  define  “diretriz”  como  sendo  uma  linha reguladora do traçado de um caminho ou de uma estrada; conjunto de instruções  para  se  tratar  e  levar  a  termo  um  plano. dentro do atual debate relativo  à  igualdade.  Os  princípios  doutrinários  do  SUS  são:  a  Universalidade. dos serviços e das práticas de saúde.  a  Integralidade.

 de forma descentralizada e permanente.  Tornou­se  consenso  que  fosse  abandonada  a  lógica  tradicional  que  definiu  o  funcionamento  do  sistema  por  muitos  anos.  Inclui­se  aí  o  princípio  da  discriminação  positiva  em  favor  dos  grupos  sociais  mais  vulneráveis.  Designa­se por discriminação positiva a eleição de determinados grupos populacionais  aos quais se destinam ações prioritárias.  Pode­se dizer que esta idéia está:  64  . em sua obra Tratado  de Saúde Coletiva (2006).  foi  estabelecida  a  necessidade de se criar condições para que. haja vista seu grau de vulnerabilidade.  Pessoas  vulneráveis  são  pessoas  relativa  ou  absolutamente  incapazes  de  proteger  seus  próprios  interesses.  educação.  podem  ter  poder. é assegurado por lei e outorga ao cidadão usuário do SUS o domínio  das informações sobre sua saúde individual e acerca dos riscos e dos condicionantes que afetam  a  saúde  coletiva.  inteligência.  fica    estabelecida  a  necessidade de se criar condições para que o sistema de saúde se tornasse mais centralizado.  a  principal  característica  da  vulnerabilidade  seria  “uma  capacidade  ou  liberdade  limitada”.  atribuindo  aos  profissionais  e  aos  gestores  do  SUS  a  responsabilidade  pela  viabilização deste direito.  Assim.  mostrando  que  os  grupos  específicos  poderiam ser  considerados vulneráveis.  entre  outras. tendo como  resultado  conquistas  sociais  importantes  do  ponto  de  vista  jurídico  legal.  sobretudo.  Ao  ler  o  texto.    após  a  reforma  sanitária.  Exercícios  1.  podemos  afirmar  que.  Diante  de  tal  definição. passa por um processo de mudança que foi  iniciado com o movimento da reforma sanitária implementada na década de 1986. recursos e forças insuficientes ou outros atributos necessários à proteção de  seus  interesses. • O Direito à Informação: apontado por CAMPOS e colaboradores.  tornando­se  mais  humanizado.SAÚDE COLETIVA  segmentos  populacionais  que  enfrentam  maiores  riscos  de  adoecer  e  morrer  em  decorrência  da  desigualdade  na  distribuição  de  renda.  solidário  e.  buscando  assegurar  prioridade  no  acesso  às  ações  e  serviços  de  saúde  aos  grupos  excluídos  e  com  precárias  condições  de  vida. o sistema  de  saúde    esteja  mais  próximo  dos  indivíduos.  considerando  as  desigualdades  de  condições decorrentes da organização social.  que  definiu.  bens  e  serviços. O sistema de saúde brasileiro.  a  reformulação  das  organizações  prestadoras  de  serviços  de  assistência  à  saúde  e  estabelecimentos  sanitários.  há duas décadas.  De  modo  mais  formal. mais resolutivo.

 visando garantir a promoção. sobretudo. o princípio da Universalidade assegura o direito à saúde a todos os cidadãos e o acesso sem discriminação ao conjunto  das ações e serviços de saúde ofertados pelo sistema. O princípio da Eqüidade considera as várias dimensões do processo saúde­doença que afetam  os indivíduos e as coletividades. O sistema de saúde brasileiro.  2.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  e  pressupõe a prestação continuada do conjunto de ações e serviços.  tendo  como  resultado  conquistas  sociais  importantes  do  ponto  de  vista  jurídico  legal.  Assim. o sistema de saúde  esteja mais próximo dos indivíduos.  no  sistema  público  de  saúde.  além  das  ações de  promoção da saúde de caráter intersetorial. e pressupõe a prestação continuada do conjunto de ações e  serviços.  2. podemos  afirmar  que.  assim. que ofertam desde um elenco ampliado de ações básicas de saúde até os serviços de  reabilitação física e mental. mais resolutivo.  dos procedimentos mias simples aos mais complexos. O princípio da Universalidade assegura o direito à saúde a todos os cidadãos e o acesso sem  discriminação ao conjunto das ações e serviços de saúde ofertados pelo sistema.  a  reformulação  das  organizações  prestadoras  de  serviços  de  assistência  à  saúde  e  estabelecimentos  sanitários.  Respostas dos Exercícios  1. além das ações de promoção da saúde de caráter intersetorial. assim.  Ao  ler  o texto.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Eqüidade. alterando.  que  definiu. no acesso às ações e aos serviços de saúde. foi estabelecida a  necessidade de se criar condições para que. Este princípio orientou a expansão e qualificação das ações e serviços de saúde  do SUS.  a  todos  os  brasileiros. a cura e a reabilitação dos indivíduos e da  coletividade.  entre  outras.  alterando. fica  estabelecida  a   necessidade  de se criar condições  para que  o  sistema de saúde se tornasse mais centralizado. dentro do atual debate relativo à igualdade. há duas décadas.  Pode­se dizer que esta idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Após  a  reforma  sanitária.  b) Incorreta.  3. visando garantir a promoção.  a  situação  anterior  em  que  o  acesso era diferenciado entre os que tinham vínculo com a previdência e os demais usuários dos serviços de saúde tipificados como  indigentes.  O  exercício  deste  princípio  traz  a  perspectiva  da  oferta. tornando­se mais humanizado. justifica a prioridade das ações  e  serviços  aos  segmentos  populacionais  que  enfrentam  maiores  riscos  de  adoecer  e  morrer  em  decorrência  da  desigualdade  na  distribuição de renda. a proteção. O princípio da Universalidade assegura o direito à saúde a todos os cidadãos e o acesso sem discriminação ao conjunto das ações  e  serviços  de  saúde  ofertados  pelo  sistema. a situação anterior em  que  o  acesso  era  diferenciado  entre  os  que  tinham  vínculo  com  a  previdência  e  os  demais  usuários dos serviços de saúde tipificados como indigentes. O exercício  deste princípio traz a perspectiva da oferta. Tornou­se consenso que fosse abandonada a lógica tradicional que definiu o funcionamento do sistema por muitos anos.  que  ofertam  desde um  elenco  ampliado de  ações básicas de saúde  até  os serviços de reabilitação física  e  mental.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  fica  estabelecida  a  necessidade  de  se  criar  condições  para  que  o  sistema  de  saúde  se  tornasse  mais  descentralizado.  b) Incorreta.  dos  procedimentos  mias  simples  aos  mais  complexos. O princípio  da Eqüidade considera  as  várias dimensões do  processo saúde­doença  que  afetam  os indivíduos  e  as coletividades.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente.SAÚDE COLETIVA  a) Correta. a proteção.  Este  princípio  orientou  a  expansão  e  qualificação  das  ações  e  serviços  de  saúde  do  SUS. a todos os brasileiros.  3. solidário e. de forma descentralizada e permanente.  após  a reforma sanitária. bens e serviços. no sistema público de saúde. 65  . passa por um processo de mudança que foi iniciado com o movimento da reforma  sanitária  implementada  na  década  de  1986. a cura e a reabilitação  dos  indivíduos  e  da  coletividade.  b) Incorreta.

 a prevenir riscos.SAÚDE COLETIVA   As diretrizes operacionais ou organizativas do sistema visam imprimir racionalidade ao seu  funcionamento.  o  secretário  municipal  de  saúde  no  âmbito  do  município. de forma racionalizada  e  equânime. a Regionalização e a Hierarquização dos serviços e a Participação Comunitária. o qual fica responsável pela prestação direta da maioria dos serviços  em  ações  coordenadas  sob  a  direção  de  um  único  gestor  em  cada  espaço  político­  institucional.  OBJETIVOS.  o  secretário estadual no âmbito do estado e o ministro da saúde no âmbito da União.  os  recursos  assistenciais  no  território.  O objetivo da regionalização é distribuir. como  objetivo principal. ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS – PARTE 2  Continuação  Por  sua  vez. e  assegurar o acesso eqüitativo ao conjunto dos serviços assistenciais para garantir atenção  integral à saúde. com base  no planejamento ascendente.  Foi definido pelas normas regulamentadoras do  SUS  (Lei  Orgânica da Saúde  8080/90 e  Lei  8142/90)  que a  base do  sistema de  saúde  seria o município. doenças e agravos à saúde da população. e as mais significativas são: a Descentralização com comando único. a  Regionalização e a Hierarquização dos serviços e a Participação Comunitária.  ou  seja. O SUS tem. formular e implementar a política nacional de saúde destinada a promover  condições de vida saudável.  e  as  mais  significativas  são:  a  Descentralização  com  comando único. uma vez que a descentralização não se esgota na  municipalização  e  a  organização  racionalizada  dos  serviços  de  saúde    é  uma  necessidade do sistema. As competências específicas estão previstas com base na descentralização das  ações e serviços de saúde.  AULA  09  •  SISTEMA  ÚNICO  DE  SAÚDE:  DIRETRIZES.  as  diretrizes  operacionais  ou  organizativas  do  sistema  visam  imprimir  racionalidade  ao  seu  funcionamento.  • A Descentralização com ênfase na municipalização da gestão dos serviços e ações de  saúde  constituiu­se  na  mudança  mais  significativa  no  aspecto  político­administrativo  da  reforma do Sistema de Saúde no Brasil.  • A Regionalização se faz necessária.  Campos e colaboradores (2006) acrescentam ainda a Integração das ações e recursos.  com  base  na  distribuição  da 66  .

  de  modo  que  regule  o  acesso  aos  serviços mais especializados. nas três esferas do governo. é um pressuposto de idéia de sistema e uma  condição  para  a  garantia  da  continuidade  do  cuidado  aos  usuários. doenças e agravos à saúde  da  população.  sem  a  qual  fica  comprometida a idéia de integralidade do cuidado. de meios e  de pessoal na gestão do sistema é preconizada nas leis e normas como condição básica  para assegurar eficácia e eficiência ao sistema.142/90. Isso evidencia os anseios da sociedade por uma democracia participativa de  fato. considerando que os serviços de atenção básica à saúde  são  os  que  ofertam  o  contato  com  a  população  e  são  os  de  uso  mais  freqüente. a prevenir riscos. atribuições e competências do SUS  O  SUS  tem  como  objetivo  principal  formular  e  implementar  a  política  nacional  de  saúde  destinada a promover condições de vida saudável.  de  forma  a  garantir o acesso  aos serviços.  • A Participação comunitária.  Objetivos. de maneira decisiva. e através da  participação  em  colegiados  de  gestão  nos  serviços  locais  de  saúde  (Conselhos  Gestores).  Existindo  aí  uma  crítica  à    estrutura  piramidal  da  “porta  de  entrada”  dos  serviços  (o  usuário entra no sistema pelas Unidades Básicas de Saúde e pelas Unidades Saúde da  Família e “sobe” para níveis de cuidados mais complexos com o estágio de cuidados que  demanda).  •  Com  a  Hierarquização  busca­se  ordenar  o  sistema  de  saúde  por  níveis  de  atenção  e  estabelecer  fluxos  assistenciais  entre  os  serviços. A integração de recursos.  e  assegurar  o  acesso  eqüitativo  ao  conjunto  dos  serviços  assistenciais  para  garantir atenção integral à saúde.  assegurada pela Constituição Federal de 1988 e regulada  pela Lei nº 8. a definição e a execução da  política de saúde nas três esferas de governo.  A atuação do sistema abrange um conjunto de serviços e ações de: 67  .  promovendo  a  integração  das  ações  e  das  redes  assistenciais. em que os cidadãos influenciam. e dos  serviços em redes assistenciais integradas. assim como a continuidade do cuidado e economia dos  recursos.SAÚDE COLETIVA  população. ocorre mediante a participação dos segmentos sociais organizados  nas Conferências e nos Conselhos de Saúde.  • A Integração das ações entre os subsistemas que conformam o sistema de saúde.

 a administração e o controle dos recursos financeiros;  • a avaliação e a fiscalização sobre as ações e serviços de saúde;  • a elaboração de normas pertinentes à saúde;  • a organização  e coordenação dos sistemas de informação;  • a realização de estudos e pesquisas na área de saúde;  • a implementação de políticas específicas.  incluindo a definição de normas e padrões para a incorporação tecnológica;  8)  Promoção  da  saúde  em  articulação  intersetorial  com  outras  áreas  e  órgãos  governamentais. inclusive dos ambientes de  trabalho. e nas investigações de  interesse da vigilância em saúde pública;  5) Formulação e execução da política de sangue e seus derivados. a orçamentação.  a  atenção  especializada  ambulatorial  e  a  atenção hospitalar em seus vários níveis de complexidade;  3)  Prestação  de  assistência  terapêutica  integral.  com  destaque  para  a  assistência  farmacêutica;  4) Apoio diagnóstico e de terapia (Sadt) na assistência à saúde . a vigilância epidemiológica e a vigilância nutricional;  2)  Assistência  que  integra  a  atenção  básica.  Entre  as  atribuições  comuns  aos  três  entes  federados  destacam­se:  • planejamento das ações com a formulação e atualização do plano de saúde;  • a articulação de planos e políticas. em que se inclui a vigilância ambiental. e a coordenação das ações;  • o financiamento.  A  Lei  nº  8080/90  define  as  atribuições  comuns  e  as  competências  das  três  instâncias  governamentais  na  gestão  do  SUS. a vigilância sanitária. como a do sangue e hemoderivados;  • a participação na formulação e execução da política de formação e desenvolvimento de  recursos humanos para a saúde; 68  .SAÚDE COLETIVA  1) Vigilância em saúde. e a coordenação das  redes de hemocentros;  6) Regulação da prestação dos serviços privados de assistência à saúde;  7)  Definição  e  implementação  de  políticas  de  Ciência  e  Tecnologia  para  o  setor  saúde.

 a oferta de serviços básicos  de  atenção  à  saúde  para  a  maioria  da  população  brasileira.  Isso  assegura  o  direito  de  o  gestor  municipal  elaborar  políticas  de  saúde  próprias  da  realidade  de  seu  município.  Primeiro.  Rubéola.  em  situações que esses planos não asseguram a prestação oportuna dos serviços.  Os serviços do SUS são responsáveis pela atenção integral de 140 milhões de pessoas e  ainda  oferecem  serviços  especializados  a  40  milhões  de  usuários  dos  planos  de  saúde.  As  competências específicas estão previstas  com  base  na  descentralização das ações e  serviços  de  saúde.  Sarampo.  das  práticas  dos  profissionais  da  saúde  que  devem  ser  voltadas  para  a  humanização da assistência e a interdisciplinaridade entre os profissionais e.  organizada  por  meio  das  Unidades  Básicas  de  Saúde  (UBS)  e  Unidades de Saúde da Família (USF). ainda.  com  abrangência  nacional  e  cobertura  universal.  Hepatite  B.SAÚDE COLETIVA  • a participação na formulação e execução das políticas de saneamento e meio ambiente  com ênfase nas ações que repercutem na saúde da população.  O  SUS  é  responsável  pela  oferta  do  conjunto  da  atenção  à  saúde.  as  ações  de  vigilância  epidemiológica  sobre  doenças  e  agravos.  Difteria.  Segundo. principalmente.  e  as  ações  de  imunização  em  relação  a  um  conjunto  de  doenças.  Febre  Amarela. 69  .  que  reúne  ações  promocionais.  e  compreendem  ações  de  vigilância  sanitária  sobre  alimentos.  preventivas  e  assistenciais.  tais  como  Tuberculose.  produtos    e  serviços. os desafios na busca do atendimento integral à saúde é reestruturar a forma como  as organizações prestadoras de serviços de saúde  trabalham para o atendimento da população.  entre  outras.  a  vigilância  ambiental  .  As  ações  de  prevenção  e  vigilância  em  saúde  são  operadas  pelos  serviços  públicos  de  saúde. que  o sujeito e ator principal determinante do processo de estruturação das práticas integrais à saúde  seja o usuário do serviço público e a comunidade a que pertence. devendo­se considerar a importância da articulação dos serviços e da integralidade da  assistência. Compete ao SUS. como na maioria  das situações de emergências e urgências.  Enfim.  que  atribuiu  ao  município  a  responsabilidade  pela  execução  da  maioria  das  ações  de  saúde.  ações  essas  de  responsabilidade  intransferível  dos  municípios.  Caxumba.  e  aos  estados  e  à  União  funções  diferenciadas.  também  dos  ambientes  de  trabalho.  sem  que  ocorra o detrimento das políticas nacionais previstas para serem implementadas em todo território  nacional.

  b) Incorreta.  Respostas dos Exercícios  1.  busca­se  ordenar  o  sistema  de  saúde  por  níveis  de  atenção  e  estabelecer fluxos assistenciais entre os  serviços.  de  modo que  regule o acesso  aos  serviços  mais  especializados.  2.  b) Incorreta.SAÚDE COLETIVA  Exercícios  1.  2.  Ao ler o texto.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Com  a  Hierarquização. 70  .  podemos  afirmar  que    os  planos  de  saúde  não  contemplam  todas  as  necessidades de saúde do usuário dos serviços. Os serviços do SUS são responsáveis pela atenção integral de 140 milhões de pessoas e ainda  oferecem serviços especializados a 40 milhões de usuários dos planos de saúde.  Ao  ler  o  texto.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. de modo que regule o acesso aos serviços mais especializados.  busca­se  ordenar  o  sistema  de  saúde  por  níveis  de  atenção  e  estabelecer  fluxos  assistenciais  entre  os  serviços.  Com  a  Regionalização.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. considerando que os serviços de atenção básica à saúde  são os que ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente.  em  situações  que  esses  planos  não  asseguram  a  prestação  oportuna  dos  serviços.  ficando  uma  boa  parte  dessa  cobertura por conta do SUS. de modo que regule o acesso aos serviços mais especializados. podemos afirmar que  os planos de saúde não contemplam todas as necessidades de saúde do usuário dos serviços.  Com  a  Regionalização.  como  na  maioria  das  situações de emergências e urgências. Os serviços do SUS são responsáveis pela atenção integral de 140 milhões de pessoas e ainda oferecem serviços especializados a  40  milhões  de  usuários  dos  planos  de  saúde.  considerando  que  os  serviços  de  atenção  básica  à  saúde  são  os  que  ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente. em situações  que  esses  planos  não  asseguram  a  prestação  oportuna  dos  serviços.  como na maioria das situações de emergências e urgências. considerando que os serviços de atenção básica à saúde  são os que ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Os  planos  de  saúde  não  contemplam  todas  as  necessidades  de  saúde  do  usuário  dos  serviços.  busca­se  ordenar  o  sistema  de  saúde  por  níveis  de  atenção  e  estabelecer  fluxos  assistenciais  entre  os  serviços.

  à  dimensão  técnica  das  práticas de saúde.  grupos  populacionais.  constituindo  um  modo  de  intervenção  e  correspondendo. incluindo ações sobre o ambiente. Nesse sentido. não  deveriam  ser  entendidos  como  um  padrão  nem  exemplo.  uma racionalidade. hospitais. grupos populacionais. É uma maneira de organizar os  meios  de  trabalho  (saberes  e  instrumentos)  utilizados  nas  práticas  ou  processo  de  trabalho  em  saúde.  equipamentos  comunitários  e  usuários  de  diferentes  unidades  prestadoras  de  serviços  de  saúde  com  distinta  complexidade (unidades básicas de saúde.  Jacques Lacan Introdução  Modelos  assistenciais  ou  Modelos  de  Atenção  à  Saúde  têm  sido  definidos  como  combinações  tecnológicas  utilizadas  pela  organização  dos  serviços  de  saúde  em  determinados  espaço­populações. Assim. equipamentos  comunitários e usuários de diferentes unidades prestadoras de serviços de saúde com distinta  complexidade.  Assim.  incluindo  ações  sobre  o  ambiente. modelo de atenção é uma dada forma de combinar técnicas e tecnologias  para resolver problemas e atender necessidades de saúde individuais e coletivas.  Orienta  as  intervenções  técnicas  sobre  os  problemas  e  necessidades  de  saúde.  modelo  de  atenção  é  uma  dada  forma  de  combinar  técnicas  e  tecnologias  para  resolver problemas e atender necessidades de saúde individuais e coletivas.  AULA 10 • MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE – PARTE 1  “Porque no final.  portanto. uma espécie de “lógica” que orienta a ação. centros de saúde. É uma razão de ser.SAÚDE COLETIVA   Modelos assistenciais ou Modelos de Atenção à Saúde têm sido definidos como  combinações tecnológicas utilizadas pela organização dos serviços de saúde em determinados  espaços­população.  Modelo  também  não  é  uma  forma  de  organizar serviços de saúde nem um modo de administrar o sistema e os serviços de saúde. etc). a única forma de medir o significado de nossas vidas é valorizando a  vida dos outros”.  71  .

  Foi  aí  que  se  deu  o  nascimento  da  saúde  pública  no  Brasil.  surge o  modelo  denominado  médico­assistencial  privatista. Dessa forma. febre amarela.  sangradores.  Do sanitarismo campanhista ao modelo liberal­privatista  No  Brasil.  tem  início  uma  reestruturação  do  sistema  de  saúde.  não  reconhece  o  atendimento  integral  ao paciente  e  à  comunidade.  curandeiros.  barbeiros.  marcado  pela  busca  dos  saberes  fundamentados  na  bacteriologia  e  na  microbiologia  e  pelo  questionamento dos saberes tradicionais baseados na teoria dos miasmas. como varíola. cujo propósito é intervir sobre problemas (danos e riscos) e  necessidades sociais de saúde historicamente definidas.  parteiras  e  curiosos. e que predominou até meados dos anos de 1960.  durante  todo  período  colonial  e  até  meados  do  século  XIX.  ligadas  à  Igreja  Católica.  nesse  período.  que  pode  ser  denominado sanitarismo campanhista. malária e tuberculose.SAÚDE COLETIVA  De  maneira  mais  resumida. Assenta­se  na garantia de  que o  Estado  é  o  seu  grande 72  .  determinaram  um  deslocamento  da  economia  para  os  centros  urbanos.  as  doenças pestilenciais.  poderíamos  utilizar  a  definição  de  Jairnilson  Paim.  O início da República Velha.  Esse  modelo  médico­assistencial  é  predominantemente  curativo.  gerando  uma  massa  de  assalariados  para  trabalhar  na  incipiente  indústria  manufatureira. começo do século XX.  como  as  Santas  Casas  de  Misericórdia.  O processo de industrialização acelerado e o crescimento da economia brasileira a partir  da  década  de  1950.  além  de não  se comprometer  com o  impacto  sobre o  nível  de  saúde  da  população.  Nessa  época.  juntamente com suas necessidade de assistência médica e previdenciária.  que  adotavam  medidas  para  garantir  a  limpeza  das  ruas  e  quintais.  que  assegura ser o modelo de atenção à saúde uma forma de organização das relações entre sujeitos  (profissionais de saúde e usuários) mediadas por tecnologia (materiais e não­materiais) utilizadas  no processo de trabalho em saúde.  A  parcela  restante da  população buscava  socorro dos  médicos  existentes.  A  assistência  à  saúde  da  população  pobre  e  indigente  ficava sob os cuidados da iniciativa filantrópica de figuras de importância econômica e social e de  instituições  beneficentes.  ou então  de  cirurgiões.  os  problemas  de  saúde  e  higiene  ficavam  sob  a  responsabilidade  das  localidades.  Predominava.  que exigia  basicamente uma política  de  saneamento  dos  espaços  e  circulação  das  mercadorias  exportáveis  e  o  controle  de  doenças  que  prejudicassem  as  exportações. foi marcado pelo domínio dos grupos  sociais  ligados  a agro­exportação  cafeeira.  que  vigorará  hegemônico  até  meados  dos  anos  1980.

  com  a  criação  do  Sistema  Nacional de Previdência Social (Sinpas). foi  realizada a  conferência  de Alma­ata.  Diante  disso. Rio Grande do Norte e São  Paulo.  a  Previdência  Social  entra  em  crise.  vêm  sendo  elaboradas.  enquanto o subsistema estatal. que  estabeleceu  a  doutrina da  Atenção Primária.  Em  1975.  propostas  alternativas  visando  à  integralidade  da  atenção  e  ao  impacto  sobre  os  problemas  de  saúde.  no  final  da  década  de  1970. fundamentando várias propostas  e programas  na área da saúde e exercendo  influências no processo de expansão e articulação das Secretarias Municipais de Saúde.  No  ano de  1978. a área de atenção médica fica sob a responsabilidade e  competência  do  Instituto  Nacional  de  Assistência  Médica  e  Previdência  Social  ­  INAMPS.  o  modelo  médico­assistencial  privatista. igualmente explicita sua fragilidade e incoerência. Essas  experiências  iniciaram­se  com  a  implantação  dos  Sistemas  Unificados  e  Descentralizados de Saúde (SUDS) em alguns estados.  por  meio  de  seus  serviços  próprios  e  dos  contratados/conveniados.  quando  reforça  a  atuação  da  Previdência  na  atenção  médica.  tais como:  1) Acesso universal e igualitário às ações e serviços;  2) Rede regionalizada e hierarquizada;  3) Descentralização;  4) Atendimento integral;  5) Participação comunitária.  Em  1977.  desde  a  década  de  1980.  e    o  setor    privado  assistencial­curativo  o  seu  grande prestador de serviços.  Secretarias  Estaduais  e  Secretarias  Municipais  de  Saúde  exerceria  a  medicina  simplificada  destinada  à  cobertura  de  populações  não  integradas  economicamente.  Por  sua  vez.  foi  organizado  o  primeiro  Sistema  Nacional  de  Saúde  e  estabelecidas  as  principais  competências  das  distintas  esferas  de  governo. representado pela rede de serviços assistenciais do Ministério da  Saúde.SAÚDE COLETIVA  financiador  por  intermédio  da  Previdência  Social.  dependente da Previdência Social. pela organização de distritos sanitários e ênfase na atenção primária à saúde.  73  .  Com  o  retrocesso  do  “Milagre  Econômico”  brasileiro.  Esse  fato  aprofunda  ainda  mais  a  dicotomia  coletivo  versus  individual. como Bahia.  bem  como  a  concretização dos princípios básicos e diretrizes estabelecidos pela Constituição Federal de 1988.

  cujos  serviços  estivessem  voltados para  as  necessidades  de  saúde.  e  voltada.  pronto­atendimento.  atenderia à demanda espontânea e também à oferta organizada.  Sistemas  Locais  de  Saúde  (Silos).  Ação Programática em Saúde ou “ Oferta Organizada”   No modelo assistencial baseado na “demanda espontânea”. viabilizando.SAÚDE COLETIVA  Principais Modelos de Atenção à Saúde  Há um amplo debate no Brasil sobre qual seria o modelo de atenção à saúde ideal para  organizar a denominada rede básica (atenção primária). como.  ao  adotar  esse  modelo.  O  que  ocorre  na  proposta  do  modelo  da  Ação  Programática em Saúde ou “ Oferta Organizada” ? 74  . os principais  problemas  deveriam ser  identificados na  comunidade  mediante  estudos  que  orientariam  a  “oferta  organizada”  (ou  programada)  no  nível  local.  Aqui  descreveremos  alguns  desses  modelos  e.  na  busca  ativa    de  sintomáticos  de  uma  determinada  doença  e  recuperação  de  pacientes faltosos. por  exemplo. o sistema de saúde esperaria  que um indivíduo sentisse “algo errado com sua saúde” para ter a iniciativa de procurar um serviço  que  se  dispusesse  a  atendê­lo  prontamente. visando ao controle de agravos  e  ao  atendimento  de grupos populacionais  específicos.  urgências/emergências.  etc. as diretrizes do  Sistema  Único de Saúde.  No  modelo  assistencial.  Modelo  de  Atenção  em  Defesa  da  Vida  (MDV).  sempre  estabelecidas e  realizadas no âmbito local (unidades de saúde dos distritos sanitários ou municípios).  procuraria compatibilizar  a  “demanda  espontânea”  à  “oferta  organizada”. tais como campanhas e aqueles voltados exclusivamente  para  a  demanda  espontânea.  para  o  desenvolvimento de ações sobre o ambiente e sobre o indivíduo. famílias e comunidade que constituem a “demanda espontânea” por  consulta. Nesse caso. estaria voltada para  o atendimento de indivíduos.  Vigilância  da  Saúde. desenvolveremos aqueles considerados pelo Ministério da Saúde como  norteadores  para o compromisso das unidades básicas de saúde com a população: PACS e PSF. O melhor impacto na solução do problema seria conseguido por meio de uma combinação  de  recursos  e  tecnologias  capazes de garantir  alto  grau  de efetividade.  em  aulas  posteriores.  simultaneamente.  Assim.  Desse  modo. na prática.  Entre as  diversas propostas  experimentadas  no  país  temos as  Ações  Programáticas  em  Saúde.  Constata­se  que  a  “oferta  organizada”  tende  a  superar  as  formas  de  organização  da  produção das ações de saúde vigentes.  numa  unidade  local  de  saúde  .  Programa  de  Agentes  Comunitários  de  Saúde  (PACS)  e  Programa  Saúde  da  Família  (PSF).

  b) Incorreta.  considerando  que  os  serviços  de  atenção  básica  à  saúde  são  os  que  ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente. 75  . Os serviços do SUS são responsáveis pela atenção integral de 140 milhões de pessoas e ainda  oferecem serviços especializados a 40 milhões de usuários dos planos de saúde.  por  doenças  especiais    ou  por  importância  sanitária;  3) Definição das finalidades e objetivos gerais assentados em categorias coletivas;  4) Hierarquização interna de atividades;  5) Articulação das atividades por equipes multiprofissionais;  6) Padronização de fluxograma de atividades e de condutas terapêuticas principais;  7) Sistema de informação que permita avaliação na própria unidade;  8) Gerência da unidade por médicos­sanitaristas; e  9) Regionalização e hierarquização das unidades  Exercícios  1.  podemos  afirmar  que    os  planos  de  saúde  não  contemplam  todas  as  necessidades de saúde do usuário dos serviços.  busca­se  ordenar  o  sistema  de  saúde  por  níveis  de  atenção  e  estabelecer fluxos assistenciais entre os  serviços.  como  na  maioria  das  situações de emergências e urgências.  Ao  ler  o  texto.SAÚDE COLETIVA  O  modelo  da  Ação  Programática  em  Saúde  ou  “ Oferta  Organizada”   surgiu  dos  discursos produzidos por professores do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade  de São Paulo – USP – e tinha como principais características tecnológicas organizar o processo  de trabalho a partir de:  1)  Atividades  eventuais  conforme  a  demanda  espontânea  de  quem  procurasse  o  serviço  ou atividades de rotina para demanda organizada;  2)  Programas  definidos  por  ciclo  de  vida.  de  modo que  regule o acesso  aos  serviços  mais  especializados.  Com  a  Regionalização.  b) Incorreta.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. em situações  que  esses  planos  não  asseguram  a  prestação  oportuna  dos  serviços.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  2.

  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente.  podemos  afirmar  que    a  busca  ativa    de  sintomáticos  de  uma  determinada  doença  e  recuperação  de  pacientes  faltosos são exemplos de “demanda espontânea”.  cujos  serviços  estivessem  voltados  para  as  necessidades  de  saúde. ficando  uma boa parte  dessa cobertura por conta do SUS.  3.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. de modo que regule o acesso aos serviços mais especializados.  Ao ler o texto.  Respostas dos Exercícios  1. o sistema de saúde esperaria que  um indivíduo sentisse “algo errado com sua saúde” para ter a iniciativa de procurar um serviço  que se dispusesse a atendê­lo prontamente. Os serviços do SUS são responsáveis pela atenção integral de 140 milhões de pessoas e ainda oferecem serviços especializados a  40  milhões  de  usuários  dos  planos  de  saúde.  busca­se  ordenar  o  sistema  de  saúde  por  níveis  de  atenção  e  estabelecer  fluxos  assistenciais  entre  os  serviços.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Com  a  Hierarquização.SAÚDE COLETIVA  3.  em  situações  que  esses  planos  não  asseguram  a  prestação  oportuna  dos  serviços.  Ao  ler  o  texto. considerando que os serviços de atenção básica à saúde  são os que ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente. No modelo  assistencial  baseado  na  “demanda  espontânea”.  b) Incorreta.  podemos  afirmar  que    a  busca  ativa    de  sintomáticos  de  uma  determinada  doença e recuperação de pacientes faltosos são exemplos de “demanda espontânea”. considerando que os serviços de atenção básica à saúde  são os que ofertam o contato com a população e são os de uso mais freqüente.  o sistema de saúde  esperaria que um indivíduo sentisse “algo  errado  com  sua  saúde”  para  ter  a  iniciativa  de  procurar  um  serviço  que  se  dispusesse  a  atendê­lo  prontamente. No modelo assistencial.  Com  a  Regionalização.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  A  busca  ativa    de  sintomáticos  de  uma  determinada  doença  e  recuperação  de  pacientes  faltosos  são  exemplos  de  “demanda  organizada”.  No  modelo  assistencial. podemos afirmar que  os planos de saúde não contemplam todas as necessidades de saúde do usuário dos serviços. os principais problemas deveriam ser identificados na  comunidade mediante estudos que orientariam a “oferta organizada” (ou programada ) no nível  local. de modo que regule o acesso aos serviços mais especializados. No modelo assistencial baseado na “demanda espontânea”.  busca­se  ordenar  o  sistema  de  saúde  por  níveis  de  atenção  e  estabelecer  fluxos  assistenciais  entre  os  serviços.  os planos de saúde  não contemplam todas  as necessidades de saúde do  usuário  dos serviços.  os  principais  problemas  deveriam  ser  identificados  na  comunidade mediante estudos que orientariam a “oferta organizada” (ou programada ) no nível local.  Ao  ler  o  texto.  2.  como na maioria das situações de emergências e urgências. 76  . cujos serviços estivessem  voltados para as necessidades de saúde.

  que  fragmenta  o  conhecimento  nas  especialidades  envolvidas. a interposição de disciplinas do  conhecimento  humano.  AULA 11 • MODELOS DE ATENÇÃO À SAÚDE – PARTE 2  Principais Modelos de Atenção à Saúde  Sistemas Locais de Saúde (Silos)  Entre todas as propostas de modelos tecno­assistenciais que buscaram superar o modelo  médico­assistencial  privatista.  Para tanto. a que talvez tenha sido a mais discutida em âmbito nacional.  Há  uma  contraposição  à  abordagem  multidisciplinar.SAÚDE COLETIVA   Entre todas as propostas de modelos tecnoassistenciais que buscaram superar o modelo  médico­assistencial privatista.  a  que  talvez  tenha  sido  a  mais  discutida  em  âmbito  nacional.  bastante difundida pela representação da Organização Pan­Americana de Saúde (OPAS) e pela  Organização Mundial de Saúde (OMS) no Brasil e foi operacionalizada principalmente nos  estados de Ceará e da Bahia.  ao  mesmo  tempo.  durante o processo inicial de operacionalização do SUS.  A proposta de Silos caracterizou­se por formulações­chave como território e problema.  bastante difundida pela representação da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) e pela  Organização  Mundial  de  Saúde  (OMS)  no  Brasil  e  foi  operacionalizada  principalmente  nos  estados de Ceará e da Bahia. ou seja. foi a dos Sistemas Locais de Saúde. o  planejamento  local  das  ações  baseia­se  na  análise  da  situação  de  saúde  e  na  definição  da  situação desejada. desenham­se estratégias e um modelo de operação para estruturar a oferta de  serviços  e  atender  à  demanda  identificada  (“oferta  organizada”)  e.  captar  os  usuários provenientes da demanda espontânea.  buscando­se  integração  conceitual  e  metodológica  entre  elas. 77  . O  enfoque por problemas pressupõe a interdisciplinaridade. De acordo com essa proposta. quando se espera que o usuário ao “sentir algo  errado  em  sua  saúde”  tenha  a  iniciativa  de    procurar  um  serviço  de  saúde  que  se  disponha  a  atendê­lo prontamente. não permitindo uma visão complexa dos problemas.  foi  a  dos  Sistemas  Locais  de  Saúde.  durante  o  processo  inicial  de  operacionalização  do  SUS.

  definida  na  Constituição  Federal.  econômicas.  de  19  de  setembro  de  1990.  culturais.  ecossistêmica  de  saúde  e  cuja  conceituação é a de saúde de ecossistemas : atualmente.  vigilância  ambiental  e  vigilância  sanitária.  intervenção  em  problemas  sanitários  desencadeados  pelo  meio  ambiente.  e  que  orientem  intervenções  antecipadas.  em  seu  capítulo  1. o grande foco desses estudos segue  o  desenvolvimento  teórico­político  da  Medicina  Social  e  parte  do  movimento  da  Saúde  Coletiva  para  as  ciências  humanas  e  sociais  na  saúde. Essa necessidade de conhecer e elaborar propostas de assistência à saúde  mais  integrais.  abordagem.  O modelo da Vigilância da Saúde aproxima­se da construção do que tem sido chamado de  concepção.  paradigma.  http://pt.  entre  outras  pretensões. respectivamente:  •  Vigilância  sanitária  é  o  conjunto  de  ações  de  eliminação.  teoria  ecossocial.  enfoque.wikipedia.  tem  conduzido  algumas  proposições  acerca da importância da vigilância da saúde. a prevenção de riscos e no exercício de técnicas que precedem e avaliam  as ações de saúde.  o  A  Lei  8080. de cuidar da saúde e realizar a proteção e a defesa da saúde individual e coletiva.  tem  por  meta  a  interconexão  dos  campos  vigilância  epidemiológica.  dentro  da  função  do  Estado  brasileiro. produção e circulação de bens e prestação de serviços de interesse da saúde;  •  Vigilância  epidemiológica é  o  conjunto de ações  de prevenção e  controle  de  agravos  à  saúde;  • A Vigilância Ambiental é o setor federal normatizado como Subsistema de Vigilância em  Saúde  Ambiental  (SNVSA)  e  inclui  as  políticas  de  construção  e  de  manutenção  de  Ambientes Saudáveis ou Ambientes Sustentáveis. define.org/wiki/Epidemiologia Cuidado  à  saúde  liga­se  ao  paradigma  de  Vigilância  da  Saúde  que.  a  concepção  ecossocial  ou  ecossistêmica  de  saúde  parte  da  tese  de  que  as  questões  sanitárias.  políticas.  artigo  6  .  inciso  onze.SAÚDE COLETIVA  Vigilância da Saúde  O  uso  da  Epidemiologia  tem  proporcionado  certa  racionalidade  técnico­sanitária  no  controle das doenças.  éticas.  ambientais  e  epidemiológicas  estão  interconexas  às  questões  sociais.  no  intuito  de  identificar  e  divulgar  fatores  sócio­ambientais  condicionantes  e  determinantes  de  78  .  o  o  parágrafos1  e 2  .  Em  suma.  diminuição  e  prevenção  de  riscos  à  saúde.

  entre  individual  e  coletivo;  • Descentralização e reorganização dos serviços e das práticas locais de saúde vigentes;  •  Incorporação  de  novos  agentes  ou  sujeitos  de  mudança.  entre  clínica  e epidemiologia. cuja proposta integra ciências biológicas sociais e humanas.  além  dos profissionais  e  trabalhadores de saúde;  • Atenção inseparável às determinações clínico­epidemiológicas­sociais de saúde;  • Inclusão de conhecimentos. projetos. Assistência  hospitalar).  na  América  Latina. 79  . tecnologias.  entre  preventivo  e  curativo.  Apesar do não haver consenso de concepções.  de  Ecossaúde  e  seu  esforço  teórico  é  o  de  construir  uma  teoria  transdisciplinar  da  coevolução biocultural.SAÚDE COLETIVA  problemas  de  saúde;  fatores  sócio­ambientais  condicionantes  referem­se  ao  modo  de  vida  (condições de vida e estilos de vida). ações e estratégias  no campo da Vigilância da Saúde. pelo menos seis metas o caracterizam:  • Superação das dicotomias entre práticas coletivas de saúde (Vigilância Epidemiológica e  Vigilância Sanitária) e práticas individuais de saúde (Assistência ambulatorial. saberes e práticas não médico­sanitários;  •  Ultrapassagem  dos  espaços  institucionalizados  dos  sistemas  de  serviços  de  atenção  à  saúde.  Essa  concepção  e  paradigma  ecossocial  ou  ecossistêmico  é  denominado. programas.

  que  ratifica  o  conceito  de  saúde  afirmado  pela  8ª  Conferência  Nacional    de  Saúde: “a saúde é o resultado das condições de alimentação.  transporte. proteção e recuperação  da saúde.  lazer.. O  LAPA publicou suas proposta de Modelo tecno­assistencial durante a IX Conferência Nacional de  Saúde.  de  condições  dignas de vida e de acesso universal e igualitário às ações de promoção. e que  “o direito  à  saúde  significa a garantia..  acesso  e posse  da  terra  e acesso  aos  serviços de  saúde  (.  trabalho.  emprego. a todos os habitantes do território nacional (.SAÚDE COLETIVA  Modelo de Atenção em Defesa da Vida (MDV)  A  proposta  Em  Defesa  da  Vida  surgiu  em  Campinas  no  final  da  década  de  1980.  que  tinha  atuação  no  Centro  Brasileiro de Estudos  de  Saúde  (CEBES) e  que  criou  o Laboratório  de  Planejamento  e  Administração  em  Saúde  (LAPA)  do  Departamento  de  Medicina  Preventiva  e  Social  da  Faculdade de  Ciências  Médicas da  Universidade estadual  de  Campinas  (Unicamp). renda.  em  1992. habitação.)”..)” ..  capitaneada  por  um  grupo  de  profissionais  engajados  no  Movimento  da  Reforma  sanitária. 80  .liberdade. meio  ambiente. em todos os seus  níveis.  pelo Estado. educação.

 o acolhimento humanizado da clientela.  ela  traduz  as  aspirações  da  sociedade  por  novos  padrões de direitos sociais;  •  A  necessidade  de  se  reformular  a  clínica  e  a  saúde  pública  com  base  nas  reais  necessidades dos usuários;  •  A  importância  de  se  utilizarem. A  esses  princípios  acrescentam­se  ainda  determinadas  concepções  com  importantes  conseqüências operacionais:  • Valorização de ações em micro­espaços.  reafirmando  a  necessidade  de  políticas  públicas  multisetoriais  e  Modelos  de  Atenção  que assegurem  a universalidade. o acesso a  serviços  resolutivos  e  o  fortalecimento  de  vínculos  entre  profissionais  e  usuários  com  a  clara  definição de responsabilidades. Volta Redonda e Paulínia. Sumaré.  aperfeiçoado  por  trabalhadores  e  dirigentes  de  instituições  hospitalares e secretarias municipais de saúde de cidades como Campinas. Hortolândia.  O  Modelo  Em  Defesa  da  Vida  está  pautado  na  defesa  das  diretrizes  básicas  do  SUS. Para tanto.  tais  como  os  conselhos de saúde;  •  A  compreensão  de  que. Ipatinga.  a  integralidade e  a eqüidade  para garantir  o direito  à  saúde.  de  maneira  conseqüente  e  criativa. Betim.  assim  como  fóruns  de  deliberação  coletiva.  não  é  possível  haver  mudanças no setor público de saúde;  • O resgate do usuário como sujeito da mudança.  tecnologias  disponíveis em outros projetos assistenciais.  por  outro  lado.SAÚDE COLETIVA  Assim.  se  a  demanda  espelha.  posteriormente.  por  um  lado.  Sendo.  sem  a  participação  dos  trabalhadores. está fundamentado nos seguintes princípios:  1) Gestão democrática;  2) Saúde como direito de cidadania;  3) Serviço público de saúde voltado para a defesa da vida individual e coletiva. consideradas estratégias para mudança;  •  O  entendimento  de  que. valorizando o papel do mesmo no dia­a­  dia  dos  serviços  de  saúde.  a  oferta  de  serviços  e  a  cultura  dominante.  81  .  procurando  construir  dispositivos  e  arranjos  institucionais  com  o  objetivo  de  garantir  a  gestão  democrática dos estabelecimentos de saúde.  Belo Horizonte. Piracicaba.

 A Vigilância Ambiental é o setor federal normatizado como Subsistema de Vigilância em Saúde  Ambiental  (SNVSA)  e  inclui  as  políticas  de  construção  e  de  manutenção  de  Ambientes  Saudáveis ou Ambientes Sustentáveis. quanto  à  vigilância em  saúde  (ambiental.  Exercícios  1.  por  meio  de  serviços  assistenciais  (ambulatoriais. não permitindo uma visão complexa  dos problemas.  podemos afirmar  que  dentro da proposta do  Modelo  Em  Defesa da  Vida.  O  Modelo  Em  Defesa  da  Vida  está  pautado  na  defesa  das  diretrizes  básicas  do  SUS.  quanto  à  família  e  comunidade. buscando­se integração conceitual e metodológica entre elas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. tanto ao  indivíduo. 82  . o acesso  a serviços resolutivos e o fortalecimento de vínculos entre profissionais e usuários com a clara  definição de responsabilidades. proteção. o Modelo de Atenção à Saúde no Brasil tem sido historicamente  marcado pela predominância da assistência médica curativa e individual e pelo entendimento de  saúde como ausência de doença. ou seja.  hospitalares e de  apoio  diagnóstico). podemos  afirmar  que há uma  contraposição  à abordagem  multidisciplinar. Nesse sentido. a interposição de disciplinas  do conhecimento humano.  procurando  construir  dispositivos  e  arranjos  institucionais  com  o  objetivo  de  garantir  a  gestão  democrática dos estabelecimentos de saúde.  O  enfoque por problemas pressupõe a interdisciplinaridade.  Como podemos observar. ao propor ações de promoção. o  atual Modelo de Atenção à Saúde inclui elementos de  diferentes modelos. o acolhimento humanizado da clientela.  ao  mesmo  tempo  que  novos  princípios  emergiam  da  sociedade  como  apelo  à  sedimentação  do  conceito  de  saúde  como  condição de cidadania.  A  proposta  de  Silos  caracterizou­se  por  formulações­chave  como  território  e  problema.  b) Incorreta.  Ao  ler  o texto. há  o  compromisso  de responsabilidade compartilhada entre os profissionais e usuários dos serviços  de saúde. recuperação e reabilitação.  que  buscaram  construir  alternativas  de  superação  do  modelo  baseado  no  INAMPS. O rompimento com esse entendimento veio com o ordenamento  jurídico­constitucional  e  criação  do  Sistema  Único  de  Saúde.  b) Incorreta.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. que  fragmenta o conhecimento nas especialidades envolvidas.  Ao  ler  o  texto.  2.SAÚDE COLETIVA  Toda  essa  produção  catalisou  o  surgimento  de  várias  iniciativas  em  distintas  cidades  brasileiras.  epidemiológica  e  sanitária).  herdado após o processo de municipalização da saúde.  3.

 O Modelo Em Defesa da Vida  está  pautado na defesa  das diretrizes  básicas  do  SUS.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente. não permitindo uma visão complexa dos problemas.  o  acolhimento  humanizado  da  clientela.  ou  seja.  dentro  da  proposta  do  Modelo  Em  Defesa  da  Vida  há  o  compromisso  de  responsabilidade  compartilhada  entre  os  profissionais e usuários dos serviços de saúde.  b) Incorreta.  2.  a  Vigilância  Ambiental  é  o  setor  federal  normatizado  que  inclui  as  políticas  de  construção  e  de  manutenção  de  Ambientes Saudáveis ou Ambientes Sustentáveis.  há  uma  contraposição  à  abordagem  multidisciplinar.  podemos  afirmar  que  dentro  da  proposta  do  Modelo  Em  Defesa  da  Vida.  a  interposição  de  disciplinas  do  conhecimento  humano.  Ao  ler  o  texto.  buscando­se  integração  conceitual  e  metodológica entre elas.  Respostas dos Exercícios  1.  O  enfoque  por  problemas  pressupõe  a  interdisciplinaridade.  fragmenta  o  conhecimento  nas especialidades envolvidas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente.  que.  segundo  a  visão  interdisciplinar.  podemos  afirmar  que  há  uma  contraposição  à  abordagem  multidisciplinar.  Ao  ler  o  texto.  3.SAÚDE COLETIVA  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. não permitindo uma visão complexa dos problemas.  A  Vigilância  Ambiental  é  o  setor  federal  normatizado  como  Subsistema  de  Vigilância  em  Saúde  Ambiental  (SNVSA)  e  inclui  as  políticas de construção e de manutenção de Ambientes Saudáveis ou Ambientes Sustentáveis.  há  o  compromisso    de  responsabilidade  compartilhada entre os profissionais e usuários dos serviços de saúde.  procurando construir dispositivos  e  arranjos  institucionais  com  o  objetivo  de  garantir  a  gestão  democrática  dos  estabelecimentos  de  saúde.  o  acesso  a  serviços  resolutivos  e  o  fortalecimento  de  vínculos  entre  profissionais  e  usuários  com  a  clara  definição  de  responsabilidades.  A  proposta  de  Silos  caracterizou­se  por  formulações­chave  como  território  e  problema.  que  fragmenta  o  conhecimento  nas  especialidades envolvidas. 83  .

SAÚDE COLETIVA   O desenvolvimento do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) teve início  em 1987.  A  partir  de  1991. quando foi utilizado como “frente de trabalho”.  Aspectos Legais do PACS  Apesar de os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) fazerem parte das equipes de PACS  e  PSF desde  sua  criação. o PACS é visto como uma estratégia transitória para implantação do  PSF. Atualmente.  Atualmente. que executavam ações básicas de saúde voltadas para a prevenção de doenças.    É  também  um  modo  de  fazer  acontecer. que em 1992 passou a se chamar Programa de Agentes  Comunitários de Saúde (PACS).  somente em  1997 foram  definidas  suas atribuições e  seus  limites de 84  .  o  princípio  de  integralidade.  o  previsto pela Lei n  8080/90. em  regiões de seca.  o  Ministério  da  Saúde  começa  a  implantar  o  Programa  Nacional  de  Agentes  Comunitários  de  Saúde  (PNAS). no Ceará. voltado para as mulheres. em  regiões de seca.  o  Ministério  da  Saúde  cria  o  Programa  Saúde  da  Família (PSF).  na  prática.  A partir de 1991. Em 1994. que executavam ações básicas de saúde voltadas para a prevenção de doenças.  Esse programa é considerado uma estratégia de reorientação dos serviços de saúde.  passa  a  se  chamar  Programa  de  Agentes  Comunitários  de  Saúde  (PACS).  que. o PACS é visto como uma estratégia transitória para implantação do  PSF. o Ministério da Saúde criou o Programa Saúde da  Família (PSF).  em  1992. com  uma  proposta  de  consolidar  as  ações  de  atenção  básica  e  aproximar  os  serviços  de  saúde  da  população. voltado para as mulheres. o Ministério da Saúde começou a implantar o Programa Nacional de Agentes  Comunitários de Saúde (PNAS).  AULA  12  •  PROGRAMA  AGENTE  COMUNITÁRIO  DE  SAÚDE  ­  PACS  Introdução  O  desenvolvimento  do  Programa  de  Agentes  Comunitários  de  Saúde  (PACS)  teve  início  em 1987. quando foi utilizado como “frente de trabalho”. no Ceará.  Em  1994.

  saber  trabalhar  em  equipe  e  vontade  de  aprender. 1997)  E.  foi  criada  a  profissão  de  ACS. pela Portaria n  1886/ GM de 18 de dezembro de 1997.  lotado  na  unidade  básica  de  saúde  da  sua  referência. há pelo menos dois anos;  •  Haver  concluído  com  aproveitamento  curso  de  qualificação  básica  para  a  formação  de  ACS;  • Possuir o ensino fundamental completo. que explicita. dentro do item  Normas Operacionais:  “O  Agente  Comunitário  de  Saúde  deve  desenvolver  atividades  de  prevenção  das  doenças  e  promoção  da  saúde.  apenas  em  2002.  A  exigência  em  morar  na  área  de  atuação  se  faz  necessária. ter  boa  comunicação.  É  vedado  ao  ACS  desenvolver  atividades  típicas  do  serviço  interno das unidades básicas de saúde de sua referência”. nos costumes.  mediante  ações  domiciliares  ou  comunitárias individuais ou coletivas.  é  necessário  cumprir  alguns  requisitos  legais  e  possuir  um  “perfil”  adequado à função. ser ético.  pois  o  Programa  trabalha  com  a  lógica  de  territorialização  e  adscrição  da  clientela. 2º:  “A profissão de Agente Comunitário de Saúde caracteriza­se pelo exercício de atividade  de  prevenção  de  doenças  e  promoção  de  saúde. (BRAZIL.SAÚDE COLETIVA  o  atuação. temos as seguintes exigências:  • Residir na área da comunidade em que atuar.  através  de  visitas  domiciliares  e  de  ações  educativas  individuais  e  coletivas  nos  domicílios  e  na  Comunidade. o ACS deve ter espírito de liderança. a fim de estabelecer vínculos entre equipe e comunidade e delimitar um perfil de  saúde. O Ministério da  Saúde e pesquisadores colocam que essas competências podem ser desenvolvidas a partir de  85  .  Entre as características ligadas ao perfil. pois somente assim  pode cumprir seu papel de elo entre o serviço de saúde e a comunidade assistida.507  de  10  de  julho  de  2002. Entre os requisitos legais. 2002) Para  ser  um  ACS. linguagem e modo de viver.  Ele  também  precisa  se  identificar com sua comunidade. Onde.  sob  supervisão  e  acompanhamento  do  enfermeiro  Instrutor­Supervisor. desenvolvidas em conformidade com as diretrizes  do SUS e sob supervisão do gestor local deste”.  que  é  delimitar  geograficamente  uma  área de atuação para as equipes. de acordo com o art.  pela  Lei  10. tornando possível o reconhecimento de todas as famílias que  vivem na região. (BRASIL.

 individuais e  coletivas.4).  hanseníase. medir e registrar todas as crianças de 0 a 2 anos de idade. 30 ACS.  Competências  ­  “a  capacidade  pessoal  de  articular  conhecimentos.  Cada  agente  tem.  isto  é. hipertensão e diabetes mellitus.  Esse enfermeiro  também  é  responsável  pelas  atividades  de  capacitação  dos  ACS. e outras patologias crônicas;  86  . sob a responsabilidade de um enfermeiro  instrutor ­ supervisor. que deve estar lotado em uma Unidade Básica de Saúde. por meio do cartão de vacina;  • Orientar sobre prevenção de DST/ AIDS;  • Identificar gestantes e encaminhá­las para pré­natal;  • Orientar família sobre uso do soro de reidratação oral para prevenir desidratação;  • Orientar sobre métodos de planejamento familiar;  • Monitorar dermatoses e parasitoses em crianças;  • Realizar atividade de educação nutricional na comunidade;  • Realizar atividades de promoção e prevenção na saúde do idoso;  • Realizar orientações sobre climatério;  • Realizar orientações sobre prevenção de doenças em épocas endêmicas/ epidêmicas;  •  Supervisionar  eventuais  componentes  da  família  em  tratamento  de  tuberculose. uma área com uma população entre 400 e 750 pessoas.  educar  a  equipe  dentro  de  seu  local  de  trabalho. e suas atividades são:  • Visitar uma vez por mês cada família de sua região;  • Incentivar o aleitamento materno;  • Pesar.SAÚDE COLETIVA  programas  de  capacitação  contínua  em  serviço.  sob  sua  responsabilidade. mensalmente;  • Identificar situações de risco e comunicar responsável;  • Acompanhar vacinação de crianças e gestantes. p. O mesmo deve realizar ações preventivas e promotoras de saúde.  habilidades  e  atitudes inerentes a situações concretas de trabalho” (Brasil. 1999. A equipe do Programa Agente Comunitário de Saúde e suas atribuições  A equipe é composta por. no máximo. devendo o ideal girar  em torno de 550.

 entre outros) da área adscrita.  esgoto a céu aberto. Podemos perceber que eles são  atores importantes para a mudança dos padrões de saúde da população. etc.  O trabalho das equipes de PACS é organizado da seguinte forma:  •  Cadastramento/  diagnóstico:  primeira  etapa  do  trabalho. onde devem estar as áreas  de  risco  da  região.  Vale  lembrar  que  o  ACS  não  trabalha  sozinho!  Ele  faz  parte  de  uma  equipe. Abaixo.  •  Visitas  domiciliares:  Principal  instrumento  de trabalho  do  ACS.  Como  é  um  programa  voltado  para  promoção  e  prevenção  de  doenças. principalmente nas regiões Norte e Nordeste. pois sua presença nas  comunidades  possibilita  uma  discussão  maior  dos  problemas  e  estimula  a  tomada  de  decisões  conjuntamente com os profissionais de saúde.  estima­se  que  existam  mais  de  120. via.000  ACS  atuando  em  todo  o  Brasil.  Durante as  visitas.  incentivando  a  participação  de  todos.  na  qual  os  agentes  coletam  informações sobre as características das famílias (condições de moradia.  tendo  como  referencial a Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças. 87  .  tanto  físicos. Essas informações devem ser lançadas no  SIAB e servem para traçar um diagnóstico da área de abrangência;  • Mapeamento: essa etapa consiste no registro de um mapa.  todas  as  famílias  devem  ser  visitadas..  dentro  do  PACS e do PSF. em que todos são responsáveis pelo próprio desenvolvimento profissional e pessoal!  Hoje. um exemplo de mapa. presença  de doenças.  • Identificação das micro­áreas de risco: após o mapeamento.  e  os  pontos  de  referência. atendendo as necessidades reais e percebidas de  saúde do território atendido. voltados para o grupo infantil. ele  deve  coletar  dados  sobre  as  condições  de  saúde  e  identificar  problemas  reais  ou  potenciais  de  saúde.  na  qual  o  enfermeiro  tem  o  importante  papel  de  supervisionar  e  capacitar  os  agentes. ajudando a comunidade a  se organizar para atuar sobre os determinantes de saúde­doença.  não  apenas  as  que  têm  membros  doentes!  •  Ações  coletivas:  consiste  em  mobilizar  a  comunidade  para  discutir  e  definir  as  prioridades de  saúde  daquele  local.  da  área  assistida.  quanto  culturais.  de  uma  forma  participativa. o agente deve identificar  as  áreas  que  podem  se  configurar  como  fatores  de  risco  naquela  comunidade:  lixões.SAÚDE COLETIVA  • Realizar ações educativas para prevenção do câncer de colo uterino e mama;  • Realizar ações preventivas de saúde bucal.

 sob supervisão e acompanhamento do  enfermeiro  Instrutor­Supervisor  lotado  na  unidade  básica  de  saúde  da  sua  referência.  técnica  de  curativos  em  feridas. Para ser um ACS.  b) Incorreta.  temos  as  seguintes  exigências:  residir  na  área  da  comunidade  em  que  atuar. podemos  afirmar  que é  permitido  ao  ACS  desenvolver  atividades  relacionadas  com  a  assistência  direta  à  saúde  do  usuário.    Esse  enfermeiro  também  é  responsável  pelas  atividades  de  capacitação dos ACS.SAÚDE COLETIVA  Exercícios  1.  e  possuir  o  ensino  médio  completo.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Para ser um ACS. que deve estar lotado em uma Unidade Básica de Saúde. é necessário cumprir alguns requisitos legais e possuir um “perfil” adequado  à  função. como. Entre os requisitos legais. é necessário cumprir alguns requisitos legais e possuir um “perfil” adequado à função.  por  exemplo.  3.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  É  vedado  ao  ACS  desenvolver  atividades  típicas do serviço interno das unidades básicas de saúde de sua referência. há pelo menos um ano.  3.  Ao ler  o texto.  sob supervisão e acompanhamento do enfermeiro  Instrutor­Supervisor  lotado  na  unidade  básica  de  saúde  da  sua  referência. A  equipe  do Programa Agente Comunitário  de Saúde – PACS  é  composta  por  no  máximo  30 ACS.  há  pelo  menos  dois  anos.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. Entre os requisitos legais.  por  exemplo. A equipe do Programa Agente Comunitário de Saúde – PACS é composta por no máximo 30  ACS.  b) Incorreta. Para ser um ACS.  podemos  afirmar  que  é  permitido  ao ACS  desenvolver  atividades relacionadas com  a  assistência  direta  à saúde  do  usuário.  temos  as  seguintes  exigências:  residir  na  área  da  comunidade  em  que  atuar.  temos  as  seguintes  exigências:  residir  na  área  da  comunidade em que atuar. sob  a  responsabilidade  de  um  enfermeiro instrutor ­ supervisor. por exemplo. através de visitas  domiciliares e de ações educativas individuais e coletivas nos domicílios e na Comunidade.  através  de  visitas  domiciliares  e  de  ações  educativas  individuais  e  coletivas  nos  domicílios  e  na  Comunidade.  Respostas dos Exercícios  1. é necessário cumprir alguns requisitos legais e possuir um “perfil” adequado à função. e possuir o ensino médio completo.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. sob a responsabilidade de um enfermeiro instrutor ­ supervisor. técnica de curativos em feridas.  há  pelo  menos  um  ano.  técnicas de curativos em feridas.  como.  É  vedado  ao  ACS  desenvolver  atividades  típicas  do  serviço  interno  das  unidades  básicas  de  saúde  de  sua  referência.  como. que deve estar lotado em  uma  Unidade  Básica  de  Saúde. O Agente Comunitário de Saúde deve desenvolver atividades de prevenção das doenças e promoção da saúde.  2. 88  .  b) Incorreta.  Ao  ler  o  texto.  e  possuir  o  ensino  fundamental completo.  Esse enfermeiro também é responsável  pelas atividades de capacitação dos ACS.  2.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Não  é  permitido  ao  ACS  desenvolver  atividades  relacionadas  com  a  assistência  direta  à  saúde  do  usuário.  O  Agente  Comunitário  de  Saúde  deve  desenvolver  atividades  de  prevenção  das  doenças  e  promoção  da  saúde.  Entre  os  requisitos  legais.

 sendo também  responsável pelas atividades de capacitação dos ACS.SAÚDE COLETIVA  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente. 89  . que deve estar lotado em uma Unidade Básica de Saúde.  sob  a  responsabilidade de um enfermeiro instrutor ­ supervisor.  a  equipe  do  Programa  Agente  Comunitário  de  Saúde  –  PACS  é  composta  por  no  máximo  30  ACS.

  a  Estratégia 90  .  A  decisão  política  de  reorganizar  a  rede  de  assistência  à  saúde  mediante uma política que  apontasse para a universalização do acesso da população brasileira à  Atenção  Básica  e  consolidasse  o  recente  progresso  de  descentralização.  Embora  historicamente  rotulada  como  um  programa  (Programa  Saúde  da  Família  –  PSF).SAÚDE COLETIVA   A Estratégia Saúde da Família (ESF) surgiu no Brasil em 1994 e consiste em uma decisão  política de reorganizar a rede de assistência à saúde mediante uma política que  apontasse para a  universalização do acesso da população brasileira à Atenção Básica e consolidasse o recente  progresso de descentralização. da sua capacidade de integração com as redes  de  atenção  à  saúde:  ambulatorial  especializada.  inaugurado    com  o  advento do Sistema Único de Saúde.  AULA 13 • ESF OU PSF: HISTÓRICO. no âmbito municipal. DEFINIÇÃO. trouxe um impacto na gestão e assistência à saúde  representado pelo comprometimento dos recursos federais para a expansão da rede assistencial  local  e  autonomia  municipal  na  orientação  da  estratégia;  entretanto.  A Estratégia de Saúde da Família é considerada um modelo de Atenção Primária à Saúde. foi o norte inspirador da implementação da ESF nos mais  diversos municípios brasileiros.  Então.  a  experiência  brasileira  de  ESF  pode  ser  considerada  como  um  modelo  coletivo  de  atenção  primária.  hospitalar  secundária  e  terciária.  focado  na  unidade  familiar  e  construído  operacionalmente  na  esfera  comunitária. foi o  norte inspirador da implementação da ESF nos mais diversos municípios brasileiros.  cuja  capacidade  de  impacto  na  saúde  dos  usuários do SUS vai depender. PRINCÍPIOS  E ESTRATÉGIAS • PARTE I  Introdução  A Estratégia Saúde da Família (ESF) surgiu  no Brasil em 1994  e chegou ao final de 2005  com  mais  de  24.  impôs  novas  responsabilidades  de  gestão  e  demanda  por  profissionais  qualificados  e  comprometidos  com  a  filosofia proposta por essa política. inaugurado  com o advento do Sistema Único de Saúde. com a peculiaridade de ser construído no âmbito de um sistema de saúde público com  amplitude  nacional  e  centrado  na  universalidade.000  equipes.  redes  de  serviços  de  urgência  e  emergência  e  rede  de  serviços  de  atenção  à  saúde  mental. essencialmente.  Essa experiência.

  Pelo contrário. então.  promovida  pela  Organização  Mundial  de  Saúde  (OMS).  Nos  EUA.  No  Brasil. o  maior financiador  dessas  políticas. caracteriza­se como uma estratégia que possibilita a integração e promove  a  organização  das  atividades  em  um  território  definido.  em  Alma­ata. compondo  uma  das  ideologias  sanitárias  elaboradas  na  segunda  metade  do  século  XX. foge à concepção dos demais programas concebidos  pelo  Ministério  da  Saúde. A OMS passou a ser.  já  que  não  se  trata  de  uma  intervenção  verticalizada  e  paralela  às  atividades dos serviços de saúde.  O  movimento  estruturou­se em 1966.  A  ideologia da  medicina  comunitária  surge no  cenário  técnico­político da América  Latina.  reafirmou  a  saúde  como  direito  do  homem  e  estabeleceu  a  Atenção  Primária  como  estratégia para conseguir a meta “Saúde Para Todos no Ano 2000” . quando alguns comitês formados  pela Associação Médica Americana (AMA) e outras entidades elaboraram documentos para uma  política federal e estadual para o financiamento da formação de médicos de família em cursos de  pós­graduação.  quanto  para  a  organização  dos  serviços  de  saúde.  iremos  denominar de Estratégia Saúde da Família/ Programa Saúde da Família (ESF/PSF). e teve seu momento de apogeu com a Reforma Sanitária  e  a VIII Conferência Nacional de Saúde. os quais culminaram com a criação do Sistema 91  . sobretudo no que se refere aos  altos  custos.SAÚDE COLETIVA  Saúde da Família.  Em  1978.  assim  como  tratava  de  questões  acerca  dos  direitos  humanos.  principalmente  na  Colômbia. por suas especificidades.  racismo  e  pobreza.  focalizando  setores  minoritários  e  permanecendo  hegemônica a assistência médica convencional.  tanto  para  as  instituições  de  ensino.  o  movimento  ideológico  contra  o  modelo  hegemônico  centrado  na  doença  prevaleceu desde a década de 1970. nos Estados Unidos da América (EUA).  sua  implantação  foi  baseada  nos  centros  comunitários  de  saúde.  sofisticação  tecnológica  e  superespecialização  do  cuidado. uma vez  que ambas as denominações são encontradas na literatura. sendo pertinentes ao tema.  Esse  acontecimento  recebeu  um  mote  ideológico  porque  visava  responder  aos  impasses e questionamentos sobre o modelo médico hegemônico.  a  maior  difusora  do  ideário  da  atenção primária  e  o  Banco  Mundial. no Brasil e no Chile.  Um pouco de História da ESF/PSF  A medicina comunitária está inserida em um dos projetos de reforma em saúde.  com  o  propósito  de  propiciar  o  enfrentamento  e  a  resolução  dos  problemas  identificados  no  nível  local. em 1986.  a  Conferência  Internacional  sobre  Atenção  Primária  à  Saúde.  Nesta  aula.  Programas  de  saúde  comunitária  foram  implantados  na  década  de  1960. sob o patrocínio de fundações norte­americanas e com apoio da  Organização  Pan  Americana  de  Saúde  (OPAS).

 permitindo  acesso de toda população.  • Predomínio da intervenção do  profissional médico.  • Serviços de saúde centrados nos  centros urbanos dos municípios. pelo governo federal. como uma estratégia de consolidação dos princípios  do Sistema Único de Saúde. foi implantado em outros estados brasileiros. Estava posta.  • Predomínio da intervenção de uma  equipe interdisciplinar.  incluindo ações de promoção. o Ministério da Saúde admite  a Atenção Primária de Saúde como primeiro nível de atenção e como estratégia de reorientação  do sistema de saúde.  cura e recuperação.  • Centrado na atenção integral à saúde. Até que.  A  integração  PACS/PSF  foi  apresentada  pelo  governo  como  sendo  uma  “estratégia  de  mudança do modelo assistencial”. no 1994.  • Centrado em ações curativas  ESF/PSF  • Saúde como qualidade de vida. ou melhor. 92  • Hospital como serviço de saúde  dominante. como uma  política  de  governo  para  a  saúde.  articulados entre si. secundária e terciária. uma outra lógica de sistema de saúde que exigia uma  nova estratégia de modelo de atenção à saúde. de acordo com o Mapa da  Fome. Momento este em que foi lançado. garantindo níveis de atenção  primária. servindo de inspiração  para discussão e formulação do modelo atual da Estratégia Saúde da família/Programa Saúde da  Família.  ganhando  expressão  nacional apenas no ano de 1995. assim.  integralidade.  • Atenção centrada no indivíduo. no ano de 1986. ratificando a prevenção e o atendimento básico.  • Atenção centrada no coletivo. em que a prestação de  serviços era realizada como favor e não  como direito do cidadão.  .  • Hierarquização da rede de atendimento. a partir de 1991. proteção.  • Prestação dos serviços de saúde como  um direito de cidadania. por fim.  Quadro: Diferenças entre o modelo hegemônico de atenção à saúde e a  Estratégia Saúde da Família/ Programa Saúde da Família (ESF/PSF)  Modelo Hegemônico  • Saúde como ausência de doença. teve início a ESF/PSF enquanto instrumento de reorganização  do SUS.  intenção  esta  que  ficou  patente    com  o  lançamento  do  documento.  • Base em prática freqüentemente  clientelista. como programa institucional no estado  do Ceará e.  • Serviços de saúde distribuídos em todo  o território dos municípios. sendo definida sua implantação prioritária em áreas de risco.  A  incipiente  medicina  comunitária  deitou  raízes  quando  da  implantação  do  Programa  de  Agentes Comunitários de Saúde (PACS).  elaborado  pelo  Instituto  de  Pesquisa  Econômica    Aplicada  (IPEA).SAÚDE COLETIVA  Único  de  Saúde. assim.  descentralização  e  participação popular.  alicerçado  nos  princípios  de  universalidade.  ou seja.

  Conceitos Básicos  •  Família  ­  é  o  conjunto  de  pessoas  ligadas  por  laços  de  parentesco.  embarcação.SAÚDE COLETIVA  • Planejamento e programação  desconsiderando o perfil de saúde da  população. garantindo autonomia das  ações de planejamento no nível dos  territórios das equipes de saúde da  família . A separação fica caracterizada quando o local de  moradia  é  limitado  por  paredes  (muros  ou  cercas. 2006. no máximo.  constituído por um ou mais cômodos”.  prédio  em  construção.  gruta  e  outros  locais que estejam servindo de moradia para a família. Nesse caso.  • Estimulação da participação  comunitária.  Inclui  empregado (a) doméstico (a) que reside no domicílio. 93  .  •  Área  ­  O  conjunto  de  microáreas  sob  a  responsabilidade  de  uma  equipe  de  saúde  da  família.  entre  outros)  e  coberto  por  um  teto  que permita que seus moradores se isolem e cujos residentes arcam com parte ou todas  as  suas  despesas  de  alimentação  e  moradia.  vagão.  tenda.  Também  são  considerados  domicílios. pensionistas e agregados.  dependência  doméstica ou normas  de  convivência que  residem  na  mesma  unidade  domiciliar. .  Fonte: GASTÃO e col.  • Funcionamento baseado na demanda  espontânea.Considera­se  independente  o  local  de  moradia que tem acesso direto e que permite a entrada e saída de seus moradores sem  a  passagem  por  local  de  moradia  de    outras  pessoas. 30  agentes comunitários de saúde) dentro de um mesmo segmento territorial.  • Desconsideração da realidade e  autonomia local.  A  composição  da  equipe  de  saúde  e  as  coberturas  assistenciais  variam  de  acordo  com  o  Modelo  de  Atenção  adotado  e  a  área  pode  assumir  configurações  distintas.  carroça.  •  Domicílio  ­  Designa  o  “local  de  moradia  estruturalmente  separado  e  independente.  • Microárea ­ O espaço geográfico delimitado onde residem cerca de 400 a 750 pessoas e  corresponde à área de atuação de um agente comunitário de saúde (ACS).  no  Programa  Agentes  Comunitários  de  Saúde  (PACS)  –  é  o  conjunto  de  microáreas cobertas por uma equipe do PACS (1 instrutor /supervisor e.  • Planejamento e programação com base  em dados que consideram o perfil de  saúde da população e priorizando as  famílias ou grupos com maior risco de  adoecer e morrer.  • Funcionamento dos serviços baseado  na organização da demanda e no  acolhimento da população adscrita. não valorização da  participação comunitária.  •  Área.

94  .  •  Área.500 pessoas.SAÚDE COLETIVA  embora  as  microáreas  sejam  referenciadas  geograficamente. onde residem em torno de  3.  no  PSF  – é  o  conjunto  de  microáreas  contíguas  sob a  responsabilidade  de  uma  equipe de saúde da família.  elas  nem  sempre  são  contíguas.00 a 4.

 como escola. a existência de uma rede de Atenção Primária à Saúde permite a prevenção de um  importante número de doenças e agravos de relevância sanitária.  que  lhe  atribui  maior  capacidade  de  resposta  às  necessidades  de  saúde  básica  da  população  de  sua  área  de  abrangência.    a  “porta  de  entrada”.  AULA  14  •  ESTRATÉGIA  SAÚDE  DA  FAMÍLIA  (ESF)  OU  PROGRAMA  SAÚDE  DA  FAMÍLIA  (PSF):  HISTÓRICO.  Necessita  ser  resolutiva  (resolver  o  problema  de  saúde  do  usuário  do  serviço). promovam a saúde  e previnam  doenças e/ou agravos em geral. em locais comunitários.  DEFINIÇÃO. a USF não pode ser apenas um local de triagem e encaminhamento.  Entretanto. desenvolvida por uma equipe interdisciplinar na própria unidade e também  em domicílios.  isto  é.  de  uma  zona  de  informação  do  IBGE  ou  a  outro  nível  de  agregação  importante  para  o  planejamento  e  avaliação  em  saúde no Município. coordenam­se as referências para os profissionais e serviços adequados e  acompanham­se os resultados terapêuticos e a evolução clínica dos pacientes acompanhados.SAÚDE COLETIVA   Compete a ESF/PSF a coordenação/ordenação de todo o espectro assistencial em saúde. É a divisão territorial utilizada para a análise espacial dos dados em  um determinado município.  •  Unidade  Saúde  da  Família  (USF)  –  A  Unidade  Saúde  da  Família  (USF)  é  o  espaço  físico  representado  pelo  antigo  Posto  ou  Centro  de  Saúde  reestruturado. A USF deve realizar uma assistência integral.  A  USF  deve  se  constituir  no  primeiro  contato  do  usuário  com  o  Sistema  de  Saúde.  • Agente Comunitário de Saúde (ACS)  – O agente comunitário de saúde (ACS) deve ser  uma pessoa da própria comunidade. dentre outros. presídios. PRINCÍPIOS E ESTRATÉGIAS – PARTE II  •  Segmento  territorial  –  O  segmento  é  um  conjunto  de  áreas  contíguas  que  pode  corresponder  à  delimitação  de  um  Distrito  Sanitário. onde a  maior  parte  dos  casos  é  encaminhada  (referenciada)  para  os  serviços  especializados.  com  profissionais  capazes  de  assistir    aos  problemas  de  saúde  mais  comuns  e  de  manejar  novos saberes que. que deve estar preparado para orientar as famílias 95  . contínua e  de qualidade.  Assim. por meio de processos educativos. asilos.  trabalhando  numa  nova  lógica.  quando por meio da Atenção Primária à Saúde se identificam as necessidades de atendimentos  mais especializados.

 por meio da visita domiciliar. trata­se de equipes de saúde da família.  responsável  por  uma  determinada  área.  ao  invés  de  estar  centrado  na  figura  do  médico.500  pessoas.  6 96  .  • Equipe Saúde da Família  – O Programa Saúde da Família está estruturado em equipes  de  saúde. Como requisitos para se enquadrar no trabalho do ACS.  nas  áreas  prioritárias  de  Atenção Básica;  • Realizar.  1  auxiliar  de  enfermagem. entre outras;  •  Traduzir  para  a  Equipe  Saúde  da  Família  a  dinâmica  social  da  comunidade. É um trabalhador  que  faz  parte  da  equipe  de  saúde  da  família.  suas  necessidades. principalmente aquelas em situação de risco;  • Desenvolver ações educação e vigilância à saúde. exames e atendimentos odontológicos quando necessário;  •  Realizar  ações  e  atividades.  no  nível  de  suas  competências.00  a  4.  1  enfermeiro.  Devendo  atender  os  moradores  de  cada  domicílio  em  todas  as  questões  relacionadas  com a saúde. visando desenvolver ações coletivas  de saneamento e melhoria do meio ambiente.  Entre  as  atividades desenvolvidas pelo ACS estão:  • Realizar mapeamento de sua área;  • Cadastrar as famílias e atualizar permanentemente esse cadastro;  • Identificar indivíduos e famílias expostas a situações de risco;  • Orientar as famílias para utilização adequada dos serviços de saúde.  ou  seja. com ênfase na promoção da saúde e  na prevenção de doenças;  • Promover a educação e a mobilização comunitária. são propostas equipes para uma  população  de  600  até  100  famílias  ou    3. há necessidade  de ser maior de 18 anos; saber ler e escrever; residir na comunidade há pelo menos dois  anos;  ter  disponibilidade  de  tempo  integral  para  exercer  suas  atividades. Assim. acompanhamento mensal de todas as famílias sob  sua responsabilidade;  • Estar sempre bem informado e informar aos demais membros da equipe sobre a situação  das famílias acompanhadas.  no  trabalho  interdisciplinar.  dispondo  de  uma  composição  variável:  1  médico  generalista. potencialidades e limites;  •  Identificar  parceiros  e  recursos  existentes  na  comunidade  que  possam  ser  potencializados pelas equipes.SAÚDE COLETIVA  a cuidarem de sua própria saúde e também da saúde da comunidade. encaminhando­os e  até agendando consultas.

 a equipe saúde da família deve estar preparada para:  • Reconhecer o território;  •  Conhecer  a  realidade  das  famílias  pelas  quais  é  responsável.  A  atuação  da  equipe  ocorre.SAÚDE COLETIVA  agentes  comunitários  de  saúde;  eventualmente  a  equipe  pode  ser  composta  pelos  trabalhadores  citados  e  ainda  o  odontólogo.  É 97  .  Criado  em  1998. a família e  o meio ambiente.  com  ênfase  nas  suas  características sociais. sob a sua responsabilidade (população adscrita); por intervir  sobre os fatores de risco aos quais a comunidade está exposta; por prestar assistência  integral.  fortalecendo o eixo de promoção à saúde;  • Realizar visita domiciliar com a finalidade de monitorar a situação de saúde das famílias e  de prestar assistência domiciliar quando indicado.  nas  unidades  básicas  de  saúde.  além  de  técnicos  de    consultório  dentário.  problema  e  responsabilidade  sanitária.  com  uma população delimitada. Assim. incorporando como objeto das ações o indivíduo.  principalmente.  técnico  higiene  dental.  monitoramento  e  avaliação  das  ações  desenvolvidas. buscando responder de forma contínua. garantindo conforto ao usuário;  • Participar de grupos comunitários e educativos;  • Resolver 100% dos problemas de saúde existentes no território. demográficas  e epidemiológicas;  • Identificar os problemas de saúde existentes e condições de risco às quais a população  está exposta;  • Prestar assistência integral.  assistentes  sociais  e  psicólogos.  •  SIAB  –  Sistema  de  Informação  da  Atenção  Básica  –  A  informação  no  PSF  constitui  ferramenta  essencial  para  o  planejamento.  voltados à melhoria do cuidado dos indivíduos e famílias;  •  Promover  ações  intersetoriais  para  o  enfrentamento  dos  problemas  identificados. elaborando o plano local  para atendimento de processo saúde­doença.  o  SIAB  foi  pensado  como  instrumento  gerencial  dos  Sistemas  Locais  de  Saúde  (SILOS).  caracterizando­se: como porta de entrada  de  um  sistema  hierarquizado  e  regionalizado  de  saúde;  por  ter  território  definido. racionalizada e humanizada à  demanda organizada e espontânea;  •  Desenvolver  processos  educativos  e  novas  tecnologias  de  intervenção  em  saúde.  nas  residências e na mobilização da comunidade. permanente e de qualidade; por realizar atividades de educação e promoção da  saúde.  nas  unidades  saúde  da  família.  adotando  como  conceitos  básicos:  território.  dentro  do  conceito de  reorganização  do  SUS.

 assim como no contexto geral do Município. situação de moradia e outras informações adicionais que permitem à equipe de saúde  conhecer as condições de vida das pessoas de sua área de abrangência e melhor planejar suas  intervenções.  outras  poderão  ser  identificadas  conforme  especificidades  de  cada área de atuação  das  equipes  e unidades de saúde. destaca­se a Ficha A – Ficha para cadastramento das famílias .SAÚDE COLETIVA  um  sistema  que. já nas primeiras visitas realizadas.  possibilita  a  micro­espacialização  de  problemas  de  saúde  e  avaliação  das  intervenções.  O  Ministério  da  Saúde  define  algumas  prioridades  de  saúde  a  serem  consideradas  pela  atenção  básica  –  PSF  –  em  todo  o  território  nacional.  a  parir  de  relatórios  que  produz.  As  informações  colhidas  devem  constar  de:  identificação.  cadastro  de  todos  os  seus  membros.  Prioridades e planejamento das ações na ESF/PSF:  • Gestantes/puérperas;  • Saúde da Mulher – agravos ginecológicos: câncer de colo de útero e de mama; Doenças  Sexualmente Transmissíveis (DST);  • Crianças até dois anos; 98  .  Além  destas.  partindo  de  níveis  menos  agregados para níveis mais agregados. porém as bases para  seu enfrentamento devem seguir a mesma lógica e roteiro propostos para as demais. deve ser montado um prontuário único por família com livre acesso às  informações para a equipe.  Acesse  a  plataforma  de  estudo  para  visualizar  a  ficha  para  cadastramento  das  famílias.  Entre  os  instrumentos  a  serem  preenchidos no SIAB. as equipes de saúde da família.    A  partir  da  identificação  dos  problemas  e  da  consolidação  progressiva  da  informação.  devido  sua  relevância  sanitária.  Para  evitar  a  duplicação do formulário.  A  ficha  A  deve  ser  arquivada  pelo  ACS  no  prontuário  familiar.  que deve ser preenchida pelo Agente Comunitário de Saúde (ACS) para o cadastramento  das  famílias  residentes  em  sua  microárea. as unidades  de  saúde às quais estão ligadas e os gestores podem acompanhar o trabalho e avaliar seu  impacto  sobre  a  saúde  da  população  adscrita.  devendo  ser  preenchida  uma  ficha  por  família.

  como  também 99  . SINAN.  Assim.SAÚDE COLETIVA  • Hipertensão Arterial;  • Diabetes;  • Tuberculose;  • Hanseníase;  • Saúde Mental;  • Saúde Ambiental;  • Pessoas com deficiência;  • Outros detectados pela equipe/unidade/secretaria  de saúde. outros);  • Definição de objetivos (o quê);  • Definição de estratégias (como);  • Definição de prazos e distribuição ao longo do ano (quando);  • Definição de responsabilidades e competências (quem);  • Definição de necessidades de recursos materiais (quanto);  • Definição de necessidades em investimentos de Recursos Humanos (capacitação);  •  Definição  de  metas  em  relação  a  cada  prioridade  –  o  que  deverá  ser  pactuado  com  a  Secretaria Municipal de Saúde;  • Avaliação e readequação das metas e estratégias para alcançá­las.  compete  à  ESF/PSF  a  coordenação/ordenação  de  todo  o  espectro  assistencial  em  saúde.  coordenam­se  as  referências  para  os  profissionais  e  serviços  adequados  e  acompanham­se  os  resultados  terapêuticos  e  a  evolução  clínica  dos  pacientes  acompanhados. HIPERDIA.  Conforme  definido.  Roteiro para planejamento das ações na ESF/PSF:  • Levantamento de dados.  SISPRENATAL. tendo como fonte os Sistemas de Informação disponíveis (SIAB.  quando  por  meio  da  Atenção  Primária  à  Saúde  identificam­se  as  necessidades  de  atendimento  mais  especializados.  a  existência  de  uma  rede  de  Atenção  Primária  à  Saúde  permite  não  somente  a  prevenção  de  um  importante  número  de  doenças  e  agravos  de  relevância  sanitária  e  resolutividade  direta  de  até  90%  da  demanda  comunitária. SINASC – ver aula 16.

  promovida  pela  Organização  Mundial  de  Saúde  (OMS).  que  buscar  atendimento  pelo  sistema.  a  existência  de  uma  rede  de  Atenção  Primária  à  Saúde  permite  não  somente  a  prevenção  de  um  importante  número  de  doenças  e  agravos  de  relevância  sanitária  e  resolutividade  direta  de  até  90%  da  demanda  comunitária.  cada Equipe  Saúde da Família pode cobrir até seis microáreas.  b) Incorreta 100  .  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. contemplando um total de 4.500 pessoas. deverá  ter  seu problema  de  saúde resolvido.  podemos  afirmar  que    a  resolutividade  é  a  garantia  de  que  todo  usuário  do  Sistema  Único  de  Saúde. sendo uma única ficha  por pessoa e preenchida já nas primeiras visitas realizadas.  b) Incorreta  4. como  está  se  buscando  pelo modelo brasileiro de ESF.  em  Alma­ata.  b) Incorreta  3.  como  também  auxilia  a  condução  clínica e o manejo terapêutico de pacientes com demanda de saúde especializada.  redução da duplicação da oferta de serviços.  Logo. uma  rede  universal  de  Atenção Primária  à  Saúde.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  Entre  os  instrumentos  a  serem  preenchidos  no  SIAB. estabilidade e confiança na relação entre usuário e o  sistema de saúde e maior eficácia no alcance de resultados de saúde.  Assim.  a  Conferência  Internacional  sobre  Atenção  Primária  à  Saúde.  Ao  ler  o  texto. podemos afirmar que o princípio da Universalidade insere o Sistema Único de  Saúde  (SUS)  brasileiro  na  proposição  determinada  pela  Declaração  de  Alma­ata  de    “Saúde  para todos”.  Em  1978.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta  2.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. possibilita melhor controle de desperdício de recursos de saúde. Por ser a Microárea o espaço geográfico delimitado onde residem cerca de 400 a 750 pessoas  e  corresponder  à área de  atuação  de  um  Agente  Comunitário  de  Saúde  (ACS).SAÚDE COLETIVA  auxilia  a  condução  clínica  e  o  manejo  terapêutico  de  pacientes  com  demanda  de  saúde  especializada.  que  deve  ser  preenchida  pelo  Agente  Comunitário  de  Saúde  (ACS) para o cadastramento das famílias residentes em sua microárea.  Ao ler o texto. dentro da capacidade de atenção à saúde de cada serviço.  Exercícios  1.  destaca­se  a  Ficha  A  –  Ficha  para  cadastramento  das  famílias.  reafirmou  a  saúde  como  direito  do  homem e estabeleceu a Atenção Primária como estratégia para conseguir a meta “Saúde Para  Todos no Ano 2000”.

 cada Equipe Saúde da Família pode cobrir até seis microáreas. destaca­se a Ficha A – Ficha para cadastramento das famílias.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Entre os instrumentos a serem preenchidos no SIAB. que deve ser  preenchida pelo Agente Comunitário de Saúde (ACS) para o cadastramento das famílias residentes em sua microárea.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  A resolutividade é a garantia de que todo usuário do Sistema Único de Saúde. contemplando um total de  4.  2.  podemos  afirmar  que    a  resolutividade  é  a  garantia  de  que  todo  usuário  do  Sistema  Único  de  Saúde.  Ao  ler  o  texto.500 pessoas.  Em  1978.  o  princípio  da  Universalidade  insere  o  Sistema  Único  de  Saúde  (SUS)  brasileiro  na  proposição  determinada  pela  Declaração de Alma­ata de “Saúde para todos”. uma vez que garante o acesso irrestrito aos serviços de saúde. sendo uma  única ficha por família e preenchida já nas primeiras visitas realizadas. que deve ser  preenchida pelo Agente Comunitário de Saúde (ACS) para o cadastramento das famílias residentes em sua microárea. deverá ter seu problema de saúde resolvido.  3. dentro da capacidade de atenção à saúde de cada serviço. 101  . Por ser a Microárea o espaço geográfico delimitado onde residem cerca de 400 a 750 pessoas e corresponder à área de atuação de  um Agente Comunitário de Saúde (ACS).  a  existência  de  uma  rede  de  Atenção  Primária  à  Saúde  permite  não  somente  a  prevenção  de  um  importante  número  de  doenças  e  agravos  de  relevância  sanitária  e  resolutividade  direta  de  até  90%  da  demanda  comunitária. que buscar atendimento pelo sistema. deverá ter seu  problema de saúde resolvido. Entre os instrumentos a serem preenchidos no SIAB.500 pessoas.  promovida  pela  Organização  Mundial  de  Saúde (OMS).  Assim.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente.  que  buscar  atendimento pelo sistema.SAÚDE COLETIVA  Respostas dos Exercícios  1. sendo uma  única ficha por pessoa e preenchida já nas primeiras visitas realizadas.  Ao ler o texto.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Uma Equipe Saúde da Família pode cobrir até 6 microáreas. uma vez que conta com até seis Agentes Comunitários de Saúde. dentro da capacidade de atenção à saúde de cada serviço. destaca­se a Ficha A – Ficha para cadastramento das famílias .  como  também  auxilia  a  condução clínica e o manejo terapêutico de pacientes com demanda de saúde especializada. podemos afirmar que o princípio da Universalidade insere o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro na proposição  determinada pela Declaração de Alma­ata de  “Saúde para todos”. num  total de 4. reafirmou a saúde como direito do homem e estabeleceu a Atenção Primária como estratégia para conseguir a meta  “Saúde Para Todos no Ano 2000”.  4.  a  Conferência  Internacional  sobre  Atenção  Primária  à  Saúde.  em  Alma­ata.

  tornando­se  mais  complexo  e  colocando  os  gestores à frente de desafios que busquem superar a fragmentação das políticas e programas de  saúde por meio da organização de uma rede regionalizada e hierarquizada de ações e serviços e  da  qualificação  da  gestão. na implementação do Programa Nacional de Imunização e no atendimento  relativo  à  Atenção  Básica.  Sua  produção  anual  é  de. no campo da gestão do Sistema e  da atenção à saúde.  o  Ministério  da  Saúde. pela via  das  reformas  incrementais.  Ao  longo  de  sua  história.  esse  modelo  parece  ter  se  esgotado.  com  mais  de  440  mil  leitos.  aproximadamente.  Transcorridas  quase  duas  décadas  do  processo  de  institucionalização  do  Sistema  Único  de Saúde (SUS). O processo  de descentralização ampliou o contato do Sistema com a realidade social.  (Constituição Federal de 1988) Introdução  O Sistema Único de Saúde (SUS) tem uma rede de mais de 63 mil unidades ambulatoriais  e  cerca  de  6  mil  unidades  hospitalares. a sua implantação e implementação evoluíram muito. um movimento constante de mudanças.  houve  muitos  avanços  e  também  desafios  permanentes  a  superar.  É  avaliado  positivamente  pelos  que  o  utilizam  rotineiramente  e  está  presente em todo território nacional.  pela  102  .  Contudo.  Frente  a  essa  necessidade.  de  um  lado. 12 milhões de internações hospitalares; 1 bilhão de procedimentos de atenção  primária à saúde; 150 milhões de consultas médicas; 2 milhões de partos; 300 milhões de exames  laboratoriais; 132 milhões de atendimentos de alta complexidade e 14 mil transplantes de órgãos. dos gestores do SUS.  Além  de  ser  o  segundo  país  do  mundo  em  número  de  transplantes. Isso tem exigido. política e administrativa  do  país  e  com  suas  especificidades  regionais.SAÚDE COLETIVA  AULA 15 • PACTO PELA SAÚDE  “ Saúde é um direito de todos e dever do estado” .  é  reconhecido  internacionalmente  pelo  seu  progresso  no  atendimento  universal  às  Doenças  Sexualmente  Transmissíveis/AIDS. especialmente em relação  aos processos de descentralização e municipalização das ações e serviços de saúde.  o  Conselho  Nacional  de  Secretários  de  Saúde  e  o  Conselho  Nacional  de  Secretários  Municipais  de  Saúde  pactuaram responsabilidades entre os três gestores do SUS.

  A  definição  de  prioridades  deve  ser  estabelecida  por  meio  de  metas  nacionais. que será anualmente revisado.  O  Pacto  pela Vida  é o  compromisso  entre os gestores  do  SUS  em torno de prioridades  que  apresentam  impacto  sobre  a  situação  de  saúde  da  população  brasileira.  tratados.SAÚDE COLETIVA  dificuldade  de  imporem­se  normas  gerais  a  um  país  tão  grande  e  desigual;  de  outro.  estadual  e  municipal.  com  detalhamento excessivo e enorme complexidade.  com  base  nos  princípios  constitucionais  do  SUS.  expressos em objetivos de processos e resultados e derivados da análise da situação de saúde  do  país  e  das  prioridades  definidas  pelos  governos  federal.  Prioridades  estaduais  ou  regionais  podem  ser  agregadas  às  prioridades  nacionais.  Pacto  em  Defesa  do  SUS  e  Pacto  de  Gestão  do  SUS.  os  gestores  do  SUS  assumem  o  compromisso público da construção do Pacto pela Saúde 2006.  Essas  prioridades  são  expressas  em  objetivos  e  metas  no  Termo  de  Compromisso de Gestão e estão detalhadas no documento Diretrizes Operacionais do Pacto pela  Saúde 2006.  pela  sua  fixação  em  conteúdos  normativos  de  caráter  técnico­processual.  ênfase  nas  necessidades  de  saúde  da  população  e  que  implicará  o  exercício  simultâneo  de  definição  de  prioridades  articuladas  e  integradas  nos  três  componentes:  Pacto  pela  Vida. 103  .  O Pacto pela Vida:  O  Pacto  pela  Vida  está  constituído  por  um  conjunto  de  compromissos  sanitários.  regionais  ou  municipais.  em  geral.  2)  Câncer  de  colo  de  útero  e  de  mama:  Contribuir  para  a  redução  da  mortalidade  por  câncer de colo do útero e de mama.  estaduais.  conforme  pactuação  local.  Os  estados/regiões/municípios  devem  pactuar  as  ações  necessárias  para o alcance das metas e dos objetivos propostos.  Significa  uma  ação prioritária no campo da saúde que deverá ser executada com foco em resultados e com a  explicitação  inequívoca  dos  compromissos  orçamentários  e  financeiros  para  o  alcance  desses  resultados. buscando a  atenção integral.  Na  perspectiva  de  superar  as  dificuldades  apontadas.  São seis as prioridades pactuadas:  1) Saúde do idoso: Implantar a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa.

  pelo  Congresso Nacional;  • Garantir.SAÚDE COLETIVA  3) Mortalidade infantil e materna: Reduzir a mortalidade materna.  alimentação saudável e combate ao tabagismo. tendo o financiamento público da saúde como um dos pontos centrais.  inscritos  na Constituição Federal.  extrapolando os limites do setor e vinculada ao processo de instituição da saúde como direito de  cidadania.  no  curto  prazo.  hanseníase.  com  ênfase  na  dengue.  malária  e  influenza:  Fortalecer  a  capacidade  de  resposta  do  sistema  de  saúde  às  doenças emergentes e endemias.  As prioridades do Pacto em Defesa do SUS são:  1) Implementar um projeto permanente de mobilização social com a finalidade de:  •  Mostrar  a  saúde  como  direito  de  cidadania  e  o  SUS  como  sistema  público  universal  garantidor desses direitos;  •  Alcançar.  4)  Doenças  emergentes  e  endemias.  com  uma  clara  estratégia  de  mobilização  social  envolvendo  o  conjunto  da  sociedade  brasileira.  5) Promoção de saúde: Elaborar e implantar a Política Nacional de Promoção da Saúde. infantil neonatal.  os princípios  basilares  dessa  política  pública. infantil  por doença diarréica e por pneumonias.  vigorosamente. no longo prazo.  a  regulamentação  da  Emenda  Constitucional  nº  29. de forma  a  internalizar  a  responsabilidade  individual  da  prática  de  atividade  física  regular.  6) Atenção básica à saúde: Consolidar e qualificar a estratégia da Saúde da Família como  modelo  de atenção  básica  à  saúde  e  como  centro  ordenador  das  redes  de  atenção  à  saúde do SUS.  O Pacto em Defesa do SUS:  O Pacto em Defesa do SUS envolve ações concretas e articuladas pelas três instâncias  federativas  no  sentido  de  reforçar  o  SUS  como  política  de  Estado  mais  do  que  política  de  governos;  e  de  defender.  tuberculose.  A  concretização  desse  Pacto  passa  por  um  movimento  de  repolitização  da  saúde. o incremento dos recursos orçamentários e financeiros para a  saúde; 104  .  com ênfase na adoção de hábitos saudáveis por parte da população brasileira.

SAÚDE COLETIVA  •  Aprovar  o orçamento  do  SUS.  Mais  do  que  definir  diretrizes  nacionais. assim.  Reforça  a  territorialização  da  saúde  como  base  para  organização  dos  sistemas.  O Pacto de Gestão do SUS  O  Pacto  de  Gestão  estabelece  as  responsabilidades  claras  de  cada  ente  federado  de  forma  a  diminuir  as  competências  concorrentes  e  a  tornar  mais  claro  quem  deve  fazer  o  quê. superando o atual processo de habilitação.  As prioridades do Pacto de Gestão são:  1) Definir de forma inequívoca a responsabilidade sanitária de cada instância gestora dos  SUS: federal.  promovendo  um  choque  de  descentralização.  composto pelos  orçamentos  das  três esferas de gestão. estadual e municipal.  a  partir  de  uma  unidade  de  princípios  e  uma diversidade operativa que respeite as singularidades regionais. 105  . é  necessário  avançar  na  regionalização  e  descentralização  do  SUS.  Esse  Pacto  parte  de  uma  constatação  indiscutível:  o  Brasil  é  um  país  continental  e  com  muitas  diferenças  e  iniqüidades  regionais.  explicitando o compromisso de cada uma delas.  estruturando  as  regiões  sanitárias  e  instituindo  colegiados  de  gestão regional.  2)  Estabelecer  as  diretrizes  para  a  gestão  do  SUS:  com  ênfase  na  Descentralização;  Regionalização;  Financiamento;  Programação  Pactuada  e  Integrada;  Regulação;  Participação  e  Controle  Social;  Planejamento;  Gestão  do  Trabalho  e  Educação  na  Saúde.  Esse  Pacto  radicaliza  a  descentralização  de  atribuições  do  Ministério  da  Saúde  para  os  estados  e  para  os  municípios.  acompanhado  da  desburocratização  dos  processos  normativos.  contribuindo. para o fortalecimento da gestão compartilhada e solidária do SUS.  2) Elaborar e divulgar a carta dos direitos dos usuários do SUS.  Explicita as diretrizes para o sistema de financiamento público tripartite: busca critérios de  alocação  eqüitativa  dos  recursos;  reforça  os  mecanismos  de  transferência  fundo  a  fundo  entre  gestores;  integra  em  grandes  blocos  o  financiamento  federal  e  estabelece  relações  contratuais  entre os entes federativos.  Reitera a importância da participação e do controle social com o compromisso de apoio à  sua qualificação.

  expressos  em  objetivos  de  processos e resultados derivados da análise da situação de saúde do País”.  “O  Pacto  de  Gestão  radicaliza  a  descentralização  de  atribuições  do  Ministério  da  Saúde  para  os  estados  e  para  os  municípios.  “O Pacto pela  Vida é  o  compromisso entre  os  gestores  do  SUS  em  torno  de prioridades  que  apresentam  impacto  sobre  a  situação de  saúde da  população brasileira.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  A descentralização é realmente valorizada na lógica do Pacto de Gestão. promovendo um choque de descentralização.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  ele  é  constituído  por  um  conjunto  de  compromissos  sanitários.  acompanhado  da  desburocratização  dos  processos  normativos.  b) Incorreta.  Respostas dos Exercícios  1.  2.  promovendo  um  choque  de  descentralização.  3.  podemos  afirmar  que  a  descentralização  é  valorizada  na  lógica  do  Pacto  de  Gestão. “O Pacto de Gestão radicaliza a descentralização de atribuições do Ministério da Saúde para os  estados e para os municípios. podemos afirmar que a descentralização é valorizada na lógica do Pacto de Gestão.SAÚDE COLETIVA  Exercícios  1.  expressos  em  objetivos  de  processos  e  resultados  derivados da análise da situação de saúde do País”.  Reforça  a  territorialização da saúde como base para organização dos sistemas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  estruturando as regiões  sanitárias  e  instituindo  colegiados de  gestão regional”.  Reforça  a  territorialização  da  saúde  como  base  para organização  dos  sistemas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Pacto em Defesa do SUS envolve ações concretas e articuladas pelas três instâncias federativas no sentido de reforçar o SUS como  política de Estado mais do que política de governos.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. “O Pacto pela Vida é o compromisso entre os gestores do SUS em torno de prioridades que apresentam impacto sobre a situação  de  saúde  da  população  brasileira.  Ao ler o texto.  b) Incorreta.  Ao  ler  o  texto. “O Pacto em Defesa do SUS envolve ações concretas e articuladas pela instância federal no sentido de reforçar o SUS como política  de Estado mais do que política de governos”.  ele é  constituído por  um  conjunto  de  compromissos  sanitários.  2. estruturando as regiões sanitárias e instituindo colegiados de  gestão regional”.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  O Pacto pela Vida é o compromisso entre gestores do SUS em torno de prioridades decorrentes dos resultados derivados da análise  da situação de saúde do país. “O Pacto em Defesa do SUS envolve ações concretas e articuladas pela instância federal no  sentido de reforçar o SUS como política de Estado mais do que política de governos”. 106  .  b) Incorreta. acompanhado da  desburocratização  dos processos normativos.  3.

SAÚDE COLETIVA  

As determinações legais vigentes no Sistema Único de Saúde mostram a descentralização  e a participação popular como diretrizes de atuação político­administrativa que devem ser  acatadas pelas três instâncias de governo. Os municípios são reconhecidos como entes  governamentais autônomos que devem responsabilizar­se pelo planejamento, organização,  controle e avaliação das ações e serviços de saúde de sua região. 

AULA 16 • SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE (SIS) 

Introdução 
A  finalidade  da  informação  em  saúde  consiste  em  identificar  problemas  individuais  e  coletivos do quadro sanitário de uma população, propiciando elementos para análise da situação  encontrada  e  subsidiando  a  busca  de  possíveis  alternativas  para  resoluções.  Assim,  as  informações  em  saúde  devem  abranger  aquelas  relativas  ao  processo  saúde/doença,  e  as  de  caráter administrativo, todas essenciais para elaboração de políticas para o setor. O Sistema de  Informação em Saúde (SIS) pode ser entendido como um instrumento para adquirir, organizar e  analisar  dados  necessários  à  definição  de  problemas  e  riscos  para  a  saúde,  avaliar  a  eficácia,  eficiência e  influência que os  serviços  prestados  possam  ter  no  estado de  saúde  da população,  além  de  contribuir  para  a  produção  de  conhecimento  acerca  da  saúde  e  dos  assuntos  a  ela  ligados.  No  Brasil,  tradicionalmente,  a  produção  e  utilização  da  informação  em  saúde,  dando  origem  a  diagnósticos  sobre  a  situação  sanitária  de  cada  município,  quase  sempre  foram  realizadas  pelos  governos  federal  ou  estadual,  sem  participação  local.  Contudo,  a  própria  lei  orgânica da saúde prevê, como competência e atribuição comuns à União, estados e municípios,  a organização e coordenação do sistema de informação em saúde.  Ao município é atribuído, portanto, juridicamente, um papel bem mais amplo do que o de  mero coletor de dados, sendo capaz de produzir, organizar e coordenar a informação em saúde  de sua região.

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SAÚDE COLETIVA 

Algumas fontes de informação no SUS 
O Sistema de Informação de Nascidos Vivos (SINASC) vem sendo desenvolvido desde  1990  pela  Fundação  Instituto  Brasileiro  de  Geografia  e  Estatística  (FIBGE)  mediante  os  dados  contidos no  Registro  Civil.  Um  dos  maiores problemas  encontrados, diz  respeito  ao  sub­registro  de nascimentos, preocupação de alguns pesquisadores desde a década de 1940. Essa situação  compromete  sobremaneira  a  cobertura  do  sistema,  uma  vez  que  as  informações  subestimadas  prejudicam  a  qualidade  de  todos  os  indicadores  que  utilizam  o  número  de  nascidos  vivos,  acarretando  falsas  conclusões  nas  análises  do  comportamento  evolutivo  dos  indicadores  no  Brasil. A base desse sistema é a Declaração de Nascimento (DN), a qual deverá ser preenchida  para  todos  os  nascimentos  vivos  ocorridos  no  país.  É  importante  assinalar  que  o  Estatuto  da  Criança  e  do  Adolescente  –  Lei  8069  de  13­07­90,  em  seu  artigo  10,  no  IV  –  considerou  obrigatória a emissão da declaração de nascido vivo com o objetivo de garantir à criança proteção  à vida e à saúde, juntamente com outras medidas.  O  preenchimento  da  DN  pode  ser  efetuado  por  qualquer  profissional  qualificado  do  estabelecimento  onde  ocorreu  o  evento.  A  DN  deve  ser  preenchida  em  três  vias:  a  primeira,  permanece  no  estabelecimento  de  saúde  para  ser  recolhida  posteriormente  pela  Secretaria  Estadual de Saúde (SES); a segunda via é entregue à mãe ou responsável pelo recém­nascido  para  ser  levada  ao  Cartório  com  vistas  ao  registro  de  nascimento;  a  terceira  via  é  entregue  ao  Serviço de Saúde em que a criança receberá os primeiros cuidados, possibilitando que o pediatra  obtenha informações adequadas referentes às condições do nascimento. A gradativa implantação  do SINASC, em âmbito nacional, vem ocorrendo sob responsabilidade dos órgãos estaduais (SES  ou Fundações das Secretarias de Planejamento), sendo enviado posteriormente ao Ministério da  Saúde  para a  consolidação dos  dados. Alguns ajustes operacionais  diferenciaram a  capacidade  de implantação do SINASC nos diversos municípios brasileiros.  O Sistema de Informação de Mortalidade – SIM foi criado em 1976, a partir do modelo  padronizado  de  Declaração  de  Óbito  (DO)  em  todo  o  território  nacional.  Justificado  não apenas  para  o  atendimento  das  exigências  legais,  o  SIM  tem  o  objetivo  principal  de  fornecer  subsídios  para  traçar  o  perfil  de  mortalidade  no  país.  Contém  informações  sobre  o  óbito,  como  a  causa  básica,  data,  local  e  município  de  ocorrência,  assim  como  o  indivíduo  que  faleceu,  tais  como  a  idade, sexo, grau de escolaridade, ocupação e município de residência.  Porém um dos problemas que limitam as análises de mortalidade no Brasil é o sub­registro  dos óbitos, sobretudo no norte e nordeste e entre as crianças menores de um ano de idade.

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SAÚDE COLETIVA 

O  Sistema  de  Informações  de  Agravos  de  Notificação  –  SINAN  contém  informações  sobre  todos  os  agravos  de  notificação  compulsória  no  Brasil,  com  o  objetivo  de  fornecer  dados  para  caracterizar  o  perfil  de  morbidade  (relativo  às  doenças)  vigente.  O  sistema  contém  informações  relevantes  que  têm  sido  utilizadas  para  caracterizar  a  dinâmica  temporal  das  ocorrências  das  doenças,  assim  como  para  subsidiar  as  ações  de  prevenção  e  controle  das  mesmas.  O Sistema de  Informação do Programa Nacional de Imunizações – SI­PNI tem como  maior objetivo possibilitar, aos gestores envolvidos no Programa  Nacional de Imunização (PNI),  uma avaliação dinâmica do risco quanto à ocorrência de casos das doenças possíveis de serem  prevenidas  por  imunização,  a  partir  dos  produtos  imunizantes  (vacinas  e  soros)  aplicados  e  do  quantitativo  populacional  que  foi  beneficiado,  os  quais  são  agregados  por  faixa  etária,  em  determinado  período  de  tempo,  em  uma  área  geográfica.  Por  outro  lado,  possibilita  também  o  controle  do  estoque  de  produtos  imunizantes  necessários  aos  administradores  que  têm  a  incumbência de programar sua aquisição e distribuição.  O DATASUS – Gerência de Informatização de Programas de Saúde – para alcançar os  objetivos  da  informatização  das  atividades  do  Sistema  Único  de  Saúde,  dentro  das  diretrizes  tecnológicas  adequadas,  foi  atribuída,  ao  Departamento  de  Informática  do  SUS  –DATASUS,  órgão da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, a responsabilidade de coletar, processar e  disseminar  informações  sobre  saúde.        Sendo  um  órgão  de  informática  de  âmbito  nacional,  representa  papel  importante  como  centro  tecnológico  de  suporte  técnico  e  normativo  para  a  montagem  dos  sistemas  de  informática  e  informação  da  saúde.  Suas  extensões  estaduais  constituem a linha de frente no suporte técnico às Secretarias Estaduais e Municipais se Saúde.  Seu  papel  é  prover  os  órgãos  do  SUS  de  sistemas  de  informação  e  suporte  de  informática,  necessário  ao  processo  de  planejamento,  operação  e  controle  do  Sistema  Único  de  Saúde,  através  da  manutenção  de  base  de  dados  nacionais,  apoio  e  consultoria  na  implantação  de  sistemas e coordenação das atividades de informática inerentes ao funcionamento integrado dos  mesmos.  Sistema  de  Informações  Hospitalares  do  SUS  –  SIH/SUS  é  um  sistema  gerido  pelo  Ministério  da  Saúde,  através  da  Secretaria  de  Assistência  à  Saúde,  em  conjunto  com  as  Secretarias Estaduais de  Saúde e  as  Secretarias  Municipais  de Saúde, fornece os dados sobre  internações  hospitalares  do  SUS.  As  unidades  hospitalares  participantes  do  SUS  (públicas  ou  particulares  conveniadas  e/ou  contatadas)  enviam  as  informações  das  internações  efetuadas  através da Autorização de Internação Hospitalar – AIH, para os gestores municipais ou estaduais.  Essas  informações  são  processadas no  DATASUS, gerando os  créditos  referentes aos  serviços
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 como o Projeto de  Capacitação  de  Parteiras  Tradicionais.  que  gera  o  banco  de  dados  nacional  SAI/SUS  e  disponibiliza  informações  sobre  a  rede  ambulatorial  do  SUS.SAÚDE COLETIVA  prestados  e  construindo  uma  valiosa  base  de  dados  de  morbidade  (referente  às  doenças)  hospitalar. ao recém­nascido e à mulher no período pós­  parto. parto e puerpério;  2) toda gestante tem direito de conhecer e ter assegurado o acesso à maternidade em que  será atendida no momento do parto; 110  . da assistência ao parto.  do  financiamento  de  cursos  de  especialização  em  enfermagem obstetrícia e a  realização  de  investimentos  nas  unidades hospitalares  integrantes dessas redes.  que  contém  informações  de  grande  parte  das  internações  hospitalares  realizadas  no  Brasil. As bases de  dados  municipais  e  estaduais  são  recebidas pelo  DATASUS.  Sistema de Informações  Ambulatoriais do SUS (SAI/SUS) ­ Os dados disponíveis são  gerados  a  partir  das  informações  enviadas  pelas  Secretarias  Municipais  de  Saúde  e/ou  pelas  Secretarias  Estaduais  de Saúde.  o  incremento do custeio de procedimentos específicos e outras ações. busca:  1) Concentrar esforços no sentido de reduzir as altas taxas de morbi­mortalidade materna  e perinatal;  2) Adotar medidas que assegurem a melhoria do acesso. através da Portaria/GM nº 569. O sistema compreende informações sobre toda a produção  ambulatorial. aplicação de vacinas e realização  de exames laboratoriais. e baseado nas análises  das necessidades de atenção específica à gestante.  instituído  pelo Ministério da Saúde.  O  SISPRENATAL  é  o  Programa  de  Humanização  no  Pré­natal  e  Nascimento. de 01/06/2000.  O  Programa de  Humanização  no  Pré­natal  e  Nascimento  está  estruturado  nos  seguintes  princípios:  1) toda gestante tem o direito ao acesso a atendimento digno e de qualidade no decorrer  da gestação.  como os  investimentos nas  redes  estaduais  de assistência  à gestação de  alto  risco.  Onde  são  obtidos  dados  sobre  todas  as  unidades  ambulatoriais  prestadoras de serviço para o SUS. puerpério e neonatal; e  3) Ampliar as ações já adotadas pelo Ministério da Saúde na área de atenção à gestante. incluindo atendimentos médicos e odontológicos. da cobertura e da qualidade do  acompanhamento pré­natal.

  desde  o  início  da  gravidez  até  a  consulta  de  puerpério.  de  acordo  com  os  princípios  gerais  e  condições  estabelecidas pelo conhecimento médico; e  4) todo recém­nascido tem direito à assistência neonatal de forma humanizada e segura.  • Sistema de Informação da Atenção Básica – visto na aula de ESF/PSF.  Para ilustrar a natureza dos dados constantes no sistema. acesse a nossa área de download. foi selecionado os indicadores  do SISPRENATAL do município de Porto Alegre dos anos de 2005 e 2006 (Tabela Abaixo).  Permite  o  acompanhamento  das  gestantes.  No  SISPRENATAL  está  definido  o  elenco  mínimo  de  procedimentos  para  uma  assistência  pré­natal  adequada.  O  SISPrenatal  é  um  banco  de  dados  dinâmico  onde  permanentemente  estão  sendo  digitados  cadastros  de  consultas  e  exames  de  usuárias  residentes  em  um  determinado  município  em  acompanhamento de Pré­Natal.  Outros Sistemas de Informações em Saúde:  •  Sistema  de  Controle  de  Exames  Laboratoriais  ­  SISCEL  destinado  às  informações  referentes  ao  diagnóstico.  O  software  foi  desenvolvido  pelo  DATASUS  com  a  finalidade  de  permitir  o  acompanhamento  adequado  das  gestantes  inseridas  no  Programa  de  Humanização  no  Pré­  Natal  e  Nascimento  (PHPN).  do  Sistema  Único  de  Saúde. 111  .SAÚDE COLETIVA  3) toda gestante tem direito à assistência ao parto e ao puerpério e que seja realizada de  forma  humanizada  e  segura.  monitoramento  e  terapia  anti­retroviral    para  pessoas  infectadas com o vírus HIV/AIDS. Para obter a documentação que orienta como fazer a implantação  do PHPN.

  significativamente. é possível dizer que. na esfera estadual. a maioria deles efetua apenas procedimentos de coleta de dados para os sistemas de  âmbito  federal  ou  estadual. que as três esferas de atuação governamental  (federal.  inclusive  às  instâncias de  controle  social.  A adoção  de  diretrizes e práticas que permitam a utilização das informações existentes nos três segmentos de  governo e  o  livre fornecimento de dados pode  contribuir.  Assim.  Observa­se falta de padronização nos procedimentos de obtenção.SAÚDE COLETIVA  Principais problemas para viabilização do Sistema de Informação em Saúde  Apesar de haver um Sistema de Informação em Saúde nos moldes de diversos países. A finalidade da informação em saúde consiste em identificar problemas individuais e coletivos  do  quadro  sanitário  de  uma  população. observam­se problemas na viabilização desse sistema nas diversas esferas de governo: no  âmbito federal.  ainda  que  nem  sempre  com  o  grau  de  desenvolvimento  adequado;  no  âmbito  dos  municípios.  propiciando  elementos  para  análise  da  situação  encontrada  e  subsidiando  a  busca  de  possíveis  alternativas  para  resoluções.  todas  as  secretarias  estaduais  de  saúde possuem alguma estrutura  específica para  informação. etc. encontram­se:  • A falta ou deficiência de infra­estrutura de informática;  • A insuficiência de recursos humanos qualificados; falta de padronização e normatização  dos procedimentos de coleta de dados;  •  A  falta  de  hierarquização  na  produção  e  uso  das  informações  nos  diversos  níveis  da  rede;  •  O  insuficiente  grau  de  utilização  dos  dados  para  análise  do  sistema  e  dos  serviços  de  saúde;  • Dificuldade ao acesso de informações. ainda.  E  entre  os  principais  problemas  que  enfrentam  para  produzir  a  informação em saúde de sua região. estadual e  municipal)  permitam  e  facilitem  o  acesso  às  informações  por  elas  produzidas.  É fundamental. no  Brasil.  Exercícios  1. tratamento e disseminação e a  periodicidade adotada nem sempre é a mais adequada.  as 112  . e  promovam o  intercâmbio de dados e  experiências.  para  a ampliação  e  aperfeiçoamento do relacionamento entre as estruturas que compõem o SUS.  atualmente. as informações em saúde encontram­se dispersas em vários órgãos e ministérios.

 sobretudo no norte  e  nordeste  e  entre  as crianças  menores de um  ano  de idade. em  seu artigo 10. A base do Sistema de Informação de Nascidos Vivos ­ SINASC é a Declaração de Nascimento (DN).  as informações  em saúde devem  abranger  apenas  aquelas relativas  ao processo saúde/doença. É importante assinalar que o Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8069 de  13­07­90.  3. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  no IV  –  considerou  obrigatória  a  emissão  da declaração  de nascido  vivo com  o  objetivo  de garantir  à  criança proteção à vida e à saúde. um dos problemas que limitam o Sistema de Informação de Mortalidade – SIM e as análises de mortalidade no Brasil é o  sub­registro dos óbitos.SAÚDE COLETIVA  informações em  saúde  devem  abranger apenas aquelas  relativas  ao  processo  saúde/doença.  2. Assim.  propiciando  elementos  para  análise  da  situação  encontrada  e  subsidiando  a  busca  de  possíveis  alternativas  para  resoluções.  sobretudo  no  norte  e  nordeste  e  entre  as  crianças menores de um ano de idade.  A  finalidade  da  informação  em  saúde  consiste  em  identificar  problemas  individuais  e  coletivos  do  quadro  sanitário  de  uma  população.  b) Incorreta.  em seu  artigo 10. Pode­se  dizer  que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  As  informações  em  saúde  não  devem  abranger  apenas  aquelas  relativas  ao  processo  saúde/doença. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  O Estatuto da Criança  e  do Adolescente (ECA) considerou  obrigatória  a  emissão da declaração  de  nascido  vivo com  o  objetivo  de  garantir à criança proteção à vida e à saúde.  2. juntamente com outras medidas. juntamente com outras medidas.  Respostas dos Exercícios  1.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta. A base do Sistema de Informação de Nascidos Vivos ­ SINASC é a Declaração de Nascimento  (DN).  Um  dos  problemas  que  limitam  o  Sistema  de  Informação  de  Mortalidade  –  SIM  e  as  análises  de  mortalidade  no  Brasil  é  o  sub­  registro dos  óbitos.  b) Incorreta. no IV – considerou obrigatória a emissão da declaração de nascido vivo com o  objetivo de garantir à criança proteção à vida e à saúde. sobretudo no norte e nordeste e entre as crianças menores de um ano de idade. todas essenciais para elaboração de políticas para o setor.  3. Pode­se  dizer que  essa  idéia  está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente.  b) Incorreta.  a  qual  deverá  ser  preenchida  para  todos  os  nascimentos  vivos  ocorridos  no  país.  mas  também  aquelas  de  caráter administrativo. 113  .  É  importante assinalar que o Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8069 de 13­07­90. a qual deverá ser preenchida  para todos os nascimentos vivos ocorridos no país. Pode­  se dizer que essa idéia está:  a) Correta. Um dos problemas que limitam o Sistema de Informação de Mortalidade – SIM e as análises de  mortalidade  no  Brasil  é  o  sub­registro  dos  óbitos. juntamente com outras medidas.

SAÚDE COLETIVA  AULA 17 • PRINCIPAIS ÓRGÃOS DE SAÚDE  Organização Mundial da Saúde (OMS)  A Organização Mundial da Saúde (OMS) é uma agência especializada em saúde. fundada  em 7 de abril de 1948 e subordinada à Organização das Nações Unidas (ONU).  Criméia).  a  OMS  tem  por  objetivo  desenvolver.  o  nível  de  saúde  de  todos  os  povos.  ODM:  Síntese  do  Ciclo  de  Conferências  da  Organização  das  Nações  Unidas  (ONU)  ­  (década de 90).  sendo  definida  nesse  mesmo  documento  como  um  “estado  de  completo  bem­estar  físico.  mental  e  social.  e  não  consistindo  somente da ausência de uma doença ou enfermidade”.  disponível no ambiente de estudo. 114  .  A  saúde.  O desafio contido nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). O diretor geral é.  Veja  o  quadro  1  com  as  obras  que  representam  os  agravos  da  modernidade.  ao  máximo  possível. na Suíça. o sueco Anders Nordstrom. desde 2006.  A  OMS  teve  sua  origem  nas  guerras  do  fim  do  século  XIX  (México.  após  a  Primeira  Guerra  Mundial.  Os objetivos propostos pela ODM para o milênio são:  1) Erradicar a extrema pobreza e a fome;  2) Atingir o ensino básico universal;  3) Promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres;  4) Reduzir a mortalidade infantil;  5) Melhorar a saúde materna;  6) Combater o HIV/AIDS. a malária e outras doenças;  7) Garantir a sustentabilidade ambiental;  8) Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento.  Segundo  sua  constituição. Sua sede é em  Genebra.

  O  Brasil  tem  participação  fundamental  na  história  da  Organização  Mundial  da  Saúde. 5 milhões de pessoas perdem a  vida.  foi  especialmente  intensa  entre  1948  e  1968.  Atualmente.  quando  o  médico  brasileiro  Marcolino  Candau  ocupou  a  direção  geral  da  Organização.  foi  de  autoria  dos  delegados  do  Brasil.  criada pela ONU para elevar os padrões mundiais de saúde.  A  OMS  propôs  que  todos  os  países  proíbam  o  fumo  em  locais  de  trabalho  e  ambientes  públicos  fechados. Se os níveis de consumo atuais perdurarem.  Em  nível  regional. o tabagismo figura como  a segunda maior causa de morte em todo o mundo: a cada ano.  Desde  então. Ela também atua como Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde para as  Américas  e  faz  parte  dos  sistemas  da  Organização  dos  Estados  Americanos  (OEA)  e  da  Organização das Nações Unidas (ONU).SAÚDE COLETIVA  Outro  objetivo  e  apelo  da  Organização  Mundial  da  Saúde  (OMS)  é  em  relação  ao  tabagismo.  nos  projetos  e  programas  incentivados  pela  OMS.  aproximadamente  700  milhões.  nos  riscos  do  fumo  passivo.  dedicado  a  melhorar  as  condições  de  saúde  dos  países  das  Américas. em  1948.  A  já  tradicional  presença  da  comunidade  médico­científica  brasileira. respiram ar com fumaça de tabaco.  A  sua  ampla  campanha.  Com  outro  dado  alarmante.  que  propuseram  o  estabelecimento  de  um  "organismo  internacional  de  saúde  pública  de  alcance  mundial".  Organização Pan­Americana da Saúde (OPAS)  A Organização Pan­Americana da Saúde é um organismo internacional de saúde pública  com  um  século  de  experiência.  a  organização  pede  que  os  pais  redobrem  os  cuidados  com  seus  filhos:  cerca  de  metade  das  crianças  do  mundo. a cifra deve dobrar até 2020.  para  que  os  programas  prioritários  sejam  executados  e  para  que  sejam  utilizados 115  . A OPAS contribui para o fortalecimento do setor saúde  nos  países.  buscando  por  medidas  mais  rígidas  no  combate  ao  fumo.  revela  que  cerca  de  200  mil  não­fumantes  morrem  por  ano  devido  à  exposição  à  fumaça  dos  cigarros  em  locais  de  trabalho.  Brasil  e  OMS  desenvolvem intensa cooperação. A proposta de criação da OMS.  Considerado uma doença gravíssima pela comunidade científica.  a  OMS  atua  na  América  Latina  através da Organização Pan­Americana de Saúde (OPAS).  especialmente no combate de endemias e de doenças tropicais e no fortalecimento dos sistemas  de  saúde  nos  países  em  desenvolvimento.  a  atuação  brasileira  junto  à  OMS  é  de  reconhecida  importância  nas  mais  variadas  áreas.  e  têm  sido  atendidas  em  todo  o  mundo.

 os trabalhadores.  No  mesmo  ano.  na  qual  as  Secretarias  de  Saúde  e  de  Assistência Médica foram englobadas.  apropriado para atender aos importantes problemas da saúde pública existentes.  ficando  alguns  vinculados a órgãos de administração direta. outros às autarquias e fundações. o Ministério da  Saúde só veio a ser instituído no dia 25 de julho de 1953.  na época. Sul e Centro­Oeste. passando a constituir a Secretaria Nacional de Saúde.  de  integrar  órgãos  de  primeira  linha. das atividades até então de  responsabilidade do Departamento Nacional de Saúde (DNS).  com  pulverização  de  recursos  financeiros  e  dispersão  do  pessoal  técnico.  Foram  criadas  as  Coordenadorias  de  Saúde.  elevando­se  a  órgão  de  primeira  linha. em Brasília. especificamente. juntamente com a OMS.920.  Na verdade.  os  mais  velhos. o Ministério da Saúde passou por diversas  reformas  na  estrutura. mantendo a mesma estrutura que. ficando  as  Delegacias  Federais  de  Saúde  compreendidas  nessas  áreas  subordinadas  às  mesmas.  bem  como  no  controle  de  doenças  transmissíveis.  para  possibilitar­lhe  maior  flexibilidade  técnica  e  administrativa. para  reforçar  o  conceito  de  que  não  existia  dicotomia  entre  Saúde  Pública  e  Assistência  Médica. essa função continuava.  como  malária.  As  Delegacias  Federais  de  Saúde  deixavam. Sudeste. com a Lei nº 1. em especial.  Ministério da Saúde (MS)  Muito embora a história da Saúde Pública Brasileira tenha início em 1808. os mais pobres. Mesmo sendo a principal unidade administrativa de ação sanitária  direta do Governo.  As  atividades  da  OPAS  são  dirigidas  à  busca  da  eqüidade  nas  ações  que  beneficiem  grupos mais vulneráveis.  a  Superintendência  de  Campanhas  de  Saúde  Pública  ­  SUCAM  ­  passa  à  subordinação  direta  do  Ministro  do  Estado.  os  refugiados  e  os  desabrigados.  raiva  urbana.  Ao longo desses cinqüenta anos de existência.SAÚDE COLETIVA  enfoques  multisetoriais  e  integrais  de  saúde. no Brasil.  Destaca­se  a  reforma  de  1974. as mães e as crianças. que desdobrou o  então Ministério da Educação e Saúde em dois ministérios: Saúde e Educação; e Cultura. Nordeste.  A  Organização  coopera  com  os  países  nos  preparativos para situações de emergência e na coordenação de socorro em casos de desastres.  lepra  e  outras que afetam a população americana. antes  incorporadas num só ministério. o Ministério passou a encarregar­se. compreendendo cinco regiões: Amazônia.  assim. A partir  da sua criação. distribuída por vários ministérios e autarquias. o  Ministério  limitava­se a  ação  legal e  a  mera divisão das  atividades de  saúde  e  educação.  É  criada  também a Coordenadoria de Comunicação Social como órgão de assistência direta e imediata do 116  .  Temos  sede  da  OPAS  nos  Estados  Unidos  da  América. não era suficiente para dar ao órgão governamental o perfil de Secretaria de Estado. sediada em Washington e. ainda.  chagas.

  É função do Ministério da Saúde dispor de todas as condições para a promoção.  reduzindo  as  enfermidades.  destaca­se  a  Constituição  Federal  de  1988. que detalha  o funcionamento do Sistema. Ou seja. o objetivo é capacitar os municípios a assumir suas responsabilidades  e prerrogativas diante do SUS.  que  determinou ser dever do Estado garantir saúde a toda a população e. Em 1990.  Num  país  imenso  como  o  nosso.  Seus  princípios  apontam  para  a  democratização nas ações e nos serviços de saúde. o aprimoramento do sistema de informação em saúde.  Do  final  da  década  de  80  em  diante.  diretamente subordinado ao Ministro de Estado.  Em  1990. a descentralização dos  serviços  implica  também  em  sua  regionalização.  independente da condição social de cada um. bem como desenvolver ações que dêem prioridade à prevenção e  à promoção da saúde. É por causa  dessas atribuições que o Ministério da Saúde impõe­se o desafio de garantir o direito do cidadão  ao atendimento à saúde e prover condições para que esse direito esteja ao alcance da população. e sua população é  insuficiente para manter um hospital ou serviços especializados. visando dar acesso a todos  os tipos de atendimento.  controlando  as  doenças  endêmicas  e  parasitárias. proteção  e  recuperação  da  saúde.  para sua implantação e funcionamento. criou o Sistema  Único de Saúde. financeiros e materiais.  Nem  sempre  é  possível  ao  município  executar  sozinho  todos  os  serviços  de  saúde.  para  evitar  desperdícios e duplicações faz­se necessário organizar os serviços.SAÚDE COLETIVA  Ministro  de  Estado. Por isso. compete ao Ministério da Saúde:  • Política nacional de saúde;  • Coordenação e fiscalização do Sistema Único de Saúde; 117  .  e  instituído  o  Conselho  de  Prevenção  Antitóxico  como  órgão  colegiado.  A  Constituição  Federal  de 1988  deu  um  importante  passo  na garantia  do direito  à  saúde  com  a  criação  do  Sistema  Único  de  Saúde  (SUS).  que  detalha  o  funcionamento do  SUS.  o  Congresso  Nacional  aprovou  a  Lei  Orgânica  da  Saúde. que deixam de ser restritos e passam a ser  universais.    Foram  mudanças profundas  na Saúde  Pública  brasileira  que  exigiram. melhorando a vigilância à saúde e dando qualidade de vida ao brasileiro.  Pequenos municípios carecem de recursos humanos. Em  suma.  deixam  de  ser  centralizados  e  passam  a  nortearem­se  pela  descentralização.  da  mesma  forma. o Congresso Nacional aprovou a Lei Orgânica da Saúde. para tanto.

  vigilância  e  controle  sanitário  de  fronteiras  e  de  portos  marítimos. inclusive a dos trabalhadores e dos índios;  • Informações de saúde;  • Insumos críticos para a saúde;  •  Ação  preventiva  em  geral.  O atual Ministro da Saúde é o Senhor José Gomes Temporão. 118  .  disponível no ambiente de estudo.SAÚDE COLETIVA  •  Saúde  ambiental  e  ações  de  promoção. especialmente drogas. medicamentos e alimentos;  • Pesquisa científica e tecnologia na área de saúde.  proteção  e  recuperação  da  saúde  individual  e  coletiva.  Veja  o  quadro  2  com  figura  que  representa  um  programa  desenvolvido  pelo  MS. fluviais e aéreos;  • Vigilância de saúde.

 disponível no ambiente de estudo.  coordenação  e  planejamento  do  SUS. abrangendo a formulação  da  política  municipal  de  saúde e  a  provisão  das  ações  e  serviços  de  saúde.  financiada  com  recursos  próprios  ou  transferida  pelo  gestor  federal  e/ou estadual do SUS.  A  Secretaria  de  Estado  da  Saúde  (SES)  de  São  Paulo  coordena  e  dirige  atividades  de  assistência  à  saúde  e  prestação  de  serviços  na  área  médica  e  hospitalar  em  todo  o  Estado.  que  fabrica  e  distribui  remédios  aos  645  municípios; o Oncocentro de São Paulo.  Coração de Estudante.  o  gestor  é  o  Secretário  Estadual  de  Saúde  e  suas  funções  são  a  formulação  da  política  estadual  de  saúde. que desenvolve pesquisas na área da saúde pública; e a  Pró­Sangue  Hemocentro  de  São  Paulo.Milton Nascimento  Composição: Wagner Tiso / Milton Nascimento  Quero falar de uma coisa  Adivinha onde ela anda  Deve estar dentro do peito  Ou caminha pelo ar  Pode estar aqui do lado  Bem mais perto que pensamos  A folha da juventude 119  .  que  viabiliza  a  coleta  e  distribuição  de  sangue  aos  hospitais.SAÚDE COLETIVA  Secretarias de Saúde  Na  esfera  estadual.  além  de  administrar  três  fundações:  a  do  Remédio  Popular.  o  gestor  é  o  Secretário  Municipal  de  Saúde.  A  SES  também  faz  o  controle  de  endemias  em  todo  o  território  paulista.  bem  como  o  financiamento  das  ações  e  serviços  de  saúde.  Na  esfera  municipal. Veja  o  quadro  3  com  figura  que  representa  um  programa  desenvolvido  pela  Secretária  Municipal de Saúde da Cidade de São Palo. os maiores do país.  É  responsável  pela  administração  e  pela  política  social  de  saúde  do  Hospital  das  Clínicas  da  Faculdade de Medicina da Universidade de Ribeirão Preto e Hospital das Clínicas da Faculdade  de Medicina da Universidade de São Paulo.

 após a Primeira  Guerra  Mundial.  A  saúde. planta e sentimento  Folhas.  sendo  definida  nesse  mesmo 120  .  Exercícios  1.SAÚDE COLETIVA  É o nome certo desse amor  Já podaram seus momentos  Desviaram seu destino  Seu sorriso de menino  Quantas vezes se escondeu  Mas renova­se a esperança  Nova aurora.  a  OMS  tem  por  objetivo  desenvolver.  o  nível  de  saúde  de  todos  os  povos.  ao  máximo  possível.  Juventude e fé. Criméia). flor e fruto  Coração de estudante  Há que se cuidar da vida  Há que se cuidar do mundo  Tomar conta da amizade  Alegria e muito sonho  Espalhados no caminho  Verdes.  Segundo  sua  constituição. coração. cada dia  E há que se cuidar do broto  Pra que a vida nos dê  Flor. A OMS teve sua origem nas guerras do fim do século XIX (México.

  Criméia).  Ao ler o texto.  b) Incorreta. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  É função do Ministério da Saúde dispor de todas as condições para a promoção.  o  gestor  é  o  Secretário  Estadual  de  Saúde  e  suas  funções  são  a  formulação  da  política  estadual  de  saúde. A saúde.  3.  melhorando  a  vigilância à  saúde  e  dando  qualidade  de  vida  ao  brasileiro”. financiada com recursos próprios ou transferida pelo gestor federal  e/ou estadual do SUS”. proteção e  recuperação  da  saúde.  b) Incorreta.  2. coordenação e planejamento do SUS.  o  gestor  é  o  Secretário  Municipal de Saúde. proteção  e recuperação da saúde.  reduzindo  as  enfermidades.SAÚDE COLETIVA  documento como um “estado de completo bem­estar físico. podemos afirmar que a OMS é responsável pelas políticas e ações de saúde de todos os povos. Sul e Sudeste. Sul e Sudeste. podemos afirmar que a OMS é responsável pelas políticas e ações de saúde de  todos os povos.  e  não consistindo somente da  ausência  de uma doença ou enfermidade”. podemos afirmar que as Secretarias de Saúde são responsáveis pela formulação das políticas de saúde e a provisão  das ações e serviços.  abrangendo  a  formulação  da  política  municipal  de  saúde  e  a  provisão  das  ações  e  serviços  de  saúde.  3.  A  OMS  teve  sua  origem  nas  guerras  do  fim  do  século  XIX  (México. sendo definida  nesse mesmo  documento como um “estado  de completo bem­estar físico. Nordeste. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  “Na  esfera  estadual. dando qualidade  de vida ao brasileiro.  Ao ler o texto. mental  e social. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente as Secretarias de Saúde são responsáveis pela formulação das políticas de saúde e a provisão das ações e serviços. “É função do Ministério da Saúde dispor de todas as condições para a promoção. estabelecendo e definindo as metas  a serem seguidas pelos Ministérios da Saúde dos países membros.  “Na  esfera  estadual. financiada com recursos próprios ou transferida pelo gestor federal e/ou estadual do SUS”. Na esfera municipal. podemos afirmar que as Secretarias de Saúde são responsáveis pela formulação  das políticas de saúde e a provisão das ações e serviços. e não consistindo  somente da ausência de uma doença ou enfermidade”. o nível de saúde de todos os povos. bem como o financiamento das ações e serviços de saúde.  b) Incorreta.  Ao ler o texto.  controlando  as  doenças  endêmicas  e  parasitárias.  Segundo  sua  constituição.  podemos  afirmar  que  a  MS  é  responsável  pelas  políticas  e  ações  de  saúde  apenas dos municípios da Região Norte.  2. contemplando todo o território nacional.  o  gestor  é  o  Secretário  Estadual  de  Saúde  e  suas  funções  são  a  formulação da política estadual de saúde.  coordenação e planejamento do SUS.  após  a  Primeira  Guerra  Mundial. melhorando a vigilância à saúde e dando qualidade de vida ao brasileiro”. 121  .  controlando  as  doenças  endêmicas  e  parasitárias. “É função  do Ministério da Saúde  dispor de todas  as condições para  a  promoção.  Ao  ler  o  texto. ao máximo possível. abrangendo a formulação da política municipal de saúde e a provisão das  ações e serviços de saúde. mental e social. Pode­se dizer que essa idéia  está:  a) Correta. a OMS tem por objetivo desenvolver. ao máximo possível. podemos afirmar que a MS é responsável pelas políticas e ações de saúde apenas dos municípios da Região Norte. o gestor é o  Secretário  Municipal  de  Saúde. bem como o  financiamento  das  ações  e  serviços  de  saúde. reduzindo  as  enfermidades.  Na  esfera  municipal.  Respostas dos Exercícios  1. proteção e recuperação da saúde.  Nordeste.  Ao ler o texto. o nível de saúde de todos os povos. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  Ao ler o texto. Pode­se dizer que  essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  A OMS tem por objetivo desenvolver.

  AULA  18  •  ATUALIDADES  DO  SUS:  CARTÃO  SUS.  apontamos  a  Farmácia  Popular.SAÚDE COLETIVA   Segundo as determinações do Ministério da Saúde. em artigo de difusão técnico­científica. Da mesma forma. o Cartão Nacional de Saúde  é um desses instrumentos.  Ainda  nessa  direção. baseado no número do 122  .  ACOLHIMENTO E FARMÁCIA POPULAR  Introdução  Segundo as determinações do Ministério da Saúde.  tendo  como  objetivo  principal  o  oferecimento da assistência adequada. o “nível federal” deve colocar à  disposição dos demais gestores instrumentos que possam estimular.  programa  montado  a  partir  de  parcerias estabelecidas entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). sob tal enfoque. o acolhimento do cidadão nas unidades de saúde  deve  ser  entendido  como  instrumento  extremamente  importante  para  viabilizar  o  processo  de  inclusão  dos  usuários dos  serviços  de  saúde  proposto pelo  SUS.  Cartão Nacional de Saúde ou Cartão SUS  O  Cartão  SUS  está  fundamentado  na  necessidade  de  identificação  individualizada  dos  usuários. entre  outras  coisas. que visa disponibilizar vários medicamentos  a baixo custo. subsidiar e dar suporte à  administração e aperfeiçoamento dos sistemas estaduais e municipais e às transformações do  modelo e reorganizações dos sistemas e redes de atenção” e. e. Segundo seus idealizadores.  no qual são feitos alguns apontamentos acerca da relação entre conceito e ações para promoção  da  saúde  e  reorientação  do  modelo  de  atenção. Acolher  significa. órgão do Ministério da Saúde  e  executora  do  programa  e  laboratórios  farmacêuticos  públicos  ou  do  setor  privado.  “dar  crédito  a;  dar  ouvidos;  tomar  em  consideração”. sob tal enfoque.  o  “nível  federal  deve  colocar  à  disposição  dos  demais  gestores  instrumentos  que  possam  estimular. a partir de um Cadastro do SUS. o Cartão Nacional  de Saúde é um desses instrumentos.  quando  necessário.  subsidiar  e  dar  suporte  à  administração  e  aperfeiçoamento  dos  sistemas  estaduais  e  municipais  e  às  transformações  do  modelo  e  reorganizações dos sistemas e redes de atenção”.

 ampliando­se a capacidade de controle e auditoria. terapias e óbitos. que contém informações sobre profissionais.  Cada  cidadão  deve  receber  um  Cartão  identificador  que  identificará o  usuário em todos os seus contatos com o SUS e acompanhará a sua evolução dentro do sistema.  Para  tanto.  além  do  controle  do  acesso  a  medicamentos.SAÚDE COLETIVA  Programa de Integração social (PIS) e do Programa de Assistência ao Servidor público (PASEP). qual seja.  primeiramente.  torna­se  possível  o  cruzamento  de  dados entre os sistemas e prestadoras. diagnósticos. funciona como  se fosse um cartão eletrônico de banco.  agilidade  no  agendamento  de  consultas  e  exames.  será  utilizado  o  Cadastro  Nacional  dos  usuários.  ações assistenciais.  do  fluxo  de  usuários  e  das  necessidades  de  saúde  dos cidadãos.  com  efeitos  na  atenção  individual  e  no  planejamento  das  ações  em  saúde. ocorrências de agravos. que visa  subsidiar as ações em saúde. conhecer o fluxo dos  usuários entre os diversos serviços de saúde.  registro  de  informações  sobre  o  histórico  clínico  deste.  cada  cidadão  terá  um  cartão  identificador  de  abrangência  nacional.  baseado  no  número  do  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Serviço  Público  (PASEP).  De  fato. que consiste de um sistema padronizado e articulado de informações.  Possibilita  ainda  um  melhor  monitoramento  da  rede  assistencial.  A  introdução  desse  mecanismo de registro vem atender à necessidade apresentada.  os  sistemas  de  informações  de  base  nacional  atualmente  existentes  captam. subsidiando as ações de planejamento e programação de saúde e permitindo maior  integração das atividades de assistência à saúde. nenhum  desses sistemas consegue identificar a clientela do Sistema Único de Saúde – SUS e explicar sua  vinculação a um gestor sanitário ou a cobertura pretendida pelas ações praticadas. A utilização do cartão é simples. Ao  vincular  a  informação  ao  usuário  (e  não  ao  procedimento).  encaminhamento  a  outras  Unidades  de  Saúde. unidades de saúde e  procedimentos em saúde.  Em  relação  aos  sistemas  de  informações  de  base  nacional. 123  . na medida em que são associadas às informações  sobre os atendimentos ou ações de saúde à clientela atendida nos diversos níveis do sistema.  O Cartão Nacional de Saúde é um cartão magnético que identifica nacionalmente todos  os usuários do SUS. Entretanto.  essa  identificação  permite  a  integração  entre  os  eventos de vida e as ações desenvolvidas e a avaliação de processo e impacto dessas ações.  o  Cartão  Nacional  de  Saúde  tem  como  objetivo  a  modernização  dos  instrumentos de gerenciamento da atenção à saúde e sua característica principal é a possibilidade  de  identificação  dos  usuários.  O  SNIS  permite  a  identificação  do  usuário  do  SUS. Sendo utilizado para a operacionalização do Sistema Nacional de Informação  em Saúde (SNIS).  Nesse  sentido.  informações  referentes  aos  eventos  da  vida  relacionados  à  saúde:  nascimentos.

  visando  a  efetivação  do  princípio  da  Resolutividade.  priorizar  e  decidir  sobre  os  encaminhamentos  necessários  para  a  resolução  do  problema  apresentado  pelo  usuário. Sendo necessariamente um ato coletivo. para atender a demanda espontânea que procura os serviços.  conhecem  os  cuidados  e  podem  tomar  decisões.  se  faz  necessário  que  nos  locais  de  trabalho  haja  espaços  para  discussões  coletivas  de  casos. para fazer. as quais devem ser consideradas na identificação  de  risco  e  vulnerabilidade  para  priorização  da  atenção.  rotinas  e  orientações  para  as  queixas  e  problemas  mais  freqüentes  que  4  surgem  no  atendimento  à  demanda  espontânea  nas  unidades  de  saúde.  para  que  o  profissional  de  saúde  reconheça  as  reais  necessidades  dos  usuários  e  estabeleça  o  Acolhimento  na  rede  de  serviços. fortalecendo  o poder de  participação dos usuários. enquanto sujeitos ativos do processo. para o  desenvolvimento de seus  próprios fluxogramas  e  normas  de  atendimento. promovendo o vínculo e a responsabilidade com o usuário dos serviços. uma estratégia que visa a ampliação do  acesso à assistência integral.  orientar. tem que  saber.  Para  tanto.  desta  forma.  bem  como  ações  e  orientações  de  prevenção  e  diagnóstico  precoce    que  devem  ser  oferecidas  pelos  profissionais  de  saúde  no  momento do acolhimento. com abordagem de risco e vulnerabilidade.SAÚDE COLETIVA  Acolhimento  Podemos  definir  Acolhimento  como  uma  técnica  de  escuta  qualificada  para  o  gerenciamento  do  fluxo  do  usuário  dos  serviços  de  saúde. com o objetivo de  identificar  risco/vulnerabilidade  no  adoecer  e.  Visa  potencializar  o  conhecimento  técnico  e  agregar  resolutividade  na  intervenção  dos  diversos  profissionais de saúde. protocolos e orientações à realidade local. 124  . O  Acolhimento está fundamentado na necessidade de melhoria da qualidade de atenção à saúde.  do  processo de trabalho e adequação das normas.  no  intuito de formular  propostas  que  possam  romper  com  um  modelo  baseado  na  oferta  e  formulem  propostas  que  transformem o cotidiano na construção de um modelo que tenha como eixo o usuário e suas reais  necessidades de saúde.  Estes  profissionais  têm  extrema  importância  nas  ações  de  acolhimento  porque  são  eles  que  recebem  o  usuário.  No  entanto.  O  Acolhimento  surge  como  uma  estratégia  para  promover  mudanças  na  organização  do  processo de trabalho e propõe uma recepção técnica com escuta qualificada por profissionais da  equipe de saúde. um diálogo construído  dentro do  serviço  com  os  profissionais de  saúde  e  com  a comunidade.  devendo  ser  destacadas  as  dimensões  biológicas e sociais no processo saúde­doença.  de  acordo  com  os  ciclos  de  vida  e  temas  transversais.  há  necessidade  de  conhecer  os  fluxogramas  (figuras)  assistenciais.  O Acolhimento estabelece que o profissional de saúde deve fazer e.

  A  implementação das farmácias populares é feita em parceria com governos estaduais. disponibilizando remédios a preço  de  custo.  e  disponibilizados  na  farmácia  a  preço  de  custo  e  em  consignação.  contendo  medicamentos  disponíveis  no  programa.  depressão.  Alguns  questionamentos  vêm  sendo  feitos  acerca  do  programa  Farmácia  Popular.  além  dos  anticoncepcionais.  e  conta  com  farmacêuticos  e  funcionários  qualificados para orientar o usuário sobre os cuidados com a saúde e o uso correto da medicação.  a  economia  para  o  usuário  pode  ser  superior  a  80%.  úlcera  gástrica.  asma.  todo  usuário  que  apresentar  receita  oriunda  da  rede  pública  deve  ser  orientado  sobre  o  direito  à  assistência  farmacêutica  enquanto usuário do SUS. para teóricos como 125  .  Para  utilizar  a  Farmácia  Popular.  A  Farmácia  Popular  funciona  em  horário  comercial.  diabetes.  o  que  fica evidente nas criticas sobre o co­pagamento de medicamentos. municipais  ou entidades filantrópicas.  à  parcela  população  que  não  busca  assistência  no  SUS.  medicamentos  devido  aos  altos  preços  dos  remédios.  atendo. por meio do programa.  assim.SAÚDE COLETIVA  Veja  o  fluxograma  de  acolhimento  e  o  fluxograma  de  atendimento  de  casos  suspeitosos de violência na rede ambulatorial.  Os  produtos  disponibilizados  são  adquiridos  pela  Fundação  Oswaldo  Cruz  (Fiocruz).  Estão  disponíveis  95  itens  que  tratam  das  doenças  com  maior  incidência  no  país. é que poderá ser feita a dispensação.  de  segunda­feira  a  sábado.  infecções  e  verminoses. fato que.  Importante  lembrar  que. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).  órgão  do  Ministério  da  Saúde  e  executora  do  programa.  e  disponibiliza  nas  Farmácias  Populares  a  baixo  custo. Somente após essa informação e consulta ao usuário sobre sua opção  pela obtenção do medicamento. adquire os medicamentos de laboratórios  farmacêuticos  públicos  ou  do  setor  privado.  Em  alguns  casos.  órgão do Ministério da Saúde e executora do programa.  quando  necessário.  como  hipertensão.  O  programa  “Farmácia  Popular”  tem  como  principal  objetivo  facilitar  o  acesso da população aos medicamentos básicos e essenciais.  Farmácia Popular  A Farmácia Popular do Brasil é um programa do Governo Federal para ampliar o acesso  da população aos medicamentos considerados essenciais.  mas  tem  dificuldade  para  manter  tratamentos.  comparando  o  preço  do  medicamento  em  uma  farmácia  convencional.  quanto à  dispensação  dos  medicamentos. disponível no ambiente de estudo.  basta  o  usuário  ter  uma  receita  da  rede  pública  ou  particular.

SAÚDE COLETIVA 

Eugênio  Vilaça  Mendes,  “esse  compartilhamento  de  custos  lesa  fortemente  o  princípio  da  equidade”. 

Segue o link indicado para aprofundamento da aula:  Cidades  atendidas  pelo  Programa  Farmácia  Popular  ­  http: 

//portal.saude.gov.br/portal/saúde/vizualizar_texto.cfm?idtxt=2582janela=1 

Exercícios 
1.  Nesse  sentido,  o  Cartão  Nacional  de  Saúde  tem  como  objetivo  a  modernização  dos  instrumentos  de  gerenciamento  da  atenção  à  saúde  e  sua  característica  principal  é  a  possibilidade de identificação dos usuários. Ao ler o texto, podemos afirmar que cada cidadão  deve receber um Cartão identificador que identificará o usuário em todos os seus contatos com  o SUS e acompanhará a sua evolução dentro do sistema, com efeitos na atenção individual e  no planejamento das ações em saúde. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2. Podemos definir Acolhimento como uma técnica de escuta qualificada para o gerenciamento do  fluxo  do  usuário  dos  serviços  de  saúde,  visando  a  efetivação  do  princípio  da  Resolutividade.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  3. Todo usuário que procurar uma Farmácia Popular e apresentar receita oriunda da rede pública  deve  ser  orientado  sobre  o  direito  à  assistência  farmacêutica  enquanto  usuário  do  SUS.  Somente  após  essa  informação  e  consulta  ao  usuário  sobre  sua  opção  pela  obtenção  do  medicamento, por  meio do  programa, é que  poderá  ser feita a dispensação do  medicamento.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  4. Podemos definir Acolhimento como uma técnica de escuta qualificada para o gerenciamento do  fluxo do usuário dos serviços de saúde, visando a efetivação do princípio da Resolutividade. Ao  ler o texto, podemos afirmar que a resolutividade é a garantia de que todo usuário do Sistema  Único  de  Saúde,  que  buscar  atendimento  pelo  sistema,  deverá  ter  seu  problema  de  saúde  resolvido, dentro da capacidade de atenção à saúde de cada serviço. Pode­se dizer que essa  idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  Respostas dos Exercícios

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SAÚDE COLETIVA 

1. Nesse sentido,  o Cartão Nacional  de  Saúde tem como  objetivo  a modernização  dos instrumentos de  gerenciamento da  atenção  à  saúde  e  sua  característica  principal  é  a  possibilidade  de  identificação  dos  usuários.  Ao  ler  o  texto,  podemos  afirmar  que  cada  cidadão deve receber um Cartão identificador que identificará o usuário em todos os seus contatos com o SUS e acompanhará a sua  evolução dentro do sistema, com efeitos na atenção individual e no planejamento das ações em saúde. Pode­se dizer que essa idéia  está:  RESPOSTA CORRETA: A  Realmente cada cidadão deve receber um Cartão identificador que identificará o usuário  em todos  os seus contatos com  o SUS  e  acompanhará a sua evolução dentro do sistema, com efeitos na atenção individual e no planejamento das ações em saúde.  2.  Podemos  definir  Acolhimento  como  uma  técnica  de  escuta  qualificada  para  o  gerenciamento  do  fluxo  do  usuário  dos  serviços  de  saúde, visando a efetivação do princípio da Resolutividade. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Podemos  definir  Acolhimento  como  uma  técnica  de  escuta  qualificada  para  o  gerenciamento  do  fluxo  do  usuário  dos  serviços  de  saúde, visando a efetivação do princípio da Resolutividade.  3. Todo usuário que procurar uma Farmácia Popular e apresentar receita oriunda da rede pública deve ser orientado sobre o direito  à  assistência  farmacêutica  enquanto  usuário  do  SUS.  Somente  após  essa  informação  e  consulta  ao  usuário  sobre  sua  opção  pela  obtenção do medicamento, por meio do programa, é que poderá ser feita a dispensação do medicamento. Pode­se dizer que essa  idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Todo usuário que procurar uma Farmácia Popular e apresentar receita oriunda da rede pública deve ser orientado sobre o direito à  assistência  farmacêutica  enquanto  usuário  do  SUS.  Somente  após  essa  informação  e  consulta  ao  usuário  sobre  sua  opção  pela  obtenção do medicamento, por meio do programa, é que poderá ser feita a dispensação do medicamento.  4.  Podemos  definir  Acolhimento  como  uma  técnica  de  escuta  qualificada  para  o  gerenciamento  do  fluxo  do  usuário  dos  serviços  de  saúde, visando a efetivação do princípio da Resolutividade. Ao ler o texto, podemos afirmar que a resolutividade é a garantia de que  todo usuário do Sistema Único de Saúde, que buscar atendimento pelo sistema, deverá ter seu problema de saúde resolvido, dentro  da capacidade de atenção à saúde de cada serviço. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  A resolutividade é a garantia de que todo usuário do Sistema Único de Saúde, que buscar atendimento pelo sistema, deverá ter seu  problema de saúde resolvido, dentro da capacidade de atenção à saúde de cada serviço.

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SAÚDE COLETIVA 

AULA  19  •  CALENDÁRIO  DE  VACINAÇÃO  (CRIANÇA,  ADOLESCENTE,  ADULTO,  IDOSO  E  PROFISSIONAIS  DE  SAÚDE) 

Introdução 
Na segunda metade do século XX, criou­se na opinião pública, uma falsa expectativa de  que todas as doenças transmissíveis estariam próximo à extinção. Esse quadro não é verdadeiro  para o Brasil, nem mesmo para os país desenvolvidos, como demonstrado pelos movimentos de  emergência  de  novas  doenças  transmissíveis  como  a  Aids,  de  ressurgimento,  em  novas  condições,  de  doenças  antigas  como  a  cólera  e  o  dengue,  de  persistência  de  endemias  importantes  ,  como  a  tuberculose,  e  de  surtos  inusitados  de  doenças,  como  a  febre  do  Nilo  Ocidental, nos Estados Unidos, e da pneumonia atípica em várias partes do mundo.   A idéia de  que,  naturalmente,  todas  as  doenças  transmissíveis  seriam  erradicadas  contribuiu  para  que,  no  passado,  as  ações  de  prevenção  e  controle  fossem  sendo  subestimadas  na  agenda  de  prioridades  em  saúde,  com  evidentes  prejuízos  para  o  desenvolvimento  de  uma  adequada  capacidade  e  resposta  governamental  e  com  a  perda  de  oportunidade  de  tomada  de  decisão  sobre  medidas  que  teriam  um  impacto  positivo  nessa  área.  Com  diferenças  associadas  às  condições sociais, sanitárias e ambientais, as doenças transmissíveis ainda se constituem em um  dos principais problemas de saúde pública no mundo. A erradicação completa de doenças, como  no caso da varíola na segunda metade da década de 1970, ainda o único e solitário exemplo de  erradicação  em  escala  mundial,  é  produto  de  décadas  de  esforço  continuado  de  governos,  da  sociedade, e da disponibilidade de medidas amplamente eficazes e efetivas. 

Um pouco de História 
Nas primeiras décadas do séc. XX, houve um grande crescimento econômico no Brasil, no  entanto , foi um período de crise sócio­econômica e sanitária, porque as epidemias ameaçavam a  economia agro­exportadora brasileira, prejudicando principalmente, a exportação do café, pois as  tripulações  dos  navios  estrangeiros  recusavam­se  a  atracarem  nos  portos  brasileiros,  o  que  também reduzia a imigração de mão–de­obra.  Eleito  presidente  da  República  Federativa  do  Brasil  em  1902,  Rodrigues  Alves,  que  perdera  a  filha  vitimada  pela  febre  amarela,  centra  seu  programa  de  governo  na  mudança  da
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 110 feridos.  Já  em  1900. nome pelo qual ficou conhecida a política de reorganização do espaço urbano da cidade  do Rio de Janeiro.  Sua  realização  ficou  sob  a  responsabilidade de Oswaldo Cruz e Pereira Passos. ocorrida  entre 10 a  16  de  novembro  de  1904. “é para mostrar ao governo que ele não põe o pé no pescoço do povo”. dos quais 454  enviados  para  o  Acre  e. para a  direção da Saúde Pública e o segundo para ocupar a Prefeitura do Distrito Federal. 129  . sendo o primeiro indicado .SAÚDE COLETIVA  imagem do país no exterior.  Dizia­se  na  época que  a  vacina  podia  matar  ou. O programa visava melhoria do porto da Cidade do Rio de Janeiro.  republicanos  radicais.  sendo  assim. Deflagrada a partir da divulgação da Lei da vacinação obrigatória contra a varíola. a  reforma  e  o  embelezamento  da  cidade  e  combate  às  epidemias.  “abaixo  a  vacina”  .  monarquistas  e  parcelas  da  população  afetadas  pelo  “bota­  abaixo”. Esta não era a  primeira  vez  que  Rodrigues  Alves  patrocinava  ações  de  vulto  na  área  da  saúde.  Houve aproximadamente 30 mortes.  Observa­se  assim. Algumas frases foram cunhadas nessa época: “isso para não andarem dizendo que o  povo é carneiro”.  dentre  os  revoltosos  destacou­se  o  lendário  “Prata  Preta”.  ex­escravo  que. em 1903. a Revolta  foi  considerada  como  um  dos  maiores  levantes  populares  ocorridos  no  Brasil  no  século  XX  e  integravam  movimentos  anti­governamentais  militares  ligados  à  Floriano  Peixoto;  intelectuais  positivistas.  os  interesses  políticos  das  diversas  ideologias  ainda  impregnavam  quaisquer  manifestações  populares.  Não esquecendo que o Brasil havia deixado recentemente de ser uma monarquia para ser  alçado  à  condição  de  República  Federativa  em  1989. é inegável que a obrigatoriedade da vacinação trazia  consigo  força  suficiente  para  provocar  reações  violentas  em  defesa  da  privacidade  e  da  livre  determinação.  a  recente abolição da escravatura um ano antes (em 1888) levou para as cidades as pessoas que  até então. não possuíam qualificação para  pleitear trabalho na incipiente manufatura a ser desenvolvida nos centros urbanos.    Além  do  que.  Em que pese à ação desses grupos.  deixar  a  pessoa  com  a  cara de bezerro (isso porque Edward Jenner havia descoberto a vacina contra a varíola em 1796  a  partir  da  observação  e  experiências  com  a  as  vacas  acometidas  pela  doença  ­  vaccinia).  Protestos  populares  e  sublevações  militares  resultaram na  Revolta  da Vacina. implementada pelo prefeito Pereira Passos.  a  total  falta  de  informação  da  população  acerca  dos  reais  benefícios  da  vacinação. 945 prisioneiros.  apoiara  as  iniciativas  de  Emílio  Ribas  e  Adolfo Lutz no combata à febre amarela.  As  reformas  urbanas  e  sanitárias  atraíam  grande  oposição  e  agitavam  as  páginas  dos  jornais  e  as  conversas  dos  moradores  da  cidade  do  Rio  de  Janeiro.  enfrenta  às  autoridades.  da  mesma forma  revoltado  com a  imposição  da obrigatoriedade  da  vacinação.  no  mínimo. exploradas e violentadas sob a condição de escravos.  quando  à  frente  do  governo  do  Estado  de  São  Paulo.

 em um dos mais bem­sucedidos  programas de vacinação do mundo.  Informar  às  pessoas  faz  parte  de  qualquer  programa  de  controle  de  doenças. autor desconhecido) Programa Nacional de Imunização (PNI)  O  Programa  Nacional  de  Imunização  (PNI)  foi  instituído  em  1973  e  tem  como  objetivo  proteger  a  população  contra  as  doenças  imunopreveníveis  (aquelas  que  contam  com  vacinas  como modo de prevenção). O PNI tem ampla cobertura: crianças. igualdade e integralidade contemplados  no Sistema Único de Saúde. idosos e profissionais de  saúde  apresentam  aceitação  para  este  eficiente  método  de  prevenção  das  doenças.  devidamente  aperfeiçoadas.  idosos.  uma vez que várias doenças possíveis de imunoprevenção não estão disponíveis na rede pública.  Ficando  evidente  o  não  cumprimento dos princípios filosóficos de universalidade.  são  hoje  bem  aceitas;  mães  e  pais  procuram  as  unidades  de  saúde  em  busca  do  cumprimento  do  calendário vacinal de seus filhos.  As  vacinas.  como  é  o  caso  da  varicela;  meningite  meningocócica  (apenas  para  os  casos  de  surtos  ou  epidemias); gripe (disponível apenas para idosos.  “ Eu não vou nesse arrastão  Sem fazer o meu barulho  Os doutores da ciência  Terão mesmo que ir no embrulho  Não embarco na canoa  Que a vacina me persegue  Vão meter ferro no boi  Ou nos diabos que os carregue”   (Canção popular.  profissionais  de  saúde  e  grupos  de  risco). adultos. profissionais de saúde); hepatite B (disponível  para  pessoas  até  19  anos. adolescentes.SAÚDE COLETIVA  Contudo  a  saúde  pública  brasileira  aprendeu  a  lição. Impulsionado pelos excelentes resultados obtidos pela Campanha da  Erradicação da Varíola. assim como os adolescentes. adultos. foi transformado ao longo dos tempos.  mesmo  tendo a certeza de que ainda existem brasileiros que não podem contar com a cobertura total de  vacinação  para  todas  as  doenças  imunopreveníveis  disponibilizadas  pela  ciência  e  tecnologia.  moradores  de  grandes  centros  urbanos ou  das  regiões  mais  longínquas  são  da  mesma  130  .

 Contudo a saúde pública brasileira aprendeu a lição.  são  hoje  bem  aceitas; mães e pais procuram as unidades de saúde em busca do cumprimento do calendário  vacinal  de  seus filhos. estão disponíveis para o acesso de todos os brasileiros.  Pode­se dizer que esta idéia está:  a) correta  b) incorreta  2. alvo da cobertura vacinal deste programa que conta com a FUNASA (Fundação Nacional  de  Saúde)  como  órgão  responsável  pelas  ações  programáticas  desenvolvidas.  Protestos  populares  e  sublevações  militares resultaram na Revolta da Vacina.  Veja  nos  quadros  abaixo.  podemos  afirmar  que      todas  as  doenças  imunopreviníveis  que  a  ciência  e  a  tecnologia possibilitam. ocorrida entre 10 a 16 de novembro de 1904. as medidas indicadas e eficientes que levem  à  prevenção  e  ao  controle  de  determinadas  doenças.  entre  suas  atividades  incluem  o  monitoramento  de  efeitos  adversos  relacionados à vacina e o incentivo ao aprofundamento dos processos de controle de qualidade e  produção de vacinas pelos laboratórios públicos nacionais.SAÚDE COLETIVA  forma.  e  totalmente  financiado  por  recursos  públicos.  Vigilância  epidemiológica  é  o  conjunto  de  atividades  que  permite  reunir  a  informação  indispensável  para  conhecer.  atuando  sempre  em  parceria  com  estados  e  municípios.  como formulador e executor de políticas públicas. mesmo tendo a  certeza  de  que  ainda  existem  brasileiros  que  não  podem  contar  com  a  cobertura  total  de  vacinação para as doenças imunopreveníveis disponíveis pela ciência e tecnologia.  devidamente  aperfeiçoadas. assim como detectar ou prever alterações de seus fatores condicionante salva com o fim  de recomendar oportunamente.  As  vacinas.  o  Calendário  Nacional de Vacinação do PNI.  a  qualquer  momento.  Veja os calendários de vacinação disponível no ambiente de estudo.  idosos  e profissionais de  saúde  apresentam  aceitação  para este eficiente método de prevenção das doenças. indistintamente.  adultos.  o  comportamento  ou  história  natural  das  doenças. sobre bases firmes.  Exercícios  1. doença considerada erradicada no  mundo na segunda metade da década de 1970.  O  PNI.  Ao ler o texto. Informar às pessoas faz parte de qualquer  programa  de  controle  de  doenças. As reformas urbana e sanitária atraíam grande oposição e agitavam as páginas dos jornais e as  conversas  dos  moradores  da  Cidade  do  Rio  de  Janeiro. podemos afirmar que  a Revolta da Vacina foi um importante movimento popular  de oposição à obrigatoriedade da vacinação contra a varíola. trabalha de maneira articulada coma vigilância  epidemiológica  e.  Pode­se dizer que esta idéia está:  a) Correta 131  .  Ao  ler  o  texto.  assim  como  os  adolescentes.

 ocorrida entre 10 a 16 de  novembro de 1904.  devidamente  aperfeiçoadas. indistintamente. podemos apontar a BCG (contra  as formas graves de tuberculose); a hepatite B; a Tetravalente; a VOP e a  febre amarela  Pode­se dizer que esta idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B 132  .SAÚDE COLETIVA  b) Incorreta  3. Protestos populares e sublevações militares resultaram na Revolta da Vacina.  Ao ler  o texto.  Dentre  as  vacinas  previstas  no  PNI  para  o  cumprimento  do  calendário  de  crianças  de  0  a  6  meses.  idosos  e  profissionais  de  saúde  apresentam    aceitação    para  este  eficiente  método  de  prevenção  das  doenças.  Pode­se dizer que esta idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  2.  estão  disponíveis para o acesso de todos os brasileiros.  mesmo  tendo  a  certeza  de  que  ainda  existem  brasileiros que não podem contar com a cobertura total de vacinação para as doenças imunopreveníveis disponíveis pela ciência e  tecnologia.  podemos  afirmar  que      todas  as  doenças  imunopreviníveis  que  a  ciência  e  a  tecnologia  possibilitam.  As  vacinas. Informar às pessoas faz parte de qualquer programa de controle de doenças.  Ao  ler  o  texto.  assim  como  os  adolescentes. doença considerada erradicada no mundo na segunda metade da década de 1970.  As  reformas  urbana  e  sanitária  atraíam  grande  oposição  e  agitavam  as  páginas  dos  jornais  e  as  conversas  dos  moradores  da  Cidade do Rio de Janeiro.  Pode­se dizer que esta idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  3. Contudo a saúde pública brasileira aprendeu a lição.  adultos.  podemos  apontar  a  BCG  (contra  as  formas  graves  de  tuberculose);  a  hepatite  B;  a  Tetravalente; a VOP e a  febre amarela  Pode­se dizer que esta idéia está:  a) Correta  b) Incorreta  Respostas dos Exercícios  1.  são  hoje  bem  aceitas;  mães  e  pais  procuram  as  unidades  de  saúde  em  busca  do  cumprimento  do  calendário  vacinal  de  seus  filhos. podemos  afirmar que  a Revolta  da Vacina foi um  importante movimento  popular  de  oposição  à  obrigatoriedade  da  vacinação contra a varíola. Dentre as vacinas previstas no PNI para o cumprimento do calendário de crianças de 0 a 6 meses.

SAÚDE COLETIVA  AULA  20  •  PAPEL  DOS  PROFISSIONAIS  DE  SAÚDE  NA  ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE  Introdução  Quando se fala em paradigma. em  que  existem  recursos  a  serem controlados e explorados.  utilizando  a  aquisição  de  conhecimento  pelo  aspecto  racional  e  objetivo. vive­se essas crenças.  dentro dele  está  tudo  o  que  é  considerado  verdadeiro. pensa­se e age conforme essas crenças.  Desta  forma. assim como na prática profissional.  A sociedade contemporânea não consegue mais sustentar um paradigma científico rígido.  um  paradigma é  sustentado  pelo sistema de crenças.  sem  que deixe  de  lado a  evolução e  aquisição do  conhecimento científico.  O atual paradigma que oferece suporte à maioria das práticas profissionais fundamenta –  se  na  ciência.  É  necessário  um  novo  paradigma  que  entenda  a  natureza  enquanto  um  organismo  que  reage  e  tem  necessidades  e  que  entenda  o  ser  humano  enquanto  um  ser  biopsicossocial  e  espiritual.  O  paradigma  é  o  que  permeia  as  nossas  percepções. nem sempre a ciência determinou  o  que  é  verdade  e  o  que  é  falso.  para  a  consciência  ou  espírito.    O  paradigma  cientifico  atual  entende o  mundo  como  sendo  mecânico. mas que ela  seja sustentável. Essa mudança de paradigma deve se estender á sociedade como um todo e não  só á ciência. e sem deixar de lado a tecnologia. Um paradigma é um conjunto de premissas implícitas que não se pretende testar;  na  verdade  são  essencialmente  inconscientes. um paradigma não é estático.  as  profissões  são  baseadas  em  um  modelo  materialista  para  se  desenvolverem. ele é mutável. mas que ele seja flexível.  Entretanto. estamos falando de visão de mundo que norteiam as ações  das pessoas.  cada  período  histórico  demonstrou  uma  visão  de  mundo  e  paradigmas característicos.  em que o entendimento da natureza é de ser apenas um recurso explorável e do ser humano é de  ser  apenas  um  corpo  separado  da  mente.  A prática do profissional de saúde 133  . O problema é que esse modelo de paradigma não deixa espaço  para  a  liberdade  de  escolha.  tornando  o  ser  humano  parcial  e  incompleto.

 recorro ao poema de João  Cabral de Melo Neto. toldo de um tecido tão aéreo  Que.  Se estendendo para todos.  no intuito de  ilustrar essa integralidade na construção de um novo paradigma ético. se eleva por si: luz balão.SAÚDE COLETIVA  Para  escrever  sobre  o  compromisso  dos  profissionais  de  saúde  neste  momento  de  transição  paradigmática. desde uma  teia tênue.  lembro  que    já  não  se  fala  de  um  compromisso    deste  ou  daquele  profissional isoladamente . 134  . numa assunção à metáfora da tessitura dos galos evocando o resplandecer  da manhã:  Tecendo a manhã  Poema de João Cabral de Melo Neto  Um galo sozinho não tece uma manhã:  Ele precisará sempre de outros galos  De um que apanhe esse grito que ele lançou  E o lance para outro; de um outro galo que  Apanhe o grito que um galo antes  E o lance a outro; e de outros galos  E que com muitos outros galos se cruzem  Os fios de sol de seus gritos de galo.  Para que a manhã.  A manhã.  Se erguendo tenda. mas sim do compromisso dos profissionais de saúde e. tecido. onde entrem todos. entre todos os galos. no toldo  (a manhã) que plana livre de armação.  Se vá tecendo. entre todos.  Se encorpando em tela.

SAÚDE COLETIVA 

Da  mesma  forma  que  os  galos,  numa  necessária  ação  colaborativa,  estão  tecendo  a  manhã, também os profissionais da saúde necessitam tecer uma teia de relações absolutamente  produtivas,  na  perspectiva  da  construção  de  um  novo  paradigma,  que  possa  gerar  ações  que  redundem em benefício do ser humano.  Outra  ilustração  interessante  para  ressaltar  a  urgente  mudança  de  paradigma  prescritivo  de  conduta  para os profissionais  da  saúde,  é a metáfora do  curador ferido.  Consta  na  mitologia  grega,  que  a  arte  de  curar  foi  ensinada  por  Apolo  ao  centauro  Quíron.  Este,  por  sua  vez,  transmitiu­a  para  Esculápio,  o  deus  da  Medicina.  Com  Quíron,  Esculápio  aprendeu  a  praticar  a  cura pelas ervas. Entretanto, Quíron possuía uma ferida que jamais cicatrizava: ele vivia curando  os outros, mas estava sempre doente, sempre sofrendo e, por isso era capaz de compreender o  sofrimento daqueles a quem tratava. Esse mito pode ser interpretado como uma sugestão para o  necessário envolvimento de pessoas que travam uma relação de ajuda – como  a vivenciada pelo  profissional da saúde com as pessoas que atende.  Temos  que  reconhecer  nossas  vulnerabilidades  e  tomarmos  consciência  de  nossas  próprias feridas,  as  quais  representam  a  possibilidade de  também adoecermos  e  sofrermos, em  outros termos: colocarmos no lugar do outro, para avaliar o sofrimento dele.  Recorrer ao sistema  de saúde é, muitas vezes, uma experiência de sofrimento, principalmente num país como o Brasil,  onde  a  saúde  pública  sempre  foi  encarada  como  uma  generosidade  dos  governantes,  devendo  ser retribuída com a gratidão incondicional dos pobres.  Todos  reconhecemos  a  insuficiência  dos  serviços  de  saúde,  o  que  contribui  para  os  sentimentos de angústia, muitas vezes vivenciados pelos usuários. Sendo necessário uma relação  de  alteridade  (alter  –  outro)  entre  profissionais    e  seus  clientes.  É  muito  produtivo  para  ambos  quando essa relação de ajuda acontece de forma plena e afetuosa, no intuito de reconhecer as  principais dimensões do ser humano: sentir, pensar, falar e agir, numa relação de respeito entre  pessoas livres e iguais.  No cotidiano das práticas de assistência à saúde podemos observar a falta de preparo  dos  diversos profissionais. Esta inadequação de conduta pode ser atribuída à crise de valores éticos e  morais que regem a sociedade. Isso se dá, pois as fontes de moral que orientam a sociedade, não  mais correspondem às necessidades que surgem das relações entre as pessoas e o seu entorno  técnico/científico, assim como de consumo.  Interessante  ressaltar  que  este  momento  de  crise  dos  valores  morais  e  éticos  oferece  a  possibilidade  de  revermos  as  origens  do atual  paradigma  e,  com  isso,  refletirmos  sob  que ética  estamos vivendo. Os profissionais da saúde devem, portanto, rever sua prática baseando­se em

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uma ética critica e reflexiva e, principalmente que tenha sentido na sua existência e nos valores  que os movem, estruturando uma ética que, segundo Leonardo Boff deve ser em torno de valores  fundamentais ligados à vida, ao seu cuidado, ao trabalho, às relações cooperativas e a cultura da  não­violência e da paz.  O  desenvolvimento  social  e  a  complexidade  crescente  dos  problemas  sociais  continuam  ressaltando a importância da comunidade como realidade social de coesão e solidariedade entre  os homens a ser resgatada a partir dos seus núcleos de vivência e existência. Destacar as áreas  de  moradia  e  a  dinâmica  dos  seus  grupos  e  subgrupos  levando­se  em  conta  interesses  e  preocupações comuns como indicadores de realidade comunitária não obstante ser tarefa difícil é  um  obstáculo  a  ser  necessariamente  transposto  pelos  profissionais  da  saúde  dentro  de  suas  atribuições objetivando o desenvolvimento comunitário.  A  prática  cotidiana  dos  serviços  públicos  de  saúde,  que  se  mostra  desprovida  do  reconhecimento dos direitos dos usuários, exige um resgate de ideais humanísticos por parte dos  profissionais de saúde. É importante que o usuário, ao procurar os serviços de saúde seja visto  não  apenas  como um  doente ou uma  pessoa que  procura  ajuda para  sanar as  seqüelas físicas  que o aflige. É necessário que ele seja visto como um ser integral, que seja tratado com dignidade  que  seja  visto  como  um  ente  único  e  possuidor  de  características  físicas,  psicológicas,  sociais,culturais, econômicas,espirituais, etc. 

Em busca de uma adequação de conduta 
A Atenção Básica ou primária se constitui em uma das principais portas de entrada para o  sistema  de  saúde  (não  a  única,  o  pronto  socorro,  por  exemplo,  é  outra  porta  possível  e  necessária) e,  como  sabemos, as funções da  rede de atenção básica  no  sistema  de  saúde  é à  busca da universalidade, eqüidade e integralidade.  No  intuito  de  colaborar  para  uma  reflexão,  provocadora  de  adequação  de  conduta,  por  parte  daquele  que  será  “O  Profissional  de  Saúde”  destacamos,  em  nível  exemplificativo  e  não  taxativo, o seguinte:  Conhecer a essência dos problemas das comunidades em conformidade com a realidade  social a que está inserida;  • Implementar as evidências da ciência no contínuum saúde­doença;

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•  Instrumentalizar  a  população  para  elaboração  sistemática  de  projetos  reforçadores  das  reivindicações;  • Utilizar instrumentos necessários de comunicação com os diversos grupos sociais;  •  Capacitar  a  população  para  que,  em  conjunto,  (re)­descubram  novas  fórmulas  de  reavaliação social em seus enfrentamentos;  •  Valorizar  o  diálogo  individual  e  grupal  como  elemento fundamental  para o  processo  de  organização;  •  Valorizar  experiências  já  desenvolvidas  nas  quais  se  faz  presente  os  processos  de  conscientização e capacitação da comunidade;  • Instrumentalizar tecnicamente os trabalhadores e as unidades para operarem com dados,  informações e indicadores de saúde;  • Travar um envolvimento baseado nas prioridades e decisões comunitárias ajudando­as a  desenvolver  habilidades  significativas,  identificar  necessidades  e  planejar  atividades  futuras;  •  Encorajar  a  implementação  de  serviços  preventivos  e  de  saúde  básica  ao  invés  de  serviços curativos;  • Capacitar a comunidade na utilização da hierarquização do sistema – referência e contra­  referência;  •  Utilizar  a  técnica  do  Acolhimento  como  uma  ação  do  campo  de  competência  e  responsabilidades  de  todos  os  trabalhadores  das  unidades  de  saúde,  envolvendo  a  escuta, a responsabilização pelo outro, pelo problema apresentado, pelo cuidado, assim  como favorecendo o desenvolvimento de sua autonomia e cidadania;  • Reforçar as ligações com os centros locais de saúde e com o pessoal de saúde da área;  • Informar sobre os recursos formais e informais colocados à disposição da comunidade;  • Incentivar a participação social no planejamento/programação, execução e avaliação das  ações  de  saúde  propostas,  através  de  comissões  locais  ou  outras  modalidades  de  organização social;  •  Promover  a  intersetorialidade  exercida  pela  relação  com  todos  os  níveis  de  governo  como resposta ao enfoque ampliado de saúde;

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 podemos afirmar que as práticas de assistência à saúde necessariamente  dependem  de  um  conjunto de profissionais  e  procedimentos e que.  até  o  total  restabelecimento  ou  o  equilíbrio  possível  da  pessoa  atendida. disponível em locadoras. nela tropeçou  O pastor. esta reflexão!  A pedra  O homem distraído. cansado da lida.  mas  que  garanta  a  integração  de  conhecimentos.  as  prescrições  terapêuticas.  Para não finalizar.  Filme: “ Quem somos nós?” .  com  práticas  interdisciplinares  e  conhecimentos  transdisciplinares atuam em conjunto. usou­a como assento para descansar  Davi  fê­la aliada no seu confronto contra Golias  O bruto.  passando  pelo  diagnóstico. a diferença esteve nos homens.SAÚDE COLETIVA  •  Incentivar  o  desenvolvimento  de um  Novo  Modelo  de  Atenção  à  Saúde  que  contemple  não  só  a  revisão  das  práticas  assistenciais. o uso racional de recursos e a efetiva participação e controle social;  •  Levar  em  consideração  as  dimensões  sociais  econômicos  e  culturais  da  população  apreendendo  o  processo  saúde­doença  no  âmbito  familiar  e  não  apenas  no  nível  individual;  • Estimular que a comunidade se torne plenamente consciente e possa tomar controle do  seu processo de desenvolvimento –“empoderamento” . dela instrumentalizou­se para ferir seus oponentes  O poeta eternizou­a nos seus versos  Michelangelo.  mesmo  o  mais preparado e  valorizado entre eles.  promovendo  cuidados  sem  interrupção.  Desta maneira. e não na pedra.  os  encaminhamentos  de  referência  e  contra­referência  necessários.  os  exames  complementares.  desde  a  acolhida.  As  equipes  multiprofissionais. diluindo­se desta maneira a hegemonia dos técnicos e das  técnicas. 138  . Os  atendimentos  aos  usuários  dos  serviços  de  saúde  precisam  articular  diferentes  profissionais. está intrinsecamente dependente dos outros para atingir seus objetivos. dela se serviu para criar a mais bela das esculturas  Em todos os casos.

  Ainda  numa  interpretação  metafórica  do  poema  Tecendo  a  Manhã. mas que ele seja flexível. podemos afirmar que.SAÚDE COLETIVA  Exercícios  1. A sociedade contemporânea não consegue mais sustentar um paradigma científico rígido.  Se estendendo para todos. toldo de um tecido tão aéreo  Que. e sem deixar de lado a tecnologia. mas que  ela seja sustentável. onde entrem todos. entre todos.  É  necessário  um  novo  paradigma  que  entenda  a  natureza enquanto um organismo que reage e tem necessidades e que entenda o ser humano  enquanto um ser biopsicossocial e espiritual. Ao ler o poema Tecendo a Manhã de João Cabral de Melo Neto. assim como na prática profissional. podemos afirmar que   a  ciência deve ser desconsiderada no contexto da prática  do profissional de saúde.  quando  o  galo  tece  a  manhã  com  seus  gritos  está  favorecendo  apenas a si mesmo.  A manhã. tecido. numa  interpretação    metafórica. Essa mudança de paradigma deve se estender á sociedade como um todo  e não só á ciência. se eleva por si: luz balão.  Pode­se dizer que esta idéia está:  a) correta  b) incorreta  3.  Pode­se dizer que esta idéia está:  a) correta  b) incorreta  2. sem que deixe de lado a evolução e aquisição do  conhecimento científico. Leia o poema e responda as questões nº 2 e nº 3  Tecendo a manhã  Poema de João Cabral de Melo Neto  Um galo sozinho não tece uma manhã:  Ele precisará sempre de outros galos  De um que apanhe esse grito que ele lançou  e o lance para outro;  de um outro galo que  apanhe o grito que um galo antes  e o lance a outro; e de outros galos  e que com muitos outros galos se cruzem  os  fios de sol de seus gritos de galo.  se vá tecendo.  Se encorpando em tela. desde uma  teia tênue. em  que o entendimento da natureza é de ser apenas um recurso explorável e do ser humano é de  ser  apenas  um  corpo  separado  da  mente.  Ao ler o texto.  para que a manhã.  2.  está  intrinsecamente  dependente dos outros para atingir seus objetivos.  podemos  afirmar  que  as  práticas de assistência à saúde necessariamente dependem de um conjunto de profissionais e  procedimentos e  que  mesmo  o  mais  preparado e  valorizado entre  eles.  Pode­se dizer que esta idéia está:  a) correta  b) Incorreta 139  .  Se erguendo tenda. no toldo  (a manhã) que plana livre de armação. entre todos os galos.

  Pode­se dizer que esta idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  3.  Se estendendo para todos. sem que deixe  de  lado  a  evolução  e  aquisição do conhecimento científico. em que o entendimento da natureza é de  ser apenas um recurso explorável e do ser humano é de ser apenas um corpo separado da mente. É necessário um novo paradigma  que  entenda  a  natureza  enquanto  um  organismo  que  reage  e  tem  necessidades  e  que  entenda  o  ser  humano  enquanto  um  ser  biopsicossocial  e  espiritual. desde uma  teia tênue. Essa mudança de paradigma deve se estender á sociedade como um  todo e não só á ciência.  Pode­se dizer que esta idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A 140  . tecido. podemos  afirmar que.SAÚDE COLETIVA  Respostas dos Exercícios  1. assim como na prática profissional. no toldo  (a manhã) que plana livre de armação.  Ainda  numa  interpretação  metafórica  do  poema  Tecendo  a  Manhã. entre todos. A sociedade contemporânea não consegue mais sustentar um paradigma científico rígido.  podemos  afirmar  que  as  práticas  de  assistência  à  saúde  necessariamente  dependem de  um conjunto  de profissionais  e procedimentos  e que  mesmo  o  mais preparado  e  valorizado  entre  eles. está intrinsecamente dependente dos outros para atingir seus objetivos.  A manhã.  se vá tecendo.  mas  que  ele seja flexível.  Ao ler o texto.  Se encorpando em tela.  e  sem deixar de lado a tecnologia. onde entrem todos. se eleva por si: luz balão. podemos afirmar que   a  ciência deve ser desconsiderada no contexto da prática do profissional de saúde.  Ao ler  o poema Tecendo  a Manhã  de João Cabral de  Melo Neto. numa interpretação   metafórica. quando  o  galo tece a manhã com seus gritos está favorecendo apenas a si mesmo. entre todos os galos. Leia o poema e responda as questões nº 2 e nº 3  Tecendo a manhã  Poema de João Cabral de Melo Neto  Um galo sozinho não tece uma manhã:  Ele precisará sempre de outros galos  De um que apanhe esse grito que ele lançou  e o lance para outro;  de um outro g0alo que  apanhe o grito que um galo antes  e o lance a outro; e de outros galos  e que com muitos outros galos se cruzem  os  fios de sol de seus gritos de galo. toldo de um tecido tão aéreo  Que.  Se erguendo tenda. mas que ela seja sustentável.  para que a manhã.  Pode­se dizer que esta idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  2.

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