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NÍVEIS DA LINGUAGEM

A língua escrita tem como finalidade representar a falada, assim como fixar um registro
histórico de uma sociedade em um determinado tempo. Como lhe faltam recursos como gestos,
timbres, entonações e fisionomias, a língua escrita deve ser muito bem trabalhada para poder
suprir essas deficiências. De qualquer forma, a língua escrita é fruto da falada, já que esta sofre
influências mais imediatas e variadas, à medida em que os meios de comunicação, cada vez
mais presentes na nossa vida, provocam modificações muito mais freqüentes que se possa
imaginar.
Linguagem regional - é carregada de influências locais, do ponto de vista vocabular,
fonológico e cultural. Imagine um nordestino conversando com um gaúcho e observe as
diferenças de linguagem empregada.
Linguagem popular - é a de uso comum e espontâneo do povo. Pode se apresentar carregada
de vícios de linguagem, gírias e é, freqüentemente, distante das normas gramaticais.
Linguagem chula ou vulgar - carregada de expressões vulgares e de mau gosto.
Linguagem culta - É a linguagem que serve de veículo de informação e comunicação entre
pessoas com bom grau de instrução, independente da classe social, e procura seguir
rigidamente os padrões gramaticais vigentes.
Linguagem literária ou poética - tem características próprias da linguagem e do sentimento
expressado.
Linguagem técnica ou científica - é mais usada entre membros de uma mesma área técnica ou
científica.

Níveis de Linguagem - ATIVIDADES

Em português, temos vários níveis de linguagem, várias formas de dizer a mesma


mensagem, uma vez que não falamos sempre do mesmo jeito. Para nos comunicarmos
melhor e adequadamente, temos de levar em consideração alguns elementos que
garantem a eficiência de nossa mensagem.
Exemplificando: se você conversa com um colega, um amigo, você fala de um
modo. Usa uma linguagem. Se esse mesmo assunto for falado com uma autoridade, seu
jeito de se comunicar será diferente. E mais, se esse mesmo conteúdo for dirigido a uma
criança pequena, também você terá de mudar sua forma de comunicação.
Portanto, você teve de usar níveis de linguagem diferenciados para cada
destinatário de sua mensagem.
Para efeitos didáticos, vamos considerar apenas dois níveis de linguagem, embora
existam outros:

• o informal ou coloquial, usado mais comumente em conversas entre


amigos, conhecidos mais íntimos;
• o formal ou culto, usado em situações de maior cerimônia, quando
devem ser observadas as normas gramaticais.

Exemplos:
a) Aquela ali é uma perua. (nível informal ou coloquial)
b) Aquela senhora está muito enfeitada. (nível formal ou culto)
c) Houve uma grande confusão no colégio e muitos brigaram. (nível
formal)
d) Aconteceu um rebu na escola e o pau quebrou. (nível informal)
Atividades
1. Reelabore o diálogo abaixo, usando o nível formal:

- O meu, vê se não me deixa numa furada. Essa de pagar mico toda hora já tá me
azucrinando todo e mais, no arrasta-pé das minas lá no morro, não vai aprontar pra cima
de mim.
- Podes crer, irmão! Não vou deixar a peteca cair e nem dar mancada. O lance é o
seguinte: a amizade aqui vai sacar uma mina que é um estouro e você vai ficar babando!
2. Casamento de classe média.
Noivos: Suzana e Nestor.
Espaço: igreja repleta de convidados.
Cena: Encaminhamento normal da cerimônia até a hora do “sim”. Nestor diz sim.
Todavia, quando chega a vez de Suzana, esta se levanta, encara as pessoas e diz:
“Gente, eu pensei e não vai dar. Não quero me casar.”
Pânico geral. Burburinhos, gestos descontrolados. Os convidados se agitam. A mãe
do noivo desmaia...

Considerando o nível de linguagem, escreva o comentário que provavelmente elas


fizeram.

• padre

• amiga fofoqueira

• jornalista - feminista radical

• casal de namorados adolescentes

• avô de Nestor - de moral intransigente

• Marli, sobrinha de Suzana - 10 anos

• Marcos, padrinho do noivo - político

• Dr. Pimentel, padrinho da noiva - advogado


O poeta da roça

Sou fio das mata, cantô da mão grossa,


Trabaio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de paia de mio.

Sou poeta das brenha, não faço o papé


De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,


Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastero, singelo e sem graça,


Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.

Só canto o buliço da vida apertada,


Da lida pesada, das roça e dos eito.
E às vez, recordando a feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito

Eu canto o caboco com suas caçada,


Nas noite assombrada que tudo apavora,
Por dentro da mata, com tanta corage
Topando as visage chamada caipora.

Eu canto o vaquero vestido de coro,


Brigando com o toro no mato fechado,
Que pega na ponta do brabo novio,
Ganhando lugio do dono do gado.

Eu canto o mendigo de sujo farrapo,


Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão.

E assim, sem cobiça dos cofre luzente,


Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade.
Cantando as verdade das coisa do Norte.

(ASSARÉ, Patativa do, Cante 1á que eu canto cá. 5. ed. Petrópolis, Vozes, 1984. p. 20-
1.)
1. A forma de língua portuguesa apresentada no primeiro texto nos remete a que
tipo de realidade? Comente.
2. O primeiro texto é uma poética, ou seja, é um texto que expõe as propostas
criativas de um poeta. Na sua opinião, a forma de língua pela qual o artista optou e a
temática de sua poesia se harmonizam? Por quê?
3. Observe, ainda no primeiro texto, as formas ''fio'', ''mio'', ''paioça'' (cor-
respondentes, na língua culta, a "filho", "milho" e "palhoça", respectivamente) ou os
plurais "das mata", "das brenha", "das roça e dos eito", "dos home" e outros. As
diferenças entre essas formas e aquelas da língua culta têm sua lógica própria ou os
"erros" aí encontrados são aleatórios? Observe e comente.

http://www.labcom.ucdb.br/prof/Angela%20Catonio/Niveis%20de%20Linguagem.doc,
acesso em 14-9-2005