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RMA PAULO FREIRE

Por Sidarta dos Prazeres Santos

Ilmo Sr. Nelson de Lucca Preto, MD Diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal
da Bahia, aqui representado pela Ilma Sra Mary de Andrade Arapiraca, Ilma Sra Uilma de Matos
Amazonas, MD patronesse desta turma, Exmo Sr Zilton Rocha, MD Paraninfo desta formatura. Srs
Pais, caros colegas e demais convidados. Boa Noite!

É com imenso prazer e satisfação que estendo boas vindas a todos os


presentes nesta noite, que para muitos de nós é a mais importante de
nossas vidas. Lúcio Aneu Sêneca, um filosofo romano do primeiro século
disse: “Quando o homem não sabe para que porto está rumando, não
importa para que lado sopra o vento, pois nenhum deles lhe será
favorável.” Muitos em nossos dias tem ficado como ondas num mar
revolto, impelidas pelo vento e lançadas de um lado para o outro. Mas,
onde encontrar um caminho? Como descobrir a melhor jornada a ser
implementada?

Para alguns aqui presentes a resposta talvez seja óbvia: Educação! E se


isso for realmente verdade, a questão se faz perguntar: O que está
envolvido neste ato educativo? Para Paulo Freire, nome que inspira esta
turma, aprender e educar é “construir, reconstruir, constatar para mudar,
o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito”. É isso
que nós estamos tentando agora. Esse é mais um passo em direção à
atitude política e filosófica responsável pela mudança dos quadros pré-
estabelecidos, mudança esta avidamente procurada por homens como
Paulo Freire, mas também procurada por elas, por nós e procurada por
vocês.

É bem verdade que somos o fruto de 500 anos de opressão, luta e


resistência. Neste tempo, fomos vítimas de um sistema que nos impõe
uma realidade amarga. Essa realidade faz com que esses formandos aqui
presentes sejam uma exceção e não regra, uma realidade excludente e
cruel. Apenas 2% dos alunos que se matriculam no ensino fundamental
conseguirão, após 20 anos de sacrifícios e privações, sentar naquelas
cadeiras e presenciar um dia tão glorioso como este. É senhores
presentes, fomos vítimas de mais angustias. Durante todo esse tempo,
nossos dominadores como ladrões apenas corvejaram nossas riquezas,
fossem elas materiais ou culturais. E após isso entramos gloriosos na
democracia! Mas que democracia é essa onde somos obrigados a votar?
Que democracia é esta onde somos obrigados a prestar serviço militar?
Onde o que deveria ser direito transforma-se em dever ferindo os reais
princípios da estrutura democrática! E esta nossa realidade não nos pode
proteger e nem amenizar nossos sofrimentos, pois freqüentemente
somos acometidos pela violência, violência esta que impediu que uma de
nossas colegas estivesse sentada ali! Nossa colega Adriana nos dá uma
lição: o “nível superior” não nos protege do mundo! Continuamos sendo
roubados, violentados e humilhados por uma realidade que tanto
detestamos. Mas também somos culpados, pois quando estamos dentro
do conforto de nosso lar dificilmente tomamos atitudes para a mudança
desta realidade e, talvez por isso, trabalhar na área educativa seja o
trabalho mais difícil de ser efetuado. E creio que estamos cientes desta
responsabilidade.

Mas o dia hoje não é só de revolta, não! O dia hoje é de festa. E como
toda boa festa devemos agradecer ao principal responsável por essa
vitória: o nosso Grandioso Deus. Jeová tem estado atento ao esforço de
todos esses presentes aqui e hoje nos brinda com este dia. Rendamos
graças a esse deus que é tão bom. Gostaria de agradecer a todos que
nos auxiliaram nesta trajetória. Vocês sofreram conosco. Quantas vezes
nos procuraram para sair ou para conversar ou para namorar e
estávamos perdidos entre uma pilha de livros e papéis. Nossos
professores também sofreram. E uns nos fizeram sofrer tanto! Obrigado
aos professores que realmente assumiram seus papéis de ajudadores na
nossa vida acadêmica. E que presente do dia dos Pais! Pai, Mãe muito
obrigado pela força que nos deram, obrigado pelo leite quente nas noites
em que passamos estudando, pela carona pra não chegar atrasado na
aula. Ah! E obrigado também pelo dinheiro do transporte! Pais, muitos de
vocês hoje vêm um sonho concretizado, vocês também estão sentados
naquelas cadeiras. Vocês estão ali, refletidos nos sonhos de cada um de
nós, não teríamos como lhes recompensar por isto. Sei que muitos dos
presentes sentem-se acolhidos por estas palavras que aqui digo, pois
vocês também são responsáveis por esta loucura. Recebam nossos
sinceros agradecimentos.

“É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de


observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso
sonho de realizar escrupulosamente nossas fantasias, sonhos, acredite
neles”.Assim dizia Lênin. Mas, o que temos feito para realizar nossos
sonhos? Permita-me contar-lhes uma pequena estória: “em um certo
lugar distante existia uma cidade e próximo dela residia um sábio muito
famoso por seus conselhos e conhecimentos. Residia, porém na cidade
uma menina muito sagaz, que na sua sabedoria adolescente resolveu
desafiar o sábio. Disse ela aos seus companheiros de folguedos: ‘Vou
vencer o famoso sábio. Levarei uma pequena borboleta em minha mão e
perguntarei ao sábio: ‘Sábio, a borboleta em minha mão está viva ou
morta?’ Se ele me responder: ‘Está viva!’ Eu a esmagarei em minha mão.
E se ele disser: ‘Está morta!’ Eu abrirei minha mão e a borboleta voará
invicta e ele terá errado! E se pôs a menina em direção à casa do sábio.
Lá chegando, perguntou-lhe: ‘Sábio, a borboleta em minha mão está viva
ou morta?’ E ele, fitando a menina e com toda sua sabedoria respondeu:
‘A resposta está em suas mãos’”.

Colegas, senhores componentes da mesa, senhores pais e demais


presentes, a mudança do que está imposto depende unicamente do
posicionamento de cada um de nós como membros ativos da sociedade.
E, se não julgarem pretensão minha, reflitam sobre essa pequena
estória. E lembre-se, a solução pode estar em sua mão!
(Obrigado!)

Sr. Diretor, prezados professores, prezados pais, prezados formandos. Peço


licença para dirigir-me diretamente aos sujeitos deste evento, que são os
próprios alunos.

2 Agradecimento
Antes de mais nada gostaria de agradecer aos formandos do BCC pelo convite
para ser paraninfo da turma. Foi com uma alegria muito grande que recebi o
convite de vocês.
3 Um relacionamento pessoal
Quando pensei em escrever esta carta, perguntei-me primeiramente de que
forma eu deveria dirigir-me a vocês. Pensei em partir de como eu vejo o
futuro da ciência da computação, mas cheguei à conclusão de que deveria
partir do relacionamento com vocês e dos sentimentos que este
relacionamento despertou em mim.

Confesso que olho pra vocês, formados, com uma mistura de sentimentos
como os de um professor, pai, colega e amigo. Os sentimentos de um
professor, que fica contente ao ver que o seu esforço de comunicar algum
ensinamento aos seus alunos produziu frutos. Os sentimentos de um pai, com
sua mistura de ansiedade e satisfação, que vê seu filho tornar-se adulto e
independente, capaz de tomar seu próprio rumo na vida. Os de um colega de
profissão, onde a colaboração profissional é sempre possível e onde também
da minha parte vai existir o interesse em saber de vocês as soluções
computacionais com que cada um estará lidando em sua vida profissional. A
propósito, devo confessar (e recomendo a vocês que se dêem conta disto) que
sempre precisamos aprender. Eu primeiramente. E por que não dizer a de um
amigo que fica contente ao saber da formatura de seus amigos.

4 Uma nova fase na vida


Missão cumprida, mas e agora?

Esta é uma nova fase na vida de vocês, com profundas mudanças em suas
vidas. Com certeza uma das mais importantes por que já viveram. Para muitos
de vocês este é o momento em que vocês adquirem as responsabilidades de
um adulto.

A percepção desta iminente mudança provavelmente explica também a


ansiedade típica de vocês quando estavam no último ano, por exemplo, nas
aulas de compilação.

Antes, muitos eram sustentados pelos pais. Agora andarão pelas próprias
pernas e vão comer do próprio suor. Antes a quase irresponsabilidade de um
estudante, que cursa as disciplinas que lhe são oferecidas para o seu currículo.
Agora, dependerá mais da liberdade de vocês a escolha direta dos seus
currículos e dos seus destinos profissionais. Antes a ansiedade por verem-se
formados. Agora, uma vez formados, o desejo de ver o fruto dos seus
respectivos trabalhos.

Antes o estudo, agora o trabalho.


5 A vida quer uma utilidade
Sobre o trabalho. Uma das características da vida do adulto, que agora vocês
assumem mais plenamente, é justamente a responsabilidade do trabalho, que,
se por um lado muitas vezes se traduz no sofrimento dos afazeres necessários,
por outro é a condição pra que todos façamos a experiência de ver que a
nossas vidas têm uma utilidade.

Certamente muitos fatores são levados em consideração quando vocês


escolhem trabalhar num determinado lugar e não num outro. Cito por
exemplo: a necessidade objetiva do dinheiro para o próprio sustento e
possivelmente também o sustento da família que muitos de vocês começam a
formar; a possibilidade de uma progressão profissional em suas vidas; as
oportunidades que lhes aparecem e, particularmente, a percepção de uma
utilidade para a própria vida.

A percepção de uma utilidade para a própria vida é, no fundo, um desejo que


cada um de nós carrega. Guardem sempre que este é um desejo que sempre
nos inquietará enquanto não for satisfeito. Isto poderá significar para alguns
de vocês o simples fato de trazer dinheiro para casa para alimentar os filhos.
Para outros poderá significar deixar suas marcas em sua área de atuação
profissional, nalgum setor informático, ou nos nos destinos vitais de uma
empresa.

Por falar em utilidade, gostaria também de lembrá-los da nossa


responsabilidade de construir a nação em que vivemos, primeiramente através
da competência do trabalho por nós executado, mas num segundo momento
também através da nossa inserção pessoal ou empresarial dentro da sociedade
brasileira. Neste sentido é muito grande a responsabilidade de quem teve o
privilégio de uma formação, que se não é perfeita, tem uma qualidade
destacada como a que foi oferecida pelo instituto a vocês. Não se esqueçam
disto, vocês têm responsabilidade e competência na construção da sociedade
brasileira.

Ainda sobre a percepção de uma utilidade na própria vida, gostaria de citar


uma recente entrevista de Alan Cox, um dos responsáveis pelo núcleo do
sistema operacional linux, onde ele afirmava que uma das motivações de seu
trabalho era a satisfação e a felicidade em ver resolvidos os problemas de
vários usuários de seus programas, e portanto levá-los à felicidade. Embora
não fosse sua primeira motivação, como efeito colateral, hoje ele possui um
carteira invejável das valorizadas ações das companhias Linux americanas.
Este movimento de Software livre, baseado mais na colaboração mútua que na
propriedade intelectual, certamente tem muito a questionar a maneira com que
é feito o desenvolvimento atual de software, processo do qual vocês farão
parte. Nem que seja apenas pela qualidade alcançada do software assim
desenvolvido.

6 Aprender sempre
Com uma revolução digital em pleno curso como a que vivemos, onde há seis
anos atrás praticamente não existia INTERNET e onde hoje a mesma dá
mostras de tornar-se uma das pilastras de sustentação das comunicações e da
economia mundiais, numa sociedade da informação onde as transformações
são cada vez mais estonteantes, é sempre importante estar atualizados sobre o
que ocorre na área da computação. Isto, acredito, já seja percebido por vocês.

Gostaria apenas de convidá-los a manter sempre o desejo de aprender. Arrisco


a dizer e a convidá-los a aprender algo simplesmente porque é belo. Este olhar
desinteressado e sem preconceitos sobre a realidade, que se deixa
ficar maravilhado diante de algo imprevisto e novo, é por exemplo o que
permite-nos perceber uma mudança de paradigmas como as que vivemos na
área de desenvolvimento de software. É o que permite a novos
empreendedores como os fundadores do Yahoo a se jogarem por inteiro numa
idéia que lhes parecia fascinante, como foi a construção do Yahoo. Mesmo
que não soubessem a princípio como se desenvolveria esta idéia.

7 Não tenham medo de arriscar-se


Por fim gostaria de convidar vocês a não se esquecerem dos seus ideais e
a não terem medo. As mudanças por que vocês estão passando são normais e
também são vertiginosas. Contudo é fácil que nos conformemos ao que é mais
cômodo e não nos empenhemos com a vida, não assumindo nenhum risco.

Gostaria de convidar vocês a não assumirem uma postura de constante


reclamação na vida, como é muito comum ver em muitos adultos, e
tristemente também em muitos jovens. Ouço falar em crises desde sempre.
Mas o sofrimento que o mundo do trabalho impõe, e com o qual vocês vão se
deparar mais plenamente agora, é simplesmente a condição e
a circunstância de um amadurecimento profissional e pessoal.

Quem disse que a vida era fácil se enganou. Mas nem por isto ela deixa de ser
bela.

Da minha parte, a porta da minha sala continua sempre aberta.

Obrigado.
iquei para lá de feliz de ser escolhido como Paraninfo da Turma 2008 do Curso de Projeto e Desenvolvimento de Sistemas Corporativos lá
na PUCPR. Uma turma bastante esforçada a qual vou sentir bastante saudades de todos!
Na verdade, fui professor de todas as turmas do curso desde sua primeira turma em 2005 e sempre tive alunos bastante dedicados
principalmente devido ao perfil: alunos já inseridos no mercado de trabalho ou provenientes de cursos técnicos da área tecnológica.
Segue a seguir o discurso:

• Saudação às Autoridades
o Prezados colegas de mesa, prezados pais, familiares, amigos e demais professores.
o Meus queridos afilhados, boa noite!

• Agradecimento
o Em primeiro lugar, gostaria de agradecer aos formandos do curso de Projeto e Desenvolvimento de
Sistemas Corporativos pelo convite para ser o paraninfo desta turma.
o Recebi esta homenagem, esta responsabilidade e este privilégio com muita honra e, principalmente,
alegria.
• Resumo
o Hoje, mais importante que o reconhecimento de que vocês chegaram a um lugar o qual pouquíssimos
brasileiros alcançam, através do diploma e do conhecimento que receberam, creio que seja essencial vocês pensarem
desde já: “E agora, turminha? Qual é o próximo passo?”
• Valorização do trabalho dos alunos
o Antes de refletirmos sobre isso, queridos afilhados, meus Efusivos Parabéns para toda esta turma. Todos
vocês fizeram por merecer estar aqui.
o Ao terminar esta trabalhosa jornada de dois anos tenho o prazer de dizer que a partir de hoje vocês se
tornam oficialmente Projetistas de Sistemas Corporativos.
o Eu me orgulho de vocês por chegarem onde estão. E me orgulho mais ainda por vocês terem
correspondido ao que foi exigido em nossas disciplinas.
Lembro, muitas vezes, que eu recebia e respondia email de vocês em um fim de semana, durante a madrugada, ou em
feriados. E, o mais importante: nossas conversas não se limitavam às dúvidas sobre a matéria da aula. Vocês sempre
queriam saber mais!
o Eu tenho certeza que valeu a pena as noites mal dormidas, as preocupações com a data e mesmo hora das
entregas de trabalhos, as leves discussões com as esposas e maridos reclamando de sua falta de tempo e, é claro, as
aulas comigo às 7:30h da manhã de Sábado.
o Por falar em esposas, meus parabéns se estendem também aos familiares e amigos dos formandos, por
sua paciência e apoio nos momentos necessários.
o E todos sabem, que após um dia inteiro de trabalho, é cansativo ficar sentado e prestando atenção na
aula.
Tenho admiração por alguns destes alunos que chegavam pontualmente na aula de Sábado de manhã vindo direto do
trabalho.
o Assim, nós, enquanto professores, observamos e valorizamos o seu esforço, não só devido às olheiras e
cabelos despenteados dos últimos dias de aula, mas, principalmente, pelo excelente resultado dos projetos de conclusão
de curso.
o Tais projetos refletiram a própria personalidade de vocês, por isso, insisto, meus afilhados: não deixem de
levar a cabo aquilo que vocês acreditaram enquanto projeto.
• Crise Mundial
o A mídia e as pessoas falam muito em crise. Mas vocês tem as ferramentas para vencer qualquer crise real
ou imaginária.
o Além de um chapéu de formando na cabeça e um projeto ou mesmo uma implementação na mão vocês
tem conhecimento técnico e um diploma com reconhecimento nacional.
o Mesmo assim, não ignorem a possível crise que enfrentamos.
o Só no âmbito econômico, alguns preveem uma retração de quase 2% do PIB mundial em 2009.
o As demissões, em nossa área, na área de tecnologia já estão acontecendo, mesmo de maneira disfarçada.
o As novas oportunidades de trabalho aparentemente diminuem.
o Muitas multinacionais pesquisam inclusive a possibilidade de finalizar suas ações locais e investir em países
menos caros ou com menos encargos trabalhistas e tributários que o Brasil.
o Porém, todo esse cenário é ao mesmo tempo ruim e muito bom para nós.
o Devo lembrá-los que em chinês, o ideograma para a palavra “Crise” é formado por outros dois
ideogramas: “Momento de grande perigo” e “Oportunidade”.
o Portanto: se a crise oferece problemas, também traz novas oportunidades.
o Oportunidade de: abrir o seu próprio negócio, investir em pesquisa e inovação e na aplicação de novas
tecnologias, ser um empreendedor dentro da empresa que você já trabalha, preencher o vazio deixado pelas empresas
que se vão e mesmo liderar o barco durante as tempestades.
• Estudo não termina na faculdade
o Só que, para aproveitar qualquer oportunidade, você deve saber como enxergá-las e deve parar de fazer o
mínimo, o estritamente necessário, e focar sempre em surpreender e dar tudo de si.
o Desse modo, agora no mercado de trabalho, será necessário que vocês desenvolvam outras habilidades, as
quais fogem da parte técnica que passamos para vocês durante o curso.
o Citando o Professor Fernando Dolabela, consultor na área de empreendedorismo. Ele diz: “É preciso ser
especialista no que não existe”
o Ou seja, vocês nunca devem deixar de se atualizar e de prestar atenção em outras áreas do conhecimento
e tendências trazidas por estas áreas.
o Devemos usar o nosso “jeitinho brasileiro” não naquele sentido pejorativo, mas no sentido positivo de que
devemos ser pessoas versáteis no que fazemos.
o Por exemplo, na construção de nosso principal produto: o sofware, estamos deixando de nos preocupar
com ele enquanto entidade estanque que você instala e copia de um micro para outro. Passamos a um mundo no qual o
software serve mais como suporte à prestação de serviços. Desta forma, devemos nos focar cada vez mais em como
criar um bom serviço, como misturar serviços diferentes para criar algo novo e nos focar menos no software em si.
o Outra tendência que vocês devem estar atentos é o que chamamos de computação invisível.
o Em relação a este ponto, Steve Wozniak, um dos criadores da Apple, dá uma recomendação que
considero muito válida para os projetistas de sistemas corporativos:“Nós deveríamos esforçar-nos em
entender o homem sem tecnologia, tentar adaptar a tecnologia para o estilo humano.”
o A máquina deve servir ao homem e não o homem à máquina.
o É necessário, portanto, o desenvolvimento de outras habilidades mais baseadas na criatividade e no lado
direito do cérebro.
o Com efeito, o futuro pertence a um tipo diferente de indivíduo. Passamos da idade da informação para
uma idade conceitual. Nesta nova era, os artistas, professores, designers, inventores, contadores de histórias,
engenheiros do conhecimento – quem pensa ou enxerga diferente e na vanguarda – serão valorizados mais do que
nunca.
o Sobre este novo tipo de pessoa recomendo a leitura do livro de Daniel Pink, “O Cérebro do Futuro”.
o Então, meus afilhados: sejam polivalentes, nunca parem de estudar e sempre tenham curiosidade sobre
coisas que às vezes podem não ter ter relação imediata com aquilo que vocês trabalham diariamente.
o Uma das principais estratégias de sucesso de Bill Gates não foi a sua capacidade de programação de
computadores e nem a sua vivacidade no mundo dos negócios.
o Anualmente, o ex-presidente da Microsoft fazia um retiro no qual consumia livros, artigos, jogos, filmes de
áreas que não tivessem nada a ver com o seu trabalho diário.
o E deste retiro surgiam suas melhores idéias.
o Observem também, que empresas como o Google, maior expoente da área de buscas na Web, também
investem em áreas como novos combustíveis, pesquisa espacial e bioinformática.
o Se eles investem nisso, porque nós também não podemos dedicar um tempo de nossa semana para outras
áreas?
• Dicas
o Além desta visão transdisciplinar necessária também tenho outras dicas para vocês daqui para a frente.
o Sejam honestos e éticos com os outros e consigo mesmos.
o Sejam gratos até pelas coisas aparentemente ruins que aconteçam com vocês.
o E acima de tudo: gostem daquilo que vocês fazem. Sintam PAIXÃO.

• Conclusão
o Como mensagem final, tenho que destacar que o ciclo de transformações e crises mundiais pode estar
longe de acabar: e isso pode ser bom.
o Ninguém sabe o que vem pela frente, mas o importante é: que não sejamos passivos, mas que
sejamosagentes neste ciclo.
o Na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, vocês ganharam algumas ferramentas para agir no mundo.
o Cabe a vocês utilizá-las para o bem da sociedade.
o Por fim, lembrando as palavras de Gandhi:

 “Você deve ser a mudança que deseja no mundo”.

o Este é o mínimo que eu espero de vocês, façam mais do que isso e surpreendam!
o Obrigado

Discurso de Formatura Cesfe– Janeiro de 2004

Magnífico reitor da Universidade da Amazônia, Doutor Edson Raymundo Pinheiro de


Souza Franco, em nome de quem eu saúdo todos os ilustres membros da mesa.
Senhoras e Senhores, caríssimos formandos:

Este é um momento muito especial. Inesquecível. Não podemos sentir o que você
está sentindo neste momento, porém podemos imaginar o que esta formatura
representa para você. Para muitos a realização de um sonho, para outros a
conquista de uma vitória cheia de obstáculos. Neste momento você está
proporcionando muita alegria, orgulho e emoção para os seus pais, maridos,
esposas, filhos e filhas e amigos presentes. Eu me sinto honrado em ter sido
escolhido pelo voto em segundo turno (por uma diferença de um voto da turma 4
gen1) e pelo sorteio, para ser o paraninfo das turmas de Formação Específica
(citar) Pesa sobre mim a responsabilidade de transmitir uma mensagem que
traduza o sentimento de todos os paraninfos e professores aqui representados.

As palavras como as folhas, são levadas pelo vento e em breve ninguém se


lembrará do discurso que estamos pronunciando, por esta razão, deixaremos uma
cópia deste discurso no site do nead: www.nead.unama.br.

Gostaria de dividir esta reflexão em dois momentos:

O primeiro momento, olhar para o passado e agradecer. O segundo momento,


olhar para frente, para o futuro e visualizar novos objetivos.

O primeiro momento, para agradecer, em primeiro lugar a Deus, pela vida, pela
saúde, pela conquista de uma vitória. Agradecer pelos pais que proporcionaram a
base da educação, afinal a casa foi a primeira escola, e sua mãe a primeira
professora. Agradecer o apoio da esposa, do marido, dos filhos que foram os
grandes incentivadores para que você chegasse até aqui. Agradecer pelos amigos,
que muitas vezes sem perceberem deram forças, o inspiraram a continuar a
perseverar em caminhos algumas vezes íngremes, difíceis. Os amigos são
verdadeiros tesouros. Agradecer aos professores pelos conhecimentos passados e
também por suas atitudes em sala de aula, proporcionando lições de vida.

O segundo momento desta reflexão, olhar para frente. Espero que você não
vislumbre um futuro com pessimismo, desânimo ou fracasso. A vida sempre foi
composta de dificuldades, quem disse que seria fácil você ter se formado?

Entretanto o mundo abre as portas para quem sabe onde quer ir.

A mensagem que deixo para você é que sejas ambicioso, não ganancioso, pois a
ganância é egoísta, porém, ser ambicioso é algo positivo, significa ter altos ideais,

“Aspirai as alturas e não medis esforços para alcança-la” disse certa vez, White,
uma escritora americana.

Muitas pessoas de talento não conseguem atingir nada nesta vida, porque não
possuem um objetivo definido pelo qual lutar.

Ter um sonho faz toda a diferença!

Tenha um sonho, acredite no seu potencial, transforme o seu sonho em realidade,


lute, persista, não desanime. Se cair, levante. Seja completamente apaixonado pelo
que você faz. Não se contente com realizações mesquinhas. Olhe para frente e para
o alto como as águias, não olhe para baixo como as galinhas.

A escola da vida, é a escola da experiência como mencionou Samuel Smiles em sua


obra o Caráter. A gentileza, paciência, bondade são importantes, porém, há
também a necessidade de coragem, força, energia e perseverança também. Muitos
que se formam saem da faculdade desanimam-se facilmente, falta-lhes a iniciativa,
não tem esses positivos traços de caráter que dão aos homens o poder de fazer
alguma coisa, o espírito de energia que acendem o entusiasmo. Se você deseja que
o êxito acompanhe seus esforços, precisa ser animoso e esperançoso. O sucesso
não depende tanto do talento, como de energia e boa vontade.
Para ilustrar este discurso, permita-me contar uma fábula:

Os Três Leões

Numa determinada floresta haviam três leões. Um dia o macaco, representante


eleito dos animais súditos, fez uma reunião com toda a bicharada da floresta e
disse:

- Nós, os animais sabemos que o leão é o rei dos animais, mas há uma dúvida no
ar: existem três leões fortes. Ora, qual deles nós devemos prestar homenagem?
Quem, dentre eles, deverá ser o nosso rei?

Os três leões souberam da reunião e comentaram entre si: É verdade, a


preocupação da bicharada faz sentido, uma floresta não pode ter três reis,
precisamos saber qual de nós será o escolhido. Mas como descobrir? Essa era a
grande questão: lutar entre si eles não queriam, pois eram muito amigos.

O impasse estava formado. De novo, todos os animais se reuniram para discutir


uma solução para o caso. Depois de usarem técnicas de reuniões do tipo
brainstorming, etc. eles tiveram uma idéia excelente. O macaco se encontrou com
os três felinos e contou o que eles decidiram:

- Bem, senhores leões, encontramos uma solução desafiadora para o problema. A


solução está na montanha difícil. Montanha difícil? Como assim?

- É simples, ponderou o macaco. Decidimos que vocês três deverão escalar a


montanha difícil. O que atingir o pico no menor tempo será consagrado o rei dos
reis.

A montanha difícil era a mais alta entre todas naquela imensa floresta. O desafio foi
aceito. No dia combinado, milhares de animais cercaram a montanha para assistir a
grande escalada.

O primeiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.

O segundo tentou. Não conseguiu . Foi derrotado.

O terceiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.

Os animais estavam curiosos e impacientes, afinal, qual deles seria o rei, uma vez
que os três foram derrotados?

Foi nesse momento que uma águia sábia, idosa na idade e grande em sabedoria,
pediu a palavra:

- eu sei quem deve ser o rei! Todos os animais fizeram um silêncio de grande
expectativa! A senhora sabe, mas como?

- Todos gritaram para a águia.

- É simples, confessou a sábia águia. Eu estava voando entre eles, bem de perto e,
quando eles voltaram fracassados para o vale, eu escutei o que cada um deles
disse para a montanha.
- O primeiro leão disse: montanha, você me venceu.

- O segundo leão disse: montanha, você me venceu.

- O terceiro leão disse: montanha, você me venceu, por enquanto, mas você
montanha, já atingiu seu tamanho final, e eu ainda estou crescendo.

- A diferença, completou a águia, é que o terceiro leão teve uma atitude de


vencedor diante da derrota e quem pensa assim é maior que seu problema: é rei
de si mesmo, está preparado para ser rei dos outros.

Os animais da floresta aplaudiram entusiasticamente ao terceiro leão, que foi


coroado rei entre os reis.

Moral da história:

A partir de agora, cada um irá seguir o seu caminho.

Não importa o tamanho de seus problemas ou dificuldades que você tenha. Seus
problemas, pelo menos na maioria das vezes, já atingiram seu nível máximo, mas
você não. Você ainda está crescendo. Você é maior que todos os seus problemas
juntos. Você ainda não chegou ao limite de seu potencial e performance. A
montanha das dificuldades tem tamanho fixo, limitado. E, lembrem daquele ditado:
“Não diga a Deus que você tem um grande problema, mas diga que você tem um
grande Deus.” Muito obrigado.

Excelentíssimas autoridades presentes, senhoras e senhores:

Há meses, quando fomos escolhidos para aqui na frente representar o pensamento dos
que ora se formam, começamos a pensar sobre o que diríamos. A primeira idéia que nos
apareceu foi a de basear nossa fala em algum pensamento sábio e bem apresentado por
alguém, pois discursos, geralmente, são iniciados assim. Começamos, então, a manusear
Dicionários de Citações, Enciclopédias de Pensamentos e outras obras congêneres. Por
incrível que pareça, porém, o dito pensamento, sábio e bonito, com que iniciaríamos
nosso discurso nesta noite não apareceu.

Foi nessa ocasião, quando estávamos sem idéia de como principiar o nosso falar e sem
idéias de como desenvolvê-lo, que nos lembramos do discurso do orador da turma dos
formandos de 1961, ano em que aqui chegamos. Ele se baseou no primeiro versículo do
Salmo 124: "Se não fôra o Senhor que esteve ao nosso lado...". Ao lembrarmos disso,
veio-nos a idéia de nos basearmos também na Bíblia para a nossa conversa de hoje.
Enfim, não é a Bíblia a fonte da mais profunda sabedoria, a revelação divina ao
homem? Certo dia, enquanto líamos a Palavra de Deus, notamos dos versículos de um
Salmo e alguma coisa nos avisou: — "Aí está o discurso de formatura. Desenvolve
isto".

"Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do
Senhor, nosso Deus. Uns encurvam-se e caem, mas nós nos levantamos e estamos de
pé". Estes são os versículos número sete e oito do Salmo vigésimo.
Quando Davi escreveu essas palavras, estava em guerra, sentia diante de si e de sua
nação o rumor de povos inimigos que, poderosos na luta corporal, frente a frente,
possuíam ainda a vantagem de contar com carros e cavalos na batalha. Mas, apesar
disso, Davi confia no Senhor, Deus dele e nosso Deus, mais que nos carros e cavalos do
inimigo. Davi, milhares de anos antes, já pensava como São Paulo: "Se Deus é por nós,
quem será contra nós?"

Este Salmo é dividido por alguns em duas partes: um canto de batalha seguido de um
canto de vitória. E sempre será assim: batalha, aos nossos olhos, sempre estará
relacionada com vitória. Nunca haverá verdadeira vitória sem batalha, apesar de existir
muita batalha em que não há vitória. Mas, para aqueles que fazem menção do nome do
Senhor, para aqueles que põem a confiança no Senhor dos Exércitos, batalha será
sempre prenúncio de vitória. Acabamos de combater mais um curso e hoje conseguimos
a vitória. Mérito nosso? De modo algum, porque se o Senhor nosso Deus não estivesse
ao nosso lado, nada disso teríamos conseguido.

Gostamos, porém, de provar aquilo que dizemos. Será que Davi tinha razão para colocar
tão grande confiança em Deus, tinha razão para crer tão firmemente na vitória confiado
apenas na ajuda e proteção divinas?

Os povos inimigos de Israel possuíam, como arma de guerra, carros puxados por
cavalos e com foices nas rodas, carros esses que cortavam homens e ceifavam vidas
como se corta a grama e se ceifa o trigo. Possuíam milhares de cavaleiros que, armados,
poderiam pisotear e esmagar pobres israelitas para quem um simples escudo valeria de
pouca coisa. Valeria a pena confiar em um Deus invisível, quando armamentos visíveis
e palpáveis vinham prontos para destruir tudo?

Davi, contudo, tinha razões para dizer o que disse. Por quê?

PRIMEIRO: Porque a história do povo de Israel, no passado, provava que Deus


realmente merece confiança.

Fôra Deus quem, com forte mão, tirara o povo da escravidão do Egito, e quando os
egípcios, com carros e cavalos, vieram após eles, valeu mais a confiança em Deus, que
sobre os perseguidores fechou o Mar Vermelho. CARROS — apodreceram no fundo do
mar; CAVALOS — matou-os a água; HOMENS — jazeram mortos, boiando na
superfície do mar. E DEUS? — DEUS GUIAVA SEU POVO (Êxodo 14).

Outra vez os Filisteus reuniram-se para atacar os israelitas e estes temeram. Samuel,
porém, orou a Deus e ofereceu sacrifícios e "o Senhor trovejou com tão grande trovoada
aquele dia que aterrou os filisteus, que fugiram, perseguidos pelos homens de Israel" (I
Samuel 7).

SEGUNDO: Davi, porém, podia afirmar o que afirmou, não só pela experiência do
passado, mas pela sua própria experiência.

Desde cedo ele experimentara a mão de Deus o ajudando, desde cedo aprendera confiar
em Deus. Menino ainda matara um urso e um leão. Rapazote, dispõe-se a enfrentar o
gigante Golias que estava para Davi na mesma proporção que um exército de carros e
cavalos para um sem esses recursos. — "Não podes ir contra ele", disse o rei Saul, "pois
és moço, inexperiente, e ele é homem velho, experimentado na guerra". Davi, com custo
convenceu o rei de que poderia sair contra o gigante. O rei pôs nele, então, uma
armadura. Davi tentou andar e disse: — "Nunca experimentei isso e não consigo andar",
e, tirando tudo aquilo, pegou a sua funda, enfrentou e venceu o terror de Israel (I
Samuel 17).

Certa vez Davi tomou na guerra mil cavalos de carros e sete mil cavaleiros. De outra
vez feriu sete mil cavalos de carros dos siros e suas tropas eram constituídas apenas de
infantaria, porque Deus havia proibido aos reis de Israel a multiplicação de cavalos (I
Crônicas 18 e 19). Não tinham cavalos nem carros, porque Deus os proibira, mas
tinham o Deus de todos os exércitos e de todas as milícias como Comandante.

Tinha, portanto, Davi, então rei de Israel, razão vinda da experiência quando dizia: "Uns
confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor,
nosso Deus."

Mas poderemos nós, formandos de 1963, dizer também isto? Temos nós razões? Como
Davi, temo-as de sobra. De fato aprendemos que a confiança em Deus é milhares de
vezes mais valiosa que a confiança em homens e em coisas terrenas. As fontes terrenas
de confiança são várias, mas ao mesmo tempo mostram, pela sua inconstância, pelo seu
poder limitado, pela sua breve duração, que são falhar, que em um momento ou outro
nos podem faltar.

Mas, dizíamos, aprendemos a confiar em Deus pelas mesmas razões que Davi aprendeu.

PRIMEIRO: Porque a experiência daqueles que por aqui já passaram, daqueles que
nesta casa um dia já "queimaram suas pestanas", nos ensinou que compensa confiar em
Deus, mesmo quando as coisas parecem ir de mal a pior.

Um pastor contava, certa vez, no Acampamento "Palavra da Vida", a sua experiência.


Estudava ele aqui, estava passando por dificuldades financeiras e não ia bem nos
estudos. Estava quase desanimado de estudar, mas continuava porque recebia uma bolsa
de uma igreja pobre que cobria apenas suas necessidades para com o estudo. Nessa
situação, recebeu uma carta da dita igreja dizendo que, infelizmente, em virtude da
situação lá não ser boa, não poderia mais dar-lhe a bolsa. Ia desistir de estudar, mas,
antes, em conversa com um dos dirigentes, recebeu uma palavra de exortação para
confiar em Deus. Foi para o seu quarto, orou, e na leitura da Escritura Sagrada
encontrou a resposta de Deus para o seu problema: Ei-la, em Atos capítulo vinte e seis,
versículo dezesseis: "Mas levanta-te, põe-te sobre os teus pés, porque te apareci por isto,
para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas
pelas quais te aparecerei ainda". Aquilo renovou-lhe as forças e o ânimo. O então rapaz
decidiu que Deus realmente merece confiança e hoje é um dos eficientes pastores de
nossa igreja.

Poderíamos citar outros exemplos, mas cremos que muitos aqui conhecem fatos
similares, e são esses fatos, do passo, que nos fazem dizer como o salmista. Mas não é
só.

SEGUNDO: A nossa própria experiência também nos autoriza a dizer: "Faremos


menção do nome do Senhor, nosso Deus".
A nossa vida aqui é uma vida de confiança e de em Deus somente. Quantas vezes já
temos sentido a mão de Deus nos trazer o auxílio de que necessitávamos, no momento
exato. Na hora oportuna Ele vem e atende as nossas orações, Ele vem e ajuda. Essas
experiências, materiais, são superficialíssimas, porém, se as compararmos com as
profundas e espirituais demonstrações de ajuda divina em nossas vidas. Muitas vezes o
estudante se desanima, quer pela dificuldade nos estudos, quer pelos anos que ainda tem
por vencer, e nessas horas fica abatido, acabrunhado, sem saber o que fazer, derrotado
por "carros e cavalos". Mas quando se lembra de que se deve fazer menção do nome do
Senhor, e faz isso, sente a mão divina levantá-lo, erguê-lo, soerguê-lo e colocá-lo num
lugar onde ele jamais esperaria estar. Esses fatos são de nossa experiência, da
experiência de cada um dos colegas.

Temos, por isso, razões para repetir as palavras do grande rei Davi, o homem "segundo
o coração de Deus". Fatos que o autorizaram a dizer aquilo no passado autorizam-nos,
da mesma maneira,, a dizer o mesmo neste dia em que nos alegramos pela conquista
desta vitória. Foi uma vitória que se seguiu a um combate, duro, na verdade, difícil de
ser combatido, pois realizou-se em campos de batalha ásperos, pedregulhosos,
ressequidos, com armas que muitas vezes não foram as melhores, mas tínhamos e ainda
temos o Senhor dos exércitos como Comandante. E qual a conseqüência de confiar
nEle, de tê-lO como supremo General de nossas lutas e batalhas? É o próprio Davi
quem a dá, continuando o seu Salmo: "Uns encurvam-se e caem, mas nós nos
levantamos e estamos de pé". Enquanto os que confiam em carros e cavalos "encurvam-
se e caem", eis-nos de pé, alegres, triunfantes, vitoriosos. A confiança em Deus é de fato
bem recompensada. Não há melhor recompensa para aquele que luta que a vitória, e esta
Deus nos concede nesta noite, por nEle havermos posto a nossa confiança.

oOo

Não poderíamos, entretanto, ir embora, trilhar outros caminhos, seguir novos rumos,
sem deixar aqui uma palavrinha sobre o "Conceição", o nosso querido "Conceição", que
nos marcou profundamente, que deixou assinalada a vida e a personalidade de cada um
de nós. Façamos isto.

Há alguns meses, quando em um trabalho com um grupo em São João da Boa Vista,
externamos lá nossa opinião sobre o "Jota" baseando-nos em um poeta patrício,
desconhecido da maioria, que vive em Americana: Antonio Zoppi. Diz ele, em uma
simples quadra:

"Sapiência não se esmola,


deve ser adquirida:
na doce vida da escola
ou na acre escola da vida".

Palavras sábias essas, e que servem para ilustrar e provar qual é a missão do JMC.
Diríamos que o "Conceição" é o lugar adequado para jovens adquirirem, ou começarem
a adquirir, o que o poeta chama de "sapiência", ou seja, sabedoria que orienta a prática.
No "Conceição" reúnem-se a doce vida de escola e a escola acre da vida.

É uma vida de escola porque é, como os outros, um colégio onde se aprendem as


disciplinas acadêmicas básicas e fundamentais. Talvez só deva ressaltar o nível mais
alto que o aluno deve alcançar para ser aprovado. No restante, o colégio é semelhante
aos outros.

O queremos frisar, porém, é que o JMC é uma escola da vida, muitas vezes acre e
difícil, onde muitos não conseguem permanecer. O ambiente, aqui, às vezes, é
completamente diverso daquele que um calouro esperaria e ele sofre o impacto. Mas,
passado o primeiro choque (que, muitas vezes, não é, infelizmente, ultrapassado, pois há
calouros que chegam numa tarde e na manhã seguinte se vão, dizendo que não se
acostumariam), o aluno sente que vai se modificando, vai tomando partidos, tirando
opiniões próprias — coisas que antes não ousava fazer. Aos poucos, dando algumas
"burradas" e pagando por elas o caro preço de uma impiedosa caçoada, o aluno vai se
formando, vai aprendendo, na escola da vida, a tornar-se Homem. Ele que em casa
nunca pensava em arrumar sua cama, agora arruma-a e bem. Ele agora limpa seu quarto,
lava e passa sua roupa. Ele, que muitas vezes era um sucesso um sua cidadezinha natal,
vê-se aqui completamente ofuscado por outros, já mais orientados e de maior
experiência, e então sofre grande decepção. Mas esta lhe ensina que ele deve esforçar-se
mais para ser alguém melhor, e, assim, ele vai sendo lapidado. Com o tempo, torna-se
um "Manuelino", na verdadeira acepção da palavra.

O aluno que saiu de casa acha no "Conceição", na maior parte das vezes, a vida difícil e
áspera, mas a vida onde ele se encontra a si mesmo, onde se desabrocha e demonstra o
que poderá tornar-se.

Para os que saem de um lar o "Jota" é a vida independente e livre. Para aqueles, porém,
que cedo perderam pais e família e viveram sem nunca encontrarem o aconchego
familiar, o "Conceição" é lar e os Manuelinos, família. Parece paradoxo, mas é verdade.
Quantos, sem lares, acharam aqui o lar que lhes faltava, encontraram aqui os irmãos que
a vida negou ou a morte levou. O "Conceição" é a escola acre da vida, mas pode ser
também o lar que porventura tenha faltado a alguém.

O "Conceição" tem, aproveitando a imagem de um de nossos professores, a missão de


lapidar a pedra bruta e sem brilho que muitas vezes aqui chega. Então, ela começa a
tomar forma, ganha brilho e aparece aos olhos do mundo como uma pedra preciosa. A
outrora pedra bruta fica irreconhecível.

Deveríamos, neste instante, agradecer a pais, professores, igrejas, e todos quantos nos
ajudaram, mas deixaríamos pessoas de fora. Agradecemos, então, a Deus, que nos
trouxe aqui e fez com que tantos nos ajudassem. Agradecemos a Deus por tudo e
pedimos que Ele abençoe a todos que, de uma maneira ou de outra, nos ajudaram. Ele
recompensará cada um pelo que nos fez.

Nós, que no início não encontrávamos idéias para iniciar e desenvolver nosso discurso,
acabamos falando demais. Não faz mal, porém, pois é a última vez que falamos como
Manuelino e o ouvinte querido não levará em conta se nos estendemos muito. O
culpado disso é este lugar inspirador e mesmo romântico que é o "Conceição". Quando
começamos a falar, é difícil parar.

Chegamos ao fim de nossa etapa no "Conceição". Alguns, do Primeiro Ciclo, voltarão


para fazer o Clássico, mas nós que não voltaremos mais já sentimos em nós a ternura da
saudade. Quantas vezes dissemos que não víamos a hora de chegar o fim do ano. Mas,
quando o fim do ano chega e nos vai levar embora, sentimo-nos como o lenhador que,
cansado na floresta, invocara a morte. Quando esta chegou, ele, arrependido e
assustado, pediu apenas que ela o ajudasse a pôr nas costas o feixe de lenha. Invocamos
o fim de ano e ele chegou — e ficamos acabrunhados, desejando encontrar uma
desculpa para adiá-lo um pouco. Amanhã, muitos de nós tomarão o trem para nunca
mais voltar ao "Conceição" querido, como Manuelinos. Muitos voltarão, sim, mas como
EX-Manuelinos, coisas do passado, nunca mais como Manuelinos. Hoje, nesta
condição, ouviremos pela última vez a sinfonia dos sapos e dos grilos cantando,
inspirados pelo céu do "Conceição". Algum dia, no futuro, voltaremos aqui, e quantas
recordações então nos virão à mente. O "Jota" será diferente, mas nos fará lembrar do
de agora e teremos orgulho em termos sido Manuelinos.

Adeus, "Conceição", praza aos céus que continues a ser o que tens sido, de maneira
cada vez melhor. Adeus tudo isto que foi parte da gente durante tanto tempo.

Amanhã será um novo dia, e com ele começará uma nova etapa, uma nova vida, e é
mister que trabalhemos.

AVANTE POIS.

Bom dia gente, e prometo, serei breve. Afinal de contas, as recepções nos esperam!

Eu queria começar dizendo que BEM MAIS do que indivíduos, somos e


formamos uma SOCIEDADE. E assim sendo, precisamos defendê-la e buscar melhorá-
la, SEMPRE! A nossa profissão é, além de propícia, FUNDAMENTAL para isso. E
dessa maneira devemos usá-la e honrá-la. Mas não vim aqui fazer apologia a profissão.
Nem, muito menos, ensinar formas e técnicas – quem sou eu para isso? – a bacharéis
regidos pelas batutas de tão sábios maestros.
Vim apresentar aos senhores, familiares e amigos dos formandos, histórias que
talvez vocês não saibam ou não lembrem. Mas que eles jamais vamos esquecer.
Algumas pérolas foram vividas por nós nesses últimos quatro anos de convívio
acadêmico, barêmico, gastronômico, etílico e – agora por último – monográfico.
Dia primeiro de março de 2005 foi a aula inaugural da turma “regular” que se
forma hoje. Na mesma sala estavam reunidos calouros dos três cursos PP, RP e Jornal.
Que o Luiz nem sabia o que era. Daquela primeira gargalhada pela mancada do colega
até chegar a esse púlpito, parece que o tempo passou voando. Começamos a faculdade
brincando de procurar pessoas com coisas em comum numa aula de estética ou história
da arte. Logo veio o tempo de se achar, de formarem-se os grupos, afinidades,
panelinhas.
Algumas aulas torturantes, isso também fez parte, como não? Mas todas ótimas.
O laboratório de jornalismo botou logo nossa cara na tela e nossas vozes no rádio. Era
gente andando pra lá e pra cá no saguão tentando decorar o texto para os boletins.
Algumas lendas foram se construindo. O medo da professora Finger, nóóóóssa, aula de
televisão? E logo com ela? Veio o primeiro stand up, e o colega lança:
Morre! Jorge Savala Gomes, o PALHAÇO Carequinha. Risadas incontidas de alunos e
a professora tentando não rir junto.
E as fotos? Quem achava que fotografar era mostrar a família abraçada atrás do
bolo de aniversário tremeu diante de um certo professor Sempé, mas com uma cabeça e
um olhar fotográfico privilegiados.
Mas nem só de medos e graça vivemos esses quatro anos. Muito menos houve
uma relação distante entre mestres e discípulos. Teve colega que após cirurgia recebeu
visita do Elson e do Júlio Cordeiro. Obrigado, mas não contem pra ninguém que eu
estava com aquela camisola ridícula de hospital que deixa a bunda de fora.
Tivemos AULAS da profissão, mas LIÇÕES de vida. Não tinha mais jeito,
como manter distância de colegas que depois da festa, às 6 da manhã, procuram
desesperadamente um rádio dentro da bolsa para ouvir um programa sobre agricultura?
Ou de quem não cansa de propor um strip-poker? (Tranqüilizem-se pais de
alunas, nunca foi realizado.) E de quem só come batata e queijo? Ou da que dorme
dentro de banheiros em festas? Então fundamos o Sindicato da turma, com sede própria
e tudo. Fez-se lá o amigo secreto com presente mais surreal da história, um rato branco.
E como não se aproximar de mestres como o sarcástico Vítor, do amigabilíssimo
Fabian, da meiga Aline, do Marquinhos e suas histórias, do supremo mestre Leonam? E
de outros tantos… Criamos então o projeto Prof. Mestre Cuca e fizemos professores
cozinhar para alunos. As vezes aprendíamos mais numa noite dessas do que em um
semestre de aula.
Tivemos cadeiras aos sábados pela manhã, algo insalubre e desumano!
Professora Magda, é preciso reconsiderar! Programamos viagens que não realizamos,
fizemos filmes com dedos nervosos, brigamos a respeito dos convites dessa solenidade,
entrevistamos camareiras de motel, vimos a Letícia beber e perguntar: É assim que
vocês ficam?
Tivemos colegas que lanchavam em lugar misterioso e até hoje desconhecido.
Conhecemos a pressa de ir embora personificada na pessoa da Carla e da Vanessa.
Aliás, elas estão aí ainda? Houve boato pós-festa que só se tornou verdade anos depois.
Inventamos uma nova unidade de medida, a Ana Paica. Passamos noites acordados
escrevendo as monografias. Há quem diga que isso não rende boas histórias, e talvez
não renda mesmo, mas podem ter certeza, enraíza ótimos conhecimentos.
Bom, agora somos jornalistas, e mesmo que precisemos procurar emprego, pagar
o aluguel, contas e mais contas… não deixemos que isso e que a “linha editorial” de
nossa empresa ou publicação tire da gente aquela tesão que nos trouxe até aqui. A tesão
pela notícia, pela verdade, pela defesa do que é certo, ético e justo. E não esqueçam, se
passamos em mídia e recepção, somos capazes de tudo!
Obrigado colegas, um forte abraço, e muito boa sorte pra todos nós!

Um homem investe tudo o que tem numa pequena oficina. Trabalha dia e noite, inclusive dormindo na própria oficina. Para poder continuar nos negócios, empenha as joias
da própria esposa.

Quando apresentou o resultado final de seu trabalho a uma grande empresa, dizem-lhe que seu produto não atende ao padrão de qualidade exigido.

O homem desiste? Não!

Volta a escola por mais dois anos, sendo vítima da maior gozação dos seus colegas e de alguns professores que o tachavam de “visionário”.

O homem fica chateado? Não!

Após dois anos, a empresa que o recusou finalmente fecha contrato com ele. Durante a guerra, sua fábrica é bombardeada duas vezes, sendo que grande parte dela é
destruída.
O homem se desespera e desiste? Não!

Reconstrói sua fábrica mas, um terremoto novamente a arrasa.

Essa é a gota d’água e o homem desiste? Não!

Imediatamente após a guerra segue-se uma grande escassez de gasolina em todo o país e este homem não pode sair de automóvel nem para comprar comida para a
família.

Ele entra em pânico e desiste? Não!

Criativo, ele adapta um pequeno motor a sua bicicleta e sai as ruas. Os vizinhos ficam maravilhados e todos querem também as chamadas “bicicletas motorizadas”. A
demanda por motores aumenta muito e logo ele fica sem mercadoria. Decide então montar uma fábrica para essa novíssima invenção. Como não tem capital, resolve pedir
ajuda para mais de quinze mil lojas espalhadas pelo país. Como a ideia é boa, consegue apoio de mais ou menos cinco mil lojas, que lhe adiantam o capital necessário para
a indústria.

Encurtando a história: hoje a Honda Corporation é um dos maiores impérios da indústria automobilística japonesa, conhecida e respeitada no mundo inteiro. Tudo porque o
Sr. Soichiro Honda, seu fundador, não se deixou abater pelos terríveis obstáculos que encontrou pela frente.

Portanto, se você adquiriu a mania de viver reclamando, pare com isso! O que sabemos é uma gota d’água. O que ignoramos é um oceano. Lembre-se, nosso dia não se
acaba ao anoitecer e sim começa sempre amanhã, não se desanime, vamos acordar todo dia como se tivéssemos descobrindo um mundo novo.