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Ensaio de banda - um estudo sobre a Banda de Música Antônio Cruz

Ensaio de banda - um estudo sobre a Banda de Música Antônio Cruz

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  • INTRODUÇÃO
  • Metodologia
  • 1 - A EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL E A BANDA DE MÚSICA
  • 2 - AS BANDAS DE MÚSICA NO BRASIL
  • 2.1 - Aspectos históricos
  • 2.1.1 - O repertório musical
  • 2.2 - As bandas militares
  • 2.3 - No presente (...)
  • 3 - A BANDA DE MÚSICA ANTÔNIO CRUZ
  • 3.1 - A banda e sua formação
  • 3.2 - Os instrumentistas
  • 3.3 - O repertório
  • 3.4 - Os maestros
  • 4 - AS PRÁTICAS EDUCATIVAS DA BANDA DE MÚSICA ANTÔNIO CRUZ
  • 4.1 - As aulas na banda de música Antônio Cruz
  • 4.1.1 - A ênfase na leitura, a opção pelo instrumento e o ensino instrumental
  • ANEXO A: Roteiros das entrevistas

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO: “FUNDAMENTOS METODOLÓGICOS DA APRECIAÇÃO E CRÍTICA NO ENSINO

DAS ARTES” DEPARTAMENTO DE ARTES

ENSAIO DE BANDA: UM ESTUDO SOBRE A BANDA DE MÚSICA ANTÔNIO CRUZ

Luiz Fernando Navarro Costa

João Pessoa - PB 1997

LUIZ FERNANDO NAVARRO COSTA

ENSAIO DE BANDA: UM ESTUDO SOBRE A BANDA DE MÚSICA ANTÔNIO CRUZ

Monografia apresentada ao Curso de Especialização “Fundamentos Metodológicos da Apreciação e Crítica no Ensino das Artes”, em cumprimento às exigências para a obtenção do Grau de Especialista.

Orientadora: Maura Penna

João Pessoa - PB 1997

AGRADECIMENTOS

Aos maestros Severino Ferreira da Silva e Manoel Felipe de Macena pela atenção e interesse em colaborar na pesquisa. Ao saxofonista Agnaldo da Silva Mendes pelas informações e auxílio na coleta dos dados. A todos os instrumentistas da banda Antônio Cruz pela ótima recepção. À prof. Maura Penna pelo grande incentivo e orientação. E a todos que, direta ou indiretamente, colaboraram para a concretização desta monografia.

ouvir e dar passagem A moça triste que vivia calada sorriu A rosa triste que vivia fechada se abriu E a meninada toda se assanhou Prá ver a banda passar cantando coisas de amor O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou Que ainda era moço prá sair no terraço e dançou A moça feia debruçou na janela Pensando que a banda tocava prá ela A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu A lua cheia que vivia escondida.A banda . em cada canto uma dor Depois da banda passar cantando coisas de amor Chico Buarque de Holanda .Estava à toa na vida. o meu amor me chamou Prá ver a banda passar cantando coisas de amor A minha gente sofrida despediu-se da dor Prá ver a banda passar cantando coisas de amor O homem sério que contava dinheiro parou O faroleiro que contava vantagem parou A namorada que contava as estrelas Parou para ver. surgiu Minha cidade toda se enfeitou Prá ver a banda passar cantando coisas de amor Mas para meu desencanto o que era doce acabou Tudo tomou seu lugar depois que a banda passou E cada qual no seu canto.

Fotos: Luiz Fernando Navarro Costa .

As aulas na banda de música Antônio Cruz _______________________________32 4.Aspectos históricos _________________________________________________ 10 2.AS BANDAS DE MÚSICA NO BRASIL _______________________________ 09 2.A banda e sua formação _____________________________________________ 18 3.) ____________________________________________________ 15 3 .2 . a opção pelo instrumento e o ensino instrumental ________ 33 .1 .1 .A ênfase na leitura..Os instrumentistas __________________________________________________ 21 3.1.2 .No presente (.A BANDA DE MÚSICA ANTÔNIO CRUZ _____________________________ 18 3.Os maestros _______________________________________________________ 28 4 .1 .3 .1 .O repertório _______________________________________________________ 26 3.O repertório musical _______________________________________________ 12 2.As bandas militares _________________________________________________ 14 2..4 .1 .1.AS PRÁTICAS EDUCATIVAS DA BANDA DE MÚSICA ANTÔNIO CRUZ__31 4.SUMÁRIO pag.A EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL E A BANDA DE MÚSICA _______________ 04 2 . INTRODUÇÃO _______________________________________________________ 01 METODOLOGIA _____________________________________________________ 03 1 .3 .

Fotos _____________________________________________________________ 49 .4.Conquistando novos espaços __________________________________________ 35 CONCLUSÃO ________________________________________________________ 37 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS _____________________________________42 ANEXOS: ____________________________________________________________ 44 A .2 .Roteiros das entrevistas _______________________________________________ 45 B .

” (Tacuchian. mobilizando músicos e amantes da música. Eleazar de Carvalho .como Carlos Gomes.) um número expressivo dos músicos de sopros de nossas orquestras sinfônicas tem sua origem na banda de música. pelos mais variados motivos. José Siqueira. cultural e educativo. p. Há vários exemplos de músicos conceituados . p. Radegundis Feitosa. gratuita e singular. transmite informações musicais à comunidade em geral: “A semântica da banda é um tripé comunitário. solenidades. 1984-85. pois. estas [bandas] funcionam como centros formadores de músicos. tocando em festas. Severino Araújo. que contempla uma fatia da sociedade que. jogos. 1982. descrever e discutir uma das funções da banda de música: a de escola de música não-formal. é necessário a preparação de novos músicos. 39).. ela também preserva o patrimônio musical do seu povo e é escola de portas abertas para sua comunidade” (Granja e Tacuchian. Francisco Braga. Para a formação e manutenção das bandas de música. Nesta integração. Se ela está presente nos momentos de solenidades ou de lazer. Desempenha importante função social. não tem acesso ao ensino musical das escolas especializadas. participa da vida comunitária. 70-71) Buscamos. civil ou mesmo numa banda escolar ( . criando uma possibilidade de 1 . pois.INTRODUÇÃO A banda de música é um dos conjuntos instrumentais de maior penetração nas comunidades brasileiras. leilões etc. o que é realizado de maneira informal. em substituição aos tradicionais conservatórios.. “No âmbito musical.cuja formação musical se iniciou em bandas de música: “Excelentes músicos tiveram sua formação numa banda militar. por manter intrínseca relação com nossas raízes culturais.

” (Granja.profissionalização para suprir os quadros das corporações militares ou das orquestras das grandes cidades. que mantivesse regularmente atividades de educação musical. 1987. discutindo a sua função sóciocultural. Os trabalhos feitos no Brasil sobre banda de música são poucos. O objetivo final desta pesquisa é. e foi como chegamos à banda de música Antônio Cruz. que. pertencente ao município de Rio Tinto-PB. descrever as práticas educativas desenvolvidas pela banda de música Antônio Cruz. na qual se tornasse possível a realização de entrevistas com seus primeiros membros (maestro e instrumentistas). O nosso estudo de caso almeja contribuir para uma maior aproximação com as realidades concretas que estão por trás da permanência deste secular conjunto instrumental. aproximadamente. nos dariam material para discutir sobre os trabalhos desse conjunto. conseguiríamos compreender o desenvolvimento do grupo. alcançando um universo significativo de informações verbais (relatos e depoimentos). As informações seriam então complementadas e comparadas com as dos integrantes atuais. pois. comparados à grande quantidade de bandas que temos em atividade. 93) Nossa intenção era estudar uma banda de música civil de um município do interior. p. Assim procedemos. uma banda com oito anos de atividades. somadas a outras de natureza musical ou colhidas visualmente através de observações. e que fosse formada há não mais de dez anos. Dessa forma. 2 .

possibilitou uma comparação entre o passado e o presente da banda.). sexo. idade. tinham por base um roteiro (ver anexo A). A coleta de dados da pesquisa de campo. escolaridade. As entrevistas. 3 . foi feita por meio observações. distribuídas a todos os atuais instrumentistas. Através de pequenas fichas.e oito instrumentistas: quatro dos mais antigos e quatro dos mais recentes. Foram entrevistados os maestros . instrumentos musicais. na seleção dos entrevistados. mas eram desenvolvidas de forma flexível. questionários e entrevistas semi-abertas. que seria necessária para uma análise mais abrangente de suas atividades. em duas visitas à sede da banda de música Antônio Cruz. As entrevistas constituíram os referenciais mais significativos da pesquisa de campo. realizada no mês de abril de 1997. procuramos obter dados pessoais. etc. pois o prazo e as condições disponíveis não permitiram uma observação sistemática dos trabalhos da banda. Esses dois pólos. além do modo como eram desenvolvidas as atividades didáticas e os ensaios. instrumento que toca na banda e tempo de atividade com a banda de música Antônio Cruz. Procuramos fazer das entrevistas conversas informais. tais como nome. Procuramos observar.fundador e atual . semi-estruturadas. com o intuito de deixar os entrevistados à vontade para que as informações fluíssem melhor. as condições materiais da mesma (ambiente de trabalho.Metodologia O presente trabalho foi desenvolvido através de pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo.

A EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL E A BANDA DE MÚSICA É uma constante na área da pedagogia musical a preocupação em incorporar elementos que tornem a aprendizagem mais dinâmica e menos abstrata. mais acolhedora e menos evasiva. na experimentação. entre eles Pestalozzi (1745-1827) e Froebel (1782-1852). 1 4 . marca uma fase de transição no sistema educacional ocidental. Esses estudos têm contribuído significativamente para o campo da pedagogia musical. os conjuntos de música popular. chamam a atenção dos educadores musicais para que recorram e explorem também como suporte pedagógico .ou pelo menos que não desprezem por inteiro . no vivenciar. Entre eles. Willems. e que se expandiram aos domínios da música através das experiências ativas de educação musical. reflexos do movimento educacional conhecido como Escola Nova. Estudos mais recentes2 feitos por pesquisadores. mais espontânea e menos artificial. responsabilidade do estado e não mais da igreja. Na verdade. Os trabalhos de Dalcroze. mais popular e menos elitista. as bandas de A filosofia iluminista de Rousseau (1712-1778) influenciou importantes educadores do século XVIII. na qual a educação passou a ser. iniciadas no final do século passado.1 . músicos e pedagogos das mais diversas localidades. desenvolvendo a consciência de classe. Pestalozzi e Froebel1. Rousseau vislumbrava uma educação capaz de eliminar as diferenças sociais. e buscam edificar uma forma de ensino mais natural e eficaz do que a vigente na grande maioria de estabelecimentos de ensino musical e escolas regulares. Desta forma.aquilo que está na experiência de vida do aluno e da comunidade em geral: as manifestações culturais de origem popular. não se trata de uma nova estratégia de ação educativa. Orff e muitos outros propõem-se a fundamentar o ato pedagógico na ação. gradualmente. estão as pesquisas feitas sobre os folguedos. São condutas cujas bases podemos situar nos ideais pedagógicos de Rousseau. formando cidadãos. os blocos carnavalescos.

músicos e pedagogos deste século. 4 A hierarquia. 1991). em situações hierárquicas salutares4. e não existe espaço para técnicas formais e apuradas de execução como finalidade em si mesmas.música. é muitas vezes incentivadora. sendo feita por demonstrações práticas3. psicólogos. unidos num mundo sem barreiras entre as Pesquisas feitas por sociólogos. Nas bandas de música.RJ. antropólogos. No Brasil. Partindo da reprodução atinge-se a criação. cujas características comuns são. as práticas de uma educação informal. Conde e Neves. Tudo é deixado ao encargo da intuição. criativa e funcional (cf. demonstram o grau de eficiência de tais processos educativos. principalmente. Crianças e adultos convivem em harmonia nestas culturas populares. Os significativos resultados obtidos nestas situações não-formais de ensino e aprendizagem musical. ouvir e imitar. em pouco tempo. passam a atuar junto aos mais experientes. são dois fatores importantes em tais processos de aprendizagem. como uma situação natural da manifestação artística. etnomusicólogos. Os iniciantes aprendem imitando os mais experientes. e partindo da intuição atinge-se a consciência de ação. dividindo ou revezando as responsabilidades. 1984-85). As informações e os conteúdos são assimilados através da observação e experimentação do fenômeno musical em sua concreticidade sonora: é ver. como por exemplo os estudos feitos sobre a “Aprendizagem musical não-formal em grupos culturais diversos” (Santos. não sendo jamais motivo de ambições conflitantes. pois os principiantes. os valores hierárquicos se 2 5 . Quando a aprendizagem exige uma orientação mais detalhada por parte dos mais experientes. a qualidade musical e a grande diversidade de conjuntos musicais populares é surpreendente. a dinâmica de trabalho. esta orientação muitas vezes dispensa explicações verbais. em geral de grande limitação e pobreza material. O convívio e a integração entre os participantes (principiantes e experientes). 3 Ver pesquisa feita por Conde e Neves (1984-85) nas comunidades de Realengo e Padre Miguel .

têm livre acesso ao espaço físico e aos materiais de trabalho artístico dos adultos. etc. graças a Deus.. Os espaços de atuação artística são preenchidos conforme a necessidade e a disponibilidade de recursos humanos e materiais. primeiro. como em nossa sociedade. 5 Apresentamos em itálico trechos dos depoimentos coletados junto aos componentes da banda de música Antônio Cruz. p. 6 . consegui fazer. sem que. Conde e Neves. né. Santos. e assim mesmo sem ter ensaiado aquela música (. enquanto presa às costas da mãe que dança” (Santos.) faltou o trombonista. o resultado final seja comprometido (certamente. 06). (cf. 1991). nas escolas de samba. trombonista)5 O entusiasmo com a nova responsabilidade e o prazer em atuar fazem com que o aprendiz se esforce ao máximo e as dificuldades sejam superadas. em estudo sobre a Folia de Reis. eu fui.. bandas de música.” (Lucivaldo Freire de Azevedo.) estabeleceram a partir das relações mantidas entre os escravos e os senhores de engenho (cf.. ou pelo contato com o corpo materno. As crianças. como se ela significasse maneira de tornar-se adulto. Isto pode ser observado tanto em grupos africanos e tribos indígenas (cf.. p. Iniciantes podem ser convocados a desempenhar funções para a qual não se encontram devidamente preparados. ver “Metodologia”.“já solei. 1984-85). com um pouco de expectativa. como por exemplo “pelo embalo da criança ao som da música. Granja. E esta fase de iniciação começa nos seus primeiros contatos passivos com o fenômeno musical... 1991. 44). em geral. Conde e Neves (1984-85. quando em fase de aprendizagem. pode acontecer muito cedo” (. Sobre as metodologias de coleta desses dados. 1987). tem que fazer e fiz.diversas faixas etárias.) e de responsabilidade. Ela é esperada. observam que esta “passagem é natural. E esta entrada no mundo do adulto. pois do contrário esta prática não seria um costume): . com toda sua carga e seriedade (.

p. 2° grau e Universidade .O processo de ensino e aprendizagem musical.” A idéia de que somente os conservatórios e escolas regulares formam músicos ou conceitos musicais merece 6 Tal processo educativo. Penna. desconhecendo seus compositores. o autoritarismo e a hierarquia (influência das bandas militares).de 1° grau. sua crença. decorrente das atividades desenvolvidas nas bandas de música civis.como também deve ser alvo de estudo de todos que se empenham no ensino da música. A educação musical fora das instituições oficiais de ensino. remetem-nos às práticas educacionais não-formais das manifestações artísticas populares.[que] não acredita e não dá o devido valor à cultura do povo. característico dos tradicionais conservatórios de música. p. suas festas. o valor dado à tradição e à execução instrumental. não só merece ser melhor aceita pela comunidade acadêmica . fruto de um sistema educacional elitista. valoriza as atividades mecânicas baseadas no fazer técnico e repetitivo. de conteúdos fragmentados e despreza o crescimento cognitivo do aluno. entre outras características. pois seus “segredos” com certeza revelarão um universo educacional digno de atenção. Por outro lado. fluente nas manifestações culturais populares. demonstram bem o grau de proximidade com a pedagogia predominante no ensino técnico-profissionalizante6. predominante na “escola . A grande ênfase na escrita musical. “o fazer musical”. também não lhe confere seu devido valor pedagógico e cultural . comuns no universo das bandas de música. a convivência entre pessoas de diferentes idades. (cf. como por exemplo os Blocos Carnavalescos e grupos da Folia de Reis. 1995. o apego à música popular. é o resultado de uma simbiose entre a pedagogia tradicional dos conservatórios de música e a educação promovida pelas práticas artísticas populares. seus conjuntos instrumentais. 42) criticam a postura discriminatória. Conde e Neves (1984-85. seus artesãos de instrumentos. 132-134) 7 .que quando não a despreza. estudados por Conde e Neves (1984-85).

reflexão. 8 . e ainda os conceitos. questionando-se os padrões de formação musical. causas e efeitos da música. funções.

Sociedades Musicais. é bastante flexível: o número de integrantes deve ser maior do que o de um grupo de câmara (cf.possivelmente o mais popular e antigo . a bandeira sob a qual marcham os soldados (cf. trompas. Muitas bandas são “protegidas” por personagens políticos. subvenções. em termos quantitativos. como é o caso da banda de música Antônio Cruz. banda militar. doações. tubas e diversos instrumentos de percussão. A maioria das bandas possui sede própria. Sadie. que significa “estandarte”. Em geral. Granja e Tacuchian. 1984-85. o termo banda7 pode ser empregado para designar os mais diversos conjuntos instrumentais . aluguel de casas e lojas pertencentes ao seu patrimônio”. apresentam flautas. 1994). nosso objeto de estudo. como o Possivelmente a palavra é originada do latim medieval bandum. muito popular no Brasil . Sadie. No entanto. etc. trombones. e também conjuntos musicais que utilizam instrumentos e vozes . 33) a “fonte de renda das bandas vem de cachês das apresentações. ex. clarinetas. etc.. Filarmônicas e Liras (cf. Como mostram diversos estudos (p. p. A constituição instrumental de uma banda de música.composto por instrumentos de sopro e instrumentos de percussão.banda de pífaro. 1984-85).AS BANDAS DE MÚSICA NO BRASIL Nos dias de hoje. além de instrumental e arquivo de partituras. 7 9 . 1994). banda de forró. elas funcionam de acordo com os recursos humanos e materiais disponíveis. e costumam apresentar-se com indumentária uniformizada. banda de metais. Granja e Tacuchian. Na verdade. onde são realizados os ensaios e as atividades didáticas. quando falamos em banda de música nos lembramos logo (embora isso possa não acontecer com todas as pessoas) daquele conjunto instrumental. corpo de sócios.2 . requintas.banda de rock. São também denominadas de Euterpes. saxofones.

p. Tacuchian. capitão-general de Angola. os quais serviam de modelo aos conjuntos brasileiros. que no início do século XVII possuía uma banda de música formada por trinta escravos (cf.bombo. 91). 2.) Herança recebida dos europeus. formados um pouco ao acaso. pois até meados do período renascentista. Basta lembrarmos que os conjuntos instrumentais europeus. Se confrontadas com a produção vocal do mesmo período. Os instrumentos musicais eram tratados com cautela na música religiosa e tinham uma atuação mais significativa na música profana. seu papel era secundário: eram usados como apoio rítmico e/ou harmônico ou como reforço melódico para as vozes. Em ambas situações. a caixa clara. um francês provençal. principalmente portugueses e italianos” (Granja. Certamente as bandas de música do Brasil colonial eram grupos instrumentais rudimentares.. como referência às primeiras bandas brasileiras. surdo e pratos. sendo também chamadas de bandas sinfônicas (cf. longe da imagem que fazemos das bandas de música atuais. configurando “um fenômeno inserido em nossa cultura (.1 .. ainda estavam começando a se organizar. Kiefer. Horta. as composições instrumentais da Idade Média (muitas vezes adaptações de obras vocais 10 . formada por portugueses e índios (cf. a música ocidental era essencialmente vocal. 1987. 1977). 1985). a primeira banda de música civil brasileira data de 1554. Também os negros escravos atuaram nos primórdios das bandas de música brasileiras. porém. 1982).Aspectos históricos A prática da banda de música no Brasil é uma tradição muito antiga. Algumas bandas incluem oboés e fagotes. Segundo Tacuchian. Conhecido ficou. presente nos tempos do Brasil colonial.

1987). cravo e. então. a charamela (família de instrumentos antecessores da clarineta). 1987. 1981). Lovelock. órgão. mas escravos libertos. muito requisitados nas festas populares e religiosas. p. as bandas de barbeiros podem ser consideradas como um estágio entre os charameleiros e as atuais bandas de música (cf. 1987). obrigaram a uma prática sistematicamente vocal” (Andrade. Tacuchian. porque a precisão de tornar intelectualmente compreensível a música. mais para o fim do século. 111). mas também outros instrumentos de sopro e/ou percussão. Estes dois conjuntos. e mostram. 1982) e as chamadas bandas de barbeiros9. 8 11 . entre eles a banda de música.para instrumentos) eram escassas (cf. Durante o século XVI. Granja. as bandas de barbeiros eram formadas por escravos. Kiefer. “criamse novos instrumentos. e os instrumentos musicais “no geral custaram muito a se desenvolver. principalmente. As condições ficaram. 97). Os conjuntos musicais que podemos considerar como antecessores das bandas de música brasileiras foram os charameleiros8 (cf. para alaúde. revelam a significativa contribuição do negro na origem e desenvolvimento das bandas de música brasileiras. Os charameleiros eram conjuntos musicais geralmente formados por escravos que tocavam. p.nos que a procedência humilde dos músicos de banda é básica nas suas primeiras formações10. conjuntos instrumentais vários” (Kiefer. formam-se famílias à semelhança dos conjuntos vocais e surge uma vasta literatura. O estágio primitivo de desenvolvimento dos instrumentos musicais e a dedicação exclusiva dos compositores em escrever música para igreja dificultavam a ascensão da música instrumental (cf. com características modernas. 1981. Variam as explicações apresentadas por musicólogos e historiadores a respeito desta relativa “demora” para que a música instrumental se firmasse no cenário da música ocidental. propícias para a promoção da música instrumental e projeção dos conjuntos instrumentais. 9 Tal como os charameleiros. que tinham também em comum o fato de exercerem a profissão de barbeiro. Segundo Granja.

o Lundu e a Modinha12 tiraram os compositores populares do anonimato. harmônico e timbrístico. Vasconcelos. Com o surgimento dos editores de música no Brasil (um dos primeiros foi Pierre Laforge. que em oposição à arte acadêmica. as danças européias.Durante o século XIX. A partir de 1780. Provavelmente as composições tocadas nas bandas do Brasil colonial eram obras européias. eram na sua maior parte anônimas e feitas aos moldes europeus. como a valsa. Vasconcelos. As obras musicais populares no Brasil. 1991). a invenção do mecanismo de válvulas nos instrumentos de metais e o ingresso do saxofone11 tornaram as bandas de música mais versáteis. por volta de 1840) logo passou a fazer parte das bandas de música militares e posteriormente das demais bandas. com a chegada das danças européias. 11 O saxofone (família de instrumentos de sopro. que não hesitou em acolher em seu repertório a expressão dos compositores populares.1 . de palheta simples. 2. estas danças originaram novos ritmos. portanto. a mazurca e a gavota foram difundidas pelo Brasil (cf. a quadrilha. em 1834). o schottisch. pois uma manifestação popular tem que estar integrada e em harmonia com as idéias e os interesses de seu povo. inventado por Adolphe Sax. o Lundu e a Modinha foram aos poucos se tornando antiquadas . Associadas às formas populares brasileiras. até 1780. E não poderia ser diferente. a polca. feitos de metal. 1991) 10 12 . dando origem a novas danças. exercendo um elo timbrístico entre as madeiras e os metais. durante o segundo quartel do século XIX.O repertório musical Uma união sólida e duradoura aconteceu entre a música popular brasileira (MPB) e a banda de música. e muitos deles foram amplamente divulgados e fixados pelas bandas de música. (cf. a prática musical nas bandas do Brasil colonial caracterizava-se como um ofício. 12 O Lundu (dança de origem afro-brasileira) e a Modinha (canção brasileira que tem sua origem na Moda portuguesa) foram as primeiras formas populares brasileiras. Durante o século XIX.1. sem aparentes traços do que mais tarde viria a ser a música popular brasileira. como por exemplo o Nota-se. ampliando seu potencial melódico.

1982. e posteriormente influenciando a criação de outras 13 13 . Os primeiros discos gravados com música popular brasileira foram executados por bandas de música: “Em 1902.3). principalmente aquelas que estão “na boca do povo”.” (Prof. perderiam muito de sua vitalidade longe da música popular. 68-69) Possivelmente a música popular brasileira não teria a mesma história sem as bandas de música. portanto. “Herança do ‘pasodoble’ aqui transformou seu ritmo e caráter.3): “O carro-chefe nas bandas são os dobrados. 1984-85. p. Acreditamos. Ferreira) Semelhante à marcha. embora a música popular.“maxixe..” (Tacuchian. 1982. durante todo o século passado até as primeiras décadas deste século. o dobrado se distingue por haver dobramento de instrumentos. Santos (1982.) Todas elas fizeram parte do repertório das bandas. 35-36). No repertório da banda de música Antônio Cruz. gravada pela banda do Corpo de Bombeiros [do Rio de Janeiro]” (Tacuchian. o gênero musical que parece ser o mais popular nas bandas de música brasileiras é o dobrado13. 69). do mesmo modo. p. sofrendo o mesmo processo de abrasileiramento verificado em outros gêneros da música popular. Todas as danças européias da moda chegavam pelo porto do Rio de Janeiro e se abrasileiravam (. p.SP. a Casa Edson lança seus primeiros discos com música popular brasileira. 14) observa que “os dobrados constituem nas três bandas [estudadas] mais da metade das partituras”. “As bandas de música estão intimamente ligadas à história da música popular brasileira. Os maestros procuram também executar alguns clássicos da música erudita (ver item 3. se sobressaia no repertório destes conjuntos instrumentais. que as bandas de música. 40% das composições são dobrados (ver item 3. [que] já nasceu ao som de fanfarras” (Granja e Tacuchian. Mas o repertório das bandas de música brasileiras não se resume em composições populares. No entanto. p. Em trabalho sobre três bandas de música de Itaboraí . um dos antepassados do samba.. principalmente nas bandas do interior.

Granja. todos os regimentos de infantaria passaram a ter. A primeira gravação em disco feita no Brasil foi executada por uma banda militar. Foram as bandas militares as responsáveis pela fixação de certos gêneros populares. e a qualidade musical desses conjuntos foi consideravelmente beneficiada. onde me constituí primeiro sargento. obrigatoriamente. da Silva.2. trombonista) . a sua banda. em essência. por decreto. quando abrir.” (Agnaldo da Silva Mendes. a banda do ‘Quinze’.” (Lucivaldo Freire de Azevedo.“eu comecei na Antônio Cruz. a quadrilha e o maxixe. 1987). entre outros (cf.As bandas militares As bandas militares diferenciam-se das civis por estarem vinculadas a instituições militares. ai. As bandas militares entraram no cenário musical brasileiro “com o pé direito” durante o século XIX.2 . O repertório é. hoje toco na banda da polícia.“recebi um convite para fazer a prova da polícia. como revelam diversos membros da banda de música Antônio Cruz: . como o frevo do Recife e mais recentemente a música para o ‘trio elétrico’ bahiano” (Granja. eu tenho vontade. músico da Polícia Militar da Paraíba. como o frevo. o mesmo: reinam os dobrados. 94) 14 .“a banda da polícia eu acho muito bonita. Ferreira) . de fazer um dia a inscrição para a polícia.“trabalhei também de contramestre lá em Santa Rita e de lá eu fui prá Polícia. trompetista) .” (José Newton O. Este fato gerou um interesse profissional nos músicos de bandas civis. da Polícia Militar da Paraíba.” (Prof. assim. a polca. saxofonista) Este fluxo de músicos entre as bandas civis e militares ainda hoje persiste. as marchas e a música popular em geral. quando. p. modalidades. 1987.

3 . Seria impraticável dizer. vestimentas. caracterizando um momento especial da nossa sociedade” (Granja e Tacuchian. tornando difícil um levantamento. p. em 1989. no Brasil. aproximadamente 2000 bandas já haviam se cadastrado. ele não deu 15 . pois a maior parte delas não é registrada como sociedade civil. Segundo informações da FUNARTE.. diversas cidades brasileiras. Eu deixei a banda. ele não arranjou mais maestro. por intermédio de seus animadores culturais. A FUNARTE mantém um programa de cadastramento de bandas de música civil..) A banda de música.. gestos. mesmo que aproximadamente.No presente (. que fazem da banda de música a sua vida. Quanto às bandas civis. é um conjunto tão popular que dificilmente encontraríamos um brasileiro que nunca tenha presenciado uma apresentação de banda. É um “cartão de visita” da comunidade. marcado por ações. Esses números indicam uma queda acentuada no número de bandas cadastradas de 89 para 97. o número de bandas de música em atividade no Brasil.. Os músicos de banda “sentem na pele” o descaso das prefeituras que deixam as bandas se acabarem: . 1984-85). Entretanto. e até 1985 o número era de 900 bandas (cf. personagens. “um ritual coletivo. 27).) Pilões de Dentro.“Eu já trabalhei em muitos lugares [em] que hoje as bandas de música estão acabadas (. empenham-se em formar e manter suas bandas municipais. Muitas bandas ainda se mantém graças ao empenho e dedicação dos músicos e maestros. mas atualmente há apenas 600 bandas cadastradas. Granja e Tacuchian. 1984-85. esse prefeito que saiu agora foi um desastre.2. acabou com a banda de música. muitas bandas de música civis estão “fechando suas portas” por dificuldades financeiras.

Trinta anos (. salvo exceções. uma grande ênfase nos movimentos corporais.mais atenção e a banda tá lá..)” (maestro Manoel Felipe de Macena) Por um lado. “Trata-se mais de um trabalho de educação física e disciplina coletiva. deveria ser meta dos órgãos públicos As bandas de desfile (marching band) tiveram origem nos EUA. tal como a ação cultural do Departamento de Cultura da SEEC . Acreditamos que formar e manter uma banda de música deveria ser um dos objetivos culturais de todos os municípios que não possuem uma. que promove Encontros de Bandas de Música Civis. 38). tá desprezado. uma banda que foi segura trinta anos. de modo que um espaço que poderia ser direcionado em favor da aprendizagem musical praticamente se perde em toques mecânicos e movimentos acrobáticos. Trinta anos eu segurei a banda de música de Pilões de Dentro. p. muitas escolas regulares brasileiras empenham-se em manter pequenas bandas para desfiles14. No entanto.é relegada a um segundo plano em favor do extra-musical e. 1994).muitos deles só atuam em desfiles de 7 de setembro . E para aqueles municípios que já têm uma ou mais bandas. 14 16 .RJ. em tais grupos. além de balizas e porta-bandeiras. um programa de apoio e resgate às bandas de música. constituídas principalmente por instrumentos de metais e uma grande seção de percussão. Ao nosso ver. conhecidas também por “bandas marciais”.. do que propriamente um trabalho de educação musical (Granja e Tacuchian. Isso é um desprezo. e possuem. Sadie. o instrumental acabado. alem dos instrumentistas. balizas e porta-bandeiras (cf. muitos despertam para a banda de música dentro de uma banda escolar. Percebemos. a banda de música acabou-se. 1984-85. com resultados duvidosos. né. e neste sentido sua contribuição deve ser levada em consideração. a qualidade musical desses conjuntos . deixa muito a desejar.

As bandas precisam de apoio e merecem ser ouvidas.responsáveis pela produção cultural popular. A música “está de luto”. 17 .

em 1989. 15 18 . um arquivista e o maestro. com 24163 habitantes (censo 96). quando foi no dia 7 de setembro eu sai com a bandinha tocando pela cidade. no município de Rio Tinto15 .A banda e sua formação A banda de música Antônio Cruz foi oficialmente fundada em 09 de novembro de 1989 (ver anexo C). dois trompetes. Cheguei lá no mês de março de 1989. A fábrica de tecidos manteve por muito tempo uma banda de música. um surdo. um bombo. um antigo músico de Rio Tinto. para organizar uma banda de música de meninos. com a vivência em banda de música do maestro Severino Ferreira da Silva (prof.A BANDA DE MÚSICA ANTÔNIO CRUZ 3. um trombone de pisto. ou de outras formas de ganhar a vida. O instrumental da banda era constituído de: uma tuba. duas trompas. um sax tenor. em homenagem a Antônio Cruz16. uma requinta. Severino Ferreira. a banda era composta de 19 instrumentistas. um sax alto. partiram em busca de outros centros. na qual atuaram vários músicos paraibanos. Ferreira vinha conduzindo a banda. O nome da banda foi uma sugestão do prefeito Marcus Gerbasi.PB. Já foi um dos maiores municípios da Paraíba.“Fui convidado pelo prefeito de Rio Tinto. . com a falência da fábrica. para tal. hoje desativada. um sax soprano. Hamilton Cruz. por iniciativa do então prefeito Marcus Antônio Gerbasi.” (prof. que contou.3 . Ferreira) Na sua origem. uma caixa-clara e um par de Rio Tinto é um município localizado no brejo paraibano. Mas vale salientar que desde março do mesmo ano que o prof. a cerca de 50 Km de João Pessoa. como professor de música e regente. e muitos outros que. A banda nunca possuiu uma diretoria executiva e não é registrada como sociedade civil. dois clarinetes. como Antônio Cruz. lá em Rio Tinto. Cresceu muito devido ao funcionamento de uma fábrica de tecidos (CIA de Tecidos Rio Tinto). um bombardino. Ferreira).1 . dois trombones-de-vara.

Antônio Cruz. 16 19 . O espaço físico é pequeno para o tamanho da banda. estão em condições bastante precárias19. As cadeiras e as estantes ficam arrumadas em fileiras. fica o espaço destinado às aulas de teoria musical. dentro das bandas de música. na cidade de Rio Tinto-PB. Nesta sede. Ferreira) A banda funciona. por muito tempo. e o trompete de piston. foi um dobrado de autoria do próprio prof. 06 e 07)18. alem dos que já tinha desde sua fundação. 19 No decorrer de seu funcionamento a banda adquiriu uns poucos instrumentos. Hamilton Cruz. Por trás do local de ensaio. 18 Como forma de apresentar o cotidiano da banda de forma mais palpável recorremos a um registro fotográfico. dedicado ao prefeito Marcus Gerbasi. realizam. fotos 02. cuja partitura faz parte do arquivo de composições da banda. com algumas cadeiras e um pequeno quadro-negro com dois pentagramas (ver anexo B. 17 A tuba também é chamada. A primeira composição que a banda executou em público. Atualmente está sendo encaminhado pela prefeitura. A sede não tem banheiro. foi um destacado trompetista. desde sua fundação. em um pequeno pavilhão localizado à rua Assis Chateaubrian. Os instrumentos (todos da marca Weril) foram adquiridos através da prefeitura e pertencem à banda. amparado pela Lei da Cultura n° 8.se os ensaios e as aulas . poderá beneficiar a banda de música Antônio Cruz com a aquisição de novos instrumentos. Segundo o prof. um projeto que. Ferreira. foi organizada por mim. 04. Percebemos uma integração do prefeito Gerbasi com a banda Antônio Cruz.pratos17. Seu filho. no mesmo ambiente. S/N. 03. Ferreira. apresentado no anexo B. no 7 de setembro de 1989. e alguns encontram-se em estado impróprio para execução.de música.” (prof. a banda tinha todo o apoio do prefeito. próximo à secretaria de cultura do município. atuante na música popular brasileira. tomou conta da banda de música da fábrica de tecidos de Rio Tinto. de contrabaixo. desgastados pelo tempo.313.práticas e teóricas . que ocupa o mesmo cargo no momento atual: “essa banda foi feita. Os instrumentos musicais. porque eu contei com o apoio integral do prefeito Marcus Gerbasi.

mas não existe nenhuma relação da vestimenta com a ocasião da apresentação. Atualmente. e os ensaios à tarde. p. das 14:00 às 16:00 hs. O uniforme só é usado nas apresentações e os músicos parecem ser favoráveis a esta vestimenta uniformizada. segundo Granja e Tacuchian. é uma tradição. No segundo ano de atividade. 1984-85. a banda Antônio Cruz adquiriu sua primeira indumentária: uma calça azul. 34).2). e também atendendo às solicitações do prefeito para tocar em solenidades políticas. assemelhar-se aos colegas militares era um desejo buscado por todos” (Granja e Tacuchian. A banda Antônio Cruz. sempre teve o carinho e a admiração do povo de Rio Tinto. a banda possui três modelos de uniforme. a banda nunca interrompeu nenhuma de suas atividades. O uso da farda na banda de música civil. na sua origem. “No passado. das 08:00 às 11:00 hs (ver item 4. Ferreira. a admiração maior do povo de Rio Tinto vinha por parte da “velha-guarda”: 20 . nas terças e quintas-feiras. era se assemelhar com as bandas militares. duas vezes por semana. amadores (os outros eram profissionais).Tanto os ensaios da banda quanto as aulas de música acontecem regularmente. apresentando-se com freqüência nas festas populares e religiosas da cidade.” (maestro Manoel Felipe de Macena) Para o prof. Os instrumentistas procuram conciliar suas outras atividades (de trabalho e/ou estudo) com as atividades da banda. as corporações militares tiveram grande prestígio e para os músicos civis. “Banda de música aonde chega o povo prestigia muito. uma camisa branca e uma gravata. cujo objetivo. Até hoje. segundo informações dos maestros. As aulas realizam-se na parte da manhã.

idade.Erivaldo Sousa da Silva 2 . Baía da Traição. como Mataraca. 3.” (prof. a banda Antônio Cruz conta com a participação de 30 instrumentistas.Adailton Simplício de Mendonça Filho SEXO M M M M M F F M M M M M F M F M F M INSTRUMENTO IDADE ESCOL.Fágna Alves Mendonça 7 .Maria das Mercês S.Adriana Maria Santana 18 .Vânia Lúcia Silva de Azevedo 16 . Se não foi da totalidade dos jovens. sendo 17 do sexo masculino e 13 do sexo feminino. inc. 02 anos Saxofone alto 25 2° grau 08 anos Saxofone alto 19 2° grau 03 anos Saxofone alto 18 2° grau inc.2 . Ferreira) A banda já tocou também em outras cidades. escolaridade. 02 anos Tuba 28 2° grau 08 anos Saxofone soprano 18 2° grau inc.Valdemir Alves dos Santos 6 . 01 ano 21 . oito anos após sua fundação. NOME 1 . Ribeiro 12 . Cabedelo e João Pessoa.Agnaldo da Silva Mendes 17 .José Nilton Oliveira da Silva 3 .Patrícia Nascimento da Silva 8 . Mamanguape. 02 anos Trompete 25 2° grau 08 anos Trompete 20 1° grau 05 anos Trompete 20 2° grau inc.. 05 anos Trompa 15 2° grau inc. 03 anos Trompa 16 2° grau inc.Renato José Silva de Azevedo 5 . e tempo de atividade na banda Antônio Cruz.Givanildo Martins de Oliveira 15 . dos velhos que gostam de música.Washington Luiz C.Luzardo da Silva Barbosa 4 . TEMPO NA BANDA Trompete 19 2° grau inc.“nas festas que tocamos lá houve grande aceitação.Lucivaldo Freire de Azevedo 11 . 03 anos Trompete 25 super.Eli Melo de Santana 10 .Paulo Wanderley de Barros Leite 13 . dos Santos 14 . com idades que variam entre 13 e 29 anos. 02 anos Trombone-de-vara 16 1° grau 01 ano e 06 meses Trombone-de-vara 25 2° grau 08 anos Trombone-de-vara 27 2° grau 08 anos Trombone-de-vara 25 2° grau 08 anos Trombone-de-vara 30 2° grau 08 anos Trombone-de-pisto 20 1° grau inc. Segue abaixo uma relação dos integrantes atuais da banda. era de grande aceitação.Os instrumentistas Hoje. que a gente tocava uma retreta e ficava arrodeado de gente. com indicação de sexo. instrumento que toca.Eduardo Luiz Guimarães Leandro 9 . mas do povo que gosta de música.

2° grau inc. 2° grau 1° grau inc. Os músicos da banda que tocam instrumentos de sopro tocam por partitura. Silva.José Carlos da Silva Mendes 28 . não parece ser alta.Izis Nelli Chagas e Silva 25 . A aproximação dos instrumentistas entrevistados com a banda de música Antônio Cruz deveu-se ao incentivo de familiares ou de colegas. como podemos constatar pelos sobrenomes (por exemplo. 22 . A maioria dos músicos têm o primeiro grau completo. à figura de músicos destacados ou simplesmente ao amor à música. 2° grau 2° grau inc. 1° grau 2° grau 1° grau 2° grau inc.6 % sobre o sexo feminino (43. Alguns possuem laços familiares.4 %).Raimundo de Souza Ferraz Júnior F M F F F F F F M M F M Saxofone tenor Requinta Clarineta Clarineta Clarineta Clarineta Clarineta Clarineta Bombo Surdo Prato Tarol 20 21 13 17 22 17 24 18 29 16 14 30 2° grau inc. 1° grau inc. verificamos que há uma distribuição equilibrada quanto ao sexo dos instrumentistas.Giselda Sousa da Costa 24 . apenas um com escolaridade a nível superior. A faixa etária abrange de 13 30 anos. embora alguns leiam música. embora exista.Vânia Alves dos Santos 20 . 2° grau 05 anos 08 anos 03 anos 03 anos 05 anos 06 anos 05 anos 04 anos 08 anos 04 anos 01 ano 05 anos De acordo com os dados expostos.Josineide da Silva Lima 26 . com 56.Edna Sousa de Silva 23 . embora predomine discretamente o sexo masculino.Maria da Glória Alves dos Santos 30 . e a rotatividade dos músicos.Rita de Cássia Santos Medeiros 27 . e os que tocam instrumento de percussão.Diulina Araújo de Medeiros 22 .José Ismael dos Santos Netto 29 .Luciano de França Costa 21 .19 . e Santos são muito comuns). com média em torno de 21 anos. “tocam de ouvido”. Observamos também que há uma preferência das mulheres pelo clarinete. A maioria começou a estudar regularmente um instrumento e os conteúdos da linguagem musical na própria banda.

depois toquei saxofone. meu irmão [que também tocam na banda Antônio Cruz] e meu pai me incentivaram.” (Vânia Lúcia Silva de Azevedo) Os instrumentistas da banda de música Antônio Cruz recebem da prefeitura uma ajuda financeira de 50 reais por mês. futuramente..” (José Newton de Oliveira) . em geral. ou mesmo tocar em orquestras. comecei a gostar e terminei aprendendo e hoje eu sou um músico. depois passei a estudar trombone-de-vara. depois prá sax soprano.” (Maria da Glória Santos) .” (Lucivaldo Freire de Azevedo) .“tinha um colega meu que começou a estudar e isso influenciou eu a estudar música e tal.. demonstrando interesse em. como a banda do exército ou da polícia militar. né. exercem outras atividades 23 . tocar em bandas maiores. partir para outros centros. me incentivou.“Porque achava bonito.” (Vânia Lúcia Silva de Azevedo) Todos os instrumentistas entrevistados pretendem continuar tocando em bandas de música. ai eu vim.“tinha uma pessoa que todo mundo sempre falou dele.” (Eli Melo de Santana) .” (Diolina Araújo de Medeiros) . A maioria dos músicos da banda de música Antônio Cruz passou por mais de um instrumento na banda: .“Primeiro toquei a trompa.“Toquei dois anos trompa. Hamilton Cruz (.“Tocava prato. que foi um grande trompetista que saiu aqui de Rio Tinto. Foi de espontânea vontade. depois prá requinta e depois prá clarinete. Os homens.“Minha irmã..) Aí isso aí me inspirou muito.

como os homens.) no tempo que eu estudava em João Pessoa eu me dedicava. a qualidade musical das bandas de música é afetada. pois elas não se deslocam. A necessidade de exercer outras profissões. na “luta pela sobrevivência”. os músicos homens20. Pela experiência do maestro Manoel Felipe de Macena. a banda que investiu neles. De acordo com o maestro Manoel Felipe de Macena... que eu era solteiro. faço instalação por ai. p. oito continuam tocando nela até hoje. 20 24 .“Até hoje eu trabalho com eletricidade.. né. mas vai fazer dois anos que eu casei. Consequentemente. que poderia crescer na performance se os mantivesse (com melhores salários). é baixíssimo. a trabalhar mais para que seus parcos salários não sejam totalmente aniquilados pela inflação” (Santos. serralheiro. Dos dezenove instrumentistas que integravam a banda Antônio Cruz na época de sua fundação.. Dessa forma. encanador. acaba por perdê-los para outras bandas. 10) são fatores que contribuem para agravar a crise que enfrentam atualmente as bandas de música interioranas. assim como a falta de oportunidade de aperfeiçoamento refletem em seu rendimento. quando alcançam um nível razoável de execução no instrumento. não dá (. artista plástico e contínuo.) a exploração cada vez maior do trabalho que obriga os músicos. tem dia que eu falto ensaio (..)” (Eli Melo de Santana.profissionais. o que permite a realização de um trabalho duradouro.) o salário da banda você sabe né. (. a responsabilidade aumenta (. assim como a todos que ganham pouco.. como por exemplo de eletricista. “o deslocamento dos músicos para o exercício do trabalho cotidiano em centros urbanos.. que pagam um pouco melhor. trombonista) O desgaste físico e psicológico do músico que trabalha muito e ganha pouco.. saem em busca de outros centros onde possam ganhar mais. . as mulheres são mais sedentárias. 1982.

91). Ferreira na formação da banda. que faz parte da banda Antônio Cruz desde sua fundação e que hoje ajuda muito o maestro Manoel Felipe de Macena. na organização das partituras. ódio e rivalidade parecem estar constantemente presentes na luta empenhada pelas bandas de música por sua existência e sobrevivência” (Granja. enfim. ao escrever sobre os músicos da banda Antônio Cruz. Ferreira) 25 . de saudosa memória (. p.“Quando o maestro falta. chamado José Vicente. é o saxofonista Agnaldo da Silva Mendes (ver anexo B.. . 1987. três tocam também na banda da Polícia Militar da Paraíba.“tinha um coadjutor.” (prof. eu tenho a responsabilidade de até mesmo reger. Ele auxilia o maestro nas aulas de música. um ex-colega meu que era também da banda de música de Rio Tinto. seu empenho em ensinar o que sabe aos colegas e em melhorar as condições de trabalho dos músicos. foto 10). nos ensaios.” (maestro Manoel Felipe de Macena) A sua dedicação à banda de música Antônio Cruz. Um importante integrante. Não poderíamos. ele dá aula aos meninos. ensinando os instrumentos de palheta: . paixão.Desses oito músicos antigos da banda. mostram-nos que “amor.“Os dias que eu não estou aqui. um ex-integrante da banda.. deixar de mencionar a contribuição do músico José Vicente. e que ajudou muito o prof. sua indignação com relação à falta de recursos materiais para o crescimento da banda.) eu recomendava a ele tomar conta das palhetas e eu tomava conta dos instrumentos de metais. o Agnaldo. carinhosamente lembrado pelos músicos. no que estiver ao seu alcance.” (Agnaldo da Silva Mendes) .

pois a banda não tem um copista. Lago dos Cisnes/Tchaikovsky e Sinfonia de Cantata 15621). Algumas composições são de autoria do prof.3 .. O repertório da banda é todo selecionado pelo maestro.” (Diulina Araújo e Medeiros) Por outro lado. frevos (04) e clássicos da música erudita (03.” (Vânia Lúcia S. hinos (08).. O trabalho de escrita sempre foi feito pelo maestro.. nem todas essas composições foram executadas pela banda.“A questão é dele.“o José Vicente. As partituras são todas manuscritas. pedir músicas. dar opiniões: 21 Não tem a indicação de autor. uma pessoa muito boa. Entretanto. infelizmente não tá mais com a gente (.“Não acho certo.” (José Newton Oliveira da Silva) . que se chama José Vicente.) uma pessoa muito carinhosa. MPB vários (18). ele ajudava muito o Ferreira. no início mesmo. né. ele já morreu. boleros (07). e muitas não indicam o autor. Ferreira e há também músicas de autoria do maestro Manuel Felipe de Macena.“tem um velhinho que nessa banda aqui ele ensinou muita coisa. mas existe uma abertura para sugestões dos instrumentistas. Bolero/Ravel. ele tocava na banda também e ajudava a gente. de Azevedo) . os integrantes mais antigos declararam conversar com o maestro sobre o repertório.“eu tocava com ele vários frevos (.” (Agnaldo da Silva Mendes) . os novatos não demonstraram interesse em opinar na escolha do repertório da banda: . Ele é o maestro.) eu gostava muito dele.O repertório O repertório da banda de música Antônio Cruz é um típico repertório de banda: dobrados (26). né? Se ele quiser ele coloca.. 26 ..” (Eli Melo de Santana) 3. Dos integrantes entrevistados.

que sei fazer a minha instrumentação.” (José Newton Oliveira da Silva) . tavam lá no IBOPE. meus pistões. que os limites técnicos dos instrumentistas condicionam a seleção do repertório.” (maestro Manoel Felipe de Macena) Todos os instrumentistas entrevistados confessaram gostar do repertório da banda: 27 . eu sei a altura que os meus saxofones tocam.“Sempre a gente tá conversando.. pelas palavras do maestro Manoel Felipe de Macena.“A gente dá opinião é claro (. Ferreira) .)” (prof. Os dois maestros entrevistados declararam preferências em trabalhar com músicas que estão “nas paradas de sucesso”: . que conhece os limites de execução de seus instrumentistas: . porque eu sei a altura que os meus clarinetes tocam.)” (Lucivaldo Azevedo) Esse dialogo. ele vai lá e copia e trás pra gente ensaiar. fazia uma instrumentaçãozinha (.. devem ser arranjadas (ou mesmo compostas) pelo próprio maestro da banda.)” (Manoel Felipe de Macena) Fica claro. O maestro Manoel Felipe de Macena é de opinião que as composições que a banda pretende executar.. se abstenham) reforça a integração entre os membros da banda.“tem que tá com o ouvido hoje. essa música aqui.“eu escolhia as músicas que estavam em cartaz. talvez por timidez. procurando essas músicas e escrevendo. entre os instrumentistas e o maestro... ia. e tal. A gente pede uma música que tá saindo sucesso: . sobre o repertório da banda (embora os músicos novatos. meus trombones (..“Eu só..ai professor.

ao lado de Antônio Cruz e Hamilton Cruz.. foto 09). não deixou nada de consistente. O trabalho desses dois músicos à frente da banda. e logo em seguida um então integrante da banda Antônio Cruz.“o repertório é muito bom. o prof. e lá iniciou seus estudos musicais com o maestro Otávio Soares Fernandes.“a gente tem tudo.” (Agnaldo da Silva Mendes) 3. para fazer parte da banda de música da 28 . contramestre da banda de música de Santa Rita (que hoje não existe mais). tomaram conta da banda. primeiramente o músico conhecido como Marreco. segundo os comentários dos músicos e também do prof. e o maestro atual. seja pela rápida passagem ou pela falta de experiência dos mesmos.4 . por um curto período de tempo. foto 08). nada de significativo para a banda. do trombone-de-vara e do trompete durante sua atuação em bandas de música. Foi. tem pagode.Os maestros Podemos dizer que a banda de música Antônio Cruz teve até hoje dois maestros: o fundador da banda. Entre a saída do primeiro e a chegada do segundo.. tem frevo (.” (José Newton Oliveira da Silva) . ainda. Ferreira foi para João Pessoa. Trabalhou na fábrica de tecidos de Rio Tinto como músico da banda.. chamado Valmir Alves dos Santos. o professor tem bom gosto. tem músicas muito bonitas. Foi para Rio Tinto ainda criança. tocando trompa. O prof.) esse repertório que a gente tem aqui é muito bom. De Santa Rita. a gente tem samba. Manoel Felipe de Macena (ver anexo B. prof. Ferreira e do maestro Manoel Felipe de Macena. que hoje não faz mais parte da banda. Ferreira é natural de Cuité-PB. Ferreira (ver anexo B. Também adquiriu domínio do bombardino.

Quando adulto.” Natural de Guarabira-PB. Seu primeiro instrumento foi o acordeão. foi convidado pelo regente da banda de música da Polícia Militar da Paraíba. Ferreira trabalhou muito pelo interior da Paraíba. para fazer o curso de sargento da polícia. formando bandas de música. fundou a banda de música Antônio Cruz.. O prof. o maestro Manoel Felipe de Macena foi designado pelo governador do Estado para trabalhar com bandas pelo interior da Paraíba. chegando a ser professor deste instrumento.“A banda estava numa decadência muito grande e ele me convidou pra vir prá aqui. onde se constituiu primeiro sargento. voltou para João Pessoa e passou a trabalhar na Escola da Música Anthenor Navarro. em Caiçara e Pilões. Manoel Felipe de Macena dedicou muito de sua vida à banda de música. foi para Sapé e passou a tocar em banda de música.. onde começou a estudar música com o maestro Artur Aprigio. Ao ser reformado pela polícia.) fiquei tocando na banda de música da polícia. e eu aceitei o convite. tirei a gestão do doutor José Braga e agora tô continuando com a gestão do doutor Marcus Gerbasi. e ele me convidou (. 29 . Em 1989. . Exerceu também a função de delegado em Araçagi. conduzindo a banda até 1993. Em 1956.) com dois meses eu fiz o curso de sargento (. conforme as necessidades das bandas em que trabalhava..Polícia Militar da Paraíba. O maestro Manoel Felipe de Macena veio para a banda de música Antônio Cruz em 1993. onde ensina até hoje. Seu instrumento principal dentro das bandas era o trombone-de-vara. o tenente Pedro Neves (reformado depois como coronel). a convite do desembargador José Lisboa: . como por exemplo em Conceição e Itaporanga. mas tocava também trompete e trompa..” Posteriormente.“Nessa época tinha muita vaga.

a vivência musical nas bandas de música deu-lhes os conhecimentos necessários para exercer a função de regente. assim como a de arranjador. compositor e de professor de música (teoria e instrumento). 30 . porém.Os dois maestros supracitados não possuem curso de regência.

No entanto é difícil avaliarmos o grau de envolvimento com o fenômeno musical alcançado por meio da apreciação. Juntos. e são elas que tornam a música uma linguagem familiar. É uma forma da banda se manter “viva”. as oportunidades de “admirar a música”. a função educacional da banda de música Antônio Cruz. atua em vários níveis e com qualquer tipo de audição musical. A apreciação musical.AS PRÁTICAS EDUCATIVAS DA BANDA DE MÚSICA ANTÔNIO CRUZ Os objetivos inerentes às práticas das bandas de música não são diretamente músico-pedagógicos. renovando seus quadros. que buscamos abordar. as bandas de música. “A imensa maioria das euterpes mantém escolas livres de música como única alternativa de atendimento dos jovens vocacionais” (Granja e Tacuchian. 31 . do ponto de vista da apreciação. Sendo assim. dirigida aos atuais ou futuros instrumentistas de banda. e de certa forma imperceptível. passam a formar um só corpo. desempenham uma importante função educacional. compartilhando um mesmo objetivo e atuando cooperativamente para a sua realização. p. ensino este direcionado a todos interessados em se integrar à banda. que se irmanam.4 . Seu destaque está em sua função socializadora. acontecem em diversos momentos de nossa vida. 36). 1984-85. e do domínio técnico do instrumento. Esta instrução informal. Por outro lado. são práticas comuns na maioria das bandas dos municípios do interior brasileiro. Tais atividades educacionais. inclusive o maestro e os instrumentistas. é a que trata das atividades de ensino técnico (prático e teórico) da música. envolvendo o ensino da linguagem musical. mobiliza diferentes membros da sociedade. com seus instrumentos e sob suas vestimentas. No entanto. A banda toca em festas. a atuação da banda atinge em maior ou menor grau a todos que ouvem a banda tocar. principalmente nas cidades do interior.

4.1 - As aulas na banda de música Antônio Cruz

Na banda de música Antônio Cruz, tanto no passado como no presente, o próprio maestro encarrega-se de ensinar, com aulas práticas22 e teóricas, a qualquer indivíduo da comunidade (de qualquer sexo ou idade) que deseje aprender a tocar um instrumento e queira fazer parte da banda. O prof. Ferreira contou, durante um certo período de tempo, com a ajuda do músico José Vicente para ensinar os instrumentos de palheta, e o maestro Manoel Felipe de Macena atualmente é auxiliado, tanto nas aulas práticas quanto nas teóricas, pelo músico Agnaldo da Silva Mendes (ver item 3.2), conforme já exposto. As aulas sempre se realizaram nas terças e quintas-feiras, das 08:00 às 11:00 hs. Essas três horas se dividem em lições teóricas expositivas de leitura e escrita musical, e práticas com os instrumentos. Os alunos em geral, quando atingem um determinado domínio da escrita musical, deixam as aulas teóricas e passam a se dedicar somente ao instrumento. De acordo com o maestro Manoel Felipe de Macena, ensina-se “a teoria que precisa prá o músico tocar, executar.” O prof. Ferreira lembra que “as aulas eram constituídas de ritmo, de solfejo, de teoria (...) uma maneira do elemento aprender a ler música, aprender a solfejar e participar da banda.” Ao mesmo tempo, o prof. Ferreira considera limitados os conteúdos musicais tratados nas aulas de música da banda: - “nunca era um estudo refinado como hoje tem na universidade (...) mostrava o valor das figuras, nunca em profundidade, porque o nosso interesse era fazer com que eles aprendessem a ler as cabeças de notas (...) porque se for fazer um estudo refinado, todas as técnicas, todas as teorias, prá eles que iam executar apenas um instrumento musical da banda, íamos perder muito tempo.” (prof. Ferreira)

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No pensamento do prof. Ferreira, um estudo musical mais abrangente é função da escola especializada, e foge aos objetivos e necessidades das bandas de música. Mas os músicos de banda com uma certa vivência, de tanto fazer arranjos, trabalhar com instrumentos transpositores (quase todos instrumentos de sopro usados nas bandas de música são instrumentos transpositores), tocar vários instrumentos, compor, reger, etc., acabam por adquirir um domínio técnico da linguagem musical - pelo manuseio de sua concreticidade sonora - como temos de exemplo os maestros Severino Ferreira da Silva e Manoel Felipe de Macena, e tantos outros músicos altamente qualificados, cuja formação tem por “alicerce” a banda de música.

4.1.1 - A ênfase na leitura, a opção pelo instrumento e o ensino instrumental

Os procedimentos didáticos dos dois maestros supracitados valorizam o domínio da leitura musical e a execução instrumental. O conhecimento das figuras de duração e das notas musicais nas claves de sol (principalmente) e fá é enfatizado através de lições de solfejo e de exercícios rítmicos. Todas as lições são elaboradas pelos maestros e encaminhadas aos alunos “de acordo com a capacidade de cada um. Os livros sempre são bons mas nunca são coerentes com o grau de cada aluno.” (prof. Ferreira) Os alunos, assim que alcançam um desempenho razoável na leitura musical, “uma noção segura, já sabem ler alguma coisa, não muita coisa, eles vão pegar logo um instrumento.” (prof. Ferreira). - “Eu comecei estudando as notas, os compassos, e com uns três meses, quatro meses, ai eu comecei a pegar no instrumento.” (Eduardo Luiz Guimarães Leandro)

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O maestro ensina todos os instrumentos musicais da banda.

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- “A gente não tem muita teoria aqui não. Teoria até aquele ponto que a gente vê que ele já tá lendo aquelas lições, a gente já encaminha ao instrumento.” (Agnaldo da Silva Mendes) A escolha do instrumento pode ser espontânea ou por indicação do maestro, que pesa a necessidade de determinado instrumento na banda. Dentre os instrumentistas entrevistados, os mais antigos, que foram alunos do prof. Ferreira, apontaram a influência deste na escolha do instrumento: - “Minha vontade era tocar clarinete. Aí tinha sobrando o bombardino, né, e ele [prof. Ferreira] achou que eu devia pegar o bombardino, que eu tinha ritmo (...) e me deu o bombardino que é um instrumento de contracanto, um instrumento de melodia, de solo (...)” (Lucivaldo Freire de Azevedo) - “Quando eu comecei a participar, minha vontade era tocar sax, né, aí o maestro Ferreira disse: ‘não, você vai tocar piston’ e piston ficou até hoje.” (José Newton Oliveira da Silva) - “A escolha não foi bem minha, foi do maestro mesmo. Ele olhou para mim e disse: ‘êh, esse ai, pelos seus lábios, é fino, instrumento de palheta. E me deu o sax alto.” (Agnaldo da Silva Mendes) Os alunos do maestro Manoel Felipe de Macena não declararam indução do maestro na escolha do instrumento, mas tiveram de optar pelos instrumentos que a banda exigia: - “Quando eu cheguei lá me chamaram prá tocar a tuba. Ai, quando fui, tava aprendendo, me botaram para tocar trombone.” (Eduardo Luiz Guimarães Leandro)

O ensino instrumental, de responsabilidade do maestro, não envolve métodos nem técnicas apuradas de execução. Os maestros, intuitivamente, ensinam todos os instrumentos da banda. Nos instrumentos de sopro, ensinam “a escala natural, a escala

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tá executando. demonstrando que as valorizam. que é a nota longa.2 . vai tocar música popular” (maestro Manoel Felipe de Macena). e executam para o maestro (que “passa as partes”) nas aulas. Ao 35 . Não importam as lacunas que ficam na formação musical dos mesmos. tocando lição. tocando muito. ou continuarão desenvolvendo suas habilidades musicais apenas tocando na banda. onde irão rever técnicas e refazer conceitos.) quando ele [o aluno] já tá com a prática.. Toca dobrado na estante. Todos os entrevistados disseram gostar das aulas de música da banda Antônio Cruz.cromática. que se resume a tocar as músicas (suas partes) da banda. e Lucivaldo Freire de Azevedo diz estudar o que chama de básico no seu instrumento (trombone-de-vara). e depois começo a tocar” (Vânia Lúcia Silva de Azevedo). e já tem prática no instrumento. os músicos é que irão optar por uma reciclagem em seus conhecimentos. e há um certo desprezo quanto ao desenvolvimento cognitivo dos alunos no processo de aprendizagem musical. A maioria dos instrumentistas dedica um período de tempo diário ao estudo do instrumento. ingressando na escola especializada. Um dos instrumentistas entrevistados (dos músicos novatos) declarou exercitar a escala natural do instrumento antes de tocar as músicas da banda: “eu tiro a escala do instrumento mesmo. 4..Conquistando novos espaços O objetivo da banda-escola é fazer com que os alunos aprendam a tocar um instrumento para poderem assumir um lugar na banda.em casa ou na sede da banda. Os instrumentistas estudam as lições . os acidentes (. Os instrumentos de percussão são orientados pelos maestros nos ensaios. aí ele vai estudar as partituras. Neste ponto. durante as execuções das peças.ou as partes . Os demais revelaram não praticar exercícios de técnica instrumental.

. tinham 600 alunos prá 150 vagas. Os músicos partem para fazer cursos. e nessas 150 eu fui aprovado. Cabe. nos limites de sua contribuição na formação musical dos alunos. prepara-os para percursos mais amplos nos “caminhos” da aprendizagem musical.“Eu comecei aqui no bombardino.)” (Eli Melo de Santana) Casos como os acima expostos nos levam a crer que a banda de música.” (Lucivaldo Freire de Azevedo) . 36 . tentar suprir suas deficiências. a primeira opção é a mais coerente. portanto. de nível médio ou superior. tocando bombardino e hoje estudo trombone lá no conservatório. seus progressos podem reverter no aprimoramento de suas atividades na banda. levando em consideração a sua vivência anterior e seus conhecimentos prévios. E é o que acontece em muitas bandas de música.. então. aos futuros mestres desses músicos. dois já recorreram a estudos complementares na Universidade Federal da Paraíba (UFPB): . Acreditamos. em escolas de ensino especializado. eu e outro menino aqui (. não implicando que o músico tenha que abandonar seu trabalho com a banda de música. no conservatório da universidade. Dos quatro músicos mais antigos da banda Antônio Cruz entrevistados.“fiz uma prova lá na universidade. que a busca do aperfeiçoamento profissional e o interesse em ampliar horizontes para melhor desempenhar sua função devem ser metas de todos que almejam crescer em sua área de atuação.nosso ver.

portanto. 1982. 1982. Tomar consciência do valor cultural desta manifestação popular é lutar contra o crescente distanciamento entre a comunidade e a banda. por estarem menos expostas aos avanços tecnológicos e às forças manipuladoras da mídia. consequentemente mais fechadas às influências externas. com relação às bandas de música. onde o mercantilismo e as mudanças do mundo moderno são mais marcantes. A situação de crise em que se encontram as bandas de música. 27). p. por parte da comunidade. porém. devido às transformações sócio-político-culturais. A familiaridade da comunidade com a música e com todo o ritual de trabalho que envolve as atividades das bandas não é a mesma do passado. p. considerando que “a valorização da cultura de uma comunidade só tem sentido dentro de seu próprio contexto. a falta de integração entre a comunidade e a banda de música vem crescendo. econômicas e políticas despontam. pois as “transformações sociais. As oportunidades de ouvi-las tocar são. exigindo uma integração maior de toda a comunidade. Mesmo nos municípios do interior.CONCLUSÃO Percebemos atualmente uma certa indiferença. 62-63). Acreditamos que. principalmente nas capitais. E esta cultura (que dentro de seu próprio contexto nunca é exótica ou folclórica) é uma forma de resistência à industria cultural dos meios de comunicação de massa” (Tacuchian. cada vez mais raras. Isto explica o fato de as bandas de música interioranas serem mais atuantes junto à comunidade do que nas grandes capitais. leva-nos a refletir sobre uma importante questão: devemos tomar partido neste complexo processo de mutação que sofre a 37 . [e] as Bandas se encontram em crise” (Santos. um sentimento de pouca importância. as cidades do interior brasileiro valorizam muito sua cultura local.

são tratados com simplicidade e relativa superficialidade em conteúdos (os De um modo geral os alunos aprendem sem refletir ou questionar sobre o que estão aprendendo. 64-65) Esta questão sem dúvida merece reflexão. 15) que “a cultura é dinâmica e não há como ou porque evitar o processo de aculturação”. e a importância ou não de se tomar partido em situação desta natureza. p. Limitamo-nos. Tacuchian coloca uma série de indagações: “Intervir neste processo de decadência representaria a negação dos princípios anti-paternalistas da Animação Cultural? Seria desconhecer a dinâmica de evolução do processo cultural que se transforma diante de novas realidades sociais? Enfim. Questionando a atual função da banda de música na sociedade. 1982. Por exemplo. que foge aos propósitos do presente trabalho. a banda estaria anacrônica e investir em sua recuperação seria uma forma de ação romântica. ampliando assim os conhecimentos da sociedade.e prático . p. portanto. Ao mesmo tempo. sem perceber que ao pressionar as válvulas do 23 38 . no entanto. No processo de ensino-aprendizagem musical da banda de música Antônio Cruz.que.cultura de nossa sociedade? Lembra-nos Santos (1983. por outro contempla-o com uma vivência musical rica e intensa. o aluno pode aprender como tocar um trompete. por um lado. transparecem características do ensino técnico-profissionalizante. se resume em tocar as músicas do repertório da banda . que valoriza a imitação e o fazer técnico.centralizado em lições de solfejo . Se. capaz de transmitir informações. despreza o desenvolvimento cognitivo do aluno23. Os estudos teórico . é um processo ativo e participativo. desligada da realidade?” (Tacuchian. de um modo geral. a enfatizar os trabalhos de educação musical proporcionado pelas bandas de música. é uma discussão complexa e delicada.

sua eficácia em termos mais imediatos” (Conde e Neves. Com o maestro Manoel Felipe de Macena. É importante destacarmos que a simplicidade é uma qualidade inerente às bandas de música. a relação dos instrumentistas com os maestros . e isso fica bem claro nas palavras do maestro: “às vezes eu penso até em deixar [a banda]. Percebemos um certo autoritarismo por parte dos maestros. mas tenho saudades deles.” Essa integração entre os membros da banda. há uma grande integração. não devemos “buscar na banda de música. 48). de acordo com Conde e Neves (1984-85. ou “eu fiz a banda de música” (prof. qualidades e valores que não lhe são essenciais”. segundo Granja (1987). é influência das corporações militares24. apontam que a aprendizagem instrumental nas bandas de instrumento ele modifica o comprimento original do tubo na qual passa a corrente de ar . e pode ser verificado em frases do tipo: “nunca esses meninos deixaram de cumprir minha ordem” (maestro Manoel Felipe de Macena). “ao lado de aspectos hierarquizantes convivem padrões liberais de comportamento” (Granja. que desempenha função determinada na vida da comunidade. 1987. influi positivamente no resultado da aprendizagem musical. p. p. p. quanto elementos divergentes. e consequentemente nas execuções do grupo. com certeza. No entanto. Nosso estudo de caso trouxe tanto dados que se aproximam dos de outras pesquisas sobre bandas.no passado e no presente . não observamos valores hierárquicos.sempre foi de amizade e respeito mútuo. e que “o traço fundamental desta linha educativo-musical é. Alguns trabalhos.ampliando assim suas possibilidades de emitir freqüências. 39 .maestros são de opinião que assim devem ser). Ferreira). o que. 93). pelo que observamos em seu contato com os instrumentistas. como por exemplo Santos (1991). Entre os instrumentistas. sem dúvida. 49). No entanto. 1984-85.

A banda confirma o que colocam diversos estudos a respeito do contato instantâneo do aluno com o instrumento no aprendizado musical (cf. em geral. Granja e Tacuchian. e da passagem dos músicos de sopro por mais de um instrumento (cf. 48). a atividade educativa deve ser uma experiência agradável.servindo de instrumento decorativo de solenidades -. É importante que a banda Antônio Cruz se apresente regularmente. a atuação na banda. nos ensaios e nas apresentações. é iniciada com instrumentos de percussão. 19) 40 . Conde e Neves. 1982. p. que os aproximam da música. As apresentações. o contato com o instrumento. independente das tradicionais solicitações da prefeitura ou da igreja para que a banda toque . assim como a convivência entre amigos são momentos agradáveis para os alunos. Portanto. as retretas25 da banda estão se tornando raras nos últimos tempos. consideramos que esse contato da banda com a comunidade. oriundo das apresentações deve ser mantido. para tal. Santos. quando estes afirmam que “o prazer do fazer musical [nas bandas de música] está presente desde o início da aprendizagem”. na sua determinação em aprender e. Isso só aconteceu com 25% dos instrumentistas entrevistados da banda Antônio Cruz. 24 Os maestros entrevistados trabalharam em banda militar. Todos os instrumentistas entrevistados consideram as apresentações os momentos mais agradáveis com a banda. 1984-85). p. (Santos. Na banda de música Antônio Cruz. 1984-85) 25 “Exibição de uma banda em praça pública”. tal qual muitos regentes de bandas civis (cf. 1983). Esse aspecto está de acordo com os estudos de Conde e Neves (1984-85.música. Uma condição primária para uma sólida aprendizagem musical está no interesse do aluno. mas elas estimulam os instrumentistas a estudar e obter um melhor desempenho no instrumento.

ou. as bandas de “forró-eletrônico” .Iniciando jovens na aprendizagem musical e sempre disposta a tocar para a comunidade. com todas as dificuldades de trabalho e limitações de recursos . observamos através de nosso estudo que o domínio da mídia.como o radio e a televisão -. as opções por novos conjuntos musicais . é um exemplo de que as bandas estão “vivas” e que sua função social é insubstituível. ao nosso ver. Seu público é irrestrito.como as bandas de “axé-music”.são fatores que “abafam” as bandas de música. e as bandas de música nos “toquem” por inteiro. a manipulação cultural dos meios de comunicação de massa . a banda Antônio Cruz. não há distinção de raça. A banda Antônio Cruz. mais recentemente. mas não ao ponto de sobrepujá-las.condições tão comuns no universo das bandas de música -. Por fim. 41 . classe ou idade. Que “acordem os seus sons adormecidos”. cumpre sua função social. com seus oito anos de atuação. São séculos de resistência.

Movimento. CONDE.) (1985) Dicionário de música Zahar. Rio de Janeiro. 41-52. XX. São Paulo. Maria de Fátima Duarte e TACUCHIAN. p. Pesquisa e Música. Belo Horizonte. Bruno (1977) História da Música Brasileira: dos primórdios ao início do sec. (Revista do Centro de Pós-Graduação. GRANJA. Jorge Zahar.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ANDRADE. 42 .”. Movimento. William (1987) História Concisa da Música. Maria de Fátima Duarte (1987) “A banda de música como produção simbólica de uma cultura. Pesquisa e Especialização do Conservatório Brasileiro de Música). GRANJA. Martins Fontes. p. 89-94. Porto Alegre. Cecília (1984-85) “Música e educação não-formal.” Pesquisa e Música. N° 1/1. Maura (1995). Itatiaia. Pesquisa e Especialização do Conservatório Brasileiro de Música). Mário de (1987) Pequena História da Música. KIEFER. PENNA. Ricardo (1984-85) “Organização. (Revista do Centro de Pós-Graduação. Porto Alegre. N° 1/1. LOVELOCK. p. HORTA. (coord. Anais do II° Encontro Nacional de Pesquisa em Belo Horizonte. Imprensa Universitária. O ensino das artes na democratização da cultura. “Ensino conservatório” de música: para além das fronteiras do Da camiseta ao museu. KIEFER. Luiz Paulo (ed. Bruno (1981) História e Significado das Formas Musicais. Sandra Loureiro de Freitas Música. 27-40.” In: REIS. significado e funções da banda de música civil.).

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ANEXOS 44 .

4) Como se deu o processo de formação da banda de música civil Antônio Cruz? 5) De quantos músicos era composta a banda na sua origem? 6) A banda possuía indumentária uniformizada? 7) Qual era o instrumental da banda? 8) Quanto tempo permaneceu como regente desta banda? 9) Exercia atividade de educador musical na banda? 9.1) Como eram distribuídas as atividades educacionais? 9. 2) Profissão.ANEXO A: Roteiros das entrevistas Roteiro 1: entrevista aplicável ao maestro fundador 1) Nome.1) Qual o critério de escolha deste repertório? 11) A banda apresentava-se com regularidade? 11.3) Como era orientada a prática instrumental da banda? 9.4) O contato inicial do aluno era orientado para o instrumento ou noções teóricas básicas de escrita musical? 10) Como era constituído o repertório da banda na época de sua fundação? 10.1) Quais as ocasiões mais freqüentes? 45 . 3) Formação musical.2) Qual o conteúdo básico das aulas? 9.

1) Quais as ocasiões mais freqüentes? 46 . 2) Profissão.2) Qual o conteúdo básico das aulas? 9.1) Como são distribuídas estas atividades educacionais? 9.Roteiro 2: entrevista aplicável ao maestro atual 1) Nome.1) Qual o critério de escolha deste repertório? 11) A banda apresenta-se com regularidade? 11. 3) Formação musical.4) O contato inicial do aluno é orientado para o instrumento ou noções teóricas básicas de escrita musical? 10) Como é constituído o repertório da banda? 10.3) Como é orientada a prática instrumental da banda? 9. 4) Como se procedeu sua integração à banda de música Antônio Cruz? 5) De quantos músicos está composta a banda Antônio Cruz atualmente? 6) A banda possui indumentária uniformizada? 7) Qual o instrumental da banda? 8) Há quanto tempo você está como maestro desta banda? 9) Exerce atividade de educador musical na banda? 9.

um músico? 14) Cite um ou mais músicos que você admira. erudita. instrumental). 3) Escolaridade. internacional. 15) O repertório da banda Antônio Cruz é de seu agrado? 16) Gostaria que a banda executasse outras composições? Quais? 17) Você possui livros de música? Quais? 18) Como é preenchido o tempo que você destina ao estudo musical? 19) Que tipo de lições você estuda com o instrumento? 20) Você já compôs alguma música? 21) Você tem vontade de compor uma (ou várias) música? 22) Você ouve música costumeiramente? Onde. 47 . como e que tipo de música (popular.Roteiro 3: entrevista aplicável aos instrumentistas 1) Nome. 2) Idade. regional. 5) Há quanto tempo participa da banda de música Antônio Cruz? 6) Que instrumento toca na banda? 7) Como se realizou a escolha do instrumento? 8) Sua formação musical teve início na banda de música Antônio Cruz? 9) Caso a resposta anterior seja negativa. na sua opinião. onde iniciou sua formação? 10) Por que resolveu participar da banda? 11) O que você acha das aulas de música proporcionadas pela banda Antônio Cruz? 12) Pretende seguir tocando em banda de música futuramente? 13) O que é. 4) Profissão.

23) O que mais lhe agrada em suas atividades com a banda? 24) O que representa a banda de música na sua vida? 48 .

ANEXO B: Fotos Foto 01 Foto 02 49 .

Foto 03 Foto 04 50 .

Foto 05 Foto 06 51 .

Foto 07 Foto 08 52 .

Foto 09 Foto 10 53 .

Foto 11 Foto 12 54 .

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