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socorrismo

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  • Dever-se-á ainda em todas as situações:
  • EXAME GERAL DA VÍTIMA E SINTOMATOLOGIA
  • FUNÇÕES VITAIS:
  • OS 10 MANDAMENTOS DO SOCORRISTA:
  • PRIORIDADES DE SOCORRO:
  • EMERGÊNCIAS CARDIO-RESPIRATÓRIAS
  • SUPORTE BÁSICO DE VIDA
  • NOÇÕES DE ANATOMIA E FISIOLOGIA
  • PARÂMETROS DE UMA VENTILAÇÃO NORMAL
  • Tempo sem ventilação: Efeitos:
  • COM APARELHOS :
  • O percurso será então assim :
  • 1 . Avaliar a resposta da vítima
  • 3 . Se não responde :
  • 4 . Se o doente respira - ( Plano de Acção B )
  • 6 - Sem ventilação nem pulso = paragem cardio-respiratória (Plano de acção D)
  • - Fazer 2 insuflações
  • NOTAS :
  • VENTILAÇÃO
  • COMPRESSÕES CARDÍACAS
  • SITUAÇÃO PROCEDIMENTO 1 SOCORRISTA 2 SOCORRISTAS
  • O CHOQUE
  • DEFINIÇÃO E CAUSAS
  • PRIMEIRO SOCORRO GERAL
  • P.L.S.- (Posição Lateral de Segurança)
  • CHOQUE SÉPTICO E ANAFILÁTICO
  • HEMORRAGIAS
  • - SAÍDA DE SANGUE DO SEU CIRCUITO
  • Funções Vitais:
  • Outros Parâmetros:
  • E ainda:
  • LESÕES NA PELE
  • FERIDAS
  • QUEIMADURAS
  • Profundidade:
  • LESÕES PROVOCADAS PELO FRIO
  • INTOXICAÇÕES AGUDAS
  • Primeiro Socorro Geral
  • Primeiro Socorro Específico
  • Atenção: seguir rigorosamente as indicações no rótulo
  • ATENÇÃO - EXCEPÇÕES:
  • LESÕES DO TECIDO ÓSSEO E MUSCULAR
  • FRACTURAS
  • LESÕES ARTICULARES
  • TRAUMATOLOGIA
  • TRAUMATISMOS CRANIOENCEFÁLICOS
  • TRAUMATISMOS MAXILOFACIAIS
  • TRAUMATISMOS VERTEBROMEDULARES
  • TRAUMATISMOS TORÁCICOS
  • TRAUMATISMOS ABDOMINAIS
  • TÉCNICAS DE ADMINISTRAÇÃO DE OXIGÉNIO (O2 )
  • PORQUÊ ADMINISTRAR O2?
  • SINTOMATOLOGIA
  • A GARRAFA DE OXIGÉNIO
  • COMO MANUSEAR O EQUIPAMENTO
  • COMO ADMINISTRAR O2
  • COMO APLICAR UMA SONDA
  • CATETER NASAL (vulgo ‘Óculos Nasais’)
  • QUE QUANTIDADE DE O2 ADMINISTRAR?
  • RECAPITULANDO
  • E SE NÃO HOUVER VENTILAÇÃO ESPONTÂNEA?
  • QUANTO TEMPO DURA O OXIGÉNIO DE UMA GARRAFA?
  • C x P d
  • EMERGÊNCIAS OBSTÉTRICAS: O PARTO DE EMERGÊNCIA
  • EMERGÊNCIAS MÉDICAS
  • EPILEPSIA:
  • ATAQUE CARDÍACO
  • DIABETES
  • HIPERVENTILAÇÃO
  • LEVANTAMENTOS E TRANSPORTES
  • 1. LEVANTAMENTOS
  • 1.1. Levantamento tipo ‘COLHER’:
  • 1.2. Levantamento tipo ‘PONTE’:
  • 1.3. Levantamento de traumatizados de coluna:
  • 2. TRANSPORTES
  • REMOÇÃO DE CAPACETES
  • TÉCNICA DE REMOÇÃO DE CAPACETES
  • FASES DA REMOÇÃO:
  • A MALA DE PRIMEIROS SOCORROS
  • RECURSOS BIBLIOGRÁFICOS

SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________

Prólogo
Este guia é incluído no presente CD-Rom, com o intuito de facultar aos Formadores HST, algum suporte extra para ministrar o módulo de Primeiros Socorros. É de primordial importância levar em conta que, a simples leitura do mesmo, não habilita à prática do Primeiro Socorro e muito menos ao seu ensino. Para tanto, é requerida a formação adequada e respectiva certificação emitida por entidades idóneas. Como auxiliares pedagógicos complementares, o presente texto deve ser concomitantemente utilizado com recurso ao banco imagens anexo, o qual pode ser usado em apresentações multimédia ou simplesmente na elaboração de transparências. De igual forma, foi incluído um conjunto de pequenos vídeos ilustrativos de algumas das técnicas descritas. A equipe do sub-projecto HST do DELFIM, deseja a todos os Colegas um Bom Trabalho.

_________________________________________________________________ Página 1

SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________

INTRODUÇÃO
Primeiro Socorro é, por definição, o conjunto de medidas tomadas na presença de um acidente ou doença súbita, no sentido de melhorar ou pelo menos estabilizar o estado da(s) vítima(s). É fundamental que o Socorrista interiorize um conjunto de técnicas, que lhe permitam intervir rapidamente numa situação de emergência, de forma correcta. Estas técnicas, constituem o... Plano de Actuação do Socorrista - Proceder a uma rápida análise da situação (primeira triagem) - Prevenir (ou proteger) o local e as vítimas, evitando o agravamento da situação - Providenciar o ALERTA das entidades de socorro - Socorrer o(s) sinistrado(s) O Alerta, deverá ser preferencialmente efectuado para uma das seguintes entidades: - Número Nacional de Emergência (I.N.E.M.) (112) - Bombeiros - C.V.P. - P.S.P. / G.N.R. - Outras

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SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________

AO EFECTUAR O ALERTA, NÃO ESQUEÇA:

Referir o tipo de situação Indicar o local exacto, com pontos de referência Indicar o número de vítimas e o respectivo estado provável Referir a existência de situações especiais (vítimas encarceradas, combustíveis derramados, situações de socorro prioritário, etc.) Indicar o seu número de telemóvel, ou outro para confirmação do alerta, ou contacto em caso de necessidade SÓ DESLIGAR A CHAMADA DEPOIS DA CONFIRMAÇÃO DO CENTRALISTA Dever-se-á ainda em todas as situações: ♦ Afastar o perigo da(s) vítima(s) ou a(s) vítima(s) do perigo. ♦ Proceder ao desaperto de roupas ao nível do pescoço, tórax e abdómen, a fim de permeabilizar as vias aéreas.

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dá-se o nome de sinais. ♦ MUITO IMPORTANTE: SE NÃO SABE. que nós poderemos avaliar aproximadamente o seu estado. constitui o chamado Exame Primário da Vítima. ou traumatismos mais ou menos óbvios. NÃO MEXA. EXAME GERAL DA VÍTIMA E SINTOMATOLOGIA Aos dados que o Socorrista pode verificar directamente na vítima. deverá ainda ser efectuado o Exame Secundário. Tudo aquilo de que a vítima se queixa. que consta da busca de possíveis lesões em qualquer parte do corpo da vítima (da cabeça aos pés). são os sintomas.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ ♦ Examinar periodicamente e manter / repor Funções Vitais. Ao conjunto de sinais e sintomas. _________________________________________________________________ Página 4 . Para além deste. SALVO SE APARECER UM TÉCNICO CREDENCIADO. bem como da presença de hemorragias. NEM DEIXE MEXER NAS VÍTIMAS. dá-se o nome de sintomatologia e é através desta e eventualmente dos antecedentes clínicos da vítima. choque. A pesquisa dos parâmetros indicados.

L. choque cardiogénico. Conforme a resposta.).). Ele é de facto muito importante e. etc. caso não recupere a consciência.. será de considerar a colocação em Posição Lateral de Segurança (P. em alternativa.. 2 – VENTILAÇÃO _________________________________________________________________ Página 5 . são cinco e devem ser avaliadas na seguinte ordem: 1 . pernas elevadas a cerca de 30 cm do solo.S. como o traumatismo craniano.ESTADO DE CONSCIÊNCIA Estimule a vítima. FUNÇÕES VITAIS: As Funções Vitais (ou Parâmetros Vitais). O Exame Geral da vítima.cabeça mais baixa que o resto do corpo ou. chamando por ela e tocando-lhe nos ombros. colocar na posição de Trendelenburg . ela encotrar-se-á consciente ou inconsciente (se inconsciente. se por um lado por vezes não existem condições para o efectuar no local do sinistro. deficiências ventilatórias. salvo em situações que o impeçam. na primeira oportunidade deve ser posto em prática.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ O Socorrista não se deve deixar confundir pelo termo exame secundário. inicia-se com a pesquisa das.

ou nas artérias radiais (pulso periférico).SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Entrada e saída de ar. rondará os 25 c. efectua-se preferencialmente nas carótidas (pulso central).m. Já uma criança pequena. Ao conjunto destes dois movimentos dá-se o nome de Ciclo Ventilatório. Devem ser pesquisadas: Frequência: rápida ou lenta Amplitude: superficial ou profunda Como referência. uma frequência ventilatória de aproximadamente 12 a 15 c.PULSO Traduz a actividade do coração e deve ser palpado com os 2º e 3º dedos da mão (indicador e médio) e nunca com o polegar. tenha em conta que um adulto de estatura média. 3 . resultam os Frequência (número de pulsações por minuto): rápido ou lento Amplitude: forte ou fraco Ritmo: rítmico ou arrítmico Simetria: simétrico ou assimétrico _________________________________________________________________ Página 6 . através dos movimentos inspiração e expiração. Da completa pesquisa seguintes parâmetros: do pulso. A referida palpação.p. nas mesmas circunstâncias. terá em repouso. (ciclos por minuto).p.m.

SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ 4 .TEMPERATURA A temperatura corporal deve ser mantida tão próxima quanto possível dos seus valores normais (36.5 / 37º C). para mais ou para menos. outros parâmetros e condições devem ser pesquisados. já que. se poderão tirar importantes conclusões acerca do estado da vítima. pelo que a temperatura deve em todos os casos ser pesquisada e mantida / reposta. Poder-se-á apresentar: Elevada: hipertermia Baixa: hipotermia 5 . Elevada: hipertensão Baixa: hipotensão Para além das funções vitais. da conjugação dos valores obtidos. não pode deixar de ser referida como fazendo parte das funções vitais. a saber: _________________________________________________________________ Página 7 .PRESSÃO ARTERIAL Embora não possa ser correctamente medida sem o auxílio de um aparelho próprio para o efeito (esfigmomanómetro). poderão provocar lesões diversas. Quaisquer alterações consideráveis destes valores.

A vítima deverá ainda ser questionada quanto às principais queixas que apresenta. que poderá ser pálida. ou Traumatismos Graves. deverão ser analisadas as pupilas (menina do olho). principais alergias e medicação que esteja a seguir. além da temperatura. por exemplo. _________________________________________________________________ Página 8 . torna-se necessário que o Socorrista saiba aquilo que são considerados os valores ‘padrão’. As tabelas abaixo.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ ♦ Na pele. em simultâneo. traduzem esses valores. ♦ Deve-se também. ventilação ou pressão arterial. Hemorragias consideráveis. contudo. para que possa determinar os desvios da normalidade. procurar sinais evidentes de Choque. deverá também ser verificada a cor. VALORES DE REFERÊNCIA: Relativamente à verificação dos parâmetros relativos ao pulso. tem em repouso as suas frequências ventilatória e cardíaca normalmente abaixo das consideradas padrão. atenção pois os parâmetros variam de pessoa para pessoa. Poderão ainda estar simétricas ou assimétricas e ter ou não reacção à luz. ♦ Nos olhos. as quais se poderão encontrar dilatadas (midríase) ou contraídas (miose). bem como ao seu historial clínico. cianosada ou ruborizada e ainda o grau de humidade (transpiração). Um atleta de alta competição.

Um Socorrista deve ter sempre presentes algumas normas pelas quais deverá reger a sua conduta.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ TABELA DE FREQUÊNCIAS VENTILATÓRIAS PADRÃO ESCALÃO ETÁRIO Adulto Adolescente Criança Infante FREQUÊNCIA VENTILATÓRIA (Ciclos Por Minuto) 12 a 20 CPM 15 a 25 CPM > 25 CPM TABELA DE FREQUÊNCIAS CARDÍACAS PADRÃO ESCALÃO ETÁRIO Adulto Adolescente Criança Infante FREQUÊNCIA CARDÍACA (Pulsações Por Minuto) 60 a 100 PPM 100 a 120 PPM > 120 PPM Omitimos intencionalmente a tabela referente a pressão arterial. _________________________________________________________________ Página 9 ... Eis o que deve e igualmente importante o que não deve fazer e que chamaremos de. dado que neste caso as variações são normalmente consideráveis de pessoa para pessoa e não vemos grande utilidade prática na sua inclusão neste capítulo.

procurar pesquisar. Não deve pois. vigiar e manter as Funções Vitais das vítimas. não deve. partir do pressuposto que determinada vítima se encontra biologicamente morta. 2. _________________________________________________________________ Página 10 . 3.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ OS 10 MANDAMENTOS DO SOCORRISTA: 1.O Socorrista não possui suporte legal para determinar óbitos.O Socorrista deve em quaisquer circunstâncias.A obrigação legal e moral de um Socorrista é promover a manutenção de vida. salvos casos muito excepcionais. pelo que. confrontar-se com a dúvida se valerá ou não a pena recuperar determinada vítima.

cada caso deve ser analisado de per si.No seguimento do ponto anterior. toda e qualquer vítima necessita de manter as suas vias aéreas perfeitamente libertas. 5. As técnicas de primeiro socorro estão em constante aperfeiçoamento e são esquecidas quando não praticadas. exceder os limites da sua competência.Porque não irá encontrar 2 situações iguais.Salvo as devidas excepções devidamente referenciadas. 8.O Socorrista deve ter presente que em primeiro socorro dificilmente lhe surgirão 2 situações perfeitamente idênticas. o Socorrista deve aproveitar as oportunidades que lhe surjam para pôr em prática as técnicas que apreendeu no curso. portanto. sob pena de agravar o seu estado. _________________________________________________________________ Página 11 . soutiens. pelo que. quaisquer peças de roupa deverão ser desapertadas aos níveis do pescoço. 7. não devem ser administrados às vitimas quaisquer tipos de alimentos ou bebidas. etc.Salvo em casos muito pontuais de urgência e gravidade extremas. respeitar com rigor os prazos previstos para reciclar a formação. pelo que. 6. o Socorrista não deve sob qualquer pretexto. tórax e cintura (gravatas.). e tratado como tal. cintas. colarinhos.Só um treino frequente permite adquirir um nível aceitável de tecnicidade. fazendo uso de técnicas para as quais não esteja devidamente treinado e habilitado. 10. O Socorrista deve. sobre tudo o que for ensinado nos cursos. 9-. deve prevalecer o bom senso. pelo que.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ 4.

SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ PRIORIDADES DE SOCORRO: Nem todas as situações de Primeiro Socorro são igualmente importantes no que respeita à urgência e gravidade da situação. _________________________________________________________________ Página 12 . Como tal e para que o Socorrista saiba sempre por onde começar.

podemos ainda basear-nos no conhecido acrónimo ACHET: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ Asfixia Choque Hemorragias Envenenamentos Traumatismos Graves As restantes situações que não sejam de alguma forma relacionáveis com as anteriores. Como temos: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ exemplos de situações não prioritárias. estas situações poderão transformar-se em Socorro Prioritário. pelo que não devem ser menosprezadas. se preferirmos. serão consideradas de Socorro Não Prioritário. _________________________________________________________________ Página 13 . Feridas superficiais Queimaduras ligeiras Fracturas simples Pequenas hemorragias Etc… Mas atenção: Quando não socorridas devidamente. Não é invulgar que um paciente com lesões aparentemente sem importância. venha a entrar em choque e eventualmente a morrer por falta de acompanhamento adequado.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ consideraremos 5 situações designadas de Socorro Prioritário e que são as seguintes: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ Urgências cardio-respiratórias Choque Hemorragias graves Intoxicações agudas Traumatismos graves Ou.

SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ _________________________________________________________________ Página 14 .

........ a saber : • • • • Oxigénio (O2). quer devido a um bloqueio das vias aéreas. que por sua vez o distribui por todas as células do corpo..quantidade desprezável Dos gases acima referidos... e levando-o para os pulmões para ser eliminado na expiração.. cada vez que inspiramos. quer por outro motivo inerente ao _________________________________________________________________ Página 15 ....... na sua composição..... são os dois primeiros e muito especialmente o Oxigénio....21% Dióxido de Carbono (CO2). para o sangue.04% Azoto (N)... Quando este fornecimento é dificultado ou interrompido... já que todas as nossas células necessitam de receber Oxigénio para que a função de respiração celular se possa dar ... passando o O2...........78% Gases raros e vapor de água .. é um elemento gasoso que.. eliminando Dióxido de Carbono....SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ EMERGÊNCIAS CARDIO-RESPIRATÓRIAS SUPORTE BÁSICO DE VIDA NOÇÕES DE ANATOMIA E FISIOLOGIA O ar atmosférico é um componente fundamental para a vida do Ser Humano.............. para “viverem”. Basicamente........ O ar. captando o CO2 aí produzido..0. enfim.... o ar é introduzido nos nossos pulmões.. que desempenham papel de fundamental relevo no nosso organismo. tem diversos gases.. em proporções equilibradas de forma a garantir a nossa sobrevivência....

A boca e cavidade oral são _________________________________________________________________ Página 16 . ao cabo de 3 a 6 minutos sem O2. o ar segue o seguinte percurso : FOSSAS NASAIS: orifícios providos de pelos que filtram o ar. Existem ainda Quimioreceptores que reconhecem a qualidade do ar inalado. Ventilação = inspiração + expiração = ciclo respiratório Respiração é o fenómeno que se passa dentro da célula. APARELHO RESPIRATÓRIO . já que aqui não é aquecido.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ funcionamento da ventilação.VENTILAÇÃO Ventilação = entrada e saída de ar nos pulmões. (O ar pode também entrar pela boca. mas tal não é apropriado. o cérebro começa a sofrer lesões que dentro de pouco tempo serão irreversíveis. e é a essência da vida a nível celular. humidificado ou filtrado). o coração começa a funcionar deficientemente e se o problema não for corrigido. passados alguns segundos. Durante o movimento inspiratório. mucosas que o humedecem e um percurso sinuoso que o aquece. e que implica a troca de Oxigénio por Dióxido de Carbono. Assumindo portanto desde já a forte relação existente entre os Aparelhos Respiratório e Circulatório daremos conta em seguida de breves noções anatómicas e fisiológicas de cada um deles. bem como da sua patologia.

dispostos de forma similar a “pequenos cachos de uva” . de que fazem parte as cordas vocais.os alvéolos pulmonares. Os pulmões. bronquíolos e alvéolos pulmonares. em BRONQUÍOLOS: são os brônquios terminais antes de se dividirem em pequenos sacos . através de um processo de difusão. nos permitem falar. LARINGE: estrutura cartilagínea de forma piramidal. É nos alvéolos que o ar inspirado (rico em O2). devidamente articulados. BRÔNQUIOS: dividem-se sucessivamente brônquios cada vez de menor calibre. composta pela sobreposição de semi-anéis. TRAQUEIA: estrutura cartilagínea tubular. É. ALVÉOLOS: constituem a Unidade Funcional Pulmonar. são revestidos externamente por uma membrana _________________________________________________________________ Página 17 . cuja vibração origina sons que. FARINGE: pode subdividir-se em naso-faringe (a porção mais próxima do nariz) e oro-faringe (mais próxima da boca). Na sua extremidade inferior. mas são na verdade parte integrante dos aparelhos digestivo e fonador. a traqueia divide-se em duas estruturas tubulares denominados BRÔNQUIOS.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ auxiliares de aparelho respiratório. afinal constituídos essencialmente por brônquios. A laringe faz o desvio entre o ar que se dirige para a traqueia e os líquidos e sólidos ingeridos e que se dirigem ao esófago. portanto. nos alvéolos que se dão as trocas gasosas entre o ar inspirado e o sangue. passa para a circulação sanguínea enriquecendo o sangue em O2.

Outros músculos relevantes na função respiratória são.o pulmão) e o parietal (o que fica adjacente à caixa torácica). Sendo desprovidos de tecido muscular. A pleura tem dois folhetos. Em resumo. os pulmões não poderiam só por si contraírem-se ou expandir. é que ao dilatarem-se os pulmões. O que se passa na verdade. Como sabemos. as pressões tendem a igualar-se ( os gases movem-se sempre de uma zona de pressão mais alta para uma de pressão mais baixa até se igualarem ). acompanham o seu movimento. no movimento activo da ventilação -a inspiração-. Na expiração dá-se o processo inverso. já que a pressão decresce. sendo este movimento passivo. Para tal dependem do auxilio de diversos músculos (músculos respiratórios). Entre os dois folhetos o espaço é virtual. dilatando-se também. os intercostais (músculos entre os arcos costais). o diafragma.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ dupla denominada Pleura. o diafragma e os músculos intercostais contraem-se. entrando então o ar dentro dos pulmões. já que não requer esforço muscular. o visceral (que fica adjacente à víscera . cria-se um ligeiro vácuo no seu interior. Assim. já que. O controlo da respiração é feito por centros respiratórios localizados em áreas específicas do _________________________________________________________________ Página 18 . tem pressão negativa e tem como funções principais a manutenção da expansão pulmonar e o deslizamento sem atrito. expandindo a caixa torácica e permitindo a entrada do ar. até se igualarem as pressões interna e externa. encontrando-se os pulmões ligados àquelas estruturas. sendo o mais importante. a pressão atmosférica torna-se superior à existente no interior dos pulmões.

que detectam baixos níveis de O2. sons bem audíveis à auscultação em ambos os pulmões e movimento regular do tórax e abdómen. mais fortes são os impulsos emanados pelo cérebro. Embora a frequência respiratória varie de pessoa para pessoa e possa ser influenciada por factores diversos como o esforço físico.. podemos considerar _________________________________________________________________ Página 19 . deve ocorrer de forma ritmada. estimulando a ventilação em casos de hipoxémia (O2 baixo).. forçando a inspiração e portanto a renovação do ar. Esta detecção é feita a partir do teor de CO2 existente no mesmo. nas paredes da Aorta e nas carótidas. PARÂMETROS DE UMA VENTILAÇÃO NORMAL Uma ventilação normal . o cérebro envia impulsos nervosos através da espinal medula para o diafragma e músculos intercostais.. Assim. Embora menos eficazes que os anteriores. sem esforço.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ cérebro. provocando a sua contracção. mas em funcionamento em determinadas circunstâncias. existem outros sensores localizados no cérebro. como referência para o exame de uma vítima. Existe ainda um mecanismo de recurso que permite efectuar o controlo da ventilação. Quanto mais alto o teor daquele gás no sangue. levando a inspirações mais profundas e maior quantidade de inspirações por minuto ( polipneia ). com uma quantidade regular de ar inalado e expirado. Quando o teor de CO2 é demasiado elevado. funcionando com sensores que detectam a qualidade do gases que circulam difundidos no sangue. etc. necessitamos conhecer os valores padrão.

.. Após este exame. Sempre que procedermos ao exame de uma vítima..12 a 20 (C.. são: • Cor da pele : palidez ou cianose • Humidade da pele : pele seca ou húmida. podendo ter uma ventilação superficial ou uma ventilação profunda.M. poderemos constatar se a frequência se encontra acima ou abaixo dos valores padrão. Note-se contudo que estamos a referir-nos a valores padrão... na medida do possível sem que ela se aperceba que o estamos a fazer.. Tratando-se de uma função vital.......) Crianças ..P.. já que tal poderia falsear o resultado..15 a 20 (C.. que variam de pessoa para pessoa.... deveremos analisar a sua frequência ventilatória..M...P. Sinais indicadores de que algo de errado se pode passar com a ventilação para além da observação da frequência e amplitude...) Bebés...... • Retracções musculares : acima da clavícula intercostais • Adejo nasal (dilatação das fossas nasais).+ de 25 (C..... respectivamente)......SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ como ‘normais’ ..M. (taquipneia e bradipneia.A amplitude dos movimentos respiratórios é também um dado importante.... sempre que um doente esteja em paragem ventilatória ou esta seja ineficaz. .) NOTA: Outros valores podem ser encontrados noutros manuais.. a pronta actuação do Socorrista é fundamental _________________________________________________________________ Página 20 ....P... as seguintes frequências (em ciclos por minuto): Adultos..

quanto mais tempo a vítima se encontrar sem ventilar. _________________________________________________________________ Página 21 . libertar. problemas respiratórios que podem ir de um simples engasgamento à total paragem da função respiratória.. é termos presente que. manter.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ A rapidez de actuação é fundamental dado que. O que conta. qualquer destes termos pode ser utilizado para traduzir os procedimentos que iremos descrever em seguida. desobstruir. pode ser prontamente solucionado com a aplicação de uma simples manobra como as que passaremos a descrever. de 4 a 6 minutos possibilidade de existirem danos cerebrais de 6 a 10 minutos lesões cerebrais altamente prováveis + de 10 minutos lesões cerebrais irreversíveis PERMEABILIZAÇÃO / DESOBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS Permeabilizar. menores são as probabilidades de recuperação. por vezes.. Tempo sem ventilação: Efeitos: Até 1 minuto irritabilidade cardíaca Até 4 minutos fortes probabilidades de recuperação sem lesões cerebrais.

os músculos relaxam. bem como obrigar o Socorrista a manter a posição. quer seja um simples bloqueio causado pela língua. causando obstrução das vias aéreas. Esta manobra. e abdómen. a mandíbula é puxada para cima e com ela a língua. Hiperextensão da cabeça . ser utilizada aquela ou aquelas que melhor se adequarem à situação.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Uma das grandes causas de acidentes relacionados com problemas respiratórios. também relaxa. Extensão da cabeça . quer se trate da entrada de um corpo estranho para as vias aéreas.Com uma vítima inconsciente.acto reflexo que intervenção de Socorrista. enquanto músculo. não necessita da Desaperto de roupas a nível do pescoço. podendo deslocar-se para trás e para baixo. não incorrendo tanto no risco de causar ou agravar lesões cervicais. libertando assim o canal respiratório. como se pode ver na figura. especialmente se a vítima estiver em decúbito dorsal. Várias são as formas possíveis de efectuar a desobstrução.manobra idêntica à anterior mas menos pronunciada. _________________________________________________________________ Página 22 . tórax. Ao realizar esta manobra. é a obstrução das vias aéreas. Desobstrução das vias aéreas Tosse . tem como inconveniente a possibilidade de causar ou agravar hipotéticas lesões a nível cervical. devendo no entanto. A língua.

). próteses dentárias. vómito. posiciona-se por trás da vítima em posição equilibrada e coloca o seu punho fechado sobre o diafragma da vítima ( cerca de 3 dedos abaixo do apêndice xifoide ou ponta do esterno ). com os dedos em pinça ou em colher. _________________________________________________________________ Página 23 . forçando o ar a sair para o exterior e arrastando consigo o objecto estranho. Manobra de Heimlich : Esta célebre manobra. sempre que seja necessário aceder à boca. ( pedaços de alimentos. (Esta posição encontra-se descrita noutro capítulo do manual). pode utilizar-se a técnica ‘dos dedos cruzados’. Esta manobra. permite no entanto elevar a mandíbula e a língua sem mobilizar o pescoço. mantendo-a aberta.. sendo mais difícil de executar que a anterior e mais penalizante para o Socorrista. é adequada para desalojar corpos estranhos que se encontrem ao nível da laringe ou da traqueia. Nota: A fim de evitar incidentes em que os dedos do socorrista poderiam ser mordidos. sangue ou secreções. exerce cerca de 6 a 10 compressões bruscas. Posição lateral de segurança ( PLS ) .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Tracção da mandíbula : para casos em que existem suspeitas de lesão cervical. por exemplo se a vítima fizer um espasmo. etc.Posição de decúbito lateral. tornando contra-indicado o uso do método anterior. impede a obstrução das vias aéreas por queda da língua. Com a ajuda da outra mão. Limpeza da boca / orofaringe : o Socorrista retira objectos estranhos da boca ou orofaringe da vítima. O Socorrista.

O uso da manobra de Heimlich está contraindicado em grávidas.Igualmente pouco eficaz neste contexto. esta manobra é pouco eficaz por si só. Nestes três casos. obesos e bebés. Compressões torácicas . pode ser efectuado pela própria vítima. Pancadas intercostais ou interescapulares – ao contrário do que vulgarmente se pensa. A Manobra de Heimlich. COM APARELHOS : _________________________________________________________________ Página 24 . é contudo o único método substituto da Manobra de Heimlich quando esta não pode ser utilizada (grávidas. Bastante semelhante à PLS. dado que ajuda os objectos a deslocar-se. É contudo útil quando usada em conjunto com a manobra de Heimlich. às costas de uma cadeira. com a variante da colocação de um objecto ( por exemplo uma toalha enrolada ) a comprimir a região do diafragma. crianças pequenas). Drenagem brônquica . as compressões serão feitas com a base da mão. podendo mesmo nalguns casos. neste último caso.Manobra pouco relevante pode ser de alguma utilidade em vítimas de afogamento.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Esta manobra pode ser também aplicada a vítimas sentadas ou deitadas. fazer descer ainda mais o objecto da obstrução. com recurso. obesos. em vez de compressões abdominais. serão efectuadas compressões torácicas. por exemplo. sendo que. ajudando assim a expulsar alguma água.

pode-se aspirar a orofaringe com aspiradores próprios. vómito. secreções. facilitando a sua limpeza. podendo estes ser manuais. a fim de que a concavidade fique virada para baixo. Atenção: o tubo introduz-se até meio com a concavidade para cima. Permite uma libertação da via aérea. alojando a língua. deverá conter alguma água. Este copo. O calibre da sonda a utilizar. O princípio de funcionamento é comum a todos eles : introduz-se uma sonda apropriada na boca. o comprimento do tubo a usar. Conforme se pode verificar na figura abaixo.A asfixia por existência de material a obstruir a via aérea é comum. aspira-se o conteúdo que ficará alojado num recipiente vulgarmente chamado copo. após o que se roda 180º. até à orofaringe e em movimentos rotativos e rápidos. Existem diversos tipos de aspiradores.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Aspiração de secreções . eléctricos. Não permite regurgitação do conteúdo gástrico. fazendo a contenção da língua. Para que isto não aconteça com sangue. criança ) e sobretudo das características e densidade do material a aspirar.. é fundamentalmente seleccionado em função do tamanho da vítima ( adulto. é idêntico à distância entre a comissura labial (canto da boca) e o lóbulo da orelha. a fim de evitar que as secreções sequem no seu interior. _________________________________________________________________ Página 25 . Tubo orofaríngeo ( = tubo de Guedel ou tubo de Mayo ) ver figuras. etc. Obturação esofágica – Técnica avançada. ou por vácuo.

(Artérias. são contudo da exclusiva responsabilidade médica e com indicações muito precisas. quer a todo o restante organismo (Artéria Aorta que sai do ventrículo esquerdo). O aparelho circulatório é essencialmente constituído pelo Coração (músculo constituído por quatro cavidades . é necessário levar o Oxigénio a todas as células do organismo.CIRCULAÇÃO Como vimos atrás. vasos que saem do coração e se dirigem quer aos pulmões (Artéria Pulmonar que sai do ventrículo direito). De seguida.aurícula e ventrículo direitos e aurícula e ventrículo esquerdos). Traqueotomia / cricotirotomia . eficaz para uma ventilação artificial obstruindo a via aérea simultaneamente à passagem de conteúdo gástrico ou estranho. através dos vasos sanguíneos.Método avançado. até atingirem calibre inferior à espessura de cabelos (capilares) onde se dão as trocas gasosas (quer entre os capilares e os alvéolos pulmonares .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Entubação endotraqueal . para a nossa sobrevivência. APARELHO CARDIOVASCULAR .Métodos bastante eficazes. é fundamental o ar que se respira. pelas Artérias . o ar que chega aos alvéolos. Capilares e Veias). quer entre capilares e qualquer célula que compõe o _________________________________________________________________ Página 26 . As artérias à medida que se vão afastando do coração vão-se dividindo em vasos progressivamente de menor calibre. e isto acontece transportado pelo sangue.

entra na aurícula esquerda. Os “pulsos” que palpamos para nos certificarmos dos batimentos cardíacos não são mais do que a transmissão das contracções cardíacas através das artérias. _________________________________________________________________ Página 27 . para levarem o sangue de volta ao coração. o “empurra” para a circulação sistémica e vai “alimentar” todas as células do organismo.sobre as artérias radiais Palpação de pulso central (carotídeo) Palpação pulso periférico (radial) de Na ausência de pulso. após “descarregar-se” de Oxigénio nas células do organismo. Estes vasos capilares depois de se realizarem as trocas gasosas.sobre as artérias carótidas Pulso radial . o sangue “esvaziase” do excesso de Dióxido de Carbono e satura-se de Oxigénio. (arterializado) .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ organismo). entrando neste pelas aurículas. passa para o ventrículo esquerdo. ou seja. Assim. O percurso será então assim : O sangue que vem da circulação sistémica. Este sangue renovado. podemos palpar entre outros: Pulso carotídeo . poderemos constatar que estamos perante um doente em Paragem Cardíaca. podendo-se palpar em artérias principais que sejam relativamente superficiais em relação à pele. vão-se fundindo em outros vasos de calibre progressivamente maior (Veias). que contraindo-se (sístole ventricular). torna ao coração carregado de Dióxido de Carbono e nos capilares pulmonares acontece precisamente o contrário.

SUPORTE BÁSICO DE VIDA . SUPORTE BÁSICO DE VIDA – Ventilação Assistida vs R. a não ser simples aparelhos para manutenção da via aérea.C.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ CONCEITO DE MORTE A paragem cardíaca e/ou respiratória foi considerada durante muitos anos. e se for possível “substituir” a ventilação. porque o que regula esta definição é a actividade cerebral e esta pode estar conservada por alguns minutos após PCR. se houver uma paragem respiratória. não é considerada sinónimo de Morte. A sobrevivência após paragem cardíaca é significativamente maior quando esta é _________________________________________________________________ Página 28 . a manutenção da via aérea e o suporte da ventilação e circulação sem o recurso de equipamentos. Com a investigação científica e a prática diária. Por outro lado. Daí que .Considera-se ( SBV). até à chegada de quem possa decidir e fazer procedimentos que conduzam à Reanimação ou à declaração de Morte desse doente. a actividade cardíaca pode manter-se em boas condições. a actividade cardíaca ainda permanece durante algum tempo.P. a paragem cardio-respiratória ( PCR ). perante qualquer doente em PCR o Socorrista tem por obrigação fazer as manobras de Suporte Básico de Vida. verificou-se que. como sinónimo de Morte.

perante uma vítima com aparente ausência de vida. e quando a ressuscitação é iniciada imediatamente ! Sequência de Ressuscitação O esquema abaixo.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ testemunhada. Avaliar a resposta da vítima de Acção A (Consciência) lesões periódica SIM Plano verificar avaliação obter ajuda se necessário NÃO PEDIR AJUDA de acção B se há ventilação Plano Posição de segurança Pedir ajuda sem ventilação C com pulso +/. Plano de Actuação para avaliação inicial e gestão de uma vítima aparentemente sem vida. indica basicamente a actuação de um Socorrista.10 insuflações Pedir ajuda Continuar ventilação Plano de Acção ABRIR VIA AÉREA VERIFICAR VENTILAÇÃO _________________________________________________________________ Página 29 .

3 .Permitir uma via aérea aberta. próteses dentárias soltas. (As próteses que estão bem fixas podem ser deixadas).Remover qualquer óbvia obstrução da cavidade oral. 2 .Gritar para obter ajuda. . Se não responde : . tórax e abdómen. Avaliar a resposta da vítima Abanando os ombros devagar.Avalie periodicamente as Funções Vitais e obtenha ajuda se necessário. fazendo extensão da cabeça ou traccionando a mandíbula.Aliviar as roupas ao nível do pescoço.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ VERIFICAR PULSO D RCP sem pulso Plano de Acção telefonar para ajuda + SEQUÊNCIA DE RESSUSCITAÇÃO 1 .Deixe-o na posição em que está ( a não ser que corra perigo) e verifique se há alguma lesão. ouvir e sentir se há ventilação : _________________________________________________________________ Página 30 . etc. incluindo.Ver. Se o doente responde verbalmente ou se mexe : (Plano de acção A) . . . perguntar alto. . . “Como é que se sente”? “Como se chama”?.

Manter sob vigilância apertada .Sentir o ar entrar ou a sair .Olhar.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ .Telefonar para pedir ajuda . o doente está em paragem cardíaca 4 . verificando se ventila livremente .Ver os movimentos do tórax e abdómen .Posição lateral de segurança : Quando a ventilação e circulação estão a fazer-se é importante manter uma boa via aérea e assegurar que a língua não causa obstrução. ouvir e sentir durante aproximadamente 5 segundos antes de decidir que o doente está em paragem respiratória. -Verificar pulsos. O melhor pulso para sentir numa emergência é o carotídeo -Verificar durante 5 a 10 segundos antes de decidir que não tem pulso e que. portanto.( Plano de Acção B ) . salvo se esta puder agravar alguma lesão existente . Se o doente respira .Ouvir perto da boca os sons da respiração . É também importante prevenir que o conteúdo gástrico possa _________________________________________________________________ Página 31 .Colocar o doente em Posição Lateral de Segurança.

Retirar objectos pontiagudos ou de grande volume que eventualmente existam nos bolsos .Com outra mão agarre o ombro correspondente a perna que dobrou e role a vitima para o seu lado .Coloque o braço mais perto de si para fora fazendo ângulos rectos com o corpo.Ajoelhe-se ao lado da vítima e ponha-lhe as duas pernas esticadas lado a lado .O outro braço. que a língua caia para fora mantendo a via aérea livre. Por estas razões o doente deve ser posto em Posição Lateral de Segurança o que permite.Abrir a via aérea fazendo a extensão da cabeça e a tracção da mandíbula . cotovelo para fora e palma da mão virada para cima . atravessando o tórax .Ajuste a perna que ficou por cima de modo a ficar com o joelho no chão e a perna fazer ângulos rectos com o corpo . . coloca-se pondo a palma dessa mão em cima do ombro contrário.Dobre o joelho da perna que se encontra mais longe de si mantendo a planta do pé no chão .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ ser aspirado.Fazer a extensão da cabeça e assegurar que a via aérea está aberta .Verificar ventilação e pulsos regularmente _________________________________________________________________ Página 32 .

NOTA: Se possível. Verificar a expiração do doente ( com o tórax a voltar à posição inicial).Fazer extensão da cabeça. (cada insuflação deve demorar cerca de 2 segundos). . É mais higiénico e evita riscos de contágios.Telefonar a pedir ajuda. _________________________________________________________________ Página 33 .Repetir esta manobra cerca de 10 vezes.Retirar a boca mantendo a via aérea aberta (extensão da cabeça e tracção da mandíbula ).Se não respira. . .Na insuflação.manter apenas a ventilação como anteriormente. . . mas tem pulso .( Plano de Acção C ) . estado de consciência. . repetir sucessivamente os passos acima.Encerrar o nariz com o indicador e o polegar. até que ventile espontaneamente. .Avaliar. .Colocar o doente em decúbito dorsal.Abrir a boca da vítima. verificar se há expansão do tórax.Se há pulso . use uma máscara apropriada para pôr em prática o método (conforme figura acima).SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ 5 .Se continuar apenas em Paragem Ventilatória. . ventilação e pulso . . o que deve demorar ao todo cerca de 1 minuto e voltar a palpar o pulso.Inspirar profundamente e pôr os lábios à volta da boca do doente de tal modo que não haja fugas de ar.

Colocar a parte proximal da palma da outra mão mesmo ao lado dos dedos.Abrir a via aérea. inclinado sobre ele e com os braços bem _________________________________________________________________ Página 34 . .Sem ventilação nem pulso = paragem cardio-respiratória (Plano de acção D) . 6 .instituir RCP (Ressuscitação Cardio-Pulmonar = ventilação assistida + massagem cardíaca ou compressões cardíacas externas). .Colocar a vítima em decúbito dorsal sobre um plano liso e duro . .Deslizar o indicador e 3º dedo (o do meio) ao longo do bordo inferior da grelha costal até ao ponto de junção dos arcos costais. . .Iniciar massagem cardíaca : compressões torácicas (ou compressões cardíacas externas).Se não há pulso .Fazer 2 insuflações. . fazendo a extensão da cabeça e a tracção da mandíbula.Telefonar a pedir ajuda.A posição do Socorrista deve ser de joelhos ao lado do doente. .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ . onde deve palpar o apêndice xifóide. .A mão que se deslocou sobre a grelha costal e que ficou agora livre deve colocar-se sobre a outra mão sobre o esterno entrelaçando os dedos de modo a não fazer força sobre os arcos costais. ( A mão assim assente deve ficar no 1/3 inferior do esterno ).

fazer a extensão da cabeça. ( Se forem dois Socorristas . NOTAS : VENTILAÇÃO • Se for bem feita. tracção da mandíbula e fazer 2 insuflações. . sendo então a cadência de 1:5).Após 15 compressões. Cada sequência de _________________________________________________________________ Página 35 . Nesta posição. fazer as compressões de cerca de 4-5 cm. . Continuar ventilação e compressões numa cadência de 2:15. um ocupa-se da ventilação e outro da massagem cardíaca.Voltar a colocar as mãos imediatamente sobre o esterno.Combinar ventilação e compressões cardíacas : . e fazer compressões. e cada insuflação deve durar 2 segundos. a resistência à entrada do ar é maior. • A quantidade de ar em cada insuflação ( volume corrente) deve ser de 800-1000 ml num adulto. Esta é a quantidade de ar necessária para ver o tórax movimentar-se. só se sente uma pequena resistência à entrada do ar.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ esticados. • Espere que o tórax baixe completamente durante a expiração antes de fazer outra insuflação. Isto demora cerca de 2-4 segundos.Aliviar bruscamente a pressão e repetir a manobra 80 x / minuto. • Se a insuflação for muito rápida (mais rápida que dois segundos) . e portanto uma menor quantidade de ar entra nos pulmões. .

Uma acção violenta ou errática é perigosa. Espere que o tórax volte à posição inicial e então faça outra insuflação. Se tal não acontecer NÃO INTERROMPER AS MANOBRAS. . • A pressão deve ser aplicada firme e controladamente e a força deve ser aplicada verticalmente. • O tempo exacto de expiração não é muito importante. COMPRESSÕES CARDÍACAS • É essencial combinar ventilação com massagem cardíaca. • As compressões devem ser baixar o esterno 4-5 cm. para que o sangue que artificialmente conseguimos que circule. sem outras técnicas de reanimação. então palpar pulso carotídeo para verificar possível restauração de actividade cardíaca. não se deve perder tempo em verificar a presença de pulsos. Se o doente fizer algum movimento espontaneamente. seja oxigenado nos pulmões.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ 10 insuflações demora cerca de 40-60 segundos a completar-se. nomeadamente o suporte avançado de vida (incluindo a desfibrilhação). RESUMO : SITUAÇÃO PROCEDIMENTO 1 SOCORRISTA 2 SOCORRISTAS _________________________________________________________________ Página 36 . são diminutas. • Como as chances de restaurar a actividade cardíaca efectiva espontânea apenas com o suporte básico de vida. ou uma inspiração.esta manobra não deve demorar mais que 5 segundos. • O tempo de compressão e descompressão é sensivelmente o mesmo.

C. baixas de volémia. *************** ******* Paragem CardioPulmonar R.. etc. etc.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Paragem Ventilatória Ventilação Assistida 2 insuflações iniciais + 1 insuflação de 5 em 5’’ R. + 5 CCE. ainda. alterações qualitativas do sangue.C. O CHOQUE DEFINIÇÃO E CAUSAS Por definição simples de CHOQUE. existem.Causas Emocionais: podem ser de carácter positivo ou negativo (susto.) . Esta situação poderá apresentar-se sob diversas formas e são várias as causas da sua origem. alterações respiratórias ou cardíacas. 2 insuflações + 15 C. tais como.Causas Ambientais: exposição prolongada a temperaturas extremas. .. excelente ou péssima notícia brusca. a má nutrição. + 1 insufl. 2 insuflações iniciais + 5 C. etc. Para além destas. podemos considerar um déficit de sangue e consequentemente de oxigénio a nível dos tecidos com particular incidência no Sistema Nervoso Central (cérebro).C..E. uma série de factores.Causas Físicas: dores violentas. a idade.P.. a saber: .C. + 2//15 .P. o mau estado físico geral ou um Primeiro Socorro _________________________________________________________________ Página 37 .E. a fadiga.

Pulso rápido e fraco ( taquicardia ) . tais como: Hipovolémico ( hemorrágico ou metabólico ) Respiratório Neurogénico Psicogénico Séptico Anafilático Cardiogénico De um modo geral.Outras PRIMEIRO SOCORRO GERAL Identificar e combater as causas do choque Vigiar e manter as Funções vitais ( particularmente a temperatura ) Acalmar a vítima Colocar na posição de Trendelenburg. ou elevar as pernas (mais ou menos 30 cm) apatia (em _________________________________________________________________ Página 38 . O conjunto destas causas e factores.Temperatura baixa .Possível inconsciência . predispõe ao seu aparecimento.Ventilação superficial . poderão provocar tipos diversos de Choque. que não conduzindo directamente ao CHOQUE.Suores frios e viscosos . a sintomatologia é traduzida por: .Agitação e ansiedade ou ainda particular nas crianças) .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ inadequado.Pupilas dilatadas ( midríase ) .Palidez e cianose progressivas .

sangue.S. desde que o resultado final seja satisfatório.: No caso de um Choque Hemorrágico. (Ex. no Respiratório ou no Cardiogénico. elevar-lhe as pernas e a temperatura.. Não será demais voltar a referir que qualquer socorro será ineficaz se não forem identificadas e combatidas as causas que levaram ao Choque. ). Lembramos que esta posição não deve ser utilizada sempre que haja suspeita de traumatismo vertebro-medular.(Posição Lateral de Segurança) _________________________________________________________________ Página 39 . mostra uma das formas possíveis de efectuar a Posição Lateral de Segurança. se não for contida a hemorragia). Note-se que outras variantes são aceitáveis. que lhes permita manter a permeabilidade das Vias Aéreas. Para estes casos.S.L. Assim e salvo as devidas excepções.. ou por excelência a maioria das situações de inconsciência. nomeadamente na posição em que se coloca a vítima que será de Fowler e não de Trendelenburg. A lipotímia (comum desmaio).SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ NOTAS: Em casos específicos.L. secreções. existe uma variante. impedindo assim a aspiração de vómitos. P. o Primeiro Socorro irá diferir. etc. de nada adiantará acalmar a vítima. mantendo a cabeça em extensão e a boca virada para baixo. as vítimas inconscientes serão colocadas numa posição segura. Trata-se da Posição Lateral de Segurança ( P. tais como no Choque Anafilático. mas que não cabe no âmbito deste curso. traduzem por si só a presença de Choque. A figura abaixo. etc.

Existem outras igualmente eficazes. a cabeça é colocada em extensão e a mão debaixo da face. O Socorrista. Já com a vítima em decúbito lateral. Atenção à manutenção da extensão da cabeça e da boca voltada para baixo para drenar possíveis vómitos. A PLS não deve ser efectuada à menor suspeita de lesões de coluna. Sempre que possível e a fim de evitar drenagem do conteúdo gástrico para o esófago. 3. a fim de evitar lesões do ombro ou do cotovelo durante o rolamento. Aliás outra já foi descrita anteriormente noutro capítulo deste manual. a rotação da vítima deverá ser efectuada para o seu lado esquerdo. Notas: Esta é apenas uma das várias técnicas possíveis para efectuar a PLS. O braço da vítima é colocado esticado por baixo do corpo desta. 4. 2. sangue ou secreções. segura o antebraço e joelho da vítima do lado oposto em que se encontra e puxa-a para cima dos seus joelhos. por forma a manter o decúbito lateral.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ 1. O joelho flectido é empurrado para cima. _________________________________________________________________ Página 40 .

sendo estas manobras consideradas em Portugal actos médicos. aliás. Como tal. bem como alterações ventilatórias. ou seja. sendo uma situação que ocorre normalmente a nível hospitalar. os métodos _________________________________________________________________ Página 41 . na impossibilidade de o fazer. até que a intervenção do Médico seja viável. pelo que os procedimentos também variam. Quanto ao choque anafilático. inalação de substâncias. o orifício por onde o ar passa incha de tal forma que a circulação do ar deixa de poder fazer-se. por ser altamente improvável que o Socorrista se depare com uma situação deste tipo. nada mais resta ao Socorrista do que identificar a situação e manter as funções vitais na medida do possível. Por outras palavras. levando a vítima à asfixia. picada de um insecto. O choque séptico. utilização de fármacos. é resultante de uma reacção alérgica do organismo a uma qualquer substância. Tenha no entanto em conta a urgência desta intervenção. Normalmente aparecem reacções cutâneas e inchaço generalizado. etc. o tempo de resposta do organismo e o tipo de reacção variam. se o edema da glote for violento. deriva de infecções generalizadas.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ CHOQUE SÉPTICO E ANAFILÁTICO Estes dois tipos de choque têm mecanismos e sintomatologias algo diferentes dos restantes. pela criação de uma via aérea alternativa (traqueotomia ou cricotirotomia) mas. não o abordaremos neste manual. a asfixia por aparecimento de edema alérgico da glote. A resolução deste problema. passa normalmente pela administração de um anti-histamínico ou. podendo ocorrer na sequência da ingestão de alimentos aos quais a vítima seja sensível. já que. Este é. o grande perigo deste tipo do choque. Conforme o produto e a via de introdução.

particularmente as invisíveis como adiante veremos. um ou mais vasos sofrerem uma ruptura. depende de factores _________________________________________________________________ Página 42 . mostra um kit para reverter reacções anafiláticas. Uma hemorragia pode portanto. Se por um lado as hemorragias externas são na maioria dos casos situações óbvias. definir-se como: .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ convencionais de suporte básico de vida deixam de ser eficazes. devem ser prontamente identificadas e corrigidas pelo Socorrista. Mas o que é afinal. o sangue tende a sair por esta. A figura abaixo. o mesmo já não pode ser dito das internas. provocando pressões em órgãos adjacentes. Se por acção directa de uma violência externa ou outro factor como algumas doenças. uma hemorragia? Como sabemos. como tal. A volémia (quantidade de líquido circulante) normal de um indivíduo. disponível no mercado farmacêutico em alguns países.SAÍDA DE SANGUE DO SEU CIRCUITO NORMAL. HEMORRAGIAS As hemorragias constituem uma situação de socorro prioritário. extravasando para o exterior do organismo ou alojando-se em cavidades do mesmo. impulsionado pelo coração. o sangue circula no interior de vasos (artérias. veias e capilares).

apesar de não ser exteriorizado. Em pessoas saudáveis. etc. conduz ao choque. ânus. tais como a idade. _________________________________________________________________ Página 43 . Neste caso. a volémia ronda os 6 litros e que a perda aguda de 10% desta (600 ml). nas quais o sangue se exterioriza através de um orifício não natural (ferida). é visível sob a pele. nomeadamente. boca.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ diversos. constitui já uma situação de gravidade já que. as hemorragias poderão ser internas visíveis quando o sangue sai para o exterior do organismo através de um orifício natural do mesmo (fossas nasais. não podendo ser imediatamente compensada pelo organismo. CLASSIFICAÇÃO Existem diversos tipos de classificação hemorragias. quanto apresentação e quanto à proveniência: das à No primeiro caso. constituição física. por exemplo em colheitas de sangue. a presença de hemorragia é diagnosticada através da sintomatologia. Considerando ainda que o factor idade é predisponente para o aparecimento do choque. ou ainda no caso das equimoses (nódoas negras). Finalmente. Consideremos no entanto que. as perdas agudas de sangue para as crianças e bebés são graves a partir dos 200~300ml e 25~30 ml respectivamente. temos as hemorragias externas. para um adulto de constituição regular. os valores atrás indicados representam também as perdas máximas toleráveis. uretra. nas situações em que o sangue fica alojado numa cavidade ou acumulado nos tecidos moles (hematoma). Poderão também ser internas invisíveis. em que o sangue. vagina). ouvidos.

Poderão portanto ser arteriais se forem provenientes de uma artéria. os seguintes sinais e sintomas: Funções Vitais: • Consciência: inconsciência tendência progressiva para a _________________________________________________________________ Página 44 .5 l). o que aliás é compreensível. a presença de hemorragia só é diagnosticada pelo Socorrista pela sintomatologia que a vítima apresenta. porque o sangue não é visível. Esta sintomatologia. saindo em jacto contínuo. Poderão finalmente ser capilares. apresentando-se o sangue vermelho vivo rutilante (excepto no caso das artérias pulmonares) e em fortes golfadas à cadência das contracções (sístoles) arteriais. nos casos em que o sangue provier dos vasos capilares. as hemorragias classificam-se em função do vaso afectado. de um vermelho neutro e espalhando-se lentamente pela pele. Assim temos entre outros. Neste último caso.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Quanto à proveniência. a vítima pode entrar em processo de choque hipovolémico (hemorrágico). quando provenientes de uma veia. com sangue vermelho mais escuro (excepto no caso das veias pulmonares). as hemorragias internas podem subdividir-se em visíveis ou invisíveis. Serão venosas. conforme o sangue se exteriorize por um orifício natural ou fique alojado dentro do organismo. não difere muito da do choque. HEMORRAGIAS INTERNAS INVISÍVEIS Como atrás foi referido. dado que a partir de determinada quantidade de sangue perdido (aproximadamente acima de 0.

A posição da vítima deverá ser escolhida em função da localização da hemorragia e do estado dos parâmetros vitais. a fim de evitar a aceleração da circulação e consequentemente maior perda de sangue. deve procurar-se uma viagem estável. Assim. como resposta do organismo à baixa de volémia. a presença de sede abundante. O transporte ao hospital é prioritário. Desde logo. mas tal não significa grandes velocidades mas. pelo contrário. é na verdade factor primordial na evolução da situação. possível edema e/ou equimose. perda gradual de visão. suores frios • Pupilas: progressivamente dilatadas (midríase) E ainda: • Dor (localizada ou não). Primeiro Socorro: Uma hemorragia interna é normalmente uma situação consideravelmente grave e naturalmente não controlável pelo Socorrista. zumbidos e muito particularmente. há que manter a vítima o mais imóvel possível. O uso de sirenes deve a todo o custo ser fraco baixa _________________________________________________________________ Página 45 . o papel deste.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ • Pulso: progressivamente rápido e (taquicardia) • Ventilação: superficial e rápida (taquipneia) • Temperatura: baixa (hipotermia) • Pressão Arterial: progressivamente (hipotensão) Outros Parâmetros: • Pele: palidez e possível cianose. embora possa parecer pouco relevante.

hematemeses Ânus: rectorragias. o que. metrorragias. Neste capítulo do manual. não é feito pelo Socorrista comum. não lhe deve ser dado nada a beber. por razões de ordem diversa. . mas será efectuada por via sistémica. rinorragias.. Conforme a proveniência e o orifício de exteriorização. Contudo. bem como vigiar e manter constantemente as funções vitais. A epistaxe é uma hemorragia em que o sangue se exterioriza pelo nariz e tem origem neste. Na melhor das hipóteses. A reposição de volémia é primordial. Mesmo que a vítima insista. pode humedecer-lhe os lábios.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ evitado. não são necessariamente menos graves ou melhor controláveis que as anteriores. melenas Uretra: hematúrias Vagina: hematúrias. HEMORRAGIAS INTERNAS VISÍVEIS Estas são de mais fácil diagnóstico. Antes de efectuar qualquer tipo de procedimento. debruçar-nos-emos apenas sobre um tipo de hemorragias nasais – as epistaxis – pela sua frequência e especialmente pelos erros comuns de actuação naqueles casos. como já sabemos.. há que descartar a hipótese de o sangue ser proveniente de outros locais (como no _________________________________________________________________ Página 46 . uma vez que o sangue se exterioriza por um orifício natural do corpo. epistaxis Ouvidos: otorragias Boca: hemoptises. poderemos denominar estas hemorragias da seguinte forma: • • • • • • Nariz: nasorragias. Há ainda que prevenir a instalação do choque.

No entanto. Caso a hemorragia persista. mesmo que a hemorragia seja unilateral. até que o sangue pare de sair. _________________________________________________________________ Página 47 . • Vasoconstrição: aplicação de frio local (saco de gelo ou pack de frio instantâneo) sobre o nariz. Isto é importante. Este método pode aplicar-se em conjunto com o anterior. ou de a vítima ser hipertensa. Nestes casos. se evita que o sangue acabe por sair pela outra narina. para evitar que o sangue seja engolido. as esponjas deverão ser embebidas em soro fisiológico para evitar colagem à mucosa nasal. Também a posição da cabeça é importante. procura efectuar-se a hemostase (estancamento da hemorragia).SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ traumatismo craniano). seria inadequado e muito perigoso. através de um dos seguintes processos: • Compressão digital: trata-se do processo mais simples – comprimem-se ambas as narinas com os dedos. é de considerar transporte ao hospital. Depois. Note-se que foi referido o tamponamento ou compressão digital de ambas as narinas. Ela deve manter-se direita e não inclinada para trás como habitualmente é feito. na medida em que. Estas compressas devem ser secas. • Tamponamento: consiste em introduzir uma compressa em cada narina e mantê-las até à completa hemostase. por vezes encontram-se disponíveis nas malas de primeiros socorros esponjas hemostáticas que substituem as compressas neste fim com vantagens. casos em que o socorro convencional para a epistaxe.

devido aos mecanismos de defesa do organismo que geram um processo de coagulação. o uso de medicamentos anti-coagulantes como a Aspirina. Os coágulos formados.D. pelo que. deverão ser substituídas por outras. Destes métodos. etc. A remoção desta. destacam-se por estar ao alcance do Socorrista. Caso se trate de um membro ou extremidade em _________________________________________________________________ Página 48 . ou panos limpos sem pêlos.M. O uso desta técnica. quando saturadas com sangue.. As compressas. Heparinas. só deve ser removida a nível hospitalar. No entanto. arrastaria eventuais coágulos já formados. são sem dúvida as mais frequentes e também aquelas que permitem uma actuação mais eficaz por parte do Socorrista. ou lesões acessórias no local afectado. ou a presença de doenças como a hemofilia. a hemostase não se dará. efectua-se comprimindo directamente a zona afectada. tapam a ferida. com excepção da que se encontra em contacto directo com a pele.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ HEMORRAGIAS EXTERNAS Estas hemorragias. existem factores que não permitem em alguns casos a eficácia deste processo. pressupõe a inexistência de objectos encravados.Compressão Manual Directa (C. Nas hemorragias externas de menor importância. não sendo forçosamente mais graves que as internas.): Esta manobra. os seguintes: . o grande calibre de alguns vasos. a menos que sejam aplicados métodos adequados. agravando a hemorragia. parando assim a saída de sangue. a hemostase (paragem da saída de sangue) dá-se de forma expontânea ao cabo de 6 a 10 minutos. Em situações deste tipo. com o auxílio de compressas esterilizadas. tais como.

precisamente devido à presença de um corpo estranho. salvo casos especiais. permitindo _________________________________________________________________ Página 49 .I.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ geral.I. A selecção da artéria a comprimir.Garrote ou Torniquete: Tratando-se de um objecto que. usado sem as devidas precauções. já que isso provocaria necrose (morte) dos tecidos distais. aconselha-se o seu uso apenas em última instância.. dedicar a sua atenção às restantes. dificultando assim o afluxo de sangue à zona em questão. fractura..Compressão Manual Indirecta (C. deve ter em conta factores como a proximidade do local da hemorragia e deve ser efectuada preferencialmente em locais onde exista apenas um osso. não deve ser mantida durante um período superior a 15 minutos. aplica um garrote nesta. se defronta com diversas situações de socorro prioritário.M. etc. o garrote deve ser lentamente aliviado a cada 15 minutos. por falta de irrigação e consequente anóxia (ausência de oxigénio). Como recurso. Isto consegue-se. podendo assim. Esta compressão. apenas deve ser usado da extremidade proximal (raiz) dos membros e visa comprimir a artéria umeral ou femoral respectivamente contra o úmero ou o fémur.): Na impossibilidade de utilizar o método anterior. temos a situação em que um único Socorrista. sendo uma delas uma hemorragia grave. se pode tornar extremamente perigoso. esta deve ser elevada. há que evitar a chegada de sangue ao local. através da compressão de uma artéria proximal contra uma superfície dura (osso). Como exemplo. .M. Pela mesma razão já explicada na C. . O garrote arterial. resolvendo-a provisoriamente. impedindo assim a irrigação distal.

o risco é controlado e pode valer a pena. cintos. Exemplo: Garrote aplicado à meia-noite e trinta e quatro minutos: HG0034 HG . podemos observar a figura de um garrote improvisado com o braçal de um esfigmomanómetro (aparelho para medir a pressão arterial). após o que se volta a apertar. Na opinião do autor. _________________________________________________________________ Página 50 . inscreve-se na testa da vítima um código de 6 dígitos consecutivos. Naturalmente que. a inscrição será actualizada. cada vez que se proceder ao alívio do garrote. NOTA DOS AUTORES: Segundo algumas opiniões recentes. que indica de forma bem visível a existência de um garrote e a hora exacta da última aplicação. se houver bom senso.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ a irrigação da zona durante cerca de 1 minuto. esta versão é discutível e se em alguns casos por baixa tecnicidade dos Socorristas isto pode ser verdade. devido aos perigos que tal manobra representa. Sempre que se aplicar um garrote. um Socorrista não deve aliviar garrotes. preferindo optar-se pela eventual perda do membro em causa.significa Hemorragia Garrotada ou Hora de Garrote 00 . pode também ser improvisado com lenços.Hora da aplicação 34 Minutos Ao lado. ligaduras. etc. No entanto.

é mesmo de evitar. convém referir que qualquer parte anatómica separada do corpo (membros. etc. embora a figura represente uma situação de amputação do membro superior. a fim de proceder à tentativa de reimplante. nem sempre estas situações requerem o uso de garrote. sempre que possível.). escalpes. a peça anatómica deve ser embrulhada e conservada em frio. dedos. _________________________________________________________________ Página 51 . Aliás.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Consideramos também importante referir que. Regra geral. A propósito. deve ser transportada ao hospital junto com a vítima. pois normalmente isto reduz as probabilidades de reimplante do membro decepado.

SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ LESÕES NA PELE FERIDAS DEFINIÇÃO: Solução da continuidade da pele ( ruptura da pele ) CLASSIFICAÇÕES Quanto à profundidade: superficiais profundas Quanto aos bordos: incisas contusas perfurantes dilacerações escoriações mistas etc. _________________________________________________________________ Página 52 .

SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ CASOS ESPECIAIS Feridas com objectos estranhos encravados (facas. etc. requerem um exame secundário cuidado. limalhas. despoletar uma eventual hemorragia. anzóis. etc. FERIDAS PROVOCADAS POR DISPARO DE ARMAS DE FOGO Vítimas com feridas deste tipo. uma vez que se poderia correr o risco de agravar a lesão ou. imobilizar. ) Feridas profundas Feridas em locais sensíveis (olhos. PRIMEIRO SOCORRO FERIDAS PROFUNDAS Cobrir. vidros. pois pode existir orifício de saída _________________________________________________________________ Página 53 .) Feridas provocadas por armas de fogo Mordedura de animais Etc. transportar ao hospital FERIDAS COM OBJECTOS ESTRANHOS ENCRAVADOS • Imobilizar o objecto (com sogras ou rodilhas) • Se possível cobrir a ferida e transportar a vítima ao hospital Nota: Os objectos estranhos encravados não devem ser retirados. mucosas.

etc. é uma lesão provocada pelo calor. ) • pomadas ou outros fármacos de uso estritamente dos foros médico ou de enfermagem algodão ou tecidos com pêlos QUEIMADURAS Queimadura. não usar: álcool germicidas corantes ( mercuriocromo. soluto de Dakin®. etc. pensos rápidos.) Desinfectar com solução germicida não corante ( Betadine®. tinturas. FERIDAS SUPERFICIAIS Expor o local afectado Lavar abundantemente com água corrente e sabão ou solução detergente germicida (Cetavlon®. ligaduras. etc. A gravidade de uma queimadura depende de factores como: Profundidade ou grau Extensão Localização Idade _________________________________________________________________ Página 54 . ou outras conforme os casos NOTAS: No socorro de feridas. ainda que superficiais. • Considerar o reforço de vacinação anti-tetânica. ) Cobrir com compressas. que será particularmente grave e pode Ter hemorragias associadas. etc. agentes químicos ou radiações. cuja coloração é facilmente removida com lavagem.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ do projéctil.

a fim de arrefecer os tecidos.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Profundidade: 1º Grau: apenas a camada mais superficial da pele é atingida. pode considerar-se a hipótese de hidratar a pele com um creme apropriado. quer à eventual perda de líquidos. e sensível ). Dependendo da extensão e da localização. em que os terminais nervosos sensitivos se encontram destruídos). requerem sempre cuidados hospitalares. O primeiro socorro consiste também no arrefecimento prolongado. 2º Grau: são queimaduras mais profundas que as anteriores. que deverão ser molhados independentemente de haver ou não dor (pode não haver dor no 3º grau puro. Caracteriza-se pelo aparecimento de eritema ( pele vermelha. mas a posterior hidratação é discutível. até que passe a dor. quente. Terminado o arrefecimento ( o que pode demorar uma hora ou mais ). NOTAS: Qualquer que seja o grau da queimadura. consiste em cobrir a zona afectada com compressas esterilizadas ou panos limpos. 3º Grau ou carbonização: São queimaduras muito profundas. independentemente da extensão ou localização. há que prevenir o aparecimento do choque quer devido à dor. O primeiro socorro. poderá requerer cuidados hospitalares. _________________________________________________________________ Página 55 . associa eritema ao aparecimento de flictenas ( bolhas contendo soro ). O primeiro socorro consiste em arrefecer a zona afectada com água fria durante tanto tempo quanto o necessário.

há frequentemente compromisso de funções vitais. requer cuidado hospitalar. _________________________________________________________________ Página 56 .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Extensão / Localização: Uma queimadura é tanto mais grave quanto mais extensa for. sejam quais forem as suas características. ou 3º grau. a qual vai sendo progressivamente aquecida. poderão apresentar-se também. o socorro de uma queimadura. a localização da queimadura também é um dado importante. em função da sua localização. sob a forma de 1º. LESÕES PROVOCADAS PELO FRIO Semelhantes no seu aspecto final às queimaduras. que divide o corpo em regiões com o valor de 9% cada. 2º. para contrariar o agente agressivo (o calor) e evitar o agravamento da lesão. Em casos de gravidade média ou elevada. Nota: esta regra difere ligeiramente nas crianças. Por outro lado. resume-se ao seu arrefecimento imediato e prolongado. ilustra a célebre regra de Wallace ou regra dos nove. pelo que estas devem ser sempre vigiadas. A figura ao lado. O socorro consiste no aquecimento gradual da zona afectada. (ou múltiplos). permitindo assim determinar a extensão de uma queimadura em percentagem. por imersão em água morna. embora provocadas pela exposição ou contacto com temperaturas muito baixas. Em resumo. Em grandes queimados. mas esta situação não tem grande interesse prático no âmbito deste curso.

NOTAS: Caso haja congelamento de extremidades. deve ter-se em conta que uma pequena pancada ou fricção nestas. _________________________________________________________________ Página 57 . poderá parti-las. já que a vítima pode não ter sensibilidade térmica na região afectada. pelo que se devem tomar os cuidados necessários.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Atenção à temperatura desta água.

tais como o seu grau de toxicidade. esta afirmação atribuída a Paracelso. físico suíço do séc.. etc. envenenamento será a introdução e consequente actuação do referido veneno no organismo. quer propositada. veneno é toda e qualquer substância que..” (Paracelso) Embora possa parecer exagerada. é ainda em grande parte aceite nos nossos dias. é passível de provocar alterações graves. Contudo e dado que cada vez mais as estatísticas nos mostram o elevado número de vítimas de envenenamento. Vimos atrás que por definição. outros factores são igualmente importantes na classificação dos venenos. XVI. ocorrido quer de forma acidental. uma vez introduzida no organismo. as mais comuns formas de intoxicação e o seu socorro geral. . Na verdade. rapidez de actuação. qualquer substância poderá provocar graves danos no nosso organismo e nalguns casos mesmo a morte. dependendo da quantidade.só a dose faz o veneno. cabe-nos descrever adiante.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ INTOXICAÇÕES AGUDAS '' Tudo é veneno e nada é veneno. podendo mesmo culminar na morte do indivíduo. Como tal. verifica-se que o estudo dos venenos e das suas consequências no organismo é um tema suficientemente vasto e complexo para poder sofrer uma abordagem aligeirada. _________________________________________________________________ Página 58 . Naturalmente que... Por analogia.

fundamentais para diminuir o índice de intoxicações acidentais: . Já os envenenamentos agudos são de primordial importância para o Socorrista. que dedicaremos a nossa atenção.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Comecemos por destinguir os envenenamentos ou intoxicações quanto ao tempo de actuação.Envenenamentos agudos Relativamente aos primeiros. (anos. asbestose.Guardar os produtos tóxicos sempre em recipientes devidamente identificados e em locais de difícil acesso. podemos citar as pneumoconioses (silicose. Isto porque. berilose. É portanto a estes últimos. não só os seus efeitos apenas se fazem sentir gradualmente e ao cabo de bastante tempo. cabe tecer algumas considerações acerca das medidas de prevenção primária. O _________________________________________________________________ Página 59 . pelo que constituem uma situação de socorro prioritário. poderemos classificá-los sob duas vertentes: . Antes porém. poderemos considerá-los de pouco interesse para o Socorrista.Envenenamentos crónicos .) frequentemente presentes nos mineiros. Como exemplos evidentes de casos destes. sua composição e medidas a tomar em caso de intoxicação acidental. sendo na verdade do foro médico. dado que são de actuação extremamente rápida e colocam a vida da vítima em risco iminente. Da referida identificação. ou outras profissões de risco. como não carecem propriamente de um primeiro socorro mas de um acompanhamento médico prolongado. Neste âmbito. na maioria dos casos). deverá constar o nome do produto. etc.

Outro método acessório para lidar com crianças com idade suficiente para o entenderem. a cor. Lembre-se: qualquer outro local aparentemente seguro. ainda que não saiba ler. Não esquecer portanto. poderá constituir outra situação incompatível com os medicamentos em questão. ou seja. os tornam particularmente atractivos para as crianças. . só após um exame mais ou menos exaustivo que lhe permita efectuar um diagnóstico correcto. . tomar medicamentos por iniciativa própria. o único local relativamente seguro para guardar medicamentos e substâncias perigosas. Como tal. _________________________________________________________________ Página 60 . a forma. constitui um desafio à imaginação da criança. por vezes. compreenda que se trata de uma substância perigosa. será explicar-lhes pacientemente as razões pelas quais existe perigo em manusear as referidas substâncias. (uma caveira com duas tíbias cruzadas). Estas tendem naturalmente a imitar os adultos. Não devem fazê-lo. que os tomam por guloseimas. que tudo fará para lhe ter acesso. deverá constar do rótulo de forma bem visível. pelo que não o deverão fazer sem a supervisão de um adulto. Não esquecer ainda que. sem aconselhamento médico. que os medicamentos apenas devem ser prescritos pelo médico e mesmo assim. Evitar tomar medicamentos ou outras substâncias perigosas diante de crianças. é um armário próprio fechado à chave.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ símbolo universal de perigo. o cheiro ou o sabor agradável de alguns medicamentos. pois aquilo que parece uma simples constipação.Os próprios adultos tendem frequentemente a fazer automedicação. por forma a que qualquer pessoa. incorrendo assim em acidentes graves.

. onde se encontrem motores de combustão em funcionamento (automóveis. Esta data não deve ser ultrapassada e nalguns casos. etc. etc. após ter parado o seu consumo e nunca guardá-los para ocasiões futuras. Logo.Nunca consumir alimentos. pelo que as ligações químicas com aquela proteína são muito estáveis. afecta as vítimas sem que elas se apercebam. Das combustões incompletas. o qual. Tratando-se de um gás inodoro. motos. é válida apenas enquanto a embalagem está intacta e guardada em determinadas condições de temperatura. cujas condições de conservação. preparação ou outras. insípido e incolor. braseiros. mariscos de proveniência ou conservação duvidosas. muitas vezes superior à do oxigénio. ofereçam dúvidas. ocupando os pontos de ligação do oxigénio e conduzindo à anóxia. tem inscrita na embalagem uma data limite para consumo. levando-as gradualmente à anóxia (ausência de oxigénio) e à morte. mas também do local onde crescem).). cogumelos ou frutos silvestres desconhecidos (atenção que o grau de toxicidade de alguns cogumelos. resulta um gás denominado monóxido de carbono (CO).SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ .) em locais fechados. . possui uma afinidade com a hemoglobina. Ex.Grande parte dos medicamentos. Estas condições existem numa farmácia. depende não só da espécie. devemos ter o cuidado de destruir os medicamentos que sobram. humidade e luminosidade.Nunca utilizar meios de aquecimento por combustão (lareiras. etc. Da mesma forma. mas não dentro de uma gaveta qualquer em nossa casa.: conservas cujas embalagens se encontrem deterioradas. frutos ou produtos hortícolas mal lavados. não permanecer em recintos fechados. _________________________________________________________________ Página 61 .

para evitar contactos directos. e passam através de filtros. Gases deste tipo. etc.Ao atravessar locais onde existam répteis. deverão ser tomadas as devidas precauções de segurança. máscaras e roupas apropriadas. lenços molhados. ----------------------------Considerando a diversidade de produtos tóxicos existente e dado que cada um provoca sintomatologias específicas.Utilizar de forma rigorosa. Não comer. sempre que sejam manuseados produtos tóxicos (uso de luvas. _________________________________________________________________ Página 62 . etc. fossas. .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ . sem o auxílio de um aparelho respiratório com máscara full-face ou similar (os filtros convencionais das máscaras de protecção contra fumos. insectos ou outros tipos de fauna ou flora venenosas. olhos ou mucosas). os meios de protecção e cumprir as normas de segurança.Não tentar penetrar em locais onde se suspeite existir determinadas concentrações de monóxido de carbono ou outros gases tóxicos. a um interrogatório da vítima e/ou pessoas próximas desta.. existem também em poços. podem não ser eficazes nestes casos). . beber ou fumar durante o seu manuseamento e evitar que os produtos entrem em contacto directo com a pele. Torna-se assim necessário que o Socorrista alie a sua capacidade de bom observador. torna-se difícil identificar um envenenamento por simples exame da vítima.

embalagens de produtos tóxicos. (indisposição. etc. que possa ter levado a tal. seringas e respectivas agulhas. etc. Grupos de pessoas apresentando sintomatologias idênticas. ou observação de ambiente familiar de discórdia.). -----------------De que formas. mucosas ou olhos Circulatória: directamente introduzido na corrente sanguínea _________________________________________________________________ Página 63 . vómitos. Presença de pessoas inconscientes e/ou odores estranhos (gás ou outro) num recinto fechado. História de anteriores tentativas de suicídio por parte da vítima. normalmente após terem estado juntas numa festa. pode um tóxico penetrar no organismo? A introdução de um tóxico no organismo.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Que tipo de indícios. diarreias. pode ocorrer por quatro vias distintas: Digestiva (gastrointestinal): através da boca ou do ânus Respiratória (inalatória): através do aparelho respiratório Transcutânea / Ocular: através da pele. de objectos como frascos de medicamentos. restos de alimentos. podem levar a uma suspeita de envenenamento? Presença junto à vítima. Poderão apresentar perturbações digestivas ou outras. alterações das funções vitais. erupções cutâneas.

SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Como adiante veremos, a identificação da via de entrada do veneno no organismo, revelar-se-á fundamental, para a prestação do primeiro socorro. Uma vez na presença de um envenenamento, deveremos proceder de imediato a uma colheita de informações, que consistirá dos seguintes parâmetros: O Quê? (Identificação do veneno) Quanto? (Qual a quantidade introduzida organismo) Quando? (Há quanto tempo se deu envenenamento) Como? (Qual a forma e via de introdução) Idade, peso e sexo da vítima no o

Uma vez na posse destes dados, poderemos contactar um organismo denominado C.I.A.V., (Centro Informativo Anti-Venenos), onde o médico de serviço nos indicará o procedimento a adoptar naquele caso específico. O C.I.A.V., poderá ser acedido através dos números de telefone 21 795 01 43 / 4 / 6, (rede de Lisboa). O C.I.A.V. existe já em regime experimental no Porto e em Coimbra, pelo que, caso se encontre nestes locais, deve informar-se dos números de acesso. No entanto e como a utilização do telefone nem sempre é uma solução viável, o Socorrista deverá ter presente a actuação correcta para a generalidade dos casos. Passemos pois a tratar cada um de per si. Primeiro Socorro Geral - Vigiar e manter / repor as funções vitais (pulso, ventilação, temperatura, consciência)

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SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ - Proceder à eliminação / neutralização do tóxico quando possível - Manter a permeabilidade das vias aéreas - Manter a imobilidade da vítima - Tentar reter a absorção do tóxico - Efectuar transporte assistido a uma unidade hospitalar Primeiro Socorro Específico Intoxicações por Via Digestiva (Gastrointestinal): Perante um envenenamento deste tipo, deveremos genericamente tentar quatro manobras em relação ao veneno: - Diluir - Eliminar - Fixar - Neutralizar 1 - O primeiro passo, consistirá sempre na diluição do veneno. Esta manobra, consegue-se dando bastante água a beber à vítima (ou leite, no caso do tóxico ser lipossolúvel). 2 - O segundo passo, consiste na eliminação do tóxico. Por via alta, a eliminação efectua-se através do vómito, o que pode ser conseguido de diversas formas: Titilação da úvula (tocando com uma espátula ou outro objecto não pontiagudo no fundo da garganta) Administração de um emético (xarope de ipeca). Atenção: seguir rigorosamente as indicações no rótulo

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SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Administração de uma solução hiper-salina (1 copo de água morna, com forte concentração de sal) Água albuminosa (água com claras de ovo). Para além de induzir o vómito, a água albuminosa também tem efeitos fixantes Outros 3 - Após ter vomitado, a vítima deverá voltar a beber bastante água e vomitar de novo. Este ciclo será repetido tantas vezes, até vomitar água límpida, sem qualquer outro conteúdo gástrico. Estará então eliminada a maior parte do tóxico que se encontrava no estômago. No caso de já ter decorrido um período de tempo considerável desde a ingestão do veneno que já se encontra parcialmente digerido, ou este ter sido introduzido por via digestiva baixa (através do ânus), há que proceder à eliminação por via baixa, administrando um laxante de forte potência ou um enema (clister). Considerar a recolha de amostras de vómito ou fezes para análise laboratorial. 4 - Uma vez terminada a eliminação, há que proceder à fixação do veneno. Este método consiste em administrar um produto, ao qual as partículas de veneno não eliminadas se vão agregar, minimizando assim o seu efeito no organismo. Como já vimos, a água albuminosa possui algum poder fixante mas o produto ideal, é o carvão vegetal activado. É possível que este produto só consiga ser adquirido sob a forma de pastilhas. Estas deverão ser pulverizadas e caso já se encontrem guardadas há bastante tempo, deverão ser também activadas. A activação será conseguida colocando-as no forno ou microondas, com a finalidade de retirar a humidade. Em algumas lojas de aquariofilia, é possível encontrar carvão vegetal em pó, destinado aos filtros de aquário. O pó de carvão vegetal activado, deverá ser ingerido simples (cerca de 4 colheres de sopa), podendo em

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O passo seguinte. NOTA: A manobra acima descrita.EXCEPÇÕES: Por razões óbvias. como intubações e afins. São as seguintes as excepções referidas: . além da manutenção de funções vitais e urgente evacuação da vítima para uma unidade hospitalar. é já possível adquiri-lo sob a forma de suspensão aquosa e nomeadamente em doses individuais. não é possível considerar a existência de um antídoto universal. embora esta aquisição de encontre condicionada. 5 . Como tal. pouco mais pode ser feito pelo Socorrista. Nota: dada a grande diversidade de venenos existente.Vítimas inconscientes ou com alterações graves do nível de consciência _________________________________________________________________ Página 67 . dado este não ser solúvel. Contudo.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ seguida dar um copo de água. é pouco provável que o Socorrista o consiga obter na altura. consistiria na neutralização do veneno. há alguns casos em que as técnicas atrás descritas não podem ser aplicadas. dado que cada veneno é neutralizado com um antídoto específico. ATENÇÃO . Nestes casos. ao contrário do que afirmam alguns manuais antigos. Nota: não tentar dissolver o carvão em água. pode dificultar alguns actos médicos subsequentes. No entanto. este passo torna-se normalmente inviável. Sendo assim. a fixação só será recomendada nos casos em que o hospital não possa ser alcançado nos minutos mais próximos.

sem o apoio de um aparelho respiratório como atrás indicado ou.Outros (a ponderar caso a caso) Intoxicações por Via Respiratória (Inalatória): Perante uma intoxicação deste tipo.Ingestão de produtos corrosivos (ácidos. atravessam filtros respiratórios. grande parte destes gases. entrar em atmosferas contaminadas. há que considerar a hipótese provável de a vítima se encontrar num local de atmosfera contaminada. álcalis) . ATENÇÃO: Os gases tóxicos. Como consequência. Como tal. o Socorrista não deve sob qualquer pretexto.Vítimas muito sonolentas (por exemplo.Ingestão de organofosforados . Não esquecer que. após ingestão de barbitúricos. não permitindo a entrada por rastejamento.Ingestão de petróleo e alguns dos seus derivados .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ . _________________________________________________________________ Página 68 . tendo em conta o perigo de o Socorrista ficar afectado ao penetrar neste.Ingestão de detergentes ou outros produtos que provoquem espuma . são na sua maioria e em determinadas concentrações. hipnóticos ou tranquilizantes) . tornando-os ineficazes e sendo mais pesados que o ar atmosférico concentram-se em sentido ascendente. ou outro) . na impossibilidade de utilizar tal aparelho. o primeiro passo do socorro consistirá na retirada da vítima desse mesmo local.Vítimas com convulsões (por exemplo após a ingestão de um produto convulsivante: beladona. sustendo a respiração e após uma ventilação adequada do local. de muito rápida actuação.

A administração de O2 é de considerar. provocando lesões idênticas a _________________________________________________________________ Página 69 . uma vez que se encontram na corrente sanguínea. bloqueando a capacidade de transporte deste aos diversos tecidos. A expulsão do CO. apenas é conseguida por transfusão total. Enquanto uma destas situações não for possível. a exemplo dos ácidos. já que os gases não são expelidos no ar expirado pela vítima. o primeiro socorro consistirá na aplicação dos métodos respectivos (ventilação assistida ou ressuscitação cardio-pulmonar).. etc. De referir que.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Após a retirada da vítima do local é fortemente provável que esta se encontre em morte aparente ou clínica (paragem ventilatória ou cardio-pulmonar) e consequentemente. dependendo a sua concentração do tipo de gás inalado. ou colocação da vítima numa câmara de recompressão (hiperbárica) idêntica às utilizadas em situações relacionadas com os mergulhadores. poderão ser absorvidos pelo nosso organismo por simples contacto directo com a pele. com máscara. o CO tem uma afinidade com a hemoglobina cerca de 200 vezes superior à do O2. podem ter grande poder destrutivo. mucosas ou olhos. além do que. álcalis. na maioria dos casos. na expectativa que algum deste O2 possa ser transportado na corrente sanguínea. Intoxicações por Via Transcutânea ou Ocular: Determinados produtos. Tomemos como exemplo o Monóxido de Carbono (CO): Como atrás foi referido. o Socorrista não corre o risco de ficar contaminado pela aplicação directa destes métodos. resta-nos fornecer altos débitos de O2 à vítima (normalmente 15 l/min).

dado que ele é directamente injectado no sangue. Uma lavagem ocular eficaz.. Intoxicações por Via Circulatória: Finalmente o tóxico pode ainda ser introduzido directamente na corrente sanguínea. por injecção. ou mordedura de animal (cobras. o que deve ser feito com água corrente. comichão. etc.) reagem violentamente ao contacto com a água. tem a ver com a remoção do produto. etc. _________________________________________________________________ Página 70 . etc.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ queimaduras. já que isso espalharia o produto.. a maior parte do produto deve ser previamente removida a seco. Esta constitui obviamente a via mais rápida de absorção de veneno. Em qualquer dos casos. irritação da pele. ou inchaço. refira-se uma vez mais que a remoção é feita com água corrente e não com banho de imersão. O socorro destas situações.). ardor. Estes procedimentos de remoção são normalmente mais eficazes do que a tentativa de neutralização do produto pelo que não se deve perder tempo a tentála. sempre no sentido do canto interno para o canto externo. a remoção é uma vez mais efectuada com água corrente e abundante. ácidos. picada de insecto. O Socorrista deve rodear-se das precauções necessárias para que a sua própria pele não contacte com o produto em questão e ter em conta que determinados produtos (como a soda cáustica. Nestes casos e sem prejuízo da posterior remoção com água corrente. deve durar cerca de 20 minutos. No caso de contacto directo com os olhos.

pois existem fortes probabilidades de o Socorrista contrair envenenamento ou doenças por contacto com o sangue contaminado da vítima. relógios. a administração de soros anti-ofídicos. Tendo em conta a impossibilidade de diluir ou eliminar estes venenos. constituem o quadro sintomatológico mais óbvio destas vítimas. manter a vítima imóvel a fim de retardar a circulação. o seu único socorro seguro. devem ser retirados.). pode levar a vítima a um choque anafilático. pulseiras. Além do mais. consistiria na neutralização. mas a fazê-lo. todos os adornos (anéis. com consequências obviamente dramáticas se não se possuir a noção exacta dos procedimentos adequados. nunca utilizar métodos orais. No entanto e dado que esta tem de ser feita com o antídoto específico. inchaços. por exemplo. febre e alterações da consciência. Raramente é de considerar a sucção do veneno. _________________________________________________________________ Página 71 . etc.. proceder à vasoconstrição por aplicação de frio local e considerar (caso se trate de um membro). torna-se quase sempre inviável. náuseas e vómitos. Deve certificar-se que a circulação arterial não está garrotada por palpação do pulso periférico distal. a aplicação de um garrote venoso pouco apertado imediatamente acima da picada para retardar a circulação de retorno (atenção: esta manobra pode ser perigosa e a sua eficácia depende da rapidez de actuação). Porque poderá aparecer inchaço local ou generalizado. consistirá então em permeabilizar as vias aéreas. O socorro geral.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Perda de forças (astenia).

LESÕES DO TECIDO ÓSSEO E MUSCULAR FRACTURAS DEFINIÇÃO: Entende-se por fractura.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Procurar transportar uma amostra do veneno ou o animal em questão ao hospital com a vítima. Se por esta ferida forem visíveis um ou mais topos ósseos. CLASSIFICAÇÃO: • Fechadas: quando a lesão é apenas no osso • Abertas: Quando além da lesão óssea. para facilitar a selecção do antídoto a aplicar. continuidade de um osso. QUANTO AO TRAÇO : Relativamente ao traço (desenho segundo o qual o osso parte). qualquer solução da _________________________________________________________________ Página 72 . transversais oblíquas espiraladas ramo verde múltiplas articulares etc. a fractura é exposta. as fracturas poderão classificar-se de diversas formas. existe uma ferida adjacente devida à fractura.

nervos. seccionamento de vasos. segundo o qual o osso fragmentos de osso que Se bem que por vezes o diagnóstico de uma fractura é óbvio. sendo que.) CONSTITUINTES DE UMA FRACTURA: Importa conhecer os elementos que constituem uma fractura para compreender o seu mecanismo. SINTOMATOLOGIA: Dor Edema (inchaço) Deformação ( encurtamento / alongamento ) _________________________________________________________________ Página 73 . Assim temos os seguintes elementos: • Foco de fractura: toda a zona • Topos ósseos: extremidades decorrentes da lesão • Traço de fractura: desenho parte • Esquírolas ósseas: pequenos se separam dos topos ósseos da lesão do osso (duas ou mais). Debrucemo-nos pois um pouco sobre a sintomatologia das fracturas.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Esta classificação não interessa especialmente ao Socorrista. já que o traço só é normalmente visível no Rx. deve ter-se em conta as diferentes possibilidades. casos há em que a situação requer um exame mais cuidado. para perceber os riscos de um manuseamento menos cuidado de uma fractura (lesões dos tecidos adjacentes. etc. só mesmo o Rx revela a lesão. tendões ou músculos. por vezes. Contudo.

Estas talas poderão ser improvisadas com uma infinidade de materiais. pedaços de cartão. como guardas-chuva. ramos de árvores. Sempre que possível. etc. dado que isso exigiria mobilizar a zona lesionada. Após a imobilização. há que adequar uma tala a essa posição. a regra de não reduzir as fracturas. ser colocados em suspensão. NOTAS: Conforme acima referido. estes devem. Uma imobilização correcta deve incluir as articulações proximal e distal à fractura (articulações acima e abaixo do foco de fractura). como no caso da clavícula ou eventualmente no colo do fémur). Nas fracturas dos membros superiores. por forma a não comprometer a circulação.. tiras de tecido. a imobilização não deve ser demasiado apertada. É importante ter em conta que. será feita uma extensão dos ombros com _________________________________________________________________ Página 74 . exactamente para verificar se a circulação não ficou comprometida. Neste caso. se possível. e sem reduzir a fractura (salvo excepções. deve palpar-se o pulso distal. as extremidades devem ficar visíveis para detectar inchaços ou alterações da coloração. entre outros e fixos com ligaduras. sem o mover muito. não é aplicável às da clavícula.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Impotência funcional Mobilidade anormal (*) Crepitação óssea (decorrente do roçar entre topos ósseos e/ou esquírolas) (*) (*) Estes dois sinais não se pesquisam à partida. Para tal. gravatas. lenços. PRIMEIRO MEMBROS) SOCORRO ( PARA FRACTURAS NOS O primeiro socorro consiste em imobilizar o membro na posição em que se encontra.

LESÕES ARTICULARES Das lesões nas articulações e musculares. procedendo à respectiva imobilização. Importa. nas primeiras 24 horas. no entanto. _________________________________________________________________ Página 75 .Nos entorses e distensões musculares. deve ser rejeitado. não se deve tentar recolocar a articulação no lugar. como se de uma fractura se tratasse. não é impossível que exista uma fractura associada. . até que seja efectuado um Rx. pelo que a hipótese deve ser tida em conta. tecer algumas considerações: . É comum as pessoas friccionarem as articulações com álcool ou colocarem pomadas anti-inflamatórias imediatamente após um entorse. Só decorrido este período de tempo.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ um torniquete ou um cruzado posterior. De resto. Como a sintomatologia de qualquer destas três situações é frequentemente sobreponível à das fracturas. e as distensões musculares. a imobilidade da articulação é fundamental. devem ser aplicados localmente anti-inflamatórios e vasodilatadores por aplicações quentes. as mais frequentes são as luxações.As luxações são desencaixes de ossos que normalmente articulam entre si e não devem ser reduzidas pelo Socorrista. a fim de reduzir o edema e facilitar a reabsorção dos derrames. em Primeiro Socorro deverão ser tratadas como tal. Este procedimento é incorrecto e como tal. este procede tão somente à imobilização das articulações afectadas. conforme demonstrado nas aulas práticas. associada a uma vasoconstrição por aplicação de frio local. ou seja. os entorses. sem prejuízo do Rx que deve ser feito.

serviria por si só para escrever vários manuais e muito ficaria ainda por dizer. _________________________________________________________________ Página 76 .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ TRAUMATOLOGIA O tema traumatologia.

SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ No entanto, pela sua importância, frequência ou gravidade, dedicaremos a nossa atenção de forma muito genérica, a 5 tipos de traumatismos: Cranioencefálicos Maxilofaciais Vertebromedulares Torácicos Abdominais DEFINIÇÃO: Traumatismo é uma lesão num tecido ou num órgão, provocada por acção de uma violência directa ou indirecta. CLASSIFICAÇÃO: Um traumatismo poderá classificar-se como aberto, caso haja uma ferida associada, ou fechado quando um órgão for lesionado sem que haja compromisso da integridade da pele. Sempre que estejam envolvidos diversos órgãos ou tecidos, o traumatismo é múltiplo (politraumatismo). Considerando que, consoante a gravidade dos casos, a presença de dor é uma constante, podendo ainda na maioria dos casos existir hemorragias mais ou menos graves, a possibilidade de Choque está naturalmente implícita, pelo que poderemos considerar os traumatismos graves, como situações de Socorro Prioritário. TRAUMATISMOS CRANIOENCEFÁLICOS

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SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Como o nome indica, nestes casos existem possíveis lesões do encéfalo (cérebro), o que constitui por si só, situação de gravidade extrema. Estes traumatismos, podem ocorrer por diversos mecanismos, em especial concussão e pressão. Normalmente constituem situações de elevada gravidade e a menor suspeita de lesão deste tipo deve ser encaminhada para uma unidade hospitalar, onde deverão ser efectuados os exames necessários. A sintomatologia associada tem características muito específicas, mas não está necessariamente sempre presente, pelo que não constitui um indício totalmente fiável. SINTOMATOLOGIA: • Toda a característica do estado de Choque e ainda: • Anisocoria (assimetria de diâmetros pupilares, em que uma das pupilas se encontra midriática e a outra normal) • Hemiplegia ou hemiparesia (paralisia ou insensibilidade de um dos lados do corpo - o lado oposto ao hemisfério lesionado) • Máscara equimótica (equimoses em volta dos olhos ou atrás das orelhas) • Alterações do estado de consciência: inconsciência ou obnubilação (estado de confusão mental) • Hemorragias pelo nariz ou ouvidos com possível saída de líquido cefalorraquidiano (líquor) • Euforia ou apatia • Sonolência • Náuseas e vómitos • Fotofobia • Outros

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SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Embora característica deste tipo de situação, a sintomatologia acima descrita pode estar parcial ou totalmente ausente. Por vezes, ocorre um período de tempo denominado Intervalo Livre em que não há sintomas evidentes. Como tal, para evitar que o Socorrista seja induzido em erro, sempre que haja suspeita de traumatismo cranioencefálico, a vítima deverá ser prontamente transportada ao hospital. O referido transporte deverá ser efectuado em ambiente calmo, obscurecido e silencioso, particularmente no que diz respeito a sirenes, buzinas, etc. Deve ainda ser efectuado mobilizando o menos possível a vítima, que deverá por precaução Ter imobilização cervical. A vítima deverá ser colocada numa posição confortável, normalmente deitada ou em decúbito lateral, sendo de evitar a posição de Trendelenburg devido às possíveis hemorragias intracranianas. PLS se inconsciente. Não esquecer que uma vítima deste tipo está emocionalmente instável, pelo que, se devem evitar determinados comentários acerca do seu estado, ainda que se encontre inconsciente (pois poderá ouvir).

TRAUMATISMOS MAXILOFACIAIS Embora possam ser de alguma gravidade, normalmente estes traumatismos são essencialmente aparatosos dada a sua localização. Sendo assim e a menos que se encontrem comprometidas as vias aéreas, o Socorrista deverá proceder a uma limpeza da face para melhor julgar a

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lesões e seguidamente actuar em Caso haja fractura da mandíbula. suspeitar de hipotéticas lesões de coluna cervical.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ extensão das conformidade. TRAUMATISMOS VERTEBROMEDULARES Os traumatismos de coluna são sempre situações graves dada a possibilidade de lesão de espinal medula. a vítima não deve ser mexida.pescoço . após colocação de um colar cervical para imobilizar o pescoço. _________________________________________________________________ Página 80 .tronco membros e coloca-la-á sobre um plano rígido e liso (normalmente uma maca apropriada para o efeito). que é tecido nervoso. esta não deve ser reduzida dado que a primeira redução em fracturas de mandíbula é normalmente definitiva. Esta equipa deverá ser constituída por um mínimo de 5 elementos que. Dependendo da causa do traumatismo. dependendo do tipo de piso). levantará a vítima respeitando o bloco cabeça . O transporte ao hospital é extremamente lento (cerca de 10 Km/h. até que chegue ao local uma equipa especializada para a remover. SINTOMATOLOGIA: Dor nas costas ou pescoço Deformação Paraplegia ou Tetraplegia (paralisia abaixo da cintura ou pescoço) Insensibilidade ou formigueiros nas extremidades Sempre que haja a menor suspeita de lesão na coluna.

a PLS não é adequada a este tipo de situação. Caso haja uma ruptura das pleuras.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Caso a vítima se apresente inconsciente. provocando uma situação denominada pneumotórax. são sem dúvida o coração e os pulmões. O mesmo poderá não ser verdade no que respeita à lesão de um pulmão. significa provavelmente a morte da vítima. composto por uma compressa coberta por um plástico e colada em 3 extremidades. Um traumatismo do qual resulte uma lesão no coração. mas possa sair (no caso das feridas soprantes). Isto consegue-se através de um penso ‘em janela’. Os pulmões são revestidos por uma estrutura denominada pleura. a referida movimentação de ar poderá dar-se de fora para dentro ou de dentro para fora já que as pressões interna e externa tendem a equilibrar-se. a qual é composta por duas camadas ou folhetos (o parietal e o visceral). No entanto. se a vítima entrar em asfixia ou paragem cardiorespiratória. Se o traumatismo for aberto. _________________________________________________________________ Página 81 . Estaremos então respectivamente na presença de uma ferida aspirativa e/ou soprante. TRAUMATISMOS TORÁCICOS Os principais órgãos existentes no tórax. A preocupação primária do Socorrista em relação a estas feridas. A 4ª extremidade fica em aberto para permitir a saída do ar. as quais protegem os pulmões e impermeabilizam-nos à passagem do ar. será tapá-las de forma a que o ar não possa entrar (no caso das feridas aspirativas). é obviamente necessário iniciar as manobras adequadas e descritas nos capítulos correspondentes embora com alguns cuidados. dá-se movimentação de ar através do orifício.

provocam violentas hemorragias internas. Consequentemente o Primeiro Socorro adequado a uma vítima com este tipo de lesão. pelo que o levantamento e transporte da vítima deverá ter esta hipótese em conta. recostada sobre o lado da lesão. mas sim cobertas com um pano limpo e mantidas humedecidas. alguns desses órgãos como o fígado ou o baço. com água ou soro fisiológico. É provável que um traumatismo abdominal possa estar associado a uma fractura da bacia ou da região pélvica. deverá ser transportada em decúbito lateral. Numa situação deste tipo é fundamental que as vísceras não sejam reintroduzidas nem lavadas. ou seja. será idêntico ao das hemorragias internas.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Uma vítima de traumatismo torácico. _________________________________________________________________ Página 82 . conforme os casos). a fim de permitir libertar o pulmão não afectado para uma melhor ventilação. TRAUMATISMOS ABDOMINAIS Estes traumatismos poderão ser fatais dada a grande quantidade de órgãos existente na cavidade abdominal. Para mais. Há ainda que ressalvar a possibilidade de existir evisceração total ou parcial. são por excelência grandes ‘acumuladores’ de sangue do nosso organismo e quando fracturados. deverá ser posicionada de forma a evitar a abertura da ferida (sentada ou deitada. saída do intestino para o exterior. Uma vítima com evisceração. a uma temperatura tépida.

se houver alguma falha. quer circulatória. PORQUÊ ADMINISTRAR O2? É fundamental lembrar que. o Socorrista deve aprender a reconhecer a sintomatologia que indica esta necessidade. o paciente poderá perder a capacidade de captar o O2 de que necessita. cuja composição inclui cerca de 21% de O2. Os restantes 16%. Assim. para todos os efeitos um medicamento e deve ser encarado como tal. Contudo e porque por vezes a sua utilização é requerida em circunstâncias inesperadas e a urgência é tal que o contacto com o médico se torna inviável. as quais consomem apenas cerca de 5%. a sua prescrição. ser feitas por um médico. SINTOMATOLOGIA _________________________________________________________________ Página 83 . o Oxigénio é. É através do ar que respiramos. voltam a ser libertados na expiração. bem como as formas correctas de administrar o Oxigénio.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ TÉCNICAS DE ADMINISTRAÇÃO DE OXIGÉNIO (O2 ) Embora o seu uso seja frequente no transporte de doentes. sendo então necessário administrá-lo de forma artificial. No entanto. que este chega aos nossos pulmões e daí é distribuído a todas as células do corpo através da circulação sanguínea. todas as células no nosso corpo necessitam deste gás para viver. quer ventilatória. quantidade e forma de administração deverão tanto quanto possível.

em caso de explosão. tendendo para cianose progressiva Pulso rápido e fraco (taquicardia) Transpiração abundante Midríase progressiva A GARRAFA DE OXIGÉNIO As garrafas de O2. ‘tubos’. ou pelo menos a cúpula. a sua sintomatologia é facilmente reconhecível: Dificuldades Ventilatórias (dispneia) ou Paragem Ventilatória (apneia) Palidez. são fabricadas em liga metálica (as mais recentes são em alumínio). Assim. pelo que. importa debruçarmo-nos um pouco sobre a sua constituição: ♦ As garrafas de Oxigénio. no entanto e salvo algumas excepções. Sugere-se contudo. se têm vindo a utilizar cada vez mais. também vulgarmente denominadas como ‘cilindros’. as garrafas devem ser de cor branca na sua totalidade. ♦ Para que não restem dúvidas quanto ao conteúdo das garrafas. estas devem ter o nome do gás mesmo _________________________________________________________________ Página 84 .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Várias são as causas possíveis de falta de O2. a fim de obedecerem às normas em vigor. Note-se que recentemente. ‘balas’. garrafas de cor verde. etc. é o branco. A sua forma é cilíndrica e normalmente possuem um picotado interior longitudinal. a garrafa abra em duas calotes sem estilhaçar.. para que. ♦ A cor que representa o Oxigénio em Portugal. requerem alguns cuidados especiais no que respeita ao seu manuseamento (não esquecer que contêm gás sob pressão). Isto deve-se ao facto de a sua origem ser americana. que sejam pintadas de branco.

o gás sai da garrafa em alta pressão mas. deve escolher-se o que interessar. Deverá encontrar-se graduado em ‘Bar’. Assim. A título de curiosidade. como o nome indica. O segundo manómetro. mais propriamente à câmara de alta pressão. Esta noção é importante. vem já em baixa pressão e é obviamente assim que será administrado ao paciente. ligadas pelo dispositivo redutor propriamente dito. é composto por um dispositivo redutor de pressão e um ou mais manómetros. quando flui na saída do dispositivo. encontra-se graduado em Litros por Minuto (l/min) e naturalmente. O manómetro associado a este dispositivo. na medida em que alguns manómetros de origem americana ou inglesa não se encontram graduados em Bar e sim em PSI (Pound Square Inch = Libra por Polegada Quadrada). ♦ No caso dos sistemas portáteis. Outros dados que devem ser gravados na garrafa (caso não venham de fábrica). refira-se que o Bar é equivalente ao Kg/cm2. não permitem efectuar os cálculos que adiante iremos referir. Neste caso. a menos que haja recurso a tabelas de conversão. Outros manómetros possuem duas escalas. que é a unidade de pressão utilizada em Portugal. com ambos os sistemas de medida. indica-nos o débito (numero de litros por minuto) de _________________________________________________________________ Página 85 . Atenção: Estas unidades. Assim a palavra OXIGENIO ou simplesmente O2. deverá constar. são a sua capacidade ou volume (em litros). datas e selos das provas hidráulicas e eventualmente o nome da entidade a que pertence. mede a pressão do gás existente dentro da garrafa. poderá encontrar-se acoplado à garrafa um mano-redutor que.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ gravado no seu corpo. O redutor é composto por uma câmara de alta pressão e por uma câmara de baixa pressão. que eventualmente existirá anexo à câmara de baixa pressão.

_________________________________________________________________ Página 86 . o debitómetro não se encontra acoplado ao mano-redutor e sim na extremidade da rampa de O2 .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ gás a administrar ao paciente. todas as zonas de contacto com o O2 (o equipamento em si. não se deve aproximar chamas de locais onde se esteja a utilizar este gás. dentro da célula sanitária. dentro da qual se move uma esfera. Não esquecer que contêm gás sob pressão e podem rebentar se submetidas a acções violentas. O O2 em si não arde.. a própria face do paciente ou as mãos do Socorrista). compostos por uma coluna graduada. Assim. nas ambulâncias). e os de coluna. Ambos têm a mesma finalidade. Nunca usar qualquer tipo de matéria gorda para lubrificar quaisquer componentes dos sistemas de O2. devem ser devidamente fixadas a uma estrutura por forma a não rolarem ou sofrerem embates violentos. devendo a escolha ser efectuada em função da utilização da garrafa. em forma de ‘relógio’. Nota: Nos sistemas fixos de O2 (p. que indica o débito. contudo alimenta as combustões pelo que. mesmo as portáteis. provocando combustões ou mesmo explosões. Poderemos com alguma frequência encontrar debitómetros de 2 tipos: os aneróides. devem ser previamente isentadas de gorduras. ex. Daí ser genericamente designado por Debitómetro. O O2 reage quimicamente com gorduras. COMO MANUSEAR O EQUIPAMENTO As garrafas de O2.

pode dar origem a um fogo. Nos raros casos em que isto não é possível. se entrar em contacto com uma gordura. concentraremos a nossa atenção nos três mais comuns: SONDA DE INALAÇÃO Trata-se do dispositivo mais aconselhado na maioria dos casos. Assim.. é praticamente _________________________________________________________________ Página 87 . Porque seria exaustivo e mesmo desnecessário no contexto deste manual analisar todos eles. qualquer que seja a sua decisão. Embora habitualmente seja prática corrente antes de montar o mano-redutor na garrafa. grãos de areia. etc. Não improvise. COMO ADMINISTRAR O2 Agora que já conhece os diversos componentes do sistema de O2 e somo manuseá-los. devem ser manuseados sem recurso a ferramentas. nunca abra a garrafa com a saída apontada para si ou para outras pessoas. dado que a brusca saída de oxigénio em alta pressão. efectuar uma rápida abertura da mesma. a fim de expulsar poeiras. é chegada a altura de pensar nas formas possíveis de administração.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Os sistemas de O2. existem diversos dispositivos para este fim. a fim de evitar ‘moer’ a rosca e inutilizar a garrafa. embora se destine a administrações de baixos débitos. já que. usar apenas as ferramentas fornecidas com o equipamento. esta atitude é muito perigosa. Porque cada caso é um caso e nem todos os pacientes toleram a administração de O2 da mesma forma.

politraumatismos faciais e situações similares. _________________________________________________________________ Página 88 . pois há o risco de a sonda ser acidentalmente direccionada para o interior da caixa craniana. há que identificar a sonda de inalação. não é correcto pois. embora as sondas de inalação sejam por norma verdes e as de aspiração incolores. É portanto uma técnica invasiva. visto a aplicação ser relativamente simples com um mínimo de treino. já que supostamente as sondas se encontram embaladas individualmente e mantidas esterilizadas. dos três o mais traumático fisicamente. uma observação minimamente detalhada. mas é tolerável que seja usada pelo Socorrista. podendo ambas encontrar-se noutras cores. Em todo o caso. alguns fabricantes não respeitam estas normas. COMO APLICAR UMA SONDA Em primeiro lugar. pelo que permite o aproveitamento de concentrações razoáveis com débitos baixos. O método tradicional de distinguir as sondas pela cor. dado que deve ser introduzido até à nasofaringe. Esta confusão não tem razão de ser pois. destinada a difundir o O2. revela diferenças abissais: a sonda de inalação possui uma conexão ‘macho’ numa das extremidades e uma perfuração múltipla tipo ‘chuveiro’ na outra extremidade. ATENÇÃO: Não utilizar a sonda de inalação em pacientes com traumatismos cranio-encefálicos. É contudo.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ isento de perdas. dado ser frequente confundi-la com a sonda de aspiração. ao passo que a sonda de aspiração possui uma conexão ‘fêmea’ e a extremidade oposta possui um orifício central e outro lateral para evitar entupimentos durante a aspiração.

devem ler-se as indicações da embalagem. Identificada a sonda. Em seguida. para que ela se mantenha correctamente posicionada. Portanto. ao efectuar a conexão. fazendo-a rolar entre os dedos. há que ter em conta a quantidade de sonda a introduzir. Resta pois. porque a introdução da sonda causa algum desconforto ao paciente. NOTA: Embora não seja fundamental. deverá fixar-se a sonda ao nariz ou à testa do paciente com um tira de adesivo. introduzindo-a lentamente. Esta medida. maior será o calibre da sonda. será sensivelmente similar à distância entre a comissura labial (o ‘canto’ da boca) do paciente e a base do lóbulo da orelha. deve seleccionar-se o calibre (diâmetro) mais adequado em função das características físicas da vítima (idade. até que todo o comprimento previamente seleccionado esteja introduzido. quanto maior for a vítima e o débito. Encontrada a medida. etc. Nesta altura. Mas atenção: não improvise a _________________________________________________________________ Página 89 .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ em caso de dúvida. A extremidade perfurada da sonda deverá encontrar-se junto da nasofaringe. bem como do débito a utilizar.). o Socorrista deve segurar a sonda entre o 1º e 2º dedos (polegar e indicador) e introduzi-la numa das fossas nasais da vítima. Finalmente. certifiquese que o sistema se encontra já aberto e a debitar a quantidade de O2 seleccionada. tamanho. conectar a sonda ao sistema de O2. Por razões de segurança. perpendicularmente à face desta (e não paralelamente como à primeira vista se poderia esperar). local onde o O2 será difundido. esta poderá ser lubrificada com um gel anestésico apropriado.

pelo que. também este dispositivo não se destina a débitos muito elevados. conectado). as perdas são extraordinariamente elevadas. não só porque não fixa convenientemente o dispositivo. Um erro de aplicação bastante comum. _________________________________________________________________ Página 90 . CATETER NASAL (vulgo ‘Óculos Nasais’) Este dispositivo é fisicamente menos traumático que o anterior. após abrir o sistema e seleccionar o débito adequado. uma vez que a introdução se resume apenas ao início das fossa nasais. Por isso mesmo. tornando-o ineficaz. seria necessário aumentar substancialmente o débito relativo mas. a sua utilização só é eficaz em pacientes cujas necessidades sejam do tipo enriquecimento de atmosfera e não tanto de concentrações elevadas de O2. e finalmente ajustá-lo por baixo do pescoço. Basta introduzir nas fossas nasais do paciente os dois pequenos tubos localizados a meio (os quais por vezes possuem esponjas para ajudar à fixação). mesmo por parte de pessoal diferenciado. O cateter nasal só deve ser aplicado (ou a exemplo da sonda. sem apertar demasiado.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ lubrificação com quaisquer substâncias além das previstas para o efeito. é o de ajustar o cateter atrás da cabeça ao invés de o fazer debaixo do pescoço. A aplicação do cateter é extremamente simples. Para obter com o cateter nasal um aproveitamento similar ao da sonda. passar o tubo por detrás de cada orelha como se de hastes de óculos se tratasse. pois poderá causar queimaduras graves ao paciente. como pode dobrar o tubo debaixo da cabeça. Isto é absolutamente incorrecto. Não adopte pois esta técnica.

Lembre-se que a banda elástica de fixação é dispensável nestes casos. Conecte-a ao sistema. ele não é o mais adequado à maioria dos casos. em termos práticos. certifique-se que o O2 flui na máscara e só então. poderá provocar-lhe queimaduras graves. Se ele se encontra consciente e cooperante. já que. MUITO IMPORTANTE: Se administrar O2 com máscara. Daí que. é algo certamente traumatizante em termos psicológicos. Por isso. entregue-lha para que seja ele a colocá-la à medida das suas necessidades e tolerância. seleccione o débito desejado. nunca force a colocação da máscara a um paciente que a rejeite. a colocação de uma máscara diante do nariz e boca de alguém nestas circunstâncias.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ MÁSCARA COM ADMISSÃO DE AR Não deixa de ser curioso o facto de este ser o dispositivo de uso mais frequente a bordo de ambulâncias. abra-o. ela é o instrumento de eleição quando se pretendem administrar altos débitos de O2. Não obstante. deve aplicá-la ao paciente. desengordure primeiro a face do paciente com um toalhete molhado. embora a máscara sofra mais perdas que a sonda e menos que o cateter. _________________________________________________________________ Página 91 . Caso contrário. Mas não nos esqueçamos de que um paciente a quem se opta por administrar O2. Nunca aplique uma máscara com o sistema fechado. terá provavelmente dificuldades ventilatórias.

os débitos serão aumentados drasticamente para valores próximos dos 15 l/min.. Se o paciente for uma criança. Noutras ainda (hiperventilação. excepcionalmente. Na dúvida. os débitos aconselhados no pré-hospitalar sem prescrição médica. _________________________________________________________________ Página 92 . a sua administração está absolutamente contraindicada. já que por vezes os meios de diagnóstico e/ou a diferenciação dos Socorristas podem não ser os mais adequados. devem rondar na grande maioria dos casos e para pacientes adultos. ou seja. serão tolerados ligeiros reajustes. intoxicações com Paraquat. certificarmo-nos que a administração é de facto adequada e depois. mas isto constitui a excepção à regra.). É portanto necessário desde logo. em função da situação ou do dispositivo utilizado. mas só se a diferenciação técnica do Socorrista o permitir. RECAPITULANDO. Casos haverá ainda em que. cada caso deve ser analisado de per si e situações há que requerem quantidades superiores do que outras. o débito será reduzido para metade. pelo que. Os casos mais comuns em que isto sucede são a paragem ventilatória ou cardio-pulmonar e as intoxicações agudas por monóxido de carbono (CO). etc. Em qualquer dos casos. não improvise.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ QUE QUANTIDADE DE O2 ADMINISTRAR? Naturalmente que.. os três litros por minuto (3 l/min). 1.5 l/min aproximadamente. hiperóxia. considera-se necessário adoptar algumas precauções.

naturalmente o método de administração acima referido não resultaria pelo que o O2 terá de ser insuflado pelo próprio Socorrista através de uma máscara apropriada (pocket mask c/ admissão de O2) ou. que o paciente não ventile espontaneamente ou o faça de forma ineficaz. _________________________________________________________________ Página 93 . Limpe-lhe a face. pelo que o uso deste termo não é adequado). salvo as devidas excepções. Interrompa a administração se julgar necessário E SE NÃO HOUVER VENTILAÇÃO ESPONTÂNEA? Até aqui. em situações mais dramáticas. preferencialmente com o auxílio de um insuflador de balão. vulgarmente conhecido na gíria médica pelo nome da AMBÚ (que é na verdade uma marca comercial.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ • Certifique-se que a situação do paciente. temos estado a assumir que o paciente ventila espontaneamente. isentando-a de gorduras • Seleccione o dispositivo de administração adequado • Abra a torneira principal da garrafa e verifique o manómetro • Abra lentamente a torneira do debitómetro até que a escala deste indique 3 l/min (ou o débito adequado) • Certifique-se que o O2 flui na extremidade do tubo ou do dispositivo de administração caso este já se encontre conectado • Vigie permanentemente o paciente e a evolução da situação. Pode contudo ocorrer. Posicione-o de forma confortável. requer de facto administração de O2. O método adoptado é portanto o fornecimento de O2 inalado. não obstante as dificuldades. Nestes casos. normalmente sentado e recostado (Fowler).

corresponde à quantidade de um líquido que caberia na garrafa caso esta fosse cheia com um líquido (o que não será o caso). pois em sistemas americanos ou ingleses. Depois. cuja unidade de medida é o Bar ou o kilograma por centímetro quadrado (Kg/cm2). terá que recorrer a tabelas de conversão. _________________________________________________________________ Página 94 . que são medidas equivalentes. Aquela que nos parece mais simples e fiável. Neste caso. verifica-se qual a sua capacidade ou volume. Obtidos estes dois valores. que significa libra por polegada quadrada. Atenção. as contas que se seguem não se aplicam. a pressão poderá estar expressa em PSI (pound square inch).SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ QUANTO TEMPO DURA O OXIGÉNIO DE UMA GARRAFA? Existem várias técnicas para determinar o tempo disponível de gás dentro de uma dada garrafa. abre-se a garrafa e lê-se no manómetro a pressão actual. requer a recolha de algumas informações e a efectuação de contas muito simples. a saber: No corpo da garrafa. Esta medida. expressos em litros. multiplica-se um pelo outro e obtém-se a quantidade de gás existente na garrafa nesse momento.

Obtida esta informação é fácil perceber que se dividirmos o oxigénio existente pelo débito escolhido (quantidade que se vai administrar ao paciente). porque o gás se encontra extremamente comprimido. P a pressão de gás e d o débito utilizado. No entanto. ou seja. existem 300 litros de gás na garrafa. a questão não é assim tão linear. já que vários imprevistos podem ocorrer fazendo com que a previsão de tempo falhe _________________________________________________________________ Página 95 . Seguindo o mesmo exemplo e assumindo que iremos administrar 4 litros por minuto. 1h:15’ A fórmula final.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Exemplo: se tivermos uma garrafa com capacidade de três litros e a pressão de gás for de 100 Bar. seria portanto: CxP d em que C é a capacidade da garrafa. temos que: 300 l : 4 l/min = 75 minutos. Tal só é possível num recipiente cuja capacidade é de 3 litros. teremos o tempo disponível. obtém-se: 3 l x 100 kg/cm2 = 300 l Isto significa que nesse momento.

já que a divisão por dez é de resultado imediato. é fortemente aconselhável uma de duas soluções: Ou feitos os cálculos. para além de introduzir uma margem de segurança bastante grande aos débitos mais usuais. mas a seguinte: C (l) x P (kg/cm2) 10 (l/min) Esta fórmula. etc. se atribui uma margem considerável de segurança. _________________________________________________________________ Página 96 .). tem ainda a grande vantagem de facilitar as contas. a fórmula já não será a que referimos. Assim.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ (fugas de gás no sistema. necessidade de aumentar o débito. Por isso. incidentes que demorem o transporte. se faz por uma constante de segurança (10 l/min). a constante a utilizar passará a ser 20. Obviamente que esta fórmula apenas funciona se o débito for inferior a 10 l/min. ou a divisão em vez de ser feita pelo débito real. Nos casos (raros mas possíveis) em que o Socorrista utilize débitos superiores a 10 l/min.

para testar se compreendeu a explicação acima: Um paciente deve ser transferido de um hospital em Lisboa para outro em Coimbra.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Sugerimos agora a resolução do seguinte problema. Considerando que a ambulância dispõe de uma garrafa de 10 litros e a pressão actual é de 150 _________________________________________________________________ Página 97 . Durante todo o transporte necessita de um suplemento de oxigénio de 5 l por minuto.

200 km). que é a velocidade máxima recomendada para uma ambulância circular durante o transporte de doentes. Depois. não constitui uma situação _________________________________________________________________ Página 98 . a resposta correcta seria: não se efectuaria o transporte nestas condições. confronte a sua conclusão com a resolução abaixo.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Bar. como habitualmente é designado. 10 l x 150 kg/cm2 10 l/min = 150’. poderá efectuar o transporte? (nota: a distância de Lisboa a Coimbra é de aprox. precisaríamos de cerca de 3h:20’ para percorrer a distância pretendida logo. 2h:30’ Conclusão: se a viagem for feita a uma velocidade média de 60 km/h. ou seja. RESPOSTA: Os dados necessários são: C = 10 l P = 150 kg/cm2 Constante de segurança = 10 l/min Logo. EMERGÊNCIAS OBSTÉTRICAS: O PARTO DE EMERGÊNCIA Parto de emergência ou parto súbito.

tem a duração de 40 semanas lunares. A dilatação tem uma duração variável. decorre de forma natural e a actuação do Socorrista é a de mero auxiliar em alguns pormenores. mais ou menos duas. com a única nuance que ocorre fora da maternidade. em função de diversos factores: raça. mas normalmente dura um número variável de horas. Caso ocorra antes da 38ª semana. cuja finalidade é proporcionar a expulsão do feto. O parto. Mas quase todo o trabalho é executado pelo feto e a parturiente. o Socorrista deve tentar acelerar ou retardar qualquer das fases deste processo.. arquitectura óssea da grávida. número de partos anteriores. designa-se por parto ‘termo’. Estas contracções. Em caso algum. o suficiente para que o feto seja expulso sem problemas. a primeira fase – dilatação – tem a ver com o aumento do canal de parto. será ‘pós-termo’. de início relativamente fracas e _________________________________________________________________ Página 99 . entre a 38ª e a 42ª semanas. São três as fases de um parto: • Dilatação • Expulsão • Dequitadura Como o nome indica. a mulher deve esperar que o parto ocorra naturalmente. mas sim.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ anormal. Se tal suceder. após ter engravidado. Toda esta fase é acompanhada de contracções uterinas. de uma situação natural. A gestação de um feto humano. salvo nos casos em que existam complicações. designa-se ‘pré-termo’ ou ‘prematuro’ e se depois da 42ª semana. o que significa dizer que. etc.

Contudo. ou menos. Por debaixo da lordose lombar (curvatura das costas). com as coxas e pernas flectidas e afastadas. Este é outro sinal de expulsão iminente. No final desta fase. a parturiente deve ser colocada na posição obstétrica. a parturiente deve ser questionada quanto à possibilidade desta ocorrência. no final da dilatação. Habitualmente (mas não forçosamente). pelo que. ATENÇÃO: O líquido amniótico é um dos fluidos orgânicos mais passíveis de transmitir eventuais doenças infecto-contagiosas. pelo que. e na iminência da expulsão. com os equipamentos de protecção individual adequados. Para manter alguma sensação de privacidade (ainda que ilusória). respectivamente uma membrana e um líquido que envolvem o feto durante a gestação e que têm funções essencialmente de protecção. tendem a aumentar a sua intensidade e duração. dá-se o rebentamento do saco amniótico (vulgo rebentamento das águas) e exteriorização do líquido amniótico. o Socorrista se deve encontrar devidamente protegido. ou seja. Em alternativa a parturiente pode ficar recostada. reduzindo simultaneamente o intervalo entre cada uma. Porque o Socorrista não deve efectuar qualquer análise da dilatação. deitada em decúbito dorsal.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ espaçadas. a proximidade das contracções (cerca de 1 minuto de intervalo. deve colocar-se uma almofada. com a finalidade de criar um melhor apoio e consequentemente maior conforto. é usual colocar-se um lençol sobre a parturiente. O saco e líquido amnióticos são. constitui um sinal relativamente eficaz da iminência do parto propriamente dito. a _________________________________________________________________ Página 100 . no final da fase).

os seguintes itens: • • • • • • • • • • • • Campo estéril Compressas esterilizadas Pensos higiénicos 2 clamps umbilicais Fita de nastro Aspirador neonatal (ou pera de borracha) Toalhetes com germicida obstétrico Luvas esterilizadas Saco para placenta Tesoura ou bisturi Manta isotérmica Etc. Primeiro aparece a coroa cefálica. Finda a dilatação. para preparar o kit de parto. com uma das pernas flectida encostada às costas dos assentos e a outra. Dadas as proporções da cabeça. podem aproveitar-se os assentos das mesmas. inicia-se a 2ª fase – a expulsão. Estes kits comercializam-se em embalagens individuais e nelas poderemos encontrar todos os itens necessários para efectuar o parto com alguma segurança. conforme ilustra a figura. poderemos encontrar num bom kit obstétrico. com o pé no chão.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ região genital deve manter-se visível para detectar a expulsão logo que se inicie. esta é normalmente a parte mais difícil da expulsão. afastada. com a face voltada para baixo. Se porventura. altura em _________________________________________________________________ Página 101 . O feto normalmente encontra-se posicionado por forma a que se exteriorize a cabeça em primeiro lugar. Esta é uma boa altura (se ainda não o fez). por exemplo a bordo de uma aeronave. o parto ocorrer numa viatura ou. Entre outros. A parturiente recosta-se no assento traseiro da viatura (ou numa fila tripla da aeronave).

SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ que o Socorrista deve exercer uma ligeira pressão na zona do períneo (região entre a vagina e o ânus) da parturiente, a fim de evitar que este rasgue. A parturiente, deve hiperventilar no intervalo entre cada contracção, com a finalidade de prover os pulmões de ar suficiente para que durante a próxima contracção se concentre em efectuar a manobra de Valsalva – manobra efectuada sempre que se pretende criar uma pressão no interior do corpo para empurrar algo para o exterior, neste caso, o feto. Consiste basicamente em fazer força tal como se estivesse a evacuar. Ocorre com frequência, haver precisamente saída de fezes nesta altura, o que é normal se existir conteúdo no intestino. Esta manobra, em conjunto com as contracções uterinas, ajudam à expulsão do feto. Logo que a cabeça se exteriorize na totalidade, o Socorrista deve proceder à limpeza/aspiração das vias aéreas do feto, utilizando para isso o aspirador neonatal do kit obstétrico ou, na sua falta, uma compressa ou pano limpo. Não esquecer que o recém-nascido irá começar a respirar dentro de instantes e não pode ter as vias aéreas obstruídas com mecónio, líquido amniótico ou outras substâncias. Outra preocupação é a de eventualmente existir uma ou mais circulares de cordão umbilical enroladas em redor do pescoço. Se tal suceder e a fim de evitar o estrangulamento do feto, há que desenrolar o cordão ou, na impossibilidade de o fazer, cortá-lo. Mas atenção, para cortar o cordão, devem seguir-se os procedimentos correctos adiante descritos. De contrário, poderá provocar-se a morte do feto e/ou da parturiente por hemorragia, ou ainda, infecções graves. Após a saída da cabeça, dá-se então a saída dos ombros, um de cada vez, seguidos do resto do corpo. Não será demais lembrar, que o Socorrista se limita a

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SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ amparar esta saída, nunca puxando para acelerar o processo. Completa a expulsão, o recém-nascido deverá ser segurado pelos pés, de cabeça para baixo, para que saia o líquido amniótico dos brônquios, uma vez mais desobstruídas as vias aéreas e verificados os parâmetros vitais. Se tudo estiver em ordem, o r/n é embrulhado num lençol (de preferência no campo esterilizado do kit obstétrico) e entregue à mãe. Entretanto a parturiente (ou melhor, nesta altura já não se designa parturiente e sim ‘puérpara’), encontra-se agora na 3ª fase do parto – a dequitadura – correspondente à expulsão da placenta. Esta saída acontece ao cabo de cerca de 15 a 30 minutos e pode ser auxiliada massajando suavemente o abdómen. Uma vez mais, o Socorrista não tenta acelerar o processo e jamais puxa pelo cordão. Isto poderia fazer com que houvesse lesões no útero, ou levar à rotura da placenta, com permanência de partes da mesma no interior do útero, obrigando a uma raspagem do mesmo no hospital. Logo que saia, a placenta deverá ser guardada num saco de plástico e colocada junto do r/n. É importante que a placenta seja entregue na maternidade junto com a puérpara e o r/n, para que seja examinada e os médicos se certifiquem que foi expulsa na totalidade. Quanto ao cordão umbilical, não há interesse prático em proceder ao seu corte no pré-hospitalar, sendo até algo arriscado fazê-lo. Assim e salvo nos casos em que o corte seja imperativo, o Socorrista limita-se a colocar um ‘clamp’ (mola apropriada para o aperto do cordão), a cerca de 4 dedos de distância do umbigo do bebé e um segundo clamp à mesma distância do primeiro. O corte a ter de ser efectuado, será sempre entre os dois clamps, (ver figura acima relativa ao corte do cordão), a fim de evitar

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SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ hemorragias ou outras complicações e sempre com instrumentos esterilizados. As extremidades do cordão poderão em seguida ser envolvidas com compressas esterilizadas. Resta pois, proceder ao transporte ao hospital. Contudo, há que não esquecer que, por vezes, surgem problemas ou situações inesperadas como gémeos, prematuros, apresentações diferentes da cefálica ou falhas das funções vitais do recém-nascido. Neste último caso, há que proceder de imediato às manobras de reanimação adequadas. Eventualmente, podem verificar-se situações em que o parto sem intervenção cirúrgica seja impossível como nas apresentações pélvicas ou outras. Se houver qualquer peça anatómica como um membro visível, esta deverá ser envolvida num pano limpo e mantida húmida com soro fisiológico até à chegada ao hospital. Se a apresentação for de pés, a expulsão é possível, mas o Socorrista deve certificar-se que os braços do feto saem esticados ao longo do corpo e que o queixo não fica preso quando da saída da cabeça, por forma a não haverem lesões cervicais.

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que passam por 4 fases: Fases do ataque: AURA: Alucinações visuais e auditivas. manifesta-se por vezes sob a forma de ‘ataques’. com possível corte da língua com os dentes. ou perfuração das mãos com as unhas. que pode existir sob duas formas: . _________________________________________________________________ Página 105 .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ EMERGÊNCIAS MÉDICAS EPILEPSIA: Trata-se de uma doença do foro neurológico. protege a vítima de embates contra superfícies duras e. CLÓNICA: Espasmos musculares. Actuação do Socorrista: Durante a fase clónica.Epilepsia de Grande Mal Este segundo tipo. Possível descontrole dos esfíncteres. POST CRÍTICA: Fase de recuperação. TÓNICA: Perda do tónus muscular e da consciência. pelo que o utente pode defecar ou urinar.Epilepsia de Pequeno Mal . coloca um tubo orofaríngeo ou lenço enrolado entre os dentes e nas mãos do doente. a fim de evitar as lesões atrás referidas. se possível.

o de eventuais lesões associadas à queda ou aos espasmos. Vários mitos existem em redor dos ataques epilépticos clónicos mas. não existe o menor risco de o paciente enrolar ou engolir a própria língua. Por outras palavras. ou sequer de agredir voluntariamente o Socorrista.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ ATENÇÃO: Nunca introduzir os dedos na boca do doente. O risco maior será pois. na sua maioria. aconselha a ida ao hospital. não têm qualquer fundamento. daí a recomendação de recorrer ao hospital após a crise. _________________________________________________________________ Página 106 . dado que este exerce uma força tremenda. Na fase post crítica.

Temperatura elevada (inicialmente) . Caso haja paragem cardíaca. consiste em colocar a vítima em repouso (posição de Fowler). _________________________________________________________________ Página 107 .Dor rectro-esternal (pré-cordial). com possível irradiação para um dos membros superiores. iniciar de imediato as manobras de R. arejar o local.C.Possíveis perturbações digestivas e eructações (arrotos) O Primeiro Socorro. fornecer O2 quando possível e tentar a administração de nitratos por via sublingual.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ ATAQUE CARDÍACO Situações possíveis (entre outras): Angina de peito e enfarte do miocárdio.Transpiração abundante .Náuseas e vómitos .Deficiências ventilatórias .P.Ansiedade . pescoço. Sintomatologia: . ou mandíbula .

independentemente do tipo. A sintomatologia apresentada por um diabético em plena crise pode ser variada. passa pela administração de açúcar por via sublingual e posterior transporte ao hospital. caso este se encontre inconsciente _________________________________________________________________ Página 108 . importa ter em conta que a actuação do Socorrista neste 2º caso é bastante mais urgente e eficaz. destacando-se a sintomatologia típica do choque em casos graves de hipoglicémia.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ DIABETES Embora uma crise relacionada com a diabetes possa ter a ver com dois tipos de situações opostas (coma diabético ou hiperglicémia e choque insulínico ou hipoglicémia). possível fome e hálito cetónico (forte odor a acetona). o primeiro socorro a nível básico. Nem sempre é fácil determinar que um paciente é diabético. pelo que. identificada a situação de 'crise diabética'. pelo que.

em crises mais complicadas. a bomba mostra-se pouco eficaz. ASMA Trata-se de uma das DPCO (Doenças Pulmonares Crónicas Obstrutivas) mais comuns. particularmente na fase da _________________________________________________________________ Página 109 .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ ou pouco cooperante. como uma medalha. O paciente apresenta uma respiração sibilante (‘gatinhos’) e difícil. Os pacientes asmáticos normalmente possuem uma bomba broncodilatadora. pulseira ou cartão. poderá ser útil verificar a possibilidade de ter consigo algum objecto indicativo. mas nem sempre é fácil de gerir pelo Socorrista. que os ajuda a controlar situações simples contudo.

com consequente alteração do equilíbrio de gases. Em casos extremos. torna-se adequado enriquecer ligeiramente a atmosfera. se na origem do ataque estiver uma reacção alérgica. pelo que. Embora na origem do ataque não esteja uma falta de oxigénio. através da administração de oxigénio em baixo débito.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ expiração. pode verificar-se a necessidade de efectuar manobras de reanimação e. se a situação o exigir. colocar-se na posição de sentado e respirar lentamente. daí que. A aspiração de secreções também pode estar indicada. alergias. etc. o paciente deve ser acalmado. desde alterações emocionais. até porque isto tende a acalmar o paciente. existe excesso de ar nos pulmões. HIPERVENTILAÇÃO _________________________________________________________________ Página 110 . dada a dificuldade do paciente em expirar. deve considerar-se o transporte ao hospital.. inspirando pelo nariz e expirando com os lábios unidos como para assobiar. o choque anafilático pode instalar-se e há que proceder em conformidade (ver capítulo de choque). Um ataque de asma pode ser extremamente desgastante. o que o leva frequentemente a situações de pânico. Sendo assim. Várias podem ser as origens de um ‘ataque’ de asma.

mostra-se eficaz. correndo o risco de sofrer uma paragem do automatismo ventilatório. a vítima começa a hiperventilar. A situação é no entanto simples de ultrapassar. por situações de stress emocional. Este método comporta alguns riscos mas até melhor alternativa. Como o nome indica. _________________________________________________________________ Página 111 .SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Esta situação deve-se normalmente a alterações do sistema nervoso. acabando por entrar em hiperóxia. o que conduz ao equilíbrio. etc. aumentando assim o teor de dióxido de carbono. bastando acalmar a vítima e pedir-lhe que ventile para dentro de um saco de papel ou de plástico.

SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ LEVANTAMENTOS E TRANSPORTES Este capítulo. independentemente da entidade que os formou. o(s) Socorrista(s) deve(m) rodear-se de cuidados especiais e fazer uso de técnicas de levantamento prédefinidas. As técnicas referidas. Em oposição. interessa muito especialmente aos Formandos pertencentes a entidades de socorro ou de transporte de doentes. não quisemos deixar de lhe fazer uma ligeira abordagem. evitando assim o agravamento de eventuais lesões. contudo. não se deve em princípio mexerlhe até que o seu exame geral revele a inexistência de lesões que o impeçam. são estes que na generalidade efectuam a remoção das vítimas do local em que se encontram e o respectivo transporte à unidade hospitalar. dado que. devem ser uniformes e perfeitamente dominadas pêlos Socorristas. LEVANTAMENTOS Como é do conhecimento geral. _________________________________________________________________ Página 112 . Caso se conclua que a vítima deve ser removida. 1. resulta pouco importante no âmbito de um curso básico de Socorrismo. por forma a permitir que o levantamento seja efectuado nas melhores condições e sem grandes perdas de tempo ou aplicação de métodos contraditórios. a fim de mobilizar as vítimas o menos possível. sempre que se encontra uma vítima.

1. nos seguintes locais: Socorrista 1: Uma das mãos apoia o pescoço e cabeça e a outra ao nível das omoplatas. Levantamento tipo ‘COLHER’: Este levantamento. outra suportando os membros inferiores. Quando o local ou as condições não permitam o transbordo directo da vítima para a maca. não deve ser aplicado a vítimas com suspeita de traumatismo vertebromedular ou outros igualmente graves. que ficará encostada ao tórax dos Socorristas. À voz do Socorrista 1. não sendo o mais adequado à maioria dos casos. o levantamento de uma vítima deve ser efectuado directamente do local em que esta se encontre para uma maca adequada à situação.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Tanto quanto as condições pontuais o permitirem. Os Socorristas posicionam-se de um dos lados da vítima. Socorrista 2: Uma das mãos ao nível dorsal. Para melhor suporte. aplicar-se-ão as regras de transporte descritas no próximo capítulo. até conseguir segurar a outra mão. com um joelho por terra e introduzem as mão por debaixo da vítima até ao lado oposto. pode ‘abraçar’ a vítima. pode ser feita uma rotação da vítima. Nesta _________________________________________________________________ Página 113 . sendo de evitar deslocações. 1. O Socorrista 2. rodeando-a com o braço que estava colocado ao nível da cintura. é efectuado o levantamento uniforme da vítima. permite levantar uma vítima em espaços confinados e com reduzido número de Socorristas. ficando esta apoiada no joelho dos Socorristas. Socorrista 3: Uma das mão ao nível do cóccix. Contudo. outra ao nível da cintura.

As suas mãos. Os joelhos do lado da maca. À ordem do Socorrista 1. ou permitindo que a maca seja colocada apenas no final. Levantamento tipo ‘PONTE’: Este levantamento é mais seguro que o anterior. passando por baixo das pernas dos Socorristas. O 3º Socorrista.3. posicionam-se respectivamente à cabeça e aos pés da vítima. pressupõe a existência de maior espaço físico. _________________________________________________________________ Página 114 . o levantamento tem de ser efectuado com toda a precaução e respeitando rigorosamente o bloco cabeça/pescoço/tronco. ficam apoiados no solo e travam os punhos da maca. segurando-os com ambas as mãos. Levantamento de traumatizados de coluna: Tratando-se de uma vítima com uma lesão deste tipo. a vítima é baixada à maca. 1. Este método tem algumas variantes. deve posicionar-se voltado de frente para o Socorrista 1. 1. podendo ser usado com 4 ou 5 Socorristas. devem ser introduzidas por debaixo da vítima. dado que a maca deve estar previamente posicionada ao lado da vítima.2. a vítima é levantada em bloco e colocada sobre a maca. uma ao nível do tórax e a outra ao nível da cintura. já que permite levantar a vítima com maior estabilidade. afastando as pernas por forma a que um dos pés fique colocado junto ao tronco da vítima e o outro sobre o varal exterior da maca. Contudo.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ altura será colocada uma maca junto aos Socorristas e à voz do Socorrista 1. Os Socorristas 1 e 2.

é dada ordem para efectuar o levantamento em bloco. sem a movimentar e sem tocar na coluna. • A maca utilizada nestes casos. Após todos os Socorristas se encontrarem preparados. Todos os Socorristas abandonam as posições. As mãos são alternadamente introduzidas por debaixo da vítima. A posição das mãos. não podemos deixar de relembrar alguns procedimentos a adoptar num levantamento deste tipo: • A vítima deve ser levantada respeitando o bloco cabeça/pescoço/tronco/membros inferiores. • Para que este levantamento seja seguro. este levantamento pressupõe a existência de um mínimo de 6 a 7 Socorristas. são necessários 5 a 7 Socorristas. deve possuir características especiais. começa por ser colocado um colar cervical na vítima. que ficam a aguardar a fixação da vítima à maca através dos cintos respectivos. _________________________________________________________________ Página 115 . Note-se que a finalidade é apoiar o levantamento da vítima e não traccioná-la. Para ser efectuado com segurança. A vítima é sustentada no ar até que se faça deslizar uma maca apropriada sob as pernas do Socorrista 2 (o que se encontra aos pés). nomeadamente constituir um plano rígido e liso e permitir a fixação da vítima. Mesmo correndo o risco de nos tornarmos algo repetitivos. segurando-os com ambas as mãos. sobre a qual a vítima será de novo baixada. Os Socorristas 1 e 2. colocam-se respectivamente junto à cabeça e pés da vítima. dependendo do tamanho da vítima.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Para assegurar a imobilidade do pescoço. com excepção dos números 1 e 2. deve ser previamente ensaiada por cima da vítima.

Quando possível. _________________________________________________________________ Página 116 . 3 e 4 Socorristas • Macas improvisadas NOTAS: É fundamental que o Socorrista se proteja.1. devido a questões de falta de espaço ou outras. 3 e 4 mãos Com uma cadeira 2. por forma a garantir a segurança da vítima e evitar o agravamento das suas lesões. 2. a vítima deve ser levantada para uma maca. devem ser adoptadas técnicas específicas que permitam fazê-lo.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ • Um transporte de um traumatizado de coluna é sempre efectuado em velocidade muito reduzida. por vezes. pelo que a vítima deve ser transportada por outros processos: 2. COM MACA: • Maca com rodas • Maca sem rodas. SEM MACA: • • • • • Às costas Por encosto e prisão de braço A dorso e pernas Cadeirinha a 2.2. TRANSPORTES Sempre que haja necessidade de remover uma vítima do local em que se encontra. segundo as técnicas atrás descritas mas. 2. tal não é possível. pelo que. deve ser cuidadoso sempre que necessite de efectuar um esforço para levantar ou transportar uma vítima.

fazendo flexão de pernas e apoiando o esforço nestas.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Para tal. Se possível. REMOÇÃO DE CAPACETES _________________________________________________________________ Página 117 . deverá usar uma cinta de apoio lombar. deve manter as costas direitas.

com eventuais perdas de substância encefálica • A forte probabilidade de existirem lesões cervicais. aparece a dúvida quanto a retirar ou não os capacetes à(s) vítima(s) envolvida(s). passíveis de serem agravadas com a remoção do capacete Sugerimos pois. Algumas das razões que levam a que o capacete se deva manter são: • A possibilidade de este se encontrar a conter hemorragias graves • A possibilidade de existirem fracturas de ossos do crânio e estes serem arrastados junto com o capacete. uma vez que. ou a estabilidade cervical. A decisão nem sempre é simples. se há situações em que o capacete deve ser removido pois compromete o acesso às vias aéreas. não é menos verdade que. noutros casos. no decorrer de acidentes envolvendo veículos de duas rodas. a sua remoção pode agravar de forma irreversível. eventuais lesões já existentes.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Com grande frequência. que evite a remoção de um capacete. a menos que ocorra alguma das seguintes circunstâncias: • Se for imprescindível o acesso às vias aéreas e o capacete o impeça • Se for necessário proceder a manobras de Reanimação CardioPulmonar • Se houver compromisso da estabilização cervical • Se de outra forma o capacete se encontrar nitidamente a prejudicar o estado da vítima _________________________________________________________________ Página 118 .

por forma a minimizar tanto quanto possível os riscos inerentes. Durante todos os passos. se alguns capacetes ditos ‘integrais’. por forma a não agravar as possíveis lesões). oferecem boa protecção. NOTA: Uma vez iniciada a tracção. uma vez que abrem para facilitar a colocação e remoção. já que. não é menos importante ter presentes as eventuais consequências deste acto. não sendo portanto necessário exercer grandes pressões. pois são colocados sob pressão. TÉCNICA DE REMOÇÃO DE CAPACETES Esta técnica deve ser efectuada por um mínimo de dois Socorristas. são contudo de remoção mais complicada que outros modelos mais simples. Uma vez tomada a decisão de remover o capacete. Os modelos integrais mais modernos e de gama alta. Outro factor que não é alheio à tomada da decisão.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ É portanto fundamental. a cabeça e a coluna cervical deverão estar alinhadas (o nariz alinhado com o umbigo e com os pés). por acção de uma ligeira tracção (suficiente para manter a estabilidade mas sem exageros. _________________________________________________________________ Página 119 . que se tenha presente a necessidade de em alguns casos proceder à remoção mas. é fundamental que ela seja mantida até à colocação do dispositivo de imobilização cervical. e estáveis. é o tipo de capacete propriamente dito. já permitem resolver parte do problema. há que ter presente a técnica correcta para o fazer.

corte-a.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ FASES DA REMOÇÃO: 1 . com suaves movimentos oscilatórios. bem como o alargamento do interior do capacete. Avise o colega que se encontra a manter a estabilização cervical de que o capacete vai sair. 2 – Introduza os dedos lateralmente no interior do capacete e alargue as almofadas laterais. 5 – Removido o capacete. há que corrigir o alinhamento da cabeça e cervical se for o caso (nariz -> umbigo -> _________________________________________________________________ Página 120 .Desaperte a tira de fixação do capacete e afaste-a para os lados. 3 – Sempre mantendo o alinhamento e estabilidade da cabeça e coluna cervical. Se de alguma forma ela puder dificultar a remoção. puxe-o lentamente. Nota: alguns modelos. possuem armações de fixação. 4 – Uma vez libertados os pavilhões auriculares. Mantenha a cabeça e coluna cervical alinhadas e estáveis. em substituição da tira. está ultrapassada a fase mais difícil. Neste caso abra-as.

bem como efectuar a tracção necessária à colocação de colar cervical. Por favor. deve ser personalizado. não constituindo de forma alguma um preçário actualizado e respeita a equipamentos habitualmente comercializados pela CADUCEUS. em função das necessidades de cada um. que estes valores são apenas referenciais. etc. disponibilidade financeira.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ pés). para que cada pessoa possa optar pelo que mais lhe convém. A MALA DE PRIMEIROS SOCORROS Conforme verificámos ao longo do curso. _________________________________________________________________ Página 121 . que nos é muito difícil. tarefa essa. Para evitar este tipo de situações. dado que este tipo de artigo. Assim. bem como uma panorâmica dos preços de alguns artigos. 6 – Colocar o colar cervical. juntamos uma proposta para uma mala tipo. tenha em conta. com bastante frequência os Formandos pedem-nos para lhes elaborar uma mala de Primeiros Socorros. capacidade técnica. por não ter os equipamentos adequados na altura certa. muitas vezes o Socorrista é obrigado a improvisar.

Min.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Esta lista está forçosamente incompleta. Diversos) Luvas Esterilizadas Luvas Latex Mala ou Saco Primeiros Socorros Manta Isotérmica Máscara Ventilação Assistida _________________________________________________________________ Página 122 . CARGA PROPOSTA PARA MALA DE PRIMEIROS SOCORROS Qtd . 01 01 01 01 12 12 01 01 10 01 01 01 01 01 01 06 05 05 04 10 01 02 01 ARTIGO Adesivo Hipoalergénico Algodão Carvão Vegetal Activado Colírio Oftálmico Compressa Ester. 10x10 Compressa Esterilizada 5x5 Compressas não aderentes Emético (xarope de Ipeca) Esfigmomanómetro Espátulas Madeira Estetoscópio Fármacos Diversos Garrote Venoso Kit controlo de glicémia Kit Obstétrico (Parto) Kit Protecção Individual (Bata+luvas+barrete+máscara) Lanterna de Reflexos Lenços Triangulares Ligaduras de Gaze (Tamanhos Diversos) Ligaduras Elásticas (Tam. Pode e deve ser completada pelo utilizador à medida das suas necessidades.

. Jones and Bartlett / AAOS INEM.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ 02 02 05 01 03 03 20 03 01 01 02 01 60c c 02 05 01 01 01 01 20 20 06 Pack Calor Pack Frio Pacotes de Açúcar ou Glicose Penso Queimados Penso Trauma Pensos Compressivos Pensos Rápidos Pinça Descartável Ressuscitador Man. apontamentos diversos _________________________________________________________________ Página 123 . et al. Diversos Termómetro Digital Termómetro Prismático Tesoura Tesoura Forte Toalhete Álcool Toalhete Germicida Tubos Orofaríngeos RECURSOS BIBLIOGRÁFICOS BROWNER. Bruce D. Balão Rolo Adesivo Seringa Solução Anti-séptica Soro Fisiológico Suturas Adesivas Talas Dobráveis (Zimmer)4x40 Talas Madeira Tam. Fevereiro de 1999. 7th ed. Emergency Care and Transportation of the Sick and Injured.

Bioquímica. ÍNDICE Prólogo 1 _________________________________________________________________ Página 124 . José. cadeiras de Anatomofisiologia. apontamentos pessoais da Licenciatura em Educação Especial e Reabilitação.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ Galvão. Fisiologia do Esforço. Psicofisiologia.

(Posição Lateral de Segurança) 39 CHOQUE SÉPTICO E ANAFILÁTICO 41 HEMORRAGIAS 42 CLASSIFICAÇÃO 43 HEMORRAGIAS INTERNAS INVISÍVEIS 44 HEMORRAGIAS INTERNAS VISÍVEIS 46 HEMORRAGIAS EXTERNAS 48 LESÕES NA PELE 52 FERIDAS 52 CLASSIFICAÇÕES 52 CASOS ESPECIAIS 53 _________________________________________________________________ Página 125 .CIRCULAÇÃO 26 CONCEITO DE MORTE 28 SUPORTE BÁSICO DE VIDA – Ventilação Assistida vs R.SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ INTRODUÇÃO 2 Plano de Actuação do Socorrista 2 EXAME GERAL DA VÍTIMA E SINTOMATOLOGIA 4 FUNÇÕES VITAIS: 5 1 ..S.C.TEMPERATURA 7 5 .ESTADO DE CONSCIÊNCIA 5 2 – VENTILAÇÃO 5 3 .P. 28 O CHOQUE 37 DEFINIÇÃO E CAUSAS 37 PRIMEIRO SOCORRO GERAL 38 P.PRESSÃO ARTERIAL 7 VALORES DE REFERÊNCIA: 8 OS 10 MANDAMENTOS DO SOCORRISTA: 10 PRIORIDADES DE SOCORRO: 12 EMERGÊNCIAS CARDIO-RESPIRATÓRIAS 15 SUPORTE BÁSICO DE VIDA 15 NOÇÕES DE ANATOMIA E FISIOLOGIA 15 APARELHO RESPIRATÓRIO .PULSO 6 4 .VENTILAÇÃO 16 PERMEABILIZAÇÃO / DESOBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS 21 Desobstrução das vias aéreas 22 APARELHO CARDIOVASCULAR .L.

podem levar a uma suspeita de envenenamento? 63 Primeiro Socorro Geral 64 Primeiro Socorro Específico 65 Intoxicações por Via Digestiva (Gastrointestinal): 65 Intoxicações por Via Respiratória (Inalatória): 68 Intoxicações por Via Transcutânea ou Ocular: 69 Intoxicações por Via Circulatória: 70 LESÕES DO TECIDO ÓSSEO E MUSCULAR 72 FRACTURAS 72 LESÕES ARTICULARES 75 TRAUMATOLOGIA 76 TRAUMATISMOS CRANIOENCEFÁLICOS 77 TRAUMATISMOS MAXILOFACIAIS 79 TRAUMATISMOS VERTEBROMEDULARES 80 TRAUMATISMOS TORÁCICOS 81 TRAUMATISMOS ABDOMINAIS 82 TÉCNICAS DE ADMINISTRAÇÃO DE OXIGÉNIO (O2 ) 83 PORQUÊ ADMINISTRAR O2? 83 SINTOMATOLOGIA 83 A GARRAFA DE OXIGÉNIO 84 COMO MANUSEAR O EQUIPAMENTO 86 COMO ADMINISTRAR O2 87 SONDA DE INALAÇÃO 87 CATETER NASAL 90 MÁSCARA COM ADMISSÃO DE AR 91 QUE QUANTIDADE DE O2 ADMINISTRAR? 92 RECAPITULANDO...SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ PRIMEIRO SOCORRO 53 FERIDAS PROFUNDAS 53 FERIDAS COM OBJECTOS ESTRANHOS ENCRAVADOS 53 FERIDAS PROVOCADAS POR DISPARO DE ARMAS DE FOGO 53 FERIDAS SUPERFICIAIS 54 QUEIMADURAS 54 LESÕES PROVOCADAS PELO FRIO 56 INTOXICAÇÕES AGUDAS 58 Que tipo de indícios. 92 E SE NÃO HOUVER VENTILAÇÃO ESPONTÂNEA? 93 QUANTO TEMPO DURA O OXIGÉNIO DE UMA GARRAFA? 94 _________________________________________________________________ Página 126 .

SOCORRISMO: Leitura Complementar ________________________________________________________ EMERGÊNCIAS OBSTÉTRICAS: O PARTO DE EMERGÊNCIA 98 EMERGÊNCIAS MÉDICAS 105 EPILEPSIA: 105 ATAQUE CARDÍACO 107 DIABETES 108 ASMA 109 HIPERVENTILAÇÃO 110 LEVANTAMENTOS E TRANSPORTES 112 1. TRANSPORTES 116 REMOÇÃO DE CAPACETES 117 A MALA DE PRIMEIROS SOCORROS 121 RECURSOS BIBLIOGRÁFICOS 123 ÍNDICE 124 _________________________________________________________________ Página 127 . LEVANTAMENTOS 112 2.

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