CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO MARANHÃO DIRETORIA DE ENSINO SUPERIOR – DESU NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – NUEAD UNIVERSIDADE ABERTA

DO BRASIL – UAB

MATEMÁTICA PARA COMPUTAÇÃO

Barra do Corda 2009

2 SUMÁRIO MODULO I - FUNDAMENTOS DE LÓGICA MATEMÁTICA .............................. 4 Capitulo 1 Introdução ao Estudo da Lógica Formal............................................ 5 1.1. Caracterização e Histórico da Lógica ...................................................... 5 1.2. Conceito de Proposição........................................................................... 6 1.3. Valores Lógicos das Proposições............................................................ 7 1.4. Classificação das Proposições ................................................................ 8 1.5. Valor Lógico de Proposições Compostas ................................................ 9 1.6. Operações Lógicas ................................................................................ 10 1.6.1. Negação.......................................................................................... 10 1.6.2. Conjunção ....................................................................................... 11 1.6.3. Disjunção ........................................................................................ 13 1.6.4. Condição ......................................................................................... 14 1.6.5. Bicondição....................................................................................... 16 1.7. Fórmulas bem Formuladas e Tabelas-Verdade..................................... 18 1.8. Tautologias, Contradições e Contingências........................................... 23 1.9. Disjunção Exclusiva ............................................................................... 25 Leitura Complementar...................................................................................... 26 Capítulo 2 Cálculo Proposicional...................................................................... 33 2.1. Conceito de Argumento – Argumentos Válidos ..................................... 33 2.2. Equivalência Lógica e Implicação Lógica .............................................. 36 2.3. Dedução no Cálculo Proposicional ........................................................ 39 Capítulo 3 Lógica de Predicados...................................................................... 48 3.1. Predicados e Quantificadores................................................................ 48 3.2. Domínio de Interpretação de uma Expressão Predicativa – Valores Lógicos ......................................................................................................... 52 3.3. Fórmulas Predicativas: Tradução e Validade ........................................ 53 3.4. Dedução na Lógica de Predicados ........................................................ 56 3.4.1. Particularização Universal (PU)....................................................... 57 3.4.2. Particularização Existencial (PE)..................................................... 58 3.4.3. Generalização Universal (GU) ........................................................ 59 3.4.4. Generalização Existencial (GE)....................................................... 59 Leitura Complementar...................................................................................... 62 MODULO II TEORIA DOS CONJUNTOS E FUNÇÕES .................................. 67 Capitulo 4 - Introdução à Teoria dos Conjuntos ............................................... 68 4.1. Noção Intuitiva de Conjunto e Relações de Pertinência ........................ 68 4.2. Alguns Conjuntos Especiais .................................................................. 70 4.3. Relações entre Conjuntos...................................................................... 71 4.3.1. Relação de Continência .................................................................. 71 4.3.2. Igualdade de Conjuntos .................................................................. 72 4.3.3. Conjunto Universo........................................................................... 72 4.4. Diagramas de Venn ............................................................................... 74 4.5. Conjuntos Numéricos............................................................................. 77 4.5.1. Conjunto dos Números Naturais ..................................................... 77 4.5.2. Conjunto dos Números Inteiros ....................................................... 77 4.5.3. Conjunto dos Números Racionais ................................................... 78 4.5.4. Conjunto dos Números Irracionais .................................................. 79 4.5.5. Conjunto dos Números Reais ......................................................... 79 4.5.6. Conjunto dos Números Complexos................................................. 81

3 Capítulo 05 Álgebra dos Conjuntos.................................................................. 87 5.1. União de Conjuntos ............................................................................... 87 5.2. Interseção de Conjuntos ........................................................................ 89 5.3. Complemento de um Conjunto – Diferença ........................................... 90 5.4. Conjunto das Partes .............................................................................. 93 5.5. Produto Cartesiano ................................................................................ 94 5.6. Identidades de Conjunto ........................................................................ 96 5.6.1. Dualidade............................................................................................ 98 5.7. Conjuntos finitos e princípio da enumeração ......................................... 99 Tópico Extra: Diferença Simétrica .................................................................. 103 Capitulo 06 Estudo das Funções.................................................................... 108 6.1. Noções sobre Relações....................................................................... 108 6.2. Conceitos Introdutórios sobre Funções ............................................... 113 6.2.1. Propriedades das Funções ........................................................... 119 6.2.2. Composição de Funções............................................................... 122 6.2.3. Funções Inversas .......................................................................... 124 6.3. Funções Matemáticas.......................................................................... 126 6.3.1. Funções Floor e Ceiling ................................................................ 126 6.3.2. Funções Valor Inteiro e Valor Absoluto ......................................... 127 6.3.3. Função Resto ................................................................................ 127 6.3.4. Função Exponencial e Função Logarítmica .................................. 128 Referências .................................................................................................... 136

contradição ou contingência. Determinar o valor lógico de uma expressão na lógica proposicional. Utilizar a lógica de predicados para representar sentenças. Manipular tabelas-verdade. Reconhecer e trabalhar com os símbolos que são usados nas lógicas.FUNDAMENTOS DE LÓGICA MATEMÁTICA Objetivos Conteúdo Introdução ao Estudo da Lógica Formal Lógica Proposicional Lógica de Predicados Compreender a lógica em seu contexto histórico. Verificar se argumento sentencial é válido. . Utilizar o método dedutivo para demonstrar a validade de argumentos na lógica proposicional e na lógica de predicados.4 MODULO I . proposicional e de predicados. Determinar o valor lógico de alguma interpretação de uma expressão na lógica de predicados. Verificar se uma sentença é tautologia.

ou do pensar correto. De maneira mais geral. A Lógica teve seu início com Aristóteles.” (WIKIPEDIA.C.. sem levar em consideração qualquer conteúdo material (FONTES. sendo. Caracterização e Histórico da Lógica Há na literatura inúmeras definições para a Lógica. 1. Tudo isto só é possível devido ao uso da lógica para entendimento do raciocínio matemático. sendo utilizados princípios que possibilitam a distinção entre raciocínios válidos e outros não válidos. na compreensão de conceitos básicos.. Também é graças à matemática que podemos fazer abstrações e raciocínios precisos e rigorosos.” (FONTES. 2003). 1999) Por ter relação direta com a Ciência da Computação. diz formas de raciocínio .1. o estudo da Lógica mostra-se indispensável ao estudante da área de Informática. (Celina Abar. dentre as quais destacamos: “a lógica é o ramo da filosofia que cuida das regras do bem pensar. no século IV a. ela trata das conclusões a que chegamos a partir das evidências que as sustentam. 2008) Percebemos pelas definições apresentadas que a Lógica é o estudo das leis gerais do pensamento e as diferentes maneiras de aplicar corretamente essas leis na investigação da verdade. Em outras palavras. como uma ciência dedicada ao estudo dos atos do pensamento a partir de sua estrutura ou forma lógica. sistemas digitais e inteligência artificial. um instrumento do pensar. Todo o fundamento da computação tem suas raízes na matemática. Em termos mais simples. São várias as possibilidades de aplicações diretas do raciocínio lógico-matemático: desde linguagens de programação mais simples até resolução de problemas com Inteligência Artificial. cujo domínio é essencial para estudos futuros sobre linguagens de programação. ou seja. FEITOSA. 2009) “A Lógica é o estudo dos processos válidos e gerais pelos quais atingimos a verdade [. portanto.5 Capitulo 1 Introdução ao Estudo da Lógica Formal O aprendizado da Lógica auxilia os estudantes no raciocínio. podemos dizer que a Lógica é a ciência dos argumentos. teoria da computação.] É a ciência das leis do pensamento. Neste capitulo serão apresentados os conceitos básicos da lógica matemática. uma vez que esta é quem possibilita à Ciência a formalização de vocabulários e notações com alto poder de definição. é possível dizer que a Lógica é “o estudo do raciocínio” (D’OTAVIANO. 2008).. na verificação formal de programas e melhor os prepara para o entendimento do conteúdo de tópicos mais avançados.

Bacon lançou as bases para a formalização do método na obtenção de uma conclusão geral a partir de um conjunto de fatos conhecidos. que trata dos enunciados categóricos. Atualmente. por sua vez. a lógica formal um período de descrédito. Nesta época. Esses princípios são considerados válidos até os dias atuais e constituem as bases da chamada lógica formal.1650). É o chamado método dedutivo ou. continuou motivando muitas pesquisas. na qual são destacados os pontos centrais da lógica aristotélica: a lei da não contradição. é fundamentada em dois princípios básicos (ou axiomas) (ALENCAR FILHO. a lógica atingiu elevado grau de formalização. Conceito de Proposição O primeiro conceito que é preciso dominar para compreender as estruturas da lógica formal é o de proposição. oriundas de filósofos como Francis Bacon (1561– 1626) e René Descartes (1596 . já dispomos de um poderoso sistema de símbolos e regras de combinação de símbolos que nos possibilita obter conclusões válidas (FONTES. dedução. Em outras palavras. a indução consiste em afirmar acerca de todos. mediante observação. aquilo que foi observado em alguns. mas. As proposições constituem o alicerce das estruturas fundamentais da Lógica Matemática. o princípio do terceiro excluído e a teoria dos silogismos. quando estudiosos como Boole e Bertrand Russel conceberam uma maneira de converter a lógica numa álgebra. também chamada de sentença. A maior revolução sofrida pela lógica ocorreu em meados do século XIX. eles formalizaram uma linguagem simbólica para expressar o pensamento lógico. Tendo a matemática como modelo. que. 1. A partir de então. simplesmente. 2º) PRINCÍPIO DO TERCEIRO EXCLUÍDO: uma proposição sempre assume um dos valores lógicos: ou é verdadeira ou é falsa. apesar disso. . Ao longo do século XX. 2002): 1º) PRINCÍPIO DA NÃO-CONTRADIÇÃO: uma proposição nunca será verdadeira e falsa simultaneamente. As principais críticas à Lógica Aristotélica surgiram por volta do século XVI. a partir das quais surgiram novas teorias sobre o raciocínio. 2008). As principais contribuições de Aristóteles para a lógica estão em sua obra Organon. o raciocínio passou a ser visto como cálculo matemático. Foi o surgimento da lógica matemática ou simbólica.6 através das quais seria possível a obtenção de novos conhecimentos a partir de conhecimentos já existentes e que fossem considerados verdadeiros.2. Uma proposição ou sentença é qualquer oração que pode ser avaliada como verdadeira ou falsa.

O valor lógico da proposição (a) é a verdade (V) e o valor lógico da proposição (b) é a falsidade (F). A raiz quadrada de 25 é 5. Exemplo 1. b) Como é o seu nome? c) Ai. b: Santos Dumont é o pai da Informática. toda proposição possui UM. Neste caso.1 – Proposições Considere as seguintes orações: a) Cinco é menor que oito. MURAKAMI.1 Analise as orações seguintes e diga quais delas são proposições. 1. portanto não são proposições. 3. Lembre-se: Pelos princípios da não contradição e do terceiro excluído. Realize suas tarefas com atenção. Cristóvão Colombo descobriu o Brasil. A frase (a) é uma proposição. Quanto à frase (d). além de sempre ser uma oração declarativa (IEZZI. 5. dos valores lógicos (V ou F). Exemplo 1. A frase (e) também não assume nenhum valor lógico e.7 Além desses princípios básicos. Valores Lógicos das Proposições O valor lógico de uma proposição está diretamente associado ao resultado de sua avaliação como verdadeira ou falsa. Auto Avaliação 1. e apenas UM. Note que a frase (b) é uma pergunta e a frase (c) é uma exclamação. e) Vá dormir. por ser uma oração. pois é possível definir que ela é verdadeira. portanto. As frases (b) e (c) não podem ser avaliadas como verdadeira ou falsa. Não se desespere.3. 4.2 – Valores Lógicos das Proposições Considere as seguintes proposições: a: O Brasil é dividido em cinco regiões. este exercício é muito fácil! 1. não é uma proposição. dizemos que o valor lógico verdade (V) está associado às proposições verdadeiras. por isso ela também não constitui uma proposição. podemos afirmar que toda proposição. assim como o valor falsidade (F) está vinculado às proposições falsas. 1993). . nota-se que ela não possui predicado. Que horas são? 2. possui sujeito e predicado. que susto! d) Sete menos três.

5. eu estudar. podemos representar a proposição Pelé é brasileiro pela letra a e a proposição Maradona é argentino pela letra b. . então serei aprovado em Matemática para Computação. e) Serei aprovado em Matemática para Computação se. A metade de 5 menos 2 é um número inteiro positivo. uma vez que não é possível decompô-las em proposições mais simples. os conectivos estão destacados.4. c) Vou à praia ou ao cinema. ENTÃO – SE. 1. chamadas de proposições compostas ou moleculares. d) Se eu estudar. Antes de passar para o próximo tópico. O Brasil é uma República Presidencialista. tente responder a pergunta abaixo. Assim. E SOMENTE SE Exemplo 1.2 são ditas proposições simples ou atômicas.2 Determine o valor lógico de cada uma das proposições seguintes. ainda. a) Pelé é brasileiro e Maradona é argentino. São cinco os conectivos lógicos: E – OU – NÃO – SE . as proposições simples são representadas por letras latinas minúsculas e as proposições compostas por letras latinas maiúsculas.8 As representações simbólicas destes valores são respectivamente: V(a) = V e V(b) = F Auto Avaliação 1. Existem. proposições mais complexas. Imperatriz é a Capital do Maranhão.. b) Windows não é um software livre. por exemplo.3 – Proposições Compostas Nas proposições seguintes. Em geral. Pelé é brasileiro e Maradona é argentino podem ser representados A e escrita da seguinte maneira: A: Pelé é brasileiro e Maradona é argentino. A raiz quadrada de 16 é menor que a metade de 10.. e somente se. Classificação das Proposições As proposições do Exemplo 1. A cor do cavalo branco de Napoleão é branca. 4. A proposição composta. formadas por duas ou mais proposições simples ligadas por meio de conectivos lógicos. 1. 2. 3.

Para facilitar este cálculo.4 – Tabela Verdade Considerando-se uma proposição composta formada pelas proposições simples a e b. Note. que os valores estão dispostos na tabela de acordo com a seguinte árvore de possibilidades: . que uma proposição simples p ou é verdadeira ou é falsa. ainda. utiliza-se uma estrutura conhecida como tabela-verdade.” Menezes (2008) Exemplo 1. VF. pelo princípio do terceiro excluído. Valor Lógico de Proposições Compostas Sabemos. FV e FF. os possíveis valores lógicos de a e b são representados numa tabela verdade.5. conforme ilustração a seguir. por meio de uma tabela ou como uma árvore de possibilidades. O valor lógico de uma proposição composta é definido em função dos valores lógicos das proposições simples que a compõe e levando-se em consideração os conectivos empregados. “Uma tabela-verdade é uma tabela que descreve os valores lógicos de uma proposição em termos das possíveis combinações dos valores lógicos das proposições componentes e dos conectivos usados. Os possíveis valores lógicos de uma proposição simples podem ser representados. 1 2 3 4 a V V F F b V F V F Observe que a tabela mostra todas as combinações possíveis de valores lógicos para a e b: VV.9 Pare e Reflita Como determinar o valor lógico de uma proposição composta? 1.

E SOMENTE SE ↔ O detalhamento de cada uma dessas operações é dado a seguir e o seu entendimento é essencial para o estudo e compreensão da Lógica Matemática. Monte uma árvore de possibilidades e escreva a tabelaverdade com todas as combinações possíveis de valores lógicos para p. sua negação será ¬p. podemos prosseguir e analisar de que forma os conectivos interferem na definição do valor lógico de uma proposição composta.10 Para cada possibilidade de valor da proposição a.. q: 5 menos 2 é igual a 3. Caso o valor lógico de p seja V. q e r. Auto Avaliação 1. Negação Podemos utilizar o conectivo NÃO (¬) para formar uma nova proposição. q e r.6. r: O dobro de 1. cujo valor lógico é oposto ao da proposição original. com seus respectivos operadores (conectivos) e símbolos. ENTÃO → Bicondicional SE. Agora que você já sabe como representar numa tabela-verdade as possíveis combinações de valores lógicos para um conjunto de proposições simples.. devem ser associadas todas as possibilidades para a proposição b. Operações Lógicas 1. Se tivermos uma proposição p. Tabela 1: Operações e Operadores Lógicos Operação Operador Símbolo Negação NÃO ¬ Conjunção E ∧ Disjunção OU ∨ Condicional SE .6. Na Tabela 1. e vice versa. as quais são realizadas sobre as proposições e obedecem a algumas regras.3 Considere as seguintes proposições simples: p: A raiz quadrada de 9 é igual 3.5 é igual a 3. 1.1. o valor de ¬p será F. Os conectivos estão associados a operações lógicas. Deseja-se formar uma proposição composta S utilizando-se as proposições p. A representação desta operação na tabela-verdade é a seguinte: . são mostradas as operações lógicas.

escrever a negação de (a) da seguinte forma: É falso que a capital do Maranhão é São Luís. p ∧ q (lê-se “p e q”) é a conjunção das proposições p e q e tem como valor lógico a verdade quando os valores de p e de q forem simultaneamente a verdade. Quanto a proposição (c). 1.6. Conjunção Com o uso do conectivo E (∧) é possível ligar duas proposições. com a exigência de que os candidatos soubessem programar em C e em Java. É possível. Deste modo. Há alunos de Licenciatura em Informática que não aprenderão Lógica. ou. cujo valor lógico é a verdade (V) quando ambas as proposições que a compõem forem verdadeiras. ainda. Desta situação podem ser extraídas duas proposições: . A representação desta operação na tabela-verdade é a seguinte: Para melhor entendimento. Desta forma: ¬a: A capital do Maranhão não é São Luís. A negação de b (¬b) seria: Nem todos os alunos de Licenciatura em Informática aprenderão Lógica ou Existem alunos de Licenciatura em Informática que não aprenderão Lógica. ainda.2. As demais proposições deste exemplo exigem um pouco mais de atenção.11 Exemplo 1. b: Todos os alunos de Licenciatura em Informática aprenderão Lógica. sua negação (¬c) pode ser escrita da seguinte forma: Não existem alunos estudiosos ou Todos os alunos não são estudiosos. c: Existem alunos estudiosos.5 – Negação Sejam as proposições: a: A capital do Maranhão é São Luís. A negação da proposição (a) é definida com o uso do advérbio NÃO. acompanhe a seguinte situação: A empresa fictícia SoftHard abriu uma vaga para programador de sistemas. formando uma nova proposição chamada conjunção.

pois atende simultaneamente às duas exigências (p ∧ q = V). Simone também não poderá ser contratada. que programa em C. Observe: . Marcos. b: O Maranhão pertence ao Paraguai. que sabe programar em C (p = V) e sabe programar em Java (q = V). Marcos. Exemplo 1. Da mesma forma. Ari não será contratado. com exatidão. que sabe programar em C (p = V) e não sabe programar em Java (q = F). a ∧ b: Lula é brasileiro e o Maranhão pertence ao Paraguai. Ari. que não programa em C. c: 5 – 3 = 2 d: 10 é um número par. Assim. pois não sabe programar em C (p = F). Portanto. Você certamente já sabe quem será classificado. mesmo sabendo programar em Java (q = V). Suponha que quatro candidatos se apresentaram para a seleção: João. pois só atende a uma das exigências (p ∧ q = F). pois não programa nem em C (p = F) nem em Java (q = F). c ∧ d: 5 – 3 = 2 e 10 é um número par. pois a exigência da empresa é bem clara. mas programa em Java e Simone. não pode ficar com a vaga. que não programa nem em C nem em Java. q: O candidato sabe programar em Java. mas não programa em Java. Note que tal exigência é representada por uma conjunção: o candidato deve programar em C E em Java. com o uso da tabela-verdade da conjunção é possível determinar. Uma conjunção só é verdade quando ambas as proposições que a compõe forem simultaneamente verdade. poderá ser contratado. temos: João.6 – Conjunção Sejam as proposições: a: Lula é brasileiro.12 p: O candidato sabe programar em C. que programa em C e em Java. A conjunção a ∧ b tem como valor lógico a falsidade. quem será contratado pela empresa.

Agora. Disjunção Quando usamos o conectivo OU (∨) é possível ligar duas proposições para formar uma terceira proposição denominada disjunção. os candidatos devem programar em C ou programar em Java. A representação desta operação na tabela-verdade é a seguinte: Considere que a empresa SoftHard modificou a exigência para a contratação do programador de sistemas. poderá ser contratado (p ∨ q = V). pois é bastante programar em pelo menos uma das duas linguagens. pois sabe programar em C (p = V) e também em Java (q = V). mas programa em Java (q = V) também poderá ser contratado (p ∨ q . Ari. Observe: V(c) = V e V(d) = V. Marcos. que programa em C (p = V). cujos operandos são: p: O candidato sabe programar em C q: O candidato sabe programar em Java A tabela-verdade para este caso é a seguinte: Neste caso. apesar de não programar em Java (q = F). cujo valor lógico é a falsidade quando ambas as proposições que a compõe forem simultaneamente falsas. conforme a exigência da empresa.6.3. João poderá ser contratado (p ∨ q = V). portanto V(a ∧ b) = V(a) ∧ V(b) = V ∧ F = F A conjunção c Ù d tem como valor lógico a verdade. p ∨ q (lê-se “p ou q”) é disjunção das proposições p e q e tem como valor lógico a falsidade se p e q assim o forem simultaneamente. a definição de quem será contratado é baseada na operação lógica disjunção. Assim.13 V(a) = V e V(b) = F. Neste caso. Do mesmo modo. que não programa em C (p = F). portanto V(c ∧d) = V(c) ∧ V(d) = V ∧ V = V 1.

portanto V(a ∨ b) = V(a) ∨ V(b) = V ∨ F = V A disjunção c ∨ d tem como valor lógico a falsidade. Uma disjunção só é uma falsidade quando ambas as proposições que a compõe forem simultaneamente uma falsidade. pois não programa nem em C (p = F) nem em Java (q = F).7 – Disjunção Sejam as proposições: a: Gonçalves Dias é um poeta maranhense. c: 5 – 3 > 2 d: 10 é um número primo. Por exemplo.14 = V). Note que o antecedente é “uma vida saudável” e o conseqüente é “uma alimentação equilibrada”. é possível escrever uma nova proposição p → q (lê-se “se p então q” ou “p implica q”). Apenas Simone não seria contratada (p ∨ q = F). a ∨ b: Gonçalves Dias é um poeta maranhense ou a lua é quadrada. portanto V(c ∨ d) = V(c) ∨ V(d) = F ∨ F = F 1. “q é condição necessária para p” ou “p é conseqüência de q”.6. A tabela-verdade da condição é a seguinte: . como: “p é condição suficiente para q”. a proposição “Uma alimentação equilibrada é uma condição necessária para uma vida saudável” pode ser reescrita da seguinte maneira “Uma vida saudável é conseqüência de uma alimentação equilibrada” ou ainda. então tens uma alimentação equilibrada”. Observe: V(a) = V e V(b) = F. chamada condição ou implicação. A disjunção a ∨ b tem como valor lógico a verdade. “Se tens uma vida saudável. “p somente se q”. Existem outras maneiras de expressar p → q em linguagem natural. b: A lua é quadrada. onde p é chamado antecedente e q conseqüente. c ∨ d: 5 – 3 > 2 ou 10 é um número primo.4. Exemplo 1. Condição Dadas duas proposições p e q. Observe: V(c) = F e V(d) = F. e cujo valor verdade é a falsidade quando p for uma verdade e q uma falsidade.

vou para Barreirinhas curtir as férias. Observe: V(e) = F e V(f) = F. a afirmação foi uma verdade (p → q = V). portanto V(c → d) = V(c) → V(d) = V → F = F A implicação e → f tem como valor lógico a verdade.” Desta afirmação. então 10 é um número primo. considere que um amigo de faculdade fez a seguinte afirmação: “Se eu passar em todas as disciplinas que estou cursando este semestre. é uma verdade se p e q forem simultaneamente verdade ou se p for uma falsidade. então grande parte da Amazônia Legal fica no Brasil. pois ele nada afirmou quanto a ficar reprovado. Em qualquer destes casos a afirmação é tida como verdade (p → q = V). d: 10 é um número primo. A proposição p → q. portanto V(a → b) = V(a) → V(b) = V → V = V A implicação c → d tem como valor lógico a falsidade. b: Grande parte da Amazônia Legal fica no Brasil. supondo que ele tenha ficado reprovado (p = F). portanto V(e → f) = V(e) → V(f) = F → F = V Observe no Exemplo 1.15 Para o entendimento desta operação. p → q será uma falsidade. não podemos dizer que a afirmação é falsa. então a capital do Maranhão é Teresina. for aprovado em todas as disciplinas (p = V) e não viajar (q = F). A implicação a → b tem como valor lógico a verdade. a afirmação consistiu numa falsidade (p → q = F). q: Vou para Barreirinhas curtir as férias. Caso seu amigo realmente seja aprovado em todas as disciplinas do semestre (p = V) e viaje para Barreirinhas (q = V). Exemplo 1. entretanto. Observe: V(a) = V e V(b) = V. c: Machado de Assis escreveu Dom Casmurro. c → d: Se Machado de Assis escreveu Dom Casmurro.8 – Condição Sejam as proposições: a: O relógio marca as horas. independente de ele ter ido (q = V) ou não (q = F) a Barreirinhas. Observe: V(c) = V e V(d) = F. e: O Brasil foi colonizado pelos franceses. podem ser retiradas duas proposições: p: Se eu passar em todas as disciplinas que estou cursando este semestre. Note que o fato de grande parte da . Agora. a → b: Se o relógio marca as horas. e → f: Se o Brasil foi colonizado pelos franceses.8 que nem sempre o conseqüente se deduz ou é conseqüência do antecedente. Se ele. f: A capital do Maranhão é Teresina. Caso p seja uma verdade e q uma falsidade.

chamada bicondição. (MENEZES. q é o antecedente e p o conseqüente. como segue: . tente responder a pergunta abaixo: Pare e Reflita: Como se chegou a esta tabela-verdade para p ↔ q? A tabela-verdade da bicondição foi construída levando-se em consideração que ela é. (ALENCAR FILHO. cujo valor verdade é a verdade quando p e q forem simultaneamente uma verdade ou uma falsidade. uma conjunção de duas implicações: (p → q) ∧ (q → p). Bicondição Dadas duas proposições p e q. No sentido da ida.16 Amazônia Legal estar no Brasil não se deduz do simples fato de o relógio marcar as horas. não se poderia afirmar que 10 é um número primo em conseqüência de Machado de Assis ter escrito Dom Casmurro. são duas condições simultâneas. Podemos.6. ou seja. portanto. construir uma tabela-verdade para a conjunção das duas implicações. p é o antecedente e q é o conseqüente e no sentido da volta. 2008). q”). na verdade. O que uma condicional afirma é somente uma relação entre os valores lógicos do antecedente e do conseqüente. é possível escrever uma nova proposição p ↔ q (lê-se “p se. Perceba que a bicondição é uma implicação válida “nos dois sentidos”.5. A única relação existente entre o antecedente e o conseqüente é relativa aos seus valores lógicos. 2002) 1. Da mesma forma. e somente se. A tabela-verdade da bicondição é seguinte: Antes de prosseguir.

c: 13 é divisível por 2. o Sol é uma estrela. (c) Se o relógio marca as horas.4 Determine o valor lógico das proposições a seguir: (a) A metade de dois é um e cinco é um número primo.9 – Bicondição Sejam as proposições: a: O Brasil fica na América do Sul. portanto V(c ↔ d) = V(c) ↔ V(d) = F ↔ F = V A implicação e ↔ f tem como valor lógico a falsidade.17 Uma bicondição é verdadeira quando as proposições que a compõe possuem o mesmo valor lógico. e somente se. e somente se. então sen30° = 1. a bi-implicação afirma somente uma relação entre os valores lógicos do antecedente e do conseqüente. b: No verão faz calor. 10 é um número primo. f: O Sol é uma estrela. portanto V(a ↔ b) = V(a) ↔ V(b) = V ↔ V = V A implicação c ↔ d tem como valor lógico a verdade. c ↔ d: 13 é divisível por 2 se. e somente se. . portanto V(e ↔ f) = V(e) ↔ V(f) = F ↔ V = F Assim como na implicação. e: Domingo é um dia útil. (d) São Luís é uma ilha se. Observe: V(e) = F e V(f) = V. a ↔ b: O Brasil fica na América do Sul se. no verão faz calor. e somente se. os papagaios podem voar. Observe: V(a) = V e V(b) = V. A bi-implicação a ↔ b tem como valor lógico a verdade. Observe: V(c) = F e V(d) = F. Auto Avaliação 1. Exemplo 1. (b) Gonçalves Dias é francês ou os macacos são répteis pré-históricos. d: 10 é um número primo. e ↔ f: Domingo é um dia útil se.

como. conectivos e parênteses (ou colchetes) não pode ser feito de qualquer jeito.10 – Fórmulas São fórmulas (escritas de maneira simbólica): a) p b) p ∧ q c) ¬(p ∧ q) ↔ (w ∧ t) d) p → (~a Ù b) Não são fórmulas: a) ∧ p ¬q b) ¬p ∧∧ (a ↔ p¬) c) p q r ∧ s ¬t Em muitos casos. b) uma proposição composta. pode indicar duas expressões diferentes: “Se Maria adoeceu e João viajou. q: João viajou. Exemplo 1.” Desta definição.7. por exemplo: (p → q) ∧ (q → p) Este encadeamento ou arranjo de proposições. se João viajou. parênteses. a escrita simbólica de fórmulas mais complexas pode apresentar alguns problemas. Como em qualquer linguagem. A fórmula acima. constantes. c) um encadeamento de proposições simples e/ou compostas. sobre um alfabeto cujos símbolos são conectivos. da forma como está escrita. por meio de conectivos e parênteses. Considere o seguinte exemplo: p ∧ q → r. r: Hércules não pode sair de casa. então Hércules não pode sair de casa” ou “Maria adoeceu e.18 1. identificadores. etc. Fórmulas bem Formuladas e Tabelas-Verdade É possível encadearmos diversas proposições. simples e compostas. Desse encadeamento surgem novas proposições. Menezes (2008) define fórmula como “uma sentença lógica corretamente construída.” . Proposições válidas são chamadas de Fórmulas Bem Formuladas ou simplesmente fórmulas. onde p: Maria adoeceu. então Hércules não pode sair de casa. é preciso seguir regras de sintaxe para que se escrevam proposições válidas. infere-se que é fórmula: a) uma proposição simples (também chamada de fórmula atômica). por meio dos conectivos lógicos e com o uso de parênteses ou colchetes.

Condição (→). Bicondição (↔). os conectivos obedecem a uma ordem de precedência. 4. então Hércules não pode sair de casa”. obedecendo à ordem de precedência. Pare e Reflita: Como se constrói uma tabela-verdade de uma fórmula? Para determinar o valor lógico de uma fórmula é comum recorrer-se a construção de uma tabela-verdade. a qual mostrará todos os casos em que a fórmula será verdadeira (V) ou falsa (F). 3. 5. sabendo que uma fórmula composta de n proposições simples gera uma tabela com 2n linhas. Conectivos entre parênteses. realize as operações lógicas. a expressão simbolizada pela fórmula é “Se Maria adoeceu e João viajou. Para cada operação. o que implica dizer que a tabela-verdade terá 23 = 8 linhas. Conte o número de proposições simples e calcule o número de linhas da tabela. Negação (¬). pode-se afirmar que na fórmula p ∧ q → r a conjunção tem precedência sobre a condição. Com base no exposto. 2. 3. 2. Regra prática 1. A seguir é apresentado um conjunto de passos que auxiliam na construção de tabelas-verdade. crie uma nova coluna na tabela. 4. que é a seguinte: 1.19 E agora. dos mais internos para os mais externos. é preciso fazer uso de parênteses: p ∧ (q →r). Desenhe a tabela e escreva cada proposição simples sobre a primeira linha. como saber qual das duas expressões está representada pela fórmula? Para solucionar problemas deste tipo. Para representar a segunda expressão. Para a iésima proposição simples (i ≤ n). notamos que existem três proposições simples na fórmula dada. Assim. atribua alternadamente 2n – i valores V seguidos da mesma quantidade de valores F. Então. Aplicando a regra 1. Considere a seguinte fórmula: p → (q ∧ r). Conjunção (∧) e disjunção (∨). temos (regra 2): . Em seguida.

devemos preencher a coluna correspondente com 23 –1 = 22 = 4 valores V seguidos da mesma quantidade de valores F. Para a segunda e a terceira proposições temos. A regra 4 indica a resolução de cada uma das operações lógicas. respectivamente: 23–2 = 21 = 2 valores V. seguidos da mesma quantidade de valores F.20 Pela regra 3. alternadamente e 23–3 = 20 = 1 valor V e também 1 valor F. seguindo uma ordem de precedência. assim. temos que p é a primeira proposição simples. iniciamos por resolver a conjunção entre parênteses. . alternadamente. Assim.

11 – Valor Lógico de uma Fórmula Determinar o valor lógico de cada uma das fórmulas a seguir: a) p → (a ∨ b). resolvemos a condição. ainda. onde V(p) = V. determinarmos o valor lógico de uma fórmula. . V(a) = F e V(b) = V. onde V(p) = V. conhecendo o valor lógico de cada uma das proposições que a compõem. Ficando com a seguinte estrutura: A última coluna corresponde à combinação dos possíveis valores lógicos da fórmula p → (q ∧ r). Exercício Resolvido Construa a tabela-verdade para a seguinte fórmula: (p ∨ q) → (p ∧ q) Solução É possível.21 Por fim. V(q) = F e V(r) = F. Exemplo 1. b) p ∧ (q ↔ r).

o valor lógico da fórmula p → (a ∨ b) é a verdade (V). temos: V(A) = (F → F) ∧ (V ∨ V) ↔ (V ∧ F) Resolvendo cada operação lógica entre parênteses. Assim. c: a raiz quadrada de 25 é igual ao dobro de 100 (a ∧ b) → (c ∨ ¬b) . a: o Brasil é um país em desenvolvimento. para fórmula mostrada na letra (a). r) é a falsidade (F) 2. Sabendo que V(p) = V e V(r) = F.22 Para determinar qual será o valor lógico de cada uma das fórmulas apresentadas. temos: V ∧ (F ↔F) = V ∧ V = V Portanto. Exercícios Resolvidos 1. Para a fórmula apresentada na letra (b). então a raiz quadrada de 25 é igual ao dobro de 100 ou o Maranhão não é o maior estado do Nordeste”. devemos substituir os valores lógicos das proposições simples que a compõem e realizar as operações lógicas indicadas. temos: V(A) = F Portanto.r) (¬p → r) ∧ (p ∨ ¬ r) ↔ (p ∧ r) SOLUÇÃO: Substituindo os respectivos valores lógicos na expressão. resolvendo a bicondição. o valor lógico da proposição A(p. SOLUÇÃO: Inicialmente devemos escrever a proposição em forma simbólica. temos: V(A) = V ↔ F Por fim. Determine o valor lógico da proposição “Se o Brasil é um país em desenvolvimento e o Maranhão é o maior estado do Nordeste. vem: V(A) = V ∧ V ↔ F Resolvendo a conjunção. o valor lógico da fórmula p ∧ (q ↔ r) também é a verdade (V). determine o valor lógico da proposição A(p. b: o Maranhão é o maior estado do Nordeste. temos: V → (F ∨ V) = V → V = V Portanto.

Portanto. resolvemos a implicação. Comprovamos que determinada fórmula é uma tautologia. Como conseqüência imediata desta definição. Assim. ou proposição tautológica. a proposição tem a verdade (V) como valor lógico. Contradições e Contingências Denomina-se tautologia.12 – Tautologia A fórmula p ∧ r → ¬q ∨ r é uma tautologia.23 Agora.8. (V ∧ F) → (F ∨ V) Resolvendo as operações lógicas entre parênteses.” 1. através da construção de sua tabela-verdade.4 Escreva a proposição a seguir em linguagem simbólica e em seguida determine seu valor lógico. tendo como resultado a verdade. Tal fato constata-se na tabela-verdade. Tiradentes morreu atropelado ou a metade de 15 é menor que 4. substituímos os valores lógicos de cada proposição simples na sentença encontrada. Exemplo 1. independente dos valores lógicos das proposições simples que a compõe. p → p e p ↔ p são tautologias. Tautologias. “A Terra é o planeta vermelho e a metade de 15 é maior que 4 se. . encontramos F→V Por fim. Auto Avaliação 1. toda fórmula cujo valor lógico é sempre a verdade. já que seus valores lógicos são sempre a verdade (V). podemos afirmar que as fórmulas p ∨ ¬p. e somente se.

pois se uma tautologia é sempre verdadeira (V). q.. .) cujo valor lógico é sempre F (falsidade).13 – Contradição A fórmula p → q ∧ (p ∧ ¬q) é uma contradição. . Tal fato constata-se na tabela-verdade. Pare e Reflita: Você pode demonstrar que as fórmulas p ∧ ¬p e p ↔ ¬p são contradições? Assim como as tautologias.. r.. Uma definição formal de contradição é dada por Alencar Filho (2002): Contradição é toda proposição composta P(p. r. Exemplo 1. q.. quaisquer que sejam os valores lógicos das proposições simples componentes p.14 – Contingência A fórmula p ∧ (q → ¬p) é uma contingência. Tal fato constatamos na tabela-verdade. Exemplo 1. consiste em fórmulas que são sempre falsas para quaisquer valores das proposições simples componentes. então sua negação será sempre falsa (F).24 O caso oposto ao de uma tautologia. chamado contradição. . As fórmulas que não se constituem nem tautologias nem contradições são chamadas de contingências. uma contradição pode ser demonstrada por meio de uma tabela-verdade. É imediata a conclusão de que uma contradição corresponde à negação de uma tautologia.

que é simbolizada por ⊕.25 Podemos afirmar que a fórmula dada é insatisfatível. enquanto que no segundo temos uma disjunção exclusiva. temos uma disjunção inclusiva. Note que na primeira proposição indica que pelo menos uma das proposições “Adriano é aluno de Licenciatura e Informática”. quando e q forem ambas verdadeiras e que é satisfatível. ou consistente. pois é impossível que Marina seja aprovada e reprovada em Matemática para Computação. A tabela-verdade para a disjunção exclusiva é a seguinte: TAREFA Mostre que p ⊕ q ↔ ¬(p ↔q) é uma tautologia. sendo possível que ambas as sejam verdadeiras. Assim. No primeiro caso. a proposição p ⊕ q é uma disjunção exclusiva e é lida da seguinte forma: “ou p ou q”. Na segunda proposição. . “Camila é brasileira” é verdadeira. também chamada de operação XOR.9. Disjunção Exclusiva Considere as seguintes proposições compostas: P: Adriano é aluno de Licenciatura em Informática ou Camila é brasileira. ou inconsistente. para as demais combinações de valores lógicos para p 1. percebemos que apenas uma das proposições poderá ser verdadeira. Q: Marina foi aprovada ou reprovada em Matemática para Computação.

A declaração (definição) das variáveis p. No caso da linguagem Pascal.26 Leitura Complementar Lógica nas Linguagens de Programação (extraído de: MENEZES. q. r). r: boolean. as linguagens de programação possuem o tipo de dado lógico ou boolenano pré-definido. Paulo Blauth. q e r. Assim. begin read (p. r: boolean A linguagem Pascal (assim como a maioria das linguagens de programação) possui os seguintes conectivos lógicos: not (negação) and (conjunção) or (disjunção) <= (condição) = (bicondição) Suponha que é desejado desenvolver um programa em Pascal capaz de calcular e informar o valor lógico da fórmula p ∨ (q ∧ r) para quaisquer valores de p. q e r deste tipo é como segue: p. A primeira linha define o nome do programa e informa que os procedimentos pré-definidos input e output serão usados para entradas (leituras) e saída (impressões). else write(‘falso’). respectivamente. Um programa para o problema é apresentado a seguir: program valor_logico (input. o tipo de dado é denominado boolean. 2008) Em geral. end. q. if p or (q and r) then write(‘verdadeiro’). q. . o programa necessita ler os valores de p. calcular o valor lógico da fórmula para os valores lidos e imprimir o resultado. Matemática Discreta para Computação e Informática. e os correspondentes valores lógicos V e F são denotados por true e false. output). q e r fornecidos. Porto Alegre: Bookman. var p. respectivamente.

. o comando após a palavra else é executado. O comando if-then-else tem a seguinte semântica: se a expressão lógica após a palavra if for verdadeira. então o comando após a palavra then é executado. q e r as quais são do tipo boolean. o texto falso é impresso. Portanto. senão. se o valor-verdade de p ∨ (q ∧ r) for verdadeiro. q e r lidos. se os valores de p. q e r a serem considerados. Entre as palavras begin e end são especificados os comandos (definem as ações). o texto verdadeiro é impresso. senão. O comando de leitura read lê os valores lógicos de p.27 A segunda linha define as variáveis p.

A operação de negação consiste na inversão do valor lógico da proposição original. e apenas. Denomina-se tautologia toda fórmula cujo valor lógico é sempre verdadeiro. Para os demais casos. um dos valores lógicos: verdadeiro ou falso. Uma proposição pode ser simples ou composta. São cinco os principais conectivos lógicos: NÃO. Uma conjunção será verdadeira quando as proposições que a compõem forem ambas verdadeiras. será falsa. o valor lógico será a verdade.. Para definição do valor lógico de uma proposição composta são utilizadas estruturas conhecidas como tabelas verdade. Uma disjunção só será falsa quando ambas as proposições que a compõem forem simultaneamente falsas.. ENTÃO. Uma condição é falsa quando um antecedente verdadeiro implicar numa falsidade.28 RESUMO • • • • • • • • • • • • • • • • • • Uma proposição é qualquer sentença declarativa que pode ser classificada como verdadeira ou falsa. . Para os demais casos. ligadas por conectivos lógicos. Para as demais combinações. Uma bicondição só é verdadeira quando ambos os operandos tiverem o mesmo valor lógico. As fórmulas que não são tautologias nem contradições são chamadas de contingências. Toda proposição válida é chamada de fórmula. E. Uma proposição composta é formada por duas ou mais proposições simples. SE. Chama-se contradição a fórmula que possui a falsidade como valor lógico. Toda proposição possui um. SE E SOMENTE SE. Uma proposição é válida quando obedece a regras sintáticas na sua escrita. uma operação lógica é definida. Para cada conectivo lógico. OU. em qualquer situação. a condição é verdadeira. O valor lógico de uma proposição composta é definido pelo valor lógico das proposições simples que a compõe e pelos conectivos empregados.

b: André é inteligente. É uma proposição composta. Sejam a. É uma proposição e seu é verdadeiro. É uma proposição e seu é verdadeiro. onde foi aplicada a função condicional. g) Como estes exercícios são fáceis! R. Então: V(f) = V. c: André fala vários idiomas. Então: V(i) = V. R. É uma proposição. Então: V(j) = V. R. no entanto o seu valor é falso. cujo o valor é verdadeiro. R. R. Para as que forem proposições.29 Exercícios Propostos (01) Leonardo Delgado 1. c) O dobro de qualquer número inteiro positivo sempre é par. É uma proposição. Então V(c) = V. R. j) A soma do quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos. d) Já que você está cansado. É uma proposição e seu é verdadeiro. R. a) A Lua é uma estrela da quinta grandeza. f) A cidade de Imperatriz fica às margens do rio Itapecuru. R. b e c as seguintes sentenças: a: André gosta de estudar. Analise as seguintes frases e indique quais delas são proposições. Então V(d)→V(d’) e) 21 é um número primo. Não é uma proposição e sim uma exclamação h) Não é verdade que Cabral descobriu a América. É uma proposição onde foi aplicada a operação de negação. cujo valor é falso. R. Então ~V(h) = V. levante-se e vá dormir. 2. Então: V(e) = F. i) A raiz quadrada da soma de 5 com 4 é 3. Então: V(a) = F b) Em que região brasileira fica localizado o Estado do Maranhão? R. justificando suas respostas. Não é uma proposição e sim uma pergunta. indique seu valor lógico. É uma proposição e seu valor é verdadeiro. .

Indique as tautologias e as contradições. (p → q) ∨ r e) Se meu salário não aumentar. se sentir fome. (p → q)→r ∨ (s →t) d) Comprarei uma casa nova apenas se meu salário aumentar ou se receber nova gratificação. ~p →(q→r) 4. mas não gosta de estudar. mas é inteligente. 2002 e GERSTING. então ele é inteligente. comprarei uma nova casa caso receba nova gratificação. ~V(c) ∨ V(b) ∨ ~V(a) 3. V(b) ∨ V(c) ¬ V(a) d) É falso que André é desinteressado pelos estudos ou que não é inteligente. 2003) Construa as tabelas-verdade para as seguintes fórmulas. V(a) ∨ V(c) →V(b) c) André é inteligente ou fala vários idiomas. (ALENCAR FILHO. Escreva as seguintes sentenças em notação simbólica. ou ele não gosta de estudar. a) (p → q) → (p ∧ r → q ∧ r) p V V V V F F F F q V V F F V V F F r V F V F V F V F p∧r V F V F F F F F q∧r V F F F V F F F p→q V V F F V V V V p∧r→q∧r V V F V V V V V (p → q) → (p ∧ r → q ∧ r) V V V V V V V V A fórmula (p → q) → (p ∧ r → q ∧ r) é uma tautologia . comerei um pedaço de bolo. (p ∨ q) → r c) Se o tempo estiver bom. iremos à praia. iremos esquiar. mas não ambos.30 Escreva as sentenças abaixo em notação simbólica: a) André é inteligente. mas se estiver chovendo ficaremos em casa ou. V(a) ∨ ~V(b) e) Ou André não fala vários idiomas. mas não gosta de estudar. se estiver nevando. a) Ou vou ao Shopping ou vou ao Cinema. (p ∨ q)→(p ∧q) b) Beberei água ou. V(b) ¬ V(a) ou V(b) ~V(a) b) Se André gosta de estudar ou fala vários idiomas.

então o rio Amazonas deságua no Oceano Atlântico. d) p ∧ q ↔ ¬q ∨ ¬p p V V F F q V F V F p∧q V F F F ¬q ∨ ¬p F V V V p ∧ q ↔ ¬q ∨ ¬p F F F F A fórmula p ∧ q ↔ ¬q ∨ ¬p é uma contradição. e. Determine o valor lógico de cada uma das seguintes sentenças. 5. e) (p ∧ q → r) ∨ (¬p ↔ q ∨ ¬r) p V V V V F F F F q V V F F V V F F r V F V F V F V F p∧q V V F F F F F F p∧q→r V F V V V V V V ¬p F F F F V V V V q ∨ ¬r V V F V V V F V (¬p ↔ q ∨ ¬r) F F V F V V F V (p ∧ q → r) ∨ (¬p ↔ q ∨ ¬r) V F V V V V V V A fórmula (p ∧ q → r) ∨ (¬p ↔ q ∨ ¬r) é uma contingência. se o Brasil fica na África. ~V (q) ∧ V (p) → V(r) V∧F→V=V . V(q) ∧ v(p) ∨ V(r) = V ∧ F ∨ V = V b) É falso que o Sol é um satélite natural da Terra. a) São Luís é a capital do Maranhão.31 b) (p → q) ↔ ¬p ∨ q p q p→q ¬p ∨ q V V V V V F F F F V V V F F V V A fórmula (p → q) ↔ ¬p ∨ q é uma tautologia c) ((p ∨ q) ∧ ¬r) → ¬p ∨ r p V V V V F F F F q V V F F V V F F r V F V F V F V F p∨q V V V V V V F F ¬r F V F V F V F V ((p ∨ q) ∧ ¬r) F V F V F V F F ¬p ∨ r V V F F V V V V ((p ∨ q) ∧ ¬r) → ¬p ∨ r V V V F V V V V (p → q) ↔ ¬p ∨ q V V V V A fórmula ((p ∨ q) ∧ ¬r) → ¬p ∨ r é uma contingência. e 2 + 2 = 5 ou 6 é o dobro de 3.

então 10 > 5. V(r) = V. sabendo que V(p) = V.32 c) Se a raiz quadrada de 16 é 8 e 5 – 3 resulta em um número par. sabendo que V(p) = F e V(q) = V. V(q) = F e V(s) = F. (F ∧ (F → F)) ∧ ¬ ((F ↔ F)→V ∨ V) (F ∧ V) ∧ ¬ (V →V) F∧F=F . (F ∧ V) ∧ F → (V ↔F) F∧F→F F→F=V e) (p ∧ (¬q → p)) ∧ ¬ ((p ↔ ¬q) → q ∨ ¬p). V(q) ∧ V(p)→ V(r) F∧V→V=V d) (q ∧ r) ∧ s → (p ↔ s).

• • • Ao justificar uma falta à aula de Matemática para Computação. Neste capítulo. Portanto. Todo sistema formal que faz uso de fórmulas proposicionais é chamado de lógica proposicional ou cálculo proposicional. então. chamada conclusão. a partir das quais se pode inferir outra proposição. 2003). Partindo desta observação.. então ele gosta de matemática. onde a última delas é conseqüência das anteriores. 2000). (PINHO. O cálculo proposicional consiste no uso dos recursos da lógica formal para se chegar a conclusões a partir de proposições dadas (GERSTING. Ao defender um ponto de vista. chamadas premissas ou hipóteses. Marcos gosta de matemática. Conceito de Argumento – Argumentos Válidos O nosso dia a dia é repleto de situações que envolvem o conceito de argumentação. O que seria.1. nos argumentos apresentados. que consistem numa série de proposições. temos: . Garfield tem sete vidas. P2. Garfield é um gato. Pn.33 Capítulo 2 Cálculo Proposicional No capítulo anterior utilizamos a notação da lógica formal para representar proposições de maneira simbólica como fórmulas. Essas fórmulas são conhecidas como fórmulas proposicionais. estudaremos métodos de raciocínio expressos sob a forma de argumentos. Ao explicar a razão de não ter sido aprovado em uma determinada disciplina.. considere as seguintes expressões: a) Todo gato tem sete vidas. Vamos lá? 2. Logo. Perceba que as expressões dadas são um conjunto de proposições. podemos dizer o que é um argumento. 2000) Assim. Denomina-se argumento a afirmação de que de um dado conjunto de proposições P1. um argumento? Para responder a esta pergunta. decorre uma proposição Q. . b) Se Marcos é engenheiro. Marcos é engenheiro. chamadas hipóteses. a conclusão (PINTO. .

. Note que embora as hipóteses e a conclusão apresentem. podemos representar um P1 ∧ P2 ∧ P3 ∧ .. então ele gosta de matemática.. P2. Utilizando argumento como: a linguagem simbólica. O argumento (a) possui duas hipóteses: 1. Alguns autores utilizam a seguinte notação para representar argumentos: P1. Pn são as hipóteses do argumento e Q é a conclusão. A conclusão é um fato verdadeiro isolado.. individualmente. . Por esta razão. serei aprovado. serei aprovado. esta não decorre diretamente daquelas. então aprenderei Lógica... P2. Teresina é a capital do Piauí. . se eu estudar Matemática Discreta. Logo. como valor lógico a verdade.. Conclusão: Marcos gosta de matemática. A conclusão é: O homem é um ser racional. Teresina é a capital do Piauí. Para argumentos: responder a esta pergunta. P3. considere os seguintes Pare e Reflita: Todo argumento é válido? a) O Brasil é o maior país da América do Sul em extensão territorial. b) Se eu estudar Matemática Discreta. Marcos é engenheiro. O Brasil é o maior país da América do Sul em extensão territorial. b) Hipóteses: Se Marcos é engenheiro. ∧ Pn → Q onde P1. o argumento é dito inválido. o homem é um ser racional. Portanto. não estando relacionado com as hipóteses. Se eu aprender Lógica. Pn Q A segunda notação apresentada é a mais comum na bibliografia.. Conclusão: Garfield tem sete vidas.34 a) Hipóteses: Todo gato tem sete vidas Garfield é um gato. 2.

b): Se eu estudar Matemática Discreta.35 Para o argumento (b). serei aprovado. 200). então aprenderei Lógica. Considerando os argumentos apresentados acima. serei aprovado. Portanto. . ∧ Pn → Q é válido quando for uma tautologia. Se um argumento é válido. b) P(a.. temos as seguintes hipóteses: 1. então aprenderei Lógica. serei aprovado. temos: a) p: O Brasil é o maior país da América do Sul em extensão territorial. Em outras palavras. o que prova que o argumento é inválido. então a condicional que o representa é sempre verdadeira. Se eu estudar Matemática Discreta. r: O homem é um ser racional. serei aprovado Em linguagem simbólica: (a → b) ∧ (b → c) → (a → c). q: Teresina é a capital do Piauí. 2. a: Estudar Matemática Discreta. c): Se eu aprender Lógica. c): Se eu estudar Matemática Discreta. Neste caso. nota-se claramente que a conclusão é decorrente das hipóteses. b: Aprenderei Lógica Q(b. Se eu aprender Lógica. independente dos valores lógicos das proposições componentes (PINHO. trata-se de um argumento válido. Em linguagem simbólica: p ∧ q → r. c: Serei aprovado R(a. podemos dizer que um argumento P1 ∧ P2 ∧ . E a conclusão: Se eu estudar Matemática Discreta. A fórmula não é uma tautologia..

Existem dois tipos de argumentos: argumentos indutivos e dedutivos. Dizemos que um argumento é indutivo se sua validade ou invalidade for independente de sua forma lógica. Antonio de Almeida. preservando seu valor lógico.2. Um argumento é dito dedutivo se. e somente se. Raimundo não estava na cidade.1 Analise o seguinte argumento: “Se José pegou as jóias ou André mentiu. Auto Avaliação 2. Portanto. Portanto. sua validade depender apenas de sua forma lógica. A lógica formal prevê um sistema de regras de dedução que modificam uma fórmula. então ocorreu um crime. Equivalência Lógica e Implicação Lógica Considere a fórmula abaixo e sua respectiva tabela-verdade.” FONTE: PINHO. Introdução à Lógica Matemática. 2. Se ocorreu um crime então Raimundo estava na cidade. trata-se de um argumento válido.36 Perceba que a fórmula correspondente à representação simbólica do argumento é uma tautologia. ou José não pegou as jóias ou André não mentiu. p ∨ (q ∧ r) ↔ (p ∨ q) ∧ (p ∨ r) .

De fato. uma vez que existem infinitas tautologias. ou simplesmente equivalência. podemos escrever p ∨ (q ∧ r) ⇔ (p ∨ q) ∧ (p ∨ r). constituem uma equivalência lógica. cujas tabelas-verdade são idênticas. dizemos que as fórmulas p ∨ (q ∧ r) e (p ∨ q) ∧ (p ∨ r) são logicamente equivalentes.37 Observe que a fórmula dada é uma tautologia. 2005) A seguir são apresentadas algumas das principais equivalências lógicas. reciprocamente. então possuem a mesma tabela-verdade. diz-se que p e q são logicamente equivalentes. Assim. e. duas proposições são equivalentes quando expressam a mesma idéia. Tabela 2. se duas fórmulas sintaticamente diferentes são logicamente equivalentes. são equivalentes. se duas proposições têm a mesma tabela-verdade. Note também que ela é composta por duas outras fórmulas. podemos dizer que. Segundo Menezes (2008). então elas possuem o mesmo significado. ou seja.” (PINHO. Neste caso. Procuramos listar as equivalências mais importantes do ponto de vista de sua utilidade. simbolizada por ⇔. Pare e Reflita: Com base na definição apresentada. toda tautologia representada por uma proposição bicondicional (p ↔ q). Chama-se equivalência lógica.1: Equivalências Lógicas A lista de equivalências apresentada é apenas exemplificativa. . Neste caso. justifique a seguinte afirmação: “Se duas proposições são equivalentes. p ∨ (q ∧ r) e (p ∨ q) ∧ (p ∨ r).

Em outras palavras. ou simplesmente implicação.1. Constatamos tal fato na tabela-verdade. Basta a construção da tabela-verdade da condicional correspondente.38 Exemplo 2.2: Implicações Lógicas A demonstração das implicações citadas é simples. – Equivalência Lógica Uma equivalência muito importante é a chamada Redução ao Absurdo. podemos dizer que p implica logicamente q se a veracidade da primeira arrastar necessariamente a veracidade da segunda (PINTO. p → q ⇔ p ∧ ¬q → r onde r é uma proposição cujo valor lógico é a falsidade (F). Neste caso. toda tautologia representada por uma proposição condicional (p → q). Analisaremos agora as tautologias da forma p → q. 2000). diz-se que p implica logicamente q.2 – Implicação Lógica Considere a implicação lógica Modus Ponens. (p → q) ∧ p ⇒ q . Chama-se implicação lógica. Tabela 2. O símbolo da implicação lógica é ⇒. que são chamadas de implicações lógicas ou inferências lógicas. Exemplo 2. A seguir são listadas as principais regras de implicação lógica.

Dedução no Cálculo Proposicional Como demonstrado nas seções anteriores. o argumento é dito inválido. Tais regras foram apresentadas nas seções anteriores e consistem na reescrita de fórmulas sem alteração de seus valores lógicos. Em caso contrário. e. .39 Prova-se que essa regra é uma implicação lógica. 2003). . Esses métodos são chamados de métodos dedutivos e consistem na aplicação de regras que modificam uma fórmula sem alterar seu valor lógico. e na dedução de novas fórmulas a partir de outras.. termina com a conclusão Q.. Para resolver este problema. foram desenvolvidos outros métodos para mostrar a validade de um argumento. 2. supostamente verdadeiras. Um algoritmo para o processo de dedução foi formulado por Pinho (2005) e é apresentado a seguir. P2. Dizemos que um argumento é válido quando for possível obter a conclusão Q através da dedução. Entretanto. a tabela-verdade terá 28 = 256 linhas. se temos um argumento com 8 proposições simples. no caso da inferência.2 Você pode demonstrar as regras apresentadas na Tabela 2 e na Tabela 3. As regras de dedução para a lógica proposicional podem ser de dois tipos: equivalências e inferências. por meio da construção de tabelas-verdade. o que inviabiliza sua construção. quando temos muitas proposições simples envolvidas no argumento. no caso da equivalência. A dedução parte das hipóteses P1. o número de linhas da tabela verdade é grande.3. Pn. que deve ser verdadeira. através da aplicação de regras de dedução. através da sua tabela-verdade Auto Avaliação 2. é possível mostrarmos a validade ou invalidade de um argumento por meio da construção de sua tabela-verdade.. Por exemplo. pois os valores lógicos são preservados sob aplicação das regras (GERSTING.

p ∧ ¬s ├ ¬r ∧ t Para provar a validade de um argumento. Deste modo. ..2 silogismo hipotético 5.. Repita o passo 2 até que a proposição incluída em P seja o conseqüente Q. devemos construir uma seqüência de demonstração. 2. 3. Para um ou mais elementos do conjunto das premissas. Essa seqüência consiste na aplicação de regras de equivalência ou de inferência sobre as hipóteses. 6 modus ponens 4 simplificação 8 adição 9..3 – Dedução na Lógica Proposicional Vamos provar o seguinte argumento: (p → q) ∧ (q → ¬r) ∧ (¬s ∨ r → t) ∧ (p ∧ ¬s) → (¬r ∧ t) que também pode ser escrita como p → q. indicando ao lado como esta foi obtida. 3 modus ponens 7.. A partir do passo 5 foram aplicadas regras de equivalência e inferência para obter uma nova proposição. aplique regras de equivalência ou de inferência conhecidas. Defina o conjunto P formado pelas premissas {P1. Pn}. 10 conjunção Observe que cada passo foi numerado para facilitar a seqüência de demonstração. P2. obtendo novas proposições e as inclua no conjunto P. As 4 hipóteses foram escritas nas 4 primeiras linhas. Exemplo 2.40 O processo de Dedução Dado um argumento P1 ∧ P2 ∧ . q → ¬r.. . a fim de obtermos a conclusão. ∧ Pn → Q. ¬s ∨ r → t. faça: 1. temos: 1p→q 2 q → ¬r 3 ¬s ∨ r → t 4 p ∧ ¬s 5p 6 p → ¬r 7 ¬r 8 ¬s 9 ¬s ∨ r 10 t 11 ¬r ∧ t (hipótese) (hipótese) (hipótese) (hipótese) 4 simplificação 1.

d – sair de férias. c – ser aprovado.41 Exercícios Resolvidos 1. Para a sequência de prova. se eu responder todos os exercícios corretamente. Assim. como (1) a∨b→c∧d (hipótese) (2) d∨e→f (hipótese) (3) a (hipótese) . d∨e→f a→f f A demonstração consiste numa seqüência de demonstração. Provar a validade do argumento: “Se eu responder todos os exercícios corretamente ou tirar 10 nas provas de Matemática para Computação. Se eu sair de férias ou ganhar duas passagens de presente. e – ganhar duas passagens de presente. Este é um caso especial de demonstração. então serei aprovado e sairei de férias. d∨e→f segue. 2 modus ponens 5 adição 2. devemos. irei conhecer os Lençóis Maranhenses. Demonstrar que o argumento a∨(b∧c). d∨e→f Deste a→f modo o argumento é representado por a∨b→c∧d. pois. irei conhecer os Lençóis Maranhenses. f – conhecer os Lençóis Maranhenses. o argumento a ser provado torna-se ∨b→c∧d. como segue: (1) a∨(b∧c) (hipótese) (2) a∨b→d (hipótese) (3) (a ∨ b) ∧ (a ∨ c) (4) a ∨ b (5) d (6) a ∨ d a∨d é valido 1 lei distributiva 3 simplificação 4. no qual a conclusão é uma condicional.” SOLUÇÃO Inicialmente é preciso escrever o argumento em linguagem simbólica. a – responder todos os exercícios corretamente b – tirar 10 nas provas de Matemática para Computação. Logo. a∨b→d SOLUÇÃO A demonstração consiste numa seqüência de demonstração. a∨b→c∧d. considerar o antecedente da conclusão como uma hipótese e deduzir o conseqüente.

Chama-se equivalência toda tautologia representada por uma proposição bicondicional. 3 adição 4. 2modus ponens . Define-se implicação como toda tautologia representada por uma proposição condicional. Dedução é o processo utilizado para de demonstrar a validade de um argumento. Um argumento é válido quando o mesmo representar uma tautologia.42 (4) a ∨ b (5) c ∧ d (6) d (7) d ∨ e (8) f RESUMO • • • • • Um argumento é um conjunto de proposições das quais decorre outra proposição. que consiste num conjunto de regras utilizadas para modificar uma fórmula sem alterar seu valor lógico. 1 modus ponens 5 simplificação 6 adição 7.

q → r. prove a validade dos seguintes argumentos. As regras de equivalência e implicação lógicas é uma forma de utilizar a álgebra das proposições. Explique em que consiste cada uma dessas técnicas. (ALENCAR FILHO. verificar ou testar a validade de qualquer argumento. ¬s p q r V V V V V V V V F V V F V F V V F V V F F V F F F V V F V V F V F F V F F F V F F V F F F F F F O argumento é válido s V F V F V F V F V F V F V F V F r ∧ (p ∨ q) p∨q V V V V V V V V V V V V F F F F q→r V V F F V V V V V V F F V V V V p→s V F V F V F V F V V V V V V V V ~s F V F V F V F V F V F V F V F V r ∧ (p ∨ q) V V F F V V F F V V F F F F F F ←10 . p → s. mas o seu emprego torna-se cada vez mais trabalhoso à medida que aumenta o número de proposições simples componentes dos argumentos. explicitando suas vantagens e desvantagens. a) (p ∧ ¬q) ∧ (¬r ∧ q) → (p ∧ r) p q r ~q ~r p ∧ ¬q (¬r ∧ q) V V V F F F F V V F F V F V V F V V F V F V F F V V V F F V V F F F F F V F F V F V F F V V F F F F F F V V F F Esse argumento não é valido é um sofisma (p∧¬q)∧(¬r∧q) F F F F F F F F (p∧r) V F V F F F F F (p∧¬q)∧(¬r∧q)→(p∧r) F F F F F F F F b) p ∨ q. A prova de argumentos na lógica proposicional podem se dar pela aplicação de regras de equivalência e implicação ou pela construção de tabelas-verdade. 2.43 Exercícios Propostos (02) Leonardo Delgado 1. O método das tabelas-verdade permite demonstrar. no emprego do método dedutivo. 2002) Por meio da construção de tabelas-verdade. como forma de comprovar a validade de um argumento.

ID q→r b) p → q.BICOND (5) q→s 4 -SIMP (6) p→s 1. a) (p ∨ ¬q) ∨ r. t ∨ (r ∧ ¬s) p→t (1) p → q P (2) q ↔ s P (3) t ∨ (r ∧ ¬s) P (4) (q → s) ∧ (s → q) 2. ¬p ∨ (q ∨ ¬p) (1) (p ∨ ¬q) ∨ r P (2) ¬p ∨ (q ∧ ¬p) P (3) ¬p∨q 2-SD (4) p→q 3-COND (5) q∨¬q∨r 3. 2002) Faça o mesmo que na questão 2. porém utilizando o método dedutivo.44 c) p → q ∧ r. (PINHO. ¬p → s p V V V V V V V V F F F F F F F F q V V V V F F F F V V V V F F F F r V V F F V V F F V V F F V V F F s V F V F V F V F V F V F V F V F q∧r V V V V F F F F F F F F F F F F ¬p ∧ s p→q∧ r V V V V F F F F V V V V V V V V ¬(q∧r) F F F F V V V V V V V V V V V V ¬p F F F F F F F F V V V V V V V V ¬p→s V V V V V V V V V F V F V F V F ¬p∧s F F F F F F F F V F V F V F V F ←9 ←11 ←13 ←15 O argumento é válido d) (p ∨ ¬q) ∧ ¬p ∧ (¬(p ∧ r) → q) → r p V V V V F F F F q V V F F V V F F r V F V F V F V F ¬q F V F V F V F V ¬p F F F F V V V V p∨¬q V V V V F V F V (p∧r) V F V F F F F F ¬(p∧r) F V F V V V V V (¬(p∧r)→q) V V V F V V F F Esse argumento não é valido é um sofisma 3. ¬(q ∧ r).1MP (6)q∨q→r 5 – COND (7) q→r 6.SH (7) (t∨r)∧(t∨¬s) 3. q ↔ s.5. ALENCAR FILHO. 2005.DIST .

ou pagamos a dívida ou as exportações não crescem.11-CONJ 4. 2003. a) Ou pagamos a dívida ou o déficit aumenta.exportações crescem p∨q.(EI) (6) r∨q→p→s 2. se as exportações crescerem. t ¬p ∧ ¬r (1) p → q P (2) r → s P (3) q ∨ s → ¬t P (4) t_ P_ (5) ¬¬t 4 -DN (6) ¬(q ∨ s) 3. 2002) Escreva os argumentos abaixo em linguagem simbólica.45 (8) t∨¬s (9) ¬s∨t (10) s→t (11) p→t 7.MT (7) ¬q∧¬s 6-DM (8) ¬q 7-SIMP (9) ¬s 7-SIMP (10) ¬p 1. p r↔s (1) p ∧ q → r P (2) r ∨ q → ¬p ∨s P (3) s → q P (4) p P (5) p→q→r 1. q ∨ s → ¬t. ALENCAR FILHO.8-MT (11) ¬r 2.6.3. MP Obs.AD (8) (r∨q)→(s∨q) 5.9-MT (12) ¬p∧¬r 10.SIMP 8 -COM 9 -COND 6. r → s. r ∨ q → ¬p ∨s. 2005. (PINHO. Logo. o déficit não aumenta. p-pagar a divida q-defict aumenta r. GERSTING. r→~q p→~r . MP (9) r∨q→s 8.10-SH c) p ∧ q → r. Tentei de diversas formas mas não consegui resolver essa questão d) p → q.5 . s → q. COND (7) p∨q 4.

e ou a França não era forte ou Napoleão cometeu um erro. logo passei em Matemática para Computação. a França seria forte. p∨r p→r 5. o exército falhou e a Rússia tinha um poder superior. p. Logo.46 b) Se o programa é eficiente. Eu trabalhei. não posso estudar. ele executará rapidamente: ou o programa é eficiente ou ele tem um erro. o programa contém um erro. a)p∨q.Rússia tinha um poder superior q. p-programa eficiente q-executar rapidamente r-tem um erro (p→q)∧(p∨r).passar em matemática para computação p→~q. o programa não executa rapidamente. ~q r c) A Rússia tinha um poder superior. Napoleão não cometeu um erro. mas se o exército não tivesse falhado. Portanto. Trabalho ou passo em Matemática para Computação.o exército falhou p∧(~q∨r). ~r→(~s→q) s∧p d) Se trabalho. No entanto. r→~q p→~r p V V V V F F F F q V V F F V V F F r V F V F V F V F ~q F F V V F F V V ~r F V F V F V F V p∨q V V V V V V F F r→~q F V V V F V V V p→~r F V F V V V V V ←2 ←3 ←4 Esse argumento não é valido é um sofisma.França era forte r. Investigue a validade dos argumentos da questão 4. p-trabalho q-poder estudar r.Napoleão cometeu um erro s. devido a linha três a falsidade da conclusão. .

d)p→~q. ~q p V V V V F F F F r q V V F F V V F F r V F V F V F V F p→q V V F F V V V V p∨r V V V F V V V F (p→q)∧(p∨r) V V F F V V V F ~q F F V V F F V V ←7 Esse argumento é valido na linha 7. c) p∧(~q∨r). nas linhas 2 e 6. ~r→(~s→q) p V V V V V V V V F F F F F F F F q V V V V F F F F V V V V F F F F r V V F F V V F F V V F F V V F F s V F V F V F V F V F V F V F V F ~q F F F F V V V V F F F F V V V V ~q∨r V V F F V V V V V V F F V V V V s∧p p∧(~q∨r) V V F F V V V V F F F F F F F F ~s F V F V F V F V F V F V F V F V ~s→q V V V V V F V F V V V V V F V F ~r F F V V F F V V F F V V F F V V ~r→(~s→q) V V V V V V V F V V V V V V V F s∧p V F V F V F V F F F F F F F F F ←1 ←2 ←5 ←6 ←7 Esse argumento não é valido. p∨r p→r p V V V V F F F F q V V F F V V F F r V F V F V F V F ~q F F V V F F V V p→~q F F V V V V V V p∨r V V V V V F V F p→r V F V V V V V V ←3 ←4 ←5 ←7 Esse argumento é valido. logo é um sofisma. .47 b)(p→q)∧(p∨r).

Utilizando a notação proposta pela lógica proposicional. vamos lá? 3. Predicados e Quantificadores Iniciemos nossa discussão pela análise da proposição “Todos os maranhenses são brasileiros”. ∨. r: Raimundo é brasileiro. este argumento tem a seguinte representação: p∧q→r Embora seja possível determinar intuitivamente que esse argumento é válido.1. se x é maranhense. Segundo Pereira (2008). que será nosso objeto de estudo neste capítulo. Todos os maranhenses são brasileiros. Como a lógica proposicional disponibiliza um modelo de raciocínio muito limitado. 2008). “cada”. já que o mesmo não é uma tautologia (comprove pela construção da tabela-verdade). etc. pois dependem do significado lógico de palavras como “todo”. não há como demonstrar que a conclusão r é uma conseqüência lógica das hipóteses p e q. que não pode ser expresso na lógica proposicional. a validade de alguns argumentos não depende somente desses operadores (PEREIRA. → e ↔. Entretanto. E aí.48 Capítulo 3 Lógica de Predicados Nos capítulos anteriores. q: Todos os maranhenses são brasileiros. . a análise de argumentos dessa natureza é feita por meio dos recursos oferecidos pela lógica de predicados. então x é brasileiro. que trata das relações lógicas geradas pelos operadores ¬. temos: p: Raimundo é maranhense. O significado desta proposição é expresso a seguir: Para todo x. “algum”. Logo. Raimundo é brasileiro. Considere o seguinte argumento: “Raimundo é maranhense. ∧. estudamos a lógica proposicional. “nenhum”. Muitos outros argumentos também não podem ser representados e analisados por meio da lógica proposicional.” Dele. a validade desse argumento depende do significado da palavra todos.

Para melhor entendimento do uso de quantificadores. é possível escrever a proposição dada em notação simbólica: (∀x)(se x é maranhense. por meio do qual é representada a existência de pelo menos um objeto que possua determinada propriedade. que permite a expressão de fatos sobre todos os objetos em determinado contexto. nossa proposição será escrita da seguinte maneira: (∀x)(maranhense(x)→brasileiro(x)) É possível simplificar ainda mais esta proposição. analise atentamente o exemplo que segue. Uma variável. Neste caso. onde maranhense é o que se diz de x e. a proposição (∃x)M(x) expressa que “existe x. Um quantificador representa. do mesmo modo. Assim. então x é brasileiro) Esta representação pode ser simplificada. 2003) (PEREIRA. Além do quantificador universal. Predicado é o que se diz dos objetos. Esta propriedade é o que chamamos de predicado2. No nosso exemplo. neste contexto. 2 1 . tal que x é maranhense”. 2008). a quantidade de objetos1 que possuem determinada propriedade. então x é brasileiro). Deste modo. Um objeto é qualquer coisa a respeito da qual se diz algo. simbolizado por ∃. possui definição semelhante à dada pela álgebra: seu uso permite a expressão de fatos sobre determinados objetos sem que seja necessário dizer explicitamente quem são esses objetos (GERSTING. foi utilizado o quantificador “para todo”. podemos utilizar o quantificador existencial. já que é padronizada uma notação para simbolizar o predicado. temos: (∀x)(M(x) → B(x)) Esta é a notação utilizada para a representação simbólica de sentenças na lógica de predicados. 2008). como o nome já diz. Com isso. podendo ser entendido como uma relação entre os objetos de determinado contexto (PEREIRA.49 Esta proposição apresenta novos elementos: um quantificador (para todo). maranhense(x) = M(x) brasileiro(x) = B(x) Com isso. utilizando uma notação mais genérica para o predicado. brasileiro(x). Este quantificador é chamado quantificador universal e é simbolizado por ∀. uma variável (x) e um predicado (se x é maranhense. podemos escrever: maranhense(x).

2 – Predicado Poliádico Considere as seguintes expressões: (∀x)(∃y)P(x. por isso. onde capital é a relação (ou predicado) entre os objetos São Luís e Maranhão. pode ser expressa como capital (São Luís. Esta sentença pode ser generalizada. b) Existe um número natural que não é divisível por 2. ou binário. Maranhão). Exemplo 3. Em predicados poliádicos.50 Exemplo 3. a ordem em que as variáveis aparecem é muito importante. Quando um predicado envolve propriedades de mais de uma variável ele é chamado de predicado poliádicos3. Neste contexto. Vamos simbolizar esses exemplos: a) P(x) = x é um número inteiro par Q(x) = x é divisível por 2 (∀x)(P(x) → Q(x)) b) Q(x) = x é divisível por 2 (∃x)(¬Q(x)) c) P(x) = x é um político C(x) = x é corrupto (∃x)(P(x) ∧ ¬C(x)) Até então. . sendo. etc. quando utilizamos predicados poliádicos. onde o predicado poliádico A significa “é capital de”. através do uso de variáveis: capital (x. pois interfere no significado da sentença. Neste caso. todos os predicados com os quais trabalhamos envolvem propriedades de apenas uma variável.1 – Lógica de Predicados Considere as seguintes expressões: a) Todo número inteiro par é divisível por 2. de acordo com a quantidade de variáveis envolvidas na sentença. a sentença “São Luís é a capital do Maranhão”. é necessário o uso de mais de um quantificador. ternário. devemos ficar atentos à ordem em que os quantificadores são empregados. y) 3 Alguns autores chamam o predicado poliádico de relação. c) Nem todo político é corrupto. y). uma vez que isto pode mudar completamente o significado da expressão. y) (∃x)(∀y)P(x. Normalmente. A(x. y). chamados de predicados unários ou monádicos. ou simplesmente.

são aprovados em Matemática para Computação”. tente responder a pergunta que segue. A expressão pode ser escrita da seguinte forma: A(x) ∧ E(x) → P(x) Auto Avaliação 3. E(x) = x estuda em casa. mas gostam de Matemática para Computação. É importante saber que todos os conectivos e operações lógicas definidas para a lógica proposicional são igualmente válidos para a lógica de predicados. possuindo aqui o mesmo significado. A interpretação para a segunda expressão é: existe um número x real tal que para todo número y real. d) Nem todos os macacos gostam de banana. A primeira expressão tem o seguinte significado: para todo número real x existe um número real y. Considere a seguinte expressão “Alunos que são assíduos às aulas e estudam em casa. Desta expressão é possível extrair os seguintes predicados: A(x) = x é assíduo. P(x) = x foi aprovado em Matemática para Computação. Pare e Reflita: Como é determinado o valor lógico de expressões como (∀x)M(x) e (∃x)M(x)? . Veja como a ordem em que os quantificadores foram empregados alterou completamente o sentido da expressão. Agora que você já entendeu a estrutura de uma expressão na lógica de predicados. b) Todos os alunos estudiosos gostam de Matemática para Computação. y) é a propriedade de que x é o dobro de y. c) Alguns alunos não são estudiosos. tal que x é o dobro de y.1 Represente simbolicamente as seguintes expressões predicativas: a) Todos os macacos gostam de banana. x é o dobro de y.51 onde x e y são números reais e P(x.

2. c) A atribuição de um objeto particular no domínio de interpretação para cada símbolo da expressão. temos: Para este caso. Exemplo 3. a interpretação da expressão é de que todo número natural é maior ou igual a zero. Um conceito formal de interpretação para uma expressão predicativa foi apresentado por Gersting (2003): Uma interpretação para uma expressão envolvendo predicados consiste em: a) Um conjunto de objetos (Domínio de Interpretação).2.3 – Domínio de Interpretação Considere a seguinte expressão: (∀x)P(x) Adotando como domínio de interpretação os habitantes de sua cidade. esse contexto é representado por um conjunto de objetos sob os quais a interpretação é feita. Domínio de Interpretação de uma Expressão Predicativa – Valores Lógicos Na lógica de predicados. temos: A interpretação da expressão é que todos os habitantes da sua cidade são alunos do curso de Licenciatura em Informática. sendo chamado de Domínio de Interpretação ou Conjunto Universo. e sendo P(x) a propriedade de que x é maior ou igual a zero. y) apresentada no exemplo 3. O valor lógico desta expressão neste domínio de interpretação é a falsidade. considere a expressão (∀x)(∃y)P(x.52 3. com pelo menos um objeto. o valor lógico de uma expressão não depende somente do significado dos conectivos utilizados. mas também do contexto no qual ela (a expressão) é interpretada. tomando por domínio de interpretação o conjunto dos números naturais. . Para Gersting (2003). Para melhor entendimento deste conceito. o que nos permite afirmar que a sentença é verdadeira. e sendo P(x) a propriedade de que x seja aluno do curso de Licenciatura em Informática. Agora. b) A especificação de uma propriedade dos objetos no domínio para cada predicado da expressão.

Disto. concluímos que a presença dos parênteses interfere no escopo de um quantificador e. Considerando x = 2. Fórmulas Predicativas: Tradução e Validade Uma expressão predicativa é construída através da combinação de predicados com quantificadores. podemos falar em fórmulas predicativas. Para isso. sucessivamente. da mesma maneira como falamos de fórmulas proposicionais no capítulo 1. y). o escopo do quantificador limita-se ao predicado que o sucede. modifica o significado da expressão como um todo. especificamos uma propriedade pertinente ao domínio para o predicado P(x. no primeiro exemplo. parênteses (ou colchetes) e conectivos lógicos (GERSTING. existe outro número real (y) que é exatamente o dobro de x. que este domínio seja o conjunto dos números reais. Auto Avaliação 3. então. 3. já que para qualquer número real x. existe y = -2. Quando não há parênteses.3. Por fim. atribuímos objetos particulares do domínio para as variáveis x e y. 2005).2 Forneça uma interpretação na qual o valor lógico da expressão (∀x)P(x) seja a verdade e outra no qual seja a falsidade. Referente a esta situação. Considerando as expressões (∃x)(P(x) → Q(x)) e (∃x)P(x) → Q(x). Em seguida.53 Inicialmente devemos definir o domínio de interpretação com pelo menos um elemento. que a expressão é verdadeira dentro do domínio de interpretação considerado. como conseqüência. Os parênteses (ou colchetes) são utilizados para delimitar o escopo4 de um quantificador. então. Consideremos. as predicativas devem obedecer a um conjunto de regras sintáticas para sua escrita. dizemos que o quantificador ∃ atua sobre P(x) → Q(x). É comum utilizarmos apenas o nome fórmula para identificar tanto as fórmulas predicativas quanto as fórmulas proposicionais. assim. Com isso. para x = -5. 4 . y) é a propriedade de que x é o dobro de y. e sobre P(x) no segundo. 2003). Induzimos. para x = 10. a fim de constatarmos o valor lógico da expressão. Da mesma forma que as expressões proposicionais. existe y = 5 e. que P(x. Chama-se variável livre Chama-se escopo de um quantificador a parte da expressão sobre o qual ele atua (PINHO. é preciso ainda introduzir dois conceitos importantes: o de variável livre e o de variável ligada. notamos que existe y = 1.5. apresente o domínio de interpretação e o significado do predicado P(x). pois. Podemos dizer.

para todo x. c) Existem políticos honestos. uma variável que está vinculada a um quantificador é chamada de variável ligada. Uma tarefa que pode parecer difícil é a tradução de expressões em português para a notação simbólica da lógica de predicados. denominadas enunciados categóricos. x é uma variável ligada. tal que x é maranhense e x não é torcedor do Sampaio Corrêa. Ou seja.54 aquela que aparece em uma fórmula predicativa fora do escopo de um quantificador que envolva esta variável. percebemos que a expressão (a) é do tipo universal afirmativo. Para facilitar este trabalho. então x é brasileiro. Na expressão (∃x)P(x) → Q(x) a variável x é dita livre em sua segunda ocorrência. Chamando A(x) = x é arma de fogo e P(x) = x é perigoso.4 – Enunciados Categóricos Considere as seguintes expressões: a) Armas de fogo são perigosas. temos expressões como “todos os maranhenses são brasileiros”. se x é maranhense. pois está fora do escopo do quantificador existencial. Particular Afirmativo: são enunciados da forma (∃x)(P(x)∧Q(x)). • Universal Afirmativo: são enunciados da forma (∀x)(P(x)→Q(x)). Na primeira ocorrência. A expressão “alguns maranhenses não são torcedores do Sampaio Corrêa” é um exemplo de sentença que se encaixa nesta categoria. Por outro lado. • • • Exemplo 3. então x não é marciano. temos (∀x)(A(x) → P(x)). existem um x. d) Não existem homens verdes. Universal Negativo: são enunciados da forma (∀x)(P(x)→¬Q(x)). se x é maranhense. Ou seja. Particular Negativo: são enunciados da forma (∃x)(P(x)∧¬Q(x)). Aqui. então este objeto é perigoso. tal que x é maranhense e x é torcedor do Sampaio Corrêa. Neste caso. as expressões são similares a “alguns maranhenses são torcedores do Sampaio Corrêa”. para todo x. Ou seja. Um exemplo de sentença que se enquadra nesta categoria de enunciado é “nenhum maranhense é marciano”. b) Alguns alunos não são estudiosos. visto que se um objeto x é uma arma de fogo. Uma fórmula predicativa que possui variáveis livres pode não ter valor lógico para algumas interpretações. Analisando as expressões apresentadas. existe um x. são apresentados a seguir quatro tipos especiais de sentenças. Neste caso. Não esqueça: Uma variável pode ser ao mesmo tempo livre e ligada em uma fórmula predicativa. .

Perceba também que será necessário utilizar um conectivo lógico (conjunção). Assim. o que podemos perceber de imediato é a necessidade da utilização de duas variáveis. Deste modo. Agora. Considerando que o predicado E(x) representa a propriedade de x ser extraterrestre. Agora. construir sua representação simbólica. ¬ (∃x)E(x). 2. Não existe x tal que x seja extraterrestre. e existe um y tal que y é homem (H(y)) e y é covarde (D(y)). se um objeto x é um morcego. temos: P(x) = x é um morcego. onde A(x) é a propriedade de x ser um aluno e E(x) a propriedade de x ser estudioso. Note que esta sentença é do tipo universal afirmativo. Seja a expressão: “não existem extraterrestres”. 2003). e pode ser representada por (∀x)(H(x) → ¬V(x)). Além.55 A expressão (b) é do tipo Particular Negativo e pode ser escrita como (∃x)(A(x) ∧ ¬E(x)). enquanto que ∃ está associado a ∧. então x não é verde. em que há apenas um quantificador e um predicado monádico. ou seja. ou seja. vamos ao problema: dada uma expressão em português. ou seja. cujo significado é se x é um homem. A expressão (d) é do tipo Universal Negativo. disso não deixe de se preocupar com o escopo dos quantificadores e com o uso de conectivos lógicos. Não esqueça: ∀ está associado a → . sendo simbolizado por (∃x)(P(x)∧H(x)). temos as seguintes interpretações: 1. então ele é um mamífero e voa. Simbolicamente: (∀x)(P(x) → M(x) ∧ V(x)) Para a expressão “Alguns homens são corajosos e outros são covardes”. M(x) = x é um mamífero. V(x) = x voa. A expressão (c) é um enunciado Particular Afirmativo. temos: (∃x)(H(x) ∧ C(x)) ∧ (∃y)(H(y) ∧ D(y)) . Esteja atento também para o fato de uma expressão poder ser representada de diferentes maneiras (PEREIRA. em que P(x) = x é político e H(x) = x é honesto. consideremos a expressão “O morcego é um mamífero que voa”. visto que existe um x tal que x é homem (H(x)) e x é corajoso (C(x)). muitas vezes é útil escrever outra proposição intermediária em português e só depois simbolizá-la (GERSTING. Tal expressão pode ser escrita de duas maneiras distintas. quando necessário. 2008). (∀x)( ¬E(x)). Este é um caso muito simples. x não é extraterrestre. Para todo x. Para realizar esta tarefa.

(∃x)(∀y)(P(y) → A(x. a adoção de algumas regras que possibilitam a adição e/ou eliminação de quantificadores das hipóteses podem ajudar neste processo. Auto Avaliação 3. b) Alguns alunos são atentos. Os conceitos de argumento. 3. Observe a presença de dois quantificadores e de duas variáveis. devemos nos valer dos enunciados categóricos vistos na seção anterior como um meio facilitador na definição do valor verdade de uma fórmula. escreva sua representação simbólica: a) Os mamíferos não são sempre terrestres. é possível afirmar que uma fórmula predicativa é válida se ela assumir a verdade como valor lógico para todas as interpretações possíveis. o escopo dos quantificadores é diferente. como na lógica proposicional. y))). Perceba também que. existe um x tal que x é ancestral de y. se y é uma pessoa. Essas regras são apresentadas na Tabela 3. considere a seguinte expressão. regra de inferência e dedução apresentadas quando estudamos o cálculo proposicional permanecem válidas para a lógica de predicados. c) Todos os professores têm alunos. embora o signifivado das expressões em português seja o mesmo. basta apresentar uma interpretação em que seu valor lógico seja falsidade. extraída de Pinho (2005).3 Para cada expressão. Como os argumentos na lógica de predicados apresentam maior nível de complexidade. Além disso. Dedução na Lógica de Predicados Nosso interesse na lógica de predicados é. Esta sentença pode ser simbolizada de duas maneiras diferentes. se y é uma pessoa. y) = x é ancestral de y temos: 1. outros não. 2. devido ao uso de quantificadores e variáveis.4.1. Considerando P(x) = x é uma pessoa e A(x.56 Por fim. (∀y)(P(y) → (∃x)(A(x. ou seja. Para todo y. então x é ancestral de y. Para dizermos que uma formula é invalida. “Existe um ancestral comum a todas as pessoas”. Não esqueça: Podem existir mais de uma interpretação correta para afirmações em português. ou seja. Com base nisto. para cada uma das duas representações. Existe um x tal que para todo y. Já falamos anteriormente que o valor lógico de uma fórmula predicativa depende da interpretação. determinar a validade de argumentos. . y)).

3. então um objeto particular desse domínio também possui essa propriedade.4. Consideremos o argumento: Todos os maranhenses são brasileiros. modus ponens . Insira (se for o caso) os quantificadores na conclusão.1: Regras de Inferência (FONTE: GERSTING. 2003) Pinho (2005) apresenta um método geral para o processo de dedução de argumentos na lógica de predicados. Logo. Acompanhe: 1 (∀x)(M(x) → B(x)) 2 M(Raimundo) 3 M(Raimundo) → B(Raimundo) 4 B(Raimundo) (hipótese) (hipótese) 1. através de dedução. 3.1. temos: (∀x)(M(x) → B(x)) M(Raimundo) B(Raimundo) Provamos a validade deste argumento. Com base neste processo. Raimundo é maranhense. Representando este argumento simbolicamente. as regras mostradas na Tabela 3 são detalhadas a seguir.57 Tabela 3. PU 2. Elimine os quantificadores das hipóteses. 2. Raimundo é brasileiro. 3. O processo de Dedução na Lógica de Predicados 1. Deduza a conclusão com as equivalências e inferências do cálculo proposicional. Particularização Universal (PU) Baseia-se na afirmação de que se todos os objetos de um dado domínio de interpretação possuem certa propriedade.

58 Observe que no passo 3, a particularização universal consistiu na substituição da variável x por objeto particular do domínio, Raimundo. 3.4.2. Particularização Existencial (PE) A particularização existencial significa que aquilo que é verdade para algum objeto é igualmente verdade para um dado objeto, desde que esse objeto não tenha sido utilizado anteriormente na dedução. Seja o argumento: Todos os maranhenses são brasileiros. Alguns homens são maranhenses. Logo, alguns homens são brasileiros. Representando este argumento simbolicamente, temos: (∀x)(M(x) → B(x)) (∃x)(H(x) ∧ M(x)) (∃x)(H(x) ∧ B(x)) Acompanhe o processo de dedução a seguir. 1 (∀x)(M(x) → B(x)) (hipótese) 2 (∃x)(H(x) ∧ M(x)) (hipótese) 3 H(p) ∧ M(p) 2, PE 4 M(p) → B(p) 1, PU 5 H(p) 3, simplificação 6 M(p) 3, simplificação 7 B(p) 6, 4 modus ponens 8 H(p) ∧ B(p) 5, 7 conjunção 9 (∃x)(H(x) ∧ B(x)) 8, GE A hipótese 2 afirma que existe um x tal que esse x é homem e é maranhense. Devido a isso, é possível, em 3, nomear esse elemento como p, onde p é um objeto qualquer do domínio de interpretação. Note que a hipótese 1 afirma que, qualquer que seja x, se x é maranhense, então x é brasileiro. Portanto, podemos afirmar particularmente que se p é maranhense, então ele é brasileiro (passo 4). Importante: Só aplique a particularização existencial após certificar-se de que o termo a ser particularizado não tenha sido usado anteriormente no processo de dedução. As particularizações têm a função de retirar o quantificador de expressões que estão no escopo desse quantificador. Portanto, muito cuidado para não fazer deduções inválidas como, por exemplo:

59 1 (∃x)H(x) ∧ M(x) 2 H(p) ∧ M(p) (hipótese) 1, PE

A particularização é inválida, pois o escopo do quantificador é somente o predicado H(x). 3.4.3. Generalização Universal (GU) Esta regra de inferência obedece ao seguinte enunciado: “se um determinado objeto, escolhido aleatoriamente no domínio de interpretação, possuir certa propriedade, todos os objetos desse domínio também terão essa propriedade”. Seja o argumento: Todos os maranhenses são brasileiros. Todos os ludovicenses são maranhenses. Logo, todos os ludovicenses são brasileiros. Representando este argumento simbolicamente, temos: (∀x)(M(x) → B(x)) (∀x)(L(x) → M(x)) (∀x)(L(x) → B(x)) Provamos a validade deste argumento, através de dedução. Acompanhe: 1 (∀x)(M(x) → B(x)) 2 (∀x)(L(x) → M(x)) 3 M(p) → B(p) 4 L(p) → M(p) 5 L(p) → B(p) 6 (∀x)(L(x) → B(x)) (hipótese) (hipótese) 1, PU 2, PU 4, 3 silogismo hipotético 5, GU

Note que nos passos 3 e 4 foi utilizada a particularização universal, substituindo-se a variável x por um objeto arbitrário p. No passo 6, foi aplicada a generalização universal sobre L(p) → B(p), visto que p é qualquer objeto do domínio de interpretação. Importante: Uma generalização universal não é válida nos casos em que o predicado for deduzido de uma hipótese na qual haja uma variável livre. 3.4.4. Generalização Existencial (GE) Neste caso, podemos afirmar que “aquilo que é verdade para um dado objeto, é verdade para algum objeto”.

60 Consideremos o seguinte argumento: Todos os maranhenses são pessoas hospitaleiras. Raimundo é maranhense. Logo, existem pessoas hospitaleiras. Representando este argumento simbolicamente, temos: (∀x)(M(x) → H(x)) M(Raimundo) ($x)H(x) Provamos a validade deste argumento através de dedução. Acompanhe: 1 (∀x)(M(x) → H(x)) 2 M(Raimundo) 3 M(Raimundo) → H(Raimundo) 4 H(Raimundo) 5 (∃x)H(x) (hipótese) (hipótese) 1, PU 2, 3 modus ponens 4, GE

Como no passo 4 obtivemos que Raimundo é uma pessoa hospitaleira, então existe pelo menos uma pessoa hospitaleira, o que é expresso no passo 5 pela generalização existencial. Você deve ter percebido que, para provar a validade de argumentos na lógica de predicados, o procedimento é similar ao da lógica proposicional. A seguir é apresentado mais um exemplo. Analise-o com atenção. Exemplo 3.5 – Dedução na Lógica de Predicados Provar o seguinte argumento: (∀x)(P(x) ∧ Q(x)) → (∀x)P(x) ∧ (∀x)Q(x) Temos a seguinte seqüência de demonstração: 1 (∀x)(P(x) ∧ Q(x)) 2 P(p) ∧ Q(p) 3 P(p) 4 Q(p) 5 (∀x)P(x) 6 (∀x)Q(x) 7 (∀x)P(x) ∧ (∀x)Q(x) hipótese 1 PU 2 simplificação 2 simplificação GU 3 GU 4 5, 6 conjunção

Exercício Resolvido (adaptado de GERSTING, 2003) Demonstrar que o argumento “todos os estudantes sabem ler. Alguns estudantes falam Inglês. Portanto, alguns estudantes sabem ler e falam Inglês” é válido.

4 modus ponens 7 E(p) ∧ I(p) ∧ L(p) 3. vamos escrever o argumento em notação simbólica. I(x): x fala inglês. Para isso. 1 (∀x) (E(x) → L(x)) (hipótese) 2 (∃x)(E(x) ∧ I(x)) (hipótese) 3 E(p) ∧ I(p) 2 PE 4 E(p) → L(p) 1 PU 5 E(p) 3 simplificação 6 L(p) 5. 6 conjunção 8 E(p) ∧ L(p) ∧ I(p) 7 propriedade comutativa 9 (∃x)( E(x) ∧ L(x) ∧ I(x)) 8 GE .61 SOLUÇÃO Inicialmente. L(x): x sabe ler. O argumento é: (∀)(E(x) → L(x)) (∃x)(E(x) ∧ I(x)) (∃x)(E(x) ∧ L(x) ∧ I(x)) A seqüência de demonstração a seguir comprova a validade deste argumento. consideremos: E(x): x é um estudante.

peixe) come(urso. usamos regras de inferência para chegarmos a teses a partir das hipóteses. raposa) come(urso. Então descreveremos este predicado fornecendo os pares de elementos no domínio que tornam come verdadeiro. suponhamos que desejemos criar umprograma Prolog que descreva as cadeias alimentares em uma determinada região ecológica. Prolog usa sua base de dados e aplica suas regras de inferências (sem a necessidade de qualquer instrução por parte do programador). Devemos começar com um predicado binário come. As linguagens de programação com as quais você provavelmente já tem familiaridade. 2003) Na lógica de predicados. portanto daremos aqui apenas . A linguagem inclui predicados. come(urso. Fundamentos Matemáticos para a Ciência da Computação. veado) Em nossa base de dados. O conjunto de declarações é também chamado de base de dados do Prolog. em uma interpretação na qual a hipótese seja verdadeira. conectivos lógicos e regras de inferência. Prolog. portanto. A maior parte dos programas escritos em linguagens procedurais destinam-se a resolver o problema à mão. isto é. Se uma tese tiver sido demonstrada como conseqüência de determinada hipótese. O programador. diz ao computador como resolver o problema. e não devem ser confundidas com as regras de inferência. ou melhor.) Os fatos do Prolog permitem definir predicados. também ajuda a chegar a teses a partir das hipóteses. conhecidas em Prolog como fatos e regras. Para determinar se uma dada tese. Portanto. teríamos os fatos. posta na forma de uma pergunta pelo usuário. tal como Pascal. a tese também será verdadeira. são conhecidas como linguagens procedurais. é uma linguagem declarativa (também chamada de linguagem descritiva). Judith L. é ou não verdadeira para a interpretação. Por exemplo. (Os detalhes exatos dos comandos Prolog variam de implementação para implementação. no entanto. Ela permite a descrição de uma interpretação. (Porém as regras do Prolog são apenas outro tipo de fatos. que significa progamming in logic. quais as hipóteses que são verdadeiras em uma interpretação. Itens em uma base de dados do Prolog podem ter duas formas. São Paulo: LTC.62 Leitura Complementar Programação Lógica (extraído de: GERSTING. então. Um programa Prolog consiste em declarações ou descrições sobre uma interpretação. de hipóteses verdadeiras em uma interpretação. A linguagem de programação Prolog.

exceto na declaração dos predicados. animal e planta para a base de dados incluindo os fatos animal(urso) animal(peixe) animal(raposa) animal(veado) planta(mato) De posse deste programa Prolog (base de dados). "peixe". coelho)) no Perguntas podem incluir variáveis. x). . Portanto. "raposa". Outros diálogos com o Prolog poderiam incluir is(come(veado. A pergunta which(x: come(urso.come(urso.63 o espírito da linguagem através do uso de um pseudocódigo semelhante ao Prolog. peixe) Pode ser usado tanto para representar o fato de que ursos comem peixes ou de que peixes comem ursos! Arbitramos a convenção de que come(x. E saudável que o usuário mantenha um entendimento e faça um uso consistente dospredicados em um programa Prolog. y) significa "x come y'. A pergunta is(animal(urso)) Simplesmente pergunta se o fato animal(urso) está na base de dados. Como o domínio propriamente dito não é especificado. "urso". neste ponto podemos fazer inferir que o domínio consiste em "urso".x)) produz peixe raposa Como resposta. "peixe". "veado" e "mato".mato)) yes is(come(urso. como mostrado no próximo exemplo. Podemos incluir descrições de dois predicados unários. "veado" e "mato" são constantes porque representam elementos específicos do domínio. o Prolog responderá à pergunta com yes.) Neste exemplo. O Prolog respondeu à pergunta procurando em sua base de dados por todos os fatos que se ajustassem ao padrão come(urso. "raposa". podemos fazer algumas perguntas simples. Como este fato está na base de dados.

poderíamos usar uma regra para definir um predicado para presa: presa(x) if come(y. A resposta "peixe" é dada antes porque as regras são percorridas da primeira para a última. or e not. As perguntas podem.64 onde x é uma variável. Uma regra é uma descrição de um predicado através de uma implicação. x) and animal{x) Isto indica que x é uma presa se for animal que é comido. então para a pergunta which(x: presa(x)) Teremos a resposta peixe raposa . O segundo tipo de item em uma base de dados Prolog é uma regra Prolog. Por exemplo. conter os conectivos lógicos and. Se incluirmos esta regra a nossa base de dados. ainda.

escolhido aleatoriamente no domínio de interpretação. Chama-se escopo de um quantificador a parte da expressão sobre o qual ele atua. através do uso de quantificadores e da adição de parâmetros às proposições. Um predicado é uma relação entre objetos de determinado contexto. A dedução no cálculo de predicados exige a adoção de regras para eliminação/adição de quantificadores das hipóteses. Esse contexto é chamado de Domínio de Interpretação. Em uma fórmula predicativa. Na lógica de predicados. Particularização Existencial (PE): o que é verdade para algum objeto é igualmente verdade para um dado objeto. Universal Negativo é todo enunciado da forma (∀x)(P(x)→~Q(x)). Universal Afirmativo é todo enunciado que pode ser escrito na forma (∀x)(P(x)→Q(x)). Particular Afirmativo é todo enunciado que pode ser escrito como (∀x)(P(x) ∧ Q(x)). O quantificador universal (∀) representa todos os objetos de um contexto. Quantificadores representam a quantidade de objetos que possuem determinada propriedade. Generalização Existencial (GE): o que é verdade para um dado objeto é verdade para algum objeto. uma variável pode estar no escopo de um quantificador (variável ligada) ou fora dele (variável livre). Generalização Universal (GU): se um determinado objeto. possui certa propriedade. Uma fórmula predicativa é construída através da combinação de predicados com quantificadores. Particularização Universal (PU): se todos os objetos de um dado domínio de interpretação possuem certa propriedade. parênteses e conectivos lógicos. Uma fórmula predicativa é dita válida quando seu valor lógico é a verdade para todas as interpretações possíveis dentro do domínio de interpretação. O quantificador existencial (∃) representa pelo menos um objeto de um contexto. então um objeto particular desse domínio também possui esta propriedade. transformando-as em predicados. desde que esse objeto não tenha sido usado anteriormente na dedução. então todos os objetos desse domínio também têm essa propriedade. o valor lógico de uma expressão depende do contexto no qual ela é interpretada. Particular Negativo é qualquer enunciado da forma (∃x)(P(x) ∧ ~Q(x)). .65 • • • • • • • • • • • • • • • • • • • RESUMO A lógica de predicados é uma extensão da lógica proposicional.

a) Todo dia que é ensolarado não é chuvoso. a) P(b) ® ($x)P(x) b) ("x)("y)P(x. a) Todos os alunos gostam de estudar. y) « ("y)("x)P(x.66 Exercícios Propostos 1. Salete é uma estudante de Informática. Portanto. justificando suas respostas. d) Alguns alunos gostam apenas de Lógica. (adaptado de ALENCAR FILHO. 2002) Sendo o conjunto dos números reais o domínio de interpretação de cada uma das sentenças. b) Todos os homens maduros admiram alguma mulher. (GERSTING. c) ($x)(P(x) Ù Q(x)) ® ($x)P(x) Ù ($x)Q(x). Portanto. 2003) Demonstre a validade dos seguintes argumentos. ou apresente uma interpretação para provar que não são válidos. 1999) Escreva as frases que seguem usando notação simbólica na qual x designa um aluno e P(x) significa “x gosta de estudar”. 3. a) Existem alguns artista que são mais ricos que outros. (GERSTING. determine seu valor lógico. existe um artista que paga mais impostos que os outros. d) Alguns alunos não gostam de estudar. (adaptado de PINTO. Todo mundo que é mais rico que os outros também paga mais impostos que os outros. b) Todo estudante de Informática trabalha mais que alguém e todo mundo que trabalha mais que alguém também dorme menos que esta pessoa. e) Todo aluno só gosta de Lógica f) Se existir algum homem que seja mais romântico que uma mulher. y) 4. b) Nenhum aluno gosta de estudar. (adaptado de GERSTING. 2003) Identifique as fórmulas válidas e as inválidas. Salete dorme menos que outra pessoa. y) ® ($x)("y)P(x. escreva cada expressão abaixo como uma fórmula predicativa. 2. . c) Um aluno gosta de estudar. d) [("x)P(x) ® ("x)Q(x)] ® ("x)(P(x) ® Q(x)). c) Alguns alunos são estudiosos e atentos. então todos os homens serão mais românticos que todas as mulheres. 2003) Utilizando os símbolos predicados apresentados neste capítulo e os quantificadores apropriados. y) c) ($x)P(x) Ù ($x)Q(x) ® ($x)(P(x) Ù Q(x)) d) ("x)($y)P(x. P á g i n a | 83 a) ("x)(x – 1 > x) b) ("x)($y)(x – y < 0) c) ($x)(x² + 2x + 10 = 0) d) ($x)(x + y = 4) 5.

Manipular funções compostas e inversas. Determinar se uma função tem inversa e qual é essa inversa. Verificar se uma função é injetiva. complemento. diferença e produto cartesiano de conjuntos. Determinar relações de continência entre conjuntos. Determinar relações de pertinência entre elementos e conjunto. interseção. Encontrar o conjunto das partes de um conjunto finito. Determinar se uma relação é ou não uma função. Reconhecer uma relação e identificar seus pares ordenados. . sobrejetiva e bijetiva. Utilizar técnicas de demonstração de identidades de conjuntos. Encontrar união.67 MODULO II TEORIA DOS CONJUNTOS E FUNÇÕES Objetivos Conteúdo Introdução à Teoria dos Conjuntos Álgebra dos Conjuntos Estudo das Funções Trabalhar com a notação da teoria de conjuntos. Manipular funções matemáticas.

4. É possível generalizar a notação da representação de um conjunto por compreensão da seguinte forma: . Em casos como este. está teoria passou por um forte processo de desenvolvimento.68 Capitulo 4 . podemos definir um conjunto como uma coleção de objetos (ou coisas). que é lida como “conjunto dos elementos x tal que x é maranhense”. Por exemplo. A partir de então. podemos representar o conjunto M de pessoas com naturalidade maranhense da seguinte forma: M = { x | x é maranhense }. dispostos de forma não-ordenada. uma vez que grande parte de seus conceitos. existindo aplicações em áreas como Banco de Dados e Linguagens Formais. No primeiro caso.wikipedia. Os termos conjunto e elemento são conceitos primitivos em matemática. construções e resultados são escritos na linguagem dos conjuntos ou baseados em construções sobre conjuntos (MENEZES. ou seja. Neste capítulo. não é prático listar os elementos do conjunto de todas as pessoas de naturalidade maranhense.Introdução à Teoria dos Conjuntos Os fundamentos da teoria dos conjuntos foram lançados no final do século XIX. 2008).org/wiki/Teoria_dos_conjuntos O conceito de conjunto é fundamental para a Ciência da Computação. que serão indispensáveis para estudos posteriores. quarta. esta não se mostra como a melhor forma de representação. embora seja possível fazer o levantamento dessa lista. introduziremos os principais conceitos da teoria dos conjuntos. onde cada objeto é chamado de elemento do conjunto. terça. por exemplo. sábado. dando suporte a diversos ramos da matemática e influenciando outras áreas do conhecimento.1. os elementos são listados exaustivamente. sexta. D = {segunda. Um conjunto pode ser representado basicamente de duas maneiras: por extensão ou por compreensão. são aceitos sem definição formal e fundamentam definições mais complexas. Noção Intuitiva de Conjunto e Relações de Pertinência Informalmente. quinta. Deste modo. domingo} Em alguns casos. onde o número de elementos é muito grande. a partir dos trabalhos de George Cantor (1845-1918). dentre elas a Ciência da Computação. sendo colocados entre um par de chaves e separados por vírgulas. devemos optar por descrever o conjunto por meio de uma propriedade que caracteriza os seus elementos (representação por compreensão). Por exemplo. Para saber mais acesse: http://pt.

} b) B = {1. ≤ Todos os objetos pertencentes a um conjunto compartilham uma mesma propriedade e. ≠. o. .. 8. que corresponde ao conjunto D = {0. considerando o conjunto M definido anteriormente. 2. a forma de representação utilizada foi a extensão. Por exemplo. ou em linguagem simbólica. temos que Sílvio Santos não é elemento de D. i. podemos dizer que: Brasil ∈ A ..69 M = { x | P(x) } onde se afirma que um dado elemento i faz parte do conjunto A se a propriedade P é verdadeira para i.. <. concluímos que Gonçalves Dias é elemento de M. ×... 4. temos que: segunda ∈ D sábado ∈D janeiro ∉ D Exemplo 4. 5. onde y é um número inteiro} O conjunto A foi representado por meio da listagem de todos os seus elementos. já que P(Gonçalves Dias) = Gonçalves Dias é maranhense tem como valor lógico a verdade.}. daqueles que não possuem tal propriedade. 3. e. . O conjunto D.1 – Conjuntos a) A = {a. através de operadores matemáticos e lógicos. Esta é uma relação importante. ≥. ÷ RELACIONAIS: =. e ∉. É importante observarmos que a propriedade que descreve os elementos de um conjunto pode ser expressa em linguagem natural. o que constitui a forma de representação por compreensão. que é indicada pelos símbolos ∈.. alguns elementos foram omitidos. >. 2. para o segundo. chamada relação de pertinência.. 3. OPERADORES MATEMÁTICOS ARITMÉTICOS: +. dizemos que não pertencem ao conjunto. ou seja. 6. foi representado por meio da propriedade comum a seus elementos. 7. Exemplo 4. 5.. Seguindo o mesmo raciocínio. 4.2 – Relações de Pertinência Considere o conjunto: A = { x | x é um país da América do Sul} Para este conjunto. mas podem facilmente ser deduzidos do contexto.. já que a propriedade P(Silvio Santos) = Silvio Santos é maranhense tem como valor lógico a falsidade. u} c) C = {1. Nos conjuntos B e C. para o primeiro caso. Nos três casos. . Considerando o conjunto D dos dias da semana. 15} d) D = {n|n=2y. se o valor lógico de P(i) for a verdade.

pois não existe nenhum número natural par que seja menor do que 2. Então. .3. Alguns Conjuntos Especiais Considere a seguinte situação: queremos listar todos os elementos de um conjunto A={a|a é um número natural par menor do que 2}. {w|w é um estado do nordeste brasileiro} Descreva cada um dos seguintes conjuntos. Neste caso. é possível listar todos os seus elementos. Chamamos de conjunto finito aquele que pode ser descrito por extensão. ou seja.9} 5. Denomina-se CONJUNTO UNITÁRIO o conjunto que possui apenas um elemento. João Pessoa. dizemos que o conjunto A é vazio. {x|x é a capital do Maranhão} 2. {y|y é um número primo menor do que 30} 3. Aracaju. Natal.{SãoLuís.5. e representamos como segue: A = { } ou A = ∅ E se quiséssemos listar todos os elementos do conjunto B = {b|b é um número natural ímpar menor do que 2}.2. 2. Um conjunto é dito infinito quando não é possível listar exaustivamente todos os seus elementos. B={1} Ao conjunto que não possui nenhum elemento damos o nome de CONJUNTO VAZIO.70 França ∉ A Venezuela ∈ A Egito ∉ A Auto Avaliação 4. Maceió. Fortaleza. {1. Salvador} 6.16} 4. listando seus elementos: 1. podemos dizer que um conjunto possui um número finito ou infinito de elementos. quantos elementos o conjunto A possui? Certamente você deve ter chegado à conclusão de que o conjunto A não possui nenhum elemento.4.8. por isso. através de uma propriedade que caracteriza seus elementos: 4. Recife. Ainda referente à quantidade de elementos. chamado de conjunto unitário. sendo.1 Descreva cada um dos seguintes conjuntos. {1. Teresina. quantos elementos esse conjunto teria? Neste caso. B teria apenas um elemento.

3. uma vez que não existem brasileiros que moram em Marte. a partir da qual podemos introduzir os conceitos de subconjuntos e de igualdade de conjuntos. Auto Avaliação 4. Tais conjuntos merecem especial atenção por sua importância para a Matemática em geral e para a Ciência da Computação. O conjunto B é um conjunto infinito. . infinitos. Relação de Continência Sejam dois conjuntos A = {1. por razões óbvias). 2. Tenha claro que um conjunto vazio é considerado um conjunto finito. A seguir é apresentada uma definição mais formal de subconjunto. {x|x é um número natural e10 = x + 4} 2.3.1.71 Exemplo 4. dizemos que A está contido em B. podemos dizer que A é um conjunto unitário. Observe que todos os elementos do conjunto A são também elementos do conjunto B. damos o nome de conjuntos numéricos. 2. Aos conjuntos cujos elementos são números que compartilham características particulares. Neste caso. pois possui apenas um elemento (note que todo conjunto unitário é também um conjunto finito. {y|y é um estado brasileiro cujo nome inicia com vogal) 3..3 – Conjuntos Especiais Considere os conjuntos: A = { Brasil } B = {y | y é um número par} C = {z | z é um brasileiro que mora em Marte} Sobre estes conjuntos. Relações entre Conjuntos Na seção 4. introduzimos a noção de pertinência entre elementos e conjuntos. indicando os conjuntos finitos. 4. outra noção importante é a de continência. 3. 4.1. 1. 3} e B = {0. Além desta. uma vez que não é possível listar todos os números pares.2 Descreva os seguintes conjuntos. ou que B contém A e representamos por: A⊂B ou B⊃A Neste caso. O conjunto C é vazio.5. {w|w é um número par maior que 100} 4. dizemos que A é um subconjunto de B. 5}. {z|z é um animal terrestre] 4. unitários e vazios: 1. Esses conjuntos são vistos com mais detalhes na seção 4.

entretanto . As perguntas versarão sobre diferentes aspectos da história da computação como. Formalmente. dizemos que A é diferente de B. Ou seja. por sua vez. Neste caso.72 A é um subconjunto de B se (∀x)(x ∈A→x∈B) Quando A não é um subconjunto de B. 3. quando existe pelo menos um elemento de A que não pertence a B. mas queremos enfatizar que A ≠ B. podemos dizer: Dois conjuntos A e B são iguais se. dizemos que A é um subconjunto próprio de B. todo elemento de A pertence também a B e. e somente se. ou seja.3. todo elemento de B pertence a A. 5}. fatos marcantes.3. também é subconjunto de A. personalidades históricas. A = B ↔ (∀x)((x∈A→x∈b)∧(x∈B →x∈A)) Se existir pelo menos um elemento de A que não pertença a B ou existir um elemento de B que não pertença a A. reciprocamente. fatos marcantes e características tecnológicas. o subtema personalidades históricas. 3. 4. um para cada subtema do concurso (personalidades históricas. muitas perguntas podem ser elaboradas. Neste caso. dizemos que os conjuntos A e B são iguais. Para entender o que é o conjunto universo acompanhe o seguinte exemplo: Maria e João participarão de um concurso de perguntas e respostas sobre História da Computação. temos: A⊂B↔(∀x)((x∈A→x∈B)∧(∃x)((x∈A∧x∈B)∨(x∈A∧x∈B)) 4. características tecnológicas). escrevemos A⊂B. Formalmente. 5} e B={1. por exemplo. Conjunto Universo Uma definição muito importante no contexto da teoria dos conjuntos é o de conjunto universo.2. Pare e Reflita: Escreva formalmente a relação A ≠B Se A é um subconjunto de B. por exemplo. que normalmente é denotado por U. Igualdade de Conjuntos Consideremos os conjuntos A={1. Não é preciso se esforçar para perceber que A é um subconjunto de B e B. Note que é possível criar vários conjuntos de perguntas.3. Tomando. indicamos A ⊄ B ou B A.

16 } B = {6. 6. Por exemplo. Pare e Reflita: Por que a afirmação ∅ ⊄ B do exemplo 4. é possível que seja feita uma pergunta sobre Bill Gates. Este sinal é utilizado nos casos em que se deseja enfatizar tal situação. pois todo elemento de B também pertence a A e existem elementos de A que não pertencem a B. Relações de pertinência são estabelecidas entre elemento e conjunto. 4.4 – Relações de Continência Considere os conjuntos: A = {1. Se todo elemento de um conjunto A pertence também a um conjunto B. 3. Você já deve ter notado que cada subtema é um subconjunto de um conjunto maior. 16. pois todo elemento de B também pertence a C. 10. pois apesar de ser uma personalidade histórica. Esse conjunto maior é o que chamamos de conjunto universo. pois 6 também pertence ao conjunto B. o tema maior define o que chamamos de contexto da discussão e contém todos os conjuntos de perguntas que serão consideradas válidas no concurso. que define o contexto da discussão. Neste caso. 10. então todo elemento de A pertence a C (propriedade da transitividade). Exemplo 4. pois todo elemento de B também pertence a A. não pertence ao contexto da discussão. O conjunto vazio é subconjunto de qualquer conjunto. A ⊄ C.73 todas elas devem versar sobre o tema maior: História da Computação. ∅ ⊂ B. 50 } Sobre esses conjuntos podemos fazer as seguintes afirmações: B ⊂ C.3 Considere os seguintes conjuntos: . e todo elemento de B pertence a um conjunto C.4 é verdadeira? Auto Avaliação 4. enquanto que as relações de continência são estabelecidas entre conjunto e conjunto. mas não devem ser consideradas perguntas sobre Tiradentes. pois há elementos de A que não pertencem a C. 10} C = {6. B ⊂ A. Conjunto Universo é um conjunto que contém todos os elementos do contexto no qual estamos trabalhando e também contém todos os conjuntos desse contexto. Propriedades dos Conjuntos 1. Todo conjunto é subconjunto de si próprio. B ⊂ A. 2. Qualquer conjunto é subconjunto do conjunto universo. pois o conjunto vazio está contido em qualquer outro conjunto {6 }⊂ B.

Lipschutz e Lipson (2004) Para seguir este modelo de representação. devemos observar as seguintes regras: Diagramas de Venn 1. Um diagrama de Venn é uma representação pictórica na qual os conjuntos são representados por áreas delimitadas por curvas no plano. 32} C = {x|(∃y)(y é um número natural e x = 2y)} Indique quais afirmações são verdadeiras.74 A = {x|x é um número natural maior do que 4} B = {12. {24} ∈B 4. 1. 2008). Diagramas de Venn Além das formas de representação apresentadas na seção 4. O conjunto universo é representado por um retângulo. podemos expressar um conjunto através de diagramas de Venn. Cada um dos demais conjuntos é representado por um círculo (ou uma elipse). de forma a facilitar o entendimento de definições.1. 24. como segue: . 2. A seguir. 3. A⊂C 3. B⊂C 2. Cada conjunto deve ser identificado por uma letra maiúscula. B⊂A 5.16. {n|n é um número ímpar menor do que 10} ⊃ A 4. construímos uma elipse dentro de outra. são ilustradas algumas situações para que você possa entender como utilizar Diagramas de Venn para representar conjuntos. o desenvolvimento de raciocínios e a compreensão dos componentes e relacionamentos que estejam sendo discutidos (MENEZES. Para representar a continência de dois conjuntos..4.

Pare e Reflita: E se quisermos representar dois conjuntos A e B onde seja possível que alguns elementos de A não pertençam a B e que alguns elementos de B não pertençam a A? Neste caso.75 Figura 4. conforme a definição de subconjunto já apresentada. Perceba que a elipse que representa o conjunto A está totalmente contida na que representa o conjunto B. Neste caso. a representação é como segue: Figura 4.2: Diagrama de Venn Perceba que as elipses que representam os conjuntos A e B estão totalmente separadas. Isto representa que não existem elementos de A que sejam também elementos de B. Isto representa que todos os elementos de A são também elementos de B. ou seja A é subconjunto de B.3: Diagramas de Venn . dizemos que A e B são conjuntos disjuntos. Observe agora a Figura: Figura 4.1: Diagrama de Venn A Figura representa a relação A⊂B.

12. escrevemos os elementos que não pertencem ao conjunto. 2. 4 } B = { 2. 4.5 – Diagrama de Venn Considere os conjuntos: A = { 1. escrevemos os elementos que pertencem ao conjunto no interior da região que o representa e. Já o conjunto C é disjunto de A e B. Exemplo 4. 3. 6} C = {10. fora desta região. .76 Para representar as relações de pertinência. 14} Esses conjuntos podem ser representados pelo seguinte diagrama: Note que os elementos que os conjuntos A e B possuem elementos em comum.

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4.5. Conjuntos Numéricos
4.5.1. Conjunto dos Números Naturais Chama-se conjunto dos números naturais, simbolizado por N, o conjunto formado pelos números 0, 1, 2, 3, ... Iezzi e Murakami (1993) Representamos o conjunto dos números naturais por: N = {0,1,2,3,4,...,n,...} onde n representa um elemento qualquer do conjunto. É importante saber que o conjunto dos números naturais é um conjunto infinito e ordenado. Esta última propriedade significa que dados dois elementos de N, é possível que eles sejam iguais ou que um seja maior ou menor que o outro (SMOLE; DINIZ, 2003). 4.5.2. Conjunto dos Números Inteiros O conjunto dos números inteiros é uma extensão do conjunto dos números naturais, sendo representado por: Z = {...,-2,-1,0,1,2,...} Assim como o conjunto dos números naturais, o conjunto dos números inteiros também é infinito e ordenado. Todos os elementos de N pertencem também a Z, o que nos permite afirmar que N é um subconjunto de Z. Ou seja, N⊂Z ou Z⊃N.

Figura 4.4 No conjunto dos números inteiros, destacamos alguns subconjuntos notáveis: • • • • • Z* = {..., -2, -1,1,2,...}: conjunto dos números inteiros não-nulos; Z+ = {0,1,2,3,...} = N: conjunto dos números inteiros nãonegativos; Z- = {..., -2, -1,0}: conjunto dos números inteiros não-positivos; Z*+ = {1,2,3,...}: conjunto dos números inteiros positivos; Z*- = {..., -3, -2, -1}: conjunto dos números inteiros negativos.

78 4.5.3. Conjunto dos Números Racionais Antes de definir o conjunto dos números racionais, é preciso que haja compreensão sobre o que é um número racional. Número racional é todo número que pode ser escrito na forma a/b, onde a e b são números inteiros e b≠0. Assim, dizemos que 2 é um número racional, já que pode ser escrito como 2/1. Do mesmo modo 1,75 e 0,333... também são números racionais, já que podem ser escritos, respectivamente, como 7/4 e 3/9 Todo número racional pode ser escrito na forma fracionária ou na forma decimal. Dizemos que são racionais os números cuja representação decimal é finita ou infinita e periódica. Agora é possível definir o conjunto dos números racionais. O conjunto dos números racionais, indicado por % é definido como: q = {a/b a e b ∈ Z e b≠0}. Tal qual o conjunto dos números naturais e o conjunto dos inteiros, os racionais também são infinitos e ordenados. Q = {.... -3, -2,-1, -1/2, 0,1,2,2/5,...} Deve ficar claro que z é um subconjunto de Q, uma vez que todo número inteiro pode ser escrito na forma fracionária.

Figura 4.5 No conjunto Q destacamos, ainda, os seguintes subconjuntos: Q*: conjunto dos números racionais não nulos; Q+: conjunto dos números racionais não negativos; Q_: conjunto dos números racionais não positivos; Q*+: conjunto dos números racionais positivos; Q*_: conjunto dos números racionais negativos;

79 4.5.4. Conjunto dos Números Irracionais O conjunto dos números irracionais é composto por todos os números cuja representação decimal é infinita e não periódica. Com base nesta definição podemos afirmar que √2 é um elementos do conjunto dos irracionais, uma vez que √2 = 1,4121356237309504880168872420 ... Existem alguns números irracionais notáveis, dentre os quais destacam-se, o número π, cujo valor aproximado é 3, 141592654 e o número áureo, representado pela letra grega φ (fi). 4.5.5. Conjunto dos Números Reais Quando falamos em conjunto dos números reais (R) estamos nos referindo a todos os números já vistos até aqui. Ou seja, x é um número real se x pertence ao conjunto dos números racionais ou se x pertence ao conjunto dos números racionais. Formalmente, temos: De acordo com o que vimos até agora, podemos estabelecer a seguinte relação:

Figura 4.6

Além dos conjuntos apresentados (N, Z, Q, e R), também são subconjuntos de R: • R* = {x∈R|x≠0}: conjunto dos números reais não nulos; • R+ = {x ∈ R| x ≥ 0}: conjunto dos números reais não negativos; • R_ = {x ∈ R|x ≤ 0}: conjunto dos números reais não positivos; • R*+ = {x ∈ R |x > 0}: conjunto dos números reais positivos; • R*- = {x ∈ R |x < 0}: conjunto dos números reais negativos;

b[ Também devem ser considerados os intervalos infinitos.b] 2. {x ∈ R| a < x ≤ b} Notação:] a. sendo a e b dois números reais. Intervalo aberto em a e fechado em b. {x∈R| a < x < b} Notação:] a. que são conhecidos como intervalos. b[ 3. {X∈R| a < x < b} Notação: [a. Intervalo aberto de extremos a e b. Resumidamente. b] 4. como segue: . {x∈R| a ≤ x ≤ b} Notação: [a.80 O conjunto dos números reais possui subconjuntos definidos por meio de desigualdades. Intervalo fechado de extremos a e b. podemos ter: Intervalos Reais 1. Intervalo fechado em a e aberto em b.

Conjunto dos Números Complexos Os números complexos surgiram da necessidade de representar números como √-25. . onde i é a unidade imaginária. i = √-1. A partir de então. como designou Bombelli. sendo simbolizado por a + bi.6. surgiu a notação a + √-b. b) que pode ser escrito na forma a + bi. passou a ser chamado de número complexo.81 4. Como fruto desses estudos. Número complexo é todo par ordenado de números reais (a. de forma a ser possível solucionar algumas equações. os matemáticos passaram a trabalhar com raízes quadradas de números negativos e a desenvolver estudos sobre esses números “imaginários”. Foi o matemático Bombelli (1526 .1573) que pela primeira vez considerou √-1 como um número qualquer e passou a desenvolver regras para trabalhar com esses números. ou seja. que no final do século XVIII e início do século XIX.5. sobretudo a partir dos trabalhos de Friedrich Gauss.

z é real. a. Os diferentes conjuntos numéricos são resumidos no diagrama a seguir: Figura 4. Nos casos em que a = 0. se b≠0. Se b = 0. z é chamado de imaginário puro.82 Sendo z = a + bi. dizemos que a é a parte real de z e b é a parte imaginária.b∈R.7 .

1}. {1. Em ambos os casos x∈ N e 1 ≤ x ≤ 4. Portanto A≠B.83 Exercícios Resolvidos 1. uma vez a reordenação e a repetição de elementos não alteram o conjunto.3 ou ainda x = m. ele pode ser decomposto como x = n. Entretanto. Desta forma. Esta última equação pode ainda ser escrita na forma x = n. 3. 2003) Sejam os conjuntos A = {x |x ∈ R e x2 . Quais dos seguintes conjuntos são iguais {1. 3. Para provar que A e B. x∈R e x2-4x + 3 = 0. (Adaptado de GERSTING. 6. Portanto. mas não pertence a B. 4. 4.. podemos concluir que A⊂B. 3. 5}. . SOLUÇÃO: Seja x ∈ A. A é um subconjunto próprio de B . 8.3. 2. 4 ⊂ B. logo x ∈ B. 5}..4x + 3 = 0} e B = {x |x ∈ N e 1 < x < 4}. 2. {1. Visto que x é múltiplo de 6. o que nos da x=1 ou x = 3. SOLUÇÃO Consideremos um elemento qualquer x pertencente a A (x∈A). (Extraído de GERSTING. Então. 2003) Dados os conjuntos A = {x |x é múltiplo de 6} e B = {x | x é múltiplo de 3}. há elementos de B que não pertencem a A. Como o valor 4 pertence a B. 3. portanto.6. SOLUÇÃO Todo elemento de A pertence a B. {5. prove que A⊂B. Desta forma.2. devemos demonstrar que x é múltiplo de 3. 9}. precisamos mostrar que este elemento arbitrário x. para algum número inteiro n. x ∈ B. 5}? SOLUÇÃO: Todos os conjuntos apresentados são iguais. Prove que A ⊂ B. 3. 3. 8} é um subconjunto próprio de B = {1. satisfaz a característica de B. 1.. é possível afirmar que x é também um múltiplo de 3 e. ou seja.2. 3. 5. Mostre que A = {2. portanto A⊂B. onde m = n.

Esta é a relação de pertinência e é denotada por ∈. e somente um elemento. irracionais. Se um objeto não faz parte de um conjunto. todo elemento de A também é elemento de B. inteiros. Qualquer objeto que seja elemento de um conjunto é dito pertencer a este conjunto. e somente se. racionais. . Qualquer conjunto que pode ser representado por extensão é chamado de conjunto finito. Há basicamente duas formas de representação de conjuntos: por extensão e por compreensão. Chama-se conjunto universo de uma Teoria a todos os entes que são considerados como elementos nesta Teoria. e somente se. Indica-se por A ⊂ B. Os conjuntos numéricos são os seguintes: naturais. no segundo. todo elemento pertencente a um deles também pertencer ao outro e vice versa. todo elementos de A também é elemento de B e existe um x ∈ B tal que x ∉ A. reais e complexos. onde cada objeto é chamado de elemento do conjunto. e somente se. Indica-se por A ⊂ B. o conjunto é representado por uma propriedade que caracteriza seus elementos. O conjunto A é dito subconjunto de B se. No primeiro caso. Denomina-se conjunto vazio aquele que não possui nenhum elemento. os elementos são listados exaustivamente e. Um conjunto é dito infinito quando não é possível listar todos os seus elementos. Conjuntos cujos elementos são valores numéricos são chamados de conjuntos numéricos. O conjunto A é dito subconjunto próprio de B se.84 RESUMO Um conjunto é uma coleção não ordenada de objetos. indica-se por ∉. Chama-se unitário o conjunto que possui um. Representa-se por ∅ ou { }. Dois conjuntos são iguais se.

o} C = { x | x precede f no alfabeto} C={a. 2003) Sejam A = {x | x ∈ N e 1< x < 50} B = {x |x∈ R e 1<x<50} C = {x|x∈Z e x ≥25] Quais das sentenças a seguir são verdadeiras? a) A ⊂ C (F) b) -40 ∈ C (F) c) ∅∈B (V) d) 17 ∈ A (V) e) √3∈B (V) f) A⊂B (V) g) {0. . b) {x|x ∈ N e x é par e 2<x<13}. conjunto é infinito. RESOLUÇÃO a) {x| x ∉ R e x é impar e x>12}. infinito. b..d. • Diga se é finito. 8. Fernando Henrique. b. y. Identifique os conjuntos iguais.c. Collor. e) {x|x∈ R e x2+4 = 0}.u} B = { x | x é uma letra na palavra bolo} B={b. 12}. e .o} Os conjuntos B e D são iguais. . c) Todos os países do mundo. LIPSON.. . z }.l.85 Exercícios Propostos 1. i .l. se existirem. Lula}.e} D = { x | x é uma letra na palavra lobo} D={b. considerando o conjuntos universo U = {a. A = { x | x é vogal} A={a. conjunto finito. 2008) Para cada conjunto abaixo: • Descreva de forma alternativa (usando outra forma de notação). c. o . (Adaptado de Menezes. o conjunto é finito. unitário ou vazio. (LIPSCHUTZ. conjunto finito 2. d) { x|x são os presidentes após o regime militar}. 2004) Liste os elementos dos conjuntos a seguir. 10. 2}⊂ A (F) h) {x| x∈Z e x2>625}⊂C (F) 3. 6. b) {4. a) Todos os números ímpares maiores que 12. Itamar. 1. (GERSTING. d) {Sarney. c) {x|x são todos os paises do mundo}.

8} é um subconjunto próprio de B = {x|x e Z*+}..8} não é um subconjunto de B = {x|x ∈ N e x é par}. 5. e A-B={1}. logo A é subconjunto próprio de B. Mostre que A = {1. 3. . 4.2. Mostre que A = {1.86 4.6.. logo A não é subconjunto de B(A⊄B).6. .4. então A diz-se um subconjunto próprio de B.6. observamos que existe um elementos de A que não pertencem a B. observamos que todos os elementos de A pertencem ao conjunto B. 2.}. Sendo A∩B={2.2. Sendo os elementos de B={1. De acordo com a definição de subconjunto próprio temos: Se B contiver elementos que não estão em A.4.4. 8}.

entre outras. diferença. produto cartesiano.1 Considerando os conjuntos numéricos apresentados na seção 4. ao conjunto de todos os elementos que pertencem a A ou a B. é imediata a conclusão de que o conjunto dos números reais nada mais é . dando ênfase. às relações entre elemento e conjunto (pertinência) e entre conjunto e conjunto (continência). Tais relações estabelecem mecanismos para a comparação de conjuntos. Em particular na informática. interseção.87 Capítulo 05 Álgebra dos Conjuntos No capítulo anterior apresentamos os fundamentos da teoria dos conjuntos.. principalmente. denotada por A∪B. banco de dados. você consiga perceber a relação existente entre os conectivos lógicos e as operações sobre conjuntos. vamos lá? 5. complemento. sobretudo. existem aplicações diretas em linguagens de programação. A união corresponde à área sombreada. vamos introduzir. Tais operações são. É importante que durante a leitura do texto e. Para complementar esse estudo. que consiste em algumas operações que são definidas sobre conjuntos: união. uma vez que considera os elementos que pertencem a A ou a B. Figura 5. União de Conjuntos Chamamos união ou reunião de dois conjuntos A e B. maneiras de se criar novos conjuntos a partir de conjuntos já existentes. fazendo as devidas associações. na resolução dos exercícios.1. na verdade. a álgebra dos conjuntos.5. A representação gráfica da união é dada a seguir. teoria da computação. sendo muito aplicadas em diversas áreas. A∪B = {x|x ∈ A ∨ x∈B} Observe que A ∪ B corresponde à operação lógica disjunção. E então. neste capítulo.

88 senão a união entre o conjunto dos números racionais e o conjunto dos números irracionais. 2. 4. 3. 2. D∪E={x∈R|-1<x<5} ou ]-1. podemos calcular: A ∪ B = {1.5[ . 10. escreva uma afirmação similar sobre o conjunto dos números complexos. 6} C = {10. 14} D = {x∈lR|-1<x≤2} E = [0. 4. Exemplo 5. 12. 6. Pare e Reflita: Tomando por base o que afirmamos sobre o conjunto dos números reais. 3. 4. para calcular D ∪ E. 6} B ∪ C = {2. 12. 5[ Dos conjuntos apresentados.1 – União de Conjuntos Considere os conjuntos: A = {1. 14} A representação gráfica das operações é a seguinte: A∪B B∪C Note que os conjunto D e E são intervalos reais. devemos representar esses intervalos na forma gráfica. 4 } B = { 2.

Interseção de Conjuntos Chamamos interseção de dois conjuntos A e B. 4.2 Exemplo 5. A região sombreada corresponde ao conjunto interseção. 6} C = {10. denotada por A ∩ B. 4 } B = { 2. 5[ Dos conjuntos apresentados. visto que considera apenas os elementos pertencentes ao conjunto A e ao conjunto B. A representação gráfica da interseção é apresentada a seguir. podemos calcular: A ∩ B = {2. 3. Figura 5. 4} B∩C = ∅ D ∩ E = {x ∈ IR |0 < x ≤ 2} ou [0. 14} D = {x∈lR|-1<x≤2} E = [0. 12. 2. ao conjunto de todos os elementos que pertencem simultaneamente a A e a B. simultaneamente.2. 2] A representação gráfica das operações é a seguinte: A∩B B∩C .89 5. A∩B = {x|x∈A ∧ x ∈ B} Perceba que a interseção de conjuntos corresponde à operação lógica conjunção.2 – Interseção de Conjuntos Considere os conjuntos: A = { 1.

6. Supondo o conjunto universo U. Complemento de um Conjunto – Diferença Lembre-se: Todos os conjuntos que são considerados em um determinado contexto são subconjuntos de um conjunto universo fixo U. A região sombreada da figura representa o complemento do conjunto A. 7. 3.90 Os conjuntos B e C são disjuntos. o cálculo da interseção é feito da seguinte forma: D ∩ E = {x ∈ IR |0 ≤ x ≤ 2} ou [0.3. uma vez que considera todos os elementos que não pertencem ao conjunto em questão. 9} e sendo A = {2. 2. uma vez que sua interseção é o conjunto vazio. 7. 9} Graficamente. 5. como o conjunto formado por todos os elementos que pertencem a U. 3. 2] 5. define-se o complementar de um conjunto A. Ac = {x | x ∉ A} Observe que o complemento corresponde à operação lógica negação. O complemento de A é dado por AC = {1. 4. 8. 8}.3 – Complemento de um Conjunto Supondo o conjunto universo U = {1. mas não pertencem a A. Figura 5. Os conjuntos D e E são intervalos reais. 4. denotado por AC. temos: . 6.3 Exemplo 5. 5.

10. mas não pertencem a B. o complementar de I em relação a IR é o conjunto Q. A – B ≠ B – A. Ou seja. temos: QC = I Ic = Q O complementar de Q em relação ao conjunto IR é o conjunto I. 12}. Para os conjuntos considerados. Da mesma forma. ou seja. 6. 7. Outra importante operação entre dois conjuntos A e B é a diferença. 3. 2. Exemplo 5. Isto é: A-B = {x|x∈A ∧x∉B} A região sombreada representa graficamente a diferença entre os conjuntos A e B. 8. 4. 9} e B = {2. uma vez que E contém todos os números reais que não são racionais.91 A área sombreada representa o complemento do conjunto A. 4. contém todos os elementos do conjunto universo que não pertencem a A. que é definida como o conjunto dos elementos que pertencem a A. 8. 6. Pare e Reflita: Para um conjunto universo U. temos: .4 – Diferença de Conjuntos Supondo os conjuntos A = {1. Supondo o conjunto IR como conjunto universo. 5.4 É importante observar que a diferença entre conjuntos não é comutativa. Figura 5. determine o complemento do conjunto vazio.

Q e I. Considerando os seguintes conjuntos R.1 (MENEZES. A∪B 2. teremos como resultado o conjunto dos números irracionais. A-B 4. 2.92 A – B = {1. Da mesma forma. 7. temos: R-Q = I Q-I = Q Se do conjunto dos números reais retirarmos o conjunto dos números racionais. 3.8} B= {1.6. 12} Graficamente.9} C= {x|x∈Z∧2≤x<5} Determine: 1. 9} B – A = {10. teremos o conjunto ℚ como resultado. 2008) Suponha o conjunto universo U = {0. mas não pertencem ao outro. 5. Auto Avaliação 5.5. temos: A-B B-A A região sombreada representa a diferença e é composta pelos elementos que pertencem a um conjunto. 3. 7.4. (B-A)c∩(A-B) . 9} e os seguintes conjuntos: A= {2. 1. 6. se retirarmos de ℝ todos os números irracionais. 5. A∩C 3. 8.4. 4. (A ∩ B)c 5.

{2}. Conjunto das Partes Pare e Reflita: Considerando A = {1.{3}.. {1}}. que não demonstraremos aqui. 4}}.{l.{l. com n elementos.5.3} Com base no exposto.4. {2}. Ela é justificada pelo fato de ∅ e {2} serem elementos de C.3}e{2. é definido como: P(A) = {X | X ⊂ A} O conjunto das partes de um conjunto A deverá conter pelo menos ∅ e ele próprio. 1.3). Existem diversas maneiras de demonstrar a validade desta afirmação. {2}}. ou conjunto potência. 4} e C = {∅. {2.5 . o conjunto das partes de A. podemos determinar um novo conjunto cujos elementos sejam todos os subconjuntos de A. pois ∅⊂A e A ⊂ A. podemos afirmar que dado um conjunto A. o número de elementos do conjunto P(A) é 2n. para um conjunto A qualquer. os subconjuntos de A são. {2}}. quantos elementos tem P(A)? Com base no exemplo 5. 1}. formado por todos os subconjuntos de B. {∅. formado por todos os subconjuntos de A.2}. Exemplo 5. {2}}} Observe a presença dos elementos {∅} e {{2}} em P(C). > . Já sabemos que. é possível determinar todos os seus subconjuntos. de A e é denotado por P(A). Supondo um conjunto A. {4}. {2}}. B = {2. as relações a seguir são sempre válidas: A⊂A ∅⊂A Portanto. Este novo conjunto é chamado de conjunto das partes. além do conjunto vazio e dele próprio: {1}. a mais comum é a prova por indução. {1}. {{2}}. {∅}.93 5. {∅. P(B) = {∅. 1. {1. temos: P(A) = {∅. Atenção para o conjunto P(C): P(C) = {∅.2. {∅.Conjunto das Partes Supondo os conjuntos A = {1}. Pare e Reflita: Supondo que um conjunto A tem n elementos.

3} e C = {m. 2). A x B = {(a. 2. x)} É conveniente destacar que o produto cartesiano é uma operação: a) Não comutativa.5.. 1)} Exemplo 5.} BxA = {(1.6 – Produto Cartesiano Sejam os conjuntos A = {x}. temos: AxB = {(x. x). O que pode ser dito sobre A se P(A) = {∅. 5. (1. m). Isto é. (3. n). b). Encontre P{B) para B = {∅}.. 1). AxB ≠ BxA. n).b)|a ∈A ∧ b∈ B} Em outras palavras.. onde a primeira componente de cada seqüência pertence ao conjunto A. resulta num outro conjunto formado por seqüências de duas componentes. ou seja.{y}. 2). 2008). (2. n)} A x A = A2 = {(x.2 1. é o conjunto de todos os pares ordenados5 (a. 3). (3. . Do exemplo 5. (2. (2. 1). x)} A X N = {(x. m). . 1). 1). n} A X B = {(x. B = {1. (x. m). 3)} 5 Um par ordenado é uma seqüência de dois elementos em uma ordem fixa. (x. x). denotado por A X B. Produto Cartesiano Sejam dois conjuntos A e B. 2} e B = {2. onde a∈A e b∈B.y}}? 2. (3. e a segunda componente pertence ao conjunto B (MENEZES. (2. (x. 2). 2). (x.6. (x. 1}. podemos dizer que o produto cartesiano é uma operação binária que. (1. O esquema a seguir ilustra a determinação dos pares ordenados que vão compor o produto cartesiano entre os conjuntos A = {1. O produto cartesiano de A por B. (x. 2). (2. AxB = {(1.{x}. aplicada a dois conjuntos A e B.94 Auto Avaliação 5. 3)} B X C = {(1.{x.

(2. x). X2. n)} Quando A = B.. n} (A × B) × C = {((x.Produto Cartesiano e Conjuntos Numéricos Sendo R o conjunto dos números reais.6.y) pode ser visto como um número complexo. o conjunto R2 é formado por todos os pares ordenados (x.... é possível definir: (A x B) x C = {(x. tais que x ∈R e y∈R. ((x. Com base nisto. ∧ Xn ∈ An} No caso em que A1=A2 = . A2. b} e B= {a. 1)... diferentes. x) ≠ (x. An é o conjunto A1 X A2 X . xn ∈ An. 1). Determine: 1. x2 ∈ A2. n). o par (x. x2. que mais frequentemente é designado como x + yi. . a potência cartesiana dos números reais.Xn) | X1 ∈ A1 ∧ X2 ∈ A2 ∧ .. Em outra visão. . x)} Tenha em mente que (1. ((x. x)..b. Auto Avaliação 5. o conjunto A1 x A2 x .c}... (3. b) Não associativa. o produto cartesiano de A1. (x. m). é o conjunto de todas as sequências de n números reais. (AxB)xA .. (AxB)xC≠Ax(BxC). A2 4. ((x. ou seja. = An.. 3)}x{m. x Ané a nésima potência cartesiana de A. AxB 2.2)... Na ótica da Geometria Analítica Plana. A seguir. An conjuntos quaisquer. ((x .. Considerando os conjuntos apresentados no exemplo 5. visto que em pares ordenados a ordem em que os elementos aparecem é levada em consideração. 3). m)..XAn = {(x1.. A2.. 2). portanto. 1). y). . habitualmente designada por An.. X An formado por todas as seqüências (x1. concluímos que os conjuntos A x B e B x A são disjuntos e. . cada um desses pares ordenados é identificado como um ponto no plano cartesiano. vamos estender o conceito de produto cartesiano para n conjuntos. Rn. ((x. portanto.. m).95 BxA = {(1... um número natural qualquer. BxA 3. Supondo.3 Sejam A = {a... 1). 2). 3). o produto cartesiano A x B (A x A) é chamado de quadrado cartesiano e é representado por A² Exemplo 5.7 . n). designado por n.. Sendo A1.. A1XA2X.. (x. xn) tais que x1∈ A1.

8 – Identidades de Conjunto (LIPSCHUTZ e LIPSON. Seja x∈Ac∩Bc. Logo. portanto. Assim. x ∉ (A ∪ B). x ∈ Ac ∧ x ∈ Bc. Sx ∈ (A U B)c e. x ∉ A ∧ x ∉ B. x ∈ Ac ∩ Bc. Tabela 3. as igualdades apresentadas Tabela 5.1. Então. Para isso devemos provar que (A∪B)c⊂Ac∩Bc e Ac ∩BC ⊂ (A∪B)c. x∈Ac∧x∈Bc. 2004) Demonstrar a seguinte igualdade (AUB)c = Ac∩BC Vamos ver um método que utiliza as propriedades apresentadas para um elemento x qualquer em cada lado da equação (inclusão dos conjuntos em ambas as direções). 3. Etapa 02: Ac∩Bc⊂(A∪B)c 1. Essas duas inclusões permitem concluir que ambos os conjuntos possuem os mesmos elementos e. Assim. demonstramos que todo elemento (A∪B) pertence a Ac∩Bc e que todo elemento de Ac∩Bc pertence a (A∪B)c.6. x ∉ A ∧ x ∉ B. 3. 2. 2. Etapa 01: (A ∪ B)c ⊂ Ac ∩ Bc 1. x ∈ (A U B)c. Portanto. ou através da inclusão dos conjuntos em ambas as direções.96 5. então x∉(A ∪ B). Identidades de Conjunto Considerando um conjunto universo U.1: Leis da Álgebra de Conjuntos É possível demonstrar a validade de tais leis através da construção de diagramas de Venn. 4. Logo. Exemplo 5. 4. Portanto. c . (A∪B)C = AC ∩BC. são válidas para qualquer conjunto A⊂U. Nas duas etapas de prova.

O primeiro passo consiste na aplicação da identidade (2ª). a equação se torna: Em seguida. é possível utilizar essas identidades básicas para construir seqüências de demonstração de equações na álgebra dos conjuntos. que corresponde à lei da associatividade. Observe: Inicialmente determinamos (A∪B)c Para determinar Ac∩Bc. a equação assume a seguinte configuração: . Vamos utilizar as identidades básicas no primeiro membro da igualdade de modo a obter o segundo membro como resultado.97 Outro modo de demonstrar a identidade é por diagramas de Venn. aplicando a identidade (3ª). Para ilustrar. extraída de Gersting (2003). concluímos que Ac C\BC é representado por: Ac∩Bc. vamos representar individualmente Ac e Bc. que chamaremos aqui de identidades básicas. concluímos que (A∪B)c = Quaisquer conjuntos envolvidos nas operações de união. interseção e complemento satisfazem as leis apresentadas na Tabela 1. Com isso. vamos construir uma seqüência de prova para a seguinte equação. Por isso. ou lei da comutatividade. Da análise dos dois diagramas. Como as representações são iguais.

o dual de A ∪B = B∪A é A∩B = B∩A. para a identidade Sua dual é . Quando demonstramos uma identidade de conjuntos usando as identidades básicas. demonstramos também sua dual. ficamos com: Em seguida. 5. LIPSON. Assim.∪. então sua dual também o será. Na álgebra de conjuntos. 2004) Desta maneira. concluímos a sequência de demonstração. ficamos com a seguinte equação: O próximo passo consiste no uso da lei do complemento (identidade (8b)). resulta em: Por fim. respectivamente. (LIPSCHUTZ. correspondente à lei da distributividade. através da aplicação da identidade (8b). ∪ e ∅.∩.6. ou lei da identidade ou elemento neutro. após a utilização da identidade (4ª).98 Agora. a aplicação da identidade (5a). ∅ e U em E por. se uma equação for uma identidade. Esta organização foi baseada no princípio da dualidade. ∩. Dualidade Você deve ter notado que as identidades básicas aparecem aos pares na tabela.1. Com isso. Denomina-se dual de uma equação E da álgebra dos conjuntos a equação E* obtida pela substituição de cada ocorrência de ∪.

é correto dizer que um conjunto finito é aquele que possui exatamente x elementos distintos. então A∪B e A∩B também são finitos e n(A∪B) = n(A) + n(B) .9 – Identidades de Conjunto (LIPSCHUTZ. temos: 1. Au(BnC) = (AuB)n(AuC) 2. B são quaisquer subconjuntos de U. A U (S n Sc) Aplicando a Lei da Distributividade 2. como demonstrar a validade desta última identidade? Exemplo 5. Neste caso. 2004) Provar a seguinte identidade (AuB)n(AU Bc) = A Considerando que A. O número de elementos de um conjunto A é simbolizado por n(A). ^ Aplicando Lei da Identidade ou Elemento Neutro em 2 A equação dual de (A U B) n {A U Bc) = A é {A n B) U {A n Bc) = A e pode ser igualmente demonstrada pela substituição das identidades básicas utilizadas na sequência de prova por suas respectivas duais. r Auto Avaliação 5. Para quaisquer conjuntos A e B finitos.n(A ∩ B) Pare e Reflita: E se os conjuntos A e B forem disjuntos.7. e utilizando as identidades básicas de conjuntos no primeiro membro da identidade. Ao demonstrar uma identidade por meio das identidades básicas de conjuntos. Demonstre a seguinte identidade: (AuB)n(AU Bc) = A 5. com x∈N.99 Pare e Reflita: Tomando por base os conceitos apresentados.4 1. Prove a distributividade da união sobre a interseção. LIPSON. estamos demonstrando também a sua dual. como ficará a fórmula? . é válido o seguinte teorema: Se A e B são dois conjuntos finitos. Conjuntos finitos e princípio da enumeração Já sabemos que um conjunto é dito finito quando é possível listar exaustivamente todos os seus elementos. ^ U 0 Aplicando a Lei do Complementar em 1 3.

ou seja. a interseção de conjuntos dois a dois (C n/). mas não programam em PHP é dado por: 20 . considerando apenas o número de elementos que pertencem estritamente a cada uma das interseções em questão. temos os números: 25 . Figura 5.10 – Conjuntos finitos e princípio da enumeração Foi realizada uma pesquisa com 120 estudantes do curso de licenciatura em informática sobre suas habilidades de programação. (/nP) e (Cn P).8 = 17 e 15 .100 A fórmula apresentada pode ser estendida para três conjuntos. pela região que corresponde à interseção dos três conjuntos (C∩J∩P). ou seja. De maneira análoga. Exemplo 5. Deste modo. assumindo a seguinte configuração: Através da indução matemática. mas não em Java. o número de estudantes que programam em C e Java.n(C nP)-n(/nP) + n(Cn/nP) Substituindo os dados coletados.25 . temos: n(C U/ U P) = 65 + 45 + 42 .n(C n/) .8 = 7. Dos entrevistados: 65 programam em C 45 programam em Java 42 programam em PHP 20 programam em C e Java 25 programam em C e PHP 15 programam em Java e PHP 8 programam nas três linguagens Com os dados apresentados podemos calcular o número de alunos que programam em pelo menos uma das três linguagens pesquisadas. que contém 8 elementos. Respectivamente. mas não programam em C. determinamos n(C U/ U P) por meio da fórmula: n(C u/ u P) = n(C) + n(J) + n(P) . calculamos o número de estudantes que programam em C e PHP. Para isso. esta fórmula pode ser estendida para qualquer quantidade finita de conjuntos.8 = 12.15 + 8 = 100 Outra forma de resolver problemas desta natureza é através do preenchimento do diagrama de Venn. e o número de estudantes que programam em Java e PHP.20 . passamos às regiões intermediárias.5 Em seguida. . Observe atentamente: Iniciamos o preenchimento pela porção mais interna.

45 – (12 + 8 + 7) = 18 estudantes programam apenas em Java e 42 – (17 + 8 + 7) = 10 estudantes programam exclusivamente em PHP. Os valores anotados devem corresponder ao número de elementos que pertencem exclusivamente a cada conjunto.7 Com base nestes dados. devemos observar o diagrama e verificar quantos elementos já estão incluídos em cada conjunto para realizar os devidos descontos. podemos calcular a quantidade de estudantes que programam em pelo menos uma linguagem através da soma: 28 + 18 + 10 + 12 + 7 + 17 + 8 = 100. 65 – (12 + 17 + 8) = 28 estudantes programam apenas em C. que dos 120 estudantes pesquisados. Desta forma.101 Figura 5. Podemos dizer.6 Posteriormente. Figura 5. preenchemos as regiões correspondentes a cada conjunto. encontramos o número de estudantes que programam apenas em uma das linguagens pesquisadas. ainda.8 . Figura 5. Desta forma. 20 não programam em nenhuma das três linguagens. Assim.

AnB=AnC.CEP{A)eCEP{B). 2004) Mostre que é possível An B = An C sem que B = C. Sejam os conjuntos A = {a. Assim. LIPSON. Então. SOLUÇÃO Para demonstrar essa igualdade vamos nos valer de um exemplo que demonstra que tal afirmação é verdadeira. portanto. por exemplo. Então: AnB = {b] Bnc = {b] Portanto. determine n(AHB). CQAeCQB. no mínimo duas linguagens de programação? E quantos programam em. Desta última afirmação. Auto Avaliação 5.5 1. Neste caso. o número de estudantes que programam exclusivamente em uma única linguagem. 2. (LIPSCHUTZ. Ainda considerando o exemplo anterior. b}. Sejam dois conjuntos A e B. vem: C £ A n B e. sendo A e B conjuntos arbitrários. d}. basta efetuar a soma: 28 + 18 + 10 = 56. duas linguagens? 2. < > Exercícios Resolvidos 1.c}eC = {b. quantos estudantes programam em.102 Por meio do diagrama construído somos capazes de responder a várias outras questões como. embora B * C. SOLUÇÃO Supondo CEP(A)nP(B). no máximo. Demonstre que P(A) n P(B) = P{A n B). C £ P{A n B) P á g i n a | 136 . Sabendo que ambos possuem 20 elementos e que n(AUB) = 30. B = {b.

Construa um diagrama de Venn para ilustrar a diferença simétrica entre dois conjuntos arbitrários A e B. 4. para A e B arbitrários. 2. 8}. 3.B) ∪ (B .A).8} Demonstração (A∪B)-(A∪B) Sendo a propriedade da diferença de dois conjuntos: A – B = A∩Bc. 3. mas não a ambos.3. TAREFAS 1.3} B-A={6. Alguns autores utilizam o operador Δ para representar a diferença simétrica. 6. todos os elementos que pertencem a A ou a B. calcule A ⊕ B. Resolução: Sendo A-B={1. 4} e B = {2.8} Então: A ⊕ B = {1.(A ∩ B).103 Tópico Extra: Diferença Simétrica Chama-se diferença simétrica entre dois conjuntos A e B a operação que gera um novo conjunto formado por todos os elementos que pertencem a apenas um dos conjuntos. Para A = {1. Formalmente. podemos escrever: A ⊕ B = {x | (x ∈ A ∧ x ∉ B) ∨ (x ∉ A ∧ x ∈ B)} Podemos ainda dizer que A ⊕ B = (A .6. Demonstre que A ⊕ B = (A ∪ B) . A notação utilizada para representar este novo conjunto é A ⊕ B. temos: (A∪B)-(A∪B) =(A∪B)∩(A∪B)c Lei de Morgan c c (A∪B)∩(A ∩B ) Distributiva ((A∪B)∩Ac)∪( (A∪B)∩Bc) Distributiva ((A∩Ac)∪(B∩Ac))∪((A∩Bc)∪(B∩Bc) Elemento Neutro c c Diferença de Conjuntos (∅∪(B∩A ))∪((A∩B )∪∅) (A-B)∪(B-A) . ou seja. 2.

F. A declaração de tipo Pascal a seguir define o conjunto universo Alfabeto e como o conjunto de todos os caracteres do teclado. e então realizando uniões . Iniciais tem o valor {A. Como um conjunto não é ordenado. dá o mesmo valor a Iniciais que a atribuição anterior. G}. Nessa linguagem o conjunto universo S precisa ser especificado e então as variáveis que representam subconjuntos de S podem ser definidas. mas como eles são conjuntos. portanto. é a alfabética. as operações de união. 'G']. não podemos dizer "o terceiro elemento" do conjunto Iniciais. Letras := ['C . O conteúdo de uma variável conjunto A pode ser construído dinamicamente durante a execução do programa. . o conjunto universo precisa ser enumerável ou contável em uma determinada ordem.) Após a atribuição acima. como uma seqüência. Letras : Alfabeto. e as atribuições a seguir seriam válidas para essas variáveis: Iniciais : = ['A' . subconjuntos de Alfabeto podem ser definidos como variáveis no programa. 'D'. e a atribuição Iniciais := ['B'. 'F' 'E'. F} e Letras tem o valor {C. 'C']. . respectivamente. * e —.104 Leitura Complementar Linguagens de Programação e Conjuntos (extraído de: GERSTING. C. D. 2003) O conceito de conjuntos é um conceito útil e uma noção geral que figura como tipo de dados padrão em algumas linguagens de programação. não podemos referenciar elementos individuais do conjunto. P á g i n a | 138 onde os pontos indicam uma seqüência na ordem de enumeração que. D. type Alfabeto = set of char. Judith L. B. tais como A. 7 e %. através de declarações como var Iniciais : Alfabeto. a ordem dos elementos não é importante. (Em Pascal são usados colchetes no lugar de chaves para denotar os conjuntos. iniciando-se A como um conjunto vazio. São Paulo: LTC. E. 'A'. interseção e diferença são oferecidas pelos operadores +. tais como Pascal. As expressões condicionais podem ser formadas pela comparação das variáveis do tipo conjunto A e B da seguinte maneira: Sintaxe de Programação Semântica (Significado) A=B A=B A <> B A≠B A <= B A B A >= B B A Finalmente. X. além disso. A ordem de enumeração é conveniente para a definição de quais são os elementos de um conjunto. 'F']. E. neste caso. Existe um limite de tamanho para o conjunto universo de forma que seus subconjuntos não podem ser arbitrariamente grandes. Agora. Fundamentos Matemáticos para a Ciência da Computação.

a interseção de A e B. O produto cartesiano de dois conjuntos A e B é o conjunto de todos os pares ordenados dos elementos de A que podem ser formados com os elementos de B. então seu conjunto das partes tem 2n elementos. Se A e B são conjuntos.n(A n B).105 de A com conjuntos com um único elemento. a diferença de A e B. denotada por A u B. Se A e B são conjuntos finitos. Se um conjunto A possui n elementos. é o conjunto formado por todos os elementos que pertencem a A e não pertencem a B. chamamos de complemento de A o conjunto U Ae denotamos por Ac. sendo válida a seguinte igualdade n(A u S) = n(A) + n(B) . P á g i n a | 139 RESUMO Se A e B são conjuntos. simbolizada por A . Existem identidades básicas (em pares duais) que podem ser utilizadas para provar a identidades de conjuntos. é o conjunto que contém os elementos que pertencem simultaneamente a A e a B.B. Se A e B são conjuntos. é o conjunto que contém os elementos que pertencem a A ou que pertencem a B. então AuB e AnB também o serão. a fim de incluir esses elementos em A. Denomina-se conjunto das partes de um conjunto A o conjunto cujos elementos são todos os subconjuntos de A. a união de A e B. representada por An B. Sendo U o conjunto universo. • • • P á g i n a | 140 .

temos: {x| p(x)∨(q(x)∧p(x))}. 4. B = {c. através da inclusão em ambas às direções ou usando as identidades básicas de conjuntos. (A∩B)∪(A∩Ac) 2. g. LIPSON. f.g} c) (A∪C) – B = {a. 2. 6. (GERSTING. subconjuntos de U = {a. 2003. Demonstre as seguintes identidades. h. 5} B = {1. b. MURAKAMI. 4. e. d. j}. 8} C = {2. 8} e C = {2. c. obtenha um conjunto X tal que X ⊂ A e A .106 Exercícios Propostos 1. B e C subconjuntos de U. f} 2. logo X = {1. 3. 4. a) A∪(B∩A) = A sendo A=p(x) e B= q(x). (IEZZI. d. 5. 2. A∩B 4. 2004) Sejam A. 7}. Dados: A = {1. (A∩B)∪∅ 3.3. e. 5}. h i. Sejam os conjuntos A = {a. e. 5}. f. f. i. c. b} d) (A ∩ B)C ={a. 5. Determine: a) A – B = {a. d}. 6. d. 5} 3. Distributiva Complemento Elemento Neutro Comutativa h) (A∪B) = (A∩BC)∪(AC∩B)∪(A∩B) (A∩BC)∪(AC∩B)∪(A∩B) Comutativa C C (A∩B )∪(B∩A )∪(B∩A) Associativa (A∩BC)∪(B∩AC∪A) Distributiva Elemento Neutro (A∩BC)∪(B∩U) C (A∩B )∪B Elemento Neutro (A∪BC)∩(B∪Bc) Distributiva . c. j} e) (A∪B)∩CC = {a. b. A∩U 3. e. LIPSCHUTZ. 3. b. 7} X⊂A A-X=B∩C Sendo B ∩ C = {2. g. 5} Se X ⊂ A. 4. 4. 1993) Dados os conjuntos A = {1. 2.b} b) B – A = {e. A∩(B∪Bc) 2.f.X = B ∩ C. 4. usando a propriedade de simplificação temos: {x| p(x)∨p(x)}= {x| p(x)} = A b) (A∩B)∪(A∩BC) = A 1. 4. então: X = A-{2. B = {1. A g) A ∩ (B ∪ AC) = B ∩ A 1. g} e C = {b. 2. B∩A Distributiva Complemento Elemento Neutro. 4. g}.

(IEZZI. AC = {e.i} A=U-Ac={a. A∩B = {c. h. 5. d. f. c. os conjuntos B e C são disjuntos. Não existe tal diagrama de Venn. f.107 (A∪BC)∩U A∪(BC∩U) A∪B Elemento Neutro Associativa Elemento Neutro 4. e. b. i}={a. logo a tem 4 elementos B=(A∩B)∪((A∪B)∩AC)={c. f}. h. f} Ac={e. b.f.(A∩B)) 16-4=12 .c. i} Temos: A∪B∪Ac=U {a. e A⊂B. (PINTO. MURAKAMI. então x deve também pertencer a B. d.f}.C) = 10. A∪B = {a.{a}} 7. b. mas A e C têm elementos comuns. Se A e C tem um elemento em comum x.B)=x x+4+12=24 x=24-16 x=8 b) n(A∩B∩C) n(A .6=16 d) n((A∩B) . respectivamente? Sendo: A∩B = {c.d. calcule: a) n(A .b. B e C.d. onde A ⊂ B.C)=1 c) n(B-(C∪A)) 16-4. g. g.C). h.C) = 11 n(B . i}. f}∪{e. c. 1999) Determine o conjunto das partes do conjunto das partes de A = { a }. d} A∪B = {a. d.d}.b. e.C) 4-1=3 e) n(B . MURAKAMI. Esboce um diagrama de Venn para os conjuntos A. 1992) Sabendo que A e B são subconjuntos de U. g.h. B e C. P(A)={∅. responda: quantos elementos têm A e B. logo B tem 4 elementos 6. representados no diagrama abaixo e sabendo que n(A∪B) = 24 n(A∩B) = 4 n(B∪C) = 16 n(A . d}.n(B . c.c.e. (IEZZI. 1992) Considerando os conjuntos A. B e C também devem ter um elemento em comum. e.e. Logo.g. f.

pois apresenta a capacidade de representação de situações do mundo real (GERSTING. explicar melhor o que isto significa. (3. Nos capítulos anteriores estudamos algumas delas: “está contido em”. e assim por diante. 2003). Na verdade. Toda relação é expressa em termos de um par ordenado (a. por sua vez. então. “é maior que”. Noções sobre Relações Certamente você já teve contato com inúmeras relações matemáticas durante seus estudos. corresponde à associação entre elementos de dois conjuntos. 16. 9. faremos um breve estudo sobre relações e funções. onde indicamos a como o primeiro elemento e b como o segundo elemento. 2003). no qual cada elemento de A é associado a um elemento de B por meio de uma “regra” ou “correspondência”. 4. Com base no exposto.4).1).y) de A x B tais que y = x2.108 Capitulo 06 Estudo das Funções O conceito de função é de fundamental importância para a Matemática e para a Ciência da Computação. Já sabemos que o produto cartesiano de A por B é o conjunto AxB = {(x. podemos dizer que uma relação é uma comparação entre dois objetos (SCHEINERMAN. Geralmente. Neste capítulo. E você provalmente deve estar se perguntando: como assim. 25}. Vamos considerar agora o conjunto dos pares ordenados (x. Neste caso. como “é menor que”.y)|x ∈ A ∧ y ∈ B}. Além disso. uma função é um tipo especial de relação. há outros exemplos de relações. um conjunto de pares ordenados? Vamos. Assim. (2. Uma relação é um conjunto de pares ordenados. representada por um conjunto de pares ordenados. y): . 3} e B = {1. Neste caso. 2. o conceito de função está atrelado à idéia de relacionar valores. dizemos que R é uma relação de A em B. priorizando seus aspectos mais relevantes a serem aplicados na Ciência da Computação. “é perpendicular a”. b). podemos afirmar para cada par ordenado (x. “pertence a”. “é um subconjunto de”. Considere dois conjuntos A = {1.1. formado por 15 elementos. Vamos lá? 6. temos: R = {(1. que. nos quais o segundo elemento é igual ao quadrado do primeiro elemento.9)} Note que o conjunto R é um subconjunto de A x B.

. . ser estendido para n conjuntos. y) R se x é autor de y. x está associado a y pela relação R. ou seja x y. ou seja x R y.. R é relação de em A1. Canção do Exílio)} De acordo com R. An chamamos relação n-ária em A1. x é relacionado com y.. R⊂AXB. é possível realizar sobre relações. A2. Dom Casmurro}.. Dados dois conjuntos A e B. Ou seja. Camões R Os Lusíadas.y)∈R.xAn. 3)} Pare e Reflita: Toda relação é um conjunto. An. chama-se relação binária. 2). Assim. R ⊂ A1xA2x. ainda. temos: R = {(1.. Então. . (x. Dom Casmurro). Assim. por exemplo? . etc. Neste caso. Gonçalves Dias} e B = {Os Lusíadas.. podemos afirmar que xRy ⇔ (x. 2. Podemos definir uma relação de A em B por (x. (Camões.. (1.xAn. (x. Camões.1 – Relações a) Sejam os conjuntos A = {Machado de Assis. x não é relacionado com y. ii. ou simplesmente relação de A em B a todo subconjunto de A X B. 4} e N = {1. se e somente se. Ou seja. y) | x < y}. 3. Canção do Exílio.. Machado de Assis R Dom Casmurro.. 3}.y) ∉ R. Ou seja. as operações de união. interseção e diferença.109 i. temos uma relação n-ária. 2. .. A2.y) ∈R. Os Lusíadas). Assim: R = {(Machado de Assis. Sobre os conjuntos M e N. An um subconjunto de A1xA2x . que é definida como segue: Dados dois conjuntos A1.. Exemplo 6.. b) Considere os conjuntos M = {1. (2. A2. nos quais o primeiro elemento é menor que o segundo. os elementos de R são todos os pares ordenados de M x N. podemos definir R = {(x. (Gonçalves Dias. 3). Deste modo. O conceito de relação pode.. se e somente se. R é relação de A em B.

podemos escrever para a relação R = {(x. Já o conjunto Im ⊂ N é conhecido como imagem de R e é formado por todos os segundos elementos dos pares ordenados que pertencem a R. Figura 6. 2} e Im = {2. (IEZZI. y) | x < y}. Deste modo. A seguir. D = {1.1 É comum chamarmos o conjunto M de conjunto de partida da relação e o conjunto N de conjunto de chegada ou contradomínio da relação.2 O conjunto D⊂M é chamado de domínio da relação R e contém todos os primeiros elementos dos pares ordenados que pertencem a R. Com base nisto.1. MURAKAMI. apresentada no Exemplo 6. y) | x < y}. conforme ilustrado na figura. Figura 6. 1993) Você deve ter notado que nem todos os elementos dos conjuntos M e N aparecem como elementos dos pares ordenados que compõem a relação R. podemos definir dois conjuntos especiais. 3} .110 Uma relação pode ser representada graficamente por meio de um diagrama de flechas. temos a notação gráfica de R = {(x.

Quando um elemento do contradomínio é imagem de mais de um elemento do domínio. dizemos que em uma relação é do tipo um-para-vários quando um elemento do domínio possui mais de uma imagem correspondente. Dizemos que uma relação R é biunívoca ou injetiva (ou de um-para-um) se cada primeiro elemento x e cada segundo elemento y aparecem não mais que uma vez em R Ou seja. ou unívoca. que R é uma relação um-para-vários ou vários-para-um. dizemos que a relação é do tipo vários-para-um. cada elemento x faz par com um único elemento y e vice versa.4 Figura 6.3 Nos casos em que um primeiro elemento x ou um segundo elemento y aparece mais de uma vez em R. Figura 6. Em outras palavras. temos. respectivamente. 2003). Figura 6.5 .111 Uma observação importante sobre as relações binárias é que um determinado primeiro elemento x e um certo segundo elemento y podem ser relacionados várias vezes na relação (GERSTING.

4. vários-para-um ou vários-para-vários.112 Existem. existe pelo menos uma imagem relacionada a mais de um elemento do domínio.3.1 Dados os conjuntos: A={-1. Figura 6. 2. identifique domínio e imagem.6 Auto Avaliação 6. ainda. as relações do tipo vários-para-vários. Em relações deste tipo pelo menos um elemento do domínio possui mais de uma imagem e.y)∈A x B |x²=y} .4} Para cada uma das relações abaixo. simultaneamente. classifique em um-para-um. 8} C = {1. um-paravários. R1 = {(x. -2. 2} B={0. represente por diagramas de flecha. 1.2. 1. 0.

R2={(x.y) ∈ A x B| x≤y} 6. Considere uma máquina conforme ilustração abaixo: Figura 6.7 Esta “máquina” funciona da seguinte forma: ela recebe como entrada um número inteiro e apresenta como saída o número inserido . R3={(x.y) ∈ A x C| x + y = 0} 3.2. Conceitos Introdutórios sobre Funções Para entender o que é uma função. acompanhe a seguinte simulação.113 2.

somente retângulos seriam válidos como entrada. 4} e as seguintes relações de A em B: R = {(x. Scheinerman (2003) afirma que o mais importante na definição da regra que transformará dados de entrada em dados de saída é uma criteriosa especificação das entradas permitidas e. tomando por referência a definição apresentada. a saída correspondente. não vazios. 1.y)∈A x B | y = x} V = { x. para cada entrada. 1. Pare e Reflita: Com base no que foi apresentado. você notará que toda função é uma relação do tipo umpara-um ou uma relação do tipo um-para-vários. 0. obrigatoriamente. 3. Neste caso. todos os elementos do conjunto de partida precisa ser estar associado a algum elemento do contradomínio. 2. podemos dizer que a “máquina” transforma um elemento de entrada através de uma regra e apresenta o resultado desta transformação na saída. Além disso. na verdade. 3} e B = {-1. formule uma definição para função.y)∈A x B | y = 2} Para determinar quais das seguintes relações são funções (ou aplicações) de A em B. MURAKAMI. Mas as regras definidas para realizar as transformações não devem ser. podemos determinar que a entrada seja um retângulo e a saída seja o valor da diagonal desse retângulo. você certamente concluirá que uma função é. Por exemplo. um tipo especial de relação binária. considerando os conjuntos A = {0. acompanhe as seguintes situações (IEZZI. apresentamos um conceito mais rigoroso de função. Ainda.1} W = { x.y)∈A x B | y² = x²} T = { x. vamos analisar cada uma delas. a todo subconjunto de A X B no qual cada elemento de A aparece uma única vez como primeiro componente de um par ordenado.y)∈A x B |y = (x – 1 )² . 1993). Dados dois conjuntos A e B. A nossa máquina trabalha com valores numéricos inteiros.114 adicionado de 2. A relação R pode ser representada como segue: . denotada por f: A → B. Em termos mais simples. Pela definição. fórmulas algébricas. numa função. A seguir. Para melhor entendimento.y)∈A x B | y = x + 1} S = { x. chamamos função de A em B. 2. então apenas valores inteiros são permitidos como entrada.

10 . Observe que cada x ∈ A. não é possível associar nenhum elemento y ∈ B. 1).115 Figura 6.8 Daí. (3. 3)}. (2. de forma que (3. 2). 0). (1. 2). portanto já se pode afirmar que a mesma não é uma função de A em B. Perceba que esta relação é do tipo vários-para-um. 0). está associado a apenas um y ∈ B. y) ∈ R Neste caso. R = {(0. 2). 3)} é representada graficamente como: Figura 6. afirmamos que a relação R não é uma função de A em B. 1). (3. temos o seguinte diagrama de flechas: Figura 6. (1. y) ∈ R Para o elemento 3 ∈ A. Para a relação S. A relação T = {(0.9 S = {(0. (2. 3)}. tal que (x. -1). (2. 1). (1. exceto o 3. visto que ela não obedece à norma de que todos os elementos do domínio da relação devam estar associados a pelo menos um elemento do contradomínio. (1.

Por fim. (3. (1. 3)}. (1. (2. temos mais um exemplo de função. existe um só y ∈ B.11 V = {(0. 2). todos os elementos do conjunto A possuem associação com elementos do conjunto B. Neste caso. Observe que. sem exceção. 2)}. Podemos representar a relação V pelo seguinte diagrama de flechas: Figura 6. uma vez que para todo x ∈ A. considerando a relação W = {(0. -1). (2. 0).116 Perceba que cada elemento x∈A está associado a apenas um y∈B. esteja associado a um. neste caso. sendo única tal associação.12 Aqui. (3. de forma que (x. y) ∈ W. 2). Para que uma relação de A em B seja uma função. 0). e somente um. 2). . é necessário que todo elemento x ∈ A. temos: Figura 6. A figura abaixo mostra a representação de uma função arbitrária. a relação T é uma função. V é uma função de A em B. já que todos os elementos do conjunto A possuem um elemento associado no conjunto B e esta associação é única. elemento y ∈ B. Portanto.

Exemplo 6. vamos analisar cada uma delas. 1). (1.(1. y é o valor de B que a função associa ao valor x de A. f é uma função de A em B. onde x∈A e y∈B. Observe o diagrama: . a qual vamos denominar f. 0). o conjunto A é denominado domínio da função. 1)} é função. A relação R = {(0. (0. 0).y) ∈ A x B | y = x²} Para definir quais das relações apresentadas são funções. pois existe um elemento de A que não está associado a algum elemento de B. Observe o diagrama: A relação S = {(-1. ou seja. o conjunto B é o contradomínio e cada elemento y = f(x) é chamado de imagem de x.y) ∈ A x B |x – y = 0} S = {(x.2 – Função Considere os conjuntos A = {-1. 2003). f(x) = y (GERSTING. Ao conjunto de todos os valores de imagem denominamos imagem de f. que é representada por f: A→B. 0. 1} e B = {0. A associação dos elementos de A com os elementos de B é um conjunto formado por todos os pares ordenados (x. 1} e as seguintes relações binárias de A em B: R ={(x. Como em qualquer relação. 1)} não é função. y).13 Neste caso.117 Figura 6.

T é conjunto dos números de carteira de identidade e f associa cada pessoa ao número de carteira de identidade. concluímos que é uma função. (2. Não é função.4.118 O domínio da função é o conjunto D = {-1.3}. 1} Auto Avaliação 6. (2. Exercícios Resolvidos 1. 3). 1.2 (GERSTING. (3. justifique sua resposta. O contradomínio da função é o conjunto CD = {0. SOLUÇÃO: A imagem pedida é dada pela aplicação da função ao elemento do domínio -2 da seguinte forma: .1).f: A→B.1)} Não é uma função: 2 ∈S tem dois valores associados (2. é preciso aplicar a função a cada um. 3. como segue: f(-1) = (-1)2 = 1 f(0) = 02 = 0 f(1) = 12 = 1 A imagem de f é o conjunto Im = {0. f: S → T. nem todo elemento de S tem um número de RG. 1). 2003) Quais das relações a seguir definem funções do domínio no contradomínio indicados? Nos casos em que não forem funções.3) e (2. onde S é o conjunto de todas as pessoas em sua cidade maiores de 18 anos. Dada a função f: R→R definida por f(x) = 2x² . onde g é definida por g(x) = |x|. Sendo uma relação um-para-varios. f = (1.1) 2. Determinar a imagem de -2. onde x∈Z. onde A = B = {1.2. 0. 1} Para determinar a imagem de cada elemento do domínio. 1}. g: Z→Z.

1} e B = {0.4 = 8-4 = 4 Portanto.2⇔2x-10 = -2⇔2x = -2 + 10⇔x= 8/2 ⇔x = 4 Portanto. (-2)2-4 = 2 . o conjunto imagem de f é igual ao seu contradomínio.1. Esta função pode ser representada como segue: . (x – 5) = -1. definida por f(x) = x.1. Qual é o elemento do domínio que tem – 1/2 como imagem? SOLUÇÃO: 1 Queremos determinar o valor de x tal que f(x) = -1/2.2. onde A = {0. temos: (x-5)/2 = . Neste caso. Sobrejetividade Considere a função f: A → B. o elemento do domínio procurado é x = 4 6. definida por f(x) = x². 0. Ou seja.14 Note que todo elemento do conjunto B é imagem de algum elemento pertencente ao conjunto A. 2. a imagem de -2 em f é 4. onde A = {-1. 4 . Propriedades das Funções 6. Resolvendo a equação. Para isso.1.119 f(-2)=2.1} e B = {0. 1}. 2}.2. 1.2. dizemos que a função f é sobrejetiva. Esta função pode ser representada como segue: Figura 6. é bastante resolver a seguinte equação: (x-5)/2= -1/2.½ ⇔ 2. 6.1. Injetividade Seja a função f: A→B. Uma função f: A → B é dita sobrejetiva (ou sobrejetora) se seu conjunto imagem for igual o seu contradomínio. Seja a função f: R → R definida por f(x) = x – 5/2.2.

Uma função f: A → B é dita injetiva se a relação que a define for do tipo um-para-um.120 Figura 6.3 – Bijeção Sejam os conjuntos A = {0. 1.15 Observe não existe elemento em B que seja imagem de mais de um elemento de A. 2. sobrejetiva e injetiva. Além disso. para cada elemento de A existe um único correspondente em B. dizemos que a função f é injetiva (ou injetora). De fato. Bijeção Uma função f: A → B é dita bijetiva se for.3. Neste caso. A função f: A → B. Exemplo 6.1. 6. ou seja. simultaneamente. é bijetiva.2. 3}. . o contradomínio coincide com o conjunto imagem de f. definida por f(x) = x + 1. 2} e B = {1. a relação entre os conjuntos A e B é de um-para-um.

Auto Avaliação 6. onde f = {(1. Para provar isto. pois para dois números quaisquer do domínio. CD ⊂ Im.3 1. (GERSTING. r). (2. quaisquer que sejam x e y reais. d) A cada cidade maranhense. 2003) Quais dos itens a seguir representam funções? Quais são injetivas? Quais são sobrejetivas? a)f: {1.2. injetiva. pois um autor pode escrever mais de um livro. Então x é um número e. Ou seja. pertence ao domínio de f. c)f:N→ N. 2004) Determine se cada uma das seguintes funções é injetora. . associe seu número de matrícula. È um função injetora. 2. p)} É sobrejetiva e injetiva. Não é injetora. então g(x) ≠ g(y). onde f(x) = 2x . se x ≠ y.121 Exercícios Resolvidos 1. basta mostrar que CD ⊂ Im. (LIPSCHUTZ. Portanto. Com isso.q).q. pois pode haver pessoas de mesma idade. c) A cada aluno da sua classe. então x³ ≠ y³. seja r um número real qualquer e seja x = ³√r. 2003) Provar que a função f: R → IR. a) A cada pessoa no estado do Maranhão. Função exponencial. A função apresentada na questão anterior é injetiva? SOLUÇÃO: A resposta é sim. Função polinomial do 2° grau. associe o nome de seu prefeito.r}. provamos que qualquer número no contradomínio é imagem por g de algum número no domínio e. Aplicando a função a x. associe o autor. associe o número correspondente à sua idade. É uma função injetora. (GERSTING.3}→{p. 2. portanto. conclusão é bijetiva b)f:Z→N. (3. Não é injetora. LIPSON. definida por g(x) = x3 é uma função sobrejetiva. onde f (x)=x² + 1. portanto. SOLUÇÃO: Já sabemos que uma função é sobrejetiva quando seu conjunto imagem é igual ao seu contradomínio. b) A cada livro escrito por um único autor. é válido que se x ≠ y. temos: g(x) = (³√r)³= r.

1}.1 = 2 . Ou seja. o estudo de propriedades de uma função mais complexa a partir de outras mais simples.122 6. Então. Desta forma.2.16 A função g ° f é aplicada da direita para a esquerda. 2. B = {0. e então aplica-se a função g. é muito comum a obtenção de novas funções a partir de funções já existentes. 1. e g: B→C. Um dos objetivos deste tipo de construção é. denominada composição de f e g e denotada por g ° f. Assim. Como já sabemos. Acompanhe o exemplo ilustrativo para melhor entendimento. o contradomínio de f é o domínio de g. temos: f(-1) = (-1)2 = 1 f(0) = 02 = 0 f(1) = 12 = 1 Em seguida. Composição de Funções Na Matemática.1 = 2 g(f(0)) = g(0) = 2. podemos definir uma nova função de A para C. isto é. inicialmente é aplicada a função f.1 = 2 g(2) = 2. 0. como segue: (g ° f) (x) ≡ g (f(x)) Esta definição pode ser ilustrada como segue: Figura 6. 4} e as funções f: A→B. Sejam as funções f: A→B e g: B→C.2 = 4 A função composta g ° f: g(f(-1)) = g(1) = 2. Sejam A = {-1. segundo Smole e Diniz (2003). temos: g(0) = 2. 2} e C = {0. definida por f(x) = x2.2. Queremos calcular as imagens da função composta g ° f. f é aplicada primeiro. é aplicada a função g.0 = 0 g(1) = 2.0 = 0 g(f(1)) =g(1) =2. definida por g(x) = 2x.

123

Representando f, g e g ° f por diagramas, temos:

Figura 6.17 Para obtermos a lei de correspondência da função composta g ° f, devemos aplicar g à função f, substituindo x em g por f(x). Ou seja, se f(x) = x2 e g(x) = 2x, então a lei de correspondência da composta g ° f é dada por: g(f(x) = 2 . f(x) = 2 . x². Assim, (g ° f)=2x². Exemplo 6.4 – Composição de Funções Seja f: R→R a função definida por f (x)= x -2 e seja g: R→R a função definida por g(x) = 1 – x². A fórmula que define a função composta f ° g é a seguinte: f(g(x)) = g(x) – 2 f(g(x) = 1 – x² = -x² - 1 Para calcular (f ° g) (1) podemos utilizar a fórmula encontrada. Assim, f(g(1)=-1² - 1 = -1-1 = -2 Auto Avaliação 6.4 Seja f: N→N definida por f(x) = 3x - 1 e g: N→N definida por g(x) = 2x. Calcule o seguinte: 1. (g ° f)(3) f(3)=3.3-1=8 g ° f = g(f(3))=2.8=16

124 2. f(g(3)) g(3)=2.3=6 f(g(3))=3.6-1=17 3. (f ° g)(x) f ° g = f(g(x))=f(2x)=3.(2x)-1=6x-1 4. (g ° f) (x) g ° f = g(f(x))=g(3x-1)=2.(3x-1)=6x-2 6.2.3. Funções Inversas De acordo com Smole e Diniz (2003), o objetivo das funções inversas é criar novas funções a partir de outras. É possível, ainda, fazer uso da noção de funções inversas para estudar relações entre duas funções. A seguir, mostraremos como obter a inversa de uma função e qual o seu significado. Acompanhe atentamente o exemplo. Sejam os conjuntos A = {1, 2, 3} e B = {3, 5, 7}. Consideremos, ainda, a função f: A→B definida por f(x) = 2x + 1.

Figura 6.18

Observe que a função f é bijetora e que D(f)=A e lm(f) = B. Agora vamos considerar a relação f-1 = {(y,x)|(x,y) ∈ f }, inversa de f. Podemos afirmar que f -1 também é uma função, uma vez que para todo y ∈ B existe um único x ∈ A de modo que (y,x) ∈ f -1 .

125

Figura 6.19 Note que D(f -1)= B e Im(f -1) = A Com base no exposto, podemos afirmar que: Uma função f: A→B é inversível se a relação inversa é uma função de B para A. Além disso, considerando uma função f: A→B, afirmamos que a relação inversa f -1 é uma função de B em A se, e somente se, f é uma função bijetiva. Para finalizar esta seção, é conveniente demonstrar uma maneira de determinar a função inversa de uma função / dada. Comumente, utilizamos a regra prática apresenta a seguir (IEZZI; MURAKAMI, 1993). Determinação da Função Inversa Dada uma função bijetora f: A→B, definida por y = f(x), a função inversa f -1 é calculada por meio da execução dos seguintes passos: 1. Na sentença y = f(x) fazemos uma mudança de variável, trocando x por y. Assim, obtemos x =f(y); 2. A partir da expressão x = f(y), escrevemos y em função x, obtendo y = f -1(x). Exemplo 6.5 – Funções Inversas Seja a função f: A→B definida por f(x)= 2x + 1, apresentada no inicio da seção 4.2. Para determinar a função f -1, inversa de f, procedemos como segue: Aplicando a regra 1, ficamos com a seguinte expressão: x=2y + 1 Em seguida, isolamos y:

75] = 1.3.75] = 2. [x]=[x]. [√2] = 1 e [-5. 1. Quando x é um número inteiro. Por exemplo: [1.67] = -6. Se x é um número real qualquer. [x] é chamado ceiling de x e denota o menor inteiro maior ou igual a x. [3. f(x) = x5 x=y5 y=5√x 6. então podemos afirmar que x está entre dois números inteiros conhecidos como floor e ceiling de x (LIPSCHUTZ. [√2| = 2 e [-5. Por exemplo: [1. 6. Funções Matemáticas O objetivo desta seção é apresentar algumas funções que possuem aplicações freqüentes na Ciência da Computação. LIPSON. logo f -1(x)= 2x+3 3. sobretudo no desenvolvimento e na análise de algoritmos (LIPSCHUTZ.1.67] = -5. [x] é chamado floor de x e expressa o maior inteiro menor ou igual a x.3. LIPSON . f(x) = 8x x=8y⇒y=x/8.126 2y=x-1⇒y=(x-1)/2 Esta última expressão é a função f -1 Auto Avaliação 6.14] = 4. 2003). 2005). f(x)=(x-3)/2 x=(y-3)/2⇒y=2x+3. Funções Floor e Ceiling As funções floor e ceiling podem ser entendidas como funções de arredondamento. logo f -1(x)= x/8 2. Caso contrário. [3.5 Para cada uma das seguintes bijeções f: R→R. calcule f -1. [x]+1=[x]. .14] = 3.

denotado por ABS(x).3. Pode também ser denotada por |x|. O valor absoluto de um número real x. sendo escrita como INT(x). temos: -3+3-(-4)=4 .6 Determine os valores numéricos das seguintes expressões. Auto Avaliação 6.14) = 3.67) = 5. É preciso ter atenção para dois casos: o primeiro quando x for positivo e o segundo quando x for negativo.75. [-2. INT(1. é dado por: ABS(x) = x. INT(x) transforma x em um valor inteiro. a função resto expressa o resto inteiro da divisão de um número inteiro x qualquer por um número inteiro positivo y. representa o módulo de x.z'. é conhecida como função de truncamento. se x≥0 -x. 6. a operação é realizada dividindo-se |x| por y. Funções Valor Inteiro e Valor Absoluto A função valor inteiro. a operação é muito simples. se x<0 Por exemplo: ABS(1. Por exemplo. INT(3.3.127 6. Basta dividir x por y e obter o resto.67. 1.75) = 1. eliminando sua parte fracionária. Para x negativo. -36(mod 5) = 5 . O resultado de x(mod y) é expresso por y . obtendo o resto z'.45] + [√10]-[-3.34] Chamado floor.3.75) = 1.2. ABS(-0.675) = 0. INT(√2) = 1 e INT (-5. Por exemplo: 32(mod 7) = 4. ABS(x). Para x positivo. Denotamos por x(mod y). Função Resto Como o próprio nome já sugere.67) = -5. A função valor absoluto.675 e ABS(-5.1 = 4 e 215(mod 2) = 1.

temos: 4. Função Exponencial e Função Logarítmica As funções exponencial e logarítmica estão intimamente relacionadas e possuem inúmeras aplicações na Ciência da Computação.75)-43(mod 4) Chamado floor. dentre as quais destaca-se seu uso na análise da complexidade de algoritmos.3. uma vez que ax > 0. temos: -1+6-3=2 3.14]. [-1. temos: 3.54)+[4.(INT(-1.5=-10 6.(-1)+5=1 4. Representação Gráfica da Função Exponencial O gráfico cartesiano da função f: R → R definida por ax com a > 0 e a≠1: 1.(-1)+4=1 Chamado ceiling. definida por f(x) = ax. temos: -2+6-3=1 Chamado ceiling. 1). pois a0 = 1. Pare e Reflita: Por que foram impostas duas restrições para a base a(a>0 e a≠1)? A seguir são apresentadas as características da representação gráfica da função exponencial.43]) Chamado floor. temos: -2+4-(-3)=5 2. Tem imagem dada pelo conjunto Im = R*+ e corta o eixo Oy no ponto (0. 2. Situa-se acima do eixo Ox.128 Chamado ceiling. ∀x ∈ R.42) -2. R→R. Uma função f. -17(mod 3) • INT(5. . é chamada de função exponencial de base “a”. [3.25]+INT(6. onde a é qualquer número real positivo e a é diferente de 1.4.

A construção do gráfico fica como exercício. Substituindo f(x). (2/3)x=24/34 ⇒ (2/3)x = (2/3)4 ⇒x=4 Assim. A partir deste ponto. o elemento do domínio procurado é x = 4. Este fato pode ser escrito como: Se p < q. o cálculo de x é feito pela aplicação das propriedades da exponenciação. temos: (2/3)x=16/81. então (2/3)p > (2/3)q A afirmação é válida e pode ser comprovada pela análise do gráfico de f(x). A imagem para x = -2 por f é dada por: f(-2)=(2/3)-2 = (3/2)2 = 9/4 O elemento do domínio que possui imagem igual a 16/81é dados por f(x)=16/81.129 Ao trabalhar com funções deste tipo. De fato 0 < a < 1. definimos que f é decrescente. .6 – Função Exponencial Considere a função real f(x)=(2/3)x. Analisando cada termo da função. devemos ter sempre na lembrança as seguintes regras. referentes à exponenciação: Exemplo 6.

Tem imagem dada pelo conjunto Im = R e corta o eixo Ox no ponto (1. formalmente.130 A função logarítmica é a função inversa da função exponencial e pode ser definida. é chamada de função logarítmica de base a. Representação Gráfica da Função Logarítmica O gráfico cartesiano da função f:R*+→R definida por logax. Situa-se à direita do eixo Oy. onde a > 0 e a ≠1. Lembre-se: Logbb = x⇔ax=b A seguir são apresentadas as características da representação gráfica da função logarítmica. A validade dessas propriedades decorre da própria definição de logaritmo ou de propriedades correspondentes da função exponencial. 2. como segue: A função f: R*+→R. definida por f(x)=logax. 0). com a>0 e a≠1: 1. uma vez que D(f) = R*+. pois loga 1 = 0. . Existem algumas propriedades que são inerentes à função logarítmica.

então k = [log2 n] e k+1 = [log2n] SOLUÇÃO: . através da aplicação das propriedades dos logaritmos. b e c positivos reais. Pare e Reflita: A função logarítmica é sobrejetiva ? É injetiva? Exemplo 6. 2003) Demonstre que se 2k < n < 2k+1. isto é.7 – Função Logarítmica Considere a seguinte expressão 1+log2a-log2b-2log2c Com a.131 Além das propriedades apresentadas na tabela. se p < q. é importante ter em mente que a função logarítmica é sempre crescente. então logap < loga q. Exercício Resolvido (Extraído de GERSTING. É possível reescrever a expressão.

Calcule os logaritmos. Seja a função real definida por f(x) = (3/2)x. a)log264-log101000 6-3=3 b)log55 + log3(34)-log381 1+4-4=1 c)log3(log464)-[log651 + log5625] log33-(0+4)= 1-4=-3 .132 Auto Avaliação 6.25. c) A representação gráfica de f a) f(-2)=(3/2)-2=4/9 b)f(x)=(3/2)x (3/2)x =225/10 (3/2)x= 5². b) O elemento do domínio cuja imagem é 2.2² (3/2)x=(3/2)² (3/2)x=(3/2)² X=2 x -3 -2 -1 0 1 2 3 f(x)=(3/2)x 8/27 4/9 2/3 1 3/2 9/4 27/8 2.7 1. determine: a) A imagem de para x = -2.3²/5².

definida por f(x) = ax. Uma função é sobrejetiva se seu conjunto imagem for igual ao seu contradomínio. se x<0 A função resto expressa o resto inteiro da divisão de um número inteiro x qualquer por um número inteiro positivo y. [x] é chamado de floor de x e expressa o maior inteiro menor ou igual a x. A função f: R→R. onde ABS(x) = x. [x]é chamado de ceiling de x e expressa o menor inteiro maior ou igual a x. e somente um. A função INT(x) transforma x em um inteiro. onde a > 0 e a≠1 é chamada de função logarítmica de base a. eliminando sua parte fracionária. onde a>0 e a≠1 é chamada de função exponencial de base a. Chamamos A de conjunto de partida da relação e B de contradomínio. vários-para-um e vários-para-vários.A→B é inversível se a relação inversa é um função de B em A. um-paravários. elemento y e B. Uma relação de A em B é uma função se todo elemento x e A. Uma função é bijetiva se for simultaneamente sobrejetiva e injetiva. A função logarítmica é inversa da função exponencial. Dados dois conjunto A e B. Chama-se domínio de uma relação R de A em B ao conjunto D ⊂ A que contém os primeiros elementos dos pares ordenados que pertencem a R. Uma função é injetiva se a relação que a define é do tipo um-para-um. Uma função f:. A função f: R*+→R.133 RESUMO Uma relação é um conjunto de pares ordenados. . O valor absoluto de um número real x é denotado por ABS(x). O conjunto imagem de uma relação R de A em B é o conjunto Im ⊂ B que contém os segundos elementos dos pares ordenados que pertencem a R. chama-se relação de A em B todo subconjunto de A x B. sendo denotada por (g ° f). As relações podem ser dos seguintes tipos: um-para-um. a função h:B→C é chamada de composição de f e g. definida por f(x) = loga x. Sejam duas funções f: A → B e g: A → B. Denotamos por x(mod y). se x≥0 -x. estiver associado a um.

(10. (1. Definimos função bijetora. f ° g (0) = (4x²-1)/2=0⇒x²=1/4⇒x=±1/2 3. .134 Exercícios Propostos QUESTÕES 1. Sendo s-x≠0. 4).(x²-2x+2)/4= x²-2x+2 f ° g = f(g(x))=f(4x²)=(4x²-1)/2 c) Para a alternativa a.{-2} em R . 1)} Um-para-vários 2. (1. Sendo f(5)=a. é uma função bijetiva desse intervalo nos reais. 1993) Seja a função f de R . 6). A função é sobrejetora pois existe imagem para a função f(x)=(2x-s)/x(s-x). determine os elementos do domínio para que se tenha f ° g(x) = 0. 3)} Vários-para-vários b) S = conjunto de todas as mulheres de São Luís f = {(x. determine g ° f(3) e f ° g(0) g ° f (3) = 12(3)³=324 f ° g (0)=48.5-3)/5+2=17/7 ⇒ a=17/7 4. Encontre as fórmulas que descrevam as funções compostas g° f e f ° g para cada um dos seguintes itens. g(x)=4x2 g ° f = g(f(x))=g((x-1)/2)=4. 7). temos: a=f(5)=(4. 5).(2x)³=48x³ b) f(x)=(x-1)/2.{-4} definida por f(x) = (4x-3)/(x+2). Determine o valor do domínio f -1 com imagem 5. (GERSTING. 3). 4). (4. g(x) = 2x g ° f = g(f(x))=g(6x³)=2(6x³)=12x³ f ° g = f(g(x))=f(2x)=6. a) f(x) = 6x3. definida no intervalo 0<x<s. (2. 2003) Classifique cada uma das relações a seguir em um-paraum. (IEZZI. y) ∈ R2| x = 5} Um-para-um d) L = {(2.((x-1)/2)²=4. MURAKAMI. logo concluímos que a função é injetora. (GERSTING. 2003) As funções a seguir são aplicações de M em R. Defina função bijetiva e demonstre que f. (2. vários-para-um ou vários-para-vários. então f(s)≠f(x). para o intervalo 0<x<s. a) R = {(1. 2). temos s≠x. um-para-vários. y) ∈ S x S | x é filha de y} Vários-para-um c) K = {(x. (8. como a função que é sobrejetora e injetora. (s>0) como f(x) =(2x-s)/x(s-x). (7. 6).(0)³=0 d) Para a alternativa b.

Portanto: log2 n < n . log2 n < log2 2(n-1) Pela propriedade 5 de logaritmos.135 5. 1+ log2 n < n Observamos que para n≥ 3. Demonstre que 1 + log2 n < n para n ≥ 3.1 ou 1 + log2n<n para n≥3 . temos: 2(n-1)> n Portanto.1. log2 2(n-1) = n . pela propriedade 1 de logaritmos.

Matemática Discreta para Computação e Informática. IEZZI. Edward S. Márcia Rodrigues. Matemática Discreta: uma introdução. Carlos. 2003. 2003. DINIZ. 1993. São Paulo: Atual. São Paulo: Bookman. Carlos. LIPSCHUTZ. Katia Stocco. Tópicos de Matemática Discreta. Paulo Blauth. SCHEINERMAN. São Paulo: Thomsom. Seymour. 2001. Elementos de Lógica Matemática e Teoria dos Conjuntos.136 Referências FERREIRA. NOTARE. São Paulo: Saraiva. Maria Ignez. Katia Stocco. SMOLE. DINIZ. Judith L. São Paulo: Saraiva. Porto Alegre: Instituto de Informática da UFRGS. 2003. Osvaldo. 1999. MURAKAMI. Matemática Discreta. 2008. Caxias do Sul: Universidade de Caxias do Sul. Fundamentos de Matemática Elementar 1: conjuntos e funções. Matemática Discreta. GERSTING. Gelson. 2003. Jaime Campos. LIPSON. José Sousa. São Paulo: Atual. Marc. . Lisboa: Departamento de Matemática do Instituto Superior Técnico. IEZZI. Maria Ignez. Universidade de Aveiro. MENEZES. MURAKAMI. Fundamentos de Matemática Elementar 2: logaritmos. 1993. Rio de Janeiro: LTC. DOLCE. 2004. Matemática 3. 2003. PINTO. Gelson. SMOLE. Fundamentos Matemáticos para a Ciência da Computação. Matemática 1.