O COLAPSO DA ORDEM ESTABELECIDA

O colapso econômico de 1929 foi único em termos de profundidade e amplitude.
FRIEDEN, J. Capitalismo global: história econômica e política do século XX, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2008

O fim do boom
Declínio gradual do crescimento econômico fora dos EUA Investir no exterior se tornou menos atraente Recessão branda (Europa) > Crise severa Atuação dos governos europeus: Aumento dos juros (atração de capital p/ economia) Austeridade (limitação de salários e lucros, produtos mais competitivos)
+

O fim do boom
FED (Banco Central Americano): Aumentar a taxa de juros = Piorar a situação na Europa OU Juros estáveis = Manter a especulação no mercado de ações Agosto/29: Elevação das taxas de juros Outubro/29: Quebra da bolsa de Nova Iorque

O fim do boom
Queda nos preços (1929/32): 
Borracha (kg): 0,42 0,03 Cobre (kg): 0,32 0,05 Seda (kg): 10,40 2,50 Algodão (kg): 0,32 0,12 Café (kg): 0,56 0,16 Milho (bushel): 0,92 0,19 (bushel): Trigo (bushel): 1,50 0,49 (bushel): Preços agrícolas americanos(1928/33): 52% Materiais de construção e produtos à base de ferro: 18 Bens de consumo duráveis: 8%

O fim do boom
Países produtores de commodities: 
Queda nos preços dos produtos Queda da demanda americana e européia Cortes nos empréstimos dos EUA

O fim do boom
Países centrais (solução): fazer nada = crença no mecanismo de autocorreção 
Queda dos salários > Recontratação dos trabalhadores Queda dos preços > Retorno do consumo

Preços

Demanda 

Política liquidacionista (taxas de juros relativamente altas) = forçar a queda dos preços e salários de forma a liquidar o excesso dos estoques de alimentos, produtos e trabalhadores.

O fim do boom
Resultados (EUA): 
Produção industrial: 26% (agost/29 à out/30) Preços: 14% Renda per capita: 16% Desemprego: 3% (1929) 34% (1934) 9% (1939)

Ensaio p/ solução negociada (indenizações e barreiras comerciais) Inviabilidade: não envolvimento americano. Cada um por si : Grã-Bretanha (apatia), Alemanha (inação), GrãEstados Unidos (proteção comercial)

O fim do boom
Deflação de débito: se por um lado assistimos à queda do valor dos ativos (ações e outros títulos), dos preços e dos salários (diretamente ou através do aumento do desemprego), as dívidas acumuladas pelos agentes econômicos são fixas em termos nominais. Ou seja, tanto as empresas como as famílias têm dificuldades cada vez maiores em pagar as suas dívidas, o que leva à contração maior do consumo e do investimento. Apesar do desempenho sofrível: A visão comumente aceita dos ciclos econômicos afirmava que melhorias nas condições levavam a excessos especulativos, os quais precisavam ser removidos por um declínio inevitável...Mas a inação tradicional, que no passado havia remediado economias em apuros, não funcionou .

O fim do boom
Por que as soluções antigas não funcionaram? 
Menor flexibilidade de preços e salários = Rigidez de preços e salários Oligopólios + Sindicatos Valor médio ganho por hora de serviço na indústria Preço dos bens de consumo: 20% 1939:Desemprego 17%; Salários reais 15% em relação a 1934, 40% (1929)  Salários reais: 15% a 25%: agricultura, serviços domésticos e construção civil

Exemplo:

19291929- 0,57 1934

0,54

5%

Ouro e Crise
Deflação e recessão Pânicos cambiais e financeiros (Investidor volúvel Falências Colapsos bancários) 
05/1931-11/1931: 18 sistemas bancários a beira do abismo 05/1931Até 1933: Metade das instituições financeiras privadas foram fechadas Desaparecimento do crédito 5 anos antes 1929 5 anos depois 4 países CRISES BANCÁRIAS 33 países

Ouro e Crise
Processo de deflação - pela baixa oferta de moeda, falta dinheiro em circulação, seja por causa dos juros altos, que tornam o crédito proibitivo, seja pela falta de investimentos. Solução possível: redução dos juros; emissão de papel-moeda; papeldesvalorização da moeda = produtos mais competitivos. Efeito OURO: Juros = fuga de investidores Calotes Falência de bancos Dinheiro escasso

Agravantes: sistemas bancários ligados à indústria; bancos com muitos depósitos de estrangeiros

Ouro e Crise
Exemplo: Bélgica 
Investidores detém a moeda nacional (francos belgas) Decisão retirar dinheiro da Bélgica = Trocar francos belgas por libras, dólares ou ouro Autoridades poderiam ficar sem as moedas de referência , impossibilidade de segurar o valor da taxa de câmbio = Abandonar o padrão ouro Aumentar a taxa de juros Evita a evasão de moeda

Ouro e Crise
Em maio de 1931, na pequena Áustria, uma reavaliação de ativos do Creditanstalt, o maior banco de Viena, mostrou que o mesmo havia se depreciado a ponto de tornar um banco insolvente. Um importante banco alemão faliu no inicio de julho, a corrida intensificouintensificou-se e, para não ver esgotada as reservas de ouro e moeda estrangeira o governo criou o controle cambial. Durante a crise, a taxa de juros na Alemanha tinha sido elevada somente para 4,5%. Os críticos afirmavam que se tivesse sido estabelecida uma taxa de 8% a 10%, a corrida sobre Londres poderia, perfeitamente, ter sido estancada. Este argumento era insensato. De que valem rendimentos de 10% perante a perspectiva de uma perda de 30% a 40% do capital?

Ouro e Crise
Ao abandonar o padrão-ouro, a Grã- Bretanha carregou consigo padrãoGrãum grande número de países que, uma vez que a Inglaterra era seu principal mercado e Londres seu centro de reserva, não suportariam a depreciação da libra contra suas moedas. Depois da depreciação da libra e da formação da área esterlina, somente cinco países permaneceram solidamente aderentes ao padrãopadrão-ouro. Foram os Estados Unidos, França, Suíça, Bélgica e Holanda. Pressões competitivas: Desvalorização (moeda como arma competitiva) + Barreiras tarifárias

Ouro e Crise
EUA: Padrão ouro 
Desvalorização da libra (out/1931) Troca de dólares por ouro / Retirada de dinheiro dos bancos Elevação da taxa de juros 1932 Vitória democrata nas eleições Apoio dos produtores agrícolas Pânico cambial No período conhecido como os Cem Dias, o presidente adotou medidas de urgência: 1. fechou os bancos que estavam em crise; 2. proibiu a exportação e o entesouramento de ouro; 3. realizou uma profunda reforma no sistema bancário.

Ouro e Crise
E finalmente, 
Em 19 de abril de 1933, a desvalorização do dólar em termos de ouro eliminou a breve vantagem competitiva britânica. Roosevelt arrasou com a Conferência Econômica Mundial de Londres denunciando todos os planos para estabilizar as moedas como fetiches dos ditos banqueiros internacionais

Das Trevas
1933 - Economia mundial morta: 
Repudiava-se dívidas de guerra RepudiavaGuerras comerciais declaradas Desvalorizações cambiais, controle cambial celebrados Indenizações negadas

Nova abordagem: Livrar-se do padrão ouro Livrar1932-35: 1932Produção industrial (livres do padrão ouro): Produção industrial (EUA): 1% 6%

Das Trevas
Governos ocidentais: programas domésticos para conter a explosão do desemprego, facilitar a organização industrial, incorporar movimentos trabalhistas à política. 
Primórdios do Estado de bem-estar social: aceitação geral da bemprovisão, por parte dos governos, de seguros sociais, políticas sociais básicas e gerenciamento macroeconômico na tentativa de evitar a volatibilidade da macroeconomia.

Governos do centro, leste e sul da Europa e Japão: domínio de leste governos fascistas que rejeitavam a economia internacional. 
Autarquia econômica Controle sobre os trabalhadores

Das Trevas
América Latina, Rússia: 
Autarquia comunista Crescimento nacional (forças internas)

Capitalismo organizado: 
fim do laissez-faire; participação ativa dos laissezgovernos na economia.

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