Curso Aprovação | Artigos

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Contabilidade Geral

Antonio Cesar Valério da Silva (RJ)
08/11/04 - Dividendos
Amigos "concursandos", inicio minha participação na página do Curso Aprovação com um assunto bastante polêmico. A obrigatoriedade ou não de computar na base de cálculo dos dividendos a parcela Realizada da Reserva de Reavaliação do período. Muitos alunos me procuram para ouvir minha opinião. Vamos então analisar a situação.

Todo o problema surge com o disposto no § 2º do artigo 187 da Lei nº 6.404/76. Vejamos: "§ 2º O aumento do valor de elementos do ativo em virtude de novas avaliações, registrados como reserva de reavaliação (artigo 182, § 3º), somente depois de realizado poderá ser computado como lucro para efeito de distribuição de dividendos ou participações." Quando o ativo reavaliado é realizado (através da depreciação, amortização, exaustão, baixa, alienação, etc), deve-se proceder a realização da reserva de reavaliação, transitando este valor contra lucros acumulados, eliminando, desta forma, o efeito do acréscimo ocorrido nas despesas através da realização do ativo reavaliado (via depreciação por exemplo). O § 2º do artigo 187 determina que somente após esta realização, a parcela da reavaliação PODERÁ (grifo meu) ser computado como lucro para efeito de distribuição de dividendos ou participações. Podemos reparar que o legislador não obrigou o seu cômputo, apenas possibilitou. Esta forma de agir está alinhada com a finalidade do procedimento de reavaliação de ativos, ou seja, registrar na contabilidade o custo de reposição dos ativos que são usados nas atividades das empresas. Desta forma, quem vai determinar se a parcela da reserva de reavaliação deve ser computada no cálculo dos dividendos é a assembléia geral ou o estatuto, se nele houver esta previsão. Esta mesma linha de raciocínio pode ser encontrada no livro Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (FIPECAFI), sexta edição, editora Atlas, dos mestres Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke, no capítulo21, item 21.8 e 21.9, páginas 320 e 321. Transcrevo abaixo itens mais relevantes do disposto no livro acima: Item 21.8 "Pelo fato de as despesas aumentarem em função de ativos reavaliados, a Lei nº 6.404/76 permite que o cálculo das Participações e dos Dividendos seja feito também sobre a parcela transferida de Reserva de Reavaliação para Lucros ou Prejuízos Acumulados. Dessa forma, os empregados, os administradores e outros participantes do lucro, bem como os acionistas, poderão não ser "prejudicados" por causa desse procedimento. Diz o § 2º do art. 187 que "o aumento do valor dos elementos do ativo em virtude de novas avaliações, registrado como Reserva de Reavaliação (art. 182, § 3º) somente depois de realizado poderá ser computado como lucro para efeito de distribuição de dividendos ou participações". Para evitar maiores problemas, deve a companhia estabelecer em seus estatutos (e as outras sociedades em seus contratos) essa inclusão no cálculo de tais participações e dividendos; se em seu estatuto estiver mencionado que eles (participações e dividendos) são devidos sobre o lucro líquido do exercício, não mencionando a hipótese de incluir o valor transferido, poderá haver discussões jurídicas a esse respeito. Afinal, a Lei não obriga explicitamente a tal acréscimo e, além disso, os acionistas aprovaram a contabilização da Reavaliação; logo, deve a empresa regulamentar internamente a matéria."

http://www.cursoaprovacao.com.br/cms/artigo.php?cod=559

6/8/2008

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Item 21.9 "b) Não-pagamento de Dividendos sobre Lucros Necessários à Reposição de Ativos - Devido ainda ao mencionado na letra a, pode a empresa, em função da redução do lucro, apurar um valor de dividendos que evitará problemas para a reposição de seus ativos. Se o valor atual de um equipamento é muito maior do que o que está servindo de base à depreciação, devemos lembrar-nos de que uma parte do lucro que está sendo contabilizado deve ser também segregada para a reposição desse equipamento, não devendo, portanto, ser distribuída. A reavaliação pode eliminar, pelo menos em parte, esse lucro não distribuível dos resultados. Sabemos que as companhias devem ter em seu estatuto a definição do critério de cálculo do dividendo obrigatório. Para evitar as discussões aludidas no item 21.9, pode já estar assentado estatutariamente que tal dividendo se fará sempre sobre o lucro líquido (ajustado ou não conforme o art. 202 da Lei nº 6.404), mas sem a inclusão da parcela transferida da Reserva de Reavaliação para Lucros ou Prejuízos Acumulados. Além disso, também no caso dos dividendos adicionais aos obrigatórios, terá a empresa condições de evidenciar o quanto precisa reter para poder repor seus ativos." Preciso alertar que não me lembro de questões desta natureza em provas da ESAF. Normalmente esse assunto é tratado em simulados. Recomendo, também, um estudo mais aprofundado no conceito da reavaliação, seus motivos e efeitos. Para tanto, além de outros livros disponíveis no mercado, indico o meu, "Contabilidade Avançada", editora Impetus.

Um abraço a todos e até um próximo bate papo. Antonio Cesar

Os conceitos e opiniões veiculadas nos textos são de responsabilidade exclusiva do autor.

http://www.cursoaprovacao.com.br/cms/artigo.php?cod=559

6/8/2008

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