You are on page 1of 34

Questões Dissertativas de Introdução à Filosofia

Aula 01

01) Que diferenciação podemos fazer do uso popular do termo


“filosofia” da atividade filosófica?

Resposta: Deve-se diferenciar a filosofia, enquanto atividade


intelectual do pensamento, do uso corriqueiro que se faz do termo
como visão de mundo, isto é, “filosofia de vida”. Ter uma “filosofia de
vida” de maneira alguma se equipara a fazer filosofia. Este tipo de
percepção está ligada à tendência atual de perceber a filosofia como
uma espécie de auto-ajuda sofisticada, que é uma percepção
equivocada sobre o que seja a filosofia. (p. 02)

02) Por que um problema filosófico não é empírico?

Resposta: Os problemas da filosofia são problemas perenes e não há


possibilidade de confirmação ou refutação observacional das possíveis
respostas. Quando um problema se mostra empírico, ele se mostra
como um problema científico, não filosófico. (p. 02)

03) Onde reside a importância do estudo da história da filosofia para


sua própria compreensão?

Resposta: O estudo da história da filosofia possibilita a percepção da


grande variedade de abordagens e perspectivas desenvolvidas pelos
inúmeros pensadores através dos tempos, assim como as várias
definições por eles dadas à filosofia. (p. 02)

04) O que há de comum às diversas abordagens históricas dos


problemas filosóficos?
Resposta: O diálogo constante, mesmo que com enorme distância
temporal; a argumentação, desenvolvida por meio das regras lógicas
do pensamento; a coerência, que foge da contradição com os fatos e
entre as idéias; o questionamento constante sobre tudo; e os
problemas, que permanecem os mesmos com respostas diferentes e
contraditórias ao longo do tempo. (p. 02)

Aula 02

01) O que significa dizermos que os primeiros filósofos tinham uma


“preocupação cosmológica”?

Resposta: A filosofia ocidental nasceu na Grécia, entre os séculos VII


e VI a.C., com uma preocupação eminentemente cosmológica. Os
primeiros pensadores gregos estavam tomados pela preocupação em
responder à questão da ordem do universo (cosmos). (p. 01)

02) Quais os mal-entendidos acerca da passagem do mito ao logos?

Resposta: Dentre os mal-entendidos comuns, pode-se destacar a


suposição de que a passagem do “mito” ao “logos” se deu de maneira
definitiva, com o abandono total de referências sobrenaturais, assim
como achar que a explicação filosófica é dotada de razão, ao passo
que o mito seria destituído dela. (p. 01)

03) Como a obra dos poetas gregos Homero e Hesíodo mostram as


características mutantes da sociedade grega durante o período de
passagem do mito ao logos?

Resposta: Na obra de Homero se evidencia a hierarquia dos deuses


gregos e percebe-se que, por mais que a vontade divina submeta o
curso da vida humana, esse processo de interferência não é
misterioso. Dada a grande preocupação com o arbítrio dos deuses, os
gregos antigos procuravam utilizar todos os processos naturais a seu
dispor para obter algum controle sobre a ação divina. Na Teogonia de
Hesíodo, tem-se a apresentação da árvore genealógica da mitologia
grega, desde os primeiros deuses até o apogeu e comando final de
Zeus. Expressas mitologicamente em termos de procriação e
consangüinidade, as idéias lógicas de implicação, dedução e
associação permeiam todo o texto do poeta. Assim, até mesmo os
deuses passam a fazer parte da mesma “natureza”, na qual, os
homens se encontram e começam a ser percebidos como submetidos
aos mesmos princípios.

Tanto na Ilíada quanto na Odisséia, Homero apresenta uma


concepção de virtude (areté) como um traço distintivo da origem por
nascimento do indivíduo; o aristoi é o nobre, e ele o é, porque possui
areté (virtude). Temos a expressão de uma sociedade aristocrata,
onde a virtude é de alguns em função do nascimento e isto os torna
superiores. Em Hesíodo, especificamente no poema Os trabalhos e os
dias, a virtude é resultado do esforço, do trabalho empreendido pelo
indivíduo; não é mais uma questão de sangue. Nesta sociedade,
qualquer homem pode ser virtuoso, contanto que se esforce para
isso. Homero é a voz de um mundo aristocrático e Hesíodo fala de um
mundo onde a experiência com os princípios democráticos começa a
acontecer.

A democracia supõe a igualdade entre indivíduos, isto é, estão no


mesmo nível quanto aos direitos políticos. A palavra, a opinião e o
voto dos iguais têm o mesmo valor dentro do grupo democrático. Mas
o mais importante é que uma vez que o voto iguala os homens, é
necessário convencer o outro de suas idéias. Mais do que nunca,
torna-se necessário desenvolver a argumentação, a lógica e a
retórica, que serão não somente instrumentos da prática política, mas
o instrumento do desenvolvimento intelectual (p. 01-02)
04) Em que a democracia grega era paradoxal em relação ao
entendimento que hoje temos de democracia?

Resposta: A democracia grega era restrita aos cidadãos adultos,


deixando de fora além dos escravos, jovens, mulheres e estrangeiros.
Quando existiu, a democracia grega foi acompanhada pela
escravidão. Para muitos gregos, a escravidão era uma condição
natural de alguns indivíduos. Assim, alguns indivíduos nunca estariam
no mesmo patamar que outros; como era o caso não só dos
escravos, mas também das crianças e mulheres. (p. 02)

05) Por que os filósofos pré-socráticos são também chamados


filósofos da natureza e são representantes do período de passagem
do mito à filosofia?

Resposta: A preocupação destes primeiros pensadores (physis) é


cosmológica, isto é, procuravam neste mundo um princípio que
explicasse sua existência e ordem, daí “filósofos da natureza”. De
alguns destes pensadores, pouco ou nada restou de seus escritos,
mas da leitura dos fragmentos que sobreviveram ao tempo, é
possível perceber como seu pensamento filosófico está permeado de
mito (religião), pois seus argumentos são apresentados como
verdade revelada pelos deuses. Em conjunto com um linguajar
poético, esta verdade revelada, ao mesmo tempo filosófica e
religiosa, é de difícil compreensão e exige uma hermenêutica
sofisticada. Mas suas explicações não fazem mais referência aos
deuses como sendo a causa única dos acontecimentos deste mundo.
(p. 04)

Aula 03

01) Qual a importância dos sofistas na história da filosofia?


Resposta: Modificaram a perspectiva do pensamento que até então
se centrava na questão sobre a natureza, a chamada questão
cosmológica, e se deslocou para a questão antropológica, a questão
sobre o homem e tudo que o envolve. Os sofistas além de serem
responsáveis por essa virada na percepção do pensamento, foram
responsáveis por: desenvolver a idéia de difusão do ensino (eram
professores remunerados) para todos e não só para alguns;
estabelecer com seu nomadismo (viajavam de cidade a cidade) uma
perspectiva cultural ampla; consolidar um espírito de liberdade de
pensamento; despertar o interesse pela linguagem, revalorizando a
retórica e a lógica. (p. 01)

02) Qual a razão da conotação negativa que o termo “sofista”


adquiriu?

Resposta: Foram mal aceitos pela sociedade ateniense, que não via
com bons olhos estrangeiros que vendiam o conhecimento,
apresentavam novos e diferentes costumes e que, em geral, não
acreditavam na verdade e na possibilidade de se atingir um
conhecimento certo. Estas posições levaram pensadores como
Sócrates, Platão e Aristóteles a realizar uma crítica das idéias dos
sofistas. Aliado a isto, está a ligação do nome aos ensinamentos de
um grupo deles preocupados apenas com técnicas de convencimento
político e persuasão pessoal. (p. 01-02)

03) Qual a importância da alma para o pensamento de Sócrates?

Resposta: Para Sócrates, o homem se define em função de sua alma


(psyché) e não de seu corpo; a matéria corporal atrapalha o pleno
desenvolvimento da alma que é a fonte do que o homem tem de
característico, a razão. Acreditando na imortalidade da alma humana,
compreendia a filosofia como uma preparação para a morte, uma vez
que esta propiciava o aprimoramento do espírito, em detrimento da
satisfação corporal. Preparada, a alma se livra do corpo e passa a
viver em um mundo livre da matéria. (p. 03-04)

04) O que caracterizava o método socrático de ensinar?

Resposta: Sócrates acreditava que todos possuíam já dentro de si a


verdade eterna e única e o conhecimento não era adquirido, e sim,
lembrado. Esse método socrático, denominado maiêutica, era
dialético e irônico, pois trabalhava para promover uma síntese a
partir de posições contrárias e com o uso do gracejo; Sócrates
procedia por meio de uma série de perguntas que desfaziam a ilusão
do conhecimento tradicional e impensado (refutação), e procuravam
construir, a partir do reconhecimento da ignorância, o conceito a ser
estudado. A dialética procedia de definições menos adequadas, ou de
exemplos particulares, até a definição universal. Ou seja, do
raciocínio particular para o universal. Neste sentido, a sabedoria
consiste em se reconhecer ignorante. (p. 04)

05) No que consiste o chamado “problema socrático”?

Resposta: Como nada escreveu, o pensamento de Sócrates deve ser


percebido dentro dos escritos de seus discípulos, que sobre ele
escreveram apresentando visões diversas e desenvolvendo escolas
filosóficas de inspiração socrática. O principal de seus discípulos foi
Platão, que escrevia diálogos nos quais Sócrates era sempre sua
personagem principal. Reside nessa situação a dificuldade de
diferenciar o que pensamento de Sócrates e o que é pensamento de
Platão colocado na boca da personagem Sócrates. Além dos
discípulos, Aristófanes, comediógrafo grego contemporâneo de
Sócrates, escreveu As nuvens, onde ridiculariza Sócrates como um
sofista. (p. 04)

06) O que caracteriza a teoria das idéias de Platão?


Resposta: Platão defendia a existência de um mundo das
idéias/formas. Esse mundo eterno, perfeito e imaterial é o modelo do
mundo material perecível em que vivemos e que é composto por
cópias imperfeitas das idéias (formas). Existe uma hierarquia no
mundo perfeito da idéias e, em função disso, inúmeras relações entre
elas podem ser traçadas. (p. 05)

07) Qual o reflexo da teoria das idéias para a concepção de


conhecimento no pensamento de Platão?

Resposta: Platão distingue a episteme (conhecimento) da doxa


(opinião). Na episteme se tem o conhecimento verdadeiro e confiável,
em contrapartida, na doxa, o mutável e inconsistente. O objeto do
conhecimento deveria ser real e seguro, o que não podia ser
garantido pelas coisas que percebemos pelos sentidos, mutáveis.
Assim, o objeto do conhecimento não são as coisas físicas, mas as
Idéias imutáveis. Há em Platão a “reificação” dos objetos do
conhecimento, isto é, são coisas, mas o são de maneira diferente das
coisas materiais. Como Platão assume a posição socrática de
inferioridade da matéria - que é amorfa (sem forma) e só possui
determinação por que é limitada pelas formas/idéias -, a alma é o
elemento eterno e espiritual aprisionado no corpo, que teve sua
origem no mundo das idéias. As almas perceberam, então, as idéias
em sua perfeição e, após sua prisão em um corpo cujas janelas são
os sentidos, as almas conhecem por reminiscência (lembrança), pois
identificam as formas das coisas com as idéias eternas específicas.
Essa percepção ocorre com o uso da razão, já que os sentidos,
porque são materiais, falham constantemente e nos fornecem apenas
opinião (doxa) e não a ciência (episteme), fornecida somente pela
razão. (p. 05)

08) Qual a visão de sociedade perfeita defendida por Platão, em


especial em sua obra República?
Resposta: Em sua interpretação do mundo social, Platão via com
desconfiança a democracia, uma vez que foi nesse sistema de
governo que Sócrates foi condenado à morte. A sociedade ideal de
Platão possuía três estratos: trabalhadores, guerreiros e magistrados,
cada um deles composto por indivíduos que já nasciam com um tipo
de alma com a predisposição a um dos tipos de atividade. As uniões
são permitidas e determinadas pelo Estado, que escolhe os cidadãos
com a beleza, inteligência e destreza suficientes para procriar. As
crianças são criadas e educadas em conjunto, em separado dos pais,
para que sejam formadas em hábitos saudáveis. Nessa sociedade, os
que se destacam em inteligência farão parte da classe dirigente, a
dos chamados "reis-filósofos". (p. 06)

09) Qual a diferença central do pensamento de Aristóteles do de seu


mestre Platão?

Resposta: Foi a crítica e recusa da existência do "mundo das idéias".


Para Aristóteles, as idéias não se encontram em um mundo em
separado; as idéias são produto da abstração que a mente faz do que
é percebido pelos sentidos. Só há este mundo material no qual
vivemos, e assim, os sentidos não são de todo enganadores, pelo
contrário: são a porta de entrada de qualquer conteúdo que a razão
trabalha. O que ocorre é que nossa razão passa, em um processo de
gradativa complexidade e abstração, daquilo que é material para
aquilo que não é. Desse modo, as idéias são resultado da apreensão
daquilo que há de essencial nos objetos do mundo, aquilo que os
define no que são. A idéia de "cadeira" é uma abstração daquilo que
faz de alguns objetos cadeiras. (p. 07)

10) No que o pensamento de Aristóteles é uma retomada do tema


cosmológico iniciado pelos pré-socráticos?
Resposta: Aristóteles desenvolve a física e a metafísica iniciadas
pelos pré-socráticos. Determina a análise do mundo pelo que ele tem
de geral, desenvolvendo os conceitos de causa (material, formal,
eficiente, final), substância, acidentes, ato, potência, etc. Dentro de
sua perspectiva, o ser humano é definido como uma composição de
matéria e forma, onde seu corpo é a matéria e sua alma é sua forma.
A alma é princípio de vida e qualquer ser vivo possui um tipo de
alma. Só o ser humano tem alma intelectiva, responsável por sua
capacidade racional, além das almas vegetativa (permite a
alimentação) e locomotora (permite o movimento). Em algumas
partes da obra de Aristóteles, ele dá a entender a possibilidade de a
alma intelectiva ter existência desvinculada do corpo, mas em outras
fala da indissociabilidade entre corpo e alma. (p. 07)

11) O que caracteriza a ética aristotélica e como ela está ligada à


política?

Resposta: Considerando que o ser humano se distingue dos demais


animais por sua racionalidade, o fim do ser humano deve satisfazer
essa característica. Todos os indivíduos desejam a felicidade,
compreendida das mais diversas formas, mas apenas o
desenvolvimento do intelecto e das virtudes propicia a máxima
felicidade, o que não caracteriza um desprezo aos aspectos corporais,
pois, para Aristóteles, as necessidades materiais têm de ser
satisfeitas para atingirmos a contemplação. Só se atinge a felicidade
por meio da virtude que é uma disposição para agir prudentemente
entre posições extremadas. Segundo Aristóteles, a ação é imperfeita
por falta ou por excesso e a virtude está no meio. Ao mesmo tempo
em que o ser humano é um animal racional, também é um animal
político, social; o ser humano somente consegue sobreviver em grupo
e é nele que pode desenvolver sua potencialidade. A pólis (cidade) é
uma extensão natural do primeiro núcleo social, a família. Sendo
assim, o indivíduo tem na política, na arena social, o ambiente
propício para o desenvolvimento das virtudes. A política é vista como
uma extensão da ética, pois o Estado existe para o bem-comum e é
necessário à felicidade. (p. 07-08)

Aula 04

01) O que caracteriza os estóicos, os epicuristas e os céticos (escolas


de filosofia do período helenístico)?

Resposta: Os estóicos defendiam a apatia, isto é a eliminação dos


desejos como caminho da felicidade; os epicuristas procuravam a
ataraxia, ausência de preocupações e perturbações, e um equilíbrio
dos prazeres; e os céticos desconfiavam não somente da
compreensão do que leva à felicidade, mas também duvidavam da
possibilidade de se atingir a verdade. (p. 01)

02) O que no Cristianismo foi responsável pela aversão primeira


causada nos pensadores gregos e romanos?

Resposta: O mundo greco-romano rejeitou o cristianismo por causa


de sua mensagem universal e monoteísta, sua nova idéia de amor
(caridade), sua concepção de virtude, a idéia da encarnação divina na
figura de Cristo, a importância da liberdade humana como fonte da
responsabilidade moral e o sentido exterior ao mundo da vida
humana. (p. 02)

03) Qual a razão do nome “patrística” dado à primeira filosofia


cristã?

Resposta: Os pensadores cristãos encontraram na filosofia o


instrumento para a defesa racional de sua fé. Os chamados Padres
Apologistas tinham como preocupação a defesa sistemática da fé
cristã frente aos ataques da filosofia pagã; em razão disso a filosofia
dos primeiros séculos do cristianismo foi chamada Patrística
(pater=pai). (p. 02)

04) Como Agostinho tratou a questão do mal?

Resposta: Agostinho negou a existência do mal como uma


substância. O maniqueísmo defendia que o universo é regido pelos
princípios do bem e do mal, ambos com existência real. Segundo
Agostinho, o mal é privação do bem. Ele deslocou o mal do campo
cosmológico e da constituição do mundo, para o campo ético, o agir
humano. Foi grande defensor da idéia do livre arbítrio em
contraposição ao fatalismo do pensamento greco-romano. (p. 03)

05) Por qual razão a filosofia medieval posterior ao século XIII se


chamou “escolástica”?

Resposta: A partir do século XIII, dois tipos de corporações


existiam: a de estudantes, universitas scholarum (Bolonha), e a de
professores e alunos, universitas magistrirum et scholarum (Paris).
Era o aparecimento da universidade pela reunião das escolas. Os
títulos, até hoje existentes, são o resultado de privilégios
conquistados pelos cooperados, que na universidade já não se
diferenciavam mais pelo nascimento, mas pela capacidade
intelectual; formaram um grupo heterogêneo que se distinguia do
resto da sociedade. Nas escolas e universidades era produzida a
cultura de então; daí o nome da filosofia da época, Escolástica. (p.
04)

06) Como Tomás de Aquino tratou o problema das relações entre fé


e razão?

Resposta: Tomás de Aquino se preocupou em estabelecer as


relações entre fé e razão. Para ele, a razão e a fé são modos distintos
de se conhecer, mas não podem se contradizer. A razão é incapaz de
compreender por si só os mistérios revelados, mas presta um serviço
inquestionável à fé, demonstrando, ilustrando e defendendo. (p.05)

Aula 05

01) Que condições históricas, sociais e culturais diferenciaram o


Período Moderno do Medievo?

Resposta: Inicia-se a constituição dos Estados nacionais europeus, o


que é a superação do sistema feudal, com seu poder político
desagregado. A filosofia desvincula-se da teologia, adquirindo
autonomia e tratando de uma quantidade maior de temas e
perspectivas. O período moderno se mostra fecundo de descobertas
científicas e técnicas observacionais que aumentam o campo de visão
da humanidade. As descobertas de novas terras - financiadas pela
burguesia que havia custeado também o aparecimento dos Estados -
ampliam a percepção cultural do homem moderno. A modificação do
sistema social estabelece cada vez mais as relações econômicas como
as principais dentro do grupo social; as relações pessoais são
relegadas a um plano secundário. As relações com Deus,
intermediadas pela Igreja, passam a ser contestadas. (p. 01)

02) Por que chama-se “dúvida metódica” a tentativa de Descartes


refundar a filosofia em novos termos?

Resposta: Descartes via na matemática o modelo que deveria ser


seguido pela filosofia. Os avanços que a astronomia e a física
obtiveram com a utilização da matemática instaram Descartes a
estabelecer uma filosofia baseada na razão e em princípios
incontestáveis. Em sua procura pelo ponto de partida que garantiria o
conhecimento correto, o pensador francês começa um processo de
dúvida que tinha como objetivo descartar qualquer coisa que pudesse
ser objetável; é o que se convencionou chamar "dúvida metódica",
pois era apenas um caminho para a certeza, não uma desconfiança
quanto às possibilidades do conhecimento humano. (p. 03)

03) Qual o ponto de partida (a certeza absoluta) da filosofia


cartesiana?

Resposta: A certeza absoluta a que Descartes chega é a constatação


da própria existência como ser pensante (res cogitans), o que
traduziu em sua frase mais famosa: se duvido, é porque penso, e
se penso, existo (cogito ergo sum). A certeza da existência da alma
possibilitará a reconstrução do conhecimento humano. (p. 03)

04) Por que a filosofia de Descartes é dita dualista?

Resposta: Em sua filosofia, Descartes distingue duas substâncias no


mundo: a res cogitans, "a coisa pensante" (alma), e a res extensa, "a
coisa extensa" (matéria). O mundo, que é matéria, se rege por leis
mecanicistas, como as engrenagens de um relógio. A alma não é
regida por essas leis e, no pensamento de Descartes, as relações
entre corpo e alma são apenas ocasionais, pois não se influenciam
mutuamente. (p. 02)

05) Qual a relação, no pensamento de Hobbes, entre sua concepção


antropológica (de ser humano) e sua filosofia política?

Resposta: Hobbes defende que apenas existe a substância material,


ou seja, aquilo que pode ser percebido pela mente humana através
dos sentidos. Esse ser material, que é o homem, tem como traço
natural o egoísmo. Seu estado natural é o da "guerra de todos contra
todos", mas sua racionalidade faz ver que a existência da sociedade
lhe propiciaria uma vida mais longa e segura. Entrega, após um
contrato natural tácito, seus direitos naturais nas mãos de um poder
soberano, que passa a exercê-los de maneira despótica para garantir
a existência da sociedade e a preservação de seus membros. (p. 04)

06) Por que a idéia de democracia representativa está ligada ao


pensamento de Locke?

Resposta: Locke é um contratualista, mas não acredita que em


estado natural a situação seja a de guerra de todos contra todos.
Locke argumenta que pela própria condição racional, as pessoas
decidem por estabelecer um pacto implícito para a constituição da
sociedade. Ao ceder parte de seus direitos para o governo, essa
cessão não é incondicional; se o governante não prestar contas de
suas obrigações para com aqueles de onde emana seu poder, então,
ele perde a representatividade, pode ser destituído e substituído. (p.
05)

07) O que caracteriza Hume como um filósofo empirista?

Resposta: Hume, como os demais empiristas, defendia que a única


fonte de idéias em nossa mente eram os sentidos. Aquelas
percepções mais próximas no tempo e no espaço formam as
impressões, que possuem mais força e vivacidade. Quando essas
impressões não possuem mais as percepções para lhes garantir a
força, se tornam idéias guardadas na memória, mais fracas e tênues.
(p. 06)

08) O que é a alma/mente para Hume?

Resposta: A mente humana liga idéias vindas da percepção e cria


seres imaginários. A alma humana é apenas o conjunto dessas
impressões e idéias e, uma vez que cessa a atividade dos sentidos,
cessa a alma. (p. 06)

09) Que crítica Hume faz à ideia tradicional de causalidade?


Resposta: Na opinião de Hume, nossa mente tem por hábito criar
relações entre fenômenos observados, isto é, estabelece uma relação
que não está no fato em si, mas apenas na nossa disposição em vê-
los assim. A relação de causalidade - básica para a ciência - é uma
construção mental, não a apreensão da realidade. Todo conhecimento
é conjetural, uma interpretação que a mente humana realiza sobre os
fenômenos individuais que observa. (p. 06)

10) O que é o conhecimento para Kant?

Resposta: Segundo Kant, a intuição sensível nos fornece os


fenômenos indeterminados, o que por si mesmo não constitui
conhecimento, dado serem percepções específicas sem traços de
universalidade e necessidade. O conhecimento somente se constitui
pela organização dos dados da intuição sensível por um elemento a
priori que lhes dá forma e ordem. Esta estrutura racional ordenadora
é uma lógica do entendimento e é vazia em si mesma, sem conteúdo.
Sua função é objetivar o dado sensorial fornecendo a síntese (união)
entre o particular sensorial e a universalidade da estrutura a priori
que permite a própria constituição do conhecimento. Tanto espaço e
tempo – formas a priori da intuição sensível que ordenam os
fenômenos percebidos – quanto as categorias – conceitos puros que
permitem a ligação dos fenômenos – constituem, ao mesmo tempo, o
modo próprio daquele que conhece e o objeto conhecido. (p. 07)

11) Que posição Kant toma em relação à existência de Deus?

Resposta: Deus não pode ser conhecido pela razão, pois está além
de seus limites. Entretanto, Kant argumenta que a razão, quando se
refere ao agir, deve pressupor a existência da liberdade, da alma e de
Deus, sob pena de não possuir critérios para determinar o
comportamento, a responsabilidade e a punição. (p. 08)
Aula 06

01) Que críticas Hegel fazia ao pensamento de Kant?

Resposta: Hegel criticava a idéia de Kant segundo a qual temos


acesso ao fenômeno, mas não temos acesso ao númeno, a coisa em
si. Para Hegel, não podemos nem mesmo afirmar a existência da
coisa em si; nosso conhecimento se resume às idéias em nossa
mente, em nossa consciência. Na filosofia de Hegel tudo que é
racional é real e tudo que é real é racional, isto é, não há separação,
como em Kant, das esferas teórica e prática. (p. 02)

02) O que é a dialética hegeliana?

Resposta: Em Hegel, há uma identidade entre o pensamento e a


realidade; as regras do pensar são também as regras do mundo.
Essas regras são regidas pelo princípio de contradição, que afirma
que nada é idêntico a si mesmo e tudo se subordina à afirmação e à
negação; é a dialética hegeliana que se mostra como princípio de
ordenação do mundo material, da história da humanidade e,
principalmente, como processo pelo qual o Espírito (Deus) se
desenvolve e se mostra. Assim, Hegel vê sua época - em todos os
seus aspectos econômicos, políticos, religiosos, artísticos, científicos e
filosóficos - como o momento de culminância do processo dialético de
desenvolvimento do Espírito; dessa posição, Hegel advogava o "fim
da história", no sentido de que a partir de então, nada mais haveria
de relevante a ser revelado. (p. 02-03)

03) Por que se afirma como existencialista o pensamento de


Kierkegaard?

Resposta: O que é primário para todo ser é sua existência e é nela


que o indivíduo de define. A existência, Kierkegaard a define como a
subjetividade derivada da escolha. Assim, no pensamento do
dinamarquês é correto se referir aos existentes com suas existências
deliberativas, e não à “existência” em si mesma. Não há essência do
ser humano; ela é construção existencial de cada indivíduo, que faz a
si mesmo durante sua vida. Percebendo o quanto a posição única da
existência do indivíduo causa angústia e desespero, Kierkegaard
indicava como solução o salto no absurdo da fé, que possui princípios
incompreensíveis à razão. (p. 03)

04) Qual a crítica de Nietzsche à visão da religião (em especial, o


cristianismo) e o que ele advoga em seu lugar?

Resposta: Os homens fracos e incapazes se defendem frente


àqueles que são superiores por meio de duas armas poderosas: a
moral e a religião. Assim como todas as grandes religiões, o
Cristianismo prega uma moral de cordeiros onde os medíocres - a
maioria das pessoas - oprimem aos superiores; os pobres, fracos e
humildes merecem tudo e aos fortes, orgulhosos e aristocráticos é
reservada a condenação. Nietzsche prega o advento do super-
homem, aquele que é senhor de sua própria vontade, criador de sua
própria moral. Uma vez que "Deus está morto", somente aquele que
é superior aos demais tem a capacidade de assumir sua vontade, até
então aprisionada. Esse homem está "além do bem e do mal", porque
não é mais a sociedade que lhe impõe o certo e o errado, mas é ele
que cria as virtudes necessárias a sua vida. (p. 03-04)

05) O que caracteriza o positivismo de Comte?

Resposta: Para Comte somente a observação é fonte de


conhecimento científico e todos os demais conhecimentos não
passam de ilusão, são “metafísica”. O termo "metafísica" adquire uma
conotação pejorativa dentro do positivismo, fruto da crítica ao
conhecimento humano nascida com a modernidade. O positivismo
defendia a idéia de progresso contínuo e irreversível da humanidade
(as civilizações passam por três fases de desenvolvimento), cuja face
mais visível era o desenvolvimento da ciência e da técnica. Assim
como a física tinha a função de explicar o mundo físico, uma
disciplina própria deveria cuidar do mundo social, que deveria ser
explicado por leis similares às das ciências naturais. Era a física
social, dividida em estática social e dinâmica social. A primeira
tratava da ordem social e a outra do progresso social. (p. 04)

06) Qual a relação que o pensamento de Marx mantém com o


pensamento de Hegel?

Resposta: Ao mesmo tempo que nega o hegelianismo - afirmando


que não há o Espírito, somente a matéria -, mantém do pensamento
de Hegel o esquema dialético de desenvolvimento da matéria e da
humanidade. A luta de classes, na filosofia de Marx, desempenha o
papel visível de contraposição dos contrários que resulta em uma
situação síntese que conterá dentro de si mesma sua contradição. A
filosofia dentro da perspectiva marxista possui a função de incitar a
mudança; não basta entender o mundo, é necessário modificá-lo. (p.
05)

07) Qual a mecânica de transformação da realidade material e social


defendida por Marx?

Resposta: Em consonância com o positivismo, Marx assume a crença


no progresso inevitável da humanidade. As leis dialéticas são leis da
matéria e por isso mesmo, determinantes de uma mudança contínua.
A situação do modo de produção capitalista produz as condições para
superação desse mesmo sistema, pois o capitalista maximiza os
lucros através da exploração do trabalho do proletariado, mas isso
tem um limite na capacidade física do trabalhador. O capitalismo
aumenta a produção e os lucros maximizando a técnica, que exige
cada vez menos trabalho assalariado, aumentando a produtividade.
Ao mesmo tempo, desemprega uma massa de trabalhadores que não
terá renda para consumir, o que leva a crises sucessivas de excesso
de produção. Nesse momento, o proletariado assume o poder,
preparando o caminho para a sociedade comunista, onde cada um
receberia conforme suas necessidades e contribuiria conforme suas
capacidades. (p. 06)

08) O que caracteriza o pragmatismo?

Resposta: O princípio básico é de que a verdade se define pelo


critério da ação bem sucedida; o que dá resultados determina a
aceitação como verdadeiro. O pragmatismo afirma de maneira clara
que o método pragmático consiste no estudo de várias doutrinas do
ponto de vista de suas conseqüências práticas e seus resultados. (p.
06)

09) O que é o “critério de demarcação” defendido pelos


neopositivistas (positivismo lógico)?

Resposta: Esse critério estabelece que somente proposições


(sentenças) que possam ser reduzidas ao que é observacional
possuem significado. Se uma proposição não se verifica por
observação, ela é destituída de sentido; sentenças não verificáveis
são sentenças metafísicas. Segundo os positivistas lógicos, somente
são consideradas ciências aquelas áreas de conhecimento, cujas
sentenças são verificáveis. (p. 08)

10) O que é a filosofia para os neopositivistas?

Resposta: Os positivistas lógicos chamavam a atenção para o fato


de que a linguagem comum não seria adequada para o conhecimento
científico; defendiam, então, que somente uma linguagem artificial
lógica e simbólica poderia tratar do conhecimento. O trabalho da
filosofia estaria resumido à análise da linguagem das ciências por
meio da lógica simbólica. Era essa linguagem que propiciaria a
unificação das ciências, um ideal dos neopositivistas. (p. 08)

11) O que é o falsificacionismo defendido por Karl Popper contra o


critério de demarcação dos neopositivistas?

Resposta: Popper defendeu um novo critério de demarcação, que


segundo ele, não estaria na verificação, mas no caráter falsificável de
uma teoria. Somente uma teoria que se coloca à prova - dizendo
exatamente o que admite ou não e como isso pode ser testado - é
tida como científica. Teorias que nunca podem ser falsificadas são
teorias metafísicas. Mas, ao contrário dos positivistas lógicos, Popper
não dizia que teorias metafísicas não possuíam sentido; eram plenas
de sentido e muitas vezes fonte de teorias científicas. (p. 09)

12) O que é a filosofia para Wittgenstein em sua segunda fase?

Resposta: Wittgenstein defende a idéia de que o trabalho da filosofia


é o de análise da linguagem comum; somos assombrados por
fantasmas que nossa linguagem cria e a filosofia deve exorcizá-los,
isto é, a filosofia é terapia lingüística que revela os significados. Nós
estamos inseridos em diversos jogos de linguagem e somente por
meio do contexto podemos apreender os significados. (p. 09)

Aula 07

01) O que Aristóteles entendia por “filosofia primeira”?

Resposta: A "filosofia primeira", ou metafísica, seria a área da


filosofia que abordaria as causas primeiras de toda a existência, o ser
em si mesmo, que Aristóteles identificava com Deus. Em sua
perspectiva, a metafísica equivalia a uma teodiceia, uma ciência de
Deus, a primeira causa incausada de toda existência. (p. 02)
02) Que tipos de problemas são próprios da metafísica?

Resposta: De maneira introdutória pode-se dizer que a metafísica


trata dos problemas do ser e da existência. O que existe? O que
define a existência específica de algo e do todo? Que tipo de
existência pode-se advogar da essência das coisas? Existem causas e
quais? O que é necessário e o que é contingente? Todas estas são
questões metafísicas. (p. 02)

03) Como a morte está relacionada ao problema metafísico do


sentido da vida?

Resposta: A razão da existência pessoal e da existência é um


problema metafísico e com reflexos imediatos para o nosso viver
cotidiano, como por exemplo, os objetivos que você traça em sua
vida e as ações que realiza para alcançá-los. Em especial este
problema se coloca quando o homem se defronta com condição
mortal. A morte apressa as questões acerca do significado da vida,
além da definição de que é algo bom ou ruim. Procurar sentido no
que fazemos pode estar nos desejos pessoais, nas preocupações
sociais, ou em algo fora desse mundo. Alguns filósofos argumentam
que não há sentido na existência pessoal, que se daria pelo acaso e
demandaria a produção livre e pessoal de um significado, sob pena
de se admitir até mesmo o suicídio como resposta à falta de
significado da existência. (p. 03)

04) O que dizem aqueles que advogam a subjetividade do sentido da


vida?

Resposta: Mesmo que se produza significado, este é apenas


subjetivo, pois o universo demonstra uma indiferença constante à
existência e ao que o ser humano produz, já que tudo será
consumido pelo tempo e desaparecerá para sempre, mesmo as
lembranças que tenham de nós e de nossas ações. Talvez o ser
humano não devesse se preocupar tanto com sua existência como
um ser único, achando que ele é especial. (p. 03)

05) O que é a epistemologia e do que trata?

Resposta: A epistemologia, ou teoria do conhecimento, trata de


todas as questões acerca do conhecimento humano: como procede;
de onde parte; seus limites; seus tipos. Ao procurar conhecimento,
pretende-se encontrar crenças verdadeiras justificadas. Dentro desta
definição encontram-se dois conceitos que devem ser clarificados:
verdade e justificação. (p. 04)

06) Sobre o problema epistemológico da verdade (o que é?), quais


são as teorias expostas no texto?

Resposta: Existem diversas "teorias da verdade", em outras


palavras, teorias que definem o que é a verdade. Dentre elas temos a
mais comum, que podemos chamar de "teoria da correspondência"
ou "teoria especular". O termo "especular" se refere a espelho, pois
supõe que os conhecimentos que cada pessoa possui se espelham a
realidade ou correspondem ao mundo como ele é. Assim, verdadeira
é a crença que reproduz a estrutura do mundo e falsa é a crença que
não reflete esta estrutura. Uma outra teoria é a pragmatista.
Segundo esta teoria, a verdade é uma característica provisória das
crenças, ou seja, enquanto estas produzem o resultado esperado em
termos de finalidades práticas, elas sustentam o status de
verdadeiras. Esta posição está freqüentemente ligada ao
instrumentalismo em ciência, que percebe as teorias científicas como
instrumentos de manipulação da realidade que podem ser
substituídos. (p. 04)

07) Quais são as exigências epistemológicas de uma afirmação


justificada?
Resposta: Quanto à justificação, sua definição está ligada ao tipo de
conhecimento que se pretende advogar, o procedimento necessário
para atingi-lo e as evidências relevantes. A justificativa deverá
possuir não só uma argumentação logicamente correta, mas também
apresentar fatos plausíveis e não contraditórios em defesa do que se
pretende afirmar como verdade. A plausibilidade dos fatos aventados
e das crenças deve obedecer também ao critério de coerência. A
exigência de coerência é a necessidade de que o conjunto de nossas
crenças não inclua crenças contraditórias. (p .05)

08) Por quais razões a filosofia da ciência se tornou área importante


da epistemologia (teoria do conhecimento)?

Resposta: O conhecimento científico, em especial o das ciências


naturais, se desenvolveu enormemente a partir do início da
modernidade com a Revolução Científica e a Revolução Industrial,
tributária da primeira. A ciência se tornou, durante o século XIX e
ainda hoje para alguns, o conhecimento privilegiado. A ciência tem
uma enorme importância na sociedade de hoje, o que pode ser
apreciado ao notar o grande interesse e dependência que se possui
das questões científicas e tecnológicas. Aos filósofos interessam
indagar o que caracteriza o conhecimento científico, seu método ou
métodos, suas teorias e a realidade da qual pretende falar. (p. 06)

09) O que o ceticismo advoga?

Resposta: O ceticismo chama atenção para o fato de que


constantemente o ser humano erra: nosso raciocínio se mostra
errado, somos enganados pelos sentidos, confundimos sonho e
realidade, e nossas teorias estão permanentemente se mostrando
falhas. Em suma, não podemos dar crédito às nossas percepções e
crenças, pois não possuímos garantia alguma da correção delas; no
máximo podemos afirmar que temos opiniões acerca do mundo,
nunca conhecimento de como ele realmente é. (p. 07)

10) O que é a ética e quais os problemas de que trata?

Resposta: As questões éticas são relativas ao agir humano. O que é


certo fazer? O que não devemos fazer? Qual ou quais são as fontes
da moralidade? Há alguma relação entre o certo e o útil? A felicidade
pessoal é a justificativa final das ações humanas? Além das questões
éticas de cunho geral referidas acima, existem as questões mais
específicas, relativas à época em que se vive, em especial aquelas
que dizem respeito à vida. (p. 07)

11) O que são o relativismo e o subjetivismo moral?

Resposta: O relativismo moral. A percepção de que existem variadas


concepções morais que variam com o tempo, o lugar e os grupos é a
base do relativismo moral. Ao se prestar atenção à história da
humanidade percebe-se como os diferentes povos e civilizações
possuíam concepções contraditórias acerca do certo e do errado;
quando se observa as sociedades hoje existentes, pode-se notar que
a percepção do bem e do mal também varia muito. A conclusão
destas observações para o relativista moral é a de que a norma moral
depende da sociedade em que se vive; o que é certo é aquele tipo de
ação que a sociedade procura incentivar ou toma como normal, e o
que é errado é a ação que aquela sociedade tenta coibir. Deste modo,
para o relativista moral não podemos condenar moralmente as ações
de determinado povo, pois este está simplesmente fazendo aquilo
que pensa estar certo. Qualquer tipo de repreensão moral seria
derivada de uma atitude etnocêntrica. A posição chamada
"subjetivismo moral" é uma derivação do relativismo, pois defende
que o certo e o errado são relativos ao sujeito, isto é, é aquilo que o
indivíduo toma como o melhor e o pior para ele. (p. 08)
12) No que as mais variadas críticas ao relativismo moral coincidem?

Resposta: Há uma coincidência nas diversas respostas dadas ao


relativismo moral, mesmo quando estas respostas não derivam
teorias éticas comuns. Platão, Aristóteles, os filósofos cristãos da
Idade Média, os racionalistas modernos, os empiristas, os
utilitaristas, Kant e diversos outros pensadores não coincidiram em
suas propostas de uma teoria ética definidora do certo e do errado no
agir humano, mas todos eles coincidiram em suas críticas ao
relativismo e na possibilidade de chegarmos racionalmente ao que
usualmente chamamos de "regra áurea", uma norma moral universal.
Nisto estão ao lado das maiores tradições religiosas da história da
humanidade. As críticas ao relativismo e ao subjetivismo estão
centradas na idéia da impossibilidade de crítica moral, de educação
moral e reforma social ao admitirmos a posição relativista. Segundo
os críticos do relativismo, basta que você se pergunte quais seriam as
razões para condenar um ato em um grupo social diferente do seu ou
em um subgrupo social da sociedade em que se está inserido. (p. 08-
09)

13) Qual o problema com o subjetivismo moral?

Resposta: Imagine você se o certo e o errado fossem os objetos do


desejo dos indivíduos. A responsabilidade moral, assim como a
imputação de culpa, não poderiam ocorrer dentro da sociedade.
Novamente, como pais e educadores agem? Dizem a seus filhos e
alunos "façam o que desejam"? A idéia de educação moral está
justamente baseada no controle dos desejos subjetivos. (p. 09)

14) Qual a tentativa kantiana para controlar o subjetivismo moral?

Resposta: Há uma tentativa, com base no pensamento de Kant, de


controlar o subjetivismo. Esta teoria faz referência ao conceito de
"observador ideal". Um dos principais pensadores contemporâneos
que advoga esta posição teórica foi o filósofo americano John Rawls
em seu livro "Uma teoria da Justiça". Ao decidir sobre a ação, o
indivíduo deve se colocar na posição de um observador ideal que
procuraria ter o máximo conhecimento possível sobre a ação a ser
realizada – inclusive as possíveis conseqüências – e procurar agir
com total imparcialidade nas ações, isto é, levando os interesses de
todas as pessoas – incluso ele próprio – igualmente em consideração.
Uma das críticas a esta posição está ligada à exigência de total
imparcialidade. Imagine. Você levaria igualmente em consideração os
interesses de seus familiares e de um desconhecido? (p. 09)

15) Como a questão do livre-arbítrio está ligada à ética, em especial,


em sua relação com a noção de responsabilidade?

Resposta: Toda nossa ação cotidiana e tomada em sociedade está


baseada na crença que se possui no livre-arbítrio. Ao chamar atenção
para ações humanas que estariam certas ou erradas; louva-se ou
condena-se as próprias as ações e a dos outros; recompensa-se ou
pune os atos realizados. A liberdade humana deve ter como
característica básica a autonomia na escolha. Em algum momento
nossa capacidade de decisão ou nossa vontade devem poder escolher
sem nenhum constrangimento, sem nada que as determine.

Diversos autores defenderam o determinismo como a posição teórica


mais apropriada ao nosso conhecimento sobre o mundo e sobre o ser
humano. Como o próprio nome já indica, o determinismo defende
que todas as ações no mundo estão determinadas por causas
anteriores a elas, incluso as ações humanas. Quando o ser humano
age, estaria sujeito às habilidades biológicas inatas, aos valores
instruídos pela família, aos preceitos e noções sociais em nós
inseridos pelo grupo, às condições econômicas impostas pelos modos
de produção e até mesmo aos inúmeros e desconhecidos fatores
inconscientes que possuímos. (p. 10)
16) Que paradoxo o determinismo traz à ética, e que resposta ele dá
a este paradoxo?

Resposta: Se o ser humano é livre, ao condenar alguém por fazer


algo errado, o que se esta fazendo é dizer que se você estivesse em
sua posição não faria o mesmo. Se o indivíduo é livre para agir, então
tem responsabilidade por suas ações. Mas se o indivíduo não é livre,
como defende o determinismo, então ele não possui responsabilidade
moral sobre o que faz. Como poderia justificar uma punição por seus
atos? Como poderia premiar e enaltecer suas ações, já que ele
simplesmente fez o que fez determinado por causas anteriores? Este
seria um resultado socialmente perverso do determinismo e alguns
diriam que é motivo racional suficiente para se recusar o
determinismo e admitir o livre-arbítrio. A resposta de alguns
deterministas torna o problema mais complexo e perturbador.
Segundo eles pode-se continuar premiando e punindo as pessoas,
não porque elas tenham algum tipo de responsabilidade moral pelo
que fazem, mas porque o prêmio e a punição servirão como mais um
fator causal para que elas e as outras que vêem o fato o realizem ou
não o cometam de novo. Em outras palavras, punir e louvar serve
para condicionar as pessoas a determinados comportamentos. (p. 11)

17) Qual a importância do conceito “virtude” para algumas


concepções éticas, como a de Aristóteles?

Resposta: O conceito de "virtude" será básico para inúmeras teorias


éticas ao longo do tempo e por isso mesmo variará dentro de cada
uma. A principal teoria ética das virtudes é a de Aristóteles , que via
a ética como uma ciência prática. Como ciência prática ela não possui
a precisão do conhecimento que se obtêm da natureza, mas é um
indicativo e uma disciplina norteadora da ação humana. Para
Aristóteles, a virtude é uma ação entre ações extremadas pela falta
e pelo exagero; a virtude é uma ação entre dois extremos, como por
exemplo, a coragem é a ação virtuosa entre aquela que erra pela
falta – a covardia, que tudo receia – e a que erra pelo excesso – a
temeridade, que nada teme. Para cada indivíduo envolvido, em cada
ação específica e a cada objetivo almejado, a ação virtuosa variará. A
teoria de Aristóteles influenciou a maior parte das teorias éticas
cristãs a partir da apropriação da noção de virtude, que difere na
abordagem grega e na abordagem cristã. Atualmente, o filósofo
escocês Alasdair MacIntyre é o principal responsável pelo
desenvolvimento de uma teoria ética das virtudes. (p. 11-12)

18) Qual a importância da noção de “dever” para a ética de Kant?

Resposta: Kant é responsável por uma das mais influentes


elaborações éticas da filosofia. A pretensão kantiana foi a de
estabelecer uma regra moral de aplicação universal que permitiria a
determinação da correção de qualquer ação humana. Esta regra se
configurou no chamado "imperativo categórico": age de tal maneira
que seja seu desejo que todos ajam da mesma forma. Aplicada tal
regra, o agente se defrontará com uma ação que é boa em si mesma,
despreocupada de suas conseqüências. Independente dos resultados
da ação, o que é categórico é bom e o é sem relação aos desejos
pessoais e aos resultados efetivos para aquele que age e para
aqueles relacionados à ação. A ética de Kant é extremamente rígida
e vinculada à noção do "dever"; se você faz o que é certo, mas o faz
almejando algo mais além de fazer o que é certo, então a ação foi
viciada. (p. 12)

Aula 08

01) Do que trata a filosofia política e quais as contraposições


clássicas dentro da disciplina?
Resposta: A filosofia política é o questionamento filosófico acerca da
estrutura política, dos sistemas de governo e da justiça. Os filósofos
sempre se interessaram pela justificação das formas de governo, pela
definição do que é a justiça e sua distribuição, pelas relações entre a
política e a ética, pelos processos evolutivos e revolucionários dentro
das estruturas políticas, pela liberdade e opressão políticas.

Há dois tipos de contraposições teóricas clássicas na filosofia política


que são exemplares na compreensão desta disciplina filosófica. A
primeira diz respeito à origem da sociedade e está dividida entre
naturalistas e contratualistas. A segunda fala das relações entre ética
e política que apresenta aqueles que defendem uma regulação ética
da política e aqueles que defendem uma regulação exclusivamente
política. (p. 01)

02) O que defendem os naturalistas?

Resposta: Os naturalistas são pensadores que afirmam o aspecto


natural e evolutivo do aparecimento e desenvolvimento das
sociedades. O pensador naturalista por excelência foi Aristóteles que
definia o ser humano como um animal político. Para este filósofo
grego, o Estado é apenas o ápice do desenvolvimento social e
gregário da natureza humana. O ser humano não é um ser solitário;
pelo contrário, é um animal político, que vive, se define e aprimora
somente dentro da sociedade. O núcleo social básico é a família, e
dela vêm as demais organizações sociais, a tribo, a aldeia e o Estado,
que para o grego antigo era a cidade. Esta progressão é natural e
evolutiva, pois o homem não é uma besta que vive solitária, nem um
deus que não precisa dos outros para existir. (p. 01)

03) O que defendem os contratualistas?

Resposta: Os contratualistas afirmam que qualquer sociedade surge


em função de um pacto implícito entre os indivíduos que a comporão.
As pessoas possuiriam diversos direitos que são naturais e por meio
de uma decisão racional decidem por viver em grupo, abdicando de
todos ou de alguns direitos naturais. A noção de "contrato", implícita
no contratualismo, é abordada para mostrar o aspecto de tomada
racional de decisão ao se formar o grupo social. A mesma noção
serve para que percebamos que existem obrigações e direitos
inerentes à participação de uma pessoa em uma sociedade. Como
nos demais contratos, para que a associação continue existindo é
necessário que o pacto social tácito que determina a coexistência
dentro do grupo seja respeitado. (p. 02)

04) Por que Aristóteles se mostra defensor das relações intrínsecas


entre ética e política?

Resposta: Para Aristóteles, a pólis (cidade em grego) é não só a


sociedade formada, mas a própria estrutura organizacional de poder
constituído, qualquer que seja. Aristóteles analisou as diversas
estruturas de poder existentes em sua época e percebeu a grande
variedade de formas de organização. Estas formas são boas ou más
conforme as características do povo que as adota e a justiça que
tragam para esse povo. Para Aristóteles, a política é a continuação
da ética. Um ser humano somente se define em sociedade, pois é
nela que deve se esforçar por adquirir hábitos virtuosos. A virtude
não é inata, deve ser fruto do esforço individual em relação ao grupo.
A virtude e a justiça existem apenas em sociedade, e a compreensão
de Aristóteles a respeito da política inclui qualquer relação social.
Como a pólis é o máximo desenvolvimento da natureza social do
homem, seria no aplicar-se às coisas do Estado o topo do progresso
humano. Não há aqui a idéia ingênua de que aqueles que participam
da política são pessoas virtuosas, mas há a normatização ética dos
procedimentos políticos. Assim, existe em Aristóteles a
recomendação de certas formas de governo que promovem a virtude
e a justiça, e a condenação daquelas que não o fazem. (p. 02)
05) Por que Maquiavel é o principal defensor da separação entre
ética e política?

Resposta: Para Maquiavel, a política possui regras próprias e o agir


político deve ser definido pelos seus fins inerentes, que para ele são a
manutenção do poder e da ordem na sociedade. Maquiavel
estabelece uma diferença entre o que hoje chamamos "razão de
Estado" e as razões pessoais do governante. O fim da ação política
não deve se confundir com os desejos do governante; aquilo que
individualmente para uma pessoa seria o correto fazer, não é
necessariamente certo para um governante. Se necessário aos fins
específicos do Estado, o governante deve agir na sua dependência,
mesmo que pessoalmente em sua vida particular não o fizesse. O
lema "os fins justificam os meios" é a expressão da desvinculação
entre os preceitos éticos pessoais e os preceitos políticos públicos. (p.
03)

06) Qual a posição de John Rawls sobre a justiça distributiva e sua


relação com o papel do Estado?

Resposta: Rawls defendeu – em uma sofisticada teoria de bases


kantianas – a importância do Estado como o elaborador e realizador
de mecanismos sociais e econômicos que produzam justiça social.
Caberia ao Estado diminuir as distâncias das diferenças entre as
condições materiais dos indivíduos que compõem uma sociedade.
Defendendo a idéia de que somente o aparato estatal deveria e
poderia tratar os interesses individuais de todos de igual maneira,
Rawls afirmava a necessidade da máxima diminuição das
desigualdades não-naturais – aquelas que não são derivadas das
aptidões biológicas de nascimento – por meio do deslocamento de
bens e serviços daqueles que mais têm para os que menos têm. Com
o dinheiro advindo de impostos e prestação de serviços estatais de
saúde e educação, a sociedade seria mais justa. (p. 03)
07) Em que Robert Nozick se opunha à teoria de Rawls?

Resposta: Nozick era frontalmente contra qualquer tipo de ação que


interferisse nos direitos naturais de uma pessoa. Qualquer
intervenção estatal seria uma ação espúria e para ele o Estado seria
apenas uma agência de segurança que teria como responsabilidade
aplicar a força para a manutenção dos contratos e proteger os
cidadãos de violência gratuita. A idéia de Nozick – de inspiração
anárquica – seria a de que ninguém pode interferir em direitos
naturais ou adquiridos por meio de contratos legalmente
estabelecidos. A ação dos indivíduos dentro da sociedade deve ser
livre de qualquer constrangimento, conquanto não procure atingir
direitos pessoais. O pensamento de Nozick se liga à percepção de
que apenas um Estado mínimo se justifica e que nenhuma justiça
distributiva pode ser realizada, pois não há maneira de que algum
mecanismo distributivo possa ser defendido. (p. 03)

08) O que é a estética e quais seu problemas?

Resposta: A estética é a área da filosofia que trata da beleza e da


arte. A apreciação estética é parte do nosso cotidiano. Pode-se dizer
que certas composições musicais são belas; aprecia-se o quão bonita
é uma paisagem; fala-se sobre a beleza de algumas pessoas;
encanta-se com os quadros e as esculturas como belas. A beleza é
uma referência normal em nossas percepções e em nosso discurso
diários. Mas o que há de comum em uma paisagem, uma música,
uma pessoa e um quadro quando dizem que todos são belos? (p. 04)

09) Quais as diferenças de julgamento da arte como imitação feitas


por Platão e Aristóteles?

Resposta: A mais usual perspectiva estética é a da imitação. Em


Platão, todo o mundo físico é imitação do mundo das idéias, o que
percebemos através da nossa capacidade racional que ultrapassa o
sensorial e apreende a idéia imaterial e eterna do belo, a beleza em si
mesma. Essa percepção levou Platão a condenar todo e qualquer
tipo de arte imitativa; já que mundo físico é cópia do mundo das
idéias, então a arte imitativa copia o que já é imperfeito, afastando
mais ainda o homem da contemplação pura da beleza e do bem.

A perspectiva de Aristóteles se diferenciou da de Platão, pois para


ele a arte é por definição arte imitativa. Quanto mais perfeita a
imitação realizada, mais a arte permite o aprimoramento humano,
pois possibilita a percepção e a vivência de experiências múltiplas. A
arte é necessária por elevar – por meio de sua imitação da realidade
– o homem à condição de vivenciador de papéis múltiplos. (p. 05)

10) Qual a principal crítica que se faz à perspectiva da arte como


imitação?

Resposta: A perspectiva imitativa padece da critica de que muito do


que é majoritariamente reconhecido como arte não ser imitação ou
representação de nada. O que uma sinfonia representa ou copia? A
arte abstrata se constitui na negação da representação do mundo e
diversas de suas obras são usualmente tidas como belas. (p. 05)

11) Qual a proposta da teoria emotivista da arte e seus problemas?

Resposta: Alguns outros teóricos se concentraram na emoção, tanto


a que o artista pretenderia expressar, quanto aquela que ocorre em
quem aprecia. Mas os problemas logo aparecem. Como posso ter
certeza da apreensão correta da emoção do artista? Não poderia
dizer que algo é belo ou arte, mesmo que não tenha mínima idéia da
emoção do artista ao realizá-la? Um artista deve necessariamente
estar imbuído de alguma emoção específica ao realizar seu trabalho?
Se não existe autor para expressar emoções em paisagens naturais,
com a exceção do tempo e das condições climáticas e geológicas,
então não poderíamos dizer que aquela é bela? Quanto à emoção
produzida naquele que percebe a situação não é menos problemática.
Se a emoção estética produzida por algo é diferente em duas pessoas
é porque aquilo é falho? Não posso admitir que algo seja arte sem
que aquilo produza em mim algum tipo de emoção? (p. 05)

12) O que propõe a teoria sociológica e histórica da arte?

Resposta: Um outro tipo de posição em estética advoga uma posição


sociológica e histórica. Esta concepção afirma que a beleza e a arte
são definidas em função das condições psicológicas e sociais
existentes em determinados períodos e locais. Arte é aquilo que foi
estabelecido como arte pelos manuais de história, pelos artistas,
pelos marchands e pelos críticos. O mesmo ocorreria com a
concepção de beleza. Dentro desta perspectiva há uma coincidência
com o relativismo moral em ética e com o ceticismo em
epistemologia. (p. 06)

13) O que dizem certos evolucionistas sobre a arte e a percepção da


beleza?

Resposta: Existem teóricos mais recentes que procuram a


objetividade da beleza nas noções de "harmonia" e "simetria". A
abordagem é biológica e evolucionista. Para os representantes dessa
análise de psicologia evolucionista existe uma constância na
percepção de padrões harmônicos e simétricos como relacionados
com a beleza em todas as diferentes culturas analisadas. Este padrão
de identificação do que é belo estaria ligado ao fato de
evolutivamente as espécies reconhecerem a relação entre saúde e
organismos de corpos simétricos. Esta hipótese explicativa é fruto de
uma aliança nem sempre aceita entre estética e biologia
evolucionista. (p. 06)