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FALSUM COMMITTIT, QUI VERUM TACET

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Escrevinhação n. 854
BREVES REFLEXÕES CANINAS

Redigido em 11 de outubro de 2010, dia de Santo Alexandre Sauli e do Bem-


Aventurado Papa João XXIII.

“Gosto de porcos. Os cães olham-nos de


baixo, os gatos de cima. Os porcos olham-
nos de igual para igual”.
(Winston Churchill)

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É uma fala comum, presente nos lábios de todos neste período

eleitoreiro, fala esta que afirma ser nosso sistema político uma grande

cachorrada. Olha, para ser franco, não vejo razões para discordar da sábia

percepção popular. Todavia, se a VOX POPOLI me permite, esta afirmação,

por se fazer tão presente nos ditos que vibram notas de fúria e de humor

cáustico por entre línguas e dentes de muitos que merecem uma reflexão,

mesmo que esta seja breve.

Se nosso sistema político é uma expressão canina, nossa

cultura política e bem como os sujeitos que a integram são espécimes

caninos também. Naturalmente, que da mesma forma que o homo sapiens, os

canis familiaris não são todos iguais, porém, podem ser agrupados pelo seu

gênero próximo e através de suas diferenças específicas.

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Existem canis civis que são como legítimos cães adestrados.

Estes são os militantes de uma ideologia política. São devidamente

adestrados pelos seus grupelhos, prontinhos para dar uma resposta

decorada para qualquer acusação que façam contra os seus donos ou que

ameace a sua alcatéia. Talvez, a melhor imagem destes nos foi data pelo

escritor George Orwell em sua fábula política A revolução dos Bichos, quando

retratou o exército vermelho, e demais agentes do Partido, como cães

devidamente amestrados desde a tenra infância pelos seus novos donos, os

porcos. Esses tipos caninos latem e mordem, porém, somente quando estão

em bando.

Além destes, temos também os cães domésticos. Sim, aqueles

cidadãos caninos que integram apenas a massa de um eleitorado amorfo

que fielmente vota sempre em um grupelho de um determinado cacique

político. Totalmente néscio das grandes questões, este apenas se preocupa

em abanar o rabo para alegrar o se dono e latir para os cães que não fazem

parte de sua turminha. Latem, porém não mordem ninguém.

Outro grupinho eleitoral que merece destaque são a dos vira-

latas. Estes não têm donos, mas bem que queriam ter. Vivem vagando de lá

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pra cá sem rumo e rapidamente abanam a cola quando alguém lhes joga

uma regalinho. E como ficam faceiros! Entretanto, não são fiéis a ninguém,

lambem a mão de todos que lhe presenteiam. A vida lhes ensinou que todos

os senhores do poder que parasitam neste país não passam de biltres

abusados que não merecem nossa confiança, mas que, de tempos em

tempos, lhes afagam com alguns quitutes.

Temos os cães selvagens também. Não tem como nos esquecer

de sua fisionomia. Estes são tão raros quanto perigosos para os donos do

poder. Não inclinam sua cabeça para qualquer um. São livres e tem uma

clara visão da caninidade da realidade política e, por isso, preferem viver em

um ostracismo voluntário, rangendo os seus dentes para todos aqueles que

tentam convencê-lo de que toda essa mixórdia é uma coisa digna e que

merece o seu apreço. Ser de intelecto indômito, é sabedor dos perigos que

tal cenário lhe apresenta e, devido a sua condição, sente-se impotente e

isola-se de tudo e de todos.

Naturalmente, os donos do poder que cada vez mais se

assenhoraram das potestades brasilienses, não são aqueles que têm no bojo

de sua alcatéia cães do terceiro e do segundo tipo. Estes são instáveis.

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Todavia, aqueles que dispõem de fileiras e fileiras do primeiro tipo, não

possuem amigos caninos, mas sim, um exército leal que pensa vinte e

quatro horas por dia em como servir bem ao seu senhor. E, desculpe

informar, mas apenas um grupo político possui esse tipo canino em seu

canil político. E são estes que, em médio prazo determinam o resultado da

luta pela hegemonia política. O partido que tiver a maior quantidade de

militantes treinados terá uma vantagem insuperável frente aos demais. Por

essa razão o resultado desta eleição, infelizmente, é obvio para quem usa os

seus olhos para ver.

Mas, em meio a essa cachorrada toda, temos um tipo raro de

cidadão. Tão raro quanto os cães selvagens. Este é o cidadão hachiko (do

filme Sempre a seu lado). Isso mesmo, o cidadão que dá a sua vida pelo seu

Verdadeiro Dono. O cidadão que cumpre fielmente o seu dever para com a

Verdade. Estes são os cidadãos que não são nem condicionados por um

adestramento, como o primeiro, não agem como um bajulador, similar ao

segundo tipo. Não são oportunistas como os vira-latas e nem arredios como

o quarto tipo. Estes são fiéis à Verdade que Deus semeou no coração e

apenas a Ela servem, procurando a Verdade na vida política e não, fazendo

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da vida política a sua “verdade”, como comumente acontece nesta terra de

desterrados.

Por fim, em meio a pulgas e latidos, podemos nos indagar: que

tipo de cão cidadão somos? Que tipo cívico, ou (depre)cívico você é? Tudo

depende do caminho que você escolher para reger os seus passos.

Pax et bonum
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