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DEMIN/EM/UFOP

MIN 225
Estabilidade de Escavações
Subterrâneas

Prof José Margarida da Silva


Setembro/2007
ABERTURAS SUBTERRÂNEAS
COM DESENVOLVIMENTO LINEAR

• POÇOS (VERTICAIS E INCLINADOS)


• RAMPAS
• TÚNEIS
• GALERIAS
• HORIZONTAIS (CABECEIRAS, TRAVESSAS)
• INCLINADAS OU VERTICAIS (SUBIDAS OU
RAISES, DESCIDAS OU WINZES, CHAMINÉS,
PASSES - PASSAGENS DE MINÉRIO, DE ESTÉRIL,
DE PESSOAL, DE ENCHIMENTO

COM DESENVOLVIMENTO EM VOLUME

• ALARGAMENTOS OU REALCES (“STOPES”)


• CÂMARAS DIVERSAS (“ROOMS”) - SILOS, CASA
DE MÁQUINAS, REFEITÓRIOS, ÁREAS DE
OFICINAS, INSTALAÇÃO DE BRITAGEM ETC
1. Tensões em maciços rochosos
• Maciço rochoso: rocha + descontinuidades +
água.
• Tensão: relacionada à tendência de
deslocamento relativo das partículas de um
corpo, em função de solicitações externas;
grandeza que depende do plano considerado;
dimensionalmente, é igual a pressão.
• Maciços rochosos: comportam-se como
descontínuos; meios anelásticos.
• Müller (1963): redução de até 1/30 na
resistência da rocha devido à existência de
planos de fraqueza.
Estado de tensões
• O estado de tensões no interior de um
maciço rochoso varia, geralmente, de
ponto a ponto: valor e direção das
componentes principais que o definem.
• maciço virgem: não está submetido
somente a esforços verticais, mas a um
sistema triaxial de tensões.
• Arco de pressão
Princípios fundamentais
da lavra subterrânea
• abandono de pilares
desmonte com o avanço de aberturas paralelas,
convenientemente espaçadas, deixando-se porções do
minério para formar pilares, de dimensões e formas
adequadas, que limitam os vãos das aberturas e
promovem a sustentação do teto.

• Enchimento
à medida que o material útil vai sendo extraído, o vazio
formado é preenchido com outro material, de forma a
promover a sustentação do teto. O desmonte da face é
integral e a frente se desloca paralelamente a si
mesma, sendo acompanhada a certa distância pelo
enchimento. O teto na frente de trabalho é
normalmente sustentado com estruturas apropriadas
para evitar a eventual queda de blocos mais ou menos
soltos ("chocos").
Princípios fundamentais
da lavra subterrânea
• abatimento controlado do teto
com o avanço da frente de lavra, em vez
de se processar a sustentação com o
enchimento, provoca-se o seu
desabamento, a uma distância
controlada da frente, dissipando-se
parte da energia armazenada no
maciço. Além disto, a rocha desabada
empola, o que inibe a propagação do
abatimento, a partir do momento em
que os blocos começam a exercer
reações apreciáveis sobre o teto,
favorecendo a sua sustentação.
Escavações Subterrâneas
DEMIN/EM/UFOP
MIN 225
Estabilidade de Escavações
Subterrâneas
Introdução

Prof. José Margarida da Silva


março/2009
Sumário
• Geomecânica
• Segurança Estrutural
• Segurança Ambiental
• Princípios éticos de extração
• Mecânica das Rochas
• Definições e terminologia
Introdução: Geomecânica
• Estuda o comportamento de todos os
materiais presentes na crosta terrestre.
• Mecânica das Rochas: estuda o
comportamento dos maciços rochosos em
relação a forças externas; na mineração:
escavações.
• Mecânica dos Solos, Geologia de
Engenharia,...
Introdução
Trabalhos em minas subterrâneas - grandes
aspectos de segurança:
• segurança estrutural (técnica) das aberturas,
envolvendo tetos, pisos, paredes e pilares;
• segurança ambiental, que se refere à criação e
manutenção de um ambiente de trabalho
confortável e adequado à execução das tarefas
pertinentes ao empreendimento.
• A preocupação ambiental, em sentido amplo,
inclui a preocupação com a segurança.
Princípios éticos fundamentais
• Segurança,

• Economia,

• Bom Aproveitamento das Jazidas.


Princípio da Segurança
• mina é complexo técnico-econômico onde trabalham
homens, mas que exige investimentos muito vultosos
sob a forma de equipamentos e de estruturas que têm
de ser criadas para dar acesso aos locais de onde os
minérios são retirados e para o desenvolvimento desses
mesmos trabalhos de retirada.
• Todos estes investimentos têm que ser, a seu tempo,
recuperados.
• Tanto os equipamentos como as próprias estruturas de
apoio não podem estar à mercê de acidentes que
comprometam a recuperação dos correspondentes
investimentos.
Princípio da Economia
Mineração:
• atividade industrial - obrigatoriedade de produzir a
preços de custo inferiores aos correspondentes às
cotações dos seus produtos num mercado cada vez
mais de âmbito mundial.
• Indústria pesada - grande inércia, que impõe longos
prazos de restituição aos elevados capitais que obriga a
investir, a indústria mineira, para ser atrativa aos
investidores, tem que oferecer boas ou, pelo menos,
razoáveis perspectivas de lucro.
• Produção mineral deve ser conseguida aos preços mais
baixos possíveis, o que se reflete na obrigatoriedade de
otimizar o custo do processo produtivo mineiro em todos
os seus complexos pormenores.
Princípio do Bom
Aproveitamento das Jazidas
• Jazidas minerais não são renováveis à escala temporal
da vida humana nem mesmo à escala temporal da
Humanidade.
• Explotá-los representa a destruição de um capital que
não pode ser reposto. Ao contrário de se tentar obter,
por reciclagem, produtos minerais anteriormente
extraídos e já utilizados, há que minimizar a delapidação
dos recursos minerais naturais.
• Importa, então, otimizar a recuperação das substâncias
minerais das jazidas, de modo que as frações destas,
que agora não sejam explotadas, não fiquem em
condições tais que impossibilitem a recuperação futura.
Princípios Éticos
• A situação do melhor ponto de equilíbrio
entre as exigências dos três Princípios
Fundamentais tem, porém, variado ao
longo dos tempos, de acordo com a
valorização relativa dada pelo Homem aos
diversos fatores considerados importantes
para si e para a Humanidade.
Mecânica de Rochas
• A Mecânica de Rochas está relacionada com as
propriedades mecânicas e o comportamento
das rochas, isto é, como a rocha responde
quando sujeita a um campo de forças.
• Este campo pode ser induzido pela escavação
de uma abertura produzida por meios
mecânicos.
• Isto é de fundamental importância em
mineração porque a rocha é o principal material
de construção e também o principal produto do
processo de escavação.
Mecânica de Rochas
• Engenharia de Minas: interessada no comportamento
mecânico do maciço rochoso quando se realizam
escavações no mesmo, isto é, parte deste é aliviado.
• Engenharia Civil: interessada nas modificações que se
introduzem quando o maciço é carregado pela presença
de uma barragem, edifício etc.
• Esses problemas quase opostos podem ser
equacionados conforme:
• quais as tensões atuantes no maciço original?
• quais as alterações das tensões introduzidas pela
escavação ou obra?
• qual o efeito das condições geológicas mais complexas?
Mecânica de Rochas
• A rocha constitui um caso particular de material
de engenharia.
• Nas construções com materiais artificiais, a
resistência dos materiais é composta em função
das necessidades de resistência aos esforços
que lhe serão aplicados.
• Já na rocha, a resistência lhe é intrínseca e as
tensões existem independentemente de outras
cargas externas que lhe sejam aplicadas.
• Diante desta limitação e mais os custos
proibitivos em que incorreria obter-se um projeto
de construção pronto na prancheta, existirão
fases de projeto, e mesmo de produção, que
serão ajustadas à realidade do maciço rochoso.
Mecânica das Rochas
Estabilidade das escavações subterrâneas:
• se os maciços rochosos têm determinadas
características de resistência;
• se as aberturas possuem certas formas
geométricas e não excedem determinadas
dimensões.
Mesmo em tais casos, deve ser considerado:
• a expansão da rocha no sentido dos vazios,
• devido às respectivas características reológicas,
as deformações correspondentes processam-
se, em grande parte, ao longo do tempo.
Mecânica das Rochas
• Ações de suportes artificiais e de revestimentos
das cavidades podem ser muito variadas,
dependendo dos tipos de solicitações que sobre
eles exercem os terrenos.
Solicitações:
• que resultam de simples ações de peso do
material descomprimido, correspondente às
zonas aliviadas de tensões da vizinhança dos
vazios – em geral, susceptíveis de serem
controladas,
• que provêm diretamente dos campos de
tensões instalados - controladas, em regra,
quando os campos de tensões, instalados nos
terrenos antes da abertura das cavidades, têm
intensidades reduzidas.
Mecânica das Rochas
• Indispensável conhecimento do intervalo
de tempo durante o qual se pretende que
escoramentos ou revestimentos exerçam
convenientemente suas funções.
• Desse tempo depende, geralmente, a
importância da deformação dos terrenos a
que se aplicam e, portanto,a intensidade
máxima das reações que têm de suportar.
Definições; terminologia
• “escoramento” ou
“sustentação” -
engloba uma série
de técnicas que
utilizam elementos
de madeira,
metálicos ou de
concreto (armado ou
não), destinados a
aumentar a
segurança de
cavidades.
Terminologia
Estrutura

todo arranjo espacial de elementos físicos,


compostos de qualquer material, capaz de
resistir a esforços solicitantes em um horizonte
previsto de tempo, com um dado fator de
segurança e sofrendo deformação entre
limites pré-determinados;
Terminologia
Dimensionamento de uma estrutura:
definição das dimensões elementos que a
compõem, para que possam resistir aos
esforços solicitantes, conhecendo-se:
• os valores destes esforços,
• os limites aceitáveis de deformação,
• o tempo previsto de sua utilização,
• o fator de segurança desejado ou
considerado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• Ayres da Silva, L. A. 1993. Mecânica de Rochas Aplicada à
Mineração. Apostila da Pós-graduação. Escola Politécnica da USP
• Ayres da Silva, L. A. & Hennies, W. T. 1988. Abertura de Vias
Subterrâneas - Escoramento em Vias Subterrâneas. EPUSP. 73 p.
• Hennies, W. T. & Ayres da Silva, L. A. 1970. Mecânica de Rochas
Aplicada à Mineração. EPUSP.
• Mello Mendes, F. 1996. A Segurança Estrutural em Engenharia de
Minas. Geotecnia. Sociedade Portuguesa de Geotecnia. n.º 74, p. 1
- 13.
• Bieniawski, Z. T. 1984. Rock Mechanics Design in Mining and
Tunnelling. Balkema. Rotterdam, pp. 1-4.
• Goodman, R. E. 1980. Introduction to Rock Mechanics. John Wiley
& Sons, pp. 97 e 211.
• Stacey, T. R.; Page, C. H. 1986. Practical Handbook for
Underground Rock Mechanics. Trans Tech Publications, 144 pp.
• Bieniawski, Z. T. Design Methodology in Rock Engineering.
Balkema. 1992.
• Hudson e Harrison. Engineering Rock Mechanics. Pergamon. 2007.
• Villaescusa e Potvin. Ground Support in Mining & Undreground
Construction.Balkema. 2004.
• Chang-Yu Ou. Deep excavation. Taylor & Francis. 2006.
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MIN 225
Estabilidade de Escavações
Subterrâneas

Prof. José Margarida da Silva


março/2009
1. Tensões em maciços rochosos
• Maciço rochoso: rocha + descontinuidades
+ água.

Tensão:
• relacionada à tendência de deslocamento
relativo das partículas de um corpo, em
função de solicitações externas;
• grandeza que depende do plano
considerado;
• dimensionalmente, é igual a pressão.
Tensões - introdução
• Maciços rochosos: comportam-se como
descontínuos; meios anelásticos.

• Müller (1963): redução de até 1/30 na


resistência da rocha devido à existência
de planos de fraqueza.
Estado de tensões
• O estado de tensões no interior de um
maciço rochoso varia, geralmente, de
ponto a ponto: valor e direção das
componentes principais que o definem.
• maciço virgem: não está submetido
somente a esforços verticais, mas a um
sistema triaxial de tensões.
• antes de ser escavado: tensões naturais
ou tensões “in situ”.
Tensões induzidas

• Escavação: ocorre modificação no estado natural de


tensões, com redistribuição de tensões no maciço
circunvizinho (tensões induzidas) .

• Limite: “arco de pressão”.

• Ruptura: no caso geral, devida a esforços de flexão ou


de cisalhamento, porque a resistência da rocha a estes
tipos de solicitação é muito menor do que à
compressão.
Tensões em maciços
• Maciço regular e homogêneo: pode ser adaptado a
modelo clássico da Mecânica de Rochas (fornece, pelo
menos, o sentido e a ordem de grandeza dos
fenômenos); o mais simples é o modelo elástico.

• Rocha não homogênea: pode se tentar assimilar o


maciço rochoso a um outro modelo teórico (plástico,
elasto-plástico etc).

• modelamento matemático ou modelagem numérica.


Regra de Heim
• Heim, em 1912: maciços rochosos seriam
incapazes de suportar grandes diferenças de
tensões.
• Associando-se aos efeitos de deformação
dependentes do tempo, levaria a um campo de
tensões naturais, onde as componentes vertical
e lateral tenderiam a se igualar (campo uniforme
de tensões), ao longo do tempo geológico.
• Hoek & Brown (1980): sugestão de Heim é
aplicável a rochas incompetentes, como é o
caso de carvão e evaporitos.
Estimativa de tensões laterais

• K = H / p

• Hoek & Brown: a pequenas profundidades, K é


extremamente variável, freqüentemente maior que 1.
• À medida que aumenta a profundidade, a variação de K
é menor e seu valor se aproxima de 1.
• Maioria dos valores de K estão na ampla faixa:

(100/y ) + 0,3 < K < (1500/ y ) + 0,5

y = profundidade
Estimativa de tensões laterais
H = K p

1< K <3 para y <1000m


0,5< K< 2 para y >1000m

K = /(1-)

• H = tensão horizontal média;


• p = tensão vertical;
•  - coeficiente de Poisson
Princípios fundamentais
da lavra subterrânea

• Abandono de pilares

• Enchimento

• Abatimento controlado do teto


• desmonte com
avanço de aberturas
paralelas,
convenientemente
espaçadas,
deixando-se porções
do minério para
formar pilares, de
dimensões e formas
adequadas, que
limitam os vãos das
aberturas e
promovem a
sustentação do teto.
à medida que o material
útil vai sendo extraído, o
vazio formado é
preenchido com outro
material, de forma a
promover a sustentação do
teto. O desmonte da face é
integral, sendo
acompanhada a distância
pelo enchimento. O teto na
frente de trabalho é
normalmente sustentado
com estruturas
apropriadas para evitar a
eventual queda de blocos
mais ou menos soltos
("chocos").
com o avanço da frente de
lavra, em vez de se
processar a sustentação
com enchimento, provoca-
se o seu desabamento, a
uma distância controlada
da frente, dissipando-se
parte da energia
armazenada no maciço.
Além disto, a rocha
desabada empola, o que
inibe a propagação do
abatimento, a partir do
momento em que os
blocos começam a exercer
reações apreciáveis sobre
o teto, favorecendo a sua
sustentação.
Referências
• De la Vergne. Hard Rock Miners Handbook. 2003.
• Goodman, R. E. 1980. Introduction to Rock Mechanics.
John Wiley & Sons, pp. 221.
• Hoek, E. & Brown, E. T. 1980. Underground Excavations
in Rock. pp.112 - 200.
• Hoek et al. Support of Underground Excavations in Hard
Rock, cap. 10. 1995.
• Hudson e Harrison. Engineering Rock Mechanics.
Pergamon, p. 31-69. 2007.
• Obert, L. and Duvall, W. I 1967. Rock Mechanics and the
Design of Structures in Rock. New York. John Wiley and
Sons, 650 pp.
• Silveira, T. 1987. Técnicas de Sustentação em Minas
Subterrâneas. UFOP.
• Villaescusa e Potvin. Ground Support in Mining &
Underground Construction.Balkema. 2004.
Planejamento e impactos ambientais
da lavra
Introdução
Gastos Proteção ambiental

Escolha de projetos industriais


infra-estrutura,
disponibilidade de insumos, proximidades
do mercado etc.

Os investimentos e custos associados às operações de


prevenção, controle, mitigação e restauração

Estudo de viabilidade.
Introdução
Centros urbanos ou a outros recursos naturais
Mineração considerados à época e local de interesse pela
sociedade.

Conflitos inevitáveis

bens minerais  dos ecossistemas


extrair, processar e utilizar esses bens

Terra
Distúrbio no meio ambiente Água
Ar
Introdução
Métodos de extração e beneficiamento

Proximidade dos centros urbanos

Áreas de proteção ambiental

Intensidade dos impactos


Natureza mineralógica do depósito

Clima

Topografia

QUALIDADE DO MEIO AMBIENTE


Introdução
Controle

Aceitáveis
Prevenção

Restauração

Gerar incômodos

erosão
poluição da água e ar, poluição sonora,
vibrações no solo,
emissão de ondas de choque, alterações
da paisagem, desmatamento, etc.
Introdução
Locais e de curto prazo
Nacionais e longo prazo
Desenvolvimento econômico
Papel do governo

Proteção ambiental

MINERAÇÃO

Proteger e restaurar a qualidade do meio ambiente assegurando


concomitantemente o suprimento dos bens minerais a preços
considerados satisfatórios, à luz de outros objetivos públicos
DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
• Abordagem ao progresso “que atenda às
necessidades do presente sem
comprometer a capacidade de gerações
futuras em satisfazer suas próprias
necessidades”.
Conhecimento geológico
Tecnologia e criação de recursos
Viabilidade econômica.

Sustentabilidade
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ambiental
DEGRADAÇÃO DO TERRENO

Mineração a céu aberto Modifica o terreno

Mineração subterrânea
Extração
Beneficiamento
Deposição de rejeitos

Bem mineral não retorna ao local circulação


servindo ao homem e as suas necessidades

Recuperação Chave
Projeto inicial

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Desenvolvimento sustentável
Poluição

• È necessário que os custos de controle de poluição sejam incorporados


às despesas concernentes do empreendimento
– Medidas de controle de poluição
– Desenvolvimento de tecnologia

Desperdício

 processamento de minério ineficiente


 lavra ambiciosa,
 quando a deposição de rejeitos é feita sem a possibilidade de
aproveitamento futuro.
Impacto ambiental
• Alteração das propriedades físicas,
químicas e biológicas do meio ambiente
Matéria ou energia resultantes das atividades humanas

Direta ou indiretamente
A segurança e o bem estar da população;
as atividades sócio econômicas
a biota;
as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente
a qualidade dos recursos ambientais
Legislação
Recuperar Reabilitar o meio ambiente

Lei 6938/81 (Política Nacional do Meio Ambiente) que


adota o critério de responsabilidade objetiva em seu
artigo 14

“o poluidor é obrigado, independente da existência de culpa, a indenizar ou


reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros afetados pela
sua atividade”.

Lei 9605/98 (Lei de crimes ambientais) especifica as


condições nos quais os danos ambientais serão
considerados e tratados como crime, com penas de
indenização e reclusão.
Legislação
Dispositivo constitucional Terminada a fase de lavra

Recuperação de áreas
degradadas

Solução técnica exigida pelo órgão publico


quando do licenciamento ambiental da atividade

97.632 (1989).
Legislação
• Decreto 97.632, de 10.04.1989.

Os empreendimentos  à exploração de recursos minerais


Artigo 1o
EIA e do RIMA submeter

Plano de recuperação de área degrada (PRAD)

Recuperação objetiva
Artigo 3o

Retorno do sítio degradado a uma forma de


utilização(plano preestabelecido)
 estabilidade do meio ambiente.
Legislação
• Exercício da atividade mineradora no País
 riscos resultantes da lavra
EIA Aprovado
 Outorgado a licença
Licenciamento ambiental
 Aprova o PRAD

Plano de recuperação de área degrada (PRAD)

 Contempla o uso futuro

 Após o fechamento da mina


Recuperação de áreas
degradadas
• Manual de Recuperação de Áreas
Degradadas pela Mineração ( IBAMA)
• Recuperação significa, “retomar o sítio
degradado a uma forma e utilização de
acordo com um plano pré-estabelecido
Condição estável  com os valores ambientais, estéticos e sociais.
para o uso do solo”.
Sítio degradado terá condições mínimas de estabelecer um novo solo e uma
nova paisagem
Recuperação de áreas
degradadas
 planejamento do projeto mineiro
Recuperação  processo lento
 muito tempo após o término da lavra

Componentes bióticos e o ambiente  equilíbrio.


Fechamento de mina

PLANEJAMENTO Gestão ambiental


Ciclo de vida da mina
Exploração
Devolução da área
reabilitada ou restaurada

Antecipo os impactos

Minimizo os custos e investimentos


Aumento a eficiência
Fechamento de mina
Prevenção e proteção Controle e monitoramento

PLANEJAMENTO

Desativação e fechamento Remediação e restauração


Fechamento de mina
Exemplos
• Mineração de carvão
– extensão da área minerada
• Minimização do o impacto ambiental advindo da
remoção do capeamento para exposição de
Avanço da frente de lavra seja controlado desde o inicio
camadas

as áreas modificadas sejam posteriormente recuperadas

 processo de remoção do capeamento,


 a camada superior do solo é preservada
 re-estabelecimento da capacidade regenerativa da cobertura
vegetal, agrícola ou florestal.
Fechamento de mina
Problemas e desafios

• Impactos de natureza irreversível

• Caráter temporário da atividade mineral

• Rigidez locacional

• Competição com outros usos potenciais

• Competição com outros recursos naturais


Empresarial desativação  conseqüência
Fechamento de mina
Condições de entorno
Plano de fechamento Estabelece uso futuro da área

Avaliado pelo DNPM Certidão



ÁGUA
Utilização
NA MINERAÇÃO
– Insumo
– movimentação
A ÁGUA NA MINERAÇÃO
Pesquisa  Sondagem rotativa (resfriamento)
 Amostragem por dragagem (movimentação)
 Sondagem tipo “Banka”
Desenvolvimento  Desmonte hidráulico
e lavra  Movimentação por dragagem (aluviões)
 Bombeamento mina subterrânea (movimentação)
 Aspersão em pátio e vias de acesso
Beneficiamento  Utilização na cominuição, britagem e peneiramento
 Utilização na flotação, lixiviação
 Movimentação para desaguamento
 Deposição de rejeitos
Transporte  Bombeamento de polpa no mineroduto
Infra-estrutura  Abastecimento etc
Impacto sobre as água
• Poluição hídrica
– pelo transporte por água pluvial de partículas
de áreas decapeadas (minas, pilhas de
estéril, estradas, pátios)

– pela deposição diretas de estéril em cursos


d’água

– pelo lançamento de rejeitos nos cursos


d’água (com ou sem insumos químicos
incorporados)
Impacto sobre as águas
• Poluição hídrica

– pela deposição de resíduos sólidos não


inertes  contaminar o lençol freático;

– pelo bombeamento de água com carga sólida


ou solúvel para rebaixamento do lençol
freático nos cursos d’água;

– pelo turbilhonamento de aluviões ns operação


de dragagem

– pelo lançamento de esgotos sanitários e


óleos das oficinas.
Impacto sobre as águas
1)Interferência na dinâmica hídrica
2)Interferência na qualidade
• comprometimento da disponibilidade
•Aumento dos custos
Uso impróprio ou
mal planejado •Problemas com usuários
•Transgressão a lei

• sólidos sedimentáveis
•Turbidez
Indicadores na qualidade das
águas •Sólidos dissolvidos
•pH
•Outros fatores (oxigênio, oleos, graxas
Impacto sobre as águas

Tabela: Impactos clássicos sobre a qualidade das águas nas diversas fases de
um empreendimento mineiro.
PESQUISA MINERAL
Tipo Causa do impacto Parâmetro gerador
Sondagem rotativa ou Arraste, por água pluvial, Incremento de turbidez e
percussão de partículas finas das de sólidos sedimentáveis
estradas e pátios de
trabalho.
Sondagem e Revolvimento e
amostragem de grandes turbilhonamento de áreas
volumes por dragas alagadas e leitos de
curso d’água
Impacto sobre as águas
LAVRA
Subterrânea Arraste de partículas finas das Incremento de turbidez de
áreas de acesso por águas sólidos sedimentáveis e de
pluviais, solubilização de estéril sólidos dissolvidos.
pelo contato com o sistema (modificações de pH,
ar/agua incremento de metais, sulfetos,
arsênio)
Desmonte hidráulico Aporte de partículas finas por Incremento de turbidez e,
arraste pluvial e lançamento do sólidos sedimentáveis.
estéril sob a forma de polpa nas
coleções hídricas
Dragagem aluvionar Revolvimento e turbilhonamento Incremento de turbidez e de
das margens e fundo das sólidos sedimentáveis
coleções hídricas, lançamento
de estéril na forma de polpa
A céu aberto em bancadas Arraste de partículas finas das Incremento de turbidez e de
áreas decapeadas (mina, sólidos sedimentáveis, pH e
estradas, depósito de estéril, outros compostos dependem da
pilhas) por água pluvial mineralogia
Impacto sobre as águas
BENEFICIAMENTO
Tipo Causa do impacto Parâmetro gerador
Classificação, cominuição e Carreamento do rejeito por Incremento na turbidez e nos
cata manual água pluvial sólidos sedimentáveis. Outros
compostos dependem da
mineralogia
Classificação, cominuição, Lançamento de rejeitos Aumento da turbidez e dos sólidos
concentração magnética sob a forma de polpa sedimentáveis. Pelo tempo de
e eletrostática nos cursos d’água contato entre o minério e água
do processo pode ocorrer
solubilização de minerais
Flotação e desaguamento Lançamentos de rejeitos Aumento da turbidez e de sólidos
sob a forma de polpa sedimentáveis. Possibilidade de
nos cursos d’água com solubilidade de minerais.
insumos químicos Presença na água de coletores,
incorporados. depressores, moduladores de
pH e floculantes
Hidrometalurgia Lançamento de extratos Incremento de sólidos dissolvidos.
líquidos. Adição de Presença de metais.
insumos químicos Modificações no pH
Impacto sobre as águas
Sistemas de controle de impactos

1) Sistemas de contenção de partículas

• Sistemas de drenagem
• Pilhas de estéril
• Barragem de rejeitos
• Monitoramento de obras

Minimizam os impactos gerados pelos efluentes e


partículas sólidas na mina e unidades de beneficiamento
Impacto sobre as águas
Sistemas de controle de impactos
1) Precipitação de íons

• Sistemas controle de sólidos dissolvidos

2) Adequação de pH

• Possibilidade de formação de precipitados

3) Flotação de Precipitados

• baseia-se na precipitação dos íons, com adição de compostos


químicos, seguido por flotação seletiva.
Impacto sobre as águas
Sistemas de controle de impactos
7) Armadilhas Metálicas

• metal tóxico fica retido em superfícies de cobre (mercúrio)

8) Tratamento Biológico

• capacidade que os microrganismos apresentam de tolerar e de


acumular grandes quantidades de metais pode ser utilizada com
objetivo de remover substâncias tóxicas e de recuperar metais de
grande valor econômico
Impacto sobre as águas
Sistemas de controle de impactos

Reciclagem e Operacionalização dos Sistemas e Programas de


Manutenção de Equipamentos

•O Melhor controle ambiental, é a reciclagem de resíduos e de efluentes.

Monitoramento
Impacto sobre as águas
Sistemas de controle de impactos
4) Degradação Química

• Por meio de adição de determinados reagentes

5) Adsorção por Carvão Ativado

• Remoção de metais pesados do efluente (cromo)

6) Remoção de íons por troca-iônica


Impacto sobre o ar
• Poluição atmosférica
– Presença na atmosfera de matérias ou
energias que alteram esse recurso natural,
causando danos à saúde, à segurança e ao
bem- estar do homem e dos animais,
prejudicando os vegetais e afetando
negativamente aspectos estéticos e
econômicos.
Impacto sobre o ar
• Poluentes atmosféricos
– Origem natural
• (polens, poros, bactérias, poeiras do chão, sal
marinho, gases e materiais sólidos resultantes de
erupções vulcânicas, entre outros)

– Origem antrópica
• os compostos de enxofre, de carbono, de
nitrogênio as, substâncias radioativas, os metais
pesados, o material particulado e os oxidatos
fotoquímicos).
Impacto sobre o ar
• Fontes de poluição do ar  mineração
– Emissão de poeira nas estradas de acesso e lavra das minas.
– Emissão de gases e particulados pelas chaminés das
instalações de beneficiamento.
– Formação e emissão de poeira por arrasto eólico nas pilhas de
estéril e substâncias minerais, em caminhões e vagões, nas
estradas.
– Liberação de gases em minas subterrâneas.
– Liberação de vapores resultantes do processo de limpeza e
desengraxe de peças e máquinas por utilização de solventes e
detergentes industriais nas áreas de manutenção.
– Emissão de gases e partículas decorrentes da combustão de
motores dos equipamentos, veículos leves e das caldeiras.
Impacto sobre o ar
• Fontes de poluição do ar  mineração
– Formação de poeiras e gases pela desagregação mecânica, pela
ação de perfuração, escavação, britagem, peneiramento e pontos de
transferência.

– Varrição seca de pátios, oficinas, depósitos e outras áreas.

– Formação e emissão de poeiras em pontos de carga e descarga.

– Ruído e vibrações do desmonte de rochas.

– Geração de gases e odores pela combustão espontânea nas pilhas


de rejeitos piritosos de carvão.

– Queima e incineração de lixo e resíduos sólidos.

– Geração de poeira em áreas livres sem cobertura vegetal


Impactos sobre o Ar
Efeitos da poluição do ar

• Saúde humana  alergias, doenças crônicas


• Materiais  abrasão e destruição de metais
• Vegetação  redução da fotossíntese,
• Animais  problemas respiratórios e digestivos
• Condições atmosféricas  redução da luminosidade
Impacto sobre o Ar
Métodos de controle de poluição do ar

Área de
influência
• Identificação dos poluidores
•Caracterização das fontes

Planejamento e Implantação de medidas de controle


Impacto sobre o Ar
Métodos de controle de poluição do ar

1) Aspersão de água

• Em estradas (carros-pipas ou redes aspersoras fixas).

• Nos processos de perfuração, peneiramento e britagem.

• Em pilhas de estéril e produtos.

• Sobre correias, máquinas de empilhamento e recuperação de


pilhas.

• Em áreas decapeadas, enquanto não recuperada a cobertura


vegetal.
Impacto sobre o Ar
Métodos de controle de poluição do ar

2) Proteção contra arrastre eólico

• Cobertura vegetal de áreas decapeadas, pilhas de estéril e cava de mina.

•Cobertura com revestimento plástico, lonas de algodão (veículos e


pilhas).

•Aspersão de água.
Impacto sobre o Ar
Métodos de controle de poluição do ar

3) Controle de detonações - Normas

• Evitar a detonação de explosivos com "peso" ou engastamento


inadequados.

•Usar razão de carregamento apropriada a cada tipo de rocha.

•Não adotar afastamento excessivo.

•Aumentar a área de servidão em torno da jazida

4) Utilização de equipamentos despoluidores


Impacto sobre o Ar
Métodos de controle de poluição do ar

5) Ação sobre fontes emissoras

• Seleção e adequação: combustível, métodos de trabalho

6) Cinturão verde
• Reduz o impacto visual

• Redução da poluição

7) Coberturas de pilhas susceptíveis a combustão estantânea

Monitoramento
Impacto sobre solo
Mineração

Modificação do uso do solo na área da jazida

Alterações na paisagem

 Remoção da flora deslocamento da macrofauna da área ou


proximidades

Modificação do perfil topográfico

Instabilização das encostas


Impacto sobre solo
Formas de controle preventivo
 Coletas de sementes de espécies vegetais  formação de
viveiros e posterior plantio nas áreas a recuperar

 Manutenção de faixas de vegetação que ligam as áreas a


serem exploradas com as áreas naturais vizinhas, propiciando
uma melhor movimentação da fauna do local

 Estudo da possibilidade de criação em cativeiro ou outras


formas de preservação das espécies animais ameaçadas

Modificação do perfil topográfico

Planejamento da localização de bota-foras evitando


utilização de áreas mais nobres
Impactos sócio-econômicos
Mineração
 Sobre os equipamentos sociais e comunitários da região
(transporte, habitação, saneamento básico, educação etc.), quer
pelo efeito da atração da população e de mão-de-obra, quer pelo
próprio crescimento econômico gerado pela atividade.

 Sobre a oferta de empregos, diretos e indiretos, da região

 Na balança comercial, pela importação de bens e serviços e


exportação de produtos

 Na melhoria do nível técnico da mão-de-obra, pela


qualificação, treinamento e especialização de pessoal a ser
empregado no empreendimento
Impactos sócio-econômicos
Mineração
 Sobre o modo de vida da comunidade

 Sobre o patrimônio cultural

 Sobre a ocupação do solo


Recuperação de áreas
degradadas
• Manual de Recuperação de Áreas
Degradadas pela Mineração ( IBAMA)

• Recuperação significa, “retomar o sítio


degradado a uma forma e utilização de
acordo com um plano pré-estabelecido
Condição estável  valores ambientais, estéticos e sociais
para o uso do solo”.

Sítio degradado terá condições mínimas de estabelecer um novo solo e uma


nova paisagem
Recuperação de áreas
degradadas
 planejamento do projeto mineiro
Recuperação  processo lento
 muito tempo após o término da lavra

Componentes bióticos e o ambiente  equilíbrio.


Recuperação de áreas

degradadas
Diagnósticos
– Físicos como:
• topografia,
• geologia,
Objetivos pretendidos
• solos, Plano de recuperação
• rede hidrográfica,
• paisagem;

– Biológicos
• flora e fauna

– Sócio-econômicos da região
Recuperação de áreas
• Metas e objetivos
degradadas
– A curto prazo:
– recomposição da topografia do terreno;
– controle da erosão do solo;
– re-vegetação do solo;
– correção dos níveis de fertilidade do solo;
– amenização do impacto na paisagem;
– controle da deposição de estéreis e rejeitos.
– A médio prazo
– surgimento do processo de sucessão vegetal;
– reestruturação das propriedades físicas e químicas do solo;
– ocorrência de reciclagem dos nutrientes.
– reaparecimento da fauna.
– A longo prazo
– Auto-sustentação do processo de recuperação;
– Inter-relacionamento dinâmico entre solo-planta-animal;
– Utilização futura da área.
Recuperação de áreas
degradadas
1) Recomposição topográfica e paisagistica

Preenchimento da cava Recomposição da topografia

Não inverter ou misturar solos estéreis com superficiais

Relevo final

• Melhorias paisagísticas
• Estabilizar solos e taludes
• Possibilitar uso futuro pretendido
Recuperação de áreas
degradadas
2) Recolocação da camada vegetal

Solo superficial Desenvolvimento da vegetação

Manejo criterioso e em operação diferenciada

Espessura da camada de solo vegetal

• características geomorfológicas da região

• volume disponível em cada frente


Recuperação de áreas
degradadas
3) Correção das características físico–químicas do meio

Solo superficial Desenvolvimento da vegetação

Manejo criterioso e em operação diferenciada

Espessura da camada de solo vegetal

• características geomorfológicas da região

• volume disponível em cada frente


Recuperação de áreas
degradadas
4) Preparação do solo

Aração do terreno ou Melhor descompactação


revolvimento superficial

Operações de
gradagem

Semeadura
Recuperação de áreas
5) Re-vegetação
degradadas
Re-implantação de vegetais
na área
Escolha da vegetação

• espécies indicadas  reestruturação do solo


• cobertura rápida  controle da erosão
• utilização futura da área
• aspectos paisagísticos
• espécies nativas da região da mina
• espécies resistentes e tolerantes a baixos níveis de
fertilidade do solo.

6) Manutenção
Recuperação de áreas
degradadas
Uso da área recuperada

• técnicas e práticas • Promover a recuperação ambiental


• Obtenção de um novo nível ecológico

Novo uso da área

Degradar novamente

• Considerados os aspectos locais e as características de cada região


Recuperação de áreas
degradadas
Economia ambiental

• Procura-se ampliar o bem-estar social tendo como parâmetro a


qualidade do meio ambiente.

•Trata o meio ambiente como um conjunto de bens e serviços que são


"consumidos" pela atividade econômica e que, portanto, devem ser
tratados como recursos escassos, para que a sua utilização tenha
como meta a busca de um maior benefício para a sociedade humana

• Utiliza o instrumental econômico para a definição da melhor alocação


dos bens e serviços ambientais.

• Trabalha-se com o conceito de externalidade, caracterizada quando a


produção de uma firma ou o consumo de um indivíduo pode afetar a
terceiros de forma positiva ou negativa.
Recuperação de áreas
degradadas
Economia ambiental

Papel do governo
• Estabelecer medidas que desestimulem as atividades de
produção e de consumo negativas e estimule aquelas que
geram externalidades positivas.

• Controle da intensidade do uso dos recursos ambientais

• Utilização de certificados de propriedade ambiental


Recuperação de áreas
Economia ambiental
degradadas
Passivo ambiental

• Dívidas e obrigações de empresas, ou dos agentes econômicos de 


contraídas com a coletividade de uma determinada região.

 Como defini-lo ?
 Qual o período de tempo a ser analisado?
 Quem são os responsáveis pela sua
existência?
 Quem deve pagar por este passivo? ?
Recuperação de áreas
Economia ambiental
degradadas
Passivo ambiental

• Mineração sem planejamento

•Mudança da topografia original do solo;

• o assoreamento e poluição dos rios;

•a emissão de poeiras e outros descartes na atmosfera


•Desmatamento

•Afugentamento da fauna e a produção excessiva de


ruídos

Dimensões mais ou menos graves  Porte e da localização


Recuperação de áreas
Economia ambiental
degradadas
Passivo ambiental

• Garimpos

• Valorização do passivo ambiental e com a definição de


responsabilidades.
Recuperação de áreas
degradadas
Planejamento econômico e Meio Ambiente

• Elementos centrais na tomada de decisões

• Setor de produção (as firmas públicas e privadas)


• Setor de consumo (as famílias).

Forças de mercado
Preço dos bens e serviços

Objetivo
•Critérios ambientais  as decisões de produção e de consumo
 buscando a redução das externalidades
negativas
 minimizando falhas de alocação de mercados
Recuperação de áreas
Certificação
degradadas
As normas ISO 14001 e a ISO 14004 definem Aspecto Ambiental
como “um elemento da atividade, produto e serviço de uma organização
que pode interagir com o meio ambiente de forma benéfica ou adversa”.

Desenvolvimento sustentável na mineração

Necessidade de se estabelecer uma linha de conduta que possibilite


conduzução suas atividades, de maneira mais eficiente e
ambientalmente responsável.

Significa garantir que os impactos inerentes da mineração, em qualquer de


suas fases (implantação, operação e fechamento), sejam eles positivos ou
negativos, produzam efeitos assimiláveis pelo ambiente
Recuperação de áreas
Certificação
degradadas

Desenvolvimento sustentável na mineração

Significa garantir que os impactos inerentes da mineração,


(implantação, operação e fechamento

Produzam efeitos assimiláveis pelo ambiente


Ouro - Impactos
Exemplos

 Desmatamentos e queimadas

 Alteração nos aspectos qualitativos e no regime hidrológico dos cursos de água

 Queima de mercúrio metálico ao ar livre

 Desencadeamento dos processos erosivos

 Mortalidade da ictiofauna

 Fuga de animais silvestres

 Poluição química provocada pelo mercúrio metálico na hidrosfera, biosfera e na


atmosfera (IPT, 1992).
DEMIN/EM/UFOP
Estabilidade de Escavações
Subterrâneas – MIN 225
Prof José Margarida da Silva

Impactos Ambientais decorrentes da


redistribuição de tensões em
escavações de lavra subterrânea

Subsidência

Março/2009
Sumário
• Introdução
• Tipos de impacto
• Tipos de subsidência
• Fases de subsidência contínua
• Subsidência Residual
• Mitigação do Impacto
• Estudos de Caso
• Bibliografia
Introdução
A execução de escavações para a extração de minério é
uma alteração no meio ambiente.
A lavra subterrânea geralmente tem um menor impacto
que a lavra a céu aberto, mas as aberturas subterrâneas
podem:

• comprometer a qualidade do maciço rochoso, os


recursos hídricos;

• levar a fenômenos como a subsidência de terrenos e os


golpes de terreno (“rockbursts”), entre outros impactos.
Introdução
Com a tendência crescente da produção de bens
minerais através da lavra subterrânea, aumenta
a importância a ser dada ao impacto ambiental
produzido pela mesma.
Existem diversas medidas de projeto que podem
limitar estes efeitos.
E, sendo a mineração uma atividade essencial
para a nossa própria sobrevivência, é preciso
continuamente procurar harmonizá-la com a
segurança.
Impactos ambientais
Impactos ambientais da lavra
subterrânea:

• impactos no depósito mineral e rochas


encaixantes,
• impactos nas escavações no subsolo,
• impactos na superfície do terreno.
• impactos lavra subterrânea-drenagem
ácida, subsidência, rock bursts.
Drenagem Ácida
Lavra de materiais sulfetados - pode
ocasionar formação de águas ácidas,
pela oxidação dos sulfetos; estas
águas devem ser tratadas e
neutralizadas (aumento do pH),
antes de serem lançadas ao meio
ambiente.
Uma das formas de mitigação:
produção de ácido sulfúrico
Subsidência
• Subsidência: conjunto de movimentos
descendentes do maciço rochoso, dependente
do tempo, em direção ao centro de uma
abertura subterrânea;

• deve-se principalmente à tendência das rochas


de preencherem os vazios criados pelas
aberturas, principalmente após o seu colapso.

• É um problema potencial que, não controlado,


pode levar a um dano superficial de grande
escala.
Subsidência contínua
Subsidência descontínua
Subsidência
• Para que ocorra subsidência na superfície, é
necessário que determinadas dimensões
críticas das aberturas subterrâneas sejam
ultrapassadas;
• A região afetada pode ser esquematicamente
relacionada a um tronco de cone invertido que
se alarga do interior do maciço rochoso para a
superfície.
• A forma na superfície é geralmente uma elípse,
com eixo maior paralelo à direção do avanço da
lavra.
Subsidência contínua para camada horizontal

 = ângulo de máxima influência


Perfil de subsidência
A profundidade e a extensão da bacia de
subsidência dependem:
• da potência e do mergulho do corpo lavrado,
• da profundidade e das dimensões da
escavação,
• dos tipos de suporte empregados,
• da velocidade de avanço das frentes de lavra,
• do tempo,
• do condicionamento geológico presente no
maciço rochoso.
Subsidência máxima
e Largura crítica
Peng (1992) relaciona a subsidência máxima (S), a
potência do corpo (m), o fator de subsidência (a) e o
ângulo da direção da abertura com a horizontal ():

S = a m cos 

Se cos  = 0 -------------S = a m

Largura crítica:

wc = 1,4 h

h é a profundidade de trabalho.
Fases de subsidência
• Crítica

• Sub-crítica

• Supercrítica
Mina de Germunde, Portugal
Mina de Kiruna
(Suécia)
Subsidência (aluimento)
Fato essencial: qualquer ponto na
superfície pode continuar a subsidir por
um tempo ao longo da extração dentro
de uma área crítica abaixo deste ponto.
Além da “subsidência ativa”, pode haver
uma subsidência algo dependente do
tempo, devido a fenômenos como a
consolidação ou o comportamento
visco-elástico dos estratos, que
continuam a existir depois de o ponto
não estar tão distante da zona de
influência da face escavada
(“subsidência residual”).
Há de se prever então um monitoramento
dessa situação.
Detecção e Mitigação
• Técnicas de detecção do fenômeno: da
instalação de marcos topográficos à
utilização de extensômetros, tiltímetros,
inclinômetros ou sensoriamento remoto.
• O custo de medidas preventivas é
usualmente menor que aquele para
reparar danos quando não são tomadas
as devidas precauções.
MEDIDAS PARA LIMITAR
EFEITOS DE SUBSIDÊNCIA
Extração Parcial

São deixados pilares laterais substanciais entre os painéis.

Carvão, Reino Unido: pilares de largura de 30 a 100m


deixados entre painéis extraídos com razão
largura/profundidade menor que 1/3.

Dependendo da configuração da razão de extração,


podem ser alcançadas reduções da ordem de 80% na
máxima subsidência.
Medidas de minimização
Tratamento

Preenchimento com compactação de tiras ou


método hidráulico ou pneumático com sólidos,
que pode reduzir a subsidência em até 50%,
dependendo da natureza e duração do
tratamento.

Maiores reduções são obtidas pelo preenchimento


imediatamente após a lavra ou com colocação
de estruturas artificiais de sustentação.
Medidas de minimização
Extração Harmônica
Remoção em etapas do mineral de área crítica de
modo que a superfície seja rebaixada
vagarosamente e deformações horizontais
sejam minimizadas.
A extração harmônica requer que o painel seja
avançado em pelo menos duas faces mantidas
a uma distância cuidadosamente calculada.
Orientação da estrutura com respeito à direção de
avanço da face determina por quanto tempo a
proteção contra a onda superficial (longitudinal
ou transversal) é a mais importante.
MÉTODOS DE PREVISÃO DO PERFIL DE
SUBSIDÊNCIA CONTÍNUA
Métodos gráficos;
Métodos analíticos.

• Existem métodos que tratam do problema inverso:

• a partir de uma subsidência máxima admissível,


calculam-se as dimensões máximas das aberturas a
serem realizadas.

• Entre os métodos numéricos, o principal é o método de


elementos finitos.
Previsão de Subsidência
• Métodos Empíricos
Tabelas e ábacos permitem determinar a
subsidência prevista em cada ponto, a partir da
profundidade, largura e altura da escavação.
• National Coal Board (NCB);
• Funções de Perfil;
• Funções de Influência.

O perfil de subsidência é obtido pelo traçado de


uma curva por pontos.
Previsão de Subsidência

• Métodos Analíticos
Assimilando-se o comportamento dos
maciços rochosos a modelos físicos
simplificados (elásticos, elasto-plásticos,
visco-elásticos etc) e utilizando-se as
respectivas teorias matemáticas.
Referências
• CURI, A. “Análise e Mitigação do Impacto Ambiental devido à Subsidência em Minas
Subterrâneas”. Tese de Doutoramento. Universidade Técnica de Lisboa. Inst.
Superior Técnico. Lisboa. 208 pp. 1995.
• KANJI, M. A. “Surface displacement as a consequence of excavation activities”.
Proceedings fourth Congress of International Society for Rock Mechanics. ISRM,
vol.3, pp. 345-368. Montreaux, 1979.
• MELLO MENDES, F. “Geomecânica Aplicada à Exploração Subterrânea ”. Instituto
Superior Técnico. UTL. 346 pp. Lisboa, 1985.
• PENG, S. S. 1992. Mining Subsidence Engineering. AIME. Soc. Min., Met. Explor.
EUA. 161 pp.
• SING, B.; SAXENA, N. C. “ Land Subsidence ”. Internacional Symposium of Land
Subsidence. Central Mining Research Station. Dhanbad (Índia), 1989.
• VOIGTH, B.; ASCE, A. M.; PARISEAU, W. “State of Predictive Art in Subsidence
Engineering”. Journal of the Soil Mechanics and Foundations Division 96. pp. 721-
750. March 1970. CURI, A Análise e Mitigação do Impacto Ambiental devido à
Subsidência em Minas Subterrâneas. Universidade Técnica de Lisboa. Instituto
Superior Técnico. (Tese de Doutorado), 208 p. 1995.
• JAEGER, J. C.; COOK, N. G. W. Mining and Engineering Applications. Chapman and
Hall. 3 ed., p. 505-515. 1979.
• LINKOV, A. Rockbursts and the instability of rock masses. International Journal Rock
Mechanics, Mining Sciences & Geomechanics Abstracts, v. 33, n. 7, p. 727. 1996.
• RIDEG, P.; EYNON, P. Controle de Subsidência no Dimensionamento de Minas.
Seminário Nacional sobre Mina Subterrânea, 2. Porto Alegre, 14 p. 1982.
• SILVEIRA, T. Técnicas de Sustentação em Minas Subterrâneas. UFOP, p. 1-26.
1987.
• VANDALE, A E. Subsidence - A Real or Imaginary Problem? Mining Engineering,
p.86 – 88, sep/1967.
DEMIN/EM/UFOP
Estabilidade de Escavações Subterrâneas –
MIN 225
março/2009
Prof José Margarida da Silva

Impactos Ambientais decorrentes da redistribuição de


tensões em escavações de lavra subterrânea

Liberações de energia dinâmica e ejeção de rocha


(Rockburts e outros)
Sumário
• Introdução
• Definição e caracterização do fenômeno
• Tipos de liberação
• Duração, intensidade
• Mitigação do Impacto
• Estudos de Caso
• Bibliografia
Introdução
Fenômenos associados à ruptura dinâmica de
maciços rochosos têm causado preocupação
em minas profundas em todo o mundo.
O aumento das escavações tem conseqüências
como maior risco de fenômenos naturais,
tornando essencial o conhecimento acerca do
comportamento das rochas.
As técnicas de previsão de eventos sísmicos
baseiam-se na detecção e interpretação de
eventos microssísmicos nos maciços.
Presença do fenômeno
Sismicidade em minas
Dos 5 tipos de atividade humana que podem
afetar a sismicidade, três estão ligados à
mineração: explosão subterrânea, lavra de
pedreiras, extração de líquidos
(obsis.unb.br,2009).

Algumas minas começaram a enfrentar este


problema, realizando trabalhos de
monitoramento contínuo no entorno da mina.
Definição
• À medida que as escavações subterrâneas
atingem determinadas dimensões críticas, as
intensidades dos novos campos de tensões que
se instalam nos seus contornos podem exceder
os limites de resistência da rocha, levando o
maciço à cedência ou ruptura, do que resultarão
deformações locais e a correspondente
dissipação das mesmas.

• Fenômenos semelhantes a céu aberto


(Pomeroy et al, 1976; Cook, 1976;Silveira,
1987)
Caracterização do fenômeno
• Quando a dissipação (liberação) de energia
armazenada num maciço rochoso se processa
de maneira relativamente rápida e violenta, o
fenômeno é designado, genericamente, por
“explosão de rocha”.

• Este fenômeno se caracteriza pela influência


acentuada de ações de corte e ocorre, quando
da abertura de escavações subterrâneas.
Efeito de “escorva”

O “efeito de escorva” pode se originar através de:

• ondas de choque decorrentes de detonação de


explosivos;
• elevação de temperatura das rochas;
• presença de água;
• ruptura de um suporte;
• explosão de gases;
• execução de uma abertura;
• as próprias ondas de uma outra explosão de
rocha.
Explosão de rocha
Ao desequilíbrio provocado localmente,
pode-se seguir uma reação em cadeia,
propagando-se rapidamente seus efeitos,
com a deformação e fraturamento da
rocha numa área de extensão apreciável e
a conseqüente dissipação do excesso de
energia armazenada.
Tipos de liberação - Terminologia
Talebi et al., 2007:
• Rockfall – queda de rocha pelo peso
próprio;
• Bump – ruptura violenta de rocha com
muito dano;
• Outburst – ejeção de rocha devido a alívio
por emanação de gás;
• Rockburst - ruptura violenta de rocha;
Duração e freqüência de eventos
Lorig (1996): freqüências e tempos de duração
típicos de energia dinâmica de interesse na
mineração
• Earthquakes – evento sísmico de maior duração
(2 a 150s) e baixa freqüência (até 7Hz);
• Blasts – ondas de desmonte, com duração
pequena (até 1s) e freqüência de 5 a 150Hz;
• Rockbursts- evento sísmico de duração
intermediária (1 a 7s) e freqüência de 3 a
160Hz.
Sistema de microsismicidade
Magnitude de dano
Intensidade
• O fenômeno é particularmente perigoso pelas
características anelásticas dos maciços
rochosos, que conferem ao tempo grande
importância nos processos de deformação das
rochas. O fenômeno é comum.

• Intensidade dos efeitos: é função da


deformidade da rocha, das intensidades e
heterogeneidades dos campos de tensões
instalados, da geometria da escavação, da
velocidade de escavação, entre outros.
Previsão do fenômeno
• As técnicas de previsão de ocorrência de
explosões de rochas baseiam-se na
detecção, medida e interpretação de
eventos micro-sísmicos nos maciços, os
quais que podem alertar com algumas
horas de antecedência, sobre a iminência
de um grande abalo.
Monitoramento
• Estudo de Caso 1 - Mina Caraíba, Jaguarari
(BA), cobre

• destress blasting: alterações nos padrões de


furação, nos arranjos de furos, nos explosivos,
carregamento e detalhes do desmonte, que
implica transferência de carga para pilares
adjacentes (DE LA VERGNE, 2000).

• Monitoramento microsísmico (Andrade et al,


2003) - - teve, entre 500 e 800m, tensões da
mesma grandeza de outras minas subterrâneas,
com profundidades entre 1500 e 2000m.
Surgiram desplacamentos.
Estudo de Caso - Caraíba
• Após estudos, foram implementadas
modificações no método de lavra,
monitoramento microsísmico de superfície e de
subsolo.

Introdução de:
• enchimento (pastefill),
• monitoramento topográfico a laser,
• aumento da mecanização e automação das
operações.

• Primeiros três meses - 2237 eventos diversos;


• Desde a implantação - observados 2 eventos na
escala 2 ou 3 por ano, com lançamento de
material.
Monitoramento - Estudos de Caso
Monitoramento de movimentação de blocos (Dinis
da Gama et alii, 2002)
Mina de Panasqueira, tungstênio e estanho,
Portugal - realizado monitoramento (2 anos);

• análise por método discreto da movimentação


de blocos para caracterização de
movimentação de volumes de maciço
(subsidência)
• evidenciando-se magnitudes de 3m em alguns
pontos, controlados por falhas principalmente,
amplificadas pela percolação de águas.
• Calculada média estatística entre 1990 e 1998
e determinadas movimentações diferenciais
entre pontos de um bloco.
Estudo de Caso (3)
Mina Bellavista, Costa Rica:
• movimentações de 1cm/dia levaram à
suspensão dos trabalhos;

• foram implantados poços de


desaguamento, controle superficial da
água e redistribuição da carga (peso) –
E&M Journal (setembro/2007);
Referências Bibliográficas
• Dinis da Gama et al. Interpretação geomecânica da subsidência na Mina de
Panasqueira. 8o. Congresso Nacional de Geotecnia. Lisboa. 2002.
• Brady e Brown. Rock Mechanics for Underground Mining. 1985.
• Andrade, Santos e Silva. Minérios e Minerales, pp. 34-41. 2003.
• Andrade, S.; Sá, J. Desenvolvimento de galerias em condições severas de
tensões. Belo Horizonte, 15 p. 2002.
• Engineering and Mining Journal, setembro/2007.
• De la Vergne, J. Hard Rock Miner’s Handbook. McIntosh, pp. 320-328. 2000.
• Talebi et al. Outburst monitoring using microseismic techniques in the Phallen
Colliery, Canada, em www.nrcan.gc.ca, 8p.; acessada em 10/2007.
• Cummins & Given. Mining Engineering Handbook, p. 13-118, 1973.
• Kaiser, P. K. & McCreath. 1992. Rock Support in Mining and Underground
Construction.
• Mello Mendes, F. 1985. Geomecânica Aplicada à Exploração Mineira
Subterrânea. Instituto Superior Técnico de Lisboa.
• Obert e Duvall. 1967. Rock Mechanics and the Design of Structures in Rock, pp.
554- 611.
• Linkov, A. M. Rockbursts and the instability of rock masses. International
Journal Rock Mechanics Mining Sciences Geomechanics Abstracts, v. 33, n. 7,
p. 727. 1996.
• Silva, J. M. A importância do monitoramento sísmico na previsão de explosões
de rocha (rock bursts) em minas subterrâneas. São Paulo. 2004.
• Villaescusa e Potvin. Ground Support in Mining & Underground
Construction.Balkema, pp. 313-317, 359-365. 2004.
• Sismicidade induzida pelo homem, em <obsis.unb.br>,acesso em 01/2009
DEMIN/EM/UFOP
MIN 225
Estabilidade de Escavações
Subterrâneas

Prof. José Margarida da Silva


Abril/2009

Sustentação de Escavações
Subterrâneas
Sumário
• Definições e terminologia
• Generalidades
• Papel do Suporte
• Projeto de Suporte
• Histórico
• Classificação de Estruturas
• Curva característica
• Materiais
Definições; terminologia
• “escoramento” ou
“sustentação” -
engloba uma série
de técnicas que
utilizam elementos
de madeira,
metálicos ou de
concreto (armado ou
não), destinados a
aumentar a
segurança de
cavidades.
Definições; terminologia
• Sistemas de escoramentos:
podem ser desde simples
elementos isolados
(destinados a segurar blocos
individualizados) até
revestimentos completos da
periferia dos vazios (se a
rocha que os circunda é pouco
coerente ou se encontra muito
fraturada).
• Rock support: elementos
externos;
• rock reinforcement: elementos
internos.
Terminologia
Estrutura

todo arranjo espacial de elementos físicos,


compostos de qualquer material, capaz de
resistir a esforços solicitantes em um horizonte
previsto de tempo, com um dado fator de
segurança e sofrendo deformação entre
limites pré-determinados;
Terminologia
Dimensionamento de uma estrutura:
definição das dimensões elementos que a
compõem, para que possam resistir aos
esforços solicitantes, conhecendo-se:
• os valores destes esforços,
• os limites aceitáveis de deformação,
• o tempo previsto de sua utilização,
• o fator de segurança desejado ou
considerado.
Generalidades
• papel principal do suporte para os maciços
rochosos (Rock Engineering): controlar as
ações de peso do material descomprimido
situado entre as periferias das escavações e os
arcos de pressão (efeito arco).

• É necessário prever um espaço suficiente entre


o escoramento e o contorno inicial da
escavação, para que a convergência respectiva
possa ter lugar.

• Ou então prever a instalação de um sistema


suficientemente deformável para que possa
acompanhar tal convergência.
Projeto de suporte
Escolha do suporte
fatores fundamentais:
• custo,
• comportamento do subsolo,
• método de lavra a ser empregado.
O principal objetivo no projeto de um suporte
subterrâneo é ajudar o maciço a se auto-
suportar.
Custos
Elementos de maior significado:

• custo inicial do material - pode ser chamado de


disponibilidade;
• custo de fabricação - custo do equipamento e do
trabalho especializado requerido;
• custo de manuseio e transporte - dimensão e peso
requeridos e equipamento;
• custo de instalação - simplicidade, tempo e
equipamento;
• vida útil - manutenção, substituição e reutilização
possíveis;
• custo global - relacionado à resistência e à aplicação
eficiente do material, sendo afetado pela dimensão da
escavação e pela facilidade de manuseio.
Comportamento do maciço
• a rocha tem comportamento similar ao de um
material plástico;
• a rocha tem comportamento similar ao de uma
pilha irregular de blocos que interagem;
• a rocha é frágil, trinca ou expande-se devido a
sua exposição ao ar ou à umidade;
• a rocha trinca ou explode em virtude de estar
submetida a altas pressões;
• a rocha é auto-sustentável.
Histórico
• Agricolae (1556): domínio da madeira como
estrutura de sustentação em trabalhos subterrâneos.
• colônia na América do Sul: minas metálicas
suportadas com arcos de pedra e esteios de
madeira.
• 1824: desenvolvida pedra artificial (concreto).
• 1912: “gunite” (precursor do concreto projetado).
• Déc.20, séc XX: suportes com aço predominaram
nos EUA.
• Após segunda guerra: escoras hidráulicas, depois
suportes auto-deslocáveis (powered supports).
• Ancoragens - larga aceitação. Sistemas constituídos
por combinação de tirantes, chumbadores, concreto
projetado, tela, algumas vezes cambotas, em
escavações civis e mineração.
Classificação de estruturas
Suporte: conjunto de elementos resistentes que se
empregam para controlar a deformabilidade e
contrariar os fenômenos de ruptura localizada em
aberturas subterrâneas.
• provisórios ou definitivos;
• contínuos ou descontínuos;
• compressíveis ou praticamente indeformáveis
(rígidos).
Exemplos de suportes descontínuos:
pilares naturais,
esteios,
pilhas,
quadros,
arcos (cambotas) e, de certa forma, as ancoragens.
Suportes artificiais
Representação das grandezas intervenientes no dimensionamento
dos pilares e das câmaras com base no método da área tributária
(Hoek e Brown, 1980)
Revestimentos

Revestimento

obra de recobrimento de zonas mais ou menos


extensas da periferia das escavações, com
finalidade de impedir o desprendimento de
pequenos blocos de rocha e de regularizar e
mesmo impermeabilizar os seus contornos.
Revestimentos
Exemplos de suportes contínuos: revestimento
contínuo de galeria em maciço fraturado por
concreto projetado ou pré-moldados de
concreto armado; pranchões de madeira (entre
quadros ou arcos); concreto projetado e tela
(associados a tirantes); quadros justapostos;
chapas unindo quadros, com a estrutura
resultante exercendo em alguns casos funções
de suporte e revestimento.
Tratamento ou reforço
Tratamento ou reforço: técnica de consolidação
do maciço rochoso pela melhoria de sua:
• resistência,
• deformabilidade
• e/ou impermeabilidade.
Exemplos: Injeções, congelamento de terrenos
e, para alguns, as ancoragens.
Últimas décadas: aperfeiçoamento das
ancoragens, substituição progressiva da
madeira e outras técnicas ou materiais;
aparecimento dos cartuchos, “cable bolt” e
associação de concreto reforçado, parafuso
e telas.
Aplicação de cable bolt prévio à lavra - a colocação em
alargamentos de corte e enchimento na Mina Campbell
(Borchier e outros, 1992 apud Hoek e outros, 1995).
Curva característica
• Carga x deformação;
• Comportamento estrutural do suporte: rigidez x
deformabilidade.

Características ideais dos suportes compressíveis

• Alta carga de montagem;


• Pequena deformação inicial;
• Alta carga de cedência;
• Cedência sob carga o mais constante possível;
• Pequena variação nas curvas características.
Curva característica ideal de uma ancoragem (Stillborg, 1994).
Materiais
Principais materiais utilizados:

• aço,
• madeira,
• argamassas (concreto e/ou resinas sintéticas),
• blocos de rocha,
• Alvenaria
• ou combinações destes.
Principais critérios de seleção
• resistência à tração e à compressão;
• incombustibilidade;
• adaptabilidade a perfis curvos;
• custo (instalação e manutenção);
• durabilidade;
• deformabilidade;
• possibilidade de reutilização;
• necessidade de mão-de-obra especializada .
Referências Bibliográficas
Ayres da Silva, L. A. & Hennies, W. T. 1995. Abertura de Vias Subterrâneas.
USP.
Ayres da Silva, L. A; Hennies, W. T. 1988. Abertura de Vias Subterrâneas -
Escoramento em Vias Subterrâneas. EPUSP. 73pp.
BIRON, C., ARIÔGLU, E. 1983. Design of Supports in Mines. Wiley & Sons.
BRADY, B. H. G. e BROWN, E. T. 1985. Rock Mechanics for Underground
Mining. London. George Allen & Unwin.
Brasil Mineral, maio 1984.
Carnero, L. T. C.; Fujimura, F. 1995. Mecânica de Rochas Aplicada ao
Dimensionamento do Sistema de Atirantamento em Minas Subterrâneas.
EPUSP, 33pp.
Hoek, E. & Brown, E. T. 1980. Underground Excavations in Rock.
HOEK, E.; KAISER, P. K.; BAWDEN, W. F. 1995. Support of Underground
Excavations in Hard Rock.
HOEK, E. T. & BROWN. 1980. Underground Excavations in Rock. IMM.
London. George Allen & Wyin.
KAISER, P. K. & Mc CREATH. 1992. Rock Support. Proceedings of the
International Symposium on Rock Support. Balkema. Rotterdam.
MENDES, F. M. 1985. Geomecânica Aplicada à Exploração Mineira
Subterrânea. Instituto Superior Técnico. Lisboa.
SILVEIRA, T. 1987. Técnicas de Sustentação em Minas Subterrâneas.
UFOP. Ouro Preto.
Silva, J. M.; Terra, K. L. M.; Lima, C. A 1998. Tendências no Atirantamento
Subterrâneo. Brasil Mineral, dez/98.
SUPORTES CONTÍNUOS
(REVESTIMENTOS) E
TRATAMENTO (REFORÇO)
DE ESCAVAÇÕES
SUBTERRÂNEAS

José Margarida da Silva


MIN 225
Janeiro/2008
Sumário
• Introdução
• Telas metálicas
• Straps
• Concreto Projetado (shotcrete)
• Concreto reforçado
• Injeções
• Congelamento de Terrenos
• Referências
Introdução
• Suporte contínuo: empregado quando há
necessidade de exercer uma ação de conjunto
sobre zonas dos contornos de cavidades ou
mesmo sobre a totalidade dos contornos.

• Elementos resistentes fundamentais: quadros,


arcos, montantes, excepcionalmente pilhas.

• Entre os elementos e o terreno colocam-se


convenientemente elementos secundários, que
estabelecem interligação entre aqueles que
promovem uma distribuição, tanto quanto
possível, uniforme das solicitações.
TELAS DE ARAME
• Utilizadas para suportar pequenos blocos
de rocha solta ou como reforço para a
projeção de concreto.
• Solução muito econômica; são facilmente
instaladas.
• É fácil de se adaptá-las ao reforço do teto
e são facilmente reparadas.
Telas em corrente
• consistem de um arranjo trançado de arame;
flexível e forte .
• colocadas no teto de uma galeria de transporte
através de tirantes.
• não são as mais recomendadas para reforço da
aplicação do concreto pela dificuldade de se
conseguir que o cimento projetado penetre a
malha trançada e elimine os bolsões de ar atrás
dos elos da tela.
*

Aplicação típica da tela Aplicação da tela soldada através da colocação de um


trançada (Hoek & segundo jogo de arruela e porca (Hoek & Brown,
Brown, 1980). 1980).
Telas soldadas
• Utilizadas para reforçar a aplicação do concreto
e consistem de uma malha quadrada de arames
de aço, soldados em seus pontos de interseção.
• A tela danificada deve ser substituída através do
corte da seção afetada e providenciando-se
uma razoável superposição para assegurar a
continuidade do reforço. A tela soldada tem a
vantagem de não desagregar quando
danificada.
• vêm sendo substituídas por fibras de aço como
reforço na aplicação do concreto.
Straps
• opção às telas;
• cintas utilizadas também em
conjunto com as ancoragens.
• Quando a maioria dos planos de
fraqueza mergulha em uma dada
direção, a resistência desta massa
rochosa é muito maior na direção
dos planos que em outra direção
que os atravesse.
• Nessas circunstâncias, podem ser
um modo mais efetivo de
revestimento que as telas;
Straps (Hoek & Wood, 1988).
• são fáceis de ser instaladas, não
devendo ser usadas se o tamanho
de bloco é muito pequeno.
Revestimento de poços
• Rochas auto-suportantes: anéis de concreto (1m de altura,
espaçados de 4,5 a 6m), para suporte da estrutura de divisão do
poço em compartimentos, bem como das suas paredes.
• Rochas com maior dificuldade de sustentação: menor espaçamento
entre os anéis ou revestimento total.
• Revestimento de madeira: caiu em desuso.
• Espessura de um revestimento de alvenaria para um poço vertical
de seção circular:

d = R [K/(K-2 p)] ½ – 1

d - espessura (m)
R - raio interno útil do poço (m)
K - limite de resistência à compressão da alvenaria (kgf/cm 2)
p - pressão da rocha (kgf/cm2)
Concreto projetado
• largamente usado em obras civis e de mineração
(revestimento de túneis, galerias, reservatórios,
recuperação de estruturas de alvenaria etc).

• Aplicação sobre a superfície a ser protegida de


uma camada de argamassa ou concreto fino,
através de projeção, sob alta velocidade, por meio
de bombas especiais.

• Kovári (2003): história do método de


revestimento com concreto desde seu início e
como se desenvolveu internacionalmente nos
aspectos teóricos e tecnológicos.
Concreto projetado
• mistura a seco (“dry-mix”) - possibilita uso de
máquinas menores, mais baratas; mais
adaptável às variações de condições do solo.
• mistura a úmido (“wet-mix”) - menores
ressaltos, menor produção de poeira, controle
da relação cimento/areia, melhor controle de
qualidade de materiais, mais baixos custos de
manutenção, maiores taxas de produção; difícil
de se trabalhar com aceleradores.
Concreto projetado
Inconvenientes:
• a) ressalto ou reflexão (“rebound”) - pela falta de uma
dosagem adequada de água no bocal de projeção, o
concreto fica muito seco e reflete-se ao ser projetado em
uma superfície;
• b) escorrimento (“sag”) - pela exagero de água
adicionada, o concreto fica muito molhado e escorre ao
ser projetado.
• Diversas camadas podem ser aplicadas sucessivamente
até se atingir a espessura desejada, que pode ser de
15cm ou mais; entretanto, na espessura de cada
camada não se deve ultrapassar 5 cm.

• Freqüentemente associado com tirantes; tirantes e telas


metálicas; arcos metálicos ou reforçado com fibras de
aço - > suporte e revestimento.
CONCRETO PROJETADO REFORÇADO
• inclusão à mistura de fibras de vidro ou aço na
faixa de 3 a 6% em peso (Hoek, 1980); 50 a
90kg/m3 (Franzén, 1992).

• As fibras têm a função de conferir ao concreto


resistência à tração.

• Maior velocidade de execução da abertura


(Zirlis et al., 2004).

• A microsílica, adicionada em quantidades de 8


a 13% em peso de cimento, pode permitir ao
concreto alcançar resistência à compressão de
2 a 3 vezes a planejada.
CONCRETO PROJETADO REFORÇADO

• pode ser aplicado tanto como suporte


temporário como permanente, simplesmente
através da mudança da espessura da camada
projetada e do ajuste do espaçamento entre os
parafusos, tanto em obras de mineração quanto
na construção civil, nesta com a adição de
polímeros.
• Uso de compósitos: Gonçalves (2001) - estudo
do comportamento estrutural desse material.
Ancoragens e concreto reforçado
Vantagens:
• boa velocidade de instalação;
• flexibilidade de instalação: podem ser instalados
em qualquer perfil de escavação, desde que
haja espaço para operação dos equipamentos;
• em caso de dano a uma porção da camada de
concreto, os blocos formados por rocha e
concreto podem ser mantidos no lugar através
da colocação de parafusos adicionais;
• a ancoragem dos tirantes pode ser qualquer
(mecânica ou química, de ponta ou em coluna
total).
Ancoragens e concreto reforçado
• Principal limitação: necessidade de
dimensões mínimas para a operação dos
equipamentos.

Na maioria dos casos são utilizados


cartuchos de cimento para a ancoragem,
sendo utilizada ancoragem de resina
quando se necessita de um suporte mais
imediato.
TRATAMENTO E REFORÇO
DOS MACIÇOS ROCHOSOS
Introdução

• técnicas de consolidação que visam melhorar as


características de resistência, de deformabilidade
ou de impermeabilidade dos maciços rochosos.

• reforço com ancoragens, injeções, injeções sob


pressão (“jet grouting”), drenagem, congelamento
e pré-escavação.

• Injeções: mais de 55 anos de uso (Garshol, 2003).


INJEÇÃO DE CIMENTO
• através de furos de sonda sistematicamente
dispostos, produz consolidação e
impermeabilização do terreno em toda a zona a
ser escavada.
• Aplica-se a rochas fortes e fraturadas.
• Durante a injeção, a velocidade de penetração da
calda de cimento na rocha diminui com o
aumento da distância ao furo e assim o cimento
assenta-se e começa a preencher as cavidades.
• Em poços ou escavações horizontais.
• Poços: 8 a 12 furos, frentes de escavações: 16 a
20.
• Espessuras maiores que 12m, furação em lances
de 15 a 20 m.
Injeções
• Suspensões: injeções de cimento e argila e
suas combinações ou misturas (materiais
sólidos, em suspensão na água). É necessário
que o fluido esteja em movimento para manter
as partículas em suspensão. Usadas em solos e
rochas relativamente permeáveis.
• Soluções: injeções químicas de soluções; não
sedimentam como as suspensões. Usadas em
solos e rochas de baixa permeabilidade (até
0,001cm/s), nos quais as partículas sólidas das
injeções de suspensão não conseguem
penetrar.
IMPERMEABILIZAÇÃO
QUÍMICA E OUTROS
• injeção de resina: em locais úmidos, também para preencher
vazios e impermeabilizar o maciço contra a ação da água e do ar.

• Injeções químicas, variantes do método de cimentação, com


injeção prévia ou gradativa com a abertura da escavação.

• silicato de sódio e sulfato de alumínio formando silicato de alumínio,


precipitado coloidal que se desidrata sob pressão, deixando um
enchimento sólido nas fissuras capilares não atingidas pela nata de
cimento e recobrindo as paredes argilosas das fissuras maiores,
possibilitando uma cimentação posterior;
3Na2SiO4 + Al2(SO4)3 = Al2 (SiO4)3 + 3Na2SO4

• silicato de sódio e cloreto de cálcio, formando silicato de cálcio,


insolúvel e de pega muito rápida (processo Joostem). A pega é tão
rápida que a tubulação de injeção deve ser retirada à medida que o
cloreto de cálcio é injetado, a fim de evitar que fique presa. A
penetração atinge mais ou menos 90 cm em torno do furo e
promove uma excelente vedação de poços. Processo mais oneroso.
Na2SiO4 + CaCl2 = CaSiO4 + 2NaCl
Outras Injeções
• injeção de asfalto fundido pode ser mais eficiente
que a do cimento, quando ocorrem fortes correntes de
água. A fluidez é garantida por correntes elétricas na
tubulação de injeção ou por uma camisa de vapor em
torno da mesma. Aplicação considerável nos EUA;
• injeção de argila bentonítica - feita quando ocorrem
grandes cavidades com água sob pressão, desde que
nelas não haja água corrente (Europa: argila qualquer,
tratada, na proporção de 80 a 90% e cimento, apenas
até 10 -20% da mistura, formando-se cones de
impermeabilização);
• injeção de produtos plásticos, resinas sintéticas,
poliuretano etc. Os plásticos têm resistência à
contaminação e apresentam uma habilidade de
penetrar materiais com baixa permeabilidade.
Injetados em estado fundido e endurecem ao se
esfriarem.
Enfilagens

Esquema do Sistema de enfilagens


tubulares em lances sucessivos.
Aplicação de cambotas e injeção no reforço prévio (Hoek et alii,1995).
CONGELAMENTO DE TERRENOS
• congelamento da água situada nos vazios dos
solos, o que melhora temporariamente as suas
propriedades enquanto se executa a escavação.
• aplicada a solo saturado em água.
• métodos caros e considerados apenas quando
há problemas técnicos sérios com as outras
alternativas de que se dispõe.
Alternativas principais:
• método da salmoura (ou método indireto ou
sistema fechado), usando uma solução salgada;
• método criogênico (ou método direto ou sistema
aberto), que usa dióxido de carbono líquido ou
nitrogênio líquido.
Congelamento
Furos de congelação comumente dispostos
em círculo, a 1m da parede interior
projetada para o poço, distantes 0,6 a
1,2m entre si.
• método criogênico - caro; nitrogênio
líquido mantém-se até cerca de – 196o C;
congelamento é mais rápido.
Referências
Gonçalves, F. L. O concreto projetado reforçado com fibras de aço como
revestimento de túneis. USP, 163 pp. 2001.
Kovári, K. History of the sprayed concrete lining method. Tunneling and
Underground Space Technology, 18 (2003), p. 57–69.
Franzén, T. 1992. Shotcrete for Underground Support. Rock Support in
Mining and Underground Construction. Kaiser & McCreath. Balkema.
Rotterdam.
Garshol, K. F. Pré -excavation grouting in rock tunneling. UGC. 2003.
Hoek, E., Kaiser, P. K. & Bawden, W. F. 1995. Support of Underground
Excavations in Hard Rock , pp. 190-200.
Hoek, E. & Wood, D. F. 1988. Rock Support. Mining Magazine, p. 282-287.
Zirlis, A. C.; Pitta, C. A.; Kochen, R. Revista Engenharia, 2004, p. 563-565.
Maia, J. 1980. Curso de Lavra de Minas, UFOP, pp.122-128.
Hennies, W. T.; Ayres da Silva, L. A. Abertura de Vias Subterrâneas.
EPUSP. 1995.
Hoek, E. & Wood, D. F. 1988. Rock Support, Mining Magazine, p. 282-287.
Hoek. 1992. Rock Support in Mining and Underground Construction, p. 6-9.
Hoek, E. & Brown, E. T. 1980. Underground Excavations in Rock, p. 353-
366.
Pelizza, S.; Peila, D. Soil and rock reinforcement in tunneling. Tunneling
and Underground Space Technology. 1993. Vol. 8, no. 3, pp. 357-370,
Pergamon Press.
DEMIN/EM/UFOP
Estabilidade de Escavações Subterrâneas –
MIN 225
outubro/2008
Prof José Margarida da Silva

Suportes Descontínuos
(e Ancoragens)
Sumário
• Introdução
• Definições
• Tipos de suportes
• Pilares Naturais
• Esteios (madeira, metálicos, hidráulicos)
• Pilhas (fogueiras, baterias, suportes auto-
marchantes, pilares artificiais);
• Ancoragens
• Bibliografia
Sustentação de Escavações

• Suportes descontínuos: esteios,


arcos, quadros, pilares naturais ou
artificiais, suportes auto-marchantes;
• Revestimento: telas, concreto
projetado (shotcrete);
• Tratamento do maciço: ancoragens,
injeções, congelamento de terreno.
Suportes descontínuos
• Elementos destinados a controlar os esforços na
periferia da escavação, colocados em pontos da
mesma, geralmente segundo uma malha de
instalação.
• Esteios (pontaletes ou escoras),
• Pilhas: baterias de esteios, fogueiras, pilares
artificiais, suportes auto-marchantes;
• Quadros (jogos) e arcos (cambotas)
Pilares naturais

Dimensionamento
de pilares e das câmaras
(Hoek e Brown, 1980)
Dimensionamento de pilares
• um estudo relativamente novo (pouco mais de quatro
décadas), com pesquisas de Salamon, Holland,
Bieniawski, Peng e outros.
• Abrangência lavra subterrânea: EUA – 33% da
produção.
• mineração do carvão - como acontece com mineração
subterrânea como um todo, dificuldade de se conseguir
a documentação dos casos no Brasil é grande.
• Quanto maior o fator de segurança, maior a vida útil
(lifetime).
• Peng (2007: importa numericamente o fator de
segurança, menos o valor do carregamento sobre o pilar
e a resistência do pilar.
Dimensionamento de pilares
Fatores na estabilidade do arranjo de pilares
• Largura da escavação, largura do pilar, altura do
pilar.
Outros fatores:
• custo da informação (realização de ensaios),
• método de lavra,
• tipo de abertura (sua vida útil),
• confiabilidade dos resultados (por exemplo, as
condições de confinamento do corpo de prova).
Diferentes expressões analíticas de resistência de
pilar; todas partem da teoria da área tributária.
Esteios
• Elemento de sustentação vertical entre a soleira
e o teto.

• A sua natureza varia de acordo com as


características necessárias.

• O seu tipo vai do esteio de madeira ao esteio


hidráulico regulável.

• Os esteios metálicos são recuperados no fim do


desmonte.
Esteios
• Coluna, de seção transversal pequena,
comparada com seu comprimento,
solicitada à compressão axial simples;
• Esteios de madeira – comportamento
estrutural afetado pela variabilidade da
madeira (material natural);
• Esteios metálicos de atrito.
Esteios de madeira
Esteios hidráulicos
• apresentam pequena
dispersão das curvas
características,
• carga de montagem
elevada,
• pequena deformação
antes da cedência,
• cedência sob carga o
mais constante possível
(variações de cerca de
2tf).
Baterias de esteios
Fogueiras

Vem sendo substituídas por fogueiras flexíveis, preenchidas


Enchimento
Suporte auto-marchante
suportes hidráulicos
auto-marchantes.

• principais vantagens - pequena convergência,


possibilitam alta produção, segurança na frente
de trabalho, alta eficiência;

• desvantagens - altos custos de investimento e


de manutenção, necessidade de mão-de-obra
qualificada, admitem pequenas variações na
espessura da camada lavrada.
Suportes hidráulicos
auto-marchantes

Dificuldades
minas de fosfato (Tunísia)
• uso e manutenção tem efetivo numeroso e
mal formado,
• dificuldades de comunicação,
• más condições do local de trabalho ->
baixa produtividade, paradas.
Lavra por longwall
Exemplos de aplicação
Cambotas: Mina da Caraíba, cobre (BA) – Silva, G. E.
(1993).

Sistema de suporte em mina de carvão na Espanha,


lavrada por longwall.
• Frente controlada por suportes hidráulicos e fogueiras
de madeira.
• Camada de 3,5m espessura e 30º inclinação.
• Ensaios de laboratório e testes de campo foram
realizados, como da chapa de apoio e de carga de
penetração.
• Dados trabalhados no FLAC para determinar a máxima
pressão suportada, a densidade de instalação.
(GONZALEZ-NICIEZA, C. et al., 2008)
QUADROS E ARCOS
• Nos trabalhos subterrâneos com
desenvolvimento linear (poços, galerias,
rampas), a sustentação provisória descontínua
é proporcionada, além dos esteios e pilhas, por
quadros e arcos, que são instalados, via de
regra, com seus planos situados normalmente
ao eixo da escavação.
• Cambotas – em túneis civis e galerias e rampas
em lavras por câmaras e pilares (LAMIL),
sublevel stoping (Caraíba), sublevel caving
(Ipueira) e longwall.
Arco deslizante, de atrito ou TH
(Yielding arch)

• Arco útil para suportar efeitos de rock


burst que ocorrem em minas subterrâneas
e túneis.

• Arco com seção em U, curvado, provido


em ambas as extremidades de peças
deslizantes.
Arcos deslizantes (yielding archs)
• Superposição inicial de 40cm;
• Aperto inicial adequado nas
superposições;
• Disposição das peças em função da
direção preferencial de tensões;
• Deslizamento e aumento da estabilidade
com diminuição do comprimento total do
arco.
Razão na distribuição de tensões
entre quadros e arcos típicos
Ancoragens
Introdução rígida (fixação) de uma barra de aço (tirante ou
parafuso) ou cabo de aço, em um furo previamente
executado através das camadas adjacentes à
escavação, com o preenchimento ou não do espaço
anular entre a barra e a parede do furo com argamassa
de cimento não retrátil ou com resina.

Os tirantes podem ser de teto, soleira ou de parede.

Tirante;
Chumbador;
Cavilha.

Técnicas de sustentação em escavações subterrâneas:


grande evolução nos últimos anos, dada a necessidade
de estruturas cada vez mais baratas, resistentes, de fácil
instalação e que apresentem uma redução da área
escavada.
Ancoragens
Tendências mais modernas de atirantamento:

• tirantes ancorados com cartuchos de cimento ou de


resina;
• o sistema “cable bolt”;
• tirantes associados a concreto projetado e/ou tela
metálica (“concreto reforçado”), exercendo, neste caso,
função de suporte e revestimento.
• Combinação de atirantamento e concreto reforçado -
método de suporte mais versátil
• combinação de ancoragens (parafusos ou cabos) com
“straps”.
Ancoragens (parafusos e cabos)
Ancoragens internas:
sistema que mais se aproxima das características ideais –
• fáceis de serem instaladas,
• custo relativamente baixo,
• redução significativa da seção escavada, facilitando o
tráfego de homens e máquinas e a ventilação.

Iniciativas visando o aperfeiçoamento da técnica das


ancoragens e minimização dos custos -- > diminuição do
ciclo operacional e aumento da recuperação na lavra.
Curva característica ideal de uma ancoragem (Stillborg, 1994).
Ancoragens
Histórico:
1872 - em Wales, na Grã-Bretanha

Comportamento estrutural:

• inicialmente, agir infinitesimalmente como rígido,


afim de atrair carga e, com isto, ajudar a manter
a integridade do maciço rochoso.
• assim que a carga sobre a ancoragem se
aproxima de sua resistência à tração limite, ela
deve acomodar grandes deformações sem se
romper ou diminuir sua capacidade de suporte.
Tipos de Ancoragem
• Coluna total
• Puntual
• Mecânica
• Com argamassa (cimento ou resina)
• Com protensão
• Sem protensão
• Parafuso: até 3,2 m
• Cabos: comprimentos maiores
Principais sistemas de ancoragem
ANCORAGENS
INTERNAS

ANCORAGEM ANCORAGEM
MECÂNICA QUÍ MICA

Ancoragem Ancoragem em Ancoragem Ancoragem em


de Ponta Coluna Total de Ponta Coluna Total

Parafuso Parafuso de Parafuso Parafuso Parafuso Ancoragem com Ancoragem com Ancoragem com cable
cimento (passivo)
de Cunha coquilhas "split set" "swellex" "worley" resina (ativo) resina (ativo/passivo) bolt

.
Ancoragem mecânica
- Parafuso de coquilhas expansíveis

- Parafusos de atrito
• Split set (cavilha)
• Swellex (tirante expansivo)
• Worley
Diagrama do Swellex com placa de apoio (rocscience, 2007)
Split-set
TIRANTES ANCORADOS COM
CARTUCHOS DE CIMENTO
• Uso de cartuchos de cimento -- > dificuldades na injeção da
argamassa no furo, após colocação do tirante, no método
convencional.

• Cartucho é fornecido na forma de um pó pré-dosado à base de


cimento, envolvido por uma película especial e permeável.

• Basta submergi-lo em água pelo tempo necessário para que o


cimento absorva água suficiente para formar uma argamassa
tixotrópica e isenta de retração.

Limitações:
• o tempo de cura é de duas horas;
• a necessidade de armazenamento adequado dos
cartuchos;
• o tempo de estocagem dos cartuchos é limitado (6
meses).
Ancoragem com
cartuchos de cimento
Vantagens relativas:
• capacidade de ancoragem de três a cinco vezes maior
do que a ancoragem mecânica puntual do tipo “split-set”;
• diâmetro do furo para instalação, no mínimo, 20% menor
do que exigido pelo “split-set” (economia na furação);
• instalação sem grande rigor no controle do diâmetro do
furo;
• barra de aço utilizada fica protegida da corrosão;
• não é afetada por vibrações ou choques;
• os tirantes, uma vez atingido seu tempo de cura, podem
ser protendidos em caso de necessidade;
• não implica alteração na rotina dos trabalhos
subterrâneos.
PINOS DE MADEIRA (“DOWELS”),
COM INJEÇÃO DE RESINA

Aplicados em lavra por “longwall” de carvão


para estabilização das laterais ou do teto.
Furos têm comprimento até 16 m e os pinos
têm diâmetro de 36mm.
A resina é injetada a uma pressão de 14 a
21 kgf/cm2.
Permitem o corte posterior pela cortadeira,
não apresentando inconveniência ao
desmonte
Cable bolt
Emprego de cabos como um sistema de suporte
tem sido testado extensivamente nos últimos
anos, mostrando ser efetivo onde métodos mais
tradicionais não apresentam bons resultados.
Método combina dois fatores:
• a necessidade prática de comprimentos maiores
de suporte;
• a necessidade de se colocar um suporte, tão
logo quanto possível, após a lavra ou abertura
das escavações.
Cable bolt
• lavra por corte e enchimento, por recalque, na lavra por
subníveis, suportes de paredes de escavações em
alargamentos abertos (veios estreitos) e para controle
de faces de talude em minas a céu aberto.
• cabos de aço, diâmetro de 5/8" a 1" e de comprimento
superior a 3m, existindo casos de aplicação de cabos
com mais de 20m .
• Ancoragem em coluna total, com injeção, após a
colocação do cabo,
• graute - argamassa especial, à base de cimento, fluida,
de pega rápida, autoadensável e não retrátil.
• Extensão do cabo vai normalmente 3m além das áreas
instáveis;
• Aplicação manual ou mecanizada.
Cable bolt
Vantagens:
• custo relativamente baixo, mesmo se
considerando o custo com brocas de
perfuração;
• elevada capacidade de ancoragem (superior a
17 tf, na maioria das situações);
• elevada resistência à corrosão;
• pode ser instalado em qualquer comprimento;
• pode ser instalado em aberturas provisórias ou
permanentes, estreitas e de pequenas alturas.
Métodos manuais de instalação de cabos de ancoragem
Cable bolt
Cable bolt no Canadá
• Início nos anos 60, incremento nos anos 80
• Vantagens: permitem suporte longo, instalação em
áreas de altura limitada (até 1,8m)

• Pesquisa em 1992:
• 1992 - 42 de 71 minas utilizavam furos longos (60%); 52
minas utilizavam cable bolts (70%), 62 usavam
coquilhas (80%),
• método mais usado long hole*; maioria da produção
room and pillar
• 89% das minas com procedimentos escritos, 73% com
equipes específicas para cable bolt
• Maioria das minas que usam cabos: produção de 1000 a
4000t/dia; 80% avaliavam a técnica como satisfatória
• Custo de U$ 23 +-6,6/m (perfuração e instalação)
Cable bolt no controle da diluição
• Lacourt, 2007:
• Uso na lavra de veios estreitos – open stopes –
Mineração Novo Astro - cabos de 4 a 8m de
comprimento;

• Engineering and Mining Journal, set/2007


• Mina Pyhasalmi – sublevel stoping (pilares)
• O suporte no contato minério-estéril por cable
bolt permitiu à mina alcançar uma diluição de
apenas 4%.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• Biron, C.; Ariôglu, E. 1983. Design of Support in Mines. Jon
Wiley and Sons.
• Brady & Brown. 1985. Rock Mechanics for Underground
Mining.(ou 2004).
• Engineering and Mining Journal, set/2007
• Hoek, E.; Kaiser, P. K.; Bawden, W. F. Support of
Underground Excavations in Hard Rock. Balkema.
Rotterdam. 1995.
• Hoek, E. & Wood, D. F. Rock Support. In: Mining Magazine.
1988.
• Hoek, E. & Brown, E. T. Underground Excavations in Rock.
London. 1980.
• Jeremic, M. L. Ground Mechanics in Hard Rock Mining.
1987.
• Hennies, W. T.; Ayres da Silva, L. A. Abertura de Vias
Subterrâneas. EPUSP. 1995.
• Silva, J. M. et alii. Tendências no atirantamento subterrâneo.
Brasil Mineral, dez/1998.
• Silveira, T. 1987. Técnicas de Sustentação em Minas
Subterrâneas. UFOP.
Tipos de ancoragens
vantagens e desvantagens
relativas

MIN 225
Prof José Margarida da Silva
Outubro/2008
Introdução
• O reforço de terreno com ancoragens tem
melhorado de tal forma que, nas últimas
três décadas, se tornou o método de
controle mais utilizado contra a
movimentação do terreno e prevenção de
queda de blocos de escavações mineiras.
Ancoragem mecânica
- Parafuso de ranhura e cunha
- Parafuso de coquilhas expansíveis

- Parafusos de atrito
• Split set (cavilha)
• Swellex (tirante expansivo)
• Worley
Ancoragens mecânicas
• Quanto a ancoragens mecânicas, em rochas
menos resistentes (mais macias), a efetividade
é reduzida pelo esmagamento local da rocha.

• Ancoragens mecânicas puntuais são um


método de suporte largamente utilizado, mas
que vêm sendo substituídas em todos os tipos
de condições de terreno pelas ancoragens em
coluna total com resina ou cimento.
Parafuso de cunha
Ancoragem em coluna parcial (puntual)

Desvantagens
• Uso de perfuratriz percussiva;
• Controle do diâmetro
Parafuso de ranhura e cunha
Parafuso de coquilhas
• Ancoragem puntual
• fabricada com aço com “efeito mola”,
apresentando a vantagem da simplicidade
de aplicação dentro da vida útil projetada.
Vantagem relativa
• Uso de perfuratriz rotativa;
• Possibilidades: mais pontos de
ancoragem, uso de injeção.
Parafuso split-set
• Mais baratos e fáceis de se instalar;
• Suporte provisório;
• Capacidade de carga 4 a 5tf.
• vida útil de cerca de 2 anos, enquanto a ancoragem com
cimento ou resina tem cerca de 20 anos.
• Custo relativo - ancoragem com resina é cerca de duas
vezes a ancoragem com split-set.
• Não protegido da corrosão (em ambiente mais úmidos,
sofre oxidação em 90 dias – Stimpson, 1998).
• Mount Isa, Gwallia (Austrália), Turmalina, Santa Isabel,
Lamil, Esperança e outras (Brasil)
Parafuso expansivo
Swellex
• suporte imediato em rocha dura;
• comprimentos disponíveis de 1,2 a 1,8m,
• capacidade de carga até 10tf, com 50cm de
coluna;
• vantagem relativa ao split set - pode ser pré-
tensionado (trabalhar como suporte ativo);
• comparação com parafuso com resina - mais
caro no custo de aquisição, mais barato no
custo global, pois diminui o ciclo operacional,
• não é afetado pela pressão d’água (que pode
retirar a resina), mas necessita de rigor no
diâmetro do furo como o de resina.
Parafuso expansivo
Utilização
Crixás (AngloGold, ouro, GO), Baltar (Votorantim,
calcário, SP), Ipueira (Ferbasa, cromita, BA),
Urucum (RDM, manganês, MS), Morro da
Fumaça (Nitroquímica, fluorita, PR), testes em
Criciúma (SC - minas de carvão), Morro Agudo
(Paracatu, zinco, MG) no Brasil,
Kemi (Finlândia),
Cayeli (Turquia).
Parafuso expansivo
• Aplicável com telas;
• instalação em menos de 1min,
• tempo de cura nulo;
• alongamento possível de até 30%;
• pressão da água de injeção de 30 a
40MPa.
Atirantamento com Swellex

Instalação:
Swellex instalado
dentro do padrão, ou
seja, expandiu
totalmente dentro do
furo, instalado
perpendicular às
paredes da galeria e
chapa totalmente em
contato com a rocha.
Parafuso expansivo (2)
Hydrabolt
• apresenta capacidade de carga na faixa
de 7 a 11tf;
• diâmetros usuais são 16, 17, 19, 21 e
25mm;
• instalação é feita com equipamento
próprio da mina, ganhando-se em rapidez;
• disponível em comprimentos de 1,5 a 4m.
Parafusos de atrito
Pena (2006) comparou custo de tirantes
mecânicos por atrito na Mina São Bento (ouro,
Santa Bárbara - MG):
• Split-set custa U$2/unidade, o Swellex,
U$15/unidade.
• A mina utilizava o Split-set como suporte
provisório e o Swellex de 1,8m de comprimento,
na faixa de 6.000 unidades instaladas/mês.
• Perseverance (Austrália) – friction bolts.
Preparação do arranjo de
suporte
Ancoragem Química
• As ancoragens com cartuchos à base de cimento e de
resina representam hoje uma ferramenta extremamente
útil na difícil tarefa de estabilizar aberturas
subterrâneas, sendo uma solução moderna, com
consideráveis vantagens técnicas e econômicas sobre
os sistemas mecânicos de ancoragem.

• O sistema “cable bolt” tem sido bastante utilizado nas


minerações brasileiras, cumprindo com eficiência a
função de sustentação do maciço, estabilizando um
volume de rocha superior aos demais métodos devido
ao comprimento dos cabos utilizados.
Ancoragem Química
• Em cartuchos ou com injeção;
• Cimento ou resina sintética;
• Ativos ou passivos;
• Barra ou cabo.

Vantagens:

• proteção contra corrosão,


• maiores possibilidades de capacidade de carga,
• protensão e ancoragem em coluna total
Ancoragem com cartuchos de cimento
Vantagens relativas:
• para uma mesma rocha e mesmo comprimento,
capacidade de ancoragem de três a cinco vezes maior
do que a ancoragem mecânica puntual do tipo “split-set”;
• diâmetro do furo para instalação é, no mínimo, 20%
menor do que o exigido pelo “split-set”, o que representa
uma grande economia na furação;
• instalação sem grande rigor no controle do diâmetro do
furo;
• barra de aço utilizada fica permanentemente protegida
da corrosão;
• a ancoragem não é afetada por vibrações ou choques;
• os tirantes, uma vez atingido seu tempo de cura, podem
ser protendidos em caso de necessidade;
• não implica nenhuma alteração na rotina dos trabalhos
subterrâneos.
TIRANTES ANCORADOS COM
CARTUCHOS DE CIMENTO
Limitações:

• o tempo de cura é de duas horas;

• a necessidade de armazenamento adequado dos


cartuchos;

• o tempo de estocagem dos cartuchos é limitado (6


meses).
Cartuchos de resina
• Maior capacidade de carga e maior custo
relativamente ao cimento;
• Os cartuchos estão disponíveis em comprimento
de 10 a 50cm.
• A protensão com resina é dada entre o tempo
de pega (1 a 3min) e o tempo de cura (12min).
• São também utilizados em poços principais.
• Svea Nord (Noruega) - Parafusos resina 2,4m.
Cable bolt
Vantagens:
• custo relativamente baixo, mesmo se
considerando o custo com brocas de
perfuração;
• elevada capacidade de ancoragem (superior a
17 tf, na maioria das situações);
• elevada resistência à corrosão;
• pode ser instalado em qualquer comprimento;
• pode ser instalado em aberturas provisórias ou
permanentes, estreitas e de pequenas alturas.
Utilizacao de cable bolt
Exemplos
• Baltar (Brasil)- calcario
• Crixas, Fazenda Brasileiro, Santa Isabel, Turmalina e
Cuiaba (Brasil) – ouro
• Santa Helena (Brasil) - zinco
• Mount Isa, Perseverance, Springvale (Australia)
• Beaconsfield (Australia) - em paredes
• Golden Giant, Kidd Creek, Brunswick (Canada)
• Cayeli (Turquia)
• Kittila, Pyhasalmi (Finlândia)
• Kristineberg, Malmberget (Suécia)
• Michilla (Chile)
• Svea Nord (Noruega)
• Tsumeb (Namíbia)
• Novo Astro, Raposos, São Bento (Brasil) – já exauridas
Cabos com straps
Cable bolt
• Couto (2002) realça a durabilidade, a
capacidade e a flexibilidade desse sistema
utilizado na Minha do Moinho, em Portugal
na rampa principal, em malhas de 1,2m x
1,2m a 2m x 2m.
• Tensionador: capacidade de carga até
220kN (dsiminingproducts. com, 2008)
Atirantamento
Frota:
01 Boltec 335 – Atlas Copco
01 Boltec MC – Atlas Copco

Dados:
Diâmetro de Perfuração – 37mm
Diâmetro do Tirante – 1”
Comprimento – 3,20m
Carga de ruptura – 25t (Resina)
- 10t (Expansível)
Cabeamento
Frota:
1 Cabolt – SANDVIK

Dados:
Diâmetro de Perf . – 51mm
Diâmetro do cabo – 7/8”
Traço – 0,3 (W/C)
Carga de ruptura – 26t
Exemplo de sustentacao
Escavacao subterranea civil
• Tuns Park (Sidney, Australia) –
estocagem subterranea em cavernas
• Em 734 m de tunel, 3.000 tirantes,
3500m2 de tela, 20 quadros de aco
• (Gee e Wille, World Tunnelling, 2000)
Monitoramento de cable bolt
A unidade de monitoramento para instalação na ancoragem
com cabo compreende:
• um tubo projetado para se ajustar no furo realizado que
tem um colar em uma extremidade,
• um cabo adaptado para o preenchimento com argamassa
no centro do tubo,
• uma placa de base colocada firmemente contra o colar do
tubo adjacente à face da rocha,
• uma luva centralizadora do cabo dentro da placa e tubo,
• uma placa de medição alongada que tem um furo central
para inserção do cabo para firmar contra a placa e um
corte em ranhura situado a igual distância de cada lado
para permitir que a placa de medição gire se a rocha se
mover em relação ao cabo,
• uma braçadeira para fixação da placa de medição na
placa de base.
(Freepatentsonline.com.br, 2008)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• Biron e Ariôglu. Design of Support in Mines. 1983.


• Campoli, A. A.; Mills, P. S.; Todd, P.; Dever, K. Optimizing rebar
resin annulus, p. 42-44. sd.
• Carnero, L. T. C.; Fujimura, F. 1995. Mecânica de Rochas Aplicada
ao Dimensionamento do Sistema de Atirantamento em Minas
Subterrâneas. Escola Politécnica/USP, 33pp.
• Couto, R. T. S. Arrancamento das pregagens e cabos de aço na
Mina do Moinho, Aljustrel. 8o. Congresso Nacional de Geotecnia,
Lisboa. 2002. 13pp. 2002.
• Cury, N. Comunicação oferecida na UFOP. Atlas Copco. 2007.
• Engineering and Mining Journal, outubro/2005, p. 38.
• Engineering and Mining Journal, dezembro/2006, p. 36.
• Hoek, E.; Kaiser, P. K.; Bawden, W. F. Support of Underground
Excavations in Hard Rock. Balkema. Rotterdam. 1995.
• Hoek, E. & Wood, D. F. Rock Support. In: Mining Magazine. 1988.
• Hoek, E. & Brown, E. T. Underground Excavations in Rock. London.
1980.
• Jeremic, M. L. Ground Mechanics in Hard Rock Mining. 1987.
• Lacourt, R. Lavra de veios estreitos. Comunicação oferecida na
UFOP. 2007.
Referencias
• Gee e Wille. Construction of Northside Sidney Storage, World
Tunnelling, 2000.
• Lima, C. A. Comunicação em visita técnica da UFOP à Fosminas.
2007.
• Mining and Construction, n.1, 1p.; n. 2, 4p. 2007.
• Penna, L. T. S. Comunicação na Semana de Estudos Mineiros da
Escola de Minas. Ouro Preto. 2005.
• Penna, L. T. S. Comunicação em visita técnica da UFOP à Mina
São Bento. 2006.
• Redaelli, L. Nova Teoria e Novos Métodos de Atirantamento
Subterrâneo. ABGE, São Paulo, 1987, 34 p.
• Stillborg, B. Professional Users Handbook for Rock Bolting, 1994, p.
1-30.
• Stimpson, 1998. Canadian Journal.
• Support and Water Control in Oslo. In: World Tunneling, may 1995,
p. 167-171.
• Silva, J. M. Tendências no atirantamento subterrâneo. Brasil
Mineral, dez/1998.
• Freepatentsonline.com.br, acessada em 14/10/2008
• dsiminingproducts. com, acessada em 14/10/2008
• Villaescusa et al, 2004.
• Brady e Brown, 2006.
Monitoramento de maciços
rochosos atirantados

MIN 225
Prof José Margarida da Silva
Maio/2009
Sumário
• Conceitos Básicos
• Objetivos e premissas
• Monitoramento de tirantes
• Monitoramento de deslocamentos no
maciço
• Estudos de Caso
• Referências
Conceitos
O que pode ser monitorado numa mina subterrânea:
• ruptura da rocha no contorno da escavação;
• movimento ao longo de uma descontinuidade;
• deslocamento relativo entre dois pontos no contorno da
escavação (convergência);
• deslocamentos no interior do maciço, fora do contorno
da escavação;
• deslocamentos da superfície (subsidência);
• mudança da inclinação de um furo (desvio);
• nível de água, pressões neutras;
• mudanças (variações) de tensões (num pilar, por
exemplo);
• pressões normais e de água no enchimento;
• deformação do material de enchimento;
• eventos sísmicos; velocidades de propagação de ondas.
Conceitos
• registro contínuo ou periódico
de grandezas físicas
importantes à verificação da
estabilidade das cavidades
subterrâneas -> medição ->
instrumentação
• parte fundamental do
dimensionamento racional de
uma malha de atirantamento;
• aferição e otimização do
modelo proposto,
• detecção de problemas no
comportamento das
ancoragens,
• defeitos de instalação,
• controle de qualidade dos
materiais utilizados.
Projeto de monitoramento
Fatores no projeto de monitoração
• conhecimento geológico detalhado dos locais
instrumentados, associado ao conhecimento da
geologia regional do maciço.
• simplicidade dos instrumentos empregados,
tanto no que tange à operação quanto à
manutenção dos mesmos.
• minimização de sua interferência com as frentes
de produção, para que não haja um aumento
inaceitável dos custos operacionais.
Projeto de monitoramento
Características de um sistema
de monitoração:
• facilidade de instalação;
• adequada sensitividade,
• reproducibilidade;
• robustez, durabilidade;
• facilidade de leitura;
• mínima interferência com
operações de produção.
Sistema de monitoramento
Componentes de um sistema de monitoração:
• unidade de leitura (conversão dos dados para
uma forma possível de utilização);
• sensor (mudanças na variável monitorada);
• sistema transmissor (transmissão da saída do
sensor para a unidade de leitura - hastes, cabos
elétricos, entre outros).

Fases: a detecção, a transmissão e a leitura.


Modos de ruptura
Norma ABNT • Na barra;
• NB 565/77 – aceitação, • No contato barra –
qualidade, desempenho
argamassa;
• No contato
argamassa-rocha.
Monitoramento (Benmokrane, 1986)
• Das ancoragens
• Do maciço
MONITORAÇÃO DAS ANCORAGENS
• testes de perfurabilidade da rocha,
• arrancamento da ancoragem (pull test),
• controle de carga dos tirantes ao longo do
tempo.

PERFURABILIDADE
• posição e direção dos furos deve corresponder
exatamente à posição prevista no plano de
atirantamento.
• O comprimento e o diâmetro do furo deverão
estar rigorosamente dentro das especificações.
Arrancamento (Pull test)
• medição da resistência da
ancoragem, através de
teste em que o
deslocamento do
dispositivo de ancoragem
é medido como função da
carga aplicada ao tirante;
resulta na obtenção de
uma curva carga –
deslocamento;
• número mínimo de cinco
testes para um mesmo
maciço e condições de
instalação específicas;
• testes são destrutivos.
Teste: arrancamento de tirante (pull test)

Macaco Hidráulico
Operador da bomba.
Operador acionando a
bomba do macaco
hidráulico. São testados 3%
dos tirantes instalados.
(Votorantim)
Teste de arrancamento
• Aplicação de cargas crescentes ao
tirante, medindo-se as
correspondentes deformações, até que
a carga produza um deslocamento
maior que 40mm ou o escoamento ou
ruptura da haste.
• Leituras de carga e deslocamento em
incrementos de 500 kgf ou 5mm de
deslocamento (o que ocorrer
primeiro);
• velocidade de aplicação de carga na
faixa de 500 - 1000Kgf/min.
Perda de Protensão
Queda de protensão é
conseqüência de vários
fenômenos, como:
• escorregamento do
dispositivo de ancoragem
(ocasionado por
ancoragem mecânica
puntual em rochas
brandas, vibrações
causadas pelo desmonte,
fluência da rocha,
corrosão, entre outros);
• instalação inadequada.
Monitoração da tração deve
ser em cerca de um
tirante em cada 10 do
sistema de sustentação.
Células de carga
Equipamento:
• célula de carga.
• As células de carga
podem ser
mecânicas,
eletromecânica,
elétricas,
fotoelásticas.
• Medem deformação e
transformam em
saída de tensão.
Perda de Protensão
• Uma leitura deve ser feita imediatamente
após a instalação e algumas horas depois.
• Nas vizinhanças de uma face de
desmonte as leituras devem ser feitas em
intervalos de horas.
• Em outros casos onde a variação é
pequena (“áreas inativas”), as leituras
devem ser feitas em intervalos da ordem
de dias ou meses.
MONITORAÇÃO DO MACIÇO

• avaliação do sistema de suporte


(atirantamento) como um todo;
• os deslocamentos medidos devem
apresentar tendência de estabilização
com o tempo;
• medições de deformações são mais fáceis
e mais baratas.
Convergência

• instalação de pinos
em pontos
selecionados no piso,
teto e paredes
laterais da galeria.
• Cada par de pinos,
diametralmente
opostos, constitui
uma base de
medição;
• Fio ínvar ou
alongâmetro
Extensometria
Extensômetro (strain gauge): transdutor
capaz de medir deformações de corpos.
Quando um material é deformado, sua
resistência elétrica é alterada, a fração de
mudança na resistência é proporcional a
fração de mudança no comprimento do
material.
• Se temos um fio metálico de resistência R e o mesmo
sofre uma deformação ΔR então a resistência muda de
um fator G vezes a deformação, onde G é chamado de
fator de medida.
• Para metais esse valor é de aproximadamente 2,
enquanto para semicondutores chega a 100.
• Vários modelos construtivos, dependendo da aplicação.
Extensometria
• medição do •
deslocamento relativo
entre um ponto no
interior do maciço e
um ponto no
perímetro escavado;
• aplicação de
extensômetros
simples ou múltiplos.
Extensômetros

Extensômetros Simples e de Duas Hastes são


instrumentos resistentes, simples e confiáveis,
utilizados para monitorar deformações na
superfície de rochas, ou em trabalhos
subterrâneos.

Os dois modelos funcionam de modo similar.

O modelo com duas ancoragens permite a


distinção entre movimentos perigosos,
profundos e os superficiais, geralmente mais
triviais.
Extensômetro elétrico
• filme metálico (resistor), com a função de micro-
resistência elétrica, montados em uma película
de material eletricamente isolante (Polímero).

• Sensor, firmemente aderido à superfície de um


corpo, acompanha as micro deformações
ocorridas, acusando-as através das variações
de resistência elétrica do filme metálico.

• Deformações ocorridas na superfície do corpo


de prova são muito pequenas - > variações de
resistência elétrica dos extensômetros também
serão muito pequenas.
Extensômetro Elétrico
• Para contornar o problema
da leitura de pequenas
variações na resistência
elétrica dos extensômetros,
os aparelhos de leitura
utilizam Ponte de
Wheatstone (basicamente
possui quatro resistores,
sendo ligados em série dois
a dois e posteriormente
ligados em paralelo).
• Fazendo-se a conexão do
extensômetro na Ponte de
Wheatstone pode-se medir
com grande precisão
pequenas variações em sua
resistência elétrica.
Exemplos de Monitoramento
• Mina LAMIL – Seções de convergência e
extensômetros ao longo de galerias e pilares;

• Mina Baltar – Votorantim (SP): extensômetros;

• Mina Santa Isabel – medidas com


extensômetros 15/15 dias;

• Mina de Cuiabá – Sabará (MG): extensômetros


– “protocolo geomecânico”;
Exemplos de Monitoramento
Teste de arrancamento
(tirantes e cabos), Mina do
Moinho, Portugal
Couto (2002): determinação da
capacidade de ancoragem
de tirantes instalados nos
locais mais críticos.
• Suportes instalados na
rampa principal, malha de
1,2m x 1,2m a 2m x 2m.
Cabos 2,5-3m comprimento,
diâmetro 17mm, trecho de
ancoragem 1,5m.
• Norma da ISRM –
Suggested Methods (2001);
equipamento original
modificado para permitir
ensaio de cabos e para
qualquer inclinação.
Teste de arrancamento
na Mina do Moinho, Portugal
• Valores ensaiados se aproximaram
bastante do valor teórico calculado para
carga de ruptura.
• O elemento mais fraco foi o cabo, carga
de ruptura de 123kN a 148kN e carga de
cedência de 120 a 137kN. Fator de
segurança 3,1.
• Conjunto resina/tirante – carga na faixa de
38 a 50kN, abaixo do esperado.
Exemplos de Monitoramento

• Mina Panasqueira, tungstênio (wolfrâmio),


Portugal
monitoramento durante 2 anos,
análise por método discreto da movimentação de
blocos para caracterização de movimentação
de volumes de maciço (subsidência),
evidenciando-se magnitudes de 3m em alguns
pontos, controlados por falhas principalmente,
ampliadas pela percolação de águas.

• San Juan (EUA) – longwall


170 células de carga (18 em cabos), 16
extensômetros, 45 estações de convergência;
90% sucesso (www.agapito.com, 24/04/2008)
Estudo de Caso
Mineração Caraíba, Jaguarari (BA)
• Destress blasting;
• monitoramento microsísmico de superfície e de
subsolo,
• introdução de enchimento,
• monitoramento topográfico a laser,
• aumento da mecanização;
• automação das operações.
• Nos primeiros três meses de observação, foram
detectados 2237 eventos diversos;
Estudo de Caso
• monitoramento de deslocamentos (hundimiento)
na Mina Palabora (Chile)
• a mina, lavrada por block caving, teve em 2004
deslizamento de 60t de material.
• Através de levantamentos por satélite e
confecção de mapas de deformação, foram
detectados deslocamentos de 5cm em 24 dias.
• Com a estabilização de falha na parede norte
da mina, esses valores foram diminuídos para
2cm/24 dias (Equipo Minero, 2006).
Estudo de caso
Bellavista Mine
• detectadas movimentações no maciço da
ordem de 1cm/dia.
• As medidas tomadas foram a suspensão
da operação nos poços de desaguamento,
o controle superficial e a redistribuição da
carga.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• Almida, L.D.F.; Souza, J. J. Extensometria - A difusão da utilização
de extensômetros na análise de deformações. Unisanta. Sd.
• Andrade, Santos e Silva. Minérios e Minerales, pp. 34-41. 2003.
• Brady e Brown. Rock Mechanics for Underground Mining. 1985.
• Carer e Carraro. Celula de carga, 10p. Disponivel wm www.ucs.br,
acessada em 2009.
• Couto. Arrancamento das pregagens e cabos de aço na Mina do
Moinho, Aljustrel. 8º. Congresso nacional de Geotecnia,13p. 2002.
• Costa, A. M. 1984. Uma aplicação de métodos computacionais e
princípios de mecânica da rochas no projeto e análise de
escavações destinadas à mineração subterrânea. Tese de
doutorado, COPPE/UFRJ,1488p.
• Dinis da Gama, C.; Navarro Torres, V.; Lopes, L.; Nobre, E.
Interpretação geomecânica da subsidência na Mina de
Panasqueira. 8o. Congresso Nacional de Geotecnia. Lisboa. 2002.
• Engineering and Mining Journal, setembro/2007, p. 42.
• Equipo Minero. Engineering and Mining Journal, n.1, 2006.
• Hanna, T.H. 1973. Foundation Instrumentation. Trans Tech
Publications, 372p.
• Hoek, E. & Brown, E. T. 1980. Underground Excavations in Rock.
The Institution of Mining and Metallurgy, 527p.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• Chang-Yu Ou. Deep Excavation: theory


and practice. Taylor & Francis. 2006, p.
459-500.
• Hustrulid, W. A.; Bullock. Undregroun
Mining Methods. 2001, p. 120.
• www.civil.ua.pt
• www.scielo.br
• www.geo.cav.udesc.br.
Aula

Interação Maciço – Suporte


Introdução
A interação entre maciço e estrutura visa analisar em termos de tensão e
deformação o comportamento do sistema.

Esse comportamento é definido pelas leis e critérios de resistência dos


materiais.

A dificuldade dessa análise se dá pela diferença de material a analisar,


relação tensão e deformação e critérios de suporte.
Introdução
A interação maciço-suporte é altamente dependente da rigidez relativa do
sistema maciço-suporte ( flexão e compressão ).

A flexão e a compressão devem ser equilibradas para atender as condições de


resistência do suporte e as máximas deformações permitidas na escavação,
que dependem da função e tempo de vida útil da mesma.

A análise poderá influenciar na forma e no sistema de suporte da escavação.


Análise
• Vamos analisar o comportamento da deformação e
pressão de suporte num túnel:
• Supondo um túnel circular de raio ro, sujeito à tensões
hidrostáticas e uma pressão de suporte interna
uniforme pi. A ruptura do maciço rochoso ao redor do
túnel ocorre quando a pressão interna é menor do que
um valor crítico de pressão do suporte pcr, definido pela
equação
2 po   cm
pcr 
Onde, 1 k
po – pressão inicial no suporte;
σcm – resistência do maciço rochoso = (2c.cosΦ/1-senΦ)
k - relação das tensões = (1+senΦ)/(1-senΦ)
Análise
• Se a pressão do suporte pi for maior que a pressão de
suporte crítica pcr, não ocorrerá a ruptura. E o
comportamento do maciço ao redor do túnel será
elástico. Desta forma o deslocamento radial da parede
do túnel será dado por:

ro 1  
uie  x po  pi 
E
Análise
• Quando a pressão de suporte interna pi, for menor
que a pressão de suporte crítica pcr, irá ocorrer a
ruptura e o raio rp da zona plástica ao redor do
túnel e dado por:
1
 2 po k  1   cm    k 1
rp  ro  
  
 1  k k  1 pi   cm 
Análise
• O deslocamento radial total da parede do túnel é
dado por:

ro 1    
2
 rp 
uip  21   po  pcr    1  2  po  pi 
E  r  
  o  
Análise
• Vamos analisar agora as características da
deformação do maciço do túnel com a
aplicação do suporte.
• Em algumas estruturas rochosas complexas,
a rigidez e o tempo de instalação do reforço
tornam-se importantes e devem ser
compatíveis com a resposta do maciço
rochoso ou seja, com a curva de reação do
maciço.
Análise
• Se os tirantes são instalados após a
relaxação ocorrer e os tirantes não forem
suficientemente rígidos, deformações
plásticas no maciço podem continuar a
ocorrer, resultando em ineficácia do
atirantamento.
Princípio básico
• O tirante é um componente que serve para
evitar a progressão de deformações no maciço
rochoso, quando este sofre uma mudança do
seu estado de repouso, ou seja, como por
exemplo trabalhos de escavação para abertura
de galerias.
Exemplo Prático:Mina de Ouro
• Visando revisar e auditar os critérios de contenção atualmente em
execução, foi elaborado, para efeito inicial de comparação, uma
nova classificação geomecânica específica para a mina de ouro,
levando em consideração os principais parâmetros referentes a
estabilidade do maciço rochoso, que foram obtidos através da
descrição de testemunhos de sondagem, observações e
mapeamento de campo e retroanálises dos critérios de contenção
anteriormente aplicadas. Paralelamente, foram também utilizados
os sistemas de classificação de maciços rochosos, mundialmente
conhecidos como Q de Barton e RMR de Bieniawski, no intuito de
dar maior confiabilidade à classificação específica.
Exemplo Prático:Mina de Ouro
• Foram levados em consideração os seguintes parâmetros:
 Grau de alteração;
 Resistência a compressão uniaxial;
 Presença de água;
 Grau de fraturamento( fragmentação dos blocos;
 Famílias de descontinuidades;
 Evidências de tensão atuantes;
 Padrão estrutural das litologias;
 Persistência das descontinuidades;
 Condições das paredes das descontinuidades;
 Presença de zonas de cisalhamento (veios de quartzo e foliação
milonítica muito desenvolvida).
Exemplo Prático:Mina de Ouro
• Com base na descrição de furos e observações de
campo, foi verificado que o maciço rochoso pode
ser dividido, em classes, da seguinte maneira:

 Classe I — Formação ferrífera/minério;


 Classe II — X2(clorita xisto, meta andesito);
 Classe III — X1 (filito grafitoso/xisto grafitoso);
 Classe IV — X2 muito fraturado;
 Classe V — X1 muito fraturado;
Método – RMR de Bieniawski
• CLASSIFICAÇÃO GEOMECÂNICA SEGUNDO O RMR
DE BIENIAWSKI

• Na aplicação desse sistema de classificação, o maciço


rochoso é dividido em regiões estruturais distintas e cada
região é classificada separadamente. As fronteiras dessas
regiões estruturais normalmente coincidem com uma
feição estrutural principal, tipo uma falha ou uma
mudança de litologia. Em alguns casos, mudanças
significativas no espaçamento das descontinuidades ou
outras características, dentro da mesma litologia pode
requerer uma subdivisão.
Método – RMR de Bieniawski
• DEFINIÇÃO DOS ÍNDICES:

• - RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO UNIAXIAL:


- Formação ferrífera/minério = I8OMPa - índice = 12
- X1 = 56MPa - índice = 7
- X2 = 96MPa - índice = 7
- X1 muito fraturado = 56MPa índice = 7
- X2 muito fraturado = 96Mpa índice = 7
• - RQD:
- Formação ferrífera/minério = 95% índice = 20
- X1 =80% índice = 17
- X2 = 85% índice = 17
- X1 muito fraturado = 20% índice = 3
- X2 muito fraturado = 20% índice = 3
- ESPAÇAMENTO DAS DESCONTINUIDADES:
- Formação ferrífera/minério = 0,2m a 0,6m índice = 10
- X1 = 0,2m a 0,6m índice = 10
- X2 = 0,2m a 0,6m índice = 10
- X1 muito fraturado = 0,06m a 0,2m índice = 8
- X2 muito fraturado = 006m a 02m índice = 8
Método – RMR de Bieniawski
• - CONDIÇÕES DAS DESCONTINUIDADES:
- Formação ferrífera/minério:
Persistência: > 20m - índice = 0
Separação: não há - índice = 6
Rugosidade: rugosa - índice = 5 índice total = 22
Preenchimento: não há - índice = 6
Alteração: levemente alterada - índice = 5
- Xl = superfície estriada e espelhada índice = 10
- X2:
Persistência: > 20m- índice = 0
Separação: não há - índice = 6
Rugosidade: estriada - índice = 0 índice total = 17
Preenchimento: não há - índice = 6
Alteração: levemente alterada - índice = 5
- Xl muito fraturado = superfície estriada e espelhada - índice = 10
- X2 muito fraturado:
Persistência: > 20m - índice = 0
Separação: não há - índice = 6
Rugosidade: estriada - índice = 0 índice total = 17
Preenchimento: não há - índice = 6
Alteração: levemente alterada - índice = 5
Método – RMR de Bieniawski
• - CONDIÇÕES DE ÁGUA NO MACIÇO
• - Todo o maciço rochoso encontra-se seco, com umidade apenas local
índice = 15 para todas as classes.
• - ORIENTAÇÃO DAS DESCONTINUIDADES:
- Formação ferrífera = direção subparalela ao eixo da galeria com
mergulho médio de 300: condição medianamente favorável - índice =
-5
- X1 = direção subparalela ao eixo da galeria com mergulho médio de
30°: condição medianamente favorável - índice = -5
- X2 = direção subparalela ao eixo da galeria com mergulho médio de
30°: condição medianamente favorável -> índice = -5
- X2 fraturado = direção subparalela ao eixo da galeria com mergulho
médio de 30°: condição medianamente favorável -* índice = -5
• Qbs: Os índices acima foram obtídos considerando a pior e mais
comum situação, de acordo com o Iay out da mina.
Método – RMR de Bieniawski
• RESULTADOS

• Em função dos parâmetros obtidos acima, tem-se:


- Formação ferrífera/minério: RMR = 74 (maciço classe II = rocha boa)
- X1: RMR= 54 (maciço classe III = rocha regular)
- X2: RMR = 61 (maciço classe III = rocha regular / boa)
- X1 fraturado: RMR = 38 (maciço classe IV rocha pobre)
- X2 fraturado: RMR = 45 (maciço classe III = rocha pobre /
regular)
Método – RMR de Bieniawski
• UTILIZAÇÃO DO SOFTWARE MRMR
DESENVOLVIDO POR LAUBSHER, PARA CÁLCULO
DO RMR

Para se verificar a coerência dos valores de RMR


encontrados acima, foi utilizado o software MRMR para as
seguintes litologias: Formação ferrífera/minério, X1 e X2.
Os resultados obtidos mostraram valores de RMR muito
próximos, consequentemente coerentes, com os valores
encontrados acima, através do método convencional,
conforme veremos a seguir.
Método – RMR de Bieniawski
• CONTENÇÃO SUGERIDA SEGUNDO O SISTEMA RMR

De acordo com a tabela a seguir que associa as contenções à qualidade


do maciço rochoso para uma escavação de 10m de vão, tem-se:
- Para RMR = 74 (Formação ferrífera/minério), a contenção sugerida é de
tirantes localizados no teto com 3m de comprimento, espaçados 2,5m,
com telamento ocasionalmente, mais 5cm de concreto projetado, no
teto, onde requerido.
- Para RMR = 54 (X1), atirantamento sistemático com 4m de
comprimento, espaçados de 1,5m a 2,0m no teto e nas paredes, com
telamento no teto mais 5cm a 10cm de concreto projetado no teto e
3cm nas laterais.
Método – RMR de Bieniawski
- Para RMR = 61 (X2), verifica-se que o maciço encontra-se no limite
entre rocha de boa qualidade e rocha de qualidade regular. Neste
caso, o método sugere que a contenção seja feita considerando o
maciço de melhor qualidade, que é igual à sugenda para a
formação ferrífera/minério. Caso seja observado após, que a
contenção inicialmente aplicada, não está sendo eficiente, deve-se
aplicar a contenção sugenda para o maciço rochoso com RMR
menor que 61, igual ao recomendado para o X1.
- Para RMR = 38 (X1 fraturado), a contenção sugerida é
atirantamento sistemático de 4m a 5m de comprimento, espaçados
de 1 m a 1 ,5m no teto e nas paredes, com tela metlica. Aplicação
de 10cm a 15cm de concreto projetado no teto e 10cm nas laterais.
Instalar cambotas leves espaçadas de 1 ,5m onde requerido.
- Para RMR = 45 (X2 fraturado), é sugerido a instalação de
atirantamento sistemático de 4m de comprimento, espaçados de 1
,5m a 2,0m no teto e nas paredes, com telamento no teto mais 5cm
a 10cm de concreto projetado e 3cm nas laterais.
O gráfico representa a relação da pressão de suporte e o
deslocamento radial da parede do túnel
Princípio básico
Método – RMR de Bieniawski
• RESULTADOS

• Em função dos parâmetros obtidos acima, tem-se:


- Formação ferrífera/minério: RMR = 74 (maciço classe II =
rocha boa)
- X1: RMR= 54 (maciço classe III = rocha regular)
- X2: RMR = 61 (maciço classe III = rocha regular / boa)
- X1 fraturado: RMR = 38 (maciço classe IV rocha pobre)
- X2 fraturado: RMR = 45 (maciço classe III = rocha pobre /
regular)
de Ouro