Centro de Educação, Comunicação e Artes

Departamento de Design
Curso de Design Gráfico
RAfAEl dE CAstRo AndRAdE
sistematização de um método para produção de
infográficos com base no estudo de caso do jornal
Folha de São Paulo
Orientador: Prof. Renato Macri
londrina
2008
RAfAEl dE CAstRo AndRAdE
sistematização de um método para produção de
infográficos com base no estudo de caso do jornal
Folha de São Paulo
Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
apresentado ao Curso de Graduação em
Design Gráfico da Universidade Estadual de
Londrina, como requisito parcial à obtenção
do título de Bacharel.
Orientador: Prof. Renato Macri
londrina
2008
RAfAEl dE CAstRo AndRAdE
sistematização de um método para produção de
infográficos com base no estudo de caso do jornal
Folha de São Paulo
Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
apresentado ao Curso de Graduação em
Design Gráfico da Universidade Estadual de
Londrina, como requisito parcial à obtenção
do título de Bacharel.
BAnCA EXAMInAdoRA

_________________________________________________________
Prof.ª Drª. Rosane Martins
Universidade Estadual de Londrina
_________________________________________________________
Prof.ª Ms. Vanessa Tavares de Barros
Universidade Estadual de Londrina
_________________________________________________________
Prof. Renato Macri
Universidade Estadual de Londrina

Londrina,____de______________de 2008.
dEdICAtóRIA E AgRAdECIMEntos
Este texto é algo que pensei desde o primeiro instante em que comecei este
trabalho, mas seria impossível prever todas as boas coisas que acabaram acontecendo
para que este trabalho fosse concluído.
Gostaria de agradecer primeiramente aos meus pais, Valter e Cida, pela dedicação,
esforço e sacrifício, para que seus filhos tivessem bons estudos e soubessem além de
tudo serem honestos, humildes, compreensivos, independentes e questionadores, enfim
serem cidadãos conscientes e boas pessoas. E com orgulho digo que o sacrifício foi válido,
e concluo esta etapa da minha vida dedicando a eles esta obra.
Ao meu irmão Felipe, ao meu primo Thiago e a quase centenária Conceição,
minha vó.
Durante minha vida acadêmica, tive muitos mestres, mas poucos ensinaram com
dedicação e paixão como Ms. Yuri Walter quando me acolheu em seu projeto de pesquisa
e me incentivou a descobrir a importância de se produzir conhecimento científico
na graduação, mesmo em um curso que tem um caráter tão prático, ao mestre muito
obrigado.
Agradeço também a Gregório Romero, grande designer e ilustrador, que conheci
no projeto de pesquisa, acompanhando o desenvolvimento de seu trabalho de conclusão
de curso também sobre infografia, o que me motivou a realizar este trabalho. Gostaria
de agradecer também a todo pessoal que estudou comigo na UNOPAR, obrigado, vocês
foram fundamentais para minha formação.
Meus agradecimentos especiais para a Ms. Ana Luiza, que me acompanha desde
os primeiros anos de graduação, época em que lecionava na UNOPAR, obrigado pelo apoio
e pela colaboração, grande parte deste trabalho só foi possível graças a você.
E o mundo com certeza seria bem melhor se tivessemos mais pessoas como
Marcelo Pliger, designer, infografista e ótimo palestrante reserva. Obrigado por ter sido tão
acessível, ao responder os vários e-mails que mandei e me receber na Folha, colaborando
para este trabalho ser realizado.
Agradeço também aos calouros da turma de 2006, por aceitarem a colaborar
utilizando o método proposto pelo trabalho de forma tão espontânea.
Ao meu orientador o professor Renato Macri, e principalmente aos meus colegas
de sala da UEL os quais considero uma família, obrigado por estes 2 últimos anos, vocês
realmente mudaram minha vida e me fizeram entender o real valor de estar em uma
universidade, com certeza são pessoas que pretendo guardar para sempre.
E reservei este último parágrafo para agradecer a pessoa que tornou tudo isto
possível (além dos meus progenitores, é claro) Nayara Pereira Duarte, minha companheira,
que compreendeu as madrugadas em claro, que ajudou a revisar os erros de português,
que deu as idéiais, que esclareceu minhas dúvidas, que foi ouvido e ombro quando era
necessário refletir, obrigado pela dedicação, carinho e compreensão.
E para todos que contribuíram de alguma forma para este trabalho, meus sinceros
agradecimentos.
Este trabalho tem como objetivo maior, retornar à sociedade uma parcela
do que foi dedicado a mim nestes anos de universidade e ensino público, que mesmo
poucos, foram plausíveis para se ter consiência de como é tratado o ensino em nosso
país atualmente, e quão carente é a nossa área em produção científica. Este trabalho é
um questionamento, uma provocação para que se discuta o tema e espero que sirva de
fomento para a discusão da infografia e que outros alunos possam se apoiar nele para
dar continuidade ou refutá-lo mas que não sejam indiferentes em relação a discussão
levantada.
“O Conhecimento pelo conhecimento” - Eis
a última armadilha colocada pela moral:
é assim que mais uma vez nos enredamos
inteiramente dela.
Friedrich Nietzsche
ANDRADE, Rafael Castro. sistematização de um método para a produção de infográ-
ficos com base no estudo de caso do jornal Folha de São Paulo. 2008. 103 fls. Traba-
lho de Conclusão de Curso (Graduação em Design Gráfico) – Centro de Educação Comu-
nicação e Artes, Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2008.
REsUMo
A infografia é uma área recente, tanto que o próprio termo ainda é discutido por seus
profissionais, e por isso carente de literatura específica em português, que aborde de ma-
neira direta o modo de produção de infográficos. A relevância do tema no país é notável,
principalmente nos meios de comunicação de massa, em especial revistas e jornais, nos
quais a infografia atua como elemento atrativo e revitalizador. Este trabalho consiste em
sistematizar um método para a confecção de infográficos e se utiliza da experiência do
modo de produção do jornal Folha de São Paulo, um jornal de grande circulação nacional
que têm a infografia como diferencial em seu projeto editorial. Por meio de um estudo de
caso feito em sua redação, confrontado com a análise dos infográficos premiados e litera-
tura específica.
Palavras-chave: Infografia. Folha de São Paulo. Método, Jornal.
ANDRADE, Rafael Castro. Systematization of a method to make infographics based on
case study of Folha de Sao Paulo newspaper. 2008. 103 fls. Trabalho de Conclusão de
Curso (Graduação em Design Gráfico) – Centro de Educação Comunicação e Artes, Uni-
versidade Estadual de Londrina, Londrina, 2008.
AbStrAct
Infographis is a new area, so the terminology still debated by its professionals, and so lacking
in Portuguese literature, that direct way of addressing the mode of production of infogra-
phics. The relevance of this issue in the country is remarkable, especially in the mass media,
especially magazines and newspapers, where the infographics serves as an attraction and
revitalization. This work consists of a systematic method to make infographics and if you
use the experience of the mode of production of the newspaper Folha de Sao Paulo, a major
newspaper of national circulation that have the infographics as differential in its editorial
project. Through a case study done in his writing, faced with the analysis of winners infogra-
phics and literature.
Keywords: Infographics. Folha de São Paulo. Method, Newspaper.
lIstA dE fIgURAs
figura 1 - Decalque da pintura rupestre da Gruta de Altamira. 23
figura 2 - Seção do Livro dos Mortos do Papiro de Hunefer. 24
figura 3 - Estudo sobre o desenvolvimento dos embriões humanos, Leonardo Da
Vinci.
24
figura 4 - Gráfico de barras sobre a corrida presidencial das eleições dos Estados
Unidos em 2008: utilizado quando há a necessidade de comparações
entre dados estatísticos completos.
26
figura 5 - Gráfico Pizza: utilizado quando há a necessidade de indicar divisão de
partes e proporções.
26
figura 6 - Gráfico Linear, utilizado quando é necessário se cruzar informações de
tempo e dados numéricos, como valores por exemplo.
29
figura 7 - Mapa da cidade de Mendonza (Argentina): necessários quando se
deseja indicar um local físico.
28
figura 8 - Tabela sobre a capacidade de cartões de máquinas fotográficas digitais:
Utilizadas para comparação rápida de informações.
29
figura 9 - Diagramas descrevendo os principais movimentos de Design: Utilizados
para disposição de conceitos, processos e raciocínios.
30
figura 10 - Linhas mais finas na segunda imagem colaboram interferindo menos na
imagem se comparada a primeira imagem.
31
figura 11 - O infográfico estabelece relações de altura de cada estado com a
quantidade de hipotecas em cada estado para fornecer paralelos que
permitem ter uma noção maior da quantidade.
32
figura 12 - Infográfico “Total Lunar Eclipse” sobre o eclipse lunar. 33
figura 13 - O gráfico de Minard, mostra a baixa do exército de Napoleão. 34
figura 14 - Anatomia de um acidente. 36
figura 15 - Mapa de varetas, ilhas Marshall. 37
figura 16 - Como o vírus SARS se propagou. 39
figura 17 - Padrão do sistema de semáforos brasileiros 40
figura 18 - Diagrama da Decisão. Are Reward Cards for you? 42
figura 19 - Infográfico “Rio de bens que chega pelo porto”: a informação é melhor
assimilada com a total integração dos elementos do infográfico.
43
figura 20 - Paleta de Cores e seus grupos de uso: Esquemas, gráficos, mapas e
outros usos.
52
figura 21 - Cores para gráficos: Temas subdivididos entre as áreas de economia,
estatística e esportes.
53
figura 22 - Elementos gráficos: Ícones, balões e especificações quanto ao seu uso. 54
figura 23 - Linhas: como utilizar linha e qual sua espessura definida para gráficos
estatísticos.
55
figura 24 - Fluxo de Trabalho da Infografia na Folha de São Paulo 58
figura 25 - Detalhe do computador com a tela do software Freehand em execução
no momento da produção de um infográfico.
62
figura 26 - Bancada de trabalho da equipe de Infografia na redação da Folha. 62
figura 27 - Infográfico “Matemática da Campanha” sobre a disputa Presidencial da
Casa Branca..
65
figura 28 - Infográfico “São Silvestre” sobre a corrida de São Silvestre. 66
figura 29 - Infográfico “Tragédia em Congonhas” sobre o acidente do avião Airbus
A320 da Tam.
67
figura 30 - Detalhe do Infográfico “São Silvestre”. 75
figura 31 - Detalhe dos elementos visuais com redundância através da cor. 77
figura 32 - Detalhe da relação de proximidade, dimensão e agrupamento. 77
figura 33 - Infográfico produzido a partir do método piloto, para utilização no
exercício.
81
sUMáRIo
1. Introdução 15
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 22
2.1 A Necessidade da Explicação e o Surgimento da Infografia 22
2.2 Método de Tufte 30
2.2.1 A Importância dos Detalhes 31
2.2.2 Paralelismo 32
2.2.3 Múltiplos no Tempo e Espaço 33
2.2.4 Causalidade 34
2.3 Método de Rajamanickam 34
2.3.1 Organizar 36
2.3.2 Tornar Visível 37
2.3.3 Definir o Contexto 38
2.3.4 Simplificar 38
2.3.5 Redundância 40
2.3.6 Mostrar Causa e Efeito 41
2.3.7 Comparar e Diferenciar 41
2.3.8 Criar Dimensões Múltiplas 42
2.3.9 Integrar 42
2.4 Infografia Jornalística 44
3. Metodologia da Pesquisa 46
3.1 Estudo de Caso: A produção de infográficos na Folha de São Paulo 46
3.1.1 Planejamento 48
3.1.1.1 Hipóteses do estudo de caso
48
3.1.1.2 A Folha de São Paulo
48
3.1.1.3 Contatos para o trabalho de campo 50
3.1.2 Estudo Piloto 50
3.1.3 Coleta de Dados 50
3.1.3.1 Documentação
51
3.1.3.2 Entrevista em Profundidade
55
3.1.3.3 Observação Direta
60
3.1.3.4 Artefatos
63
3.1.4 Análise da Informação e Relatório 67
3.2 A Elaboração de um Método Piloto 70
3.2.1 Foco ou recorte 70
3.2.2 Definição do Público Alvo 71
3.2.3 Coleta de Informações 72
3.2.4 Análise da Informação 73
3.2.5 Hierarquização da Informação 74
3.2.6 Fornecer Parâmetros 74
3.2.7 Objetividade da linguagem utilizada na peça 75
3.2.8 Princípios da Sintaxe Visual 76
3.3 O exercício de aplicação 78
3.3.1 Metodologia para aplicação do exercício 78
3.3.2 Análise dos Resultados 79
4. Resultados 82
4.1 O método para produção de Infográficos 82
5. Conclusão 88
REfERÊnCIAs 93
Apêndices 94
Apêndice A - Níveis de percepção da informação em um infográfico. 95
Anexos 98
Anexo A - Infográfico “11 de Setembro” produzido por Ariadne
Maestrello.
99
Anexo B - Infográfico “O que é Cafeína” produzido por Aretha Otsuka. 100
Anexo C - Infográfico “Como Miguelar o Bira” produzido por Pietro Luigi. 101
Anexo D - Infográfico “O Mistério do Sono” produzido por Núbia Aguiar. 102
Anexo E - Infográfico “O Dragão Chinês” produzido por Gustavo Abe. 103
Anexo F - Infográfico “Hierarquia dos Escrúpulos: Comunicação Visual”
produzido por Vinícius Ferreira Mendes.
104
Anexo G - Infográfico “Os 3 Lados do Mistério” produzido por Glauber
Pessusqui.
105
Anexo H - Infográfico “Burnout” produzido por Lívia Shimamura. 106
ANexo I - Infográfico “Ações: Como Começar a Investir” produzido por
Adriana Ferreira.
107
15
1.INTRODUÇÃO
A infografia é um modo de transmitir mensagens com muitas informações por
meio de imagens e palavras, que em conjunto têm o objetivo de esclarecer conteúdos
complexos.
Em um manual de montagem, ou em instruções de como abrir uma embalagem e
até em uma representação gráfica explicativa sobre como se forma uma galáxia nas pági-
nas de uma revista, têm-se a infografia atuando como código entre o emissor e o receptor
da mensagem.
Pode se ainda considerar a infografia como um esquema mental representado
graficamente. Por exemplo, a explicação de um acontecimento descrito apenas com pa-
lavras se torna muito mais concreta e compreensível quando se fornece elementos visu-
ais para que o receptor desta mensagem possa estabelecer parâmetros e enriquecer seu
repertório visual, de forma que alimente o seu processo cognitivo e assim interpretar e
compreender de uma melhor forma a mensagem.
Com a intenção de explicar um fato, acontecimento ou processo a infografia se
utiliza de uma combinação de fotografias, ilustrações e textos para produzir uma peça
gráfica (estática, animada ou interativa) potencializando a compreensão da informação
de maneira clara, eficiente e dinâmica.
Em meados da década de 80 a infografia se popularizou no meio jornalístico com
o jornal USA Today, o primeiro no mundo de fato a introduzir e utilizar a infografia como
recurso de apoio às suas matérias.
No Brasil, a Folha de São Paulo foi o primeiro jornal a dar espaço para a infografia
em sua redação. Atualmente é um dos principais expoentes da infografia jornalística no
país tendo em seu currículo medalhas do Prêmio MALOFIEJ, uma das premiações mais
importantes para infografia no mundo.
16
A Folha de São Paulo conta com uma equipe de profissionais em sua editoria de
arte, que além de ser responsável por toda estética do jornal, também produz infográfi-
cos, sendo que alguns se dedicam exclusivamente a produção destas peças gráficas. Esta
característica se tornou parte da imagem do jornal. O projeto gráfico, conciso e agradável,
ressalta conceitos da identidade corporativa do jornal como credibilidade e contempo-
raneidade, com tipografias exclusivas e outros elementos que reafirmam a preocupação
com o Design Gráfico, um dos responsáveis por tornar o jornal uma referência mundial.
Atualmente existem diversas formas de acesso à informação. A difusão dos meios
de comunicação digitais e o advento da internet propiciaram um ambiente que favorece
o acesso a todo tipo da mesma. Por conseqüência, o volume produzido aumenta de forma
descontrolada e tornando-a cada vez mais efêmera e inconsistente. Diante desse cenário
ameaçador, o jornal impresso, que por décadas assumiu o papel de principal veículo de
informação de massa, tenta sobreviver.
Para os jornais impressos, de processo de produção de alto custo, distribuição
complicada e descarte descontrolado, ter que enfrentar os modelos online, de baixo custo
de produção, publicação instantânea e acesso facilitado é uma tarefa delicada e difícil,
bem como manter o seu público fiel ao modelo proposto.
Os jornais impressos ao verem seus números de vendas decaírem e sua circula-
ção se restringir tiveram que adaptar seus estilos operacionais às realidades do computa-
dor, enfrentando a concorrência de um número cada vez maior de provedores eletrônicos
de informação. Com isto, tornou-se notável o número de jornais impressos que aderiram
ao modelo online para sobreviver no mercado.
Em tese, os jornais online se adequam melhor ao modo de vida contemporâneo.
Em meados da década de 90, início da revolução da informática e das mídias digitais,
Wurman (1991) afirmou que as pessoas estão expostas a um volume cada vez maior de
informação e com menos tempo para absorvê-las, o que causa uma angústia, chamada
pelo autor de ansiedade de informação. Os jornais online ao entregar essa informação ao
leitor de forma instantânea e sintética oferece um “alívio” a essa ansiedade. Em contra-
ponto, a qualidade da informação fornecida é comprometida, uma vez que estes em sua
maioria gratuitos, se apóiam em maneiras não tão confiáveis de manter seus custos.
17
Para alguns autores, no entanto, com a evolução natural dos meios de comunica-
ção tal situação tende a se agravar culminando com o fim do jornal impresso, como afir-
ma Meyer (2004). O autor ainda conclui que por volta de 2040 já não haverá mais jornais
impressos, sendo estes inteiramente substituídos por meios digitais com jornalismo de
qualidade.
Porém o que pode se observar é que o jornalismo impresso servirá como suporte
aos meios digitais, já que o meio impresso possui características como maior profundida-
de no assunto tratado, hierarquização da informação apresentada, comentários e inter-
pretações pertinentes e credibilidade da informação.
A mesma evolução tecnológica que colocou o jornalismo impresso em crise pos-
sibilitou o desenvolvimento e avanço do mesmo, os jornais passaram da edição impressa
em preto para a edição em cores, dos sistemas manuais para a informatização, e da publi-
cidade padronizada para novos e atraentes anúncios.
Hoje, a maioria dos jornais brasileiros conta com modernos equipamentos de
pré-impressão e impressão e sofisticados recursos de programação visual dos quais a
infografia se beneficia, principalmente com o surgimento de novos softwares, sistemas de
redes e computadores.
O surgimento dessas novas tecnologias de produção relacionado ao crescimento
da demanda determinaram algumas condições fundamentais para o trabalho dos profis-
sionais nas redações, sejam de revistas ou jornais: desenvolverem seus próprios méto-
dos de trabalho. Métodos estes que podem ter alguma referência acadêmica mas que, na
maioria dos casos, são empíricos.
Além da estética, a própria forma de lidar com a informação e organizá-la em um
infográfico é algo muito particular. Esses métodos muitas vezes são tão intrínsecos do
dia-a-dia da redação que chegam a passar despercebidos pelos próprios profissionais.
18
Este cenário evidencia a oportunidade e necessidade de um material que se uti-
lize desse conhecimento tácito dos profissionais da redação dos grandes jornais para
documentar e expor a riqueza destes métodos, uma vez que, por se tratar de uma área
recente, a infografia sofre com a escassez de material mais específico.
Este trabalho busca investigar o método de produção de infográficos utilizado
na Folha de São Paulo, dada a abertura e a relevância do jornal, uma mídia de massa, im-
pressa e de circulação nacional, visando sistematizar e capturar a essência do modo de
trabalho para a elaboração de um método embasado nos dados obtidos no estudo de caso
e na literatura específica
O Problema
Diante da carência de publicações técnicas nacionais sobre infografia, observou-
se a necessidade de um material que dê suporte aos profissionais e estudantes expondo
a infografia de uma maneira mais objetiva e elucidativa.
Objetivo Geral
Sistematizar um método que sirva de referência para a produção de infográfi-
cos.
19
Objetivos Específicos
• Contextualizar a infografia aplicada no escopo do jornal impresso expondo
suas características, peculiaridades e aplicações;
• Apresentar uma realidade com base no estudo de caso realizado sobre a info-
grafia na Folha de São Paulo;
• Observar in loco o modo de produção de infográficos na redação do jornal e
entrevistar um profissional da equipe de infografia que lida com a criação e
desenvolvimento, como etapas da coleta de dados do estudo de caso;
• Realizar análises por meio de observação de dois infográficos premiados da
Folha para verificar o modo de produção;
• Com base no teor dos estudos realizados, propor um método para a produção
de infográficos.
Justificativa
Por ser uma área relativamente nova, nota-se a necessidade de contextualizar o
que é infografia para que haja uma compreensão dos seus objetivos e definir qual a sua
práxis sob a ótica do jornal, dada sua relevância neste meio.
Infográficos servem de apoio aos textos corridos oferecendo uma possibilidade
de diferencial na diagramação ou até mesmo uma abordagem mais ampla da redação do
texto, já que o infográfico assume a função de citar os assuntos mais específicos e rele-
vantes da matéria.
Assim como o rádio não deixou de existir com o surgimento da televisão, apenas
assumiu outro papel, o jornal impresso deve assumir novas formas e nuances antes inex-
ploradas para continuar a existir. A infografia surge como uma importante ferramenta de
revitalização do jornal impresso atraindo o leitor com novos recursos visuais funcionan-
do como um diferencial, dada a sua riqueza informacional e seu dinamismo.
20
O trabalho realizado apóia-se na solidez do método de trabalho do jornal Folha
de São Paulo. Os infográficos produzidos por sua equipe possuem características espe-
cíficas em conseqüência da velocidade de produção que o jornal demanda, seu modo de
produzir infográficos lhes renderam alguns prêmios internacionais na área.
A apuração da realidade de trabalho na redação da Folha se deu por meio de um
estudo de caso que se utiliza, entre outros meios, da observação de campo da redação,
para constatação de aspectos gerais do modo de produção, e entrevista com um info-
grafista da equipe, para apuração de detalhes das etapas do processo de produção. Este
estudo de caso tem por fim formar um juizo de valor em relação ao método de produção
utilizado no jornal.
Em um segundo momento infográficos premiados, foram analisados a fim de le-
vantar evidências que confrontadas com estudo de caso e a literatura específica tornarão
compreensível o modo de produção de infográficos no jornal, este por sua vez tem a fi-
nalidade de fornecer subsídios para a sistematização de um método para a produção de
infográficos.
Este trabalho se apóia em uma situação real para transpor um conhecimento que
é de grande valia para o meio acadêmico, carente de literatura, que comente de forma
objetiva e consistente o processo de produção de infográficos. Dessa maneira o trabalho
visa disseminar o estudo da infografia para a comunidade acadêmica ao sugerir um mé-
todo para a produção de infográficos, discorrido fundamentalmente em forma de texto.
21
Hipóteses
Para Goode e Hatt (1969) apud Gil (1999) hipóteses são proposições que podem
ser colocadas à prova para determinar sua validade.
Na formulação do trabalho apresenta-se as seguintes hipóteses gerais:
• O modo de produção da Folha pode ser sistematizado em um método;
• O método de produção da Folha não é inteiramente restrito ao jornal e possui
características aplicáveis a outros suportes;
22
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 A Necessidade da Explicação e o Surgimento da Infografia
Uma das principais características da sociedade humana é a capacidade que seus
indivíduos têm de estabelecer relações entre si. Um dos principais canais para isto é a
fala, que desde seu surgimento deu ao homem a possibilidade de transmitir experiências
aos seus semelhantes e de aumentar suas formas de aprendizado com as experiências
dos outros.
Em um primeiro momento este fato é fundamental para sua sobrevivência e
para que ele saia da sua condição de nômade, subjugado pela natureza, para ser capaz de
compreendê-la e modificá-la a seu próprio benefício. Em paralelo, esta evolução também
propiciou a criação de estruturas complexas de sociedade, baseadas na fala e no conheci-
mento acumulado por cada indivíduo durante sua vida.
Porém, este acúmulo de conhecimento e experiências adquiridos durante a vida
se esvaíam com a morte do indivíduo. Mesmo que esta informação fosse passada verbal-
mente para seus descendentes, ela acabava por se distorcer e perdia sua principal função.
Neste ponto surge a necessidade de serem passadas mensagens para posteriores sem ser
obrigatória a presença do emissor da mesma.
Então surgem as pinturas rupestres (Figura 1), representações icônicas da rea-
lidade do homem das cavernas, esboçando uma necessidade de comunicação que preci-
sava ser materializada, supondo por exemplo que essa pintura representasse um animal
que poderia ser caçado mais facilmente e de que modo ele poderia conseguir caçar esse
animal.
23
Figura 1.Decalque da pintura rupestre da Gruta de Altamira.
Fonte: Museo Arqueológico Nacional de España, 2008.
Estas representações evoluíram e culminaram com o surgimento da escrita.
A história começa com a invenção da escrita, não pela razão banal fre-
quentemente sugerida de que a escrita nos permite reconstituir o passa-
do, mas pela razão mais pertinente de que o mundo não é percebido como
um processo, “historicamente”, a não ser que alguém dê a entender isso
por meio da escrita (FLUSSER, 2007, p. 139-140)
Entretanto, a escrita é um código generalista, já que é baseado na representação
visual de fonemas, enquanto a representação icônica da realidade ao se propor repre-
sentar determinada situação se torna mais eficiente na transmissão de uma mensagem
muito específica.
Porém este tipo de mensagem precisa ser contextualizada de forma generalista
para que possa ser compreendida, principalmente quando se deseja transmitir uma men-
sagem complexa. Este paradoxo levou a humanidade a seguinte solução: mesclar suas
formas de transmissão de mensagem, aliando suas formas de representação, para uma
comunicação mais eficiente.
Este breve apanhado demonstra como as complexas representações visuais de
rituais egípcios em papiros (Figura 2), ou manuscritos de Leonardo da Vinci (Figura 3),
podem ser consideradas exemplos claros de infográficos, mesmo que esta nomenclatura
só tenha surgido no final do século XX.
24
Figura 2.Seção do Livro dos Mortos do Papiro de Hunefer.
Fonte: The Britsh Museum, Inglaterra.


Figura 3.Estudo sobre o desenvolvimento dos embriões humanos, Leonardo Da Vinci.
Fonte: Biblioteca Real do Castelo de Windsor, Inglaterra.
25
Estas representações visuais de caráter informacional, também chamadas de In-
fografias
1
, aliam texto e imagem (fotografia e/ou ilustração) para revelar o desconhecido
e explicar o complexo, de maneira simples, sintética e com foco no receptor da mensa-
gem.
Segundo Rajamanickam (2005) o ato de produzir um infográfico consiste em
construir representações visuais contendo informações sem simplesmente traduzir tex-
tos para imagens. O infográfico deve contar uma história e para isso é necessário filtrar
a informação, estabelecer relações entre o conteúdo e as imagens, diferenciar padrões e
representar as informações de uma maneira compreensível para o público alvo.
De acordo com Leturia (1998) apud Rajamanickam (2005) os infográficos po-
dem sedividir em 4 categorias: gráficos, mapas, tabelas e diagramas.
a) Gráficos - As principais características de um gráfico são utilizar áreas, pon-
tos e linhas para fornecer uma visão geral de dados estatísticos. Tufte (2001)
afirma que os gráficos devem tornar dados estatísticos em informações claras,
consistentes e precisas utilizando-se de pouco espaço e muitos dados, para o
autor estas especificações ajudam o leitor a estabelecer suas relações e perce-
ber diferenças, mesmo que sutis, entre os dados. Os exemplos a seguir (Figura
4 a Figura 6) são os mais comuns, mas existem outros tipos de gráficos que
variam conforme a necessidade do seu uso;
1 Segundo Curtis (1991) o termo tem origem na aglutinação de informational e graphics, do inglês infor-
mação e gráficos, já o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa apresenta a seguinte definição:
Apresentação de informações com preponderância de elementos gráfico-visuais (fotografia, desenho,
diagrama estatístico etc.) integrados em textos sintéticos e dados numéricos, ger. utilizada em jornalis-
mo como complemento ou síntese ilustrativa de uma notícia.
26
Obama
Hillary 1.588
1.419
Delegados
Super
delegados
264 255
Super
delegados
Delegados
Figura 4. Gráfico de barras sobre a corrida presidencial das eleições dos Estados Unidos em
2008: Utilizado quando há a necessidade de comparações entre dados estatísticos completos.
Fonte: Folha de São Paulo, 2008.
Figura 5. Gráfico Pizza: utilizado quando há a necessidade de indicar divisão de partes e
proporções.
Fonte: Kzero.
27
Figura 6. Gráfico Linear, utilizado quando é necessário se cruzar informações de tempo e dados
numéricos, como valores por exemplo.
Fonte: Haisam.
b) Mapas - Os mapas (Figura 7) são representações bidimensionais de um espa-
ço tridimensional planificado, que servem como instrumentos de localização,
situando determinado local físico, em um mapa, elementos como escala e posi-
ções relativas de elementos são essenciais para sua principal função, situar
geograficamente;
28
Figura 7. Mapa da cidade de Mendonza - Argentina: necessários quando se deseja indicar um
local físico.
Fonte: Website da cidade de Mendonza
29
c) Tabelas - As tabelas (Figura 8) são representações matriciais (dados dis-
postos em colunas e linhas) com a finalidade de apresentar informações ra-
pidamente, possibilitando um cruzamento posterior de dados, as principais
vantagens da utilização da tabela é sua capacidade de organizar muitos da-
dos em pouco espaço, levando em conta que para ter efeito na comunica-
ção a tabela deve ser organizada de forma visualmente eficiente, com espa-
çamentos entre os dados e títulos, para que estes não sejam confundidos;


Figura 8.Tabela sobre a capacidade de cartões de máquinas fotográficas digitais: Utilizadas para
comparação rápida de informações.
Fonte: Pentax, 2006.
d) diagramas - Os diagramas (Figura 9) são representações visuais estruturadas
de conceitos, processos e raciocínios. Para mostrar essas informações são uti-
lizados elementos gráficos como, setas, caixas e etc indicando e representando
fluxos de informações. Sua principal vantagem é sua capacidade de síntese e
organização de algo complexo como o pensamento humano, fornecendo parâ-
metros para acompanhar e estruturar o entendimento em relação ao assunto
abordado.
30

Figura 9. Diagramas descrevendo os principais movimentos de Design: Utilizados para
disposição de conceitos, processos e raciocínios.
Fonte: MALOFIEJ, 2007.
2.2 Método de Tufte
Para Tufte (1997) infográficos são representações gráficas narrativas, que se uti-
lizam de dimensões de informação representadas visualmente para contar uma história,
uma vez que as informações realmente interessantes são quase sempre multi-variáveis
os infográficos devem trabalhar em duas ou três dimensões de informação (espacial, tem-
poral e geográfica).
Um bom infográfico consegue comunicar idéias complexas com clareza, precisão
31
e eficiência. Para isso deve-se apoiar em alguns princípios básicos que forneçam ao leitor
um grande número de idéias em um curto espaço de tempo, com o mínimo de ruído visual
em espaços reduzidos. O autor ainda reforça que a excelência de um infográfico é quase
sempre multivariável e um bom infográfico pressupõe mostrar fielmente os dados.
2.2.1 A Importância dos Detalhes
Os elementos estruturais de um infográfico como linhas, setas, marcadores, ro-
sas dos ventos, linhas pontilhadas, legendas, caixas, códigos, malhas, sombras, destaques
e preenchimentos devem ser utilizados de maneira que não ofusquem a verdadeira in-
formação que se deseja transmitir. Como elementos secundários eles devem ocupar um
nível inferior favorecendo a clareza da informação primária (Figura 10), utilizando-se de
recursos universais da sintaxe visual como: figura e fundo, distância, escala, movimento
e hierarquia visual para gerar uma profundidade de informação, que consiste evidenciar
em primeiro plano tal informação de forma que ela fique mais distante do que outra con-
forme a intenção do designer.
Figura 10. Linhas mais finas na segunda imagem colaboram interferindo menos na imagem se
comparada a primeira imagem.
Fonte: Visual Explanatons, 1997.
32
2.2.2 Paralelismo
O pensamento humano baseia-se em quantidades estimadas tempo e espaço, as
mesmas são melhor compreendidas quando relacionadas com parâmetros já conhecidos.
Uma vez visto um dos elementos de um infográfico todos os outros se tornam acessíveis
posteriormente, por conseqüência referenciais de comparação para os posteriores. Tal
noção de paralelismo é fundamental para conectar os elementos visuais e transmitir ao
leitor sensações de antes/depois, com/sem, alto/baixo, muito/pouco (Figura 11) e etc.
Figura 11. O infográfico estabelece relações de altura de cada estado com a quantidade de
hipotecas em cada estado para fornecer paralelos que permitem ter uma noção maior da
quantidade.
Fonte: The New York Times, 2007.

33
2.2.3 Múltiplos no Tempo e Espaço
Imagens múltiplas revelam repetições, mudanças de padrões e elementos im-
portantes para transmitir a informação. Os múltiplos ajudam a representar e a narrar um
processo, que possui etapas com características distintas, fornecendo parâmetros para
a comparação direta, criando listas visuais de objetos e atividades, nomes e ações que
auxiliam o leitor a analisar, comparar e diferenciar como no exemplo a seguir (Figura
12). A repetição da lua indica sua coloração e mudanças na sua aparência ao decorrer do
eclipse, esta repetição colabora ao evidenciar o que mudou da etapa anterior do eclipse
para a próxima.
Figura 12. Infográfico “Total Lunar Eclipse” sobre o eclipse lunar.
Fonte: Larry Koehn, 2008.
34
2.2.4 Causalidade
Um infográfico deve sempre procurar explicar o motivo de algo acontecer da-
quela forma. O gráfico de Minard (Figura 13) mostra claramente o número das tropas de
Napoleão diminuindo conforme se moviam na direção leste, e a causalidade é apresenta-
da com o tempo, a temperatura e a geografia do local: conforme o frio aumentava, mais
soldados morrem. O gráfico mostra, também, que as tropas diminuíram severamente
quando tiveram de atravessar um rio durante o inverno.
Figura 13.O gráfico de Minard, mostra a baixa do exército de Napoleão.
Fonte: Visual Explanatons. 1997.
2.3 Método de Rajamanickam
Rajamanickam (2005) propõe alguns passos para a produção de infográficos à
partir da clasificação do tipo de informação que está tentando transmitir em: espacial,
cronológica, quantitativa ou a combinação destas.
Ao compreender o tipo de informação deve-se escolher a forma mais adequa-
35
da de apresentar os dados (diagramas, mapas e gráficos). Existe ainda um passo após a
produção do infográfico que é a escolha do meio em que o infográfico será veiculado que
pode ser estático (papel ou tela do computador), animado (Video ou animação), ou inte-
rativo (geralmente usado na internet). O diagrama (Diagrama 1) representa visualmente
o processo de criação de um infográfico.
Diagrama 1.
Tipo de Informação
Tipo de Dados
Infográco
Meio de Comunicação
Espacial
Informações que descrevem
posições e relações espaciais
em uma locação física ou
conceitual
Cronológica
Informações que descrevem
posições sequênciais e
relações causais em uma
linha de tempo física ou
conceitual
Quantitativa
Informações que descrevem
escalas, proporções,
mudanças e a organização
de quantias no espaço,
tempo ou ambos.
Diagramas
Ícone: Mostra a realidade
visualmente simplificada.
Sequência: Mostra a suceção
de eventos, ações e relações
de causa.
Processos: Mostrar as
interações passo a passo
através de espaço e tempo.
Linha do Tempo: Mostra a
Progressão Cronológica.
Exposição: Mostra detalhes
de um ponto de vista
normalmente não possível
para o olho humano, como
cortes e etc.
Estático
ÍToda a informação apresen-
tada de uma vez.
Gráficos de Jornal, mapas,
manuais de instrução,
diagramas expositores e etc.
Animado
Informação apresentada
progressivamente em uma
sequência lienar.
Animação ou sobreposição
de gráficos em vídeo.
Interativo
Informação de acordo com
as escolhas que o usuário
fizer.
Geralmente em sites que são
narrativos, instrutivos,
simulativos ou exploráveis.
Mapas
Locação: Mostra a localidade
de algo em relação a outra
coisa.
Dados: Mostra informação
quantitativa em relação a
geografia do local.
Esquemáticos: Mostra
representações abstratas de
geografia, processos, ou
sequências.
Gráficos
Fluxo: Mostra as mudanças
de magnitude sobre o
tempo.
Barras: Mostra comparações
proporcionais de magnitude.
Pizza: Mostra a distribuição
das partes de um todo.
Organizacional: Mostra as
partes de uma estrutura e a
relação entre si.
Diagrama traduzido de Venkatesh Rajamanickam sobre o processo de
desenvolvimento de um infográfico.
Fonte: Infographics Seminaar Handout, 2005.
36
Todavia, os infográficos obedecem a casos específicos que podem ser melhor ex-
plorados, para isso o autor apresenta também 9 passos para a produção de um infográfi-
co: Organizar, Tornar Visível, Definir o Contexto, Simplificar, Redundância, Mostrar Causa
e Efeito, Comparar e Diferenciar, Criar Dimensões Múltiplas e Integrar. Cabe neste mo-
mento ponderar que o autor em suas proposições as trata de maneira sucinta, o que dife-
re do objetivo deste tarbalho que explora um método mais aprofundado de produção.
2.3.1 organizar
Organizar toda a informação disponível e planejar como representá-la é o pri-
meiro, o mais importante e difícil estágio na criação de qualquer infográfico. O infográfico
representando um acidente de trem (Figura 14), por exemplo, representa a colisão de
dois trens causada por um automóvel vindo de uma estrada próxima.
Figura 14. Anatomia de um acidente.
Fonte: Jornal El Pais. 2005.
37
Para explicar tal fato, é necessário trabalhar com informações de diferentes áre-
as do conhecimento humano como: a geografia para descrever o local; a física para justi-
ficar a causa; além de outros fatores como a ordem cronológica dos acontecimentos e os
objetos envolvidos. Estas informações devem ser organizadas com a quantidade correta
de detalhes e ênfase para que o leitor compreenda o acidente.
2.3.2 Tornar Visível
Os pescadores das ilhas Marshall tem usado por séculos mapas feitos com vare-
tas de bambu amarradas (Figura 15), para representar visualmente a distância entre as
ilhas, onde ficam e a direção das mesmas.
Dados numéricos relacionados a quantidade, distância, porcentagem, direção,
entre outros, são melhor compreendidos quando apresentados graficamente.


Figura 15.Mapa de varetas, ilhas Marshall.
Fonte: Infographics Seminaar Handout. 2005
38
2.3.3 Definir o Contexto
Utilizando novamente o exemplo do infográfico sobre o acidente dos trens (Fi-
gura 14) , definir um contexto começa por representar graficamente o local do aconteci-
mento para que o leitor obtenha noção do espaço. A vista superior foi selecionada devido
à estrada e os trilhos por serem componentes essenciais para a compreensão do acidente.
Durante a primeira colisão, a vista está mais próxima dos objetos, já na segunda, se afasta
e por meio disto é estabelecida a diferença na escala da colisão, tornando compreensível
o fato de que o acidente foi causado por um veículo pequeno.
2.3.4 Simplificar
Representações simples e objetivas são mais fáceis de se interpretar, já que o
usuário se distrai facilmente com objetos desnecessários contidos na peça gráfica. O in-
fográfico do jornal The New York Times que mostra a propagação do vírus SARS (Figura
16) exemplifica a importância do princípio da simplicidade no aspecto visual do mapa e
no uso de cores.
39
Figura 16.Como o vírus SARS se propagou.
Fonte: Jornal The New York Times. 2005.
O infográfico mostra a propagação de país a país, em uma representação simples
e suficiente para transmitir a mensagem. As cores são utilizadas para indicar os propaga-
dores primários, secundários e terciários do vírus.
40
2.3.5 Redundância
É um conceito que emergiu da teoria da informação para comunicação. Redun-
dância é o oposto de informação, algo redundante adiciona pouca, senão nenhuma, in-
formação para a mensagem. O objetivo de adicionar redundância é reforçar informações
importantes, como por exemplo um semáforo (Figura 17), que controla o tráfego de veí-
culos por meio da cor das luzes mas também utiliza a posição destas para reforçar a men-
sagem. Entretanto, a quantidade de redundâncias utilizadas em uma mensagem deve ser
a menor possível, de forma a não cansar o leitor.
Pare
Primeira Lanterna (Alto)
Atenção
Segunda Lanterna (Meio)
Siga em Frente
Terceira Lanterna (Baixo)
Figura 17. Padrão do sistema de semáforos brasileiros
Fonte: Própria

41
2.3.6 Mostrar Causa e Efeito
Na tentativa de compreender alguma situação, o usuário procura informações
para examinar a causa de tal. O diagrama da decisão (Figura 18), mostra a causa e o efeito
levando o leitor por caminhos determinados de acordo com suas decisões, apresentan-
do-o as conseqüências.
Figura 18. Diagrama da Decisão. Are Reward Cards for you?
Fonte: Infographics Seminaar Handout. 2005
2.3.7 Comparar e diferenciar
Comparações e diferenciações facilitam a compreensão de informações. No in-
fográfico do jornal The New York Times sobre a propagação do SARS (Figura 16), por
exemplo, existem comparações por meio do uso de um código de cores que diferencia in-
fecções primárias, secundárias e terciárias. Pontos são usados para indicar o número de
pessoas infectadas. Isto ajuda o usuário a fazer uma rápida comparação visual do volume
de pessoas infectadas por diferentes países.
42
2.3.8 Criar Dimensões Múltiplas
No gráfico de Minard (Figura 13) a respeito do avanço do exército de Napoleão
sobre a Rússia, é possível notar seis dimensões: o tamanho do exército, latitude, longi-
tude, direção em que o exército se movia, temperatura e data. Numa só folha de papel,
Minard foi capaz de transmitir toda a informação necessária para representar detalhada-
mente a mal sucedida marcha de Napoleão rumo à Rússia.
2.3.9 Integrar
É importante apresentar dados coerentes, então é necessário evitar referências à
figuras e exemplos no texto, informações de comparação devem estar lado a lado, o con-
teúdo deve possuir continuidade integrando as informações visuais com as textuais e não
uma quantidade grande de texto separada de todas as figuras, com estas todas reunidas
em um apêndice.
A integração entre os elementos gráficos e textuais é o que diferencia um texto
com imagens de um infográfico. Pode-se verificar esta integração no infográfico “O rio de
bens que chega pelo porto” (Figura19), nele as ilustrações indicando a produção na Ásia,
armazenagem no container e despacho por navio, a descarga e distribuição, relacionam
vários acontecimentos que acontecem de forma sequencial apresentando-os de uma úni-
ca vez interelacionados de uma maneira atrativa para o leitor.
Isto é feito de tal modo que a compreensão total do assunto não seja feita apenas
com a leitura da parte textual e muito menos só com a observação da parte ilustrativa do
infográfico.
43
Figura 19.Infográfico “Rio de bens que chega pelo porto”: a informação é melhor assimilada com
a total integração dos elementos do infográfico.
Fonte: MALOFIEJ, 2007.
44
2.4 Infografia Jornalística

Segundo Tavejnhansky (2005), o primeiro exemplo de infográfico usado em jor-
nais data de 1702, no The Daily Courant, o primeiro diário inglês, no entanto a infografia
só veio a se popularizar no jornal impresso na década de 80 com o USA Today que além
de introduzir a infografia inovou com o uso de ilustrações, fotografias em cores, o que até
então existia na área.
No Brasil o primeiro jornal a tratar de fato a infografia como ferramenta foi a
Folha de São Paulo, que já no fim dos anos 80 começou um investimento maciço em in-
formatização trazendo os primeiros computadores Macintosh com softwares gráficos à
sua redação, até então tudo era construído manualmente. Os computadores chegaram e
expandiram as possibilidades dos infografistas.
O Poynter Institute for Media Studies de St. Petersburg, Flórida, vem realizando
periodicamente estudos de Eye-Tracking
2
com leitores habituais de jornal, que mostram
que os leitores procuram as imagens e os infográficos primeiro, dentre as demais infor-
mações do jornal.
Stark (2004), pesquisadora do Poynter Institute, afirma que infográficos são uma
combinação de palavras e elementos visuais que explicam os acontecimentos descritos
na matéria e situam a história e seus elementos em um determinado contexto, por pos-
suir estas características se tornam um elemento muito atraente nas páginas do jornal.
Muitas vezes esses elementos mostrados no infográfico não são descritos com
tantos detalhes na reportagem, por isso ele é necessário para tornar a informação mais
clara e atrativa, o que leva muitos editores a substituírem algumas matérias pelos in-
fográficos. Porém os elementos de uma matéria não devem competir. O infográfico não
deve ser considerado mais importante que o texto redigido ou a fotografia e vice- versa,
2 Eye Tracking é um estudo que consiste na observação do movimento da íris do indivíduo no ato de
leitura de um jornal. Por meio de câmeras e sensores dados como piscadas e movimentações dos olhos
são documentados e analisados posteriormente, esses estudo realizado pelo Poynter Institute definiu os
parâmetros do Design Jornalístico nas últimas décadas http://poynterextra.org/eyetrack2004/history.
htm
45
os elementos devem se complementar e interagir para que os fatos sejam transmitidos
da melhor maneira possível.
Em um jornal, os infográficos devem ter o caráter investigativo de uma reporta-
gem tratando do quê, quando, onde, como, por quê e por quem, porém utilizando repre-
sentações visuais como linguagem.

46
3. Metodologia da pesquisa
3.1 Estudo de Caso: A produção de infográficos na Folha de São Paulo
O estudo de caso é um método de pesquisa de caráter exploratório que implica
na realização de uma análise de um ou poucos objetos, porém de forma mais aprofun-
dada, que possibilite um conhecimento mais detalhado do objeto. A principal finalidade
desse método de pesquisa é proceder a uma investigação ou caracterização mais ampla e
aproximativa, no intuito de formular questões mais precisas que possam nortear estudos
posteriores (GIL, 1991; YIN, 2001).
Neves (1996) complementa que o estudo de caso é o método mais recomenda-
do quando se procura saber como e porque certos fenômenos acontecem, ou analisar
eventos sobre os quais a possibilidade de controle é reduzida ou quando os fenômenos
analisados são atuais e só fazem sentido dentro de um contexto específico.
Baseado nas características levantadas anteriormente, este trabalho se enquadra
como um estudo de caso segundo os autores citados, mediante o qual se buscou identifi-
car detalhes do modo de produção de infográficos da Folha para servir de subsídios para
a elaboração de um método.
Nesse trabalho são adotadas as cinco etapas propostas por Wimmer e Dominick
(1996) para a elaboração de um estudo de caso:
a) Planejamento – Nesta etapa foi firmado contato com Marcelo Pliger, desig-
ner gráfico, que trabalha para a Folha como infografista desde 1997, que
forneceu materiais e meios para a observação do processo, juntamente com o
andamento da revisão de literatura que fomentou a compreensão do assunto;
47
b) Estudo-Piloto – Realizou-se um visita a redação da Folha para constatar pos-
síveis falhas no planejamento e organizar sistematicamente o estudo, a partir
da observação do trabalho da equipe de infografia in loco.
c) Coleta dos Dados – Realizada juntamente com a etapa anterior, a fase de co-
leta de dados tem por objetivo recolher o máximo de informações possíveis,
para isto foram utilizados quatro modos principais para obtenção da informa-
ção:
• Documentação, a partir da pesquisa histórica sobre a Folha de São Paulo e
do material pré existente sobre o ofício da infografia em sua redação ;
• Entrevista em profundidade semi-estruturada, Marcelo Pliger;
• Observação direta do modo de produção, na visita à redação;
• Artefatos, que no modelo proposto pelos autores, são evidências que po-
dem ser observados como parte do estudo. Neste caso os artefatos são os
infográficos produzidos pela equipe impressos em jornal ou em arquivos
digitais.
d) Análise da Informação - Foi realizada a análise dos dados coletados nas
etapas anteriores. Os dados foram analisados comparando as informações
obtidas na entrevista com a observação direta.
e) Redação do Relatório - Neste trabalho esta fase é executada e apresentada
em conjunto com a etapa anterior.
É importante ressaltar que Duarte apud Duarte & Barros (2005) complementa
que independentemente do número de etapas fixadas para o desenvolvimento do estudo,
todas elas se sobrepõe em diversos momentos, sendo difícil traçar uma linha divisória
precisa entre as mesmas, isto explica a ocorrência de algumas etapas em paralelo.
48
3.1.1 Planejamento
Neste momento procurou-se aprofundar os conhecimentos sobre o assunto, bem
como sobre o ambiente onde ocorre o estudo, a redação da Folha de São Paulo. Por meio
da literatura relativa ao caso, já citada anteriormente em outras etapas deste trabalho, foi
estruturado um projeto preliminar, no qual foram descritas hipóteses em relação ao mé-
todo de produção de infográficos na Folha, fundamentados na observação de infográficos
dos exemplares do jornal.
3.1.1.1 Hipóteses do estudo de caso
• Há tratamentos distintos de linguagens para cada caderno do jornal;
• O trabalho da infografia se dá em uma linha de produção na qual cada info-
grafista elabora uma parte do infográfico;
• A velocidade de produção se apóia em elementos mais técnicos (elementos
pré estabelecidos como boxes, setas, tipografias e demais elementos) do que
práticos para a produção de infográficos;
• Não existe um material que oriente a produção de infográficos;
3.1.1.2 A Folha de São Paulo
Para situar, contextualizar e servir de suporte para uma análise prévia do am-
biente onde se dá o estudo, foi elaborada uma pesquisa sobre a história da Folha de São
Paulo.
Fundada em 1921, tornou-se na década de 80 o jornal mais vendido no país . O
crescimento foi resultado das características editoriais do jornal: pluralismo, apartida-
rismo, jornalismo crítico e independência. Organizado em cadernos temáticos diários e
suplementos, tem circulação nacional.
49
A Folha é hoje o jornal brasileiro de maior tiragem e circulação. Possui um dos
maiores parques gráficos da América Latina, com capacidade de imprimir 16.640.000
páginas por hora. As páginas da Folha, produzidas na redação, no centro da cidade de São
Paulo, são digitalizadas e transmitidas por fibra ótica a gráfica localizada em Tamboré-SP.
O sistema de manejo e expedição dos jornais é totalmente automatizado.
O Design sempre ocupou uma posição de destaque no jornal, seja na disposição
da própria redação, organizada em um sistema de ilhas para cada caderno que facilita o
fluxo de trabalho e comunicação entre os cadernos, ou na posição que editoria de arte
ocupa fisicamente na redação: “vizinhos” da editoria-chefe. Mas o ponto que torna clara a
preocupação com o Design é no próprio projeto gráfico do jornal.
A partir dos anos 80 o projeto gráfico passou a ser coerente com as remodela-
ções dos padrões de comportamento profissional e editoriais. Mudanças gráficas como a
organização do noticiário em cadernos temáticos, introduzida em meados da década de
90, e a utilização intensiva, desde os anos 80, mapas, quadros, tabelas, gráficos e ilustra-
ções, quando computadores Macintosh passam a ser empregados na editoria de Arte para
auxiliar na elaboração destas peças gráficas foram cruciais para consagrar a Folha como
um dos maiores jornais brasileiros.
A versão mais recente do projeto gráfico data de 2006 e foi elaborada pela equipe
de artistas gráficos do próprio jornal, coordenada pelo editores, na época, Massimo Gen-
tile e Melchiades Filho. O projeto teve consultoria do designer americano Mario García,
responsável pelo redesenho dos jornais “The Wall Street Journal”, “Libération” (França) e
“DieZeit” (Alemanha), entre outros.
Segundo García (2006), em entrevista à Folha de São Paulo, o projeto levou em
conta as mudanças nos hábitos de leitura, sobretudo após a expansão da internet. “As
pessoas estão cada vez mais seletivas em relação àquilo que vão ler. O objetivo do novo
projeto é informar, divertir e surpreender o leitor, fazendo um jornal que ofereça repor-
tagens relevantes, editadas de maneira criativa”.
50
3.1.1.3 Contatos para o trabalho de campo
Por meio de uma pesquisa realizada na internet, chegou-se ao portfólio virtual
de Marcelo Pliger, onde há uma parte direcionada ao contato, que foi realizado via email.
Desde o primeiro momento Marcelo se mostrou muito solícito e disposto a colaborar no
que fosse necessário para a pesquisa, neste contato inicial ele recomendou uma biblio-
grafia básica sobre o tema.
3.1.2 Estudo Piloto
A partir da confirmação do apoio foi agendada uma visita, que ocorreu em pa-
ralelo com a pesquisa bibliográfica. Este dado é interessante, pois na visita se refutaram
algumas hipóteses, como por exemplo: o fluxo de trabalho, no qual imaginava-se um mé-
todo de produção em série por parte dos infografistas e a inexistência de um material que
orientasse a produção da infografia no jornal.
Na redação da Folha, constatou-se que o fluxo de trabalho acontece de forma in-
dividual e existe um manual que normatiza, mas não limita, a produção de infográficos.
3.1.3 Coleta de Dados
O objeto de estudo se caracteriza como um processo, por isso cada detalhe que
possa ser percebido em seu desenvolvimento é de extrema importância, podendo influir
de maneira considerável no resultado final.
Para identificar o método de trabalho da equipe de infografia na Folha de São
Paulo foi realizada uma entrevista em profundidade com Marcelo Pliger. A entrevista foi
realizada na própria redação do jornal em Maio de 2008, o que permitiu uma observação
do fluxo de trabalho in loco.
51
3.1.3.1 documentação
O Manual de infografia Folha
A produção de infográficos segue uma padronização. Algumas dessas diretrizes
são definidas pelo Manual de Infografia da Folha.
O Manual de Infografia faz parte do material produzido para o novo projeto grá-
fico da Folha, implantado em 2006. Por motivos de segurança, já que se trata de um mate-
rial de uso interno do jornal foram fornecidas apenas algumas imagens do mesmo, porém
durante a visita obteve-se acesso ao material por completo e foi levantada a seguinte
hipótese: este manual está mais relacionado ao estilo e unidade visual que o infografista
deve seguir não abordando aspectos teóricos da produção.
Este material traz definições quanto ao estilo gráfico que deve ser adotado como
pode-se ver a seguir (Figura 20 a Figura 23). Estas definições são detalhadas e abrangem:
paleta de cores, combinações possíveis e recomendadas destas cores; utilização de ele-
mentos visuais pré estabelecidos pelo projeto gráfico bem como a espessura de linhas em
gráficos e localização de títulos, subtítulos, legendas e tipografias.
52
Figura 20. Paleta de Cores e seus grupos de uso: Esquemas, gráficos, mapas e outros usos.
Fonte: Manual de Infografa Folha de São Paulo, 2006.
53
Figura 21. Cores para gráficos: Temas subdivididos entre as áreas de economia, estatística e
esportes.
Fonte: Material de uso interno Folha de São Paulo, 2006.
54
Figura 22. Elementos gráficos: Ícones, balões e especificações quanto ao seu uso.
Fonte: Manual de Infografa Folha de São Paulo, 2006.
55
Figura 23. Linhas: como utilizar linha e qual sua espessura definida para gráficos estatísticos.
Fonte: Manual de Infografa Folha de São Paulo, 2006.
3.1.3.2 Entrevista em Profundidade
A entrevista em profundidade semi-estruturada é um método qualitativo de co-
leta de dados, que visa obter do entrevistado informações objetivas e subjetivas relevan-
tes ao estudo. Este modelo de entrevista caracteriza-se por não utilizar um questionário
para obter dados e sim de um roteiro no qual o diálogo transcorre de forma livre no tema
proposto.
56
O objetivo principal desta entrevista foi compreender como funciona o fluxo de
trabalho de um infografista na redação da Folha, levando em consideração o ponto de
vista do entrevistado a respeito do processo de produção, para fundamentar a produção
do método com dados relevantes da realidade da qual ele foi extraído.
A equipe de infografia
Os infográficos ou “infos”, como são chamados dentro do jornal são produzidos
pela equipe de infografia, que é o grupo de pessoas na editoria de arte dedicadas apenas
a este ofício. A editoria é formada não só por infografistas mas também diagramadores e
ilustradores.
Marcelo expôs um panorama geral do perfil do profissional de infografia na Fo-
lha. Na equipe há jornalistas, designers, arquitetos, publicitários entre outras formações.
Uma equipe multidisciplinar, mas de alguma forma envolvida com o Design academica-
mente. Todos fazem ou já fizeram alguma pós-graduação na área.
A relevância do meio acadêmico para o trabalho da infografia no jornal de for-
ma alguma é desconsiderada, mas a ênfase do trabalho na redação é calcado na prática.
Para o entrevistado uma parte considerável das pessoas que trabalham com este ofício
aprenderam a fazer infográficos empiricamente, e por conseqüência acabaram cada um
criando seu próprio método, o que vêm a somar para o trabalho da equipe.
O entrevistado ainda afirma que existem livros que esboçam algum estudo no
intuito de se criar um manual de “como fazer infográficos” mas que na prática a visão que
estes materiais oferecem diferem muito e se tornam distantes do seu objetivo.
A equipe tem uma alta rotatividade de pessoal mas grande parte está no jornal
há mais de 10 anos, fator importante que comprova o amadurecimento e a solidificação
do modo de trabalho.
57
Quando questionado sobre a evolução técnica da práxis da infografia Marcelo cita
o prêmio MALOFIEJ, uma premiação específica da área para a qual todo ano são enviados
centenas de trabalhos de todo o mundo. Os premiados são publicados em um anuário que
acaba servindo de referência para os profissionais da área.
As ferramentas de produção
Para a produção de infográficos é utilizado basicamente o computador. A plata-
forma utilizada é a Mac/Apple muito familiar aos profissionais ligados a esta área. A Folha
provém equipamentos sempre atualizados para uma maior eficiência de sua produção.
Os softwares utilizados são o Macromedia Freehand MX para imagens vetoriais
e o Adobe Photoshop para imagens em bitmap (fotografias e demais). Marcelo comenta
uma dificuldade atual da equipe: migrar de software do Macromedia FreeHand, utilizado
desde os primórdios da implantação dos computadores na editoria, para o Adobe Illustra-
tor que é um software mais completo e atual. Além disso a migração é necessária pois o
software Macromedia Frehand saiu de linha e se tornará cada vez mais raro achar profis-
sionais que trabalhem com esta ferramenta.
Segundo Marcelo, o software condiciona o meio de produção mas não limita. Ele
acredita que a migração será positiva e trará melhorias para o trabalho da equipe.
Os infografistas têm como material para produzir os infográficos o banco de ima-
gens vetoriais, produzido por eles mesmos para agilizar o processo. Este banco contém
mapas, ilustrações entre outros elementos gráficos vetoriais necessários para a produção
de uma peça. Alem disso pode-se recorrer ao acervo da Agência Folha de fotografia, uma
das maiores deste ramo no país.
58
O fluxo de produção
Este fluxo representado graficamente a seguir (Figura 24) é fundamental, pois
evidencia detalhes que permitem transpor um método empírico em um material de valor
acadêmico.
Figura 24.Fluxo de Trabalho da Infografia na Folha de São Paulo
Fonte: Própria
a) Solicitação - Pela manhã o “fechador
3
” comparece à reunião dos editores,
na qual é definido o assunto do jornal do próximo dia e um repórter ou um
redator solicita por meio de um arquivo de texto, infográficos, ou tabelas, ou
mapas e ilustrações. Nesse arquivo de texto também contém as informações
necessárias para se produzir as peças.
b) Peneira do fechador- O “fechador” lê esses dados, às vezes conversa com
o repórter ou redator sobre a melhor maneira de elaborar o infográfico e
escolhe um infografista da equipe para fazer o trabalho. Anota o nome do
trabalho, o nome de quem está fazendo e um código em uma planilha para ter
controle de quem produz o quê.
c) Infografista - O infografista recebe os dados e as informações e faz o info-
gráfico. As vezes ele mesmo tem de conversar novamente com o redator ou
repórter ou fazer pessoalmente alguma pesquisa.
3 Editor responsável pelo fechamento da edição do Jornal
59
d) Pré-Impressão - O infográfico é impresso com o nome do autor e o tamanho.
e) Revisão - O redator que solicitou o infográfico revisa a peça e retorna o im-
presso com correções. Não é raro ele acompanhar pessoalmente a correção.
f) Correção - Normalmente o infografista corrige e imprime de novo o infográfi-
co.
g) Segunda revisão - O redator mais uma vez confere o impresso corrigido e
geralmente repassa para outro redator conferir também.
h) segunda correção – O infográfico é novamente corrigido.
i) Espaço dos anúncios - Nesse momento chega o “espelho”, um diagrama que
indica onde entrarão os anúncios no jornal. Normalmente o infográfico, prin-
cipalmente os maiores, tem de mudar de tamanho para se adaptar ao espaço
reservado na página.
j) Terceira revisão - Com o tamanho adaptado, nova impressão, nova revisão e
correção.
k) Exportação do arquivo - Por volta das 20h, com todas correções feitas o
infografista gera um EPS e joga o arquivo em um diretório para que o diagra-
mador que está montando a página tenha acesso.
o processo de produção
Para Marcelo um bom infográfico é aquele que se faz compreender pelo leitor
facilmente, e para atingir esse objetivo os pontos determinados pelo Manual de Infografia
da Folha ajudam e agilizam o trabalho, além do bom senso do profissional para compor
uma peça gráfica de qualidade.
60
O entrevistado ressalta a importância dos princípios básicos da sintaxe visual
para a produção de um bom infográfico, como a hierarquização da informação, composi-
ção entre outros.
Quando questionado se as linguagens dos infográficos diferiam entre os cader-
nos do jornal Marcelo explica que há um consenso sobre isto mas não de forma explícita e
geralmente o infografista se guia pelo próprio teor do caderno ou da matéria. Os infogra-
fistas tem autonomia para dar a linguagem adequada a parte textual do infográfico, quan-
do o texto não “casa” completamente com a informação, mas isso apenas em infográficos
de valor menor dentro da edição, para os infográficos principais costuma-se consultar os
editores.
O tempo é um fator determinante e não é raro de última hora o jornal sofrer re-
viravoltas em sua edição e mudar tudo. Em determinado caso citado pelo entrevistado,
ocorreu determinado evento, de interesse nacional, perto do horário de fechamento do
jornal que ocorre aproximadamente às 20h, e novas matérias e novos infográficos tive-
ram que ser produzidos para cobrir este evento. Não havia imagens no banco relativas ao
assunto necessário e faltando apenas 30 minutos para o fechamento do jornal, ele então
recorreu a um banco de imagens na internet e gerou uma solução.
A fidelidade do processo de impressão do jornal é pobre e costumeiramente
acontecem alterações de cor e falhas de registro. Esta falta de qualidade é justificável por
causa do alto custo de produção que uma impressão de qualidade teria para um material
tão volátil.
3.1.3.3 Observação Direta
Para Lakatos e Marconi (1991) a observação direta é feita no ambiente real, re-
gistrando os dados à medida que o processo for ocorrendo, espontaneamente. Em acordo
com os autores, após a entrevista, feita em um local reservado, retornou-se para a redação
onde foram mostrados detalhes do fluxo, como: o funcionamento dos softwares, os profis-
sionais envolvidos, o Manual de Infografia da Folha, o banco de imagens e o rascunho do
61
jornal, o já citado anteriormente “espelho” e as demais ferramentas de produção.
Esta etapa do estudo contribui ao evidenciar dados informais a respeito do ob-
jeto de estudo, observar o local de trabalho, a forma de disposição das editorias e o bom
relacionamento que existe dentro da equipe de infografia e o desenvolvimento de um in-
fográfico feito por Marcelo, tornam palpáveis elementos que complementam a entrevista
em profundidade por inferirem diretamente na produção dos infográficos.
funcionamento da editoria de arte
O horário de trabalho na redação é das 15 horas até o fechamento do jornal que
geralmente ocorre entre 20 e 21 horas. Este horário é flexível e pode se estender caso
haja alguma alteração no jornal próxima do horário de fechamento, como o surgimento
de uma nova manchete de extrema relevância ou então um novo anúncio.
O bom relacionamento da equipe ajuda a amenizar esta pressão do trabalho e se
reflete na produção. Os infográficos da Folha têm como peculiaridade um caráter mais
descontraído sem perder a seriedade que o meio pede.
Os infográficos em sua maioria são uma combinação de ilustrações vetoriais com
fotografias, ou apenas vetoriais. O principal motivo deste fato é a praticidade e a versati-
lidade da imagem vetorial, pois é comum redimensionamentos e substituições de cor, o
que ocorre tranqüilamente quando a imagem é desta natureza, além do aumento da ve-
locidade ganho em todo o processo de produção e minimização das falhas de impressão
por ser um tipo de representação gráfica mais simples.
62
Figura 25. Detalhe do computador com a tela do software Freehand em execução no momento
da produção de um infográfico.

Figura 26. Bancada de trabalho da equipe de Infografia na redação da Folha.
63
Apesar da equipe de infografia ser formada por 10 pessoas, são raros casos em
que estes profissionais trabalham em conjunto para a produção de um infográfico. Depen-
dendo da complexidade do infográfico o “fechador” pode designar mais de um infografis-
ta para produzi-lo, mas geralmente este trabalho é feito por apenas um profissional.
No quesito que tange ao conteúdo do infográfico, é fato que, após receber a infor-
mação sobre a qual o se trata o profissional geralmente cruza-se algumas fontes de infor-
mação. Para isto ele tem acesso ao acervo do próprio jornal, a internet e se necessário o
infografista vai até o local do ocorrido. Caso detecte alguma inconsistência na informação
reporta ao próprio editor que lhe solicitou o material, para a correção. A fidelidade dos
fatos é algo muito estimado no meio jornalístico e algumas gafes podem ser fatais para a
imagem do jornal como empresa. Alguns cartazes distribuídos pela redação alertam “Na
dúvida, cite a fonte”.
Quanto à produção do infográfico, pode-se perceber que ao refinar esta infor-
mação o infografista dá início ao processo de desenvolvimento prático do infográfico, no
qual se utiliza dos recursos do computador para estruturar o infográfico, acessando os
bancos de imagens e vetores, caso necessário. Em alguma etapa do processo para facilitar
seu próprio entendimento a respeito do assunto o infografista pode fazer um rascunho
a mão do fluxo do infográfico. Durante esta etapa de desenvolvimento o infografista im-
prime algumas provas do infográfico para ter uma noção melhor do que está produzindo
e mostra este produto para os editores responsáveis, que apontam possíveis mudanças.
Após estas mudanças o arquivo é salvo e enviado para o sistema, que será utilizado pelo
diagramador.
3.1.3.4 Artefatos
Os artefatos são fontes de evidência que fomentam a etapa de levantamentos de
dados, complementando a entrevista em profundidade e a observação direta. As peças
foram fornecidas por Marcelo Pliger.
64
O desenvolvimento e produção do infográfico “Matemática de Campanha” (Figu-
ra 27) por Marcelo Pliger, foi acompanhado durante a etapa de observação de campo na
data da visita. Os outros infográficos “São Silvestre” (Figura 28) e “Acidente em Congo-
nhas” (Figura 29) foram premiados no MALOFIEJ 2006.
65
Figura 27. Infográfico “Matemática da Campanha” sobre a disputa Presidencial da Casa Branca.
Fonte: Folha de São Paulo, 2008.
66
Figura 28.
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Bruno Miranda/Folha Imagem
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Dica: Opercurso é cheio de
curvas, e o asfalto se alterna
comparalelepípedos. Épreciso
cuidado para não escorregar
Dica: Oviaduto é umteste para ver
quemestá comenergia. Asubida é
acentuada, mas não é longa
Dica: Éo início do maior
retãoda prova. Convém
usar gel de carboidrato
e beber água. Mas só
use o gel se estiver
habituado
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7 km 747 m
Gazeta
Dica: Não pare de imediato após
ultrapassar a linha. Faça
alongamento e beba água
15 km 816 m
LARGADA
MASP
0 km 816 m
Dica: Até a mais paulistana das provas
sofre comengarrafamento. São 20 mil
largando. Nãosaiaatropelandotodomundo
*Tempo dos vencedores em2006
**Média de todos os atletas em2006
Consultoria técnica: Cláudio Castilho
(Pinheiros e equipe Saúde &
Performance) e Frederico Fontana
(equipe Quality Life)
Imagemilustrativa
AV. PAULISTA AV. PAULISTA
COMPARE O SEU TEMPO*
Masculino 44min07s
Feminino 51min24s
Masculino 1h25min23s
Feminino 1h35min58s
Elite
Geral
O QUE USAR
NO DIA DA
PROVA
Tênis: Use umapropriado
para corrida de acordo com
sua pisada (pronador,
neutro ou supinador)
Meias: As estilo
sapatilha deixamo pé
maislivreparaacorrida
e tambémajudama
absorver suor
Shorts: Decor clara
e confortável, deve
ter umbolso para
transportar ogel de
carboidrato
Boné: Usar de
cor clara e bem
ventilado
gel
Vaselina: Passar nas
axilas, virilhaemamilos
paraevitar assadurapor
conta do atrito durante
a prova
Camisa: Leve,
confortável e de
cor clara. Prefira
as que favorecem
aabsorçãodosuor
Nível extremo de
radiação UV
Apesar do horário,
use protetor solar
Sol entre nuvens,
com pancadas de
chuva
Mín.
19˚
Máx.
32˚
CONHEÇA
O CIRCUITO
DA PROVA
Gire a página
para ler
Paraatletas 15h15
Feminino 16h30
Masculino e geral 16h45
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Idadenãopesa
paraquemcorre
naSãoSilvestre
Marcas obtidas pelos atletas commais de 60anos sãoas
que mais caemna tradicional prova de rua de SãoPaulo
................................................................................................
DAREPORTAGEMLOCAL
Ademar Tristão Filho aban-
donou os jogos de várzea em
1976. Seu corpo, no entanto,
não agüentou ficar parado. E
logo a paixão pelo futebol deu
lugar ao tênis e a quilômetros e
quilômetrosdepassadas.
Hoje, aos 65 anos, é exemplo
deummovimentocomprovado
pelas marcas da São Silvestre.
Cada vez mais os idosos brasi-
leiros se dedicam a atividades
físicas. E quem abraça o espor-
te competitivo tem desempe-
nhocadavezmaisdestacado.
Na mais tradicional prova de
rua do país, apenas os corredo-
res das categorias com mais de
60anos tiverammelhora signi-
ficativa no tempo médio de
percurso se comparado 2006 a
1998, omaisantigoregistrado.
Naquele ano, a média foi de
1h36min56s. No ano passado,
os veteranos cumpriram o cir-
cuito em1h33min44s. Entre as
mulheres, a marca caiu de
1h55min35spara1h47min39s.
Amaioriadoscorredoresins-
critos na prova pioraram os
tempos. Na categoria até 29
anos, os homens saltaram de
1h19min32s para 1h23min31s.
A prova feminina foi pior, de
1h28min51spara1h38min31s.
Alguns, no entanto, apresen-
taram leve evolução. Os atletas
de 50 a 59 anos melhoraramas
marcas, mas de forma bemme-
nos significativa (44s para mu-
lherese9sparahomens).
Já os jovens com até 19 anos
foram1min21smaisvelozes.
“O número de atletas com
mais de 60 anos só aumenta.
Alguns descobrem a corrida
nessa idade”, diz Tristão Filho,
que preside a Associação dos
CorredoresdoEspíritoSanto.
Apesar de festejar o incre-
mento da modalidade, o corre-
dor penacomnovos rivais.
“Tenhoumbomnível detrei-
namento, mas começo a perder
espaço. As provas estão cada
vez mais disputadas”, diz ele,
vice-campeão emsua faixa etá-
ria na Volta da Pampulha. Na
São Silvestre-2006, foi quarto
na sua categoria, 941º no geral
—havia15mil inscritos.
Segundo censo do IBGE di-
vulgadonoúltimoano, aexpec-
tativamédiadevidadobrasilei-
roatingiu71,9anos.
Aexplicaçãopara este cresci-
mento está no maior acesso a
cuidados médicos, dieta balan-
ceada, novastecnologias, queda
da mortalidade infantil e na
prática de atividades esporti-
vas, entreoutras.
Carlos Marchetti é umexem-
plo dos efeitos desse novo in-
grediente na vida dos idosos.
Começou a correr há oito anos
e, em 2006, arriscou-se na São
Silvestre. Hoje, estará na Pau-
lista novamente. Aos 84 anos, é
omaisvelhoinscrito.
“Meus filhos correme me in-
centivaram. Uma pessoa de
idade, quando fica parada, só
piora”, afirmaocompetidor.
Marchetti treinapor cercade
uma hora e meia três vezes por
semana. Tambémcontinuatra-
balhandoemsuaoficina.
“Eu comecei andando. Aí
passei a correr 5km, 10km,
15km e vi que dava. Essa é mi-
nha segunda São Silvestre, mas
eu quero mais”, diz. (MARIANA
LAJOLOEPAULOCOBOS)
Infográfico “São Silvestre” sobre a corrida de São Silvestre.
Fonte: Folha de São Paulo, 2007.
67
Figura 29.Infográfico “Tragédia em Congonhas” sobre o acidente do avião Airbus A320 da Tam.
Fonte: Folha de São Paulo, 2007.
3.1.4 Análise da Informação e Relatório
A fim de agregar uma maior consistência ao estudo foram cruzados os dados ob-
tidos na entrevista e na observação direta. Para o cruzamento foi tomado como critério
base os pontos mais relevantes das duas fontes de dados para se chegar a uma compre-
ensão do funcionamento da Folha de São Paulo.
A equipe de infografia
Em princípio houve uma indefinição, por parte do entrevistado, do que é a equi-
pe de infografia e do que é a editoria de arte. Este dado foi compreendido por meio de um
cruzamento entre as informações citadas por Marcelo na entrevista com os dados obtidos
na observação direta, no qual foi apontado que a editoria de arte é um setor maior que
acolhe um determinado número de profissionais que se dedicam a produção de infográ-
68
ficos, mas que em algumas situações exercem outras atividades relacionadas ao escopo
da editoria de arte.
O trabalho da equipe se dá de maneira individual, salvo algumas exceções. Em
alguns casos o infografista pode solicitar uma ilustração para terceiros e/ou uma foto-
grafia para a Agência Folha, mas isto só em casos especiais ou em peças para cadernos
chamados “frios”, que figuram no jornal em uma periodicidade menor e por este motivo
tem um prazo de produção maior.
As Ferramentas e os Meios de Produção
Na entrevista Marcelo Pliger apresenta o Manual de Infografia da Folha, esta in-
formação refuta a hipótese de que não existe um material referente a produção de info-
gráficos, entretanto o entrevistado ao chamar o material de Manual de Estilo da Infografia
sugere o que foi reforçado com a confirmação de uma nova hipótese levantada na etapa
de observação direta, de que o Manual de Infografia da Folha tem a finalidade de deter-
minar pontos relevantes em relação ao estilo do infográfico e não aprofunda na questão
de “como produzir um infográfico”.
Os pontos levantados no Manual de Infografia da Folha são relevantes no intuito
de contribuir para manter a unidade visual do projeto gráfico do jornal e para a veloci-
dade de produção, outro fator que também contribui, além da própria estrutura física do
jornal, é a utilização de imagens vetoriais e o os bancos de imagens (fotografias, ilustra-
ções vetoriais e mapas) aos quais o infografista tem acesso.
Pode-se concluir que na redação da Folha de São Paulo, há uma divisão dos seto-
res do jornal em editorias, dentre as quais, a editoria de arte possui uma equipe de info-
grafistas, profissionais exclusivos para esta finalidade. E para este ofício, um profissional
apenas é capaz de produzir um material de qualidade e consistência, dada sua capacida-
de e pela infraestrutura do jornal. Estas observações evidenciam que quando a ênfase
do trabalho é a velocidade de produção, ter acesso facilitado aos elementos visuais que
compõe o infográfico, como fotografias, ícones e ilustrações bem como a padronização
69
visual prévia da peça que pretende-se produzir é essencial.
Análise dos Infográficos Premiados
A análise a seguir toma por base as proposições de Rajamacknican e Tufte para
a produção de infográficos, os apontamentos dos autores são indicados e comentados de
acordo com as evidências notadas nos infográficos analisados.
No infográfico “São Silvestre” percebe-se que a composição baseia-se em torno
de um mapa, o qual situa o leitor sobre o local onde ocorre a prova e o que se enfrenta
durante o trajeto, visto que esta é a informação que mais interessa ser passada ao leitor,
este mapa contempla uma riqueza de detalhes descritivos sobre os locais e trazem ao lei-
tor informações úteis para compreender a mensagem, que caracteriza a consideração de
Tufte sobre a importância dos detalhes, estes detalhes por sua vez são claros e objetivos
e contribuem para o entendimento da mesagem.
O mapa torna visível o trajeto sem utilizar de muitos dados numéricos, por
meio de elementos de redundancia para fixar a informação como pode ser visualizado
nas representações gráficas dos lugares citados ao decorrer do mapa. O ato de tornar
visível informações numéricas e o uso de redundância são considerações feitas por
Rajamacknican que também aponta o ato de integrar informações textuais com visuais
de forma que estas sejam interdependentes que pode ser verificado em vários pontos do
infográfico.
No infográfico “Tragédia em Congonhas” explora-se fatos acontecidos em um es-
paço de tempo, estes fatos são detalhados para a compreensão da forma que se deu o
acidente, a maneira que foi exposta essa informação remete a proposição de Tufte sobre
múltiplos no espaço e tempo, já que estas “etapas” mostradas permitem comparações
entre si. Percerbe-se também uma clara divisão no infográfico entre o que seria um pouso
correto e o pouso no qual ocorreu o acidente esta divisão obtida por meio do contraste de
cores evidencia a questão do paralelismo de Tufte, que pressupõe estabelecer um parâ-
metro para que se tenha idéia de algo.
70
Neste infográfico é possível perceber outras considerações de Rajamacknican já
citadas, como redundância nos elementos visuais de certo e errado, pelas cores vermelho
e verde, mas o apontamento mais pertinente neste infográfico é o fator da causalidade
explorado por Tufte, que diz que todo infográfico deve sempre explicar o motivo de algo
acontecer, no caso a alta velocidade que é representada por meio das indicações de espa-
ço e tempo tem como consequência o acidente.
Estas considerações são de grande valia, oriundas de uma confrontação de ele-
mentos teóricos com observação e análise de peças premiadas o que possibilitou a estru-
turação de um método piloto.
3.2 A Elaboração de um Método Piloto
O método piloto foi elaborado a partir do cruzamento das informações relevan-
tes para a produção de um infográfico levantadas pelos autores Rajamacknican e Tufte,
confrontadas com as informações obtidas no estudo de caso da Folha de São Paulo e ve-
rificadas na análise dos infográficos. Este método comtempla uma sucessão de etapas
para a produção de infográficos com ênfase em oito pontos distintos: Foco ou recorte,
Definição do Público Alvo, Coleta de Informações, Análise da Informação, Hierarquização
da Informação, Fornecer Parâmetros, Objetividade da Linguagem da Peça e Princípios da
Sintaxe Visual.
3.2.1 foco ou recorte
Pode-se observar que tanto no infográfico “São Silvestre” quanto no “Tragédia
em Congonhas” o foco dos infográficos é específico e restrito. Neste tópico será abordado
o caso do primeiro infográfico. A matéria a qual ele dá suporte comenta sobre os bons
índices conseguidos na São Silvestre por pessoas acima de 60 anos, para contextualizar
qual o trajeto da São Silvestre, uma tradicional corrida pedestre que acontece na cidade
de São Paulo, é utilizado o infográfico, e o seu recorte é o trajeto.
71
Rajamacknican (2005) afirma que definir um contexto começa por representar
graficamente o local do acontecimento para que o leitor obtenha noção do espaço, isto
justifica a decisão de representar o infográfico, que no caso consiste em um mapa estili-
zado, de sua vista superior.
A delimitação do foco do infográfico procura evidenciar as características mar-
cantes das informações contidas na peça. Tornando a informação mais específica e apro-
fundada, caso o assunto não seja delimitado pode se tornar muito abrangente aumen-
tando o número de elementos que devem estar contidos na peça para explicar o assunto
pretendido, este acúmulo de informações pode cansar o leitor e assim a peça perde sua
função explicativa.
3.2.2 Definição do Público Alvo
O infográfico “São Silvestre” foi publicado no caderno Esporte. O perfil do leitor
deste caderno é de jovens e adultos em sua maioria do sexo masculino, este perfil que
somado ao teor da informação da matéria, permite uma abordagem mais descontraída.
Porém o infográfico “Tragédia em Congonhas” possui uma linguagem mais formal e obje-
tiva, já que o assunto da matéria se trata de uma tragédia. Esta matéria foi publicada no
caderno Cotidiano um caderno que tem uma gama de leitores mais ampla o que demanda
uma comunicação mais formal e abrangente para comunicar com a maioria das vertentes
desse público.
Não é só a linguagem textual que deve ser direcionada a cada público, a lingua-
gem visual também, o infográfico “São Silvestre” nota-se a mesma descontração nas cores
e na representação dos elementos visuais bem como sua disposição na página. Já no info-
gráfico “Tragédia em Congonhas” tem-se cores mais sóbrias como cinza e preto e também
a utilização de fotografias e um posicionamento na página mais tradicional.
O infográfico deve comunicar com o seu público alvo e utilizar referências que
sejam populares entre esse público. Vale lembrar também que estilo visual do infográfico
deve estar de acordo com o teor da informação. A coerência das informações textuais e
72
visuais com o repertório cultural do público alvo são fundamentais para a compreensão.
3.2.3 Coleta de Informações
Neste ponto procura-se reunir o máximo de informações em relação ao assun-
to delimitado no recorte do infográfico. Com base nos dados colhidos na entrevista em
profundidade com Marcelo Pliger pode-se afirmar que o infografista que elaborou o info-
gráfico “São Silvestre” recorreu a um guia de ruas, ou foi ao local onde é realizada a prova
para procurar detalhes que fossem relevantes para o entendimento do infográfico.
O mesmo também é verificado no infográfico “Tragédia em Congonhas” no qual
se percebe detalhes de peças específicas de um avião bem como o seu funcionamento, a
maneira como se dá o pouso de uma aeronave e qual seriam os procedimentos corretos
para se evitar o acidente.
Estes dados foram transcritos oriundos de diversos canais de informação, por
exemplo: Observação direta, entrevista, reportagens de outros jornais, veículos online,
jornais televisivos entre outros. É importante que a informação inserida em um infográ-
fico não seja retirada de apenas uma fonte, isso pode tornar o infográfico inconsistente,
fazendo com que ele perca sua credibilidade.
Deve-se buscar a informação mais coesa possível com o acontecimento e para
isso costuma-se cruzar as fontes de informação, para fornecer uma base rica em aconte-
cimentos e detalhes e imparcial para a produção do infográfico.
73
3.2.4 Análise da Informação
Segundo Rajamacknican (2005) organizar toda a informação disponível e pla-
nejar como representá-la é o primeiro, o mais importante e difícil estágio na criação de
qualquer infográfico. Entretanto o que pode-se perceber na observação de campo rea-
lizada na redação da Folha é que este passo não ocorre necessariamente em primeira
instância, ele se torna mais natural e propício após o processo de coleta de informações,
pois ao se conhecer previamente o assunto é mais fácil determinar o que é necessário ou
não para explicar determinado fato.
Muitas vezes algumas das informações coletadas na etapa anterior não são fun-
damentais para que o leitor compreenda o fato, mas são interessantes para que o próprio
infografista compreenda o assunto, o infografista deve filtrar esta informação e ser capaz
de julgar o que é importante e o que é desnecessário ao leitor pois alguns elementos po-
dem de alguma forma atrapalhar e confundir o leitor.
Para isto é necessário ter em mente como uma pessoa leiga aprenderia sobre o
assunto. Ao montar um esquema (fluxograma) de qual caminho é o mais provável a se
percorrer para entender esta informação, é possível perceber quais detalhes seriam ne-
cessários para contar esta história, e quais elementos poderiam ser utilizados para eluci-
dar melhor estas informações como fotos, ilustrações, tabelas ou mapas. Neste momento,
já é possível identificar qual informação ficaria melhor como texto e qual como imagem.
Porém, tendo em vista as recomendações de Rajamacknican (2005) sobre inte-
gração dos elementos de um infográfico, deve-se levar em consideração a importância do
conteúdo possuir continuidade integrando as informações visuais com as textuais para
que não se obtenha como resultado uma quantidade grande de texto separada de todas
as figuras, ou algo que se perceba desta forma.
74
3.2.5 Hierarquização da Informação
A informação deve ser ordenada para auxiliar o leitor a traçar uma linha de ra-
ciocínio por meio das informações mostradas pelo infográfico. Tufte (1997) defende a
idéia de que uma vez visto um dos elementos de um infográfico todos os outros se tornam
acessíveis posteriormente. Pode-se verificar esta observação no infográfico “Tragédia em
Congonhas” neste caso os elementos que são fornecidos primeiro no infográfico são ele-
mentos pré estabelecidos do projeto gráfico do jornal como: títulos, elementos indicati-
vos (símbolo de erro) e caixas de texto e posteriormente é entregue ao leitor elementos
que tratam diretamente do fato ocorrido, como fotografias e outras representações visu-
ais mais evidentes.
As disposições de hierarquias de informação, tanto textuais como visuais são fun-
damentais para estruturar as relações dos elementos dos infográficos e gerar uma coesão
de forma que o infográfico não seja meramente considerado como um texto ilustrado.
3.2.6 Fornecer Parâmetros
Os leitores precisam de pontos de referência para que possam se situar e compa-
rar elementos para fixar a informação que está sendo transmitida, Tufte (1997) em seu
discurso sobre o paralelismo aponta a necessidade que o pensamento humano tem de
estabelecer relações por meio de comparativos.
Pode-se observar no detalhe do infográfico “São Silvestre” (Figura 30) que o in-
fografista para tornar mais clara a diferença dos tempos dos atletas de elite com a dos
atletas gerais estabeleceu paralelos por meio de barras, quanto maior a barra maior o
tempo gasto para completar a prova, sendo que o primeiro tempo (o mais veloz) serve de
parâmetro e referência para os outros tempos, deixando claro que a diferença do último
tempo em relação ao primeiro é relativamente grande.

75
Figura 30.
D4 esporte SEGUNDA-FEIRA, 31 DE DEZEMBRODE 2007 ef
Bruno Miranda/Folha Imagem
FOTO
4.0
16.00
Onúmerode
atletasidososcresceem
progressãogeométrica.
Éumadisputagostosa.
Nãoexistepremiação. O
prêmioétemumcorpo
saudável, superarseus
limitesedormirbem
ADEMARTRISTÃOFILHO
corredor de65anosquevai disputar aSão
Silvestre
Afestaémuito
bonita, temgentena
ruaaplaudindo,
incentivando. Nofinal,
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conseguiucruzara
linhadechegada
CARLOSMARCHETTI
corredor de84anos, omaisvelhoinscrito
naSãoSilvestre
Carlos Marchetti, 84, correumahorae meia três vezes por semanae hoje estaránaSão Silvestrepelosegundoano consecutivo
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Dica: O percurso é cheio de
curvas, e o asfalto se alterna
com paralelepípedos. É preciso
cuidado para não escorregar
Dica: O viaduto é um teste para ver
quem está com energia. A subida é
acentuada, mas não é longa
Dica: É o início do maior
retão da prova. Convém
usar gel de carboidrato
e beber água. Mas só
use o gel se estiver
habituado
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7 km 747 m
Gazeta
Dica: Não pare de imediato após
ultrapassar a linha. Faça
alongamento e beba água
15 km 816 m
LARGADA
MASP
0 km 816 m
Dica: Até a mais paulistana das provas
sofre com engarrafamento. São 20 mil
largando. Não saia atropelando todo mundo
*Tempo dos vencedores em 2006
**Média de todos os atletas em 2006
Consultoria técnica: Cláudio Castilho
(Pinheiros e equipe Saúde &
Performance) e Frederico Fontana
(equipe Quality Life)
Imagem ilustrativa
AV. PAULISTA AV. PAULISTA
COMPARE O SEU TEMPO*
Masculino 44min07s
Feminino 51min24s
Masculino 1h25min23s
Feminino 1h35min58s
Elite
Geral
O QUE USAR
NO DIA DA
PROVA
Tênis: Use um apropriado
para corrida de acordo com
sua pisada (pronador,
neutro ou supinador)
Meias: As estilo
sapatilha deixam o pé
mais livre para a corrida
e também ajudam a
absorver suor
Shorts: De cor clara
e confortável, deve
ter um bolso para
transportar o gel de
carboidrato
Boné: Usar de
cor clara e bem
ventilado
gel
Vaselina: Passar nas
axilas, virilha e mamilos
para evitar assadura por
conta do atrito durante
a prova
Camisa: Leve,
confortável e de
cor clara. Prefira
as que favorecem
a absorção do suor
Nível extremo de
radiação UV
Apesar do horário,
use protetor solar
Sol entre nuvens,
com pancadas de
chuva
Mín.
19˚
Máx.
32˚
CONHEÇA
O CIRCUITO
DA PROVA
Gire a página
para ler
Paraatletas 15h15
Feminino 16h30
Masculino e geral 16h45
P
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SPLIT ALARM
HR.
Idadenãopesa
paraquemcorre
naSãoSilvestre
Marcas obtidas pelos atletas commais de 60anos sãoas
que mais caemna tradicional prova de rua de SãoPaulo
................................................................................................
DAREPORTAGEMLOCAL
Ademar Tristão Filho aban-
donou os jogos de várzea em
1976. Seu corpo, no entanto,
não agüentou ficar parado. E
logo a paixão pelo futebol deu
lugar ao tênis e a quilômetros e
quilômetrosdepassadas.
Hoje, aos 65 anos, é exemplo
deummovimentocomprovado
pelas marcas da São Silvestre.
Cada vez mais os idosos brasi-
leiros se dedicam a atividades
físicas. E quem abraça o espor-
te competitivo tem desempe-
nhocadavezmaisdestacado.
Na mais tradicional prova de
rua do país, apenas os corredo-
res das categorias com mais de
60anos tiverammelhora signi-
ficativa no tempo médio de
percurso se comparado 2006 a
1998, omaisantigoregistrado.
Naquele ano, a média foi de
1h36min56s. No ano passado,
os veteranos cumpriram o cir-
cuito em1h33min44s. Entre as
mulheres, a marca caiu de
1h55min35spara1h47min39s.
Amaioriadoscorredoresins-
critos na prova pioraram os
tempos. Na categoria até 29
anos, os homens saltaram de
1h19min32s para 1h23min31s.
A prova feminina foi pior, de
1h28min51spara1h38min31s.
Alguns, no entanto, apresen-
taram leve evolução. Os atletas
de 50 a 59 anos melhoraramas
marcas, mas de forma bemme-
nos significativa (44s para mu-
lherese9sparahomens).
Já os jovens com até 19 anos
foram1min21smaisvelozes.
“O número de atletas com
mais de 60 anos só aumenta.
Alguns descobrem a corrida
nessa idade”, diz Tristão Filho,
que preside a Associação dos
CorredoresdoEspíritoSanto.
Apesar de festejar o incre-
mento da modalidade, o corre-
dor penacomnovos rivais.
“Tenhoumbomnível detrei-
namento, mas começo a perder
espaço. As provas estão cada
vez mais disputadas”, diz ele,
vice-campeão emsua faixa etá-
ria na Volta da Pampulha. Na
São Silvestre-2006, foi quarto
na sua categoria, 941º no geral
—havia15mil inscritos.
Segundo censo do IBGE di-
vulgadonoúltimoano, aexpec-
tativamédiadevidadobrasilei-
roatingiu71,9anos.
Aexplicaçãopara este cresci-
mento está no maior acesso a
cuidados médicos, dieta balan-
ceada, novastecnologias, queda
da mortalidade infantil e na
prática de atividades esporti-
vas, entreoutras.
Carlos Marchetti é umexem-
plo dos efeitos desse novo in-
grediente na vida dos idosos.
Começou a correr há oito anos
e, em 2006, arriscou-se na São
Silvestre. Hoje, estará na Pau-
lista novamente. Aos 84 anos, é
omaisvelhoinscrito.
“Meus filhos correme me in-
centivaram. Uma pessoa de
idade, quando fica parada, só
piora”, afirmaocompetidor.
Marchetti treinapor cercade
uma hora e meia três vezes por
semana. Tambémcontinuatra-
balhandoemsuaoficina.
“Eu comecei andando. Aí
passei a correr 5km, 10km,
15km e vi que dava. Essa é mi-
nha segunda São Silvestre, mas
eu quero mais”, diz. (MARIANA
LAJOLOEPAULOCOBOS)
Detalhe do Infográfico “São Silvestre”
Fonte: Folha de São Paulo, 2008.
3.2.7 Objetividade da linguagem utilizada na peça
Rajamacknican (2005) defende que representações simples e objetivas são mais
fáceis de se interpretar, já que o usuário se distrai facilmente com objetos desnecessários
contidos na peça gráfica.
Em contraponto existe a utilização de um recurso muito comum na infografia, a
metáfora, que nada mais é do que explicar algo utilizando referências de senso comum.
Este recurso é arriscado, pois se a metáfora não se correlacionar com a mensagem a ser
passada pode gerar interpretações aleatórias que fogem totalmente da proposta de obje-
tividade do infográfico.
No trabalho da Folha observa-se que este recurso é pouco utilizado devido ao
seu alto risco, já que os infográficos atingem públicos muito heterogêneos, tão notada a
preocupação com a objetividade em seus infográficos que pode-se observar duas linhas
distintas nas quais a objetividade atua: representação visual e linguagem textual.
Representação Visual
Torna-se evidente nos infográficos analisados neste estudo a representação ve-
torial, cujo estilo de representação tem como característica seu alto grau de iconicidade,
76
na Folha ele é utilizado de forma que as ilustrações não tenham interpretações dúbias,
assim como as fotos (que são representações fiéis da realidade). Estes elementos (foto-
grafia e vetor) também são de rápida produção e fácil manipulação tornando-os muito
versáteis e práticos para o uso nas redações dos jornais.
Linguagem Textual
Nas peças analisadas a linguagem utilizada no texto é clara e incisiva e como a
representação visual não abre pressupostos para outras interpretações. Erros de grafia,
sintaxe entre outros podem afetar além da compreensão, a credibilidade do infográfico.
Na Folha os responsáveis pelos textos são os editores e jornalistas que o preparam de
uma forma mais sintética para ser utilizado no infográfico.
É interessante ressaltar que para o infográfico ser objetivo ele deve manter o
mesmo padrão nos dois segmentos (representação visual e texto). A fim de proporcionar
a melhor compreensão possível ao leitor.
3.2.8 Princípios da Sintaxe Visual
Os princípios básicos da sintaxe visual são utilizados como ferramentas para in-
tegrar e interrelacionar os elementos do infográfico, além de proporcionar um conforto
visual estético, sua boa utilização pode ser de grande ajuda ao estruturar as hierarquias e
dispor a informação de modo que a torne mais atrativa e inteligível ao leitor.
Equilíbrio, tensão, nivelamento e aguçamento, vetor do olhar, atração e agrupa-
mento, positivo/negativo, gestalt, (Dondis, 1997). Os princípios são fundamentais para
potencializar a troca de elementos textuais por imagem. Por meio desses pode se passar
novas informações e reforçar informações já citadas. Para Rajamacknican (2005) isto é
redundância, e um infográfico deve ter essa característica afim de reforçar informações
importantes, porém este recurso deve ser utilizado de forma a não cansar o leitor, e a uti-
lização dos princípios da sintaxe visual colaboram no sentido de não tornar tão explícita
77
esta redundância. Por exemplo, no primeiro detalhe do infográfico “Tragédia em Congo-
nhas” (Figura 31) tem-se nos elementos que intitulam as etapas, a cor verde no círculo
que envolve o sinal gráfico de correto para reforçar que esta etapa ocorreu normalmente
e a cor vermelha para reforçar o sinal gráfico de errado.
Figura 31.Detalhe dos elementos visuais com redundância por meio da cor.
Fonte: Folha de São Paulo, 2008.
Pode-se notar também no segundo detalhe (Figura 32) como a relação de pro-
ximidade, dimensão e agrupamento favorece a visualização em primeira instância dos
dados numéricos, colaborando na hierarquização da informação.
Figura 32.Detalhe da relação de proximidade, dimensão e agrupamento.
Fonte: Folha de São Paulo, 2008.
Um infográfico é um produto de design gráfico e grande parte do seu fator de
compreensão deve-se a este caráter, pois o profissional desta área é capacitado para com-
preender como ordenar e dispor esta informação, favorecendo sua compreensão.

78
3.3 O exercício de aplicação
Foi realizado um exercício com alunos da 3ª série do curso de Design Gráfico da
Universidade Estadual de Londrina a fim de levantar possíveis falhas e deficiências do
método piloto, o que forneceu novos parâmetros para um melhor desenvolvimento do
método final.
Para este exercício foi elaborado um material de apoio com base no método pilo-
to, este material, um infográfico (Figura 33), contextualiza o assunto (Infografia nos Jor-
nais) ao explorar o fluxo do trabalho na redação da Folha e ao trabalhar uma linguagem
que se aproxime do público, jovens estudantes da faixa etária de 18 a 23 anos.
3.3.1 Metodologia para aplicação do exercício
Este exercício se deu da seguinte maneira: o material (Apêndice A) foi distribuí-
do aos alunos, junto com uma breve explicação, como sugestão de apoio para o trabalho
da disciplina de Produção e Análise da Imagem ministrada pela docente Ms. Ana Luísa B
Cavalcante.
Originalmente o trabalho propõe aos alunos a produção de um infográfico com
tema de livre escolha para ser veiculado em uma revista de página dupla. Os alunos pro-
duzem o infográfico a partir do material de referência passado em aula e de suas pes-
quisas pessoais.Com o propósito de interferir apenas o necessário no funcionamento do
trabalho proposto, o método foi colocado como uma sugestão aos alunos.
O exercício teve a duração de 35 dias. A turma foi dividida em dois grupos, o
Grupo 1 foi acompanhado aula a aula, para observação do comportamento dos alunos
em relação ao método, enquanto o Grupo 2 trabalhou de forma mais livre, apenas com o
material de referência.
79
A intenção era não tornar obrigatória a utilização do método. Esta estratégia foi
adotada para obter resultados diferenciados e evidenciar a aplicabilidade do método em
uma situação prática. Para o Grupo 1 as alterações do método eram passadas as conforme
a observação de suas deficiências, os alunos dialogavam e apontavam as dificuldades que
foram anotadas para o aprimoramento do método.
3.3.2 Análise dos Resultados
Após a entrega da atividade por parte dos alunos foi realizada um debate com os
mesmos, para verificar as opiniões sobre o método e apontar considerações relevantes
para novas evidências, as quais foram exploradas no método. Entretanto a observação
da aplicação deste método retornou algumas novas hipóteses as que não serão tratadas
neste trabalho e que poderão ser exploradas em estudos posteriores como: as etapas do
processo criativo de um infográfico e a questão da percepção do leitor em relação a com-
posição visual da peça.
Com os infográficos produzidos em mãos e com o depoimento dos alunos rela-
cionado as dificuldades para o desenvolvimento do trabalho foram percebidos alguns
pontos que necessitavam ser mais explícitos no método como:
• Enfatizar o melhor aproveitamento e equilíbrio da disposição dos elementos
no espaço do infográfico, por meio dos princípios da Sintaxe Visual;
• Alertar sobre uma maior interrelação entre texto e imagem;
• Explorar melhor o tópico Hierarquização da Informação, explorando o pro-
duto final (o infográfico) como se fosse composto de várias camadas para
identificar o que pode ser absorvido antes ou depois;
• Propor a utilização de um check list para verificar o cumprimento das eta-
pas.
80
Além destes principais apontamentos alguns alunos citaram que visualizaram o
produto final de seu infográfico na fase de análise, este fato é interessante e demanda de
uma pesquisa mais aprofundada, por que costumeiramente isto deveria ocorrer entre a
fase de hierarquização da informação e a de fomento de parâmetros, que são fases onde
o infográfico se torna mais representativo.
81
Figura 33.Infográfico poduzido a partir do método piloto, para utilização no exercício.
COMO SÃO
FEITOS
INFOGRÁFICOS
EM JORNAIS?
PENSANDO COMO UM INFOGRAFISTA
Coleta de
Informações
Horários apertados + conteúdo extenso e complexo = informação acessível e
rápida. Esta equação que parece ser impossível de ser resolvida é a realidade do
dia a dia de muitos profissionais dentro das redações dos jornais pelo mundo a
fora, os chamados infografistas. Acompanhe a seguir os principais passos percorri-
dos por estes profissionais na Folha de São Paulo para solucionar esse problema.
O DIA A DIA DA INFOGRAFIA NO JORNAL
Ordene os níveis de informação, tente
compreender o que é interessante ser visualizado
primeiro e posteriormente, estabeleça
hierarquias e relações entre essas hierarquias
para que o infográfico não seja apenas um texto
ilustrado.
Separe o “joio do trigo”, pense em como você
aprenderia sobre o assunto se fosse totalmente
leigo para julgar o que é necessário ou não,
pense qual caminho percorreria para entender
esta informação? E que elementos seriam
necessários? Fotos, ilustrações, tabelas ou
mapas, também procure identificar qual
informação ficaria melhor como texo e qual
como imagem.
Tente saber o máximo sobre o assunto, hoje em
dia com a internet isso ficou extremamente
fácil. Cruze diversas fontes de informação, não
confie só no que aquele grande site diz.
Foco ou recorte
Delimite o assunto, nos jornais os infográficos
apoiam as matérias e geralmente especificam
algo que já foi falado na matéria. Imagine por
exemplo um processo, que detalhe diferencia
esta etapa da anterior? Evidêncie estes detalhes,
a alma de um infográfico é o seu poder de
estabelecer relações entre seus elementos.
Os leitores precisam de referenciais para se situar,
por exemplo: em um infográfico sobre
dinossauros, podemos colocar a silhueta de um
ser humano para dar ao leitor a noção do
tamanho do dinossauro em relação ao ser
humano. Um bom infográfico deve fornecer
fornecer parâmetros ao leitor.
Elimine todas as possíveis dúvidas do leitor, com
textos e imagens claras e objetivas.
Hierarquização
das Informações
Análise de
Informação
Fornecer
Parâmetros
Seja específico
Proximidade, contraste, grids, conceituação...
Utilize os princípos para criar hierarquias e
relações entre os elementos do infográfico
Um infográfico é uma obra de design gráfico,
grande parte do seu fator de compreensão
deve-se a este caráter.
Princípios
do Design
A lição
As principais sacadas dos
infografistas da Folha foram
Pré estabelecer o máximo o possível de
elementos do infográfico como: setas, vetores, cores e
outros elementos visuais que se repitam na peça.
Ilustração Vetorial por ser uma técnica
rápida e facilmente adaptável foi adotada principal meio
de representação. Por que de uma hora para outra podem
pedir para mudar o trabalho de tamanho por que entrou
uma publicidade enorme no lugar.
Conteúdo Para Quem Suporte Estilo visual
+ + =
Conteúdo Para Quem Pressa! Estilo visual
+ + =
No Jornal:
Em qualquer outro meio:
DÚVIDAS ETERNAS
DE UM INFOGRAFISTA
Nas redações dos grandes jornais, os
infografistas têm acesso a um acervo
de fotografias e a um banco de
imagens vetoriais, este banco tem
imagens como mapas, objetos e
partes do corpo, mas o que não têm
no banco tem que ser feito na hora!
O infografista é o profissional
que “habita” a editoria de arte
e é responsável por produzir
os infográficos. E têm estas
perguntas como norte de seu
trabalho.
FERRAMENTAS
Vetores
Mapas
Fotograas
Quando?
Como?
Onde?
Por quê?
O quê aconteceu?
PECADOS MORTAIS
Excessos
Detalhes demais e recortes de
assunto exagerados
Fora do contexto do leitor
Não utiliza uma linguagem compreensível
para o leitor
Metáfora Visual Falha
Relações visuais confusas ou que dêem
margem a interpretações aleatórias
Informações Conitantes
Informações erradas, fontes imprecisas
ou em desacordo com a matéria
Falhas de desenho
Proporções erradas, escolha de
imagens confusas
S
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O fechador
distribui os
trabalhos
entre os
infografistas
F
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d
a

e
d
i
ç
ã
o
9:00 hrs 14:00hrs
O infográfico é inserido na
sua respectiva página, o
jornal é fechado e enviado
para a gráfica.
17:00hrs 18:30hrs 20:00hrs
A FÓRMULA DA INFOGRAFIA
Defina o seu
público alvo
O infográfico deve “falar a língua” do público
alvo e utilizar referências que sejam populares
entre esse público. Vale lembrar também que
estilo visual do infográfico deve estar de acordo
com o teor da informação. A coerência das
informações textuais e visuais são fundamentais
para a compreensão.
Informam ao “fechador”
(o cara responsável por
distribuir o trabalho aos
infografistas) os
infográficos necessários para
a edição do jornal
Então começa a fase de
revisão, onde o infografista
leva o impresso para o
editor, e faz quantas
alterações forem necessárias
Depois de revisado, o
infográfico é exportado no
formato eps.
19:30hrs
Editoria
de Arte
A
B
C
dúvida
jd
ja
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a
n
o
n
o

ja
ja
ja
w
w
w
.com
.net
82
4. Resultados
Apoiado na experiência obtida com o método piloto chegou-se a dez proposições
para a produção de infográficos, sendo que dessas, oito já figuravam no método piloto e
foram aprimoradas em maior ou menor grau para uma maior eficiência do método.
4.1 O método para produção de Infográficos
foco ou Recorte
Em um infográfico o assunto precisa ser mais específico e aprofundado. Nos jor-
nais os infográficos apóiam as matérias e geralmente especificam algo que já foi dito. A
delimitação do foco ou recorte em um infográfico procura evidenciar as características
marcantes das informações contidas na peça.
Estas características são fundamentais para ajudar o leitor a diferenciar acon-
tecimentos e compreender melhor a informação, quando esta se trata de um processo,
por exemplo, é necessário ter em mente que detalhes diferenciam esta etapa da anterior?
Estes detalhes devem ser evidenciados de maneira que fique nítida suas peculiariedades
em relação as outras etapas.
Caso isso não ocorra, o infográfico pode se tornar muito abrangente e serão ne-
cessários um número maior de elementos na peça para explicar o assunto pretendido,
este acúmulo de informações pode cansar o leitor e assim a peça perde sua função expli-
cativa.
Um bom infográfico explora a capacidade de estabelecer relações entre seus ele-
mentos, tornando a informação clara e compreensível.
83
Definir o Público Alvo
O infográfico deve comunicar-se com seu público alvo e utilizar referências que
sejam populares entre esse público. Tanto em sua linguagem textual quanto em sua lin-
guagem visual, neste ponto deve-se tomar cuidado com uso de metáforas e representa-
ções visuais fora de contexto que podem provocar desinteresse do leitor por não simpa-
tizar com a forma que a mensagem é apresentada.
Outra observação importante é quanto a abrangência do público, quando se de-
seja abranger uma gama maior de pessoas deve-se procurar utilizar uma linguagem neu-
tra dando preferência a um uso maior da representação visual, quando um infográfico
necessita ser mais abrangente, proporcionalmente o seu grau de iconicidade deve ser o
maior possível.
Vale lembrar também que estilo visual do infográfico deve estar de acordo com o
teor da informação. A coerência das informações textuais e visuais e a forma como elas se
relacionam com o repertório pessoal do leitor são fundamentais para a compreensão.

Coleta de Informações
Neste ponto procura-se reunir o máximo de informações em relação ao assunto
delimitado no recorte do infográfico. Para informar a respeito de algum assunto, deve-se
antes de tudo conhecê-lo. Mesmo que não seja possível conhecê-lo a fundo é necessário
uma noção geral, apontando particularidades e definições principais. Atualmente tem-
se a internet como principal meio de acesso a informação o que torna esta tarefa rela-
tivamente simples. Porém para se chegar a uma informação mais concisa o possível é
aconselhável cruzar diversas fontes de informação, procurando sempre ser imparcial em
relação ao assunto.
84
Análise da Informação
Muitas vezes algumas das informações coletadas na etapa anterior não são fun-
damentais para a compreensão do leitor, mas são importantes para a imersão do infogra-
fista no assunto, caso estas informações figurem no infográfico podem de alguma forma
atrapalhar e confundir o leitor.
Para esta fase é necessário ter em mente como uma pessoa leiga aprenderia sobre
o assunto, montando um esquema de qual caminho mais provável a se percorrer para en-
tender esta informação, e quais elementos poderiam ser utilizados para elucidar melhor
estas informações como fotos, ilustrações, tabelas ou mapas, neste momento também é
necessário identificar qual informação ficaria melhor como texto, qual como imagem e a
forma que o texto se integrará a imagem para que o resultado final do infográfico não se
assemelhe a um texto ilustrado.
Hierarquização da informação
A informação deve ser visualizada como se estivesse disposta em um ambiente
tridimensional, em camadas, nas quais determinadas informações são mais interessantes
caso sejam percebidas primeiro e outras posteriormente a fim de auxiliar o leitor a traçar
uma linha de raciocínio por meio das informações mostradas pelo infográfico. Sugere-se
que o infográfico priorize a informação em três níveis
4
distintos:
Primeiro Nível: Informações necessárias para situar o leitor sobre o que se trata
o infográfico, servindo como uma pequena introdução ao assunto principal
Segundo Nível: O assunto principal abordado pelo infográfico, as informações
deste nível devem estar em destaque, mas não conflitantes com o primeiro nível, pois
caso ela seja absorvida antes da hora pelo leitor pode passar uma informação falha ou
4 O exemplo da disposição das informações em níveis pode ser visto no Apêndice A deste trabalho.
85
causar desinteresse, por se tratar de uma informação que necessita de uma introdução
prévia.
Terceiro Nível: Informações complementares que podem ajudar na compreen-
são da informação, mas não são fundamentais.
A disposição da informação nos níveis propostos tem a intenção de minimizar um
possível desinteresse por parte do leitor dada a grande carga de elementos informacio-
nais contidas em um infográfico, que dependendo da maneira que estão dispostos podem
não transmitir a informação completa, o que pode tornar o infográfico inconsistente.
Troca de elementos

Para manter o caráter dinâmico de um infográfico é necessário trocar o máximo
de elementos textuais por visuais, tornando-o mais atrativo para o leitor, esta troca de
elementos também procura adicionar informação e potencializar a compreensão, de for-
ma que não sobrecarregue o leitor.
Fornecer Parâmetros
Os leitores precisam de pontos de referência para que possam se situar e com-
parar elementos para que possam perceber a informação que está sendo transmitida, o
pensamento humano tem necessidade estabelecer relações por meio de comparativos.
Por exemplo: em um infográfico sobre dinossauros, pode-se colocar a silhueta de
um ser humano para dar ao leitor a noção do tamanho do dinossauro em relação ao ser
humano, o mesmo se aplica em gráficos ou situações nas quais se deseja mostrar dados
quantitativos.
86
Objetividade da abordagem
Representações simplificadas e objetivas são melhor interpretadas pelo leitor,
já que o mesmo se distrai facilmente com elementos desnecessários contidos na peça
gráfica.
Na infografia existe um recurso muito comum, a metáfora, que nada mais é do
que explicar algo utilizando-se de analogias, este permite explorar um aprofundamento
maior no assunto sem que o leitor se sinta descontextualizado.

Este recurso é arriscado, pois se a metáfora não se correlacionar com a mensa-
gem que pretende ser passada pode gerar interpretações aleatórias e dúbias que colo-
cam o leitor em dúvida e fogem totalmente da proposta de objetividade do infográfico.
A linguagem da peça deve ser específica, sintética e focada na informação que se deseja
passar, tanto em sua representação visual como textual.
Princípios do Alfabetismo Visual
Os princípios básicos da sintaxe visual são utilizados como ferramentas para in-
tegrar e interrelacionar os elementos do infográfico, para que este, a um primeiro olhar,
seja identificado como tal, é necessário que seu espaço seja muito bem preenchido e equi-
librado, consegue-se isto por meio do trabalho das relações de equilíbrio, tensão, nivela-
mento e aguçamento, vetor do olhar, atração e agrupamento, positivo/negativo, gestalt,
que além de proporcionar um conforto visual estético, colabora ao ajudar a estruturar
as hierarquias e dispor a informação de modo que a torne mais atrativa e inteligível ao
leitor.
87
Os princípios são fundamentais quando se trocam elementos textuais por ima-
gem, por meio destes pode se passar novas informações e reforçar relações entre os ele-
mentos de um infográfico, que é um projeto de design gráfico e grande parte do seu fator
de compreensão deve-se a este caráter.
Check List
Ao final do processo recomenda-se fazer um check list para verificar se todas as
etapas sugeridas foram seguidas caso haja elementos em desacordo deve-se estudar a
melhor forma de adaptá-lo para que tenha um valor informacional válido no contexto do
infográfico.
88
5. Conclusão
A proposta deste trabalho surge diante de uma realidade comum a muitos es-
tudantes e professores da área do Design Gráfico: A carência de literaturas específicas a
respeito da infografia na língua portuguesa, em especial de origem brasileira.
A infografia é uma área recente, tanto que o próprio termo ainda é discutido pe-
los profissionais do meio. O que é evidenciado pelas publicações na área, que ainda estão
em fase de maturação, sendo que algumas ainda se encontram restritas a termos técnicos
das áreas da estatística e arquitetura da informação, ou já se tornaram obsoletas por con-
ta da velocidade em que cresce área. Em sua grande maioria este material é de origem
estrangeira (norte americana ou espanhola) o que torna o assunto ainda mais delicado
quando se fala de literatura específica em português (brasileiro).
O que seria natural de fato caso a produção e discussão do assunto no país não
fossem relevantes, mas o que se pode perceber claramente é que no Brasil tem-se expo-
entes da infografia, reconhecidos internacionalmente como as Revistas Super Interes-
sante e Mundo Estranho da (Editora Abril), os jornais, O Estado de São Paulo, O Globo e
Folha de São Paulo e profissionais renomados como Luiz Iria, editor chefe de Infografia
da Editora Abril, que presta consultorias e promove a infografia por meio de palestras
mundo a fora. Este cenário mostra que no Brasil se discute, produz e desenvolve infogra-
fia, adaptada a realidade do país. O que motiva produzir conhecimento científico sobre
esta área, não só no escopo dos meios de comunicação e fins mercadológicos, mas tam-
bém potencializando ferramentas de cunho social como ensino a distância, práticas da
área da saúde entre outras.
Este trabalho, por meio da imersão no assunto, levou a compreensão de maneira
mais ampla a importância da infografia no meio impresso, no caso o jornal, como fer-
ramenta de revitalização desta mídia. Este passo também contribuiu ao se constatar a
necessidade de um estudo de caso para aprofundar o conhecimento sobre o assunto, que
apresentasse diferenciais os quais pudessem ser notados mediante a observação de pro-
dutos, no caso os infográficos impressos nas edições do jornal.
89
Neste ponto chegou-se a Folha de São Paulo, um grande jornal reconhecido e
respeitado nacionalmente, que proporcionou um contato com a realidade de sua redação,
que além de ser uma experiência única de proximidade com o objeto estudado, permitiu
o estreitamento de relações com os profissionais que o produzem, por meio da entrevista
e da observação de campo, que trouxeram informações relevantes para a elaboração do
estudo de caso.
A equipe da Folha de São Paulo surpreendeu, não só pelo seu profissionalismo,
mas também por ir na contra mão do senso comum e da visão estereotipada que se tem
dos profissionais desta área, o grupo se mostrou disponível, interessado, solicito e empe-
nhado ao colaborar com o trabalho. Esta etapa do trabalho foi importante também para
estabelecer contatos profissionais, de grande valia para um recém formado.
Estes contatos possibilitaram a vinda de Marcelo Pliger a Londrina para pales-
trar no evento Work Design 2008 promovido pelos estudantes do curso de Design Gráfico
da Universidade Estadual de Londrina, onde discorreu sobre a infografia e sua experiên-
cia na Folha de São Paulo aos participantes.
Em um primeiro momento, não se imaginou a dimensão da estrutura que exitia
por trás dos infográficos que figuravam impressos nas edições diárias da Folha. Pode-se
perceber que o modo de produção do jornal é respaldado por um grande aparato mate-
rial, a infra-estrutura do jornal.
Mas esse por sua vez atua de forma indireta na produção do infográfico, forne-
cendo apenas os meios de produção, já que em muitos casos um infografista produz um
infográfico sozinho, o que permite caracterizar que o aparato material é importante mas
a essência do trabalho está no material humano que a produz.
As características do trabalho (velocidade e demanda) condicionam a maneira
como o profissional encontra soluções para conseguir produzir com eficiência e é isto
que constitui um conhecimento de grande utilidade para compor um método de produ-
ção de infográficos, não só no aspecto teórico mas também como incentivo para a pes-
quisa, ao apresentar que mesmo tendo um uma base extraída de uma situação onde se
90
tem um sólido aparato material fornecendo suporte, o mesmo não é imprescindível para
a produção, sendo possível adaptar seus pontos principais para outras realidades e para
isto basta o índivíduo compreender o modo de trabalho do profissional de infografia, que
foi apresentado no decorrer do trabalho.
Também pode-se notar uma forte influência acadêmica no modo de produção, a
tal ponto que quando a bibliografia pesquisada foi confrontada com os resultados obtidos
no estudo de caso a maioria dos pontos foram concordantes, e se mostraram eficientes na
produção de um infográfico. Como pode se observar na etapa de análise dos infográficos
premiados.
A opção por analisar um material premiado do jornal justifica-se, ao procurar
explorar as nuances mais consideráveis a respeito da produção, visto que em um material
premiado estas características já foram previamente selecionadas, baseada em critérios
elaborados por pessoas competentes da área, o que comprova sua legitimidade.
Esta etapa foi decisiva para verificar que as constatações apuradas no estudo de
caso são verdadeiras, e constituem uma informação sólida que possibilita a formulação
do método piloto confirmando duas hipóteses propostas: o modo de produção da folha
pode ser sistematizado em um método para consulta e quando exposto em um exercí-
cio se mostrou satisfatório como fonte de consulta para a produção de infográficos bem
como sua versatilidade ao se aplicar a outros suportes, como proposto no exercício.
Esta aplicação suscitou apontamentos interessantes que serviram para agregar
um conteúdo mais sólido ao método e também propiciou uma experiência de troca de
conhecimentos e reflexão a respeito do tema muito relevante, que colaborou para apro-
fundar o foco do trabalho.
Quanto ao que foi colocado em questão, quando a hipótese de que não existia um
material para consulta na redação do jornal foi aparentemente refutada na etapa do estu-
do de caso. Este fato foi relevante para refletir a respeito dos reais objetivos do trabalho e
se os mesmos eram legítimos, pois em um primeiro momento supunha-se que o método
em si já existia em forma de material publicado e consistente dentro da redação, porém
91
ao se ter contato com o material para análise, puderam ser feitas observações, as quais
mostraram que o material interno não possui especificações sobre o modo de produzir
infográficos, ele trata apenas de direcionar o estilo visual do infográfico de forma que este
siga as especificações do projeto gráfico do jornal. Tal observação foi fundamental para a
continuidade do trabalho.
As hipóteses levantadas no início deste trabalho procuraram nortear o trabalho
afim de atingir o seu objetivo principal, sistematizar um método de produção de infográ-
ficos, obtido por meio do estudo de caso, confrontado com a análise de infográficos e em-
basado na bibliografia relevante a área, o que levou a elaboração do método piloto, que
exposto e aplicado em um exercício levantou pontos relevantes, sendo que alguns foram
incluídos no método e outros apontados para estudos posteriores como:
• estudos mais aprofundados na área de percepção do leitor em relação ao in-
fográfico, abordado no tópico relacionado a Hierarquia da Informação, para
melhorar o aproveitamento da disposição dos elementos no infográfico;
• aprofundar a reflexão a respeito da organização do próprio método pois po-
de-se classificar o processo de confecção de um infográfico em duas etapas,
compostas de diversas fases, uma destas etapas é pré-representativa e englo-
ba as fases de recorte de assunto, definição de público, coleta, organização
da informação e de reflexão a respeito da disposição da mesma na peça, em
seguida tem-se outra etapa, a representativa, onde os elementos são inseri-
dos e guiados pelas relações da sintaxe visual, onde algumas pré definições já
estão estabelecidas e o infografista apenas as integra se utilizando da práxis
do design gráfico para isto.
O trabalho se propõe a ser apenas uma fagulha de uma discussão que produzirá
bons frutos a respeito de como se pensa e se faz infografia no Brasil e de como esse co-
nhecimento tácito é importante para a academia, ao possibilitar desdobramentos futuros
como artigos científicos, representações visuais deste método, workshops e reflexão. A
exemplo da Universidade de Navarra (Espanha) que promove o prêmio MALOFIEJ para
premiar os profissionais da área.
92
Passível de contestação como todo conhecimento científico, este trabalho, fruto
do ensino público, também é uma iniciativa pessoal de retribuir aos cidadãos e comuni-
dade acadêmica o tempo, verba e disponibilidade para a produção do mesmo.
93
REfERÊnCIAs
CAIXETA, Rodrigo A arte de informar. Disponível em: <http://www.abi.org.br/paginain-
dividual.asp?id=556> acessado em 19 mai. 2008.
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Atlas, 2005.
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94
APêNDICES
APêNDICE A - Níveis de percepção da informação em um infográfico.
98
AnEXos
AnEXo A - Infográfico “11 de Setembro” produzido por Ariadne
Maestrello.
AnEXo B - Infográfico “O que é Cafeína” produzido por Aretha Otsuka.
AnEXo C - Infográfico “Como Miguelar o Bira” produzido por Pietro Luigi.
AnEXo d - Infográfico “O Mistério do Sono” produzido por Núbia Aguiar.
AnEXo E - Infográfico “O Dragão Chinês” produzido por Gustavo Abe.
AnEXo f - Infográfico “Hierarquia dos Escrúpulos: Comunicação Visual”
produzido por Vinícius Ferreira Mendes.
AnEXo g - Infográfico “Os 3 Lados do Mistério” produzido por Glauber
Pessusqui.
ANExO H - Infográfico “Burnout” produzido por Lívia Shimamura.
AnEXo I - Infográfico “Ações: Como Começar a Investir” produzido por
Adriana Ferreira.
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F
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Primeiro
Nível
Informações neces-
sárias para situar o
leitor sobre o que
se trata o infográ-
fco, servindo como
uma pequena intro-
dução ao assunto
principal.
Segundo
Nível
O assunto princi-
pal abordado pelo
infográfco, as
informações deste
nível devem estar
em destaque, mas
não confitantes
com o nível supe-
rior, caso ela seja
absorvida antes
da hora pelo
leitor pode passar
uma informação
falha ou causar
desinteresse.
Terceiro
Nível
Informações com-
plementares que
podem ajudar na
compreensão da
informação, mas
não são funda-
mentais para a
compreensão.
TRAGÉDIAEMCONGONHAS/CAUSAS
1.940 m é o comprimento total da pista principal de Congonhas
COMO É UM
POUSO
CORRETO
OS PROBLEMAS NA ATERRISSAGEM
DO AIRBUS DA TAM
VELOCIDADE
Segundo a
Infraero, a
velocidade do
avião estava
dentrodonormal
TOQUE NOSOLO
Oaviãotocouosolonosprimeiros
300metros da cabeceira
300 m: avião deve tocar a pista 560 m: são usados para frear ou decidir se é preciso arremeter 750 m: aeronave
200 km/h
a 240 km/h
Asa
FREIOAERODINÂMICO
É acionado quando o piloto freia.
Coma passagemdo ar pelo
equipamento, ajuda a aumentar o
atrito do avião como chão
Na aproximação, tremde pouso é acionado
Freio aerodinâmico
acionado
é a velocidade usual de um
Airbus-A320 ao tocar o solo
AUXÍLIODO
REVERSOR
>> No momento da
frenagem, o piloto
podeacionar oreversor
se achar necessário
>>Oequipamento faz
comqueoar daturbina
vá para a frente
FREIO
Comsistema antiderrapante,
os freios dos pneus são
acionados assimque a
aeronave toca o solo
HIPÓTESES
>>Pane no reversor
>>Freios não funcionaram
>>Falhas nos pneus ou no sistema que
permite nova subida
>>Ocomprimentodapistapodeter sido
curto para uma manobra emergencial,
como arremeter
>>Apista estava molhada e
escorregadia, segundo alerta dos
controladores. Afalta de “grooving”,
ranhuras na pista, pode ter dificultado
a frenagem
FRENAGEM
Após tocar o
solo, emvez de
começar a desacelerar, a
aeronavesemantémem
uma velocidade alta ou
emaceleração
Asa
M
R
1
Joel Silva/Folha Imagem
ParaTAM, aviãopode
pousarcomdefeito
nosistemadefreios
FOTO
2.0
89.0
Empresa diz que
manual autoriza
vôo semo reversor
................................................................................................
DAREDAÇÃO
Leia trechos da entrevista
dada pelo vice-presidente téc-
nico da TAM, Rui Amparo, ao
Jornal Nacional, da Rede Glo-
bo, em que afirma que o ma-
nual autorizava vôos, apesar do
problemanoreversor.

JN - Qual é o histórico dessa aero-
navequese acidentouaqui noaero-
portodeCongonhas?
RUI AMPARO - Nós investigamos
três meses antes do ocorrido e
nãoencontramos nenhumapa-
ne significativa. Pane significa-
tiva significa alguma pane que
pode alterar o seu padrão de
vôosignificativamente.
JN - Mas na sexta-feira ela apre-
sentoualgumtipodeproblema?
AMPARO - Exatamente. Na sex-
ta-feira ela tinha umreporte de
umsinal de maufuncionamen-
to de umdos reversores. Nesse
caso, omanual manda que você
iniba mecanicamente esse dis-
positivo, mas você pode liberar
o avião para vôo por dez dias,
emqualquercondiçãodepista.
JN - Não é considerado grave esse
tipodealerta?
AMPARO - Não, absolutamente.
Ele está nos manuais. Nós po-
demos liberar com até dois re-
versoresinoperantes.
JN - E teve problema comumdos
reversoresnasexta-feira?
AMPARO - Teve uma mensa-
gememumdos reversores. Es-
sereversorfoi pinado, travado.
JN - Então desde sexta, dia 13, o
aviãopassouavoarsemoreversor?
AMPARO - Ele passou a voar
semoreversordireito.
JN - E isso em nenhum momento
poderiaprovocaralgumrisco?
AMPARO - Absolutamente. Pe-
los manuais você não tem ne-
nhuma alteração em perfor-
mance de pista, exceto em pis-
tasmuitocontaminadas.
JN - O que significa pistas conta-
minadas?
AMPARO - Contaminadas são
embaixodechuvamuitoforte.
JN- Nãoéocasoqueaconteceu?
AMPARO -Absolutamente. Não
éocasodeclaradoaqui.
JN- Nasegunda-feiraessaaerona-
ve apresentouproblemas aopousar
em São Paulo? Ela decolou de Con-
finsepousouemSãoPaulo, emCon-
gonhas. A mesma aeronave que
apresentou o alerta com relação ao
reverso na sexta-feira, ela apresen-
tou algum problema ao pousar em
SãoPaulodepois?
AMPARO-Não. Temosolivrode
bordo para provar. Ela voou de
Confins, vôo 3215, absoluta-
mentesemproblemas.
JN -A Aeronáutica mostra que es-
sa aeronave pousou muito alémdo
limite normal oucomume que o pi-
loto relatou para a torre que a pista
estavaescorregadia.
AMPARO -Eu só posso falar da
máquina, de que não houve ne-
nhumreporte de problemas na
máquina, noavião.
OAirbus-A320teveproblema, 4dias antes doacidenteque
provocouamortede 196pessoas, noreversor doladodireito
................................................................................................
DAREPORTAGEMLOCAL
DASUCURSAL DE BRASÍLIA
O Airbus-A320 que se aci-
dentou na terça-feira em Con-
gonhas, provocando a morte de
pelo menos 196 pessoas, voava
com um problema mecânico
detectadoquatrodiasantes.
A TAM soube na sexta-feira
de um defeito no reversor
—que auxilia a frenagem— do
lado direito do avião prefixo
PT-MPK. Ela decidiu, então,
pelalacraçãodoequipamentoe
liberaçãodaaeronaveparafun-
cionar com esse instrumento
operantesódoladoesquerdo.
Acompanhiaaéreadizqueos
manuais da Airbus autorizam
que se continue voando nessas
condiçõesdurantedezdias.
No acidente do Fokker-100
da TAMem1996, quematou99
pessoas, as investigações apon-
taram problemas no reversor
direitocomoprincipal causa.
Oficiais da Aeronáutica tam-
bém afirmaram que a mesma
aeronave que se acidentou na
terça tinha enfrentado dificul-
dades para pousar em Congo-
nhas na véspera devido à pista
escorregadia —assim como pe-
lo menos outras quatro, in-
cluindoumadaPantanal.
O avião, na ocasião, vinha do
aeroporto de Confins, em Belo
Horizonte. O “Jornal Nacio-
nal”, da TVGlobo, diz que a ae-
ronave parou quase no final da
pista. A TAM diz que nenhum
incidentegravefoi relatado.
Especialistas ouvidos pela
Folha dizemque a falha no re-
versor potencializa os riscos
quando associada a outros pro-
blemas, como a pista escorre-
gadia de Congonhas. Para eles,
só a falha mecânica não causa-
ria um acidente desse porte
(leiatextonaC3).
Pistacontaminada
Ruy Amparo, vice-presiden-
te técnico da TAM, disse ao
“JN” que os manuais da Airbus
permitemque a empresa libere
a operação da aeronave por dez
dias mesmo que os dois rever-
sores estejaminoperantes.
Em seguida, afirmou que
“não há alteração de perfor-
mance” da aeronave sem esse
sistema, “excetoempistas mui-
to contaminadas”. Amparo
afirmou que as pistas contami-
nadas seriam“embaixo de chu-
va muito forte”, mas que esse
“não era caso declarado” em
Congonhasnodiadoacidente.
Segundoele, esseaviãofoi in-
vestigado três meses antes do
acidente e não foi constatada
“nenhuma pane significativa”,
que poderia “alterar os padrões
devôosignificativamente”.
Em nota divulgada ontem à
noite, a TAM admitiu a desati-
vação do reversor direito do
Airbus depois do defeito cons-
tatadonodia 13. Afirma quetu-
do foi feito em condições pre-
vistas pelos manuais de manu-
tenção da fabricante Airbus e
aprovado pela Anac (Agência
Nacional deAviaçãoCivil).
O comunicado diz que esse
procedimento “não configura
qualquer obstáculoaopousoda
aeronave” e que essa informa-
ção foi dada pelo presidente da
empresa, Marco Antonio Bo-
logna, e pelo vice-presidente
técnico, Ruy Amparo, em en-
trevistacoletivaanteontem.
Na entrevista, Amparo, ao
ser questionado se poderia ter
ocorrido problema semelhante
ao do acidente de 1996, afir-
mou: “Oreversor direitoestava
travado, em condições previs-
tas dentro das normas desse ti-
po de avião e que não coloca
qualquer obstáculo ao pouso
previstoemCongonhas”.
Já Bologna disse que “os ma-
nuais da Airbus mostram que
reversor não era requerido pa-
raestepouso”.
Na nota, a TAM diz que “a
empresa reafirma que não teve
registro de qualquer problema
mecânico neste avião no dia 16
de julho[segunda-feira]” e que,
conformeditonaentrevistaco-
letiva, a aeronave “não tinha
registro de nenhum problema
demanutençãoanterior”.
Os relatos recebidos peloCo-
mando da Aeronáutica e pela
Anac reforçaram a possibilida-
de de que a principal causa do
acidente tenha sido a falha me-
cânicadoAirbus.
A Aeronáutica confirmou
queaimagemfilmadadopouso
em Congonhas registra um
“clarão” na turbina esquerda
do jato e acrescentou dados à
informação de que uma turbi-
na estaria impulsionando a ae-
ronave para a frente (como em
procedimento de decolagem) e
outra para trás (de pouso) —e
daí a virada do avião para a es-
querdaantesdacolisão.
O piloto, segundo essa hipó-
tese, pousou normalmente,
mas uma das turbinas não re-
sistiu à grande elevação de po-
tênciaexigidaparafrear.
Com isso, teria havido uma
“explosão do compressor”, ge-
rando umclarãoou, comodefi-
niu José Carlos Pereira, presi-
dente da Infraero, uma “fuma-
çaforte”noladoesquerdo.
NoacidentedoFokker-100
daTAMem1996, as
investigações apontaram
problemas noreversor
direitocomoprincipal causa
ParaAirbus,
éprematuro
comentar caso
.................................................................................
DE NOVAYORK
A Airbus acha prematu-
ro fazer qualquer comen-
tário sobre o acidente, por
isso responde com consi-
derações genéricas, via as-
sessoria de imprensa, a to-
dos os pedidosdeinforma-
ções sobre o seuavião mo-
deloA320.
A companhia não quis
falar sobre as suspeitas le-
vantadas pela Infraero de
que uma falha mecânica
poderia ser a principal
causa para o acidente de
terça. Tampouco houve
explicações mais específi-
cas para a informação de
que o reverso direito do
aviãoda TAMapresentava
defeito e a orientação da
fábrica, nesses casos, é de
desativar oequipamento.
“Estamos totalmente
engajados na investigação.
Não vamos entrar em es-
peculações”, disse Kristi
Tucker, diretora de comu-
nicações da unidade nor-
te-americana da Airbus.
“Não há nada que se possa
falar sobre as causas da
tragédianestemomento.”
Ontem, chegouaoBrasil
a equipe de cinco técnicos
da empresa que deve auxi-
liarnasinvestigações.
BombeirosretiramcorpodevítimadoacidentecomvôodaTAM
C2 cotidiano SEXTA-FEIRA, 20 DEJULHODE2007 ef
11 segundos
60 km/h
3 segundos
era a velocidade da aeronave,
segundo a Infraero, no momento
emque o avião saiu da pista
PROCEDIMENTO
PARAARREMETER
Dependendo do avião,
precisa estar entre
204 km/h
(110 nós) e
241 km/h
(130 nós)
CURVAE COLISÃO
Após a possível explosão, a
aeronave sai da trajetória e vira à
esquerda antes de passar por cima da avenida
Washington Luís e atingir o prédio
167 km/h
o avião levou para atravessar o
trecho filmado pela Infraero
é o tempo que outros aviões levarampara
atravessar o trecho filmado pela Infraero
é a velocidade máxima da
aeronave ao taxiar no final da
pista antes do desembarque
Aaeronave pode
arremeter sem
tocar a pista…
…ou tocando a pista
e retomando velocidade
Reversor
acionado
POSSÍVEL
EXPLOSÃO
Aparentemente,
houve uma
explosão no motor
esquerdo do avião,
como se vê numa
câmera do
aeroporto de
Congonhas
330 mfinais: área para emergência deve continuar diminuindo a velocidade
HIPÓTESES
>>Odesvio pode ter sido causado pela
explosão ou por falha no reversor
>>Pode ter havido algumobstáculo na pista
COMO FUNCIONA O REVERSOR
Reversor fechado
Permite que o ar da turbina
passe livre, não influindo no vôo
Reversor aberto
Redireciona o ar da turbina,
funcionando como umfreio
Fluxo
de ar Saída de
gases
Turbina
Fluxo
de ar Saída de
gases
Turbina
Oque a falta do reversor
direito do Airbus da TAM
pode ter causado
Osistema de
reversores
ficou comapenas
50%dacapacidade,
o que não foi
suficiente para
parar coma pista
molhada
1
POR QUE É USADOCOM
FREQÜÊNCIA?
>> Economiza os freios dos pneus
>>EmCongonhas, porqueapistaécurta
MEMÓRIA
No acidente do Fokker-100 da TAM
em1996, que matou 99 pessoas, as
investigações apontaramuma falha
no reversor como principal causa
AFUNÇÃODOREVERSOR
Oavião é projetado para parar comos freios das rodas e o
aerodinâmico. Emsituações normais, os reversores funcionam
como instrumentos adicionais para a desaceleração. Quando a
pista está molhada, são essenciais. Aaeronave possui dois, um
de cada lado, nas turbinas
Oavião
começou a
puxar para o lado
esquerdo
2
Pertodofimda
pista, o piloto
decidiuarremeter,
mas: esqueceu de
desligar oreversor
ou o equipamento
não desligou ou a
turbina esquerda
estourou
3
Airbus-A320, prefixo PR-MBK,
da TAMantes do acidente
Foto Divulgação
TRAGÉDIAEMCONGONHAS/CAUSAS
Paraespecialistas,
sófalhamecânica
nãoexplicaacidente
Na opiniãode técnicos ouvidos pela reportagem, acidente
deve ter sidoprovocadopor umconjuntode problemas
Outrasfalhastécnicas, falta
deaderêncianapistade
Congonhaseeventuaiserros
dopilotosãoapontados
comopossíveiscausas
................................................................................................
DAREPORTAGEMLOCAL
O problema no reversor di-
reito do Airbus-A320 da TAM
não seria suficiente, sozinho,
para provocar o acidente de
terça-feira, conforme especia-
listasouvidospelareportagem.
Só uma conjunção de fatores
pode explicar o acidente, in-
cluindo ainda a possibilidade
de outros problemas técnicos,
de faltadeaderênciada pistade
Congonhas e de eventuais er-
ros do piloto —que vão da deci-
são de pousar sob condição de
risco ao momento incorreto de
arremeter(subirnovamente).
Técnicos apontam ainda que
a pista do aeroporto, além de
escorregadia sob chuva, é curta
e sem área de escape, algo que
potencializaas dificuldades.
A aeronave não depende dos
reversores para frear nas situa-
ções normais. Isso porque, em-
bora usado praticamente em
todos os pousos dotipo, ele é só
uminstrumentoextraparaaju-
dar a frenagem do avião, que é
projetadoparapararcomfreios
das rodaseaerodinâmico.
Pedro Goldenstein, piloto há
26 anos, prefere não fazer co-
mentários arespeitodoaciden-
te, masdáaexplicaçãotécnica.
“Há sistema de freio de ro-
das, aerodinâmico e reversor,
que é só auxiliar. O avião tem
que ser capaz de parar mesmo
sem reversor. Todo mundo
aciona, até porque economiza
freio das rodas, mas não é com-
putado no cálculo da perfor-
mancedoavião”, afirmaele.
Há, porém, situações que po-
deriam potencializar as conse-
qüências de uma falha mecâni-
ca como essa. “Por exemplo, se
os problemas no reverso foram
somados à aquaplanagem”, diz
Jorge Eduardo Leal Medeiros,
professor da Escola Politécnica
daUSP(Poli/USP).
O piloto e engenheiro aero-
náutico James Waterhouse,
professor daUSPdeSãoCarlos,
diz que, em Congonhas, se a
pista estiver úmida —chovia no
momento do acidente de terça-
feira—, é difícil pousar semuso
doreversor. Hádiversos relatos
no dia do acidente apontando
queelaestavaescorregadia.
“Oacidente éumareuniãode
fatores contribuintes. Aquela
pista não oferece as condições
ideais, mas sozinha não é um
fator decisivo”, diz Raul Francé
Monteiro, ex-piloto da TAM e
coordenador do curso de ciên-
cias aeronáuticas da Universi-
dadeCatólicadeGoiás.
“A pista com certeza tinha
problemas de aderência”, diz
Apostole Lack Chryssatidis, di-
retor-presidente da Abetar
(Associação Brasileira de Em-
presas deTransporteAéreoRe-
gional), reforçando a avaliação
de que a causa do acidente não
resultadeumúnicofator. (EVAN-
DROSPINELLI EALENCARIZIDORO)
Aviãocomeçouavirar paraaesquerda
logoapós pousar, afirmaórgãodaFAB
Dois dias após acidente, Fokker-100da
TAMabortapousoemCongonhas
Joel Silva/Folha Imagem
................................................................................................
JOSÉERNESTOCREDENDIO
DAREPORTAGEMLOCAL
O Airbus-A320 começou a
adernar para o lado esquerdo
da pista logo depois de pousar
no aeroporto de Congonhas,
conforme comprovam marcas
deixadas pelos pneus da aero-
nave, disse ontem o chefe do
Cenipa (Centro de Investiga-
ção e Prevenção de Acidentes
Aeronáuticos), brigadeiro Jor-
geKersul Filho.
A real trajetória percorrida
pela aeronave foi apontada on-
tempela equipe do Cenipa que
realizou vistoria na pista. Téc-
nicos trabalharam até as 2h30.
O material, incluindo fotos, foi
enviado para análise pela Dire-
toriadeEngenhariadoCenipa.
Obrigadeiro afirmou não ter
condições ontem de dizer exa-
tamente emque pontoda pista,
de 1.940 metros de compri-
mento, a aeronave deixou de
rodar seguindo o eixo da pista,
comofarianormalmente.
‘‘Por alguma razão, a aerona-
ve não manteve a linha central.
Inicialmente, [a virada à es-
querda] foi suave e depois
[cresceu] mais’’, declarou.
Foi napartefinal dapistaque
a aeronave convergiu ainda
mais para a esquerda e atingiu
os dois prédios após cruzar a
avenidaWashingtonLuís.
Sem determinar qual foi a
causa da perda de direção do
avião, Kersul deixouclaroqueo
mais provável é quetenhahavi-
dofalhamecânica.
Problemas
Obrigadeiro citouainda pro-
blemas no sistema de freios
—do qual fazemparte os rever-
sores da turbina—, na própria
turbina e defeitos nos pneus,
porexemplo.
Qualquer falha nesses siste-
mas, incluindo erros de opera-
ção cometidos por pilotos, difi-
cultamanter oaviãonoeixo.
Se o freio funciona bem so-
mente de um dos lados, a ten-
dênciaéqueaaeronavecomece
a virar para o outro lado, por
falta de equilíbrio. Um pneu
murcho pode também ter um
efeitosemelhante.
Pouco antes da entrevista de
Kersul, o coronel Carlos Mine-
lli de Sá, chefe do Serviço Re-
gional de Proteção ao Vôo de
São Paulo, praticamente des-
cartou influência da chuva ou
de defeitos na pista comocausa
doacidentedaTAM.
Sá afirmou que, por volta das
18h50 de terça-feira, havia
“pingos esparsos” de chuva no
aeroporto e não havia lâmina
d’águanapistaprincipal.
Também disse que, na hora
da aterrissagem, o vento era de
somente 7 nós (13 km/h) e so-
prava na direção doeixoda pis-
ta. A visibilidade era de até 7
km. Ou seja, as condições eram
favoráveisànavegaçãoaérea.
Ele descartou que houvesse
excesso de água na pista depois
de uma reclamação feita pelo
piloto da Gol que havia aterris-
sadoàs 17h07daquele dia. Opi-
loto dissera que a pista estava
escorregadia.
................................................................................................
KLEBERTOMAZ
DAREPORTAGEMLOCAL
Dois dias após oAirbus-A320
da TAM sair da pista principal
de Congonhas e colidir contra
imóveis, outra aeronave da
companhia aérea, um Fokker-
100, foi flagrada ontem de ma-
nhã abortando o pouso no ae-
roportodeSãoPaulo.
Aarremetidaéumadas hipó-
teses do Cenipa (Centro de In-
vestigação e Prevenção de Aci-
dentes Aeronáuticos) para ex-
plicar o acidente como Airbus.
Asuspeita é que oaviãonãode-
senvolveu velocidade suficien-
teparadecolarnovamente.
O jato estava com o trem de
pouso acionado, mas arreme-
teu ainda no ar. Cinco minutos
depois, desceunapistaauxiliar.
A TAMdivulgou nota afirman-
do que “o procedimento de ar-
remetida consiste emmanobra
prevista na aviação comercial,
sendo realizada por motivo de
segurança sempre que o piloto
julgarestaaçãonecessária”.
O Fokker havia partido às
6h30 de Maringá (PR) com 44
passageiros. Eles contaramque
o piloto os avisou que arreme-
teria “porque não tinha ângulo
necessárioparapousar”.
Para especialistas, a opera-
ção é “normal”. “Acontece todo
odianomundointeiro”, disseo
piloto e engenheiro James Wa-
terhouse, professor de enge-
nharia da USP. “Arremeter é
mais do que comum, é reco-
mendável”, diz PedroGoldens-
tein, pilotohá26anos.
Entre os motivos para um
avião arremeter, estão: veloci-
dade alta e altura (onde toca na
pista). Adecisão pode partir da
torredecontroleoudopiloto.
FOTO
2.0
17.0
AeronavepousaemCongonhas; ontem, Fokker-100 arremeteu
ef SEXTA-FEIRA, 20 DEJULHODE2007 cotidiano C3
COMO SÃO
FEITOS
INFOGRÁFICOS
EM JORNAIS?
PENSANDO COMO UM INFOGRAFISTA
Coleta de
Informações
Horários apertados + conteúdo extenso e complexo = informação acessível e
rápida. Esta equação que parece ser impossível de ser resolvida é a realidade do
dia a dia de muitos profissionais dentro das redações dos jornais pelo mundo a
fora, os chamados infografistas. Acompanhe a seguir os principais passos percorri-
dos por estes profissionais na Folha de São Paulo para solucionar esse problema.
O DIA A DIA DA INFOGRAFIA NO JORNAL
Ordene os níveis de informação, tente
compreender o que é interessante ser visualizado
primeiro e posteriormente, estabeleça
hierarquias e relações entre essas hierarquias
para que o infográfico não seja apenas um texto
ilustrado.
Separe o “joio do trigo”, pense em como você
aprenderia sobre o assunto se fosse totalmente
leigo para julgar o que é necessário ou não,
pense qual caminho percorreria para entender
esta informação? E que elementos seriam
necessários? Fotos, ilustrações, tabelas ou
mapas, também procure identificar qual
informação ficaria melhor como texo e qual
como imagem.
Tente saber o máximo sobre o assunto, hoje em
dia com a internet isso ficou extremamente
fácil. Cruze diversas fontes de informação, não
confie só no que aquele grande site diz.
Foco ou recorte
Delimite o assunto, nos jornais os infográficos
apoiam as matérias e geralmente especificam
algo que já foi falado na matéria. Imagine por
exemplo um processo, que detalhe diferencia
esta etapa da anterior? Evidêncie estes detalhes,
a alma de um infográfico é o seu poder de
estabelecer relações entre seus elementos.
Os leitores precisam de referenciais para se situar,
por exemplo: em um infográfico sobre
dinossauros, podemos colocar a silhueta de um
ser humano para dar ao leitor a noção do
tamanho do dinossauro em relação ao ser
humano. Um bom infográfico deve fornecer
fornecer parâmetros ao leitor.
Elimine todas as possíveis dúvidas do leitor, com
textos e imagens claras e objetivas.
Hierarquização
das Informações
Análise de
Informação
Fornecer
Parâmetros
Seja específico
Proximidade, contraste, grids, conceituação...
Utilize os princípos para criar hierarquias e
relações entre os elementos do infográfico
Um infográfico é uma obra de design gráfico,
grande parte do seu fator de compreensão
deve-se a este caráter.
Princípios
do Design
A lição
As principais sacadas dos
infografistas da Folha foram
Pré estabelecer o máximo o possível de
elementos do infográfico como: setas, vetores, cores e
outros elementos visuais que se repitam na peça.
Ilustração Vetorial por ser uma técnica
rápida e facilmente adaptável foi adotada principal meio
de representação. Por que de uma hora para outra podem
pedir para mudar o trabalho de tamanho por que entrou
uma publicidade enorme no lugar.
Conteúdo Para Quem Suporte Estilo visual
+ +
=
Conteúdo Para Quem Pressa! Estilo visual
+ +
=
No Jornal:
Em qualquer outro meio:
DÚVIDAS ETERNAS
DE UM INFOGRAFISTA
Nas redações dos grandes jornais, os
infografistas têm acesso a um acervo
de fotografias e a um banco de
imagens vetoriais, este banco tem
imagens como mapas, objetos e
partes do corpo, mas o que não têm
no banco tem que ser feito na hora!
O infografista é o profissional
que “habita” a editoria de arte
e é responsável por produzir
os infográficos. E têm estas
perguntas como norte de seu
trabalho.
FERRAMENTAS
Vetores
Mapas
Fotograas
Quando?
Como?
Onde?
Por quê?
O quê aconteceu?
PECADOS MORTAIS
Excessos
Detalhes demais e recortes de
assunto exagerados
Fora do contexto do leitor
Não utiliza uma linguagem compreensível
para o leitor
Metáfora Visual Falha
Relações visuais confusas ou que dêem
margem a interpretações aleatórias
Informações Conitantes
Informações erradas, fontes imprecisas
ou em desacordo com a matéria
Falhas de desenho
Proporções erradas, escolha de
imagens confusas
S
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infografistas
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9:00 hrs 14:00hrs
O infográfico é inserido na
sua respectiva página, o
jornal é fechado e enviado
para a gráfica.
17:00hrs 18:30hrs 20:00hrs
A FÓRMULA DA INFOGRAFIA
Defina o seu
público alvo
O infográfico deve “falar a língua” do público
alvo e utilizar referências que sejam populares
entre esse público. Vale lembrar também que
estilo visual do infográfico deve estar de acordo
com o teor da informação. A coerência das
informações textuais e visuais são fundamentais
para a compreensão.
Informam ao “fechador”
(o cara responsável por
distribuir o trabalho aos
infografistas) os
infográficos necessários para
a edição do jornal
Então começa a fase de
revisão, onde o infografista
leva o impresso para o
editor, e faz quantas
alterações forem necessárias
Depois de revisado, o
infográfico é exportado no
formato eps.
19:30hrs
Editoria
de Arte
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D4 esporte SEGUNDA-FEIRA, 31 DE DEZEMBRODE 2007 ef
Bruno Miranda/Folha Imagem
FOTO
4.0
16.00
Onúmerode
atletasidososcresceem
progressãogeométrica.
Éumadisputagostosa.
Nãoexistepremiação. O
prêmioétemumcorpo
saudável, superarseus
limitesedormirbem
ADEMARTRISTÃOFILHO
corredor de65anosquevai disputar aSão
Silvestre
Afestaémuito
bonita, temgentena
ruaaplaudindo,
incentivando. Nofinal,
agenteficacansado,
masmuitofelizporque
conseguiucruzara
linhadechegada
CARLOSMARCHETTI
corredor de84anos, omaisvelhoinscrito
naSãoSilvestre
Carlos Marchetti, 84, correumahorae meia três vezes por semanae hoje estaránaSão Silvestrepelosegundoano consecutivo
Av. Radial Leste
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CHEGADA 1 km 817 m
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9 km 790 m
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Dica: O percurso é cheio de
curvas, e o asfalto se alterna
com paralelepípedos. É preciso
cuidado para não escorregar
Dica: O viaduto é um teste para ver
quem está com energia. A subida é
acentuada, mas não é longa
Dica: É o início do maior
retão da prova. Convém
usar gel de carboidrato
e beber água. Mas só
use o gel se estiver
habituado
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7 km 747 m
Gazeta
Dica: Não pare de imediato após
ultrapassar a linha. Faça
alongamento e beba água
15 km 816 m
LARGADA
MASP
0 km 816 m
Dica: Até a mais paulistana das provas
sofre com engarrafamento. São 20 mil
largando. Não saia atropelando todo mundo
*Tempo dos vencedores em2006
**Média de todos os atletas em2006
Consultoria técnica: Cláudio Castilho
(Pinheiros e equipe Saúde &
Performance) e Frederico Fontana
(equipe Quality Life)
Imagemilustrativa
AV. PAULISTA AV. PAULISTA
COMPARE O SEU TEMPO*
Masculino 44min07s
Feminino 51min24s
Masculino 1h25min23s
Feminino 1h35min58s
Elite
Geral
O QUE USAR
NO DIA DA
PROVA
Tênis: Use um apropriado
para corrida de acordo com
sua pisada (pronador,
neutro ou supinador)
Meias: As estilo
sapatilha deixam o pé
maislivreparaacorrida
e também ajudam a
absorver suor
Shorts: Decor clara
e confortável, deve
ter um bolso para
transportar ogel de
carboidrato
Boné: Usar de
cor clara e bem
ventilado
gel
Vaselina: Passar nas
axilas, virilha e mamilos
para evitar assadura por
conta do atrito durante
a prova
Camisa: Leve,
confortável e de
cor clara. Prefira
as que favorecem
aabsorçãodosuor
Nível extremo de
radiação UV
Apesar do horário,
use protetor solar
Sol entre nuvens,
com pancadas de
chuva
Mín.
19˚
Máx.
32˚
CONHEÇA
O CIRCUITO
DA PROVA
Gire a página
para ler
Paraatletas 15h15
Feminino 16h30
Masculino e geral 16h45
P
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SPLIT ALARM
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Idadenãopesa
paraquemcorre
naSãoSilvestre
Marcas obtidas pelos atletas commais de 60anos sãoas
que mais caemna tradicional prova de rua de SãoPaulo
................................................................................................
DAREPORTAGEMLOCAL
Ademar Tristão Filho aban-
donou os jogos de várzea em
1976. Seu corpo, no entanto,
não agüentou ficar parado. E
logo a paixão pelo futebol deu
lugar ao tênis e a quilômetros e
quilômetrosdepassadas.
Hoje, aos 65 anos, é exemplo
deummovimentocomprovado
pelas marcas da São Silvestre.
Cada vez mais os idosos brasi-
leiros se dedicam a atividades
físicas. E quem abraça o espor-
te competitivo tem desempe-
nhocadavezmaisdestacado.
Na mais tradicional prova de
rua do país, apenas os corredo-
res das categorias com mais de
60anos tiverammelhora signi-
ficativa no tempo médio de
percurso se comparado 2006 a
1998, omaisantigoregistrado.
Naquele ano, a média foi de
1h36min56s. No ano passado,
os veteranos cumpriram o cir-
cuito em1h33min44s. Entre as
mulheres, a marca caiu de
1h55min35spara1h47min39s.
Amaioriadoscorredoresins-
critos na prova pioraram os
tempos. Na categoria até 29
anos, os homens saltaram de
1h19min32s para 1h23min31s.
A prova feminina foi pior, de
1h28min51spara1h38min31s.
Alguns, no entanto, apresen-
taram leve evolução. Os atletas
de 50 a 59 anos melhoraramas
marcas, mas de forma bemme-
nos significativa (44s para mu-
lherese9sparahomens).
Já os jovens com até 19 anos
foram1min21smaisvelozes.
“O número de atletas com
mais de 60 anos só aumenta.
Alguns descobrem a corrida
nessa idade”, diz Tristão Filho,
que preside a Associação dos
CorredoresdoEspíritoSanto.
Apesar de festejar o incre-
mento da modalidade, o corre-
dor penacomnovos rivais.
“Tenhoumbomnível detrei-
namento, mas começo a perder
espaço. As provas estão cada
vez mais disputadas”, diz ele,
vice-campeão emsua faixa etá-
ria na Volta da Pampulha. Na
São Silvestre-2006, foi quarto
na sua categoria, 941º no geral
—havia15mil inscritos.
Segundo censo do IBGE di-
vulgadonoúltimoano, aexpec-
tativamédiadevidadobrasilei-
roatingiu71,9anos.
Aexplicaçãopara este cresci-
mento está no maior acesso a
cuidados médicos, dieta balan-
ceada, novastecnologias, queda
da mortalidade infantil e na
prática de atividades esporti-
vas, entreoutras.
Carlos Marchetti é umexem-
plo dos efeitos desse novo in-
grediente na vida dos idosos.
Começou a correr há oito anos
e, em 2006, arriscou-se na São
Silvestre. Hoje, estará na Pau-
lista novamente. Aos 84 anos, é
omaisvelhoinscrito.
“Meus filhos correme me in-
centivaram. Uma pessoa de
idade, quando fica parada, só
piora”, afirmaocompetidor.
Marchetti treinapor cercade
uma hora e meia três vezes por
semana. Tambémcontinuatra-
balhandoemsuaoficina.
“Eu comecei andando. Aí
passei a correr 5km, 10km,
15km e vi que dava. Essa é mi-
nha segunda São Silvestre, mas
eu quero mais”, diz. (MARIANA
LAJOLOEPAULOCOBOS)

Centro de Educação, Comunicação e Artes Departamento de Design Curso de Design Gráfico

RAfAEl dE CAstRo AndRAdE

sistematização de um método para produção de infográficos com base no estudo de caso do jornal Folha de São Paulo
Orientador: Prof. Renato Macri londrina 2008

RAfAEl dE CAstRo AndRAdE

sistematização de um método para produção de infográficos com base no estudo de caso do jornal Folha de São Paulo

Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Design Gráfico da Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel.

Orientador: Prof. Renato Macri

londrina 2008

ª Drª. como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel.ª Ms.____de______________de 2008. Renato Macri Londrina. BAnCA EXAMInAdoRA _________________________________________________________ Prof. . Rosane Martins Universidade Estadual de Londrina Universidade Estadual de Londrina Universidade Estadual de Londrina _________________________________________________________ Prof.RAfAEl dE CAstRo AndRAdE sistematização de um método para produção de infográficos com base no estudo de caso do jornal Folha de São Paulo Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Design Gráfico da Universidade Estadual de Londrina. Vanessa Tavares de Barros _________________________________________________________ Prof.

Gostaria de agradecer também a todo pessoal que estudou comigo na UNOPAR. Durante minha vida acadêmica. mas poucos ensinaram com dedicação e paixão como Ms. Agradeço também a Gregório Romero. ao meu primo Thiago e a quase centenária Conceição. o que me motivou a realizar este trabalho. e concluo esta etapa da minha vida dedicando a eles esta obra. Ao meu irmão Felipe. E com orgulho digo que o sacrifício foi válido. mas seria impossível prever todas as boas coisas que acabaram acontecendo para que este trabalho fosse concluído. independentes e questionadores. . grande parte deste trabalho só foi possível graças a você. que conheci no projeto de pesquisa. esforço e sacrifício. Gostaria de agradecer primeiramente aos meus pais. tive muitos mestres. época em que lecionava na UNOPAR. Yuri Walter quando me acolheu em seu projeto de pesquisa e me incentivou a descobrir a importância de se produzir conhecimento científico na graduação. minha vó. obrigado pelo apoio e pela colaboração. ao mestre muito obrigado. para que seus filhos tivessem bons estudos e soubessem além de tudo serem honestos.dEdICAtóRIA E AgRAdECIMEntos Este texto é algo que pensei desde o primeiro instante em que comecei este trabalho. grande designer e ilustrador. Valter e Cida. vocês foram fundamentais para minha formação. compreensivos. pela dedicação. Ana Luiza. humildes. obrigado. enfim serem cidadãos conscientes e boas pessoas. Meus agradecimentos especiais para a Ms. que me acompanha desde os primeiros anos de graduação. acompanhando o desenvolvimento de seu trabalho de conclusão de curso também sobre infografia. mesmo em um curso que tem um caráter tão prático.

que foi ouvido e ombro quando era necessário refletir. por aceitarem a colaborar utilizando o método proposto pelo trabalho de forma tão espontânea. com certeza são pessoas que pretendo guardar para sempre. é claro) Nayara Pereira Duarte. carinho e compreensão. designer. Este trabalho é um questionamento. foram plausíveis para se ter consiência de como é tratado o ensino em nosso país atualmente. que ajudou a revisar os erros de português.E o mundo com certeza seria bem melhor se tivessemos mais pessoas como Marcelo Pliger. obrigado por estes 2 últimos anos. meus sinceros agradecimentos. colaborando para este trabalho ser realizado. que compreendeu as madrugadas em claro. E reservei este último parágrafo para agradecer a pessoa que tornou tudo isto possível (além dos meus progenitores. minha companheira. que deu as idéiais. que esclareceu minhas dúvidas. Agradeço também aos calouros da turma de 2006. . retornar à sociedade uma parcela do que foi dedicado a mim nestes anos de universidade e ensino público. e principalmente aos meus colegas de sala da UEL os quais considero uma família. ao responder os vários e-mails que mandei e me receber na Folha. vocês realmente mudaram minha vida e me fizeram entender o real valor de estar em uma universidade. uma provocação para que se discuta o tema e espero que sirva de fomento para a discusão da infografia e que outros alunos possam se apoiar nele para dar continuidade ou refutá-lo mas que não sejam indiferentes em relação a discussão levantada. Obrigado por ter sido tão acessível. infografista e ótimo palestrante reserva. Este trabalho tem como objetivo maior. E para todos que contribuíram de alguma forma para este trabalho. Ao meu orientador o professor Renato Macri. que mesmo poucos. obrigado pela dedicação. e quão carente é a nossa área em produção científica.

“O Conhecimento pelo conhecimento” .Eis a última armadilha colocada pela moral: é assim que mais uma vez nos enredamos inteiramente dela. Friedrich Nietzsche .

sistematização de um método para a produção de infográficos com base no estudo de caso do jornal Folha de São Paulo. 2008. que aborde de maneira direta o modo de produção de infográficos. Rafael Castro. Folha de São Paulo.ANDRADE. Londrina. e por isso carente de literatura específica em português. Palavras-chave: Infografia. REsUMo A infografia é uma área recente. . principalmente nos meios de comunicação de massa. um jornal de grande circulação nacional que têm a infografia como diferencial em seu projeto editorial. 2008. 103 fls. tanto que o próprio termo ainda é discutido por seus profissionais. Universidade Estadual de Londrina. Este trabalho consiste em sistematizar um método para a confecção de infográficos e se utiliza da experiência do modo de produção do jornal Folha de São Paulo. confrontado com a análise dos infográficos premiados e literatura específica. Por meio de um estudo de caso feito em sua redação. Jornal. nos quais a infografia atua como elemento atrativo e revitalizador. em especial revistas e jornais. A relevância do tema no país é notável. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Design Gráfico) – Centro de Educação Comunicação e Artes. Método.

where the infographics serves as an attraction and revitalization. especially magazines and newspapers. Universidade Estadual de Londrina. . Rafael Castro. faced with the analysis of winners infographics and literature. Systematization of a method to make infographics based on case study of Folha de Sao Paulo newspaper. a major newspaper of national circulation that have the infographics as differential in its editorial project. 2008. and so lacking in Portuguese literature. Keywords: Infographics. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Design Gráfico) – Centro de Educação Comunicação e Artes. 103 fls. AbStrAct Infographis is a new area. Method. Londrina. especially in the mass media. 2008. The relevance of this issue in the country is remarkable. that direct way of addressing the mode of production of infographics. so the terminology still debated by its professionals. Newspaper. This work consists of a systematic method to make infographics and if you use the experience of the mode of production of the newspaper Folha de Sao Paulo. Through a case study done in his writing.ANDRADE. Folha de São Paulo.

mostra a baixa do exército de Napoleão.Diagramas descrevendo os principais movimentos de Design: Utilizados 30 para disposição de conceitos.Tabela sobre a capacidade de cartões de máquinas fotográficas digitais: Utilizadas para comparação rápida de informações. figura 9 .lIstA dE fIgURAs figura 1 .Estudo sobre o desenvolvimento dos embriões humanos. figura 3 .Linhas mais finas na segunda imagem colaboram interferindo menos na 31 imagem se comparada a primeira imagem. Leonardo Da Vinci. figura 2 . 23 24 24 26 26 29 28 29 figura 4 . figura 5 .Seção do Livro dos Mortos do Papiro de Hunefer. processos e raciocínios.Decalque da pintura rupestre da Gruta de Altamira.Gráfico de barras sobre a corrida presidencial das eleições dos Estados Unidos em 2008: utilizado quando há a necessidade de comparações entre dados estatísticos completos. figura 6 . figura 10 .O gráfico de Minard. figura 12 . utilizado quando é necessário se cruzar informações de tempo e dados numéricos. figura 13 . figura 7 .Gráfico Linear.Gráfico Pizza: utilizado quando há a necessidade de indicar divisão de partes e proporções. como valores por exemplo. 32 33 34 . figura 11 . figura 8 .Mapa da cidade de Mendonza (Argentina): necessários quando se deseja indicar um local físico.O infográfico estabelece relações de altura de cada estado com a quantidade de hipotecas em cada estado para fornecer paralelos que permitem ter uma noção maior da quantidade.Infográfico “Total Lunar Eclipse” sobre o eclipse lunar.

Como o vírus SARS se propagou.Infográfico “Tragédia em Congonhas” sobre o acidente do avião Airbus A320 da Tam. . figura 28 . figura 17 .Padrão do sistema de semáforos brasileiros figura 18 .Paleta de Cores e seus grupos de uso: Esquemas. estatística e esportes.Detalhe do computador com a tela do software Freehand em execução no momento da produção de um infográfico.Mapa de varetas. figura 24 .Infográfico “São Silvestre” sobre a corrida de São Silvestre. Are Reward Cards for you? figura 19 . figura 26 . figura 29 .Infográfico “Matemática da Campanha” sobre a disputa Presidencial da Casa Branca. mapas e outros usos.Cores para gráficos: Temas subdivididos entre as áreas de economia. ilhas Marshall.Diagrama da Decisão.Anatomia de um acidente. gráficos.figura 14 .Fluxo de Trabalho da Infografia na Folha de São Paulo figura 23 . figura 15 .Linhas: como utilizar linha e qual sua espessura definida para gráficos estatísticos. 36 37 39 40 42 43 52 53 54 55 58 62 65 66 67 62 figura 16 ..Bancada de trabalho da equipe de Infografia na redação da Folha. figura 21 . figura 22 .Infográfico “Rio de bens que chega pelo porto”: a informação é melhor assimilada com a total integração dos elementos do infográfico. balões e especificações quanto ao seu uso.Elementos gráficos: Ícones. figura 25 . figura 20 . figura 27 .

figura 30 .Detalhe dos elementos visuais com redundância através da cor. para utilização no exercício.Detalhe do Infográfico “São Silvestre”. 75 77 77 81 . figura 33 .Infográfico produzido a partir do método piloto. dimensão e agrupamento.Detalhe da relação de proximidade. figura 31 . figura 32 .

2 Método de Tufte 2.4 Simplificar 2.9 Integrar 2.7 Comparar e Diferenciar 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1.1.2. Metodologia da Pesquisa 3.3 Contatos para o trabalho de campo .1 Planejamento 3.3.2 A Folha de São Paulo 48 48 48 50 46 3.2.4 Causalidade 30 34 34 37 31 32 33 22 22 2.1 A Importância dos Detalhes 2.1 Estudo de Caso: A produção de infográficos na Folha de São Paulo 3.1.2.1 Organizar 2.3.1 Hipóteses do estudo de caso 3.2 Paralelismo 2.sUMáRIo 15 1.3 Definir o Contexto 2.1 A Necessidade da Explicação e o Surgimento da Infografia 2.4 Infografia Jornalística 40 42 42 41 41 38 38 36 44 46 3.5 Redundância 2. Introdução 2.2 Tornar Visível 2.6 Mostrar Causa e Efeito 2.3.3.8 Criar Dimensões Múltiplas 2.3.1.3.3 Múltiplos no Tempo e Espaço 2.3.2.3.1.3.1.3 Método de Rajamanickam 2.1.

5 Hierarquização da Informação 3.2.2.2.1.3.1. .6 Fornecer Parâmetros 3.2 A Elaboração de um Método Piloto 3.2.1 O método para produção de Infográficos 5.3.3.7 Objetividade da linguagem utilizada na peça 3.2.Níveis de percepção da informação em um infográfico.2.3 Coleta de Dados 3.1 Documentação 3.3.1.1. Conclusão 88 93 94 95 REfERÊnCIAs Apêndices Apêndice A .3 O exercício de aplicação 3.2 Entrevista em Profundidade 3.1.8 Princípios da Sintaxe Visual 3.3 Coleta de Informações 3.2.2 Análise dos Resultados 78 78 82 82 79 76 74 74 4.2 Definição do Público Alvo 3.4 Análise da Informação 3.3.2 Estudo Piloto 3.1 Foco ou recorte 3.1 Metodologia para aplicação do exercício 3.4 Artefatos 50 50 3.4 Análise da Informação e Relatório 60 70 70 67 63 55 51 72 73 75 71 3.3 Observação Direta 3.2. Resultados 4.3.3.1.1.

101 100 102 103 104 98 99 ANexo I .Infográfico “O que é Cafeína” produzido por Aretha Otsuka. Anexo H .Infográfico “Como Miguelar o Bira” produzido por Pietro Luigi. Anexo G .Infográfico “O Dragão Chinês” produzido por Gustavo Abe.Infográfico “Hierarquia dos Escrúpulos: Comunicação Visual” produzido por Vinícius Ferreira Mendes.Infográfico “O Mistério do Sono” produzido por Núbia Aguiar. 105 106 107 . Anexo F .Infográfico “11 de Setembro” produzido por Ariadne Maestrello.Anexos Anexo A . Anexo D .Infográfico “Os 3 Lados do Mistério” produzido por Glauber Pessusqui. Anexo E . Anexo B .Infográfico “Burnout” produzido por Lívia Shimamura. Anexo C .Infográfico “Ações: Como Começar a Investir” produzido por Adriana Ferreira.

acontecimento ou processo a infografia se utiliza de uma combinação de fotografias. ou em instruções de como abrir uma embalagem e até em uma representação gráfica explicativa sobre como se forma uma galáxia nas páginas de uma revista.INTRODUÇÃO A infografia é um modo de transmitir mensagens com muitas informações por meio de imagens e palavras. Por exemplo. eficiente e dinâmica. que em conjunto têm o objetivo de esclarecer conteúdos complexos. Com a intenção de explicar um fato. Pode se ainda considerar a infografia como um esquema mental representado graficamente. têm-se a infografia atuando como código entre o emissor e o receptor da mensagem. animada ou interativa) potencializando a compreensão da informação de maneira clara. . Em meados da década de 80 a infografia se popularizou no meio jornalístico com No Brasil. a Folha de São Paulo foi o primeiro jornal a dar espaço para a infografia em sua redação. o primeiro no mundo de fato a introduzir e utilizar a infografia como recurso de apoio às suas matérias. uma das premiações mais importantes para infografia no mundo. Em um manual de montagem. Atualmente é um dos principais expoentes da infografia jornalística no país tendo em seu currículo medalhas do Prêmio MALOFIEJ. o jornal USA Today. a explicação de um acontecimento descrito apenas com palavras se torna muito mais concreta e compreensível quando se fornece elementos visuais para que o receptor desta mensagem possa estabelecer parâmetros e enriquecer seu repertório visual. ilustrações e textos para produzir uma peça gráfica (estática. de forma que alimente o seu processo cognitivo e assim interpretar e compreender de uma melhor forma a mensagem.15 1.

chamada pelo autor de ansiedade de informação. o volume produzido aumenta de forma descontrolada e tornando-a cada vez mais efêmera e inconsistente. o que causa uma angústia. . Em contraponto. o jornal impresso. O projeto gráfico. Esta característica se tornou parte da imagem do jornal.A Folha de São Paulo conta com uma equipe de profissionais em sua editoria de arte. Os jornais online ao entregar essa informação ao leitor de forma instantânea e sintética oferece um “alívio” a essa ansiedade. que por décadas assumiu o papel de principal veículo de informação de massa. sendo que alguns se dedicam exclusivamente a produção destas peças gráficas. um dos responsáveis por tornar o jornal uma referência mundial. que além de ser responsável por toda estética do jornal. os jornais online se adequam melhor ao modo de vida contemporâneo. tenta sobreviver. conciso e agradável. bem como manter o seu público fiel ao modelo proposto. se apóiam em maneiras não tão confiáveis de manter seus custos. Diante desse cenário ameaçador. também produz infográficos. A difusão dos meios de comunicação digitais e o advento da internet propiciaram um ambiente que favorece o acesso a todo tipo da mesma. tornou-se notável o número de jornais impressos que aderiram ao modelo online para sobreviver no mercado. de baixo custo de produção. de processo de produção de alto custo. distribuição complicada e descarte descontrolado. Por conseqüência. Com isto. Wurman (1991) afirmou que as pessoas estão expostas a um volume cada vez maior de informação e com menos tempo para absorvê-las. publicação instantânea e acesso facilitado é uma tarefa delicada e difícil. Os jornais impressos ao verem seus números de vendas decaírem e sua circulação se restringir tiveram que adaptar seus estilos operacionais às realidades do computador. com tipografias exclusivas e outros elementos que reafirmam a preocupação com o Design Gráfico. início da revolução da informática e das mídias digitais. Em tese. Para os jornais impressos. uma vez que estes em sua maioria gratuitos. Em meados da década de 90. a qualidade da informação fornecida é comprometida. ter que enfrentar os modelos online. 16 Atualmente existem diversas formas de acesso à informação. ressalta conceitos da identidade corporativa do jornal como credibilidade e contemporaneidade. enfrentando a concorrência de um número cada vez maior de provedores eletrônicos de informação.

O autor ainda conclui que por volta de 2040 já não haverá mais jornais impressos. com a evolução natural dos meios de comunicação tal situação tende a se agravar culminando com o fim do jornal impresso. Hoje. na maioria dos casos. a própria forma de lidar com a informação e organizá-la em um infográfico é algo muito particular. sistemas de redes e computadores. principalmente com o surgimento de novos softwares. sendo estes inteiramente substituídos por meios digitais com jornalismo de qualidade.Para alguns autores. Porém o que pode se observar é que o jornalismo impresso servirá como suporte aos meios digitais. Esses métodos muitas vezes são tão intrínsecos do dia-a-dia da redação que chegam a passar despercebidos pelos próprios profissionais. sejam de revistas ou jornais: desenvolverem seus próprios métodos de trabalho. Métodos estes que podem ter alguma referência acadêmica mas que. 17 A mesma evolução tecnológica que colocou o jornalismo impresso em crise possibilitou o desenvolvimento e avanço do mesmo. Além da estética. hierarquização da informação apresentada. como afirma Meyer (2004). são empíricos. e da publicidade padronizada para novos e atraentes anúncios. comentários e interpretações pertinentes e credibilidade da informação. os jornais passaram da edição impressa em preto para a edição em cores. a maioria dos jornais brasileiros conta com modernos equipamentos de pré-impressão e impressão e sofisticados recursos de programação visual dos quais a infografia se beneficia. já que o meio impresso possui características como maior profundidade no assunto tratado. da demanda determinaram algumas condições fundamentais para o trabalho dos profissionais nas redações. O surgimento dessas novas tecnologias de produção relacionado ao crescimento . dos sistemas manuais para a informatização. no entanto.

Objetivo Geral Sistematizar um método que sirva de referência para a produção de infográfi- cos. observou- se a necessidade de um material que dê suporte aos profissionais e estudantes expondo a infografia de uma maneira mais objetiva e elucidativa. impressa e de circulação nacional. visando sistematizar e capturar a essência do modo de trabalho para a elaboração de um método embasado nos dados obtidos no estudo de caso e na literatura específica O Problema Diante da carência de publicações técnicas nacionais sobre infografia. . uma mídia de massa. uma vez que. 18 Este trabalho busca investigar o método de produção de infográficos utilizado na Folha de São Paulo.Este cenário evidencia a oportunidade e necessidade de um material que se utilize desse conhecimento tácito dos profissionais da redação dos grandes jornais para documentar e expor a riqueza destes métodos. por se tratar de uma área recente. a infografia sofre com a escassez de material mais específico. dada a abertura e a relevância do jornal.

Infográficos servem de apoio aos textos corridos oferecendo uma possibilidade de diferencial na diagramação ou até mesmo uma abordagem mais ampla da redação do texto. Realizar análises por meio de observação de dois infográficos premiados da Folha para verificar o modo de produção. já que o infográfico assume a função de citar os assuntos mais específicos e relevantes da matéria. o jornal impresso deve assumir novas formas e nuances antes inexploradas para continuar a existir. dada a sua riqueza informacional e seu dinamismo. . • • Por ser uma área relativamente nova.19 Objetivos Específicos • • • Contextualizar a infografia aplicada no escopo do jornal impresso expondo suas características. propor um método para a produção de infográficos. Apresentar uma realidade com base no estudo de caso realizado sobre a infografia na Folha de São Paulo. como etapas da coleta de dados do estudo de caso. A infografia surge como uma importante ferramenta de revitalização do jornal impresso atraindo o leitor com novos recursos visuais funcionando como um diferencial. Observar in loco o modo de produção de infográficos na redação do jornal e entrevistar um profissional da equipe de infografia que lida com a criação e desenvolvimento. nota-se a necessidade de contextualizar o que é infografia para que haja uma compreensão dos seus objetivos e definir qual a sua práxis sob a ótica do jornal. dada sua relevância neste meio. Com base no teor dos estudos realizados. apenas assumiu outro papel. peculiaridades e aplicações. Justificativa Assim como o rádio não deixou de existir com o surgimento da televisão.

para constatação de aspectos gerais do modo de produção. carente de literatura. este por sua vez tem a finalidade de fornecer subsídios para a sistematização de um método para a produção de infográficos. foram analisados a fim de levantar evidências que confrontadas com estudo de caso e a literatura específica tornarão compreensível o modo de produção de infográficos no jornal. . Este estudo de caso tem por fim formar um juizo de valor em relação ao método de produção utilizado no jornal. Os infográficos produzidos por sua equipe possuem características específicas em conseqüência da velocidade de produção que o jornal demanda. Dessa maneira o trabalho visa disseminar o estudo da infografia para a comunidade acadêmica ao sugerir um método para a produção de infográficos. que comente de forma objetiva e consistente o processo de produção de infográficos. para apuração de detalhes das etapas do processo de produção. e entrevista com um infografista da equipe.O trabalho realizado apóia-se na solidez do método de trabalho do jornal Folha de São Paulo. seu modo de produzir infográficos lhes renderam alguns prêmios internacionais na área. Em um segundo momento infográficos premiados. entre outros meios. da observação de campo da redação. Este trabalho se apóia em uma situação real para transpor um conhecimento que é de grande valia para o meio acadêmico. discorrido fundamentalmente em forma de texto. 20 A apuração da realidade de trabalho na redação da Folha se deu por meio de um estudo de caso que se utiliza.

21 Hipóteses Para Goode e Hatt (1969) apud Gil (1999) hipóteses são proposições que podem ser colocadas à prova para determinar sua validade. . Na formulação do trabalho apresenta-se as seguintes hipóteses gerais: • • O modo de produção da Folha pode ser sistematizado em um método. O método de produção da Folha não é inteiramente restrito ao jornal e possui características aplicáveis a outros suportes.

este acúmulo de conhecimento e experiências adquiridos durante a vida se esvaíam com a morte do indivíduo. Então surgem as pinturas rupestres (Figura 1). Neste ponto surge a necessidade de serem passadas mensagens para posteriores sem ser obrigatória a presença do emissor da mesma. subjugado pela natureza. que desde seu surgimento deu ao homem a possibilidade de transmitir experiências aos seus semelhantes e de aumentar suas formas de aprendizado com as experiências dos outros. baseadas na fala e no conhecimento acumulado por cada indivíduo durante sua vida. Mesmo que esta informação fosse passada verbalmente para seus descendentes. Em um primeiro momento este fato é fundamental para sua sobrevivência e para que ele saia da sua condição de nômade.22 2. representações icônicas da realidade do homem das cavernas. esboçando uma necessidade de comunicação que precisava ser materializada. supondo por exemplo que essa pintura representasse um animal que poderia ser caçado mais facilmente e de que modo ele poderia conseguir caçar esse animal. esta evolução também propiciou a criação de estruturas complexas de sociedade. . FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2. para ser capaz de compreendê-la e modificá-la a seu próprio benefício. Em paralelo.1 A Necessidade da Explicação e o Surgimento da Infografia Uma das principais características da sociedade humana é a capacidade que seus indivíduos têm de estabelecer relações entre si. Um dos principais canais para isto é a fala. ela acabava por se distorcer e perdia sua principal função. Porém.

Decalque da pintura rupestre da Gruta de Altamira. “historicamente”. Entretanto. mesmo que esta nomenclatura só tenha surgido no final do século XX. a não ser que alguém dê a entender isso por meio da escrita (FLUSSER. podem ser consideradas exemplos claros de infográficos. ou manuscritos de Leonardo da Vinci (Figura 3). mas pela razão mais pertinente de que o mundo não é percebido como um processo. Porém este tipo de mensagem precisa ser contextualizada de forma generalista para que possa ser compreendida. não pela razão banal frequentemente sugerida de que a escrita nos permite reconstituir o passado. a escrita é um código generalista. A história começa com a invenção da escrita. Fonte: Museo Arqueológico Nacional de España. aliando suas formas de representação. para uma comunicação mais eficiente. já que é baseado na representação visual de fonemas. 139-140) .23 Figura 1. principalmente quando se deseja transmitir uma mensagem complexa. Este paradoxo levou a humanidade a seguinte solução: mesclar suas formas de transmissão de mensagem. p. 2008. Estas representações evoluíram e culminaram com o surgimento da escrita. Este breve apanhado demonstra como as complexas representações visuais de rituais egípcios em papiros (Figura 2). 2007. enquanto a representação icônica da realidade ao se propor representar determinada situação se torna mais eficiente na transmissão de uma mensagem muito específica.

Estudo sobre o desenvolvimento dos embriões humanos. Inglaterra. Inglaterra.Seção do Livro dos Mortos do Papiro de Hunefer. Fonte: Biblioteca Real do Castelo de Windsor.24 Figura 2. . Leonardo Da Vinci. Fonte: The British Museum. Figura 3.

do inglês informação e gráficos.As principais características de um gráfico são utilizar áreas. tabelas e diagramas. a) Gráficos . aliam texto e imagem (fotografia e/ou ilustração) para revelar o desconhecido e explicar o complexo. para o autor estas especificações ajudam o leitor a estabelecer suas relações e perceber diferenças. de maneira simples. utilizada em jornalismo como complemento ou síntese ilustrativa de uma notícia. 25 De acordo com Leturia (1998) apud Rajamanickam (2005) os infográficos podem sedividir em 4 categorias: gráficos. . já o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa apresenta a seguinte definição: Apresentação de informações com preponderância de elementos gráfico-visuais (fotografia. mesmo que sutis. entre os dados. Segundo Rajamanickam (2005) o ato de produzir um infográfico consiste em construir representações visuais contendo informações sem simplesmente traduzir textos para imagens. também chamadas de Infografias 1. consistentes e precisas utilizando-se de pouco espaço e muitos dados. diferenciar padrões e representar as informações de uma maneira compreensível para o público alvo. Os exemplos a seguir (Figura 4 a Figura 6) são os mais comuns. 1 Segundo Curtis (1991) o termo tem origem na aglutinação de informational e graphics. estabelecer relações entre o conteúdo e as imagens.Estas representações visuais de caráter informacional. O infográfico deve contar uma história e para isso é necessário filtrar a informação.) integrados em textos sintéticos e dados numéricos. desenho. ger. pontos e linhas para fornecer uma visão geral de dados estatísticos. Tufte (2001) afirma que os gráficos devem tornar dados estatísticos em informações claras. mas existem outros tipos de gráficos que variam conforme a necessidade do seu uso. mapas. sintética e com foco no receptor da mensagem. diagrama estatístico etc.

Gráfico Pizza: utilizado quando há a necessidade de indicar divisão de partes e proporções.26 Obama 1. Gráfico de barras sobre a corrida presidencial das eleições dos Estados Unidos em 2008: Utilizado quando há a necessidade de comparações entre dados estatísticos completos. . Fonte: Kzero. Fonte: Folha de São Paulo. Figura 5. 2008.588 Delegados Hillary 1.419 Delegados 255 Super delegados 264 Super delegados Figura 4.

situando determinado local físico. Fonte: Haisam. situar geograficamente. Gráfico Linear.Os mapas (Figura 7) são representações bidimensionais de um espaço tridimensional planificado. como valores por exemplo. b) Mapas . em um mapa.27 Figura 6. elementos como escala e posições relativas de elementos são essenciais para sua principal função. utilizado quando é necessário se cruzar informações de tempo e dados numéricos. . que servem como instrumentos de localização.

Mapa da cidade de Mendonza . Fonte: Website da cidade de Mendonza .28 Figura 7.Argentina: necessários quando se deseja indicar um local físico.

caixas e etc indicando e representando fluxos de informações. setas. 2006.c) Tabelas . as principais vantagens da utilização da tabela é sua capacidade de organizar muitos dados em pouco espaço. levando em conta que para ter efeito na comunicação a tabela deve ser organizada de forma visualmente eficiente. Para mostrar essas informações são utilizados elementos gráficos como.Os diagramas (Figura 9) são representações visuais estruturadas de conceitos. possibilitando um cruzamento posterior de dados. d) diagramas . com espaçamentos entre os dados e títulos. Sua principal vantagem é sua capacidade de síntese e organização de algo complexo como o pensamento humano. para que estes não sejam confundidos. Fonte: Pentax. . 29 Figura 8.Tabela sobre a capacidade de cartões de máquinas fotográficas digitais: Utilizadas para comparação rápida de informações. fornecendo parâmetros para acompanhar e estruturar o entendimento em relação ao assunto abordado. processos e raciocínios.As tabelas (Figura 8) são representações matriciais (dados dispostos em colunas e linhas) com a finalidade de apresentar informações rapidamente.

Diagramas descrevendo os principais movimentos de Design: Utilizados para disposição de conceitos. Fonte: MALOFIEJ.30 Figura 9. precisão . 2007. uma vez que as informações realmente interessantes são quase sempre multi-variáveis os infográficos devem trabalhar em duas ou três dimensões de informação (espacial. temporal e geográfica).2 Método de Tufte Para Tufte (1997) infográficos são representações gráficas narrativas. 2. processos e raciocínios. que se utilizam de dimensões de informação representadas visualmente para contar uma história. Um bom infográfico consegue comunicar idéias complexas com clareza.

Como elementos secundários eles devem ocupar um nível inferior favorecendo a clareza da informação primária (Figura 10). destaques e preenchimentos devem ser utilizados de maneira que não ofusquem a verdadeira informação que se deseja transmitir. Fonte: Visual Explanations.1 A Importância dos Detalhes Os elementos estruturais de um infográfico como linhas. sombras. linhas pontilhadas. marcadores. . malhas. escala.2. com o mínimo de ruído visual em espaços reduzidos. 31 2. movimento e hierarquia visual para gerar uma profundidade de informação. códigos. rosas dos ventos. distância. que consiste evidenciar em primeiro plano tal informação de forma que ela fique mais distante do que outra conforme a intenção do designer. setas. Para isso deve-se apoiar em alguns princípios básicos que forneçam ao leitor um grande número de idéias em um curto espaço de tempo. Linhas mais finas na segunda imagem colaboram interferindo menos na imagem se comparada a primeira imagem.e eficiência. Figura 10. caixas. legendas. utilizando-se de recursos universais da sintaxe visual como: figura e fundo. 1997. O autor ainda reforça que a excelência de um infográfico é quase sempre multivariável e um bom infográfico pressupõe mostrar fielmente os dados.

Tal noção de paralelismo é fundamental para conectar os elementos visuais e transmitir ao leitor sensações de antes/depois.2. alto/baixo. Uma vez visto um dos elementos de um infográfico todos os outros se tornam acessíveis posteriormente. com/sem. . 2007.2 Paralelismo O pensamento humano baseia-se em quantidades estimadas tempo e espaço. O infográfico estabelece relações de altura de cada estado com a quantidade de hipotecas em cada estado para fornecer paralelos que permitem ter uma noção maior da quantidade. muito/pouco (Figura 11) e etc. Figura 11. Fonte: The New York Times. as mesmas são melhor compreendidas quando relacionadas com parâmetros já conhecidos. por conseqüência referenciais de comparação para os posteriores.32 2.

mudanças de padrões e elementos importantes para transmitir a informação. fornecendo parâmetros para a comparação direta.2. Figura 12. 2008. esta repetição colabora ao evidenciar o que mudou da etapa anterior do eclipse para a próxima.3 Múltiplos no Tempo e Espaço Imagens múltiplas revelam repetições.33 2. que possui etapas com características distintas. A repetição da lua indica sua coloração e mudanças na sua aparência ao decorrer do eclipse. criando listas visuais de objetos e atividades. Os múltiplos ajudam a representar e a narrar um processo. . comparar e diferenciar como no exemplo a seguir (Figura 12). nomes e ações que auxiliam o leitor a analisar. Infográfico “Total Lunar Eclipse” sobre o eclipse lunar. Fonte: Larry Koehn.

também. mostra a baixa do exército de Napoleão. Fonte: Visual Explanations. 2.34 2. e a causalidade é apresentada com o tempo. que as tropas diminuíram severamente quando tiveram de atravessar um rio durante o inverno. O gráfico de Minard (Figura 13) mostra claramente o número das tropas de Napoleão diminuindo conforme se moviam na direção leste. Figura 13. mais soldados morrem.4 Causalidade Um infográfico deve sempre procurar explicar o motivo de algo acontecer daquela forma. quantitativa ou a combinação destas.3 Método de Rajamanickam Rajamanickam (2005) propõe alguns passos para a produção de infográficos à partir da clasificação do tipo de informação que está tentando transmitir em: espacial. O gráfico mostra. Ao compreender o tipo de informação deve-se escolher a forma mais adequa- .2. a temperatura e a geografia do local: conforme o frio aumentava.O gráfico de Minard. cronológica. 1997.

Geralmente em sites que são narrativos. mapas e gráficos). mudanças e a organização de quantias no espaço. Diagrama 1. Exposição: Mostra detalhes de um ponto de vista normalmente não possível para o olho humano. como cortes e etc. processos. Processos: Mostrar as interações passo a passo através de espaço e tempo. mapas. 2005. animado (Video ou animação). Gráficos Fluxo: Mostra as mudanças de magnitude sobre o tempo. instrutivos. diagramas expositores e etc. ações e relações de causa. Sequência: Mostra a suceção de eventos. Tipo de Dados Diagramas Ícone: Mostra a realidade visualmente simplificada. Animado Informação apresentada progressivamente em uma sequência lienar. Gráficos de Jornal. Linha do Tempo: Mostra a Progressão Cronológica. ou interativo (geralmente usado na internet). Esquemáticos: Mostra representações abstratas de geografia. Dados: Mostra informação quantitativa em relação a geografia do local. manuais de instrução. Fonte: Infographics Seminaar Handout. Mapas Locação: Mostra a localidade de algo em relação a outra coisa. . Interativo Informação de acordo com as escolhas que o usuário fizer. Barras: Mostra comparações proporcionais de magnitude. Tipo de Informação Espacial Informações que descrevem posições e relações espaciais em uma locação física ou conceitual 35 Cronológica Informações que descrevem posições sequênciais e relações causais em uma linha de tempo física ou conceitual Quantitativa Informações que descrevem escalas. simulativos ou exploráveis. tempo ou ambos. Infográ co Meio de Comunicação Estático ÍToda a informação apresentada de uma vez. ou sequências. O diagrama (Diagrama 1) representa visualmente o processo de criação de um infográfico. Pizza: Mostra a distribuição das partes de um todo. Diagrama traduzido de Venkatesh Rajamanickam sobre o processo de desenvolvimento de um infográfico. Organizacional: Mostra as partes de uma estrutura e a relação entre si. Animação ou sobreposição de gráficos em vídeo. proporções. Existe ainda um passo após a produção do infográfico que é a escolha do meio em que o infográfico será veiculado que pode ser estático (papel ou tela do computador).da de apresentar os dados (diagramas.

Tornar Visível. O infográfico representando um acidente de trem (Figura 14). Definir o Contexto. os infográficos obedecem a casos específicos que podem ser melhor explorados. o mais importante e difícil estágio na criação de qualquer infográfico. Cabe neste momento ponderar que o autor em suas proposições as trata de maneira sucinta. Figura 14. o que difere do objetivo deste tarbalho que explora um método mais aprofundado de produção. 36 2. representa a colisão de dois trens causada por um automóvel vindo de uma estrada próxima. Redundância. Simplificar.Todavia. por exemplo. Comparar e Diferenciar. Mostrar Causa e Efeito. Anatomia de um acidente. para isso o autor apresenta também 9 passos para a produção de um infográfico: Organizar.3. .1 organizar Organizar toda a informação disponível e planejar como representá-la é o primeiro. 2005. Criar Dimensões Múltiplas e Integrar. Fonte: Jornal El Pais.

além de outros fatores como a ordem cronológica dos acontecimentos e os objetos envolvidos. ilhas Marshall. distância. direção.Mapa de varetas. para representar visualmente a distância entre as ilhas. Estas informações devem ser organizadas com a quantidade correta de detalhes e ênfase para que o leitor compreenda o acidente. porcentagem. é necessário trabalhar com informações de diferentes áreas do conhecimento humano como: a geografia para descrever o local. são melhor compreendidos quando apresentados graficamente. onde ficam e a direção das mesmas. Figura 15.2 Tornar Visível Os pescadores das ilhas Marshall tem usado por séculos mapas feitos com varetas de bambu amarradas (Figura 15). Dados numéricos relacionados a quantidade. entre outros.Para explicar tal fato. a física para justificar a causa. 37 2. Fonte: Infographics Seminaar Handout. 2005 .3.

a vista está mais próxima dos objetos. .3 Definir o Contexto Utilizando novamente o exemplo do infográfico sobre o acidente dos trens (Figura 14) . O infográfico do jornal The New York Times que mostra a propagação do vírus SARS (Figura 16) exemplifica a importância do princípio da simplicidade no aspecto visual do mapa e no uso de cores. já na segunda.38 2. se afasta e por meio disto é estabelecida a diferença na escala da colisão.4 Simplificar Representações simples e objetivas são mais fáceis de se interpretar. tornando compreensível o fato de que o acidente foi causado por um veículo pequeno.3. A vista superior foi selecionada devido à estrada e os trilhos por serem componentes essenciais para a compreensão do acidente. Durante a primeira colisão. definir um contexto começa por representar graficamente o local do acontecimento para que o leitor obtenha noção do espaço. 2.3. já que o usuário se distrai facilmente com objetos desnecessários contidos na peça gráfica.

Como o vírus SARS se propagou. . em uma representação simples e suficiente para transmitir a mensagem. 2005. secundários e terciários do vírus. As cores são utilizadas para indicar os propagadores primários. O infográfico mostra a propagação de país a país. Fonte: Jornal The New York Times.39 Figura 16.

de forma a não cansar o leitor.3. senão nenhuma. O objetivo de adicionar redundância é reforçar informações importantes. algo redundante adiciona pouca. como por exemplo um semáforo (Figura 17). Pare (Alto) Primeira Lanterna Atenção(Meio) Segunda Lanterna Siga em(Baixo) Frente Terceira Lanterna Figura 17. Entretanto. Redundância é o oposto de informação.5 Redundância É um conceito que emergiu da teoria da informação para comunicação. Padrão do sistema de semáforos brasileiros Fonte: Própria . informação para a mensagem.40 2. que controla o tráfego de veículos por meio da cor das luzes mas também utiliza a posição destas para reforçar a mensagem. a quantidade de redundâncias utilizadas em uma mensagem deve ser a menor possível.

Are Reward Cards for you? Fonte: Infographics Seminaar Handout. Isto ajuda o usuário a fazer uma rápida comparação visual do volume de pessoas infectadas por diferentes países. o usuário procura informações para examinar a causa de tal. O diagrama da decisão (Figura 18).41 2. mostra a causa e o efeito levando o leitor por caminhos determinados de acordo com suas decisões.3. apresentando-o as conseqüências. existem comparações por meio do uso de um código de cores que diferencia infecções primárias.7 Comparar e diferenciar Comparações e diferenciações facilitam a compreensão de informações. por exemplo. Pontos são usados para indicar o número de pessoas infectadas.3. 2005 2.6 Mostrar Causa e Efeito Na tentativa de compreender alguma situação. . secundárias e terciárias. No infográfico do jornal The New York Times sobre a propagação do SARS (Figura 16). Figura 18. Diagrama da Decisão.

nele as ilustrações indicando a produção na Ásia. 2. latitude.42 2. direção em que o exército se movia. relacionam vários acontecimentos que acontecem de forma sequencial apresentando-os de uma única vez interelacionados de uma maneira atrativa para o leitor. temperatura e data. a descarga e distribuição. Numa só folha de papel.3.8 Criar Dimensões Múltiplas No gráfico de Minard (Figura 13) a respeito do avanço do exército de Napoleão sobre a Rússia.9 Integrar É importante apresentar dados coerentes.3. Pode-se verificar esta integração no infográfico “O rio de bens que chega pelo porto” (Figura19). longitude. Isto é feito de tal modo que a compreensão total do assunto não seja feita apenas com a leitura da parte textual e muito menos só com a observação da parte ilustrativa do infográfico. então é necessário evitar referências à figuras e exemplos no texto. é possível notar seis dimensões: o tamanho do exército. com estas todas reunidas em um apêndice. informações de comparação devem estar lado a lado. A integração entre os elementos gráficos e textuais é o que diferencia um texto com imagens de um infográfico. Minard foi capaz de transmitir toda a informação necessária para representar detalhadamente a mal sucedida marcha de Napoleão rumo à Rússia. armazenagem no container e despacho por navio. o conteúdo deve possuir continuidade integrando as informações visuais com as textuais e não uma quantidade grande de texto separada de todas as figuras. .

43 Figura 19.Infográfico “Rio de bens que chega pelo porto”: a informação é melhor assimilada com a total integração dos elementos do infográfico. 2007. Fonte: MALOFIEJ. .

o que leva muitos editores a substituírem algumas matérias pelos infográficos.org/eyetrack2004/history. pesquisadora do Poynter Institute. Porém os elementos de uma matéria não devem competir. até então tudo era construído manualmente. no entanto a infografia só veio a se popularizar no jornal impresso na década de 80 com o USA Today que além No Brasil o primeiro jornal a tratar de fato a infografia como ferramenta foi a Folha de São Paulo. o primeiro diário inglês. Por meio de câmeras e sensores dados como piscadas e movimentações dos olhos são documentados e analisados posteriormente. o que até então existia na área. que já no fim dos anos 80 começou um investimento maciço em informatização trazendo os primeiros computadores Macintosh com softwares gráficos à sua redação. de introduzir a infografia inovou com o uso de ilustrações. Muitas vezes esses elementos mostrados no infográfico não são descritos com tantos detalhes na reportagem. no The Daily Courant. htm . o primeiro exemplo de infográfico usado em jornais data de 1702. que mostram que os leitores procuram as imagens e os infográficos primeiro.versa. afirma que infográficos são uma combinação de palavras e elementos visuais que explicam os acontecimentos descritos na matéria e situam a história e seus elementos em um determinado contexto. O infográfico não deve ser considerado mais importante que o texto redigido ou a fotografia e vice. esses estudo realizado pelo Poynter Institute definiu os parâmetros do Design Jornalístico nas últimas décadas http://poynterextra. Flórida. dentre as demais informações do jornal. Os computadores chegaram e expandiram as possibilidades dos infografistas. por possuir estas características se tornam um elemento muito atraente nas páginas do jornal. vem realizando periodicamente estudos de Eye-Tracking2 com leitores habituais de jornal. Petersburg.4 Infografia Jornalística Segundo Tavejnhansky (2005). Stark (2004). 2 Eye Tracking é um estudo que consiste na observação do movimento da íris do indivíduo no ato de leitura de um jornal. O Poynter Institute for Media Studies de St. fotografias em cores.44 2. por isso ele é necessário para tornar a informação mais clara e atrativa.

os infográficos devem ter o caráter investigativo de uma reportagem tratando do quê. onde. 45 . por quê e por quem. quando. Em um jornal. como. porém utilizando representações visuais como linguagem.os elementos devem se complementar e interagir para que os fatos sejam transmitidos da melhor maneira possível.

que forneceu materiais e meios para a observação do processo. que trabalha para a Folha como infografista desde 1997. 2001).1 Estudo de Caso: A produção de infográficos na Folha de São Paulo O estudo de caso é um método de pesquisa de caráter exploratório que implica na realização de uma análise de um ou poucos objetos. este trabalho se enquadra como um estudo de caso segundo os autores citados. juntamente com o andamento da revisão de literatura que fomentou a compreensão do assunto. no intuito de formular questões mais precisas que possam nortear estudos posteriores (GIL.46 3. 1991. Nesse trabalho são adotadas as cinco etapas propostas por Wimmer e Dominick (1996) para a elaboração de um estudo de caso: a) Planejamento – Nesta etapa foi firmado contato com Marcelo Pliger. . que possibilite um conhecimento mais detalhado do objeto. A principal finalidade desse método de pesquisa é proceder a uma investigação ou caracterização mais ampla e aproximativa. ou analisar eventos sobre os quais a possibilidade de controle é reduzida ou quando os fenômenos analisados são atuais e só fazem sentido dentro de um contexto específico. Neves (1996) complementa que o estudo de caso é o método mais recomendado quando se procura saber como e porque certos fenômenos acontecem. Baseado nas características levantadas anteriormente. porém de forma mais aprofundada. YIN. designer gráfico. Metodologia da pesquisa 3. mediante o qual se buscou identificar detalhes do modo de produção de infográficos da Folha para servir de subsídios para a elaboração de um método.

isto explica a ocorrência de algumas etapas em paralelo. Entrevista em profundidade semi-estruturada. na visita à redação. 47 d) Análise da Informação . a partir da pesquisa histórica sobre a Folha de São Paulo e do material pré existente sobre o ofício da infografia em sua redação . sendo difícil traçar uma linha divisória precisa entre as mesmas. Neste caso os artefatos são os infográficos produzidos pela equipe impressos em jornal ou em arquivos digitais. É importante ressaltar que Duarte apud Duarte & Barros (2005) complementa que independentemente do número de etapas fixadas para o desenvolvimento do estudo.c) Coleta dos Dados – Realizada juntamente com a etapa anterior. para isto foram utilizados quatro modos principais para obtenção da informação: • • • • Documentação. Observação direta do modo de produção. são evidências que podem ser observados como parte do estudo. Os dados foram analisados comparando as informações obtidas na entrevista com a observação direta. que no modelo proposto pelos autores.Foi realizada a análise dos dados coletados nas etapas anteriores. a partir da observação do trabalho da equipe de infografia in loco.Neste trabalho esta fase é executada e apresentada em conjunto com a etapa anterior. e) Redação do Relatório . . a fase de coleta de dados tem por objetivo recolher o máximo de informações possíveis. b) Estudo-Piloto – Realizou-se um visita a redação da Folha para constatar possíveis falhas no planejamento e organizar sistematicamente o estudo. Marcelo Pliger. todas elas se sobrepõe em diversos momentos. Artefatos.

Não existe um material que oriente a produção de infográficos. O crescimento foi resultado das características editoriais do jornal: pluralismo.1 Hipóteses do estudo de caso • • • • Há tratamentos distintos de linguagens para cada caderno do jornal. bem como sobre o ambiente onde ocorre o estudo. setas. Organizado em cadernos temáticos diários e suplementos. foi estruturado um projeto preliminar.48 3.1 Planejamento Neste momento procurou-se aprofundar os conhecimentos sobre o assunto. tipografias e demais elementos) do que práticos para a produção de infográficos. a redação da Folha de São Paulo.2 A Folha de São Paulo Para situar. no qual foram descritas hipóteses em relação ao método de produção de infográficos na Folha. contextualizar e servir de suporte para uma análise prévia do ambiente onde se dá o estudo.1. 3. apartidarismo. Fundada em 1921.1. Por meio da literatura relativa ao caso. foi elaborada uma pesquisa sobre a história da Folha de São Paulo. 3. tornou-se na década de 80 o jornal mais vendido no país .1. A velocidade de produção se apóia em elementos mais técnicos (elementos pré estabelecidos como boxes. tem circulação nacional. . jornalismo crítico e independência. fundamentados na observação de infográficos dos exemplares do jornal. O trabalho da infografia se dá em uma linha de produção na qual cada infografista elabora uma parte do infográfico.1.1. já citada anteriormente em outras etapas deste trabalho.

mapas. produzidas na redação. divertir e surpreender o leitor. O sistema de manejo e expedição dos jornais é totalmente automatizado. “Libération” (França) e “DieZeit” (Alemanha). Massimo Gentile e Melchiades Filho. O Design sempre ocupou uma posição de destaque no jornal. são digitalizadas e transmitidas por fibra ótica a gráfica localizada em Tamboré-SP. Mas o ponto que torna clara a preocupação com o Design é no próprio projeto gráfico do jornal. fazendo um jornal que ofereça reportagens relevantes. quando computadores Macintosh passam a ser empregados na editoria de Arte para auxiliar na elaboração destas peças gráficas foram cruciais para consagrar a Folha como um dos maiores jornais brasileiros. o projeto levou em conta as mudanças nos hábitos de leitura. na época. tabelas. com capacidade de imprimir 16. Mudanças gráficas como a organização do noticiário em cadernos temáticos. quadros. ou na posição que editoria de arte ocupa fisicamente na redação: “vizinhos” da editoria-chefe. 49 A partir dos anos 80 o projeto gráfico passou a ser coerente com as remodelações dos padrões de comportamento profissional e editoriais. coordenada pelo editores. entre outros. O objetivo do novo projeto é informar. introduzida em meados da década de 90.640. Segundo García (2006). A versão mais recente do projeto gráfico data de 2006 e foi elaborada pela equipe de artistas gráficos do próprio jornal. sobretudo após a expansão da internet. organizada em um sistema de ilhas para cada caderno que facilita o fluxo de trabalho e comunicação entre os cadernos. desde os anos 80. gráficos e ilustrações. O projeto teve consultoria do designer americano Mario García. seja na disposição da própria redação. “As pessoas estão cada vez mais seletivas em relação àquilo que vão ler. . em entrevista à Folha de São Paulo. no centro da cidade de São Paulo. responsável pelo redesenho dos jornais “The Wall Street Journal”.A Folha é hoje o jornal brasileiro de maior tiragem e circulação. Possui um dos maiores parques gráficos da América Latina. As páginas da Folha. editadas de maneira criativa”. e a utilização intensiva.000 páginas por hora.

que ocorreu em paralelo com a pesquisa bibliográfica. constatou-se que o fluxo de trabalho acontece de forma individual e existe um manual que normatiza. mas não limita.2 Estudo Piloto A partir da confirmação do apoio foi agendada uma visita. neste contato inicial ele recomendou uma bibliografia básica sobre o tema. chegou-se ao portfólio virtual de Marcelo Pliger. 3. a produção de infográficos.1. no qual imaginava-se um método de produção em série por parte dos infografistas e a inexistência de um material que orientasse a produção da infografia no jornal.3 Contatos para o trabalho de campo Por meio de uma pesquisa realizada na internet. Desde o primeiro momento Marcelo se mostrou muito solícito e disposto a colaborar no que fosse necessário para a pesquisa.3 Coleta de Dados O objeto de estudo se caracteriza como um processo. pois na visita se refutaram algumas hipóteses. Este dado é interessante. . podendo influir de maneira considerável no resultado final. 3. A entrevista foi realizada na própria redação do jornal em Maio de 2008.50 3. como por exemplo: o fluxo de trabalho. que foi realizado via email.1. Na redação da Folha. Para identificar o método de trabalho da equipe de infografia na Folha de São Paulo foi realizada uma entrevista em profundidade com Marcelo Pliger. onde há uma parte direcionada ao contato.1.1. por isso cada detalhe que possa ser percebido em seu desenvolvimento é de extrema importância. o que permitiu uma observação do fluxo de trabalho in loco.

subtítulos. utilização de elementos visuais pré estabelecidos pelo projeto gráfico bem como a espessura de linhas em gráficos e localização de títulos. O Manual de Infografia faz parte do material produzido para o novo projeto gráfico da Folha. Estas definições são detalhadas e abrangem: paleta de cores. já que se trata de um material de uso interno do jornal foram fornecidas apenas algumas imagens do mesmo. porém durante a visita obteve-se acesso ao material por completo e foi levantada a seguinte hipótese: este manual está mais relacionado ao estilo e unidade visual que o infografista deve seguir não abordando aspectos teóricos da produção. Este material traz definições quanto ao estilo gráfico que deve ser adotado como pode-se ver a seguir (Figura 20 a Figura 23).51 3. implantado em 2006. Por motivos de segurança.1 documentação O Manual de infografia Folha A produção de infográficos segue uma padronização. . legendas e tipografias.1. Algumas dessas diretrizes são definidas pelo Manual de Infografia da Folha. combinações possíveis e recomendadas destas cores.3.

2006. Fonte: Manual de Infografia Folha de São Paulo. . mapas e outros usos.52 Figura 20. gráficos. Paleta de Cores e seus grupos de uso: Esquemas.

Cores para gráficos: Temas subdivididos entre as áreas de economia. 2006. estatística e esportes.53 Figura 21. Fonte: Material de uso interno Folha de São Paulo. .

balões e especificações quanto ao seu uso. Elementos gráficos: Ícones. 2006. .54 Figura 22. Fonte: Manual de Infografia Folha de São Paulo.

2006.1.3. Linhas: como utilizar linha e qual sua espessura definida para gráficos estatísticos. .2 Entrevista em Profundidade A entrevista em profundidade semi-estruturada é um método qualitativo de coleta de dados. que visa obter do entrevistado informações objetivas e subjetivas relevantes ao estudo. Fonte: Manual de Infografia Folha de São Paulo. 3. Este modelo de entrevista caracteriza-se por não utilizar um questionário para obter dados e sim de um roteiro no qual o diálogo transcorre de forma livre no tema proposto.55 Figura 23.

designers. fator importante que comprova o amadurecimento e a solidificação do modo de trabalho. levando em consideração o ponto de vista do entrevistado a respeito do processo de produção. como são chamados dentro do jornal são produzidos pela equipe de infografia. para fundamentar a produção do método com dados relevantes da realidade da qual ele foi extraído. Uma equipe multidisciplinar. Na equipe há jornalistas. que é o grupo de pessoas na editoria de arte dedicadas apenas a este ofício. Todos fazem ou já fizeram alguma pós-graduação na área. mas a ênfase do trabalho na redação é calcado na prática. A editoria é formada não só por infografistas mas também diagramadores e ilustradores. Para o entrevistado uma parte considerável das pessoas que trabalham com este ofício aprenderam a fazer infográficos empiricamente. A equipe tem uma alta rotatividade de pessoal mas grande parte está no jornal . O entrevistado ainda afirma que existem livros que esboçam algum estudo no intuito de se criar um manual de “como fazer infográficos” mas que na prática a visão que estes materiais oferecem diferem muito e se tornam distantes do seu objetivo.O objetivo principal desta entrevista foi compreender como funciona o fluxo de trabalho de um infografista na redação da Folha. o que vêm a somar para o trabalho da equipe. mas de alguma forma envolvida com o Design academicamente. A relevância do meio acadêmico para o trabalho da infografia no jornal de for- há mais de 10 anos. e por conseqüência acabaram cada um criando seu próprio método. arquitetos. 56 A equipe de infografia Os infográficos ou “infos”. ma alguma é desconsiderada. publicitários entre outras formações. Marcelo expôs um panorama geral do perfil do profissional de infografia na Folha.

Ele Os infografistas têm como material para produzir os infográficos o banco de imagens vetoriais. o software condiciona o meio de produção mas não limita. Além disso a migração é necessária pois o software Macromedia Frehand saiu de linha e se tornará cada vez mais raro achar profissionais que trabalhem com esta ferramenta. Alem disso pode-se recorrer ao acervo da Agência Folha de fotografia. A Folha provém equipamentos sempre atualizados para uma maior eficiência de sua produção. utilizado desde os primórdios da implantação dos computadores na editoria. uma premiação específica da área para a qual todo ano são enviados centenas de trabalhos de todo o mundo. acredita que a migração será positiva e trará melhorias para o trabalho da equipe. para o Adobe Illustrator que é um software mais completo e atual. Segundo Marcelo. produzido por eles mesmos para agilizar o processo. Este banco contém mapas. Os softwares utilizados são o Macromedia Freehand MX para imagens vetoriais e o Adobe Photoshop para imagens em bitmap (fotografias e demais). 57 As ferramentas de produção Para a produção de infográficos é utilizado basicamente o computador. Os premiados são publicados em um anuário que acaba servindo de referência para os profissionais da área. ilustrações entre outros elementos gráficos vetoriais necessários para a produção de uma peça. . Marcelo comenta uma dificuldade atual da equipe: migrar de software do Macromedia FreeHand. A plataforma utilizada é a Mac/Apple muito familiar aos profissionais ligados a esta área.Quando questionado sobre a evolução técnica da práxis da infografia Marcelo cita o prêmio MALOFIEJ. uma das maiores deste ramo no país.

infográficos. o nome de quem está fazendo e um código em uma planilha para ter controle de quem produz o quê. 3 Editor responsável pelo fechamento da edição do Jornal c) Infografista .Pela manhã o “fechador3” comparece à reunião dos editores. na qual é definido o assunto do jornal do próximo dia e um repórter ou um redator solicita por meio de um arquivo de texto. às vezes conversa com o repórter ou redator sobre a melhor maneira de elaborar o infográfico e escolhe um infografista da equipe para fazer o trabalho. . ou mapas e ilustrações. Anota o nome do trabalho. pois evidencia detalhes que permitem transpor um método empírico em um material de valor acadêmico. b) Peneira do fechador. Nesse arquivo de texto também contém as informações necessárias para se produzir as peças.O infografista recebe os dados e as informações e faz o infográfico. As vezes ele mesmo tem de conversar novamente com o redator ou repórter ou fazer pessoalmente alguma pesquisa.O “fechador” lê esses dados. ou tabelas. Figura 24.Fluxo de Trabalho da Infografia na Folha de São Paulo Fonte: Própria a) Solicitação .58 O fluxo de produção Este fluxo representado graficamente a seguir (Figura 24) é fundamental.

i) Espaço dos anúncios .Normalmente o infografista corrige e imprime de novo o infográfico. j) Terceira revisão .Por volta das 20h. e) Revisão .O infográfico é impresso com o nome do autor e o tamanho.d) Pré-Impressão . h) segunda correção – O infográfico é novamente corrigido. Normalmente o infográfico. nova impressão. um diagrama que indica onde entrarão os anúncios no jornal. com todas correções feitas o infografista gera um EPS e joga o arquivo em um diretório para que o diagramador que está montando a página tenha acesso. principalmente os maiores. nova revisão e correção. além do bom senso do profissional para compor uma peça gráfica de qualidade. e para atingir esse objetivo os pontos determinados pelo Manual de Infografia da Folha ajudam e agilizam o trabalho.Nesse momento chega o “espelho”. .O redator que solicitou o infográfico revisa a peça e retorna o impresso com correções. Não é raro ele acompanhar pessoalmente a correção. k) Exportação do arquivo . o processo de produção Para Marcelo um bom infográfico é aquele que se faz compreender pelo leitor facilmente. 59 f) Correção . g) Segunda revisão .Com o tamanho adaptado. tem de mudar de tamanho para se adaptar ao espaço reservado na página.O redator mais uma vez confere o impresso corrigido e geralmente repassa para outro redator conferir também.

3. perto do horário de fechamento do jornal que ocorre aproximadamente às 20h. feita em um local reservado.O entrevistado ressalta a importância dos princípios básicos da sintaxe visual para a produção de um bom infográfico. espontaneamente. O tempo é um fator determinante e não é raro de última hora o jornal sofrer reviravoltas em sua edição e mudar tudo. ele então recorreu a um banco de imagens na internet e gerou uma solução. Em determinado caso citado pelo entrevistado. Quando questionado se as linguagens dos infográficos diferiam entre os cadernos do jornal Marcelo explica que há um consenso sobre isto mas não de forma explícita e geralmente o infografista se guia pelo próprio teor do caderno ou da matéria. de interesse nacional.1. após a entrevista. como a hierarquização da informação. os profissionais envolvidos. ocorreu determinado evento. 3. retornou-se para a redação onde foram mostrados detalhes do fluxo. mas isso apenas em infográficos de valor menor dentro da edição. Em acordo com os autores. Os infografistas tem autonomia para dar a linguagem adequada a parte textual do infográfico.3 Observação Direta Para Lakatos e Marconi (1991) a observação direta é feita no ambiente real. o Manual de Infografia da Folha. Não havia imagens no banco relativas ao assunto necessário e faltando apenas 30 minutos para o fechamento do jornal. registrando os dados à medida que o processo for ocorrendo. o banco de imagens e o rascunho do . Esta falta de qualidade é justificável por causa do alto custo de produção que uma impressão de qualidade teria para um material tão volátil. para os infográficos principais costuma-se consultar os editores. quando o texto não “casa” completamente com a informação. 60 A fidelidade do processo de impressão do jornal é pobre e costumeiramente acontecem alterações de cor e falhas de registro. e novas matérias e novos infográficos tiveram que ser produzidos para cobrir este evento. como: o funcionamento dos softwares. composição entre outros.

Os infográficos em sua maioria são uma combinação de ilustrações vetoriais com fotografias. ou apenas vetoriais. como o surgimento de uma nova manchete de extrema relevância ou então um novo anúncio. tornam palpáveis elementos que complementam a entrevista em profundidade por inferirem diretamente na produção dos infográficos.jornal. a forma de disposição das editorias e o bom relacionamento que existe dentro da equipe de infografia e o desenvolvimento de um infográfico feito por Marcelo. O principal motivo deste fato é a praticidade e a versatilidade da imagem vetorial. observar o local de trabalho. 61 Esta etapa do estudo contribui ao evidenciar dados informais a respeito do objeto de estudo. o já citado anteriormente “espelho” e as demais ferramentas de produção. pois é comum redimensionamentos e substituições de cor. . Este horário é flexível e pode se estender caso haja alguma alteração no jornal próxima do horário de fechamento. funcionamento da editoria de arte O horário de trabalho na redação é das 15 horas até o fechamento do jornal que geralmente ocorre entre 20 e 21 horas. O bom relacionamento da equipe ajuda a amenizar esta pressão do trabalho e se reflete na produção. o que ocorre tranqüilamente quando a imagem é desta natureza. Os infográficos da Folha têm como peculiaridade um caráter mais descontraído sem perder a seriedade que o meio pede. além do aumento da velocidade ganho em todo o processo de produção e minimização das falhas de impressão por ser um tipo de representação gráfica mais simples.

Detalhe do computador com a tela do software Freehand em execução no momento da produção de um infográfico.62 Figura 25. Bancada de trabalho da equipe de Infografia na redação da Folha. . Figura 26.

cite a fonte”. são raros casos em que estes profissionais trabalham em conjunto para a produção de um infográfico. 3. para a correção. 63 No quesito que tange ao conteúdo do infográfico. após receber a informação sobre a qual o se trata o profissional geralmente cruza-se algumas fontes de informação. Alguns cartazes distribuídos pela redação alertam “Na dúvida. que apontam possíveis mudanças. Durante esta etapa de desenvolvimento o infografista imprime algumas provas do infográfico para ter uma noção melhor do que está produzindo e mostra este produto para os editores responsáveis. Quanto à produção do infográfico. pode-se perceber que ao refinar esta informação o infografista dá início ao processo de desenvolvimento prático do infográfico. Após estas mudanças o arquivo é salvo e enviado para o sistema.3. mas geralmente este trabalho é feito por apenas um profissional. complementando a entrevista em profundidade e a observação direta. que será utilizado pelo diagramador. . Para isto ele tem acesso ao acervo do próprio jornal. é fato que. a internet e se necessário o infografista vai até o local do ocorrido. Dependendo da complexidade do infográfico o “fechador” pode designar mais de um infografista para produzi-lo. Em alguma etapa do processo para facilitar seu próprio entendimento a respeito do assunto o infografista pode fazer um rascunho a mão do fluxo do infográfico. Caso detecte alguma inconsistência na informação reporta ao próprio editor que lhe solicitou o material. no qual se utiliza dos recursos do computador para estruturar o infográfico.1.4 Artefatos Os artefatos são fontes de evidência que fomentam a etapa de levantamentos de dados. acessando os bancos de imagens e vetores. caso necessário. A fidelidade dos fatos é algo muito estimado no meio jornalístico e algumas gafes podem ser fatais para a imagem do jornal como empresa. As peças foram fornecidas por Marcelo Pliger.Apesar da equipe de infografia ser formada por 10 pessoas.

O desenvolvimento e produção do infográfico “Matemática de Campanha” (Figura 27) por Marcelo Pliger. 64 . Os outros infográficos “São Silvestre” (Figura 28) e “Acidente em Congonhas” (Figura 29) foram premiados no MALOFIEJ 2006. foi acompanhado durante a etapa de observação de campo na data da visita.

. Fonte: Folha de São Paulo.65 Figura 27. Infográfico “Matemática da Campanha” sobre a disputa Presidencial da Casa Branca. 2008.

. novas tecnologias. BRIGADEIRO LUIZ ANTÔNIO Cemitério da Consolação Dica: A temível Brigadeiro começa com aclive 14 km acentuado.... Nãoexistepremiação. em 2006. “Tenho um bom nível de treinamento. Faça alongamento e beba água Dica: Até a mais paulistana das provas sofre com engarrafamento. Prepare-se para o trecho final Largo do Paissandu 11 km 720 m Al ... é acentuada nos primeiros 150 m.O prêmioé temum corpo saudável. 31 DE DEZEMBRO DE 2007 Bruno Miranda/Folha Imagem ef Afestaé muito bonita..00 O númerode atletasidosos cresceem progressãogeométrica.. vice-campeão em sua faixa etária na Volta da Pampulha. MARTA 6 km 751 m HR. é exemplo de um movimento comprovado pelas marcas da São Silvestre. dieta balanceada. S. IPIRANGA 3 km 750 m Pça.. Aos 84 anos. é o mais velho inscrito. como o Teatro Municipal.... Mas só use o gel se estiver habituado Dica: O viaduto é um teste para ver quem está com energia. e o asfalto se alterna com paralelepípedos. As provas estão cada vez mais disputadas”...... Aí passei a correr 5km. ia ar M R. masmuitofelizporque conseguiucruzara linhadechegada CARLOSMARCHETTI corredor de 84 anos.. o corredor pena com novos rivais. Na São Silvestre-2006....... O pior já passou. São 20 mil largando. pois o desgaste poderá ser sentido mais à frente Hospital Pérola Byington Idade não pesa para quem corre na São Silvestre Sol entre nuvens. Masculino 1h25min23s Feminino 1h35min58s Fonte: Folha de São Paulo. Também continua trabalhando em sua oficina.. queda da mortalidade infantil e na prática de atividades esportivas.. Cada vez mais os idosos brasileiros se dedicam a atividades físicas. estará na Paulista novamente.. Máx. Marchetti treina por cerca de uma hora e meia três vezes por semana.. virilha e mamilos para evitar assadura por conta do atrito durante a prova Camisa: Leve.. a ul Pa Pça.. Na categoria até 29 anos.. Embora curta. NORMA GIANOTTI 5 km l be Isa sa ce in Pr a. Não exagere na aceleração. No ano passado. os veteranos cumpriram o circuito em 1h33min44s.. A prova feminina foi pior. mas de forma bem menos significativa (44s para mulheres e 9s para homens).. Figura 28... Seu corpo. entre outras.. Essa é minha segunda São Silvestre. Carlos Marchetti é um exemplo dos efeitos desse novo ingrediente na vida dos idosos. no entanto. Amaral Gurgel 782 m 13..9 anos.. Não saia atropelando todo mundo R. RIO BRANCO D Z ica: ca efe Pa S mp rina ra M tre ilves eã Ba ar km ch tre da lda ia S in o.. 15km e vi que dava. mas eu quero mais”. A maioria dos corredores inscritos na prova pioraram os tempos. deve ter um bolso para transportar o gel de carboidrato Dica: É o início do maior retão da prova.. (MARIANA LAJOLO E PAULO COBOS) Copan Dica: A descida já acabou.E fig ên ia Dica: Parabéns. R.. mas começo a perder espaço. afirma o competidor.. É importante não perder o ritmo R.. use protetor solar Mín.... que preside a Associação dos Corredores do Espírito Santo. S -01 ão ia. é dá m o ve ais pio is de de 2 r re ta Ademar Tristão Filho abandonou os jogos de várzea em 1976. É uma disputa gostosa. Radial Leste Largo São Francisco sa bo ar iB Ru R. e o percurso volta a se afunilar.. ... apresentaram leve evolução. Começou a correr há oito anos e. Naquele ano.. no entanto... mas não é longa 8 km 750 m Meias: As estilo sapatilha deixam o pé mais livre para a corrida e também ajudam a absorver suor Tênis: Use um apropriado para corrida de acordo com sua pisada (pronador. a expectativa média de vida do brasileiro atingiu 71. Os atletas de 50 a 59 anos melhoraram as marcas... Roosevelt Marcas obtidas pelos atletas com mais de 60 anos são as que mais caem na tradicional prova de rua de São Paulo DA REPORTAGEM LOCAL Igreja da Consolação 19˚ 32˚ Nível extremo de radiação UV Apesar do horário. Na mais tradicional prova de rua do país. E quem abraça o esporte competitivo tem desempenho cada vez mais destacado. É normal perder um pouco de tempo na aglomeração Av. Apesar de festejar o incremento da modalidade.. PAULISTA LARGADA 0 km 816 m 1 km 817 m Igreja Imaculada Conceição CHEGADA 15 km 816 m AV... Dá para admirar prédios históricos... “Meus filhos correm e me incentivaram.. o mais antigo registrado. Aproveite para se soltar e ganhar ritmo 4 km 750 m gel Shorts: De cor clara e confortável..9 Av lho Ju de km 10 5 73 m Vaselina: Passar nas axilas. a média foi de 1h36min56s. PACAEMBU Memorial da América Latina R. E logo a paixão pelo futebol deu lugar ao tênis e a quilômetros e quilômetros de passadas. PAULISTA 811 m CONHEÇA O CIRCUITO DA PROVA Gire a página para ler Paraatletas Feminino Masculino e geral 15h15 16h30 16h45 MASP Conjunto Nacional AV. da República O QUE USAR NO DIA DA PROVA Boné: Usar de cor clara e bem ventilado Vi ad ut oS ta .. Segundo censo do IBGE divulgado no último ano. Uma pessoa de idade. É preciso cuidado para não escorregar 7 km 747 m COMPARE O SEU TEMPO* SPLIT ALARM Elite *Tempo dos vencedores em 2006 **Média de todos os atletas em 2006 Consultoria técnica: Cláudio Castilho (Pinheiros e equipe Saúde & Performance) e Frederico Fontana (equipe Quality Life) Imagem ilustrativa Masculino 44min07s Feminino 51min24s Geral AV. agentefica cansado. 2007. SÃO JOÃO Dica: Não deixe de se hidratar. RUDGE Dica: O percurso é cheio de curvas. neutro ou supinador) Elevado Costa e Silva (Minhocão) Dica: É a primeira subida da prova. 84.... Hoje. Sergipe 2 km 792 m Mackenzie Av. Convém usar gel de carboidrato e beber água.G let e 9 km 790 m AV.. diz ele. os homens saltaram de 1h19min32s para 1h23min31s. Alguns. diz. foi quarto na sua categoria. seguida por subida menos desgastante e nova ladeira após o viaduto do Bexiga Dica: Não pare de imediato após ultrapassar a linha.....66 D4 esporte SEGUNDA-FEIRA. Já os jovens com até 19 anos foram 1min21s mais velozes.... com pancadas de chuva . Você já percorreu 12 km.... Infográfico “São Silvestre” sobre a corrida de São Silvestre. confortável e de cor clara. incentivando. Alguns descobrem a corrida nessa idade”... o mais velho inscrito na São Silvestre FOTO 4.0 16. Prefira as que favorecem a absorção do suor AV. temgentena ruaaplaudindo. 754 m IZ UN M A. Pç SÉ JO R.superarseus limites edormir bem ADEMARTRISTÃOFILHO corredor de 65 anos que vai disputar a São Silvestre Carlos Marchetti.... A subida é acentuada... quando fica parada. 10km. A explicação para este crescimento está no maior acesso a cuidados médicos. apenas os corredores das categorias com mais de 60 anos tiveram melhora significativa no tempo médio de percurso se comparado 2006 a 1998. 941º no geral —havia 15 mil inscritos. “Eu comecei andando.. fin ão . aos 65 anos. corre uma hora e meia três vezes por semana e hoje estará na São Silvestre pelo segundo ano consecutivo Gazeta AV. mas é importante manter a hidratação para completar a prova Teatro Municipal Dica: É o início do centro velho... a marca caiu de 1h55min35s para 1h47min39s. Hoje. só piora”. DA CONSOLAÇÃO Dica: É a descida mais acentuada e quando a muvuca se dissipa. Eduardo Asta/Folha Imagem W al M ar t au do ab le ng Va nha A .... Entre as mulheres. Luís AV. diz Tristão Filho..5 km Av. não agüentou ficar parado...... 12 km 747 m AV. “O número de atletas com mais de 60 anos só aumenta. Nofinal. arriscou-se na São Silvestre. de 1h28min51s para 1h38min31s.

Para o cruzamento foi tomado como critério base os pontos mais relevantes das duas fontes de dados para se chegar a uma compreensão do funcionamento da Folha de São Paulo. por parte do entrevistado.4 Análise da Informação e Relatório A fim de agregar uma maior consistência ao estudo foram cruzados os dados obtidos na entrevista e na observação direta. no qual foi apontado que a editoria de arte é um setor maior que acolhe um determinado número de profissionais que se dedicam a produção de infográ- .67 Figura 29. Fonte: Folha de São Paulo. do que é a equi- pe de infografia e do que é a editoria de arte.1. 2007. A equipe de infografia Em princípio houve uma indefinição.Infográfico “Tragédia em Congonhas” sobre o acidente do avião Airbus A320 da Tam. 3. Este dado foi compreendido por meio de um cruzamento entre as informações citadas por Marcelo na entrevista com os dados obtidos na observação direta.

mas isto só em casos especiais ou em peças para cadernos chamados “frios”. além da própria estrutura física do jornal. é a utilização de imagens vetoriais e o os bancos de imagens (fotografias. Os pontos levantados no Manual de Infografia da Folha são relevantes no intuito de contribuir para manter a unidade visual do projeto gráfico do jornal e para a velocidade de produção. ilustrações vetoriais e mapas) aos quais o infografista tem acesso. outro fator que também contribui. a editoria de arte possui uma equipe de infografistas. ter acesso facilitado aos elementos visuais que compõe o infográfico. um profissional apenas é capaz de produzir um material de qualidade e consistência. Estas observações evidenciam que quando a ênfase do trabalho é a velocidade de produção. de que o Manual de Infografia da Folha tem a finalidade de determinar pontos relevantes em relação ao estilo do infográfico e não aprofunda na questão de “como produzir um infográfico”. como fotografias. Em alguns casos o infografista pode solicitar uma ilustração para terceiros e/ou uma fotografia para a Agência Folha. Pode-se concluir que na redação da Folha de São Paulo. As Ferramentas e os Meios de Produção Na entrevista Marcelo Pliger apresenta o Manual de Infografia da Folha. salvo algumas exceções. que figuram no jornal em uma periodicidade menor e por este motivo tem um prazo de produção maior. há uma divisão dos setores do jornal em editorias. 68 O trabalho da equipe se dá de maneira individual. E para este ofício. dentre as quais. entretanto o entrevistado ao chamar o material de Manual de Estilo da Infografia sugere o que foi reforçado com a confirmação de uma nova hipótese levantada na etapa de observação direta. mas que em algumas situações exercem outras atividades relacionadas ao escopo da editoria de arte.ficos. esta informação refuta a hipótese de que não existe um material referente a produção de infográficos. dada sua capacidade e pela infraestrutura do jornal. profissionais exclusivos para esta finalidade. ícones e ilustrações bem como a padronização .

estes fatos são detalhados para a compreensão da forma que se deu o acidente. No infográfico “São Silvestre” percebe-se que a composição baseia-se em torno de um mapa. 69 Análise dos Infográficos Premiados A análise a seguir toma por base as proposições de Rajamacknican e Tufte para a produção de infográficos. No infográfico “Tragédia em Congonhas” explora-se fatos acontecidos em um espaço de tempo.visual prévia da peça que pretende-se produzir é essencial. o qual situa o leitor sobre o local onde ocorre a prova e o que se enfrenta durante o trajeto. os apontamentos dos autores são indicados e comentados de acordo com as evidências notadas nos infográficos analisados. este mapa contempla uma riqueza de detalhes descritivos sobre os locais e trazem ao leitor informações úteis para compreender a mensagem. por meio de elementos de redundancia para fixar a informação como pode ser visualizado nas representações gráficas dos lugares citados ao decorrer do mapa. que caracteriza a consideração de Tufte sobre a importância dos detalhes. estes detalhes por sua vez são claros e objetivos e contribuem para o entendimento da mesagem. Percerbe-se também uma clara divisão no infográfico entre o que seria um pouso correto e o pouso no qual ocorreu o acidente esta divisão obtida por meio do contraste de cores evidencia a questão do paralelismo de Tufte. O mapa torna visível o trajeto sem utilizar de muitos dados numéricos. já que estas “etapas” mostradas permitem comparações entre si. visto que esta é a informação que mais interessa ser passada ao leitor. que pressupõe estabelecer um parâmetro para que se tenha idéia de algo. a maneira que foi exposta essa informação remete a proposição de Tufte sobre múltiplos no espaço e tempo. O ato de tornar visível informações numéricas e o uso de redundância são considerações feitas por Rajamacknican que também aponta o ato de integrar informações textuais com visuais de forma que estas sejam interdependentes que pode ser verificado em vários pontos do infográfico. .

como redundância nos elementos visuais de certo e errado. oriundas de uma confrontação de elementos teóricos com observação e análise de peças premiadas o que possibilitou a estruturação de um método piloto.2. 70 Estas considerações são de grande valia. 3. pelas cores vermelho e verde. para contextualizar qual o trajeto da São Silvestre. no caso a alta velocidade que é representada por meio das indicações de espaço e tempo tem como consequência o acidente. uma tradicional corrida pedestre que acontece na cidade de São Paulo. Coleta de Informações. Objetividade da Linguagem da Peça e Princípios da Sintaxe Visual. confrontadas com as informações obtidas no estudo de caso da Folha de São Paulo e verificadas na análise dos infográficos.2 A Elaboração de um Método Piloto O método piloto foi elaborado a partir do cruzamento das informações relevantes para a produção de um infográfico levantadas pelos autores Rajamacknican e Tufte. e o seu recorte é o trajeto. Neste tópico será abordado o caso do primeiro infográfico. Fornecer Parâmetros. é utilizado o infográfico. Definição do Público Alvo. mas o apontamento mais pertinente neste infográfico é o fator da causalidade explorado por Tufte.Neste infográfico é possível perceber outras considerações de Rajamacknican já citadas. Análise da Informação. que diz que todo infográfico deve sempre explicar o motivo de algo acontecer. 3. . A matéria a qual ele dá suporte comenta sobre os bons índices conseguidos na São Silvestre por pessoas acima de 60 anos. Este método comtempla uma sucessão de etapas para a produção de infográficos com ênfase em oito pontos distintos: Foco ou recorte. Hierarquização da Informação.1 foco ou recorte Pode-se observar que tanto no infográfico “São Silvestre” quanto no “Tragédia em Congonhas” o foco dos infográficos é específico e restrito.

permite uma abordagem mais descontraída. este perfil que somado ao teor da informação da matéria. já que o assunto da matéria se trata de uma tragédia. Vale lembrar também que estilo visual do infográfico deve estar de acordo com o teor da informação. 71 3.Rajamacknican (2005) afirma que definir um contexto começa por representar graficamente o local do acontecimento para que o leitor obtenha noção do espaço. isto justifica a decisão de representar o infográfico. a linguagem visual também. A coerência das informações textuais e . Não é só a linguagem textual que deve ser direcionada a cada público. Esta matéria foi publicada no caderno Cotidiano um caderno que tem uma gama de leitores mais ampla o que demanda uma comunicação mais formal e abrangente para comunicar com a maioria das vertentes desse público. A delimitação do foco do infográfico procura evidenciar as características marcantes das informações contidas na peça. este acúmulo de informações pode cansar o leitor e assim a peça perde sua função explicativa. de sua vista superior. O infográfico deve comunicar com o seu público alvo e utilizar referências que sejam populares entre esse público. Tornando a informação mais específica e aprofundada. Porém o infográfico “Tragédia em Congonhas” possui uma linguagem mais formal e objetiva. que no caso consiste em um mapa estilizado. o infográfico “São Silvestre” nota-se a mesma descontração nas cores e na representação dos elementos visuais bem como sua disposição na página.2. O perfil do leitor deste caderno é de jovens e adultos em sua maioria do sexo masculino. Já no infográfico “Tragédia em Congonhas” tem-se cores mais sóbrias como cinza e preto e também a utilização de fotografias e um posicionamento na página mais tradicional.2 Definição do Público Alvo O infográfico “São Silvestre” foi publicado no caderno Esporte. caso o assunto não seja delimitado pode se tornar muito abrangente aumentando o número de elementos que devem estar contidos na peça para explicar o assunto pretendido.

Deve-se buscar a informação mais coesa possível com o acontecimento e para . isso pode tornar o infográfico inconsistente. O mesmo também é verificado no infográfico “Tragédia em Congonhas” no qual se percebe detalhes de peças específicas de um avião bem como o seu funcionamento. isso costuma-se cruzar as fontes de informação. É importante que a informação inserida em um infográfico não seja retirada de apenas uma fonte. ou foi ao local onde é realizada a prova para procurar detalhes que fossem relevantes para o entendimento do infográfico. a maneira como se dá o pouso de uma aeronave e qual seriam os procedimentos corretos para se evitar o acidente. por exemplo: Observação direta. entrevista. reportagens de outros jornais. Estes dados foram transcritos oriundos de diversos canais de informação. 3. fazendo com que ele perca sua credibilidade.3 Coleta de Informações 72 Neste ponto procura-se reunir o máximo de informações em relação ao assunto delimitado no recorte do infográfico. para fornecer uma base rica em acontecimentos e detalhes e imparcial para a produção do infográfico. veículos online. jornais televisivos entre outros.2. Com base nos dados colhidos na entrevista em profundidade com Marcelo Pliger pode-se afirmar que o infografista que elaborou o infográfico “São Silvestre” recorreu a um guia de ruas.visuais com o repertório cultural do público alvo são fundamentais para a compreensão.

o infografista deve filtrar esta informação e ser capaz de julgar o que é importante e o que é desnecessário ao leitor pois alguns elementos podem de alguma forma atrapalhar e confundir o leitor. e quais elementos poderiam ser utilizados para elucidar melhor estas informações como fotos. Neste momento. deve-se levar em consideração a importância do conteúdo possuir continuidade integrando as informações visuais com as textuais para que não se obtenha como resultado uma quantidade grande de texto separada de todas as figuras. ilustrações.2. é possível perceber quais detalhes seriam necessários para contar esta história. já é possível identificar qual informação ficaria melhor como texto e qual como imagem. pois ao se conhecer previamente o assunto é mais fácil determinar o que é necessário ou não para explicar determinado fato. Entretanto o que pode-se perceber na observação de campo realizada na redação da Folha é que este passo não ocorre necessariamente em primeira instância. Muitas vezes algumas das informações coletadas na etapa anterior não são fundamentais para que o leitor compreenda o fato. Ao montar um esquema (fluxograma) de qual caminho é o mais provável a se percorrer para entender esta informação. o mais importante e difícil estágio na criação de qualquer infográfico.73 3. Porém. ele se torna mais natural e propício após o processo de coleta de informações. ou algo que se perceba desta forma. . mas são interessantes para que o próprio infografista compreenda o assunto.4 Análise da Informação Segundo Rajamacknican (2005) organizar toda a informação disponível e planejar como representá-la é o primeiro. tabelas ou mapas. Para isto é necessário ter em mente como uma pessoa leiga aprenderia sobre o assunto. tendo em vista as recomendações de Rajamacknican (2005) sobre integração dos elementos de um infográfico.

2.5 Hierarquização da Informação A informação deve ser ordenada para auxiliar o leitor a traçar uma linha de raciocínio por meio das informações mostradas pelo infográfico.74 3.2. Tufte (1997) em seu discurso sobre o paralelismo aponta a necessidade que o pensamento humano tem de estabelecer relações por meio de comparativos. sendo que o primeiro tempo (o mais veloz) serve de parâmetro e referência para os outros tempos. quanto maior a barra maior o tempo gasto para completar a prova. deixando claro que a diferença do último tempo em relação ao primeiro é relativamente grande. tanto textuais como visuais são fundamentais para estruturar as relações dos elementos dos infográficos e gerar uma coesão de forma que o infográfico não seja meramente considerado como um texto ilustrado. elementos indicativos (símbolo de erro) e caixas de texto e posteriormente é entregue ao leitor elementos que tratam diretamente do fato ocorrido.6 Fornecer Parâmetros Os leitores precisam de pontos de referência para que possam se situar e comparar elementos para fixar a informação que está sendo transmitida. . As disposições de hierarquias de informação. como fotografias e outras representações visuais mais evidentes. Pode-se verificar esta observação no infográfico “Tragédia em Congonhas” neste caso os elementos que são fornecidos primeiro no infográfico são elementos pré estabelecidos do projeto gráfico do jornal como: títulos. Pode-se observar no detalhe do infográfico “São Silvestre” (Figura 30) que o infografista para tornar mais clara a diferença dos tempos dos atletas de elite com a dos atletas gerais estabeleceu paralelos por meio de barras. Tufte (1997) defende a idéia de que uma vez visto um dos elementos de um infográfico todos os outros se tornam acessíveis posteriormente. 3.

Detalhe do Infográfico “São Silvestre” Fonte: Folha de São Paulo. 75 COMPARE O SEU TEMPO* Masculino 44min07s Feminino 51min24s Elite Geral *Tempo dos vencedores em 2006 **Média de todos os atletas em 2 Masculino 1h25min23s Feminino 1h35min58s Consultoria técnica: Cláudio Cast (Pinheiros e equipe Saúde & Performance) e Frederico Fontan (equipe Quality Life) Imagem ilustrativa . a metáfora. cujo estilo de representação tem como característica seu alto grau de iconicidade. AV.2.Al . l be Isa sa ce in Pr a. 3.7 Objetividade da linguagem utilizada na peça Rajamacknican (2005) defende que representações simples e objetivas são mais fáceis de se interpretar. pois se a metáfora não se correlacionar com a mensagem a ser passada pode gerar interpretações aleatórias que fogem totalmente da proposta de objetividade do infográfico. W al M ar t Figura 30. Representação Visual Torna-se evidente nos infográficos analisados neste estudo a representação vetorial. No trabalho da Folha observa-se que este recurso é pouco utilizado devido ao seu alto risco. já que os infográficos atingem públicos muito heterogêneos.G l habituado 9 km 790 m R. Pç SPLIT ALARM HR. que nada mais é do que explicar algo utilizando referências de senso comum. Este recurso é arriscado. 2008. RUDGE M A. já que o usuário se distrai facilmente com objetos desnecessários contidos na peça gráfica. NORMA GIANOTTI SÉ JO R. tão notada a preocupação com a objetividade em seus infográficos que pode-se observar duas linhas distintas nas quais a objetividade atua: representação visual e linguagem textual. Em contraponto existe a utilização de um recurso muito comum na infografia.

a credibilidade do infográfico. vetor do olhar.2. Linguagem Textual Nas peças analisadas a linguagem utilizada no texto é clara e incisiva e como a representação visual não abre pressupostos para outras interpretações. sua boa utilização pode ser de grande ajuda ao estruturar as hierarquias e dispor a informação de modo que a torne mais atrativa e inteligível ao leitor. A fim de proporcionar a melhor compreensão possível ao leitor. sintaxe entre outros podem afetar além da compreensão. e um infográfico deve ter essa característica afim de reforçar informações importantes. assim como as fotos (que são representações fiéis da realidade). Por meio desses pode se passar novas informações e reforçar informações já citadas. Para Rajamacknican (2005) isto é redundância. atração e agrupamento. nivelamento e aguçamento. além de proporcionar um conforto visual estético. porém este recurso deve ser utilizado de forma a não cansar o leitor. Os princípios são fundamentais para potencializar a troca de elementos textuais por imagem. 76 É interessante ressaltar que para o infográfico ser objetivo ele deve manter o mesmo padrão nos dois segmentos (representação visual e texto). Estes elementos (fotografia e vetor) também são de rápida produção e fácil manipulação tornando-os muito versáteis e práticos para o uso nas redações dos jornais. Equilíbrio. gestalt. positivo/negativo. e a utilização dos princípios da sintaxe visual colaboram no sentido de não tornar tão explícita . (Dondis. Na Folha os responsáveis pelos textos são os editores e jornalistas que o preparam de uma forma mais sintética para ser utilizado no infográfico. 3. 1997). tensão.8 Princípios da Sintaxe Visual Os princípios básicos da sintaxe visual são utilizados como ferramentas para integrar e interrelacionar os elementos do infográfico.na Folha ele é utilizado de forma que as ilustrações não tenham interpretações dúbias. Erros de grafia.

. 2008. Um infográfico é um produto de design gráfico e grande parte do seu fator de compreensão deve-se a este caráter. Fonte: Folha de São Paulo. 77 Figura 31.Detalhe dos elementos visuais com redundância por meio da cor. pois o profissional desta área é capacitado para compreender como ordenar e dispor esta informação. Figura 32.esta redundância. Pode-se notar também no segundo detalhe (Figura 32) como a relação de proximidade. 2008. a cor verde no círculo que envolve o sinal gráfico de correto para reforçar que esta etapa ocorreu normalmente e a cor vermelha para reforçar o sinal gráfico de errado. Por exemplo. dimensão e agrupamento. no primeiro detalhe do infográfico “Tragédia em Congonhas” (Figura 31) tem-se nos elementos que intitulam as etapas. dimensão e agrupamento favorece a visualização em primeira instância dos dados numéricos.Detalhe da relação de proximidade. colaborando na hierarquização da informação. Fonte: Folha de São Paulo. favorecendo sua compreensão.

o que forneceu novos parâmetros para um melhor desenvolvimento do método final. o Grupo 1 foi acompanhado aula a aula.Com o propósito de interferir apenas o necessário no funcionamento do trabalho proposto. para observação do comportamento dos alunos em relação ao método. O exercício teve a duração de 35 dias. junto com uma breve explicação. enquanto o Grupo 2 trabalhou de forma mais livre.3 O exercício de aplicação Foi realizado um exercício com alunos da 3ª série do curso de Design Gráfico da Universidade Estadual de Londrina a fim de levantar possíveis falhas e deficiências do método piloto. apenas com o material de referência. Os alunos produzem o infográfico a partir do material de referência passado em aula e de suas pesquisas pessoais. A turma foi dividida em dois grupos.3. como sugestão de apoio para o trabalho da disciplina de Produção e Análise da Imagem ministrada pela docente Ms. tema de livre escolha para ser veiculado em uma revista de página dupla.78 3. jovens estudantes da faixa etária de 18 a 23 anos. Para este exercício foi elaborado um material de apoio com base no método piloto. 3. um infográfico (Figura 33). Ana Luísa B Cavalcante. Originalmente o trabalho propõe aos alunos a produção de um infográfico com .1 Metodologia para aplicação do exercício Este exercício se deu da seguinte maneira: o material (Apêndice A) foi distribuído aos alunos. este material. contextualiza o assunto (Infografia nos Jornais) ao explorar o fluxo do trabalho na redação da Folha e ao trabalhar uma linguagem que se aproxime do público. o método foi colocado como uma sugestão aos alunos.

Propor a utilização de um check list para verificar o cumprimento das etapas. 79 3. Explorar melhor o tópico Hierarquização da Informação. pontos que necessitavam ser mais explícitos no método como: • • • • Com os infográficos produzidos em mãos e com o depoimento dos alunos relacionado as dificuldades para o desenvolvimento do trabalho foram percebidos alguns Enfatizar o melhor aproveitamento e equilíbrio da disposição dos elementos no espaço do infográfico.3.2 Análise dos Resultados Após a entrega da atividade por parte dos alunos foi realizada um debate com os mesmos. Alertar sobre uma maior interrelação entre texto e imagem. Para o Grupo 1 as alterações do método eram passadas as conforme a observação de suas deficiências. os alunos dialogavam e apontavam as dificuldades que foram anotadas para o aprimoramento do método. . explorando o produto final (o infográfico) como se fosse composto de várias camadas para identificar o que pode ser absorvido antes ou depois. Esta estratégia foi adotada para obter resultados diferenciados e evidenciar a aplicabilidade do método em uma situação prática. por meio dos princípios da Sintaxe Visual. Entretanto a observação da aplicação deste método retornou algumas novas hipóteses as que não serão tratadas neste trabalho e que poderão ser exploradas em estudos posteriores como: as etapas do processo criativo de um infográfico e a questão da percepção do leitor em relação a composição visual da peça. para verificar as opiniões sobre o método e apontar considerações relevantes para novas evidências. as quais foram exploradas no método.A intenção era não tornar obrigatória a utilização do método.

Além destes principais apontamentos alguns alunos citaram que visualizaram o produto final de seu infográfico na fase de análise. por que costumeiramente isto deveria ocorrer entre a fase de hierarquização da informação e a de fomento de parâmetros. que são fases onde o infográfico se torna mais representativo. 80 . este fato é interessante e demanda de uma pesquisa mais aprofundada.

. grande parte do seu fator de compreensão deve-se a este caráter. conceituação. nos jornais os infográficos apoiam as matérias e geralmente especificam algo que já foi falado na matéria. tabelas ou mapas. pense em como você aprenderia sobre o assunto se fosse totalmente leigo para julgar o que é necessário ou não. Separe o “joio do trigo”. Então começa a fase de revisão. Proximidade. estabeleça hierarquias e relações entre essas hierarquias para que o infográfico não seja apenas um texto ilustrado.net . os chamados infografistas. para utilização no exercício. Informações Con itantes Informações erradas. E têm estas perguntas como norte de seu trabalho. A coerência das informações textuais e visuais são fundamentais para a compreensão. Utilize os princípos para criar hierarquias e relações entre os elementos do infográfico Um infográfico é uma obra de design gráfico. mas o que não têm no banco tem que ser feito na hora! A FÓRMULA DA INFOGRAFIA Em qualquer outro meio: Conteúdo No Jornal: Conteúdo + + Para Quem Para Quem + = + = Suporte Pressa! Estilo visual Estilo visual A lição w ww. 9:00 hrs 14:00hrs 17:00hrs 18:30hrs 19:30hrs 20:00hrs Informam ao “fechador” (o cara responsável por distribuir o trabalho aos infografistas) os infográficos necessários para a edição do jornal PENSANDO COMO UM INFOGRAFISTA Foco ou recorte Delimite o assunto. que detalhe diferencia esta etapa da anterior? Evidêncie estes detalhes. hoje em dia com a internet isso ficou extremamente fácil. Ilustração Vetorial por ser uma técnica rápida e facilmente adaptável foi adotada principal meio de representação. não confie só no que aquele grande site diz.81 COMO SÃO FEITOS INFOGRÁFICOS EM JORNAIS? O DIA A DIA DA INFOGRAFIA NO JORNAL O fechador distribui os trabalhos entre os infografistas Editoria de Arte Horários apertados + conteúdo extenso e complexo = informação acessível e rápida. este banco tem imagens como mapas. o jornal é fechado e enviado para a gráfica. So to en am ão ch iç Fe ed da ão aç o rt iv po qu Ex ar o sã do vi re ra ei rc ão Te eç rr co a nd o sã gu vi Se re a nd gu Se ão eç rr Co ão ão s ss vi Re pre Im éa st Pr afi gr fo In do a ir or ne ad Pe ch o çã fe DÚVIDAS ETERNAS DE UM INFOGRAFISTA O quê aconteceu? Por quê? Onde? Quando? Como? O infografista é o profissional que “habita” a editoria de arte e é responsável por produzir os infográficos. ilustrações. contraste. com textos e imagens claras e objetivas. Esta equação que parece ser impossível de ser resolvida é a realidade do dia a dia de muitos profissionais dentro das redações dos jornais pelo mundo a fora. A B C PECADOS MORTAIS Falhas de desenho Proporções erradas. Defina o seu público alvo Coleta de Informações Análise de Informação Hierarquização das Informações Fornecer Parâmetros Seja específico Princípios do Design jdjaha nono’ jajaja Figura 33. cores e outros elementos visuais que se repitam na peça. tente compreender o que é interessante ser visualizado primeiro e posteriormente. As principais sacadas dos infografistas da Folha foram Pré estabelecer o máximo o possível de elementos do infográfico como: setas. fontes imprecisas ou em desacordo com a matéria Metáfora Visual Falha dúvida Elimine todas as possíveis dúvidas do leitor. escolha de imagens confusas Os leitores precisam de referenciais para se situar. Cruze diversas fontes de informação. Ordene os níveis de informação. e faz quantas alterações forem necessárias Depois de revisado. grids. os infografistas têm acesso a um acervo de fotografias e a um banco de imagens vetoriais. Acompanhe a seguir os principais passos percorridos por estes profissionais na Folha de São Paulo para solucionar esse problema. objetos e partes do corpo. o infográfico é exportado no formato eps. lic ita FERRAMENTAS Vetores Mapas Fotogra as Nas redações dos grandes jornais. Relações visuais confusas ou que dêem margem a interpretações aleatórias Detalhes demais e recortes de assunto exagerados Não utiliza uma linguagem compreensível para o leitor Excessos Fora do contexto do leitor .. também procure identificar qual informação ficaria melhor como texo e qual como imagem. vetores. por exemplo: em um infográfico sobre dinossauros. Imagine por exemplo um processo. Vale lembrar também que estilo visual do infográfico deve estar de acordo com o teor da informação. O infográfico é inserido na sua respectiva página. pense qual caminho percorreria para entender esta informação? E que elementos seriam necessários? Fotos.Infográfico poduzido a partir do método piloto. Um bom infográfico deve fornecer fornecer parâmetros ao leitor. O infográfico deve “falar a língua” do público alvo e utilizar referências que sejam populares entre esse público.com Tente saber o máximo sobre o assunto. a alma de um infográfico é o seu poder de estabelecer relações entre seus elementos. podemos colocar a silhueta de um ser humano para dar ao leitor a noção do tamanho do dinossauro em relação ao ser humano. Por que de uma hora para outra podem pedir para mudar o trabalho de tamanho por que entrou uma publicidade enorme no lugar. onde o infografista leva o impresso para o editor.

Caso isso não ocorra. quando esta se trata de um processo. por exemplo. é necessário ter em mente que detalhes diferenciam esta etapa da anterior? Estes detalhes devem ser evidenciados de maneira que fique nítida suas peculiariedades em relação as outras etapas.1 O método para produção de Infográficos 4. Estas características são fundamentais para ajudar o leitor a diferenciar acontecimentos e compreender melhor a informação. este acúmulo de informações pode cansar o leitor e assim a peça perde sua função explicativa. oito já figuravam no método piloto e foram aprimoradas em maior ou menor grau para uma maior eficiência do método. sendo que dessas. tornando a informação clara e compreensível. Um bom infográfico explora a capacidade de estabelecer relações entre seus elementos. Nos jornais os infográficos apóiam as matérias e geralmente especificam algo que já foi dito.82 Apoiado na experiência obtida com o método piloto chegou-se a dez proposições para a produção de infográficos. o infográfico pode se tornar muito abrangente e serão necessários um número maior de elementos na peça para explicar o assunto pretendido. A delimitação do foco ou recorte em um infográfico procura evidenciar as características marcantes das informações contidas na peça. Resultados foco ou Recorte Em um infográfico o assunto precisa ser mais específico e aprofundado. . 4.

83 Definir o Público Alvo O infográfico deve comunicar-se com seu público alvo e utilizar referências que sejam populares entre esse público. neste ponto deve-se tomar cuidado com uso de metáforas e representações visuais fora de contexto que podem provocar desinteresse do leitor por não simpatizar com a forma que a mensagem é apresentada. . Outra observação importante é quanto a abrangência do público. A coerência das informações textuais e visuais e a forma como elas se relacionam com o repertório pessoal do leitor são fundamentais para a compreensão. Coleta de Informações Neste ponto procura-se reunir o máximo de informações em relação ao assunto delimitado no recorte do infográfico. proporcionalmente o seu grau de iconicidade deve ser o maior possível. Mesmo que não seja possível conhecê-lo a fundo é necessário uma noção geral. Vale lembrar também que estilo visual do infográfico deve estar de acordo com o teor da informação. Porém para se chegar a uma informação mais concisa o possível é aconselhável cruzar diversas fontes de informação. Tanto em sua linguagem textual quanto em sua linguagem visual. Atualmente temse a internet como principal meio de acesso a informação o que torna esta tarefa relativamente simples. quando se deseja abranger uma gama maior de pessoas deve-se procurar utilizar uma linguagem neutra dando preferência a um uso maior da representação visual. Para informar a respeito de algum assunto. apontando particularidades e definições principais. quando um infográfico necessita ser mais abrangente. procurando sempre ser imparcial em relação ao assunto. deve-se antes de tudo conhecê-lo.

mas não conflitantes com o primeiro nível. . ilustrações. montando um esquema de qual caminho mais provável a se percorrer para entender esta informação. neste momento também é necessário identificar qual informação ficaria melhor como texto. caso estas informações figurem no infográfico podem de alguma forma atrapalhar e confundir o leitor. em camadas. nas quais determinadas informações são mais interessantes caso sejam percebidas primeiro e outras posteriormente a fim de auxiliar o leitor a traçar uma linha de raciocínio por meio das informações mostradas pelo infográfico. e quais elementos poderiam ser utilizados para elucidar melhor estas informações como fotos. pois caso ela seja absorvida antes da hora pelo leitor pode passar uma informação falha ou 4 O exemplo da disposição das informações em níveis pode ser visto no Apêndice A deste trabalho. as informações deste nível devem estar em destaque. servindo como uma pequena introdução ao assunto principal Segundo Nível: O assunto principal abordado pelo infográfico. Sugere-se que o infográfico priorize a informação em três níveis4 distintos: Primeiro Nível: Informações necessárias para situar o leitor sobre o que se trata o infográfico. Hierarquização da informação A informação deve ser visualizada como se estivesse disposta em um ambiente tridimensional. Para esta fase é necessário ter em mente como uma pessoa leiga aprenderia sobre o assunto. tabelas ou mapas.84 Análise da Informação Muitas vezes algumas das informações coletadas na etapa anterior não são fundamentais para a compreensão do leitor. qual como imagem e a forma que o texto se integrará a imagem para que o resultado final do infográfico não se assemelhe a um texto ilustrado. mas são importantes para a imersão do infografista no assunto.

que dependendo da maneira que estão dispostos podem não transmitir a informação completa. mas não são fundamentais.causar desinteresse. de forma que não sobrecarregue o leitor. pode-se colocar a silhueta de . o mesmo se aplica em gráficos ou situações nas quais se deseja mostrar dados quantitativos. esta troca de elementos também procura adicionar informação e potencializar a compreensão. Fornecer Parâmetros Os leitores precisam de pontos de referência para que possam se situar e comparar elementos para que possam perceber a informação que está sendo transmitida. o que pode tornar o infográfico inconsistente. Terceiro Nível: Informações complementares que podem ajudar na compreensão da informação. Por exemplo: em um infográfico sobre dinossauros. por se tratar de uma informação que necessita de uma introdução prévia. um ser humano para dar ao leitor a noção do tamanho do dinossauro em relação ao ser humano. tornando-o mais atrativo para o leitor. 85 Troca de elementos Para manter o caráter dinâmico de um infográfico é necessário trocar o máximo de elementos textuais por visuais. o pensamento humano tem necessidade estabelecer relações por meio de comparativos. A disposição da informação nos níveis propostos tem a intenção de minimizar um possível desinteresse por parte do leitor dada a grande carga de elementos informacionais contidas em um infográfico.

Princípios do Alfabetismo Visual Os princípios básicos da sintaxe visual são utilizados como ferramentas para integrar e interrelacionar os elementos do infográfico. A linguagem da peça deve ser específica. seja identificado como tal. para que este. que além de proporcionar um conforto visual estético. positivo/negativo. vetor do olhar. colabora ao ajudar a estruturar as hierarquias e dispor a informação de modo que a torne mais atrativa e inteligível ao leitor. já que o mesmo se distrai facilmente com elementos desnecessários contidos na peça gráfica. nivelamento e aguçamento. a metáfora. este permite explorar um aprofundamento maior no assunto sem que o leitor se sinta descontextualizado.86 Objetividade da abordagem Representações simplificadas e objetivas são melhor interpretadas pelo leitor. sintética e focada na informação que se deseja passar. atração e agrupamento. Na infografia existe um recurso muito comum. pois se a metáfora não se correlacionar com a mensagem que pretende ser passada pode gerar interpretações aleatórias e dúbias que colocam o leitor em dúvida e fogem totalmente da proposta de objetividade do infográfico. é necessário que seu espaço seja muito bem preenchido e equilibrado. tensão. Este recurso é arriscado. que nada mais é do que explicar algo utilizando-se de analogias. . gestalt. tanto em sua representação visual como textual. consegue-se isto por meio do trabalho das relações de equilíbrio. a um primeiro olhar.

Os princípios são fundamentais quando se trocam elementos textuais por imagem, por meio destes pode se passar novas informações e reforçar relações entre os elementos de um infográfico, que é um projeto de design gráfico e grande parte do seu fator de compreensão deve-se a este caráter.

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Check List Ao final do processo recomenda-se fazer um check list para verificar se todas as etapas sugeridas foram seguidas caso haja elementos em desacordo deve-se estudar a melhor forma de adaptá-lo para que tenha um valor informacional válido no contexto do infográfico.

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5. Conclusão
A proposta deste trabalho surge diante de uma realidade comum a muitos estudantes e professores da área do Design Gráfico: A carência de literaturas específicas a respeito da infografia na língua portuguesa, em especial de origem brasileira. A infografia é uma área recente, tanto que o próprio termo ainda é discutido pelos profissionais do meio. O que é evidenciado pelas publicações na área, que ainda estão em fase de maturação, sendo que algumas ainda se encontram restritas a termos técnicos das áreas da estatística e arquitetura da informação, ou já se tornaram obsoletas por conta da velocidade em que cresce área. Em sua grande maioria este material é de origem estrangeira (norte americana ou espanhola) o que torna o assunto ainda mais delicado quando se fala de literatura específica em português (brasileiro).

O que seria natural de fato caso a produção e discussão do assunto no país não fossem relevantes, mas o que se pode perceber claramente é que no Brasil tem-se expoentes da infografia, reconhecidos internacionalmente como as Revistas Super Interessante e Mundo Estranho da (Editora Abril), os jornais, O Estado de São Paulo, O Globo e Folha de São Paulo e profissionais renomados como Luiz Iria, editor chefe de Infografia da Editora Abril, que presta consultorias e promove a infografia por meio de palestras mundo a fora. Este cenário mostra que no Brasil se discute, produz e desenvolve infografia, adaptada a realidade do país. O que motiva produzir conhecimento científico sobre esta área, não só no escopo dos meios de comunicação e fins mercadológicos, mas também potencializando ferramentas de cunho social como ensino a distância, práticas da área da saúde entre outras.

Este trabalho, por meio da imersão no assunto, levou a compreensão de maneira mais ampla a importância da infografia no meio impresso, no caso o jornal, como ferramenta de revitalização desta mídia. Este passo também contribuiu ao se constatar a necessidade de um estudo de caso para aprofundar o conhecimento sobre o assunto, que apresentasse diferenciais os quais pudessem ser notados mediante a observação de produtos, no caso os infográficos impressos nas edições do jornal.

Neste ponto chegou-se a Folha de São Paulo, um grande jornal reconhecido e respeitado nacionalmente, que proporcionou um contato com a realidade de sua redação, que além de ser uma experiência única de proximidade com o objeto estudado, permitiu o estreitamento de relações com os profissionais que o produzem, por meio da entrevista e da observação de campo, que trouxeram informações relevantes para a elaboração do estudo de caso. A equipe da Folha de São Paulo surpreendeu, não só pelo seu profissionalismo, mas também por ir na contra mão do senso comum e da visão estereotipada que se tem dos profissionais desta área, o grupo se mostrou disponível, interessado, solicito e empenhado ao colaborar com o trabalho. Esta etapa do trabalho foi importante também para estabelecer contatos profissionais, de grande valia para um recém formado. Estes contatos possibilitaram a vinda de Marcelo Pliger a Londrina para palestrar no evento Work Design 2008 promovido pelos estudantes do curso de Design Gráfico da Universidade Estadual de Londrina, onde discorreu sobre a infografia e sua experiência na Folha de São Paulo aos participantes.

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Em um primeiro momento, não se imaginou a dimensão da estrutura que exitia por trás dos infográficos que figuravam impressos nas edições diárias da Folha. Pode-se perceber que o modo de produção do jornal é respaldado por um grande aparato material, a infra-estrutura do jornal. Mas esse por sua vez atua de forma indireta na produção do infográfico, fornecendo apenas os meios de produção, já que em muitos casos um infografista produz um infográfico sozinho, o que permite caracterizar que o aparato material é importante mas a essência do trabalho está no material humano que a produz. As características do trabalho (velocidade e demanda) condicionam a maneira como o profissional encontra soluções para conseguir produzir com eficiência e é isto que constitui um conhecimento de grande utilidade para compor um método de produção de infográficos, não só no aspecto teórico mas também como incentivo para a pesquisa, ao apresentar que mesmo tendo um uma base extraída de uma situação onde se

material para consulta na redação do jornal foi aparentemente refutada na etapa do estudo de caso. como proposto no exercício. 90 Também pode-se notar uma forte influência acadêmica no modo de produção. sendo possível adaptar seus pontos principais para outras realidades e para isto basta o índivíduo compreender o modo de trabalho do profissional de infografia. visto que em um material premiado estas características já foram previamente selecionadas. que foi apresentado no decorrer do trabalho. quando a hipótese de que não existia um . que colaborou para aprofundar o foco do trabalho. Esta etapa foi decisiva para verificar que as constatações apuradas no estudo de caso são verdadeiras. e se mostraram eficientes na produção de um infográfico. porém Quanto ao que foi colocado em questão. a tal ponto que quando a bibliografia pesquisada foi confrontada com os resultados obtidos no estudo de caso a maioria dos pontos foram concordantes. ao procurar explorar as nuances mais consideráveis a respeito da produção. Esta aplicação suscitou apontamentos interessantes que serviram para agregar um conteúdo mais sólido ao método e também propiciou uma experiência de troca de conhecimentos e reflexão a respeito do tema muito relevante. A opção por analisar um material premiado do jornal justifica-se. pois em um primeiro momento supunha-se que o método em si já existia em forma de material publicado e consistente dentro da redação. Como pode se observar na etapa de análise dos infográficos premiados. baseada em critérios elaborados por pessoas competentes da área. Este fato foi relevante para refletir a respeito dos reais objetivos do trabalho e se os mesmos eram legítimos. e constituem uma informação sólida que possibilita a formulação do método piloto confirmando duas hipóteses propostas: o modo de produção da folha pode ser sistematizado em um método para consulta e quando exposto em um exercício se mostrou satisfatório como fonte de consulta para a produção de infográficos bem como sua versatilidade ao se aplicar a outros suportes. o mesmo não é imprescindível para a produção. o que comprova sua legitimidade.tem um sólido aparato material fornecendo suporte.

obtido por meio do estudo de caso. uma destas etapas é pré-representativa e engloba as fases de recorte de assunto. as quais mostraram que o material interno não possui especificações sobre o modo de produzir infográficos. A exemplo da Universidade de Navarra (Espanha) que promove o prêmio MALOFIEJ para premiar os profissionais da área. representações visuais deste método. puderam ser feitas observações.ao se ter contato com o material para análise. aprofundar a reflexão a respeito da organização do próprio método pois pode-se classificar o processo de confecção de um infográfico em duas etapas. . ele trata apenas de direcionar o estilo visual do infográfico de forma que este siga as especificações do projeto gráfico do jornal. 91 O trabalho se propõe a ser apenas uma fagulha de uma discussão que produzirá bons frutos a respeito de como se pensa e se faz infografia no Brasil e de como esse conhecimento tácito é importante para a academia. abordado no tópico relacionado a Hierarquia da Informação. compostas de diversas fases. a representativa. ao possibilitar desdobramentos futuros como artigos científicos. confrontado com a análise de infográficos e embasado na bibliografia relevante a área. sistematizar um método de produção de infográficos. definição de público. Tal observação foi fundamental para a continuidade do trabalho. para melhorar o aproveitamento da disposição dos elementos no infográfico. onde algumas pré definições já estão estabelecidas e o infografista apenas as integra se utilizando da práxis do design gráfico para isto. organização da informação e de reflexão a respeito da disposição da mesma na peça. coleta. em seguida tem-se outra etapa. As hipóteses levantadas no início deste trabalho procuraram nortear o trabalho afim de atingir o seu objetivo principal. o que levou a elaboração do método piloto. que exposto e aplicado em um exercício levantou pontos relevantes. sendo que alguns foram incluídos no método e outros apontados para estudos posteriores como: • • estudos mais aprofundados na área de percepção do leitor em relação ao infográfico. workshops e reflexão. onde os elementos são inseridos e guiados pelas relações da sintaxe visual.

também é uma iniciativa pessoal de retribuir aos cidadãos e comunidade acadêmica o tempo. este trabalho. 92 . verba e disponibilidade para a produção do mesmo. fruto do ensino público.Passível de contestação como todo conhecimento científico.

São Paulo: Atlas. Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação . Visual Explanations. Infographics seminar handout. 2006. 1997. Marina de Andrade. Ahmedabad.Programação Visual) – Centro de Ciências Empresariais e Sociais Aplicadas. Disponível em: <www. Grafic Press. 2007. 1998.pt/pag/sousa-jorge-pedro-elementos-teoria-pequisa-comunicacaomedia. Vilém. Richard Saul. 53 fls. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Desenho Industrial . São Paulo: Cosacnaify.pdf> Acessado em: 20 jul. Disponível em: <http://bocc.ubi.asp?id=556> acessado em 19 mai. 2005.org.bocc. Fernanda Maria. O mundo codificado. WURMAN. São Paulo. FLUSSER. Acessado em: 18 mai.pt/pag/sousa-jorge-pedro-horizonte-jornalismo-impresso.ubi. Fundamentos de Metodologia Científica. TUFTE. __________.pdf> Acessado em: 19 mai. 14. 1991.net/ congres2006/gts/comunicacio. 2008. 2006. . abr. MARANGONI. LAKATOS.1991. n. 2008. Edward Rolf. Venkatesh. 2005. Graphic Press. 224p. 4. Eva Maria & MARCONI. Jorge Pedro.93 REfERÊnCIAs CAIXETA.br/paginaindividual. São Paulo. 2008. Atlas. SOUSA.abi. CICILLINI. ¿Qué es infografía? Revista Latina de Comunicación Social. DUARTE & BARROS. LETURIA. Londrina. Novas tecnologias e jornalismo impresso: Apontamentos sobre a informatização da imprensa paulista.cibersociedad.php?id=685&llengua=p>. Infografia para Seleção de Materiais e Processos de Fabricação. Gregorio Romero. 2008 __________. RAJAMANICKAM. Disponível em: <http://www. Elio. org. Disponível em: <http://www. Universidade Norte do Paraná. The Visual Display of Quantitative Information. Elementos de Teoria e Pesquisa da Comunicação e dos Media. Reflexões sobre um horizonte possível para o jornalismo impresso generalista de qualidade. 2001. 3ª Ed. Rodrigo A arte de informar. Ansiedade de Informação: Como transformar informação em compreensão.

Níveis de percepção da informação em um infográfico. APêNDICES .94 APêNDICE A .

ANExO H .98 AnEXo A . AnEXo f . AnEXo E . AnEXo d . AnEXo I .Infográfico “Os 3 Lados do Mistério” produzido por Glauber Pessusqui.Infográfico “Hierarquia dos Escrúpulos: Comunicação Visual” produzido por Vinícius Ferreira Mendes.Infográfico “O Dragão Chinês” produzido por Gustavo Abe.Infográfico “Como Miguelar o Bira” produzido por Pietro Luigi. AnEXos AnEXo B . . AnEXo C .Infográfico “Ações: Como Começar a Investir” produzido por Adriana Ferreira. AnEXo g .Infográfico “O que é Cafeína” produzido por Aretha Otsuka.Infográfico “Burnout” produzido por Lívia Shimamura.Infográfico “11 de Setembro” produzido por Ariadne Maestrello.Infográfico “O Mistério do Sono” produzido por Núbia Aguiar.

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Há mais de um século o Triângulo das Bermudas intriga e amedronta os viajantes. Sua localização não é precisa e pode variar de acordo com quem conta a história. Além disso as ruínas atraem ET’s que abduzem as tripulações Há dezenas de relatos de casos envolvendo uma misteriosa nevoa que persegue os aviões e causa pane nos instrumentos. Não foi percebida uma maior frequência de acidentes no triângulo. As ciências então logo trataram de buscar explicações plausíveis para os acontecimentos do Triângulo das Bermudas. dentro da nuvem dura 30 min. ao contrário do que se esperava. buracos negros. Atlântida. no tempo As lendas sobre o local deram origem as mais variadas explicações para os desastres ali ocorridos.U E L EUA ridaFlo O vdas ângulo das Berm Tri Oceano Atlântico Mar do Caribe O    T  B L  M Porto . O clima é sempre instável. M alucos & Af Algo tão intrigante não poderia ser respondido somente metafisicamente.assim o piloto volta 10 min. tempo normal 20 m pela neblina 20-30= -10min i C iênt sta s Neblina Elétrica Clima e Relevo Diz a lenda que a famosa cidade fica bem debaixo do triângulo.Rico A es & Segura idad dor tor u as Para as autoridades e seguradoras o triângulo simplesmente não passa de lenda. in. ET`s. alguns tentam explicar e outros ainda dizem que tudo nao passa de bobagem. com tempestades e trombas d’gua que facilmente afundam barcos e derrubam aviões. Veja a seguir os três lados do maior mistério moderno da humanidade. portais interdimensionais e outras esquisitices sem fundamento já foram citadas. Localização do Triângulo das Bermudas sti Mí c os.I  G P mvdas Ber °  DG . O relevo é irreular e propicia a formação de correntes muito fortes e grandes abismos no oceano. Lá existem cristais de força tão poderosa que sugam ou desintegram tudo o que vêem pela frente. Na década de 70 um levantamento de todos os navios desaparecidos no mundo desde os anos 50 foi encomendado à maior seguradora de embarcações do mundo. Alguns sobreviventes relatam que a neblina tem o poder de distorcer o tempo. a London Lloyd’s. formando uma área de aproximadamente 1 milhão de kilometros quadrados. como a formação geológica e o clima instável da região. in s Bem Vindo a Atlântida Uma viagem de 20 min. Embora algumas delas sejam tão absurdas quanto as explicações místicas existem algumas hipóteses serem consideradas. mas o mais provável é que os vértices do triângulo se situem em Miami. a menos. Porto Rico e Bermudas (ver mapa). Muitos acreditam. .

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o investidor deve ponderar três critérios: liquidez (facilidade de vender a ação quando quiser resgatar).como começar a investir Qual a melhor forma de escolher em que ações investir? Ações: Para escolher as ações. quando eventuais desvalorizações das ações poderão ser revertidas. você deve fazer algumas ponderações. 5 3 * A briga do touro e o urso Representa a lei da oferta e procura. retorno (possibilidade de ganhos) e risco (possíveis perdas). Isso varia em função do preço das ações que se deseja comprar e até mesmo da Corretora que você escolher. Quanto é preciso para começar? Como investir individualmente 6 Agora o investidor é um acionista. O touro (força compradora) quer levantar o mercado de ações. x Assim a corretora executa a ordem dada pelo investidor e compra a ação na bolsa. A combinação desses três elementos. a critério do investidor. Importante O investidor procura uma Corretora e contrata seus serviços. Ganhos a curto prazo não devem ser a expectativa de quem decide investir em ações. É aconselhável que o investidor não dependa do recurso aplicado em ações para gastos imediatos e que tenha um horizonte de investimento de médio e longo prazos. i min oceti ajjijub abens Aoren ipsun min oceti ajjijub abensi Aoren ipsun in oceti min oceti i m jijub abensi ti Aoren ipsunaj abens min oceti jjijub ti nsi min oce i jjijub abensi et ipsuna Aoreneipsuna i min oceti abe jji in oc ipsun m ijub abens Aoren sunamjub ceti nsi ajjin oc i Aoren ip abe i min oceti ocet in o Aoren pensi jjijub ipsunajjijub abensi i min i suna Aoren etns min ocetie oc i m b abe in oceti b b ab Aoren bens jjijuin n ipsiunajjijub aeti nsi m et eti jjiju ipsuna i m re abensi i oc n na jub a suns Ao in oc snsiajjijub abei si min oc Aoren iaben ajijijub n ocet n min m abeu i jji A jub ocet ipsu Aoren p ns orein ip min oceti e a min i ren suna jijub abunajji m aocetsi jjijub abensi min oceti Aoren ipsun b Ao en ip unaj jubips ensi min benetii jjijubocet abensi Aoren ab i ns unajjiju in oc aimin oceti min oceti ns b ipsun min Aor en ips najjijjijubps beAoren abe ceti jijub abensi en i jjijum o i su Aor i na jub a Aoren abenset Aor en ip suAoren ipsuna s mipsunaj imin ocetnsi min oceti en i in oc jji ipsunajjijub iabensi ijub abeti ab Aoren psunajji ip in ns oceti oce Aor en jij i suna en ub s abe jjijubm ocetmin abensi min Aor en ip Aoraj jub unaens ipsunsijjijub oceti ip a in a i Aoreni mbenocet un oceti Aoren b ab s abe ajj min or n ips najji ipsunajjijub ipsunnsiijub abensi min in eti in oceti A en e oceti su ren ju Aoren b m innsi m o najjiju m oc Aor en ip A najji ipsuab ensiipsunajoceti abensi min su en jijub abjjijub abe jijub oceti ceti min Aor en ipAor aj ipsbAoren siabein jjijub iabensi min o un ju una en i m nsi et ti a Aoren jji juAo en ipsun b ab en min Aor en ipssuna psunarjjijub s min oc eti oce i i jji ab abensi c o et Aor en ip suna jub ajjijub si nsi o in i c Aoren jji en min m et ip en ipsun jub abe Aor enAorsuna jub ab ensi jji in oc ips Aor n ip ennajjiuna ab si m Fulano de Tal b re Aor en Ao n ipsu najjiju ab e jub su de lTal Aor en ip unajji Fulano Ta e s d Aor n ip ano re Ful Ao Fulano de Tal l ano e Ta Fulno dedTal Fula 1 z y Com acessoria da corretora o investidor escolhe a ação e dá a ordem de venda. 4 O cliente ( que já possui uma conta na corretora) efetua o pagamento. Não existe um valor mínimo exigido para investir na Bolsa. definirá em quais ações aplicar. enquanto o urso (força vendedora) usa suas patas para derrubá-lo). x y A corretora credita as ações adquiridas pelo investidor em sua custódia. o investidor escolhe as ações que deseja adquirir e transmite a ordem de compra diretamente para a corretora. * z Veja passo à passo: Antes de iniciar seus investimentos. 2 R Infográfico elaborado por Adriana Ferreira . Em seguida. com a assessoria dos profissionais da Corretora. O investidor procura uma corretora e contrata seus serviços.

Primeiro Nível Informações necessárias para situar o leitor sobre o que se trata o infográfico. . servindo como uma pequena introdução ao assunto principal.

Segundo Nível O assunto principal abordado pelo infográfico. caso ela seja absorvida antes da hora pelo leitor pode passar uma informação falha ou causar desinteresse. . as informações deste nível devem estar em destaque. mas não conflitantes com o nível superior.

. mas não são fundamentais para a compreensão.Terceiro Nível Informações complementares que podem ajudar na compreensão da informação.

. absolutamente.. Ela decidiu...... via as- Airbus depois do defeito constatado no dia 13... incluindo ainda a possibilidade de outros problemas técnicos. mas dá a explicação técnica..E isso em nenhum momento poderia provocar algum risco? AMPARO - em 1996... segundo a Infraero... Nesse caso. DA REDAÇÃO Leia trechos da entrevista dada pelo vice-presidente técnico da TAM. Afirma que tudo foi feito em condições previstas pelos manuais de manutenção da fabricante Airbus e aprovado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). sozinho... é curta e sem área de escape...... conforme especialistas ouvidos pela reportagem.... de falta de aderência da pista de Congonhas e de eventuais erros do piloto —que vão da decisão de pousar sob condição de risco ao momento incorreto de arremeter (subir novamente)... Ruy Amparo... Amparo afirmou que as pistas contaminadas seriam “embaixo de chuva muito forte”. JN ..... A companhia aérea diz que os manuais da Airbus autorizam que se continue voando nessas condições durante dez dias. ranhuras na pista.. apesar do problema no reversor.Exatamente.... além de escorregadia sob chuva.. voava com um problema mecânico detectado quatro dias antes... Esse reversor foi pinado. que é só auxiliar.... nas turbinas Reversor fechado Reversor acionado Paraespecialistas... houve uma explosão no motor esquerdo do avião. professor da Escola Politécnica da USP (Poli/USP)... prefixo PR-MBK.. é prematuro comentar caso .. não influindo no vôo O que a falta do reversor direito do Airbus da TAM pode ter causado Fluxo de ar sentou algum tipo de problema? JN ........ em qualquer condição de pista. piloto há 26 anos.... Há diversos relatos no dia do acidente apontando que ela estava escorregadia..... diz Jorge Eduardo Leal Medeiros... Rui Amparo... reforçando a avaliação de que a causa do acidente não resulta de um único fator.. aerodinâmico e reversor... o piloto pode acionar o reversor se achar necessário Freio aerodinâmico acionado com que o ar da turbina vá para a frente >> O equipamento faz 60 km/h é a velocidade máxima da aeronave ao taxiar no final da pista antes do desembarque 204 km/h (110 nós) e (130 nós) Dependendo do avião... ex-piloto da TAM e coordenador do curso de ciências aeronáuticas da Universidade Católica de Goiás. Técnicos apontam ainda que a pista do aeroporto.. da Rede Globo....E teve problema com um dos 3 Perto do fim da POR QUE É USADO COM FREQÜÊNCIA? MEMÓRIA JN .. AMPARO ..... porque a pista é curta investigações apontaram uma falha no reversor como principal causa No acidente do Fokker-100 da TAM pista. em vez de começar a desacelerar. trem de pouso é acionado Asa Joel Silva/Folha Imagem Empresa diz que manual autoriza vôo sem o reversor . dia 13............... “Há sistema de freio de rodas....... no reversor do lado direito No acidente do Fokker-100 da TAM em 1996.... AMPARO - O problema no reversor direito do Airbus-A320 da TAM não seria suficiente.......Nós investigamos três meses antes do ocorrido e não encontramos nenhuma pane significativa.. mas que esse “não era caso declarado” em Congonhas no dia do acidente... que é projetado para parar com freios das rodas e aerodinâmico........ DE NOVA YORK A Airbus acha prematuro fazer qualquer comentário sobre o acidente.. reversores na sexta-feira? AMPARO .. “Por exemplo. em Congonhas....... por isso responde com considerações genéricas. A aeronave possui dois.. RUI AMPARO ....... Amparo.. “A pista com certeza tinha problemas de aderência”.... afirma ele. afirmou: “O reversor direito estava travado.... que matou 99 pessoas.......... como arremeter >> A pista estava molhada e escorregadia.......... mas: esqueceu de desligar o reversor ou o equipamento não desligou ou a turbina esquerda estourou Ele passou a voar sem o reversor direito.... o que não foi suficiente para parar com a pista molhada Em seguida.... professor da USP de São Carlos....... 20 DE JULHO DE 2007 ef ef SEXTA-FEIRA. “exceto em pistas muito contaminadas”. Oficiais da Aeronáutica tam- MR1 1.... situações que poderiam potencializar as conseqüências de uma falha mecânica como essa. algo que potencializa as dificuldades. DA REPORTAGEM LOCAL Reversor aberto Redireciona o ar da turbina. Na entrevista... Segundo ele... O piloto e engenheiro aeronáutico James Waterhouse.... as >> Economiza os freios dos pneus >> Em Congonhas... afirmou que “não há alteração de performance” da aeronave sem esse sistema.Então desde sexta.. diz Apostole Lack Chryssatidis. 20 DE JULHO DE 2007 cotidiano C3 TRAGÉDIA EM CONGONHAS/CAUSAS TRAGÉDIA EM CONGONHAS/CAUSAS POSSÍVEL EXPLOSÃO Aparentemente... Já Bologna disse que “os manuais da Airbus mostram que reversor não era requerido para este pouso”... Pane significativa significa alguma pane que pode alterar o seu padrão de vôo significativamente.. ele é só um instrumento extra para ajudar a frenagem do avião.. sófalhamecânica nãoexplicaacidente Na opinião de técnicos ouvidos pela reportagem....... A aeronave não depende dos reversores para frear nas situações normais... até porque economiza freio das rodas. A aeronave pode arremeter sem precisa estar entre tocar a pista… …ou tocando a pista e retomando velocidade 241 km/h Na aproximação. o avião passou a voar sem o reversor? JN .... O avião tem que ser capaz de parar mesmo sem reversor...... se os problemas no reverso foram somados à aquaplanagem”..0 Ele está nos manuais... Em nota divulgada ontem à noite.... o manual manda que você iniba mecanicamente esse dispositivo.. Com a passagem do ar pelo equipamento.. diz Raul Francé Monteiro. são essenciais.... e pelo vice-presidente técnico... como se vê numa câmera do aeroporto de Congonhas OS PROBLEMAS NA ATERRISSAGEM DO AIRBUS DA TAM VELOCIDADE Segundo a Infraero. então. da TAM antes do acidente A FUNÇÃO DO REVERSOR O avião é projetado para parar com os freios das rodas e o aerodinâmico.... é difícil pousar sem uso do reversor. Em situações normais. os freios dos pneus são acionados assim que a aeronave toca o solo AUXÍLIO DO REVERSOR COMO FUNCIONA O REVERSOR Foto Divulgação >> No momento da 11 segundos é o tempo que outros aviões levaram para atravessar o trecho filmado pela Infraero PROCEDIMENTO PARA ARREMETER frenagem. Fokker-100 da . prefere não fazer comentários a respeito do acidente.. esse avião foi investigado três meses antes do acidente e não foi constatada “nenhuma pane significativa”.. Pedro Goldenstein. Saída de gases Turbina Fluxo de ar JN ..... No acidente do Fokker-100 da TAM em 1996...... a aeronave se mantém em uma velocidade alta ou em aceleração HIPÓTESES >> Pane no reversor >> Freios não funcionaram >> Falhas nos pneus ou no sistema que permite nova subida >>O comprimento da pista pode ter sido curto para uma manobra emergencial. que poderia “alterar os padrões de vôo significativamente”.. mas você pode liberar o avião para vôo por dez dias... Todo mundo aciona.Mas na sexta-feira ela apre- Saída de gases Turbina Outras falhastécnicas.. um de cada lado.... se a pista estiver úmida —chovia no momento do acidente de terçafeira—.Teve uma mensagem em um dos reversores... mas sozinha não é um fator decisivo”. segundo alerta dos controladores...... a TAM admitiu a desativação do reversor direito do Para Airbus. Na nota.. as investigações apontaram problemas no reversor direito como principal causa ........Não é considerado grave esse tipo de alerta? AMPARO . “O acidente é uma reunião de fatores contribuintes..... a aeronave sai da trajetória e vira à esquerda antes de passar por cima da avenida Washington Luís e atingir o prédio HIPÓTESES >> O desvio pode ter sido causado pela explosão ou por falha no reversor >> Pode ter havido algum obstáculo na pista CURVA E COLISÃO ParaTAM.... (EVANDRO SPINELLI E ALENCAR IZIDORO) Absolutamente..Não... Permite que o ar da turbina passe livre.........Qual é o histórico dessa aero- Airbus-A320. Há........... pela lacração do equipamento e liberação da aeronave para funcionar com esse instrumento operante só do lado esquerdo. � nave que se acidentou aqui no aeroporto de Congonhas? JN .C2 cotidiano SEXTA-FEIRA. a velocidade do avião estava dentro do normal TOQUE NO SOLO O avião tocou o solo nos primeiros 300 metros da cabeceira FRENAGEM Após tocar o solo.... Isso porque. ajuda a aumentar o atrito do avião com o chão Asa FREIO Com sistema antiderrapante... os reversores funcionam como instrumentos adicionais para a desaceleração.... em que afirma que o manual autorizava vôos.. A TAM soube na sexta-feira de um defeito no reversor —que auxilia a frenagem— do lado direito do avião prefixo PT-MPK....... Quando a pista está molhada.. no momento em que o avião saiu da pista Após a possível explosão.. falta de aderência napista de Congonhas eeventuais erros do piloto são apontados como possíveis causas . A falta de “grooving”...... acidente deve ter sido provocado por um conjunto de problemas 1 O sistema de reversores ficou com apenas 50% da capacidade... Marco Antonio Bologna......0 89... Nós podemos liberar com até dois reversores inoperantes. travado... as investigações apontaram problemas no reversor direito como principal causa. ao ser questionado se poderia ter ocorrido problema semelhante ao do acidente de 1996... embora usado praticamente em todos os pousos do tipo. para provocar o acidente de terça-feira.940 m é o comprimento total da pista principal de Congonhas COMO É UM POUSO CORRETO 300 m: avião deve tocar a pista 560 m: são usados para frear ou decidir se é preciso arremeter 750 m: aeronave deve continuar diminuindo a velocidade 330 m finais: área para emergência FREIO AERODINÂMICO 200 km/h a 240 km/h é a velocidade usual de um Airbus-A320 ao tocar o solo É acionado quando o piloto freia.... em condições previstas dentro das normas desse tipo de avião e que não coloca qualquer obstáculo ao pouso previsto em Congonhas”. Aquela pista não oferece as condições ideais... o piloto decidiu arremeter..... diz que........ provocando a morte de pelo menos 196 pessoas..... O comunicado diz que esse procedimento “não configura qualquer obstáculo ao pouso da aeronave” e que essa informação foi dada pelo presidente da empresa... em entrevista coletiva anteontem...... diretor-presidente da Abetar (Associação Brasileira de Empresas de Transporte Aéreo Regional). ao Jornal Nacional.... que matou 99 pessoas. 4 dias antes do acidente que provocou a morte de 196 pessoas.aviãopode pousarcomdefeito nosistemadefreios O Airbus-A320 teve problema... Só uma conjunção de fatores pode explicar o acidente.. Na sexta-feira ela tinha um reporte de um sinal de mau funcionamento de um dos reversores... mas não é computado no cálculo da performance do avião”... DA REPORTAGEM LOCAL DA SUCURSAL DE BRASÍLIA O Airbus-A320 que se acidentou na terça-feira em Congonhas.. porém. funcionando como um freio 2 O avião começou a puxar para o lado esquerdo FOTO 2... Pe- Avião começou a virar para a esquerda Dois dias após acidente.. a TAM diz que “a empresa reafirma que não teve registro de qualquer problema mecânico neste avião no dia 16 de julho [segunda-feira]” e que.... pode ter dificultado a frenagem 3 segundos o avião levou para atravessar o trecho filmado pela Infraero 167 km/h era a velocidade da aeronave....

nos jornais os infográficos apoiam as matérias e geralmente especificam algo que já foi falado na matéria. escolha de imagens confusas Os leitores precisam de referenciais para se situar. Vale lembrar também que estilo visual do infográfico deve estar de acordo com o teor da informação. estabeleça hierarquias e relações entre essas hierarquias para que o infográfico não seja apenas um texto ilustrado. E têm estas perguntas como norte de seu trabalho. As principais sacadas dos infografistas da Folha foram Pré estabelecer o máximo o possível de elementos do infográfico como: setas. pense em como você aprenderia sobre o assunto se fosse totalmente leigo para julgar o que é necessário ou não. onde o infografista leva o impresso para o editor. e faz quantas alterações forem necessárias Depois de revisado. a alma de um infográfico é o seu poder de estabelecer relações entre seus elementos. O infográfico deve “falar a língua” do público alvo e utilizar referências que sejam populares entre esse público. mas o que não têm no banco tem que ser feito na hora! A FÓRMULA DA INFOGRAFIA Em qualquer outro meio: Conteúdo No Jornal: Conteúdo + + Para Quem Para Quem + = + = Suporte Pressa! Estilo visual Estilo visual A lição w ww. Informações Con itantes Informações erradas.COMO SÃO FEITOS INFOGRÁFICOS EM JORNAIS? O DIA A DIA DA INFOGRAFIA NO JORNAL O fechador distribui os trabalhos entre os infografistas Editoria de Arte Horários apertados + conteúdo extenso e complexo = informação acessível e rápida. Acompanhe a seguir os principais passos percorridos por estes profissionais na Folha de São Paulo para solucionar esse problema. os chamados infografistas. este banco tem imagens como mapas. A B C PECADOS MORTAIS Falhas de desenho Proporções erradas.net . Proximidade. Relações visuais confusas ou que dêem margem a interpretações aleatórias Detalhes demais e recortes de assunto exagerados Não utiliza uma linguagem compreensível para o leitor Excessos Fora do contexto do leitor . conceituação. ilustrações. grande parte do seu fator de compreensão deve-se a este caráter. Utilize os princípos para criar hierarquias e relações entre os elementos do infográfico Um infográfico é uma obra de design gráfico. Ilustração Vetorial por ser uma técnica rápida e facilmente adaptável foi adotada principal meio de representação. Por que de uma hora para outra podem pedir para mudar o trabalho de tamanho por que entrou uma publicidade enorme no lugar. que detalhe diferencia esta etapa da anterior? Evidêncie estes detalhes. Ordene os níveis de informação. Cruze diversas fontes de informação. o infográfico é exportado no formato eps. por exemplo: em um infográfico sobre dinossauros.. Um bom infográfico deve fornecer fornecer parâmetros ao leitor. podemos colocar a silhueta de um ser humano para dar ao leitor a noção do tamanho do dinossauro em relação ao ser humano. ic FERRAMENTAS Vetores Mapas Fotogra as Nas redações dos grandes jornais. Esta equação que parece ser impossível de ser resolvida é a realidade do dia a dia de muitos profissionais dentro das redações dos jornais pelo mundo a fora. não confie só no que aquele grande site diz. hoje em dia com a internet isso ficou extremamente fácil. Imagine por exemplo um processo. tente compreender o que é interessante ser visualizado primeiro e posteriormente. objetos e partes do corpo. O infográfico é inserido na sua respectiva página.com Tente saber o máximo sobre o assunto. fontes imprecisas ou em desacordo com a matéria Metáfora Visual Falha dúvida Elimine todas as possíveis dúvidas do leitor. com textos e imagens claras e objetivas. Defina o seu público alvo Coleta de Informações Análise de Informação Hierarquização das Informações Fornecer Parâmetros Seja específico Princípios do Design jdjaha nono’ jajaja l So to en am ão ch iç Fe ed da ão aç o rt iv po qu Ex ar o sã do vi re ra ei rc ão Te eç rr co a nd o sã gu vi Se re a nd gu Se ão eç rr Co o sã são s vi Re pre Im éa st Pr afi gr fo In do a ir or ne ad Pe ch fe ão ç ita DÚVIDAS ETERNAS DE UM INFOGRAFISTA O quê aconteceu? Por quê? Onde? Quando? Como? O infografista é o profissional que “habita” a editoria de arte e é responsável por produzir os infográficos.. Separe o “joio do trigo”. também procure identificar qual informação ficaria melhor como texo e qual como imagem. contraste. 9:00 hrs 14:00hrs 17:00hrs 18:30hrs 19:30hrs 20:00hrs Informam ao “fechador” (o cara responsável por distribuir o trabalho aos infografistas) os infográficos necessários para a edição do jornal PENSANDO COMO UM INFOGRAFISTA Foco ou recorte Delimite o assunto. vetores. pense qual caminho percorreria para entender esta informação? E que elementos seriam necessários? Fotos. tabelas ou mapas. Então começa a fase de revisão. cores e outros elementos visuais que se repitam na peça. grids. os infografistas têm acesso a um acervo de fotografias e a um banco de imagens vetoriais. o jornal é fechado e enviado para a gráfica. A coerência das informações textuais e visuais são fundamentais para a compreensão.

. PACAEMBU Memorial da América Latina R.0 16.... S... fin ão .. São 20 mil largando. As provas estão cada vez mais disputadas”... SÃO JOÃO Dica: Não deixe de se hidratar. Os atletas de 50 a 59 anos melhoraram as marcas. Naquele ano. É importante não perder o ritmo R. masmuitofelizporque conseguiucruzara linhadechegada CARLOSMARCHETTI corredor de 84 anos... Convém usar gel de carboidrato e beber água.. É uma disputa gostosa... Amaral Gurgel 782 m 13. Carlos Marchetti é um exemplo dos efeitos desse novo ingrediente na vida dos idosos.. E quem abraça o esporte competitivo tem desempenho cada vez mais destacado. Já os jovens com até 19 anos foram 1min21s mais velozes.. (MARIANA LAJOLO E PAULO COBOS) Copan Dica: A descida já acabou. Na mais tradicional prova de rua do país.. o mais velho inscrito na São Silvestre FOTO 4. é dá m o ve ais pio is de de 2 r re ta Ademar Tristão Filho abandonou os jogos de várzea em 1976. RUDGE Dica: O percurso é cheio de curvas. entre outras.. PAULISTA LARGADA 0 km 816 m 1 km 817 m Igreja Imaculada Conceição CHEGADA 15 km 816 m AV.. Marchetti treina por cerca de uma hora e meia três vezes por semana. 15km e vi que dava.. Sergipe 2 km 792 m Mackenzie Av. e o asfalto se alterna com paralelepípedos. Não exagere na aceleração.. BRIGADEIRO LUIZ ANTÔNIO Cemitério da Consolação Dica: A temível Brigadeiro começa com aclive 14 km acentuado. Também continua trabalhando em sua oficina. não agüentou ficar parado. agenteficacansado. Luís AV... Nãoexistepremiação. mas eu quero mais”.. S -01 ão ia..... No ano passado. Não saia atropelando todo mundo R. Aí passei a correr 5km. Roosevelt Marcas obtidas pelos atletas com mais de 60 anos são as que mais caem na tradicional prova de rua de São Paulo DA REPORTAGEM LOCAL Igreja da Consolação 19˚ 32˚ Nível extremo de radiação UV Apesar do horário. Pç 754 m IZ UN M A. Hoje. vice-campeão em sua faixa etária na Volta da Pampulha. Na categoria até 29 anos... Masculino 1h25min23s Feminino 1h35min58s Eduardo Asta/Folha Imagem W al M ar t au do ab le ng Va nha A ... .E fig ên ia Dica: Parabéns.... ia ar M R. pois o desgaste poderá ser sentido mais à frente Hospital Pérola Byington Idade não pesa para quem corre na São Silvestre Sol entre nuvens. a expectativa média de vida do brasileiro atingiu 71.. Dá para admirar prédios históricos. a ul Pa Mín. Prefira as que favorecem a absorção do suor AV. apenas os corredores das categorias com mais de 60 anos tiveram melhora significativa no tempo médio de percurso se comparado 2006 a 1998. novas tecnologias. RIO BRANCO D Z ica: ca efer Par S mp ina a M tre ilves eã Ba ar km ch tre da lda ia S in o. só piora”. Faça alongamento e beba água Dica: Até a mais paulistana das provas sofre com engarrafamento. em 2006.. “Tenho um bom nível de treinamento... use protetor solar Máx. é o mais velho inscrito.. os homens saltaram de 1h19min32s para 1h23min31s. Embora curta. O pior já passou. 12 km 747 m AV..9 anos.. 10km.. PAULISTA 811 m CONHEÇA O CIRCUITO DA PROVA Gire a página para ler Paraatletas Feminino Masculino e geral 15h15 16h30 16h45 MASP Conjunto Nacional AV. E logo a paixão pelo futebol deu lugar ao tênis e a quilômetros e quilômetros de passadas. apresentaram leve evolução.. queda da mortalidade infantil e na prática de atividades esportivas. Radial Leste Largo São Francisco sa bo ar iB Ru R.. é acentuada nos primeiros 150 m. A prova feminina foi pior... É normal perder um pouco de tempo na aglomeração Av. 5 km l be Isa sa ce in Pr a... neutro ou supinador) Elevado Costa e Silva (Minhocão) Dica: É a primeira subida da prova.superarseus limites edormir bem ADEMARTRISTÃOFILHO corredor de 65 anos que vai disputar a São Silvestre Carlos Marchetti. afirma o competidor.9 Av lho Ju de km 10 5 73 m Vaselina: Passar nas axilas. Seu corpo. quando fica parada.. seguida por subida menos desgastante e nova ladeira após o viaduto do Bexiga Dica: Não pare de imediato após ultrapassar a linha.. IPIRANGA 3 km 750 m Pça. 941º no geral —havia 15 mil inscritos.. NORMA GIANOTTI SÉ JO R. os veteranos cumpriram o circuito em 1h33min44s.D4 esporte SEGUNDA-FEIRA. aos 65 anos. “Eu comecei andando.. foi quarto na sua categoria. estará na Paulista novamente. confortável e de cor clara. a marca caiu de 1h55min35s para 1h47min39s. “Meus filhos correm e me incentivaram. como o Teatro Municipal.. Alguns. e o percurso volta a se afunilar.. “O número de atletas com mais de 60 anos só aumenta.... 84... no entanto. incentivando..5 km Av. Você já percorreu 12 km.. diz... mas é importante manter a hidratação para completar a prova Teatro Municipal Dica: É o início do centro velho. Segundo censo do IBGE divulgado no último ano. É preciso cuidado para não escorregar 7 km 747 m COMPARE O SEU TEMPO* SPLIT ALARM Elite *Tempo dos vencedores em 2006 **Média de todos os atletas em 2006 Consultoria técnica: Cláudio Castilho (Pinheiros e equipe Saúde & Performance) e Frederico Fontana (equipe Quality Life) Imagem ilustrativa Masculino 44min07s Feminino 51min24s Geral AV. é exemplo de um movimento comprovado pelas marcas da São Silvestre. mas começo a perder espaço.. mas de forma bem menos significativa (44s para mulheres e 9s para homens)... MARTA 6 km 751 m HR.. A maioria dos corredores inscritos na prova pioraram os tempos. Mas só use o gel se estiver habituado Dica: O viaduto é um teste para ver quem está com energia..00 O númerode atletasidosos cresceem progressãogeométrica. arriscou-se na São Silvestre. com pancadas de chuva .. a média foi de 1h36min56s...O prêmioé temum corpo saudável. Uma pessoa de idade.... A explicação para este crescimento está no maior acesso a cuidados médicos.. R. virilha e mamilos para evitar assadura por conta do atrito durante a prova Camisa: Leve.... Alguns descobrem a corrida nessa idade”. Apesar de festejar o incremento da modalidade. o corredor pena com novos rivais. Começou a correr há oito anos e. de 1h28min51s para 1h38min31s... dieta balanceada. 31 DE DEZEMBRO DE 2007 Bruno Miranda/Folha Imagem ef Afestaémuito bonita. Entre as mulheres. o mais antigo registrado. Cada vez mais os idosos brasileiros se dedicam a atividades físicas. A subida é acentuada. diz Tristão Filho. DA CONSOLAÇÃO Dica: É a descida mais acentuada e quando a muvuca se dissipa.temgentena ruaaplaudindo.. Aproveite para se soltar e ganhar ritmo 4 km 750 m gel Shorts: De cor clara e confortável.. mas não é longa 8 km 750 m Meias: As estilo sapatilha deixam o pé mais livre para a corrida e também ajudam a absorver suor Tênis: Use um apropriado para corrida de acordo com sua pisada (pronador... corre uma hora e meia três vezes por semana e hoje estará na São Silvestre pelo segundo ano consecutivo Gazeta AV. Na São Silvestre-2006.. Pça. Hoje... Aos 84 anos. deve ter um bolso para transportar o gel de carboidrato Dica: É o início do maior retão da prova. diz ele. no entanto.G let e 9 km 790 m AV.Nofinal. que preside a Associação dos Corredores do Espírito Santo........ da República O QUE USAR NO DIA DA PROVA Boné: Usar de cor clara e bem ventilado Vi ad ut oS ta . Essa é minha segunda São Silvestre. Prepare-se para o trecho final Largo do Paissandu 11 km 720 m Al .

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