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© 2006, Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei no 9.610, de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. Editoração Eletrônica SBNIGRI Artes e Textos Ltda. Revisão Gráfica Tânia Gonçalves Coordenador da Série Sylvio Motta Projeto Gráfico Elsevier Editora Ltda. A Qualidade da Informação Rua Sete de Setembro, 111 — 16o andar 20050-006 — Rio de Janeiro — RJ — Brasil Telefone: (21) 3970-9300 Fax (21) 2507-1991 E-mail: info@elsevier.com.br Escritório São Paulo Rua Quintana, 753 – 8o andar 04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP Telefone: (11) 5105-8555 ISBN 13: 978-85-352-1985-2 ISBN 10: 85-352-1985-4 Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação, impressão ou dúvida conceitual. Em qualquer das hipóteses, solicitamos a comunicação à nossa Central de Atendimento, para que possamos esclarecer ou encaminhar a questão. Nem a editora nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas a pessoas ou bens, originados do uso desta publicação. Central de atendimento Tel: 0800-265340 Rua Sete de Setembro, 111, 16o andar – Centro – Rio de Janeiro e-mail: info@elsevier.com.br site: www.campus.com.br

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ _________________________________________________________________________ P698d Pimentel, Carlos Barbosa Direito Comercial: teoria e questões comentadas / Carlos 5. ed. Barbosa Pimentel — 5. ed. — Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. 376p. — (Impetus provas e concursos) Inclui bibliografia ISBN: 85-352-1985-4 1. Direito comercial. 2. Direito comercial – Problemas, questões, exercícios. 3. Serviço público – Brasil – Concursos. I. Título. II. Série. CDU — 347.7(81) 05-3692. _________________________________________________________________________

Dedicatórias

Aos meus pais, que me ensinaram a importância do conhecimento; à Patrícia, minha esposa, pelo estímulo e compreensão; aos meus filhos, Carlinhos e Clarinha, que inundaram minha alma de felicidade; ao meu sobrinho, Victor, que sempre esteve presente em minha vida; aos amigos sinceros, pelo apoio e ajuda na realização deste trabalho.

Nota do Autor

A disciplina a que nos propomos estudar tem como característica a variedade de normas regulamentadoras. São muitas leis e decretos, todos tendentes a estabelecer regras a respeito de Empresários, Empresas, Registro Público de Empresas, Livros Empresariais, Títulos de Crédito, Falência, Concordata, Contratos Mercantis, entre outros temas ligados ao Direito Comercial. Quando a finalidade do estudo é a participação e a aprovação em concursos públicos, devemos estar atentos para o melhor aproveitamento possível do tempo disponível, sem desperdiçá-lo na leitura de assuntos que não se referem diretamente aos programas. Geralmente, o aluno iniciante depara-se com certa dificuldade, absolutamente compreensível, devido à diversidade própria da matéria. Ciente da importância de maximizar o aprendizado, face à extensão dos tópicos constantes nos editais, que não são poucos, procurei reunir numa única obra os objetos do Direito Comercial mais requeridos nos competitórios, já aproveitando as novidades introduzidas pelo Código Civil de 2002, sobretudo no que se refere ao Direito de Empresa e Empresários. Este trabalho, portanto, desenvolvido tanto a partir da observação de questões presentes em concursos realizados pelas mais conceituadas instituições do gênero no país, como da leitura de importantes autores, a exemplo de Fábio Ulhoa Coelho, Fran Martins e Rubens Requião, entre outros, tem a finalidade de ajudar o candidato, na medida em que ele terá a oportunidade de apreciar os principais pontos da matéria, ao mesmo tempo em que disporá de cerca de oitenta quesitos comentados (todos extraídos de concursos). Com a pretensão de estar colaborando na busca pelo objetivo dos aspirantes a um cargo público, lembro que todo propósito a ser conseguido, por mais difícil que possa ser, necessita da conjunção de três fatores: a vontade de conquistá-lo, a persistência do agente e a organização de suas ações. Carlos Barbosa Pimentel carlospimentel@tce.pe.gov.br

até mesmo. não pode utilizar seu precioso tempo na leitura de ensinamentos que. remonta às origens do comércio. aproveito para inserir dois importantes temas relacionados à disciplina. Para que um trabalho dessa natureza atinja o fim a que se propõe. portanto. busquei reunir conceitos e avaliações de renomados mestres (cito Rubens Requião. embora válidos. com a evolução histórica do Direito Comercial até seu surgimento no Brasil. Desejo aos leitores. apesar da vontade de enriquecer o livro com cada vez mais temas relacionados à disciplina. que nasce dentro de cada um de nós. pois o candidato que se prepara para enfrentar processos seletivos com tamanho grau de dificuldade. a exemplo do item específico tratando das sociedades simples. e envolve a participação do Banco Central do Brasil na intervenção. novas matérias. cuja iniciativa nasceu da observação das grades curriculares de algumas universidades. Lembrem-se! A conquista de um sonho necessita de três fatores: o primeiro é o desejo de alcançá-lo. no sentido de debutar no conhecimento da ciência jurídico-comercial. a partir desta edição. Waldirio Bulgarelli. Para não me afastar da própria concepção objetiva da obra. muitas vezes longo. deverá ser constantemente revisto e atualizado. um material didático abrangente dos assuntos requeridos nas provas. . como os que venho observando nos últimos anos. liquidação extrajudicial e administração especial temporária nas instituições financeiras e assemelhadas. um ótimo aproveitamento e que o esforço de meu trabalho seja útil à realização dos objetivos de cada um. ao mesmo tempo. sob uma visão finalística da matéria. enfocando-os com clareza e precisão.Nota à 2a edição A segunda edição dessa obra mantém a opção por um estudo objetivo. depois. é preciso organizar as ações que permearão o caminho. por fim. não trarão proveito prático. a exemplo do Auditor Fiscal da Previdência Social. questões aplicadas em certames realizados mais recentemente. aproveitei para inserir novos conceitos. Fran Martins. Nota à 3a edição Feliz por ter nova oportunidade de enriquecer este trabalho com cada vez mais matérias de Direito Comercial. que é o de oferecer. este é contemplado em programas de vários editais de concursos públicos. Auditor Fiscal da Receita Federal. não posso esquecer o objetivo inicial a que me propus. quando o desânimo e o pessimismo devem ser afastados. O outro tema acrescentado. é conhecido por “Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras”. Técnico do Banco Central etc. Seu estudo proporcionará ao leitor um substrato importante. Por isso. a persistência de quem parece disposto a atingir uma meta. Diferente do primeiro. procurando enfocar os principais temas ligados ao Direito Comercial sob a ótica de quem pretende enfrentar e vencer o desafio da aprovação em concursos públicos. e. O primeiro. Entrementes. dentre outros).

que poderia ser intitulada como a "Lei de Recuperação e Falências das Empresas e dos Empresários". essa nova ordem. A Nova Lei de Falências. nas quais devedor e credores têm a chance de resolver seus conflitos através de um plano de recuperação proposto pelo devedor e levado a juízo. aqui entendidos pessoas físicas ou jurídicas. pois não trazia instrumentos para propiciar a recuperação de pessoas jurídicas que atravessassem crises momentâneas em seu fluxo de caixa. Se a antiga legislação. já não contribuía com a impulsão da atividade econômica. mais conhecida como a "Nova Lei de Falências".101/2005. A falência. é um exemplo de como o sistema jurídico de um país deve acompanhar as mutações em seu panorama econômico. da forma como era apresentada no antigo decreto. publicada em 09 de fevereiro próximo passado. capaz de possibilitar o soerguimento de empresas invariavelmente fadadas à extinção. representada pelo Decreto-lei no 7.661. foi mantida. constituise no grande atrativo a essa 4a edição. . mas com alterações.Nota à 4a edição O Direito é uma disciplina dinâmica. procurando sempre tornar a leitura o mais prazerosa possível ao leitor. com graves conseqüências econômicas e sociais à nação. com seus detalhes mais importantes reunidos de maneira didática. Essa busca dos grupos sociais por mudanças leva à necessidade de constantes conciliações entre os anseios do povo e as normas jurídicas aplicáveis. que também conta com os demais capítulos já apresentados em edições passadas. Foi com base nessas premissas que surgiu a Lei Federal no 11. Isso porque trouxe novas formas de processamento para a recuperação dos empresários. de 1945. Pois bem. sempre perseguidora do progresso e do bem-estar social. adaptável ao dinamismo da própria sociedade. Trata-se da recuperação judicial e extrajudicial. imprescindível era uma norma moderna.

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permeando sua narrativa de advertências oportunas para aquele que se prepara para enfrentar uma banca examinadora exigente. Sylvio Motta . agradecendo a confiança e fazendo de tudo para continuar a merecê-la. esta empreitada ainda dispõe de inúmeras questões de prova. O Professor Carlos Barbosa consegue dispor. Sempre foi objetivo desta Série propiciar ao candidato instrumentos eficazes para o seu êxito no certame público. graças a dois fatores primordiais: a excelência dos professores signatários das obras que a compõem e o rígido controle de qualidade da Editora. de forma didática e agradável. em razão da excepcional qualidade das obras que apresenta. para facilitar a fixação do conteúdo explanado. o Direito Comercial. com essa obra não é diferente. E isso tem ocorrido. E é atestando a qualidade da obra que a Editora Campus/Elsevier tem o prazer de colocá-la em suas mãos. Pois bem.Palavras da Coordenação A Série Impetus Provas e Concursos tem se consagrado junto ao seu fiel público leitor. Atualizada pelo novo Código Civil.

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............4........................................Sumário CAPÍTULO 1 NOÇÕES GERAIS .. Autonomia do Direito Comercial ........ 21 11...... Organização ...................... 3 3........................... Evolução Histórica do Direito Comercial ......... Empresário ..........................2.............................................. Conceito ....................................... Os Romanos ...........2.............. 13 9......... 21 11................... Os Fenícios .. Fontes do Direito Comercial ...................................................... 17 9................. 2 3........................2........................................................3................. Os Estados Nacionais ................................. 14 9...... 3 3.... 14 9......................... 12 9......3.............................2........ Classificação ..... 3 3....................... 10 7....... 1 1........... 14 9.................. Capacidade ... 18 10..................... 17 9.................1.... Origem do Comércio ........................... O Histórico do Direito Comercial no Brasil ........................... Os Impedidos ............... Surgimento do Direito Comercial ...................................... Império da Babilônia .......4............ Conceitos de Direito Comercial ...................................... 6 5.........................2.......2...1..... 11 8........................ 2 3.................. 13 9..... 22 .3............ Livros Empresariais .......1............. 5 4.................... Conceito ............. Continuação da Empresa por Incapaz .. Características do Direito Comercial ........................................................ 7 6.............. 20 11........5.... Profissionalismo ................... 15 9...................................................... Prepostos do Empresário ............................ Requisitos .. O Empresário Rural e o de Pequeno Porte ..... Idade Média ................... 4 3........................................ Atividade Econômica ........................................1..............5..............4...............2..2......................................... 14 9.................. 1 2...................

................................................ Alienação ........... 30 13.......................2........................3...1.........2........2................... 42 15............. Proteção ..................... 32 13................................. 28 12....4........ Disposições Preliminares ................ O Ponto Empresarial .2............1........ 38 14.................. 50 15.......1....... Da Patente de Interesse da Defesa Nacional ........................................... 13........... 15................. 41 Direitos de Propriedade Industrial ................................... 27 12............ Formação ..............................3....................1.2. O Título do Estabelecimento ............................... Do Pedido e Concessão da Patente ........................................................................ 34 Nome Empresarial ............................................................. 44 15..7.. Alienação . Disposições Preliminares ........... Registro .. Função ...... 14.................. Patentes ............... 27 12..... 42 15. Da Nulidade da Patente .........................8................................5...................................................1.... Das Licenças ............ Força Probante .......... 48 15...... 40 14.... 51 15........ 29 Estabelecimento Empresarial ................ 48 15.5.2.............12..... Eficácia do Registro ........... 36 14...3.......... 29 13.... 45 15..2......5.2...........1...................6............... 31 13..................... Utilização por quem de Direito ...........2...... Princípios ...... Atos de Registro ............................... 39 14..4..... Exibição dos Livros Empresariais ....2....5............ Da Extinção da Patente ............................................... 29 13... 25 12.... Conceito ......4. 38 14......................................2....................2....................................... Composição ..3.2...... 43 15...............4..... Conceito ...........2................... 35 14........ 24 11....................................................7................. Inatividade do Registro ...... Da Vigência e da Proteção Conferida pela Patente ....4.................3....................... Natureza Jurídica ...................... Registrabilidade do Desenho Industrial ..... 35 14.............................................................. Formalidades .......................... 47 15...............1....3........ 11.................... 23 11............... 51 .................... 50 15...... 50 15........2....6. Modelo Organizacional do Registro .............................3...................2...... Invenção e Modelo de Utilidade ...... 24 Registro Público de Empresas ................................ 33 13.... Da Realização por Empregado ou Prestador de Serviço ............. 25 12.....

....1..... 63 17.......3...........1....... Da Desconsideração da Personalidade Jurídica .... Da Extinção do Registro ...4...........Do Pedido e da Concessão do Registro de Desenho Industrial ..............................................1... 73 17...........1....................... Disposições Preliminares ............... 61 16...2.7...................... Da Nulidade do Registro . Das Responsabilidades .......................... 65 17. Da Nulidade do Registro ..................... O Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE ............. 63 17............................6.. Da Responsabilidade por Vício do Produto ou do Serviço .....2...................................... 61 16....... Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro .......... Meios de Proteção à Ordem Econômica ..............4......... 60 16.......8.................................... Disposições Preliminares ................ 74 17.3.... Das Infrações e das Penas ................................ 67 17..3..5....................................................3...4.. Do Pedido e da Concessão do Registro ..... Da Proteção Contratual ..... Direitos do Consumidor ..................... 53 15.. Extinção do Registro ..... 57 15.. Fornecedor ... Da Intervenção Judicial .................. 60 16.1....................... 75 Exercícios . Repressão às Infrações Contra a Ordem Econômica ........................4.........1................. 58 15.2.... 54 15.... Da Publicidade .. 60 16............ Consumidor .... ........... 68 17... Registro de Marcas ..... 56 15................3..2.... Concorrência Desleal ...... 55 15... 62 16................. 54 15...1.5.......3................... 58 16......... Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro ................. 53 15.5............ 64 17....................4.5......................3.... 53 15...5.......3........ Dos Direitos Básicos do Consumidor ......5...............2..1...5. 57 15... 63 17....4......................................3..4.2........... Disposições Preliminares ........... 72 17........ 77 15... Da Responsabilidade pelo Fato do Produto ou do Serviço ................................................................................................6........................ 63 17. Indicações Geográficas .4...1............... 67 17....................... Da Decadência e da Prescrição ....................... 52 15.......4.....4....... Repressão aos Crimes Contra a Ordem Econômica .

.... Da Liquidação .................. Da Dissolução .......1.........1..................................... Dissolução da Sociedade .. 97 6.................. Sociedades Simples ..................2.5.................. 124 8............6.... 121 8................... 123 8..4.............. 105 7.....2.......................1. Sociedades Simples .4....... 114 7.....3...4............ 123 8...... 110 7....... 130 8...................1........ Disposições Preliminares ................ Sociedades Empresárias . 105 7.......... Da Liquidação Extrajudicial ...... Da Liquidação Judicial ............................................................ Conceito ........... Sociedade Limitada ....................1................. 93 4.............1................................ Cessão de Quota Social ...... Modificação das Sociedades .........1........... Em Comandita por Ações ......... Da Resolução em Relação a um Sócio ........................1..5............. 116 7............. 104 7....... 91 3.. 103 7...................... Regência ..........................4.......... Responsabilidade dos Sócios ...................... Responsabilidade dos Sócios ......... Em Comandita Simples .8.................. 128 8............1...........2..... Administração . Deveres dos Sócios ....................1.......CAPÍTULO 2 DIREITO DE EMPRESA ...........3............... 123 8............................................ O Nome ......... 100 7..............1. 88 1...... Personificação das Sociedades ........................... 119 7...............7.4... 112 7.....2....1.3... Direitos dos Sócios ...7..................................... 108 7.... Constituição .........................................4................. 124 8.... 127 8.. 103 7......... 118 7...1... 87 1....2...2........ Constituição .1..1............... Constituição das Sociedades ....... Natureza ............. 111 7............................ Classificação das Sociedades ................. 103 7.......3...................1..... Disposições Preliminares .. 125 8..............8.......1........... Conceito ................7........... 94 5.........1............................. 117 7.... 106 7..1......2.........1....3..1... O Patrimônio das Sociedades .. O Sócio Quotista ........................ 89 2.. Em Nome Coletivo ...................8.... Deliberações Sociais ................................ Tipos de Sociedades ....... 129 8........................................................... 123 8..............4.4..........................4....... 113 7..........2......... A Quota Social .......... 132 . 128 8. Em Conta de Participação ..................................... Formação do Capital Social ..................................1............ 87 1.......................1..........1......................................

..... 171 12....... Sociedade entre Cônjuges ................... 168 10............ 165 10.... Órgãos da Companhia ........... 158 9............. Administração da Limitada ........... 167 10. Bônus de Subscrição ...........................8................. Reservas e Dividendos ....8........ 162 9...................................... Sociedade Nacional ............... 136 9....... Dissolução da Cooperativa ...2.. 134 8.. Sociedades Dependentes de Autorização ......9......2............. Partes Beneficiárias ............................ 174 13............... 170 11..........1................................ Ações .11.8...............2.....8........................4.....................................................5....... Reservas ..... 163 10............3.8....... 141 9..... Órgãos da Limitada ....................................................11.......... 158 9.... 173 12....... Dividendos ..1......... 160 9........... Responsabilidades dos Acionistas .................. Órgãos ..... 145 9..... 153 9..................2..8.. Disposições Preliminares . Ligações entre Sociedades ................................................................... 159 9...........1.................. 156 9............................................ 153 9........... Debêntures .............. 141 9..............3...........3... 169 10.......... 146 9.........3.......................1. Responsabilidade dos Sócios .............. Sociedades Anônimas ..........................4.3............ 173 12.....8............ Classificação das Cooperativas ............. Constituição ............ Sociedade Estrangeira .................12...................10.....11................................ 157 9........... Administração ........... Deveres dos Acionistas ............... Dividendos Obrigatórios ............. Disposições Gerais ................. 144 9.. Disposições Preliminares .............. 176 Exercícios ........ 165 10............. 156 9......... Sociedades de Economia Mista .6....................... 175 14.3................... 166 10. Sociedade Cooperativa ......... Conceito . 165 10...................5........................... Valores Mobiliários ....5......2............. Livros Sociais .....1.................................. Lucros......... Características Principais ..8..... 169 10.11........ 148 9............................................... 153 9.... Direitos dos Acionistas ........................... Liquidação e Extinção .... Dissolução.....................6..............11.......... 188 ....1.................................................. 174 12...................................................................5...........7....... Administração da Companhia ............4..................................... 163 9.................................. Constituição ............ 159 9... 162 9.......................... Dividendos Prioritários .. Demonstrações Financeiras ............................6..........2.7................3........................ 143 9... Regência .............11........ 141 9...................

......1...........................5....................... 214 8.............................. 213 7. 217 9........................................................... 202 5. Vencimento ..................................... 207 7........7.... 201 2....... 216 9............................................................ 208 7................... Ação de Cobrança ....................CAPÍTULO 3 DIREITO CAMBIÁRIO ..................10........................ 210 7..... Aval................................11...........8.... 218 9........................................................................3.................... Legislação Aplicável ..... 213 7........ Aval ............ Protesto ...... 212 7.......7............................... 219 9........................ Características dos Títulos de Crédito ..9......................................... 214 8............................................................6................. 215 8....... 211 7......................................... Figuras Intervenientes ......................................... Vencimento e Pagamento ............................... Ação de Cobrança ...................................................................... Atributos dos Títulos de Crédito .. 207 7............................ Modo de Circulação ........ 215 8.....3........4................................................................................. 215 8.................. Protesto ............................................................ 207 7... Aceite .....................9..................... Vencimento....2..... 220 .........4.............................. 219 9......6.................. 201 1. Legislação Aplicável . 202 3............ 216 9................... Aval .....................4..................... Nota Promissória .. 214 8..................3...5........... Requisitos de Validade ..... 209 7.......5... 216 9.............2.......... Conceito ...... Ação de Cobrança........................ 205 7..............8.......... 202 4.................................. 218 9.......... Letra de Câmbio ................................. Pagamento ......... Figuras Intervenientes ............. 217 9. 208 7.......... 216 9....................................................6......................... Pagamento..............12.......... Aceite .............................................. 204 6............................. 214 8.......2. Características Principais ............... Aceite.... 207 7...... Endosso .. Endosso ............................ Protesto ................................. Conceito de Títulos de Crédito ...............1...... Aval............11.............. Requisitos de Validade ................... Figuras Intervenientes ....10... Endosso............. Aceite ..................................... 216 9............................ Legislação Aplicável ........................... Disposições Preliminares ................ Ressaque ..1...................... 219 9................................. Endosso..... Conceito ................................. Requisitos de Validade .............. Protesto ................... Conceito ........... Cheque .................................

................ A Massa Falida ...................... Espécies .................................... 227 11......1.... Legislação Aplicável ........... 228 11.... 225 10............................... Endosso ................11...................4......................10................................. 228 12. Ação de Cobrança ................ 225 10...... 249 1................................. 226 11.......................................................... Conhecimento de Depósito e Warrant ....................... 228 12...........9................ Conceito .................. Protesto .... 248 1........................................................................................................ Requisitos de Validade .....1....................3......................... Requisitos de Validade .............................. 241 Introdução .....5.... Sustação ....5.... Legislação Aplicável ......2.................... 223 10....... Características Principais ...... 229 12.................6.... 222 10.................................. 230 12....................... 224 10...............5.................................................................. Aval ... 227 11...................4.... Sujeitos Passivos da Falência........................ 230 Exercícios .................................................................................1...................................... Títulos de Crédito Rural .... Aval ................ Sujeitos Ativos da Falência ..............6............. 228 12...........8........... 226 11.............................................................. 244 1........................ Características Principais ................................................................................................3........................2..9.............. Aval .......................... Conceito ...... 228 11..................... 227 11........... Protesto ............................ 230 12.. 224 10........... 223 10................. Legislação Aplicável ..... Vencimento ........................... Endosso ...........13............... 244 1..3...... 221 9..................... 226 11........... 222 10................... Falência .............................. Protesto .......... 223 10..............................2....12.......................4.............................. 235 CAPÍTULO 4 DIREITO FALIMENTAR ........................................................... 223 10..... 229 12..................7. Conceito ........ Disposições Preliminares ........................ 249 ..... Características Principais ................. Endosso .................7...............7...........5............................... Duplicata .......6....... Figuras Intervenientes ........................................................................... Figuras Intervenientes ......................................................... 229 12...2........................ 241 1.. 225 10.. Caracterização da Falência . 245 1....4..................... 221 10..............................................1... Aceite ...................................................3..............................................................

.............................................2....................9........ 278 2............................................... .... Quanto ao Negócio do Falido ............ 276 2...........4...................... 278 2.......................... Disposições Preliminares ..... Sujeitos Ativos da Recuperação Extrajudicial ...................... 266 1............9. 1........1..........................................7... Sujeitos Passivos da Recuperação Judicial .1.............. Caracterização da Recuperação Extrajudicial ........9..1.3...7... 287 2. 1... 279 2....... O Juízo da Recuperação Judicial ................... 279 2.. Quanto aos Contratos do Falido .......... 258 1...... 275 2......... 275 2..1....9........... 275 2.........1.1.................9.......6.........................1... 259 1............2............3.. 284 2.......................... Órgãos da Recuperação Judicial .... Órgãos da Recuperação Extrajudicial .............. Quanto aos Direitos dos Credores .................. 282 2.. 258 1. Quanto aos Bens do Falido ....2..........2.... O Juízo da Recuperação Extrajudicial .....5........ O Processo de Recuperação Extrajudicial ...1........ 253 Verificação e Classificação dos Créditos ........1. Quanto à Ineficácia e Revogação de Certos Atos . 288 2.........10........... Órgãos da Falência ..........................1.....5.....1. 280 2.... Recuperação Extrajudicial . 255 Efeitos Jurídicos da Falência ..............8..5..........4.....2..........2.4...... 268 Recuperação de Empresas .....9... 287 2..............2.............. 262 1...............8......... Sujeito Ativo da Recuperação Judicial .... 263 1........ 290 1..... O Processo Falimentar ............3.. Disposições Preliminares ....... 250 O Juízo da Falência ..................................2.........2....... 282 2.......2...... 1...............6....1...2........ Recuperação Judicial .6.. Sujeitos Passivos da Recuperação Extrajudicial ................................. Caracterização da Recuperação Judicial ... Efeitos Jurídicos da Recuperação Extrajudicial ... 279 2.........

............... Efeitos da Liquidação Extrajudicial ..... O Processo de Administração Especial Temporária ... 301 3..... 301 3....3........ Responsabilidade dos Administradores ..................... 307 Exercícios ......3................ Conceito ............ 299 3... Conceito .... Quanto ao Negócio do Devedor .......................2........ Disposições Preliminares ......... Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras ............... 292 2...2.. Causas ............... 297 3.. 291 2..... Administração Especial Temporária ...................................................................2........... 307 3..... 303 3.................................................................... Efeitos da Intervenção ....................4.... 299 3.......... O Processo de Liquidação Extrajudicial ...............................3..... 295 2.......... Sujeito Ativo .......1..3...... 303 3........... Sujeito Passivo ...... Sujeito Passivo .. Quanto aos Contratos Celebrados pelo Devedor ..........4.....2.3............... 298 3... 297 3.. 293 2................................2..............4.... Sujeito Ativo ....1............................. Causas ......... 303 3.....3......................2...3.. 293 2.......................2.............4....................2.1... 298 3. Quanto aos Bens do Devedor .........2.....................5...............3........8...3..4....6................ 306 3.8...........6..........3.............9..........2....2...Verificação e Classificação dos Créditos .............. 306 3...8....... 309 2..... Conceito ........................2.......7..4.2...........................2..... Quanto aos Direitos dos Credores ...2.............. Intervenção ..1... 304 3.....8.............. O Processo de Intervenção ............................1....... 295 3..................7...2.......... Causas .............. Efeitos Jurídicos da Recuperação Judicial .. 302 3........ 294 2. O Processo de Recuperação Judicial ................ 305 3.......8...4...................5.............3.2.. 299 3.......2.......... 300 3.. ....3.. 300 3... Liquidação Extrajudicial ...........

........... 331 BIBLIOGRAFIA ................................ 326 ..................................................................... 323 5................................... 314 3....... Compra e Venda Mercantil ............................................... 317 5.......... 351 ................ Espécies de Contratos ......... Cartão de Crédito ............... Franquia Mercantil ... 315 4................................................................8............. Concessão Comercial ...................... 324 5.......CAPÍTULO 5 CONTRATOS ....3...............7..5..........4......6......................................................................... Efeitos da Celebração dos Contratos .... 320 5................................................. Leasing ou Arrendamento Mercantil .............. 313 1.. Classificação dos Contratos .............................................................................. Constituição dos Contratos ....................... Alienação Fiduciária .............................. 321 5................................................................................. 316 5................ Faturização . 317 5.................................................................. 324 Exercícios .. Disposições Preliminares ................................................................... 313 2.....................................1............... 322 5........................................2........... 318 5....... 329 GABARITO COMENTÁRIO ................... Representação Comercial ..

pois nem sempre o grupo social detentor de gêneros desejados por outro estava interessado na aquisição do excesso produtivo daquele. Nessa seara. Outros eram extraídos da natureza. mercadores. da pecuária ou do cultivo agrícola e vegetal. deu-se o nome de “atividade mercantil ou comercial”. para uma economia de escala voltada para a produção maciça de escala. Com o passar dos tempos e o natural crescimento dos grupos sociais. logo esse modelo demonstrou-se ineficaz. . A moeda foi o fator determinante para o surgimento do comércio. seus componentes buscavam produzir os bens de que necessitavam. ou da atividade mercantil. ofertando aquilo que tinham em abundância. identificados como aquelas pessoas que promoviam a intermediação dos bens entre o produtor e o consumidor. imperiosa a criação de uma unidade comum de valor – a moeda – cobiçada por todos. Desde o início. A diferença. mercantil uma vez que possibilitou a transição de uma economia de subsistência na qual o principal elo econômico entre os grupos sociais eram as trocas do excedente produzido.Capítulo Noções Gerais 1 1. começou a haver uma permuta do excedente de produção entre as sociedades. então. Tornou-se. excluídos seus custos. com uma parte devendo ser vendida a outros contingentes populacionais. À atividade precípua do comerciante. pois geralmente adquiriam produtos por um preço inferior. para revendê-los com majoração no valor da compra. era a margem de lucro. ao ato de comprar bens para posterior revenda. subsistência. tiveram por objetivo auferir lucro da profissão. Origem do Comércio Nas sociedades primitivas. quando elas tentavam suprir a carência na produção de certos artigos. surgiram os comerciantes conhecidos no início como mercadores comerciantes. Contudo. determinados bens. da pesca. ou seja. através da caça.

criadas a partir do século XII justamente para proteger os exercentes da atividade mercantil. Idade Média quando as corporações de mercadores. senão a partir da Média.2 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel É claro que nem sempre a equação funciona dessa forma. destinado ao Direito Comercial. em contraste com a forma esparsa de regras ou costumes até então praticados. Por isso. intensificaram o comércio marítimo entre a Ásia e as cidades costeiras do Mediterrâneo. como era hábito. No entanto. ultrapassando. algumas até mesmo importadas do Direito Civil. além de outras fontes do Direito. serem absorvidas pelo próprio Estado. ou mercantil. não-comerciantes. inclusive. E foi desta forma que teve início a disciplina. na Roma Antiga quando não existia regramento específico Antiga. por exemplo. no apogeu de sua civilização. em seguida. títulos de crédito em geral. os governantes perceberam que ali estava uma promissora fonte de renda e que deveriam agir para seu disciplinamento. Tal providência normativa remonta a civilizações muito antigas. No entanto. antes mesmo do nascimento de Cristo. mas sim àquele outro ramo do Direito Privado. codificado ou não. a exemplo da emissão de um cheque ou de uma nota promissória assim como o aval ou o endosso nos promissória. no sentido de criarem normas que regulassem a atividade comercial. a princípio restrita ao seio das corporações para. fizeram dos usos e costumes comerciais da época verdadeiros diplomas do Direito Consuetudinário Consuetudinário. costumes. conforme estudaremos no Capítulo 03. sabemos que a qualificação como disciplina só é possível face a um conjunto sistematizado. usos. 3. Surgimento do Direito Comercial Com o fomento da atividade mercantil. quando um conjunto sistematizado de normas lastreadas nos usos e costumes dos mercadores nasceu no âmbito das corporações. Já num estágio evolutivo posterior. Evolução Histórica do Direito Comercial A Idade Média marcou o surgimento do Direito Comercial. fenícios. . as fronteiras das corporações e sendo recepcionados pelas Cidades. pois pode acontecer de o preço de venda ser inferior ao de compra. o escopo da atividade sempre será o lucro. que envolve normas. é sempre onerosa. o Direito Comercial passou a regular até mesmo atos praticados por pessoas comuns. E isso não havia ocorrido ainda. diz-se que a atividade comercial. como os fenícios que. 2.

. Essa atividade. principalmente o marítimo. princípio basilar da atividade comercial. Isso porque o Direito Romanístico condenava a usura usura. contratos de depósito. 3. na história de vários povos.3. Império da Babilônia Aos babilônios. eram resolvidas através do Direito Civil.2. Também não há indícios de que os fenícios houvessem realizado qualquer obra sistematizada do Direito Comercial. que se desenvolveu entre a Ásia e as cidades costeiras do Mediterrâneo. dentre outras. tiveram origem na Roma Antiga como. especialmente as referentes aos contratos e obrigações. Os Romanos Na Era Cristã. o prejuízo seria repartido entre o proprietário do carregamento e o da embarcação. detentora das maiores propriedades rurais. eles já haviam consagrado a prática do alijamento alijamento. a falência e os Antiga.1.083 a. que merecesse ser chamado de Direito Comercial. iremos observar normas especiais a respeito do Direito Comercial. estavam proibidos de exercer o comércio. Nesta situação. sempre marginalizados na sociedade. Por volta do século X a. é creditada a elaboração de um dos primeiros dizeres a respeito de matéria comercial. símbolo do poder da época. povo de forte tradição guerreira. povo que ocupou extensão territorial na Ásia e no Oriente Médio.. C. banqueiros. 3. Algumas questões envolvendo a prática mercantil. que era a faculdade que detinham os comandantes dos navios de se livrar da carga. Trata-se do Código de Hamurábi – inscrição em pedra datada do ano 2. –. estava destinada aos escravos. A classe patrícia. C. Os Fenícios Esse povo intensificou sobremaneira o comércio dos tempos antigos.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 3 Série Impetus Provas e Concursos Entretanto. com disposições sobre empréstimo a juro. a majoritária doutrina não considera o Código de Hamurábi um precursor dos códigos comerciais. muito menos se traduzir em um corpo sistematizado. tendo em vista não conter dispositivos a respeito de compra e venda mercantil. contudo. Apesar de seu conteúdo. por exemplo. no entanto. Outras. ou aos estrangeiros. conforme veremos a seguir. praticaram o comércio. em caso de perigo iminente. 3. de sociedade e de comissão. os romanos. A aristocracia romana considerava a prática do comércio uma atividade indigna de um cidadão romano. assim como os senadores.

com a Tabla Amalfitana (século XII). Um pouco mais adiante. naquele início do segundo milênio da era cristã.4 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Apesar da origem desses institutos. As corporações exerceram tanta influência sobre a sociedade mercantilizada da época. a princípio. Após longo período de dominação árabe no Mediterrâneo. surgiu. Elas tinham jurisdição sobre determinado território e eram criadas pelos próprios mercadores. sob a égide do Código Comercial de 1850. pois ainda faltava a sistematização da matéria. a fragmentação do poder central. o que causou isolamento das comunidades e. que perduraram até 1875. Aos poucos. existentes inclusive no Brasil. fazendo reflorescer um intenso comércio marítimo na região. nascida justamente daquelas pessoas que. Já no século XII. Alguns autores sustentam que foi a atribuição dos cônsules precursora dos também extintos “Tribunais do Comércio”. Idade Média O Império Romano ruiu por volta do século V quando os árabes assumiram o . por conseqüência. como disciplina autônoma. da atividade mercantil. na própria corporação. enquanto a outra relacionava-se ao poder consular. não podemos afirmar que o Direito Comercial. pois os muçulmanos bloquearam as vias de acesso ao comércio marítimo. a primeira. Uma apreensão crescente tomava conta da população que. viu-se compelida a buscar segurança junto aos seus senhores nas áreas rurais. Serviam para dirimir conflitos entre eles. por meio do qual a produção dos campos era escoada para outras terras. . com sua Capitulares Nauticum Capitulares Nauticum. sob determinadas regras. apareceram as primeiras corporações que reuniam os praticantes corporações. o Guidon de la Mer. ou o Consulado do Mar em Barcelona. Sucedeu-se um período de profundas mudanças na sociedade européia. controle sobre o Mar Mediterrâneo. centralizadores de diversos pontos de venda. na ausência do Estado. em contraposição aos senhores feudais. devido à pulverização do Estado. Mar. na França. expressada a partir da elaboração das normas a serem aplicadas aos comerciantes. que muitas cidades aproveitaram suas normas na criação das primeiras codificações do Direito Comercial. os europeus retomaram as antigas rotas. Muitas passavam a compor o ordenamento jurídico das cidades. Veneza. para onde se dirigiam clientes. dedicado praticamente ao seguro marítimo. buscaram segurança junto aos seus senhores. teve origem em Roma. 3.4. Foi o caso de Amálfi. os portos marítimos tornaram-se núcleos comerciais. escolhiam-se cônsules que deveriam trabalhar na aplicação das normas elaboradas cônsules. Para tanto. Possuíam as corporações força legislativa e judicante. já no século XVI. com atribuições até para punir os culpados. fornecedores e consumidores. Fortaleceu-se a “classe burguesa” nas cidades.

Oito anos mais tarde. através da Lei no 556. quando a França encontrava-se sob a regência de Luís XIV. O fato que marcou o surgimento do Direito Comercial nascido do próprio Estado foram as Ordenanças Francesas Francesas. da Itália e. só foi elaborado em 1807. se o Código Napoleônico não acrescentou grandes inovações ao Direito Positivo então vigente. a elaboração de outros Códigos Comerciais em diversos países. dentre outras. regulando agentes de bancos. A primeira. veio a outra. da organização dos mercadores. Entrementes. quando prevalecia o subjetivismo caracterizador dos comerciantes. falências. sociedades. de seguro marítimo e de seguro.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 5 Série Impetus Provas e Concursos Remonta ainda à Idade Média o aparecimento de alguns dos principais contratos comerciais. à época. de forma profissional e habitual. Percebam que aquelas regras relacionadas ao comércio da época medieval. atividades bancárias. da Espanha. . a exemplo da Bélgica. foram aproveitados. O primeiro Código Comercial. que. a exemplo do contrato de transporte. estava sob o comando de Napoleão. seguros e transporte de mercadorias. baixada no ano de 1673. também na França. como vimos. Para tanto. não podemos olvidar sua maior contribuição que. com seu objetivismo. Tais atos estavam relacionados no próprio código e possuíam correlação com atividades de intermediação de mercadorias. Partiram. qualificando o comerciante como qualquer pessoa que praticasse “atos de comércio”. dispunha sobre o comércio terrestre. influenciou. ficando por isso conhecido como o Código Napoleônico Em sua feitura. podendo até se afirmar que poucas inovações normativas ele trouxe. de Portugal. guiado pelos princípios da igualdade e da liberdade permeadores da Revolução Francesa. que logo perceberam a importância da atividade mercantil para o fortalecimento de suas economias e conseqüente prosperidade das nações. Os Estados Nacionais Os séculos XV e XVI são caracterizados pela retomada do poder central nos Estados. do Brasil. 3. no século XVIII. muitos dos dispositivos das Ordenanças Napoleônico. além de alguns títulos de crédito. não haviam sido por ele elaboradas.5. embora toleradas e incorporadas pelo enfraquecido poder estatal de então. De outra forma. que só seriam alçados a tal condição se pertencessem a uma corporação. que só implantou o seu em 1850. que dispôs sobre o comércio marítimo. aquele diploma de 1807 tratou de regulamentar as questões relativas ao exercício do comércio de forma objetiva. inclusive. procurou evitar privilégios corporativos que dominaram o comércio na Idade Média. de 25 de junho de 1850. no entanto.

além de outras já citadas. Alguns anos após a declaração da independência. refugiou-se no Brasil a Corte Lusitana.. Destacam-se a “abertura dos portos às nações amigas”. também naquele ano de 1808. Não se tratava evidentemente de um Código Comercial. em seu art.6 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 4. depurada e sã jurisprudência”. Outro importante diploma português daqueles tempos foi a Lei da Boa Razão Razão. de 25 de junho de 1850. Estava criada a base para o desenvolvimento do Direito Comercial Brasileiro. na ausência de norma legal a respeito de certo tema. pois. sob a regência de Felipe II. 4o. que com elas estavam resplandecendo na boa. em 1603. em 1808. Também não podemos equipará-la às Ordenanças Francesas surgidas setenta anos depois. deveriam ser adotadas leis de outras “nações cristãs. pois já estudamos que o primeiro do gênero nasceu na França. Esse ato trouxe profundas transformações para o Brasil-Colônia que. já em 1834. como o Penal. o Processual etc. também a criação da Real Junta do Comércio. e a criação do Banco do Brasil. foi contemplado com uma série de medidas de caráter econômico. na condição de “Sede Provisória da Coroa”. iluminadas e polidas. Dezesseis anos de discussões legislativas passaram-se. Sua vigência estendeu-se até pouco depois da vinda de Dom João VI para o Brasil. continham dispositivos tratando da matéria. de 1769. a serem definidas posteriormente. O Histórico do Direito Comercial no Brasil No período colonial brasileiro. Pressionada por Napoleão. Filipinas em alusão ao rei. que ameaçava invadir Portugal. através do qual a concepção do status de comerciante era atribuída aos que praticassem atividades específicas. dois séculos mais tarde. mais conhecida como o Código Comercial Brasileiro. No entanto. as Ordenanças Francesas tratavam da disciplina exclusivamente comercial. pelo menos para poderem usufruir dos benefícios da legislação comercial. decisivas para o incremento da atividade mercantil no País. enquanto ela abrangia outros ramos do Direito. Com forte influência francesa. fincado no objetivismo. Ainda assim. até surgir a Lei Federal no 556. foi apresentado à Câmara o Projeto do Código Comercial. assim conhecida por determinar que. em 1808. o Código Brasileiro adotou a Teoria dos Atos de Comércio. . prescreveu a necessidade de inscrição dos comerciantes nos então existentes Tribunais do Comércio (em seguida substituídos pelas Juntas Comerciais). E foi esta que. reputando comerciante todo aquele que praticasse compra e venda de mercadorias de forma profissional. pois a colônia sujeitava-se aos ditames da Coroa. editou as Ordenações Filipinas. o Direito aplicado era o português. além de algumas poucas espécies de serviço. apesar do intenso comércio desenvolvido por aqui.

Curiosamente. veio à tona novamente a discussão sobre a autonomia do Direito Comercial. contudo. Esses só foram detalhados quando da edição do Regulamento no 737. Por outro lado. a Lei no 10. Inspirado no modelo do Código Civil Italiano. seguros. antes consideradas sociedades civis por força do objeto social. ou até para alugar seu uso. . que revogou praticamente todos os artigos que ainda vigoravam do Código de 1850. 5. o “golpe de misericórdia” foi dado com a edição do Código Civil de 2002. mas apenas reputava comerciantes irregulares aqueles exercentes da atividade mercantil que não tomassem tal providência. transporte de mercadorias. como sociedades empresárias. muitos dos dispositivos do código foram sendo revogados por legislações mais contemporâneas. implantou um novo sistema jurídico para o Direito Comercial. como fizera o Código Francês. Dentre elas. além. mais conhecida como Código Civil Brasileiro. a moderna Lei Civil Brasileira acabou por provocar uma fusão legislativa entre os dois ramos do Direito Privado. Hoje. fundamentado no perfil subjetivo do empresário. Autonomia do Direito Comercial Com o advento do Código Civil de 2002.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 7 Série Impetus Provas e Concursos Percebam que esse dispositivo não tratou de excluir os não-inscritos do conceito de comerciante. que relacionou todas as operações que se constituíam em “atos de comércio”. de 10 de janeiro de 2002. contemporâneo ao código. No entanto. mas introduziu grandes inovações nesta seara. contemplado em sua Parte Segunda. pois passou a enquadrar pessoas jurídicas. livros empresariais e nome empresarial. dentre outras. Esse fato trouxe de volta uma discussão antiga. claro. de 1942. unificando normas básicas do Direito Civil e do Comercial. disciplina matérias específicas do Direito Comercial. conforme dispunha a antiga teoria objetiva dos atos de comércio. dentre outras. a respeito da autonomia do Direito Comercial.406. Essa nova concepção não se resumiu apenas a uma mudança de nomenclatura. empresários. Ao longo dos anos. não enumerou os chamados “atos de comércio”. subtraindo alguns direitos exclusivos dos regulares regulares. a exemplo da Lei das Sociedades Anônimas (1976) e da Lei de Falências e Concordatas (1945). como fizera o subjetivismo corporativo da Idade Média. Sobreviveram apenas os relativos ao comércio marítimo. da compra com objetivo de posterior revenda de bem móvel ou semovente. registro público de empresas. operações de câmbio. a partir da forma organizacional apresentada. banco e corretagem. a ser enfrentada no tópico seguinte. tais como: empresas.

Nada disso compromete a autonomia das disciplinas. convém expor a relação do Direito Comercial com outros ramos do Direito. Também no Título VII. e outro. Antes dessa época. onde o Direito Comercial era codificado de forma exclusiva. pois nenhuma é completamente autônoma. em pronunciamento na Universidade de Bolonha. I. da CF prevê a competência privativa da União para legislar. a exemplo da responsabilização dos sócios-gerentes de limitadas por obrigações da sociedade de natureza tributária. que juntou os dois ramos de Direito Privado em um único diploma legislativo. nomeado para coordenar estudos visando à edição do Novo Código Civil Italiano. ao regular crimes falimentares. incumbido de elaborar projeto do novo Código Comercial. de modo que uma aproveita regras das outras. o Novo Código Civil Italiano. ao final do século XIX. Mesmo assim. 135. Nesse ponto. 22. principalmente por se tratar do maior comercialista da época. III. . apresentou dois projetos. quando afirma que a autonomia de uma disciplina não deve ser vista como um princípio absoluto. que trata da Ordem Econômica e Financeira. mais precisamente em 1911.8 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Essa polêmica não é inédita. a fim de subsidiar o processo administrativo. quando Inglês de Souza. por exemplo. ou o Direito Comercial aproveita dispositivos do Código Penal. Público ou Privado. à exegese do art. Existe uma correlação entre as disciplinas jurídicas. surgindo. há menção ao exercício da atividade empresarial. que continuam tendo campo próprio de atuação. ao posicionar-se contra a unificação dos dois ramos de Direito. Direito Tributário b) com o Direito Tributário Esse ramo conserva relações estreitas com o Direito Comercial. Apesar disso. como. por entender que este não possuía critérios claros e objetivos que o distinguissem do Direito Civil. o art. Seu discurso surpreendeu a todos. devemos ter em mente o ensinamento de Marcelo Bertoldi. pois a Constituição Federal pode ser considerada o nascedouro do sistema normativo do País. Com relação ao Direito Comercial. Um. em 1919. a unificação foi aprovada. basta reportarmo-nos ao início do século XX. do Código Tributário Nacional. senão vejamos: a) com o Direito Constitucional Relaciona-se esse ramo do Direito Público com praticamente todos os demais. voltou atrás e mudou de opinião. o Direito Administrativo utiliza-se de normas do Direito Processual. o célebre jurista italiano Cesare Vivante posicionou-se contra a autonomia do Direito Comercial. com a matéria comercial e civil unificadas em um único código. ou mesmo da imposição de algumas espécies de livros fiscais aos empresários. A par de toda essa discussão. em 1942.

habilitarem-se no Quadro Geral de Quadro Credor edores Credores admitidos na falência. como bem ressaltou Fran Martins. empresário. tratando do Direito Marítimo. • autonomia legislativa considerada a partir da codificação própria da matéria. pois. assim. também temos que admitir a autonomia do Direito Comercial. utilizam-se procedimentos afeitos ao Direito Internacional. empresa. enfim. Basta vermos as causas trabalhistas sendo decididas no âmbito da Justiça do Trabalho para. • autonomia didática que é medida de acordo com a grade curricular das universidades. d) com o Direito Civil Com este. das sociedades empresárias. a matéria que regula.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 9 Série Impetus Provas e Concursos Direito Trabalho c) com o Direito do Trabalho Aqui. Já o Direito Civil cuida de sucessão. da falência e da concordata. que reservou dispositivos dedicados à matéria comercial.. sua substancial. dos títulos de crédito. ainda que o Código Civil Brasileiro de 2002 tenha praticamente unificado os dois ramos. ainda restou sua Segunda Parte. não havendo razão para contestar-se a autonomia didática do Direito Comercial. inúmeras são as relações. E. e) com o Direito Internacional O Brasil é seguidor de convenções internacionais que tratam de títulos de crédito e propriedade industrial. . registro de empresas etc. Por último. dentre outros. Também os débitos de natureza trabalhista sendo cobrados dos sócios das sociedades anônimas ou limitadas. pois a disciplina aparece em todos os programas dos cursos de Direito. dentre outros. abrangência. analisemos a disciplina de acordo com os seguintes aspectos: didática. a exemplo dos empresários. seja sobre títulos de crédito. em seguida. Sob esse ponto de vista. a começar do atual compartilhamento do Código Civil. Para inserção das normas em nosso ordenamento jurídico. família e obrigações civis. não podemos hesitar em apontar assuntos específicos da matéria comercial. • autonomia substancial que tem a ver com o conteúdo da disciplina. legislativa. a fim de consolidar a tese da autonomia do Direito Comercial. temas que podem ser facilmente isolados dos demais. um ramo do Direito Privado que mantém ligação forte com o Direito Comercial.

de forma subsidiária. a jurisprudência e os princípios gerais do Direito. • Leis – A principal fonte primária de nosso Direito Comercial é a lei. permanece vivo em sua Segunda Parte. • Usos e costumes comerciais – Estes se constituem em importante fonte do Direito Comercial. a analogia.404/76. Importa ressaltar que o Código Civil de 2002. que dispõe sobre duplicatas. Fontes do Direito Comercial Quando tentamos conceituar fontes do Direito. mesmo. enquanto as fontes formais são justamente as normas jurídicas. traduzindo-se numa obrigatoriedade de esgotá-las. que. São elas: usos e costumes comerciais. para serem aceitos como fonte do Direito . portanto. Existe uma profusão delas. normalmente a definição restringe-se à própria expressão do direito. No entanto. 4o. que disciplina as sociedades por ações. a exemplo da “Lei Uniforme de Genebra”. Outras. antes de invocar-se uma fonte secundária. a forma como ele se manifesta. embora com a revogação da maioria de seus artigos. a começar pelo próprio Código Comercial de 1850. E são estas últimas que compõem o objeto de nosso estudo. Aliás. apenas para citar algumas. em um caso concreto. norma primária sobre a matéria. religiosos ou. letra de câmbio e nota promissória. sociais. ele era consuetudinário. Muitos autores costumam classificá-las em fontes materiais e formais As primeiras formais. Os costumes.474/68.10 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 6. ou seja. componentes do grupo social. mas se revelam determinantes para o surgimento do ordenamento jurídico de uma nação. posicionam-se em ordem de preferência em relação às outras. e no 5. na parte que trata sobre Direito de Empresa. tratando de cheque. fica a autoridade judiciária autorizada a lançar mão de uma norma secundária. ou. no princípio (Idade Média). mesmo. variando com as gerações. • Regulamentos – São considerados fontes primárias justamente porque servem à eficacização das leis comerciais. a Lei de Introdução ao Código Civil. tratando do comércio marítimo. estão relacionadas a fatores políticos. Inexistindo. são as Leis no 6. internacionais • Tratados internacionais – A matéria comercial também incorporou alguns tratados internacionais. aos princípios gerais do Direito a qualificação de fontes subsidiárias do Direito. é considerado fonte primária do Direito Comercial. concede à analogia. aos costumes. econômicos. é importante entendermos que antecedem à norma os anseios da sociedade. Também no âmbito do Direito Civil. em seu art. Dividem-se as fontes formais em primárias e secundárias As primeiras secundárias. Estes são mutantes.

contudo. que vai de encontro à própria natureza do documento. pois ele pode desenvolver sua própria convicção. De outra forma. seu surgimento. o juiz tem direito à livre convicção na análise das provas. conseqüentemente. 7. assim entendida como a uniformidade das decisões dos tribunais a respeito de determinada matéria. que seja assimilada por todos como se fora lei. Normalmente. que anuncia: “Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração”. que decorrem da prática mercantil. mesmo que seja diversa daquela. desde que não se afaste das premissas básicas quanto à ilegalidade das mesmas. pois são previstos na própria lei. sua importância no desenvolvimento das nações. a exemplo do cheque pré-datado. . deverá estar previsto na própria lei. por entenderem que ela não é fonte geradora do Direito. a exemplo do cheque visado. também é fonte secundária do Direito Comercial. citado por Bulgarelli. como no art. No entanto. • Jurisprudência – A jurisprudência. já julgado. 113 do Código Civil. Alerto que há autores que não consideram esta uma fonte do Direito Comercial. que emitem certidão a respeito. que é um título de crédito à vista. ser contra a lei. vejamos como os pesquisadores da matéria comercial têm se esforçado no sentido de melhor conceituar o Direito Comercial. Não pode. Primeiro. c) contra legem. b) secundum legem. no Direito Comercial. Isso não implica a obrigação de o juiz segui-la. pois violaria a própria concepção de fonte subsidiária à lei. que são os norteadores da construção do próprio sistema jurídico positivo vigente. nós temos os costumes: a) praeter legem. assim como a abrangência da disciplina. é preciso que se trate de uma prática reiterada e uniforme. necessitam estar assentados na Junta Comercial. para serem admitidos como prova. a fim de dirimir a lide. • Princípios gerais do Direito – Por último. os princípios gerais do Direito. estes não são tolerados pelo ordenamento jurídico e. não aceitos como fonte do Direito.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 11 Série Impetus Provas e Concursos Comercial. já que se trata da observação de fatos pretéritos. • Analogia – Na ausência de outra fonte formal do Direito. necessitam revestir-se de alguns requisitos. permite-se a aplicação da analogia. Conceitos de Direito Comercial Após estudados alguns temas relacionados ao desenvolvimento histórico do Direito Comercial. aceitos e aplicados para suprirem as lacunas legislativas. considerada como a possibilidade de utilizar-se entendimento a respeito de um caso concreto similar. Assim. os costumes.

” Carvalho de Mendonça trilhou caminho parecido. ed. dos direitos e das obrigações das pessoas que os exercem profissionalmente e dos seus auxiliares. por objeto regular as relações jurídicas que surgem do exercício do comércio. principalmente. Todos esses atos possuem regulamentação em legislações próprias. Rio de Janeiro: Forense.” Dessas duas últimas definições surgiu uma. da mesma forma que uma letra de câmbio ou uma nota promissória ou. até. praticam atos aos quais a lei atribuiu características tais que se tornaram regidos pelo Direito Comercial. 2002. tem-se que as normas do Direito Comercial alcançam não apenas os empresários. uma garantia prestada por aval. 8. mesmo que esses atos não se relacionem com as atividades das empresas. Exemplo: circulação de títulos de crédito mediante endosso. . e que se encontram relacionados a seguir. ao mesmo tempo. Exemplo destes é a emissão de um cheque. a) Simplicidade ou informalismo Propõe adoção de fórmulas simples para solução de conflitos. bem como os atos considerados comerciais. p. mas regulados por leis comerciais (exemplo da emissão de cheque). Curso de Direito Comercial. e fazem parte do campo de abrangência do Direito Comercial. que melhor sintetiza a disciplina: “Direito Comercial é o conjunto de regras jurídicas que regulam as atividades das empresas e dos empresários. especialmente do Direito Civil. mas aqueles que. Características do Direito Comercial O Direito Comercial apresenta traços que o distinguem de outros ramos do Direito. proposta pelo comercialista italiano Cesare Vivante. formalista e complexo.”1 Da assertiva. 1 MARTINS. foi criticada por não contemplar atos praticados por não-comerciantes. Waldemar Ferreira propôs: “Direito Comercial é o conjunto sistemático de normas jurídicas disciplinadoras do comerciante e seus auxiliares e do ato de comércio e das relações dele oriundas. como veremos no Capítulo 3. de autoria de Fran Martins. 25. diferentemente do Direito Civil.12 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel “O Direito Comercial é a parte do Direito Privado que tem. ao afirmar que: “O Direito Comercial é a disciplina jurídica reguladora dos atos de comércio e. Fran. mesmo sem se revestirem dessa qualidade.” Esta definição. concernente aos títulos de crédito. feita por quem não se reveste da qualidade de empresário. independentemente de haverem sido praticados por empresário ou representante de sociedade empresária. 28.

salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 13 Série Impetus Provas e Concursos b) Internacionalidade ou cosmopolitismo Está regulamentado por normas de alcance internacional. que dispõe sobre letras de câmbio. estavam expressamente revogados. seja por leis esparsas. excluindo importante segmento da atividade econômica. assim como o de produção de mercadorias. elaborada há mais de cento e cinqüenta anos. cuja atividade é sempre onerosa. Exemplo: contratos de leasing e franchising. agora não mais restrita àquele agente que pratica freqüentemente atos de intermediação de mercadorias ou umas poucas espécies de serviços.1. introduzindo definitivamente no Direito Brasileiro as definições de empresa e empresário empresário. d) Onerosidade Tem o lucro como o fim perseguido pelos empresários.406. como a da empresa ou do empresário. o empresário é considerado como “quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços”. 9. aprovado pela Lei no 10. Se muitos dispositivos da principal Lei Comercial. através das quais se atribuía uma nova visão ao profissional do comércio. literária ou artística. que é justamente a prestação de serviços como um todo. adaptando-se à evolução das relações de comércio. 966. só veio confirmar a teoria. seja pela Constituição Federal de 1988. sobretudo após a primeira metade do século passado. outros simplesmente vinham sendo ignorados pelas autoridades judiciárias e até pelos tribunais. transporte de mercadorias. caput. convivemos com uma legislação comercial que já não atendia as transformações ocorridas. 9. de 10 de janeiro de 2002. Em seu art. Daí o fortalecimento de teorias. A Teoria da Empresa alargou o campo de incidência do Direito Comercial. de natureza científica. notas promissórias e cheque. O parágrafo único do mesmo dispositivo excluiu daquela categoria “os profissionais que exerçam atividade intelectual. Exemplo: Lei Uniforme de Genebra. c) Elasticidade Permanece em constante processo de mudanças. em regra lastreados na moderna concepção de atividade econômica. O novo Código Civil. seguros. trazendo para seu âmbito justamente o segmento de serviços. . Empresário Conceito Durante muito tempo. tais como bancos. ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores. além de outros.

.3. para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. todo empresário deverá dispor de estabelecimento empresarial. Essa não é uma disposição inédita. Em outras palavras.2. utensílios e instalações utilizadas diretamente na atividade econômica já são assim considerados.2. 966. a antiga Teoria dos Atos de Comércio já se guiava pela prática habitual da compra e venda de mercadorias. Não se concebe um empresário. que prescreveu.2. fizesse dela a sua profissão. 9. seja pessoa física ou jurídica. assumindo o ofício como sua profissão. ainda assim dela serão exigidas instalações compatíveis com sua atividade. Requisitos 9. O estabelecimento empresarial. mas habitualmente. que poderão ser somados à capacidade civil. juntamente com os móveis. algumas eventualmente observadas.2. agora no Código Civil de 2002. permanece consagrado o requisito. Em absoluto. definido no art. não é exclusividade de empresários de médio ou grande porte.14 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Como se vê. Atividade Econômica O teor do art. mesmo. o estoque de mercadorias. Portanto. 966 do CC/2002 apresenta elementos característicos ao empresário. Não bastava a realização de uma única operação comercial ou. Organização Significa a necessidade de o exercente da atividade econômica aparelhar-se de forma adequada para o desempenho de sua profissão. Seria preciso que o agente tomasse essa atividade como ofício. movimentando diminuto volume de recursos. em seu art. Profissionalismo O titular do negócio deverá fazê-lo não em caráter eventual.2. como o complexo de bens organizados para o exercício de empresa. independentemente da dimensão tomada. aqui entendido como a pessoa física que exerce em seu próprio nome uma atividade econômica organizada. ao contrário do que possa parecer. novos requisitos surgiram para classificar alguém como empresário.142 do Código Civil. 9.1. 9. desprovido de um conjunto de bens organizados destinados ao exercício da empresa. caput. 1. por empresário ou por sociedade empresária. analisada adiante. Se tomarmos como exemplo uma pessoa que revende objetos em pequena proporção. caso contrário incorreto seria o seu enquadramento como comerciante. a forma profissional de atuação do empresário.

Significa afirmar que qualquer indivíduo. o exercício dessa capacidade pode ser restringido por algum fator genérico como o tempo (a maioridade ou menoridade).CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 15 Série Impetus Provas e Concursos Excluídas do conceito estão as profissões consideradas intelectuais que. 972 do Código Civil. tudo na dependência de estarem cumpridas as formalidades legais. escritores e artistas em geral. a dimensão econômica conquistada com o seu intelecto ultrapassou a sua aptidão primitiva para o ofício. . se esses profissionais exercerem o ofício. E. é o pleno gozo da capacidade civil. pintando e colocando à venda telas à similitude do fundador do negócio. conforme exposição no item 1 do capítulo seguinte. Nesta situação. podemos enquadrar o empreendimento como uma sociedade empresária. Mas o que vem a ser elemento de empresa? É fácil. logo no art. Com relação às implicações práticas advindas desse novo conceito. se ele parar de pintar. 1o. dispôs o legislador: “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”. na qualidade de empresário individual ou administrador de sociedade. Enfim.2. deve ser conjugada com as disposições sobre personalidade e capacidade na esfera civil. têm natureza científica. secretárias e outros ligados à mesma arte. independente de sua idade. É o caso do médico. Imaginemos um famoso pintor de quadros. prevalece o caráter empresarial da atividade hospitalar. onde emprega variados profissionais. objetivando apenas conduzir o empreendimento. sob pena de se negar sua qualidade de pessoa. dentre outros. Entretanto. assim como a possibilidade de ele requerer recuperação judicial ou extrajudicial. telefonistas. proprietário de um grande hospital. ou devido a uma insuficiência somática (deficiência mental). Maria Helena Diniz chega a afirmar que a capacidade de direito não pode ser recusada ao indivíduo.4. 9. poderemos presenciar a sujeição à falência do prestador de serviços em geral. Também poderão fazer prova com os livros empresariais. tanto que. mesmo. literária ou artística. Neste contexto. o mesmo poderá continuar sem maiores conseqüências. Entretanto. estando presente “elemento de empresa”. Capacidade Requisito fundamental à correta atuação empresarial. arquitetos. previstas nos arts. dentistas. saúde mental ou vícios possui capacidade para contrair direitos e assumir obrigações. ele reúne todas as condições de ser classificado como empresário. O raciocínio não se aplica às sociedades de advogados. operando em suas dependências. incluem-se médicos. 1o a 10 da mesma lei. clinicando ou. despindo-o dos atributos da personalidade. proprietário de um atelier. contida no art. apesar de possuírem caráter econômico. Nessa categoria. entre atendentes. A regra. Com a precisão que lhe é peculiar.

incapazes também são os maiores de dezoito anos portadores de alguma das patologias especificadas nos arts. Esta. mediante instrumento público. e não foi por acaso. Perceba o leitor que a capacidade de direito pode subsistir sem a de exercício. 3o e 4o do Código. b) pelo casamento. suprime-se do sujeito o direito ao exercício pessoal de pleno gozo da capacidade de direito. Logo. Se observarmos as outras três hipóteses. o art. o parágrafo único do mesmo artigo traz hipóteses de aquisição da capacidade civil antes da maioridade. na conformidade do que dispõem os arts. o legislador condicionou a emancipação a uma idade mínima de dezesseis anos. será o indivíduo absolutamente incapaz. em função deles. ouvido o tutor. É que o art.520.16 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em ocorrendo uma restrição legal no exercício da capacidade jurídica. . pressupõe a existência da outra. somente haveria dúvida em relação à idade mínima para a emancipação nos casos de colação de grau em curso superior. 1. d) pela colação de grau em curso de ensino superior. Pois bem. no que pese serem os entes federados e a própria União livres para determinar a idade mínima dos que podem ingressar no serviço público. o cometimento de qualquer ato jurídico depende de um representante. ou e) pelo estabelecimento civil ou comercial. c) pelo exercício de emprego público efetivo. De outra forma. se o menor tiver dezesseis anos completos. desde que. salvo na condição de aprendiz. ou por sentença do juiz. 1. quais sejam: a) pela concessão dos pais. Nessa condição. Observem que. ou pela existência de relação de emprego. Antes dessa idade. o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. impossível a efetivação da hipótese aos menores daquela idade. 3o.517 do CC/2002 previu que somente a partir dos dezesseis anos podem os pais autorizar o casamento de menor. Sendo a enfermidade enquadrada no art. Quanto ao exercício de emprego público efetivo. ou de um deles na falta do outro. 3o e 4o do Código Civil. 5o do Código prevê que a menoridade cessa aos dezoito anos completos. apenas nas letras “a” e “e”. o casamento só é possível para evitar a imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez. quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. de acordo com a previsão do art. aquele que não desfrutar do livre exercício de sua capacidade civil não poderá ser empresário. Sob o aspecto temporal. No entanto. pois o incapaz está completamente privado do gozo de sua capacidade jurídica. independente de homologação judicial. a Constituição Federal proíbe o emprego ou a ocupação de cargo público aos que contarem com menos de dezesseis anos de idade. por sua vez.

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Outros são os relativamente incapazes, a que se refere o art. 4o. Para esses, a autoridade judiciária poderá autorizar a prática de atos da vida civil, desde que devidamente assistidos. Com a representação ou a assistência, estará suprida a incapacidade de exercício, ao menos para os atos da vida civil. No entanto, um e outro instituto dependem de um regular processo de curatela, quando se observará a condição do incapaz, e o seu enquadramento em uma das hipóteses legais, após o que será o indivíduo considerado interdito, tudo conforme a previsão dos arts. 1.767 a 1.783 (os filhos menores são postos em tutela, quando falecidos ou ausentes os pais ou se estes decaírem do poder familiar). Entrementes, mesmo que assistidos ou representados, não esqueçamos que a regra geral do art. 972 torna proibitiva aos incapazes a atividade de empresário.

9.3.

Continuação da Empresa por Incapaz

O art. 972 vedou o exercício da atividade de empresário aos juridicamente incapazes. De outra maneira, o art. 974 permitiu aos interditos, cuja incapacidade foi superveniente ao exercício da atividade empresarial, ou aos menores tutelados, que tiveram seus pais falecidos ou ausentes, dar continuidade à empresa, desde que devidamente assistidos ou representados, conforme a incapacidade seja relativa ou absoluta. Para configuração da hipótese, a lei exige autorização judicial que, como tal, poderá ser revogada a qualquer momento pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. Essa possibilidade de revogação lhe confere a qualidade de ser considerada a título precário. Os bens do incapaz existentes à época da interdição ou da sucessão ficam protegidos em relação ao resultado do negócio, desde que estranhos ao seu objeto. Situação curiosa ocorre quando o representante ou assistente do incapaz estiver legalmente impedido de exercer a atividade empresarial. Nesse caso, essa pessoa deverá indicar um ou mais gerentes, que se submeterão à aprovação judicial. Ainda assim permanece o representante ou assistente responsável pelos atos dos gerentes nomeados. 9.4. Os Impedidos

Os impedidos não são incapazes. Contudo, alguma circunstância tornou-os incompatíveis ao exercício da atividade empresarial. É o caso, por exemplo, dos servidores públicos em geral, que estão, por leis administrativas, proibidos de ser empresários individuais ou administradores de sociedades empresárias.

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Para eles, a condição de acionista ou quotista de sociedade empresária não deve ser considerada englobada pela disposição do art. 972, que proíbe exclusivamente a qualificação como empresário individual ou administrador de sociedade empresária. Outro que pode ser enquadrado na proibição é o falido. Prevê o art. 102 da Lei Federal no 11.101/2005 (Nova Lei de Falências) que o falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência. O impeditivo somente perde o efeito após declaradas extintas todas as suas obrigações, na conformidade do disposto no art. 158 do mesmo diploma legal, e ainda assim se não tiver sido constatada a ocorrência de crime falimentar, fato que postergaria ainda mais a sua reabilitação, conforme exposto adiante, no capítulo 04 desta obra. Contudo, a proibição legal não tem o condão de exonerar o agente que desrespeitou a lei pelas responsabilidades advindas de seus atos, tanto que o art. 973 do Código previu a assunção pelos impedidos das obrigações por eles contraídas, oriundas do exercício de atividade própria de empresário. 9.5. O Empresário Rural e o de Pequeno Porte

O art. 971 do Código Civil contém redação nos seguintes termos, a respeito dos intitulados empresários rurais: “O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.” Nesse particular, o legislador considerou o produtor rural, geralmente organizado em economia familiar, com um ou outro funcionário, mas sem a dimensão de uma grande organização, cuja base de sustentação provenha da natureza, seja de uma cultura agrícola, da pecuária ou do extrativismo vegetal ou mineral. Pode ser até uma sociedade, conforme prevê o art. 984, mas, se o seu objeto for aquele do empresário rural, sofrerá o mesmo tratamento. Estão à margem do conceito as corporações agrícolas, conhecidas como agronegócio, detentoras de estruturas tipicamente empresariais. Essas estão obrigadas ao registro antes do início de suas atividades, conforme reza o art. 967. Já para aqueles classificados como empresários rurais, ou para os pequenos empresários, o art. 970 previu a edição de lei garantidora de um tratamento favorecido, pelo menos no que concerne à inscrição e aos efeitos daí decorrentes.

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Na inexistência da norma prevista, o que se tem é o teor do art. 971 que, combinado com o art. 970, leva-nos a concluir que o empresário rural não está obrigado ao registro. No entanto, se o mesmo for efetivado, o praticante de uma atividade econômica rural passa a ser equiparado ao empresário, para todos os efeitos. O mesmo acontece em se tratando de sociedade que tenha por objeto atividade própria de empresário rural, com a condição de que tenha adotado um dos tipos da sociedade empresária e, da mesma forma, haja requerido o registro. Dessa intelecção deflui-se a possibilidade de virem a falir, de obterem recuperação judicial ou extrajudicial, dentre outras questões próprias do empresário. Percebam que o fato de o legislador, logo no início do art. 971, haver nomeado o exercente da pequena atividade rural pelo termo “empresário”, não significa que o mesmo deva ser tratado da mesma forma que os outros, enquadrados no conceito do art. 966. Isso porque o próprio código contém dispositivos que lhe conferem tratamento favorecido, como já fora citado. Com relação ao pequeno empresário, Fábio Ulhoa Coelho e Sérgio Campinho defendem que, na ausência de norma regulamentadora do dispositivo, deve o mesmo ser aproveitado em favor dos microempresários e empresários de pequeno porte, como tais previstos na Lei Federal no 9.841/99. Esse diploma jurídico, regulamentado pelo Decreto no 3.474, de 19 de maio de 2000, foi editado em obediência à Lei Maior brasileira que, em seu art. 170, IX, previu tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte, constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no país. E logo no art. 2o, incisos I e II, do decreto, foi estabelecido: I- microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); II- empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que, não enquadrada como microempresa, tiver receita bruta anual superior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). Conforme foi observado por Láudio Fabretti, para a pessoa física ser enquadrada em um ou noutro conceito, necessário é que seja a atividade praticada de natureza mercantil, que hoje, já na vigência do novo código, deve ser considerada a atividade própria de empresário, conforme definição do art. 966, anteriormente comentado.

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De outra forma, a pessoa jurídica, independentemente de seu objeto ou forma organizacional, poderá ser enquadrada em uma ou em outra classificação, a depender de seu faturamento. Tanto os microempresários como os empresários de pequeno porte gozam de benefícios concedidos pela legislação, relacionados à simplificação do exercício da empresa. 10. Prepostos do Empresário

A matéria encontra-se disciplinada pelos arts. 1.169 a 1.178 do Código Civil de 2002, que faz citação expressa a dois tipos de prepostos do empresário; o gerente e o contabilista Isso não significa a exclusão dos demais colaboradores, tais como contabilista. escriturários, pessoal técnico, vendedores etc., tanto que a Seção III do Capítulo II invoca a presença de outros auxiliares do empresário. Na verdade, a escolha do legislador foi detalhar as responsabilidades e limitações de dois dos mais importantes agentes diretamente ligados ao empresário, sabendo-se, de antemão, que a disciplina é extensiva aos demais. Essas pessoas trabalham, contribuindo com o empresário no exercício de sua profissão. O primeiro, no desempenho de atividades administrativas, relacionando-se com clientes e funcionários ou até representando o empresário em tarefas externas; já o contador responsabiliza-se pela escrituração da empresa. Todos, entretanto, possuem uma característica comum, que é a da continuidade dos serviços prestados, diferentemente da relação criada com um contrato de mandato mercantil, que tem caráter eventual. Também podemos destacar, como característica do vínculo jurídico entre preponente e preposto, a subordinação deste àquele. Esse caráter diferencia-o, por exemplo, do contrato de representação comercial, por não se subordinar o representante ao representado. Prevê o art. 1.178 a responsabilidade do preponente (empresário) pelos atos de quaisquer prepostos, quando praticados dentro do estabelecimento, desde que relativos à atividade da empresa, mesmo que não haja autorização por escrito. Fora do estabelecimento, somente se forem cometidos nos limites dos poderes conferidos. Entretanto, ainda quanto à responsabilidade pelos atos do preposto, importante destacar o comentário ao art. 1.177, presente na obra Novo Código Civil Comentado, cuja autoria pertence a renomados juristas brasileiros, sob a coordenação do Deputado Ricardo Fiúza, que esclarece:

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Como regra geral de responsabilidade na relação de preposição, o parágrafo único deste artigo estabelece que haverá responsabilidade objetiva da empresa quando o preposto venha a causar dano a terceiro em virtude de ato culposo, cabendo ao preponente indenizar os prejuízos causados, com ação regressiva contra o responsável. No caso de ato doloso, ocorrerá situação de solidariedade, devendo o preponente ser demandado juntamente com o preposto para o ressarcimento de prejuízos provocados a terceiros. Além dos prepostos, o Direito Comercial regulamenta a profissão de outros agentes que têm laços estreitos na relação com os empresários. Trata-se de corretores, leiloeiros e titulares de armazéns gerais, entre outros. Estes, no desempenho de suas atividades, agem em nome próprio, assumindo responsabilidade por seus atos e devendo, inclusive, obedecer a formalidades necessárias ao exercício da profissão, tais como prévio registro na Junta Comercial, autenticação de livros de escrituração etc. Outrossim, sujeitam-se a requisito próprio do empresário, como a necessidade de estarem desfrutando da plena capacidade civil. 11. Livros Empresariais

11.1. Conceito O empresário e a sociedade empresária têm obrigações de cumprir com formalidades previstas em lei, a fim de que possam usufruir dos benefícios que a legislação comercial oferece, entre os quais concordata, valor probante dos livros comerciais, requerimento de falência de outro empresário etc. Uma delas é a manutenção de um sistema de contabilidade baseado na correta escrituração de seus livros, conforme acentua o art. 1.179 do CC/2002. Esses podem ser utilizados livremente pelos empresários, que terão a faculdade de adotar as espécies que considerarem convenientes para seu negócio, desde que escriturem aqueles livros considerados obrigatórios para sua atividade. Dessa forma, o art. 1.180 do CC/2002 manteve a já conhecida obrigatoriedade de escrituração do Livro Diário (pode ser substituído por fichas, a fim de viabilizar a escrituração eletrônica) para todos os empresários, indistintamente, assim como para as sociedades empresárias. A ele devem ser somados outros livros, tidos como obrigatórios para os variados tipos de sociedades ou ramos específicos de atividade. Atente-se para a abrangência do tópico, que engloba apenas os livros requeridos pela lei comercial. Os demais, sejam os exigidos pelas legislações trabalhista, tributária ou previdenciária, não serão objeto de nosso estudo.

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11.2. Classificação Os livros empresariais classificam-se em obrigatórios (comuns e especiais) e facultativos. facultativos Os obrigatórios comuns são aqueles exigidos de todos os empresários, indistintamente; obrigatórios especiais são impostos a determinadas categorias de empresários; já os livros facultativos como o próprio nome sugere, são aqueles facultativos, cujas ausências não trazem qualquer sanção ao seu titular. Vejamos abaixo todos eles. a) Obrigatórios comuns Atualmente, por força do já citado art. 1.180 do CC/2002, o único livro empresarial que se encaixa nessa categoria é o Diário Diário. Permite-se a substituição do diário por fichas, no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Ainda assim, não se dispensa o uso de livro apropriado para lançamento do balanço patrimonial e do resultado econômico, que pode ser o Livro Balancetes Diários e Balanços. A escrituração do diário é feita dia a dia, com todas as operações relativas ao exercício da empresa, mas resumida em totais que não excedam trinta dias. b) Obrigatórios especiais O rol dos livros incluídos nessa categoria é extenso e variado. A título de exemplificação, podemos discriminar: • Registro de Duplicatas – exigido dos empresários que emitem duplicatas; • Entrada e Saída de Mercadorias – para proprietários de armazéns gerais; • Diário de Entrada, Diário de Saída, Diário de Leilão, Contas Correntes, Livro-Talão e Protocolo – para os leiloeiros; Livro-T o-Talão Protocolo • Cadernos Manuais e Protocolo – para os corretores de mercadorias; • Registro de Ações Nominativas, Transferência de Ações Nominativas, Registro Transferência Presença dos Acionistas, Atas de Assembléias Gerais etc. – para as sociedades anônimas. c) Facultativos Além dos prescritos em lei, os empresários têm liberdade de criar outros livros, de acordo com suas necessidades. Alguns deles são enumerados a seguir. • Razão. • Caixa. • Contas Correntes. • Borrador ou Costaneira. • Estoque.

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11.3. Formalidades Os livros empresariais, sejam eles obrigatórios ou facultativos, para produzirem os efeitos jurídicos que lhes reserva a lei, necessitam obedecer a certos requisitos, normalmente conhecidos pela doutrina como formalidades intrínsecas e extrínsecas. As primeiras acham-se estipuladas no art. 1.183 do Novo Código e têm a ver com a maneira de preenchimento dos livros, requerendo que seja feita em idioma e moeda nacionais, em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transporte para as margens. De outra forma, as formalidades extrínsecas referem-se a providências a serem tomadas em momento que antecede o início da escrituração, a fim de garantir a segurança jurídica dos livros. Sobre elas, o art. 1.181 determinou a necessidade de autenticação, antes do início de uso, no Registro Público de Empresas Mercantis (só poderá fazê-lo quem já tiver registro no mesmo órgão). Descumprida qualquer das formalidades enunciadas, relativamente aos livros obrigatórios, vejamos quais as conseqüências para o empresário ou para a sociedade empresária: • não fará prova a favor de seu autor (art. 379 do CPC); • não poderá, a partir da análise de seus livros, verificar judicialmente obrigações de seus devedores (ação de verificação de contas), para fins de petição de falência daqueles (art. 1o, § 1o, II, da LF). De outra forma, se o antigo Decreto no 7.661/1945, que regulava a falência e a concordata, reputava como crime falimentar a inexistência dos livros obrigatórios ou sua escrituração atrasada, lacunosa, defeituosa ou confusa (art. 186, VI, do Dec. no 7.661/45), a Nova Lei de Falências, no 11.101/2005, em seu art. 178, classifica como crime nela previsto a omissão de documentos contábeis obrigatórios, materializada quando o empresário deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder recuperação judicial ou homologar e plano de recuperação extrajudicial, os documentos de escrituração contábil obrigatórios. Na realidade, há uma similitude entre os dispositivos. No entanto, o que podemos observar é a tipificação penal por conta de omissão na escrituração não apenas no processo de falência, mas nos de recuperação judicial ou extrajudicial. Esses, contudo, são temas abordados no Capítulo 4 deste livro, não cabendo maiores esclarecimentos por enquanto.

para recuperação judicial. em ocorrendo uma falência ou um processo de recuperação judicial ou extrajudicial do empresário. do administrador judicial ou de qualquer interessado que tenha autorização judicial. independente de terem efetuado qualquer negócio com o titular dos livros. 51 da Lei no 11. por si só. a omissão é tipificada como crime.190 do CC/2002. 178 da Lei no 11. o art. do antigo decreto estipulava como requisito a correta escrituração contábil. 140. devendo permanecer à disposição do juízo. e estando em perfeita harmonia uns com os outros e. . os livros comerciais farão prova: • contra seus proprietários. é de se ressaltar que.101/05 exigiu a apresentação de demonstrações contábeis relativas aos últimos três exercícios sociais. A materialização desse poder probatório dos livros nasce em razão de uma perícia contábil ou. • contra empresários com os quais os proprietários dos livros tenham feito alguma transação mercantil. • contra não-empresários. uma vez não escriturados. nos casos em que não se exigir comprovação por documento público ou particular (a exemplo do penhor mercantil. o art. não possa valer como prova. observam-se diferenças posto que. conforme o art. Comparando a exigência com os requisitos necessários ao deferimento do pedido de recuperação judicial (instituto que substituiu a concordata). com os demais documentos de escrituração. para fins de obtenção de concordata preventiva. a apresentação dos livros não é requisito obrigatório à obtenção da recuperação. • a favor de quem os escriturou. 1. posto permitir sua desconsideração com outro meio admitido em Direito. desde que presente outro documento sobre a mesma operação.5. por força de exibição determinada pelo juiz.101/05. atenção! Em qualquer hipótese não se trata de prova plena. Exibição dos Livros Empresariais O princípio do sigilo.4. mesmo. mais. Mas. garante aos livros proteção contra a divulgação de informações que digam respeito a seus proprietários. assinada por quem recebe a garantia). que requer prova por escrito. judicial ou extrajudicial.24 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Ainda assim. I. Em resumo. insculpido no art. 11. Força Probante Uma vez satisfeitas as formalidades intrínsecas e extrínsecas. 11. Entretanto. nos casos em que exista um documento que.

Contudo.191) em que se prevê a exibição em juízo. pessoas físicas ou jurídicas. 1. a requerimento da parte. . sem que haja limite para a verificação de seus termos. extrai-se apenas a parte que interessar à questão. menos as que tenham o capital dividido em ações (anônima e comandita por ações). A exibição integral poderá ser determinada pelo juiz. apenas os pontos que interessem ao bom andamento do feito são extraídos para o conhecimento das partes. devendo o exame ser feito na presença do empresário ou de representante seu. 1. 12.1. Na hipótese de uma sociedade simples adotar um dos tipos da sociedade empresária. A exibição parcial pode ser decretada de ofício ou a requerimento da parte. tomam-se como verdadeiros os fatos argüidos.193 do CC/2002. vinculam-se ao Registro Público de Empresas. nas seguintes ações: sucessão. e é necessário pelo fato de ser facultado aos sócios de uma sociedade simples contratarem-na sob o modelo que se encontra previsto nos artigos do código que lhe são próprios. Somente em casos de falências e concordatas o juiz determinará de ofício a exibição integral.150 do Código Civil. que pode ser integral ou parcial. administração ou gestão à conta de outrem. sempre que importante ao litígio. Registro Público de Empresas 12.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 25 Série Impetus Provas e Concursos Excetuam-se dessas restrições as autoridades fazendárias. em qualquer ação judicial. comunhão ou sociedade. os livros são disponibilizados aos interessados. a cargo das Juntas Comerciais. desde que não se apresente prova documental em contrário. De outra forma. Esse é o entendimento que se depreende da leitura do art. não quer dizer que ela fica obrigada ao registro na Junta Comercial. as sociedades simples devem levar seus atos ao Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. A recusa na exibição implica a apreensão judicial dos livros e. mas o Cartório no qual seu ato constitutivo for arquivado deverá obedecer às normas fixadas para o registro na Junta. há situações (art. Pela primeira. no caso em que for determinada a exibição parcial. por força do art. 1. ou aproveitarem um dos tipos previstos para as sociedades empresárias. Disposições Preliminares Os empresários. No entanto. Na parcial.

de tal maneira que ele se sentirá compelido a providenciar o registro.150 a 1. para a autenticação dos documentos. já estudadas no item 9 deste Capítulo.26 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O Registro Público de Empresas.800/96 e pelos arts. o art. pode ter a sua própria requerida e declarada. ficará o agente sujeito à pena de detenção. deduz-se que o empresário não-registrado não possui livros devidamente autenticados. 48. proporcionando segurança aos que desenvolvem atividade mercantil. . haja uma descaracterização da figura do empresário. de um a dois anos. Como o registro na junta é pré-requisito. se o fato não constituir crime mais grave. 967. A primeira é a vedação de requerer recuperação judicial ou extrajudicial para si ou falência de outro empresário (arts. disposto na Lei Federal n o 8. a compulsoriedade do registro tem muito mais a função de alertar os pretendentes ao exercício da atividade empresarial para a importância da providência do que desfigurá-los do status de empresário. O empresário não-registrado. e multa. conforme veremos no Capítulo 4.154 do CC/2002. e 97. Nem poderia. escriturado ou autenticado documentos contábeis obrigatórios. tem por fim dar garantia. antes do início de suas atividades. regulamentada pelo Decreto no 1. 966 da mesma lei. embora impedido de pleitear a falência de outro. pois o que define se alguém é ou não empresário são as características do art. 178 da Nova Lei de Falências prescreve que. Isso não quer dizer que. Outrossim. 161. recuperação judicial ou extrajudicial de empresário que não tenha elaborado. incorrendo em crime previsto na Lei de Falências. uma vez não cumprida a providência preliminar. independentemente de comprovar legítimo interesse. da Nova Lei de Falências). livros empresariais não-autenticados na Junta Comercial ficam desprovidos de eficácia probatória. De outra forma. publicidade (qualquer um. prevista no art. é a falência decretada por solicitação do próprio devedor. em seu art. parágrafo 1o. Na verdade. Não sendo obedecida a determinação legal. pode requerer à Junta informações sobre outrem). 379 do CPC. O Código Civil de 2002 determinou. haverá conseqüências para o empresário omisso. a obrigatoriedade da inscrição do empresário no Registro Público de Empresas. 1. autenticidade. além de se permitir a autofalência que. segurança e eficácia aos atos jurídicos dos empresários individuais e das sociedades empresárias.934/94. se for decretada a falência.

seus serviços administrativos são criados e mantidos pelos Estados.2. no que pese a natureza federal dos mesmos. Também podem ser arquivados atos referentes a consórcio. mas de ordem absolutamente técnica. face ao disposto no art. a autenticação e o arquivamento. alteração. por exemplo. competindo-lhe estabelecer normas gerais que deverão ser seguidas pelas Juntas. assim como de cooperativas (atenção! as cooperativas serão sempre sociedades simples. surge a responsabilidade solidária e ilimitada de todos os sócios pelas obrigações sociais.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 27 Série Impetus Provas e Concursos empresárias. Já as Juntas são órgãos locais (haverá uma em cada unidade da Federação) que executam funções técnicas antes determinadas pelo DNRC. que estudaremos no Capítulo 2. Daí a conclusão de que as questões que envolvam os serviços técnicos a cargo das Juntas são decididas no âmbito da Justiça Federal. De outra sorte. grupos .3. • Matrícula é a inscrição dos leiloeiros oficiais. ainda que o objetivo fosse criar uma sociedade limitada. Atos de Registro Os atos de registro compreendem a matrícula. 12. Excetuam-se dessa regra as sociedades por ações em organização. são de competência da Justiça Estadual. O DNRC possui funções de supervisão. tradutores públicos. 32 da Lei Federal no 8. como funcionalismo em geral. No caso de sociedades empresárias decorre da ausência do arquivamento de seus atos a sua tipificação como sociedade não-personificada. mais especificamente sociedade em comum. Entendam que não se trata de disposições que digam respeito aos serviços administrativos das Juntas. dissolução e extinção de firmas mercantis individuais e sociedades empresárias. mesmo que seus atos sejam arquivados na Junta). 12. naquela categoria. coordenação e normatização técnica dos serviços.934/94. como prevê o art. Desse enquadramento. administradores de armazéns gerais e trapicheiros. orientação. enquanto as disputas envolvendo aspectos administrativos. conforme prevê o art. também se incluem as sociedades em conta de participação. composto pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC e pelas Juntas Comerciais nos Estados. • Arquivamento compreende os documentos relativos à constituição. já que. 990 do CC/2002. Modelo Organizacional do Registro Os serviços registrais são exercidos pelo Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis – SIREM. 986 da mesma Lei Civil. intérpretes comerciais.

utiliza-se do termo averbação. pelo menos para fins de contabilizar-se o efeito do ato frente a terceiros. mesmo sendo posterior à assembléia de quotistas que a decidiu. Se a garantia se deu em momento anterior à averbação. do CC/2002. pois se assim não fosse.015. Sérgio Campinho alerta que nem sempre é válida a regra da retroatividade. passa para qualquer sócio ou interessado. após sua realização. Exceção a essa regra é a ata de reunião ou assembléia de quotistas das sociedades limitadas. de microempresas. alerta o doutrinador que não é justa a manutenção da retroatividade. O prazo para protocolar na Junta os documentos sujeitos a registro é de trinta dias da lavratura. senão depois de cumpridas tais formalidades. os efeitos somente se contam a partir da concessão pela Junta. Basta ver o exemplo seguinte. desde que devidamente registrado. . 12. Apresentados além desse prazo. Uma fiança prestada por representante de uma limitada. conforme disposto no art. Assim procedendo. seus efeitos retroagem à data neles constantes. 1. (ato ultra vires) no sentido de eximir a responsabilidade da pessoa jurídica. cisão.28 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel de sociedades e até de empresário rural. estaria se exigindo daquele que transacionou com a empresa o conhecimento de fato decidido em assembléia de cotistas.4. que representa o arquivamento de atos modificativos da inscrição do empresário.075. do CC/2002. à revelia de alteração contratual que expressamente vedou o ato. 1. que têm um prazo menor. Contudo. salvo se aquele já tinha ciência. utiliza-se o disposto no art. § 2o. • Autenticação refere-se aos livros empresariais. fusão e transformação de sociedades. Importa frisar que o Código Civil de 2002. na hipótese de a fiança ser concedida após a expedição do registro. Sim. que recai sobre o agente praticante do ato. Eficácia do Registro Para produzir seus efeitos. Por outro lado. responsabiliza-se a pessoa jurídica. na inércia desses. Completam a relação os atos de empresas estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil. O ato sujeito a registro não pode ser invocado contra terceiro. comumente. inciso I. sem prejuízo de ação contra o administrador. Neste caso. aqueles relativos à incorporação. são os administradores e. os atos sujeitos a registro devem ser requeridos pelas pessoas habilitadas para tanto: no caso das sociedades empresárias. mas que não fora ainda averbado na junta. terceiro não pode alegar ignorância. de apenas vinte dias.

seja pessoa física ou jurídica. 1.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 29 Série Impetus Provas e Concursos Ainda a respeito da eficácia do registro. determinado empresário do ramo de farmácia.5. direito à exclusividade do nome. seja o empresário individual ou a sociedade empresária. É próprio dos empresários. É lá onde estão reunidos os elementos do estabelecimento empresarial. mas seu funcionamento de forma irregular. com livros contábeis e fiscais próprios. Inatividade do Registro Todo empresário. que não proceder. . por sua vez. sob pena de ser considerado inativo. somente poderá ser qualificado como tal se possuir estabelecimento. que lhe serve como instrumento para a realização de sua atividade econômica. sede e filiais serão consideradas estabelecimentos do empresário. além de outros estudados a seguir. Cada estabelecimento. inclusive. inclusive. desde que se apresente outro documento capaz de se sobrepor ao primeiro. em se tratando de elementos incorpóreos. Estabelecimento Empresarial 13. a exemplo do estoque de mercadorias. mas relativa. pessoa física ou jurídica. perdendo. e este. o estabelecimento empresarial é uma organização de bens pertencente necessariamente a empresário. deverá comunicar à Junta que permanece ou quer continuar em atividade. Conceito Complexo de bens reunidos segundo a vontade do empresário. mas um utilizado por todos. que. Caso contrário. o título do estabelecimento. pois podem ser elididos face à melhor prova admitida no Direito. 12. Pois bem. como o nome empresarial. tais atos não têm o condão de constitui prova absoluta. então. Em outras palavras. a exemplo do nome empresarial. no prazo de dez anos consecutivos. Significa afirmar que é possível desconsiderar certidão fornecida pelas Juntas Comerciais. dos móveis e utensílios. 13. manterá sua escrituração individualizada. ou incorpóreos. como é que ele poderia desenvolver sua atividade empresarial? Imaginemos. pois o art. é titular de duas filiais. É claro que. A inatividade não significa a dissolução da sociedade.1. além da sede de seu negócio. não haverá um para cada filial ou estabelecimento.142 do CC/2002 assim o caracterizou. que podem ser corpóreos. algum arquivamento.

assim como o registro das marcas. que se traduz num sobrepreço do estabelecimento em relação à soma dos preços de cada bem. integrariam o estabelecimento empresarial. mas não é correta essa afirmação. 13. patentes de invenção. Quanto maior for a disposição para o lucro.. utensílios.2. Cada bem individualmente considerado possui um valor econômico. empresário é a própria sociedade. mobiliário. bens corpóreos ou incorpóreos são todos destinados ao exercício da atividade empresarial. a reunião de todos acarreta um valor agregado bem maior. apesar de reunidos pela vontade do empresário. somados ao nome empresarial. mantêm suas autonomias. o ponto. são o estabelecimento empresarial. Conforme destaca a doutrina. se tomarmos a Panificadora Pão de Ouro Ltda. Composição Compreende diversos elementos que. a exemplo de um galpão ou de um armazém. o título do estabelecimento etc. dentre outros). São bens indispensáveis ao exercício da empresa. podemos afirmar ser o empresário o sujeito de direito. Ao valor agregado dá-se o nome de aviamento. a doutrina dominante (cito Fran Martins. Por exemplo. integrem o estabelecimento. pendendo Requião por não recepcionar a tese. Contudo. o nome empresarial e os bens da propriedade industrial (registro de marcas. na conformidade da importância. título. sobretudo. à empresa e ao estabelecimento empresarial.30 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Fazendo uma digressão sobre alguns dos conceitos estudados até aqui. Há uma relação direta entre o preço atribuído ao aviamento e a capacidade de o estabelecimento produzir lucro. equipamentos. não um bem do empresário. Como vemos. Há até autores que consideram o aviamento como elemento incorpóreo do estabelecimento. sendo a empresa a fabricação e comercialização de pães. patentes de invenção. Discute-se se bens imóveis. ponto etc. enquanto os meios utilizados especificamente no fabrico. desde que pertencentes ao empresário. No que pesem divergências doutrinárias. a exemplo do estoque de mercadorias. ainda que necessários à atividade econômica do empresário. Para o ponto. mas. enquanto a empresa é a atividade econômica desenvolvida pelo empresário. maior valor terá o aviamento. Sérgio Campinho e Fábio Ulhoa Coelho) é no sentido de aceitar que os bens imóveis utilizados diretamente na atividade empresarial. nome empresarial. como exemplo. reservam-se tópicos específicos. especialmente quanto ao empresário. pessoa física ou jurídica. o título do estabelecimento. o aviamento é um atributo da empresa. da extensão dos temas. . Já o estabelecimento empresarial é o aparelhamento necessário ao exercício da empresa.

52 prevê hipóteses de exoneração da obrigação do locador renovar o contrato. ou mesmo ser indenizado. mais conhecida como Lei do Inquilinato: a) o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado. em caso de prédio alugado. o titular de estabelecimento situado em prédio alugado detém o direito à renovação do contrato. anteriores à data de finalização do prazo do contrato em vigor. o art. O Ponto Empresarial Com relação ao ponto. d) o locatário esteja regularmente constituído. c) o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de estabelecimento empresarial existente há mais de um ano.1. desde que a maioria do capital social do sujeito de direito titular do estabelecimento pertença ao locador. é preciso ficar atento. Ainda que obedecidas todas as exigências. se compelido a sair. por determinação do Poder Público. o que se tem é um direito à inerência sobre o ponto. tiver que realizar no imóvel obras que importarem na sua radical transformação. 51 da Lei Federal no 8.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 31 Série Impetus Provas e Concursos 13. define-se como o lugar no qual aquele exerce suas atividades profissionais. o imóvel não poderá ser destinado ao mesmo ramo do locatário. São elas: a) quando. mas a faculdade a ele conferida em permanecer no local. que é espécie de bem incorpóreo do empresário. como . ascendente ou descendente. c) o locatário esteja explorando o mesmo ramo de atividade pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos. até seis meses. seu cônjuge. Quando se afirma que o ponto é espécie de bem incorpóreo do empresário. estipulados no art. Em outras palavras. b) o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos. b) para fazer modificações de tal natureza que aumente o valor do negócio ou da propriedade. pois. no sentido de ressaltar. A lei o reconhece como resultado do esforço desenvolvido por seu titular.245/91. desde que presentes os seguintes requisitos. protegendo-o. Nesta hipótese. no máximo. com seus atos arquivados no órgão de registro competente. e) que o locatário tenha proposto a ação renovatória no interregno de um ano. no mínimo.2. através da ação renovatória de contrato de locação comercial. na realidade. salvo se a locação também envolvia elementos do estabelecimento empresarial. não o domínio do locatário.

quando se tratar de espaço em shopping centers. agora enquadradas como sociedades empresárias. também integra o elenco dos bens incorpóreos o título do estabelecimento. claro. merece comentário a disposição do parágrafo 4o do art. sempre que tiver de deixar o ponto em função de proposta mais vantajosa oferecida por outrem ou. resta evidenciado que os termos da lei são extensivos às atualmente denominadas sociedades simples. Isso porque. reputavam-se comerciantes os que promovessem a intermediação de mercadorias e umas poucas espécies de serviços. enquanto o título do estabelecimento é o meio pelo qual a empresa torna-se conhecida do público. Permite-se a alienação do título. assim como às indústrias. não der o destino alegado ou não iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que declarou pretender realizar. respeitadas as disposições da lei. que classificou as sociedades em simples ou empresárias. as sociedades produtoras de bens e as então classificadas como sociedades civis ficavam à margem do conceito. Exemplo: Casa das Baterias. É de se ressaltar a proteção dada pela lei ao locatário contra medidas arbitrárias do locador. o locador não poderá recusar a renovação lastrado nas causas dessa alínea. tanto que o parágrafo 3o do art. singularizando o ponto comercial. que estende o direito de inerência às locações celebradas por indústrias e por sociedades civis com fins lucrativos. 51. se o locador. pois devem prevalecer as condições livremente pactuadas nos contratos. .2. havendo recusa do locatário em cobrir o valor. Logo. 52 garante ao locatário direito à indenização. Império do Colchão etc. estas abrangendo também as indústrias. 51. mesmo. no prazo de três meses da entrega do imóvel. Por último. Este identifica o sujeito de direito proprietário.32 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel instalações e outros pertences. Após a edição do novo Código. Saliente-se ainda que. Não se confunde com o nome empresarial. seja o empresário ou a sociedade empresária.O Título do Estabelecimento Mais conhecido como “nome fantasia”. Espaço das Vitrines. na vigência da antiga Teoria dos Atos de Comércio. e) se o locatário não cumprir qualquer dos requisitos estabelecidos no art. d) se houver proposta de preço ofertada por terceiro mais vantajosa ao locador e.2. 13.

estaria comprovado o direito à exclusividade de seu uso. 1. aparecem como universalidades de direito.3. Natureza Jurídica Sua natureza é de uma universalidade de fato. a fim de demonstrar que sua utilização antecedeu à da outra parte envolvida na disputa. 13. Já Sérgio Campinho. ou mesmo de posterior averbação. . sustentou que. Nesta condição. Ambas. ao contrário do que ocorre com o nome empresarial. na hipótese de o título aparecer destacado no ato constitutivo do empresário registrado. pode acontecer em momento posterior ao arquivamento do ato constitutivo da sociedade. contudo. diferentemente do nome. Isso porque.” Diversa é a natureza jurídica da herança ou da massa falida. em posicionamento seguido pelos melhores doutrinadores da matéria. uma vez que todos os seus bens serão destinados à composição da massa falida. A assertiva. Enquanto o empresário pode livremente estabelecer quais os bens que comporão seu estabelecimento. em que o art. A conclusão é extraída da definição desse instituto. 90 do CC/2002. para o título do estabelecimento não há norma legal disciplinadora do assunto. apesar de serem constituídas a partir da reunião de bens. pertencentes à mesma pessoa. 1. é merecedora de reparos. ao assimilar a tese esposada por Fran Martins.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 33 Série Impetus Provas e Concursos Sua proteção contra reprodução indevida por parte de outrem advém do registro na Junta Comercial que. que trata o estabelecimento como uma universalidade de direito pelo fato de o art.142 do Código definir a sua existência. Por essa razão. não posso concordar com a tese defendida por Marcelo Bertoldi. assim o são por disposição legal. não pelo desejo de alguém. que assim preceitua: “Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que. presente no art. Percebam uma diferença fundamental entre um e outro conceito. à semelhança do que já está reconhecido para o nome empresarial.166 do CC/2002 garante o uso exclusivo a quem primeiro promover seu arquivamento ou averbação no órgão de registro. Fran Martins. entendeu que a presença do título no ato de registro deve ser tomada como elemento de prova a favor de quem primeiro providenciou o arquivamento. apesar da omissão legislativa. tenham destinação unitária. com exceções e particularidades abordadas no Capítulo 04. o falido não possui tal prerrogativa.

sem que isso signifique ser sujeito de direitos e obrigações. não há como se falar em capacidade processual do estabelecimento. que recebe o nome de trespasse ou traspasse. translativos ou constitutivos. O art. 1. desde que compatíveis com sua natureza. Já o estabelecimento. o empresário. o estabelecimento muda de titular. partidos políticos e organizações religiosas. Logo. Tem o transmitente que ficar com bens livres e desembaraçados para pagamento de . entretanto. passando a integrar o patrimônio de outra pessoa. não é ele capaz de direitos e obrigações. não tem personalidade jurídica. Na hipótese de alguém reivindicar o domínio sobre eles. em raciocínio diametralmente oposto. Podemos. condição que isenta de dúvida a sua natureza de universalidade de fato. Em outras palavras. emprestando-lhes uma destinação unitária. é possível a mudança de titularidade do estabelecimento. É ele o detentor da legitimidade para tanto. fundações.143 do Código. Nesta condição. ou das ações de uma sociedade anônima. enfatiza corretamente a vontade do titular do estabelecimento em reunir bens diversos.145 do CC/2002 condiciona a eficácia da alienação a alguns fatores. Os bens que o compõem pertencem a seu titular.4. Assim. permanece na propriedade da mesma pessoa jurídica. Em termos práticos. que são as associações. 44 do CC/2002. pode ser alvo ou objeto de direitos e de negócios jurídicos. Alienação Vimos que o estabelecimento pode ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos translativos ou constitutivos. No primeiro. longe de poder ser sujeito de direito. afirmar que o estabelecimento pode ser objeto de relações jurídicas próprias. Observem que o trespasse não é o mesmo que a cessão de quotas sociais de uma sociedade limitada. a exemplo da sua própria alienação. mas da própria pessoa que seja seu titular. por ser desprovido de personificação.34 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Waldo Fazzio Júnior. pode ser alvo de transações ou disputa jurídica. titular da sede e mais cinco filiais. sociedades. Como tal. Essa é que terá novos sócios. 13. um empresário do ramo frigorífico. conforme dispõe o art. por conseqüência. o estabelecimento está excluído do rol de pessoas jurídicas elencadas no art. Já na cessão de quotas ou de ações. compete ao sujeito de direito empresário a manifestação a respeito. será a parte legítima para representar em juízo sobre qualquer ação que tenha por objeto bens componentes de algum de seus estabelecimentos. 1.

para os vencidos. contudo. o art. conforme previsto no art. que se materializa em trinta dias a partir da notificação. Eficaz o trespasse. A finalidade. a proibição se estende ao prazo do contrato. Em se tratando de arrendamento ou usufruto do estabelecimento. 1. a responsabilidade do alienante. salvo disposição em contrário.1. é evitar que o alienante. que vai depender do local onde se situe a filial. Em seguida. arrendatário ou do usufrutário em função do conhecimento que gozem junto ao público em geral. neste caso. a eficácia depende do pagamento de todos eles. que está em sintonia com a do art. 1.148. A proibição aqui tratada deve ser entendida em certo âmbito territorial. a transferência do estabelecimento importa em sub-rogação do adquirente nos contratos destinados à exploração do estabelecimento. ao invés do cessionário. A desobediência a esse requisito representa ato de falência. parágrafo 1o. contado da publicação de transferência na imprensa oficial. a materialização desse direito ocorre por ocasião do registro do indivíduo no Cartório de Registro Civil.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 35 Série Impetus Provas e Concursos seus credores existentes à época. tem direito a ser identificada por um nome civil. 14. ao nascer. arrendador ou aquele que transfere estabelecimento em usufruto desvie clientela do comprador. passa o adquirente a ser responsável pelos débitos anteriores ao ato. 51. a menos que haja concordância do adquirente. desde que contabilizados nos livros do vendedor. se não tiverem caráter pessoal. Outrossim. alienante do estabelecimento.144. Conceito Uma pessoa natural. não pode o alienante fazer concorrência nos cinco anos subseqüentes à transferência. 94. Este. reputando-os exonerados da obrigação mesmo que a publicação da transferência já tenha sido realizada. continua solidário com aquele pelo prazo de um ano. c.101/2005. podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação de transferência a que se refere o art. 1. ou dos respectivos vencimentos para os vincendos. Do contrário. quando é expedida a Certidão de Nascimento. a previsão do art. ou do consentimento expresso ou tácito. contudo. prevê que. Com relação aos devedores por créditos cedidos ao adquirente. da Lei Federal no 11. III. ressalvada.149 preserva a boa-fé daqueles que efetuarem o pagamento ao cedente. Juridicamente falando. da conhecida Lei do Inquilinato. se ocorrer justa causa. Nome Empresarial 14. .

Pedro Luiz Costa Farias–Mercearia. 14. mais de um sócio poderá .156 do Código. que vai do art. O nome empresarial é. A alínea a do parágrafo 1o do art. Exemplos: Pedro Luiz Costa Farias. se houver mais de um patronímico. e o faz através de instruções normativas que. P. A diferença é que. que deverá adotar seu nome civil. designação mais precisa de sua pessoa ou do gênero de atividade. 1. Uma é a IN no 53. são válidas.168. pois. em se tratando de pessoa jurídica. sua formação gira em torno de nomes civis.36 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No caso dos empresários individuais ou das sociedades empresárias. do DNRC. se quiser. Assim como a firma individual. De outra forma. aquele sob o qual a sociedade ou o empresário individual exerce sua atividade econômica e obriga-se nos atos a eles pertinentes. b) Firma ou Razão Social Constitui-se a partir de um ou mais nomes de pessoas naturais e serve para nominar as sociedades empresárias. o Departamento Nacional de Registro do Comércio é entidade habilitada a normatizar esse e outros assuntos relacionados à empresa e ao empresário. 6o da IN no 53/96. aditando-lhe. admite a supressão de prenomes. que uniformizou critérios para o exame dos atos submetidos ao Registro Público de Empresas. O Código Civil de 2002 trouxe capítulo específico a respeito do tema.L. completo ou abreviado.155 ao art. Costa Farias. de 15 de março de 1996. Formação O nome empresarial pode ser de três espécies. a titularidade sobre o nome acontece a partir do arquivamento de seus atos constitutivos na Junta Comercial do Estado. Além dessas disposições. Costa Farias–Mercearia. Costa Farias. não se contrapondo aos ditames da lei. 1.2. conforme reza o art. um deles não poderá ser abreviado ou suprimido. no que se refere ao nome empresarial. a) Firma Individual Constitui-se a partir de um nome de pessoa natural e serve para nominar o empresário individual. 1.

6o da mesma IN no 53/1996. se determinada sociedade abranger em seu quadro social uma outra pessoa jurídica. não se revestindo da natureza obrigacional que permeia a firma. combinado com o parágrafo único do art. ou até de alguém que não seja membro da sociedade. 1. O usual é a razão social ser composta de um ou no máximo. não são sobrenome. limitada (para sociedade limitada). O art. Difere das outras duas formas em alguns aspectos. esta não poderá emprestar seu nome à formação da razão social da primeira. O mesmo dispositivo. até. O direito as reconhece pelo termo agnome. c) Denominação Essa espécie de nome serve tanto às sociedades empresárias como às sociedades simples e. Essa previsão. de acordo com a exigência do art. É que sua constituição se baseia não em nomes civis.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 37 Série Impetus Provas e Concursos emprestar seu nome à formação da firma social. Sem disposição expressa sobre elas. sobretudo na sua formação. Aliás. 1. A respeito do uso da expressão “e companhia”.160. devem constar do nome na forma por extenso. conforme prevê o art. do Código. Paulo Melo Lins e João Pedro Silva (em nome coletivo ou em comandita). do Código.158.157 do Código previu a possibilidade de se adotar a expressão “e companhia” ou sua abreviatura. neto. dois nomes de sócios. em uma sociedade de muitos sócios. às associações e fundações.155. sempre que omitido nome de algum sócio. Melo Lins e cia. contudo. nem seria razoável admitir um nome empresarial composto por tantos nomes civis. sempre acrescida do objeto social. 1. Por isso o art. mas em expressão de fantasia. 1. dentre outras similares. seja na lei ou em norma complementar. Assim.158. Expressões como: filho. do parágrafo 1o do art. João Fonseca e irmãos (em nome coletivo ou em comandita). 1. parágrafo 1o. sem abreviaturas. júnior. parágrafo 1o. . que possibilitou sua substituição por termos equivalentes. indicam relação de parentesco e servem para diferenciar parentes que tenham o mesmo nome. tem o caráter de mera homenagem. do CC/2002 vedou a inserção na razão social de nome de sócio que não seja pessoa física. Exemplos: Melo Lins e cia. (para sociedade em nome coletivo ou em comandita). dentre outros. Mas não precisa serem todos. parágrafo 1o. convém ressaltar a disposição da alínea a. permite a inclusão de nome de um ou mais sócios. tal como “e filhos” ou “e irmãos”.

(para uma sociedade anônima). 6o. É o caso de a denominação de uma sociedade do ramo de papelaria conter objeto social diverso.3. a exemplo de frigorífico ou farmácia. 14. ao proibir a presença no nome de palavras ou expressões que denotem atividade nãoprevista no objeto da empresa. por sua vez. ainda não foi elaborada. quando um cônjuge pode incorporar sobrenome do outro. quando dispõe que sócio que vier a falecer. será necessária a alteração do nome empresarial. na hipótese de casamento. destacando a impossibilidade de coexistência de nomes idênticos ou semelhantes no âmbito da mesma unidade federativa. 1. . 14. dois princípios deverão ser observados. Proteção A inscrição do empresário individual ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas assim como as respectivas averbações no registro próprio asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. permite-se agregar designação distintiva. se registrado na forma de lei especial. em caso de homônimos já inscritos. que prevê. Indústrias Reunidas Brasil Limitada (para uma sociedade limitada).163 do Código que. por exemplo. 1. sempre que promoverem alteração em seus respectivos nomes civis.4. em seu art. sócio de sociedade que emprestar seu nome à razão social ou o empresário individual. impõe o emprego de alguma designação distintiva ao nome do empresário. observa o princípio da novidade. 1. em seu parágrafo único.38 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Exemplos: Fiação José Pereira S. A IN no 53/96. b) Princípio da novidade O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro. Princípios Para legal constituição do nome. quando houver outra já registrada. Podemos encontrá-lo no art. não pode ser conservado na firma social. Em se tratando de firma. a extensão da garantia a todo território nacional.166. a) Princípio da veracidade Esse princípio permeia a constituição do nome empresarial.165 do Código. Essa é a disposição do art. em seu parágrafo único. 7o da IN no 53/96. Esta. individual ou social. Com fundamento nele. for excluído ou se retirar. parágrafo 2o. de forma a evitar o registro daqueles que não correspondam à realidade. igualmente. dispõe o parágrafo único do artigo. Frigorífico Carnefresca Comandita por Ações (para uma comandita por ações).A. O art. Esta é a regra do art. também faz referência ao mesmo princípio.

A par dessa função. através da assinatura de seu representante. II. É da sua utilização que nascem os direitos e obrigações do empresário. já vimos. da IN do DNRC no 53/96. também serve como assinatura do empresário. Exemplificando. enquanto não editada a lei especial a que se refere o parágrafo único do art. Esse trabalho é feito ao mesmo tempo em que se avalia tanto o requerimento do empresário individual. desde que o agente possua representação legítima. a requerimento do interessado. 13 da IN no 53/96. Essa é a previsão do art. Outro ponto que merece destaque é a simultaneidade entre o registro e a proteção. é a identificação do sujeito de direito que o emprega. a firma. o parágrafo 2o do mesmo art. dispondo sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. a firma. . parágrafo 1o. dentre outras informações. 61 do Decreto prevê que a proteção ao nome poderá ser estendida a outras unidades da Federação. 1. 13. significando afirmar que as juntas não abrem um processo específico para a análise do nome constante do ato.934/94. senão nas hipóteses do art.800/96. que é coincidente com a do art. A primeira. portanto. Função A principal função do nome empresarial. contrair um empréstimo bancário no valor de um milhão de reais a ser pago no prazo de seis meses. que regulamentou a Lei no 8. outra. 968. 14. esse dispositivo inclusive encontra eco no Código Civil.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 39 Série Impetus Provas e Concursos Continua. em caso de abertura de filial em outro Estado. 61. do Decreto no 1.5. se a sociedade chamada Tecelagem Rio Grande S/A. parágrafo 1o. a disposição do código. seja individual ou social. pessoa física ou jurídica. assim como com o art. E é justamente a IN no 53/96 que prevê duas hipóteses para a extensão da proteção do nome a outros Estados. Entrementes. como o estatuto ou contrato de sociedade. prevê que a inscrição do empresário far-se-á mediante requerimento que contenha. não há outra maneira de a proteção ao nome empresarial ser eficaz em outros Estados. que. 2o do Decreto 916/1890. com a respectiva assinatura autógrafa. que criou o registro de firmas ou razões comerciais.165. Na opinião de Sérgio Campinho. observada instrução normativa do Departamento de Registro do Comércio – DNRC. pelo pedido específico. é ela a pessoa obrigada ao pagamento. citadas no parágrafo anterior. Portanto. instruído com certidão da Junta Comercial da unidade federativa onde se localize a sede da sociedade. em seu art.

normalmente farão parte do negócio a totalidade de seus bens. com a ressalva já feita para o uso do nome. Também é possível haver negociação em cima de bens incorpóreos. os mesmos poderão livremente ser alienados.164 do CC/2002. uma vez que não pode haver empresário sem aquele conjunto de bens organizados para o exercício da empresa. Brasil de Cosméticos. ou aos demais bens incorpóreos ou não. Logo.. por ocasião da negociação de venda de um ou todos os estabelecimentos do empresário. que concordou com o uso de seu nome pelo adquirente. usar o nome empresarial do alienante. 14. do ponto etc. Para o bom entendimento do assunto.40 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por outro lado. materiais ou não. O alienante pode até excluir um ou outro bem originário do estabelecimento. Já com relação ao título.. adquirente da Cosméticos Nova Cruz S/A. na conformidade do parágrafo único do mesmo artigo. do nome empresarial. percebam que. sucessor de Cosméticos Nova Cruz S/A. porém. Quando a venda abrange todos os estabelecimentos. é forçoso reconhecer a pouca ou quase nenhuma aplicação prática do dispositivo. Imaginemos. então. a sociedade Paiva Costa e Cia. teremos: Paiva Costa e Cia. sem que isso o descaracterize como tal. precedido de seu próprio. independentemente da venda do estabelecimento. Isso porque o empresário que se desfaz de todo o seu estabelecimento invariavelmente perderá esta qualificação. o adquirente pode. . Alienação O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. Exemplo: Cia. compete aos contratantes definir quais os bens farão parte do negócio. que adquiriu o estabelecimento empresarial de João Armando Silva e Irmãos. mas de seus próprios nomes. sucessor de João Silva e Irmãos Irmãos. 1. Brasil de Cosméticos. que passará a usar o nome Cia. o contrato de alienação deve conter a previsão do objeto contratado.6. acrescentado do termo “sucessor de”. se houver previsão contratual. Caso. Essa é a regra do art. a exemplo do título. seja alienado o próprio estabelecimento empresarial. sendo a venda parcial. Idêntico raciocínio pode ser formulado quando se tratar de uma denominação. De outra forma. pois a maioria esmagadora dos empresários ou representantes de sociedade não se utiliza da firma como assinatura.

assim ou por extenso. assim ou por extenso.”.”. assim ou por extenso. assim ou por extenso Com o termo “Cooperativa”.S.7.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 41 Série Impetus Provas e Concursos 14.A. DENOMINAÇÃO OBSERVAÇÕES X X Com o termo “C.”. X X – – Sociedade Cooperativa X . Com um dos termos: “Cia.” ou “S/A”. Não possui nome. Utilização por quem de Direito TIPO Empresário Individual Sociedade Simples Em Nome Coletivo Em Comandita Simples Em Comandita por Ações Em Conta de Participações Sociedade Limitada Sociedade Anônima X X X Com o termo “Ltda. – X FIRMA FIRMA INDIVIDUAL SOCIAL X Com o termo “S.

b) concessão de registro de desenho industrial. c) concessão de registro de marca. através da: a) concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade. Analisando o dispositivo acima. já no seu art. e b) normas regulamentadoras da propriedade industrial. São eles: a) patentes de invenção. O Congresso Brasileiro. editou a Lei no 9. para o direito da propriedade industrial. por sua vez. Não importa o grau de desenvolvimento de uma sociedade. De outra forma. o mesmo não ocorre nas obras protegidas pelo direito autoral. d) repressão às falsas indicações geográficas. previu as formas de proteger a atividade inventiva e a própria atuação empresarial de pessoas físicas e jurídicas. de 14 de maio de 1996. . que recebem o título de Direito da Propriedade Industrial. visando ao desenvolvimento tecnológico e econômico do país. 2o. podemos destacar quatro bens incorpóreos componentes do estabelecimento empresarial e que são abrangidos pelo direito de propriedade industrial. Estas. enquanto o objeto da propriedade industrial é destinado à produção em escala industrial. no sentido de que se trata de algo exclusivo para o próprio autor da obra. mais conhecida como o Código de Propriedade Industrial – CPI que. nacionais ou domiciliadas no Brasil. Alvo desse trabalho será o direito da propriedade industrial. Uma diferença marcante entre os objetos de um e outro sistema jurídico reside no fato de que as obras literárias. e d) registro de marca. entendo-se como o desconhecimento público sobre objeto. Disposições Preliminares Se fizermos uma retrospectiva histórica do desenvolvimento da humanidade. iremos observar que a necessidade e o poder inventivo são características inerentes ao ser humano. dividem-se em: a) normas regulamentadoras da propriedade literária. enquanto que.1.42 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. o homem estará sempre tentando descobrir novas formas de melhorar seu bem-estar por meio de criações as mais variadas possíveis. c) registro de desenho industrial. e e) repressão à concorrência desleal. b) patentes de modelo de utilidade. que recebem o título de Direito Autoral. existem normas conhecidas como Direito da Propriedade Intelectual. ficando o direito autoral a cargo do Direito Civil. artística e científica.279. requisito fundamental é a novidade da criação. Para tutelar o direito dos autores de obras oriundas da capacidade intelectual do homem. Direitos de Propriedade Industrial 15. artísticas e científicas obedecem ao critério da originalidade.

em seu art. prescreve: A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização.2. ao passo que uma invenção pode jamais haver sido alvo de um modelo de utilidade. Patentes O art. ao uso exclusivo da marca e do nome empresarial. ou de parede. vejamos as formas de proteção à propriedade industrial. Mas qual a diferença entre invenção e modelo de utilidade? A primeira pode ser conceituada como o produto do intelecto humano que traz à tona coisas até então inexistentes e capazes de serem produzidas em escala industrial. entendida como o instrumento jurídico capaz de assegurar aos inventores e aos criadores de modelo de utilidade a proteção contra reproduções indevidas de suas obras. 15. poderíamos dizer que a geladeira doméstica é uma invenção. ao passo que modelo de utilidade seria um aperfeiçoamento de algo já existente. à propriedade das marcas. 5o. inciso XXIX. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do país. . valendo lembrar que questões atinentes ao nome empresarial e ao título do estabelecimento são reguladas pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. autarquia federal com sede no Estado do Rio de Janeiro. para exploração e produção dos bens. na hipótese de o modelo tradicional ter sido precursor dos demais. igualmente capaz de ser produzido industrialmente. Também serviria à exemplificação a criação do ventilador de teto. A título de exemplo. A materialização desses direitos advém da concessão da patente.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 43 Série Impetus Provas e Concursos Os direitos atribuídos aos titulares da propriedade industrial vão da reserva temporária. Competente para regulação e concessão da maioria desses direitos é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. A própria Constituição Federal. Conclui-se que o modelo de utilidade pressupõe uma prévia invenção. 2o da Lei no 9. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. conforme exposição no item anterior. que dispõe sobre direitos e deveres individuais e coletivos. pois o seu sentido é incrementar a utilização de algo já existente. cabendo às Juntas Comerciais recepcionar as documentações dos empresários para fins de registro e concessão do direito de propriedade sobre eles. bem como proteção às criações industriais. enquanto o seu descongelamento automático é um modelo de utilidade.279/96 garantiu aos autores de invenção ou de modelo de utilidade direitos que nela são relacionados. A seguir.

estão interligados. são requisitos à patenteabilidade de uma invenção: a) novidade. 13. b) atividade inventiva. por descrição escrita ou oral. Na verdade. ou a partir de atos realizados por ele. por uso ou qualquer outro meio. haverá quebra do requisito da novidade. b) pelo INPI. é a criação que não decorre de forma óbvia ou evidente do estado da técnica. . o art. Uma criação que dependa de um componente só existente nas estrelas não possui aplicação industrial. a partir de informações deste obtidas. por exemplo. Já a aplicação industrial é requisito que decorre da possibilidade de o invento ou o modelo industrial poder ser produzido em escala industrial. A atividade inventiva. Em outras palavras. De outra forma. assim entendido como toda informação que é disponibilizada ao público antes da data de depósito do pedido da patente. nem tudo que é novo decorre da atividade inventiva do homem. tampouco para modelo de utilidade. mas não decorreu de sua atividade inventiva. Portanto. preferiram os legisladores estabelecer requisitos para a caracterização e enumerar o que não se enquadra em um ou em outro aspecto. ainda assim a invenção ou o modelo de utilidade seriam considerados novos. à luz do art. portanto. se alguém tentar patentear invento que diz ser novo. conforme a disposição do art. através de publicação oficial de pedido de patente depositado sem o consentimento do inventor. No entanto. ou em decorrência de atos realizados por ele. Dessa forma. pode ser considerada nova diante dos olhos humanos. ao requisito da novidade imposto pelo CPI. obedecendo. poderíamos afirmar que todo invento é novo. 11). Nova é a invenção que não está compreendida no estado da técnica.Invenção e Modelo de Utilidade O Código de Propriedade Industrial não trouxe conceitos para invenção. e c) aplicação industrial. resultando na negativa de patente. c) por terceiros. faz-se necessário que a divulgação tenha sido promovida: a) pelo próprio inventor. Para tanto. Esses dois primeiros requisitos.44 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. no Brasil ou no exterior (art. o leitor pode perceber. a descoberta de um novo mineral. pois decorre da capacidade criativa do ser humano em construir algo até então inexistente. 12 estabeleceu um período de doze meses imediatamente anteriores à data do depósito no qual a divulgação de informações sobre a invenção ou do modelo de utilidade não será enquadrada no estado da técnica. enquadrando-se nesse dispositivo a informação divulgada.1. e ficando provado que se trata de algo criado a partir de informações vindas a público a respeito da criação. baseados em informações obtidas do inventor. 8 o do CPI.2.

educativos. São elas: a) descobertas. 10 contém relação de algumas ocorrências que não são consideradas invenção. à ordem e à saúde públicas. arquitetônicas. 15. quando resultantes de transformação do núcleo atômico. teorias científicas e métodos matemáticos. planos. Observem a diferença entre o teor de cada dispositivo. h) técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos. enquanto o art. aos bons costumes e à segurança. inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais.2. d) as obras literárias. g) regras de jogo. 18. Diversa é a disposição do art. f) apresentação de informações. artísticas e científicas ou qualquer criação estética. Esse é o teor do parágrafo 1o do art. exceto os microorganismos transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade (novidade. financeiros. ou ainda que dela isolados. e i) o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza. tampouco modelo de utilidade. contábeis. . princípios ou métodos comerciais. de sorteio e de fiscalização. publicitários. b) concepções puramente abstratas. elementos ou produtos de qualquer espécie. e c) o todo ou parte dos seres vivos.2. 6o. que proíbe a concessão de patentes às seguintes criações: a) tudo o que for contrário à moral. presume-se o requerente legitimado a obter a patente. bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou modificação. e) programas de computador em si. ou não. que privilegia a pessoa que primeiro encaminhou o pedido de patente. 10 enumera realizações que não são consideradas invenções ou modelo de utilidade. o outro obsta a concessão de patentes a invenções ou a modelos de utilidade que se encaixem ao menos em uma daquelas proibições. misturas. b) substâncias. para aplicação no corpo humano ou animal. Do Pedido e Concessão da Patente Salvo prova em contrário. não importando se é. c) esquemas. o inventor ou o autor do modelo de utilidade.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 45 Série Impetus Provas e Concursos O art. atividade inventiva e aplicação industrial) acima referidos. matérias. bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico.

é necessário que o depositante ou qualquer interessado o requeira no prazo de trinta e seis meses da data do depósito. e comprovante de pagamento da retribuição relativa ao depósito). em se tratando de matéria referente à defesa nacional. do mesmo artigo. É lá onde se faz o exame formal preliminar do requerimento e. relativa ao estado da técnica. com a data de apresentação sendo tomada como data de depósito. o pedido pode ser dirigido por todas ou uma delas. quando devidamente instruído de acordo com a exigência do art. De outra forma. quando ocorrer invenção ou criação de modelo de utilidade por uma ou mais pessoas de forma independente. Uma vez publicado o pedido. sob pena de devolução ou arquivamento da documentação. por todo o tempo. desenhos. se for o caso. o INPI pode emitir recibo. não havendo publicação pelo prazo de dezoito meses desde a data do depósito. mas existindo dados relativos ao objeto. mediante nomeação dos demais. considera-se data do depósito a mesma do recibo. Esta data é importante. não importando da data de invenção ou criação. a fim de subsidiarem o exame técnico ou de mérito. sob pena de arquivamento do . O órgão competente para receber os pedidos de patentes relativos a invenções e modelos de utilidade é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial-INPI. o direito de obter a patente será assegurado àquele que promover o depósito mais antigo. será protocolizado. faculta-se aos interessados apresentar novos documentos e informações. o pedido deve ser mantido em sigilo. 30 do CPI. No entanto. e c) pela pessoa a quem a lei ou o contrato de trabalho ou prestação de serviço indicar como titular do direito. salvo prova em contrário.46 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O parágrafo seguinte. e. além de outros fins. em se tratando de invenção ou de modelo de utilidade realizado conjuntamente por duas ou mais pessoas. para se observar a divulgação de informações sobre o objeto do depósito. permite que o pedido seja feito em nome próprio: a) pelos herdeiros ou sucessores do autor. relatório descritivo. b) pelo cessionário. conforme exposto no item anterior. ao depositante e ao inventor. Satisfeitas as exigências. está em sintonia com o princípio de que o primeiro a chegar será considerado o titular do direito. até o deferimento da patente. reivindicações. Essa disposição. 7o. Faltando algum requisito essencial. salvo por solicitação do depositante. Conforme reza o art. estabelecendo as exigências a serem cumpridas no prazo de trinta dias. Para tanto. resumo. presente no art. 19 (requerimento. que não será iniciado senão após o prazo de sessenta dias da publicação do pedido.

conforme as exigências postas nos arts.2. o prazo mínimo de vigência da patente de invenção é de dez anos. Neste caso. 42. o instrumento utilizado é a carta-patente. ficará em sigilo pelo prazo de dezoito meses. que somente será feito mediante nova solicitação. no prazo de sessenta dias do deferimento. parágrafo 1o. quando estaria prejudicado o direito do titular. podendo ser cedido (o art. Portanto. 44 indenização em favor do titular da patente. 34 a 36. conforme reza o art. garantem-se aqueles prazos mínimos de vigência da patente. sob pena de arquivamento em definitivo. indeferindo ou deferindo a patente. enquanto a do modelo de utilidade é de sete anos. que somente será emitida após o pagamento de retribuição correspondente. por ato oneroso ou gratuito. o titular de patente tem o direito de impedir terceiro. Prevê o art. na hipótese de exploração indevida de seu objeto.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 47 Série Impetus Provas e Concursos pedido. o INPI deve proceder a uma análise preliminar do pedido que. no prazo de sessenta dias. mesmo. mediante o pagamento de retribuição específica. 38. salvo por solicitação do depositante. o depositante solicitar. se. Da Vigência e da Proteção Conferida pela Patente Enquanto perdurar a patente. sem importar o intervalo de tempo compreendido entre o depósito e a concessão. que será considerado bem móvel. pode haver o desarquivamento do pedido. vender ou importar com estes propósitos o produto objeto da patente ou o processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. ou. seu titular tem direito à exploração exclusiva do objeto. sem o seu consentimento. retardando o início da exploração industrial e comercial do bem. porque pode acontecer de a concessão sofrer demora no processo. porém da data de depósito. se aprovada. Concluído o exame. De outra forma. ser objeto de contrato para licença de exploração. conforme prevê o art. de produzir. colocar à venda.3. 15. 5o. contado não da publicação do pedido. Essa previsão é importante. A patente de invenção vigorará pelo prazo de vinte anos e a do modelo de utilidade pelo prazo de quinze anos. Em resumo. 58 permite a cessão do pedido). por causa mortis ou inter vivos. Neste último caso. no prazo de trinta e seis meses. No entanto. . Conforme a disposição do art. a satisfação no pedido não garante a realização do exame técnico. inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e a da concessão da patente. será proferida decisão. ambos contados da data de depósito. usar.

por ato inter vivos ou mortis causa. sem ônus. Igualmente permite-se ao titular de patente ou o depositante celebrar contrato de licença para exploração industrial do objeto da patente. de boa-fé.4. igualmente é parte legítima para a propositura tanto o INPI como qualquer interessado. senão juntamente com o negócio ou empresa. de forma onerosa ou gratuita. por alienação ou arrendamento. mesmo.2. c) houver omissão de qualquer formalidade essencial à concessão. Pode o titular da patente solicitar ao INPI que a coloque em oferta para fins de exploração. 15. ou mediante requerimento de pessoa com legítimo interesse. o parágrafo 1o do art. quando o licenciado poderá ser investido de todos os poderes para agir em defesa da patente (art. quando não for o autor. arbitrar a remuneração cabível. quando o instituto promoverá a publicação da oferta. o pedido de patente. a nulidade será instaurada de ofício. Neste caso. na forma e nas condições anteriores. Neste caso. 6o do CPI considera bens móveis os direitos relativos à propriedade industrial. 45 prescreve que o direito não poderá ser cedido. e o foro competente será a Justiça Federal. A nulidade da patente poderá ser declarada administrativamente ou na esfera judicial. no prazo de seis meses da concessão. podendo. da forma como ocorre na nulidade administrativa. O titular desses direitos pode cedê-los. por solicitação das partes. incluindo-se a patente ou. não haverá limitação de prazo. Na hipótese de ação judicial para a nulidade da patente. Sendo administrativa. neste caso quando as reivindicações subsistentes constituírem matéria patenteável por si mesma (arts. A nulidade poderá ser total ou parcial.2. a patente concedida contrariando as disposições do CPI. ou parte desta que tenha relação direta com a exploração objeto da patente. sempre que: a) não tiver sido atendido qualquer requisito legal. será assegurado o direito de continuar a exploração. intervindo o INPI. Da Nulidade da Patente É nula.48 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entrementes. até. para aquele que. 61). 15.5. antes da data de depósito ou de prioridade de pedido de patente. . já explorava seu objeto no país. 46 a 48). Para que produzam efeitos em relação a terceiros. b) o objeto da patente se estenda além do conteúdo do pedido original depositado. o contrato deverá ser averbado no INPI. Das Licenças Vimos que o art. pelo próprio INPI. desde de a data do depósito.

69 prevê que não será concedida licença compulsória se. O art. b) quando a comercialização não satisfizer as necessidades do mercado. em função do exercício abusivo ou se. fica sujeito a uma ação movida pelo titular da patente. quais sejam: a) ficar caracterizada situação de dependência de uma patente em relação à outra. conforme linguagem popular costumar se referir. 68. quando ocorrerem cumulativamente as três hipóteses previstas no dispositivo. efetuada por decisão administrativa ou judicial. da mesma forma que. o titular: a) justificar o desuso por razões legítimas. e será temporária e nãoexclusiva. a anuidade devida ao INPI será reduzida à metade. a concessão dar-se-á de ofício. O art. Diferente é a licença compulsória ou. por meio dela. ou mesmo se não forem obedecidas as condições impostas para exploração (art. são: a) não-exploração do objeto da patente no território brasileiro. se o licenciado interromper a exploração por prazo superior a um ano. Neste caso. 70 se refere a casos de licença compulsória concedida à patente dependente da outra. à data do requerimento. que trata dos casos de emergência nacional ou interesse público. pode o titular da patente requerer o cancelamento da licença. 67). assim entendida como a patente cuja exploração depende obrigatoriamente da utilização do objeto da patente anterior. igualmente no prazo de três anos da concessão. até que seja concedida a primeira licença. . e c) o titular não realizar acordo com o outro titular da patente dependente para exploração da patente anterior. b) comprovar a realização de sérios e efetivos preparativos para a exploração. Caso o licenciado não dê início à exploração em um ano da concessão. que podem ensejar a licença compulsória. b) o objeto da patente dependente constituir substancial progresso técnico em relação à patente anterior. a “quebra de patente”. desde que o titular da patente ou seu licenciado não atenda a essa necessidade. Outra hipótese para concessão da patente compulsória está no art. restar constatado o abuso de poder econômico. declarados em ato do Poder Executivo Federal. após decorridos três anos da concessão da patente.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 49 Série Impetus Provas e Concursos Nesta condição. Se o licenciado não iniciar a exploração em um ano da concessão. c) justificar a falta de fabricação ou comercialização por obstáculo de ordem legal. Outras hipóteses previstas no art. 71.

Até um ano da extinção do vínculo empregatício. aquelas pertencerão exclusivamente a ele.7. 15. O parágrafo 2o do art.2. Extinta a patente. salvo prova em contrário. salvo disposição contratual em contrário. cujo objeto interesse à defesa nacional. Não havendo manifestação do órgão próprio. Da Patente de Interesse da Defesa Nacional O pedido de patente originário do Brasil. o processamento do pedido perde o caráter sigiloso. 78. será processado em caráter sigiloso e não estará sujeito a publicações previstas no CPI (art. seu objeto cai em domínio público. 75). 88 prevê que a invenção e o modelo de utilidade pertencem exclusivamente ao empregador.6. c) pela caducidade (pode ser de ofício ou a requerimento de interessado e ocorre quando. 15. sem a utilização de meios. d) pela falta de pagamento da retribuição anual.50 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15.8. Da Realização por Empregado ou Prestador de Serviço O art. quando qualquer um poderá explorá-la industrialmente. decorridos dois anos da concessão da primeira licença compulsória. não for sanado o abuso ou desuso. considera-se desenvolvida na vigência do contrato de trabalho a invenção ou o modelo de utilidade. Cabe ao INPI encaminhar tal pedido ao órgão específico do Poder Executivo Federal para que este se manifeste no prazo de sessenta dias. instalações ou equipamentos do empregador. .2. a patente será extinta: a) pela expiração do prazo de vigência. instalações ou equipamentos do empregador. Da Extinção da Patente Segundo a disposição do art. quando resultarem da contribuição pessoal do empregado em combinação com a utilização de meios. ou resulte esta da natureza dos serviços para os quais foi o empregado contratado. b) pela renúncia de seu titular. Quando o empregado desenvolver o objeto da invenção ou do modelo de utilidade de forma desvinculada do contrato de trabalho. salvo motivos justificáveis). De outra forma.2. 75 proíbe o depósito no exterior de pedido de patente cujo objeto tenha sido considerado de interesse da defesa nacional. ressalvado o direito de terceiros. quando decorrerem de contrato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por objeto a pesquisa ou a atividade inventiva. pode haver propriedade comum de invenção ou de modelo de utilidade.

2. 95 traz elementos essenciais ao registro do desenho industrial. são sinais ou expressões que servem à identificação de produtos ou serviços. Da mesma forma que os desenhos industriais. São eles: a) novidade.3. Antes. A diferença é o prazo constante do parágrafo 3o. Registrabilidade do Desenho Industrial O teor do art.3. pois não introduz nova forma à utilização do bem. são registráveis no INPI. ou com a questão estética. Registro É o ato pelo qual se assegura ao titular de um desenho industrial ou de uma marca a propriedade sobre esses bens.1. a exemplo do órgão competente para processá-lo. 11 e 12. As marcas. para onde o leitor deve se reportar. b) originalidade. em relação a outros objetos anteriores. Novo é o desenho industrial não compreendido no estado da técnica. ao passo que a originalidade tem a ver com o resultado visual inédito alcançado. convém entender o sentido de um e outro conceito. e c) aplicação industrial. analisados em item anterior. 97).CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 51 Série Impetus Provas e Concursos 15. No que pese a diferença de nomenclatura. Não se confunde com o modelo de utilidade. podendo até haver utilização de elementos já conhecidos (art. apenas agrega outra aparência a ele. de cento e oitenta dias anteriores à data de depósito (tratando-se de patentes é de doze meses). conforme dispõe o art. Original é o desenho industrial que resulte em uma configuração visual distintiva. representa o resultado visual novo em um produto já existente. 96. para a divulgação do desenho industrial sem ser incluído no estado da técnica. mais conhecido como design.. tratando-se de marca ou de desenho industrial assume o nome de registro. decorrente do emprego ornamental de linhas e cores ao objeto. Desenho industrial. contudo. por sua vez. há pontos coincidentes entre as patentes e os registros. Enquanto para as invenções e modelos de utilidade o instrumento garantidor da propriedade é a patente. É o que ocorre com os novos modelos de veículos surgidos a cada ano. 15. de no 15. Outros são expostos em seguida. que reproduz praticamente o mesmo conteúdo dos arts. . A diferença entre um e outro elemento reside no fato de que a novidade se refere à técnica de aplicação industrial.1. que é o INPI.

enquanto para esta há um exame formal preliminar do pedido que antecede a solicitação. ao desenho industrial e ao autor.2. quando comparada com a concessão de patente. não são registráveis como desenho industrial: a) o que for contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou a imagem de pessoas.52 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Aplicação industrial é outro elemento comum ao registro do desenho industrial. Significa afirmar que. 15. ainda. desde que . que tratam das pessoas que podem ingressar junto ao INPI com pedidos de patente.. O órgão para recepcionar e processar o pedido é o mesmo Instituto Nacional de Propriedade Industrial. sob pena de ser considerado inexistente (em se tratando de patentes. uma vez depositado o pedido de registro de desenho industrial. Logo.2. esse prazo é de trinta dias). Obras de caráter puramente artístico não são consideradas desenhos industriais (art. 100. o parágrafo único do mesmo dispositivo remete o tema à regulamentação feita pelos arts. crença. mas existindo dados suficientes relativos ao depositante. nas condições estabelecidas na lei. para o registro de desenho industrial. de um exame de mérito. geralmente por ofenderem a moral e os bons costumes. ou atente contra a liberdade de consciência. uma vez não atendidas as exigências do art. salvo prova em contrário. que estabelecerá prazo de cinco dias para o cumprimento das exigências.2. Para as demais particularidades. b) a forma necessária comum ou vulgar do objeto ou.3. o leitor deve se reportar ao item 15. ao menos no que se refere aos peticionários do direito. devendo ser observado que. As regras para processamento do pedido também são coincidentes em sua maioria. 94 assegura o direito de obter registro que lhe confira a propriedade sobre o bem. de acordo com o art. há desenhos que não são passíveis de registro. culto religioso ou idéia e sentimentos dignos de respeito e veneração. Desta forma. Do Pedido e da Concessão do Registro de Desenho Industrial Ao autor de desenho industrial. 98). assim como acontece com as patentes. vale a regra de que o primeiro a chegar presume-se proprietário. Por outro lado.2. 101. conforme foi explicitado no item 15.2. Somente se permite o registro daqueles desenhos que possam entrar numa linha de produção industrial. Diferente é a forma de concessão do registro. a ser feita no prazo de trinta e seis meses da data do depósito. a lei segue os mesmos princípios aplicados às patentes. o art. pois. 6o e 7o. aquela determinada essencialmente por considerações técnicas ou funcionais. por parte do requerente. No entanto. o pedido poderá ser entregue mediante recibo datado ao INPI.

que é de cinco anos. o leitor se reportar àquele item. porém. Observa-se.4.3. usar. vender ou importar produtos objeto do desenho industrial. então. contados da concessão do registro. assim como outros direitos especificados nos arts. de produzir. requeira o depositante. 46. V.3. Deve. exceto os dos incisos III. 108). Também coincidentes com as regras das patentes são os processos de nulidade administrativa e judicial. 112. ou d) quando se tratar de titular domiciliado no exterior. 119: a) pela expiração do prazo de vigência. após o que será processado (art. Caso. 15. prorrogável por três períodos sucessivos de cinco anos cada (art. Essa é a disposição do art. pelo prazo de cento e oitenta dias da data de depósito. . pode impedir terceiro. 43. a fim de conferir todos os demais conceitos. para fins de anulação administrativa do registro.3. que copia os termos do art. ressalvado direito de terceiros. 113. será automaticamente publicado e simultaneamente concedido o registro. um prazo máximo possível de vinte e cinco anos. Extinção do Registro O registro extingue-se pelas causas previstas no art. 42 e 43. 120. sem o seu consentimento. 15. Da Nulidade do Registro É nulo o registro concedido em desacordo com a lei. Quanto à vigência. poderá ser o pedido mantido em sigilo. 15. expostos no item 15. pois. ou seja. quando referente à anulação de patentes. tem prazo de seis meses contados da concessão da patente.2. c) pela falta de pagamento da retribuição qüinqüenal. prevista no art.5.Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro A proteção conferida ao titular de registro de desenho industrial é similar ao do titular de patente.4. pela falta de indicação de representante no Brasil. colocar à venda.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 53 Série Impetus Provas e Concursos cumpridas as exigências formais. b) pela renúncia de seu titular. VI e VII do art.3. aplicado às patentes. Diferem no prazo previsto no parágrafo 1o do art. será de dez anos contados da data de depósito. A mesma hipótese. expedindo-se o respectivo certificado. 106).

desde que não estejam compreendidos nas proibições legais.8. Registro de Marcas 15. para que se respeite o princípio da especificidade. Diferente são as marcas de alto renome. o que significa que não haverá problema se a marca já servir a um determinado tipo de manteiga. primeiramente. se alguém tentar registrar uma marca de refrigerante. pois não pode haver colidência de marca nova com outra criada anteriormente. Também merecem destaque as marcas notoriamente conhecidas. contudo. da qual o Brasil é signatário. 125. 15. A origem dessa proteção remonta à Convenção da União de Paris. afinal.4. o art. o leitor se reportar aos itens 15.4. gozam de proteção contra reprodução em todas as classes de produtos ou serviços. oferecem uma boa visão dos temas. Basta. ainda que para produtos ou serviços diversos. Estas. devido ao conhecimento generalizado de populações de vários países. mas somente em seu ramo de atividade. senão quanto aos seus aspectos formais. ainda que limitado às fronteiras do país. tendo em vista a tripartição constitucional dos Poderes do Estado. .Disposições Preliminares O Código de Propriedade Industrial não trouxe conceito para marca.2. 121 remete à mesma disciplina apropriada às patentes. classificou serviços e produtos conforme a natureza de cada um. o seu art. que.1. proteger as marcas já existentes. São marcas que possuem um forte apelo popular. o exame da colidência se verificará tão somente na classe específica dos refrigerantes. portanto. mas que não poderiam ficar sujeitas ao uso por outras pessoas. uma vez registradas sob esse título. O art. mesmo que não estejam registradas. Essa regra. previstas no art. Fábio Ulhoa Coelho adverte que o registro de marcas nessa categoria é ato discricionário do INPI. ainda que não haja registro no INPI. não poderiam ficar sujeitas ao registro. deve ser observada dentro de cada classe de produtos ou de serviços. a fim de não induzir o consumidor. insuscetível de revisão pelo Poder Judiciário. É que o INPI. As proibições a que se refere o legislador têm o sentido de. a marca registrada representa um bem móvel negociável. através do Ato Normativo no 150/99. 122 prescreve que são suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis. Trata-se de marcas que. Assim. 126. por exemplo.54 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação às licenças e à realização por empregado ou prestador de serviços. 6o desse documento garantiu exclusividade aos titulares de marcas assim classificadas em todos os países signatários da Convenção. No entanto. e 15.5.2. citadas no art. somados aos texto legal.

4. são impostas aos requerentes. oficialmente reconhecido. que se estende do inciso I ao XXIII. ao material utilizado e à metodologia empregada (exemplo: certificado ISO 9000). no entanto. econômico ou técnico. figura ou imitação. salvo quando revestido de suficiente forma distintiva. a título de mera exemplificação. semelhante ou afim. armas. o art. de origem diversa. político. algarismo e data. não são registráveis como marca: a) brasão. c) nome. bandeira. mas o efeito de tal qualificação é restrito ao ramo de atividade. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. artístico. Do Pedido e da Concessão do Registro Podem requerer o registro de marcas ao INPI as pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado (art. que. Outras proibições legais ao registro de marcas estão no art. e c) marca coletiva – aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. 124.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 55 Série Impetus Provas e Concursos Percebam. bem como a respectiva designação. emblema. b) letra. públicos. prêmio ou símbolo de evento esportivo. nacionais. Desta forma. . medalha. b) em se tratando de marcas coletivas – o requerimento tem que ser feito por pessoa jurídica representativa da coletividade.2. à natureza. portanto. Outrossim. estrangeiros ou internacionais. e o efeito da proteção alcança todos os ramos de atividade. c) em se tratando de marca de certificação – somente pode ser requerida por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. considerando: a) marca de produto ou serviço – aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. bem como a imitação suscetível de criar confusão. diretamente ou através de pessoas jurídicas. 15. Algumas exigências. necessita estar registrada no INPI. 123 contém classificação a respeito das marcas. para uma marca ser considerada de alto renome. Despiciendo a reprodução de todo o dispositivo. social. cultural. b) marca de certificação – aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. dentre outros. distintivo e monumentos oficiais. isoladamente. a saber: a) em se tratando de pessoas de Direito Privado – a lei exige prática de atividade lícita. ao passo que a marca notoriamente conhecida não precisa estar registrada no país signatário da convenção. bastando observar alguns. notadamente quanto à qualidade. 128).

os titulares de marcas impedir que (art.3. ou parte deste. porque. b) licenciar seu uso. juntamente com sinais distintivos. na sua promoção e comercialização.3. 132): a) comerciantes ou distribuidores utilizem a marca do produto. de boa-fé. para certificar produto ou serviço idêntico. já o exploravam. usava marca idêntica ou semelhante no país. d) haja a citação da marca em obras literárias. Sim. O parágrafo 1o do art.56 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel As normas para concessão do registro de marca são similares às aplicadas ao registro de desenho industrial. b) fabricantes de acessórios usem a marca para indicar a destinação de seus produtos.4. discursos ou qualquer outra publicação. há pelo menos seis meses. 110 assegurou o direito à continuidade da exploração do objeto do desenho industrial dos que. no entanto. 15. . tudo na conformidade dos arts. quanto à necessária publicação do pedido para fins de oposição. Percebam que o teor desse último dispositivo analisado difere do correspondente relativo ao registro de desenho industrial. já a utilizava seis meses antes do depósito. Não podem. contudo. de boa-fé. o direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. que tenha direta relação com o uso da marca. que é o art. expostas no item 15. c) haja a livre circulação dos produtos regularmente colocados no mercado interno. impressos. O certificado de registro de marca somente é expedido após a conclusão do exame do pedido. desde que tenha sido deferido. enquanto para a marca o legislador garantiu o direito à prioridade daquele que. o art. quando ausente a prática comercial. 110. 158 e 159. de boa-fé. Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro O registro validamente expedido confere ao seu titular o direito de uso exclusivo da marca em todo o território nacional. 129 garante o direito de precedência ao registro por parte da pessoa que. semelhante ou afim. e outros sessenta dias para defesa do depositante. propaganda e documentos relativos à atividade do titular. quando é concedido prazo de sessenta dias para oposição.2. Neste caso. a ser efetivado em papéis. Diferem. Outros direitos conferidos ao titular da marca são: a) ceder seu registro ou pedido de registro. e c) zelar pela sua integridade material ou reputação.

133. em ambos os casos sem justificativas legítimas. que estipula prazo de cinco anos para a prescrição da ação judicial de nulidade do registro de marca. 15. de forma absolutamente justa. Conclui-se.3. 174. quando não mantiver representante no país. instruído com pagamento de retribuição. 15.4.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 57 Série Impetus Provas e Concursos Com relação à vigência da marca. esses dispositivos praticamente copiam aqueles referentes ao mesmo assunto.5. aliás. ou seja. e que foram expostos no item 15.4. c) pela caducidade. que as marcas podem guardar exclusividade por tempo indeterminado.4. Admite-se o pedido de prorrogação em até seis meses subseqüentes ao término da vigência. conforme reza o art. Deve. seis meses. sem que tenha havido prorrogação. d) em se tratando de titular domiciliado no exterior. No entanto. a requerimento de qualquer interessado. mas aplicados a patentes. 142.4. pode ser promovida a qualquer tempo. enquanto. para a patente. será pelo prazo de dez anos. constituindo-se no único bem da propriedade industrial que possui tal privilégio. os prazos são coincidentes. . conforme prevê o art. que poderá ser total ou parcial em relação a produtos ou serviços assinalados pela marca. contado da concessão. portanto. Da Nulidade do Registro Os arts. Da Extinção do Registro De acordo com o art. 165 a 175 regulam o processo de nulidade de registro de marcas. contados da data de concessão do registro. merece destaque o teor do art. Em se tratando de nulidade administrativa. Com algumas adaptações. A caducidade acontece quando. o registro da marca extingue-se: a) pela expiração do prazo de vigência. b) pela renúncia. pois não poderíamos admitir que seu proprietário fosse obrigado a partilhar de um direito para qual investiu anos de trabalho na sua divulgação. por conseguinte. prorrogável por períodos iguais e sucessivos. desde que seja paga a retribuição adicional. o leitor se reportar a ele. 56. b) houver interrupção de uso por prazo superior a cinco anos. O pedido de prorrogação deverá ser feito no último ano de vigência do decênio. após cinco anos da concessão: a) não haja sido iniciado o uso da marca no Brasil.

exportar. cidade. beneficia tanto o consumidor. de um a três meses. que dispõe serem todos de ação privada. Indicação de procedência é o nome do país. ou multa. vale a prescrição do art. expuser ou oferecer à venda ou tiver em estoque produto que apresente falsa indicação geográfica. puníveis com pena de detenção. cidade. para coibir e punir aqueles que se enquadrarem nas hipóteses legais. Para eles. 195 do CPI relaciona crimes de concorrência desleal. Indicações Geográficas Constitui indicação geográfica a indicação de procedência ou a denominação de origem.5. 15. que varia de três meses a um ano. Já a denominação de origem representa igualmente o nome de país. que poderá maximizar a oferta de bens e serviços. São eles: . Regularmente praticada.58 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. nem sempre. inciso IV. coerente com o papel de “Estado Liberal Brasileiro”. O uso da indicação geográfica é restrito aos produtores e prestadores de serviço estabelecidos no local. em seu art. incluídos fatores naturais e humanos. a concorrência se desenvolve de forma a satisfazer o interesse de todos. sem prejuízo de perdas e danos em favor dos prejudicados. O art. região ou localidade que se tenha tornado conhecido como centro de extração. importar. ou multa. 170. região ou localidade que designe produto ou serviço cujas qualidades se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico. 199. que tende a adquirir produtos e serviços por preços mais baratos. que tem o lucro como seu objetivo maior. produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço. Concorrência Desleal A concorrência é algo que acompanha o exercício da atividade mercantil desde seus primórdios. sobretudo dos consumidores. O art. Porém. 192 pune com pena de detenção.6. quem fabricar. Trata-se de uma característica inerente à atividade empresarial. que se vêem prejudicados e impotentes diante de certas práticas empresariais inescrupulosas e fraudulentas. estabeleceu a livre concorrência como princípio geral da atividade econômica. É aí que entra o poder repressor do Estado. vender. A própria Carta Magna do País. como o empresário.

ou os imita. proporcionar vantagem a concorrente do empregador. por qualquer meio. divulga. como depositado ou patenteado. expõe ou oferece à venda produto. divulga. recebe dinheiro ou outra utilidade. ou menciona-o. utilizáveis na indústria. explora ou utiliza-se. lhe proporcione vantagem. para desviar. se o fato não constitui crime mais grave. sem o seu consentimento. com o fim de obter vantagem. sem o ser. atribui-se. informações ou dados confidenciais. de modo a criar confusão entre os produtos ou estabelecimentos. como meio de propaganda. nome comercial. para. cuja elaboração envolva esforço considerável e que tenham sido apresentados a entidades governamentais como condição para aprovar a comercialização de produtos. sem autorização. faltando ao dever do emprego. explora ou utiliza-se. indevidamente. clientela de outrem. vende ou expõe ou oferece à venda. sem autorização. falsa afirmação.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 59 Série Impetus Provas e Concursos a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) l) m) n) publica. faltando ao dever de empregado. recompensa ou distinção que não obteve. de resultados de testes ou outros dados não divulgados. com o fim de obter vantagem. em detrimento de concorrente. presta ou divulga. em proveito próprio ou alheio. ou de desenho industrial registrado. usa expressão ou sinal de propaganda alheios. em recipiente ou invólucro de outrem. embora não-adulterado ou falsificado. que não o seja. ou aceita promessa de pagamento ou recompensa. em anúncio ou papel comercial. vende. usa. mesmo após o término do contrato. excluídos aqueles que sejam de conhecimento público ou que sejam evidentes para um técnico no assunto. acerca de concorrente. explora ou utiliza-se. ou registrado. falsa informação. de conhecimento. expõe ou oferece à venda ou tem em estoque produto com essas referências. título de estabelecimento ou insígnia alheios ou vende. ou dele se utiliza para negociar com produto da mesma espécie. sem autorização. ou concedida. substitui. para que o empregado. obtidos por meios ilícitos ou a que teve acesso mediante fraude. o nome ou razão social deste. de conhecimentos ou informações a que se refere o inciso anterior. ou divulga. produto adulterado ou falsificado. . pelo seu próprio nome ou razão social. dá ou promete dinheiro ou outra utilidade a empregado de concorrente. a que teve acesso mediante relação contratual ou empregatícia. em produto de outrem. comércio ou prestação de serviços. emprega meio fraudulento. declarando ser objeto de patente depositada.

Quando se tratar de grupo econômico. sua abrangência atinge pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado. Outro é a Lei no 8. por meio do Conselho Administrativo de Defesa Econômica-CADE. Vale a pena. analisar cada uma das normas legais. bem como a quaisquer associações de entidades ou pessoas. a fim de atingir o patrimônio particular daqueles que deram causa à infração (esse tema será melhor avaliado no capítulo seguinte). Ambos os textos legais servem de escudo contra práticas abusivas de mercado. que dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica. de fato ou de direito. constituídas de fato ou de direito. 16).884.137. reputando-as como infrações à ordem econômica. 18 a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica da sociedade. o Brasil possui instrumentos legais que visam a combater práticas abusivas de mercado. De acordo com o art. econômica e contra as relações de consumo.884/94 nasceu sob a bandeira constitucional da liberdade de iniciativa. portanto.1. de 27 de dezembro de 1990. O efeito das punições nela previstas implica responsabilidade da sociedade e a de seus dirigentes ou administradores. haverá solidariedade entre as entidades componentes (art. Repressão as Infrações Contra a Ordem Econômica 16. enquanto que o outro contém crimes contra a ordem econômica. ainda que temporariamente.1. livre concorrência. previstos no Código de Propriedade Industrial. 15. que praticar infração da ordem econômica. ou judicial. defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico.1. pois contêm dispositivos para prevenir e reprimir certas atitudes. 17). mesmo que exerçam atividade sob regime de monopólio. dispondo a respeito de praticadas consideradas abusivas àqueles princípios. de 11 de junho de 1994. . solidariamente (art.Disposições Preliminares A Lei no 8. passíveis de punição na esfera administrativa. Meios de Proteção à Ordem Econômica Além da repressão aos crimes de concorrência desleal. função social da propriedade. Neste caso. Um é a Lei no 8. prevê o art.60 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 16. 16. com ou sem personalidade jurídica. que define crimes contra ordem tributária. O primeiro relaciona infrações contra a ordem econômica.

na estrutura do Ministério da Justiça. Além do CADE. Pelo teor desse art. estará tipificada a infração. Para o bom entendimento do tema. se o forem e estiverem revestidos de uma daquelas características. a título de exemplificação. com atribuições para averiguações preliminares e instauração de processos administrativos. preços e condições de venda de bens ou de prestação de serviços. acabados ou semi-acabados ou as fontes de abastecimento de matérias-primas ou produtos intermediários. com competência para decidir sobre a existência de infração à ordem econômica e aplicar as penalidades previstas na lei. independente de culpa. e mais. pois não depende de existência de culpa. 20 se revestem de natureza genérica.2. 20. Vejamos alguns: a) fixar ou praticar. constituem infração da ordem econômica. Observem que a SDE detém competência para instauração dos processos. Mas a lei foi além. visando à apuração e repressão de infrações previstas na lei. dentre outras atribuições previstas no art. sob qualquer forma. em seu art. diversas condutas que. d) limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado.1. em acordo com concorrente. com sede e foro no Distrito Federal e jurisdição em todo território nacional. prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa. a responsabilidade do infrator é objetiva.3. de qualquer forma. 20 reproduzidas acima. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE O CADE é uma autarquia federal. b) obter ou influenciar a adoção de condutas comercial uniforme ou concertada entre concorrentes. que deverão ser remetidos ao CADE para julgamento. 21 são atos possíveis de serem cometidos e. 16. percebam que as hipóteses enumeradas no art. vinculada ao Ministério da Justiça. a Secretaria de Direito Econômico – SDE.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 61 Série Impetus Provas e Concursos 16. 7o. pois é este que possui o poder decisório. c) aumentar arbitrariamente os lucros. 21. independente do resultado produzido. caracterizam infração da ordem econômica. e ainda que seus efeitos não sejam alcançados: a) limitar. b) dominar mercado relevante de bens ou serviços. ao relacionar. 20. dentre outros. existe. ou d) exercer de forma abusiva posição dominante.1. c) dividir os mercados de serviços ou produtos. se configurarem uma das hipóteses do art. enquanto que as do art. Das Infrações e das Penas Segundo o art. . falsear ou. basta a ocorrência fática.

recomendação aos órgãos públicos competentes para que seja concedida licença compulsória de patentes pertencentes ao infrator e não lhe seja concedido parcelamento de tributos federais. Ao interventor compete: a) praticar ou ordenar que sejam praticados os atos necessários à execução. 23 e 24). e c) apresentar ao juiz relatório mensal de suas atividades. O prazo máximo da intervenção será de cento e oitenta dias. nomeando interventor que assumirá responsabilidade por suas ações e omissões similares à dos administradores das sociedades. dominado por sociedade ou grupo de sociedades. serviço ou tecnologia a ele relativa. 16. além de publicação. e que sejam cancelados incentivos e subsídios públicos. inscrição do infrator no Cadastro de Defesa do Consumidor. o CADE detém atribuição para alterar aquele percentual. permitida a prorrogação. igualmente. de extrato da decisão condenatória. venda de ativos.1. Para setores específicos da economia.Da Intervenção Judicial O juiz decretará a intervenção em sociedade quando necessária para permitir a execução específica de penas estabelecidas na lei. do art. e mais. A decisão do plenário do CADE que cominar multa ou impuser obrigação de fazer ou não-fazer constitui título executivo extrajudicial e será promovida na Justiça Federal do Distrito Federal ou da sede ou domicílio do executado. cessação parcial de atividade ou qualquer outro ato que contribua para eliminação dos efeitos nocivos à ordem econômica (arts. adquirente ou financiador de um produto. Sobre a posição dominante referida na letra b. como fornecedor. 60 e 64). b) denunciar ao juiz quaisquer irregularidades praticadas pelos responsáveis pela sociedade e das quais venha a ter conhecimento. à escolha do CADE (arts. a critério da autoridade judiciária. 20. intermediário. 69 a 78. recomendação para processar a cisão da sociedade. já no parágrafo 3o. o seu parágrafo 2o esclarece que há ocorrência quando uma sociedade ou grupo de sociedades controla parcela substancial de mercado relevante. como presunção para se considerar a posição dominante. às expensas do infrator.4. transferência de controle. conforme a disciplina dos arts. . o legislador adotou o percentual de 20% do mercado relevante. Em seguida. proibição de contratar com instituições financeiras oficiais e de participar de licitação com o Poder Público.62 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A prática de infração da ordem econômica sujeita os responsáveis à multa pecuniária.

4ª a 6o tipificam como crime contra ordem econômica as hipóteses ali relacionadas. considerou a defesa do consumidor como um dos princípios gerais da atividade econômica.137/90. inciso V. Consumidor O art. 5o. fundamentado sobretudo na vulnerabilidade do consumidor que. o consumidor final desses bens ou serviços. Percebe-se. para as hipóteses do art. para as hipóteses do art. ainda que indetermináveis. é teoricamente a parte mais frágil numa relação de consumo. conforme veremos adiante.2. e detenção de um a 4 quatro anos. na disciplina da no Lei 8. 17. 17. além do Código Civil. Se antes nós tínhamos o Código Comercial de 1850 disciplinando as operações entre esses sujeitos que tivessem natureza eminentemente mercantil. sob a chancela da Lei no 8. elevou a defesa do consumidor à qualidade de direitos e garantias fundamentais. ou multa. quando este poderá assumir a administração total do negócio. veio impor nova ordem às relações entre fornecedores e consumidores. com a edição do CDC. o fornecedor de bens ou serviços. equiparando-se a ele a coletividade de pessoas. 4o. os responsáveis pela sociedade não são afastados de suas funções. Direitos do Consumidor 17. ganhou um regramento específico. Já o art. salvo se obstarem o cumprimento dos atos de competência do interventor. detenção de dois a cinco anos. A Carta Magna Federal de 1988.884/94 as atitudes nela previstas caracterizam infração à ordem econômica. materializado pela Lei Federal no 8. mas que intervenha nas relações de consumo.2. Disposições Preliminares O Código de Defesa do Consumidor. culminando com a edição do Código. as operações das quais participem. 6o. ou multa. uma importância demasiada à figura do consumidor por parte do legislador pátrio. Repressão aos Crimes Contra a Ordem Econômica Se. os arts. 16. que se encarregava dos contratos puramente civis. ou multa.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 63 Série Impetus Provas e Concursos Durante a intervenção. inciso XXXII. puníveis com penas que vão da: reclusão de dois a cinco anos.078. portanto. do outro. 2o do CDC define consumidor como a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. de um lado.1. 5o. de 11 de setembro de 1990. em seu art. para as hipóteses do art. 170. e. .

criação. não se pode determinar o número correto de consumidores atendidos. Neste último caso. seja pessoa física ou jurídica. pois o termo foi utilizado em seu sentido mais amplo. individual ou coletivo.64 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A partir do dispositivo. não é requisito à qualificação de fornecedor ser o ente personificado. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. . fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. a coletividade pode ser determinada ou não. pública ou privada. quando se conclui que uma sociedade em comum (assunto do próximo capítulo) pode ser enquadrada no conceito de fornecedor. Por produto o legislador considerou bens móveis ou imóveis. nacional ou estrangeira. Exemplo: se um grupo de vizinhos resolver contratar serviço de vigilância de uma empresa especializada. desde que fornecidos mediante remuneração. o que o Código pretendeu foi resguardar os direitos daqueles que se encontrem vulneráveis à ação do fornecedor. não por preços. Do caput daquele artigo podemos inferir que a conceituação de fornecedor é ampla. 17. equiparam-se à pessoa jurídica a massa falida. conforme a prescrição do art. não importa. posto que regidos pela legislação do trabalho. Determinada é aquela que apresenta um número certo de sujeitos envolvidos. Já o poder público somente será considerado fornecedor quando atuar mediante o pagamento de preço. no fornecimento de energia elétrica prestado por uma concessionária de serviço público. a exemplo dos serviços de fornecimento de água. O proprietário de um veículo danificado após passar em uma via repleta de buracos não encontra proteção no CDC. importação. estará se revestindo da condição de consumidores. O consumidor pode aparecer na relação de forma individual ou coletiva. montagem. Desta forma. bem como os entes despersonalizados que desenvolverem atividades de produção. justamente para evitar a exclusão de algum praticante de conduta danosa ao consumidor. salvo os de caráter trabalhista. transformação. construção.3. Quanto aos serviços. Fornecedor Pelo teor do art. o condomínio de apartamentos e o espólio. rico ou pobre. materiais ou imateriais. pois a conservação das vias públicas deve ser realizada com verbas oriundas dos impostos pagos pelos cidadãos. podem ser qualquer um. exportação. observem que o princípio da vulnerabilidade do consumidor independe de sua qualificação. Para fins da proteção do Código. De outra forma. 29. 3o do CDC. considerando-se uma coletividade indeterminável de pessoas. luz ou energia elétrica.

o art. com especificação correta e quantidade. 17. mas que possam ser derivados dos princípios gerais do Direito. 6o relaciona como direitos básicos do consumidor: a) proteção à vida. uma vez que a concessionária não é destinatária final do produto. f) a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais. com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais. bem como sobre os riscos que apresentem. características. e) a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas. de legislação interna ordinária ou de regulamentos expedidos por autoridade administrativas competentes. da eqüidade ou de tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil seja signatário. administrativa e técnica aos necessitados. b) aquisição pelo consumidor à concessionária – será regida pelo CDC. teríamos as seguintes situações: a) aquisição pela concessionária à fábrica – não será regida pelo CDC. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços. b) a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços. individuais. dos costumes. ou. asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações. coletivos ou difusos. à pessoa física – não será regida pelo CDC. d) a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva. da analogia.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 65 Série Impetus Provas e Concursos Tomando-se como exemplo uma operação de compra e venda de veículos. coletivos e difusos. mesmo. composição. c) aquisição pela concessionária de veículo novo ou usado. uma vez que o comprador é o destinatário final e a concessionária é fornecedora do produto. c) a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços. .4. Dos Direitos Básicos do Consumidor Além de outros não especificados no Código. individuais. assegurada a proteção jurídica. independentemente de a compradora ser ou não destinatária final do bem. g) o acesso aos órgãos judiciários e administrativos. métodos comerciais coercitivos ou desleais. pois o vendedor não se enquadra no conceito de fornecedor. qualidade e preço. saúde e segurança contra riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos.

define a responsabilidade por fornecimento defeituoso e viciado. quando aquecido. respectivamente. a seu favor. não contiver alerta de perigo aos consumidores. i) a adequada e eficaz prestação de serviços públicos em geral. na embalagem de um veneno para ratos. Daí dispensa-se informação nesse sentido. da utilização de um produto ou serviço. Viciado também é um fornecimento cujo objeto contenha falha que possa vir a comprometer a sua perfeita utilização. no entanto. . que tratam da necessária comunicação aos consumidores a respeito de produtos ou serviços já introduzidos no mercado. não pelo uso indevido decorrente da falta de informação. portanto. em decorrência da própria natureza e fruição deles. Perigoso ou nocivo é o fornecimento de produtos ou serviços que possam vir a acarretar riscos à saúde ou à segurança dos consumidores. uma vez que o fornecedor tem obrigação de informar de maneira clara tal condição. Explica-se pela ausência de informações adequadas. 8o. Além do fornecimento perigoso. mas por falha na fabricação ou na prestação do serviço. A boa informação. Tais riscos. Em primeiro lugar. é o elemento que define a correção do fornecimento. É o chamado recall. se. a critério do juiz. Por exemplo. 10. pois dependem de certa dose de razoabilidade. Por outro lado. o CDC. ainda invocando o caput do art. em se tratando de um ferro de passar roupas. a fim de se eximir de qualquer responsabilidade pela utilização indevida do produto. segundo as regras ordinárias de experiências. Por exemplo. 12 e 18. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. precisam ser melhor avaliados.66 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel h) a facilitação da defesa de seus direitos. no processo civil. pode provocar queimaduras. o fornecimento é considerado perigoso ou nocivo aos usuários. Essa premissa também vale nas hipóteses do art. todos sabem que. em seus arts. a lei excetuou da necessária informação aos consumidores os produtos e serviços para os quais os riscos oferecidos são considerados normais e previsíveis. que obriga o fornecedor a anúncios publicitários para alerta dos consumidores. mas em que fora posteriormente verificado algum grau de periculosidade. 8o obriga os fornecedores a prestarem informações necessárias e adequadas a respeito. Defeituoso é o fornecimento de produto ou serviço que traga dano ao consumidor. pode haver dano ao consumidor. ainda que ausente qualquer defeito em um ou em outro. quando. o mesmo art. inclusive com a inversão do ônus da prova. de acordo com a previsão do art. 8o. Decorre que.

independentemente de culpa. Explique-se. se essa conseqüência não se confirmou. De outra forma. Igualmente o prestador de serviços responde pela reparação de danos aos consumidores. que a responsabilidade a que se referem esses dispositivos é sobre os danos decorrentes da má utilização dos produtos ou serviços. produtor ou importador nas seguintes hipóteses: a) quando não colocou o produto no mercado. não. a responsabilidade do fornecedor é objetiva. em caso afirmativo. ou c) quando a culpa for exclusiva do consumidor ou de terceiro. contudo. mas o defeito é inexistente. no art. nacional ou estrangeiro. No entanto. 18. E. trata-se de um fornecimento viciado. claro. na prestação de um serviço de conservação e limpeza. o construtor. b) quando colocou no mercado. enquanto que o outro. que prevê a inversão do ônus da prova a seu favor (significa que a responsabilidade de produzir provas para descaracterizar o fato passa para o fornecedor). o fornecimento é defeituoso. ao sofrer um acidente de carro provocado por defeito na fabricação dos pneus. independentemente de ser ressarcido dos prejuízos materiais em seu veículo. 17. Exime-se a responsabilidade do fabricante. construtor. Essas são as exegeses dos arts.1. se não for por culpa do consumidor (o CDC chama de responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço. sempre lembrando do teor do inciso VIII do art. em sintonia com o princípio da vulnerabilidade do consumidor. 6o. e o importador respondem. Isso porque o prejuízo sofrido pelo consumidor relativamente ao próprio bem ou serviço consumido é tratado adiante. independentemente de culpa. o consumidor tem o direito de ser indenizado pelos danos sofridos à sua pessoa.5. o produtor. o que poderia provocar dano à saúde das pessoas e aos móveis e materiais envolvidos.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 67 Série Impetus Provas e Concursos A diferença entre um e outro fornecimento reside no fato de o primeiro efetivamente provocar o dano ao usuário.5. foram utilizados produtos químicos com prazos de validade vencidos. . pela reparação dos danos causados aos consumidores. tanto no fornecimento perigoso como no defeituoso. Basta ao consumidor provar a ocorrência do fato. pois independe de se comprovar a existência de culpa. seja por informações insuficientes ou inadequadas ou por fornecimento defeituoso de produto. do dano e do nexo de causalidade entre ambos.Da Responsabilidade pelo Fato do Produto ou do Serviço O fabricante. encarregando-se a doutrina de nominá-la como acidente de consumo). Das Responsabilidades 17. Desta forma. Por exemplo. 12 e 14 do Código.

Da Responsabilidade por Vício do Produto ou do Serviço Vimos no item anterior a responsabilidade decorrente de acidente de consumo. Ele é citado no art. 27. Normalmente não há dificuldade na identificação do fabricante. arquitetos etc. pois o prestador responde.5. . na hipótese de um paciente se sentir prejudicado por uma cirurgia mal realizada. não se falou da responsabilidade do comerciante que vendeu o produto. Estes. 17. o produtor ou o importador não puderem ser identificados. Nestes casos. dentistas. que prevê a sua responsabilidade pelo fato do produto quando: a) o fabricante. Já em relação ao produtor. da forma como ocorre nos demais casos de fato do produto ou do serviço. Desta forma. Situação interessante é a dos profissionais liberais. o construtor. b) o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante. até aqui. 13 o direito de regresso contra os demais responsáveis. não bastando apenas a ocorrência do fato. produtor. como médicos.2. situação que torna esse dispositivo de grande valia para os consumidores. no entanto.68 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que. construtor ou importador. do construtor ou. com danos ao condutor e/ou terceiros. contados a partir do conhecimento do dano e de sua autoria. É que parágrafo 4o do art. devem estar atentos ao prazo prescricional para responsabilização do fornecedor pelos danos causados pelo fato do produto ou do serviço. a responsabilidade do comerciante é subsidiária. do dano e do nexo causal entre ambos. independentemente de culpa. que é de cinco anos. uma vez que ele somente responde pelo acidente de consumo se não forem identificadas uma daquelas pessoas citadas no caput. o raciocínio é similar ao de fornecimento de produtos. Com relação à prestação de serviços. conforme prevê o art. do importador. Nas hipóteses das letras “a” e “b”. deverá reunir provas de que o médico atuou com negligência. 14 retoma ao modelo clássico de responsabilidade subjetiva do agente. c) não conservar adequadamente os produtos perecíveis. imprudência ou imperícia. pelos danos causados aos consumidores por defeitos e/ou falhas de informação relativos à prestação dos serviços. 13. prevê o parágrafo único do art. mesmo. é comum haver dificuldade na individualização dessas pessoas. quando exige a apuração de culpa do profissional. para fins de sua responsabilização. quando foi citado como exemplo desastre automobilístico causado por defeito na fabricação de pneus.

Também respondem por disparidade entre o conteúdo e as indicações constantes do recipiente. vale comparar que. podem ser na qualidade ou na quantidade dos produtos. da embalagem. Sobre esse tema. O prazo de trinta dias para solução do problema pode ser alterado de comum acordo pelas partes. Logo. prevê o art. o empresário que vendeu somente é responsabilizado nas hipóteses de não-localização ou identificação do fabricante. respondem solidariamente pelos vícios dos produtos que os tornem impróprios ao consumo ou que lhes diminuam o valor. que. O vício na quantidade se materializa quando o peso. Pois bem. independentemente de conhecerem. ou não. condição que o obrigou a cessar a utilização do automóvel com a finalidade de evitar o sinistro.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 69 Série Impetus Provas e Concursos No presente tópico. o conteúdo líquido ou o número de unidades não corresponder à descrição do rótulo. monetariamente atualizada. estudaremos a responsabilidade pelo fornecimento de produtos e serviços viciados. b) a restituição imediata da quantia paga. ou não. 18 que os fornecedores de bens duráveis. percebe que o equipamento não dispõe da capacidade de processamento anunciada pelo fabricante. e responsabilizam tanto o fabricante como o empresário que vendeu o produto. rotulagem ou mensagem publicitária. um usuário que adquire um computador e. embalagem ou mensagem publicitária. referido no item anterior. dispõe o consumidor das mesmas alternativas referentes ao vício de qualidade. Nestes casos. em perfeitas condições de uso. em caso de acidente de consumo. . ao chegar em casa. independentemente de virem a causar acidente de consumo. portanto. faculta as seguintes opções: a) a substituição do produto por outro da mesma espécie. sem prejuízo de eventuais perdas e danos. o vício. desde que não fique inferior a sete nem superior a 180 cento e oitenta dias. se não for efetivada em trinta dias. c) o abatimento proporcional do preço. Os vícios. É como se o proprietário do veículo citado em nosso exemplo tivesse detectado o problema antes da ocorrência. ou se o vício for atribuído à má conservação sob a responsabilidade do vendedor. pode reclamar a substituição das partes viciadas (vício de qualidade). uma vez que a lei prevê a responsabilidade solidária entre eles. acrescidas da possibilidade de complementação do peso ou da medida. a partir da observação de pequenas fissuras nos pneus.

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Quando se tratar de produto essencial ao consumidor ou de outros cuja substituição da parte viciada possa diminuir-lhes o valor, permite-se ao consumidor fazer uso imediato de uma daquelas alternativas reproduzidas acima. Sendo o produto in natura, a exemplo da venda de grãos, frutas e legumes, dentre outros, será responsabilizado o fornecedor imediato, salvo quando o produtor puder ser identificado. Relativamente ao vício de quantidade, prevê o parágrafo 2o do art. 19 a responsabilidade do fornecedor imediato quando fizer a pesagem ou a medição com instrumento que não esteja aferido segundo os padrões oficiais. Isso é o que ocorre na aquisição de produtos por meio de balanças ou outros equipamentos que não obedecem às medições impostas por órgãos oficiais. Impróprios ao consumo são os produtos: a) com prazos de validade vencidos; b) deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; c) que, por qualquer motivo, revelem-se inadequados ao fim a que se destinam. Com relação à prestação de serviços, prevê o art. 20 que o fornecedor responde pelos vícios de qualidade que tornem os serviços impróprios ao consumo ou que lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes de disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária. Nestes casos, faculta-se ao consumidor exigir alternativamente e à sua escolha: a) reexecução dos serviços, sem custo adicional, que pode ser confiada a terceiros capacitados, por conta e risco do fornecedor original; b) restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; c) abatimento proporcional do preço. Não é rara a prestação de serviços deficiente em nosso país, frustrando as expectativas dos consumidores que, na maioria das vezes, vêem-se lesados por falsas promessas de execução de serviços os mais variados possíveis. Por exemplo, determinado consumidor contrata a reparação de um aparelho de som danificado. Na hipótese de o serviço realizado não corresponder à descrição anunciada, pode o contratante solicitar a sua reexecução ou a restituição da quantia paga devidamente corrigida ou, ainda, um abatimento no valor pago, não se admitindo a ignorância do fornecedor sobre vícios de qualidade por inadequação dos produtos e serviços. Isso quer dizer que não pode o fornecedor alegar que desconhecia o mecanismo de funcionamento do aparelho, a fim de se furtar à responsabilidade (art. 23).

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Em se tratando de serviços que tenham por objeto a reparação de qualquer produto, o art. 21 obriga o fornecedor a empregar somente componentes de reposição originais adequados e novos, ou pelo menos que mantenham as especificações técnicas do fabricante, salvo autorização em contrário do consumidor. Quanto aos serviços públicos, a exemplo do fornecimento de água, energia elétrica e coleta de lixo, independentemente de serem prestados por órgãos ou entidades da Administração Direta ou Indireta das três esferas de Poder, os mesmos devem ser adequados, eficientes, seguros e, se forem essenciais, deve haver continuidade na prestação. Esta é a disposição do art. 22, que prevê a necessária reparação de danos causados pelo descumprimento total ou parcial do serviço. Isso não significa a impossibilidade de interrupção do serviço, em caso de inadimplência do consumidor, pois o princípio básico do fornecimento é a retribuição remuneratória, citada no parágrafo 2o do art. 3o. Desta forma, se tomarmos como exemplo o fornecimento de energia elétrica, na hipótese da ocorrência de dano em aparelhos elétricos provocados pela súbita interrupção no fornecimento de energia, tem o consumidor direito ao ressarcimento do prejuízo. Sobre a garantia legal do fornecimento, a lei trouxe disposição comum tanto para produto como para serviço. É o que está disposto no art. 24, que veda a exoneração contratual da garantia do fornecedor, asseverando que ela independe de termo expresso. Em outras palavras, mesmo que o consumidor tenha assinado termo pelo qual o fornecedor queira se furtar à garantia de reparação do produto ou do serviço viciado, mantém-se a obrigação do fornecedor em prestar a garantia. Por outro lado, se nada dispuser o contrato de fornecimento de produto ou serviço, valem os prazos de trinta dias para os serviços e produtos não-duráveis, e de noventa dias para os serviços e produtos duráveis (art. 26). Percebam que esses prazos legais somam-se aos concedidos pelos fornecedores, significando afirmar que, na hipótese de a oficina contratada para o conserto do aparelho de som conceder um prazo de garantia do serviço igual a sessenta dias, este somente começa a correr findo o prazo legal, que é de noventa dias, por se tratar de um serviço de natureza durável. In casu, teríamos uma garantia de cento e cinqüenta dias. Disposição semelhante está contida no art. 25, através do qual o legislador vedou a estipulação contratual que tenha por objetivo exonerar ou atenuar a obrigação do fornecedor de indenizar o consumidor de produto ou serviço. Decorre que a contratação de um serviço de mudança, pelo qual a transportadora inseriu cláusula contratual isentando-se da responsabilidade por dano provocado no deslocamento, não possui qualquer eficácia. O mesmo pode ser repetido para cláusulas do tipo: “Esse estacionamento não se responsabiliza por danos sofridos pelos veículos”.

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Ainda a respeito do mesmo art. 25, os seus parágrafos 1o e 2o previram a responsabilidade solidária de todos os responsáveis pela causação do dano. Se tomarmos novamente o exemplo do pneu defeituoso, que apresentou fissuras observadas pelo proprietário do veículo, tem o consumidor a faculdade de reclamar o dano tanto da montadora, quando se tratar de veículo novo, como do próprio fabricante do pneu. Se o pneu foi adquirido em loja especializada para ser incorporado ao carro, a responsabilidade será solidária entre o fabricante do pneu e a loja, tudo para garantir ao consumidor lesado uma boa proteção contra abusos dos fornecedores. 17.5.3. Da Decadência e da Prescrição Os arts. 26 e 27 do CDC tratam respectivamente dos limites máximos de tempo para o consumidor reclamar por vícios do produto ou do serviço, assim como pelos danos decorrentes de acidentes de consumo. Os prazos a que se referem ambos os dispositivos são bem distintos, variando de trinta dias a cinco anos, em função da constatação de vícios ou da ocorrência de acidentes de consumo, quando, ultrapassado esse tempo, terá caducado o direito do consumidor. A lei chamou de decadenciais os prazos referidos no art. 26, enquanto prescricional é o do art. 27. Dessa forma, contados a partir da entrega do produto ou do término da execução do serviço, decai o direito de o consumidor reclamar por vícios aparentes e de fácil constatação em: a) trinta dias – para fornecimento de produtos e serviços não-duráveis; b) noventa dias – para fornecimento de produtos e serviços duráveis. Vício aparente e de fácil constatação é aquele que se torna visível por uma simples observação. Se tomarmos como exemplo a aquisição de um computador, o mesmo estará maculado por vício aparente se o seu visor estiver rachado. De outra forma, o mesmo produto conterá vício oculto se sua capacidade de memória não corresponder à descrição do fornecedor. Neste último caso, o prazo decadencial começa a contar a partir do momento em que ficar evidenciado o defeito. Obsta a decadência a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor até a resposta negativa transmitida por forma inequívoca, da mesma forma que o inquérito civil, até o seu encerramento. Durável é o produto ou serviço que não é consumido com o uso. Um serviço de lavagem de veículo é não-durável, enquanto que o de pintura é durável.

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Já em relação aos acidentes de consumo, o prejudicado tem um prazo de cinco anos para pretender a reparação pelos danos causados, contado a partir do conhecimento do dano e de sua autoria, após o que estará prescrito o direito de o consumidor pleitear a indenização. 17.6. Da Desconsideração da Personalidade Jurídica O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade sempre que os seus representantes agirem de forma a fraudar consumidores, valendo-se da vulnerabilidade normalmente presente entre eles. Ressalte-se que esse tema será melhor apreciado no capítulo seguinte, relativo ao Direito Societário, quando será abordada a desconsideração com o fito de resguardar os direitos dos credores em geral. Neste momento, contudo, vale a pena uma visão rápida sobre ele, a fim de adaptá-lo ao Direito do Consumidor. Por conseguinte, podemos afirmar que desconsiderar a personalidade jurídica de uma sociedade significa afastar momentaneamente a limitação da responsabilidade dos sócios pelas dívidas e obrigações contraídas em nome da pessoa jurídica, com a finalidade de atingir o patrimônio pessoal dos sócios ou administradores. Imaginem, então, uma sociedade limitada, caracterizada justamente pela limitação da responsabilidade dos sócios à integralização do capital social (uma vez integralizado 100% do capital social subscrito, nenhuma responsabilidade mais caberia aos sócios pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica), através da qual foram vendidas cem unidades de computadores, todos com configuração inferior ao especificado. Chegando os consumidores para reclamar do vício, perceberam que a empresa havia encerrado suas operações, com paradeiro desconhecido dos sócios. Ora, fica evidente que houve fraude aos consumidores, prevalecendo-se aquelas pessoas da ausência de responsabilidade oriunda da integralização total do capital social, pois assim prevê o art. 1.052 do Código Civil, que se refere às sociedades limitadas. É nesta situação que o juiz pode não aplicar a regra geral da limitação da responsabilidade, a fim de atingir diretamente o patrimônio particular dos sócios. O mesmo poderia ser repetido para outros tipos de sociedades onde houvesse obstáculo à responsabilização dos sócios. Em seguida, algumas disposições específicas quando se tratar de (a conceituação sobre cada uma dessas figuras jurídicas está Capítulo 2):

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a) grupo de sociedade – existe responsabilidade subsidiária de cada sociedade componente do grupo pelas obrigações contraídas em nome dele, relativamente aos direitos dos consumidores; b) sociedade controlada – também responde, de forma subsidiária, pelas obrigações para com os consumidores que não forem cumpridas pela controladora; c) consórcio – neste caso, há solidariedade entre as consorciadas, significando afirmar que o consumidor lesado pode acionar qualquer das sociedades integrantes do consórcio, independentemente de ordem; d) sociedades coligadas – uma somente responderá pelas obrigações da outra se restar comprovada a culpa no dano sofrido pelo consumidor. 17.7. Da Publicidade A publicidade de produtos e serviços é própria do mercado de consumo. Numa sociedade consumista, é difícil imaginar a comercialização de bens ou a prestação de serviços sem o fator publicitário. Existem empresas especializadas em propaganda e as despesas decorrentes de suas contratações são mensuradas e compõem os custos dos produtos e serviços colocados no mercado. Com a concorrência cada vez mais acirrada, nada mais legítimo do que os fornecedores investirem nesse componente que vem, ano a ano, tornando-se mais criativo, havendo até concursos para escolha da melhor mensagem. No entanto, o CDC impõe regras destinadas à proteção do consumidor, que não pode ser iludido ou enganado com falsas promessas ou tentativas de se aproveitarem da vulnerabilidade de sua conduta. Desta forma, os arts. 36 e 37 proibiram mensagens disfarçadas, enganosas ou abusivas. Disfarçada é a publicidade que aparece de maneira camuflada dentro de uma determinada reportagem. Por exemplo, certo fornecedor contrata espaço pago em jornal de grande circulação para veicular matéria relativa ao seu produto como se fosse uma reportagem gratuita, de interesse da própria edição jornalística, quando, na verdade, se trata de peça publicitária. Também disfarçada é a publicidade invisível aos olhos e ouvidos, mas que é detectada pelo subconsciente humano. Por exemplo, durante um programa televisivo, certa marca de refrigerante pode ser inserida na tela com tamanha rapidez e freqüência que não é captada pelo olho humano, porém atinge o subconsciente das pessoas. Esta possibilidade está cientificamente comprovada e, como tal, é considerada publicidade disfarçada.

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Enganosa é a publicidade inteira ou parcialmente falsa, capaz de induzir o consumidor em erro a respeito do produto ou serviço adquirido. Por exemplo, uma peça publicitária de veículo, na qual o fabricante anuncie que aquela marca consegue percorrer 20 km na estrada com um litro de gasolina quando, na realidade, não passa dos 10 km, é uma publicidade enganosa. O parágrafo 3o do art. 37 chega a mencionar a publicidade enganosa por omissão, que é aquela que deixa de informar dado essencial do produto ou serviço. Por exemplo, ainda na hipótese do veículo prometido como o mais econômico do mercado, faltou a mensagem informar que somente seria possível atingir aquela meta se fosse misturado outro componente químico à gasolina. Considera-se abusiva a publicidade discriminatória, que incite à violência, explore o medo ou a superstição, aproveite-se da deficiência de julgamento e experiência das crianças, desrespeite valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. Essa forma de publicidade não traz necessariamente dano econômico ao consumidor, da forma como pode acontecer com a publicidade enganosa, porém ela agride valores sociais. Por exemplo, a propaganda de calças jeans que estimule os filhos a considerarem os pais ultrapassados em seus valores morais. A propaganda enganosa e a abusiva constituem crimes contra as relações de consumo e sujeitam tanto o publicitário como o fornecedor do produto ou serviço à pena de três meses a um ano de detenção e multa (arts. 61 e 67), além de uma contrapropaganda, prevista nos arts. 56, XII, e 60, cujo objetivo é desfazer o efeito da primeira. 17.8. Da Proteção Contratual Vimos que um dos princípios basilares do CDC é o reconhecimento da situação de vulnerabilidade do consumidor, tido como a parte mais fraca numa relação que envolva este e o fornecedor de produtos ou serviços. E é natural que seja assim, afinal o fornecedor que trabalha com certo produto ou serviço normalmente já conhece todos os meandros do objeto ofertado, inclusive as formas de melhor repassá-lo ao mercado, sempre com o objetivo de maximizar o lucro. Já o consumidor, muitas vezes gente simples e humilde, que não dispõe da mesma gama de informações do fornecedor, tem que ser protegido contra abusos do fornecedor. Portanto, o Código trouxe uma série de dispositivos tendentes a resguardar os direitos dos consumidores que celebrem contratos de consumo. Eles estão relacionados nos arts. 46 a 54 e podemos expô-los da forma abaixo.

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a) Conhecimento prévio e exposição clara do conteúdo – imaginem certos contratos de seguro nos quais a seguradora coloca em letras microscópicas e nas entrelinhas certas cláusulas de comprometimento do consumidor imperceptíveis numa leitura normal. b) Interpretação favorável ao consumidor – na dúvida, o juiz deve interpretar as cláusulas contratuais de forma a beneficiar o consumidor. c) Declarações de vontade apartadas vinculam o fornecedor – mesmo que não haja ainda a celebração de contrato de consumo, documento escrito e assinado pelo fornecedor obriga-o ao cumprimento do que nele constar. Por exemplo, no caso do aparelho de som levado à reparação, na hipótese de o prestador do serviço fornecer orçamento escrito, a ele se vinculará, ao menos pelo prazo de dez dias, que é a validade do orçamento, conforme prevê o art. 40, parágrafo 1o. d) Possibilidade de arrependimento do consumidor – este, no prazo de sete dias, a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação ocorrer fora do estabelecimento empresarial, especialmente por telefone ou em domicílio, pode desistir do contrato, quando deverão ser devolvidos os valores já pagos, corrigidos monetariamente. e) A garantia contratual é complementar à legal – já foi dito que o fornecedor tem a faculdade de oferecer garantia adicional pelos produtos ou serviços contratados. Essa, contudo, deve ser somada à garantia prevista no art. 26, já exposta em item antecedente. f) Impossibilidade de renúncia de direitos por parte do consumidor – o art. 51 discrimina uma série de atos ineficazes, quase todos girando em torna da renúncia de direitos por parte do consumidor. Pois bem, são nulas de pleno direito as cláusulas contratuais que visem a subtrair direitos garantidos por lei ao consumidor. Por exemplo, certo fornecedor promete aos consumidores bens de consumo durável por preços inferiores ao de mercado, desde que eles renunciem ao direito à garantia legal do produto. Mesmo que o consumidor assine tal contrato, continuará o fornecedor vinculado à garantia prevista no art. 26 do CDC. g) Nulidade de cláusula para perda total de prestações pagas – em contratos de compra e venda de móveis ou imóveis, ou de alienação fiduciária em garantia, consideram-se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda total das prestações pagas em benefício do credor que, em razão do inadimplemento do comprador, pleitear a resolução do contrato e a retomada do produto alienado.

A. por extenso ou abreviadamente. também chamado de “nome fantasia.A. marcando V ou F. b) Refinações de Milho Brasil Ltda. A respeito do tema. e) ( ) A proteção ao nome empresarial decorrerá do seu registro. indistintamente. (denominação). terminologia adotada pela legislação vigente sobre registro público de empresas mercantis.Exercícios 1. constam de forma dispersa no Código Comercial e nas legislações que cuidam das diversas sociedades mercantis. sendo vedado. CESPE – UnB (INSS/1998) Os comerciantes individuais e as sociedades comerciais necessitam de um nome para exercerem as suas atividades mercantis. do termo limitada. d) Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo S. a) ( ) Comerciantes individuais devem adotar como nome empresarial a firma individual. a ser efetuado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). julgue os seguintes itens. . em qualquer caso. 2. (firma individual). ESAF (TTN/1989) Sabendo-se que uma empresa pode adotar nome comercial do tipo firma individual. d) ( ) Título de estabelecimento. razão social ou denominação. o uso desse termo ao final da denominação. e) Viação Planalto S. é uma modalidade de nome empresarial que somente pode ser utilizada por sociedade anônima. acrescidas. assinale a alternativa correta entre os seguintes nomes comerciais. b) ( ) As sociedades anônimas podem ser identificadas pelo termo companhia. As regras disciplinadoras da composição dos nomes comerciais ou nomes empresariais. a) Arhur Lundgren Tecidos S. porém. c) ( ) Sociedades por quotas de responsabilidade limitada podem usar. – Viplan (firma social). (firma individual). (firma social). Almeida e Cia. firma social e denominação. por extenso ou abreviadamente. c) Fagundes.A.

pelo só efeito do registro. d) em nome coletivo. sendo objeto. b) a escrituração ficar a cargo de profissional qualificado.78 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 3. b) ( ) os atos de registro do comércio não podem ser elididos em face de melhor prova. JUIZ FEDERAL DA 5 a REGIÃO (FCC/2002) A espécie societária que não admite firma para formação do nome comercial é a sociedade: a) de capital e indústria. d) universalidade de fato. mas somente aos sócios que remanescerem. contraindo obrigações perante terceiros: a) jamais poderá ser cedida. c) sua escrituração for efetuada por lançamentos diários. no instrumento particular de alteração contratual. e) ( ) o registro dos atos de comércio não é constitutivo de direito. com o nome pelo qual a sociedade exerce o comércio e assina seus atos. através de instrumento público de alteração contratual. 4. não determina a qualidade de comerciante. desde que haja cessão do estabelecimento comercial a que está ligada. 6. ESAF (AFTN/1991) A firma. Sua natureza jurídica é a de: a) sujeito de todos os direitos mercantis. cujo valor está longe de ser absoluto. f) ( ) a inscrição de firma individual ou contrato social não assegura a qualidade de comerciante. d) ( ) a matrícula no registro do comércio. c) em comandita simples. e) não pode ser cedida a terceiros. 7. 5. b) conjunto de direitos exclusivos do comerciante. observa-se que (V ou F): a) ( ) a matrícula do contrato social no registro do comércio assegura a condição de comerciante. (ICM – SP/1986) Fundo de comércio é o conjunto de bens corpóreos e incorpóreos operado pelo comerciante. (JUIZ SUBSTITUTO – BA/1999) No que tange aos efeitos do registro do comércio. qualidade esta que pode ser contestada por terceiro. em princípio. c) ( ) o registro do comércio constitui um instrumento de publicidade. d) sua escrituração for efetuada em idioma e moeda correntes nacionais. d) pode ser cedida por simples autorização do titular. b) pode ser cedida. ESAF (TTN – MANAUS/1992) Os livros e as fichas de escrituração mercantil provam a favor do comerciante quando: a) mantidos em boa ordem cronológica. c) universalidade de direito. diretamente ou por reprodução. e) mantidos com observância das formalidades legais. e) anônima. c) poderá ser cedida. e não sujeito de direitos. b) por quotas de responsabilidade limitada. com a concordância do seu titular. .

do Distrito Federal e dos Municípios. ESAF (BNDES/2002) O estabelecimento empresarial é formado: a) por todos os bens corpóreos e incorpóreos que são utilizados na exploração da atividade empresarial. pode-se. b) apenas pelos bens de natureza material. todas as pessoas físicas ou jurídicas necessitam comprovar legítimo interesse. também. por totais periódicos. 10. e) apenas pelos bens cuja propriedade pertença à sociedade mercantil. CESPE – UnB (FISCAL DE ALAGOAS/2002) O nome empresarial contém elementos importantes que podem passar despercebidos por muitos. b) está ao alcance de qualquer pessoa. a) ( ) O nome empresarial é aquele sob o qual a empresa mercantil exerce sua atividade e se obriga nos atos a ela pertinentes. os sócios e a responsabilidade deles pelas obrigações sociais e. os móveis e o imóvel. d) requer prévia autorização judicial. . o nome empresarial não poderá conter palavras ou expressões que denotem atividade não-prevista no objeto da empresa mercantil. identificar o tipo societário sob o qual a empresa se constituiu. A partir do nome. e) é reservada aos Poderes constituídos da União. A leitura do nome social por olhos treinados revela informações invisíveis aos leigos. a firma ou razão social e a denominação. como os estoques. d) apenas pelos bens que estão dentro do estabelecimento físico do comerciante. c) ( ) Em obediência ao princípio da novidade. A respeito desse assunto. 9. ESAF (TTN – RECIFE/1992) As fichas seguidamente numeradas. b) podem substituir o Diário. e) ( ) O nome empresarial Manoel Dias e Filhos indica que a responsabilidade de todos os sócios pelas obrigações contraídas pela sociedade é solidária e ilimitada. c) dispensam os termos de abertura e de encerramento. b) ( ) As sociedades anônimas. 11. pode-se afirmar que: a) é reservada às pessoas que comprovem legítimo interesse. d) ( ) O nome João Batista e Companhia Limitada indica que a empresa é uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada ou uma sociedade anônima. na forma exigida para o Diário. o objeto social. dos Estados. as comanditas por ações e as sociedades por quotas de responsabilidade limitada podem adotar tanto a razão social quanto a denominação como nome empresarial. independentemente de comprovar legítimo interesse. em regra. Compreende três espécies: a firma individual. ESAF (TTN – ALAGOAS/1992) Sobre a obtenção de certidões dos livros de registro do comércio. c) ressalvadas as autoridades judiciárias e fiscais.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 79 Série Impetus Provas e Concursos 8. mecânica ou tipograficamente: a) não podem substituir o Diário. julgue os itens que se seguem (V ou F). e) não comportam escrituração resumida. c) apenas pelos bens de natureza imaterial. d) dispensam a autenticação.

se alguém. d) ( ) Caso tivesse sido registrado segundo a Lei de Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. deve: a) facilitar a análise dos agentes da fiscalização. seu conhecido. d) dar aos credores informações sobre as operações contratadas. julgue os itens que se seguem (V ou F). nos termos do Novo Código Civil (Lei no 10. b) ( ) Nas sociedades em geral. mas suas decisões são vinculantes em definitivo. CESPE – UnB (AUDITOR DO INSS/2003) Marque V ou F. associou-se a Manoel. 15. . c) são órgãos administrativos. Nesse caso. a) ( ) A atividade empresária somente poderá ser exercida por quem não estiver legalmente impedido. nomeará gerente(s) com aprovação do juiz. c) ( ) Sabendo que João Verdureiro é o nome empresarial do mercadinho de João e sendo João empresário mercantil. se o pai for legalmente impedido. a Junta agiu de acordo com a Lei de Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. até então. ainda que legalmente impedido. alegando que Manoel estaria sendo processado criminalmente por peculato e não poderia constar como sócio do supermercado. extingue-se a responsabilidade do pai sobre os atos praticados.80 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 12 ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A escrituração mercantil. Considerando a situação hipotética acima e as normas que regem o nome e o registro comercial. a partir do arquivamento do contrato social. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Em relação às Juntas Comerciais. A Junta negou o registro. desde que autorizado pelo juiz. e solicitaram à Junta Comercial do Distrito Federal o seu registro. b) abrem um processo próprio para registrar e dar proteção ao nome empresarial. c) garantir a apuração dos tributos devidos pelo empresário. ele poderá continuar o negócio por meio de seu pai..406/2002). e) deverão efetuar o registro também de associações. o patrimônio como pessoa física de João não se confunde com o patrimônio da firma individual. comerciante antigo no Distrito Federal. Dessa forma. Juntos. é nome empresarial da espécie denominação. elaboraram o contrato social do Supermercado J&M Ltda. 14. a partir do momento em que assumir(em) o(s) novo(s) gerente(s). uma vez que as sociedades limitadas não admitem nome comercial de outra natureza. CESPE – UnB (AGU/2002) João. se determinado sócio-gerente estiver interditado. dono da firma individual João Verdureiro. b) permitir avaliar a eficácia da ação administrativa. b) ( ) Supermercado J&M Ltda. visando à ampliação do seu negócio. d) efetuam o registro de empresas estrangeiras após autorizadas pelo órgão federal competente. por permitir a verificação das mutações patrimoniais e dado seu valor probatório. teria proteção automática. e) estar escoimada de imperfeições. exercê-la. responderá pelas obrigações contraídas pela empresa. o nome empresarial Supermercado J&M Ltda. 13. para abrirem um supermercado na região onde. elas: a) somente podem fazer o exame formal dos atos que lhes são apresentados. João tinha um mercadinho. a) ( ) Ao negar o registro ao contrato social do Supermercado J&M Ltda.

b) o costume constitui apenas regra de hermenêutica. b) o consultório dentário em que são prestados serviços e oferecidos aos clientes. é correto afirmar que: a) o costume é meio de integração do direito. CESPE – UnB (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2004) Acerca do estabelecimento. b) impede o alienante de exercer a mesma atividade que exercia anteriormente pelo prazo de cinco anos. e) os costume praeter legem desempenha função supletiva da lei. desde que ele não tivesse se valido do cargo para conseguir algum favor. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Considera-se estabelecimento: a) o estúdio de um artista plástico. c) não importa sub-rogação no contrato de locação comercial. para venda. ESAF (PROCURADOR DO DF DF/2004) A alienação do estabelecimento empresarial: a) transfere automaticamente ao adquirente as obrigações regularmente contabilizadas. 17.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 81 Série Impetus Provas e Concursos 16. 4 o). 18. d) os locais mantidos por fotógrafos amadores no qual são revelados os filmes. d) ele não poderia ter a falência decretada. . c) o escritório de advocacia de que são locatários. suas obrigações manterse-iam válidas. “quando a lei for omissa. em qualquer ponto do território nacional. 19. a) ( ) O estabelecimento empresarial confunde-se com o patrimônio da sociedade. vários profissionais de Direito que dividem tarefas conforme as diferentes especializações. e) equivale à alienação do imóvel utilizado para o exercício de atividade empresarial. produtos para higiene bucal. c) independentemente de efeitos na esfera administrativa. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DE PE/2003) Estabelecendo a Lei de Introdução ao Código Civil que. em conjunto. e) somente são estabelecimentos. foi descoberto que um funcionário público era titular de um estabelecimento comercial. c) ( ) O alienante de determinado estabelecimento empresarial não poderá fazer concorrência ao adquirente nos dois anos subseqüentes à transferência. b) não haveria qualquer penalidade. mas que não guardam liame com a atividade-fim da empresa. Como conseqüência desse fato: a) os negócios por ele feitos eram nulos de pleno direito. c) somente se admite o costume secundum legem. sujeitos à disciplina do Código Civil. empresarial julgue os itens que seguem. aqueles locais nos quais o titular for empresário. mas não pode ser considerado fonte ou forma de expressão do Direito. 20. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. e) sua falência seria decretada de pleno direito. b) ( ) Os imóveis pertencentes à sociedade empresarial. d) é admitido amplamente o costume contra legem. os costumes e os princípios gerais de direito” (art. d) não implica a cessão de créditos relativos à atividade exercida no estabelecimento. exonerando o alienante de qualquer responsabilidade. desde que em local diferente do da residência. não fazem parte do estabelecimento. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Em vista de uma denúncia anônima.

passa ele a gozar de uma presunção relativa de ser legitimado a obter a patente. c) são relevantes apenas do ponto de vista fiscal. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) As obrigações relacionadas com a escrituração: a) têm em conta o interesse de terceiros quanto à informações daquela constantes. por dano moral. ao estabelecer a política nacional das relações de consumo. responsabilidade no plano cível apenas para o contador responsável. c) anulação de cláusulas contratuais que impeçam a defesa do consumidor. 22. UnB/CESPE (PROCURADOR DO ESTADO DE RORAIMA/2004) No que concerne a patentes. em face de insatisfação do consumidor. não se admitindo que apenas uma delas faça o requerimento que contenha a nomeação e qualificação dos demais. julgue os itens que se seguem. a) ( ) Configura infração à ordem econômica a retenção de bens de produção ou de consumo. d) reparação. no seu descumprimento. b) ( ) Os atos de concentração de empresa que possam prejudicar a livre concorrência devem ser submetidos previamente à apreciação do Conselho de Administração de Defesa Econômica (CADE) ou no prazo de quinze dias úteis. c) ( ) Se três pessoas trabalharam conjuntamente para inventar um modelo de utilidade. em face da insatisfação do consumidor com os serviços prestados. na sua desobediência. 23. b) determinam.82 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 21. d) acarretam responsabilidades para os sócios não-administradores por culpa in vigilando. julgue os itens subseqüentes. ESAF (AUDITOR DO TCE DO PARANÁ/2003) A Lei no 8. contados da celebração do contrato. a) ( ) Se um inventor requerer uma patente perante o Instituto Nacional de Propriedade Industrial. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2004) Com referência à atividade econômica e ao regime jurídico da concorrência. mesmo que seja para garantir a cobertura dos custos de produção.078/90. b) ( ) Falecido o inventor de um modelo de utilidade. caso os livros obrigatórios não tenham sido escriturados ou o tenham sido de forma indevida. é permitido a seus herdeiros requererem a patente. e) impossibilidade de reajuste de prestações vincendas. baseou-se na vulnerabilidade do consumidor. determinando a caracterização de crimes de sonegação fiscal. e) podem levar à prisão civil os administradores. b) respeito ao sinalagma genético ao longo da execução do contrato. pelos quais o ordenamento jurídico pátrio tem especial apreço. a lei prevê que as três requeiram juntas a patente. . A proteção de seus interesses implica: a) renegociação do preço do bem ou serviço. 24.

julgue os itens subseqüentes. b) ( ) A pessoa jurídica que incidir em prática de infração da ordem econômica poderá se sujeitar à pena de multa de até 20% do valor do faturamento bruto no seu último exercício. é correto concluir que não houve infração à ordem econômica. b) ( ) De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC). c) ( ) Para efeito de direito do consumidor. que dominam menos de 1% do mercado relevante. não se exige culpa ou dolo do anunciante. .CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 83 Série Impetus Provas e Concursos 25. c) ( ) Estando individualizada a responsabilidade do fornecedor pela colocação de um produto no circuito comercial. não caracterizando. b) ( ) Uma instituição financeira pode encerrar conta-corrente mediante notificação do correntista. recusa à prestação do serviço. d) ( ) Apesar de terem um regime próprio de direitos do consumidor. em comum acordo. não se enquadram como produtos os bens de natureza imaterial. prática vedada pelo Código de Defesa do Consumidor. os serviços de natureza bancária enquadram-se no conceito de serviços previstos no CDC. uma pessoa física que preste serviço enquadrase no conceito de fornecedor. a) ( ) Para a defesa do consumidor. julgue os itens subseqüentes. a) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. com base na disciplina jurídica da concorrência empresarial. basta que a informação publicitária. pessoa ou empresa que vendeu ou fez a entrega do produto ao consumidor. no caso. Duas auto-escolas. para que uma sociedade seja considerada fornecedora. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2005) Julgue os itens que se seguem. terá que ser dotada de personalidade jurídica. a) ( ) Para caracterização da publicidade enganosa. leve o consumidor ao erro. 27. Nessa situação. Nessa situação. preços e condições para a prestação de seus serviços. ou por omitir dados importantes. nos termos previstos no contrato. decidiram fixar. e cujas sedes localizam-se na mesma avenida. inteira ou parcialmente. quanto à disciplina jurídica da concorrência empresarial. proíbe-se apenas o resultado: que a publicidade induza o consumidor a formar falsa noção da realidade. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2005) A respeito da defesa da proteção do consumidor. por ser falsa. 26. há exclusão absoluta da responsabilidade do comerciante. UnB/CESPE (PROCURADOR DO ESTADO DE RORAIMA/2004) Em relação a conceitos utilizados para a aplicação das normas de defesa do consumidor.

29. sendo considerados verdadeiros os fatos que. d) ( ) Considere que o autor de uma invenção tenha feito. julgue os itens a seguir. legalmente. b) ( ) Não serão objeto de patente. antes da data do depósito no INPI. no dia 1o de janeiro de 2004. oponível contra todos. tal qual o empréstimo bancário. Nessa situação. tornem-se excessivamente onerosas. Isso não implica. em razão de fatos supervenientes. sim. Nessa situação. o próprio INPI poderá propor ação de nulidade de patente. tem seus direitos materiais resguardados desde o momento da criação de sua obra. dado que ela envolve instituições financeiras. que o fornecedor seja obrigado a arcar com as custas para a produção de prova requerida pelo consumidor.84 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 28. relativos à propriedade industrial e intelectual. não sendo o contratante destinatário final de produto ou serviço. químico-farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie. e) ( ) Determinada pessoa. contudo. Nessa situação. já utilizavam. a qual deverá ser ajuizada no foro da Justiça Federal. mas. por intermédio dessa prova. que suporte o ônus de sua não-produção. Não permite. em regra. concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). o autor de propriedade industrial. sob pena de ser arquivado. se pretenda provar. g) ( ) Será passível de licença compulsória a patente concedida a empresário que utilize os direito dela decorrentes de forma a praticar abuso do poder econômico comprovado nos termos da lei. direito básico do consumidor. visa a facilitar a defesa da parte hipossuficiente na relação de consumo. como forma de se resguardar o interesse público. c) ( ) O CDC permite a revisão de cláusulas que. o exame do pedido de patente deve ser requerido até o dia 1o de janeiro de 2007. b) ( ) A inversão do ônus da prova. pois o bem adquirido por essa modalidade de contrato é utilizado para aquisição de outros bens de consumo. produtos alimentícios. autora de modelo de utilidade. f) ( ) Caso os agentes do INPI verifiquem que tenha sido patenteada determinada invenção contrária à saúde pública. de boa-fé. . o depósito relativo ao pedido de patente no INPI. a) ( ) Tal como ocorre no direito autoral. UnB/CESPE (JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA/2005) Acerca da normatização do Direito do Consumidor. em virtude do princípio da pacta sunt servanda. Não se aplica a essa situação o Código de Defesa do Consumidor (CDC). promoveu o depósito referente ao pedido de patente de sua obra e. esse novo objeto poderá. ser considerado um modelo de utilidade e o prazo de proteção da patente será de quinze anos. a modificação de cláusulas que estabeleçam prestações desproporcionais. tal objeto. para efeito de patente. c) ( ) Considere que alguém modifique a forma de uns óculos e isso resulte em um novo modelo. por decisão administrativa ou judicial. contudo. pois aos criadores de obras intelectuais é assegurado o direito de exploração. a) ( ) Não é considerado relação de consumo o negócio jurídico de natureza creditícia. tomou conhecimento de que algumas pessoas. UnB/CESPE (JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA/2005) Julgue os itens que se seguem. decorrido longo período. o autor deveria ter notificado as pessoas para que cessassem a exploração do objeto. facilmente adaptável à cabeça.

o fornecedor não responde pela reparação dos danos causados ao consumidor. a prática descrita é abusiva. o garoto. sofreu cortes profundos na perna. conforme o CDC. para fins de incidência do CDC. e) ( ) Suponha que um cliente. usado e de menor valor. . é pessoalmente responsável por danos causados ao consumidor.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 85 Série Impetus Provas e Concursos d) ( ) Considere a seguinte situação hipotética.00. José adquiriu veículo novo.00. Nessa situação. Entrou em contato com a concesionária e exigiu a substituição desse acessório. No percurso. Nessa situação. não pode o órgão público prestador de serviço público essencial cortar o fornecimento de serviço a consumidor que permaneça inadimplente após ter sido previamente notificado. Portanto. à restituição imediata da quantia paga ou ao abatimento proporcional do preço pago. com ar-condicionado. José teria direito. à substituição do veículo. o fornecedor imediato. Os computadores dessa marca apresentavam defeitos de montagem. cujo computador apresentou problemas. uma garrafa de vidro que continha refrigerante. Sendo assim. pegasse e trouxesse. Em um supermercado. i) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. constatou que o arcondicionado não estava funcionando. visando a auxiliar uma cooperativa habitacional. entre outros acessórios. engenheiro civil. elaborou projeto para a construção de casas populares. em princípio. alternativamente e à sua escolha. que rege as relações de consumo. j) ( ) Determinada marca de computador estava sendo vendida pelo estabelecimento empresarial X. h) ( ) Os serviços públicos essenciais devem ser prestados de maneira contínua. por vícios do produto. no valor de R$ 500. A concessionária. na condição de fornecedor de produtos e serviços. entregando um outro veículo. sem cobrar remuneração. independentemente da existência de culpa. Entretanto. Mais de trinta dias se passaram sem que o veículo fosse consertado. exceto no caso em que for possível identificar claramente o produtor. Antônio pediu que seu filho. de apenas dez anos de idade. Nessa situação. dispôs-se a reparar o dano. foi informado de que bastaria a reinstalação de um software e de que a execução do serviço custaria R$ 35. Nesse caso. k) ( ) A venda de frutas e hortaliças torna responsável. a atitude meramente liberal de Arnaldo não é caracterizada como prestação de serviços. até o carrinho de compras. Dias após. de posse do veículo. g) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. em razão do princípio da responsabilidade objetiva. recebeu a fatura discriminando a troca de um componente de computador. prontamente. ao deixar cair a garrafa de vidro no chão. o estabelecimento empresarial X será solidariamente responsável apenas se o fabricante ou o importador do produto não puderem ser identificados. f) ( ) O profissional liberal. visto que a culpa é exclusiva da vítima. e pagou à vista. Arnaldo. para que José o utilizasse enquanto fosse efetuado o conserto no carro por ele adquirido. tenha procurado uma empresa de assistência técnica para consertá-lo e.

a supressão desse prazo.86 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel l) m ) n) o) p) q) ( ) Dada a responsabilidade do fornecedor por disparidade de indicações do produto constantes de mensagem publicitária. Depois do primeiro pagamento. conforme disposição do CDC. um equipamento de ginástica. é responsabilizado o seu fornecedor. à devolução da primeira prestação não corrigida monetariamente. ( ) Considere a seguinte situação hipotética. o que fez o desistir do contrato três dias após a entrega do produto. podendo ser estendido uma única vez por igual período. em se tratando de fornecimento de serviço ou de produto não-durável. ( ) O anúncio publicitário é considerado parte integrante do contrato que estabelece a relação de consumo. o aumento ou. até mesmo. as partes podem convencionar a redução. mesmo que ele ignore a mácula. Lucas não gostou do bem adquirido. ( ) O prazo para reclamação de vícios de fácil constatação decai em trinta dias. salvo se expressamente convencionado no contrato. o qual vincula o fornecedor do produto ou serviço e pode ser objeto de execução específica. por telefone. Todavia. . Nessa situação. ele deve sanar o vício no prazo máximo de trinta dias. imediatamente. Lucas comprou. tendo acertado que o pagamento seria efetuado em quatro parcelas iguais. ( ) Pela existência de vício de qualidade que torne o produto inadequado para consumo. ( ) O fornecedor de serviços de reparação de produtos não é obrigado a empregar componentes originais. Lucas terá direito. Entretanto. Lucas recebeu o produto em sua residência.

Serve como exemplo a Associação Atlética Banco do Brasil. Para o bom entendimento da matéria. associações. seja ela social.825. são enquadradas nessa categoria as associações as sociedades partidos as fundações as organizações religiosas e os partidos políticos (os dois últimos ganharam fundações. Por aquele dispositivo. temos a Fundação de Cultura Roberto Marinho. • ASSOCIAÇÃO – É forma de construção de pessoa jurídica. Com efeito. enquanto as outras espécies de pessoas jurídicas constituem-se a partir do agrupamento entre seres naturais. enquanto as organizações religiosas eram fundações. precede a criação de uma fundação a afetação de bens que serão empregados na realização do fim proposto que. 44. provêm de um desmembramento das anteriores. Observe-se que. a fonte de origem das fundações são bens. conforme o mandamento do art. criadas com recursos oriundos apenas da iniciativa privada. moral. A título de exemplificação. A alteração teve o condão de definir uma forma jurídica própria para cada uma. política ou profissional. é necessário distinguirmos cada uma das espécies relacionadas pela Lei Civil. Antes. em seu art.Capítulo Direito de Empresa 2 1. inseridas no Código a partir da Lei Federal no 10. que é a destinação de um patrimônio para dar surgimento ao ente jurídico. de 22 de dezembro de 2003). 62. 981 do CC/2002. presta-se a reunir indivíduos ligados a uma mesma causa. os partidos políticos assumiam forma de associação. senão vejamos: . organizações tal destaque a partir da Lei no 10. • SOCIEDADE – Tem definição no art.825/2003. sociedades. Em regra. parágrafo único. recreativa. • PARTIDOS POLÍTICOS E ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS – Essas ARTIDOS novas formas de pessoas jurídicas. do CC/2002. definiu as espécies de pessoas jurídicas de Direito Privado. • FUNDAÇÃO – Existe um traço marcante em sua composição. deve ser religioso. esportiva. caracterizada pela inexistência de fim lucrativo em seu objeto. Disposições Preliminares O Código Civil de 2002. cultural ou de assistência. possíveis de serem adotadas no ordenamento jurídico brasileiro.

Desta forma. previstas no parágrafo único do mesmo art. portanto. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir. enquanto. conforme a definição do art. ficaram as sociedades empresárias. 1. as sociedades simples. estão fora do conceito as sociedades de professores. conforme já exposto no Capítulo 1. O Código Civil de 2002 elegeu a bipartição das sociedades em ramos distintos. independentemente de seu porte ou organização. entre si. poderemos presenciar o surgimento de sociedades empresárias cujos objetos sociais possam ser justamente o desenvolvimento daquelas atividades. a priori situadas à margem do conceito empresarial. caput. A ressalva é se o exercício dessas profissões constituir elemento de empresa. a atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços.88 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Art. Como se vê. fossem consideradas empresárias. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais negócios determinados. . Parágrafo único. De outra maneira. desde que presente a forma organizacional requerida. a exemplo de uma instituição de ensino ou de um hospital. enquanto os membros de uma sociedade perfilham a busca dos ganhos decorrentes da atividade econômica. além de outras. ainda que o objeto seja de caráter intelectual. Nessa hipótese. para o exercício de atividade econômica e a partilha. Diferencia. 981. médicos e dentistas. 966. artistas. mas também à forma organizacional por ela adotada. pois. quando o objeto social for diretamente relacionado às atividades profissionais respectivas. Sociedades Empresárias O art. a sociedade pode vir a ser empresária. O dispositivo excluiu da conceituação as sociedades criadas para o desenvolvimento de atividades intelectuais. com bens ou serviços. A opção do legislador em caracterizar determinada sociedade como empresária não se limitou à análise de seu objeto social. as associações das sociedades o fato de as primeiras não possuírem finalidade econômica. encaixando-se o objeto como atividade própria de empresário. 966. no outro. ou seja.1. 982 do CC/2002 determinou que as sociedades que tiverem por objeto atividades próprias de empresário. simples Vejamos os traços singulares entre umas e outras. há um intuito econômico na formação da sociedade. Em um. pois as pessoas que dela participam visam à partilha de seus resultados entre si. a sociedade será considerada empresária. dos resultados.

todas aquelas que já tinham por objeto a compra e venda de mercadorias ou a prestação de umas poucas espécies de serviços exemplificados na primeira coluna foram aqui enquadradas. a exemplo dos grandes hospitais. ou seja.404/76. de natureza científica. Nesse âmbito se encontravam todas as que tivessem por objeto a compra e venda de mercadorias. onde o caráter pessoal do serviço é menos importante.404/76 para as por ações). Com a nova ordem. mas empresária. temos não uma sociedade simples.2. com muitos profissionais envolvidos. Observem que toda sociedade simples deve possuir como objeto social o exercício de uma daquelas profissões intelectuais. especializada em consultoria de projetos. Sociedades Simples Estas são determinadas pelo seu objeto social. Em se tratando de uma sociedade cujo objeto seja um daqueles previstos no parágrafo único do art. literária ou artística.. podemos elaborar o seguinte quadro comparativo: Situação antes do novo Código 1-Sociedades comerciais reguladas pelo Código Comercial e legislação complementar (Dec. . a exemplo das instituições financeiras e transportadoras. Situação após o novo Código 1-Sociedades e mpresárias reguladas pelo Código Civil de 2002 e Lei no 6. podem ser classificadas como tal. Nesta condição. atividade tipicamente intelectual. o mesmo de profissões intelectuais de natureza científica.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 89 Série Impetus Provas e Concursos 1. as que forem organizadas como empresa. Além dessas. quando ausente elemento de empresa. Também algumas prestadoras de serviço já eram assim consideradas.708/1919 para as limitadas e Lei no 6. das grandes consultorias etc. a pessoa jurídica terá a forma de sociedade simples. no 3. porém desempenhada de uma forma empresarial. É o que pode ocorrer com uma sociedade de grande porte. mas nem toda sociedade cujo objeto social seja daquela espécie será sociedade simples. 966. Se traçarmos um paralelo entre a classificação existente anteriormente ao Código Civil de 2002 com a que passou a vigorar a partir da nova Lei Civil.

como tal definido no parágrafo único do art. independentemente da forma como se organizem. a dificuldade reside na ausência de parâmetros objetivos. independentemente de sua estrutura. 2-Sociedades simples reguladas pelo Código Civil de 2002. quando será ela simples. além daquelas poucas espécies de serviços já mencionadas. que poderá indicar a presença de elemento de empresa. 966. quer dizer. Como exemplo. faturamento bruto. como número de funcionários. ou a ausência daquele. que tenham por objeto o exercício de uma profissão intelectual. Nessa época. Nessa categoria. pois assim quis o legislador. de natureza científica. ou qualquer outro. em se tratando de objeto civil. A par desse raciocínio.90 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2-Sociedades civis reguladas pelo antigo Código Civil. literária ou artística. pelo seu objeto. levando a sociedade a ser classificada como empresária. pela sua forma. De outra maneira. desprovidas de estrutura empresarial. pintores. Sendo o objeto mercantil. mas passou a ser empresária. pois a observação do objeto era bastante para definição de sua classificação. a atividade de produção ou intermediação de mercadorias. temos uma clínica médica ou sociedades de arquitetos. Trata-se de sociedades que. gozam de classificação já anunciada legalmente. recolhimento de impostos. não importava a forma pela qual estava organizada a pessoa jurídica. Do exposto. a fim formar um divisor de águas entre aquela que poderia ser uma sociedade simples. são consideradas as antigas sociedades civis. será ela considerada empresária. algumas organizações têm suas espécies previamente definidas. será necessária a análise da estrutura organizacional. pois o legislador não se preocupou em traçar elementos indicativos de uma ou outra espécie. senão vejamos: . Nesses casos. não enqua-drados no campo comercial. cujos objetos seriam todos os outros. tanto pelos seus objetos como pelos seus tipos. todas sem elemento de empresa. podemos afirmar que o critério para se definir se uma sociedade é simples ou empresária depende tanto do objeto social como de sua estrutura.

mas sem registro. fazer prova com seus livros empresariais. 982 do CC/2002. inclusive. desde que tenham registro na Junta e adotem um dos tipos daquelas. permitindo-se. O art. 4-Sociedade de advogados. 982. sempre soc. que considera simples todas as que não forem empresárias. da Lei no 8. 15. parágrafo por ações. Em geral. 3-Cooperativa. parágrafo único. 2-Sociedade de construção. 2. visando à participação no resultado econômico. possibilidade de obter recuperação judicial ou extrajudicial. 984 do CC/2002 diz que se equiparam as empresárias. parágrafos 1o e 2o. . 5-Sociedade com objeto próprio de empresário rural. sempre empresárias. 982. O art. os principais efeitos da caracterização de sociedade como empresária são a submissão à falência. Pelo art.068/62. A conclusão vem da combinação dos arts.904/94 (Estatuto da OAB) e do art. simples. além de ficar obrigada a manter escrituração especial.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 91 Série Impetus Provas e Concursos ESPÉCIES EMPRESÁRIAS SIMPLES 1-Anônima e comandita Pelo art. declarou comerciais as sociedades de construção. Constituição das Sociedades As sociedades nascem da comunhão de vontade entre os sócios. Sempre sociedade simples. 1o da Lei no 4. único. que se propõem a contribuir com o fundo social.

Na forma. embora podendo vir a ter provada sua existência. que pode ser um contrato ou um estatuto social. Neste caso. probatório de suas existências. se forem empresárias. determinado ou determinável. que considerava nula a sociedade em cujo contrato constasse uma dessas cláusulas. entretanto. Neste grupo. temos as sociedades em comum (antes intituladas sociedades irregulares ou de fato) e as sociedades em conta de participação assim conhecidas participação. Outros requisitos são igualmente necessários à validade dos atos de constituição. apenas se considera ineficaz estipulação nesse sentido. a lei admite a existência de contratos orais. O Código Civil de 2002 reservou um subtítulo que trata especificamente das sociedades não-registradas. classificando-as como “sociedades não-personificadas”. As demais estão relacionadas no subtítulo “sociedades personificadas”. O art.008 do CC/2002 veio modificar o antigo Código Comercial. c) forma prescrita ou não defesa em lei. desde o Código Comercial. 104 do Código Civil/2002. tornando nula apenas a cláusula específica.92 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O acordo celebrado entre os componentes da sociedade. ou seja. expressos no art. será tida como irregular. Também se considera assim a sociedade onde algum sócio seja desonerado da contribuição para o fundo social. pública ou particular. deve se revestir dos mesmos quesitos exigidos do negócio jurídico em geral. quando se tratar de sociedade simples. . possível. sociedades constituídas a partir de acordos firmados à revelia de qualquer documento escrito. assim como a participação nos lucros ou prejuízos. ou no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. serão estudadas detalhadamente em tópico seguinte. pois não poderá arquivar seus atos constitutivos no órgão de registro do comércio. 1. são efetivados por escritura. cuja totalidade do capital encontra-se em mãos de outra sociedade). Atualmente. que é uma S. a sociedade. b) objeto lícito. e mais a participação necessária de.A. reunindo os tipos societários que tiveram seus atos de constituição arquivados na Junta Comercial. pelo menos. Leonina é a sociedade na qual se estipule que a totalidade dos lucros competirá a um só sócio. quais sejam: a contribuição dos sócios na formação do capital social.. não a própria sociedade. dois sócios no quadro social (exceção para subsidiária integral. quais sejam: a) agente capaz. Entretanto. ou mesmo aquela em que algum seja excluído do resultado. seja ela simples ou empresária. Todas.

1. é a pessoa jurídica. pessoa física ou jurídica. somente poderia atuar por meio de alguém. que estará demandando ou sendo demandada judicialmente. sendo empresárias. não seu representante. Esta. ao menos no primeiro momento. todavia. tudo de forma distinta de seus sócios. a sociedade pode até funcionar. atos relacionados ao objeto social. nos limites do respectivo Estado.166 do Código assegura o uso exclusivo do nome. Logo. dentre outras conseqüências: a) capacidade patrimonial – significa afirmar que o patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o de cada sócio. ou no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. c) capacidade judicial – o mesmo princípio exposto acima pode ser invocado. Trazidos em prazo posterior. não importa o tipo. Da personalidade jurídica decorrem. a pessoa jurídica poderá exercer direitos e contrair obrigações. ou seja. não o agente. não significa que perderão a validade. sujeito de direito. b) capacidade negocial – quando um legítimo representante da sociedade contrai uma obrigação ou adquire um direito para a sua representada o faz em nome dela. sendo um ente abstrato. além de possuir patrimônio próprio.151 do CC/2002 prescreve que os documentos de constituição da empresa devem ser apresentados a registro até trinta dias da lavratura. será reputada não-personificada. praticando. 1. pois há aquelas nas quais os sócios assumem responsabilidade subsidiária. o representante de pessoa jurídica que ingressar em juízo na defesa de interesses da sociedade. no caso de sociedades simples. pois é a pessoa jurídica que assume um dos pólos da relação negocial. ao empresário inscrito. Contudo. O art. são os bens e direitos atinentes a ela que têm que fazer face às obrigações contraídas em seu nome. A mesma . Não providenciada tal formalidade. quando providenciada pelo titular. Em qualquer sociedade.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 93 Série Impetus Provas e Concursos 3. estará agindo em nome dela. Por outro lado. o registro só terá efeito a partir da data de sua concessão. d) proteção ao nome e ao título – o art. Personificação das Sociedades Enquanto as pessoas naturais adquirem personalidade jurídica a partir do nascimento com vida (a lei resguarda o direito do nascituro). as sociedades somente podem ser consideradas personificadas depois do arquivamento de seus atos de constituição na Junta Comercial. podendo haver a extensão da proteção a todo território nacional. através de seu representante. representante seu. providenciado o arquivamento. nome e domicílio.

Significa afirmar que as obrigações assumidas pela sociedade devem. a Lei Civil não fez qualquer referência expressa ao título. ao contrário. Quanto ao título do estabelecimento. único. Por ela se afasta a autonomia patrimonial da sociedade. Esta hipótese. em seu art. faz-se uso da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. tudo dependendo de estarem presentes outras condições legais. no item antecedente. desde que o registro tenha sido efetivado no órgão próprio. 4o. O Patrimônio das Sociedades Vimos. 4. sinônimo de nome de fantasia. f) Registro e patentes junto ao INPI – também outro tema abordado no Capítulo 1 deste obra. no 8. associações e fundações. não existe a mesma previsão legal. para o cancelamento da inscrição. defendida inicialmente por Fran Martins. há a possibilidade de desconsiderar-se a separação patrimonial. Não sendo esse suficiente. que foi logo seguida pelos demais autores. os sócios poderão ser compelidos a disponibilizar seus bens para satisfação dos credores sociais. ser arcadas pelo ativo dela própria. . como a sociedade em nome coletivo e as em comandita simples ou por ações. Nesses casos. a fim de poder alcançar bens particulares dos sócios que se valeram da pessoa jurídica para o cometimento de atos com fraude. 1.245/1991. para onde o leitor deve se reportar. Entretanto. em situações onde se verifique a ocorrência de atos fraudulentos cometidos por sócios. A equiparação daquela proteção é fruto de posição doutrinária. independentemente do tipo societário adotado. é apropriada para os tipos de sociedade que possuam sócios de responsabilidade ilimitada.94 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel garantia é dada às denominações de sociedades simples. Para tanto. in casu. seria preciso processo específico junto ao mesmo órgão.155. a regularidade de constituição como requisito para o titular do ponto gozar do direito à renovação do contrato de locação ou. receber indenização pela saída. o Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. quando foi citada a Lei do Inquilinato. Não se trata de despersonalizar um ente que adquiriu personalidade jurídica por meio do arquivamento de seu ato constitutivo no órgão de registro. é claro. que um dos efeitos da personalização das sociedades é a separação patrimonial entre os bens sociais e os particulares do sócio. mesmo. em princípio. e) Proteção ao ponto – esse tema foi objeto de apreciação no Capítulo 1. que previu. conforme o disposto no art.

desta vez uma limitada. estão elas dispostas a se acobertar sob a tutela legal atribuída aos sócios daqueles tipos sociais com o intuito de praticarem atos fraudulentos. citado por Fábio Ulhoa Coelho. toda a base de negócios antes . nas sociedades simples em cujos contratos de constituição não constem tal exigência. É óbvio que eles somente agem dessa forma na segurança de não serem atingidos por provável inadimplência da devedora. desnecessário seria o uso da teoria. nenhuma responsabilidade têm os sócios pelos débitos da pessoa jurídica. sabedores de que as obrigações não passariam da pessoa jurídica. portanto. Se estivéssemos falando de uma sociedade em nome coletivo. Em outras palavras. com evidente intenção de esvaziar a sociedade. referindo-se a sociedades nas quais a lei resguarda o patrimônio particular dos sócios. materializada com a assinatura de uma nota promissória a vencer em trezentos e sessenta dias. conforme abordagem no item 7 deste Capítulo. com o mesmo objeto da anterior. que aproveitam essa prerrogativa para o exercício de atos que trazem encargos consideráveis à pessoa jurídica. constituíram uma nova. mesmo sabedores da incapacidade para o pagamento. acionistas de uma sociedade anônima. contraíram pesada obrigação em nome da pessoa jurídica. de acordo com o tipo societário adotado. pois. A fim de facilitar o entendimento. de qualquer forma. Isso é o que vem acontecendo com os representantes de sociedades. ou de uma comandita simples ou por ações. o patrimônio particular daqueles é chamado a cobrir o saldo das obrigações sociais. Observem que essas pessoas usam indevidamente o nome da organização na contratação de obrigações. esse benefício criado para a indução da atividade econômica não pode servir de manto ao cometimento de fraude por parte dos sócios. para onde se dirigiram clientes. em sua obra Curso de Direito Comercial: Pedro e Carlos.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 95 Série Impetus Provas e Concursos A teoria. da forma como acontece nas sociedades anônimas ou nas limitadas. não tem tamanho propósito. ainda. O que ela busca é evitar o encobrimento de sócios inescrupulosos sob o nome empresarial de sociedades para as quais a responsabilidade pelos débitos da pessoa jurídica não alcança o patrimônio dos sócios. para as quais não há previsão legal de responsabilidade subsidiária de seus sócios pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica. fornecedores. ou. enfim. Nesse período. uma vez que. vejamos o seguinte exemplo. Contudo. nas quais sócios ou administradores assumem responsabilidade subsidiária e ilimitada pelas obrigações da sociedade.

quando a lei dispuser sobre sua atuação no processo. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. a intenção era justamente escapar ao pagamento do título. falência. Ora. 50 do Código Civil de 2002.078/1990. sabendo que não efetuariam a entrega. que prevê. tendo em vista a inatividade social. estando inviabilizado o pagamento da obrigação por parte da sociedade anônima. com a informação de que fora encerrada a atividade econômica ali realizada. infração da lei. permite-se à autoridade judicial. enquanto a teoria provém de uma seara puramente doutrinária.A. sem comprometer a atividade social. . Nessa data. Também o Código de Defesa do Consumidor. Ora. O dispositivo é complementado pelo parágrafo 5o. Não foi o que eles fizeram. a requerimento da parte. Vale como exemplo o art. que não permite a indisponibilidade dos bens particulares dos sócios. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. já podemos observar igual linha de pensamento sendo inserida na legislação vigente. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. atraído pelo anúncio de grande liquidação de bens. atingindo o patrimônio dos sócios e/ou administradores. estado de insolvência. adquire-os à vista. vendendo produtos por preço vil. acobertando-se no manto da sociedade anônima. e mesmo que se trate de uma sociedade onde não existam sócios para responder subsidiariamente pela obrigação. a possibilidade do juiz decidir. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. ou pela confusão patrimonial. desconsiderar essa pessoa jurídica. a requerimento da parte ou do Ministério Público. exclusivamente para atingir o patrimônio pessoal dos sócios que promoveram o ato fraudulento. em caso de abuso de pessoa jurídica. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. excesso de poder. de alguma forma. Nesta situação. com a finalidade de proteger o consumidor. caracterizado pelo desvio de finalidade. houver abuso de direito. pelo contrário. não mais dispondo a pessoa jurídica de bens para o ressarcimento do consumidor.96 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel pertencentes à S. 28. pode a autoridade judiciária invocar a aplicação da lei. Entretanto. que prevê a desconsideração da pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. fica claro que a intenção dos sócios foi fraudar o consumidor incauto. então. com entrega dos produtos marcada para o dia seguinte. não há qualquer ilegalidade na atitude dos sócios. ainda. desde que preservem direitos dos credores da sociedade antiga. Imaginem. preceitua que o juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. chegando ao estabelecimento. em detrimento do consumidor. Lei no 8. um consumidor que. ou. em seu art. Nesta situação. encontra-o fechado.

Classificação das Sociedades O Código Civil de 2002 estabeleceu os tipos societários previstos no Direito brasileiro. possuem o poder de barrar a entrada de sócio não desejado. os empreendedores podem contratar uma sociedade simples. 1. 5. salvo com autorização dos demais sócios. até. se consentâneo com a filosofia do negócio. sociedade anônima ou em comandita por ações. quais sejam: em nome coletivo. Já em relação às de capital. 997 a 1. O trabalho dos autores serve para identificar melhor as peculiaridades próprias dos tipos sociais. grupos de sociedades. como é usual.038. 3o e 4o estendem a proteção ao consumidor quando vítima de sociedades controladas. para que uma possa responder pela outra. podendo também adotar o tipo de uma sociedade em nome coletivo. seus parágrafos 1o. nas sociedades de pessoas. pois o que importa é sua contribuição social. diante da obrigação ao consumidor. até mesmo. a doutrina desenvolveu formas de agrupá-los em razão de semelhanças encontradas em cada sociedade.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 97 Série Impetus Provas e Concursos Ainda sobre o mesmo art. consórcios entre sociedades e sociedades coligadas. No primeiro caso. tanto em relação aos sócios como em relação ao capital empregado no fundo social ou. em comandita simples. podemos encontrar as classificações seguintes: a) De pessoas ou de capital Essa classificação importa em conceder importância maior às qualidades individuais dos sócios (de pessoas) ou ao capital investido na empresa (de capital). há uma preocupação em se conhecer quem é que vai ingressar no quadro social.039 a 1. conforme estudaremos adiante. o de uma limitada. Daí se dizer que. 991). salvo se presente elemento de empresa. aumentando assim as chances de ressarcimento. enquanto nas de capital não há tal restrição. portanto. assemelhando-se mais a um contrato de empreendedores do que propriamente a uma sociedade. Nesses casos. A depender do objeto social. nos moldes dos arts. proíbe-se a cessão ou alienação de quotas sociais e. se menor de idade. 2o. Pensando nisso.090 da Lei Civil. Assim. é uma espécie social sui generis. o ingresso de herdeiro de sócio falecido. já vimos no início do capítulo que ela não perde a característica de sociedade simples. contudo. de uma comandita simples ou. Pode ainda criar uma sociedade em conta de participação (art. . sociedade limitada. que. os interessados deverão escolher uma das formas dispostas pelos arts. 28. na forma de constituição. Cada um dos tipos societários previstos possui suas particularidades. Se a intenção for constituir sociedade empresária. Os demais sócios. se capaz. não deve haver qualquer interferência na qualificação pessoal do candidato a sócio.

são institucionais. quais sejam: anônima e comandita por ações. forma prescrita ou não defesa em lei. esse ato se manifesta através de um contrato. 1. coação. É por isso que se exige também das sociedades estatutárias objeto lícito. mas dos sócios. Vai depender do tipo societário adotado. dolo.404/76. do Código Civil. 84. representado por ações. estado de perigo. com todas as exigências Conforme a disposição do art. em comandita simples. Apesar da similitude. 997.003 e 1. prevê que o estatuto social deverá obedecer aos mesmos requisitos exigidos para os contratos das demais sociedades. como o capítulo se aplica subsidiariamente às demais. quando o instrumento deverá ser averbado no órgão próprio de registro. inclusive. Sendo a sociedade constituída por contrato. 83. conforme abordado no item 2 deste Capítulo. são dessa espécie as sociedades simples e. A assertiva está fundamentada nos arts. . caput. em conta de participação e as limitadas. além da ausência de defeitos previstos no Capítulo IV Livro III. ilimitada ou mista A responsabilidade aqui tratada não é da sociedade. ou a saída de algum. É quando ocorre o ingresso de novos sócios. quando a natureza do vínculo existente entre os sócios será contratual.98 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel b) Contratual ou institucional A formação de todas as sociedades depende de ato volitivo de seus sócios. Apenas na hipótese de exaurido aquele. igualmente são classificadas como sociedades contratuais as em nome coletivo. este aplicado às sociedades limitadas. posto que a entidade sempre terá de comprometer todo seu patrimônio no pagamento dos débitos sociais. pode-se cobrar parcela do patrimônio particular dos sócios (responsabilidade subsidiária). com a conseqüente transferência de propriedade do capital social. a aquisição e venda das cotas sociais se materializa com alteração do contrato social. O art. em relação à responsabilidade dos sócios.057. uma diferença pode ser sentida. do CC/2002. dentre outros. lesão e fraude contra credores. como o erro ou ignorância. Em se tratando de sociedades por ações. 95. parágrafo único. 83 dessa lei. conforme referência nos arts. Nas contratuais. Desta forma. para que aconteça o ingresso ou saída de sócio. . por se constituírem de um estatuto social. capacidade das partes. basta a concretização do acordo entre comprador e vendedor. c) De responsabilidade limitada. 82. todos da Lei no 6. estes podem responder pelos débitos sociais ou não. Já as sociedades cujo capital social se divide em ações.

84. contudo. subtraem-se bens particulares de sócio para a satisfação daqueles. do CC/2002) ou ao estatuto social (art. toda alteração de capital deverá ser precedida da correspondente alteração do ato. e ainda assim existindo credores nãosatisfeitos. As primeiras. aliás. é cláusula indispensável. . e) Personificadas ou não-personificadas O Código Civil de 2002 traz subtítulos distintos para as sociedades nãopersonificadas e as personificadas. são objeto de comentários adiante. esgotado o patrimônio social no pagamento de dívida. por exemplo. que prevê até a dispensa do capital social. assim classificadas por não possuírem atos arquivados no órgão próprio de registro. são desprovidas de personalidade jurídica. seja o contrato plurilateral ou o estatuto. se for sociedade anônima.404/76). Se falarmos de uma sociedade limitada ou de uma sociedade anônima. Tanto as sociedades empresárias como as sociedades simples em geral são constituídas com a fixação do capital social. De outra forma. III. I. 1. existe mais de uma categoria de sócios. por serem desprovidas de regular existência no mundo jurídico. assim mesmo. seja ao contrato (art. da Lei no 6. Nas sociedades mistas. seja limitada ou ilimitada. Nessa categoria. como as em comandita simples ou por ações. já existentes desde o antigo Código Comercial. as sociedades em conta de participação. personificadas são todas as demais.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 99 Série Impetus Provas e Concursos Tratando-se de uma sociedade em nome coletivo.094. na razão direta da responsabilidade assumida. antes conhecidas como irregulares ou de fato. Essas. d) De capital Fixo ou variável De capital fixo é a sociedade cujo capital social vem definido em seu ato de constituição. De capital variável são as sociedades cooperativas. em se tratando de ações do próprio sócio individualmente consideradas. seja a Junta Comercial ou o Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. conseqüentemente. Esta. isso só é possível na hipótese de haver capital ainda não completamente integralizado e. I. não possuem atos arquivados e. conforme disposição do art. 997. incluem-se as sociedades em comum. são tidas como sociedades despersonificadas. Igualmente. Neste caso. quando vieram a adquirir personalidade jurídica. cujos atos de constituição foram regularmente arquivados.

vale enfatizar que as pessoas jurídicas constituídas sob um dos tipos das sociedades empresárias. 986 a 990 do CC/2002 e. enquanto não tiverem seus atos arquivados na Junta Comercial ou no Cartório. 990. Merece destaque a exceção reservada às sociedades por ações. serão tidas como sociedades em comum. 986 do Código. ou devam conhecer. entrarem nos bens particulares dos sócios. ou não. subsidiariamente. 6. já que nessa condição a sociedade não teria patrimônio próprio. 94 e 99 da Lei no 6. pois sua obrigação será pessoal. o que não deixa de ser estranho. Outra inovação do Código a respeito das sociedades em comum foi o caráter subsidiário de responsabilidade atribuído aos sócios. permite-nos concluir que elas. seja nas relações recíprocas ou com terceiros. através das quais pode a pessoa jurídica promover mudanças substanciais em sua estrutura. Modificação das Sociedades São formas de alteração ou reorganização societária. . mas à da lei específica. primeiro deve ser exaurido o ativo da sociedade para. no que diz respeito à previsão de os bens sociais responderem pelas obrigações sociais assumidas por qualquer dos sócios. Com relação às sociedades em conta de participação e às outras personificadas. pelas normas das sociedades simples. que terá eficácia contra terceiros que o conheçam. regidas pelos arts. A intenção da lei parece facilitar a ação de quem transacionou com a sociedade. Portanto. enquanto os sócios. com os arts. Para estas. não subsidiária. ou mesmo quando se tratar de uma sociedade simples. Acrescento o teor do art. a abordagem completa está reservada aos itens 7 a 9 deste Capítulo. como exposto no item 9 deste Capítulo. 989. prevê o art. 986. 987 que terceiros que mantiverem relações jurídicas com elas poderão provar sua existência por qualquer modo lícito de prova. sem se ater ao fato de serem. salvo pacto expresso limitativo de poderes. depois. para quitação dos débitos sociais. conforme prevê a parte final do art. somente comprovam a existência da sociedade por prova escrita. Fora do benefício de ordem está aquele sócio que contratou pela sociedade. representantes da sociedade. Com relação à prova de existência das sociedades em comum. não se submeterão às normas da sociedade em comum. mesmo sem o estatuto social arquivado. a combinação do art.100 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Sobre as sociedades em comum.404/76. de acordo com o preceito do art.

os credores anteriores à mudança continuarão titulares de créditos pelos quais poderão argüir a responsabilidade subsidiária. Da Incorporação. solidária e ilimitada dos sócios. nenhuma legislação sobre o tema havia. ransformação a) Transformação É a operação pela qual a sociedade passa. Por exemplo. o credor de uma sociedade anônima transformada em sociedade em nome coletivo não pode invocar responsabilidade subsidiária dos sócios na satisfação de seu crédito. da Lei no 6. nem modificá-los. a eficácia da operação depende de consentimento unânime dos sócios. a transformação não pode prejudicar o direito dos credores.404/76. Existindo omissão do Código sobre algum instituto. ou seja. parágrafo 3o. quando o sócio dissidente poderá retirar-se da sociedade. 220 ao 234. as mesmas garantias que tinham antes da alteração. citada apenas no art. Outra constante do Código. Com a chegada do Novo Código Civil. quando a transformação for para uma companhia. 1. específica para os demais tipos societários.122. aliás. a matéria se encontrava disciplinada unicamente pela Lei das Sociedades Anônimas. que se refere à falência da sociedade cindida. ou uma sociedade em nome coletivo que se transforma numa limitada. e manterão. uma limitada que se transforma numa sociedade anônima. que servia às demais espécies. Em qualquer caso. Não importa o tipo transformado. continua a regência pela lei. até a integral satisfação de seus créditos. salvo se prevista no ato constitutivo.113 ao art. passamos a contar com duas disciplinas a respeito do tema. aplicada às sociedades por ações. Esse direito de retirada. além de necessário registro conforme as especificações do tipo em que vai se converter. 1. também se aplica o mesmo raciocínio. 1. se uma sociedade em nome coletivo se transformar em sociedade anônima. de um tipo para outro. No exemplo inverso. como há em relação à cisão. independente de dissolução ou liquidação. Neste caso. raríssimo de acontecer.122. . Uma já existente. que vai do art. para as sociedades não-reguladas por aquela norma. somente os titulares por créditos constituídos após a transformação possuiriam tal direito. Desta forma. Da Fusão e Da Cisão das Sociedades”. que trouxe capítulo específico intitulado “Da Transformação. pode até ser renunciado no contrato social. uma vez que. disposta nos arts.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 101 Série Impetus Provas e Concursos Até o advento do Código Civil de 2002.

garantirá o interesse dos credores da(s) incorporada(s). . têm os titulares de créditos constituídos antes da mudança a faculdade de requererem o tratamento que receberiam. Da mesma forma. também em caso de falência da sociedade transformada. Pode haver extinção da empresa fornecedora do patrimônio. total ou parcialmente. que do ato não surge nova sociedade. quando compete à incorporadora declarar extinta(s) a(s) incorporada(s) e promover respectiva averbação. A operação provoca a extinção das pessoas jurídicas fusionadas. De outra forma. aos credores por créditos constituídos anteriormente ao ato basta não se manifestarem. a nova empresa garantirá os direitos dos credores. fazer valerem tais prerrogativas. d) Cisão Operação pela qual uma sociedade transfere. e sua efetivação será causa de extinção da(s) sociedade(s) incorporada(s). deste vez de limitada para em nome coletivo. na forma estabelecida para os respectivos tipos. titular de um direito garantido pela responsabilidade subsidiária. Observem. já que é sucessora de suas obrigações. na qual não tenham os sócios as mesmas responsabilidades. Em outras palavras. pois a incorporadora permanece com sua personalidade jurídica inalterável. quando transformada a sociedade em outro tipo. Aos primeiros administradores da sociedade que surgem compete promover o arquivamento dos atos de fusão. c) Fusão Operação pela qual duas ou mais sociedades se unem para formar uma nova. na hipótese de falência da sociedade transformada. Pode ser operada entre sociedades de tipos iguais ou diferentes. caso não houvesse a transformação. b) Incorporação Operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra já existente. que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. por sua vez. contudo. pode o credor de uma sociedade em nome coletivo. que seus créditos usufruirão das garantias próprias ao novo tipo societário adotado. devendo todas aprová-la. que lhe sucede em todos os direitos e obrigações. vier ela a falir.102 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No entanto. solidária e ilimitada dos sócios. no caso de reversão total daquele. Esta. o patrimônio para uma ou mais sociedades criadas para esse fim ou já existentes.

Sociedades Simples 7. administração da sociedade e dissolução. reputa-se como sociedade em comum durante o tempo em que funcionou até a expedição do registro. em conta de participação. com o ato devendo ser registrado no Cartório de Pessoas Jurídicas do local de sua sede. 7. Constituição As sociedades simples são de natureza contratual. com atualizações. Caso seja parcial. pelo menos para fins de retroatividade dos efeitos. Ali são postos assuntos como forma de constituição. são reguladas por norma própria. portanto. 997 ao art. Importante.1. a empresa que recebeu o patrimônio obriga-se pelos direitos dos credores. haverá solidariedade entre elas no pagamento aos credores. no prazo de noventa dias da publicação dos mesmos. vale explicar que o Código Civil de 2002 reservou capítulo específico tratando de normas gerais das sociedades simples (antigas sociedades civis). . O prazo de registro é o mesmo exigido nas Juntas Comerciais. de no 6.404/76. Em se tratando de incorporação. o instrumento da cisão pode estabelecer quais as obrigações que passam à outra empresa. relativamente aos capítulos específicos das sociedades em nome coletivo.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 103 Série Impetus Provas e Concursos Sendo total a cisão. ou seja.122. são analisadas as especificidades de cada um dos tipos societários previstos no Direito brasileiro. aplicam-se as regras das sociedades simples. Antes da abordagem individual de cada uma. 1. Isso quer dizer que.1. podem servir à regulação da matéria as disposições concernentes às sociedades simples. e até mesmo das sociedades por ações. Se mais de uma empresa recepcionou os bens da cindida. Tipos de Sociedades Neste tópico. o estudo daquelas. 7. na hipótese de serem omissas as normas específicas ditadas pelo Código Civil de 2002. tendo em vista o fato de suas normas aplicarem-se supletivamente às sociedades empresárias. Nos casos de omissão do legislador. ao passo que as sociedades por ações. direitos e obrigações dos sócios. A maioria tem disciplinamento no Código Civil de 2002.1. além de outros. trinta dias da lavratura. que vão do art. Sendo em prazo superior. das limitadas. em comandita simples. apesar de terem previsão legal de existência na mesma Lei Civil. do CC/2002 garante o direito de credores prejudicados promoverem ação de anulação dos atos. ou mesmo relativas às sociedades por ações. o art. para as sociedades por ele disciplinadas. fusão ou cisão.038. 1.

essa última opção não é possível). deverá averbar aquela. uma vez que deve a sociedade primeiro. Todos. estabelece o art. não é solidária. 117.2. 997 do CC/2002 (a ausência de algum acarreta a negação do registro. devem participar. 7. salvo convenção em contrário. nele deverá inscrevê-la com a prova do registro original e. A sociedade simples que constituir filial. Se em créditos. Somente após o não-atendimento à notificação é que o sócio poderá ser considerado remisso. sucursal ou agência na circunscrição de outro Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. O parágrafo único do mesmo art. outra vez o Código Civil omitiu-se. que exigiu a notificação prévia do sócio devedor para constituí-lo em mora. menos a omissão do teor do inciso VI.004 do CC/2002. mas apenas em relação aos vícios (já a Lei no 6. O prazo para efetivação da contribuição dos sócios é previsto no contrato social.104 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O conteúdo do instrumento contratual deve revestir-se dos elementos enumerados no art.A. ao menos para fins de proteção. Sendo em bens. o que inclui os vícios redibitórios e a evicção). Para as demais. . em caso de insolvência. alínea h. A contribuição pode materializar-se em bens. dinheiro ou. pela evicção o sócio que entrar com bens para o capital social.1. é clara a esse respeito. Sendo em serviços. Qualquer alteração nessas cláusulas necessita de aprovação unânime dos sócios. cujo entendimento é extensivo às demais).404/76 prevê idêntica responsabilidade do vendedor. mas subsidiária. somente podem ser aceitos aqueles relacionados ao objeto social (a Lei das S. é a integralização em dinheiro. 1. com a concessão do prazo de trinta dias para adimplir sua obrigação. na prestação de serviços (nas limitadas. Isso é o que se depreende da leitura do art. portanto. Formação do Capital Social Vimos anteriormente que não é possível haver cláusula excludente da contribuição de sócio para o fundo social. no art. 997 dispõe que pactos em separado. 1. não têm validade perante terceiros. basta a maioria absoluta. sem prejuízo de outros estipulados pelos sócios. mas pela solvência da dívida. Essa responsabilidade. a qual a lei equipara ao nome empresarial. pois tem o sócio benefício de ordem em relação ao devedor. contrários ao instrumento do contrato. fica ele sujeito à notificação premonitória por parte da sociedade. mesmo. deve o sócio responder não só pela sua existência. quanto à designação dos administradores). O mais usual. no Cartório da sede. Responde. parágrafo 1o. ressalvo. entendendo-se que terão perante os sócios. Opera sob uma denominação (acrescida do termo S/S). Sobre a responsabilidade dos sócios pelos vícios redibitórios e pela evicção desses bens.006 do CC/2002 a proibição de o sócio empregar-se em atividade estranha à sociedade. no entanto. Não cumprida a estipulação. não se admitindo sequer pacto em contrário. portanto. promover a cobrança judicial do crédito.

a alteração deve ser averbada no órgão competente. além da alteração do contrato. e ocorre se o sócio for declarado falido (a falência aqui tratada não é a da sociedade que o estiver excluindo. que passará a conter os dados do novo sócio. para ressalvar que a exclusão do sócio remisso não precisa de provocação ao Poder Judiciário – é extrajudicial. 1. O primeiro tem previsão legal no art. ela pode acontecer judicialmente ou de pleno direito. Sendo constituída por prazo determinado. Percebam que a cessão aqui abordada é uma das maneiras através das quais o sócio pode desligar-se do quadro social. continua respondendo solidariamente com o cessionário. deve aquele se abster de votar na deliberação. Judicial é a exclusão que depende da ocorrência de falta grave no cumprimento das obrigações de sócio e. Outros detalhes a respeito do tema.1. do CC/2002 prevê a punição do sócio que votar de acordo com seus interesses privados. claro. Outras são o exercício do direito de retirada e a exclusão. Quanto à exclusão. a seguir. em lugar da indenização. no que pese a falta grave. . 7. desde que com a concordância unânime dos demais sócios.1. com perdas e danos em favor da pessoa jurídica. responderá o sócio perante a sociedade pelos danos emergentes da mora. 1. são dispostos no item 7. com antecedência mínima de sessenta dias. se cedida.3. mas dele próprio. provada judicialmente. quando a sociedade for de prazo indeterminado. em possível atividade empresarial) ou tiver sua quota liquidada.7.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 105 Série Impetus Provas e Concursos Configurada a condição de sócio remisso. mediante iniciativa da maioria dos demais componentes do quadro social. Para a eficácia perante terceiros. O art. 1. Cessão de Quota Social É possível haver cessão de quotas sociais.010. 7. conforme dispõe o art.026. Pelas obrigações que o cedente tinha antes da transferência. decidindo questões que objetivem o melhor para ela. parágrafo 3o. a contar da averbação da alteração.4. Deliberações Sociais Os sócios têm o dever de influir na condução dos negócios da sociedade. durante o prazo de dois anos. conforme a previsão do art.030. depende de justa causa. 1. Havendo interesse conflitante entre o sócio e a sociedade.004.1. a totalidade de suas cotas. 1. assim mesmo. O mesmo dispositivo reporta-se ao art.029 do CC/2002 e dependerá de notificação aos demais sócios. De pleno direito é a exclusão que não passa pelo crivo judicial. podendo os demais decidir por sua exclusão.

ainda que seu voto não tenha prevalecido. respeitando os rigores da lei e do contrato social. mesmo agindo com zelo e lealdade à pessoa jurídica. a responsabilização é apenas nos casos de prevalência do voto daquele quotista.5. 997 do CC/2002. que colocam em risco todo o negócio em nome de interesses pessoais. ou simplesmente se eximirem de qualquer responsabilidade oriunda de prejuízos sofridos por terceiros. hipótese em que estaria isento de responsabilidade sobre o ocorrido. não pode a deliberação ser anulada. Em caso de empate. ainda assim a atuação do administrador. o que se observa são atuações temerárias dessas pessoas. Já na disciplina do Código Civil. Nas limitadas. a unanimidade. computando-se a quantidade e o valor de cada quota (lembro que as quotas podem ter valores diversos. prevalece a decisão sufragada pelo maior número de sócios e. 1. quando configuradas as hipóteses do art. pois elas se posicionam à frente dos negócios.011 exigiu do administrador o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na condução de seus próprios negócios. deixando tal encargo para os próprios administradores. celebrando contratos. o contrato ou a lei estipular quóruns diversos como. pode resultar em prejuízo social. 2/3 do capital social.A. contraindo direitos e obrigações em nome da sociedade. assim como a possibilidade de anulação da decisão. Pode. o caput do art. É claro que. 115 estabelece a responsabilidade do acionista. o juiz decide. Não é por outro motivo que muitas sociedades foram levadas à ruína. . diferentemente das ações. 7. em nome coletivo e nas comanditas simples. Administração A administração de uma sociedade deve ser exercida por uma ou mais pessoas comprometidas em realizar o fim social previsto para a pessoa jurídica.106 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No âmbito da Lei das S. e mais. seu art. entretanto. sempre buscando o melhor resultado para a organização.. se este persistir. cujos valores nominais são iguais).015.1. Por essas razões. o assunto será objeto de estudo específico. Entretanto. Mas não parou por aí. 3/4 ou. a regra é a maioria absoluta do capital social. Dispositivos do Código prevêem punição aos administradores que agirem em desconformidade com a lei ou com o contrato social. em decorrência de gestores despreparados ou mal intencionados. parágrafo único. exige-se unanimidade para alteração de uma das cláusulas do contrato previstas no art. possibilitando à sociedade o ressarcimento de danos sofridos por essas atuações. Quanto ao quórum exigido. 1. Nas sociedades simples. mesmo. por exemplo. por motivos alheios a sua vontade.

nos arts. O administrador pode ser nomeado no próprio contrato ou em ato separado. Também o parágrafo único do art. a fé pública.046. Mas. são revogáveis a qualquer tempo. O contrato social poderá ainda definir a competência dos administradores. de forma expressa. com as sociedades em nome coletivo e as em comandita simples. menos se tal atividade for do próprio objeto social. o acesso a cargos públicos.015. conforme dispõe o art. seus poderes serão irrevogáveis.012).CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 107 Série Impetus Provas e Concursos Esses e outros aspectos relacionados à função do administrador são alvo de abordagem neste item. a pedido de qualquer dos sócios. 1. peita ou suborno. Se não o fizer. ou contra a economia popular. parágrafo único. e que encontra correspondente no art. deverá promover a averbação à margem do contrato. ou a quem não seja sócio. 1. como se vê. Se investido na função por cláusula expressa no contrato. que. decorrente de norma expressa do novo Código Civil. parágrafo 1o. b) encontrar-se a limitação de poderes registrada no órgão próprio. peculato. Não podem ser administradores aqueles condenados à pena que vede. 1. contra as normas de defesa da concorrência. encontra lastro na omissão do Código que não veda tal hipótese como fez. 997. eles poderão praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade. 147. 1. responderá pessoal e solidariamente com a sociedade pelos atos que vier a praticar (art. enquanto perdurarem os efeitos da condenação (art. prevaricação. 1.019.015. ou a propriedade. não é extensiva aos demais sócios da sociedade. da Lei das Sociedades por Ações. De outra forma.013 do CC/2002. salvo a venda de bens imóveis. desconsidera a cláusula a que se refere o inciso VI do art. Neste último caso.019 serve de supedâneo ao raciocínio. A doutrina vem consagrando a possibilidade de o administrador ser sócio ou não. Silente o contrato social. 1. atenção: a vedação exposta no parágrafo anterior. a administração da sociedade caberá separadamente a cada um dos sócios. Essa é a regra do art. c) tratando-se de operação evidentemente estranha ao objeto social. que vai de encontro ao exposto na segunda edição desta obra.042 e 1. 1. contra o sistema financeiro nacional. o Código Civil de 2002 inovou ao prever. desde que prove uma das seguintes hipóteses: a) o conhecimento do terceiro quanto à falta de poder do administrador. poderes conferidos a sócio por ato separado. conforme dissertação em seguida. Caso contrário. em seu art. 1. a exoneração da pessoa jurídica em responder perante terceiros. Esta tese. Quanto à responsabilidade dos administradores. Este é o teor do art. reconhecida judicialmente. quando não ocupem função de administração. . ou por crime falimentar. ainda que temporariamente. salvo justa causa. contra as relações de consumo.011). que depende de aprovação da maioria absoluta. concussão.

1.023 e 1. pelas obrigações sociais. mesmo que ausente a fraude. subsidiariamente. da celebração de contratos. proibida pela lei. o art. ou não. 1.016 impôs a responsabilidade solidária dos administradores. neste caso. ou aplicação de recursos no mercado de valores mobiliários. faculta aos contratantes definir se respondem. Observem que se trata de duas situações bem distintas. regressivamente.108 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Essa é a positivação. 7. da Teoria Ultra Vires. restituírem à sociedade ou pagarem o equivalente. não exigindo a lei a averbação no órgão de registro. Responsabilidade dos Sócios Na formação de uma sociedade simples. perante a sociedade e terceiros prejudicados. vale conferir a exegese do art. Outra seria a nomeação de alguém para representá-lo em algumas operações ou atos específicos. Já no art. ficarão os administradores sujeitos a indenizar terceiros ou a sociedade. a da Desconsideração da Pessoa Jurídica. já sabemos.1. no Direito brasileiro. por atos culposos decorrentes da função. o art. se agirem com violação à lei ou ao contrato social. com todos os lucros resultantes e. deve ser conjugada com os arts. a exemplo da assinatura de cheques. se refere à hipótese de o administrador fazer-se substituir em suas atribuições precípuas do cargo. se aquela assumir a responsabilidade perante terceiros. Isso quer dizer que. Esse último preconiza a responsabilidade subsidiária dos sócios pelas dívidas contraídas em nome da sociedade. menos aquelas constituídas por ações.017. por ato praticado pelo administrador com excesso de poder. prefiram adequá-la tão somente às linhas traçadas no capítulo específico do Código. 1. por ele também responderão. suas responsabilidades pelos débitos contraídos em função da pessoa jurídica serão regidas na conformidade do tipo escolhido. se houver prejuízo. contudo. em caso de aplicarem bens ou créditos da sociedade em proveito próprio ou de terceiros sem autorização escrita dos demais sócios. esta pressuposto para o uso de outra teoria. A primeira.6. ao mesmo tempo em que permite a constituição de procurador ou mandatário para realização de negócio específico. Melhor explicando. inciso VIII. Por último. previu a obrigação a eles imposta de. 1.018. Nesta situação. através da qual a pessoa jurídica exime-se da responsabilidade perante terceiros.024. Caso. como a presença em determinada audiência na Justiça do Trabalho. em havendo previsão . A disposição. porém. Seguindo a disposição do Código. que veda a delegação da função de administrador. os sócios têm a opção de adotar um dos tipos das sociedades empresárias. 997. quando a parte demandada é a pessoa jurídica da qual participe.

O outro dispositivo. em havendo saldo a pagar.025. qualquer um que pretenda adquirir parcela do capital social de sociedade já constituída e em funcionamento necessita estar atento às dívidas da sociedade. ou não. pois o prazo somente começa com aquela providência. permanece ele solidário com o que adquiriu suas cotas durante o prazo de dois anos. assim como ao contrato social para se certificar quanto à possível previsão de responsabilidade subsidiária dos sócios. da maneira como acontece na sociedade em nome coletivo.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 109 Série Impetus Provas e Concursos contratual de responsabilidade dos sócios por débitos da pessoa jurídica. deverá ser respeitado o princípio que rege todos os tipos sociais. portanto. 1. os sócios a opção de escolher contratualmente a forma de cobrança da responsabilidade subsidiária a eles dirigida. pior para ele. os sócios possuem a faculdade de escolher se assumirão. ou a proporcionalidade sugerida. que poderá cobrar a dívida normalmente daquele sócio posteriormente admitido. a contar da averbação da modificação contratual. pois o acordo valeria apenas entre eles. quando normalmente acompanha a participação de cada um no capital social. estipula que a responsabilidade subsidiária dos sócios será cobrada de forma proporcional à participação de cada um nas perdas sociais. apesar de o art. Sendo a resposta positiva. no sentido de a participação de cada um nos lucros e nas perdas não guardar correlação percentual igual à da participação per capita no capital social. . por sua vez. serem utilizados os bens particulares dos sócios. 1. 1. que determina a responsabilidade do sócio que ingressar na sociedade por dívidas anteriores à sua presença. a responsabilidade será proporcional à participação de cada um nas perdas ou no prejuízo da sociedade. neste caso em se tratando de sócios comanditados.003. mesmo que seja acordada a exclusão de tal responsabilidade. Têm. conforme prevê o art. Para complementar o tema. vale citar a previsão do art. a responsabilidade subsidiária pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica. quando poderão optar entre a solidariedade. salvo se preferirem a responsabilidade solidária. ou seja. salvo cláusula de responsabilidade solidária. Se a averbação demorar a ser feita. quando da contratação de uma sociedade simples sem a adoção de algum dos tipos da empresária. conforme exposto nos itens a seguir. Com relação ao sócio que se desliga da sociedade. Por conseguinte. ou em comandita simples.007 prevê a possibilidade de estipulação contratual diversa. Em suma. esse pacto não terá validade contra terceiros. E como a lei não prevê ressalvas. primeiro deve ser consumido o patrimônio da entidade para depois. parágrafo único.

1. essa operação era conhecida como “dissolução parcial da sociedade”. É justamente a primeira fase. O Código Civil de 2002 procurou incorporar os fundamentos da preservação da atividade econômica trazendo novas regras ao tema.033 ao 1. A previsão legal estava assentada no art.7. expressão que o Código de 2002 substituiu por “resolução da sociedade em relação a um sócio”. Para facilitar a aprendizagem dos institutos. Concluída a liquidação. vedadas novas operações. divide-se o acervo com os sócios. acontece a alienação de todo o ativo. conforme prevê o art. visando ao pagamento dos credores e. pouco a pouco. e passa a inventariar seus bens e direitos na preparação de outra etapa. porém.1. No antigo Direito. No âmbito do Direito Comercial. 335 daquela lei e. o mesmo órgão pelo qual faz nascer a personalidade jurídica de uma sociedade é também responsável pela sua extinção que. Antes. quando os operadores do Direito perceberam a importância em preservar a atividade produtiva desenvolvida. pelas quais responderão os administradores solidária e ilimitadamente.110 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7. restringindo a gestão própria aos negócios inadiáveis. Esse derradeiro ato é o que decreta o fim da personalidade jurídica. juridicamente falando. Diferente é o que ocorre quando um ou mais sócios resolvem sair da sociedade. que se chama de liquidação. 1. vejamos o estudo pormenorizado de cada um deles. dissolução de sociedade representa uma etapa no processo de extinção da pessoa jurídica. pela qual a sociedade paralisa suas atividades. no caso da liquidação de sociedade. bastava a vontade de apenas um dos sócios para a sociedade ser dissolvida. pode então a sociedade ser extinta. em detrimento do desejo individual de um sócio. deixando aos remanescentes a continuidade do objeto social. Aliás. caso exista saldo remanescente. se materializa com a averbação no registro próprio da ata da assembléia que aprovar as contas do liquidante. condição que. Nesta. Dissolução da Sociedade Na vigência do antigo Código Comercial. distribuídas nos arts. . de abordá-las. foi cedendo espaço ao princípio da continuidade da empresa. acontece com a baixa de sua inscrição no órgão de registro competente.109 do Código.038. vale a pena pontuarmos a respeito de alguns conceitos relacionados ao assunto.

1. 1. Sobre essas hipóteses de dissolução. a sociedade dissolve-se de pleno direito: a) com o vencimento do prazo de duração. vencido este e sem oposição de sócio. qualquer sócio está habilitado a requerer que a liquidação se processe judicialmente. salvo se. e) pela extinção.028. 1. II. quando o juiz nomeará um liquidante para conduzir o processo. observem que basta a configuração de uma delas para que tenhamos aperfeiçoada a causa para a dissolução da pessoa jurídica. . são causas de dissolução judicial: a) a anulação da constituição da sociedade. que será considerada de pleno direito. permite à autoridade competente para conceder a autorização nomear interventor com poderes para requerer a medida e administrar a sociedade até que seja nomeado o liquidante. não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias. e é originada a partir do requerimento de qualquer sócio. b) pelo consenso unânime dos sócios.1. de autorização para funcionar. que se refere à morte de sócio. na forma da lei.034. que poderá ser um sócio já indicado no contrato social ou. desde que os administradores não o façam nos trinta dias seguintes à perda da autorização. d) pela falta de pluralidade de sócios. Pelo art. 1. não entrar a sociedade em liquidação. cabe aos administradores promover a investidura do liquidante. alguém estranho ao quadro social Se a causa for a da alínea “e” acima citada. Outra forma de dissolver a sociedade extrajudicialmente é a prevista no art. parágrafo único. caso em que se prorrogará por tempo indeterminado. Da Dissolução Assim. o Ministério Público detém a prerrogativa subsidiária para promover a liquidação judicial. na omissão desse. Nessa situação. ou a verificação de que o mesmo é inexeqüível. Sendo a dissolução de pleno direito. Caso prefiram a liquidação administrativa.033. nos quinze dias subseqüentes ao recebimento da comunicação sobre o fato.7. b) o exaurimento do fim social. a omissão do órgão ministerial. quando os demais preferem a dissolução total à parcial.036. segundo a previsão do art.1. Judicial é a dissolução que necessita passar pelo crivo do Poder Judiciário. ou se nenhum sócio exercer a faculdade a eles assegurada pelo art. c) pela deliberação dos sócios por maioria absoluta na sociedade de prazo indeterminado.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 111 Série Impetus Provas e Concursos 7.

no caso de morte. 1. No momento em que a atividade extrativa se esgotar. salvo: a) se o contrato dispuser diferentemente. contudo. Para tanto. Neste último caso. pois o art. conforme a previsão do art. por acordo com os herdeiros. quando ele pratica o que se conhece como “direito de recesso”. Desta forma. faz-se necessário verificar a situação patrimonial da sociedade. uma transportadora que perde seus caminhões e fica sem meios ou créditos para novas aquisições. . c) se. não o é para certas sociedades. quando esta se obriga pelo pagamento correspondente aos herdeiros. inexeqüível é o fim social que. mas à liquidação individual da quota do sócio que saiu. à data da resolução.034 não são taxativas. é porque os sócios remanescentes podem optar entre a resolução em relação a um sócio ou. 1. não conduz necessariamente à extinção da pessoa jurídica. 1. De outra forma. 45. quando será levantado balanço especial. promover a dissolução da sociedade.035 permite que o contrato social preveja outras causas de dissolução judicial. Já a exaustão do objeto social compromete a continuidade do negócio.7. contudo. É o que acontece com a sociedade que tem por objeto social a exploração de determinada mina. 7. contado da publicação e sua inscrição no registro. liquidar-se-á a quota. exaure-se seu fim social.2. Por exemplo. conforme prevê o art. que a saída de sócio não leva necessariamente a sociedade à extinção. se preferirem. Entenda o leitor que liquidar a quota do sócio falecido significa apurar seus haveres diante da sociedade. Quando se afirma.1. regular-se a substituição do sócio falecido. conforme prevê o art. Importante ressaltar. a primeira. diversamente ao item antecedente. que se refere à anulação da sociedade. parágrafo único. a escolha é motivada em possível dificuldade para cumprir o fim social. seja por morte ou por simples vontade do retirante. do CC/2002. Da Resolução em Relação a um Sócio Já foi mencionado que esse instituto corresponde à dissolução parcial da sociedade que.112 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação a cada uma das hipóteses de dissolução judicial.028. b) se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade. tanto em caso de morte de sócio como na hipótese da prática do direito de recesso. possui prazo decadencial de até três anos. 1. que essas hipóteses do art.031. embora podendo ser realizado em outras condições. seja por redução substancial do capital social ou quebra do affcetio societatis.

a fim de quitar suas dívidas perante os credores. 1.8. durante o prazo de dois anos. conforme dispõe o art. que prevê. 1. Especificamente quando se tratar de retirada ou exclusão. o contrato social pode prever outras hipóteses de retirada do sócio. deve o leitor ficar atento à distinção entre a liquidação judicial. Da Liquidação Já foi dito que a liquidação é um estágio do processo que leva à extinção da pessoa jurídica. previsto no art.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 113 Série Impetus Provas e Concursos Por vontade própria. Em seguida. o art. o sócio pode retirar-se da sociedade. exclusão ou morte de sócio. mediante iniciativa da maioria dos demais. a obrigação deste ou de seus herdeiros pelas obrigações sociais anteriores. que pode ocorrer de forma extrajudicial. 7.026. na proporção da participação do capital social. 1.1.032. faz-se necessário provar judicialmente justa causa. à revelia de manifestação do Poder Judiciário. deverá ser distribuído aos sócios. parágrafo único. Para o bom entendimento da matéria. além das previstas na lei. por atividade empresarial alheia à sua condição de sócio da pessoa jurídica referida. simplesmente por decisão dos demais. Além de todas essas hipóteses.003. O acervo porventura resultante. que se processa no âmbito de um processo falimentar. porém igualmente passa . enquanto não se requerer a averbação. é preciso por conta da dificuldade imposta pelo art. e aquela desenvolvida independentemente da instauração de falência. O mesmo dispositivo ressalva a exclusão de sócio remisso. contado da averbação da resolução da sociedade. ou seja. que exige a concordância unânime dos demais sócios para a cessão ou alienação das quotas de algum. o parágrafo único do mesmo dispositivo acrescenta hipóteses de resolução da sociedade por exclusão de sócio considerada de pleno direito. É o momento em que a sociedade previamente dissolvida passa a vender seu ativo. De outra forma. 1. em qualquer dos casos de retirada. desde que notifique os demais com antecedência mínima de sessenta dias. por falta grave ou incapacidade superveniente. em se tratando de sociedade por prazo indeterminado. Por último. a responsabilidade alcança também obrigações constituídas posteriormente à saída. Se constituída por prazo determinado. Esse permissivo. pelo mesmo prazo de até dois anos. Se assim não fosse. 1.029.030 determina a resolução da sociedade por exclusão judicial de sócio. É o que ocorre quando o sócio for declarado falido. poderíamos presenciar casos em que o sócio seria obrigado a permanecer como tal. convém ressaltar a exegese do art. ou mesmo quando sua quota social for liquidada por requerimento do credor legitimado.

pode ele também ser destituído pela via judicial. podem ser assim reproduzidos: a) averbar no registro próprio o instrumento de dissolução.033. É claro que. A exceção está na hipótese do inciso V do art. O art. nós já estudamos que. a requerimento de um ou mais sócios. que ainda prevê hipóteses para sua realização. tudo de acordo com o art.111 do Código Civil. O liquidante cujo nome já conste no contrato social somente pode ser destituído por via judicial. discriminou os deveres do liquidante que.8. sempre quando se tratar de liquidação de pleno direito. sua destituição depende de simples deliberação. 1. Em todo caso.103 do Código Civil. Neste caso. 1. conforme exposição no mesmo Capítulo 04.1. pois faz parte do capítulo que regula a liquidação de todas as sociedades contratuais. pois. que é promover a alienação do ativo e o conseqüente pagamento do passivo.114 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel pela chancela do Poder Judiciário. se assim não fosse.033. têm os sócios a opção entre a liquidação judicial ou extrajudicial. 1. ou não-sócio. b) arrecadar bens. será nomeado um interventor com poderes para tanto. enquanto para a outra. ocorrendo justa causa. se este não providenciar a liquidação judicial. sendo ele eleito pelos demais. abordada no Capítulo 04 desta obra. de forma resumida. capitaneado pela Lei Federal no 6. livros e documentos da sociedade. que não é exclusivo para as sociedades simples. se não requerida a medida judicial pelos sócios. conforme a previsão do art. quando os demais não quiserem mais continuar o negócio. 1. Acontece que a primeira é regulada na própria Lei de Falências.1. deve ser observado o disposto no Código de Processo Civil. entra em cena todo um regramento específico. quando se tratar de instituição financeira e assemelhada. que poderá ser sócio já designado no contrato social. passa ao Ministério Público a iniciativa ou. neste caso. Também para a liquidação extrajudicial há disciplina específica. inventário e balanço patrimonial. compete aos administradores providenciar a investidura do liquidante. e compõe uma das etapas do processo falimentar. desde que haja justa causa. em até quinze dias da investidura. Ambas possuem uma só finalidade.037 do Código. bastaria o liquidante gozar de prestígio perante a maioria dos sócios representativos do capital social. pois. 1. c) providenciar. para se perpetuar na função. 7. ou em caso de morte ou retirada de sócio. Da Liquidação Extrajudicial Dissolvida de pleno direito a sociedade pelas hipóteses previstas no art.024/74. . De outra forma.

CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 115 Série Impetus Provas e Concursos d) ultimar os negócios. antecipa-se a partilha. pagará os demais de forma proporcional. No pagamento das dívidas. não precisa esperar a alienação de todo o ativo e a apuração dos haveres para começar a partilha. e) chamar os sócios à integralização do capital social. O liquidante assume responsabilidades similares às dos administradores da sociedade liquidanda. receber e dar quitação. apresentar aos sócios o relatório da liquidação e suas contas. se a maioria preferir. confessar falência e requerer a recuperação judicial ou a extrajudicial. complementada com a averbação no registro próprio da ata da assembléia. Depois de quitados todos os credores. salvo quando indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis. quando insuficiente o ativo. o saldo remanescente será partilhado entre os sócios. com a declaração de sua qualidade. À medida que for aquele for sendo realizado. sem distinção entre vencidas ou vincendas. nem prosseguir. este deverá vir seguido da expressão “em liquidação” e de sua assinatura individual. nos limites da responsabilidade de cada um. conforme a disposição do parágrafo único do art. de forma similar ao que acontece na falência. inclusive alienar bens móveis e imóveis. ato que. Sobrando ativo. alienar o ativo. h) ao final do processo. transigir. i) averbar no órgão de registro o instrumento firmado pelos sócios que considerar encerrada a liquidação.105. Neste caso. 1. f) convocar assembléia de quotistas a cada seis meses para prestação de contas. se aprovadas. encerra-se a liquidação. . pode o liquidante dar preferência às dívidas vencidas. mas em relação a essas últimas. provoca a extinção da sociedade. com desconto. nem contrair empréstimo. Sempre que o liquidante utilizar o nome empresarial. g) em se tratando de sociedade empresária. não é permitido a ele gravar de ônus reais os móveis e imóveis. Contudo. pagar o passivo e distribuir o saldo com os sócios. além de exigir as quantias necessárias. instruída com relatório e balanço do estado da liquidação. salvo expressa previsão contratual ou autorização pelo voto da maioria dos sócios. o liquidante deve pagar inicialmente os credores por títulos preferenciais. Ao final desse processo. A ele compete representar a sociedade e praticar todos os atos necessários à sua liquidação. cabe ao liquidante convocar assembléia de sócios para prestação de contas após o que. na atividade social. como já foi mencionado. embora para facilitar a liquidação. Se o ativo for superior ao passivo.

Da Liquidação Judicial Essa forma de liquidação da sociedade.103. ou do art. podem ser adotados pelas sociedades simples. a contar da publicação da ata já averbada.116 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Após a averbação. sempre que tiver justa causa. a escolha deverá ser feita em assembléia de cotistas. à exceção daquelas cujos capitais se dividem em ações. porém. as sociedades limitadas e as anônimas ganharam tópicos específicos neste livro. é nomeado pelo juiz na própria sentença que decretar a dissolução. 1. Fora esses dispositivo. estabelecendo que compete ao juiz a nomeação do liquidante cujo nome já conste do contrato social. o liquidante. Vejamos agora as principais características dos tipos societários reservados pela lei às sociedades empresárias que. ou depois. e as presidirá. com o saldo sendo restituído aos sócios. proporcionalmente à participação de cada um no capital social. As atas dessas reuniões serão.112 do Código Civil chega a mencionar que. em cópias autênticas. o sócio dissidente tem um prazo de trinta dias. cujo nome já esteja presente no contrato social. o Código de Processo Civil de 1939. . o leitor deve observar que. conforme já frisado. Já o credor insatisfeito pode exigir de cada sócio valor correspondente a soma individualmente recebida em partilha. para a ação que couber. O art. 1. em se tratando de dissolução judicial provocada por uma das causas do arts.1. 7. Os deveres e obrigações do liquidante judicial pouco diferem daqueles especificados no art. A destituição do liquidante judicial é ato privativo do juiz.034. que será indicado em petição. embora referida em algumas passagens do Código Civil. inciso V. na essência. apensadas ao processo judicial. Ademais. Sendo este omisso. ambos devem promover a alienação de todo ativo da sociedade visando ao pagamento dos credores. Antes. incisos I e II. pois. devido à importância que representam. o juiz convocará.2. 1.8. em seus arts. 657 a 674. é regulamentada pelo Direito Processual. claro. disciplina a liquidação judicial. 1. que poderá agir de ofício a requerimento de qualquer interessado. no curso da liquidação judicial. em caso de omissão do instrumento.033. se necessário. resolvendo sumariamente as questões suscitadas. reunião ou assembléia para deliberar sobre os interesses da liquidação. sem extrapolar o montante de seu crédito ou propor contra o liquidante ação de perdas e danos. menos se já houver unanimidade em algum nome. é sempre bom repetir que.

que assumem responsabilidade solidária pelos débitos sociais. aí sim. Quanto à natureza. ao menos enquanto não for integralizado. a doutrina não é unânime em afirmar que se trata de uma sociedade de pessoas ou de capital. não há solidariedade entre eles. tanto que a quantidade dessas empresas registradas nas Juntas Comerciais é ínfima. quando se tratar de atribuir responsabilidade por débitos sociais diante de credores que efetuaram negócios com a sociedade. . perde o sentido.2. até mesmo para não descaracterizar o próprio tipo social. Com tamanho risco assumido pelo empreendedor. 997 do CC/2002. até mesmo pelo caráter subjetivo que envolve essa classificação. quando da contratação da sociedade. parece. Aqueles que defendem tratar-se de sociedade de pessoas fundamentam a opção na forte ligação existente entre os sócios. Para essa responsabilidade. Não percam de vista que. De outra maneira. cujas cláusulas essenciais estão discriminadas no art. aplica-se a regra da responsabilidade solidária. não atingindo terceiros. que somente seria eficaz entre eles. já tornaram seus bens privados vulneráveis a possíveis perdas. posto ser subsidiária). 1. público ou particular. Essa é regra geral aplicada a todos os tipos sociais. Percebam que a aplicação de teorias ou dispositivos legais que prevêem a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade para fins de atingir o patrimônio particular dos sócios. justamente de ver seus bens particulares comprometidos com dívidas oriundas da atividade econômica organizada. que cometerem atos fraudulentos. decisivo nessa linha de raciocínio. esse tipo social só poderia cair no atual desuso. Também o teor do art. caso não tivesse sido efetuado no ato constitutivo. diante da própria pessoa jurídica da qual fazem parte. que exige o consentimento unânime dos demais sócios para a cessão de quota social. Em Nome Coletivo Tipo societário regulado pelos arts.003 do CC/2002. o acordo necessitaria de aprovação unânime.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 117 Série Impetus Provas e Concursos 7. uma vez que essas pessoas. cada sócio se responsabiliza pessoalmente pela parcela do capital social adquirido. Sua principal característica é a responsabilidade ilimitada e solidária dos sócios frente a terceiros (todos pessoas físicas) pelos débitos contraídos em nome da sociedade (claro que após exaurido o patrimônio social. 1. Possível haver pacto de limitação da responsabilidade dos sócios.044 do Código Civil de 2002.039 a 1. Nesta hipótese. É sociedade constituída por contrato escrito.

Quanto à possibilidade de credor particular de sócio pretender a liquidação da quota do sócio devedor. se o devedor não possuir outros bens. apurada em balanço patrimonial. acrescentando-se. somente poderia ser admitida na hipótese de a sociedade constituída por prazo determinado haver sido prorrogada tacitamente ou. Pedro Bento e Cia. a falência. se for alterado o contrato social para permitir o livre ingresso de novos sócios. há uma quebra do fator pessoal que envolve os membros da sociedade. o credor pode pleitear a liquidação. próprios para as sociedades simples. Exemplo: João Alves. no prazo de noventa dias da publicação do ato dilatório. ainda assim. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios e. 1. se empresária. 1. Do confronto de posições. 1.051 do Código Civil 2002. sobretudo quando invocamos a exegese do art.045 a 1.033 do CC/2002.026. Utiliza-se a expressão “e cia. assinado por qualquer sócio designado no contrato social.7. A penhora da quota social obedece aos mesmos requisitos da cessão. .118 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel De outra forma. parece-me mais plausível a primeira. que significa o pagamento por parte da sociedade de quantia proporcionalmente devida ao sócio retirante. parágrafo único. 7. a regra é distinta da aplicada às sociedades simples. aos que detenham plena capacidade civil e não sejam impedidos por leis especiais. é necessário o consentimento dos demais sócios. ou seja.1.3. Seu nome empresarial será sempre firma social. e que foram analisadas no item 7. no prazo de noventa dias da liquidação. 1. a iniciativa do credor naquele sentido. porém adaptadas ao tipo social. 1.043. o credor tenha promovido oposição judicial. os seguidores de tese contrária o fazem por entenderem que. em se tratando de prorrogação por deliberação entre os sócios.003. As razões para sua dissolução obedecem aos termos do art. anteriormente à dissolução da sociedade. Nesta.”. até o julgamento definitivo do feito. Em Comandita Simples Tipo societário regulado pelos arts. Já em relação à sociedade em nome coletivo. 997. pautando-se por contrato escrito. para indicar a existência de sócios ausentes do nome. As normas para sua constituição são similares às da sociedade em nome coletivo. deste Capítulo. cujas cláusulas estão presentes no art. conforme prevê o art. Ainda assim. que a importância seja depositada em juízo. ou similar. Neste caso. que trata o tipo social como sociedade de pessoas. prevê o art.1. talvez não tenha finalidade prática a decisão de se guiar por uma ou outra corrente.

O nome empresarial será sempre firma social. ou similar. As regras para sua dissolução seguem as da sociedade simples. uns. uma vez que poucas pessoas se aventurariam a ser sócios comanditados.. Da mesma maneira que as sociedades em nome coletivo. A comandita por ações possui seu capital dividido em ações. 1. Não obstante. os comentários concernentes à sociedade em nome coletivo podem ser aproveitados. depois de esgotado o patrimônio social. e é constituída a partir de um estatuto. para respeitar a subsidiariedade das obrigações. irá praticar os atos de administração.092 do Código Civil/2002. em detrimento à . chamados de comanditados. com a peculiaridade de haver a dissolução quando. mas com algumas diferenças.090 a 1. salvo a faculdade de tomar parte nas deliberações. sem restrições decorrentes de impedimentos. para indicar existência de sócios ausentes do nome. comanditários. por mais de cento e oitenta dias. é regida pela mesma Lei das Sociedades Anônimas. Quanto à natureza. restando apenas os comanditários. ou de fiscalizar as operações. respondendo tão somente pelo valor de sua quota.046. são simples prestadores de capitais. essas também estão em desuso.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 119 Série Impetus Provas e Concursos Caracteriza-se pela existência de duas categorias de sócios. conforme reza o parágrafo único do art. Os outros. 7. pois prevalece a impessoalidade dos sócios. possuem direitos e obrigações iguais aos dos sócios das sociedades em nome coletivo. É sociedade de capital. A administração deve ficar a cargo de comanditado que goze da plena capacidade civil. de acordo com o teor do parágrafo único do art. Em Comandita por Ações Tipo societário cuja existência legal está prevista nos arts. quando se atribui importância superior ao capital empregado na sociedade. formado pelo nome civil de um ou mais sócios comanditados. 1. pessoas físicas ou jurídicas. sob pena de assumirem responsabilidade de sócio comanditado. ou. obrigam-se como sócios ilimitada e solidariamente responsáveis perante terceiros. Não possuem qualquer ingerência na administração da sociedade. somente pessoas físicas. não por contrato.047. assim como a sociedade anônima. perdurar a falta de uma das categorias de sócio. daí seu caráter institucional. 1.4. ainda. Esses sócios assumem a administração e a direção da pessoa jurídica e. de ser constituído procurador da sociedade para negócio determinado e com poderes especiais. Nesta situação. acrescido da expressão e cia. sem assumir a condição de sócio. estes nomearão administrador provisório que.

salvo por maioria de dois terços dos acionistas. o que significa dizer que se permite ao sócio ceder. Nas anônimas. trabalhista ou previdenciária. 21. estes se tornarão responsáveis solidários pelas dívidas sociais. por extenso ou abreviadamente. § 1o. somente aos acionistas é permitido ocupar cargo de administração. Entretanto. quando se desconsidera a personalidade jurídica da sociedade. Diferentemente das anônimas. 19: (. ou seja. Apesar de poderem organizar-se em assembléias. da Lei Federal no 6. alienar ou penhorar suas ações em favor de qualquer pessoa. além do registro de que trata o art. pela integralização das ações por eles subscritas. conforme exposto no item próprio. sendo nomeados pelo estatuto.. Somente os valores mobiliários emitidos por companhia registrada nos termos deste artigo podem ser negociados na bolsa e no mercado de balcão. . isso só pode acontecer em situações muito especiais. que assim expressa: Art. diferenciam-se das sociedades anônimas por não poderem lançar aqueles títulos no Mercado de Valores Mobiliários. ou mesmo de novas ações. A Comissão de Valores Mobiliários manterá. pelas dívidas contraídas.385/76. à revelia do consentimento dos demais. se houver.120 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel figura humana de cada um. esta será composta com o nome do sócio-administrador. ou nos casos de débitos de natureza tributária. 21. aquele sócio que desempenhar função de administração na sociedade ficará ilimitada e solidariamente responsável com os demais administradores. Se for firma. A responsabilidade dos sócios é similar à dos acionistas das sociedades anônimas. A conclusão está arrimada no art. não pode haver impedimento ao ingresso de outros sócios. Nela. que dispõe sobre o Mercado de Valores Mobiliários – MVM e a Comissão de Valores Mobiliários – CVM. de forma subsidiária. continuam responsáveis pelas dívidas contraídas sob sua gestão.. Neste caso. a fim de atingir o patrimônio particular de sócios ou administradores que cometeram atos com abuso da personalidade jurídica. O nome empresarial pode ser denominação ou firma social. sempre acompanhado da expressão comandita por ações. Constando nome de outros sócios.) § 1o. Daí não poderem ser destituídos tão facilmente como naquelas. ou procederem à emissão de debêntures e partes beneficiárias.

seu ato constitutivo seja levado a registro. É uma forma social sui generis. no que for compatível com esses dispositivos. Para o ostensivo. pessoas físicas ou jurídicas. Observem que o sócio ostensivo é quem vai gerir o negócio. em qualquer hipótese. composta por um ou mais sócios chamados de participantes. e assumindo responsabilidade ilimitada pelas obrigações contraídas. Em Conta de Participação Tipo societário regulado pelos arts.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 121 Série Impetus Provas e Concursos Logo. emissão de bônus para subscrição de novas ações. capital. 993. que exercem a atividade constitutiva do objeto social em seus próprios nomes. personalidade jurídica nem mesmo sede ou estabelecimento. eventualmente. unicamente às companhias ou sociedades anônimas é facultado o direito de negociar com títulos no Mercado de Valores Mobiliários.5. existe um pacto entre empreendedores e investidores. ainda que. Sendo o ostensivo uma pessoa jurídica. 991 a 996 e. verbal ou escrito. Compõe-se de duas categorias de sócios. Esta. sob pena de assumirem responsabilidade ilimitada. Trata-se de uma sociedade constituída por contrato. cuja característica principal reside na ausência de personalidade jurídica. visando à realização de uma atividade econômica. é ele que aparece frente a terceiros. inclusive porque o próprio Código Civil a insere no capítulo específico das sociedades. conforme dispõe o art. sob inteira responsabilidade de cada um. serve à normatização da matéria o capítulo específico das sociedades simples. contudo. 284 da Lei no 6. não seria a melhor orientação. atuando em seu próprio nome. conseqüentemente. Outra distinção reside na vedação contida no art. A outra. Essa singularidade confere a ela o título de sociedade despersonificada. Significa afirmar que não é possível haver conselho de administração numa comandita por ações. formada por um ou mais sócios chamados de ostensivos. A rigor.404/76. deve nomear representante. 7. pois não possui nome empresarial. desprovidos de qualquer ingerência no negócio social. entendendo tratar-se de um contrato. Uma. pessoas físicas ou jurídicas. quanto à existência de conselho de administração e a autorização estatutária de aumento de capital e emissão de bônus de subscrição. assim como prévia autorização para aumento de capital e. não há sequer a subsidiariedade em relação . Parte da doutrina chega até a deixá-la à margem do conceito de sociedade. se forem abertas. como veremos adiante. patrimônio.

sob a denominação “Hotéis do Brasil Ltda”. tendo em vista ausência de personalidade jurídica da sociedade. como vimos. da forma como acontece para os outros tipos sociais. Havendo saldo. pois. uma sociedade já constituída que opera no ramo de hotelaria. ou não. Vindo a falir o sócio ostensivo. De outra forma. pode celebrar um contrato de participação com um ou mais sócios participantes que acabaram de adquirir um condomínio de apartamentos. mas sempre diante do ostensivo. Aos participantes. do contrato. se o participante tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros. ele pode compartilhar da gestão social ou se mostrar diante de terceiros com ânimo de sócio ostensivo. Essa pessoa jurídica. que pode ser nenhuma. Imaginem. pois os credores podem consumir todo o patrimônio do sócio ostensivo na satisfação de seus direitos. Esse tipo social. Por isso. cabe cumprir as obrigações determinadas no contrato. quando é conferida a faculdade ao administrador judicial para escolher entre a rescisão. em nenhum momento. não é subsidiária. tanto com objeto civil como mercantil. ao mesmo tempo em que a conta será liquidada nos termos da legislação processual que rege a matéria. claro. A lei proíbe ao ostensivo admitir outro sócio sem a concordância dos demais. pois. facultando-se aos demais a fiscalização dos negócios. conforme exposto no item 1. se quiser. a responsabilidade ilimitada do sócio ostensivo para com terceiros. ou ilimitada. do Capítulo 04. A contribuição do participante e do ostensivo constitui patrimônio especial. o contrato de participação fica sujeito às mesmas regras dos contratos bilaterais. na condição de sócio ostensivo. No entanto.122 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel à sociedade. mas do próprio sócio ostensivo. se empresário. de forma ilimitada.9. A responsabilidade do participante se opera exclusivamente em face do sócio ostensivo. constitui-se crédito quirografário em favor do sócio participante. a doutrina também o intitula de sócio oculto. então. Pelas obrigações decorrentes da gestão da sociedade em conta de participação. ao contrário dos anteriores. Significa afirmar que ambas as categorias são livres para determinar a responsabilidade do participante. não depende de esgotar o patrimônio social. responde exclusivamente a “Hotéis do Brasil Ltda”. Não se inclui na proibição imposta ao participante o direito de fiscalizar a gestão social. Já o sócio participante é mero prestador de capital. ou seja. com o propósito específico de administrar o empreendimento. sob sua inteira responsabilidade. Percebam que a falência aqui tratada não é da sociedade. Tal especialização patrimonial somente tem efeito entre os sócios. sendo a falência do sócio participante. passa a responder solidariamente com aquele pelas obrigações em que intervier.4. . a sociedade em participação será dissolvida. é largamente utilizado. da forma estipulada no contrato. credores da sociedade.

1. são questões de caráter contratual. Logo. ao menos naquilo em que o Código Civil for omisso.1. que têm as regras traçadas no Código. no item 8. na forma da lei processual. Assim.1.1. Mas. liquidação da cota de sócio falecido. Para a boa compreensão da matéria. e c) subsidiarem-se com o regramento das sociedades por ações. nas omissões da lei. e não havendo resolução da questão no próprio instrumento de contrato.087 do Código Civil.037.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 123 Série Impetus Provas e Concursos Sua liquidação.2. 8. dentre outras. cláusula leonina e mora de sócio.4. Conceito Define-se como a sociedade cuja principal característica é a limitação da responsabilidade de seus sócios ao valor das quotas adquiridas por cada um. rege-se pelas normas da prestação de contas. Esse conceito será melhor explicado a seguir. No entanto. 1. pois não devemos esquecer que as limitadas são sociedades contratualistas e. que vai do art. apesar de todos responderem solidariamente pela integralização do capital social.1. a sociedade pode guiar-se pela Lei no 6. É justamente por isso que os sócios podem lançar mão de três opções: a) livre estipulação contratual. direito de recesso. bastando um único processo de prestação. diferentemente das demais sociedades contratuais. tais dispositivos não são suficientes para exaurir todas as questões a ela relacionadas. 997 ao art.404/76. Contudo. devem pautar-se por certos princípios. .052 a 1. b) suplementar o tema com o capítulo próprio relativo às sociedades simples. conforme já mencionado. ainda que haja mais de um sócio ostensivo. Regência A sociedade limitada rege-se pelos arts. Sociedade Limitada Disposições Preliminares 8. atenção! Nem todos os assuntos podem ser regulados pela Lei das Sociedades Anônimas. podemos afirmar que o silêncio do contrato a respeito de determinado tema não-previsto no capítulo específico do Código permite a suplementação pelas normas da sociedade simples. quando abordaremos a responsabilidade dos sócios da limitada. 8. como tais. 8. como acentuou Sérgio Campinho. havendo expressa previsão contratual. pela clara natureza contratual. matérias atinentes à sua formação e dissolução serão sempre reguladas de acordo com as sociedades simples.

apenas os nomes de sócios devem constar no nome empresarial. Se a opção for por uma firma social. haveria a chance de os sócios obstarem o ingresso de novos componentes no quadro associativo. quis o legislador (Lei no 6.4. A omissão desta limitada. No entanto. que criou a Comissão de Valores Mobiliários). que. uma vez que. previu que o sócio pode ceder suas quotas tanto a quem já seja sócio como a estranho. Exemplo de denominação Frigorífico Ribeira Ltda denominação: Ltda. No primeiro caso. O Nome Quanto ao nome empresarial. 1. desta forma. não pode haver oposição de titulares de mais de 1/4 do capital social. expressão tornará responsáveis. alguns ou apenas um (nestes casos.A. como a emissão de títulos no Mercado de Valores Mobiliários.124 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel impossíveis de se submeterem à Lei das S.385/76. os administradores que assim a empregarem. pois. por sua vez. E não vem sendo diferente após o novo Código.”).3. 8. não precisa da anuência dos demais. Escolhida uma denominação. o mesmo dispositivo deixa claro que pode haver estipulação contratual diversa. mas apenas diante daquele credor específico. já aproveita as da sociedade simples acrescida da falência. Este. Outras. o art. 1. em ambas as hipóteses acrescido do termo limitada ao final. . Sobre a dissolução de pleno direito da sociedade limitada. se empresária. se destinadas a terceiro. o que caracterizaria uma importância demasiada à figura humana. 8.1. basta inserirem cláusula no instrumento que subtraia a faculdade de eles próprios limitarem a entrada de terceiros. são de exclusividade das sociedades anônimas. Entrementes. os sócios podem contratar uma sociedade limitada cuja natureza seja de capital.057. invariavelmente. quando serão aproveitados todos. poderá ser uma firma social ou denominação denominação.1.087 prescreve as mesmas hipóteses da sociedade em nome coletivo. em detrimento do capital. com certeza teríamos que concordar que a sociedade limitada seria considerada de pessoa. Natureza Interpretações doutrinárias divergentes sempre surgiram quando tentamos determinar a natureza das sociedades limitadas. Logo. Se o dispositivo parasse por aí. em seu art. acresce-se o termo “e cia. solidária e ilimitadamente. deverá estampar o objeto da sociedade. participante da operação.

que poderão ser reunidos em dois grupos específicos. cabe uma observação a respeito da possibilidade de participação de menores no quadro social da limitada. uma grande diferença entre um contrato e um estatuto de sociedade. se já constituída. na feitura do contrato social. Constituição As sociedades limitadas são contratuais.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 125 Série Impetus Provas e Concursos 8.2. Não cumpridos esses primeiros requisitos no contrato social. assim como as contratuais. assim como participarem do resultado social. aparece a obrigatoriedade de todos os subscritores do capital social contribuírem na sua formação. devendo ainda o capital subscrito encontrar-se completamente integralizado. A doutrina salienta que o instrumento contratual que dá origem à sociedade é plurilateral e de estrutura aberta. Existem ainda pressupostos de existência igualmente apropriados a todas as sociedades contratuais. conhecida como affectio societatis. posto admitir a participação de número ilimitado de sócios. aliás. mas sem obedecer àquela parte do acordo. O outro grupo de requisitos essenciais à plena validade do contrato diferencia-se do primeiro quanto à conseqüência advinda pelo seu descumprimento. se em fase de constituição. a sociedade continua a existir. . Muitos desses requisitos. o contrato deve obedecer a certos requisitos de validade. Nesta hipótese. as partes são livres para contratar outras cláusulas além daquelas previstas na lei. que admite o ingresso. Exprimem-se na necessária pluralidade de sócios na formação do capital social e na intenção deles em executar o objeto social. De outra forma. Para esse grupo. O primeiro traz as condições de validade de qualquer ato jurídico. não do contrato. como capacidade das partes. não prevêem limite para o quantitativo de sócios. desde que o menor não assuma função de gerência (administração da sociedade). será assistido. o estatuto social exige que os sócios sigam apenas as determinações legais. ou ao não-registro do instrumento. o instrumento é nulo e gera a inexistência da pessoa jurídica. Para sua plena validade. contudo. Há. objeto lícito e possível. forma prescrita em lei. deve contar com representante na assinatura do instrumento do contrato. pois nascem a partir de um contrato celebrado entre seus sócios. Em se tratando de incapacidade civil absoluta. A ausência desses pressupostos leva à dissolução da sociedade. são igualmente exigidos quando se tratar de estatuto social. Esse raciocínio vale também para o estatuto das sociedades estatutárias que. É que. Hoje. o desrespeito provoca a nulidade da cláusula. desde que não colidam com o texto legal. No grupo em referência. não havendo espaço para fixação de tema não constante da lei. esse tema encontra-se pacificado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Se relativa. Neste caso.

Em outras palavras. a ineficácia da cláusula contratual não invalida o contrato. b) duração da sociedade. pode ser declarada a nulidade do contrato. f) a quota com que cada sócio entrou para a sociedade. 1. Quanto aos pressupostos (pluralidade de sócios e affectio societatis). j) conforme o caso. por se tratar de limitada: a) informações dos sócios. pois valerá a intenção contextual). Além de tudo isso. domicílio.072. possível prorrogação). sua omissão provoca a dissolução da sociedade. expresso em moeda corrente. se passar. todos os sócios podem gerir a empresa.. mantendo-se os efeitos já produzidos. nome etc. parágrafo 1o. insuficientes os requisitos do primeiro grupo (capacidade das partes. e) fixação do capital social. podendo ser indeterminada (se por tempo certo. h) data de encerramento do exercício social. ainda assim a responsabilidade é limitada.013 do CC/2002). d) informação sobre os administradores (em caso de omissão. forma prescrita em lei). De outra forma. quando não coincidir com o ano civil. seus efeitos entre os sócios. . i) cláusula de limitação da responsabilidade (veda-se registro de contrato sem essa informação. para deliberar assuntos escolhidos ou determinados por lei. à exegese do art. como nacionalidade. c) tipo adotado e objeto detalhado da sociedade. o contrato deve trazer informações a respeito dos sócios e da própria sociedade. conforme dispõe art. pessoa física ou jurídica. do CC/2002. comprometendo.126 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que as conseqüências pelo não-cumprimento dos requisitos essenciais diferem entre si. não sendo razão de impedimento ao registro. objeto lícito e possível. inclusive. faltando requisito do segundo grupo (contribuição de sócio no capital social ou participação no resultado social). com as devidas adaptações. 997 do CC/2002. g) percentual de cada sócio nos lucros e nas perdas. São as relacionadas no art. da mesma forma que geram efeitos distintos à falta de pressuposto. previsão de assembléia ou reunião de sócios. 1.

Mas uma quota pode ser de mais de um sócio? Sim. dentre outros. que lhe confere a possibilidade de participar das deliberações sociais e fiscalizar atos dos administradores.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 127 Série Impetus Provas e Concursos QUADRO-RESUMO 8. A Quota Social Podemos conceituá-la como uma fração do capital social. do que se deduz que várias quotas podem ser de propriedade de um único titular. à exceção das escriturais. Sua natureza jurídica é de direito bifrontal. onde deve constar a participação de cada sócio. Já as ações das companhias. mais influência ele terá nas deliberações sociais. quando se forma um condomínio onde o representante (cabecel). são sempre representadas por papéis. Quanto mais quotas um sócio possuir.3. 1. as quotas sociais podem ter valores nominais iguais ou não (art. a expressão do capital da companhia é o montante do valor nominal de todas as ações. Se. por encerrar um direito patrimonial e um direito pessoal. Diferentemente das ações. indicado pelos demais. A essa situação dá-se o nome de co-propriedade das quotas. nas sociedades anônimas.055 do CC/2002). enquanto o direito pessoal vem do status de sócio. . os outros condôminos respondem solidariamente pela integralização do capital social (art. nas sociedades contratuais a quota social representa a unidade do capital social. irá exercer os direitos de sócio. Não são representadas por cártula. inferindo-se que a prova do domínio vem do contrato social. Perante a sociedade. 1.056). O direito patrimonial materializa-se na participação nos lucros e acervo da sociedade.

4. qualquer credor quirografário pode opor-se a ela. . A lei não admite. decorrente da falta de integralização das mesmas quotas. 1. por exemplo. O Sócio Quotista 8. contudo. trata-se do principal dever que aqueles têm diante da sociedade. no caso das limitadas. A cessão. não há prazo legal para a integralização. havendo perdas irreparáveis. à revelia da concordância de outros sócios (art. o capital social pode ser aumentado. Pois bem. 1. direitos ou em dinheiro. basta não haver oposição de 1/4 do capital social. Não satisfeita a obrigação. Também não existe percentual mínimo de integralização das quotas. por ocasião da subscrição do capital social (nas sociedades por ações o mínimo é de 10%). Conceito O sócio quotista é o proprietário de parcela do capital da sociedade. não se pode contar o tempo (dois anos) para liberação da responsabilidade solidária do alienante perante a sociedade. Aplica-se a regra da caução.128 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação à integralização das quotas. com a alteração averbada. b) se excessivo em relação ao objeto social (no prazo de noventa dias da publicação da ata de assembléia que aprovar a redução. como. tem que ser averbada. não há óbice legal no Código. A cessão de quotas sociais é possível. a livre alienação. Antes dessa providência. pode estabelecer de forma diversa. por um dos motivos: a) após integralizado. que deve ser manifestada no prazo de trinta dias após a deliberação (art. desde que seu título seja anterior àquela data). A integralização pode ser feita em bens. Em todo caso. desde que não haja oposição de sócios representativos de 1/4 do capital social.1. a quota muda de titularidade.081). para ser oponível à sociedade e a terceiros. Pode ser pessoa física ou jurídica. Também pode haver a caução de quotas sociais. pondo o termo no contrato social. e usufruirá do status de sócio. Igualmente pode haver a redução do capital social. a regra é similar à do parágrafo anterior.057). Sobre a penhora de quotas. ficando a critério dos sócios decidir. a contribuição em prestação de serviços. Após integralizadas todas as quotas. Gozam os sócios de preferência para novas subscrições (proporcional à participação). 8. que é o ato de dar em garantia de pagamento por alguma prestação.4. O contrato.

caso detenha parcela já integralizada. conforme art. além de buscarem agir com zelo e profissionalismo em relação às atividades desenvolvidas e. o adquirente cumpriu a sua obrigação perante a sociedade (em se tratando de bens e direitos. Mas. se a venda for contra recebimento à vista de numerário. Sérgio Campinho alerta que. sobretudo. deverão ter em mente a quantia inicial necessária ao início das operações da empresa. lealdade à pessoa jurídica no sentido de não cometerem atos que prejudiquem o fim por ela perseguido. . mais. o sócio remisso poderá ter suspenso seu direito ao voto. É claro que. que não poderá ser feita na forma de prestação de serviços. quando ele terá um prazo de trinta dias. sem que tenha adimplido sua prestação. c) redução de sua participação. se a limitada tiver regência supletiva nas anônimas. responderá perante a pessoa jurídica pelos danos emergentes da mora. findo o qual. Quanto à possibilidade de o sócio remisso ser tolhido em seu direito de voto. conforme dispõe o art.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 129 Série Impetus Provas e Concursos 8. o Código silencia. pelo menos enquanto não promoverem a entrega efetiva dos recursos correspondentes à parcela do capital adquirida. atenção! É necessário haver prévia notificação (notificação premonitória).4. Os subscritores do capital social são.404/76. situação em que. Essa conseqüência pode traduzir-se em uma das seguintes hipóteses: a) cobrança da dívida acrescida dos encargos de mora. Deveres dos Sócios Quando duas ou mais pessoas resolverem contratar a formação de uma sociedade limitada. Esse pode ser considerado como o principal compromisso que os subscritores do capital social assumem frente à sociedade.2. Mas não é o único. portanto. não pode haver obstáculo ao voto do sócio remisso. ou mesmo bens ou créditos. na visão da majoritária doutrina. fixado no contrato social. participarem das perdas dos resultados sociais. será alienado aos sócios e terá o nome de capital social subscrito subscrito.055. § 2o. arcando com ônus proporcional à sua participação societária. devedores da sociedade. Esse valor. Devem. do CC/2002. 1. Remisso será o sócio que faltar com sua prestação. b) exclusão da sociedade. a desoneração só ocorre se não houver vício na coisa ou após a satisfação do crédito) e não mais pode ser considerado devedor perante ela. 120 da Lei no 6.

bens ou créditos). mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. não haverá responsabilidade dos sócios pelas dívidas sociais. assume responsabilidade pessoal o sócio-gerente que descumprir a lei ou o contrato . Se João adquiriu quinhentas quotas. Em outras palavras. o órgão da previdência pode cobrar a dívida diretamente do sócio. No momento em que aportarem recursos correspondentes à parcela do capital comprada (em dinheiro. Contudo. sem se ater primeiro ao esgotamento do patrimônio da sociedade.130 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8.00 cada.3. então. De fato. qualquer sócio pode ser compelido a fazê-lo.052 do CC/2002 que a responsabilidade de cada sócio é limitada ao valor das quotas por eles subscritas. José e Manoel tenham contratado a formação de empresa limitada. inciso III. embora 100% do capital subscrito tenham sido integralizados. Pelo dispositivo. quando todo o capital social subscrito ingressar na sociedade. Não é à toa que mais de 90% das empresas registradas pelas Juntas Comerciais espalhadas pelo país são desse tipo.4. ainda que sua parte já tenha sido satisfeita.00. Isso acontece nos seguintes casos: • CRÉDITOS A FAVOR DA PREVIDÊNCIA SOCIAL – prevê o art. e Manoel.000. Em se tratando de administrador não-sócio. mesmo aquele que já tenha cumprido a sua parte. José. distribuído em mil quotas com valor de R$1. estando o capital completamente realizado.620/93 a responsabilidade solidária dos sócios da limitada pelos débitos junto à Previdência Social. gerente ou não. No entanto. Responsabilidade dos Sócios As sociedades limitadas gozam da preferência absoluta dos empreendedores brasileiros. a regra da limitação de responsabilidade comporta exceções. • OBRIGAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA – conforme dispõe o NATUREZA art. do Código Tributário Nacional. os sócios podem ser compelidos a responder por obrigações originárias da pessoa jurídica. que João. cujo capital social foi fixado em R$1. as duzentas restantes. estarão quitando suas dívidas diante da organização. se parcela do capital social ainda não foi realizada. estes atos correspondem à subscrição do capital social feita por cada um dos quotistas e geram obrigação para eles perante a empresa. 1. só se livram de responder pelas obrigações sociais contraídas. há que se respeitar a subsidiariedade em relação à pessoa jurídica. Isso se deve principalmente à maneira pela qual os sócios responsabilizam-se pelas obrigações sociais. trezentas. Ao contrário. Significa dizer que. 13 da FA o Lei Federal n 8. Imaginemos. reza o art. 135.

O art. através da qual se permite à autoridade judiciária. no subitem 8. Vimos. mas ao próprio agente que os praticou. A melhor doutrina alerta que o efeito desse dispositivo restringe-se à operação específica. por solicitação da parte ou do Ministério Público. mas a mora injustificada. em conjunto com a sociedade. 1. que.015 e 1. o parágrafo único do mesmo artigo exige a materialização de uma das seguintes hipóteses: a) o . que colidiu com o contrato. 50 do Código Civil de 2002. que votaram contra ou abstiveram-se. 1. • DELIBERAÇÕES INFRINGENTES DO CONTRATO SOCIAL – pelo CONTRATO disposto no art. pelos atos que cometer antes de averbar o instrumento em separado de sua nomeação (sendo sociedade empresária. deste Capítulo. no item 4 deste Capítulo. • CASOS DE DESPERSONALIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA – vimos.2.080 do CC/2002. quando a empresa dispunha de recursos e o administrador optou por gastá-los em outras finalidades. não são afetados.1. • ATOS PRATICADOS PELOS ADMINISTRADORES – a parte do Código PRATICADOS destinada a regular as sociedades simples traz hipóteses de responsabilização de seus administradores. já mencionados no item “4” deste Capítulo. 1. afastar a autonomia patrimonial da empresa. admite-se a suplementação do assunto pelas normas disciplinadoras da sociedade simples. É justamente o que ocorre com os arts. Os demais.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 131 Série Impetus Provas e Concursos social.016. a aprovação de matéria contrária ao que dispuser o contrato social torna ilimitada a responsabilidade daqueles sócios que votaram a favor da deliberação. 1. o órgão é a Junta Comercial). Para tanto. havendo omissão em relação a algum tema das limitadas.012. quando a responsabilidade pelos atos ultra vires (aqueles que extrapolam os poderes do administrador) deve ser imputada não à pessoa jurídica.015 trouxe grande inovação. a fim de atingir diretamente os bens dos sócios que cometeram tais atos. ao positivar a Teoria da Aparência. O primeiro prevê a responsabilidade pessoal e solidária do administrador. não quitando dívidas fiscais junto à Fazenda Pública. a exemplo do art. Também servem à hipótese os casos de positivação da teoria. que é possível os sócios responderem por atos fraudulentos cometidos sob o manto da pessoa jurídica. É a Teoria da Despersonalização. O leitor deve observar que não é o simples atraso no pagamento que provoca a responsabilização pessoal do administrador.

seja na assembléia (obrigatória para as limitadas com número de sócios superior a dez) ou na reunião de sócios (facultativa para as limitadas com até dez sócios). todos os sócios deverão suportá-lo de forma proporcional à participação no capital social. através de relatórios apresentados ou. tem o sócio direito de afastar-se da sociedade. não mais compondo o quadro social. c) tratando-se de operação evidentemente estranha ao objeto social. não há qualquer respaldo legal nessa atitude. pois a sua parcela no capital social suplanta a soma das demais. b) a ciência da limitação por parte do terceiro. que se situa à margem do Direito positivo vigente. Esse é o objetivo maior do investidor e não pode ser tolhido sob pena de ineficácia da cláusula contratual. O art. tem-se observado que a TRABALHISTAS Justiça do Trabalho vem desconsiderando a limitação da responsabilidade para cobrar dívidas trabalhistas diretamente no patrimônio dos sócios. É comum a configuração de prejuízo e. • OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS – por último. sobre as questões de interesse social.016 previu a responsabilidade solidária dos administradores. perante a sociedade ou terceiros prejudicados. por atos praticados com culpa no desempenho de suas funções. Mas os direitos dos sócios não se resumem apenas à participação no resultado social: eles também têm a faculdade de decidir os destinos da pessoa jurídica. com direito de regresso contra seu administrador. Claro que nem sempre a sociedade apresenta lucro a ser distribuído. se um sócio é detentor de 51% do capital social. por meio de órgão criado para esse fim. que é o Conselho Fiscal. mesmo. Também se permite a fiscalização da gestão dos negócios. a pessoa jurídica assume a responsabilidade frente ao terceiro prejudicado. ou seja. Uma é vender suas quotas a outro . de existência facultativa nas limitadas. sócio que não desempenhe a gerência da sociedade pode fiscalizar as ações dos administradores. 8. colher frutos de seu investimento com o retorno do capital empregado.132 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel registro competente da limitação. 1. Caso contrário. Para tanto. Diferentemente das outras exceções. sua vontade normalmente irá prevalecer.4. neste caso. Em outras palavras. evidentemente. Por último. respeitar-se-á a participação no capital social de cada um. Direitos dos Sócios Aquele que resolve ingressar no quadro social de uma sociedade busca. deliberando. ele terá duas opções.4. Nessas decisões.

por falta grave. Nestas. antes mesmo de entrar para a sociedade. sócio de outra empresa). se forem declarados falidos (essa falência não é da pessoa jurídica aqui abordada. podemos afirmar que o Código Civil de 2002 dificultou a exclusão de sócio minoritário. deve o minoritário.031 o prazo de noventa dias para pagamento da quota liquidada. Sendo o contrato por prazo indeterminado. observar o contrato social. por incapacidade superveniente e. A outra possibilidade é chamada de direito de recesso e consiste na retirada do sócio. mesmo se a companhia for por prazo indeterminado. Prevêem os arts. vejamos matéria referente à exclusão de sócio minoritário. estranhos ao quadro social.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 133 Série Impetus Provas e Concursos sócio ou a terceiro interessado (neste caso. após seu ingresso. pela pessoa jurídica. a fusão ou a incorporação.085 do CC/2002 a possibilidade de exclusão de sócios minoritários. contado a partir da liquidação. por não existir qualquer óbice à alienação das ações a terceiros. 1. 1. ficará à mercê da vontade da maioria. O primeiro dispositivo trata da exclusão por ação judicial movida por sócios representantes da maioria do capital social. Também prevê o Novo Código a hipótese de exclusão extrajudicial de sócio por justa causa. não será necessária uma das hipóteses para o exercício do direito de recesso bastando recesso. sobretudo quando comparada às sociedades anônimas. do capital investido na empresa. Certa permissividade em relação ao direito de recesso explica-se pela relativa dificuldade imposta ao ingresso de novos sócios. mas na hipótese de o sócio ser empresário individual ou. quando houver previsão expressa no contrato. prevendo o parágrafo 2o do art. exige-se justo motivo quando a sociedade for contratada por prazo determinado. até. pois trouxe novas exigências para o ato. a manifestação de vontade do sócio. Contudo. situação em que só será permitida a retirada ao sócio dissidente de deliberação que aprove a modificação do contrato social.030 e 1. Basta ver a necessária previsão contratual para a exclusão extrajudicial. previstas na Lei das Sociedades Anônimas. por falta grave. mediante o reembolso. Para isso. mesmo. a fim de barganhar suas cláusulas. Isso porque. É por isso que se diz que o Novo Código procurou proteger o sócio minoritário contra abusos dos majoritários. A título comparativo. não pode haver oposição de mais de ¼ do capital social). desde que deliberada em assembléia ou reunião dos sócios. o exercício do direito de recesso está diretamente relacionado à ocorrência de situações fáticas. igualmente aprovada por maioria absoluta. omisso o contrato. Completando o tópico. .

desde o início da sociedade. Se. como em ato separado. o administrador-sócio foi nomeado no contrato social. De outra forma. que igualmente deverá ser averbado. o contrato deve explicitar se a gestão será exercida individualmente por cada um ou em conjunto. para haver nomeação através do contrato social. com o capital social sem estar completamente integralizado. conforme a prática vem consagrando nas limitadas. Sendo em momento posterior. ou contra a economia popular. Se for em ato separado.134 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8.5. a delegação dos poderes de gestão. . baixa para 2/3 dos votos representativos do capital social. ou a várias. mas sempre pessoa física (o CC/2002 vedou a gestão à pessoa jurídica). Administração da Limitada Com a entrada em vigor do Novo Código Civil. nem mesmo se houver previsão contratual. não como administrador da sociedade. exige-se aprovação de titulares de 3/4. a diretoria. no mínimo (para sócio). que proíbe os poderes de gestão àqueles condenados a penas que vedem. em se tratando de administrador que não seja sócio. Para administrador-sócio nomeado em ato separado. ainda que temporariamente. cuja alteração será averbada na Junta Comercial. sócio ou não. do capital social. será mediante termo de posse no livro de atas da administração. concussão. apenas. Por outro lado. deve ser nomeado no próprio contrato social ou em ato separado. Estando o capital já integralizado. se for o caso. que antes era possível. ou por crime falimentar. esse ato decorreu do consenso entre os demais sócios. o acesso a cargos públicos. A administração pode ser concedida a uma pessoa. não mais pode ser feita. parágrafo 1o. pode ser realizada tanto diretamente no contrato social. O administrador. sócio ou não. peita ou suborno. Para tanto. Se a nomeação processar-se por meio do contrato social. O que se permite é a constituição de procurador para representar o sócio em atos específicos relacionados aos seus direitos como cotista. Lembro que. A nomeação de administrador. peculato. Se omisso o contrato. não importa se a nomeação foi via contrato ou através de ato separado: o quórum exigido é a unanimidade. entende-se que a direção tocará individualmente a cada um. situação em que a eficácia dos atos dependerá da participação de todos. a administração da sociedade ou. deve o gestor assinar no próprio contrato. deixou de ser privativa de sócio. o quórum exigido é a maioria absoluta dos votos representativos do capital social. vale o disposto no art. 1. é necessário haver permissão contratual.011. do CC/2002. Nesta última hipótese. de prevaricação. em qualquer caso. ficando eles habilitados à prática de todos os atos que digam respeito à gestão empresarial.

assumirá a responsabilidade dos prejuízos sofridos pela sociedade. salvo se com ele forem coniventes.017. agindo com excesso. fé pública ou propriedade. se presente uma das seguintes situações: a) se a limitação de poderes estiver escrita ou averbada no registro próprio da sociedade.015). isso para não repetir todas as hipóteses já comentadas no item 8. o administrador não pode ser responsabilizado por atos regulares de gestão que necessariamente deve cometer para exercer a função. Sendo sócio. mas apenas em poder de regresso por parte da sociedade. Regularmente nomeados. não tentarem inibir sua prática. Importante realçar que a responsabilidade deve ser imputada ao administrador que cometeu o ato com culpa. Se. salvo estipulação contratual diversa (art. que prevê a exoneração da pessoa jurídica por ato ultra vires. no trato de determinado negócio. 1.016. os administradores podem praticar todos os atos que digam respeito à gestão social. que só poderá ser processada com autorização da maioria do capital social. Diferente é a responsabilidade do administrador por interesse conflitante. se negligenciarem em descobrir ou. ou mesmo com culpa em não atender aos seus deveres de diligência e lealdade com a pessoa jurídica. tais atos não podiam ser imputados diretamente ao administrador que os cometesse. contra as normas de defesa da concorrência. 1. 1. previdenciária e trabalhista dos administradores. contra a legislação de consumo. aquele que extrapola a competência legal do administrador. hoje o sistema legal brasileiro já prevê essa possibilidade. b) provando-se que era conhecida do terceiro. É a positivação da Teoria da Aparência. em detrimento do interesse da sociedade. pelo menos enquanto durarem os efeitos da condenação. antes. c) tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. não posso deixar de evidenciar a responsabilidade tributária.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 135 Série Impetus Provas e Concursos contra o sistema financeiro nacional. logicamente a depender da especificação dos poderes estipulada no contrato. perante a própria sociedade ou frente a terceiros prejudicados. No entanto. ou seja. Por último.5 deste Capítulo: . conforme prevê o art. Percebam que. Restrição existe para venda de bens imóveis. prevista no art. O mesmo dispositivo prevê oposição a terceiros dos excessos cometidos pelos administradores. e votando a favor de decisão que venha prejudicar a pessoa jurídica. ele pretender deliberação que o favoreça pessoalmente. É o que acontece se. não sendo extensiva aos demais. normalmente. quando não for do objeto social. já que esta assumiria a responsabilidade diante de terceiros. pode ser responsabilizado solidariamente com outros. tomando conhecimento.

se for em ato separado. que tem imputado aos administradores a responsabilidade por débitos de origem trabalhista. a menos que tenha agido com abuso de poder. A destituição de administrador-sócio que tenha sido nomeado no contrato social reclama aprovação de 2/3 do capital social. Quando se tratar de não-sócio. com órgãos de administração e fiscalização. e de mais da metade do capital social. o Código Civil de 2002 trouxe a forma como deve esse tipo societário organizar-se. 135. Cessa o exercício da função de gestão com a destituição ou com a renúncia. o ato deve ser averbado em até dez dias seguintes à ocorrência. enquanto as outras ficam com os negócios de importância relativa inferior. • trabalhista – a princípio. quando recursos tiver a sociedade. . que se materializa com a comunicação por escrito aos demais representantes da pessoa jurídica. Se. o administrador não deve responder por dívidas trabalhistas. no antigo Decreto no 3. violação do contrato ou da lei. que exigem um controle e uma organização muito mais complexos.136 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • tributária – o art. Isto porque as sociedades anônimas são mais apropriadas para grandes empreendimentos. III. a sociedade limitada possui estrutura bastante simplificada. o parágrafo único do mesmo artigo dispõe sobre a responsabilidade quando a omissão decorrer de culpa ou dolo. em se tratando de nomeação através do contrato. por débitos junto à Seguridade Social. permitindo-se estipulação contratual diversa. entretanto. Tendo sido em ato separado. Órgãos da Limitada Geralmente. Não é. que regulava as limitadas. quando comparada com as anônimas. Em todos os casos. a Diretoria. o que vem decidindo a Justiça do Trabalho. o quórum exigido para destituição é de 3/4 do capital social. será necessária aprovação de mais da metade do capital social. Sua eficácia perante terceiros terá validade a partir da averbação na Junta. temos a assembléia de quotistas. mas dos sócios da sociedade limitada. o Conselho Fiscal e. 8.6. Assim. Contudo. • previdenciária – o art. até o Conselho de Administração. não havia referência aos órgãos da sociedade. Em se tratando de administradores não-sócios. 13 da Lei no 8. do CTN prevê a responsabilização do administrador por dívidas tributárias não recolhidas.708/1919. se preferirem os sócios.620/93 prevê a responsabilidade não apenas dos administradores. A renúncia é ato volitivo do administrador. isso não impede que a limitada adote estrutura similar à das sociedades anônimas.

antes de atingido aquele. é preciso a sociedade constituir-se sob a regência de uma sociedade anônima. Forma-se com a participação dos quotistas e é obrigatória nas limitadas com número de sócios superior a dez (se inferior. as decisões podem ser tomadas em reunião de sócios Possui atribuições sócios). os membros do conselho deverão submeter-se aos mesmos requisitos . assim como para dissolução da sociedade por prazo determinado. pedido de concordata (foi substituída pela recuperação judicial ou extrajudicial) e incorporação. Para que suas decisões tenham validade. o quórum mínimo previsto na primeira convocação é de sócios representativos de 3/4 do capital social. sendo qualquer número em segunda convocação. raramente encontrado numa limitada. além dos membros do Conselho Fiscal. leia-se recuperação judicial ou extrajudicial). destituição de administrador não-sócio ou não-nomeado no contrato. social. para instalação. com o capital não totalmente integralizado. designação quando em ato separado e destituição dos administradores.101/05. Para tanto. modificação do contrato social. Realiza-se pelo menos uma vez por ano. fusão. dois terços do capital social para designação de administrador não– social. Nesta hipótese. é necessário respeitar número mínimo de sócios. quando nomeado pelo contrato social. Já as deliberações devem obedecer aos seguintes números: – unanimidade do capital social para designação de administrador nãosocial.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 137 Série Impetus Provas e Concursos • ASSEMBLÉIA DE QUOTISTAS – É órgão competente para decidir a QUOTISTAS estratégia geral dos negócios. fixação de suas remunerações. • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO – É órgão de existência facultativa. a exemplo da aprovação das contas dos administradores. sócio. autorização de concordata (a partir da Lei no 11. dissolução da sociedade contratada por prazo indeterminado ou cessação da liquidação. além de outros assuntos não previstos na lei. – maioria simples para a aprovação das contas dos administradores. – três quartos do capital social para modificação do contrato social. incorporação. Desta forma. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social.071 do CC/2002. sócio. simples. 1. tanto na instalação como nas deliberações. em ato separado. – maioria absoluta para designação de administrador sócio quando procedida absoluta. fusão e dissolução da sociedade. elencadas no art. com o capital já integralizado completamente e para a destituição de sócio administrador.

é necessária aprovação de mais da metade do capital social) ou não-sócios que administram a sociedade (neste caso. estando o capital social já integralizado). pelo menos. vejamos o quadro-resumo a seguir. cuja existência é facultativa. responsável por acompanhar os atos dos administradores. exige-se aprovação unânime dos demais. três membros. eleitos pela assembléia ou em reunião de quotistas. nem sejam seus empregados ou administradores. Os gerentes representam a sociedade e a obrigam pelos seus atos regulares de gestão. Compõe-se de. e de 2/3. e escolhidos entre sócios ou não. se em ato apartado. • DIRETORIA – Também chamada de gerência. Suas atribuições e poderes não podem ser outorgados a outros órgãos. com suplentes em igual número. se o capital não estiver todo integralizado. é composta por sócios (se eleitos no contrato social. . ou de outra por ela controlada. Para facilitar o entendimento. precisa da aprovação de 3/4 do capital social. Todos devem ser residentes no país. • CONSELHO FISCAL – É órgão de fiscalização dos negócios.138 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel exigidos para os da sociedade por ações. desde que tenham residência no país e não ocupem assento em outro órgão da sociedade.

Possui atribuições para opinar a respeito dos relatórios anuais dos administradores. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. as decisões podem ser tomadas em reunião de sócios Acontece sócios). podendo o contrato conferir ao conselho de administração poder originário da assembléia. Não se permite participarem membros de órgão de administração e empregados da pessoa jurídica. Suas decisões não têm força de obrigar a sociedade para com terceiros. responsável por executar seu objeto. além de parentes até terceiro grau dos administradores. 139 Série Impetus Provas e Concursos . dentre sócios ou não. todos sócios. com existência obrigatória. a fim de trazer agilidade às decisões. CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DIRETORIA CONSELHO FISCAL Capítulo 2 — Direito de Empresa Reunião de quotistas. são transferidas ao conselho. Órgão de fiscalização dos negócios da sociedade. ou cessação da liquidação. eleitos e destituíveis pela assembléia. É órgão máximo de deliberação. porém. 1. raramente encontrado numa limitada. eleitos e destituíveis pela assembléia. São eleitos pela assembléia. além de prestar parecer nas demonstrações financeiras. • autorizar a incorporação. Suas atribuições geralmente são originárias da assembléia. fiscalizando seus atos e denunciando irregularidades. • modificar o contrato social. podendo ser convocada em outra época qualquer. com permissão do próprio contrato. Colegiado de caráter deliberativo. com suplentes em igual número. Possui existência obrigatória em todas as sociedades limitadas com número de sócios superior a dez (até dez. destituir e aprovar as contas dos administradores e membros do conselho fiscal. Compõe-se de sócios ou não. cuja existência é facultativa. Compõe-se de um mínimo de três membros. Compõe-se de três membros. todos residentes no país.071 do CC/2002: • designar. Suas atribuições estão discriminadas no art. quando em ato separado. Seus atos obrigam a sociedade tanto interna como externamente. com existência facultativa. residentes ou não no Brasil. destinada a resolver todos os negócios de interesse da sociedade. • autorizar o pedido de concordata.CAMPUS ASSEMBLÉIA DE QUOTISTAS QUOTISTAS Órgão de representação da limitada. fusão e dissolução. Deve obedecer ao seguinte quórum: para instalação – 3/4 do capital social em primeira convocação e qualquer número em segunda. mas residentes no país. dentre outras.

ou dissolução antes do prazo determinado. que tenha sido nomeado no contrato social. que não tenha sido nomeado pelo contrato social. quando feita em ato separado. • maioria simples para aprovação das contas dos administradores.140 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos deliberação: para deliberação • 100% do capital social para indicar administrador não-sócio (quando o capital não estiver todo integralizado). • 3/4 para alterar o contrato social. • 2/3 para designação de administrador não-sócio. expulsão de sócio por justa causa e destituição de administrador. cessação da liquidação e dissolução da sociedade por prazo indeterminado. autorização de concordata. . incorporação e fusão. fixação da remuneração dos administradores. e demais assuntos que não exijam quórum qualificado. sócio ou não. no caso de o capital já se encontrar totalmente realizado e destituição de administrador sócio. • maioria absoluta para designação de administrador sócio.

Entretanto. S. fazem apelo ao público em geral. que pode ser uma escritura pública lavrada em cartório ou. Em qualquer caso. igual valor nominal.404/76. Tecelagem João Batista etc. em regra. constituiem-se a partir de um estatuto. reunidos em assembléia de fundadores. para sua composição.1.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 141 Série Impetus Provas e Concursos 9. Em decorrência da modalidade de subscrição do capital social. podendo ser qualquer um. Companhia Tecelagem João Batista. O objeto da sociedade anônima será definido em seu estatuto. Independentemente da opção escolhida. a título de homenagem. esta pode acontecer de duas maneiras: • por subscrição particular – quando a totalidade do capital social inicial é comprada apenas pelos fundadores. • por subscrição pública – quando acontece a oferta das ações ao público. O nome empresarial será apenas uma denominação. a companhia será sempre empresária. a ata da assembléia de constituição. a sociedade nasce: . poderão fazê-lo de duas formas. denominadas ações. Noutra. 9. Exemplo: Tecelagem João Batista S.A.2. Admite-se. pois o mais importante é o capital. Numa. Assim como as sociedades em comandita por ações. Constituição Quando duas ou mais pessoas pretenderem fundar uma sociedade anônima. Sociedades Anônimas Disposições Preliminares Tipo societário regulado pela Lei no 6. acompanhado de uma das expressões companhia ou sociedade anônima. 9. por isso.. mesmo. sendo por isso consideradas institucionais. a presença de nome de sócio fundador ou de outro que tenha contribuído com o sucesso da companhia. à ordem pública e aos bons costumes. Daí ser desnecessário alterar-se o estatuto social a cada ingresso ou exclusão de sócio. adquirem todo o capital social por eles mesmos fixado. ofertando à venda parte do capital social (ações) que eles não puderam ou não quiseram adquirir. por extenso ou abreviadas. Caracteriza-se por apresentar seu capital dividido em partes de. a companhia sempre terá início a partir de um documento escrito. ou com a participação de outros investidores. quando falamos da aquisição ou subscrição do capital social. não as qualidades pessoais dos acionistas. A impessoalidade dos sócios é própria desse tipo social. desde que não contrário à lei. sociedades de capital.A. não sendo possível impor barreiras ao ingresso de novos sócios. sendo alienado apenas aos fundadores. São.

pela qual a sociedade fica temporariamente com . ainda que emitam esses títulos. A bolsa é uma instituição de Direito Privado que facilita o intermédio. ficando adstritas a contatos pessoais com os compradores (a qualquer tempo a companhia pode passar de uma a outra categoria). mas a permissão para o oferecimento público). A Lei no 6. Importante o leitor perceber que o fato de a sociedade ser considerada fechada não significa que ela ou os titulares dos valores mobiliários não possam vendê-los a outrem Em absoluto. como ações. o art. Este compreende a bolsa de valores e o mercado de balcão. Já o mercado de balcão compõe-se das sociedades corretoras e instituições financeiras que. Aqui cabe uma digressão a respeito do Mercado de Valores Mobiliários. 4o da Lei das Sociedades Anônimas estabelece que as primeiras são as que têm seus valores mobiliários. o mercado de balcão opera com uma ou outra forma. igualmente. através de uma autarquia conhecida como Comissão de Valores Mobiliários (CVM). • aberta – com a oferta pública das ações. debêntures e bônus de subscrição. Poderão. enquanto a primeira não trabalha com novas ações emitidas pelas companhias (mercado primário). pois. por meio de agentes muitas vezes designados pelas pessoas jurídicas. assim como da unipessoalidade incidental (hipótese prevista tanto no Código Civil de 2002 como na Lei das Sociedades Anônimas. de títulos das companhias autorizadas pelo Governo Federal (não é autorização para funcionar. A bolsa e o mercado de balcão diferem quanto ao produto. mas realizado fora da bolsa. admitidos à negociação no Mercado de Valores Mobiliários. o que não é possível é as companhias assim classificadas outrem.142 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • fechada – com o capital social inteiramente nas mãos dos fundadores. Ao classificar as companhias entre abertas ou fechadas. mas sem o apelo popular. executam o trabalho de oferecimento público dos valores disponibilizados pelas sociedades anônimas. apenas com ações que se transferem de um acionista para outro (mercado secundário). pessoa jurídica nacional). posto ser o exercício da atividade livre a qualquer um que satisfaça as condições. enquanto as fechadas.404/76 previu ainda a necessidade de a companhia obedecer aos seguintes requisitos para correta constituição: • pluralidade de pessoas – é condição comum a todos os tipos de sociedades previstos no Direito brasileiro. processarem a oferta via mercado de valores mobiliários. tanto a sociedade como o dono da ação. à exceção da subsidiária integral (sociedade anônima cujo capital encontra-se totalmente nas mãos de um único acionista. aliená-la a qualquer interessado. não usufruem da mesma oportunidade.

Entretanto. por exemplo. • depósito bancário – a parte do capital social vendida à vista deverá ser depositada em instituição financeira autorizada pelo Banco Central do Brasil. temos: • arquivamento do ato constitutivo – o estatuto social deverá ser arquivado na Junta Comercial. o acionista só deixa de ser devedor da sociedade. não podendo a penalidade ser superior a dez por cento do valor da prestação. seja no momento de sua fundação ou em período posterior. Idêntico raciocínio pode ser construído para a segunda hipótese. mediante o pagamento do valor pactuado entre as partes. Como formalidade complementar à constituição. o sócio permanece devedor. que poderá acontecer até a próxima reunião da assembléia geral ordinária. continua responsável frente à sociedade. outra seria a aquisição de ações negociadas diretamente com outro acionista. sendo o negócio realizado a prazo. se em direitos.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 143 Série Impetus Provas e Concursos um único sócio. bens e direitos (sendo com bens. ou seja. de pleno direito. Em resumo. caso aquelas ações estejam sem a completa integralização (a lei prevê responsabilidade solidária entre vendedor e comprador dos títulos). quando for a sociedade regida pelo Código Civil). situação pela qual nenhuma obrigação mais poderia ser cobrada do subscritor. quando detentor de parcela do capital social que tenha sido totalmente realizada. Sócio que não cumprir a obrigação deverá. conforme fixação no estatuto.3. ser constituído em mora. no mínimo. pela satisfação do crédito). mesmo. Uma é subscrevendo parcela do capital da empresa. mesmo que tenha quitado sua obrigação com a parte alienante. 106. perante a sociedade. a transação pode ser efetivada com o pagamento à vista de numerários ou. conforme previsto no art. do aumento do capital social. Na primeira hipótese. pela quantia não realizada do capital social. sujeitando-se à cobrança de juros e multa. Deveres dos Acionistas Há duas formas de entrar para o quadro social de uma sociedade anônima. em se tratando de sociedade anônima. • realização de 10%. responsabiliza-se o subscritor por vícios na coisa. até o ingresso de outro. quando a sociedade for instituição financeira). se alguém comprar ações de outro sócio. 9. ou no prazo de cento e oitenta dias. quando. parágrafo 2o. . do capital subscrito – significa dizer que pelo menos 10% do capital subscrito deverão ser alienados à vista (50% é o percentual exigido.

em assembléia geral ou reunião do conselho de administração. mesmo se o seu ativo for insuficiente para saldar todas as suas dívidas. o preço de emissão das ações adquiridas.A. Outra opção posta à disposição da pessoa jurídica contra o acionista remisso é a venda das ações em bolsa de valores. 1. Não se confunde com qualquer outro valor atribuído às ações. enquanto que o efeito da desconsideração da pessoa jurídica atinge o(s) sócio(s) praticante(s) de ato(s) fraudulento(s). operação realizada por conta e risco do acionista. prevê o art. como a lealdade. para fins de ser ele considerado remisso. dentre outros. por sua vez. 107 da Lei das S. 9. da forma como acontece nas sociedades contratuais. como: 1 – resultado da divisão do capital social pelo número total de ações emitidas (valor nominal valor nominal). no próprio estatuto social. maioria de votos nas deliberações e usa seu poder para dirigir a companhia) solidariamente com os administradores. baseado em observações econômicas (valor econômico ou de mercado mercado). o débito é imputado ao acionista controlador (aquele que tem. 2 – resultado da divisão do patrimônio líquido pelo número total de ações (valor patrimonial valor patrimonial). são normalmente imputados aos administradores. o zelo e a correta utilização das informações sobre a companhia. a medida cabível é a redução do capital social. permanentemente. Responsabilidades dos Acionistas A responsabilidade dos acionistas é limitada ao preço de emissão das ações subscritas. É que estas podem ser valoradas de variadas formas. valor 5 – valor fixado pela própria sociedade (preço de emissão emissão).004 do CC/2002. O preço de emissão das ações. ficam isentos de responder perante terceiros pelas obrigações assumidas em nome da pessoa jurídica. junto à companhia.. Uma vez pago.144 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que a disciplina das sociedades anônimas dispensa a prévia notificação do sócio inadimplente. servindo o boletim de subscrição ou o aviso de chamada expedido pela companhia como título executivo. é fixado quando da fundação da companhia. preço . 4 – montante estipulado por analistas de mercado. que a sociedade pode promover execução contra o sócio remisso. conforme consta do art.4. Caso não obtenha sucesso. aspecto que estudaremos em tópico específico. Outros deveres. assim como o não-pagamento de obrigações trabalhistas ou previdenciárias. 3 – quantia acordada entre vendedor e comprador das ações (valor negocial valor negocial). Verificada a mora do acionista. ou depois. Neste último caso. São exceções a essa regra as hipóteses de desconsideração temporária da personalidade jurídica.

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Em que pesem as muitas maneiras de enxergar o valor de uma ação, serve à definição da responsabilidade do acionista o preço de emissão. É dele que se permitirá indicar a existência de acionista remisso (inadimplente com a sociedade). Observem que competente para decidir a respeito da fixação do preço de emissão é a própria sociedade, através de seus membros. Estes deverão estar atentos à avaliação que a companhia alcança no mercado, para não emitirem ações com preço muito acima (hipótese na qual dificilmente conseguiriam vendê-las) nem abaixo (para não provocar uma diluição do patrimônio dos demais sócios) do que realmente valem. 9.5. Direitos dos Acionistas

Os acionistas gozam de direitos atribuídos pela lei ou pelo estatuto. São prerrogativas do tipo: fiscalizar a gestão dos negócios, votar nas deliberações da assembléia, colher dividendos proporcionais ao capital investido etc. A fim de facilitar o entendimento, iremos separá-los em duas categorias. A primeira é composta pelos direitos essenciais (os que não podem ser suprimidos), ao passo que a outra compõe-se dos não-essenciais (podem ser suprimidos). Desta forma, são considerados direitos essenciais, segundo o art. 109 da Lei o n 6.404/76: • participação no lucro e acervo da companhia – permite-se a retenção de lucros produzidos pela sociedade, desde que atinja todos os acionistas. Quanto ao acervo, este só se verifica em momento posterior à liquidação, quando é apurada a sobra porventura existente; • fiscalização da gestão – veremos, em seguida, que a administração da sociedade é concedida aos membros da diretoria e, se houver, do conselho de administração. Essas pessoas têm atribuições de conduzir os negócios da sociedade, praticando atos em nome da pessoa jurídica, que trarão repercussões para a vida social. Aos demais acionistas cabe fiscalizar a atuação desses agentes, afinal seus investimentos estão em jogo. O órgão competente para tanto é o conselho fiscal. Mas o acionista não precisa ficar adstrito a ele. Pode acessar livros sociais (desde que titular de, pelo menos, 5% do capital social), observar a prestação de contas dos administradores, além de outros instrumentos; • preferência na compra de valores mobiliários – no momento em que a companhia resolver colocar à venda novas ações ou, mesmo, debêntures, partes beneficiárias e bônus de subscrição (conversíveis em ações), tais títulos devem ser oferecidos inicialmente aos acionistas, que terão prazo de trinta dias para se manifestarem. Só após esse tempo, sem que tenha sido aproveitada a preferência, é que podem ser ofertados a terceiros;

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• direito de retirada – também conhecido como direito de recesso. Consiste no pagamento, por parte da sociedade, ao acionista dissidente de deliberação da assembléia geral na qual tenha sido parte discordante. Não é qualquer decisão contrária ao seu posicionamento, mas aquelas previamente definidas em lei. Assim, se a assembléia deliberou a mudança do objeto social ou a participação em grupo de sociedades, por exemplo, permite-se ao acionista que votou contra retirar-se do quadro social, mediante o pagamento do valor patrimonial das ações, a ser feito pela própria pessoa jurídica. A essa operação confere-se o nome de reembolso. Observem que o exercício desse direito não depende de autorização dos outros sócios; basta a materialização da hipótese legal para o seu exercício. Além desses direitos essenciais, existem outros que, diferentemente dos primeiros, permite-se serem negados ao acionista. Serve como exemplo o direito de voto nas assembléias gerais, que pode ser proibido aos detentores de partes das ações preferenciais (é espécie de ação caracterizada por conferir aos seus titulares direitos diferenciados, como prioridade na distribuição de dividendos e no reembolso do capital investido, mas podem não dar direito a voto). Sobre o tema, o art. 120 prevê a supressão, por parte da assembléia geral, de direitos aos acionistas que se encontrem em débito para com a companhia. É claro que os direitos aqui referidos não podem ser nenhum dos considerados irrenunciáveis, mas outros, a exemplo do direito a voto aos acionistas ordinários. 9.6. Administração da Companhia

A condução dos negócios de uma sociedade anônima compete a dois órgãos componentes de sua estrutura. Um é a diretoria, cuja existência é obrigatória; outro é o conselho de administração, obrigatório apenas nas de capital aberto, nas sociedades de economia mista (aquelas nas quais a maior parte do capital social pertence ao setor público, enquanto outra parcela está nas mãos da iniciativa privada) e nas de capital autorizado (sociedades cujos estatutos contêm, além da definição do capital subscrito, uma autorização para futura subscrição e conseqüente aumento de capital). Nas demais, a existência de conselho de administração é facultativa, ficando a critério dos próprios acionistas decidir sobre a matéria. Ambos os órgãos compõem-se de pessoas naturais. Do conselho somente participam acionistas, enquanto que a diretoria pode reunir sócios ou não. Em todo caso, são esses agentes que irão efetivamente administrar a companhia, sendo, portanto, considerados seus administradores.

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Relacionado a esse tema, o ponto que desperta o maior interesse da doutrina é a definição da responsabilidade dos administradores. O art. 158 da Lei no 6.404/76 estabelece que os administradores não são responsáveis por atos regulares de gestão, ainda que tragam prejuízo à pessoa jurídica. Responderão, contudo, quando procederem com culpa ou dolo, mesmo que no âmbito de seus poderes, ou quando violarem a lei ou o estatuto social. É a chamada responsabilidade subjetiva do agente, diante da empresa prejudicada. Desta forma, durante o período em que está à frente dos negócios, o administrador precisa tomar decisões, celebrar contratos, realizar operações, muitas vezes definindo o destino da organização. Evidente que ele, mesmo se cercando dos cuidados e diligências necessárias, pode cometer erros de previsão, quando determinado resultado seja aquém do esperado. Nesta hipótese, ainda que seu ato incorra em dano patrimonial à companhia, ele não fica obrigado a indenizá-la. Entretanto, se agiu irregularmente, extrapolando os limites de seus poderes, ou, mesmo, de forma negligente, imprudente ou com imperícia, ou, ainda, buscando aquele resultado danoso, estará passível de indenizar a sociedade, mediante ação de responsabilidade civil prevista no art. 159, interposta pela própria companhia, após deliberação da assembléia geral. Na inércia da pessoa jurídica, permite-se a qualquer acionista a iniciativa pela ação, desde que decorridos três meses da assembléia que deliberou pela sua impetração. Outrossim, ainda que contrária à decisão da assembléia, acionistas que representem pelo menos 5% do capital social poderão fazê-lo. Complementa a exegese do art. 158 a responsabilidade por omissão no cumprimento de deveres impostos por lei para assegurar o correto funcionamento da companhia. Significa dizer que o administrador que não providenciou determinada licença junto a um órgão público, por exemplo, pode responder perante a sociedade por prejuízo sofrido pela pessoa jurídica, oriundo da ação governamental no exercício de seu poder de polícia. Neste ponto, o mesmo art. 158 em análise faz uma diferença quanto às sociedades fechadas ou abertas. Sendo companhia de capital fechado, a responsabilidade pelo descumprimento de dever imposto por lei é solidária por todos os administradores, ainda que de áreas de atuação que não digam respeito especificamente àquela onde se deu a omissão. Escapa da responsabilidade o administrador de outra área que consignar, em ata de reunião do órgão do qual participe, sua divergência em relação à atuação omissiva. Por outro lado, em se tratando de sociedade de capital aberto, a solidariedade alcança apenas os administradores que tenham funções correlatas. Livram-se estes se consignarem em ata de reunião do respectivo órgão, desde que comuniquem a divergência à assembléia geral.

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Conclui-se que os administradores de sociedade de capital fechado devem ficar ainda mais vigilantes em relação à atuação dos demais, já que correm risco de responder solidariamente por omissões dos outros. Percebam que a responsabilidade tratada neste tópico é do administrador perante a companhia da qual participe, não diante de terceiros prejudicados. Isso acontece porque, na disciplina da Lei da Sociedades por Ações, não há previsão de o administrador de sociedade por ela regida responder diretamente por danos provocados a terceiros decorrentes de atuação sua. Seguindo aquele diploma, é a pessoa jurídica quem tem obrigação de ressarcir terceiros prejudicados, cabendo-lhe direito regressivo contra o administrador, desde que configuradas hipóteses legais. No entanto, a partir do que estabelece o art. 1.089 do Código Civil, que prevê a regência supletiva das disposições do código para as sociedades anônimas, o art. 1.015 veio suprir uma lacuna da Lei no 6.404/76, ou seja, da combinação de ambos possibilita-se a responsabilização direta do administrador que provocou danos a terceiros, conforme exposto no item específico tanto das sociedades simples como das limitadas. 9.7. Órgãos da Companhia

Na busca em realizar seu objetivo, a sociedade anônima necessita estar organizada, com suas funções distribuídas por órgãos específicos, assim conhecidos: • ASSEMBLÉIA GERAL – reunião dos acionistas competentes para resolver todos os negócios de interesse da companhia. Pode ser: ordinária – acontece sempre nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, para tratar de assuntos rotineiros, relacionados no art. 132, quais sejam: tomar as contas dos administradores e votar as demonstrações financeiras, deliberar sobre destinação do lucro e distribuição de dividendos, eleger administradores e membros dos conselho fiscal, além de aprovar a correção da expressão monetária do capital social; extraordinária – acontece a qualquer época, servindo para decidir temas não-rotineiros, tais como: reforma do estatuto, transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, autorização aos administradores para confessar falência ou pedir concordata (esse instituto foi substituído pela recuperação judicial ou extrajudicial), criação de partes beneficiárias, entre outros. Geralmente diz-se que os assuntos concernentes à AGE são determinados por exclusão, ou seja, não sendo nenhum daqueles discriminados no art. 132, compete à assembléia extraordinária.

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Para a legalidade das deliberações de uma assembléia, existem certas formalidades a serem seguidas, como forma de convocação, lavratura das atas e número mínimo de acionistas. O quantitativo de presentes é importante em dois momentos. No primeiro, avalia-se a presença de acionistas para iniciar a reunião. Depois, a quantidade necessária à aprovação das matérias. Logo, tem-se que respeitar os seguintes quóruns: para instalação – a regra geral é a presença de acionistas que representem pelo menos 1/4 do capital social com direito a voto, na primeira convocação. Não atingido esse número, vale qualquer percentual em segunda convocação. Se o objeto da reunião for a reforma do estatuto, eleva-se a representatividade do capital social a 2/3, pelo menos, na primeira convocação, sendo qualquer número na segunda; para deliberação – a regra geral é a maioria dos acionistas com poder de voto presentes à reunião, respeitada a proporcionalidade de participação no capital social de cada um. Versando o assunto sobre matérias constantes do art. 136 da Lei no 6.404/76 (fusão, cisão, participação em grupo de sociedades, mudança de objeto etc.), é necessário voto da metade representativa do capital social. Unanimidade será necessária para aprovar a transformação da companhia, salvo se prevista no estatuto. • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO – órgão de deliberação colegiada obrigatório nas S.A. de capital aberto, de capital autorizado e nas de economia mista. Compõe-se de, pelo menos, três membros, todos sócios, segundo o caput do art. 146 da Lei das Sociedades Anônimas, residentes ou não no país, eleitos e destituíveis pela assembléia. O art. 142 elenca as atribuições desse órgão, dentre elas: eleger e destituir diretores, fixando suas remunerações; promover orientação geral dos negócios e fiscalização da gestão dos diretores, além de deliberar, quando autorizado pelo estatuto, a emissão de ações e bônus de subscrição. A finalidade da existência do conselho é conferir maior agilidade a decisões originárias da assembléia, porém não-privativas, repassadas por delegação. • DIRETORIA – é órgão de representação da companhia, além de ser responsável pela execução de seu objeto. Compõe-se de, pelo menos, dois membros, acionistas ou não, mas com residência no país, eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo conselho de administração ou, se não houver, pela assembléia. Na sua composição, admite-se até um terço dos membros do conselho de administração. São eles que irão efetivamente administrar a companhia.

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• CONSELHO FISCAL – órgão de fiscalização dos negócios da empresa, com atribuições previstas no art. 163, dentre elas, opinar sobre relatório anual da administração, fiscalizar atos dos administradores; denunciar aos órgãos de administração erros, fraudes ou crimes que descobrirem etc. Compõe-se de, no mínimo, três a, no máximo, cinco membros, além de suplentes em igual número, eleitos pela assembléia, entre acionistas ou não (não podem participar integrantes de outros órgãos da administração). Pode funcionar de forma permanente ou apenas nos exercícios nos quais houver pedido de acionistas (nas sociedades de economia mista, seu funcionamento é permanente). O quadro na folha seguinte facilita a compreensão da matéria.

CAMPUS

ASSEMBLÉIA GERAL

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DIRETORIA CONSELHO FISCAL

Capítulo 2 — Direito de Empresa

Reunião de acionistas da companhia. É órgão máximo de deliberação, podendo o estatuto conferir ao conselho de administração poder pertencente à AG, menos os descritos no art. 122, por serem de sua competência privativa, tais como: reforma do estatuto, eleição no conselho fiscal, emissão de debêntures etc. Pode ser: ordinária – acontece sempre nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, para tratar de assuntos rotineiros descritos no art. 132, como tomar contas dos administradores, votar as demonstrações financeiras, deliberar sobre destinação do lucro, eleição dos administradores e membros do conselho fiscal; extraordinária – realizada em qualquer época para tratar de temas não-rotineiros, como reforma do estatuto, emissão de debêntures e partes beneficiárias, mudança de objeto, transformação, autorização aos administradores a confessar falência ou pedir concordata etc.

Colegiado de deliberação, com existência facultativa, salvo nas sociedades anônimas de capital aberto, de capital autorizado e nas de economia mista. Suas atribuições estão no art. 142 da Lei das S.A. Geralmente, são originárias da assembléia geral, porém, a fim de trazer agilidade às decisões, são transferidas ao conselho, com permissão do próprio estatuto, senão, vejamos: deliberar sobre a emissão de ações e bônus de subscrição (exigível autorização estatutária), orientação geral dos negócios, eleição e destituição dos diretores, além de auditores independentes, se houver. Suas decisões não obrigam a companhia para com terceiros. Compõe-se de três membros, todos sócios, residentes ou não no Brasil, eleitos e destituíveis pela assembléia geral.

Órgão de representação da companhia, obrigatório em todas as sociedades anônimas, responsável pela execução de seu objeto. Seus atos obrigam a companhia, tanto interna como externamente. Compõe-se de, pelo menos, dois membros, acionistas ou não, residentes no país, eleitos e destituíveis pelo conselho de administração ou pela assembléia geral. O mandato é de três anos, permitida a reeleição.

Órgão de fiscalização dos negócios da companhia, obrigatório em todas as sociedades anônimas, mas de funcionamento permanente facultativo, salvo nas de economia mista. Sua função é opinar a respeito dos relatórios anuais dos administradores, fiscalizando seus atos e denunciando incorreções, além de prestar parecer nas demonstrações financeiras. Compõe-se de três a cinco membros, com suplentes em igual número. São eleitos em assembléia geral, dentre acionistas ou não, mas residentes no país. Não podem participar do conselho membros de órgão de administração, empregados da companhia ou parentes até terceiro grau dos administradores.

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vale qualquer número. são 2/3 do capital social votante. 136. Direito Comercial — Carlos Pimentel . para deliberação – a regra é a maioria dos acionistas com poder de voto presentes à reunião. Unanimidade é para a aprovação de transformação. salvo se houver no estatuto.152 Série Impetus Provas e Concursos O quórum obedece às seguintes regras: para instalação – em primeira convocação. Em segunda. Para reforma do estatuto. Excetuam-se as hipóteses do art. passando à metade do capital social com direito a voto (em ambos se respeita a participação de cada sócio no capital social). e qualquer número em segunda. 1/4 do capital social com direito a voto.

Esse ato possui natureza impositiva. começa a pagar aos sócios valores que somente seriam devidos quando partilhassem o acervo social. se autorizado pela assembléia geral. posto que. São quatro os tipos de papéis: ações.8.. obrigatoriamente os valores individuais serão iguais (não se permite a emissão de ações por preço inferior ao seu valor nominal. com redução ou não do capital social. decidir os destinos da companhia. prevendo sua futura liquidação.8. a fim de retirá-las definitivamente de circulação. O titular de uma ação de qualquer espécie. exceto em algumas situações muito especiais previstas nos arts. confere-se às sociedades por ações o direito de emitir e alienar títulos no mercado. à sociedade proíbe-se negociar com ações por ela emitidas.A. ordinárias ou preferenciais.1. Conceito A fim de captar recursos. Uma vez negociados. inclusive. não pode haver redução do capital social. • amortização – é o adiantamento feito a acionista participante do acervo social cujas ações. em se tratando de companhia aberta. se a sociedade for fechada. que vai estabelecer se elas terão ou não valor nominal. Valores Mobiliários 9. desde que já se encontre com um percentual mínimo de 30% de integralização. a finalidade é reduzir a pulverização do capital social. sob pena de nulidade do ato).8. partes beneficiárias e bônus de subscrição. são substituídas pelas de gozo ou fruição. podendo. ou até tornar a companhia fechada. trata-se de uma distribuição de quantias em favor dos acionistas a título de antecipação. Aqui. senão vejamos: • resgate – através dessa operação. a sociedade adquire ações pertencentes aos sócios. No entanto. além de ser proprietário de um bem de fácil negociação. debêntures. Se tiverem. 9. Na realidade. pelo menos na regra geral. . observando disciplinamento do estatuto. a lei nega a possibilidade de a companhia adquirir dos sócios suas próprias ações.2. Ações São unidades do capital social e seu número será fixado pelo estatuto da companhia. ou 10%. Para essa operação. Esses papéis constituem verdadeiros instrumentos na canalização de numerário necessário à realização do projeto empresarial. posto que a sociedade. torna-se acionista da sociedade. estudadas adiante. 44 e 45 da Lei das S. Não há qualquer óbice ao direito de o acionista vender suas ações. o acionista não pode opor-se a ele.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 153 Série Impetus Provas e Concursos 9. Em outras palavras. seus novos adquirentes passam a titularizar direitos frente à empresa.

que não poderá ser superior a três exercícios consecutivos. sem direito a voto. De outra forma. no mínimo. pelo menos. Nesta condição. necessariamente. além do direito de voto. reduz-se o capital social. pelo prazo fixado no estatuto. O parágrafo 2o do art. conferem prioridade na distribuição de dividendos. garantindo-se. limitou em 50% do número total de ações emitidas o quantitativo de ações preferenciais sem direito a voto ou com restrição nesse direito. nesse caso. Sua propriedade confere direitos de participação nos lucros e acervo da companhia. O valor do reembolso poderá ser pago à conta de lucros ou reservas. O art. Ocorre quando ela adquire tais títulos para permanência em tesouraria. enquanto o restante fica em igualdade de condições com as ordinárias. exceto a legal e. suprimem-se direitos inerentes ao titular das ações. ações preferenciais sem direito a voto ou com restrição desse direito somente podem ser admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários se a elas for atribuído pelo um dos seguintes direitos: a) aos dividendos distribuídos correspondentes a. 15 da Lei das S. Significa afirmar que é facultado às companhias emitirem até a metade de suas ações. b) ao . aqui entendidas de todas as espécies. 3% do valor do patrimônio líquido da ação. com recursos provenientes dos lucros ou reservas. Faculta-se ainda terem poder de voto. fixos ou mínimos. 202. Só que a metade sem esse direito deverá. não ordinárias. e no reembolso do capital social. • preferenciais – além de outros direitos definidos na lei. 111 garantiu aos acionistas preferenciais sem direito a voto a aquisição desse direito quando.A. neste período. calculado na forma do art. São espécies de ações: • ordinárias – são de existência obrigatória em todas as sociedades por ações. os acionistas não forem substituídos. a sociedade não pagar dividendos fixos ou mínimos. Se. prerrogativa que conservarão até que tais pagamentos sejam feitos.154 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • reembolso – é a operação pela qual a sociedade adquire ações de sócio que esteja praticando o direito de recesso (ver item 9. • ações em tesouraria – é outra forma de a sociedade negociar com suas próprias ações. 25% do lucro líquido. tais como voto na assembléia e recebimento de dividendos. ser composta de preferenciais. as ações reembolsadas ficarão em tesouraria pelo prazo máximo de cento e vinte dias. e com prioridade no recebimento.5 deste Capítulo).

faz-se registro no mesmo livro. • de gozo ou fruição – apesar do pouco uso. pois. e sua propriedade importa em registro no Livro de Ações Nominativas. . ou c) de serem incluídas na oferta pública de alienação de controle. no registro próprio. os arts. 34 admite a emissão de ações a serem mantidas em conta de depósito aberta em nome do acionista. que previam a emissão de ações endossáveis e ao portador. De outra forma. são empregadas na substituição de ordinárias ou preferenciais. conforme a doutrina vem consagrando. o art. parágrafo 1o. Permite-se a divisão das ações em classes.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 155 Série Impetus Provas e Concursos recebimento de dividendo. pelo menos 10% maior que o atribuído a cada ação ordinária. Na verdade. a pessoa jurídica amortiza parte de sua dívida com os acionistas. as quais podem ser escriturais ou. 32 e 33. assegurado o dividendo pelo menos igual ao das ações ordinárias. O art. que todas as ações devem ser nominativas. consta o nome do proprietário. pois são mantidas em conta de depósito numa instituição financeira autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários. de acordo com os direitos que conferem a seus titulares. A circulação delas se processa por meio de lançamento contábil na conta específica. respeitando-se os mesmos direitos que eram concedidos às substituídas. registradas. ao mesmo tempo em que retira de circulação ações de sua emissão. 254-A. de sorte que as ações ordinárias das sociedade anônima de capital aberto devem atribuir a seus titulares o mesmo conjunto de direitos.021/90. Na forma. Quando são alienadas. emitem-se ações de gozo ou fruição. as ações podem ser: • nominativas – possibilitam a identificação de seus titulares. o art. quando a companhia resolver antecipar aos titulares desses dois tipos de ações valores a que eles só teriam direito por ocasião da liquidação da sociedade. prevê como forma das ações apenas as nominativas. 20. as ações dessa forma também são nominativas. portanto. vedando-se a separação por classes. Contudo. por ação preferencial. restringiu tal separação às ações ordinárias de companhia fechada e às preferenciais da companhia aberta ou fechada. 15. Para que os beneficiários não fiquem sem títulos representativos da pessoa jurídica. Conclui-se. além da transferência da cártula. inclusive. Nesta situação. Sua principal finalidade é a redução de papéis na companhia. No entanto. foram revogados pela Lei no 8. • escriturais – são aquelas que não possuem certificados. nas condições previstas no art. pertencente à sociedade.

seu proprietário simplesmente não terá valor a reclamar.8. acionistas (como vantagem adicional de classes de ações) ou a prestadores de serviços (por retribuição de trabalhos realizados).8. 16 que podem ser de classes diversas em função de: a) conversibilidade em ações preferenciais.4. apesar de sua escritura de emissão poder prever a conversibilidade em ação. 9. Proíbe-se. cuja propriedade confere direito de crédito contra a companhia pois representam verdadeiros companhia. No entanto. A deliberação para emissão de debêntures é de competência privativa da assembléia geral e o valor total da emissão não pode ser superior ao capital social. mas credor da sociedade. c) direito de voto em separado para o preenchimento de determinados cargos de órgãos administrativos. desde que autorizada pela assembléia geral. inciso IV. 46. . Proíbe-se ao seu titular exercer direito privativo de acionista. haver mais de uma classe ou série de partes beneficiárias (art. O debenturista não é sócio. e 59. contudo. parágrafo 4o). Se a sociedade não apresentar resultado positivo. prevê o art. empréstimos feitos por ela junto ao público.3.156 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em se tratando de ações ordinárias de companhias fechadas. b) exigência de nacionalidade brasileira do acionista. desde que previsto no estatuto e mediante capitalização de reserva criada para esse fim. Caracterizam-se por ser estranhas ao capital social e por conferir aos seus proprietários direito de crédito apenas eventual contra a companhia ou seja. Partes Beneficiárias Constituem outra categoria de títulos emitidos pelas sociedades anônimas de capital fechado. Debêntures São títulos igualmente emitidos pelas sociedades anônimas. parágrafo 1o. 9. permite-se sua conversão em ação. Em se tratando de debêntures sem garantia ou subordinada. conforme a combinação dos arts. com intuito de amealhar recursos para seu caixa. direito de um titular desse título é contra parcela de lucro da companhia (não se permite comprometimento de percentual superior a 10% no pagamento de partes beneficiárias). o companhia. 122. ou podem ser atribuídas gratuitamente a fundadores. As partes beneficiárias podem ser alienadas pela companhia. a atribuição para emissão pode ser delegada ao conselho de administração.

• sem garantia – não gozam de qualquer privilégio.5. . 9. Não se trata. na ordem de subordinada prioridade de satisfação dos créditos. assim como é a deliberação a respeito de debêntures e partes beneficiárias. até determinado limite de autorização). hipoteca. mas pode ser atribuído gratuitamente como vantagem adicional a titulares de debêntures. estes gozam do direito de preferência para adquirir o bônus. ficando seu titular situado na mesma situação dos credores quirografários.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 157 Série Impetus Provas e Concursos O art. Apesar de não ser uma faculdade restrita aos acionistas. • subordinada – esta espécie aparece ainda abaixo da anterior. Se alienado. seu adquirente deverá desembolsar o preço fixado. sendo também conhecida por subquirografária. A deliberação para sua emissão compete à assembléia geral. 53 permite a emissão de debêntures de mais de uma série. Há quatro espécies desse título: • com garantia real – conferem a seu titular uma segurança maior no recebimento de seu crédito. em função dos direitos conferidos ao titular. Na verdade. posto estarem garantidas por um direito real (penhor. é uma forma de seu titular garantir prioridade na aquisição de novas ações. Bônus de Subscrição Esse título pode ser emitido toda vez que a sociedade resolver lançar novas ações no mercado. quando seu titular terá seu crédito classificado junto a outros com privilégio geral geral. em caso de falência. se o estatuto não atribuir tal aptidão ao conselho de administração. ele será apresentado simultaneamente ao pagamento do percentual mínimo do preço de emissão das ações. ações ou partes beneficiárias. anticrese) sobre determinado bem. • com garantia flutuante – a maior garantia desta espécie só se materializa em caso de falência da sociedade emissora. É de uso exclusivo das companhias de capital autorizado (aquelas em cujo estatuto já consta previsão para futuro aumento do capital subscrito.8. Por ocasião da subscrição das novas ações. portanto. de competência privativa da assembléia. Normalmente é alienado pela companhia.

os Livros de Registro e Transferência de Ações Nominativas. pessoas físicas ou jurídicas. 100. ainda sobre o acesso à escrituração da companhia. 9. a diretoria da companhia fará elaborar as seguintes demonstrações financeiras. b) Transferência de Ações Nominativas. por exemplo.158 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9. previstas no art. Livros Sociais Além do Livro Diário. porque há aquelas que não possuem conselho de administração ou que não emitem partes beneficiárias. devem se destinar à defesa de direitos e ao esclarecimento de situações de interesse pessoal ou dos acionistas ou do mercado de valores mobiliários. obrigatório a todos os empresários. cabe ao interessado recurso à Comissão de Valores Mobiliários. Evidente que nem todos esses livros são de uso obrigatório a todas as companhias. Para tanto. 176: . tornou obrigatória às sociedades anônimas a manutenção dos seguintes livros: a) Registro de Ações Nominativas. a Lei no 6. conseqüentemente. c) Registro de Partes Beneficiárias Nominativas e Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas.404/76. dispensam tal escrituração. d) Atas das Assembléias Gerais. e de Registro e Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas podem ser substituídos por registros mecanizados ou eletrônicos A respeito do acesso às informações constantes dos livros. e) Presença dos Acionistas. e. Em se tratando de companhias abertas. prevê o art. ordenada judicialmente. g) Atas e Pareceres do Conselho Fiscal. Na hipótese de indeferimento do pedido. De outra forma. especialmente em seu art. a pedido de acionistas que representem 5% do capital social. f) Atas das Reuniões do Conselho de Administração e Atas das Reuniões da Diretoria. 100 garante a qualquer pessoa o fornecimento de certidões dos assentamentos constantes dos livros citados no parágrafo anterior. Demonstrações Financeiras Ao final de cada exercício social. conforme exposto no item 11 do Capítulo 1. 105 a exibição por inteiro dos livros da companhia.10. permitindo-se à companhia cobrar o custo do serviço. quando apontados atos violadores da lei ou do estatuto. o parágrafo 1o do mesmo art.9. Sim. ou haja fundadas suspeitas de graves irregularidades na atuação dos órgãos da sociedade.

11. posta no art. aquisição de ativo imobilizado. os dividendos. indicando basicamente as fontes dos recursos. ninguém ingressa no quadro social de sociedade pensando em perder. passivo e patrimônio líquido da companhia. Reservas e Dividendos 9. a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. até chegar no lucro ou prejuízo líquido do período.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 159 Série Impetus Provas e Concursos a) balanço patrimonial. indicando o saldo do início do período. Lucros. dispostas na ordem decrescente do grau de liquidez.11. 9. seja no pagamento de dividendos. um instrumento capaz de expor as modificações na posição financeira da companhia. a partir da discriminação das receitas e despesas. igualmente classificadas em ordem decrescente de exigibilidade. as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício. O balanço patrimonial deve apresentar as contas de ativo. os ajustes dos exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial. Por último. assim como da utilização dos mesmos. além das transferências para reservas. o legislador deixou claro que as pessoas que dela resolvem participar o fazem na intenção de partilhar o resultado obtido. É claro que esse pode ser aquém do esperado ou. c) demonstração do resultado do exercício. quando todos terão que suportar proporcionalmente a perda. mesmo. a exemplo do lucro do exercício. b) demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. . negativo. a demonstração das origens e aplicação de recursos. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados reflete o desempenho social. redução do passivo etc.1. A demonstração do resultado do exercício exprime o resultado positivo ou negativo da companhia. No passivo estão contabilizadas as obrigações. pois é da essência daquela pessoa jurídica a busca pelo lucro. É no ativo que se localizam as contas representativas de bens e direitos da companhia. d) demonstração das origens e aplicações de recursos. Já o patrimônio líquido representa o resultado da equação do ativo subtraído do passivo. 981 do Código Civil.Disposições Preliminares Na definição de sociedade. Contudo. da realização do capital social ou dos recursos de terceiros.

do art. Somente após todas essas reduções. parágrafo único). antes de qualquer outro encaminhamento. 193 permite a não-constituição da reserva legal naquele exercício em que o seu saldo. o parágrafo 1o. f) reserva de capital. basta somar o saldo de ambas as reservas constantes do patrimônio líquido e comparar o montante com o capital social. está a companhia desobrigada de destinar parte do lucro para a reserva legal. Os arts.2. 193 a 200.A. será este último montante o seu limite máximo. Isso acontece por várias razões. No entanto. se o produto da aplicação desse percentual sobre o lucro líquido ultrapassar o valor equivalente a 20% do capital social.11. trazem as formas de reservas a serem constituídas por companhia. nessa ordem. Do que sobrar após a feitura dessa equação. exceder em 30% o capital social. havendo prejuízo no exercício. este será absorvido pelos lucros acumulados. 189. nessa ordem (art. Portanto. serão deduzidos os prejuízos acumulados e a provisão para Imposto de Renda. Constitui-se com a destinação obrigatória de 5% do lucro líquido. chega-se ao lucro líquido do exercício. e) reserva de lucros a realizar. A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social. explicitando natureza e modo de criação. senão vejamos: a) reserva legal. 189 da Lei das S. da Lei das S. b) reservas estatutárias. .160 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Partindo dessa premissa. c) reservas para contingências. administradores e partes beneficiárias.A.Reservas As reservas são justamente a parcela do lucro líquido do exercício não distribuída aos acionistas. base para a constituição das reservas e pagamento de dividendos aos acionistas. 190 a necessária dedução das participações estatutárias de empregados. conforme a natureza da reserva. De outra forma. É por essa razão que somente pode ser usada para compensar prejuízos ou aumentar o capital social. Por lado. antes de qualquer participação. somado com as reservas de capital referidas no parágrafo 1o do art. estabeleceu que. Sendo a soma superior ao capital social em 30%. do resultado do exercício. d) retenção de lucros. 9. o art. prevê o art. 182. pelas reservas de lucros e pela reserva legal.

que os recursos que ingressarem na companhia a título de: a) ágio na emissão de ações. prevê o art. A criação dessa reserva é feita pela assembléia geral. previu o art. somente irão ingressar no caixa da sociedade em exercícios futuros. b) produto na alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição. A diferença entre um e outro valor será a soma da reserva. pelo menos até não prejudicar a distribuição de dividendos obrigatórios aos acionistas. Uma vez constituídas as reservas de capital. de que trata o art. c) resgate de partes beneficiárias. . parágrafo 5o. e) pagamento de dividendo a ações preferenciais. c) prêmio recebido na emissão de debêntures. seria temerário à sociedade distribuí-los a partir de recursos que efetivamente ainda não deram entrada. mas a criação é feita por meio do estatuto social. da mesma forma que as reservas estatutárias. a fim de evitar abalo em sua saúde financeira. 202. apesar de obrigada ao pagamento do dividendo legal aos acionistas. as reservas de capital. não pode prejudicar o pagamento dos dividendos mínimos obrigatórios. d) incorporação ao capital social. nos termos do art. 200 que somente podem ser utilizadas: a) na absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros. d) doações recebidas e subvenções para investimento.. têm previsão na lei. que são formadas por contas que. o art. em exercício futuro. embora contabilizados. 182.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 161 Série Impetus Provas e Concursos As reservas estatutárias. por proposta dos órgãos de administração e. Originam-se na conformidade das necessidades da companhia. a exemplo da reserva destinada ao pagamento de debêntures. Desta forma. conforme o nome sugere. 17. por proposta dos órgãos de administração e. Na verdade. depende de deliberação da assembléia geral. no exercício em que deixarem de existir as razões de sua criação ou que ocorrer a perda. se previstas tal vantagem no estatuto social. parágrafo 1o. 197 que a companhia pode constituir esse tipo de reserva naqueles exercícios em que o dividendo mínimo obrigatório for superior à parcela realizada do lucro. As reservas de lucros a realizar são aquelas formadas em função de lucros que. 198 limita a formação desse tipo de reserva. da Lei das S. reembolso ou compra de ações. b) no resgate. dispõe o art. por ocasião de futuros prejuízos. conforme dispõe o art. As reservas para contingências são criadas para compensar. possuem alguma relação com ele. cujo valor possa ser estimado.A. Para tanto. a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável. apesar de não integrarem o capital social da sociedade. Desta forma. sejam todos destinados à formação das reservas de capital. 202. Por fim. é uma atitude prudente por parte da sociedade. Desta forma. será revertida. Apesar da faculdade conferida. A sociedade pode proceder à retenção de lucros para investimentos.

mesmo. a lei criou os dividendos obrigatórios. estes não poderão ser inferiores a 25% do mesmo lucro líquido ajustado. De outra forma. se coniventes.11. devendo repor ao caixa social a importância distribuída. São elas: a) sendo a companhia aberta ou fechada. Já os acionistas que os tenham recebido de boa-fé não são obrigados à devolução. Desta forma. o art.Dividendos Podem ser conceituados como a parcela do lucro líquido da companhia que será destinada ao pagamento dos acionistas. reduzir-lhes seu valor. 202 determina a destinação para pagamento de dividendos de metade do lucro líquido do exercício. por deliberação da assembléia geral. 201. a serem fixados no estatuto da companhia. b) em se tratando de companhia fechada. porém. Se o fizerem. não podem os administradores determinar o pagamento de dividendos naqueles exercícios nos quais a sociedade apresente prejuízo e não disponha daquelas reservas previstas no caput do art. 202. igualmente por deliberação unânime da assembléia geral. 201 determina que somente pode haver pagamento de dividendos à conta do lucro líquido. Pelo parágrafo 2o do art. diminuído ou aumentado dos seguintes valores: (-) importância destinada à formação da reserva legal. c) se a companhia for aberta.3. Dividendos Obrigatórios A fim de preservar o interesse dos acionistas minoritários contra abusos dos que detêm o poder de controle na companhia. (+) reversão das reservas de contingência formadas em exercícios anteriores. há hipóteses nas quais a companhia pode deixar de pagar os dividendos obrigatórios ou. Entretanto. mas o destino da quantia retida tem que ser para captação de recursos por debêntures não convertidas em ações. na omissão do estatuto.1. citado no parágrafo antecedente. não haja tal previsão no estatuto. 9. desde que não haja oposição de nenhum acionista presente. em se tratando de ações preferenciais. (-) importância destinada à formação da reserva para contingência.162 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9.11. serão solidariamente responsáveis administradores e membros do conselho fiscal. parágrafo 4o). . 201. à conta das reservas de capital. O art. se os órgãos de administração informarem à assembléia geral ser o pagamento incompatível com a sua situação financeira (art. Caso. de lucros acumulados. proporcionalmente ao investimento realizado por cada um na sociedade. da reserva de lucros ou.3. se a assembléia geral pretender promover alteração estatutária no sentido de fixar os dividendos obrigatórios. sem prejuízo da ação penal cabível. claro. pressupõe-se a má-fé quando a distribuição tenha sido feita sem o levantamento de balanço ou em desacordo com os resultados desse.

quando comparados com os titulares de ações ordinárias. esses conceitos não se alteram. na forma da lei.. que podem ser fixos ou mínimos. a extinção. 206 da Lei das S. contudo. mudam. Por último. prevê as seguintes hipóteses para dissolução.8. Liquidação e Extinção Conforme exposto no item referente às sociedades contratuais. deixando de aceitar novos pedidos e comprometendo aqueles já realizados. conforme a exegese do art.2. prioritários são os dividendos pagos aos acionistas preferenciais. devemos entender por dissolução a etapa na qual a sociedade interrompe a sua atividade econômica.11. ou em percentual do patrimônio líquido. de autorização para funcionar. quando acontece o fim da personalidade jurídica.8.2. Na disciplina das sociedades por ações. e) pela extinção. Dividendos Prioritários Vimos no item 9. dois acionistas (excetua-se a subsidiária integral).A. deduzido apenas da reserva legal. concedendo-se um prazo até a assembléia seguinte para a recomposição do quadro social como. da companhia: a) pelo término do prazo de duração. de pleno direito. c) por deliberação da assembléia geral (exige-se quórum qualificado de metade dos acionistas representantes do capital social).12. Dissolução. A liquidação representa a alienação do ativo para que seja partilhado entre credores e sócios da pessoa jurídica. Essa regra se sobrepõe à dos dividendos obrigatórios. d) pela existência de um único acionista (unipessoalidade incidental). . Pois bem.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 163 Série Impetus Provas e Concursos 9. Fixos são os dividendos prioritários determinados em valores absolutos. ao passo que os prioritários mínimos são em percentual sobre o valor pago aos acionistas ordinários (o leitor deve se reportar ao item 9.2. no mínimo. deste Capítulo). A base de cálculo para pagamento dos dividendos prioritários ou preferenciais é o lucro líquido do exercício. verificada em assembléia geral ordinária. 203.3. Na hipótese de tal pagamento consumir todo o lucro líquido apurado. b) nos casos previstos no estatuto. O art. 9. deste capítulo que os acionistas preferenciais gozam de prioridade na distribuição de dividendos. os acionistas ordinários simplesmente ficam sem receber seus dividendos. algumas regras.

São elas: a) quando. b) quando. porém a liquidação passa a ser judicial. o art. dissolvida a sociedade de pleno direito. salvo quando indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis. Se a companhia tiver conselho de administração. . que terá funcionamento permanente até o fim do processo. transigir.164 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por decisão judicial é a dissolução que ocorre nos casos de: a) quando anulada a sua constituição. 209 prevê hipóteses em que a dissolução é amigável. Não pode.1. os administradores ou a maioria dos acionistas se recusarem a proceder à liquidação amigável. Também é defeso ao liquidante prosseguir na atividade social. deverá mantê-lo. A dissolução pode ainda se materializar por decisão de autoridade administrativa competente. quando a dissolução for judicial. inclusive alienar bens móveis ou imóveis. em ação proposta por acionistas que representem pelo menos 5% do capital social. 1. são os mesmos do liquidante das sociedades contratuais. Neste caso. deste Capítulo.A. Sendo a dissolução de pleno direito. equipara esse agente aos administradores da sociedade. com destaque para a prática de todos os atos necessários à liquidação. assim como fez o Código Civil. quando o liquidante será nomeado pelo juiz. para as sociedades por ele regidas. em ação proposta por qualquer acionista. conforme haja previsão em lei especial. em regra. a liquidação extrajudicial ou amigável. o art. não seja iniciada em trinta dias a liquidação. competindo-lhe a nomeação do liquidante. que tenha sido interrompida por prazo superior a quinze dias (depende de requerimento do Ministério Público). contudo. igualmente judicial será a liquidação. se autorizado pela assembléia. b) quando provado que não pode atingir seu fim. sem prévia autorização da assembléia. salvo.1. ou se o for. No entanto.104. dissolvida a companhia de pleno direito por conta de extinção de autorização para funcionar. Por outro lado. competindo à assembléia geral nomear o liquidante e o conselho fiscal. gravar bens nem contrair empréstimo. ainda assim de forma temporária. já reproduzidos no item 7. Os arts. Essa é a regra geral. em regra. receber e dar quitação. o conselho fiscal pode não ter funcionamento permanente. 217 da Lei das S. c) em caso de falência. opera-se. em seu art.8. 210 e 211 enumeram os deveres e poderes do liquidante que. Em relação às responsabilidades do liquidante. bastando o pedido de qualquer acionista. vai depender do que dispuser o estatuto.

sem a liberdade existente nas contratuais.1. extingue-se a companhia. prevê o art. fusão ou cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. igualmente estatutárias. considerada uma sociedade simples por força do art. Isso fica claro na observação do art.764/71 se encontra em vigor. 174. parágrafo único.764/71 já havia instituído o regime jurídico das sociedades cooperativas. regulando a constituição.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 165 Série Impetus Provas e Concursos Concluída a liquidação. 10. que prevê. 21. 3o. Constituição A sociedade cooperativa é uma sociedade estatutária. Sociedade Cooperativa 10. além de outros temas relacionados às cooperativas. 219 da Lei das S. 982. na medida em que seus sócios devem formalizar o ato constitutivo contendo artigos conforme a lei reguladora. o Código Civil de 2002 trouxe capítulo específico tratando da sociedade cooperativa. No entanto. quais sejam: incorporação. ou de instrumento público. em seu art. referindo-se ao ato constitutivo da cooperativa para.096 a regência supletiva das cooperativas pelas normas da sociedade simples em geral. o funcionamento e o objetivo. que podem ser conciliados com a legislação antiga. conforme acontece nas sociedades por ações. parágrafo 2o.096. que prevê a sua constituição a partir da ata da assembléia geral dos fundadores. e desde que respeitadas as características relacionadas no Código. o capítulo do Código inseriu alguns novos princípios. Adiante. utiliza-se do termo “contrato”. o que significa afirmar que a Lei no 5. em seu art. A título de exemplo.A.093 a 1. o apoio e estímulo ao cooperativismo e associativismo. no art. 10. Devemos entender a dicotomia muito mais como uma questão de semântica do que propriamente uma contradição legal. apesar de sucinto. abrangendo os arts. 14 da lei. Esses dispositivos não estabeleceram um novo regime jurídico para elas. Antes da edição da Constituição de 1988. do Código Civil. que também prevê outras três formas de extinção. Interessante que a lei. Regência A sociedade cooperativa. que faculta aos contratantes a inserção de cláusulas. . 1. com as atribuições do Governo Federal para essa área. desde que lícitas. conforme previsão do art. 1. encontra respaldo na Carta Magna Federal. trazer seção específica a respeito do estatuto social.2. a Lei Federal no 5. O mesmo diploma também definiu a política nacional de cooperativismo. quando omissa a lei específica.

sede e objeto social. exige-se o arquivamento de seu ato constitutivo que. da CF tornou livre a criação de cooperativas e associações. embora sendo considerada sociedade simples. que previu a impossibilidade de cessão das quotas sociais a terceiros. 10. profissão e residência dos fundadores. estranhos à sociedade. conforme já ressaltado. mas sem o objetivo de lucro. por exemplo. inciso IV. Características Principais O objetivo social das cooperativas é de natureza civil. ou envolvendo mais de uma cooperativa. passível de tributação pelo imposto de competência estadual. de proveito comum. pois o art.094. assim entendidos como aqueles praticados entre a cooperativa e os associados.3. Desta forma. inciso I. 4o. de uma safra de produtos agrícolas. a própria lei classificou as cooperativas como sociedades de pessoas. repita-se que a cooperativa não tem objetivo de lucro. conforme ratificado no art. O mesmo raciocínio deve ser empregado quando o resultado for negativo. conforme a previsão do art. não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 1. alínea a. além da quota parte de cada um. este é chamado de “sobras líquidas do exercício” e. caput. deve ser feito na Junta Comercial. 32. havendo resultado positivo. idade. proporcionalmente às operações realizadas por cada um. d) mesmos dados pessoais dos eleitos para os órgãos de administração e fiscalização. da Lei de Registro Público de Empresas. c) aprovação do estatuto. deve ser rateado entre os sócios. conforme explicitado no art. b) nome. Apenas quando houver futura comercialização é que poderá haver incidência tributária. a remessa à cooperativa. a respeito de necessária autorização governamental para funcionamento. conforme a disposição do art. nacionalidade. não caracteriza circulação de mercadorias. no 8. ainda que por herança. para ser negociada com terceiros. conforme prevê o art.166 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Do ato constitutivo devem constar: a) denominação. Na verdade. Antiga disposição constante dos arts. No entanto. Ao contrário das sociedades em geral. por parte de um sócio. pois visa à prestação de serviços aos associados. estado civil. não mais tem validade. inciso VII. independentemente de permissão para funcionarem. 5o. 4o. Isso não significa afirmar que deva ter prejuízo. e reforçado pelo inciso IV.934/94. que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica. Os atos cooperativos. mas sempre perseguindo os objetivos sociais. Quanto à natureza. do . inciso XVIII. 17 e 18 da lei. 79.

merece um comentário destacado. alterado na parte relativa ao número mínimo de associados. desde que o quantitativo seja bastante para compor a sua administração. Assim. na busca pelo objetivo social. a partir do cumprimento de exigências estatutárias. 6o da lei. cada um terá direito a apenas um voto nas deliberações. que reúne federações ou cooperativas centrais. que são as constituídas por associados. o art. elas podem ser de diversas espécies. possibilitando a admissão de associados individuais. No que pese essa disposição.4. c) confederação de cooperativas. Outro traço marcante nas cooperativas é variabilidade ou dispensa do capital social. Classificação das Cooperativas Quanto à forma pela qual se organizam.094 do Código aboliu esse patamar inferior para formação da sociedade. permitindo-se a admissão de pessoas jurídicas que tivessem atividades correlatas às das pessoas físicas. Independentemente da forma e do percentual de participação dos sócios. Sobre o nome. significando afirmar que os sócios podem contribuir apenas com serviços. a sociedade não terá capital social. que tenham por objeto atividades econômicas correlatas. desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto. o inciso II do art. Depreende-se que os associados não podem dispor de suas quotas para fins de alienação a terceiros. a exemplo das cooperativas de crédito. 6o. Classifica-se como cooperativa de trabalho tanto aquelas que administram os serviços de seus cooperados como as que produzem determinado bem. mas a estes permite-se o ingresso na cooperativa. pessoas físicas ou jurídicas. 1. Se todos assim o fizerem. acrescida do termo “cooperativa”. ou cooperativas de trabalho. inciso I. sendo a espécie mais usual em nosso país. 29 da lei determinou o livre ingresso a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade. as cooperativas podem ser: a) singulares.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 167 Série Impetus Provas e Concursos Código. nós temos: . cooperativas agrícolas. Ao contrário do que previa o art. que exigia número mínimo de vinte pessoas físicas para compor seu quadro social. Esta última. e seguindo a disposição do art. da mesma ou de diferentes modalidades. b) cooperativas centrais ou federação de cooperativas. de forma industrial ou artesanal. as constituídas por outras singulares. No que se refere ao objeto ou à natureza das atividades desenvolvidas. adota um denominação. 10.

por sua vez. pois cada um exerce suas atividades de forma autônoma. até que sejam aprovadas as contas do exercício em que ele deixou o emprego. 442. todos sócios eleitos pela assembléia geral. dentistas. composto por três membros efetivos e suplentes em igual número. Essa previsão encontra respaldo no art. 47. com mandato limitado a quatro anos. tem competência para deliberar a respeito da prestação de contas da administração. que pode ser ordinária ou extraordinária. A ordinária. da Lei.168 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) cooperativas de mão-de-obra ou de serviços. para tratar de assuntos não-rotineiros. eleição dos administradores. motoristas de táxi etc. a exemplo de médicos. É claro que a cooperativa pode contratar funcionários. desde que especificados no edital de convocação. dissolução voluntária da sociedade e nomeação de liquidantes. pode ser realizada a qualquer época.5. da destinação das sobras. o art. parágrafo 1o. que podem. necessariamente realizada até o fim dos três meses seguintes ao término do exercício social. Esta. b) diretoria e conselho de administração. destinadas a reunir artesãos que confeccionam seus produtos para serem comercializados através da cooperativa. órgão encarregado da fiscalização dos atos cometidos pelos administradores. A assembléia é órgão supremo formado pelos associados. sem prejuízo da criação de outros para o mesmo fim. c) conselho fiscal. mudança do objeto social. com poderes para decidir os negócios relativos ao objeto social. c) cooperativas artesanais. este último composto exclusivamente por sócios. considerando-se cada uma individualmente. fusão. reunir trabalhadores das mais variadas áreas. além de outros assuntos. mantendo com eles vínculos trabalhistas. destinadas à fabricação de produtos industriais por parte dos próprios cooperados. nem entre estes e os tomadores de serviços daquela. Órgãos Compõem a estrutura de uma cooperativa: a) assembléia geral. . incorporação ou desmembramento. parágrafo único. b) cooperativas de produção. De sua competência exclusiva são: a reforma do estatuto. conforme prevê o art. Esses são os órgãos encarregados da administração da sociedade. Na hipótese de o associado vir a estabelecer relação empregatícia com a cooperativa. excluídos o que for de competência exclusiva da extraordinária. da Consolidação das Leis Trabalhistas-CLT. Observem que uma característica fundamental a qualquer ramo de atividade da sociedade cooperativa é a ausência de vínculo empregatício entre a cooperativa e os cooperados. 31 determina a supressão de seu direito de votar e ser votado. 10. além das contas do liquidante.

de prevaricação. ou contra a economia popular.6. enquanto para as sociedades por ações a normatização aparece no art. pelo menos nas linhas gerais. conforme consta do art. 10. salvo se agirem com culpa ou dolo. Logo. peita ou suborno.7. da forma como acontece com os demais tipos sociais. de outros órgãos necessários à administração. conforme prevê o art. Seu correspondente para as sociedades regidas pelo Código é o art. Na Lei no 5. Outra restrição à função é quanto aos parentes. não se responsabilizam pelos atos de gestão. uma vez cumprida pena. Embora constando apenas do artigo concernente ao Código Civil. 51. Em outras palavras. ou por crime falimentar. além de igualmente assumir responsabilidade pelos prejuízos verificados nas operações sociais. participantes da diretoria ou do conselho de administração. neste caso de forma proporcional às operações realizadas por cada um. em linha reta ou colateral. parágrafo 1o. ou deles tirar proveito. pode ser pessoalmente responsabilizado. 47. a dos seus pares nas demais sociedades. 147. 1. salvo se a sociedade ratificá-los. parágrafo 1o. Administração A administração da cooperativa é atribuída a pessoas físicas. . ainda. peculato. a fé pública ou a propriedade. o sócio responde individualmente pelo valor de suas quotas. ainda que temporariamente. A responsabilidade dos administradores também acompanha. pois. além dos condenados à pena que vede. de acordo com o disposto no art.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 169 Série Impetus Provas e Concursos 10. Na hipótese de o administrador deliberadamente ocultar a natureza da sociedade. 49. não podem ser administradores pessoas impedidas por lei. têm os sócios obrigação pessoal de integralizar suas quotas adquiridas junto à sociedade. da Lei no 6. entende-se que tal proibição somente perdura enquanto durarem os efeitos da condenação. que não podem ocupar uma mesma diretoria ou o conselho de administração. até o segundo grau.764/71. do CC/2002. Assim como acontece com as demais sociedades. está o indivíduo reabilitado. parágrafo 1o. Responsabilidade dos Sócios Na cooperativa. essa disposição tem previsão no art. concussão.011. o acesso a cargos públicos. ou. Sendo limitada. vai depender do que dispuser o estatuto. a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada. sem prejuízo das sanções penais cabíveis. criados pelo estatuto especialmente para esse fim. em operações que gerem obrigações para a pessoa jurídica. 50.404/76.

de sócio que foi eliminado. esta será similar à dos sócios da sociedade em nome coletivo. entendido como os que saíram em virtude de infração legal ou estatutária. inciso II. se observarmos os arts. aliás. nas seguintes hipóteses. Entretanto. Em se tratando de sócio demitido. encontra correspondente para as sociedades regidas pelo Código. . é causa de dissolução judicial. assim considerado o que se retirou a pedido. ou de sócio excluído.034. d) devido à alteração de sua forma jurídica. pois a lei não prevê a possibilidade de transformação da cooperativa. vale a regra da subsidiariedade. se o estatuto prevê responsabilidade ilimitada dos sócios. simplesmente.8.764/71. a limitação da responsabilidade aqui referida tem como patamar máximo a proporcionalidade entre a participação do cooperado nas operações que resultaram em prejuízo para a sociedade. aí inseridos os que morreram. com a possibilidade de consumo de todo o patrimônio particular dos sócios. os que tiveram incapacidade não suprida. previstas no art. 10. a apuração da responsabilidade se faz de maneira proporcional às operações efetivadas por cada cooperado. Sobre esse tema. ou seja. em qualquer caso. Por outro lado. e) pela paralisação de suas atividades por prazo superior a cento e vinte dias. 36 prevê a responsabilidade deles perante terceiros até a aprovação das contas do exercício em que aconteceu o desligamento. incorporação de uma(s) cooperativa(s) por outra. c) pela consecução do objetivo social. os que deixaram de atender a requisitos de ingresso ou permanência na sociedade ou. significando afirmar que houve o exaurimento do fim perseguido. da forma como acontece com as demais sociedades. b) pelo decurso do prazo de duração. quando. mas não há chance para transformação. ou para desmembramento de cooperativa em tantas quantas forem necessárias ao atendimento dos interesses de seus associados. Assim. quando constituída por prazo determinado. no art. saíram por conta de dissolução da pessoa jurídica. Este dispositivo. 63: a) por deliberação da assembléia geral.170 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Diante de terceiros. solidária com os demais e ilimitada. 57 a 62 da Lei no 5. para elas. veremos previsão para a fusão de cooperativas. o art. Dissolução da Cooperativa A sociedade cooperativa se dissolve. contudo. 1. de pleno direito.

ou entre sociedades contratuais. 11. Ligações entre Sociedades Às sociedades. arts.101. contudo. a Lei no 6. quando o controlador será considerado de conformidade com o art. Tais investimentos podem acontecer envolvendo sociedades por ações. É possível. in casu. Nesta hipótese.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 171 Série Impetus Provas e Concursos Com relação às outras duas hipóteses referidas no artigo. ainda. não há grandes distinções entre um e outro regime jurídico. enquanto que não mais pode ser exigida a autorização para funcionamento. abaixo relacionadas. Melhor explicando. permite-se adquirir participação no capital social de outras. já foi escrito que o quantitativo mínimo de cooperados deve ser o que for suficiente para compor a administração. teremos as seguintes formas de ligações entre as sociedades. valem os votos efetivamente proferidos na assembléia ou reunião de quotistas. quando a disciplina jurídica aplicada será o Código Civil de 2002. A rigor. até mesmo devido à coincidência entre eles. Do contrário.404/76. o investimento de uma entidade regida pela Lei das Sociedades Anônimas em outra. No mais. De notar. nas outras. e não havendo iniciativa para dissolução da sociedade. . que tratam do número mínimo de sócios e da autorização do Governo Federal para funcionarem. Para as primeiras. em se tratando de sociedades contratuais.404/76. e vice-versa. 1. e aqui não relacionadas. seria o Código Civil. possibilita-se haver acordo de acionistas. hipótese na qual o tema é regulado a partir do art. conforme previa a lei. compete a qualquer associado promover medida judicial para sua dissolução. enquanto. É claro que a definição do tipo de ligação deve reger-se pela norma que regulamenta a sociedade investida. Configurada uma das hipóteses reproduzidas acima. torna-se desnecessária qualquer preocupação em identificar qual diploma normativo deva ser seguido. 243 da Lei das Sociedades Anônimas.097 a 1. subordinada à Lei Civil. que o entendimento do que seja poder de controle difere do aplicado às sociedades por ações. 116 da Lei Federal no 6. ao ponto de tornar-se sua controladora. imaginemos uma limitada adquirindo ações de uma sociedade anônima. ainda que na qualidade de pessoas jurídicas. a norma legal cabível vai depender da situação concreta. A depender de uma ou de outra espécie.

sem controlá-la. além do poder de eleger a maioria dos administradores. quando maior que 30% do patrimônio líquido da investidora. desde que até o limite da soma das reservas da primeira. ou quando a soma em mais de uma coligada ou controlada é igual ou superior a 15% do patrimônio líquido da companhia) em outra. o prazo para alienação das excedentes é de seis meses). as demonstrações financeiras de ambas serão publicadas de forma consolidada. assim como limitações para a participação recíproca. preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. • sociedade controladora e controlada – é controlada a sociedade na qual a controladora. até o limite do saldo das reservas. As demonstrações financeiras de uma coligada devem conter notas explicativas sobre investimento relevante (é aquele cujo valor individualmente considerado é igual ou superior a 10% do patrimônio líquido da investidora. excluída a legal. para permanência em tesouraria ou cancelamento (ultrapassado aquele limite. ou mais. Neste caso. Excedido esse patamar. com direito a voto. diretamente ou através de outras controladas. referida no parágrafo antecedente. Permite-se a participação da sociedade investida na investidora (participação recíproca). de modo permanente. Para estas. • sociedade controladora e controlada – é controlada a sociedade de cujo capital social outra seja majoritária e possua a maioria dos votos na assembléia ou reunião de quotistas. Informações a respeito do investimento relevante. valem os mesmos comentários a respeito da participação recíproca. do capital social da outra. A lei veda a participação recíproca entre coligadas. desde que aberta a companhia. ou mais. aproveitam os mesmos . verificado em balanço.172 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A – Sendo as sociedades contratuais: • simples participação – configura-se quando uma sociedade possui menos de 10% do capital social de outra. suprime-se o direito de voto da parte excedente. salvo a possibilidade de negociar com as próprias ações. B – Sendo as sociedades institucionais: • sociedades coligadas – quando uma participa com 10%. do capital social da outra. • sociedades coligadas ou filiadas – quando uma participa com 10%. excluída a de capital. entendendo-se como tal a aquisição. que deverá ser alienada no prazo de cento e oitenta dias da aprovação daquela demonstração financeira. seja titular de direitos de sócio que lhe assegurem. sem controlá-la.

inciso V). art.884/94. § 2o) e nas licitações (Lei no 8. à execução de seus respectivos objetos.212. 12. Quanto à solidariedade pelas obrigações sociais. grupos de sociedade – as sociedades sob relação de controle ou de coligação • podem constituir grupos. art. a depender de estarem ou não formalizados na Junta Comercial. • consórcio – quando mais de um empresa une-se para executar um empreendimento comum.078/90. art. inciso IX). visando à realização de objetivos comuns ou. basta a sociedade de controle ser constituída sob as leis brasileiras. conforme análise presente no item 9 do Capítulo 1 (esses requisitos não são opostos aos sócios das limitadas ou das sociedades por ações).CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 173 Série Impetus Provas e Concursos comentários do parágrafo antecedente. seja de propriedade de uma outra pessoa jurídica. art.666/93. Disposições Gerais O exercício da atividade empresarial no Brasil. Para o grupo ser considerado nacional. além de um só objetivo. ou por sanções decorrentes de infração à ordem econômica (Lei no 8.1. Podem ser de fato ou de direito. além de possuir sede e administração no país. 28. A sociedade de controle deverá ser brasileira e cada uma conservará personalidade e patrimônio próprios. estas terão suspenso o direito de voto. seja como pessoa física ou. simplesmente. e que não haja qualquer impedimento. art. apesar de não possuir personalidade jurídica própria. art. 30. cuja totalidade das ações. terá designação em que constem as palavras grupo de sociedades ou grupo. deve ser acessível a qualquer um. O grupo. 17). 2o. desde que presente a plena capacidade civil. constituindo sociedade empresária. não necessariamente constituída sob a forma de uma sociedade anônima. § 2o) e previdenciárias (Lei no 8. 33. podem elas formar um consórcio. só existe nas dívidas trabalhistas (CLT. § 3o). mesmo. • subsidiária integral – é a sociedade anônima (única sociedade unipessoal não-temporária prevista no Direito brasileiro). só pode ser cobrada nas obrigações com os consumidores (Lei no 8. com o seguinte acréscimo: se a sociedade controlada adquirir ações da controladora. mas brasileira. além de dívidas trabalhistas (CLT. Com relação à solidariedade por obrigações sociais. . Caracteriza esta forma de ligação societária a inexistência de participação no capital social entre as consorciadas. Sociedades Dependentes de Autorização 12. 2o. com ou sem poder de voto.

3. as sociedades arrendadoras (operadoras de leasing). a sociedade é estrangeira e depende de autorização para funcionamento. por exemplo. disciplinados em leis específicas.134. nos casos de infração à ordem pública ou quando a sociedade praticar atos contrários aos fins declarados no seu estatuto. certos ramos empresariais que se sujeitam à autorização de funcionamento por parte do Poder Executivo federal. 1. 1. não é necessário autorização de funcionamento. Sociedade Nacional Quais os critérios para definir a nacionalidade de uma sociedade? A partir da Emenda Constitucional no 06/95. 1. já que pode ser cassada.2. as seguradoras e as operadoras de planos de saúde. Concedida a autorização. ambos do CC/2002. cujo instrumento é um decreto federal.126.123. desde que haja previsão legal. Ao Poder Executivo é facultado estabelecer condições para a autorização. Esta é a disposição prevista no art.127. que a competência para a autorização será sempre do Poder Executivo federal. salvo se a lei ou o ato do Poder Público fixar outro prazo. E mais: será a título precário. se a sociedade não atender às condições econômicas. pelo menos se forem consideradas nacionais. convenientes ao interesse nacional. de acordo com o art. que reproduziu o teor da EC. Para as sociedades que atuarem nos demais ramos da atividade econômica. as administradoras de consórcios. ou outros. Prevêem os arts. e 1. desde que possua sede e administração no país. 1. aquela será considerada caduca. São. em seu art. Sociedade Estrangeira Não sendo nacional.” Esse entendimento foi contemplado pelo Código Civil de 2002. conforme prevê o art.125. antes do início da atividade. parágrafo único. 12. a pessoa jurídica somente dependerá de autorização na hipótese de seu objeto social ser um daqueles mencionados no tópico anterior. independentemente do ramo. 1. Enquadrando-se como sociedade brasileira. Ao Poder Executivo é facultado recusar a autorização. as instituições financeiras. dentre outras. financeiras ou jurídicas especificadas em lei. que permite serem acionistas de sociedade anônima brasileira.135. contudo.174 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Há. Sociedade brasileira não mudará sua nacionalidade. ainda que por estabelecimentos subordinados. . e a sociedade não entrando em funcionamento no prazo de doze meses após a publicação. salvo com unânime consentimento dos sócios. 12. o tema encontra-se assim disciplinado: “Nacional é a sociedade constituída sob as leis brasileiras.

faz-se necessário registro do ato constitutivo na Junta Comercial. em se tratando de sociedade anônima de capital aberto). ao resultado econômico. 1.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 175 Série Impetus Provas e Concursos Para os atos e operações praticados no Brasil. mediante autorização do Poder Executivo. que assumirão a gestão da empresa. Sociedade entre Cônjuges O art. 13.138 que a sociedade estrangeira se submeterá às leis e aos tribunais brasileiros. que limita o exercício de algumas atividades à atuação de estrangeiros. deverá manter representante no Brasil. se for o caso.140.139). 977 do Código Civil/2002 veio a obstar a contratação de sociedade entre marido e mulher. por exemplo. apto a receber citações judiciais pela sociedade. pode a sociedade estrangeira autorizada a funcionar no país nacionalizar-se. a sociedade assume a qualidade estrangeira. bem como aos atos de administração. De outra forma. da CF). hipótese em que seria possível. 222 da Constituição Federal exige que. Modificação no contrato ou no estatuto social também dependerá de autorização do Governo Federal. têm eles duas opções: uma é abrir sociedade subordinada à nossa legislação. Outra é requerer a autorização para funcionamento de sociedade estrangeira. Nacional ou estrangeira a sociedade. da participação de capital ou sociedade estrangeira na assistência à saúde no país (art. a fim de produzir efeitos no Brasil (art. Se concedida. . Nesta hipótese. as publicações que a lei de seu país de origem a obrigar a fazer. participação final nos aqüestros ou separação convencional de bens. para respeitar o disposto no art. deve publicar no órgão oficial da União. se o ramo escolhido não for um daqueles dependentes de autorização (a assertiva não exclui a necessária autorização da Comissão de Valores Mobiliários. se estrangeiros quiserem ser empreendedores no Brasil. fazendo deste país sua sede e administração. pois se trata de uma sociedade brasileira. não estará condicionada à autorização do Governo Federal para funcionamento. e mais.137 e 1. A qualquer tempo. quando o art. Desta forma. concernentes ao balanço patrimonial. transferindo sua sede para cá. ou na composição do capital social de sociedades jornalísticas e de radiodifusão sonora. § 3o. indicado no instrumento averbado. dispõem os arts. 1. 1. 199. 70% do capital social total e do capital votante devam pertencer a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos. ainda que participem terceiros. sob pena de ver cassada sua autorização de funcionamento. É o caso. e do Estado. não importando suas nacionalidades ou a origem do capital empregado. claro. pelo menos. com restrições previstas na legislação federal. salvo se houverem se casado no regime de comunhão parcial de bens.

são-lhes aplicados dispositivos da Lei no 6. daquele diploma. Esta é a posição defendida pela melhor doutrina. Seu objeto somente pode ser aquele previsto na lei que autorizou sua criação.429/92. 14. A partir dessa nova disposição. Por serem sociedades anônimas. Sociedades de Economia Mista São sociedades constituídas com a maioria de seu capital social com direito a voto sob a titularidade do Poder Público. ao excluir. 2o. por ser aquele insuscetível de mudança. conhecida como “Nova Lei de Falências”. sendo que o conselho fiscal terá funcionamento permanente. Terão obrigatoriamente conselho de administração. significando afirmar que. contudo. prevista no art. a Lei no 11. tampouco aos processos de recuperação judicial ou extrajudicial. ou aplicando imposto de renda em investimentos para o desenvolvimento regional ou setorial.404 de 1976 (arts. Já a pessoa jurídica que controla a sociedade tem os deveres e responsabilidades do acionista controlador das demais sociedades anônimas. Essas disposições. essa possibilidade sequer existiria. quando também se submetem à disciplina da Lei no 8. para as sociedades constituídas anteriormente à vigência do Código. 37. Sua criação depende de prévia autorização legislativa. se o regime for de comunhão universal ou de separação obrigatória. .404/76. Quanto à falência. não podem ferir o direito adquirido. XIX.101/2005. a sociedade de economia mista pode participar de outras sociedades. Sendo o regime de separação obrigatória. dissipou qualquer dúvida persistente na doutrina. Podem participar de outras sociedades. sem prejuízo de disposições especiais. tanto a empresa pública como a sociedade de economia mista. 235 a 240). a única saída para formação da sociedade seria a alteração do regime por meio de autorização judicial.176 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por outro lado. estaria proibida a constituição de sociedade. podemos afirmar que essas sociedades não podem se submeter à falência. da CF em combinação com o art. o da Lei n 6. inciso I. do regime jurídico falimentar ou de recuperação das sociedades. 236 . Os deveres e as responsabilidades de seus administradores assemelham-se aos administradores da companhia aberta. Em se tratando de regime de comunhão universal. não se pode impor novo regramento. Em se tratando de instituições financeiras. conforme dispõe o art. desde que autorizadas por lei. a fim de reprimir a prática de atos de improbidade administrativa. quando obedecidas normas estabelecidas pelo Banco Central.

pela evicção. 997. de peita. créditos ou prestação de serviços. Atos de competência conjunta exigem o concurso de todos. ou por crime falimentar. Silente o contrato. pessoas físicas ou jurídicas. Pode ser de sócio ou não. a administração compete separadamente a cada sócio. a ser feita em dinheiro. adotado um dos tipos da sociedade empresária. desde que não conflitem com os termos da lei. a responsabilidade é proporcional à participação de cada um nas perdas. cujas cláusulas devem ser as constantes do art. 177 Série Impetus Provas e Concursos . NOME EMPRESARIAL OBSERV OBSER VAÇÕES ADMINISTRAÇÃO 1 – Simples Cotistas. exige-se unanimidade.CAMPUS TIPOS DE SOCIEDADE SÓCIOS RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA COM TERCEIROS PELOS DÉBITOS SOCIAIS Denominação. menos venda de bens imóveis. Silente o contrato. Capítulo 2 — Direito de Empresa Podem responder ou não. vai depender do contrato. Os administradores que excederem a atribuição É sociedade contratual. por vícios redibitórios e solvência do crédito. bens. parágrafo 1o. Proíbe-se a cessão da quota social. Para alterar alguma das cláusulas do art. a regra será a da espécie escolhida. a fim de evitar dano. De outra forma. Respondem. contudo. além de outras que os sócios queiram inserir. suborno e outros previstos no art. os administradores podem praticar todos os atos de gestão. Todos os sócios devem participar da formação do capital social. pois se constitui a partir de um contrato escrito. mas apenas pessoa física não-condenada à pena que vede o acesso a cargo público. por extenso ou abreviado. que depende da aprovação majoritária dos sócios.011. nos trinta dias subseqüentes à sua lavratura. O registro do ato deve ser feito em cartório. salvo cláusula de responsabilidade solidária. acrescida do termo “sociedade simples”. 997. Em caso afirmativo. 1. salvo casos urgentes.

. b) se o fim social for exaurido ou se tornar inexeqüível. cobrar do administrador. conforme prescrição em lei. nas hipóteses: a) vencimento do prazo. pela decisão da maioria absoluta. a pessoa jurídica deve assumir a responsabilidade para. Não materializada uma dessas hipóteses. A sociedade pode ser dissolvida de pleno direito. Atos com culpa responsabilizam os administradores frente à sociedade e a terceiros prejudicados. se por prazo determinado. qualquer sócio pode pleitear a dissolução. Essa regra vale para a penhora de quotas. c) se por prazo incerto. d) se ficar com um só sócio. b) que o terceiro sabia da limitação. salvo a possibilidade de constituir mandatário com poderes específicos. e se tratando de ato com excesso de poder (ultra vires). Judicialmente. com base: a) anulação de sua constituição. b) consenso entre os sócios.178 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos recebida podem arcar com a responsabilidade por seus atos frente a terceiros. desde que configurada uma das hipóteses: a) limitação inscrita no registro próprio. por mais de cento e oitenta dias. que cause dano a terceiros. de forma solidária entre eles. A função é indelegável. e) se extinta a autorização para funcionar. salvo com o consentimento dos demais sócios. em regresso. Administrador sócio. isentando a pessoa jurídica. c) evidente operação estranha ao objeto.

se empresária. alguns. As hipótese de dissolução judicial são as mesmas do art. Tal acordo. contudo. O nome será sempre firma ou razão social. por extenso ou abreviada. A administração compete exclusivamente a sócios.034. necessária a expressão “e cia. mas investido por ato separado. ou todos os sócios. 997.”. ou sócio. Sendo empresária. somente Todos os sócios pessoas físicas. 1. Para formação do capital social e cessão ou penhora de quota social. as regras são similares às da sociedade simples. com as cláusulas previstas no art. Sobre a dissolução de pleno direito. As demais regras vistas para a sociedade simples valem para esse tipo social. Omitido nome de algum. o registro deve ser feito na Junta Comercial. a pedido de qualquer sócio. Administrador não-sócio. formada com o nome de um. acrescida da falência. possui poderes irrevogáveis. só tem validade entre eles. pois nasce a partir de um contrato social escrito. salvo justa causa. respondem solidária e ilimitadamente com seus bens particulares por débitos contraídos em nome da sociedade. reconhecida em juízo. Série Impetus Provas e Concursos 179 . detém poderes revogáveis. copia as hipóteses do art. Possível haver pacto para limitação da responsabilidade de cada um. pois o credor não pode ser prejudicado. quando insuficientes os bens sociais. 2– Em nome coletivo Capítulo 2 — Direito de Empresa Cotistas.033.CAMPUS nomeado pelo contrato. adaptadas à espécie. no prazo de trinta dias da lavratura. ou similar. 1. É sociedade contratual.

A cessão e penhora de quotas também seguem as regras da sociedade simples. sob pena de capital social. A administração compete exclusivamente aos comanditados. com missão de gerir a sociedade. Permite-se. Conforme citado na segunda coluna. se empresária. contraírem as mesmas responsabilidades dos comanditados. em caso de morte de comanditário. para indicar coletivo. Direito Comercial — Carlos Pimentel É sociedade contratual. além de poder ser constituído como procurador da sociedade. valem as mesmas regras da sociedade simples. Não podem participar da gestão. Esses se obrigam apenas pela integra. bilidade similar à do formação do comanditado. ou similar. No entanto. As regras para a dissolução são similares à da sociedade em nome coletivo. a disposição é diversa. comanditário que tome parte na gestão assume responsabilidade como se fora comanditado. Para a formação do capital social. . A responsabilidade constituída apenas com nome de comanditado. deles pelas dívidas todos. salvo disposição diversa no contrato. Adota como nome apenas a firma ou razão social. alguns ou sociais é idêntica à somente um.180 Série Impetus Provas e Concursos 3 – Em comandita Comporta duas categorias de simples sócios: a) comanditados.”.Se constar nome de pessoas físicas comanditário. a ausência de sócios do nome. com o ato devendo ser registrado na Junta Comercial. assume responsaobrigados pela quota. pois o negócio continuará com os sucessores. contudo. todos pessoas físicas. acrescida dos sócios da sociedade em nome da expressão “ e cia. ao comanditário participar das deliberações sociais. aproveitando-se as mesmas disposições já vistas para a sociedade simples. para negócio específico. b) comanditários. este lização de sua ou jurídicas. fiscalizar as operações. acrescendo a hipótese de ausência de uma das categorias de sócios por prazo superior a cento e ointenta dias.

que não podem ser destituídos. Essa regra não vale para os que assumirem função de gerência ou administração da sociedade. Igualmente não podem ser de capital autorizado e. Pelos atos de gestão dos administradores respondem. a responsabilidade frente a terceiros pelas obrigações contraídas. todos os demais administradores. A ela é vedada a existência de conselho de administração. por conseqüência. salvo em deliberação aprovada por sócios representativos de pelo menos 2/3 do capital social. que pode ser uma razão social ou denominação. não podem emitir bônus de subscrição. Constando nome de outro. A primeira distinção diz respeito ao exercício da função de administração da forma como foi vista nas outras colunas. contudo. é ilimitada e solidária com outros administradores. Permite-se. daí ser considerada de capital. não podem ser obrigados ao pagamento de dívidas sociais ou. Uma vez pago todo valor. debêntures e partes beneficiárias. Podem adotar tanto denominação como razão social. Se for uma razão social. venda ou penhora de ações pertencentes a um sócio para terceiros. Também em relação ao nome. 181 Série Impetus Provas e Concursos . em ambos os casos acrescida da expressão: “Comandita por Ação”. não havendo qualquer impedimento à cessão. Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade estatutária. sem que haja solidariedade entre eles. se tiver. solidária e ilimitadamente. no que pese a proibição para operar na bolsa ou no mercado de balcão. este passa a ser tão responsável quanto aqueles. É conferida apenas a sócios. porque titulares por ação de unidades do capital social chamadas de ação. mas com algumas diferenças. ou institucional. mesmo que dele não participem. não administrador. por extenso ou abreviada. Responsabilizam-se até a integralização do preço de emissão de cada ação subscrita. por se constituir a partir de um estatuto social. à parcela do capital não integralizada por outro sócio. A impessoalidade é própria desse tipo social. Neste caso. Rege-se pela mesma Lei das Sociedades Anônimas. embora subsidiária. apenas sócios que sejam administradores devem emprestar seus nomes à formação daquela. mesmo. a emissão de novas ações.CAMPUS 4 – Em comandita Acionistas.

Seu objeto pode ser mercantil ou de prestação de serviços. quando é facultado ao administrador judicial a rescisão do contrato social. contudo. Compete ao sócio ostensivo. mas que exerce o negócio em seu próprio nome. que pode ser pessoa física ou jurídica. apesar de despersonalizada. Comporta duas categorias de sócios: a) ostensivo. b) participante. Não tem personalidade jurídica.182 Série Impetus Provas e Concursos 5 – Em conta de participação Sua responsabilidade diante dos credores é pessoal. Embora considerada um simples contrato. Sua falência deve ser tratada como falência do sócio ostensivo. aplica-se a regra dos contratos bilaterais. Permite-se. salvo se tomar parte nas relações do ostensivo junto a terceiros. As regras para sua liquidação não são as mesmas das sociedades contratuais. não-subsidiária e ilimitada. que apenas contribui com o fundo social. fiscalizar os negócios. na forma da lei processual. Falindo o participante. Não tem. escrito ou verbal. pessoa física ou jurídica. mesmo que o contrato seja registrado. o Código a definiu como sociedade. mas as relativas à prestação de contas. empresário ou não. Sua responsabilidade diante dos credores não existe. por parte da doutrina. que provoca a dissolução da sociedade e liquidação da respectiva conta. Direito Comercial — Carlos Pimentel É sociedade constituída por contrato. .

087 do Código. A omissão do termo implica a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores que assim empregarem o nome. Essa é a regra aplicável aos demais tipos sociais. contudo. pois todos são responsáveis. Difere. tratando-se de sócio nomeado administrador no contrato. quando o capital não estiver todo integralizado. pois depende do esgotamento do ativo. nenhuma obrigação terão os sócios para com as dívidas assumidas em nome da pessoa jurídica. Rege-se por capítulo próprio. contudo. podendo ser conferida a não-sócio. 1. salvo a constituição de procurador com poderes específicos. a lei Pode adotar tanto uma razão social como uma denominação. e é limitada. a responsabilidade aqui tratada é subsidiária. que antes era permitida. mas apenas por danos relativos àquela operação específica. das outras quando proíbe a integralização em prestação de serviços. por extenso ou abreviado. não mais pode ser feita. Neste último caso. a exemplo da emissão de valores mobiliários. pessoas físicas ou jurídicas. ou 2/3 após a integralização. Vai depender do que dispuser o contrato. ou mesmo na Lei das Sociedades por Ações. pessoas físicas. da forma Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade contratual. venda. ou penhora de quota social Série Impetus Provas e Concursos 183 .052 ao art. Apesar da regra geral. os sócios respondem até o valor total do capital social subscrito. no momento em que o capital estiver totalmente pago. Significa afirmar que. No entanto. A delegação das funções de administrador. ter regência supletiva no capítulo das sociedades simples. A administração pertence aos sócios. pois tem como patamar superior à parcela não-integralizada do capital social. pois ele pode ser destituído a qualquer tempo de suas funções. exige-se aprovação unânime dos sócios. que não poderá aproveitar normas singulares das sociedades anônimas. em qualquer caso seguido do termo “limitada”. exige-se aprovação mínima de 2/3 do capital social. que vai do art. Da integralização do capital social devem participar todos os sócios. é solidária. a exemplo das outras sociedades. sob pena de nulidade da cláusula que excluir algum. Também em relação à cessão. 1. salvo disposição contratual diversa. mas não integralizado.CAMPUS 6 – Limitada Cotistas. mesmo os que já integralizaram as suas quotas. As regras para destituição do administrador diferem daquelas da sociedade simples. Perante credores da sociedade. De qualquer forma. Pode. mas só se o contrato expressamente permitir.

pois a regra geral é pela permissão. Podem ter conselho fiscal. Possível. como as dívidas tributárias e os atos ultra vires. . que não é obrigatório. essa sociedade ganhou estrutura tipificada na lei. mas pode existir nas limitadas. é obrigatória a assembléia de quotista. e) desconsideração da pessoa jurídica. Logo. e outras que podem atingir esse ou apenas o sócio. Direito Comercial — Carlos Pimentel comporta exceções. apesar de não ser obrigatório. As outras disposições citadas para as sociedades simples. c) dívida trabalhista. desde que não haja oposição de sócios titulares de 1/4 do capital social.184 Série Impetus Provas e Concursos como acontece com a sociedade simples. disposição contratual diversa. possui norma própria. são aproveitadas para as limitadas. d) atos ultra vires. Também o conselho de administração. contudo. Já diretoria é órgão obrigatório. que permite sua organização através de órgãos similares aos das sociedades anônimas. Com o Novo Código. até no sentido de excluir qualquer possibilidade de oposição. para aquelas com número de sócios superior a dez. f) deliberação infrigente do contrato social. São elas: a) dívida tributária. As causas para sua dissolução de pleno direito acompanham as da sociedade simples. algumas específicas para administrador. como nas anônimas. b) dívida previdenciária. relativamente aos administradores.

A administração pode ser concedida a sócio ou não. os acionistas se responsabilizam pela integralização do preço de emissão das ações adquiridas por cada um. peita ou suborno. salvo se com eles for conivente. É sempre empresária. Tanto um como outro pode vir no início. Contudo. à exceção da que trata sobre responsabilidade por deliberação infrigente do contrato social. c) partes beneficiárias (este só por cia. credores da companhia. independente de seu objeto social. com violação da lei ou do estatuto. É sociedade estatutária. Capítulo 2 — Direito de Empresa Frente a terceiros. que não pode ser feita por quem estiver impedido por lei especial. e d) bônus de subscrição (este só por cia de capital autorizado). mas somente a pessoas físicas. se agiu com culpa ou dolo. dentre outros. Pode ser aberta ou fechada.A. constituindo-se a partir de um estatuto social. O administrador não é responsável por ato regular de gestão. pessoas físicas ou jurídicas. no meio ou no fim do nome. é uma responsabilidade subsidiária. deixar de agir para inibir sua prática. De toda forma. daí ser considerada de capital. por extenso ou abreviados. Os valores mobiliários por ela emitidos são: a) ações. Significa dizer que não há solidariedade pela soma do capital social não-integralizado. A Lei das S. responde pelos prejuízos que causar à sociedade. b) debêntures. da forma como acontece nas limitadas. contém mesma previsão do Código quanto à vedação para ocupação do cargo. acompanhada de um dos termos: “companhia” ou “sociedade anônima”. obrigatória em toda S/A (reunião de acionistas apta a decidir os destinos Série Impetus Provas e Concursos 185 . deles tendo conhecimento. concussão. O sócio pode alienar suas ações livremente a quem se interessar. se negligenciar em descobri-los ou se. ou condenado por crime falimentar. fechada). peculato. Para ser aberta. Atos ilícitos de outros administradores não responsabilizam os demais. conforme lance títulos no MVM. ainda que traga prejuízo à sociedade.CAMPUS 7 – Anônima Acionistas. de prevaricação. pela pouca importância que se dá à pessoa do sócio. pois depende de ser exaurido o ativo da pessoa jurídica. Somente pode adotar uma denominação. As exceções vistas para as limitadas também são aplicadas aqui. tem que haver autorização Comissão de Valores Mobiliários. A sua estrutura comporta os seguintes órgãos: a) assembléia geral.

obrigatória em toda cia. formado por sócios ou não. de capital autorizado e nas de economia mista (colegiado só de acionistas.089 prevê aplicação subsidiária do Código para as sociedades anônimas. .). formada por sócios ou não. d) conselho fiscal.186 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos Prejuízos causados à sociedade.015 do Código. Sendo de capital fechado. Em relação a prejuízos causados a terceiros. a responsabilidade atinge a todos os administradores.. Em ambos os casos. em virtude omissão no cumprimento de deveres impostos por lei para assegurar o funcionamento normal da cia. cuja competência era originária da assembléia. 1. responsável pela fiscalização dos atos dos administradores e dos negócios sociais. de existência facultativa. da cia. mas responsável pela execução do objeto social. responsabilizam. salvo nas de capital aberto. Isso porque o art. b) conselho de administração. se a sociedade for de capital aberto. previstas no parágrafo único do art. valem as regras concernentes às sociedades simples. de forma solidária. mas que lhe foi delegada).. 1. os administradores que tenham atividade correlata. c) diretoria. escapa da obrigação o administrador que comunicar o fato à assembléia geral.

possui apenas um voto nas deliberações sociais. independente da quantidade de quotas. não possui objetivo de lucro. também chamados de cooperados. Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade estatutária. segue a proporção das operações realizadas por cada sócio. que não pode cair nas mãos dos que tenham praticados certos crimes. Igualmente às demais. podendo até ser dispensado. Pode ser limitada ou ilimitada. Sendo limitada. neste caso quando se tratar de federação ou confederação de cooperativas. que podem ser pessoas físicas ou jurídicas. Adota como nome uma denominação. por se constituir a partir de um estatuto social. O capital social não é fixado no estatuto. Esse instrumento deve ser arquivado na Junta Comercial. daí ser considerada sociedade de pessoas. mas sempre pessoa física. a fim de facilitar a prática de uma atividade econômica. há impedimentos legais ao exercício do cargo. O sócio. Não pode haver cessão das quotas sociais a terceiros. permite-se o livre ingresso de qualquer um que tenha correlação com a atividade. sempre acompanhada do termo “cooperativa”. não de capital. Série Impetus Provas e Concursos 187 . A administração pode ser conferida a sócio ou não. Proíbe-se o vínculo trabalhista entre sócios e cooperativa. Seja qual for o ramo. Se for ilimitada. O escopo de sua criação é prestar um serviço ao cooperado. será solidária com os demais cooperados. A participação de cada um no resultado social é proporcional às operações realizadas com a cooperativa. vai depender do que dispuser o estatuto.CAMPUS 8 – Cooperativa Cotistas. Apesar disso. não em Cartório.

b) é aceita e aplicável nos casos de responsabilidade penal. III e IV. e) foi desenvolvida pela jurisprudência e tem como pressuposto a fraude e o abuso de direito. d) em conta de participação. eleitos dentre aqueles que compõem os órgãos de administração. ESAF (AFTN/1996) A teoria da superação ou desconsideração da personalidade jurídica: a) não é aceita em nosso Direito. 2. c) tem aplicação restrita às relações de consumo. e não nos de responsabilidade civil dos dirigentes.Exercícios 1. III – A sua composição não será inferior a três nem superior a cinco membros efetivos e suplentes em igual número. c) I. (OAB–CE/99) Sobre o conselho fiscal de sociedade por ações. b) II. 3. Estão corretas as afirmativas: a) II e IV. II – Somente funcionará se assim dispuser o estatuto ou a pedido dos acionistas. I – Terá sempre funcionamento permanente. . IV – As atribuições e os poderes conferidos pela lei não podem ser outorgados a outros órgãos da companhia. d) não tem aplicação em sociedades anônimas. d) todas. c) de capital e indústria. ESAF (TTN–JULHO/1992) Não tem personalidade jurídica a sociedade: a) em nome coletivo. e) em comandita por ações. II e IV. considere as afirmativas seguintes. b) em comandita simples.

o que são SOCIEDADES COLIGADAS? a) São coligadas as sociedades quando uma participa com. com 10% ou mais. CESPE – UnB (INSS/1997) A doutrina e a legislação atribuem às sociedades anônimas uma série de características peculiares. b) Autorizar os administradores a requererem falência de outra companhia e reforma do estatuto social. de igual valor nominal. . d) ( ) A responsabilidade do acionista é limitada ao valor do capital social a integralizar. d) São coligadas as sociedades quando uma participa com 40% do capital da outra e. 7. 243 da Lei das Sociedades Anônimas. sem controlá-la. 5. a) Reformar o estatuto social e suspender o exercício dos direitos dos acionistas em mora junto à companhia. não à ordem e de fruição. A respeito desse tema. no mínimo.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 189 Série Impetus Provas e Concursos 4. c) Autorizar a emissão de debêntures. d) em conta de participação. nominativas e não à ordem. à vista do relatório de auditoria independente e do parecer do Conselho de Administração. b) ( ) A constituição de sociedade anônima está sujeita à prévia autorização do governo federal e depende da presença de. c) de capital e indústria. e) endossáveis. e) Autorizar o exercício do direito de recesso do acionista e nomear os auditores independentes da companhia. mesmo assim. sete sócios. c) endossáveis. d) Autorizar os administradores a requererem falência de outra companhia e eleger os membros da diretoria. preferenciais e de fruição. no mínimo. ações e bônus de subscrição. d) endossáveis. preferenciais e nominativas. (OAB – GO/1999) Na conformidade do que preceitua o parágrafo 1o do art. no máximo. do capital da outra. 6. e) limitadas. c) São coligadas as sociedades quando uma participa com. 5% do capital da outra. b) em comandita simples. ESAF (PROCURADOR – BACEN/1994) Assinale a opção que contém apenas matérias de competência privativa da assembléia geral de uma sociedade anônima. ESAF (PROCURADOR – BACEN/1994) As ações podem ser das seguintes espécies: a) ordinárias. sem controlá-la. b) ordinárias. b) São coligadas as sociedades quando uma participa. ESAF (TTN – JULHO/1992) Todos os sócios são solidária e ilimitadamente responsáveis nas sociedades: a) em nome coletivo. e) ( ) As sociedades anônimas têm capital social dividido em títulos. 8. detém o controle acionário em face de predominância de ações com direito a voto. a) ( ) As denominações são a única forma de nome comercial que poderá ser adotada por sociedades anônimas. c) ( ) As companhias podem ser constituídas mediante a subscrição pública de ações. quando houver Conselho de Administração. julgue os itens abaixo (V ou F). 10% do capital da outra. nominativas e endossáveis. em regra.

e) tanto as companhias abertas quanto as fechadas somente podem emitir ações nominativas.000. ou dividindo-se o seu capital. endossáveis ou ao portador. b) Incorporação é a operação pela qual a companhia transfere parcelas de seu patrimônio.000. que os sócios representem. extinguindo-se a companhia cindida. a qualquer tempo. o de fiscalizar.. sempre que acionistas apontem atos violadores da lei ou do respectivo estatuto. c) ( ) Considere a seguinte situação hipotética: Abigail. que pratique atos de comércio.00. observado o contrato social.00.00. sendo a ambas vedado emitir ações ao portador. b) a modalidade de ações endossáveis somente é admitida nas companhias fechadas. Camilo e Dalva são sócios da empresa ABCD Comércio. o fato de uma pessoa. respectivamente. pelo menos: a) 5% do capital social. que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. de R$100.190 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9. se houver versão de todo o seu patrimônio. a) Incorporação é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades. cujo capital social é de R$200. d) Nenhuma das alternativas está correta. . b) ( ) No Direito brasileiro.000. ele terá o direito de influir na escolha dos administradores da sociedade. com participação de apenas 1% no capital social. para formar sociedade nova. Bárbara e Camilo pagaram à 10. As participações deles são. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2000) Em relação às sociedades comerciais e ao registro mercantil. d) as companhias fechadas ou abertas podem emitir ações nominativas ou endossáveis. endossáveis ou ao portador. b) 10% do capital social. Abigail integralizou suas quotas. é correto afirmar que: a) podem ser nominativas. física ou jurídica. Mas a lei exige. c) as companhias abertas podem emitir ações nominativas ou endossáveis. c) 51% do capital social.000. julgue os itens abaixo (V ou F).000. 11. R$40. (OAB – GO/1999) Assinalar a alternativa que corresponde à conceituação de INCORPORAÇÃO. d) 20% do capital integralizado. ainda que com restrições. inserta no Capítulo XVIII da legislação pertinente às sociedades anônimas. Bárbara.00. se parcial a versão. constituídas para esse fim ou já existentes. que as sucederá em todos os direitos e obrigações. c) Incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra. para uma ou mais sociedades. 12. para esse fim. e) 10% do capital integralizado. os papéis e livros da sociedade e o de tomar conta dos gerentes. R$50. ser ou não inscrita no registro de comércio é juridicamente irrelevante para que ela seja considerada comerciante e para que lhe seja aplicado o regime jurídico dos comerciantes. a) ( ) Mesmo que um indivíduo seja sócio minoritário. (FISCAL DO TRABALHO/1994) Com relação às ações emitidas pelas sociedades anônimas. porém as companhias fechadas podem emitir ações nominativas. (JUIZ DO TRABALHO – 13a REGIÃO/PB) A exibição dos livros da sociedade anônima pode ser ordenada judicialmente.00 e R$10. Serviços e Representações Ltda.

O juiz julgou o pedido de Eliana procedente em parte e condenou Abigail a pagar à credora o valor de R$89. esta era identificada como Monteiro & Cavalcanti Empreendimento.. a responsabilidade dos sócios pelas obrigações da sociedade está relacionada: a) à formulação de pactos parassociais. A sociedade contraiu dívidas com Eliana no valor de R$300. 15. para retirar-se da empresa.000. d) ( ) Considere a seguinte situação hipotética: Pedro Monteiro e Luís Cavalcanti constituíram a sociedade por quotas de responsabilidade limitada. c) a que vier determinada na convenção grupal.00. de um estranho na sociedade. um sócio pode opor-se ao ingresso. b) livremente admitidas. Camilo e Dalva não possuíam patrimônio. provando a insolvência da sociedade e cobrando-lhes o total da dívida. por meio da aquisição de ações. d) ao acordo entre sócios. se houver o ingresso de novo sócio. e) ( ) Nas sociedades por ações em geral. Nessa situação. O juiz rejeitou a defesa e condenou os dois sócios. devido à natureza de direito pessoal que se forma entre os sócios e entre estes e a sociedade. Dalva integralizou somente R$1.00. ESAF (AFTN – SET/1994) As participações recíprocas entre sociedades são: a) formas de aumentar o controle de uma sociedade sobre a outra. Eliana acionou Abigail judicialmente.. Usando esse nome e estando representada pelos sócios.00 cada um. e) exclusivamente ao fato de a sociedade ser ou não personificada. d) a nacionalidade do sócio majoritário de sociedade controladora.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 191 Série Impetus Provas e Concursos sociedade apenas R$5. Abigail contestou a ação. c) limitadamente admitidas. Os sócios defenderam-se com a tese de nada deverem. Bárbara. b) à forma societária adotada. 14. b) a nacionalidade da sede do grupo.000. e) permitidas como resultado de fusão. cobrando-lhe o valor da dívida. .000.000. pois a devedora era a sociedade. e porque já haviam integralizado suas quotas. o juiz agiu corretamente. com o nome Monteiro & Cavalcanti Empreendimento Ltda. A credora ajuizou ação em face dos sócios Pedro e Luís. o juiz sentenciou incorretamente. sob o fundamento de já haver integralizado sua parte no empreendimento. a sociedade firmou contrato com a empresa XYZ Ltda.00. o sócio discordante pode pedir à sociedade que proceda à apuração dos haveres que possuir. e) a nacionalidade da sociedade controladora. c) ao acordo com os credores sociais. ESAF (AFTN – SET/1994) O critério para determinar a nacionalidade dos grupos de sociedade no Direito pátrio considera: a) a nacionalidade da maioria dos sócios das sociedades grupadas. que não pagou. Nessa situação. 13. Nos papéis da sociedade. ESAF (AFTN – SET/1994) Nas sociedades mercantis. d) limitadas entre coligada e controladora. Como a empresa. por insolvência. não eles. em razão do qual contraiu dívida de R$50.00.000.00 e não as pagou. que foi totalmente integralizado. com capital de R$100.000.

emitidos pelas sociedades anônimas. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Divisão do capital social em partes iguais. e) João e Joaquim somente serão chamados a responder com seus bens pessoais pelas dívidas que venham a contrair em nome da sociedade. juntos. Considerando que o acordo firmado entre os sócios não foi levado a registro em Junta Comercial. c) A responsabilidade dos sócios é ilimitada. 17. b) debêntures. b) por quotas de responsabilidade limitada. c) por quotas de responsabilidade limitada. Agrícola do Planalto. assinale a opção correta. d) em comandita.192 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 16. b) em conta de participação. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Títulos sem valor nominal. responsabilidade de seus sócios limitada ao valor de suas participações no capital social e uso exclusivo de denominação são algumas características das sociedades: a) anônimas. e) Em face de seu objeto. 19. b) Está incompleto o nome da sociedade. assinale a opção correta. correspondem a: a) partes beneficiárias. por extenso ou abreviadamente. e) anônima. b) A sociedade constituída pelos sócios não poderá falir. 20. a falta de nome empresarial próprio e o fato de não estar sujeita às formalidades necessárias à constituição das demais sociedades comerciais são características da sociedade: a) de fato. haja vista ter sido omitida a expressão sociedade anônima. a) A sociedade constituída por João e Joaquim não será considerada mercantil. e) em conta de participação. ela sempre será sociedade comercial. 18. d) ações. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) A inexistência de personalidade jurídica própria. e) opções. d) de capital e indústria. . a) Trata-se de sociedade por quotas de responsabilidade limitada. d) Independentemente de seu objeto social. ainda que este não esteja registrado. haja vista não ter sido registrada em Junta Comercial. c) em nome coletivo. c) O registro dos atos constitutivos dessa sociedade confere a ela personalidade jurídica própria. explorarem comercialmente atividade de compra e venda de mercadorias. d) As sociedades comerciais adquirem personalidade jurídica a partir da celebração do acordo entre os sócios. c) bônus de subscrição. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) João e Joaquim decidiram reunir capital e trabalho para. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Considerando uma sociedade que adote o nome empresarial Cia. estranhos ao capital social e que asseguram a seus titulares crédito eventual contra a companhia. trata-se de sociedade civil. consistente na participação nos lucros sociais. se for aplicada a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. pois não está registrada.

a) ( ) X e Y são sociedades coligadas. d) ( ) A sociedade X deverá obrigatoriamente. 24. Y. regida pela Lei n o 6. 23. c) os membros do conselho de administração necessitam invariavelmente ter domicílio no Brasil. CESPE – UnB (AGU/2002) Para quatro sociedades anônimas – X. julgue os itens abaixo (V ou F).404/76 com as alterações posteriores. os diretores são considerados administradores e os membros do conselho de administração responsáveis pelo controle social. c) responsabilidade ilimitada de acionistas titulares de ações votantes por obrigações da sociedade. aprovada em assembléia geral. controladoras ou controladas. – W detém 20% do capital de X. e) ( ) Se a sociedade W for controladora de X. verifica-se que: – X detém 7% do capital de Y e 11% do capital de W. b) ( ) A sociedade Y é controladora de W. necessariamente. sem controlá-la. b) executar as deliberações da assembléia geral e do conselho de administração e representar a sociedade em seus atos negociais. no máximo. Nessa situação e considerando que. d) a competência das assembléias gerais extraordinárias é formada por exclusão. – Y detém 30% do capital de Z e 55% do capital de W. relacionar investimentos feitos na companhia Y e mencionar modificações ocorridas durante o exercício. e) inadmissibilidade do tipo de operar em bolsa. nas sociedades anônimas: a) administrar a companhia. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL/2002) A emissão de ações por sociedade em comandita por ações. Z e W –. e) para os efeitos legais de responsabilidade.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 193 Série Impetus Provas e Concursos 21. a sociedade Z tem possibilidade de ser controlada por Y. 10% do capital da outra. ao menos. de ações preferenciais. uma vez que a coligação ocorre quando uma sociedade participa de. no que se refere à participação acionária de uma sociedade em relação à outra. ESAF (INSS/2002) Nas sociedades anônimas: a) os diretores devem ser acionistas titulares. (BNDES/2002) Cumpre à diretoria. administrar e executar os atos inerentes à vida negocial da companhia. pauta-se por: a) emissão apenas de ações sem direito de voto para oferta pública. c) ( ) De acordo com o conceito legal de sociedade controlada. em relação à competência das assembléias gerais ordinárias. . devendo prestar contas de seus atos ao conselho de administração e ao conselho fiscal. através de deliberações que satisfaçam os anseios dos investidores. e) administrar os interesses de todos os acionistas da sociedade. 22. c) deliberar. d) representar os interesses dos acionistas controladores na administração da sociedade. as sociedades por ações são classificadas como coligadas. d) impossibilidade de acionistas comanditados limitarem sua responsabilidade pelas obrigações sociais. no seu relatório anual de administração. b) limitação das ações objeto da oferta a menos de 50% do capital social. b) os membros do conselho de administração devem ser brasileiros. as ações de W pertencentes à companhia X deverão ter direito de voto suspenso.

e) dificultar a criação de sociedades de pequeno porte. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – AFRF/2002) Considera-se empresária a sociedade que: a) assume os riscos da produção. c) conferirão ao quotista. b) exerce atividade econômica com a colaboração de terceiros não-familiares. 26. julgue os seguintes itens (V ou F). e) seja mercantil. notadamente aquelas entre marido e mulher. solicitaram a um amigo comum. apenas o direito à percepção de lucros e à partilha da massa residual. c) redesenhar o controle da sociedade. CESPE – UnB (SEFAZ – MT/2002) Antônio e Benedito decidiram criar a firma AB Toldos Ltda. Procuraram novamente Carlos e solicitaram que ele procedesse à alteração do contrato social. Antônio e Benedito descobriram que o amigo Carlos esquecera-se de indicar. b) ser contrato cuja tipificação é apenas social. c) é titular de estabelecimento. altera a disciplina atual das limitadas para: a) torná-las pequenas anônimas. d) esteja matriculada no registro de empresas. 28. b) dar-lhes estrutura típica. no referido contrato.406/2001. d) produzir separação entre patrimônios dos sócios e o da sociedade. Lei n o 10. e) têm natureza bifrontal. d) em nada se identificam com as ações das companhias por não ser possível adotar a divisão do capital social em quotas do mesmo valor nominal. ESAF (AUDITOR – TCE – PR/2002/2003) A sociedade limitada prevista no Novo Código Civil. é certo que as quotas: a) asseguram que a regra da limitação da responsabilidade dos quotistas seja absoluta. ao serem integralizadas por ele. deixando expresso que tanto Antônio quanto Benedito poderiam atuar indistintamente como gerentes da sociedade. d) facilitar a ação das minorias societárias. que se caracteriza por: a) ser contrato de estrutura aberta. encerrando um direito patrimonial e um direito pessoal do sócio quotista. ESAF (AUDITOR DO TCE-PARANÁ/2002/2003) O negócio constitutivo de sociedades é denominado contrato plurilateral. de dinheiro de contado para a instituição do capital social. que elaborasse para eles o contrato social. qual dos sócios seria o gerente da sociedade. b) serão representadas pela entrada. FCC (MP – PE/2002) Na sociedade limitada. advogado recém-formado. exclusivamente. . e) determinar a regularidade do exercício de atividades econômicas. c) não se aplicar às companhias ou sociedades por ações.194 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 25. Após feito e registrado o contrato na Junta Comercial. Não tendo conhecimentos jurídicos. 27. que facilitam a separação patrimonial. como comercialmente. Acerca da situação hipotética acima descrita. tanto civil. Carlos. 29.

c) ilimitada na hipótese de delegação da função administrativa pelos atos do delegado. nem Antônio nem Benedito poderão exercer a gerência da sociedade. e) facilitar a negociação dos valores mobiliários pela inexistência de cártula.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 195 Série Impetus Provas e Concursos a) ( ) Ante a omissão do contrato social quanto à indicação do gerente. b) garantir a titularidade das participações que ficam lançadas em livros próprios de instituição financeira autorizada. ESAF (AFTN/2001) As ações escriturais e sem valor nominal. c) dar notoriedade aos portadores. b) ilimitada. b) de pessoas e de capitais. as sociedades são classificadas: a) empresárias e simples. salvo se for requerida autorização provisória à Junta Comercial. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) As operações de reorganização. por isso. b) ( ) Enquanto não for realizada a alteração do contrato social. societária como incorporação. c) ( ) Antônio e Benedito. b) alterar a proporção em que os sócios participam do capital social. e) modificação tipológica em todas as hipóteses. 30. introduzidas no Direito Societário em 1976. c) a manutenção de proporção da participação dos acionistas no capital social. e) a possibilidade de emissões sem aprovação da assembléia geral. d) solidária com os demais gerentes pelos atos de gestão. 31. d) o pagamento integral do preço de emissão em todos os casos. são pouco utilizadas. desde que fizessem constar expressamente a designação no contrato social. poderiam designar o amigo Carlos gerente da sociedade. se assim desejassem. c) sucessão nas obrigações. ESAF (PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL/2002/2003) A responsabilidade de sócios-gerentes das sociedades limitadas é: a) limitada à sua participação no capital social. embora subsidiária. d) grupadas e isoladas. . servem para: a) reduzir a guarda de papéis e deságio. 33. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A disciplina da emissão de ações pelas companhias prevê: a) a autorização prévia da CVM para emissões privadas. e) com finalidade econômica e com finalidade religiosa ou cultural. c) unipessoais e pluripessoais. e) solidária com a sociedade em certas hipóteses. d) modificação da estrutura societária. a Junta Comercial deveria ter recusado o seu registro. d) dificultar a circulação das participações e. perante credores sociais. 32. 34. b) a prévia aprovação da emissão pela assembléia geral em qualquer caso. caracterizam-se por: a) alterar as relações entre sociedades e credores. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Nos termos do Código Civil. fusão ou cisão.

ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. depois de executados os bens sociais. c) privativo do juiz. participando os demais apenas dos resultados correspondentes.196 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 35. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. sem o benefício de ordem de primeiro serem executados os bens sociais. por qualquer autoridade administrativa ou pelo Ministério Público. porém é válida cláusula do contrato social que limite a responsabilidade de um dos sócios nas relações entre eles. e) que pode ser praticado de ofício pela autoridade administrativa ou pelo juiz. pois. e) ( ) Nas sociedades simples puras (que não tenham outro tipo jurídico). todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. as responsabilidades perante terceiros decorrentes da atividade constitutiva do objeto social limitam-se. a fim de que os credores privilegiados recebam seus créditos. a requerimento dos credores privilegiados. sempre que se verificar abuso da personalidade da pessoa jurídica em proveito de seus administradores ou sócios. b) ( ) Na sociedade não-personificada em comum. a) ( ) Nas sociedades simples puras (que não têm outro tipo jurídico). os bens particulares de determinado sócio podem ser executados por dívidas da sociedade. se assim o fizerem. c) ( ) Em uma sociedade em conta de participação. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DE PE/2003) A desconsideração da pessoa jurídica. a requerimento da parte. a sociedade passa a ter natureza jurídica de sociedade em nome coletivo. se caracterizado desvio de finalidade ou se verificar confusão patrimonial. sempre que houver encerramento irregular do estabelecimento comercial. a requerimento da parte. 36. ao sócio ostensivo. f) ( ) Nas sociedades em nome coletivo. é ato: a) privativo do Ministério Público. com prejuízo para os credores em virtude de decretação de falência ou insolvência. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2003) Marque V ou F. para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens de seus administradores ou sócios. em regra. d) que o juiz pode praticar de ofício. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. g) ( ) Nas sociedades limitadas em cujo contrato esteja definido o exercício da administração por todos os sócios. . d) ( ) Em uma sociedade em conta de participação. se verificada fraude contra credores. se caracterizado desvio de finalidade ou ocorrer confusão patrimonial. b) que pode ser praticado pelo Juiz. o sócio participante é sempre responsabilizado nas obrigações sociais perante terceiro. caso exerça o direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais. os sócios não podem decidir contratualmente nem responder subsidiariamente pelas obrigações sociais. o exercício desta não se estende automaticamente àqueles que se tornarem sócios após a efetivação do contrato social.

provando-se que a limitação era conhecida deste. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) Os administradores da sociedade anônima: a) podem ser pessoas jurídicas. e) quando eleitos por minoritários. alienação ou oneração dos bens do ativo permanente dependerão de prévia autorização por assembléia geral dos sócios. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) No novo modelo de sociedade limitada: a) continua sendo exigido que os administradores sejam necessariamente sócios. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) As sociedades cooperativas a) podem ter o capital dividido em ações. ao menos. uma quota ou ação do seu capital. b) determinou que ela não pode ter filiais ou agências. quando sua atuação estiver pondo em risco a continuidade da empresa. o sócio poderá ceder sua quota a não-sócios. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) Ao instituir a sociedade simples. . d) permitiu que os poderes conferidos aos administradores pelo contrato social poderão ser alterados por voto de dois terços dos sócios. b) todas as deliberações que envolverem compra. 38. devem considerar-se representantes destes nos órgãos de administração. b) devem exercer suas funções em atendimento ao dever de diligência. d) atribuem ao sócio uma distribuição nos resultados proporcional às operações por meio delas realizadas. própria para as microempresas. d) o contrato social poderá prever a regência supletiva pela Lei das Sociedades por Ações. exceto os créditos trabalhistas e fiscais. tendo ação regressiva contra estes quando forem inocentes. 40. e) no silêncio do contrato social. aplicar-se-ão sempre as regras da sociedade simples. e) permitem a transferência das quotas a estranhos. Não o fazendo. b) sempre atribuem responsabilidade limitada aos seus sócios. c) exigem que o sócio tenha. por voto da maioria dos demais.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 197 Série Impetus Provas e Concursos 37. c) estabeleceu que o excesso de poderes dos administradores pode ser oposto contra terceiro. regendo-se supletivamente pela Lei das Sociedades Anônimas. desde que não haja oposição de mais de um quarto do capital social. não respondendo pelos atos dos demais administradores. c) qualquer sócio poderá ser excluído da sociedade. c) respondem solidariamente pelos atos ou omissões danosos dos demais administradores. desde que atuem profissionalmente no seu ramo de atividade. neste caso. devendo. ser designado um representante residente e domiciliado no Brasil. o Novo Código Civil: a) adotou uma forma societária de estrutura menos complexa. d) somente podem ser responsabilizados por ação proposta mediante autorização da assembléia geral. 39. e) impediu que os bens particulares dos sócios possam ser executados por dívidas sociais.

c) a decisão final será do conselho de administração. d) os titulares de ações sem direito a voto não podem sequer comparecer à assembléia. b) destinada a aumentar o patrimônio líquido da incorporadora. e) foram organizadas para atividades econômicas. d) exercem atividade de intermediação na circulação de serviços. ESAF (PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2004) Uma sociedade anônima aberta denominada Banco de Taguatinga S/A. 42. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Incorporação de uma sociedade por outra é operação: a) de liquidação da sociedade incorporada. d) não há mudança de denominação do estabelecimento. b) o novo controlador fica obrigado pelas obrigações anteriores ao negócio de alienação do controle da sociedade. b) caso seja realizada a fusão. Nessa situação: a) trata-se de assembléia geral ordinária. 44. e) mesmo após a integralização de todo o capital social. b) têm como objeto atividade mercantil. no caso da desconsideração da personalidade jurídica. e) não será necessária assembléia no outro banco. 45. e) mantém-se a sociedade exercente da atividade embora com outros sócios. b) a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas quotas. convocou uma assembléia geral para deliberar sobre realização de uma fusão com outro banco. e) de transformação tipológica em qualquer circunstância. 43. d) de combinação do corpo de sócios das envolvidas. não havendo solidariedade. c) a atividade exercida pelo empresário é imputada aos filhos que com ele trabalham. . com ações dotadas de alta liquidez e dispersão no mercado. c) de reordenação patrimonial. c) o conselho fiscal é obrigatório. c) têm como objeto a prestação de serviços em estabelecimentos especiais. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Diz-se que há sucessão comercial ou empresarial quando: a) o novo titular da atividade era sócio da sociedade que anteriormente exercia a atividade. ESAF (PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2004) Numa sociedade limitada: a) apenas sócios podem ser administradores.198 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 41. mas são outros os produtos ou serviços oferecidos pelo exercente da atividade. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Sociedades empresárias são as que: a) têm como objeto atividade econômica organizada para mercados. que apenas houve a assembléia geral. o patrimônio dos sócios pode ser responsabilizado por obrigações da sociedade. d) o capital social é dividido em ações. ambos os bancos deixarão de existir.

O primeiro é sede da sociedade empresária. pessoas físicas ou jurídicas. com qualquer número de acionistas com direito a voto. No acervo patrimonial de determinada pessoa jurídica. b) ( ) As sociedades em comum não possuem personalidade jurídica. a inscrição em registro competente do ato constitutivo da sociedade entre os dois. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2004) Quanto ao direito de empresa de que cuida o Código Civil. Ficou acordado que os dois dividiriam o lucro das vendas. c) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. Os valores recebidos. Um grupo de pessoas resolveu constituir sociedade cooperativa cujo objeto consistia na prestação de serviços de processamento de dados. em segunda convocação. necessariamente. a) ( ) Em conformidade com a teoria dos perfis da empresa. decidiu constituir sociedade em conta de participação com Manoel. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2005) Acerca da empresa e da teoria geral do Direito Societário. Antônia. Nessa situação. os sócios. a assembléia geral é instalada. o ato constitutivo da referida sociedade deve conter cláusulas que indiquem.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 199 Série Impetus Provas e Concursos 46. d) ( ) Considera-se nula determinada cláusula contratual que exclua sócio de participar dos lucros e das perdas da sociedade. . b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. se for casado sob o regime de comunhão universal de bens. Nessa situação. pelo perfil objetivo. c) ( ) Fernando não pode contratar sociedade com terceiros. requerimento feito por sociedade dependente de autorização. julgue os itens que se seguem. d) ( ) Considere que o Poder Executivo Federal defira. o imóvel alugado não faz parte do estabelecimento empresarial da mencionada pessoa jurídica. que deve ser fixo e expresso em moeda corrente. para que este financiasse sua atividade empresarial. artesã. Nessa situação. a título de aluguéis desse segundo imóvel. a empresa se confunde com a própria atividade empresarial. a) ( ) Os bens utilizados na atividade desenvolvida por microempresa e que a guarnecem são impenhoráveis. há dois imóveis. encontra-se alugado. 47. localizado em outra unidade da Federação. respondem. pelas obrigações sociais. no prazo de trinta dias contados da data de sua expedição. são aplicados no ativo patrimonial da referida sociedade empresária. o capital social. solidariamente e ilimitadamente. julgue os itens a seguir. jamais poderão contratar sociedade. b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. a) ( ) Nas sociedades anônimas. 49. julgue os itens seguintes. a) ( ) Nas sociedades em nome coletivo. b) ( ) Se Francisco e Maria casaram-se sob regime de separação obrigatória de bens. o referido decreto deve ser publicado na imprensa oficial da União. 48. bem como a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas. ante o aumento na demanda por seus produtos e diante da pretensão de aumentar sua produção. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2005) Quanto ao Direito Comercial moderno. que pode ser escrito ou verbal. Nessa situação. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2004) No que concerne às espécies societárias. julgue os seguintes itens. não confere personalidade jurídica à referida sociedade. enquanto o segundo. mediante decreto.

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903 da mesma Lei Civil assevera: “Salvo disposição diversa em lei especial. pelo menos no que forem contrárias. sob a coordenação do Deputado Ricardo Fiúza. encontrados como legislação complementar ao Código Comercial. geralmente dispostas em diplomas legais específicos. a nota promissória. não podem ser aproveitadas indistintamente para todo o Direito Cambiário. Como bem escreveram os autores da obra Novo Código Civil Comentado. apesar de o Título VIII (a partir do art. contidas no Código Civil de 2002. permitindo-se ao legislador ordinário dispor diferentemente das leis especiais que regulam cada tipo de título de crédito. que. Acontece que. regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código”. 897 e 914. O mesmo raciocínio pode ser repetido para os demais . É justamente o que ocorre. tentou introduzir mudanças substanciais. existem normas regulamentadoras específicas que traçam linhas diversas das contidas naqueles artigos supramencionados.Capítulo 3 Direito Cambiário 1. 887) da moderna Lei Civil tratar a respeito do tema. em alguns momentos. sobretudo com a letra de câmbio. Enquanto o Código Civil de 2002 provocou grandes alterações na parte do Direito relativa aos comerciantes e às sociedades comerciais. praticamente não mexeu nessa matéria. ou a desoneração tácita do endossante da qualidade de obrigado indireto pelo pagamento do crédito (salvo cláusula em contrário). as regras de Direito Cambial. tais como a impossibilidade de haver cláusula proibitiva de endosso (não à ordem). o Direito Cambiário abrange os títulos de crédito com suas peculiaridades. porque o art. Disposições Preliminares Considerada uma disciplina independente em relação às demais estudadas no Direito Comercial. o cheque e a duplicata. são normas de caráter geral. a vedação ao aval parcial. Para esses títulos. E não foi por falta de iniciativa do legislador. a exemplo dos arts. 890. tornando inócuas as disposições do Código Civil. embora essas novidades constem do Novo Código.

mas se distinguem dela na exata medida em que a representam. dos títulos de crédito. Desse modo.2 Podemos também aclamá-los como documentos necessários ao exercício do direito literal e autônomo neles mencionado. 3. independentemente de um processo de conhecimento 3 conhecimento.202 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel títulos. como o título de crédito tem força executiva. Esse atributo é conseqüência do fato de o título de crédito ter força de uma sentença judicial transitada em julgado. indispensáveis à legitimidade da obrigação. ed. 2. igualmente possuidores de normatização própria. • EXECUTIVIDADE – permite ao seu titular buscar a execução imediata da obrigação. Aquele que obedece ao tradicional rito processual na Justiça. Conceito de Títulos de Crédito Fábio Ulhoa Coelho ensina que: Os títulos de crédito são documentos representativos de obrigações pecuniárias. faz-se a sua imediata cobrança com a penhora dos bens do devedor. que irão beneficiar os credores das obrigações. 4. Atributos dos Títulos de Crédito São direitos reconhecidos aos seus titulares. de conteúdo operacional. próprio devedor) ou indireta (contra os coobrigados). Não se confundem com a própria obrigação. São Paulo: Saraiva. O meio próprio para tanto é a execução que pode ser direta (contra o execução. São eles: • NEGOCIABILIDADE – é a possibilidade que tem o credor de negociar seu direito antes mesmo do vencimento da obrigação. se este não pagar a dívida dentro de vinte e quatro horas. Características dos Títulos de Crédito Por alguns autores denominadas princípios do Direito Cambiário são Cambiário. 12. a cobrança judicial é mais eficaz e célere. Vejamos: 2 3 Manual de Direito Comercial. o que permite a introdução de certas particularidades postas no Código. . 2000. 213. Segundo Nelson Godoy. Decorre da característica da circulação própria circulação. p. A diferença é que esses outros são regidos por normas que não trazem a riqueza de detalhes dos primeiros. a fim de captar recursos de seu interesse.

por existir qualquer vinculação entre eles e a situação que os motivou. são intitulados títulos causais não causais. por exemplo. nota promissória poderem ser emitidos sem haver necessariamente uma causa que lhes dê origem... cópia de um cheque.) o possuidor de boa-fé exercita um direito próprio. não pode alegar uma situação pessoal com outrem. II – o da inoponibilidade das exceções pessoais Significa dizer que aquele que for regularmente demandado por um terceiro de boa-fé. No dizer de Vivante: (. não será eficaz para promover omover-se execução. promover-se a execução • AUTONOMIA – cada obrigação constante em um título de crédito é autônoma em relação às outras. como a duplicata não se prendem a duplicata. por exemplo.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 203 Série Impetus Provas e Concursos • LITERALIDADE – vale o que estiver escrito no título.. a fim de furtar-se ao seu cumprimento. Refere-se à possibilidade de alguns títulos. ao emiti-la. pois. que não pode ser restringido ou destruído em virtude das relações existentes entre os anteriores possuidores do título e o devedor. Assim. Outros. Estes somente são gerados a partir de uma operação de compra e venda mercantil. de alongue anexada aos títulos para complementação do espaço para endossos. • CARTULARIDADE – para o exercício do direito de crédito. cláusula expressa em papel apartado não será considerada. Assim. a exemplo da letra de câmbio ou da promissória. Exemplo: Carlos adquire um computador de Manuel. Por isso. é necessária a CARTULARIDADE apresentação do documento. tal singularidade. havia concordado com seus termos. I – o da abstração incomum à totalidade dos títulos de crédito. Alguns autores costumam subdividir essa última característica em dois subprincípios: abstração. De outra sorte. pessoais. também chamado de cártula (exceção para o protesto de duplicata. a nulidade de uma obrigação não invalida as demais. Exemplo: se o direito de crédito relativo a um cheque for transmitido através de sucessivos endossos. mas por dependerem da ocorrência de um fato para sua emissão. o fato de haver vício em uma das assinaturas dos endossantes não terá influência sobre as restantes. como prazo de vencimento. Nesse contexto. que pode ser feito sem apresentação do documento). o devedor de uma nota promissória obriga-se a respeitar as condições inseridas no documento. excetuando-se a folha alongue. pela obrigação resultante de um título. valor etc. pagando-o através do cheque .

4 Defeito oculto da coisa.021/1990 proibiu a circulação de títulos ao portador. Essa norma vem sendo respeitada até hoje. Manuel já havia endossado o cheque em favor de Regina. . descobre que o equipamento não possui a capacidade de memória que aparentava. b) não à ordem – com essa cláusula. A circulação se processa mediante a apresentação do documento. quando o título encontra-se ainda em poder do primeiro titular do crédito. Carlos não poderá oporse ao pagamento do cheque.000. mediante a simples apresentação ao devedor. admite-se a defesa do devedor. ao menos enquanto não houver lei específica para esse fim.204 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel no 000001. 5. alegando defeito da coisa comprada a Manuel.00. Regina não tem nada a ver com aquela transação. a tradição é possível apenas por meio de uma cessão civil de crédito (conceito no item a seguir). cujo nome deve constar da cártula. no mesmo exemplo. no valor de R$2. pleitear em juízo perdas e danos contra Manuel. Seu portador tem direito à prestação nele indicada. Da exegese podemos inferir que permanece a vedação à circulação desses títulos.4 Por outro lado. merece atenção o art. Subdividem-se em: a) à ordem – são títulos nominativos que podem ser transferidos via endosso. Entretanto. Chegando em casa. tão-somente. Modo de Circulação É a forma como os títulos de crédito transitam entre seus titulares. a saber: • AO PORTADOR – é o título que não indica o nome do beneficiário pelo PORT crédito. endosso Essa disposição pode ser tácita. A Lei Federal no 8. que reputa nulo o título ao portador emitido sem autorização de lei especial. maculado estava por um vício redibitório. 907 do Código. • NOMINATIVOS – são aqueles que identificam o credor. incapaz de ser percebido no momento da aquisição. nunca uma exceção pessoal contra Regina. a exemplo da ausência do nome no cheque ou de adulteração visível no valor etc. Há dois modos de circulação. Neste caso. Carlos poderia defender-se da cobrança. veda-se a possibilidade de transmissão através de endosso. a menos que se tratasse de falha formal no próprio documento. se Manuel ainda fosse seu proprietário. Desta forma. Competirá a Carlos. Contudo. pois são emitidos NOMINATIVOS a favor de pessoa certa e determinada.

por procuração ou para cobrança É forma de endosso impróprio d) endosso-caução – também chamado de endosso pignoratício é utilizado pignoratício. dando quitação do título. Esse poder. Lavra-se com a assinatura do titular no próprio título. penhora” É forma de endosso impróprio e) endosso póstumo – também conhecido como endosso tardio Ocorre após tardio. poderá usar o poder regressivo contra coobrigado que entrou posteriormente a ele naquela relação. Produz idênticos efeitos àqueles efetuados antes do vencimento. se realizado após o protesto. mas com diferenças. contudo. Utiliza-se a expressão “válido em garantia” ou “válido em penhora”. que endossatário é quem o recebe. Contudo. É forma de endosso próprio próprio. O endosso só pode ser total sendo nulo o endosso parcial. Há cinco tipos de endossos. se pagá-lo. representado por um título de crédito. o vencimento do título. que passa à propriedade do endossatário. Significa dizer que o endossante assume obrigação solidária pelo pagamento do crédito. impróprio. Qualquer condição posta pelo endossante considera-se não-escrita. Protesto • ENDOSSO – ato pelo qual se transfere a propriedade do título de crédito. na qualidade de mandatário ou procurador. Utiliza-se a cláusula cobrança. endosso em preto – quando se indica o nome do endossatário. Endosso. que é instituto do Direito Civil igualmente eficaz para aquele objetivo. transferir seu bem. de endosso próprio c) endosso-mandato – quando não se transfere ao endossatário o direito de dispor do crédito. não transferindo sua propriedade. se assim não o desejar ou estiver impedido de fazê-lo (título com a cláusula não à ordem a saída é a cessão civil de crédito ordem). crédito. Entretanto. Produz dois efeitos: o primeiro é a mudança de titularidade do direito expresso no título. na qualidade de obrigado indireto. tanto que. seus efeitos serão os de uma cessão ordinária de crédito. É forma b) próprio. Aquele que transfere o título chama-se endossante ou endossador enquanto endossador. a saber: a) endosso em branco – quando não se identifica o nome do endossatário ou favorecido. tem poder regressivo pelo seu reembolso. para dar o título como garantia de uma obrigação. o segundo é a vinculação ao pagamento daquele que transferiu o crédito. conforme explicitadas no quadro abaixo: . ou depois do prazo limite para tal. Aceite. impróprio. obedecendo às normas do Direito Cambiário. nunca um endossante endosso. mas o de promover a sua cobrança. É importante destacar que o endosso é a forma usual de um titular de direito creditício. não podendo ser processado em documento separado. Aval.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 205 Série Impetus Provas e Concursos 6. só pode ser exercido contra quem se posicione em lugar anterior da cadeia de endosso Em outras palavras.

Pode ser total ou parcial. sendo autônomo e independente em relação às outras obrigações incidentes sobre o título. • PROTESTO – é ato pelo qual se prova o não-cumprimento da ordem ou promessa de pagamento contida no título. protesto. ou simplesmente ausência de devolução do título remetido ao sacado para aceite. ou. assumida por terceiro. 1. ao passo que o aval materializa-se tão-somente com a aposição da assinatura do avalista no título. formalizar a obrigação por escrito. Em regra. 46 do Decreto no 57.206 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • ACEITE – ato pelo qual o sacado reconhece a dívida. Todavia. é forçoso reconhecer a exegese introduzida pelo art. no caso de duplicata. . Na fiança é preciso fiança. enquanto a fiança é uma garantia acessória. que se incorpora a ele como mais um devedor. sendo dispensável quando o demandado for o principal devedor. despesa. Processa-se com a simples assinatura do devedor no anverso (frente) do título. do Direito Cambiário. ligada à obrigação principal. Não se confunde com a fiança pois o aval é instituto próprio fiança. A assertiva vem atualizar edição anterior. tem causa na falta de pagamento. em se tratando de letra de câmbio ou de duplicata. É possível dispensar-se o protesto até mesmo para cobrança dos obrigados indiretos. desde que presente a expressão sem protesto ou sem despesa prevista no art. III. • AVAL – é garantia unilateral e pessoal de pagamento do título. Com relação à fiança e ao aval. parcial. salvo se o regime for o de separação absoluta de bens. que se guiava pela antiga legislação. que impôs a necessária autorização do outro cônjuge para o ato. Quem presta o aval chama-se avalista enquanto que avalizado é o beneficiário. apenas. possibilita-se o protesto pela recusa do aceite. É requisito para cobrar-se um título dos obrigados indiretos. do Código Civil de 2002. Pode ser pelo valor total avalista.647. servindo para garantir contratos.663/66.

por sua vez. assim. como vimos. 7. enquanto que o sacador. subsidiado pelo Decreto no 2.2. Assim. Letra de Câmbio Conceito Conceitua-se a letra de câmbio como uma ordem de pagamento.044/08. será o credor do título. conta com os seguintes sujeitos: • sacador – é quem emite. hipótese que se assemelha a uma nota promissória. “A” (sacador) saca uma letra em favor de “C” (tomador). Legislação Aplicável Esta espécie de título de crédito é regulada pelo Decreto no 57.3. pois. “A” pode emitir a letra em seu próprio favor. a fim liquidar sua dívida. à vista ou a tomador. Para entender a posição de cada uma.1.663. constituindo-se em sacador e tomador ao mesmo tempo. Entretanto. “B” (sacado) para que este pague a obrigação A par da formulação usual. “A” é credor de “B”. da mesma forma.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 207 Série Impetus Provas e Concursos 7. pela mesma quantia. o art. O aceitante e seu avalista são os obrigados diretos da letra de câmbio. vejamos o seguinte exemplo: “A” deve R$100. Figuras Intervenientes O vínculo jurídico constituído a partir da emissão de uma letra de câmbio pode contar com a participação de muitas pessoas. 7. com a Lei Uniforme de Genebra (LU). de 24 de janeiro de 1966. • sacado – aquele contra o qual a letra foi emitida (aceitando.00 a “C”. o título é passível de um número ilimitado de endossos. 7. em matéria de letras de câmbio e notas promissórias. os endossantes e seus avalistas são coobrigados ou obrigados indiretos. que irão interagir na relação criada. que deverá apresentar a obrigação. ao nascer. . o emitente também pode ser o sacado da letra. que o sacador dá ao sacado em benefício do tomador Do conceito. Cada operação como essa irá trazer novos integrantes à cadeia. • tomador – também chamado de beneficiário. será o principal devedor). prazo. 3o da Lei Uniforme permite que uma pessoa ocupe simultaneamente mais de uma das três posições jurídicas. que introduziu no ordenamento jurídico brasileiro as normas estabelecidas na Convenção Internacional de Genebra. pode-se observar a presença de três pessoas.

também assumirá o papel de coobrigado pela satisfação do crédito. endossa-o a “E”. 7. por exemplo. • nome do sacado. nome e assinatura do sacador e o termo letra de câmbio. Endosso Em regra.5. por sua vez. Na hipótese de “C” endossar seu título a “D”.4. conjugado com a Súmula no 387 do STF 5 alguns dos requisitos de validade de uma letra devem estar completos. • nome do tomador (beneficiário). pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. toda letra é passível de endosso. cada uma dessas pessoas irá constituir-se em obrigado indireto para com o credor do título.” .1.208 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Desta forma. 7. Neste caso. Requisitos de Validade São requisitos de validade da letra (art. ou em branco. 2o). • a quantia a ser paga. O terceiro que entrar na relação. • época do pagamento. não no . não invalida a letra. Outros. 1o da Lei Uniforme de Genebra): • a palavra letra de câmbio. “B” será o obrigado direto pelo pagamento da letra. enquanto que “A” será obrigado indireto ou coobrigado. A supressão das datas do vencimento e de emissão. são indispensáveis e devem acompanhar o documento desde a sua origem. nome do sacado. e assim sucessivamente. Por força do art. • data e lugar de onde a letra é sacada. além dos lugares de pagamento ou de emissão. avalizando obrigação do endossante “D”. • assinatura do sacador. 5 Súmula no 387 do STF: “A cambial emitida ou aceita com omissões. • lugar do pagamento. 11 da LU).044/08. que. no nosso exemplo do item 7. que será considerada pagável à vista. mas por ocasião da cobrança e do protesto do título. salvo se contiver expressamente a cláusula não à ordem. desde que tenha aceitado o título. momento do saque. só é transmissível pela forma e com efeitos de uma cessão civil de créditos (art. no lugar colocado ao lado do nome do sacado (art. como quantia a ser paga. 3o do Decreto no 2.

7. a única saída é uma cessão civil de crédito. o endossatário não pode endossar o título. A esta condição dá-se o nome de endosso sem garantia Assim.1. apenas . Por exemplo.6. Não há limites para o número de endossos de um título. mas o sacado só aceita R$250. provoca o vencimento antecipado do título. primeira parte. como detentor do direito literal escrito no ordem. A letra comporta outras duas formas de endosso. o aceitante fica obrigado. Sua recusa. podendo acontecer quantas vezes desejem seus titulares. se “C” resolver endossar o título a favor de “D”. mas tão-somente para o sacador. apenas legitima um procurador para recebê-lo (art. no mesmo exemplo. na hipótese de “D” colocar a cláusula sem garantia irá eximir-se da responsabilidade garantia. Por isso. Aceitar parcialmente traz conseqüência similar à recusa total. ou seja. em favor de um credor. salvo para um endosso-mandato (art. opera-se o vencimento antecipado em relação ao sacador. livre de qualquer modificação pelo sacado. 18 da LU). São elas: • endosso-mandato – não transfere a titularidade do crédito. retorna à posse do endossante. garantia. como garantia da satisfação de uma dívida. Nesta situação. ainda que o sacado seja reconhecidamente devedor da obrigação.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 209 Série Impetus Provas e Concursos Assim.00. 19 da LU). O endossante é garantidor tanto da aceitação como do pagamento da letra. Aceite O aceite não é ato obrigatório na letra de câmbio. Uma vez paga. se “A”. Para transmissão de seu crédito. ao emitir o título.00. Insuficiente o espaço do título. inseriu a cláusula não à ordem “C”. 26 da LU). 15. ainda aproveitando nosso exemplo do item 7. pelo pagamento do título. na qualidade de coobrigado. salvo se inserir cláusula isentando-se dessa responsabilidade (art. 20). se a ordem que lhe foi endereçada tem valor de R$500. que poderá ser exigido de imediato. A principal é o vencimento antecipado do título. não estará ele compelido a aceitá-la. permite-se anexar uma folha de alongue alongue. Melhor explicando. Porém. diz-se que o aceite deve ser sempre INCONDICIONADO. pois. título de crédito. da LU). por parte do beneficiário da letra. Também se furta à obrigação de garantidor da obrigação o endossante de endosso efetuado posteriormente ao protesto por falta de pagamento.00. que endossa em favor de “E”. não poderá endossá-lo a outrem. ou feito após expirado o prazo para fazer-se o protesto (art. mesmo que parcial. nos termos de seu aceite (art. nos R$500. • endosso-caução – quando seu titular onera a letra com penhor.

na verdade. b) modificativo – quando o sacado altera qualquer outra condição presente na letra. 32 da LU). desde que não se trate de título pagável em domicílio de terceiro. avalizado o sacador da letra (art. O emitente pode. se for detectado que a assinatura do avalizado posta no título é falsa. não significa que o título não vá ser apresentado ao sacado. a descoberta não atinge a obrigação do avalista. 7. ou se o avalizado é civilmente incapaz. a apresentação dar-se-á no vencimento. que se incorpora à relação jurídica criada. 22 da LU). no entanto. Contudo. diferente do domicílio do sacado (art.7. a obrigação do avalista não se contamina com qualquer causa presente na do avalizado. que intervém para aceitar o título. mesmo se for considerada nula a obrigação do avalizado subsiste a do avalista. e diretamente para pagamento. caso não haja a indicação. a exemplo do local de pagamento. O avalista responsabiliza-se da mesma forma que o avalizado É. resultar de vício de forma. tentando evitar seu vencimento antecipado. total ou parcial prestada por alguém parcial cial. Por exemplo. Por ela. avalizado. estar atentos ao teor desse dispositivo. que se .210 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel por ocasião do vencimento. título para aceite. haver a indicação daquele em honra de quem foi feita a intervenção. toma-se o sacador por beneficiário. na parte que aquele aceitou. Se for colocada no verso. claro. salvo se a nulidade avalizado. considera-se aval. Deve. Aval Aval é a garantia de pagamento do título. Nesta hipótese. É que duas características permeiam a obrigação do avalista. Temos duas formas de aceite parcial ou condicional: a) limitativo – ocorre quando o sacado concorda em aceitar apenas parte do valor constante da cártula. 31 da LU). Devemos. Possível o ACEITE POR INTERVENÇÃO (arts. diferentemente do pagamento por intervenção. enquanto o avalizado é o devedor em favor do qual foi dada a garantia (art. 56 e 57 da LU). Entretanto. ainda. é necessária a anuência do portador da letra. que normalmente é o sacado. que é o ato praticado por terceiro. Avalista é o garantidor. contudo. deve conter expressão do tipo bom para aval com a indicação do favorecido. Na sua omissão. através da cláusula não-aceitável proibir a apresentação do não-aceitável. autônoma sua obrigação em relação à daquele. a primeira é a AUTONOMIA em relação à do avalizado. estranho ou mesmo já coobrigado na relação. Exprime-se pela simples assinatura do dador no anverso (frente) da letra. o sacado poderá ser cobrado regressivamente pelo sacador que pagar a obrigação. Isto significa que. 30 da LU). que é aquele que macula a própria caracterização do documento como título de crédito (art.

• num dia fixado – o vencimento vem definido na própria letra (art. a característica da EQUIVALÊNCIA. se o avalizado. 33 da LU.00. apresentar B1. poderá cobrar a integralidade de seu avalizado (B1) e. Não havendo aceite. contra o outro avalista. 7.8. estaremos diante de um aval sucessivo. quando não reduzido ou ampliado. claro. • a um certo termo de vista – o vencimento conta-se a partir do aceite. conseguir a remissão parcial de dívida quirografária (letra de câmbio com valor de R$100. Desta forma. se B1. significa a posição em que o avalista coloca-se numa cadeia de obrigação cambial. 37 da LU). considera-se a data do protesto (art. embora tendo perdido 50% de seu crédito para o devedor.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 211 Série Impetus Provas e Concursos mantém nas mesmas condições originais. Neste caso. . Na hipótese de B1 quitar integralmente o débito. 34 da LU). não estará obstado de executar o avalista pela totalidade da obrigação. pois não haverá solidariedade entre eles. somente poderá reaver a metade do que pagou. Vencimento O vencimento da letra obedece à exegese do art. em concessão de recuperação judicial. 26. terá ação regressiva contra seu avalizado (B). se B1 e B2 resolvem prestar aval à prestação do aceitante B. A doutrina.1 como avalista seu. só poderá acionar regressivamente o devedor principal (B). cita Fran Martins. se B1. Igualmente podemos afirmar que.00). Por exemplo. se B1 pagar a totalidade da dívida. o credor. que é reduzida para R$50. do devedor principal (B). Já o aval sucessivo é aquele que se materializa quando um avalista tem garantida sua obrigação por outro avalista (é o aval do aval). distinguiu duas espécies de avais: o SIMULTÂNEO e o SUCESSIVO.1 pagar. por vontade do próprio sacador (art. Porém. que deve ser em um ano após a emissão. senão vejamos: • à vista – quando pagável na apresentação. O primeiro ocorre quando duas ou mais pessoas avalizam a mesma obrigação. avalista de B. nunca avalista seu (B1. para fins da anterioridade-posterioridade. que se coaduna com a exegese do art. • a um certo termo de data – o vencimento será a tantos dias da data de emissão ou saque (art. Quer dizer que ele estará imediatamente após o avalizado. 283 do CC/2002.1). prevista no art. põe-se em prática a regra da solidariedade passiva. De outra sorte. De outra forma. 35 da LU). pelo valor total que foi pago. 36 da LU). Neste último caso.

sob pena de perder o direito contra os co-devedores. estarão quitados todos os demais co-devedores. em favor de B. e mais. poderá dirigir-se a qualquer um dos coobrigados. ou nota promissória. mesmo. que endossou a E. H e I. seja na condição de obrigado direto (sacado aceitante da letra ou emitente de nota promissória) ou. que é o detentor e credor da letra. na hipótese de obrigarem-se os avalistas F G. E. C e D. A. ficando o terceiro interveniente sub-rogado nos direitos emergentes da letra. Importante destacar a obrigatoriedade de o credor dirigir-se ao devedor principal em primeiro lugar. como obrigado indireto (endossantes e avalistas). . perde o direito contra aqueles que teriam sido beneficiados. permitindo-se a esse intentar ação regressiva contra os anteriores a ele. não sem antes providenciar a certidão de protesto (exceto se presente a cláusula “sem despesas” ou “sem protesto”). a liberação terá efeito apenas sobre esse.9. este poderá propor nova ação contra B e F pois G e C não mais poderão ser cobrados. que é seu devedor principal. sendo o pagamento efetuado por um co-devedor. ficando H com direito à ação regressiva contra C. no vencimento. Na hipótese de conseguir recebê-la de H. G. que paga. Desta forma. muitas pessoas poderão assumir obrigação pelo pagamento do título. estarão desonerados D e I. deve. F e B. Seu efeito é o de desonerar os endossantes e avalistas posteriores ao signatário por honra de quem foi feito o pagamento. desoneram-se os demais situados na relação posteriormente ao que pagou. a cadeia anterior-posterior . estará correta assim: B-F-A-G-C-H-D-I. Pagamento Sabemos que. de outra forma. Caso o portador recuse o pagamento por intervenção. A fim de simplificar o entendimento. A. Se a regressiva de H for contra A. assim como contra os que são obrigados para este beneficiário. numa relação cambiária. tanto que o devedor principal que paga livra todos os demais. 59 a 63. em favor de C. O pagamento da cambiária provoca a extinção de todas. se tivermos uma letra emitida por A. caso o pagamento seja realizado pelo co-devedor que venha por último na relação cambiária. já que os demais permanecem passíveis de uma cobrança em regresso. a regra é a da desoneração dos obrigados posteriores. Contudo. permite ainda o PAGAMENTO POR INTERVENÇÃO. se o devedor principal pagar o título. Em resumo. em seus arts. Melhor explicando.212 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7. Portanto. contra aquele por honra de quem pagou. Fábio Ulhoa Coelho organizou relação de responsabilidade a qual denominou “cadeia anterior-posterior”. sacada contra B. Caso não consiga recebê-la de B. algumas ou uma das obrigações contraídas por cada um daqueles agentes. respectivamente. A Lei Uniforme. procurar B. . pois é ele que se obriga em primeiro lugar. que posteriormente endossou-a a D. É forma de liquidação do título por um terceiro que não participe da relação jurídica.

poderá dirigir-se regressivamente a F.: existindo uma cadeia de endosso composta pelas pessoas B. 70 da LU): • três anos – todas contra o aceitante (sacado) e seus avalistas.044/08. contados do protesto ou do vencimento (tratando-se de letra que contenha cláusula sem despesas). inclusive contra os próprios obrigados indiretos. o prazo para sua execução é de dois dias após o vencimento. acontece a prescrição do direito (art. 46 da Lei Uniforme prevê a possibilidade de dispensa do protesto. o crédito contra os obrigados diretos (aceitante e seu avalista). ou avalistas destes. conseguir saldá-la com o endossante E.10. desde que presente a cláusula sem despesas. por força do art. a contar do dia em que o endossante pagou a letra letra. endossantes e respectivos avalistas (art. na hipótese de G. credor da letra. 53 da LU). despesas inserida pelo sacador da letra. antecederam na relação cambial Prescrita a ação cambial. o portador terá até o fim do prazo de apresentação para procurar o cartório. prevê-se a ação contra enriquecimento ilícito do sacador ou aceitante. Proíbe-se o poder regressivo daquele que pagou contra coobrigados posteriormente posicionados na cadeia de endosso. enquanto que. Não tirado o protesto pelo portador. conforme a nomenclatura constante do Código de Processo Civil. 48 do Decreto no 2. seis meses – dos endossantes uns contra os outros. Contudo. Apesar do título. ou contra o sacador • endossantes. se a hipótese for a negação do aceite. perde este o direito creditício contra os coobrigados da letra. . F e G.11. Ex. Protesto Já estudamos que o protesto cambial da letra de câmbio é ato extrajudicial fundamentado tanto na falta de pagamento como na recusa de aceite pelo sacado. Não impetrada nos prazos abaixo. D. sua eficácia atingirá tão-somente aquele que a introduziu. através do qual o credor pode promover a cobrança judicial da cambial sem que seja necessário regular processo de conhecimento. muito mais demorado que a ação cambial. quais sejam: sacador. Se posta por um dos endossantes. este não dirigir-se regr egressivamente F. C. E. mas apenas àqueles que o cambial. contados vencimento. do vencimento • um ano – do portador contra o sacador (emitente) ou endossantes e seus avalistas. ou de um processo de execução. o art. No primeiro caso. 7. Ação de Cobrança É providência judicial cabível na hipótese de o titular da letra não ver satisfeito seu crédito literal nela constante. trata-se de uma execução. pois. e seus avalistas. Para tanto. Mantém-se. faz-se necessário um regular processo de conhecimento (ação ordinária).CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 213 Série Impetus Provas e Concursos 7.

Por ser emitida pela mesma parte que se obriga ao seu pagamento. ou emitente do documento. Outros.663/66. Legislação Aplicável Nota promissória é uma espécie de título de crédito regulado pelas mesmas normas disciplinadoras da letra de câmbio. passa a ser considerada título certo. . devidamente protestada e não prescrita. junto da qual deve seguir. Nota Promissória Conceito Enquanto a letra de câmbio expressa uma ordem de pagamento dada pelo sacador ao sacado do título. tanto que se dispensa até novo aceite do sacado.663/66. através do qual se permite ao portador de uma letra que a tenha pago. com o objetivo de substituir a ação regressiva contra os demais co-responsáveis. uma vez emitida. 2) emitindo uma nova letra. considerando-se a aposição no título original como suficiente. de pagar certa importância em dinheiro a uma outra pessoa.044/08. 8. Pode-se afirmar que. que será a cópia fiel da primitiva. ou seja. se algum obrigado indireto pagar a letra. o que significa que. Ressaque Ressacar é sacar outra vez.044/08.1. a nota promissória dispensa a participação de um aceitante da dívida. com os mesmos requisitos essenciais. proceder à emissão de um novo título. designada beneficiário beneficiário. Tem previsão no art. ele poderá demandar os demais de duas formas (respeitando-se a regra da anterioridade): 1) por meio de ação regressiva.2. O ressaque deve possuir idêntica natureza do saque primitivo. 8. a nota promissória exprime uma promessa feita pelo próprio devedor. Veremos adiante que muitos dos dispositivos legais aplicados às letras são apropriados também às notas promissórias. especificamente a partir do art. 37 do Decreto no 2. introduzida na legislação brasileira pelo Decreto no 57.12. subsidiado pelo Decreto no 2. a Lei Uniforme de Genebra. 8. destinam-se a regulamentar pontos singulares da NP. podendo ser cobrada diretamente do sacador que a gerou. 75 do Decreto no 57.214 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7.

ressaque. transferindo-o por meio de endosso a uma terceira pessoa interveniente na relação. senão vejamos (art.5. vencimento. enquanto o endossador aparecerá como responsável indireto pela obrigação. mas três sujeitos participando da relação jurídica formada pelo título. Protesto São concernentes às notas promissórias as disposições relativas à letra de câmbio. torna-se coobrigado da obrigação constante na cártula. não dois. pois não há limite para o número de endossos.3. Endosso. 75 da LU): • a denominação nota promissória. 8. Outra forma de inserir terceiros à relação jurídica é através do aval. • data e lugar de emissão. • beneficiário. Neste momento.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 215 Série Impetus Provas e Concursos 8. sacador ou subscritor.4. Com essas prerrogativas. Figuras Intervenientes Na sua constituição. Salvo a data (se omitida. Aval. • assinatura do emitente. o titular do direito creditício poderá livremente negociar seu crédito. a ausência de algum dos elementos discriminados provoca a desconsideração do título como nota promissória (art. • data do pagamento. 76 da LU). • nome do beneficiário. Pagamento. ação endosso. • lugar do pagamento. de cobrança protesto e ressaque . observa-se a participação de duas pessoas componentes da relação jurídica: • emitente. 8. Vencimento. cobrança. especificamente no que se refere a endosso aval vencimento pagamento. pois o endossatário assumirá a titularidade sobre o crédito. Ação de Cobrança. • promessa de pagar certa quantia. O avalista. Requisitos de Validade Para ser considerada válida. será considerada à vista) e o lugar de pagamento ou emissão. aval. O beneficiário conservará a posse e propriedade do título. uma nota promissória deve conter alguns requisitos requisitos. que lhe será entregue após a emissão por parte do sacador. ao prestar a garantia. teremos. portanto. Muitas outras pessoas ainda poderão fazer parte do vínculo jurídico criado.

9. 1. 9. elaborada pela Convenção Internacional de Genebra. Direito Comercial. Legislação Aplicável O tema é disciplinado pela Lei Federal no 7. Igualmente é inadmissível o protesto por falta de aceite. em poder do sacado. • beneficiário – o favorecido a quem deve ser pago o cheque (pode ser o próprio sacador). Considera-se que. realizada em 1931. sendo despiciendo exigir-se nova declaração de sua parte a respeito do débito. que é a própria instituição financeira. de 2 de setembro de 1985. A conclusão doutrinária.216 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Exceção deve ser feita ao vencimento a certo termo de vista não-aplicável às vista. da Lei Uniforme do Cheque.595. logo. que nada mais é do que a inserção. de 7 de janeiro de 1966.3. 1994. Cheque Conceito É o cheque uma ordem de pagamento à vista. 9.2. por tratar-se de uma promessa de pagamento declarada pelo próprio agente emissor. Aceite O aceite não se aplica à nota promissória. defendida inclusive por Requião. de forma subsidiária àquela.1. 88.6. ed. como o prazo para esse tipo de vencimento deve ser contado a partir daquele ato.6 O cheque incide sobre fundos disponíveis do sacador. o sacador já está aceitando o encargo dele decorrente. sacada por uma pessoa contra uma instituição financeira (a favor do sacado ou de terceiro). no Direito brasileiro. pelo Decreto no 57. • sacado – a instituição financeira contra a qual se saca o cheque. não há que se falar em vencimento antecipado por falta de aceite. São Paulo: Meta. reside no fato de a NP não admitir o aceite. Nesse contexto. notas promissórias. Por ser seu devedor principal. . e. inconcebível seria recepcioná-lo para as notas promissórias. 6 MATIELO. 78 da LU). Figuras Intervenientes Participam da relação jurídica decorrente do cheque as seguintes pessoas: • sacador – o correntista emitente do cheque. Mário Eduardo.357. ao proceder à criação do título. 9. p. 8. o subscritor da nota promissória é responsável da mesma forma que o aceitante de uma letra de câmbio (art.

considera-se o lugar junto ao nome do sacado. 9. Obrigados avalista. 32 da Lei no 7. pode a instituição financeira reaver o que pagou (art. contudo. • assinatura do emitente ou seu mandatário mandatário. 9. Além desses. considera-se o local indicado ao lado do nome do emitente. 2o da Lei do Cheque. se pagar cheque falso. 4o da Lei do Cheque. o cheque deverá possuir fundos disponíveis na instituição financeira. Neste caso. falsificado ou alterado. assim como o sacado (banco). mas civil). 2o da Lei do Cheque enumera os seguintes requisitos. A ausência de provisão. considera-se o primeiro. indiretos serão os endossantes e seus avalistas. será o lugar de emissão. sem os quais o documento não valerá como cheque. pré-datado. mas ao tempo presente. Esta é a regra do art. Este se responsabiliza apenas quando processar pagamento indevido. não sendo o beneficiário do título. a exemplo de um cheque cruzado (aquele que deve ser depositado em conta) pago diretamente ao portador não-cliente. 39 da LC). se nenhum. salvo dolo ou culpa do correntista. não a autenticidade das assinaturas dos endossantes. O cheque é uma ordem de pagamento à vista. Significa dizer que. determinada. O art. ou de um cheque pago erradamente à pessoa estranha à relação jurídica. endossante ou beneficiário (não é responsabilidade cambial.5.357/85 considera como não-escrita qualquer menção em contrário. se designados vários lugares. salvo lugar de pagamento ou emissão e a data: • a denominação cheque – deve estar inserida no contexto do título.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 217 Série Impetus Provas e Concursos Obrigados diretos do cheque são o emitente e seu avalista se houver. Requisitos de Validade O art. não é aceita como título de crédito. Outra vinculado. O banco que paga cheque endossado obriga-se a verificar a regularidade. • lugar de pagamento – não constando lugar de pagamento. mesmo pré-datado o banco não se deve vincular à data aposta para pagamento. Características Principais Trata-se de título de modelo vinculado determinado pelo Banco Central. forma de cheque. • data e lugar de emissão – não constando lugar de emissão. não prejudica a validade do título como cheque. . Responde.4. • ordem incondicional de pagar quantia determinada • nome do banco sacado sacado. contudo. ainda que contenha todos os requisitos ditados no art.

já que o mesmo não detém a propriedade do direito. o mesmo vier a ocorrer à revelia de tal vedação (art. nulo. Admite-se o pagamento parcial não se facultando ao portador recusá-lo. permite o endosso-mandato pelo qual o portador pode exercer todos endosso-mandato. n 8. O endosso parcial é nulo Outrossim. mas só pode lançar no documento endossomandato (art. Aceite O cheque não admite aceite. a obrigação só se extingue com a sua compensação.7. por ser uma ordem de pagamento à vista. em uma transação comercial. uma vez recebido o cheque. A essa singularidade confere-se o nome de obrigação pró-solvendo pró-solvendo.311/96. O cheque. a transferência opera-se via cessão civil de crédito crédito. é bastante para concretizar o ato. 26 da LC). o endossante é garantidor do pagamento (coobrigado). 92 da Lei Federal forçado. expressamente proibido endosso posterior. por esse tipo de endosso impróprio. Entretanto. pode ser branco. transmitir a titularidade do crédito representado no papel. posto que o endosso não se subordina a nenhuma circunstância. recebimento ofertado comprador. considerar-se-á aquela como não-escrita. Isso é lógico. considerando-se não-escrita qualquer declaração neste sentido (art. em preto ou em branco A assinatura do endossante juntamente com o nome do endossatário. o 9. os direitos resultantes do cheque. Exemplificando: o vendedor.6. salvo se. 9.218 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O cheque não é papel de curso forçado É o que dispõe o art. Endosso Permite-se o endosso próprio do cheque que. Quanto ao número possível de endossos. 21 da LC). da operação De outra forma. contrapartida recusar o recebimento de cheque ofertado pelo comprador. . parcial. Significa dizer que não se permite ao endossatário.884/94. O endosso próprio transmite todos os direitos do cheque. o sacado (banco) não garante o pagamento do cheque. como contrapartida operação. Endosso posterior ao protesto ou ao prazo de apresentação também produz efeitos de uma cessão civil de crédito crédito. comercial. diploma legal limitou em apenas uma a quantidade de endosso permitida. 6o da LC). lançados no verso do título. Como conseqüência. se inserida qualquer condição para sua efetivação. pode vendedor. Nesse caso. como já mencionado. Equivale afirmar que ninguém está compelido a recebê-lo como se fora dinheiro. é necessário fazer referência à Lei no 9. Em regra. não admite o endosso-caução endosso-caução. que instituiu a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira – CPMF Esse .

29). para apresentação ao banco. 31). senão se considera avalizado o emitente (art. portanto. seu beneficiário tem prazo de trinta dias.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 219 Série Impetus Provas e Concursos Realmente. exceto o sacado (art. contados da emissão. “faculta-se ao banco o pagamento”. se for cheque da praça. para fins de decadência do direito de ação cambiária. 47 da LC).10.8. quando o título foi emitido pelo próprio devedor. Ação de Cobrança Não honrado o pagamento pelo seu principal devedor (emitente). 9. dispensando a exigência de apresentação ao banco. que é o principal responsável pela sua solvência. o título só pode ser cobrado via processo de conhecimento desprovido. 9. supramencionado. Com relação aos obrigados diretos a Súmula no 600 do STF veio alterar o dispositivo diretos. perderá o direito à ação de cobrança contra os coobrigados Claro que. a qualquer adiamento daquele ato (cheque pré-datado). O aval deve indicar a pessoa avalizada. não se submetendo. No entanto. Em outras palavras. A ação pode ser impetrada contra o emitente e seus avalistas (obrigados diretos obrigados diretos). O avalista obriga-se da mesma maneira que o avalizado (art. 9. 33 da LC). Vencimento e Pagamento Vimos que o cheque é ordem de pagamento cujo vencimento é sempre à vista. 30). o prazo para se promover a execução (art. 35. desde que ainda não-prescrito (art. ou contra os endossantes e seus avalistas (coobrigados coobrigados). e de sessenta dias. contados da data de expiração do tempo para apresentação (trinta ou sessenta dias da emissão). coobrigados Se o credor não apresentar o cheque ao banco no prazo legal (trinta ou sessenta dias).9. sendo cheque emitido em outro lugar do país ou até do exterior (art. prescreve em seis meses. não tem sentido cogitar o aceite de um cheque. portanto. banco aceitar a apresentação no lapso temporal que vai até seis meses do tempo de apresentação. Aval Permite o aval prestado por terceiro. Pode ser total ou parcial e exprime-se pela simples assinatura do avalista colocada no anverso do cheque (frente). conhecimento. a sua assinatura aposta no momento da expedição do documento já representa seu consentimento em relação ao débito. permanece o direito contra os obrigados indiretos (art. Após essas datas. 59 da LC). parágrafo único). do atributo da executividade. se o coobrigados. A partir dessa data. .

apresentado antes do prazo pactuado fundos). o simples descontrole do saldo. prescrição para ação de cobrança. contra o emitente e outros obrigados. se lançada por um endossante ou por avalista. conforme o documento seja da praça ou fora dela A lei prevê ação de enriquecimento no prazo de dois anos. a necessidade do protesto contra os coobrigados. contados a partir da enriquecimento. não tipifica o crime.220 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel ATENÇÃO! Não confundir prazo para apresentação ao banco (30 ou 60 dias da emissão). entre as partes e devolvido por falta de fundos • . que se locupletaram injustamente com o não-pagamento do cheque (art. ATENÇÃO! Cheque sem fundos constitui tipo penal. mas não o é se o demandado for o emitente ou avalista seu. se posta pelo emitente. Protesto O protesto do cheque só pode acontecer motivado pela ausência de fundos disponíveis para pagamento. no entanto. Ao banco proíbe-se o pagamento do cheque. fraude – caracteriza-se na forma deliberada do agente de fraudar o credor. 210 ou 240 dias. Essa condição. produz efeito em relação a todos os obrigados. se a vítima estava ciente de que não havia provisão de fundos. decorridos dela. 9. Para configurar-se. 171 do Código Penal. 61 da LC). e ainda assim apresentou o cheque ao banco. o cheque pré-datado. não há o tipo penal (como exemplo negativo.11. Permite-se inserir no título a cláusula sem protesto ou sem despesa para dispensar despesa. com prazo prescricional da ação de cobrança (06 meses + 30 ou 60 dias = 210 ou 240 dias). faz-se necessária a conjunção dos seguintes fatores: • dolo – é a intenção na finalidade do ato. É exigível para propositura de ação de cobrança contra os endossantes e seus avalistas. O instrumento legal que vem sendo empregado para tanto é a ação monitória. não observado pelo correntista. 50 da LC). o efeito atingirá apenas aqueles (art. previsto no art.

ou seja. debita de imediato a quantia na conta do sacador. não pode ser sacado diretamente no caixa. Espécies Os cheques podem ser das seguintes espécies: • cruzado – atravessado por duas linhas paralelas. o nome de um banco. Só produz efeito após o prazo de apresentação (trinta ou sessenta dias). como vimos. dependendo do local de emissão. de cheque utilizado no pagamento de uma nota promissória reduz credor edor. considerando-se inexistente declaração pela qual se exima do cumprimento da obrigação. Equivale a uma limitação de validade do título ao prazo de apresentação ao banco. que é ato privativo do emitente. mediante visto aposto no próprio título. • oposição – prevista no art. 36 da LC. . o emitente deve garantir o pagamento do cheque. que pode dar-se mesmo durante o tempo de apresentação. • visado – quando o banco.13. posto per manecer ele com mesmo promissória). a diminuição do seu patrimônio (como exemplo negativo. mas depositado em conta. só a este poderá ser apresentado. banco contra seu caixa. a devolução. • especial – confere ao seu titular o direito de emiti-lo além de sua provisão de fundos. Em ambas as formas. permanecer não reduz o patrimônio do credor. será de trinta ou de sessenta dias. 9. • viagem – já contém a importância que deve ser paga. no cruzamento. que. Não sustado. garantindo o cumprimento da obrigação. 35 da LC. bancário – também conhecido por administrativo é emitido pelo próprio • administrativo. Pode ser efetuada de duas formas: • revogação ou contra-ordem – prevista no art.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 221 Série Impetus Provas e Concursos • dano – necessário o dano patrimonial à vítima. Sustação A lei admite a sustação do cheque. direito creditício advindo da nota promissória 9. Produz efeito a partir da cientificação ao banco. assim como a assinatura do sacador. Se houver.12. por insuficiência de fundos. apenas cumprir a determinação. não compete ao banco julgar a relevância da razão invocada pelo emitente.

444. pelo fato de não ser obrigatória a emissão da fatura em vendas cujos vencimentos fossem inferiores a trinta dias. os comerciantes que realizassem venda com prazo de pagamento não-inferior a trinta dias estariam obrigados à emissão de fatura da venda respectiva. permitia-se a emissão da(s) duplicata(s). portanto. Entretanto. .474/68. assimilado aos títulos cambiários por força de lei. passou a haver certa regularidade na emissão do título. este deverá obrigatoriamente ser uma duplicata (art. se da operação houver intenção de emitir um título de crédito. V. A emissão da duplicata é facultativa. em toda operação de compra e venda mercantil a prazo. Daí ser um título causal posto que causal. até 1968. 2. Fran Martins lembra que. Da fatura. depende. como a duplicata pode nascer sempre da fatura ou da nota-fiscal-fatura. Entretanto. dificilmente se dava a emissão de duplicatas em vendas com prazos abaixo daquele tempo. de um título originado a partir de um contrato de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços. Esse documento tem a finalidade de discriminar o produto da venda. nesse período. Conceito Requião conceitua duplicata como um título formal. São Paulo: Saraiva. constituindo um saque fundado sobre crédito proveniente de contrato de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços. os comerciantes signatários que o adotarem obrigam-se à emissão em toda venda efetuada. A respeito da faculdade de expedição da duplicata. uma vez emitida. o comerciante era obrigado a extrair duplicata. para sua existência. Com advento da Lei no 5. Ocorre que. já que poucos processavam a emissão de fatura. especificando detalhes como: valor unitário. Daí. com escopo de servir tanto a fins contábeis como fiscais. p. 7 REQUIÃO. Curso de Direito Comercial. circulante por meio de endosso. Rubens. de um documento chamado “nota fiscal fatura”. Percebam que. deixa de haver qualquer vinculação com a causa que lhe deu origem.7 Trata-se.222 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 10.1. Duplicata 10. quantidade. não importando se é à vista ou não. de concretizar-se um prévio negócio mercantil. quando realizadas vendas com prazo curto de recebimento. preço unitário etc. inclusive à vista. por parte dos comerciantes. 2o da LD). desde que foi firmado um convênio entre os Estados para adoção.

10. 10. a duplicata é título de modelo vinculado significando vinculado. duplicata. Requisitos de Validade O art. na verdade. Legislação Aplicável A Lei Federal no 5. Prestando aval. permite-se ao proprietário de uma duplicata transferir. Documento emitido sem obediência àquele modelo não gera efeito cambial. Características Principais Assim como o cheque. requisitos e efeitos do original. dizer que só é válida se emitida de acordo com especificações já definidas.3. Figuras Intervenientes Duas pessoas são necessárias à relação jurídica: • sacador – é o comerciante que vende a mercadoria (credor). o art. por meio de endosso. seja como garantidor do obrigado direto ou de um dos coobrigados. o sacador assumirá o papel de obrigado indireto pelo crédito. devendo-se observar idênticas formalidades daquela.2. Trata-se. o endossatário será o novo credor. permite-se a emissão da triplicata com os mesmos triplicata. 23 da Lei no 5. • aceite do devedor (sacado). seu direito sobre o título. hipótese em que se admitirá o ingresso de terceiros na relação originalmente criada. • número da fatura. • local de pagamento. ao menos quando houver perda ou extravio da duplicata.474/68 reputa como obrigatória a sua extração. Em caso de perda ou extravio. • cláusula à ordem. Sobre a triplicata. • sacado – é o comprador.474/68 é o diploma normativo aplicável à duplicata. o avalista também fará parte da mesma relação decorrente do título.5. 10. Nesta situação. • assinatura do emitente. • vencimento (ou declaração de ser à vista). • nome e domicílio do vendedor e do comprador. • valor. 2o da LD traz requisitos sem os quais o título não valerá como duplicata: • denominação duplicata data de emissão e número de ordem. de um novo documento com as mesmas características. .4. efeitos e requisitos do documento original.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 223 Série Impetus Provas e Concursos 10. aquele que se obriga a pagar a obrigação. Assim como os demais títulos cambiários.

25 da Lei de Duplicatas assegura a aplicação das mesmas regras concernentes à letra de câmbio.224 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A doutrina acentua que. pois. e. relativas à forma de circulação das duplicatas. Obriga-se o comerciante que emitir duplicata ao registro no Livro de Registro de Duplicatas. sempre que acontecer a perda ou extravio da original. mesmo. é preciso esclarecer que o título só é considerado não-aceito depois de configurado um dos motivos descritos acima. Desta forma. 23 ainda está “contaminado” com a antiga obrigatoriedade da emissão da duplicata. vendedor. Aceite Diversamente à letra de câmbio. • divergências nos prazos ou nos preços. apesar de o dispositivo legal expressar a obrigatoriedade de emissão da triplicata. Deve. posto que a lei restringe a possibilidade de o sacado libertar-se da obrigação que lhe é apresentada apenas naquelas hipóteses. havendo sua devolução juntamente com exposição circunstanciada do sacado. . salvo nas seguintes situações (art. assim mesmo. a ausência de devolução dele ao sacador. não implicam sua liberação de saldar a duplicata. muito menos desconsideração do documento como duplicata mercantil. não se deve tomar a disposição “ao pé da letra”. O art.7. Quando se ressalta a compulsoriedade do aceite na duplicata. sendo facultativa a emissão da duplicata. ou seja. como uma faculdade que detém o comerciante ou o prestador de serviço. • vícios na qualidade ou na quantidade dos produtos. 10. Ressalva para a impossibilidade de ser inserida a cláusula não à ordem desde a origem. que terá sempre como primeiro endossante o vendedor da operação de compra e venda que deu origem ao título. inexistindo uma das causas capituladas no art. ser interpretado de forma diversa. Endosso Permite-se o endosso da duplicata. a recusa do sacado em aceitar o título ou. Segundo Fran Martins.6. lastreada em uma daquelas razões. claro na hipótese legal. 10. o art. 8o da LD): • avaria ou não-recebimento das mercadorias quando a culpa for do mercadorias. Isso porque. também o é a expedição da triplicata. 8o da LD. o aceite do sacado é obrigatório.

devem ser obedecidas (art.8. para que esse aceite o débito custodiado no banco. Ação de Cobrança Para cobrar-se judicialmente uma duplicata. Essa forma tem pouco uso. presunção: não as devolve ao remetente. produzindo idênticos efeitos (art. Fora desses casos. além de aumentar a quantidade de papel. ao mesmo tempo em que remete ao sacado algum instrumento de comunicação. devido à utilização mais corriqueira de meio magnético para substituir a emissão de papéis. 15 da LD): • se houver aceite do devedor – independe de protesto para propositura da ação de cobrança contra o obrigado direto.10. este será considerado como aquele que vier indicado logo abaixo de sua assinatura. b) por presunção acontece sempre que o sacado. da LD). Atualmente. 10. o instrumento devido é a ação de cobrança. independentemente de estar protestado ou não. contudo. Se não houver indicação do avalizado. As normas para pagamento seguem as disposições aplicadas à letra de câmbio. ainda que não haja a restituição da duplicata enviada a aceite. Algumas regras. ainda que posterior ao vencimento do título. essa forma é largamente usada no meio comercial.9. contudo. 2o. ordinário: condição que o torna título executivo contra o sacado. Vencimento De forma diversa da letra de câmbio. a duplicata só admite duas formas de vencimento: à vista ou num dia fixado no próprio título (art.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 225 Série Impetus Provas e Concursos Devemos destacar. 10. pois. III. Aval Admite-se o aval. c) por comunicação é forma pela qual uma instituição financeira. ao receber as mercadorias. comunicação: descontadora do título. o avalizado será o comprador. presumindo-se que ele concordou com o saque efetuado contra ele. 10. . 12 da LD). três formas de aceite do título: a) ordinário ocorre quando o sacado apõe sua assinatura no próprio título. fere o princípio da cartularidade. vista. para cobrar-se dos obrigados indiretos é necessário o protesto. retém a cártula.

13. assim como do acompanhamento de documento que comprove a entrega da mercadoria. 13 da LD). já que dispensa vista ao documento. A prescrição do prazo para propor-se a ação dá-se (art. para fins cobrança do crédito. trata-se de uma exceção à característica da cartularidade. por falta de aceite ou de devolução. . ao passo que o warrant é um título fundado numa garantia pignoratícia (vem de penhor) sobre as mercadorias depositadas.226 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • se não houver aceite nem devolução do título – depende de prévio protesto até mesmo contra o obrigado direto. as mesmas mercadorias. por solicitação do depositante.11. 11. 8o. Protesto A duplicata pode ser protestada por falta de aceite. Contra o devedor principal (sacado) e seu avalista. legitimando seu portador na propriedade das mesmas. Permite-se o protesto. Ambos são considerados títulos de crédito impróprios impróprios. não se faz necessário o protesto. § 1o. ainda que sem a apresentação do título no cartório. • um ano da data do pagamento – quando movida por um coobrigado contra os demais. 8 Estabelecimento que tem por fim a guarda e a conservação de mercadorias depositadas. • um ano da data do protesto – contra endossantes e seus avalistas. Conceito O conhecimento de depósito é título representativo de mercadorias custodiadas em armazéns gerais 8 ao passo que o warrant representa uma garantia real sobre gerais. não impossibilita o mesmo ato lastreado na falta de pagamento. 10. Perde o direito creditício contra endossantes e respectivos avalistas o portador que não protestar o título até trinta dias do vencimento.1. 18 da LD): • três anos da data do vencimento – contra o sacado e respectivos avalistas. da LD). São emitidos pelo titular do armazém geral. O primeiro substitui o recibo da mercadoria. Na verdade. Conhecimento de Depósito e Warrant 11. desde que tenha aceite. desde que não tenha havido recusa de aceite por um dos motivos previstos no art. processando-se por intermédio de indicação do credor (art. A ausência do protesto. de devolução ou de pagamento (art.

11. resolva levá-los à custódia de um armazém geral. Para tanto. Uma vez expedidos.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 227 Série Impetus Provas e Concursos Para entender a razão motivadora de alguém requerer a expedição dos títulos.3. documento legitimador de sua propriedade. os próprios títulos podem ser penhorados ou arrestados por dívidas (art. 11. A posse e propriedade desses títulos irá permitir que o depositante capte recursos financeiros. Requisitos de Validade O art. 17 do Decreto no 1. • declaração dos impostos incidentes sobre a mercadoria. constará importância do crédito garantido. sua profissão e domicílio.102/03 relaciona os seguintes requisitos impostos aos títulos: • denominação do armazém geral. sem obrigatoriamente abrir mão de seu domínio. deverá satisfazer o direito creditício nele presente.102/03). mas sem querer desfazer-se da propriedade de seu bem. para só então poder ter a liberação dos produtos depositados. mantendo-se na propriedade do conhecimento de depósito. .102. e a retirada da mercadoria do depósito só poderá ser feita com a apresentação dos dois títulos. • natureza. de 21/11/1903. basta alienar apenas o warrant. 15 do Decreto no 1. • data de emissão e assinatura do depositante. requer ao armazém a emissão de um conhecimento de depósito. que vem atrelado ao warrant. quantidade e demais especificações da mercadoria. • lugar e prazo de depósito. Legislação Aplicável Regem-se pelo Decreto no 1.2. incapaz de armazená-los devido à ausência de instalações adequadas. necessitando de capital de giro para seu negócio. Características Principais No warrant. ele pode exigir a entrega de um simples recibo de depósito. legítimo proprietário de dez mil quilos de feijão. No entanto. Após o depósito da mercadoria. • nome do depositante. Por ocasião do vencimento do warrant. • nome do segurador da mercadoria e valor do seguro. Contudo. 11. imaginemos que um comerciante. proíbe-se a penhora. o seqüestro ou qualquer outro embaraço que prejudique a livre disposição das mercadorias.4.

897 do Novo Código Civil.102/1903. aplicam-se as mesmas disposições relativas às letras de câmbio.228 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Se o portador do conhecimento de depósito intencionar retirar a mercadoria antes do vencimento da dívida constante do warrant. Neste caso.5.7. quando não satisfeita a obrigação nele constante. .1. Conceito Constituem títulos de financiamento assim compreendidos. que imediatamente repassará ao portador do warrant (art. Aval Aplica-se o art. relativamente à divergência na natureza. o portador do warrant pode impetrar ação contra os endossantes anteriores. 11. combinado com o art. Possibilita-se até a venda em leilão das mercadorias necessárias à satisfação da dívida.102/03). para haver o saldo. 18 do Decreto no 102/03). terá que consignar principal e juros ao depositário. cada endossante responsabiliza-se solidariamente pelo débito.102/03). Endosso Ambos os títulos podem ser transferidos por endosso. 11. que veda o aval parcial. 18 do Decreto no 1. implica o direito de penhor sobre as mercadorias. aqueles financiamento. Se for apenas do warrant. Não ficando integralmente quitada. unidos ou separadamente (art. portador do warrant (art. 903 do Código Civil de 2002. Protesto Admite-se o protesto por falta de pagamento do warrant. Perante terceiros. Por força do art. mercadorias. 11. sendo do conhecimento de depósito a faculdade de dispor das depósito. 22 do Decreto no 1.6. respeitados os direitos do credor. no peso ou na quantidade das mercadorias. Títulos de Crédito Rural 12. responsabiliza-se o armazém geral por inexatidões contidas nos títulos. 25 do Decreto no 1. representativos de obrigações decorrentes de um empréstimo de capital liberado por uma instituição financeira. no que se refere à responsabilidade dos endossantes do warrant. 12. O endosso de um e de outro confere ao endossatário direito de livre disposição das mercadorias.

Nestes casos. sob pena de vencimento antecipado de toda a dívida. intitula-se de nota de crédito rural. Exemplificando: um produtor rural. Apropriada para financiamentos garantidos por um penhor sobre bens móveis. o título de crédito. expressa na própria cédula (princípio da cedularidade).3. Assim nós temos: • cédula rural pignoratícia – disciplinada pelos arts. até mesmo. devedor do direito creditício. Legislação Aplicável Regula-se pelo Decreto-lei no 167. Este se obriga. a aplicar o montante recebido na atividade declarada ao financiador. cédula comercial) rural) para a construção da casa própria (cédula hipotecária cédula hipotecária). tanto para a indústria (cédula de crédito industrial como para o comércio (cédula de industrial). 14 a 19 do Decretolei no 167/67. posto fugir às normas gerais atinentes aos títulos de crédito mais conhecidos. assina. credor do direito creditício. os títulos são chamados de cédula de crédito rural. Figuras Intervenientes • Emitente ou sacador – é o produtor rural. Os títulos de financiamento em geral configuram-se como um importante meio de fomento da economia. ocorre a liberação de verbas. de 14/02/1967. • Beneficiário – é o organismo que liberou o recurso.2. De outra forma.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 229 Série Impetus Provas e Concursos Igualmente ao conhecimento de depósito e warrant. que terá como favorecida a mesma instituição que está liberando o dinheiro para o emitente. pessoa física ou jurídica. Características Principais O credor do título pode exigir uma garantia real ao empréstimo. é título de crédito impróprio. Lá chegando. 12. . com o penhor ou hipoteca de bens. dada por quem recebe o benefício da linha de crédito. 12. na qualidade de emitente. cédula cédula crédito comercia ou agricultura (cédula ou nota de crédito rural e. através deles. Possuem natureza de uma promessa de pagamento em favor do agente financeiro. 12. satisfeitos todos os requisitos exigidos. necessitando de recursos para incrementar sua produção. dirige-se a um órgão integrante do Sistema Nacional de Crédito Rural. quando não houver garantia real à dívida. pois.4.

não prevalece o art. 60 daquele Decreto-lei. Apropriada para financiamentos garantidos por hipoteca sobre imóveis. • cédula rural pignoratícia e hipotecária – disciplinada pelos arts. 60 do Decreto-lei no 167/67. 903 do Código Civil de 2002. 27 e 28. 12.230 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • cédula rural hipotecária – disciplinada pelos arts.5. Protesto Não é necessário. rurais ou urbanos. 25 e 26. instalações e benfeitorias. Utilizada para financiamentos desprovidos de garantia real. Endosso Por força do art. 12. • nota de crédito rural – disciplinada pelos arts. 897 do CC/2002. 12. normalmente mais requisitados nas provas de concursos. Abrange ambas as garantias numa mesma cédula. . 20 a 24. combinado com o art. Aval Também devido ao mesmo art.7. aplicam-se as mesmas disposições relativas às letras de câmbio. O quadro-resumo da folha seguinte tem o objetivo de facilitar a compreensão da matéria. para assegurar o direito de regresso contra coobrigados. trazendo os principais elementos a respeito dos títulos de crédito próprios.6. respectivos terrenos. no que se refere à responsabilidade dos endossantes desses títulos. mantendo-se a possibilidade de o aval ser parcial. assim entendidas as construções.

pelo Dec. beneficiário – credor do título. n 2. CHEQUE Ordem de pagamento à vista. Participam da relação original: sacador – emitente e devedor. a partir de um contrato de compra e venda mercantil. Rege-se pelo Dec. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. Dec. Participam da relação original: sacador – emitente e devedor. pelo emitente. de forma subsidiária.CAMPUS LETRA DE CÂMBIO Ordem de pagamento à vista ou a prazo. tomador – credor do título. NOTA NOTA PROMISSÓRIA Promessa de pagamento à vista ou a prazo.044/08. Relativamente ao endosso.357/85 e. em favor do beneficiário. sacado – devedor principal do título. pelo emitente. à ordem proíbe-se o endosso. DUPLICAT DUPLICATA Saque efetuado pelo emitente. dada ao sacado. de forma o o subsidiária.663/66 Rege-se pelo Dec. 231 Série Impetus Provas e Concursos .595/66. Inserida cláusula não ordem. pelo e. à exceção do momento de inserir a cláusula não à Admite o endosso. segue as mesmas regras ser: endosso-mandato ou endosso. feita pelo emitente do título. Relativamente ao endosso. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio.474/68. no 57. ou de prestação de serviços. sacado – banco. dada ao sacado. Rege-se pela Lei Federal no 5. de forma subsidiária. à exceção do endosso-caução (inadmissível) e do número ilimitado de endossos Capítulo 3 — Direito Cambiário Participam da relação jurídica original: sacador – quem emite o título. pelo no 7. beneficiário – é o credor do título (terá posse do docum. que poderá Relativamente ao endosso. Participam da relação original: sacador – vendedor/ prestador de serviços (credor). contra provisão de fundos em poder do próprio sacado.aplicadas às letras de câmbio.663/66 Rege-se pela Lei Federal e. sacado – comprador/ tomador do serviço.). além do endosso próprio. em favor do beneficiário. n 2. no 57.044/08. Dec. caução. no 57.

Possível haver cláusula nãoaceitável. Deve haver a indicação mesmas regras aplicadas às do favorecido pelo aval. o aceite parcial provoca o vencimento antecipado. ordem. Se não houver aceite. Permite-se o aval. mesmo. A recusa do sacado ou. Apenas nestas hipóteses estará o sacado livre de responder pelo pagamento do título. total ou Relativamente ao aval. Direito Comercial — Carlos Pimentel Admite o aceite do sacado. O avalista obrigar-se-á nas Relativamente ao aval.311/96 limitou em apenas um). Não admite aceite. Não admite aceite. ou não-entrega do produto. aceitável para evitar o vencimento antecipado. adota as mesmas regras da letra de câmbio. o sacador será devedor principal. (a Lei no 9. Ressalva para a nãoindicação do favorecido pelo aval. .232 Série Impetus Provas e Concursos Cláusula sem garantia livra o endossante da obrigação pelo pagamento do título. apesar de não ser obrigatório. Relativamente ao aval. posto ser o título emitido pelo próprio devedor. segue as parcial. vício na qualidade ou quantidade. assim como erros nos prazos ou nos preços. contrário será o sacador da letra. que poderá ser o sacado. caso letras de câmbio. salvo por avaria devedor. posto ser Aceite do sacado é o título emitido pelo próprio obrigatório. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. Ressalva para a proibição de o aval ser prestado pelo banco. obrigando-se o sacado pelo que aceitou. ordem que não pode ser desde a emissão do título.

só após. cobrarse de um coobrigado. segue as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. tem o credor o prazo de cento e oitenta dias. qualquer um dos obrigados indiretos poderá ser compelido a fazê-lo. Contudo. a providência judicial cabível é a execução. O vencimento é sempre à O vencimento da duplicata vista. o título deve ser apresentado para pagamento. obedecidas as seguintes regras: com aceite – dispensável protesto contra o sacado. Não satisfeito o crédito. a certo termo de data – tantos dias do saque. Após esse tempo. e até sua prescrição. sem se respeitar a ordem pela qual se obrigaram. seja contra o principal devedor ou contra devedores indiretos. conforme o cheque seja da praça ou não. 233 Série Impetus Provas e Concursos . O vencimento da letra pode ser: à vista – será o prazo de apresentação. a saída é uma ação monitória. No prazo de trinta ou sessenta dias. Caso esse não pague. salvo aquele a certo termo de vista. o prazo de pode ser à vista ou num apresentação ao banco é de dia fixado. trinta ou de sessenta dias. segue as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. para. se da praça ou não. contados do fim do prazo de apresentação para promover a execução do título. Vale a ação de cobrança. pelo fato de não admitir aceite.CAMPUS Relativamente ao vencimento. Capítulo 3 — Direito Cambiário mesmas condições do avalizado. num dia fixado – vem definido na letra. O pagamento deve ser exigido inicialmente do sacado. sem aceite – precisa do protesto até mesmo contra sacado. nos seguintes prazos: Relativamente ao pagamento. No caso de não ser paga. faculta-se o pagamento. a certo termo de vista – tantos dias do aceite. Após esse tempo. O pagamento da letra deve ser exigido primeiro do obrigado principal.

e com comprovante de entrega das mercadorias.234 Série Impetus Provas e Concursos três anos do vencimento – contra obrigado direto. A cláusula sem protesto dispensa protesto até dos coobrigados. as regras são iguais àquelas das letras de câmbio. O protesto do cheque só pode ser fundado na falta de pagamento. É necessário para se cobrar o título de um coobrigado. No mais. no segundo. . é até o fim do prazo de apresentação. Esta segunda hipótese vale se o sacado não tiver razões fundadas no art. limitada ao prazo prescricional do cheque. e seu prazo é o mesmo da prescrição (cento e oitenta dias do fim do prazo de apresentação). interposta contra o emitente ou coobrigados. de aceite ou de devolução do título remetido ao sacado para aceite. No primeiro caso. as regras são iguais àquelas das letras de câmbio. o prazo é de dois dias do vencimento. Direito Comercial — Carlos Pimentel O protesto da letra é fundado na falta de pagamento ou de aceite. enquanto. um ano do venc. ou protesto – contra obrigado indireto. não contra o sacado (com aceite). sei meses do pagamento – poder regressivo de quem pagou. fazê-lo. um ano do protesto – contra coobrigados. O prazo da ação é: três anos do vencimento – contra sacado. O instrumento para tanto será igualmente a ação de cobrança. já que não admite aceite. O protesto da duplicata pode ser fundado na falta de pagamento. 8o. salvo se posta na origem. não do aceitante. lembrando que a cláusula sem protesto vale para o endossante que a inseriu. No mais. um ano do pagamento – poder regressivo. e seu prazo é de trinta dias do vencimento. O protesto de nota promissória só pode ser fundado na falta de pagamento. É necessário contra coobrigados. qual seja: cento e oitenta dias do fim do prazo de apresentação.

que seja imputável ao sacador. o conhecimento de todos. c) exigir. 2. assim como todos os endossos anteriores a esse evento. e) só servir aos empresários. reputando-se não-escrito o aceite prestado dessa forma. para que possa gerar efeitos cambiais. b) torna ineficaz o aval dado antecipadamente. 3. b) não admitir função diversa daquela que originou sua criação. (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – 5 a REGIÃO/1999) A recusa do aceite pelo sacado de um letra de câmbio: a) implica o vencimento antecipado do título e torna o sacador o principal responsável pelo seu pagamento. d) não pode restringir-se a apenas uma parte da obrigação. d) permitir o stoppage in transitu. d) não ser documentos de legitimação. e) representar garantia real sobre bens. ESAF (AFTN/1994) Os títulos de crédito. c) servir para a transferência de propriedade de bens. na cadeia de regresso. . c) só se justifica no caso de vício da relação jurídica subjacente. e) deve ser comunicada por escrito ao sacador no prazo máximo de dez dias após a apresentação. caracterizam-se por: a) ser numerus clausus.Exercícios 1. criados para facilitar a circulação de direitos com segurança. ESAF (AFTN/1994) O warrant é título de crédito que se caracteriza por: a) representar mercadorias depositadas. b) ser independente de qualquer relação fundamental entre emitente e primeiro beneficiário.

em razão de o título de crédito ser oriundo de um contrato de compra e venda mercantil. (FISCAL DO TRABALHO/1994) Com relação a um cheque que não foi apresentado durante o prazo de apresentação fixado em lei. e) é transmissível somente pela forma e com os efeitos de uma cessão de crédito. é correto afirmar que: a) somente pode ser exigido em processo de conhecimento. c) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da data em que o cheque foi efetivamente emitido. porque não tem aceite do sacado. exige-se que o credor apresente o título – cártula –. e) debênture com garantia flutuante. 5. porque o endosso parcial é nulo. d) não poderá ser objeto de execução. representativa de contrato de compra e venda mercantil. c) duplicata não-devolvida. Não se admite. não podendo o documento ser utilizado como fundamento para ação de locupletamento. b) não é transmissível. assim.236 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 4. a fim de que possa obrigar o devedor a efetuar o pagamento de sua dívida. 7. porque sua emissão é nula. c) não poderá ser objeto de ação de execução. . e) extingue-se o crédito do beneficiário. aplicável aos títulos de crédito. b) letra de câmbio não-aceita. ESAF (AFTN/1991) Uma duplicata. Uma hipótese que caracterizaria exceção a essa regra. b) poderá ser executada. (JUIZ SUBSTITUTO DE 1 a ENTRÂNCIA/PE 2000) Em face do princípio da cartularidade. e) poderá ser imediatamente executada. ocorreria em face de uma situação de: a) cheque furtado. ESAF (AFTN/1991) A nota promissória parcialmente avalizada com cláusula não à ordem: a) é transmissível pela via do endosso translativo. vencida sem aceite e de valor inferior ao da fatura que lhe deu causa: a) poderá ser executada somente depois de protestada por falta de aceite e pagamento. d) em hipótese alguma é transmissível. 6. d) nota promissória protestada por falta de pagamento. b) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da data lançada na face do título. na qual seria possível a execução do título sem que ele estivesse presente nos autos. desde que protestada e acompanhada de documentos que comprovem a entrega e o recebimento da mercadoria e que o sacado não tenha tempestivamente recusado o aceite. d) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da expiração do prazo de apresentação. em razão de ter valor inferior ao valor de emissão da fatura. que se inicie a ação cambial sem que a petição inicial esteja acompanhada do respectivo título de crédito. c) apenas poderá ser transmitida através do endosso parcial.

d) o portador somente pode exercer os direitos resultantes do cheque com a prévia anuência do endossante.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 237 Série Impetus Provas e Concursos 8. a) ( ) A literalidade está relacionada ao fato de que o credor de título de crédito somente pode exercer os seus direitos mediante a apresentação do título ao devedor. d) ( ) São modalidades de endosso impróprio o endosso-caução e endosso-mandato. A propósito das peculiaridades desses dois institutos. b) ( ) É nulo o endosso parcial. é: a) nota promissória. o avalista de um título de crédito não pode alegar defeito de forma. para cobrança. julgue os itens seguintes (V ou F) a) ( ) É o meio pelo qual se transfere a propriedade de títulos com a cláusula não à ordem. c) ( ) A legislação uniforme em relação à letra de câmbio e a nota promissória admite endosso sem garantia. ainda que não contenham a cláusula não à ordem. 10. d) ( ) A abstração é a principal característica da duplicata mercantil. Observa-se. b) o portador pode exercer todos os direitos resultantes do cheque. d) letra de câmbio. b) ( ) O benefício de ordem é comum a ambos os institutos. confirmando a exatidão do saque. mas não pode endossá-lo. mas só pode endossá-lo na qualidade de procurador. e) ( ) Letras de câmbio são endossáveis. quando um endosso contém a menção valor a cobrar. quando comparado à fiança. certa semelhança em seu funcionamento. Acerca das características dos título de crédito. portanto. 11. julgue os itens a seguir (V ou F). e) ( ) Em decorrência da autonomia das relações jurídicas. Acerca do endosso. c) ( ) A afirmação de que os títulos de crédito valem pelas informações nele mencionadas está vinculada à sua cartularidade. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O endosso é o meio de transferência de títulos de crédito. Esta definição tornou-se clássica por indicar duas das várias características aplicáveis aos títulos de créditos. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O jurista italiano Cesare Vivante definiu o título de crédito como o documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele mencionado. 9. a) ( ) O aval possui natureza de ato unilateral de vontade. por procuração ou qualquer outra menção que indique um simples mandato: a) o portador pode exercer todos os direitos resultantes do cheque. b) ( ) A inoponibilidade de exceções em embargos propostos contra ação cambial é decorrência do princípio da autonomia das relações jurídicas. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O aval pode ser entendido como o ato por meio do qual determinada pessoa passa a responder. b) cheque. em face de determinado título de crédito. possui natureza contratual. (OAB – GO/1998) Em relação ao cheque. assim como a fiança. c) warrant. julgue os itens a seguir (V ou F). consistindo na assinatura do seu titular lançada no próprio título. . 12. c) ( ) O aval. (OAB – RJ – AGOSTO/1998) O título de crédito que comporta declaração do principal devedor. d) ( ) O avalista pode ser demandado independentemente de o avalizado ter sido demandado. c) o portador não pode exercer os direitos resultantes do cheque. nas mesmas condições que a pessoa por ela avalizada.

recusando o pagamento a C. julgue os itens a seguir (V ou F). d) considerar-se não-escrita a exclusão de responsabilidade. b) ( ) Considere que seja constituída cadeia cambial em letra de câmbio. CESPE – UnB (INSS/1998) A respeito dos títulos de crédito. pelo fato de que a primeira é uma promessa de pagamento. executado por inadimplência. e este a endosse para C. a) ( ) O prazo prescricional da ação executiva do cheque é de seis meses. julgue os itens a seguir (V ou F). que significa a confiança de uma pessoa em que outra cumprirá. . Nesse caso. em face do descumprimento do contrato por parte de B. ligando em seqüência A. B endossou a nota para C. o título a D. c) nulidade do título. em ação regressiva. e que. c) ( ) Considere que seja emitida um nota promissória por A em favor de B. Diante disso. mas desde que protestada e acompanhada de documento que comprove efetivamente a entrega e o recebimento da mercadoria. 15. o que vai implicar: a) a exclusão de responsabilidade do primeiro endossante. a obrigação pecuniária assumida no presente. ainda. D. entre outros aspectos. que não paga. facilitando a sua circulação. que. G cobre de D. c) ( ) As notas promissórias distinguem-se das letras de câmbio. contados da data de emissão do título. b) ( ) Duplicata mercantil. julgue os itens a seguir (V ou F). a) ( ) Considere a seguinte situação: firmado um contrato entre A (obrigação de pagar) e B (obrigação de entregar coisa certa). constituiu grande passo para o desenvolvimento do comércio. cobrar de E e de F. por ser vinculada à de C. autonomia. poderá ser executada. X pode recusar-se ao pagamento. e) ( ) O avalista. lançada na face da letra de câmbio. ainda que não tenha sido aceita. cuja função precípua é incorporar um direito de crédito. como os princípios de literalidade. enquanto a segunda é uma ordem de pagamento. Acerca dos títulos de crédito.238 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 13. CESPE – UnB (FISCAL DE ALAGOAS/2002) O surgimento do crédito. E. no futuro. B. endossando. (JUIZ FEDERAL – 5a REGIÃO/1995) Em uma nota promissória. foram lançados três endossos. presume-se o aceite. obriga-se nos termos do contrato. eximindo-se de garantir o pagamento do título. Se for executado. d) ( ) O portador pode recusar o aceite por valor inferior ao consignado no título em face do princípio da literalidade. e) ( ) Pela simples assinatura do sacado. abstração e inoponibilidade das exceções pessoais. alegando não ser obrigado. A defendeu-se. F e G. 14. alegando que sua obrigação. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) A disciplina que rege os títulos de crédito norteia-se por uma série de princípios. é inválida. b) a exclusão de responsabilidade de todos os endossantes. consignando a promessa de pagar. De acordo com tais princípios. sendo que o primeiro deles contém declaração do endossante. apresente o avalista X. Um passo ainda maior foi dado com a criação dos títulos de crédito. é correta a decisão do juiz que acata a defesa de A e indefere o pedido de C. d) ( ) Notas promissórias não admitem aceite cambial. por sua vez. G pode. A emitiu nota promissória. 16. que também é fiador do contrato ao qual está vinculada nota promissória. em seguida.

o nome da pessoa que deve pagar. c) só é transmissível pela forma e com os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. a) ( ) Segundo a Lei Uniforme do Cheque. nela constar para que possa produzir efeito. b) ( ) Os títulos de crédito são. A doutrina trata-o como título de apresentação. c) ( ) Na letra de câmbio. b) ( ) Trazendo o nome do beneficiário. c) ( ) O nome do sacado. e) ( ) Não se aplica ao cheque. ESAF (BNDS/2002) No Direito Cambiário: a) as notas promissórias e os cheques independem de protesto para constituírem títulos executivos contra seus emitentes. desde que o detentor do título concorde com o aceite e tenha feito antes o protesto. regidos pelo princípio da concreção. b) é transmissível por via de endosso. a data de emissão e a assinatura do emitente e a denominação cheque inscrita no título. ficando o endossante. d) ( ) Na hipótese de o sacado recusar-se a aceitar a letra de câmbio. o possuidor deve apresentar o título ao devedor ou à pessoa indicada para fins de pagamento. coresponsável pelo pagamento. o nome do banco ou da instituição financeira que deve pagar. no momento em que desejar exercer o direito de crédito. o princípio da inoponibilidade das exceções. c) o protesto é necessário para o exercício da ação de execução dos devedores principais da obrigação cambial. isto é. e) ( ) A letra de câmbio pode ser endossada em favor do aceitante. b) o endosso funciona como instituto de garantia ao cumprimento de quaisquer das obrigações assumidas no título. 19. entretanto. pode um terceiro aceitá-la. é requisito essencial da letra de câmbio. d) é nula de pleno direito. salvo estipulação em contrário. necessariamente. em regra. . o aval pode ser parcial ou total e pode ser dado por terceiro ou por signatário da letra. julgue os itens a seguir (V ou F). mas este. uma vez que são estritamente vinculados ao negócio que originou o título. d) a transferência das obrigações opera-se. devendo. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DO RS/1988) A letra de câmbio que não contenha cláusula à ordem expressa: a) é transmissível por via de endosso. porque. no entanto. e) os coobrigados são devedores solidários de todos os outros devedores da obrigação cambial. que. por ter a obrigação de pagá-la. em regra. não poderá reendossá-la a outra pessoa. ao portador. 18. segundo a Lei Uniforme do Cheque. 17. o cheque pode ser transferido mediante endosso. segundo a Lei Uniforme do Cheque. são requisitos essenciais desse título de crédito a ordem incondicional de pagar quantia determinada. podendo ser condicionado. o endosso parcial é nulo. CESPE – UnB (AGU/2002) Com referência ao cheque e à letra de câmbio. produz apenas os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. d) ( ) Em letra de câmbio.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 239 Série Impetus Provas e Concursos a) ( ) O título de crédito é documento indispensável ao exercício do direito nele contido. e) é exigível apenas do sacador e do sacado. a indicação do lugar de pagamento e de emissão.

decorrentes que são dos contratos de compra e venda a prazo. b) deve redigir contrato escrito a ser assinado pelo comprador. 21. c) ( ) Diferentemente da letra de câmbio e da nota promissória. enquanto a extração da fatura é facultativa. c) é obrigado sempre a sacar duplicatas contra o comprador. 22. Relativamente a essa espécie de títulos – duplicatas mercantis –. julgue os itens subseqüentes (V ou F). para efeito de exigência da emissão da fatura. para a imediata liberação das coisas em poder de terceiro. FCC (MP – PE/2002) No que tange à duplicata mercantil. d) o aceite da duplicata não é compulsório. porque o comprador poderá deixar de aceitá-la por qualquer motivo comercial. mas a duplicata é título de emissão facultativa. dispensado o reconhecimento de firma. o vendedor. 23. d) pode emitir uma triplicata. diz-se que: a) são requisitos facultativos da duplicata. e) é obrigado a sempre valer-se de banco. c) requer que o warrant esteja a ele ligado. a) ( ) Devem ser emitidas sempre que se trate de venda a prazo. d) serve para facilitar operações de garantia sobre produtos agrícolas. no caso em que o comprador não haja devolvido a duplicata remetida para o aceite. ESAF (AUDITOR DO TCE-PR/2002/2003) Tendo feito uma venda mercantil. entre outros. com o objetivo de ter em mãos um instrumento capaz de propiciar-lhe o poder de cobrar o valor da venda: a) pode emitir qualquer título de crédito à sua escolha. b) a emissão da duplicata é sempre obrigatória. e) é obrigatório que a duplicata seja garantida por aval e que o pagamento seja feito somente após o aceite. com duas testemunhas. b) representa venda dos bens nele mencionados. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE RECIFE/2003) A transferência de um conhecimento de depósito: a) indica que há mercadorias em trânsito. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2003) Um dos instrumentos de grande utilidade na fiscalização do pagamento de tributos incidentes sobre o faturamento é a auditoria nos registros de duplicatas a receber. a compra contratada para pagamento em trinta dias. para enviar a duplicata ao devedor para cobrança e posterior protesto. não há previsão legal para que a duplicata tenha vencimento a certo termo de data e a certo termo de vista. .240 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 20. e) transfere ao novo titular do documento a responsabilidade pela guarda dos bens. c) a emissão de triplicata é obrigatória. a praça de pagamento e a cláusula à ordem. b) ( ) Não se considera a prazo.

376/93. esta estava fadada à extinção. realizada entre devedor e credores. tanto que mais de 80% das empresas concordatárias eram levadas à falência. passa-se à recuperação judicial ou. no mês de dezembro de 2004. de 09/02/2005.661/45. foi elaborado projeto de uma nova lei de falências para o país. à falência. a extrajudicial e a falência. Sim. recebeu o número 4. Após mais de dez anos de tramitação em ambas as Casas Legislativas. nesta ordem. seguida da recuperação judicial e da falência.Capítulo 4 Direito Falimentar INTRODUÇÃO Por mais de meio século. Sob o fundamento de preservar e estimular a cadeia econômica. para sanar problema de fluxo de caixa do devedor. até. não se preocupou o legislador da época com a recuperação e a conseqüente manutenção da atividade produtiva. inclusive aqueles que antes serviam à atividade fim do negócio. Não se chegando a um acordo. sua redação foi finalmente encaminhada à sanção presidencial. porque a recuperação extrajudicial deve ser a tentativa inicial. . teve vigência no Brasil o Decreto-lei no 7. levando consigo emprego e renda dos trabalhadores. o que se podia observar era a alienação de todos os bens arrecadados. Devido à intenção do legislador. regulador das falências e concordatas. com a recuperação extrajudicial em primeiro lugar. a maioria com chances ínfimas de reaverem seus créditos. Chegando ao Congresso Nacional em 1993.101. quase sempre por descumprimento das metas estabelecidas para o processo. Editado em um momento no qual a atividade industrial e de serviços no país estava ainda incipiente. quando se transformou na Lei Federal no 11. talvez fosse mais conveniente se o texto legal viesse em outra ordem. visando à satisfação dos credores. Quanto à empresa. que regula a recuperação judicial. Uma vez falidas. do empresário e da sociedade empresária.

Tal permissivo abre grandes chances de negócios para aqueles que resolverem apostar no soerguimento de empresas que atrevessem momentos de dificuldade financeira. os chamados spreads bancários. O mesmo pode ser dito para a limitação imposta aos créditos trabalhistas. da forma como acontece na falência. perdem a prioridade no recebimento. sem a sucessão do arrematante pelas obrigações daquele. sem haver sucessão das obrigações trabalhistas ou tributárias do falido. hipoteca). muitos terão acesso a mais financiamentos dos bancos. Quando observamos os processos de recuperação extrajudicial e judicial. igualmente podemos perceber a preocupação com a preservação do cenário produtivo. Estes. o art. pode contribuir para estimular o desenvolvimento da economia. A título de exemplificação. enquanto que a extrajudicial. no entanto. para acontecer a falência de uma empresa. mediante instrumentos que preservem a capacidade da empresa de gerar riquezas para o país. Isso significa que alguém poderá adquirir apenas a empresa.242 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entendam que. na relação de credores. quando se concedeu prioridade àqueles com garantia real (penhor. 2o do Decreto no 7. Também a mudança feita na ordem dos créditos habilitados em uma falência. a possibilidade de alienação de filiais ou de unidades produtivas do devedor. na recuperação judicial. ficando o excesso equiparado aos credores quirografários do falido. tampouco a recuperação extrajudicial tem que anteceder a judicial. A segunda é sucessora da concordata. Essa pretensão pode ser observada em dispositivos que transmitem a disposição do Governo Central em preservar ativos que contribuam para a produção industrial. Ambos os processos. O que o legislador pretendeu foi oferecer alternativas para o empresário e seus credores resolverem problemas de inadimplência de seus créditos. com conseqüente investimento na produção. prevê. 60. Não é isso. sem se tornar também coobrigado pelo seu passivo. quando ultrapassarem a cifra de cento e cinqüenta salários mínimos por credor. não é requisito obrigatório percorrer os outros dois processos. Basta ver a prioridade para alienação do ativo na falência. Diminuindo-se esse encargo. pois não estarão adquirindo igualmente seus passivos. inclusive de natureza tributária.661/45. é novidade no Direito brasileiro. em detrimento dos fiscais. parágrafo único. Sustentam os defensores da nova lei que a maior segurança emprestada aos detentores de tais créditos – geralmente as instituições financeiras – é decisiva para a diminuição das taxas de juros cobradas dos empresários. Claro que essa medida eleva as chances dos que vierem em seqüência. . surgiram sob o fundamento de propiciar ao empresário instrumentos rápidos de solução das suas dificuldades. que é dada ao estabelecimento empresarial como um todo. antes proibida pelo art.

algumas regras precisam ser respeitadas. parágrafo 4o).661/45. 192. mas todos (algumas exceções serão tratadas no item específico). deste Capítulo. 70 a 72 (art. a que se referem os arts. instalação de um processo de concordata. estudadas ainda neste Capítulo (art. nem a suspensiva. Por último. esta lei é aplicada subsidiariamente à legislação que trata da liquidação extrajudicial de instituições financeiras e equiparadas. conforme veremos no item 2. a ordem de prioridade no recebimento é determinada no plano de recuperação apresentado pelo devedor em juízo. quando da vigência da nova lei. c) em se tratando de falências decretadas no curso da vigência da moderna lei. mesmo. senão vejamos: a) para os processos de falência ou concordata ajuizados anteriormente ao início de sua vigência. conclusão de possível inquérito judicial (art. parágrafos 2o e 3o). independentemente da formação do quadro geral de credores ou. com relação à aplicação e vigência da nova lei. mas não concluídos. a nova lei autoriza a alienação dos bens da massa. 197).7. . deduzidas as parcelas pagas pelo concordatário. 201 o prazo de cento e vinte dias após a publicação para entrar em vigor. desde essa data. com ressalva para os créditos trabalhistas. Ainda assim. que era aplicada quando já existia falência instalada.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 243 Série Impetus Provas e Concursos Ainda na recuperação judicial que. não engloba apenas os créditos quirografários.661/45. mesmo. já se aplicam as novas regras (art.2. Neste último caso. b) na hipótese de já existir prévio pedido ou. a concordata será extinta. caput e parágrafo 1o). mesmo. não há qualquer empecilho para o devedor pleitear a recuperação judicial. Advindo a recuperação judicial. na forma da lei (art. sendo o pedido de falência ajuizado ainda na vigência do Decreto no 7. não mais será possível a concessão de novas concordatas. 195). e os créditos quirografários submetidos à concordata serão inscritos na recuperação judicial pelos seus valores originais. continuam valendo as disposições do antigo decreto. A exegese não se aplica ao plano de recuperação judicial de microempresas e empresas de pequeno porte. d) a falência das concessionárias de serviços públicos implica a extinção da concessão. diferente da antiga concordata. marcada para 09/06/2005. 192. desde que cumpridas as exigências no âmbito daquele processo. e) da mesma forma que o antigo Decreto no 7. No entanto. seja a partir da convolação de antigas concordatas ou. 192. estabelece o art.

terão tratamento paritário. assim considerados de acordo com a qualidade de seus créditos. Falência Disposições Preliminares Define-se falência como um processo de execução concursal do devedor insolvente. aqueles que nenhuma garantia têm (quirografários). irão obviamente ter maiores chances de escapar de um calote. a faltar com compromissos monetários assumidos.1. Imaginemos determinado empresário. . mesmo se decretada a falência ou a recuperação da empresa. enquanto que outros demandam dívidas de natureza tributária. 1. ainda. já começando. não havendo espaço para ações individuais. 1. relacionada esta à real probabilidade de cumprimento obrigacional pelo devedor. uma vez que os demais não poderão reclamar suas obrigações antes dos vencimentos. logo seus credores irão perceber que correm o sério risco de não conseguir a satisfação de seus direitos. A expressão par conditio creditorum exprime a condição de equivalência em que se encontram os credores admitidos em um processo de falência. mesmo. num estudo pormenorizado de cada um dos capítulos da Nova Lei de Falências. aqui entendido como um empresário individual ou. Há também os que possuem créditos lastreados em uma garantia real (hipoteca. Neste quadro. mas a que entendo de melhor didática. 199). Continuando nesta condição. ou até com prazos curtos de recebimento. Para evitar tamanha injustiça. prescrevendo a igualdade de oportunidades dos que tiverem legítimo interesse na percepção de valores devidos por um empresário insolvente. poderemos encontrar alguns respaldados em indenizações por acidentes de trabalho. a fim de satisfazerem seus credores. essa lei não terá aplicação para as outras pessoas jurídicas que já eram excluídas do regime da concordata (art. o Direito tutelou o interesse de todos. penhor) ou. O parágrafo 1o do mesmo artigo ressalta. tampouco a recomendada aos empresários. uma sociedade empresária. Assim. ainda. a não-suspensão de contratos de arrendamento mercantil de aeronaves. Esses e outros pontos serão desenvolvidos a seguir.244 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel f) salvo para as empresas aéreas. Os iguais. Por isso se diz que a execução dos créditos é concursal ou coletiva. inclusive. que se encontre em situação de iminente dificuldade financeira. cuja ordem de abordagem não será a mesma da nova lei. aqueles que forem detentores de créditos já vencidos. através do qual se arrecadam judicialmente os bens do falido. consubstanciada justamente no desfavorecimento de parte dos credores do devedor. de um universo de credores habilitados em uma falência.

condenação do devedor por crime falimentar. f) entidade de previdência complementar.2. • DEVEDOR EMPRESÁRIO A falência atinge de forma restrita os empresários individuais ou sociedades empresárias. ou. e) administradora de consórcio. mesmo. Caracterização da Falência Para se materializar o estado falimentar.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 245 Série Impetus Provas e Concursos Todos deverão ser agrupados na conformidade da qualidade de seus direitos. 158. Claro que. mas apenas em situações especiais. considerada um favor legal. Contudo. se o falido dispuser de um ativo capaz de satisfazer todo o seu passivo. por exemplo. 2o exclui da aplicação da lei as seguintes empresas: a) empresa pública. Outras questões pontuais a respeito do processo são esboçadas na seqüência. d) cooperativa de crédito. Logo. a exemplo dos bancos. Os parcialmente excluídos. e outras a todas essas equiparadas por lei. não se permitindo. ou não. a falência é. que sofrem regulamentação específica. a um crédito quirografário ser classificado de forma equivalente a um tributário. são excluídas do regime jurídico falimentar. pelo decurso do prazo de dez ou de cinco anos após o encerramento da falência. para se atingir o percentual naquela categoria de credores. No que pese a imposição advinda de autoridade judiciária. i) sociedade de capitalização. na hipótese de haver. como veremos no item 3 deste Capítulo. . c) instituição financeira. já que a totalidade de seus débitos será executada. situada praticamente no final da relação. 1. três pressupostos principais devem estar presentes. É evidente que. pública ou privada. podem até vir a falir. devido ao permissivo contido no art. b) sociedade de economia mista. parcial ou totalmente. h) sociedade seguradora. algumas organizações. desde que esgotado todo o ativo. g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde. que possibilita a extinção das obrigações do falido apenas com o pagamento de 50% dos créditos quirografários (o dispositivo correspondente no antigo decreto previa percentual de 40% do passivo). por alguns. o art. os antecedentes devem ter sido satisfeitos. mesmo sendo reputadas empresariais. da nova lei. inciso II. o efeito prático dessa medida será apenas o momento do pagamento.

que poderia ser qualquer um. 51 desta lei. se dúvida havia quanto à possibilidade de virem a falir. Servem à materialização da hipótese os títulos de crédito em geral. por força do art. Com relação à falência requerida com base no art. materializada por um ou mais títulos executivos protestados. tudo devidamente protestado. assim como certidões da dívida ativa.404/76 que proibia a falência das sociedades de economia mista. INSOLVÊNCIA • INSOLVÊNCIA DO DEVEDOR A configuração do estado de insolvência não deve ser assimilada no sentido estritamente patrimonial (passivo maior que o ativo). 94. na vigência do antigo decreto. II e III.656/98. relacionadas no art. e) qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título. O inciso I enfoca a impontualidade injustificada de obrigação líquida. não há mais que se falar em tal possibilidade. o devedor pode obstar a sua instalação se conseguir provar uma das seguintes hipóteses. f) vício em protesto ou em seu instrumento. mas de acordo com as hipóteses fáticas enumeradas pelo art. 96: a) falsidade de título. I. o legislador aumentou a exigência ao processo. b) prescrição. cuja soma ultrapasse quarenta salários mínimos vigentes na data do pedido. da Nova Lei de Falências. d) pagamento da dívida. ao menos a partir da exclusão de dispositivo da Lei no 6.246 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A sociedade totalmente à margem do procedimento falimentar em nenhuma hipótese pode se submeter ao favor legal. que dispõe sobre planos e seguros privados de assistência à saúde. 94. a exemplo do que ocorre com os bancos nãofederais. c) nulidade de obrigação ou de título. . não havia um limite mínimo de valor necessário ao requerimento. especialmente as primeiras. incisos I. 23 da Lei Federal no 9. Operadoras de plano de assistência à saúde encontram-se nessa situação. desde que comprovada a inadimplência através da certidão de protesto. g) apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo da contestação. Para essas. Tal dispositivo previu a possibilidade de liquidação extrajudicial daquelas instituições. observados os requisitos do art. pois. senão com a existência de um novo texto legislativo específico. que trata da documentação necessária ao pedido. conforme citação anterior. Observem que a lei também deixou de fora de sua regulamentação as sociedades de economia mista e as empresas públicas. Nesse ponto.

. com objetivo de retardar pagamento ou fraudar credores. assim como as despesas que os credores fizerem para tomar parte na falência. b) realiza negócio simulado. para uma das hipóteses de não-cumprimento de obrigação pecuniária. sem o consentimento de todos os credores. equivaleria ao plano proposto pelo extinto devedor concordatário. mesmo. Vejamos todas elas: a) procede à liquidação antecipada de seus ativos ou lança mão de meios ruinosos ou fraudulentos para realizar pagamentos. O inciso II. como demonstrado há pouco. basta que tenha havido a liquidação e partilha de seu ativo. obteve decisão favorável ao seu pleito. não legitimam o pedido de falência. exceto custas judiciais decorrentes de litígio com o devedor. o que era proibido. diferente do anterior. Em se tratando de sociedade anônima. dizendo respeito ao não-cumprimento do plano de recuperação judicial que. Entretanto. não deposita ou não nomeia bens à penhora suficientes para o pagamento do débito. aparece de forma restrita no art. onde o credor. contudo. a fim de lhes propor dilação nos pagamentos ou. Em seguida. aqui. Aqui estamos falando do descumprimento de uma sentença judicial transitada em julgado.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 247 Série Impetus Provas e Concursos h) cessação das atividades empresariais mais de dois anos antes do pedido de falência. salvo se sobrarem bens suficientes para solver o passivo. por título executivo. mas o cometimento de certos atos tidos como maléficos ou mal-intencionados. c) transfere seu estabelecimento a terceiro. 5o da nova lei. o que se fez foi retirar uma que tratava da convocação extrajudicial de credores pelo devedor. De outra forma. O inciso III relacionou os chamados atos de falência Percebam que. houve a inserção de uma. 2o do antigo decreto. o parágrafo 2o do mesmo artigo dispõe a respeito de créditos que. no inciso II do art. As alíneas a seguir são quase uma repetição das constantes no art.661/45. para impedir a falência. pois nela não se pode reclamar. constava de seu art. 94. uma justa correção foi realizada. refere-se de forma restrita a obrigações líquidas já executadas em juízo. comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas. não estipula um patamar mínimo de valor para a causa. mesmo líquidos. ao se remanejar o teor do inciso I do art. remissão de créditos. na vigência do decreto. por parte do empresário. como as obrigações a título gratuito. legislador não colocou como causa a ausência de uma prestação pecuniária como fizera nos dois primeiros incisos. 2o do Decreto no 7. Por último. o rol de tais créditos. como veremos mais adiante. o falência. 23. o qual não prevalecerá contra prova de exercício posterior do atro registrado. que. quando a parte não paga.

deste Capítulo. possuem normas específicas a serem aplicadas em momentos de crise. DECLARATÓRIA FALÊNCIA • SENTENÇA DECLARATÓRIA DE FALÊNCIA Completa os pressupostos a própria sentença de falência. como acontece com as sociedades de economia mista. em momento posterior à constituição do crédito. Vimos. que irá se manifestar através de sentença. 197 desta. Mais detalhes sobre a sentença serão estudados no item 1. Merece atenção o teor do parágrafo 1o do art. regulado pela Lei de Falências. até o prazo de um ano da morte do de cujus. introduz-se o devedor em um regime jurídico específico. A simples tentativa desta prática já tipifica o ato.3. Esta pode ser denegatória ao pedido ou declaratória. sociedades empresárias ou apenas empresários individuais. Sujeitos Passivos da Falência A falência é um instituto privativo de devedores empresários. Entrementes. quando já liquidado e partilhado seu ativo. a falência. g) deixa de cumprir. mesmo classificados como empresários. salvo se sobrarem bens suficientes para saldar o resto de suas obrigações. 2o. f) ausenta-se. Outras. com aproveitamento subsidiário da nova lei. prevalece a vedação do já citado art. Por se tratar de procedimento judicial. a respeito de certos devedores que. abandona o estabelecimento ou se oculta propositadamente. 96. Nesta segunda hipótese. como as instituições financeiras ou cooperativas de crédito. 1. Para os demais tipos de sociedade . Percebam que as entidades para as quais existem leis especiais onde há previsão para virem a falir devem se guiar pelos respectivos diplomas. no prazo estabelecido. não existindo previsão legal em lei própria. independentemente de serem registrados em Junta Comercial. admitindo-se para elas. que prevê a falência do espólio de devedor empresário. no item antecedente. não deixando representante capaz de saldar suas dívidas. não se submetem às normas da lei falimentar. 2o da Nova Lei. conforme citado no item anterior. a exemplo da sociedade de economia mista. o que reza o art. É o caso dos bancos. e) dá ou reforça garantia real a algum credor. em situações extremas. contudo. a sua existência depende de provocação ao Poder Judiciário.248 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor. como prevê o art. assim como a proibição de falência para as sociedades anônimas. obrigação assumida no plano de recuperação judicial.10.

quando não houve o cumprimento de qualquer obrigação considerada essencial. alínea b. Se não residir no Brasil. Com relação aos impedidos para o exercício da atividade empresarial que a exercerem. 22. Nesta condição. Daí ser considerada uma universalidade de direito. caput. 105 a 107.5. mas um conjunto de coisas destinadas a um fim por vontade legal. Não possui personalidade jurídica. mas tem capacidade processual.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 249 Série Impetus Provas e Concursos empresária. devedor. deverá apresentar certidão de inscrição na Junta Comercial. . Sujeitos Ativos da Falência Podem requerer falência do devedor. conforme dispuser a lei ou o ato constitutivo da sociedade devedora. credor empresário edor. nos termos do art. através do administrador judicial (antes denominado síndico da massa). Neste caso. 97: autofalência. no caso de autofalência prevista nos arts. não. assim como se permite ser demandada judicialmente. 56. persiste a visão doutrinária quanto à submissão ao procedimento falimentar. Contudo. por parte da Assembléia Geral de Credores do plano de recuperação judicial proposto pelo devedor. A definição não parece errada. a massa deve ser entendida tanto como o complexo formado pelos bens e direitos arrecadados do falido (massa falida objetiva). não é considerada uma pessoa jurídica. nos termos do art. pode haver a falência. requerer a falência do devedor ao juiz. compete ao administrador judicial. parágrafo Credores. de acordo com o art. Outra hipótese para se chegar a uma falência é a previsão contida no art. mesmo no prazo de dois anos após o encerramento de suas atividades. assim como pela comunhão de interesses dos credores (massa falida subjetiva). inciso II. o credor deverá prestar caução pelas custas judiciais e indenização decorrente de dolo no requerimento. Também é possível que a falência seja proveniente da conversão de um processo de recuperação judicial. mas incompleta. • o próprio devedor. quando o mesmo julgue não atender os requisitos legais para sua recuperação judicial. a autoridade judiciária fará a convolação da recuperação judicial em falência. Em outras palavras. assim como o inventariante do espólio. A Massa Falida Quando falamos em massa falida normalmente temos a idéia de que seja o falida.4. ao mesmo tempo em que representa o interesse dos credores do falido. 53. que diz respeito à rejeição. 4o. a massa pode ingressar em juízo na defesa de seus direitos. no prazo máximo de um ano da morte do devedor. conjunto de todos os bens e direitos arrecadados do falido. herdeir deiros • o cônjuge sobrevivente e os herdeiros do devedor. • o credor empresário ou não Sendo empresário. • o sócio cotista ou acionista da sociedade devedora. 1. 1. Na verdade.

que terá atuação obrigatória no processo. na forma prevista nos arts. A sentença que decretar a falência ordenará a intimação do Ministério Público. Órgãos da Falência São órgãos da falência as instituições designadas na lei para atuarem diretamente no processo falimentar. • O JUIZ É a autoridade judiciária designada para presidir o processo. 24. 183 a 188. b) escolha da modalidade de alienação do ativo. 99. assim como a fixação de sua remuneração e de seus auxiliares.661/45. à exceção daqueles absolutamente impenhoráveis. caput. conforme dispõe o art.250 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Sob a visão puramente objetiva. 154 a 156. cujo parágrafo único previa a intervenção desse órgão em toda ação proposta pela massa falida ou contra ela. O produto dos bens penhorados entrará para a massa. que será subsidiária da pública. termo de compromisso por parte do administrador judicial. A respeito do MP. 1. buscando sempre o cumprimento de seu papel constitucional na defesa do interesse público. de acordo com os arts. É essa pessoa que irá promover a arrecadação e avaliação de todos os bens e documentos do falido. 142 a 148. parágrafo 1o. conforme art. Em relação ao antigo Decreto no 7. a massa se forma de um ato contínuo à assinatura do compromisso. 22. e art. Detém atribuição para oferecimento de denúncia por crime falimentar. c) julgamento das contas do administrador judicial e encerramento da falência. inciso III. . tais como: a) nomeação e destituição do administrador judicial. Os demais – o juiz e o Ministério Público – mantiveram-se como órgãos de presença obrigatória na falência. • O MINISTÉRIO PÚBLICO Esse órgão atua no processo como fiscal da lei. responsabilizando-se por atos de interesse da massa.6. na forma estipulada pelos arts. enquanto a figura do síndico cedeu espaço para o administrador judicial. fazendo parte de um inventário. XIII. foi vetado o art. como veremos em seguida. 4o do projeto. surgiram a Assembléia Geral de Credores e o Comitê Geral de Credores. cada uma dentro de suas respectivas competências. As razões do veto são no sentido de evitar uma obstaculação do processo. cujo teor veremos no tópico a seguir. realçando que a omissão do órgão na promoção da denúncia gera direito a qualquer credor habilitado ou ao próprio administrador judicial para a iniciativa da ação penal privada.

culpa. será escolhido alguém idôneo. mesmo. Também não terá direito à remuneração o administrador que tiver suas contas desaprovadas. hipótese em que não terá direito à remuneração. economista. ou contra o processo de alienação de ativo da massa. o administrador será intimado para. 24. na disposição do art. parágrafo 2o. Pode ser pessoa física ou jurídica. que se encontram no art. Em seguida. A função de administrador é indelegável e ele responde por prejuízos que causar à massa. a remuneração do administrador judicial tem como limite máximo o percentual de 5% dos créditos submetidos ao processo. a fim de proceder ao inventário da massa massa. penhor ou retenção. o No inventário constarão (art. parágrafo 2 ): a) livros obrigatórios e auxiliares do falido. documentos e demais bens da massa. preferencialmente advogado. O administrador veio a substituir a figura do síndico. papéis. 21. • O ADMINISTRADOR JUDICIAL A este compete a administração da falência. b) dinheiro. documentos e bens do falido (incluem-se os particulares do empresário individual ou. por tratarem de matéria comum aos institutos. de acordo com a capacidade da massa. Depois de nomeado. salvo se renunciar sem relevante razão ou for destituído de suas funções por desídia. o administrador judicial será pago proporcionalmente ao trabalho realizado. não pode ser superior a 5% do valor de venda dos bens. Na falência. quando provocados por dolo ou culpa (art. antes existente nas falências. dolo ou descumprimento das obrigações fixadas na lei. c) bens da massa em poder de terceiros. Na hipótese de ser substituído. obrigatória indicação do profissional responsável pela condução do processo. destacando-se a possibilidade de apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores a que se refere o art. 110. sob a imediata direção e superintendência do juiz. sócio de responsabilidade solidária e ilimitada). parágrafos 3o e 4o. Em se tratando de recuperação judicial. a título de depósito. Essas últimas disposições. 32). 143. 7o. . ao devedor ou aos credores. No primeiro caso. parágrafo único). administrador de empresas ou contador. assinar termo de compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 251 Série Impetus Provas e Concursos Outras prerrogativas possui o MP. guarda. que não poderá ser substituído sem autorização do juiz (art. valem tanto para a falência como para a recuperação judicial. Sua remuneração é fixada pelo juiz. providenciará a arrecadação dos livros. Em se tratando de pessoa jurídica. no prazo de quarenta e oito horas. d) bens de terceiros em poder do falido.

depois de ouvidos o Comitê e o devedor (art. II). responsável por tomar decisões que influenciam diretamente o resultado da falência. assim como os credores por multas contratuais e penas pecuniárias decorrentes de infração às leis penais ou administrativas. dos titulares de crédito com garantia real. tudo objetivando o melhor resultado para a massa. seja para os próprios credores ou. a exemplo da aprovação de outra modalidade para alienação do ativo. b) constituição do Comitê de Credores. contudo. valores do passivo e ativo. cuja regulamentação de constituição e funcionamento vem expressa em seus arts. com privilégio especial.252 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Dispõem os arts. a lei reservou um artigo para elencar as principais atribuições da AGC (art. III. senão vejamos: a) vetado. c) adoção de outras modalidades de realização do ativo. enumerados no art. quirografários. No entanto. d) qualquer outra matéria que possa afetar os interesses dos credores. após a avaliação. 35. o administrador judicial transigir sobre obrigações e direitos da massa falida. Merece destaque a letra e do mesmo dispositivo legal. salvo com autorização judicial. com escolha e substituição de seus membros. 142. . A assembléia é órgão deliberativo de decisão colegiada. 83. em se tratando de bens perecíveis. III. e alíneas. parágrafo 3o). com privilégio geral e subordinados. Ficam de fora apenas a Fazenda Pública. assim como possíveis ações judiciais de interesse da massa e atos suscetíveis de revogação. 111 e 113 que o juiz poderá autorizar a alienação antecipada de bens. ou conceder abatimento de dívidas. VII. Compõe-se dos titulares de créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. até para terceiros. a que se refere o art. 35 a 46. que enfoca a obrigatoriedade da entrega de um relatório em juízo. • ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES Trata-se de órgão criado pela nova lei. 22. Não pode. ainda que de difícil recebimento. onde constarão os atos necessários à administração da massa. 22. titular dos créditos fiscais. além daquelas previstas no art. A lei contém ainda extensa relação de deveres e atribuições do administrador.

tanto na falência como na recuperação judicial. universal da falência competente para conhecer e decidir sobre todas as questões de caráter econômico. certas questões não são abrangidas pela aptidão atrativa do juízo falimentar. mesmo. Entretanto. Também são impedidos de participar os que tiverem relação de parentesco ou de afinidade até o terceiro grau com o devedor. reunidas em assembléia geral. deixou de prestar contas no prazo legal ou teve a prestação rejeitada. mas indicados pelas classes dos credores. 26. parágrafo 1o). em caso de incompatibilidade daquele (art. ou. por exemplo. 28). inimigo ou dependente (art.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 253 Série Impetus Provas e Concursos • O COMITÊ GERAL DE CREDORES Órgão de existência facultativa. 3o). a dos credores com direitos reais ou com privilégios especiais. 30. ou até ao juiz.7. seja em processo de falência ou de recuperação judicial. . todos nomeados pelo juiz. Compõe-se de até nove membros. e o último. ficam suspensas todas as ações individuais propostas contra o devedor. Dos efetivos. Seu papel principal é zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei. o juiz da jurisdição de sua filial no país (art. caput. tenha sido destituída do cargo de administrador judicial ou de membro de comitê. Na possibilidade de não existir comitê. suas atribuições passam ao administrador judicial. relativas ao falido. parágrafo 3o. e parágrafo 1o). a dos quirografários e com privilégios gerais. Não poderá integrar o comitê a pessoa que. comunicando ao juiz qualquer violação dos direitos ou ocorrência de prejuízo aos credores (art. ou deles for amigo. Instalada a falência. 26. seus administradores. A esse conceito confere-se o nome de juízo falência. nos últimos cinco anos. sendo três efetivos e seis suplentes. controladores ou representantes legais. são submetidas a uma Justiça especializada em dirimir conflitos naquela área. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. inciso I). possuindo atribuições eminentemente fiscalizadoras das atividades do administrador judicial e do devedor. falimentar As causas trabalhistas. um representará a classe dos credores trabalhistas. outro. A falta de indicação de algum não prejudica a constituição do comitê (art. 1. em se tratando de organização localizada fora do Brasil. O Juízo da Falência É competente para decretar a falência o juiz do local onde se situa o principal estabelecimento do devedor (entenda-se aquele que concentre o maior volume de negócios da empresa) ou.

imaginemos a ocorrência de um acidente de trânsito envolvendo veículo da sociedade falida.661/45. caput). se a autoria fosse da massa. em ambos os casos. prevalecia a atração do juízo falimentar. • EXECUÇÕES TRIBUTÁRIAS (art. CUJA HASTA PÚBLICA JÁ TENHA SIDO DESIGNADA. deixa de haver a distinção.254 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em outras. o produto da venda será destinado ao autor da ação. e é lá onde deverão ser resolvidas tais questões. Percebam que o fato de um crédito ser exceção ao juízo falimentar não significa que o mesmo não seja classificado e incluído no quadro geral de credores. Não faria sentido suspender todo o processo. Tanto a nova lei como o Código Tributário Nacional prevêem que as demandas envolvendo tributos não se submetem à habilitação no processo falimentar. pertencente a um particular. Basta a determinação de que o dinheiro arrecadado com a venda seja revertido em favor da massa. FALIDO • AÇÕES NÃO-REGULADAS PELA LEI FALIMENTAR. Porém. a ação de indenização de autoria da empresa falida proposta na vara especializada teria seqüência normalmente. 76. Como exemplo. revertendo-se o que sobrar para a massa falida. Convém realçar que. que deverá ser concluído e o produto revertido em benefício da massa. passando a sobra para a massa. Sendo culpado este último. . São os casos em que o credor já tenha conseguido a definição do leilão de bens do devedor que vier a falir. caput). cairia na regra da exceção. cujo resultado irá interferir na massa. • RECLAMAÇÕES TRABALHISTAS (art. enquanto que. FALIMENT ALIMENTAR. 76. PAR ARTICULAR HASTA • AÇÃO PARTICULAR EM ANDAMENTO. paga-se ao proponente da ação. como as ações cujo leilão público já está para ser realizado. No primeiro caso. Contudo. caput). 76. não faz sentido recomeçar o mesmo procedimento outra vez. pois. são exceções ao juízo universal da falência os itens seguintes. Existe uma Justiça especializada para dirimir conflitos dessa espécie. na hipótese de o leilão haver sido concluído. Com a nova lei. e outro. caput). se o leilão já tiver sido realizado quando da sentença de falência. Assim. EM QUE O FALIDO SEJA AUTOR OU LITISCONSORTE ATIVO (art. LITISCONSORTE ATIVO (art. TRABALHISTAS (art. caput). devendo correr normalmente na vara de Justiça específica. o que se tem é um processo correndo regularmente em outro juízo. caput). na vigência do antigo Decreto no 7. havia uma distinção entre a ação proposta pelo falido ou pela massa falida. sobrepõe-se a exceção.

inclusive. fraude ou erro essencial. quando será dada oportunidade tanto aos credores como ao devedor ou ao Ministério Público para. apresentar ao juiz impugnação contra ausência de algum crédito ou.8. Entretanto. o Comitê de Credores. mesmo. Para estes. O art. créditos que não se vinculam ao requisito da habilitação. os créditos retardatários não podem participar de rateio eventualmente realizado e ficam sujeitos ao pagamento de custas. contudo. juntamente com a relação de credores fornecida pelo falido. o administrador judicial. senão vejamos: . 19). parágrafo 1o). no prazo de dez dias da publicação. Verificação e Classificação dos Créditos A partir da publicação da sentença declaratória de falência. Também os titulares por esses créditos perdem o direito de voto na Assembléia Geral de Credores.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 255 Série Impetus Provas e Concursos 1. como quadro geral de credores (art. a lei classificou-os como créditos extraconcursais por serem pagos extraconcursais. significando afirmar que não concorrem com nenhum outro. qualquer credor ou o representante do Ministério Público pode pleitear ao juiz exclusão. A habilitação de um crédito na falência é ato que dá conhecimento à dívida. Há. terá um prazo de quarenta e cinco dias para publicação de outro edital. com base nos livros e documentos arrecadados e na relação de credores fornecida pelo falido. quando descoberta falsidade. contra a legitimidade. Na falência. têm os credores um prazo de quinze dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou divergências quanto aos créditos relacionados (art. Outros. O administrador judicial. documentos ignorados na época da feitura do quadro geral de credores (art. tais como os decorrentes de dívida tributária e trabalhista. o juiz homologará a relação dos credores efetuada pelo administrador judicial. ou. reclassificação ou retificação de qualquer crédito. dolo. simulação.14). mesmo. importância ou classificação daqueles. assume o risco pelo prejuízo que possa advir de sua omissão. basta a notícia de existência em momento anterior à liquidação. para se tornarem aptos na relação de credores. 84 dispôs. a ordem a ser obedecida para eles. salvo se. Não havendo impugnação. 7o. igualmente demonstrando a relação de credores. com precedência sobre todos os demais. até o encerramento da falência. O administrador judicial somente pode incluir no quadro de credores aqueles dos quais tenha ciência. 10). Caso o titular do direito creditício não se manifeste em tempo. e mais nas provas colhidas junto aos credores. já houver sido homologado o quadro geral de credores contendo o respectivo crédito retardatário (art. à época da reunião. sendo considerada a habilitação retardatária.

prevalece o disposto no art. nos termos do art. e) obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial. Portanto. Observem que.101/2005 veio a alterar antiga disposição. quando a parcela que transpuser a quantia de cento e cinqüenta salários mínimos se equiparará aos quirografários. Outra inovação foi a inserção na relação das penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas. Inédita também é a limitação imposta aos créditos oriundos da relação de trabalho. ou após a decretação da falência. ainda que outra lei civil enquadre-os em qualquer categoria de créditos prevista no art. quando poderemos ver reduzidos os spreads bancários (diferença entre o custo de captação de recursos pelos bancos e os juros cobrados do cliente). indispensáveis ao prosseguimento do processo. . provocados justamente pela maior garantia concedida aos agentes financeiros. embora dispensando a habilitação. 83. A seguir.256 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares. 83. que antes não podiam ser exigidas no processo. respeitada a ordem estabelecida no art. nessa qualidade. a Lei no 11. 83. pois devem ser quitados antes de todos os outros. vejamos. 67. administração. b) quantias fornecidas à massa pelos credores. c) despesas com arrecadação. 83. que concorrem com os restantes na ordem de classificação estipulada pelo art. e tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência. diferente dos créditos fiscais ou trabalhistas. a ordem disposta pelo legislador no art. Isso é lógico. não-originários do falido e. bem como custas do processo de falência. d) custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida. 84. e créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência. os extraconcursais não entram nessa competição. na íntegra. pois esses são credores da massa. a disposição decorreu de pressão dos banqueiros detentores de créditos geralmente garantidos por hipoteca ou penhor. realização do ativo e distribuição de seu produto. Na visão dos críticos da nova lei. posicionando os créditos com garantia real de forma prioritária sobre os créditos fiscais. enquanto que seus defensores avaliam uma perspectiva positiva para o futuro da economia no país. Quanto à ordem de prioridade no pagamento dos créditos.

ou ainda. ao pagamento do crédito que ele favorece. créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados quirografários. independentemente da sua natureza e tempo de constituição. até o limite de cinco salários mínimos por trabalhador. De outra forma. b) os assim definidos em outras leis civis e comerciais. c) aqueles a cujos titulares a lei confira o direito de retenção sobre a coisa dada em garantia. até o limite de cento e cinqüenta salários mínimos por credor. até o limite do bem gravado. . excetuadas as multas tributárias. parágrafo 4o. salvo disposição contrária desta lei. • CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. conforme prevê o art. a exemplo do credor de custas e despesas judiciais com a coisa arrecadada sobre o mesmo bem. a exemplo do crédito decorrente do funeral do devedor. • CRÉDITOS QUIROGRAFÁRIOS. 83. 965 do Código Civil de 2002. em caso de decretação de falência. • CRÉDITOS COM PRIVILÉGIO ESPECIAL. o credor por sementes. têm prioridade os créditos por salários atrasados. vencidos nos três meses anteriores à decretação de falência. salvo disposição contrária desta lei. instrumentos e serviços à colheita sobre os frutos agrícolas. b) os credores quirografários do processo de recuperação judicial que continuarem a fornecer bens ou serviços após o pedido de recuperação terão privilégio geral. Na hipótese de o produto da alienação do bem gravado ser inferior ao crédito. por expressa disposição de lei. A lei assim os especificou: a) aqueles não-previstos nos demais incisos deste artigo. e INDENIZAÇÕES POR ACIDENTE DE TRABALHO. quais sejam: a) os relacionados no art. ou do credor de aluguéis sobre as alfaias e utensílios de uso doméstico. 964 do Código Civil de 2002. a diferença será classificada como crédito quirografário. que abrangem todos os outros bens não-sujeitos a crédito com garantia real ou privilégio especial. conforme dispõe o art. a saber: a) os previstos no art. Dentro dessa classe.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 257 Série Impetus Provas e Concursos • CAUSAS TRABALHISTAS. ou os salários dos empregados do serviço doméstico do devedor. que compreendem os bens sujeitos. • CRÉDITOS COM PRIVILÉGIO GERAL. c) os assim definidos em outras leis civis e comerciais. • CRÉDITOS COM GARANTIA REAL. que não gozam da garantia atribuída aos demais. concernentes aos seus últimos seis meses de vida. 151.

• CRÉDITOS SUBORDINADOS. a saber: a) os assim previstos em lei ou em contratos. lembrando que. as penas pecuniárias não podiam ser exigidas na falência. a partir da decretação da quebra.9. 1. aos seus bens. dos veículos que já se encontrem em processo inicial de montagem. É nesse diploma que se encontram dispostas todas as questões relativas ao falido. requerer as providências . devemos estudar os efeitos da falência separadamente. 1. contratos ou à atuação profissional. c) os saldos dos créditos derivados da legislação do trabalho. para fins de recebimento do valor acordado. que excederem o limite de cento e cinqüenta salários mínimos. sob o fundamento de que a paralisação diminuiria ainda mais as chances de os credores receberem seus créditos. 103.404/76. ela deve parar sua linha de produção. sejam em relação às dívidas com os credores. na antiga legislação. b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício. empresa. previstas no art. INCLUSIVE MULTAS TRIBUTÁRIAS. que permite a ele. inclusive. que poderá se fundamentar no parágrafo único do art.9. • MULTAS CONTRATUAIS E AS PENAS PECUNIÁRIAS POR INFRAÇÃO DAS LEIS PENAIS OU ADMINISTRATIVAS.1. pode o representante legal da sociedade falida requerer ao juiz a continuidade temporária do negócio. mas do representante da sociedade falida. Quanto ao Negócio do Falido Quando instalado o processo falimentar. pode ser que seja interessante a conclusão. além de fiscalizar a administração da falência. No entanto. Por dissolução entenda-se o fim das atividades econômicas da dissolução. a exemplo das debêntures subordinadas. Em nosso exemplo. de acordo com cada um dos temas a seguir enunciados.258 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel b) os saldos dos créditos não-cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento. Notem que a iniciativa do pedido não é dos credores. comprometer a entrega de produtos já comercializados. Efeitos Jurídicos da Falência A sentença declaratória de falência introduz o sujeito passivo em um sistema jurídico delimitado pela Lei de Falências. se estamos tratando da falência de uma indústria de veículos. pelo menos. parágrafo 4o. Por exemplo. Para facilitar o entendimento da matéria. da Lei Federal no 6. 58. seu efeito imediato é a dissolução da sociedade falida. deixando de aceitar pedidos e podendo.

o juiz nomeia pessoa idônea indicada pelo administrador judicial para condução dos negócios. d) alienação dos bens individualmente considerados. caput. b) alienação da empresa. c) alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do devedor. Basta ver o teor do art. não prejudicando as atribuições do administrador. que possibilita a venda dos bens da massa antes mesmo da formação do quadro geral de credores. XI. 99. conforme já vimos. . Igualmente serve à fundamentação do requerimento o art. 103. mas o dos próprios credores. Quanto aos Bens do Falido “Desde a declaração da falência ou do seqüestro. com a venda de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente. mediante pagamento de remuneração. na apreciação da matéria. Uma delas foi o permissivo contido no parágrafo 2o do art. Entretanto. que estipula uma ordem de preferência na realização do ativo. Entrementes. a autoridade judiciária leva em conta não o interesse do requerente. Logo. assim como da coletividade. 140. que trata da continuidade provisória das atividades do falido. é importante assinalar que a continuidade dos negócios não pode ser por prazo indefinido. Esse efeito não é o mesmo que perder a propriedade sobre os bens.2. representada pela venda do ativo para satisfação do passivo. com a venda de seus estabelecimentos em bloco. Também se percebe uma clara intenção do legislador em preservar o ativo produtivo da massa.9. a lei prescreve a indisponibilidade dos bens do falido como conseqüência imediata à sentença. A nova lei trouxe novidades a respeito da alienação do ativo do falido. Esta perda só se dá quando for procedida à liquidação judicial que. é a fase onde a massa ativa objetiva é alienada para satisfação dos credores. 1. Justifica-se tal medida numa maior celeridade requerida nesses casos. com a possibilidade de ser adotada mais de uma forma. sobretudo quando a operação acarretar ganho comparativo à massa.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 259 Série Impetus Provas e Concursos necessárias para a conservação de seus direitos ou dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada. requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cabíveis. 140. em razão da conveniência ou oportunidade: a) alienação da empresa. Se concedida. o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor” (art. já que ela não deve obstar a liquidação da sociedade. caput).

Neste último caso. c) pregão. Para estimular ainda mais operações como essa. o Ministério Público será intimado pessoalmente. do falido ou do sócio da sociedade falida. inclusive as de natureza tributária. em linha reta ou colateral. ou c) identificado como agente do falido. na parte referente à indisponibilidade dos bens do devedor como efeito imediato da falência. com o objetivo de fraudar a sucessão. dentre as quais compete ao juiz. o que a lei sugere é que se deve evitar ao máximo uma pulverização dos bens componentes da massa. Em qualquer modalidade de alienação. Três modalidades para alienação do ativo foram previstas. limitada ou até uma sociedade de responsabilidade ilimitada dos sócios. 142. a sociedade pode ser anônima. Tais encargos permanecem compondo as obrigações da massa. b) parente. ouvido o administrador judicial e atendendo à orientação do Comitê de Credores. ou sociedade controlada pelo falido. até o quarto grau. Mas. parágrafo 7o). voltando ao início do tópico. sem o risco de estarem contraindo obrigações inviáveis ao projeto. por lances orais. a escolha de uma. 141 previu que o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidente de trabalho. quando o arrematante for: a) sócio da sociedade falida. São elas: a) leilão. inicialmente. Essa nova ordem tende a gerar excelentes oportunidades de negócios aos que pretenderem adquirir ativos de empresas falidas. é preciso delimitar a incidência da norma de acordo com a qualidade do sujeito passivo. a fim de torná-los novamente produtivos. sob pena de nulidade (art. pois a alienação em bloco do estabelecimento permite ao comprador continuar o processo produtivo antes desenvolvido pelo falido. empresário individual ou sociedade empresária. conforme previu o parágrafo 2o do mesmo artigo. serão admitidos mediante novos contratos de trabalho e o comprador não responderá por obrigações decorrentes do contrato anterior. contudo. A liberalidade retratada não se aplica.260 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Portanto. Com relação aos empregados do devedor que forem contratados pelo arrematante. consangüíneo ou afim. quais bens seriam afetados pela medida? Os bens pertencentes aos sócios de uma sociedade falida sofrem o mesmo efeito? E aqueles bens particulares do empresário falido? Para o bom entendimento da matéria. É que podemos estar falando de um falido. . o inciso II do art. geralmente por bom preço. b) propostas fechadas.

mesmo na hipótese de o capital social não se encontrar totalmente integralizado. Se a falida for uma sociedade em comandita simples. claro. a falência de tais sócios. controladores e dos administradores da sociedade falida. além da indisponibilidade dos bens daqueles sócios. DEMAIS TIPOS SOCIETÁRIOS – a falência de uma sociedade em nome coletivo provoca a indisponibilidade tanto dos bens sociais como dos sócios (menos aqueles indisponíveis). Nesta hipótese. pode o juiz. a disponibilidade sobre todo o seu patrimônio. 82 reforçou a aptidão atrativa do juízo falimentar para apurar a responsabilidade pessoal dos sócios de responsabilidade limitada. o parágrafo 1o estipula a extensão do efeito aos sócios que tenham se retirado voluntariamente ou que tenham sido excluídos da sociedade há menos de dois anos. ordenar a indisponibilidade de bens particulares dos réus. temos a seguinte regra: EMPRESÁRIO INDIVIDUAL – arrecadam-se todos os bens. Além da obrigação pela parcela nãorealizada do capital social. Excetuam-se apenas os bens absolutamente impenhoráveis (são tratados no Direito Civil). assim como os dotais e os particulares da mulher e dos devedor. poderá haver a penhora de tantos bens particulares quantos bastem à integralização do capital social. caput. que passará a compor a massa falida. O empresário individual perde. até o julgamento da ação de responsabilização. além dos da sociedade. no caso de não terem sido solvidas até a data da decretação da falência. Para essas sociedades possuidoras de sócios com responsabilidade ilimitada. de ofício ou a requerimento das partes. 81. sobre os sócios-gerentes. sujeitando-os aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida. quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato. simples a indisponibilidade alcança apenas os bens dos sócios comanditados. o art. . filhos do devedor LIMITADA SOCIEDADE ANÔNIMA OU LIMITADA – apenas os bens sociais é que serão objeto da arrecadação judicial. preservando-se o patrimônio particular dos sócios. aplica-se a regra do art. por conseguinte. concomitantemente com a da pessoa jurídica.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 261 Série Impetus Provas e Concursos • • • Portanto. Sendo uma comandita por ações o efeito recai ações. que prevê. Julgada procedente a ação. o sócio remisso ficará passível de uma ação de integralização pela sua participação no capital ainda não satisfeita. em quantidade compatível com o dano provocado. ou não. sejam os destinados ao exercício do negócio. Em seguida. a depender da qualificação do falido. Nestes casos. lembrando a solidariedade presente quando se tratar de sociedade limitada.

6o).3. Da leitura dos dois parágrafos acima. assim como o vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis (art. tendo entregue um bem sem haver ainda a contrapartida da obrigação. se ainda não alienada.9. aberto o processo de falência. que ordenará intimação ao falido. A decretação da falência também provoca a suspensão do curso da prescrição e de todas as ações e execuções em face do devedor (art. o procedimento aplicável é o mesmo tratado no parágrafo antecedente. manifestem-se. interesses e negócios do falido. e deverá ser interposto perante o juiz da falência. 7o (quinze dias). 1. • JUÍZO UNIVERSAL O juiz do local em que se situa o estabelecimento de maior volume de negócios do falido atrai todas as questões econômicas que digam respeito à pessoa e aos bens do falido. ao Comitê de Credores e ao administrador judicial para que. Percebam que. Enquanto isso. 77). art. Também pode ser pedida a restituição de coisa vendida a crédito ao falido e entregue a este nos quinze dias anteriores ao requerimento de sua falência. habilitando-os no prazo previsto no parágrafo 1o do art. Julgado procedente o pedido. 85. a coisa deverá ser restituída em quarenta e oito horas. não a propriedade. fica o bem indisponível. Para melhor explicá-los. fiscais e aquelas não reguladas nesta lei em que o falido figurar como autor ou litisconsorte ativo (art. apto para decidir as questões relativas à massa. Quanto aos Direitos dos Credores O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens. o legislador está resguardando o direito daquele empresário de boa-fé que fez negócio com o falido quando este já se encontrava em situação de crise. . a fim de formarem a massa falida subjetiva com direitos paritários de acordo subjetiva.262 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Complementando o tópico. O instrumento hábil é o Pedido de Restituição a que se refere o Restituição. ressalvadas as causas trabalhistas. aqui. vejamos o seguinte destaque. todas as pessoas que tiverem créditos a receber do sujeito passivo falido devem se dirigir a um só juízo. no prazo sucessivo de cinco dias. podemos visualizar três efeitos imediatos sobre os direitos dos credores advindos da sentença declaratória de falência. Para tanto. pode ser pleiteada pelo seu legítimo proprietário. Portanto. Significa afirmar que é para lá que os interessados em receber seus créditos devem se dirigir. 76). vale esclarecer que coisa arrecadada da qual o falido detenha sua posse.

ativo. 1. se este comportar todo o passivo. São eles: a) credores fiscais. com a suspensão do prazo prescricional. 77. tomando-se sempre a data da sentença como base. Apenas na hipótese de serem satisfeitos todos os credores (dívida mais correção monetária). como prescreve o art. evidentemente. pois ele só será pago após a liquidação do ativo. Por essa razão. ao mesmo tempo em que devem ser deflacionadas aquelas ainda não-vencidas.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 263 Série Impetus Provas e Concursos com a classificação de seus créditos. desde que os encargos não ultrapassem o produto dos bens que constituem a garantia. No entanto. se. O parágrafo único do art. algum credor já houvesse ajuizado ação tendente a ver satisfeito direito seu. para só depois de concluídas atingirem a massa. . b) credores trabalhistas. ANTECIPADO • VENCIMENTO ANTECIPADO DA DÍVIDA Esta conseqüência visa à equalização dos créditos. é que incidiriam juros até o pagamento. d) credores por dívidas em cuja ação já tenha sido realizada a hasta pública. respeitando-se de novo a ordem de classificação dos créditos (art. 124 excetua dessa regra os juros das debêntures e dos créditos com garantia real. há credores que não se submetem à habilitação. a antecipação para a época da sentença importa em calcular juros por dívidas já vencidas até aquela data. por serem exceção à aptidão atrativa do juízo falimentar. Quanto aos Contratos do Falido A sentença de falência introduz o falido e seus negócios em um sistema jurídico regulado pela Lei de Falências. para decidir as questões que digam respeito à massa. As questões que envolvam essas matérias terão seqüência normal nos respectivos juízos. FALIDO • SUSPENSÃO DAS AÇÕES INDIVIDUAIS CONTRA O FALIDO Com a decretação da falência.9. necessariamente haveria a suspensão do processo. Na verdade. na medida em que define a data da sentença como parâmetro tanto para o cálculo dos juros devidos como para a conversão dos créditos em moeda estrangeira para a moeda brasileira. antes de decretada a quebra.4. c) ações não-reguladas pela LF em que o falido seja autor ou litisconsorte . admitindo-se as mesmas exceções já comentadas em tópico anterior. e ainda sobrando ativo. o juízo universal é quem passa a ser competente . Não quer dizer que o credor vá receber seu direito naquela data. 124).

a regra é similar. se cumpre ou não o contrato. cujo valor constituirá crédito quirografário. mediante autorização do Comitê. desde que em consonância com os ditames legais. 118). já no art. Entretanto. contrato bilateral envolvendo pessoa futuramente sujeito passivo de uma falência deve ser cumprido na forma como foi pactuado. em processo ordinário. há uma série de disposições específicas a respeito de algumas peculiaridades envolvendo tanto os contratos de compra e venda como outros. quando pactuadas livremente entre elas. cabendo ao contraente pleitear. A regra geral disposta no art. ensina que eles não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos normalmente pelo administrador judicial. realizar o pagamento da prestação pela qual está obrigado. Vejamos algumas. 119. por exemplo. até noventa dias da assinatura termo de sua nomeação. Em suma. determinado contrato de compra e venda. pois os contratos nascem para ser cumpridos nas condições em que foram constituídos). a ser classificada como crédito quirografário. não é novidade. podendo o administrador judicial. O que mudou foi o prazo de manifestação do administrador judicial. vindo uma delas a falir. . como o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil. No entanto. deverá ter suas cláusulas respeitadas pelas partes. relativamente aos contratos bilaterais. para que declare. que passou de cinco para dez dias. Para os contratos unilaterais. Seguindo o texto da lei. Os parágrafos 1o e 2o do mesmo art. a exemplo da locação empresarial ou de contas correntes. dentro de dez dias. Essa disposição. 117 dispõem que o contratante pode interpelar o administrador judicial. mediante autorização do Comitê. pois já constava do antigo decreto. A declaração negativa ou. quando isso contribuir para reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa (art. celebrado entre duas sociedades. o administrador judicial tem a faculdade de não mais querer dar prosseguimento ao vínculo já constituído (isso não seria possível numa situação normal. a ser apurada em processo ordinário. mesmo. 117. Assim. o silêncio do administrador confere à parte direito à indenização.264 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Uma conseqüência desse poder constitutivo da sentença é a possibilidade de se modificarem os vínculos constituídos sob a tutela de outros regimes de Direito. é bom que se diga. se julgar interessante para a massa. Tem o administrador judicial a faculdade de rescindi-lo. desta vez de acordo com o que dispuser a lei falimentar. novo disciplinamento legal tem início. indenização pecuniária. se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos.

FALIDO. mas ainda em trânsito. parágrafo único. 119. parágrafo 2o). antes do requerimento da falência. Pois bem. • COISA COMPRADA PELO FALIDO. Pois bem. é possível barrar a entrega. via pedido de restituição. na hipótese de o administrador judicial decidir cancelar contrato no qual aparece o devedor falido como vendedor. ENTREGUE QUINZE DIAS ANTES DO PEDIDO Essa hipótese. não pode obstar a entrega das coisas já saídas do estabelecimento. 119 estipula que aquele que vender produtos a outrem. previsto no art.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 265 Série Impetus Provas e Concursos FALIDO. FALIDO. cuja importância constituirá crédito quirografário (art. 119. MAS EM TRÂNSITO O inciso I do art. combinado com o art. não sem antes ouvir o Comitê de Credores. II. sem fraude. na classe própria (art. deve restituir o bem ao vendedor. Não o fazendo. DESPACHADA. a devolução da coisa. posteriormente declarado falido. esta tem a ver com a realização do ativo processada judicialmente no curso da falência. enquanto aquela se refere a uma operação comum entre vendedor e comprador. A diferença é que a coisa já fora entregue ao falido. • COISA COMPRADA PELO FALIDO. Subentende-se que. 85. tomando-se conhecimento da falência. . compete ao vendedor reivindicar. 85. já tendo procedido à entrega parcial dos produtos alienados. prevista no art. 119. III). faculta-se ao comprador devolver a parte recebida. IV). o crédito relativo aos valores já pagos pelo comprador ou pelo tomador do serviço sujeitar-se-á à habilitação. não havendo ainda a revenda por parte do comprador. Percebam que a venda aqui referida não é da mesma natureza da tratada na hipótese antecedente. cabe restituição ao vendedor. 117. COM RESER VA DE DOMÍNIO DO VENDEDOR Se o administrador resolver não continuar a execução do contrato. as tiver revendido. COMPOSTAS FALIDO • COISAS COMPOSTAS VENDIDAS PELO FALIDO Coisas compostas são aquelas cuja utilidade desejada depende do todo. pois. RESERV • COISA MÓVEL COMPRADA PELO F ALIDO. JÁ DESPACHADA. e resolvendo o administrador judicial não executar o contrato. não tendo sido ainda realizada a alienação judicial do bem. nos quinze dias que antecederam o requerimento da falência. exigindo a devolução dos valores pagos. FALIDO • COISA MÓVEL VENDIDA PELO FALIDO A PRAZO Não tendo o devedor entregue coisa móvel ou prestado serviço que vendera ou contratara a prestações. requerendo perdas e danos. antes que aconteça a venda judicial do bem. é similar à anterior. se o comprador. conforme estipulação contratual (art.

De outra forma. vindo a falir o locatário.5. 123. Tanto na lei como no antigo decreto. 121). parágrafo 2o). Na hipótese de o falido haver recebido mandato ou comissão antes da falência. independentemente de haver intenção do devedor de fraudar credores (art. 119 remete o tema à legislação específica. salvo dos que versem sobre matéria estranha à atividade empresarial (art. cabendo ao mandatário prestar contas de sua gestão. Em se tratando de mandato para representação judicial do devedor. CONTRATOS ENVOLVENDO FALIDO • CONTRATOS DE LOCAÇÃO ENVOLVENDO FALIDO Sendo a falência do locador. e do produto da venda deve ser deduzido o que for devido aos demais condôminos. uma vez cometidos não devem produzir qualquer efeito sobre a massa. ANTES DA FALÊNCIA. nos termos da melhor proposta obtida (art. Quanto à Ineficácia e Revogação de Certos Atos Assim como fizera no antigo decreto. CONTRATO CONTA • CONTRATO DE CONTA CORRENTE COM O DEVEDOR É encerrado no momento da decretação da falência. faculta-se ao administrador judicial. VII). Significa afirmar que tais atos. 129 da nova lei). MANDATO FALÊNCIA. começar a celebrar alguns negócios com intuito de salvaguardar interesse seu. facultada a estes a compra da quota-parte do falido. pois relacionou atos considerados ineficazes para a massa. o que evidentemente reduziria as chances de satisfação dos créditos. PARA REALIZAÇÃO DE NEGÓCIOS A quebra provoca a cessação de seus efeitos. PARA • MANDATO CONFERIDO PELO DEVEDOR.9. o legislador considerou importante proteger os credores de boa-fé contra atos praticados pelo devedor. a quebra provocará a cessão. a qualquer tempo. verificando-se o respectivo saldo (art. faculta-se ao administrador judicial a revogação. denunciar o contrato (art. 119. ficando passíveis de ser declarados . Sim. em detrimento do seu ativo. avaliando sua situação de iminente liquidação judicial. a seguir demonstrados. 1. o legislador foi mais além. antes mesmo da decretação da falência. porque poderia o devedor mal-intencionado. 120). mantêm-se os termos do contrato.266 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS O inciso VI do mesmo art. PAR ARTICIPE FALIDO • CONDOMÍNIO INDIVISÍVEL DO QUAL PARTICIPE O FALIDO O bem deverá ser vendido.

se entender que nenhum prejuízo trouxe à comunidade de credores. não podendo o falido voltar atrás. o ato é plenamente válido. o futuro empresário falido resolveu pagar dívida sua. no Cartório de Imóveis. determinando o retorno à situação jurídica anterior. são ineficazes perante a massa. Alguns. Percebam que não se trata de questionar a nulidade dos atos. seja ou não a intenção deste fraudar credores: • PAGAMENTO DE DÍVIDAS NÃO-VENCIDAS – quando realizado pelo falido dentro do termo legal da falência. • PRÁTICA DE ATOS A TÍTULO GRATUITO – desde dois anos antes da declaração de falência. Para facilitar o entendimento. • ALIENAÇÃO OU TRANSFERÊNCIA DO ESTABELECIMENTO – quando realizada sem o consentimento ou pagamento de todos os credores. que será melhor estudado no item 1. de ofício. • RENÚNCIA À HERANÇA OU AO LEGADO – desde dois anos antes da falência. que podem se revestir de todos os requisitos legais.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 267 Série Impetus Provas e Concursos ineficazes. a massa dispunha de ativo suficiente para saldar todos os créditos. exceto quando tenha havido prenotação anterior. ou até incidentalmente. pelo juiz. talvez porque. no prazo de trinta dias da notificação. • CONSTITUIÇÃO DE DIREITO REAL DE GARANTIA – quando procedido dentro do termo legal de falência. vejamos o seguinte exemplo: se. ofertando ao credor um veículo no valor de R$ 40. • PAGAMENTO DE DÍVIDAS VENCIDAS – quando realizado dentro do termo legal da falência. Desta forma. como veremos à frente. desde que efetivada por outra forma distinta da prevista no contrato (é o caso do exemplo acima citado). Porém. não houver oposição dos credores. mas a eficácia deles perante a massa. o juiz pode considerar a transação ineficaz perante a massa. inclusive.10 deste Capítulo).000.000. no valor de R$ 20. salvo se restarem bens suficientes para solver o seu passivo ou se. tenha ou não o contratante conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor. chegando a dois anos anteriores à sentença.00. extrapolam o termo legal de falência. . alegando a nulidade do negócio. • TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE DE IMÓVEL – desde a declaração de falência. para surpresa do devedor. ou através de ação própria. para dívidas contraídas anteriormente. a ineficácia pode ser alegada na defesa. Na omissão da autoridade judiciária. no curso do processo. durante o termo legal de falência (período suspeito de até noventa dias anteriores à falência.00.

O primeiro tem a ver com restituir. no prazo de três anos contados da decretação da falência. posta no art. perante o juiz da falência. ou julgada procedente a ação revocatória. e se aplica aos casos em que os atos são declarados ineficazes pelo juiz.268 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Além dos atos ineficazes supramencionados. provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida. 129. nesta situação. diferentemente dos outros. sua atuação de ofício. mas da nulidade dos mesmos. neste caso do art. 130. que insere o devedor em regime jurídico regulado pela Lei de Falências. nos termos do art. com sua falência decretada. pois o devedor não pode ficar esperando muito tempo pelo provimento judicial. Apesar de parecer estranha a previsão legal. e o contratante de boa-fé terá direito à restituição dos bens ou valores entregues ao devedor. 130 dispôs a respeito dos atos revogáveis.10. por qualquer credor ou pelo Ministério Público. desde que praticados com a intenção de fraudar credores. conforme já mencionado. as partes retornarão ao estado anterior. 1. com relação a um agravo contra sentença. 130. justifica-se a medida na necessária celeridade que tem que ser dada ao processo. Reconhecida judicialmente a ineficácia dos atos a que se refere o art. permitindo-se. podendo ser qualquer um. 100. convém explorar um pouco mais a distinção entre o sentido jurídico dos termos r evocar e revogar. O agravo. Estes. pois normalmente o recurso cabível seria a apelação. estamos tratando não apenas de impedir os efeitos dos atos diante da massa. posto que eivados de vício na origem. Tanto um como outro recurso não possuem efeito suspensivo. O instrumento hábil para revogação de tais atos é a ação revocatória. no prazo de três anos contados da sentença de falência. tem a finalidade de ensejar maior rapidez à decisão judicial. De outra forma. Da decisão que decreta a falência cabe agravo. e da sentença que julga a improcedência do pedido cabe apelação. quando a atuação do juiz depende de uma ação revocatória. não possuem discriminação taxativa na lei. revogar se relaciona à anulação ou invalidação do ato. por qualquer credor ou pelo Ministério Público. movida pelo administrador judicial. Percebam que. o art. . até. O Processo Falimentar A falência tem início com a sentença judicial declaratória. Para melhorar a compreensão. movida pelo administrador judicial. trazer de volta.

além dos procedimentos necessários. deste Capítulo. I. juntando-se as provas que houver e especificando as que serão produzidas (art. 94. a fim de legitimar a petição. parágrafo 4o). podemos afirmar que a falência compreende três etapas distintas: a) o pedido. dentre outras. III. a sentença é o ato que marca tanto o início da falência como seu final. • O PEDIDO Vimos. parágrafo 3o. 9o. sempre acompanhados da Certidão de Protesto (art. conforme a previsão do art.4. b) a fase falimentar. parágrafo único). 105. O pedido fundamentado na impontualidade do devedor. sendo o credor empresário. e c) a reabilitação do falido. Assim. que são posteriores a ela. Entretanto. compreendidos na fase falimentar propriamente dita. a elaboração do quadro geral de credores e a liquidação do patrimônio do devedor. dos bens e direitos . desde o pedido até a reabilitação do falido. as pessoas que detêm a faculdade para pleitear a falência. o pedido de falência será instruído com certidão expedida pelo juízo em que se processa a execução (art. parágrafo 5o). 94. a lei se reporta a etapas que a antecedem ou. e o recurso cabível contra ela é a apelação. deve fazer prova de sua regularidade mediante certidão do Registro Público de Empresas. tudo para estabelecer regras. como a arrecadação de bens do falido. 94. Portanto. contudo. 156. combinado com o art. 94. deve vir instruído com os títulos originais (se mais de um) ou por cópias autenticadas. incluindo o próprio devedor. este deve vir autofalência. depois de executadas diversas etapas procedimentais. II. deverá conter a descrição dos fatos tipificados na lei. O instrumento hábil para pôr fim ao processo é igualmente uma sentença judicial. 94. Quando promovido com base no descumprimento de uma execução judicial. no item 1. Para credores residentes fora do país. Em qualquer caso. a exemplo do balanço patrimonial.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 269 Série Impetus Provas e Concursos Esse mesmo diploma normativo prevê o encerramento do processo. mesmo. se estiverem juntados a outro processo. da relação nominal dos credores. 94. prevista no art. conforme o art. Alguns requisitos. Na hipótese do pedido lastreado em “atos de falência”. instruído com demonstrações contábeis relativas aos três últimos exercícios sociais. parágrafo único. são exigidos. Desta forma. exige-se a prestação de caução. Quando se tratar de pedido de autofalência a que se refere o art. previstos no art.

d) pagamento da dívida. 99 contém extenso rol das determinações que devem estar presentes na sentença. além de outras julgadas necessárias pelo juiz. f) apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo de contestação. a identificação do falido e os nomes dos administradores à época. no qual o devedor pode haver cometido atos prejudiciais à massa. Dentre elas. . seus efeitos são constitutivos de direitos. b) fixação obrigatória do termo legal de falência que é um intervalo de falência. como também ampliou seu prazo máximo para noventa dias anteriores ao pedido. comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas. deste Capítulo.4. diferentemente do antigo decreto. não é necessário. podemos destacar: a) síntese de pedido. pois introduz devedor e credores num sistema jurídico diverso do previsto no Direito Obrigacional. FASE FALIMENT ALIMENTAR • A FASE FALIMENTAR Tem início com a sentença declaratória de falência. conhecido como “período suspeito”. o juiz ordenará a citação do devedor. prorrogável por até cinco dias). e) vício em protesto ou em seu instrumento. tempo antecedente à sentença. A contestação deverá estar baseada em uma das hipóteses do art. pois o inciso IV do mesmo art. além dos livros obrigatórios e outros documentos contábeis exigidos por lei. g) cessação das atividades empresariais mais de dois anos antes do pedido de falência. ou contados do primeiro protesto por falta de pagamento. excluindo-se protestos cancelados.9.270 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel que compõem o ativo e dos administradores nos últimos cinco anos. Com relação à qualidade de empresário regular. Após o pedido. Apesar da qualificação atribuída. 96. O art. Percebam que. conforme discorrido no subitem 1.9. 105 requer apenas prova da condição de empresário. a nova lei tornou obrigatória a presença do termo na própria sentença. admitindo-se até a inexistência de instrumento constitutivo do negócio. b) prescrição. o qual não prevalecerá diante de prova de exercício posterior ao ato registrado. c) nulidade de obrigação ou de título. a saber: a) falsidade de título. conforme já referido no subitem 1. deste Capítulo.5. assim considerado pelo Registro de Empresas. e) qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título. que poderá apresentar contestação no prazo de dez dias (antes era de vinte e quatro horas.

181): . Os bens arrecadados e avaliados ficarão sob a guarda do administrador judicial ou de pessoa por ele escolhida. diretores. que prevê a medida. Também é nessa parte do processo que. ou da lacração dos estabelecimentos. conselheiros e o próprio administrador judicial (art. administradores. equiparam-se ao falido. h) ordem de intimação ao Ministério Público e a comunicação por carta às Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento. fazendo constar a expressão: “falido”. São efeitos da condenação por crime previsto nesta lei (art. d) explicitação do prazo de quinze dias para habilitações dos créditos. na maioria das vezes cometidos pelo falido. 168 a 178 da Lei de Falências e são classificados como de ação pública incondicionada. sócios. pela qual é levantado todo ativo e passivo do devedor. mesmo. no prazo máximo de cinco dias. É nesse estágio que são processadas as possíveis ações revocatórias. normalmente. observando-se os bens de sua propriedade. embora se permita ação privada subsidiária da pública por parte de qualquer credor ou do administrador judicial (art. a fim de prevenir riscos. apesar da ressalva do parágrafo 2o do art. mas não lhe pertencem. 7o.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 271 Série Impetus Provas e Concursos c) ordem ao falido para que apresente. se ainda não constar dos autos. que permite a impetração da ação penal em qualquer fase processual. Processa-se também a habilitação dos créditos para elaboração do quadro geral de credores. Para todos os efeitos penais decorrentes desta lei. f) nomeação do administrador judicial. 183). neste caso observado o que dispõe o art. 184). mas que se encontram em poder de terceiros. Ainda na fase falimentar. é apurada a existência de possíveis “crimes falimentares”. a fim de compor o inventário. g) pronúncia a respeito da continuação provisória das atividades do falido por meio do administrador judicial. e) ordem ao Registro Público de Empresas para que proceda à anotação da falência no registro do devedor. parágrafo 1o. a declaração de ineficácia de certos atos cometidos pelo devedor antes da sentença. os pedidos de restituição ou. sob pena de desobediência. podendo o falido ser nomeado depositário. sob a responsabilidade daquele. 109. conforme a disposição do art. na medida da culpabilidade de cada um. para que tomem conhecimento da falência. 187. processam-se duas etapas bem distintas: uma. assim como os que estão em sua posse. 179). A competência para o conhecimento da ação penal pertence ao juiz criminal da jurisdição onde tenha sido declarada a falência (art. relação nominal dos credores. Tais crimes estão tipificados nos arts. chamada de etapa cognitiva (vem de conhecimento).

Só a partir daí terão eficácia. permanecerei com aquela nomenclatura. 179. Nesse ponto. parente. parágrafo 2o. necessitam ser motivadamente declarados na sentença. o legislador procurou deixar clara a intenção governamental de preservar o conjunto produtivo de bens ou serviços do falido. b) o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. neste trabalho. Importante assinalar. vem a liquidação quando acontece a liquidação. 140. Se for conveniente à massa. inclusive as de natureza tributária. de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente. sempre que a eles se refere. Só em último caso. já que não são singulares da falência. 188 a aplicação subsidiária do Código de Processo Penal. 183 e 187.272 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) inabilitação para o exercício de atividade empresarial. alienação de todos os bens da massa. quando não-incompatível com a lei falimentar. Concluída a etapa de conhecimento. Por essa razão o legislador optou pela expressão: “crimes previstos nesta lei”. c) impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de negócio. ou identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão. que os crimes falimentares previstos na lei não são exclusivos do processo falimentar. não são automáticos. visando ao pagamento dos credores. apenas por uma questão de semântica. do falido ou de sócio da sociedade falida. Esses efeitos. não sendo possível. em linha reta ou colateral até o quarto grau. 140 e 141. conforme se depreende da combinação dos arts. consangüíneo ou afim. Igualmente na recuperação judicial e na extrajudicial pode haver apuração da ocorrência deles. vendemse os bens de forma unitária. salvo se o arrematante for sócio da sociedade falida ou de sociedade controlada pelo falido. b) impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de administração. prevê o art. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidente de trabalho. ainda. Contudo. a saber: a) preferência para venda em bloco da empresa. Ademais. pode ser adotada mais de uma das formas descritas. ou até o conjunto dos bens que integram cada um dos estabelecimentos. . merecem destaque as dos arts. diretoria ou gerência de qualquer sociedade sujeita à lei falimentar. contudo. Essa tendência é manifestada textualmente no parágrafo 3o do art. para que não haja a pulverização de uma organização capaz de gerar riqueza ao país. Dentre as medidas inovadoras para se atingir tal objetivo. 180.

156).CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 273 Série Impetus Provas e Concursos c) empregados do falido que forem contratados pelo arrematante celebrarão novo contrato de trabalho e o contratante não responde por obrigações decorrentes da relação jurídica anterior. o administrador judicial apresentará suas contas ao juiz. contado da publicação do aviso de que as contas foram entregues. no prazo de dez dias. dentre outras informações. caso não-satisfeitos todos os credores até o encerramento da falência. Observem que. o falido permanece na condição de devedor. Após esse período. no prazo de trinta dias. Quanto à forma a ser escolhida para alienação do ativo. o produto da realização do ativo. que havia sido suspenso com a sentença de falência (art. pois comporta os dois. surgiu o pregão que é pregão. a alienação dar-se-á pelo maior valor oferecido. antes mesmo da formação do quadro geral de credores. em seguida. em razão dos custos e do interesse da massa. 140. não apenas os bens assim qualificados podem ser objeto de rápida alienação. Transitada em julgado a sentença de encerramento da falência. o juiz mandará intimar o Ministério Público para. 154 e 155). mesmo tendo lançado mão de todo seu ativo para satisfação dos credores. o juiz julgará as contas do administrador por sentença e. em autos apartados. no prazo de cinco dias. 111). Reforça a assertiva a disposição do parágrafo 2o do art. A partir da nova lei. apresentará relatório final da falência. Cumpridas todas essas providências. mas qualquer um. 157). . será ouvido o administrador judicial. ainda que seja inferior ao de avaliação. o juiz encerrará a falência por sentença (art. além das responsabilidades com que continuará o falido (arts. manifestar-se a respeito. recomeça a correr o prazo prescricional relativo às obrigações do falido. onde constarão. sob pena de nulidade do mesmo. Os interessados têm prazo de dez dias para impugnação. os pagamentos feitos aos credores. apenas depois de concluída toda a fase cognitiva é que poderia ter início a outra etapa de liquidação. Havendo impugnação ou parecer contrário do MP. atendida a regra de classificação e preferência entre eles (art. uma modalidade híbrida entre as outras duas permitidas – leilão ou por propostas –. Apresentado o relatório final. quando poderá haver autorização judicial aos credores para adquirir ou adjudicar os bens arrecadados. salvo na hipótese de bens de fácil deterioração. O Ministério Público será pessoalmente intimado para acompanhar o processo. que prevê a possibilidade de realização do ativo. De acordo com o antigo decreto. Em qualquer caso. REABILITAÇÃO FALIDO • A REABILITAÇÃO DO FALIDO Concluída a realização de todo o ativo e distribuído o produto entre os credores. quando o síndico peticionaria ao juiz sobre a necessidade de venda.

Mesmo após o cumprimento da pena. o falido poderá requerer ao juízo da falência que suas obrigações sejam declaradas extintas por sentença. não poderá fazê-lo enquanto condenado ou se estiver respondendo a processo por crime falimentar. 158. a lei prevê. é bom que se ressalte. contado do dia em que termine o cumprimento da pena privativa de liberdade. Contudo.) Não pode exercer a atividade empresarial –––—––-.. necessita da conjunção de dois requisitos. extinguem as obrigações do falido: a) pagamento de todos os créditos. existe um prazo carencial de dois anos a ser respeitado. c) decurso do prazo de cinco anos. contado do encerramento da falência. se tiver havido condenação por crime falimentar.--–––—-. Percebam que.--–––—-. se para tanto não bastou a integral liquidação do ativo. de mais de 50% dos créditos quirografários. d) decurso do prazo de dez anos. sendo facultado ao falido o depósito da quantia necessária para atingir essa porcentagem.) Pode exercer a atividade empresarial –––—––-. b) pagamento. Tal dispositivo.274 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entretanto.–– (---. Em suma. é necessária a sentença declaratória da extinção de suas obrigações. mesmo sem o seu pagamento integral. 94 do Código Penal.–– - . Para o melhor entendimento do tema. pelo menos se comparado com o do antigo decreto. Para acontecer. depois de realizado todo o ativo. hipóteses de exonerar a dívida do falido. se o falido não tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta lei. Desta forma.. e b) decurso do tempo de dois anos após a execução da pena privativa de liberdade. pois elevou de 40% para 50% o patamar da alínea b. de acordo com a exegese do art. para o falido poder novamente exercer a atividade empresarial. tornou mais difícil a liberação do devedor. Configurada qualquer das hipóteses descritas acima. se o falido tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta lei. vejamos a seguinte representação gráfica: (---. podemos afirmar que a reabilitação devolve à pessoa do falido o direito para o exercício da atividade empresarial. contado do encerramento da falência. quais sejam: a) sentença de extinção das obrigações. em seu art.

– . 2.-/. pois... que vai do art.– . pois o mais importante deve ser a resolução das pendências com um mínimo de interferência possível no desenvolvimento da atividade econômica do devedor..– .. A recuperação extrajudicial possui regulamentação no Capítulo VI da nova lei.. Deve ser o passo inicial para a tentativa de solução das dificuldades financeiras do devedor.. Se. Recuperação de Empresas Recuperação Extrajudicial 2. 161 ao art.– – ..-/.. .....– . Essa é disposição do art.. que deve envolver exclusivamente as partes..1.-/ ... Anotem que não há intervenção judiciária no pacto.... a fim de provocar efeitos. 2o. vejamos como funciona o desenrolar do processo de recuperação de empresas.. III. é que o plano de recuperação se submete à homologação do juiz.— .1.. falência.– – .– .. a fim de proporcionar uma visão global do tema.. à época do antigo decreto... 167.– . Disposições Preliminares Consentâneo com a filosofia motivadora da nova lei.. agora não só foi legalizada como deve ser incentivada.. o ensaio do devedor em propor aos seus credores um acordo extrajudicial para equalizar suas dívidas. Também deve ser ressaltado que a lei não exclui outras modalidades de acordo privado entre devedor e credores.– . ou mesmo na remição parcial de algumas obrigações..-/ . quanto mais precoce e célere for a resolução desses conflitos.. Pelo menos.. representava ato de falência conforme a exegese de seu art...1./-— Sentença de Falência Fim da Falência Sentença de Extinção das Obrigações Início da Pena Fim da Pena 2..-/———————————— Sentença de Falência Fim da Falência Sentença de Extinção das Obrigações b) Segunda hipótese: processo falimentar com condenação criminal do devedor 02 anos /. 167...— .CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 275 Série Impetus Provas e Concursos a) Primeira hipótese: processo falimentar sem condenação criminal do devedor /...../... Apenas após o entendimento.. normalmente materializada na dilatação dos prazos de vencimentos dos créditos. extrajudicial e judicial... maiores as chances de se manter a atividade econômica desenvolvida pelo devedor. reunidos em item específico. foi com essa finalidade que surgiu esse instituto.

não existe outro diploma legal prevendo a recuperação extrajudicial para as mesmas entidades. há menos de cinco anos. No entanto. e outras para as quais exista lei específica proibindo a concordata. somente é admissível o empresário regularmente constituído há mais de dois anos (para a falência. obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial para microempresas e empresas de pequeno porte. h) sociedade seguradora. g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde.024/74. É de bom alvitre salientar que. e) administradora de consórcio. f) entidade de previdência complementar. obtido concessão de recuperação judicial. 48. senão vejamos: a) não ser falido e. para caracterização da recuperação extrajudicial.1. Igualmente imprescindível à obtenção da homologação judicial é a observância da exegese contida no art. que estejam declaradas extintas. também só pode celebrar o acordo aquele devedor qualificado como empresário. pública ou privada. c) instituição financeira. se o foi. mesmo caracterizadas como tal. i) sociedade de capitalização. alguns itens fazem-se necessários: • DEVEDOR EMPRESÁRIO – da mesma forma que na falência. há menos de oito anos.2. à exceção das empresas de serviços aéreos. 161. as responsabilidades daí decorrentes. prevêem hipóteses de essas sociedades virem a falir. elas estão absolutamente fora do processo de recuperação extrajudicial. estão à margem do processo. c) não ter. na conformidade do que dispôs a Lei no 11. permite-se até o empresário irregular). por sentença transitada em julgado.276 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2. Logo. d) cooperativa de crédito.101/05. Algumas sociedades. Assim. . e ainda válidas. que trata da intervenção e da liquidação extrajudicial de instituições financeiras. em combinação com a do art. contudo. enquanto para a falência. a exemplo da Lei Federal no 6. 198 e 199. São elas: a) empresa pública. parágrafo 3o. Caracterização da Recuperação Extrajudicial Nesse tópico são abordados os requisitos principais necessários à instalação do processo. conforme a combinação dos arts. b) sociedade de economia mista. b) não ter. outras leis específicas mais antigas.

pois. devidamente acompanhado do plano. é fácil perceber que há divergência entre as letras “b” e “f”. enquanto uma estipula prazo mínimo de cinco anos imediatamente anterior ao pedido. Todos esses deverão ter conservadas as condições originalmente contratadas. inclusive em incorporações imobiliárias. Somente após esse entendimento a respeito do plano de recuperação. encaminhando o pedido diretamente à autoridade judiciária. parágrafo 2o). Também o plano não poderá contemplar o pagamento antecipado de dívidas nem o tratamento desfavorável aos credores que a ele não estejam sujeitos (art. inciso II. Observando cada uma das alíneas reproduzidas (as quatro primeiras estão no art. quando o devedor elaborava seu plano de pagamento à revelia de prévia consulta aos credores (necessitava estar de acordo com as hipóteses legais). ou de proprietário em contrato de venda com reserva de domínio. 49. a nova disciplina impõe a discussão entre devedor e credores como meandro para obtenção do benefício. e 86. 161. cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade. ao passo que as duas últimas vêm do art. a outra prevê interstício de dois anos para o mesmo impedimento. e) não possuir pedido de recuperação judicial pendente de liberação. parágrafo 1o. 161. o devedor deverá encaminhar o pedido ao juiz. pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos na lei falimentar.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 277 Série Impetus Provas e Concursos d) não ter sido condenado. • PLANO DE RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E O PEDIDO – diversamente da antiga concordata. os titulares de crédito contra o devedor decorrente de adiantamento em moeda nacional de contrato de câmbio para exportação. 161. ou não ter. assim como credores titulares da posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis. Significa assegurar aos titulares dos créditos excluídos do plano garantias de que seus direitos não serão preteridos. como administrador ou sócio controlador (em se tratando de pessoa jurídica). . Não podem participar do plano. de arrendador mercantil. parágrafo 3o). 48. parágrafo 3o. como um período no qual o devedor não pode ter obtido a concessão de recuperação judicial. f) não houver obtido recuperação judicial ou homologação de outro plano de recuperação extrajudicial há menos de dois anos. os titulares de créditos de natureza tributária. conforme a combinação dos arts. e mais. os derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. de proprietário ou promitente vendedor de imóvel.

pode ser concedida homologação judicial de um plano de recuperação extrajudicial. mantendo-se o devedor à testa do negócio. 2.4. com as mesmas exigências já esboçadas no item 2. • SENTENÇA DE HOMOLOGAÇÃO DO PLANO – acordada com os credores as condições do plano.1. a fim de observar as limitações e os requisitos exigidos na lei. ou da filial da empresa que tenha sede no Brasil.3. caput. o acordo constituirá título executivo judicial. parágrafo 1o). que deve tramitar em processo distinto da execução. na hipótese de descumprimento do plano.2. assim como dos outros que não aderirem ao plano. Em outras palavras. 48. Se homologado (via sentença). apenas para devedores. 161. a homologação do plano não interfere nos direitos dos titulares de créditos citados no parágrafo anterior. Sujeitos Ativos da Recuperação Extrajudicial O pedido de homologação judicial para o plano de recuperação da empresa compete exclusivamente ao devedor empresário. Logo. outros efeitos. a fim de proporcionar-lhe novamente saúde financeira. parágrafo 6o. Nunca é demais repetir. Deve ainda o leitor se reportar ao item anterior. 2.1. 161. . Significa dizer que os participantes do plano passarão a dispor de um instrumento de execução direta contra o devedor. como veremos adiante. pessoas físicas ou jurídicas que se enquadrem na qualidade de empresário. muito menos para pedidos de decretação de falência daquele. conforme prevê o art. que só empresários regularmente constituídos há mais de dois anos podem obter a homologação (art. a sua homologação. combinado com o art. contudo.278 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Para os credores não-sujeitos aos efeitos do plano. o sujeito ativo em processo de recuperação judicial será sempre o devedor empresário. Tomada tal providência. compete ao devedor requerer ao juiz do local do principal estabelecimento do devedor. não há qualquer óbice a ações ou execuções contra o devedor. Sujeitos Passivos da Recuperação Extrajudicial Da mesma forma que na falência.1. contudo. nada impede o pedido de falência. Não produz. nunca aos credores.

contudo. conforme a combinação dos arts. os envolvidos são devedor e credores. 3o. requerer a falência do devedor. ou não. o mesmo não se dá no processo de recuperação extrajudicial. 183 e 187. parágrafo 2o. da mesma forma que não se exige a nomeação de um administrador judicial. a suspensão do curso da prescrição de outras ações e execuções em face do devedor. limitando-se praticamente à homologação. Portanto.1. Ademais. somente a autoridade judiciária encarregada da homologação do plano de recuperação é que pode ser considerada órgão no processo.1. por exemplo. 180. se comparado com a recuperação judicial.5.6. Isso quer dizer que a sentença de homologação funciona como uma espécie de referendo legal para devedor e credores colocarem em prática aquilo que eles próprios combinaram. 2. O Ministério Público. do plano previamente acordado entre devedor e credores. quando descumpridas suas condições. Também o Comitê de Credores e a Assembléia Geral de Credores são órgãos exclusivos da falência e da recuperação judicial.7.1. mas de forma restrita. a participação da autoridade judiciária é bem mais restrita. O Juízo da Recuperação Extrajudicial A escolha do juiz designado para homologação do plano de recuperação extrajudicial deve seguir a prescrição do art. recaindo naquele onde se situe o principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do Brasil. com algumas exceções. Igualmente continua a possibilidade de outro credor. Enquanto o juízo da falência atrai todas as outras questões de caráter econômico envolvendo o falido. atuará na hipótese de se verificarem indícios de crime falimentar. assim como para os participantes do plano. Efeitos Jurídicos da Recuperação Extrajudicial A homologação do plano de recuperação extrajudicial altera as relações econômicas das partes envolvidas. A sentença não tem o condão de provocar. Neste. 2. assim como para os participantes do plano.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 279 Série Impetus Provas e Concursos 2. quando poderá oferecer denúncia. ou mesmo a rescisão de contratos bilaterais que envolvam o devedor. 179. . quando descumpridas suas condições. não envolvido no plano. mesmo. na recuperação extrajudicial não há obrigatoriedade da participação do Ministério Público. Órgãos da Recuperação Extrajudicial Bem mais simplificado que o processo falimentar ou. da forma como acontece na falência ou na recuperação judicial.

2. pois a homologação da recuperação extrajudicial em nada deverá afetar o funcionamento da empresa. a fim de emprestar a ele eficácia jurídica. sem afetar o curso regular de suas atividades econômicas. devem ser analisadas as duas fases componentes do processo: o pedido e a sentença de homologação. os tributários e as multas contratuais e tributárias. Ou seja.1. 83. não podem os credores desistir da adesão ao plano. De outra forma. compete ao juiz homologar o acordo.1. a regra geral contida no art. incisos. VI e VIII. O Processo de Recuperação Extrajudicial Neste item. de receberem seus créditos da forma originariamente contratada.1. ou seja. obedecendo à mesma didática empregada no estudo da falência. O objetivo esperado é contornar uma situação de falta de liquidez enfrentada pelo empresário. 163. As espécies a que se refere a capitulação legal são as do art. deste Capítulo. muito menos a disponibilidade do devedor sobre seus bens. quando poderão redefinir prazos e montantes dos créditos. deste Capítulo. a liberdade que possuem credores e devedor para estabelecerem as condições do plano esbarram no direito dos demais.8. que dele não participem. 162 traduz a necessária assinatura do plano por todos os credores participantes. • O PEDIDO Já vimos que a sujeição ativa para dirigir ao juiz requerimento para homologação do plano de recuperação extrajudicial é de empresários regularmente constituídos há mais de dois anos. parágrafo 5o). desde que respeitados os demais termos da lei. para repactuarem as dívidas. IV. Exceção está no art. . 161. 161 proíbe o pagamento antecipado de dívida ou o tratamento desfavorável aos credores que não estejam sujeitos ao plano.2.2.280 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O mesmo pode ser repetido tanto para o negócio como para os bens do devedor. destes excluídos os titulares de créditos de origem tributária e trabalhista. o parágrafo 2o do art. ficam de fora os créditos trabalhistas. além dos discriminados no item 2. que prescreve a sujeição. Em resumo. conforme descrição no item 2. Depois de distribuído o pedido à autoridade judiciária. salvo com a anuência dos demais signatários do pacto. II. Estabelecidas as condições. mesmo. Sobre a adesão ao plano. desde que o plano esteja assinado por credores que representem mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie por ele abrangidos. a nova lei propicia a possibilidade de acontecer um livre acordo entre devedor e credores. dos outros. incluindo os outros credores e o devedor (art. V.

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Portanto, se credores representativos de pelo menos 3/5 de cada uma das espécies de créditos discriminadas naqueles incisos do art. 83 assinarem o plano, estarão obrigando os demais, exclusivamente em relação aos créditos constituídos até a data do pedido de homologação, e mais, apenas aqueles abrangidos no plano, pois os credores cujos créditos nele não estejam previstos não podem ser compelidos a aceitá-lo. De outra forma, se o plano contemplar a totalidade de uma ou mais espécies de créditos previstas no art. 83, exceto trabalhistas e tributários, a exemplo dos quirografários, ou com garantia real, sua homologação obrigará a todos os credores da espécie. Em resumo, poderíamos fazer a seguinte distinção: a) o plano não abrange a totalidade dos créditos de uma mesma espécie – neste caso, para sua homologação, necessita haver a assinatura de credores que representem mais de 3/5 dos créditos de cada espécie por ele abrangidos, hipótese em que, uma vez homologado, todos os créditos dele constante, não os outros, estariam submetidos às suas regras; b) o plano abrange a totalidade dos créditos de uma mesma espécie – logo, sua homologação, que poderá ser feita igualmente com assinatura de credores representativos de mais de 3/5, neste caso da totalidade dos créditos de cada espécie, estará obrigando a todos. O pedido, além de documento contendo as condições acordadas pelas partes com suas respectivas assinaturas, deve conter uma exposição da situação patrimonial do devedor, assim como suas demonstrações contábeis relativas ao último exercício social, documentos que comprovem os poderes dos subscritores para novar ou transigir, e mais, relação completa dos credores com seus dados pessoais e valor atualizado do crédito. • A SENTENÇA Recebido o pedido, o juiz ordenará a publicação de edital no órgão oficial e em jornal de circulação nacional ou das localidades da sede e das filiais do devedor, quando os credores terão um prazo de trinta dias para impugnar o plano. Para tanto, não poderão alegar mais do que: a) não-preenchimento do percentual mínimo previsto no caput do art. 163 (assinatura de credores representativos de mais de 3/5 de todos os créditos de cada espécie); b) prática, por parte do devedor, de qualquer dos atos de falência a que se refere o art. 94, III (ver item 1.2. deste capítulo), assim como se restar comprovada a intenção de fraudar credores, na forma prescrita no art. 130; c) descumprimento de qualquer outra exigência legal.

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Apresentada a impugnação, será aberto prazo de cinco dias para manifestação do devedor, após o que o juiz decidirá, no prazo de cinco dias, a respeito da homologação do plano, que será feita via sentença. Na hipótese de não-homologação, não há prazo carencial para novo pedido (art. 164, parágrafo 8o). Da sentença que homologar ou negar o plano, cabe apelação sem efeito suspensivo, conforme prevê o art. 164, parágrafo 7o. Embora os efeitos do plano surjam após a sua homologação, o parágrafo 1o do art. 165 prevê a retroatividade em relação à modificação do valor ou da forma de pagamento dos credores signatários. Significa dizer que, antes mesmo da homologação judicial, devedor e credores já podem pôr em prática acordo celebrado entre eles, posto no plano de recuperação traçado. Porém, caso não haja a homologação, devolve-se aos credores o direito de exigir seus créditos nas condições originais, deduzidos os valores efetivamente pagos. Em relação à ordem de prioridade no recebimento dos créditos, deve prevalecer o que foi acordado no plano, não existindo imposição legal a respeito. Por último, nunca é demais lembrar que o parágrafo 2o do art. 187 prevê a possibilidade de, em qualquer fase do processo, haver a apuração da ocorrência de crime falimentar, mesmo em se tratando de recuperação extrajudicial. 2.2. Recuperação Judicial

2.2.1. Disposições Preliminares Após quase sessenta anos de validade do antigo Decreto n o 7.661/45, regulamentador dos processos judiciais de falência e concordata, o Brasil ganha, afinal, uma nova legislação, com a aposta de grande parte dos especialistas de que a moderna lei irá reverter a tendência de quebra das empresas, sempre que atravessavam situações de crise econômico-financeira. Essa realidade estava diretamente relacionada ao excesso de formalismo que permeava o decreto. Para se ter uma idéia, um pedido de concordata que não respeitasse certos requisitos por ele exigidos levava o devedor invariavelmente à falência, trazendo conseqüências nefastas para devedor e credores, mas, sobretudo, à economia do país, que via desaparecerem postos de trabalho, além da redução da atividade econômica. A partir de agora, o devedor terá um prazo de sessenta dias, contados da publicação da decisão judicial que deferir o pedido de recuperação judicial, para apresentar o plano de recuperação. Somente após esse tempo sua falência deverá ser decretada (art. 53).

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O plano de recuperação, ao contrário do que acontecia na concordata, quando o devedor dispunha unicamente da faculdade de prorrogar prazos de vencimentos das obrigações quirografárias ou reduzir seus valores, pode prever outras formas de solução para a situação vivenciada, tais como: a cisão, incorporação, fusão ou transformação da sociedade, redução salarial dos empregados mediante acordo ou convenção coletiva, venda de alguns bens, substituição dos administradores, dentre outras, a serem estudadas adiante. Ainda se comparada com a concordata, a recuperação judicial é bem mais abrangente, pois, enquanto daquela participavam apenas credores quirografários, que tinham seus créditos reduzidos no valor, ou modificados os prazos de vencimentos, a recuperação judicial engloba a totalidade dos credores. Em outras palavras, tanto os titulares de créditos de origem trabalhista e fiscal, os com garantia real, como os quirografários, dentre os outros, podem estar incluídos no plano de pagamento proposto pelo devedor, à semelhança do que ocorre na falência, mas diferente da recuperação extrajudicial, que exclui credores trabalhistas e fiscais. Apesar da regra geral, a lei comporta exceções, no art. 49, parágrafos 3o e 4o, como veremos no item 2.2.6., à frente. Quanto ao fundamento do instituto, é coincidente com o da extinta concordata, pois tem por objetivo oferecer ao empresário instrumento para superação de uma crise econômico-financeira, mantendo, portanto, a atividade produtiva desenvolvida, o que é bom para os trabalhadores, que conservam seus empregos; para o país, por conta dos índices econômicos; para o devedor, que continua com seu negócio; e para os credores, pois suas chances de satisfação dos créditos se mantêm. Em seu teor, a nova lei trouxe disposições comuns à recuperação judicial e à falência, que vão do art. 5o ao art. 46. Nesse âmbito, matérias relacionadas à atuação do administrador judicial, ao Comitê de Credores, à Assembléia Geral de Credores, dentre outras, são tratadas de maneira conjunta. Já as contidas no Capítulo III (arts. 47 a 74) dizem respeito exclusivamente à recuperação judicial. Merece destaque a distinção inserida para as microempresas e empresas de pequeno porte, que receberam procedimento especial de recuperação judicial, conforme dispõem os arts. 70 a 72, assemelhando-se mais à antiga concordata, com dilatação dos prazos de pagamento das obrigações quirografárias para trinta e seis meses, e pagamento da primeira parcela no prazo máximo de cento e oitenta dias. Outra conseqüência do plano especial de recuperação judicial para microempresa e empresa de pequeno porte é que o aumento de despesa ou a contratação de empregados passa a depender de autorização do juiz, após ouvido o administrador judicial e o Comitê de Credores. Por outro lado, a lei não prevê suspensão das ações e execuções em face do devedor, como acontece no processo ordinário de recuperação judicial, e também na falência.

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Tal procedimento especial, é bom que se diga, não exclui a possibilidade de as microempresas e empresas de pequeno porte requererem a recuperação judicial, seguindo as normas aplicáveis aos demais modelos de sociedade, como exposto adiante. A conclusão está arrimada no próprio teor do art. 70, caput, que prescreve a sujeição delas às normas do capítulo que trata da recuperação judicial. Em seguida, já no parágrafo 1o do mesmo artigo, há o permissivo para as referidas empresas adotarem plano especial de recuperação judicial, quando deverão, então, se guiar pelos dispositivos acima citados. Para as empresas de médio e grande porte, a lei reservou apenas procedimento ordinário, o qual o leitor poderá em seguida conferir. 2.2.2. Caracterização da Recuperação Judicial Nesse tópico, são abordados os requisitos principais necessários à instalação do processo, na conformidade do que dispôs a Lei no 11.101/2005. Assim, para caracterização da recuperação judicial, faz-se necessária a combinação dos seguintes requisitos seguintes. • DEVEDOR EMPRESÁRIO – assim como na recuperação extrajudicial, o acesso à recuperação judicial é facultado aos devedores empresários regularmente constituídos há mais de dois anos, com as mesmas exclusões já mencionadas e repetidas abaixo: a) empresa pública; b) sociedade de economia mista; c) instituição financeira, pública ou privada; d) cooperativa de crédito; e) administradora de consórcio; f) entidade de previdência complementar; g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde; h) sociedade seguradora; i) sociedade de capitalização, e outras para as quais existam lei específica proibindo a concordata, à exceção das empresas de serviços aéreos, conforme a combinação dos arts. 198 e 199. Igualmente necessário ao pedido é a observância da exegese contida no art. 48, a saber:

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a) não ser falido e, se o foi, que estejam declaradas extintas, por sentença transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes; b) não ter, há menos de cinco anos, obtido concessão de outra recuperação judicial; c) não ter, há menos de oito anos, obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial para microempresas e empresas de pequeno porte; d) não ter sido condenado, ou não ter, como administrador ou sócio controlador (em se tratando de pessoa jurídica), pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos na lei falimentar. • PEDIDO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL – da mesma forma que na extinta concordata, a iniciativa do pedido pertence ao empresário devedor, nunca aos seus credores. O parágrafo único do art. 48 estende a iniciativa ao cônjuge sobrevivente do empresário devedor, aos seus herdeiros, inventariante ou sócio remanescente. A petição inicial deverá vir instruída com os seguintes documentos, previstos no art. 51: a) exposição das causas concretas da situação patrimonial do devedor e das razões da crise econômico-financeira; b) balanço patrimonial e demonstração de resultados acumulados desde o último exercício social, e o relatório gerencial do fluxo de caixa e de sua projeção, estes relativos aos últimos três exercícios, além dos levantados especialmente para instruir o pedido; c) relação nominal completa dos credores, com endereço e dados a respeito do crédito; d) relação integral dos empregados, onde constem informações sobre funções, salários, indenizações e parcelas pendentes de pagamento; e) certidão de regularidade do devedor perante o Registro Público de Empresas, com o ato constitutivo atualizado e nomeação dos administradores; f) relação de bens particulares dos controladores e administradores; g) extratos bancários atualizados do devedor; h) certidões dos cartórios de protestos dos locais da sede e filiais, se tiver; i) relação de todas as ações judiciais em que o devedor seja parte, com estimativa dos valores demandados.

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Observem que não é requisito para o pedido a apresentação do plano de recuperação da empresa, da forma como acontece na recuperação extrajudicial. Lembrem-se de que, nesta, devedor e credores negociam o plano antes do requerimento de homologação judicial, proibindo-se, inclusive, aos credores, a desistência na adesão, salvo com a anuência expressa de todos. Já na recuperação judicial, o art. 53 permite que o devedor apresente o plano em juízo no prazo improrrogável de sessenta dias, contado do deferimento do processo de recuperação judicial. Não o fazendo, cabe ao juiz decretar a falência do devedor. Portanto, se, na recuperação extrajudicial, o plano deve ser apresentado concomitantemente com o pedido de sua homologação, na judicial, o pedido de deferimento do processo não necessita estar instruído com ele, pois o devedor dispõe de um prazo de sessenta dias após a sentença de deferimento. Tem o devedor as seguintes possibilidades para a sua recuperação judicial, qualificadas pelo legislador como “meios de recuperação judicial”, previstos no art. 50: a) concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas; b) cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações, respeitados os direitos dos sócios, nos termos da legislação vigente; c) alteração do controle societário; d) substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos; e) concessão aos credores do direito de eleição em separado de administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar; f) aumento de capital social; g) trespasse ou arrendamento de estabelecimento, inclusive à sociedade constituída pelos próprios empregados; h) redução salarial, compensação de horários e redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva; i) dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo, com ou sem constituição de garantia própria ou de terceiro; j) constituição de sociedade de credores; k) venda parcial de bens; l) equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza, tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de recuperação judicial, aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural, sem prejuízo do disposto em legislação específica;

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m) usufruto da empresa; n) administração compartilhada; o) emissão de valores mobiliários; p) constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar, em pagamento dos créditos, os ativos do devedor. Importante salientar que o devedor pode optar por um ou mais meios disponibilizados para sua recuperação, em qualquer caso, fazendo-o(s) constar(em) do plano. • A SENTENÇA DE DEFERIMENTO – estando o pedido devidamente instruído, nos termos do art. 51, o juiz deferirá o processamento da recuperação judicial do devedor, abrindo prazo de sessenta dias para que ele apresente o plano de recuperação, sob pena de convolação em falência (art. 53). Outros detalhes sobre a sentença estão dispostos adiante, no item 2.2.9. 2.2.3. Sujeitos Passivos da Recuperação Judicial Assim como na recuperação extrajudicial, só empresários regularmente constituídos há mais de dois anos podem obter o deferimento do processo de recuperação judicial (art. 48, caput). Outras limitações impostas pelo legislador à figura do devedor que, mesmo sendo classificado como empresário, permanece à margem do processo, já foram relacionadas acima. Deve, pois, o leitor reportar-se ao item 2.2.2. deste Capítulo, a fim de observar as restrições e os requisitos exigidos na lei. 2.2.4. Sujeito Ativo da Recuperação Judicial O sujeito ativo em processo de recuperação judicial será sempre o devedor empresário, com as mesmas exigências já esboçadas no item 2.2.1. deste Capítulo. Significa afirmar que é ele quem detém a competência para o pedido ao juiz. Igualmente pode impetrar o pedido o cônjuge sobrevivente do devedor classificado como empresário individual, seus herdeiros ou o inventariante de seu espólio, todos no prazo de um ano da morte do de cujus, conforme previsão do art. 48, parágrafo único, assim como o sócio remanescente, neste caso quando o devedor for sociedade empresária dissolvida.

183 a 188. • O JUIZ É a autoridade judiciária designada para presidir o processo. parágrafo 2o. No primeiro caso. buscando sempre o cumprimento de seu papel constitucional na defesa do interesse público. destacando-se a possibilidade de apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores a que se refere o art. b) deferimento do processo de recuperação judicial. na forma prevista nos arts. simulação. conforme arts.2. além de ordenar a publicação de edital em órgão oficial com resumo do pedido (art. com um mínimo possível de participação estatal. economista. caput. documentos antes ignorados. Pode ser pessoa física ou jurídica. ou. 22. e parágrafo 1o). que será subsidiária da pública. • O MINISTÉRIO PÚBLICO Este órgão atua no processo como fiscal da lei. 19. Órgãos da Recuperação Judicial Enquanto o procedimento de recuperação extrajudicial se desenvolve de uma forma mais simplificada. conforme veremos a seguir. caput. realçando que a omissão do órgão na promoção da denúncia gera direito a qualquer credor habilitado ou ao próprio administrador judicial para a iniciativa da ação penal privada. mesmo. 24. O administrador veio a substituir a figura do comissário antes existente na concordata preventiva. caput. conforme a disposição do art. em caso de rejeição ao plano de recuperação por parte da Assembléia Geral de Credores (art. pedir a exclusão de qualquer crédito. responsabilizando-se por atos a ele relacionados. inciso III. parágrafo 1o. O MP detém atribuição para oferecimento de denúncia por crime falimentar. e 31. V. tais como: a) nomeação e destituição do administrador judicial. parágrafo 4o).5. preferencialmente advogado. 56. A sentença que deferir a recuperação judicial ordenará a intimação do Ministério Público. erro essencial ou. c) decretação da falência do devedor. 7o. quando descoberta falsidade. será escolhido alguém idôneo. Outras prerrogativas possui o MP. sob a imediata direção e superintendência do juiz. fraude. a recuperação judicial conta com a intervenção dos mesmos órgãos da falência. caput. • O ADMINISTRADOR JUDICIAL A este compete a administração do processo. 52.288 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2. dolo. dentre outros. assim como a fixação de sua remuneração e de seus auxiliares. . conforme a combinação dos arts. 4o e 52. que terá atuação obrigatória no processo. mesmo. ainda que as atribuições contenham diferenças.

Depois de nomeado. dos titulares de crédito com garantia real. comunicando ao juiz violações dos direitos ou ocorrência de prejuízo aos credores (art. 33). Compõe-se dos titulares de créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. quirografários. é obrigatória indicação do profissional responsável pela condução do processo. tanto na falência como na recuperação judicial. parágrafo 3o. a fim de dar consecução aos atos do processo. o juiz providenciará a nomeação dos mesmos. 26. quando provocados por dolo ou culpa (art. Em seguida deverá enviar correspondência a todos os credores constantes da relação nominal entregue em juízo pelo peticionário do processo. com privilégio especial. a exemplo da aprovação. a que se refere o art. Ficam de fora apenas a Fazenda Pública. Assim. cuja regulamentação de constituição e funcionamento vem expressa em seus arts. titular dos créditos fiscais. parágrafo único). inciso I). inciso I. Em se tratando de pessoa jurídica. A assembléia é órgão deliberativo de decisão colegiada. que não poderá ser substituído sem autorização do juiz (art. Possui atribuições eminentemente fiscalizadoras das atividades do administrador judicial e do devedor. 83. 21. Percebam que as decisões da assembléia são encaminhadas ao juiz. responsável por tomar decisões que influenciam diretamente o interesse dos credores. De outra forma. visando. VII. o juiz deverá decretar obrigatoriamente a falência do devedor. • COMITÊ GERAL DE CREDORES Órgão de existência facultativa. na hipótese de a assembléia rejeitar o plano de recuperação judicial. o administrador será intimado para. ou a indicação dos nomes que irão compor o comitê de credores. rejeição ou modificação do plano de recuperação apresentado pelo devedor.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 289 Série Impetus Provas e Concursos administrador de empresas ou contador. A função de administrador é indelegável e ele responde por prejuízos que causar ao devedor ou aos credores. assinar termo de compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo (art. 32). dando ciência da data do pedido. Seu papel principal é zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei. assim como os credores por multas contratuais e penas pecuniárias decorrentes de infração às leis penais ou administrativas. sobretudo. à elaboração da relação de credores e à consolidação do quadro geral de credores (art. . após a assembléia indicar os componentes do comitê. 22. alíneas e e f). • ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES Trata-se de órgão criado pela nova lei. com privilégio geral e subordinados. no prazo de quarenta e oito horas. 35 a 46.

28). Passado esse tempo. contudo. 6o. parágrafo 4o. Em se tratando de uma filial que tenha sede fora do Brasil. mas indicados pelas classes dos credores. suas atribuições passam ao administrador judicial. seus administradores.6. Dos efetivos. as questões que envolvam créditos de origem trabalhista e fiscal. caput. apesar de o desenrolar do processo não acontecer no juízo da recuperação judicial. parágrafo 1o). vale reproduzir o caput do art. ficam suspensas todas as ações propostas contra o devedor. mesmo. 26. um representará a classe dos credores trabalhistas. senão vejamos: . a dos credores com direitos reais ou com privilégios especiais. Não poderá integrar o comitê a pessoa que. nos últimos cinco anos. Instalado o processo. Entretanto. será o juiz do local onde ela se situe (art. contados do deferimento do processamento da recuperação judicial. Também são impedidos de participar os que tiverem relação de parentesco ou de afinidade até o terceiro grau com o devedor. outro.2. e parágrafo 1o). voltam a correr normalmente os prazos prescricionais de todas as ações em face do devedor. assim entendido como o de maior volume da atividade econômica. ou. O Juízo da Recuperação Judicial O juiz competente para deferir o processamento da recuperação judicial é o do local do principal estabelecimento do devedor. não são atraídas ao juízo da recuperação judicial. Entendam que isso não significa a exclusão daqueles créditos do plano de recuperação. 30. Para reforçar a assertiva. deixou de prestar contas no prazo legal ou teve a prestação rejeitada. reunidas em assembléia geral. está limitada ao prazo de cento e oitenta dias. da mesma forma como ocorre na falência. Na possibilidade de não existir comitê. sendo três efetivos e seis suplentes. seja em processo de falência ou de recuperação judicial. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. e o último. Tal suspensão. Em absoluto. 3o). a dos quirografários e com privilégios gerais.290 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Compõe-se de até nove membros. todos nomeados pelo juiz. ou até ao juiz. 2. controladores ou representantes legais ou deles for amigo inimigo ou dependente (art. tenha sido destituída do cargo de administrador judicial ou de membro de comitê. em caso de incompatibilidade daquele (art. tais créditos devem ser inscritos no quadro geral de credores pelo valor determinado em sentença. 49. conforme prevê o art. devendo seguir a tramitação normal de cada uma. A falta de indicação de algum não prejudica a constituição do comitê (art. ou outras que demandarem quantia ilíquida.

parágrafo 1o).7. 7o. assume o risco pelo prejuízo que possa advir de sua omissão. de arrendador mercantil. perderá direito de voto na assembléia (art. ainda que não vencidos. Verificação e Classificação dos Créditos A partir da publicação do edital a que se refere o parágrafo 1o do art. em se tratando de falência.5. A habilitação de um crédito é ato que dá conhecimento à dívida. pelo menos durante o prazo de cento e oitenta dias de suspensão a que se refere o caput do art. • titular de crédito relativo à importância entregue ao devedor.2. tanto na falência como na recuperação judicial. que mantêm o direito. Já os titulares de créditos fiscais não possuem direito de voto na assembléia. O credor retardatário. 10. Caso o titular do direito creditício não se manifeste em tempo. não se permitindo. Em seguida. inclusive em incorporações imobiliárias. O administrador judicial somente pode incluir no quadro de credores aqueles dos quais tenha ciência. mesmo sendo considerados retardatários e. se na data da realização da assembléia geral já houver sido homologado o quadro geral de credores contendo o crédito retardatário. estão relacionadas as exceções à regra geral. hipótese em que esse conferiria direito ao voto. a retirada do estabelecimento do devedor de bens de capital essenciais à sua atividade empresarial. têm os credores um prazo de quinze dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou divergências quanto aos créditos relacionados (art. ou de proprietário em contrato de compra e venda com reserva de domínio.2. 52. No primeiro caso. .CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 291 Série Impetus Provas e Concursos Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido. oriunda de adiantamento em contrato de câmbio para a exportação. ou seja. observada a legislação respectiva. juntamente com a relação nominal dos credores e os valores de cada crédito. conforme foi visto no item 2. contendo o resumo do pedido de recuperação judicial do devedor. parágrafos 1o e 2o). a lei garante os direitos de propriedade sobre a coisa e a manutenção das condições contratuais. os créditos que não podem ser incluídos no plano de recuperação. A exceção é para os créditos derivados da relação de trabalho. em moeda nacional. sendo considerada a habilitação retardatária. 2. já nos parágrafos 3o e 4o do mesmo dispositivo. de proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade. 6o. contudo. São eles: • titular de crédito que detenha a posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis.

deste Capítulo. e reproduzida no item 1.292 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Percebam que. 50. disposição curiosa está prevista nos arts. aderindo aos meios que entender convenientes para sua recuperação. Com relação aos débitos de natureza tributária. cabe ao devedor emprestar ordem de prioridade no pagamento de suas dívidas. o devedor pode ainda não ter apresentado seu plano de recuperação judicial. Efeitos Jurídicos da Recuperação Judicial Os efeitos advindos do processamento da execução judicial são sentidos basicamente pelos titulares de crédito inseridos no quadro geral de credores. antes de qualquer outro.2. tanto pelas Fazendas Públicas como pelo Instituto Nacional de Seguro Social-INSS. até esse momento. somente para cumprir com a exigência legal. conforme a disposição do art. sempre lembrando que os titulares por créditos relacionados nos parágrafos 3o e 4o do art. pois. Ademais. b) o plano não poderá prever prazo superior a trinta dias para o pagamento dos créditos por salários em atraso. o legislador concedeu prioridade ao pagamento dos créditos tributários. veio o art. tornando-se inadimplente das demais. 57 e 68. observem que normalmente as dívidas tributárias são as que primeiro o devedor em dificuldades deixa de pagar. Significa afirmar que. indiretamente. cabe ao devedor elaborar seu plano de acordo com as exigências da lei. pois a lei fixou um prazo de sessenta dias após a publicação referida no primeiro parágrafo deste item. na recuperação judicial. desde que respeitadas as seguintes condições: a) o plano de recuperação não pode prever prazo superior a um ano para o pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido. por parte do devedor. seria muito difícil admitir que o devedor conseguisse quitar a obrigação antes mesmo de iniciar a realização do plano de recuperação. Pelo primeiro. De outra forma. não vigora a ordem de classificação dos créditos disposta para a falência. observa-se que é requisito obrigatório à concessão da recuperação judicial a apresentação de certidão negativa referente a eles. Mas isso não tem importância. deste capítulo. 83. relativos aos últimos três meses anteriores ao pedido. na forma do art.8.6.8. limitado a cinco salários mínimos por trabalhador. não se submetem a ele. 68 permitir o parcelamento de tais débitos. se a lei não permitisse o parcelamento. 57 letra morta. 49. Na verdade.2. já reproduzido no item 2. Portanto. uma vez que exigiu do devedor a prova das quitações. . a possibilidade de parcelamento torna o art. pois permite ao devedor o pagamento de apenas uma parcela do acordo. 2. Entretanto. A respeito desse tema.

b) houver indícios veementes de ter cometido crime previsto na lei falimentar. a empresa deve permanecer com sua atividade produtiva dentro da normalidade com o devedor e seus administradores mantidos na condução da atividade empresarial. ou em se negando a prestar informações solicitadas pelo administrador judicial ou pelos demais membros do comitê. se constar do plano. salvo evidente utilidade reconhecida pelo juiz. Pelo contrário. 64 prevê hipóteses de afastamento tanto do devedor como de seus administradores. simulação ou fraude contra os interesses de seus credores. 2. depois de ouvido o comitê. 2. a partir da distribuição do pedido. d) constatados gastos pessoais excessivos. São elas: a) houver sido condenado em sentença penal transitada em julgado por crime cometido em recuperação judicial ou falência anteriores ou por crime contra o patrimônio. 50.8. Outra possibilidade de afastamento dos administradores está prevista no art. pudemos observar uma série de conseqüências provocadas com a instalação do processo. c) houver agido com dolo. cujos efeitos se resumem aos credores inseridos no plano de recuperação. mas sob a fiscalização do comitê.1. eles existem e podem ser relacionados a seguir. ele não poderá alienar bens de seu ativo permanente.2. Quanto aos Bens do Devedor O devedor não perde a disponibilidade de seus bens. mas. na hipótese de o afastamento do devedor estar prevista no próprio plano de recuperação. IV. tanto no negócio como nos bens e contratos do falido. se houver. O art.8. se simularem ou omitirem créditos da relação de credores apresentados. diferentemente da recuperação extrajudicial. situação em que seria escolhido um gestor. Mas. e. ou seja.2. e mais. . indicado pela assembléia geral e nomeado pelo juiz. na falência. e do administrador judicial. Quanto ao Negócio do Devedor O deferimento do processo de recuperação judicial não traz solução de continuidade ao negócio. despesas injustificáveis em relação ao negócio.2. a economia popular ou a ordem econômica. os efeitos da recuperação judicial são bem mais amenos. por fim. houver descapitalizado injustificadamente a empresa ou realizado operação prejudicial ao funcionamento regular do negócio.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 293 Série Impetus Provas e Concursos Enquanto. previstos na legislação vigente.

da exegese do art. Quanto aos Direitos dos Credores Repetindo trecho do item 2. pois seria teoricamente mais fácil para os trabalhadores receberem seus créditos do comprador dos ativos do que da massa falida. devendo seguir a tramitação normal de cada uma (o leitor deve se reportar ao mesmo item para observar os créditos que não podem participar do plano. Em se tratando da alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor. Tal suspensão. conforme citação dos parágrafos 3o e 4o do art. instalado o processo. quais sejam: leilão por lances orais.8. 49). 2. que é a necessária certidão negativa dos débitos.294 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Contudo. Talvez a exclusão dos créditos trabalhistas no dispositivo tenha sido motivada como proteção aos empregados. Comparando-se essa disposição com a do art.2. 60. as questões que envolvam créditos de origem trabalhista e fiscal. não são atraídas ao juízo da recuperação judicial. anteriormente comentada. . ou outras que demandarem quantia ilíquida. estando a venda do bem prevista no plano de recuperação aprovado em juízo. c) identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão.3. colateral ou afim. 50. 60. inciso II. no que pese a possibilidade de parcelamento. não há qualquer necessidade de prévia autorização (art. 66). mesmo estando prevista no plano. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. ficam suspensas todas as ações propostas contra o devedor. em linha reta ou colateral. o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. no entanto. propostas fechadas ou pregão. Como acontece na falência.. observa-se a ausência dos créditos de natureza trabalhista. significando dizer que o comprador de ativos de sociedade em recuperação judicial herdará dívidas trabalhistas do vendedor. conforme dispõe o parágrafo único do art. o permissivo não se aplica quando o arrematante for: a) sócio da sociedade falida ou controlada pelo falido. 142. Entretanto. parágrafo único. aplicada à falência. limita-se ao prazo de cento e oitenta dias contado do deferimento do processamento da recuperação judicial. inciso XI. conforme o permissivo do art. estes já contam com uma boa segurança no processo de recuperação judicial. cabe ao juiz ordenar a realização em uma das modalidades previstas no art.6. da mesma forma como ocorre na falência.2. 141. Em todo caso. Para os credores fiscais. b) parente do falido ou de sócio da sociedade falida. inclusive de natureza tributária. até o quarto grau.

respeitadas as exceções já mencionadas no item 2. deste Capítulo.8.2.9. parágrafo 1o). ou outros que entender mais convenientes. o . c) ordem para suspensão de todas as ações ou execuções contra o devedor. Deferido o processamento. No mesmo ato. 2. ainda. Ao devedor.4. compete aos credores requerer a convocação da assembléia geral para constituição do comitê de credores. à exceção para contratações com o Poder Público ou para recebimento de benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. mas com a manutenção das garantias porventura existentes. 52. pelo juiz.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 295 Série Impetus Provas e Concursos O plano de recuperação implica. 2. que terá um prazo improrrogável de sessenta dias. é preciso respeitar a exegese do art. para onde o leitor deve se reportar.6. e) ordem para intimação ao Ministério Público e para comunicação às Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento. a partir do deferimento.2. Em se tratando de dívidas por salários atrasados referentes aos três meses anteriores ao pedido. 59. que estipula prazo máximo de um ano para o pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido. Em qualquer caso. deste Capítulo. Quanto aos Contratos Celebrados pelo Devedor Devem ser cumpridos da forma como foram celebrados. para o envio ao juízo. proíbe-se a desistência do processo. b) determinação para dispensa da apresentação de certidões negativas normalmente exigidas. já reproduzidos no item 2. 54.2. combinado com o art. parágrafos 3o e 4o). do pedido do devedor. o juiz defere o pedido do devedor sem que tenha havido a entrega do seu plano de recuperação.2. O Processo de Recuperação Judicial A recuperação judicial tem início com o deferimento. novação dos créditos anteriores ao pedido. salvo se houver aprovação expressa do credor titular da garantia (art. 50. contados desde o deferimento. com a escolha dos meios apropriados que poderão ser os previstos no art. 52: a) nomeação do administrador judicial. deverá também constar. 50. No plano é que o devedor vai explicar como pretende sair da situação de crise. d) determinação ao devedor para apresentação de demonstrativos mensais de sua atividade. segundo a disciplina do art. salvo com aprovação da assembléia geral (art.2. Observem que. caput. na recuperação judicial. sob pena de destituição de seus administradores.

a assembléia o tenha aprovado. tenha obtido.296 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel plano deve contemplar o pagamento num prazo máximo de trinta dias. ao menos nos termos do art. os seguintes votos (art. Observem que a aprovação pela assembléia do plano de recuperação não é requisito para a concessão do processo pelo juiz. o juiz concederá a recuperação judicial do devedor. independentemente do valor de cada crédito. senão vejamos: a) voto favorável dos credores representativos de mais da metade dos créditos com garantia real. parágrafo 2o. proposto por qualquer credor ou pelo Ministério Público. considerados separadamente por cada uma dessas classes. Para aprovação da assembléia. c) não terá direito a voto o titular de crédito que não tenha sofrido qualquer alteração no valor ou nas condições originais de pagamento. compete ao juiz convocar a assembléia geral para deliberar. desde que o plano não tenha sido contestado por algum credor ou. 59. 45. como acontece com os demais. Esta somente é necessária na hipótese de haver qualquer objeção de credor. 58): . De outra forma. por sua alteração (desde que não diminua direitos de credores ausentes). desde que não haja tratamento diferenciado entre credores da classe que o houver rejeitado. limitado a cinco salários mínimos por trabalhador. Cumpridas as exigências da lei. Contra a decisão que conceder a recuperação judicial caberá agravo. faz-se necessária a obediência aos requisitos impostos pelo art. Neste caso. ou pela rejeição. ainda que tenha havido qualquer objeção. com privilégio geral e subordinados. de forma cumulativa. 55 e 56). e mais. b) quanto aos titulares de créditos decorrentes da legislação do trabalho ou por acidente de trabalho. qualquer credor pode se manifestar desfavoravelmente a ele. com privilégio especial. no prazo de trinta dias. A decisão da assembléia pode ser: pela aprovação do plano. conforme a leitura do art. cumulativamente com a aprovação da maioria simples dos presentes. pode o juiz conceder-lhe aprovação. Publicado o plano do devedor. 45. ainda que o plano não tenha sido aprovado pela assembléia. quirografários. a lei exige aprovação pela maioria simples dos presentes. restringindo-se aos que estiverem presentes na assembléia. quando o juiz decretará obrigatoriamente a falência do devedor (arts. hipótese na qual se faz necessária a expressa concordância do devedor.

esperando ter garantidos seus créditos. 45. pois. c) voto favorável de mais de 1/3 (um terço) dos credores da classe pertencente àquele que tenha rejeitado o plano. Significa a aprovação. trabalhistas etc. Ocorrendo o descumprimento após o prazo de dois anos. pela classe dos quirografários e dos detentores de garantia real apenas. Por fim. 3. o juiz decretará por sentença o encerramento da recuperação judicial. como prevê o art. b) aprovação de apenas duas das classes de credores na forma do art. Neste caso. o devedor sairá do processo de recuperação (via sentença do juiz). 3. recebendo depósitos e emprestando recursos. contemplando o plano de obrigações com prazos superiores àquele.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 297 Série Impetus Provas e Concursos a) independentemente das classes (quirografários. 63 dispõe que. parágrafo o 1 ) e o devedor permanecerá em recuperação judicial pelo prazo máximo de dois anos. mas continuará vinculado ao plano. que confia nelas suas poupanças. O parágrafo 1o do mesmo art. os credores terão restabelecidos seus direitos e garantias nas condições originariamente contratadas. durante aquele período. 61). a decisão constituirá título executivo judicial (art. Caso suas obrigações sejam cumpridas em um lapso de tempo inferior. inciso III. São diversas organizações bancárias que interferem diretamente no fomento da economia de nosso país. ou a falência do devedor. o art.). alínea g. configura-se ato de falência. 61 prevê a convolação da recuperação judicial em falência. Todas devem contar com a credibilidade da população.1. De outra forma. compete a qualquer credor requerer a respectiva execução da dívida não-cumprida (lembrem-se de que o ato de concessão da recuperação judicial tem força de título executivo). caso seja descumprida qualquer obrigação prevista no plano. uma vez cumpridas todas as obrigações vencidas no prazo máximo de dois anos. e deduzidos os valores já pagos. 94. além de anunciar algumas providências para conclusão do processo. desde que obedecido o quórum referido no artigo. . dispõe o parágrafo 2o. Aprovado o plano. aquele período será menor (art. 59. voto favorável de credores que representem mais da metade da soma de todos os créditos presentes na assembléia. Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras Disposições Preliminares O Brasil é possuidor do maior sistema financeiro da América Latina. por exemplo.

Conceito Encontra guarida nos arts.024/74. a instabilidade monetária. Sim. privadas ou públicas. . não-federais. 3. igualmente aplicado às instituições financeiras. Melhor seria uma fiscalização preventiva eficaz.298 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Imaginemos. a partir de sua recuperação econômico-financeira. pois seus efeitos são menos drásticos. se comparados com os da falência. Pensando nisso. assim como o Decreto-lei no 2. mas podem ser um remédio para estancar uma crise no setor. veremos os pormenores de cada um dos três institutos. 1o a 14. Constitui-se num regime que visa à reorganização das instituições financeiras. Esses institutos.1. sobretudo em se tratando da intervenção ou do regime de administração especial temporária. com maior ênfase para o da liquidação extrajudicial. tendo em vista ser o Banco Central do Brasil competente para dar seqüência a ele. quando acontece. inclusive sociais. Intervenção 3. com a normalização de suas atividades. que instituiu o regime de administração especial temporária. da Lei no 6. o processo é conduzido com menores empecilhos que na falência (esta regulada pelo Decreto no 7. o Governo Federal procurou proteger o sistema de possíveis falências. porque haveria uma corrida natural dos depositantes aos bancos. procedimento próprio das sociedades empresárias em geral. então. Foi com base nessas premissas que surgiu a Lei Federal no 6. é quase certo que a falência sepulta as chances da maioria dos credores de terem satisfeitos seus direitos. Mesmo no caso da liquidação extrajudicial. financeira e econômica que sucederia. na hipótese de uma quebradeira geral de nossas instituições financeiras.024. a fim de resgatarem seus valores. de 13 de março de 1974.661/45).2.321.2. quando os credores daquelas se vêem diante de um concurso geral de credores. normalmente as dívidas suplantam em muito os bens e direitos do falido. de 25 de fevereiro de 1987. longe de serem os ideais. pois. ao nosso país. capaz de coibir desmandos e operações fraudulentas por parte dos administradores. cuja finalidade é o rateio do ativo da sociedade falida. A Nova Lei de Falências não alterou as normas referentes a esses regimes A seguir. Na prática. por ser mais questionado nos concursos. quando é possível o soerguimento da pessoa jurídica. em prol do passivo da entidade. não afastam completamente a possibilidade de falência dos bancos. quando se dá a extinção da pessoa jurídica. fato que traria enormes conseqüências. dispondo sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras. como veremos adiante.

que necessitam de prévia e expressa autorização do Banco Central. 3o). a instituição continuará operando na busca de seu objetivo social. embora a finalidade seja o saneamento da instituição. Sujeito Ativo A intervenção será sempre decretada pelo Banco Central. prorrogável uma única vez por igual período. 1o e 52. com o art. a depender da gravidade dos fatos apurados no decorrer do processo de intervenção. quando comparados com outros ensejadores da liquidação extrajudicial.2.2. públicas ou privadas. mesmo. pondo em risco seus credores. não resolvidas após atuação do Banco Central. ou a pedido dos administradores da instituição financeira. o legislador objetivou evitar a liquidação extrajudicial da empresa que enfrenta dificuldade momentânea. • cooperativas de crédito. à exceção de atos que impliquem disposição ou oneração do patrimônio da sociedade. 3. 3. se o respectivo estatuto conferir-lhes esta competência (art. 3o da Lei no 10. Causas O art. a intervenção nem sempre é garantia de que isso vá ocorrer. ex officio.4. Durante aquele tempo. assim como admissão e demissão de funcionários. • infrações à legislação bancária. Notem que. pelo menos à primeira vista. São elas: • prejuízo oriundo de má administração. cuja natureza dos fatos observados possui menor relevância. que não poderá ultrapassar o prazo de seis meses.3. Sujeito Passivo Sujeitam-se ao regime.2. falência. tanto que pode haver a conversão em liquidação extrajudicial ou. 2o da mesma lei enumerou as hipóteses para sua ocorrência. conforme art. contraindo direitos e obrigações. desta feita sob a execução de um interventor. não-federais.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 299 Série Impetus Provas e Concursos Sob essa ótica. .2. 3.190/01: • instituições financeiras. de acordo com a combinação dos arts. com plenos poderes de gestão. quando possível evitar tanto a falência como a liquidação extrajudicial. nomeado pelo Bacen. • mora injustificada de título executivo ou ato de falência. 94 da Nova Lei de Falências.

a intervenção provoca (art.6. . b) indicação dos atos e omissões danosas eventualmente verificados. aí sim. • inexigibilidade dos depósitos já existentes à época de sua decretação. com objeto exclusivo na operação de leasing. Efeitos da Intervenção Desde sua decretação. seriam bastante reduzidas. prorrogáveis se necessário. o interventor será investido de imediato em suas funções. O Processo de Intervenção Decretada a intervenção.2. • sociedades arrendadoras. mediante “Termo de Posse”. c) proposta justificada das providências a serem tomadas pelo Banco Central (estas podem ser dirigidas antes mesmo da apresentação do relatório). lavrado no livro Diário da entidade. falência. torcendo para que o mesmo não seja convertido em liquidação extrajudicial ou. significando afirmar que os clientes. Ao assumir. detentores de recursos sob a guarda da instituição.2. • sociedades de capitalização. o interventor entregará ao Bacen relatório contendo: a) exame da escrituração e da situação econômicofinanceira da entidade. no sentido de os credores não poderem cobrar seus créditos enquanto durar o regime. 6o): • suspensão da exigibilidade das obrigações vencidas. simultaneamente à decretação da intervenção. pois suas chances de reaver os créditos. 3. 3. • suspensão da fluência do prazo das obrigações a vencer. • corretoras de câmbio.300 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários no mercado de capitais. mesmo.5. terão que aguardar o termo final do regime. o interventor tomará as seguintes medidas: a) arrecadará todos os livros e documentos da instituição. De outra forma. • suspensão do mandato dos administradores da instituição. Dentro de sessenta dias contados da posse. • seguradoras. pois não são atingidos pelos seus efeitos. • sociedades de previdência privada. os credores cujos direitos constituíram-se posteriormente à intervenção podem exercê-los normalmente. b) levantará balanço geral e inventário. que será conduzida pelo interventor.

024/74. Entrementes. a fim de que sejam saldadas suas obrigações.1. a fim de saldar seu passivo. o processo de liquidação é conduzido pelo Banco Central do Brasil. quando se tratar de instituições financeiras e afins. dependendo do que for apurado.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 301 Série Impetus Provas e Concursos À vista do relatório. pelo simples fato de haver. significando afirmar que todos os bens e direitos da liquidanda deverão ser vendidos. b) manter a intervenção. É conhecida por “liquidação ordinária”. decretado pelo Banco Central do Brasil. retornando à situação jurídica anterior. se for companhia. ou não. devido à gravidade dos fatos apurados. prorrogável por igual período. Nesses casos. respectivamente. não-federais. a exemplo de um cheque ou de uma nota promissória não-lastreados em garantia real) ou. É possível acontecer a qualquer momento. ou até em conseqüência da complexidade dos negócios. que visa à execução concursal da entidade. até o prazo limite de seis meses. portanto. a participação do Poder Judicante. b) pela normalização da situação. que pode ser prorrogado. Liquidação Extrajudicial 3. desde que configurada uma das hipóteses de dissolução da sociedade. ou pela autoridade judiciária. Conceito Sob a ótica do Direito Comercial. que pode ser conduzida pelos próprios órgãos da sociedade.3. Percebam que o termo final da intervenção acontece pela materialização das seguintes hipóteses: a) esgotado o prazo de seis meses. mesmo. A liquidação extrajudicial de instituições financeiras é. c) se decretada a liquidação extrajudicial. 3.3. que assume um papel similar ao do juiz nas liquidações judiciais. c) decretar a liquidação extrajudicial da entidade. ou no Código Civil. . quando o ativo da entidade for inferior à metade dos créditos quirografários (aqueles que não gozam de qualquer preferência no recebimento. com as regras definidas na Lei no 6. a critério do Bacen. para as demais sociedades. “liquidação” significa a alienação de todo o ativo de uma empresa. públicas ou privadas. d) pela decretação da falência. previstas na Lei das Sociedades Anônimas. embora se sujeite ao controle do Poder Judiciário. um processo administrativo. d) autorizar o interventor a requerer a falência. e não judicial. o Bacen poderá: a) cessar a intervenção. operação que leva à extinção da pessoa jurídica. sem a participação do Poder Judiciário. podemos nominá-las de liquidação extrajudicial e liquidação judicial.

cassada a autorização para funcionar.024/74 proibiu a concordata para as mesmas entidades. só que decretada pela autoridade judiciária. • violação grave das normas legais e estatutárias disciplinadoras da atividade da instituição. o art. à exceção daquelas de transporte aéreo. De outra forma. O que irá então definir se ela se submeterá a um ou outro regime será a gravidade dos fatos mencionados.3. . Uma instituição sob aquele regime tem de imediato afastados seus administradores. de ofício ou a requerimento dos próprios administradores da entidade. a instituição não começar em noventa dias sua liquidação ordinária) ou. a nomeação e demissão de funcionários. a alienação dos bens. se seu estatuto permitir. Basta ver as hipóteses que se referem à ocorrência de prejuízo na instituição. a representação da sociedade em juízo. bem como determinações do Conselho Monetário Nacional ou do Banco Central. competindo-lhe. julgada a critério do Bacen. ou qualquer outro ato ensejador de falência. que igualmente é uma forma de execução concursal. A propósito. ou aquela relacionada às mesmas causas para a falência. o art. 53 da Lei no 6. 94 da Nova Lei de Falências. até. • prejuízo que sujeite a risco anormal seus credores quirografários. ou do interventor. Causas O decreto de liquidação extrajudicial é modalidade de ato administrativo vinculado. São causas para a decretação de ofício: • ocorrências que comprometam a saúde econômica ou financeira. pois apenas com base nas hipóteses legais é que pode ser expedido. 198 da Nova Lei de Falências vedou a recuperação judicial e extrajudicial para as empresas antes proibidas de requererem concordata. especialmente inadimplência de título executivo. neste caso processada através de licitação. e com prévia autorização do Bacen. • morosidade em dar início (quando.2. Percebam que há certa coincidência de motivos para a decretação da intervenção ou da liquidação extrajudicial. dentre outras tarefas. como veremos adiante.302 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Esse procedimento não exclui a possibilidade de falência das mesmas organizações. em se tratando de entidade que já esteja sob o regime de intervenção. conforme especificação nos no art. pois é o liquidante que assumirá os poderes de gestão. em conduzir a liquidação ordinária da instituição. 3.

ou a pedido dos administradores da instituição financeira. ainda.3.190/01). 18. o que implica a impossibilidade de ser decretada sua falência. Isso não significa a garantia de recebimento por parte dos credores. o legislador permitiu ao Banco Central atuar de forma discricionária no momento de escolher entre a intervenção ou a liquidação extrajudicial. a fim de serem calculados os juros devidos. 1o e 52. Sujeito Ativo Apenas o Banco Central do Brasil tem competência para a decretação.4. as seguintes instituições: • instituições financeiras. ex officio. Sujeito Passivo Sujeitam-se ao regime. com objeto exclusivo na operação de leasing. 3. 15) ou. São eles: • suspensão das ações e execuções antes iniciadas. 3. • corretoras de câmbio. • cooperativas de crédito. 3. públicas ou privadas.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 303 Série Impetus Provas e Concursos Conclui-se que. mas uma tentativa de trazer para um mesmo dia a base para cômputo daqueles encargos. não-federais. pois já vimos que o Bacen pode autorizar o liquidante a requerê-la. • sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários no mercado de capitais. além de diplomas complementares (Lei no 10. ao menos a pedido de algum credor. de acordo com a combinação dos arts. • seguradoras. Efeitos da Liquidação Extrajudicial Os principais efeitos do regime relacionados aos direitos e obrigações da liquidanda estão discriminados no art. .3. na hipótese de a entidade já se encontrar sob intervenção. • sociedades de previdência privada.5. • sociedades de capitalização. assim como na proibição de intentarem-se quaisquer outras contra a liquidanda. por proposta do interventor. tudo objetivando a solução que melhor repercuta no mercado financeiro e de capitais. no sentido de equalizar os créditos para uma mesma data (a do decreto).3. no que pese a modalidade vinculante do ato que instalar o regime. • vencimento antecipado das obrigações da liquidanda. se o respectivo estatuto conferir-lhes esta competência (art.3. • sociedades arrendadoras.

o liquidante entregará ao Bacen relatório contendo: a) exame da escrituração e da situação econômico-financeira da entidade. Dentro de sessenta dias contados da posse. no prazo de vinte a quarenta dias. 3. . mediante “Termo de Posse”. • com relação aos administradores. b) levantará balanço geral e inventário. b) indicação das omissões e atos danosos eventualmente verificados. O Processo de Liquidação Extrajudicial As regras aplicadas ao processo de intervenção também norteiam o da liquidação extrajudicial. c) proposta justificada das providências a serem tomadas pelo Banco Central (estas podem ser dirigidas antes mesmo da apresentação do relatório). e posteriores à liquidação. Com a decretação. ficando dispensados dessa medida os titulares de depósitos ou de letras de câmbio cujo aceite seja da própria instituição liquidanda. o que é lógico. estes perdem seus mandatos. prorrogáveis se necessário. 21. o Decreto-lei no 1.3. o Banco Central decidirá dentre uma das alternativas: a) autorizar o liquidante a continuar com o processo de liquidação. o liquidante será investido de imediato no cargo. desde a decretação. • não-fluência de juros incidentes sobre as obrigações. no sentido de torná-la devida. lavrado no livro Diário da entidade. quando seu ativo for inferior à metade do passivo quirografário ou se houver fundados indícios de crime falimentar. • interrupção da prescrição relativa a todas as obrigações devidas pela liquidanda. 18. tudo conforme dispõe o art. após o que tomará as seguintes medidas: a) arrecadará todos os livros e documentos da instituição.304 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • inexigibilidade das cláusulas penais dos contratos unilaterais vencidos. tendo em vista o vencimento antecipado que provoca nas mesmas. o liquidante deverá providenciar em jornal de grande circulação aviso aos credores para que declarem os respectivos créditos. • quanto à correção monetária incidente sobre as obrigações.6. Se a opção for pela continuidade da liquidação. b) autorizá-lo a requerer a falência da entidade. À vista do relatório.477/76 veio modificar a alínea f do mesmo art. pelo menos em sua parte inicial.

Responsabilidade dos Administradores A responsabilidade aqui tratada atinge os administradores tanto no regime de liquidação extrajudicial. 1o). pois. respeitada a mesma ordem do processo falimentar. apenas cessará numa das seguintes hipóteses: a) se os interessados (credores) tomarem para si o prosseguimento da atividade econômica da empresa. Essa responsabilidade é objetiva. o Banco Central detém competência para instaurar inquérito. quando se organiza o quadro geral de credores. b) por transformação em liquidação ordinária.321/87 (art.447/97 (art. à similitude do que é feito na falência.3. Parte da doutrina costuma compará-la com a responsabilidade dos sócios-gerentes das sociedades em comandita por ações. 15). Posteriormente. limitada a responsabilidade ao montante dos prejuízos causados. Essa investigação deve partir da observação do balanço geral que deve ser levantado pelo liquidante ou pelo interventor. administradores). após aprovadas as contas do liquidante. que estudaremos em seguida. Na conformidade do art. independe de culpa ou dolo por parte do agente. d) com a baixa no registro público competente. 3. ou seja. uma vez instalada. independente de serem. como nos de intervenção ou de administração temporária.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 305 Série Impetus Provas e Concursos Essa iniciativa tem a finalidade de dar conhecimento à dívida. sob critério do Bacen. quando esses agentes respondem solidariamente. ou não. entre eles.7. a solidariedade referida no parágrafo antecedente foi estendida aos controladores daquelas instituições (são as pessoas naturais ou jurídicas que detêm percentual de participação no capital social a tal ponto de garantir-lhes o poder de decidir as questões deliberadas na assembléia. com edição da Lei no 9. invariavelmente a liquidação extrajudicial irá acarretar o fim da pessoa jurídica. que instituiu o regime de administração especial temporária. Preceitua o art. em combinação com o Decreto-lei no 2. c) com a baixa no registro público competente. ao final de um possível processo falimentar. a fim de apurar as causas que levaram a entidade àquela situação. Observem que. assim como a responsabilidade dos administradores. 40 que os administradores de instituição sujeita a um daqueles regimes respondem solidariamente pelas obrigações por elas assumidas durante suas gestões. diferente da intervenção. . 41. pelos atos de gestão cometidos por algum.

nos seguintes aspectos: a) quanto ao prazo de duração. possibilitando uma reorganização administrativa e financeira. desde a edição do decreto. Diferenciam-se. permanecendo os credores com os mesmos direitos que tinham antes da sua . A princípio. uma vez decretado pelo Bacen. Já a administração especial temporária não tem limite máximo de duração pré-fixado. a administração especial não afeta o curso regular dos negócios. Com relação ao prazo. Quanto aos efeitos. Para tanto. afastam-se de imediato os administradores e membros do conselho fiscal da instituição (ver responsabilidade dos administradores no item 3. ou pelo menos não é esse seu objetivo. junto ao Poder Judiciário. A fim de garantir o cumprimento da obrigação. com atribuições de gestão (dependem de prévia autorização atos que impliquem oneração do patrimônio). d) quanto às causas. contudo.321/87. esse regime objetiva evitar a liquidação extrajudicial de instituições financeiras e assemelhadas. igualmente ao regime de intervenção. a indisponibilidade dos bens (salvo os inalienáveis) dos administradores da instituição que exerceram suas funções nos doze meses anteriores à decretação do regime. Observem que. Administração Especial Temporária 3. 3. arquivam-se as peças do inquérito no próprio Banco Central. o órgão do Ministério Público será competente para promover. vimos que a intervenção não pode se estender por tempo superior a doze meses. com tantos membros quantos forem necessários para a condução dos negócios sociais. qualquer credor é parte legítima para intentá-la. o legislador procurou cercar-se de algumas garantias. Conceito Instituído pelo Decreto-lei no 2. a administração especial temporária não conduz ao fim da pessoa jurídica. ação de responsabilidade civil contra os responsáveis. e destituíveis a qualquer tempo pelo Banco Central. que concordará com ela ou não.3.1. b) quanto aos efeitos. essa medida atinge diretores e membros do conselho de administração. que serão substituídos por um conselho diretor. sendo definido no ato do Bacen que a decretar.4. c) quanto ao agente.7).306 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Concluindo-se pela ocorrência de prejuízo. no art. Foi assim que previu. 36. nomeado pelo banco. se a conclusão for pela inexistência de prejuízo.4. Para ser extensiva aos membros do conselho fiscal. o Bacen precisa encaminhar proposta ao Conselho Monetário Nacional. De outra forma. Não o fazendo em trinta dias.

• ocorrência de qualquer das razões ensejadoras tanto da intervenção. b) fixar atribuições de cada um de seus membros. Isso quer dizer que. Conclui-se que sempre o Banco Central pode optar por uma medida menos drástica ou que menos afete a vida dos credores da instituição. 3.447/97. • gestão temerária ou fraudulenta de seus administradores.321/87 tratou de relacionar as causas ensejadoras do regime. em combinação com o art. Causas O art. c) arrecadar livros e documentos da instituição. Estas veremos no tópico seguinte. • descumprimento das normas referentes à conta de reservas bancárias. a administração especial temporária não provoca qualquer interferência sobre eles. mesmo se configurado motivo para intervenção. É claro que o que vai nortear a decisão do banco é a gravidade dos fatos inicialmente observados.4. Ambos. Ao conselho incube: a) eleger. a administração especial temporária o é por um conselho diretor. conforme se depreende da leitura da alínea e.4. o presidente. relatório ao Banco Central contendo. Por último. dentre seus membros. no prazo de sessenta dias. 1o do Decreto-lei no 2. Enquanto a intervenção é conduzida por um interventor. • existência de passivo a descoberto. até. São elas: • práticas reiteradas de operações contrárias às diretrizes de política econômica ou financeira traçadas em lei federal. do mesmo artigo. assim como a possibilidade de recuperação da instituição. Outra distinção é quanto ao agente que irá assumir os poderes de gestão. 4o da Lei no 9. contudo. são nomeados pelo Banco Central.3.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 307 Série Impetus Provas e Concursos instalação. se na intervenção os depositantes existentes à época de sua decretação ficam com seus créditos inexigíveis. ou. dentre outras informações. proposta das providências que lhe pareçam convenientes à instituição. mantida no Bacen. levantar inventário e balanço geral. liquidação extrajudicial. as causas que ensejam um e outro regime são diversas. independentemente da publicação do ato. . assim como entregar. 3. O Processo de Administração Especial Temporária Os membros do conselho diretor são investidos de imediato nas respectivas funções. como da liquidação extrajudicial.2.

o Bacen podia autorizar o saque de recursos da reserva monetária. 3) letras de câmbio. incorporação. julgada a critério do Banco Central. fusão. 5) letras hipotecárias. . Justifica-se a ausência no fato de o patrimônio dos fundos apenas serem administrados pelas instituições financeiras não fazendo parte delas. a fim de honrar o pagamento de obrigações das instituições sob os efeitos de um dos três regimes. a Constituição Federal de 1998 havia previsto. De acordo com o estatuto do Fundo. foi criado. são garantidos pelo FGG: 1) depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio. em seu art. o Proer. 192. se solicitado. em nosso país. tanto que se advir algum problema com o banco basta a assembléia de investidores buscar outro agente financeiro para administrá-lo. quando submetidas à falência ou liquidação. a criação de fundo ou seguro objetivando proteger a economia popular contra intempéries do sistema financeiro. • pela normalização da situação. com ou sem emissão de certificados (CDB/RDB). Com essa premissa foi criado o Fundo Garantidor de Créditos. Com o objetivo de evitar uma crise no setor financeiro. 2) depósitos a prazo. cisão ou transferência do controle acionário. A administração temporária cessará nas seguintes hipóteses: • se a União Federal assumir o controle acionário da instituição. Sua vigência estendeu-se até dezembro de 1995. 4) letras imobiliárias. Por meio dele. De outra forma. mediante cessão ao próprio banco dos correspondentes créditos. direitos e ações a serem efetivados pelos respectivos titulares. que nada mais é do que uma instituição privada capaz de garantir a solvência de créditos em poder das instituições financeiras. • pela ocorrência de transformação. inciso VI. desde que não houvesse participação de recursos da União Federal. Não estão na abrangência de proteção os fundos de investimentos. que era um programa para recuperação de instituições financeiras em crise.308 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O conselho prestará contas ao Banco Central do Brasil. quando cessar o regime ou a qualquer tempo. • pela decretação da liquidação extrajudicial.

sido praticados no período suspeito. na data da decretação da falência. 4. e) serem anulados. b) causarem danos adicionais aos credores. antes de declaração de falência. d) não são afetados pela falência. 2. em geral. c) serem potencialmente benéficos para o devedor. d) é restrita aos credores comerciantes. b) ocasiona o vencimento antecipado somente das obrigações quirografárias. c) propositura de ação pauliana. e) é prolatada por juiz da Justiça Federal. . (JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO – 22 a REGIÃO/1994) A sentença declaratória de falência: a) interrompe a prescrição de todas as obrigações do falido. devendo ser retomada após a sentença que encerre o processo falimentar. d) terem. em qualquer hipótese. b) não são rescindidos automaticamente na data da decretação da falência. e) valoração dos créditos admitidos. devendo ser cumpridos pelo síndico. cuja falência foi decretada: a) são declarados rescindidos antecipadamente. além daqueles decorrentes da falência. mas o produto de sua execução será obrigatoriamente contabilizado à parte. separadamente da massa falida. (PROCURADOR DO INSS/1993) A fixação do termo legal da falência é importante na: a) continuidade dos negócios do falido. b) não é importante. e) não são rescindidos pela falência e podem ser executados pelo síndico. c) têm sua execução interrompida pela decretação da falência. 3. c) suspende a prescrição das obrigações do falido. ESAF (AFTN/2001) A ineficácia de certos atos praticados pelo devedor. se achar de conveniência para a massa. depende de: a) ser provada fraude contra credores. d) ineficacização de negócios. ESAF (AFTN/1989) Os contratos bilaterais de uma empresa.Exercícios 1.

c) apenas ao controlador e aos seus parentes em linha reta. c) serão também passíveis de arrecadação os bens dotais e os particulares da mulher do falido. d) a impenhorabilidade extingue-se. d) promover a reorganização das atividades. Nesse caso: a) o falido perde a disposição. e) apenas aos últimos administradores antes da liquidação extrajudicial. e) declaração de ilegalidade. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A decretação da falência ocorre quando: a) o comerciante não tiver crédito na data do pedido. d) na eventualidade de insolvabilidade do empresário. eleitos e ocupantes de cargos nos doze meses anteriores à decretação da liquidação. aplicam-se as regras de liquidação extrajudicial. apenas perdendo a disposição e a administração deles. sendo lícita a arrecadação dos bens encontrados nessa qualidade. b) na impontualidade ou insolvabilidade do comerciante. d) a todos e quaisquer administradores. b) o falido não perde a propriedade de seus bens. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – AFRF/2002) A legislação falimentar prevê a revocação de atos praticados pelo falido antes da falência por força de: a) fraude contra credores no período suspeito da falência. a fim de manter a concorrência no mercado. c) conluio para beneficiar um ou poucos credores durante o período de concordata preventiva da falência. b) declaração de ineficácia. quanto à indisponibilidade de bens: a) ao controlador e administradores. compete ao liquidante nomeado pelo Banco Central do Brasil: a) administrar a instituição financeira para o fim de recuperá-la. b) a todos os administradores exercentes de cargos. .310 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5. e) não forem pagas dívidas garantidas por hipoteca. 8. à época do ato da autoridade administrativa. bem como a propriedade de seus bens. à época da decretação da liquidação. salvo direitos e ações existentes na época de sua decretação e os adquiridos no curso do processo. b) administrar a instituição financeira de forma a pagar todos os depositantes e investidores. e) serão atingidos todos os bens do devedor. c) impedir que os administradores retomem suas funções quando tiverem exercido suas funções de forma temerária. d) pagamento de obrigações naturais antes da falência. entre os efeitos decorrentes estão aqueles quanto aos bens do falido. 6. a administração. e) tomar as medidas necessárias para liquidar o ativo e solver as obrigações. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL/2002) Na hipótese de falência de instituição financeira. FCC (MP – PE/2002) Tendo sido decretada a falência de uma empresa. c) em face do não-pagamento de impostos apurado pela fiscalização. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002) Nas liquidações extrajudiciais. 7. 9.

ambos decretados pelo Banco Central do Brasil. mas não estão sujeitas à liquidação extrajudicial. mas estão sujeitas à liquidação decretada e executada pela Comissão de Valores Mobiliários. 12. se ficar caracterizada a sua omissão. suporte normativo para exercerem suas pretensões.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 311 Série Impetus Provas e Concursos 10. 11. e) garantir igualdade entre credores de mesma classe nos rateios da massa. extrajudicial e da falência do empresário ou da sociedade empresária. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DO RGS/1998) Segundo a legislação brasileira. d) não há credores privilegiados.024/74 visa a: a) superar as dificuldades típicas das execuções coletivas tal como prescrito no Decreto no 7. UnB/CESPE (Juiz Federal Substituto da 5a Região/2005) Acerca da recuperação judicial. b) dar aos aplicadores. as instituições financeiras públicas não-federais: a) podem impetrar concordata. mas estão sujeitas à administração judicial temporária requerida pelo Banco Central do Brasil e executada por um conselho nomeado e supervisionado pelo juiz competente para decretar o regime especial. a petição inicial deve ser instruída com as demonstrações contábeis do empresário relativas aos cinco últimos exercícios. julgue os itens seguintes. c) o liquidante pagará integralmente os depositantes com recursos do fundo garantidor de créditos. pagando-se todos eles na força da massa. . ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002) Decretada a liquidação extrajudicial de uma instituição financeira pelo Banco Central do Brasil: a) os diretores respondem solidariamente pelo prejuízo apurado no balanço especial saneado. b) ( ) O Ministério Público é parte legítima para impor recurso de agravo contra a decisão que conceder pedido de recuperação judicial. d) não podem impetrar concordata.661/45. b) o controlador responde solidariamente pelo passivo a descoberto e os membros do conselho de administração respondem. em se tratando de companhias abertas. c) não podem impetrar concordata. d) impedir pedidos de falência contra instituições financeiras por qualquer credor. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002-2003) A liquidação extrajudicial disciplinada pela Lei n o 6. e) fica impossibilitada a decretação de sua falência pelo Judiciário. a) ( ) No pedido de recuperação judicial. 13. e) não podem impetrar concordata. b) podem impetrar concordata e estão sujeitas à liquidação extrajudicial requerida pelo Banco Central do Brasil. credores das instituições financeiras. c) criar condições mais eficientes para atender ao rateio dos créditos contra as instituições financeiras por qualquer credor. mas estão sujeitas ao regime de administração especial temporária e à liquidação extrajudicial.

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Os primeiros são objeto de estudo do Direito Administrativo. sorte.Capítulo 5 Contratos 1. quando uma Prefeitura contrata uma empresa. existe a participação do setor público. Disposições Preliminares Dependendo das relações jurídicas que nascem com o vínculo contratual. numa situação de absoluta equivalência com o particular. enquanto os demais competem ao Direito Privado. . o ordenamento jurídico brasileiro comporta dois ramos bem distintos de contratos. sendo objeto de estudo no Direito do Trabalho. e. colocado em situação de supremacia em relação aos particulares. Exemplos: compra varejo entre comerciante consumidor. o faz sob a regência de um contrato regulamentado pelo Direito Privado. Em um. o consumidor. prestação de bancários. • CONTRATOS DE CONSUMO – disciplinados pelo Código de Defesa do CONTRATOS Consumidor. Precisamos estabelecer o campo de abrangência entre os variados contratos regidos pelo Direito Privado. o Direito reconhece a existência das seguintes espécies de contratos privados: • CONTRATOS DE TRABALHO – são regidos pelas normas da legislação CONTRATOS trabalhista. podendo impor sua vontade de forma a privilegiar o interesse coletivo sobre o privado. serviços bancários entre outros. Assim. destinatário final do produto. de um lado. Essa distinção ainda não é o bastante para delimitarmos o universo de nosso estudo. envolvem. celebrados pelos gestores públicos. prestação e venda no varejo entre o comerciante e o consumidor. o fornecedor de bens ou serviços. para efetuar a coleta de lixo no Município. se o mesmo Poder Municipal resolver adquirir um aparelho de televisão para equipar o Gabinete do Prefeito. quando do desenvolvimento da atividade precípua da administração. São os chamados contratos administrativos administrativos. do outro. está concretizando um contrato administrativo De outra administrativo. Dessa forma.

venda) • bilaterais ou unilaterais – os primeiros (compra e venda obrigam a compra venda) ambas as partes. De maneira geral. Classificação dos Contratos A doutrina não costuma ser uniforme ao classificar os contratos. hoje o moderno Código Civil traça as cláusulas de todos eles indistintamente (ressalva para contratos como: faturização. Nessa nova ordem. antes. não há mais qualquer efeito prático na tentativa de enquadrar. se o bem houver sido adquirido pelo seu destinatário final. equivalem-se. Se. deixou de haver dois sistemas normativos reguladores desses contratos. por exemplo. além de serem certas e determinadas. entre outros. • comutativos ou aleatórios – nos primeiros (compra e venda as compra venda). podemos citar a seguinte classificação: • de adesão ou paritários – nos primeiros (seguro uma parte redige as seguro). Com a entrada em vigor do Código Civil de 2002. as cláusulas contratuais encontram guarida no próprio Código Civil. nos paritários (compra e compra venda ambas as partes têm a faculdade de discutir e impor suas condições. ao passo que os unilaterais (doação pura geram dever doação pura) apenas para um lado. como compra e venda mercantil. com a mercadoria sendo destinada a posterior revenda ou. o contrato de compra e venda estará sob a tutela do Direito do Consumidor. mesmo. arrendamento mercantil e outros que possuam regulamentação fora do Código Civil). a rigor. tínhamos o Código Comercial disciplinando alguns dos mais importantes contratos mercantis. enquanto que. . 481 a 532 do CC/2002). empregada no processo produtivo (maquinário. determinado contrato de compra e venda na esfera civil ou comercial. pois tanto um como outro possuem idêntica regulamentação legal (arts. É claro que essa condição não impede uma alienação futura do mesmo produto. não-incluídos nas CONTRATOS outras espécies. mandato mercantil e comissão mercantil. e o Código Civil de 1916 encarregando-se daqueles que não eram reputados comerciais. franquia. alienação fiduciária. instalações. pois o mais importante é a intenção no momento da compra. seguro cláusulas e a outra apenas adere. Percebam que. 2. na hipótese de as partes serem empresários. matéria-prima). contraprestações.314 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • CONTRATOS CIVIS – esses são todos os demais. Entretanto. tanto que há autores que normalmente não se referem a mais do que três ou quatro formas de agrupá-los.

faturização) e venda mercantil enquanto que os atípicos (faturização podem até faturização ser originados a partir de uma lei. objeto lícito e possível • possível. nos gratuitos (doação pura e simples só um contraente assume prestação onerosa. erro .955/94). ao passo que.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 315 Série Impetus Provas e Concursos enquanto que. das duas partes possuem valor econômico. mas suas principais cláusulas são resolvidas no instrumento de contrato. simples). existirem e serem eficazes (compra e venda enquanto que os acessórios (alienação fiduciária nascem em função de um principal. o contrato de compra e venda é. as obrigações e direitos das partes são definidas no instrumento de contrato. dolo. é imprescindível que esteja isenta de coação dolo fraude ou coação. típico. comutativo oneroso não-solene principal típico paritário e consensual 3. afirmando a intenção de celebrar o acordo. fiança compra móvel) bem móvel são livres na forma. não obstante haver uma lei instituidora (Lei no 8. não-solene. erro. oneroso. nos aleatórios. Pode ser tácita ou expressa. principal. Constituição dos Contratos Os contratos. enquanto que os contratos reais só se efetivam com a entrega da coisa (o depósito e o o penhor). consensual. penhor • onerosos ou gratuitos – nos primeiros (compra e venda as prestações compra venda). No entanto. elas podem ser desproporcionais (seguro seguro). para serem reputados válidos. alienação fiduciária) • solenes ou não-solenes – os primeiros exigem formato previsto em lei (fiança ou seguro enquanto que os não-solenes (compra e venda de seguro). assim. Convém enfatizar que um só contrato pode abranger vários itens dessa classificação. comutativo. seguro • consensuais ou reais – os primeiros (compra e venda reputam-se compra venda). realizados a partir da declaração de vontade das partes. devem obedecer aos mesmos requisitos dos atos jurídicos em geral. ao mesmo tempo: bilateral bilateral. • vontade das partes – é uma declaração de vontade dos contratantes. doação • principais ou acessórios – os primeiros não dependem de outro para compra venda). Isto é o que ocorre nos contratos de franquia nos quais. quais sejam: • agentes capazes capazes. • forma prescrita ou não-proibida em lei lei. • típicos ou atípicos – os primeiros possuem regulamentação legal (compra compra mercantil).

segundo a qual ACTA SERV os pactos nascem para ser cumpridos. As duas singularidades podem ser traduzidas em dois princípios. lei entre as partes. fato imprevisível que venha a onerar uma das partes contratantes. Em outros. São os chamados contratos consensuais (compra e venda compra venda). isto porque. a regra de que se deve manter um equilíbrio entre as obrigações assumidas pelas partes. que não se podem furtar de seu fiel cumprimento. À similitude do outro princípio. favor de terceiros que irá atingir diretamente pessoa não-contratante. Efeitos da Celebração dos Contratos O principal e mais importante efeito da celebração de um contrato é o vínculo jurídico que nasce entre as partes. comutativos lança-se mão de uma cláusula implícita presente nessas espécies de contratos que é a REBUS SIC STANTIBUS. no sentido de ser considerado irretratável e inalterável salvo inalterável. esse também não tem aplicação absoluta em todos os contratos. Em regra. São eles: • PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE – os contratos geram efeitos apenas entre RELATIVIDADE as partes avençadas. nas condições em que foram estipulados. pelo menos se forem mantidas as condições fixadas na sua origem. . contrato 4. Há exceção à regra. por vontade de todos os contratantes. Significa afirmar que os contratos nascem para ser executados pelas partes. • PACTA SUNT SERVANDA – expressão de origem latina. Há casos em que se torna indispensável uma revisão das condições econômicas inicialmente pactuadas. como nos contratos reais é imprescindível a entrega da coisa para reais. portanto.316 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Na maioria dos contratos. a ponto de prejudicar o equilíbrio que deve reger os contratos comutativos. A conseqüência atinge apenas quem participa da relação contratual fazendo contratual. Isso significa que os contratos têm implícitas as cláusulas de irretratabilidade (o desejo de uma parte não basta para dissolver a relação jurídica) e intangibilidade (as condições contratuais não se alteram pela vontade de um dos contratantes). a exemplo do seguro de vida em terceiros. que se aperfeiçoem (contrato de depósito ou o penhor mercantil mercantil). ninguém poderá ser liberado do cumprimento da obrigação. por sua própria e única vontade. não sendo possível uma arcar com um ônus adicional àquele previsto no início. nos contratos comutativos prevalece comutativos. Acontecendo. bastam essas condições para eles serem reputados concretizados. passando a gerar obrigações entre as partes.

5. condições originariamente pactuadas. necessitando adquirir imóvel para montar a sede administrativa de seu negócio. É aquele pelo qual uma das partes obriga-se a transferir para outra a propriedade de um bem. Distingue-se da compra e venda puramente civil em dois aspectos. o empresário individual. Se assim não fosse. A compra e venda mercantil é classificada como contrato consensual pois se consensual. é importante observar que os empresários podem. Essa regra é conseqüência da Teoria da Imprevisão que permite a mudança nas Imprevisão evisão.1. ao comprar matériaprima na indústria para reposição do estoque. são dois os requisitos exigidos para caracterização dessa espécie como contrato mercantil: • o objeto do contrato deve ser bem móvel ou semovente destinado ao processo produtivo ou para revenda ou locação. seja sociedade empresária ou. que deve ser uma mercadoria. pelas partes contratantes. pode vir a ter suas condições alteradas com a ocorrência de um fenômeno natural que comprometa a produção da empresa agrícola. 5. • as partes devem ser empresárias. aleatórios quando uma parte arrisca-se a suportar obrigação não-prevista. matérias-primas e até máquinas e instalações diretamente usadas na produção. como tal empregada na atividade econômica. mesmo. Primeiro. móvel ou semovente. ainda que não tenha sido efetivada a entrega da coisa. Também em relação ao objeto do contrato. firmado entre uma empresa agropecuária e uma outra fabricante de sucos de frutas. a ponto de seus custos de produção serem majorados de forma a inviabilizar o negócio. a exemplo do estoque de mercadorias. que devem ser empresários. Neste caso. um contrato de fornecimento de laranjas. a exemplo do mobiliário utilizado na sala da presidência. considera perfeita e acabada logo que comprador e vendedor acordarem no preço e nas condições. Espécies de Contratos Compra e Venda Mercantil Contrato regulado pelos arts. Com essas premissas. os contratos deixariam de ser comutativos e passariam a aleatórios. De outra forma. realizam contrato regido pelas normas da Consolidação das Leis do Trabalho.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 317 Série Impetus Provas e Concursos Através dela. celebrar contratos de diversas espécies. Se o objetivo é contratar funcionário. por exemplo. 481 e seguintes do CC/2002. Contudo. estaremos diante de um contrato de compra e venda mercantil. o contrato é civil. Assim. mediante o pagamento de certa importância. ao longo de sua vida profissional. Podem ainda comprar bens de uso da própria empresa. . o contrato é regido pelas normas do Código de Defesa do Consumidor.

contrário. responde por perdas propriedade perdas danos. no próprio contrato. a salvo de qualquer restrição de domínio. No caso de o comprador estar ciente da restrição desde o início do negócio. portanto. se não houver justa causa. transfere a propriedade de um bem móvel durável ou imóvel. sob condição resolutória da integral quitação do débito. responsabilidade do alienante se. rescindir o contrato e reclamar a restituição da quantia já paga. deixa de haver distinção entre as cláusulas legais previstas para os contratos de compra e venda. considerando todos como contrato de compra e venda.2. . • responder pela evicção – entenda-se por evicção o dever que tem o vendedor de defender a transferência da propriedade da coisa em juízo. a fim de garantir o pagamento de uma dívida. • receber a coisa – em caso contrário. cabem ainda perdas e danos Livra-se a danos. a ação do comprador. com a entrada em vigor do Novo Código Civil. este se dará na entrega da coisa. perde o direito. acrescido de mora. SÃO OBRIGAÇÕES DO VENDEDOR: • transferir a propriedade da coisa – se não o fizer. na hipótese de haver terceiros reivindicando o mesmo direito. Coube. 5. juridicamente falando. os dois pactuarem que este não responde por aqueles defeitos. à doutrina fazer a distinção. SÃO OBRIGAÇÕES DO COMPRADOR: • pagar o preço ajustado – se não houver prévio ajuste quanto ao prazo de vencimento. Alienação Fiduciária É o contrato em garantia pelo qual o devedor. Isto porque a Lei Civil unificou as duas formas. pode o alienante rescindir o contrato ou demandar o comprador pelo preço da venda. sejam mercantis ou civis propriamente ditos. portanto. Se o vendedor tinha conhecimento do vício. • pagar o frete pelo transporte da mercadoria salvo estipulação em mercadoria. Essa obrigação deverá vir representada pela cláusula: FOB (free on board). via ação redibitória (prazo de trinta dias do recebimento ou da manifestação do vício). apenas para melhor caracterizar uma e outra espécie. que merece receber o produto adquirido. e danos • responder pelos vícios redibitórios – faculta-se ao comprador.318 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Notem que. Dispensa-se.

22. o objeto da garantia. na forma prevista nos arts. • POSSIBILIDADE DE PERDA DO BEM – o credor poderá tomar a coisa amigavelmente ou. havendo resistência. bastando a caracterização da mora do devedor. O juiz pode conceder liminarmente a busca e apreensão do bem alienado. ainda. permite-se ao credor tomar. O domínio da coisa atribuído ao credor fiduciário é resolúvel posto que se resolúvel. Essa é a exegese do art. 901 a 906 do Código de Processo Civil. que assegura também ao credor fiduciário o direito de pedir a restituição do bem. mantém-se na posse do bem como se fora dono. Regula-se pelo Decreto-lei no 911/69 e pela Lei no 9. 4o do Decreto-lei no 911/69. . Entretanto. de forma amigável ou judicial. especificamente a partir de seu art. se houver falência do devedor (art. o que ficou com a posse direta do bem dado em garantia. significa pagar a parcela vencida. A inadimplência do devedor fiduciante traz as seguintes conseqüências: • VENCIMENTO ANTECIPADO DE TODA A DÍVIDA – as parcelas ANTECIPADO vincendas consideram-se vencidas desde o inadimplemento da prestação. a fim de vendê-la para quitação do débito. • O DEVEDOR FIDUCIANTE – é a pessoa que alienou o bem em garantia. motivada por sua própria inadimplência. Enquanto ele estiver em dia com o pagamento. ação de depósito caso o bem não seja encontrado. resolve com a ocorrência de um fato futuro. Em caso de inadimplência do devedor. São partes no negócio: • O CREDOR FIDUCIÁRIO – é a pessoa que emprestou o dinheiro. através do qual uma empresa disponibilizou recursos a serem utilizados na aquisição de um bem. de outro contrato de financiamento. tem a chance de purgar a mora o que. no caso a liquidação do débito pelo devedor fiduciante. aquele que tomou o dinheiro emprestado ou.514/97. mora. poderá haver a conversão daquela em depósito. 7o do Decreto-lei no 911/69).CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 319 Série Impetus Provas e Concursos A alienação fiduciária é contrato acessório pois serve a assegurar o cumprimento acessório. que introduziu no sistema jurídico brasileiro a possibilidade de esse tipo de contrato ser aproveitado para bens imóveis. O devedor fiduciante assume a função de verdadeiro fiel depositário do bem custodiado tanto que. via ação de busca e apreensão apreensão. em outras palavras. se aquele já houver quitado pelo menos 40% de seu débito. na hipótese de ele ser alvo de uma ação de busca e apreensão apreensão. ou aquele que recebeu a propriedade da coisa em garantia pelo financiamento do bem. hipótese em que se desfaz o vencimento antecipado de toda a dívida.

restitui-se o devedor. em sua maioria. do título por ato voluntário do cedente. um operação de antecipação dos valores a serem recebidos pelo cedente cedente. Duas partes compõem a relação contratual: • CEDENTE OU FATURIZADO – é o empresário que transferiu créditos FA de sua propriedade. pois. um empresário cede créditos a uma instituição em troca de recebimento à vista de numerário. Imaginemos. É. necessite do dinheiro das vendas à vista. provando-se qualquer encargo pela inadimplência do devedor. provando-se a falsidade fraude. esse tipo de contrato somente se prova por escrito. Em sua forma mais conhecida. aquele que cedeu o crédito não assumirá encargo devedor. Contudo. que possibilitaria um desconto das duplicatas. • FATURIZADORA – é a empresa que assumiu a titularidade pelos créditos. que determinado atacadista de cereais. mediante pagamento de juros. resolve fazer uma operação muito mais rápida. cujas vendas dão-se. A diferença é o que será pago ao cedente. A lei é omissa quanto ao prazo de venda. que subtrai parte dos valores a serem recebidos em seu benefício. Havendo sobra. pode vir a perder definitivamente a propriedade do bem alienado. 5. então. cujo percentual de liquidação do débito esteja abaixo dos 40%. mas não pode o credor alienar a coisa por qualquer preço. não se exigindo ser necessariamente uma instituição bancária.320 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel De forma diversa. o devedor fiduciante inadimplente. Faturização Embora não se revestindo de regulamentação legal. caso não haja acordo em contrário. este será responsabilizado pela fraude . Questão importante que vem à tona na efetivação do contrato é quanto à responsabilidade do cedente pela solvência do crédito.3. mediante a emissão de duplicatas. O bem resgatado pelo credor fiduciário deverá ser objeto de venda para integral quitação do débito (é vedado ao credor ficar com a coisa). Esse só assume responsabilidade pela existência da dívida. Exemplo: se e factoring. entregando seus títulos a outro empresário. for devolvido por insuficiência de fundos. trata-se de um contrato largamente utilizado no âmbito das relações comerciais. através de instrumento público ou particular. ainda que de uma prestação. Mesmo ciente de que a prática indica o contrário. Por último. requerendo-se o registro do instrumento no Cartório de Títulos e Documentos. um cheque negociado numa factoring. a prazo. Sem querer submeter-se à tradicional exigência bancária. não tem o cedente qualquer responsabilidade pela integral quitação do débito. com recebimento à vista pelo cedente. apenas para satisfação de seu crédito.

Aprendemos (Capítulo 3) que o endossante continua responsável pelo pagamento do título. pode realizar-se com ou sem venda de produtos entre as partes. como admitir então a exoneração do faturizado. diz-se que. eventualmente. Nesta situação. Franquia Mercantil Disciplinado pela Lei Federal no 8. na qualidade de obrigado indireto pela obrigação. se o título for um cheque nominal. franqueador) franqueado) franqueador franqueado incluindo toda a assistência técnica necessária ao perfeito funcionamento do negócio. no caso de não-pagamento pelo principal devedor? A solução para o impasse se resolve com a transferência na forma uma cessão civil de crédito quando o faturizado (cedente) crédito. no entanto.4. para que se exima do encargo. a única forma de promover-se a transferência é o endosso. embora existindo lei instituidora. daí ser adesão). 5. deverá utilizar-se da cláusula endosso sem garantia garantia. associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e. o faturizado e endossante do cheque. sem que. atípico pois suas condições de funcionamento poderão ser livremente estipuladas pelos contratantes (a rigor é o franqueador quem estipula suas cláusulas. Além dessa forma para o contrato. há outra pela qual a faturizadora realiza a administração do crédito que lhe é repassado. também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócios ou sistema operacional desenvolvido ou detido pelo franqueador. estará isento de responsabilidade pela satisfação do crédito. é um contrato atípico. Por isso. mediante parcela de remuneração. 2o da Lei no 8.955. até mesmo para que o banco possa admitir a liquidação. em relação à responsabilidade por crédito negociado com a faturizadora.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 321 Série Impetus Provas e Concursos Notem que um problema surge se o faturizado resolver transferir ao faturizador um título de crédito nominativo através de endosso. sem que haja vínculo empregatício. Também chamado de contrato de franquia empresarial. de 15/12/1994. contrato de adesão . É claro que. Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente. No instrumento de contrato é que serão definidas as cláusulas que terão validade entre as partes. 2o. fique caracterizado vínculo empregatício. para só então transferir os recursos ao cedente. Ora. O art.955/94 traz a definição: Art. no qual um empresário (franqueador libera a outro (franqueado a utilização da marca de seu produto. mediante remuneração direta ou indireta. inclusive providenciando sua cobrança e liquidação.

permitindo-se ao residual. devendo ser averbado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. Duas partes compõem a relação: • ARRENDADOR – é a pessoa jurídica que adquiriu o bem para posterior arrendamento. de 12/09/1974. uma. enquanto no operacional o montante pode ser considerado. chamada leasing financeiro. • ARRENDATÁRIO – é a pessoa física ou jurídica que tomou o bem para ARRENDATÁRIO seu uso. contendo informações detalhadas sobre o negócio. a título de taxa de filiação e royalties. operacional Diferem-se basicamente quanto ao valor residual. Há duas espécies de leasing. após adquirir determinado bem. O franqueador obriga-se a fornecer ao interessado em se tornar franqueado. Leasing ou Arrendamento Mercantil Tem disciplinamento na Lei Federal no 6. • Promessa unilateral de venda – findo contrato. esse praticamente não existe (é embutido nas prestações).099. por sua vez. uma vez que. Na omissão dessa providência. sua aquisição pelo preço residual que será a diferença entre o valor venal do bem e as quantias já desembolsadas pelo seu uso. ou mesmo do pagamento de qualquer tipo de taxa pelo franqueado ao franqueador. uma “circular de oferta de franquia”. pois pode compreender as seguintes relações jurídicas: • locação do bem – caracteriza-se pelo fato de o arrendador disponibilizar a posse direta do bem ao arrendatário. irá pagar prestações fixas e continuadas ao primeiro.5. . móvel ou imóvel. O contrato possui natureza complexa. além de perdas e danos. no financeiro. 5. Trata-se de um contrato pelo qual um financiador. além de permitir-se exigir a devolução de todas as quantias (devidamente corrigidas) que já houver pago ao franqueador ou a terceiros por ele indicados.322 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O contrato assume a forma escrita (art. atualizada pela Lei no 7. o arrendador obriga-se irrevogavelmente a vender a coisa pelo seu valor residual ao arrendatário. pode o franqueado argüir a anulabilidade do contrato.132/83. ao final do prazo contratual. que. leasing operacional. aluga-o a uma pessoa física ou jurídica. e outra. no prazo de dez dias anteriores à assinatura do contrato ou pré-contrato. 6o). locatário.

Cartão de Crédito Contrato pelo qual uma instituição financeira compromete-se a pagar o crédito oferecido por um fornecedor a uma pessoa. visando a ser ressarcido pelas operações efetuadas. Entendendo ser desinteressante para o seu negócio. o futuro possuidor direto do bem (arrendatário) atuando como um verdadeiro mandatário do arrendador. materializado na antecipação de pagamento do preço do bem. O risco quem corr e é o emissor O fornecedor. Entretanto. Para finalizar. há autores que ainda consideram uma quarta relação jurídica presente. pela inadimplência do titular. incidem correção monetária e juros contratuais.6. 5. adquirente dos produtos ou • serviços comercializados pelo fornecedor. nenhuma responsabilidade terá perante o comprador. TITULAR – é uma pessoa. física ou jurídica. não está compelido a processar todas as vendas por meio do cartão de crédito. Periodicamente. o fornecedor apresenta ao emitente relação contendo as notas de vendas efetuadas via cartão de crédito. Neste caso. física ou jurídica. . a administradora cobra o débito do titular. aquele que irá financiar a dívida.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 323 Série Impetus Provas e Concursos • Mandato – ocorre quando é o arrendatário que negocia com o vendedor a compra do bem. Essa forma de contrato constitui elemento propulsor da economia. independentemente de o adquirente possuir disponibilidade financeira. quem concede o crédito. pois facilita as relações de consumo. Descontada a remuneração do emissor. pode condicionar seu uso a determinado patamar mínimo de valor. na medida em que permite as transações. De posse dos documentos trazidos pelo fornecedor. corr emissor. a fim de que este providencie a sua aquisição. mesmo credenciado pela administradora. acertando preço e especificações. Observa-se. Vemos três pessoas componentes da relação contratual: • EMITENTE – é a administradora do cartão de crédito. que serão repassados ao arrendador. sem acréscimos financeiros. • FORNECEDOR – é o empresário credenciado pela administradora. Importante esclarecer que o fornecedor não tem responsabilidade subsidiária titular. este se obriga a repassar ao fornecedor o montante de seu crédito. junto ao fornecedor do bem. poderá responder com multa contratual e descredenciamento junto à administradora. O valor da compra deverá ser liquidado pelo comprador até o dia do vencimento de seu cartão. que é a de um contrato de financiamento. neste caso. A partir desta data.

Obriga-se o representado a respeitar a exclusividade de zona que é a zona. A doutrina vem apontando a existência de relação interempresarial sempre presente nesta espécie de contrato.886/65. atualizada pela Lei no 8. se o comprador não pagou por culpa imputada ao representado (vício nos produtos. inclui-se o poder para iniciar a negociação. Isso se deve à impossibilidade de haver vínculo empregatício entre representante e representado. impossibilidade de ele vir a comercializar seus produtos na circunscrição do representante.7. Concessão Comercial É o contrato regulado pela Lei no 6. as partes contratantes sempre serão consideradas empresárias. As duas partes componentes da relação são: • REPRESENTANTE – é o agente comercial intermediador dos negócios. REPRESENTADO Não pode haver vínculos de subordinação ou de emprego entre as partes. ainda que informal. fabricante ou apenas revendedor das mercadorias comercializadas. REPRESENTANTE • REPRESENTADO – é o empresário que irá fornecer os bens. Nas competências do representante.132/90. pois cabe ao representado aprovar os pedidos de compra obtidos pelo representante. pois a representação é uma atividade autônoma. pelo qual um empresário (concessionário) obriga-se a comercializar mercadorias produzidas por outro (concedente). a realizar negócios mercantis. Em outras palavras.). salvo estipulação em contrário. ficando o representante obrigado a registrar-se no Conselho Regional dos Representantes Comerciais.8. . Representação Comercial É o contrato regulado pela Lei no 4. 5.324 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5. também deve ter registro na Junta Comercial. atualizada pela Lei no 8. mas não para concluí-la. No entanto. ainda que o representante não possua qualquer organização empresarial (elemento de empresa). Sendo pessoa jurídica. evicção etc. pelo qual uma parte (representante comercial autônomo) obriga-se. permanece devida a comissão. Por outro lado.420/92. Este só tem direito à comissão a partir do pagamento do preço pelo comprador ao representado. representação que seria a impossibilidade de ele representar outros produtos. em favor de outra (representado). não está obrigado o representante a respeitar exclusividade de representação. salvo estipulação contratual específica.729/79. ainda que de representados diversos. mediante remuneração (assume a forma de comissão). em caráter não-eventual.

A norma legal abrange a concessão comercial relacionada aos seguintes bens: automóveis. os clientes. motocicletas e similares. valendo o que for pactuado entre as partes. Caso contrário. veículos de sua produção no perímetro de atuação do concessionário.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 325 Série Impetus Provas e Concursos Duas partes compõem a relação contratual: • CONCESSIONÁRIO – é o que recebe os produtos para revenda. a fim de atender. caminhões. • respeitar uma distância territorial mínima entre os concessionários. deverá ser respeitada. São obrigações do concedente: • permissão ao uso da marca pelo concessionário. diretamente. salvo se destinados ao Poder Público. corpo diplomático e a clientes especiais nos limites acordados entre as partes. de forma condizente. • vender ao concessionário a quantidade de veículos fixada conforme estimativa de mercado. • CONCEDENTE – é quem produz e fornece os bens destinados à comercialização. concessionário: São obrigações do concessionário • havendo cláusula contratual de exclusividade da marca. ônibus. • não vender. Para os demais. • respeitar o índice de fidelidade em relação à aquisição dos componentes da marca. tratores. . não há disciplina legal regulamentadora. não terá o concessionário restrição a vender veículos de outra marca. • comprar ao concedente a quantidade de veículos fixada em quota. • organizar-se empresarialmente nos padrões definidos pelo concedente. O percentual será definido de comum acordo com os demais concessionários e concedente.

em caso de falência do devedor. às vezes. e) só permitem que o credor ou proprietário fiduciário venda a coisa alienada fiduciariamente através de leilão ou hasta pública. um mandato. b) não permitem que o credor ou proprietário fiduciário requeira contra o devedor ou terceiro a busca e apreensão do bem alienado. podemos afirmar que: a) compreende uma locação. e) perfaz-se pelo mútuo consentimento e é exeqüível em uma única prestação. ao passo que o fiduciante detém a posse indireta da coisa. que se perfaz com a entrega da coisa. detém a propriedade direta da coisa e o credor detém um direito real de garantia fiduciária. com promessa unilateral de compra do bem. uma promessa unilateral de venda e. . c) envolve uma prestação de serviços para financiamento de bens. devendo o contrato. ser obrigatoriamente arquivado no Registro de Títulos e Documentos do domicílio do credor. ao passo que o alienante detém a posse direta. b) fiduciário. detém a propriedade e a posse indireta da coisa. detém a chamada posse direta e indireta da coisa. c) podem ser provados por escrito ou verbalmente ou por meio de testemunhas idôneas. antes de transitada em julgado ação que reconheça o inadimplemento do devedor. ESAF (PROCURADOR DO BACEN/1994) Quanto à natureza jurídica do leasing. detém a propriedade indireta da coisa e o credor detém o direito de reserva da garantia. também chamado de (ANULADA): a) fiduciário.Exercícios 1. d) consiste em contrato real. b) compreende uma abertura de crédito. e) alienante. ESAF (AFTN/1991) Nos contratos de financiamento com alienação fiduciária. 3. o pedido de restituição do bem alienado. 2. c) fiduciário. ESAF (AFTN/1989) A alienação fiduciária em garantia e o respectivo contrato: a) não permitem ao credor ou proprietário fiduciário. detém a chamada posse direta da coisa. o devedor. precedida de avaliação judicial da coisa. d) alienante. ao passo que o alienante é apenas credor com direito de garantia fiduciária. para ter valor contra terceiros. d) só podem ser provados por escrito.

e) com o pagamento de 75% (setenta e cinco por cento) do preço. a qualquer tempo. b) permite ao franqueado a argüição de anulabilidade do contrato de franquia. b) a responsabilidade pelos riscos da coisa passa do vendedor para o comprador apenas quando se faz a entrega efetiva da coisa vendida. (OAB – RJ/1998) A compra e venda mercantil pura e simples aperfeiçoase: a) quando é pago o preço. . c) com o pagamento do preço total. FCC (JUIZ FEDERAL/2002) O não-recebimento da circular de oferta de franquia pelo candidato a franqueado no mínimo dez dias antes da assinatura do contrato. e) suspende a eficácia do contrato de franquia até que seja sanada a irregularidade. d) quando feito a prazo. com a devolução das quantias pagas ao franqueador e a terceiros a título de taxa ou de royalties.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 327 Série Impetus Provas e Concursos 4. a propriedade da coisa somente passa para o comprador após o pagamento da última parcela. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A faturização. 8. d) com o pagamento de 50% (cinqüenta por cento) do preço. somente cabe ao comprador pedir abatimento do preço. (JUIZ DO TRABALHO – 13 a REGIÃO/1995) O contrato de compra e venda mercantil torna-se perfeito e acabado: a) quando as partes acordam na coisa. do pré-contrato ou do pagamento de taxas ao franqueador ou pessoa a ele ligada: a) permite a resolução imotivada do contrato de franquia. b) constitui venda de duplicatas. espécie de operação financeira: a) facilita a obtenção de créditos pelo empresário. bem como o pagamento de perdas e danos. mantendo-se íntegro. d) quando o comprador declara-se satisfeito com a coisa e paga o preço. c) a obrigação do comprador somente surge após a entrega da coisa pelo vendedor. e) se a coisa vendida apresenta defeito após a entrega. 5. d) é negócio atípico de cessão de crédito. d) assegura ao franqueado o direito de obter judicialmente a revisão das cláusulas e condições contratuais que lhe sejam desfavoráveis. 7. c) faz nulas as cláusulas contratuais que impuserem vantagem excessiva do franqueador sobre o franqueado. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Em relação a um contrato de compra e venda: a) pode ser celebrado em relação à coisa futura. e) é negócio indireto de financiamento. b) com a entrega da coisa. c) quando as partes acordam em relação à coisa e ao preço. b) quando é entregue a coisa. 6. c) é desconto de duplicatas. no preço e nas condições estabelecidas. por parte do franqueado. mesmo que a coisa vendida venha a não existir.

.

2. q) V. 15. . d)V a) V. V. b) F. E D FFFV . F V. 5. 26. . 24. 27. 25. 22. h) F. V. F F F V . V. C A a) F. E . 23. 30. F B E C. V. 29. V. 2. F V . e) V. 25. l) V. 19. 19. . 24. 7. i) V. . B F F V. 8. B C E 11. c) F. V. A V. E D A A B A V. b) V. g) V. 5. o) V. a) F.Gabarito CAPÍTULO 1 1. n) F. 14. 26. 13. 10. f) V. b) V. V . b) V. F F . 8. m) F. r) F CAPÍTULO 2 1. F F . B D F F V. c) V. 18. g) V a) F. V. F V . 20. 22. 17. . d) V. 20. d) V. 17. c) F a) V. C B E B A A D C 21. 3. 13. 7. 6. 16. b) V. . . 6. 14. c) F. 29. V. f) F. V. b) F a) F. 16. 9. 18. p) F. 28. 27. e) F. 23. c) F C 21. b) F. 15. 9. E C A E B FFF . b) V a) V. c) F a) V. 4. j) F. . 28. 10. 3. 12. 4. . D E C E B B A 11. 12.

22. 41. B 7. A . 11. 39. F V. B B D E 10. V. 42. . C 36. E B D E B C 44. 13. 20. V. c) F. C 35. b) V. 45. . 48. b) V 17. C 38. V. F F V. D 2. V . D 3. F V. b) F. F V. 49. 5. 8. . 14. 12. . 16. 3. 7. V . A 4. V. 2. F F V . B C D C F F NULA . A 32. 47. F . 23. b) V a) F. F F V . 10. V. CAPÍTULO 05 1. 2. 46. 19. V . b) V CAPÍTULO 3 1. d) V a) F. 43. 13. F . 18. . 5. d) V a) V. 6. 7.330 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 31. 11. 37. A 33. D 8. C 6. F V. F V. 9. . . E 34. A A C a) F. 15. A 5. A V. 21. E B a) V. V. 12. F V. 3. CAPÍTULO 4 1. 4. . F V. A V. A V. E A A C D E B D 9. c) F. F F F . 4. 8. 40. E D C D B 6. V.

164 do CC/2002). 8-b) – É o que preceitua o art. deve ser marcada a mais correta. d) F – Título e “nome fantasia” são expressões sinônimas. e) V – Embora o gabarito tenha considerado a alternativa verdadeira. 4-d) O fundo de comércio (o mesmo que estabelecimento empresarial) não tem poder para ingressar em juízo na defesa de seus interesses. b) V – Art. 1.185 do CC/2002. o alienante pode ceder seu uso. como. Entretanto. por exemplo. 1. 1. bastando existirem outros documentos para descaracterizá-los.156 do CC/2002. . não modalidade de nome. 5-e) Nenhuma das alternativas contém erro.Comentário CAPÍTULO 1 1-a) V – Art. Quem o faz é a pessoa jurídica. contudo. b) F – Os atos de registro de comércio não fazem prova absoluta. 6-c) O nome não pode ser objeto de alienação (art. 2-b) É denominação que indica tratar-se de uma sociedade limitada. c) V – Servem comentários da letra “b”. f) V – Servem comentários da letra “a”.160 do CC/2002. 1.158 do CC/2002. entendo que há direitos. situação que tornaria falsa a alternativa. desde que precedido da expressão sucessor de. na hipótese de alienado todo o estabelecimento. entendimento que pode ser estendido na conceituação de empresário. e) F – A proteção ao nome vem com o arquivamento dos atos na Junta Comercial. 1. que são adquiridos com o registro. a proteção ao nome.160 do CC/2002. 3-a) F – O Direito brasileiro adotou o critério real na definição de comerciante. d) V – Servem comentários da letra “a”. 1. c) V – Art. 7-e) – É o que preceitua o art.

A letra “b” está errada. pois deve ser respeitado o princípio do sigilo. colocando-a de acordo com o gabarito oficial. 1. 29 da Lei Federal no 8934/94.) ou imateriais (nome.A resposta correta é a letra “d”. 1. em seus arts. Exemplo: não basta observar se determinado nome empresarial obedece à forma exigida em lei. pois deveria referir-se à escrituração fiscal.332 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9-b) – É o que preceitua o art. pois o art.934/94. da Lei no 8. quando obedecidas outras formalidades.: essa questão poderia ser respondida por eliminação das demais alternativas). o princípio correto seria o da veracidade. b) F – A assertiva é falsa no que se refere às sociedades anônimas. mas conceder regularidade à atividade empresarial. pois a eficácia da ação administrativa mede-se com relatórios gerenciais. A letra “a” está errada porque.a) V – O Código Civil de 2002. destinado ao exercício da empresa. o escopo da escrituração mercantil não é facilitar a atuação da fiscalização. e) V – Na primeira edição deste livro. a respeito dos nomes empresariais. é preciso ver se estão sendo respeitados os princípios da veracidade e/ou da novidade. resposta que retifico. Essa conceituação deve abranger todas as espécies de bens. 12 – A letra “e” está correta. título etc.404/76 prevê apenas denominação. alínea c. marca.800/96. incorporou idênticas nomenclaturas. com base no art. por tratar-se necessariamente de uma sociedade em nome coletivo. d) F – O único tipo societário possível para esse nome é o de sociedade limitada.155. 13. 1.156 e 1. c) F – O princípio da novidade trata da exclusividade contra uso por terceiros. de 24/12/1890. Na verdade. ou do mesmo artigo do Decreto no 1. apesar de os agentes do fisco não se submeterem ao princípio do sigilo. A letra “d” está errada. 32. A letra “a” está errada porque as Juntas também procedem ao exame material dos atos. A letra “c” contém erro. 10-a) – O art. pois o termo “estar escoimada” tem o sentido de “estar livre” (obs. aparece essa alternativa como falsa.157. apesar de não haver o detalhamento doutrinário entre firma social e firma individual. veículos etc. antes utilizadas pelo antigo Decreto no 916. que trata do registro de comércio. 3o da Lei Federal no 6. como espécie de nome empresarial aplicado a esse tipo societário.) 11. .142 do CC/2002 define o estabelecimento como um complexo de bens organizado. sejam materiais (instalações.

é que podem requerer registro perante as Juntas Comerciais.800/96.245/1991. não as associações. A letra “e” está errada. pois ambos os dispositivos prevêem.A resposta correta é a letra “b”. apenas se Manoel fosse designado administrador da sociedade. deste livro. 1. 16.934/94 como do Decreto no 1.a) V – Respondem à questão os arts. 35. 15. vai de encontro à regra geral disposta no art. 972 e 973 do CC/2002. conforme dispõe o art.142.CAMPUS Comentário 333 Série Impetus Provas e Concursos A letra “b” está errada porque a proteção ao nome advém do arquivamento e conseqüente registro do ato constitutivo. Escritório de advocacia.934/94. Quanto à letra “e”. 1. a destinação de bens componentes de seu estabelecimento empresarial seria razão suficiente para admitir-se a distinção entre bens de uso pessoal com os reservados ao negócio. não havendo processo apartado para tanto. apesar de haver sido considerada correta.A resposta correta é a letra “e”. parágrafo 1o. em que pese a correção da assertiva (art. em caso de alienação do estabelecimento. 1. b) F – Respondem à questão os arts. A letra “c” está errada na parte final. Mas o Direito brasileiro não admite a afetação de bens do empresário individual. a . pois se trata de uma atividade mercantil e. pessoa física ou jurídica. pois nenhuma das atividades é mercantil.148. que expõe a melhor doutrina. 974 e 975 do CC/2002. 14-a) F – Da leitura do art. porque as decisões ou certidões das Juntas podem ser elididas em face de melhor prova. daí a confusão patrimonial. uma vez que. juntamente com as disposições legais sobre a matéria. Chega a soar estranhamente a assertiva. Sociedades simples. e ainda assim após a condenação criminal. d) V – A proteção ao nome advém do arquivamento do contrato na Junta Comercial. e art. Ademais. da Lei no 8. 51. sempre será sociedade simples. é que a Junta deveria recusar o registro. sendo dispensada qualquer outra providência burocrática. apenas empresário pode ser titular de estabelecimento. da Lei no 8. do CC/2002. II. deverá ser desenvolvida por um empresário. 17.A letra “c”. a princípio. muito menos possui organização empresarial.142). como tal. c) F – O patrimônio pessoal do empresário individual confunde-se com aquele destinado ao exercício da sua atividade econômica. tanto da Lei no 8. bastando ver o art. inclusive. “c” e “d” não poderiam estar corretas. As letras “a”. b) F – A alternativa está errada pelo fato de as sociedades limitadas também admitirem a firma social como espécie de nome empresarial. 18. não responde à questão. como cooperativas. conforme podemos observar no Capítulo 1. 32. item 6.

inciso V. com base no art. 29. 23. com base nos mesmos argumentos da alternativa anterior. 6o. 28. 6o. com base no art. A letra “b” está errada. com base no art. da Lei no 8. 26. com base no art. A letra “b” está correta. do CDC.A letra “a” está correta. parágrafo 3o. do CPI. A letra “b” está correta. 8o do CDC. 21. parágrafo 2o. parágrafo 3o. do CPI. 18 do CPI. A letra “c” está errada. 19.A letra “a” está errada. 6o.884/94. do CDC. com base no art. encontra respaldo no art. a que se refere o art. 20. A letra “b” está errada. porém que não sejam utilizados no objeto social.334 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel sub-rogação dos contratos que não tiverem natureza pessoal. do CDC. parágrafo 1o. 1. 6o. do CDC. 51 do CDC. 45 do CPI. 3o. apesar de seu forte caráter subjetivo. inciso I. com base no art. da Lei no 8.A letra “a” está correta. com base no art. 57 e 18. 22. do CC/2002. do CDC. com base no art. do CDC.A letra “a”. 56. do CDC. caput. da Lei no 8.A letra “c” está correta.884/94. com base no art. A letra “e” está errada. inciso V. com base no art. 21. inciso I. com base nos riscos previsíveis. parágrafo 2o. parágrafo 1o. com base no art. 68 do CPI. A letra “b” está correta. 54. inciso VIII.A letra “a” está correta. com base no art.A letra “c” está correta. caput. A letra “d” está correta. parágrafo 2o. A letra “b” está errada.884/94. com base no art. A letra “c” está errada. . do CPI. A letra “c” está correta. A letra “e” está errada. 24. do CDC. não fazem parte do estabelecimento. 23. com base no art. 25. do CDC. A letra “c” está errada. do CPI. 40 do CPI. com base no art. inciso XXII. A letra “d” está correta. com base no art. do CPI. do CDC. A letra “c” está correta. 3o. com base no art.179. A letra “d” está correta. com base no art. 37. com base no art. com base no art. com base nos arts. 46. A letra “g” está correta.A letra “a” está correta. 6o. 1. 33 do CPI.147 do CC/2002.A letra “a” está errada porque os bens pertencentes à sociedade. 27. com base no art. parágrafos 3o e 4o. 3o. do CDC. 2o do CPI. A letra “c” está errada. 54. 6o. A letra “f” está correta. considerada correta. 973. com base no art. com base no art. com base no art. parágrafo 1o. 3o. A letra “b” está correta. salvo disposição em contrário. com base no art.A letra “a” está errada. 13.A letra “a” está correta. com base no art. com base no art. A letra “b” está errada. 3o.

da Lei das Sociedades Anônimas). parágrafo 2o. da mesma Lei das Sociedades Anônimas. A letra “g” está correta. com base no art. A letra “k” está correta. que prevê a continuidade dos serviços públicos essenciais. do CDC. O item III está errado em sua parte final. com base no art. pois não podem compor o conselho membros de outros órgãos da companhia (art. A letra “f” está errada. 48 do CDC. 2-d) A ausência de personalidade jurídica decorre do não-registro na Junta. A letra “n” está correta. com base no art. com base no art. do CDC. do CDC. desde que adimplente o consumidor. temos que o conselho fiscal só funciona de forma permanente nas sociedades de economia mista. este previsto no art. 3-a) Sobre o item I. 18. 120. a não citar expressamente a fraude como pressuposto. do CDC. 18. A letra “j” está errada. 21. A letra “q” está errada. que prevê a necessária verificação de culpa. com base no art. com base no art. do CDC. 18 do CDC. 22. o item IV tem respaldo no art. . do CDC. 49. I. a fraude deve estar presente. acrescentando tratar-se de vício do produto. do CDC. do CDC. com base no art. A letra “h” está errada. Com relação ao item II. com base no art.CAMPUS Comentário 335 Série Impetus Provas e Concursos A letra “e” está correta. parágrafo 2o. A letra “p” está correta. A letra “l” está errada. 50 do Novo Código Civil ou. com base no art. da Lei das Sociedades Anônimas (reforma do estatuto) e no art. que não condiciona a responsabilidade ao conhecimento do vício pelo fornecedor. parágrafo 4o. começa a surgir a positivação da teoria. A letra “o” está errada. que prescreve a necessária remuneração do serviço. 14. 28 do Código de Defesa do Consumidor. com base no art. do CDC. 26 do CDC. 12. Esses dispositivos legais chegam. observo que a assertiva não vale para as de economia mista. A letra “i” está correta. inclusive. 18. parágrafo 1o. não de fato do produto. do art. que prevê a necessária correção monetária. Contudo. caput. A letra “m” está errada. 163. do mesmo diploma (suspensão de direito de acionistas). 3o. com base no art. 122. considerado verdadeiro. 4-a) A resposta correta tem fundamento no art. Por fim. 162. caput. com base no art. mesmo. CAPÍTULO 2 1-e) Atualmente. § 2o. 20. com base no art. sempre que falarmos da teoria da despersonalização. parágrafo 5o. caput. É o que podemos perceber com a leitura do art. § 7o. parágrafo único. do CDC. 18. desde que o orçamento esteja escrito.

junto ao órgão de registro. c) V – Subscrição pública é a aquisição do capital social inicial. valor nominal. caput. d) F – O art. A seguir. caput.000. os papéis da empresa. mas dois. b) V – O Direito brasileiro elegeu o critério real para classificar os comerciantes. Se tiverem. que proibiu outra forma de ação. o que significa ser irrelevante o registro na Junta para qualificá-los. 15. 10-e) O art. 1. que no caso é de R$89. assim como no art. 1. 9-c) A resposta tem fundamento no art. que independem do percentual da participação no capital social. e) F – A sociedade anônima é de capital. o que significa que não pode haver barreiras ao ingresso de novos sócios. § 1o. caput. há previsão de as ações possuírem. do CC/2002. 6-a) Serve como supedâneo à alternativa o art. pela parte ainda não-integralizada do capital social.00.021. pelo menos a partir da edição da Lei no 8. no art. mas pelo público em geral. assim como no art.099 do CC/2002. 227. 8-b) A resposta tem fundamento no art. apenas as companhias que queiram ser abertas O número mínimo de sócios não é sete. c) V – Na sociedade limitada. da Lei das Sociedades Anônimas.336 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5-b) A resposta está fundamentada no art. 11-a) O art. 1. 1o da Lei das Sociedades Anônimas prevê a responsabilidade do acionista até o preço de emissão das ações por ele subscrita. Valores Mobiliários. mesmo admitindo que os contratantes poderiam verificar. através da Comissão de abertas tas. 243. d) F – Prevalece o que os autores chamam de Teoria da Aparência. ou não. e necessariamente a companhia já nasce aberta. da Lei das Sociedades Anônimas. os sócios respondem. 11 da mesma lei. de forma solidária. 7-a) V – Responde a questão o art. 12-a) V – Esses são direitos dos sócios. 1o estabelece que o capital das sociedades anônimas é dividido em ações. não apenas pelos sócios fundadores. da Lei das Sociedades Anônimas responde à questão. não ao capital social que falta integralizar. 105 da Lei das Sociedades Anônimas responde à questão. b) F – Necessitam de autorização do Governo Federal.116 do CC/2002. da Lei das Sociedades Anônimas. e) V – O mesmo art. 20. que é a forma como a sociedade apresenta-se no comércio. diz o parágrafo 2o desse artigo. 1. caput.160 do CC/2002.019. o valor nominal será igual para todas. .

não há a necessidade de os diretores serem acionistas. Sendo em nome coletivo.404/76. 18-a) Responde à questão a combinação dos arts. sendo conhecidos por exclusão. alínea b. a lei . 17-a) Resposta no art. manutenção em tesouraria (ações que são adquiridas pela pessoa jurídica para serem retiradas de circulação). além do que já vimos a quem compete o encargo de administrar a companhia. posto que quem administra a companhia são os administradores. combinado com o art. Os de competência da assembléia geral extraordinária não estão relacionados em dispositivo específico. Na letra “c”. indica tratar-se necessariamente de uma sociedade anônima. em cumprimento às deliberações da assembléia geral ou do conselho de administração. própria das sociedades irregulares. A letra “d” errou ao considerar o início da personalização a partir do acordo. mas sim da companhia. 14-b) Define a responsabilidade. A letra “a” está errada. § 1o. 46 da Lei das Sociedades Anônimas. e vice-versa salvo se o objetivo de uma delas for a aquisição para vice-versa. 20-c) A letra “a” está errada por desconsiderar daquela qualidade as sociedades irregulares. 30. que tanto podem ser membros da diretoria como do conselho de administração. é ilimitada e solidária. Na letra “a”. ao passo que se for uma sociedade anônima. a forma ou o tipo societário. 16-b) Respondem à questão os arts. 265. 15-e) A resposta correta está embasada no art. da Lei das Sociedades Anônimas. todos da Lei das Sociedades Anônimas. responsabilizando-se pela execução de seu objeto. A letra “b” está errada porque a Lei de Falências permite a falência de sociedade irregular. A letra “e” aproveita comentários da letra “d”.CAMPUS Comentário 337 Série Impetus Provas e Concursos 13-c) O ar t. quando utilizado na frente do nome. apenas a palavra executar pode ser considerada como atribuição do órgão. 1o e 3a da Lei das Sociedades Anônimas. quando o correto seria o registro na Junta. prevê que é proibida a aquisição de ações de uma companhia por outra. § 1o. 132 da Lei das Sociedades Anônimas traz os assuntos que competem à assembléia geral ordinária. segundo o art. 132 da Lei no 6. 244. Além do que a prestação de contas é feita perante a assembléia geral ordinária. § 1o. Na letra “b”. 19-d) O termo “cia. 991 e 992 do CC/2002. por exemplo. a responsabilidade vai até o preço de emissão das ações subscritas pelo sócio.”. A letra “e” errou por conta da responsabilidade ilimitada. 21-b) A diretoria é órgão de representação da sociedade perante o público em geral. A letra “d” está errada por não ser o interesse dos administradores. 22-d) O art.

por exemplo.338 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel não faz qualquer menção à exigência de nacionalidade brasileira. 25-c) O art. poderia tipificar a sociedade empresária. 24-e) O § 1o do art. Na verdade. A letra “d” está errada porque. 21 da Lei no 6. Logo.385/76. como a organização com elementos de empresa.142 do CC/2002 conceitua o estabelecimento como o complexo de bens organizados para o exercício da empresa. 23-a) F – 7% de participação são considerados simples participação. A letra “e” está errada ao classificar os membros do conselho de administração como responsáveis pelo controle social. apenas ela pode ser seu titular. . restringiu apenas às companhias a possibilidade de negociar valores mobiliários na bolsa ou no mercado de balcão. em regra. que dispõe sobre o Mercado de Valores Mobiliário. A letra “b” está errada porque podem existir sociedades simples na mesma situação. Correta a assertiva. Na letra “c”. os membros da diretoria é que necessariamente teriam que ter residência no país. A letra “b” está errada porque não há tal limitação. b) F – A alternativa somente seria verdadeira na hipótese de o capital referido (55% de W) conferir poder de voto. A letra “c” está errada porque a responsabilidade ilimitada dos sócios acontece quando eles assumem cargo de gerência na sociedade. 244. § 2o. a responsabilidade dos acionistas está limitada da mesma forma que nas sociedades anônimas. c) V – 30% de participação no capital social da outra só deixam de caracterizar uma coligação. é necessário haver a forma empresarial de organização. pela nova conceituação do Código. Correta a assertiva. É claro que outras características. seja por empresário ou por sociedade empresária. Isso exclui as sociedades simples. a sociedade assume o controle de forma permanente sobre a outra. não pela qualidade das ações. A letra “a” está errada porque a assunção dos riscos da produção não é determinante à definição. além de não poderem fazê-lo no Mercado de Valores Mobiliários. administradores são tanto os diretores como os membros do conselho de administração. 1. A letra “a” está errada porque as comanditas por ações podem ofertar ações com ou sem poder de voto. A letra “e” está errada porque. A letra “d” está errada porque há sociedades simples que também podem estar inscritas na Junta Comercial (cooperativas). da Lei das Sociedades Anônimas. d) F – Não é necessário. e) V – Responde à questão o art. exceto a dos que assumirem função de gerência. por acordo de acionistas. mas não foi essa a opção de quem elaborou a questão. na medida em que. não basta ser mercantil. posto se tratar de simples participação.

gerando direitos e obrigações. a exemplo dos débitos tributários. diferentemente do antigo Decreto no 3. ambos poderão exercer a gestão dos negócios. assembléia de quotistas etc. pois carece de fundamento. com fundamento no art. não enxergo qualquer incorreção. pois a tipicidade significa previsão em lei. Correta a alternativa. 1.052 do CC/2002.013 do CC/2002. 29-a) Alternativa falsa. o novo Código protegeu-os. 977 do CC/2002. Logo. b) Alternativa falsa. com fundamento no art. A letra “d” está errada porque a separação patrimonial acontece quando do arquivamento. 27-e) O direito patrimonial está consubstanciado no valor econômico atribuído às quotas. A letra “b” está errada porque o vínculo é contratual.012 do CC/2002. com fundamento no art. por exemplo. c) Alternativa falsa. no que pese ter sido considerada errada. A letra “a” está errada. A letra “d” está errada porque é possível que as quotas sejam de mesmo valor. e não da lavratura do instrumento. quanto à exclusão de sócio minoritário. A letra “a” está errada porque há casos que fogem à regra da limitação da responsabilidade. pois terá que haver prévia previsão contratual. A letra “a” está errada. A letra “e” está errada porque a regularidade dá-se apenas com o arquivamento do ato na Junta Comercial. A letra “b”está errada. 30-e) A alternativa está correta. A letra “d” foi considerada errada. A letra “e” está errada porque as limitadas não têm nada a ver com a restrição imposta pelo art. pois não houve alteração na forma de controle.708/19. com fundamento no art. 28-b) Alternativa correta.052 do CC/2002. como o de voto. deu-lhes estrutura típica. A letra “b” está errada porque a integralização do capital social também pode ser com bens ou créditos. 1. enquanto que o direito pessoal é decorrente do status de sócio. Correta a assertiva. como o Código disciplinou a estrutura das limitadas com conselho fiscal. . não constando nome do administrador. posto admitir a participação de um número ilimitado de sócios. Na letra “c”.CAMPUS Comentário 339 Série Impetus Provas e Concursos 26-a) O contrato de sociedades é de estrutura aberta. 1. apesar de não ser obrigatório. observo que. Contudo. A letra “c” está errada porque há outros direitos. pois. 1. A letra “c” está errada. tendo em vista a possibilidade de a designação ser em ato separado.

apesar de o Direito brasileiro permitir a unipessoalidade. . A letra “c” está errada porque não possui qualquer fundamento. com autorização do estatuto. 32-a) O art. aproveitando comentários em relação a letra “e”. pois as ações escriturais não dificultam a negociação. e não um tipo ou uma classificação. 80 da Lei das Sociedades Anônimas). pois pode o conselho de administração. A letra “b” está errada porque as demais também garantem a titularidade. pois a inexistência de papel simplifica a transação. A letra “c” está errada. 1. não haverá alteração da relação percentual de cada um. 34-c) O art. A letra “b” está errada. A letra “b” estaria correta. posto não ser a competência privativa da assembléia. A letra “c” está errada porque. 31-a) A alternativa está correta. A letra “d” está errada porque sociedades grupadas são forma de ligação entre sociedades. A letra “d” está errada. não pode ser considerada errada. pois. A letra “e” está errada porque o objeto social não é fator determinante para classificação societária. A letra “e”. A letra “a” está errada porque. caso se referisse à classificação doutrinária. seja incidental ou no caso de subsidiária integral (a regra é a pluripessoalidade).404/76. no novo regime do Código.340 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “c” está errada. 982 do CC/2002 elegeu a bipartição das sociedades em empresárias e simples. não podemos admitir tratar-se de classificação de sociedade. 34. para as ofertas privadas. A letra “a” está errada. não mais pode haver tal delegação. 142 da Lei das Sociedades Anônimas). podendo ser feito até por companhias fechadas. pois existem percentuais mínimos de integralização das ações. Correta a assertiva. apesar de não haver sido marcada pelo gabarito. Basta ver a possibilidade de haver sociedades simples com ou sem fins lucrativos. A letra “d” está errada. aprovar a emissão de ações (art.115 do CC/2002 dispõe justamente a respeito da preservação do direito dos credores. de acordo com o art. Exemplo: digamos que as sociedades A e B sofrerão fusão para o nascimento da sociedade C. da Lei no 6. a exemplo dos 10% exigidos para constituição de companhias (ver art. Na hipótese de os sócios de A serem os mesmos sócios de B. A letra “d” está errada porque os atos regulares de gestão não responsabilizam os administradores. é que nem sempre a relação tem que ser alterada. servem comentários da letra “c”. § 1o. com idênticos percentuais de participação em cada sociedade. 33-e) A letra “e” está correta. não é necessário autorização da CVM. que é a sucessão das obrigações.

da Lei no 6. seja conivente. 1. 993. 1.061. conforme comentado no tópico 8. parágrafo 1o. 1. prevê a unanimidade.015. 997. ou. ou seja. pois o art. conforme a exegese do art. do CC/2002. não praticante de ato ilícito cometido por outro. A letra “e” está errada. 36 – A letra “a” está correta. do CC/2002. pois tem a ver com seus membros (lembro que o contrato é de estrutura aberta. VIII.A resposta correta é a letra “c”. parágrafo único. A letra “b” está errada. 50 do CC/ 2002. A letra “e” está errada. conforme a exegese do art. A letra “d” está errada. do Capítulo 2 deste livro. 991. não tentar inibir sua prática. com fundamentação legal no art. conforme a exegese do art. da regra da subsidiariedade apenas aquele que representou a sociedade. por comportar número ilimitado de sócios) e. 999. VIII. e não de compra. . A letra “f” está correta.060. parágrafo único. 1. de acordo com o art.A letra “b” está correta. 35 – A resposta correta é a letra “c”. conforme a exegese do art. 37. 158. caso aquele administrador. VI. se a limitada tiver regência supletiva nas sociedades simples. que é a passagem de um tipo para outro (limitada para sociedade anônima. Este último. de acordo com a combinação dos arts. com base no art. A letra “d” está errada. 997. A letra “c” está correta.057. A letra “c” está errada. apenas quando se tratar de venda ou oneração. com base no art. embora se deva ressaltar que o mesmo dispositivo prevê o contrário. pode não haver alteração no quadro social.404/76.CAMPUS Comentário 341 Série Impetus Provas e Concursos A letra “d” está errada.1. estipula a necessidade de deliberação.015. VIII.2. A letra “e” está errada. A letra “g” está correta. 990 do CC/2002. 997.A resposta correta é a letra “e”. mesmo. já que o majoritário detém o poder de decisão na empresa.071 e 1. 1. pois a exclusão somente poderia atingir sócios minoritários. pois é possível a suplementação da lei pelo contrato social. de acordo com o art. A letra “a” está errada.039. por exemplo). conforme vimos. A letra “d” está errada em sua parte final. 997. inciso II. pois modificação tipológica seria o mesmo que a sociedade sofrer “transformação”. que exclui do benefício de ordem. 39. em combinação com o art. conforme a exegese do art. parágrafo único. 38. conforme a exegese do art. ou negligenciar em descobri-lo. com base no art. A letra “b” está errada. de acordo com o art. 1. parágrafo único.

pois.A letra “d”. parágrafo 4o. fusão e cisão entre sociedades. Ressalte-se que mercantil é a atividade própria de empresário. O seu patrimônio é que é agregado ao da incorporadora. mas que trouxe prejuízo à pessoa jurídica. Também não há necessária mudança do tipo social. 44. Pode ser um ato legítimo de gestão. só se os sócios quiserem fazer a transformação. não ficou claro. sabemos que a fusão é causa de extinção das sociedades fusionadas para criação de uma outra. 42.764/1971.055 do CC/2002. com base no art. 50 do CC/2002 ou o art. servindo como fundamento legal o art. a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. conforme a exegese do art. para fins de ser considerada empresária. 1. está errada. Quanto à letra “a”. inciso VII. 1. 41. 1.A letra “c” está correta. assim como a incorporação provoca o fim da personalidade jurídica da incorporada. com base no art. com base no art.404/76. Ora. o tema está relacionado às formas de modificação ou reaorganização societária. da Lei no 5. citado na letra “b”. Quanto ao patrimônio líquido da incorporadora. a questão estaria correta. A letra “b” está errada.A letra “d”.A letra “b” está correta. que reduzirá o patrimônio líquido da incorporadora. porque. quando a doutrina se refere à “sucessão empresarial”. Basta o patrimônio líquido da incorporada ser negativo. Ato danoso é o que traz dano à sociedade. . considerada correta. Portanto. A letra “c” está errada. sendo mercantil a atividade desenvolvida pela sociedade. nem o autor muito menos os demais administradores deverão responder por ele. A letra “d” está errada. se a sucessão referida pelos elaboradores tiver relação com o trespasse. encontra respaldo no art. sem necessariamente ser ilícito. Assim. 40.A letra “e” está correta. aí sim. conforme teor do art. 43. não se pode falar em manutenção da sociedade exercente da atividade. nem sempre acontece o seu aumento.342 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “a” está errada. mesmo. 28 do CDC ou. é merecedora de comentário. De outra forma. independe da forma como ela se organize. 1.052 do CC/2002. contudo. Não se liquida a sociedade. Isso. especificamente a incorporação. que é a alienação do estabelecimento. conforme citado na letra “a”. 159. estudada no Capítulo 4 desta obra. A letra “c” está errada. 4o.066 do CC/2002.061 do CC/2002. com base no art. a partir da extinção da incorporada. A letra “d” está errada. salvo numa cisão parcial. apesar de considerada correta. pois incorporação é um processo que visa à reorganização entre sociedades. 146 da Lei no 6. Sim.

A letra “c” está errada.133 do CC/2002. da mesma lei. com base no art. No caso de inadimplência do título.CAMPUS Comentário 343 Série Impetus Provas e Concursos 45. provoca a extinção das sociedades envolvidas. 228 da Lei no 6. combinado com o art. com base no mesmo art. A letra “b” está correta.A letra “a” está errada.A letra “a”.A letra “a” está errada porque a qualificação de empresa como atividade empresarial está relacionada ao perfil subjetivo. A letra “c” está errada. . 135 da Lei no 6. 1. A letra “d” está errada porque a presença na assembléia é facultativa. a mercadoria deverá ser alienada para pagamento ao seu titular. com base no art. com base no art. pois somente pessoas físicas podem compor o quadro social da sociedade em nome coletivo. inciso VIII. de forma taxativa. com base no art. A letra “b” está correta. com base no art. 986 do CC/2002.008. A letra “a” está errada. 1. 48. 1. com base no art. com base no art. 1. A letra “d” está correta. A letra “b” está errada. apesar de considerada verdadeira. não encontra respaldo na legislação específica. 993 do CC/2002. A letra “c” contém erro porque o warrant não serve à transferência da propriedade.A letra “b” está correta.A letra “a” está correta. A letra “d” está correta. A letra “b” está errada porque o emitente do título (armazém geral) necessariamente fez um contrato de depósito com o primeiro beneficiário (depositante). inciso VII. CAPÍTULO 3 1-e) Enquanto o conhecimento de depósito representa a propriedade sobre as mercadorias depositadas. o titular do warrant tem um direito real sobre elas. A letra “c” está errada. pela qual comerciante era aquele que praticasse certos atos previstos em lei ou em antigo regulamento. com base no art. ambos do CC/2002. 47.039 do CC/2002. do CC/2002.404/1976. prevista no art. incisos I e VII. enquanto o voto é restrito aos titulares de ações com esse direito. com base no art. pois somente compõem o estabelecimento empresarial os bens diretamente utilizados no objeto social. pois não poderiam contratar sociedade entre eles. 977 do CC/2002.142 do CC/2002.094.404/1976. com base no art. 46. pois a fusão. 49. A letra “b” está correta. 122. 1. 977do CC/2002. 132 da mesma lei. 997. 2-a) A expressão numerus clausus empregada significa estarem as espécies de títulos de crédito todas previstas no ordenamento jurídico brasileiro. O perfil objetivo é aplicado na Teoria dos Atos de Comércio. com base no art.

taxando de nulo o endosso parcial. Está correta a assertiva.663/66. se vir a endossar o título. A letra “d” está errada porque a anuência do endossante já é concedida quando é feito o endosso-mandato. 2 – documentação comprobatória da entrega dos produtos (conhecimento de frete. 3-a) O sacado de uma letra não está obrigado a aceitá-la. conta-se a partir dos trinta ou sessenta dias (prazo de apresentação). observem três requisitos à execução: 1 – protesto por falta de aceite. ou não. no caso de cheque. só então. 10-a) V – O aval é ato unilateral porque independe da concordância expressa do avalizado. 4-c) É hipótese de exceção. A letra “b” tenta confundir. A letra “c” está errada porque. ordem. 8-d) A declaração aqui referida é o aceite. poder atingir o outro. b) F – O benefício de ordem significa cobrar-se primeiro do beneficiário. no aval. Seu silêncio já indica a recusa. Aqueles títulos constantes das letras “a”. o fato de a nota estar avalizada. é irrelevante. só poderá fazê-lo como procurador do proprietário. apenas com efeitos de uma cessão civil de crédito. onde o protesto é feito por indicação indicação. só que o título permanece transmissível. 26 do Decreto no 57. sem precisar comunicar aos demais. na utilização do princípio da solidariedade. por exemplo. recibos etc. Isso só vale para a fiança. conforme seja o documento da praça ou não. o aceite pode ser parcial. para. pode ser utilizada pelo seu credor para garantia de outra obrigação (endosso-caução). não precisando de nova declaração a esse respeito. pois os títulos legitimam seus proprietários no direito creditício neles contido. 3 – que não tenha havido recusa com fundamento no art. mesmo que reconhecidamente seja devedor. No caso de duplicatas sem aceite. A letra “d” contém erro. 8o da LD. 6-e) In casu.). seu titular pode cobrar o título de qualquer coobrigado indistintamente. o avalista pode ser demandado independentemente do avalizado. porque. O que faz diferença realmente é a cláusula não à ordem que proíbe novo endosso. apenas detém a atribuição para sua cobrança. Por conseqüência. 7-b) O termo executar significa ser alvo de uma ação de cobrança.344 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “b” está errada porque uma nota promissória emitida para saldar uma dívida de “A” para com “B”. lastreado no art. 9-a) É hipótese de endosso-mandato. “b” e “c” não exigem o aceite. . A letra “b” está errada pelo fato de as obrigações de um título serem autônomas. Quanto à letra “d”. 5-d) A expressão a quo significa de início e. pelo qual o portador não é proprietário.

como. A questão não está errada . d) F – Já vimos que o próprio decreto prevê a possibilidade de aceite parcial. basta não conter não à ordem para estar presente a primeira. b) V – Embora tenha sido considerada correta. 8o da LD. diante de terceiros. c) F – Neste caso. 12-a) F – Neste caso. por exemplo. 12 do Decreto no 57. seria a literalidade. e) V – O fato de haver contrato de fiança não impede a existência do aval. que entraram na relação via endosso. 15 do Decreto no 57. b) V – O princípio da autonomia significa que as obrigações oriundas de um título são independentes entre si. e) V – A cláusula à ordem pode ser tácita. Sobre o termo endosso impróprio a doutrina classifica-os impróprio. por depender de uma prévia operação de compra e venda mercantil ou prestação de serviços. alegando questão sua com outrem.663/66. não poderia ser contratual o aval (a fiança é contrato). Por ele. o devedor pode alegar. 13-a) F – Não se permite ao devedor impor uma defesa contra terceiros (credor). . que um cheque do qual é cobrado não obedece a um dos requisitos previstos em lei. d) V – Assim como o cheque. É o subprincípio da inoponibilidade das exceções pessoais. c) V – Quem emite uma nota promete pagar certa importância a alguém.663/66 responde à questão. d) V – Respondem à questão os arts. razão para dispensar-se o aceite. o nome cheque constante do documento. e) F – O defeito de forma não tem nada a ver com o princípio da autonomia.663/66.CAMPUS Comentário 345 Série Impetus Provas e Concursos c) F – Sendo ato unilateral. o devedor de um título não pode negar o pagamento a terceiro. o complemento à alternativa seria a ausência de aceite com fundamento no art. seria cartularidade. as notas promissórias já são emitidas pelo próprio devedor. b) V – Serve à fundamentação o art. c) F – Em decorrência do princípio da autonomia das relações cambiais. cheque. 11-a) F – A cláusula não à ordem impede a transferência via endosso. titular do direito creditício. b) V – Não só de E e de F como também de B e de A. c) V – A primeira parte do art. ou seja. porque a contagem dá-se a partir do fim do prazo de apresentação. não-abstrato. d) V – Valem comentários anteriores. 18 (endosso-mandato) e 19 (endosso-caução) do Decreto no 57. Sob essa ótica. como aqueles que fogem ao padrão convencional. 14-a) F – Errado. porque seus termos não excluem a possibilidade da cobrança contra os dois primeiros. enquanto que o emitente de uma letra dá a ordem ao sacado para que este pague. d) F – A duplicata é título causal. alegando defeito na relação sua com aquele com quem transacionou.

no sentido de um coobrigado só poder exercer seu direito regresso. e) F – A segunda parte da alternativa contém erro porque o titular da letra é livre para endossá-la a quem bem quiser. com base no art.346 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel e) V – Responde à questão o art. b) V – É o endosso próprio. se colocada por um endossante. 17-a) Os emitentes desses títulos são seus devedores principais e.595/66. 25 do Decreto no 57. Como tal. Quando posta na origem. Reparem que prevaleceu não o texto literal da lei. mesmo constando do art. d) V – Vale o aval parcial. posta uma condição. 1o.663/66. 18-a) V – Responde à questão o art. b) F – O princípio da autonomia prevê justamente o contrário. 23 da LD. o n 57. produzindo todos os efeitos cambiários do endosso.663/66 responde à questão. item 3. c) F – O endosso parcial é nulo. 15-a) A questão trata da cláusula sem garantia que. 1o do Decreto no 57.663. nessa qualidade. 20-c) Embora tenha sido considerada correta. d) V – A isso chama-se aceite por intervenção previsto no art. Contudo. de regresso em caso de pagamento do título. salvo cláusula em contrário. nas hipóteses de perda ou extravio da duplicata. nas hipóteses de perda ou extravio da duplicata. e) F – Esse princípio é geral para todos os títulos de crédito. 21-d) A alternativa foi considerada correta. do Decreto no 57. exime este de responsabilizar-se pelo pagamento. A letra “e” está errada porque a letra pode ser exigida de qualquer um que se obrigue no título. não importando se é o próprio sacado ou não. Quanto à letra “e”. não importando se o avalista já faz parte da cadeia de endosso. ou prestador de serviços. 56 do Decreto intervenção. Porém. 19-b) A cláusula à ordem pode ser expressa ou tácita. mas a interpretação doutrinária. . prevalece a anterioridade. para cobrá-los dos coobrigados. dispensa-se o protesto para efetivação da cobrança. é transferível por meio de endosso. daqueles cuja vinculação aconteceu em momento anterior à sua. na obrigação dos devedores solidários de uma cadeia de endossos. considera-se não-escrita. 16-a) V – Trata-se do princípio da cartularidade. Neste último caso. normalmente se exige o protesto. aproveita todos eles. basta não vir a cláusula não à ordem para o título ser considerado à ordem. 23 da LD a obrigatoriedade de emissão da triplicata. c) V – O art. a emissão da triplicata deve ser entendida como uma faculdade do vendedor. pelo qual só se exime o endossante da responsabilidade pelo pagamento com a cláusula sem garantia garantia.

caput. 5-b) Embora sem a melhor redação. 22 do Dec. para fins de liberação das coisas. Portanto. é igual a trinta. a alternativa está correta. A rigor. considerada errada pelo gabarito oficial. salvo direitos do titular do warrant. embora condicionada ao pagamento do warrant. pois. por não admitir aceite. desde que se consigne no próprio armazém a dívida constante do warrant. CAPÍTULO 4 1-e) O art. é gênero do qual são espécies a impontualidade (art. § 2o. fez-se a opção pelo texto legal da Lei de Falências. 43. 1o da LF) e os atos de falência (art.A letra “a” está errada. seu sentido é mais abrangente.474/68. a insolvabilidade. Quanto ao termo comerciante. 23. Atualmente. no 1. 18.CAMPUS Comentário 347 Série Impetus Provas e Concursos 22-c) Embora tenha sido considerada a alternativa correta. que os empresários que adotarem a nota fiscal fatura ficam obrigados à emissão deste documento em todas as operações de venda mercantil. Lembro. pois inclui empresários e sociedades empresárias. do mesmo decreto. Logo. para os obrigados à expedição deste documento. conforme o teor do art. na minha opinião não contém vício. da Lei de Falências responde à questão. A letra “c” foi anulada porque conteve erro conceitual. sejam a prazo ou à vista. Ora. pois a emissão da duplicata é facultativa e é precedida da fatura. pois a duplicata não permite tais formas de vencimentos. 2-d) É a chamada ineficacização de certos atos praticados em período suspeito.102/1903 permite a retirada da mercadoria do armazém geral apenas com o conhecimento de depósito. . não se pode falar em vencimento a certo termo de vista para as notas promissórias. trinta não é menor. ou da nota fiscal fatura. quando especificou que tanto as letras de câmbio como as notas promissórias poderiam ter vencimentos a certo termo de data e a certo termo de vista. uma venda com vencimento para trinta dias enquadra-se na obrigatoriedade da fatura. 1o da Lei no 5. 3-c) O período de prescrição volta a contar depois de encerrado o processo. Já a letra “b”. De outra forma. 2o da LF). A letra “b” está errada. pois. contudo. pelo disposto no art. ou insolvência. observo que o teor do art. Isto significa transferência do domínio. a transferência do conhecimento de depósito confere a faculdade de dispor das mercadorias nele constantes. ou seja. a parte final do enunciado parece-me correta. 4-d) Valem comentários anteriores. não vejo a necessidade de o warrant estar ligado ao conhecimento de depósito. a exigência de emissão obrigatória da fatura é para vendas com prazo não-inferior a trinta dias (vinte e nove dias para baixo não seria obrigatória a emissão).

inciso II. com fundamento no art. pelo fato de ser possível a conversão da liquidação em falência. pois a responsabilidade dos administradores independe de prova da omissão. com base no art. com base no art.Essa é uma questão cuja resolução torna-se difícil.A alternativa correta é a letra “e”. 10. 12. senão vejamos: a eventualidade na impontualidade não impede a falência.A resposta correta é a letra “d”. da Lei no 11. já que este é largamente usado na doutrina. da Lei no 6. apesar de não conterem erro. por coadunar-se perfeitamente com o escopo do procedimento. da Lei no 11. não se submetem a tal restrição. Em todo caso. A primeira. 59. com base no art. não são as mais verdadeiras. combinado com o art. 19. Sobre as demais respostas. As letras “a” e “c” estão erradas porque os controladores. 52 da LF Esse dispositivo . 36 da Lei no 6. embora responsáveis solidários. 53 do mesmo diploma. 40 da LF . deve ser assinalada essa.101/2005. Contudo. pois existe ordem de classificação de créditos. 7-b) A alternativa está correta. a outra devido. prevê a revocação dos atos independentemente de terem sido cometidos com fraude. entendo não haver dúvida quanto à incorreção das letras “d” e “e”. como sabemos. com base no art. 11. parágrafo 2o.024/76. pois basta um único título em atraso para declaração da falência. alínea d. uma vez que provoca encerramento das atividades sociais. 13) A letra “a” está errada. para serem considerados ineficazes. devido ao alto grau de subjetividade contido. bastando ver teor do art. A letra “d” está errada. 1o da Lei no 6. 9. Com relação às letras “b” e “c”.024/74. não encontro erro.348 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Quanto à alternativa “d”. assim como na falência. 40 da Lei no 6. 51. a alternativa mais correta é a letra “a”.101/2005. pois o procedimento de liquidação extrajudicial não objetiva o soerguimento do sujeito passivo. A letra “e” está errada.A resposta correta é a letra “a”. É claro que. a solidariedade foi estendida aos controladores da sociedade. 6-b) A alternativa está correta. 8. basta terem sido praticados no período suspeito. A letra “b” está errada em sua parte final.024/74. com fundamento no art. logo que assumir o cargo.024/76. Alerto que “balanço especial saneado” nada mais é do que aquele levantado pelo liquidante. A letra “b” está correta. .A alternativa correta é a letra “c”. ao fato de que tal igualdade também é garantida pela falência. na inexistência de alternativa mais completa. A utilização do termo empresário também está correta. podendo ser enquadrada no art.

em nome do arrendador. basta o arrendatário não optar pela compra. a devolução do bem. apesar de formal. ao invés de propriedade direta. 3-a) O contrato de leasing possui natureza complexa. ao mesmo tempo em que concorde em purgar a mora. 4o da Lei no 8. Se. numa proposta unilateral de venda. 4-a) Trata-se de contrato consensual e informal. 6-b) Responde à questão o art. deve ser considerada a alternativa mais verdadeira. A letra “b” está errada. pois logo que comprador e vendedor acordarem no preço e nas condições. a letra “e” está errada porque a venda também pode ser feita por propostas. Por negócio atípico entenda-se aquele que não tem previsão em lei. a promessa unilateral não é do comprador. 7-d) A alternativa está correta. o que tornaria correta a sua primeira parte. o contrato já estará constituído. 5-c) Valem os mesmos comentários da questão anterior. um mandato porque. salvo cláusula contratual nesse sentido. Entretanto. consideram como uma quarta característica desse contrato o financiamento. às vezes. mas de cessão de crédito. é o próprio arrendatário que intermedeia. o contrato reputação é realizado. como acontece com a faturização. a escolha do bem. na medida em que o arrendatário paga o preço de uso. pois o arrendador é obrigado a disponibilizar o bem à venda para o arrendatário.CAMPUS Comentário 349 Série Impetus Provas e Concursos CAPÍTULO 5 1-d) A anulação dessa questão deveu-se a erro de nomenclatura presente na alternativa considerada correta. e desde que coloquem isso no instrumento. Contudo. para descaracterizar financiamento. mesmo ainda não havendo a entrega da coisa. Quanto à letra “b”. porque basta a simples mora do devedor para dar ensejo à busca e apreensão que só não será eficaz se o devedor já tiver pago 40% do débito. Quanto à letra “b”. tivesse posse direta a proposição estaria correta. 2-d) É a alienação fiduciária contrato solene exigindo-se formalidades inconcebíveis solene. Quanto à letra “a”. é mais simples adquirir crédito numa faturizadora do que em um banco. O mesmo não pode ser dito para concordata. Sobre a letra “a”. e. não se trata de venda. de fato. direta. Com relação à letra “d”. há autores que. posto traduzir-se numa locação. quando nem sempre isso ocorre. independente de instrumento. em muitos casos. A letra “c” contém erro ao inserir sempre o financiamento de bens. Significa afirmar que. . mas do vendedor.955/94. a falência do devedor é motivo para pleitear-se. para outras espécies. logo que as partes acordarem no preço e nas condições. via pedido de restituição. como constante na questão. Por fim. o contrato de leasing é consensual.

350 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8-a) A alternativa está correta. . está perfeito e acabado a partir do acordo de vontades. como tal. pois é consensual e. Logo. Contudo. Sem efeito não é o mesmo que anulado ou revogado. vale observar o teor do art. 483 do CC/2002. o contrato continua íntegro. na hipótese de a coisa futura vir a não existir. prevendo que o contrato ficará “sem efeito”.

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729/1979 e Lei no 8. Legislação sobre Duplicata (Lei no 5. Lei no 5.620/1993) Lei no 8. Lei no 9. de 31/12/1908. Código de Defesa do Consumidor (Lei no 8. Legislação Previdenciária (Leis nos 8. Código da Propriedade Industrial (Lei no 9. Lei no 8. Registro Público do Comércio (Lei no 8.884/1994.420/1992).656/1998.102. de 21/11/1903). que define a política nacional de cooperativismo.172/1966). Lei das Sociedades Anônimas (Lei no 6. Lei no 6. e Decreto no 57. atualizada pela Lei no 10. Lei no 8.886/1965 e Lei no 8. Legislação sobre o Cheque (Lei no 7. e Decreto no 1. que tratam sobre a liquidação extrajudicial de instituições financeiras.800.132/1990). que define crimes contra a ordem tributária. Código Tributário Nacional (Lei no 5. Lei Federal no 6. de 24/01/1966).132/1983). Decreto-lei no 2. de 7/01/1966). de 18/11/1994. de 1o/01/1916). Legislação sobre contratos de representação comercial (Lei no 4. que disciplina o contrato de franquia mercantil.447/97. Legislação das Micro e Pequenas Empresas (Lei no 9.078/1990). de 25 /06/1850). Legislação sobre os contratos de arrendamento mercantil (Lei no 6. que dispõe sobre planos e seguros privados de assistência à saúde. Código Civil Brasileiro (Lei no 3. de 11/01/1973).841/99 e Decreto no 3.279/1996). Legislação sobre contratos de concessão comercial (Lei no 6. Letra de Câmbio e Nota Promissória (Decreto no 2.137/1990.474/2000) Legislação do Inquilinato (Lei no 8.024/76. de 31/10/2001). Código Comercial Brasileiro (Lei no 556.352 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel NORMATIV TIVAS FONTES NORMATIVAS Constituição Federal de 1998.044.357.869. de 10/01/2002).321/87 e Lei Federal no 9. de 30/01/1996).406. de 18/07/1968).514/1997 e Decreto-lei no 911/1969).934.764/1971. de 15/12/1976.474.099/1974 e Lei no 7. . que dispõe sobre o mercado de valores mobiliários. Legislação sobre Contrato de Alienação Fiduciária (Lei no 9. Código de Processo Civil Brasileiro (Lei no 5.101.404. de 09/02/2005).245/1991). que dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica.071.663. em combinação com o novo Código Civil (Lei no 10. Legislação Falimentar (Lei Federal no 11. e Decreto no 57. Legislação sobre o Conhecimento de Depósito e Warrant (Decreto n o 1.955/1994.385/1976. de 2/09/1985.303.595.

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