UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS – UNIMONTES CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS – CCET DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO – DCC CURSO

DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

QUALIDADE DE SERVIÇO EM VOIP (VOZ SOBRE IP)

ANDERSON FERREIRA GOMES

Montes Claros, junho de 2005

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS – UNIMONTES CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS – CCET DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO – DCC CURSO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

QUALIDADE DE SERVIÇO EM VOIP (VOZ SOBRE IP)

Monografia elaborada para conclusão de curso submetido à Universidade Estadual de Montes Claros para a obtenção dos créditos na disciplina de Projeto Orientado a Conclusão de Curso (POCC), no Curso de Sistemas de Informação — Bacharelado

ANDERSON FERREIRA GOMES

Montes Claros, junho de 2005

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS – UNIMONTES CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS – CCET DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA COMPUTAÇÃO – DCC CURSO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

O Projeto Orientado de Conclusão de Curso (POCC): “QUALIDADE DE SERVIÇO EM VOIP (VOZ SOBRE IP)”, elaborado por ANDERSON FERREIRA GOMES, foi julgado adequado por todos os membros da Banca Examinadora, como requisito parcial para obtenção do título de BACHAREL EM SISTEMAS DE INFORMAÇÃO e aprovado, em sua forma final, pelo Departamento de Ciências da Computação da Universidade Estadual de Montes Claros.

Montes Claros, 24 de junho de 2005.

Aprovado pela Banca Examinadora constituída pelos seguintes professores:

__________________________________________________ Orientador: Prof. Msc. Antônio Eugênio Silva __________________________________________________ Avaliador: Prof. Msc. Nilton Alves Maia __________________________________________________ Avaliador: Profª. Patrícia Takaki Neves

__________________________________________________ Prof. Msc. Luiz Carlos Pires dos Santos Coordenador de Projetos

. ESTRUTURA DE REDE.................................7 SEGURANÇA ................................4..............5 PERDAS .........................................1............... 30 4.............................................................. 12 2...... 20 3..... INTRODUÇÃO ........vii 1................ QUALIDADE DE SERVIÇO (QoS) ...........................................................8 CONFIABILIDADE .............................4 PROTOCOLO UDP ................................................2 VAZÃO .......................1 CAMADA DE APLICAÇÃO .............1 CENÁRIO PARA QUALIDADE DE SERVIÇO (QoS) .............................................. 18 2............................................................3 LATÊNCIA (ATRASO) ...4........................................ i AGRADECIMENTOS .....1................ 14 2.................1.......................................................... 20 3....iii LISTA DE QUADROS ..........................................1 CONTROLE E INIBIÇÃO DE CONGESTIONAMENTO................2 PSEUDOCABEÇALHO UDP .................. v RESUMO ..................ALTERNATIVAS TÉCNICAS.................................................................................................... 23 3.................................................................. QoS .......................................................................................................... 15 2........................................3 PROTOCOLOS DE TRANSPORTE (TCP X UDP) ............................................................ 16 2.................2 CAMADA DE TRANSPORTE ...........................................1.......1.................................................................................................................................................... 13 2................................ 18 2......................... 31 ......................... 24 3........1 FIFO ...............3 CAMADA DE INTER-REDE ............. 13 2........ 26 3.......................................................iv LISTA DE ABREVIATURAS ......... 27 3...................................................................................................... 8 2........................................ 28 3..................................................................ii LISTA DE FIGURAS ........................................................1 MODELO DE REFERÊNCIA TCP/IP ........................................................................... 12 2..................................................................1 CABEÇALHO UDP ....................................................................2 O PROTOCOLO IP ............................................................... 19 3.........................4 CAMADA DE HOST/REDE .......................................... 29 4................................6 DISPONIBILIDADE ...................SUMÁRIO DEDICATÓRIA .....FIRST IN FIRST OUT ......................... 15 2..........................4 JITTER ........................................................................................ 28 3........................... 31 4........................................................................

.3............................................................................1 GENERIC TRAFFIC SHAPING .. 50 5.............3......................... 31 4................................................ 40 5.................1................................................ 35 4..........1........ 35 4................................................................................................2 FRAGMENTAÇÃO E INTERLEAVING..................2........3...............................323...................323 ...........1 PILHA DE PROTOCOLOS .............................1 FONTES DE ATRASO EM TRANSMISSÃO DE VOZ EM REDES DE PACOTE ............................................... 36 5................2 REAL-TIME TRANSPORT CONTROL PROTOCOL (RTCP) . 35 4........................................ 33 4.................................. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIAS ................1 REAL-TIME TRANSPORT PROTOCOL (RTP) ..........................1 COMPRESSÃO RTP .........................2............... 34 4............................................. 32 4..2 ENFILEIRAMENTO FAIR QUEUEING .... 59 ..........................................................1......... 56 8..1.....4.............. 51 6............................... 50 5.5 A DETECÇÃO RANDOM EARLY DETECTION (RED) ........ 38 5......1 SIP X H..... 32 4................................. VOZ SOBRE IP (VoIP) ......................................................2 EFICIÊNCIA EM CONEXÕES ........................................... CONCLUSÕES . 44 5.................. 53 7.2 A ARQUITETURA DO PADRÃO H.2 POLICIAMENTO OU COMMITTED ACCESS RATE (CAR) ....................... 45 5.......3............1 LIMITAÇÕES DAS REDES IP PARA TRANSMISSÃO DE VOZ ................ 52 6...............2.. 42 5..........3 ENFILEIRAMENTO PRIORITY QUEUEING ...............1....................... 34 4.4 ENFILEIRAMENTO CUSTOM QUEUEING .....3 CONFORMIDADE E POLICIAMENTO DE TRÁFEGO .................................................... PROTOCOLO SIP E AS TENDÊNCIAS FUTURAS .............................................................3 PROTOCOLOS PARA TEMPO REAL.......................

DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho à minha família e aos meus professores e a todos os que me ajudaram até aqui. i .

fazendo com que este trabalho pudesse ser realizado. Aos meus pais. direta ou indiretamente. Antônio Eugênio Silva. professor Msc. pela compreensão. Aos professores Nilton Alves Maia e Patrícia Takaki Neves que aceitaram de fazer parte da banca examinadora deste projeto. A minha namorada Caísa e meus irmãos Flávia e Daniel pela compreensão e dedicação durante estes anos de estudo. em especial Carlos Eduardo. Laércio Igor. ii . Aos meus colegas de curso. inteligente e pelo seu incentivo.AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar. Paulo Américo e Pablo Nogueira que me ajudaram nos trabalhos e assim como eu dedicaram parte de suas vidas para concretização de um sonho. pela orientação sempre oportuna. esclarecedora. apoio e carinho durante estes anos de estudo. contribuíram para a realização deste trabalho. a Deus. por tudo. Ao meu orientador. Floriano e Neide. A todos aqueles que. Rafael Gomes.

...........................................................Modelo para QoS ................................ 23 Figura 7 .....Variação de tempo da chegada dos pacotes no destino ................................................................................................Codificação e encapsulamento do fluxo de voz em pacotes IP.........Encapsulamento de pacote VoIP.... 50 iii ......................................... 21 Figura 5 – Características e utilização da telefonia pública ........... 22 Figura 6 – Características e utilização da telefonia IP....................................Forma geral de um pacote IPv6 ........... 21 Figura 4 ................Exemplo de conexão TCP ............ 38 Figura 10 ......LISTA DE FIGURAS Figura 1 ...... 34 Figura 9 – Rede telefônica tradicional usa canais TDM para transporte da voz ...................Dados RTP em um pacote IP ........................................................ 17 Figura 3 .........Equipamentos e componentes envolvidos na QoS ....................... 40 Figura 11 ................................ 16 Figura 2 .......................... 27 Figura 8 .... ...............................................

... 38 Quadro 7 – Comparativo das tecnologias de rede para a transmissão de voz ..... 45 Quadro 9 . 23 Quadro 5 ........................Comparação entre CAR e GTS .......... 14 Quadro 3 ...........................323 e SIP ...............................Vazão Típica de Aplicações em Rede .Camadas do Modelo de Referência TCP/IP ..................................... 39 Quadro 8 ...................... 37 Quadro 6 – Comparação entre diferentes tecnologias e seus protocolos ........Pilha de protocolos – H...LISTA DE QUADROS Quadro 1 ............................................................................323 ............ 12 Quadro 2 .....................Parâmetros para qualidade de serviço da camada de transporte ........ 53 iv ..................Comparativo entre H.......................................................

Differentiated Services DoS .Pontos de Troca de Tráfego QoS – Qualidade de Serviço v .Maximum Transfer Unit Mseg – Milissegundos PABX .Backward Explicit Congestion Notification CAR .Integrated Services IP .Custom Queueing DE .Kilo bits por segundo LAN .Generic Traffic Shaping HTTP .FIRST IN FIRST OUT FTP .Internet Engineering Task Force INTSERV .Priority Queueing PSTN .Local Area Network LFI .Private Automatic Branch Exchange PGP .File Transfer Protocol GTS .Forward Explicit Congestion Notification FIFO .Advanced Research Projects Agency BECN .LISTA DE ABREVIATURAS ATM .Committed Access Rate CQ .Discard Eligible DIFFSERV .Pretty Good Privacy PQ .Link Fragmentation and Interleaving MAN – Metropolitan Area Network Mbps – Mega bits por segundo MCU – Multipoint Control Unit MPLS .MultiProtocol Label Switching MTU .Public Switched Telefone Network PTT .Hypertext Transport Protocol IETF .Internet Protocol ITU-T – International Telecom Union Kbps .Denial-ofService FECN .Asyncronous Transfer Mode ARPANET .

Subnet Bandwidth Management SMDS .Regitration Admission and Status RDSI .Transmission Control Protocol TDM -Time Division Multiplexing UDP .Simple Internet Protocol Plus SBM .Session Iniciation Protocol SIPP .Weighted Fair Queueing WRED .RAS .Rede telefônica Comutada SIP .Simple Mail Transfer Protocol SNMP .Weighted Random Early Detection vi .Voz sobre IP WAN – World Area Network WFQ .Simple Network Management Protocol SSL .Rede Integrada de Serviços Digitais RED .Real Time Control Protocol RTP .Resource reSerVation Protocol RTCP .User Datagram Protocol VoIP .Random Early Detection RSVP .Switched Multimegabit Data Service SMTP .Secure Sockets Layer TCP .Real Time Protocol RTPC .

com as classes de tráfego recebendo diferentes tratamentos por parte do usuário. Esta Monografia apresenta um estudo sobre a tecnologia de transmissão de voz IP. suas aplicabilidades. A qualidade de serviço em redes é a capacidade de diferenciar entre tráfego e tipo de serviços. além de tendências futuras da tecnologia VoIP e suas vantagens em relação à telefonia convencional. Apresenta-se ainda limitações das redes IP para a transmissão de voz e destacase as tecnologias desenvolvidas com o objetivo de contornar estas limitações.RESUMO A crescente popularidade da Internet como meio de baixo custo tem despertado o interesse por tecnologias para a comunicação de voz utilizando o protocolo IP (Internet Protocol). Os padrões que envolvem a transmissão da voz também são apresentados. vii . e mecanismos para implantação de qualidade de serviço na mesma.

com características distintas das mídias na qual seriam transmitidas. bem como a chegada da Internet. o vídeo. Cada uma dessas redes foi projetada para aplicações específicas e se adaptam mal a outros tipos de serviços. A disseminação do uso do computador pessoal. dados ou imagem. Quanto à tecnologia. a prestação de serviços de telecomunicações em todo o mundo sofreu algumas profundas mudanças. contudo avaliar as transformações enfrentadas pelo setor apenas a partir do campo institucional. seja por meio de voz. a retomada do nível de investimentos do setor vem permitindo ao país ampliar e modernizar sua infra-estrutura de telecomunicações. mediante inclusive o emprego de tecnologias de ponta como a fibra óptica. as transformações institucionais e tecnológicas só tiveram início a partir dos anos 90. e depois o emprego da fibra óptica promoveram uma verdadeira revolução na capacidade e velocidade de transmissão de informações através do sistema. ao longo dos anos 80. Na parte institucional. a principal transformação consistiu no fim do monopólio público sobre o setor e na conseqüente privatização do sistema brasileiro de telecomunicações. têmse as redes telefônicas para o tráfego de voz. em meio às transformações tecnológicas. propagada na mídia como a era da tecnologia da informação. as redes de comutação de pacotes para o tráfego de dados. Alguns especialistas identificaram. foram necessárias criações de redes distintas. Essa mudança.1. rádio e a televisão. O avanço dos equipamentos para o processamento e armazenamento de informações associado ao sistema de telecomunicações. e as redes de difusão ou a cabo. dando origem aos sistemas multimídia. torná-las disponíveis aos usuários e operacionalizáveis. surgiram também diversas mídias de comunicação e conseqüentemente para viabilizar sua implantação. Primeiro a tecnologia digital. os diferentes tipos de informação passam a ser processados de forma integrada. INTRODUÇÃO Ao longo das três últimas décadas do século XX e início desse século XXI. sons. motivou o conceito de redes de 8 . principalmente após as privatizações desses setores que antes pertenciam aos governos de estado. Com o grande desenvolvimento da tecnologia digital. incluindo nesta. Como por exemplo. seria errôneo. na verdade. Aqui no Brasil. o início de uma nova era. Porém. Houveram alterações significativas na estrutura institucional que servia de base para a prestação de serviços de telecomunicações. coroaram a chegada desses novos tempos. caminhou lado a lado com a tecnologia. Com esse avanço tecnológico. em meados dos anos 90.

a taxa de erro. 1999]. como o atraso sofrido pelos pacotes ou células de um fluxo de dados. em alguns casos. O IP é um protocolo mundialmente utilizado que tem como característica principal o envio de dados através de pacotes [SITOLINO. Porém realizar conversações telefônicas a longa distância através da rede de telefonia atual tem um custo bastante elevado se comparado com ligações de curta distância. a voz passou a ser transmitida como dados entre as centrais telefônicas. 2003]. como tráfego de voz. Trata-se da idéia de que a taxa de transmissão. As operadoras de telefonia convencional. Este trabalho visa mostrar que tais ligações podem continuar sendo feitas. A tecnologia de Voz sobre IP permite a digitalização e codificação da voz e o empacotamento em pacotes de dados IP (Internet Protocol) para a transmissão em uma rede que utilize TCP/IP. Para que essa integração seja possível de acontecer. por causa de seu histórico monopolista e do controle exercido pelo governo federal. há uma necessidade de que ocorra uma conversação mesmo que à distância. dedicada ao suporte de um único serviço. e outras características de tráfego.serviços integrados. possam ser medidos. (arquitetura que tem como objetivo ligar várias redes e será apresentada com maiores detalhes no capítulo 2). Esse novo conceito permite a redução dos custos de instalação. tendem 9 . vídeo. A voz é um dos principais meios de comunicação e é um instrumento crucial para a troca de informações entre pessoas. trata-se da redução para uma única conexão de rede. capaz de fornecer todos os serviços de telecomunicações. 2003]. ainda que privatizadas. em português. mantendo-se. Qualidade de Serviço. a rede de terminais analógicos para os usuários finais. dando origem às redes convergentes. necessitando assim de equipamentos. cada uma. Como muitas vezes as pessoas não se encontram no mesmo lugar. técnicas e de recursos humanos específicos [SILVA. porém com a utilização de técnicas para a implantação de qualidade de serviço em uma tecnologia denominada Voz sobre IP. faz-se necessário introduzir mecanismos adicionais que permitam suportar os novos serviços com qualidade assegurada. dados. melhoradas e. Com a digitalização da rede telefônica. garantidas de modo a atender às expectativas dos diversos perfis de usuários. rádio e televisão. a isso damos o nome de Quality of Service (QoS). ou seja. ainda. Essas expectativas tendem a ser mais bem observadas quando se diz respeito ao tráfego de voz em redes de pacotes [SILVA. de manutenção e de gerência de redes paralelas.

pois trabalham com multiplexação determinísticas (Multiplexação por Divisão de Tempo – TDM1). cada canal de informação é informação em buffer de memória. Para resolver o problema da integração generalizada de serviços e atender o transporte de tráfegos com taxa de bits constantes. 10 . provocando um entrave quanto à integração generalizada de serviços com requisitos de tempo real.a ser mais lentas na implantação dessa nova tecnologia. as rajadas do tráfego de dados e possuem baixo aproveitamento de banda. Enquanto no primeiro caso o tráfego tende a ser em rajada (burst). • às desregulamentações atuais e previstas para o setor. isso com requisitos de QoS nas redes convergentes de banda larga. as redes estatísticas (Asynchronous Transfer Mode) ATM. devido: [SILVA. o tráfego de voz exige baixos atrasos fim-a-fim. controle e inibição de congestionamento. 2003] • aos novos negócios com a Voz sobre IP (Voice over IP – VoIP). Esse trabalho apresenta um estudo sobre a tecnologia de transmissão de Voz sobre IP e mecanismos para implantação de qualidade de serviço na mesma. de forma eficiente. que deverão ser analisadas quanto aos impactos na rede instalada. Existem ainda limitações das redes IP para 1 Time Division Multiplexing (TDM): É um sistema de multiplexação onde cada canal de informação é associado à um intervalo de tempo. porém apresentam atrasos baixos e com variações (jitter) pequenas. com diversas classes de serviços. para que se possa fazer esta associação. tráfego de dados e voz são de difícil conciliação em uma única rede. essas empresas operadoras de serviços. poderão optar pela convergência de suas redes. bem como o misto das redes IP e ATM utilizando mapeamento de serviços. as redes IP (Internet Protocol) com serviços diferenciados/integrados e o (Multiprotocol Label Switching) MPLS. técnicas de controle de tráfego com classificação e priorização de fluxo. bem como o estágio de padronização da tecnologia. e • aos custos de implantação de telefonia sobre as tradicionais centrais de comutação de circuito versus os custos de implantação da telefonia sobre as redes de comutação de pacotes. para se manterem no mercado. ocupará em torno de 15% do tráfego de voz de longa distância. consumindo grande banda passante em curtos intervalos de tempo. Contudo. bem como. no segundo. tem-se atualmente no mercado das telecomunicações. que segundo os analistas. As redes de voz não suportam. E ao que se observa hoje. pois possuem características bem diferentes.

no sétimo capítulo é onde são descritas as conclusões. Assim com base nas pesquisas realizadas faze-se um questionamento: • a qualidade de serviço em Voz sobre IP trás realmente vantagens para os usuários em relação à telefonia convencional. Além de apresentar alternativas para utilização da infra-estrutura de rede na comunicação entre usuários que não dependa da infra-estrutura de telefonia tradicional. 11 . No quinto capítulo apresenta uma fundamentação do tema VoIP. possibilitando que empresas. demonstrando uma visão geral do assunto. tendo como destaque à camada de transporte e suas funcionalidades. ou as limitações dessa tecnologia são mais poderosas e não deixam com que essa ela seja disseminada? Para facilitar o entendimento quanto à linha de raciocínio a ser seguida no trabalho.transmissão de voz e nesse trabalho destacam-se as tecnologias desenvolvidas com o objetivo de contornar estas limitações e os padrões que envolvem a transmissão de Voz sobre IP. O terceiro capítulo há as fundamentações da qualidade de serviço. que é um fator determinante na implantação de uma solução de Voz sobre IP. Tal capítulo apresenta também os parâmetros para se aplicar à qualidade de serviço. por exemplo. O quarto capítulo descreve algumas das principais alternativas técnicas para se implantar. O capítulo também informa como eles interagem entre si e em que casos devem ser utilizados para melhorar a qualidade do serviço de voz. obtenham uma sensível redução de custos operacionais. controlar e garantir a qualidade de serviço em diversas redes e em específico na transmissão de pacotes. Por fim. Apresenta-se novas tendências quanto sua utilização e compara-se as características dos dois protocolos. em que trafegam as aplicações de Voz sobre IP. o segundo capítulo apresenta a estrutura da rede TCP/IP e seus protocolos. além de alguns protocolos que são essenciais para a transmissão da voz.323. No sexto capítulo são apresentadas algumas breves considerações quanto a um novo protocolo que poderá futuramente vir a substituir o padrão atual H.

[TANENBAUM.Camadas do Modelo de Referência TCP/IP TELNET FTP TCP IP LAN HTTP SNMP RTP UDP SMTP APLICAÇÃO TRANSPORTE INTER-REDE HOST/REDE Fonte: Redes de Computadores [TANENBAUM.1 MODELO DE REFERÊNCIA TCP/IP O Modelo de Referência TCP/IP. principalmente no que diz respeito aos protocolos da camada de transporte e de interredes.2. 1997] 2 ARPANET – Rede desenvolvida pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos durante a década de 70. foi criado com o objetivo de ligar várias redes. Essa rede foi colocada fora de operação em 1990. Tal transmissão envolve a utilização de vários protocolos de comunicação. 1997] Tal modelo é decomposto em quatro camadas como mostra o quadro 1. a voz necessita ser digitalizada. a Arpanet foi criada para resistir a ataques nucleares com o objetivo de investigar a utilidade da comunicação de dados em alta velocidade para fins militares. Quadro 1 . 12 . 2. cujo nome vem de seus dois mais conhecidos protocolos TCP e IP. pois houve vários problemas quando surgiram redes de satélite e rádio que deveriam se comunicar com a Advanced Research Projects Agency (ARPANET)2. A seguir serão apresentadas algumas características e funcionalidades de alguns dos principais protocolos de comunicação do modelo de referência TCP/IP. ESTRUTURA DE REDE Para ser transmitida a partir de uma rede para o seu ponto de destino.

O transmissor envia um pacote requisitando uma conexão e quando o receptor recebe tal pacote pode então aceitar e estabelecer a conexão. o UDP. são eles: TCP (Transmission Control Protocol) e UDP (User Datagram Protocol).2 CAMADA DE TRANSPORTE Esta camada é responsável por pegar os dados vindos da camada de aplicação e transformá-los em pacotes que posteriormente serão entregues à camada de Inter-rede. A comunicação com a camada de transporte é feita através da utilização de portas. A porta permite que o protocolo da camada de transporte tenha conhecimento sobre o tipo do conteúdo contido no pacote de dados. HTTP.1. FTP. porém é amplamente utilizando quando a entrega imediata dos dados é mais importante que sua entrega precisa. etc) e é responsável por fazer a comunicação entre os aplicativos e a camada de transporte. A partir daí os canais do 13 . SMTP. Assim o pacote chegando ao receptor ficará fácil identificar a qual protocolo da camada de aplicação ele deverá ser entregue. o protocolo HTTP utiliza como padrão a porta 80. Por exemplo.2. 1997]. SNMP. RTP. O primeiro é um protocolo bastante confiável que permite a entrega dos pacotes de dados sem erro. é um protocolo menos confiável que o TCP.1. Cada protocolo da camada de aplicação usa uma mesma porta.1 CAMADA DE APLICAÇÃO A camada de aplicação contém os protocolos de alto nível (TELNET. Seu principal objetivo é oferecer um serviço confiável e eficiente a seus usuários. Estabelecimento / Encerramento de conexões (quando houver): O estabelecimento de uma conexão funciona como um acordo entre o transmissor e o receptor. Com exceção do protocolo RTP (Real Time Protocol) esses protocolos não serão detalhados neste trabalho. No caso da checagem de erro fim-a-fim tal verificação só é feita quando o pacote chega ao seu destino e não durante o caminho que o mesmo percorre. Maiores referências serão encontradas em [TANENBAUM. Dois protocolos operam nesta camada. Algumas das funções da camada de transporte estão listadas abaixo: Checagem de erros fim-a-fim: O mecanismo que verifica a integridade dos dados que foram recebidos é o que chamamos de checagem de erro. Já o segundo. 2.

2. 14 . permite que tais pacotes sejam entregues em qualquer que seja a rede.caminho ou rota que foi usado para a transmissão do pacote são reservados e todos os outros pacotes devem ser transmitidos por este mesmo caminho. Quadro 2 . Garantir a qualidade de serviço (QoS – Quality of Service): Segundo [TANENBAUM.Parâmetros para qualidade de serviço da camada de transporte Retardo no estabelecimento da conexão Probabilidade de falha no estabelecimento da conexão Throughput Retardo de trânsito Taxa de erros residuais Proteção Prioridade Resiliência Fonte: Redes de Computadores [TANENBAUM. Um exemplo de protocolo constituinte desta camada é o IP (Internet Protocol). 1997] a qualidade de serviço pode ser definida por um número específico de parâmetros. 1997] Os usuários dos serviços da camada de transporte podem determinar os valores preferenciais. que será discutido em detalhes na sessão 2. os aceitáveis e os mínimos de cada parâmetro. 2.1. Já o encerramento da conexão é a liberação dos canais que compunham o caminho que estava reservado para o transmissor e receptor. Como mostra o quadro 2. a fim de transmitir os dados com certa qualidade.3 CAMADA DE INTER-REDE Esta camada além de ser responsável por evitar congestionamentos e realizar o roteamento dos pacotes de dados.

pode ser dividido em pedaços menores no meio do caminho. O protocolo IP. Sua tarefa é fornecer a melhor forma de transportar pacotes de dados da origem para o destino. etc. já na década de 90. Isso se deve ao fato de uma rede não conseguir transportar o pacote com o tamanho original. Durante um bom tempo os recursos do IPv4 foram utilizados de forma satisfatória. da nova versão do IP eram: • possuir um número quase inesgotável de endereços IP. Com esse problema em vista a Internet Engineering Task Force (IETF) começou a trabalhar em uma nova versão do IP. e o inúmero crescimento de equipamentos que deveriam se conectar a Internet. cabos. É formada por placas. apesar de possuir uma grande escalabilidade. independente das redes onde ambos estejam. melhorando assim o throughput. • oferecer uma segurança maior em relação ao IPv4.2 O PROTOCOLO IP O protocolo IP foi projetado visando conseguir transportar dados entre os mais diferentes tipos de redes. caso necessário. O número de endereços IP logo estaria esgotado. Cada pacote é transmitido e. 15 .1. • reduzir o esforço necessário para o roteamento dos pacotes IP. sofreu algumas mudanças e foi evoluindo de acordo com o tempo. Porém com a explosão da Internet na década de 90. • diminuir o tamanho das tabelas de roteamento. ficando esta função a cargo do protocolo de transporte. Outra característica do IP é que se trata de um protocolo não orientado à conexão e também não é responsável por verificar se um pacote que foi enviado chegou ou não ao seu destino. entre outros. 2. surgiu um problema. caso preciso. entre as quais a versão 4 (IPv4) e a versão 6 (IPv6). Tendo com isso várias versões.4 CAMADA DE HOST/REDE É a camada responsável pela transmissão dos pacotes recebidos da camada superior (Inter-Rede) na rede física. não suportando a demanda. Os principais objetivos.2.

Porém não garante a entrega dos pacotes em sua origem.. Opcional Cabeçalho Fixo Cabeçalho de Extensão . Ele oferece uma maneira de as aplicações enviarem pacotes IP brutos encapsulados sem precisar realizar uma conexão. 1996].Forma geral de um pacote IPv6 2. Um pacote IP possui um cabeçalho fixo (obrigatório). sendo estruturados em classes de modo a identificar a rede e a estação dentro das quais se refere o endereço em questão.• aumentar a importância da informação sobre o tipo de serviço. e conseqüentemente está ficando sem endereços. principalmente para os serviços de tempo real. Suas classes3 (principalmente a Classe B) consomem grandes parcelas de faixa de endereços IP e um número grande de organizações possui esse tipo de endereço. Um problema fundamental na arquitetura Internet é que o IP possui o esquema de endereçamento de 4 bytes. mais conhecida como IPv6 [REKHTER et al. 3 16 . • possibilitar a evolução do protocolo. Uma solução proposta pela Internet Engineering Task Force (IETF) é a expansão da faixa de endereços IP de 4 para 16 bytes. Figura 1 .... zero ou mais cabeçalhos de extensão e os dados. O User Datragram Protocol (UDP) trata-se de um protocolo que não é orientado à conexão.3 PROTOCOLOS DE TRANSPORTE (TCP X UDP) O Transmission Control Protocol (TCP) trata-se de um protocolo orientado à conexão e foi projetado especialmente para manter a transmissão dos dados confiável mesmo o meio não sendo muito confiável. Os endereços são constituídos por uma palavra de 32 bits.. • possibilitar a compatibilidade entre a nova versão e o IPv4. É atualmente o protocolo mais utilizado na Internet para a transmissão de arquivos. o chamado Simple Internet Protocol Plus (SIPP). 1 Cabeçalho de Extensão 6 Dados. como se pode verificar na Figura 1.

porém sacrificando a confiabilidade. O TCP também é responsável pelo controle de erro (fim-a-fim) e de fluxo. multiplexação de IP (utilizando várias portas).Exemplo de conexão TCP Já o protocolo UDP é ideal para aplicações em tempo-real que desejam transmitir áudio e vídeo.Ambos os protocolos estão situados na camada de transporte do modelo de referência TCP/IP. torna-se claro então que o protocolo UDP é o ideal para aplicações de voz sobre IP (VoIP). porta origem) e (endereço destino. apresenta uma maior confiabilidade na entrega dos dados. gerando assim um atraso na entrega dos pacotes. ordenação de mensagens. Tal protocolo é visto com mais detalhes no próximo item. não faz sentido preocupar-se com a correção dos pacotes. pois tempo será gasto nessa correção. Já o segundo (UDP) é mais simples e permite que os dados sejam transmitidos com uma maior velocidade. A conexão é caracterizada pelo par: (endereço origem. 4 Full-Duplex: Transmissão de dados simultânea em ambas as direções. etc. 17 . O primeiro (TCP). como: comunicação full-duplex4 fim-a-fim. O importante para essas aplicações é o pacote chegar o mais rápido possível. por ser orientado à conexão. Além de possuir várias outras características. Como tais aplicações são sensíveis ao atraso. Figura 2 . Como as aplicações de voz em tempo-real são sensíveis ao atraso. porta destino).

Tais processos podem se encontrar em um mesmo host. • porta de destino UDP (Destination Port): Campo de 2 bytes que possui a porta da aplicação de destino. • comprimento de mensagem UDP (Length): Tal campo tem o tamanho de 2 bytes e possui a funcionalidade de marcar a quantidade de bytes do datagrama UDP. Este campo é opcional para tornar possível transmitir os datagramas com um menor overhead5. O cálculo desta soma de verificação é opcional. Serve para que o UDP consiga demultiplexar os datagramas entre os processos que esperam para recebê-los. Existe também um pseudocabeçalho utilizado para realizar a soma de verificação do datagrama UDP. 5 18 . São os bits de controle que são enviados no pacote e que não fazem parte dos dados.2. 2. Um pacote UDP é dividido em duas partes: o cabeçalho UDP e os dados em si. que exigem bastante confiabilidade). Tal soma serve para corrigir eventuais erros que podem ocorrer durante a comunicação. como o campo de origem e destino.4. Como. Quando não utilizado recebe o valor zero. É ideal para aplicações que necessitam de velocidade e não de muita confiança. Caso o cálculo não seja feito atribui-se o valor zero para o campo.1 CABEÇALHO UDP O cabeçalho está dividido em quatro campos de 2 bytes. algumas aplicações em tempo-real (excluindo as aplicações críticas. por exemplo. não confiável. Utiliza-se para esta finalidade alguns campos do datagrama IP.4 PROTOCOLO UDP O UDP trata-se de um protocolo não orientado à conexão. São os seguintes: • porta de origem UDP (Source Port): Campo opcional de 2 bytes que indica qual a porta utilizada pela aplicação origem. porém muito simples e rápido. Isto quer dizer que o valor mínimo que este campo terá será 8 bytes (tamanho do cabeçalho UDP). Overhead = nº de bits de controle ÷ nº de bits transmitidos. • soma de verificação UDP (Checksum): Campo de 2 bytes que serve para guardar o valor proveniente do cálculo da soma de verificação. incluindo o cabeçalho e os dados.

19 .2. Vale ressaltar que esta opção de cálculo da soma de verificação deverá ser utilizada somente em aplicações que requeiram um pouco mais de confiabilidade e não velocidade. desta forma. Tal informação deve então ser adicionada ao pseudocabeçalho para. pois isso deixará o processo bem mais lento. Tal pseudocabeçalho não é transmitido no datagrama UDP. A utilização deste pseudocabeçalho tem como objetivo verificar se o pacote UDP chegou ao seu destino correto. Para isso além de ser necessário conhecer a porta de destino será necessário também conhecer o endereço de destino (contido no datagrama IP). realizar o cálculo da soma de verificação.2 PSEUDOCABEÇALHO UDP A soma de verificação do datagrama UDP não utiliza apenas os dados provenientes do cabeçalho UDP. ela requer que seja adicionado um pseudocabeçalho.4.

Um determinado serviço pode ser caracterizado como possuindo um certo grau de qualidade quando atender às exigências de um determinado patamar de qualidade. para que o usuário possa tratar uma ou mais classes de tráfego diferente das demais. parâmetros. dentre outros) que devem ser controlados visando a obtenção da qualidade de serviço não são. Os parâmetros (atrasos. A figura 3 ilustra um exemplo de situação onde na 20 . existe um certo consenso que parece praticamente todas as definições de QoS que é a característica de diferenciar entre tráfego e tipo de serviços. Assim sendo. No entanto. 3. as aplicações sempre precisam de vazão (banda) e. A obtenção de uma QoS adequada é um requisito de operação da rede e suas componentes para viabilizar a operação com qualidade de uma aplicação. a implementação da garantia de QoS pela rede implica em atuar nos equipamentos envolvidos na comunicação fim-a-fim visando o controle dos parâmetros de QoS. algoritmos e protocolos desenvolvidos e utilizados para a obtenção de uma QoS. este é o parâmetro mais básico e certamente mais presente nas especificações de QoS. QUALIDADE DE SERVIÇO (QoS) A expressão qualidade de serviço (Quality of Service – QoS) pode oferecer margem a diferentes tipos de interpretações e definições. Assim sendo. infelizmente. especificado segundo um conjunto de parâmetros mensuráveis. jitter. etc). multimídia. Este parâmetro da qualidade de serviço é normalmente considerado durante a fase de projeto e implantação da rede e corresponde a um domínio de conhecimento bem discutido e relatado na literatura técnica. é necessário considerar que não são todas as aplicações que realmente necessitam de garantias fortes e rígidas de qualidade de serviço (QoS) para que seu desempenho seja satisfatório. mecanismos. é importante o entendimento dos seus princípios. No mínimo. A qualidade de serviço (QoS) nas redes IP é um aspecto operacional fundamental para o desempenho fim-a-fim das novas aplicações (VoIP.1 CENÁRIO PARA QUALIDADE DE SERVIÇO (QoS) Numa rede IP a qualidade de serviço consiste num mecanismo fim-a-fim (host de origem a host de destino) de garantia de entrega das informações (pacotes). localizados num único equipamento ou componente da rede.3. Inicialmente. assim sendo.

Modelo para QoS 21 . roteadores.rede tem-se equipamentos tipo LAN Switch.Equipamentos e componentes envolvidos na QoS O já se deve ter percebido o principal objetivo da QoS é priorizar o tráfego interativo sensível a retardo. juntamente com as camadas de protocolo e entidades. em detrimento ao tráfego referente à transferência de arquivos. gateways. pois passou da utilização da telefonia pública (comutação de circuitos) para a telefonia de Voz sobre IP (comutação de pacotes). Os mecanismos de QoS devem atuar nestes equipamentos de forma cooperada. que não é sensível a retardo. Uma das atribuições dos gerentes de Tecnologia da Informação (TI) é justamente a escolha e implementação adequada dos mecanismos de QoS discutidos adiante num cenário como o da figura 3. Figura 3 . como é possível perceber no modelo da figura 4 a seguir: Figura 4 .

pois a banda é compartilhada. com uma utilização de 50 a 60% (por cento). existem atrasos variáveis na entrega de pacotes. depois no próprio roteador (controle de descarte de pacotes. pois a banda é garantida. Neste caso. apesar de não haver congestionamento. considerando o modelo acima. Considerando números. mas por outro lado. Diz-se então que a aplicação exige uma qualidade de serviço da rede. e finalmente na rede local destino. Os atrasos de comunicação e as perdas de pacotes influenciam na interatividade dos usuários e na qualidade da aplicação. por exemplo). surgindo aí a necessidade de um controle rigoroso em serviços como o da seleção do tráfego de pacotes e a prioridade dos mesmos.A qualidade de serviço deve ser fim-a-fim. mesmo a utilização de uma Linha Privada (LP) em rede WAN de 256 Kbps pode não ser suficiente. o tráfego tem que ser tratado inicialmente na rede local (LAN) de origem. posteriormente nas World Area Network – WAN (conexões de longa distância) e roteadores intermediários. Figura 5 – Características e utilização da telefonia pública Já na tecnologia IP existe uma alta eficiência de banda. os atrasos e perdas decorrentes da operação podem prejudicar a qualidade da aplicação. e a utilização do meio é de 90 a 95% (por cento) com na figura 6. no roteador destino. se esta aplicação gera uma vazão (fluxo de dados) de 64 Kbps. ou seja. 22 . Na uma telefonia pública atual o desperdício de banda é muito grande como mostra na figura 5.

Figura 6 – Características e utilização da telefonia IP 3.Vazão Típica de Aplicações em Rede Aplicação Aplicações Transacionais Quadro Branco (Whiteboard) Voz Aplicações Web (WWW) Transferência de Arquivos (Grandes) Vídeo (Streaming) Aplicação Conferência Vídeo MPEG Aplicação Imagens Médicas Aplicação Realidade Virtual Vazão (típica) 1 Kbps a 50 Kbps 10 Kbps a 100 Kbps 10 Kbps a 120 Kbps 10 Kbps a 500 Kbps 10 Kbps a 1 Mbps 100 Kbps a 1 Mbps 500 Kbps a 1 Mbps 1 Mbps a 10 Mbps 10 Mbps a 100 Mbps 80 Mbps a 150 Mbps Fonte: Análise de Qualidade de Serviço em Redes [SILVA. Em termos práticos as aplicações geram vazões que devem ser atendidas pela rede. O quadro 3 em seguida ilustra a vazão típica de algumas aplicações: Quadro 3 .2 VAZÃO A vazão (banda) é o parâmetro mais básico de QoS e é necessário para a operação adequada de qualquer aplicação. 2004] 23 .

3. • velocidade de transmissão e • processamento nos equipamentos. 2004] A velocidade de transmissão é um parâmetro controlado pelo gerente visando normalmente a adequação da rede à qualidade de serviço solicitada. embora o termo "latência" seja convencionalmente mais utilizado para equipamentos e o termo "atraso" seja mais utilizado com as transmissões de dados (P. ex.: atrasos de transmissão. a latência (atrasos) resulta em um tempo de resposta (tempo de entrega da informação – p. o atendimento do requisito vazão para a qualidade de serviço é um dos aspectos levados em conta no projeto da rede. ex. atrasos de propagação). a latência da rede pode ser entendida como o somatório dos atrasos impostos pela rede e equipamentos utilizados na comunicação.3 LATÊNCIA (ATRASO) A latência e o atraso são parâmetros importantes para a qualidade de serviço das aplicações. pacotes) para a aplicação.Atrasos de Propagação . Do ponto de vista da aplicação. satélite.Fibras Ópticas – Exemplos Trecho (Round Trip Delay) Miami a São Paulo New York a Los Angeles Los Angeles a Hong Kong Atraso de Propagação 100 mseg 50 mseg 170 mseg Fonte: Análise de Qualidade de Serviço em Redes [SILVA. Ambos os termos podem ser utilizados na especificação de QoS. coaxial e outros) e é um parâmetro imutável onde o gerente de rede não tem nenhuma influência.Como discutido. Os principais fatores que influenciam na latência de uma rede são os seguintes: • atraso de propagação (Propagation Delay). Quadro 4 . O quadro 4 em seguida ilustra a título de exemplo alguns valores para o atraso de propagação entre cidades numa rede WAN utilizando fibras ópticas como meio físico de comunicação. O atraso de propagação corresponde ao tempo necessário para a propagação do sinal elétrico ou propagação do sinal óptico no meio sendo utilizado (fibras ópticas. Em se tratando de 24 . De maneira geral.

etc. Embora exista obviamente a possibilidade de escolha da velocidade adequada para garantia da qualidade de serviço. observam-se neste caso restrições e/ ou limitações nas velocidades utilizadas. etc. Além desse fator. o atraso depende de uma série de fatores. ex. • processamento nas camadas de nível superior da rede (Programa de aplicação. tendendo a ser tipicamente superior à 10 Mbps dedicada por usuário (p. camadas acima da camada IP. • mecanismos de cache. A título de exemplo. observam-se também algumas restrições quanto à disponibilidade tanto da tecnologia quanto da velocidade de transmissão desejada. outros) • firewalls (processamento no nível de pacotes ou no nível de aplicação) Considerando que a latência é um parâmetro fim-a-fim. O terceiro fator que contribui para a latência da rede é a contribuição de atraso referente ao processamento realizado nos equipamentos. O resultado das considerações discutidas é que a garantia de QoS é certamente mais crítica em redes metropolitanas (MAN) e redes de longa distância (WAN) pelo somatório de dois fatores. dentre outras). os equipamentos finais (hosts) também têm sua parcela de contribuição para o atraso. redes metropolitanas. Em se tratando de redes de longa distância (Redes corporativas estaduais e nacionais. satélite.redes locais (LANs). • a latência (atrasos) é muito maior quando se compara com o cenário das redes locais. trabalha-se em WAN tipicamente com vazões da ordem de alguns megabits por segundo (Mbps) para grupos de usuários. • disponibilidade de memória. intranets metropolitanas. No caso dos hosts.). as velocidades de transmissão são normalmente bastante elevadas. a saber: • capacidade de processamento do processador. tipicamente devido aos custos mensais envolvidos na operação da rede. ambos negativos: • trabalha-se com velocidades (vazão) mais baixas. numa rede IP os pacotes são processados ao longo do percurso entre origem e destino por: • roteadores (comutação de pacotes) • LAN Switches (comutação de quadros) • servidores de acesso remoto (RAS) (comutação de pacotes. 25 . Em termos práticos. Frame Relay. ATM.) as velocidades de transmissão são dependentes da escolha de tecnologia de rede WAN (Linhas privadas.: utilizando LAN Switches).

Caso houvesse uma taxa de transmissão constante com intervalo de 20 ms entre a transmissão de um pacote e outro tais pacotes deveriam chegar ao destino com intervalo de 20 ms. ex.: pacotes) (Packet-Delay Variation) devido à variação na latência (atrasos) da rede. Este é o caso. de aplicações de voz e fax sobre IP (VoIP) e aplicações de tempo real. No caso. switches. ATM. o jitter é importante para as aplicações executando em rede cuja operação adequada depende de alguma forma da garantia de que as informações (pacotes) devem ser processadas em períodos de tempo bem definidos. ex. X. Porém como cada pacote pode trafegar na rede por diferentes rotas e diferentes meios esse tempo de chegada pode variar. 26 . Esta consideração é particularmente válida para equipamentos servidores (Servers) que têm a tarefa de atender solicitações simultâneas de clientes em rede. a saber: • tempos de processamento diferentes nos equipamentos intermediários (roteadores. Fato este que diminuiria a qualidade do serviço.4 JITTER O jitter é um outro parâmetro importante para a qualidade de serviço.• Outros Em resumo. o jitter pode ser entendido como a variação no tempo e na seqüência de entrega das informações (p.: pacotes) e este atraso é variável devido a uma série de fatores. • tempos de retenção diferentes impostos pelas redes públicas (Frame Relay. A figura 7 ilustra o efeito do jitter entre a entrega de pacotes na origem e o seu processamento no destino. em determinados casos. a rede e seus equipamentos impõem um atraso à informação (p. observe-se que os hosts são também um fator importante para a qualidade de serviço e. 3.). por exemplo. Do ponto de vista de uma rede de computador. etc. podem ser um ponto crítico na garantia de QoS.25. Conforme discutido no item anterior. IP) e outros fatores ligados à operação da rede.

o problema dos pacotes fora de ordem poderia ser resolvido com o auxílio de um protocolo de transporte como o TCP que verifica a seqüência das mensagens e faz as devidas correções. Entretanto. Ethernet.Point-to-Point Protocol. por exemplo. 27 . 3.). O jitter introduz distorção no processamento da informação na recepção e deve ter mecanismos específicos de compensação e controle que dependem da aplicação em questão. ATM) durante o transporte dos mesmos.5 PERDAS As perdas de pacotes em redes IP ocorrem principalmente em função de fatores tais como: • descarte de pacotes nos roteadores e switch routers (Erros. o RTP (Real Time Transfer Protocol).Variação de tempo da chegada dos pacotes no destino O jitter causa não somente uma entrega com periodicidade variável (PacketDelay Variation) como também a entrega de pacotes fora de ordem. etc. o problema de sequenciamento deve ser resolvido por protocolos de mais alto nível normalmente incorporados à aplicação como. • perda de pacotes devido à erros ocorridos na camada 2 (PPP . uma das soluções mais comuns para o problema consiste na utilização de buffers (Técnica de "buffering"). Genericamente. Em princípio.Figura 7 . Nestes casos. Frame Relay. na prática tem-se que a grande maioria das aplicações multimídia optam por utilizar o UDP ao invés do TCP pela maior simplicidade e menor overhead deste protocolo. congestionamento.

aplicações cliente/ servidor e aplicações de forte interação com o público. a voz sobre IP. As empresas dependem cada vez mais das redes de computadores para a viabilização de seus negócios (comércio eletrônico. ISPs . Para manter a qualidade de serviço o acesso à rede deve ser permitido somente a pessoas autorizadas. A título de exemplo. dentre outras. • disponibilidade da rede pública. quando a mesma é utilizada (Operadoras de telecomunicações. as perdas de pacotes em redes IP são um problema sério para determinadas aplicações como.De maneira geral. transações online) e. a perda de pacotes com trechos de voz digitalizada implica numa perda de qualidade eventualmente não aceitável para a aplicação. neste sentido. Do ponto de vista da qualidade de serviço da rede (QoS) a preocupação é normalmente no sentido de especificar e garantir limites razoáveis (Taxas de Perdas) que permitam uma operação adequada da aplicação.Internet Service Providers). por exemplo. a disponibilidade é um requisito bastante rígido.7 SEGURANÇA Segurança é um fator que sempre deve ser considerado essencialmente em redes corporativas. O que fazer em caso de perdas de pacotes é uma questão específica de cada aplicação em particular. home-banking. 28 . Deve-se também evitar ataques denial-ofservice (DoS) colocando endereços IPs não válidos para os equipamentos de voz. atendimento online. seja em aplicações de tempo-real ou não.6 DISPONIBILIDADE A disponibilidade é um aspecto da qualidade de serviço abordada normalmente na fase de projeto da rede. a disponibilidade é uma medida da garantia de execução da aplicação ao longo do tempo e depende de fatores tais como: • disponibilidade dos equipamentos utilizados na rede proprietária (Rede do cliente) (LAN. MAN ou WAN). Neste caso específico. Em termos práticos. requisitos de disponibilidade acima de 99% do tempo são comuns para a QoS de aplicações WEB. 3. 3. carriers.

Como a rede utiliza o protocolo IP existem métodos de tornar as informações mais confiáveis e menos suscetíveis a ataques através da utilização de criptografia que já é suportada nativamente pela versão 6 do IP (IPv6). 3. 29 .8 CONFIABILIDADE Algumas providências devem ser tomadas em relação à confiabilidade da rede como um todo. Isso deixaria a rede menos suscetível a falhas e aumentaria assim a qualidade do serviço. Uma solução para aumentar a confiabilidade seria usar equipamentos e links redundantes.

Na realidade. • Subnet Bandwidth Management (SBM). Todas as alternativas citadas. Serão abordados mecanismos de controle e inibição de congestionamento. mas tudo sem se prender às denominações e classificações dos modelos definidos pela IETF. com preferência estatística. Além dessas. dois modelos de classes de serviços para tráfego Internet estão sendo considerados e desenvolvidos pela IETF: o primeiro refere-se aos serviços diferenciados. a determinados tipos de fluxo. técnicas de controle de tráfego com classificação e priorização de fluxo. discute-se os protocolos. excetuando-se as soluções proprietárias.ALTERNATIVAS TÉCNICAS Uma vez identificado os parâmetros relacionados com a qualidade de serviço das aplicações. As alternativas IntServ e DiffServ não são concorrentes ou mutuamente exclusivas. tempo real.4. etc. são apresentadas algumas comparações entre as técnicas abordadas. Porém. na medida em que é uma solução mais "leve" e o IntServ RSVP nas redes de acesso. Para adicionar recursos de qualidade de serviços à pilha TCP/IP. QoS . existem outras alternativas técnicas básicas para a implantação de qualidade de serviço em redes IP. estas são soluções complementares que podem ser utilizadas conjuntamente. O IETF está fortemente empenhado em propor um conjunto de soluções para os mecanismos de controle de QoS que garanta a interoperabilidade dos mesmos entre diferentes fornecedores. • dimensionamento e soluções proprietárias. na medida em que fornece um bom controle com granularidade dos requisitos de QoS das aplicações. que fornece uma garantia absoluta na alocação dos recursos da rede. que provê um tratamento diferenciado. Além disso. são as seguintes: • MultiProtocol Label Switching (MPLS). Isto se dá em função da importância das redes IP para o suporte de novas aplicações multimídia. não é o objetivo principal deste trabalho se aprofundar nos mesmos. denominado Differentiated Services (DIFFSERV) ou ainda de Soft QoS. 30 . também chamado de Hard QoS. são iniciativas do IETF. mecanismos e algoritmos utilizados na implementação efetiva da qualidade de serviço. e o segundo refere-se aos serviços integrados ou Integrated Services (INTSERV). Uma alternativa de uso conjunto das duas soluções seria a utilização do DiffServ no backbone de roteadores (core).

Ao mesmo tempo. e o que chega primeiro é logo atendido. 4.1.1.1 FIFO . o controle de tráfego nas conexões seriais dos roteadores é implementado através de filas FIFO (o primeiro a entrar é o primeiro a sair). é alocado um canal. compartilha o restante da banda com os outros tipos de fluxo de uma forma justa. seriais. já que não requer nenhuma configuração.Weighted Fair Queueing é uma implementação Cisco na qual é possível ponderar determinados tipos de fluxo. A ordem na fila é realizada através do último bit que atravessa o canal. 4. as mensagens são ordenadas em sessões. etc. A ordem de chegada dos pacotes é que determina a alocação da banda.1 CONTROLE E INIBIÇÃO DE CONGESTIONAMENTO Há vários mecanismos de enfileiramento para controle e prevenção de congestionamento em interfaces de roteadores (Ethernet. É o tratamento default da fila nos roteadores. Frame Relay.2 ENFILEIRAMENTO FAIR QUEUEING No algoritmo de Enfileiramento Fair Queueing (enfileiramento justo). e. O WFQ é dinâmico e se adapta automaticamente às mudanças das condições de tráfego. sendo bastante útil em conexões seriais de baixa velocidade até 2 Mbps. reduzindo o tempo de resposta. As principais são apresentadas a seguir.) e switches nível 3.4. aplicáveis tanto em redes WAN como em LAN. a fila WFQ já vem préconfigurada nas interfaces seriais dos roteadores Cisco. 31 . O algoritmo WFQ . Essa operação provê uma alocação mais justa da banda entre os fluxos de dados. Por isso. O algoritmo escalona o tráfego prioritário (interativo) para frente da fila.FIRST IN FIRST OUT Em geral. filas FIFO não servem para aplicações que requerem QoS. Por apresentar um desempenho superior à fila FIFO. Uma fila FIFO é um mecanismo de armazenamento e repasse (store and forward) que não implementa nenhum tipo de classificação. para cada sessão. que pode causar longos atrasos em aplicações sensíveis ao tempo. O problema ocorre em tráfego de rajada.

A banda reservada é compartilhada proporcionalmente. este método deve ser utilizado com cuidado. A classificação pode ser por protocolo (p. Por isso. no percentual pré-definido. se o de maior prioridade tomar toda a banda. normal e low). Backward Explicit Congestion Notification (BECN) e Discard Eligible (DE). o tráfego de menor prioridade pode até nunca ser transmitido. a fila default sempre tem que ser habilitada. ou ainda em tráfego Frame Relay. ou em conjunto com outros protocolos de QoS como o Resource reSerVation Protocol (RSVP). ex. 4. média. entre as aplicações e os usuários. Além disso. pelo campo precedência IP. por interface de entrada ou por lista de acesso. 4.1. por default.PQ (enfileiramento prioritário). Há várias opções de classificação de tráfego numa fila PQ. através dos parâmetros Forward Explicit Congestion Notification (FECN). etc. todo fluxo não classificado (sem uma correspondente lista de prioridade) também poderá não ser enviado. normal e baixa (high.A classificação dos fluxos de dados pode ser realizada de diversas formas: por endereço fonte ou destino.3 ENFILEIRAMENTO PRIORITY QUEUEING Numa fila com Enfileiramento Priority Queueing . Os pacotes não classificados são marcados. o tráfego de entrada é classificado em quatro níveis de prioridade: alta. como VoFR (Voice over Frame Relay) por exemplo. como normal. medium. Isso pode acontecer em conexões de baixa velocidade. A quantidade de filas é configurável e a ponderação pode ser estabelecida por precedência IP. Caso contrário. Num caso extremo. O restante da banda é compartilhado entre os outros tipos de tráfego.1.4 ENFILEIRAMENTO CUSTOM QUEUEING O algoritmo da fila Custom Queueing (CQ) permite especificar uma percentagem da banda para uma determinada aplicação (alocação absoluta da banda). 32 . por protocolo. IP). para evitar longos atrasos e aumento de jitter nas aplicações de menor prioridade. pelo par porta/socket. Durante a transmissão. o tráfego classificado e marcado como prioritário tem preferência absoluta.

RED (detecção randômica antecipada) é um mecanismo para prevenção e inibição de congestionamento ou congestion avoidance. ou ainda utilizar o WRED em conjunto com o Resource reSerVation Protocol (RSVP) para se obter um descarte mais seletivo. mas a fila zero é reservada para mensagens dos sistemas como sinalização. o RED começa a descartar pacotes a uma taxa que pode ser previamente configurada. IP). Então se deve ter disponibilidade de banda nas conexões WAN. A seguir. topologia do backbone. etc. 4. apresenta-se algumas considerações sobre a escolha de qual método utilizar. Baseado nessa classificação. e que produzir uma boa qualidade subjetiva do sinal de voz. por interface de entrada e ainda por listas de acesso. De fato. keep-alive. etc. roteamento estático ou dinâmico. estas são as diretrizes básicas nas considerações iniciais de um projeto VoIP. por protocolo (p. Até 17 filas podem ser definidas. evitando assim situações de congestionamento antes que ocorra picos de tráfego. na prática o que prevalecerá será o método e a configuração dos respectivos parâmetros que se enquadrem nas condições do projeto. é uma implementação da Cisco que combina as funcionalidades do RED com a classificação de pacotes por precedência IP. ex. onde. para cada fila.5 A DETECÇÃO RANDOM EARLY DETECTION (RED) A detecção Random Early Detection .O algoritmo CQ controla o tráfego alocando uma determinada parte da fila para cada fluxo classificado. é enviado a quantidade de pacotes referente à parte da banda alocada antes de passar para a fila seguinte. Associado a cada fila. com diferentes pesos para cada classe. Quando habilitado numa interface. por precedência IP. descartando inicialmente os pacotes de menor prioridade.1. o WRED descarta pacotes seletivamente. descartando pacotes aleatoriamente e indicando para a fonte reduzir a taxa de transmissão. há um contador configurável que estabelece quantos bytes devem ser enviados antes da passar para a próxima fila. WRED. porém. Nesse 33 . ou Weighted RED. As filas são ordenadas ciclicamente num esquema round-robin. O algoritmo monitora o tráfego antecipadamente utilizando as funções de controle de congestionamento TCP. A classificação CQ pode ser feita por endereço fonte ou destino. É possível desabilitar a classificação precedência IP e habilitar o descarte com base apenas no tamanho do buffer da fila.

Os protocolos descritos a seguir realizam tais funções. 4. pode-se obter uma maior economia de banda e. A Figura 8 mostra formação de um pacote RTP. ou para 4 se considerarmos o checksum UDP. é geralmente utilizado em roteadores centrais de backbone (core routers). 34 . que.66% da banda da conexão. WRED é útil em qualquer interface na qual a possibilidade de congestionamento seja eminente. fazer um melhor uso da banda com os protocolos associados às aplicações de voz. Utilizando protocolos de compressão de dados. 4. os fluxos de menor prioridade nas sessões RSVP serão descartados antes dos outros de maior prioridade. neste caso. com a precedência IP habilitada pelos roteadores de acesso (edge routers).2 EFICIÊNCIA EM CONEXÕES Obter a melhor eficiência nas conexões com voz sobre IP significa. totalizando 40 bytes. Essa compressão corresponde a uma redução de até 95% na sobrecarga (overhead) referente aos cabeçalhos.1 COMPRESSÃO RTP O protocolo Compressed Real-time Transport Protocol (CRTP) comprime o cabeçalho do pacote RTP. que transporta o sinal de voz propriamente dito. o do UDP de 8 bytes e do IP de 20 bytes. que transporta o tráfego de voz. na maior parte do tempo. Figura 8 . Entretanto. consegue uma compressão de cabeçalho de 40 para 2 bytes. só de cabeçalho teríamos 66.2. O campo de dados (payload) de um pacote IP de voz é composto pelo pacote RTP. com tecnologias para fragmentação e interleaving.caso. encapsulado num pacote UDP. antes que ocorra uma situação de congestionamento. Considerando o payload IP de 20 bytes. obtém-se uma melhor qualidade do sinal de voz.Encapsulamento de pacote VoIP O tamanho do cabeçalho RTP é de 12 bytes. com uma boa qualidade. Com isso surgiu o protocolo CRTP.

principalmente. p. então. Já as técnicas de interleaving intercalam os pacotes menores.3 CONFORMIDADE E POLICIAMENTO DE TRÁFEGO 4. A compressão CRTP é bastante útil em conexões de baixa velocidade (64 Kbps.2 FRAGMENTAÇÃO E INTERLEAVING No modelo apresentado na Figura 4. entre os "pedaços" do "jumbograma" para posterior transmissão. combinado com a sobrecarga da execução CRTP. Essa situação é bastante inadequada para tráfego sensível a retardo. ou Link Fragmentation and Interleaving (LFI). Se for habilitada compressão RTP. e o que for RTP é separado para compressão. ou GTS como chamada.A operação CRTP é simples. considere a existência de uma sessão File Transfer Protocol (FTP) entre os dois pontos. Portanto. uma vez que a relação custo versus benefício pode não compensar. em conexões com grande Maximum Transmission Unit (MTU). o sinal pode até perder a inteligibilidade. incluindo os de voz. o que. processado num compressor e colocado novamente na fila para ser transmitido. pode causar queda de desempenho do mesmo. A fragmentação consiste em quebrar. o uso do CRTP não é sugerido em enlaces de alta velocidade. reduzindo o atraso e a variação deste. o roteador estiver processando um grande pacote FTP. soará como soluços. Isso acontece. o roteador só funcionará em process switch em vez de fast switch. o chamado jitter. grandes datagramas ("jumbogramas") em partes menores. amenizam esse problema. ex. no momento da chegada de um pacote de voz. O tráfego RTP é. ou fragmentar. mas também possui desvantagens. O tráfego total destinado a uma determinada interface é classificado. 4. (em português conhecido como Conformidade de Tráfego) provê mecanismos para controle de tráfego utilizando 35 . subjetivamente.). 4. As técnicas de fragmentação e interleaving. o sinal de voz para o receptor chegará com pausas e. Se.1 GENERIC TRAFFIC SHAPING Generic Traffic Shaping.3. Essas técnicas são bastante úteis em enlaces de baixa velocidade.2. Se as pausas forem demoradas.

com o uso de listas de acesso para classificar e selecionar o tráfego. também chamada de CIR (Committed Information Rate). 36 . o CAR examina o tráfego recebido na interface ou parte do tráfego selecionado pelos critérios das listas de acesso. duas funções para qualidade de serviço: • gerenciamento de banda com limitação de taxa de acesso (policing) . que pode ser configurada pelo administrador ou derivada da interface. Possui três componentes: um amanho de rajada em bits (burst size). enquanto os pacotes que excedem os limites pré-definidos.permite particionar a rede em múltiplas classes de serviços ou níveis de priorização).filtros conhecidos como token bucket6. compara a taxa de tráfego com a do token bucket e. em situações de congestionamento. para limitar o tráfego de rajada de forma a não prejudicar o tráfego prioritário. • classificação de pacotes através de precedência IP ou de grupos de QoS (um rótulo interno do roteador utilizado para definição de classes . eliminando possíveis gargalos. e um intervalo de tempo (TC) em segundos. limitando o tráfego de saída de uma interface a uma determinada taxa. ou. ou são descartados. Por exemplo. como transferência de arquivos. 6 Token Bucket é uma definição formal para taxa de transferência. para limitar um determinado tipo de tráfego não sensível a retardo. ou são reclassificados com outra prioridade para retransmissão. na média.2 POLICIAMENTO OU COMMITTED ACCESS RATE (CAR) O Committed Access Rate (CAR) é o método para policiamento e controle de tráfego IP que realiza. Funciona com qualquer tecnologia de enlace (nível 2) como Frame Relay. de acordo com o resultado. sendo liberado sob regras pré-definidas de acordo uma política de controle de tráfego. utilizando também o mecanismo token bucket. que especifica o quanto de dados. 4. ATM (Asyncronous Transfer Mode). O tráfego classificado vai para um buffer limitador. O tráfego CAR é transmitido ou recebido.permite controlar a taxa máxima de transmissão ou recepção de dados de uma determinada interface.3. também chamado de committed burst (BC) que especifica o quanto pode ser enviado num determinado intervalo de tempo. reduzindo assim a latência. Conformidade de tráfego pode ser útil em vários casos. A GTS aplica-se apenas em interfaces de saída. Switched Multimegabit Data Service (SMDS) e Ethernet. basicamente. pode ser enviado por unidade de tempo. intervalo de medida que especifica o tempo por rajada. Para isso. uma taxa média (mean rate) em bps.

em grupos de QoS. pode transmitir o pacote. em listas de acesso (padrão ou estendida). FTP. Com o CAR. ainda. uma conexão serial a 2 Mbps. para tratamento diferenciado em termos de qualidade de serviços..toma uma ou várias ações. A profundidade do balde é o tamanho da rajada (burst size). etc. ou pode-se classificar ou reclassificar todo o tráfego de entrada num backbone a partir dos roteadores de borda. descartá-lo ou reclassificálo com outro nível de prioridade.. ex.Comparação entre CAR e GTS CAR Aplica-se em tráfego de entrada e de saída Não "buferiza" nem molda tráfego Pode marcar pacotes (ex: precedência IP) GTS Aplica-se apenas em tráfego de saída Molda e suaviza o tráfego Não possui essa funcionalidade Em Frame Relay. Os critérios de seleção de tráfego podem ser baseados em todo tráfego IP. por interface (p. então o tráfego é dito excessivo. Se não houver tokens suficientes. O quadro 5 abaixo apresenta as diferenças entre CAR e GTS: Quadro 5 . Ou seja. O endereço MAC e a precedência IP podem ser definidos através de listas de acesso rate-limit. mas com acesso limitado em 512 Kbps). Os tokens são inseridos no balde na mesma taxa CIR. Se houver tokens suficientes quando o tráfego chega ao balde. não suporta FECN e nem Suporta FECN e BECN em Frame BECN Suporta políticas em cascata Não suporta uso com RSVP Suporta listas padrões e estendidas Gerência o descarte entre o normal_burst e o extended_burst Executa no modo distribuído (VIP do 7500) Relay Não suporta essa funcionalidade Suporta RSVP quando usa WFQ Suporta apenas listas estendidas Não suporta essa funcionalidade Não suporta essa funcionalidade Fonte: Qualidade de Serviço em VoIP II [SILVA. por endereço MAC (p. em precedência IP. etc). ex. pode-se limitar o tráfego por aplicação (Web. então o tráfego é dito estar em conformidade e a quantidade correspondente de tokens é removida. controle de tráfego em Pontos de Troca de Tráfego (PTT)). em endereço MAC ou. 2001] 37 .

Uma conexão de voz igual a 64 Kbps e um canal E1(G703/G704) igual a 30 conexões de voz. 1999] Quadro 6 – Comparação entre diferentes tecnologias e seus protocolos Voz Órgão de Padronização Sobre ATM ATM Fórum Sobre IP IMTC7 H. 7 38 .11 FRF. porém não serão dadas. no projeto.323 RTP MGCP SIP Sobre FR Frame Relay Forum Padrões AAL1/CES AAL2 AAL5 FRF.12 Fonte: Voz sobre IP [BARROS. características desses órgãos e nem especificidades que venham a ocorrer em suas tecnologias. 1999] International Multimedia Telecommunications Consortium (IMTC) é uma corporação fundada para promover a criação e adoção de padrões internacionais para "Multipoint videoconferencing" e "Document Conferencing". PBX Telefonia PBX Pública Figura 9 – Rede telefônica tradicional usa canais TDM para transporte da voz Já existem hoje alguns órgãos que padronizam o tráfego de voz sobre ATM. diferentes da tecnologia IP. apresentando no máximo algumas comparações entre as mesmas. [BASTOS. Na figura 9 mostra-se a telefonia pública atual. denominada telefonia IP (Internet Protocol). sobre IP e sobre Frame Relay. nos anos 90. a rede pública telefônica de linha discada era amplamente utilizada para o fluxo de dados. Esse é o princípio de funcionamento da mais recente tecnologia surgida no mercado da telecomunicação. Com o advento e a evolução dos canais de banda larga surgiu a possibilidade do tráfego de voz na rede de dados. VOZ SOBRE IP (VoIP) Durante a explosão da internet. além de seus protocolos.5. como mostra o quadro abaixo.

Quadro 7 – Comparativo das tecnologias de rede para a transmissão de voz Tecnologias de Rede Economia de custos Desempenho Utilização mundial Aplicações em potencial PSTN8 Baixo Alto Alto Baixo Frame Relay Alto Alto Moderado Baixo Intranet (IP) Alto Moderado Moderado Alto Internet (IP) Muito alto Muito Baixo Alto Alto ATM Baixo Alto Baixo Baixo Fonte: Fonte: Voz sobre IP [BARROS. dependendo do caso. além de dados. Sabe-se também que geralmente há um grande número de ligações telefônicas entre seus diversos pontos de presença. ela primeiramente deve ser codificada. que além de codificar também irão comprimir os dados.é a rede de telecomunicações que torna possível chamadas telefônicas. também voz e conseqüentemente reduzir de forma considerável. que permite utilizar a rede IP para trafegar. Com o objetivo de diminuir este custo e aproveitar uma possível ociosidade da rede. 8 39 . transferência de arquivos. Public Switched Telephone Network (Rede Comutada de Telefonia Pública) . na maioria dos casos. utilizando o protocolo UDP da camada de transporte. Essas redes são utilizadas. ocasionando assim um custo considerável. denominada VoIP (Voz sobre IP). Suas redes locais de computadores geralmente são interligadas através dos backbones das concessionárias de telecomunicações. etc. o custo com ligações telefônicas. Tal codificação é feita utilizando-se equipamentos especiais. deve-se transformar o sinal analógico da voz em um sinal digital para que o mesmo possa fazer parte do campo de dados de um pacote IP. para acesso a banco de dados. Tais dispositivos são chamados de coders. formando assim uma única rede corporativa. Ou seja. Para que a voz seja transmitida através de uma rede IP. foi desenvolvida uma tecnologia. estados e até países. utilizando na maior parte das vezes o protocolo IP. Os mais modernos além de comprimir ainda fazem supressão de silêncio e cancelamento de eco. envio de mensagens. 1999] Algumas empresas hoje de médio e grande porte possuem pontos de presença em várias cidades. A Figura 10 mostra o processo de codificação e empacotamento das mensagens.

O fato de a tecnologia VoIP ser ainda emergente não é um fator de inibição. Esses desafios incluem a interoperacionalidade entre redes. devido ao alto tráfego de dados.Figura 10 . A tecnologia de voz sobre IP (VoIP) adota padrões internacionais. as empresas estão avaliando o transporte de voz sobre as redes IP para reduzir os custos de telefonia e fax. tornando realidade às convergências dos serviços.Codificação e encapsulamento do fluxo de voz em pacotes IP. pois existe uma grande aceitação do mercado para a mesma. em contrapartida. 5. 40 . escalabilidade e confiabilidade. as redes telefônicas convencionais são redes de comutação de circuitos. Os desafios encontrados pelos provedores de telecomunicações para liberar produtos comerciais estão começando a ser vencidos. perda de pacotes. com a vantagem de utilização de aplicações multimídia avançadas. A Internet e as Intranet corporativas estão sendo habilitadas para transportar todo o tráfego de voz requerido pelas organizações. Os serviços de transmissão de voz sobre redes IP possibilitam a integração aos serviços de dados e vídeo. retardo (delay). pois sua utilização na Internet ainda não é confiável e não apresenta uma boa qualidade. Atualmente. A tecnologia VoIP tem sido utilizada com o intuito de trazer grandes benefícios quando aplicada em redes privadas.1 LIMITAÇÕES DAS REDES IP PARA TRANSMISSÃO DE VOZ As redes baseadas no protocolo IP oferecem algumas limitações para garantir uma qualidade de voz e estas surgem em virtude das redes baseadas em IP serem redes de comutação de pacotes.

É reservada estaticamente a largura de banda necessária com antecedência e o que não for utilizada em circuito alocado é simplesmente desperdiçada. antes que qualquer dado possa ser enviado. Outra dificuldade para a voz. Assim. pois não há compartilhamento de recursos. está relacionado ao fato de as redes IP trabalharem com o "melhor esforço" (best effort). o pacote é armazenado para transmissão e. todos os pacotes são tratados de forma igual. 1999] Atrasos são outras barreiras para os pacotes de voz. sem compartilhamento. E como não é alocado um caminho dedicado a uma conexão cada pacote pode percorrer uma rota diferente. onde a principal característica é a necessidade de se estabelecer um caminho fim-a-fim. ele não pode "furar" fila.A comutação de circuitos é uma técnica de comunicação. 1997] Nas redes de comutação de circuitos. onde a largura de banda somente é usada quando é preciso e a banda não utilizada pode ser utilizada por outros pacotes entre origens e destinos não associados. Quando um pacote chega na fila do roteador.Quallity of Service). atrapalham a cadência na transmissão da voz. [TANENABAUM. [DELFINO. pois os circuitos nunca são dedicados. Se houver espaço nos buffers dos roteadores. FIFO (First In First Out) primeiro que entra é o primeiro que sai. A comutação de pacotes é uma técnica de comunicação. Assim garante-se qualidade de serviço (QoS . Os atrasos fixos podem ocorrer por diversos motivos: • compressão: tempo gasto na codificação da voz. geralmente perde-se a seqüência dos pacotes transmitidos. que por sua vez ficam dedicados somente durante àquela conexão. sem prioridades entre eles ou discriminação entre os diversos tipos de tráfegos. um caminho fim a fim é estabelecido ao se efetuar a conexão entre o transmissor e o receptor. ele é descartado. Os atrasos fixos causam desconforto na conversação e os variáveis. • entre processos: atraso em devido aos handoffs entre os roteadores da rede. As redes de comutação de pacotes compartilham recursos entre os diversos usuários que desejam transmitir. 41 . Nessa rede também é preciso o processamento dos nós intermediários de uma conexão. É estabelecida uma banda e demais recursos da rede. ela se encontrará inutilizada. mas perde-se na eficiência dos recursos da rede. a qual exige cadência. ou seja. Eles podem ser de dois tipos: fixos ou variáveis (jitter). caso contrário. pois mesmo se não for transmitido nada na banda alocada.

mas também de fundamental consideração são as perdas existentes na rede. Em contraponto a todas essas dificuldades.1 FONTES DE ATRASO EM TRANSMISSÃO DE VOZ EM REDES DE PACOTE Não só os atrasos. Outro problema a ser considerado é a escassez de banda. Contudo. A priorização pode ser mais eficiente. Este protocolo. Estes são causados principalmente pelo enfileiramento dos pacotes nos roteadores. que não efetua a reordenação. bem como uma melhoria no tempo de processamento dos nós. ou já estão estabelecidas. Para o tráfego de voz codificado sem compressão. A conversação normal possui intervalos de silêncio. Valores mais altos do que isto. Para resolver os problemas relacionados ao congestionamento e atrasos. o UDP é o tipo datagrama. quando empregada com outras 42 . Por isso. 5. • buffer: em função do tamanho do buffer.• transmissão: limitações de velocidade dos enlaces. em algumas situações. nem a recuperação por retransmissão. é possível mencionar também como uma dificuldade que se afigura o uso do protocolo UDP como transporte para aplicação de voz.1. porém. gerando. assim. congestionamento. na Internet. podemos empregar mecanismos de controle de congestionamento e atribuição de prioridades. que permitem contornar estes obstáculos. tem a vantagem de ser o mais adequado para se manter a cadência da conversação. Apesar do protocolo TCP tentar garantir a recuperação contra congestionamento e perdas. estaremos aumentando a sensibilidade em relação às perdas. ao comprimirmos a voz. como ocorre com a telefonia convencional. Além do mais. pois causam perda de interatividade. Para finalizar. elas não são tão importantes. • rede: uma função da capacidade da rede. podem ser atingidos. ele pode ser um emissor agressivo para a rede. uma garantia maior só é obtida utilizando uma banda maior disponível. 250ms) são considerados intoleráveis para transmissão de voz. Atrasos da ordem de 150ms (para alguns. o que pode gerar um desperdício de recursos em se tratando de alocar uma possível banda fixa. serão mostradas a seguir as tecnologias que estão em desenvolvimento. mas não possui controle de congestionamento algum. Os atrasos variáveis são decorrentes do tráfego e do congestionamento da rede. existe alguma tolerância a perdas quando se trata da transmissão de voz. Contudo. • descompressão: tempo gasto na descompressão.

Além disso. Os algoritmos mais modernos modelam padrões matemáticos da conversação humana e subtraem no caminho de transmissão. para compensar os atrasos e perdas de pacotes que ocorrem de forma inevitável. Podem ser implementados métodos de estimação do conteúdo de pacotes perdidos baseados nos pacotes previamente enviados. deve-se empregar algoritmos de cancelamento de eco de forma a evitar tais incômodos. para garantir QoS para a transmissão de voz são: • Resource reSerVation Protocol (RSVP): primeiro padrão industrial para garantir QoS em redes heterogêneas. os pacotes de voz aumentam a sensibilidade a perdas. caso o fluxo de voz não esteja em uso. Ele 43 . eliminando as variações de atrasos que podem ocorrer na rede. Outro problema que pode irritar o ouvinte durante a conversação telefônica é o eco. alguns métodos como a priorização de pacotes UDP. podendo assim se conseguir um enfileiramento de pacotes de dados à frente de qualquer pacote de voz. ou são assuntos de pesquisa no ambiente Internet. esta técnica deve ser empregada no mesmo roteador que faz a codificação de voz. garantindo um bom desempenho por parte da transmissão de dados. e ocupando a banda por outros pacotes quando intervalos de silêncio ocorrem. estão emergindo para garantir o tráfego de voz fluindo suavemente. Os algoritmos de priorização podem limitar dinamicamente o tamanho dos quadros de dados. se há presença de pacotes de voz. Para funcionar de forma eficiente. donde vemos a importância dos mecanismos que evitam tais características. os roteadores devem empregar técnicas de bufferização e ocultamento de erros. Buffer na extremidade receptora enfileiram uma pequena quantidade de pacotes. Consegue-se assim. Com a compressão. Como forma de melhorar a banda deve-se empregar algoritmos de compressão de voz e supressão de silêncio. consegue-se obter áudio de boa qualidade numa banda menor. Os algoritmos de compressão empregam a supressão de silêncio. que ocupam até 40% da conversação telefônica. O RSVP é um protocolo de sinalização que tem a capacidade de requisitar um determinado nível de QoS através da rede. Já quanto ao controle de congestionamento. Entretanto. antes de sua execução.técnicas que aceleram o fluxo dos pacotes de voz. Os mecanismos que estão implementados. diminuir os tempos de enfileiramento dos pacotes de voz. eliminando as pausas. de forma a repor a informação ausente. Assim. há que se levar em consideração que com a compressão.

9 Internation Telecom Union (ITU-T). ou seja. organismo que define padrões para redes de computadores e telecomunicações. • Real Time Transport Protocol (RTP) e Real-Time Control Protocol (RTCP): O RTP é constituído por uma parte de dados e outra de controle. • Política de escalonamento . RTCP. entre outros [ITU-T RECOMMENDATION H. Realiza a reconstrução de temporização. com compressão de cabeçalho para um valor de 2 a 4 octetos.carrega o pedido pela rede visitando cada nó que a rede usa para carregar o fluxo. Este padrão prevê. O RTCP dá suporte a conferência em grupo. a taxa de transmissão não excederá a taxa média. 40 octetos. • protocolos utilizados para o controle da chamada. estabelecimento dos canais de comunicação e negociação de qualidade de serviço. 1996]: • algoritmos padrões de compressão que devem ser implementados de forma a garantir a compatibilidade. conhecidos como áudio codecs ou vocders.Prioridades Weighted Fair Queuing (WFQ) e Random Early Detection (RED): O tráfego entrante é associado a uma fila. Como a sobrecarga do uso do IP-UDP-RTP é grande.2 A ARQUITETURA DO PADRÃO H. Fast Ethernet e Token Ring. O RSVP deve ser implementado nó a nó. Esse mecanismo diminui o jitter. implicando em problemas de escalabilidade.323 do Internation Telecom Union (ITU-T)9 é um padrão que cobre diversos tipos de comunicação multimídia em redes locais que não provém QoS garantida. Por definição. Estas redes incluem TCP/IP em cima de Ethernet.323 O padrão H. 5. Pode-se também implementar pesos (WRED) configurados no campo ToS (Type of Service) do datagrama IP. a detecção de perdas e identificação de conteúdo. O WQF evita que o tráfego chegue a uma situação de starvation. é adotada a verão CRTP. A fila com maior prioridade é servida até que se esvazie e assim pacotes nas outras filas vão sendo servidos. O RED é um algoritmo de prevenção contra congestionamento. • Suavização de Tráfego: Taxa Média = (Tamanho de Rajada) / (Intervalo).323. identificação de fontes e suporte a roteadores de nível 2 (bridges) para áudio e vídeo. pois ele divide a banda com "justiça". 44 . Os tráfegos críticos vão ficar com maior banda causando prejuízo aos outros tráfegos (starvation). também dá suporte a tradutores de multicast para unicast.

• interoperabilidade com outros terminais de voz, como telefonia convencional, Rede Integrada de Serviços Digitais (RDSI), voz sobre ATM (Asynchronous Transfer Mode), e outros, permitindo assim a construção de gateways; • elementos ativos do sistema e suas funções. 5.2.1 PILHA DE PROTOCOLOS Segundo [MONTEIRO, 2001], os pacotes de áudio, e vídeo e registro usam o protocolo UDP enquanto que os pacotes de dados e controle usam o protocolo TCP. O quadro 8 abaixo mostra a pilha de protocolos do H.323. Quadro 8 - Pilha de protocolos – H.323 Aplicações de Aplicações de Vídeo áudio G.711 G.723 G.728 G.729 RTP UDP H.261 H.263 Controle e Gerenciamento H.225.0 RTCP Canal RAS H.225 Canal de Sinalização de Chamada H.245 Canal de Controle

X.224 Classe 0

TCP Nível de Rede (IP) Nível de Enlace Nível Físico Fonte: Implementação de transporte robusto de voz em rede baseadas em protocolos IP [BARROS, 1999] O protocolo H.323 utiliza em suas diversas funcionalidades de uma família de recomendações ITU-T: sinalização de chamada H.225.0, RAS H.225.0 e o controle de mídia H.245 [SERGIO, 2001]. O H.225.0 é usado em conjunto como o H.323 e fornece a sinalização para controle de chamada. Para fazer uma chamada de uma fonte para um receptor, um canal RAS H.225 é usado. Após o estabelecimento da chamada, o H.245 é usado para negociar o fluxo de mídia. Além dos protocolos citados acima hoje já se utiliza o protocolo H.335 para segurança, o H.246 para interoperabilidade com RTPC, e a série H.450.x para serviços suplementares. Todos os padrões fazem parte da série H de Recomendações. [SERGIO, 2000].

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Aplicação e Áudio Codecs e Vídeo Codecs - utiliza o protocolo Real Time Control Protocol (RTP) para transmissão de pacotes. H.225.0: RAS Registration, Admission and Status – o canal RAS é usado para comunicação entre pontos finais e o gatekeeper (componente que age como ponto central para todas as chamadas dentro de sua zona, além de provê controle de chamada entre estações). Uma vez que as mensagens RAS são enviadas utilizando-se o UDP (um protocolo não confiável), o uso de timeouts e retransmissão de mensagens é recomendado. Os procedimentos definidos por um canal RAS são: a) descoberta do gatekeeper: este é o processo utilizado pelos pontos finais para determinar o gatekeeper no qual eles devem se registrar; b) registro de ponto final: este é o processo pelo qual um ponto final junta-se uma zona e informa ao gatekeeper sobre seus endereços e de transporte; c) localização do ponto final: um ponto final ou gatekeeper que possui um endereço alias de um ponto final e deseja determinar suas informações de contato pode utilizar uma mensagem específica; d) mensagens: o canal RAS também é usado para transmissão de mensagens de admissão, mudança de largura de faixa, status e desligamento. RTP/RTCP Real Time Protocol / Real Time Control Protocol -usado para transporte do fluxo de pacotes multimídia, com características de tempo real, executando também funções de estatísticas de qualidade de serviços, mais detalhes sobre esses protocolos serão apresentados posteriormente. H.225.0: Sinalização de chamada - o canal de sinalização de chamada é usado para carregar mensagens de controle H.225. Em redes que não possuem uma gatekeeper, as mensagens de sinalização de chamadas são passadas diretamente entre o ponto que chamou e o que foi chamado, utilizando-se um endereçamento de sinalização de chamada. Em redes que contem um gatekeeper, as trocas de mensagens de admissão iniciais são feitas entre o ponto que chama e o gatekeeper, através de mensagens de endereçamento RAS. H.245: Controle de conferência e mídia - o H.245 é o protocolo de controle de mídia que os sistemas H.323 utilizam depois que a fase de estabelecimento de chamada foi completada. O H.245 é usado para negociar e estabelecer todos os canais de mídia conduzidos pelo RTP/RTCP.

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O H.245 é usado para possibilitar o uso de canais, o Q.931 é usado para a sinalização e o estabelecimento da chamada, o RTP é o protocolo de transporte em tempo real que carrega os pacotes de voz enquanto que o RAS é usado para interação com o gatekeeper. As funcionalidades oferecidas são as seguintes: a) determinação de mestre e do escravo: o H.245 designa um Controlador de Multiponto (MC) que é responsável pelo controle central em caos onde uma chamada é estendida a uma conferência.; b) troca de capacidades: o H.245 é usado para negociar as capacidades quando uma chamada é estabelecida. A troca de capacidades pode ocorrer em qualquer momento durante a chamada, portanto possibilitando renegociar a qualquer momento; c) controle do canal de mídia: após os pontos finais de uma conferência terem trocado capacidades, eles podem abrir e fechar um canal lógico de mídia; d) controle de conferência: em conferências, o H.245 fornece aos pontos finais anúncios mútuos e estabelece o modelo de fluxo de mídia entre todos os pontos finais. Q.931 – Mensagem trocadas entre terminais para sinalização de chamada Multipoint Control Unit (MCU) – o MCU é um ponto final da rede que fornece a capacidade de três ou mais terminais e gateways de participarem de uma conferência multiponto. O MCU consiste de um Controlador Multiponto (MC) e Processadores Multiponto (MP). O MC determina as capacidades comuns dos terminais usando o H.245, mas ele não executa a multiplexação de áudio, vídeo e dados. A multiplexação dos fluxos de mídia é feita pelo MP sobre o controle do MC. É importante observar ainda que os protocolos RTP, RTCP e RAS utilizam na camada de transporte de protocolo não orientado a conexão User Datagram Protocol (UDP), ao contrário da dupla H.245/Q.931, que utiliza o protocolo orientado a conexão TCP. A recomendação H.323 tem como uma de suas características a flexibilidade, pois pode ser aplicada tanto à voz, quanto a vídeo conferência e multimídia. Aplicações H.323 estão se tornando populares no mercado corporativo por várias razões, dentre elas pode-se citar:

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vídeo e dados. Os esforços destas companhias estão gerando um nível mais alto de consciência no mercado.323. b) as redes baseadas em IP estão ficando mais velozes. d) descreve elementos ativos do sistema e suas funções.323 têm que suportar o H. 48 . a ITU-T propôs o padrão H. Com o H.323. Q. Esses são os clientes da Local Area Network – LAN (redes locais) que fornecem comunicação em tempo real e nas duas direções. Rede Integrada de Serviços Digitais (RDSI). 2001]. e) a especificação H. voz sobre ATM e outros.245. Todos os terminais H. permitindo que os clientes possam usar aplicações de voz sem mudar a infra-estrutura de rede. e a Gigabit Ethernet está fazendo progressos no mercado.323 – Computador onde está implementado o serviço de telefonia IP. Microsoft. As principais características deste padrão são: a) especifica algoritmos padrões de compressão que devem ser implementados de forma a garantir compatibilidade. conhecidos como áudio codecs ou vocoders. d) o fluxo e dados em redes podem ser administrados. permitindo assim a construção de gateways. b) cria protocolos utilizados para o controle da chamada. além da largura de banda para redes com arquitetura Ethernet estarem migrando de 10 Mbps para 100 Mbps. estabelecimento dos canais de comunicação e negociação de qualidade de serviço. incluindo a Intel. atuando como terminal de serviço de telefonia IP. sendo mais difundido atualmente. Registration Admission and Status (RAS) e Real Time Protocol (RTP).a) o H.931. c) permite a interoperabilidade com outros terminais de voz. o gerente de rede pode restringir a quantidade de largura de banda disponível para conferências e voz. como terminal de voz.323 tem o apoio de muitas empresas de comunicação e organizações. através de recursos multimídia. c) o H.323 define padrões de Voz para uma infra-estrutura existente. Terminal H. especialmente por ser o precursor da Telefonia IP e ser o primeiro padrão a tratar deste tema. De acordo com [NÓBREGA. como telefonia convencional.323 provê padrões de interoperabilidade entre LANs e outra redes. O suporte à comunicação Multicast também reduz exigências de largura de banda. Cisco e IBM. além de ser projetada para compensar o efeito de latência em LANs.

a comunicação se faz via gateway através dos protocolos H. Eles executam a função de translação entre diferentes formatos de dados. Os gateways são opcionais em uma rede local (LAN) onde os terminais se comunicam diretamente. Isto é feito usando-se uma tabela de tradução que pode ser atualizada através de mensagens de registro. codificadores de vídeo e suporte para Multipoint Control Unit (MCU). Gateway H.225. Um gateway H. Gatekeeper – Ele é o componente mais importante de um sistema H.245 e Q. Ele atua como ponto central para todas as chamadas dentro de sua zona (é a agregação do gatekeeper e dos terminais registrados nela).323 pode comunicar com outro terminal. b) controle de admissão: o gatekeeper pode permitir ou negar acesso baseado em autorização de chamada.323.323 é um ponto final da rede que fornece comunicação em tempo real nas duas direções entre terminais H. como o sistema telefônico convencional (RTPC). um número telefônico ou algo similar) para um endereço de transporte. ele pode ser um endereço de e-mail.323 – Elemento situado entre uma rede IP e outra de telecomunicações.323 podem também incluir o protocolo de conferencia de dados T.120.931. c) sinalização de chamada: o gatekeeper controla o processo de sinalização entre dois pontos finais que querem se conectar.323 em uma rede IP e outros terminais ITU em uma rede comutada ou para outro gateway H. Algumas das funcionalidades que os gatekeepers fornecem são: a) tradução de endereços: tradução de um endereço alias (o endereço alias fornece um método alternativo de endereçamento de um ponto. endereço de fonte e destino. 49 .Os terminais H. d) autorização de chamada: o gatekeeper pode rejeitar chamadas de um terminal devido às falhas de autorização através do uso de sinalização H. de forma a permitir a interoperabilidade entre as duas redes. e fornece serviços aos pontos finais registrados.323 e executa a função de gerente. um gateway ou um MCU. rede de telefonia celular. rede integrada de serviços digitais (RDSI). Um terminal H. As razões para rejeição poderiam ser acessos restritos durante alguns períodos de tempos ou acesso de certos terminais ou gateways. etc. mas quando os terminais precisam se comunicar com um ponto final em outra rede.

Suporta transferência de dados para múltiplos destinos. 5. As aplicações geralmente usam o RTP juntamente com o UDP. Essa informação pode ser necessária para indicar que um terminal chamado está ocupado. detecção de perda de datagramas.3.225. A Figura 11 mostra como fica um pacote IP utilizando os protocolos ideais para a transmissão de voz. Podemos citar entre outros os protocolos RTP e RTCP.e) gerenciamento de largura de faixa: Controle do número de terminais que podem acessar simultaneamente a rede. Porém não implementa as funcionalidades de garantia de qualidade de serviço e garantia de entrega. segurança.Dados RTP em um pacote IP 50 . Através do uso da sinalização H.3 PROTOCOLOS PARA TEMPO REAL Existem protocolos na camada de aplicação que se propõem a melhorar a entrega de dados que devem ser transmitidos pelos aplicativos em tempo real. usando distribuição multicast e também possui habilidades como: reconstrução de sincronismo. 5. entre outras. porém pode ser usado com outros protocolos de transporte. o gatekeeper pode rejeitar chamadas de um terminal devido à limitação de largura de faixa. Figura 11 . como por exemplo: áudio e vídeo interativos.1 REAL-TIME TRANSPORT PROTOCOL (RTP) O protocolo RTP provê serviços de entrega fim-a-fim para dados que possuem características de tempo-real. f) gerenciamento da chamada: O gatekeeper pode manter uma lista de chamadas H.323 em andamento. e fornecer informações para a função de gerenciamento de largura de faixa. Como uma conversação telefônica também acontece em tempo-real faz-se necessário à utilização de protocolos especiais para tempo-real que auxiliam (de forma a torná-lo mais eficaz) o processo de transmissão da voz.

Isso auxilia o receptor a reconstruir a voz de acordo com o algoritmo especifico de codificação que foi utilizado pelo transmissor. Trata-se de um protocolo opcional cuja principal função é transmitir periodicamente pacotes de controle para os participantes de uma conversação com o objetivo de monitorar a qualidade de serviço e transportar informações úteis de tais participantes. Isso ajuda a delimitar a área da rede em que o problema pode estar ocorrendo. Trata-se de um protocolo bastante utilizado em aplicações de vídeo-conferência. 5.2 REAL-TIME TRANSPORT CONTROL PROTOCOL (RTCP) RTCP é um protocolo que pode ser usado juntamente com o RTP.3. porém sua utilização não é necessária para que o RTP funcione. 51 . Algumas especificações do IETF recomendam que a fração de largura de banda que deve ser usada pelo RTCP deve ser 5% da largura utilizada pelo RTP. Embora as informações retornadas pelo RTCP não informem onde determinado problema está ocorrendo (somente informa que está ocorrendo um problema).O campo payload type inclui o esquema de codificação usado pelo media gateway para digitalizar a voz. A quantidade de largura de banda utilizada pelo RTCP deve ser pequena para que não atrapalhe no transporte dos dados (no caso a voz). elas podem servir como ferramenta para localizar o problema. Pois as informações podem ser geradas por diferentes gateways em uma rede.

Assim. sendo utilizado por grande parte das operadoras tradicionais do mercado VoIP.323. o H. pois o protocolo é aberto e permite a criação de novas aplicações corporativas. por seu lado. os fabricantes vêm lançando produtos compatíveis com o SIP. está hoje em vantagem.323 e o SIP utilizam a inteligência dos equipamentos na ponta. mas que.323 e um outro que vem ganhando força e confiabilidade o Session Iniciation Protocol mais comumente chamado de SIP.323 tende a perder espaço com o tempo. Muito pelo contrário. Portanto. Aliás. há uma competição saudável dos protocolos. um dos problemas sentidos nos projetos corporativos está exatamente nessa dificuldade de fazer com que equipamentos de marcas diferentes conversem entre si.323 e o SIP. O fato de o SIP ser três anos mais novo que seu principal concorrente lhe dá vantagens. O SIP é uma evolução natural do mundo de VoIP. Mas as similaridades entre os dois param por aí. Vale ainda frisar que o pouco tempo de vida do protocolo não significa imaturidade do mesmo.323 tem mais tempo de estrada. não ignoram tal tendência. Ambos foram criados com o mesmo objetivo: possibilitar o tráfego de voz e multimídia sobre IP. em termos de flexibilidade e pelo fato de rodar nos padrões da Internet. o SIP vem ganhando cada vez mais espaço no setor. que rodam nativamente H. o H. por outro lado. [TRADESYS. o H. Nesse sentido. A tendência é que. enquanto o SIP nasceu três anos depois. das mãos do IETF. tendem a adotam ambientes compatíveis com aplicações mais avançadas rodando SIP. 2005] A tendência é que as empresas partam para o SIP. É importante lembrar que ao contrário de outros protocolos que se baseiam no modelo centralizado. Para abocanhar um pedaço do crescente mundo de voz sobre IP. No entanto.323 saia de cena e o SIP seja largamente implementado por todas 52 .6. Na prática. principalmente nos EUA e Europa. Como o H. considera-se que os padrões como complementares. pois permite uma interoperabilidade entre os dois protocolos. faz-se uma comparação entre o protocolo padrão atual o H. PROTOCOLO SIP E AS TENDÊNCIAS FUTURAS Neste capítulo. por ser um protocolo fechado. passam a existir dois padrões principais: H. Os fornecedores. por sua facilidade de permitir o desenvolvimento de aplicações. O primeiro oficializado em 1996 pelo ITU-T. gradativamente. A principal justificativa desses novos produtos é ter que lidar com um legado de equipamentos antigos.

235 (Gateway to Gatekeeper) como descritos anteriormente. somente citados para efeito didático. a qual cria um leque mais extenso de produtos. as empresas já estão sendo beneficiadas pela competição. em ambientes com alto tráfego de chamadas. o H. Uma vantagem em relação ao SIP. Com isso.as operadoras como o novo padrão de mercado. termos esses que não serão explicados nesse trabalho. por exemplo. Ua Servers Componentes 53 . do ponto-de-vista técnico. o servidor tem condições de. Outras características estão separadas em um protocolo ortogonal.1 SIP X H. Já o H.323.323 e SIP H. o SIP exige menos ciclos de processamento para gerar a sinalização de mensagens. como capacidade de troca. manusear mais transações do que o H. ao utilizar autenticação por HTTP (Hypertext Transfer Protocol).120. QoS. por outro lado.323 usa apenas o H.323 suporta inteiramente conferência de vídeo e dados. locação de usuários e registro. registro e outros Terminal/Gateway Gatekeeper SIP O SIP é modular e cobre todas as sinalizações de chamada básica. Independente do desfecho dessa batalha de protocolos. Em compensação. com o T. SSL (Secure Sockets Layer) e PGP (Pretty Good Privacy). o SIP sai na frente no quesito de segurança. Quadro 9 . que apresenta suporte limitado a imagens e não conta com protocolos de conferência de dados.323 Uma das formas de definir o padrão mais adequado para o ambiente de cada empresa é avaliar. controle de conferência.323 Arquitetura O H. 6.323 cobre quase todos os serviços. na comparação de escalabilidade.225 para ajustar o Gatekeeper a executar o balanceamento de carga. teoricamente. Para os que estão interessados em aplicações de videoconferência. sendo bastante escalável.Comparativo entre H. os benefícios e as carências dos dois protocolos. Os procedimentos estão alocados para fornecedor controle para as reuniões virtuais. assim como a sincronização de áudio e vídeo. que usa mensagens definidas no H. sinalização básica.

O protocolo tem um método específico para balanceamento sob o mecanismo DNS SRV. codificado como UTF-8 para todos os caracteres. o Gateway tem capacidade para usar mensagens definidas no H. também exige menos ciclos de CPU para gerar a sinalização de mensagens e com isso pode teoricamente manusear mais transações. mas geralmente tem poucos parâmetros Define mecanismos de segurança e facilidade de negociação com o H.323 usa Unicode (BMPString com ASN. Segurança O SIP suporta autenticação de chamadas com mecanismos HTTP. por meio de location Sim.931 H. por meio do group requests (LRQ) e auto invites gatekeeper discovery (GRQ) Sim Sim O controle de chamadas H.Protocolos Transferência de chamadas Captação de ligação Chamada em espera Indicação de chamada em espera Finalização de chamada Intrusão de chamada Sinalização Multicast RAS/Q.225. ajudando o Gatekeeper a executar o balanceamento de carga nos gateways.323 pode ser implementado de vários modos. O SIP suporta N para N entre as UAs e servidores.235 e pode ainda usar SSL. A autenticação segura e encriptação é suportada por SSL/TSL.245 Sim Sim Sim Sim Sim Sim SIP SDP Sim Sim Sim Não Sim Não Sim. 54 . Controle de chamadas de terceiros Conferência Grade quantidade de chamadas Internacionalização Sim. Sim.1) para algumas informações textuais (h323-id). o SIP usa Unicode (ISO 10646-1). Sim Sim O controle de chamada por ser implementado de vários modos. o H.

Tarifação Mesmo com o modelo de chamada direta do H. 2005] 55 . Conferência de vídeo e dados Fonte: O que é o protocolo SIP [TRADESYS.120. a capacidade de tarifar não é permitida porque o cliente informa ao Gatekeeper o começo e o fim da chamada via protocolo do RAS. proprietário ou padrão. Os procedimentos estão alocados para fornecer controle para a conferência assim como a sincronização de áudio e vídeo. não tem nenhuma escolha a não ser permanecer na chamada sinalizando o caminho para a duração inteira. Os tipos de carga podem estar especificados estaticamente ou dinamicamente.323 codifica mensagens em um formato binário compacto que combina com conexões banda larga e estreita Mecanismo de endereçamento flexível.323 suporta qualquer codec. As mensagens SIP são codificadas no formato ASCII Codecs Divisão de chamada Endereçamento O SIP apenas entende endereços do tipo URL O SIP tem suporte limitado para vídeo e não tem suporte para protocolos de conferência de dado com o T. O H. incluindo URL e E.323.164 O H. O SIP suporta qualquer codec IANA ou outro codec cujo nome mutuamente é concordado entre ambos. Os tipos de carga podem estar especificados estaticamente ou dinamicamente. O SIP não tem protocolos para controlar conferências e muito menos mecanismos de sincronização.323 suporta inteiramente conferência de vídeo e dados. de modo a captar quando termina. Se o proxy SIP quiser coletar informações de faturamento. O H. não apenas os codecs da ITU-T.

56 . mas a maioria é similar ou derivada das tecnologias apresentadas nesse trabalho. com essas alternativas técnicas e protocolos. Estima-se que 70% dos custos de transmissão de fax entre os Estados Unidos e Ásia poderiam ser substituídos por FoIP (Fax over IP).7. possibilitam um melhor gerenciamento do tráfego. que continuamente lhes agregam características específicas para uso do VoIP. graças à inteligência dos switches e centrais telefônicas digitais das redes VoIP. Essa economia viabiliza o retorno do investimento em um curto espaço de tempo. O desenvolvimento e a expansão de uma nova tecnologia só acontecem a partir de uma justificativa clara e sustentável. uma vez que não estão utilizando a rede pública de telefonia. Os custos com infra-estrutura são apenas uma fração do custo total para uma rede que adota recursos de telefonia. inibição de congestionamento e técnicas de enfileiramento para qualidade de serviços. integração das formas de comunicação com os serviços de TI. Os preços fixos para acesso a Internet podem se configurar numa excelente oportunidade para reduzir os custos de voz e fax. esse assunto é bastante popular para a introdução do VoIP. Os benefícios da tecnologia podem ser divididos dentro de quatro categorias: Redução de Custos: Apesar da redução de custos das chamadas de longa distância pelas companhias telefônicas. as chamadas telefônicas têm custo muito menor. que localizam o acesso mais próximo do destino da ligação e a completa com o custo de ligação local. reduzindo os custos de chamadas interurbanas e praticamente eliminando os de chamadas matriz-filialfilial. Ao utilizar a rede de dados existente para trafegar voz. Destaca-se aqui a contribuição dos fabricantes de roteadores e switches. unificação das plataformas de voz e dados. O VoIP tem conseguido demonstrar benefícios para os usuários e deve se firmar seu sucesso a longo prazo. garantindo dessa forma os benefícios diretos do VoIP sobre a telefonia convencional. Esse melhor compartilhamento levará uma redução de custos em larga escala para a voz. Essas reduções de custos estão baseadas em evitar o uso das chamadas internacionais e estatuais usando a infra-estrutura da Internet do que a redução dos custos globais de um melhor compartilhamento dos equipamentos e rede pelos provedores de telecomunicações. Assim. CONCLUSÕES Existem outros mecanismos para controle de tráfego.

compressão de RTP. Já as de menor porte não possuem pessoal nem orçamento para essa finalidade e têm de conviver com o mínimo possível de problemas. Por exemplo. esses serviços crescem por substituir. Também surge nesse contexto o SIP. com muito mais economia. a pressão para diminuir custos de ligações tende aos poucos a transferir essa função à operadora. eliminar pontos de falhas e consolidar atividades que gerem custos. abordado nesse trabalho de forma superficial. A evolução da tecnologia VoIP. Aplicação Avançada: Embora os serviços básicos de telefonia e fax sejam as aplicações iniciais do VoIP no longo prazo é esperado o uso de aplicações multimídia e aplicações multiserviços. as soluções de e-commerce combinadas com acessos a Web e sendo atendido pelo call-center. Ou seja. ou 57 . mas certamente será responsável por uma fatia considerável em ligações de longa distância. os investimentos em técnicas de qualidade de serviço como as apresentadas nesse trabalho (controle e inibição de congestionamento. monitorando voz e dados trazem excelentes benefícios tanto de redução de custos como de agilidade na determinação de problemas. Assim. mesmo com a estabilização ou queda do mercado de telecomunicações. segundo a International Data Corporation – IDC (empresa no ramo da tecnologia da Informação e está presente em mais de 46 países) tomará grande parte do mercado.) são fundamentais para o atendimento tanto das grandes quanto das médias empresas.Simplificação: A integração da infra-estrutura que suporta todas as formas de comunicação permitirá uma maior padronização e redução nos investimentos em equipamentos. via mensagens instantâneas. as tradicionais opções de linhas de telefonia convencional. No entanto. Esta infra-estrutura compartilhada pode aperfeiçoar o uso da largura de banda e a minimização dos custos de redundância da topologia de rede. etc. Consolidação: Uma vez que pessoas estão nas extremidades das redes. A tecnologia VoIP não causará o fim da utilização da telefonia convencional em ambientes corporativos. qualquer oportunidade para combinar operações. Nas empresas. As diferenças nos padrões de uso de voz e dados oferecem oportunidades adicionais para melhor a eficiência das redes de comunicações. As de maior porte geralmente possuem departamentos de telecomunicações com capacidade de gerenciamento para acompanhar os níveis de serviço. fragmentação e policiamento de tráfego. o uso de sistema de gerenciamento de rede centralizado. mas que promete ter grande impacto na maneira como nos comunicaremos em tempo-real: com celulares ou telefones comuns.

O SIP é um protocolo que pode ser composto e gerenciado em qualquer dessas sessões. Nesse sentido. Entretanto quando distâncias maiores são consideradas. ou até em vídeo ao vivo). independente do tipo de dispositivo utilizado (chamada telefônica. a QoS permitirá a oferta de gerenciamento e banda por demanda. isso ajuda muito a perceber as vantagens que voz sobre IP pode proporcionar para as empresas. por exemplo. Como a estrutura da rede IP é bastante simples e utilizada no mundo todo. jogos. para o serviço de voz. o potencial do SIP extrapola a sua simplicidade e flexibilidade e já é bastante utilizado em pesquisas substituindo de forma satisfatória o H. utilizando-a. além de outros serviços disponíveis no mercado. De fato.utilizando qualquer dispositivo baseado em IP. em tempo real pode ocorrer de maneira satisfatória dentro de áreas metropolitanas ou de redes corporativas. 58 . mensagens instantâneas. que está muito mais avançado nessa área. os problemas de degradação da qualidade de comunicação podem comprometer significativamente ou mesmo inviabilizar a realização da conversão.323. Conclui-se neste trabalho que a tecnologia de voz sobre IP.

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