SOBRE O QUE FALA ESTE LIVRO 1

2 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO – IGREJA NOS LARES
SOBRE O QUE FALA ESTE LIVRO 1
Casas que transformam
o mundo
2 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO – IGREJA NOS LARES
SOBRE O QUE FALA ESTE LIVRO 3
Casas que transformam
o mundo
Igreja nos lares
Wolfgang Simson
Tradução
Werner Fuchs
4 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO – IGREJA NOS LARES
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Simson, Wolfgang
Casas que transformam o mundo : Igreja nos
lares / Wolfgang Simson ; tradução Werner Fuchs. --
2. ed. -- Curitiba : Editora Evangélica Esperança,
2008.
Título original: Häuser, die die Welt Verändern.
Biografa.
ISBN 978-85-7839-003-7

1. Igreja doméstica I. Título.
08-01077 CDD-262.26
Título do Original em Alemão
Häuser, die die Welt verändern
Copyright©1999 C&P Verlag
Emmelsbüll, Alemanha
Capa
Luciana Marinho
Foto da capa
Walter Feckinghaus
Revisão
Doris Körber
Supervisão editorial e de produção
Walter Feckinghaus
1ª edição brasileira - Abril de 2001
2ª edição brasileira - Fevereiro de 2008
Editoração eletrônica
Mánoel A. Feckinghaus
Impressão e acabamento
Imprensa da Fé
Publicado no Brasil com
a devida autorização e com
todos os direitos reservados pela
EDITORA EVANGÉLICA ESPERANÇA
Rua Aviador Vicente Wolski, 353
82510-420 – Curitiba – PR
Fone: (41) 3022-3390 - Fax: (41) 3256-3662
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SOBRE O QUE FALA ESTE LIVRO 5
Bom demais para ser verdade?............................................................................. 7
15 teses sobre a reencarnação da igreja ............................................................... 9
Por que e para quem foi escrito o presente livro ................................................ 19
1. A reinvenção da igreja .................................................................................... 27
Será que Deus não imaginou a igreja de forma bem diferente?
2. Igrejas nos lares na história ............................................................................ 63
Oprimidas em nome da religião organizada, proibidas, perseguidas e
ridicularizadas. Será que apesar disso a forma originária da igreja se impõe?
3. A natureza das igrejas nos lares ...................................................................... 95
O que são, o que fazem, e como funcionam
4. O ministério quíntuplo .................................................................................. 115
Cooperação harmônica para a multiplicação de igrejas
5. Igrejas nos lares ou igrejas em células? ........................................................ 143
13 razões por que as igrejas nos lares são o caminho mais natural
6. Desenvolver uma estrutura à prova de perseguições .................................... 167
“Bem-aventurados sois quando vos perseguirem” – Como desenvolver uma
mentalidade à prova de perseguições e como crescer cada vez mais quando
pressionados
Casas que
transformam
o mundo
Sumário
Igreja nos lares
6 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO – IGREJA NOS LARES
7. Nenhum avanço sem mudança ..................................................................... 189
A arte de mudar na corrida, ou: Como evitamos realizar o novo em
virtude da força do antigo
8. Tirar as conseqüências .................................................................................. 203
O próximo passo depende de qual será o último passo que você dará
9. Q-E-Q ........................................................................................................... 229
Primeiro os valores e conteúdos, Depois os métodos, as estruturas e os planos,
Bem por fnal o crescimento e os números: Como aprender a pensar nas categorias
Qualidade – Estrutura – Quantidade
10. A bênção dos pais para uma nova geração ................................................. 261
Sobre a mobilização da descendência espiritual, ou: como transformar rebeldes
em revolucionários
11. Modelos de multiplicação de igrejas .......................................................... 281
Como fundar uma igreja sem fabricá-la
12. Colocar nações em movimento .................................................................. 295
Como desenvolver uma massa crítica e deixar o sucesso por conta de Deus
Apêndice
Bibliografa recomendada ................................................................................ 310
Dawn International Network ............................................................................ 313
Sobre o autor .................................................................................................... 314
SOBRE O QUE FALA ESTE LIVRO 7
Bom demais
para ser verdade?
IntroDução
O sonho de uma igreja que não apenas traz
uma mensagem, mas que é uma mensagem
Meu pai era húngaro, mas cresci na Alemanha “cristã”, onde se vê uma igreja em cada
esquina. Sempre tive a impressão de que deve existir algo de sensacional na igreja que
Jesus fundou há 2.000 anos e a respeito da qual leio no Novo Testamento – mas por
qualquer motivo não conseguia descobrir o que era!
Junto com muitos amigos e colegas sonhei a respeito de uma igreja que fosse tão
simples como “um – dois – três” e, apesar disso, dinâmica. Sonhei a respeito de algo
explosivo, que fosse capaz de deixar o mundo e nossos bairros residenciais de pernas
para o ar. A igreja dos seguidores de Jesus como uma invenção sobrenatural, equi-
pada por Deus com o dom da imortalidade. A igreja como uma ferramenta para que
façamos discípulos de Jesus Cristo uns dos outros e transframos a sua vida uns para
os outros. Igreja como algo realmente integral, onde muitas coisas convergem: graça
e frutas, amor e riso, alegria e bombons, perdão e diversão, poder e – afnal, por que
não? – também um pouco de papel.
Igreja como algo que não precisa de uma fortuna em dinheiro e que dispensa
retórica religiosa, de controle e manipulação, sim, nem sequer de heróis carismáticos.
Algo que seja decididamente não-religioso e que precisamente por isso é capaz de
tocar profundamente. Um lugar em que as pessoas, de tão pasmas, não conseguem
mais fcar caladas, e no qual podemos aprender
como se vive. Uma igreja que não apenas traz uma
mensagem, mas que é uma mensagem. Algo que se
alastra incessantemente como um vírus, infectan-
do tudo o que entra em contato com ele, até que
a terra toda esteja coberta pelo conhecimento de
Deus como as águas cobrem o mar. Uma igreja,
cuja força é proveniente de seu inventor, que
a equipou com um genial código genético
espiritual – uma espécie de Dna celestial – que lhe permite trans-
Graça e frutas, amor e riso,
alegria e bombons, perdão e
diversão, poder e – afinal,
por que não? – também um
Bom demais
para ser verdade?
Introdução
O sonho de uma igreja que não apenas traz
uma mensagem, mas que é uma mensagem
Meu pai era húngaro, mas cresci na Alemanha “cristã”, onde se vê uma igreja em
cada esquina. Sempre tive a impressão de que deve existir algo de sensacional na
igreja que Jesus fundou há 2.000 anos e a respeito da qual leio no Novo Testamento
– mas por qualquer motivo não conseguia descobrir o que era!
Junto com muitos amigos e colegas sonhei a respeito de uma igreja que fosse
tão simples como “um – dois – três” e, apesar disso, dinâmica. Sonhei a respeito de
algo explosivo, que fosse capaz de deixar o mundo e nossos bairros residenciais de
pernas para o ar. A igreja dos seguidores de Jesus como uma invenção sobrenatural,
equipada por Deus com o dom da imortalidade. A igreja como uma ferramenta
para que façamos discípulos de Jesus Cristo uns dos outros e transfiramos a sua
vida uns para os outros. Igreja como algo realmente integral, onde muitas coisas
convergem: graça e frutas, amor e riso, alegria e bombons, perdão e diversão, poder
e – afinal, por que não? – também um pouco de papel.
Igreja como algo que não precisa de uma fortuna em dinheiro e que dispensa
retórica religiosa, de controle e manipulação, sim, nem sequer de heróis carismá-
ticos. Algo que seja decididamente não-religioso e que precisamente por isso é
capaz de tocar profundamente. Um lugar em que as pessoas, de tão pasmas, não
conseguem mais ficar caladas, e no qual podemos
aprender como se vive. Uma igreja que não apenas
traz uma mensagem, mas que é uma mensagem.
Algo que se alastra incessantemente como um
vírus, infectando tudo o que entra em contato
com ele, até que a terra toda esteja coberta pelo
conhecimento de Deus como as águas cobrem o
mar. Uma igreja, cuja força é proveniente de seu
inventor, que a equipou com um genial código
genético espiritual – uma espécie de dna celestial – que lhe permite transferir
valores do céu para a terra e reproduzi-los aqui. Dessa maneira não apenas se
Graça e frutas, amor e riso,
alegria e bombons, perdão e
diversão, poder e – afinal,
por que não? – também um
pouco de papel.
8 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO: IGREJA NOS LARES
converte água em vinho, mas também ateus em apóstolos, policiais em profetas,
motoristas de caminhão em educadores, carteiros em pastores e dignos anciãos da
aldeia em radiantes evangelistas.
Essa igreja, assim sonho eu, é como uma família extensa espiritual – orgânica,
não organi zada; centrada nos relacionamentos,
não formal. Possui uma estrutura à prova de per-
seguições, na qual nada é impossível. Ganha em
estatura quando chora. Alastra-se mesmo debaixo
do tapete. É capaz de florescer no deserto, respirar
debaixo d’água, enxergar no escuro e multiplicar-
se espontaneamente no caos.
Uma igreja que se multiplica como dois pei-
xes e cinco pães nas mãos de Jesus, em que os
pais voltam seus corações aos filhos e os filhos
se volvem para os pais, em que as pessoas são os
verdadeiros recursos e na qual apenas um único
nome se destaca magnificamente: o Cordeiro de
Deus.
Essa igreja ganha em estatu-
ra quando chora. Alastra-se
mesmo debaixo do tapete. É
capaz de florescer no deser-
to, respirar debaixo d’água,
enxergar no escuro
e multiplicar-se espontanea-
mente no caos.
Deus transforma a igreja e isso, por sua vez, transformará o mundo. Milhões de
cristãos em todo o mundo sentem que uma nova e surpreendente Reforma está se
aproximando. Afirmam: “A igreja como a conhecemos impede uma igreja como
Deus a quer”. É admirável o grande número de cristãos que parece perceber que
Deus está tentando dizer-lhes a mesma coisa. Desse modo forma-se uma nova
cons ciência coletiva para uma revelação existente há milênios, um eco espiritual
coletivo.
Estou convicto de que as 15 teses a seguir reproduzem uma parcela daquilo que
“o Espírito diz hoje às igrejas”. Para alguns isso será apenas uma pequena nuvem
no horizonte de Elias. Outros já se encontram no meio da chuva.
1. CRISTIANISMO COMO ESTILO DE VIDA,
NÃO COMO SUCESSÃO DE EVENTOS RELIGIOSOS
Bem antes de serem chamados de cristãos dava-se aos seguidores de Jesus Cristo
o nome de “o Caminho”. Um dos motivos era que eles literalmente haviam encon-
trado o caminho de como se vive. O cerne da igreja cristã não é apropriadamente
espe lhado por uma série de eventos religiosos em recintos eclesiásticos reservados
especialmente para encontros com Deus, oferecidos por clérigos profissionais. Pelo
contrário, está em questão o estilo de vida profético dos seguidores de Jesus Cristo
no dia-a-dia, que como famílias extensas espiritualmente ampliadas respondem
a perguntas formuladas pela sociedade – justamente no local em que isso é mais
decisivo: em casa.
2. MUDAR O SISTEMA DAS “CATEGOGAS”
Depois da época de Constantino Magno, no século iv, as Igrejas Ortodoxa e Católica
desenvolveram e sancionaram um sistema religioso que consistia de um templo
15 teses sobre a
reencarnação da igreja
Introdução
A igreja como a conhecemos impede
uma igreja como Deus a quer
10 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO: IGREJA NOS LARES
“cristão” (a catedral) e de um padrão básico de culto que imitava a sinagoga judai-
ca. Dessa maneira, um sistema religioso não expressamente revelado por Deus, a
“categoga”, uma mescla de catedral e sinagoga,
tornou-se a matriz dos cultos de todas as épocas
subseqüentes. Tingido com um acervo gentílico de
pensamentos helenistas que, p. ex., faz separação
entre o sagrado e o secular, o conceito das catego-
gas recebeu uma função de “buraco negro”, que
suga pela raiz praticamente todas as energias de
transformação social da igreja e que por séculos
deixou o cristianismo absorto em si próprio.
É verdade que Lutero reformou o conteúdo
do evangelho, mas é notório que ele deixou as
estruturas e formas exteriores da “igreja” intactas.
As comunidades livres libertaram do Estado esse
sistema eclesiástico, os batistas o batizaram, os
quacres o drenaram, o Exército da Salvação o
enfiou num uniforme, os pentecostais o ungiram
e os carismáticos o renovaram, porém até hoje ninguém realmente o transformou.
É precisamente essa hora que chegou agora.
3. A TERCEIRA REFORMA
Por ter redescoberto o evangelho da redenção “somente pela graça mediante a fé”,
Lutero desencadeou uma Reforma – uma reforma da teologia. A partir do final do
século xvii, movimentos de renovação como o Pietismo descobriram novamente
o relacionamento pessoal do indivíduo com Deus. Isso levou a uma reforma da
espiritualidade, a segunda Reforma. Agora Deus está avançando mais um passo,
ao mexer com as formas básicas do ser igreja. Dessa forma ele desencadeia uma
terceira Reforma, uma reforma das estruturas.
4. DE CASAS QUE SÃO IGREJA PARA IGREJAS NAS CASAS
Desde os tempos do Novo Testamento não existe mais algo como a “casa de Deus”.
Deus não vive em templos, erguidos por mãos humanas. É o povo de Deus que
constitui a igreja. Por essa razão a igreja está em casa no exato lugar em que as
pessoas estão em casa: nos lares. É ali que os seguidores de Cristo partilham a vida
no poder do Espírito de Deus, tomam refeições em conjunto e muitas vezes nem
mesmo hesitam vender propriedade particular, repartindo as bênçãos materiais e
espirituais com outras pessoas. Instruem-se sobre como se inserir melhor, enquanto
ser humano, nas leis espirituais constitutivas de Deus em meio à vida prática – e
justamente não por meio de palestras professorais, mas de modo dinâmico, no
As comunidades livres
libertaram do Estado esse
sistema eclesiástico, os
batistas o batizaram, os qua-
cres o drenaram, o
Exército da Salvação o
enfiou num uniforme, os
pentecostais o ungiram e os
carismáticos o renovaram,
porém até hoje ninguém
realmente o transformou.
estilo de pergunta e resposta. É ali que oram, batizam e profetizam uns aos outros.
É ali que podem deixar cair a máscara e até confessar pecados, porque conquistam
uma nova identidade coletiva pelo fato de se amarem mutuamente, apesar de se
conhe cerem e constantemente tornarem a se perdoar e se aceitar.
5. PRIMEIRO A IGREJA TEM DE ENCOLHER,
ANTES QUE POSSA CRESCER
A maioria das igrejas cristãs simplesmente é grande demais para realmente pro-
porcionar espaço para a comunhão. Foi assim que se tornaram “comunidades sem
comunhão”. As comunidades eclesiais do Novo Testamento eram invariavelmente
grupos pequenos, com cerca de 15 a 20 pessoas.
O crescimento não acontecia pelo inchaço aditivo,
formando comunidades eclesiásticas grandes,
estacionárias e que lotavam catedrais com 20 a
300 pessoas, mas pelo crescimento multiplicativo
da amplitude, apresentando características de um
movimento. As igrejas nos lares se subdividiam
quando tinham atingido o limite orgânico de cerca
de 15 a 20 pessoas. Esse crescimento multiplicati-
vo pela base possibilitou aos cristãos que também
se congregassem para reuniões celebrativas que
abrangiam a cidade toda, como, p. ex., nos salões do Templo em Jerusalém.
Em comparação com isso, a congregação cristã típica de hoje é um triste meio-
termo: estatisticamente ela não é mais uma igreja no lar, mas tampouco já é um
evento celebrativo. Dessa maneira, ela perde duas dinâmicas imaginadas pelo seu
Inventor: a atmosfera familiar dinâmica e relacional e o mega-evento eletrizante
com efeito de sucção.
6. DO SISTEMA DE UM PASTOR ÚNICO
PARA A ESTRUTURA DE EQUIPE
Igrejas nos lares não são conduzidas, p. ex., por um pastor, mas acompanhadas
por um presbítero e por um dono de casa sábio e atento à realidade. As igrejas
nos lares são interligadas em rede, formando movimentos, pela conexão orgânica
dos presbíteros com o assim chamado ministério quíntuplo (apóstolos, profetas,
pastores, evangelistas e mestres), que circula “de casa em casa” pelas igrejas, como
um saudável sistema de circulação sangüínea. Nessa atividade as pessoas com dons
apostólicos e proféticos (Ef 4.11,12; 2.20) desempenham um papel fundamental.
Sem dúvida os pastores são uma parte importante de toda a equipe, porém não
podem ser mais que um fragmento dela, “para capacitar os santos para o servi-
ço”. Seu ministério precisa ser complementado pelos outros quatro ministérios,
A congregação cristã típica
de hoje é um triste meio-
termo: estatisticamente ela
não é mais uma igreja no
lar, mas tampouco já é um
evento celebrativo.
15 TESES SOBRE A REENCARNAÇÃO DA IGREJA 11
12 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO: IGREJA NOS LARES
do contrário as igrejas não apenas sofrem de enfermidades de carência espiritual,
devido à dieta unilateral, mas igualmente os próprios pastores não conseguem
mover nada, ficando impedidos de se realizar em sua vocação.
7. AS PEÇAS CERTAS – MONTADAS ERRONEAMENTE
Num quebra-cabeça é essencial que as peças sejam montadas de acordo com o
modelo certo, do contrário não apenas fica incorreto o quadro inteiro, mas tam-
bém as diversas peças não fazem sentido. No cristianismo temos todas as peças
à disposição, mas por tradição, lógica de poder e zelo religioso quase sempre as
montamos erroneamente. Assim como existe H
2
O nos três estados de agregação
(gelo, água e vapor) também os dons de serviço (Ef 4.11,12), como, p. ex., o do
pastor, ocorrem de três formas, porém muitas vezes na forma errada no lugar er-
rado. Eles congelaram como pedras por meio do clericalismo eclesiástico, correm
como água límpida ou ainda evaporam na falta de
compromisso.
Assim como a melhor coisa é regar flores com
água, também os cinco ministérios que fomentam
a igreja (apóstolos, profetas, pastores, evangelistas
e mestres) têm de reencontrar formas novas – e
muito antigas – na igreja, para que o sistema todo
comece a florescer e cada pessoa encontre um
lugar apropriado no todo. Por isso a igreja não
pode nem deve voltar atrás na História, porém
precisa retornar à matriz original.
8. DAS MÃOS DOS BUROCRATAS ECLESIÁSTICOS AO SACERDÓCIO DE
TODOS OS QUE CRÊEM
As igrejas do Novo Testamento nunca foram dirigidas por um “homem santo” ou
“senhor pastor”, que se encontra numa ligação especial com Deus em substituição
a outros e que regularmente alimenta consumidores relativamente passivos na
fé, como se fosse um Moisés do Novo Testamento. O cristianismo assumiu das
religiões gentílicas – ou, na melhor das hipóteses, do judaísmo – a categoria dos
sacerdotes como um espaço amortecedor de mediação entre Deus e o ser humano.
Desde os dias de Constantino Magno a rigorosa profissionalização da igreja
já pesou tempo suficiente como maldição sobre a igreja, subdividindo artificial-
mente o povo de Deus em leigos infantilizados e clero profissional. Conforme o
Novo Testamento há “um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens,
Cristo Jesus” (1Tm 2.5). Deus retém sua bênção quando profissionais da religião
se imiscuem entre ele e o povo. O véu do Templo foi rasgado e Deus possibilita a
todas as pessoas a terem acesso a ele diretamente por meio de Jesus Cristo, o único
No cristianismo temos todas
as peças à disposição, como
num quebra-cabeça. Mas por
tradição, lógica de poder e
zelo religioso quase sempre
as montamos erroneamente.
Caminho e Advogado. Já não precisam manter contato com ele de forma mediada
e indireta através do representante de uma casta religiosa. A fim transportar para a
prática o “sacerdócio de todos os que crêem”, que entrementes já foi impetrado há
500 anos pela primeira Reforma, o atual sistema de uma igreja profissionalizada e
burocratizada terá de ser transformado radicalmente – ou afundará na irrelevância
religiosa.
A burocracia é a mais diabólica de todas as formas de administração, porque no
fundo levanta apenas duas perguntas: sim ou não. Nela dificilmente há espaço para
a espontaneidade, a humanidade e a vida genuína cheia de variações. Essa forma
estrutural pode ser adequada a empreendimentos políticos ou econômicos, porém
não ao cristianismo. Deus parece estar em vias de libertar seu povo do cativeiro
babilônico de burocratas eclesiásticos e de pessoas no exercício do poder religioso,
bem como tornar a igreja novamente um bem comum. Faz isso ao colocá-la nas
mãos de pessoas simples, chamadas por Deus para algo extraordinário e que, como
nos dias de outrora, talvez ainda estejam cheirando a peixe, perfume ou revolução.
9. DAS FORMAS ORGANIZADAS
PARA AS FORMAS ORGÂNICAS DE CRISTIANISMO
O “corpo de Cristo” é linguagem figurada para um ente profundamente orgâni-
co e não para um mecanismo organizado. Localmente a igreja consiste de uma
plura lidade de famílias espirituais extensas, que estão organi camente interligadas
em uma rede. A maneira como cada igreja está ligada à outra constitui uma parte
integrante da mensagem do todo. De um máximo de organização com um míni-
mo de organismo é preciso passar novamente para um mínimo de organização
com um máximo de organismo. Até aqui o excesso de organização muitas vezes
sufocou o organismo “corpo de Cristo” como uma camisa-de-força – por medo
de que algo pudesse dar errado. Contudo, medo
é o oposto da fé, não representando exatamente
uma virtude cristã sobre a qual Deus desejasse
edificar sua igreja. O medo visa controlar – a fé
sabe confiar. Por isso, controlar pode ser bom,
mas confiar é melhor.
O corpo de Cristo foi confiado por Deus às
mãos fiéis de pessoas que possuem um dom ca-
rismático especial: são capazes de crer que Deus
ainda mantém o controle da situação quando elas
próprias já o perderam há tempo. Sem dúvida o ecumenismo político e as hie-
rarquias denominacionais tiveram sua chance de mostrar resultados no passado,
mas não obtiveram êxito. Hoje é necessário criar redes regionais e nacionais que
se baseiam sobre a confiança, para que formas orgânicas de cristianismo possam
ser novamente desenvolvidas.
De um máximo de organi-
zação com um mínimo de
organismo é preciso passar
novamente para um míni-
mo de organização com um
máximo de organismo.
15 TESES SOBRE A REENCARNAÇÃO DA IGREJA 13
14 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO: IGREJA NOS LARES
10. CRISTÃOS ADORAM A DEUS, NÃO A SEUS CULTOS
Visto de fora, o cristianismo se apresenta do seguinte modo para muitas pessoas:
pessoas santas dirigem-se, numa hora santa, num dia santo, a um prédio sagrado,
a fim de participar de um ritual sagrado, celebrado por um homem santo em ves-
timentas sagradas, em troca de uma oferta sagrada. Uma vez que essas promoções
regulares, orientadas pelo desempenho e chamadas de “culto divino”, requerem
muito talento organizativo e consideráveis recursos administrativos, os rituais
formalistas e modelos de comportamento institucionalizados rapidamente se
solidificaram em tradições religiosas. Em termos estatísticos, o tradicional culto
dominical de uma a duas horas de duração, com cifras do porte de 20 a 300 visi-
tantes, é extremamente voraz em termos de recursos. Apesar disso, produz bem
poucos frutos na forma de pessoas que estejam dispostas a mudar de vida como
discípulos de Jesus. Em termos econômicos, o culto tradicional é uma estrutura
que exige muitíssimo investimento, mas produz poucos resultados.
Na História, o desejo dos humanos de adorar “corretamente” a Deus levou aos
constrangedores denominacionalismo, confessionalismo e nominalismo. É um
enfoque que desconsidera que os cristãos são chamados a adorar “em Espírito e
em verdade” – e não a repetir, em pequenas e grandes catedrais, hinos costumei-
ros. Essa mentalidade de programação, que se compraz em reiterar o proverbial
“Amém” na igreja, ignora que toda a vida é pulsante, muda constantemente e é
absolutamente informal.
Sendo o cristianismo “o caminho da vida”, ele é por natureza informal e espon-
tâneo, e tão somente o violentamos por meio dos rituais religiosos repetitivos. O
cristianismo precisa afastar-se das impressionantes celebrações teatrais em recintos
eclesiásticos e recomeçar a viver de modo impressionante a vida cotidiana. É isso
que verdadeiramente serve a Deus.
11. NÃO MAIS LEVAR O POVO À IGREJA,
MAS A IGREJA AO POVO
A igreja está se transformando de volta, saindo de uma estrutura do “vinde” para
uma estrutura do “ide”. Uma das conseqüências é que não se tenta mais levar as
pessoas à igreja, mas a igreja até as pessoas. A missão da igreja jamais alcançará
seu alvo se meramente adicionar acréscimos à estrutura existente. Ela unicamente
acontecerá em termos multiplicativos por meio da expansão das igrejas na forma
de fermento, inclusive entre grupos da população que ainda não conhecem a Jesus
Cristo.
12. A SANTA CEIA É REDESCOBERTA
COMO UMA VERDADEIRA REFEIÇÃO
A tradição eclesiástica conseguiu a façanha de “celebrar” a santa ceia em doses
homeopáticas, com algumas gotas de vinho, uma bolacha insípida e um semblante
triste. No entanto, segundo a fé cristã, a “ceia do Senhor” é uma refeição subs-
tancial com significado simbólico, não uma refeição simbólica com significado
substancial. Deus está novamente afastando os cristãos das missas, de volta às
mesas, de volta à refeição.
13. DAS DENOMINAÇÕES PARA A IGREJA DA CIDADE
Jesus deu vida a um movimento – mas o que apareceu foram empresas religiosas
com redes globais, que comercializavam suas respectivas marcas do cristianismo,
fazendo concorrência uma à outra. Por causa dessa subdivisão em nomes e marcas
a maior parte do protestantismo perdeu sua voz no mundo e tornou-se politicamente
irrelevante. Muitas igrejas estão mais preocupadas com especialidades tradicionais
e discórdias religiosas dentro de seus muros do que com dar um testemunho perante
o mundo em conjunto com outros cristãos.
Jesus jamais pediu aos seres humanos que se organizassem em denominações.
Nos primeiros dias da igreja os cristãos tinham uma dupla identidade: eram se-
guidores de Jesus Cristo, convertidos verticalmente a Deus. Em segundo lugar,
congregavam com base na geografia, quando também se convertiam localmente uns
aos outros, formando movimentos eclesiais. Não somente se ligavam em igrejas
de vizinhança ou nos lares, nas quais partilhavam sua vida cotidiana, mas também
expressavam sua nova identidade em Cristo – na medida em que as respectivas
circunstâncias políticas o permitissem. Encontravam-se para cultos festivos de
abrangência local ou regional. Neles celebravam sua unidade como movimento
eclesial da região ou cidade e demonstravam um testemunho conjunto perante o
mundo.
Deus está chamando o cristianismo de volta a essas dimensões. O retorno ao mo-
delo bíblico da “igreja da cidade” – ou seja, uma nova credibilidade das igrejas nos
lares dos bairros, aliada a cultos festivos de abrangência local ou regional, em que
todos os cristãos de uma região se congregam regularmente – não apenas fomenta
a identidade coletiva e credibilidade espiritual dos cristãos, mas também confere
à igreja um peso político, e chamará a atenção que a mensagem cristã merece.
14. UMA MENTALIDADE À PROVA DE PERSEGUIÇÃO
Jesus, o cabeça de todos os cristãos, foi crucificado. Hoje seus seguidores estão
tão ocupados com suas posições e seu papel respeitável na economia, política e
sociedade, ou pior ainda, estão adaptados e quietos de forma tão pouco cristã‚ que
quase não são mais notados.
15 TESES SOBRE A REENCARNAÇÃO DA IGREJA 15
16 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO: IGREJA NOS LARES
Jesus diz: “Abençoados sois quando por minha causa as pessoas vos injuriarem
e perseguirem” (Mt 5.11). O cristianismo bíblico é uma ameaça para o ateísmo
e pecado gentílicos, para um mundo que foi dominado pela ganância, pelo ma-
terialismo, pela inveja e pela tendência de crer em absolutamente tudo, a menos
que esteja na Bíblia. Isso levou à aceitação social de comportamentos na esfera
da moral, do sexo, do dinheiro e do poder que somente podem ser explicados na
dimensão demoníaca. Até o momento o cristianismo atualmente conhecido não
constitui um contraste para isso, mas em muitos países ele é simplesmente inócuo
e gentil demais para que fosse digno de perseguição.
Quando, porém, os cristãos começarem a redescobrir os valores do Novo
Testamento, a viver a vida resultante e perder a vergonha de dar nome, p. ex., ao
pecado, o mundo em seu redor será atingido no cerne de sua consciência e reagirá,
como de costume, com conversão ou com perseguição. Ao invés de construir para
si ninhos em zonas confortáveis de presumida liberdade religiosa, os cristãos preci-
sam preparar-se novamente para serem descobertos como réus principais e ovelhas
negras. Nada mais farão que ser um estorvo para o humanismo universal, para a
moderna escravidão do entretenimento e para a descarada adoração do Eu, o falso
centro do universo. É por essa razão que cristãos despertos rapidamente sentirão
as conse qüências do liberalismo fundamentalista e da “tolerância repressiva” de
um mundo que perdeu suas normas absolutas porque se negou a reconhecer seu
Deus Criador com seus padrões absolutos.
Em conexão com a crescente ideologização, privatização e espiritualização da
política e economia, os cristãos obterão mais cedo do que esperavam uma nova
chance para ocupar, ao lado de Jesus, o banco dos réus da sociedade do bem-estar.
É bom que hoje mesmo já se preparem para o futuro, desenvolvendo uma mentali-
dade à prova de perseguições e, em conseqüência, construam uma estrutura à prova
de perseguições.
15. A IGREJA VOLTA PARA CASA
Qual é o lugar mais simples para uma pessoa ser santa? Ela se esconde atrás
de um grande púlpito e, trajado com túnicas sagradas, prega palavras santas a
uma massa sem rosto, desaparecendo depois em seu gabinete. E qual é o lugar
mais difícil e, por isso mais significativo, para uma pessoa ser santa? Em casa,
na presença de sua família, onde tudo o que ela diz e faz é submetido a um teste
espiritual automático e conferido com a realidade. Ali todo o farisaísmo devoto
está irremediavelmente condenado à morte.
As parcelas mais significativas do cristianismo fugiram do enraizamento na
família como lugar flagrante do fracasso pessoal para salões sagrados, onde se
celebram missas/cultos artificiais bem afastados do cotidiano. No entanto, Deus
está em vias de reconquistar novamente para si as casas como locais de culto.
Dessa forma a igreja retorna novamente às próprias raízes, ao lugar de onde ela
procede, a um movimento de igrejas nos lares. Assim, a igreja volta literalmente
para casa. Na última fase da história da humanidade, pouco antes do retorno de
Jesus Cristo, fecha-se o círculo da história da igreja.
Quando cristãos de todos os segmentos sociais e culturais, de todas as situa-
ções de vida e denominações sentirem em seu espírito um eco nítido daquilo que
o Espírito de Deus diz à igreja, eles começarão a funcionar claramente como um
corpo, a ouvir globalmente e agir localmente. Deixarão de pedir que Deus abençoe
o que fazem e começarão a fazer o que Deus abençoa. Na própria vizinhança se
congregarão em igrejas nos lares e se encontrarão para cultos festivos que abran-
gem a cidade ou região toda.
Você também está convidado a aderir a esse movimento aberto e dar a sua
própria contribuição. Dessa maneira provavelmente também a sua casa há de ser
uma casa que transforma o mundo.
15 TESES SOBRE A REENCARNAÇÃO DA IGREJA 17
SOBRE O QUE FALA ESTE LIVRO 11
cristãos em todo o mundo sentem que uma nova e surpreendente Reforma está se
aproximando. Afrmam: “A igreja como a conhecemos impede uma igreja como
Deus a quer”. É admirável o grande número de cristãos que parece perceber que
Deus está tentando dizer-lhes a mesma coisa. Desse modo forma-se uma nova cons-
ciência coletiva para uma revelação existente há milênios, um eco espiritual coletivo.
Estou convicto de que as 15 teses a seguir reproduzem uma parcela daquilo que
“o Espírito diz hoje às igrejas”. Para alguns isso será apenas uma pequena nuvem
no horizonte de Elias. Outros já se encontram no meio da chuva.
1. Cristianismo como estilo de vida,
não como sucessão de eventos religiosos
Bem antes de serem chamados de cristãos dava-se aos seguidores de Jesus Cristo
o nome de “o Caminho”. Um dos motivos era que eles literalmente haviam encon-
trado o caminho de como se vive. O cerne da igreja cristã não é apropriadamente
espe lhado por uma série de eventos religiosos em recintos eclesiásticos reservados
especialmente para encontros com Deus, oferecidos por clérigos profssionais. Pelo
contrário, está em questão o estilo de vida profético dos seguidores de Jesus Cristo
no dia-a-dia, que como famílias extensas espiritualmente ampliadas respondem
a perguntas formuladas pela sociedade – justamente no local em que isso é mais
decisivo: em casa.
2. Mudar o sistema das “categogas”
Depois da época de Constantino Magno, no século IV, as Igrejas Ortodoxa e Católica
desenvolveram e sancionaram um sistema religioso que consistia de um templo
15 teses sobre a
reencarnação da igreja
INTRODUÇÃO
A igreja como a conhecemos impede
uma igreja como Deus a quer
12 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO – IGREJA NOS LARES

2 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO – IGREJA NOS LARES

SOBRE O QUE FALA ESTE LIVRO 1 Casas que transformam o mundo .

2 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO – IGREJA NOS LARES .

SOBRE O QUE FALA ESTE LIVRO 3 Casas que transformam o mundo Igreja nos lares Wolfgang Simson Tradução Werner Fuchs .

br CDD-262. Igreja doméstica I.esperanca-editora. -2. 08-01077 Título do Original em Alemão Häuser. Alemanha Capa Luciana Marinho Foto da capa Walter Feckinghaus Revisão Doris Körber Supervisão editorial e de produção Walter Feckinghaus 1ª edição brasileira . Feckinghaus Impressão e acabamento Imprensa da Fé Publicado no Brasil com a devida autorização e com todos os direitos reservados pela EDITORA EVANGÉLICA ESPERANÇA Rua Aviador Vicente Wolski. die die Welt verändern Copyright©1999 C&P Verlag Emmelsbüll. Título original: Häuser.com.26 . -. Wolfgang Casas que transformam o mundo : Igreja nos lares / Wolfgang Simson . Biografia.Fax: (41) 3256-3662 E-mail: eee@esperanca-editora. 353 82510-420 – Curitiba – PR Fone: (41) 3022-3390 .Curitiba : Editora Evangélica Esperança.com. ISBN 978-85-7839-003-7 1. Título. tradução Werner Fuchs. 2008.Fevereiro de 2008 Editoração eletrônica Mánoel A.Abril de 2001 2ª edição brasileira . die die Welt Verändern. SP. Brasil) Simson.4 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO – IGREJA NOS LARES Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro. ed.br www.

............ proibidas.. 19 1........ 7 15 teses sobre a reencarnação da igreja .......... e como funcionam 4................................. 167 “Bem-aventurados sois quando vos perseguirem” – Como desenvolver uma mentalidade à prova de perseguições e como crescer cada vez mais quando pressionados ........................................... 115 Cooperação harmônica para a multiplicação de igrejas 5..................... 63 Oprimidas em nome da religião organizada... 9 Por que e para quem foi escrito o presente livro ...................................................................................................................... o que fazem................ 95 O que são.. 143 13 razões por que as igrejas nos lares são o caminho mais natural 6......................... Igrejas nos lares na história ............................................................................. 27 Será que Deus não imaginou a igreja de forma bem diferente? 2.................................. A natureza das igrejas nos lares ......... perseguidas e ridicularizadas....SOBRE O QUE FALA ESTE LIVRO 5 Sumário Casas que transformam o mundo Igreja nos lares Bom demais para ser verdade?.............................. Igrejas nos lares ou igrejas em células?.... O ministério quíntuplo................................................ Desenvolver uma estrutura à prova de perseguições .................................. Será que apesar disso a forma originária da igreja se impõe? 3....... A reinvenção da igreja ................................................................

.. A bênção dos pais para uma nova geração ......... ou: Como evitamos realizar o novo em virtude da força do antigo 8............ Colocar nações em movimento .......... Bem por final o crescimento e os números: Como aprender a pensar nas categorias Qualidade – Estrutura – Quantidade 10... 261 Sobre a mobilização da descendência espiritual.............. as estruturas e os planos.......... 229 Primeiro os valores e conteúdos.......................................... Q-E-Q ............................ 281 Como fundar uma igreja sem fabricá-la 12................................................. Tirar as conseqüências .......... Modelos de multiplicação de igrejas ............................................................................................................. 189 A arte de mudar na corrida....... 310 Dawn International Network ....................................... ou: como transformar rebeldes em revolucionários 11................. 203 O próximo passo depende de qual será o último passo que você dará 9..................................................... Depois os métodos.......................................................................... 314 ......................................................................................................6 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO – IGREJA NOS LARES 7..................... Nenhum avanço sem mudança ................................................. 295 Como desenvolver uma massa crítica e deixar o sucesso por conta de Deus Apêndice Bibliografia recomendada . 313 Sobre o autor ......................................

Sempre tive a impressão de que deve existir algo de sensacional na igreja que Jesus fundou há 2. perdão e diversão. mas que é uma mensagem. sim. por que não? – também um pouco de papel. poder e – afinal. de controle e manipulação. amor e riso. e no qual podemos aprender como se vive. que a equipou com um genial código genético espiritual – uma espécie de Dna celestial – que lhe permite trans- . mas que é uma mensagem Meu pai era húngaro. Um lugar em que as pessoas. de tão pasmas. mas cresci na Alemanha “cristã”. equipada por Deus com o dom da imortalidade.000 anos e a respeito da qual leio no Novo Testamento – mas por qualquer motivo não conseguia descobrir o que era! Junto com muitos amigos e colegas sonhei a respeito de uma igreja que fosse tão simples como “um – dois – três” e. A igreja dos seguidores de Jesus como uma invenção sobrenatural. Uma igreja que não apenas traz uma Graça e frutas. Sonhei a respeito de algo explosivo. Algo que seja decididamente não-religioso e que precisamente por isso é capaz de tocar profundamente. infectando tudo o que entra em contato com ele. alegria e bombons. onde muitas coisas convergem: graça e frutas. que fosse capaz de deixar o mundo e nossos bairros residenciais de pernas para o ar. perdão e alastra incessantemente como um vírus. cuja força é proveniente de seu inventor. Igreja como algo que não precisa de uma fortuna em dinheiro e que dispensa retórica religiosa. Igreja como algo realmente integral.SOBRE O QUE FALA ESTE LIVRO 7 IntroDução Bom demais para ser verdade ? O sonho de uma igreja que não apenas traz uma mensagem. dinâmica. amor e riso. A igreja como uma ferramenta para que façamos discípulos de Jesus Cristo uns dos outros e transfiramos a sua vida uns para os outros. apesar disso. nem sequer de heróis carismáticos. até que diversão. onde se vê uma igreja em cada esquina. a terra toda esteja coberta pelo conhecimento de por que não? – também um Deus como as águas cobrem o mar. mensagem. poder e – afinal. não conseguem mais ficar caladas. Algo que se alegria e bombons. Uma igreja.

000 anos e a respeito da qual leio no Novo Testamento – mas por qualquer motivo não conseguia descobrir o que era! Junto com muitos amigos e colegas sonhei a respeito de uma igreja que fosse tão simples como “um – dois – três” e. mas que é uma mensagem. Sempre tive a impressão de que deve existir algo de sensacional na igreja que Jesus fundou há 2. Igreja como algo realmente integral. de controle e manipulação. perdão e diversão. perdão e Algo que se alastra incessantemente como um vírus. Dessa maneira não apenas se . Igreja como algo que não precisa de uma fortuna em dinheiro e que dispensa retórica religiosa. nem sequer de heróis carismáticos. que fosse capaz de deixar o mundo e nossos bairros residenciais de pernas para o ar. Algo que seja decididamente não-religioso e que precisamente por isso é capaz de tocar profundamente. Sonhei a respeito de algo explosivo. alegria e bombons. mas cresci na Alemanha “cristã”. não conseguem mais ficar caladas. Uma igreja que não apenas Graça e frutas. A igreja como uma ferramenta para que façamos discípulos de Jesus Cristo uns dos outros e transfiramos a sua vida uns para os outros. mas que é uma mensagem Meu pai era húngaro. cuja força é proveniente de seu inventor. poder e – afinal. com ele. alegria e bombons. mar. apesar disso. até que a terra toda esteja coberta pelo por que não? – também um conhecimento de Deus como as águas cobrem o pouco de papel. infectando tudo o que entra em contato diversão. poder e – afinal. onde muitas coisas convergem: graça e frutas. sim. amor e riso. traz uma mensagem. A igreja dos seguidores de Jesus como uma invenção sobrenatural. de tão pasmas. amor e riso. e no qual podemos aprender como se vive. onde se vê uma igreja em cada esquina. equipada por Deus com o dom da imortalidade. que a equipou com um genial código genético espiritual – uma espécie de dna celestial – que lhe permite transferir valores do céu para a terra e reproduzi-los aqui. dinâmica. Um lugar em que as pessoas. por que não? – também um pouco de papel.Introdução Bom demais para ser verdade ? O sonho de uma igreja que não apenas traz uma mensagem. Uma igreja.

se volvem para os pais. motoristas de caminhão em educadores. em que os e multiplicar-se espontaneapais voltam seus corações aos filhos e os filhos mente no caos. É debaixo d’água. . mas também ateus em apóstolos. é como uma família extensa espiritual – orgânica. Possui uma estrutura à prova de perseguições. não organizada. policiais em profetas. carteiros em pastores e dignos anciãos da aldeia em radiantes evangelistas. na qual nada é impossível. É capaz de florescer no deserto. assim sonho eu. respirar mesmo debaixo do tapete. Ganha em Essa igreja ganha em estatuestatura quando chora.8 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO: IGREJA NOS LARES converte água em vinho. centrada nos relacionamentos. respirar debaixo d’água. Alastra-se mesmo debaixo ra quando chora. Essa igreja. não formal. Uma igreja que se multiplica como dois peienxergar no escuro xes e cinco pães nas mãos de Jesus. em que as pessoas são os verdadeiros recursos e na qual apenas um único nome se destaca magnificamente: o Cordeiro de Deus. to. enxergar no escuro e multiplicarcapaz de florescer no deserse espontaneamente no caos. Alastra-se do tapete.

CRISTIANISMO COMO ESTILO DE VIDA. transformará o mundo. NÃO COMO SUCESSÃO DE EVENTOS RELIGIOSOS Bem antes de serem chamados de cristãos dava-se aos seguidores de Jesus Cristo o nome de “o Caminho”. MUDAR O SISTEMA DAS “CATEGOGAS” Depois da época de Constantino Magno. Milhões de cristãos em todo o mundo sentem que uma nova e surpreendente Reforma está se aproximando. está em questão o estilo de vida profético dos seguidores de Jesus Cristo no dia-a-dia. Desse modo forma-se uma nova consciência coletiva para uma revelação existente há milênios. 2. no século iv. O cerne da igreja cristã não é apropriadamente espelhado por uma série de eventos religiosos em recintos eclesiásticos reservados especialmente para encontros com Deus.Introdução 15 teses sobre a reencarnação da igreja A igreja como a conhecemos impede uma igreja como Deus a quer Deus transforma a igreja e isso. Afirmam: “A igreja como a conhecemos impede uma igreja como Deus a quer”. por sua vez. Pelo contrário. Outros já se encontram no meio da chuva. 1. É admirável o grande número de cristãos que parece perceber que Deus está tentando dizer-lhes a mesma coisa. Para alguns isso será apenas uma pequena nuvem no horizonte de Elias. oferecidos por clérigos profissionais. um eco espiritual coletivo. Um dos motivos era que eles literalmente haviam encontrado o caminho de como se vive. as Igrejas Ortodoxa e Católica desenvolveram e sancionaram um sistema religioso que consistia de um templo . que como famílias extensas espiritualmente ampliadas respondem a perguntas formuladas pela sociedade – justamente no local em que isso é mais decisivo: em casa. Estou convicto de que as 15 teses a seguir reproduzem uma parcela daquilo que “o Espírito diz hoje às igrejas”.

a segunda Reforma. A partir do final do século xvii. mas é notório que ele deixou as carismáticos o renovaram. ex. DE CASAS QUE SÃO IGREJA PARA IGREJAS NAS CASAS Desde os tempos do Novo Testamento não existe mais algo como a “casa de Deus”. os gas recebeu uma função de “buraco negro”. o conceito das categosistema eclesiástico. tomam refeições em conjunto e muitas vezes nem mesmo hesitam vender propriedade particular. Deus não vive em templos. Agora Deus está avançando mais um passo. os pentecostais o ungiram e os carismáticos o renovaram. A TERCEIRA REFORMA Por ter redescoberto o evangelho da redenção “somente pela graça mediante a fé”. p. porém até hoje ninguém As comunidades livres libertaram do Estado esse realmente o transformou. Por essa razão a igreja está em casa no exato lugar em que as pessoas estão em casa: nos lares. nas leis espirituais constitutivas de Deus em meio à vida prática – e justamente não por meio de palestras professorais. enquanto ser humano. repartindo as bênçãos materiais e espirituais com outras pessoas. Isso levou a uma reforma da espiritualidade. uma mescla de catedral e sinagoga. sistema eclesiástico. 4. os batistas o batizaram. os quasuga pela raiz praticamente todas as energias de cres o drenaram. Dessa maneira. mas de modo dinâmico. o Exército da Salvação o enfiou num uniforme. os quacres o drenaram. uma reforma das estruturas. ao mexer com as formas básicas do ser igreja. 3. Instruem-se sobre como se inserir melhor. É o povo de Deus que constitui a igreja. É precisamente essa hora que chegou agora. porém até hoje ninguém realmente o transformou.. os É verdade que Lutero reformou o conteúdo pentecostais o ungiram e os do evangelho. no .10 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO: IGREJA NOS LARES “cristão” (a catedral) e de um padrão básico de culto que imitava a sinagoga judaica. É ali que os seguidores de Cristo partilham a vida no poder do Espírito de Deus. estruturas e formas exteriores da “igreja” intactas. que batistas o batizaram. Tingido com um acervo gentílico de As comunidades livres pensamentos helenistas que. Lutero desencadeou uma Reforma – uma reforma da teologia. um sistema religioso não expressamente revelado por Deus. enfiou num uniforme. Dessa forma ele desencadeia uma terceira Reforma. tornou-se a matriz dos cultos de todas as épocas subseqüentes. movimentos de renovação como o Pietismo descobriram novamente o relacionamento pessoal do indivíduo com Deus. a “categoga”. faz separação libertaram do Estado esse entre o sagrado e o secular. erguidos por mãos humanas. o transformação social da igreja e que por séculos Exército da Salvação o deixou o cristianismo absorto em si próprio.

Em comparação com isso. 6. mas pelo crescimento multiplicativo termo: estatisticamente ela da amplitude. apesar de se conhecerem e constantemente tornarem a se perdoar e se aceitar. por um pastor. nos salões do Templo em Jerusalém. Foi assim que se tornaram “comunidades sem comunhão”. p. evangelistas e mestres).12. com cerca de 15 a 20 pessoas. 5. Nessa atividade as pessoas com dons apostólicos e proféticos (Ef 4. ANTES QUE POSSA CRESCER A maioria das igrejas cristãs simplesmente é grande demais para realmente proporcionar espaço para a comunhão. . a congregação cristã típica de hoje é um triste meiotermo: estatisticamente ela não é mais uma igreja no lar.. mas tampouco já é um evento celebrativo. formando movimentos. 2. As comunidades eclesiais do Novo Testamento eram invariavelmente grupos pequenos. É ali que podem deixar cair a máscara e até confessar pecados.11.15 TESES SOBRE A REENCARNAÇÃO DA IGREJA 11 estilo de pergunta e resposta. profetas. DO SISTEMA DE UM PASTOR ÚNICO PARA A ESTRUTURA DE EQUIPE Igrejas nos lares não são conduzidas. formando comunidades eclesiásticas grandes. Sem dúvida os pastores são uma parte importante de toda a equipe. “para capacitar os santos para o serviço”. como um saudável sistema de circulação sangüínea. As igrejas nos lares são interligadas em rede. como. Dessa maneira. apresentando características de um não é mais uma igreja no movimento. PRIMEIRO A IGREJA TEM DE ENCOLHER. Esse crescimento multiplicativo pela base possibilitou aos cristãos que também se congregassem para reuniões celebrativas que abrangiam a cidade toda. mas acompanhadas por um presbítero e por um dono de casa sábio e atento à realidade. O crescimento não acontecia pelo inchaço aditivo. p.20) desempenham um papel fundamental. ela perde duas dinâmicas imaginadas pelo seu Inventor: a atmosfera familiar dinâmica e relacional e o mega-evento eletrizante com efeito de sucção. pela conexão orgânica dos presbíteros com o assim chamado ministério quíntuplo (apóstolos. É ali que oram. A congregação cristã típica estacionárias e que lotavam catedrais com 20 a de hoje é um triste meio300 pessoas. Seu ministério precisa ser complementado pelos outros quatro ministérios. mas tampouco já é um quando tinham atingido o limite orgânico de cerca evento celebrativo. ex. batizam e profetizam uns aos outros.. porque conquistam uma nova identidade coletiva pelo fato de se amarem mutuamente. ex. pastores. de 15 a 20 pessoas. As igrejas nos lares se subdividiam lar. que circula “de casa em casa” pelas igrejas. porém não podem ser mais que um fragmento dela.

5). 7. 8. Assim como existe H2O nos três estados de agregação (gelo. evangelistas e mestres) têm de reencontrar formas novas – e tradição. porém muitas vezes na forma errada no lugar errado. Deus retém sua bênção quando profissionais da religião se imiscuem entre ele e o povo. o único . mas também as diversas peças não fazem sentido. O cristianismo assumiu das religiões gentílicas – ou. lógica de poder e zelo religioso quase sempre as montamos erroneamente.11. o do pastor. lugar apropriado no todo. Conforme o Novo Testamento há “um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens. subdividindo artificialmente o povo de Deus em leigos infantilizados e clero profissional. p. para que o sistema todo zelo religioso quase sempre comece a florescer e cada pessoa encontre um as montamos erroneamente. correm como água límpida ou ainda evaporam na falta de compromisso. profetas. devido à dieta unilateral. também os cinco ministérios que fomentam as peças à disposição. na melhor das hipóteses. que se encontra numa ligação especial com Deus em substituição a outros e que regularmente alimenta consumidores relativamente passivos na fé. porém precisa retornar à matriz original. No cristianismo temos todas as peças à disposição. como.12). mas por tradição. Assim como a melhor coisa é regar flores com No cristianismo temos todas água. Cristo Jesus” (1Tm 2. Desde os dias de Constantino Magno a rigorosa profissionalização da igreja já pesou tempo suficiente como maldição sobre a igreja. DAS MÃOS DOS BUROCRATAS ECLESIÁSTICOS AO SACERDÓCIO DE TODOS OS QUE CRÊEM As igrejas do Novo Testamento nunca foram dirigidas por um “homem santo” ou “senhor pastor”. ex. do contrário não apenas fica incorreto o quadro inteiro.12 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO: IGREJA NOS LARES do contrário as igrejas não apenas sofrem de enfermidades de carência espiritual. AS PEÇAS CERTAS – MONTADAS ERRONEAMENTE Num quebra-cabeça é essencial que as peças sejam montadas de acordo com o modelo certo. Eles congelaram como pedras por meio do clericalismo eclesiástico. água e vapor) também os dons de serviço (Ef 4. lógica de poder e muito antigas – na igreja. O véu do Templo foi rasgado e Deus possibilita a todas as pessoas a terem acesso a ele diretamente por meio de Jesus Cristo.. como se fosse um Moisés do Novo Testamento. do judaísmo – a categoria dos sacerdotes como um espaço amortecedor de mediação entre Deus e o ser humano. pastores. Mas por a igreja (apóstolos. como num quebra-cabeça. Por isso a igreja não pode nem deve voltar atrás na História. mas igualmente os próprios pastores não conseguem mover nada. ficando impedidos de se realizar em sua vocação. ocorrem de três formas.

Contudo. Faz isso ao colocá-la nas mãos de pessoas simples. Deus parece estar em vias de libertar seu povo do cativeiro babilônico de burocratas eclesiásticos e de pessoas no exercício do poder religioso. que entrementes já foi impetrado há 500 anos pela primeira Reforma. porém não ao cristianismo. chamadas por Deus para algo extraordinário e que. Sem dúvida o ecumenismo político e as hierarquias denominacionais tiveram sua chance de mostrar resultados no passado. como nos dias de outrora. Essa forma estrutural pode ser adequada a empreendimentos políticos ou econômicos. perfume ou revolução. A burocracia é a mais diabólica de todas as formas de administração. O corpo de Cristo foi confiado por Deus às mo de organização com um mãos fiéis de pessoas que possuem um dom ca. De um máximo de organização com um mínimo de organismo é preciso passar novamente para um mínimo de organização com um máximo de organismo.máximo de organismo. o atual sistema de uma igreja profissionalizada e burocratizada terá de ser transformado radicalmente – ou afundará na irrelevância religiosa. Hoje é necessário criar redes regionais e nacionais que se baseiam sobre a confiança. bem como tornar a igreja novamente um bem comum. A maneira como cada igreja está ligada à outra constitui uma parte integrante da mensagem do todo. DAS FORMAS ORGANIZADAS PARA AS FORMAS ORGÂNICAS DE CRISTIANISMO O “corpo de Cristo” é linguagem figurada para um ente profundamente orgânico e não para um mecanismo organizado. organismo é preciso passar novamente para um mínimas confiar é melhor.15 TESES SOBRE A REENCARNAÇÃO DA IGREJA 13 Caminho e Advogado. talvez ainda estejam cheirando a peixe. Localmente a igreja consiste de uma pluralidade de famílias espirituais extensas. rismático especial: são capazes de crer que Deus ainda mantém o controle da situação quando elas próprias já o perderam há tempo. a humanidade e a vida genuína cheia de variações. medo é o oposto da fé. controlar pode ser bom. porque no fundo levanta apenas duas perguntas: sim ou não. mas não obtiveram êxito. Por isso. Nela dificilmente há espaço para a espontaneidade. Até aqui o excesso de organização muitas vezes sufocou o organismo “corpo de Cristo” como uma camisa-de-força – por medo de que algo pudesse dar errado. . Já não precisam manter contato com ele de forma mediada e indireta através do representante de uma casta religiosa. O medo visa controlar – a fé sabe confiar. 9. que estão organicamente interligadas em uma rede. A fim transportar para a prática o “sacerdócio de todos os que crêem”. não representando exatamente De um máximo de organiuma virtude cristã sobre a qual Deus desejasse zação com um mínimo de edificar sua igreja. para que formas orgânicas de cristianismo possam ser novamente desenvolvidas.

com cifras do porte de 20 a 300 visitantes. Sendo o cristianismo “o caminho da vida”. orientadas pelo desempenho e chamadas de “culto divino”. Ela unicamente acontecerá em termos multiplicativos por meio da expansão das igrejas na forma de fermento. Essa mentalidade de programação. celebrado por um homem santo em vestimentas sagradas. o culto tradicional é uma estrutura que exige muitíssimo investimento. numa hora santa. os rituais formalistas e modelos de comportamento institucionalizados rapidamente se solidificaram em tradições religiosas. 11. em troca de uma oferta sagrada. inclusive entre grupos da população que ainda não conhecem a Jesus Cristo. o cristianismo se apresenta do seguinte modo para muitas pessoas: pessoas santas dirigem-se. a um prédio sagrado. em pequenas e grandes catedrais. saindo de uma estrutura do “vinde” para uma estrutura do “ide”. requerem muito talento organizativo e consideráveis recursos administrativos. é extremamente voraz em termos de recursos. Na História. muda constantemente e é absolutamente informal. e tão somente o violentamos por meio dos rituais religiosos repetitivos. O cristianismo precisa afastar-se das impressionantes celebrações teatrais em recintos eclesiásticos e recomeçar a viver de modo impressionante a vida cotidiana. CRISTÃOS ADORAM A DEUS. Em termos econômicos. Uma das conseqüências é que não se tenta mais levar as pessoas à igreja. MAS A IGREJA AO POVO A igreja está se transformando de volta. NÃO A SEUS CULTOS Visto de fora. A missão da igreja jamais alcançará seu alvo se meramente adicionar acréscimos à estrutura existente. mas a igreja até as pessoas. NÃO MAIS LEVAR O POVO À IGREJA. o tradicional culto dominical de uma a duas horas de duração. num dia santo. a fim de participar de um ritual sagrado. É um enfoque que desconsidera que os cristãos são chamados a adorar “em Espírito e em verdade” – e não a repetir. hinos costumeiros. produz bem poucos frutos na forma de pessoas que estejam dispostas a mudar de vida como discípulos de Jesus. que se compraz em reiterar o proverbial “Amém” na igreja. ignora que toda a vida é pulsante. confessionalismo e nominalismo. Apesar disso. Em termos estatísticos.14 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO: IGREJA NOS LARES 10. Uma vez que essas promoções regulares. . o desejo dos humanos de adorar “corretamente” a Deus levou aos constrangedores denominacionalismo. É isso que verdadeiramente serve a Deus. ele é por natureza informal e espontâneo. mas produz poucos resultados.

No entanto. 13. 14. Jesus jamais pediu aos seres humanos que se organizassem em denominações. mas também confere à igreja um peso político. ou pior ainda. nas quais partilhavam sua vida cotidiana. congregavam com base na geografia. de volta à refeição. Encontravam-se para cultos festivos de abrangência local ou regional. Por causa dessa subdivisão em nomes e marcas a maior parte do protestantismo perdeu sua voz no mundo e tornou-se politicamente irrelevante. Muitas igrejas estão mais preocupadas com especialidades tradicionais e discórdias religiosas dentro de seus muros do que com dar um testemunho perante o mundo em conjunto com outros cristãos. que comercializavam suas respectivas marcas do cristianismo. Neles celebravam sua unidade como movimento eclesial da região ou cidade e demonstravam um testemunho conjunto perante o mundo. política e sociedade. convertidos verticalmente a Deus. Em segundo lugar. Deus está chamando o cristianismo de volta a essas dimensões. Nos primeiros dias da igreja os cristãos tinham uma dupla identidade: eram seguidores de Jesus Cristo. fazendo concorrência uma à outra. uma bolacha insípida e um semblante triste. a “ceia do Senhor” é uma refeição substancial com significado simbólico. Não somente se ligavam em igrejas de vizinhança ou nos lares. em que todos os cristãos de uma região se congregam regularmente – não apenas fomenta a identidade coletiva e credibilidade espiritual dos cristãos. A SANTA CEIA É REDESCOBERTA COMO UMA VERDADEIRA REFEIÇÃO A tradição eclesiástica conseguiu a façanha de “celebrar” a santa ceia em doses homeopáticas. foi crucificado. não uma refeição simbólica com significado substancial. Deus está novamente afastando os cristãos das missas. mas também expressavam sua nova identidade em Cristo – na medida em que as respectivas circunstâncias políticas o permitissem. . de volta às mesas. aliada a cultos festivos de abrangência local ou regional. formando movimentos eclesiais. o cabeça de todos os cristãos. estão adaptados e quietos de forma tão pouco cristã‚ que quase não são mais notados. DAS DENOMINAÇÕES PARA A IGREJA DA CIDADE Jesus deu vida a um movimento – mas o que apareceu foram empresas religiosas com redes globais. uma nova credibilidade das igrejas nos lares dos bairros. quando também se convertiam localmente uns aos outros. com algumas gotas de vinho. e chamará a atenção que a mensagem cristã merece.15 TESES SOBRE A REENCARNAÇÃO DA IGREJA 15 12. O retorno ao modelo bíblico da “igreja da cidade” – ou seja. Hoje seus seguidores estão tão ocupados com suas posições e seu papel respeitável na economia. segundo a fé cristã. UMA MENTALIDADE À PROVA DE PERSEGUIÇÃO Jesus.

o banco dos réus da sociedade do bem-estar. É por essa razão que cristãos despertos rapidamente sentirão as conseqüências do liberalismo fundamentalista e da “tolerância repressiva” de um mundo que perdeu suas normas absolutas porque se negou a reconhecer seu Deus Criador com seus padrões absolutos. mas em muitos países ele é simplesmente inócuo e gentil demais para que fosse digno de perseguição. 15. No entanto. Em conexão com a crescente ideologização. Deus está em vias de reconquistar novamente para si as casas como locais de culto. trajado com túnicas sagradas. porém. privatização e espiritualização da política e economia. ao pecado. pelo materialismo. os cristãos obterão mais cedo do que esperavam uma nova chance para ocupar. os cristãos começarem a redescobrir os valores do Novo Testamento. em conseqüência. desenvolvendo uma mentalidade à prova de perseguições e. O cristianismo bíblico é uma ameaça para o ateísmo e pecado gentílicos. E qual é o lugar mais difícil e. para um mundo que foi dominado pela ganância. Dessa forma a igreja retorna novamente às próprias raízes. Ali todo o farisaísmo devoto está irremediavelmente condenado à morte.11). o falso centro do universo. com conversão ou com perseguição. na presença de sua família. Até o momento o cristianismo atualmente conhecido não constitui um contraste para isso. do sexo. para a moderna escravidão do entretenimento e para a descarada adoração do Eu. como de costume. do dinheiro e do poder que somente podem ser explicados na dimensão demoníaca. p. prega palavras santas a uma massa sem rosto. os cristãos precisam preparar-se novamente para serem descobertos como réus principais e ovelhas negras. Nada mais farão que ser um estorvo para o humanismo universal. a viver a vida resultante e perder a vergonha de dar nome. É bom que hoje mesmo já se preparem para o futuro. construam uma estrutura à prova de perseguições. A IGREJA VOLTA PARA CASA Qual é o lugar mais simples para uma pessoa ser santa? Ela se esconde atrás de um grande púlpito e. por isso mais significativo. desaparecendo depois em seu gabinete. ex. Isso levou à aceitação social de comportamentos na esfera da moral. As parcelas mais significativas do cristianismo fugiram do enraizamento na família como lugar flagrante do fracasso pessoal para salões sagrados. Ao invés de construir para si ninhos em zonas confortáveis de presumida liberdade religiosa. Quando. ao lugar de onde ela . pela inveja e pela tendência de crer em absolutamente tudo. para uma pessoa ser santa? Em casa.. onde se celebram missas/cultos artificiais bem afastados do cotidiano. ao lado de Jesus. onde tudo o que ela diz e faz é submetido a um teste espiritual automático e conferido com a realidade.16 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO: IGREJA NOS LARES Jesus diz: “Abençoados sois quando por minha causa as pessoas vos injuriarem e perseguirem” (Mt 5. o mundo em seu redor será atingido no cerne de sua consciência e reagirá. a menos que esteja na Bíblia.

Você também está convidado a aderir a esse movimento aberto e dar a sua própria contribuição. Deixarão de pedir que Deus abençoe o que fazem e começarão a fazer o que Deus abençoa. fecha-se o círculo da história da igreja.15 TESES SOBRE A REENCARNAÇÃO DA IGREJA 17 procede. a ouvir globalmente e agir localmente. eles começarão a funcionar claramente como um corpo. Quando cristãos de todos os segmentos sociais e culturais. Assim. . Na última fase da história da humanidade. de todas as situações de vida e denominações sentirem em seu espírito um eco nítido daquilo que o Espírito de Deus diz à igreja. Dessa maneira provavelmente também a sua casa há de ser uma casa que transforma o mundo. a igreja volta literalmente para casa. pouco antes do retorno de Jesus Cristo. a um movimento de igrejas nos lares. Na própria vizinhança se congregarão em igrejas nos lares e se encontrarão para cultos festivos que abrangem a cidade ou região toda.

que como famílias extensas espiritualmente ampliadas respondem a perguntas formuladas pela sociedade – justamente no local em que isso é mais decisivo: em casa. É admirável o grande número de cristãos que parece perceber que Deus está tentando dizer-lhes a mesma coisa. oferecidos por clérigos profissionais. Desse modo forma-se uma nova consciência coletiva para uma revelação existente há milênios. 2. Para alguns isso será apenas uma pequena nuvem no horizonte de Elias. está em questão o estilo de vida profético dos seguidores de Jesus Cristo no dia-a-dia. Mudar o sistema das “categogas” Depois da época de Constantino Magno. as Igrejas Ortodoxa e Católica desenvolveram e sancionaram um sistema religioso que consistia de um templo . O cerne da igreja cristã não é apropriadamente espelhado por uma série de eventos religiosos em recintos eclesiásticos reservados especialmente para encontros com Deus. Outros já se encontram no meio da chuva. Pelo contrário. não como sucessão de eventos religiosos Bem antes de serem chamados de cristãos dava-se aos seguidores de Jesus Cristo o nome de “o Caminho”. um eco espiritual coletivo. no século iv. 1. Um dos motivos era que eles literalmente haviam encontrado o caminho de como se vive. Cristianismo como estilo de vida. Estou convicto de que as 15 teses a seguir reproduzem uma parcela daquilo que “o Espírito diz hoje às igrejas”. Afirmam: “A igreja como a conhecemos impede uma igreja como Deus a quer”.SOBRE O QUE FALA ESTE LIVRO 11 introdução 15 teses sobre a reencarnação da igreja A igreja como a conhecemos impede uma igreja como Deus a quer cristãos em todo o mundo sentem que uma nova e surpreendente Reforma está se aproximando.

12 CASAS QUE TRANSFORMAM O MUNDO – IGREJA NOS LARES .