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Hinduísmo: Origens e Tendências Doutrinárias

Hinduísmo: Origens e Tendências Doutrinárias

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Brahma em si - como "princípio primordial" de todas as coisas existentes – é um conceito metafísico: um conceito que, como toda abstração de cunho religioso, tenta transcender os parâmetros da realidade humana ou mundana (realidade objetiva, sensível). O conceito de Brahma como a manifestação imanente e transcendente de todas as coisas é desprovido de qualquer conteúdo ou interpretações mitológicas, e tampouco representa tentativas de personificação (ou antropormificação) de divindades, como a tradição judaica e cristã tentaram elaborar. Em Brahma, não se atribui à divindade o status de entidade virtuosamente perfeita e, por isto, moralmente superior ao homem. Brahma dispensa qualquer predicativo, pois, desprovido de conotações morais, Brahma simplesmente é: o conceito, portanto, encontra-se desvinculado da viciosidade moralista do pensamento religioso ocidental, posto que Brahma é livre para ser e tomar a forma que desejar.
Brahma em si - como "princípio primordial" de todas as coisas existentes – é um conceito metafísico: um conceito que, como toda abstração de cunho religioso, tenta transcender os parâmetros da realidade humana ou mundana (realidade objetiva, sensível). O conceito de Brahma como a manifestação imanente e transcendente de todas as coisas é desprovido de qualquer conteúdo ou interpretações mitológicas, e tampouco representa tentativas de personificação (ou antropormificação) de divindades, como a tradição judaica e cristã tentaram elaborar. Em Brahma, não se atribui à divindade o status de entidade virtuosamente perfeita e, por isto, moralmente superior ao homem. Brahma dispensa qualquer predicativo, pois, desprovido de conotações morais, Brahma simplesmente é: o conceito, portanto, encontra-se desvinculado da viciosidade moralista do pensamento religioso ocidental, posto que Brahma é livre para ser e tomar a forma que desejar.

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Por Elias Celso Galveas Muitos autores e estudiosos não chegam a considerar o hinduísmo uma religião, tampouco uma

filosofia. Por outro lado, hinduísmo é constituído por um complexo, difundido, e antigo organismo sócio-cultural e religioso, composto também por um grande número de cultos e tendências filosóficas - envolvendo vários rituais e cerimônias de disciplina espiritual, bem como a crença e a devoção a vários deuses e deusas populares. <b>- <u>Segundo a definição do dicionário</u>:</b> religião e doutrina social dos Hindus (uma das raças indianas que aceita a religião brâmica), caracterizada pela fé em uma divindade suprema e em seu sistema de ordenação divina em castas de etnia social. Originalmente, a fonte espiritual do hinduísmo pode ser resumida por livros denominados <b>“Vedas”</b>, provavelmente escritos entre 1500 e 50 a.C.. Existem quatro <b>“Vedas”</b> principais que norteiam toda sabedoria milenar do hinduísmo e, na Índia, qualquer sistema filosófico que não aceite a autoridade <b>“védica”</b> é considerado heterodoxo. A principal idéia que fundamenta a espiritualidade hinduísta alega que a pluralidade das manifestações que compõem a realidade – diretamente experimentada pelos homens – origina-se de uma única fonte: uma realidade metafísica transcendental denominada Brahma – que representa o próprio Todo (como unidade de todas as coisas), bem como a substância única que é parte integrante de cada elemento que compõe o Todo. Atma seria, na concepção hinduísta, a denominação da manifestação de Brahma na alma humana, representando a realidade mental e física (cinco sentidos) que está constante e diretamente nos cercando. Brahma em si - como "princípio primordial" de todas as coisas existentes – é um conceito metafísico: um conceito que, como toda abstração de cunho religioso, tenta transcender os parâmetros da realidade humana ou mundana (realidade objetiva, sensível). O conceito de Brahma como a manifestação imanente e transcendente de todas as coisas é desprovido de qualquer conteúdo ou interpretações mitológicas, e tampouco representa tentativas de personificação (ou antropormificação) de divindades, como a tradição judaica e cristã tentaram elaborar. Em Brahma, não se atribui à divindade o status de entidade virtuosamente perfeita e, por isto, moralmente superior ao homem. Brahma dispensa qualquer predicativo, pois, desprovido de conotações morais, Brahma simplesmente é: o conceito, portanto, encontra-se desvinculado da viciosidade moralista do pensamento religioso ocidental, posto que Brahma é livre para ser e tomar a forma que desejar. Portanto, Brahma não representa a personificação de divindade alguma, tampouco uma entidade moralmente perfeita, pura, virtuosa e, por isto, divina e superior ao homem – tal como o cristianismo acredita. O hinduísmo, em si, não é baseado na supremacia ideológica dos conceitos ou princípios morais, além de não ser uma religião monoteísta, posto que uma infinidade de deuses e deusas são cultuados nos rituais hinduístas: trata-se, por outro lado, de um culto politeísta que não se fixou em preceitos morais na composição de suas crenças. Brahma é, desta forma, o princípio primevo de todas as coisas (físicas e não físicas) que existem; é a substância fundamental que compõe e permeia, inscrito e circunscrito em todos os deuses, deusas e entidades hinduístas. O hinduísmo alega que toda ação (ou manifestação natural) no tempo, pode ser explicada pela combinação de inúmeros fatores (ou determinantes) naturais – opostos, mas complementares – que atuam, concomitantemente, num mesmo plano. Para ilustrar este fato, tomemos um exemplo fundamental: <b>em oposição a "Brahma",

temos "Maya" - que teria a função de conferir aos seres humanos a falsa ilusão de que estamos distantes da "Verdade", ou seja, nos dá a permanente ilusão de que estamos separados de Brahma – que, além de representar a unidade de todas as coisa, também é nossa verdadeira natureza humana, enterrada como um tesouro no interior de nossas almas. Quando longe de Brahma, encontramo-nos iludidos, enfraquecidos e fragmentados, tendo que enfrentar, em mundos materiais inferiores, os ciclos encarnatórios e reencarnatórios impostos por Maya. Conseqüentemente, o resultado desta ilusão (separação) é a falsa impressão de que somos os únicos e verdadeiros senhores de nossos destinos (fixação no ego); os únicos autores de todas as transformações naturais já mencionadas. Nos tornamos, portanto, egoístas, vivendo puramente de nossos egos ilusórios, aprisionados ao transitório e efêmero "narcisismo existencial" (se quisermos empregar terminologia mais moderna). Assim, segundo o hinduísmo, a humanidade possui como principal tarefa espiritual a constante necessidade de buscar o reencontro interior com a unidade em Brahma, tentando, com isto, livrar-se dos efeitos ilusórios de Maya – que nos dá a falsa compreensão de que, separados de Brahma, somos os únicos senhores de nossos destinos, escravos de nossos egos. Por isto, particularmente, tenho que considerar o Hinduísmo uma "religião" (do latin: <i>religare</i>), pois, não obstante o conteúdo filosófico que o faz doutrina, é igualmente uma tentativa de "religar" o homem à determinada divindade ou condição ou verdade divina que o transcede. Verifica-se, assim, que o principal "objetivo espiritual" do homem, no contexto o hinduísmo, parece ser o retorno definitivo ao senso de unidade com todas as coisas, apenas possível através do retorno à "casa de Brahma" – encontro este que anularia os efeitos ilusórios de Maya sobre o homem. Individualmente, isto poderia representar a eterna batalha entre dois elementos que coabitam a alma de cada homem: nosso verdadeiro "eu interior" (Brahma) que luta permanentemente contra as armadilhas de nosso "ego luciférico" (Maya), egoísta e que tende a fragmentar nossa alma – ego este que constantemente nos impede de entrar em contato com a unidade de Brahma, “enterrada” no interior de cada alma humana; a verdadeira e una realidade que constitui a verdadeira e única essência primordial do Ser. Quando nos referimos a "Ser" (com letra maiúscula), queremos dizer: a essência divina que carrega a nossa identidade cósmica, intangível e eterna (não perecível) das realidades suprasensíveis; quando nos referimos a "ser" (com letra minúscua), queremos dizer: nossa presente condição existencial, circunstancial, transitória, efêmera, tangível e perecível, ou seja, a existência pela qual passamos no presente momento (encarnados). O mundo de Maya é caracterizado por um dinamismo e uma pluralidade de infindáveis transformações. O conjunto de forças naturais e dinâmicas – que compõe o organismo de Maya – denomina-se Karma (termo absorvido pelo Espiritismo moderno), também podendo ser entendido como destino terreno, incarnação física (material) ou nascimento biológico terreno. Karma é outro conceito fundamental do hinduísmo sendo, portanto, o princípio ativo do organismo de Maya – representando a totalidade do Universo em ação e em dinâmica transformação, na qual cada parte está, de alguma forma, relacionada com o Todo. Karma é a fonte primordial da vida material terrena; o constante ciclo de encarnações e reencarnações dos seres, que só poderia ser extinguido definitivamente se a alma humana recuperasse seu senso de unidade com Brahma. Somente se o homem se desvincular de suas racionalizações, não aceitando mais a falsa aparência imediata da realidade que a sua percepção lhe confere. Logo, só pode considerar Maya uma ilusão aquele que permanece prisioneiro nas cadeias das excessivas racionalizações – as correntes da razão que nos levam a ter

uma medida precisa para tudo, a categorizar todas as coisas, a definir, teorizar, etc., enfim, de toda forma perceptiva viciosa de se analisar a realidade imediata que nos cerca. Maya nos faz acreditar que nossos sentidos (percepções) – assim como nossas manifestações racionais – são as únicas realidades nas quais podemos contar. Esta é a ilusão de Maya. Por outro lado, um espírito iluminado (acordado) – intocado pelas mãos de Maya – perceberá, além da razão e da percepção dos cinco sentidos, que todos os elementos que compõem a realidade imediata são apenas sombras (a serem iluminadas), enigmas (a serem desvendados) – reflexos manifestos em nossas mentes ocupadas com a realidade imediata, que só tendem a esvaziar nossas almas do verdadeiro significado interno que buscamos em nós mesmos. Estas mentes ocupadas estão constantemente se utilizando da razão a fim de desvendar as realidades imediatas e, pelo que parece, nunca parecem estar satisfeitas com suas descobertas, pois nunca encontraram de fato a Verdadeira e Una Verdade enterrada em cada um de nós. O senso de unidade – representado por Brahma – traria sossego e paz de espírito ao homem, lhe conferindo felicidade e a tão esperada completude integral do ser. Esta “Verdadeira Realidade” da qual falamos, a real e verdadeira essência espiritual do ser humano, encontra-se profundamente enterrada no interior de nossas almas, como um verdadeiro tesouro a ser descoberto. Para maior compreensão disto, acompanhem o texto abaixo: “Houve um tempo em que os homens eram deuses. Mas eles abusaram tanto de sua divindade que Brahma, o mestre dos deuses, tomou a decisão de lhes retirar o poder; resolveu escondê-los num lugar onde seria absolutamente impossível encontrá-los. Mas o grande problema era encontrar um esconderijo. Brahma convocou então um conselho dos deuses menores para resolver o problema: ‘Enterremos a divindade do homem na terra’, foi a primeira idéia dos deuses. ‘Não, isto não basta, pois o homem vai cavar e encontrá-la’, respondeu Brahma. Então os deuses retrucaram: ‘Então joguemos a divindade no fundo dos oceanos’. Mas Brahma não aceitou a proposta, pois achou que o homem um dia iria explorar as profundezas dos mares e acabaria por recuperá-la. Então, concluíram os deuses menores: ‘Não sabemos onde escondê-la, pois não existe na terra ou no mar lugar onde o homem não possa alcançar um dia’. Então Brahma se pronunciou: ‘Eis o que vamos fazer com a divindade humana: vamos escondê-la na maior profundeza dele mesmo, pois é o único lugar onde ele jamais pensará em procurá-la. Desde este tempo, concluiu a lenda, o homem fez a volta da Terra, explorou, escalou, mergulhou e cavou, em busca de algo que se encontrava, todo este tempo, no interior dele mesmo”. _________________________________________________________________Lenda da religião Hindu Assim, um homem que se torne capaz de “desenterrar” seu tesouro interior estará livre das ilusões de Maya e, consequentemente, livre das correntes kármicas (vida biológica, destino terreno, nascimento...), não precisando mais encarnar, desencarnar ou reencarnar. Tal homem estará livre das influências do Karma, bem como das ilusões de Maya. Contudo, podemos concluir que o principal objetivo do hinduísmo é fazer com que o homem enfrente a vida material – com todas as suas dores e alegrias – a fim de que, algum dia, este mesmo homem possa libertar-se das armadilhas ilusórias de Maya e, consequentemente, paralisar os efeitos kármicos de seu ser (evolução espiritual), redescobrindo sua verdadeira identidade cósmica no Ser. Mas para que isto possa de fato acontecer, longa costuma ser a jornada: torna-se necessário um certo grau de disciplina espiritual, que seria conseguida através da constante domesticação dos instintos primários – o que levaria ao controle da

ilusão que a percepção imediata da realidade nos confere, e o conseqüente proceso de abertura da mente à realidade suprasensível. É uma ação espiritual direta que libera naturalmente a alma das cadeias do mundo material; é a vitória do espírito através da liberação dos desejos mundanos (e de tudo que envolve e perfaz sua realidade) – e que tendem, por sua vez, a serem gradativamente substituídos por uma completa liberação da alma humana em direção à consciência de sua verdadeira identidade cósmica. E, a essa altura, torna-se muito importante lembrar: este caminho é mais individual e interior do que coletivo. Para um Hinduísta, a salvação da alma é interior, e a evolução espiritual é um processo lento e individual que significa a vitória definitiva do homem sobre a morte física que tanto o assusta; a vitória definitiva da luta humana contra as injustiças e o sofrimento; dos laços da encarnação biológica e dos destinos mundanos (terrenos). De qualquer forma, este parece ser um caminho muito difícil para o homem moderno – principalmente para o homem ocidental moderno, que encontra-se viciado no conforto material que a tecnologia de hoje é capaz de lhe proporcionar. Há uma espécie de vazio, bastante árido, envolvendo o ambiente do homem moderno – um vazio que um dia pôde ser preenchido pelas religiões e que, agora, está tentando ser preenchido pelas modernas concepções da psicologia moderna que, por sinal, aprendeu muito com a cultura e tradição dos povos antigos. Do Amor Universal – Bhagavad-Gita (Séc. I a.C.) <b>- Arjuna:</b> servir-te, Senhor, como Deus Único, Manifesto, ou servir-te como Único, Imanifesto, Eterno e Universal? Qual o melhor caminho para os fiéis? <b>- Krishna:</b> aquele que com fé firme, adora-me em seu coração, simplesmente como pode compreender-me, esse me é querido e santo. Mas quem compreende como o Eterno, o Anônimo, o Imanifesto, o Inconcebível, o Supremo, não limitado de forma alguma, o Infinito; quem me adora desse modo e, contudo, vê a minha presença em todos os seres e, praticando o bem, vive alegremente, esse acabará por unir-se a mim. Entretanto, difícil é este caminho para aqueles que procuram encontrar o Imanifesto em todas as coisas por meio de um amor afetivo. Difícil é este caminho para os que vivem ainda em corpo carnal. Mas quem, de coração puro, se voltar para mim e em meu nome fizer tudo quanto costuma fazer, quem renunciar a si mesmo e, dia e noite, firmado em mim, me servir, esse será salvo por mim do tempestuoso mar da existência, desse inconstante mundo do nascer e do morrer, por que buscou refúgio em mim. Por isto, volve para mim teu coração, apreende-me com toda a tua vontade, repousa em mim o teu espírito e encontra em mim a tua felicidade. Mas, se não fores capaz de atingir em tão grande altura, se tua mente te levar às baixadas, filho da terra, por seres ainda fraco demais para esta doação total, então, procura seguir o caminho menos árduo auxiliado pelo do amor afetivo. Se nem deste amor fores capaz, adora-me com as tuas atividades e, assim, também atingirá a meta da perfeição. Se mesmo disto fores incapaz, refugia-te em mim, renunciando aos frutos do teu trabalho, e serve-me com perfeita humildade. Verdade é que o saber espiritual é maior do que o fazer material, porém, maior que ambos é o amor integral e isto requer total desapego. Quem consegue renunciar tudo por amor está perto da meta final. Quem não deseja mal a ser algum e, liberto do ódio e do egoísmo, é bom para com todas as criaturas, quem a tudo renuncia por amor está perto da meta final. Quem permanece fiel a si mesmo, no prazer e no sofrimento, sempre sereno e paciente, quem tem fé em mim e vontade reta, quem controla o coração e mantém a mente fixa em mim, e se consagra inteiramente a mim, com reverência e amor, esse é querido

por mim. Quem a ninguém ofende neste mundo, nem se sente ofendido por ninguém, mas paira acima do gozo e da dor, liberto da cólera e do temor, esse é querido por mim. Quem é sereno e equilibrado, diante do amigo e do inimigo, impertubável diante dos elogios e das ofensas, do calor e do frio, da alegria e do sofrimento, livre de toda a escravidão, esse é amado por mim. Porém, o mais querido de todos é aquele que me ama acima de tudo, aquele cuja a vida é amor, e esse amo acima de tudo e [permanentemente] o alimento com o meu amor. Trabalho realizado pelo Professor Elias Celso Galvêas, em 1996, para a PROFESSORES ASSOCIADOS - CONSULTORIA EDUCACIONAL.

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