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VITOR LOURENÇO BRUM

ONGS - HOMOSSEXUALIDADE

Trabalho apresentado à
disciplina O Trabalho Peda-
gógico na Educação Não-
Escolar, ministrada pelo
Professor Ricardo Antunes de
Sá. 4º ano do curso de
Pedagogia da Universidade
Federal do Paraná.

CURITIBA
2010

SUMÁRIO

Introdução ........................................................................................................................ 02

Homossexualidade ............................................................................................................03

Aparato Histórico ..............................................................................................................03

Homossexualidade X Homossexualismo ......................................................................... 05

Origem da Homossexualidade ......................................................................................... 06

Tratamentos Históricos .....................................................................................................07

Legislação ........................................................................................................................ 08

ONGS ...............................................................................................................................10

Conclusão ........................................................................................................................ 11

Bibliografia ....................................................................................................................... 12

Lista de Sites .................................................................................................................... 12

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O Trabalho Pedagógico na Educação Não-Escolar

ONGS – Homossexualidade

Introdução

Hoje, mais do que nunca, temos plena consciência que o Pedagogo não é
um profissional que atua apenas em escolas ou apenas com crianças. O
pedagogo é um profissional habilitado a lidar com pessoas e com toda a
complexidade que envolve o conhecimento e o indivíduo. Tendo isso como base,
veremos nesse trabalho uma das diversas áreas onde um pedagogo pode atuar:
ONGS. Nesse trabalho o foco está voltado para ONGS com a temática da
homossexualidade. Porém, para atuar em uma área tão específica e complexa, é
necessário que o profissional detenha um mínimo de informações relacionadas
com a área para poder desenvolver um trabalho mais aplicado e efetivo. Razão
pela qual, esse trabalho inicial foi produzido.

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Homossexualidade

O termo Homossexualidade vem do grego homos que significa igual e


do latim sexus que significa sexo.
Dentre todas as informações e definições que encontrei a respeito do tema
acredito que essa é a que mais contempla o meu ponto de vista a respeito da
presente temática.
Homossexualidade: Refere-se ao atributo, característica ou qualidade de
um ser humano (ou não) que sente atração física, emocional e estética por outro
ser do mesmo sexo. Como uma orientação sexual, a homossexualidade se refere
a um padrão duradouro de experiências sexuais, afetivas e românticas
principalmente entre pessoas do mesmo sexo. O termo também refere-se a um
indivíduo com senso de identidade pessoal e social com base nessas atrações,
manifestando comportamentos e aderindo a uma comunidade de pessoas que
compartilham da mesma orientação sexual.

Aparato Histórico

O primeiro registro de um casal homossexual da história é geralmente


considerado para Khnumhotep e Niankhkhnum, um casal egípcio do sexo
masculino, que viveu por volta de 2400 a.C.
Ao longo da história da humanidade, os aspectos individuais da
homossexualidade foram admirados ou condenados, de acordo com as normas
sexuais vigentes nas diversas culturas e épocas em que ocorreram.
Na antiguidade, por exemplo, entre os gregos, um jovem de doze anos, ao
terminar o ensino ortodoxo, era tomado por um homem, na maior parte das vezes
com mais de 30 anos, para continuar a sua educação. E de situações como essa
surge o termo pederastia, que significava amor de um homem por um jovem que
já havia passado pela puberdade, mas ainda não tinha atingido a maturidade.

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Entre os romanos a homossexualidade não era reprovada, mas tinha
algumas regras. Por exemplo, era inaceitável que um senhor fosse passivo com
seu escravo e a felação era um crime aos olhos dos cidadãos romanos. Tirando
as regras que sempre existem em qualquer cultura, a homossexualidade era muito
presente em Roma e praticada por todos inclusive pelos Césares. Quem gostava,
praticava e quem não gostava não praticava. Ninguém interferia com ninguém.
Durante as pesquisas, são impressionantes os relatos a respeito da
homossexualidade na antiguidade e, salvo algumas exceções, todos os grandes
nomes da época, sejam filósofos, políticos, soldados ou poetas, entre outros, a
saber: Platão, Aristóteles, Sócrates, Aristófanes e Alexandre o Grande,
mantiveram relações homossexuais ou trataram destas em suas obras de maneira
receptiva.
Passado o período que a história chama de pagão, surge a igreja católica
exercendo todo seu poder sobre os homens. Nesse período, tanto a
heterossexualidade como a homossexualidade são condenadas. Entretanto,
diante do impulso sexual a igreja passa a "tolerar" a heterossexualidade, mas joga
sobre a homossexualidade, toda a sua indignação. Os castigos para os atos
homossexuais na idade média eram duros. Apesar disso o homossexual era
considerado apenas um perverso.
No final do século XVIII, o homossexual se torna um monstro, um anormal.
Era considerado uma ofensa à criação, uma figura diabólica. A igreja estava
pronta a insistir nisso.
Entre os povos indígenas das Américas antes da colonização européia,
uma forma comum de homossexualidade é centrada em torno da figura dos Dois-
espíritos. Figuras que eram, geralmente, xamãs reverenciados como tendo
poderes além daqueles dos xamãs comuns. Sua vida sexual era com os membros
comuns de mesmo sexo da tribo.
Os conquistadores espanhóis ficaram horrorizados ao descobrir que
a sodomia era abertamente praticada entre os povos nativos. Os europeus
tentaram acabar com as berdaches (como os espanhóis chamavam a prática

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dos Dois-espíritos) através de penalidades severas, como a execução pública,
onde a pessoa era queimada e rasgada em pedaços por cães.
Homossexuais e transgêneros também eram comuns entre outras
civilizações na América Latina, como os astecas, maias, quíchuas, moches,
zapotecas e os tupinambás, no Brasil.

Homossexualidade X Homossexualismo

Em dezembro de 1973 - a APA (Associação Psiquiátrica Americana),


propõe e aprova a retirada da homossexualidade da lista de transtornos mentais.
Em 1985 o Conselho Federal de Medicina do Brasil (CFM) retira a
homossexualidade da condição de desvio sexual.
Nos anos 90 - o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
(DSM-IV) onde são identificados por códigos todas os distúrbios mentais, que
serve de orientador para classe médica, principalmente, para os psiquiatras,
também retirou a homossexualidade da condição de distúrbio mental.
Em 1993 a Organização Mundial de Saúde (OMS) retira o termo
"homossexualismo" (que em função do sufixo “ismo”, da idéia de doença) e adota
o termo homossexualidade.
Como decorrência, em 1999, o Conselho Federal de Psicologia (CPF)
divulgou nacionalmente uma resolução que estabelece normas para que os
psicólogos contribuam, através de sua prática profissional, para acabar com as
discriminações em relação à orientação sexual.
É importante lembrar que no Brasil, sob o ponto de vista legal, a
homossexualidade não é classificada como doença. Sendo assim, os psicólogos
não devem colaborar com eventos e serviços que se proponham ao tratamento e
cura de homossexuais, nem tentar encaminhá-los para outros tratamentos.
Quando procurados por homossexuais ou seus responsáveis para
tratamento, os psicólogos não devem recusar o atendimento, mas sim aproveitar o
momento para esclarecer que não se trata de doença, muita menos de desordem
mental, motivo pelo qual não podem propor métodos de cura.

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Origem da Homossexualidade

Existe uma infinidade de teorias psicológicas e biológicas tentando


explicar a origem da homossexualidade. As teorias psicológicas, assim como as
biológicas são abundantes em opiniões e afirmações. Entretanto, nada de
definitivo foi apresentado até o presente momento.

Teorias mais defendidas:

Teoria Biológica:
Segundo essa Teoria, os homossexuais (tanto homens como mulheres) já
nascem assim. Quem defende esta idéia procura sempre transmitir uma aparência
de verdade cientificamente comprovada e inquestionável. Estudos para provar que
a homossexualidade é genética já foram feitos, mas sem qualquer êxito.

Teoria Freudiana:
Para o pai da psicanálise, a homossexualidade se explica por uma saída
"negativa" do complexo de Édipo. Quando o pai da criança não consegue impor
limites ao filho, que está literalmente grudado na mãe, o filho não passa a se voltar
para as características do pai, e interioriza as características femininas da mãe,
inclusive seu objeto de desejo, o homem. Freud cita a relação "pai passivo/mãe
dominadora" para este novo triângulo. Isto se explica pois, uma relação de pai
passivo e uma mãe superprotetora, faz com que o pai não consiga "vencer" a
disputa com o filho, pela "posse" da exclusividade da mãe. O filho então torna-se
homossexual.

Teoria Genética:
A sexualidade seria determinada exclusivamente por um gene do
cromossomo X. A idéia tem pouca aceitação entre cientistas.

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Teoria da Multicausalidade:
Muitos cientistas consideram a multicausalidade para a explicar a origem
da homossexualidade. Nesse sentido, acredita-se que diversos fatores tais como
alguma predisposição genética, alterações hormonais durante a gestação,
traumas infantis, mau relacionamento familiar e fatores sociais negativos acabam
por determinar que um sujeito se torne ou não homossexual.

Tratamentos Históricos

Partindo do pressuposto histórico de que a homossexualidade seria uma


doença ou um desvio mental, ao longo da história muitos métodos foram
pensados e usados objetivando reverter a homossexualidade.

Forca
Nas colônias protestantes dos EUA, no século 17, a sociedade era tão
puritana que esse era o destino de quem cometesse “atos indecentes”.

Prisão
Na Inglaterra, em 1895, Oscar Wilde foi condenado a ficar dois anos
preso por seus relacionamentos “antinaturais”.

Hipnose
No fim do século 19, tomou força a teoria de que a homossexualidade era
uma doença mental, e deveria ser tratada. Em 1899, um certo Dr. John D.
Quackenbos tratava com hipnose não só a homossexualidade como a ninfomania
e a masturbação.

Castração

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Em 1898, o Instituto Kansas de Doenças Mentais castrou 48 meninos.
Certos pacientes buscavam voluntariamente a cirurgia de extração de testículos,
acreditando que isso curaria seu desejo sexual.

Choques
Em 1937, em Atlanta, médicos prometiam que seus pacientes desistiriam
do “vício” depois de dez sessões de eletrochoques.

Aversão
Nos anos 50, na Checoslováquia, pacientes tomavam uma droga indutora
de vômito e eram obrigados a ver cenas de homens nus. Depois, recebiam um
injeção de testosterona e eram expostos a imagens de mulheres nuas.

Lobotomia
O tratamento foi usado no começo do século 20, até que, em 1959, um
relatório do Hospital Estadual Pilgrim, em Nova York, avaliou 100 casos e concluiu
que os pacientes continuavam homossexuais.

Legislação

A legislação sobre a homossexualidade no mundo, englobando também


os bissexuais,transgêneros, transexuais e travestis varia de acordo com a cultura
de cada país. Essas diferenças nos direitos relativos à homossexualidade
estiveram presentes ao longo da história das civilizações humanas, persistindo até
aos tempos atuais.
Desde países que criminalizam a homossexualidade com a pena de
morte, tais como, a Arábia Saudita, a Mauritânia ou o Iêmen, até aqueles países
que já legalizaram o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, tais como,
a Holanda, Espanha, Canadá e Argentina.

Legislação - Paraná

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Lei 16454/2010 – Fica instituído o Dia Estadual de Combate a Homofobia,
a ser promovido, anualmente, no dia 17 de maio.

Projeto de Lei 639/2009 – Art. 1° Será punida, nos termos desta lei, toda
manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra cidadão homossexual,
bissexual, travesti ou transgênero.

Lei 14362/2004 – Veda discriminação aos portadores do vírus HIV ou a


pessoas com AIDS.

Lei 16.201/2009 – Institui a Semana Paranaense de Prevenção da


Síndrome de Imunodeficiência Adquirida – AIDS e das Demais Doenças
Sexualmente Transmissíveis.

Legislação - Curitiba

Lei 12217/2007 – Institui o “Dia Municipal Contra a Homofobia”, a ser


comemorado anualmente no dia 17 de maio.

Proposição N° 005.00097.2009. Projeto de Lei Ordinária – Institui o


Sistema de Informações sobre Violência nas Escolas da rede municipal de ensino,
e da outras providências.

Lei 11298/2004 – Dispõe sobre a criação do Programa de Orientação


Sexual nas Escolas da Rede Municipal de Educação.

Lei 11663/2006 – Proíbe a discriminação aos portadores de vírus HIV


(Human Immunodeficiency Virus) ou a pessoas com AIDS (Acquired
Immunodeficiency Syndrome) e dá outras providências.

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ONGS

Atualmente, no Brasil, existe uma diversidade muito grande de ONGS que


têm a homossexualidade como temática principal. De maneira geral, o objetivo
principal de todas essas organizações é defender e lutar pelos direitos dos gays,
lésbicas, travestis e transgêneros e redefinir os critérios de percepção da
homossexualidade, de forma a torná-la socialmente legítima. Esta redefinição é
feita a partir da generalização da noção de homossexualidade como "direito
humano" e da equiparação do homossexual ao "cidadão", o que envolve o
distanciamento frente às concepções usuais de homossexualidade.

A razão de ser dessas ONG`s, como foi dito anteriormente, é funcionar


como representantes de homossexuais perante os poderes públicos e perante a
sociedade. Pois o fundamento ao respeito pelas diferenças e pelo ser humano é
no mínimo uma questão ética e moral e lutar pela defesa da homossexualidade é
lutar pela defesa dos direitos humanos e da cidadania.

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Conclusão

É de extrema necessidade que o profissional que for atuar nesta área


tenha plena consciência que, como foi dito anteriormente, a homossexualidade é
um estado psíquico. O indivíduo homossexual não faz opção por ser
homossexual. Ele apenas é e não pode, ainda que queira, mudar isso. Ele pode
sim, fazer uma opção no sentido de negar esse impulso e tentar viver como
heterossexual. Mas isso tem um impacto negativo para o pleno desenvolvimento
emocional do indivíduo.
Trata-se de uma situação muito mais comum do que se imagina. O
impulso sexual que um heterossexual tem por sua parceira é o mesmo que um
homossexual tem por seu parceiro do mesmo sexo. O que muda é o objeto.
Hoje talvez seja mais fácil para nós compreendermos os direitos
individuais. Entender que o respeito a eles é fundamental para a qualidade de
vida. Talvez seja a única forma de eliminarmos o preconceito e tornar melhor a
vida em sociedade. Homossexualidade não é uma doença e, portanto, não é
contagiosa. O nosso preconceito sim, esse é contagioso e destrói.
Não devemos esquecer que um homem tem inúmeros papéis em sua
vida. Ele é filho, irmão, sobrinho, neto, cunhado, empregado, namorado, aluno,
amigo, tem dons intelectuais ou manuais, pode ser homo ou hetero sexual. Não se
pode avaliar um homem ou mulher apenas por uma de suas características sob
pena de perdermos o melhor que ele (a) tem para nos oferecer.

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Bibliografia

ANJOS, G. dos. Homossexualidade, Direitos Humanos e Cidadania. Rio


Grande do Sul: Sociologias. 2002.

FRY, P. e MACRAE, E. O que é Homossexualidade. São Paulo: Abril Cultural.


1985.

PERLONGHER, N. O Negócio do Michê – A Prostituição Viril. São Paulo:


Brasiliense S.A., 1987.

Lista de Sites

http://super.abril.com.br/cotidiano/brasil-homossexuais-sim-444558.shtml

http://www.joaodefreitas.com.br/homossexualidade.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Homossexualidade

http://ramosdahistoria.blogspot.com/2009/04/homossexualidade-na-grecia-
classica.html

http://www.pailegal.net/psisex.asp?rvTextoId=1121852661

http://youtube.com/watch?v=AqnvUlF0_cM

http://super.abril.com.br/saude/homossexualidade-doenca-444979.shtml

13
http://historia.abril.com.br/comportamento/vale-tudo-homossexualidade-
antiguidade-435906.shtml

http://super.abril.com.br/superarquivo/2006/conteudo_421736.shtml

http://www.grupodignidade.org.br/blog/

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070630101246AAuMpOg

http://pt.shvoong.com/social-sciences/sociology/1704360-homossexualidade-
direitos-humanaos-cidadania/

http://www.pailegal.net/fatpar.asp?rvTextoId=-674823711

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