Como Reconhecer Um Cientista

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Escola: Leitura e Produção de Textos Nome: Série: Data: / / COMO RECONHECER UM CIENTISTA Para reconhecer um verdadeiro cientista, não há um método cem por cento seguro, mas a descrição seguinte pode constituir um bom método de trabalho. Em primeiro lugar, uma pessoa que leve debaixo do braço um exemplar do New Scientist não é necessariamente um cientista. A maioria dos cientistas lê essa revista disfarçadamente e nunca falam sobre o assunto. Alguém que use a expressão “rato de biblioteca” não é um cientista, a menos que coma a primeira parte da mesma. Uma pessoa que vista uma roupa branca será, provavelmente, um cientista, a menos que esteja acompanhada por outra pessoa vestida do mesmo modo e que leve uma camisa de força. A presença de vários instrumentos de escrita a caírem do bolso superior é um indicador de confiança de que estamos a lidar com um espécime verdadeiro. É claro que há outras pessoas que também usam roupas brancas, como os médicos ou os que anunciam pastas de dentes na televisão, mas não costumam ter nódoas sinistras nem partes carcomidas por ácidos. Atenção à tabulafilia( mania de esquematizar ou escrever todas as ideias), que pode definir-se como uma obsessão pouco saudável por quadros e que é um indicador seguro da presença de físicos. Se um físico isolado pode comunicar com um leigo, embora com dificuldade, dois físicos só podem conversar entre si na presença de um quadro preto, no qual desenham freneticamente símbolos cabalísticos. Se não houver um quadro à mão, não terão quaisquer problemas em utilizar alegremente a parede da sala. O comportamento anômalo nos lavabos também pode constituir uma pista. Se vir alguém a lavar as mãos antes de fazer xixi, pode catalogar essa pessoa, sem qualquer dúvida, como químico. Todavia, o teste perfeito é olhá-lo nos olhos, que são um livro aberto, desde que tenha um pouco de prática. Os olhos do cientista verdadeiro mostram desespero contido. As razões são de duas ordens: 1. O fato de nunca ser possível provar que as teorias científicas são corretas. Apenas é possível provar que são incorretas. E isto de algum modo pesa fortemente no inconsciente científico coletivo; 2. O fato de o cientista saber, com toda a segurança, que o seu trabalho é o mais importante de todos, uma vez que lida com a própria estrutura do universo, e não com as mesquinhas e inconsequentes atividades humanas, e que, apesar disso, a sua profissão tem um estatuto social em algum lugar entre o de varredor de ruas e o de político. Se qualquer outra coisa falhar, o estudo da gramática, da sintaxe e dos padrões de discurso do indivíduo costuma desempatar o jogo. Os cientistas dizem coisas como “tudo depende do que pretende dizer com…”, “numa primeira abordagem…”, “dentro dos limites dos erros experimentais…”, “defina o termo…” e “ordens de grandeza” (que nada têm a ver com instruções militares). Finalmente, e o que é mais interessante, os cientistas conseguem falar com parágrafos numerados e ordenados, como é costume proceder-se em revistas especializadas. Quem domina esta técnica com maestria consegue mesmo usar asteriscos e notas de rodapé. Não aconselhamos esta experiência a novatos sem que antes tenham uma boa dose de prática. Brian Malpass, O Especialista Instantâneo em Ciência, 1.a ed., Ed. Gradiva, 1996 (texto adaptado)

Etiene Peixoto

Língua Portuguesa/ Leitura e Produção de Textos – Ensino Fundamental

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Sublinhe, em cada parágrafo, as palavras ou ideias principais (atenção: sublinhar tudo é o mesmo que não sublinhar nada!). Redija o resumo do texto a partir das marcações que você fez.

Etiene Peixoto

Língua Portuguesa/ Leitura e Produção de Textos – Ensino Fundamental

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