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Resíduos Versão Completa

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Resíduos

Janeiro 2006

RESÍDUOS

Por: Carlos Alberto T. Alves Carlos Alberto Alves Página 1 10-12-2009

Resíduos
2006

Carlos Alberto Alves

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Resíduos
2006

Notas:
Este trabalho foi elaborado para servir de apoio à Formação Profissional na área da Gestão de Resíduos, constituindo um Manual de referência. Algumas das questões aqui colocadas tem um horizonte temporal, que dependerá obviamente das orientações governamentais e das políticas que forem entretanto definidas para esta área. No entanto, estão condensadas aqui matérias que não passarão facilmente da actualidade, uma vez que são parte integrante do dia a dia das empresas e das pessoas e, estão hoje mais do que antes presentes, para que o exercício da gestão possa respeitar também ele os desígnios nacionais em termos ambientais. Na verdade o “lixo” é, em última análise, a expressão de uma qualquer cidade ou sociedade. Não tem que ver com a sua alma, mas antes com o seu corpo, será aquilo que reveste a cidade, que lhe dá corpo, que a modela por fora. Os resíduos reflectem a padrão económico, social e cultural de qualquer cidade ou sociedade. Por essa razão o “lixo” é diferente consoante seja o de uma cidade como Lisboa, ou de uma cidade pequena do interior e, nos últimos tempos é também uma forma de atestado político para os governantes. Uma cidade limpa não é apenas símbolo de uma cidade civilizada, mas é ao mesmo tempo, a imagem dos seus habitantes e dos seus representantes políticos e, esta forma de ver é também ela aplicável a qualquer empresa. O “lixo é sinónimo de pobreza, embora paradoxalmente possa também ser ao mesmo tempo expressão evidente de riqueza. A natureza possui ferramentas, por sinal bastante eficientes, que procedem ao aproveitamento natural dos materiais, graças ao ciclo contínuo da morte, decomposição, vida e crescimento. Já na sociedade, isto nem sempre é verdade. Todas as actividades humanas são geradoras de resíduos, nas diferentes etapas do seu uso, extracção e processamento dos materiais. Assim, pode dizer-se que, o “lixo” é inerente ao modo de vida das sociedades, sendo a sua gestão o os seus efeitos sobre o ambiente o grande desafio que essa sociedade enfrenta agora.

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prever e minorar os efeitos provocados pela sociedade. para a monitorização ambiental até aí inexistente. bem assim uma maior consciência sobre o impacto das suas decisões sobre o meio ambiente. Simultaneamente. Hoje aquele acontecimento. procurar preservar em prol das gerações vindouras. criando-se também programas específicos de auxilio aos países.Resíduos 2006 Prefácio Foi há cerca de trinta anos. constitui um marco importante. Nem mesmo a grande quantidade de informação. o que sobressai é a necessidade imperiosa de analisar. na mesma conferência. Nessa altura e. a preocupação pelo estado em que se encontrava o mundo e os seus recursos. que devemos encarar com grande premência e. quer em termos técnicos quer em termos científicos. apesar da variedade de tecnologias entretanto implementadas. a comunidade internacional se reuniu. neste pequeno pedaço de espaço disponibilizado para a vida humana. nas questões que dizem respeito ao ambiente em geral. contribuiu para a diminuição dessa pressão e. Esta é uma tarefa de todos nós. hoje disponível. rumo a um ambiente melhor administrado. em Estocolmo na Suécia. a partir de então começaram a nascer os Ministérios do Ambiente e. fez soar o alarme. que permitissem sugerir um caminho mais preciso. A partir dessa altura e. para a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. estas passaram a apresentar relatórios regulares sobre o estado do ambiente no mundo e sobre as questões relacionadas. por pedido expresso ao Secretário-geral das Nações Unidas. Carlos Alberto Alves Página 5 . também pela primeira vez. nos últimos cem anos e. resolveram ponderar e. O facto de a população mundial ter quadruplicado. constatou-se que não havia elementos fidedignos e actualizados. que pela primeira vez. também pelo facto de a produção económica ter crescido cerca de dezoito vezes. faz exercer sobre o meio ambiente uma pressão exagerada. A partir daqui todos os países.

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..........................................42 • Custos Sociais ou Externos ..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................57 Constituição do investimento na área ambiental .......................58 Custos ......... 19 Questões sobre o tema:...............................................................................................................40 Estratégia ambiental ..................................59 Ferramentas para a gestão dos resíduos .....................................................................................................................................................................................................................................................55 A Gestão de Resíduos e a Contabilidade Ambiental .......................................................................................................14 O que compete ao IGA ....................................................................................49 Monitorização ............................................................................48 Recuperação ambiental ..............................................................................................41 Custos ambientais da Gestão de Resíduos ...............................................................................58 Receitas ................................................... 13 Organizações governamentais .............51 Benefícios da opção desta prática contabilística ...................................................................15 Outras entidades importantes na área do ambiente .....................................................................43 A estratégia da Gestão dos Resíduos ............. 31 Planos de Gestão de Resíduos ........................................................................................16 Instrumentos da política de ambiente ............ 23 Resumo: .................................................................................................................................................................................................................. 65 Carlos Alberto Alves Página 7 .................................................................................................................... 3 Prefácio .......................................................................53 Custos ambientais indirectos ou taxas ..................................................................................................................................................................................57 A conclusão do projecto .....................................................52 A análise do ciclo de vida ................................47 A reciclagem ..................................13 Descrição de algumas competências da Administração Central ............................................................................................... 5 Competências e actividades ..............................................................................................................49 Custos da Gestão Ambiental e a sua evidencia .......................................................................................... 29 Questões sobre o tema:....................................................................................................... 33 Impactes ambientais dos resíduos e o seu balanço...................................................................................38 Ferramentas para a sustentabilidade na Gestão de Resíduos .......................................................................................................................................................................60 Resumo: ...................................................Resíduos 2006 Índice Notas: ........................16 As entidades que compõem a administração indirecta em matéria ambiental ....................................................................................................................................................... 21 Algumas considerações sobre os Planos Estratégicos ................................................................................................................................................................................................42 • Custos Privados ou Internos ...............47 A prevenção ........18 Resumo: ......................................................................................................

...................................77 • Licença para o Exercício da Actividade ...................................................................84 Resumo: ............................................................................................................ de 3 de Maio ........................................77 • Água ........................................................................................... Decreto-Lei nº 164/2001........................................................76 Destino ..83 • Avaliação de Impacte Ambiental – AIA................................................................. Decreto-Lei nº 69/2000...................82 • Prevenção e Controlo dos Perigos Associados a Acidentes Graves que Envolvem Substâncias Perigosas – SEVESO II..... 111 Instruções de preenchimento .................................................................................................................................................81 • Ruído – Decreto-Lei nº 292/2000.....78 • Resíduos ..........................................................................79 • Ar ............................................................................................................................................... de 20 de Abril.....................................75 O transporte ........82 • Prevenção e Controlo Integrado da Poluição – PCIP.............................................. 100 Resumo: ...........................81 • COV’s..........96 Responsabilidades .............................. .................................................................................................................................................... ..................................................................... 69 Regras de boas práticas para o produtor de resíduos ........................................90 A Actividade industrial e a geração de resíduos como uma inevitabilidade .......................................................................................................................................................................95 O que é um resíduo do ponto de vista legal ...................................................................................... de 31 de Agosto .......................... de 21 de Agosto ...............................................................................................................76 Regras para a elaboração do Dossier Ambiental .................................. 87 Gestão de resíduos industriais...... Decreto-Lei nº 194/2000............. 107 Regras para o transporte e registo dos resíduos .....................................93 O que foi feito entretanto ...........................................99 Recuperação e redução das emissões através da optimização da tecnologia do tratamento..................................................................................................................................................................96 A determinação da fronteira entre resíduo e sub-produto ........................................................................................................................ de 23 de Maio ........................................................ 113 Carlos Alberto Alves Página 8 . 89 Definições e conceitos gerais sobre Resíduos ...................................77 • Documentação de carácter geral ............................................................................... 109 Destinos dos resíduos .............................................................................................................................................................................................................98 Substâncias perigosas ....................................................................................... ........................................ Compostos Orgânicos Voláteis – Decreto-Lei nº 242/2001.......................................................................... 85 Questões sobre o tema:.................... 109 Aterros ...............81 • Sobre o comércio de emissões...Resíduos 2006 Questões sobre o tema:....................................... 67 Estratégias de produção mais limpa ....................................................................................................................................................... 109 Reciclagem ..................................... 109 Sobre o transporte de resíduos ..................................................................................................................... de 14 de Novembro ...........................................................................................................................................................................................................................................81 • Sobre a Camada do Ozono – Decreto-Lei nº 119/2002.....................................................................73 Recolha ........................... 105 Questões sobre o tema:...................................................99 As características de perigo dos resíduos ...........................

...................... 120 Produção e distribuição de electricidade............................................................................................................... 153 RDF – Refuse Derival Fuel ............... 141 Resíduos hospitalares ................................................................................................. 131 O fluxo das pilhas e acumuladores ............................................................ 123 Questões sobre o tema:.................. 121 Resumo: ............................... 139 Pequenas quantidades de resíduos perigosos:.................................................... 120 Indústria Transformadora ...................................... 149 Tratamento do resíduo ........................................................................................................ 120 Indústria Extractiva ..................................................................................... 135 O fluxo das embalagens e dos resíduos de embalagens ........................................................................ 119 Resíduos orgânicos ............................................................................................... 127 O fluxo dos óleos usados ...................................................................................................................................................................................................Resíduos 2006 Os resíduos por composição .............................................................................................................................................................................................................................. 132 O fluxo dos VFV’s ............................................................................... 138 Resíduos Agrícolas e Florestais ................................................................................................................................................................................................ Perigosos e Industriais ..................................................................................... 155 De acordo com as Normas ASTM.......................................................................................................................................................................... 127 O fluxo dos REEE’s ........................ 143 Resumo: ................................................................................ 138 Resíduos Especiais............................................................................................................................................................................... 119 Resíduos inorgânicos ................................................................................................................................................................... 161 Carlos Alberto Alves Página 9 ................ 119 Resíduos altamente tóxicos ............................................................................................................................................... 151 Incineração versus co-incineração ........................................... 125 Os diferentes tipos de resíduos ..................... 120 Indústria de Construção ... existem 7 tipos de RDF’s......................................................................................................................... 151 Critérios de Admissibilidade de Resíduos em Aterro .......................................................................................................................................................................................................................... 142 Lamas de ETAR’s .................................... 147 Questões sobre o tema:............................................................... 119 Por Origem ................................................................................................. 135 Resíduos de jardim ............................................................ 157 Resumo: .......................................................................................... 133 O fluxo dos resíduos de construção e demolição (RC&D)...................................................................................................................................................................................................................... 130 O fluxo dos pneus usados..................................... 139 Resíduos industriais perigosos (RIP’s)................ 159 Questões sobre o tema:.... 119 Resíduos tóxicos ................................................................................................................................ 127 Fluxos específicos de resíduos ........... que se dividem conforme a tabela seguinte: ........................ 151 Aterros sanitários . gás e água ..........................................................................................................................................................................

................................. 207 Mapa tipo de diagnóstico ambiental de resíduos ............................... 196 Reciclagem versus recondicionamento de embalagens ..........................................................................................................................................................Resíduos 2006 Algumas notas sobre os fluxos e as fileiras ............................................................................................................................................................................. 169 Reciclagem do papel / cartão .................................................................................................................................................................................................................................... 173 Reciclagem de pneus .............................................................................................. 167 Reciclagem de plásticos mistos .............................................................................................................................. 181 Efeitos do Mercúrio ............. 180 Pilhas/Baterias e a Saúde ...................................... 166 Sobre os Plásticos ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 198 Interpretação da legislação................ 171 Triagem.......... 179 Pilhas Secas e Alcalinas ............................................................................................ 185 O fluxo dos óleos alimentares ....... 199 Resumo: .................................. 181 Efeitos do Cádmio........................................................................................................................................................................... 201 Questões sobre o tema:................................................................................................................................................................................................................ 194 Reciclagem de REEE’s ......................................................................................................................................................................................................... 197 O que é que os torna perigosos? ................................................................................................................................................................... 172 Vantagens da reciclagem de papel ............................................................................................................................................................. 175 Reciclagem de pilhas .............................................................................................................. 163 Reciclagem .............................. aproximadamente: .......................................................................... 172 Trituração................................................................................................................................... 183 Reciclagem de baterias de Ni-Cd...................................................................................... 198 Legislação relevante .................................... 179 Baterias Recarregáveis ...................................................................................................................... 181 Cuidados a ter: ..................................................... dos resíduos que se apresentam....................................... 205 Anexos ..... 187 Tipos de solventes ........................................ 197 Reciclagem de aerossóis ..................................................................................................................................................................................................................................................................... 182 Métodos de Reciclagem....................... 199 Como é que me posso ver livre dos aerossóis? .................... 193 Reciclagem de VFV’S (Veículos em Fim de Vida) ..................... 168 Reciclagem do metal ........... 188 Reciclagem dos pneus ....................................................................................................................... 174 Reciclagem dos óleos usados ................................................................................................................................................................................................................................................................... 209 Reciclagem de plástico.................... 173 Reciclagem da madeira .................................................................................................................................................................................................................................. 172 Como o velho volta a novo ............................ 184 Reciclagem de Vidro ......................................................... 210 Carlos Alberto Alves Página 10 .......................................................... 197 Como são feitos os aerossóis?............................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 175 Composição dos Óleos Usados ............................. 163 Dicas sobre a compostagem ............................................................................................ 171 Classificação................... 167 Reutilização/reciclagem ........................................................ 208 Utilize a tabela de densidades aproximadas para converter o volume em peso..................................................................

........................................................................................................................................................... ....................... 216 Soluções para o plástico! ......................... 215 10 Questões acerca dos plásticos que toda a gente deve saber! .................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 217 O ciclo de vida dos resíduos........... 231 Notas: .Resíduos 2006 Esquema de princípio da reciclagem do papel ................................................................................................................................. 214 Efeito de estufa .............................................................. 211 Tabela 1: Composição química média de um pneu ......... 224 Impressos da INCM ........................... 218 O desenho do Modelo de Gestão da SPV.................. 220 MOVIMENTO TRANSFRONTEIRIÇO DE RESÍDUOS . 219 Textos para actividades ............................................................ 212 Tabela 2: Comparação dos materiais contidos em pneus .......................................... 213 Formação da chuva ácida .................................................................................................................................................................................................................................................................................. 212 A morte da água ....................................................................................................................... 232 Carlos Alberto Alves Página 11 .........................................

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Promover o aproveitamento racional dos recursos naturais. para assegurar o direito ao ambiente. a qualidade ambiental das povoações e da vida urbana. Ordenar e promover o ordenamento do território. versão 5 – artigo 66. de 25 de Abril de 1976. Promover. Promover a educação ambiental e o respeito pelos valores do ambiente. tendo em vista uma correcta localização das actividades. Carlos Alberto Alves Página 13 . de modo a garantir a conservação da natureza e a preservação de valores culturais de interesse histórico ou artístico. bem como classificar e proteger paisagens e sítios. em colaboração com as autarquias locais.Resíduos 2006 Competências e actividades Organizações governamentais Na Constituição da República Portuguesa. é declarado o direito a um ambiente de vida humano sadio e ecologicamente equilibrado e. incumbe ao Estado. salvaguardando a sua capacidade de renovação e a estabilidade ecológica. um equilibrado desenvolvimento sócio-económico e a valorização da paisagem. com respeito pelo princípio da solidariedade entre gerações. Promover a integração de objectivos ambientais nas várias políticas de âmbito sectorial. Declara-se ainda que. Assegurar que a política fiscal compatibilize desenvolvimento com protecção do ambiente e qualidade de vida. no quadro de um desenvolvimento sustentável. bem assim o dever de o defender. por meio de organismos próprios e com o envolvimento e a participação dos cidadãos: Prevenir e controlar a poluição e os seus efeitos e as formas prejudiciais de erosão. designadamente no plano arquitectónico e da protecção das zonas históricas. Criar e desenvolver reservas e parques naturais e de recreio.

tratamento e eliminação dos mesmos. Assegurar a manutenção e o fomento da biodiversidade. coordenar e executar políticas de desenvolvimento regional e local. projectos. Conceber e dar execução a medidas de gestão integrada do território. compete ao Ministério do Ambiente. dinamização de soluções de prevenção.Resíduos 2006 Descrição de algumas competências da Administração Central De acordo com o que está definido em matéria de Gestão de Resíduos e. em especial das regiões mais desfavorecidas. entre outros os seguintes aspectos: Coordenar os programas. Carlos Alberto Alves Página 14 . Promover. minimizando os riscos naturais e industriais. bem como assegurar a divulgação pública da informação sobre o estado do ambiente. Promover a gestão integrada e sustentável do litoral. a informação. avaliação e segurança ambientais. medidas e acções que visem a preservação do património natural. a formação ambiental e a participação dos cidadãos e das instituições na execução das políticas de ambiente e do ordenamento do território. do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional (MAOTDR). sem prejuízo da eventual participação de outros ministérios. controlo. Garantir a sensibilização. identificação e avaliação sistemática dos impactes da actividade humana sobre o ambiente. Promover a concertação estratégica e criar condições para o surgimento de parcerias público-privadas que apoiem o desenvolvimento sustentável. Assegurar a existência de auditorias ambientais e de controlo e garantir a aplicação da lei e dos outros instrumentos de política ambiental. Garantir a existência de sistemas de monitorização. reutilização e reciclagem de resíduos através do apoio. o equilíbrio dos ecossistemas e a diversidade biológica. Promover uma política de redução. Impulsionar a melhoria progressiva do desempenho ambiental dos agentes económicos e promover acções de prevenção. visando o progresso económico e social. bem como assegurar o controlo integrado da poluição através do licenciamento ambiental. Definir a estratégia de aplicação e colaborar na gestão de fundos nacionais e comunitários afectos às políticas do ambiente e de ordenamento do território. da conservação da natureza e da protecção e valorização da paisagem.

Carlos Alberto Alves Página 15 . Inspeccionar a execução de projectos financiados pelo Ministério do Ambiente a entidades privadas. Promover as acções nacionais de resposta aos problemas do ambiente. Lei 549/99. da preservação dos recursos genéticos. da conservação da natureza. do ordenamento do território. a mando deste. Exercer a tutela administrativa do Governo sobre as autarquias locais e entidades equiparadas. recomendações aos responsáveis desses estabelecimentos ou actividades. As suas competências mais importantes (definidas pelo Dec. integrado na estrutura do Ministério do Ambiente. de inquérito e disciplinares que forem ordenados por este ministério. Realizar inspecções a quaisquer serviços dependentes do Ministério do Ambiente. no âmbito das acções de fiscalização. Promover uma política de cooperação e apoio à administração local autárquica. de 14 de Dezembro) são as seguinte: Fiscalizar o cumprimento das normas legais e regulamentos em matéria de incidência ambiental e inspeccionar estabelecimentos. Instruir processos de averiguações. Emitir parecer sobre projectos de diplomas com incidência ambiental sempre que para tal for solicitado. O que compete ao IGA A Inspecção Geral do Ambiente constitui-se como um serviço de inspecção.Resíduos 2006 Promover e implementar um sistema de informação sobre as componentes ambientais e a utilização do território em articulação com o Instituto Nacional de Estatística. locais ou actividades a elas sujeitos. Colaborar na concepção e execução de políticas de investigação científica e tecnológica nos domínios do ambiente. Emitir. com uma acção relevante na actividade de gestão de resíduos.

coordenação. planeamento e apoio técnico e normativo na área da gestão do ambiente e da promoção do desenvolvimento sustentável. seja através de uma melhor definição das políticas de desenvolvimento regional. foi constituído pelo Dec. do Desenvolvimento Rural e das Pescas. O Instituto do Ambiente (IA). têm a nível regional competências específicas que. industriais e hospitalares. existem ainda uma série de outras entidades. As Comissões de Coordenação e Desenvolvimento regional. é o organismo encarregado do estudo. no que respeita aos resíduos agrícolas. de uma maneira geral. O Ministro de Estado e da Administração interna. As entidades que compõem a administração indirecta em matéria ambiental Uma das mais importantes acções de Administração Indirecta é que provém do Instituto de Resíduos. Lei nº 362/98. concepção. Algumas dessas organizações são: O Conselho Nacional da Água. desenvolve acções inter-sectoriais. nomeadamente com os órgãos competentes dos Ministérios da Agricultura. O INR. Ao Instituto Regulador da Água e Resíduos (IRAR). sejam de carácter consultivo sejam de carácter periférico. compete exercer funções reguladoras nos sectores dos resíduos sólidos urbanos e. de 3 de Setembro (Versão 1 – artigo 2º e 3º). tem também repercussões na persecução na política ambiental definida pelo governo. Estas últimas (as CCDR’s). Carlos Alberto Alves Página 16 . seja na promoção de planos. cuja acção acaba de uma forma ou outra por ter repercussões na área ambiental. que foi instituído pelo Dec. O Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável. Ao Instituto de Resíduos compete executar a política nacional no domínio dos resíduos e assegurar o cumprimento das normas e regulamentos técnicos aplicáveis. respectivamente. programas e projectos de desenvolvimento económico e social de defesa do ambiente ou ainda na coordenação dos processos de avaliação de impacte ambiental de projectos.Resíduos 2006 Outras entidades importantes na área do ambiente Para além do Ministério do Ambiente e do IGA. Lei nº 236/97. da Economia e da Saúde. de 18 de Novembro de 1998.

de 04 de Junho. Criação de áreas protegidas e classificação de património natural e cultural. sobre documentos ou decisões administrativas com incidências no ambiente. que para além destes organismos de carácter governamental. dando mais a entender um excesso de recursos a nível burocrático do que a adopção das práticas ambientais mais adequadas. que em termos de legislação se observa uma preocupação constante do legislador. certificação empresarial e atribuição de rotulagem ecológica. Planos sectoriais com repercussões no ambiente. estamos a referir-nos ás ONG’s ou Organizações Não Governamentais. leva a um correspondente desempenho ambiental. Definir as competências de cada um deste intervenientes na área do ambiente. Com efeito não podemos esquecer. existem ainda outros que de uma forma ou de outra são também actores importantes nesta área. interessa reter antes do mais. conforme se encontra definido no Dec. mas demasiado cansativo para o objectivo que se pretende com esta publicação. junto dos órgãos da Administração Pública. a prossecução das políticas que visem a participação e informação dos cidadãos e das organizações não governamentais de defesa dos valores e qualidade ambientais. versão 1 – artigo 5º. nem sempre uma tão grande abundância de definições. Não sendo este pois. era sem dúvida um exercício interessante. Medidas de conservação de espécies e habitats.Resíduos 2006 Assim compete-lhe. versão 1 – artigo 2º. Estas gozam do direito de consulta e informação. Processos de avaliação de impacte ambiental. Processos de auditoria ambiental. de 18 de Julho de 1998. de dotar a sociedade com as ferramentas mais do que necessárias para um bom desempenho ambiental. onde postula a participação dos cidadãos. municipais e especiais de ordenamento do território e instrumentos de planeamento urbanístico. Para além disto as ONG’s têm legitimidade para pedir a intimação judicial das autoridades públicas no sentido de facultarem a consulta de documentos ou processos e de passarem as devidas certidões. Lei nº 113/2003. conforme está consagrado na Lei nº 35/98. Infelizmente. Planos regionais. Carlos Alberto Alves Página 17 . ou seja nas matérias seguintes: Planos e projectos de política de ambiente. o objectivo desta.

A redução ou suspensão de laboração de estabelecimentos que sejam factores de poluição. Os planos regionais de ordenamento do território (planos directores municipais e outros). A fixação de taxas pela utilização dos recursos naturais e componentes ambientais e. Os incentivos á produção e instalação de equipamentos que adoptem as MTD (Melhores Técnicas Disponíveis). A cartografia do ambiente e do território. estabelecidos para os efluentes e resíduos e para os meios receptores. ainda pela rejeição de efluentes. sendo alguns dos mais importantes listados aqui a seguir: Estratégia nacional de conservação da Natureza (integrada na estratégia europeia e mundial). O inventário dos recursos. O plano nacional. A Reserva Agrícola Nacional (RAN) e a Reserva Ecológica Nacional REN). Carlos Alberto Alves Página 18 . A normalização e homologação de métodos e aparelhos de medida.Resíduos 2006 Instrumentos da política de ambiente São vários os instrumentos usados para a persecução das políticas aprovadas em matéria de ambiente e de ordenamento do território. As sanções pelo incumprimento do disposto na legislação. A avaliação prévia do impacte provocado por obras ( infra-estruturas ou outras). Os critérios. O ordenamento integrado do território (a nível regional e municipal). O licenciamento prévio de actividades potencial ou efectivamente poluidoras. normas e objectivos de qualidade. O sistema nacional de vigilância e controlo de incêndios florestais. A regulação selectiva e quantificada do uso solo e dos restantes recursos naturais.

são também entidades importantes na área do ambiente. entre outros fiscalizar o cumprimento de regras e normas em matéria de incidência ambiental. ☺ Compete ao IGA (Inspecção Geral do Ambiente). a Reserva Agrícola Nacional (RAN) e a Reserva Ecológica Nacional (REN) e os Planos Regionais de Ordenamento do Território. ☺ Os instrumentos da política ambiental são vários. ☺ Para além destes. o Plano Nacional do Ambiente. ☺ Existem ainda entidades que compõem a chamada administração indirecta nas quais se inclui o INR (Instituto de Resíduos). o IRAR (Instituto Regulador da Água e Resíduos) e o IA (Instituto do Ambiente). o Ministro de Estado e da Administração Interna e as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional. ☺ Em matéria de ambiente. citando-se apenas a Estratégia Nacional de Conservação da Natureza. entre outros. Carlos Alberto Alves Página 19 . Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional (MAOTDR). têm também um papel importante. promovendo e controlando a poluição e ordenar e promover o ordenamento do território. assegurar o direito a um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado. gerir os fundos destinados à prossecução das políticas ambientais. o Conselho Nacional do Ambiente e do desenvolvimento Sustentável. ☺ Compete ao Ministério do Ambiente. para além de outros aspectos considerados na página 6. enquanto porta-voz dos cidadãos.Resíduos 2006 Resumo: ☺ Compete ao Estado. através de organismos criados para o efeito e. promover. gozando do direito de consulta e informação sobre os Órgãos da Administração Pública. a preservação do património natural. o Conselho Nacional da Água. as ONG’s Organizações Não Governamentais. coordenar e executar políticas de desenvolvimento regional e local. com o envolvimento dos cidadãos.

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O que são os instrumentos da politica ambiental nacional? 3. Sabe qual é o papel das CCDR’s? 4.Resíduos 2006 Questões sobre o tema: 1. Quais as principais funções do IGA? 5. 2. Conhece as competências do INR? Carlos Alberto Alves Página 21 . Cite alguns dos órgãos oficiais ligados à área do ambiente.

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Carlos Alberto Alves Página 23 . e nesta sequência foram estabelecidas linhas de acção. Esta metas foram estabelecidas de acordo com o mapa a seguir apresentado. tais como centrais de valorização orgânica e de incineração. Simultaneamente foram lançados programas de recolha selectiva. com vista a dotar em primeiro lugar o país de infra-estruturas adequadas para a gestão dos resíduos urbanos. Ano Redução Reciclagem Aterros sanitários e confinamento técnico Situação em 1995 Idem em 2005 Metas para 2000 (Persu) Metas para 2005 (Persu) 5% 25% 23% 0% 22% 25% 0% 3% 6% 15% 55% 42% 12% 0% 22% 26% 6% 15% 0% 4% 14% 75% 0% 9% Lixeiras Incineração Compostagem Assim. que foi um contributo importante para a gestão correcta deste tipo de resíduos. em 1997 foi aprovado. reciclagem. para a gestão dos resíduos. pelo INR (Instituto de Resíduos) o Plano Estratégico para a Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU). há que realçar alguns aspectos orientadores. Confere especial atenção á prevenção e á necessidade urgente de “limpar” o país. Estabelece as quatro principais prioridades: Educação. Por fim. gestão e exploração dos sistemas e a respectiva monitorização.Resíduos 2006 Algumas considerações sobre os Planos Estratégicos Conforme foi já referido. estações de transferência e aterros. Neste Plano. que se podem sintetizar no seguinte: Estabelece a hierarquia de opções usada na EU. baseada na instalação de ecopontos e ecocentros um pouco por todo o país e. começaram a ser encerradas as lixeiras um pouco por todo o lado. propõem metas e objectivos para o curto (2000) e médio (2005) prazo.

foi então aprovado o PARSU . valorização e reciclagem. Lei 152/2002. Neste Decreto. RUB/ano) 2009 4 945 256 2016 Carlos Alberto Alves Página 24 . Em Julho de 2003. com o objectivo de fazer a avaliação da situação actual e definir os objectivos a que Portugal estava obrigado. os resíduos alimentares e de jardim. bem como foram planeados os investimentos de forma racionalizada a realizar nesse período. que de acordo com tal é a seguinte: “Os resíduos que podem ser sujeitos a decomposição anaeróbica ou aeróbia. RUB/ano) Composto produzido A partir de RUB de recolha selectiva A partir de RUB de recolha indiferenciada 23 650 960 260 384 159 368 101 016 2009 23 800 960 320 384 237 376 85 088 2016 23 860 960 344 384 344 384 -- Relativamente á incineração os números previstos são os seguintes: 2006 Nº de unidades em funcionamento Capacidade instalada (Ton. da qual resultou o Dec. como por exemplo. está patente a definição de resíduo biodegradável. promovendo a sua escolha selectiva. identificadas as acções necessárias para o cumprimento desses objectivos. Assim.Plano de Acção para os Resíduos Sólidos Urbanos (2000-2006). o papel e o cartão” Esta estratégia veio permitir uma redução progressiva e efectiva da deposição dos resíduos urbanos biodegradáveis (RUB) nos aterros. Foram então e de acordo com o referido plano. estão previstas as seguintes instalações: 2006 Nº de unidades em funcionamento Capacidade instalada (Ton. sobre á deposição em aterro. ou a que se propunha durante o período 2000 – 2006. de 26 de Abril de 1999. que tinha como objectivo dar cumprimento aos objectivos definidos pela Directiva do Conselho nº 1999/31/CE.Resíduos 2006 No ano 2000. foi apresentada a Estratégia Nacional para a Redução dos Resíduos Urbanos Biodegradáveis destinados a Aterro.

que pretendia ser um plano que visava definir as estratégias a implementar e as metas. e elaborado o Programa de Estratégia Nacional de RH. foi inicialmente levado a cabo em 1999. Capítulos 1 a 6. O Plano Estratégico de Gestão dos Resíduos Industriais (PESGRI). Nesta altura foram estabelecidas metas para 2000 e 2005. a sua localização. Capítulos 7 a 13. Parte III – Estratégia e programação de acções. As três partes do estudo divide em: Parte I – Introdução dos dados de base. sobretudo através da mudança de atitude dos agentes económicos e dos próprios consumidores. Este plano resultou do levantamento feito aos produtores de resíduos com vista a determinar. para o período 1999-2005. com o objectivo principal de reduzir a perigosidade e quantidade dos resíduos industriais. Parte II – Situação de referência. são fornecer aos responsáveis um conjunto de informações que sustente a tomada de decisão e propor grandes linhas de orientação que sirvam de referencial a todos os aspectos associados à gestão dos RH’s. através da aplicação de medidas e tecnologias de prevenção nos processos produtivos industriais e. para a gestão dos resíduos hospitalares (RH). consagra alguns aspectos importantes da gestão deste tipo de resíduos. sendo posteriormente alterado em 2001 e. foi estruturado em três partes e um conjunto de anexos. que se constituía um instrumento de planeamento da Administração Pública e de todos os agentes económicos. a hierarquia de tratamento e outras informações importantes para uma eficaz gestão dos mesmos O PESGRI. onde é dada informação sobre os destinos adequados por cada tipo de resíduos enumerado no estudo base. Fazendo parte da estratégia da gestão prioritária dos resíduos industriais a médio/longo prazo. de 31 de Agosto. foi publicado a Plano Nacional de Prevenção dos Resíduos Industriais (PNAPRI). em Novembro de 2001. Carlos Alberto Alves Página 25 .Resíduos 2006 Outro dos planos estratégicos a ser elaborado foi o Plano Estratégico de Resíduos Hospitalares (PERH). Os principais objectivos deste PERH. Capítulos 14 a 19. o seu tipo. que foi fundamentado através do Despacho Conjunto nº 761/99.

são os que se prendem com uma melhor gestão da imagem da empresa no mercado junto de clientes. sendo por isso evidentes as vantagens da adopção de uma estratégia de gestão destes. a redução dos consumos de água. Os benefícios tangíveis. para fazer face ás exigências legislativas mas não só. convém ainda referir ao de leve. efluentes e de emissões. deverá estar orientado no sentido da prevenção e num mais racional uso das matérias primas. pelo INETI. que foi designado como Plano Estratégico dos Resíduos Agrícolas (PARAGRI). devendo incluir também informação sobre a previsão dessas consequências em termos económicos e ambientais. a redução dos custos de gestão dos resíduos e a redução do eventual custo de coimas associadas por um procedimento incorrecto. a redução dos consumos de energia. com informação de natureza variada. nomeadamente tecnologias e/ou medidas de prevenção potencialmente aplicáveis nos processos produtivos desta. correspondendo o primeiro ao plano propriamente dito e o segundo continha os dados relativos aos 21 sectores industriais analisados. a industria de uma forma geral. constituem desde há muito uma preocupação. A este plano interno dentro das empresas bem se poderia chamar “Programa da Minimização da Geração de Resíduos” que. Assim.Resíduos 2006 O PNAPRI foi elaborado no contexto do anterior PESGRI e o período era 2000 a 2015 e consta de dois volumes. quer para o país quer para os industriais. sob contrato e. mas que por não objecto desta publicação se optou por passar sem maior esclarecimento. Quanto aos benefícios intangíveis. pode atingir dois tipos de benefícios. que pretendiam constituir-se como uma ferramenta básica a disponibilizar ás empresa. que foi elaborado um outro programa estratégico. Este trabalho foi levado a cabo a pedido do INR. uma maior probabilidade de conseguir maiores fatias de mercado ou a fidelização dos clientes existentes. a redução dos custo de tratamento associados aos resíduos. fornecedores e sociedade civil. incluía a elaboração de uma série de Guias Técnicos (21). uma vez que através da adopção desta estratégia. onde se estabelece os objectivos e metas que devem estar subjacentes á gestão deste tipo de resíduos. os resíduos industriais banais e perigosos. podem resumir-se como sendo a redução dos consumos de matérias primas. Existem sobretudo duas ordens de razões para pensar desta forma. um enquadramento dentro das exigências legais em vigor e um melhor posicionamento para fazer face a novas exigências ambientais e ao mesmo tempo garantir melhores condições de higiene e segurança aos trabalhadores com a consequente melhoria em termos de motivação e seus reflexos na produtividade da empresa. sendo um benefício tangível e outro um benefício intangível. Por último. Carlos Alberto Alves Página 26 .

este tem também outros resíduos como: Pneus usados. Plásticos. Óleos usados. Carlos Alberto Alves Página 27 . Embalagens de produtos fitofarmacêuticos e de medicamentos veterinários e.Resíduos 2006 Deve apenas referir-se que embora estejamos a falar de resíduos do sector agrícola.

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e que é composto por três módulos – Parte I – Introdução dos dados de base. onde se estabelecem metas para a gestão deste tipo de resíduos. ☺ Finalmente foi elaborado. Carlos Alberto Alves Página 29 . que tinha inicialmente sido feito em 1999. ☺ Este Plano estabelece a hierarquia das opções para a gestão dos resíduos e. com vigência até 2006. Parte II – Situação de referência e Parte III – Estratégia e programação de acções.Resíduos 2006 Resumo: ☺ Em 1997 foi elaborado o primeiro Plano Estratégico para a Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU). foi aprovado o PARSU – Plano de Acção para os Resíduos Sólidos Urbanos. que constituía um instrumento de planeamento da Administração Pública e de todos os industriais. reciclagem. incentivando à mudança de atitudes. estabelece quatro principais prioridades. para cumprir o Plano Nacional de Gestão de Resíduos. pelo INR (Instituto de Resíduos). ☺ Em 2000. foi alterado e corrigido o Plano Estratégico de Gestão dos Resíduos Industriais. que visava definir as estratégias e as metas para este tipo de resíduos. gestão. onde se definiam as acções a levar a cabo. foi elaborado o Plano Estratégico de Resíduos Hospitalares (PERH). ☺ Em 2001. ☺ Em 1999. Educação. o PENAPRI – Plano Nacional de Prevenção dos Resíduos Industriais. exploração e monitorização dos sistemas. também em 2001. ☺ Por último foi também elaborado o PARAGRI – Plano Estratégico dos Resíduos Agrícolas.

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Vê vantagens nesses planos? 5. Que tipo de conclusões se poderão tirar dos Planos Estratégicos? Carlos Alberto Alves Página 31 . Qual é a ideia da elaboração dos Planos Estratégicos? 4. Cite alguns dos Planos Estratégicos levados a cabo ao longo do tempo? 3. Sabe o que são os Planos Estratégicos? 2.Resíduos 2006 Questões sobre o tema: 1.

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razão pela qual não é necessário mais nenhuma preocupação adicional. devem ser tida em conta a redacção do Dec. na elaboração de um Plano de Gestão de Resíduos. que tem por título a Gestão Eficiente dos Resíduos. como primeira etapa de um programa de gestão consequente dos resíduos. isto pode fazer toda a diferença em termos económicos para a empresa em questão. os resíduos banais. razão pela qual remetemos para lá a organização desta função e um eventual melhor esclarecimento da mesma. sendo que cada um deles terá o seu método próprio de gestão. que como já se disse deve constituir o início de uma gestão consequente dos mesmos. publicado pela Publindústria.Deve minimizar-se a massa dos resíduos que necessitam de tratamento especial. implementar medidas de contenção ou de minimização da geração de resíduos. devemos traçar objectivos claros sobre: Redução de riscos: . Redução dos custos de gestão: . Quanto aos restantes (resíduos banais e resíduos perigosos). Sobre este tema já nos debruçamos num outro manual. Classificar e separar os resíduos é uma função básica de qualquer sistema de gestão. Na indústria pode considerar-se a existência de pelo menos três grandes tipos de resíduos. para gerar custos incomportáveis e dificuldades acrescidas na gestão desse mesmo resíduo. é sempre preferível antes de partir para a gestão destes. Carlos Alberto Alves Página 33 . Não nos podemos esquecer que basta uma pequena quantidade de resíduo perigoso não segregado convenientemente. é necessário proceder á inventariação e classificação dos mesmos. Lei 435/98. que determina que até uma produção diária de 1100 litros destes. No caso dos resíduos urbanos ou equiparados. Em todos os casos. os resíduos industriais perigosos e os resíduos urbanos ou equiparados a tal. de 6787 de 88.Resíduos 2006 Planos de Gestão de Resíduos Antes do mais. uma vez que só assim é possível identificar o que pode ser considerado como resíduo perigoso e o que pode ser considerado banal e.Todos os resíduos gerados serão perigosos se não conseguirmos sistematizar a separação dos resíduos que podem ser considerados banais dos que são considerados perigosos. devido ao perigo e aos custos que representam. podem ser considerados abrangidos pelos sistemas de recolha municipais.

duma forma simples e clara. Relativamente ao empenho da gestão de topo. Deve publicitar-se as acções e os resultados.Deve implementar-se sistemas de separação de acordo com as fileiras e de acordo com os fluxos de produtos que possam vir a merecer reciclagem e procurar que estes cumpram as especificações desta. Deve definir-se claramente os objectivos do programa. Deve avaliar-se o desenvolvimento do Plano de Gestão. a implementação de um plano estruturado de gestão de resíduos ou de um Programa de Minimização da Geração de Resíduos. deve compreender algumas fases e procedimentos como sejam: Deve dar-se conhecimento do empenho da administração. Desta forma. Deve reunir-se uma equipa de trabalho empenhada. para que saibam que é um desejo inequívoco da mesma Carlos Alberto Alves Página 34 . que deve ser coordenado. num plano deste tipo é essencial assim como é factor motivador quando devidamente explorado esse envolvimento. este envolvimento deve ser publicitado. Deve fazer-se o diagnóstico da situação. O envolvimento da gestão de topo. Deve-se elaborar e implementar o plano.Resíduos 2006 Privilegiar a reciclagem: . que o plano é vital para a sobrevivência da empresa e. de forma a que todos percebam. Devem ser atribuídas responsabilidades.

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2006 administração. Este empenho pode ser levado a cabo através da afixação de uma declaração desse empenho que deverá ser afixada em local onde todos os colaboradores tenham acesso e, deverá ser o mais curta e explicita possível. A definição dos objectivos gerais, deve ser levada a cabo com o envolvimento da gestão, tendo em consideração áreas como a higiene e segurança, a protecção da saúde e do ambiente, o cumprimento da legislação vigente, a redução da massa ou volume de resíduos gerados e eventualmente a adopção de novos métodos e/ou matérias primas, substituindo as perigosas por não perigosas. Estes objectivos gerais devem depois ser desdobrados e deverão dar origem a objectivos específicos, estruturados por tipo de função ou por tipo de resíduo produzido. A constituição da equipa de trabalho, é talvez uma das mais importantes tarefas, uma vez que será do trabalho dessa equipa que sairá o sucesso de todo o programa. Por essa razão é necessário formar convenientemente a equipa, com base nos objectivos gerais e específicos previamente definidos de acordo com as exigências e ambições da empresa. Após a sua formação, esta equipa deve ser organizada através da formalização de uma orgânica própria e, deverá ser definida a sua intervenção aos mais diversos níveis e ainda deverão ser clarificadas as suas responsabilidades. A definição desta estrutura orgânica, será o garante do cumprimento da realização das tarefas diárias bem como se encarregará do acompanhamento da execução do plano. Muitas empresas recorrem a ajuda externa para o desenvolvimento deste tipo de acções, no entanto internamente deve ser constituída uma chefia própria, encarregada de motivar e fazer andar este processo de melhoria contínua. A atribuição de responsabilidades deve por isso mesmo ter em conta a capacidade pessoal do coordenador de motivar as pessoas, de coordenar as operações em curso e o cumprimento do plano já elaborado. Por tudo isto este deverá ser uma pessoa com conhecimentos técnicos adequados, deve ser uma pessoa conhecedora da organização, deverá ser um motivador de vontades por excelência, deverá ter conhecimento da legislação ambiental aplicável, deverá ser uma pessoa apreciada e respeitada dentro do contexto da organização, constituindo-se desta forma num facilitador. É absolutamente imprescindível fazer: o o diagnóstico da situação para se obter um inventário preciso das quantidades e natureza dos resíduos, bem como determinar qual o nível de risco associado a estes. o determinar qual o nível de risco que está inerente aos resíduos para determinar qual o nível de cuidados a ter na separação, recolha e transporte interno dos mesmos. Carlos Alberto Alves Página 35

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2006 o Fazer o levantamento da situação em termos de fontes geradoras dos resíduos para identificar quais os sectores que geram maiores quantidades de resíduos e sua caracterização. o Obter indicadores e parâmetros conducentes á monitorização do cumprimento do plano elaborado. o Inventariar e avaliar os métodos em curso quer os que estão na origem dos resíduos quer os que envolvem o seu manuseamento posterior, técnicas de armazenamento e etc.. Normalmente, este tipo de levantamento tem por base a realização de uma auditoria ambiental, que é um instrumento que permite uma avaliação periódica e objectiva do funcionamento da organização e do seu sistema de gestão ambiental. Desta forma é nos dado a conhecer o como, quando e o porquê de como os resíduos acontecem, bem como o tipo de operações e processos realizados e ainda o tipo de medidas que se tomam com vista ao cumprimento do plano. As auditorias ambientais são também uma forma de formar o pessoal envolvido com a gestão dos resíduos, constituindo uma boa oportunidade para adquirir conhecimentos e informações directas sobre a situação da empresa em termos ambientais, podendo ainda ser uma forma de rever os procedimentos de gestão dos resíduos. A elaboração do plano de gestão, permitirá planificar detalhadamente as actividades e accionar os meios necessários para atingir os objectivos propostos. Após a realização da auditoria inicial, estarão então definidas as prioridades e os objectivos, podendo-se agora actuar sobre eles. Estas prioridades poderão ser definidas sob a forma de etapas, poderão ter um desenvolvimento por sectores de actividade da fábrica ou ainda por categoria de resíduo. O plano de acções deverá incluir alguns requisitos básicos como a responsabilidade do pessoal encarregado da gestão, deverá definir o fluxo dos resíduos, deverá também definir quais as normas, os regulamentos e ainda os procedimentos a adoptar, deverá também prever os meios necessários á concretização do plano em termos financeiros, de recursos humanos e de meios materiais. Na implementação e coordenação do plano de gestão, é absolutamente necessário estabelecer um calendário exequível das actividades a levar a cabo. Esta calendarização depende da estratégia adoptada, ou seja, é importante definir se o plano se aplica a toda a unidade ou se escolhemos apenas uma área estratégica da unidade, onde por exemplo, os resultados poderão ser mais visíveis no imediato, constituindo-se assim como uma forma de motivação para continuar. De todas as formas, é vital uma sensibilização de todos os

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2006 intervenientes, desde a gestão de topo até todo o pessoal da fábrica, bem como é imprescindível formação adequada e informação sobre a evolução do processo. Assim, poderiam listar-se como actividades que necessariamente compõem a implementação, as seguintes: o o o o o o A sensibilização; A informação; A formação; Garantir as competências; Investir se tal for necessário e; Controlar.

Controlar o desenvolvimento do plano, compreende a monitorização e a implementação das medidas correctivas, para garantir o alcance dos objectivos delineados. A monitorização incide principalmente nos processos, sobretudo nos factores considerados críticos, que através da análise dos dados obtidos permite desencadear os necessários mecanismos para melhorar as performances e bem assim a eficácia do processo. Os resultados obtidos com o desenrolar do processo deverá dar á gestão de topo a confiança sobre o potencial de economias a realizar e tornar este objectivo ainda mais enraizado. A monitorização do plano deverá ter em conta os objectivos e as etapas do mesmo e de acordo com os padrões estabelecidos para a auditoria e, deverá responder a questões tais como, quantidades de resíduos, qualidade dos resíduos, meios de recolha e acondicionamento, sistemas de recolha e manuseamento interno, armazenamento e etc.. A comunicação dos resultados á gestão de topo deve ser comunicada de forma clara e regular, de preferência através de um meio definido pela própria empresa. A revisão do plano deve efectuar-se de forma periódica, sendo normalmente anual, salvo em casos especiais de alterações consideráveis no processo ou outras. È importante definir as competências dos funcionários como forma atingir mais facilmente os resultados e, sobretudo, como forma de definir também as necessidades de formação a levar a cabo, sendo que estas competências devem ser registadas no plano de gestão. Deve registar-se desde logo que, o produtor de resíduos é o primeiro responsável em questões como o acondicionamento, tratamento e destino final dos mesmos resíduos.

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Impactes ambientais dos resíduos e o seu balanço
A ferramenta mais usada para a avaliação dos efeitos causados pela actividade do homem no próprio homem e no maio ambiente são os Estudos de Impacte Ambiental, através dos quais são determinados os riscos na saúde, no meio envolvente e nos ecossistemas, provocados por essa actividade. Na verdade e muitas vezes, utilizam-se as próprias embalagens para serem portadoras dessas advertências através da justaposição de rótulos de perigo. Existem substâncias perigosas, explosivas, comburentes, inflamáveis, tóxicas e outras, que são caracterizadas quanto á sua perigosidade através da afixação de uma etiqueta normalizada, conforme se pode ver no anexo II da página 101, apresentado no final. A perigosidade está também ligada ao uso de “frases de riscos” Portaria Lei nº 732-A/96, de 11 de Dezembro. Assim, o Estudo de Impacte Ambiental, não se limita apenas á avaliação dos riscos, destinando-se também à avaliação do contributo para a poluição e, sobretudo, para a alteração do meio ambiente. O balanço da poluição gerada num determinado processo industrial, deve permitir conhecer as substâncias poluentes ao longo desse processo de transformação. O Impacte ambiental de uma dada quantidade de matéria ou energia, define-se como o efeito que essa matéria ou energia teria sobre o ambiente se fosse libertada. Assim sendo, é possível estabelecer uma relação entre impacte ambiental e a quantidade de resíduos produzidos e as substâncias que os constituem. Na verdade, tal como se faz com os balanços de massa e com os balanços energéticos, também é possível efectuar um balanço ao impacte ambiental. Mas efectivamente, o problema que se coloca á sociedade moderna é, conforme é descrito por Chester Bronw, no seu livro “Eco-economia”, compatibilizar o desenvolvimento com o ambiente e, por essa razão é tão importante que a indústria desenvolva indicadores que evidenciem essa sustentabilidade desejada. Na verdade, quaisquer que sejam os indicadores, de curto ou longo prazo, de um qualquer processo sob controlo, como os que nos dão informação sobre os recursos de água disponíveis ou sobre a pesca ou mesmo sobre as emissões de gases que provocam o efeito de estufa, a verdade é que todos eles nos dão informações importantes, sobre o tipo de desafios que teremos de enfrentar num futuro próximo. Assim, a questão que devemos colocar a nós próprios, é a de saber que tipo de sinais é que os resíduos que geramos nos estão a dar e até onde poderemos ir.

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devem os operadores de gestão de resíduos. procurar uma cada vez maior eficiência no sentido de: Maximizar os rendimentos. Melhorar e aumentar a eficiência energética. não viabilizando por exemplo. Carlos Alberto Alves Página 39 . que só são viabilizadas se representarem benefícios económicos significativos. Garantir a segurança e fiabilidade dos tratamentos levados a cabo. iniciativas de reciclagem ou de reutilização. Procurar minimizar os impactes ambientais. tendemos muitas vezes a olhar as coisas pela sua perspectiva economicista. Melhorar a sua imagem pública. Por isso mesmo.Resíduos 2006 No actual modelo social.

dar uma resposta ás questão ambientais e não só rumo ao referido desenvolvimento sustentável. é precisamente nessa altura que surgem as questões relacionados com a gestão dos resíduos. cujo conceito deverá garantir a “satisfação das necessidades do presente sem comprometer o futuro das gerações vindouras”. este deverá assentar em algumas questões básicas a ter em conta. A redução global do impacto ambiental das empresas. de uma redução da geração dos resíduos e da poluição associada. a uma melhoria dos processos. conduzem-nos a um outro conceito que é o conceito da Eco-eficiência. mas também pelo impacto deferido. com maior justiça na distribuição dos recursos e dos bens. da redução do consumo dos recursos não renováveis. como: A sustentabilidade social – que deve ser entendida como um processo de desenvolvimento sustentado. uma vez que deverão ter não só uma maior duração como deverão também permitir menores impactes e ter a sua reciclagem assegurada. a formalização de um compromisso por parte daqueles que têm capacidade de decisão nas empresas. com uma menor utilização de matérias primas e energia. e que deverão por isso mesmo acarretar menores consequências para o ambiente. através da racionalização dos consumos de energia e através da promoção da reciclagem de produtos e materiais. de modo a reduzir as desigualdades. Desta forma. conduz inevitavelmente a empresa. A adopção desta filosofia. A sustentabilidade económica – que deve ser conseguida através de uma melhor gestão dos recursos e dos investimentos. não se mede apenas pela redução dos consumos e emissões. Desta forma é absolutamente essencial identificar as acções que estão na origem de um maior impacto ambiental e. A sustentabilidade ecológica – que deverá ser conseguida através de uma utilização racional dos recursos naturais. Carlos Alberto Alves Página 40 . com um melhor design. a um aumento da sua eficiência e simultaneamente a uma redução dos custos que. se deverão traduzir na produção de produtos mais adequados ás necessidades do mercado. são ou pretendem ser. implementar soluções técnicas que contribuam para a sua minimização. Estas questões. ou mais uma vez rumo á chamada “Eco-economia”. justiça social e bom desempenho ecológico. para através da combinação da eficiência económica. ao longo de todo o ciclo de vida do produto e.Resíduos 2006 Ferramentas para a sustentabilidade na Gestão de Resíduos As recentes Declarações de Responsabilidade Social.

através de um projecto que tenha em consideração as questões de ordem ambiental e também as necessidades dos consumidores. contribuindo ao mesmo tempo para uma eventual redução de emissões e de efluentes. ou seja promovendo a Ecoeficiência dos produtos e das empresas.. conduzindo a uma Produção mais Limpa. que se encontram reguladas pelas Normas ISSO 14000 ou pelo EMAS (Sistema Europeu de Ecogestão e Auditoria Ambiental). é uma ferramenta que poderá ser usada para a redução dos impactos ambientais associados. numa estratégia ambiental consequente. A redução dos riscos para o ambiente e para as pessoas. que promovem a adopção das melhores práticas e constituem uma garantia da eco-eficiência. também tratado numa outra publicação sobre “O design a Embalagem e a Redução do Impacte Ambiental”. Outro dos factores importantes. que dessa forma poderão dar um contributo importante para a redução dos consumos de matérias primas.Resíduos 2006 Desempenho Económico Eco-eficiência Sócio-económico Sócio-ambiental Desempenho Ambiental Desempenho Social Estratégia ambiental A adopção do Eco-design. são a taxa de reciclagem dos componentes e/ou possíveis reutilizações do produto. Outros temas também importantes na concepção. levam à redução da utilização de substâncias consideradas perigosas ou mesmo á sua eliminação. minimizando dessa forma a geração de resíduos eventualmente perigosos. aplicado á concepção de embalagens. tem a ver com as práticas de Gestão Ambiental. O conceito de Melhores Técnicas Disponíveis (MTD). é usado para designar as técnicas que estão Carlos Alberto Alves Página 41 .

ou seja. Os primeiros. • Custos Privados ou Internos Estes são os custos que têm repercussão directa sobre a empresa. Estes custos podem ainda ser divididos em: Custos convencionais: que são os custos relacionados com a utilização de matérias primas. selecção de equipamento. deve ter-se presente que o gestor de resíduos será muito provavelmente avaliado. são os custos que decorrem por exemplo do encerramento de uma instalação. estes normalmente visíveis. Outros custos podem ser os que resultam da necessidade de preservar a imagem da empresa. são os chamados custos de encerramento.Resíduos 2006 disponíveis. são os custos (internos) suportados pela empresa relacionados com o ambiente e. Custos ambientais da Gestão de Resíduos A Environmental Protection Agency (EPA). este deverá sempre ponderar. etc. podem ser por exemplo custos de monitorização. de controlo de poluição da gestão de resíduos e etc. Custos invisíveis ou escondidos: que podem corresponder aos custos derivados por exemplo da análise de um investimento. custos que se destinam a suportar a elaboração de relatórios ambientais ou de programas de acção Carlos Alberto Alves Página 42 . classifica os custos ambientais como sendo. Qualquer gestor de resíduos deverá ter sempre presente que o seu principal papel será o de proporcionar benefícios á empresa. utilidades. os segundos são os custos suportados por outros agentes ou pela sociedade em geral. No entanto. dos Estados Unidos. com desenho. Por esta razão normalmente não são levados em conta aquando da análise da situação da empresa ou na tomada de decisão relativamente a questões ambientais. e correspondem ás despesas que são motivadas total ou parcialmente por questões de ordem ambiental. quanto aos efeitos das medidas implementadas e as respectivas receitas. directas ou indirectas. qualquer que seja a estratégia. o impacto ambiental da sua actividade e a sua função social. mantendo os custos de produção. Por essa razão. de acordo com os resultados operacionais obtidos e sobre os resultados económicos e financeiros. só deverão ser medidos se tiverem repercussões efectivas e mensuráveis. Outro tipo de custos. capital.. Normalmente os custos relacionados com a imagem da empresa. associadas aos resíduos. Custos Privados e Custos Sociais. que são geralmente levados ás contas da empresa embora não como custos ambientais. avaliação de alternativas tecnológicas.. para que a actividade decorra cumprindo integralmente as exigências ambientais. Podem ainda ser decorrentes da legislação e. fornecimentos.

Por isso a função do gestor de resíduos é também a de entender e resolver os problemas ambientais da empresa. O seu trabalho é também. com é o caso das emissões libertadas pela empresa ou o impacte negativo causado pela descarga de efluentes. dar resposta ás expectativas dos colaboradores.Resíduos 2006 junto das comunidades com vista a trabalhar a imagem da empresa. dar início a uma sequência de acções (correctivas). accionista e investidores. o de face a situações anómalas. que podem ser desde muito simples a verdadeiramente complicados. A tarefa de um gestor de resíduos. é a de com os recursos económicos que são colocados à sua disposição. que vão na busca da resolução dos problemas de índole ambiental que surjam. • Custos Sociais ou Externos Estes custos. que não têm repercussões económicas na empresa. acções essas que se podem sintetizar nas seguintes: Carlos Alberto Alves Página 43 . para além de ter de compatibilizar estas com as expectativas da sociedade em relação á preservação do meio ambiente. normalmente decorrem dos danos ambientais causados pela empresa e que em geral são suportados por outros agentes ou pela sociedade em geral.

dos custos relacionados com o tratamento de doenças causadas na sequência da poluição provocada. denominam-se como degradação ambiental. que advêm de uma separação ineficaz dos resíduos perigosos dos não perigosos. representam custos acrescidos para as empresas e. dependendo da forma como se fazem sentir. Estes benefícios. que será registado contabilisticamente com as consequentes repercussões económicas. dos custos legais tais como indemnizações e ainda dos custos laborais ou operacionais motivados por paragens do processo. Na empresa os efeitos positivos desta gestão ocorrem através da economia nos custos de degradação ambiental. no geral visam a minimização dos prejuízos. faz com se torne evidente Carlos Alberto Alves Página 44 . embora de difícil contabilização.Resíduos 2006 Melhoria das condições de higiene e segurança. Minimização dos riscos e indemnizações a terceiros. com as economias obtidas com a prevenção do mesmo tipo de ocorrências. Valorização da imagem da empresa. Uma contabilização que leve em linha de conta todas estas considerações. razão pela qual se impõem as necessárias medidas correctivas que. esta representará um acontecimento ou evento. a ocorrência destes impactos. são percepcionados pela empresa e também pela própria sociedade. dos custos envolvidos com a recuperação do meio receptor de modo a repo-lo nas condições anteriores. minimizando dessa forma os custos relacionados com as correcções na sequência das afectações sofridas e. e têm repercussões no património das empresa. Ausência de multas e coimas. Sempre que ocorre uma determinada degradação ambiental. Normalmente os impactos resultantes da actividade das empresas podem ser sumarizados como se segue: Ocorrência Emissão de resíduos sólidos Emissão de resíduos líquidos Emissão de resíduos gasosos Meio receptor No solo e na água Na água e no solo No ar Estes impactos. De facto. Aumento da produção e vendas através do acesso a mercados específicos que valorizem o desempenho ambiental.

como a que se ilustra na página seguinte. Entrada de matéria prima no processo Produtos produzidos Resíduos gerados Degradação ambiental Centro de custos • Recuperação do ambiente • Reposição das condições de higiene e segurança • Processamento dos resíduos • Tratamento e destino final destes Esquema de produção e tratamento dos resíduos e sua contabilização Para evidenciar este tipo de custos.Resíduos 2006 a importância económica da gestão ambiental. muitas mais formas do que aquelas que aqui são apresentadas. No entanto devemos alertar para o facto de estes custos assumirem muitas vezes. sendo óbvio que estes custos serão proporcionais á degradação provocada e ás medidas de contenção ou minimização associadas. a título de exemplo. Carlos Alberto Alves Página 45 . sugerimos a elaboração de uma matriz. onde constem os aspectos mais relevantes desses custos.

Resíduos 2006 Matriz de contabilização dos custos de degradação ambiental Tipo de ocorrência ou degradação produzida Quant. ou custos com Recuperações Recolha do Resíduo Processamento Tratamento do e Resíduo Destino final Impostos e taxas Prejuízo nas vendas ou produção Totais 1 Emissão de resíduos sólido Emissão de resíduos sólido Emissão de resíduos sólido Emissão de resíduos líquido Emissão de resíduos líquido Emissão de resíduos líquido Água 2 Ar 3 Solo 4 Água 5 Ar 6 Solo Totais: Carlos Alberto Alves Página 46 . Multas Envolvidas Indemnizações.

As três primeiras são as consideradas actividades operacionais. Recuperação ambiental. Desta forma obtêm-se a redução dos custos operacionais e os consequentes efeitos financeiros. passam também pela eventual adopção de tecnologias mais “limpas” ou novas tecnologias e etc. pela redução da geração de efluentes e pelo seu tratamento adequado. por exemplo. Monitorização. podem enumerar-se os de ordem social. passam pela redução dos consumos de matérias primas. produtos químicos menos tóxicos. e constituem os principais agentes que influenciam directamente o estado do ambiente. Em geral deve procurar-se a maximização da eficiência e a redução dos impactes negativos da geração de resíduos através de uma mais racional utilização das matérias-primas e dos recursos naturais. como seja Carlos Alberto Alves Página 47 . A falta de uma política de prevenção adequada. por uma melhor e mais criteriosa selecção da produtos usados na fabricação preferindo. A prevenção A prevenção é composta pelas acções levadas a cabo para a redução dos impactes causados no ambiente pelos resíduos gerados.Resíduos 2006 As oportunidades de minimização dos consumos e bem assim de uma menor geração de resíduos. A prevenção é levada a cabo através da utilização de recursos (investimentos) em mão-de-obra. a gestão propriamente dita deverá incidir em quatro vectores principais: • • • • Prevenção. Estas resultam directamente do acto que tem por base a produção ou a geração de valor na empresa. Reciclagem. equipamentos e em técnicos qualificados para levar a cabo essa tarefa. dará origem a custos de deposição. legais e de impacte mais elevados. pelos esforços feitos no sentido da minimização da geração dos resíduos produzidos e pela redução dos efeitos negativos dos impactes ambientais no negócio. A estratégia da Gestão dos Resíduos Apesar de se dever iniciar sempre a abordagem dos resíduos através da minimização da geração dos mesmos.. Do lado dos benefícios.

mas podem também contabilizar-se os custos com eventuais indemnizações e outros de ordem legal. A reciclagem pode ser utilizada para reduzir os problemas derivados da eliminação ou da emissão de poluentes. contribuindo simultaneamente para a redução dos problemas relacionados com o armazenamento. no entanto a Carlos Alberto Alves Página 48 . Uma estratégia que privilegie a reciclagem poderá contribuir a redução dos custos operacionais mas necessitará de investimento em meios materiais (equipamentos) e em meios humanos.Resíduos 2006 uma melhor qualidade para a saúde dos trabalhadores. seja através da utilização do material constituinte para a fabricação de novas matérias-primas. A reciclagem Nesta rubrica inserem-se todas as acções que têm como objectivo a valorização dos resíduos. seja através do aumento do ciclo de vida do produto.

minimizar ou anular os danos provocados pela empresa no ambiente. esta deve ser dotada de meios (humanos e materiais). com vista a colocar a empresa dentro dos preceitos legais existentes. através da reposição das condições anteriores ao acidente. são: • • • • Tipo de degradação ambiental. pode não significar um compromisso ambiental decidido. que por sua vez deverão ser usadas pelos gestores com precisão e objectividade. tratamento e eliminação de resíduos e as suas repercussões económicas na mesma. Responsáveis. Muito embora revele a preocupação da empresa face ao acidente. face ás consequências das acções tomadas. deverá gerar informação suficiente para conduzir á tomada de decisões. Estabelecer a priorização das áreas a intervencionar. Assim. Para esse efeito deve implementar-se alguns procedimentos. com vista a: • Desenvolver um sistema de indicadores que defina os parâmetros de avaliação de desempenho. dando-lhes a confiança suficiente para continuar na implementação de novas medidas. Monitorização Normalmente são precisos vários passos para se obter dados e informações suficientes para identificar as acções relacionadas com a gestão das actividades de recolha. que permitam a avaliação das medidas implementadas do ponto de vista económico e financeiro. • • Proceder á avaliação dos activos da empresa. Alguns dos parâmetros a controlar num sistema de monitorização ambiental. Caracterização dos resíduos. Recuperação ambiental Este tipo de acção tem como objectivo.Resíduos 2006 contrapartida será a de reduzir consideravelmente os custos de deposição e tal como anteriormente deverá servir para evidenciar o empenho da empresa numa atitude mais virada ao ambiente. Um sistema de monitorização que seja funcional. Página 49 Carlos Alberto Alves . Origem da degradação.

através do desempenho financeiro da empresa quer em termos de custos de gestão quer em termos das economias obtidas e. qualitativos e quantitativos. como por exemplo.Resíduos 2006 • • • • Impactos ambientais. Legislação vigente. através da avaliação das políticas e programas ambientais implementados. Etc. pode ser aferido através de indicadores. Resultados económicos. através do relacionamento da empresa com a comunidade onde se insere através da análise de programas educacionais levados a cabo ou outras medidas. Também o desempenho da gestão ambiental. por último. Carlos Alberto Alves Página 50 . através da análise da conformidade das medidas com a legislação vigente.

estudar os fluxos de energia. que podem ser considerados como os fundamentos da tal eco-economia e.. dentro de uma empresa. Em quase toda a literatura que se encontra sobre este tema. sustentabilidade. poderá dar informações preciosas sobre a forma como esta encara a sua responsabilidade social e de qual é a sua postura relativamente ao ambiente. que se chega á chamada Contabilidade Ambiental.Resíduos 2006 Custos da Gestão Ambiental e a sua evidencia A contabilização dos custos ambientais e a sua evidência objectiva nas contas de exploração das empresas. compilação de informação e análise. estimar. como identificar. estudar o fluxo dos materiais. É através desta identificação. racionalizar o consumo de recursos e etc. estão permanentemente patentes alguns chavões. Carlos Alberto Alves Página 51 motivada pela necessidade da empresa de seguir rumo á . poderão constituir a base que permita a tomada de decisões sejam de carácter ambiental. analisar. sejam mesmo de carácter geral.

por isso mesmo de difícil contabilização. sobretudo nos custos da gestão dos resíduos. que a Direcção adopta para prosseguir e desenvolver a gestão ambiental. planos de acção e outros instrumentos de trabalho. Benefícios da opção desta prática contabilística Os benefícios resultantes da adopção de uma prática contabilística virada ás questões ambientais. tem como objectivo dotar as empresas de elementos de análise no sentido de: Identificar. estimar. que muitas vezes se tornam difíceis de avaliar e. pode ter repercussões significativas na redução de custos. estratégias. Controlar o uso dos recursos como energia e matérias primas de forma adequada. uma vez que clarifica custos de manuseamento. fornecedores e etc. Decisões ambientais (Relacionados com a direcção) Dizem respeito ás políticas. estes também são determinantes. os custos legais associados. normalmente deve identificar três áreas: Aspectos ambientais (Relacionados com a produção) Estes são compostos pelos produtos e serviços da empresa que podem ter consequências com o ambiente. Fornecer informação rigorosa e pormenorizada sobre os custos efectivos do desempenho ambiental. os custos da gestão da imagem da empresa e riscos e responsabilidades sociais inerentes. tornando visíveis e fáceis de imputar aos produtos que lhe estiveram na origem ou aos centros de produção respectivos. Em termos sociais.. não devemos esquecer que podem existir outros custos. custos de deposição. menos visíveis. No entanto. quer sejam benéficas ou prejudiciais. Impactes ambientais (Relacionados com o meio ambiente) Todos os efeitos provocados no meio ambiente pelos produtos e serviços da empresa.Resíduos 2006 Esta Contabilidade Ambiental. Normalmente a adopção da regra de contabilização dos custos ambientais ou contabilização ambiental. Fornecer informação detalhada e exacta sobre o andamento do mesmo desempenho e elaborar os consequentes relatórios que poderão ser públicos ou dirigidos aos agentes que interessam á empresa tais como funcionários. uma vez que podem contribuir para: Carlos Alberto Alves Página 52 . como os custos relacionados com a necessidade de conformidade ambiental. clientes. através de uma interacção positiva ou negativa. administrar e reduzir os custos nessa área.

A análise do ciclo de vida A análise do ciclo de vida do produto (ACV). Esta. quando esta tenha de tomar iniciativas relacionadas de alguma forma com a gestão de resíduos e seus impactes. tais como: Na concepção e implementação do sistema de gestão ambiental. Divulgação das despesas relacionadas com investimentos e responsabilidades na área ambiental. Dar informações que contribuam para a tomada de decisão pública. determinando se estas são retornáveis ou não. é a análise técnica que considera todos os aspectos relacionados com o produto desde a sua concepção até á sua deposição final em aterro ou até á sua eliminação. Quando aplicada na área da gestão de resíduos. a utilização de matérias-primas até ao resíduo que resulta da sua produção. gestão da cadeia do produto e projectos de eco-design. Enveredar por adopção de tecnologias mais limpas. Elaboração e divulgação de relatórios de sustentabilidade. uma vez que avalia os aspectos ambientais e os potenciais impactos associados ao produto. permite responder ás dúvidas e questões que se colocam no acto da concepção de um determinado produto. b) Que tipo de alternativas existem e quais as mais viáveis economicamente. Algumas dessas questões podem ser: a) Qual o tipo de embalagem que provoca um menor impacto ambiental. porque ajuda a: Carlos Alberto Alves Página 53 . Estes benefícios são por si só factores facilitadores da actuação da empresa. Esta análise deverá levar em conta desde a produção.Resíduos 2006 Reduzir os custos envolvidos com operações relacionadas com poluição provocada pela empresa. A definição das metas atingidas pelo programa. Análise dos custos e proveitos dos projectos. prevenção da poluição. esta técnica é particularmente eficaz. Evidenciar o uso racional das matérias-primas usadas.

Resíduos 2006 Identificar oportunidades de melhoria dos aspectos ambientais. têm um sub-comité SC-5 que se encarrega da Avaliação do Ciclo de Vida e que se encontra sediado em França. os custos inerentes à sua existência nos Carlos Alberto Alves Página 54 . são elaboradas pelo comité técnico TC-207 – Gestão Ambiental que. são as seguintes: ISO 14040 ISO 14041 ISO 14042 ISO 14043 Análise do Ciclo de Vida Análise do Ciclo de Vida Análise do Ciclo de Vida Análise do Ciclo de Vida Princípios gerais e práticas Inventários Análise dos impactos Interpretações Esta metodologia permite associar ao produto ou serviço. A análise do ciclo de vida do produto. trata da avaliação dos produtos ou processos. Este sub-comité. Tomada de decisões no que diz respeito. todo o processo produtivo. A avaliar a melhor selecção dos componentes usados ou a usar e da matéria-prima associada à sua execução. desde a extracção da matéria-prima usada na produção. até ao destino final do produto e sua inclusão no meio ambiente. considerando os impactos causados ao meio ambiente. pode contribuir eficazmente para a racionalização do uso das matérias-primas. reduzindo as suas perdas. Avaliar os impactos ambientais derivados. que regulam os sistemas de gestão ambiental. por exemplo. na definição de prioridades relacionadas com o projecto ou produto. desde a emissão de efluentes. podendo levar á conclusão que a questão ambiental mais importante para um utilizador do produto tem a ver com a sua utilização e não com a matéria-prima que lhe está na origem nem com o processo produtivo que foi usado. uma política orientada para a satisfação deste desiderato dentro da série de Normas ISSO 14000. Estas Normas Internacionais ISSO 14000. das diferentes fases do produto / processo. As Normas que compõem a Análise do Ciclo de Vida. sobretudo poderá contribuir para a satisfação das necessidades do mercado e do utilizador e de uma melhor gestão ambiental. podendo simultaneamente contribuir para a manutenção do processo de produção sob controlo e. Existem uma série de Normas internacionais que regulam. elabora ainda guias internacionais subordinados ao tema Sistemas de Gestão Ambiental e.

Resíduos 2006 diversos estágios do ciclo de vida. consequentemente poderá evidenciar a sua influência. Desta forma a decisão das empresas poderá ser apoiada nessa informação e. que tendem a equilibrar os sistemas. que desta forma contribuem para a gestão do modelo existente. Custos ambientais indirectos ou taxas A sociedade moderna tem vindo a organizar-se e de certa forma a justapor taxas. bem assim um melhor controlo orçamental. através da análise do ciclo de vida. pneus e outros bens. não dependa do fabricante. como é o caso das taxas cobradas sobre a utilização de embalagens. Este tipo de controlo. Estão neste exemplo o caso da SPV. poderá permitir identificar os custos ambientais de um determinado produto e. mesmo que a responsabilidade num determinado estágio. o da Valorpneu e ainda os dos sistemas que têm vindo a ser criados para a gestão dos diversos resíduos em fim de vida Carlos Alberto Alves Página 55 .

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d) a produção. sejam susceptíveis de ser novamente utilizados após um processamento específico. que deve ser aferida no momento em que esta acontece. que se destinam a preservar o meio ambiente da poluição e. a reciclagem ou a recuperação. da recuperação e da reciclagem. A degradação do meio ambiente dará lugar ás necessárias operações de recuperação. devolvendo ao mesmo as condições iguais ou próximas daquelas que tinha antes da respectiva degradação. devem ser tidos em conta os custos da degradação produzida. b) a recuperação. sob a forma de “provisão para gastos ambientais”. Estes impactos negativos chamam-se normalmente “degradação produzida” e. resultantes da degradação ocorrida e. permitir que os resíduos gerados no decurso da actividade ou os materiais utilizados. A produção dá lugar muitas vezes a impactos negativos sobre o ambiente.Resíduos 2006 A Gestão de Resíduos e a Contabilidade Ambiental Do ponto de vista ambiental. como o principal factor económico. conduzirá inevitavelmente a investimentos. que no futuro serão propiciadores de benefícios. existem quatro factores que influenciam a actividade de Gestão de Resíduos e. Numa qualquer contabilização ambiental. tem a ver com a decisão de levar a cabo um qualquer projecto que tenha por fim a prevenção. sendo a medição desta degradação feita em termos de efeitos previstos. A existência desta degradação dá lugar à constituição de um passivo. Constituição do investimento na área ambiental A constituição do investimento na área ambiental. estes são os seguintes: a) a prevenção. Os investimentos. No entanto a produção deve suportar também os custos derivados da prevenção. causando poluição. Carlos Alberto Alves Página 57 . c) a reciclagem: A reciclagem tem como objectivo. A prevenção. os seus custos caem directamente sobre a produção.

Outras despesas. Esta contabilização dá lugar ao apuramento das economias. A conclusão do projecto Com a conclusão do projecto e. como por exemplo: . deve ser avaliada a forma como este foi levado a cabo e. a partir da entrada deste ao serviço.Os materiais utilizados. uma vez que nesse caso a empresa deixou de ter custos de degradação. com a construção de edifícios.Os serviços técnicos contratados. O valor das amortizações. Poderão ter a ver com a aquisição de equipamentos. em contrapartida com os custos de degradação que ocorreriam e que foram eliminados ou minimizados. deverá considerar o período de tempo no qual o projecto estará activo a prestações constantes. constituindo por isso mesmo um custo fixo da actividade. . Assim. Após a entrada em serviço do activo. . a decisão foi acertada do ponto de vista meramente económico. com outras semelhantes. com o desenvolvimento de uma tecnologia ou. Nesta rubrica deverão entrar todas as despesas que formarão o activo operacional. O conjunto destas despesas ao longo do período em que decorrerá o projecto constitui o investimento total. o activo estará representado pelo seu valor liquido.Os equipamentos.As despesas com pessoal. como em todos os projectos. retirando aos benefícios esperados os custos da sua operação ou manutenção. Carlos Alberto Alves Página 58 . o investimento torna-se um activo operacional e é necessário confirmar os benefícios esperados. Custos É necessário constituir uma provisão para gastos operacionais de manutenção do activo. .Resíduos 2006 poderão ser de vários tipos. Quando as economias geradas forem superiores ao valor investido. . se a opção de desenvolvimento próprio foi preferível à de aquisição do projecto tipo chave na mão.

Receitas oriundas da venda de produtos reciclados. depreciação e outros custos. em termos de economias de custos geradas. são os custos necessários para manter a estrutura em funcionamento e. Custos de manutenção. e têm a ver com os gastos estimados e os realmente ocorridos nessa área e com a manutenção do activo. que resultam da contabilização dos benefícios para a empresa. por multas que não aconteceram. são os custos que decorrem no período. que poderão ser transferidos para a produção ou vendidos a terceiros. Receitas Nesta rubrica deverão ser contabilizados os serviços de gestão ambiental prestados na contenção ou prevenção. por doenças profissionais evitadas ou impostos específicos sobre a actividade.Resíduos 2006 A amortização das provisões para gastos operacionais de manutenção. deverá também ela ser de acordo com o período previsto para a duração do projecto e da provisão e deverá ser registada na conta de resultados. Os custos de estrutura. recuperação e reciclagem e. Carlos Alberto Alves Página 59 . dizem respeito normalmente aos custos com pessoal.

aprovisionamentos e gestão ambiental. passando também pelo sector de transporte. do volume e / ou massa. Compete ao gestor dos resíduos coordenar os grupos intersectoriais que elaboram o inventário e a caracterização dos aspectos e dos impactes ambientais relacionados com os resíduos produzidos. 1 – Objectivo – O objectivo deste Procedimento é definir métodos e responsabilidades na gestão de resíduos na empresa. consiste na identificação da origem. seleccionar as formas de tratamento técnico e economicamente viável. Para os resíduos mais significativos é realizada uma auditoria no local. que podem ser estes aqui descritos ou outros mais elaborados e que a seguir. considerando as características físicas e químicas dos seus resíduos e a redução do impacto ambiental causado nos destinos alternativos. competindo ao responsável pela gestão dos resíduos a coordenação geral das tarefas a levar a cabo. Depois de escolhido o destino é avaliado o licenciamento da actividade do operador de gestão de resíduos a contratar. Estes procedimentos devem prever todo o que estiver relacionado comos resíduos desde da sua geração até ao seu envio para destino final. armazenagem e expedição. aos resíduos entretanto gerados. aplica-se a todas as tarefas de gestão desde a fase de inventariação. com vista a alcançar a melhoria contínua do desempenho ambiental. 4 – Procedimentos 4. na caracterização e classificação dos resíduos segundo o código LER.2.2 – Gestão corrente 4. se tentam esquematizar. a título de exemplo. que definam o que fazer e como fazer. 2 – Âmbito – Este Procedimento abrange todos os resíduos gerados na empresa e. O inventário dos resíduos da empresa realiza-se simultaneamente com o diagnóstico ambiental inicial e sempre que ocorram alterações significativas na produção ou no processo ou nas instalações e em intervalos de tempo estabelecidos. 3 – Responsabilidades – A responsabilidade pela gestão dos resíduos é atribuída a todos os sectores da empresa. para avaliar os Carlos Alberto Alves Página 60 . geradores de resíduos. Estes devem considerar as regras normais de elaboração de procedimentos constando de vários pontos.1 – Selecção dos destinos – Compete ao gestor de resíduos.Resíduos 2006 Ferramentas para a gestão dos resíduos A principal regra para uma gestão eficaz dos resíduos assenta na elaboração de procedimentos. gestão corrente e melhoria contínua.1 – Inventariação – O inventário dos resíduos. 4.

4. É da responsabilidade do sector gerador do resíduo colocar os recipientes nos armazéns estipulados para cada tipo de resíduo.Destino final. com sistema de recolha de líquidos drenados contaminados. Compete ao sector gerador do resíduo identificar os recipientes de armazenamento. assim como a mistura de resíduos incompatíveis ou reactivos. que deverão ser estanques. misturas.Logótipo de identificação da empresa de origem.Responsável. . ou equipamento gerador. contaminações e / ou acidentes. . Compete ao gestor solicitar à empresa escolhida um documento no qual ela declare aceitar os resíduos e qual os destinos que lhes vai dar. do resíduo. fisicamente resistentes e duráveis. reciclagem. Compete ao responsável dos armazéns assegurar a identificação dos armazéns e zonas de localização destes resíduos.2 – Recolha. .Contacto telefónico. fechada e ventilada. deposição. para posterior tratamento. Carlos Alberto Alves Página 61 . . com laje de betão ou outro material impermeabilizante. ou alguma outra informação ou identificação que possibilite o rastreamento e acompanhamento do inventário.Designação do resíduo. . O acondicionamento é efectuado em recipientes de materiais compatíveis aos resíduos. para evitar vazamentos.Resíduos 2006 cuidados dispensados no tratamento.2. Compete aos sectores geradores de resíduos assegurarem que estes são acondicionados adequadamente.Data. etc. deverá conter: . o nome do resíduo.Perigosidade (perigoso ou não perigoso). Os resíduos perigosos são armazenados em área coberta.Estado físico. com dados sobre o local. . . . identificação e armazenamento – Os resíduos gerados são segregados para que não ocorra a contaminação com resíduos de classes diferentes.Código LER. Os rótulos de identificação da embalagem dos resíduos(afixado nas embalagens desse resíduo armazenado ou a expedir).

preenchimento dos mapas e outros registos. 4.3 – Melhoria contínua 4. identificar as zonas. situações anómalas de produção de resíduos entre outras.1 – Avaliação – A avaliação é (ou pode ser) realizada através de: a) Auditorias internas à gestão de resíduos. recolha de amostras para análise. Compete ao gestor de resíduos preencher a guia em triplicado. armazenamento temporário. medidas de prevenção.4 – Anomalias e acidentes – Compete ao gestor de resíduos em conjunto com os sectores produtores e manuseadores de resíduos.3. preenchendo o campo 1. Dependendo do resíduo. através da verificação do aspecto geral do camião e dos documentos que comprovem que este está em bom estado de conservação e o motorista se encontra devidamente habilitado.Ser identificados de forma bem visível. para que este possa pôr em prática as medidas de emergência previstas.2. triagem. verificar o preenchimento do campo 2. verificar o destino efectivamente dado ao resíduo e arquivar o exemplar da guia devolvida pelo destinatário após receber a carga. reciclagem. 4. Os derrames. exportação. Todo o transporte de resíduos. deve ser acompanhado da Guia de Acompanhamento de Resíduos (Mod. os vazamentos ou os despejos acidentais de resíduos deverão ser comunicados pelos operadores envolvidos. cumprimento dos objectivos estabelecidos e das metas atingidas.2. b) Auditorias a fornecedores de serviços (transporte. imediatamente após o ocorrido. Compete ainda ao gestor de resíduos.). Carlos Alberto Alves Página 62 . . à chefia do sector envolvido e ao Gestor de resíduos. identificação. estabelecer Planos de Acções Preventivas e correctivas a serem aplicadas no caso de situações de manuseio incorrecto ou acidentes. . onde devem ser verificadas as condições de armazenagem.3 – Transporte e destino final – Compete ao sector de expedição realizar a inspecção prévia dos camiões dos transportadores antes do seu carregamento. nos três exemplares da guia e reter um deles. receber. etc. 4.Definir os resíduos admitidos no parque.Se necessário. c) Análise anual dos registos originados pela gestão de resíduos. verificar se o camião possui o kit de emergência para o caso de acidentes ou vazamento.Resíduos 2006 Os armazéns devem: . A). aterro.

Resíduos 2006 d) Avaliação e medidas preventivas. fluxogramas.Mapas de controlo de resíduos. 5 – Documentação de suporte – A documentação de suporte do sistema deve conter: . 4. As anomalias.2 – Planeamento e realização – Após a avaliação dos dados obtidos no ponto anterior.3. balanços de massa. O gestor deve também elaborar. Compete aos responsáveis atribuídos no planeamento aprovado. . também são da sua responsabilidade.3 – Monitorização e comunicação – A monitorização da melhoria contínua na gestão de resíduos é realizada pelo gestor de resíduos.3. propor à Direcção acções de melhoria e respectivo planeamento de execução. . . acidentes e não conformidades. os indicadores para avaliação dessa implementação e os responsáveis directos envolvidos.Etiquetas de identificação. através do acompanhamento da realização dos objectivos e metas entretanto estabelecidos. reanálise dos processos geradores de resíduos com o apoio de diagramas de espinha de peixe. um programa de divulgação e motivação.Mapas de acompanhamento de destinos.Checklist de auditorias. auditorias internas e externas. é da responsabilidade do gestor de resíduos. sensibilização e acordos com fornecedores e clientes. para alcançar a melhoria contínua na gestão dos resíduos. . dando conhecimento através de todas as formas à empresa. 4. Neste planeamento estão incluídos os objectivos e metas a alcançar no prazo de um ano.Jornais e folhetos informativos. com a política de contenção da geração de resíduos. implementarem as medidas estabelecidas e proporem outras melhorias. Carlos Alberto Alves Página 63 . da evolução e dos resultados obtidos.

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Implementar a monitorização e avaliar os métodos implementados. é o chamado Estudo de Impacto Ambiental.Resíduos 2006 Resumo: ☺ Em qualquer Plano de Gestão dos Resíduos. determinar o nível de risco associado. ☺ Relativamente aos resíduos é importante fazer o diagnóstico da situação. são hoje conceitos utilizados pelas empresas para demonstrar o seu empenho na manutenção de um ambiente melhor. ☺ Para assegurar a sustentabilidade social. a sustentabilidade ecológica. através do empenho da gestão de topo. a sustentabilidade económica. ☺ Um dos aspectos importantes relacionados com os resíduos tem a ver com os custos destes sejam os de ordem interna sejam os de ordem social e. é importante definir os objectivos desse plano. ☺ A ferramenta usada para a avaliação dos efeitos causados pela actividade humana e no próprio homem e meio ambiente. como forma das empresas demonstrarem o seu compromisso para com o ambiente. Carlos Alberto Alves Página 65 . ☺ Algumas das ferramentas que em termos ambientais são também determinantes para uma gestão responsável. ☺ A sustentabilidade social. deve procurar implementarse um Programa de Minimização da Geração de Resíduos. ☺ Neste caso. são o chamado eco-design e o conceito das Melhores Técnicas Disponíveis (MTD’s). só um tratamento criterioso desse custos poderá dar-nos a real dimensão dos aspectos económicos associados à geração dos resíduos. deve em primeiro lugar ter como objectivo a Minimização da Geração de Resíduos que poderá ser conseguida através de uma Gestão Eficiente dos Resíduos. ☺ Em qualquer empresa e. a ecoeconomia e a eco-eficiência. contribuindo dessa forma para a construção de uma imagem da empresa que esteja adequada e ajustada à tão desejada Responsabilidade Social desta. ☺ Os principais passos para uma gestão consequente são em primeiro lugar a Redução dos Riscos. em segundo lugar a Redução dos Custos de Gestão e por último Privilegiar a Reciclagem. nomear uma equipa de trabalho e atribuir responsabilidades. modernamente recorre-se às Declarações de Responsabilidade Social.

seguida da necessária monitorização.Resíduos 2006 ☺ Uma estratégia consequente na abordagem da gestão dos resíduos passa pela assunção de três vectores. desde a sua concepção até à sua deposição em aterro ou reciclagem. ☺ Aplique a contabilidade ambiental aos investimentos feitos na prevenção. prevenção. Carlos Alberto Alves Página 66 . aferindo os benefícios desta opção contabilística. como taxas e multas são cada vez mais importantes porque são cada vez maiores. reciclagem e recuperação ambiental. na recuperação. sem deixar de considerar também as amortizações. ☺ Os custos da Gestão Ambiental devem ser evidenciados através de uma contabilidade ambiental. ☺ Os custos ambientais indirectos. ☺ A análise do ciclo de vida dos produtos é uma técnica que considera todos os aspectos relacionados com este. que considere os aspectos ambientais (relacionados com a produção). as decisões ambientais (relacionadas com a Direcção) e os impactes ambientais (relacionados com o meio ambiente). na reciclagem e na produção. constituindo os chamados custos e receitas deles oriundas.

O que por uma Gestão consequente dos resíduos? 3. sabe quais são alguns deles? 6. Existirá alguma forma de minimizar a geração de resíduos? 2. Qual é a hierarquia da gestão dos resíduos? 8. Sabe o que são as Declarações de Responsabilidade Social? 7. Já pensou na possibilidade de implementação de um Programa de Minimização da Geração de Resíduos na sua empresa? 4. Qual é a ferramenta que estuda a repercussão dos produtos no ambiente ao longo da sua vida útil? 9. A gestão moderna considera novos conceitos para a contenção dos resíduos.Resíduos 2006 Questões sobre o tema: 1. Sabe como se designa a ferramenta que avalia as repercussões da actividade humana sobre o ambiente? 5. Na área ambiental os custos despendidos com a gestão dos resíduos são ou não importantes e como se podem evidenciar? Carlos Alberto Alves Página 67 .

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Algumas das questões. As empresas certificadas. Para o cumprimento deste desiderato. para que este trabalho possa beneficiar de uma melhoria contínua efectiva. como parte de toda a sua actividade. água e energia. e verificam se o crescimento desta componente corresponde ao crescimento do volume de negócios da empresa. colocando à organização questões. reduzindo dessa forma os riscos para o homem e para o ambiente? . as instituições responsáveis pela defesa do ambiente. dos resíduos sólidos e das águas residuais ou efluentes líquidos. com a implementação dos Sistemas de Gestão Ambiental e com as certificações das empresas pela Norma ISO 14001. passaram a solicitar ás empresas o chamado Licenciamento Ambiental. Desta forma muitas empresas passaram a considerar uma nova postura relativamente a esta área.Será que esta é aplicável a produtos e processos industriais.Como produzir mais. e a redução das emissões atmosféricas? . restandoCarlos Alberto Alves Página 69 . reduzindo os custos ambientais associados e.O que é a Produção Mais Limpa? . esta responsabilidade passou a estender-se aos restantes colaboradores de cada organização e mesmo até aos parceiros de negócio desta.Resíduos 2006 Estratégias de produção mais limpa Com a diversificação das actividades industriais e o aumento correspondente dos resíduos gerados. Hoje.O que é a utilização racional das matérias-primas. por forma a avaliar essas eventuais possibilidades de melhoria.Quais são os principais benefícios obtidos através da implementação de um Programa de Minimização da Geração de Resíduos? Na verdade. é importante que as empresas se equacionem. avaliam os custos ambientais. tendo designado ou criado o lugar de responsável pela área ambiental dentro das suas organizações. quanto maior for a geração de resíduos menor será a eficiência do processo. bem como o controlo e tratamento das emissões atmosféricas. assegurando o cumprimento da legislação ambiental e perseguindo a melhoria contínua. reduzindo a geração de resíduos? . quanto à abordagem a ter. através de uma estratégia ambiental preventiva e integrada. em particular os custos que têm com os resíduos.Será que se pode fazer o controlo através dos tradicionais Balanços de Massa? . poderão ser: .

Após a sua transformação estes são transformados em produtos sobrando os resíduos. que deverá ser feita com algum rigor. para permitir depois a implementação das medidas atenuantes mais adequadas. como forma de ter uma leitura rápida e explicita dos mesmos. Este tema é tratado com mais detalhe numa outra publicação (A Gestão Eficiente dos Resíduos – da Publindústria). líquido ou gasoso. com o tratamento destes resíduos será também. como uma metodologia. e dessa forma obter a margem do negócio. A medida da eficiência de um processo é dada pelo rácio entre os produtos produzidos e os resíduos gerados na actividade e.Resíduos 2006 nos apenas estabelecer uma relação entre um e outro. que podem assumir o estado sólido. estão referenciados os passos mais importantes. como também dos resíduos gerados e dos custos ou proveitos originados por estes. ainda que escondidos. Na publicação em cima referida. menores serão os custos de tratamento desse resíduos e menores serão os riscos para a saúde dos trabalhadores. Sugere-se a execução de mapas onde possam ser listados não só os consumos e custos relacionados com as matérias-primas consumidas. anual Unidades Custo unitário Custo total Incorporação no produto(%) Exemplo de mapa de registo de matérias-primas Carlos Alberto Alves Página 70 . Existe mais de uma forma de aferir a eficiência de uma organização. através da implementação de medidas simples e motivadoras. o envolvimento de todos os colaboradores da organização. ou seja entre: Poluição ¸ Ineficiência No fluxo de entrada de matérias-primas no processo. O apuramento dos custos. factor determinante para a implementação de medidas. constam items como a água. a energia e todas as outras matérias-primas que compõem o produto produzido ou a produzir. impõem-se a implementação de um Programa de Minimização da Geração de Resíduos. podendo ser evidenciadas economias óbvias. destinada a obter para além do compromisso da gestão de topo. por essa razão quanto menor for o resíduos gerado maior será a eficiência. devendo obviamente começar sempre pelo levantamento da situação existente. Assim. Processo Material Quant. Uma hipótese será a de juntar ao custo das matérias-primas o custo de tratamento dos resíduos. a seguir para a implementação de um programa deste tipo.

sobretudo a divulgação dos resultados. o nível de detalhe pretendido. as unidades de medida dos mesmos. Carlos Alberto Alves Página 71 .Resíduos 2006 Para que se possa ter uma leitura isenta dos indicadores fornecidos pelos conjunto dos elementos recolhidos. Nenhum programa será bem sucedido se não contar com a colaboração de todos. até porque só desta forma se conseguirá manter o ânimo que sustentará todo o projecto. é imprescindível a divulgação dos resultados de uma forma clara e objectiva. Após a avaliação dos dados recolhidos segue-se a priorização das medidas. devendo ser elogiadas quando tal for merecido. bem como deve ser indicado quem é o responsável pelo indicador e o unidade de imputação do mesmo. Em qualquer programa deste género. estes devem ser listados. para que todos possam participar nos êxitos obtidos através do mesmo. devendo identificar-se a periodicidade de leitura dos mesmos. As pessoas devem conhecer as repercussões das suas acções. determinado os pontos críticos a intervencionar e.

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acondicionamento. etc. Um dos aspectos importantes a considerar. inerte. a minimização da geração desses resíduos também em quantidade e perigosidade. mas também e sobretudo com a eleição de um destino mal escolhido ou seleccionado. mas também com o seu manuseamento. A primeira destas fases ou etapas consiste no inventário dos resíduos gerados referenciando a sua origem. Uma gestão adequada dos resíduos deve considerar a prevenção da geração de resíduos e da sua perigosidade. a quarta fase é aquela onde se estabelecem as responsabilidades.Resíduos 2006 Regras de boas práticas para o produtor de resíduos Normalmente a gestão inadequada dos resíduos industriais. dá origem a prejuízos que podem ser graves para as empresas. simultaneamente da diminuição da sua perigosidade.). como já foi referido. nomeadamente a designação de alguém devidamente habilitado para pôr em prática todo o plano de gestão e. deve prever os procedimentos a serem adoptados na segregação. a sua armazenagem. A terceira fase ou etapa é aquela onde se planeiam as acções de carácter preventivo e correctivo nas situações de manuseamento incorrecto ou no caso de acidentes. por último a quinta fase. passa pela eventual implementação de um Programa de Minimização da Geração de Resíduos. com vista não só contenção da geração destes. a reutilização. recuperação. reciclagem e recuperação ambientalmente seguras de materiais e energia. devem ainda ser levadas a cabo análises que permitam concluir da eventual possibilidade de se proceder à reutilização. o tratamento ambientalmente seguro dos mesmos e a escolha de um destino adequado para os resíduos remanescentes. Para o lançamento de um programa deste tipo devem observar-se algumas fases. reciclagem e recuperação de materiais e produtos. mas também à prevenção e. Carlos Alberto Alves Página 73 . para uma gestão sustentada dos resíduos. o seu transporte. caracterização e classificação (perigoso. podem ser de vária ordem e podem ter a ver não só com a produção em si. quantidade. não perigoso. a segunda fase ou etapa. reutilização. indicando os locais da fábrica onde estas serão implementadas. Os problemas derivados dessa eventual má gestão dos resíduos. transporte. será aquela onde se faz o ponto da situação e se planeiam as intervenções conducentes à melhoria contínua do processo de contenção dos resíduos. reciclagem. Numa acção deste tipo. tratamento e deposição final.

3 – Fase – Acções preventivas e correctivas. após este levantamento. banais. minimizando dessa forma as perdas entre outros da energia e dos produtos rejeitados. 5 – Fase – Plano de melhoria contínua. De preferência e. Resíduos. exige a revisão dos processos de transformação (imputs). deve elaborar-se um mapa onde se possa ilustrar a situação relativamente a cada um dos resíduos listados e. 2 – Fase – Elaboração de procedimentos. Nesta fase a redução da geração de resíduos. etc. Um exemplo deste tipo de Mapa pode ser visto no Anexo I. para posteriormente se elaborar o Mapa de Diagnóstico Ambiental da Gestão de Resíduos. urbanos ou perigosos. etc. um investimento na área da formação dos funcionários. Classificação.A reutilização interna. podendo ainda referenciar-se a eventual legislação aplicável a cada um dos resíduos. 1 – Fase – Inventário ou levantamento da situação. a selecção de métodos de fabrico e expedição dos produtos produzidos e. para além de ser feita a inventariação ou levantamento da situação dos resíduos gerados na empresa.A prevenção da perigosidade. ou seja a optimização dos consumos de recursos.).A prevenção da quantidade. Medidas para cumprimento da legislação. e. Carlos Alberto Alves Página 74 . deve também ser levada a cabo a necessária caracterização dos resíduos gerados. Nas linhas desse mapa poderão constar os diferentes resíduos gerados na actividade. 4 – Fase – Definições de responsabilidades. Racionalizar e portanto fazer mais e melhor com menos pressupõem uma mudança de atitude que só se conseguirá com uma melhor formação e sensibilização. . No decorrer da 1ª Fase deve. Esta prevenção deve assumir três vertentes: . Medidas implementadas ou a implementar.Resíduos 2006 perdidos ao longo de uma qualquer linha de fabrico. Na 2ª Fase deve desde logo acentuar-se a tónica na prevenção da geração de resíduos. . quanto ao seu tipo (inertes. onde nas colunas poderemos ter rubricas como. de preferência por processo ou linha de fabrico. líquidos. recorrendo a ensaios laboratoriais ou outros de forma a avaliar da sua viabilidade para reciclagem ou outra forma de valorização.). Deve também proceder-se à necessária classificação dos resíduos quanto à sua forma (sólidos. Actividade geradora.

.Resíduos 2006 A reutilização. através da utilização de tecnologias mais amigas do ambiente. para que não se produza a contaminação ou mesmo a incompatibilidade entre diferentes resíduos de diferentes naturezas. contaminações e outros acidentes. Recolha Os resíduos devem ser segregados. o armazenamento e o transporte. através da redução dos custos de deposição final dos resíduos. numa determinada função ou em qualquer outra diferente da função original. da melhoria das condições de higiene e segurança e etc. conduzindo dessa forma à economia de recursos humanos e financeiros. seja através da redução dos custos de manuseamento. é a da optimização da produção. Existem ou podem existir mil e uma maneiras de levar por diante este pressuposto. rumo à eco-eficiência. resistentes e duráveis. promovendo a recolha selectiva dos diferentes resíduos. de preferência em embalagens estanques. A empresa deverá adequar os seus lay-out’s por forma a não prejudicar a produtividade e a segurança. A área de armazenagem Carlos Alberto Alves Página 75 . por forma a minimizar os riscos e facilitar as cargas e outros tipos de controlos. Um outro aspecto importante nesta 2ª fase é o que se relaciona com a recolha. misturas de resíduos de diferentes naturezas. consiste em utilizar os produtos ou resíduos tantas vezes quantas as possíveis. Esta é uma forma racional de minimizar os quantitativos dos resíduos. estes devem ser acondicionados adequadamente para evitar derrames. O acondicionamento deve levar em conta a tipologia do resíduo. O armazenamento e acondicionamento Quando estiver em causa a armazenagem temporária dos resíduos. promovendo a dita reciclagem interna dos materiais por reincorporação. tornando o processo produtivo mais eficiente. devendo ser feito em embalagens compatíveis com o tipo de resíduos em causa. nos locais onde são produzidos. Os tipos de embalagens mais usuais são: • • • • • Contentores (IBC’s) Bidões metálicos Bidões plásticos Big bag’s Sacos plásticos As embalagens devem ser identificadas assim como o espaço destinado ao armazenamento. Outra das vertentes a explorar nesta 2ª fase.

• Dependendo do tipo de resíduo. o detentor e o transportador. de forma a evitar a deslocação destes no veículo ou para fora dele. • • O transporte de resíduos deve sempre fazer-se acompanhar da Guia de Acompanhamento. kit de segurança e outros. devem ser acondicionados em embalagens estanques. desde que técnica e economicamente viáveis. • No veículo a carga deve estar bem arrumada e escorada. Alguns dos requisitos exigidos para o transporte de alguns resíduos são: • Os resíduos líquidos e pastosos. em veículos de caixa fechada ou veículos de caixa aberta com a carga devidamente coberta. respondem solidariamente pelos danos causados durante o transporte de resíduos. sobretudo se o resíduo for considerado perigoso. considerando as características dos resíduos. O veículo deve respeitar as condições de segurança impostas para o transporte de mercadorias perigosas.Resíduos 2006 deve ser ventilada. cuja taxa de enchimento não exceda os 98%. Carlos Alberto Alves Página 76 . • Os camiões que procedem ao transporte de resíduos devem estar em boas condições de conservação e o motorista deve estar habilitado para tal. fazendo-se acompanhar de ficha de emergência. Não esquecer que o produtor. • Os resíduos sólidos devem ser acondicionados em embalagens ou quando tal for possível a granel. fechada. impermeabilizada. Por essa razão este deve seleccionar as formas de tratamento mais adequadas. Destino Compete também ao responsável pela área da gestão dos resíduos da empresa assegurar-se de que os destinos eleitos são os melhores. O transporte O transporte de resíduos deve obedecer ás disposições legais e outras de forma a conferir a este as condições ambientalmente mais correctas. obrigatórios por lei. o veículo e o motorista devem estar habilitados para o transporte de mercadorias ao abrigo do ADR ou RPE. coberta.

não alimentares e de prestação de serviços. de 27 de Agosto.Resíduos 2006 Regras para a elaboração do Dossier Ambiental O Dossier Ambiental. nas instalações do estabelecimento industrial. Quantidades anuais de matéria-prima e subsidiárias consumidas. Licença de exploração de aterros. cujo funcionamento envolva riscos para a saúde e segurança dos trabalhadores (Decreto-Lei nº 370/99. de 28 de Janeiro). Decreto-Lei nº 197/2003. Produções anuais previstas. quando for aplicável (Decreto-Lei nº 152/2002. Localização da unidade industrial em carta 1:25. de 6 de Junho). destinado a suportar a empresa rumo à Certificação Ambiental. de 11 de Abril. Dele deve fazer parte integrante algumas peças. • Licença para o Exercício da Actividade Licença de exploração de estabelecimento industrial (Decreto-Lei nº 69/2003. anexá-lo (Artigo 15º do Decreto-Lei nº 69/2003. Cópia da Declaração do IRC. vamos esquematizar as rubricas que devem compor este documento: • Documentação de carácter geral Sector de actividade a que a empresa pertence – Classificação Portuguesa das Actividades Económicas (CAE). de 27 de Agosto e Portaria nº 464/2003. Fluxograma do(s) processo(s) produtivo(s). é um documento básico. “Lay-out” da empresa (implantação das diferentes áreas no terreno). com o historial do processo de licenciamento devidamente organizado e actualizado. de 23 de Maio). com os números relativos à actividade principal e secundária ou secundárias. Carlos Alberto Alves Página 77 . Decreto-Regulamentar nº 8/2003. de 18 de Setembro e Portaria nº 33/2000. Capacidade produtiva instalada.000. Assim. de 10 de Abril. Licença de instalação dos estabelecimentos de comércio ou armazenamento de produtos alimentares. de 10 de Abril). conforme o Decreto-Lei nº 197/2003. No caso do estabelecimento industrial ter um dossier ambiental já elaborado. destinadas a provarem e a documentar a empresa que se pretende licenciada.

Autorização de funcionamento dos equipamentos sob pressão (Decreto-Lei nº 97/2000. Caudais de águas residuais domésticas e industriais rejeitadas. Prova do envio dos boletins à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) respectiva. Decreto-Lei nº 313/2001. Identificação do local ou locais de rejeição. Diagrama de blocos da Estação de Tratamento de Águas Residuais. usada para consumo humano. de 13 de Dezembro). de 27 de Maio. Resultados do auto-controlo efectuado aos parâmetros constantes na licença com a periodicidade aí exigida. de 22 de Fevereiro). quando aplicável (Decreto-Lei nº 189/88. Peças desenhadas das redes de drenagem de águas residuais domésticas. No caso da cogeração possuir comprovativo da realização de auditorias energéticas bianuais. Se a licença tiver caducada. de 10 de Dezembro e Decreto-Lei nº 538/99. industriais e pluviais. de 22 de Fevereiro). Licença de utilização do domínio hídrico para a rejeição de águas residuais (DecretoLei nº 46/94.Resíduos 2006 Licença de exploração da actividade de cogeração. • Água Registo total dos consumos e respectivas origens. Se houver ligação à rede urbana. prova de como foi efectuado o pedido de revalidação de 60 dias antes de expirar o prazo. Carlos Alberto Alves Página 78 . Boletins analíticos da caracterização físico-química e bacteriológica da água do(s) furo(s)/poço(s). Boletins analíticos do auto-controlo. declaração da Câmara Municipal a autorizar a ligação. de 25 de Maio). Licença de utilização do domínio hídrico para a(s) captação(ões) de água (Decreto-Lei nº 46/94.

do Decreto-Lei nº 239/97. de 22 de Setembro e códigos LER constantes da Portaria nº 209/2004. de 17 de Dezembro e Regulamento CE 259/93. de 9 de Setembro e Portaria 961/98. Mapas de registo de resíduos industriais. Registo trimestral de produtor de óleos usados e respectivo envio anual ao INR (nº 4. do artº 17º. de 9 de Setembro. armazenagem ou tratamento (Decreto-Lei nº 239/97. caso essas unidades não constem da Lista de Operadores de Gestão de Resíduos. Documentos comprovativos de que os destinatários dos resíduos estão autorizados para a sua eliminação. do artº 17º. publicado a 15 de Maio de 2004). • Resíduos Autorização prévia para operações de gestão de resíduos (Decreto-Lei nº 239/97. de 9 de Setembro). de 9 de Setembro. possuir os documentos respectivos (Decreto-Lei nº 296/95.Resíduos 2006 Controlo analítico das substâncias perigosas nos efluentes resultantes da sua utilização no processo de fabrico (Lista I e II do anexo XIX do Decreto-Lei nº 236/98. Mapa de registo de resíduos hospitalares. de 1 de Fevereiro) – Formulário de Carlos Alberto Alves Página 79 . de 3 de Setembro) – Modelo 1513 e 1514 INCM. publicado a 13 de Agosto). de 11 de Julho e Despacho nº 962/2004. destinados à eliminação ou resíduos da lista vermelha e laranja destinados à valorização. vermelha e laranja. do Decreto-Lei nº 239/97. Registo de resíduos para quem efectua operações de gestão de resíduos (artº 16º do Decreto-Lei nº 239/97. de 9 de Setembro). Guias de acompanhamento de resíduos. aplicável às actividades industriais e de produção e distribuição de electricidade. de 16 de Maio) – Modelos 1428 e/ou 1429 INCM. No caso do Movimento Transfronteiriço de Resíduos: Quando se trate de importação/exportação directa de resíduos sujeitos a Processo de Notificação (PT). aprovadas pelo INR. de 10 de Novembro). de 11 de Março e Despacho nº 242/96. do Decreto-Lei nº 153/2003. resíduos da listas verde. transportados e/ou encaminhados (artº 15º. gás e água (nº 1. Portaria nº 278/97. correctamente preenchidas. de 9 de Setembro e Portaria nº 335/97. Portaria nº 792/98. animais e investigação relacionadas (nº1. do Decreto-Lei nº 239/97. para todos os resíduos recebidos. aplicável às unidades prestadoras de cuidados de saúde a seres humanos. de 1 de Agosto e Legislação complementar). (2ª Série). do artº 22º. valorização.

Possuir o nº de registo atribuído pelo INR. destinados à valorização. de 22 de Novembro. deverá possuir a declaração respectiva ou cópia da mesma (artº 1º.Resíduos 2006 Notificação – Modelo 1338 INCM e Formulário de Movimento/ Acompanhamento – Modelo 1338-A INCM. coma informação relativa: Ás quantidades e características dos óleos novos adquiridos e o processo onde foram utilizados. Possuir licença de instalação. com a periodicidade estabelecida no referido diploma. Capacidade de armazenamento dos depósitos de petróleo. para depósito de sucatas (Decreto-Lei nº 268/98. de acordo com o Decreto-Lei nº 267/2002. de 11 de Junlho). combustíveis líquidos. no caso de exercer actividade de recolha/transporte de óleos usados (Decreto-Lei nº 153/2003. Portaria nº 176/96. liquefeitos do petróleo – GPL) e respectiva licença de exploração. Possuir igualmente uma lista dos agricultores que as utilizam. seus derivados e resíduos (incluindo gases. de 11 de Julho). Caso se verifique a importação/exportação de resíduos directa de resíduos da lista verde. e 22 de Novembro. de 1 de Fevereiro). Notificação à CCDR das operações de valorização interna dos resíduos. à CCDR respectiva. de 26 de Novembro e Portaria nº 1188/2003. emitida pelo Ministério da Economia ou Câmaras Municipais. 11º e 17º do Regulamento CEE nº 259/93. de 28 de Agosto). Prova do envio dos resultados anteriores. ao processo que lhe deu origem e respectivo destino final (Decreto-Lei nº 153/2003. Autorização do Instituto dos Resíduos (INR). Ás quantidades e características dos óleos usados produzidos. possuir a caracterização das referidas lamas e dos solos onde vão ser valorizadas. de 10 de Outubro. Caso as lamas da ETAR se enquadrem no Decreto-Lei nº 446/91. assim como das áreas de aplicação respectivas (Decreto-Lei nº 446/91. para operações de valorização interna de óleos usados (Decreto-Lei nº 153/2003. de 19 de Abril). Possuir registo trimestral sob a forma de quadro. nº 177/96 de 3 de Outubro e Despacho conjunto nº 309/G/2005. Carlos Alberto Alves Página 80 . de 11 de Julho).

enviada ao Instituto do Ambiente (I.Resíduos 2006 • Ar Identificação das origens das emissões. de 9 de Novembro. Proceder ao inventário dos consumos totais de solventes. Identificação e quantificação dos consumos anuais das diferentes origens de energia. Boletins analíticos de auto-controlo das emissões atmosféricas. Possuir o inventário do consumo total dos solventes. à carga inicial deste fluído (Kgs) e à potência Carlos Alberto Alves Página 81 . conforme disposto no Decreto-Lei nº 352/90. ao fluído que é utilizado. Caso fique abrangida pelo Decreto-Lei nº 233/2004. de 14 de Dezembro. • COV’s. de acordo com os parâmetros exigidos na legislação (Decreto-Lei nº 352/90. de 3 de Julho e Portaria nº 286/93. ao tipo e identificação da sua capacidade. Possuir cópia da ficha de identificação da instalação existente. revogado pelo Decreto-Lei nº 78/2004. com vista à verificação da aplicação dos limiares estabelecidos no Anexo II – A. de 31 de Janeiro). Possuir o inventário do consumo total de solventes. do Decreto-Lei nº 242/2001. Caso esteja abrangido. de 31 de Agosto. Peça desenhada com identificação das fontes fixas de emissões atmosféricas e indicação das alturas e diâmetros das chaminés. de 9 de Novembro. de 31 de Agosto Verificar se a instalação está ou não abrangida. Proceder `a inventariação de todos os extintores. de 20 de Abril. de acordo com o Decreto-Lei. deverá possuir o título de emissões de CO2 (Portaria nº 120/2005. • Sobre a Camada do Ozono – Decreto-Lei nº 119/2002. de 12 de Março). Proceder à inventariação de todos os equipamentos de refrigeração e ar condicionado. de 31 de Janeiro e Portaria 121/2005. alterado pelo Decreto-Lei nº 243 A/2004. Compostos Orgânicos Voláteis – Decreto-Lei nº 242/2001. • Sobre o comércio de emissões.A). Altura das chaminés de acordo com a Portaria nº 263/2005. incluindo solventes puros e solventes contidos em preparações. à sua localização. de 17 de Março.

Existência de um relatório anual para todos os equipamentos fixos que contenham substâncias. de 14 de Novembro As actividades permanentes susceptíveis de produzir ruído incomodativo para as habitações. pretender proceder a uma alteração da instalação.Resíduos 2006 de refrigeração (Kw) e respectivo ano de fabrico (Regulamento CE nº 2037/2000 e Decreto-Lei nº 119/2002. superior a 3 Kgs. da ficha de identificação. deverá possuir cópia da comunicação dessa alteração à Entidade Coordenadora do Licenciamento (ECL). de 26 de Novembro. escolas. Existência de uma placa sinalética em todos os equipamentos fixos que contenham substâncias. de 21 de Agosto Capacidade de produção instalada de acordo com o Anexo I do Decreto-Lei nº 194/2000. que contribuam para a destruição da camada do ozono. Se a empresa for abrangida pela PCIP. No caso de instalações abrangidas pela PCIP a licença ambiental prevê monitorização do ruído. de 21 de Agosto e. No caso de não estar abrangida pelo Decreto-Lei nº 194/2000. com carga de fluído refrigerante. hospitais existentes ou previstos nas imediações dessas actividades. referindo o(s) código(s) abrangido(s) (Decreto-Lei nº 194/2000. Identificação da(s) Entidade(s) que procedem à manutenção dos equipamentos. de 21 de Agosto. Possuir licença ambiental no caso de ter procedido a uma alteração e ter ficado abrangida pelo Decreto-Lei ou se tratar de uma instalação nova. Registo dos resultados das medições sonoras. de 21 de Agosto). Carlos Alberto Alves Página 82 .A. de 20 de Abril). prova do envio ao I. superior a 3 Kgs. podendo eventualmente ficar abrangida. que contribuam para a destruição da camada do ozono. com carga de fluído refrigerante. encontram-se obrigadas a cumprir “ o critério de incomodidade” (nº 3 do artº 8º) e “o critério de exposição máxima” (nº 3 do artº 4º) do Decreto-Lei nº 259/2002. • Ruído – Decreto-Lei nº 292/2000. • Prevenção e Controlo Integrado da Poluição – PCIP. Decreto-Lei nº 194/2000. caso tenham sido efectuadas no exterior das instalações fabris.

com indicação para cada uma delas da correspondente designação química. As substâncias e preparações devem estar devidamente rotuladas (Portaria nº 732-A/96. • Prevenção e Controlo dos Perigos Associados a Acidentes Graves que Envolvem Substâncias Perigosas – SEVESO II. Caso esteja abrangido: Possuir inventário actualizado de substâncias perigosas existentes. no caso de estarem abrangidos. categoria e classe a que corresponde no diploma. frases de risco e quantidades máximas armazenadas na empresa (alínea K. do artº 16º. Possuir Relatório de Segurança no caso dos estabelecimentos abrangidos pela alínea b).. Possuir um dossier organizado com as fichas de segurança em português. Prova do envio da notificação ao I. nº 5 do Decreto-Lei nº 194/2000. que deve ser enviado à CCDR respectiva (artº 8º.Resíduos 2006 Possuírem o formulário anual respectivo. comercial. do artº 3º do Decreto-Lei nº 164/2001. utilizadas nas instalações. Possuir um dossier organizado com as fichas de segurança em português. de 11 de Dezembro e Portaria nº 1152/97.A. Decreto-Lei nº 164/2001. de 23 de Maio). Carlos Alberto Alves Página 83 . de 21 de Agosto)*. As substâncias e preparações devem estar devidamente rotuladas (Portaria nº 732/A/96. Possuir um documento que defina a Política de Prevenção de Acidentes Graves (PPAG). Proceder aos cálculos relativos à acumulação de substâncias perigosas (aplicação da parte 2 do Anexo I do Decreto-Lei). de 12 de Novembro). deverá proceder a uma notificação complementar e preencher um novo formulário *. Nº EINECS. de 23 de Maio). sobre emissões poluentes (EPER). de 11 de Dezembro e Portaria nº 1152/97. Sempre que haja alteração das substâncias perigosas existentes. nº CAS. no estabelecimento. do ponto 4. de 23 de Maio Identificação das substâncias e preparações perigosas. que deve incluir a Política de Prevenção de Acidentes Graves (PPAG) e um Sistema de Gestão de Segurança (SGS). no caso de estarem abrangidos pelo artº 14º. estado físico. instalação ou área de armazenagem (Decreto-Lei nº 164/2001. de 12 de Novembro).

) e o respectivo projecto ter ficado abrangido pelos Anexos I ou II do Decreto-Lei nº 69/2000. de 3 de Maio No caso da empresa ter procedido a uma alteração (ampliação. Ter ficado isento de procedimento de AIA. de 3 de Maio. deve possuir documentos comprovativos de: Ter submetido o projecto a procedimento de AIA. remodelação. etc.Resíduos 2006 • Avaliação de Impacte Ambiental – AIA. Decreto-Lei nº 69/2000. caso tenha pedido a isenção e esta tenha sido concedida ou autorizada. * Formulário disponível no site do Instituto do Ambiente Carlos Alberto Alves Página 84 . O projecto ter sido executado/desenvolvido de acordo com as disposições constantes da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) ou com as recomendações posteriores da Autoridade de AIA.

No mundo competitivo em que nos encontramos. ☺ Mesmo que não pretenda o Licenciamento Ambiental. Carlos Alberto Alves Página 85 . elabore o Dossier Ambiental. siga as instruções contidas aqui para organizar essa informação verificando não só o que lhe falta. mas sobretudo marcando a sua posição faça ao que de mais exigente existe. é aqui que entra a estratégia de uma produção mais limpa. ☺ Considere os aspectos relevantes relacionados com a recolha. ou com menos geração de resíduos.Resíduos 2006 Resumo: ☺ Não esqueça o princípio de que a poluição = a ineficiência. ☺ Adopte regras de boas práticas para resolver ou minimizar o problema dos resíduos na sua empresa. fazendo um plano por etapas. assegurando-se de que essa é a melhor forma de o fazer e também a mais correcta de acordo com a legislação vigente. ☺ Tenha esse Dossier sempre disponível. o transporte e o destino dos seus resíduos. numa pasta de lombada larga e vai ver que ele lhe vai servir dentro de pouco tempo. o valor da empresa mede-se pela sua capacidade de fazer bem e com o menor uso de recursos possíveis.

Resíduos 2006 Carlos Alberto Alves Página 86 .

reduzindo os custos ambientais associados e. O que é a utilização racional das matérias-primas. Será que esta é aplicável a produtos e processos industriais. Qual a principal preocupação a ter na selecção dos destinos dos seus resíduos? 11. Como se poderá produzir mais. Sabe o que é o Dossier Ambiental? Carlos Alberto Alves Página 87 . água e energia. através de uma estratégia ambiental preventiva e integrada. O que é a Produção Mais Limpa? 3.Resíduos 2006 Questões sobre o tema: 1. Será que se pode fazer o controlo através dos tradicionais Balanços de Massa? 6. Conhece as regras de transporte criadas para regulamentar o transporte de mercadorias perigosas? 10. reduzindo a geração de resíduos? 2. Sabe o que é o Mapa de Diagnóstico Ambiental? 9. Quais são os principais benefícios obtidos através da implementação de um Programa de Minimização da Geração de Resíduos? 7. Sabe quais são as principais etapas de lançamento de um Programa de Minimização de Resíduos? 8. reduzindo dessa forma os riscos para o homem e para o ambiente? 4. e a redução das emissões atmosféricas? 5.

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gerados na industria. recebem a designação de resíduos urbanos ou equiparados no caso dos primeiros e resíduos hospitalares no caso dos segundos. Conforme também já foi referido.Resíduos inertes. e. os resíduos industriais podem ser: . incluindo-se também as lamas provenientes sistemas de tratamento de águas residuais. . por exemplo. . pastoso e líquido. que no caso de serem em quantidades inferiores a 1100 litros dia.Resíduos industriais não perigosos ou banais. que por essa razão exijam tratamentos específicos. sendo a sua classe definida pelo nível de contaminação. Existem ainda uma outra série de resíduos gerados nas actividades ligadas à indústria. embora gerados na indústria. Carlos Alberto Alves Página 89 .Resíduos industriais perigosos. bem como outros líquidos cujas particularidades impeçam o seu lançamento na rede pública de esgotos e. Alguns resíduos. são resíduos no estado sólido. os resíduos industriais. e por essa razão tratados de forma separada como veremos mais à frente. em cantinas e serviços de assistência médica. têm fluxos próprios ou específicos.Resíduos 2006 Gestão de resíduos industriais Conforme já foi falado. os resíduos gerados em equipamentos e instalações de controlo de poluição. como os óleos usados.

conforme o seu estado. Os resíduos industriais perigosos (RIP’s). Lei 239/97. diz ainda que Resíduos Industriais (RI). “entende-se por resíduos industriais banais (RIB’s). gás e água. no entanto a definição existente na lei (Dec. Lei 321/99. não se enquadrando nas classificações de perigosos ou inertes. de 9 de Setembro. em função das suas Carlos Alberto Alves Página 90 . o mesmo que por resíduos industriais não perigosos”.Resíduos 2006 Definições e conceitos gerais sobre Resíduos A designação de resíduo aplica-se a qualquer material. Hoje. nos termos do Dec. O conceito de lixo ou resíduo é uma concepção humana. de acordo com a redacção do já citado Dec. Assim sendo e. a cada resíduo ou a cada tipo de resíduo e a cada tipo de perigosidade ou complexidade desse resíduo esteja muitas vezes associado um tipo de procedimento e até de tratamento. apenas produtos inertes. gerado pela actividade humana. de 23 de Maio) é a de que “resíduo é tudo aquilo que o detentor se desfaz ou tem intenção ou obrigação de se desfazer”. Lei 239/97. O termo resíduo sólido aplica-se geralmente para materiais no estado sólido. plástico e vidro. considerando a abrangência desta definição. quando não contaminados com substâncias perigosas. com possibilidade de acarretar riscos á saúde pública ou ao meio ambiente. sendo esta uma classificação por origem. de 11 de Agosto. Resíduos Industriais Inertes. Lei. Resíduos Industriais Perigosos (RIP’s). e que precisa ser eliminado. Quanto á sua origem os resíduos são agrupados em três categorias: Resíduos Industriais Banais (RIB’s). Esta definição contida no Dec. são definidos como sendo “todos os resíduos que. são chamados resíduos líquidos ou gasosos. No Dec. bem como os que resultam das actividades de produção e distribuição de electricidade. os resíduos podem ser de vários tipos e de várias perigosidades e / ou complexidades. são os “resíduos gerados na actividade industrial”. repugnante ou sem valor. supérfluo. de 9 de Setembro. existem várias formas de definir um resíduo. que é considerado inútil. Lei 152/2002. porque em processos naturais não há lixo. 239/97. Líquidos ou gases considerados inúteis ou supérfluos. Assim sendo estes são aqueles que podem apresentar características de combustibilidade. Sendo tão variada a panóplia destes. de 9 de Setembro. Apresenta-se como exemplos resíduos de papel. é também normal que. biodegrabilidade ou solubilidade na água.

Como exemplo destes últimos podem ser dados os “resíduos de construção e demolição. apresentam riscos para a saúde pública ou meio ambiente. que se podem ainda dividir em entulhos. sem considerar que na nossa vida somos por princípio geradores de resíduos natos. quer enquanto detentores quer como gestores ou outros e. conforme já referido atrás. de 23 de Maio. relacionados com os resíduos e em torno destes. das embalagens. reutilização e etc. reactividade. aos que com eles lidam. Lei 152/2002. e dizem respeito aos tipos de resíduos. está contida no Dec. químicas ou biológicas importantes e. Foi imperioso que a legislação procurasse definir alguns conceitos básicos.”. Alguns desses resíduos estão entre nós de tal maneira que já quase achamos natural a sua existência. que nos vamos debruçar. que os considera como sendo aqueles que “não sofrem transformações físicas. para aprofundar os nossos conhecimentos com vista a uma melhor adequação da forma de como lidar com esta inevitabilidade. dos óleos usados. inflamáveis ou ter qualquer outro tipo de reacção física ou química. desde que estas quantidades não ultrapassem os 1100 litros dia. que respeita á deposição de resíduos em aterro e. Estas definições gerais estão descritas no Dec. sistemas ou processos de tratamento.. contribui significativamente para a redução da qualidade de vida de todos nós a menos que façamos qualquer coisa para minimizar os efeitos nefastos. na actividade industrial geram-se milhares de toneladas de diferentes resíduos todos os anos. Lei 239/97 de 9 de Setembro.. A definição de resíduos inertes. No entanto. conforme já referido. e hospitalares no caso de consultórios médicos integrados nas empresas. das pilhas e acumuladores. corrosividade. dos electrodomésticos e etc. é o caso dos pneus em fim de vida. Mas e antes do mais. a presença desta panóplia de resíduos. como uma daquelas que coloca sérios problemas relacionados com os resíduos que gera e. devemos considerar a actividade industrial... que possuem ou constituem fileiras próprias. É na actividade industrial.Resíduos 2006 características intrínsecas de inflamabilidade. Com efeito e. toxicidade ou patogenicidade. uma vez que é esta a principal preocupação desta acção de formação.”. terras e outros materiais”. dizem ainda respeito aos sistemas de gestão destes resíduos. Dentro da actividade industrial podem ainda existir outros tipos de resíduos que podem ser considerados urbanos.. bem assim pelas suas características aquela que maior complexidade apresenta sobretudo no que diz respeito á redução da perigosidade que muitas vezes está adjacente a estes resíduos. não só pela sua presença mas também pela destruição dos recursos naturais cada vez mais evidente. valorização. em consequência não podem ser solúveis. Carlos Alberto Alves Página 91 ..

Mas antes disso façamos um pequeno exercício. que só com técnicas de inertização adequadas pode ser controlada ou minimizada.Resíduos 2006 Alguns dos resíduos gerados na industria. apresentam características de perigosidade. para percorrer algumas áreas da actividade industrial. nas quais se geram diferentes tipos de resíduos. Carlos Alberto Alves Página 92 .

decerto representaria muitos milhões de euros. são muitas as empresas que não dão a mesma ênfase á Gestão dos Resíduos que dão a outras áreas como a Produção ou ás vendas e. Quando se procedeu ao lançamento do concurso público para a atribuição das licenças dos CIRVER’s. se poderem negociar taxas de seguro mais baixas e. através da utilização de tecnologias mais “limpas”. também não serviu de muito para a clarificação do panorama nacional em termos de geração de resíduos. por essa razão não têm verdadeiramente quantificado os volumes de resíduos gerados. melhora os resultados e ajuda a manter o negócio competitivo e. Carlos Alberto Alves Página 93 . um levantamento mais ou menos rigoroso dos resíduos gerados. se podem juntar outros resultantes do facto de.Resíduos 2006 A Actividade industrial e a geração de resíduos como uma inevitabilidade Você sabe quais os tipos de resíduos e quais as quantidades dos mesmos que a sua empresa produz. No entanto. energia consumida na transformação e etc. e quais os verdadeiros custos que esses resíduos acarretam para a sua empresa? Esta é a questão que se pode colocar a todos aqueles que de uma forma ou de outra são responsáveis pelas empresas e / ou pela gestão dos seus recursos. apenas em custos de recolha e de deposição em aterro. Neste momento em Portugal. Na verdade.. no universo das empresas nacionais. estes valor subiria vertiginosamente. para não falar já do seu tratamento quando for caso disso. não existe ainda uma avaliação fidedigna sobre os seus verdadeiros custos. bem como das tecnologias a adoptar. infelizmente. caso estes fossem realmente conhecidos. e se acaso juntássemos a estes custos os custos de rejeições e de matérias primas não conformes. Sem falar ainda sobre a dificuldade crescente de encontrar alternativas á deposição em aterro. Tal levantamento diferiu por isso mesmo. Reduzir estes custos. em Portugal. é necessário ainda considerar que a estes benefícios. podendo em muitos casos ascender até 10% dos resultados. Caso fosse possível. apesar de neste momento estarem quantificadas cerca de 254 mil toneladas de RIP’s. os custos reais surpreenderiam muitas empresas. com rigor. de candidato para candidato e. foi deixado a cargo dos candidatos a elaboração quer dos quantitativos a tratar. existem várias iniciativas para a quantificação e caracterização dos resíduos gerados na industria mas. simultaneamente reduzir os custos de monitorização e demonstração do cumprimentos das normas ambientais em vigor. como já vimos.

. Muitas vezes os resíduos são de difícil identificação. pode acabar por transformar-se num resíduo constituindo a parte visível do resíduo. Por exemplo um lote de um determinado produto defeituoso. existem ainda. tendo no entanto deixado para trás uma parte significativa de outros resíduos que não são visíveis e que. podem considerar-se uma inevitabilidade na indústria e. como por exemplo: a) Águas de lavagem ou de arrefecimento. Muitas pessoas são tentadas a pensar que os resíduos são aquilo que aparece nos contentores do lixo. muitas vezes. Muito embora não sejam de considerar nesta análise. e etc. num escritório por exemplo ou mesmo num qualquer processo. No entanto.Resíduos 2006 Os resíduos apresentam-se de várias formas e nem sempre a sua identificação é óbvia a primeira vista. mas que na verdade podem também elas ser consideradas como parte integrante do resíduo. Carlos Alberto Alves Página 94 . e etc. outras perdas não relacionadas directamente. c) Embalagem. podem assumir diferentes formas.. b) Matérias-primas. b) Materiais de movimentação. isto está longe de ser verdade. por vezes estes podem assumir formas menos visíveis. c) Energia. Por todas estas razões os resíduos. com rigor a primeira grande ferramenta para lutar contra eles deveria ser através da minimização da sua geração. como: a) Trabalho.

Resíduos
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O que foi feito entretanto
Com o desenvolvimento das políticas ambientais europeias, a proliferação de legislação ambiental aplicada à indústria e a implementação em Portugal de melhores práticas ambientais, surgiu a necessidade de criar infra-estruturas adequadas ao tratamento e deposição de resíduos industriais perigosos e banais. Após terem sido construídos alguns aterros, para dar resposta às necessidades de deposição de resíduos industriais banais, foi criado o enquadramento legal para a construção de Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Industriais Perigosos (CIRVER). Os primeiros inventários foram baseados apenas nos Mapas de Registos de Resíduos e informações do Instituto Nacional de Estatística tendo também sido feitos inquéritos e visitas às empresas nos inventários mais recentes. Já foram elaborados vários inventários. O âmbito do CIRVER focaliza-se portanto nos Resíduos Industriais Perigosos e é sob essa perspectiva que devem ser analisados os inventários entretanto levados a cabo, seja o caso do PESGRI (Plano Estratégico de Gestão de Resíduos Industriais - 2001), PNAPRI (Plano Nacional de Prevenção de Resíduos Industriais) e INPRI (Estudo de Inventariação de Resíduos Industriais – 2001). Nestes 3 estudos conclui-se que a quantidade de resíduos industriais perigosos é uma fracção muito reduzida dos resíduos industriais totais.

Inventários de Resíduos Industriais

Resíduos Industriais Banais

Resíduos Industriais Perigosos

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2006 A prioridade da gestão de resíduos deve portanto ter ênfase na redução da sua produção na fonte e na redução da sua perigosidade substituindo sempre que possível materiais mais perigosos por outros de menor perigosidade. Apesar desta prioridade, que deve sempre orientar as boas práticas de gestão ambiental, não devem ser ignoradas as quantidades produzidas e devem ser criadas infra-estruturas para o seu adequado tratamento e deposição. Entretanto convém referir mais uma vez, que existem Planos Estratégicos designados como: acção. Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU – 2000-2006); Plano Estratégico de Resíduos Hospitalares; Plano Estratégico de Gestão de Resíduos Industriais (PESGRI, versão de 2001); Plano Nacional de Prevenção de Resíduos Industriais (PNAPRI).

De todos estes só nos referimos necessariamente aos últimos, uma vez que são eles o objecto desta

O que é um resíduo do ponto de vista legal
De certa forma poder-se-ia definir resíduo industrial, como sendo todos aqueles dos quais fazem parte os resíduos sólidos, pastosos e líquidos gerados na industria, sendo incluídos nesta definição as lamas provenientes de sistemas de tratamento de águas, os resíduos gerados em equipamentos e instalações de controlo de poluição, e ainda alguns líquidos cujas particularidades tornem inviável o lançamento na rede pública de esgotos. As definições rigorosas são as que são presentes na legislação (como já foi referido as do Dec. Lei 239/97, de 9 de Setembro e complementar por exemplo o Dec. Lei 152/2002, de 23 de Maio), sendo que no entanto alguns destes resíduos têm legislação específica, como é o caso daqueles que possuem sistemas próprios de gestão. Estão nesta situação os resíduos de embalagens, de equipamentos eléctricos e electrónicos (REEE), os resíduos de veículos em fim de vida (VFV), os pneus usados, as pilhas e acumuladores e os óleos usados, que constituem fluxos que pela sua especificidade são tratados de forma separada.

A determinação da fronteira entre resíduo e sub-produto
A classificação dos excedentes de um determinado processo, tem-se revelado uma tarefa complicada, uma vez que o seu produtor é obrigado a considera-lo como um resíduo. Na verdade, o título de resíduo, está muitas vezes associado à ausência de valor e, apesar da evolução técnica ter permitido a priorização dos tratamentos de resíduos através da valorização material, quase sempre se prefere a classificação de sub-produto.

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Resíduos
2006 Embora desta forma se contribua para a simplificação e para a redução dos resíduos, não significa que esteja sempre adequada. Existem uma série de questões que se podem colocar, embora caso a caso, que podem ajudar a perceber se um determinado material é resíduo ou sub-produto. Assim estabelecem-se algumas questões, que podem ajudar nessa tarefa e, que são ou podem ser as seguintes: Considerações gerais o o o o O material é produzido intencionalmente? O material é produzido em resposta a uma procura do mercado? O material possui valor económico? O material tem um circuito comercial perfeitamente definido?

Características e especificações o o A produção do material é sujeita a um controlo de qualidade? O material obedece a especificações ou normas nacionais e/ou internacionais?

Impactes ambientais o As normas, acima referidas, têm em consideração, além dos aspectos técnicos e económicos, os aspectos ambientais? o O uso do material tem um impacte ambiental semelhante ao do uso do produto primário? o O uso do material num processo produtivo apresenta riscos, para a saúde humana e para o ambiente, maiores do que o uso da correspondente matéria-prima? Uso e destino do material o É necessário realizar algum tratamento ao material antes do mesmo poder ser usado directamente numa operação de transformação ou comercial? o o o o o o Este processo limita-se a pequenos ajustes? O material ajusta-se ao seu uso definido inicialmente? O material pode ser usado como material substituto? O material pode, actualmente, ser usado num processo produtivo? O material possui um uso claramente identificado? O material pode ser utilizado na sua presente forma ou usado como matéria sem ser sujeito a uma operação de recuperação? Carlos Alberto Alves Página 97

Resíduos
2006 Deve ter-se em atenção as questões em cima colocadas, para hierarquizar a importância relativa desses resíduos. Na verdade, consoante os casos a analisar, é necessário ter em conta um conjunto de factores, que permitem emitir um parecer quanto à classificação do material em resíduo ou sub-produto.

Responsabilidades
A importância crescente que os resíduos têm vindo a assumir na sociedade moderna, sobretudo ditada pela necessidade de promover o crescimento sustentável, tem dado origem a um número crescente de legislação e de regras tendentes e definir as formas de lidar com este problema social. A crescente legislação comunitária e nacional, no que diz respeito aos resíduos e, em particular no que diz respeito aos resíduos industriais, reflectem essa preocupação tentando impor métodos de gestão que tenham em conta uma elevada protecção do ambiente, evitando simultaneamente que estas afectam o normal desenvolvimento económico e social.

Obviamente, esta preocupação não deve entretanto isentar de responsabilidades os operadores económicos, de contribuir para a defesa do ambiente e da qualidade de vida das populações. Por esta razão, o princípio de co-responsabilização social na gestão dos resíduos impôs-se, através da Lei de Bases do Ambiente (Dec. Lei 11/87, de 7 de Abril), que no seu nº3 do artigo 24º, consagra este princípio de responsabilização do produtor pelos resíduos que produz. Desta forma, cabe ao produtor do resíduo, a responsabilidade pela gestão e destino final dos resíduos que produz, competindo-lhe a ele encontrar a melhor forma de encaminhar, valorizar ou reciclar esses resíduos. Compete-lhe também a ele, a manutenção em condições de segurança, do resíduos enquanto não lhe for possível encontrar forma adequado de tratamento ou encaminhamento. Carlos Alberto Alves Página 98

Aplicação de processos de produção limpa. Desta forma. sejam tratados com cada vez maior atenção.Resíduos 2006 A transferência desta responsabilidade dá-se no momento em que o produtor designe alguém para tratar ou gerir esse resíduo. bem como e desenvolvimento de tecnologias mais limpas e da separação na fonte como forma de mitigar este problema associado à utilização ou geração de resíduos perigosos. que o operador efectua a correcta gestão dos seus resíduos. de uma análise dos factores que podem contribuir para a minimização dos impactes ambientais negativos. o produtor pode pois. o produtor do resíduo deverá sempre. porque caso isso não aconteça a responsabilidade será sua. sobre os quais a legislação se debruça. Trata-se pois. Redução das quantidades de resíduos. já que caso tal não se verifique. Substâncias perigosas A complexidade crescente do mundo em que vivemos. para recolher informação relativa aos problemas causados pela sua utilização. através da celebração de um contrato. são hoje reconhecidos os problemas ambientais derivados da utilização de substâncias perigosas. através da celebração de um contrato global que inclua a recolha. a responsabilidade ser-lhe-á imputada. compreende todo o percurso destes. através da substituição material e adopção de boas práticas. no entanto compete ao detentor do resíduo assegurar-se de que o designado gestor ou operador (quando se tratar apenas de uma situação de transitoriedade) efectua uma gestão correcta desse resíduo. certificar-se. Assim. classificando e separando os que possam ser reutilizados. com excepção das emissões oriundas dos transportes e das emissões relacionadas com o processo de produção das próprias substâncias. Na perspectiva do produtor de resíduos devem ser estudadas todas as emissões poluentes decorrentes da utilização das substâncias perigosas. enquanto produtor. estão a adoptar-se medidas. com um operador de gestão de resíduos. Carlos Alberto Alves Página 99 . tais como: Redução da quantidade e descontaminação dos resíduos através da substituição de materiais. o transporte. Recuperação e redução das emissões através da optimização da tecnologia do tratamento. transferir a responsabilidade do destino de um determinado resíduo. consideradas fundamentais para a contenção dessa perigosidade. desde o ponto em que são produzidos até à sua eliminação. No entanto. e o destino final adequado desses resíduos. Assim. faz com que os problemas ambientais. A gestão eficiente dos resíduos.

e porque se torna imperioso para o gestor conhecer o cenário em que se movimenta lista-se. de 8 de Agosto (versão II – final) SUMÁRIO: Altera o regulamento para a Notificação de Substâncias Químicas e para a Classificação. do Conselho. de 27 de Julho. transpondo para a ordem jurídica interna a Directiva nº 96/82/CEE. H8. de uma forma mais ou menos sintética. de 11 de Junho SUMÁRIO: Transpõem para a ordem jurídica interna a Directiva nº 97/69/CE. As características de perigo dos resíduos As características de perigo atribuíveis aos resíduos.º 732-A/96. relativa à aproximação das disposições legislativas regulamentares e administrativas respeitantes à classificação. Decreto-Lei nº 209/99. embalagem e rotulagem das substâncias perigosas. do Conselho. e a Directiva nº 67/548/CEE. no que respeita às características H3. são as que constam do Anexo II da Portaria nº 209/2004. Decreto-Lei nº 164/2001. regulamentares e administrativas respeitantes à classificação.. de 23 de Maio (versão II – final) SUMÁRIO: Aprova o regime jurídico da prevenção e controlo dos perigos associados a acidentes graves que envolvem substâncias perigosas. de 12 de Dezembro. Assim considera-se que os resíduos classificados como perigosos apresentam uma ou mais características de perigo referidas nesta Directiva e. de 2 de Junho SUMÁRIO: Transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva nº 96/65/CE. embalagem e rotulagem de substâncias perigosas. do Conselho. de 11 de Dezembro (versão II – final) SUMÁRIO: Aprova o Regulamento para a notificação de Substâncias Químicas e para a Classificação. relativa à aproximação das disposições legislativas. do Conselho. Embalagem e Rotulagem de Substâncias Perigosas. de 5 de Dezembro. de 27 de Julho. Decreto-Lei nº 189/99. em conformidade com o Anexo III da Directiva nº 91/689/CEE. de 9 de Dezembro. Embalagem e Rotulagem de Substâncias Perigosas. Decreto-Lei nº 222/2001.Resíduos 2006 Assim sendo. da Comissão. um conjunto de legislação que dá enquadramento legal a este desiderato: Portaria n. H10 e Carlos Alberto Alves Página 100 .

Resíduos 2006 H11. H5 «Nocivos» substâncias e preparações cuja inalação. ingestão ou penetração cutânea possam acarretar riscos graves.substâncias e preparações cuja inalação. Embalagem e Rotulagem de Substâncias Perigosas. ou Gasosas que sejam inflamáveis ao ar a uma pressão normal. de 11 de Dezembro. H7 «Cancerígenos» . a uma temperatura normal.substâncias e preparações: Em estado líquido.substâncias e preparações cuja inalação. possam exercer uma acção destrutiva sobre estes últimos. H4 «Irritantes» . nomeadamente com substâncias inflamáveis.substâncias e preparações líquidas cujo ponto de inflamação seja igual ou superior a 21ºC e inferior ou igual a 55ºC. ou Que possam aquecer e inflamar-se ao ar.substâncias e preparações que.substâncias e preparações não corrosivas que por contacto imediato. em contacto com outras substâncias. cujo ponto de inflamação seja inferior a 21ºC (incluindo os líquidos extremamente inflamáveis). uma ou mais das características na tabela seguinte. ou Sólidas que possam inflamar-se facilmente por uma breve acção de uma fonte de inflamação e que continuem a arder ou a consumir-se depois de afastada essa fonte. ingestão ou penetração cutânea possam provocar o cancro ou aumentar a sua frequência. sem contributo de energia externa. prolongado ou repetido com a pele ou as mucosas possam provocar uma reacção inflamatória. e aprovado pela Portaria nº 732-A/96. H3-A «Facilmente inflamável» .substâncias e preparações que possam explodir sob o efeito de uma chama ou que sejam mais sensíveis aos choques e aos atritos que o dinitrobenzeno. H3-B «Inflamáveis» . H8 «Corrosivos» . apresentam uma reacção fortemente exotérmica. ou Que em contacto com à água ou o ar húmido desenvolvam gases facilmente inflamáveis em quantidades perigosas. Carlos Alberto Alves Página 101 . onde as frases “R” se referem à natureza dos riscos específicos atribuídos às substâncias e preparações perigosas. H2 «Combustíveis» . agudos ou crónicos e inclusivamente a morte (incluindo as substâncias e preparações muito tóxicas).substâncias e preparações que. ingestão ou penetração cutânea possam ocasionar efeitos de gravidade limitada. H6 «Tóxicos» . ANEXO II Características de perigo atribuíveis aos resíduos H1 «Explosivos» . de acordo com o Regulamento para a Notificação de Substâncias Químicas e para a Classificação. em contacto com tecidos vivos.

por qualquer meio. a uma outra substância. H10 «Tóxicos para a reprodução» . descarga de resíduos líquidos ou de lamas de depuração em poços. os resíduos devem ser geridos sem pôr em perigo a saúde humana e sem a utilização de processos ou métodos susceptíveis de prejudicar o ambiente. D4 . as operações D3 e D11 são proibidas no território nacional. biodegradação de efluentes líquidos ou de lamas de depuração nos solos.Operações de eliminação de resíduos D1 .). etc. cúpulas salinas ou depósitos naturais. por exemplo um produto de lixiviação que possua uma das características atrás enumeradas. ingestão ou penetração cutânea possam induzir deformações congénitas não hereditárias ou aumentar a respectiva frequência. aterro sanitário.). Em conformidade com o Decreto-Lei n. H12 Substâncias e preparações que em contacto com a água.º 4 do artigo 7. A . ingestão ou penetração cutânea possam provocar defeitos genéticos hereditários ou aumentar a respectiva frequência. etc. etc. H11 «Mutagénicos» .substâncias e preparações cujas inalação.º 239/97. Nos termos do n. o ar ou um ácido libertem gases tóxicos ou muito tóxicos. etc. ANEXO III O presente anexo destina-se a enumerar as operações de eliminação e de valorização de resíduos.Lagunagem (por exemplo.Injecção em profundidade (por exemplo. H14 «Ecotóxicos» . injecção de resíduos por bombagem em poços.Deposição sobre o solo ou no seu interior (por exemplo.matérias que contenham microrganismos viáveis ou suas toxinas.substâncias e preparações que apresentem ou possam apresentar riscos imediatos ou diferidos para um ou vários sectores do ambiente.º do Decreto-Lei n. em relação aos quais se saiba ou haja boas razões para crer que causam doenças no homem ou noutros organismos vivos. darem origem. D2 . após eliminação. de 9 de Setembro. H13 .Resíduos 2006 H9 «Infecciosos» . D3 . lagos naturais ou artificiais.º 239/97.).Tratamento no solo (por exemplo.Substâncias susceptíveis de.) Carlos Alberto Alves Página 102 .substâncias e preparações cujas inalação.

Recuperação/regeneração de solventes.Refinação de óleos e outras reutilizações de óleos. D6 .Tratamento fisico-químico não especificado em qualquer outra parte do presente anexo que produz compostos ou misturas finais rejeitados por meio de qualquer das operações enumeradas de D1 a D12 (por exemplo. etc.Descarga para os mares e ou oceanos. D7 . R2 . R9 .Reembalagem anterior a uma das operações enumeradas de D1 a D13.Reciclagem/recuperação de metais e de ligas. D13 . deposição em alinhamentos de células que são seladas e isoladas umas das outras e do ambiente. D9 .Utilização principal como combustível ou outros meios de produção de energia. D10 . etc. R4 . D15 .Recuperação de componentes de catalisadores. R8 . R7 .Reciclagem/recuperação de compostos orgânicos que não são utilizados como solventes (incluindo as operações de compostagem e outras transformações biológicas). D14 .Reciclagem/recuperação de outras matérias inorgânicas. D8 . com excepção dos mares e dos oceanos. D11 . Carlos Alberto Alves Página 103 . armazenagem de contentores numa mina. antes da recolha. secagem. calcinação. incluindo inserção nos fundos marinhos.Incineração em terra.Depósitos subterrâneos especialmente concebidos (por exemplo. R6 .Regeneração de ácidos ou de bases. R5 .Incineração no mar. etc.Armazenagem permanente (por exemplo. no local onde esta é efectuada).).Mistura anterior à execução de uma das operações enumeradas de D1 a D12.Descarga para massas de águas.Tratamento biológico não especificado em qualquer outra parte do presente anexo que produz compostos ou misturas finais que são rejeitados por meio de qualquer das operações enumeradas de D1 a D12. evaporação.Resíduos 2006 D5 .). R3 .Armazenagem enquanto se aguarda a execução de uma das operações enumeradas de D1 a D14 (com exclusão do armazenamento temporário. B . D12 .Recuperação de produtos utilizados na luta contra a poluição.).Operações de valorização de resíduos R1 .

.Esta lista deverá ser revista e modificada periodicamente tendo em conta os novos conhecimentos sobre os resíduos. R11 .Utilização de resíduos obtidos em virtude das operações enumeradas de R1 a R10.Tratamento no solo em benefício da agricultura ou para melhorar o ambiente. e a introdução da noção de substâncias perigosas. submetê-los a uma das operações enumeradas de R1 a R11.Os resíduos perigosos são identificados pela justaposição de um asterisco junto ao código.Resíduos 2006 R10 . .Troca de resíduos com vista a. no local onde esta é efectuada). De referir ainda que a Lista LER. .O artigo 2º define as propriedades dos resíduos para serem classificados como resíduos perigosos. R13 . antes da recolha.A existência dos chamados códigos espelho que são pares de resíduos com a mesma descrição mas classificados como perigosos. apresenta algumas particularidades a saber: . Carlos Alberto Alves Página 104 . R12 .Acumulação de resíduos destinados a uma das operações enumeradas de R1 a R12 (com exclusão do armazenamento temporário.

são definidos como sendo “todos os resíduos que. nos termos do Dec. Lei 239/97. Hoje.Resíduos 2006 Resumo: ☺ A designação de resíduo aplica-se a qualquer material. Existem ainda uma outra série de resíduos gerados nas actividades ligadas à indústria. No entanto. a responsabilidade pela gestão e destino final dos resíduos que produz. de 9 de Setembro.. que no caso de serem em quantidades inferiores a 1100 litros dia. supérfluo. no entanto a definição existente na lei (Dec. ☺ Os resíduos industriais perigosos (RIP’s).. os custos reais surpreenderiam muitas empresas. ☺ Estes resíduos industriais. de 9 de Setembro. por essa razão não têm verdadeiramente quantificado os volumes de resíduos gerados. porque caso isso não aconteça a responsabilidade será sua. de 23 de Maio) é a de que “resíduo é tudo aquilo que o detentor se desfaz ou tem intenção ou obrigação de se desfazer”. valorizar ou reciclar esses resíduos. existem várias formas de definir um resíduo. no entanto compete ao detentor do resíduo assegurar-se de que o designado gestor ou operador (quando se tratar apenas de uma situação de transitoriedade) efectua uma gestão correcta desse resíduo. de acordo com a redacção do citado Dec. Lei. em função das suas características intrínsecas de inflamabilidade. e que precisa ser eliminado. toxicidade ou patogenicidade. gerado pela actividade humana. do resíduos enquanto não lhe for possível encontrar forma adequado de tratamento ou encaminhamento. sendo a sua classe definida pelo nível de contaminação. 239/97. resíduos industriais não perigosos ou banais e resíduos inertes. a manutenção em condições de segurança. Lei 152/2002. caso estes fossem realmente conhecidos. podem ser resíduos industriais perigosos. ☺ São muitas as empresas que não dão a mesma ênfase à Gestão dos Resíduos que dão a outras áreas como a Produção ou ás vendas e. ☺ Cabe ao produtor do resíduo. que é considerado inútil. apresentam riscos para a saúde pública ou meio ambiente. Compete-lhe também a ele. competindo-lhe a ele encontrar a melhor forma de encaminhar. A transferência desta responsabilidade dá-se no momento em que o produtor designe alguém para tratar ou gerir esse resíduo. Carlos Alberto Alves Página 105 .”. corrosividade. reactividade. podendo em muitos casos ascender até 10% dos resultados. em cantinas e serviços de assistência médica. recebem a designação de resíduos urbanos ou equiparados no caso dos primeiros e resíduos hospitalares no caso dos segundos. repugnante ou sem valor.

Resíduos 2006 Carlos Alberto Alves Página 106 .

Qual é a quantidade de resíduos que embora sendo gerados na indústria podem ser considerados urbanos ou equiparados? 4.Resíduos 2006 Questões sobre o tema: 1. Cite a definição de resíduos contida na legislação? 2. De quem é a responsabilidade dos resíduos até ao seu destino final? 6. Repita para o caso dos resíduos considerados perigosos? 3. Como se dá a transferência dessa responsabilidade? Carlos Alberto Alves Página 107 . Os podem ou não ter repercussão nos resultados da empresa? 5.

Resíduos 2006 Carlos Alberto Alves Página 108 .

é o fluxo das embalagens urbanas. Como derradeira alternativa. que é uma das entidades licenciadas para esse efeito. com poder calorífico). o transporte deve fazer-se acompanhar da Guia de Acompanhamento de Resíduos. e deverá ser efectuado por entidades acreditadas para esse fim.Resíduos 2006 Regras para o transporte e registo dos resíduos Alguns fluxos de resíduos têm por lei. transportador e destinatário respectivamente. em alternativa. devendo ficar cada um dos exemplares na posse dos mesmos. alertar-se para o facto de as responsabilidades civis de danos causados no transporte destes resíduos. Deve ainda. obedecem ao estabelecido na Portaria 335/97. ficando guardadas em arquivo pelo período de cinco anos. A. estes têm obrigatoriamente que ser separados na origem. a dimensão e peso. de 16 de Maio. banais. são atribuídas solidariamente ao produtor. estes devem em primeiro lugar destinar-se à valorização. à recolha selectiva e triagem prévia desse tipo de resíduos para valorização ou. equiparados a urbanos ou inertes). requerem uma licença específica. nas próprias instalações do produtor. pelo detentor. como as infra estruturas existentes. Carlos Alberto Alves Página 109 . Um exemplo destes. que poderão condicionar esses destinos. poderão transferir essa responsabilidade para a SPV – Sociedade Ponto Verde. ou seja. estabelecida o obrigatoriedade de separação na origem. detentor e ao transportador. no entanto podem existir outros factores que influam nesses destinos. As regras para o transporte de resíduos industriais. no qual os produtores têm de proceder nas suas instalações. dadas as suas características. Mod. Sobre o transporte de resíduos No caso dos resíduos perigosos. Destinos dos resíduos Reciclagem Na hierarquia das prioridades e. obedecendo a condições de transporte próprias (RPE – Regulamento para o Transporte de Mercadorias Perigosas por Estrada). preenchida nos seus três campos. assim se podem definir quais os destinos a dar aos resíduos industriais. e as suas características (reciclável. De acordo com esta Portaria. existe a possibilidade de tratamento e posterior deposição em aterro. depois de esgotadas as formas de minimização da geração de resíduos industriais na fonte. a logística. e a valorização. Conforme a natureza dos resíduos (perigosos.

Alguns dos destinos praticados em Portugal. através da legislação. Desta forma pretende-se. uma unidade de tratamento e regeneração de solventes e também uma unidade de óleos usados. o armazenamento temporário e a exportação. Carlos Alberto Alves Página 110 . Em Portugal existem até agora duas unidades de tratamento físico-químico. O constante aumento do custo das outras soluções tornam cada vez mais viável a reciclagem. dando origem a uma menor exploração dos recursos naturais. a descarga dos resíduos no meio aquático em águas interiores.Resíduos 2006 A legislação proíbe. com a consequente diminuição dos impactos ambientais negativos. são a valorização através da reciclagem interna ou externa à empresa. que trata o resíduo por forma a que este possa vir a ser incorporado como se de matéria-prima se tratasse. evitar consequências mais graves. Sem dúvida que uma das melhores formas de valorização é a reciclagem. a deposição em aterro. a queima em condições não controladas e outras práticas prejudiciais ao ambiente e à saúde pública. águas subterrâneas. o abandono no ambiente. águas costeiras e sistemas de esgotos. a incineração.

Existe ainda um aterro em Vila Nova de Gaia. na verdade e no ano 2000. Segundo o PESGRI. existiam em Portugal 21 aterros autorizados a receber RIB’s. para os resíduos banais.Resíduos 2006 Aterros Embora esta opção figure em último lugar na hierarquia das opções. no que diz respeito aos resíduos. Embora os requisitos técnicos para um aterro de resíduos banais industriais sejam maiores do que os de um aterro para RSU’s. a alternativa passa pela exportação dos mesmos. os seguros que abranjam os danos que possam vir a ocorrer em terceiros e ao ambiente durante o transporte e Carlos Alberto Alves Página 111 . Aqui estarão os resíduos que devem ser objecto de tratamentos especiais e. exportaram-se cerca de 90. a verdade é que ela é. Muito embora.000 25. O Decreto Lei nº 121/90. uma vez que em Portugal se produzem cerca de 20 milhões de toneladas de resíduos industriais banais. para o destino dos resíduos industriais. que o detentor é obrigado a preencher. como se poderá ver na tabela da página seguinte: Aterros CITRI RESILEI Construtora do Lena RIBTEJO Localização Setúbal Leiria Castelo Branco Chamusca Capacidade (Ton.000 25. Exportação de resíduos Face à insuficiência de sistemas de tratamento e deposição destes resíduos. enviando uma cópia às entidades competentes dos Estados Membros e aos Estados terceiros interessados. cada país deva ser auto suficiente. Este formulário. a ausência destes obriga à deposição destes resíduos nos aterros de banais existentes. que recebe resíduos inertes. essencialmente oriundos da zona do Grande Porto. de 9 de Abril. contém informação sobre o resíduo a transportar. a única solução. contando dele o Anexo II.000 Esta capacidade é no entanto manifestamente insuficiente./ano) 60. nunca justificarão o seu tratamento no país.000 toneladas de resíduos.000 25. regula o movimento transfronteiriço de resíduos. os itinerários previstos. que pelas quantidades que são produzidas ou pelo tipo de tecnologia de tratamento.

Coimbra. Lousada Palmela. Seixal Braga Aveiro. Figueira da Foz Resulima Suldouro Valorlis Valorminho Valorsul R.A. Loulé Abrantes Fundão Tondela Castelo Branco Chamusca Penafiel. Madeira Total Viana do Castelo Gaia Leiria Valença Vila Franca de Xira Santa Cruz 21 Carlos Alberto Alves Página 112 . Sistema RSU Algar AM Amartejo AM Cova da Beira AM Planalto Beirão AM Raia / Pinhal AM Resitejo AM Vale do Sousa Amarsul Braval Ersuc Aterros Portimão.Resíduos 2006 as medidas a tomar para garantir a segurança do transporte e a existência e validade de um contrato celebrado com o destinatário dos resíduos.

que foram licenciados quatro aterros de RIB’s. muitos destes aterros deixaram de receber RIB’s. deve ser preenchido um exemplar por cada resíduos ou tipo de resíduo que estiver associado ao estabelecimento referido. são enviados posteriormente para o INR (Instituto de Resíduos). Refere-se entretanto. uma vez que estes reduzem muito o tempo de vida útil dos aterros. Estes Mapas devem também ser enviados às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR). e o mapa de registo de resíduos ou ficha de resíduo o impresso 1514. de iniciativa privada. os modelos A e B. nos termos do nº 4 da Portaria nº 792/98. sendo o mapa modelo A. a enviar o registo dos resíduos industriais à Direcção Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território. Estes dois impressos adquirem-se na Imprensa Nacional da Casa da Moeda (INCM). Instruções de preenchimento A forma de preenchimento destes mapas é exemplificada a seguir: Carlos Alberto Alves Página 113 . e que são os seguintes: O produtor de resíduos. com a informação solicitada. da área em que se localiza o estabelecimento produtor dos resíduos. Estes Mapas são constituídos por dois impressos. Estes mapas.Resíduos 2006 No entanto. até ao dia 15 de Fevereiro do ano imediatamente seguinte àquele a que se referem os dados. deve ser preenchido num único exemplar por estabelecimento e o modelo B. referente à ficha de estabelecimento e o mapa B referente `a ficha de resíduo. até porque muitos dos resíduos que aí vão parar podem ser reciclados. de acordo com a mesma Portaria. O modelo A. onde são tratados em termos estatísticos. sendo a ficha do estabelecimento o impresso 1513. de 22 de Setembro. é obrigado.

4 – Dados sobre a produção resíduos* Designação dos resíduos Devem ser indicados todos os tipos de resíduos produzidos pela unidade industrial (de acordo com a lista LER).Distrito estabelecimento .Quantidades produzidas essas quantidades .Produtos fabricados. B) a Para cada um dos resíduos listados resíduos a registar 6 . por exemplo.nº de contribuinte .Resíduos 2006 Ficha de estabelecimento – Modelo A (1513) Campo Informação Notas actividade principal do 1 – Identificação do . Exemplo: a) 150110 (*) – Embalagens e/ou resíduos de embalagens… 5 – Número de .Actividade principal (nº CAE) . correspondente à principal actividade ou a que melhor definir o seu ramo 3 – Dados sobre a .Endereço .Respectivo código LER . a informação restante. em anexo. quantidades Devem ser indicados os principais produção industrial produzidas e unidades em que são produtos fabricados.. Caso o espaço existente não seja suficiente.Concelho .Designação social da empresa A estabelecimento titular do estabelecimento . as quantidades expressas produzidas e as unidades em que são expressas essas quantidades. de produzidos .Número de trabalhadores 2 – Localização do .Unidades em que se expressam quantidades produzidas e as unidades Carlos Alberto Alves Página 114 . deverá ser adicionada .Telefone e fax estabelecimento deve reportar-se à classificação da actividade económica (CAE).Observações preencher neste campo deverá ser preenchida uma ficha de resíduo Modelo B Referir quaisquer observações que sejam relevantes.Denominação do estabelecimento . as em que são expressas. com o respectivo código (LER). para caracterizar melhor a actividade industrial e etc.Nº de fichas de resíduos (Mod.

Nome pelo registo .Estado físico do resíduo O código LER e a designação devem LER respeitar A as instruções de preenchimento do campo 4 do Modelo Carlos Alberto Alves Página 115 .Data preenchimento do . 3/5 e etc. Se o espaço existente não for suficiente para a inclusão de todos os resíduos produzidos. Como deve ser preenchida a Ficha de Resíduo Modelo B (1514) Campo Nº de ordem Informação Notas É aconselhável que para os fichas as facilitar o entendimento listados sobre resíduos sejam ordenadas da seguinte forma: . é necessário ter atenção se os resíduos são resultantes do processo produtivo. deverá o mesmo ser também indicado neste campo. deverá ser adicionada a informação restante num anexo.Denominação do estabelecimento estabelecimento 2 – Identificação e . Desta forma o primeiro dígito variará e segundo manter-se-á fixo.Telefone e fax (*) . 2/5 . as tintas e as lamas resultantes do processo de tratamento de águas para consumo ou dos efluentes da instalação fabril.Designação do resíduo caracterização resíduo do Indicação do código correspondente . os óleos usados. como por exemplo. Caso o resíduo não se encontre listado na lista do LER. No preenchimento deste campo. que está na origem dos resíduos e ainda categorias de resíduos por natureza semelhante.Cargo .A lista LER apresenta categorias diferentes de acordo com processo produtivo.Resíduos 2006 Campo Informação Notas 7 – Responsável . 1 – Identificação do . devendo a sua descrição mais detalhada ser feita no campo 8 do modelo B. Exemplo: nº 1/5.Nº atribuído a um dado resíduo / nº total de resíduos do estabelecimento industrial.

estabelecimento ou produtor a fazer o transporte escrever o “próprio” (denominação e endereço) 8 . deve consultar o Anexo III da Portaria 209/2004.Código da operação de valorização . que melhor corresponda às operações a que o resíduo será submetido acondicionamento . se estes forem valorizados no próprio local deverá ser indicado “pela própria unidade” eliminação valorização resíduo (denominação e endereço) 7 – Identificação do transportador Identificação dos da e/ou empresa de Identificar a entidade a quem foi para confiado o transporte do resíduo até No caso de ser o próprio transporte eliminação resíduos valorização ao seu destino final.Percentagem destinada a valorizar do .Quantidade prevista para o ano seguinte ao do registo (ano em curso) 4 – Condições de acondicionamento 5 – Destino resíduo Tipo de embalagem ou O código a atribuir à operação de eliminação / valorização é aquele que consta da tabela D ou R. as dúvidas quanto ao LER ou sobre o destino mais adequado a dar ao resíduo Para efeitos de identificação das operações às quais o resíduo irá ser sujeito.Observações Referir quaisquer observações que sejam relevantes. de 3 de Março. características particulares do resíduo.Código da operação de eliminação 6 – Identificação do destinatário Identificação e/ou da empresa de Identificar a entidade a quem foi do confiada a valorização e/ou a eliminação do resíduo e. por exemplo.Resíduos 2006 Campo Informação Quantidade produzida no ano Notas 3 – Dados sobre a produção resíduo do respeitante ao registo (ano anterior) . estando as operações Carlos Alberto Alves Página 116 . que estão enumeradas de D1 até D15.

calcinação.) D9 Tratamento físico-químico não especificado em qualquer outra parte do presente anexo que produz compostos ou misturas finais que são rejeitadas por meio de qualquer das operações enumeradas de D1 a D12 (ex.) D10 D11 D12 D13 D14 Incineração em terra Incineração no mar Armazenagem permanente (ex. com excepção dos mares e dos oceanos Descargas para os mares e oceanos.Resíduos 2006 inscritas de D3 a D11proibidas de levar a cabo em território nacional. etc. calcinação.) Mistura anterior à execução de uma das operações enumeradas de D1 a D12 Reembalagem anterior a uma das operações enumeradas de D1 a D13 Carlos Alberto Alves Página 117 . etc.) D5 Depósitos subterrâneos especialmente concebidos (ex.) Tratamento no solo (ex. armazenagem de contentores numa mina. biodegradação de efluentes líquidos ou de lamas de depuração nos solos. evaporação. etc. secagem. injecção de resíduos por bombagem em poços. etc. etc.) D6 D7 D8 Descarga para massas de águas. secagem. etc. etc. lagos naturais ou artificiais. deposição em alinhamento de células que são seladas e isoladas umas das outras e do ambiente. nos termos do nº 4 do artigo 7º do Decreto-lei nº 239/97. Código D1 D2 Operação de eliminação Deposição sobre o solo ou no seu interior (ex.) D3 Injecção em profundidade (ex. cúpulas salinas ou depósitos naturais. etc. incluindo inserção nos fundos marinhos Tratamento biológico não especificado em qualquer outra parte do presente anexo que produz compostos ou misturas finais que são rejeitadas por meio de qualquer das operações enumeradas de D1 a D12 (ex. descarga de resíduos líquidos ou de lamas de depuração em poços. evaporação. aterro sanitário.) D4 Lagunagem (ex.

que são as seguintes: Código R1 R2 R3 Operação de Valorização Utilização principal como combustível ou outros meios de produção de energia Recuperação / regeneração de solventes Reciclagem / recuperação de compostos orgânicos que não são utilizados como solventes (incluindo as operações de compostagem e outras operações biológicas) R4 R5 R6 R7 R8 R9 R10 R11 R12 Reciclagem / recuperação de metais e ligas Reciclagem / recuperação de outras matérias orgânicas Regeneração de ácidos ou de bases Recuperação de produtos utilizados na luta contra a poluição Recuperação de componentes de catalizadores Refinação de óleos e outras reutilizações de óleos Tratamento no solo em benefício da agricultura ou para melhorar o ambiente Utilização de resíduos obtidos em virtude das operações enumeradas de R1 a R10 Troca de resíduos com vista a submetê.los a uma das operações enumeradas de R1 a R10 R13 Acumulação de resíduos destinados a uma das operações enumeradas de R1 a R12 (com exclusão do armazenamento temporário. antes da recolha. no local onde esta é efectuada) A tabela que corresponde ao Anexo III-B da Portaria nº 209/2004.Resíduos 2006 D15 Armazenagem enquanto se aguarda a execução de uma das operações enumeradas de D1 a D14 (com exclusão do armazenamento temporário. destina-se a enumerar as operações de valorização. de 3 de Março. antes da recolha. no local onde esta é efctuada Carlos Alberto Alves Página 118 .

Estes produtos precisam ter tratamento adequado. quando podem ser decompostos. o resíduo orgânico muitas vezes torna-se altamente inestético e mal cheiroso. fezes. sementes. que contém ácidos e metais pesados na sua composição. Carlos Alberto Alves Página 119 . Os resíduos tóxicos incluem pilhas e baterias. detergentes. Muitas vezes também podem ser fontes de agentes que podem causar doenças. por exemplo. a não ser que sejam reciclados. ou que foi produzida por meios não naturais. Resíduos tóxicos Muitos dos resíduos existentes são tóxicos. vidro. ou podem causar sérios danos ambientais e/ou à saúde humana. restos de carne e ossos. o que torna difícil a sua digestão por agentes decompostores (bactérias. principalmente). madeira não tratada quimicamente. produtos de metal. alguns produtos são biodegradáveis. etc. Para solucionar este problema. Quando acumulado. é formado por inúmeras moléculas contendo milhares de átomos. Resíduos altamente tóxicos Resíduos nucleares e hospitalares entram neste quesito. para além de outros resíduos industriais. o que nem sempre acontece. Inclui restos de comida (ex: folhas. acumulando-se com o tempo. etc. ou podem causar sérios danos ambientais e/ou à saúde de muitas pessoas. A maioria dos resíduos inorgânicos tem um grande problema: Demora muito tempo para ser decomposto e. devido à rápida decomposição destes produtos. Resíduos inorgânicos Resíduos inorgânicos inclui todo material que não tem origem biológica. papel. como plásticos. Estes produtos precisam receber tratamento especial. etc). O plástico. certos tipos de tinta (como a que é usada nas impressoras).Resíduos 2006 Os resíduos por composição Resíduos orgânicos Resíduo orgânico é tudo aquilo que recentemente fez parte de um ser vivo. Outros produtos como metais não podem ser decompostos.

de instalações de Carlos Alberto Alves Página 120 .Resíduos 2006 Por Origem Indústria Extractiva Nesta área de actividade geram-se habitualmente resíduos de óleos (LER 13). resíduos da refinação do petróleo. resíduos de embalagens (LER 15). formulação. absorventes. resíduos de óleos usados (LER 13). resíduos de prospecção e exploração de pedreiras (LER 01). resíduos de instalações de tratamento de resíduos. resíduos inorgânicos de processos térmicos (LER 10). da purificação do gás natural e do tratamento pirolito do carvão (LER 05). resíduos de óleos usados (LER 13). resíduos da moldagem e do tratamento de superfície de metais e plástico (LER 12). absorventes. vedantes e tintas de impressão (LER 08). panos de limpeza e materiais filtrantes (LER 15). resíduos de fabrico. resíduos de processos químicos inorgânicos (LER 06). similares aos urbanos (LER 20). Podem ainda existir como em todas as outras áreas de actividade resíduos não especificados oriundo de equipamentos fora de uso (LER 16) e resíduos equiparados a urbanos (LER 20). resíduos de instalações de tratamento de resíduos. resíduos de processos químicos orgânicos (LER 07). resíduos de construção e demolição (LER 17). da purificação do gás natural e do tratamento pirolito do carvão (LER 05). gás e água Neste caso os resíduos gerados e encontrados normalmente são os resíduos da refinação do petróleo. resíduos inorgânicos de processos térmicos (LER 10). Produção e distribuição de electricidade. resíduos de limpeza. pasta. de instalações de tratamento de águas residuais e da industria da água (LER 19) e resíduos do comércio. resíduos da moldagem e do tratamento de superfície de metais e plástico (LER 12). distribuição e utilização de revestimentos (tintas. resíduos não especificados (equipamentos fora de uso) (LER 16). industria e serviços. resíduos de construção e demolição (LER 17). resíduos inorgânicos provenientes do tratamento de metais e do seu revestimento e da hidrometalurgia de metais não ferrosos (LER 11). vernizes e esmaltes vítreos). painéis e mobiliário (LER 03). Indústria Transformadora Aqui a variedade de resíduos gerados é muito maior e compreende normalmente os seguintes resíduos: . resíduos não especificados (equipamentos fora de uso) (LER 16). panos de limpeza e materiais filtrantes (LER 15). cartão. resíduos da indústria fotográfica (LER 09). resíduos da indústria têxtil. do couro e dos produtos de couro (LER 04). resíduos de substâncias orgânicas utilizadas como solventes (LER 14).Resíduos de processamento de madeira e fabricação de papel. resíduos de processos químicos inorgânicos (LER 06). resíduos de limpeza.

listagem essa que pode ser do tipo abaixo indicado. Uma listagem desse tipo poderá ter o aspecto que se exemplifica na página seguinte. Solventes. formulação. painéis e mobiliário (LER 03). grades... resíduos de construção e demolição (LER 17). Embalagens. elaborar uma outra listagem. vedantes e tintas de impressão (LER 08). ordenando alternativamente os resíduos não por sector de actividade (CAE) mas antes por função e por resíduo provavelmente gerado nessa função ou funções. Provável Resíduo Gerado Embalagens. resíduos de óleos usados (LER 13). cartão. Águas de lavagem. distribuição e utilização de revestimentos (tintas.. panos de limpeza e materiais filtrantes (LER 15). pasta. vernizes e esmaltes vítreos). absorventes. Materiais rejeitados. Indústria de Construção No caso da construção os normalmente encontrados são os resíduos de fabrico. paletes. bidões. que aprova a Lista Europeia de Resíduos. Código LER . Carlos Alberto Alves Página 121 . sem prejuízo no entanto de com os elementos fornecidos anteriormente se possa construir uma listagem abreviada para uma consulta rápida. . Resíduos de processamento de madeira e fabricação de papel. resíduos não especificados (equipamentos fora de uso) (LER 16). Uma listagem exaustiva encontra-se disponível na Portaria nº 209/2004. Derrames . Uma análise deste tipo pode levar á caracterização dos resíduos ao nível do sector de produção e.Resíduos 2006 tratamento de águas residuais e da industria da água (LER 19) e resíduos do comércio. resíduos de limpeza. Área ou Função Armazéns de matérias-primas Processo Local ou Operação Depósitos.. formulação.Resíduo Resíduos de óleos (LER 13). similares aos urbanos (LER 20). estabelecer os métodos de gestão mais adequados aos quantitativos de resíduos gerados. silos de armazenagem Destilação. industria e serviços. Secção do CAE Indústria Extractiva Indústria Transformadora No entanto é possível. etc. resíduos de substâncias orgânicas utilizadas como solventes (LER 14).

Resíduos 2006 Carlos Alberto Alves Página 122 .

estabelecida a obrigatoriedade de separação na origem. até ao dia 15 de Fevereiro do ano imediatamente seguinte àquele a que se referem os dados. ☺ Na hierarquia das prioridades e. os modelos A e B. é obrigado. a enviar o registo dos resíduos industriais à Direcção Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território. ☺ De acordo com esta Portaria. em muitos casos. de acordo com a mesma Portaria. para os resíduos banais. obedecendo a condições de transporte próprias (RPE – Regulamento para o Transporte de Mercadorias Perigosas por Estrada). estes devem em primeiro lugar destinar-se à valorização ou reciclagem. Inclui restos de comida (ex: folhas. pelo detentor. em alternativa. etc). transportador e destinatário respectivamente. Mod. Estes Mapas devem também ser enviados às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR). para o destino dos resíduos industriais. madeira não tratada quimicamente. papel. o resíduo orgânico muitas vezes torna-se Carlos Alberto Alves Página 123 . ☺ Embora esta opção figure em último lugar na hierarquia das opções. referente à ficha de estabelecimento e o mapa B referente à ficha de resíduo. devendo ficar cada um dos exemplares na posse dos mesmos. nos termos do nº 4 da Portaria nº 792/98. no qual os produtores têm de proceder nas suas instalações. de 22 de Setembro. A. da área em que se localiza o estabelecimento produtor dos resíduos. Quando acumulado. dadas as suas características. a única solução. à recolha selectiva e triagem prévia desse tipo de resíduos para valorização ou. ficando guardadas em arquivo pelo período de cinco anos. sementes. ☺ No caso dos resíduos perigosos. o transporte deve fazer-se acompanhar da Guia de Acompanhamento de Resíduos. preenchida nos seus três campos. ☺ O produtor de resíduos. é o fluxo das embalagens urbanas. que é uma das entidades licenciadas para esse efeito. a verdade é que ela é. estes têm obrigatoriamente que ser separados na origem. etc. Estes Mapas são constituídos por dois impressos. depois de esgotadas as formas de minimização da geração de resíduos industriais na fonte. nas próprias instalações do produtor. restos de carne e ossos. ou seja. sendo o mapa modelo A. ☺ Resíduo orgânico é tudo aquilo que recentemente fez parte de um ser vivo. poderão transferir essa responsabilidade para a SPV – Sociedade Ponto Verde. Um exemplo destes.Resíduos 2006 Resumo: ☺ Alguns fluxos de resíduos têm por lei. fezes.

são resíduos nucleares e hospitalares. produtos de metal. De acordo com a sua origem os resíduos podem ser: o o o o Industria extractiva. devido à rápida decomposição destes produtos. para o tratamento seleccionado. como plásticos. Produção e distribuição de electricidade. Altamente tóxicos. detergentes. etc. Estes produtos precisam receber tratamento especial. Muitas vezes também podem ser fontes de agentes que podem causar doenças. ☺ Resíduos altamente tóxicos. ☺ De acordo com a sua composição os resíduos podem ser: o o o o ☺ Orgânicos. ☺ A atribuição do respectivo código LER é importante para a identificação do resíduo e bem assim. Inorgânicos. vidro. Tóxicos e. gás e água e da. Industria transformadora. ou podem causar sérios danos ambientais e/ou à saúde de muitas pessoas. ☺ Resíduos inorgânicos inclui todo material que não tem origem biológica. que contém ácidos e metais pesados na sua composição. para além de outros resíduos industriais.. ☺ Os resíduos tóxicos incluem pilhas e baterias. certos tipos de tinta (como a que é usada nas impressoras). ou que foi produzida por meios não naturais.Resíduos 2006 altamente inestético e mal cheiroso. Carlos Alberto Alves Página 124 . Industria de construção.

9.Resíduos 2006 Questões sobre o tema: 1. A? 5. Qual é a hierarquia de prioridades para a gestão dos resíduos? 4. Cite alguns dos fluxos de resíduos que estão considerados na legislação e que têm esquemas próprios de gestão? 2. Defina resíduo inorgânico. Dê exemplos de resíduos tóxicos e muito tóxicos. 7. Faça o preenchimento de uma dessas guias pressupondo a existência de resíduos na sua empresa? 6. Sabe o que é a declaração Mod. Defina resíduo inorgânico. Carlos Alberto Alves Página 125 . Qual é a legislação que regula o transporte de resíduos por estrada? 3. Preencha os impressos A e B com os resíduos produzidos numa hipotética empresa. 8.

Resíduos 2006 Carlos Alberto Alves Página 126 .

que se responsabilizam pelo cumprimento das metas de recolha.000 V para corrente alterna e 1. por questões organizativas. transferência e medição dessas correntes e campos. divididos em fluxos específicos. foram assim organizados desta forma. A legislação impõem ou estipula a organização e sistemas de gestão destes fluxos de resíduos. Os veículos em fim de vida. reciclagem e valorização que vão sendo estabelecidas pela legislação. Os resíduos de construção e demolição. de 9 de Setembro. através de entidades individuais ou organizados em entidades colectivas. incluindo todos os Carlos Alberto Alves Página 127 .Resíduos 2006 Os diferentes tipos de resíduos Fluxos específicos de resíduos Os resíduos foram sendo. Alguns dos fluxos específicos que hoje são reconhecidos são: Os resíduos de equipamento eléctrico e electrónico. Os óleos alimentares e. os equipamentos que estão dependentes de correntes eléctricas ou campos electromagnéticos para funcionar. cuja responsabilidade é em regra dos produtores e/ou distribuidores. Os solventes orgânicos. O fluxo dos REEE’s Entende-se por Equipamentos Eléctricos e Electrónicos (EEE’s). Estes fluxos de resíduos. As pilhas e acumuladores. Os óleos usados. que impõem regras legislativas específicas. destinados à utilização com tensão nominal não superior a 1. por força ou da perigosidade associada a estes ou pela sua elevada quantidade gerada. são aqueles que se enquadram na acepção da alínea a) do artigo 3 do Decreto-Lei nº 239/97. Os pneus. com legislação própria e tratamento também próprios. As embalagens. bem como os equipamentos para a geração. Os Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos (REEE’s).500 V para corrente contínua. função da complexidade e das infra-estruturas que o país dispunha.

indústria e serviços). bem como a responsabilidade pela prevenção da poluição. uma vez que na sua constituição. cádmio e crómio hexavalente) e de retardadores de chama à base de bromo [bifenis polibrominados (PBB) ou éteres difenis polibrominados (PBDE)] nos novos EEE colocados no mercado a partir de 1 de Julho de 2006. incluindo fracções recolhidas selectivamente. exige a substituição de vários metais pesados (chumbo. aprovada pela Portaria 209/2004.Resíduos 2006 componentes. A Lista Europeia dos Resíduos (LER). estes contêm substâncias perigosas e de difícil tratamento como é o caso dos metais pesados ou dos plásticos com retardadores de chama. Esta acumulação representa um perigo considerável para o meio ambiente e para a saúde pública. • • Responsabilização dos produtores pela recolha e reciclagem dos seus REEE’s. A acumulação dos resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos (REEE). Aumento da sensibilização dos industriais para o desenvolvimento de novos designs. relativa à restrição do uso de determinadas substâncias perigosas em equipamentos eléctricos e electrónicos (EEE) e a Directiva 2002/96/CE. tem sido uma preocupação crescente em todo o mundo. ainda no capítulo 20 – Resíduos urbanos e equiparados (resíduos domésticos. do comércio. de 27 de Janeiro de 2003. devolvidos pelos consumidores. sendo exemplo os quadros que se seguem. Carlos Alberto Alves Página 128 . • Retoma dos velhos REEE’s . mercúrio. de 3 de Março. e em particular na EU. subconjuntos e consumíveis que fazem parte integrante de equipamentos eléctricos e electrónicos no momento em que são descartados. Por esta razão a Directiva 2002/95/CE. sobretudo para atenuar e minimizar a deposição destes em aterro ou para incineração através da: • Contenção da deposição em aterro através do crescimento da reciclagem deste tipo de resíduos. no sentido de aumentar a eficiência ambiental dos mesmos. também aqui se aplica o princípio do poluidor pagador. relativa aos resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos (REEE) foram elaboradas para minimizar e resolver o problema do elevado crescimento desta fileira de resíduos e. Classifica os resíduos de equipamento eléctrico e electrónico no capítulo dos resíduos não especificados com o código 16 02 – Resíduos de equipamento eléctrico e electrónico e. a mesma Directiva 2002/95/CE. de 27 de Janeiro de 2003. sendo a responsabilidade da gestão dos EEE’s de todos os intervenientes no ciclo de vida destes e dos REEE’s. No sentido de prevenir a constante formação de resíduos perigosos. por exemplo. na página seguinte. Desta forma. sem quaisquer encargos para estes.

Carlos Alberto Alves Página 129 . Equipamentos de consumo. Equipamentos informáticos e de telecomunicações. devem tentar-se classificar de acordo com o capítulo 20 e. a identificação do resíduo faz-se em conformidade com o capítulo 16. estes equipamentos podem ainda dividir-se em: ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ Grandes electrodomésticos. Código LER 16 02 09 (*) 16 02 10 (*) 16 02 11 (*) 16 02 12 (*) 16 02 13 (*) 16 02 14 16 02 15 (*) 16 02 16 20 01 35 (*) 20 01 36 20 01 21 (*) 20 01 23 (*) Descrição Transformadores e condensadores contendo PCB’s. Componentes perigosos retirados de equipamento fora de uso. HCFC. Equipamento fora de uso contendo clorofluor-carbonetos. devem ser as prescritas no ponto 1 do Anexo I da Portaria nº 209//2004. Equipamentos fora de uso não abrangido em 16 02 09 a 16 02 13. Pequenos electrodomésticos. Equipamento eléctrico e electrónico fora de uso não abrangido em 20 01 21 Lâmpadas fluorescentes e outros resíduos contendo mercúrio. Equipamentos de iluminação. Equipamento eléctrico e electrónico fora de uso não abrangido em 20 01 21 ou 20 01 03 contendo componentes perigosos. Ferramentas eléctricas e electrónicas (com excepção de ferramentas industriais fixas de grandes dimensões). Componentes perigosos retirados de equipamento fora de uso não abrangidos em 16 02 15. ou seja . Equipamentos fora de uso contendo amianto livre. Equipamento fora de uso contendo ou contaminado por PCB’s não abrangido em 16 02 09. Para além desta classificação. Equipamentos fora de uso contendo componentes perigosos não abrangidos em 16 02 09 a 16 02 12. se nenhum destes códigos de resíduos for aplicável. HFC.Resíduos 2006 As regras apropriadas para atribuição do código LER. Equipamento fora de uso contendo clorofluor-carbonetos.

classifica os óleos como sendo: ☺ ☺ ☺ Tipo A – Óleos de motor. Considera-se óleo usado qualquer óleo lubrificante de base mineral ou sintética impróprio para o uso a que inicialmente estava destinado. óleos minerais para máquinas. a fim de permitir a sua recolha selectiva. Tipo C – Outros óleos. turbinas e sistemas hidráulicos Problemas dos óleos usados: Estes normalmente contêm substâncias consideradas tóxicas e perigosas. relativa a um questionário que servirá de base aos relatórios dos Estados Membros sobre a aplicação da Directiva 2002/96/CE do Parlamento Europeu e do Conselho relativa aos resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos. sendo esta definição importante para definir também a responsabilidade das entidades que possam estar envolvidas na gestão destes óleos. origina graves problemas para a saúde pública. Por acordo. Contaminam os cursos de água e o solo. Exemplos: Óleos de motores de combustão. A Portaria nº 240/92. que têm efeitos nocivos na saúde pública. Tipo B – Óleos industriais. O fluxo dos óleos usados A definição de óleos usados é dada pela Directiva do Conselho nº 75/439/CEE. Instrumentos de monitorização e controlo. os Estados Membros ficaram de rever as metas para a recolha.Resíduos 2006 ☺ ☺ ☺ ☺ Brinquedos e equipamento de desporto e lazer. Covém pró último referir que a marcação dos REE’s é obrigatória a partir de 13 de Agosto de 2005. Dada a sua composição e características. reutilização e reciclagem de REEE’s em 2008. Aparelhos médicos (com excepção de todos os produtos implantados e infectados). com o símbolo de proibido colocar no contentor do lixo. Existe entretanto uma Decisão 2004/249/CE. Contêm compostos mutagénicos e carcinogénicos. Carlos Alberto Alves Página 130 . a deposição incontrolada de óleos lubrificantes usados. pelo que são considerados resíduos perigosos. de 11 de Março. essencialmente pela contaminação da água e dos solos. Distribuidores automáticos.

Carlos Alberto Alves Página 131 . que é muito elevado quando comparado com o carvão que tem entre 18.Resíduos 2006 É obrigatório o registo. os pneus contêm um elevado valor energético. em regra. que obteve a licença para actuar nesta área. De acordo com a legislação Europeia. O armazenamento contribui também para a formação de poças de água no seu interior.6 MJ/kg. são reguladas pelos Despacho nº 10863/2004. a verdade é que na sua constituição entram uma variedade de materiais. por duzentos componentes e pesará cerca de 9 a 13 kgs em média. Embora na sua aparência os pneus possam parecer um produto simples.9 MJ/kg.. A Sociedade gestora de óleos usados é a Sogilub. borracha natural e sintética. sendo o valor da eco-taxa a designada “Eco-lub” no valor de 0. recolhedores e utilizadores de óleos usados. a sua queima ao ar livre e a sua incineração sem recuperação energética. que atribui o número de registo para a actividade de recolha e transporte rodoviário de óleos usados e pela Portaria nº 1028/92. de 1 de Junho. que atraem os mosquitos. em 2005.063 €/l. Um pneu é constituído.6 a 27. proíbe a deposição dos pneus em aterro. do movimento de óleos usados. Devido à sua composição. mais IVA. quando esse movimento for superior a 200 litros. A legislação actual. por essa razão têm sido alvo de legislação tendente a minimizar os seus impactes negativos. agentes de vulcanização e de protecção e etc. tais como reforços metálicos e têxteis. elementos de reforço. como Sociedade Gestora de um Sistema Integrado de Gestão de Óleos Usados e cuja validade expirará em 2010. A Sogilub é participada pela APETRO (Associação Portuguesa das Empresas Petrolíferas) e pela UNIOIL (Associação Portuguesa de Empresas Gestoras e Recicladoras de Óleos Usados). 32. uma vez que estes são muito fáceis de arder e muito difíceis de apagar. embora quando não são retirados previamente possam fazer parte da classificação LER 16 01 04 – Veículos em fim de vida. As actividades de recolha e transporte. a sua classificação LER é 16 01 03 – Pneus usados. dos quais cerca de 60% são borracha. que estabelece as normas de segurança e identificação para o transporte de óleos usados. de 5 de Novembro. que procede à rectificação do Despacho 9277/2004. O fluxo dos pneus usados Os pneus usados são um dos resíduos que maiores problemas têm vindo a colocar e. para todos os detentores. devendo para tal usar-se o mapa de registo trimestral. Problemas do Armazenamento de Pneus O armazenamento de pneus constitui uma fonte de perigo de incêndio.

O fluxo das pilhas e acumuladores Segundo o Decreto-Lei nº 62/2001. Na área da engenharia biofísica e civil – através da utilização dos pneus na construção de taludes. Através da incineração com recuperação de energia. são várias as definições. Por reciclagem. A sua classificação segundo o código LER é a seguinte: Código LER 16 06 16 06 01 16 06 02 16 06 03 16 06 04 16 06 05 16 06 06 09 01 11 09 01 12 20 01 33 20 01 34 Pilhas e acumuladores Acumuladores de chumbo Designação Acumuladores de níquel . Como é feita a valorização dos pneus: Através da recauchutagem.cádmio Pilhas contendo mercúrio Pilhas alcalinas (excepto 16 06 05) Outras pilhas e acumuladores Electrólitos de pilhas e acumuladores recolhidos separadamente Máquinas fotográficas descartáveis com pilhas incluídas em 16 06 01. Criam um impacte visual negativo quando estão armazenados em lixeiras.Resíduos 2006 Fazem com que proliferem os roedores. para os resíduos que constituem este fluxo de resíduos. 16 06 02 ou 16 06 05 e pilhas e acumuladores não triados contendo essas pilhas ou acumuladores Pilhas e acumuladores não abrangidos em 20 01 33 Carlos Alberto Alves Página 132 . A sua degradação em aterro demora cerca de 150 anos até á sua decomposição. 16 06 02 ou 16 06 03 Máquinas fotográficas descartáveis com pilhas incluídas em 09 01 11 Pilhas e acumuladores abrangidos em 16 06 01.

Estes resíduos poderão contar com os resíduos compostos por peças de substituição ou danificadas. óleos e lubrificantes e acumuladores. após a decisão tomada em Outubro de 2002. podendo ainda referir-se a automóveis completos ou partes destes. devido à idade. que será depois reciclado. avaria ou acidente. O fluxo dos VFV’s A legislação específica para os veículos em fim de vida abrange os resíduos de manutenção gerados nas oficinas. os veículos em fim da sua vida útil.Resíduos 2006 Em 2004. deve entregar o acumulador usado. como os pneus. Devem ser depositadas em contentores próprios (pilhões). que é o valor destinado a suportar os custos deste fluxo de resíduos. Quando comprar acumuladores de chumbo. pelo Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território. Deverá optar por pilhas recarregáveis. substituídas em oficina. pois embora sejam mais caras podem ser utilizadas centenas de vezes. com vista a implementação de um Sistema de Gestão Integrado de Pilhas e Acumuladores. Tipos de pilhas e acumuladores Pilhas gerais . devem-se acondicionar as pilhas em garrafas de plástico. lítio e mercúrio). que podem ser perigosos para a saúde humana e contaminar o meio natural Cuidados a ter com as pilhas e acumuladores: Não se devem deitar as pilhas para o lixo ou depositá-las no solo. aplicando-se também a estes resíduos a legislação referente aos fluxos específicos.incluem as de zinco-carvão. A origem deste tipo de resíduos está tipificada conforme a tabela abaixo. que resulta da experiência vivida noutros países da Europa. Se a zona de residência não possuir pilhões. foi criada o Ecovalor. alcalinas e de níquel-cádmio (recarregáveis) Pilhas especiais . chumbo. Carlos Alberto Alves Página 133 .incluem pilhas-botão e pilhas cilíndricas Acumuladores de chumbo A maioria das pilhas contêm metais (cádmio. que já existem em alguns concelhos do país.

apesar de fracção restante ser aquela que maiores problemas coloca do ponto de vista ambiental. etc.86% de redução da poluição atmosférica. sendo que até aqui apenas a fracção dos produtos metálicos era aproveitada. um automóvel é constituído por 75% de metal. cobre) Fluidos diversos Vidro Outros materiais Peso 57% 11% 18% 8% 2.5% 1% Na verdade. . . Carlos Alberto Alves Página 134 . o que corresponde a cerca de 126 500 toneladas. Como produto complexo que é. 1% de óleos. 4% diversos. 10% de plásticos. . Vantagens da reciclagem da sucata .Resíduos 2006 Origens Particulares Seguros Redes de distribuição Municípios Outros 11% 34% (nomeadamente veículos acidentados) 19% (concessões das marcas.90% de poupança de matéria prima. considerando um peso médio de cerca de 1100 kgs por unidade. um automóvel tem uma composição típica que se ilustra na tabela a seguir apresentada.5% 2. 10% borracha.40% de redução no uso da água.) 22% (veículos abandonados e recolhidos na via pública) 14% (comércio de automóveis e oficinas independentes) Percentagens Por ano são abandonados cerca de 115000 veículos.76% da redução na poluição da água. Materiais Aço Ferro fundido Plásticos e borrachas Metais não ferrosos (alumínio.

estas são compostas como se indica a seguir: RECIPAC – para a reciclagem do papel e cartão. que representam cerca de 15% do total betão O fluxo das embalagens e dos resíduos de embalagens As embalagens que compõem este fluxo de resíduos. são actividades com séculos de existência. no entanto só nos últimos anos ou décadas começaram a ser perceptíveis as preocupações com o destino dos resíduos provenientes dessas actividades. um pacote de leite. concebidas de modo a constituir uma unidade de venda. caixas de cartão ou filmes plásticos que agrupam embalagens de produtos. Carlos Alberto Alves Página 135 . por exemplo.Embalagens terciárias ou de transporte – embalagens industriais e comerciais. Formas de valorização: Material de cobertura dos RSU nos aterros Pavimentação de caminhos Enchimento de massas de cerca de 10 milhões de toneladas de entulhos por ano.105% na redução da produção de resíduos pelo consumidor. CERV – para a reciclagem do vidro. por exemplo.Embalagens secundárias ou grupadas – embalagens do circuito de distribuição comercial. que se encarrega da gestão do chamado Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagem – SIGRE. A entidade responsável em Portugal pela gestão deste sistema “Ponto Verde” é a Sociedade Ponto Verde. São produzidas de materiais consumidos na construção. O fluxo dos resíduos de construção e demolição (RC&D) A actividade de construção civil e posteriores demolições. O Sistema de Gestão de Embalagens e Resíduos de Embalagens é semelhante ao modelo Alemão designado por “Green Dot”.Embalagens primárias ou de venda – embalagens que chegam ao consumidor final. e foi regra geral transposto para os outros países da Europa. ou seja. dividem-se em três grupos ou níveis: . embalagens para grupagem de unidades de venda dirigidas ao consumidor final ou ao aprovisionamento do ponto de venda. ou seja.Resíduos 2006 . por exemplo. Para cada tipo de material existe uma fileira que assume a responsabilidade da gestão da mesma e. . caixotes ou paletes. .

Este material é um inerte. que dificultam a mesma. apresenta-se sob a forma de garrafas de bebidas e similares. levada a cabo pelos municípios. Os Plásticos. O seu peso específico normal é de cerca de 196 kgs/m3. Os metais ferrosos são facilmente separáveis. Depois de separados estes são enviados para as siderurgias. faz-se através da recolha indiferenciada ou selectiva.~ Papel e cartão Este representa em média cerca de 20% (em massa) de todos os RSU’s.Resíduos 2006 FILEIRA DO METAL – para a reciclagem do alumínio e do aço. e foi desde há muito objecto de separação para posterior reciclagem que já se faz há muito. Uma das dificuldades da reciclagem é a da mistura do vidro de cor e de porcelanas. Vidro Em geral representa cerca de 7% do peso total dos RSU’s e. O funcionamento do SIGRE. Metais Os metais aparecem nos RSU’s sob a forma de embalagens de alimentos e sob outras formas diversas. EMBAR – para a reciclagem das embalagens de madeira. à poupança de energia eléctrica para o seu processamento que se estima em cerca de 70%. Constituem fileiras os seguintes materiais de embalagem: O Metal. PLASTVAL – para a reciclagem do plástico de embalagem. apresenta uma densidade de aproximadamente 50 kgs/m3 e. A sua reciclagem. mesmo sem a separação magnética. em massa. A primeira. A sua representatividade nos RSU’s não é grande e em geral e em termos médios representa. conduz à poupança dos recursos florestais. também neste caso a sua reciclagem é também feita há já muito tempo. quando derivado de embalagens gerais cerca de 280 kgs/m3 e quando derivado de latas cerca de 89 kgs/m3. contribui para a minimização da Carlos Alberto Alves Página 136 . sendo as embalagens de alumínio separadas por indução magnética. efectuada pelos Municípios ou Associações de Municípios e. O Vidro. no entanto quase todo o vidro se utiliza na fabricação de garrafas novas. O Papel e cartão e. Na sua reciclagem calcula-se que se economizem cerca de 35% da energia consumida neste processo. ultimamente conta também com a participação dos operadores privados para a recolha dos resíduos de embalagens industriais. faz-se essencialmente através da recolha selectiva. cerca de 3% do total dos mesmos o peso especifico deste é.

No entanto estão a fazer-se várias tentativas para incorporar estas na fabricação da madeira plástica. que tem uma durabilidade superior à madeira e uma maior resistência ao desgaste natural a que esta estaria sujeita. para os quantitativos depositados em aterro. processar estes plásticos misturados. ainda para a economia de água com uma redução de consumo da ordem dos cerca de 85%. uma vez que quando não existe uma forma categórica de catalogar uma embalagem acaba sempre por atirar-se esta para a família dos plásticos. Material PE PP PS PVC RSU’s Kcal 46. Em regra estas embalagens são compostas por uma mistura de materiais. Uma outra possibilidade. A sua reciclabilidade está intimamente ligada ao facto de estes possuírem ou não as marcas identificativas do tipo de plástico com que os diferentes produtos foram feitos. podem também considerar-se as embalagens mistas. relativamente ao processamento das fibras virgens. é a de proceder à queima destes plásticos ou mistura de plásticos. podendo à posteriori construir-se mobiliário urbano a partir desta”madeira plástica”. sendo que por vezes a mistura de mesmo quantidades pequenas podem inviabilizar essa reciclagem.900 8. Estes representam de cerca de 25% do volume total dos resíduos depositados em aterro. produzindo um produto semelhante à madeira. Plástico Os plásticos. onde o papel entra com cerca de 75%. o plástico (polietileno em geral) entra com cerca de 20% e o alumínio entra com cerca de 5%. sobretudo considerando a sua capacidade calorífica.000 Na família dos plásticos. nestes casos. Por outro lado a reciclagem do plástico só é viável se este estiver devidamente separado por tipos.000 46.Resíduos 2006 contaminação atmosférica e da emissão de contaminantes e. Outros plásticos sofrem uma degradação mais rápida dificultando também dessa forma a sua reciclagem.000 44. em massa. representam em média cerca de 7%. Carlos Alberto Alves Página 137 . Também aqui. a solução passa pela eventual queima destas embalagens compósitas. Hoje já é possível.000 18. dentro da chamada reciclagem mecânica. De referir que ainda hoje nem todos os plásticos são identificados com estas marcas que permitiriam conhecer a matériaprima original.

Existem autarquias que têm serviços específicos para este tipo de recolha. o volume total destes resíduos de material lenhoso verde.5 milhões de toneladas de resíduos agrícolas. de ervas daninhas e outras actividades de conservação e manutenção de jardins públicos e privados. podem ser compostados. requerem por vezes uma recolha diferenciada. Em Portugal e segundo as estimativas de 1994. Podem ser usados como cobertura na selagem dos aterros. Devido á sua natureza (biodegradável). Formas de valorização: Resíduos lenhosos (cascas e ramos) são utilizados para aglomerado e combustível Utilização das folhas de eucalipto para a produção de óleos essenciais Carlos Alberto Alves Página 138 . representam cerca de 3 milhões de toneladas. nos quais uma parte é reutilizada na fabricação de aglomerado e como combustível e mais de 1. Forma de valorização: Podem ser compostados. requerem por vezes uma recolha diferenciada. industria de madeira). Estes resíduos. corte de relva. resultam de podas das árvores. Excluindo o aproveitamento das folhas de eucalipto para a produção de óleos essenciais e de uma parte dos ramos e cascas para utilização como combustível (queima e produção de carvão vegetal). eucalipto e montados de sobro.Resíduos 2006 Resíduos de jardim Devido às suas dimensões e quantidades produzidas. Estes resíduos. o que já começou a ser feito nalguns locais e o composto obtido poderá ser utilizado como fertilizante dos solos. nas áreas florestais. Resíduos Agrícolas e Florestais Os resíduos agrícolas e florestais são constituídos por cerca de 4 milhões de toneladas de resíduos lenhosos (silvicultura. devido ás suas dimensões e características e ainda ás quantidades produzidas. Estes resíduos eram constituídos por resíduos de pinheiro. Há ainda a considerar o desperdício de mais de 30 mil toneladas de cortiça virgem e de resíduos da transformação da cortiça. pode dizer-se que é escassa a recuperação destes resíduos. incluindo pecuárias.

Óleos usados. .Sucata.Resíduos 2006 Resíduos Especiais.Resíduos de demolição e de construção. . .Pequenas quantidades de resíduos perigosos.Pneus usados.Resíduos de jardins e espaços verdes.Pilhas e acumuladores. podendo estar abrangidos por legislação específica. Tintas e solventes. Perigosos e Industriais Resíduos especiais são aqueles que devido às suas características. não devem ser recolhidos juntamente com os RSU. Estas características podem ficar a dever-se à sua dimensão. São considerados resíduos especiais os seguintes resíduos: . volume ou perigosidade. .Resíduos agrícolas e florestais. Removedores de ferrugem e preservadores da madeira. Carlos Alberto Alves Página 139 . conforme já referido atrás. . Pequenas quantidades de resíduos perigosos: Tipos de resíduos perigosos produzidos em nossas casas: Medicamentos usados. Detergentes e produtos para limpeza de metais e vidros. Lâmpadas fluorescentes. Electrodomésticos com cloroflúorcarbonetos (frigoríficos). . .

Resíduos 2006 Carlos Alberto Alves Página 140 .

Construção Ind. Carlos Alberto Alves Página 141 . Unidade de tratamento de solos. Alguns dos resíduos deverão ter encaminhamento cimenteiras.Resíduos 2006 Resíduos industriais perigosos (RIP’s) Resíduos produzidos em actividades ou processos industriais que contêm substâncias que representam risco para a saúde humana e/ou para o ambiente. lamas e etc. conforme já falado (CIRVER’s) para garantir uma adequada gestão dos resíduos industriais: Estes em principio deverão ser dotados de: Unidade de tratamento físico-químico – processo utilizado sobretudo para os resíduos de natureza inorgânica (metalomecânica e outras). 4% 2% 15 % Ind. ou seja aproximadamente 0. Unidade de tratamento físico-químico – utilizado sobretudo para o tratamento de solventes. A estimativa global de produção de resíduos industriais era em 2001 de 29 x 106 toneladas. das quais 254 x 103 toneladas são RIP’s.9 % do total produzido.Energética Ind. Unidade de inertização de resíduos perigoso.). Aterro controlado (escórias e cinzas volantes. Unidade de tratamento de embalagens industriais perigosas.Extractiva 79 % Tratamento de resíduos industriais perigosos: Prevê-se a implantação de infraestruturas de carácter curativo.Transformadora Ind.

susceptíveis de incineração ou outro tratamento eficaz. não possuem condições técnicas e ambientais adequadas.Grupo IV – Resíduos hospitalares específicos. e ainda as actividades de investigação relacionadas. Carlos Alberto Alves Página 142 . Parte dos resíduos hospitalares contaminados são incinerados em pequenas instalações que. incluindo as actividades médicas de diagnóstico.000 ton/ano) que são produzidos em pequenas. . .Resíduos 2006 Estas unidades permitirão o tratamento adequado de determinados resíduos perigosos (cerca de 200.Grupo III – Resíduos hospitalares de risco biológico. tratamento e prevenção da doença em seres humanos ou animais. são resíduos contaminados ou suspeitos de contaminação. permitindo a posterior eliminação.Grupo I – Resíduos equiparados a urbanos. de 13 de Agosto. estes são classificados segundo quatro categorias ou grupos: . na sua generalidade. são aqueles que não apresentam exigências especiais de tratamento. . médias e grandes indústrias. são aqueles que não estão sujeitos a tratamentos específicos. podendo ser equiparados a urbanos. e outra parte é eliminada com os RSU. Resíduos hospitalares Estes resíduos são produzidos em unidades de prestação de cuidados de saúde. de incineração obrigatória. são resíduos de vários tipos. De acordo com o Despacho nº 242/96.Grupo II – Resíduos hospitalares não perigosos.

estabelece as concentrações máximas de metais pesados. No entanto. Se as lamas forem susceptíveis de valorização agrícola. com o objectivo de se reduzir o seu poder de fermentação. ser o responsável pela sua gestão e deverá assegurar-se sobre a forma como estas virão a ser utilizadas ou valorizadas ou ainda colocadas em depósitos de lamas/resíduos. estas lamas. A Portaria nº 176/96. se puderem ser aplicadas na correcção de solos como fonte de nutrientes. Antes da sua deposição ou aplicação final. estas lamas.Resíduos 2006 Lamas de ETAR’s As lamas de ETAR’s. Por outro lado. ainda permitindo a correcção dos níveis topográficos desses mesmos terrenos. de 9 de Setembro. Carlos Alberto Alves Página 143 . que foi transposta para o direito nacional pelo Decreto-Lei nº 446/91. de 19 de Abril. transporte e armazenamento. ao abrigo do Decreto-Lei nº 239/97. responsável pela produção de gases e odores. Purificadas. para eliminar o máximo de microorganismos patogénicos e elementos tóxicos. podem também representar um recurso renovável importante. como destino final. de 22 de Novembro. presentes nas lamas destinadas à fertilização e à agricultura. de acordo com a legislação em vigor. como o nome indica. Recentemente o Decreto-Lei nº 309-G/2005. de 3 de Outubro. se apresentarem concentrações elevadas de determinadas substâncias perigosas. com vista à protecção dos solos. O destino final dessas lamas depende da sua composição final e está directamente relacionado com as características do efluente tratado que entra na referida estação e com os processos de tratamento. veio rectificar o Decreto-Lei nº 446/91. no que diz respeito às competências e designações de alguns organismos envolvidos neste processo.para facilitar o seu manuseamento. O produtor dessas lamas deverá. que podem ter uma acção de toxicidade nas espécies biológicas existentes no solo. estas terão de ser encaminhadas para a deposição em aterro ou tratadas por processos adequados. ☺ ☺ Reduzidas em volume. corrigindo o ph e/ou melhorando as características físicas destes e. deverão ser: ☺ Estabilizadas. sejam doméstica sejam industriais são. sobretudo as biológicas.. lamas produzidas em Estações de Tratamento de Águas Residuais. são em geral complexas e representam um problema para o gestor da respectiva estação. que para além da elevada quantidade. estas ficarão ao abrigo da Directiva nº 86/278/CEE. aplicando-se também este às empresas detentoras de autorizações para operações de gestão de resíduos. que em regra utilizam substâncias químicas. no que diz respeito à regulamentação da utilização de lamas decorrentes de águas e águas residuais.

servem para tornar as lamas mais inofensivas e para facilitar o seu manuseamento e transporte. Os vários processos de tratamento de lamas. fósforo e potássio). Por esta razão é que se impõem um tratamento adequado antes da sua deposição em destino final. de modo a. as lamas são separadas em decantadores distintos e só posteriormente processadas em comum. Existem três principais tipos de tratamento das lamas: ☺ ☺ Espessamento. consequentemente. Alguns dos destinos das lamas. podendo depois ser estabilizadas. As principais técnicas utilizadas para o tratamento das lamas. tal como o nome indica. Compostagem de lamas. ☺ Desidratação.Resíduos 2006 De referir ainda que. Eliminação pró incineração. de 3 de Outubro. Carlos Alberto Alves Página 144 . de acordo com o seu destino final. estabelece também as normas relativas à análise das lamas e dos solos (frequência. reduz o seu peso e volume. que promove a diminuição do volume. fiquem espessas. Nas estações de tratamento convencionais. redução ou eliminação do potencial de putrefacção. que retira uma parte significativa de água presente na lama e. Estabilização. as lamas são obtidas na forma de lama mista (lamas primárias misturadas com lamas secundárias) no decantador primário. associados a uma concentração significativa de microorganismos patogénicos. parâmetros a analisar e métodos de análise). nomeadamente através da redução do volume. um elevado teor de humidade e. poderão ser os seguintes: ☺ Valorização agrícola. Noutros casos. onde se reduz o volume de água presente nelas. a Portaria nº 177/96. Em muitos casos. as lamas são enviadas para espessamento. as lamas têm origem na operação de decantação primária e nos processos secundários e terciários. para redução de microorganismos patogénicos. por redução do teor em água. Geralmente. potencialmente. Estabilização química com cal. As lamas caracterizam-se por apresentarem matéria orgânica e nutrientes (azoto. seguindo depois para a desidratação. tendo em vista a sua adequada aplicação são: ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ Digestão anaeróbia. a eliminação de odores ofensivos e a inibição. metais pesados (micropoluentes inorgânicos). Secagem térmica.

Recobrimento de aterros sanitários. Cerâmica (com a incorporação de até 20% destas lamas). valor calorífico para a queima). por forma a precavermos a protecção das plantas . Co-incineração / cimento (incorporação no cimento.Resíduos 2006 ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ ☺ Recuperação de solos. do solo. Selagem de lixeiras como recuperação paisagística. Carlos Alberto Alves Página 145 . Incineração (combustível. Áreas verdes. Compostagem de lamas com RSU’s. Construção civil (na fabricação de tijolos). valor calorífico para as incineradoras). Florestas. Deve ter-se uma preocupação especial com a utilização correcta dessas lamas. como resíduos de jardins. Estradas (recuperação de taludes). das águas subterrâneas e a da salvaguarda da saúde humana e dos animais.

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o o o o o o o o Pneus usados. Resíduos de jardim. ☺ Definições de alguns resíduos especiais: o Óleos usados: . Resíduos agrícolas e florestais. Resíduos de construção e demolição. Pilhas e acumuladores. Carlos Alberto Alves Página 147 . VFV’s – Veículos em Fim de Vida. ou sob a forma de um resíduo específico produzido por um determinado sector de actividade.Resíduos 2006 Resumo: ☺ Fluxos de resíduos são assim designados aos resíduos agrupados ou sob a forma e tipo. Resíduos perigosos em pequenas quantidades. ☺ Resíduos especiais são aqueles que devido às suas características. Resíduos hospitalares.Considera-se óleo usado qualquer óleo lubrificante de base mineral ou sintética impróprio para o uso a que inicialmente estava destinado. não devem ser recolhidos juntamente com os RSU.

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Questões sobre o tema:
1. O que são resíduos especiais? 2. Dê alguns exemplos de resíduos especiais? 3. Defina resíduo perigoso? 4. Dê dois exemplos de fluxos constituídos? 5.

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Tratamento do resíduo
Aterros sanitários
Aterros sanitários são a maneira mais prática e barata, usada de eliminar o lixo doméstico e urbano, no entanto a sua capacidade é muito limitada. Estes aterros utilizam grandes áreas de terreno, onde o lixo é depositado. Porém, e por vezes, inutilizam-se aqui vários materiais que poderiam ser reciclados, além de ser uma fonte de poluição do solo, sobretudo se não forem acompanhados devidamente, dando origem a lixiviados que poderão contaminar os solos e as águas subterrâneas.

Critérios de Admissibilidade de Resíduos em Aterro
Para efeitos de deposição de resíduos em aterro, os resíduos deverão ser caracterizados em conformidade com os critérios de admissibilidade definidos no Decreto-Lei n.º 152/2002, de 23 de Maio, relativo à deposição de resíduos em aterro. Para que um determinado resíduo possa ser depositado numa das três classes de aterros existentes: - Aterros de resíduos inertes - os resíduos que não sofrem transformações físicas, químicas ou biológicas; - Aterros de resíduos não perigosos - os não abrangidos pela legislação de resíduos perigosos e não assinalados na lista de resíduos como perigosos; - Aterros de resíduos perigosos - os abrangidos pela legislação de resíduos perigosos e os assinalados como tal na lista de resíduos. É necessário dar cumprimento aos critérios de admissão de resíduos, definidos no Anexo III do Decreto-Lei nº152/2002, de 23 de Maio, para serem admitidos em cada uma das classes de aterros; os resíduos e os seus eluatos deverão respeitar os valores específicos para os vários parâmetros, constantes das tabelas nº 2 e 3, os quais constituem valores máximos de admissibilidade para todas as classes de aterros, salvo no que se refere ao ponto de inflamação, cujos valores são valores mínimos.

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Critérios de admissão - Análises sobre os resíduos

(1) O aterro não poderá admitir, mensalmente, mais de 10% de resíduos que ultrapassem o valor constante da tabela relativamente a este parâmetro. (2) Sempre que o aterro for especialmente concebido para admitir resíduos orgânicos ou resíduos que fermentem, este valor poderá ser ultrapassado. (3) Este valor poderá ser ultrapassado sempre que se tratar de um resíduo que não seja susceptível de fermentar. (4) Nenhum parâmetro poderá ultrapassar individualmente 100 mg/Kg. A sua soma não poderá ultrapassar 0.05%. (5) Nenhum parâmetro poderá ultrapassar individualmente 300 mg/Kg. A sua soma não poderá ultrapassar 0.15%.

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Incineração versus co-incineração A sociedade moderna produz cada vez maiores quantidades de resíduos ou “lixo”. segundo a norma DIN 38414-S4. a incineração e a co-incineração surgem como um métodos mitigadores deste problema. Assim. facto que tem vindo a preocupar todos cientistas e estudiosos em todo o mundo. No entanto estas são altamente poluidoras. As incineradoras literalmente incineram o lixo. reduzindo-o a cinza. Os métodos de convencionais de tratamento e de deposição já não capazes de dar resposta às quantidades infindáveis de resíduos que geramos. Também poderá ser ultrapassado sempre que se tratar de um resíduo que não seja susceptível de fermentar. gerando enormes quantidades de gases que contribuem ao agravamento do efeito Carlos Alberto Alves Página 153 . este valor poderá ser ultrapassado.Análise sobre o eluato (1) (1) Solução obtida a partir de um ensaio de lixiviação em laboratório. desenvolveram-se novas soluções e novos métodos com vista à minimização destes. e procurando dar resposta à crescente preocupação que os resíduos representam.Resíduos 2006 Critérios de admissão . podendo constituir uma forma minimizar este problema social. Por essa razão. (2) Sempre que o aterro for especialmente concebido para admitir resíduos orgânicos.

A co-incineração é a queima de resíduos praticada em simultâneo ou em alternância com a queima de outros combustíveis. que podem conter agentes causadores de doenças potencialmente fatais. perigosos ou não perigosos.Resíduos 2006 estufa. o que exige um controlo adicional sobre os mesmos. Este é também o método utilizado para a destruição de resíduos hospitalares. não havendo produção de cinzas ou escórias a depositar em aterro. adequados à eliminação de uma alargada gama de resíduos. escórias. Na co-incineração os metais são incorporados quimicamente no cimento. permanente e vigiado ou tutelado por alguém isento para que estas incineradoras funcionem correctamente. qualquer que seja o combustível utilizado. A queima de resíduos perigosos estará condicionada a um pré-tratamento biológico e mecânico. Carlos Alberto Alves Página 154 . Na co-incineração não se consegue tratar todo o tipo de resíduos perigosos. a co-incineração garante uma destruição mais completa das substâncias orgânicas. É necessário um controlo eficaz. As principais diferenças entre a incineração e co-incineração são as seguintes: A incineração dedicada queima unicamente resíduos a temperaturas mais baixas do que a co-incineração em cimenteira. Pela razão anterior. A incineradora dedicada produz novos resíduos perigosos. Com o estado actual de conhecimentos. de forma a conferir a estes as necessárias condições de manipulação e de segurança. para serem usados como combustíveis a serem queimados com um poder calorífico próximo da do carvão pobre. ou cinzas e poeiras contendo substâncias nocivas. retendo dessa forma a emissão para a atmosfera. pode afirmar-se que o nível de emissões de dioxinas / furanos de uma cimenteira e de uma incineração dedicada são idênticos. Na incineração dedicada existem sistemas sofisticados de tratamento de gases. sendo o tempo de permanência dos gases a alta temperatura também inferior. em unidades especializadas.

acabariam por ser encaminhados para aterro sanitário e. podendo ir desde dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU’s). divergindo pois da deposição em aterro. para o destino destes resíduos industriais banais. no entanto deverá estar ligada às estratégias nacionais de gestão e de valorização de resíduos e. processo este que se designa como co-incineração. Lamas desidratadas de Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR’s) e mesmo aos Resíduos de Biomassa. para que estes resíduos possam integrar o RDF. pode integrar uma vasta gama de resíduos. cujos quantitativos se estimam em cerca de 29 milhões de toneladas. . De acordo com o relatório da Comissão Europeia – Refuse Derived Fuel. Assim sendo o RDF. conteúdo de metais pesados. por não serem passíveis de valorização material. utilizando estes para valorização energética ou como combustível alternativo. com percentagem de combustíveis e inertes. aos Resíduos Industriais Perigosos e não Perigosos.Resíduos 2006 RDF – Refuse Derival Fuel Uma das soluções advogadas por alguns. como o teor de humidade. ele é antes incinerado em simultâneo ou em alternância com outros combustíveis. significa que o RDF não é o combustível principal ou preferencial da instalação. utilizado em instalações de produção de energia para o processo produtivo (esta definição é da Comissão Europeia de Julho de 2003). As características mais relevantes a observar. para resolver aquilo que tem vindo a ser um problema de dimensões consideráveis. deverão ser: . devem obedecer a controlos apertados das condições de operação destas instalações. Esta queima deverá respeitar a Directiva de Incineração de Resíduos 2000/76. isto Carlos Alberto Alves Página 155 . O termo combustível secundário. ou seja. recentemente transposta para o direito nacional através do Decreto-Lei nº 85/2005. são convertidos em combustível secundário. Por definição podem integrar o RDF.A composição química. Curret Practice Perspectives – a Análise do Ciclo de Vida e o Estudo de Impacte Ambiental efectuados sobre a produção e utilização de RDF. Esta poderá constituir-se a prazo numa alternativa. que após o processamento de acordo com critérios. regulamentos e especificações. a crescente quantidade de resíduos industriais que são gerados anualmente (INPRI – Inventariação dos Resíduos industriais). que deverão ser queimados a temperaturas elevadas. Esta solução. é o chamado RDF ou Refuse Derival Fuel. de 28 de Abril. apontam vantagens destas operações desde que garantam a substituição da queima de combustíveis fósseis e desde que os processos usados assegurem o controlo adequado dos materiais aceites para queima e das emissões produzidas. todos os resíduos de levado poder calorífico que. poder calorífico.A composição física da mistura.

Lamas industriais. Serradura contaminada. a reciclagem não se converterá numa indústria condenada. . lamas de ETAR). . capazes de garantir a homogeneidade deste combustível. que são usados como combustível secundário. na Europa o RDF é produzido a partir de vários resíduos industriais. Convém entretanto referir que hoje existem já tecnologias. Na verdade. .Resíduos 2006 desde que. baixo custo e estiverem disponíveis em quantidade suficiente para assegurar a alimentação de um processo industrial. Esta solução. Solventes. alguns dos quais ou não têm esquemas de reciclagem estabelecidos ou sobre os quais não foram ainda feitos os necessários desenvolvimentos tecnológicos. que satisfazem as exigências do consumidor de forma tão precisa como qualquer outro combustível sólido do mercado.Resíduos de pneus. tais como: Óleos usados.Resíduos têxteis. O principal problema que se poderá colocar. será o de saber se desenvolvendo esta vertente. constituindo uma alternativa viável e com algum contributo em termos de redução de custo para industrias fortemente consumidoras de energia. É de reter que a fracção do plástico tem um poder calorífico elevado e.Resíduos perigosos. . poderá ou deverá ser uma alternativa à deposição em aterro. pode ser usada como complemento da reciclagem mecânica convencional.Resíduos de desmantelamento de veículos. estes resíduos possuam homogeneidade. Carlos Alberto Alves Página 156 . como é o caso do Process Engineered Fuel (PEF) e o Fuel Plastic Derived Fuels (PDF). produzindo-o com percentagens de 70% a 90% de papel e o restante de plástico. considerando os custos envolvidos e a necessidade de meios humanos e materiais que esta implica. .Resíduos de biomassa (palha.Papel / cartão provenientes de actividades comerciais e industriais. através da utilização destes resíduos como fonte de energia renovável. Alguns destes resíduos são: . para além de um elevado poder calorífico. após esta estar devidamente explorada. .Plástico. resíduos de madeira.

Para que um resíduo possa ser utilizado como combustível secundário. De acordo com as Normas ASTM. Actualmente apenas alguns tipos de resíduos não perigosos poderão considerar-se como susceptíveis de garantir um fornecimento constante de produção de RDF. Estão nesta situação os resíduos de papel e cartão. de forma a assegurar um poder calorífico constante e significativo e a redução do seu tamanho. vidro e matéria orgânica. Um processo de preparação de RDF consiste normalmente na trituração do resíduo. alimentação e controlo da combustão. são normalmente triturados e misturados. pedras e vidro). contribuindo-se já desta forma para a redução dos volumes depositados em aterro. os plásticos de embalagem. Em Portugal já se pratica a co-incineração de pneus (na industria cimenteira) e dos óleos usados (nas centrais de produção de energia). para facilitar o transporte. os resíduos têxteis e os resíduos de desmantelamento de veículos em fim de vida.5 e os 22 Mj/Kg. triturados depois de retirados os componentes de metal. com ou sem separação de metais Combustível derivado de resíduos sólidos urbanos. deve ser processado de modo a ir ao encontro das especificações da indústria onde virá a ser co-incinerado. Este material tem uma granulometria tal que 95% do seu peso passa por uma malha com abertura de 7cm. Por essa razão. Os plásticos. seguida de uma secagem e posteriormente são produzidos pellets. na remoção da fracção inerte (metais. existem 7 tipos de RDF’s. devendo ainda existir uma fase de controlo de qualidade da produção dos pellets. Um dos processos ao qual o resíduo deverá ser sujeito é o da homogenização.Resíduos 2006 Todos estes resíduos têm um elevado poder calorífico. que se dividem conforme a tabela seguinte: Tipo de RDF RDF 1 RDF 2 RDF 3 Descrição Resíduo usado como combustível sem qualquer tratamento ou preparação Resíduo triturado. com outros resíduos de menor poder calorífico e depois injectados nos fornos. normalmente mistura-se com este papel que tem um poder calorífico entre os 12. mas têm no entanto um factor limitador que é o seu teor de cloro. muito significativo no caso do PVC (policloreto de vinilo). Combustível derivado de resíduos preparados na forma de pó em que 95% do produto passa por uma malha de 10 cm Combustível derivado de resíduos compactados sob a forma de briquetes RDF 4 RDF 5 Carlos Alberto Alves Página 157 . têm um elevado poder calorífico (29 a 40 Mj/kg) e.

Resíduos 2006 RDF 6 RDF 7 Combustível derivado de resíduos líquidos Combustível derivado de resíduos gasosos Carlos Alberto Alves Página 158 .

da sua perigosidade e também da tecnologia disponível no país para o seu tratamento. para serem usados como combustíveis a serem queimados com um poder calorífico próximo da do carvão pobre. Existem no entanto outras diferenças. de forma a conferir a estes as necessárias condições de manipulação e de segurança. ☺ A co-incineração é a queima de resíduos praticada em simultâneo ou em alternância com a queima de outros combustíveis. ☺ O RDF ou Refuse Derival Fuel poderá constituir-se a prazo numa alternativa. sendo o tempo de permanência dos gases a alta temperatura também inferior. ☺ A diferença entre a co-incineração e a incineração dedicada. divergindo pois da deposição em aterro. A queima de resíduos perigosos estará condicionada a um pré-tratamento biológico e mecânico. que deverá ser um factor a controlar. para o destino dos resíduos industriais banais. que podem ser lidas no texto. provocada pela água das chuvas sobre os aterros. podendo estas ser de RIB’s ou de RIP’s. ☺ Para que possam avaliar do interesse da utilização desta tecnologia (RDF). ou ainda a deposição em aterro após uma ou mais operações de adequação. em unidades especializadas.Resíduos de pneus. é produzido a partir de vários resíduos industriais.Papel / cartão provenientes de actividades comerciais e industriais. ☺ Na Europa o RDF. ☺ Uma das possibilidades é a deposição em aterro.Plástico. ☺ Um dos maiores problemas dos aterros tem a ver com a lixiviação. que deverão ser queimados a temperaturas elevadas. deve dizer-se que alguns destes resíduos são: .Resíduos 2006 Resumo: ☺ Existem várias formas de tratamento ou encaminhamento dos resíduos dependendo das suas características. que são usados como combustível secundário. Carlos Alberto Alves Página 159 . é que esta queima unicamente resíduos a temperaturas mais baixas do que a co-incineração em cimenteira. utilizando estes para valorização energética ou como combustível alternativo. alguns dos quais ou não têm esquema de reciclagem estabelecidos ou sobre os quais não foram ainda feitos os necessários desenvolvimentos tecnológicos. . .

Serradura contaminada. . Carlos Alberto Alves Página 160 . tais como: Óleos usados.Resíduos de biomassa (palha.Resíduos de desmantelamento de veículos.Resíduos 2006 . . lamas de ETAR). contribuindo-se já desta forma para a redução dos volumes depositados em aterro. Lamas industriais. Solventes. Em Portugal já se pratica a co-incineração de pneus (na industria cimenteira) e dos óleos usados (nas centrais de produção de energia). ☺ ☺ Deve reter-se que muitos destes resíduos têm já hoje soluções de reciclagem em Portugal.Resíduos perigosos.Resíduos têxteis. resíduos de madeira. .

Diga o que entende por co-incineração? 3.Resíduos 2006 Questões sobre o tema: 1. Qual é um dos maiores problemas dos aterros? 2. Qual ou quais são as principais diferenças entre co-incineração e incineração dedicada? 5. Em Portugal já se pratica a co-incineração? Carlos Alberto Alves Página 161 . Diga o que entende sobre a incineração dedicada? 4. O que é o RDF? 6.

Resíduos 2006 Carlos Alberto Alves Página 162 .

Uma boa compreensão do processo de compostagem. É importante que. pode ajudar a produzir uma melhor qualidade do produto final. de vegetais. Carlos Alberto Alves Página 163 . que permita que o ar se difunda até ao centro. folhas secas. produzem-se cheiros desagradáveis. restos de madeira e etc. facilmente degradáveis. papeis. de resíduos agrícolas ou de quintas. no entanto o excesso de nitrogénio criará amoníaco e outros odores e pode contaminar a água de escorrimento. devem misturar-se com uma fonte de carbono. plantas e ramos de jardins. palha. que se prevê de diversas formas: • • • Dando voltas sucessivas à “pilha”. Também o grau de trituração é importante para esta relação: o carbono está muito mais disponível nas folhas secas do que nas aparas de madeira. têm requisitos básicos que devem ser respeitados. de matadouros. a matéria orgânica é decomposta. dando lugar a um resíduo sólido chamado composto. A compostagem. é um tratamento apropriado para resíduos de origem biológica. conseguem a sua energia das fontes de carbono como. que levam a cabo o processo. o processo transforma-se em anaeróbio e.Resíduos 2006 Algumas notas sobre os fluxos e as fileiras Dicas sobre a compostagem Na compostagem. Através de uma correcta construção da “pilha”. serrim. a água e a temperatura e a correcta relação de nutrientes se combinem para criar um bom ambiente de compostagem. Mediante um sistema que aspire ou insufle o ar através da “pilha”. evitando dessa forma muitos problemas. tais como resíduos de alimentos. o ar. Desta forma a matéria orgânica degrada-se de forma incompleta. fungos e outros micro-organismos. Os micro-organismos que produzem o “trabalho”. utilizando o nitrogénio para o crescimento da sua população. com a ajuda do ar e dos micro-organismos. de folhas. numa atmosfera de dióxido de carbono e água dando-se a libertação de energia. por exemplo. Os compostos com elevados teores de nitrogénio. As bactérias... A compostagem é um processo aeróbio. o que significa que ocorre em presença do oxigénio. seja manualmente ou mecanicamente. tanto em sistemas abertos como fechados. Quando uma “pilha” não tem oxigénio suficiente. lamas biológicas e etc. A morte por asfixia dos micro-organismos detem o processo e inicia-se a putrefacção dos resíduos.

O processo de compostagem. os organismos começam a morrer. As lamas de estações de tratamento de águas municipais e de algumas industrias. Assim. é um procedimento de tratamento e redução de resíduos e não necessariamente um negócio. A mistura é necessária para equilibrar a relação de nitrogénio e carbono. assim como também a presença de substâncias indesejáveis. deverá ser através da mistura Carlos Alberto Alves Página 164 . que podem voltar a ser enviados para o solo. chegados a este ponto o composto deve colocar-se em grandes balsas de acumulação para maturar. devem em primeiro lugar ser convenientemente misturados. é um problema complicado e de difícil solução. Este processo. No caso das primeiras sobretudo a carga de matéria orgânica pode oscilar entre 50 a 70% dos sólidos totais. distribuir homogeneamente a humidade ao longo da pilha e também assegurar uma distribuição do oxigénio no conjunto.Resíduos 2006 Na decomposição dos resíduos é gerado calor. Quando as temperaturas sobem acima dos 70ºC. permite reciclar resíduos orgânicos de origem municipal. o processo de compostagem completa-se. são algumas das que se podem tratar por compostagem. no material de origem. As temperaturas baixam e o composto adquire uma textura granulada e escura e. A eliminação das lamas das Etar’s. que poderia provocar uma drástica redução da população e cheiros. Para garantir a qualidade agrícola e comercial do composto resultante. ventilar a pilha quando a temperatura atinge este ponto impedirá o re-aquecimento. Primeiro pela sua elevada humidade que deve ser reduzida se não for de outra forma. este deve ser controlado em termos de conteúdo de nutrientes e matérias orgânicas. Quando os resíduos a compostar são de vários tipos. industrial ou agrícolas. Os micro-organismos esgotam a maioria do resíduo facilmente compostável e. dependendo da sua origem. Recuperando a matéria orgânica dos resíduos. comercial.

Os nutrientes. A mistura dos materiais também ajuda a manter níveis óptimos de oxigénio e temperatura. o Ph e o conteúdo de humidade ajustam-se misturando e acondicionando diferentes materiais. Os factores que podem limitar a sua vida e desenvolvimento serão pois factores limitativos do processo. Os distintos sistemas de compostagem tentam optimizar cada um dos factores que intervêm na compostagem. através dos diversos meios técnicos. Carlos Alberto Alves Página 165 . A diferença fundamental entre a compostagem e a decomposição na natureza. o grau de trituração. resulta no essencial da intervenção humana. O processo é levado a cabo pelos micro-organismos (bactérias e fungos). Na primeira nós administramos o processo natural para nosso próprio benefício. e a nossa intervenção limita-se a proporcionar as condições ideais para que o processo se realize com a máxima rapidez e eficiência. Simultaneamente a presença de metais pesados e de outros contaminantes podem limitar a utilidade das lamas para a compostagem.Resíduos 2006 com materiais secos antes que possam ser compostadas. A administração de oxigénio e o controlo das temperaturas realiza-se por convecção natural ou ventilação forçada. e as condições particulares de cada instalação devem ser avaliadas para o desenvolvimento de um programa de compostagem com êxito. Em princípio nenhum sistema é objectivamente o melhor.

Também é verdade que até aqui a contabilização desta “taxa” de reciclagem não era feita e. Solventes deles Alguns destes resíduos têm já desde há muito. Têxteis.Resíduos 2006 Reciclagem A reciclagem é a reutilização de materiais e matérias-primas que de outra forma seriam considerados “lixo”. nos EUA. são os seguintes: • • • • • • • • • • • • Papel e cartão. Plástico. VFV’s (Veículos em Fim de Vida). enviados para reciclagem e / ou tratamento em Portugal. Matéria orgânica. Materiais como papel. nos países escandinavos. Carlos Alberto Alves Página 166 . Embora seja compreensível que até aqui a sua gestão ou reciclagem nem sempre fosse levada a cabo nas melhores condições. Óleos. Pilhas e baterias. vidro.. na Inglaterra. esquemas de funcionamento que ultrapassam em muito as directrizes entretanto elaboradas para a sua gestão. É utilizada em alta escala apenas nos países desenvolvidos. alguns poderão apresentar algum grau de perigo à saúde humana. o certo é que desde há muito que estes sistemas impiricos funcionavam e em muitos casos funcionavam bem. principalmente no Japão. plástico e madeira são dos tipos de materiais recicláveis mais comuns. Metal. mas com o senão de ser cara. Madeiras. Mas nem todo material pode ser reciclado. dessa forma não podia contar como número oficial. sobretudo considerando as exigências comunitárias. Vidro. Alguns dos principais resíduos recuperáveis e / ou com sistemas de gestão implementados. metais (não pesados). A reciclagem possui a vantagem de ser um meio ecológico de produzir produtos. Pneus. de jardins e etc. no Canadá e noutros países da Europa.

promove-se a separação do plástico por tipos. A reciclagem é feita então em unidades equipadas normalmente com sistemas de lavagem e por tipos ou qualidades. PET. o PS (poliestireno expandido). através do esquema de funcionamento em vigor. Por outro lado. Nestes casos e noutros a recolha. sobretudo por estas duas razões principais. os plásticos usados habitualmente na industria e na nossa vida quotidiana. são materiais com uma muito limitada capacidade de auto-destruição e. Como consequência disto. Podemos considerar que existem três métodos de reciclagem de plástico: Reutilização/reciclagem Este método é aplicável àqueles plásticos que têm um valor na sua forma e estado actual tal como as garrafas do PET (polietileno teraftalato). o vidro. o LDPE (polietileno de baixa densidade) e outros. Nas instalações modernas de triagem. torna-se cada dia mais claro que a recuperação do plástico é de importância vital. Carlos Alberto Alves Página 167 . a madeira. um produto cada vez mais escasso e cada vez mais caro. a maioria dos plásticos obtêm-se a partir dos derivados de petróleo. Assim. o papel e cartão. variando também de acordo com o mercado disponível do reciclador. que se encontram no mesmo fluxo de resíduos. facilitando posteriormente as operações subsequentes. HDPE. Desta forma os plásticos que integram o fluxo dos resíduos de embalagens. PS e outros. são geridas pela SPV. provocando a necessária contaminação dos solos onde se depositarem. LDPE. a contaminação provocada e pelo seu elevado valor económico. o mesmo acontecendo para as outras fileiras de resíduos como o metal. Após esta preparação prévia normalmente o plástico é acondicionado em fardos e enviado para os recicladores. PVC. sendo por isso um bem a preservar.Resíduos 2006 Sobre os Plásticos As embalagens plásticas que integram o conjunto dos resíduos urbanos que conhecemos. como consequência mantêm-se durante muitos anos como resíduo que logicamente não se degrada. uma triagem prévia e alguns outros pequenos cuidados são suficientes para permitir e promover a sua reciclagem. constituem a fileira dos resíduos de embalagem de plástico. sobretudo nas que tratam os RSU’s.

ou seja. ou seja. consiste na reciclagem de uma grande variedade de plásticos. que muitas vezes pode e deve ser antecedida de uma lavagem.. dessa forma poderá ser possível acrescentar valor ao produto final. será tanto melhor quanto maior for o investimento nela feito. Carlos Alberto Alves Página 168 . A montagem de uma unidade de reciclagem de plástico. considerando o incremento da experiência ganha ao longo do tempo. Estes materiais podem ainda ser utilizados na agricultura. floreiras e etc. sendo posteriormente enviada para processamento na máquina de intrusão. a possibilidade de acrescentar valor ao produto final está directamente ligada ao valor do investimento tecnológico feito na unidade de reciclagem e. constituindo uma alternativa á madeira e contribuindo para a preservação do ambiente. em termos de textura e mesmo em termos de aspecto. a amalgama de plásticos deve ser moída. havendo até ao momento em Portugal apenas uma unidade a proceder a este tipo de reciclagem. na construção de sebes e cercas. Após a trituração. mesas picnic. Aqui obtêm-se produtos semelhantes á madeira. No entanto e para além destas formas de reciclagem e recuperação não podemos deixar de falar na possibilidade que existe da incineração e da decomposição pirolítica.Resíduos 2006 Reciclagem de plásticos mistos A reciclagem de plásticos mistos. cujas aplicações são semelhantes ás da madeira. embora e sobretudo esta última sem exemplo em Portugal. sobretudo nos casos em que a triagem se torna uma operação demasiado cara para poder ser viável. passadiços e bem assim mobiliário urbano e jardim tais como bancos de jardim. O processamento dessa mistura de plásticos designado por “Intrusão” é já muito usado na Europa. cestos papeleiros. Uma boa técnica será sempre a de ir ampliando o valor acrescentado através de melhoramentos feitos na unidade.

junto com o crómio e o estanho. Essa fase envolve um alto consumo de energia. Entre os metais não ferrosos.Resíduos 2006 Reciclagem do metal A recolha e recuperação dos metais presentes nos RSU’s e nos resíduos industriais. resistência mecânica e facilidade de conformação. A grande vantagem da reciclagem de metais é evitar as despesas da fase de redução do minério a metal. É importante. para rentabilizar custos. se tritura e compacta o material sendo posteriormente enviado para as siderurgias que se encarregam da sua reciclagem. principalmente o aço. transformando esta sucata em novos produtos a partir da produção de lingotes. o cobre e suas ligas (como latão e o bronze). onde esta atinge 50% do total da produção. Essa divisão justifica-se pela grande predominância do uso dos metais à base de ferro. Quanto à sua composição. sendo muito utilizados em equipamentos. sem grandes problemas. destacam-se o alumínio. por exemplo. devido ao maior valor de sua sucata. ainda. são mais usados na forma de ligas com outros metais. principalmente no caso da sucata ferrosa. os metais são classificados em dois grandes grupos: os ferrosos (compostos basicamente de ferro e aço) e os não ferrosos. Através deste processo é possível separar até 90% do metal ferroso do restante “lixo”. ou como revestimento depositado sobre metais. valor que deverá ser próximo dos valores de outros países. estão dependentes da cotação das matérias-primas no mercado internacional e variam com a escassez deste material no mercado. Os dois últimos. A sucata representa uma percentagem considerável do total de aço consumido no País. inclusive pelas siderurgias e fundições. destinadas à produção em grande escala. o chumbo. Os metais são materiais de elevada durabilidade. A sua reciclagem é também facilitada pela sua simples identificação e separação. ser reciclada mesmo quando enferrujada. como. em que se empregam electroímans. o níquel e o zinco. como os Estados Unidos. devido às suas propriedades magnéticas. Embora seja maior o interesse na reciclagem de metais não-ferrosos. estruturas e embalagens em geral. No entanto existem Carlos Alberto Alves Página 169 . é uma das formas mais económicas de valorizar os resíduos. o aço. observar que a sucata pode. e requer o transporte de grandes volumes de minério e instalações caras. Também aqui e. é muito grande a procura pela sucata de ferro e de aço. Os valores correntes para esta sucata metálica.

embora com alguns ajustamentos impostos pela legislação. Carlos Alberto Alves Página 170 . referimo-nos aos normalmente e até aqui designados sucateiros. que ainda hoje. encarregamse deste tipo de função.Resíduos 2006 sistemas que melhor ou pior têm vindo desde há muitos anos a responder ás necessidades de recolha e de gestão deste tipo de resíduos.

de forma a serem retiradas matérias perigosas para o equipamento ou processo fabril (metais. cordéis. produz melhores qualidades de papel. faz em princípio melhorar a sua qualidade. Carlos Alberto Alves Página 171 . gráficas e instituições estatais. A eficiência desta operação será determinante para a futura formação dos lotes. nos sistemas de recolha municipais ou em empresas preparadas para o efeito (gestores de resíduos). os indicadores relativos à poupança efectiva no abate de árvores. Triagem Após a recolha. dependem do estado e do tipo deste. é praticada por hipermercados. mas infelizmente esta é uma área muito pouco trabalhada. A primeira. com estatística e outros elementos visíveis e. a colocação de contentores compactadores para a recolha deste material. Para melhorar esta separação será necessário um maior investimento em formação. eventualmente comparticipar através de benefícios económicos em associações da terceira idade ou outras. devido à incorrecta separação do material depositado nos papelões. de modo a evitar a contaminação por agrafos. A recolha do papel velho pode ser obrigatória ou voluntária. Outra das formas de sensibilização seria a de criar e levar até ao cidadão comum. este papel apresenta uma maior contaminação. elásticos. o papel é triado. editoras. a sensibilização para a reciclagem é determinante para a obtenção dos melhores resultados e para o aumento da taxa de reciclagem. como forma de dar visibilidade a este trabalho de reciclagem que é um trabalho também de toda a comunidade. papéis sulfurizados. tintas. Nos sistema de recolha não inseridos nos sistemas de recolha públicos. O primeiro passo para a reciclagem deste resíduo consiste na separação correcta dos produtos de papel e cartão. por este se apresentar pouco contaminado e ser de fácil localização. no entanto é possível a sua recolha prensada quando se tratar de operadores da área da gestão de resíduos. clips. Nesta área como aliás em qualquer das outras que tenha a ver com este tema. encerados ou parafinados). dirigida à sociedade civil. Geralmente. entre outros.Resíduos 2006 Reciclagem do papel / cartão São vários os sistemas de recuperação de papel e cartão para reciclagem e.no sentido de aumentar a eficácia deste processo. A recolha voluntária apresenta maiores problemas. A solução deveria ser a de repartir os benefícios pelas comunidades que participam mais activamente na separação e triagem. vidros) e matérias impróprias (por exemplo. Outras soluções têm vindo a ser ensaiadas em alguns municípios – recolha porta a porta .

de alguns lotes de papel. como revistas. de acordo com normas europeias. Branqueamento: para a maioria dos produtos reciclados. O papel pode ser fabricado exclusivamente com fibras secundárias (papel 100% reciclado) ou ter a incorporação de pasta para papel. pelo que a obtenção de papel reciclado por vezes implica adicionar alguma quantidade de pasta de papel virgem para substituir fibras degradadas. As fases do processo industrial de reciclagem de papel são: Desagregação ou maceração: mistura do papel velho com água. As fibras apenas podem ser recicladas cinco a sete vezes. sendo o primeiro menos intensivo.Resíduos 2006 Classificação A classificação do papel velho é feita em função da sua qualidade. nesta fase. a diminuição em tamanho dos contaminantes existentes. As operações finais do processo de recolha selectiva correspondem ao enfardamento e à venda do papel velho às unidades fabris de reciclagem de papel. jornais e aparas. origem e presença de matérias toleradas. que farão a sua transformação em papel pronto para ser reutilizado. a destintagem é suficiente para obter um grau de brancura adequado. Como o velho volta a novo O processo industrial de transformação de papel velho é semelhante ao fabrico de papel virgem. em que a dimensão da rede vai diminuindo nas sucessivas fases. São utilizadas temperaturas de 50ºC a 125ºC para dissolver os contaminantes. Destintagem: consiste na remoção das partículas de tinta aderentes à superfície das fibras. Depuração e lavagem: têm como objectivo eliminar os contaminantes. Dispersão: pretende-se. a depuração é feita em crivos e a lavagem através de telas de plástico. em dimensões pré-determinadas. que são depois dispersos. no entanto. para produtos de alta qualidade o grau de brancura das Carlos Alberto Alves Página 172 . de modo a enfraquecer as ligações entre as fibras. Trituração Esta operação consiste na trituração. A reciclagem do papel é conseguida através do aproveitamento das fibras de celulose existentes nos papéis usados.

a reciclagem permite libertar espaço nos aterros para outros materiais e produtos não recicláveis. sendo a mais comum a da reciclagem da mesma para a fabricação de aglomerados e laminados produzidos a partir destes resíduos depois de previamente triturados.pt/cir/rsurb/papelcart. ser utilizadas como fertilizantes para a agricultura. esta dá entrada na máquina de papel. que darão origem aos mais variados produtos. para ser transformada em folhas.Resíduos 2006 pastas é inferior ao desejado. Vantagens da reciclagem de papel As maiores vantagens da reciclagem de papel são a diminuição de detritos sólidos e a economia de recursos naturais. Depois de feita a pasta. dado consumir menos água e energia (240 kw/h por tonelada de fibra secundária contra 1000 kw/h por tonelada de fibra virgem). pelo que é feito ainda um branqueamento. Fonte: http://www. existem várias possibilidades. A nível de resíduos produzidos. sejam paletes sejam outros resíduos de madeira. Também a nível energético este processo é benéfico. as lamas resultantes dos efluentes podem. Constituindo 25% da composição física dos Resíduos Sólidos Urbanos em Portugal produtos de papel e cartão. como por exemplo guardanapos e papel higiénico. Carlos Alberto Alves Página 173 .quercus. utilizando produtos como lixívia e água oxigenada. em alguns casos.htm Reciclagem da madeira No caso da madeira.

Nessa medida. podendo ser usada após a devida trituração como componente para a compostagem. compostagem e a recuperação de energia) e a. transformando-os depois nas suas unidades de fabricação de aglomerados. Para além da sua valorização energética (sobretudo nas cimenteiras). Carlos Alberto Alves Página 174 . Relembrando no entanto este princípio de hierarquia devemos: Reduzir. Reutilizar. Existem vários operadores. Reciclagem de pneus Sempre respeitando o princípio da hierarquia. têm também já uma solução institucional. implementada em Portugal. que desde há muito procedem á colocação de contentores para a recolha destes resíduos ou de paletes. têm nos últimos tempos vindo a sofrer grandes evoluções. os pneus e a sua reciclagem.Resíduos 2006 Esta solução é responsável hoje pelo consumo de quase a totalidade da madeira recuperada nos circuitos sejam da área de consumo sejam da área industrial. tem vindo a aumentar e a fazer prever mais soluções a médio prazo. a sua utilização como componente do asfalto e ainda a sua utilização para a fabricação de pavimentos e outros ao nível da construção civil. Reciclar (incluindo a reciclagem. os pneus ou o seu aproveitamento. É possível no entanto que uma pequena fracção desta madeira não seja susceptível de ser reciclada. Deposição em aterro.

estão presentes no Carlos Alberto Alves Página 175 . um imposto sobre os óleos lubrificantes subsidia a recolha dos mesmos. além de outros gases tóxicos. Composição dos Óleos Usados Os óleos usados contêm produtos resultantes da deterioração parcial dos óleos em uso. o melhor é enviá-los para um gestor do óleo. o que tende a reduzir a geração de óleos usados. Nos países desenvolvidos. a ONU financiou estudos sobre a disposição de óleos usados. A principal conclusão desses estudos foi que a solução para uma disposição segura de óleos lubrificantes usados é a reciclagem desses mesmos óleos. fora da faixa de viscosidade ou com outros pequenos problemas. A queima indiscriminada do óleo lubrificante usado. como dioxinas e óxidos de enxofre. A poluição gerada pelo abandono de 1 t/dia de óleo usado para o solo ou cursos d'água equivale a esgotos domésticos de uma pequena povoação com 40 mil habitantes. Quando os óleos lubrificantes industriais usados estão contaminados.1993. Além dos produtos de degradação da base. a recolha de óleos usados é geralmente tratada como uma necessidade de protecção ambiental. tais como compostos oxigenados (ácidos orgânicos e cetonas). com o aumento dos aditivos e da vida útil do óleo. Noutros países. resinas e lacas. No entanto. Os óleos lubrificantes estão entre os poucos derivados de petróleo que não são totalmente consumidos durante o seu uso. O uso de produtos lubrificantes de origem vegetal bio-degradáveis ainda se encontra num estádio pouco avançado de desenvolvimento para a maior parte das aplicações. gera emissões significativas de óxidos metálicos. esse suporte vem de impostos para tratamento de resíduos em geral. Fabricantes de aditivos e fabricantes de óleos lubrificantes têm trabalhado no desenvolvimento de produtos com maior vida útil. Na França e na Itália. normalmente é o gerador do óleo usado quem paga ao gestor pela recolha e gestão do mesmo. compostos aromáticos polinucleares de viscosidade elevada. crescem as dificuldades no processo de regeneração após o uso. Nos Estados Unidos e Canadá. Entre 1991 .Resíduos 2006 Reciclagem dos óleos usados A questão da reciclagem de óleos lubrificantes usados ganha cada vez mais espaço no contexto da conservação ambiental. sem tratamento prévio de desmetalização. Os óleos usados de base mineral não são biodegradáveis e podem ocasionar sérios problemas ambientais quando não adequadamente dispostos.

A origem dos óleos lubrificantes usados é bastante diversificada e as suas características podem apresentar grandes variações. As emulsões à base de óleo mineral usadas normalmente devem ser substituidas depois de determinados períodos. Uma parte dos óleos utilizados em muitas aplicações industriais são emulsões (óleos solúveis).Resíduos 2006 óleo usado os aditivos que foram adicionados á base. a maior variedade de contaminantes possíveis nos óleos usados industriais dificulta a recolha para e o seu tratamento. . os períodos de substituição são definidos por limites de degradação ou contaminação bastante mais baixos do que no uso automóvel. no processo de formulação de lubrificantes e ainda não foram consumidos. um baixo nível de aditivação. contaminantes inorgânicos. são adicionados sem quaisquer escrúpulos ao óleo e seus contaminantes característicos. Através do uso de emulsionadores. e nesse ponto é interessante que se faça uma distinção entre os óleos usados em aplicações industriais e os de uso automóvel e as respectivas formas possíveis de reciclagem. como água. estão os óleos usados em motores a gasolina e motores diesel (principalmente carros pesados). sistemas hidráulicos e engrenagens. Nas aplicações de maior consumo. como maquinagem. por vezes. Dentro desses. bário e cádmio) e contaminantes diversos.Óleos automóveis usados Nas aplicações automóveis. tanto os níveis de aditivação como os níveis de contaminantes e de degradação do óleo básico são bastante mais elevados do que nas aplicações industriais. nas quais existem gotículas de óleo finamente dispersas na fase aquosa. em geral. combustível não queimado. metais de desgaste dos motores e das máquinas lubrificadas (chumbo. produtos de degradação do óleo básico. Por outro lado. hidrocarbonetos leves (combustível não queimado). Carlos Alberto Alves Página 176 . A maior parte do óleo usado recolhido para tratamento é proveniente do uso automóvel. que. ou de contaminação acidental. água originária da câmara de combustão (motores).Óleos usados Industriais Os óleos industriais possuem. Este pode conter ainda produtos químicos. obtêm-se emulsões estáveis usadas industrialmente numa série de aplicações. Os óleos usados são constituídos de moléculas inalteradas do óleo básico. devido a uma crescente degradação microbiana e contaminação com produtos estranhos. cromo. . como em turbinas. poeira e outras impurezas.

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2006 As fontes geradoras (garagens de reparações, postos de combustíveis, transportadores, etc.) são numerosas e dispersas, o que, aliado ao factor das longas distâncias, acarreta grandes dificuldades para a recolha dos óleos lubrificantes usados.

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Reciclagem de pilhas
Estima-se que cerca de 1% do lixo urbano é constituído por resíduos sólidos urbanos contendo elementos tóxicos. Esses resíduos são provenientes de lâmpadas fluorescentes, termómetros, latas de insecticidas, pilhas, baterias, latas de tinta, entre outros produtos que a população abandona no lixo, pois não sabe que se tratam de resíduos perigosos contendo metais pesados ou elementos tóxicos ou então porque não tem alternativa para eliminar esses resíduos. As pilhas e baterias apresentam em sua composição metais considerados perigosos à saúde humana e ao meio ambiente como mercúrio, chumbo, cobre, zinco, cádmio, manganês, níquel e lítio. Dentre esses metais os que apresentam maior risco à saúde são o chumbo, o mercúrio e o cádmio. Uma maneira de reduzir o impacto ambiental do uso de pilhas e baterias é a substituição de produtos antigos por novos que propiciem um maior tempo de uso, como por exemplo o uso de pilhas alcalinas ou de baterias recarregáveis no lugar de pilhas comuns. Também se pode eliminar ou diminuir a quantidade de metais pesados na constituição das pilhas e baterias.

Pilhas Secas e Alcalinas
As pilhas secas são do tipo zinco-carbono, são geralmente usadas em lanternas, rádios e relógios. Esse tipo de pilha tem em sua composição Zn, grafite e MnO2 que pode evoluir para MnO(OH). Além desses elementos também é importante mencionar a adição de alguns elementos para evitar a corrosão como: Hg, Pb, Cd, In.

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2006 Estas pilhas contém até 0,01% de mercúrio em peso para revestir o eléctrodo de zinco e assim reduzir sua corrosão e aumentar a sua performance. O NEMA (Associação Nacional NorteAmericana dos Fabricantes Eléctricos) estima que 3,25 pilhas zinco-carbono per capita são vendidas por ano nos Estados Unidos da América. As pilhas alcalinas são compostas de um ânodo, um "prego" de aço envolto por zinco em uma solução de KOH alcalina (pH~14), um cátodo de anéis de MnO2 compactado envoltos por uma capa de aço niquelado, um separador de papel e um isolante de nylon. Até 1989, a típica pilha alcalina continha mais de 1% de mercúrio. Em 1990, pelo menos 3 grandes fabricantes de pilhas domésticas começaram a fabricar e vender pilhas alcalinas contendo menos de 0,025% de mercúrio. A NEMA estima que 4,25 pilhas alcalinas per capita são vendidas por ano nos EUA.

Baterias Recarregáveis
As baterias recarregáveis representam hoje cerca de 8% do mercado europeu de pilhas e baterias. Dentre elas pode-se destacar a de níquel-cádmio (Ni-Cd) devido à sua grande representatividade, cerca de 70% das baterias recarregáveis são de Ni-Cd. O volume global de baterias recarregáveis continua a crescer 15% ao ano. As baterias de níquel-cádmio têm um eléctrodo (cátodo) de Cd, que se transforma em Cd(OH)2, e outro (ânodo) de NiO(OH), que se transforma em Ni(OH)2. O electrólito é uma mistura de KOH e Li(OH)2. As baterias recarregáveis de Ni-Cd podem ser divididas basicamente em dois tipos distintos: as portáteis e as para aplicações industriais e propulsão. Em 1995 mais de 80% das baterias de Ni-Cd eram do tipo portáteis. Com o aumento da utilização de aparelhos sem fio, notebooks, telefones celulares e outros produtos electrónicos aumentou a procura de baterias recarregáveis. Como as baterias de Ni-Cd apresentam problemas ambientais devido à presença do cádmio outros tipos de baterias recarregáveis portáteis passaram a ser desenvolvidos. Esse tipo de bateria é amplamente utilizado em produtos que não podem falhar como equipamento médico de emergência e na aviação. As baterias recarregáveis de níquel metal hidreto (NiMH) são aceitáveis em termos ambientais e tecnicamente podem substituir as de Ni-Cd em muitas das suas aplicações, mas o preço de sua produção ainda é elevado quando comparado ao das de Ni-Cd. Foi colocado no mercado mais um tipo de bateria recarregável visando uma opção à utilização da bateria de Ni-Cd. Esse tipo de bateria é o de íons de lítio. As baterias de Ni-Cd apresentam uma

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o cádmio e o mercúrio. o cádmio afecta a condição motora. No caso de ocorrer derrame. os maiores consumidores de cádmio são EUA. Carlos Alberto Alves Página 181 . principalmente de forma aleatória. Efeitos do Cádmio O cádmio é predominantemente consumido em países industrializados. Não remover o invólucro das pilhas. assim como o mercúrio. lave as mãos com água abundante. Bélgica. esses países representam cerca de 80% do consumo mundial. As suas principais aplicações são como componentes de baterias de Ni-Cd. Alemanha. Metais como o chumbo podem provocar doenças neurológicas. Hoje elas já estão a responder ás exigências do artigo 6º da Resolução 257 do CONAMA que estabelece os níveis máximos dessas substâncias em cada pilha/bateria. Rayovac e Varta. em relação a pólos positivos e negativos das pilhas. Philips. pigmentos de tintas. No entanto. não há ocorrência registada de contaminação ou prejuízo à saúde. além de ser elemento de liga para indústria electrónica. Também não há registro de ocorrência de qualquer dano causado ao meio ambiente decorrente da deposição de pilhas no lixo. Japão. Especificamente. Pilhas/Baterias e a Saúde Algumas substâncias que fazem parte da composição química das baterias são potencialmente perigosas e podem afectar a saúde. As empresas que representam as marcas Duracell. revestimento contra corrosão. Eveready. pilhas usadas: não guardar.Resíduos 2006 tecnologia madura e bem conhecida. Grã-Bretanha e França. Energizer. que compõem o Grupo Técnico de Pilhas da ABINEE têm investido nos últimos anos somas consideráveis de recursos para reduzir ou eliminar estes materiais. se acontecer irritação procure o médico. Panasonic. enquanto os outros dois tipos são recentes e ainda não conquistaram inteiramente a confiança do utilizador. o chumbo. Cuidados a ter: pilhas novas: obedecer à informação dos fabricantes dos aparelhos. Não misturar pilhas velhas com novas ou pilhas com sistema electroquímicos diferentes. Kodak. estabilizante. É evidente que este assunto está em permanente pesquisa e a presença destes produtos está a ser reduzida.

o consumo americano de cádmio foi de 4800 toneladas. Os efeitos prejudiciais à saúde associados à exposição ao cádmio começaram a ser divulgados na década de 40. Combina-se com C. nas plantas. em algum grau. no fígado e nos ossos. Esse composto prejudica todo o processo de reciclagem se não for retirado nas primeiras etapas de tratamento. em amálgamas dentárias e em pilhas. proveniente do minério de manganês. o enxofre e o oxigénio. surge o risco de contaminação do meio ambiente e dos seres vivos. Quando as concentrações do mercúrio excedem os valores normalmente presentes na natureza. podendo levar à disfunções renais e á osteoporose.5 g/cm3). Carlos Alberto Alves Página 182 . Um desses compostos é o cloreto de mercúrio. O mercúrio também se combina com carbono em compostos orgânicos. É utilizado na produção de gás cloro e de soda cáustica. Essa doença atingiu mulheres japonesas que tinham sua dieta contaminada por cádmio. Efeitos do Mercúrio O mercúrio. 26% (1268 toneladas) foram usados na produção de baterias. Consequentemente o mercúrio pode estar presente. Apesar do Cd não ser essencial para o organismo dos mamíferos ele segue os mesmos caminhos no organismo de metais essenciais ao desenvolvimento como o zinco e o cobre. O mercúrio é o único metal líquido à temperatura ambiente. animais e tecidos humanos. a maioria das pilhas zinco-carbono possui mercúrio na sua composição.Resíduos 2006 Em 1986. Estimou-se. O abandono das baterias de níquel-cádmio nos lixos municipais representam cerca de 52% de todo o cádmio dos lixos municipais ao longo do ano. em termómetros. na forma de pó ou de cristais brancos. que aparece nas pilhas secas. A meia vida do cádmio em seres humanos é de 20-30 anos. outros elementos como o cloro. O seu ponto de fusão é -40° e o de C ebulição 357° É muito denso (13. e possui uma alta tensão superficial. inclusive o homem. Apenas actualmente alguns desses fabricantes têm encontrado soluções para evitar o uso deste metal. formando compostos inorgânicos de mercúrio. apesar de ser um elemento natural que se encontra na natureza. que 73% (930 t) foram para os depósitos de lixo municipal. também. ele acumula-se principalmente nos rins. mas a pesquisa sobre seus efeitos aumentou bastante na década de 60 com a identificação do cádmio como o principal responsável pela Doença itai-itai. Embora muitos fabricantes afirmem o contrário. pode ser encontrado em baixas concentrações no ar. Desse total. na água e no solo.

Além disso os fabricantes e importadores deverão implementar sistemas de recolha. Para promover a reciclagem de pilhas. Em diferentes laboratórios têm sido realizadas pesquisas de modo a desenvolver processos para reciclar as baterias usadas ou. dispneia e tosse. Métodos de Reciclagem Devido à pressões políticas e ás novas legislações ambientais que regulamentaram o destino de pilhas e baterias em diversos países do mundo alguns processos foram desenvolvidos visando a reciclagem desses produtos. porém quando inalado sob a forma de vapores aquecidos é muito perigoso. Infelizmente. outras vezes as pilhas são recicladas juntamente com outros tipos de materiais. A ingestão ocasional do mercúrio metálico na forma líquida não é considerada grave. timidez. o fígado. A exposição ao mercúrio pode ocorrer ao respirar ar contaminado.Resíduos 2006 O mercúrio é facilmente absorvido pelas vias respiratórias quando está sob a forma de vapor ou na forma de poeira em suspensão e também é absorvido pela pele. A absorção pode-se dar também lentamente pela pele. Podem haver também problemas nos pulmões. e causar vários distúrbios neuro-psiquiátricos. em alguns casos. dores no peito. por ingestão de água e comida contaminada e durante os tratamentos dentários. Ao contrário do chumbo e do cádmio. pneumonia. náuseas. espera-se que a quantidade de mercúrio consumido na produção de baterias continue a diminuir. não há uma correlação entre o tamanho ou formato das pilhas e a sua composição. O sistema nervoso humano é também muito sensível a todas as formas de mercúrio. a hidrometalúrgica ou a pirometalúrgica. vómitos. tremores. armazenamento. reciclagem tratamento e/ou disposição final. o desenvolvimento de fetos. distorções da visão e da audição. Em altos teores. Os processos de reciclagem de pilhas e baterias podem seguir três linhas distintas: a baseada em operações de tratamento de minérios. transporte. gengivite e salivação. e problemas de memória. tratá-las para uma disposição segura. é necessário inicialmente o conhecimento de sua composição. elevação da pressão arterial e irritação nos olhos. Algumas vezes estes processos são específicos para reciclagem de pilhas. Alguns desses processos estão mencionados a seguir: Carlos Alberto Alves Página 183 . diarreia. o mercúrio pode prejudicar o cérebro. Respirar vapores desse metal ou ingeri-lo são muito prejudiciais porque atingem directamente o cérebro. podendo causar irritabilidade. reutilização.

utilizado na reciclagem de todas as pilhas. Reciclagem de baterias de Ni-Cd Assim como no caso geral de pilhas e baterias.RECYTEC . foi desenvolvido inicialmente. É possível recuperar metais como Zn. É utilizado na reciclagem de todos os tipos de pilhas e também lâmpadas fluorescentes e tubos diversos que contenham mercúrio. que promove algumas dificuldades na recuperação do mercúrio e do zinco por destilação. O investimento deste processo é menor que o SUMITOMO entretanto os custos de operação são maiores.Processo Norte Americano da INCO (Pennsylvania. Carlos Alberto Alves Página 184 .Basicamente mineralúrgico e portanto com custo inferior aos processos anteriores. o outro é dificuldade de se separar o ferro e o níquel. totalmente pirometalúrgico para recuperação de pilhas do tipo Ni-Cd. Entretanto. que são separadas e enviadas para uma empresa que faça esse tipo de reciclagem.INMETCO .SAB-NIFE .Resíduos 2006 .Processo utilizado na Suíça nos Países Baixos desde 1994 que combina pirometalurgia.SUMITOMO .Processo Japonês totalmente pirometalúrgico de custo bastante elevado é utilizado na reciclagem de todos os tipos de pilhas. . As baterias de Ni-Cd muitas vezes são recuperadas separadamente das outras devido a dois factores importantes. Assim. o processo pode ser utilizado para recuperar também resíduos metálicos proveniente de outros processos e as pilhas Ni-Cd enquadram-se nestes outros tipos de resíduos. .ATECH . . Pb. Cd.Processo Francês. Esse processo não é utilizado para a reciclagem de baterias de Ni-Cd. . . totalmente pirometalúrgico para recuperação de pilhas do tipo Ni-Cd.SNAM-SAVAM . Basicamente o processo dá-se através de fornos rotativos.Processo Sueco. um é a presença do cádmio.Processo pirometalúrgico para recuperação de metais provenientes de poeiras.WAELZ . Até ao momento não foi possível o desenvolvimento de um processo economicamente viável utilizando a rota hidrometalúrgica. menos as do tipo Ni-Cd. os processos de reciclagem actualmente empregados são baseados no princípio da pirometalúrgica de destilação do cádmio. existem dois métodos estudados para a reciclagem desse tipo de bateria um seguindo a rota pirometalúrgica e outro seguindo a rota hidrometalúrgica. EUA). com o objectivo de recuperar poeiras metálicas provenientes de fornos eléctricos. hidrometalurgia e mineralurgia. .

Já existem na Europa. Japão e EUA indústrias que reciclam esse tipo de bateria. derretidos a cerca de 1. A produção de óxido de cádmio em fornos abertos é abandonada devido ao facto de ter condições de trabalho extremamente insalubres. cromo e manganês). Este processo está em operação desde dezembro de 1995. cobalto. Carlos Alberto Alves Página 185 . óxido de ferro. O principal componente do vidro é a sílica. por exemplo. os materiais produzidos na reciclagem dessas baterias são: * cádmio com pureza superior à 99. Nos EUA a empresa INMETCO (International Metal Reclamation Company).95%. Além destas substâncias. feldspato e aditivos que. Na França isto é feito utilizando-se o processo SNAM–SAVAM e na Suécia utiliza-se o processo SAB-NIFE. é baseado na destilação do cádmio. C. A reciclagem de baterias de Ni-Cd nem sempre se apresentou economicamente favorável devido à constante flutuação do preço do cádmio. que vai para uma outra empresa para posterior separação.95 %. Em geral. corantes (metais como o ferro. Reciclagem de Vidro O vidro é uma mistura de areia. O níquel é recuperado em fornos eléctricos por fusão redução. O cádmio fica nos fumos misturado com zinco e chumbo. barro. existem pequenas quantidades de outras impurezas derivadas da matériaprima. além de outras que podem ser adicionadas intencionalmente de acordo com a qualidade do vidro. por exemplo. O processo utilizado pela INMETCO. assim como o SNAM-SAVAM e o SABNIFE. calcário. no qual o cádmio é destilado a uma temperatura entre 850 e 900oC conseguindo-se uma recuperação do cádmio com pureza superior à 99. que é vendido às empresas que produzem baterias e * níquel e ferro utilizados na fabricação de aço inoxidável. Ambos processos fazem uso de um forno totalmente fechado.550° formam uma massa semi-líquida que dá origem a embalagens ou a vidros planos. assim ainda se estudam alternativas para a reciclagem visando melhorar os processos existentes ou ainda criar novos. é possível fazer vidro só com a fusão da sílica. que é uma subsidiária da INCO (The International Nickel Company). Nesse processo o níquel recuperado é utilizado pela indústria de aço inoxidável. é a única empresa que tem autorização para reciclar baterias de Ni-Cd utilizando processo a alta temperatura.Resíduos 2006 Apesar de serem constituídas por metais pesados perigosos as baterias de Ni-Cd são recicláveis.

marrom e verde). Vidros especiais (fórmulas especiais). dentre eles: Vidro soda-cal (vidro comum): 90% do vidro fabricado.Resíduos 2006 Existem vários tipos de vidros.: Cristal.: Pyrex. a partir dos minérios. pois reflecte-se na durabilidade dos fornos. Os cacos devem ser separados por cor (transparente. Ex. pois o caco precisa de menos temperatura para fundir. ocorre entre 1500oC e 1600oC. Vidro borosilicato (contém óxido de boro). O vidro comum funde a uma temperatura entre 1000oC e 1200oC. em termos económicos. Carlos Alberto Alves Página 186 . podendo substituir o feldspato que tem função fundente. enquanto que a temperatura de fusão da fabricação do vidro. A temperatura de fusão do vidro varia com o tipo. o caco funciona como matéria-prima já preparada. Ex. A economia de energia é a principal vantagem do processo. Vidro de chumbo (contém óxido de chumbo). Nota-se assim que a fabricação do vidro a partir dos cacos economiza energia gasta na extracção. Na reciclagem do vidro.

aproveitamos apenas para os referir e não nos deteremos em pormenor sobre a sua gestão ou outros considerandos. vidros de janela e box de banheiro. cristal Frascos em geral (molhos. Ampolas de remédios. água. constituindo desta forma. etc) Não-recicláveis Espelhos. formas. O fluxo dos óleos alimentares Os óleos alimentares usados representam uma categoria de sub-produtos / resíduos provenientes de várias actividades. no panorama da indústria nacional. No entanto como estes não representam hoje uma preocupação. vinho. entre outros). lâmpadas. O material é fundido em fornos de altas temperaturas junto à matéria-prima virgem (calcário. um fluxo transversal que deverá ser alvo de uma gestão global. desde as domésticas a industriais. condimentos. cerveja. feldspato. passando pela hotelaria e restauração. perfumes e produtos de limpeza) Potes de produtos alimentícios Cacos de embalagens travessas e utensílios de mesa de vidro temperado Vidros de automóveis Ecrãs de televisão e válvulas Os cacos de vidro são conduzidos para a indústria de vidro que irá utilizá-los como matéria-prima na fabricação de novas embalagens de vidro. independentemente da sua origem.Resíduos 2006 Classificação de sucatas de vidro Recicláveis Garrafas de bebida alcoólica e não alcoólica (refrigerantes. Carlos Alberto Alves Página 187 . sumo. remédios. barro.

e por essa razão pode dizer-se de certa maneira. suspender ou extrair outros materiais. taxas de evaporação. o solvente pode ser incinerado ou recuperado podendo então ser reincorporado no processo tantas vezes quantas as possíveis ou. cor. Em muitos casos o solvente pode ser considerado pois um “hóspede” do processo contribuindo para que este simplesmente funcione. Por essa razão é importante que o solvente tenha características químicas semelhantes ou similares ao produto ou substância que se pretende dissolver. cheiro. inflamibilidae e ainda a conservação das suas fontes. toxicidade. que são ou podem ser produzidos à medida para determinados usos. os solventes são baseados num princípio químico que é do da dissolução. mas podem também ser produzidos ou concebidos para satisfazer solicitações específicas. Em muitas aplicações. então perder-se-á através da evaporação como parte do seu uso. Uma vez completa a sua função. Por essa razão devem ser levadas em conta uma série de considerações aquando da sua fabricação. na qual o calor destrói os componentes orgânicos voláteis. a sua performance e ainda os custos ambientais da sua utilização. Tipos de solventes Neste pequeno texto vamos abordar os chamados solventes orgânicos. sem mudanças químicas desses materiais ou do próprio solvente. com vista a dotá-lo de poder de dissolução. Para que nos entendamos digamos desde logo que a água é um solvente. viscosidade. a segurança. Quando se procede à escolha ou à mistura de um solvente. e por essa razão é um dos exemplos daquilo que nesta pequena brochura não será discutido. ter um linha de conta factores como a saúde. este deve obviamente. ou seja “um dissolve o outro”. Os solventes orgânicos podem ser classificados de acordo com a sua estrutura química. por exemplo quando aplicado em conjunto com tintas no acto da pintura. Em termos simples.Resíduos 2006 Reciclagem de solventes Os solventes são líquidos que têm a capacidade de dissolver. mais especificamente os solventes de hidrocarbonetos e os oxigenados. mas um solvente inorgânico. as emissões de solventes através das evaporações são minimizadas através da adopção de técnicas como a oxidação térmica. e após a sua recolha. Carlos Alberto Alves Página 188 . Normalmente os solventes são muito versáteis.

Os sistemas de base solvente secam até 10 vezes mais rápido á temperatura ambiente do Carlos Alberto Alves Página 189 . fazendo com que as tintas adquiram a consistência desejada para a aplicação. injectadas ou ingeridas. Os solventes podem ser considerados críticos para a fabricação de numerosas drogas e na descoberta contínua de novos produtos destinados a salvar vidas humanas. Uma vez a tinta aplicada o solvente evapora-se. maximizando a pureza das drogas obtidas. Os solventes são usados na industria de fabricação de tintas e vernizes para dissolver os diferentes componentes usados na formulação das tintas tais como a cor e a mistura. permitindo que a resina e os pigmentos criem um filme de pintura com secagem rápida. Os solventes propiciaram à indústria farmacêutica um meio através do qual as reacções se dão mais facilmente. Etér Glicóis Alifáticos Aromáticos (Não discutidos) Solventes de hidrocarbonetos Solventes Clorados (halogenados) Fig. 1 . Estes são aqui usados também para separar os produtos desejados dos indesejados. Sem solventes seria impossível produzir e aplicar uma película decorativa e duradoura em particular nos chamados esmaltes usado tanto em interiores como em exteriores e nas diversas condições. No entanto o sector farmacêutico está em franco crescimento tendo em conta a crescente utilização dos solventes na purificação dos produtos destinados à medicina. Em síntese. Ao evaporar rapidamente. Esteres. o solvente minimiza o consumo de energia reduzindo consequentemente os custos.Resíduos 2006 Existem três grupos principais: Família Solventes oxigenados Principais tipos Alcoóis.Famílias de solventes O maior consumo de solventes situa-se no sector das tintas e vernizes que consome várias milhares de toneladas por ano. Nesta indústria os solventes são também muitas vezes usados para permitir que as drogas sejam convenientemente aplicadas. Cetonas. na indústria farmacêutica os solventes são removidos do produto antes da sua comercialização.

contribuiu para a inclusão de uma política de redução de emissões de COV’s. minimizando os consumos energéticos. Por exemplo.Resíduos 2006 que os sistema com baixo teor de solventes. que transpõem para o direito nacional a Directiva 1999/13/CE. são reconhecidamente importantes no processo de formação de nevoeiro fotoquímico (ozono troposférico) e as suas implicações na saúde humana. na vegetação e em determinados materiais. apesar de não ser a única fonte deste tipo de compostos. de 31 de Agosto. dando origem a tintas com características e aplicações muito diversas. dão lugar a espessuras de tinta (espessura do filme) que só seriam possíveis com duas aplicações com os sistemas de pintura convencionais. Para minimizar o consumo total de solventes. A flexibilidade dada pelos solventes. conseguindo-se desta forma rentabilidades superiores e logo mais baixos custos. é normal termos conteúdos de solvente até cerca de 15% uma vez que tal é indispensável para garantir a durabilidade e a aparência. A utilização de solventes tem hoje uma forte ligação à problemática dos COV’s. Estas tintas estão a tornar-se mais usadas sobretudo quando é exigida uma maior durabilidade e uma maior qualidade. Devemos ter presente que mesmo nas tintas de base aquosa. fazem com que toda a performance de um sistema possa ser optimizada. foram desenvolvidas tintas com elevado conteúdo de sólidos e com baixo teor de solventes. Carlos Alberto Alves Página 190 . Os COV’s ou Compostos Orgânicos Voláteis. Actualmente os fabricantes podem produzir diferentes tipos de solventes. O Decreto-Lei nº 242/2001. estabelece os limites de emissões para várias indústrias que recorrem ao uso de solventes nos seus processos de fabrico. as tintas com elevados conteúdos de sólidos usados na protecção do metal em pontes e tubagens.

Este ozono combina-se com pequenas partículas de pó e outros materiais contribuindo para a formação de “Smog” fotoquímico. capacidade de se deslocarem grandes distâncias na atmosfera e a capacidade de se transformarem noutros compostos. Estes compostos caracterizam-se pela sua elevada volatilidade. Carlos Alberto Alves Página 191 .Resíduos 2006 As emissões de compostos orgânicos voláteis. incluem um conjunto elevado de compostos que volatilizam à temperatura e pressão ambientes. para a atmosfera. persistência no meio ambiente. Em Portugal pensa-se que cerca de 30% das emissões de COV’s derivam da utilização de solventes. promovendo a formação de ozono troposférico. mais tóxicos para o homem e para o meio ambiente. Os COV’s são considerados gases com efeito de estufa. com os óxidos de azoto (NOx). Os COV’s reagem à luz solar. como é o caso por exemplo da gasolina. Alguns destes compostos são conhecidos por todos.

Resíduos 2006 Carlos Alberto Alves Página 192 .

5 – 4. 2. Também são produzidas granulometrias de dimensão nominal específica a pedido dos clientes. 1. consegue obter granulado de borracha de alta qualidade.5 mm.Resíduos 2006 Reciclagem dos pneus Com um processo de fabrico de granulado de borracha bastante sofisticado. 7.0 – 7.0 – 2. como Aplicações Desportivas e Recreativas: Emendas Parques infantis Estacionamentos Passeios em recintos equestres Asfalto Tapetes Pistas de Atletismo Carlos Alberto Alves ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ Página 193 . --Actualmente existem já no mercado cinco granulometrias Standard: 0.5 – 1.0 – 9.0mm. O granulado de borracha tem uma infinidade de aplicações. 4.5 mm.5 mm.0 mm.

etc.Resíduos 2006 Alguns dos produtos reciclados para além dos pneus: Mangueiras Cintos Materiais de fricção Pára-choques de reboque Pára-lamas Capas para pedal de travão .º 196/2003 que. garantem a protecção do ambiente e o encaminhamento correcto dos diferentes resíduos. No final destas duas operações a carcaça metálica está pronta para seguir para a reciclagem. iniciadores pirotécnicos (nos “Airbags”) e compostos de chumbo. dos operadores directamente envolvidos no tratamento de VFV. Para uma correcta gestão dos VFV é fundamental o seu correcto transporte e uma descontaminação cuidada. mercúrio e cádmio. cunhas de roda Reciclagem de VFV’S (Veículos em Fim de Vida) Um VFV deve ser descontaminado e desmantelado. dos travões. que devem ser realizadas por empresas autorizadas. define os seguintes objectivos gerais em matéria de gestão de VFV: A redução da quantidade de resíduos a eliminar provenientes de veículos e de VFV. na sequência da Directiva 2000/53/CE. potenciando assim a reutilização e a reciclagem. sejam garantidos os seguintes objectivos: Carlos Alberto Alves ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ Página 194 . sobretudo. O desmantelamento possibilita o aproveitamento (reutilização) de peças e a reciclagem de alguns materiais. Este diploma estabelece ainda que os operadores que intervêm no ciclo de vida dos veículos devem adoptar as medidas adequadas para que: Até 1 de Janeiro de 2006.). Estas operações. baterias. Um VFV é considerado um resíduo perigoso uma vez que nele estão contidos óleos (de motor. A melhoria contínua do desempenho ambiental de todos os operadores intervenientes no ciclo de vida dos veículos e. A gestão dos VFV é enquadrada pelo Decreto-Lei n. acelerador e embraiagem Pneus sólidos Placas para pavimentos Produtos de controlo de tráfico Produtos para casa e jardim Rodas.

sejam garantidos os seguintes objectivos: A reutilização e a valorização de todos os VFV aumentem para um mínimo de 95%. Os VFV’s são responsáveis por uma variedade de resíduos que constituem uma mistura de materiais podendo ir desde os resíduos de metal. até muitos outros resíduos. Resíduos de óleos. Resíduos de combustíveis. Resíduos de outras fibras. são outra das áreas que evoluiu muito nos últimos anos. o encaminhamento para o gestor de resíduos adequado. Pneus. Carlos Alberto Alves Página 195 . Resíduos de cabos eléctricos e etc. havendo já várias unidades acreditadas para fazer a gestão deste tipo de resíduos. uma vez que compreende um conjunto muito vasto de resíduos. A reutilização e a reciclagem de todos os VFV aumentem para um mínimo de 85%. Baterias. A gestão eficiente deste tipo de VFV’s. Resíduos de plástico.Resíduos 2006 A reutilização e a valorização de todos os VFV aumentem para um mínimo de 85%. Vidros. exige o domínio de uma série de técnicas.. ˙ Os veículos em fim de vida. passando por plásticos. Resíduos de poliuretanos. A reutilização e a reciclagem de todos os VFV aumentem para um mínimo de 80%. Alguns desses resíduos são: • • • • • • • • • • Resíduos metálicos. e competirá á entidade encarregada do desmantelamentos destes VFV’s. por forma a dar a cada um o melhor destino final possível. Até 1 de Janeiro de 2015. Cada um destes resíduos merece um tratamento próprio.

Resíduos 2006 Reciclagem de REEE’s A reciclagem de equipamento eléctrico e electrónico. calculadoras e até em simples jogos. Carlos Alberto Alves Página 196 . apesar da legislação já referida. Além disto. unidades de disco e monitores. que aponta para uma recolha de 2 kgs por habitante e por ano. normalmente não são conhecidos. Infelizmente os consumidores nem sempre estão cientes desta complexidade e desta toxicidade. muitos destes resíduos continuam a ser depositados em aterro. Os impactes ambientais na saúde pública. como o cloro e o brómio e. com trabalhadores que fazem reciclagem de computadores que apresentam níveis elevados de substâncias químicas perigosas no seu sangue. A deposição destes tipo de resíduos em aterro provoca impactes negativos. A produção de semi-condutores. é uma tarefa complicada. um simples computador é um conjunto de mais de mil materiais. por exemplo. Actualmente e. quer destas misturas quer das combinações de materiais existentes nestes produtos. um outro problema de saúde. estes possuírem uma área específica para a recepção destes mesmos resíduos. utiliza substâncias químicas particularmente perigosas. materiais biologicamente activos. placas de circuitos impressos. Por exemplo. muitos dos quais altamente tóxicos. ainda os metais tóxicos. os trabalhadores envolvidos no fabrico de chips começam a apresentar sinais de desenvolvimento de cancro. provocando lixiviados. ácidos. existente nos equipamentos de processamento de texto. Em geral. No entanto já se verifica em alguns aterros. devido ao variado leque de substâncias perigosas que eles encerram. associado a estes produtos está a surgir. plásticos e aditivos de plásticos que devem ser tratados convenientemente.

que tem desde há muito sido usada até como factor indutor de economias. esta contribui sem qualquer sombra de dúvida para uma maior eficácia económica das unidades que recorrem a ela abastecendo-se de embalagens para reutilizar e. embora esteja a recondicionar.000 litros. armazenar e utilizar. em última análise. que de outra forma contribuiriam para engrossar a fileira dos recicláveis o que. para além de bidões esta unidade. e a título de exemplo. só serviria para complicar ainda mais o panorama da reciclagem nacional. trata de adequar as embalagens usadas a um novo uso. Assim. estas são cheias com o produto e simultaneamente com o propulsor. uma das fábricas destinadas ou vocacionadas para a gestão dos resíduos de embalagens industriais tem uma capacidade instalada de 150. Este processo. geralmente feitas em chapa metálica (folha de flandres) ou alumínio.000 unidades destes bidões. existe a obrigação legal Carlos Alberto Alves Página 197 .000 bidões de 200 litros anual. em muitos casos. Mas para além daquilo que representa o seu contributo para a redução dos quantitativos para reciclagem. no entanto. por razões de mercado. que anualmente são recondicionados muitos milhares de embalagens. Depois de produzida. apenas cerca de 90. barricas plásticas desde os 50 litros de capacidade até a barricas plásticas de 200 litros. numa actividade que também contribui para a minimização do risco. recondiciona contentores de 1. Estas normalmente são produzidas a partir de três peças ou em alguns casos numa peça única.Resíduos 2006 Reciclagem versus recondicionamento de embalagens Na área da gestão das embalagens e dos resíduos de embalagens industriais. Desta forma pode dizer-se. entre outras virtudes tem também a de empregar cerca de 40 pessoas.000 toneladas de materiais (metal e plástico). deve fazer-se referência a uma forma de reutilização. eles são potencialmente perigosos e. através da gestão adequada dos resíduos remanescentes evitando a contaminação ambiental que poderia estar associada a estas embalagens. Os aerossóis são extremamente fáceis de manusear. que é o recondicionamento de embalagens industriais. Reciclagem de aerossóis Como são feitos os aerossóis? As latas dos aerossóis são. No seu conjunto esta fábrica contribui para a redução dos quantitativos de reciclagem em cerca de 2. na área industrial e comercial. No entanto e. já de si tão fraco. que pode ser igual ou diferente do uso inicial para o qual a embalagem foi concebida.

Eles podem explodir quando expostos ao calor. O que é que os torna perigosos? São três as características dos aerossóis que os tornam perigosos: • O produto em si que pode ser perigoso. devendo ser tratado como se de uma embalagem de resíduos perigosos se tratasse. pode conter até 3% do produto original. devem ser classificados como resíduos a controlar. que não está totalmente vazia. se você se estar a desfazer de uma embalagem. devido á regulamentação nacional e internacional. No passado a maioria dos propulsores usados tinham clorofluoro carbonos (CFC’s). isobutano. o conteúdo residual constituir-se como o elemento mais perigosos desses resíduos. Legislação relevante Todos os aerossóis que existem na sua fábrica. Carlos Alberto Alves Página 198 . • O propulsor pode ser perigoso. por essa razão necessitam ser manuseados com cuidado. Deve assegurar-se de que estes são armazenados e enviados para tratamento com o máximo cuidado.). e os HCFC’s quando aquecidos podem libertar gás fluorine.Resíduos 2006 de dar a estes um destino adequado conforme o disposto na legislação. está agora a ser faseadamente substituído. n-butano etc. Entretanto muitos fabricantes substituíram os CFC’s por HCFC’s ou hidrocarbonos (tais como propano. os propulsores de hidrocarbonos são inflamáveis. No entanto. Uma lata de aerossol vazia. • Os aerossóis são pressurizados. juntamente com os seus resíduos. O uso de CFC’s.

e remover o conteúdo residual para outras embalagens procedendo posteriormente ao tratamento deste. Se o aerossol está vazio. não existe um capítulo específico. No entanto. então é tecnicamente possível considerá-lo logo como resíduo especial. deve procurar a colaboração de um gestor de resíduos. Carlos Alberto Alves Página 199 . então o aspecto mais importante a considerar é determinar qual o conteúdo do referido aerossol. Alguns fabricantes. Na legislação nacional. Se o conteúdo deste for considerado perigoso (normalmente este está indicado na embalagem através de simbología própria para o efeito). Existem equipamentos próprios para perfurar as latas de aerossóis e. no entanto estes devem ficar enquadrados na legislação que respeita os resíduos considerados perigosos (ver listagem desta em separado). que aconselham a que através da perfuração da embalagem e. classificados como resíduo perigoso ou como resíduo especial. com equipamento próprio. uma vez que mesmo assim este ainda poderá conter gases inflamáveis usados como propulsores. A legislação considera o binómio quantidade e perigosidade. consideram suficiente a perfuração da embalagem para que o conteúdo residual se evapore e desta forma deixe de ser considerada perigosa. Existem fabricantes. Como é que me posso ver livre dos aerossóis? Se você tem grandes volumes de aerossóis. a classificação destes como resíduo perigosos ou especial depende desta quantidades. após a evaporação do conteúdo residual. então deve assegurar-se de que este ou estes devem ser enviados para a categoria de resíduos perigosos. no entanto não está completamente determinado se tal é verdade.Resíduos 2006 Alguns destes devem. e como a legislação está baseada nas quantidades e na classificação. razão pela qual é importante saber quais os quantitativos em jogo antes de atribuir a classificação de resíduos especial ou perigoso. simultaneamente retirar os gases e o conteúdo residual para outras embalagens (bidões por exemplo). destinado aos procedimentos a ter com os aerossóis. Este deve proceder á perfuração das latas individualmente. para que este os remova e lhe dê o tratamento adequado. provavelmente. Interpretação da legislação Se você tem resíduos de aerossóis que não estão completamente vazios. com conteúdo residual. estas deixem de se considerar perigosas.

serem recicladas. obviamente tratada como tal. para que os consumidores domésticos possam fazer a sua deposição. são ideais para serem misturadas com os outros metais e.Resíduos 2006 Bastará que uma ou duas embalagens de aerossóis estejam com um conteúdo residual considerável. Enquanto não existirem locais para deposição para estas embalagens. Carlos Alberto Alves Página 200 . Após estarem vazias. as embalagens de aerossóis. estes terão que ser enviados para o lixo comum. È de considerar a possibilidade do operador de sucatas não estar apto a tratar resíduos que tenham sido considerados resíduos perigosos. No entanto. para que a totalidade destes seja enquadrada nos resíduos perigosos e. será melhor confirmar com quem recebe a sua sucata de metal. para confirmar se tal não coloca problemas (a maioria destes não coloca obstáculos).

o vidro. sobretudo nos casos em que a triagem se torna uma operação demasiado cara para poder ser viável. através do esquema de funcionamento em vigor.Resíduos 2006 Resumo: ☺ A compostagem é a decomposição da matéria orgânica. PS e outros. vidro. havendo até ao momento em Portugal apenas uma unidade a proceder a este tipo de reciclagem. ☺ As embalagens plásticas que integram o conjunto dos resíduos urbanos que conhecemos. metais (não pesados). promove-se a separação do plástico por tipos. Desta forma a matéria orgânica degrada-se de forma incompleta. nas instalações modernas de triagem. Materiais como papel. Essa fase envolve um alto consumo de energia. ☺ A grande vantagem da reciclagem de metais é evitar as despesas da fase de redução do minério a metal. consiste na reciclagem de uma grande variedade de plásticos. Após esta preparação prévia normalmente o plástico é acondicionado em fardos e enviado para os recicladores. o papel e cartão. principalmente o aço. ☺ A definição de reciclagem é. PET. com a ajuda do ar e dos microorganismos. ☺ Quanto à sua composição. a madeira. ☺ A reciclagem de plásticos mistos. plástico e madeira são alguns dos tipos de materiais recicláveis mais comuns. dando lugar a um resíduo sólido chamado composto. O processamento dessa mistura de plásticos designado por “Intrusão” é já muito usado na Europa. mas com o senão de ser cara. facilitando posteriormente as operações subsequentes. que produz mobiliário urbano e outro a partir deste tipo de plásticos. Essa divisão justifica-se pela grande predominância do uso dos metais à base de ferro. e requer o transporte de grandes volumes de minério e instalações caras. sobretudo nas que tratam os RSU’s. que se encontram no mesmo fluxo de resíduos. os metais são classificados em dois grandes grupos: os ferrosos (compostos basicamente de ferro e aço) e os não ferrosos. numa atmosfera de dióxido de carbono e água dando-se a libertação de energia. PVC. LDPE. a reutilização de materiais e matérias-primas que de outra forma seriam considerados “lixo”. HDPE. são geridas pela SPV. Carlos Alberto Alves Página 201 . ☺ Quanto à reciclagem do plástico. destinadas à produção em grande escala. o mesmo acontecendo para as outras fileiras de resíduos como o metal. A reciclagem possui a vantagem de ser um meio ecológico de produzir produtos a partir dos resíduos.

para além da sua valorização energética (sobretudo nas cimenteiras). sendo a mais comum a da reciclagem da mesma para a fabricação de aglomerados e laminados produzidos a partir destes resíduos depois de previamente triturados. gráficas e instituições estatais. ☺ No caso da madeira.Resíduos 2006 ☺ A recolha do papel velho pode ser obrigatória ou voluntária. ☺ No caso dos pneus. ☺ A questão da reciclagem de óleos lubrificantes usados ganha cada vez mais espaço no contexto da conservação ambiental. por este se apresentar pouco contaminado e ser de fácil localização. Geralmente. produz melhores qualidades de papel. ☺ A reciclagem do papel é conseguida através do aproveitamento das fibras de celulose existentes nos papéis usados. é praticada por hipermercados. a reciclagem permite libertar espaço nos aterros para outros materiais e produtos não recicláveis. editoras. ☺ As maiores vantagens da reciclagem de papel são a diminuição de detritos sólidos e a economia de recursos naturais. a sua utilização como componente do asfalto e ainda a sua utilização para a fabricação de pavimentos e outros ao nível da construção civil. Carlos Alberto Alves Página 202 . ☺ A primeira utilização do vidro recolhido a partir da recolha selectiva. O papel pode ser fabricado exclusivamente com fibras secundárias (papel 100% reciclado) ou ter a incorporação de pasta para papel. pelo que a obtenção de papel reciclado por vezes implica adicionar alguma quantidade de pasta de papel virgem para substituir fibras degradadas. ☺ Quando os óleos lubrificantes industriais usados estão contaminados. devido à incorrecta separação do material depositado nos papelões. A primeira. sejam paletes sejam outros resíduos de madeira. este papel apresenta uma maior contaminação. fora da faixa de viscosidade ou com outros pequenos problemas. Esta solução é responsável hoje pelo consumo de quase a totalidade da madeira recuperada nos circuitos sejam da área de consumo sejam da área industrial. A recolha voluntária apresenta maiores problemas. As fibras apenas podem ser recicladas cinco a sete vezes. Constituindo 25% da composição física dos Resíduos Sólidos Urbanos em Portugal produtos de papel e cartão. é o seu envio para as fabricas que se encarregam da sua conversão em novas embalagens de vidro. tem vindo a aumentar e a fazer prever mais soluções a médio prazo. a recolha de óleos usados é geralmente tratada como uma necessidade de protecção ambiental. Nos países desenvolvidos. o melhor é enviá-los para um gestor do óleo. existem várias possibilidades.

permitindo que a resina e os pigmentos criem um filme de pintura com secagem rápida. níquel e lítio. como dioxinas e óxidos de enxofre. ☺ O maior consumo de solventes situa-se no sector das tintas e vernizes que consome várias milhares de toneladas por ano. ☺ Os solventes são líquidos que têm a capacidade de dissolver. termómetros. latas de insecticidas. gera emissões significativas de óxidos metálicos. ☺ Os solventes são usados na industria de fabricação de tintas e vernizes para dissolver os diferentes componentes usados na formulação das tintas tais como a cor e a mistura. chumbo. fazendo com que as tintas adquiram a consistência desejada para a aplicação. ☺ Estima-se que cerca de 1% do lixo urbano é constituído por resíduos sólidos urbanos contendo elementos tóxicos. O C. zinco. sem mudanças químicas desses materiais ou do próprio solvente. calcário. A queima indiscriminada do óleo lubrificante usado. Uma vez a tinta aplicada o solvente evapora-se. Sem solventes seria impossível produzir e aplicar uma película decorativa e duradoura em particular nos chamados esmaltes usado tanto em interiores como em exteriores e nas diversas condições. feldspato e aditivos que. manganês. ☺ As pilhas e baterias apresentam em sua composição metais considerados perigosos à saúde humana e ao meio ambiente como mercúrio. Esses resíduos são provenientes de lâmpadas fluorescentes. baterias. latas de tinta. o mercúrio e o cádmio. cádmio. pilhas. cobre. barro. principal componente do vidro é a sílica. ☺ O vidro é uma mistura de areia. pois não sabe que se tratam de resíduos perigosos contendo metais pesados ou elementos tóxicos ou então porque não tem alternativa para eliminar esses resíduos. Dentre esses metais os que apresentam maior risco à saúde são o chumbo. No entanto o sector farmacêutico está em franco crescimento tendo em conta a crescente utilização dos solventes na purificação dos produtos destinados á medicina. entre outros produtos que a população abandona no lixo.550° formam uma massa semi-líquida que dá origem a embalagens ou a vidros planos. além de outros gases tóxicos. sem tratamento prévio de desmetalização. derretidos a cerca de 1.Resíduos 2006 ☺ A poluição gerada pelo abandono de 1 t/dia de óleo usado para o solo ou cursos de água equivale a esgotos domésticos de uma pequena povoação com 40 mil habitantes. Carlos Alberto Alves Página 203 . suspender ou extrair outros materiais. é possível fazer vidro só com a fusão da sílica.

fazendo com que as tintas adquiram a consistência desejada para a aplicação.). baterias. o encaminhamento para o gestor de resíduos adequado. é normal termos conteúdos de solvente até cerca de 15% uma vez que tal é indispensável para garantir a durabilidade e a aparência. Carlos Alberto Alves Página 204 . ☺ Os VFV’s são responsáveis por uma variedade de resíduos que constituem uma mistura de materiais podendo ir desde os resíduos de metal. conseguindo dessa forma obter granulado de borracha de alta qualidade. ☺ A reciclagem de pneus constitui-se como um processo de fabrico de granulado de borracha bastante sofisticado. dos travões. por forma a dar a cada um o melhor destino final possível. ☺ Devemos ter presente que mesmo nas tintas de base aquosa. iniciadores pirotécnicos (nos “Airbags”) e compostos de chumbo. Para uma correcta gestão dos VFV é fundamental o seu correcto transporte e uma descontaminação cuidada. passando por plásticos.Resíduos 2006 ☺ Os solventes são usados na industria de fabricação de tintas e vernizes para dissolver os diferentes componentes usados na formulação das tintas tais como a cor e a mistura. mercúrio e cádmio. e competirá á entidade encarregada do desmantelamentos destes VFV’s. até muitos outros resíduos. etc. ☺ Um VFV é considerado um resíduo perigoso uma vez que nele estão contidos óleos (de motor. ☺ Cada um destes resíduos merece um tratamento próprio.

Como se dividem os dois grandes grupos da reciclagem do metal? 7. após chegarem ao fim da sua vida útil? 12. A madeira reciclada é utilizada na sua maioria para quê? 9. Sabe se os solventes têm solução de reciclagem em Portugal? 13. Na reciclagem dos plásticos quais são os que habitualmente se reciclam em Portugal? 5. Cite alguns dos resíduos que habitualmente se encontram num Veículo em fim de Vida. Carlos Alberto Alves Página 205 . Que destino é dado aos pneus reciclados em Portugal? 10. Qual é a definição de reciclagem? 3.Resíduos 2006 Questões sobre o tema: 1. Porque é que as pilhas podem constituir um perigo para a saúde pública. Qual é a fracção de papel que é normal encontramos nos aterros ou sistemas de recolha municipais? 8. O que é a reciclagem de plásticos mistos? 6. Os VFV’s ou Veículos em Fim de Vida têm legislação própria ou não? 14. Diga em que consiste a compostagem? 2. Qual é a percentagem estimada de resíduos perigosos nos resíduos urbanos? 11. Que faz a SPV – Sociedade Ponto Verde? 4.

Resíduos 2006 Carlos Alberto Alves Página 206 .

Resíduos 2006 Anexos Carlos Alberto Alves Página 207 .

identificar e registar 792/98 499 a 44892 € DL 239/97 Legislação Coimas por aplicável incumprimento .Resíduos 2006 Mapa tipo de diagnóstico ambiental de resíduos Resíduo Classificação Actividade Geradora Papel de escritório RIB Administrativos Medidas Implementadas Medidas para Cumprimento da legislação Separação selectiva encaminhamento para reciclagem. utilização de papel reciclado DL 961/98 Plástico RIB Armazéns embalagens de matéria-prima Óleos RIP Máquinas do processo Separar flexível do rígido Portaria Armazenagem em bidões de 200 lits e recolha por operador licenciado Metal RIB Sucatas diversas Armazenagem em contentor metálico e recolha por operador autorizado Exemplo de Mapa Carlos Alberto Alves Página 208 Separação selectiva DL 153/2003 Armazenar em zona coberta.

24 Carlos Alberto Alves Página 209 .3 1.1 1.24 0.Resíduos 2006 Utilize a tabela de densidades aproximadas para converter o volume em peso.3 0.0 1.8 1.3 0.65 1.0 0. dos resíduos que se apresentam.6 1.131 0.296 1.2 0.24 0. aproximadamente: Multiplique o volume em m3 por: Para obter o peso em toneladas Resíduos de papel Papel de escritório Mistura de papeis Papel de embalagem Resíduos de construção e demolição Cimento armado Enchimentos Asfaltos Areias e agregados Madeira Resíduos diversos Tijolos e telhas Aço Resíduos mistos Resíduos vegetais Solos e Correctores de solos Adubos Agregados diversos de folhagem Resíduos gerais Resíduos gerais não compactados Resíduos gerais compactados 0.5 1.1 1.

Extrusão do plástico em finos filamentos 6. Separação por flotação 4. Filtragem para remoção de contaminantes 3. Trituração e lavagem 5. Fusão por calor e pressão 8. Corte dos peletes Reciclagem de plástico Carlos Alberto Alves Página 210 . Secagem 7. Triagem Esquema de princípio de uma instalação de reciclagem de plástico 2.Resíduos 2006 1.

Resíduos 2006 Esquema de princípio da reciclagem do papel Carlos Alberto Alves Página 211 .

0 5.Resíduos 2006 Tabela 1: Composição química média de um pneu Elemento/composto Carbono Hidrogénio Óxido de Zinco Enxofre Ferro Outros 70.0 7.0 1.5 % Tabela 2: Comparação dos materiais contidos em pneus Automóvel Material Borracha/Elastómeros Negro de fumo Aço Tecido de nylon Óxido de Zinco Enxofre Aditivos % 48 22 15 5 1 1 8 Caminhão % 45 22 25 2 1 5 Carlos Alberto Alves Página 212 .2 1.3 15.

dando origem a mudanças climáticas e diminuindo a alimentação aquática As explorações agrícolas lançam nos rios produtos químicos como o mercúrio que são levados pelas águas destinadas ao consumo humano Os aterros sanitários produzem lixiviados que contaminam os lençóis de água As grandes metrópoles despejam nos rios e seus efluentes toneladas de esgotos e objectos sólidos de difícil decomposição Muitas indústrias utilizam os rios como vazadouro de muitos dos seus resíduos Os portos de mar. despejam no mar todos os dejectos acumulados pelos navios Os petroleiros e as plataformas de petróleo despejam óleos pesados contribuindo para a poluição ambiental e matando a vida marinha A morte da água Carlos Alberto Alves Página 213 .Resíduos 2006 Os pesticidas agrícolas escorrem com as chuvas e penetram nos lençóis de água e rios As pequenas cidades despejam os seus esgotos muitas vezes sem tratamento O desenvolvimento urbano retira a cobertura vegetal.

Resíduos 2006 Transferência química NO2 HNO3 SO2 H2SO4 Foto-oxidação Poluentes ácidos NO2SO2 Hidrocarbonetos Emissões para a atmosfera Deposição seca Partrículas Gases Deposição húmida Geração de electricidade Indústria Domésticos Transportes Chuva ácida Neve Formação da chuva ácida Carlos Alberto Alves Página 214 .

Resíduos 2006 Efeito de estufa Carlos Alberto Alves Página 215 .

b) os plásticos ajudam a economizar combustível e as emissões de CO2 das nossas casas. 3 – Os plásticos consomem apenas uma pequena parte do petróleo mundial (cerca de 4%). etc. 2 – Os plásticos dão uma contribuição significativa para a persecução do desenvolvimento sustentável. turbinas eólicas. O uso moderno dos plásticos pode reduzir o consumo de combustível nas nossas casas de 20 litros de combustível por m2 para 3 litros por m2 (em termos equivalentes). 5 – Os plásticos também acrescentam valor ao “lixo” – mesmo em fim de vida o plástico. reduzindo as emissões de CO2 em 30 milhões de toneladas por ano. c) Protecção ambiental: O plástico ajuda a poupar recursos – combustíveis fosseis e energia – os produtos plásticos também contribuem para a poupança de água e de comida. b) Desenvolvimento económico: O conjunto da industria do plástico na Europa acrescenta valor á sociedade. após ser usado. a) Progresso social: O plástico providencia produtos mais económicos garantindo a todos o acesso a padrões mais elevados de nível de vida. Carlos Alberto Alves Página 216 . pode ser reciclado ou usado como combustível alternativo. 4 – Como é que os plásticos poupam petróleo? a) cerca de 100 kgs de plástico num carro reduz o consumo de combustível em cerca de 12 milhões de toneladas todos os anos na Europa.Resíduos 2006 10 Questões acerca dos plásticos que toda a gente deve saber! 1 – O plástico é um dos materiais usados na sociedade mais eficientes e versáteis. 6 – As energias renováveis confiam nos plásticos para a construção de painéis solares. O poder calorífico do plástico é no mínimo igual ao do carvão e com menores emissões de CO2..

que é uma mistura de Hidrogénio (H2) e Monoxido de Carbono (CO).Resíduos 2006 7 – Mais de um milhão de pessoas no mundo que não têm acesso a água potável e. cadeiras. Soluções para o plástico! Gasificação A gasificação é uma técnica já usada há cerca de 50 anos. O processo envolve a conversão dos materiais que têm Carbono e Hidrogénio na sua estrutura química nu gás síntese limpo. Após um período de 10 anos. no entanto embala cerca de 50% de todos os bens de consumo. mesas. o plástico pode preservar e distribuir essa água economicamente. A gasificação converte o produto de alimentação em Monoxido de Carbono (CO) e Hidrogénio (H2) enquanto a incineração converte a produto de alimentação em Dioxido de Carbono (CO2) e Água (H2O). o volume de resíduos gerados teria aumentado cerca de 150%. dispositivos médicos. Sem as embalagens plásticas. Carlos Alberto Alves Página 217 . o peso da embalagem teria aumentado os custos de produção e o consumo de energia para o dobro e. 8 – Nenhum outro material pode com o plástico quando se tratar de requisitos tecnológicos bem como preservação de recursos. Este gás pode ser usado como fonte de energia para processos de combustão e usado para gerar energia eléctrica ou como fonte de matéria prima para a produção de novos produtos químicos. bicicletas. A gasificação não é incineração. em condições de segurança e de confiança. etc. 9 – O plástico apesar do seu crescimento constante é o campeão da prevenção. estima-se que a embalagem de plástico por unidade embalada foi reduzida cerca de 28% graças ao desenvolvimento tecnológico. capacetes. 10 – Os plásticos tornam a nossa vida mais segura através de air-bags. As embalagens plásticas representam 17% de todas as embalagens na União Europeia e. Nos gasificadores as temperaturas de operação são da ordem dos 1200º até os 2000º. cadeiras de bébe.

Resíduos 2006 O ciclo de vida dos resíduos Carlos Alberto Alves Página 218 .

000 embalagens de pizza por mês. Carlos Alberto Alves Página 219 . considerando que: 1. Madeira 0. em vigor a partir de 01/04/2006) é: a. deverá também adoptar um sistema para gerir as embalagens de pizza que coloca no mercado e. Em termos práticos terá que pagar também.084 €/kg = 42. 50 em cada caixa (peso/caixa = 300 gr). Cartão 0. antes de serem carregadas são cintadas com plástico estirável (para firmar uma palete utiliza-se cerca de 1 kg de plástico estirável). A minha empresa A fornece à empresa B cerca de 150. 2. As paletes de madeira com as caixas.90 € 5000 Kgs de madeira * 0. Nota: Por sua vez a empresa B.00 € ☺ ☺ ☺ Assim e no total do ano a empresa deverá pagar à SPV 89. As embalagens de pizza são colocadas dentro de caixas de cartão canelado.031 €/kg = 27.004 €/kg = 20. Plástico 0.90 €/mês o que dará vezes 12 meses um valor de 1.80 €/ano. 3. Cada palete consegue levar 6 caixas de cartão (peso/palete = 10 kg).004 €/kg c.078.031 €/kg b.084 €/kg Desta forma o valor a pagar à Sociedade Ponto Verde deverá ser: 900 Kgs de cartão * 0. O valor ponto verde para cada material acima referido é (valor ponto verde para a categoria B – resíduos do circuito não urbano. Vamos então estimar qual deverá ser a contribuição da empresa A para transferir a responsabilidade da gestão destas embalagens para a SPV.Resíduos 2006 O desenho do Modelo de Gestão da SPV.00 € 500 Kgs de plástico * 0. cuja responsabilidade não cabe à empresa A.

Desculpe a indiscrição.Mmm.Sou.É que eu vivo sozinho e tenho de fazer a minha própria comida e. usa muito comida enlatada. Fazer pratos diferentes.Reparei que nunca é muito.Bom dia. você não tem família? Carlos Alberto Alves Página 220 .O meu quê? . . .É que eu gosto muito de cozinhar.Sou. não é? .Trate-me por você. mas tenho visto o seu lixo… . .Resíduos 2006 Textos para actividades O “lixo” Encontram-se os dois no ecocentro.Entendo. é a primeira vez que se falam.A senhora….Bom dia… .A senhora também… .O senhor é o vizinho do 3º esquerdo.Ah… . champignons e coisas assim… . . . cada um com o seu pacote de lixo e. Também notei que o snr.Eu ainda não o conhecia pessoalmente… . . A sua família deve ser pequena… .Pois é… . .O seu lixo. Mas como moro sozinha às vezes sobra-me… . e a senhora é a vizinho do 1º! . mas também tenho visto alguns restos de comida no seu lixo.Na verdade sou só eu. .Peço que perdoe a minha indiscrição. como não sei cozinhar… .

.Resíduos 2006 . Como é que adivinhou? . A minha mãe escreve-me todas as semanas. Vivia em Lisboa e já há um tempo que não nos víamos. . nunca fumei.Como é que você sabe? .Sinto muito.Você zangou-se com o seu namorado. Mas tenho visto uns frasquinhos de comprimidos no seu lixo… . . De Coimbra.Ela é Professora? . graças a Deus. Parece-me letra de professora. . . . mas já consegui parar outra vez.Mas é incrível.Tem em Coimbra. .Eu sei. Foi uma fase.Pois é… .O senhor não recebe muitas cartas a julgar pelo seu lixo. .É verdade.Más notícias? . mas já passou.Foi o meu pai. mas aqui não.Foi por isso que você recomeçou a fumar? .Eu.Pela letra do envelope.Como é que sabe? .Tenho.É.É. . também descobriu isso no meu lixo? Carlos Alberto Alves Página 221 . .Ele já estava muito velhinho. .O quê. Morreu… . . não foi? .Vejo uns envelopes no lixo.No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.De um dia para o outro comecei a voltar a ver maços de cigarros amassados no seu lixo.São tranquilizantes. . .

O que é particular torna-se público. você quer que ela volte! .Só não fiquei com eles porque. Sabe como é… . chorei bastante. .Vi e gostei muito. dessa forma você está a ir muito fundo na questão.É sim.Engraçado.Se você achasse que eles eram ruins. Saio pouco.Não. tinha-os rasgado e eles só estavam dobrados.Acho que não.Resíduos 2006 . . . assim estaria a roubar.Mas há uns dias tinha uma fotografia. são ruins.Vejo muitas revistas de palavras cruzadas no seu lixo.Se eu soubesse que você os lia… .É.Não posso negar que o seu lixo me interessou. . . O lixo é comunitário.Você nada mesmo a analisar o meu lixo! . Isso significa que. Lixo é domínio público. . no fundo.Acontece que vi o buquê de flores com o cartãozinho. . Acho que… Carlos Alberto Alves Página 222 . Bem… Eu fico muito em casa. ainda é dela? .Bom.Mas hoje ainda tem uns lencinhos … . .Namorada? .Mas não prestam. mas também já passou.O quê… você viu os meus poemas? . Depois foram os lenços de papel… . quando as deitou fora. Quando examinei o seu lixo achei que devia gostar de conhecê-la. ou no lixo. Acho que foi da poesia.É capaz de ter razão. Se bem que não sei… será que o lixo de uma pessoa. É a nossa parte mais social. . não será? .Não agora estou apenas um pouco constipada. São as sobras da nossa vida privada que se mistura com a vida privada dos outros. Através do lixo.Ah… . . depois dela se desfazer dele.

Vai sujar a cozinha. .83 Carlos Alberto Alves Página 223 .O quê? .É. mas não os comi. da autoria de Luís Fernando Veríssimo. .Ontem no seu lixo… . . . Comprei uns camarões graúdos e descasquei-os.Enganei-me ou eram cascas de camarão? . p.Eu adoro camarões! . Quem sabe se não podíamos… .Não dá trabalho nenhum. Porto Alegre: L&PM.Descasquei.Acertou. 1981. Limpo tudo num instante e depois você põem os restos no lixo. . .Jantar juntos? .Não suja nada.Resíduos 2006 .Não quero dar trabalho.No seu lixo ou no meu? Retirado do: Guia do Formador.

e 24 de Novembro). assinada pelo detentor. Assim. RESÍDUOS DA LISTA LARANJA/LISTA VERMELHA O movimento transfronteiriço de resíduos no espaço comunitário e da OCDE destinados a valorização e constantes da lista laranja está sujeito aos procedimentos estipulados nos Artigos 6º a Carlos Alberto Alves Página 224 . de 24 de Maio. onde conste a seguinte informação: a) Nome e morada do produtor/detentor. estes resíduos ser acompanhados de uma declaração onde constem os elementos referidos no Artigo 11º do Regulamento (CEE) nº 259/93. d) Nome e morada do destinatário. b) Descrição comercial usual dos resíduos. ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E AMBIENTE Instituto dos Resíduos Departamento de Gestão de Resíduos MOVIMENTO TRANSFRONTEIRIÇO DE RESÍDUOS DENTRO DO ESPAÇO COMUNITÁRIO E DA OCDE RESÍDUOS DESTINADOS A VALORIZAÇÃO PROCEDIMENTOS A ADOPTAR RESÍDUOS DA LISTA VERDE A circulação dos resíduos constantes da lista verde (Anexo II da Decisão da Comissão 1999/816/CE. no entanto. ficando uma cópia na posse do produtor/detentor dos resíduos.Resíduos 2006 MINISTÉRIO DAS CIDADES. exclusivamente destinados a valorização no interior da Comunidade e da OCDE. regra geral. nas condições normalmente aplicáveis às transacções comerciais. as transferências dos resíduos constantes desta lista deverão ser acompanhadas de uma declaração. c) Quantidade de resíduos. devendo. não sendo necessário remete-la para qualquer entidade/autoridade competente. f) Data da transferência. efectua-se. Esta declaração deverá acompanhar os resíduos até ao destino final. enumeradas no anexo IIB da Decisão da Comissão nº 96/350/CE. e) Operações relacionadas com valorização.

onde consta a fórmula de cálculo a ser utilizada . na qualidade de autoridade competente de expedição.Resíduos 2006 8º do Regulamento (CEE) nº 259/93. tendo sido aprovados através da Decisão da Comissão 94/774/CE. Esta garantia financeira (ou equivalente) deve ser constituída a favor do Instituto dos Resíduos. Notificação Antes que as transferências de resíduos possam ter lugar.. são exigidos os seguintes elementos/informações complementares: icontrato celebrado entre o notificador e o destinatário. Estes formulários são iguais em todos os países da União Europeia. respectivamente. encontrando-se disponíveis nas lojas da Imprensa Nacional Casa da Moeda ou representantes da IN-CM. tal como referido em 2.4 onde: GB = garantia financeira ou equivalente T = custo de transporte por tonelada de resíduos E = custo de valorização por tonelada de resíduos Q = quantidade média em toneladas por movimento Carlos Alberto Alves Página 225 . o notificador deverá preencher o formulário 1338 da Imprensa Nacional Casa da Moeda e fornecer a respectiva documentação e informações complementares. o notificador deverá notificar a autoridade competente destino e enviar cópia da notificação ao destinatário e às autoridades competentes de expedição e de trânsito.. na qualidade de autoridade competente para efeitos de aplicação do Regulamento (CEE) nº 259/93. Em Portugal os referidos formulários correspondem aos modelos exclusivos da Imprensa Nacional Casa da Moeda (IN-CM) nºs 1338 e 1338A. iconstituição de garantia financeira ou equivalente que cubra as despesas de transferência e de valorização dos resíduos. GB=(T+E)xQxNsx1. Pelo Instituto dos Resíduos. O cumprimento do disposto no Regulamento passa pelo preenchimento de um formulário de notificação e de um formulário de movimento/acompanhamento. . Esquema do procedimento a adoptar 1. de acordo com o estipulado no Artigo 27º do Regulamento (CEE) nº 259/93 e no Decreto-Lei nº 296/95. de 17 de Novembro.. de 24 de Novembro. devendo fazer referência ao número do processo de notificação correspondente (número dos formulários da IN-CM) e ter uma validade suficiente que abranja o espaço temporal até ao envio do último certificado de valorização (campo 25 do formulário de movimento/acompanhamento devidamente datado e carimbado/assinado pela empresa destinatária dos resíduos). Ao proceder à notificação.

O notificador deverá colocar. Ainda na forma de anexo. . a identificação dos produtores e respectivos quantitativos. igualmente. No formulário de notificação.ao método de eliminação previsto para os resíduos resultantes da reciclagem. O notificador deverá ter o cuidado de fornecer uma lista com o número dos anexos e a sua referência. -ao valor estimado do material reciclado. Carlos Alberto Alves Página 226 . um inventário pormenorizado dos mesmos. deverá indicar qual o campo a que esse anexo se refere.campo 20 do formulário. . nomeadamente através de apresentação de declaração da autoridade competente de expedição informando que considera a mesma suficiente. referir todas as eventuais etapas intermédias da transferência do local de expedição até ao destino final . No caso de pretender fornecer informações adicionais ao incluído num determinado campo do formulário.às disposições previstas quanto a itinerários (Campo 20 ).à identificação dos transportadores previstos (Campo 7) e. identificação do produtor (Campo 10) e tratando-se de resíduos de diversas proveniências. bem como o itinerário/trajecto previsto. o notificador deverá utilizar o código e a designação constantes das listas anexas ao Regulamento (listas estas que podem ser encontradas na sua forma actualizada na Decisão da Comissão 1999/816/CE de 24 de Novembro). o notificador deverá fazer prova da constituição de garantia financeira. . eventualmente. Por exemplo "cinzas de zinco" deverão ser designadas por "AA020 cinzas de zinco".Resíduos 2006 Ns = número máximo de movimentos que se prevê venham a ser efectuados em simultâneo No caso da importação de resíduos por Portugal. o contacto das várias autoridades competentes envolvidas. o notificador deverá. o notificador deverá fornecer informações nomeadamente no que se refere: . em anexo ao processo. identificação do notificador (Campo 1). constar o número do formulário de notificação a que diz respeito. A notificação deve. fornecer informações relativamente: . em anexo. obrigatoriamente.à designação e composição dos resíduos (Campo 13). deverá ser fornecido. em anexo. .à proporção entre os materiais reciclados e os resíduos resultantes da reciclagem. obrigatoriamente.No que diz respeito à designação dos resíduos. o cumprimento pelo transportador de condições fixadas pelos Estados-membros envolvidos. Em cada anexo deverá. às medidas que devem ser tomadas para garantir a segurança do transporte e. quantidade total dos resíduos destinados a valorização (Campo 5).

Resíduos 2006 . um certificado atestando que os mesmos foram valorizados de uma forma ecologicamente correcta. um aviso de recepção ao notificador e uma cópia desse aviso ao destinatário e às outras autoridades competentes envolvidas. . e o mais tardar 180 dias a contar da recepção dos resíduos. Carlos Alberto Alves Página 227 . se a transferência não tiver sido concluída como previsto ou se tiver sido efectuada em violação do Regulamento nº 259/93.o destinatário fornecer ao notificador. No campo 23 o notificador declara ter cumprido as obrigações contratuais e que as transferências estão ou serão cobertas pelos seguros ou outras garantias financeiras. Aviso de recepção e autorizações A autoridade competente de destino. . 2. 3. Esse contrato pode incluir a totalidade ou parte das informações a que se faz referência no nº 5 do Artigo 6º. após recepção da notificação. Normalmente as referências do destinatário (Campo 2) correspondem às da instalação de valorização. Contrato O notificador deve fazer um contrato com o destinatário para a valorização dos resíduos. o destinatário proceder à notificação do primeiro país de expedição.à localização do centro de valorização e à validade da autorização ao abrigo da qual esse centro funciona (Campo 8). enviará no prazo de três dias úteis. do Regulamento (CEE) nº 259/93. por exemplo quando se encontram envolvidas as operações de valorização R12 ou R13 tanto o Campo 2 como o Campo 8 necessitam de ser preenchidos.em caso de nova transferência de resíduos destinados a valorização para outro Estado-membro ou para um país terceiro. .às operações de valorização (Campo 9) mencionadas no anexo IIB da Directiva 75/442/CEE (alterada pela Decisão da Comissão 96/350/CE) e enumeradas no verso do formulário. .ao meio de transporte utilizado (Campo 11) devendo ser utilizadas as siglas enumeradas no verso do Formulário e ao tipo de embalagem (Campo 12). O aviso de recepção é efectuado mediante o preenchimento do campo 24 do formulário de notificação. pelo que neste campo poderá escrever-se apenas "ver Campo 8". Quando não for este o caso. O contrato deve prever a obrigação de: .o notificador reintroduzir os resíduos. o mais rapidamente possível.

com cópia para as autoridades competentes interessadas e devem ser registadas no formulário de notificação (Campo 26 . 4. de autorização escrita deste Instituto. As autoridades competentes interessadas poderão decidir autorizar. Estas objecções devem ser baseadas no nº4 do artigo 7º. disporão de 30 dias.Instituto dos Resíduos . a contar da emissão do aviso de recepção. para levantar objecções à transferência dos resíduos. Salienta-se. a transferência dentro de um prazo inferior a 30 dias. Se dentro do prazo estabelecido no nº2 do artigo 7º (30 dias).apenas permite que sejam iniciados os movimentos após recepção. Carlos Alberto Alves Página 228 . Estas condições devem ser comunicadas por escrito ao notificador. Todas as objecções devem ser apresentadas por escrito ao notificador e às restantes autoridades competentes interessadas dentro do prazo de 30 dias. de destino e de trânsito dispõem de um prazo de 20 dias. A autoridade competente confirmará essa autorização escrita prévia preenchendo o Campo 25 do formulário de notificação. Sempre que as autoridades competentes decidam dar autorização por escrito.verso do formulário). de expedição e de trânsito. as autoridades competentes considerarem que os problemas que motivaram as suas objecções foram resolvidos e que serão respeitadas as condições de transporte. com cópia para o destinatário e para as outras autoridades competentes interessadas. as transferências podem ser efectuadas depois de decorrido o prazo de 30 dias se não tiver sido apresentada nenhuma objecção. que a autoridade competente portuguesa . a transferência pode ser efectuada imediatamente após a recepção de todas as autorizações necessárias. a partir da data de emissão do aviso de recepção. por escrito. para os resíduos constantes da lista laranja.Resíduos 2006 As autoridades competentes de destino. Transferências O notificador deve inscrever a data da transferência (Campo 21) no formulário de movimento/acompanhamento e enviar cópias do mesmo às autoridades competentes interessadas. para estabelecer condições para o transporte dos resíduos na área sob a sua jurisdição. Essas autorizações caducarão no prazo de um ano civil. De acordo com o Artigo 8º do Regulamento (CEE) nº 259/93. comunicá-lo-ão imediatamente por escrito ao notificador. no entanto. caducando essa autorização tácita no prazo de um ano civil a contar dessa data. As autoridades competentes de expedição. As autorizações ou objecções escritas podem ser enviadas pelo correio ou por telefax seguido de correio. pelo notificador. a menos que estejam previstas disposições em contrário.

relativo ao número de ordem do movimento (no caso da notificação geral?). Autorização Prévia da Instalação de Valorização (Campo 3 .notificação geral . para fins de controlo. assiná-lo e conservar uma cópia.para resíduos com as mesmas características físicas e químicas. dependendo do número de transportadores envolvidos. tantas cópias devidamente preenchidas do formulário de notificação quanto o número de movimentos pretendidos. o destinatário enviará ao notificador e às outras autoridades competentes interessadas um certificado de valorização dos resíduos. exigem que as transferências sejam sempre acompanhadas de uma prova em como foram autorizadas. o mesmo código CER e o mesmo código das listas constantes da Decisão da Comissão 1999/816/CE devidamente preenchido (Campo 23 ou 24). às várias autoridades envolvidas. Neste caso. No caso dos países considerarem que esta prova deverá ser feita mediante documento original. Nessa altura deve ser igualmente preenchido o Campo 17 do mesmo formulário. No prazo de três dias úteis a contar da recepção dos resíduos para valorização. o mais tardar até 180 dias a contar da recepção dos resíduos.C*) Carlos Alberto Alves Página 229 . esta (ou cópia) deverá igualmente acompanhar a transferência. seguido de carta). Quando um ou vários países de trânsito também emitiram uma autorização escrita. o Campo 4. o destinatário enviará ao notificador e às autoridades competentes interessadas uma cópia do documento de acompanhamento * Artigo 28º do Regulamento (CEE) nº 259/93 . As autoridades competentes devolverão estas cópias. Todas as empresas que participem na transferência devem preencher a cópia do formulário de acompanhamento nos pontos indicados. relativo à quantidade prevista nesse movimento. O formulário de acompanhamento deverá acompanhar sempre os resíduos durante o transporte. se assim for exigido. O mais rapidamente possível e. Alguns países. o transportador deverá possuir o formulário de notificação (ou cópia) com o Campo 24 preenchido (autorização tácita) ou com os Campos 24 e 25 preenchidos (autorização escrita).Resíduos 2006 três dias úteis antes do início da transferência (se for possível por fax. individualmente assinadas/carimbadas. O preenchimento do Campo 25 do formulário de acompanhamento certifica que a valorização foi efectuada (nº6 do artigo 8º do Regulamento). sob a sua responsabilidade. o notificador deverá enviar. com excepção do certificado referido no nº6 do artigo 8º do Regulamento. devendo o/s transportador/es preencher um ou vários dos Campos de 5 a 12.

º 30 . As autoridades competentes que optarem por esta fórmula comunicarão à Comissão Europeia. http://www. Todas as transferências previstas para as referidas instalações devem ser objecto de notificação às autoridades competentes interessadas nos termos do artigo 6º. As autoridades competentes com jurisdição sobre instalações de valorização específicas podem decidir não levantar objecções às transferências de determinados tipos de resíduos para uma instalação de valorização específica. o nome e endereço da instalação de valorização. no entanto. 5. ser revogada em qualquer altura. Essa decisão pode ser limitada a um período determinado. INR -INSTITUTO DOS RESÍDUOS • Av. ou impor condições em relação ao transporte.5º piso • 1000-017 Lisboa TELF: 351-21 8424000. De notar que o facto de uma empresa não estar previamente autorizada ao abrigo do Artigo 9º do Regulamento (CEE) nº 259/93.pt e E-mail: inr@inresiduos. não significa que a mesma não esteja devidamente licenciada para recepção e valorização dos resíduos. 4. bem como o tipo de resíduos para os quais é aplicável a decisão e o período abrangido. No entanto. n. Os nºs 2 a 6 do artigo 8º são aplicáveis à transferência propriamente dita. devendo a notificação ser recebida antes da data de expedição.pt Carlos Alberto Alves Página 230 . FAX: 351-21 8424099. deverá o ponto C* do Campo 3 do formulário de notificação ser assinalado. podendo. As autoridades competentes dos Estados-membros de expedição e de trânsito podem levantar objecções a essas transferências. as tecnologias utilizadas. com base no nº 4 do artigo 7º. 3. Quaisquer revogações deverão igualmente ser notificadas à Comissão.Resíduos 2006 De acordo com o artigo 9º do Regulamento (CEE) nº 259/93: 1. apenas no caso das empresas destinatárias dos resíduos se encontrarem nas condições acima referidas. Almirante Gago Coutinho. 2.inresiduos.

B Anexo I – Dados estatísticos relativos a embalagens (modelo a preencher pelos embaladores e ou responsáveis pela colocação de produtos no mercado nacional) Modelo nº 1586 Anexo II – Dados estatísticos relativos a embalagens (modelo a preencher pelos distribuidores/comerciantes com volume anual de vendas superior a 898 mil euros) Modelo nº 1683 Certificação distribuição ou desmantelamento qualificado Carlos Alberto Alves Página 231 . A Ficha de resíduo – Mod. A – Guia de acompanhamento de resíduos hospitalares perigosos Modelo nº 1429 A Mod. B – Guia de acompanhamento de resíduos hospitalares perigosos – folha de continuação Modelo nº 1513 Modelo nº 1514 Modelo nº 1515 Ficha de estabelecimento – Mod.Resíduos 2006 Impressos da INCM A Imprensa Nacional da Casa da Moeda tem à venda vários impressos destinados ao uso pelos detentores de resíduos e outros que se listam na tabela abaixo: Impresso Modelo nº 1428 Modelo nº 1429 Designação Guia de Acompanhamento de Resíduos Mod.

O que é a poluição? A poluição pode ser de origem urbana. C. o resultado de uma simples acção de microorganismos. porque as condições nas quais eles actuam estão relacionadas com todas as características do meio. D. Tenha cuidado com o manuseamento destes e. se encontra em muitas aplicações. Carlos Alberto Alves Página 232 . fonte ou saída especifica. Por exemplo. por exemplo numa tubagem ou num fim de linha. viabilizando dessa forma as indústrias de reciclagem E. assegure-se de que dá um fim como deveria às embalagens usadas para embalar pesticidas. Por isso é importante informar-se sobre os perigos da intoxicação pelo chumbo e sobre a forma como esta acontece. especialmente se tem crianças pequenas. F. uma pessoa a gritar atinge facilmente cerca de 80 dB. no entanto. o som dos gritos é de 30 vezes mais intenso. industrial ou rural. no entanto. A biodegradação não é. Estas descargas podem ser de pouco significado. biodegradabilidade quer dizer a capacidade de um material ser degradado sob a acção de elementos vivos. Compre produtos reciclados. A poluição pode ser considerada como sendo poluição pontual ou poluição difusa. A absorção do chumbo pelo organismo. Os pesticidas são perigosos! Quer o ser humano quer o ambiente sofrem efeitos adversos do uso dos pesticidas. B. O ruído também é uma forma de poluição.Resíduos 2006 Notas: A. Embora a diferença seja apenas 15 dB. O ruído é um som indesejado e a sua intensidade (volume). pode ocasionar sérios problemas de saúde a longo prazo. colectivamente cada descarga contribui para o aumento dessa mesma poluição. enquanto que uma conversa normal tem cerca de 65 dB. A escala de decibéis é logarítmica. é medido em decibéis (dB). A poluição pontual pode ser encontrada num local. Literalmente. pelo que a um aumento de três decibéis no nível do som corresponde a duplicação da intensidade do ruído. A poluição difusa é normalmente gradual e muitas vezes proveniente de derrames ou infiltrações através de poros ou rachas de um número indeterminado de fontes do ambiente em redor e. A "degradação" (passagem de um estado de referência a um estado degradado) é uma modificação estrutural do material caracterizado por uma diminuição de suas qualidades e desempenho. especialmente nas crianças. O chumbo é um metal que por ser barato. ou decompondo a palavra em seus dois elementos. de difícil determinação.

K. 30% de borracha sintética (petróleo) e 60% de aço e tecidos. Mesmo os computadores. Além disso. “um desenvolvimento que satisfaça as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades”. A definição de desenvolvimento sustentável. é feita de 10% de borracha natural. Repare: As suas coisas em vez de as deitar fora. c. A maior parte dos pneus. I. ter onde colocar o excedente. Dado que os computadores duplicam a sua capacidade de 18 em 18 meses. inserta no Relatório Brundtland. Os números apresentados pelo Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF. 1 milhão de kgs de cádmio e 200 mil kgs de mercúrio. Recicle: Papel. latas e garrafas deixando-os no ecoponto local. e.Resíduos 2006 G. em 2005 existiam 315 milhões de computadores obsoletos no mundo. garrafas e sacos plásticos. de 1987 é. Faça sua a nova politica dos 5 R’s. Leve as suas roupas que já não lhe servem. responsável pela côr negra dos pneus. De acordo com a Silicom Valley Toxic Coalition. necessitamos de mais meio hectare do que no ano anterior. hoje. este valor é equivalente a 600 milhões de kgs de chumbo. embalando os seus produtos em excesso. J. Carlos Alberto Alves Página 233 . Utilizam-se ainda materiais argilominerais e negro-de-fumo (carvão). a cada ano que passa.3 hectares (um hectare é igual ao tamanho de um campo de futebol). em seguida. Recuse: Embalagem desnecessária e encoraje os fabricantes a reduzir o desperdício. A composição da borracha vulcanizada confere a este material uma alta resistência química e física. nos Estados Unidos. H. todos metais tóxicos. Todos eles podem ser reutilizáveis. fazendo da reciclagem um processo complexo e ainda não economicamente atraente para a indústria. com objectivo de se obter um material mecanicamente resistente. World Wildlife Fund) mostram que um cidadão médio necessita por ano de 2. b. Faça compostagem com o seu lixo doméstico. Adopte uma nova atitude. para produzir aquilo que consome e para. d. estão a produzir lixo prejudicial. Isto representa mais 40% do que é sustentável. para uma instituição de caridade. Reutilize: E volte a reutilizar e a encher o mais que puder artigos como envelopes. considerados instrumentos que contribuem para o desenvolvimento social. a. Retorne: Devolva garrafas e outras embalagens reutilizáveis sempre que puder e prefira garrafas com depósito.

c. Carlos Alberto Alves Página 234 .Resíduos 2006 L. M. Se qualquer aparelho deixar de funcionar. d. Quando comprar EEE’s. para além da redução da poluição atmosférica e da redução de resíduos em aterro. Escolha fabricantes / distribuidores que se comprometam a receber o seu EEE equiparado velho.000 litros de água. certifique-se de que escolhe equipamentos duradouros e que possam ser actualizados no futuro. Sempre que deitar fora EEE’s. Não esqueça que por cada tonelada de papel reciclado são poupadas 17 árvores e 20. b. antes de o rejeitar verifique se é possível repará-lo. consulte os horários da recolha municipal deste tipo de resíduos. Regras de Boas Práticas para a aquisição de equipamentos EEE’s a.

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