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© 2006, Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei no 9.610, de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. Editoração Eletrônica SBNIGRI Artes e Textos Ltda. Revisão Gráfica Tânia Gonçalves Coordenador da Série Sylvio Motta Projeto Gráfico Elsevier Editora Ltda. A Qualidade da Informação Rua Sete de Setembro, 111 — 16o andar 20050-006 — Rio de Janeiro — RJ — Brasil Telefone: (21) 3970-9300 Fax (21) 2507-1991 E-mail: info@elsevier.com.br Escritório São Paulo Rua Quintana, 753 – 8o andar 04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP Telefone: (11) 5105-8555 ISBN 13: 978-85-352-1985-2 ISBN 10: 85-352-1985-4 Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação, impressão ou dúvida conceitual. Em qualquer das hipóteses, solicitamos a comunicação à nossa Central de Atendimento, para que possamos esclarecer ou encaminhar a questão. Nem a editora nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas a pessoas ou bens, originados do uso desta publicação. Central de atendimento Tel: 0800-265340 Rua Sete de Setembro, 111, 16o andar – Centro – Rio de Janeiro e-mail: info@elsevier.com.br site: www.campus.com.br

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ _________________________________________________________________________ P698d Pimentel, Carlos Barbosa Direito Comercial: teoria e questões comentadas / Carlos 5. ed. Barbosa Pimentel — 5. ed. — Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. 376p. — (Impetus provas e concursos) Inclui bibliografia ISBN: 85-352-1985-4 1. Direito comercial. 2. Direito comercial – Problemas, questões, exercícios. 3. Serviço público – Brasil – Concursos. I. Título. II. Série. CDU — 347.7(81) 05-3692. _________________________________________________________________________

Dedicatórias

Aos meus pais, que me ensinaram a importância do conhecimento; à Patrícia, minha esposa, pelo estímulo e compreensão; aos meus filhos, Carlinhos e Clarinha, que inundaram minha alma de felicidade; ao meu sobrinho, Victor, que sempre esteve presente em minha vida; aos amigos sinceros, pelo apoio e ajuda na realização deste trabalho.

Nota do Autor

A disciplina a que nos propomos estudar tem como característica a variedade de normas regulamentadoras. São muitas leis e decretos, todos tendentes a estabelecer regras a respeito de Empresários, Empresas, Registro Público de Empresas, Livros Empresariais, Títulos de Crédito, Falência, Concordata, Contratos Mercantis, entre outros temas ligados ao Direito Comercial. Quando a finalidade do estudo é a participação e a aprovação em concursos públicos, devemos estar atentos para o melhor aproveitamento possível do tempo disponível, sem desperdiçá-lo na leitura de assuntos que não se referem diretamente aos programas. Geralmente, o aluno iniciante depara-se com certa dificuldade, absolutamente compreensível, devido à diversidade própria da matéria. Ciente da importância de maximizar o aprendizado, face à extensão dos tópicos constantes nos editais, que não são poucos, procurei reunir numa única obra os objetos do Direito Comercial mais requeridos nos competitórios, já aproveitando as novidades introduzidas pelo Código Civil de 2002, sobretudo no que se refere ao Direito de Empresa e Empresários. Este trabalho, portanto, desenvolvido tanto a partir da observação de questões presentes em concursos realizados pelas mais conceituadas instituições do gênero no país, como da leitura de importantes autores, a exemplo de Fábio Ulhoa Coelho, Fran Martins e Rubens Requião, entre outros, tem a finalidade de ajudar o candidato, na medida em que ele terá a oportunidade de apreciar os principais pontos da matéria, ao mesmo tempo em que disporá de cerca de oitenta quesitos comentados (todos extraídos de concursos). Com a pretensão de estar colaborando na busca pelo objetivo dos aspirantes a um cargo público, lembro que todo propósito a ser conseguido, por mais difícil que possa ser, necessita da conjunção de três fatores: a vontade de conquistá-lo, a persistência do agente e a organização de suas ações. Carlos Barbosa Pimentel carlospimentel@tce.pe.gov.br

não pode utilizar seu precioso tempo na leitura de ensinamentos que. Fran Martins. ao mesmo tempo. a partir desta edição. como os que venho observando nos últimos anos. pois o candidato que se prepara para enfrentar processos seletivos com tamanho grau de dificuldade. aproveitei para inserir novos conceitos. busquei reunir conceitos e avaliações de renomados mestres (cito Rubens Requião. Entrementes. Técnico do Banco Central etc. sob uma visão finalística da matéria. Seu estudo proporcionará ao leitor um substrato importante. dentre outros). O outro tema acrescentado. a persistência de quem parece disposto a atingir uma meta. cuja iniciativa nasceu da observação das grades curriculares de algumas universidades. a exemplo do Auditor Fiscal da Previdência Social. Lembrem-se! A conquista de um sonho necessita de três fatores: o primeiro é o desejo de alcançá-lo. este é contemplado em programas de vários editais de concursos públicos. depois. Para não me afastar da própria concepção objetiva da obra. a exemplo do item específico tratando das sociedades simples. novas matérias. liquidação extrajudicial e administração especial temporária nas instituições financeiras e assemelhadas. Nota à 3a edição Feliz por ter nova oportunidade de enriquecer este trabalho com cada vez mais matérias de Direito Comercial. O primeiro. enfocando-os com clareza e precisão. Diferente do primeiro. embora válidos. portanto. deverá ser constantemente revisto e atualizado. apesar da vontade de enriquecer o livro com cada vez mais temas relacionados à disciplina. não trarão proveito prático.Nota à 2a edição A segunda edição dessa obra mantém a opção por um estudo objetivo. no sentido de debutar no conhecimento da ciência jurídico-comercial. com a evolução histórica do Direito Comercial até seu surgimento no Brasil. é preciso organizar as ações que permearão o caminho. Para que um trabalho dessa natureza atinja o fim a que se propõe. é conhecido por “Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras”. que é o de oferecer. e envolve a participação do Banco Central do Brasil na intervenção. um material didático abrangente dos assuntos requeridos nas provas. um ótimo aproveitamento e que o esforço de meu trabalho seja útil à realização dos objetivos de cada um. muitas vezes longo. Por isso. procurando enfocar os principais temas ligados ao Direito Comercial sob a ótica de quem pretende enfrentar e vencer o desafio da aprovação em concursos públicos. Desejo aos leitores. aproveito para inserir dois importantes temas relacionados à disciplina. que nasce dentro de cada um de nós. remonta às origens do comércio. . não posso esquecer o objetivo inicial a que me propus. Auditor Fiscal da Receita Federal. até mesmo. questões aplicadas em certames realizados mais recentemente. Waldirio Bulgarelli. por fim. e. quando o desânimo e o pessimismo devem ser afastados.

com seus detalhes mais importantes reunidos de maneira didática. pois não trazia instrumentos para propiciar a recuperação de pessoas jurídicas que atravessassem crises momentâneas em seu fluxo de caixa. A falência.661. foi mantida. aqui entendidos pessoas físicas ou jurídicas. .Nota à 4a edição O Direito é uma disciplina dinâmica. mas com alterações. Trata-se da recuperação judicial e extrajudicial. Se a antiga legislação. que poderia ser intitulada como a "Lei de Recuperação e Falências das Empresas e dos Empresários". é um exemplo de como o sistema jurídico de um país deve acompanhar as mutações em seu panorama econômico.101/2005. imprescindível era uma norma moderna. A Nova Lei de Falências. essa nova ordem. da forma como era apresentada no antigo decreto. já não contribuía com a impulsão da atividade econômica. de 1945. representada pelo Decreto-lei no 7. adaptável ao dinamismo da própria sociedade. que também conta com os demais capítulos já apresentados em edições passadas. procurando sempre tornar a leitura o mais prazerosa possível ao leitor. constituise no grande atrativo a essa 4a edição. nas quais devedor e credores têm a chance de resolver seus conflitos através de um plano de recuperação proposto pelo devedor e levado a juízo. publicada em 09 de fevereiro próximo passado. Essa busca dos grupos sociais por mudanças leva à necessidade de constantes conciliações entre os anseios do povo e as normas jurídicas aplicáveis. mais conhecida como a "Nova Lei de Falências". Foi com base nessas premissas que surgiu a Lei Federal no 11. com graves conseqüências econômicas e sociais à nação. Isso porque trouxe novas formas de processamento para a recuperação dos empresários. Pois bem. sempre perseguidora do progresso e do bem-estar social. capaz de possibilitar o soerguimento de empresas invariavelmente fadadas à extinção.

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O Professor Carlos Barbosa consegue dispor. permeando sua narrativa de advertências oportunas para aquele que se prepara para enfrentar uma banca examinadora exigente. E isso tem ocorrido. graças a dois fatores primordiais: a excelência dos professores signatários das obras que a compõem e o rígido controle de qualidade da Editora. Sempre foi objetivo desta Série propiciar ao candidato instrumentos eficazes para o seu êxito no certame público. para facilitar a fixação do conteúdo explanado. Sylvio Motta . de forma didática e agradável. Pois bem. E é atestando a qualidade da obra que a Editora Campus/Elsevier tem o prazer de colocá-la em suas mãos. esta empreitada ainda dispõe de inúmeras questões de prova. agradecendo a confiança e fazendo de tudo para continuar a merecê-la. Atualizada pelo novo Código Civil. o Direito Comercial.Palavras da Coordenação A Série Impetus Provas e Concursos tem se consagrado junto ao seu fiel público leitor. em razão da excepcional qualidade das obras que apresenta. com essa obra não é diferente.

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....... Características do Direito Comercial ................. Conceito ...................1...................... 15 9.............. 4 3.................... Prepostos do Empresário .4............... 2 3.. 1 1...... 5 4.......... 14 9...2............ 7 6........ Continuação da Empresa por Incapaz ......3.... Classificação ..... Organização .... 21 11..............2.............. Surgimento do Direito Comercial .... Conceito ......................................................... 13 9.... 10 7........... 17 9........................................4..3......................... Fontes do Direito Comercial .1........... Atividade Econômica ...... 20 11. 6 5...................... Os Impedidos .........................5.......... Autonomia do Direito Comercial ............................ Livros Empresariais ............................................................ 3 3............................................ 17 9..................................... Profissionalismo .... 14 9..... Os Romanos .. 2 3........ Os Estados Nacionais ......... 14 9.......... Empresário ..2...2........................................................1................................. 3 3.... 18 10....... Império da Babilônia .......................................Sumário CAPÍTULO 1 NOÇÕES GERAIS ............................... Conceitos de Direito Comercial .................................................................... 13 9. 11 8........................................ O Empresário Rural e o de Pequeno Porte .... Idade Média .............5................................................ Evolução Histórica do Direito Comercial . 14 9..2............2............................... O Histórico do Direito Comercial no Brasil ..............4..................................................................................... 1 2....................3..............1........... 12 9............................................ 3 3................... Os Fenícios .................................. Requisitos ............... 21 11................................. 22 .........................................2........................... Capacidade ....2.......... Origem do Comércio ................

.......4...............................................................2........ 31 13...............................1.....1....... Da Extinção da Patente ... Inatividade do Registro .................... 23 11...................... Utilização por quem de Direito ...........2.. 48 15.................2.............. 47 15........2.....2...................... Exibição dos Livros Empresariais ............. 30 13...... Disposições Preliminares .. 35 14................................... Eficácia do Registro .................. 51 .... 51 15................ Da Patente de Interesse da Defesa Nacional .......2. Da Vigência e da Proteção Conferida pela Patente ..............2... Da Realização por Empregado ou Prestador de Serviço ... Disposições Preliminares .. 33 13.................. 50 15....6.. Invenção e Modelo de Utilidade ............... 35 14.............................. 50 15....... 27 12.......... Proteção .....................4... Patentes ........................... 38 14........7.................. Formalidades ......3......... 15. Do Pedido e Concessão da Patente ............................. Registro .. Alienação ................ Conceito ......5......3..........5..................4...3..3....... 41 Direitos de Propriedade Industrial . 25 12.................. 32 13....... Princípios ....... Natureza Jurídica .................. Registrabilidade do Desenho Industrial ..................7... 27 12................................................................................... Atos de Registro .......................2.........2.......................................................................... 42 15......2............... 44 15............................................ 43 15........... 11.....1...................... 40 14................ Da Nulidade da Patente ...2.......... 50 15............... 29 Estabelecimento Empresarial ................ 13............ 38 14............... Formação ................ 14................... 29 13...... 45 15.... 36 14.......2................ 28 12...2.....1...................................3.... Composição ... 29 13... Conceito .................................. O Título do Estabelecimento ..................... Função ......5.. 25 12............ Força Probante ........... Das Licenças .......................... 24 Registro Público de Empresas .....1...........2............................................................. 34 Nome Empresarial ..2.........3................. 48 15................. 42 15..........6.....5...............12.........................3....................... Modelo Organizacional do Registro ....2....... O Ponto Empresarial .. 39 14.................................... 24 11..................................... Alienação .............1..................................................4...8.............4......................................1..

.......6.........2............. Da Nulidade do Registro ...................... Repressão às Infrações Contra a Ordem Econômica ................... Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro ..... Da Publicidade .... 77 15.......................4.............1....................................... Extinção do Registro .................... Da Proteção Contratual .. 62 16.....................................................6..... Dos Direitos Básicos do Consumidor ......3... Concorrência Desleal .................. 65 17.................... Disposições Preliminares ...... 61 16.................7.. 72 17.... Fornecedor ..................5.3.. 73 17................ Do Pedido e da Concessão do Registro .......... 53 15...1......4...............................8......................5......... 57 15...... Registro de Marcas ............. 60 16.... Da Responsabilidade por Vício do Produto ou do Serviço ................5.............................. ..................................................2.... Repressão aos Crimes Contra a Ordem Econômica ..... 53 15....1......1..........1..... 60 16................................2.................4..............................2........... 53 15................ 55 15.. Das Responsabilidades ....................... 63 17...... 64 17.......... 67 17...... Disposições Preliminares .. 63 17.4. Das Infrações e das Penas .5.....5.. 58 15....... Da Decadência e da Prescrição . Indicações Geográficas .... Meios de Proteção à Ordem Econômica ....3....5........3..5. 63 17... 52 15.............. 68 17........2............................3. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE ............. 57 15............. Direitos do Consumidor ... 61 16......... 54 15.. Consumidor ........................1...3..... 54 15.............4.. Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro ...........1....3............ Da Nulidade do Registro ........2......... 75 Exercícios .......Do Pedido e da Concessão do Registro de Desenho Industrial ....... 63 17...... Da Extinção do Registro ........................ Da Intervenção Judicial .......3...................................4...............1. Da Responsabilidade pelo Fato do Produto ou do Serviço ...4........................................ 58 16............. 60 16... 56 15........ Disposições Preliminares .... Da Desconsideração da Personalidade Jurídica ...... 74 17.......4....4.3.......1..4................ 67 17........

.................................. Cessão de Quota Social .... 123 8....7................2.............................5.................. 87 1.....................1........................ 123 8..............................4. Constituição ........................ 116 7............ Regência .........1. 103 7.3.................................1.........1......................... Em Conta de Participação .. 104 7............... 87 1......... 105 7............ Formação do Capital Social .................1.. O Patrimônio das Sociedades ...1........4......1.......................... O Sócio Quotista ........ Tipos de Sociedades . Conceito . 88 1............ 129 8.. 100 7........................................................1...2.. 121 8...CAPÍTULO 2 DIREITO DE EMPRESA ...................4... Da Liquidação Extrajudicial ...........2.......3...1.. Administração ... 108 7..... 118 7....... 106 7.. Disposições Preliminares ...... 91 3.....4..................................................8......... 124 8..........1............ 123 8......................1.... Constituição das Sociedades ...1................. 94 5.................. Natureza .......... 128 8......4. 117 7..... Deveres dos Sócios ............2. Da Dissolução ... 124 8.............................4....... 123 8........ Sociedade Limitada ..... 89 2...... Sociedades Simples ...... 110 7.. Responsabilidade dos Sócios .....2.1................ 128 8.............. 97 6... Direitos dos Sócios ...............1............. Modificação das Sociedades ..................1... Constituição .. Sociedades Empresárias ..1...... 130 8...... Sociedades Simples .....................7......................................... 114 7.. Da Liquidação .......................1............ 119 7................ 113 7......2.......8....... Disposições Preliminares ........... Em Comandita por Ações ................ Personificação das Sociedades ........................... 125 8................................................ Da Resolução em Relação a um Sócio .................................... 132 ................................. O Nome ... 127 8.......1........3..... Responsabilidade dos Sócios .................................5....................... A Quota Social .1............... 103 7.. 93 4.. Conceito .4................................ 112 7...............8......................... 103 7...........4............... Em Nome Coletivo . Da Liquidação Judicial ........................ Classificação das Sociedades .2.........................2. Dissolução da Sociedade ..........3...1.....7..................1......................1................1.... Em Comandita Simples ..............6........3..... 111 7.........4...1........... 105 7.......................................... Deliberações Sociais ................

.. Ligações entre Sociedades .............. Sociedades Anônimas ..... Constituição ................................................ Sociedade Cooperativa ......... 173 12................3....11.3.............. Dissolução da Cooperativa ............ Deveres dos Acionistas ....... 188 ..............................11...... Ações ..........6..... Disposições Gerais ............................................................ Dividendos ..................1........... 157 9.. 136 9.......1.... 158 9..8... Administração da Limitada ...........................1....... 171 12...... Disposições Preliminares ............................ 168 10................ 175 14...................................................... 158 9................ Administração .... 165 10......7................... 176 Exercícios ............2............1...................11.... Liquidação e Extinção .......... 174 12...................... Regência ..................... Responsabilidade dos Sócios ......... Dividendos Prioritários .......................................................................................1..........8......... Órgãos da Limitada ....... 144 9..4......2......6.. 165 10.........................................4. 146 9...... Órgãos .....3..........................1...........11........6.......... 156 9.................... 162 9..... Disposições Preliminares ........................5......................................5................... 153 9.. 143 9.......5.......................4................... 169 10............ Sociedade Estrangeira ...8..8.......... Dissolução......... 162 9.......................................... Direitos dos Acionistas ................ 141 9...........................................8.........................8.3..........7........ 163 9. Sociedade entre Cônjuges ............ Classificação das Cooperativas ....... Partes Beneficiárias ........... 153 9...................... 174 13................. Demonstrações Financeiras ........ 156 9..... 145 9.11..........2................ Livros Sociais ....... 153 9. Constituição ......... Administração da Companhia ....................... Órgãos da Companhia ......... Valores Mobiliários .......... 163 10.......10.................3...... Sociedades de Economia Mista ................ 141 9...................................... 169 10.. Conceito ....................11. 159 9............8.... Sociedade Nacional ................. Bônus de Subscrição ................................2.... 134 8....5. 167 10.. Dividendos Obrigatórios ................. Sociedades Dependentes de Autorização ..9..................... 141 9............ 170 11...... 148 9.. Lucros............................... Reservas ...12.................... Características Principais ..2................. 173 12........................8............ 165 10...3........ Responsabilidades dos Acionistas ........ Debêntures ... 160 9.................................................. 159 9..2................................. Reservas e Dividendos ..........3............ 166 10..........

................................................. Conceito ........................ 216 9.... Vencimento .......................... Aceite .................5........4.................... Protesto ...6...............1........ Ação de Cobrança ............... 208 7...................................................................... Ação de Cobrança. 205 7. Vencimento e Pagamento .7......... Cheque .............. Ação de Cobrança .................... Aval ................................. Vencimento.. 204 6............ Conceito de Títulos de Crédito .... Disposições Preliminares ........................................ 208 7...............3........... Endosso ........................................8..........2......................................2...................................................... 217 9......... 220 ...... Legislação Aplicável ........................... 202 3.............3....11..........1..... Aval.......................9..... Protesto . Requisitos de Validade .10...................................................... Ressaque .............................. 216 9....... 213 7........ Requisitos de Validade ................4. 219 9..................... 213 7................................................ 212 7.................................. Legislação Aplicável ........ 215 8......... Figuras Intervenientes .................. Legislação Aplicável .............................................. Aceite ............. Aval ............................................ 216 9.. 214 8................ Conceito .............. Figuras Intervenientes ..........................5............................. 207 7................................................ 214 8................................................... 214 8.CAPÍTULO 3 DIREITO CAMBIÁRIO ............ 219 9..........................1............................7..... Pagamento .............................. Letra de Câmbio .. 201 2............4...9......6............... 207 7....2... Atributos dos Títulos de Crédito ........................... Endosso ............................................................... Endosso............................. 217 9............... Protesto .................................................................................. 215 8...... Aceite..................................12...8.... Pagamento......... Aval.. 211 7..................................... 202 5...... Requisitos de Validade ............... 218 9..........................................5............. Protesto ........................................................ 214 8............................................................ 219 9... Características Principais ..........6.......................... 207 7............................. 201 1......... Características dos Títulos de Crédito .................... 210 7........................ Aceite .. Nota Promissória ..........10... 209 7. 215 8................. Conceito ........................................... Figuras Intervenientes .....3.................... 216 9.... 216 9.............. 202 4......11........... 207 7................................. Endosso.... 218 9.......... Modo de Circulação ..

.............. 223 10......................7.............................................................................................................. 224 10........................ 241 Introdução .........................2.... 244 1.4........ 224 10... Legislação Aplicável ... 228 11. 226 11................................. 227 11.................................................... Sustação .....3.... Figuras Intervenientes .................. 226 11........... Protesto ........ Títulos de Crédito Rural ................5.... Duplicata ............. 221 10.......................... Aval .................. Conceito .................................................................. Falência ....................2.......... Conceito . Endosso ... Caracterização da Falência .......1...........................................................................9....... Ação de Cobrança ....................3................1..............3... Características Principais ......................... Requisitos de Validade . Vencimento .........7.........2............ Aval ...6.......................10................................... Aval ......................................................................................... 227 11.............................................................. 249 1............ Figuras Intervenientes ...................... Características Principais ..... 228 12....... Conceito .... Espécies . 228 12............................. 226 11..... 230 12........................... Protesto ... 228 12.................................. Sujeitos Ativos da Falência ............................... 223 10....... Protesto ........... 229 12................. Endosso ................................................................12....... 244 1.13................ 229 12............................... Endosso ................... 225 10...............1................ 221 9.. 222 10.................................. 230 Exercícios .............. 223 10............................................................2.............3.... 228 11............................................4... Aceite ........... 225 10................................................6......................8....... A Massa Falida .......................5......... Sujeitos Passivos da Falência................................. 225 10........................ Disposições Preliminares . 227 11.............. Legislação Aplicável ...................................... 223 10............................................................. 235 CAPÍTULO 4 DIREITO FALIMENTAR ............................ Conhecimento de Depósito e Warrant .........4..................7................ 230 12.... Requisitos de Validade ...................................................................................................6................5.......1....5............. 249 ................................................................... 248 1...............9..4.......11........ 241 1....................... 229 12.. 222 10............................ 245 1................................ Características Principais ...................... Legislação Aplicável .....

... 288 2.......9.............................1.. 1.. Caracterização da Recuperação Extrajudicial .. Órgãos da Recuperação Judicial ..... 284 2.........7..........................................5....................... 279 2............. 258 1... 275 2........................... Recuperação Extrajudicial .............2........4............. 287 2......6...............1............... Sujeito Ativo da Recuperação Judicial .................. 290 1....... 282 2..... Disposições Preliminares .....................6.. 280 2........................................... Quanto ao Negócio do Falido ......5..... Órgãos da Recuperação Extrajudicial ....5.......8.........4............. 279 2. 287 2.... 259 1.. Caracterização da Recuperação Judicial ......... 1..... Órgãos da Falência .................2...2....... O Processo de Recuperação Extrajudicial ... O Processo Falimentar ......10............. 278 2......1.................. Recuperação Judicial . 262 1..3....9... Sujeitos Passivos da Recuperação Extrajudicial ........... 282 2................. Quanto aos Bens do Falido ......9...... Sujeitos Passivos da Recuperação Judicial .....1.............1.....2.............. Efeitos Jurídicos da Recuperação Extrajudicial ............ 275 2..........2.... 266 1. 275 2.......2.. 255 Efeitos Jurídicos da Falência ....9. 1...2.. Sujeitos Ativos da Recuperação Extrajudicial .. Quanto aos Direitos dos Credores ................ 279 2... O Juízo da Recuperação Extrajudicial .....1...............2.........................6..... 278 2............1..2.... Quanto à Ineficácia e Revogação de Certos Atos ... Quanto aos Contratos do Falido ...8................... Disposições Preliminares .....................1.........1..............................7................... 253 Verificação e Classificação dos Créditos ........................1.9................................ 263 1..... O Juízo da Recuperação Judicial ......... 250 O Juízo da Falência . ........3...........2.1.... 258 1......9. 276 2.........4.................3......1..........2....... 268 Recuperação de Empresas ..

........3. O Processo de Recuperação Judicial ............... 294 2.4....... 298 3................. 303 3....2..3.......... .... 307 Exercícios ...3..2.....3....... Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras .................................. Conceito .6...... Quanto aos Contratos Celebrados pelo Devedor ......................... 309 2......... Efeitos da Intervenção ...............1............Verificação e Classificação dos Créditos ........... 301 3.....................2..............4.... 291 2..... 299 3.....3..........8......... 295 3..........5.....2................................. Sujeito Passivo ...... Causas ....................................9...............................3.... Intervenção ....... O Processo de Administração Especial Temporária ......... Quanto aos Bens do Devedor .. Administração Especial Temporária ......3..... Efeitos da Liquidação Extrajudicial ........... 301 3... Sujeito Ativo .8......1.... 292 2................. Causas ....... 299 3............................................2............ 300 3................. 302 3.... O Processo de Intervenção . 300 3................................. 307 3...................5.. 297 3............. Disposições Preliminares ..... Liquidação Extrajudicial ..........8...2... Quanto aos Direitos dos Credores .. 298 3. 295 2.....1.............1..4..... 297 3.................4.7...... 299 3.........3........................................... 303 3...2..2......8.................2.........2...4. Causas .......4.. Sujeito Passivo ..........2..............3.................2.... O Processo de Liquidação Extrajudicial ............................................... Conceito .............. Efeitos Jurídicos da Recuperação Judicial ......... 303 3.......2....3..... Conceito ..................7...3.........................2......6........... 293 2...8... Sujeito Ativo ...1....... 306 3................2........... Quanto ao Negócio do Devedor .... Responsabilidade dos Administradores .......2............... 306 3.................... 293 2............... 304 3..2.....3........4....... 305 3................2.

.....................CAPÍTULO 5 CONTRATOS ....................... Cartão de Crédito .................................. Efeitos da Celebração dos Contratos ............................................ Faturização ..........................................5......... 318 5........... 317 5............... 351 ..................3.. 326 .............................................1..... 323 5........ 317 5........................ Compra e Venda Mercantil .......... 322 5. Concessão Comercial ....................... Classificação dos Contratos . Constituição dos Contratos ........................ 320 5................................... Leasing ou Arrendamento Mercantil .........4....................... 329 GABARITO COMENTÁRIO .................... 315 4................................................ 321 5.......................................... 331 BIBLIOGRAFIA .........................6............................ 313 2....... 324 Exercícios ......................... Disposições Preliminares ..................................................................................8.................................................................. Espécies de Contratos .................... Alienação Fiduciária ................................................. 324 5...................................... Representação Comercial .......................... 313 1....... 314 3.............. 316 5.....2......... Franquia Mercantil ......................................................................................7..........

A moeda foi o fator determinante para o surgimento do comércio. surgiram os comerciantes conhecidos no início como mercadores comerciantes. Desde o início. identificados como aquelas pessoas que promoviam a intermediação dos bens entre o produtor e o consumidor.Capítulo Noções Gerais 1 1. Nessa seara. ao ato de comprar bens para posterior revenda. da pecuária ou do cultivo agrícola e vegetal. À atividade precípua do comerciante. logo esse modelo demonstrou-se ineficaz. excluídos seus custos. Contudo. da pesca. então. A diferença. Com o passar dos tempos e o natural crescimento dos grupos sociais. ou seja. para uma economia de escala voltada para a produção maciça de escala. subsistência. determinados bens. deu-se o nome de “atividade mercantil ou comercial”. pois nem sempre o grupo social detentor de gêneros desejados por outro estava interessado na aquisição do excesso produtivo daquele. ou da atividade mercantil. Origem do Comércio Nas sociedades primitivas. . quando elas tentavam suprir a carência na produção de certos artigos. Outros eram extraídos da natureza. ofertando aquilo que tinham em abundância. era a margem de lucro. mercadores. pois geralmente adquiriam produtos por um preço inferior. através da caça. para revendê-los com majoração no valor da compra. com uma parte devendo ser vendida a outros contingentes populacionais. seus componentes buscavam produzir os bens de que necessitavam. começou a haver uma permuta do excedente de produção entre as sociedades. mercantil uma vez que possibilitou a transição de uma economia de subsistência na qual o principal elo econômico entre os grupos sociais eram as trocas do excedente produzido. Tornou-se. tiveram por objetivo auferir lucro da profissão. imperiosa a criação de uma unidade comum de valor – a moeda – cobiçada por todos.

como era hábito. E foi desta forma que teve início a disciplina. fenícios. no sentido de criarem normas que regulassem a atividade comercial. Já num estágio evolutivo posterior. No entanto. não-comerciantes. ultrapassando. Evolução Histórica do Direito Comercial A Idade Média marcou o surgimento do Direito Comercial. como os fenícios que. em contraste com a forma esparsa de regras ou costumes até então praticados. o Direito Comercial passou a regular até mesmo atos praticados por pessoas comuns. os governantes perceberam que ali estava uma promissora fonte de renda e que deveriam agir para seu disciplinamento. por exemplo. fizeram dos usos e costumes comerciais da época verdadeiros diplomas do Direito Consuetudinário Consuetudinário. na Roma Antiga quando não existia regramento específico Antiga. E isso não havia ocorrido ainda. costumes. intensificaram o comércio marítimo entre a Ásia e as cidades costeiras do Mediterrâneo. a princípio restrita ao seio das corporações para. ou mercantil. sabemos que a qualificação como disciplina só é possível face a um conjunto sistematizado. é sempre onerosa. em seguida. pois pode acontecer de o preço de venda ser inferior ao de compra. No entanto. antes mesmo do nascimento de Cristo. conforme estudaremos no Capítulo 03. no apogeu de sua civilização. mas sim àquele outro ramo do Direito Privado. algumas até mesmo importadas do Direito Civil. diz-se que a atividade comercial. Tal providência normativa remonta a civilizações muito antigas. inclusive. 3. destinado ao Direito Comercial. além de outras fontes do Direito.2 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel É claro que nem sempre a equação funciona dessa forma. senão a partir da Média. . Por isso. criadas a partir do século XII justamente para proteger os exercentes da atividade mercantil. usos. o escopo da atividade sempre será o lucro. serem absorvidas pelo próprio Estado. quando um conjunto sistematizado de normas lastreadas nos usos e costumes dos mercadores nasceu no âmbito das corporações. as fronteiras das corporações e sendo recepcionados pelas Cidades. 2. títulos de crédito em geral. codificado ou não. Surgimento do Direito Comercial Com o fomento da atividade mercantil. Idade Média quando as corporações de mercadores. que envolve normas. a exemplo da emissão de um cheque ou de uma nota promissória assim como o aval ou o endosso nos promissória.

banqueiros. contratos de depósito.3. conforme veremos a seguir. o prejuízo seria repartido entre o proprietário do carregamento e o da embarcação. 3. Os Fenícios Esse povo intensificou sobremaneira o comércio dos tempos antigos. que era a faculdade que detinham os comandantes dos navios de se livrar da carga. estavam proibidos de exercer o comércio. povo de forte tradição guerreira. eles já haviam consagrado a prática do alijamento alijamento. com disposições sobre empréstimo a juro. símbolo do poder da época. por exemplo. praticaram o comércio. de sociedade e de comissão. C. a falência e os Antiga. detentora das maiores propriedades rurais. Algumas questões envolvendo a prática mercantil. iremos observar normas especiais a respeito do Direito Comercial. Nesta situação. princípio basilar da atividade comercial. a majoritária doutrina não considera o Código de Hamurábi um precursor dos códigos comerciais. eram resolvidas através do Direito Civil. assim como os senadores.083 a. é creditada a elaboração de um dos primeiros dizeres a respeito de matéria comercial. no entanto.1. muito menos se traduzir em um corpo sistematizado. povo que ocupou extensão territorial na Ásia e no Oriente Médio. Império da Babilônia Aos babilônios. A aristocracia romana considerava a prática do comércio uma atividade indigna de um cidadão romano. C. que merecesse ser chamado de Direito Comercial. contudo.. Essa atividade. tiveram origem na Roma Antiga como. que se desenvolveu entre a Ásia e as cidades costeiras do Mediterrâneo. Por volta do século X a. sempre marginalizados na sociedade. dentre outras. –. ou aos estrangeiros. Apesar de seu conteúdo. 3. Outras. Os Romanos Na Era Cristã. principalmente o marítimo. os romanos. estava destinada aos escravos. tendo em vista não conter dispositivos a respeito de compra e venda mercantil. em caso de perigo iminente. na história de vários povos. Também não há indícios de que os fenícios houvessem realizado qualquer obra sistematizada do Direito Comercial.2. Trata-se do Código de Hamurábi – inscrição em pedra datada do ano 2. Isso porque o Direito Romanístico condenava a usura usura. especialmente as referentes aos contratos e obrigações. A classe patrícia.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 3 Série Impetus Provas e Concursos Entretanto. . 3.

4. para onde se dirigiam clientes. a fragmentação do poder central. Veneza. Idade Média O Império Romano ruiu por volta do século V quando os árabes assumiram o . 3. sob a égide do Código Comercial de 1850. pois os muçulmanos bloquearam as vias de acesso ao comércio marítimo. na ausência do Estado. em contraposição aos senhores feudais. devido à pulverização do Estado. Sucedeu-se um período de profundas mudanças na sociedade européia. pois ainda faltava a sistematização da matéria. a primeira. controle sobre o Mar Mediterrâneo. que perduraram até 1875. por meio do qual a produção dos campos era escoada para outras terras. centralizadores de diversos pontos de venda. sob determinadas regras. expressada a partir da elaboração das normas a serem aplicadas aos comerciantes. Mar. não podemos afirmar que o Direito Comercial. Elas tinham jurisdição sobre determinado território e eram criadas pelos próprios mercadores. Já no século XII. o que causou isolamento das comunidades e. existentes inclusive no Brasil. como disciplina autônoma. na própria corporação. o Guidon de la Mer. Aos poucos. Possuíam as corporações força legislativa e judicante. naquele início do segundo milênio da era cristã.4 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Apesar da origem desses institutos. Fortaleceu-se a “classe burguesa” nas cidades. Serviam para dirimir conflitos entre eles. dedicado praticamente ao seguro marítimo. por conseqüência. . Foi o caso de Amálfi. fazendo reflorescer um intenso comércio marítimo na região. Um pouco mais adiante. com atribuições até para punir os culpados. ou o Consulado do Mar em Barcelona. que muitas cidades aproveitaram suas normas na criação das primeiras codificações do Direito Comercial. Alguns autores sustentam que foi a atribuição dos cônsules precursora dos também extintos “Tribunais do Comércio”. As corporações exerceram tanta influência sobre a sociedade mercantilizada da época. surgiu. viu-se compelida a buscar segurança junto aos seus senhores nas áreas rurais. nascida justamente daquelas pessoas que. os portos marítimos tornaram-se núcleos comerciais. fornecedores e consumidores. enquanto a outra relacionava-se ao poder consular. Uma apreensão crescente tomava conta da população que. teve origem em Roma. os europeus retomaram as antigas rotas. apareceram as primeiras corporações que reuniam os praticantes corporações. a princípio. escolhiam-se cônsules que deveriam trabalhar na aplicação das normas elaboradas cônsules. Após longo período de dominação árabe no Mediterrâneo. já no século XVI. da atividade mercantil. Muitas passavam a compor o ordenamento jurídico das cidades. Para tanto. na França. com sua Capitulares Nauticum Capitulares Nauticum. buscaram segurança junto aos seus senhores. com a Tabla Amalfitana (século XII).

Os Estados Nacionais Os séculos XV e XVI são caracterizados pela retomada do poder central nos Estados. que. que só implantou o seu em 1850. de seguro marítimo e de seguro. muitos dos dispositivos das Ordenanças Napoleônico. veio a outra. a exemplo do contrato de transporte.5. de Portugal. à época. só foi elaborado em 1807. podendo até se afirmar que poucas inovações normativas ele trouxe. seguros e transporte de mercadorias. se o Código Napoleônico não acrescentou grandes inovações ao Direito Positivo então vigente.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 5 Série Impetus Provas e Concursos Remonta ainda à Idade Média o aparecimento de alguns dos principais contratos comerciais. atividades bancárias. da Espanha. a exemplo da Bélgica. que logo perceberam a importância da atividade mercantil para o fortalecimento de suas economias e conseqüente prosperidade das nações. que dispôs sobre o comércio marítimo. estava sob o comando de Napoleão. como vimos. dentre outras. dispunha sobre o comércio terrestre. A primeira. baixada no ano de 1673. não haviam sido por ele elaboradas. embora toleradas e incorporadas pelo enfraquecido poder estatal de então. que só seriam alçados a tal condição se pertencessem a uma corporação. no século XVIII. Entrementes. falências. inclusive. não podemos olvidar sua maior contribuição que. de 25 de junho de 1850. O fato que marcou o surgimento do Direito Comercial nascido do próprio Estado foram as Ordenanças Francesas Francesas. Para tanto. com seu objetivismo. do Brasil. da organização dos mercadores. qualificando o comerciante como qualquer pessoa que praticasse “atos de comércio”. regulando agentes de bancos. procurou evitar privilégios corporativos que dominaram o comércio na Idade Média. . aquele diploma de 1807 tratou de regulamentar as questões relativas ao exercício do comércio de forma objetiva. guiado pelos princípios da igualdade e da liberdade permeadores da Revolução Francesa. Partiram. da Itália e. influenciou. a elaboração de outros Códigos Comerciais em diversos países. 3. no entanto. quando a França encontrava-se sob a regência de Luís XIV. também na França. de forma profissional e habitual. De outra forma. foram aproveitados. Oito anos mais tarde. O primeiro Código Comercial. Tais atos estavam relacionados no próprio código e possuíam correlação com atividades de intermediação de mercadorias. além de alguns títulos de crédito. quando prevalecia o subjetivismo caracterizador dos comerciantes. ficando por isso conhecido como o Código Napoleônico Em sua feitura. através da Lei no 556. Percebam que aquelas regras relacionadas ao comércio da época medieval. sociedades.

pois. também a criação da Real Junta do Comércio. foi contemplado com uma série de medidas de caráter econômico. reputando comerciante todo aquele que praticasse compra e venda de mercadorias de forma profissional. o Código Brasileiro adotou a Teoria dos Atos de Comércio. 4o. Dezesseis anos de discussões legislativas passaram-se. também naquele ano de 1808. Filipinas em alusão ao rei. prescreveu a necessidade de inscrição dos comerciantes nos então existentes Tribunais do Comércio (em seguida substituídos pelas Juntas Comerciais). que com elas estavam resplandecendo na boa. Não se tratava evidentemente de um Código Comercial. pois já estudamos que o primeiro do gênero nasceu na França. em 1603. fincado no objetivismo. já em 1834. decisivas para o incremento da atividade mercantil no País. através do qual a concepção do status de comerciante era atribuída aos que praticassem atividades específicas. em seu art. e a criação do Banco do Brasil. apesar do intenso comércio desenvolvido por aqui. Estava criada a base para o desenvolvimento do Direito Comercial Brasileiro. o Processual etc. Sua vigência estendeu-se até pouco depois da vinda de Dom João VI para o Brasil. O Histórico do Direito Comercial no Brasil No período colonial brasileiro. pois a colônia sujeitava-se aos ditames da Coroa. Destacam-se a “abertura dos portos às nações amigas”. deveriam ser adotadas leis de outras “nações cristãs. Pressionada por Napoleão. as Ordenanças Francesas tratavam da disciplina exclusivamente comercial. sob a regência de Felipe II. depurada e sã jurisprudência”. Ainda assim. assim conhecida por determinar que. E foi esta que. enquanto ela abrangia outros ramos do Direito. . continham dispositivos tratando da matéria. além de outras já citadas. No entanto. como o Penal. Outro importante diploma português daqueles tempos foi a Lei da Boa Razão Razão.6 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 4. além de algumas poucas espécies de serviço. até surgir a Lei Federal no 556. o Direito aplicado era o português. mais conhecida como o Código Comercial Brasileiro. pelo menos para poderem usufruir dos benefícios da legislação comercial. na condição de “Sede Provisória da Coroa”. Esse ato trouxe profundas transformações para o Brasil-Colônia que. iluminadas e polidas. Com forte influência francesa. dois séculos mais tarde. Alguns anos após a declaração da independência. Também não podemos equipará-la às Ordenanças Francesas surgidas setenta anos depois. em 1808. a serem definidas posteriormente. que ameaçava invadir Portugal. em 1808. editou as Ordenações Filipinas. foi apresentado à Câmara o Projeto do Código Comercial.. refugiou-se no Brasil a Corte Lusitana. de 25 de junho de 1850. de 1769. na ausência de norma legal a respeito de certo tema.

Curiosamente. pois passou a enquadrar pessoas jurídicas. contudo. a Lei no 10. Sobreviveram apenas os relativos ao comércio marítimo. não enumerou os chamados “atos de comércio”. como fizera o subjetivismo corporativo da Idade Média. claro. dentre outras. como sociedades empresárias. tais como: empresas. . ou até para alugar seu uso. de 1942. muitos dos dispositivos do código foram sendo revogados por legislações mais contemporâneas. de 10 de janeiro de 2002. unificando normas básicas do Direito Civil e do Comercial. a ser enfrentada no tópico seguinte. a respeito da autonomia do Direito Comercial. Por outro lado. a moderna Lei Civil Brasileira acabou por provocar uma fusão legislativa entre os dois ramos do Direito Privado. dentre outras. subtraindo alguns direitos exclusivos dos regulares regulares. a exemplo da Lei das Sociedades Anônimas (1976) e da Lei de Falências e Concordatas (1945). antes consideradas sociedades civis por força do objeto social.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 7 Série Impetus Provas e Concursos Percebam que esse dispositivo não tratou de excluir os não-inscritos do conceito de comerciante. como fizera o Código Francês.406. No entanto. que relacionou todas as operações que se constituíam em “atos de comércio”. Esse fato trouxe de volta uma discussão antiga. a partir da forma organizacional apresentada. Hoje. o “golpe de misericórdia” foi dado com a edição do Código Civil de 2002. banco e corretagem. 5. livros empresariais e nome empresarial. veio à tona novamente a discussão sobre a autonomia do Direito Comercial. registro público de empresas. transporte de mercadorias. Esses só foram detalhados quando da edição do Regulamento no 737. mais conhecida como Código Civil Brasileiro. empresários. mas introduziu grandes inovações nesta seara. conforme dispunha a antiga teoria objetiva dos atos de comércio. fundamentado no perfil subjetivo do empresário. contemplado em sua Parte Segunda. Essa nova concepção não se resumiu apenas a uma mudança de nomenclatura. seguros. além. Autonomia do Direito Comercial Com o advento do Código Civil de 2002. disciplina matérias específicas do Direito Comercial. Inspirado no modelo do Código Civil Italiano. contemporâneo ao código. operações de câmbio. Dentre elas. que revogou praticamente todos os artigos que ainda vigoravam do Código de 1850. Ao longo dos anos. implantou um novo sistema jurídico para o Direito Comercial. da compra com objetivo de posterior revenda de bem móvel ou semovente. mas apenas reputava comerciantes irregulares aqueles exercentes da atividade mercantil que não tomassem tal providência.

135. voltou atrás e mudou de opinião. senão vejamos: a) com o Direito Constitucional Relaciona-se esse ramo do Direito Público com praticamente todos os demais. como. a unificação foi aprovada. devemos ter em mente o ensinamento de Marcelo Bertoldi. Nada disso compromete a autonomia das disciplinas. A par de toda essa discussão. Também no Título VII. apresentou dois projetos. por exemplo. em 1919. com a matéria comercial e civil unificadas em um único código. ou mesmo da imposição de algumas espécies de livros fiscais aos empresários. Direito Tributário b) com o Direito Tributário Esse ramo conserva relações estreitas com o Direito Comercial. Público ou Privado. . o célebre jurista italiano Cesare Vivante posicionou-se contra a autonomia do Direito Comercial. ao final do século XIX. o Direito Administrativo utiliza-se de normas do Direito Processual. I. Mesmo assim. que juntou os dois ramos de Direito Privado em um único diploma legislativo. mais precisamente em 1911. à exegese do art. Antes dessa época. que trata da Ordem Econômica e Financeira. III. em pronunciamento na Universidade de Bolonha. pois a Constituição Federal pode ser considerada o nascedouro do sistema normativo do País. Nesse ponto. ao posicionar-se contra a unificação dos dois ramos de Direito. por entender que este não possuía critérios claros e objetivos que o distinguissem do Direito Civil. há menção ao exercício da atividade empresarial. Seu discurso surpreendeu a todos. a exemplo da responsabilização dos sócios-gerentes de limitadas por obrigações da sociedade de natureza tributária. convém expor a relação do Direito Comercial com outros ramos do Direito. Existe uma correlação entre as disciplinas jurídicas. basta reportarmo-nos ao início do século XX. surgindo. de modo que uma aproveita regras das outras. do Código Tributário Nacional. principalmente por se tratar do maior comercialista da época. Apesar disso. incumbido de elaborar projeto do novo Código Comercial.8 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Essa polêmica não é inédita. pois nenhuma é completamente autônoma. Um. que continuam tendo campo próprio de atuação. a fim de subsidiar o processo administrativo. em 1942. Com relação ao Direito Comercial. da CF prevê a competência privativa da União para legislar. o Novo Código Civil Italiano. quando afirma que a autonomia de uma disciplina não deve ser vista como um princípio absoluto. ao regular crimes falimentares. o art. onde o Direito Comercial era codificado de forma exclusiva. nomeado para coordenar estudos visando à edição do Novo Código Civil Italiano. quando Inglês de Souza. e outro. 22. ou o Direito Comercial aproveita dispositivos do Código Penal.

Para inserção das normas em nosso ordenamento jurídico. ainda restou sua Segunda Parte.. Sob esse ponto de vista. a exemplo dos empresários. também temos que admitir a autonomia do Direito Comercial. das sociedades empresárias. a matéria que regula. e) com o Direito Internacional O Brasil é seguidor de convenções internacionais que tratam de títulos de crédito e propriedade industrial. legislativa. inúmeras são as relações. • autonomia didática que é medida de acordo com a grade curricular das universidades. analisemos a disciplina de acordo com os seguintes aspectos: didática. pois a disciplina aparece em todos os programas dos cursos de Direito. família e obrigações civis. sua substancial. da falência e da concordata. enfim. • autonomia substancial que tem a ver com o conteúdo da disciplina. pois. um ramo do Direito Privado que mantém ligação forte com o Direito Comercial. como bem ressaltou Fran Martins. d) com o Direito Civil Com este. a fim de consolidar a tese da autonomia do Direito Comercial.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 9 Série Impetus Provas e Concursos Direito Trabalho c) com o Direito do Trabalho Aqui. em seguida. Já o Direito Civil cuida de sucessão. dentre outros. tratando do Direito Marítimo. . habilitarem-se no Quadro Geral de Quadro Credor edores Credores admitidos na falência. a começar do atual compartilhamento do Código Civil. utilizam-se procedimentos afeitos ao Direito Internacional. não podemos hesitar em apontar assuntos específicos da matéria comercial. dentre outros. Também os débitos de natureza trabalhista sendo cobrados dos sócios das sociedades anônimas ou limitadas. abrangência. dos títulos de crédito. empresa. Por último. Basta vermos as causas trabalhistas sendo decididas no âmbito da Justiça do Trabalho para. registro de empresas etc. assim. ainda que o Código Civil Brasileiro de 2002 tenha praticamente unificado os dois ramos. temas que podem ser facilmente isolados dos demais. seja sobre títulos de crédito. que reservou dispositivos dedicados à matéria comercial. empresário. não havendo razão para contestar-se a autonomia didática do Direito Comercial. E. • autonomia legislativa considerada a partir da codificação própria da matéria.

apenas para citar algumas. aos princípios gerais do Direito a qualificação de fontes subsidiárias do Direito. portanto. posicionam-se em ordem de preferência em relação às outras. mas se revelam determinantes para o surgimento do ordenamento jurídico de uma nação. Existe uma profusão delas. tratando de cheque.474/68. São elas: usos e costumes comerciais. enquanto as fontes formais são justamente as normas jurídicas. traduzindo-se numa obrigatoriedade de esgotá-las.404/76. e no 5. • Leis – A principal fonte primária de nosso Direito Comercial é a lei. Inexistindo. Dividem-se as fontes formais em primárias e secundárias As primeiras secundárias. Estes são mutantes. a analogia. No entanto. sociais. são as Leis no 6. econômicos. que dispõe sobre duplicatas. para serem aceitos como fonte do Direito . fica a autoridade judiciária autorizada a lançar mão de uma norma secundária. estão relacionadas a fatores políticos. norma primária sobre a matéria. 4o. Muitos autores costumam classificá-las em fontes materiais e formais As primeiras formais. é importante entendermos que antecedem à norma os anseios da sociedade. embora com a revogação da maioria de seus artigos. normalmente a definição restringe-se à própria expressão do direito. em um caso concreto. a forma como ele se manifesta. Também no âmbito do Direito Civil. Aliás. ou. Os costumes.10 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 6. componentes do grupo social. a começar pelo próprio Código Comercial de 1850. concede à analogia. mesmo. no princípio (Idade Média). E são estas últimas que compõem o objeto de nosso estudo. ele era consuetudinário. na parte que trata sobre Direito de Empresa. Outras. letra de câmbio e nota promissória. • Usos e costumes comerciais – Estes se constituem em importante fonte do Direito Comercial. a exemplo da “Lei Uniforme de Genebra”. variando com as gerações. ou seja. Importa ressaltar que o Código Civil de 2002. mesmo. religiosos ou. a jurisprudência e os princípios gerais do Direito. • Regulamentos – São considerados fontes primárias justamente porque servem à eficacização das leis comerciais. de forma subsidiária. Fontes do Direito Comercial Quando tentamos conceituar fontes do Direito. que disciplina as sociedades por ações. em seu art. tratando do comércio marítimo. antes de invocar-se uma fonte secundária. permanece vivo em sua Segunda Parte. é considerado fonte primária do Direito Comercial. a Lei de Introdução ao Código Civil. aos costumes. que. internacionais • Tratados internacionais – A matéria comercial também incorporou alguns tratados internacionais.

• Princípios gerais do Direito – Por último. no Direito Comercial. ser contra a lei. que emitem certidão a respeito. aceitos e aplicados para suprirem as lacunas legislativas. c) contra legem. assim como a abrangência da disciplina. b) secundum legem. pois são previstos na própria lei. necessitam estar assentados na Junta Comercial. é preciso que se trate de uma prática reiterada e uniforme. vejamos como os pesquisadores da matéria comercial têm se esforçado no sentido de melhor conceituar o Direito Comercial. os costumes. o juiz tem direito à livre convicção na análise das provas. assim entendida como a uniformidade das decisões dos tribunais a respeito de determinada matéria. sua importância no desenvolvimento das nações. pois ele pode desenvolver sua própria convicção. Isso não implica a obrigação de o juiz segui-la. para serem admitidos como prova. Normalmente. que são os norteadores da construção do próprio sistema jurídico positivo vigente. Não pode. considerada como a possibilidade de utilizar-se entendimento a respeito de um caso concreto similar. que vai de encontro à própria natureza do documento. • Analogia – Na ausência de outra fonte formal do Direito. que decorrem da prática mercantil. já que se trata da observação de fatos pretéritos. Assim. também é fonte secundária do Direito Comercial. 7. pois violaria a própria concepção de fonte subsidiária à lei. estes não são tolerados pelo ordenamento jurídico e. a exemplo do cheque visado. por entenderem que ela não é fonte geradora do Direito. desde que não se afaste das premissas básicas quanto à ilegalidade das mesmas. que é um título de crédito à vista. não aceitos como fonte do Direito. 113 do Código Civil. . a fim de dirimir a lide. como no art.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 11 Série Impetus Provas e Concursos Comercial. No entanto. necessitam revestir-se de alguns requisitos. que anuncia: “Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração”. deverá estar previsto na própria lei. conseqüentemente. • Jurisprudência – A jurisprudência. contudo. citado por Bulgarelli. os princípios gerais do Direito. permite-se a aplicação da analogia. mesmo que seja diversa daquela. Conceitos de Direito Comercial Após estudados alguns temas relacionados ao desenvolvimento histórico do Direito Comercial. a exemplo do cheque pré-datado. nós temos os costumes: a) praeter legem. seu surgimento. Primeiro. já julgado. Alerto que há autores que não consideram esta uma fonte do Direito Comercial. que seja assimilada por todos como se fora lei. De outra forma.

como veremos no Capítulo 3. Rio de Janeiro: Forense. diferentemente do Direito Civil. Características do Direito Comercial O Direito Comercial apresenta traços que o distinguem de outros ramos do Direito. p. praticam atos aos quais a lei atribuiu características tais que se tornaram regidos pelo Direito Comercial. ao afirmar que: “O Direito Comercial é a disciplina jurídica reguladora dos atos de comércio e. dos direitos e das obrigações das pessoas que os exercem profissionalmente e dos seus auxiliares. que melhor sintetiza a disciplina: “Direito Comercial é o conjunto de regras jurídicas que regulam as atividades das empresas e dos empresários. 2002. ao mesmo tempo. a) Simplicidade ou informalismo Propõe adoção de fórmulas simples para solução de conflitos. proposta pelo comercialista italiano Cesare Vivante. Fran. Todos esses atos possuem regulamentação em legislações próprias. Waldemar Ferreira propôs: “Direito Comercial é o conjunto sistemático de normas jurídicas disciplinadoras do comerciante e seus auxiliares e do ato de comércio e das relações dele oriundas. de autoria de Fran Martins.”1 Da assertiva. bem como os atos considerados comerciais. e que se encontram relacionados a seguir. principalmente. Exemplo destes é a emissão de um cheque. Exemplo: circulação de títulos de crédito mediante endosso. uma garantia prestada por aval. mas aqueles que. . mesmo que esses atos não se relacionem com as atividades das empresas.” Esta definição. mesmo sem se revestirem dessa qualidade. ed. até. 8. Curso de Direito Comercial. 25. 1 MARTINS.12 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel “O Direito Comercial é a parte do Direito Privado que tem. mas regulados por leis comerciais (exemplo da emissão de cheque). especialmente do Direito Civil. formalista e complexo. e fazem parte do campo de abrangência do Direito Comercial. tem-se que as normas do Direito Comercial alcançam não apenas os empresários. independentemente de haverem sido praticados por empresário ou representante de sociedade empresária. da mesma forma que uma letra de câmbio ou uma nota promissória ou. por objeto regular as relações jurídicas que surgem do exercício do comércio.” Carvalho de Mendonça trilhou caminho parecido. 28.” Dessas duas últimas definições surgiu uma. foi criticada por não contemplar atos praticados por não-comerciantes. feita por quem não se reveste da qualidade de empresário. concernente aos títulos de crédito.

que dispõe sobre letras de câmbio. convivemos com uma legislação comercial que já não atendia as transformações ocorridas. Daí o fortalecimento de teorias. que é justamente a prestação de serviços como um todo. estavam expressamente revogados. Se muitos dispositivos da principal Lei Comercial. assim como o de produção de mercadorias. 9.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 13 Série Impetus Provas e Concursos b) Internacionalidade ou cosmopolitismo Está regulamentado por normas de alcance internacional. Exemplo: contratos de leasing e franchising. só veio confirmar a teoria.406. excluindo importante segmento da atividade econômica. cuja atividade é sempre onerosa. de 10 de janeiro de 2002. trazendo para seu âmbito justamente o segmento de serviços. Exemplo: Lei Uniforme de Genebra. de natureza científica. transporte de mercadorias. seguros. como a da empresa ou do empresário. outros simplesmente vinham sendo ignorados pelas autoridades judiciárias e até pelos tribunais. salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”. seja por leis esparsas. O parágrafo único do mesmo dispositivo excluiu daquela categoria “os profissionais que exerçam atividade intelectual. tais como bancos. O novo Código Civil. c) Elasticidade Permanece em constante processo de mudanças. aprovado pela Lei no 10. o empresário é considerado como “quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços”. Em seu art.1. além de outros. 966. . em regra lastreados na moderna concepção de atividade econômica. caput. adaptando-se à evolução das relações de comércio. notas promissórias e cheque. seja pela Constituição Federal de 1988. agora não mais restrita àquele agente que pratica freqüentemente atos de intermediação de mercadorias ou umas poucas espécies de serviços. literária ou artística. elaborada há mais de cento e cinqüenta anos. sobretudo após a primeira metade do século passado. Empresário Conceito Durante muito tempo. d) Onerosidade Tem o lucro como o fim perseguido pelos empresários. A Teoria da Empresa alargou o campo de incidência do Direito Comercial. através das quais se atribuía uma nova visão ao profissional do comércio. ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores. introduzindo definitivamente no Direito Brasileiro as definições de empresa e empresário empresário. 9.

caput. ainda assim dela serão exigidas instalações compatíveis com sua atividade. 1. novos requisitos surgiram para classificar alguém como empresário. Profissionalismo O titular do negócio deverá fazê-lo não em caráter eventual. agora no Código Civil de 2002. . utensílios e instalações utilizadas diretamente na atividade econômica já são assim considerados. a forma profissional de atuação do empresário. aqui entendido como a pessoa física que exerce em seu próprio nome uma atividade econômica organizada. 9.2.142 do Código Civil. Em outras palavras. caso contrário incorreto seria o seu enquadramento como comerciante. para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. permanece consagrado o requisito.14 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Como se vê.2. algumas eventualmente observadas. Essa não é uma disposição inédita. assumindo o ofício como sua profissão. que poderão ser somados à capacidade civil. juntamente com os móveis. por empresário ou por sociedade empresária. 966 do CC/2002 apresenta elementos característicos ao empresário. Seria preciso que o agente tomasse essa atividade como ofício. todo empresário deverá dispor de estabelecimento empresarial. fizesse dela a sua profissão. seja pessoa física ou jurídica.2. analisada adiante. mas habitualmente. 9. Se tomarmos como exemplo uma pessoa que revende objetos em pequena proporção. 9. em seu art. Organização Significa a necessidade de o exercente da atividade econômica aparelhar-se de forma adequada para o desempenho de sua profissão. Não bastava a realização de uma única operação comercial ou. 966.2. como o complexo de bens organizados para o exercício de empresa. ao contrário do que possa parecer. O estabelecimento empresarial. o estoque de mercadorias.3. Portanto. Em absoluto. que prescreveu. Atividade Econômica O teor do art. não é exclusividade de empresários de médio ou grande porte. Requisitos 9. definido no art. Não se concebe um empresário.2. a antiga Teoria dos Atos de Comércio já se guiava pela prática habitual da compra e venda de mercadorias. movimentando diminuto volume de recursos. mesmo.1. independentemente da dimensão tomada. desprovido de um conjunto de bens organizados destinados ao exercício da empresa.

Capacidade Requisito fundamental à correta atuação empresarial. Nessa categoria. estando presente “elemento de empresa”. O raciocínio não se aplica às sociedades de advogados. Entretanto. o exercício dessa capacidade pode ser restringido por algum fator genérico como o tempo (a maioridade ou menoridade).2. E. tudo na dependência de estarem cumpridas as formalidades legais. telefonistas. logo no art. 1o. apesar de possuírem caráter econômico. escritores e artistas em geral. na qualidade de empresário individual ou administrador de sociedade. despindo-o dos atributos da personalidade. assim como a possibilidade de ele requerer recuperação judicial ou extrajudicial. Significa afirmar que qualquer indivíduo. clinicando ou. a dimensão econômica conquistada com o seu intelecto ultrapassou a sua aptidão primitiva para o ofício. pintando e colocando à venda telas à similitude do fundador do negócio. proprietário de um atelier. podemos enquadrar o empreendimento como uma sociedade empresária.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 15 Série Impetus Provas e Concursos Excluídas do conceito estão as profissões consideradas intelectuais que. se esses profissionais exercerem o ofício. dentre outros. Nesta situação. independente de sua idade. 9. mesmo. proprietário de um grande hospital. operando em suas dependências. Com relação às implicações práticas advindas desse novo conceito. têm natureza científica. arquitetos. ele reúne todas as condições de ser classificado como empresário. objetivando apenas conduzir o empreendimento.4. conforme exposição no item 1 do capítulo seguinte. . dispôs o legislador: “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”. Também poderão fazer prova com os livros empresariais. se ele parar de pintar. 1o a 10 da mesma lei. entre atendentes. Com a precisão que lhe é peculiar. é o pleno gozo da capacidade civil. Mas o que vem a ser elemento de empresa? É fácil. Enfim. A regra. previstas nos arts. prevalece o caráter empresarial da atividade hospitalar. deve ser conjugada com as disposições sobre personalidade e capacidade na esfera civil. o mesmo poderá continuar sem maiores conseqüências. Entretanto. poderemos presenciar a sujeição à falência do prestador de serviços em geral. É o caso do médico. onde emprega variados profissionais. dentistas. contida no art. Neste contexto. incluem-se médicos. saúde mental ou vícios possui capacidade para contrair direitos e assumir obrigações. Imaginemos um famoso pintor de quadros. Maria Helena Diniz chega a afirmar que a capacidade de direito não pode ser recusada ao indivíduo. tanto que. 972 do Código Civil. literária ou artística. secretárias e outros ligados à mesma arte. ou devido a uma insuficiência somática (deficiência mental). sob pena de se negar sua qualidade de pessoa.

ou e) pelo estabelecimento civil ou comercial. De outra forma. 3o e 4o do Código. d) pela colação de grau em curso de ensino superior. a Constituição Federal proíbe o emprego ou a ocupação de cargo público aos que contarem com menos de dezesseis anos de idade.520. desde que. será o indivíduo absolutamente incapaz. pois o incapaz está completamente privado do gozo de sua capacidade jurídica. 3o e 4o do Código Civil. Antes dessa idade.16 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em ocorrendo uma restrição legal no exercício da capacidade jurídica. pressupõe a existência da outra. Se observarmos as outras três hipóteses. É que o art. o cometimento de qualquer ato jurídico depende de um representante. 1. Observem que. na conformidade do que dispõem os arts. se o menor tiver dezesseis anos completos. impossível a efetivação da hipótese aos menores daquela idade. incapazes também são os maiores de dezoito anos portadores de alguma das patologias especificadas nos arts. Pois bem. 1. ou de um deles na falta do outro. b) pelo casamento. independente de homologação judicial.517 do CC/2002 previu que somente a partir dos dezesseis anos podem os pais autorizar o casamento de menor. No entanto. . ouvido o tutor. Sendo a enfermidade enquadrada no art. e não foi por acaso. o legislador condicionou a emancipação a uma idade mínima de dezesseis anos. somente haveria dúvida em relação à idade mínima para a emancipação nos casos de colação de grau em curso superior. aquele que não desfrutar do livre exercício de sua capacidade civil não poderá ser empresário. ou por sentença do juiz. 5o do Código prevê que a menoridade cessa aos dezoito anos completos. Perceba o leitor que a capacidade de direito pode subsistir sem a de exercício. de acordo com a previsão do art. o art. o casamento só é possível para evitar a imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez. 3o. salvo na condição de aprendiz. Quanto ao exercício de emprego público efetivo. por sua vez. Logo. Sob o aspecto temporal. no que pese serem os entes federados e a própria União livres para determinar a idade mínima dos que podem ingressar no serviço público. Nessa condição. apenas nas letras “a” e “e”. suprime-se do sujeito o direito ao exercício pessoal de pleno gozo da capacidade de direito. quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Esta. em função deles. quais sejam: a) pela concessão dos pais. ou pela existência de relação de emprego. o parágrafo único do mesmo artigo traz hipóteses de aquisição da capacidade civil antes da maioridade. o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. c) pelo exercício de emprego público efetivo. mediante instrumento público.

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Outros são os relativamente incapazes, a que se refere o art. 4o. Para esses, a autoridade judiciária poderá autorizar a prática de atos da vida civil, desde que devidamente assistidos. Com a representação ou a assistência, estará suprida a incapacidade de exercício, ao menos para os atos da vida civil. No entanto, um e outro instituto dependem de um regular processo de curatela, quando se observará a condição do incapaz, e o seu enquadramento em uma das hipóteses legais, após o que será o indivíduo considerado interdito, tudo conforme a previsão dos arts. 1.767 a 1.783 (os filhos menores são postos em tutela, quando falecidos ou ausentes os pais ou se estes decaírem do poder familiar). Entrementes, mesmo que assistidos ou representados, não esqueçamos que a regra geral do art. 972 torna proibitiva aos incapazes a atividade de empresário.

9.3.

Continuação da Empresa por Incapaz

O art. 972 vedou o exercício da atividade de empresário aos juridicamente incapazes. De outra maneira, o art. 974 permitiu aos interditos, cuja incapacidade foi superveniente ao exercício da atividade empresarial, ou aos menores tutelados, que tiveram seus pais falecidos ou ausentes, dar continuidade à empresa, desde que devidamente assistidos ou representados, conforme a incapacidade seja relativa ou absoluta. Para configuração da hipótese, a lei exige autorização judicial que, como tal, poderá ser revogada a qualquer momento pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. Essa possibilidade de revogação lhe confere a qualidade de ser considerada a título precário. Os bens do incapaz existentes à época da interdição ou da sucessão ficam protegidos em relação ao resultado do negócio, desde que estranhos ao seu objeto. Situação curiosa ocorre quando o representante ou assistente do incapaz estiver legalmente impedido de exercer a atividade empresarial. Nesse caso, essa pessoa deverá indicar um ou mais gerentes, que se submeterão à aprovação judicial. Ainda assim permanece o representante ou assistente responsável pelos atos dos gerentes nomeados. 9.4. Os Impedidos

Os impedidos não são incapazes. Contudo, alguma circunstância tornou-os incompatíveis ao exercício da atividade empresarial. É o caso, por exemplo, dos servidores públicos em geral, que estão, por leis administrativas, proibidos de ser empresários individuais ou administradores de sociedades empresárias.

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Para eles, a condição de acionista ou quotista de sociedade empresária não deve ser considerada englobada pela disposição do art. 972, que proíbe exclusivamente a qualificação como empresário individual ou administrador de sociedade empresária. Outro que pode ser enquadrado na proibição é o falido. Prevê o art. 102 da Lei Federal no 11.101/2005 (Nova Lei de Falências) que o falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência. O impeditivo somente perde o efeito após declaradas extintas todas as suas obrigações, na conformidade do disposto no art. 158 do mesmo diploma legal, e ainda assim se não tiver sido constatada a ocorrência de crime falimentar, fato que postergaria ainda mais a sua reabilitação, conforme exposto adiante, no capítulo 04 desta obra. Contudo, a proibição legal não tem o condão de exonerar o agente que desrespeitou a lei pelas responsabilidades advindas de seus atos, tanto que o art. 973 do Código previu a assunção pelos impedidos das obrigações por eles contraídas, oriundas do exercício de atividade própria de empresário. 9.5. O Empresário Rural e o de Pequeno Porte

O art. 971 do Código Civil contém redação nos seguintes termos, a respeito dos intitulados empresários rurais: “O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.” Nesse particular, o legislador considerou o produtor rural, geralmente organizado em economia familiar, com um ou outro funcionário, mas sem a dimensão de uma grande organização, cuja base de sustentação provenha da natureza, seja de uma cultura agrícola, da pecuária ou do extrativismo vegetal ou mineral. Pode ser até uma sociedade, conforme prevê o art. 984, mas, se o seu objeto for aquele do empresário rural, sofrerá o mesmo tratamento. Estão à margem do conceito as corporações agrícolas, conhecidas como agronegócio, detentoras de estruturas tipicamente empresariais. Essas estão obrigadas ao registro antes do início de suas atividades, conforme reza o art. 967. Já para aqueles classificados como empresários rurais, ou para os pequenos empresários, o art. 970 previu a edição de lei garantidora de um tratamento favorecido, pelo menos no que concerne à inscrição e aos efeitos daí decorrentes.

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Na inexistência da norma prevista, o que se tem é o teor do art. 971 que, combinado com o art. 970, leva-nos a concluir que o empresário rural não está obrigado ao registro. No entanto, se o mesmo for efetivado, o praticante de uma atividade econômica rural passa a ser equiparado ao empresário, para todos os efeitos. O mesmo acontece em se tratando de sociedade que tenha por objeto atividade própria de empresário rural, com a condição de que tenha adotado um dos tipos da sociedade empresária e, da mesma forma, haja requerido o registro. Dessa intelecção deflui-se a possibilidade de virem a falir, de obterem recuperação judicial ou extrajudicial, dentre outras questões próprias do empresário. Percebam que o fato de o legislador, logo no início do art. 971, haver nomeado o exercente da pequena atividade rural pelo termo “empresário”, não significa que o mesmo deva ser tratado da mesma forma que os outros, enquadrados no conceito do art. 966. Isso porque o próprio código contém dispositivos que lhe conferem tratamento favorecido, como já fora citado. Com relação ao pequeno empresário, Fábio Ulhoa Coelho e Sérgio Campinho defendem que, na ausência de norma regulamentadora do dispositivo, deve o mesmo ser aproveitado em favor dos microempresários e empresários de pequeno porte, como tais previstos na Lei Federal no 9.841/99. Esse diploma jurídico, regulamentado pelo Decreto no 3.474, de 19 de maio de 2000, foi editado em obediência à Lei Maior brasileira que, em seu art. 170, IX, previu tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte, constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no país. E logo no art. 2o, incisos I e II, do decreto, foi estabelecido: I- microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); II- empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que, não enquadrada como microempresa, tiver receita bruta anual superior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). Conforme foi observado por Láudio Fabretti, para a pessoa física ser enquadrada em um ou noutro conceito, necessário é que seja a atividade praticada de natureza mercantil, que hoje, já na vigência do novo código, deve ser considerada a atividade própria de empresário, conforme definição do art. 966, anteriormente comentado.

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De outra forma, a pessoa jurídica, independentemente de seu objeto ou forma organizacional, poderá ser enquadrada em uma ou em outra classificação, a depender de seu faturamento. Tanto os microempresários como os empresários de pequeno porte gozam de benefícios concedidos pela legislação, relacionados à simplificação do exercício da empresa. 10. Prepostos do Empresário

A matéria encontra-se disciplinada pelos arts. 1.169 a 1.178 do Código Civil de 2002, que faz citação expressa a dois tipos de prepostos do empresário; o gerente e o contabilista Isso não significa a exclusão dos demais colaboradores, tais como contabilista. escriturários, pessoal técnico, vendedores etc., tanto que a Seção III do Capítulo II invoca a presença de outros auxiliares do empresário. Na verdade, a escolha do legislador foi detalhar as responsabilidades e limitações de dois dos mais importantes agentes diretamente ligados ao empresário, sabendo-se, de antemão, que a disciplina é extensiva aos demais. Essas pessoas trabalham, contribuindo com o empresário no exercício de sua profissão. O primeiro, no desempenho de atividades administrativas, relacionando-se com clientes e funcionários ou até representando o empresário em tarefas externas; já o contador responsabiliza-se pela escrituração da empresa. Todos, entretanto, possuem uma característica comum, que é a da continuidade dos serviços prestados, diferentemente da relação criada com um contrato de mandato mercantil, que tem caráter eventual. Também podemos destacar, como característica do vínculo jurídico entre preponente e preposto, a subordinação deste àquele. Esse caráter diferencia-o, por exemplo, do contrato de representação comercial, por não se subordinar o representante ao representado. Prevê o art. 1.178 a responsabilidade do preponente (empresário) pelos atos de quaisquer prepostos, quando praticados dentro do estabelecimento, desde que relativos à atividade da empresa, mesmo que não haja autorização por escrito. Fora do estabelecimento, somente se forem cometidos nos limites dos poderes conferidos. Entretanto, ainda quanto à responsabilidade pelos atos do preposto, importante destacar o comentário ao art. 1.177, presente na obra Novo Código Civil Comentado, cuja autoria pertence a renomados juristas brasileiros, sob a coordenação do Deputado Ricardo Fiúza, que esclarece:

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Como regra geral de responsabilidade na relação de preposição, o parágrafo único deste artigo estabelece que haverá responsabilidade objetiva da empresa quando o preposto venha a causar dano a terceiro em virtude de ato culposo, cabendo ao preponente indenizar os prejuízos causados, com ação regressiva contra o responsável. No caso de ato doloso, ocorrerá situação de solidariedade, devendo o preponente ser demandado juntamente com o preposto para o ressarcimento de prejuízos provocados a terceiros. Além dos prepostos, o Direito Comercial regulamenta a profissão de outros agentes que têm laços estreitos na relação com os empresários. Trata-se de corretores, leiloeiros e titulares de armazéns gerais, entre outros. Estes, no desempenho de suas atividades, agem em nome próprio, assumindo responsabilidade por seus atos e devendo, inclusive, obedecer a formalidades necessárias ao exercício da profissão, tais como prévio registro na Junta Comercial, autenticação de livros de escrituração etc. Outrossim, sujeitam-se a requisito próprio do empresário, como a necessidade de estarem desfrutando da plena capacidade civil. 11. Livros Empresariais

11.1. Conceito O empresário e a sociedade empresária têm obrigações de cumprir com formalidades previstas em lei, a fim de que possam usufruir dos benefícios que a legislação comercial oferece, entre os quais concordata, valor probante dos livros comerciais, requerimento de falência de outro empresário etc. Uma delas é a manutenção de um sistema de contabilidade baseado na correta escrituração de seus livros, conforme acentua o art. 1.179 do CC/2002. Esses podem ser utilizados livremente pelos empresários, que terão a faculdade de adotar as espécies que considerarem convenientes para seu negócio, desde que escriturem aqueles livros considerados obrigatórios para sua atividade. Dessa forma, o art. 1.180 do CC/2002 manteve a já conhecida obrigatoriedade de escrituração do Livro Diário (pode ser substituído por fichas, a fim de viabilizar a escrituração eletrônica) para todos os empresários, indistintamente, assim como para as sociedades empresárias. A ele devem ser somados outros livros, tidos como obrigatórios para os variados tipos de sociedades ou ramos específicos de atividade. Atente-se para a abrangência do tópico, que engloba apenas os livros requeridos pela lei comercial. Os demais, sejam os exigidos pelas legislações trabalhista, tributária ou previdenciária, não serão objeto de nosso estudo.

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11.2. Classificação Os livros empresariais classificam-se em obrigatórios (comuns e especiais) e facultativos. facultativos Os obrigatórios comuns são aqueles exigidos de todos os empresários, indistintamente; obrigatórios especiais são impostos a determinadas categorias de empresários; já os livros facultativos como o próprio nome sugere, são aqueles facultativos, cujas ausências não trazem qualquer sanção ao seu titular. Vejamos abaixo todos eles. a) Obrigatórios comuns Atualmente, por força do já citado art. 1.180 do CC/2002, o único livro empresarial que se encaixa nessa categoria é o Diário Diário. Permite-se a substituição do diário por fichas, no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Ainda assim, não se dispensa o uso de livro apropriado para lançamento do balanço patrimonial e do resultado econômico, que pode ser o Livro Balancetes Diários e Balanços. A escrituração do diário é feita dia a dia, com todas as operações relativas ao exercício da empresa, mas resumida em totais que não excedam trinta dias. b) Obrigatórios especiais O rol dos livros incluídos nessa categoria é extenso e variado. A título de exemplificação, podemos discriminar: • Registro de Duplicatas – exigido dos empresários que emitem duplicatas; • Entrada e Saída de Mercadorias – para proprietários de armazéns gerais; • Diário de Entrada, Diário de Saída, Diário de Leilão, Contas Correntes, Livro-Talão e Protocolo – para os leiloeiros; Livro-T o-Talão Protocolo • Cadernos Manuais e Protocolo – para os corretores de mercadorias; • Registro de Ações Nominativas, Transferência de Ações Nominativas, Registro Transferência Presença dos Acionistas, Atas de Assembléias Gerais etc. – para as sociedades anônimas. c) Facultativos Além dos prescritos em lei, os empresários têm liberdade de criar outros livros, de acordo com suas necessidades. Alguns deles são enumerados a seguir. • Razão. • Caixa. • Contas Correntes. • Borrador ou Costaneira. • Estoque.

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11.3. Formalidades Os livros empresariais, sejam eles obrigatórios ou facultativos, para produzirem os efeitos jurídicos que lhes reserva a lei, necessitam obedecer a certos requisitos, normalmente conhecidos pela doutrina como formalidades intrínsecas e extrínsecas. As primeiras acham-se estipuladas no art. 1.183 do Novo Código e têm a ver com a maneira de preenchimento dos livros, requerendo que seja feita em idioma e moeda nacionais, em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transporte para as margens. De outra forma, as formalidades extrínsecas referem-se a providências a serem tomadas em momento que antecede o início da escrituração, a fim de garantir a segurança jurídica dos livros. Sobre elas, o art. 1.181 determinou a necessidade de autenticação, antes do início de uso, no Registro Público de Empresas Mercantis (só poderá fazê-lo quem já tiver registro no mesmo órgão). Descumprida qualquer das formalidades enunciadas, relativamente aos livros obrigatórios, vejamos quais as conseqüências para o empresário ou para a sociedade empresária: • não fará prova a favor de seu autor (art. 379 do CPC); • não poderá, a partir da análise de seus livros, verificar judicialmente obrigações de seus devedores (ação de verificação de contas), para fins de petição de falência daqueles (art. 1o, § 1o, II, da LF). De outra forma, se o antigo Decreto no 7.661/1945, que regulava a falência e a concordata, reputava como crime falimentar a inexistência dos livros obrigatórios ou sua escrituração atrasada, lacunosa, defeituosa ou confusa (art. 186, VI, do Dec. no 7.661/45), a Nova Lei de Falências, no 11.101/2005, em seu art. 178, classifica como crime nela previsto a omissão de documentos contábeis obrigatórios, materializada quando o empresário deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder recuperação judicial ou homologar e plano de recuperação extrajudicial, os documentos de escrituração contábil obrigatórios. Na realidade, há uma similitude entre os dispositivos. No entanto, o que podemos observar é a tipificação penal por conta de omissão na escrituração não apenas no processo de falência, mas nos de recuperação judicial ou extrajudicial. Esses, contudo, são temas abordados no Capítulo 4 deste livro, não cabendo maiores esclarecimentos por enquanto.

garante aos livros proteção contra a divulgação de informações que digam respeito a seus proprietários. em ocorrendo uma falência ou um processo de recuperação judicial ou extrajudicial do empresário. Força Probante Uma vez satisfeitas as formalidades intrínsecas e extrínsecas. com os demais documentos de escrituração. posto permitir sua desconsideração com outro meio admitido em Direito. uma vez não escriturados. 11. insculpido no art. nos casos em que exista um documento que. por força de exibição determinada pelo juiz. devendo permanecer à disposição do juízo. Em resumo. 11.101/05 exigiu a apresentação de demonstrações contábeis relativas aos últimos três exercícios sociais.24 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Ainda assim. por si só. o art.101/05. nos casos em que não se exigir comprovação por documento público ou particular (a exemplo do penhor mercantil. a apresentação dos livros não é requisito obrigatório à obtenção da recuperação. observam-se diferenças posto que. o art. que requer prova por escrito. desde que presente outro documento sobre a mesma operação. . 140. 51 da Lei no 11. assinada por quem recebe a garantia). 1. a omissão é tipificada como crime. é de se ressaltar que. Mas. Entretanto. mesmo. para recuperação judicial.190 do CC/2002. Comparando a exigência com os requisitos necessários ao deferimento do pedido de recuperação judicial (instituto que substituiu a concordata). e estando em perfeita harmonia uns com os outros e. mais. • contra não-empresários.5. judicial ou extrajudicial. conforme o art. os livros comerciais farão prova: • contra seus proprietários. do administrador judicial ou de qualquer interessado que tenha autorização judicial. Exibição dos Livros Empresariais O princípio do sigilo.4. • contra empresários com os quais os proprietários dos livros tenham feito alguma transação mercantil. independente de terem efetuado qualquer negócio com o titular dos livros. • a favor de quem os escriturou. A materialização desse poder probatório dos livros nasce em razão de uma perícia contábil ou. 178 da Lei no 11. não possa valer como prova. I. para fins de obtenção de concordata preventiva. do antigo decreto estipulava como requisito a correta escrituração contábil. atenção! Em qualquer hipótese não se trata de prova plena.

comunhão ou sociedade.191) em que se prevê a exibição em juízo. Na hipótese de uma sociedade simples adotar um dos tipos da sociedade empresária. que pode ser integral ou parcial.150 do Código Civil. . por força do art.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 25 Série Impetus Provas e Concursos Excetuam-se dessas restrições as autoridades fazendárias. os livros são disponibilizados aos interessados. 1. administração ou gestão à conta de outrem. sempre que importante ao litígio. De outra forma. Pela primeira. No entanto. 1. A exibição parcial pode ser decretada de ofício ou a requerimento da parte. não quer dizer que ela fica obrigada ao registro na Junta Comercial. Esse é o entendimento que se depreende da leitura do art. no caso em que for determinada a exibição parcial. desde que não se apresente prova documental em contrário. as sociedades simples devem levar seus atos ao Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. nas seguintes ações: sucessão. vinculam-se ao Registro Público de Empresas. Somente em casos de falências e concordatas o juiz determinará de ofício a exibição integral. em qualquer ação judicial. sem que haja limite para a verificação de seus termos. a requerimento da parte. apenas os pontos que interessem ao bom andamento do feito são extraídos para o conhecimento das partes. mas o Cartório no qual seu ato constitutivo for arquivado deverá obedecer às normas fixadas para o registro na Junta. A recusa na exibição implica a apreensão judicial dos livros e. há situações (art.193 do CC/2002. Na parcial. 1. menos as que tenham o capital dividido em ações (anônima e comandita por ações). a cargo das Juntas Comerciais.1. extrai-se apenas a parte que interessar à questão. devendo o exame ser feito na presença do empresário ou de representante seu. Contudo. tomam-se como verdadeiros os fatos argüidos. Registro Público de Empresas 12. Disposições Preliminares Os empresários. A exibição integral poderá ser determinada pelo juiz. pessoas físicas ou jurídicas. e é necessário pelo fato de ser facultado aos sócios de uma sociedade simples contratarem-na sob o modelo que se encontra previsto nos artigos do código que lhe são próprios. ou aproveitarem um dos tipos previstos para as sociedades empresárias. 12.

. de tal maneira que ele se sentirá compelido a providenciar o registro. Na verdade. segurança e eficácia aos atos jurídicos dos empresários individuais e das sociedades empresárias. 161. incorrendo em crime previsto na Lei de Falências. 1. O Código Civil de 2002 determinou. antes do início de suas atividades. independentemente de comprovar legítimo interesse. disposto na Lei Federal n o 8.26 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O Registro Público de Empresas. prevista no art. autenticidade.934/94. deduz-se que o empresário não-registrado não possui livros devidamente autenticados. O empresário não-registrado. escriturado ou autenticado documentos contábeis obrigatórios. pois o que define se alguém é ou não empresário são as características do art.150 a 1. recuperação judicial ou extrajudicial de empresário que não tenha elaborado. a obrigatoriedade da inscrição do empresário no Registro Público de Empresas. De outra forma. uma vez não cumprida a providência preliminar. pode requerer à Junta informações sobre outrem). se for decretada a falência. A primeira é a vedação de requerer recuperação judicial ou extrajudicial para si ou falência de outro empresário (arts. regulamentada pelo Decreto no 1. parágrafo 1o. 48.800/96 e pelos arts. conforme veremos no Capítulo 4. é a falência decretada por solicitação do próprio devedor. publicidade (qualquer um. pode ter a sua própria requerida e declarada. se o fato não constituir crime mais grave. ficará o agente sujeito à pena de detenção. o art. haja uma descaracterização da figura do empresário. Não sendo obedecida a determinação legal. Isso não quer dizer que. 967. 178 da Nova Lei de Falências prescreve que. haverá conseqüências para o empresário omisso. proporcionando segurança aos que desenvolvem atividade mercantil. a compulsoriedade do registro tem muito mais a função de alertar os pretendentes ao exercício da atividade empresarial para a importância da providência do que desfigurá-los do status de empresário. e 97. já estudadas no item 9 deste Capítulo. embora impedido de pleitear a falência de outro. Nem poderia. livros empresariais não-autenticados na Junta Comercial ficam desprovidos de eficácia probatória. para a autenticação dos documentos. tem por fim dar garantia. da Nova Lei de Falências). Outrossim. 379 do CPC.154 do CC/2002. 966 da mesma lei. e multa. de um a dois anos. em seu art. além de se permitir a autofalência que. Como o registro na junta é pré-requisito.

32 da Lei Federal no 8. também se incluem as sociedades em conta de participação. alteração. 986 da mesma Lei Civil. composto pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC e pelas Juntas Comerciais nos Estados. competindo-lhe estabelecer normas gerais que deverão ser seguidas pelas Juntas. Também podem ser arquivados atos referentes a consórcio. ainda que o objetivo fosse criar uma sociedade limitada. • Matrícula é a inscrição dos leiloeiros oficiais. 12. grupos . que estudaremos no Capítulo 2. já que. a autenticação e o arquivamento. surge a responsabilidade solidária e ilimitada de todos os sócios pelas obrigações sociais.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 27 Série Impetus Provas e Concursos empresárias. O DNRC possui funções de supervisão. Desse enquadramento. 12. No caso de sociedades empresárias decorre da ausência do arquivamento de seus atos a sua tipificação como sociedade não-personificada. administradores de armazéns gerais e trapicheiros. Já as Juntas são órgãos locais (haverá uma em cada unidade da Federação) que executam funções técnicas antes determinadas pelo DNRC. De outra sorte. face ao disposto no art. naquela categoria. como prevê o art.3. assim como de cooperativas (atenção! as cooperativas serão sempre sociedades simples. mais especificamente sociedade em comum.2. conforme prevê o art. Daí a conclusão de que as questões que envolvam os serviços técnicos a cargo das Juntas são decididas no âmbito da Justiça Federal. seus serviços administrativos são criados e mantidos pelos Estados. são de competência da Justiça Estadual. no que pese a natureza federal dos mesmos. coordenação e normatização técnica dos serviços. • Arquivamento compreende os documentos relativos à constituição. 990 do CC/2002. orientação. mesmo que seus atos sejam arquivados na Junta). Excetuam-se dessa regra as sociedades por ações em organização. enquanto as disputas envolvendo aspectos administrativos. tradutores públicos. como funcionalismo em geral. Atos de Registro Os atos de registro compreendem a matrícula. intérpretes comerciais. por exemplo. Entendam que não se trata de disposições que digam respeito aos serviços administrativos das Juntas. Modelo Organizacional do Registro Os serviços registrais são exercidos pelo Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis – SIREM. mas de ordem absolutamente técnica. dissolução e extinção de firmas mercantis individuais e sociedades empresárias.934/94.

os atos sujeitos a registro devem ser requeridos pelas pessoas habilitadas para tanto: no caso das sociedades empresárias. do CC/2002. responsabiliza-se a pessoa jurídica. Neste caso. passa para qualquer sócio ou interessado. Eficácia do Registro Para produzir seus efeitos. (ato ultra vires) no sentido de eximir a responsabilidade da pessoa jurídica. de microempresas. são os administradores e. após sua realização. que recai sobre o agente praticante do ato. fusão e transformação de sociedades. Sim. Basta ver o exemplo seguinte. cisão. utiliza-se do termo averbação. senão depois de cumpridas tais formalidades. 1. Completam a relação os atos de empresas estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil. Uma fiança prestada por representante de uma limitada. 1. seus efeitos retroagem à data neles constantes. desde que devidamente registrado. do CC/2002. que têm um prazo menor.015. pois se assim não fosse. salvo se aquele já tinha ciência. Importa frisar que o Código Civil de 2002. à revelia de alteração contratual que expressamente vedou o ato. comumente. inciso I. na inércia desses. utiliza-se o disposto no art. os efeitos somente se contam a partir da concessão pela Junta.4. aqueles relativos à incorporação. O prazo para protocolar na Junta os documentos sujeitos a registro é de trinta dias da lavratura. Se a garantia se deu em momento anterior à averbação.28 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel de sociedades e até de empresário rural.075. Apresentados além desse prazo. de apenas vinte dias. mesmo sendo posterior à assembléia de quotistas que a decidiu. pelo menos para fins de contabilizar-se o efeito do ato frente a terceiros. sem prejuízo de ação contra o administrador. terceiro não pode alegar ignorância. Assim procedendo. 12. § 2o. Exceção a essa regra é a ata de reunião ou assembléia de quotistas das sociedades limitadas. O ato sujeito a registro não pode ser invocado contra terceiro. . Por outro lado. • Autenticação refere-se aos livros empresariais. conforme disposto no art. mas que não fora ainda averbado na junta. que representa o arquivamento de atos modificativos da inscrição do empresário. estaria se exigindo daquele que transacionou com a empresa o conhecimento de fato decidido em assembléia de cotistas. na hipótese de a fiança ser concedida após a expedição do registro. Contudo. alerta o doutrinador que não é justa a manutenção da retroatividade. Sérgio Campinho alerta que nem sempre é válida a regra da retroatividade.

1. como é que ele poderia desenvolver sua atividade empresarial? Imaginemos. Em outras palavras. somente poderá ser qualificado como tal se possuir estabelecimento. 13. que podem ser corpóreos. tais atos não têm o condão de constitui prova absoluta. mas seu funcionamento de forma irregular. algum arquivamento. dos móveis e utensílios. 12. mas um utilizado por todos. então. Significa afirmar que é possível desconsiderar certidão fornecida pelas Juntas Comerciais. mas relativa. que lhe serve como instrumento para a realização de sua atividade econômica. seja pessoa física ou jurídica. como o nome empresarial. Conceito Complexo de bens reunidos segundo a vontade do empresário. que não proceder. que. em se tratando de elementos incorpóreos.1. inclusive. Estabelecimento Empresarial 13. não haverá um para cada filial ou estabelecimento. seja o empresário individual ou a sociedade empresária. desde que se apresente outro documento capaz de se sobrepor ao primeiro. inclusive. sob pena de ser considerado inativo. direito à exclusividade do nome. sede e filiais serão consideradas estabelecimentos do empresário. a exemplo do estoque de mercadorias.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 29 Série Impetus Provas e Concursos Ainda a respeito da eficácia do registro. pois o art.142 do CC/2002 assim o caracterizou. Cada estabelecimento. Pois bem. além de outros estudados a seguir. por sua vez. ou incorpóreos. Caso contrário. deverá comunicar à Junta que permanece ou quer continuar em atividade. A inatividade não significa a dissolução da sociedade. É lá onde estão reunidos os elementos do estabelecimento empresarial. além da sede de seu negócio.5. perdendo. manterá sua escrituração individualizada. É claro que. a exemplo do nome empresarial. pessoa física ou jurídica. com livros contábeis e fiscais próprios. o título do estabelecimento. no prazo de dez anos consecutivos. determinado empresário do ramo de farmácia. É próprio dos empresários. é titular de duas filiais. pois podem ser elididos face à melhor prova admitida no Direito. Inatividade do Registro Todo empresário. e este. . o estabelecimento empresarial é uma organização de bens pertencente necessariamente a empresário.

que se traduz num sobrepreço do estabelecimento em relação à soma dos preços de cada bem.30 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Fazendo uma digressão sobre alguns dos conceitos estudados até aqui. pessoa física ou jurídica. à empresa e ao estabelecimento empresarial. na conformidade da importância. não um bem do empresário. a exemplo do estoque de mercadorias. empresário é a própria sociedade. patentes de invenção. mas. Há até autores que consideram o aviamento como elemento incorpóreo do estabelecimento. enquanto os meios utilizados especificamente no fabrico. Quanto maior for a disposição para o lucro. nome empresarial. são o estabelecimento empresarial. . Conforme destaca a doutrina. sendo a empresa a fabricação e comercialização de pães. sobretudo. maior valor terá o aviamento. ponto etc. Cada bem individualmente considerado possui um valor econômico. dentre outros). bens corpóreos ou incorpóreos são todos destinados ao exercício da atividade empresarial.2. Contudo. Discute-se se bens imóveis. mobiliário. desde que pertencentes ao empresário. 13. Como vemos. utensílios. São bens indispensáveis ao exercício da empresa. o nome empresarial e os bens da propriedade industrial (registro de marcas. No que pesem divergências doutrinárias. patentes de invenção. integrariam o estabelecimento empresarial. apesar de reunidos pela vontade do empresário. o título do estabelecimento. o ponto.. Há uma relação direta entre o preço atribuído ao aviamento e a capacidade de o estabelecimento produzir lucro. pendendo Requião por não recepcionar a tese. Sérgio Campinho e Fábio Ulhoa Coelho) é no sentido de aceitar que os bens imóveis utilizados diretamente na atividade empresarial. se tomarmos a Panificadora Pão de Ouro Ltda. o título do estabelecimento etc. a exemplo de um galpão ou de um armazém. ainda que necessários à atividade econômica do empresário. Ao valor agregado dá-se o nome de aviamento. mas não é correta essa afirmação. da extensão dos temas. título. Por exemplo. equipamentos. o aviamento é um atributo da empresa. integrem o estabelecimento. a doutrina dominante (cito Fran Martins. mantêm suas autonomias. como exemplo. especialmente quanto ao empresário. enquanto a empresa é a atividade econômica desenvolvida pelo empresário. Já o estabelecimento empresarial é o aparelhamento necessário ao exercício da empresa. Para o ponto. Composição Compreende diversos elementos que. reservam-se tópicos específicos. a reunião de todos acarreta um valor agregado bem maior. somados ao nome empresarial. assim como o registro das marcas. podemos afirmar ser o empresário o sujeito de direito.

desde que presentes os seguintes requisitos. através da ação renovatória de contrato de locação comercial. ou mesmo ser indenizado. mas a faculdade a ele conferida em permanecer no local.2. seu cônjuge. no mínimo. se compelido a sair. e) que o locatário tenha proposto a ação renovatória no interregno de um ano. no máximo. O Ponto Empresarial Com relação ao ponto. Em outras palavras. pois. c) o locatário esteja explorando o mesmo ramo de atividade pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos. protegendo-o. é preciso ficar atento. c) o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de estabelecimento empresarial existente há mais de um ano. A lei o reconhece como resultado do esforço desenvolvido por seu titular. com seus atos arquivados no órgão de registro competente. anteriores à data de finalização do prazo do contrato em vigor. ascendente ou descendente. como . Quando se afirma que o ponto é espécie de bem incorpóreo do empresário. no sentido de ressaltar. que é espécie de bem incorpóreo do empresário. b) para fazer modificações de tal natureza que aumente o valor do negócio ou da propriedade. por determinação do Poder Público. até seis meses. em caso de prédio alugado. b) o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos.1. Ainda que obedecidas todas as exigências. o art. define-se como o lugar no qual aquele exerce suas atividades profissionais. estipulados no art. mais conhecida como Lei do Inquilinato: a) o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado. tiver que realizar no imóvel obras que importarem na sua radical transformação. 52 prevê hipóteses de exoneração da obrigação do locador renovar o contrato. 51 da Lei Federal no 8. salvo se a locação também envolvia elementos do estabelecimento empresarial. desde que a maioria do capital social do sujeito de direito titular do estabelecimento pertença ao locador. d) o locatário esteja regularmente constituído. na realidade. o imóvel não poderá ser destinado ao mesmo ramo do locatário. não o domínio do locatário. o titular de estabelecimento situado em prédio alugado detém o direito à renovação do contrato.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 31 Série Impetus Provas e Concursos 13.245/91. o que se tem é um direito à inerência sobre o ponto. Nesta hipótese. São elas: a) quando.

Império do Colchão etc. o locador não poderá recusar a renovação lastrado nas causas dessa alínea. d) se houver proposta de preço ofertada por terceiro mais vantajosa ao locador e. singularizando o ponto comercial. Por último. respeitadas as disposições da lei. Após a edição do novo Código. Isso porque. e) se o locatário não cumprir qualquer dos requisitos estabelecidos no art. Este identifica o sujeito de direito proprietário. quando se tratar de espaço em shopping centers. . Saliente-se ainda que. que classificou as sociedades em simples ou empresárias. 51. resta evidenciado que os termos da lei são extensivos às atualmente denominadas sociedades simples. seja o empresário ou a sociedade empresária. 13. claro. no prazo de três meses da entrega do imóvel. É de se ressaltar a proteção dada pela lei ao locatário contra medidas arbitrárias do locador. na vigência da antiga Teoria dos Atos de Comércio. Logo. também integra o elenco dos bens incorpóreos o título do estabelecimento. tanto que o parágrafo 3o do art. agora enquadradas como sociedades empresárias. que estende o direito de inerência às locações celebradas por indústrias e por sociedades civis com fins lucrativos. mesmo. sempre que tiver de deixar o ponto em função de proposta mais vantajosa oferecida por outrem ou. merece comentário a disposição do parágrafo 4o do art. se o locador. as sociedades produtoras de bens e as então classificadas como sociedades civis ficavam à margem do conceito. 52 garante ao locatário direito à indenização. havendo recusa do locatário em cobrir o valor. Exemplo: Casa das Baterias. não der o destino alegado ou não iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que declarou pretender realizar. Espaço das Vitrines. assim como às indústrias. Não se confunde com o nome empresarial.2. 51.O Título do Estabelecimento Mais conhecido como “nome fantasia”. estas abrangendo também as indústrias. enquanto o título do estabelecimento é o meio pelo qual a empresa torna-se conhecida do público. reputavam-se comerciantes os que promovessem a intermediação de mercadorias e umas poucas espécies de serviços.2.32 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel instalações e outros pertences. pois devem prevalecer as condições livremente pactuadas nos contratos. Permite-se a alienação do título.

presente no art. em posicionamento seguido pelos melhores doutrinadores da matéria.166 do CC/2002 garante o uso exclusivo a quem primeiro promover seu arquivamento ou averbação no órgão de registro. que assim preceitua: “Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que. 1. não posso concordar com a tese defendida por Marcelo Bertoldi. 1. diferentemente do nome. apesar de serem constituídas a partir da reunião de bens. entendeu que a presença do título no ato de registro deve ser tomada como elemento de prova a favor de quem primeiro providenciou o arquivamento. em que o art. 90 do CC/2002. não pelo desejo de alguém. assim o são por disposição legal. com exceções e particularidades abordadas no Capítulo 04. . Isso porque.” Diversa é a natureza jurídica da herança ou da massa falida.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 33 Série Impetus Provas e Concursos Sua proteção contra reprodução indevida por parte de outrem advém do registro na Junta Comercial que. Ambas. Por essa razão. ao assimilar a tese esposada por Fran Martins. sustentou que. uma vez que todos os seus bens serão destinados à composição da massa falida. tenham destinação unitária. à semelhança do que já está reconhecido para o nome empresarial. Fran Martins. ou mesmo de posterior averbação. A assertiva. Percebam uma diferença fundamental entre um e outro conceito. a fim de demonstrar que sua utilização antecedeu à da outra parte envolvida na disputa. Natureza Jurídica Sua natureza é de uma universalidade de fato. apesar da omissão legislativa. para o título do estabelecimento não há norma legal disciplinadora do assunto. que trata o estabelecimento como uma universalidade de direito pelo fato de o art. é merecedora de reparos. 13. contudo. o falido não possui tal prerrogativa. aparecem como universalidades de direito.142 do Código definir a sua existência. A conclusão é extraída da definição desse instituto. Nesta condição. pode acontecer em momento posterior ao arquivamento do ato constitutivo da sociedade. ao contrário do que ocorre com o nome empresarial. estaria comprovado o direito à exclusividade de seu uso. pertencentes à mesma pessoa. na hipótese de o título aparecer destacado no ato constitutivo do empresário registrado. Enquanto o empresário pode livremente estabelecer quais os bens que comporão seu estabelecimento. Já Sérgio Campinho.3.

enfatiza corretamente a vontade do titular do estabelecimento em reunir bens diversos. O art. não tem personalidade jurídica. pode ser alvo ou objeto de direitos e de negócios jurídicos. é possível a mudança de titularidade do estabelecimento. emprestando-lhes uma destinação unitária. a exemplo da sua própria alienação. Tem o transmitente que ficar com bens livres e desembaraçados para pagamento de . não é ele capaz de direitos e obrigações. o empresário. Podemos. Como tal. mas da própria pessoa que seja seu titular. 1. passando a integrar o patrimônio de outra pessoa. fundações. permanece na propriedade da mesma pessoa jurídica. em raciocínio diametralmente oposto.4. É ele o detentor da legitimidade para tanto. titular da sede e mais cinco filiais. compete ao sujeito de direito empresário a manifestação a respeito. por conseqüência.143 do Código. conforme dispõe o art. No primeiro. sociedades. o estabelecimento está excluído do rol de pessoas jurídicas elencadas no art. por ser desprovido de personificação.145 do CC/2002 condiciona a eficácia da alienação a alguns fatores. Em outras palavras. um empresário do ramo frigorífico. pode ser alvo de transações ou disputa jurídica.34 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Waldo Fazzio Júnior. Os bens que o compõem pertencem a seu titular. 44 do CC/2002. será a parte legítima para representar em juízo sobre qualquer ação que tenha por objeto bens componentes de algum de seus estabelecimentos. partidos políticos e organizações religiosas. longe de poder ser sujeito de direito. que são as associações. 13. entretanto. Na hipótese de alguém reivindicar o domínio sobre eles. afirmar que o estabelecimento pode ser objeto de relações jurídicas próprias. Nesta condição. o estabelecimento muda de titular. Logo. não há como se falar em capacidade processual do estabelecimento. Essa é que terá novos sócios. Já na cessão de quotas ou de ações. Assim. que recebe o nome de trespasse ou traspasse. sem que isso signifique ser sujeito de direitos e obrigações. Já o estabelecimento. condição que isenta de dúvida a sua natureza de universalidade de fato. ou das ações de uma sociedade anônima. 1. translativos ou constitutivos. Em termos práticos. Alienação Vimos que o estabelecimento pode ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos translativos ou constitutivos. desde que compatíveis com sua natureza. Observem que o trespasse não é o mesmo que a cessão de quotas sociais de uma sociedade limitada.

para os vencidos. 14. reputando-os exonerados da obrigação mesmo que a publicação da transferência já tenha sido realizada. se ocorrer justa causa. parágrafo 1o. 1. se não tiverem caráter pessoal. neste caso. Conceito Uma pessoa natural. continua solidário com aquele pelo prazo de um ano. alienante do estabelecimento. Com relação aos devedores por créditos cedidos ao adquirente. passa o adquirente a ser responsável pelos débitos anteriores ao ato. arrendador ou aquele que transfere estabelecimento em usufruto desvie clientela do comprador. Este. ao nascer. Outrossim. a eficácia depende do pagamento de todos eles. .CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 35 Série Impetus Provas e Concursos seus credores existentes à época. ressalvada.149 preserva a boa-fé daqueles que efetuarem o pagamento ao cedente.148. arrendatário ou do usufrutário em função do conhecimento que gozem junto ao público em geral.101/2005. A desobediência a esse requisito representa ato de falência. contudo. que vai depender do local onde se situe a filial. III. o art. conforme previsto no art. podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação de transferência a que se refere o art. a transferência do estabelecimento importa em sub-rogação do adquirente nos contratos destinados à exploração do estabelecimento. desde que contabilizados nos livros do vendedor. c. quando é expedida a Certidão de Nascimento. a materialização desse direito ocorre por ocasião do registro do indivíduo no Cartório de Registro Civil. a menos que haja concordância do adquirente. ou do consentimento expresso ou tácito. 1. contudo. que está em sintonia com a do art. da Lei Federal no 11. A proibição aqui tratada deve ser entendida em certo âmbito territorial. A finalidade. Eficaz o trespasse. tem direito a ser identificada por um nome civil. prevê que. Juridicamente falando.1. a previsão do art. da conhecida Lei do Inquilinato. 1. Nome Empresarial 14. Do contrário. Em seguida. que se materializa em trinta dias a partir da notificação. a proibição se estende ao prazo do contrato. Em se tratando de arrendamento ou usufruto do estabelecimento. ou dos respectivos vencimentos para os vincendos. 51. 94. a responsabilidade do alienante. não pode o alienante fazer concorrência nos cinco anos subseqüentes à transferência. salvo disposição em contrário. ao invés do cessionário. contado da publicação de transferência na imprensa oficial. é evitar que o alienante.144.

155 ao art. que vai do art. b) Firma ou Razão Social Constitui-se a partir de um ou mais nomes de pessoas naturais e serve para nominar as sociedades empresárias. não se contrapondo aos ditames da lei. O Código Civil de 2002 trouxe capítulo específico a respeito do tema. admite a supressão de prenomes. sua formação gira em torno de nomes civis. Formação O nome empresarial pode ser de três espécies. a titularidade sobre o nome acontece a partir do arquivamento de seus atos constitutivos na Junta Comercial do Estado. Uma é a IN no 53. que deverá adotar seu nome civil.156 do Código. de 15 de março de 1996. são válidas.36 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No caso dos empresários individuais ou das sociedades empresárias.L. pois. designação mais precisa de sua pessoa ou do gênero de atividade. P. que uniformizou critérios para o exame dos atos submetidos ao Registro Público de Empresas. Exemplos: Pedro Luiz Costa Farias. aditando-lhe. Pedro Luiz Costa Farias–Mercearia. Costa Farias. a) Firma Individual Constitui-se a partir de um nome de pessoa natural e serve para nominar o empresário individual. 1. completo ou abreviado. aquele sob o qual a sociedade ou o empresário individual exerce sua atividade econômica e obriga-se nos atos a eles pertinentes. se quiser. 1. 1. e o faz através de instruções normativas que. Assim como a firma individual. De outra forma. se houver mais de um patronímico. um deles não poderá ser abreviado ou suprimido. conforme reza o art. em se tratando de pessoa jurídica. Além dessas disposições. do DNRC. no que se refere ao nome empresarial. o Departamento Nacional de Registro do Comércio é entidade habilitada a normatizar esse e outros assuntos relacionados à empresa e ao empresário. Costa Farias. 6o da IN no 53/96. Costa Farias–Mercearia. A alínea a do parágrafo 1o do art. mais de um sócio poderá . 14.2.168. A diferença é que. O nome empresarial é.

158. tal como “e filhos” ou “e irmãos”. Assim. dentre outras similares. Paulo Melo Lins e João Pedro Silva (em nome coletivo ou em comandita). contudo. indicam relação de parentesco e servem para diferenciar parentes que tenham o mesmo nome. (para sociedade em nome coletivo ou em comandita). nem seria razoável admitir um nome empresarial composto por tantos nomes civis. O direito as reconhece pelo termo agnome. O usual é a razão social ser composta de um ou no máximo. mas em expressão de fantasia. sobretudo na sua formação. 6o da mesma IN no 53/1996. O art. Essa previsão. neto. Expressões como: filho. que possibilitou sua substituição por termos equivalentes. 1. limitada (para sociedade limitada).155. conforme prevê o art.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 37 Série Impetus Provas e Concursos emprestar seu nome à formação da firma social. sempre acrescida do objeto social. não se revestindo da natureza obrigacional que permeia a firma. se determinada sociedade abranger em seu quadro social uma outra pessoa jurídica. dois nomes de sócios. ou até de alguém que não seja membro da sociedade. 1. Aliás. seja na lei ou em norma complementar. parágrafo 1o. não são sobrenome. Por isso o art.160. esta não poderá emprestar seu nome à formação da razão social da primeira. convém ressaltar a disposição da alínea a. Melo Lins e cia. O mesmo dispositivo.158. do CC/2002 vedou a inserção na razão social de nome de sócio que não seja pessoa física. Difere das outras duas formas em alguns aspectos. em uma sociedade de muitos sócios. do Código. 1. c) Denominação Essa espécie de nome serve tanto às sociedades empresárias como às sociedades simples e. de acordo com a exigência do art. parágrafo 1o. parágrafo 1o. do parágrafo 1o do art. permite a inclusão de nome de um ou mais sócios. até. sem abreviaturas. júnior. combinado com o parágrafo único do art. devem constar do nome na forma por extenso. . Mas não precisa serem todos. 1. do Código.157 do Código previu a possibilidade de se adotar a expressão “e companhia” ou sua abreviatura. João Fonseca e irmãos (em nome coletivo ou em comandita). tem o caráter de mera homenagem. às associações e fundações. 1. sempre que omitido nome de algum sócio. É que sua constituição se baseia não em nomes civis. Exemplos: Melo Lins e cia. dentre outros. Sem disposição expressa sobre elas. A respeito do uso da expressão “e companhia”.

6o. impõe o emprego de alguma designação distintiva ao nome do empresário. parágrafo 2o. de forma a evitar o registro daqueles que não correspondam à realidade. dispõe o parágrafo único do artigo. não pode ser conservado na firma social. Essa é a disposição do art. for excluído ou se retirar. igualmente. (para uma sociedade anônima). a exemplo de frigorífico ou farmácia. 7o da IN no 53/96. também faz referência ao mesmo princípio. quando houver outra já registrada. será necessária a alteração do nome empresarial. sempre que promoverem alteração em seus respectivos nomes civis.A. Frigorífico Carnefresca Comandita por Ações (para uma comandita por ações). se registrado na forma de lei especial. observa o princípio da novidade. Indústrias Reunidas Brasil Limitada (para uma sociedade limitada). 1. ao proibir a presença no nome de palavras ou expressões que denotem atividade nãoprevista no objeto da empresa. 14.3.4. O art. Esta é a regra do art. a) Princípio da veracidade Esse princípio permeia a constituição do nome empresarial.165 do Código. Com fundamento nele.38 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Exemplos: Fiação José Pereira S. dois princípios deverão ser observados. Proteção A inscrição do empresário individual ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas assim como as respectivas averbações no registro próprio asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. em caso de homônimos já inscritos. destacando a impossibilidade de coexistência de nomes idênticos ou semelhantes no âmbito da mesma unidade federativa. sócio de sociedade que emprestar seu nome à razão social ou o empresário individual.163 do Código que. 14. É o caso de a denominação de uma sociedade do ramo de papelaria conter objeto social diverso. 1.166. A IN no 53/96. por sua vez. ainda não foi elaborada. Em se tratando de firma. Esta. quando dispõe que sócio que vier a falecer. em seu parágrafo único. em seu parágrafo único. a extensão da garantia a todo território nacional. Podemos encontrá-lo no art. b) Princípio da novidade O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro. na hipótese de casamento. individual ou social. permite-se agregar designação distintiva. em seu art. Princípios Para legal constituição do nome. por exemplo. quando um cônjuge pode incorporar sobrenome do outro. 1. que prevê. .

outra. que. que criou o registro de firmas ou razões comerciais. em seu art. da IN do DNRC no 53/96. Função A principal função do nome empresarial. o parágrafo 2o do mesmo art. também serve como assinatura do empresário. A par dessa função. através da assinatura de seu representante. 14. dentre outras informações. Essa é a previsão do art. do Decreto no 1. prevê que a inscrição do empresário far-se-á mediante requerimento que contenha. é a identificação do sujeito de direito que o emprega. significando afirmar que as juntas não abrem um processo específico para a análise do nome constante do ato. 968. contrair um empréstimo bancário no valor de um milhão de reais a ser pago no prazo de seis meses. Na opinião de Sérgio Campinho. em caso de abertura de filial em outro Estado. observada instrução normativa do Departamento de Registro do Comércio – DNRC. . já vimos. que regulamentou a Lei no 8.934/94. Entrementes. 61. a firma. 61 do Decreto prevê que a proteção ao nome poderá ser estendida a outras unidades da Federação. esse dispositivo inclusive encontra eco no Código Civil. 13 da IN no 53/96. assim como com o art. dispondo sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins.5. com a respectiva assinatura autógrafa. se a sociedade chamada Tecelagem Rio Grande S/A. desde que o agente possua representação legítima. 1. não há outra maneira de a proteção ao nome empresarial ser eficaz em outros Estados. a disposição do código. pessoa física ou jurídica. instruído com certidão da Junta Comercial da unidade federativa onde se localize a sede da sociedade. Esse trabalho é feito ao mesmo tempo em que se avalia tanto o requerimento do empresário individual. que é coincidente com a do art. II. portanto. senão nas hipóteses do art. Exemplificando.800/96. seja individual ou social. a requerimento do interessado. é ela a pessoa obrigada ao pagamento. É da sua utilização que nascem os direitos e obrigações do empresário. parágrafo 1o. pelo pedido específico. a firma. Portanto. enquanto não editada a lei especial a que se refere o parágrafo único do art. parágrafo 1o. E é justamente a IN no 53/96 que prevê duas hipóteses para a extensão da proteção do nome a outros Estados. 2o do Decreto 916/1890. citadas no parágrafo anterior. 13. Outro ponto que merece destaque é a simultaneidade entre o registro e a proteção.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 39 Série Impetus Provas e Concursos Continua. A primeira. como o estatuto ou contrato de sociedade.165.

O alienante pode até excluir um ou outro bem originário do estabelecimento. sucessor de João Silva e Irmãos Irmãos. Caso.164 do CC/2002. mas de seus próprios nomes. Quando a venda abrange todos os estabelecimentos. Já com relação ao título. Para o bom entendimento do assunto. ou aos demais bens incorpóreos ou não. por ocasião da negociação de venda de um ou todos os estabelecimentos do empresário. porém. então. na conformidade do parágrafo único do mesmo artigo. normalmente farão parte do negócio a totalidade de seus bens.40 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por outro lado. a sociedade Paiva Costa e Cia. sem que isso o descaracterize como tal. Alienação O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. Exemplo: Cia. pois a maioria esmagadora dos empresários ou representantes de sociedade não se utiliza da firma como assinatura. Logo. Brasil de Cosméticos. . seja alienado o próprio estabelecimento empresarial. Imaginemos. compete aos contratantes definir quais os bens farão parte do negócio. Essa é a regra do art. do ponto etc. com a ressalva já feita para o uso do nome. 14.. o adquirente pode. sucessor de Cosméticos Nova Cruz S/A. teremos: Paiva Costa e Cia. uma vez que não pode haver empresário sem aquele conjunto de bens organizados para o exercício da empresa. materiais ou não. sendo a venda parcial.. do nome empresarial. 1. que adquiriu o estabelecimento empresarial de João Armando Silva e Irmãos. se houver previsão contratual. Brasil de Cosméticos. Também é possível haver negociação em cima de bens incorpóreos. que concordou com o uso de seu nome pelo adquirente. precedido de seu próprio. a exemplo do título. que passará a usar o nome Cia. De outra forma. percebam que. Idêntico raciocínio pode ser formulado quando se tratar de uma denominação. é forçoso reconhecer a pouca ou quase nenhuma aplicação prática do dispositivo. acrescentado do termo “sucessor de”. independentemente da venda do estabelecimento. Isso porque o empresário que se desfaz de todo o seu estabelecimento invariavelmente perderá esta qualificação. adquirente da Cosméticos Nova Cruz S/A. os mesmos poderão livremente ser alienados. usar o nome empresarial do alienante.6. o contrato de alienação deve conter a previsão do objeto contratado.

”.”. Utilização por quem de Direito TIPO Empresário Individual Sociedade Simples Em Nome Coletivo Em Comandita Simples Em Comandita por Ações Em Conta de Participações Sociedade Limitada Sociedade Anônima X X X Com o termo “Ltda. assim ou por extenso Com o termo “Cooperativa”. assim ou por extenso.”. DENOMINAÇÃO OBSERVAÇÕES X X Com o termo “C. assim ou por extenso. Não possui nome.S. X X – – Sociedade Cooperativa X . – X FIRMA FIRMA INDIVIDUAL SOCIAL X Com o termo “S.7. Com um dos termos: “Cia.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 41 Série Impetus Provas e Concursos 14. assim ou por extenso.” ou “S/A”.A.

já no seu art. Analisando o dispositivo acima. d) repressão às falsas indicações geográficas. e b) normas regulamentadoras da propriedade industrial. o mesmo não ocorre nas obras protegidas pelo direito autoral. c) registro de desenho industrial. por sua vez. previu as formas de proteger a atividade inventiva e a própria atuação empresarial de pessoas físicas e jurídicas. que recebem o título de Direito Autoral. para o direito da propriedade industrial. O Congresso Brasileiro. entendo-se como o desconhecimento público sobre objeto. mais conhecida como o Código de Propriedade Industrial – CPI que. dividem-se em: a) normas regulamentadoras da propriedade literária. Não importa o grau de desenvolvimento de uma sociedade. enquanto que. podemos destacar quatro bens incorpóreos componentes do estabelecimento empresarial e que são abrangidos pelo direito de propriedade industrial. iremos observar que a necessidade e o poder inventivo são características inerentes ao ser humano. Direitos de Propriedade Industrial 15. Disposições Preliminares Se fizermos uma retrospectiva histórica do desenvolvimento da humanidade. de 14 de maio de 1996. b) concessão de registro de desenho industrial. artísticas e científicas obedecem ao critério da originalidade. De outra forma. e e) repressão à concorrência desleal. Para tutelar o direito dos autores de obras oriundas da capacidade intelectual do homem. visando ao desenvolvimento tecnológico e econômico do país. 2o. nacionais ou domiciliadas no Brasil. requisito fundamental é a novidade da criação. São eles: a) patentes de invenção. ficando o direito autoral a cargo do Direito Civil. o homem estará sempre tentando descobrir novas formas de melhorar seu bem-estar por meio de criações as mais variadas possíveis. b) patentes de modelo de utilidade. que recebem o título de Direito da Propriedade Industrial. artística e científica. através da: a) concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade. .42 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15.279. editou a Lei no 9. enquanto o objeto da propriedade industrial é destinado à produção em escala industrial. no sentido de que se trata de algo exclusivo para o próprio autor da obra. c) concessão de registro de marca. Estas. Uma diferença marcante entre os objetos de um e outro sistema jurídico reside no fato de que as obras literárias. e d) registro de marca. existem normas conhecidas como Direito da Propriedade Intelectual.1. Alvo desse trabalho será o direito da propriedade industrial.

entendida como o instrumento jurídico capaz de assegurar aos inventores e aos criadores de modelo de utilidade a proteção contra reproduções indevidas de suas obras. bem como proteção às criações industriais. conforme exposição no item anterior. 15. ao passo que uma invenção pode jamais haver sido alvo de um modelo de utilidade. ou de parede. A seguir. Também serviria à exemplificação a criação do ventilador de teto.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 43 Série Impetus Provas e Concursos Os direitos atribuídos aos titulares da propriedade industrial vão da reserva temporária.2. enquanto o seu descongelamento automático é um modelo de utilidade. vejamos as formas de proteção à propriedade industrial. Mas qual a diferença entre invenção e modelo de utilidade? A primeira pode ser conceituada como o produto do intelecto humano que traz à tona coisas até então inexistentes e capazes de serem produzidas em escala industrial. para exploração e produção dos bens. que dispõe sobre direitos e deveres individuais e coletivos. à propriedade das marcas. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. inciso XXIX. ao passo que modelo de utilidade seria um aperfeiçoamento de algo já existente. autarquia federal com sede no Estado do Rio de Janeiro. ao uso exclusivo da marca e do nome empresarial. 5o. A materialização desses direitos advém da concessão da patente. 2o da Lei no 9. A título de exemplo. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do país. Conclui-se que o modelo de utilidade pressupõe uma prévia invenção. pois o seu sentido é incrementar a utilização de algo já existente. valendo lembrar que questões atinentes ao nome empresarial e ao título do estabelecimento são reguladas pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. na hipótese de o modelo tradicional ter sido precursor dos demais. Patentes O art. prescreve: A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização.279/96 garantiu aos autores de invenção ou de modelo de utilidade direitos que nela são relacionados. cabendo às Juntas Comerciais recepcionar as documentações dos empresários para fins de registro e concessão do direito de propriedade sobre eles. poderíamos dizer que a geladeira doméstica é uma invenção. Competente para regulação e concessão da maioria desses direitos é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. em seu art. . igualmente capaz de ser produzido industrialmente. A própria Constituição Federal.

. ainda assim a invenção ou o modelo de utilidade seriam considerados novos.44 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. Uma criação que dependa de um componente só existente nas estrelas não possui aplicação industrial. Esses dois primeiros requisitos. obedecendo. o leitor pode perceber. 8 o do CPI. a partir de informações deste obtidas. haverá quebra do requisito da novidade. estão interligados.2. Na verdade. por uso ou qualquer outro meio. De outra forma. Já a aplicação industrial é requisito que decorre da possibilidade de o invento ou o modelo industrial poder ser produzido em escala industrial. e ficando provado que se trata de algo criado a partir de informações vindas a público a respeito da criação. à luz do art. por exemplo. através de publicação oficial de pedido de patente depositado sem o consentimento do inventor.1. a descoberta de um novo mineral. ou em decorrência de atos realizados por ele. conforme a disposição do art. b) pelo INPI. no Brasil ou no exterior (art. b) atividade inventiva. preferiram os legisladores estabelecer requisitos para a caracterização e enumerar o que não se enquadra em um ou em outro aspecto. são requisitos à patenteabilidade de uma invenção: a) novidade. 11). é a criação que não decorre de forma óbvia ou evidente do estado da técnica. Portanto. c) por terceiros. e c) aplicação industrial. se alguém tentar patentear invento que diz ser novo. Em outras palavras. por descrição escrita ou oral. 12 estabeleceu um período de doze meses imediatamente anteriores à data do depósito no qual a divulgação de informações sobre a invenção ou do modelo de utilidade não será enquadrada no estado da técnica. ao requisito da novidade imposto pelo CPI. mas não decorreu de sua atividade inventiva. tampouco para modelo de utilidade. Dessa forma. baseados em informações obtidas do inventor. pois decorre da capacidade criativa do ser humano em construir algo até então inexistente. o art. portanto. enquadrando-se nesse dispositivo a informação divulgada. No entanto. A atividade inventiva.Invenção e Modelo de Utilidade O Código de Propriedade Industrial não trouxe conceitos para invenção. resultando na negativa de patente. ou a partir de atos realizados por ele. 13. assim entendido como toda informação que é disponibilizada ao público antes da data de depósito do pedido da patente. poderíamos afirmar que todo invento é novo. Para tanto. faz-se necessário que a divulgação tenha sido promovida: a) pelo próprio inventor. nem tudo que é novo decorre da atividade inventiva do homem. Nova é a invenção que não está compreendida no estado da técnica. pode ser considerada nova diante dos olhos humanos.

2. princípios ou métodos comerciais. quando resultantes de transformação do núcleo atômico. 15. planos. elementos ou produtos de qualquer espécie. ou não. artísticas e científicas ou qualquer criação estética. teorias científicas e métodos matemáticos. que privilegia a pessoa que primeiro encaminhou o pedido de patente. o inventor ou o autor do modelo de utilidade. financeiros. e c) o todo ou parte dos seres vivos. c) esquemas. 6o. Diversa é a disposição do art. b) concepções puramente abstratas.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 45 Série Impetus Provas e Concursos O art.2. de sorteio e de fiscalização. Observem a diferença entre o teor de cada dispositivo. atividade inventiva e aplicação industrial) acima referidos. não importando se é. 10 enumera realizações que não são consideradas invenções ou modelo de utilidade. Do Pedido e Concessão da Patente Salvo prova em contrário. São elas: a) descobertas. que proíbe a concessão de patentes às seguintes criações: a) tudo o que for contrário à moral. exceto os microorganismos transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade (novidade. ou ainda que dela isolados. g) regras de jogo. f) apresentação de informações. arquitetônicas. à ordem e à saúde públicas. d) as obras literárias. publicitários. inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais. tampouco modelo de utilidade. bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico. matérias. . aos bons costumes e à segurança. bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou modificação. misturas. 10 contém relação de algumas ocorrências que não são consideradas invenção. enquanto o art. e i) o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza. h) técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos. 18. contábeis. para aplicação no corpo humano ou animal. o outro obsta a concessão de patentes a invenções ou a modelos de utilidade que se encaixem ao menos em uma daquelas proibições. educativos. b) substâncias. presume-se o requerente legitimado a obter a patente. e) programas de computador em si. Esse é o teor do parágrafo 1o do art.

além de outros fins. faculta-se aos interessados apresentar novos documentos e informações. sob pena de devolução ou arquivamento da documentação. relativa ao estado da técnica. que não será iniciado senão após o prazo de sessenta dias da publicação do pedido. resumo. o pedido pode ser dirigido por todas ou uma delas. Esta data é importante. É lá onde se faz o exame formal preliminar do requerimento e. mediante nomeação dos demais. 19 (requerimento. não importando da data de invenção ou criação. com a data de apresentação sendo tomada como data de depósito. está em sintonia com o princípio de que o primeiro a chegar será considerado o titular do direito. não havendo publicação pelo prazo de dezoito meses desde a data do depósito. Uma vez publicado o pedido. 7o. o direito de obter a patente será assegurado àquele que promover o depósito mais antigo. mas existindo dados relativos ao objeto. até o deferimento da patente. será protocolizado. permite que o pedido seja feito em nome próprio: a) pelos herdeiros ou sucessores do autor. o INPI pode emitir recibo. sob pena de arquivamento do . presente no art. De outra forma. desenhos. reivindicações. b) pelo cessionário. No entanto. ao depositante e ao inventor. se for o caso. considera-se data do depósito a mesma do recibo. para se observar a divulgação de informações sobre o objeto do depósito. quando devidamente instruído de acordo com a exigência do art. 30 do CPI. e c) pela pessoa a quem a lei ou o contrato de trabalho ou prestação de serviço indicar como titular do direito. conforme exposto no item anterior. o pedido deve ser mantido em sigilo. quando ocorrer invenção ou criação de modelo de utilidade por uma ou mais pessoas de forma independente. Faltando algum requisito essencial. Essa disposição. é necessário que o depositante ou qualquer interessado o requeira no prazo de trinta e seis meses da data do depósito. Para tanto.46 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O parágrafo seguinte. Satisfeitas as exigências. em se tratando de matéria referente à defesa nacional. por todo o tempo. O órgão competente para receber os pedidos de patentes relativos a invenções e modelos de utilidade é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial-INPI. Conforme reza o art. e comprovante de pagamento da retribuição relativa ao depósito). estabelecendo as exigências a serem cumpridas no prazo de trinta dias. em se tratando de invenção ou de modelo de utilidade realizado conjuntamente por duas ou mais pessoas. e. a fim de subsidiarem o exame técnico ou de mérito. relatório descritivo. salvo prova em contrário. do mesmo artigo. salvo por solicitação do depositante.

ou. 15. ambos contados da data de depósito. 5o. porém da data de depósito. o instrumento utilizado é a carta-patente. Em resumo. parágrafo 1o. que será considerado bem móvel. seu titular tem direito à exploração exclusiva do objeto. será proferida decisão. 34 a 36. ficará em sigilo pelo prazo de dezoito meses. Neste caso. inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e a da concessão da patente. na hipótese de exploração indevida de seu objeto. se aprovada. no prazo de sessenta dias do deferimento.3. De outra forma. sem o seu consentimento. conforme prevê o art. 58 permite a cessão do pedido). o prazo mínimo de vigência da patente de invenção é de dez anos. Prevê o art. 42. retardando o início da exploração industrial e comercial do bem. usar. garantem-se aqueles prazos mínimos de vigência da patente. quando estaria prejudicado o direito do titular. Portanto. a satisfação no pedido não garante a realização do exame técnico. de produzir. no prazo de sessenta dias. pode haver o desarquivamento do pedido. Essa previsão é importante. salvo por solicitação do depositante. contado não da publicação do pedido. podendo ser cedido (o art. o INPI deve proceder a uma análise preliminar do pedido que. porque pode acontecer de a concessão sofrer demora no processo. que somente será emitida após o pagamento de retribuição correspondente. sem importar o intervalo de tempo compreendido entre o depósito e a concessão. . Conforme a disposição do art. mesmo. Neste último caso. Concluído o exame. colocar à venda. por ato oneroso ou gratuito. sob pena de arquivamento em definitivo. A patente de invenção vigorará pelo prazo de vinte anos e a do modelo de utilidade pelo prazo de quinze anos. conforme reza o art. 38. o depositante solicitar. vender ou importar com estes propósitos o produto objeto da patente ou o processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. Da Vigência e da Proteção Conferida pela Patente Enquanto perdurar a patente. enquanto a do modelo de utilidade é de sete anos. o titular de patente tem o direito de impedir terceiro. se.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 47 Série Impetus Provas e Concursos pedido. mediante o pagamento de retribuição específica. ser objeto de contrato para licença de exploração. que somente será feito mediante nova solicitação. 44 indenização em favor do titular da patente.2. No entanto. conforme as exigências postas nos arts. indeferindo ou deferindo a patente. no prazo de trinta e seis meses. por causa mortis ou inter vivos.

já explorava seu objeto no país. Para que produzam efeitos em relação a terceiros. desde de a data do depósito. 45 prescreve que o direito não poderá ser cedido. será assegurado o direito de continuar a exploração. A nulidade poderá ser total ou parcial. por ato inter vivos ou mortis causa. até. o contrato deverá ser averbado no INPI. a nulidade será instaurada de ofício. neste caso quando as reivindicações subsistentes constituírem matéria patenteável por si mesma (arts. quando o instituto promoverá a publicação da oferta. Pode o titular da patente solicitar ao INPI que a coloque em oferta para fins de exploração. e o foro competente será a Justiça Federal. O titular desses direitos pode cedê-los. de boa-fé. Da Nulidade da Patente É nula. 46 a 48). quando não for o autor. ou mediante requerimento de pessoa com legítimo interesse. A nulidade da patente poderá ser declarada administrativamente ou na esfera judicial. na forma e nas condições anteriores. senão juntamente com o negócio ou empresa. sempre que: a) não tiver sido atendido qualquer requisito legal. arbitrar a remuneração cabível. intervindo o INPI. 61). . Na hipótese de ação judicial para a nulidade da patente. o pedido de patente. no prazo de seis meses da concessão. não haverá limitação de prazo.2. incluindo-se a patente ou. por alienação ou arrendamento. Sendo administrativa. Das Licenças Vimos que o art.2.48 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entrementes. podendo. Neste caso. igualmente é parte legítima para a propositura tanto o INPI como qualquer interessado. antes da data de depósito ou de prioridade de pedido de patente. sem ônus. c) houver omissão de qualquer formalidade essencial à concessão. o parágrafo 1o do art. Igualmente permite-se ao titular de patente ou o depositante celebrar contrato de licença para exploração industrial do objeto da patente. de forma onerosa ou gratuita. Neste caso. ou parte desta que tenha relação direta com a exploração objeto da patente. a patente concedida contrariando as disposições do CPI.5. 15. 15. pelo próprio INPI. por solicitação das partes. b) o objeto da patente se estenda além do conteúdo do pedido original depositado. mesmo. 6o do CPI considera bens móveis os direitos relativos à propriedade industrial.4. quando o licenciado poderá ser investido de todos os poderes para agir em defesa da patente (art. para aquele que. da forma como ocorre na nulidade administrativa.

desde que o titular da patente ou seu licenciado não atenda a essa necessidade. O art. 70 se refere a casos de licença compulsória concedida à patente dependente da outra. até que seja concedida a primeira licença. quais sejam: a) ficar caracterizada situação de dependência de uma patente em relação à outra. e será temporária e nãoexclusiva. pode o titular da patente requerer o cancelamento da licença. Outra hipótese para concessão da patente compulsória está no art. Diferente é a licença compulsória ou. por meio dela. são: a) não-exploração do objeto da patente no território brasileiro. da mesma forma que. em função do exercício abusivo ou se. a concessão dar-se-á de ofício. c) justificar a falta de fabricação ou comercialização por obstáculo de ordem legal. quando ocorrerem cumulativamente as três hipóteses previstas no dispositivo. que trata dos casos de emergência nacional ou interesse público. efetuada por decisão administrativa ou judicial. o titular: a) justificar o desuso por razões legítimas. assim entendida como a patente cuja exploração depende obrigatoriamente da utilização do objeto da patente anterior. conforme linguagem popular costumar se referir. Neste caso. b) comprovar a realização de sérios e efetivos preparativos para a exploração. e c) o titular não realizar acordo com o outro titular da patente dependente para exploração da patente anterior. restar constatado o abuso de poder econômico. 69 prevê que não será concedida licença compulsória se. à data do requerimento. Se o licenciado não iniciar a exploração em um ano da concessão. que podem ensejar a licença compulsória. após decorridos três anos da concessão da patente. . ou mesmo se não forem obedecidas as condições impostas para exploração (art. b) quando a comercialização não satisfizer as necessidades do mercado. O art. declarados em ato do Poder Executivo Federal. igualmente no prazo de três anos da concessão. 71. 68.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 49 Série Impetus Provas e Concursos Nesta condição. b) o objeto da patente dependente constituir substancial progresso técnico em relação à patente anterior. se o licenciado interromper a exploração por prazo superior a um ano. Outras hipóteses previstas no art. 67). a anuidade devida ao INPI será reduzida à metade. fica sujeito a uma ação movida pelo titular da patente. Caso o licenciado não dê início à exploração em um ano da concessão. a “quebra de patente”.

Até um ano da extinção do vínculo empregatício. será processado em caráter sigiloso e não estará sujeito a publicações previstas no CPI (art. Da Realização por Empregado ou Prestador de Serviço O art. seu objeto cai em domínio público. Cabe ao INPI encaminhar tal pedido ao órgão específico do Poder Executivo Federal para que este se manifeste no prazo de sessenta dias. 78. De outra forma.2.8. sem a utilização de meios. 75). 15. d) pela falta de pagamento da retribuição anual. Não havendo manifestação do órgão próprio. pode haver propriedade comum de invenção ou de modelo de utilidade.2. salvo motivos justificáveis). quando qualquer um poderá explorá-la industrialmente. instalações ou equipamentos do empregador.2. O parágrafo 2o do art. 15. considera-se desenvolvida na vigência do contrato de trabalho a invenção ou o modelo de utilidade. ressalvado o direito de terceiros. quando resultarem da contribuição pessoal do empregado em combinação com a utilização de meios.7. Da Patente de Interesse da Defesa Nacional O pedido de patente originário do Brasil.50 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. 75 proíbe o depósito no exterior de pedido de patente cujo objeto tenha sido considerado de interesse da defesa nacional. aquelas pertencerão exclusivamente a ele. ou resulte esta da natureza dos serviços para os quais foi o empregado contratado. cujo objeto interesse à defesa nacional. salvo prova em contrário. b) pela renúncia de seu titular. instalações ou equipamentos do empregador.6. quando decorrerem de contrato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por objeto a pesquisa ou a atividade inventiva. c) pela caducidade (pode ser de ofício ou a requerimento de interessado e ocorre quando. o processamento do pedido perde o caráter sigiloso. não for sanado o abuso ou desuso. Quando o empregado desenvolver o objeto da invenção ou do modelo de utilidade de forma desvinculada do contrato de trabalho. salvo disposição contratual em contrário. a patente será extinta: a) pela expiração do prazo de vigência. 88 prevê que a invenção e o modelo de utilidade pertencem exclusivamente ao empregador. Extinta a patente. Da Extinção da Patente Segundo a disposição do art. decorridos dois anos da concessão da primeira licença compulsória. .

podendo até haver utilização de elementos já conhecidos (art. 15. para a divulgação do desenho industrial sem ser incluído no estado da técnica. ou com a questão estética. são sinais ou expressões que servem à identificação de produtos ou serviços. analisados em item anterior. Outros são expostos em seguida. No que pese a diferença de nomenclatura. contudo.. pois não introduz nova forma à utilização do bem. Registro É o ato pelo qual se assegura ao titular de um desenho industrial ou de uma marca a propriedade sobre esses bens. São eles: a) novidade. Desenho industrial. 96. e c) aplicação industrial. 95 traz elementos essenciais ao registro do desenho industrial. A diferença entre um e outro elemento reside no fato de que a novidade se refere à técnica de aplicação industrial. para onde o leitor deve se reportar. . decorrente do emprego ornamental de linhas e cores ao objeto. Novo é o desenho industrial não compreendido no estado da técnica. são registráveis no INPI. É o que ocorre com os novos modelos de veículos surgidos a cada ano. por sua vez. Não se confunde com o modelo de utilidade. apenas agrega outra aparência a ele. que é o INPI. Original é o desenho industrial que resulte em uma configuração visual distintiva. a exemplo do órgão competente para processá-lo. Da mesma forma que os desenhos industriais. convém entender o sentido de um e outro conceito. de cento e oitenta dias anteriores à data de depósito (tratando-se de patentes é de doze meses).1.3. 11 e 12.2. conforme dispõe o art. Registrabilidade do Desenho Industrial O teor do art. tratando-se de marca ou de desenho industrial assume o nome de registro. representa o resultado visual novo em um produto já existente. há pontos coincidentes entre as patentes e os registros. em relação a outros objetos anteriores. que reproduz praticamente o mesmo conteúdo dos arts. de no 15.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 51 Série Impetus Provas e Concursos 15. b) originalidade.1.3. mais conhecido como design. Enquanto para as invenções e modelos de utilidade o instrumento garantidor da propriedade é a patente. 97). As marcas. ao passo que a originalidade tem a ver com o resultado visual inédito alcançado. A diferença é o prazo constante do parágrafo 3o. Antes.

Desta forma. uma vez depositado o pedido de registro de desenho industrial. Somente se permite o registro daqueles desenhos que possam entrar numa linha de produção industrial. nas condições estabelecidas na lei. crença. vale a regra de que o primeiro a chegar presume-se proprietário. 94 assegura o direito de obter registro que lhe confira a propriedade sobre o bem. Obras de caráter puramente artístico não são consideradas desenhos industriais (art.2. ou atente contra a liberdade de consciência. assim como acontece com as patentes. a ser feita no prazo de trinta e seis meses da data do depósito. Para as demais particularidades. que tratam das pessoas que podem ingressar junto ao INPI com pedidos de patente. que estabelecerá prazo de cinco dias para o cumprimento das exigências. 101.52 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Aplicação industrial é outro elemento comum ao registro do desenho industrial. geralmente por ofenderem a moral e os bons costumes. ao menos no que se refere aos peticionários do direito. por parte do requerente. a lei segue os mesmos princípios aplicados às patentes. o parágrafo único do mesmo dispositivo remete o tema à regulamentação feita pelos arts. aquela determinada essencialmente por considerações técnicas ou funcionais. enquanto para esta há um exame formal preliminar do pedido que antecede a solicitação. conforme foi explicitado no item 15.2. há desenhos que não são passíveis de registro. salvo prova em contrário. sob pena de ser considerado inexistente (em se tratando de patentes. culto religioso ou idéia e sentimentos dignos de respeito e veneração. ao desenho industrial e ao autor.2. o pedido poderá ser entregue mediante recibo datado ao INPI. o art.. As regras para processamento do pedido também são coincidentes em sua maioria. 6o e 7o.2. não são registráveis como desenho industrial: a) o que for contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou a imagem de pessoas. devendo ser observado que. para o registro de desenho industrial. 100. Diferente é a forma de concessão do registro. mas existindo dados suficientes relativos ao depositante. b) a forma necessária comum ou vulgar do objeto ou. 15. de acordo com o art. quando comparada com a concessão de patente. uma vez não atendidas as exigências do art. Por outro lado. O órgão para recepcionar e processar o pedido é o mesmo Instituto Nacional de Propriedade Industrial. desde que . Significa afirmar que. Logo. 98).3. pois.2. esse prazo é de trinta dias). ainda. No entanto. de um exame de mérito. Do Pedido e da Concessão do Registro de Desenho Industrial Ao autor de desenho industrial. o leitor deve se reportar ao item 15.

112. colocar à venda. 15. ou seja. ou d) quando se tratar de titular domiciliado no exterior. 119: a) pela expiração do prazo de vigência. 43.2. 106).3. contados da concessão do registro. Extinção do Registro O registro extingue-se pelas causas previstas no art.Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro A proteção conferida ao titular de registro de desenho industrial é similar ao do titular de patente. poderá ser o pedido mantido em sigilo. assim como outros direitos especificados nos arts. após o que será processado (art. será de dez anos contados da data de depósito. A mesma hipótese.5.3. o leitor se reportar àquele item. usar. porém. prevista no art.4. Caso. tem prazo de seis meses contados da concessão da patente. expostos no item 15. b) pela renúncia de seu titular. 46. 108). V. requeira o depositante. exceto os dos incisos III. 120. Observa-se. que é de cinco anos. um prazo máximo possível de vinte e cinco anos.4. a fim de conferir todos os demais conceitos. prorrogável por três períodos sucessivos de cinco anos cada (art. Também coincidentes com as regras das patentes são os processos de nulidade administrativa e judicial. pois.3. aplicado às patentes. Quanto à vigência. pelo prazo de cento e oitenta dias da data de depósito. ressalvado direito de terceiros. c) pela falta de pagamento da retribuição qüinqüenal. pela falta de indicação de representante no Brasil. para fins de anulação administrativa do registro. quando referente à anulação de patentes. 42 e 43. que copia os termos do art. Essa é a disposição do art. .3. Diferem no prazo previsto no parágrafo 1o do art. pode impedir terceiro. VI e VII do art. vender ou importar produtos objeto do desenho industrial. expedindo-se o respectivo certificado. 113. 15. Deve. será automaticamente publicado e simultaneamente concedido o registro. Da Nulidade do Registro É nulo o registro concedido em desacordo com a lei.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 53 Série Impetus Provas e Concursos cumpridas as exigências formais. sem o seu consentimento. de produzir. então. 15.

classificou serviços e produtos conforme a natureza de cada um. a marca registrada representa um bem móvel negociável. da qual o Brasil é signatário. mas que não poderiam ficar sujeitas ao uso por outras pessoas.5. a fim de não induzir o consumidor. 122 prescreve que são suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis. afinal.Disposições Preliminares O Código de Propriedade Industrial não trouxe conceito para marca. ainda que limitado às fronteiras do país. o seu art. Também merecem destaque as marcas notoriamente conhecidas. É que o INPI. pois não pode haver colidência de marca nova com outra criada anteriormente. senão quanto aos seus aspectos formais.54 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação às licenças e à realização por empregado ou prestador de serviços. Estas. devido ao conhecimento generalizado de populações de vários países. proteger as marcas já existentes.2. 126. O art. No entanto. previstas no art. o art.4. desde que não estejam compreendidos nas proibições legais. Diferente são as marcas de alto renome. Basta. Assim. 6o desse documento garantiu exclusividade aos titulares de marcas assim classificadas em todos os países signatários da Convenção. uma vez registradas sob esse título. o exame da colidência se verificará tão somente na classe específica dos refrigerantes. São marcas que possuem um forte apelo popular. As proibições a que se refere o legislador têm o sentido de. Registro de Marcas 15. contudo. por exemplo. que. A origem dessa proteção remonta à Convenção da União de Paris. oferecem uma boa visão dos temas. insuscetível de revisão pelo Poder Judiciário.2. e 15. primeiramente.4. não poderiam ficar sujeitas ao registro. através do Ato Normativo no 150/99. 15. Fábio Ulhoa Coelho adverte que o registro de marcas nessa categoria é ato discricionário do INPI. Trata-se de marcas que. . se alguém tentar registrar uma marca de refrigerante. o leitor se reportar aos itens 15. deve ser observada dentro de cada classe de produtos ou de serviços. portanto. gozam de proteção contra reprodução em todas as classes de produtos ou serviços. citadas no art.1.8. somados aos texto legal. ainda que para produtos ou serviços diversos. mas somente em seu ramo de atividade. o que significa que não haverá problema se a marca já servir a um determinado tipo de manteiga. tendo em vista a tripartição constitucional dos Poderes do Estado. 125. mesmo que não estejam registradas. 121 remete à mesma disciplina apropriada às patentes. ainda que não haja registro no INPI. para que se respeite o princípio da especificidade. Essa regra.

ao material utilizado e à metodologia empregada (exemplo: certificado ISO 9000). social. diretamente ou através de pessoas jurídicas.2. que se estende do inciso I ao XXIII.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 55 Série Impetus Provas e Concursos Percebam. emblema. ao passo que a marca notoriamente conhecida não precisa estar registrada no país signatário da convenção. 128). salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. à natureza. político. Desta forma. são impostas aos requerentes. econômico ou técnico. algarismo e data. isoladamente. o art. b) letra. necessita estar registrada no INPI. a título de mera exemplificação. para uma marca ser considerada de alto renome. Do Pedido e da Concessão do Registro Podem requerer o registro de marcas ao INPI as pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado (art. no entanto. portanto. Outrossim. estrangeiros ou internacionais. cultural. oficialmente reconhecido. figura ou imitação. b) marca de certificação – aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. b) em se tratando de marcas coletivas – o requerimento tem que ser feito por pessoa jurídica representativa da coletividade. semelhante ou afim. armas. não são registráveis como marca: a) brasão. 15. mas o efeito de tal qualificação é restrito ao ramo de atividade. que. salvo quando revestido de suficiente forma distintiva. considerando: a) marca de produto ou serviço – aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. dentre outros. a saber: a) em se tratando de pessoas de Direito Privado – a lei exige prática de atividade lícita. c) em se tratando de marca de certificação – somente pode ser requerida por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado.4. notadamente quanto à qualidade. Despiciendo a reprodução de todo o dispositivo. 124. 123 contém classificação a respeito das marcas. de origem diversa. Algumas exigências. c) nome. artístico. públicos. . nacionais. bandeira. bastando observar alguns. prêmio ou símbolo de evento esportivo. medalha. bem como a respectiva designação. e c) marca coletiva – aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. e o efeito da proteção alcança todos os ramos de atividade. bem como a imitação suscetível de criar confusão. Outras proibições legais ao registro de marcas estão no art. distintivo e monumentos oficiais.

Não podem. na sua promoção e comercialização. Neste caso.3.56 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel As normas para concessão do registro de marca são similares às aplicadas ao registro de desenho industrial. há pelo menos seis meses. ou parte deste. 15. a ser efetivado em papéis. impressos. expostas no item 15. no entanto. Diferem. propaganda e documentos relativos à atividade do titular. desde que tenha sido deferido. e c) zelar pela sua integridade material ou reputação. O certificado de registro de marca somente é expedido após a conclusão do exame do pedido. discursos ou qualquer outra publicação.2. de boa-fé. usava marca idêntica ou semelhante no país. 110 assegurou o direito à continuidade da exploração do objeto do desenho industrial dos que. quanto à necessária publicação do pedido para fins de oposição. para certificar produto ou serviço idêntico. que é o art. de boa-fé. de boa-fé. juntamente com sinais distintivos. tudo na conformidade dos arts. 110. semelhante ou afim.3. Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro O registro validamente expedido confere ao seu titular o direito de uso exclusivo da marca em todo o território nacional. já o exploravam. b) fabricantes de acessórios usem a marca para indicar a destinação de seus produtos. 129 garante o direito de precedência ao registro por parte da pessoa que. O parágrafo 1o do art. contudo. d) haja a citação da marca em obras literárias. porque. Percebam que o teor desse último dispositivo analisado difere do correspondente relativo ao registro de desenho industrial. que tenha direta relação com o uso da marca. b) licenciar seu uso. o direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. os titulares de marcas impedir que (art. quando ausente a prática comercial. e outros sessenta dias para defesa do depositante. o art. c) haja a livre circulação dos produtos regularmente colocados no mercado interno. 158 e 159. quando é concedido prazo de sessenta dias para oposição. enquanto para a marca o legislador garantiu o direito à prioridade daquele que. já a utilizava seis meses antes do depósito. . 132): a) comerciantes ou distribuidores utilizem a marca do produto. Outros direitos conferidos ao titular da marca são: a) ceder seu registro ou pedido de registro. Sim.4.

em ambos os casos sem justificativas legítimas. que as marcas podem guardar exclusividade por tempo indeterminado. c) pela caducidade. pode ser promovida a qualquer tempo. e que foram expostos no item 15. 133. desde que seja paga a retribuição adicional. merece destaque o teor do art. No entanto. seis meses. Conclui-se. de forma absolutamente justa. será pelo prazo de dez anos. para a patente. conforme reza o art. O pedido de prorrogação deverá ser feito no último ano de vigência do decênio. 165 a 175 regulam o processo de nulidade de registro de marcas. Com algumas adaptações. Em se tratando de nulidade administrativa.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 57 Série Impetus Provas e Concursos Com relação à vigência da marca. conforme prevê o art. aliás. Deve.4.4. prorrogável por períodos iguais e sucessivos. mas aplicados a patentes. A caducidade acontece quando. a requerimento de qualquer interessado. d) em se tratando de titular domiciliado no exterior. o registro da marca extingue-se: a) pela expiração do prazo de vigência. sem que tenha havido prorrogação. contado da concessão. esses dispositivos praticamente copiam aqueles referentes ao mesmo assunto. portanto. pois não poderíamos admitir que seu proprietário fosse obrigado a partilhar de um direito para qual investiu anos de trabalho na sua divulgação. que poderá ser total ou parcial em relação a produtos ou serviços assinalados pela marca. 15. enquanto. constituindo-se no único bem da propriedade industrial que possui tal privilégio. Da Extinção do Registro De acordo com o art. b) houver interrupção de uso por prazo superior a cinco anos.5. ou seja. quando não mantiver representante no país. por conseguinte. 56. 142.4.3. Da Nulidade do Registro Os arts. contados da data de concessão do registro. b) pela renúncia. .4. após cinco anos da concessão: a) não haja sido iniciado o uso da marca no Brasil. 15. que estipula prazo de cinco anos para a prescrição da ação judicial de nulidade do registro de marca. Admite-se o pedido de prorrogação em até seis meses subseqüentes ao término da vigência. o leitor se reportar a ele. instruído com pagamento de retribuição. os prazos são coincidentes. 174.

beneficia tanto o consumidor. O art. O art. A própria Carta Magna do País. É aí que entra o poder repressor do Estado. Já a denominação de origem representa igualmente o nome de país. Concorrência Desleal A concorrência é algo que acompanha o exercício da atividade mercantil desde seus primórdios. coerente com o papel de “Estado Liberal Brasileiro”. região ou localidade que designe produto ou serviço cujas qualidades se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico. que dispõe serem todos de ação privada. vender. estabeleceu a livre concorrência como princípio geral da atividade econômica. Trata-se de uma característica inerente à atividade empresarial. 15. que tende a adquirir produtos e serviços por preços mais baratos. que tem o lucro como seu objetivo maior. 192 pune com pena de detenção. Indicação de procedência é o nome do país. sem prejuízo de perdas e danos em favor dos prejudicados. nem sempre. Indicações Geográficas Constitui indicação geográfica a indicação de procedência ou a denominação de origem. ou multa. cidade.6. inciso IV. puníveis com pena de detenção. 195 do CPI relaciona crimes de concorrência desleal. sobretudo dos consumidores. importar. a concorrência se desenvolve de forma a satisfazer o interesse de todos. exportar. Regularmente praticada. expuser ou oferecer à venda ou tiver em estoque produto que apresente falsa indicação geográfica. produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço.58 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. O uso da indicação geográfica é restrito aos produtores e prestadores de serviço estabelecidos no local. como o empresário. Para eles. que poderá maximizar a oferta de bens e serviços. ou multa. 170. São eles: . que se vêem prejudicados e impotentes diante de certas práticas empresariais inescrupulosas e fraudulentas. para coibir e punir aqueles que se enquadrarem nas hipóteses legais. que varia de três meses a um ano. quem fabricar. cidade. 199. região ou localidade que se tenha tornado conhecido como centro de extração.5. Porém. em seu art. de um a três meses. incluídos fatores naturais e humanos. vale a prescrição do art.

falsa informação. emprega meio fraudulento. informações ou dados confidenciais. expõe ou oferece à venda produto. ou aceita promessa de pagamento ou recompensa. título de estabelecimento ou insígnia alheios ou vende. . sem autorização. usa. o nome ou razão social deste. em detrimento de concorrente. pelo seu próprio nome ou razão social. de modo a criar confusão entre os produtos ou estabelecimentos. presta ou divulga. produto adulterado ou falsificado. usa expressão ou sinal de propaganda alheios. sem o ser. divulga. ou os imita. divulga. faltando ao dever do emprego. indevidamente. comércio ou prestação de serviços. para. utilizáveis na indústria. ou concedida. sem o seu consentimento. sem autorização. mesmo após o término do contrato. ou dele se utiliza para negociar com produto da mesma espécie. em proveito próprio ou alheio. de resultados de testes ou outros dados não divulgados. com o fim de obter vantagem. faltando ao dever de empregado. por qualquer meio. a que teve acesso mediante relação contratual ou empregatícia. explora ou utiliza-se.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 59 Série Impetus Provas e Concursos a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) l) m) n) publica. declarando ser objeto de patente depositada. excluídos aqueles que sejam de conhecimento público ou que sejam evidentes para um técnico no assunto. em anúncio ou papel comercial. de conhecimentos ou informações a que se refere o inciso anterior. explora ou utiliza-se. clientela de outrem. cuja elaboração envolva esforço considerável e que tenham sido apresentados a entidades governamentais como condição para aprovar a comercialização de produtos. ou menciona-o. sem autorização. para que o empregado. com o fim de obter vantagem. nome comercial. que não o seja. em produto de outrem. expõe ou oferece à venda ou tem em estoque produto com essas referências. como depositado ou patenteado. se o fato não constitui crime mais grave. vende ou expõe ou oferece à venda. em recipiente ou invólucro de outrem. vende. explora ou utiliza-se. ou de desenho industrial registrado. ou registrado. dá ou promete dinheiro ou outra utilidade a empregado de concorrente. de conhecimento. falsa afirmação. proporcionar vantagem a concorrente do empregador. recebe dinheiro ou outra utilidade. atribui-se. para desviar. lhe proporcione vantagem. como meio de propaganda. ou divulga. embora não-adulterado ou falsificado. acerca de concorrente. substitui. recompensa ou distinção que não obteve. obtidos por meios ilícitos ou a que teve acesso mediante fraude.

por meio do Conselho Administrativo de Defesa Econômica-CADE. Repressão as Infrações Contra a Ordem Econômica 16. de fato ou de direito. livre concorrência. Vale a pena. O efeito das punições nela previstas implica responsabilidade da sociedade e a de seus dirigentes ou administradores.Disposições Preliminares A Lei no 8. bem como a quaisquer associações de entidades ou pessoas. Meios de Proteção à Ordem Econômica Além da repressão aos crimes de concorrência desleal. com ou sem personalidade jurídica. portanto. o Brasil possui instrumentos legais que visam a combater práticas abusivas de mercado. mesmo que exerçam atividade sob regime de monopólio. previstos no Código de Propriedade Industrial. . passíveis de punição na esfera administrativa. reputando-as como infrações à ordem econômica. ou judicial. haverá solidariedade entre as entidades componentes (art. sua abrangência atinge pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado.1. função social da propriedade. solidariamente (art. a fim de atingir o patrimônio particular daqueles que deram causa à infração (esse tema será melhor avaliado no capítulo seguinte). 16. que dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica.1.1. 17). 18 a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica da sociedade. O primeiro relaciona infrações contra a ordem econômica. Outro é a Lei no 8. dispondo a respeito de praticadas consideradas abusivas àqueles princípios.137.60 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 16. que praticar infração da ordem econômica. Quando se tratar de grupo econômico.884. 16). defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico. Um é a Lei no 8.884/94 nasceu sob a bandeira constitucional da liberdade de iniciativa. Ambos os textos legais servem de escudo contra práticas abusivas de mercado. prevê o art. 15. enquanto que o outro contém crimes contra a ordem econômica. analisar cada uma das normas legais. ainda que temporariamente. Neste caso. de 11 de junho de 1994. pois contêm dispositivos para prevenir e reprimir certas atitudes. econômica e contra as relações de consumo. constituídas de fato ou de direito. que define crimes contra ordem tributária. de 27 de dezembro de 1990. De acordo com o art.

Vejamos alguns: a) fixar ou praticar. que deverão ser remetidos ao CADE para julgamento. 20. pois é este que possui o poder decisório. constituem infração da ordem econômica.1. a responsabilidade do infrator é objetiva. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE O CADE é uma autarquia federal. falsear ou. Além do CADE. visando à apuração e repressão de infrações previstas na lei. 20 se revestem de natureza genérica. percebam que as hipóteses enumeradas no art. dentre outros. 20. em seu art. 7o. preços e condições de venda de bens ou de prestação de serviços. b) obter ou influenciar a adoção de condutas comercial uniforme ou concertada entre concorrentes. diversas condutas que. e mais.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 61 Série Impetus Provas e Concursos 16. com competência para decidir sobre a existência de infração à ordem econômica e aplicar as penalidades previstas na lei. 20 reproduzidas acima. . Para o bom entendimento do tema. acabados ou semi-acabados ou as fontes de abastecimento de matérias-primas ou produtos intermediários. Das Infrações e das Penas Segundo o art. se o forem e estiverem revestidos de uma daquelas características. com sede e foro no Distrito Federal e jurisdição em todo território nacional. dentre outras atribuições previstas no art. independente de culpa. na estrutura do Ministério da Justiça. se configurarem uma das hipóteses do art. basta a ocorrência fática. a título de exemplificação. c) dividir os mercados de serviços ou produtos. c) aumentar arbitrariamente os lucros. Pelo teor desse art.2. com atribuições para averiguações preliminares e instauração de processos administrativos. e ainda que seus efeitos não sejam alcançados: a) limitar. caracterizam infração da ordem econômica. a Secretaria de Direito Econômico – SDE. Mas a lei foi além. enquanto que as do art. sob qualquer forma. ou d) exercer de forma abusiva posição dominante. 21 são atos possíveis de serem cometidos e. prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa. 16.1. d) limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado. vinculada ao Ministério da Justiça. pois não depende de existência de culpa. 21.3. em acordo com concorrente. de qualquer forma. independente do resultado produzido. ao relacionar. b) dominar mercado relevante de bens ou serviços. Observem que a SDE detém competência para instauração dos processos. existe. estará tipificada a infração.

60 e 64). recomendação para processar a cisão da sociedade. b) denunciar ao juiz quaisquer irregularidades praticadas pelos responsáveis pela sociedade e das quais venha a ter conhecimento.Da Intervenção Judicial O juiz decretará a intervenção em sociedade quando necessária para permitir a execução específica de penas estabelecidas na lei.4. nomeando interventor que assumirá responsabilidade por suas ações e omissões similares à dos administradores das sociedades. A decisão do plenário do CADE que cominar multa ou impuser obrigação de fazer ou não-fazer constitui título executivo extrajudicial e será promovida na Justiça Federal do Distrito Federal ou da sede ou domicílio do executado. Ao interventor compete: a) praticar ou ordenar que sejam praticados os atos necessários à execução. de extrato da decisão condenatória. 23 e 24). dominado por sociedade ou grupo de sociedades. o CADE detém atribuição para alterar aquele percentual. recomendação aos órgãos públicos competentes para que seja concedida licença compulsória de patentes pertencentes ao infrator e não lhe seja concedido parcelamento de tributos federais. e que sejam cancelados incentivos e subsídios públicos. venda de ativos. igualmente. Em seguida. 16. permitida a prorrogação. do art. e mais. Para setores específicos da economia. proibição de contratar com instituições financeiras oficiais e de participar de licitação com o Poder Público. .1. além de publicação. e c) apresentar ao juiz relatório mensal de suas atividades. 69 a 78. Sobre a posição dominante referida na letra b. já no parágrafo 3o. O prazo máximo da intervenção será de cento e oitenta dias. serviço ou tecnologia a ele relativa. intermediário. cessação parcial de atividade ou qualquer outro ato que contribua para eliminação dos efeitos nocivos à ordem econômica (arts. como presunção para se considerar a posição dominante. à escolha do CADE (arts. conforme a disciplina dos arts. como fornecedor. o legislador adotou o percentual de 20% do mercado relevante.62 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A prática de infração da ordem econômica sujeita os responsáveis à multa pecuniária. a critério da autoridade judiciária. às expensas do infrator. inscrição do infrator no Cadastro de Defesa do Consumidor. adquirente ou financiador de um produto. 20. o seu parágrafo 2o esclarece que há ocorrência quando uma sociedade ou grupo de sociedades controla parcela substancial de mercado relevante. transferência de controle.

884/94 as atitudes nela previstas caracterizam infração à ordem econômica. o fornecedor de bens ou serviços. os arts. 5o. ou multa. considerou a defesa do consumidor como um dos princípios gerais da atividade econômica.2. para as hipóteses do art. 2o do CDC define consumidor como a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. materializado pela Lei Federal no 8. salvo se obstarem o cumprimento dos atos de competência do interventor. ganhou um regramento específico. portanto. além do Código Civil. 5o. de um lado. inciso V. 6o. Consumidor O art. . Direitos do Consumidor 17. em seu art. do outro. 4o. as operações das quais participem. e. 4ª a 6o tipificam como crime contra ordem econômica as hipóteses ali relacionadas. que se encarregava dos contratos puramente civis. A Carta Magna Federal de 1988. os responsáveis pela sociedade não são afastados de suas funções. 17. ou multa.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 63 Série Impetus Provas e Concursos Durante a intervenção.137/90.2. ou multa. 17. conforme veremos adiante. para as hipóteses do art. veio impor nova ordem às relações entre fornecedores e consumidores. e detenção de um a 4 quatro anos. sob a chancela da Lei no 8. 16. mas que intervenha nas relações de consumo. puníveis com penas que vão da: reclusão de dois a cinco anos. ainda que indetermináveis. de 11 de setembro de 1990. uma importância demasiada à figura do consumidor por parte do legislador pátrio. quando este poderá assumir a administração total do negócio. Disposições Preliminares O Código de Defesa do Consumidor. 170. Repressão aos Crimes Contra a Ordem Econômica Se. fundamentado sobretudo na vulnerabilidade do consumidor que. é teoricamente a parte mais frágil numa relação de consumo. Se antes nós tínhamos o Código Comercial de 1850 disciplinando as operações entre esses sujeitos que tivessem natureza eminentemente mercantil. o consumidor final desses bens ou serviços.1. inciso XXXII. Já o art.078. elevou a defesa do consumidor à qualidade de direitos e garantias fundamentais. equiparando-se a ele a coletividade de pessoas. para as hipóteses do art. culminando com a edição do Código. detenção de dois a cinco anos. na disciplina da no Lei 8. Percebe-se. com a edição do CDC.

Quanto aos serviços. no fornecimento de energia elétrica prestado por uma concessionária de serviço público. O consumidor pode aparecer na relação de forma individual ou coletiva. justamente para evitar a exclusão de algum praticante de conduta danosa ao consumidor. o condomínio de apartamentos e o espólio. não é requisito à qualificação de fornecedor ser o ente personificado. Já o poder público somente será considerado fornecedor quando atuar mediante o pagamento de preço. pois a conservação das vias públicas deve ser realizada com verbas oriundas dos impostos pagos pelos cidadãos. luz ou energia elétrica. O proprietário de um veículo danificado após passar em uma via repleta de buracos não encontra proteção no CDC. considerando-se uma coletividade indeterminável de pessoas.3. quando se conclui que uma sociedade em comum (assunto do próximo capítulo) pode ser enquadrada no conceito de fornecedor. podem ser qualquer um. materiais ou imateriais. Desta forma. montagem. Do caput daquele artigo podemos inferir que a conceituação de fornecedor é ampla. 17. posto que regidos pela legislação do trabalho. não por preços. fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. individual ou coletivo. não se pode determinar o número correto de consumidores atendidos.64 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A partir do dispositivo. Por produto o legislador considerou bens móveis ou imóveis. Neste último caso. Determinada é aquela que apresenta um número certo de sujeitos envolvidos. conforme a prescrição do art. nacional ou estrangeira. pública ou privada. a coletividade pode ser determinada ou não. o que o Código pretendeu foi resguardar os direitos daqueles que se encontrem vulneráveis à ação do fornecedor. pois o termo foi utilizado em seu sentido mais amplo. De outra forma. transformação. importação. estará se revestindo da condição de consumidores. construção. . rico ou pobre. equiparam-se à pessoa jurídica a massa falida. não importa. Fornecedor Pelo teor do art. exportação. observem que o princípio da vulnerabilidade do consumidor independe de sua qualificação. desde que fornecidos mediante remuneração. criação. bem como os entes despersonalizados que desenvolverem atividades de produção. 29. seja pessoa física ou jurídica. a exemplo dos serviços de fornecimento de água. salvo os de caráter trabalhista. Para fins da proteção do Código. 3o do CDC. Exemplo: se um grupo de vizinhos resolver contratar serviço de vigilância de uma empresa especializada.

saúde e segurança contra riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos. à pessoa física – não será regida pelo CDC. . administrativa e técnica aos necessitados. pois o vendedor não se enquadra no conceito de fornecedor. asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações. com especificação correta e quantidade. composição. métodos comerciais coercitivos ou desleais. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços. dos costumes. bem como sobre os riscos que apresentem. g) o acesso aos órgãos judiciários e administrativos. coletivos ou difusos. f) a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais. ou. individuais. o art. c) a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços. d) a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva. uma vez que o comprador é o destinatário final e a concessionária é fornecedora do produto. qualidade e preço. de legislação interna ordinária ou de regulamentos expedidos por autoridade administrativas competentes. com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais. coletivos e difusos. assegurada a proteção jurídica. mas que possam ser derivados dos princípios gerais do Direito. e) a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas. teríamos as seguintes situações: a) aquisição pela concessionária à fábrica – não será regida pelo CDC. características. da analogia.4. da eqüidade ou de tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil seja signatário. b) aquisição pelo consumidor à concessionária – será regida pelo CDC. Dos Direitos Básicos do Consumidor Além de outros não especificados no Código. mesmo. uma vez que a concessionária não é destinatária final do produto. b) a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços. individuais. c) aquisição pela concessionária de veículo novo ou usado.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 65 Série Impetus Provas e Concursos Tomando-se como exemplo uma operação de compra e venda de veículos. 17. independentemente de a compradora ser ou não destinatária final do bem. 6o relaciona como direitos básicos do consumidor: a) proteção à vida.

Em primeiro lugar. ainda invocando o caput do art. em seus arts. na embalagem de um veneno para ratos. ainda que ausente qualquer defeito em um ou em outro.66 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel h) a facilitação da defesa de seus direitos. se. 10. Daí dispensa-se informação nesse sentido. Tais riscos. o CDC. em se tratando de um ferro de passar roupas. pois dependem de certa dose de razoabilidade. segundo as regras ordinárias de experiências. define a responsabilidade por fornecimento defeituoso e viciado. a critério do juiz. portanto. 12 e 18. mas em que fora posteriormente verificado algum grau de periculosidade. não contiver alerta de perigo aos consumidores. Por exemplo. É o chamado recall. i) a adequada e eficaz prestação de serviços públicos em geral. Além do fornecimento perigoso. respectivamente. em decorrência da própria natureza e fruição deles. a seu favor. Por exemplo. 8o. . precisam ser melhor avaliados. Essa premissa também vale nas hipóteses do art. Por outro lado. no entanto. Defeituoso é o fornecimento de produto ou serviço que traga dano ao consumidor. pode haver dano ao consumidor. mas por falha na fabricação ou na prestação do serviço. não pelo uso indevido decorrente da falta de informação. uma vez que o fornecedor tem obrigação de informar de maneira clara tal condição. que tratam da necessária comunicação aos consumidores a respeito de produtos ou serviços já introduzidos no mercado. Decorre que. A boa informação. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. inclusive com a inversão do ônus da prova. 8o obriga os fornecedores a prestarem informações necessárias e adequadas a respeito. de acordo com a previsão do art. todos sabem que. Explica-se pela ausência de informações adequadas. quando. que obriga o fornecedor a anúncios publicitários para alerta dos consumidores. da utilização de um produto ou serviço. a fim de se eximir de qualquer responsabilidade pela utilização indevida do produto. é o elemento que define a correção do fornecimento. o mesmo art. Viciado também é um fornecimento cujo objeto contenha falha que possa vir a comprometer a sua perfeita utilização. o fornecimento é considerado perigoso ou nocivo aos usuários. a lei excetuou da necessária informação aos consumidores os produtos e serviços para os quais os riscos oferecidos são considerados normais e previsíveis. 8o. Perigoso ou nocivo é o fornecimento de produtos ou serviços que possam vir a acarretar riscos à saúde ou à segurança dos consumidores. pode provocar queimaduras. quando aquecido. no processo civil.

o fornecimento é defeituoso.Da Responsabilidade pelo Fato do Produto ou do Serviço O fabricante. produtor ou importador nas seguintes hipóteses: a) quando não colocou o produto no mercado. foram utilizados produtos químicos com prazos de validade vencidos. construtor. mas o defeito é inexistente.1. encarregando-se a doutrina de nominá-la como acidente de consumo). ou c) quando a culpa for exclusiva do consumidor ou de terceiro. se essa conseqüência não se confirmou. Igualmente o prestador de serviços responde pela reparação de danos aos consumidores.5. nacional ou estrangeiro. no art. que a responsabilidade a que se referem esses dispositivos é sobre os danos decorrentes da má utilização dos produtos ou serviços. b) quando colocou no mercado.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 67 Série Impetus Provas e Concursos A diferença entre um e outro fornecimento reside no fato de o primeiro efetivamente provocar o dano ao usuário. Das Responsabilidades 17. claro. o construtor. 18. independentemente de culpa. em caso afirmativo. trata-se de um fornecimento viciado. pois independe de se comprovar a existência de culpa. ao sofrer um acidente de carro provocado por defeito na fabricação dos pneus. 12 e 14 do Código. na prestação de um serviço de conservação e limpeza. De outra forma. seja por informações insuficientes ou inadequadas ou por fornecimento defeituoso de produto. pela reparação dos danos causados aos consumidores. Explique-se. Por exemplo. No entanto. sempre lembrando do teor do inciso VIII do art. não. . o consumidor tem o direito de ser indenizado pelos danos sofridos à sua pessoa. tanto no fornecimento perigoso como no defeituoso. E. em sintonia com o princípio da vulnerabilidade do consumidor. independentemente de culpa. 17. que prevê a inversão do ônus da prova a seu favor (significa que a responsabilidade de produzir provas para descaracterizar o fato passa para o fornecedor).5. Essas são as exegeses dos arts. Exime-se a responsabilidade do fabricante. enquanto que o outro. Desta forma. a responsabilidade do fornecedor é objetiva. 6o. e o importador respondem. Isso porque o prejuízo sofrido pelo consumidor relativamente ao próprio bem ou serviço consumido é tratado adiante. do dano e do nexo de causalidade entre ambos. o produtor. Basta ao consumidor provar a ocorrência do fato. contudo. o que poderia provocar dano à saúde das pessoas e aos móveis e materiais envolvidos. se não for por culpa do consumidor (o CDC chama de responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço. independentemente de ser ressarcido dos prejuízos materiais em seu veículo.

que é de cinco anos. 13. o raciocínio é similar ao de fornecimento de produtos. a responsabilidade do comerciante é subsidiária.Da Responsabilidade por Vício do Produto ou do Serviço Vimos no item anterior a responsabilidade decorrente de acidente de consumo. o produtor ou o importador não puderem ser identificados. o construtor. deverá reunir provas de que o médico atuou com negligência. conforme prevê o art. não se falou da responsabilidade do comerciante que vendeu o produto. Nas hipóteses das letras “a” e “b”. 27. Situação interessante é a dos profissionais liberais. que prevê a sua responsabilidade pelo fato do produto quando: a) o fabricante.5. Estes. no entanto. 17. na hipótese de um paciente se sentir prejudicado por uma cirurgia mal realizada. 13 o direito de regresso contra os demais responsáveis.68 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que. do importador. da forma como ocorre nos demais casos de fato do produto ou do serviço. c) não conservar adequadamente os produtos perecíveis. até aqui. do dano e do nexo causal entre ambos. pelos danos causados aos consumidores por defeitos e/ou falhas de informação relativos à prestação dos serviços. imprudência ou imperícia.2. com danos ao condutor e/ou terceiros. como médicos. Ele é citado no art. quando exige a apuração de culpa do profissional. contados a partir do conhecimento do dano e de sua autoria. do construtor ou. é comum haver dificuldade na individualização dessas pessoas. pois o prestador responde. Normalmente não há dificuldade na identificação do fabricante. arquitetos etc. 14 retoma ao modelo clássico de responsabilidade subjetiva do agente. devem estar atentos ao prazo prescricional para responsabilização do fornecedor pelos danos causados pelo fato do produto ou do serviço. independentemente de culpa. dentistas. prevê o parágrafo único do art. não bastando apenas a ocorrência do fato. b) o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante. uma vez que ele somente responde pelo acidente de consumo se não forem identificadas uma daquelas pessoas citadas no caput. quando foi citado como exemplo desastre automobilístico causado por defeito na fabricação de pneus. para fins de sua responsabilização. É que parágrafo 4o do art. mesmo. Desta forma. produtor. . Nestes casos. Com relação à prestação de serviços. situação que torna esse dispositivo de grande valia para os consumidores. Já em relação ao produtor. construtor ou importador.

percebe que o equipamento não dispõe da capacidade de processamento anunciada pelo fabricante. monetariamente atualizada. Sobre esse tema.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 69 Série Impetus Provas e Concursos No presente tópico. a partir da observação de pequenas fissuras nos pneus. estudaremos a responsabilidade pelo fornecimento de produtos e serviços viciados. da embalagem. referido no item anterior. respondem solidariamente pelos vícios dos produtos que os tornem impróprios ao consumo ou que lhes diminuam o valor. O vício na quantidade se materializa quando o peso. o vício. Logo. uma vez que a lei prevê a responsabilidade solidária entre eles. ou não. o empresário que vendeu somente é responsabilizado nas hipóteses de não-localização ou identificação do fabricante. em caso de acidente de consumo. b) a restituição imediata da quantia paga. um usuário que adquire um computador e. prevê o art. dispõe o consumidor das mesmas alternativas referentes ao vício de qualidade. o conteúdo líquido ou o número de unidades não corresponder à descrição do rótulo. c) o abatimento proporcional do preço. em perfeitas condições de uso. podem ser na qualidade ou na quantidade dos produtos. desde que não fique inferior a sete nem superior a 180 cento e oitenta dias. vale comparar que. faculta as seguintes opções: a) a substituição do produto por outro da mesma espécie. independentemente de conhecerem. ou não. Os vícios. É como se o proprietário do veículo citado em nosso exemplo tivesse detectado o problema antes da ocorrência. 18 que os fornecedores de bens duráveis. e responsabilizam tanto o fabricante como o empresário que vendeu o produto. O prazo de trinta dias para solução do problema pode ser alterado de comum acordo pelas partes. Nestes casos. ao chegar em casa. rotulagem ou mensagem publicitária. independentemente de virem a causar acidente de consumo. se não for efetivada em trinta dias. que. Pois bem. ou se o vício for atribuído à má conservação sob a responsabilidade do vendedor. . sem prejuízo de eventuais perdas e danos. Também respondem por disparidade entre o conteúdo e as indicações constantes do recipiente. embalagem ou mensagem publicitária. acrescidas da possibilidade de complementação do peso ou da medida. portanto. pode reclamar a substituição das partes viciadas (vício de qualidade). condição que o obrigou a cessar a utilização do automóvel com a finalidade de evitar o sinistro.

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Quando se tratar de produto essencial ao consumidor ou de outros cuja substituição da parte viciada possa diminuir-lhes o valor, permite-se ao consumidor fazer uso imediato de uma daquelas alternativas reproduzidas acima. Sendo o produto in natura, a exemplo da venda de grãos, frutas e legumes, dentre outros, será responsabilizado o fornecedor imediato, salvo quando o produtor puder ser identificado. Relativamente ao vício de quantidade, prevê o parágrafo 2o do art. 19 a responsabilidade do fornecedor imediato quando fizer a pesagem ou a medição com instrumento que não esteja aferido segundo os padrões oficiais. Isso é o que ocorre na aquisição de produtos por meio de balanças ou outros equipamentos que não obedecem às medições impostas por órgãos oficiais. Impróprios ao consumo são os produtos: a) com prazos de validade vencidos; b) deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; c) que, por qualquer motivo, revelem-se inadequados ao fim a que se destinam. Com relação à prestação de serviços, prevê o art. 20 que o fornecedor responde pelos vícios de qualidade que tornem os serviços impróprios ao consumo ou que lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes de disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária. Nestes casos, faculta-se ao consumidor exigir alternativamente e à sua escolha: a) reexecução dos serviços, sem custo adicional, que pode ser confiada a terceiros capacitados, por conta e risco do fornecedor original; b) restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; c) abatimento proporcional do preço. Não é rara a prestação de serviços deficiente em nosso país, frustrando as expectativas dos consumidores que, na maioria das vezes, vêem-se lesados por falsas promessas de execução de serviços os mais variados possíveis. Por exemplo, determinado consumidor contrata a reparação de um aparelho de som danificado. Na hipótese de o serviço realizado não corresponder à descrição anunciada, pode o contratante solicitar a sua reexecução ou a restituição da quantia paga devidamente corrigida ou, ainda, um abatimento no valor pago, não se admitindo a ignorância do fornecedor sobre vícios de qualidade por inadequação dos produtos e serviços. Isso quer dizer que não pode o fornecedor alegar que desconhecia o mecanismo de funcionamento do aparelho, a fim de se furtar à responsabilidade (art. 23).

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Em se tratando de serviços que tenham por objeto a reparação de qualquer produto, o art. 21 obriga o fornecedor a empregar somente componentes de reposição originais adequados e novos, ou pelo menos que mantenham as especificações técnicas do fabricante, salvo autorização em contrário do consumidor. Quanto aos serviços públicos, a exemplo do fornecimento de água, energia elétrica e coleta de lixo, independentemente de serem prestados por órgãos ou entidades da Administração Direta ou Indireta das três esferas de Poder, os mesmos devem ser adequados, eficientes, seguros e, se forem essenciais, deve haver continuidade na prestação. Esta é a disposição do art. 22, que prevê a necessária reparação de danos causados pelo descumprimento total ou parcial do serviço. Isso não significa a impossibilidade de interrupção do serviço, em caso de inadimplência do consumidor, pois o princípio básico do fornecimento é a retribuição remuneratória, citada no parágrafo 2o do art. 3o. Desta forma, se tomarmos como exemplo o fornecimento de energia elétrica, na hipótese da ocorrência de dano em aparelhos elétricos provocados pela súbita interrupção no fornecimento de energia, tem o consumidor direito ao ressarcimento do prejuízo. Sobre a garantia legal do fornecimento, a lei trouxe disposição comum tanto para produto como para serviço. É o que está disposto no art. 24, que veda a exoneração contratual da garantia do fornecedor, asseverando que ela independe de termo expresso. Em outras palavras, mesmo que o consumidor tenha assinado termo pelo qual o fornecedor queira se furtar à garantia de reparação do produto ou do serviço viciado, mantém-se a obrigação do fornecedor em prestar a garantia. Por outro lado, se nada dispuser o contrato de fornecimento de produto ou serviço, valem os prazos de trinta dias para os serviços e produtos não-duráveis, e de noventa dias para os serviços e produtos duráveis (art. 26). Percebam que esses prazos legais somam-se aos concedidos pelos fornecedores, significando afirmar que, na hipótese de a oficina contratada para o conserto do aparelho de som conceder um prazo de garantia do serviço igual a sessenta dias, este somente começa a correr findo o prazo legal, que é de noventa dias, por se tratar de um serviço de natureza durável. In casu, teríamos uma garantia de cento e cinqüenta dias. Disposição semelhante está contida no art. 25, através do qual o legislador vedou a estipulação contratual que tenha por objetivo exonerar ou atenuar a obrigação do fornecedor de indenizar o consumidor de produto ou serviço. Decorre que a contratação de um serviço de mudança, pelo qual a transportadora inseriu cláusula contratual isentando-se da responsabilidade por dano provocado no deslocamento, não possui qualquer eficácia. O mesmo pode ser repetido para cláusulas do tipo: “Esse estacionamento não se responsabiliza por danos sofridos pelos veículos”.

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Ainda a respeito do mesmo art. 25, os seus parágrafos 1o e 2o previram a responsabilidade solidária de todos os responsáveis pela causação do dano. Se tomarmos novamente o exemplo do pneu defeituoso, que apresentou fissuras observadas pelo proprietário do veículo, tem o consumidor a faculdade de reclamar o dano tanto da montadora, quando se tratar de veículo novo, como do próprio fabricante do pneu. Se o pneu foi adquirido em loja especializada para ser incorporado ao carro, a responsabilidade será solidária entre o fabricante do pneu e a loja, tudo para garantir ao consumidor lesado uma boa proteção contra abusos dos fornecedores. 17.5.3. Da Decadência e da Prescrição Os arts. 26 e 27 do CDC tratam respectivamente dos limites máximos de tempo para o consumidor reclamar por vícios do produto ou do serviço, assim como pelos danos decorrentes de acidentes de consumo. Os prazos a que se referem ambos os dispositivos são bem distintos, variando de trinta dias a cinco anos, em função da constatação de vícios ou da ocorrência de acidentes de consumo, quando, ultrapassado esse tempo, terá caducado o direito do consumidor. A lei chamou de decadenciais os prazos referidos no art. 26, enquanto prescricional é o do art. 27. Dessa forma, contados a partir da entrega do produto ou do término da execução do serviço, decai o direito de o consumidor reclamar por vícios aparentes e de fácil constatação em: a) trinta dias – para fornecimento de produtos e serviços não-duráveis; b) noventa dias – para fornecimento de produtos e serviços duráveis. Vício aparente e de fácil constatação é aquele que se torna visível por uma simples observação. Se tomarmos como exemplo a aquisição de um computador, o mesmo estará maculado por vício aparente se o seu visor estiver rachado. De outra forma, o mesmo produto conterá vício oculto se sua capacidade de memória não corresponder à descrição do fornecedor. Neste último caso, o prazo decadencial começa a contar a partir do momento em que ficar evidenciado o defeito. Obsta a decadência a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor até a resposta negativa transmitida por forma inequívoca, da mesma forma que o inquérito civil, até o seu encerramento. Durável é o produto ou serviço que não é consumido com o uso. Um serviço de lavagem de veículo é não-durável, enquanto que o de pintura é durável.

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Já em relação aos acidentes de consumo, o prejudicado tem um prazo de cinco anos para pretender a reparação pelos danos causados, contado a partir do conhecimento do dano e de sua autoria, após o que estará prescrito o direito de o consumidor pleitear a indenização. 17.6. Da Desconsideração da Personalidade Jurídica O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade sempre que os seus representantes agirem de forma a fraudar consumidores, valendo-se da vulnerabilidade normalmente presente entre eles. Ressalte-se que esse tema será melhor apreciado no capítulo seguinte, relativo ao Direito Societário, quando será abordada a desconsideração com o fito de resguardar os direitos dos credores em geral. Neste momento, contudo, vale a pena uma visão rápida sobre ele, a fim de adaptá-lo ao Direito do Consumidor. Por conseguinte, podemos afirmar que desconsiderar a personalidade jurídica de uma sociedade significa afastar momentaneamente a limitação da responsabilidade dos sócios pelas dívidas e obrigações contraídas em nome da pessoa jurídica, com a finalidade de atingir o patrimônio pessoal dos sócios ou administradores. Imaginem, então, uma sociedade limitada, caracterizada justamente pela limitação da responsabilidade dos sócios à integralização do capital social (uma vez integralizado 100% do capital social subscrito, nenhuma responsabilidade mais caberia aos sócios pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica), através da qual foram vendidas cem unidades de computadores, todos com configuração inferior ao especificado. Chegando os consumidores para reclamar do vício, perceberam que a empresa havia encerrado suas operações, com paradeiro desconhecido dos sócios. Ora, fica evidente que houve fraude aos consumidores, prevalecendo-se aquelas pessoas da ausência de responsabilidade oriunda da integralização total do capital social, pois assim prevê o art. 1.052 do Código Civil, que se refere às sociedades limitadas. É nesta situação que o juiz pode não aplicar a regra geral da limitação da responsabilidade, a fim de atingir diretamente o patrimônio particular dos sócios. O mesmo poderia ser repetido para outros tipos de sociedades onde houvesse obstáculo à responsabilização dos sócios. Em seguida, algumas disposições específicas quando se tratar de (a conceituação sobre cada uma dessas figuras jurídicas está Capítulo 2):

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a) grupo de sociedade – existe responsabilidade subsidiária de cada sociedade componente do grupo pelas obrigações contraídas em nome dele, relativamente aos direitos dos consumidores; b) sociedade controlada – também responde, de forma subsidiária, pelas obrigações para com os consumidores que não forem cumpridas pela controladora; c) consórcio – neste caso, há solidariedade entre as consorciadas, significando afirmar que o consumidor lesado pode acionar qualquer das sociedades integrantes do consórcio, independentemente de ordem; d) sociedades coligadas – uma somente responderá pelas obrigações da outra se restar comprovada a culpa no dano sofrido pelo consumidor. 17.7. Da Publicidade A publicidade de produtos e serviços é própria do mercado de consumo. Numa sociedade consumista, é difícil imaginar a comercialização de bens ou a prestação de serviços sem o fator publicitário. Existem empresas especializadas em propaganda e as despesas decorrentes de suas contratações são mensuradas e compõem os custos dos produtos e serviços colocados no mercado. Com a concorrência cada vez mais acirrada, nada mais legítimo do que os fornecedores investirem nesse componente que vem, ano a ano, tornando-se mais criativo, havendo até concursos para escolha da melhor mensagem. No entanto, o CDC impõe regras destinadas à proteção do consumidor, que não pode ser iludido ou enganado com falsas promessas ou tentativas de se aproveitarem da vulnerabilidade de sua conduta. Desta forma, os arts. 36 e 37 proibiram mensagens disfarçadas, enganosas ou abusivas. Disfarçada é a publicidade que aparece de maneira camuflada dentro de uma determinada reportagem. Por exemplo, certo fornecedor contrata espaço pago em jornal de grande circulação para veicular matéria relativa ao seu produto como se fosse uma reportagem gratuita, de interesse da própria edição jornalística, quando, na verdade, se trata de peça publicitária. Também disfarçada é a publicidade invisível aos olhos e ouvidos, mas que é detectada pelo subconsciente humano. Por exemplo, durante um programa televisivo, certa marca de refrigerante pode ser inserida na tela com tamanha rapidez e freqüência que não é captada pelo olho humano, porém atinge o subconsciente das pessoas. Esta possibilidade está cientificamente comprovada e, como tal, é considerada publicidade disfarçada.

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Capítulo 1 — Noções Gerais

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Enganosa é a publicidade inteira ou parcialmente falsa, capaz de induzir o consumidor em erro a respeito do produto ou serviço adquirido. Por exemplo, uma peça publicitária de veículo, na qual o fabricante anuncie que aquela marca consegue percorrer 20 km na estrada com um litro de gasolina quando, na realidade, não passa dos 10 km, é uma publicidade enganosa. O parágrafo 3o do art. 37 chega a mencionar a publicidade enganosa por omissão, que é aquela que deixa de informar dado essencial do produto ou serviço. Por exemplo, ainda na hipótese do veículo prometido como o mais econômico do mercado, faltou a mensagem informar que somente seria possível atingir aquela meta se fosse misturado outro componente químico à gasolina. Considera-se abusiva a publicidade discriminatória, que incite à violência, explore o medo ou a superstição, aproveite-se da deficiência de julgamento e experiência das crianças, desrespeite valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. Essa forma de publicidade não traz necessariamente dano econômico ao consumidor, da forma como pode acontecer com a publicidade enganosa, porém ela agride valores sociais. Por exemplo, a propaganda de calças jeans que estimule os filhos a considerarem os pais ultrapassados em seus valores morais. A propaganda enganosa e a abusiva constituem crimes contra as relações de consumo e sujeitam tanto o publicitário como o fornecedor do produto ou serviço à pena de três meses a um ano de detenção e multa (arts. 61 e 67), além de uma contrapropaganda, prevista nos arts. 56, XII, e 60, cujo objetivo é desfazer o efeito da primeira. 17.8. Da Proteção Contratual Vimos que um dos princípios basilares do CDC é o reconhecimento da situação de vulnerabilidade do consumidor, tido como a parte mais fraca numa relação que envolva este e o fornecedor de produtos ou serviços. E é natural que seja assim, afinal o fornecedor que trabalha com certo produto ou serviço normalmente já conhece todos os meandros do objeto ofertado, inclusive as formas de melhor repassá-lo ao mercado, sempre com o objetivo de maximizar o lucro. Já o consumidor, muitas vezes gente simples e humilde, que não dispõe da mesma gama de informações do fornecedor, tem que ser protegido contra abusos do fornecedor. Portanto, o Código trouxe uma série de dispositivos tendentes a resguardar os direitos dos consumidores que celebrem contratos de consumo. Eles estão relacionados nos arts. 46 a 54 e podemos expô-los da forma abaixo.

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a) Conhecimento prévio e exposição clara do conteúdo – imaginem certos contratos de seguro nos quais a seguradora coloca em letras microscópicas e nas entrelinhas certas cláusulas de comprometimento do consumidor imperceptíveis numa leitura normal. b) Interpretação favorável ao consumidor – na dúvida, o juiz deve interpretar as cláusulas contratuais de forma a beneficiar o consumidor. c) Declarações de vontade apartadas vinculam o fornecedor – mesmo que não haja ainda a celebração de contrato de consumo, documento escrito e assinado pelo fornecedor obriga-o ao cumprimento do que nele constar. Por exemplo, no caso do aparelho de som levado à reparação, na hipótese de o prestador do serviço fornecer orçamento escrito, a ele se vinculará, ao menos pelo prazo de dez dias, que é a validade do orçamento, conforme prevê o art. 40, parágrafo 1o. d) Possibilidade de arrependimento do consumidor – este, no prazo de sete dias, a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação ocorrer fora do estabelecimento empresarial, especialmente por telefone ou em domicílio, pode desistir do contrato, quando deverão ser devolvidos os valores já pagos, corrigidos monetariamente. e) A garantia contratual é complementar à legal – já foi dito que o fornecedor tem a faculdade de oferecer garantia adicional pelos produtos ou serviços contratados. Essa, contudo, deve ser somada à garantia prevista no art. 26, já exposta em item antecedente. f) Impossibilidade de renúncia de direitos por parte do consumidor – o art. 51 discrimina uma série de atos ineficazes, quase todos girando em torna da renúncia de direitos por parte do consumidor. Pois bem, são nulas de pleno direito as cláusulas contratuais que visem a subtrair direitos garantidos por lei ao consumidor. Por exemplo, certo fornecedor promete aos consumidores bens de consumo durável por preços inferiores ao de mercado, desde que eles renunciem ao direito à garantia legal do produto. Mesmo que o consumidor assine tal contrato, continuará o fornecedor vinculado à garantia prevista no art. 26 do CDC. g) Nulidade de cláusula para perda total de prestações pagas – em contratos de compra e venda de móveis ou imóveis, ou de alienação fiduciária em garantia, consideram-se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda total das prestações pagas em benefício do credor que, em razão do inadimplemento do comprador, pleitear a resolução do contrato e a retomada do produto alienado.

. em qualquer caso.Exercícios 1. b) ( ) As sociedades anônimas podem ser identificadas pelo termo companhia. (firma social). razão social ou denominação. 2. d) ( ) Título de estabelecimento.A. d) Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo S. b) Refinações de Milho Brasil Ltda.A. c) Fagundes. indistintamente. e) ( ) A proteção ao nome empresarial decorrerá do seu registro. constam de forma dispersa no Código Comercial e nas legislações que cuidam das diversas sociedades mercantis. também chamado de “nome fantasia. por extenso ou abreviadamente. ESAF (TTN/1989) Sabendo-se que uma empresa pode adotar nome comercial do tipo firma individual. CESPE – UnB (INSS/1998) Os comerciantes individuais e as sociedades comerciais necessitam de um nome para exercerem as suas atividades mercantis. (firma individual). a ser efetuado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). do termo limitada. (denominação). a) ( ) Comerciantes individuais devem adotar como nome empresarial a firma individual. As regras disciplinadoras da composição dos nomes comerciais ou nomes empresariais. julgue os seguintes itens. terminologia adotada pela legislação vigente sobre registro público de empresas mercantis. é uma modalidade de nome empresarial que somente pode ser utilizada por sociedade anônima. porém. acrescidas.A. sendo vedado. por extenso ou abreviadamente. c) ( ) Sociedades por quotas de responsabilidade limitada podem usar. – Viplan (firma social). assinale a alternativa correta entre os seguintes nomes comerciais. (firma individual). firma social e denominação. o uso desse termo ao final da denominação. e) Viação Planalto S. A respeito do tema. a) Arhur Lundgren Tecidos S. Almeida e Cia. marcando V ou F.

com o nome pelo qual a sociedade exerce o comércio e assina seus atos. Sua natureza jurídica é a de: a) sujeito de todos os direitos mercantis. c) em comandita simples. d) universalidade de fato. c) poderá ser cedida. 6. sendo objeto. através de instrumento público de alteração contratual. b) conjunto de direitos exclusivos do comerciante. b) a escrituração ficar a cargo de profissional qualificado. d) ( ) a matrícula no registro do comércio. d) pode ser cedida por simples autorização do titular. c) universalidade de direito. b) ( ) os atos de registro do comércio não podem ser elididos em face de melhor prova. e) não pode ser cedida a terceiros. ESAF (AFTN/1991) A firma. 4. 5. d) em nome coletivo. não determina a qualidade de comerciante. diretamente ou por reprodução. (JUIZ SUBSTITUTO – BA/1999) No que tange aos efeitos do registro do comércio. c) sua escrituração for efetuada por lançamentos diários. f) ( ) a inscrição de firma individual ou contrato social não assegura a qualidade de comerciante. pelo só efeito do registro. contraindo obrigações perante terceiros: a) jamais poderá ser cedida. e) ( ) o registro dos atos de comércio não é constitutivo de direito. desde que haja cessão do estabelecimento comercial a que está ligada. . c) ( ) o registro do comércio constitui um instrumento de publicidade. mas somente aos sócios que remanescerem. no instrumento particular de alteração contratual. ESAF (TTN – MANAUS/1992) Os livros e as fichas de escrituração mercantil provam a favor do comerciante quando: a) mantidos em boa ordem cronológica. observa-se que (V ou F): a) ( ) a matrícula do contrato social no registro do comércio assegura a condição de comerciante. 7. b) por quotas de responsabilidade limitada. b) pode ser cedida. em princípio. cujo valor está longe de ser absoluto. qualidade esta que pode ser contestada por terceiro. e) mantidos com observância das formalidades legais. e) anônima. e não sujeito de direitos. com a concordância do seu titular. (ICM – SP/1986) Fundo de comércio é o conjunto de bens corpóreos e incorpóreos operado pelo comerciante. JUIZ FEDERAL DA 5 a REGIÃO (FCC/2002) A espécie societária que não admite firma para formação do nome comercial é a sociedade: a) de capital e indústria. d) sua escrituração for efetuada em idioma e moeda correntes nacionais.78 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 3.

b) está ao alcance de qualquer pessoa. d) ( ) O nome João Batista e Companhia Limitada indica que a empresa é uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada ou uma sociedade anônima. pode-se afirmar que: a) é reservada às pessoas que comprovem legítimo interesse. Compreende três espécies: a firma individual. a firma ou razão social e a denominação. a) ( ) O nome empresarial é aquele sob o qual a empresa mercantil exerce sua atividade e se obriga nos atos a ela pertinentes. c) apenas pelos bens de natureza imaterial. mecânica ou tipograficamente: a) não podem substituir o Diário. ESAF (BNDES/2002) O estabelecimento empresarial é formado: a) por todos os bens corpóreos e incorpóreos que são utilizados na exploração da atividade empresarial. d) apenas pelos bens que estão dentro do estabelecimento físico do comerciante. . do Distrito Federal e dos Municípios. b) ( ) As sociedades anônimas. b) podem substituir o Diário. CESPE – UnB (FISCAL DE ALAGOAS/2002) O nome empresarial contém elementos importantes que podem passar despercebidos por muitos. os móveis e o imóvel. ESAF (TTN – RECIFE/1992) As fichas seguidamente numeradas. c) dispensam os termos de abertura e de encerramento. b) apenas pelos bens de natureza material. c) ( ) Em obediência ao princípio da novidade. identificar o tipo societário sob o qual a empresa se constituiu. o objeto social. 11. os sócios e a responsabilidade deles pelas obrigações sociais e. julgue os itens que se seguem (V ou F). e) é reservada aos Poderes constituídos da União. d) requer prévia autorização judicial. o nome empresarial não poderá conter palavras ou expressões que denotem atividade não-prevista no objeto da empresa mercantil. independentemente de comprovar legítimo interesse. c) ressalvadas as autoridades judiciárias e fiscais. 9. todas as pessoas físicas ou jurídicas necessitam comprovar legítimo interesse. na forma exigida para o Diário. A leitura do nome social por olhos treinados revela informações invisíveis aos leigos. e) não comportam escrituração resumida. em regra. e) ( ) O nome empresarial Manoel Dias e Filhos indica que a responsabilidade de todos os sócios pelas obrigações contraídas pela sociedade é solidária e ilimitada. 10. e) apenas pelos bens cuja propriedade pertença à sociedade mercantil. A partir do nome. pode-se. d) dispensam a autenticação. como os estoques. por totais periódicos. A respeito desse assunto. ESAF (TTN – ALAGOAS/1992) Sobre a obtenção de certidões dos livros de registro do comércio. também. as comanditas por ações e as sociedades por quotas de responsabilidade limitada podem adotar tanto a razão social quanto a denominação como nome empresarial. dos Estados.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 79 Série Impetus Provas e Concursos 8.

visando à ampliação do seu negócio. a partir do arquivamento do contrato social. e) estar escoimada de imperfeições. se o pai for legalmente impedido. Dessa forma. Juntos. a) ( ) A atividade empresária somente poderá ser exercida por quem não estiver legalmente impedido. até então. mas suas decisões são vinculantes em definitivo. c) ( ) Sabendo que João Verdureiro é o nome empresarial do mercadinho de João e sendo João empresário mercantil. CESPE – UnB (AUDITOR DO INSS/2003) Marque V ou F. extingue-se a responsabilidade do pai sobre os atos praticados. dono da firma individual João Verdureiro. b) abrem um processo próprio para registrar e dar proteção ao nome empresarial. 14. A Junta negou o registro.80 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 12 ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A escrituração mercantil. a) ( ) Ao negar o registro ao contrato social do Supermercado J&M Ltda. 15. alegando que Manoel estaria sendo processado criminalmente por peculato e não poderia constar como sócio do supermercado. João tinha um mercadinho. a Junta agiu de acordo com a Lei de Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. exercê-la.406/2002). se determinado sócio-gerente estiver interditado.. elaboraram o contrato social do Supermercado J&M Ltda. elas: a) somente podem fazer o exame formal dos atos que lhes são apresentados. o nome empresarial Supermercado J&M Ltda. b) ( ) Nas sociedades em geral. o patrimônio como pessoa física de João não se confunde com o patrimônio da firma individual. seu conhecido. a partir do momento em que assumir(em) o(s) novo(s) gerente(s). d) efetuam o registro de empresas estrangeiras após autorizadas pelo órgão federal competente. Considerando a situação hipotética acima e as normas que regem o nome e o registro comercial. nomeará gerente(s) com aprovação do juiz. para abrirem um supermercado na região onde. teria proteção automática. comerciante antigo no Distrito Federal. se alguém. d) ( ) Caso tivesse sido registrado segundo a Lei de Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. ele poderá continuar o negócio por meio de seu pai. c) garantir a apuração dos tributos devidos pelo empresário. e solicitaram à Junta Comercial do Distrito Federal o seu registro. nos termos do Novo Código Civil (Lei no 10. responderá pelas obrigações contraídas pela empresa. d) dar aos credores informações sobre as operações contratadas. associou-se a Manoel. Nesse caso. c) são órgãos administrativos. uma vez que as sociedades limitadas não admitem nome comercial de outra natureza. 13. CESPE – UnB (AGU/2002) João. b) ( ) Supermercado J&M Ltda. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Em relação às Juntas Comerciais. e) deverão efetuar o registro também de associações. por permitir a verificação das mutações patrimoniais e dado seu valor probatório. ainda que legalmente impedido. é nome empresarial da espécie denominação. deve: a) facilitar a análise dos agentes da fiscalização. . b) permitir avaliar a eficácia da ação administrativa. julgue os itens que se seguem (V ou F). desde que autorizado pelo juiz.

d) é admitido amplamente o costume contra legem. c) somente se admite o costume secundum legem. mas que não guardam liame com a atividade-fim da empresa. d) não implica a cessão de créditos relativos à atividade exercida no estabelecimento. a) ( ) O estabelecimento empresarial confunde-se com o patrimônio da sociedade. aqueles locais nos quais o titular for empresário.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 81 Série Impetus Provas e Concursos 16. 20. em conjunto. não fazem parte do estabelecimento. e) equivale à alienação do imóvel utilizado para o exercício de atividade empresarial. e) somente são estabelecimentos. b) o costume constitui apenas regra de hermenêutica. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DE PE/2003) Estabelecendo a Lei de Introdução ao Código Civil que. sujeitos à disciplina do Código Civil. é correto afirmar que: a) o costume é meio de integração do direito. d) ele não poderia ter a falência decretada. 4 o). b) impede o alienante de exercer a mesma atividade que exercia anteriormente pelo prazo de cinco anos. Como conseqüência desse fato: a) os negócios por ele feitos eram nulos de pleno direito. empresarial julgue os itens que seguem. mas não pode ser considerado fonte ou forma de expressão do Direito. c) não importa sub-rogação no contrato de locação comercial. c) independentemente de efeitos na esfera administrativa. 19. suas obrigações manterse-iam válidas. “quando a lei for omissa. desde que em local diferente do da residência. ESAF (PROCURADOR DO DF DF/2004) A alienação do estabelecimento empresarial: a) transfere automaticamente ao adquirente as obrigações regularmente contabilizadas. em qualquer ponto do território nacional. 18. CESPE – UnB (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2004) Acerca do estabelecimento. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Considera-se estabelecimento: a) o estúdio de um artista plástico. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Em vista de uma denúncia anônima. 17. desde que ele não tivesse se valido do cargo para conseguir algum favor. b) ( ) Os imóveis pertencentes à sociedade empresarial. b) o consultório dentário em que são prestados serviços e oferecidos aos clientes. . o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. para venda. c) o escritório de advocacia de que são locatários. d) os locais mantidos por fotógrafos amadores no qual são revelados os filmes. b) não haveria qualquer penalidade. vários profissionais de Direito que dividem tarefas conforme as diferentes especializações. e) os costume praeter legem desempenha função supletiva da lei. c) ( ) O alienante de determinado estabelecimento empresarial não poderá fazer concorrência ao adquirente nos dois anos subseqüentes à transferência. e) sua falência seria decretada de pleno direito. exonerando o alienante de qualquer responsabilidade. os costumes e os princípios gerais de direito” (art. produtos para higiene bucal. foi descoberto que um funcionário público era titular de um estabelecimento comercial.

no seu descumprimento. ESAF (AUDITOR DO TCE DO PARANÁ/2003) A Lei no 8. c) anulação de cláusulas contratuais que impeçam a defesa do consumidor. 22. c) ( ) Se três pessoas trabalharam conjuntamente para inventar um modelo de utilidade. por dano moral. não se admitindo que apenas uma delas faça o requerimento que contenha a nomeação e qualificação dos demais. baseou-se na vulnerabilidade do consumidor.82 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 21. e) impossibilidade de reajuste de prestações vincendas. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2004) Com referência à atividade econômica e ao regime jurídico da concorrência. ao estabelecer a política nacional das relações de consumo. na sua desobediência. em face da insatisfação do consumidor com os serviços prestados. a) ( ) Configura infração à ordem econômica a retenção de bens de produção ou de consumo. e) podem levar à prisão civil os administradores. julgue os itens subseqüentes. julgue os itens que se seguem. passa ele a gozar de uma presunção relativa de ser legitimado a obter a patente. a) ( ) Se um inventor requerer uma patente perante o Instituto Nacional de Propriedade Industrial. b) ( ) Os atos de concentração de empresa que possam prejudicar a livre concorrência devem ser submetidos previamente à apreciação do Conselho de Administração de Defesa Econômica (CADE) ou no prazo de quinze dias úteis. 23. b) respeito ao sinalagma genético ao longo da execução do contrato.078/90. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) As obrigações relacionadas com a escrituração: a) têm em conta o interesse de terceiros quanto à informações daquela constantes. b) determinam. caso os livros obrigatórios não tenham sido escriturados ou o tenham sido de forma indevida. em face de insatisfação do consumidor. determinando a caracterização de crimes de sonegação fiscal. d) reparação. mesmo que seja para garantir a cobertura dos custos de produção. . UnB/CESPE (PROCURADOR DO ESTADO DE RORAIMA/2004) No que concerne a patentes. c) são relevantes apenas do ponto de vista fiscal. pelos quais o ordenamento jurídico pátrio tem especial apreço. responsabilidade no plano cível apenas para o contador responsável. é permitido a seus herdeiros requererem a patente. contados da celebração do contrato. b) ( ) Falecido o inventor de um modelo de utilidade. 24. a lei prevê que as três requeiram juntas a patente. A proteção de seus interesses implica: a) renegociação do preço do bem ou serviço. d) acarretam responsabilidades para os sócios não-administradores por culpa in vigilando.

em comum acordo. a) ( ) Para a defesa do consumidor. leve o consumidor ao erro. não caracterizando. pessoa ou empresa que vendeu ou fez a entrega do produto ao consumidor. há exclusão absoluta da responsabilidade do comerciante. a) ( ) Para caracterização da publicidade enganosa. b) ( ) De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Nessa situação. não se exige culpa ou dolo do anunciante. os serviços de natureza bancária enquadram-se no conceito de serviços previstos no CDC. recusa à prestação do serviço. inteira ou parcialmente. UnB/CESPE (PROCURADOR DO ESTADO DE RORAIMA/2004) Em relação a conceitos utilizados para a aplicação das normas de defesa do consumidor. a) ( ) Considere a seguinte situação hipotética.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 83 Série Impetus Provas e Concursos 25. d) ( ) Apesar de terem um regime próprio de direitos do consumidor. julgue os itens subseqüentes. c) ( ) Estando individualizada a responsabilidade do fornecedor pela colocação de um produto no circuito comercial. 26. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2005) A respeito da defesa da proteção do consumidor. ou por omitir dados importantes. terá que ser dotada de personalidade jurídica. c) ( ) Para efeito de direito do consumidor. decidiram fixar. no caso. por ser falsa. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2005) Julgue os itens que se seguem. é correto concluir que não houve infração à ordem econômica. julgue os itens subseqüentes. não se enquadram como produtos os bens de natureza imaterial. prática vedada pelo Código de Defesa do Consumidor. proíbe-se apenas o resultado: que a publicidade induza o consumidor a formar falsa noção da realidade. . Nessa situação. quanto à disciplina jurídica da concorrência empresarial. 27. preços e condições para a prestação de seus serviços. com base na disciplina jurídica da concorrência empresarial. para que uma sociedade seja considerada fornecedora. basta que a informação publicitária. Duas auto-escolas. nos termos previstos no contrato. e cujas sedes localizam-se na mesma avenida. b) ( ) Uma instituição financeira pode encerrar conta-corrente mediante notificação do correntista. b) ( ) A pessoa jurídica que incidir em prática de infração da ordem econômica poderá se sujeitar à pena de multa de até 20% do valor do faturamento bruto no seu último exercício. uma pessoa física que preste serviço enquadrase no conceito de fornecedor. que dominam menos de 1% do mercado relevante.

decorrido longo período. f) ( ) Caso os agentes do INPI verifiquem que tenha sido patenteada determinada invenção contrária à saúde pública. o autor deveria ter notificado as pessoas para que cessassem a exploração do objeto. c) ( ) O CDC permite a revisão de cláusulas que. o depósito relativo ao pedido de patente no INPI. em virtude do princípio da pacta sunt servanda. no dia 1o de janeiro de 2004. concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). contudo. contudo. que suporte o ônus de sua não-produção. o autor de propriedade industrial. de boa-fé. autora de modelo de utilidade. e) ( ) Determinada pessoa. UnB/CESPE (JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA/2005) Acerca da normatização do Direito do Consumidor. o exame do pedido de patente deve ser requerido até o dia 1o de janeiro de 2007. por decisão administrativa ou judicial. tal qual o empréstimo bancário. a qual deverá ser ajuizada no foro da Justiça Federal. se pretenda provar. tomou conhecimento de que algumas pessoas. tal objeto. b) ( ) Não serão objeto de patente. químico-farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie. Isso não implica. sim. Não se aplica a essa situação o Código de Defesa do Consumidor (CDC). a) ( ) Não é considerado relação de consumo o negócio jurídico de natureza creditícia. não sendo o contratante destinatário final de produto ou serviço. Nessa situação. relativos à propriedade industrial e intelectual. como forma de se resguardar o interesse público. a modificação de cláusulas que estabeleçam prestações desproporcionais. Não permite. Nessa situação. já utilizavam. tornem-se excessivamente onerosas. c) ( ) Considere que alguém modifique a forma de uns óculos e isso resulte em um novo modelo. legalmente. por intermédio dessa prova. antes da data do depósito no INPI. em regra. mas. pois aos criadores de obras intelectuais é assegurado o direito de exploração. que o fornecedor seja obrigado a arcar com as custas para a produção de prova requerida pelo consumidor. promoveu o depósito referente ao pedido de patente de sua obra e. esse novo objeto poderá. pois o bem adquirido por essa modalidade de contrato é utilizado para aquisição de outros bens de consumo. facilmente adaptável à cabeça. b) ( ) A inversão do ônus da prova. 29. . a) ( ) Tal como ocorre no direito autoral. produtos alimentícios. sendo considerados verdadeiros os fatos que. UnB/CESPE (JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA/2005) Julgue os itens que se seguem. sob pena de ser arquivado. o próprio INPI poderá propor ação de nulidade de patente.84 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 28. julgue os itens a seguir. g) ( ) Será passível de licença compulsória a patente concedida a empresário que utilize os direito dela decorrentes de forma a praticar abuso do poder econômico comprovado nos termos da lei. dado que ela envolve instituições financeiras. tem seus direitos materiais resguardados desde o momento da criação de sua obra. Nessa situação. visa a facilitar a defesa da parte hipossuficiente na relação de consumo. em razão de fatos supervenientes. direito básico do consumidor. oponível contra todos. para efeito de patente. ser considerado um modelo de utilidade e o prazo de proteção da patente será de quinze anos. d) ( ) Considere que o autor de uma invenção tenha feito.

é pessoalmente responsável por danos causados ao consumidor. para fins de incidência do CDC. dispôs-se a reparar o dano. de apenas dez anos de idade. Arnaldo. cujo computador apresentou problemas. g) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. em princípio. entregando um outro veículo. Mais de trinta dias se passaram sem que o veículo fosse consertado. o garoto. que rege as relações de consumo. Nessa situação. Os computadores dessa marca apresentavam defeitos de montagem. constatou que o arcondicionado não estava funcionando. José teria direito. No percurso.00. alternativamente e à sua escolha. i) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. h) ( ) Os serviços públicos essenciais devem ser prestados de maneira contínua. a atitude meramente liberal de Arnaldo não é caracterizada como prestação de serviços. Em um supermercado. Nesse caso. . Nessa situação. visto que a culpa é exclusiva da vítima. e) ( ) Suponha que um cliente. Entrou em contato com a concesionária e exigiu a substituição desse acessório. f) ( ) O profissional liberal. k) ( ) A venda de frutas e hortaliças torna responsável. não pode o órgão público prestador de serviço público essencial cortar o fornecimento de serviço a consumidor que permaneça inadimplente após ter sido previamente notificado. na condição de fornecedor de produtos e serviços. de posse do veículo. prontamente. independentemente da existência de culpa. o fornecedor não responde pela reparação dos danos causados ao consumidor. entre outros acessórios. visando a auxiliar uma cooperativa habitacional. José adquiriu veículo novo. foi informado de que bastaria a reinstalação de um software e de que a execução do serviço custaria R$ 35.00. elaborou projeto para a construção de casas populares. recebeu a fatura discriminando a troca de um componente de computador. à substituição do veículo.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 85 Série Impetus Provas e Concursos d) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. ao deixar cair a garrafa de vidro no chão. no valor de R$ 500. com ar-condicionado. uma garrafa de vidro que continha refrigerante. usado e de menor valor. tenha procurado uma empresa de assistência técnica para consertá-lo e. j) ( ) Determinada marca de computador estava sendo vendida pelo estabelecimento empresarial X. A concessionária. Portanto. Entretanto. pegasse e trouxesse. sem cobrar remuneração. Antônio pediu que seu filho. até o carrinho de compras. a prática descrita é abusiva. Dias após. o fornecedor imediato. em razão do princípio da responsabilidade objetiva. para que José o utilizasse enquanto fosse efetuado o conserto no carro por ele adquirido. engenheiro civil. exceto no caso em que for possível identificar claramente o produtor. por vícios do produto. sofreu cortes profundos na perna. à restituição imediata da quantia paga ou ao abatimento proporcional do preço pago. o estabelecimento empresarial X será solidariamente responsável apenas se o fabricante ou o importador do produto não puderem ser identificados. e pagou à vista. Nessa situação. conforme o CDC. Sendo assim.

Todavia. ( ) O anúncio publicitário é considerado parte integrante do contrato que estabelece a relação de consumo. em se tratando de fornecimento de serviço ou de produto não-durável. mesmo que ele ignore a mácula. o qual vincula o fornecedor do produto ou serviço e pode ser objeto de execução específica. à devolução da primeira prestação não corrigida monetariamente. conforme disposição do CDC. por telefone. Depois do primeiro pagamento. o que fez o desistir do contrato três dias após a entrega do produto. Lucas recebeu o produto em sua residência. Nessa situação. as partes podem convencionar a redução. até mesmo. é responsabilizado o seu fornecedor. Lucas não gostou do bem adquirido. ele deve sanar o vício no prazo máximo de trinta dias. imediatamente. Entretanto. ( ) O prazo para reclamação de vícios de fácil constatação decai em trinta dias.86 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel l) m ) n) o) p) q) ( ) Dada a responsabilidade do fornecedor por disparidade de indicações do produto constantes de mensagem publicitária. Lucas terá direito. tendo acertado que o pagamento seria efetuado em quatro parcelas iguais. podendo ser estendido uma única vez por igual período. ( ) Considere a seguinte situação hipotética. o aumento ou. ( ) Pela existência de vício de qualidade que torne o produto inadequado para consumo. a supressão desse prazo. ( ) O fornecedor de serviços de reparação de produtos não é obrigado a empregar componentes originais. . um equipamento de ginástica. Lucas comprou. salvo se expressamente convencionado no contrato.

Antes. • PARTIDOS POLÍTICOS E ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS – Essas ARTIDOS novas formas de pessoas jurídicas. 981 do CC/2002. Para o bom entendimento da matéria. caracterizada pela inexistência de fim lucrativo em seu objeto. senão vejamos: . a fonte de origem das fundações são bens. seja ela social. 44. presta-se a reunir indivíduos ligados a uma mesma causa. parágrafo único. definiu as espécies de pessoas jurídicas de Direito Privado. deve ser religioso. cultural ou de assistência. em seu art. conforme o mandamento do art. Com efeito. os partidos políticos assumiam forma de associação. que é a destinação de um patrimônio para dar surgimento ao ente jurídico. Serve como exemplo a Associação Atlética Banco do Brasil.825/2003. organizações tal destaque a partir da Lei no 10. Em regra. é necessário distinguirmos cada uma das espécies relacionadas pela Lei Civil. precede a criação de uma fundação a afetação de bens que serão empregados na realização do fim proposto que. Por aquele dispositivo. enquanto as organizações religiosas eram fundações. enquanto as outras espécies de pessoas jurídicas constituem-se a partir do agrupamento entre seres naturais. Disposições Preliminares O Código Civil de 2002. sociedades. recreativa. A alteração teve o condão de definir uma forma jurídica própria para cada uma. de 22 de dezembro de 2003). esportiva. A título de exemplificação. criadas com recursos oriundos apenas da iniciativa privada. • FUNDAÇÃO – Existe um traço marcante em sua composição.Capítulo Direito de Empresa 2 1.825. do CC/2002. • ASSOCIAÇÃO – É forma de construção de pessoa jurídica. provêm de um desmembramento das anteriores. política ou profissional. associações. 62. • SOCIEDADE – Tem definição no art. Observe-se que. temos a Fundação de Cultura Roberto Marinho. inseridas no Código a partir da Lei Federal no 10. moral. possíveis de serem adotadas no ordenamento jurídico brasileiro. são enquadradas nessa categoria as associações as sociedades partidos as fundações as organizações religiosas e os partidos políticos (os dois últimos ganharam fundações.

enquanto os membros de uma sociedade perfilham a busca dos ganhos decorrentes da atividade econômica. dos resultados. ficaram as sociedades empresárias. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais negócios determinados.1. Nessa hipótese. Como se vê. independentemente de seu porte ou organização. estão fora do conceito as sociedades de professores. Parágrafo único. fossem consideradas empresárias. ou seja. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir. médicos e dentistas. O dispositivo excluiu da conceituação as sociedades criadas para o desenvolvimento de atividades intelectuais. A ressalva é se o exercício dessas profissões constituir elemento de empresa. a priori situadas à margem do conceito empresarial. portanto. 981. O Código Civil de 2002 elegeu a bipartição das sociedades em ramos distintos. encaixando-se o objeto como atividade própria de empresário. pois as pessoas que dela participam visam à partilha de seus resultados entre si. pois. caput. a atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. ainda que o objeto seja de caráter intelectual. previstas no parágrafo único do mesmo art. artistas. Sociedades Empresárias O art. para o exercício de atividade econômica e a partilha. entre si. conforme já exposto no Capítulo 1. no outro. quando o objeto social for diretamente relacionado às atividades profissionais respectivas. Desta forma. mas também à forma organizacional por ela adotada. conforme a definição do art. a sociedade será considerada empresária. as sociedades simples. desde que presente a forma organizacional requerida. A opção do legislador em caracterizar determinada sociedade como empresária não se limitou à análise de seu objeto social. Em um. com bens ou serviços. as associações das sociedades o fato de as primeiras não possuírem finalidade econômica. . 966. 966. Diferencia. 982 do CC/2002 determinou que as sociedades que tiverem por objeto atividades próprias de empresário.88 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Art. há um intuito econômico na formação da sociedade. poderemos presenciar o surgimento de sociedades empresárias cujos objetos sociais possam ser justamente o desenvolvimento daquelas atividades. enquanto. De outra maneira. simples Vejamos os traços singulares entre umas e outras. além de outras. 1. a sociedade pode vir a ser empresária. a exemplo de uma instituição de ensino ou de um hospital.

no 3. Nesse âmbito se encontravam todas as que tivessem por objeto a compra e venda de mercadorias. podemos elaborar o seguinte quadro comparativo: Situação antes do novo Código 1-Sociedades comerciais reguladas pelo Código Comercial e legislação complementar (Dec. Observem que toda sociedade simples deve possuir como objeto social o exercício de uma daquelas profissões intelectuais. ou seja. Sociedades Simples Estas são determinadas pelo seu objeto social.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 89 Série Impetus Provas e Concursos 1. mas nem toda sociedade cujo objeto social seja daquela espécie será sociedade simples. É o que pode ocorrer com uma sociedade de grande porte. temos não uma sociedade simples. Em se tratando de uma sociedade cujo objeto seja um daqueles previstos no parágrafo único do art.404/76 para as por ações). com muitos profissionais envolvidos. de natureza científica.708/1919 para as limitadas e Lei no 6. a pessoa jurídica terá a forma de sociedade simples. literária ou artística. Além dessas. porém desempenhada de uma forma empresarial. a exemplo dos grandes hospitais. a exemplo das instituições financeiras e transportadoras.404/76.2. mas empresária. das grandes consultorias etc. as que forem organizadas como empresa. Também algumas prestadoras de serviço já eram assim consideradas. podem ser classificadas como tal. . especializada em consultoria de projetos. Com a nova ordem. todas aquelas que já tinham por objeto a compra e venda de mercadorias ou a prestação de umas poucas espécies de serviços exemplificados na primeira coluna foram aqui enquadradas. Se traçarmos um paralelo entre a classificação existente anteriormente ao Código Civil de 2002 com a que passou a vigorar a partir da nova Lei Civil. Situação após o novo Código 1-Sociedades e mpresárias reguladas pelo Código Civil de 2002 e Lei no 6.. quando ausente elemento de empresa. Nesta condição. o mesmo de profissões intelectuais de natureza científica. atividade tipicamente intelectual. 966. onde o caráter pessoal do serviço é menos importante.

Como exemplo. senão vejamos: . temos uma clínica médica ou sociedades de arquitetos. será necessária a análise da estrutura organizacional. não enqua-drados no campo comercial. pois a observação do objeto era bastante para definição de sua classificação. como tal definido no parágrafo único do art. Do exposto. gozam de classificação já anunciada legalmente. será ela considerada empresária. levando a sociedade a ser classificada como empresária. pintores. podemos afirmar que o critério para se definir se uma sociedade é simples ou empresária depende tanto do objeto social como de sua estrutura. todas sem elemento de empresa. Sendo o objeto mercantil. Trata-se de sociedades que. independentemente da forma como se organizem. pela sua forma. Nessa categoria. não importava a forma pela qual estava organizada a pessoa jurídica.90 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2-Sociedades civis reguladas pelo antigo Código Civil. de natureza científica. quando será ela simples. algumas organizações têm suas espécies previamente definidas. desprovidas de estrutura empresarial. cujos objetos seriam todos os outros. literária ou artística. a atividade de produção ou intermediação de mercadorias. que poderá indicar a presença de elemento de empresa. mas passou a ser empresária. ou qualquer outro. a dificuldade reside na ausência de parâmetros objetivos. De outra maneira. A par desse raciocínio. ou a ausência daquele. Nesses casos. além daquelas poucas espécies de serviços já mencionadas. são consideradas as antigas sociedades civis. a fim formar um divisor de águas entre aquela que poderia ser uma sociedade simples. em se tratando de objeto civil. pelo seu objeto. pois o legislador não se preocupou em traçar elementos indicativos de uma ou outra espécie. independentemente de sua estrutura. Nessa época. quer dizer. 966. recolhimento de impostos. como número de funcionários. tanto pelos seus objetos como pelos seus tipos. pois assim quis o legislador. faturamento bruto. que tenham por objeto o exercício de uma profissão intelectual. 2-Sociedades simples reguladas pelo Código Civil de 2002.

inclusive. visando à participação no resultado econômico. A conclusão vem da combinação dos arts. 982 do CC/2002. sempre empresárias.904/94 (Estatuto da OAB) e do art. da Lei no 8. 982. sempre soc. O art. 5-Sociedade com objeto próprio de empresário rural. mas sem registro. 15.068/62. fazer prova com seus livros empresariais. parágrafo único. Pelo art. desde que tenham registro na Junta e adotem um dos tipos daquelas. parágrafos 1o e 2o. parágrafo por ações. O art. 1o da Lei no 4. simples. 4-Sociedade de advogados. 3-Cooperativa. 982. Em geral. permitindo-se. Sempre sociedade simples. que se propõem a contribuir com o fundo social. 2. . além de ficar obrigada a manter escrituração especial.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 91 Série Impetus Provas e Concursos ESPÉCIES EMPRESÁRIAS SIMPLES 1-Anônima e comandita Pelo art. os principais efeitos da caracterização de sociedade como empresária são a submissão à falência. 2-Sociedade de construção. que considera simples todas as que não forem empresárias. Constituição das Sociedades As sociedades nascem da comunhão de vontade entre os sócios. único. 984 do CC/2002 diz que se equiparam as empresárias. declarou comerciais as sociedades de construção. possibilidade de obter recuperação judicial ou extrajudicial.

Neste caso. reunindo os tipos societários que tiveram seus atos de constituição arquivados na Junta Comercial. sociedades constituídas a partir de acordos firmados à revelia de qualquer documento escrito. determinado ou determinável. classificando-as como “sociedades não-personificadas”. Na forma. Outros requisitos são igualmente necessários à validade dos atos de constituição. pública ou particular. Atualmente. ou no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. embora podendo vir a ter provada sua existência. não a própria sociedade. 104 do Código Civil/2002. a lei admite a existência de contratos orais. 1. são efetivados por escritura.008 do CC/2002 veio modificar o antigo Código Comercial. pois não poderá arquivar seus atos constitutivos no órgão de registro do comércio. cuja totalidade do capital encontra-se em mãos de outra sociedade). deve se revestir dos mesmos quesitos exigidos do negócio jurídico em geral. O Código Civil de 2002 reservou um subtítulo que trata especificamente das sociedades não-registradas.A. ou seja. O art. ou mesmo aquela em que algum seja excluído do resultado. temos as sociedades em comum (antes intituladas sociedades irregulares ou de fato) e as sociedades em conta de participação assim conhecidas participação. Também se considera assim a sociedade onde algum sócio seja desonerado da contribuição para o fundo social. que considerava nula a sociedade em cujo contrato constasse uma dessas cláusulas. que pode ser um contrato ou um estatuto social. a sociedade. e mais a participação necessária de. quais sejam: a contribuição dos sócios na formação do capital social. expressos no art. Leonina é a sociedade na qual se estipule que a totalidade dos lucros competirá a um só sócio. probatório de suas existências. tornando nula apenas a cláusula específica. que é uma S. c) forma prescrita ou não defesa em lei. quando se tratar de sociedade simples. Neste grupo. será tida como irregular. serão estudadas detalhadamente em tópico seguinte. entretanto. . desde o Código Comercial. assim como a participação nos lucros ou prejuízos. possível. quais sejam: a) agente capaz. As demais estão relacionadas no subtítulo “sociedades personificadas”.. pelo menos. seja ela simples ou empresária. se forem empresárias. dois sócios no quadro social (exceção para subsidiária integral.92 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O acordo celebrado entre os componentes da sociedade. Todas. apenas se considera ineficaz estipulação nesse sentido. b) objeto lícito. Entretanto.

ou seja. além de possuir patrimônio próprio. nos limites do respectivo Estado. O art. Logo. d) proteção ao nome e ao título – o art. no caso de sociedades simples.166 do Código assegura o uso exclusivo do nome. não significa que perderão a validade. tudo de forma distinta de seus sócios. dentre outras conseqüências: a) capacidade patrimonial – significa afirmar que o patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o de cada sócio. todavia. pois é a pessoa jurídica que assume um dos pólos da relação negocial. estará agindo em nome dela. b) capacidade negocial – quando um legítimo representante da sociedade contrai uma obrigação ou adquire um direito para a sua representada o faz em nome dela. o representante de pessoa jurídica que ingressar em juízo na defesa de interesses da sociedade. quando providenciada pelo titular. praticando. c) capacidade judicial – o mesmo princípio exposto acima pode ser invocado. ao empresário inscrito. A mesma . Por outro lado. sujeito de direito. a pessoa jurídica poderá exercer direitos e contrair obrigações. será reputada não-personificada. somente poderia atuar por meio de alguém. não o agente. Em qualquer sociedade. não importa o tipo. Personificação das Sociedades Enquanto as pessoas naturais adquirem personalidade jurídica a partir do nascimento com vida (a lei resguarda o direito do nascituro). Não providenciada tal formalidade. ao menos no primeiro momento. através de seu representante. 1. pessoa física ou jurídica. que estará demandando ou sendo demandada judicialmente. são os bens e direitos atinentes a ela que têm que fazer face às obrigações contraídas em seu nome. sendo empresárias. sendo um ente abstrato. a sociedade pode até funcionar. as sociedades somente podem ser consideradas personificadas depois do arquivamento de seus atos de constituição na Junta Comercial.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 93 Série Impetus Provas e Concursos 3. ou no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Esta. o registro só terá efeito a partir da data de sua concessão. providenciado o arquivamento. representante seu. não seu representante. nome e domicílio. Da personalidade jurídica decorrem.151 do CC/2002 prescreve que os documentos de constituição da empresa devem ser apresentados a registro até trinta dias da lavratura. é a pessoa jurídica. 1. pois há aquelas nas quais os sócios assumem responsabilidade subsidiária. atos relacionados ao objeto social. Contudo. Trazidos em prazo posterior. podendo haver a extensão da proteção a todo território nacional.

para onde o leitor deve se reportar. não existe a mesma previsão legal. no 8. o Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. como a sociedade em nome coletivo e as em comandita simples ou por ações. desde que o registro tenha sido efetivado no órgão próprio.245/1991. Por ela se afasta a autonomia patrimonial da sociedade. quando foi citada a Lei do Inquilinato. tudo dependendo de estarem presentes outras condições legais. O Patrimônio das Sociedades Vimos. ao contrário. no item antecedente. conforme o disposto no art. Entretanto. independentemente do tipo societário adotado. in casu. que foi logo seguida pelos demais autores. em seu art. seria preciso processo específico junto ao mesmo órgão. mesmo. é claro. Não se trata de despersonalizar um ente que adquiriu personalidade jurídica por meio do arquivamento de seu ato constitutivo no órgão de registro. que previu. a fim de poder alcançar bens particulares dos sócios que se valeram da pessoa jurídica para o cometimento de atos com fraude. faz-se uso da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. a Lei Civil não fez qualquer referência expressa ao título. defendida inicialmente por Fran Martins. único. A equiparação daquela proteção é fruto de posição doutrinária. e) Proteção ao ponto – esse tema foi objeto de apreciação no Capítulo 1. . receber indenização pela saída. para o cancelamento da inscrição.155. 1. que um dos efeitos da personalização das sociedades é a separação patrimonial entre os bens sociais e os particulares do sócio. os sócios poderão ser compelidos a disponibilizar seus bens para satisfação dos credores sociais. em princípio.94 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel garantia é dada às denominações de sociedades simples. há a possibilidade de desconsiderar-se a separação patrimonial. associações e fundações. é apropriada para os tipos de sociedade que possuam sócios de responsabilidade ilimitada. 4. Para tanto. Esta hipótese. f) Registro e patentes junto ao INPI – também outro tema abordado no Capítulo 1 deste obra. em situações onde se verifique a ocorrência de atos fraudulentos cometidos por sócios. 4o. ser arcadas pelo ativo dela própria. Significa afirmar que as obrigações assumidas pela sociedade devem. Quanto ao título do estabelecimento. Nesses casos. a regularidade de constituição como requisito para o titular do ponto gozar do direito à renovação do contrato de locação ou. Não sendo esse suficiente. sinônimo de nome de fantasia.

vejamos o seguinte exemplo. com evidente intenção de esvaziar a sociedade. constituíram uma nova. de qualquer forma. Contudo. Nesse período. citado por Fábio Ulhoa Coelho. sabedores de que as obrigações não passariam da pessoa jurídica. materializada com a assinatura de uma nota promissória a vencer em trezentos e sessenta dias. referindo-se a sociedades nas quais a lei resguarda o patrimônio particular dos sócios. que aproveitam essa prerrogativa para o exercício de atos que trazem encargos consideráveis à pessoa jurídica. O que ela busca é evitar o encobrimento de sócios inescrupulosos sob o nome empresarial de sociedades para as quais a responsabilidade pelos débitos da pessoa jurídica não alcança o patrimônio dos sócios. nas sociedades simples em cujos contratos de constituição não constem tal exigência. Em outras palavras. nenhuma responsabilidade têm os sócios pelos débitos da pessoa jurídica. Se estivéssemos falando de uma sociedade em nome coletivo. com o mesmo objeto da anterior. para onde se dirigiram clientes. desnecessário seria o uso da teoria. A fim de facilitar o entendimento. conforme abordagem no item 7 deste Capítulo. portanto. fornecedores. o patrimônio particular daqueles é chamado a cobrir o saldo das obrigações sociais. ainda. da forma como acontece nas sociedades anônimas ou nas limitadas. É óbvio que eles somente agem dessa forma na segurança de não serem atingidos por provável inadimplência da devedora.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 95 Série Impetus Provas e Concursos A teoria. mesmo sabedores da incapacidade para o pagamento. toda a base de negócios antes . ou. estão elas dispostas a se acobertar sob a tutela legal atribuída aos sócios daqueles tipos sociais com o intuito de praticarem atos fraudulentos. não tem tamanho propósito. contraíram pesada obrigação em nome da pessoa jurídica. de acordo com o tipo societário adotado. uma vez que. Isso é o que vem acontecendo com os representantes de sociedades. ou de uma comandita simples ou por ações. em sua obra Curso de Direito Comercial: Pedro e Carlos. nas quais sócios ou administradores assumem responsabilidade subsidiária e ilimitada pelas obrigações da sociedade. Observem que essas pessoas usam indevidamente o nome da organização na contratação de obrigações. enfim. acionistas de uma sociedade anônima. pois. esse benefício criado para a indução da atividade econômica não pode servir de manto ao cometimento de fraude por parte dos sócios. desta vez uma limitada. para as quais não há previsão legal de responsabilidade subsidiária de seus sócios pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica.

pode a autoridade judiciária invocar a aplicação da lei. pelo contrário. vendendo produtos por preço vil. em caso de abuso de pessoa jurídica. e mesmo que se trate de uma sociedade onde não existam sócios para responder subsidiariamente pela obrigação. Vale como exemplo o art. 50 do Código Civil de 2002. sem comprometer a atividade social. excesso de poder. acobertando-se no manto da sociedade anônima. ainda. sabendo que não efetuariam a entrega. chegando ao estabelecimento. houver abuso de direito. que prevê a desconsideração da pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. Ora. Não foi o que eles fizeram. não há qualquer ilegalidade na atitude dos sócios. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. Nessa data.96 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel pertencentes à S. . Imaginem. infração da lei. estado de insolvência. estando inviabilizado o pagamento da obrigação por parte da sociedade anônima. em detrimento do consumidor. adquire-os à vista. com a finalidade de proteger o consumidor. a intenção era justamente escapar ao pagamento do título. Entretanto. Lei no 8. com a informação de que fora encerrada a atividade econômica ali realizada. quando a lei dispuser sobre sua atuação no processo. Também o Código de Defesa do Consumidor.078/1990. de alguma forma. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. enquanto a teoria provém de uma seara puramente doutrinária. exclusivamente para atingir o patrimônio pessoal dos sócios que promoveram o ato fraudulento. Nesta situação. que prevê. fica claro que a intenção dos sócios foi fraudar o consumidor incauto. então. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. O dispositivo é complementado pelo parágrafo 5o.A. a requerimento da parte. encontra-o fechado. 28. a possibilidade do juiz decidir. tendo em vista a inatividade social. preceitua que o juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. ou. a requerimento da parte ou do Ministério Público. Ora. desconsiderar essa pessoa jurídica. desde que preservem direitos dos credores da sociedade antiga. já podemos observar igual linha de pensamento sendo inserida na legislação vigente. não mais dispondo a pessoa jurídica de bens para o ressarcimento do consumidor. que não permite a indisponibilidade dos bens particulares dos sócios. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. atraído pelo anúncio de grande liquidação de bens. ou pela confusão patrimonial. Nesta situação. permite-se à autoridade judicial. com entrega dos produtos marcada para o dia seguinte. um consumidor que. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. atingindo o patrimônio dos sócios e/ou administradores. caracterizado pelo desvio de finalidade. falência. em seu art.

como é usual. na forma de constituição. Os demais sócios. seus parágrafos 1o. os interessados deverão escolher uma das formas dispostas pelos arts. nos moldes dos arts.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 97 Série Impetus Provas e Concursos Ainda sobre o mesmo art. 997 a 1. há uma preocupação em se conhecer quem é que vai ingressar no quadro social. Pode ainda criar uma sociedade em conta de participação (art. se capaz. salvo com autorização dos demais sócios. 5. o de uma limitada. 2o. possuem o poder de barrar a entrada de sócio não desejado. enquanto nas de capital não há tal restrição. sociedade limitada. O trabalho dos autores serve para identificar melhor as peculiaridades próprias dos tipos sociais. até mesmo.039 a 1. a doutrina desenvolveu formas de agrupá-los em razão de semelhanças encontradas em cada sociedade. Se a intenção for constituir sociedade empresária. Cada um dos tipos societários previstos possui suas particularidades. em comandita simples. diante da obrigação ao consumidor. 28. 991). consórcios entre sociedades e sociedades coligadas. conforme estudaremos adiante. se menor de idade. não deve haver qualquer interferência na qualificação pessoal do candidato a sócio. A depender do objeto social. de uma comandita simples ou. que. contudo. sociedade anônima ou em comandita por ações. para que uma possa responder pela outra. aumentando assim as chances de ressarcimento. 1. Pensando nisso. grupos de sociedades. podendo também adotar o tipo de uma sociedade em nome coletivo. tanto em relação aos sócios como em relação ao capital empregado no fundo social ou. é uma espécie social sui generis. portanto.038. 3o e 4o estendem a proteção ao consumidor quando vítima de sociedades controladas. podemos encontrar as classificações seguintes: a) De pessoas ou de capital Essa classificação importa em conceder importância maior às qualidades individuais dos sócios (de pessoas) ou ao capital investido na empresa (de capital). Já em relação às de capital.090 da Lei Civil. os empreendedores podem contratar uma sociedade simples. assemelhando-se mais a um contrato de empreendedores do que propriamente a uma sociedade. No primeiro caso. . Daí se dizer que. Classificação das Sociedades O Código Civil de 2002 estabeleceu os tipos societários previstos no Direito brasileiro. quais sejam: em nome coletivo. se consentâneo com a filosofia do negócio. até. salvo se presente elemento de empresa. o ingresso de herdeiro de sócio falecido. Nesses casos. nas sociedades de pessoas. proíbe-se a cessão ou alienação de quotas sociais e. pois o que importa é sua contribuição social. já vimos no início do capítulo que ela não perde a característica de sociedade simples. Assim.

997. por se constituírem de um estatuto social. do CC/2002. 83 dessa lei.98 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel b) Contratual ou institucional A formação de todas as sociedades depende de ato volitivo de seus sócios. como o capítulo se aplica subsidiariamente às demais. 95. Já as sociedades cujo capital social se divide em ações. para que aconteça o ingresso ou saída de sócio. com a conseqüente transferência de propriedade do capital social. capacidade das partes. como o erro ou ignorância. todos da Lei no 6. são dessa espécie as sociedades simples e.404/76. conforme referência nos arts.003 e 1. Desta forma. A assertiva está fundamentada nos arts. são institucionais. em conta de participação e as limitadas. dentre outros. 1. lesão e fraude contra credores. coação. além da ausência de defeitos previstos no Capítulo IV Livro III. basta a concretização do acordo entre comprador e vendedor. dolo. 83. representado por ações. c) De responsabilidade limitada. em relação à responsabilidade dos sócios. É por isso que se exige também das sociedades estatutárias objeto lícito. em comandita simples. posto que a entidade sempre terá de comprometer todo seu patrimônio no pagamento dos débitos sociais. ou a saída de algum. . parágrafo único. 82. igualmente são classificadas como sociedades contratuais as em nome coletivo. O art. Em se tratando de sociedades por ações. do Código Civil. . estes podem responder pelos débitos sociais ou não. estado de perigo. uma diferença pode ser sentida. forma prescrita ou não defesa em lei.057. 84. este aplicado às sociedades limitadas. conforme abordado no item 2 deste Capítulo. esse ato se manifesta através de um contrato. caput. É quando ocorre o ingresso de novos sócios. quando a natureza do vínculo existente entre os sócios será contratual. Apesar da similitude. Nas contratuais. Vai depender do tipo societário adotado. mas dos sócios. Sendo a sociedade constituída por contrato. Apenas na hipótese de exaurido aquele. quais sejam: anônima e comandita por ações. inclusive. quando o instrumento deverá ser averbado no órgão próprio de registro. pode-se cobrar parcela do patrimônio particular dos sócios (responsabilidade subsidiária). com todas as exigências Conforme a disposição do art. prevê que o estatuto social deverá obedecer aos mesmos requisitos exigidos para os contratos das demais sociedades. a aquisição e venda das cotas sociais se materializa com alteração do contrato social. ilimitada ou mista A responsabilidade aqui tratada não é da sociedade.

as sociedades em conta de participação. esgotado o patrimônio social no pagamento de dívida. quando vieram a adquirir personalidade jurídica. incluem-se as sociedades em comum. como as em comandita simples ou por ações. aliás. na razão direta da responsabilidade assumida. assim classificadas por não possuírem atos arquivados no órgão próprio de registro. se for sociedade anônima. Essas. Igualmente. da Lei no 6.094. 1. Tanto as sociedades empresárias como as sociedades simples em geral são constituídas com a fixação do capital social. e) Personificadas ou não-personificadas O Código Civil de 2002 traz subtítulos distintos para as sociedades nãopersonificadas e as personificadas. é cláusula indispensável. De outra forma. I. isso só é possível na hipótese de haver capital ainda não completamente integralizado e.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 99 Série Impetus Provas e Concursos Tratando-se de uma sociedade em nome coletivo. Esta. já existentes desde o antigo Código Comercial. personificadas são todas as demais. são desprovidas de personalidade jurídica. seja a Junta Comercial ou o Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. conforme disposição do art. seja ao contrato (art. antes conhecidas como irregulares ou de fato. As primeiras. I. 997. 84. d) De capital Fixo ou variável De capital fixo é a sociedade cujo capital social vem definido em seu ato de constituição. seja o contrato plurilateral ou o estatuto. cujos atos de constituição foram regularmente arquivados. Se falarmos de uma sociedade limitada ou de uma sociedade anônima. são tidas como sociedades despersonificadas. que prevê até a dispensa do capital social. subtraem-se bens particulares de sócio para a satisfação daqueles. III. toda alteração de capital deverá ser precedida da correspondente alteração do ato. existe mais de uma categoria de sócios. . não possuem atos arquivados e. em se tratando de ações do próprio sócio individualmente consideradas. do CC/2002) ou ao estatuto social (art. De capital variável são as sociedades cooperativas. conseqüentemente. seja limitada ou ilimitada. são objeto de comentários adiante. Neste caso. por serem desprovidas de regular existência no mundo jurídico. por exemplo. Nas sociedades mistas.404/76). contudo. e ainda assim existindo credores nãosatisfeitos. assim mesmo. Nessa categoria.

entrarem nos bens particulares dos sócios. 986 a 990 do CC/2002 e. 989. enquanto os sócios. não subsidiária. no que diz respeito à previsão de os bens sociais responderem pelas obrigações sociais assumidas por qualquer dos sócios. enquanto não tiverem seus atos arquivados na Junta Comercial ou no Cartório. Modificação das Sociedades São formas de alteração ou reorganização societária. Outra inovação do Código a respeito das sociedades em comum foi o caráter subsidiário de responsabilidade atribuído aos sócios. para quitação dos débitos sociais. permite-nos concluir que elas. pois sua obrigação será pessoal. depois. Fora do benefício de ordem está aquele sócio que contratou pela sociedade. através das quais pode a pessoa jurídica promover mudanças substanciais em sua estrutura. 986. 986 do Código. regidas pelos arts. A intenção da lei parece facilitar a ação de quem transacionou com a sociedade. Para estas. . salvo pacto expresso limitativo de poderes. Com relação às sociedades em conta de participação e às outras personificadas. 987 que terceiros que mantiverem relações jurídicas com elas poderão provar sua existência por qualquer modo lícito de prova.404/76. representantes da sociedade. sem se ater ao fato de serem. a abordagem completa está reservada aos itens 7 a 9 deste Capítulo. subsidiariamente. com os arts. Acrescento o teor do art.100 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Sobre as sociedades em comum. pelas normas das sociedades simples. prevê o art. ou mesmo quando se tratar de uma sociedade simples. não se submeterão às normas da sociedade em comum. somente comprovam a existência da sociedade por prova escrita. a combinação do art. 990. Portanto. serão tidas como sociedades em comum. de acordo com o preceito do art. mesmo sem o estatuto social arquivado. 94 e 99 da Lei no 6. como exposto no item 9 deste Capítulo. conforme prevê a parte final do art. ou não. ou devam conhecer. primeiro deve ser exaurido o ativo da sociedade para. o que não deixa de ser estranho. seja nas relações recíprocas ou com terceiros. que terá eficácia contra terceiros que o conheçam. mas à da lei específica. Merece destaque a exceção reservada às sociedades por ações. Com relação à prova de existência das sociedades em comum. já que nessa condição a sociedade não teria patrimônio próprio. vale enfatizar que as pessoas jurídicas constituídas sob um dos tipos das sociedades empresárias. 6.

ransformação a) Transformação É a operação pela qual a sociedade passa. que servia às demais espécies. 220 ao 234. da Lei no 6.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 101 Série Impetus Provas e Concursos Até o advento do Código Civil de 2002. também se aplica o mesmo raciocínio. uma limitada que se transforma numa sociedade anônima. a transformação não pode prejudicar o direito dos credores. os credores anteriores à mudança continuarão titulares de créditos pelos quais poderão argüir a responsabilidade subsidiária. pode até ser renunciado no contrato social. disposta nos arts. uma vez que. 1. aliás. . Uma já existente. que se refere à falência da sociedade cindida. como há em relação à cisão. independente de dissolução ou liquidação. Com a chegada do Novo Código Civil. se uma sociedade em nome coletivo se transformar em sociedade anônima. ou seja. e manterão. nenhuma legislação sobre o tema havia. que vai do art. solidária e ilimitada dos sócios. 1. nem modificá-los. Existindo omissão do Código sobre algum instituto. Em qualquer caso. Da Fusão e Da Cisão das Sociedades”. Da Incorporação. para as sociedades não-reguladas por aquela norma. salvo se prevista no ato constitutivo.122. 1. específica para os demais tipos societários. Esse direito de retirada. de um tipo para outro. raríssimo de acontecer. a matéria se encontrava disciplinada unicamente pela Lei das Sociedades Anônimas. Outra constante do Código.122. o credor de uma sociedade anônima transformada em sociedade em nome coletivo não pode invocar responsabilidade subsidiária dos sócios na satisfação de seu crédito.113 ao art. aplicada às sociedades por ações. citada apenas no art. Não importa o tipo transformado. passamos a contar com duas disciplinas a respeito do tema. ou uma sociedade em nome coletivo que se transforma numa limitada. somente os titulares por créditos constituídos após a transformação possuiriam tal direito. que trouxe capítulo específico intitulado “Da Transformação. Por exemplo. parágrafo 3o.404/76. quando a transformação for para uma companhia. a eficácia da operação depende de consentimento unânime dos sócios. No exemplo inverso. as mesmas garantias que tinham antes da alteração. continua a regência pela lei. Neste caso. Desta forma. quando o sócio dissidente poderá retirar-se da sociedade. até a integral satisfação de seus créditos. além de necessário registro conforme as especificações do tipo em que vai se converter.

102 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No entanto. quando transformada a sociedade em outro tipo. já que é sucessora de suas obrigações. garantirá o interesse dos credores da(s) incorporada(s). na hipótese de falência da sociedade transformada. Em outras palavras. no caso de reversão total daquele. que seus créditos usufruirão das garantias próprias ao novo tipo societário adotado. Esta. b) Incorporação Operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra já existente. também em caso de falência da sociedade transformada. o patrimônio para uma ou mais sociedades criadas para esse fim ou já existentes. contudo. solidária e ilimitada dos sócios. que do ato não surge nova sociedade. total ou parcialmente. Observem. c) Fusão Operação pela qual duas ou mais sociedades se unem para formar uma nova. que lhe sucede em todos os direitos e obrigações. devendo todas aprová-la. têm os titulares de créditos constituídos antes da mudança a faculdade de requererem o tratamento que receberiam. aos credores por créditos constituídos anteriormente ao ato basta não se manifestarem. na forma estabelecida para os respectivos tipos. Pode haver extinção da empresa fornecedora do patrimônio. De outra forma. que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. vier ela a falir. a nova empresa garantirá os direitos dos credores. Aos primeiros administradores da sociedade que surgem compete promover o arquivamento dos atos de fusão. Pode ser operada entre sociedades de tipos iguais ou diferentes. d) Cisão Operação pela qual uma sociedade transfere. caso não houvesse a transformação. Da mesma forma. . quando compete à incorporadora declarar extinta(s) a(s) incorporada(s) e promover respectiva averbação. pode o credor de uma sociedade em nome coletivo. por sua vez. e sua efetivação será causa de extinção da(s) sociedade(s) incorporada(s). A operação provoca a extinção das pessoas jurídicas fusionadas. pois a incorporadora permanece com sua personalidade jurídica inalterável. fazer valerem tais prerrogativas. na qual não tenham os sócios as mesmas responsabilidades. deste vez de limitada para em nome coletivo. titular de um direito garantido pela responsabilidade subsidiária.

Se mais de uma empresa recepcionou os bens da cindida. na hipótese de serem omissas as normas específicas ditadas pelo Código Civil de 2002. ou mesmo relativas às sociedades por ações. Nos casos de omissão do legislador.122. haverá solidariedade entre elas no pagamento aos credores. A maioria tem disciplinamento no Código Civil de 2002. 1. ao passo que as sociedades por ações. direitos e obrigações dos sócios. 7. vale explicar que o Código Civil de 2002 reservou capítulo específico tratando de normas gerais das sociedades simples (antigas sociedades civis). são analisadas as especificidades de cada um dos tipos societários previstos no Direito brasileiro. Sendo em prazo superior. Importante. Sociedades Simples 7. das limitadas. em conta de participação. . 997 ao art.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 103 Série Impetus Provas e Concursos Sendo total a cisão. tendo em vista o fato de suas normas aplicarem-se supletivamente às sociedades empresárias. aplicam-se as regras das sociedades simples. em comandita simples. Em se tratando de incorporação. podem servir à regulação da matéria as disposições concernentes às sociedades simples. O prazo de registro é o mesmo exigido nas Juntas Comerciais. com o ato devendo ser registrado no Cartório de Pessoas Jurídicas do local de sua sede. são reguladas por norma própria. o estudo daquelas. o art. para as sociedades por ele disciplinadas. Constituição As sociedades simples são de natureza contratual.404/76. Ali são postos assuntos como forma de constituição. reputa-se como sociedade em comum durante o tempo em que funcionou até a expedição do registro. com atualizações. de no 6. pelo menos para fins de retroatividade dos efeitos. a empresa que recebeu o patrimônio obriga-se pelos direitos dos credores. portanto. Caso seja parcial. o instrumento da cisão pode estabelecer quais as obrigações que passam à outra empresa. além de outros. ou seja.038. Tipos de Sociedades Neste tópico. relativamente aos capítulos específicos das sociedades em nome coletivo. trinta dias da lavratura. administração da sociedade e dissolução. e até mesmo das sociedades por ações. apesar de terem previsão legal de existência na mesma Lei Civil. Isso quer dizer que. 7. fusão ou cisão. do CC/2002 garante o direito de credores prejudicados promoverem ação de anulação dos atos.1.1. Antes da abordagem individual de cada uma. que vão do art. 1. no prazo de noventa dias da publicação dos mesmos.1.

Não cumprida a estipulação. A contribuição pode materializar-se em bens. mas apenas em relação aos vícios (já a Lei no 6. alínea h. no entanto.004 do CC/2002. contrários ao instrumento do contrato. fica ele sujeito à notificação premonitória por parte da sociedade. ressalvo. Essa responsabilidade.404/76 prevê idêntica responsabilidade do vendedor. entendendo-se que terão perante os sócios. sucursal ou agência na circunscrição de outro Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. 997 dispõe que pactos em separado. somente podem ser aceitos aqueles relacionados ao objeto social (a Lei das S. quanto à designação dos administradores). Sendo em bens.2. não têm validade perante terceiros. O mais usual. em caso de insolvência. Sendo em serviços. O prazo para efetivação da contribuição dos sócios é previsto no contrato social.1. outra vez o Código Civil omitiu-se. menos a omissão do teor do inciso VI. sem prejuízo de outros estipulados pelos sócios. deverá averbar aquela.104 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O conteúdo do instrumento contratual deve revestir-se dos elementos enumerados no art. Isso é o que se depreende da leitura do art. O parágrafo único do mesmo art. A sociedade simples que constituir filial. mas subsidiária. 997 do CC/2002 (a ausência de algum acarreta a negação do registro. promover a cobrança judicial do crédito. essa última opção não é possível). cujo entendimento é extensivo às demais). 7. não é solidária. na prestação de serviços (nas limitadas. portanto. Responde. 1. Todos. é a integralização em dinheiro. dinheiro ou. . Qualquer alteração nessas cláusulas necessita de aprovação unânime dos sócios. 1. nele deverá inscrevê-la com a prova do registro original e. Opera sob uma denominação (acrescida do termo S/S). é clara a esse respeito. devem participar. a qual a lei equipara ao nome empresarial. o que inclui os vícios redibitórios e a evicção). mas pela solvência da dívida. que exigiu a notificação prévia do sócio devedor para constituí-lo em mora. basta a maioria absoluta. salvo convenção em contrário. Sobre a responsabilidade dos sócios pelos vícios redibitórios e pela evicção desses bens.A. Formação do Capital Social Vimos anteriormente que não é possível haver cláusula excludente da contribuição de sócio para o fundo social. uma vez que deve a sociedade primeiro. não se admitindo sequer pacto em contrário.006 do CC/2002 a proibição de o sócio empregar-se em atividade estranha à sociedade. deve o sócio responder não só pela sua existência. Somente após o não-atendimento à notificação é que o sócio poderá ser considerado remisso. Para as demais. Se em créditos. no art. parágrafo 1o. portanto. estabelece o art. ao menos para fins de proteção. 117. pela evicção o sócio que entrar com bens para o capital social. no Cartório da sede. com a concessão do prazo de trinta dias para adimplir sua obrigação. pois tem o sócio benefício de ordem em relação ao devedor. mesmo.

3. mediante iniciativa da maioria dos demais componentes do quadro social. 1.029 do CC/2002 e dependerá de notificação aos demais sócios. .004. ela pode acontecer judicialmente ou de pleno direito. com perdas e danos em favor da pessoa jurídica. a alteração deve ser averbada no órgão competente. O art. claro. parágrafo 3o. do CC/2002 prevê a punição do sócio que votar de acordo com seus interesses privados. se cedida. Para a eficácia perante terceiros. a seguir.4. 7. mas dele próprio. que passará a conter os dados do novo sócio. em lugar da indenização. 1. e ocorre se o sócio for declarado falido (a falência aqui tratada não é a da sociedade que o estiver excluindo.030. Outras são o exercício do direito de retirada e a exclusão. continua respondendo solidariamente com o cessionário. assim mesmo. desde que com a concordância unânime dos demais sócios. quando a sociedade for de prazo indeterminado.1. 1. podendo os demais decidir por sua exclusão. Havendo interesse conflitante entre o sócio e a sociedade. no que pese a falta grave. decidindo questões que objetivem o melhor para ela.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 105 Série Impetus Provas e Concursos Configurada a condição de sócio remisso. durante o prazo de dois anos. conforme dispõe o art. 1. a totalidade de suas cotas.010.7. a contar da averbação da alteração. provada judicialmente. depende de justa causa.1. Deliberações Sociais Os sócios têm o dever de influir na condução dos negócios da sociedade.1. O mesmo dispositivo reporta-se ao art. para ressalvar que a exclusão do sócio remisso não precisa de provocação ao Poder Judiciário – é extrajudicial. Percebam que a cessão aqui abordada é uma das maneiras através das quais o sócio pode desligar-se do quadro social. Pelas obrigações que o cedente tinha antes da transferência. Quanto à exclusão.026. 7. conforme a previsão do art. Sendo constituída por prazo determinado. além da alteração do contrato. Judicial é a exclusão que depende da ocorrência de falta grave no cumprimento das obrigações de sócio e. O primeiro tem previsão legal no art. deve aquele se abster de votar na deliberação. são dispostos no item 7. 1. De pleno direito é a exclusão que não passa pelo crivo judicial. Cessão de Quota Social É possível haver cessão de quotas sociais. em possível atividade empresarial) ou tiver sua quota liquidada. Outros detalhes a respeito do tema. com antecedência mínima de sessenta dias. responderá o sócio perante a sociedade pelos danos emergentes da mora.

011 exigiu do administrador o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na condução de seus próprios negócios. Já na disciplina do Código Civil. Nas sociedades simples. 1. em decorrência de gestores despreparados ou mal intencionados.015. Administração A administração de uma sociedade deve ser exercida por uma ou mais pessoas comprometidas em realizar o fim social previsto para a pessoa jurídica. ainda que seu voto não tenha prevalecido.106 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No âmbito da Lei das S. Dispositivos do Código prevêem punição aos administradores que agirem em desconformidade com a lei ou com o contrato social. entretanto. É claro que. e mais. prevalece a decisão sufragada pelo maior número de sócios e. a unanimidade. o juiz decide. Entretanto. ainda assim a atuação do administrador. Nas limitadas. possibilitando à sociedade o ressarcimento de danos sofridos por essas atuações. Pode. sempre buscando o melhor resultado para a organização. se este persistir. deixando tal encargo para os próprios administradores. respeitando os rigores da lei e do contrato social. 3/4 ou. não pode a deliberação ser anulada.1. 1. pode resultar em prejuízo social. hipótese em que estaria isento de responsabilidade sobre o ocorrido. Quanto ao quórum exigido. Mas não parou por aí. celebrando contratos. que colocam em risco todo o negócio em nome de interesses pessoais. assim como a possibilidade de anulação da decisão. Em caso de empate. por motivos alheios a sua vontade. 7. por exemplo.. Por essas razões. Não é por outro motivo que muitas sociedades foram levadas à ruína.5. 997 do CC/2002. mesmo agindo com zelo e lealdade à pessoa jurídica. ou simplesmente se eximirem de qualquer responsabilidade oriunda de prejuízos sofridos por terceiros. diferentemente das ações. a regra é a maioria absoluta do capital social. o que se observa são atuações temerárias dessas pessoas. . seu art. pois elas se posicionam à frente dos negócios. computando-se a quantidade e o valor de cada quota (lembro que as quotas podem ter valores diversos. em nome coletivo e nas comanditas simples. o assunto será objeto de estudo específico. o caput do art. contraindo direitos e obrigações em nome da sociedade. parágrafo único. quando configuradas as hipóteses do art. 115 estabelece a responsabilidade do acionista. o contrato ou a lei estipular quóruns diversos como. exige-se unanimidade para alteração de uma das cláusulas do contrato previstas no art. mesmo. cujos valores nominais são iguais).A. a responsabilização é apenas nos casos de prevalência do voto daquele quotista. 2/3 do capital social.

peculato.046. deverá promover a averbação à margem do contrato. O administrador pode ser nomeado no próprio contrato ou em ato separado. salvo justa causa. parágrafo 1o. decorrente de norma expressa do novo Código Civil. 997. e que encontra correspondente no art. de forma expressa. responderá pessoal e solidariamente com a sociedade pelos atos que vier a praticar (art. O contrato social poderá ainda definir a competência dos administradores. Se investido na função por cláusula expressa no contrato. enquanto perdurarem os efeitos da condenação (art. como se vê. Quanto à responsabilidade dos administradores.015. Também o parágrafo único do art. Essa é a regra do art. 147. 1. Este é o teor do art.042 e 1. da Lei das Sociedades por Ações. Neste último caso. que depende de aprovação da maioria absoluta. reconhecida judicialmente. que. desde que prove uma das seguintes hipóteses: a) o conhecimento do terceiro quanto à falta de poder do administrador. peita ou suborno. poderes conferidos a sócio por ato separado. ou a propriedade.013 do CC/2002. 1. De outra forma. b) encontrar-se a limitação de poderes registrada no órgão próprio.019 serve de supedâneo ao raciocínio. contra o sistema financeiro nacional. 1. c) tratando-se de operação evidentemente estranha ao objeto social. parágrafo único. 1. ainda que temporariamente. a administração da sociedade caberá separadamente a cada um dos sócios. Mas. desconsidera a cláusula a que se refere o inciso VI do art. nos arts.012). 1. salvo a venda de bens imóveis. atenção: a vedação exposta no parágrafo anterior. Silente o contrato social.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 107 Série Impetus Provas e Concursos Esses e outros aspectos relacionados à função do administrador são alvo de abordagem neste item. Não podem ser administradores aqueles condenados à pena que vede. em seu art. o Código Civil de 2002 inovou ao prever. 1.019. ou a quem não seja sócio. contra as normas de defesa da concorrência. com as sociedades em nome coletivo e as em comandita simples. 1. . conforme dissertação em seguida. A doutrina vem consagrando a possibilidade de o administrador ser sócio ou não. Esta tese. ou por crime falimentar. menos se tal atividade for do próprio objeto social. o acesso a cargos públicos. a fé pública. ou contra a economia popular. conforme dispõe o art. não é extensiva aos demais sócios da sociedade. Caso contrário. concussão. seus poderes serão irrevogáveis.015. a pedido de qualquer dos sócios. Se não o fizer. prevaricação.011). encontra lastro na omissão do Código que não veda tal hipótese como fez. que vai de encontro ao exposto na segunda edição desta obra. quando não ocupem função de administração. são revogáveis a qualquer tempo. contra as relações de consumo. eles poderão praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade. 1. a exoneração da pessoa jurídica em responder perante terceiros.

deve ser conjugada com os arts.108 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Essa é a positivação. prefiram adequá-la tão somente às linhas traçadas no capítulo específico do Código. regressivamente. Nesta situação. ou não. o art. inciso VIII. esta pressuposto para o uso de outra teoria. que veda a delegação da função de administrador. Isso quer dizer que. a da Desconsideração da Pessoa Jurídica. 1.024. como a presença em determinada audiência na Justiça do Trabalho.018. neste caso. Por último. ficarão os administradores sujeitos a indenizar terceiros ou a sociedade. Seguindo a disposição do Código.016 impôs a responsabilidade solidária dos administradores. pelas obrigações sociais. não exigindo a lei a averbação no órgão de registro. 1. Outra seria a nomeação de alguém para representá-lo em algumas operações ou atos específicos. com todos os lucros resultantes e. Responsabilidade dos Sócios Na formação de uma sociedade simples. 1.1.017. A primeira. se refere à hipótese de o administrador fazer-se substituir em suas atribuições precípuas do cargo. restituírem à sociedade ou pagarem o equivalente. 997. mesmo que ausente a fraude. 1.023 e 1. os sócios têm a opção de adotar um dos tipos das sociedades empresárias. a exemplo da assinatura de cheques. Já no art. Melhor explicando. o art. 7. Caso. Observem que se trata de duas situações bem distintas. da Teoria Ultra Vires. já sabemos. porém. contudo. ou aplicação de recursos no mercado de valores mobiliários. perante a sociedade e terceiros prejudicados. faculta aos contratantes definir se respondem. através da qual a pessoa jurídica exime-se da responsabilidade perante terceiros. vale conferir a exegese do art. proibida pela lei. Esse último preconiza a responsabilidade subsidiária dos sócios pelas dívidas contraídas em nome da sociedade. se agirem com violação à lei ou ao contrato social. em havendo previsão . previu a obrigação a eles imposta de. por ele também responderão. suas responsabilidades pelos débitos contraídos em função da pessoa jurídica serão regidas na conformidade do tipo escolhido. por atos culposos decorrentes da função. se aquela assumir a responsabilidade perante terceiros. da celebração de contratos. se houver prejuízo. em caso de aplicarem bens ou créditos da sociedade em proveito próprio ou de terceiros sem autorização escrita dos demais sócios. menos aquelas constituídas por ações. subsidiariamente. quando a parte demandada é a pessoa jurídica da qual participe. no Direito brasileiro. ao mesmo tempo em que permite a constituição de procurador ou mandatário para realização de negócio específico. por ato praticado pelo administrador com excesso de poder. A disposição.6.

a responsabilidade será proporcional à participação de cada um nas perdas ou no prejuízo da sociedade. estipula que a responsabilidade subsidiária dos sócios será cobrada de forma proporcional à participação de cada um nas perdas sociais. pois o acordo valeria apenas entre eles. quando da contratação de uma sociedade simples sem a adoção de algum dos tipos da empresária. Por conseguinte. qualquer um que pretenda adquirir parcela do capital social de sociedade já constituída e em funcionamento necessita estar atento às dívidas da sociedade. por sua vez. que determina a responsabilidade do sócio que ingressar na sociedade por dívidas anteriores à sua presença. Sendo a resposta positiva. em havendo saldo a pagar. ou a proporcionalidade sugerida. Têm.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 109 Série Impetus Provas e Concursos contratual de responsabilidade dos sócios por débitos da pessoa jurídica. os sócios possuem a faculdade de escolher se assumirão.007 prevê a possibilidade de estipulação contratual diversa. os sócios a opção de escolher contratualmente a forma de cobrança da responsabilidade subsidiária a eles dirigida. que poderá cobrar a dívida normalmente daquele sócio posteriormente admitido. ou não. mesmo que seja acordada a exclusão de tal responsabilidade. conforme prevê o art. 1. primeiro deve ser consumido o patrimônio da entidade para depois. pois o prazo somente começa com aquela providência. Em suma. salvo se preferirem a responsabilidade solidária. no sentido de a participação de cada um nos lucros e nas perdas não guardar correlação percentual igual à da participação per capita no capital social. 1. deverá ser respeitado o princípio que rege todos os tipos sociais. assim como ao contrato social para se certificar quanto à possível previsão de responsabilidade subsidiária dos sócios. da maneira como acontece na sociedade em nome coletivo. neste caso em se tratando de sócios comanditados. .025. ou em comandita simples. pior para ele. salvo cláusula de responsabilidade solidária. quando poderão optar entre a solidariedade. parágrafo único. O outro dispositivo. permanece ele solidário com o que adquiriu suas cotas durante o prazo de dois anos. serem utilizados os bens particulares dos sócios. ou seja. a contar da averbação da modificação contratual. Com relação ao sócio que se desliga da sociedade. 1. E como a lei não prevê ressalvas. a responsabilidade subsidiária pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica. portanto. Se a averbação demorar a ser feita. apesar de o art. quando normalmente acompanha a participação de cada um no capital social. esse pacto não terá validade contra terceiros. vale citar a previsão do art. Para complementar o tema.003. conforme exposto nos itens a seguir.

vejamos o estudo pormenorizado de cada um deles. condição que. deixando aos remanescentes a continuidade do objeto social. no caso da liquidação de sociedade.110 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7. e passa a inventariar seus bens e direitos na preparação de outra etapa. expressão que o Código de 2002 substituiu por “resolução da sociedade em relação a um sócio”. que se chama de liquidação. pouco a pouco. Diferente é o que ocorre quando um ou mais sócios resolvem sair da sociedade. visando ao pagamento dos credores e. vale a pena pontuarmos a respeito de alguns conceitos relacionados ao assunto. Nesta. o mesmo órgão pelo qual faz nascer a personalidade jurídica de uma sociedade é também responsável pela sua extinção que.7. conforme prevê o art. vedadas novas operações. acontece com a baixa de sua inscrição no órgão de registro competente. É justamente a primeira fase. divide-se o acervo com os sócios.1. No antigo Direito.033 ao 1. restringindo a gestão própria aos negócios inadiáveis. bastava a vontade de apenas um dos sócios para a sociedade ser dissolvida. A previsão legal estava assentada no art. pode então a sociedade ser extinta. Para facilitar a aprendizagem dos institutos. Dissolução da Sociedade Na vigência do antigo Código Comercial. distribuídas nos arts. . acontece a alienação de todo o ativo. Concluída a liquidação. pela qual a sociedade paralisa suas atividades. foi cedendo espaço ao princípio da continuidade da empresa. pelas quais responderão os administradores solidária e ilimitadamente. essa operação era conhecida como “dissolução parcial da sociedade”. caso exista saldo remanescente. Antes. Esse derradeiro ato é o que decreta o fim da personalidade jurídica. Aliás. 1. de abordá-las.038. em detrimento do desejo individual de um sócio. 1. dissolução de sociedade representa uma etapa no processo de extinção da pessoa jurídica. 335 daquela lei e.109 do Código. O Código Civil de 2002 procurou incorporar os fundamentos da preservação da atividade econômica trazendo novas regras ao tema. quando os operadores do Direito perceberam a importância em preservar a atividade produtiva desenvolvida. No âmbito do Direito Comercial. juridicamente falando. se materializa com a averbação no registro próprio da ata da assembléia que aprovar as contas do liquidante. porém.

quando os demais preferem a dissolução total à parcial. e é originada a partir do requerimento de qualquer sócio.7. quando o juiz nomeará um liquidante para conduzir o processo. Judicial é a dissolução que necessita passar pelo crivo do Poder Judiciário. o Ministério Público detém a prerrogativa subsidiária para promover a liquidação judicial.028. ou a verificação de que o mesmo é inexeqüível. Nessa situação. e) pela extinção.033. nos quinze dias subseqüentes ao recebimento da comunicação sobre o fato. c) pela deliberação dos sócios por maioria absoluta na sociedade de prazo indeterminado. caso em que se prorrogará por tempo indeterminado.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 111 Série Impetus Provas e Concursos 7. desde que os administradores não o façam nos trinta dias seguintes à perda da autorização. Sendo a dissolução de pleno direito. Da Dissolução Assim. são causas de dissolução judicial: a) a anulação da constituição da sociedade. vencido este e sem oposição de sócio. na forma da lei. 1. alguém estranho ao quadro social Se a causa for a da alínea “e” acima citada. na omissão desse. 1. Caso prefiram a liquidação administrativa.036. 1. a omissão do órgão ministerial. Pelo art.1.034. não entrar a sociedade em liquidação. segundo a previsão do art. 1. que poderá ser um sócio já indicado no contrato social ou. . salvo se. b) pelo consenso unânime dos sócios. observem que basta a configuração de uma delas para que tenhamos aperfeiçoada a causa para a dissolução da pessoa jurídica.1. de autorização para funcionar. Outra forma de dissolver a sociedade extrajudicialmente é a prevista no art. permite à autoridade competente para conceder a autorização nomear interventor com poderes para requerer a medida e administrar a sociedade até que seja nomeado o liquidante. b) o exaurimento do fim social. II. não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias. que será considerada de pleno direito. Sobre essas hipóteses de dissolução. ou se nenhum sócio exercer a faculdade a eles assegurada pelo art. cabe aos administradores promover a investidura do liquidante. qualquer sócio está habilitado a requerer que a liquidação se processe judicialmente. d) pela falta de pluralidade de sócios. parágrafo único. que se refere à morte de sócio. a sociedade dissolve-se de pleno direito: a) com o vencimento do prazo de duração.

a escolha é motivada em possível dificuldade para cumprir o fim social. Neste último caso. que essas hipóteses do art. contudo.7. que se refere à anulação da sociedade. é porque os sócios remanescentes podem optar entre a resolução em relação a um sócio ou. não conduz necessariamente à extinção da pessoa jurídica.2. por acordo com os herdeiros. faz-se necessário verificar a situação patrimonial da sociedade. No momento em que a atividade extrativa se esgotar. parágrafo único. De outra forma. Importante ressaltar. tanto em caso de morte de sócio como na hipótese da prática do direito de recesso. conforme a previsão do art. Da Resolução em Relação a um Sócio Já foi mencionado que esse instituto corresponde à dissolução parcial da sociedade que. conforme prevê o art. inexeqüível é o fim social que. não o é para certas sociedades. exaure-se seu fim social. Por exemplo. quando esta se obriga pelo pagamento correspondente aos herdeiros. 1. a primeira. seja por morte ou por simples vontade do retirante. seja por redução substancial do capital social ou quebra do affcetio societatis. Para tanto. 1.035 permite que o contrato social preveja outras causas de dissolução judicial. quando ele pratica o que se conhece como “direito de recesso”. no caso de morte. 1. liquidar-se-á a quota.031. se preferirem. pois o art. 1. c) se. 7. mas à liquidação individual da quota do sócio que saiu.112 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação a cada uma das hipóteses de dissolução judicial. b) se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade.034 não são taxativas. Entenda o leitor que liquidar a quota do sócio falecido significa apurar seus haveres diante da sociedade. Desta forma. do CC/2002. contado da publicação e sua inscrição no registro. conforme prevê o art. embora podendo ser realizado em outras condições. diversamente ao item antecedente. regular-se a substituição do sócio falecido. uma transportadora que perde seus caminhões e fica sem meios ou créditos para novas aquisições. . É o que acontece com a sociedade que tem por objeto social a exploração de determinada mina. 45. quando será levantado balanço especial. contudo. Já a exaustão do objeto social compromete a continuidade do negócio.028. possui prazo decadencial de até três anos. promover a dissolução da sociedade.1. à data da resolução. Quando se afirma. que a saída de sócio não leva necessariamente a sociedade à extinção. salvo: a) se o contrato dispuser diferentemente.

que pode ocorrer de forma extrajudicial. poderíamos presenciar casos em que o sócio seria obrigado a permanecer como tal. 1.030 determina a resolução da sociedade por exclusão judicial de sócio. à revelia de manifestação do Poder Judiciário.8. a responsabilidade alcança também obrigações constituídas posteriormente à saída. o sócio pode retirar-se da sociedade. 1.026. enquanto não se requerer a averbação.1. porém igualmente passa . Esse permissivo. o parágrafo único do mesmo dispositivo acrescenta hipóteses de resolução da sociedade por exclusão de sócio considerada de pleno direito. durante o prazo de dois anos. a obrigação deste ou de seus herdeiros pelas obrigações sociais anteriores. deve o leitor ficar atento à distinção entre a liquidação judicial. De outra forma. por atividade empresarial alheia à sua condição de sócio da pessoa jurídica referida. em qualquer dos casos de retirada. por falta grave ou incapacidade superveniente. mediante iniciativa da maioria dos demais. que exige a concordância unânime dos demais sócios para a cessão ou alienação das quotas de algum. deverá ser distribuído aos sócios. contado da averbação da resolução da sociedade. Em seguida. na proporção da participação do capital social. faz-se necessário provar judicialmente justa causa. É o que ocorre quando o sócio for declarado falido. além das previstas na lei. exclusão ou morte de sócio. que se processa no âmbito de um processo falimentar. O acervo porventura resultante. Para o bom entendimento da matéria. pelo mesmo prazo de até dois anos. Da Liquidação Já foi dito que a liquidação é um estágio do processo que leva à extinção da pessoa jurídica. 1. ou mesmo quando sua quota social for liquidada por requerimento do credor legitimado. É o momento em que a sociedade previamente dissolvida passa a vender seu ativo. 1. Especificamente quando se tratar de retirada ou exclusão. 1. em se tratando de sociedade por prazo indeterminado. convém ressaltar a exegese do art.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 113 Série Impetus Provas e Concursos Por vontade própria. O mesmo dispositivo ressalva a exclusão de sócio remisso. desde que notifique os demais com antecedência mínima de sessenta dias. previsto no art. ou seja. simplesmente por decisão dos demais. Se constituída por prazo determinado. é preciso por conta da dificuldade imposta pelo art. Por último.003. o contrato social pode prever outras hipóteses de retirada do sócio. parágrafo único. Além de todas essas hipóteses. e aquela desenvolvida independentemente da instauração de falência. Se assim não fosse. a fim de quitar suas dívidas perante os credores. que prevê.032.029. conforme dispõe o art. o art. 7.

O liquidante cujo nome já conste no contrato social somente pode ser destituído por via judicial. Em todo caso. em até quinze dias da investidura. b) arrecadar bens. Acontece que a primeira é regulada na própria Lei de Falências. deve ser observado o disposto no Código de Processo Civil. capitaneado pela Lei Federal no 6.1. Da Liquidação Extrajudicial Dissolvida de pleno direito a sociedade pelas hipóteses previstas no art.103 do Código Civil. Também para a liquidação extrajudicial há disciplina específica. tudo de acordo com o art. que não é exclusivo para as sociedades simples. inventário e balanço patrimonial. será nomeado um interventor com poderes para tanto. neste caso. que poderá ser sócio já designado no contrato social. que ainda prevê hipóteses para sua realização. 1. desde que haja justa causa. passa ao Ministério Público a iniciativa ou. conforme exposição no mesmo Capítulo 04. conforme a previsão do art. De outra forma. ocorrendo justa causa. pois faz parte do capítulo que regula a liquidação de todas as sociedades contratuais. O art.8. enquanto para a outra. . 1. quando se tratar de instituição financeira e assemelhada.024/74.1. ou não-sócio. Neste caso. sua destituição depende de simples deliberação. É claro que. compete aos administradores providenciar a investidura do liquidante. Ambas possuem uma só finalidade. de forma resumida. pois. podem ser assim reproduzidos: a) averbar no registro próprio o instrumento de dissolução.033. 1. quando os demais não quiserem mais continuar o negócio. 1. discriminou os deveres do liquidante que. pode ele também ser destituído pela via judicial. a requerimento de um ou mais sócios.111 do Código Civil. se assim não fosse. 1. A exceção está na hipótese do inciso V do art.114 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel pela chancela do Poder Judiciário. que é promover a alienação do ativo e o conseqüente pagamento do passivo. se não requerida a medida judicial pelos sócios.037 do Código. e compõe uma das etapas do processo falimentar. nós já estudamos que. 7. abordada no Capítulo 04 desta obra. livros e documentos da sociedade. entra em cena todo um regramento específico. bastaria o liquidante gozar de prestígio perante a maioria dos sócios representativos do capital social. pois. para se perpetuar na função. ou em caso de morte ou retirada de sócio.033. têm os sócios a opção entre a liquidação judicial ou extrajudicial. sempre quando se tratar de liquidação de pleno direito. sendo ele eleito pelos demais. se este não providenciar a liquidação judicial. c) providenciar.

o saldo remanescente será partilhado entre os sócios.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 115 Série Impetus Provas e Concursos d) ultimar os negócios. pagar o passivo e distribuir o saldo com os sócios. com a declaração de sua qualidade. No pagamento das dívidas. O liquidante assume responsabilidades similares às dos administradores da sociedade liquidanda. embora para facilitar a liquidação. A ele compete representar a sociedade e praticar todos os atos necessários à sua liquidação. cabe ao liquidante convocar assembléia de sócios para prestação de contas após o que. g) em se tratando de sociedade empresária. encerra-se a liquidação. À medida que for aquele for sendo realizado. 1. Sobrando ativo. além de exigir as quantias necessárias. não é permitido a ele gravar de ônus reais os móveis e imóveis. salvo quando indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis. f) convocar assembléia de quotistas a cada seis meses para prestação de contas. nem contrair empréstimo. Neste caso. Contudo. h) ao final do processo. i) averbar no órgão de registro o instrumento firmado pelos sócios que considerar encerrada a liquidação. Depois de quitados todos os credores. quando insuficiente o ativo. antecipa-se a partilha. não precisa esperar a alienação de todo o ativo e a apuração dos haveres para começar a partilha. sem distinção entre vencidas ou vincendas. como já foi mencionado. nem prosseguir. e) chamar os sócios à integralização do capital social. inclusive alienar bens móveis e imóveis.105. Se o ativo for superior ao passivo. salvo expressa previsão contratual ou autorização pelo voto da maioria dos sócios. este deverá vir seguido da expressão “em liquidação” e de sua assinatura individual. alienar o ativo. receber e dar quitação. confessar falência e requerer a recuperação judicial ou a extrajudicial. de forma similar ao que acontece na falência. se a maioria preferir. Ao final desse processo. transigir. pode o liquidante dar preferência às dívidas vencidas. Sempre que o liquidante utilizar o nome empresarial. provoca a extinção da sociedade. mas em relação a essas últimas. nos limites da responsabilidade de cada um. complementada com a averbação no registro próprio da ata da assembléia. conforme a disposição do parágrafo único do art. instruída com relatório e balanço do estado da liquidação. pagará os demais de forma proporcional. . na atividade social. apresentar aos sócios o relatório da liquidação e suas contas. com desconto. o liquidante deve pagar inicialmente os credores por títulos preferenciais. se aprovadas. ato que.

inciso V. Já o credor insatisfeito pode exigir de cada sócio valor correspondente a soma individualmente recebida em partilha. com o saldo sendo restituído aos sócios. Da Liquidação Judicial Essa forma de liquidação da sociedade. o liquidante. é sempre bom repetir que. 7. podem ser adotados pelas sociedades simples. para a ação que couber. 1. Antes. disciplina a liquidação judicial. As atas dessas reuniões serão. Vejamos agora as principais características dos tipos societários reservados pela lei às sociedades empresárias que. é regulamentada pelo Direito Processual. no curso da liquidação judicial. em cópias autênticas. reunião ou assembléia para deliberar sobre os interesses da liquidação. sempre que tiver justa causa. claro. as sociedades limitadas e as anônimas ganharam tópicos específicos neste livro. o Código de Processo Civil de 1939. na essência. que poderá agir de ofício a requerimento de qualquer interessado. em caso de omissão do instrumento.116 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Após a averbação. se necessário. ou depois.103. em se tratando de dissolução judicial provocada por uma das causas do arts. o sócio dissidente tem um prazo de trinta dias. Fora esses dispositivo. A destituição do liquidante judicial é ato privativo do juiz. ambos devem promover a alienação de todo ativo da sociedade visando ao pagamento dos credores. a contar da publicação da ata já averbada. 657 a 674. apensadas ao processo judicial. menos se já houver unanimidade em algum nome. a escolha deverá ser feita em assembléia de cotistas. resolvendo sumariamente as questões suscitadas. conforme já frisado. sem extrapolar o montante de seu crédito ou propor contra o liquidante ação de perdas e danos. é nomeado pelo juiz na própria sentença que decretar a dissolução. incisos I e II. Sendo este omisso. proporcionalmente à participação de cada um no capital social. o leitor deve observar que. 1. e as presidirá. ou do art. pois. Os deveres e obrigações do liquidante judicial pouco diferem daqueles especificados no art. O art.8. cujo nome já esteja presente no contrato social. o juiz convocará. . Ademais. à exceção daquelas cujos capitais se dividem em ações.2. estabelecendo que compete ao juiz a nomeação do liquidante cujo nome já conste do contrato social.034. porém. devido à importância que representam. em seus arts.1. 1. que será indicado em petição. embora referida em algumas passagens do Código Civil. 1.112 do Código Civil chega a mencionar que.033.

Também o teor do art. Sua principal característica é a responsabilidade ilimitada e solidária dos sócios frente a terceiros (todos pessoas físicas) pelos débitos contraídos em nome da sociedade (claro que após exaurido o patrimônio social.2. esse tipo social só poderia cair no atual desuso. uma vez que essas pessoas. decisivo nessa linha de raciocínio. não há solidariedade entre eles. aplica-se a regra da responsabilidade solidária. Em Nome Coletivo Tipo societário regulado pelos arts. até mesmo para não descaracterizar o próprio tipo social. que assumem responsabilidade solidária pelos débitos sociais. quando se tratar de atribuir responsabilidade por débitos sociais diante de credores que efetuaram negócios com a sociedade. já tornaram seus bens privados vulneráveis a possíveis perdas. público ou particular.003 do CC/2002. posto ser subsidiária). 1. Para essa responsabilidade. De outra maneira. Quanto à natureza. caso não tivesse sido efetuado no ato constitutivo. Possível haver pacto de limitação da responsabilidade dos sócios. não atingindo terceiros. ao menos enquanto não for integralizado. que cometerem atos fraudulentos. cada sócio se responsabiliza pessoalmente pela parcela do capital social adquirido. . o acordo necessitaria de aprovação unânime. aí sim.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 117 Série Impetus Provas e Concursos 7.039 a 1. que exige o consentimento unânime dos demais sócios para a cessão de quota social. diante da própria pessoa jurídica da qual fazem parte. 997 do CC/2002. tanto que a quantidade dessas empresas registradas nas Juntas Comerciais é ínfima. É sociedade constituída por contrato escrito. Não percam de vista que. parece. Com tamanho risco assumido pelo empreendedor. que somente seria eficaz entre eles. 1.044 do Código Civil de 2002. até mesmo pelo caráter subjetivo que envolve essa classificação. cujas cláusulas essenciais estão discriminadas no art. a doutrina não é unânime em afirmar que se trata de uma sociedade de pessoas ou de capital. Aqueles que defendem tratar-se de sociedade de pessoas fundamentam a opção na forte ligação existente entre os sócios. Essa é regra geral aplicada a todos os tipos sociais. Nesta hipótese. Percebam que a aplicação de teorias ou dispositivos legais que prevêem a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade para fins de atingir o patrimônio particular dos sócios. perde o sentido. justamente de ver seus bens particulares comprometidos com dívidas oriundas da atividade econômica organizada. quando da contratação da sociedade.

se empresária. é necessário o consentimento dos demais sócios. 1.043. Quanto à possibilidade de credor particular de sócio pretender a liquidação da quota do sócio devedor. Exemplo: João Alves. porém adaptadas ao tipo social. Seu nome empresarial será sempre firma social. Nesta. 1. a iniciativa do credor naquele sentido. conforme prevê o art.118 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel De outra forma. A penhora da quota social obedece aos mesmos requisitos da cessão. 1.1. somente poderia ser admitida na hipótese de a sociedade constituída por prazo determinado haver sido prorrogada tacitamente ou. até o julgamento definitivo do feito. Já em relação à sociedade em nome coletivo. talvez não tenha finalidade prática a decisão de se guiar por uma ou outra corrente. cujas cláusulas estão presentes no art. parágrafo único. próprios para as sociedades simples.033 do CC/2002. ainda assim. em se tratando de prorrogação por deliberação entre os sócios. Do confronto de posições.1. que a importância seja depositada em juízo. que trata o tipo social como sociedade de pessoas. no prazo de noventa dias da publicação do ato dilatório. 997. ou similar.7. apurada em balanço patrimonial.”. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios e. Pedro Bento e Cia. acrescentando-se. para indicar a existência de sócios ausentes do nome. se for alterado o contrato social para permitir o livre ingresso de novos sócios.003.045 a 1. deste Capítulo.026. há uma quebra do fator pessoal que envolve os membros da sociedade. Utiliza-se a expressão “e cia. a regra é distinta da aplicada às sociedades simples. 1. 1. Em Comandita Simples Tipo societário regulado pelos arts. ou seja. Neste caso. o credor pode pleitear a liquidação. no prazo de noventa dias da liquidação. . aos que detenham plena capacidade civil e não sejam impedidos por leis especiais. se o devedor não possuir outros bens. o credor tenha promovido oposição judicial. que significa o pagamento por parte da sociedade de quantia proporcionalmente devida ao sócio retirante. As normas para sua constituição são similares às da sociedade em nome coletivo. sobretudo quando invocamos a exegese do art. assinado por qualquer sócio designado no contrato social. prevê o art. parece-me mais plausível a primeira. As razões para sua dissolução obedecem aos termos do art. pautando-se por contrato escrito. anteriormente à dissolução da sociedade.3. Ainda assim. os seguidores de tese contrária o fazem por entenderem que. 7. e que foram analisadas no item 7.051 do Código Civil 2002. a falência.

Esses sócios assumem a administração e a direção da pessoa jurídica e. 1. estes nomearão administrador provisório que. Nesta situação. não por contrato.047. de ser constituído procurador da sociedade para negócio determinado e com poderes especiais. Quanto à natureza. chamados de comanditados. ainda. 7. O nome empresarial será sempre firma social. As regras para sua dissolução seguem as da sociedade simples. essas também estão em desuso. A administração deve ficar a cargo de comanditado que goze da plena capacidade civil. É sociedade de capital. perdurar a falta de uma das categorias de sócio. possuem direitos e obrigações iguais aos dos sócios das sociedades em nome coletivo. 1. de acordo com o teor do parágrafo único do art. pois prevalece a impessoalidade dos sócios.092 do Código Civil/2002. somente pessoas físicas. para indicar existência de sócios ausentes do nome. restando apenas os comanditários.4. mas com algumas diferenças. Os outros. Não possuem qualquer ingerência na administração da sociedade. ou. uma vez que poucas pessoas se aventurariam a ser sócios comanditados. respondendo tão somente pelo valor de sua quota. conforme reza o parágrafo único do art. ou similar. em detrimento à . com a peculiaridade de haver a dissolução quando. sem restrições decorrentes de impedimentos. sob pena de assumirem responsabilidade de sócio comanditado. obrigam-se como sócios ilimitada e solidariamente responsáveis perante terceiros. Não obstante. daí seu caráter institucional. Da mesma maneira que as sociedades em nome coletivo. e é constituída a partir de um estatuto.. depois de esgotado o patrimônio social. acrescido da expressão e cia. sem assumir a condição de sócio. comanditários. salvo a faculdade de tomar parte nas deliberações. ou de fiscalizar as operações. os comentários concernentes à sociedade em nome coletivo podem ser aproveitados. pessoas físicas ou jurídicas. 1.090 a 1. para respeitar a subsidiariedade das obrigações. quando se atribui importância superior ao capital empregado na sociedade. é regida pela mesma Lei das Sociedades Anônimas. por mais de cento e oitenta dias. A comandita por ações possui seu capital dividido em ações. uns. formado pelo nome civil de um ou mais sócios comanditados. irá praticar os atos de administração.046. assim como a sociedade anônima. Em Comandita por Ações Tipo societário cuja existência legal está prevista nos arts.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 119 Série Impetus Provas e Concursos Caracteriza-se pela existência de duas categorias de sócios. são simples prestadores de capitais.

alienar ou penhorar suas ações em favor de qualquer pessoa. esta será composta com o nome do sócio-administrador. A responsabilidade dos sócios é similar à dos acionistas das sociedades anônimas. por extenso ou abreviadamente. trabalhista ou previdenciária. . sempre acompanhado da expressão comandita por ações. estes se tornarão responsáveis solidários pelas dívidas sociais. o que significa dizer que se permite ao sócio ceder. Apesar de poderem organizar-se em assembléias. além do registro de que trata o art. A Comissão de Valores Mobiliários manterá. conforme exposto no item próprio. pela integralização das ações por eles subscritas. 21. aquele sócio que desempenhar função de administração na sociedade ficará ilimitada e solidariamente responsável com os demais administradores.385/76. Neste caso. à revelia do consentimento dos demais.. quando se desconsidera a personalidade jurídica da sociedade. de forma subsidiária. que assim expressa: Art. ou seja. Entretanto. ou mesmo de novas ações.120 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel figura humana de cada um. § 1o. Nela. 19: (. diferenciam-se das sociedades anônimas por não poderem lançar aqueles títulos no Mercado de Valores Mobiliários. Constando nome de outros sócios. continuam responsáveis pelas dívidas contraídas sob sua gestão. Somente os valores mobiliários emitidos por companhia registrada nos termos deste artigo podem ser negociados na bolsa e no mercado de balcão. da Lei Federal no 6. Se for firma. se houver. somente aos acionistas é permitido ocupar cargo de administração.. Nas anônimas. A conclusão está arrimada no art. pelas dívidas contraídas. Diferentemente das anônimas. O nome empresarial pode ser denominação ou firma social. 21. isso só pode acontecer em situações muito especiais. ou procederem à emissão de debêntures e partes beneficiárias. ou nos casos de débitos de natureza tributária. não pode haver impedimento ao ingresso de outros sócios. Daí não poderem ser destituídos tão facilmente como naquelas. a fim de atingir o patrimônio particular de sócios ou administradores que cometeram atos com abuso da personalidade jurídica. salvo por maioria de dois terços dos acionistas. que dispõe sobre o Mercado de Valores Mobiliários – MVM e a Comissão de Valores Mobiliários – CVM. sendo nomeados pelo estatuto.) § 1o.

Sendo o ostensivo uma pessoa jurídica. Observem que o sócio ostensivo é quem vai gerir o negócio. existe um pacto entre empreendedores e investidores. 284 da Lei no 6. ainda que. deve nomear representante. É uma forma social sui generis. personalidade jurídica nem mesmo sede ou estabelecimento. eventualmente. atuando em seu próprio nome. pois não possui nome empresarial. sob pena de assumirem responsabilidade ilimitada. Para o ostensivo. visando à realização de uma atividade econômica. capital. em qualquer hipótese. unicamente às companhias ou sociedades anônimas é facultado o direito de negociar com títulos no Mercado de Valores Mobiliários. que exercem a atividade constitutiva do objeto social em seus próprios nomes. quanto à existência de conselho de administração e a autorização estatutária de aumento de capital e emissão de bônus de subscrição. Em Conta de Participação Tipo societário regulado pelos arts. Parte da doutrina chega até a deixá-la à margem do conceito de sociedade. emissão de bônus para subscrição de novas ações. formada por um ou mais sócios chamados de ostensivos. 993. conforme dispõe o art. Trata-se de uma sociedade constituída por contrato. composta por um ou mais sócios chamados de participantes. serve à normatização da matéria o capítulo específico das sociedades simples. Esta. A rigor.5.404/76. assim como prévia autorização para aumento de capital e. inclusive porque o próprio Código Civil a insere no capítulo específico das sociedades. se forem abertas. Essa singularidade confere a ela o título de sociedade despersonificada. pessoas físicas ou jurídicas. Compõe-se de duas categorias de sócios. contudo. Uma. sob inteira responsabilidade de cada um. A outra. 7. como veremos adiante. 991 a 996 e. cuja característica principal reside na ausência de personalidade jurídica. e assumindo responsabilidade ilimitada pelas obrigações contraídas. seu ato constitutivo seja levado a registro. Significa afirmar que não é possível haver conselho de administração numa comandita por ações. conseqüentemente. entendendo tratar-se de um contrato. no que for compatível com esses dispositivos. pessoas físicas ou jurídicas. Outra distinção reside na vedação contida no art. patrimônio. é ele que aparece frente a terceiros. não há sequer a subsidiariedade em relação .CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 121 Série Impetus Provas e Concursos Logo. desprovidos de qualquer ingerência no negócio social. verbal ou escrito. não seria a melhor orientação.

ele pode compartilhar da gestão social ou se mostrar diante de terceiros com ânimo de sócio ostensivo. Pelas obrigações decorrentes da gestão da sociedade em conta de participação. Imaginem. passa a responder solidariamente com aquele pelas obrigações em que intervier. não depende de esgotar o patrimônio social. Essa pessoa jurídica. facultando-se aos demais a fiscalização dos negócios. Por isso. Vindo a falir o sócio ostensivo. responde exclusivamente a “Hotéis do Brasil Ltda”. que pode ser nenhuma. ao mesmo tempo em que a conta será liquidada nos termos da legislação processual que rege a matéria. pois. na condição de sócio ostensivo. conforme exposto no item 1. Percebam que a falência aqui tratada não é da sociedade. quando é conferida a faculdade ao administrador judicial para escolher entre a rescisão. em nenhum momento. ou ilimitada. se quiser. da forma como acontece para os outros tipos sociais. No entanto. da forma estipulada no contrato. Havendo saldo.4. sendo a falência do sócio participante. Não se inclui na proibição imposta ao participante o direito de fiscalizar a gestão social. credores da sociedade.122 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel à sociedade. Tal especialização patrimonial somente tem efeito entre os sócios. a doutrina também o intitula de sócio oculto. com o propósito específico de administrar o empreendimento. é largamente utilizado. mas do próprio sócio ostensivo. Significa afirmar que ambas as categorias são livres para determinar a responsabilidade do participante. se o participante tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros. a sociedade em participação será dissolvida. do Capítulo 04. claro. sob a denominação “Hotéis do Brasil Ltda”. Esse tipo social. tendo em vista ausência de personalidade jurídica da sociedade. não é subsidiária. Aos participantes. o contrato de participação fica sujeito às mesmas regras dos contratos bilaterais. . ao contrário dos anteriores. pois os credores podem consumir todo o patrimônio do sócio ostensivo na satisfação de seus direitos. cabe cumprir as obrigações determinadas no contrato. pode celebrar um contrato de participação com um ou mais sócios participantes que acabaram de adquirir um condomínio de apartamentos. A contribuição do participante e do ostensivo constitui patrimônio especial. ou não. de forma ilimitada. então. tanto com objeto civil como mercantil. constitui-se crédito quirografário em favor do sócio participante. ou seja.9. A lei proíbe ao ostensivo admitir outro sócio sem a concordância dos demais. se empresário. mas sempre diante do ostensivo. pois. como vimos. Já o sócio participante é mero prestador de capital. a responsabilidade ilimitada do sócio ostensivo para com terceiros. A responsabilidade do participante se opera exclusivamente em face do sócio ostensivo. De outra forma. do contrato. sob sua inteira responsabilidade. uma sociedade já constituída que opera no ramo de hotelaria.

Contudo. ao menos naquilo em que o Código Civil for omisso. tais dispositivos não são suficientes para exaurir todas as questões a ela relacionadas. havendo expressa previsão contratual. a sociedade pode guiar-se pela Lei no 6. devem pautar-se por certos princípios. quando abordaremos a responsabilidade dos sócios da limitada. Sociedade Limitada Disposições Preliminares 8. 8. nas omissões da lei. 997 ao art. que vai do art. pois não devemos esquecer que as limitadas são sociedades contratualistas e. bastando um único processo de prestação. como tais.037. dentre outras. na forma da lei processual. e não havendo resolução da questão no próprio instrumento de contrato.1. pela clara natureza contratual. Esse conceito será melhor explicado a seguir. como acentuou Sérgio Campinho. . e c) subsidiarem-se com o regramento das sociedades por ações. No entanto. são questões de caráter contratual.2.1. conforme já mencionado. 8. podemos afirmar que o silêncio do contrato a respeito de determinado tema não-previsto no capítulo específico do Código permite a suplementação pelas normas da sociedade simples.1. 1.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 123 Série Impetus Provas e Concursos Sua liquidação.052 a 1. ainda que haja mais de um sócio ostensivo. Mas. matérias atinentes à sua formação e dissolução serão sempre reguladas de acordo com as sociedades simples. que têm as regras traçadas no Código.404/76.4. Regência A sociedade limitada rege-se pelos arts. Para a boa compreensão da matéria. apesar de todos responderem solidariamente pela integralização do capital social. Conceito Define-se como a sociedade cuja principal característica é a limitação da responsabilidade de seus sócios ao valor das quotas adquiridas por cada um. 1. Logo. É justamente por isso que os sócios podem lançar mão de três opções: a) livre estipulação contratual.1. liquidação da cota de sócio falecido. rege-se pelas normas da prestação de contas. b) suplementar o tema com o capítulo próprio relativo às sociedades simples. diferentemente das demais sociedades contratuais. cláusula leonina e mora de sócio. Assim. 8.087 do Código Civil. direito de recesso. atenção! Nem todos os assuntos podem ser regulados pela Lei das Sociedades Anônimas. no item 8.

1. Logo. 1.124 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel impossíveis de se submeterem à Lei das S. Natureza Interpretações doutrinárias divergentes sempre surgiram quando tentamos determinar a natureza das sociedades limitadas. Entrementes. não pode haver oposição de titulares de mais de 1/4 do capital social. em ambas as hipóteses acrescido do termo limitada ao final. expressão tornará responsáveis. Se a opção for por uma firma social. mas apenas diante daquele credor específico. que criou a Comissão de Valores Mobiliários). se empresária. o que caracterizaria uma importância demasiada à figura humana. A omissão desta limitada. acresce-se o termo “e cia. os administradores que assim a empregarem. E não vem sendo diferente após o novo Código. apenas os nomes de sócios devem constar no nome empresarial. em seu art. os sócios podem contratar uma sociedade limitada cuja natureza seja de capital.1. No entanto. Se o dispositivo parasse por aí.1.057. uma vez que. se destinadas a terceiro. quando serão aproveitados todos. Exemplo de denominação Frigorífico Ribeira Ltda denominação: Ltda. por sua vez.4. como a emissão de títulos no Mercado de Valores Mobiliários. invariavelmente. poderá ser uma firma social ou denominação denominação.A. Outras.385/76. 8. participante da operação. solidária e ilimitadamente. previu que o sócio pode ceder suas quotas tanto a quem já seja sócio como a estranho.087 prescreve as mesmas hipóteses da sociedade em nome coletivo. 8. desta forma. O Nome Quanto ao nome empresarial. haveria a chance de os sócios obstarem o ingresso de novos componentes no quadro associativo.”). pois. o art. Este. Escolhida uma denominação. com certeza teríamos que concordar que a sociedade limitada seria considerada de pessoa. o mesmo dispositivo deixa claro que pode haver estipulação contratual diversa. já aproveita as da sociedade simples acrescida da falência. em detrimento do capital. não precisa da anuência dos demais.3. quis o legislador (Lei no 6. são de exclusividade das sociedades anônimas. . que. basta inserirem cláusula no instrumento que subtraia a faculdade de eles próprios limitarem a entrada de terceiros. Sobre a dissolução de pleno direito da sociedade limitada. deverá estampar o objeto da sociedade. No primeiro caso. alguns ou apenas um (nestes casos.

uma grande diferença entre um contrato e um estatuto de sociedade. aliás. o contrato deve obedecer a certos requisitos de validade. conhecida como affectio societatis. pois nascem a partir de um contrato celebrado entre seus sócios. as partes são livres para contratar outras cláusulas além daquelas previstas na lei. Constituição As sociedades limitadas são contratuais. desde que não colidam com o texto legal. Hoje. não prevêem limite para o quantitativo de sócios. não do contrato. Para sua plena validade. No grupo em referência. Não cumpridos esses primeiros requisitos no contrato social. Em se tratando de incapacidade civil absoluta. Há. Nesta hipótese. Para esse grupo. a sociedade continua a existir. o desrespeito provoca a nulidade da cláusula. Existem ainda pressupostos de existência igualmente apropriados a todas as sociedades contratuais. são igualmente exigidos quando se tratar de estatuto social. O outro grupo de requisitos essenciais à plena validade do contrato diferencia-se do primeiro quanto à conseqüência advinda pelo seu descumprimento. deve contar com representante na assinatura do instrumento do contrato. mas sem obedecer àquela parte do acordo. A ausência desses pressupostos leva à dissolução da sociedade. cabe uma observação a respeito da possibilidade de participação de menores no quadro social da limitada. que poderão ser reunidos em dois grupos específicos. na feitura do contrato social. Esse raciocínio vale também para o estatuto das sociedades estatutárias que. De outra forma. aparece a obrigatoriedade de todos os subscritores do capital social contribuírem na sua formação. Muitos desses requisitos. se já constituída. É que. se em fase de constituição. devendo ainda o capital subscrito encontrar-se completamente integralizado. esse tema encontra-se pacificado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. posto admitir a participação de número ilimitado de sócios. objeto lícito e possível. será assistido. assim como participarem do resultado social. forma prescrita em lei. que admite o ingresso. Se relativa. O primeiro traz as condições de validade de qualquer ato jurídico. . desde que o menor não assuma função de gerência (administração da sociedade). contudo. ou ao não-registro do instrumento. como capacidade das partes. A doutrina salienta que o instrumento contratual que dá origem à sociedade é plurilateral e de estrutura aberta.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 125 Série Impetus Provas e Concursos 8. assim como as contratuais. o estatuto social exige que os sócios sigam apenas as determinações legais. o instrumento é nulo e gera a inexistência da pessoa jurídica. Neste caso. não havendo espaço para fixação de tema não constante da lei. Exprimem-se na necessária pluralidade de sócios na formação do capital social e na intenção deles em executar o objeto social.2.

Quanto aos pressupostos (pluralidade de sócios e affectio societatis). pode ser declarada a nulidade do contrato. pessoa física ou jurídica. com as devidas adaptações. i) cláusula de limitação da responsabilidade (veda-se registro de contrato sem essa informação. como nacionalidade. não sendo razão de impedimento ao registro. nome etc. faltando requisito do segundo grupo (contribuição de sócio no capital social ou participação no resultado social).013 do CC/2002). do CC/2002. São as relacionadas no art. pois valerá a intenção contextual). inclusive.. f) a quota com que cada sócio entrou para a sociedade. . quando não coincidir com o ano civil. sua omissão provoca a dissolução da sociedade. a ineficácia da cláusula contratual não invalida o contrato. c) tipo adotado e objeto detalhado da sociedade. da mesma forma que geram efeitos distintos à falta de pressuposto. insuficientes os requisitos do primeiro grupo (capacidade das partes. por se tratar de limitada: a) informações dos sócios. se passar. forma prescrita em lei). g) percentual de cada sócio nos lucros e nas perdas. De outra forma. conforme dispõe art. domicílio. Além de tudo isso. 997 do CC/2002. comprometendo. 1.126 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que as conseqüências pelo não-cumprimento dos requisitos essenciais diferem entre si. seus efeitos entre os sócios. expresso em moeda corrente. todos os sócios podem gerir a empresa. h) data de encerramento do exercício social. d) informação sobre os administradores (em caso de omissão. objeto lícito e possível. j) conforme o caso. mantendo-se os efeitos já produzidos. 1. ainda assim a responsabilidade é limitada. para deliberar assuntos escolhidos ou determinados por lei. Em outras palavras. podendo ser indeterminada (se por tempo certo. parágrafo 1o. previsão de assembléia ou reunião de sócios. b) duração da sociedade. possível prorrogação). à exegese do art.072. o contrato deve trazer informações a respeito dos sócios e da própria sociedade. e) fixação do capital social.

Diferentemente das ações. Não são representadas por cártula. 1. do que se deduz que várias quotas podem ser de propriedade de um único titular. A essa situação dá-se o nome de co-propriedade das quotas. são sempre representadas por papéis. indicado pelos demais. as quotas sociais podem ter valores nominais iguais ou não (art. Se. a expressão do capital da companhia é o montante do valor nominal de todas as ações. 1. inferindo-se que a prova do domínio vem do contrato social. Quanto mais quotas um sócio possuir. . por encerrar um direito patrimonial e um direito pessoal. O direito patrimonial materializa-se na participação nos lucros e acervo da sociedade.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 127 Série Impetus Provas e Concursos QUADRO-RESUMO 8. A Quota Social Podemos conceituá-la como uma fração do capital social. Mas uma quota pode ser de mais de um sócio? Sim.056). nas sociedades contratuais a quota social representa a unidade do capital social. enquanto o direito pessoal vem do status de sócio. que lhe confere a possibilidade de participar das deliberações sociais e fiscalizar atos dos administradores. quando se forma um condomínio onde o representante (cabecel). Já as ações das companhias. onde deve constar a participação de cada sócio. nas sociedades anônimas. à exceção das escriturais.055 do CC/2002). Sua natureza jurídica é de direito bifrontal. irá exercer os direitos de sócio.3. dentre outros. Perante a sociedade. os outros condôminos respondem solidariamente pela integralização do capital social (art. mais influência ele terá nas deliberações sociais.

128 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação à integralização das quotas. Igualmente pode haver a redução do capital social. Pois bem. no caso das limitadas. a contribuição em prestação de serviços. Sobre a penhora de quotas. pondo o termo no contrato social. basta não haver oposição de 1/4 do capital social.4. Não satisfeita a obrigação. Aplica-se a regra da caução. por exemplo. A integralização pode ser feita em bens. contudo. havendo perdas irreparáveis. O contrato. decorrente da falta de integralização das mesmas quotas. . que deve ser manifestada no prazo de trinta dias após a deliberação (art. como. b) se excessivo em relação ao objeto social (no prazo de noventa dias da publicação da ata de assembléia que aprovar a redução. direitos ou em dinheiro. Conceito O sócio quotista é o proprietário de parcela do capital da sociedade. Gozam os sócios de preferência para novas subscrições (proporcional à participação). não se pode contar o tempo (dois anos) para liberação da responsabilidade solidária do alienante perante a sociedade. à revelia da concordância de outros sócios (art. a regra é similar à do parágrafo anterior. trata-se do principal dever que aqueles têm diante da sociedade. desde que seu título seja anterior àquela data).081).1. Após integralizadas todas as quotas. qualquer credor quirografário pode opor-se a ela.057). Pode ser pessoa física ou jurídica. que é o ato de dar em garantia de pagamento por alguma prestação. 8. 1. com a alteração averbada. Também não existe percentual mínimo de integralização das quotas. tem que ser averbada.4. por um dos motivos: a) após integralizado. A lei não admite. ficando a critério dos sócios decidir. para ser oponível à sociedade e a terceiros. A cessão. não há óbice legal no Código. a livre alienação. Em todo caso. não há prazo legal para a integralização. Também pode haver a caução de quotas sociais. O Sócio Quotista 8. o capital social pode ser aumentado. e usufruirá do status de sócio. desde que não haja oposição de sócios representativos de 1/4 do capital social. Antes dessa providência. A cessão de quotas sociais é possível. 1. a quota muda de titularidade. pode estabelecer de forma diversa. por ocasião da subscrição do capital social (nas sociedades por ações o mínimo é de 10%).

§ 2o. 120 da Lei no 6. que não poderá ser feita na forma de prestação de serviços. mais. quando ele terá um prazo de trinta dias. Os subscritores do capital social são. conforme art. Esse valor. portanto. Essa conseqüência pode traduzir-se em uma das seguintes hipóteses: a) cobrança da dívida acrescida dos encargos de mora. o sócio remisso poderá ter suspenso seu direito ao voto. na visão da majoritária doutrina. a desoneração só ocorre se não houver vício na coisa ou após a satisfação do crédito) e não mais pode ser considerado devedor perante ela. atenção! É necessário haver prévia notificação (notificação premonitória). pelo menos enquanto não promoverem a entrega efetiva dos recursos correspondentes à parcela do capital adquirida. caso detenha parcela já integralizada. Esse pode ser considerado como o principal compromisso que os subscritores do capital social assumem frente à sociedade. situação em que. c) redução de sua participação. É claro que. o Código silencia. fixado no contrato social. o adquirente cumpriu a sua obrigação perante a sociedade (em se tratando de bens e direitos. Deveres dos Sócios Quando duas ou mais pessoas resolverem contratar a formação de uma sociedade limitada. sobretudo. se a limitada tiver regência supletiva nas anônimas. participarem das perdas dos resultados sociais. responderá perante a pessoa jurídica pelos danos emergentes da mora.055. . do CC/2002. deverão ter em mente a quantia inicial necessária ao início das operações da empresa. conforme dispõe o art. findo o qual. Mas. arcando com ônus proporcional à sua participação societária. lealdade à pessoa jurídica no sentido de não cometerem atos que prejudiquem o fim por ela perseguido. Devem.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 129 Série Impetus Provas e Concursos 8. além de buscarem agir com zelo e profissionalismo em relação às atividades desenvolvidas e. Quanto à possibilidade de o sócio remisso ser tolhido em seu direito de voto. será alienado aos sócios e terá o nome de capital social subscrito subscrito. Mas não é o único. b) exclusão da sociedade. não pode haver obstáculo ao voto do sócio remisso.2.4.404/76. devedores da sociedade. 1. Remisso será o sócio que faltar com sua prestação. Sérgio Campinho alerta que. se a venda for contra recebimento à vista de numerário. sem que tenha adimplido sua prestação. ou mesmo bens ou créditos.

distribuído em mil quotas com valor de R$1. bens ou créditos). então. • OBRIGAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA – conforme dispõe o NATUREZA art. as duzentas restantes. Ao contrário.620/93 a responsabilidade solidária dos sócios da limitada pelos débitos junto à Previdência Social. Não é à toa que mais de 90% das empresas registradas pelas Juntas Comerciais espalhadas pelo país são desse tipo. gerente ou não.130 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8. qualquer sócio pode ser compelido a fazê-lo. ainda que sua parte já tenha sido satisfeita.3. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. Em se tratando de administrador não-sócio.00 cada. embora 100% do capital subscrito tenham sido integralizados. Significa dizer que. José. No momento em que aportarem recursos correspondentes à parcela do capital comprada (em dinheiro.00. Se João adquiriu quinhentas quotas. que João. 135. sem se ater primeiro ao esgotamento do patrimônio da sociedade. a regra da limitação de responsabilidade comporta exceções. o órgão da previdência pode cobrar a dívida diretamente do sócio. os sócios podem ser compelidos a responder por obrigações originárias da pessoa jurídica. trezentas. José e Manoel tenham contratado a formação de empresa limitada. Isso acontece nos seguintes casos: • CRÉDITOS A FAVOR DA PREVIDÊNCIA SOCIAL – prevê o art. inciso III. Isso se deve principalmente à maneira pela qual os sócios responsabilizam-se pelas obrigações sociais. há que se respeitar a subsidiariedade em relação à pessoa jurídica.4. 1. De fato.000. Responsabilidade dos Sócios As sociedades limitadas gozam da preferência absoluta dos empreendedores brasileiros. estando o capital completamente realizado. e Manoel. Contudo. estes atos correspondem à subscrição do capital social feita por cada um dos quotistas e geram obrigação para eles perante a empresa. Pelo dispositivo. estarão quitando suas dívidas diante da organização. 13 da FA o Lei Federal n 8.052 do CC/2002 que a responsabilidade de cada sócio é limitada ao valor das quotas por eles subscritas. mesmo aquele que já tenha cumprido a sua parte. assume responsabilidade pessoal o sócio-gerente que descumprir a lei ou o contrato . se parcela do capital social ainda não foi realizada. quando todo o capital social subscrito ingressar na sociedade. cujo capital social foi fixado em R$1. só se livram de responder pelas obrigações sociais contraídas. No entanto. Imaginemos. não haverá responsabilidade dos sócios pelas dívidas sociais. Em outras palavras. reza o art. do Código Tributário Nacional.

pelos atos que cometer antes de averbar o instrumento em separado de sua nomeação (sendo sociedade empresária. que colidiu com o contrato. o parágrafo único do mesmo artigo exige a materialização de uma das seguintes hipóteses: a) o . Vimos. mas a mora injustificada. quando a empresa dispunha de recursos e o administrador optou por gastá-los em outras finalidades. 1. por solicitação da parte ou do Ministério Público. não quitando dívidas fiscais junto à Fazenda Pública. O primeiro prevê a responsabilidade pessoal e solidária do administrador. em conjunto com a sociedade. admite-se a suplementação do assunto pelas normas disciplinadoras da sociedade simples. no subitem 8. havendo omissão em relação a algum tema das limitadas. a aprovação de matéria contrária ao que dispuser o contrato social torna ilimitada a responsabilidade daqueles sócios que votaram a favor da deliberação. 1. A melhor doutrina alerta que o efeito desse dispositivo restringe-se à operação específica. • ATOS PRATICADOS PELOS ADMINISTRADORES – a parte do Código PRATICADOS destinada a regular as sociedades simples traz hipóteses de responsabilização de seus administradores. a exemplo do art. mas ao próprio agente que os praticou.015 e 1. o órgão é a Junta Comercial). a fim de atingir diretamente os bens dos sócios que cometeram tais atos. que é possível os sócios responderem por atos fraudulentos cometidos sob o manto da pessoa jurídica. • DELIBERAÇÕES INFRINGENTES DO CONTRATO SOCIAL – pelo CONTRATO disposto no art.080 do CC/2002.1.015 trouxe grande inovação. não são afetados. 1.2. através da qual se permite à autoridade judiciária. Também servem à hipótese os casos de positivação da teoria. Os demais.012. É a Teoria da Despersonalização. quando a responsabilidade pelos atos ultra vires (aqueles que extrapolam os poderes do administrador) deve ser imputada não à pessoa jurídica. que votaram contra ou abstiveram-se. ao positivar a Teoria da Aparência. É justamente o que ocorre com os arts. O leitor deve observar que não é o simples atraso no pagamento que provoca a responsabilização pessoal do administrador. que. deste Capítulo. O art. 50 do Código Civil de 2002. afastar a autonomia patrimonial da empresa. 1. no item 4 deste Capítulo. • CASOS DE DESPERSONALIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA – vimos.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 131 Série Impetus Provas e Concursos social.016. Para tanto. já mencionados no item “4” deste Capítulo.

Caso contrário. Nessas decisões. por meio de órgão criado para esse fim. 8. não mais compondo o quadro social. não há qualquer respaldo legal nessa atitude. perante a sociedade ou terceiros prejudicados. de existência facultativa nas limitadas. Claro que nem sempre a sociedade apresenta lucro a ser distribuído. pois a sua parcela no capital social suplanta a soma das demais. Diferentemente das outras exceções. através de relatórios apresentados ou. por atos praticados com culpa no desempenho de suas funções. colher frutos de seu investimento com o retorno do capital empregado. todos os sócios deverão suportá-lo de forma proporcional à participação no capital social. tem-se observado que a TRABALHISTAS Justiça do Trabalho vem desconsiderando a limitação da responsabilidade para cobrar dívidas trabalhistas diretamente no patrimônio dos sócios. O art. Esse é o objetivo maior do investidor e não pode ser tolhido sob pena de ineficácia da cláusula contratual. ele terá duas opções.016 previu a responsabilidade solidária dos administradores. sobre as questões de interesse social. Por último. respeitar-se-á a participação no capital social de cada um. Para tanto.4. b) a ciência da limitação por parte do terceiro. tem o sócio direito de afastar-se da sociedade. seja na assembléia (obrigatória para as limitadas com número de sócios superior a dez) ou na reunião de sócios (facultativa para as limitadas com até dez sócios).132 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel registro competente da limitação. deliberando. a pessoa jurídica assume a responsabilidade frente ao terceiro prejudicado. mesmo. Também se permite a fiscalização da gestão dos negócios. que é o Conselho Fiscal. • OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS – por último. Em outras palavras. que se situa à margem do Direito positivo vigente. 1. c) tratando-se de operação evidentemente estranha ao objeto social. Direitos dos Sócios Aquele que resolve ingressar no quadro social de uma sociedade busca. neste caso. sua vontade normalmente irá prevalecer. Uma é vender suas quotas a outro . com direito de regresso contra seu administrador. evidentemente. É comum a configuração de prejuízo e. sócio que não desempenhe a gerência da sociedade pode fiscalizar as ações dos administradores. se um sócio é detentor de 51% do capital social. Mas os direitos dos sócios não se resumem apenas à participação no resultado social: eles também têm a faculdade de decidir os destinos da pessoa jurídica.4. ou seja.

quando houver previsão expressa no contrato. mas na hipótese de o sócio ser empresário individual ou. omisso o contrato. igualmente aprovada por maioria absoluta. não pode haver oposição de mais de ¼ do capital social). podemos afirmar que o Código Civil de 2002 dificultou a exclusão de sócio minoritário. A título comparativo. pela pessoa jurídica. contado a partir da liquidação. sobretudo quando comparada às sociedades anônimas. Para isso. prevendo o parágrafo 2o do art.085 do CC/2002 a possibilidade de exclusão de sócios minoritários. vejamos matéria referente à exclusão de sócio minoritário. pois trouxe novas exigências para o ato.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 133 Série Impetus Provas e Concursos sócio ou a terceiro interessado (neste caso. não será necessária uma das hipóteses para o exercício do direito de recesso bastando recesso. do capital investido na empresa.030 e 1. Nestas. É por isso que se diz que o Novo Código procurou proteger o sócio minoritário contra abusos dos majoritários. Prevêem os arts. 1. mesmo. Contudo. se forem declarados falidos (essa falência não é da pessoa jurídica aqui abordada. Basta ver a necessária previsão contratual para a exclusão extrajudicial. situação em que só será permitida a retirada ao sócio dissidente de deliberação que aprove a modificação do contrato social. a fusão ou a incorporação. mediante o reembolso. sócio de outra empresa). após seu ingresso. por falta grave. 1. desde que deliberada em assembléia ou reunião dos sócios. previstas na Lei das Sociedades Anônimas. . Completando o tópico. ficará à mercê da vontade da maioria. por não existir qualquer óbice à alienação das ações a terceiros.031 o prazo de noventa dias para pagamento da quota liquidada. Sendo o contrato por prazo indeterminado. Também prevê o Novo Código a hipótese de exclusão extrajudicial de sócio por justa causa. estranhos ao quadro social. Certa permissividade em relação ao direito de recesso explica-se pela relativa dificuldade imposta ao ingresso de novos sócios. o exercício do direito de recesso está diretamente relacionado à ocorrência de situações fáticas. a fim de barganhar suas cláusulas. exige-se justo motivo quando a sociedade for contratada por prazo determinado. por incapacidade superveniente e. mesmo se a companhia for por prazo indeterminado. deve o minoritário. até. A outra possibilidade é chamada de direito de recesso e consiste na retirada do sócio. antes mesmo de entrar para a sociedade. por falta grave. a manifestação de vontade do sócio. O primeiro dispositivo trata da exclusão por ação judicial movida por sócios representantes da maioria do capital social. observar o contrato social. Isso porque.

Para tanto.134 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8. o contrato deve explicitar se a gestão será exercida individualmente por cada um ou em conjunto. a delegação dos poderes de gestão. ou contra a economia popular. o quórum exigido é a maioria absoluta dos votos representativos do capital social. que igualmente deverá ser averbado. para haver nomeação através do contrato social. é necessário haver permissão contratual. Por outro lado. deve o gestor assinar no próprio contrato. Se. exige-se aprovação de titulares de 3/4. o acesso a cargos públicos. de prevaricação.5. A nomeação de administrador. a administração da sociedade ou. com o capital social sem estar completamente integralizado. nem mesmo se houver previsão contratual. do capital social. Se a nomeação processar-se por meio do contrato social. Administração da Limitada Com a entrada em vigor do Novo Código Civil. desde o início da sociedade. A administração pode ser concedida a uma pessoa. concussão. não mais pode ser feita. ficando eles habilitados à prática de todos os atos que digam respeito à gestão empresarial. em qualquer caso. O que se permite é a constituição de procurador para representar o sócio em atos específicos relacionados aos seus direitos como cotista. mas sempre pessoa física (o CC/2002 vedou a gestão à pessoa jurídica). cuja alteração será averbada na Junta Comercial. será mediante termo de posse no livro de atas da administração. sócio ou não. que proíbe os poderes de gestão àqueles condenados a penas que vedem. 1. Nesta última hipótese. situação em que a eficácia dos atos dependerá da participação de todos. peculato. do CC/2002. pode ser realizada tanto diretamente no contrato social. o administrador-sócio foi nomeado no contrato social. esse ato decorreu do consenso entre os demais sócios. ou por crime falimentar. conforme a prática vem consagrando nas limitadas. não importa se a nomeação foi via contrato ou através de ato separado: o quórum exigido é a unanimidade. Estando o capital já integralizado. sócio ou não. deve ser nomeado no próprio contrato social ou em ato separado. não como administrador da sociedade. apenas. a diretoria. ainda que temporariamente. Se for em ato separado. parágrafo 1o. baixa para 2/3 dos votos representativos do capital social.011. Para administrador-sócio nomeado em ato separado. como em ato separado. em se tratando de administrador que não seja sócio. De outra forma. vale o disposto no art. O administrador. que antes era possível. Se omisso o contrato. no mínimo (para sócio). ou a várias. peita ou suborno. . deixou de ser privativa de sócio. Sendo em momento posterior. Lembro que. se for o caso. entende-se que a direção tocará individualmente a cada um.

Sendo sócio. os administradores podem praticar todos os atos que digam respeito à gestão social. contra a legislação de consumo.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 135 Série Impetus Provas e Concursos contra o sistema financeiro nacional. 1. e votando a favor de decisão que venha prejudicar a pessoa jurídica. Por último. prevista no art. pode ser responsabilizado solidariamente com outros. 1. Regularmente nomeados. o administrador não pode ser responsabilizado por atos regulares de gestão que necessariamente deve cometer para exercer a função. não posso deixar de evidenciar a responsabilidade tributária. c) tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. tais atos não podiam ser imputados diretamente ao administrador que os cometesse. mas apenas em poder de regresso por parte da sociedade. Percebam que.5 deste Capítulo: .017. fé pública ou propriedade.016. É a positivação da Teoria da Aparência. ele pretender deliberação que o favoreça pessoalmente. aquele que extrapola a competência legal do administrador. ou seja. No entanto. não sendo extensiva aos demais. O mesmo dispositivo prevê oposição a terceiros dos excessos cometidos pelos administradores. antes. quando não for do objeto social. contra as normas de defesa da concorrência. que só poderá ser processada com autorização da maioria do capital social. no trato de determinado negócio. isso para não repetir todas as hipóteses já comentadas no item 8. perante a própria sociedade ou frente a terceiros prejudicados. conforme prevê o art. se negligenciarem em descobrir ou. previdenciária e trabalhista dos administradores. agindo com excesso. Restrição existe para venda de bens imóveis. Diferente é a responsabilidade do administrador por interesse conflitante. Importante realçar que a responsabilidade deve ser imputada ao administrador que cometeu o ato com culpa. pelo menos enquanto durarem os efeitos da condenação. É o que acontece se. salvo se com ele forem coniventes. salvo estipulação contratual diversa (art.015). já que esta assumiria a responsabilidade diante de terceiros. tomando conhecimento. normalmente. 1. Se. em detrimento do interesse da sociedade. não tentarem inibir sua prática. logicamente a depender da especificação dos poderes estipulada no contrato. ou mesmo com culpa em não atender aos seus deveres de diligência e lealdade com a pessoa jurídica. se presente uma das seguintes situações: a) se a limitação de poderes estiver escrita ou averbada no registro próprio da sociedade. que prevê a exoneração da pessoa jurídica por ato ultra vires. assumirá a responsabilidade dos prejuízos sofridos pela sociedade. b) provando-se que era conhecida do terceiro. hoje o sistema legal brasileiro já prevê essa possibilidade.

o ato deve ser averbado em até dez dias seguintes à ocorrência. no antigo Decreto no 3. Tendo sido em ato separado. Sua eficácia perante terceiros terá validade a partir da averbação na Junta. a menos que tenha agido com abuso de poder. o Conselho Fiscal e. Se. III. 8. em se tratando de nomeação através do contrato. Órgãos da Limitada Geralmente. o Código Civil de 2002 trouxe a forma como deve esse tipo societário organizar-se. . a sociedade limitada possui estrutura bastante simplificada. mas dos sócios da sociedade limitada. Quando se tratar de não-sócio. Contudo.620/93 prevê a responsabilidade não apenas dos administradores. isso não impede que a limitada adote estrutura similar à das sociedades anônimas. temos a assembléia de quotistas. do CTN prevê a responsabilização do administrador por dívidas tributárias não recolhidas. e de mais da metade do capital social. 135. entretanto. Assim. o administrador não deve responder por dívidas trabalhistas. o quórum exigido para destituição é de 3/4 do capital social. que exigem um controle e uma organização muito mais complexos. Isto porque as sociedades anônimas são mais apropriadas para grandes empreendimentos. Cessa o exercício da função de gestão com a destituição ou com a renúncia. o que vem decidindo a Justiça do Trabalho. que tem imputado aos administradores a responsabilidade por débitos de origem trabalhista. que regulava as limitadas.708/1919. A destituição de administrador-sócio que tenha sido nomeado no contrato social reclama aprovação de 2/3 do capital social. violação do contrato ou da lei. Em se tratando de administradores não-sócios. • trabalhista – a princípio.6. com órgãos de administração e fiscalização. não havia referência aos órgãos da sociedade. • previdenciária – o art. enquanto as outras ficam com os negócios de importância relativa inferior. se preferirem os sócios. Não é. o parágrafo único do mesmo artigo dispõe sobre a responsabilidade quando a omissão decorrer de culpa ou dolo. quando comparada com as anônimas. A renúncia é ato volitivo do administrador. será necessária aprovação de mais da metade do capital social. Em todos os casos. por débitos junto à Seguridade Social. 13 da Lei no 8. quando recursos tiver a sociedade.136 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • tributária – o art. a Diretoria. que se materializa com a comunicação por escrito aos demais representantes da pessoa jurídica. permitindo-se estipulação contratual diversa. até o Conselho de Administração. se for em ato separado.

nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. com o capital não totalmente integralizado. antes de atingido aquele. modificação do contrato social. o quórum mínimo previsto na primeira convocação é de sócios representativos de 3/4 do capital social. a exemplo da aprovação das contas dos administradores. Já as deliberações devem obedecer aos seguintes números: – unanimidade do capital social para designação de administrador nãosocial. fusão. quando nomeado pelo contrato social. dois terços do capital social para designação de administrador não– social. com o capital já integralizado completamente e para a destituição de sócio administrador. autorização de concordata (a partir da Lei no 11. – maioria absoluta para designação de administrador sócio quando procedida absoluta. fixação de suas remunerações. raramente encontrado numa limitada. – maioria simples para a aprovação das contas dos administradores. é preciso a sociedade constituir-se sob a regência de uma sociedade anônima. assim como para dissolução da sociedade por prazo determinado.071 do CC/2002. 1. dissolução da sociedade contratada por prazo indeterminado ou cessação da liquidação. destituição de administrador não-sócio ou não-nomeado no contrato. sócio. – três quartos do capital social para modificação do contrato social. leia-se recuperação judicial ou extrajudicial). para instalação. além dos membros do Conselho Fiscal. designação quando em ato separado e destituição dos administradores. Desta forma. fusão e dissolução da sociedade. incorporação. os membros do conselho deverão submeter-se aos mesmos requisitos . • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO – É órgão de existência facultativa. em ato separado.101/05. sócio. Para tanto. simples. Nesta hipótese. Forma-se com a participação dos quotistas e é obrigatória nas limitadas com número de sócios superior a dez (se inferior. Realiza-se pelo menos uma vez por ano. é necessário respeitar número mínimo de sócios. social. pedido de concordata (foi substituída pela recuperação judicial ou extrajudicial) e incorporação. tanto na instalação como nas deliberações. além de outros assuntos não previstos na lei.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 137 Série Impetus Provas e Concursos • ASSEMBLÉIA DE QUOTISTAS – É órgão competente para decidir a QUOTISTAS estratégia geral dos negócios. as decisões podem ser tomadas em reunião de sócios Possui atribuições sócios). Para que suas decisões tenham validade. sendo qualquer número em segunda convocação. elencadas no art.

. exige-se aprovação unânime dos demais. estando o capital social já integralizado). responsável por acompanhar os atos dos administradores. três membros. pelo menos. cuja existência é facultativa. Compõe-se de. nem sejam seus empregados ou administradores. e de 2/3. precisa da aprovação de 3/4 do capital social. ou de outra por ela controlada. é necessária aprovação de mais da metade do capital social) ou não-sócios que administram a sociedade (neste caso. com suplentes em igual número. Todos devem ser residentes no país. é composta por sócios (se eleitos no contrato social.138 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel exigidos para os da sociedade por ações. Suas atribuições e poderes não podem ser outorgados a outros órgãos. eleitos pela assembléia ou em reunião de quotistas. desde que tenham residência no país e não ocupem assento em outro órgão da sociedade. • CONSELHO FISCAL – É órgão de fiscalização dos negócios. Para facilitar o entendimento. se em ato apartado. se o capital não estiver todo integralizado. vejamos o quadro-resumo a seguir. e escolhidos entre sócios ou não. Os gerentes representam a sociedade e a obrigam pelos seus atos regulares de gestão. • DIRETORIA – Também chamada de gerência.

cuja existência é facultativa. todos residentes no país. fusão e dissolução. • autorizar o pedido de concordata. Órgão de fiscalização dos negócios da sociedade. porém. a fim de trazer agilidade às decisões. com suplentes em igual número. 1. podendo o contrato conferir ao conselho de administração poder originário da assembléia. quando em ato separado. com existência facultativa. podendo ser convocada em outra época qualquer. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DIRETORIA CONSELHO FISCAL Capítulo 2 — Direito de Empresa Reunião de quotistas. as decisões podem ser tomadas em reunião de sócios Acontece sócios). Compõe-se de três membros.071 do CC/2002: • designar. ou cessação da liquidação. eleitos e destituíveis pela assembléia. mas residentes no país. É órgão máximo de deliberação. raramente encontrado numa limitada. dentre sócios ou não. residentes ou não no Brasil. com permissão do próprio contrato. além de prestar parecer nas demonstrações financeiras. dentre outras. 139 Série Impetus Provas e Concursos . • modificar o contrato social. fiscalizando seus atos e denunciando irregularidades. destituir e aprovar as contas dos administradores e membros do conselho fiscal. Suas atribuições estão discriminadas no art. Possui atribuições para opinar a respeito dos relatórios anuais dos administradores. todos sócios. com existência obrigatória. Colegiado de caráter deliberativo. são transferidas ao conselho. Não se permite participarem membros de órgão de administração e empregados da pessoa jurídica. Possui existência obrigatória em todas as sociedades limitadas com número de sócios superior a dez (até dez. Compõe-se de sócios ou não.CAMPUS ASSEMBLÉIA DE QUOTISTAS QUOTISTAS Órgão de representação da limitada. além de parentes até terceiro grau dos administradores. • autorizar a incorporação. Seus atos obrigam a sociedade tanto interna como externamente. Suas atribuições geralmente são originárias da assembléia. responsável por executar seu objeto. Suas decisões não têm força de obrigar a sociedade para com terceiros. São eleitos pela assembléia. Deve obedecer ao seguinte quórum: para instalação – 3/4 do capital social em primeira convocação e qualquer número em segunda. Compõe-se de um mínimo de três membros. eleitos e destituíveis pela assembléia. destinada a resolver todos os negócios de interesse da sociedade.

e demais assuntos que não exijam quórum qualificado. • 3/4 para alterar o contrato social. • maioria simples para aprovação das contas dos administradores. cessação da liquidação e dissolução da sociedade por prazo indeterminado. no caso de o capital já se encontrar totalmente realizado e destituição de administrador sócio. que tenha sido nomeado no contrato social.140 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos deliberação: para deliberação • 100% do capital social para indicar administrador não-sócio (quando o capital não estiver todo integralizado). fixação da remuneração dos administradores. incorporação e fusão. ou dissolução antes do prazo determinado. • maioria absoluta para designação de administrador sócio. • 2/3 para designação de administrador não-sócio. sócio ou não. autorização de concordata. que não tenha sido nomeado pelo contrato social. quando feita em ato separado. . expulsão de sócio por justa causa e destituição de administrador.

não sendo possível impor barreiras ao ingresso de novos sócios. Numa. Tecelagem João Batista etc. a sociedade nasce: . constituiem-se a partir de um estatuto. Daí ser desnecessário alterar-se o estatuto social a cada ingresso ou exclusão de sócio. igual valor nominal. Em decorrência da modalidade de subscrição do capital social. 9. a companhia sempre terá início a partir de um documento escrito. a título de homenagem. Sociedades Anônimas Disposições Preliminares Tipo societário regulado pela Lei no 6. esta pode acontecer de duas maneiras: • por subscrição particular – quando a totalidade do capital social inicial é comprada apenas pelos fundadores. a ata da assembléia de constituição. acompanhado de uma das expressões companhia ou sociedade anônima. sendo alienado apenas aos fundadores. sendo por isso consideradas institucionais. ofertando à venda parte do capital social (ações) que eles não puderam ou não quiseram adquirir. desde que não contrário à lei. Constituição Quando duas ou mais pessoas pretenderem fundar uma sociedade anônima.A. não as qualidades pessoais dos acionistas. Assim como as sociedades em comandita por ações. por extenso ou abreviadas. a companhia será sempre empresária.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 141 Série Impetus Provas e Concursos 9.1.A. mesmo. à ordem pública e aos bons costumes. Exemplo: Tecelagem João Batista S. para sua composição. • por subscrição pública – quando acontece a oferta das ações ao público. adquirem todo o capital social por eles mesmos fixado. podendo ser qualquer um. Caracteriza-se por apresentar seu capital dividido em partes de. a presença de nome de sócio fundador ou de outro que tenha contribuído com o sucesso da companhia. denominadas ações.2. por isso. Entretanto. Em qualquer caso. Independentemente da opção escolhida. pois o mais importante é o capital. Companhia Tecelagem João Batista. Noutra. A impessoalidade dos sócios é própria desse tipo social. Admite-se. quando falamos da aquisição ou subscrição do capital social. fazem apelo ao público em geral. sociedades de capital. em regra. S. O objeto da sociedade anônima será definido em seu estatuto. São. O nome empresarial será apenas uma denominação. poderão fazê-lo de duas formas. que pode ser uma escritura pública lavrada em cartório ou. ou com a participação de outros investidores.404/76. reunidos em assembléia de fundadores.. 9.

A bolsa e o mercado de balcão diferem quanto ao produto. pois. o mercado de balcão opera com uma ou outra forma. debêntures e bônus de subscrição. o que não é possível é as companhias assim classificadas outrem. apenas com ações que se transferem de um acionista para outro (mercado secundário). A Lei no 6. ainda que emitam esses títulos. enquanto as fechadas. assim como da unipessoalidade incidental (hipótese prevista tanto no Código Civil de 2002 como na Lei das Sociedades Anônimas. pessoa jurídica nacional). igualmente. A bolsa é uma instituição de Direito Privado que facilita o intermédio. ficando adstritas a contatos pessoais com os compradores (a qualquer tempo a companhia pode passar de uma a outra categoria). tanto a sociedade como o dono da ação. o art. admitidos à negociação no Mercado de Valores Mobiliários. posto ser o exercício da atividade livre a qualquer um que satisfaça as condições. Este compreende a bolsa de valores e o mercado de balcão. enquanto a primeira não trabalha com novas ações emitidas pelas companhias (mercado primário). processarem a oferta via mercado de valores mobiliários. pela qual a sociedade fica temporariamente com .404/76 previu ainda a necessidade de a companhia obedecer aos seguintes requisitos para correta constituição: • pluralidade de pessoas – é condição comum a todos os tipos de sociedades previstos no Direito brasileiro. executam o trabalho de oferecimento público dos valores disponibilizados pelas sociedades anônimas. como ações.142 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • fechada – com o capital social inteiramente nas mãos dos fundadores. por meio de agentes muitas vezes designados pelas pessoas jurídicas. • aberta – com a oferta pública das ações. mas a permissão para o oferecimento público). Aqui cabe uma digressão a respeito do Mercado de Valores Mobiliários. 4o da Lei das Sociedades Anônimas estabelece que as primeiras são as que têm seus valores mobiliários. Já o mercado de balcão compõe-se das sociedades corretoras e instituições financeiras que. através de uma autarquia conhecida como Comissão de Valores Mobiliários (CVM). mas realizado fora da bolsa. não usufruem da mesma oportunidade. Importante o leitor perceber que o fato de a sociedade ser considerada fechada não significa que ela ou os titulares dos valores mobiliários não possam vendê-los a outrem Em absoluto. Poderão. aliená-la a qualquer interessado. mas sem o apelo popular. à exceção da subsidiária integral (sociedade anônima cujo capital encontra-se totalmente nas mãos de um único acionista. Ao classificar as companhias entre abertas ou fechadas. de títulos das companhias autorizadas pelo Governo Federal (não é autorização para funcionar.

pela quantia não realizada do capital social. quando detentor de parcela do capital social que tenha sido totalmente realizada. ou seja.3. Sócio que não cumprir a obrigação deverá. perante a sociedade. se alguém comprar ações de outro sócio. • depósito bancário – a parte do capital social vendida à vista deverá ser depositada em instituição financeira autorizada pelo Banco Central do Brasil. até o ingresso de outro. continua responsável frente à sociedade. • realização de 10%. pela satisfação do crédito). outra seria a aquisição de ações negociadas diretamente com outro acionista. Idêntico raciocínio pode ser construído para a segunda hipótese. o sócio permanece devedor.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 143 Série Impetus Provas e Concursos um único sócio. por exemplo. bens e direitos (sendo com bens. mesmo que tenha quitado sua obrigação com a parte alienante. Na primeira hipótese. seja no momento de sua fundação ou em período posterior. 106. Entretanto. se em direitos. do aumento do capital social. responsabiliza-se o subscritor por vícios na coisa. situação pela qual nenhuma obrigação mais poderia ser cobrada do subscritor. 9. quando. conforme previsto no art. ou no prazo de cento e oitenta dias. de pleno direito. que poderá acontecer até a próxima reunião da assembléia geral ordinária. Em resumo. caso aquelas ações estejam sem a completa integralização (a lei prevê responsabilidade solidária entre vendedor e comprador dos títulos). Como formalidade complementar à constituição. no mínimo. temos: • arquivamento do ato constitutivo – o estatuto social deverá ser arquivado na Junta Comercial. quando a sociedade for instituição financeira). . do capital subscrito – significa dizer que pelo menos 10% do capital subscrito deverão ser alienados à vista (50% é o percentual exigido. sendo o negócio realizado a prazo. conforme fixação no estatuto. ser constituído em mora. mesmo. a transação pode ser efetivada com o pagamento à vista de numerários ou. parágrafo 2o. em se tratando de sociedade anônima. sujeitando-se à cobrança de juros e multa. o acionista só deixa de ser devedor da sociedade. mediante o pagamento do valor pactuado entre as partes. Uma é subscrevendo parcela do capital da empresa. Deveres dos Acionistas Há duas formas de entrar para o quadro social de uma sociedade anônima. não podendo a penalidade ser superior a dez por cento do valor da prestação. quando for a sociedade regida pelo Código Civil).

que a sociedade pode promover execução contra o sócio remisso. maioria de votos nas deliberações e usa seu poder para dirigir a companhia) solidariamente com os administradores. como a lealdade. é fixado quando da fundação da companhia. baseado em observações econômicas (valor econômico ou de mercado mercado). ficam isentos de responder perante terceiros pelas obrigações assumidas em nome da pessoa jurídica. Outros deveres.4. Não se confunde com qualquer outro valor atribuído às ações. Caso não obtenha sucesso. 107 da Lei das S.004 do CC/2002. Outra opção posta à disposição da pessoa jurídica contra o acionista remisso é a venda das ações em bolsa de valores. para fins de ser ele considerado remisso. assim como o não-pagamento de obrigações trabalhistas ou previdenciárias. dentre outros. Responsabilidades dos Acionistas A responsabilidade dos acionistas é limitada ao preço de emissão das ações subscritas. Verificada a mora do acionista. 3 – quantia acordada entre vendedor e comprador das ações (valor negocial valor negocial).A. Neste último caso. Uma vez pago. o preço de emissão das ações adquiridas.144 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que a disciplina das sociedades anônimas dispensa a prévia notificação do sócio inadimplente. servindo o boletim de subscrição ou o aviso de chamada expedido pela companhia como título executivo. por sua vez. no próprio estatuto social. operação realizada por conta e risco do acionista. mesmo se o seu ativo for insuficiente para saldar todas as suas dívidas. preço . junto à companhia. o débito é imputado ao acionista controlador (aquele que tem. enquanto que o efeito da desconsideração da pessoa jurídica atinge o(s) sócio(s) praticante(s) de ato(s) fraudulento(s). São exceções a essa regra as hipóteses de desconsideração temporária da personalidade jurídica. 1. como: 1 – resultado da divisão do capital social pelo número total de ações emitidas (valor nominal valor nominal). a medida cabível é a redução do capital social. O preço de emissão das ações. 2 – resultado da divisão do patrimônio líquido pelo número total de ações (valor patrimonial valor patrimonial). 4 – montante estipulado por analistas de mercado. É que estas podem ser valoradas de variadas formas. prevê o art. 9. o zelo e a correta utilização das informações sobre a companhia.. em assembléia geral ou reunião do conselho de administração. valor 5 – valor fixado pela própria sociedade (preço de emissão emissão). da forma como acontece nas sociedades contratuais. ou depois. são normalmente imputados aos administradores. conforme consta do art. permanentemente. aspecto que estudaremos em tópico específico.

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Em que pesem as muitas maneiras de enxergar o valor de uma ação, serve à definição da responsabilidade do acionista o preço de emissão. É dele que se permitirá indicar a existência de acionista remisso (inadimplente com a sociedade). Observem que competente para decidir a respeito da fixação do preço de emissão é a própria sociedade, através de seus membros. Estes deverão estar atentos à avaliação que a companhia alcança no mercado, para não emitirem ações com preço muito acima (hipótese na qual dificilmente conseguiriam vendê-las) nem abaixo (para não provocar uma diluição do patrimônio dos demais sócios) do que realmente valem. 9.5. Direitos dos Acionistas

Os acionistas gozam de direitos atribuídos pela lei ou pelo estatuto. São prerrogativas do tipo: fiscalizar a gestão dos negócios, votar nas deliberações da assembléia, colher dividendos proporcionais ao capital investido etc. A fim de facilitar o entendimento, iremos separá-los em duas categorias. A primeira é composta pelos direitos essenciais (os que não podem ser suprimidos), ao passo que a outra compõe-se dos não-essenciais (podem ser suprimidos). Desta forma, são considerados direitos essenciais, segundo o art. 109 da Lei o n 6.404/76: • participação no lucro e acervo da companhia – permite-se a retenção de lucros produzidos pela sociedade, desde que atinja todos os acionistas. Quanto ao acervo, este só se verifica em momento posterior à liquidação, quando é apurada a sobra porventura existente; • fiscalização da gestão – veremos, em seguida, que a administração da sociedade é concedida aos membros da diretoria e, se houver, do conselho de administração. Essas pessoas têm atribuições de conduzir os negócios da sociedade, praticando atos em nome da pessoa jurídica, que trarão repercussões para a vida social. Aos demais acionistas cabe fiscalizar a atuação desses agentes, afinal seus investimentos estão em jogo. O órgão competente para tanto é o conselho fiscal. Mas o acionista não precisa ficar adstrito a ele. Pode acessar livros sociais (desde que titular de, pelo menos, 5% do capital social), observar a prestação de contas dos administradores, além de outros instrumentos; • preferência na compra de valores mobiliários – no momento em que a companhia resolver colocar à venda novas ações ou, mesmo, debêntures, partes beneficiárias e bônus de subscrição (conversíveis em ações), tais títulos devem ser oferecidos inicialmente aos acionistas, que terão prazo de trinta dias para se manifestarem. Só após esse tempo, sem que tenha sido aproveitada a preferência, é que podem ser ofertados a terceiros;

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• direito de retirada – também conhecido como direito de recesso. Consiste no pagamento, por parte da sociedade, ao acionista dissidente de deliberação da assembléia geral na qual tenha sido parte discordante. Não é qualquer decisão contrária ao seu posicionamento, mas aquelas previamente definidas em lei. Assim, se a assembléia deliberou a mudança do objeto social ou a participação em grupo de sociedades, por exemplo, permite-se ao acionista que votou contra retirar-se do quadro social, mediante o pagamento do valor patrimonial das ações, a ser feito pela própria pessoa jurídica. A essa operação confere-se o nome de reembolso. Observem que o exercício desse direito não depende de autorização dos outros sócios; basta a materialização da hipótese legal para o seu exercício. Além desses direitos essenciais, existem outros que, diferentemente dos primeiros, permite-se serem negados ao acionista. Serve como exemplo o direito de voto nas assembléias gerais, que pode ser proibido aos detentores de partes das ações preferenciais (é espécie de ação caracterizada por conferir aos seus titulares direitos diferenciados, como prioridade na distribuição de dividendos e no reembolso do capital investido, mas podem não dar direito a voto). Sobre o tema, o art. 120 prevê a supressão, por parte da assembléia geral, de direitos aos acionistas que se encontrem em débito para com a companhia. É claro que os direitos aqui referidos não podem ser nenhum dos considerados irrenunciáveis, mas outros, a exemplo do direito a voto aos acionistas ordinários. 9.6. Administração da Companhia

A condução dos negócios de uma sociedade anônima compete a dois órgãos componentes de sua estrutura. Um é a diretoria, cuja existência é obrigatória; outro é o conselho de administração, obrigatório apenas nas de capital aberto, nas sociedades de economia mista (aquelas nas quais a maior parte do capital social pertence ao setor público, enquanto outra parcela está nas mãos da iniciativa privada) e nas de capital autorizado (sociedades cujos estatutos contêm, além da definição do capital subscrito, uma autorização para futura subscrição e conseqüente aumento de capital). Nas demais, a existência de conselho de administração é facultativa, ficando a critério dos próprios acionistas decidir sobre a matéria. Ambos os órgãos compõem-se de pessoas naturais. Do conselho somente participam acionistas, enquanto que a diretoria pode reunir sócios ou não. Em todo caso, são esses agentes que irão efetivamente administrar a companhia, sendo, portanto, considerados seus administradores.

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Relacionado a esse tema, o ponto que desperta o maior interesse da doutrina é a definição da responsabilidade dos administradores. O art. 158 da Lei no 6.404/76 estabelece que os administradores não são responsáveis por atos regulares de gestão, ainda que tragam prejuízo à pessoa jurídica. Responderão, contudo, quando procederem com culpa ou dolo, mesmo que no âmbito de seus poderes, ou quando violarem a lei ou o estatuto social. É a chamada responsabilidade subjetiva do agente, diante da empresa prejudicada. Desta forma, durante o período em que está à frente dos negócios, o administrador precisa tomar decisões, celebrar contratos, realizar operações, muitas vezes definindo o destino da organização. Evidente que ele, mesmo se cercando dos cuidados e diligências necessárias, pode cometer erros de previsão, quando determinado resultado seja aquém do esperado. Nesta hipótese, ainda que seu ato incorra em dano patrimonial à companhia, ele não fica obrigado a indenizá-la. Entretanto, se agiu irregularmente, extrapolando os limites de seus poderes, ou, mesmo, de forma negligente, imprudente ou com imperícia, ou, ainda, buscando aquele resultado danoso, estará passível de indenizar a sociedade, mediante ação de responsabilidade civil prevista no art. 159, interposta pela própria companhia, após deliberação da assembléia geral. Na inércia da pessoa jurídica, permite-se a qualquer acionista a iniciativa pela ação, desde que decorridos três meses da assembléia que deliberou pela sua impetração. Outrossim, ainda que contrária à decisão da assembléia, acionistas que representem pelo menos 5% do capital social poderão fazê-lo. Complementa a exegese do art. 158 a responsabilidade por omissão no cumprimento de deveres impostos por lei para assegurar o correto funcionamento da companhia. Significa dizer que o administrador que não providenciou determinada licença junto a um órgão público, por exemplo, pode responder perante a sociedade por prejuízo sofrido pela pessoa jurídica, oriundo da ação governamental no exercício de seu poder de polícia. Neste ponto, o mesmo art. 158 em análise faz uma diferença quanto às sociedades fechadas ou abertas. Sendo companhia de capital fechado, a responsabilidade pelo descumprimento de dever imposto por lei é solidária por todos os administradores, ainda que de áreas de atuação que não digam respeito especificamente àquela onde se deu a omissão. Escapa da responsabilidade o administrador de outra área que consignar, em ata de reunião do órgão do qual participe, sua divergência em relação à atuação omissiva. Por outro lado, em se tratando de sociedade de capital aberto, a solidariedade alcança apenas os administradores que tenham funções correlatas. Livram-se estes se consignarem em ata de reunião do respectivo órgão, desde que comuniquem a divergência à assembléia geral.

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Conclui-se que os administradores de sociedade de capital fechado devem ficar ainda mais vigilantes em relação à atuação dos demais, já que correm risco de responder solidariamente por omissões dos outros. Percebam que a responsabilidade tratada neste tópico é do administrador perante a companhia da qual participe, não diante de terceiros prejudicados. Isso acontece porque, na disciplina da Lei da Sociedades por Ações, não há previsão de o administrador de sociedade por ela regida responder diretamente por danos provocados a terceiros decorrentes de atuação sua. Seguindo aquele diploma, é a pessoa jurídica quem tem obrigação de ressarcir terceiros prejudicados, cabendo-lhe direito regressivo contra o administrador, desde que configuradas hipóteses legais. No entanto, a partir do que estabelece o art. 1.089 do Código Civil, que prevê a regência supletiva das disposições do código para as sociedades anônimas, o art. 1.015 veio suprir uma lacuna da Lei no 6.404/76, ou seja, da combinação de ambos possibilita-se a responsabilização direta do administrador que provocou danos a terceiros, conforme exposto no item específico tanto das sociedades simples como das limitadas. 9.7. Órgãos da Companhia

Na busca em realizar seu objetivo, a sociedade anônima necessita estar organizada, com suas funções distribuídas por órgãos específicos, assim conhecidos: • ASSEMBLÉIA GERAL – reunião dos acionistas competentes para resolver todos os negócios de interesse da companhia. Pode ser: ordinária – acontece sempre nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, para tratar de assuntos rotineiros, relacionados no art. 132, quais sejam: tomar as contas dos administradores e votar as demonstrações financeiras, deliberar sobre destinação do lucro e distribuição de dividendos, eleger administradores e membros dos conselho fiscal, além de aprovar a correção da expressão monetária do capital social; extraordinária – acontece a qualquer época, servindo para decidir temas não-rotineiros, tais como: reforma do estatuto, transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, autorização aos administradores para confessar falência ou pedir concordata (esse instituto foi substituído pela recuperação judicial ou extrajudicial), criação de partes beneficiárias, entre outros. Geralmente diz-se que os assuntos concernentes à AGE são determinados por exclusão, ou seja, não sendo nenhum daqueles discriminados no art. 132, compete à assembléia extraordinária.

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Para a legalidade das deliberações de uma assembléia, existem certas formalidades a serem seguidas, como forma de convocação, lavratura das atas e número mínimo de acionistas. O quantitativo de presentes é importante em dois momentos. No primeiro, avalia-se a presença de acionistas para iniciar a reunião. Depois, a quantidade necessária à aprovação das matérias. Logo, tem-se que respeitar os seguintes quóruns: para instalação – a regra geral é a presença de acionistas que representem pelo menos 1/4 do capital social com direito a voto, na primeira convocação. Não atingido esse número, vale qualquer percentual em segunda convocação. Se o objeto da reunião for a reforma do estatuto, eleva-se a representatividade do capital social a 2/3, pelo menos, na primeira convocação, sendo qualquer número na segunda; para deliberação – a regra geral é a maioria dos acionistas com poder de voto presentes à reunião, respeitada a proporcionalidade de participação no capital social de cada um. Versando o assunto sobre matérias constantes do art. 136 da Lei no 6.404/76 (fusão, cisão, participação em grupo de sociedades, mudança de objeto etc.), é necessário voto da metade representativa do capital social. Unanimidade será necessária para aprovar a transformação da companhia, salvo se prevista no estatuto. • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO – órgão de deliberação colegiada obrigatório nas S.A. de capital aberto, de capital autorizado e nas de economia mista. Compõe-se de, pelo menos, três membros, todos sócios, segundo o caput do art. 146 da Lei das Sociedades Anônimas, residentes ou não no país, eleitos e destituíveis pela assembléia. O art. 142 elenca as atribuições desse órgão, dentre elas: eleger e destituir diretores, fixando suas remunerações; promover orientação geral dos negócios e fiscalização da gestão dos diretores, além de deliberar, quando autorizado pelo estatuto, a emissão de ações e bônus de subscrição. A finalidade da existência do conselho é conferir maior agilidade a decisões originárias da assembléia, porém não-privativas, repassadas por delegação. • DIRETORIA – é órgão de representação da companhia, além de ser responsável pela execução de seu objeto. Compõe-se de, pelo menos, dois membros, acionistas ou não, mas com residência no país, eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo conselho de administração ou, se não houver, pela assembléia. Na sua composição, admite-se até um terço dos membros do conselho de administração. São eles que irão efetivamente administrar a companhia.

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• CONSELHO FISCAL – órgão de fiscalização dos negócios da empresa, com atribuições previstas no art. 163, dentre elas, opinar sobre relatório anual da administração, fiscalizar atos dos administradores; denunciar aos órgãos de administração erros, fraudes ou crimes que descobrirem etc. Compõe-se de, no mínimo, três a, no máximo, cinco membros, além de suplentes em igual número, eleitos pela assembléia, entre acionistas ou não (não podem participar integrantes de outros órgãos da administração). Pode funcionar de forma permanente ou apenas nos exercícios nos quais houver pedido de acionistas (nas sociedades de economia mista, seu funcionamento é permanente). O quadro na folha seguinte facilita a compreensão da matéria.

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ASSEMBLÉIA GERAL

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DIRETORIA CONSELHO FISCAL

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Reunião de acionistas da companhia. É órgão máximo de deliberação, podendo o estatuto conferir ao conselho de administração poder pertencente à AG, menos os descritos no art. 122, por serem de sua competência privativa, tais como: reforma do estatuto, eleição no conselho fiscal, emissão de debêntures etc. Pode ser: ordinária – acontece sempre nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, para tratar de assuntos rotineiros descritos no art. 132, como tomar contas dos administradores, votar as demonstrações financeiras, deliberar sobre destinação do lucro, eleição dos administradores e membros do conselho fiscal; extraordinária – realizada em qualquer época para tratar de temas não-rotineiros, como reforma do estatuto, emissão de debêntures e partes beneficiárias, mudança de objeto, transformação, autorização aos administradores a confessar falência ou pedir concordata etc.

Colegiado de deliberação, com existência facultativa, salvo nas sociedades anônimas de capital aberto, de capital autorizado e nas de economia mista. Suas atribuições estão no art. 142 da Lei das S.A. Geralmente, são originárias da assembléia geral, porém, a fim de trazer agilidade às decisões, são transferidas ao conselho, com permissão do próprio estatuto, senão, vejamos: deliberar sobre a emissão de ações e bônus de subscrição (exigível autorização estatutária), orientação geral dos negócios, eleição e destituição dos diretores, além de auditores independentes, se houver. Suas decisões não obrigam a companhia para com terceiros. Compõe-se de três membros, todos sócios, residentes ou não no Brasil, eleitos e destituíveis pela assembléia geral.

Órgão de representação da companhia, obrigatório em todas as sociedades anônimas, responsável pela execução de seu objeto. Seus atos obrigam a companhia, tanto interna como externamente. Compõe-se de, pelo menos, dois membros, acionistas ou não, residentes no país, eleitos e destituíveis pelo conselho de administração ou pela assembléia geral. O mandato é de três anos, permitida a reeleição.

Órgão de fiscalização dos negócios da companhia, obrigatório em todas as sociedades anônimas, mas de funcionamento permanente facultativo, salvo nas de economia mista. Sua função é opinar a respeito dos relatórios anuais dos administradores, fiscalizando seus atos e denunciando incorreções, além de prestar parecer nas demonstrações financeiras. Compõe-se de três a cinco membros, com suplentes em igual número. São eleitos em assembléia geral, dentre acionistas ou não, mas residentes no país. Não podem participar do conselho membros de órgão de administração, empregados da companhia ou parentes até terceiro grau dos administradores.

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vale qualquer número. passando à metade do capital social com direito a voto (em ambos se respeita a participação de cada sócio no capital social). 136. para deliberação – a regra é a maioria dos acionistas com poder de voto presentes à reunião. salvo se houver no estatuto. Unanimidade é para a aprovação de transformação. são 2/3 do capital social votante. Excetuam-se as hipóteses do art. Em segunda. e qualquer número em segunda. Direito Comercial — Carlos Pimentel .152 Série Impetus Provas e Concursos O quórum obedece às seguintes regras: para instalação – em primeira convocação. Para reforma do estatuto. 1/4 do capital social com direito a voto.

o acionista não pode opor-se a ele. se autorizado pela assembléia geral. que vai estabelecer se elas terão ou não valor nominal. ordinárias ou preferenciais. estudadas adiante.8. Conceito A fim de captar recursos. Valores Mobiliários 9. Se tiverem.1. 44 e 45 da Lei das S. Na realidade. inclusive. a lei nega a possibilidade de a companhia adquirir dos sócios suas próprias ações. ou até tornar a companhia fechada. posto que a sociedade. Ações São unidades do capital social e seu número será fixado pelo estatuto da companhia. decidir os destinos da companhia. em se tratando de companhia aberta. debêntures. além de ser proprietário de um bem de fácil negociação. torna-se acionista da sociedade. pelo menos na regra geral. . partes beneficiárias e bônus de subscrição. obrigatoriamente os valores individuais serão iguais (não se permite a emissão de ações por preço inferior ao seu valor nominal. podendo. 9. Aqui.A.2. são substituídas pelas de gozo ou fruição. Esses papéis constituem verdadeiros instrumentos na canalização de numerário necessário à realização do projeto empresarial.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 153 Série Impetus Provas e Concursos 9. • amortização – é o adiantamento feito a acionista participante do acervo social cujas ações. a sociedade adquire ações pertencentes aos sócios. a fim de retirá-las definitivamente de circulação. começa a pagar aos sócios valores que somente seriam devidos quando partilhassem o acervo social. à sociedade proíbe-se negociar com ações por ela emitidas. com redução ou não do capital social. confere-se às sociedades por ações o direito de emitir e alienar títulos no mercado. O titular de uma ação de qualquer espécie. Não há qualquer óbice ao direito de o acionista vender suas ações. Uma vez negociados. posto que. se a sociedade for fechada.8. São quatro os tipos de papéis: ações. a finalidade é reduzir a pulverização do capital social. Esse ato possui natureza impositiva. seus novos adquirentes passam a titularizar direitos frente à empresa. No entanto. exceto em algumas situações muito especiais previstas nos arts. sob pena de nulidade do ato). prevendo sua futura liquidação. senão vejamos: • resgate – através dessa operação. observando disciplinamento do estatuto. não pode haver redução do capital social.. desde que já se encontre com um percentual mínimo de 30% de integralização. Em outras palavras. Para essa operação. ou 10%.8. trata-se de uma distribuição de quantias em favor dos acionistas a título de antecipação.

15 da Lei das S. garantindo-se. tais como voto na assembléia e recebimento de dividendos. pelo prazo fixado no estatuto. a sociedade não pagar dividendos fixos ou mínimos. Ocorre quando ela adquire tais títulos para permanência em tesouraria. Nesta condição. calculado na forma do art. aqui entendidas de todas as espécies. • ações em tesouraria – é outra forma de a sociedade negociar com suas próprias ações. São espécies de ações: • ordinárias – são de existência obrigatória em todas as sociedades por ações. suprimem-se direitos inerentes ao titular das ações.A. sem direito a voto. exceto a legal e. neste período. pelo menos. nesse caso. que não poderá ser superior a três exercícios consecutivos. prerrogativa que conservarão até que tais pagamentos sejam feitos. O valor do reembolso poderá ser pago à conta de lucros ou reservas. conferem prioridade na distribuição de dividendos. reduz-se o capital social. Significa afirmar que é facultado às companhias emitirem até a metade de suas ações.5 deste Capítulo). Só que a metade sem esse direito deverá. 202. limitou em 50% do número total de ações emitidas o quantitativo de ações preferenciais sem direito a voto ou com restrição nesse direito. Sua propriedade confere direitos de participação nos lucros e acervo da companhia. com recursos provenientes dos lucros ou reservas. enquanto o restante fica em igualdade de condições com as ordinárias. O art. 111 garantiu aos acionistas preferenciais sem direito a voto a aquisição desse direito quando. fixos ou mínimos. b) ao . e com prioridade no recebimento.154 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • reembolso – é a operação pela qual a sociedade adquire ações de sócio que esteja praticando o direito de recesso (ver item 9. além do direito de voto. os acionistas não forem substituídos. Se. 3% do valor do patrimônio líquido da ação. ser composta de preferenciais. ações preferenciais sem direito a voto ou com restrição desse direito somente podem ser admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários se a elas for atribuído pelo um dos seguintes direitos: a) aos dividendos distribuídos correspondentes a. • preferenciais – além de outros direitos definidos na lei. as ações reembolsadas ficarão em tesouraria pelo prazo máximo de cento e vinte dias. não ordinárias. e no reembolso do capital social. O parágrafo 2o do art. necessariamente. 25% do lucro líquido. no mínimo. Faculta-se ainda terem poder de voto. De outra forma.

CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 155 Série Impetus Provas e Concursos recebimento de dividendo. que previam a emissão de ações endossáveis e ao portador. os arts. nas condições previstas no art. quando a companhia resolver antecipar aos titulares desses dois tipos de ações valores a que eles só teriam direito por ocasião da liquidação da sociedade. inclusive. Para que os beneficiários não fiquem sem títulos representativos da pessoa jurídica. faz-se registro no mesmo livro. portanto. No entanto. conforme a doutrina vem consagrando. Quando são alienadas. Sua principal finalidade é a redução de papéis na companhia.021/90. 254-A. pois. pelo menos 10% maior que o atribuído a cada ação ordinária. além da transferência da cártula. pertencente à sociedade. no registro próprio. emitem-se ações de gozo ou fruição. prevê como forma das ações apenas as nominativas. parágrafo 1o. por ação preferencial. foram revogados pela Lei no 8. A circulação delas se processa por meio de lançamento contábil na conta específica. Na verdade. o art. vedando-se a separação por classes. a pessoa jurídica amortiza parte de sua dívida com os acionistas. e sua propriedade importa em registro no Livro de Ações Nominativas. pois são mantidas em conta de depósito numa instituição financeira autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários. 32 e 33. assegurado o dividendo pelo menos igual ao das ações ordinárias. . são empregadas na substituição de ordinárias ou preferenciais. ao mesmo tempo em que retira de circulação ações de sua emissão. restringiu tal separação às ações ordinárias de companhia fechada e às preferenciais da companhia aberta ou fechada. Contudo. registradas. as ações dessa forma também são nominativas. as ações podem ser: • nominativas – possibilitam a identificação de seus titulares. 20. de sorte que as ações ordinárias das sociedade anônima de capital aberto devem atribuir a seus titulares o mesmo conjunto de direitos. respeitando-se os mesmos direitos que eram concedidos às substituídas. Nesta situação. 15. Na forma. • escriturais – são aquelas que não possuem certificados. o art. O art. 34 admite a emissão de ações a serem mantidas em conta de depósito aberta em nome do acionista. as quais podem ser escriturais ou. de acordo com os direitos que conferem a seus titulares. consta o nome do proprietário. Conclui-se. • de gozo ou fruição – apesar do pouco uso. De outra forma. Permite-se a divisão das ações em classes. que todas as ações devem ser nominativas. ou c) de serem incluídas na oferta pública de alienação de controle.

9. conforme a combinação dos arts. A deliberação para emissão de debêntures é de competência privativa da assembléia geral e o valor total da emissão não pode ser superior ao capital social. acionistas (como vantagem adicional de classes de ações) ou a prestadores de serviços (por retribuição de trabalhos realizados). b) exigência de nacionalidade brasileira do acionista.4. 16 que podem ser de classes diversas em função de: a) conversibilidade em ações preferenciais. 122. permite-se sua conversão em ação. apesar de sua escritura de emissão poder prever a conversibilidade em ação. contudo. 9. 46. parágrafo 1o.8.3. parágrafo 4o). e 59. No entanto. c) direito de voto em separado para o preenchimento de determinados cargos de órgãos administrativos. O debenturista não é sócio. Partes Beneficiárias Constituem outra categoria de títulos emitidos pelas sociedades anônimas de capital fechado. Se a sociedade não apresentar resultado positivo. o companhia. . Caracterizam-se por ser estranhas ao capital social e por conferir aos seus proprietários direito de crédito apenas eventual contra a companhia ou seja. haver mais de uma classe ou série de partes beneficiárias (art. Debêntures São títulos igualmente emitidos pelas sociedades anônimas. inciso IV. com intuito de amealhar recursos para seu caixa. ou podem ser atribuídas gratuitamente a fundadores. cuja propriedade confere direito de crédito contra a companhia pois representam verdadeiros companhia. direito de um titular desse título é contra parcela de lucro da companhia (não se permite comprometimento de percentual superior a 10% no pagamento de partes beneficiárias). seu proprietário simplesmente não terá valor a reclamar.156 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em se tratando de ações ordinárias de companhias fechadas. Proíbe-se ao seu titular exercer direito privativo de acionista. desde que previsto no estatuto e mediante capitalização de reserva criada para esse fim. desde que autorizada pela assembléia geral. Em se tratando de debêntures sem garantia ou subordinada. a atribuição para emissão pode ser delegada ao conselho de administração.8. Proíbe-se. As partes beneficiárias podem ser alienadas pela companhia. empréstimos feitos por ela junto ao público. mas credor da sociedade. prevê o art.

53 permite a emissão de debêntures de mais de uma série. É de uso exclusivo das companhias de capital autorizado (aquelas em cujo estatuto já consta previsão para futuro aumento do capital subscrito. em função dos direitos conferidos ao titular. • sem garantia – não gozam de qualquer privilégio. ficando seu titular situado na mesma situação dos credores quirografários. de competência privativa da assembléia. Bônus de Subscrição Esse título pode ser emitido toda vez que a sociedade resolver lançar novas ações no mercado. ele será apresentado simultaneamente ao pagamento do percentual mínimo do preço de emissão das ações. seu adquirente deverá desembolsar o preço fixado. Há quatro espécies desse título: • com garantia real – conferem a seu titular uma segurança maior no recebimento de seu crédito. na ordem de subordinada prioridade de satisfação dos créditos.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 157 Série Impetus Provas e Concursos O art. anticrese) sobre determinado bem. até determinado limite de autorização). Não se trata. • subordinada – esta espécie aparece ainda abaixo da anterior. • com garantia flutuante – a maior garantia desta espécie só se materializa em caso de falência da sociedade emissora. hipoteca. . assim como é a deliberação a respeito de debêntures e partes beneficiárias. Na verdade. Por ocasião da subscrição das novas ações. ações ou partes beneficiárias. em caso de falência. portanto. A deliberação para sua emissão compete à assembléia geral. estes gozam do direito de preferência para adquirir o bônus. se o estatuto não atribuir tal aptidão ao conselho de administração. Normalmente é alienado pela companhia. Se alienado. posto estarem garantidas por um direito real (penhor. Apesar de não ser uma faculdade restrita aos acionistas. 9. sendo também conhecida por subquirografária.5. mas pode ser atribuído gratuitamente como vantagem adicional a titulares de debêntures. é uma forma de seu titular garantir prioridade na aquisição de novas ações. quando seu titular terá seu crédito classificado junto a outros com privilégio geral geral.8.

g) Atas e Pareceres do Conselho Fiscal. dispensam tal escrituração. b) Transferência de Ações Nominativas. d) Atas das Assembléias Gerais. devem se destinar à defesa de direitos e ao esclarecimento de situações de interesse pessoal ou dos acionistas ou do mercado de valores mobiliários. o parágrafo 1o do mesmo art. conforme exposto no item 11 do Capítulo 1. por exemplo. De outra forma. prevê o art. 105 a exibição por inteiro dos livros da companhia. obrigatório a todos os empresários.158 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9. cabe ao interessado recurso à Comissão de Valores Mobiliários. os Livros de Registro e Transferência de Ações Nominativas. a pedido de acionistas que representem 5% do capital social. previstas no art. Em se tratando de companhias abertas. e. a Lei no 6.10. 100.404/76. Na hipótese de indeferimento do pedido. a diretoria da companhia fará elaborar as seguintes demonstrações financeiras.9. Evidente que nem todos esses livros são de uso obrigatório a todas as companhias. Livros Sociais Além do Livro Diário. e de Registro e Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas podem ser substituídos por registros mecanizados ou eletrônicos A respeito do acesso às informações constantes dos livros. ainda sobre o acesso à escrituração da companhia. 176: . Para tanto. porque há aquelas que não possuem conselho de administração ou que não emitem partes beneficiárias. e) Presença dos Acionistas. Sim. conseqüentemente. especialmente em seu art. ou haja fundadas suspeitas de graves irregularidades na atuação dos órgãos da sociedade. c) Registro de Partes Beneficiárias Nominativas e Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas. 9. ordenada judicialmente. pessoas físicas ou jurídicas. tornou obrigatória às sociedades anônimas a manutenção dos seguintes livros: a) Registro de Ações Nominativas. permitindo-se à companhia cobrar o custo do serviço. quando apontados atos violadores da lei ou do estatuto. Demonstrações Financeiras Ao final de cada exercício social. 100 garante a qualquer pessoa o fornecimento de certidões dos assentamentos constantes dos livros citados no parágrafo anterior. f) Atas das Reuniões do Conselho de Administração e Atas das Reuniões da Diretoria.

indicando basicamente as fontes dos recursos. a partir da discriminação das receitas e despesas. passivo e patrimônio líquido da companhia. até chegar no lucro ou prejuízo líquido do período. b) demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. 9. redução do passivo etc. d) demonstração das origens e aplicações de recursos. . os ajustes dos exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados reflete o desempenho social. as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício. No passivo estão contabilizadas as obrigações. o legislador deixou claro que as pessoas que dela resolvem participar o fazem na intenção de partilhar o resultado obtido. Já o patrimônio líquido representa o resultado da equação do ativo subtraído do passivo. quando todos terão que suportar proporcionalmente a perda. Lucros.11. da realização do capital social ou dos recursos de terceiros.1. negativo. Contudo. a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 159 Série Impetus Provas e Concursos a) balanço patrimonial. A demonstração do resultado do exercício exprime o resultado positivo ou negativo da companhia. pois é da essência daquela pessoa jurídica a busca pelo lucro. É claro que esse pode ser aquém do esperado ou. posta no art. a exemplo do lucro do exercício. c) demonstração do resultado do exercício. indicando o saldo do início do período. a demonstração das origens e aplicação de recursos. igualmente classificadas em ordem decrescente de exigibilidade.11. Reservas e Dividendos 9. mesmo. O balanço patrimonial deve apresentar as contas de ativo. além das transferências para reservas. aquisição de ativo imobilizado. 981 do Código Civil. Por último. um instrumento capaz de expor as modificações na posição financeira da companhia.Disposições Preliminares Na definição de sociedade. dispostas na ordem decrescente do grau de liquidez. os dividendos. É no ativo que se localizam as contas representativas de bens e direitos da companhia. assim como da utilização dos mesmos. ninguém ingressa no quadro social de sociedade pensando em perder. seja no pagamento de dividendos.

193 a 200. d) retenção de lucros. nessa ordem (art. será este último montante o seu limite máximo. e) reserva de lucros a realizar. .A. antes de qualquer outro encaminhamento. explicitando natureza e modo de criação. o parágrafo 1o. 9. É por essa razão que somente pode ser usada para compensar prejuízos ou aumentar o capital social. somado com as reservas de capital referidas no parágrafo 1o do art. do resultado do exercício. Constitui-se com a destinação obrigatória de 5% do lucro líquido. A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social. Os arts. conforme a natureza da reserva. o art. Por lado. prevê o art.2. 190 a necessária dedução das participações estatutárias de empregados. este será absorvido pelos lucros acumulados. administradores e partes beneficiárias. pelas reservas de lucros e pela reserva legal. trazem as formas de reservas a serem constituídas por companhia. do art. 193 permite a não-constituição da reserva legal naquele exercício em que o seu saldo. parágrafo único).11. havendo prejuízo no exercício. f) reserva de capital. 189.Reservas As reservas são justamente a parcela do lucro líquido do exercício não distribuída aos acionistas. Portanto. 189 da Lei das S. base para a constituição das reservas e pagamento de dividendos aos acionistas. da Lei das S. basta somar o saldo de ambas as reservas constantes do patrimônio líquido e comparar o montante com o capital social.A. Somente após todas essas reduções. antes de qualquer participação. c) reservas para contingências. Isso acontece por várias razões. No entanto. 182. Do que sobrar após a feitura dessa equação. se o produto da aplicação desse percentual sobre o lucro líquido ultrapassar o valor equivalente a 20% do capital social. De outra forma. senão vejamos: a) reserva legal. Sendo a soma superior ao capital social em 30%. nessa ordem. chega-se ao lucro líquido do exercício. exceder em 30% o capital social. estabeleceu que. está a companhia desobrigada de destinar parte do lucro para a reserva legal. b) reservas estatutárias.160 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Partindo dessa premissa. serão deduzidos os prejuízos acumulados e a provisão para Imposto de Renda.

202. não pode prejudicar o pagamento dos dividendos mínimos obrigatórios. 17. o art. 197 que a companhia pode constituir esse tipo de reserva naqueles exercícios em que o dividendo mínimo obrigatório for superior à parcela realizada do lucro. As reservas para contingências são criadas para compensar. que os recursos que ingressarem na companhia a título de: a) ágio na emissão de ações. b) produto na alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição. d) doações recebidas e subvenções para investimento. sejam todos destinados à formação das reservas de capital. que são formadas por contas que. prevê o art. da mesma forma que as reservas estatutárias. c) prêmio recebido na emissão de debêntures. Desta forma. 182. por ocasião de futuros prejuízos. A diferença entre um e outro valor será a soma da reserva. Apesar da faculdade conferida. no exercício em que deixarem de existir as razões de sua criação ou que ocorrer a perda. pelo menos até não prejudicar a distribuição de dividendos obrigatórios aos acionistas. de que trata o art. Para tanto. . a fim de evitar abalo em sua saúde financeira. Originam-se na conformidade das necessidades da companhia. mas a criação é feita por meio do estatuto social. 198 limita a formação desse tipo de reserva. seria temerário à sociedade distribuí-los a partir de recursos que efetivamente ainda não deram entrada. em exercício futuro. conforme o nome sugere. a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável. será revertida. parágrafo 1o. cujo valor possa ser estimado. embora contabilizados.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 161 Série Impetus Provas e Concursos As reservas estatutárias. previu o art.A. têm previsão na lei. d) incorporação ao capital social. As reservas de lucros a realizar são aquelas formadas em função de lucros que. b) no resgate. a exemplo da reserva destinada ao pagamento de debêntures. Na verdade. dispõe o art. Uma vez constituídas as reservas de capital. por proposta dos órgãos de administração e. possuem alguma relação com ele. c) resgate de partes beneficiárias. é uma atitude prudente por parte da sociedade. somente irão ingressar no caixa da sociedade em exercícios futuros. reembolso ou compra de ações. A sociedade pode proceder à retenção de lucros para investimentos. e) pagamento de dividendo a ações preferenciais. 200 que somente podem ser utilizadas: a) na absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros. as reservas de capital. nos termos do art. Desta forma. parágrafo 5o. da Lei das S. A criação dessa reserva é feita pela assembléia geral. 202. se previstas tal vantagem no estatuto social.. depende de deliberação da assembléia geral. Por fim. por proposta dos órgãos de administração e. apesar de obrigada ao pagamento do dividendo legal aos acionistas. Desta forma. apesar de não integrarem o capital social da sociedade. conforme dispõe o art.

claro. 9. Dividendos Obrigatórios A fim de preservar o interesse dos acionistas minoritários contra abusos dos que detêm o poder de controle na companhia. Entretanto.Dividendos Podem ser conceituados como a parcela do lucro líquido da companhia que será destinada ao pagamento dos acionistas.3. à conta das reservas de capital. o art. igualmente por deliberação unânime da assembléia geral. sem prejuízo da ação penal cabível. 201. mesmo. a serem fixados no estatuto da companhia. na omissão do estatuto. devendo repor ao caixa social a importância distribuída.11. O art. Caso. b) em se tratando de companhia fechada. Se o fizerem. 202 determina a destinação para pagamento de dividendos de metade do lucro líquido do exercício.3. Desta forma. se coniventes.1. se os órgãos de administração informarem à assembléia geral ser o pagamento incompatível com a sua situação financeira (art. 201. não podem os administradores determinar o pagamento de dividendos naqueles exercícios nos quais a sociedade apresente prejuízo e não disponha daquelas reservas previstas no caput do art. por deliberação da assembléia geral. diminuído ou aumentado dos seguintes valores: (-) importância destinada à formação da reserva legal. (+) reversão das reservas de contingência formadas em exercícios anteriores. da reserva de lucros ou. mas o destino da quantia retida tem que ser para captação de recursos por debêntures não convertidas em ações.11. São elas: a) sendo a companhia aberta ou fechada. parágrafo 4o). desde que não haja oposição de nenhum acionista presente. reduzir-lhes seu valor. proporcionalmente ao investimento realizado por cada um na sociedade. a lei criou os dividendos obrigatórios. porém. c) se a companhia for aberta. estes não poderão ser inferiores a 25% do mesmo lucro líquido ajustado. se a assembléia geral pretender promover alteração estatutária no sentido de fixar os dividendos obrigatórios. há hipóteses nas quais a companhia pode deixar de pagar os dividendos obrigatórios ou. não haja tal previsão no estatuto. em se tratando de ações preferenciais. 201 determina que somente pode haver pagamento de dividendos à conta do lucro líquido. De outra forma. (-) importância destinada à formação da reserva para contingência. 202. citado no parágrafo antecedente. de lucros acumulados. Pelo parágrafo 2o do art. Já os acionistas que os tenham recebido de boa-fé não são obrigados à devolução. serão solidariamente responsáveis administradores e membros do conselho fiscal. . pressupõe-se a má-fé quando a distribuição tenha sido feita sem o levantamento de balanço ou em desacordo com os resultados desse.162 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9.

11. deixando de aceitar novos pedidos e comprometendo aqueles já realizados. A liquidação representa a alienação do ativo para que seja partilhado entre credores e sócios da pessoa jurídica. e) pela extinção. contudo.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 163 Série Impetus Provas e Concursos 9. 206 da Lei das S.2. Dissolução. quando comparados com os titulares de ações ordinárias. algumas regras. quando acontece o fim da personalidade jurídica. esses conceitos não se alteram. Na disciplina das sociedades por ações. de pleno direito. Essa regra se sobrepõe à dos dividendos obrigatórios. Na hipótese de tal pagamento consumir todo o lucro líquido apurado.8. mudam. deste capítulo que os acionistas preferenciais gozam de prioridade na distribuição de dividendos. dois acionistas (excetua-se a subsidiária integral). no mínimo. deduzido apenas da reserva legal.3. O art.12. d) pela existência de um único acionista (unipessoalidade incidental). A base de cálculo para pagamento dos dividendos prioritários ou preferenciais é o lucro líquido do exercício.2. da companhia: a) pelo término do prazo de duração. 9. prevê as seguintes hipóteses para dissolução. Pois bem. verificada em assembléia geral ordinária. que podem ser fixos ou mínimos. devemos entender por dissolução a etapa na qual a sociedade interrompe a sua atividade econômica.A.2. na forma da lei. concedendo-se um prazo até a assembléia seguinte para a recomposição do quadro social como.8. Dividendos Prioritários Vimos no item 9. ou em percentual do patrimônio líquido. deste Capítulo). c) por deliberação da assembléia geral (exige-se quórum qualificado de metade dos acionistas representantes do capital social). conforme a exegese do art. prioritários são os dividendos pagos aos acionistas preferenciais. de autorização para funcionar. ao passo que os prioritários mínimos são em percentual sobre o valor pago aos acionistas ordinários (o leitor deve se reportar ao item 9.. Fixos são os dividendos prioritários determinados em valores absolutos. Liquidação e Extinção Conforme exposto no item referente às sociedades contratuais. b) nos casos previstos no estatuto. Por último. os acionistas ordinários simplesmente ficam sem receber seus dividendos. . a extinção. 203.

ou se o for. em ação proposta por qualquer acionista. não seja iniciada em trinta dias a liquidação. b) quando. dissolvida a sociedade de pleno direito. 209 prevê hipóteses em que a dissolução é amigável. deverá mantê-lo. o art. sem prévia autorização da assembléia. para as sociedades por ele regidas. Não pode. com destaque para a prática de todos os atos necessários à liquidação. . competindo-lhe a nomeação do liquidante. opera-se. receber e dar quitação. São elas: a) quando. Essa é a regra geral. 210 e 211 enumeram os deveres e poderes do liquidante que. inclusive alienar bens móveis ou imóveis. quando o liquidante será nomeado pelo juiz. competindo à assembléia geral nomear o liquidante e o conselho fiscal. vai depender do que dispuser o estatuto. Por outro lado. gravar bens nem contrair empréstimo. salvo. Em relação às responsabilidades do liquidante. são os mesmos do liquidante das sociedades contratuais. quando a dissolução for judicial.1. dissolvida a companhia de pleno direito por conta de extinção de autorização para funcionar. o art. A dissolução pode ainda se materializar por decisão de autoridade administrativa competente. 1. em regra. c) em caso de falência. Também é defeso ao liquidante prosseguir na atividade social. 217 da Lei das S. Se a companhia tiver conselho de administração. contudo.8. em regra. o conselho fiscal pode não ter funcionamento permanente. Neste caso. bastando o pedido de qualquer acionista.A. em ação proposta por acionistas que representem pelo menos 5% do capital social. os administradores ou a maioria dos acionistas se recusarem a proceder à liquidação amigável. conforme haja previsão em lei especial. ainda assim de forma temporária. Os arts. No entanto. porém a liquidação passa a ser judicial. Sendo a dissolução de pleno direito. em seu art. deste Capítulo. que tenha sido interrompida por prazo superior a quinze dias (depende de requerimento do Ministério Público).1. a liquidação extrajudicial ou amigável. que terá funcionamento permanente até o fim do processo. b) quando provado que não pode atingir seu fim. salvo quando indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis. igualmente judicial será a liquidação. equipara esse agente aos administradores da sociedade. se autorizado pela assembléia. assim como fez o Código Civil.164 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por decisão judicial é a dissolução que ocorre nos casos de: a) quando anulada a sua constituição.104. transigir. já reproduzidos no item 7.

096.764/71 se encontra em vigor. igualmente estatutárias. que prevê. 10.1. 982. A título de exemplo. abrangendo os arts. prevê o art. o capítulo do Código inseriu alguns novos princípios. Sociedade Cooperativa 10. Constituição A sociedade cooperativa é uma sociedade estatutária. do Código Civil.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 165 Série Impetus Provas e Concursos Concluída a liquidação. 21. Regência A sociedade cooperativa. em seu art.764/71 já havia instituído o regime jurídico das sociedades cooperativas. que também prevê outras três formas de extinção. Devemos entender a dicotomia muito mais como uma questão de semântica do que propriamente uma contradição legal. com as atribuições do Governo Federal para essa área.093 a 1. O mesmo diploma também definiu a política nacional de cooperativismo. conforme acontece nas sociedades por ações. No entanto. Adiante. e desde que respeitadas as características relacionadas no Código. Isso fica claro na observação do art. referindo-se ao ato constitutivo da cooperativa para. utiliza-se do termo “contrato”.2. regulando a constituição. a Lei Federal no 5. desde que lícitas. trazer seção específica a respeito do estatuto social. em seu art. que podem ser conciliados com a legislação antiga. conforme previsão do art. o funcionamento e o objetivo. o apoio e estímulo ao cooperativismo e associativismo. 3o. quando omissa a lei específica. além de outros temas relacionados às cooperativas. Esses dispositivos não estabeleceram um novo regime jurídico para elas. 219 da Lei das S. Interessante que a lei. na medida em que seus sócios devem formalizar o ato constitutivo contendo artigos conforme a lei reguladora. que prevê a sua constituição a partir da ata da assembléia geral dos fundadores. 14 da lei.096 a regência supletiva das cooperativas pelas normas da sociedade simples em geral. que faculta aos contratantes a inserção de cláusulas. o que significa afirmar que a Lei no 5. considerada uma sociedade simples por força do art. fusão ou cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. parágrafo único. parágrafo 2o. 10. 1. 1. . ou de instrumento público. quais sejam: incorporação. Antes da edição da Constituição de 1988. apesar de sucinto. no art. sem a liberdade existente nas contratuais. o Código Civil de 2002 trouxe capítulo específico tratando da sociedade cooperativa. extingue-se a companhia.A. encontra respaldo na Carta Magna Federal. 174.

conforme a previsão do art. inciso XVIII. a própria lei classificou as cooperativas como sociedades de pessoas. inciso IV. 17 e 18 da lei. a remessa à cooperativa. pois visa à prestação de serviços aos associados. sede e objeto social. estado civil. alínea a. Isso não significa afirmar que deva ter prejuízo. repita-se que a cooperativa não tem objetivo de lucro. profissão e residência dos fundadores. 4o. da CF tornou livre a criação de cooperativas e associações.3. ainda que por herança. Características Principais O objetivo social das cooperativas é de natureza civil. por exemplo. mas sem o objetivo de lucro. e reforçado pelo inciso IV. para ser negociada com terceiros. Antiga disposição constante dos arts. ou envolvendo mais de uma cooperativa. c) aprovação do estatuto.934/94. exige-se o arquivamento de seu ato constitutivo que. do . a respeito de necessária autorização governamental para funcionamento. passível de tributação pelo imposto de competência estadual. deve ser feito na Junta Comercial. inciso I. embora sendo considerada sociedade simples. 4o. conforme já ressaltado. O mesmo raciocínio deve ser empregado quando o resultado for negativo. não mais tem validade. inciso VII. conforme explicitado no art. proporcionalmente às operações realizadas por cada um. mas sempre perseguindo os objetivos sociais. Na verdade. não caracteriza circulação de mercadorias. que previu a impossibilidade de cessão das quotas sociais a terceiros. idade. 32. d) mesmos dados pessoais dos eleitos para os órgãos de administração e fiscalização. assim entendidos como aqueles praticados entre a cooperativa e os associados. que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica. havendo resultado positivo. estranhos à sociedade. deve ser rateado entre os sócios. caput. 5o. Quanto à natureza. pois o art. além da quota parte de cada um. 79.094. No entanto. independentemente de permissão para funcionarem. de proveito comum. de uma safra de produtos agrícolas. este é chamado de “sobras líquidas do exercício” e. no 8. Desta forma. da Lei de Registro Público de Empresas. b) nome. conforme ratificado no art. Ao contrário das sociedades em geral. por parte de um sócio. 10. nacionalidade. conforme a disposição do art. Os atos cooperativos. Apenas quando houver futura comercialização é que poderá haver incidência tributária. conforme prevê o art.166 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Do ato constitutivo devem constar: a) denominação. não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 1.

as constituídas por outras singulares. Independentemente da forma e do percentual de participação dos sócios. a exemplo das cooperativas de crédito. 29 da lei determinou o livre ingresso a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade. nós temos: . No que pese essa disposição. Outro traço marcante nas cooperativas é variabilidade ou dispensa do capital social. cooperativas agrícolas. e seguindo a disposição do art. acrescida do termo “cooperativa”. desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto. Esta última. ou cooperativas de trabalho. na busca pelo objetivo social. 6o.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 167 Série Impetus Provas e Concursos Código. que tenham por objeto atividades econômicas correlatas.4. Classificação das Cooperativas Quanto à forma pela qual se organizam. b) cooperativas centrais ou federação de cooperativas. elas podem ser de diversas espécies. cada um terá direito a apenas um voto nas deliberações.094 do Código aboliu esse patamar inferior para formação da sociedade. pessoas físicas ou jurídicas. mas a estes permite-se o ingresso na cooperativa. a sociedade não terá capital social. adota um denominação. que são as constituídas por associados. a partir do cumprimento de exigências estatutárias. alterado na parte relativa ao número mínimo de associados. Depreende-se que os associados não podem dispor de suas quotas para fins de alienação a terceiros. c) confederação de cooperativas. possibilitando a admissão de associados individuais. 10. desde que o quantitativo seja bastante para compor a sua administração. permitindo-se a admissão de pessoas jurídicas que tivessem atividades correlatas às das pessoas físicas. Se todos assim o fizerem. que exigia número mínimo de vinte pessoas físicas para compor seu quadro social. inciso I. que reúne federações ou cooperativas centrais. Sobre o nome. No que se refere ao objeto ou à natureza das atividades desenvolvidas. o art. sendo a espécie mais usual em nosso país. as cooperativas podem ser: a) singulares. Classifica-se como cooperativa de trabalho tanto aquelas que administram os serviços de seus cooperados como as que produzem determinado bem. Assim. Ao contrário do que previa o art. merece um comentário destacado. da mesma ou de diferentes modalidades. significando afirmar que os sócios podem contribuir apenas com serviços. 1. 6o da lei. de forma industrial ou artesanal. o inciso II do art.

da destinação das sobras. dissolução voluntária da sociedade e nomeação de liquidantes. por sua vez. a exemplo de médicos. excluídos o que for de competência exclusiva da extraordinária. Esses são os órgãos encarregados da administração da sociedade. mantendo com eles vínculos trabalhistas.5. Esta. para tratar de assuntos não-rotineiros. destinadas a reunir artesãos que confeccionam seus produtos para serem comercializados através da cooperativa. com poderes para decidir os negócios relativos ao objeto social. parágrafo único. que pode ser ordinária ou extraordinária. nem entre estes e os tomadores de serviços daquela. tem competência para deliberar a respeito da prestação de contas da administração. composto por três membros efetivos e suplentes em igual número. da Consolidação das Leis Trabalhistas-CLT. motoristas de táxi etc. reunir trabalhadores das mais variadas áreas. além de outros assuntos. A ordinária. necessariamente realizada até o fim dos três meses seguintes ao término do exercício social. 31 determina a supressão de seu direito de votar e ser votado. Órgãos Compõem a estrutura de uma cooperativa: a) assembléia geral. . além das contas do liquidante. da Lei. b) cooperativas de produção. É claro que a cooperativa pode contratar funcionários. c) cooperativas artesanais. 47. conforme prevê o art.168 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) cooperativas de mão-de-obra ou de serviços. considerando-se cada uma individualmente. pois cada um exerce suas atividades de forma autônoma. todos sócios eleitos pela assembléia geral. Na hipótese de o associado vir a estabelecer relação empregatícia com a cooperativa. parágrafo 1o. este último composto exclusivamente por sócios. Observem que uma característica fundamental a qualquer ramo de atividade da sociedade cooperativa é a ausência de vínculo empregatício entre a cooperativa e os cooperados. De sua competência exclusiva são: a reforma do estatuto. fusão. dentistas. mudança do objeto social. o art. b) diretoria e conselho de administração. órgão encarregado da fiscalização dos atos cometidos pelos administradores. sem prejuízo da criação de outros para o mesmo fim. A assembléia é órgão supremo formado pelos associados. eleição dos administradores. que podem. desde que especificados no edital de convocação. incorporação ou desmembramento. 442. 10. com mandato limitado a quatro anos. pode ser realizada a qualquer época. c) conselho fiscal. até que sejam aprovadas as contas do exercício em que ele deixou o emprego. destinadas à fabricação de produtos industriais por parte dos próprios cooperados. Essa previsão encontra respaldo no art.

Administração A administração da cooperativa é atribuída a pessoas físicas. a dos seus pares nas demais sociedades. 1. 51. Assim como acontece com as demais sociedades.011. ou deles tirar proveito. ou contra a economia popular. do CC/2002. pois. de acordo com o disposto no art. peita ou suborno. não se responsabilizam pelos atos de gestão. de outros órgãos necessários à administração. ainda que temporariamente. até o segundo grau. conforme consta do art. 147. neste caso de forma proporcional às operações realizadas por cada um. parágrafo 1o. salvo se a sociedade ratificá-los. está o indivíduo reabilitado.764/71. que não podem ocupar uma mesma diretoria ou o conselho de administração. enquanto para as sociedades por ações a normatização aparece no art. concussão. Na Lei no 5. de prevaricação. 49. o sócio responde individualmente pelo valor de suas quotas. Sendo limitada. ou por crime falimentar. a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada. sem prejuízo das sanções penais cabíveis. o acesso a cargos públicos. pelo menos nas linhas gerais. uma vez cumprida pena.7. Seu correspondente para as sociedades regidas pelo Código é o art. Responsabilidade dos Sócios Na cooperativa. vai depender do que dispuser o estatuto.404/76. da Lei no 6. Em outras palavras. da forma como acontece com os demais tipos sociais. ou. essa disposição tem previsão no art. conforme prevê o art. A responsabilidade dos administradores também acompanha. Embora constando apenas do artigo concernente ao Código Civil. têm os sócios obrigação pessoal de integralizar suas quotas adquiridas junto à sociedade. . entende-se que tal proibição somente perdura enquanto durarem os efeitos da condenação. Outra restrição à função é quanto aos parentes. em operações que gerem obrigações para a pessoa jurídica. além dos condenados à pena que vede.6. a fé pública ou a propriedade. 50. parágrafo 1o.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 169 Série Impetus Provas e Concursos 10. participantes da diretoria ou do conselho de administração. Na hipótese de o administrador deliberadamente ocultar a natureza da sociedade. 47. não podem ser administradores pessoas impedidas por lei. além de igualmente assumir responsabilidade pelos prejuízos verificados nas operações sociais. em linha reta ou colateral. criados pelo estatuto especialmente para esse fim. 10. parágrafo 1o. peculato. pode ser pessoalmente responsabilizado. ainda. Logo. salvo se agirem com culpa ou dolo.

10. 1. significando afirmar que houve o exaurimento do fim perseguido. quando constituída por prazo determinado. no art. o art. se o estatuto prevê responsabilidade ilimitada dos sócios. vale a regra da subsidiariedade. contudo. Dissolução da Cooperativa A sociedade cooperativa se dissolve. 63: a) por deliberação da assembléia geral. entendido como os que saíram em virtude de infração legal ou estatutária. solidária com os demais e ilimitada.764/71. ou seja. a limitação da responsabilidade aqui referida tem como patamar máximo a proporcionalidade entre a participação do cooperado nas operações que resultaram em prejuízo para a sociedade.8. Sobre esse tema. d) devido à alteração de sua forma jurídica. Por outro lado. é causa de dissolução judicial. para elas. aliás. Em se tratando de sócio demitido. se observarmos os arts. os que deixaram de atender a requisitos de ingresso ou permanência na sociedade ou. quando. assim considerado o que se retirou a pedido. Entretanto. Assim. 36 prevê a responsabilidade deles perante terceiros até a aprovação das contas do exercício em que aconteceu o desligamento. de sócio que foi eliminado. previstas no art. esta será similar à dos sócios da sociedade em nome coletivo. b) pelo decurso do prazo de duração. a apuração da responsabilidade se faz de maneira proporcional às operações efetivadas por cada cooperado.034. veremos previsão para a fusão de cooperativas.170 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Diante de terceiros. incorporação de uma(s) cooperativa(s) por outra. com a possibilidade de consumo de todo o patrimônio particular dos sócios. ou de sócio excluído. de pleno direito. pois a lei não prevê a possibilidade de transformação da cooperativa. da forma como acontece com as demais sociedades. 57 a 62 da Lei no 5. os que tiveram incapacidade não suprida. c) pela consecução do objetivo social. simplesmente. Este dispositivo. ou para desmembramento de cooperativa em tantas quantas forem necessárias ao atendimento dos interesses de seus associados. encontra correspondente para as sociedades regidas pelo Código. aí inseridos os que morreram. . saíram por conta de dissolução da pessoa jurídica. e) pela paralisação de suas atividades por prazo superior a cento e vinte dias. inciso II. mas não há chance para transformação. nas seguintes hipóteses. em qualquer caso.

contudo. valem os votos efetivamente proferidos na assembléia ou reunião de quotistas. subordinada à Lei Civil. ainda. quando o controlador será considerado de conformidade com o art. a norma legal cabível vai depender da situação concreta. e aqui não relacionadas. ainda que na qualidade de pessoas jurídicas. No mais. seria o Código Civil. arts.404/76. 1. compete a qualquer associado promover medida judicial para sua dissolução. torna-se desnecessária qualquer preocupação em identificar qual diploma normativo deva ser seguido. A rigor. hipótese na qual o tema é regulado a partir do art. já foi escrito que o quantitativo mínimo de cooperados deve ser o que for suficiente para compor a administração. A depender de uma ou de outra espécie. ou entre sociedades contratuais. Do contrário. De notar.404/76. Tais investimentos podem acontecer envolvendo sociedades por ações. até mesmo devido à coincidência entre eles. que tratam do número mínimo de sócios e da autorização do Governo Federal para funcionarem. Nesta hipótese.101. Configurada uma das hipóteses reproduzidas acima. possibilita-se haver acordo de acionistas. É possível. 243 da Lei das Sociedades Anônimas. teremos as seguintes formas de ligações entre as sociedades. não há grandes distinções entre um e outro regime jurídico. in casu. É claro que a definição do tipo de ligação deve reger-se pela norma que regulamenta a sociedade investida.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 171 Série Impetus Provas e Concursos Com relação às outras duas hipóteses referidas no artigo. abaixo relacionadas. e não havendo iniciativa para dissolução da sociedade.097 a 1. imaginemos uma limitada adquirindo ações de uma sociedade anônima. ao ponto de tornar-se sua controladora. . enquanto. enquanto que não mais pode ser exigida a autorização para funcionamento. que o entendimento do que seja poder de controle difere do aplicado às sociedades por ações. nas outras. Para as primeiras. Ligações entre Sociedades Às sociedades. permite-se adquirir participação no capital social de outras. a Lei no 6. Melhor explicando. 116 da Lei Federal no 6. conforme previa a lei. 11. quando a disciplina jurídica aplicada será o Código Civil de 2002. o investimento de uma entidade regida pela Lei das Sociedades Anônimas em outra. em se tratando de sociedades contratuais. e vice-versa.

172 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A – Sendo as sociedades contratuais: • simples participação – configura-se quando uma sociedade possui menos de 10% do capital social de outra. verificado em balanço. B – Sendo as sociedades institucionais: • sociedades coligadas – quando uma participa com 10%. sem controlá-la. além do poder de eleger a maioria dos administradores. Para estas. sem controlá-la. ou mais. excluída a legal. ou quando a soma em mais de uma coligada ou controlada é igual ou superior a 15% do patrimônio líquido da companhia) em outra. referida no parágrafo antecedente. suprime-se o direito de voto da parte excedente. excluída a de capital. desde que aberta a companhia. • sociedade controladora e controlada – é controlada a sociedade na qual a controladora. de modo permanente. do capital social da outra. • sociedade controladora e controlada – é controlada a sociedade de cujo capital social outra seja majoritária e possua a maioria dos votos na assembléia ou reunião de quotistas. para permanência em tesouraria ou cancelamento (ultrapassado aquele limite. as demonstrações financeiras de ambas serão publicadas de forma consolidada. diretamente ou através de outras controladas. até o limite do saldo das reservas. preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. quando maior que 30% do patrimônio líquido da investidora. valem os mesmos comentários a respeito da participação recíproca. A lei veda a participação recíproca entre coligadas. entendendo-se como tal a aquisição. Informações a respeito do investimento relevante. o prazo para alienação das excedentes é de seis meses). do capital social da outra. Permite-se a participação da sociedade investida na investidora (participação recíproca). ou mais. com direito a voto. aproveitam os mesmos . seja titular de direitos de sócio que lhe assegurem. Neste caso. desde que até o limite da soma das reservas da primeira. • sociedades coligadas ou filiadas – quando uma participa com 10%. As demonstrações financeiras de uma coligada devem conter notas explicativas sobre investimento relevante (é aquele cujo valor individualmente considerado é igual ou superior a 10% do patrimônio líquido da investidora. salvo a possibilidade de negociar com as próprias ações. que deverá ser alienada no prazo de cento e oitenta dias da aprovação daquela demonstração financeira. assim como limitações para a participação recíproca. Excedido esse patamar.

art. podem elas formar um consórcio. § 2o) e previdenciárias (Lei no 8. • subsidiária integral – é a sociedade anônima (única sociedade unipessoal não-temporária prevista no Direito brasileiro).1. basta a sociedade de controle ser constituída sob as leis brasileiras. a depender de estarem ou não formalizados na Junta Comercial. inciso V). 2o. 12. 33. visando à realização de objetivos comuns ou. Quanto à solidariedade pelas obrigações sociais. estas terão suspenso o direito de voto.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 173 Série Impetus Provas e Concursos comentários do parágrafo antecedente. só pode ser cobrada nas obrigações com os consumidores (Lei no 8. art. seja de propriedade de uma outra pessoa jurídica. além de possuir sede e administração no país.884/94. com o seguinte acréscimo: se a sociedade controlada adquirir ações da controladora. . art. § 2o) e nas licitações (Lei no 8. mas brasileira. e que não haja qualquer impedimento.078/90. desde que presente a plena capacidade civil. seja como pessoa física ou. mesmo. à execução de seus respectivos objetos. 2o. Sociedades Dependentes de Autorização 12. Podem ser de fato ou de direito. ou por sanções decorrentes de infração à ordem econômica (Lei no 8. inciso IX). cuja totalidade das ações. art. art. com ou sem poder de voto. além de dívidas trabalhistas (CLT. art. O grupo. 28. A sociedade de controle deverá ser brasileira e cada uma conservará personalidade e patrimônio próprios. apesar de não possuir personalidade jurídica própria. só existe nas dívidas trabalhistas (CLT.666/93. 17). 30. terá designação em que constem as palavras grupo de sociedades ou grupo. além de um só objetivo. Com relação à solidariedade por obrigações sociais. simplesmente.212. conforme análise presente no item 9 do Capítulo 1 (esses requisitos não são opostos aos sócios das limitadas ou das sociedades por ações). deve ser acessível a qualquer um. Disposições Gerais O exercício da atividade empresarial no Brasil. • consórcio – quando mais de um empresa une-se para executar um empreendimento comum. § 3o). Caracteriza esta forma de ligação societária a inexistência de participação no capital social entre as consorciadas. constituindo sociedade empresária. Para o grupo ser considerado nacional. grupos de sociedade – as sociedades sob relação de controle ou de coligação • podem constituir grupos. não necessariamente constituída sob a forma de uma sociedade anônima.

127. por exemplo. as seguradoras e as operadoras de planos de saúde. pelo menos se forem consideradas nacionais. já que pode ser cassada. Ao Poder Executivo é facultado recusar a autorização. salvo com unânime consentimento dos sócios. aquela será considerada caduca. E mais: será a título precário. o tema encontra-se assim disciplinado: “Nacional é a sociedade constituída sob as leis brasileiras. não é necessário autorização de funcionamento.126.174 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Há. 1. convenientes ao interesse nacional. a pessoa jurídica somente dependerá de autorização na hipótese de seu objeto social ser um daqueles mencionados no tópico anterior. Ao Poder Executivo é facultado estabelecer condições para a autorização. 12. Concedida a autorização. 1. Enquadrando-se como sociedade brasileira. 12. e a sociedade não entrando em funcionamento no prazo de doze meses após a publicação. . de acordo com o art. São. disciplinados em leis específicas. cujo instrumento é um decreto federal. contudo. 1. dentre outras. parágrafo único. que permite serem acionistas de sociedade anônima brasileira. Para as sociedades que atuarem nos demais ramos da atividade econômica. Sociedade brasileira não mudará sua nacionalidade.123. Sociedade Estrangeira Não sendo nacional. e 1. Prevêem os arts. desde que possua sede e administração no país. antes do início da atividade. a sociedade é estrangeira e depende de autorização para funcionamento. as administradoras de consórcios.2. se a sociedade não atender às condições econômicas. 1. independentemente do ramo. ambos do CC/2002. que reproduziu o teor da EC. salvo se a lei ou o ato do Poder Público fixar outro prazo. Esta é a disposição prevista no art. em seu art.134.135. conforme prevê o art. as instituições financeiras. certos ramos empresariais que se sujeitam à autorização de funcionamento por parte do Poder Executivo federal. nos casos de infração à ordem pública ou quando a sociedade praticar atos contrários aos fins declarados no seu estatuto. Sociedade Nacional Quais os critérios para definir a nacionalidade de uma sociedade? A partir da Emenda Constitucional no 06/95. as sociedades arrendadoras (operadoras de leasing). financeiras ou jurídicas especificadas em lei.” Esse entendimento foi contemplado pelo Código Civil de 2002. ou outros. que a competência para a autorização será sempre do Poder Executivo federal. desde que haja previsão legal.125. 1. ainda que por estabelecimentos subordinados.3.

da CF). e mais. a sociedade assume a qualidade estrangeira. ou na composição do capital social de sociedades jornalísticas e de radiodifusão sonora. Outra é requerer a autorização para funcionamento de sociedade estrangeira. ainda que participem terceiros. concernentes ao balanço patrimonial. deve publicar no órgão oficial da União. faz-se necessário registro do ato constitutivo na Junta Comercial. para respeitar o disposto no art. salvo se houverem se casado no regime de comunhão parcial de bens. 1. as publicações que a lei de seu país de origem a obrigar a fazer. 1.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 175 Série Impetus Provas e Concursos Para os atos e operações praticados no Brasil. indicado no instrumento averbado. Nacional ou estrangeira a sociedade. participação final nos aqüestros ou separação convencional de bens. É o caso. transferindo sua sede para cá. quando o art. mediante autorização do Poder Executivo. 977 do Código Civil/2002 veio a obstar a contratação de sociedade entre marido e mulher. se o ramo escolhido não for um daqueles dependentes de autorização (a assertiva não exclui a necessária autorização da Comissão de Valores Mobiliários. dispõem os arts. deverá manter representante no Brasil. têm eles duas opções: uma é abrir sociedade subordinada à nossa legislação. Se concedida. que limita o exercício de algumas atividades à atuação de estrangeiros. A qualquer tempo. por exemplo. se estrangeiros quiserem ser empreendedores no Brasil. em se tratando de sociedade anônima de capital aberto). pois se trata de uma sociedade brasileira. fazendo deste país sua sede e administração.137 e 1. não importando suas nacionalidades ou a origem do capital empregado. da participação de capital ou sociedade estrangeira na assistência à saúde no país (art. Desta forma. bem como aos atos de administração.140. se for o caso. sob pena de ver cassada sua autorização de funcionamento. 1.139). com restrições previstas na legislação federal. claro. 13. De outra forma. que assumirão a gestão da empresa. ao resultado econômico.138 que a sociedade estrangeira se submeterá às leis e aos tribunais brasileiros. hipótese em que seria possível. 222 da Constituição Federal exige que. pode a sociedade estrangeira autorizada a funcionar no país nacionalizar-se. § 3o. a fim de produzir efeitos no Brasil (art. Sociedade entre Cônjuges O art. pelo menos. Modificação no contrato ou no estatuto social também dependerá de autorização do Governo Federal. . apto a receber citações judiciais pela sociedade. não estará condicionada à autorização do Governo Federal para funcionamento. Nesta hipótese. 199. 70% do capital social total e do capital votante devam pertencer a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos. e do Estado.

dissipou qualquer dúvida persistente na doutrina. tanto a empresa pública como a sociedade de economia mista.101/2005. a sociedade de economia mista pode participar de outras sociedades. ou aplicando imposto de renda em investimentos para o desenvolvimento regional ou setorial. a Lei no 11. tampouco aos processos de recuperação judicial ou extrajudicial. contudo. estaria proibida a constituição de sociedade. 14. para as sociedades constituídas anteriormente à vigência do Código. sem prejuízo de disposições especiais. Sua criação depende de prévia autorização legislativa. não podem ferir o direito adquirido. Os deveres e as responsabilidades de seus administradores assemelham-se aos administradores da companhia aberta. Por serem sociedades anônimas. Esta é a posição defendida pela melhor doutrina. 236 .429/92. sendo que o conselho fiscal terá funcionamento permanente.404 de 1976 (arts. Já a pessoa jurídica que controla a sociedade tem os deveres e responsabilidades do acionista controlador das demais sociedades anônimas. 2o. Terão obrigatoriamente conselho de administração. se o regime for de comunhão universal ou de separação obrigatória. ao excluir. são-lhes aplicados dispositivos da Lei no 6. Essas disposições. Em se tratando de regime de comunhão universal. da CF em combinação com o art. desde que autorizadas por lei. 37. XIX. Em se tratando de instituições financeiras. Podem participar de outras sociedades. conhecida como “Nova Lei de Falências”. A partir dessa nova disposição. Sendo o regime de separação obrigatória. Seu objeto somente pode ser aquele previsto na lei que autorizou sua criação. não se pode impor novo regramento. podemos afirmar que essas sociedades não podem se submeter à falência. significando afirmar que. Sociedades de Economia Mista São sociedades constituídas com a maioria de seu capital social com direito a voto sob a titularidade do Poder Público. essa possibilidade sequer existiria. do regime jurídico falimentar ou de recuperação das sociedades. prevista no art. inciso I. quando obedecidas normas estabelecidas pelo Banco Central. . a fim de reprimir a prática de atos de improbidade administrativa. quando também se submetem à disciplina da Lei no 8. Quanto à falência. por ser aquele insuscetível de mudança. daquele diploma. 235 a 240). o da Lei n 6. conforme dispõe o art.404/76. a única saída para formação da sociedade seria a alteração do regime por meio de autorização judicial.176 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por outro lado.

parágrafo 1o. Atos de competência conjunta exigem o concurso de todos. mas apenas pessoa física não-condenada à pena que vede o acesso a cargo público. De outra forma. Todos os sócios devem participar da formação do capital social. cujas cláusulas devem ser as constantes do art. menos venda de bens imóveis. a responsabilidade é proporcional à participação de cada um nas perdas. vai depender do contrato. a fim de evitar dano. por vícios redibitórios e solvência do crédito. que depende da aprovação majoritária dos sócios. salvo cláusula de responsabilidade solidária. pela evicção. Respondem.CAMPUS TIPOS DE SOCIEDADE SÓCIOS RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA COM TERCEIROS PELOS DÉBITOS SOCIAIS Denominação. O registro do ato deve ser feito em cartório. Os administradores que excederem a atribuição É sociedade contratual. salvo casos urgentes. Pode ser de sócio ou não. adotado um dos tipos da sociedade empresária. a ser feita em dinheiro. créditos ou prestação de serviços. 1. pois se constitui a partir de um contrato escrito. 997. ou por crime falimentar. nos trinta dias subseqüentes à sua lavratura. exige-se unanimidade. os administradores podem praticar todos os atos de gestão. Em caso afirmativo. suborno e outros previstos no art. a administração compete separadamente a cada sócio. por extenso ou abreviado. além de outras que os sócios queiram inserir. acrescida do termo “sociedade simples”. bens. 177 Série Impetus Provas e Concursos . desde que não conflitem com os termos da lei. Para alterar alguma das cláusulas do art.011. Capítulo 2 — Direito de Empresa Podem responder ou não. a regra será a da espécie escolhida. contudo. pessoas físicas ou jurídicas. Proíbe-se a cessão da quota social. Silente o contrato. de peita. 997. NOME EMPRESARIAL OBSERV OBSER VAÇÕES ADMINISTRAÇÃO 1 – Simples Cotistas. Silente o contrato.

pela decisão da maioria absoluta. isentando a pessoa jurídica. b) consenso entre os sócios. A função é indelegável. Não materializada uma dessas hipóteses. e se tratando de ato com excesso de poder (ultra vires).178 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos recebida podem arcar com a responsabilidade por seus atos frente a terceiros. e) se extinta a autorização para funcionar. qualquer sócio pode pleitear a dissolução. a pessoa jurídica deve assumir a responsabilidade para. nas hipóteses: a) vencimento do prazo. Atos com culpa responsabilizam os administradores frente à sociedade e a terceiros prejudicados. d) se ficar com um só sócio. Administrador sócio. que cause dano a terceiros. com base: a) anulação de sua constituição. A sociedade pode ser dissolvida de pleno direito. se por prazo determinado. c) evidente operação estranha ao objeto. conforme prescrição em lei. salvo a possibilidade de constituir mandatário com poderes específicos. Judicialmente. b) que o terceiro sabia da limitação. . de forma solidária entre eles. c) se por prazo incerto. por mais de cento e oitenta dias. em regresso. salvo com o consentimento dos demais sócios. desde que configurada uma das hipóteses: a) limitação inscrita no registro próprio. cobrar do administrador. Essa regra vale para a penhora de quotas. b) se o fim social for exaurido ou se tornar inexeqüível.

O nome será sempre firma ou razão social. adaptadas à espécie. As hipótese de dissolução judicial são as mesmas do art. só tem validade entre eles. Possível haver pacto para limitação da responsabilidade de cada um. pois o credor não pode ser prejudicado. Omitido nome de algum. reconhecida em juízo. 1. ou sócio. por extenso ou abreviada. somente Todos os sócios pessoas físicas. copia as hipóteses do art. a pedido de qualquer sócio. As demais regras vistas para a sociedade simples valem para esse tipo social. Sendo empresária. Para formação do capital social e cessão ou penhora de quota social. necessária a expressão “e cia. É sociedade contratual. Sobre a dissolução de pleno direito. ou todos os sócios. o registro deve ser feito na Junta Comercial. detém poderes revogáveis. acrescida da falência.034. quando insuficientes os bens sociais. respondem solidária e ilimitadamente com seus bens particulares por débitos contraídos em nome da sociedade. mas investido por ato separado.”. Administrador não-sócio.033. Tal acordo. as regras são similares às da sociedade simples. Série Impetus Provas e Concursos 179 . no prazo de trinta dias da lavratura. A administração compete exclusivamente a sócios. 997. pois nasce a partir de um contrato social escrito. possui poderes irrevogáveis. se empresária. 2– Em nome coletivo Capítulo 2 — Direito de Empresa Cotistas.CAMPUS nomeado pelo contrato. ou similar. com as cláusulas previstas no art. salvo justa causa. formada com o nome de um. alguns. 1. contudo.

A cessão e penhora de quotas também seguem as regras da sociedade simples. para negócio específico. Esses se obrigam apenas pela integra. bilidade similar à do formação do comanditado. em caso de morte de comanditário. sob pena de capital social. No entanto. deles pelas dívidas todos. A responsabilidade constituída apenas com nome de comanditado. valem as mesmas regras da sociedade simples. se empresária. b) comanditários. comanditário que tome parte na gestão assume responsabilidade como se fora comanditado. com missão de gerir a sociedade. a ausência de sócios do nome. acrescendo a hipótese de ausência de uma das categorias de sócios por prazo superior a cento e ointenta dias. Direito Comercial — Carlos Pimentel É sociedade contratual. com o ato devendo ser registrado na Junta Comercial. além de poder ser constituído como procurador da sociedade. ou similar. fiscalizar as operações. contudo.180 Série Impetus Provas e Concursos 3 – Em comandita Comporta duas categorias de simples sócios: a) comanditados. Para a formação do capital social. Adota como nome apenas a firma ou razão social.”. ao comanditário participar das deliberações sociais. A administração compete exclusivamente aos comanditados. este lização de sua ou jurídicas. acrescida dos sócios da sociedade em nome da expressão “ e cia. alguns ou sociais é idêntica à somente um. contraírem as mesmas responsabilidades dos comanditados. todos pessoas físicas. para indicar coletivo. pois o negócio continuará com os sucessores. Não podem participar da gestão. Permite-se. Conforme citado na segunda coluna.Se constar nome de pessoas físicas comanditário. aproveitando-se as mesmas disposições já vistas para a sociedade simples. assume responsaobrigados pela quota. a disposição é diversa. As regras para a dissolução são similares à da sociedade em nome coletivo. . salvo disposição diversa no contrato.

Se for uma razão social. Igualmente não podem ser de capital autorizado e. embora subsidiária. Essa regra não vale para os que assumirem função de gerência ou administração da sociedade. contudo. Neste caso. se tiver. Permite-se. apenas sócios que sejam administradores devem emprestar seus nomes à formação daquela. Uma vez pago todo valor. Responsabilizam-se até a integralização do preço de emissão de cada ação subscrita. porque titulares por ação de unidades do capital social chamadas de ação. venda ou penhora de ações pertencentes a um sócio para terceiros. não podem ser obrigados ao pagamento de dívidas sociais ou. não havendo qualquer impedimento à cessão. mesmo. este passa a ser tão responsável quanto aqueles. É conferida apenas a sócios. A impessoalidade é própria desse tipo social. à parcela do capital não integralizada por outro sócio. mas com algumas diferenças. Podem adotar tanto denominação como razão social. a emissão de novas ações. solidária e ilimitadamente. salvo em deliberação aprovada por sócios representativos de pelo menos 2/3 do capital social. sem que haja solidariedade entre eles. debêntures e partes beneficiárias. por extenso ou abreviada. a responsabilidade frente a terceiros pelas obrigações contraídas. é ilimitada e solidária com outros administradores. daí ser considerada de capital. 181 Série Impetus Provas e Concursos . por conseqüência. A ela é vedada a existência de conselho de administração. todos os demais administradores. mesmo que dele não participem. não administrador. Também em relação ao nome. A primeira distinção diz respeito ao exercício da função de administração da forma como foi vista nas outras colunas. ou institucional. no que pese a proibição para operar na bolsa ou no mercado de balcão.CAMPUS 4 – Em comandita Acionistas. Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade estatutária. que não podem ser destituídos. Constando nome de outro. por se constituir a partir de um estatuto social. Pelos atos de gestão dos administradores respondem. em ambos os casos acrescida da expressão: “Comandita por Ação”. não podem emitir bônus de subscrição. que pode ser uma razão social ou denominação. Rege-se pela mesma Lei das Sociedades Anônimas.

apesar de despersonalizada. o Código a definiu como sociedade. quando é facultado ao administrador judicial a rescisão do contrato social. Não tem. escrito ou verbal. salvo se tomar parte nas relações do ostensivo junto a terceiros. pessoa física ou jurídica. Permite-se. aplica-se a regra dos contratos bilaterais. . Sua responsabilidade diante dos credores não existe. As regras para sua liquidação não são as mesmas das sociedades contratuais. Falindo o participante. que apenas contribui com o fundo social. mas que exerce o negócio em seu próprio nome. Direito Comercial — Carlos Pimentel É sociedade constituída por contrato. empresário ou não. fiscalizar os negócios. Seu objeto pode ser mercantil ou de prestação de serviços. não-subsidiária e ilimitada. Comporta duas categorias de sócios: a) ostensivo. que provoca a dissolução da sociedade e liquidação da respectiva conta. por parte da doutrina. Sua falência deve ser tratada como falência do sócio ostensivo. b) participante. mas as relativas à prestação de contas. na forma da lei processual. mesmo que o contrato seja registrado. Compete ao sócio ostensivo. contudo.182 Série Impetus Provas e Concursos 5 – Em conta de participação Sua responsabilidade diante dos credores é pessoal. Embora considerada um simples contrato. Não tem personalidade jurídica. que pode ser pessoa física ou jurídica.

nenhuma obrigação terão os sócios para com as dívidas assumidas em nome da pessoa jurídica. que não poderá aproveitar normas singulares das sociedades anônimas. quando o capital não estiver todo integralizado. pessoas físicas ou jurídicas. da forma Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade contratual. que vai do art. a exemplo da emissão de valores mobiliários. a lei Pode adotar tanto uma razão social como uma denominação. contudo. pois todos são responsáveis. ou mesmo na Lei das Sociedades por Ações. os sócios respondem até o valor total do capital social subscrito. por extenso ou abreviado. Rege-se por capítulo próprio. mas só se o contrato expressamente permitir. mas não integralizado. 1. Apesar da regra geral. exige-se aprovação unânime dos sócios. mesmo os que já integralizaram as suas quotas. No entanto. Pode. em qualquer caso seguido do termo “limitada”. exige-se aprovação mínima de 2/3 do capital social. Vai depender do que dispuser o contrato. Também em relação à cessão. salvo disposição contratual diversa. A administração pertence aos sócios.052 ao art. A omissão do termo implica a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores que assim empregarem o nome. Difere. 1. não mais pode ser feita. Perante credores da sociedade. Essa é a regra aplicável aos demais tipos sociais. pois tem como patamar superior à parcela não-integralizada do capital social. tratando-se de sócio nomeado administrador no contrato. As regras para destituição do administrador diferem daquelas da sociedade simples. mas apenas por danos relativos àquela operação específica. A delegação das funções de administrador. venda. ou penhora de quota social Série Impetus Provas e Concursos 183 . no momento em que o capital estiver totalmente pago. pois depende do esgotamento do ativo.087 do Código. Da integralização do capital social devem participar todos os sócios. e é limitada. De qualquer forma. das outras quando proíbe a integralização em prestação de serviços.CAMPUS 6 – Limitada Cotistas. salvo a constituição de procurador com poderes específicos. sob pena de nulidade da cláusula que excluir algum. ou 2/3 após a integralização. a exemplo das outras sociedades. contudo. podendo ser conferida a não-sócio. a responsabilidade aqui tratada é subsidiária. Significa afirmar que. ter regência supletiva no capítulo das sociedades simples. é solidária. pois ele pode ser destituído a qualquer tempo de suas funções. que antes era permitida. pessoas físicas. Neste último caso.

como as dívidas tributárias e os atos ultra vires. possui norma própria. e outras que podem atingir esse ou apenas o sócio. d) atos ultra vires. desde que não haja oposição de sócios titulares de 1/4 do capital social. relativamente aos administradores.184 Série Impetus Provas e Concursos como acontece com a sociedade simples. são aproveitadas para as limitadas. pois a regra geral é pela permissão. Também o conselho de administração. . até no sentido de excluir qualquer possibilidade de oposição. disposição contratual diversa. c) dívida trabalhista. contudo. Podem ter conselho fiscal. Já diretoria é órgão obrigatório. As causas para sua dissolução de pleno direito acompanham as da sociedade simples. que não é obrigatório. para aquelas com número de sócios superior a dez. Possível. b) dívida previdenciária. apesar de não ser obrigatório. As outras disposições citadas para as sociedades simples. como nas anônimas. essa sociedade ganhou estrutura tipificada na lei. São elas: a) dívida tributária. algumas específicas para administrador. f) deliberação infrigente do contrato social. é obrigatória a assembléia de quotista. Logo. Direito Comercial — Carlos Pimentel comporta exceções. Com o Novo Código. mas pode existir nas limitadas. que permite sua organização através de órgãos similares aos das sociedades anônimas. e) desconsideração da pessoa jurídica.

acompanhada de um dos termos: “companhia” ou “sociedade anônima”. b) debêntures. daí ser considerada de capital. e d) bônus de subscrição (este só por cia de capital autorizado). é uma responsabilidade subsidiária. As exceções vistas para as limitadas também são aplicadas aqui. por extenso ou abreviados. É sociedade estatutária. Para ser aberta. ainda que traga prejuízo à sociedade. tem que haver autorização Comissão de Valores Mobiliários. da forma como acontece nas limitadas.CAMPUS 7 – Anônima Acionistas.A. se agiu com culpa ou dolo. os acionistas se responsabilizam pela integralização do preço de emissão das ações adquiridas por cada um. pela pouca importância que se dá à pessoa do sócio. Contudo. contém mesma previsão do Código quanto à vedação para ocupação do cargo. independente de seu objeto social. pessoas físicas ou jurídicas. c) partes beneficiárias (este só por cia. É sempre empresária. credores da companhia. A Lei das S. Atos ilícitos de outros administradores não responsabilizam os demais. A sua estrutura comporta os seguintes órgãos: a) assembléia geral. à exceção da que trata sobre responsabilidade por deliberação infrigente do contrato social. Tanto um como outro pode vir no início. Pode ser aberta ou fechada. deixar de agir para inibir sua prática. constituindo-se a partir de um estatuto social. no meio ou no fim do nome. deles tendo conhecimento. Os valores mobiliários por ela emitidos são: a) ações. dentre outros. O sócio pode alienar suas ações livremente a quem se interessar. concussão. fechada). que não pode ser feita por quem estiver impedido por lei especial. com violação da lei ou do estatuto. se negligenciar em descobri-los ou se. de prevaricação. O administrador não é responsável por ato regular de gestão. De toda forma. salvo se com eles for conivente. mas somente a pessoas físicas. Somente pode adotar uma denominação. peita ou suborno. obrigatória em toda S/A (reunião de acionistas apta a decidir os destinos Série Impetus Provas e Concursos 185 . Capítulo 2 — Direito de Empresa Frente a terceiros. ou condenado por crime falimentar. A administração pode ser concedida a sócio ou não. pois depende de ser exaurido o ativo da pessoa jurídica. conforme lance títulos no MVM. Significa dizer que não há solidariedade pela soma do capital social não-integralizado. peculato. responde pelos prejuízos que causar à sociedade.

cuja competência era originária da assembléia. .015 do Código. b) conselho de administração.186 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos Prejuízos causados à sociedade.089 prevê aplicação subsidiária do Código para as sociedades anônimas. 1. d) conselho fiscal. se a sociedade for de capital aberto. Isso porque o art.. formado por sócios ou não. previstas no parágrafo único do art. responsável pela fiscalização dos atos dos administradores e dos negócios sociais. os administradores que tenham atividade correlata. salvo nas de capital aberto. valem as regras concernentes às sociedades simples. a responsabilidade atinge a todos os administradores. Em relação a prejuízos causados a terceiros. 1. em virtude omissão no cumprimento de deveres impostos por lei para assegurar o funcionamento normal da cia. escapa da obrigação o administrador que comunicar o fato à assembléia geral. mas responsável pela execução do objeto social. Sendo de capital fechado. Em ambos os casos. da cia.. formada por sócios ou não.). obrigatória em toda cia. responsabilizam. mas que lhe foi delegada). de capital autorizado e nas de economia mista (colegiado só de acionistas. de forma solidária. c) diretoria. de existência facultativa.

A participação de cada um no resultado social é proporcional às operações realizadas com a cooperativa. Pode ser limitada ou ilimitada. mas sempre pessoa física. Apesar disso. será solidária com os demais cooperados. Adota como nome uma denominação. por se constituir a partir de um estatuto social. não possui objetivo de lucro. Esse instrumento deve ser arquivado na Junta Comercial. Igualmente às demais. possui apenas um voto nas deliberações sociais. A administração pode ser conferida a sócio ou não. Seja qual for o ramo. O escopo de sua criação é prestar um serviço ao cooperado. Sendo limitada. Proíbe-se o vínculo trabalhista entre sócios e cooperativa. Se for ilimitada. sempre acompanhada do termo “cooperativa”. segue a proporção das operações realizadas por cada sócio. que podem ser pessoas físicas ou jurídicas. Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade estatutária. vai depender do que dispuser o estatuto. que não pode cair nas mãos dos que tenham praticados certos crimes. não em Cartório. O capital social não é fixado no estatuto. também chamados de cooperados. podendo até ser dispensado. O sócio. a fim de facilitar a prática de uma atividade econômica. Série Impetus Provas e Concursos 187 . não de capital. permite-se o livre ingresso de qualquer um que tenha correlação com a atividade.CAMPUS 8 – Cooperativa Cotistas. daí ser considerada sociedade de pessoas. neste caso quando se tratar de federação ou confederação de cooperativas. Não pode haver cessão das quotas sociais a terceiros. independente da quantidade de quotas. há impedimentos legais ao exercício do cargo.

Estão corretas as afirmativas: a) II e IV. b) em comandita simples. e) foi desenvolvida pela jurisprudência e tem como pressuposto a fraude e o abuso de direito. IV – As atribuições e os poderes conferidos pela lei não podem ser outorgados a outros órgãos da companhia. . d) em conta de participação. ESAF (AFTN/1996) A teoria da superação ou desconsideração da personalidade jurídica: a) não é aceita em nosso Direito. e) em comandita por ações. (OAB–CE/99) Sobre o conselho fiscal de sociedade por ações. III – A sua composição não será inferior a três nem superior a cinco membros efetivos e suplentes em igual número. c) tem aplicação restrita às relações de consumo. eleitos dentre aqueles que compõem os órgãos de administração. II – Somente funcionará se assim dispuser o estatuto ou a pedido dos acionistas. ESAF (TTN–JULHO/1992) Não tem personalidade jurídica a sociedade: a) em nome coletivo. c) I. I – Terá sempre funcionamento permanente. d) não tem aplicação em sociedades anônimas. 3. b) é aceita e aplicável nos casos de responsabilidade penal. II e IV. c) de capital e indústria. 2. III e IV. d) todas.Exercícios 1. considere as afirmativas seguintes. b) II. e não nos de responsabilidade civil dos dirigentes.

c) São coligadas as sociedades quando uma participa com. preferenciais e de fruição. a) Reformar o estatuto social e suspender o exercício dos direitos dos acionistas em mora junto à companhia. sem controlá-la. com 10% ou mais. e) limitadas. nominativas e endossáveis. quando houver Conselho de Administração. A respeito desse tema. b) ordinárias. d) em conta de participação. 10% do capital da outra. o que são SOCIEDADES COLIGADAS? a) São coligadas as sociedades quando uma participa com. sem controlá-la. c) Autorizar a emissão de debêntures. ESAF (TTN – JULHO/1992) Todos os sócios são solidária e ilimitadamente responsáveis nas sociedades: a) em nome coletivo. ESAF (PROCURADOR – BACEN/1994) As ações podem ser das seguintes espécies: a) ordinárias. e) Autorizar o exercício do direito de recesso do acionista e nomear os auditores independentes da companhia. nominativas e não à ordem. b) em comandita simples. ações e bônus de subscrição. 6. 5% do capital da outra. . de igual valor nominal. CESPE – UnB (INSS/1997) A doutrina e a legislação atribuem às sociedades anônimas uma série de características peculiares.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 189 Série Impetus Provas e Concursos 4. e) endossáveis. b) São coligadas as sociedades quando uma participa. c) ( ) As companhias podem ser constituídas mediante a subscrição pública de ações. 5. b) Autorizar os administradores a requererem falência de outra companhia e reforma do estatuto social. no máximo. d) endossáveis. mesmo assim. sete sócios. e) ( ) As sociedades anônimas têm capital social dividido em títulos. ESAF (PROCURADOR – BACEN/1994) Assinale a opção que contém apenas matérias de competência privativa da assembléia geral de uma sociedade anônima. d) Autorizar os administradores a requererem falência de outra companhia e eleger os membros da diretoria. c) endossáveis. à vista do relatório de auditoria independente e do parecer do Conselho de Administração. a) ( ) As denominações são a única forma de nome comercial que poderá ser adotada por sociedades anônimas. no mínimo. 8. c) de capital e indústria. do capital da outra. não à ordem e de fruição. julgue os itens abaixo (V ou F). detém o controle acionário em face de predominância de ações com direito a voto. 7. em regra. no mínimo. (OAB – GO/1999) Na conformidade do que preceitua o parágrafo 1o do art. d) São coligadas as sociedades quando uma participa com 40% do capital da outra e. preferenciais e nominativas. 243 da Lei das Sociedades Anônimas. d) ( ) A responsabilidade do acionista é limitada ao valor do capital social a integralizar. b) ( ) A constituição de sociedade anônima está sujeita à prévia autorização do governo federal e depende da presença de.

os papéis e livros da sociedade e o de tomar conta dos gerentes. c) ( ) Considere a seguinte situação hipotética: Abigail. d) as companhias fechadas ou abertas podem emitir ações nominativas ou endossáveis. R$40.000.00.000. a) Incorporação é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades. sendo a ambas vedado emitir ações ao portador. b) 10% do capital social. Abigail integralizou suas quotas. endossáveis ou ao portador. é correto afirmar que: a) podem ser nominativas. ser ou não inscrita no registro de comércio é juridicamente irrelevante para que ela seja considerada comerciante e para que lhe seja aplicado o regime jurídico dos comerciantes. ainda que com restrições. e) tanto as companhias abertas quanto as fechadas somente podem emitir ações nominativas. se houver versão de todo o seu patrimônio. As participações deles são.190 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9. Mas a lei exige. endossáveis ou ao portador. para uma ou mais sociedades. e) 10% do capital integralizado. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2000) Em relação às sociedades comerciais e ao registro mercantil. (JUIZ DO TRABALHO – 13a REGIÃO/PB) A exibição dos livros da sociedade anônima pode ser ordenada judicialmente. cujo capital social é de R$200. que as sucederá em todos os direitos e obrigações. ou dividindo-se o seu capital. se parcial a versão. o fato de uma pessoa. b) a modalidade de ações endossáveis somente é admitida nas companhias fechadas. (OAB – GO/1999) Assinalar a alternativa que corresponde à conceituação de INCORPORAÇÃO. Serviços e Representações Ltda. a) ( ) Mesmo que um indivíduo seja sócio minoritário. respectivamente.00. Bárbara e Camilo pagaram à 10. c) 51% do capital social. d) 20% do capital integralizado. para formar sociedade nova. inserta no Capítulo XVIII da legislação pertinente às sociedades anônimas. 11. c) as companhias abertas podem emitir ações nominativas ou endossáveis. constituídas para esse fim ou já existentes. que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Bárbara. julgue os itens abaixo (V ou F). Camilo e Dalva são sócios da empresa ABCD Comércio.000. porém as companhias fechadas podem emitir ações nominativas.000. que pratique atos de comércio.000. (FISCAL DO TRABALHO/1994) Com relação às ações emitidas pelas sociedades anônimas. a qualquer tempo. R$50. que os sócios representem. pelo menos: a) 5% do capital social. sempre que acionistas apontem atos violadores da lei ou do respectivo estatuto. 12. para esse fim. observado o contrato social. de R$100. extinguindo-se a companhia cindida. . o de fiscalizar.00. com participação de apenas 1% no capital social.00 e R$10.00. c) Incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra. d) Nenhuma das alternativas está correta. b) ( ) No Direito brasileiro. b) Incorporação é a operação pela qual a companhia transfere parcelas de seu patrimônio.. ele terá o direito de influir na escolha dos administradores da sociedade. física ou jurídica.

00 e não as pagou.00.000. d) ( ) Considere a seguinte situação hipotética: Pedro Monteiro e Luís Cavalcanti constituíram a sociedade por quotas de responsabilidade limitada. e) ( ) Nas sociedades por ações em geral. o juiz sentenciou incorretamente. c) limitadamente admitidas.00. b) livremente admitidas. Nos papéis da sociedade. ESAF (AFTN – SET/1994) O critério para determinar a nacionalidade dos grupos de sociedade no Direito pátrio considera: a) a nacionalidade da maioria dos sócios das sociedades grupadas.000. a sociedade firmou contrato com a empresa XYZ Ltda. para retirar-se da empresa. um sócio pode opor-se ao ingresso. e) exclusivamente ao fato de a sociedade ser ou não personificada. cobrando-lhe o valor da dívida. provando a insolvência da sociedade e cobrando-lhes o total da dívida. c) a que vier determinada na convenção grupal. sob o fundamento de já haver integralizado sua parte no empreendimento.00. d) a nacionalidade do sócio majoritário de sociedade controladora. esta era identificada como Monteiro & Cavalcanti Empreendimento. com capital de R$100. Camilo e Dalva não possuíam patrimônio. e) a nacionalidade da sociedade controladora. d) limitadas entre coligada e controladora. A sociedade contraiu dívidas com Eliana no valor de R$300. Nessa situação. Abigail contestou a ação. Nessa situação. por insolvência.000. Bárbara. de um estranho na sociedade. Usando esse nome e estando representada pelos sócios. se houver o ingresso de novo sócio.000. com o nome Monteiro & Cavalcanti Empreendimento Ltda. a responsabilidade dos sócios pelas obrigações da sociedade está relacionada: a) à formulação de pactos parassociais.00 cada um. o sócio discordante pode pedir à sociedade que proceda à apuração dos haveres que possuir. O juiz julgou o pedido de Eliana procedente em parte e condenou Abigail a pagar à credora o valor de R$89.000. que foi totalmente integralizado. que não pagou. em razão do qual contraiu dívida de R$50. A credora ajuizou ação em face dos sócios Pedro e Luís. Os sócios defenderam-se com a tese de nada deverem. O juiz rejeitou a defesa e condenou os dois sócios.00. e) permitidas como resultado de fusão. 14. pois a devedora era a sociedade. devido à natureza de direito pessoal que se forma entre os sócios e entre estes e a sociedade. d) ao acordo entre sócios. Dalva integralizou somente R$1.. ESAF (AFTN – SET/1994) Nas sociedades mercantis. Como a empresa.000. c) ao acordo com os credores sociais. . ESAF (AFTN – SET/1994) As participações recíprocas entre sociedades são: a) formas de aumentar o controle de uma sociedade sobre a outra. e porque já haviam integralizado suas quotas. não eles. Eliana acionou Abigail judicialmente. b) à forma societária adotada. 15.. o juiz agiu corretamente. 13.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 191 Série Impetus Provas e Concursos sociedade apenas R$5. por meio da aquisição de ações. b) a nacionalidade da sede do grupo.

d) de capital e indústria. c) por quotas de responsabilidade limitada. haja vista ter sido omitida a expressão sociedade anônima. a falta de nome empresarial próprio e o fato de não estar sujeita às formalidades necessárias à constituição das demais sociedades comerciais são características da sociedade: a) de fato. d) ações. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Considerando uma sociedade que adote o nome empresarial Cia. c) em nome coletivo. b) Está incompleto o nome da sociedade. trata-se de sociedade civil. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Títulos sem valor nominal. e) opções. b) debêntures. e) anônima. juntos. emitidos pelas sociedades anônimas. 20.192 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 16. estranhos ao capital social e que asseguram a seus titulares crédito eventual contra a companhia. c) bônus de subscrição. d) Independentemente de seu objeto social. a) A sociedade constituída por João e Joaquim não será considerada mercantil. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Divisão do capital social em partes iguais. correspondem a: a) partes beneficiárias. ainda que este não esteja registrado. ela sempre será sociedade comercial. 19. d) As sociedades comerciais adquirem personalidade jurídica a partir da celebração do acordo entre os sócios. a) Trata-se de sociedade por quotas de responsabilidade limitada. assinale a opção correta. assinale a opção correta. haja vista não ter sido registrada em Junta Comercial. e) João e Joaquim somente serão chamados a responder com seus bens pessoais pelas dívidas que venham a contrair em nome da sociedade. b) A sociedade constituída pelos sócios não poderá falir. 17. . explorarem comercialmente atividade de compra e venda de mercadorias. b) por quotas de responsabilidade limitada. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) João e Joaquim decidiram reunir capital e trabalho para. se for aplicada a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. 18. e) Em face de seu objeto. c) O registro dos atos constitutivos dessa sociedade confere a ela personalidade jurídica própria. e) em conta de participação. d) em comandita. por extenso ou abreviadamente. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) A inexistência de personalidade jurídica própria. c) A responsabilidade dos sócios é ilimitada. pois não está registrada. consistente na participação nos lucros sociais. Considerando que o acordo firmado entre os sócios não foi levado a registro em Junta Comercial. responsabilidade de seus sócios limitada ao valor de suas participações no capital social e uso exclusivo de denominação são algumas características das sociedades: a) anônimas. b) em conta de participação. Agrícola do Planalto.

os diretores são considerados administradores e os membros do conselho de administração responsáveis pelo controle social. devendo prestar contas de seus atos ao conselho de administração e ao conselho fiscal. c) os membros do conselho de administração necessitam invariavelmente ter domicílio no Brasil. controladoras ou controladas. administrar e executar os atos inerentes à vida negocial da companhia. Nessa situação e considerando que. e) ( ) Se a sociedade W for controladora de X. – Y detém 30% do capital de Z e 55% do capital de W. (BNDES/2002) Cumpre à diretoria. verifica-se que: – X detém 7% do capital de Y e 11% do capital de W. b) limitação das ações objeto da oferta a menos de 50% do capital social. e) administrar os interesses de todos os acionistas da sociedade. em relação à competência das assembléias gerais ordinárias. aprovada em assembléia geral. d) impossibilidade de acionistas comanditados limitarem sua responsabilidade pelas obrigações sociais. d) a competência das assembléias gerais extraordinárias é formada por exclusão. no seu relatório anual de administração. julgue os itens abaixo (V ou F). c) deliberar. CESPE – UnB (AGU/2002) Para quatro sociedades anônimas – X. 23.404/76 com as alterações posteriores. uma vez que a coligação ocorre quando uma sociedade participa de. b) executar as deliberações da assembléia geral e do conselho de administração e representar a sociedade em seus atos negociais. as ações de W pertencentes à companhia X deverão ter direito de voto suspenso. e) inadmissibilidade do tipo de operar em bolsa.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 193 Série Impetus Provas e Concursos 21. no máximo. 22. de ações preferenciais. regida pela Lei n o 6. – W detém 20% do capital de X. . pauta-se por: a) emissão apenas de ações sem direito de voto para oferta pública. a sociedade Z tem possibilidade de ser controlada por Y. b) ( ) A sociedade Y é controladora de W. nas sociedades anônimas: a) administrar a companhia. através de deliberações que satisfaçam os anseios dos investidores. no que se refere à participação acionária de uma sociedade em relação à outra. sem controlá-la. relacionar investimentos feitos na companhia Y e mencionar modificações ocorridas durante o exercício. d) representar os interesses dos acionistas controladores na administração da sociedade. b) os membros do conselho de administração devem ser brasileiros. Y. c) ( ) De acordo com o conceito legal de sociedade controlada. necessariamente. d) ( ) A sociedade X deverá obrigatoriamente. 10% do capital da outra. c) responsabilidade ilimitada de acionistas titulares de ações votantes por obrigações da sociedade. e) para os efeitos legais de responsabilidade. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL/2002) A emissão de ações por sociedade em comandita por ações. a) ( ) X e Y são sociedades coligadas. Z e W –. as sociedades por ações são classificadas como coligadas. ao menos. ESAF (INSS/2002) Nas sociedades anônimas: a) os diretores devem ser acionistas titulares. 24.

exclusivamente. 28. é certo que as quotas: a) asseguram que a regra da limitação da responsabilidade dos quotistas seja absoluta. . e) seja mercantil. ao serem integralizadas por ele. c) conferirão ao quotista. d) facilitar a ação das minorias societárias. apenas o direito à percepção de lucros e à partilha da massa residual. que facilitam a separação patrimonial. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – AFRF/2002) Considera-se empresária a sociedade que: a) assume os riscos da produção. de dinheiro de contado para a instituição do capital social. b) ser contrato cuja tipificação é apenas social. que elaborasse para eles o contrato social. qual dos sócios seria o gerente da sociedade. b) serão representadas pela entrada. solicitaram a um amigo comum. ESAF (AUDITOR – TCE – PR/2002/2003) A sociedade limitada prevista no Novo Código Civil. 26. no referido contrato. c) não se aplicar às companhias ou sociedades por ações. 29. b) dar-lhes estrutura típica. deixando expresso que tanto Antônio quanto Benedito poderiam atuar indistintamente como gerentes da sociedade.406/2001. altera a disciplina atual das limitadas para: a) torná-las pequenas anônimas. e) determinar a regularidade do exercício de atividades econômicas. FCC (MP – PE/2002) Na sociedade limitada. Procuraram novamente Carlos e solicitaram que ele procedesse à alteração do contrato social. c) redesenhar o controle da sociedade. como comercialmente. e) dificultar a criação de sociedades de pequeno porte. d) esteja matriculada no registro de empresas. Acerca da situação hipotética acima descrita. c) é titular de estabelecimento. advogado recém-formado. Antônio e Benedito descobriram que o amigo Carlos esquecera-se de indicar. julgue os seguintes itens (V ou F). d) em nada se identificam com as ações das companhias por não ser possível adotar a divisão do capital social em quotas do mesmo valor nominal. tanto civil. d) produzir separação entre patrimônios dos sócios e o da sociedade. CESPE – UnB (SEFAZ – MT/2002) Antônio e Benedito decidiram criar a firma AB Toldos Ltda. Após feito e registrado o contrato na Junta Comercial. encerrando um direito patrimonial e um direito pessoal do sócio quotista. ESAF (AUDITOR DO TCE-PARANÁ/2002/2003) O negócio constitutivo de sociedades é denominado contrato plurilateral. que se caracteriza por: a) ser contrato de estrutura aberta. Lei n o 10. Não tendo conhecimentos jurídicos. notadamente aquelas entre marido e mulher. 27. e) têm natureza bifrontal. Carlos.194 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 25. b) exerce atividade econômica com a colaboração de terceiros não-familiares.

ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) As operações de reorganização. por isso. e) com finalidade econômica e com finalidade religiosa ou cultural. c) ( ) Antônio e Benedito. embora subsidiária. b) ilimitada. ESAF (AFTN/2001) As ações escriturais e sem valor nominal. d) modificação da estrutura societária. 31. c) dar notoriedade aos portadores. d) dificultar a circulação das participações e. as sociedades são classificadas: a) empresárias e simples. b) a prévia aprovação da emissão pela assembléia geral em qualquer caso. d) o pagamento integral do preço de emissão em todos os casos. 34. desde que fizessem constar expressamente a designação no contrato social. e) solidária com a sociedade em certas hipóteses. c) a manutenção de proporção da participação dos acionistas no capital social. nem Antônio nem Benedito poderão exercer a gerência da sociedade. ESAF (PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL/2002/2003) A responsabilidade de sócios-gerentes das sociedades limitadas é: a) limitada à sua participação no capital social. c) unipessoais e pluripessoais. caracterizam-se por: a) alterar as relações entre sociedades e credores.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 195 Série Impetus Provas e Concursos a) ( ) Ante a omissão do contrato social quanto à indicação do gerente. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A disciplina da emissão de ações pelas companhias prevê: a) a autorização prévia da CVM para emissões privadas. e) a possibilidade de emissões sem aprovação da assembléia geral. salvo se for requerida autorização provisória à Junta Comercial. fusão ou cisão. 32. . a Junta Comercial deveria ter recusado o seu registro. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Nos termos do Código Civil. e) modificação tipológica em todas as hipóteses. c) ilimitada na hipótese de delegação da função administrativa pelos atos do delegado. perante credores sociais. b) alterar a proporção em que os sócios participam do capital social. d) grupadas e isoladas. são pouco utilizadas. se assim desejassem. e) facilitar a negociação dos valores mobiliários pela inexistência de cártula. introduzidas no Direito Societário em 1976. c) sucessão nas obrigações. servem para: a) reduzir a guarda de papéis e deságio. b) ( ) Enquanto não for realizada a alteração do contrato social. poderiam designar o amigo Carlos gerente da sociedade. b) garantir a titularidade das participações que ficam lançadas em livros próprios de instituição financeira autorizada. d) solidária com os demais gerentes pelos atos de gestão. 33. b) de pessoas e de capitais. 30. societária como incorporação.

. o exercício desta não se estende automaticamente àqueles que se tornarem sócios após a efetivação do contrato social. em regra. ao sócio ostensivo. d) que o juiz pode praticar de ofício. a fim de que os credores privilegiados recebam seus créditos. depois de executados os bens sociais. se caracterizado desvio de finalidade ou ocorrer confusão patrimonial. os sócios não podem decidir contratualmente nem responder subsidiariamente pelas obrigações sociais. f) ( ) Nas sociedades em nome coletivo. com prejuízo para os credores em virtude de decretação de falência ou insolvência. pois. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. participando os demais apenas dos resultados correspondentes. se verificada fraude contra credores. d) ( ) Em uma sociedade em conta de participação. 36. e) ( ) Nas sociedades simples puras (que não tenham outro tipo jurídico). se caracterizado desvio de finalidade ou se verificar confusão patrimonial. b) que pode ser praticado pelo Juiz. b) ( ) Na sociedade não-personificada em comum. a sociedade passa a ter natureza jurídica de sociedade em nome coletivo. sempre que houver encerramento irregular do estabelecimento comercial. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2003) Marque V ou F. o sócio participante é sempre responsabilizado nas obrigações sociais perante terceiro. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. é ato: a) privativo do Ministério Público. e) que pode ser praticado de ofício pela autoridade administrativa ou pelo juiz. c) privativo do juiz. para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens de seus administradores ou sócios. sempre que se verificar abuso da personalidade da pessoa jurídica em proveito de seus administradores ou sócios. a requerimento da parte.196 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 35. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. g) ( ) Nas sociedades limitadas em cujo contrato esteja definido o exercício da administração por todos os sócios. caso exerça o direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais. os bens particulares de determinado sócio podem ser executados por dívidas da sociedade. a requerimento dos credores privilegiados. se assim o fizerem. sem o benefício de ordem de primeiro serem executados os bens sociais. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DE PE/2003) A desconsideração da pessoa jurídica. c) ( ) Em uma sociedade em conta de participação. a requerimento da parte. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. por qualquer autoridade administrativa ou pelo Ministério Público. as responsabilidades perante terceiros decorrentes da atividade constitutiva do objeto social limitam-se. a) ( ) Nas sociedades simples puras (que não têm outro tipo jurídico). porém é válida cláusula do contrato social que limite a responsabilidade de um dos sócios nas relações entre eles.

desde que não haja oposição de mais de um quarto do capital social. 38. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) No novo modelo de sociedade limitada: a) continua sendo exigido que os administradores sejam necessariamente sócios. exceto os créditos trabalhistas e fiscais. provando-se que a limitação era conhecida deste. c) qualquer sócio poderá ser excluído da sociedade. d) permitiu que os poderes conferidos aos administradores pelo contrato social poderão ser alterados por voto de dois terços dos sócios. . e) impediu que os bens particulares dos sócios possam ser executados por dívidas sociais. quando sua atuação estiver pondo em risco a continuidade da empresa. própria para as microempresas. 40. devem considerar-se representantes destes nos órgãos de administração. d) atribuem ao sócio uma distribuição nos resultados proporcional às operações por meio delas realizadas. e) permitem a transferência das quotas a estranhos. alienação ou oneração dos bens do ativo permanente dependerão de prévia autorização por assembléia geral dos sócios. c) estabeleceu que o excesso de poderes dos administradores pode ser oposto contra terceiro. d) somente podem ser responsabilizados por ação proposta mediante autorização da assembléia geral. b) determinou que ela não pode ter filiais ou agências. não respondendo pelos atos dos demais administradores. ao menos. o Novo Código Civil: a) adotou uma forma societária de estrutura menos complexa. por voto da maioria dos demais. b) todas as deliberações que envolverem compra. uma quota ou ação do seu capital. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) Os administradores da sociedade anônima: a) podem ser pessoas jurídicas. b) devem exercer suas funções em atendimento ao dever de diligência. devendo. o sócio poderá ceder sua quota a não-sócios. neste caso. e) no silêncio do contrato social. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) As sociedades cooperativas a) podem ter o capital dividido em ações. e) quando eleitos por minoritários. desde que atuem profissionalmente no seu ramo de atividade. regendo-se supletivamente pela Lei das Sociedades Anônimas. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) Ao instituir a sociedade simples.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 197 Série Impetus Provas e Concursos 37. aplicar-se-ão sempre as regras da sociedade simples. tendo ação regressiva contra estes quando forem inocentes. c) respondem solidariamente pelos atos ou omissões danosos dos demais administradores. c) exigem que o sócio tenha. Não o fazendo. ser designado um representante residente e domiciliado no Brasil. b) sempre atribuem responsabilidade limitada aos seus sócios. d) o contrato social poderá prever a regência supletiva pela Lei das Sociedades por Ações. 39.

convocou uma assembléia geral para deliberar sobre realização de uma fusão com outro banco. 43. d) os titulares de ações sem direito a voto não podem sequer comparecer à assembléia. d) não há mudança de denominação do estabelecimento. d) exercem atividade de intermediação na circulação de serviços. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Diz-se que há sucessão comercial ou empresarial quando: a) o novo titular da atividade era sócio da sociedade que anteriormente exercia a atividade. e) mantém-se a sociedade exercente da atividade embora com outros sócios. e) não será necessária assembléia no outro banco. não havendo solidariedade. b) o novo controlador fica obrigado pelas obrigações anteriores ao negócio de alienação do controle da sociedade. que apenas houve a assembléia geral. no caso da desconsideração da personalidade jurídica. ESAF (PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2004) Numa sociedade limitada: a) apenas sócios podem ser administradores. 45. b) destinada a aumentar o patrimônio líquido da incorporadora. d) o capital social é dividido em ações. b) a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas quotas.198 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 41. c) de reordenação patrimonial. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Sociedades empresárias são as que: a) têm como objeto atividade econômica organizada para mercados. b) têm como objeto atividade mercantil. Nessa situação: a) trata-se de assembléia geral ordinária. com ações dotadas de alta liquidez e dispersão no mercado. e) foram organizadas para atividades econômicas. o patrimônio dos sócios pode ser responsabilizado por obrigações da sociedade. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Incorporação de uma sociedade por outra é operação: a) de liquidação da sociedade incorporada. b) caso seja realizada a fusão. ESAF (PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2004) Uma sociedade anônima aberta denominada Banco de Taguatinga S/A. c) a atividade exercida pelo empresário é imputada aos filhos que com ele trabalham. d) de combinação do corpo de sócios das envolvidas. c) têm como objeto a prestação de serviços em estabelecimentos especiais. 44. e) de transformação tipológica em qualquer circunstância. c) o conselho fiscal é obrigatório. e) mesmo após a integralização de todo o capital social. mas são outros os produtos ou serviços oferecidos pelo exercente da atividade. . 42. ambos os bancos deixarão de existir. c) a decisão final será do conselho de administração.

localizado em outra unidade da Federação. para que este financiasse sua atividade empresarial. os sócios. 49. o ato constitutivo da referida sociedade deve conter cláusulas que indiquem. encontra-se alugado. Nessa situação. a) ( ) Em conformidade com a teoria dos perfis da empresa. c) ( ) Fernando não pode contratar sociedade com terceiros. Os valores recebidos. a) ( ) Nas sociedades em nome coletivo. julgue os itens a seguir. a título de aluguéis desse segundo imóvel. d) ( ) Considere que o Poder Executivo Federal defira. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2004) Quanto ao direito de empresa de que cuida o Código Civil. julgue os itens seguintes. jamais poderão contratar sociedade. no prazo de trinta dias contados da data de sua expedição. não confere personalidade jurídica à referida sociedade. Um grupo de pessoas resolveu constituir sociedade cooperativa cujo objeto consistia na prestação de serviços de processamento de dados. há dois imóveis. julgue os itens que se seguem. Ficou acordado que os dois dividiriam o lucro das vendas. a) ( ) Os bens utilizados na atividade desenvolvida por microempresa e que a guarnecem são impenhoráveis. a inscrição em registro competente do ato constitutivo da sociedade entre os dois. enquanto o segundo. solidariamente e ilimitadamente. b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. pelas obrigações sociais. decidiu constituir sociedade em conta de participação com Manoel. Antônia. Nessa situação. O primeiro é sede da sociedade empresária. que deve ser fixo e expresso em moeda corrente. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2004) No que concerne às espécies societárias. em segunda convocação. o referido decreto deve ser publicado na imprensa oficial da União. a assembléia geral é instalada. o capital social. bem como a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas. d) ( ) Considera-se nula determinada cláusula contratual que exclua sócio de participar dos lucros e das perdas da sociedade. são aplicados no ativo patrimonial da referida sociedade empresária. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2005) Acerca da empresa e da teoria geral do Direito Societário. pelo perfil objetivo. mediante decreto. Nessa situação. o imóvel alugado não faz parte do estabelecimento empresarial da mencionada pessoa jurídica. b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. 48. a empresa se confunde com a própria atividade empresarial. c) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. pessoas físicas ou jurídicas. necessariamente.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 199 Série Impetus Provas e Concursos 46. que pode ser escrito ou verbal. artesã. respondem. a) ( ) Nas sociedades anônimas. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2005) Quanto ao Direito Comercial moderno. se for casado sob o regime de comunhão universal de bens. julgue os seguintes itens. No acervo patrimonial de determinada pessoa jurídica. com qualquer número de acionistas com direito a voto. 47. b) ( ) As sociedades em comum não possuem personalidade jurídica. . requerimento feito por sociedade dependente de autorização. ante o aumento na demanda por seus produtos e diante da pretensão de aumentar sua produção. Nessa situação. b) ( ) Se Francisco e Maria casaram-se sob regime de separação obrigatória de bens.

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as regras de Direito Cambial. permitindo-se ao legislador ordinário dispor diferentemente das leis especiais que regulam cada tipo de título de crédito. a exemplo dos arts. contidas no Código Civil de 2002. 890. a vedação ao aval parcial. ou a desoneração tácita do endossante da qualidade de obrigado indireto pelo pagamento do crédito (salvo cláusula em contrário). existem normas regulamentadoras específicas que traçam linhas diversas das contidas naqueles artigos supramencionados. regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código”. 903 da mesma Lei Civil assevera: “Salvo disposição diversa em lei especial. praticamente não mexeu nessa matéria. E não foi por falta de iniciativa do legislador. o Direito Cambiário abrange os títulos de crédito com suas peculiaridades. não podem ser aproveitadas indistintamente para todo o Direito Cambiário. Acontece que. O mesmo raciocínio pode ser repetido para os demais . tentou introduzir mudanças substanciais. tornando inócuas as disposições do Código Civil. o cheque e a duplicata. Enquanto o Código Civil de 2002 provocou grandes alterações na parte do Direito relativa aos comerciantes e às sociedades comerciais. É justamente o que ocorre. embora essas novidades constem do Novo Código. porque o art. pelo menos no que forem contrárias. encontrados como legislação complementar ao Código Comercial. 897 e 914. são normas de caráter geral. a nota promissória.Capítulo 3 Direito Cambiário 1. apesar de o Título VIII (a partir do art. tais como a impossibilidade de haver cláusula proibitiva de endosso (não à ordem). sobretudo com a letra de câmbio. em alguns momentos. 887) da moderna Lei Civil tratar a respeito do tema. Disposições Preliminares Considerada uma disciplina independente em relação às demais estudadas no Direito Comercial. Como bem escreveram os autores da obra Novo Código Civil Comentado. que. sob a coordenação do Deputado Ricardo Fiúza. Para esses títulos. geralmente dispostas em diplomas legais específicos.

. igualmente possuidores de normatização própria. São eles: • NEGOCIABILIDADE – é a possibilidade que tem o credor de negociar seu direito antes mesmo do vencimento da obrigação. Esse atributo é conseqüência do fato de o título de crédito ter força de uma sentença judicial transitada em julgado. Decorre da característica da circulação própria circulação. Não se confundem com a própria obrigação. faz-se a sua imediata cobrança com a penhora dos bens do devedor. 4. 2000. 3. como o título de crédito tem força executiva. o que permite a introdução de certas particularidades postas no Código. Desse modo. dos títulos de crédito.2 Podemos também aclamá-los como documentos necessários ao exercício do direito literal e autônomo neles mencionado. se este não pagar a dívida dentro de vinte e quatro horas. 12.202 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel títulos. p. independentemente de um processo de conhecimento 3 conhecimento. Características dos Títulos de Crédito Por alguns autores denominadas princípios do Direito Cambiário são Cambiário. ed. A diferença é que esses outros são regidos por normas que não trazem a riqueza de detalhes dos primeiros. indispensáveis à legitimidade da obrigação. Conceito de Títulos de Crédito Fábio Ulhoa Coelho ensina que: Os títulos de crédito são documentos representativos de obrigações pecuniárias. • EXECUTIVIDADE – permite ao seu titular buscar a execução imediata da obrigação. Segundo Nelson Godoy. O meio próprio para tanto é a execução que pode ser direta (contra o execução. 213. de conteúdo operacional. 2. Vejamos: 2 3 Manual de Direito Comercial. mas se distinguem dela na exata medida em que a representam. São Paulo: Saraiva. próprio devedor) ou indireta (contra os coobrigados). a cobrança judicial é mais eficaz e célere. que irão beneficiar os credores das obrigações. Atributos dos Títulos de Crédito São direitos reconhecidos aos seus titulares. a fim de captar recursos de seu interesse. Aquele que obedece ao tradicional rito processual na Justiça.

• CARTULARIDADE – para o exercício do direito de crédito. Refere-se à possibilidade de alguns títulos. No dizer de Vivante: (. cláusula expressa em papel apartado não será considerada.. promover-se a execução • AUTONOMIA – cada obrigação constante em um título de crédito é autônoma em relação às outras. excetuando-se a folha alongue. II – o da inoponibilidade das exceções pessoais Significa dizer que aquele que for regularmente demandado por um terceiro de boa-fé. que pode ser feito sem apresentação do documento). Assim.. Assim. nota promissória poderem ser emitidos sem haver necessariamente uma causa que lhes dê origem. cópia de um cheque. De outra sorte. Estes somente são gerados a partir de uma operação de compra e venda mercantil. Outros.. ao emiti-la. são intitulados títulos causais não causais. a fim de furtar-se ao seu cumprimento. é necessária a CARTULARIDADE apresentação do documento. Exemplo: Carlos adquire um computador de Manuel. valor etc. mas por dependerem da ocorrência de um fato para sua emissão. não pode alegar uma situação pessoal com outrem. por exemplo. Por isso. por existir qualquer vinculação entre eles e a situação que os motivou. Alguns autores costumam subdividir essa última característica em dois subprincípios: abstração. a nulidade de uma obrigação não invalida as demais. que não pode ser restringido ou destruído em virtude das relações existentes entre os anteriores possuidores do título e o devedor. pela obrigação resultante de um título. como prazo de vencimento. de alongue anexada aos títulos para complementação do espaço para endossos. não será eficaz para promover omover-se execução.) o possuidor de boa-fé exercita um direito próprio. Nesse contexto. pessoais. também chamado de cártula (exceção para o protesto de duplicata.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 203 Série Impetus Provas e Concursos • LITERALIDADE – vale o que estiver escrito no título. havia concordado com seus termos. pagando-o através do cheque . tal singularidade. como a duplicata não se prendem a duplicata. por exemplo. I – o da abstração incomum à totalidade dos títulos de crédito. pois. Exemplo: se o direito de crédito relativo a um cheque for transmitido através de sucessivos endossos. a exemplo da letra de câmbio ou da promissória. o devedor de uma nota promissória obriga-se a respeitar as condições inseridas no documento. o fato de haver vício em uma das assinaturas dos endossantes não terá influência sobre as restantes.

Essa norma vem sendo respeitada até hoje. Seu portador tem direito à prestação nele indicada. mediante a simples apresentação ao devedor. Subdividem-se em: a) à ordem – são títulos nominativos que podem ser transferidos via endosso. maculado estava por um vício redibitório. Modo de Circulação É a forma como os títulos de crédito transitam entre seus titulares. Chegando em casa. admite-se a defesa do devedor. endosso Essa disposição pode ser tácita. veda-se a possibilidade de transmissão através de endosso. A circulação se processa mediante a apresentação do documento.000. a exemplo da ausência do nome no cheque ou de adulteração visível no valor etc. se Manuel ainda fosse seu proprietário. no valor de R$2. Entretanto. tão-somente. quando o título encontra-se ainda em poder do primeiro titular do crédito. no mesmo exemplo. a tradição é possível apenas por meio de uma cessão civil de crédito (conceito no item a seguir). pois são emitidos NOMINATIVOS a favor de pessoa certa e determinada. Manuel já havia endossado o cheque em favor de Regina.021/1990 proibiu a circulação de títulos ao portador.204 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel no 000001. merece atenção o art. ao menos enquanto não houver lei específica para esse fim. descobre que o equipamento não possui a capacidade de memória que aparentava. a menos que se tratasse de falha formal no próprio documento. Regina não tem nada a ver com aquela transação.4 Por outro lado. A Lei Federal no 8. pleitear em juízo perdas e danos contra Manuel. . 4 Defeito oculto da coisa. b) não à ordem – com essa cláusula. 907 do Código. nunca uma exceção pessoal contra Regina. Desta forma. 5. Carlos poderia defender-se da cobrança. Competirá a Carlos. Há dois modos de circulação. Carlos não poderá oporse ao pagamento do cheque. • NOMINATIVOS – são aqueles que identificam o credor. Contudo. que reputa nulo o título ao portador emitido sem autorização de lei especial. alegando defeito da coisa comprada a Manuel. Da exegese podemos inferir que permanece a vedação à circulação desses títulos. a saber: • AO PORTADOR – é o título que não indica o nome do beneficiário pelo PORT crédito. Neste caso.00. cujo nome deve constar da cártula. incapaz de ser percebido no momento da aquisição.

crédito. tanto que. obedecendo às normas do Direito Cambiário. Há cinco tipos de endossos. representado por um título de crédito. mas o de promover a sua cobrança. poderá usar o poder regressivo contra coobrigado que entrou posteriormente a ele naquela relação. Aval. Produz dois efeitos: o primeiro é a mudança de titularidade do direito expresso no título. que passa à propriedade do endossatário. não podendo ser processado em documento separado. O endosso só pode ser total sendo nulo o endosso parcial. tem poder regressivo pelo seu reembolso. Esse poder. endosso em preto – quando se indica o nome do endossatário. na qualidade de obrigado indireto. Significa dizer que o endossante assume obrigação solidária pelo pagamento do crédito. não transferindo sua propriedade. o vencimento do título. por procuração ou para cobrança É forma de endosso impróprio d) endosso-caução – também chamado de endosso pignoratício é utilizado pignoratício. É forma de endosso próprio próprio. Utiliza-se a cláusula cobrança. se pagá-lo. Protesto • ENDOSSO – ato pelo qual se transfere a propriedade do título de crédito. Endosso.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 205 Série Impetus Provas e Concursos 6. mas com diferenças. se realizado após o protesto. É importante destacar que o endosso é a forma usual de um titular de direito creditício. Aceite. para dar o título como garantia de uma obrigação. ou depois do prazo limite para tal. impróprio. o segundo é a vinculação ao pagamento daquele que transferiu o crédito. dando quitação do título. na qualidade de mandatário ou procurador. transferir seu bem. Contudo. conforme explicitadas no quadro abaixo: . É forma b) próprio. que é instituto do Direito Civil igualmente eficaz para aquele objetivo. seus efeitos serão os de uma cessão ordinária de crédito. Lavra-se com a assinatura do titular no próprio título. impróprio. contudo. nunca um endossante endosso. Utiliza-se a expressão “válido em garantia” ou “válido em penhora”. de endosso próprio c) endosso-mandato – quando não se transfere ao endossatário o direito de dispor do crédito. Produz idênticos efeitos àqueles efetuados antes do vencimento. Aquele que transfere o título chama-se endossante ou endossador enquanto endossador. a saber: a) endosso em branco – quando não se identifica o nome do endossatário ou favorecido. Qualquer condição posta pelo endossante considera-se não-escrita. só pode ser exercido contra quem se posicione em lugar anterior da cadeia de endosso Em outras palavras. penhora” É forma de endosso impróprio e) endosso póstumo – também conhecido como endosso tardio Ocorre após tardio. que endossatário é quem o recebe. se assim não o desejar ou estiver impedido de fazê-lo (título com a cláusula não à ordem a saída é a cessão civil de crédito ordem). Entretanto.

protesto. sendo dispensável quando o demandado for o principal devedor. Pode ser total ou parcial. enquanto a fiança é uma garantia acessória. formalizar a obrigação por escrito. que impôs a necessária autorização do outro cônjuge para o ato. assumida por terceiro. despesa. É possível dispensar-se o protesto até mesmo para cobrança dos obrigados indiretos. desde que presente a expressão sem protesto ou sem despesa prevista no art. tem causa na falta de pagamento. é forçoso reconhecer a exegese introduzida pelo art. ou simplesmente ausência de devolução do título remetido ao sacado para aceite. que se incorpora a ele como mais um devedor. ligada à obrigação principal. Na fiança é preciso fiança. Todavia. • PROTESTO – é ato pelo qual se prova o não-cumprimento da ordem ou promessa de pagamento contida no título. parcial. no caso de duplicata. possibilita-se o protesto pela recusa do aceite. Quem presta o aval chama-se avalista enquanto que avalizado é o beneficiário.663/66. que se guiava pela antiga legislação. Processa-se com a simples assinatura do devedor no anverso (frente) do título. Pode ser pelo valor total avalista. A assertiva vem atualizar edição anterior. • AVAL – é garantia unilateral e pessoal de pagamento do título. sendo autônomo e independente em relação às outras obrigações incidentes sobre o título. ou. . III. Não se confunde com a fiança pois o aval é instituto próprio fiança. ao passo que o aval materializa-se tão-somente com a aposição da assinatura do avalista no título. 1. 46 do Decreto no 57. em se tratando de letra de câmbio ou de duplicata. Em regra. salvo se o regime for o de separação absoluta de bens. É requisito para cobrar-se um título dos obrigados indiretos. Com relação à fiança e ao aval. apenas. do Direito Cambiário.206 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • ACEITE – ato pelo qual o sacado reconhece a dívida. do Código Civil de 2002. servindo para garantir contratos.647.

vejamos o seguinte exemplo: “A” deve R$100. da mesma forma. Legislação Aplicável Esta espécie de título de crédito é regulada pelo Decreto no 57. Cada operação como essa irá trazer novos integrantes à cadeia.3. será o principal devedor). conta com os seguintes sujeitos: • sacador – é quem emite. ao nascer. como vimos. será o credor do título.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 207 Série Impetus Provas e Concursos 7. Para entender a posição de cada uma. o emitente também pode ser o sacado da letra. enquanto que o sacador. prazo. subsidiado pelo Decreto no 2. que o sacador dá ao sacado em benefício do tomador Do conceito. 3o da Lei Uniforme permite que uma pessoa ocupe simultaneamente mais de uma das três posições jurídicas.2.1. a fim liquidar sua dívida. por sua vez. .00 a “C”. “A” pode emitir a letra em seu próprio favor. constituindo-se em sacador e tomador ao mesmo tempo. Assim. “A” (sacador) saca uma letra em favor de “C” (tomador). “B” (sacado) para que este pague a obrigação A par da formulação usual. Figuras Intervenientes O vínculo jurídico constituído a partir da emissão de uma letra de câmbio pode contar com a participação de muitas pessoas. 7. “A” é credor de “B”. os endossantes e seus avalistas são coobrigados ou obrigados indiretos. pode-se observar a presença de três pessoas. à vista ou a tomador. em matéria de letras de câmbio e notas promissórias. pela mesma quantia. de 24 de janeiro de 1966. com a Lei Uniforme de Genebra (LU). • tomador – também chamado de beneficiário. que irão interagir na relação criada.044/08. o título é passível de um número ilimitado de endossos. que deverá apresentar a obrigação. assim.663. 7. O aceitante e seu avalista são os obrigados diretos da letra de câmbio. pois. que introduziu no ordenamento jurídico brasileiro as normas estabelecidas na Convenção Internacional de Genebra. hipótese que se assemelha a uma nota promissória. Entretanto. o art. • sacado – aquele contra o qual a letra foi emitida (aceitando. Letra de Câmbio Conceito Conceitua-se a letra de câmbio como uma ordem de pagamento. 7.

” . nome do sacado. • lugar do pagamento. toda letra é passível de endosso. que será considerada pagável à vista. “B” será o obrigado direto pelo pagamento da letra. A supressão das datas do vencimento e de emissão. 7. 2o). 3o do Decreto no 2. não no . • a quantia a ser paga. Por força do art. salvo se contiver expressamente a cláusula não à ordem.044/08. 7. e assim sucessivamente. enquanto que “A” será obrigado indireto ou coobrigado. 5 Súmula no 387 do STF: “A cambial emitida ou aceita com omissões. Outros. endossa-o a “E”. Requisitos de Validade São requisitos de validade da letra (art. • data e lugar de onde a letra é sacada. além dos lugares de pagamento ou de emissão. Na hipótese de “C” endossar seu título a “D”. desde que tenha aceitado o título. nome e assinatura do sacador e o termo letra de câmbio. no lugar colocado ao lado do nome do sacado (art. ou em branco. • nome do tomador (beneficiário). por sua vez. avalizando obrigação do endossante “D”. 11 da LU). por exemplo.1. 1o da Lei Uniforme de Genebra): • a palavra letra de câmbio.5. como quantia a ser paga. conjugado com a Súmula no 387 do STF 5 alguns dos requisitos de validade de uma letra devem estar completos. no nosso exemplo do item 7. Neste caso. pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. também assumirá o papel de coobrigado pela satisfação do crédito. momento do saque. mas por ocasião da cobrança e do protesto do título. • época do pagamento. Endosso Em regra. • nome do sacado. • assinatura do sacador. são indispensáveis e devem acompanhar o documento desde a sua origem. só é transmissível pela forma e com efeitos de uma cessão civil de créditos (art. O terceiro que entrar na relação.208 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Desta forma. cada uma dessas pessoas irá constituir-se em obrigado indireto para com o credor do título. não invalida a letra.4. que.

na qualidade de coobrigado. Por exemplo. Também se furta à obrigação de garantidor da obrigação o endossante de endosso efetuado posteriormente ao protesto por falta de pagamento. Não há limites para o número de endossos de um título. da LU). que poderá ser exigido de imediato. Aceite O aceite não é ato obrigatório na letra de câmbio. salvo se inserir cláusula isentando-se dessa responsabilidade (art. podendo acontecer quantas vezes desejem seus titulares. A letra comporta outras duas formas de endosso. 15. ou feito após expirado o prazo para fazer-se o protesto (art. mesmo que parcial. como garantia da satisfação de uma dívida. mas o sacado só aceita R$250. se “A”. no mesmo exemplo. nos termos de seu aceite (art. opera-se o vencimento antecipado em relação ao sacador. Aceitar parcialmente traz conseqüência similar à recusa total. A principal é o vencimento antecipado do título.00. o aceitante fica obrigado.00. Por isso. Porém. em favor de um credor. • endosso-caução – quando seu titular onera a letra com penhor. garantia. retorna à posse do endossante. na hipótese de “D” colocar a cláusula sem garantia irá eximir-se da responsabilidade garantia. ainda aproveitando nosso exemplo do item 7. Melhor explicando. como detentor do direito literal escrito no ordem. 19 da LU). Uma vez paga. não poderá endossá-lo a outrem. Nesta situação. A esta condição dá-se o nome de endosso sem garantia Assim. a única saída é uma cessão civil de crédito. São elas: • endosso-mandato – não transfere a titularidade do crédito. 7.1. ainda que o sacado seja reconhecidamente devedor da obrigação. apenas . permite-se anexar uma folha de alongue alongue. por parte do beneficiário da letra. primeira parte. diz-se que o aceite deve ser sempre INCONDICIONADO. livre de qualquer modificação pelo sacado. O endossante é garantidor tanto da aceitação como do pagamento da letra. Para transmissão de seu crédito.6. Sua recusa. pois. o endossatário não pode endossar o título. apenas legitima um procurador para recebê-lo (art. 20).00. se a ordem que lhe foi endereçada tem valor de R$500.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 209 Série Impetus Provas e Concursos Assim. ao emitir o título. Insuficiente o espaço do título. nos R$500. salvo para um endosso-mandato (art. inseriu a cláusula não à ordem “C”. 18 da LU). que endossa em favor de “E”. provoca o vencimento antecipado do título. não estará ele compelido a aceitá-la. mas tão-somente para o sacador. se “C” resolver endossar o título a favor de “D”. pelo pagamento do título. 26 da LU). título de crédito. ou seja.

É que duas características permeiam a obrigação do avalista. resultar de vício de forma. total ou parcial prestada por alguém parcial cial. Devemos. O avalista responsabiliza-se da mesma forma que o avalizado É. a apresentação dar-se-á no vencimento. 30 da LU). a exemplo do local de pagamento. através da cláusula não-aceitável proibir a apresentação do não-aceitável. no entanto. toma-se o sacador por beneficiário. estar atentos ao teor desse dispositivo. autônoma sua obrigação em relação à daquele. desde que não se trate de título pagável em domicílio de terceiro. contudo. ou se o avalizado é civilmente incapaz. não significa que o título não vá ser apresentado ao sacado. 7. 32 da LU). Por ela. 31 da LU). a primeira é a AUTONOMIA em relação à do avalizado. O emitente pode. tentando evitar seu vencimento antecipado. claro. é necessária a anuência do portador da letra. na parte que aquele aceitou. Exprime-se pela simples assinatura do dador no anverso (frente) da letra. deve conter expressão do tipo bom para aval com a indicação do favorecido. caso não haja a indicação. que se incorpora à relação jurídica criada. mesmo se for considerada nula a obrigação do avalizado subsiste a do avalista. Nesta hipótese. avalizado. salvo se a nulidade avalizado.7. Contudo. Possível o ACEITE POR INTERVENÇÃO (arts. estranho ou mesmo já coobrigado na relação. considera-se aval. na verdade. que se . Temos duas formas de aceite parcial ou condicional: a) limitativo – ocorre quando o sacado concorda em aceitar apenas parte do valor constante da cártula. Entretanto. que é o ato praticado por terceiro. b) modificativo – quando o sacado altera qualquer outra condição presente na letra. que intervém para aceitar o título. 22 da LU). Isto significa que. avalizado o sacador da letra (art. haver a indicação daquele em honra de quem foi feita a intervenção. Avalista é o garantidor. Deve. e diretamente para pagamento. Por exemplo. diferente do domicílio do sacado (art. se for detectado que a assinatura do avalizado posta no título é falsa. que é aquele que macula a própria caracterização do documento como título de crédito (art. 56 e 57 da LU). a obrigação do avalista não se contamina com qualquer causa presente na do avalizado. Na sua omissão. Se for colocada no verso.210 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel por ocasião do vencimento. ainda. título para aceite. que normalmente é o sacado. a descoberta não atinge a obrigação do avalista. enquanto o avalizado é o devedor em favor do qual foi dada a garantia (art. diferentemente do pagamento por intervenção. Aval Aval é a garantia de pagamento do título. o sacado poderá ser cobrado regressivamente pelo sacador que pagar a obrigação.

37 da LU). quando não reduzido ou ampliado. Desta forma.1 pagar. que é reduzida para R$50. contra o outro avalista. distinguiu duas espécies de avais: o SIMULTÂNEO e o SUCESSIVO. 34 da LU). a característica da EQUIVALÊNCIA. se B1. cita Fran Martins. • a um certo termo de data – o vencimento será a tantos dias da data de emissão ou saque (art. Vencimento O vencimento da letra obedece à exegese do art. terá ação regressiva contra seu avalizado (B). 36 da LU). por vontade do próprio sacador (art. nunca avalista seu (B1. 26. 35 da LU). Quer dizer que ele estará imediatamente após o avalizado. 283 do CC/2002. põe-se em prática a regra da solidariedade passiva. . avalista de B.1). senão vejamos: • à vista – quando pagável na apresentação. que deve ser em um ano após a emissão. O primeiro ocorre quando duas ou mais pessoas avalizam a mesma obrigação.8. 7. claro. pois não haverá solidariedade entre eles. 33 da LU. Neste último caso. que se coaduna com a exegese do art. significa a posição em que o avalista coloca-se numa cadeia de obrigação cambial. estaremos diante de um aval sucessivo. Porém.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 211 Série Impetus Provas e Concursos mantém nas mesmas condições originais. conseguir a remissão parcial de dívida quirografária (letra de câmbio com valor de R$100. Na hipótese de B1 quitar integralmente o débito.00. em concessão de recuperação judicial. se B1. para fins da anterioridade-posterioridade. se o avalizado. Por exemplo. De outra forma. do devedor principal (B). • num dia fixado – o vencimento vem definido na própria letra (art.00). embora tendo perdido 50% de seu crédito para o devedor. Não havendo aceite. A doutrina. somente poderá reaver a metade do que pagou. considera-se a data do protesto (art. Neste caso. se B1 pagar a totalidade da dívida. só poderá acionar regressivamente o devedor principal (B). o credor. • a um certo termo de vista – o vencimento conta-se a partir do aceite.1 como avalista seu. apresentar B1. Igualmente podemos afirmar que. Já o aval sucessivo é aquele que se materializa quando um avalista tem garantida sua obrigação por outro avalista (é o aval do aval). prevista no art. De outra sorte. pelo valor total que foi pago. não estará obstado de executar o avalista pela totalidade da obrigação. se B1 e B2 resolvem prestar aval à prestação do aceitante B. poderá cobrar a integralidade de seu avalizado (B1) e.

sacada contra B. F e B. numa relação cambiária. Caso não consiga recebê-la de B. permitindo-se a esse intentar ação regressiva contra os anteriores a ele. de outra forma. perde o direito contra aqueles que teriam sido beneficiados. se tivermos uma letra emitida por A. Fábio Ulhoa Coelho organizou relação de responsabilidade a qual denominou “cadeia anterior-posterior”. sob pena de perder o direito contra os co-devedores. seja na condição de obrigado direto (sacado aceitante da letra ou emitente de nota promissória) ou. no vencimento. tanto que o devedor principal que paga livra todos os demais. na hipótese de obrigarem-se os avalistas F G. respectivamente. este poderá propor nova ação contra B e F pois G e C não mais poderão ser cobrados. G. E. Em resumo. estará correta assim: B-F-A-G-C-H-D-I. que é seu devedor principal. sendo o pagamento efetuado por um co-devedor. que posteriormente endossou-a a D. a cadeia anterior-posterior . e mais. Desta forma. A. ou nota promissória. . como obrigado indireto (endossantes e avalistas). H e I. Seu efeito é o de desonerar os endossantes e avalistas posteriores ao signatário por honra de quem foi feito o pagamento. que é o detentor e credor da letra. algumas ou uma das obrigações contraídas por cada um daqueles agentes. a liberação terá efeito apenas sobre esse. que paga.9. se o devedor principal pagar o título. ficando o terceiro interveniente sub-rogado nos direitos emergentes da letra. Contudo. estarão quitados todos os demais co-devedores. poderá dirigir-se a qualquer um dos coobrigados.212 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7. A fim de simplificar o entendimento. mesmo. Caso o portador recuse o pagamento por intervenção. pois é ele que se obriga em primeiro lugar. A Lei Uniforme. já que os demais permanecem passíveis de uma cobrança em regresso. Se a regressiva de H for contra A. desoneram-se os demais situados na relação posteriormente ao que pagou. muitas pessoas poderão assumir obrigação pelo pagamento do título. assim como contra os que são obrigados para este beneficiário. não sem antes providenciar a certidão de protesto (exceto se presente a cláusula “sem despesas” ou “sem protesto”). C e D. Portanto. permite ainda o PAGAMENTO POR INTERVENÇÃO. Na hipótese de conseguir recebê-la de H. contra aquele por honra de quem pagou. em seus arts. 59 a 63. A. Importante destacar a obrigatoriedade de o credor dirigir-se ao devedor principal em primeiro lugar. ficando H com direito à ação regressiva contra C. que endossou a E. caso o pagamento seja realizado pelo co-devedor que venha por último na relação cambiária. procurar B. em favor de B. Pagamento Sabemos que. em favor de C. Melhor explicando. a regra é a da desoneração dos obrigados posteriores. O pagamento da cambiária provoca a extinção de todas. É forma de liquidação do título por um terceiro que não participe da relação jurídica. estarão desonerados D e I. . deve.

prevê-se a ação contra enriquecimento ilícito do sacador ou aceitante. o crédito contra os obrigados diretos (aceitante e seu avalista). Não tirado o protesto pelo portador. ou contra o sacador • endossantes. Se posta por um dos endossantes. credor da letra. E. ou de um processo de execução. antecederam na relação cambial Prescrita a ação cambial. mas apenas àqueles que o cambial. Protesto Já estudamos que o protesto cambial da letra de câmbio é ato extrajudicial fundamentado tanto na falta de pagamento como na recusa de aceite pelo sacado. ou avalistas destes. Mantém-se. Não impetrada nos prazos abaixo. desde que presente a cláusula sem despesas. por força do art. sua eficácia atingirá tão-somente aquele que a introduziu. C. quais sejam: sacador. se a hipótese for a negação do aceite. 48 do Decreto no 2. pois.044/08. o prazo para sua execução é de dois dias após o vencimento. contados do protesto ou do vencimento (tratando-se de letra que contenha cláusula sem despesas). No primeiro caso. conseguir saldá-la com o endossante E. . Proíbe-se o poder regressivo daquele que pagou contra coobrigados posteriormente posicionados na cadeia de endosso. trata-se de uma execução. o portador terá até o fim do prazo de apresentação para procurar o cartório. acontece a prescrição do direito (art. 7. Ex. faz-se necessário um regular processo de conhecimento (ação ordinária).: existindo uma cadeia de endosso composta pelas pessoas B. Contudo. e seus avalistas. muito mais demorado que a ação cambial.10. este não dirigir-se regr egressivamente F. enquanto que. inclusive contra os próprios obrigados indiretos. a contar do dia em que o endossante pagou a letra letra.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 213 Série Impetus Provas e Concursos 7. endossantes e respectivos avalistas (art. 46 da Lei Uniforme prevê a possibilidade de dispensa do protesto. D.11. o art. despesas inserida pelo sacador da letra. 70 da LU): • três anos – todas contra o aceitante (sacado) e seus avalistas. Apesar do título. na hipótese de G. seis meses – dos endossantes uns contra os outros. poderá dirigir-se regressivamente a F. Para tanto. conforme a nomenclatura constante do Código de Processo Civil. F e G. 53 da LU). contados vencimento. Ação de Cobrança É providência judicial cabível na hipótese de o titular da letra não ver satisfeito seu crédito literal nela constante. do vencimento • um ano – do portador contra o sacador (emitente) ou endossantes e seus avalistas. através do qual o credor pode promover a cobrança judicial da cambial sem que seja necessário regular processo de conhecimento. perde este o direito creditício contra os coobrigados da letra.

8. destinam-se a regulamentar pontos singulares da NP. 2) emitindo uma nova letra. Ressaque Ressacar é sacar outra vez. Nota Promissória Conceito Enquanto a letra de câmbio expressa uma ordem de pagamento dada pelo sacador ao sacado do título.663/66. 8. proceder à emissão de um novo título. devidamente protestada e não prescrita. Pode-se afirmar que. de pagar certa importância em dinheiro a uma outra pessoa.044/08.12. subsidiado pelo Decreto no 2. uma vez emitida. podendo ser cobrada diretamente do sacador que a gerou. se algum obrigado indireto pagar a letra. que será a cópia fiel da primitiva. ou seja. a nota promissória dispensa a participação de um aceitante da dívida. junto da qual deve seguir. especificamente a partir do art. considerando-se a aposição no título original como suficiente. Por ser emitida pela mesma parte que se obriga ao seu pagamento. Legislação Aplicável Nota promissória é uma espécie de título de crédito regulado pelas mesmas normas disciplinadoras da letra de câmbio. passa a ser considerada título certo. a Lei Uniforme de Genebra. designada beneficiário beneficiário. o que significa que. a nota promissória exprime uma promessa feita pelo próprio devedor.2. ou emitente do documento. 37 do Decreto no 2. O ressaque deve possuir idêntica natureza do saque primitivo. Veremos adiante que muitos dos dispositivos legais aplicados às letras são apropriados também às notas promissórias. através do qual se permite ao portador de uma letra que a tenha pago. com os mesmos requisitos essenciais. Tem previsão no art.214 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7. 8.1. com o objetivo de substituir a ação regressiva contra os demais co-responsáveis. tanto que se dispensa até novo aceite do sacado. Outros.663/66. introduzida na legislação brasileira pelo Decreto no 57. 75 do Decreto no 57. ele poderá demandar os demais de duas formas (respeitando-se a regra da anterioridade): 1) por meio de ação regressiva.044/08. .

Pagamento. • data e lugar de emissão. que lhe será entregue após a emissão por parte do sacador. sacador ou subscritor.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 215 Série Impetus Provas e Concursos 8. uma nota promissória deve conter alguns requisitos requisitos. pois o endossatário assumirá a titularidade sobre o crédito. ao prestar a garantia. a ausência de algum dos elementos discriminados provoca a desconsideração do título como nota promissória (art. • data do pagamento. pois não há limite para o número de endossos. • assinatura do emitente. o titular do direito creditício poderá livremente negociar seu crédito. Protesto São concernentes às notas promissórias as disposições relativas à letra de câmbio. observa-se a participação de duas pessoas componentes da relação jurídica: • emitente. enquanto o endossador aparecerá como responsável indireto pela obrigação. Vencimento. O beneficiário conservará a posse e propriedade do título. • promessa de pagar certa quantia. Salvo a data (se omitida. vencimento. especificamente no que se refere a endosso aval vencimento pagamento. será considerada à vista) e o lugar de pagamento ou emissão. • nome do beneficiário. O avalista. Com essas prerrogativas. não dois. transferindo-o por meio de endosso a uma terceira pessoa interveniente na relação. ressaque. teremos. 75 da LU): • a denominação nota promissória. ação endosso.5. • lugar do pagamento. 76 da LU).4. senão vejamos (art. Aval. de cobrança protesto e ressaque . Figuras Intervenientes Na sua constituição. Muitas outras pessoas ainda poderão fazer parte do vínculo jurídico criado. aval. 8. Ação de Cobrança. 8. torna-se coobrigado da obrigação constante na cártula. Outra forma de inserir terceiros à relação jurídica é através do aval. • beneficiário. portanto. mas três sujeitos participando da relação jurídica formada pelo título. Endosso. Requisitos de Validade Para ser considerada válida. cobrança. Neste momento.3.

reside no fato de a NP não admitir o aceite. de 7 de janeiro de 1966. 9. p. em poder do sacado. o sacador já está aceitando o encargo dele decorrente. Figuras Intervenientes Participam da relação jurídica decorrente do cheque as seguintes pessoas: • sacador – o correntista emitente do cheque. e. A conclusão doutrinária. Legislação Aplicável O tema é disciplinado pela Lei Federal no 7. sacada por uma pessoa contra uma instituição financeira (a favor do sacado ou de terceiro). 9. São Paulo: Meta. Direito Comercial. ao proceder à criação do título.357. • beneficiário – o favorecido a quem deve ser pago o cheque (pode ser o próprio sacador). elaborada pela Convenção Internacional de Genebra.216 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Exceção deve ser feita ao vencimento a certo termo de vista não-aplicável às vista. como o prazo para esse tipo de vencimento deve ser contado a partir daquele ato. Por ser seu devedor principal. 6 MATIELO. Cheque Conceito É o cheque uma ordem de pagamento à vista. 9. da Lei Uniforme do Cheque. sendo despiciendo exigir-se nova declaração de sua parte a respeito do débito. defendida inclusive por Requião. ed. não há que se falar em vencimento antecipado por falta de aceite. • sacado – a instituição financeira contra a qual se saca o cheque. Considera-se que. realizada em 1931.595. Mário Eduardo.6 O cheque incide sobre fundos disponíveis do sacador. 78 da LU). . 8. 88. por tratar-se de uma promessa de pagamento declarada pelo próprio agente emissor. logo. no Direito brasileiro.3. inconcebível seria recepcioná-lo para as notas promissórias. 1994. o subscritor da nota promissória é responsável da mesma forma que o aceitante de uma letra de câmbio (art. Nesse contexto. 9. pelo Decreto no 57.1. de 2 de setembro de 1985. que é a própria instituição financeira. que nada mais é do que a inserção.2. Aceite O aceite não se aplica à nota promissória. de forma subsidiária àquela. 1. notas promissórias. Igualmente é inadmissível o protesto por falta de aceite.6.

Neste caso. não sendo o beneficiário do título. 2o da Lei do Cheque enumera os seguintes requisitos. Características Principais Trata-se de título de modelo vinculado determinado pelo Banco Central. • ordem incondicional de pagar quantia determinada • nome do banco sacado sacado. mesmo pré-datado o banco não se deve vincular à data aposta para pagamento.357/85 considera como não-escrita qualquer menção em contrário. Outra vinculado. 9. sem os quais o documento não valerá como cheque. se designados vários lugares. considera-se o local indicado ao lado do nome do emitente. assim como o sacado (banco). 2o da Lei do Cheque.5. Obrigados avalista. 9. Este se responsabiliza apenas quando processar pagamento indevido. pode a instituição financeira reaver o que pagou (art. o cheque deverá possuir fundos disponíveis na instituição financeira. determinada. • lugar de pagamento – não constando lugar de pagamento. indiretos serão os endossantes e seus avalistas. forma de cheque. Esta é a regra do art. salvo lugar de pagamento ou emissão e a data: • a denominação cheque – deve estar inserida no contexto do título. salvo dolo ou culpa do correntista. mas ao tempo presente. ou de um cheque pago erradamente à pessoa estranha à relação jurídica. ainda que contenha todos os requisitos ditados no art. 39 da LC). considera-se o primeiro. Significa dizer que. O art. O banco que paga cheque endossado obriga-se a verificar a regularidade. contudo. O cheque é uma ordem de pagamento à vista. endossante ou beneficiário (não é responsabilidade cambial.4. A ausência de provisão. Além desses. considera-se o lugar junto ao nome do sacado. • data e lugar de emissão – não constando lugar de emissão. pré-datado. .CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 217 Série Impetus Provas e Concursos Obrigados diretos do cheque são o emitente e seu avalista se houver. 4o da Lei do Cheque. • assinatura do emitente ou seu mandatário mandatário. se pagar cheque falso. se nenhum. 32 da Lei no 7. falsificado ou alterado. não é aceita como título de crédito. será o lugar de emissão. Requisitos de Validade O art. mas civil). Responde. a exemplo de um cheque cruzado (aquele que deve ser depositado em conta) pago diretamente ao portador não-cliente. não a autenticidade das assinaturas dos endossantes. não prejudica a validade do título como cheque. contudo.

pode vendedor. 6o da LC). 26 da LC). o sacado (banco) não garante o pagamento do cheque. contrapartida recusar o recebimento de cheque ofertado pelo comprador. recebimento ofertado comprador. 9. é necessário fazer referência à Lei no 9. Quanto ao número possível de endossos. Equivale afirmar que ninguém está compelido a recebê-lo como se fora dinheiro. Entretanto. considerar-se-á aquela como não-escrita. parcial. O cheque. Significa dizer que não se permite ao endossatário. O endosso próprio transmite todos os direitos do cheque. por ser uma ordem de pagamento à vista. Em regra. como já mencionado. por esse tipo de endosso impróprio.7.884/94. Nesse caso. pode ser branco. não admite o endosso-caução endosso-caução. o 9. n 8.218 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O cheque não é papel de curso forçado É o que dispõe o art. é bastante para concretizar o ato. como contrapartida operação.311/96. . comercial. Admite-se o pagamento parcial não se facultando ao portador recusá-lo. A essa singularidade confere-se o nome de obrigação pró-solvendo pró-solvendo. Exemplificando: o vendedor. o mesmo vier a ocorrer à revelia de tal vedação (art. da operação De outra forma. considerando-se não-escrita qualquer declaração neste sentido (art. Isso é lógico. os direitos resultantes do cheque. Aceite O cheque não admite aceite. já que o mesmo não detém a propriedade do direito. Endosso Permite-se o endosso próprio do cheque que. posto que o endosso não se subordina a nenhuma circunstância. que instituiu a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira – CPMF Esse . Endosso posterior ao protesto ou ao prazo de apresentação também produz efeitos de uma cessão civil de crédito crédito.6. em preto ou em branco A assinatura do endossante juntamente com o nome do endossatário. 92 da Lei Federal forçado. mas só pode lançar no documento endossomandato (art. transmitir a titularidade do crédito representado no papel. diploma legal limitou em apenas uma a quantidade de endosso permitida. salvo se. nulo. o endossante é garantidor do pagamento (coobrigado). em uma transação comercial. permite o endosso-mandato pelo qual o portador pode exercer todos endosso-mandato. se inserida qualquer condição para sua efetivação. uma vez recebido o cheque. Como conseqüência. a transferência opera-se via cessão civil de crédito crédito. O endosso parcial é nulo Outrossim. 21 da LC). expressamente proibido endosso posterior. a obrigação só se extingue com a sua compensação. lançados no verso do título.

9. permanece o direito contra os obrigados indiretos (art. portanto. Aval Permite o aval prestado por terceiro. se o coobrigados. contados da emissão. conhecimento. perderá o direito à ação de cobrança contra os coobrigados Claro que. 29). que é o principal responsável pela sua solvência. ou contra os endossantes e seus avalistas (coobrigados coobrigados). 9. coobrigados Se o credor não apresentar o cheque ao banco no prazo legal (trinta ou sessenta dias). seu beneficiário tem prazo de trinta dias. senão se considera avalizado o emitente (art. e de sessenta dias. 31). do atributo da executividade. No entanto. não se submetendo. banco aceitar a apresentação no lapso temporal que vai até seis meses do tempo de apresentação.10. a qualquer adiamento daquele ato (cheque pré-datado). 9. Ação de Cobrança Não honrado o pagamento pelo seu principal devedor (emitente). portanto. 47 da LC). Com relação aos obrigados diretos a Súmula no 600 do STF veio alterar o dispositivo diretos. 59 da LC). Vencimento e Pagamento Vimos que o cheque é ordem de pagamento cujo vencimento é sempre à vista. .CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 219 Série Impetus Provas e Concursos Realmente. Pode ser total ou parcial e exprime-se pela simples assinatura do avalista colocada no anverso do cheque (frente). parágrafo único). a sua assinatura aposta no momento da expedição do documento já representa seu consentimento em relação ao débito. 33 da LC). exceto o sacado (art. prescreve em seis meses. A partir dessa data. sendo cheque emitido em outro lugar do país ou até do exterior (art. quando o título foi emitido pelo próprio devedor. Em outras palavras. O aval deve indicar a pessoa avalizada. “faculta-se ao banco o pagamento”. se for cheque da praça. contados da data de expiração do tempo para apresentação (trinta ou sessenta dias da emissão). o título só pode ser cobrado via processo de conhecimento desprovido. para fins de decadência do direito de ação cambiária. 30). 35. não tem sentido cogitar o aceite de um cheque.8. supramencionado. para apresentação ao banco. A ação pode ser impetrada contra o emitente e seus avalistas (obrigados diretos obrigados diretos). dispensando a exigência de apresentação ao banco. 9. o prazo para se promover a execução (art. Após essas datas. desde que ainda não-prescrito (art. O avalista obriga-se da mesma maneira que o avalizado (art.

Essa condição. contados a partir da enriquecimento. previsto no art. não observado pelo correntista. decorridos dela. produz efeito em relação a todos os obrigados. 210 ou 240 dias. É exigível para propositura de ação de cobrança contra os endossantes e seus avalistas. Ao banco proíbe-se o pagamento do cheque. apresentado antes do prazo pactuado fundos). faz-se necessária a conjunção dos seguintes fatores: • dolo – é a intenção na finalidade do ato. O instrumento legal que vem sendo empregado para tanto é a ação monitória. o simples descontrole do saldo. o cheque pré-datado. mas não o é se o demandado for o emitente ou avalista seu. com prazo prescricional da ação de cobrança (06 meses + 30 ou 60 dias = 210 ou 240 dias). se a vítima estava ciente de que não havia provisão de fundos. 50 da LC). o efeito atingirá apenas aqueles (art. ATENÇÃO! Cheque sem fundos constitui tipo penal.220 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel ATENÇÃO! Não confundir prazo para apresentação ao banco (30 ou 60 dias da emissão). não tipifica o crime. contra o emitente e outros obrigados. no entanto. e ainda assim apresentou o cheque ao banco. Protesto O protesto do cheque só pode acontecer motivado pela ausência de fundos disponíveis para pagamento. 61 da LC). se posta pelo emitente. não há o tipo penal (como exemplo negativo. a necessidade do protesto contra os coobrigados. Para configurar-se. que se locupletaram injustamente com o não-pagamento do cheque (art. 9. fraude – caracteriza-se na forma deliberada do agente de fraudar o credor. se lançada por um endossante ou por avalista. entre as partes e devolvido por falta de fundos • . prescrição para ação de cobrança.11. 171 do Código Penal. conforme o documento seja da praça ou fora dela A lei prevê ação de enriquecimento no prazo de dois anos. Permite-se inserir no título a cláusula sem protesto ou sem despesa para dispensar despesa.

que pode dar-se mesmo durante o tempo de apresentação. que é ato privativo do emitente. mas depositado em conta.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 221 Série Impetus Provas e Concursos • dano – necessário o dano patrimonial à vítima. no cruzamento. dependendo do local de emissão. posto per manecer ele com mesmo promissória). por insuficiência de fundos. Se houver. ou seja. Sustação A lei admite a sustação do cheque.13. mediante visto aposto no próprio título. a diminuição do seu patrimônio (como exemplo negativo. apenas cumprir a determinação. Equivale a uma limitação de validade do título ao prazo de apresentação ao banco. só a este poderá ser apresentado. garantindo o cumprimento da obrigação. não pode ser sacado diretamente no caixa. será de trinta ou de sessenta dias. bancário – também conhecido por administrativo é emitido pelo próprio • administrativo. o emitente deve garantir o pagamento do cheque. como vimos. assim como a assinatura do sacador. 9. debita de imediato a quantia na conta do sacador. Produz efeito a partir da cientificação ao banco. 35 da LC. • visado – quando o banco. não compete ao banco julgar a relevância da razão invocada pelo emitente. de cheque utilizado no pagamento de uma nota promissória reduz credor edor.12. direito creditício advindo da nota promissória 9. Em ambas as formas. Espécies Os cheques podem ser das seguintes espécies: • cruzado – atravessado por duas linhas paralelas. permanecer não reduz o patrimônio do credor. Só produz efeito após o prazo de apresentação (trinta ou sessenta dias). 36 da LC. Pode ser efetuada de duas formas: • revogação ou contra-ordem – prevista no art. • especial – confere ao seu titular o direito de emiti-lo além de sua provisão de fundos. que. o nome de um banco. • viagem – já contém a importância que deve ser paga. a devolução. banco contra seu caixa. considerando-se inexistente declaração pela qual se exima do cumprimento da obrigação. • oposição – prevista no art. . Não sustado.

quantidade. 2o da LD). Com advento da Lei no 5. especificando detalhes como: valor unitário. Rubens. Daí. portanto. Ocorre que. passou a haver certa regularidade na emissão do título. Entretanto. Fran Martins lembra que. 2. de um documento chamado “nota fiscal fatura”. deixa de haver qualquer vinculação com a causa que lhe deu origem. preço unitário etc. de concretizar-se um prévio negócio mercantil.7 Trata-se. já que poucos processavam a emissão de fatura.1. Percebam que. Curso de Direito Comercial. 444. A respeito da faculdade de expedição da duplicata. desde que foi firmado um convênio entre os Estados para adoção. como a duplicata pode nascer sempre da fatura ou da nota-fiscal-fatura. p. se da operação houver intenção de emitir um título de crédito. permitia-se a emissão da(s) duplicata(s). assimilado aos títulos cambiários por força de lei.222 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 10. uma vez emitida. V. Entretanto. nesse período.474/68. para sua existência. este deverá obrigatoriamente ser uma duplicata (art. inclusive à vista. de um título originado a partir de um contrato de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços. depende. Esse documento tem a finalidade de discriminar o produto da venda. A emissão da duplicata é facultativa. dificilmente se dava a emissão de duplicatas em vendas com prazos abaixo daquele tempo. Daí ser um título causal posto que causal. com escopo de servir tanto a fins contábeis como fiscais. constituindo um saque fundado sobre crédito proveniente de contrato de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços. Conceito Requião conceitua duplicata como um título formal. os comerciantes que realizassem venda com prazo de pagamento não-inferior a trinta dias estariam obrigados à emissão de fatura da venda respectiva. até 1968. 7 REQUIÃO. Duplicata 10. o comerciante era obrigado a extrair duplicata. por parte dos comerciantes. Da fatura. circulante por meio de endosso. os comerciantes signatários que o adotarem obrigam-se à emissão em toda venda efetuada. São Paulo: Saraiva. . quando realizadas vendas com prazo curto de recebimento. em toda operação de compra e venda mercantil a prazo. pelo fato de não ser obrigatória a emissão da fatura em vendas cujos vencimentos fossem inferiores a trinta dias. não importando se é à vista ou não.

Documento emitido sem obediência àquele modelo não gera efeito cambial. dizer que só é válida se emitida de acordo com especificações já definidas. o avalista também fará parte da mesma relação decorrente do título. requisitos e efeitos do original. o endossatário será o novo credor. 2o da LD traz requisitos sem os quais o título não valerá como duplicata: • denominação duplicata data de emissão e número de ordem. 10. o sacador assumirá o papel de obrigado indireto pelo crédito. Sobre a triplicata. • aceite do devedor (sacado). • valor. duplicata. Características Principais Assim como o cheque. 10. por meio de endosso. • cláusula à ordem.474/68 é o diploma normativo aplicável à duplicata. efeitos e requisitos do documento original. • sacado – é o comprador. • número da fatura. seja como garantidor do obrigado direto ou de um dos coobrigados. • vencimento (ou declaração de ser à vista). Assim como os demais títulos cambiários. Legislação Aplicável A Lei Federal no 5. devendo-se observar idênticas formalidades daquela. permite-se ao proprietário de uma duplicata transferir.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 223 Série Impetus Provas e Concursos 10. de um novo documento com as mesmas características. Prestando aval.474/68 reputa como obrigatória a sua extração. Requisitos de Validade O art. aquele que se obriga a pagar a obrigação. permite-se a emissão da triplicata com os mesmos triplicata. a duplicata é título de modelo vinculado significando vinculado.2. o art.5. seu direito sobre o título. .3.4. 10. Nesta situação. ao menos quando houver perda ou extravio da duplicata. • nome e domicílio do vendedor e do comprador. hipótese em que se admitirá o ingresso de terceiros na relação originalmente criada. Figuras Intervenientes Duas pessoas são necessárias à relação jurídica: • sacador – é o comerciante que vende a mercadoria (credor). na verdade. • assinatura do emitente. • local de pagamento. Trata-se. 23 da Lei no 5. Em caso de perda ou extravio.

Segundo Fran Martins.7. Isso porque. vendedor. . o art. ou seja. a ausência de devolução dele ao sacador. lastreada em uma daquelas razões. claro na hipótese legal. Ressalva para a impossibilidade de ser inserida a cláusula não à ordem desde a origem. 25 da Lei de Duplicatas assegura a aplicação das mesmas regras concernentes à letra de câmbio. • divergências nos prazos ou nos preços. pois. Deve.224 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A doutrina acentua que. Quando se ressalta a compulsoriedade do aceite na duplicata. a recusa do sacado em aceitar o título ou. posto que a lei restringe a possibilidade de o sacado libertar-se da obrigação que lhe é apresentada apenas naquelas hipóteses. é preciso esclarecer que o título só é considerado não-aceito depois de configurado um dos motivos descritos acima. Desta forma. Aceite Diversamente à letra de câmbio. como uma faculdade que detém o comerciante ou o prestador de serviço. ser interpretado de forma diversa. relativas à forma de circulação das duplicatas. sendo facultativa a emissão da duplicata. não se deve tomar a disposição “ao pé da letra”. salvo nas seguintes situações (art. não implicam sua liberação de saldar a duplicata. apesar de o dispositivo legal expressar a obrigatoriedade de emissão da triplicata. inexistindo uma das causas capituladas no art. o aceite do sacado é obrigatório. 23 ainda está “contaminado” com a antiga obrigatoriedade da emissão da duplicata. mesmo. e. • vícios na qualidade ou na quantidade dos produtos. O art. Obriga-se o comerciante que emitir duplicata ao registro no Livro de Registro de Duplicatas. muito menos desconsideração do documento como duplicata mercantil. assim mesmo. também o é a expedição da triplicata. havendo sua devolução juntamente com exposição circunstanciada do sacado.6. Endosso Permite-se o endosso da duplicata. 10. que terá sempre como primeiro endossante o vendedor da operação de compra e venda que deu origem ao título. sempre que acontecer a perda ou extravio da original. 8o da LD. 8o da LD): • avaria ou não-recebimento das mercadorias quando a culpa for do mercadorias. 10.

pois. da LD). Aval Admite-se o aval. essa forma é largamente usada no meio comercial. vista. As normas para pagamento seguem as disposições aplicadas à letra de câmbio. Vencimento De forma diversa da letra de câmbio. Algumas regras. ao receber as mercadorias. ainda que não haja a restituição da duplicata enviada a aceite. independentemente de estar protestado ou não. contudo.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 225 Série Impetus Provas e Concursos Devemos destacar. c) por comunicação é forma pela qual uma instituição financeira. Ação de Cobrança Para cobrar-se judicialmente uma duplicata. devem ser obedecidas (art.8. 10. 15 da LD): • se houver aceite do devedor – independe de protesto para propositura da ação de cobrança contra o obrigado direto. contudo. três formas de aceite do título: a) ordinário ocorre quando o sacado apõe sua assinatura no próprio título. Essa forma tem pouco uso. para cobrar-se dos obrigados indiretos é necessário o protesto. o instrumento devido é a ação de cobrança. 2o. 10. este será considerado como aquele que vier indicado logo abaixo de sua assinatura. Fora desses casos. . Atualmente. Se não houver indicação do avalizado. ordinário: condição que o torna título executivo contra o sacado. além de aumentar a quantidade de papel.10. ainda que posterior ao vencimento do título. o avalizado será o comprador. III. fere o princípio da cartularidade. presumindo-se que ele concordou com o saque efetuado contra ele.9. a duplicata só admite duas formas de vencimento: à vista ou num dia fixado no próprio título (art. 10. ao mesmo tempo em que remete ao sacado algum instrumento de comunicação. presunção: não as devolve ao remetente. produzindo idênticos efeitos (art. 12 da LD). b) por presunção acontece sempre que o sacado. devido à utilização mais corriqueira de meio magnético para substituir a emissão de papéis. comunicação: descontadora do título. para que esse aceite o débito custodiado no banco. retém a cártula.

Protesto A duplicata pode ser protestada por falta de aceite. trata-se de uma exceção à característica da cartularidade. Contra o devedor principal (sacado) e seu avalista. Perde o direito creditício contra endossantes e respectivos avalistas o portador que não protestar o título até trinta dias do vencimento. Conhecimento de Depósito e Warrant 11. não impossibilita o mesmo ato lastreado na falta de pagamento. • um ano da data do protesto – contra endossantes e seus avalistas. por solicitação do depositante. A ausência do protesto.226 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • se não houver aceite nem devolução do título – depende de prévio protesto até mesmo contra o obrigado direto. Conceito O conhecimento de depósito é título representativo de mercadorias custodiadas em armazéns gerais 8 ao passo que o warrant representa uma garantia real sobre gerais. 13 da LD). . já que dispensa vista ao documento. desde que tenha aceite. ao passo que o warrant é um título fundado numa garantia pignoratícia (vem de penhor) sobre as mercadorias depositadas. da LD). 13. O primeiro substitui o recibo da mercadoria. desde que não tenha havido recusa de aceite por um dos motivos previstos no art. A prescrição do prazo para propor-se a ação dá-se (art.11. 10. 8o. assim como do acompanhamento de documento que comprove a entrega da mercadoria. • um ano da data do pagamento – quando movida por um coobrigado contra os demais. não se faz necessário o protesto. de devolução ou de pagamento (art. Permite-se o protesto. ainda que sem a apresentação do título no cartório. processando-se por intermédio de indicação do credor (art. 18 da LD): • três anos da data do vencimento – contra o sacado e respectivos avalistas. Ambos são considerados títulos de crédito impróprios impróprios. 8 Estabelecimento que tem por fim a guarda e a conservação de mercadorias depositadas. São emitidos pelo titular do armazém geral.1. Na verdade. para fins cobrança do crédito. as mesmas mercadorias. § 1o. por falta de aceite ou de devolução. 11. legitimando seu portador na propriedade das mesmas.

• lugar e prazo de depósito. Características Principais No warrant. basta alienar apenas o warrant. sua profissão e domicílio. Por ocasião do vencimento do warrant. • data de emissão e assinatura do depositante. para só então poder ter a liberação dos produtos depositados. ele pode exigir a entrega de um simples recibo de depósito. mantendo-se na propriedade do conhecimento de depósito. • declaração dos impostos incidentes sobre a mercadoria. que vem atrelado ao warrant. proíbe-se a penhora. legítimo proprietário de dez mil quilos de feijão. quantidade e demais especificações da mercadoria. 17 do Decreto no 1. . o seqüestro ou qualquer outro embaraço que prejudique a livre disposição das mercadorias. Requisitos de Validade O art. constará importância do crédito garantido. • nome do depositante.3. documento legitimador de sua propriedade. No entanto. Após o depósito da mercadoria. sem obrigatoriamente abrir mão de seu domínio. mas sem querer desfazer-se da propriedade de seu bem. necessitando de capital de giro para seu negócio. Para tanto.4. Legislação Aplicável Regem-se pelo Decreto no 1. Contudo. imaginemos que um comerciante. 11. Uma vez expedidos. requer ao armazém a emissão de um conhecimento de depósito. 11.102/03). • nome do segurador da mercadoria e valor do seguro. • natureza. e a retirada da mercadoria do depósito só poderá ser feita com a apresentação dos dois títulos.102/03 relaciona os seguintes requisitos impostos aos títulos: • denominação do armazém geral. de 21/11/1903. 15 do Decreto no 1. incapaz de armazená-los devido à ausência de instalações adequadas.102. os próprios títulos podem ser penhorados ou arrestados por dívidas (art. 11.2.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 227 Série Impetus Provas e Concursos Para entender a razão motivadora de alguém requerer a expedição dos títulos. resolva levá-los à custódia de um armazém geral. deverá satisfazer o direito creditício nele presente. A posse e propriedade desses títulos irá permitir que o depositante capte recursos financeiros.

Títulos de Crédito Rural 12. quando não satisfeita a obrigação nele constante.6. combinado com o art. 897 do Novo Código Civil. cada endossante responsabiliza-se solidariamente pelo débito. Perante terceiros. Protesto Admite-se o protesto por falta de pagamento do warrant. 11. que imediatamente repassará ao portador do warrant (art. relativamente à divergência na natureza. no que se refere à responsabilidade dos endossantes do warrant. 11. 18 do Decreto no 102/03).1. Se for apenas do warrant.102/03). aqueles financiamento. 12. 903 do Código Civil de 2002.5. responsabiliza-se o armazém geral por inexatidões contidas nos títulos. Neste caso. Conceito Constituem títulos de financiamento assim compreendidos. Por força do art. Endosso Ambos os títulos podem ser transferidos por endosso.228 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Se o portador do conhecimento de depósito intencionar retirar a mercadoria antes do vencimento da dívida constante do warrant. implica o direito de penhor sobre as mercadorias. para haver o saldo. que veda o aval parcial.102/1903. 11. O endosso de um e de outro confere ao endossatário direito de livre disposição das mercadorias. 22 do Decreto no 1. sendo do conhecimento de depósito a faculdade de dispor das depósito. o portador do warrant pode impetrar ação contra os endossantes anteriores. aplicam-se as mesmas disposições relativas às letras de câmbio. mercadorias. 25 do Decreto no 1. Não ficando integralmente quitada. representativos de obrigações decorrentes de um empréstimo de capital liberado por uma instituição financeira. . unidos ou separadamente (art. 18 do Decreto no 1. terá que consignar principal e juros ao depositário.7. portador do warrant (art. no peso ou na quantidade das mercadorias. respeitados os direitos do credor. Aval Aplica-se o art. Possibilita-se até a venda em leilão das mercadorias necessárias à satisfação da dívida.102/03).

Apropriada para financiamentos garantidos por um penhor sobre bens móveis. assina. posto fugir às normas gerais atinentes aos títulos de crédito mais conhecidos. Lá chegando. • Beneficiário – é o organismo que liberou o recurso. Características Principais O credor do título pode exigir uma garantia real ao empréstimo. . Legislação Aplicável Regula-se pelo Decreto-lei no 167. pois. Exemplificando: um produtor rural. credor do direito creditício. com o penhor ou hipoteca de bens. 12. 12. é título de crédito impróprio. dirige-se a um órgão integrante do Sistema Nacional de Crédito Rural. quando não houver garantia real à dívida. os títulos são chamados de cédula de crédito rural. sob pena de vencimento antecipado de toda a dívida.2. Os títulos de financiamento em geral configuram-se como um importante meio de fomento da economia. 12. tanto para a indústria (cédula de crédito industrial como para o comércio (cédula de industrial).4. De outra forma. na qualidade de emitente. pessoa física ou jurídica. 14 a 19 do Decretolei no 167/67. intitula-se de nota de crédito rural. Nestes casos. Este se obriga. Possuem natureza de uma promessa de pagamento em favor do agente financeiro. Figuras Intervenientes • Emitente ou sacador – é o produtor rural. devedor do direito creditício. cédula comercial) rural) para a construção da casa própria (cédula hipotecária cédula hipotecária). expressa na própria cédula (princípio da cedularidade). ocorre a liberação de verbas. cédula cédula crédito comercia ou agricultura (cédula ou nota de crédito rural e. através deles. até mesmo. de 14/02/1967. satisfeitos todos os requisitos exigidos. necessitando de recursos para incrementar sua produção. Assim nós temos: • cédula rural pignoratícia – disciplinada pelos arts.3.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 229 Série Impetus Provas e Concursos Igualmente ao conhecimento de depósito e warrant. o título de crédito. que terá como favorecida a mesma instituição que está liberando o dinheiro para o emitente. a aplicar o montante recebido na atividade declarada ao financiador. dada por quem recebe o benefício da linha de crédito.

Endosso Por força do art. assim entendidas as construções. . 25 e 26. 60 do Decreto-lei no 167/67. instalações e benfeitorias. O quadro-resumo da folha seguinte tem o objetivo de facilitar a compreensão da matéria. respectivos terrenos.5. não prevalece o art. rurais ou urbanos. normalmente mais requisitados nas provas de concursos. para assegurar o direito de regresso contra coobrigados. 897 do CC/2002. 12. no que se refere à responsabilidade dos endossantes desses títulos. 27 e 28. 20 a 24.7. mantendo-se a possibilidade de o aval ser parcial. 903 do Código Civil de 2002. • cédula rural pignoratícia e hipotecária – disciplinada pelos arts. Abrange ambas as garantias numa mesma cédula. 60 daquele Decreto-lei. Aval Também devido ao mesmo art. aplicam-se as mesmas disposições relativas às letras de câmbio. 12. trazendo os principais elementos a respeito dos títulos de crédito próprios.6.230 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • cédula rural hipotecária – disciplinada pelos arts. 12. • nota de crédito rural – disciplinada pelos arts. combinado com o art. Protesto Não é necessário. Utilizada para financiamentos desprovidos de garantia real. Apropriada para financiamentos garantidos por hipoteca sobre imóveis.

contra provisão de fundos em poder do próprio sacado. em favor do beneficiário. de forma subsidiária. caução.663/66 Rege-se pelo Dec. Dec. dada ao sacado. além do endosso próprio. de forma subsidiária.aplicadas às letras de câmbio. n 2.044/08. feita pelo emitente do título. ou de prestação de serviços. DUPLICAT DUPLICATA Saque efetuado pelo emitente.474/68. pelo emitente. a partir de um contrato de compra e venda mercantil. sacado – comprador/ tomador do serviço. sacado – banco. segue as mesmas regras ser: endosso-mandato ou endosso.CAMPUS LETRA DE CÂMBIO Ordem de pagamento à vista ou a prazo. Inserida cláusula não ordem. pelo Dec. à exceção do endosso-caução (inadmissível) e do número ilimitado de endossos Capítulo 3 — Direito Cambiário Participam da relação jurídica original: sacador – quem emite o título. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. pelo no 7.357/85 e. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. pelo e. que poderá Relativamente ao endosso. à exceção do momento de inserir a cláusula não à Admite o endosso. de forma o o subsidiária. Relativamente ao endosso.). Rege-se pelo Dec. NOTA NOTA PROMISSÓRIA Promessa de pagamento à vista ou a prazo.595/66. sacado – devedor principal do título. Rege-se pela Lei Federal no 5. Participam da relação original: sacador – emitente e devedor. Relativamente ao endosso. à ordem proíbe-se o endosso. Participam da relação original: sacador – emitente e devedor. no 57.044/08. beneficiário – é o credor do título (terá posse do docum. dada ao sacado. em favor do beneficiário. beneficiário – credor do título. Participam da relação original: sacador – vendedor/ prestador de serviços (credor). tomador – credor do título. no 57. CHEQUE Ordem de pagamento à vista. no 57. 231 Série Impetus Provas e Concursos . Dec.663/66 Rege-se pela Lei Federal e. pelo emitente. n 2.

O avalista obrigar-se-á nas Relativamente ao aval. (a Lei no 9. contrário será o sacador da letra. segue as parcial. assim como erros nos prazos ou nos preços. ordem. mesmo. o aceite parcial provoca o vencimento antecipado. aceitável para evitar o vencimento antecipado. Deve haver a indicação mesmas regras aplicadas às do favorecido pelo aval. o sacador será devedor principal. Apenas nestas hipóteses estará o sacado livre de responder pelo pagamento do título. adota as mesmas regras da letra de câmbio. salvo por avaria devedor. Direito Comercial — Carlos Pimentel Admite o aceite do sacado. Ressalva para a nãoindicação do favorecido pelo aval. apesar de não ser obrigatório. caso letras de câmbio. vício na qualidade ou quantidade. total ou Relativamente ao aval. Permite-se o aval. ou não-entrega do produto. Não admite aceite. Ressalva para a proibição de o aval ser prestado pelo banco. ordem que não pode ser desde a emissão do título. . posto ser o título emitido pelo próprio devedor. posto ser Aceite do sacado é o título emitido pelo próprio obrigatório. Relativamente ao aval.232 Série Impetus Provas e Concursos Cláusula sem garantia livra o endossante da obrigação pelo pagamento do título. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. A recusa do sacado ou. que poderá ser o sacado. Se não houver aceite. Não admite aceite. obrigando-se o sacado pelo que aceitou. Possível haver cláusula nãoaceitável.311/96 limitou em apenas um).

o título deve ser apresentado para pagamento. Capítulo 3 — Direito Cambiário mesmas condições do avalizado. a certo termo de data – tantos dias do saque. a saída é uma ação monitória. contados do fim do prazo de apresentação para promover a execução do título. Não satisfeito o crédito. faculta-se o pagamento. Vale a ação de cobrança.CAMPUS Relativamente ao vencimento. a certo termo de vista – tantos dias do aceite. sem aceite – precisa do protesto até mesmo contra sacado. o prazo de pode ser à vista ou num apresentação ao banco é de dia fixado. num dia fixado – vem definido na letra. Contudo. 233 Série Impetus Provas e Concursos . trinta ou de sessenta dias. para. a providência judicial cabível é a execução. O pagamento deve ser exigido inicialmente do sacado. tem o credor o prazo de cento e oitenta dias. O vencimento é sempre à O vencimento da duplicata vista. O vencimento da letra pode ser: à vista – será o prazo de apresentação. segue as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. qualquer um dos obrigados indiretos poderá ser compelido a fazê-lo. conforme o cheque seja da praça ou não. nos seguintes prazos: Relativamente ao pagamento. obedecidas as seguintes regras: com aceite – dispensável protesto contra o sacado. Após esse tempo. cobrarse de um coobrigado. só após. seja contra o principal devedor ou contra devedores indiretos. pelo fato de não admitir aceite. salvo aquele a certo termo de vista. Após esse tempo. No prazo de trinta ou sessenta dias. e até sua prescrição. O pagamento da letra deve ser exigido primeiro do obrigado principal. segue as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. sem se respeitar a ordem pela qual se obrigaram. se da praça ou não. Caso esse não pague. No caso de não ser paga.

no segundo. não do aceitante.234 Série Impetus Provas e Concursos três anos do vencimento – contra obrigado direto. de aceite ou de devolução do título remetido ao sacado para aceite. as regras são iguais àquelas das letras de câmbio. o prazo é de dois dias do vencimento. e seu prazo é de trinta dias do vencimento. . limitada ao prazo prescricional do cheque. O protesto do cheque só pode ser fundado na falta de pagamento. No primeiro caso. É necessário contra coobrigados. fazê-lo. interposta contra o emitente ou coobrigados. A cláusula sem protesto dispensa protesto até dos coobrigados. salvo se posta na origem. qual seja: cento e oitenta dias do fim do prazo de apresentação. já que não admite aceite. Direito Comercial — Carlos Pimentel O protesto da letra é fundado na falta de pagamento ou de aceite. um ano do pagamento – poder regressivo. um ano do protesto – contra coobrigados. as regras são iguais àquelas das letras de câmbio. No mais. ou protesto – contra obrigado indireto. é até o fim do prazo de apresentação. O protesto de nota promissória só pode ser fundado na falta de pagamento. sei meses do pagamento – poder regressivo de quem pagou. No mais. O prazo da ação é: três anos do vencimento – contra sacado. É necessário para se cobrar o título de um coobrigado. não contra o sacado (com aceite). 8o. O instrumento para tanto será igualmente a ação de cobrança. O protesto da duplicata pode ser fundado na falta de pagamento. e seu prazo é o mesmo da prescrição (cento e oitenta dias do fim do prazo de apresentação). lembrando que a cláusula sem protesto vale para o endossante que a inseriu. um ano do venc. e com comprovante de entrega das mercadorias. Esta segunda hipótese vale se o sacado não tiver razões fundadas no art. enquanto.

o conhecimento de todos. caracterizam-se por: a) ser numerus clausus. que seja imputável ao sacador. 3. ESAF (AFTN/1994) O warrant é título de crédito que se caracteriza por: a) representar mercadorias depositadas. c) exigir. (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – 5 a REGIÃO/1999) A recusa do aceite pelo sacado de um letra de câmbio: a) implica o vencimento antecipado do título e torna o sacador o principal responsável pelo seu pagamento. e) deve ser comunicada por escrito ao sacador no prazo máximo de dez dias após a apresentação. . b) torna ineficaz o aval dado antecipadamente. d) permitir o stoppage in transitu.Exercícios 1. assim como todos os endossos anteriores a esse evento. criados para facilitar a circulação de direitos com segurança. e) só servir aos empresários. c) servir para a transferência de propriedade de bens. b) não admitir função diversa daquela que originou sua criação. d) não ser documentos de legitimação. na cadeia de regresso. ESAF (AFTN/1994) Os títulos de crédito. c) só se justifica no caso de vício da relação jurídica subjacente. para que possa gerar efeitos cambiais. e) representar garantia real sobre bens. reputando-se não-escrito o aceite prestado dessa forma. d) não pode restringir-se a apenas uma parte da obrigação. b) ser independente de qualquer relação fundamental entre emitente e primeiro beneficiário. 2.

d) não poderá ser objeto de execução. na qual seria possível a execução do título sem que ele estivesse presente nos autos. vencida sem aceite e de valor inferior ao da fatura que lhe deu causa: a) poderá ser executada somente depois de protestada por falta de aceite e pagamento. a fim de que possa obrigar o devedor a efetuar o pagamento de sua dívida. aplicável aos títulos de crédito. 6. Uma hipótese que caracterizaria exceção a essa regra. e) poderá ser imediatamente executada. porque o endosso parcial é nulo. b) letra de câmbio não-aceita. é correto afirmar que: a) somente pode ser exigido em processo de conhecimento. que se inicie a ação cambial sem que a petição inicial esteja acompanhada do respectivo título de crédito. desde que protestada e acompanhada de documentos que comprovem a entrega e o recebimento da mercadoria e que o sacado não tenha tempestivamente recusado o aceite. 5. assim. ESAF (AFTN/1991) Uma duplicata. (FISCAL DO TRABALHO/1994) Com relação a um cheque que não foi apresentado durante o prazo de apresentação fixado em lei. c) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da data em que o cheque foi efetivamente emitido. c) apenas poderá ser transmitida através do endosso parcial.236 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 4. c) duplicata não-devolvida. d) nota promissória protestada por falta de pagamento. b) não é transmissível. b) poderá ser executada. Não se admite. e) debênture com garantia flutuante. exige-se que o credor apresente o título – cártula –. porque não tem aceite do sacado. d) em hipótese alguma é transmissível. em razão de o título de crédito ser oriundo de um contrato de compra e venda mercantil. e) é transmissível somente pela forma e com os efeitos de uma cessão de crédito. (JUIZ SUBSTITUTO DE 1 a ENTRÂNCIA/PE 2000) Em face do princípio da cartularidade. e) extingue-se o crédito do beneficiário. 7. b) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da data lançada na face do título. d) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da expiração do prazo de apresentação. c) não poderá ser objeto de ação de execução. não podendo o documento ser utilizado como fundamento para ação de locupletamento. representativa de contrato de compra e venda mercantil. . ocorreria em face de uma situação de: a) cheque furtado. ESAF (AFTN/1991) A nota promissória parcialmente avalizada com cláusula não à ordem: a) é transmissível pela via do endosso translativo. porque sua emissão é nula. em razão de ter valor inferior ao valor de emissão da fatura.

(OAB – GO/1998) Em relação ao cheque. julgue os itens seguintes (V ou F) a) ( ) É o meio pelo qual se transfere a propriedade de títulos com a cláusula não à ordem. mas não pode endossá-lo. assim como a fiança. confirmando a exatidão do saque. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O endosso é o meio de transferência de títulos de crédito. b) ( ) É nulo o endosso parcial. e) ( ) Em decorrência da autonomia das relações jurídicas. b) ( ) A inoponibilidade de exceções em embargos propostos contra ação cambial é decorrência do princípio da autonomia das relações jurídicas. julgue os itens a seguir (V ou F). Esta definição tornou-se clássica por indicar duas das várias características aplicáveis aos títulos de créditos. possui natureza contratual. A propósito das peculiaridades desses dois institutos. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O aval pode ser entendido como o ato por meio do qual determinada pessoa passa a responder. nas mesmas condições que a pessoa por ela avalizada. (OAB – RJ – AGOSTO/1998) O título de crédito que comporta declaração do principal devedor. b) cheque. d) ( ) O avalista pode ser demandado independentemente de o avalizado ter sido demandado. e) ( ) Letras de câmbio são endossáveis. a) ( ) A literalidade está relacionada ao fato de que o credor de título de crédito somente pode exercer os seus direitos mediante a apresentação do título ao devedor. c) ( ) A afirmação de que os títulos de crédito valem pelas informações nele mencionadas está vinculada à sua cartularidade. quando comparado à fiança. certa semelhança em seu funcionamento. 12. c) ( ) O aval. Acerca do endosso. Acerca das características dos título de crédito. . 11. quando um endosso contém a menção valor a cobrar. a) ( ) O aval possui natureza de ato unilateral de vontade. Observa-se. o avalista de um título de crédito não pode alegar defeito de forma. mas só pode endossá-lo na qualidade de procurador. c) ( ) A legislação uniforme em relação à letra de câmbio e a nota promissória admite endosso sem garantia. portanto. c) warrant. d) ( ) A abstração é a principal característica da duplicata mercantil. d) o portador somente pode exercer os direitos resultantes do cheque com a prévia anuência do endossante. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O jurista italiano Cesare Vivante definiu o título de crédito como o documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele mencionado. b) ( ) O benefício de ordem é comum a ambos os institutos. 10. c) o portador não pode exercer os direitos resultantes do cheque. em face de determinado título de crédito. para cobrança. b) o portador pode exercer todos os direitos resultantes do cheque. julgue os itens a seguir (V ou F). consistindo na assinatura do seu titular lançada no próprio título. por procuração ou qualquer outra menção que indique um simples mandato: a) o portador pode exercer todos os direitos resultantes do cheque. é: a) nota promissória. ainda que não contenham a cláusula não à ordem.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 237 Série Impetus Provas e Concursos 8. 9. d) ( ) São modalidades de endosso impróprio o endosso-caução e endosso-mandato. d) letra de câmbio.

(JUIZ FEDERAL – 5a REGIÃO/1995) Em uma nota promissória. d) ( ) O portador pode recusar o aceite por valor inferior ao consignado no título em face do princípio da literalidade. que não paga. ainda. eximindo-se de garantir o pagamento do título. foram lançados três endossos. A emitiu nota promissória. apresente o avalista X. lançada na face da letra de câmbio. executado por inadimplência. por sua vez. Nesse caso. que. julgue os itens a seguir (V ou F). constituiu grande passo para o desenvolvimento do comércio. d) ( ) Notas promissórias não admitem aceite cambial. X pode recusar-se ao pagamento. e este a endosse para C. o título a D. presume-se o aceite. recusando o pagamento a C. G pode. que significa a confiança de uma pessoa em que outra cumprirá. Acerca dos títulos de crédito. . alegando não ser obrigado. ainda que não tenha sido aceita. A defendeu-se. pelo fato de que a primeira é uma promessa de pagamento. julgue os itens a seguir (V ou F). contados da data de emissão do título. c) ( ) As notas promissórias distinguem-se das letras de câmbio. B. obriga-se nos termos do contrato.238 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 13. b) a exclusão de responsabilidade de todos os endossantes. enquanto a segunda é uma ordem de pagamento. e) ( ) O avalista. a) ( ) O prazo prescricional da ação executiva do cheque é de seis meses. c) nulidade do título. G cobre de D. em ação regressiva. c) ( ) Considere que seja emitida um nota promissória por A em favor de B. facilitando a sua circulação. 14. a obrigação pecuniária assumida no presente. Um passo ainda maior foi dado com a criação dos títulos de crédito. julgue os itens a seguir (V ou F). e) ( ) Pela simples assinatura do sacado. CESPE – UnB (INSS/1998) A respeito dos títulos de crédito. que também é fiador do contrato ao qual está vinculada nota promissória. 15. é correta a decisão do juiz que acata a defesa de A e indefere o pedido de C. d) considerar-se não-escrita a exclusão de responsabilidade. B endossou a nota para C. em face do descumprimento do contrato por parte de B. F e G. b) ( ) Duplicata mercantil. D. em seguida. abstração e inoponibilidade das exceções pessoais. cobrar de E e de F. De acordo com tais princípios. alegando que sua obrigação. e que. o que vai implicar: a) a exclusão de responsabilidade do primeiro endossante. CESPE – UnB (FISCAL DE ALAGOAS/2002) O surgimento do crédito. consignando a promessa de pagar. é inválida. endossando. mas desde que protestada e acompanhada de documento que comprove efetivamente a entrega e o recebimento da mercadoria. como os princípios de literalidade. 16. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) A disciplina que rege os títulos de crédito norteia-se por uma série de princípios. ligando em seqüência A. autonomia. no futuro. cuja função precípua é incorporar um direito de crédito. a) ( ) Considere a seguinte situação: firmado um contrato entre A (obrigação de pagar) e B (obrigação de entregar coisa certa). por ser vinculada à de C. Diante disso. poderá ser executada. sendo que o primeiro deles contém declaração do endossante. entre outros aspectos. Se for executado. b) ( ) Considere que seja constituída cadeia cambial em letra de câmbio. E.

d) ( ) Na hipótese de o sacado recusar-se a aceitar a letra de câmbio. c) ( ) O nome do sacado. b) ( ) Os títulos de crédito são. e) ( ) Não se aplica ao cheque. ao portador. ficando o endossante. produz apenas os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. A doutrina trata-o como título de apresentação. em regra. o endosso parcial é nulo. d) a transferência das obrigações opera-se. 17. pode um terceiro aceitá-la. salvo estipulação em contrário. julgue os itens a seguir (V ou F). o nome do banco ou da instituição financeira que deve pagar. em regra. o possuidor deve apresentar o título ao devedor ou à pessoa indicada para fins de pagamento. a indicação do lugar de pagamento e de emissão. 19. d) ( ) Em letra de câmbio. b) é transmissível por via de endosso. é requisito essencial da letra de câmbio. o cheque pode ser transferido mediante endosso. coresponsável pelo pagamento. b) ( ) Trazendo o nome do beneficiário. o aval pode ser parcial ou total e pode ser dado por terceiro ou por signatário da letra. 18. entretanto. regidos pelo princípio da concreção. ESAF (BNDS/2002) No Direito Cambiário: a) as notas promissórias e os cheques independem de protesto para constituírem títulos executivos contra seus emitentes. desde que o detentor do título concorde com o aceite e tenha feito antes o protesto. isto é. d) é nula de pleno direito. e) os coobrigados são devedores solidários de todos os outros devedores da obrigação cambial.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 239 Série Impetus Provas e Concursos a) ( ) O título de crédito é documento indispensável ao exercício do direito nele contido. no momento em que desejar exercer o direito de crédito. nela constar para que possa produzir efeito. podendo ser condicionado. CESPE – UnB (AGU/2002) Com referência ao cheque e à letra de câmbio. e) ( ) A letra de câmbio pode ser endossada em favor do aceitante. c) ( ) Na letra de câmbio. b) o endosso funciona como instituto de garantia ao cumprimento de quaisquer das obrigações assumidas no título. por ter a obrigação de pagá-la. porque. . mas este. e) é exigível apenas do sacador e do sacado. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DO RS/1988) A letra de câmbio que não contenha cláusula à ordem expressa: a) é transmissível por via de endosso. c) o protesto é necessário para o exercício da ação de execução dos devedores principais da obrigação cambial. não poderá reendossá-la a outra pessoa. uma vez que são estritamente vinculados ao negócio que originou o título. o nome da pessoa que deve pagar. c) só é transmissível pela forma e com os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. no entanto. que. a data de emissão e a assinatura do emitente e a denominação cheque inscrita no título. são requisitos essenciais desse título de crédito a ordem incondicional de pagar quantia determinada. devendo. a) ( ) Segundo a Lei Uniforme do Cheque. o princípio da inoponibilidade das exceções. segundo a Lei Uniforme do Cheque. segundo a Lei Uniforme do Cheque. necessariamente.

d) pode emitir uma triplicata.240 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 20. e) é obrigado a sempre valer-se de banco. com o objetivo de ter em mãos um instrumento capaz de propiciar-lhe o poder de cobrar o valor da venda: a) pode emitir qualquer título de crédito à sua escolha. dispensado o reconhecimento de firma. c) é obrigado sempre a sacar duplicatas contra o comprador. mas a duplicata é título de emissão facultativa. enquanto a extração da fatura é facultativa. FCC (MP – PE/2002) No que tange à duplicata mercantil. Relativamente a essa espécie de títulos – duplicatas mercantis –. decorrentes que são dos contratos de compra e venda a prazo. d) o aceite da duplicata não é compulsório. b) deve redigir contrato escrito a ser assinado pelo comprador. b) representa venda dos bens nele mencionados. b) a emissão da duplicata é sempre obrigatória. 21. não há previsão legal para que a duplicata tenha vencimento a certo termo de data e a certo termo de vista. para efeito de exigência da emissão da fatura. e) é obrigatório que a duplicata seja garantida por aval e que o pagamento seja feito somente após o aceite. para enviar a duplicata ao devedor para cobrança e posterior protesto. 23. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2003) Um dos instrumentos de grande utilidade na fiscalização do pagamento de tributos incidentes sobre o faturamento é a auditoria nos registros de duplicatas a receber. a) ( ) Devem ser emitidas sempre que se trate de venda a prazo. diz-se que: a) são requisitos facultativos da duplicata. . c) requer que o warrant esteja a ele ligado. c) a emissão de triplicata é obrigatória. o vendedor. a compra contratada para pagamento em trinta dias. d) serve para facilitar operações de garantia sobre produtos agrícolas. e) transfere ao novo titular do documento a responsabilidade pela guarda dos bens. para a imediata liberação das coisas em poder de terceiro. b) ( ) Não se considera a prazo. a praça de pagamento e a cláusula à ordem. ESAF (AUDITOR DO TCE-PR/2002/2003) Tendo feito uma venda mercantil. c) ( ) Diferentemente da letra de câmbio e da nota promissória. com duas testemunhas. entre outros. 22. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE RECIFE/2003) A transferência de um conhecimento de depósito: a) indica que há mercadorias em trânsito. julgue os itens subseqüentes (V ou F). no caso em que o comprador não haja devolvido a duplicata remetida para o aceite. porque o comprador poderá deixar de aceitá-la por qualquer motivo comercial.

para sanar problema de fluxo de caixa do devedor. a extrajudicial e a falência. foi elaborado projeto de uma nova lei de falências para o país. quase sempre por descumprimento das metas estabelecidas para o processo. o que se podia observar era a alienação de todos os bens arrecadados. visando à satisfação dos credores. Uma vez falidas.661/45. Sob o fundamento de preservar e estimular a cadeia econômica. . Editado em um momento no qual a atividade industrial e de serviços no país estava ainda incipiente. porque a recuperação extrajudicial deve ser a tentativa inicial. Devido à intenção do legislador. até. Sim. regulador das falências e concordatas. no mês de dezembro de 2004. do empresário e da sociedade empresária. Quanto à empresa. nesta ordem. seguida da recuperação judicial e da falência. Chegando ao Congresso Nacional em 1993. tanto que mais de 80% das empresas concordatárias eram levadas à falência. sua redação foi finalmente encaminhada à sanção presidencial.Capítulo 4 Direito Falimentar INTRODUÇÃO Por mais de meio século. talvez fosse mais conveniente se o texto legal viesse em outra ordem. recebeu o número 4. à falência. inclusive aqueles que antes serviam à atividade fim do negócio. quando se transformou na Lei Federal no 11. teve vigência no Brasil o Decreto-lei no 7. realizada entre devedor e credores.376/93. a maioria com chances ínfimas de reaverem seus créditos. com a recuperação extrajudicial em primeiro lugar. não se preocupou o legislador da época com a recuperação e a conseqüente manutenção da atividade produtiva. esta estava fadada à extinção. Não se chegando a um acordo. Após mais de dez anos de tramitação em ambas as Casas Legislativas. levando consigo emprego e renda dos trabalhadores. passa-se à recuperação judicial ou.101. que regula a recuperação judicial. de 09/02/2005.

parágrafo único. Claro que essa medida eleva as chances dos que vierem em seqüência. 60. A título de exemplificação. Também a mudança feita na ordem dos créditos habilitados em uma falência. O mesmo pode ser dito para a limitação imposta aos créditos trabalhistas. pode contribuir para estimular o desenvolvimento da economia. muitos terão acesso a mais financiamentos dos bancos. a possibilidade de alienação de filiais ou de unidades produtivas do devedor. sem se tornar também coobrigado pelo seu passivo. quando se concedeu prioridade àqueles com garantia real (penhor. Tal permissivo abre grandes chances de negócios para aqueles que resolverem apostar no soerguimento de empresas que atrevessem momentos de dificuldade financeira. Isso significa que alguém poderá adquirir apenas a empresa. o art. com conseqüente investimento na produção. . Sustentam os defensores da nova lei que a maior segurança emprestada aos detentores de tais créditos – geralmente as instituições financeiras – é decisiva para a diminuição das taxas de juros cobradas dos empresários. no entanto. é novidade no Direito brasileiro. Essa pretensão pode ser observada em dispositivos que transmitem a disposição do Governo Central em preservar ativos que contribuam para a produção industrial. Ambos os processos. quando ultrapassarem a cifra de cento e cinqüenta salários mínimos por credor. inclusive de natureza tributária. Quando observamos os processos de recuperação extrajudicial e judicial. Basta ver a prioridade para alienação do ativo na falência. para acontecer a falência de uma empresa. 2o do Decreto no 7. em detrimento dos fiscais. sem a sucessão do arrematante pelas obrigações daquele. não é requisito obrigatório percorrer os outros dois processos. O que o legislador pretendeu foi oferecer alternativas para o empresário e seus credores resolverem problemas de inadimplência de seus créditos. mediante instrumentos que preservem a capacidade da empresa de gerar riquezas para o país. na relação de credores. A segunda é sucessora da concordata. Diminuindo-se esse encargo.242 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entendam que. prevê. perdem a prioridade no recebimento. igualmente podemos perceber a preocupação com a preservação do cenário produtivo. os chamados spreads bancários. ficando o excesso equiparado aos credores quirografários do falido. enquanto que a extrajudicial. pois não estarão adquirindo igualmente seus passivos. Não é isso. antes proibida pelo art. da forma como acontece na falência. que é dada ao estabelecimento empresarial como um todo. Estes. na recuperação judicial. tampouco a recuperação extrajudicial tem que anteceder a judicial. sem haver sucessão das obrigações trabalhistas ou tributárias do falido. surgiram sob o fundamento de propiciar ao empresário instrumentos rápidos de solução das suas dificuldades. hipoteca).661/45.

195). mesmo. não engloba apenas os créditos quirografários. senão vejamos: a) para os processos de falência ou concordata ajuizados anteriormente ao início de sua vigência. a concordata será extinta. marcada para 09/06/2005.7. sendo o pedido de falência ajuizado ainda na vigência do Decreto no 7. continuam valendo as disposições do antigo decreto. conforme veremos no item 2. mas não concluídos. e) da mesma forma que o antigo Decreto no 7. estabelece o art. quando da vigência da nova lei. já se aplicam as novas regras (art. esta lei é aplicada subsidiariamente à legislação que trata da liquidação extrajudicial de instituições financeiras e equiparadas. 192. a ordem de prioridade no recebimento é determinada no plano de recuperação apresentado pelo devedor em juízo. A exegese não se aplica ao plano de recuperação judicial de microempresas e empresas de pequeno porte. caput e parágrafo 1o).CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 243 Série Impetus Provas e Concursos Ainda na recuperação judicial que. Advindo a recuperação judicial. estudadas ainda neste Capítulo (art.661/45. mesmo. algumas regras precisam ser respeitadas. mas todos (algumas exceções serão tratadas no item específico). deduzidas as parcelas pagas pelo concordatário. desde essa data. 192. Ainda assim. Por último. não há qualquer empecilho para o devedor pleitear a recuperação judicial. nem a suspensiva. Neste último caso. b) na hipótese de já existir prévio pedido ou.2. a nova lei autoriza a alienação dos bens da massa. . 70 a 72 (art. seja a partir da convolação de antigas concordatas ou. independentemente da formação do quadro geral de credores ou. 201 o prazo de cento e vinte dias após a publicação para entrar em vigor. desde que cumpridas as exigências no âmbito daquele processo. que era aplicada quando já existia falência instalada. parágrafos 2o e 3o). parágrafo 4o). 192. deste Capítulo. instalação de um processo de concordata. na forma da lei (art. a que se referem os arts. diferente da antiga concordata. mesmo. com relação à aplicação e vigência da nova lei. conclusão de possível inquérito judicial (art. e os créditos quirografários submetidos à concordata serão inscritos na recuperação judicial pelos seus valores originais. 197).661/45. No entanto. não mais será possível a concessão de novas concordatas. d) a falência das concessionárias de serviços públicos implica a extinção da concessão. c) em se tratando de falências decretadas no curso da vigência da moderna lei. com ressalva para os créditos trabalhistas.

através do qual se arrecadam judicialmente os bens do falido. mesmo se decretada a falência ou a recuperação da empresa. O parágrafo 1o do mesmo artigo ressalta. Imaginemos determinado empresário. Para evitar tamanha injustiça. de um universo de credores habilitados em uma falência. assim considerados de acordo com a qualidade de seus créditos. o Direito tutelou o interesse de todos. terão tratamento paritário. essa lei não terá aplicação para as outras pessoas jurídicas que já eram excluídas do regime da concordata (art. enquanto que outros demandam dívidas de natureza tributária. uma vez que os demais não poderão reclamar suas obrigações antes dos vencimentos. aqueles que nenhuma garantia têm (quirografários). prescrevendo a igualdade de oportunidades dos que tiverem legítimo interesse na percepção de valores devidos por um empresário insolvente. a não-suspensão de contratos de arrendamento mercantil de aeronaves. poderemos encontrar alguns respaldados em indenizações por acidentes de trabalho. A expressão par conditio creditorum exprime a condição de equivalência em que se encontram os credores admitidos em um processo de falência. relacionada esta à real probabilidade de cumprimento obrigacional pelo devedor. Assim. cuja ordem de abordagem não será a mesma da nova lei. mas a que entendo de melhor didática. penhor) ou. . ainda. irão obviamente ter maiores chances de escapar de um calote. Continuando nesta condição. mesmo. a fim de satisfazerem seus credores. num estudo pormenorizado de cada um dos capítulos da Nova Lei de Falências. 1. aqueles que forem detentores de créditos já vencidos. não havendo espaço para ações individuais.244 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel f) salvo para as empresas aéreas. aqui entendido como um empresário individual ou. Por isso se diz que a execução dos créditos é concursal ou coletiva. Os iguais. 1. consubstanciada justamente no desfavorecimento de parte dos credores do devedor. já começando. ainda. inclusive. Há também os que possuem créditos lastreados em uma garantia real (hipoteca. tampouco a recomendada aos empresários. ou até com prazos curtos de recebimento. logo seus credores irão perceber que correm o sério risco de não conseguir a satisfação de seus direitos. a faltar com compromissos monetários assumidos.1. Esses e outros pontos serão desenvolvidos a seguir. Neste quadro. Falência Disposições Preliminares Define-se falência como um processo de execução concursal do devedor insolvente. 199). uma sociedade empresária. que se encontre em situação de iminente dificuldade financeira.

considerada um favor legal. f) entidade de previdência complementar. na hipótese de haver. 1. mesmo sendo reputadas empresariais. condenação do devedor por crime falimentar. 158. ou não. desde que esgotado todo o ativo.2. por exemplo. três pressupostos principais devem estar presentes. algumas organizações. Os parcialmente excluídos. Caracterização da Falência Para se materializar o estado falimentar. Contudo. Claro que. já que a totalidade de seus débitos será executada. . • DEVEDOR EMPRESÁRIO A falência atinge de forma restrita os empresários individuais ou sociedades empresárias. pelo decurso do prazo de dez ou de cinco anos após o encerramento da falência. 2o exclui da aplicação da lei as seguintes empresas: a) empresa pública. b) sociedade de economia mista. mesmo. como veremos no item 3 deste Capítulo. devido ao permissivo contido no art. g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde. a falência é. ou. h) sociedade seguradora. o art. c) instituição financeira. se o falido dispuser de um ativo capaz de satisfazer todo o seu passivo. situada praticamente no final da relação. No que pese a imposição advinda de autoridade judiciária. inciso II. que possibilita a extinção das obrigações do falido apenas com o pagamento de 50% dos créditos quirografários (o dispositivo correspondente no antigo decreto previa percentual de 40% do passivo). e) administradora de consórcio. Outras questões pontuais a respeito do processo são esboçadas na seqüência. que sofrem regulamentação específica. e outras a todas essas equiparadas por lei. o efeito prático dessa medida será apenas o momento do pagamento. É evidente que. parcial ou totalmente. Logo. são excluídas do regime jurídico falimentar. pública ou privada. a um crédito quirografário ser classificado de forma equivalente a um tributário. os antecedentes devem ter sido satisfeitos. não se permitindo. da nova lei. a exemplo dos bancos.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 245 Série Impetus Provas e Concursos Todos deverão ser agrupados na conformidade da qualidade de seus direitos. mas apenas em situações especiais. i) sociedade de capitalização. por alguns. para se atingir o percentual naquela categoria de credores. podem até vir a falir. d) cooperativa de crédito.

na vigência do antigo decreto. tudo devidamente protestado. 51 desta lei. d) pagamento da dívida. assim como certidões da dívida ativa.404/76 que proibia a falência das sociedades de economia mista. Servem à materialização da hipótese os títulos de crédito em geral. 96: a) falsidade de título. f) vício em protesto ou em seu instrumento. materializada por um ou mais títulos executivos protestados. da Nova Lei de Falências. incisos I. b) prescrição. O inciso I enfoca a impontualidade injustificada de obrigação líquida. que trata da documentação necessária ao pedido. INSOLVÊNCIA • INSOLVÊNCIA DO DEVEDOR A configuração do estado de insolvência não deve ser assimilada no sentido estritamente patrimonial (passivo maior que o ativo). por força do art. mas de acordo com as hipóteses fáticas enumeradas pelo art. a exemplo do que ocorre com os bancos nãofederais. e) qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título. que poderia ser qualquer um. se dúvida havia quanto à possibilidade de virem a falir. conforme citação anterior. I. Com relação à falência requerida com base no art. 23 da Lei Federal no 9. pois. 94. senão com a existência de um novo texto legislativo específico. observados os requisitos do art. Operadoras de plano de assistência à saúde encontram-se nessa situação. Tal dispositivo previu a possibilidade de liquidação extrajudicial daquelas instituições. que dispõe sobre planos e seguros privados de assistência à saúde.656/98. Nesse ponto. Para essas. g) apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo da contestação. cuja soma ultrapasse quarenta salários mínimos vigentes na data do pedido. 94. c) nulidade de obrigação ou de título. não há mais que se falar em tal possibilidade. o legislador aumentou a exigência ao processo. não havia um limite mínimo de valor necessário ao requerimento. II e III. especialmente as primeiras. o devedor pode obstar a sua instalação se conseguir provar uma das seguintes hipóteses.246 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A sociedade totalmente à margem do procedimento falimentar em nenhuma hipótese pode se submeter ao favor legal. relacionadas no art. . Observem que a lei também deixou de fora de sua regulamentação as sociedades de economia mista e as empresas públicas. ao menos a partir da exclusão de dispositivo da Lei no 6. desde que comprovada a inadimplência através da certidão de protesto.

equivaleria ao plano proposto pelo extinto devedor concordatário. ao se remanejar o teor do inciso I do art. por título executivo. por parte do empresário. basta que tenha havido a liquidação e partilha de seu ativo. como demonstrado há pouco. para uma das hipóteses de não-cumprimento de obrigação pecuniária. 2o do antigo decreto. contudo. o parágrafo 2o do mesmo artigo dispõe a respeito de créditos que. Entretanto. 2o do Decreto no 7. De outra forma. remissão de créditos. refere-se de forma restrita a obrigações líquidas já executadas em juízo. o qual não prevalecerá contra prova de exercício posterior do atro registrado. aparece de forma restrita no art. não legitimam o pedido de falência. Em se tratando de sociedade anônima. pois nela não se pode reclamar. 94. o falência. mas o cometimento de certos atos tidos como maléficos ou mal-intencionados. sem o consentimento de todos os credores. constava de seu art. 23. como veremos mais adiante. com objetivo de retardar pagamento ou fraudar credores. Vejamos todas elas: a) procede à liquidação antecipada de seus ativos ou lança mão de meios ruinosos ou fraudulentos para realizar pagamentos. obteve decisão favorável ao seu pleito. Aqui estamos falando do descumprimento de uma sentença judicial transitada em julgado. salvo se sobrarem bens suficientes para solver o passivo. diferente do anterior.661/45. exceto custas judiciais decorrentes de litígio com o devedor. b) realiza negócio simulado. uma justa correção foi realizada. no inciso II do art. a fim de lhes propor dilação nos pagamentos ou. houve a inserção de uma. mesmo. O inciso II. Por último. 5o da nova lei. legislador não colocou como causa a ausência de uma prestação pecuniária como fizera nos dois primeiros incisos. como as obrigações a título gratuito. As alíneas a seguir são quase uma repetição das constantes no art. O inciso III relacionou os chamados atos de falência Percebam que. aqui. onde o credor. Em seguida. . o rol de tais créditos. mesmo líquidos. o que se fez foi retirar uma que tratava da convocação extrajudicial de credores pelo devedor. para impedir a falência. c) transfere seu estabelecimento a terceiro.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 247 Série Impetus Provas e Concursos h) cessação das atividades empresariais mais de dois anos antes do pedido de falência. não deposita ou não nomeia bens à penhora suficientes para o pagamento do débito. na vigência do decreto. comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas. não estipula um patamar mínimo de valor para a causa. quando a parte não paga. que. assim como as despesas que os credores fizerem para tomar parte na falência. o que era proibido. dizendo respeito ao não-cumprimento do plano de recuperação judicial que.

DECLARATÓRIA FALÊNCIA • SENTENÇA DECLARATÓRIA DE FALÊNCIA Completa os pressupostos a própria sentença de falência. Entrementes. contudo. a respeito de certos devedores que. Mais detalhes sobre a sentença serão estudados no item 1. que irá se manifestar através de sentença. em situações extremas. prevalece a vedação do já citado art. quando já liquidado e partilhado seu ativo. conforme citado no item anterior. A simples tentativa desta prática já tipifica o ato. 96. mesmo classificados como empresários. no prazo estabelecido. com aproveitamento subsidiário da nova lei. Sujeitos Passivos da Falência A falência é um instituto privativo de devedores empresários. salvo se sobrarem bens suficientes para saldar o resto de suas obrigações. como as instituições financeiras ou cooperativas de crédito. 2o da Nova Lei. 1. 2o. Vimos.10. não se submetem às normas da lei falimentar. e) dá ou reforça garantia real a algum credor. possuem normas específicas a serem aplicadas em momentos de crise.248 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor. o que reza o art. em momento posterior à constituição do crédito. regulado pela Lei de Falências. assim como a proibição de falência para as sociedades anônimas. Merece atenção o teor do parágrafo 1o do art. g) deixa de cumprir. no item antecedente. obrigação assumida no plano de recuperação judicial. não deixando representante capaz de saldar suas dívidas. a falência. Outras. Percebam que as entidades para as quais existem leis especiais onde há previsão para virem a falir devem se guiar pelos respectivos diplomas. a sua existência depende de provocação ao Poder Judiciário. Esta pode ser denegatória ao pedido ou declaratória. admitindo-se para elas. Nesta segunda hipótese. abandona o estabelecimento ou se oculta propositadamente. independentemente de serem registrados em Junta Comercial. a exemplo da sociedade de economia mista. f) ausenta-se.3. deste Capítulo. introduz-se o devedor em um regime jurídico específico. como acontece com as sociedades de economia mista. que prevê a falência do espólio de devedor empresário. 197 desta. Para os demais tipos de sociedade . sociedades empresárias ou apenas empresários individuais. não existindo previsão legal em lei própria. como prevê o art. É o caso dos bancos. até o prazo de um ano da morte do de cujus. Por se tratar de procedimento judicial.

requerer a falência do devedor ao juiz. quando não houve o cumprimento de qualquer obrigação considerada essencial. não é considerada uma pessoa jurídica. Na verdade. . Contudo.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 249 Série Impetus Provas e Concursos empresária. Neste caso. inciso II. compete ao administrador judicial. mesmo no prazo de dois anos após o encerramento de suas atividades. que diz respeito à rejeição. • o próprio devedor. Em outras palavras. assim como o inventariante do espólio. Não possui personalidade jurídica. não. Daí ser considerada uma universalidade de direito. assim como pela comunhão de interesses dos credores (massa falida subjetiva). devedor. de acordo com o art. conjunto de todos os bens e direitos arrecadados do falido. no caso de autofalência prevista nos arts. nos termos do art. mas incompleta. Se não residir no Brasil. persiste a visão doutrinária quanto à submissão ao procedimento falimentar. credor empresário edor. Também é possível que a falência seja proveniente da conversão de um processo de recuperação judicial. deverá apresentar certidão de inscrição na Junta Comercial. • o credor empresário ou não Sendo empresário. por parte da Assembléia Geral de Credores do plano de recuperação judicial proposto pelo devedor.5. 105 a 107. mas um conjunto de coisas destinadas a um fim por vontade legal. 4o.4. através do administrador judicial (antes denominado síndico da massa). 97: autofalência. a autoridade judiciária fará a convolação da recuperação judicial em falência. assim como se permite ser demandada judicialmente. Com relação aos impedidos para o exercício da atividade empresarial que a exercerem. • o sócio cotista ou acionista da sociedade devedora. pode haver a falência. caput. Sujeitos Ativos da Falência Podem requerer falência do devedor. nos termos do art. 1. ao mesmo tempo em que representa o interesse dos credores do falido. 53. a massa pode ingressar em juízo na defesa de seus direitos. alínea b. o credor deverá prestar caução pelas custas judiciais e indenização decorrente de dolo no requerimento. a massa deve ser entendida tanto como o complexo formado pelos bens e direitos arrecadados do falido (massa falida objetiva). quando o mesmo julgue não atender os requisitos legais para sua recuperação judicial. herdeir deiros • o cônjuge sobrevivente e os herdeiros do devedor. conforme dispuser a lei ou o ato constitutivo da sociedade devedora. 1. 22. Outra hipótese para se chegar a uma falência é a previsão contida no art. A definição não parece errada. 56. parágrafo Credores. mas tem capacidade processual. A Massa Falida Quando falamos em massa falida normalmente temos a idéia de que seja o falida. Nesta condição. no prazo máximo de um ano da morte do devedor.

As razões do veto são no sentido de evitar uma obstaculação do processo. Órgãos da Falência São órgãos da falência as instituições designadas na lei para atuarem diretamente no processo falimentar. 1. foi vetado o art. É essa pessoa que irá promover a arrecadação e avaliação de todos os bens e documentos do falido.250 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Sob a visão puramente objetiva. 183 a 188. que será subsidiária da pública. como veremos em seguida. 24. cujo parágrafo único previa a intervenção desse órgão em toda ação proposta pela massa falida ou contra ela. na forma prevista nos arts. 22. e art. Em relação ao antigo Decreto no 7. de acordo com os arts. inciso III. A sentença que decretar a falência ordenará a intimação do Ministério Público. enquanto a figura do síndico cedeu espaço para o administrador judicial. 99. buscando sempre o cumprimento de seu papel constitucional na defesa do interesse público. conforme dispõe o art. 142 a 148. b) escolha da modalidade de alienação do ativo.6. c) julgamento das contas do administrador judicial e encerramento da falência. termo de compromisso por parte do administrador judicial. caput. na forma estipulada pelos arts. que terá atuação obrigatória no processo. Os demais – o juiz e o Ministério Público – mantiveram-se como órgãos de presença obrigatória na falência. A respeito do MP. responsabilizando-se por atos de interesse da massa. Detém atribuição para oferecimento de denúncia por crime falimentar. O produto dos bens penhorados entrará para a massa. realçando que a omissão do órgão na promoção da denúncia gera direito a qualquer credor habilitado ou ao próprio administrador judicial para a iniciativa da ação penal privada. à exceção daqueles absolutamente impenhoráveis.661/45. • O JUIZ É a autoridade judiciária designada para presidir o processo. assim como a fixação de sua remuneração e de seus auxiliares. 154 a 156. fazendo parte de um inventário. tais como: a) nomeação e destituição do administrador judicial. cujo teor veremos no tópico a seguir. conforme art. cada uma dentro de suas respectivas competências. surgiram a Assembléia Geral de Credores e o Comitê Geral de Credores. . 4o do projeto. XIII. a massa se forma de um ato contínuo à assinatura do compromisso. • O MINISTÉRIO PÚBLICO Esse órgão atua no processo como fiscal da lei. parágrafo 1o.

. antes existente nas falências. 143. Na hipótese de ser substituído. parágrafo único). 7o. não pode ser superior a 5% do valor de venda dos bens. guarda.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 251 Série Impetus Provas e Concursos Outras prerrogativas possui o MP. obrigatória indicação do profissional responsável pela condução do processo. mesmo. b) dinheiro. a fim de proceder ao inventário da massa massa. Em se tratando de recuperação judicial. 24. Na falência. dolo ou descumprimento das obrigações fixadas na lei. destacando-se a possibilidade de apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores a que se refere o art. documentos e demais bens da massa. que se encontram no art. d) bens de terceiros em poder do falido. hipótese em que não terá direito à remuneração. 110. na disposição do art. Depois de nomeado. Sua remuneração é fixada pelo juiz. Essas últimas disposições. a remuneração do administrador judicial tem como limite máximo o percentual de 5% dos créditos submetidos ao processo. o No inventário constarão (art. preferencialmente advogado. c) bens da massa em poder de terceiros. salvo se renunciar sem relevante razão ou for destituído de suas funções por desídia. papéis. administrador de empresas ou contador. culpa. penhor ou retenção. documentos e bens do falido (incluem-se os particulares do empresário individual ou. Em se tratando de pessoa jurídica. sob a imediata direção e superintendência do juiz. de acordo com a capacidade da massa. o administrador judicial será pago proporcionalmente ao trabalho realizado. que não poderá ser substituído sem autorização do juiz (art. economista. ao devedor ou aos credores. parágrafo 2 ): a) livros obrigatórios e auxiliares do falido. no prazo de quarenta e oito horas. quando provocados por dolo ou culpa (art. sócio de responsabilidade solidária e ilimitada). 32). assinar termo de compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo. valem tanto para a falência como para a recuperação judicial. parágrafos 3o e 4o. Também não terá direito à remuneração o administrador que tiver suas contas desaprovadas. ou contra o processo de alienação de ativo da massa. o administrador será intimado para. Pode ser pessoa física ou jurídica. providenciará a arrecadação dos livros. será escolhido alguém idôneo. parágrafo 2o. No primeiro caso. O administrador veio a substituir a figura do síndico. Em seguida. 21. A função de administrador é indelegável e ele responde por prejuízos que causar à massa. a título de depósito. • O ADMINISTRADOR JUDICIAL A este compete a administração da falência. por tratarem de matéria comum aos institutos.

onde constarão os atos necessários à administração da massa. c) adoção de outras modalidades de realização do ativo. • ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES Trata-se de órgão criado pela nova lei. 142. com privilégio geral e subordinados. d) qualquer outra matéria que possa afetar os interesses dos credores. com escolha e substituição de seus membros.252 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Dispõem os arts. . além daquelas previstas no art. depois de ouvidos o Comitê e o devedor (art. titular dos créditos fiscais. o administrador judicial transigir sobre obrigações e direitos da massa falida. 22. com privilégio especial. quirografários. 35. 22. seja para os próprios credores ou. A lei contém ainda extensa relação de deveres e atribuições do administrador. contudo. e alíneas. salvo com autorização judicial. cuja regulamentação de constituição e funcionamento vem expressa em seus arts. enumerados no art. após a avaliação. a que se refere o art. assim como possíveis ações judiciais de interesse da massa e atos suscetíveis de revogação. parágrafo 3o). 83. Merece destaque a letra e do mesmo dispositivo legal. até para terceiros. II). valores do passivo e ativo. Não pode. ou conceder abatimento de dívidas. b) constituição do Comitê de Credores. III. III. dos titulares de crédito com garantia real. 35 a 46. tudo objetivando o melhor resultado para a massa. responsável por tomar decisões que influenciam diretamente o resultado da falência. Compõe-se dos titulares de créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. 111 e 113 que o juiz poderá autorizar a alienação antecipada de bens. ainda que de difícil recebimento. a lei reservou um artigo para elencar as principais atribuições da AGC (art. assim como os credores por multas contratuais e penas pecuniárias decorrentes de infração às leis penais ou administrativas. No entanto. A assembléia é órgão deliberativo de decisão colegiada. a exemplo da aprovação de outra modalidade para alienação do ativo. Ficam de fora apenas a Fazenda Pública. que enfoca a obrigatoriedade da entrega de um relatório em juízo. senão vejamos: a) vetado. em se tratando de bens perecíveis. VII.

possuindo atribuições eminentemente fiscalizadoras das atividades do administrador judicial e do devedor. 3o). parágrafo 1o). falimentar As causas trabalhistas. ou até ao juiz. certas questões não são abrangidas pela aptidão atrativa do juízo falimentar. 28). caput. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. o juiz da jurisdição de sua filial no país (art. todos nomeados pelo juiz. Não poderá integrar o comitê a pessoa que. . sendo três efetivos e seis suplentes. parágrafo 3o. ou deles for amigo. Entretanto. a dos quirografários e com privilégios gerais. seja em processo de falência ou de recuperação judicial. mesmo. Na possibilidade de não existir comitê.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 253 Série Impetus Provas e Concursos • O COMITÊ GERAL DE CREDORES Órgão de existência facultativa. tenha sido destituída do cargo de administrador judicial ou de membro de comitê. mas indicados pelas classes dos credores. Seu papel principal é zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei. por exemplo. Também são impedidos de participar os que tiverem relação de parentesco ou de afinidade até o terceiro grau com o devedor. suas atribuições passam ao administrador judicial. relativas ao falido. O Juízo da Falência É competente para decretar a falência o juiz do local onde se situa o principal estabelecimento do devedor (entenda-se aquele que concentre o maior volume de negócios da empresa) ou. um representará a classe dos credores trabalhistas. 26. a dos credores com direitos reais ou com privilégios especiais. 1. tanto na falência como na recuperação judicial. e o último. comunicando ao juiz qualquer violação dos direitos ou ocorrência de prejuízo aos credores (art. A falta de indicação de algum não prejudica a constituição do comitê (art. Compõe-se de até nove membros. seus administradores. controladores ou representantes legais. são submetidas a uma Justiça especializada em dirimir conflitos naquela área. inciso I). nos últimos cinco anos. ou.7. universal da falência competente para conhecer e decidir sobre todas as questões de caráter econômico. Dos efetivos. 30. deixou de prestar contas no prazo legal ou teve a prestação rejeitada. A esse conceito confere-se o nome de juízo falência. em caso de incompatibilidade daquele (art. reunidas em assembléia geral. 26. inimigo ou dependente (art. ficam suspensas todas as ações individuais propostas contra o devedor. Instalada a falência. em se tratando de organização localizada fora do Brasil. outro. e parágrafo 1o).

caput). paga-se ao proponente da ação. são exceções ao juízo universal da falência os itens seguintes. FALIMENT ALIMENTAR. Percebam que o fato de um crédito ser exceção ao juízo falimentar não significa que o mesmo não seja classificado e incluído no quadro geral de credores. o que se tem é um processo correndo regularmente em outro juízo. e outro. Com a nova lei. Como exemplo. CUJA HASTA PÚBLICA JÁ TENHA SIDO DESIGNADA. 76. deixa de haver a distinção. enquanto que. PAR ARTICULAR HASTA • AÇÃO PARTICULAR EM ANDAMENTO. LITISCONSORTE ATIVO (art. pois. na hipótese de o leilão haver sido concluído. FALIDO • AÇÕES NÃO-REGULADAS PELA LEI FALIMENTAR. Contudo. que deverá ser concluído e o produto revertido em benefício da massa. cujo resultado irá interferir na massa. Porém. sobrepõe-se a exceção. a ação de indenização de autoria da empresa falida proposta na vara especializada teria seqüência normalmente. No primeiro caso. não faz sentido recomeçar o mesmo procedimento outra vez. se o leilão já tiver sido realizado quando da sentença de falência. o produto da venda será destinado ao autor da ação. como as ações cujo leilão público já está para ser realizado.661/45. 76. Assim. revertendo-se o que sobrar para a massa falida. em ambos os casos. devendo correr normalmente na vara de Justiça específica. • EXECUÇÕES TRIBUTÁRIAS (art. Não faria sentido suspender todo o processo. caput). na vigência do antigo Decreto no 7. • RECLAMAÇÕES TRABALHISTAS (art. caput). imaginemos a ocorrência de um acidente de trânsito envolvendo veículo da sociedade falida. São os casos em que o credor já tenha conseguido a definição do leilão de bens do devedor que vier a falir. caput). Basta a determinação de que o dinheiro arrecadado com a venda seja revertido em favor da massa. caput). EM QUE O FALIDO SEJA AUTOR OU LITISCONSORTE ATIVO (art. e é lá onde deverão ser resolvidas tais questões. Existe uma Justiça especializada para dirimir conflitos dessa espécie. havia uma distinção entre a ação proposta pelo falido ou pela massa falida. cairia na regra da exceção. caput). 76. TRABALHISTAS (art. passando a sobra para a massa.254 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em outras. Sendo culpado este último. pertencente a um particular. Convém realçar que. . prevalecia a atração do juízo falimentar. Tanto a nova lei como o Código Tributário Nacional prevêem que as demandas envolvendo tributos não se submetem à habilitação no processo falimentar. se a autoria fosse da massa.

dolo. créditos que não se vinculam ao requisito da habilitação. terá um prazo de quarenta e cinco dias para publicação de outro edital. A habilitação de um crédito na falência é ato que dá conhecimento à dívida. assume o risco pelo prejuízo que possa advir de sua omissão. juntamente com a relação de credores fornecida pelo falido. Verificação e Classificação dos Créditos A partir da publicação da sentença declaratória de falência. 7o. no prazo de dez dias da publicação. Outros. já houver sido homologado o quadro geral de credores contendo o respectivo crédito retardatário (art. Na falência. fraude ou erro essencial. a ordem a ser obedecida para eles.8. 19). Há. até o encerramento da falência. apresentar ao juiz impugnação contra ausência de algum crédito ou. documentos ignorados na época da feitura do quadro geral de credores (art. o Comitê de Credores. contudo.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 255 Série Impetus Provas e Concursos 1. simulação. inclusive. quando descoberta falsidade. ou. Caso o titular do direito creditício não se manifeste em tempo. importância ou classificação daqueles. com base nos livros e documentos arrecadados e na relação de credores fornecida pelo falido. têm os credores um prazo de quinze dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou divergências quanto aos créditos relacionados (art.14). 84 dispôs. mesmo. com precedência sobre todos os demais. senão vejamos: . 10). reclassificação ou retificação de qualquer crédito. para se tornarem aptos na relação de credores. sendo considerada a habilitação retardatária. Entretanto. Não havendo impugnação. O art. basta a notícia de existência em momento anterior à liquidação. como quadro geral de credores (art. significando afirmar que não concorrem com nenhum outro. à época da reunião. salvo se. parágrafo 1o). Também os titulares por esses créditos perdem o direito de voto na Assembléia Geral de Credores. Para estes. os créditos retardatários não podem participar de rateio eventualmente realizado e ficam sujeitos ao pagamento de custas. O administrador judicial somente pode incluir no quadro de credores aqueles dos quais tenha ciência. O administrador judicial. e mais nas provas colhidas junto aos credores. a lei classificou-os como créditos extraconcursais por serem pagos extraconcursais. contra a legitimidade. o administrador judicial. qualquer credor ou o representante do Ministério Público pode pleitear ao juiz exclusão. tais como os decorrentes de dívida tributária e trabalhista. quando será dada oportunidade tanto aos credores como ao devedor ou ao Ministério Público para. igualmente demonstrando a relação de credores. o juiz homologará a relação dos credores efetuada pelo administrador judicial. mesmo.

nos termos do art. a Lei no 11.101/2005 veio a alterar antiga disposição. respeitada a ordem estabelecida no art. e) obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial. provocados justamente pela maior garantia concedida aos agentes financeiros. 83. enquanto que seus defensores avaliam uma perspectiva positiva para o futuro da economia no país. diferente dos créditos fiscais ou trabalhistas. Observem que. vejamos. que concorrem com os restantes na ordem de classificação estipulada pelo art. Isso é lógico. Portanto. b) quantias fornecidas à massa pelos credores. . embora dispensando a habilitação. c) despesas com arrecadação. Quanto à ordem de prioridade no pagamento dos créditos. realização do ativo e distribuição de seu produto. 84. posicionando os créditos com garantia real de forma prioritária sobre os créditos fiscais. Inédita também é a limitação imposta aos créditos oriundos da relação de trabalho. e créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência. 83. pois devem ser quitados antes de todos os outros. pois esses são credores da massa. d) custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida. Na visão dos críticos da nova lei. A seguir. Outra inovação foi a inserção na relação das penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas. na íntegra. os extraconcursais não entram nessa competição. 67. 83. a ordem disposta pelo legislador no art. ainda que outra lei civil enquadre-os em qualquer categoria de créditos prevista no art. indispensáveis ao prosseguimento do processo. nessa qualidade.256 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares. não-originários do falido e. quando poderemos ver reduzidos os spreads bancários (diferença entre o custo de captação de recursos pelos bancos e os juros cobrados do cliente). administração. e tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência. quando a parcela que transpuser a quantia de cento e cinqüenta salários mínimos se equiparará aos quirografários. a disposição decorreu de pressão dos banqueiros detentores de créditos geralmente garantidos por hipoteca ou penhor. ou após a decretação da falência. prevalece o disposto no art. bem como custas do processo de falência. 83. que antes não podiam ser exigidas no processo.

independentemente da sua natureza e tempo de constituição. • CRÉDITOS COM GARANTIA REAL. a exemplo do credor de custas e despesas judiciais com a coisa arrecadada sobre o mesmo bem. 965 do Código Civil de 2002. • CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. A lei assim os especificou: a) aqueles não-previstos nos demais incisos deste artigo. 83. • CRÉDITOS QUIROGRAFÁRIOS. quais sejam: a) os relacionados no art. que abrangem todos os outros bens não-sujeitos a crédito com garantia real ou privilégio especial. . conforme prevê o art. c) aqueles a cujos titulares a lei confira o direito de retenção sobre a coisa dada em garantia. por expressa disposição de lei. conforme dispõe o art. em caso de decretação de falência. a saber: a) os previstos no art. • CRÉDITOS COM PRIVILÉGIO GERAL. 151. ou ainda. até o limite de cinco salários mínimos por trabalhador. b) os credores quirografários do processo de recuperação judicial que continuarem a fornecer bens ou serviços após o pedido de recuperação terão privilégio geral. Dentro dessa classe. que compreendem os bens sujeitos. a diferença será classificada como crédito quirografário.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 257 Série Impetus Provas e Concursos • CAUSAS TRABALHISTAS. b) os assim definidos em outras leis civis e comerciais. • CRÉDITOS COM PRIVILÉGIO ESPECIAL. a exemplo do crédito decorrente do funeral do devedor. concernentes aos seus últimos seis meses de vida. o credor por sementes. 964 do Código Civil de 2002. até o limite de cento e cinqüenta salários mínimos por credor. instrumentos e serviços à colheita sobre os frutos agrícolas. Na hipótese de o produto da alienação do bem gravado ser inferior ao crédito. ou os salários dos empregados do serviço doméstico do devedor. até o limite do bem gravado. excetuadas as multas tributárias. e INDENIZAÇÕES POR ACIDENTE DE TRABALHO. ou do credor de aluguéis sobre as alfaias e utensílios de uso doméstico. vencidos nos três meses anteriores à decretação de falência. ao pagamento do crédito que ele favorece. De outra forma. parágrafo 4o. créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados quirografários. têm prioridade os créditos por salários atrasados. salvo disposição contrária desta lei. c) os assim definidos em outras leis civis e comerciais. salvo disposição contrária desta lei. que não gozam da garantia atribuída aos demais.

Para facilitar o entendimento da matéria. aos seus bens. pode ser que seja interessante a conclusão. 1. pelo menos. 58. ela deve parar sua linha de produção. • CRÉDITOS SUBORDINADOS. seu efeito imediato é a dissolução da sociedade falida. • MULTAS CONTRATUAIS E AS PENAS PECUNIÁRIAS POR INFRAÇÃO DAS LEIS PENAIS OU ADMINISTRATIVAS. que poderá se fundamentar no parágrafo único do art.1. É nesse diploma que se encontram dispostas todas as questões relativas ao falido. para fins de recebimento do valor acordado. comprometer a entrega de produtos já comercializados. sejam em relação às dívidas com os credores. além de fiscalizar a administração da falência. que permite a ele.258 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel b) os saldos dos créditos não-cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento. da Lei Federal no 6. de acordo com cada um dos temas a seguir enunciados. Por dissolução entenda-se o fim das atividades econômicas da dissolução. que excederem o limite de cento e cinqüenta salários mínimos. inclusive. contratos ou à atuação profissional. 103. deixando de aceitar pedidos e podendo. 1. a partir da decretação da quebra. c) os saldos dos créditos derivados da legislação do trabalho. previstas no art. Em nosso exemplo. se estamos tratando da falência de uma indústria de veículos. a saber: a) os assim previstos em lei ou em contratos. parágrafo 4o. as penas pecuniárias não podiam ser exigidas na falência. na antiga legislação. b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício. Efeitos Jurídicos da Falência A sentença declaratória de falência introduz o sujeito passivo em um sistema jurídico delimitado pela Lei de Falências. sob o fundamento de que a paralisação diminuiria ainda mais as chances de os credores receberem seus créditos.9. lembrando que. INCLUSIVE MULTAS TRIBUTÁRIAS.9. dos veículos que já se encontrem em processo inicial de montagem. pode o representante legal da sociedade falida requerer ao juiz a continuidade temporária do negócio. No entanto. empresa. devemos estudar os efeitos da falência separadamente. Notem que a iniciativa do pedido não é dos credores. requerer as providências . Por exemplo. a exemplo das debêntures subordinadas. Quanto ao Negócio do Falido Quando instalado o processo falimentar.404/76. mas do representante da sociedade falida.

que estipula uma ordem de preferência na realização do ativo. 1. com a venda de seus estabelecimentos em bloco.2. Basta ver o teor do art. que trata da continuidade provisória das atividades do falido. 140. já que ela não deve obstar a liquidação da sociedade. Igualmente serve à fundamentação do requerimento o art. em razão da conveniência ou oportunidade: a) alienação da empresa. Justifica-se tal medida numa maior celeridade requerida nesses casos. com a venda de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente. Entrementes.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 259 Série Impetus Provas e Concursos necessárias para a conservação de seus direitos ou dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada. é a fase onde a massa ativa objetiva é alienada para satisfação dos credores. . 103. Se concedida. a lei prescreve a indisponibilidade dos bens do falido como conseqüência imediata à sentença. representada pela venda do ativo para satisfação do passivo. 140. Esta perda só se dá quando for procedida à liquidação judicial que. 99. que possibilita a venda dos bens da massa antes mesmo da formação do quadro geral de credores. é importante assinalar que a continuidade dos negócios não pode ser por prazo indefinido. Logo. caput). o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor” (art. mediante pagamento de remuneração. na apreciação da matéria. requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cabíveis. não prejudicando as atribuições do administrador. mas o dos próprios credores. conforme já vimos. assim como da coletividade. c) alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do devedor.9. Entretanto. Esse efeito não é o mesmo que perder a propriedade sobre os bens. a autoridade judiciária leva em conta não o interesse do requerente. A nova lei trouxe novidades a respeito da alienação do ativo do falido. sobretudo quando a operação acarretar ganho comparativo à massa. com a possibilidade de ser adotada mais de uma forma. XI. b) alienação da empresa. d) alienação dos bens individualmente considerados. Quanto aos Bens do Falido “Desde a declaração da falência ou do seqüestro. o juiz nomeia pessoa idônea indicada pelo administrador judicial para condução dos negócios. caput. Também se percebe uma clara intenção do legislador em preservar o ativo produtivo da massa. Uma delas foi o permissivo contido no parágrafo 2o do art.

Para estimular ainda mais operações como essa. serão admitidos mediante novos contratos de trabalho e o comprador não responderá por obrigações decorrentes do contrato anterior. contudo. a sociedade pode ser anônima. São elas: a) leilão. Em qualquer modalidade de alienação. o inciso II do art. consangüíneo ou afim. sob pena de nulidade (art. dentre as quais compete ao juiz. Com relação aos empregados do devedor que forem contratados pelo arrematante.260 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Portanto. empresário individual ou sociedade empresária. o Ministério Público será intimado pessoalmente. voltando ao início do tópico. do falido ou do sócio da sociedade falida. A liberalidade retratada não se aplica. a escolha de uma. 141 previu que o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. Essa nova ordem tende a gerar excelentes oportunidades de negócios aos que pretenderem adquirir ativos de empresas falidas. com o objetivo de fraudar a sucessão. b) propostas fechadas. quais bens seriam afetados pela medida? Os bens pertencentes aos sócios de uma sociedade falida sofrem o mesmo efeito? E aqueles bens particulares do empresário falido? Para o bom entendimento da matéria. É que podemos estar falando de um falido. ou c) identificado como agente do falido. quando o arrematante for: a) sócio da sociedade falida. inclusive as de natureza tributária. sem o risco de estarem contraindo obrigações inviáveis ao projeto. é preciso delimitar a incidência da norma de acordo com a qualidade do sujeito passivo. Três modalidades para alienação do ativo foram previstas. pois a alienação em bloco do estabelecimento permite ao comprador continuar o processo produtivo antes desenvolvido pelo falido. Tais encargos permanecem compondo as obrigações da massa. . por lances orais. inicialmente. Neste último caso. na parte referente à indisponibilidade dos bens do devedor como efeito imediato da falência. o que a lei sugere é que se deve evitar ao máximo uma pulverização dos bens componentes da massa. c) pregão. ou sociedade controlada pelo falido. limitada ou até uma sociedade de responsabilidade ilimitada dos sócios. b) parente. geralmente por bom preço. conforme previu o parágrafo 2o do mesmo artigo. até o quarto grau. a fim de torná-los novamente produtivos. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidente de trabalho. parágrafo 7o). 142. ouvido o administrador judicial e atendendo à orientação do Comitê de Credores. Mas. em linha reta ou colateral.

a falência de tais sócios. o parágrafo 1o estipula a extensão do efeito aos sócios que tenham se retirado voluntariamente ou que tenham sido excluídos da sociedade há menos de dois anos. assim como os dotais e os particulares da mulher e dos devedor. sujeitando-os aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida. o art. 81. no caso de não terem sido solvidas até a data da decretação da falência. quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato. simples a indisponibilidade alcança apenas os bens dos sócios comanditados. a disponibilidade sobre todo o seu patrimônio. em quantidade compatível com o dano provocado.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 261 Série Impetus Provas e Concursos • • • Portanto. O empresário individual perde. a depender da qualificação do falido. sejam os destinados ao exercício do negócio. ordenar a indisponibilidade de bens particulares dos réus. Se a falida for uma sociedade em comandita simples. de ofício ou a requerimento das partes. lembrando a solidariedade presente quando se tratar de sociedade limitada. que prevê. Em seguida. Nestes casos. Além da obrigação pela parcela nãorealizada do capital social. ou não. Julgada procedente a ação. até o julgamento da ação de responsabilização. filhos do devedor LIMITADA SOCIEDADE ANÔNIMA OU LIMITADA – apenas os bens sociais é que serão objeto da arrecadação judicial. Nesta hipótese. além dos da sociedade. caput. pode o juiz. poderá haver a penhora de tantos bens particulares quantos bastem à integralização do capital social. que passará a compor a massa falida. aplica-se a regra do art. concomitantemente com a da pessoa jurídica. temos a seguinte regra: EMPRESÁRIO INDIVIDUAL – arrecadam-se todos os bens. Sendo uma comandita por ações o efeito recai ações. por conseguinte. mesmo na hipótese de o capital social não se encontrar totalmente integralizado. preservando-se o patrimônio particular dos sócios. controladores e dos administradores da sociedade falida. 82 reforçou a aptidão atrativa do juízo falimentar para apurar a responsabilidade pessoal dos sócios de responsabilidade limitada. Excetuam-se apenas os bens absolutamente impenhoráveis (são tratados no Direito Civil). . claro. Para essas sociedades possuidoras de sócios com responsabilidade ilimitada. além da indisponibilidade dos bens daqueles sócios. DEMAIS TIPOS SOCIETÁRIOS – a falência de uma sociedade em nome coletivo provoca a indisponibilidade tanto dos bens sociais como dos sócios (menos aqueles indisponíveis). o sócio remisso ficará passível de uma ação de integralização pela sua participação no capital ainda não satisfeita. sobre os sócios-gerentes.

fica o bem indisponível. 1. e deverá ser interposto perante o juiz da falência. assim como o vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis (art. Portanto. fiscais e aquelas não reguladas nesta lei em que o falido figurar como autor ou litisconsorte ativo (art. o procedimento aplicável é o mesmo tratado no parágrafo antecedente. aqui. que ordenará intimação ao falido. aberto o processo de falência. art. no prazo sucessivo de cinco dias. Para tanto. O instrumento hábil é o Pedido de Restituição a que se refere o Restituição. 6o). manifestem-se. se ainda não alienada. interesses e negócios do falido. pode ser pleiteada pelo seu legítimo proprietário. A decretação da falência também provoca a suspensão do curso da prescrição e de todas as ações e execuções em face do devedor (art. Também pode ser pedida a restituição de coisa vendida a crédito ao falido e entregue a este nos quinze dias anteriores ao requerimento de sua falência. o legislador está resguardando o direito daquele empresário de boa-fé que fez negócio com o falido quando este já se encontrava em situação de crise. 76). a coisa deverá ser restituída em quarenta e oito horas. não a propriedade. ressalvadas as causas trabalhistas.9. Significa afirmar que é para lá que os interessados em receber seus créditos devem se dirigir.262 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Complementando o tópico. Enquanto isso. vale esclarecer que coisa arrecadada da qual o falido detenha sua posse. 85. 77). Para melhor explicá-los. todas as pessoas que tiverem créditos a receber do sujeito passivo falido devem se dirigir a um só juízo. habilitando-os no prazo previsto no parágrafo 1o do art. 7o (quinze dias). vejamos o seguinte destaque. a fim de formarem a massa falida subjetiva com direitos paritários de acordo subjetiva. apto para decidir as questões relativas à massa. • JUÍZO UNIVERSAL O juiz do local em que se situa o estabelecimento de maior volume de negócios do falido atrai todas as questões econômicas que digam respeito à pessoa e aos bens do falido. Da leitura dos dois parágrafos acima. tendo entregue um bem sem haver ainda a contrapartida da obrigação. podemos visualizar três efeitos imediatos sobre os direitos dos credores advindos da sentença declaratória de falência. Percebam que. Julgado procedente o pedido. ao Comitê de Credores e ao administrador judicial para que.3. . Quanto aos Direitos dos Credores O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens.

há credores que não se submetem à habilitação. ANTECIPADO • VENCIMENTO ANTECIPADO DA DÍVIDA Esta conseqüência visa à equalização dos créditos. antes de decretada a quebra. e ainda sobrando ativo. b) credores trabalhistas. como prescreve o art.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 263 Série Impetus Provas e Concursos com a classificação de seus créditos. para decidir as questões que digam respeito à massa. a antecipação para a época da sentença importa em calcular juros por dívidas já vencidas até aquela data. Quanto aos Contratos do Falido A sentença de falência introduz o falido e seus negócios em um sistema jurídico regulado pela Lei de Falências. 124). evidentemente. para só depois de concluídas atingirem a massa. se. Na verdade. algum credor já houvesse ajuizado ação tendente a ver satisfeito direito seu. São eles: a) credores fiscais. é que incidiriam juros até o pagamento. Não quer dizer que o credor vá receber seu direito naquela data.9. respeitando-se de novo a ordem de classificação dos créditos (art. por serem exceção à aptidão atrativa do juízo falimentar. Por essa razão. necessariamente haveria a suspensão do processo. se este comportar todo o passivo. pois ele só será pago após a liquidação do ativo. o juízo universal é quem passa a ser competente . na medida em que define a data da sentença como parâmetro tanto para o cálculo dos juros devidos como para a conversão dos créditos em moeda estrangeira para a moeda brasileira. 77. com a suspensão do prazo prescricional. O parágrafo único do art. d) credores por dívidas em cuja ação já tenha sido realizada a hasta pública. .4. FALIDO • SUSPENSÃO DAS AÇÕES INDIVIDUAIS CONTRA O FALIDO Com a decretação da falência. admitindo-se as mesmas exceções já comentadas em tópico anterior. Apenas na hipótese de serem satisfeitos todos os credores (dívida mais correção monetária). c) ações não-reguladas pela LF em que o falido seja autor ou litisconsorte . ativo. 124 excetua dessa regra os juros das debêntures e dos créditos com garantia real. 1. tomando-se sempre a data da sentença como base. ao mesmo tempo em que devem ser deflacionadas aquelas ainda não-vencidas. desde que os encargos não ultrapassem o produto dos bens que constituem a garantia. As questões que envolvam essas matérias terão seqüência normal nos respectivos juízos. No entanto.

para que declare. 117. Os parágrafos 1o e 2o do mesmo art. mediante autorização do Comitê. Vejamos algumas. podendo o administrador judicial. pois os contratos nascem para ser cumpridos nas condições em que foram constituídos). determinado contrato de compra e venda. por exemplo. já no art. é bom que se diga. a regra é similar.264 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Uma conseqüência desse poder constitutivo da sentença é a possibilidade de se modificarem os vínculos constituídos sob a tutela de outros regimes de Direito. até noventa dias da assinatura termo de sua nomeação. o silêncio do administrador confere à parte direito à indenização. No entanto. relativamente aos contratos bilaterais. como o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil. não é novidade. contrato bilateral envolvendo pessoa futuramente sujeito passivo de uma falência deve ser cumprido na forma como foi pactuado. dentro de dez dias. O que mudou foi o prazo de manifestação do administrador judicial. deverá ter suas cláusulas respeitadas pelas partes. cujo valor constituirá crédito quirografário. se julgar interessante para a massa. Em suma. desta vez de acordo com o que dispuser a lei falimentar. 118). A declaração negativa ou. ensina que eles não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos normalmente pelo administrador judicial. se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos. quando pactuadas livremente entre elas. mesmo. Para os contratos unilaterais. em processo ordinário. a ser apurada em processo ordinário. 119. celebrado entre duas sociedades. Assim. indenização pecuniária. desde que em consonância com os ditames legais. pois já constava do antigo decreto. mediante autorização do Comitê. Tem o administrador judicial a faculdade de rescindi-lo. Entretanto. realizar o pagamento da prestação pela qual está obrigado. . Seguindo o texto da lei. Essa disposição. cabendo ao contraente pleitear. a exemplo da locação empresarial ou de contas correntes. vindo uma delas a falir. novo disciplinamento legal tem início. 117 dispõem que o contratante pode interpelar o administrador judicial. se cumpre ou não o contrato. o administrador judicial tem a faculdade de não mais querer dar prosseguimento ao vínculo já constituído (isso não seria possível numa situação normal. há uma série de disposições específicas a respeito de algumas peculiaridades envolvendo tanto os contratos de compra e venda como outros. a ser classificada como crédito quirografário. quando isso contribuir para reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa (art. A regra geral disposta no art. que passou de cinco para dez dias.

tomando-se conhecimento da falência. III). não havendo ainda a revenda por parte do comprador. cuja importância constituirá crédito quirografário (art. combinado com o art. II. COM RESER VA DE DOMÍNIO DO VENDEDOR Se o administrador resolver não continuar a execução do contrato. 119 estipula que aquele que vender produtos a outrem. o crédito relativo aos valores já pagos pelo comprador ou pelo tomador do serviço sujeitar-se-á à habilitação. não sem antes ouvir o Comitê de Credores. prevista no art. • COISA COMPRADA PELO FALIDO. MAS EM TRÂNSITO O inciso I do art. requerendo perdas e danos. • COISA COMPRADA PELO FALIDO. na hipótese de o administrador judicial decidir cancelar contrato no qual aparece o devedor falido como vendedor. FALIDO. parágrafo 2o). Pois bem. mas ainda em trânsito. sem fraude. A diferença é que a coisa já fora entregue ao falido. 119. não tendo sido ainda realizada a alienação judicial do bem. faculta-se ao comprador devolver a parte recebida. Não o fazendo. se o comprador. é possível barrar a entrega. já tendo procedido à entrega parcial dos produtos alienados. antes que aconteça a venda judicial do bem. conforme estipulação contratual (art. DESPACHADA. esta tem a ver com a realização do ativo processada judicialmente no curso da falência. 117. antes do requerimento da falência. FALIDO • COISA MÓVEL VENDIDA PELO FALIDO A PRAZO Não tendo o devedor entregue coisa móvel ou prestado serviço que vendera ou contratara a prestações. enquanto aquela se refere a uma operação comum entre vendedor e comprador. e resolvendo o administrador judicial não executar o contrato. pois. Subentende-se que. JÁ DESPACHADA. 119. Pois bem. parágrafo único. via pedido de restituição. cabe restituição ao vendedor. não pode obstar a entrega das coisas já saídas do estabelecimento. 119. Percebam que a venda aqui referida não é da mesma natureza da tratada na hipótese antecedente. as tiver revendido. COMPOSTAS FALIDO • COISAS COMPOSTAS VENDIDAS PELO FALIDO Coisas compostas são aquelas cuja utilidade desejada depende do todo. exigindo a devolução dos valores pagos. FALIDO. a devolução da coisa. deve restituir o bem ao vendedor. nos quinze dias que antecederam o requerimento da falência. ENTREGUE QUINZE DIAS ANTES DO PEDIDO Essa hipótese. posteriormente declarado falido. compete ao vendedor reivindicar. 85. RESERV • COISA MÓVEL COMPRADA PELO F ALIDO. é similar à anterior. . na classe própria (art.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 265 Série Impetus Provas e Concursos FALIDO. IV). previsto no art. 85.

ANTES DA FALÊNCIA. faculta-se ao administrador judicial. vindo a falir o locatário. Na hipótese de o falido haver recebido mandato ou comissão antes da falência. CONTRATOS ENVOLVENDO FALIDO • CONTRATOS DE LOCAÇÃO ENVOLVENDO FALIDO Sendo a falência do locador. avaliando sua situação de iminente liquidação judicial. 121). uma vez cometidos não devem produzir qualquer efeito sobre a massa. porque poderia o devedor mal-intencionado. começar a celebrar alguns negócios com intuito de salvaguardar interesse seu. a qualquer tempo. Tanto na lei como no antigo decreto. facultada a estes a compra da quota-parte do falido. 129 da nova lei). PARA • MANDATO CONFERIDO PELO DEVEDOR. Quanto à Ineficácia e Revogação de Certos Atos Assim como fizera no antigo decreto. nos termos da melhor proposta obtida (art. De outra forma. Significa afirmar que tais atos. o legislador considerou importante proteger os credores de boa-fé contra atos praticados pelo devedor. CONTRATO CONTA • CONTRATO DE CONTA CORRENTE COM O DEVEDOR É encerrado no momento da decretação da falência. PAR ARTICIPE FALIDO • CONDOMÍNIO INDIVISÍVEL DO QUAL PARTICIPE O FALIDO O bem deverá ser vendido. independentemente de haver intenção do devedor de fraudar credores (art. VII). 120). a seguir demonstrados. Sim. verificando-se o respectivo saldo (art. parágrafo 2o). a quebra provocará a cessão. faculta-se ao administrador judicial a revogação. cabendo ao mandatário prestar contas de sua gestão. pois relacionou atos considerados ineficazes para a massa. ficando passíveis de ser declarados . PARA REALIZAÇÃO DE NEGÓCIOS A quebra provoca a cessação de seus efeitos. mantêm-se os termos do contrato. 123. e do produto da venda deve ser deduzido o que for devido aos demais condôminos. 119. 1. em detrimento do seu ativo. denunciar o contrato (art. Em se tratando de mandato para representação judicial do devedor.5. antes mesmo da decretação da falência. o que evidentemente reduziria as chances de satisfação dos créditos. MANDATO FALÊNCIA. 119 remete o tema à legislação específica. salvo dos que versem sobre matéria estranha à atividade empresarial (art.266 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS O inciso VI do mesmo art.9. o legislador foi mais além.

000.10 deste Capítulo). ofertando ao credor um veículo no valor de R$ 40. determinando o retorno à situação jurídica anterior. Na omissão da autoridade judiciária. o juiz pode considerar a transação ineficaz perante a massa. • ALIENAÇÃO OU TRANSFERÊNCIA DO ESTABELECIMENTO – quando realizada sem o consentimento ou pagamento de todos os credores.00. Desta forma. no Cartório de Imóveis. no prazo de trinta dias da notificação. no valor de R$ 20. extrapolam o termo legal de falência. mas a eficácia deles perante a massa. salvo se restarem bens suficientes para solver o seu passivo ou se. Percebam que não se trata de questionar a nulidade dos atos.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 267 Série Impetus Provas e Concursos ineficazes. tenha ou não o contratante conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor. de ofício. pelo juiz. o futuro empresário falido resolveu pagar dívida sua. que será melhor estudado no item 1. durante o termo legal de falência (período suspeito de até noventa dias anteriores à falência. no curso do processo. para dívidas contraídas anteriormente. talvez porque. exceto quando tenha havido prenotação anterior. são ineficazes perante a massa. o ato é plenamente válido. a massa dispunha de ativo suficiente para saldar todos os créditos. seja ou não a intenção deste fraudar credores: • PAGAMENTO DE DÍVIDAS NÃO-VENCIDAS – quando realizado pelo falido dentro do termo legal da falência. • PRÁTICA DE ATOS A TÍTULO GRATUITO – desde dois anos antes da declaração de falência. chegando a dois anos anteriores à sentença. • PAGAMENTO DE DÍVIDAS VENCIDAS – quando realizado dentro do termo legal da falência. que podem se revestir de todos os requisitos legais. ou através de ação própria.00. vejamos o seguinte exemplo: se. . a ineficácia pode ser alegada na defesa. se entender que nenhum prejuízo trouxe à comunidade de credores. • TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE DE IMÓVEL – desde a declaração de falência. desde que efetivada por outra forma distinta da prevista no contrato (é o caso do exemplo acima citado). como veremos à frente. não houver oposição dos credores. inclusive. ou até incidentalmente.000. • CONSTITUIÇÃO DE DIREITO REAL DE GARANTIA – quando procedido dentro do termo legal de falência. para surpresa do devedor. Para facilitar o entendimento. Alguns. • RENÚNCIA À HERANÇA OU AO LEGADO – desde dois anos antes da falência. não podendo o falido voltar atrás. Porém. alegando a nulidade do negócio.

O agravo. revogar se relaciona à anulação ou invalidação do ato. convém explorar um pouco mais a distinção entre o sentido jurídico dos termos r evocar e revogar. nos termos do art. por qualquer credor ou pelo Ministério Público. desde que praticados com a intenção de fraudar credores. O instrumento hábil para revogação de tais atos é a ação revocatória. movida pelo administrador judicial. neste caso do art. perante o juiz da falência. provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida. podendo ser qualquer um. tem a finalidade de ensejar maior rapidez à decisão judicial. permitindo-se.268 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Além dos atos ineficazes supramencionados. as partes retornarão ao estado anterior. Reconhecida judicialmente a ineficácia dos atos a que se refere o art. De outra forma. trazer de volta. no prazo de três anos contados da decretação da falência. que insere o devedor em regime jurídico regulado pela Lei de Falências. mas da nulidade dos mesmos. 100. não possuem discriminação taxativa na lei. 129. no prazo de três anos contados da sentença de falência. 130. sua atuação de ofício. Estes. com sua falência decretada. O Processo Falimentar A falência tem início com a sentença judicial declaratória. pois o devedor não pode ficar esperando muito tempo pelo provimento judicial. nesta situação. 1. Apesar de parecer estranha a previsão legal. . 130.10. por qualquer credor ou pelo Ministério Público. O primeiro tem a ver com restituir. estamos tratando não apenas de impedir os efeitos dos atos diante da massa. 130 dispôs a respeito dos atos revogáveis. Tanto um como outro recurso não possuem efeito suspensivo. e da sentença que julga a improcedência do pedido cabe apelação. até. Percebam que. ou julgada procedente a ação revocatória. posta no art. o art. diferentemente dos outros. pois normalmente o recurso cabível seria a apelação. Da decisão que decreta a falência cabe agravo. quando a atuação do juiz depende de uma ação revocatória. Para melhorar a compreensão. conforme já mencionado. e o contratante de boa-fé terá direito à restituição dos bens ou valores entregues ao devedor. posto que eivados de vício na origem. movida pelo administrador judicial. com relação a um agravo contra sentença. e se aplica aos casos em que os atos são declarados ineficazes pelo juiz. justifica-se a medida na necessária celeridade que tem que ser dada ao processo.

parágrafo único. conforme o art. previstos no art. Em qualquer caso. que são posteriores a ela. Assim. • O PEDIDO Vimos. 156. sempre acompanhados da Certidão de Protesto (art. 94. Na hipótese do pedido lastreado em “atos de falência”. e c) a reabilitação do falido.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 269 Série Impetus Provas e Concursos Esse mesmo diploma normativo prevê o encerramento do processo. deve fazer prova de sua regularidade mediante certidão do Registro Público de Empresas. a lei se reporta a etapas que a antecedem ou. contudo. deste Capítulo. Portanto. a fim de legitimar a petição. II. III. como a arrecadação de bens do falido. desde o pedido até a reabilitação do falido. mesmo. tudo para estabelecer regras. se estiverem juntados a outro processo. são exigidos. parágrafo 3o. prevista no art. 105. Para credores residentes fora do país. 94. 9o. e o recurso cabível contra ela é a apelação. Quando promovido com base no descumprimento de uma execução judicial. sendo o credor empresário. O instrumento hábil para pôr fim ao processo é igualmente uma sentença judicial. incluindo o próprio devedor. juntando-se as provas que houver e especificando as que serão produzidas (art. exige-se a prestação de caução. este deve vir autofalência. a sentença é o ato que marca tanto o início da falência como seu final. além dos procedimentos necessários. instruído com demonstrações contábeis relativas aos três últimos exercícios sociais. 94. parágrafo único). as pessoas que detêm a faculdade para pleitear a falência. da relação nominal dos credores. conforme a previsão do art. parágrafo 4o). deverá conter a descrição dos fatos tipificados na lei. depois de executadas diversas etapas procedimentais.4. parágrafo 5o). 94. dentre outras. 94. no item 1. compreendidos na fase falimentar propriamente dita. 94. Alguns requisitos. a exemplo do balanço patrimonial. Quando se tratar de pedido de autofalência a que se refere o art. o pedido de falência será instruído com certidão expedida pelo juízo em que se processa a execução (art. Entretanto. b) a fase falimentar. a elaboração do quadro geral de credores e a liquidação do patrimônio do devedor. I. dos bens e direitos . Desta forma. O pedido fundamentado na impontualidade do devedor. deve vir instruído com os títulos originais (se mais de um) ou por cópias autenticadas. combinado com o art. podemos afirmar que a falência compreende três etapas distintas: a) o pedido.

pois introduz devedor e credores num sistema jurídico diverso do previsto no Direito Obrigacional.270 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel que compõem o ativo e dos administradores nos últimos cinco anos. tempo antecedente à sentença. excluindo-se protestos cancelados. a identificação do falido e os nomes dos administradores à época. que poderá apresentar contestação no prazo de dez dias (antes era de vinte e quatro horas. no qual o devedor pode haver cometido atos prejudiciais à massa. Dentre elas. como também ampliou seu prazo máximo para noventa dias anteriores ao pedido. b) fixação obrigatória do termo legal de falência que é um intervalo de falência. a nova lei tornou obrigatória a presença do termo na própria sentença. o qual não prevalecerá diante de prova de exercício posterior ao ato registrado. A contestação deverá estar baseada em uma das hipóteses do art.4. f) apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo de contestação.9. e) qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título. seus efeitos são constitutivos de direitos. não é necessário. assim considerado pelo Registro de Empresas. o juiz ordenará a citação do devedor.9. Após o pedido. conforme já referido no subitem 1. Apesar da qualificação atribuída. além dos livros obrigatórios e outros documentos contábeis exigidos por lei. pois o inciso IV do mesmo art. . 99 contém extenso rol das determinações que devem estar presentes na sentença. b) prescrição. c) nulidade de obrigação ou de título. Com relação à qualidade de empresário regular. além de outras julgadas necessárias pelo juiz. Percebam que. d) pagamento da dívida. prorrogável por até cinco dias). deste Capítulo. comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas. O art. a saber: a) falsidade de título. conforme discorrido no subitem 1. diferentemente do antigo decreto. podemos destacar: a) síntese de pedido.5. e) vício em protesto ou em seu instrumento. 105 requer apenas prova da condição de empresário. FASE FALIMENT ALIMENTAR • A FASE FALIMENTAR Tem início com a sentença declaratória de falência. ou contados do primeiro protesto por falta de pagamento. admitindo-se até a inexistência de instrumento constitutivo do negócio. 96. conhecido como “período suspeito”. g) cessação das atividades empresariais mais de dois anos antes do pedido de falência. deste Capítulo.

ou da lacração dos estabelecimentos. que permite a impetração da ação penal em qualquer fase processual. d) explicitação do prazo de quinze dias para habilitações dos créditos. administradores. É nesse estágio que são processadas as possíveis ações revocatórias. 7o. 109. mas não lhe pertencem. podendo o falido ser nomeado depositário. 179). Os bens arrecadados e avaliados ficarão sob a guarda do administrador judicial ou de pessoa por ele escolhida. a declaração de ineficácia de certos atos cometidos pelo devedor antes da sentença. sob pena de desobediência. que prevê a medida. fazendo constar a expressão: “falido”. parágrafo 1o. é apurada a existência de possíveis “crimes falimentares”. 181): . Processa-se também a habilitação dos créditos para elaboração do quadro geral de credores. a fim de compor o inventário. f) nomeação do administrador judicial. g) pronúncia a respeito da continuação provisória das atividades do falido por meio do administrador judicial. mesmo. relação nominal dos credores. diretores. Também é nessa parte do processo que. conselheiros e o próprio administrador judicial (art. a fim de prevenir riscos. sob a responsabilidade daquele. sócios. mas que se encontram em poder de terceiros. chamada de etapa cognitiva (vem de conhecimento). h) ordem de intimação ao Ministério Público e a comunicação por carta às Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento. Para todos os efeitos penais decorrentes desta lei. e) ordem ao Registro Público de Empresas para que proceda à anotação da falência no registro do devedor. 184). 187. equiparam-se ao falido. Ainda na fase falimentar. Tais crimes estão tipificados nos arts. 168 a 178 da Lei de Falências e são classificados como de ação pública incondicionada. conforme a disposição do art. na maioria das vezes cometidos pelo falido. se ainda não constar dos autos. normalmente. no prazo máximo de cinco dias. para que tomem conhecimento da falência. São efeitos da condenação por crime previsto nesta lei (art. 183). os pedidos de restituição ou. assim como os que estão em sua posse. na medida da culpabilidade de cada um. pela qual é levantado todo ativo e passivo do devedor.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 271 Série Impetus Provas e Concursos c) ordem ao falido para que apresente. apesar da ressalva do parágrafo 2o do art. A competência para o conhecimento da ação penal pertence ao juiz criminal da jurisdição onde tenha sido declarada a falência (art. embora se permita ação privada subsidiária da pública por parte de qualquer credor ou do administrador judicial (art. processam-se duas etapas bem distintas: uma. observando-se os bens de sua propriedade. neste caso observado o que dispõe o art.

já que não são singulares da falência. Só em último caso. c) impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de negócio. merecem destaque as dos arts. necessitam ser motivadamente declarados na sentença. consangüíneo ou afim. o legislador procurou deixar clara a intenção governamental de preservar o conjunto produtivo de bens ou serviços do falido. Só a partir daí terão eficácia. b) impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de administração. contudo. ainda. 140 e 141. b) o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. em linha reta ou colateral até o quarto grau. Esses efeitos. 179. Por essa razão o legislador optou pela expressão: “crimes previstos nesta lei”. vendemse os bens de forma unitária. conforme se depreende da combinação dos arts. parente. 180. neste trabalho. Contudo. não são automáticos. Nesse ponto. alienação de todos os bens da massa. parágrafo 2o. salvo se o arrematante for sócio da sociedade falida ou de sociedade controlada pelo falido. apenas por uma questão de semântica. quando não-incompatível com a lei falimentar. 188 a aplicação subsidiária do Código de Processo Penal. Concluída a etapa de conhecimento. que os crimes falimentares previstos na lei não são exclusivos do processo falimentar. Ademais. 183 e 187. inclusive as de natureza tributária. ou até o conjunto dos bens que integram cada um dos estabelecimentos. Igualmente na recuperação judicial e na extrajudicial pode haver apuração da ocorrência deles. diretoria ou gerência de qualquer sociedade sujeita à lei falimentar. não sendo possível. prevê o art. para que não haja a pulverização de uma organização capaz de gerar riqueza ao país. permanecerei com aquela nomenclatura. do falido ou de sócio da sociedade falida. Importante assinalar. Se for conveniente à massa. visando ao pagamento dos credores. pode ser adotada mais de uma das formas descritas. Dentre as medidas inovadoras para se atingir tal objetivo. de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente.272 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) inabilitação para o exercício de atividade empresarial. sempre que a eles se refere. a saber: a) preferência para venda em bloco da empresa. vem a liquidação quando acontece a liquidação. ou identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão. 140. . Essa tendência é manifestada textualmente no parágrafo 3o do art. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidente de trabalho.

o juiz mandará intimar o Ministério Público para. Observem que. 140. Os interessados têm prazo de dez dias para impugnação. Quanto à forma a ser escolhida para alienação do ativo. Transitada em julgado a sentença de encerramento da falência. apresentará relatório final da falência. dentre outras informações. recomeça a correr o prazo prescricional relativo às obrigações do falido. quando o síndico peticionaria ao juiz sobre a necessidade de venda. REABILITAÇÃO FALIDO • A REABILITAÇÃO DO FALIDO Concluída a realização de todo o ativo e distribuído o produto entre os credores. onde constarão. pois comporta os dois. apenas depois de concluída toda a fase cognitiva é que poderia ter início a outra etapa de liquidação. o produto da realização do ativo. quando poderá haver autorização judicial aos credores para adquirir ou adjudicar os bens arrecadados. no prazo de dez dias. 154 e 155). 157). mas qualquer um. O Ministério Público será pessoalmente intimado para acompanhar o processo. no prazo de cinco dias. Reforça a assertiva a disposição do parágrafo 2o do art. no prazo de trinta dias. Cumpridas todas essas providências. será ouvido o administrador judicial. 156). o juiz encerrará a falência por sentença (art. uma modalidade híbrida entre as outras duas permitidas – leilão ou por propostas –. sob pena de nulidade do mesmo. ainda que seja inferior ao de avaliação. atendida a regra de classificação e preferência entre eles (art. em razão dos custos e do interesse da massa. em seguida. A partir da nova lei. o juiz julgará as contas do administrador por sentença e. não apenas os bens assim qualificados podem ser objeto de rápida alienação. mesmo tendo lançado mão de todo seu ativo para satisfação dos credores. a alienação dar-se-á pelo maior valor oferecido. que prevê a possibilidade de realização do ativo. salvo na hipótese de bens de fácil deterioração. . em autos apartados. o falido permanece na condição de devedor. caso não-satisfeitos todos os credores até o encerramento da falência. Após esse período. 111). De acordo com o antigo decreto. manifestar-se a respeito. os pagamentos feitos aos credores. contado da publicação do aviso de que as contas foram entregues. surgiu o pregão que é pregão. o administrador judicial apresentará suas contas ao juiz. antes mesmo da formação do quadro geral de credores. que havia sido suspenso com a sentença de falência (art. além das responsabilidades com que continuará o falido (arts. Havendo impugnação ou parecer contrário do MP. Em qualquer caso. Apresentado o relatório final.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 273 Série Impetus Provas e Concursos c) empregados do falido que forem contratados pelo arrematante celebrarão novo contrato de trabalho e o contratante não responde por obrigações decorrentes da relação jurídica anterior.

hipóteses de exonerar a dívida do falido. Em suma. pois elevou de 40% para 50% o patamar da alínea b. e b) decurso do tempo de dois anos após a execução da pena privativa de liberdade.) Não pode exercer a atividade empresarial –––—––-. b) pagamento. mesmo sem o seu pagamento integral.. o falido poderá requerer ao juízo da falência que suas obrigações sejam declaradas extintas por sentença. Mesmo após o cumprimento da pena. Percebam que. de mais de 50% dos créditos quirografários. existe um prazo carencial de dois anos a ser respeitado. para o falido poder novamente exercer a atividade empresarial. pelo menos se comparado com o do antigo decreto..) Pode exercer a atividade empresarial –––—––-. c) decurso do prazo de cinco anos. 158. necessita da conjunção de dois requisitos. d) decurso do prazo de dez anos. vejamos a seguinte representação gráfica: (---. se para tanto não bastou a integral liquidação do ativo. extinguem as obrigações do falido: a) pagamento de todos os créditos. se o falido tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta lei. Contudo. a lei prevê. podemos afirmar que a reabilitação devolve à pessoa do falido o direito para o exercício da atividade empresarial. contado do encerramento da falência. é necessária a sentença declaratória da extinção de suas obrigações. de acordo com a exegese do art. Para o melhor entendimento do tema. Tal dispositivo. é bom que se ressalte.--–––—-. Para acontecer. 94 do Código Penal. depois de realizado todo o ativo.–– - . se o falido não tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta lei. sendo facultado ao falido o depósito da quantia necessária para atingir essa porcentagem.274 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entretanto. se tiver havido condenação por crime falimentar. Desta forma. contado do encerramento da falência.--–––—-. Configurada qualquer das hipóteses descritas acima. em seu art.–– (---. quais sejam: a) sentença de extinção das obrigações. não poderá fazê-lo enquanto condenado ou se estiver respondendo a processo por crime falimentar. tornou mais difícil a liberação do devedor. contado do dia em que termine o cumprimento da pena privativa de liberdade.

.. pois o mais importante deve ser a resolução das pendências com um mínimo de interferência possível no desenvolvimento da atividade econômica do devedor. normalmente materializada na dilatação dos prazos de vencimentos dos créditos. que deve envolver exclusivamente as partes...– .– .-/. o ensaio do devedor em propor aos seus credores um acordo extrajudicial para equalizar suas dívidas.-/———————————— Sentença de Falência Fim da Falência Sentença de Extinção das Obrigações b) Segunda hipótese: processo falimentar com condenação criminal do devedor 02 anos /. à época do antigo decreto... reunidos em item específico. extrajudicial e judicial. Deve ser o passo inicial para a tentativa de solução das dificuldades financeiras do devedor..— .. Essa é disposição do art.– ...-/ . Se..... Apenas após o entendimento..— ....– . pois.. representava ato de falência conforme a exegese de seu art./-— Sentença de Falência Fim da Falência Sentença de Extinção das Obrigações Início da Pena Fim da Pena 2.. a fim de provocar efeitos. 2o.. que vai do art. 167. maiores as chances de se manter a atividade econômica desenvolvida pelo devedor.. Também deve ser ressaltado que a lei não exclui outras modalidades de acordo privado entre devedor e credores.. Anotem que não há intervenção judiciária no pacto.. Pelo menos. Disposições Preliminares Consentâneo com a filosofia motivadora da nova lei.. falência. Recuperação de Empresas Recuperação Extrajudicial 2. III... ou mesmo na remição parcial de algumas obrigações.../..1. A recuperação extrajudicial possui regulamentação no Capítulo VI da nova lei.-/. vejamos como funciona o desenrolar do processo de recuperação de empresas...1..– ... foi com essa finalidade que surgiu esse instituto.– – .CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 275 Série Impetus Provas e Concursos a) Primeira hipótese: processo falimentar sem condenação criminal do devedor /... 167. quanto mais precoce e célere for a resolução desses conflitos.1.. é que o plano de recuperação se submete à homologação do juiz... 2. 161 ao art.– – ... a fim de proporcionar uma visão global do tema. agora não só foi legalizada como deve ser incentivada..– .-/ . ..– .

Logo. e) administradora de consórcio. prevêem hipóteses de essas sociedades virem a falir. na conformidade do que dispôs a Lei no 11. c) instituição financeira. estão à margem do processo. 161.101/05. não existe outro diploma legal prevendo a recuperação extrajudicial para as mesmas entidades. as responsabilidades daí decorrentes. obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial para microempresas e empresas de pequeno porte. que estejam declaradas extintas.276 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2. também só pode celebrar o acordo aquele devedor qualificado como empresário. alguns itens fazem-se necessários: • DEVEDOR EMPRESÁRIO – da mesma forma que na falência. parágrafo 3o. Algumas sociedades. h) sociedade seguradora. É de bom alvitre salientar que. contudo. há menos de cinco anos. e outras para as quais exista lei específica proibindo a concordata. senão vejamos: a) não ser falido e. c) não ter.024/74. Igualmente imprescindível à obtenção da homologação judicial é a observância da exegese contida no art. por sentença transitada em julgado. permite-se até o empresário irregular). conforme a combinação dos arts. d) cooperativa de crédito. que trata da intervenção e da liquidação extrajudicial de instituições financeiras. g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde. i) sociedade de capitalização.1. Caracterização da Recuperação Extrajudicial Nesse tópico são abordados os requisitos principais necessários à instalação do processo. à exceção das empresas de serviços aéreos. somente é admissível o empresário regularmente constituído há mais de dois anos (para a falência. b) não ter. há menos de oito anos. para caracterização da recuperação extrajudicial. enquanto para a falência. 198 e 199. outras leis específicas mais antigas. se o foi. b) sociedade de economia mista. No entanto. a exemplo da Lei Federal no 6. Assim. e ainda válidas. elas estão absolutamente fora do processo de recuperação extrajudicial. 48. f) entidade de previdência complementar. São elas: a) empresa pública. pública ou privada. obtido concessão de recuperação judicial.2. mesmo caracterizadas como tal. em combinação com a do art. .

devidamente acompanhado do plano. os titulares de crédito contra o devedor decorrente de adiantamento em moeda nacional de contrato de câmbio para exportação. f) não houver obtido recuperação judicial ou homologação de outro plano de recuperação extrajudicial há menos de dois anos. . como administrador ou sócio controlador (em se tratando de pessoa jurídica). a outra prevê interstício de dois anos para o mesmo impedimento. pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos na lei falimentar. inclusive em incorporações imobiliárias. conforme a combinação dos arts. Significa assegurar aos titulares dos créditos excluídos do plano garantias de que seus direitos não serão preteridos. enquanto uma estipula prazo mínimo de cinco anos imediatamente anterior ao pedido. parágrafo 1o. e) não possuir pedido de recuperação judicial pendente de liberação. o devedor deverá encaminhar o pedido ao juiz.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 277 Série Impetus Provas e Concursos d) não ter sido condenado. cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade. os titulares de créditos de natureza tributária. ou não ter. parágrafo 3o. quando o devedor elaborava seu plano de pagamento à revelia de prévia consulta aos credores (necessitava estar de acordo com as hipóteses legais). 161. ou de proprietário em contrato de venda com reserva de domínio. os derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. Não podem participar do plano. e 86. e mais. Somente após esse entendimento a respeito do plano de recuperação. a nova disciplina impõe a discussão entre devedor e credores como meandro para obtenção do benefício. Também o plano não poderá contemplar o pagamento antecipado de dívidas nem o tratamento desfavorável aos credores que a ele não estejam sujeitos (art. assim como credores titulares da posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis. 161. 49. como um período no qual o devedor não pode ter obtido a concessão de recuperação judicial. parágrafo 2o). de proprietário ou promitente vendedor de imóvel. Observando cada uma das alíneas reproduzidas (as quatro primeiras estão no art. é fácil perceber que há divergência entre as letras “b” e “f”. ao passo que as duas últimas vêm do art. de arrendador mercantil. Todos esses deverão ter conservadas as condições originalmente contratadas. 48. parágrafo 3o). • PLANO DE RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E O PEDIDO – diversamente da antiga concordata. pois. inciso II. encaminhando o pedido diretamente à autoridade judiciária. 161.

3. 161. Sujeitos Ativos da Recuperação Extrajudicial O pedido de homologação judicial para o plano de recuperação da empresa compete exclusivamente ao devedor empresário. Se homologado (via sentença). combinado com o art. Logo. a fim de observar as limitações e os requisitos exigidos na lei.1. contudo. como veremos adiante. que deve tramitar em processo distinto da execução. Sujeitos Passivos da Recuperação Extrajudicial Da mesma forma que na falência. mantendo-se o devedor à testa do negócio. a fim de proporcionar-lhe novamente saúde financeira. caput. Nunca é demais repetir. Deve ainda o leitor se reportar ao item anterior.278 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Para os credores não-sujeitos aos efeitos do plano. o acordo constituirá título executivo judicial. • SENTENÇA DE HOMOLOGAÇÃO DO PLANO – acordada com os credores as condições do plano. Não produz. parágrafo 6o. conforme prevê o art.4. . parágrafo 1o). compete ao devedor requerer ao juiz do local do principal estabelecimento do devedor.1. o sujeito ativo em processo de recuperação judicial será sempre o devedor empresário. 2. não há qualquer óbice a ações ou execuções contra o devedor. 161. que só empresários regularmente constituídos há mais de dois anos podem obter a homologação (art. muito menos para pedidos de decretação de falência daquele. a homologação do plano não interfere nos direitos dos titulares de créditos citados no parágrafo anterior. Em outras palavras. Significa dizer que os participantes do plano passarão a dispor de um instrumento de execução direta contra o devedor.2.1. a sua homologação. apenas para devedores. na hipótese de descumprimento do plano. Tomada tal providência. assim como dos outros que não aderirem ao plano. 48. nada impede o pedido de falência. ou da filial da empresa que tenha sede no Brasil. nunca aos credores. contudo. pode ser concedida homologação judicial de um plano de recuperação extrajudicial. outros efeitos. 2. com as mesmas exigências já esboçadas no item 2. pessoas físicas ou jurídicas que se enquadrem na qualidade de empresário.

6. contudo. assim como para os participantes do plano. a suspensão do curso da prescrição de outras ações e execuções em face do devedor. requerer a falência do devedor. ou mesmo a rescisão de contratos bilaterais que envolvam o devedor. mas de forma restrita. da forma como acontece na falência ou na recuperação judicial. recaindo naquele onde se situe o principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do Brasil. Igualmente continua a possibilidade de outro credor. Isso quer dizer que a sentença de homologação funciona como uma espécie de referendo legal para devedor e credores colocarem em prática aquilo que eles próprios combinaram.7. do plano previamente acordado entre devedor e credores. ou não. atuará na hipótese de se verificarem indícios de crime falimentar. 180. quando descumpridas suas condições. conforme a combinação dos arts.1. os envolvidos são devedor e credores. mesmo. por exemplo. O Juízo da Recuperação Extrajudicial A escolha do juiz designado para homologação do plano de recuperação extrajudicial deve seguir a prescrição do art. não envolvido no plano. A sentença não tem o condão de provocar. se comparado com a recuperação judicial.5. Órgãos da Recuperação Extrajudicial Bem mais simplificado que o processo falimentar ou. 2. na recuperação extrajudicial não há obrigatoriedade da participação do Ministério Público. Ademais. Neste. parágrafo 2o. Enquanto o juízo da falência atrai todas as outras questões de caráter econômico envolvendo o falido. Também o Comitê de Credores e a Assembléia Geral de Credores são órgãos exclusivos da falência e da recuperação judicial. 3o.1. . O Ministério Público. da mesma forma que não se exige a nomeação de um administrador judicial. somente a autoridade judiciária encarregada da homologação do plano de recuperação é que pode ser considerada órgão no processo. com algumas exceções. 179. quando poderá oferecer denúncia. Efeitos Jurídicos da Recuperação Extrajudicial A homologação do plano de recuperação extrajudicial altera as relações econômicas das partes envolvidas. 183 e 187. Portanto.1. 2. quando descumpridas suas condições.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 279 Série Impetus Provas e Concursos 2. a participação da autoridade judiciária é bem mais restrita. o mesmo não se dá no processo de recuperação extrajudicial. limitando-se praticamente à homologação. assim como para os participantes do plano.

161 proíbe o pagamento antecipado de dívida ou o tratamento desfavorável aos credores que não estejam sujeitos ao plano. quando poderão redefinir prazos e montantes dos créditos. Estabelecidas as condições.1. para repactuarem as dívidas.2. parágrafo 5o). além dos discriminados no item 2. Sobre a adesão ao plano. VI e VIII. incluindo os outros credores e o devedor (art. não podem os credores desistir da adesão ao plano. 162 traduz a necessária assinatura do plano por todos os credores participantes. incisos. desde que respeitados os demais termos da lei. • O PEDIDO Já vimos que a sujeição ativa para dirigir ao juiz requerimento para homologação do plano de recuperação extrajudicial é de empresários regularmente constituídos há mais de dois anos. destes excluídos os titulares de créditos de origem tributária e trabalhista. obedecendo à mesma didática empregada no estudo da falência. 163. deste Capítulo. devem ser analisadas as duas fases componentes do processo: o pedido e a sentença de homologação. que dele não participem. de receberem seus créditos da forma originariamente contratada. pois a homologação da recuperação extrajudicial em nada deverá afetar o funcionamento da empresa. O objetivo esperado é contornar uma situação de falta de liquidez enfrentada pelo empresário. mesmo. Depois de distribuído o pedido à autoridade judiciária. II. muito menos a disponibilidade do devedor sobre seus bens. IV. O Processo de Recuperação Extrajudicial Neste item. Em resumo. 83. a nova lei propicia a possibilidade de acontecer um livre acordo entre devedor e credores. os tributários e as multas contratuais e tributárias. deste Capítulo. o parágrafo 2o do art. As espécies a que se refere a capitulação legal são as do art. compete ao juiz homologar o acordo. desde que o plano esteja assinado por credores que representem mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie por ele abrangidos. conforme descrição no item 2. V.1. dos outros. 161. a fim de emprestar a ele eficácia jurídica.280 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O mesmo pode ser repetido tanto para o negócio como para os bens do devedor. Exceção está no art. . De outra forma.2. a regra geral contida no art. que prescreve a sujeição. ou seja. Ou seja. sem afetar o curso regular de suas atividades econômicas. 2.8. salvo com a anuência dos demais signatários do pacto.1. ficam de fora os créditos trabalhistas. a liberdade que possuem credores e devedor para estabelecerem as condições do plano esbarram no direito dos demais.

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Portanto, se credores representativos de pelo menos 3/5 de cada uma das espécies de créditos discriminadas naqueles incisos do art. 83 assinarem o plano, estarão obrigando os demais, exclusivamente em relação aos créditos constituídos até a data do pedido de homologação, e mais, apenas aqueles abrangidos no plano, pois os credores cujos créditos nele não estejam previstos não podem ser compelidos a aceitá-lo. De outra forma, se o plano contemplar a totalidade de uma ou mais espécies de créditos previstas no art. 83, exceto trabalhistas e tributários, a exemplo dos quirografários, ou com garantia real, sua homologação obrigará a todos os credores da espécie. Em resumo, poderíamos fazer a seguinte distinção: a) o plano não abrange a totalidade dos créditos de uma mesma espécie – neste caso, para sua homologação, necessita haver a assinatura de credores que representem mais de 3/5 dos créditos de cada espécie por ele abrangidos, hipótese em que, uma vez homologado, todos os créditos dele constante, não os outros, estariam submetidos às suas regras; b) o plano abrange a totalidade dos créditos de uma mesma espécie – logo, sua homologação, que poderá ser feita igualmente com assinatura de credores representativos de mais de 3/5, neste caso da totalidade dos créditos de cada espécie, estará obrigando a todos. O pedido, além de documento contendo as condições acordadas pelas partes com suas respectivas assinaturas, deve conter uma exposição da situação patrimonial do devedor, assim como suas demonstrações contábeis relativas ao último exercício social, documentos que comprovem os poderes dos subscritores para novar ou transigir, e mais, relação completa dos credores com seus dados pessoais e valor atualizado do crédito. • A SENTENÇA Recebido o pedido, o juiz ordenará a publicação de edital no órgão oficial e em jornal de circulação nacional ou das localidades da sede e das filiais do devedor, quando os credores terão um prazo de trinta dias para impugnar o plano. Para tanto, não poderão alegar mais do que: a) não-preenchimento do percentual mínimo previsto no caput do art. 163 (assinatura de credores representativos de mais de 3/5 de todos os créditos de cada espécie); b) prática, por parte do devedor, de qualquer dos atos de falência a que se refere o art. 94, III (ver item 1.2. deste capítulo), assim como se restar comprovada a intenção de fraudar credores, na forma prescrita no art. 130; c) descumprimento de qualquer outra exigência legal.

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Apresentada a impugnação, será aberto prazo de cinco dias para manifestação do devedor, após o que o juiz decidirá, no prazo de cinco dias, a respeito da homologação do plano, que será feita via sentença. Na hipótese de não-homologação, não há prazo carencial para novo pedido (art. 164, parágrafo 8o). Da sentença que homologar ou negar o plano, cabe apelação sem efeito suspensivo, conforme prevê o art. 164, parágrafo 7o. Embora os efeitos do plano surjam após a sua homologação, o parágrafo 1o do art. 165 prevê a retroatividade em relação à modificação do valor ou da forma de pagamento dos credores signatários. Significa dizer que, antes mesmo da homologação judicial, devedor e credores já podem pôr em prática acordo celebrado entre eles, posto no plano de recuperação traçado. Porém, caso não haja a homologação, devolve-se aos credores o direito de exigir seus créditos nas condições originais, deduzidos os valores efetivamente pagos. Em relação à ordem de prioridade no recebimento dos créditos, deve prevalecer o que foi acordado no plano, não existindo imposição legal a respeito. Por último, nunca é demais lembrar que o parágrafo 2o do art. 187 prevê a possibilidade de, em qualquer fase do processo, haver a apuração da ocorrência de crime falimentar, mesmo em se tratando de recuperação extrajudicial. 2.2. Recuperação Judicial

2.2.1. Disposições Preliminares Após quase sessenta anos de validade do antigo Decreto n o 7.661/45, regulamentador dos processos judiciais de falência e concordata, o Brasil ganha, afinal, uma nova legislação, com a aposta de grande parte dos especialistas de que a moderna lei irá reverter a tendência de quebra das empresas, sempre que atravessavam situações de crise econômico-financeira. Essa realidade estava diretamente relacionada ao excesso de formalismo que permeava o decreto. Para se ter uma idéia, um pedido de concordata que não respeitasse certos requisitos por ele exigidos levava o devedor invariavelmente à falência, trazendo conseqüências nefastas para devedor e credores, mas, sobretudo, à economia do país, que via desaparecerem postos de trabalho, além da redução da atividade econômica. A partir de agora, o devedor terá um prazo de sessenta dias, contados da publicação da decisão judicial que deferir o pedido de recuperação judicial, para apresentar o plano de recuperação. Somente após esse tempo sua falência deverá ser decretada (art. 53).

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O plano de recuperação, ao contrário do que acontecia na concordata, quando o devedor dispunha unicamente da faculdade de prorrogar prazos de vencimentos das obrigações quirografárias ou reduzir seus valores, pode prever outras formas de solução para a situação vivenciada, tais como: a cisão, incorporação, fusão ou transformação da sociedade, redução salarial dos empregados mediante acordo ou convenção coletiva, venda de alguns bens, substituição dos administradores, dentre outras, a serem estudadas adiante. Ainda se comparada com a concordata, a recuperação judicial é bem mais abrangente, pois, enquanto daquela participavam apenas credores quirografários, que tinham seus créditos reduzidos no valor, ou modificados os prazos de vencimentos, a recuperação judicial engloba a totalidade dos credores. Em outras palavras, tanto os titulares de créditos de origem trabalhista e fiscal, os com garantia real, como os quirografários, dentre os outros, podem estar incluídos no plano de pagamento proposto pelo devedor, à semelhança do que ocorre na falência, mas diferente da recuperação extrajudicial, que exclui credores trabalhistas e fiscais. Apesar da regra geral, a lei comporta exceções, no art. 49, parágrafos 3o e 4o, como veremos no item 2.2.6., à frente. Quanto ao fundamento do instituto, é coincidente com o da extinta concordata, pois tem por objetivo oferecer ao empresário instrumento para superação de uma crise econômico-financeira, mantendo, portanto, a atividade produtiva desenvolvida, o que é bom para os trabalhadores, que conservam seus empregos; para o país, por conta dos índices econômicos; para o devedor, que continua com seu negócio; e para os credores, pois suas chances de satisfação dos créditos se mantêm. Em seu teor, a nova lei trouxe disposições comuns à recuperação judicial e à falência, que vão do art. 5o ao art. 46. Nesse âmbito, matérias relacionadas à atuação do administrador judicial, ao Comitê de Credores, à Assembléia Geral de Credores, dentre outras, são tratadas de maneira conjunta. Já as contidas no Capítulo III (arts. 47 a 74) dizem respeito exclusivamente à recuperação judicial. Merece destaque a distinção inserida para as microempresas e empresas de pequeno porte, que receberam procedimento especial de recuperação judicial, conforme dispõem os arts. 70 a 72, assemelhando-se mais à antiga concordata, com dilatação dos prazos de pagamento das obrigações quirografárias para trinta e seis meses, e pagamento da primeira parcela no prazo máximo de cento e oitenta dias. Outra conseqüência do plano especial de recuperação judicial para microempresa e empresa de pequeno porte é que o aumento de despesa ou a contratação de empregados passa a depender de autorização do juiz, após ouvido o administrador judicial e o Comitê de Credores. Por outro lado, a lei não prevê suspensão das ações e execuções em face do devedor, como acontece no processo ordinário de recuperação judicial, e também na falência.

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Tal procedimento especial, é bom que se diga, não exclui a possibilidade de as microempresas e empresas de pequeno porte requererem a recuperação judicial, seguindo as normas aplicáveis aos demais modelos de sociedade, como exposto adiante. A conclusão está arrimada no próprio teor do art. 70, caput, que prescreve a sujeição delas às normas do capítulo que trata da recuperação judicial. Em seguida, já no parágrafo 1o do mesmo artigo, há o permissivo para as referidas empresas adotarem plano especial de recuperação judicial, quando deverão, então, se guiar pelos dispositivos acima citados. Para as empresas de médio e grande porte, a lei reservou apenas procedimento ordinário, o qual o leitor poderá em seguida conferir. 2.2.2. Caracterização da Recuperação Judicial Nesse tópico, são abordados os requisitos principais necessários à instalação do processo, na conformidade do que dispôs a Lei no 11.101/2005. Assim, para caracterização da recuperação judicial, faz-se necessária a combinação dos seguintes requisitos seguintes. • DEVEDOR EMPRESÁRIO – assim como na recuperação extrajudicial, o acesso à recuperação judicial é facultado aos devedores empresários regularmente constituídos há mais de dois anos, com as mesmas exclusões já mencionadas e repetidas abaixo: a) empresa pública; b) sociedade de economia mista; c) instituição financeira, pública ou privada; d) cooperativa de crédito; e) administradora de consórcio; f) entidade de previdência complementar; g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde; h) sociedade seguradora; i) sociedade de capitalização, e outras para as quais existam lei específica proibindo a concordata, à exceção das empresas de serviços aéreos, conforme a combinação dos arts. 198 e 199. Igualmente necessário ao pedido é a observância da exegese contida no art. 48, a saber:

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a) não ser falido e, se o foi, que estejam declaradas extintas, por sentença transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes; b) não ter, há menos de cinco anos, obtido concessão de outra recuperação judicial; c) não ter, há menos de oito anos, obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial para microempresas e empresas de pequeno porte; d) não ter sido condenado, ou não ter, como administrador ou sócio controlador (em se tratando de pessoa jurídica), pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos na lei falimentar. • PEDIDO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL – da mesma forma que na extinta concordata, a iniciativa do pedido pertence ao empresário devedor, nunca aos seus credores. O parágrafo único do art. 48 estende a iniciativa ao cônjuge sobrevivente do empresário devedor, aos seus herdeiros, inventariante ou sócio remanescente. A petição inicial deverá vir instruída com os seguintes documentos, previstos no art. 51: a) exposição das causas concretas da situação patrimonial do devedor e das razões da crise econômico-financeira; b) balanço patrimonial e demonstração de resultados acumulados desde o último exercício social, e o relatório gerencial do fluxo de caixa e de sua projeção, estes relativos aos últimos três exercícios, além dos levantados especialmente para instruir o pedido; c) relação nominal completa dos credores, com endereço e dados a respeito do crédito; d) relação integral dos empregados, onde constem informações sobre funções, salários, indenizações e parcelas pendentes de pagamento; e) certidão de regularidade do devedor perante o Registro Público de Empresas, com o ato constitutivo atualizado e nomeação dos administradores; f) relação de bens particulares dos controladores e administradores; g) extratos bancários atualizados do devedor; h) certidões dos cartórios de protestos dos locais da sede e filiais, se tiver; i) relação de todas as ações judiciais em que o devedor seja parte, com estimativa dos valores demandados.

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Observem que não é requisito para o pedido a apresentação do plano de recuperação da empresa, da forma como acontece na recuperação extrajudicial. Lembrem-se de que, nesta, devedor e credores negociam o plano antes do requerimento de homologação judicial, proibindo-se, inclusive, aos credores, a desistência na adesão, salvo com a anuência expressa de todos. Já na recuperação judicial, o art. 53 permite que o devedor apresente o plano em juízo no prazo improrrogável de sessenta dias, contado do deferimento do processo de recuperação judicial. Não o fazendo, cabe ao juiz decretar a falência do devedor. Portanto, se, na recuperação extrajudicial, o plano deve ser apresentado concomitantemente com o pedido de sua homologação, na judicial, o pedido de deferimento do processo não necessita estar instruído com ele, pois o devedor dispõe de um prazo de sessenta dias após a sentença de deferimento. Tem o devedor as seguintes possibilidades para a sua recuperação judicial, qualificadas pelo legislador como “meios de recuperação judicial”, previstos no art. 50: a) concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas; b) cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações, respeitados os direitos dos sócios, nos termos da legislação vigente; c) alteração do controle societário; d) substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos; e) concessão aos credores do direito de eleição em separado de administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar; f) aumento de capital social; g) trespasse ou arrendamento de estabelecimento, inclusive à sociedade constituída pelos próprios empregados; h) redução salarial, compensação de horários e redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva; i) dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo, com ou sem constituição de garantia própria ou de terceiro; j) constituição de sociedade de credores; k) venda parcial de bens; l) equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza, tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de recuperação judicial, aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural, sem prejuízo do disposto em legislação específica;

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m) usufruto da empresa; n) administração compartilhada; o) emissão de valores mobiliários; p) constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar, em pagamento dos créditos, os ativos do devedor. Importante salientar que o devedor pode optar por um ou mais meios disponibilizados para sua recuperação, em qualquer caso, fazendo-o(s) constar(em) do plano. • A SENTENÇA DE DEFERIMENTO – estando o pedido devidamente instruído, nos termos do art. 51, o juiz deferirá o processamento da recuperação judicial do devedor, abrindo prazo de sessenta dias para que ele apresente o plano de recuperação, sob pena de convolação em falência (art. 53). Outros detalhes sobre a sentença estão dispostos adiante, no item 2.2.9. 2.2.3. Sujeitos Passivos da Recuperação Judicial Assim como na recuperação extrajudicial, só empresários regularmente constituídos há mais de dois anos podem obter o deferimento do processo de recuperação judicial (art. 48, caput). Outras limitações impostas pelo legislador à figura do devedor que, mesmo sendo classificado como empresário, permanece à margem do processo, já foram relacionadas acima. Deve, pois, o leitor reportar-se ao item 2.2.2. deste Capítulo, a fim de observar as restrições e os requisitos exigidos na lei. 2.2.4. Sujeito Ativo da Recuperação Judicial O sujeito ativo em processo de recuperação judicial será sempre o devedor empresário, com as mesmas exigências já esboçadas no item 2.2.1. deste Capítulo. Significa afirmar que é ele quem detém a competência para o pedido ao juiz. Igualmente pode impetrar o pedido o cônjuge sobrevivente do devedor classificado como empresário individual, seus herdeiros ou o inventariante de seu espólio, todos no prazo de um ano da morte do de cujus, conforme previsão do art. 48, parágrafo único, assim como o sócio remanescente, neste caso quando o devedor for sociedade empresária dissolvida.

a recuperação judicial conta com a intervenção dos mesmos órgãos da falência. 52. sob a imediata direção e superintendência do juiz. tais como: a) nomeação e destituição do administrador judicial. economista. ou. e 31. conforme arts. conforme a disposição do art. conforme veremos a seguir. 19. 4o e 52. parágrafo 1o. mesmo. preferencialmente advogado. inciso III. será escolhido alguém idôneo. caput. Outras prerrogativas possui o MP. O MP detém atribuição para oferecimento de denúncia por crime falimentar. 7o. Órgãos da Recuperação Judicial Enquanto o procedimento de recuperação extrajudicial se desenvolve de uma forma mais simplificada. documentos antes ignorados. dentre outros. No primeiro caso. c) decretação da falência do devedor. • O MINISTÉRIO PÚBLICO Este órgão atua no processo como fiscal da lei. com um mínimo possível de participação estatal. erro essencial ou. simulação. parágrafo 2o. responsabilizando-se por atos a ele relacionados. b) deferimento do processo de recuperação judicial. além de ordenar a publicação de edital em órgão oficial com resumo do pedido (art. que terá atuação obrigatória no processo. que será subsidiária da pública. buscando sempre o cumprimento de seu papel constitucional na defesa do interesse público. V. quando descoberta falsidade. assim como a fixação de sua remuneração e de seus auxiliares. realçando que a omissão do órgão na promoção da denúncia gera direito a qualquer credor habilitado ou ao próprio administrador judicial para a iniciativa da ação penal privada.2. • O JUIZ É a autoridade judiciária designada para presidir o processo. dolo. parágrafo 4o). mesmo. e parágrafo 1o). 22. • O ADMINISTRADOR JUDICIAL A este compete a administração do processo. caput. conforme a combinação dos arts. em caso de rejeição ao plano de recuperação por parte da Assembléia Geral de Credores (art. caput. A sentença que deferir a recuperação judicial ordenará a intimação do Ministério Público. na forma prevista nos arts. 56. fraude.288 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2. 24. destacando-se a possibilidade de apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores a que se refere o art.5. 183 a 188. caput. . O administrador veio a substituir a figura do comissário antes existente na concordata preventiva. Pode ser pessoa física ou jurídica. pedir a exclusão de qualquer crédito. ainda que as atribuições contenham diferenças.

após a assembléia indicar os componentes do comitê. titular dos créditos fiscais. De outra forma. inciso I). com privilégio geral e subordinados. A assembléia é órgão deliberativo de decisão colegiada. na hipótese de a assembléia rejeitar o plano de recuperação judicial. no prazo de quarenta e oito horas. Ficam de fora apenas a Fazenda Pública. assim como os credores por multas contratuais e penas pecuniárias decorrentes de infração às leis penais ou administrativas. 22. VII. a fim de dar consecução aos atos do processo. Seu papel principal é zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei. . ou a indicação dos nomes que irão compor o comitê de credores. 35 a 46. é obrigatória indicação do profissional responsável pela condução do processo. o administrador será intimado para. responsável por tomar decisões que influenciam diretamente o interesse dos credores. comunicando ao juiz violações dos direitos ou ocorrência de prejuízo aos credores (art. quando provocados por dolo ou culpa (art. a exemplo da aprovação. • COMITÊ GERAL DE CREDORES Órgão de existência facultativa. Depois de nomeado.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 289 Série Impetus Provas e Concursos administrador de empresas ou contador. inciso I. tanto na falência como na recuperação judicial. que não poderá ser substituído sem autorização do juiz (art. à elaboração da relação de credores e à consolidação do quadro geral de credores (art. a que se refere o art. Compõe-se dos titulares de créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. cuja regulamentação de constituição e funcionamento vem expressa em seus arts. Em seguida deverá enviar correspondência a todos os credores constantes da relação nominal entregue em juízo pelo peticionário do processo. o juiz deverá decretar obrigatoriamente a falência do devedor. parágrafo único). quirografários. parágrafo 3o. visando. • ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES Trata-se de órgão criado pela nova lei. Em se tratando de pessoa jurídica. assinar termo de compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo (art. rejeição ou modificação do plano de recuperação apresentado pelo devedor. sobretudo. 83. Possui atribuições eminentemente fiscalizadoras das atividades do administrador judicial e do devedor. Percebam que as decisões da assembléia são encaminhadas ao juiz. A função de administrador é indelegável e ele responde por prejuízos que causar ao devedor ou aos credores. Assim. com privilégio especial. o juiz providenciará a nomeação dos mesmos. dos titulares de crédito com garantia real. dando ciência da data do pedido. 33). 26. 32). alíneas e e f). 21.

290 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Compõe-se de até nove membros. mas indicados pelas classes dos credores. será o juiz do local onde ela se situe (art. Passado esse tempo. ou. em caso de incompatibilidade daquele (art. Não poderá integrar o comitê a pessoa que. Também são impedidos de participar os que tiverem relação de parentesco ou de afinidade até o terceiro grau com o devedor. deixou de prestar contas no prazo legal ou teve a prestação rejeitada. todos nomeados pelo juiz. as questões que envolvam créditos de origem trabalhista e fiscal. apesar de o desenrolar do processo não acontecer no juízo da recuperação judicial. controladores ou representantes legais ou deles for amigo inimigo ou dependente (art. sendo três efetivos e seis suplentes. parágrafo 1o). 28). devendo seguir a tramitação normal de cada uma. a dos quirografários e com privilégios gerais. da mesma forma como ocorre na falência. caput. seus administradores. O Juízo da Recuperação Judicial O juiz competente para deferir o processamento da recuperação judicial é o do local do principal estabelecimento do devedor. tais créditos devem ser inscritos no quadro geral de credores pelo valor determinado em sentença.2. e parágrafo 1o). ou até ao juiz. ficam suspensas todas as ações propostas contra o devedor. está limitada ao prazo de cento e oitenta dias. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. Entendam que isso não significa a exclusão daqueles créditos do plano de recuperação. suas atribuições passam ao administrador judicial. um representará a classe dos credores trabalhistas. Dos efetivos. A falta de indicação de algum não prejudica a constituição do comitê (art. nos últimos cinco anos. vale reproduzir o caput do art. a dos credores com direitos reais ou com privilégios especiais. 3o). voltam a correr normalmente os prazos prescricionais de todas as ações em face do devedor. conforme prevê o art. assim entendido como o de maior volume da atividade econômica. contudo. Entretanto.6. Para reforçar a assertiva. Em se tratando de uma filial que tenha sede fora do Brasil. 26. contados do deferimento do processamento da recuperação judicial. seja em processo de falência ou de recuperação judicial. 49. Em absoluto. senão vejamos: . tenha sido destituída do cargo de administrador judicial ou de membro de comitê. mesmo. Instalado o processo. Tal suspensão. e o último. outro. parágrafo 4o. 2. ou outras que demandarem quantia ilíquida. Na possibilidade de não existir comitê. 6o. reunidas em assembléia geral. 30. não são atraídas ao juízo da recuperação judicial.

hipótese em que esse conferiria direito ao voto. já nos parágrafos 3o e 4o do mesmo dispositivo. contendo o resumo do pedido de recuperação judicial do devedor. O credor retardatário. Caso o titular do direito creditício não se manifeste em tempo. Verificação e Classificação dos Créditos A partir da publicação do edital a que se refere o parágrafo 1o do art. contudo. que mantêm o direito. 10. conforme foi visto no item 2. ainda que não vencidos. ou de proprietário em contrato de compra e venda com reserva de domínio. pelo menos durante o prazo de cento e oitenta dias de suspensão a que se refere o caput do art. estão relacionadas as exceções à regra geral. 6o. 52. observada a legislação respectiva. sendo considerada a habilitação retardatária. a retirada do estabelecimento do devedor de bens de capital essenciais à sua atividade empresarial. No primeiro caso. O administrador judicial somente pode incluir no quadro de credores aqueles dos quais tenha ciência. se na data da realização da assembléia geral já houver sido homologado o quadro geral de credores contendo o crédito retardatário. . assume o risco pelo prejuízo que possa advir de sua omissão.7. não se permitindo. oriunda de adiantamento em contrato de câmbio para a exportação. de arrendador mercantil.2. juntamente com a relação nominal dos credores e os valores de cada crédito. 7o. mesmo sendo considerados retardatários e. parágrafos 1o e 2o). São eles: • titular de crédito que detenha a posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis. • titular de crédito relativo à importância entregue ao devedor. de proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade. Em seguida. em se tratando de falência. parágrafo 1o). os créditos que não podem ser incluídos no plano de recuperação. têm os credores um prazo de quinze dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou divergências quanto aos créditos relacionados (art. tanto na falência como na recuperação judicial. 2.2. A exceção é para os créditos derivados da relação de trabalho. perderá direito de voto na assembléia (art.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 291 Série Impetus Provas e Concursos Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido. ou seja. Já os titulares de créditos fiscais não possuem direito de voto na assembléia. A habilitação de um crédito é ato que dá conhecimento à dívida. a lei garante os direitos de propriedade sobre a coisa e a manutenção das condições contratuais. inclusive em incorporações imobiliárias.5. em moeda nacional.

8. na recuperação judicial. tanto pelas Fazendas Públicas como pelo Instituto Nacional de Seguro Social-INSS. deste capítulo. veio o art. até esse momento. não vigora a ordem de classificação dos créditos disposta para a falência. se a lei não permitisse o parcelamento. pois a lei fixou um prazo de sessenta dias após a publicação referida no primeiro parágrafo deste item. limitado a cinco salários mínimos por trabalhador. observa-se que é requisito obrigatório à concessão da recuperação judicial a apresentação de certidão negativa referente a eles. 57 e 68. aderindo aos meios que entender convenientes para sua recuperação. cabe ao devedor elaborar seu plano de acordo com as exigências da lei. Significa afirmar que.6. A respeito desse tema. antes de qualquer outro. 68 permitir o parcelamento de tais débitos. observem que normalmente as dívidas tributárias são as que primeiro o devedor em dificuldades deixa de pagar. uma vez que exigiu do devedor a prova das quitações. tornando-se inadimplente das demais. Portanto. já reproduzido no item 2. Entretanto. De outra forma. pois.2. Ademais. Na verdade. sempre lembrando que os titulares por créditos relacionados nos parágrafos 3o e 4o do art. conforme a disposição do art. e reproduzida no item 1. 57 letra morta.2. b) o plano não poderá prever prazo superior a trinta dias para o pagamento dos créditos por salários em atraso. cabe ao devedor emprestar ordem de prioridade no pagamento de suas dívidas.292 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Percebam que. Pelo primeiro. o devedor pode ainda não ter apresentado seu plano de recuperação judicial. a possibilidade de parcelamento torna o art. seria muito difícil admitir que o devedor conseguisse quitar a obrigação antes mesmo de iniciar a realização do plano de recuperação. Mas isso não tem importância. . na forma do art. relativos aos últimos três meses anteriores ao pedido. desde que respeitadas as seguintes condições: a) o plano de recuperação não pode prever prazo superior a um ano para o pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido. somente para cumprir com a exigência legal. indiretamente. 50. por parte do devedor. deste Capítulo. disposição curiosa está prevista nos arts. 49. Efeitos Jurídicos da Recuperação Judicial Os efeitos advindos do processamento da execução judicial são sentidos basicamente pelos titulares de crédito inseridos no quadro geral de credores. o legislador concedeu prioridade ao pagamento dos créditos tributários. Com relação aos débitos de natureza tributária. não se submetem a ele.8. 2. 83. pois permite ao devedor o pagamento de apenas uma parcela do acordo.

Quanto aos Bens do Devedor O devedor não perde a disponibilidade de seus bens.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 293 Série Impetus Provas e Concursos Enquanto. se constar do plano. salvo evidente utilidade reconhecida pelo juiz.2. os efeitos da recuperação judicial são bem mais amenos. situação em que seria escolhido um gestor. tanto no negócio como nos bens e contratos do falido. b) houver indícios veementes de ter cometido crime previsto na lei falimentar. . a economia popular ou a ordem econômica. d) constatados gastos pessoais excessivos. 64 prevê hipóteses de afastamento tanto do devedor como de seus administradores. a empresa deve permanecer com sua atividade produtiva dentro da normalidade com o devedor e seus administradores mantidos na condução da atividade empresarial.1. depois de ouvido o comitê. indicado pela assembléia geral e nomeado pelo juiz. cujos efeitos se resumem aos credores inseridos no plano de recuperação. despesas injustificáveis em relação ao negócio. São elas: a) houver sido condenado em sentença penal transitada em julgado por crime cometido em recuperação judicial ou falência anteriores ou por crime contra o patrimônio. Outra possibilidade de afastamento dos administradores está prevista no art. na hipótese de o afastamento do devedor estar prevista no próprio plano de recuperação. ele não poderá alienar bens de seu ativo permanente. c) houver agido com dolo. ou seja. se simularem ou omitirem créditos da relação de credores apresentados. simulação ou fraude contra os interesses de seus credores. e do administrador judicial.8. diferentemente da recuperação extrajudicial. mas. a partir da distribuição do pedido. e. Quanto ao Negócio do Devedor O deferimento do processo de recuperação judicial não traz solução de continuidade ao negócio. 2.2. 50. 2. houver descapitalizado injustificadamente a empresa ou realizado operação prejudicial ao funcionamento regular do negócio. eles existem e podem ser relacionados a seguir. mas sob a fiscalização do comitê. previstos na legislação vigente.8.2. pudemos observar uma série de conseqüências provocadas com a instalação do processo. por fim. IV. Pelo contrário. e mais. se houver. Mas. O art. ou em se negando a prestar informações solicitadas pelo administrador judicial ou pelos demais membros do comitê. na falência.

até o quarto grau. pois seria teoricamente mais fácil para os trabalhadores receberem seus créditos do comprador dos ativos do que da massa falida. Para os credores fiscais. significando dizer que o comprador de ativos de sociedade em recuperação judicial herdará dívidas trabalhistas do vendedor. estes já contam com uma boa segurança no processo de recuperação judicial. o permissivo não se aplica quando o arrematante for: a) sócio da sociedade falida ou controlada pelo falido. conforme citação dos parágrafos 3o e 4o do art. inclusive de natureza tributária. conforme dispõe o parágrafo único do art. 2.294 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Contudo.. c) identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão.6.3. em linha reta ou colateral. ficam suspensas todas as ações propostas contra o devedor. mesmo estando prevista no plano. que é a necessária certidão negativa dos débitos. . inciso II. as questões que envolvam créditos de origem trabalhista e fiscal.8. devendo seguir a tramitação normal de cada uma (o leitor deve se reportar ao mesmo item para observar os créditos que não podem participar do plano. 66). cabe ao juiz ordenar a realização em uma das modalidades previstas no art. não há qualquer necessidade de prévia autorização (art. observa-se a ausência dos créditos de natureza trabalhista. 141. Em se tratando da alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor. inciso XI. 142. da exegese do art. Quanto aos Direitos dos Credores Repetindo trecho do item 2. 50. colateral ou afim.2. 49). Comparando-se essa disposição com a do art. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. instalado o processo. estando a venda do bem prevista no plano de recuperação aprovado em juízo. anteriormente comentada. o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. b) parente do falido ou de sócio da sociedade falida. Talvez a exclusão dos créditos trabalhistas no dispositivo tenha sido motivada como proteção aos empregados. Como acontece na falência. propostas fechadas ou pregão. Tal suspensão. no entanto. no que pese a possibilidade de parcelamento. 60. 60. Entretanto. limita-se ao prazo de cento e oitenta dias contado do deferimento do processamento da recuperação judicial. da mesma forma como ocorre na falência. não são atraídas ao juízo da recuperação judicial. ou outras que demandarem quantia ilíquida. quais sejam: leilão por lances orais.2. parágrafo único. conforme o permissivo do art. Em todo caso. aplicada à falência.

proíbe-se a desistência do processo.9. deverá também constar. respeitadas as exceções já mencionadas no item 2. deste Capítulo.2. que terá um prazo improrrogável de sessenta dias. contados desde o deferimento. No mesmo ato. c) ordem para suspensão de todas as ações ou execuções contra o devedor. sob pena de destituição de seus administradores.8. segundo a disciplina do art. parágrafo 1o). a partir do deferimento. à exceção para contratações com o Poder Público ou para recebimento de benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. 50. b) determinação para dispensa da apresentação de certidões negativas normalmente exigidas. 52: a) nomeação do administrador judicial. parágrafos 3o e 4o). Quanto aos Contratos Celebrados pelo Devedor Devem ser cumpridos da forma como foram celebrados.4. 52. Observem que. Em se tratando de dívidas por salários atrasados referentes aos três meses anteriores ao pedido. com a escolha dos meios apropriados que poderão ser os previstos no art.6.2. já reproduzidos no item 2. salvo com aprovação da assembléia geral (art. o juiz defere o pedido do devedor sem que tenha havido a entrega do seu plano de recuperação.2. do pedido do devedor. 2. deste Capítulo. pelo juiz.2. O Processo de Recuperação Judicial A recuperação judicial tem início com o deferimento. Deferido o processamento. 54. 59. d) determinação ao devedor para apresentação de demonstrativos mensais de sua atividade. salvo se houver aprovação expressa do credor titular da garantia (art. compete aos credores requerer a convocação da assembléia geral para constituição do comitê de credores. combinado com o art. Ao devedor.2. 50. ainda. é preciso respeitar a exegese do art. na recuperação judicial. mas com a manutenção das garantias porventura existentes. que estipula prazo máximo de um ano para o pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido. o . ou outros que entender mais convenientes. para o envio ao juízo. para onde o leitor deve se reportar.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 295 Série Impetus Provas e Concursos O plano de recuperação implica. novação dos créditos anteriores ao pedido. No plano é que o devedor vai explicar como pretende sair da situação de crise. Em qualquer caso. 2. e) ordem para intimação ao Ministério Público e para comunicação às Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento. caput.

ao menos nos termos do art. parágrafo 2o. senão vejamos: a) voto favorável dos credores representativos de mais da metade dos créditos com garantia real. com privilégio especial. c) não terá direito a voto o titular de crédito que não tenha sofrido qualquer alteração no valor ou nas condições originais de pagamento. no prazo de trinta dias. hipótese na qual se faz necessária a expressa concordância do devedor. restringindo-se aos que estiverem presentes na assembléia. a lei exige aprovação pela maioria simples dos presentes. tenha obtido.296 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel plano deve contemplar o pagamento num prazo máximo de trinta dias. De outra forma. desde que não haja tratamento diferenciado entre credores da classe que o houver rejeitado. cumulativamente com a aprovação da maioria simples dos presentes. compete ao juiz convocar a assembléia geral para deliberar. Contra a decisão que conceder a recuperação judicial caberá agravo. 45. ainda que tenha havido qualquer objeção. desde que o plano não tenha sido contestado por algum credor ou. A decisão da assembléia pode ser: pela aprovação do plano. o juiz concederá a recuperação judicial do devedor. e mais. b) quanto aos titulares de créditos decorrentes da legislação do trabalho ou por acidente de trabalho. por sua alteração (desde que não diminua direitos de credores ausentes). proposto por qualquer credor ou pelo Ministério Público. ou pela rejeição. Cumpridas as exigências da lei. como acontece com os demais. Neste caso. 59. de forma cumulativa. faz-se necessária a obediência aos requisitos impostos pelo art. Para aprovação da assembléia. 55 e 56). considerados separadamente por cada uma dessas classes. 58): . a assembléia o tenha aprovado. independentemente do valor de cada crédito. Observem que a aprovação pela assembléia do plano de recuperação não é requisito para a concessão do processo pelo juiz. com privilégio geral e subordinados. Esta somente é necessária na hipótese de haver qualquer objeção de credor. limitado a cinco salários mínimos por trabalhador. pode o juiz conceder-lhe aprovação. conforme a leitura do art. quando o juiz decretará obrigatoriamente a falência do devedor (arts. 45. quirografários. Publicado o plano do devedor. os seguintes votos (art. qualquer credor pode se manifestar desfavoravelmente a ele. ainda que o plano não tenha sido aprovado pela assembléia.

compete a qualquer credor requerer a respectiva execução da dívida não-cumprida (lembrem-se de que o ato de concessão da recuperação judicial tem força de título executivo). alínea g. O parágrafo 1o do mesmo art. 61 prevê a convolação da recuperação judicial em falência. Caso suas obrigações sejam cumpridas em um lapso de tempo inferior.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 297 Série Impetus Provas e Concursos a) independentemente das classes (quirografários. uma vez cumpridas todas as obrigações vencidas no prazo máximo de dois anos. De outra forma. Todas devem contar com a credibilidade da população.). b) aprovação de apenas duas das classes de credores na forma do art. . trabalhistas etc. Neste caso.1. esperando ter garantidos seus créditos. configura-se ato de falência. São diversas organizações bancárias que interferem diretamente no fomento da economia de nosso país. além de anunciar algumas providências para conclusão do processo. parágrafo o 1 ) e o devedor permanecerá em recuperação judicial pelo prazo máximo de dois anos. Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras Disposições Preliminares O Brasil é possuidor do maior sistema financeiro da América Latina. 61). recebendo depósitos e emprestando recursos. 3. que confia nelas suas poupanças. o juiz decretará por sentença o encerramento da recuperação judicial. 3. por exemplo. Aprovado o plano. ou a falência do devedor. 59. 63 dispõe que. como prevê o art. contemplando o plano de obrigações com prazos superiores àquele. os credores terão restabelecidos seus direitos e garantias nas condições originariamente contratadas. e deduzidos os valores já pagos. desde que obedecido o quórum referido no artigo. 94. mas continuará vinculado ao plano. voto favorável de credores que representem mais da metade da soma de todos os créditos presentes na assembléia. aquele período será menor (art. Significa a aprovação. dispõe o parágrafo 2o. pela classe dos quirografários e dos detentores de garantia real apenas. a decisão constituirá título executivo judicial (art. c) voto favorável de mais de 1/3 (um terço) dos credores da classe pertencente àquele que tenha rejeitado o plano. inciso III. durante aquele período. pois. Ocorrendo o descumprimento após o prazo de dois anos. caso seja descumprida qualquer obrigação prevista no plano. Por fim. o devedor sairá do processo de recuperação (via sentença do juiz). o art. 45.

em prol do passivo da entidade.1. quando se dá a extinção da pessoa jurídica. com maior ênfase para o da liquidação extrajudicial. na hipótese de uma quebradeira geral de nossas instituições financeiras. Conceito Encontra guarida nos arts. pois seus efeitos são menos drásticos. Melhor seria uma fiscalização preventiva eficaz. pois. cuja finalidade é o rateio do ativo da sociedade falida. da Lei no 6. A Nova Lei de Falências não alterou as normas referentes a esses regimes A seguir. não afastam completamente a possibilidade de falência dos bancos. 1o a 14. com a normalização de suas atividades. quando acontece. 3. quando é possível o soerguimento da pessoa jurídica. procedimento próprio das sociedades empresárias em geral. então. assim como o Decreto-lei no 2. Esses institutos.024. ao nosso país. Pensando nisso. Mesmo no caso da liquidação extrajudicial. sobretudo em se tratando da intervenção ou do regime de administração especial temporária. Intervenção 3.2. não-federais. se comparados com os da falência. veremos os pormenores de cada um dos três institutos. o processo é conduzido com menores empecilhos que na falência (esta regulada pelo Decreto no 7. longe de serem os ideais. o Governo Federal procurou proteger o sistema de possíveis falências. dispondo sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras. porque haveria uma corrida natural dos depositantes aos bancos. normalmente as dívidas suplantam em muito os bens e direitos do falido.024/74. Sim. privadas ou públicas. a instabilidade monetária. fato que traria enormes conseqüências. Na prática. de 13 de março de 1974.298 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Imaginemos. quando os credores daquelas se vêem diante de um concurso geral de credores. inclusive sociais. que instituiu o regime de administração especial temporária. financeira e econômica que sucederia. Foi com base nessas premissas que surgiu a Lei Federal no 6. capaz de coibir desmandos e operações fraudulentas por parte dos administradores. de 25 de fevereiro de 1987. como veremos adiante.321.661/45). é quase certo que a falência sepulta as chances da maioria dos credores de terem satisfeitos seus direitos. .2. a partir de sua recuperação econômico-financeira. a fim de resgatarem seus valores. mas podem ser um remédio para estancar uma crise no setor. tendo em vista ser o Banco Central do Brasil competente para dar seqüência a ele. por ser mais questionado nos concursos. Constitui-se num regime que visa à reorganização das instituições financeiras. igualmente aplicado às instituições financeiras.

ou a pedido dos administradores da instituição financeira. 1o e 52.3. se o respectivo estatuto conferir-lhes esta competência (art. falência. embora a finalidade seja o saneamento da instituição. Durante aquele tempo. a intervenção nem sempre é garantia de que isso vá ocorrer. não resolvidas após atuação do Banco Central. desta feita sob a execução de um interventor. quando comparados com outros ensejadores da liquidação extrajudicial. . 3. • mora injustificada de título executivo ou ato de falência. 3. Sujeito Passivo Sujeitam-se ao regime. com o art. 2o da mesma lei enumerou as hipóteses para sua ocorrência. ex officio. contraindo direitos e obrigações. • cooperativas de crédito. à exceção de atos que impliquem disposição ou oneração do patrimônio da sociedade. a instituição continuará operando na busca de seu objetivo social. nomeado pelo Bacen.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 299 Série Impetus Provas e Concursos Sob essa ótica. 3. a depender da gravidade dos fatos apurados no decorrer do processo de intervenção. 3o). cuja natureza dos fatos observados possui menor relevância. Notem que. assim como admissão e demissão de funcionários. São elas: • prejuízo oriundo de má administração. prorrogável uma única vez por igual período. públicas ou privadas. Sujeito Ativo A intervenção será sempre decretada pelo Banco Central. • infrações à legislação bancária.2. pondo em risco seus credores.4.2. de acordo com a combinação dos arts. o legislador objetivou evitar a liquidação extrajudicial da empresa que enfrenta dificuldade momentânea. mesmo. quando possível evitar tanto a falência como a liquidação extrajudicial. pelo menos à primeira vista. 3o da Lei no 10. com plenos poderes de gestão. não-federais.190/01: • instituições financeiras. conforme art. que necessitam de prévia e expressa autorização do Banco Central.2. que não poderá ultrapassar o prazo de seis meses. Causas O art. 94 da Nova Lei de Falências. tanto que pode haver a conversão em liquidação extrajudicial ou.2.

5. lavrado no livro Diário da entidade. a intervenção provoca (art. Dentro de sessenta dias contados da posse. • inexigibilidade dos depósitos já existentes à época de sua decretação. • sociedades de capitalização. • corretoras de câmbio. que será conduzida pelo interventor. Efeitos da Intervenção Desde sua decretação. . Ao assumir. o interventor será investido de imediato em suas funções. os credores cujos direitos constituíram-se posteriormente à intervenção podem exercê-los normalmente.2.6. terão que aguardar o termo final do regime. com objeto exclusivo na operação de leasing. 3.2. 6o): • suspensão da exigibilidade das obrigações vencidas. torcendo para que o mesmo não seja convertido em liquidação extrajudicial ou. • sociedades arrendadoras. • sociedades de previdência privada. falência. aí sim. c) proposta justificada das providências a serem tomadas pelo Banco Central (estas podem ser dirigidas antes mesmo da apresentação do relatório). no sentido de os credores não poderem cobrar seus créditos enquanto durar o regime. pois não são atingidos pelos seus efeitos. pois suas chances de reaver os créditos. • suspensão da fluência do prazo das obrigações a vencer. mediante “Termo de Posse”. o interventor tomará as seguintes medidas: a) arrecadará todos os livros e documentos da instituição. significando afirmar que os clientes. b) levantará balanço geral e inventário. seriam bastante reduzidas. 3. De outra forma. o interventor entregará ao Bacen relatório contendo: a) exame da escrituração e da situação econômicofinanceira da entidade. mesmo. • suspensão do mandato dos administradores da instituição. • seguradoras.300 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários no mercado de capitais. prorrogáveis se necessário. simultaneamente à decretação da intervenção. O Processo de Intervenção Decretada a intervenção. b) indicação dos atos e omissões danosas eventualmente verificados. detentores de recursos sob a guarda da instituição.

c) se decretada a liquidação extrajudicial. significando afirmar que todos os bens e direitos da liquidanda deverão ser vendidos. quando o ativo da entidade for inferior à metade dos créditos quirografários (aqueles que não gozam de qualquer preferência no recebimento. “liquidação” significa a alienação de todo o ativo de uma empresa. retornando à situação jurídica anterior. respectivamente.024/74. que assume um papel similar ao do juiz nas liquidações judiciais. A liquidação extrajudicial de instituições financeiras é. É possível acontecer a qualquer momento. que pode ser prorrogado. a critério do Bacen. sem a participação do Poder Judiciário. pelo simples fato de haver. prorrogável por igual período. que pode ser conduzida pelos próprios órgãos da sociedade. o processo de liquidação é conduzido pelo Banco Central do Brasil. É conhecida por “liquidação ordinária”. para as demais sociedades. o Bacen poderá: a) cessar a intervenção. ou pela autoridade judiciária.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 301 Série Impetus Provas e Concursos À vista do relatório. portanto. públicas ou privadas. embora se sujeite ao controle do Poder Judiciário. se for companhia. a fim de saldar seu passivo. a fim de que sejam saldadas suas obrigações. decretado pelo Banco Central do Brasil. quando se tratar de instituições financeiras e afins. Percebam que o termo final da intervenção acontece pela materialização das seguintes hipóteses: a) esgotado o prazo de seis meses. a exemplo de um cheque ou de uma nota promissória não-lastreados em garantia real) ou. Entrementes. . ou até em conseqüência da complexidade dos negócios. b) pela normalização da situação. um processo administrativo. b) manter a intervenção. operação que leva à extinção da pessoa jurídica. c) decretar a liquidação extrajudicial da entidade. Nesses casos. mesmo. ou não. e não judicial. com as regras definidas na Lei no 6. desde que configurada uma das hipóteses de dissolução da sociedade. podemos nominá-las de liquidação extrajudicial e liquidação judicial. ou no Código Civil. previstas na Lei das Sociedades Anônimas. Conceito Sob a ótica do Direito Comercial. que visa à execução concursal da entidade. não-federais.1. d) autorizar o interventor a requerer a falência. Liquidação Extrajudicial 3. dependendo do que for apurado. a participação do Poder Judicante. 3.3. até o prazo limite de seis meses.3. d) pela decretação da falência. devido à gravidade dos fatos apurados.

dentre outras tarefas.3. Uma instituição sob aquele regime tem de imediato afastados seus administradores. Causas O decreto de liquidação extrajudicial é modalidade de ato administrativo vinculado. Percebam que há certa coincidência de motivos para a decretação da intervenção ou da liquidação extrajudicial. que igualmente é uma forma de execução concursal. a instituição não começar em noventa dias sua liquidação ordinária) ou. pois é o liquidante que assumirá os poderes de gestão. ou do interventor. cassada a autorização para funcionar. de ofício ou a requerimento dos próprios administradores da entidade. até. 94 da Nova Lei de Falências. 198 da Nova Lei de Falências vedou a recuperação judicial e extrajudicial para as empresas antes proibidas de requererem concordata.302 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Esse procedimento não exclui a possibilidade de falência das mesmas organizações. o art. neste caso processada através de licitação. bem como determinações do Conselho Monetário Nacional ou do Banco Central. se seu estatuto permitir. competindo-lhe. A propósito. 3. Basta ver as hipóteses que se referem à ocorrência de prejuízo na instituição. • violação grave das normas legais e estatutárias disciplinadoras da atividade da instituição. De outra forma. 53 da Lei no 6. julgada a critério do Bacen. ou qualquer outro ato ensejador de falência. a alienação dos bens. • prejuízo que sujeite a risco anormal seus credores quirografários. ou aquela relacionada às mesmas causas para a falência. em se tratando de entidade que já esteja sob o regime de intervenção. o art. • morosidade em dar início (quando. e com prévia autorização do Bacen. só que decretada pela autoridade judiciária. à exceção daquelas de transporte aéreo. a representação da sociedade em juízo. como veremos adiante. especialmente inadimplência de título executivo.024/74 proibiu a concordata para as mesmas entidades. São causas para a decretação de ofício: • ocorrências que comprometam a saúde econômica ou financeira. O que irá então definir se ela se submeterá a um ou outro regime será a gravidade dos fatos mencionados. a nomeação e demissão de funcionários. . em conduzir a liquidação ordinária da instituição.2. conforme especificação nos no art. pois apenas com base nas hipóteses legais é que pode ser expedido.

se o respectivo estatuto conferir-lhes esta competência (art. • sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários no mercado de capitais. tudo objetivando a solução que melhor repercuta no mercado financeiro e de capitais. assim como na proibição de intentarem-se quaisquer outras contra a liquidanda.3. 3.3. 3. Efeitos da Liquidação Extrajudicial Os principais efeitos do regime relacionados aos direitos e obrigações da liquidanda estão discriminados no art. 18. • sociedades arrendadoras. ex officio. . pois já vimos que o Bacen pode autorizar o liquidante a requerê-la. as seguintes instituições: • instituições financeiras. no que pese a modalidade vinculante do ato que instalar o regime. Sujeito Passivo Sujeitam-se ao regime. 15) ou. no sentido de equalizar os créditos para uma mesma data (a do decreto).4. com objeto exclusivo na operação de leasing. • vencimento antecipado das obrigações da liquidanda. São eles: • suspensão das ações e execuções antes iniciadas. 3.5.3. 1o e 52. públicas ou privadas. Isso não significa a garantia de recebimento por parte dos credores. mas uma tentativa de trazer para um mesmo dia a base para cômputo daqueles encargos. além de diplomas complementares (Lei no 10. • cooperativas de crédito.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 303 Série Impetus Provas e Concursos Conclui-se que. • sociedades de previdência privada.3. • sociedades de capitalização. • seguradoras. por proposta do interventor. não-federais. o legislador permitiu ao Banco Central atuar de forma discricionária no momento de escolher entre a intervenção ou a liquidação extrajudicial. de acordo com a combinação dos arts. na hipótese de a entidade já se encontrar sob intervenção. ou a pedido dos administradores da instituição financeira. Sujeito Ativo Apenas o Banco Central do Brasil tem competência para a decretação. ainda. ao menos a pedido de algum credor.190/01). a fim de serem calculados os juros devidos. • corretoras de câmbio. o que implica a impossibilidade de ser decretada sua falência.

tudo conforme dispõe o art. estes perdem seus mandatos. e posteriores à liquidação. ficando dispensados dessa medida os titulares de depósitos ou de letras de câmbio cujo aceite seja da própria instituição liquidanda. no prazo de vinte a quarenta dias. • não-fluência de juros incidentes sobre as obrigações. o Banco Central decidirá dentre uma das alternativas: a) autorizar o liquidante a continuar com o processo de liquidação. desde a decretação. b) indicação das omissões e atos danosos eventualmente verificados. após o que tomará as seguintes medidas: a) arrecadará todos os livros e documentos da instituição. o liquidante deverá providenciar em jornal de grande circulação aviso aos credores para que declarem os respectivos créditos. prorrogáveis se necessário. Se a opção for pela continuidade da liquidação. . o que é lógico. À vista do relatório. 3. tendo em vista o vencimento antecipado que provoca nas mesmas. • quanto à correção monetária incidente sobre as obrigações. b) levantará balanço geral e inventário. 18. O Processo de Liquidação Extrajudicial As regras aplicadas ao processo de intervenção também norteiam o da liquidação extrajudicial. o Decreto-lei no 1. lavrado no livro Diário da entidade.304 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • inexigibilidade das cláusulas penais dos contratos unilaterais vencidos.3. mediante “Termo de Posse”. Dentro de sessenta dias contados da posse. o liquidante entregará ao Bacen relatório contendo: a) exame da escrituração e da situação econômico-financeira da entidade. c) proposta justificada das providências a serem tomadas pelo Banco Central (estas podem ser dirigidas antes mesmo da apresentação do relatório). Com a decretação. no sentido de torná-la devida. • com relação aos administradores. quando seu ativo for inferior à metade do passivo quirografário ou se houver fundados indícios de crime falimentar. pelo menos em sua parte inicial.6. b) autorizá-lo a requerer a falência da entidade. o liquidante será investido de imediato no cargo. • interrupção da prescrição relativa a todas as obrigações devidas pela liquidanda.477/76 veio modificar a alínea f do mesmo art. 21.

a solidariedade referida no parágrafo antecedente foi estendida aos controladores daquelas instituições (são as pessoas naturais ou jurídicas que detêm percentual de participação no capital social a tal ponto de garantir-lhes o poder de decidir as questões deliberadas na assembléia. uma vez instalada. independente de serem. Essa responsabilidade é objetiva. que estudaremos em seguida. ou não. quando esses agentes respondem solidariamente. independe de culpa ou dolo por parte do agente. Observem que. Preceitua o art. com edição da Lei no 9. a fim de apurar as causas que levaram a entidade àquela situação. após aprovadas as contas do liquidante.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 305 Série Impetus Provas e Concursos Essa iniciativa tem a finalidade de dar conhecimento à dívida.7. Responsabilidade dos Administradores A responsabilidade aqui tratada atinge os administradores tanto no regime de liquidação extrajudicial. sob critério do Bacen. c) com a baixa no registro público competente. quando se organiza o quadro geral de credores. ou seja. Essa investigação deve partir da observação do balanço geral que deve ser levantado pelo liquidante ou pelo interventor. 3. diferente da intervenção. pelos atos de gestão cometidos por algum. entre eles. que instituiu o regime de administração especial temporária. Parte da doutrina costuma compará-la com a responsabilidade dos sócios-gerentes das sociedades em comandita por ações. assim como a responsabilidade dos administradores. Posteriormente. b) por transformação em liquidação ordinária. apenas cessará numa das seguintes hipóteses: a) se os interessados (credores) tomarem para si o prosseguimento da atividade econômica da empresa. .3. o Banco Central detém competência para instaurar inquérito. 15). respeitada a mesma ordem do processo falimentar. como nos de intervenção ou de administração temporária. limitada a responsabilidade ao montante dos prejuízos causados. 41. 40 que os administradores de instituição sujeita a um daqueles regimes respondem solidariamente pelas obrigações por elas assumidas durante suas gestões. ao final de um possível processo falimentar. administradores). Na conformidade do art. em combinação com o Decreto-lei no 2. 1o). d) com a baixa no registro público competente. pois.447/97 (art. invariavelmente a liquidação extrajudicial irá acarretar o fim da pessoa jurídica. à similitude do que é feito na falência.321/87 (art.

7). Quanto aos efeitos. essa medida atinge diretores e membros do conselho de administração. d) quanto às causas. desde a edição do decreto. igualmente ao regime de intervenção. 36. Administração Especial Temporária 3. Conceito Instituído pelo Decreto-lei no 2. Diferenciam-se.3. A princípio. b) quanto aos efeitos.4. c) quanto ao agente. afastam-se de imediato os administradores e membros do conselho fiscal da instituição (ver responsabilidade dos administradores no item 3. ou pelo menos não é esse seu objetivo. Para ser extensiva aos membros do conselho fiscal. e destituíveis a qualquer tempo pelo Banco Central. se a conclusão for pela inexistência de prejuízo. 3. contudo. Para tanto.1. o órgão do Ministério Público será competente para promover. esse regime objetiva evitar a liquidação extrajudicial de instituições financeiras e assemelhadas. Foi assim que previu. permanecendo os credores com os mesmos direitos que tinham antes da sua . no art. possibilitando uma reorganização administrativa e financeira. vimos que a intervenção não pode se estender por tempo superior a doze meses.321/87. Não o fazendo em trinta dias. nomeado pelo banco. com tantos membros quantos forem necessários para a condução dos negócios sociais. ação de responsabilidade civil contra os responsáveis. Já a administração especial temporária não tem limite máximo de duração pré-fixado. o legislador procurou cercar-se de algumas garantias. uma vez decretado pelo Bacen. o Bacen precisa encaminhar proposta ao Conselho Monetário Nacional. a administração especial temporária não conduz ao fim da pessoa jurídica.306 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Concluindo-se pela ocorrência de prejuízo. junto ao Poder Judiciário. A fim de garantir o cumprimento da obrigação. que serão substituídos por um conselho diretor.4. a indisponibilidade dos bens (salvo os inalienáveis) dos administradores da instituição que exerceram suas funções nos doze meses anteriores à decretação do regime. Observem que. nos seguintes aspectos: a) quanto ao prazo de duração. qualquer credor é parte legítima para intentá-la. De outra forma. arquivam-se as peças do inquérito no próprio Banco Central. com atribuições de gestão (dependem de prévia autorização atos que impliquem oneração do patrimônio). que concordará com ela ou não. sendo definido no ato do Bacen que a decretar. a administração especial não afeta o curso regular dos negócios. Com relação ao prazo.

Outra distinção é quanto ao agente que irá assumir os poderes de gestão. 1o do Decreto-lei no 2. são nomeados pelo Banco Central. 3. • gestão temerária ou fraudulenta de seus administradores. • descumprimento das normas referentes à conta de reservas bancárias. as causas que ensejam um e outro regime são diversas. no prazo de sessenta dias. como da liquidação extrajudicial. a administração especial temporária o é por um conselho diretor. É claro que o que vai nortear a decisão do banco é a gravidade dos fatos inicialmente observados. mesmo se configurado motivo para intervenção. conforme se depreende da leitura da alínea e. assim como entregar.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 307 Série Impetus Provas e Concursos instalação. dentre seus membros. Ambos. São elas: • práticas reiteradas de operações contrárias às diretrizes de política econômica ou financeira traçadas em lei federal. c) arrecadar livros e documentos da instituição. Enquanto a intervenção é conduzida por um interventor. Conclui-se que sempre o Banco Central pode optar por uma medida menos drástica ou que menos afete a vida dos credores da instituição.4.2. 3. 4o da Lei no 9. Por último. . o presidente. relatório ao Banco Central contendo. liquidação extrajudicial. b) fixar atribuições de cada um de seus membros. se na intervenção os depositantes existentes à época de sua decretação ficam com seus créditos inexigíveis. contudo. O Processo de Administração Especial Temporária Os membros do conselho diretor são investidos de imediato nas respectivas funções. Causas O art. a administração especial temporária não provoca qualquer interferência sobre eles.321/87 tratou de relacionar as causas ensejadoras do regime. ou. Estas veremos no tópico seguinte. independentemente da publicação do ato. • existência de passivo a descoberto.4. mantida no Bacen. em combinação com o art. levantar inventário e balanço geral.447/97. do mesmo artigo.3. Isso quer dizer que. assim como a possibilidade de recuperação da instituição. dentre outras informações. proposta das providências que lhe pareçam convenientes à instituição. • ocorrência de qualquer das razões ensejadoras tanto da intervenção. até. Ao conselho incube: a) eleger.

• pela decretação da liquidação extrajudicial. • pela ocorrência de transformação. tanto que se advir algum problema com o banco basta a assembléia de investidores buscar outro agente financeiro para administrá-lo. a Constituição Federal de 1998 havia previsto. a fim de honrar o pagamento de obrigações das instituições sob os efeitos de um dos três regimes. . Sua vigência estendeu-se até dezembro de 1995. inciso VI. cisão ou transferência do controle acionário. fusão. 2) depósitos a prazo. que nada mais é do que uma instituição privada capaz de garantir a solvência de créditos em poder das instituições financeiras. mediante cessão ao próprio banco dos correspondentes créditos. o Bacen podia autorizar o saque de recursos da reserva monetária. a criação de fundo ou seguro objetivando proteger a economia popular contra intempéries do sistema financeiro. quando submetidas à falência ou liquidação. julgada a critério do Banco Central. em nosso país. incorporação. De outra forma. quando cessar o regime ou a qualquer tempo. com ou sem emissão de certificados (CDB/RDB).308 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O conselho prestará contas ao Banco Central do Brasil. desde que não houvesse participação de recursos da União Federal. o Proer. se solicitado. A administração temporária cessará nas seguintes hipóteses: • se a União Federal assumir o controle acionário da instituição. Com o objetivo de evitar uma crise no setor financeiro. • pela normalização da situação. De acordo com o estatuto do Fundo. 192. 4) letras imobiliárias. direitos e ações a serem efetivados pelos respectivos titulares. Com essa premissa foi criado o Fundo Garantidor de Créditos. foi criado. 3) letras de câmbio. em seu art. Não estão na abrangência de proteção os fundos de investimentos. são garantidos pelo FGG: 1) depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio. Justifica-se a ausência no fato de o patrimônio dos fundos apenas serem administrados pelas instituições financeiras não fazendo parte delas. Por meio dele. que era um programa para recuperação de instituições financeiras em crise. 5) letras hipotecárias.

b) não é importante. e) valoração dos créditos admitidos. b) causarem danos adicionais aos credores. c) propositura de ação pauliana. e) não são rescindidos pela falência e podem ser executados pelo síndico. em geral.Exercícios 1. depende de: a) ser provada fraude contra credores. devendo ser cumpridos pelo síndico. mas o produto de sua execução será obrigatoriamente contabilizado à parte. c) serem potencialmente benéficos para o devedor. antes de declaração de falência. . sido praticados no período suspeito. cuja falência foi decretada: a) são declarados rescindidos antecipadamente. separadamente da massa falida. ESAF (AFTN/1989) Os contratos bilaterais de uma empresa. c) têm sua execução interrompida pela decretação da falência. c) suspende a prescrição das obrigações do falido. se achar de conveniência para a massa. (JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO – 22 a REGIÃO/1994) A sentença declaratória de falência: a) interrompe a prescrição de todas as obrigações do falido. d) ineficacização de negócios. em qualquer hipótese. d) é restrita aos credores comerciantes. (PROCURADOR DO INSS/1993) A fixação do termo legal da falência é importante na: a) continuidade dos negócios do falido. d) terem. e) serem anulados. 2. 4. ESAF (AFTN/2001) A ineficácia de certos atos praticados pelo devedor. b) ocasiona o vencimento antecipado somente das obrigações quirografárias. b) não são rescindidos automaticamente na data da decretação da falência. d) não são afetados pela falência. 3. e) é prolatada por juiz da Justiça Federal. devendo ser retomada após a sentença que encerre o processo falimentar. além daqueles decorrentes da falência. na data da decretação da falência.

Nesse caso: a) o falido perde a disposição. à época da decretação da liquidação. d) pagamento de obrigações naturais antes da falência. sendo lícita a arrecadação dos bens encontrados nessa qualidade. FCC (MP – PE/2002) Tendo sido decretada a falência de uma empresa. e) tomar as medidas necessárias para liquidar o ativo e solver as obrigações. b) administrar a instituição financeira de forma a pagar todos os depositantes e investidores. c) em face do não-pagamento de impostos apurado pela fiscalização. 7. e) apenas aos últimos administradores antes da liquidação extrajudicial. bem como a propriedade de seus bens. c) serão também passíveis de arrecadação os bens dotais e os particulares da mulher do falido. . e) não forem pagas dívidas garantidas por hipoteca. d) a todos e quaisquer administradores. d) promover a reorganização das atividades. a fim de manter a concorrência no mercado. quanto à indisponibilidade de bens: a) ao controlador e administradores. c) conluio para beneficiar um ou poucos credores durante o período de concordata preventiva da falência. b) a todos os administradores exercentes de cargos. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – AFRF/2002) A legislação falimentar prevê a revocação de atos praticados pelo falido antes da falência por força de: a) fraude contra credores no período suspeito da falência. d) a impenhorabilidade extingue-se. c) impedir que os administradores retomem suas funções quando tiverem exercido suas funções de forma temerária. eleitos e ocupantes de cargos nos doze meses anteriores à decretação da liquidação. 8. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A decretação da falência ocorre quando: a) o comerciante não tiver crédito na data do pedido. 6.310 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5. d) na eventualidade de insolvabilidade do empresário. 9. c) apenas ao controlador e aos seus parentes em linha reta. aplicam-se as regras de liquidação extrajudicial. b) declaração de ineficácia. apenas perdendo a disposição e a administração deles. compete ao liquidante nomeado pelo Banco Central do Brasil: a) administrar a instituição financeira para o fim de recuperá-la. salvo direitos e ações existentes na época de sua decretação e os adquiridos no curso do processo. entre os efeitos decorrentes estão aqueles quanto aos bens do falido. e) declaração de ilegalidade. e) serão atingidos todos os bens do devedor. à época do ato da autoridade administrativa. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002) Nas liquidações extrajudiciais. b) na impontualidade ou insolvabilidade do comerciante. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL/2002) Na hipótese de falência de instituição financeira. b) o falido não perde a propriedade de seus bens. a administração.

ambos decretados pelo Banco Central do Brasil.024/74 visa a: a) superar as dificuldades típicas das execuções coletivas tal como prescrito no Decreto no 7.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 311 Série Impetus Provas e Concursos 10. b) ( ) O Ministério Público é parte legítima para impor recurso de agravo contra a decisão que conceder pedido de recuperação judicial. 11. se ficar caracterizada a sua omissão. UnB/CESPE (Juiz Federal Substituto da 5a Região/2005) Acerca da recuperação judicial.661/45. e) garantir igualdade entre credores de mesma classe nos rateios da massa. pagando-se todos eles na força da massa. em se tratando de companhias abertas. . FCC (PROCURADOR DO ESTADO DO RGS/1998) Segundo a legislação brasileira. d) impedir pedidos de falência contra instituições financeiras por qualquer credor. mas estão sujeitas à administração judicial temporária requerida pelo Banco Central do Brasil e executada por um conselho nomeado e supervisionado pelo juiz competente para decretar o regime especial. a) ( ) No pedido de recuperação judicial. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002-2003) A liquidação extrajudicial disciplinada pela Lei n o 6. b) podem impetrar concordata e estão sujeitas à liquidação extrajudicial requerida pelo Banco Central do Brasil. credores das instituições financeiras. e) fica impossibilitada a decretação de sua falência pelo Judiciário. b) dar aos aplicadores. d) não podem impetrar concordata. mas estão sujeitas ao regime de administração especial temporária e à liquidação extrajudicial. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002) Decretada a liquidação extrajudicial de uma instituição financeira pelo Banco Central do Brasil: a) os diretores respondem solidariamente pelo prejuízo apurado no balanço especial saneado. a petição inicial deve ser instruída com as demonstrações contábeis do empresário relativas aos cinco últimos exercícios. e) não podem impetrar concordata. suporte normativo para exercerem suas pretensões. d) não há credores privilegiados. b) o controlador responde solidariamente pelo passivo a descoberto e os membros do conselho de administração respondem. 13. c) o liquidante pagará integralmente os depositantes com recursos do fundo garantidor de créditos. julgue os itens seguintes. 12. extrajudicial e da falência do empresário ou da sociedade empresária. mas não estão sujeitas à liquidação extrajudicial. c) criar condições mais eficientes para atender ao rateio dos créditos contra as instituições financeiras por qualquer credor. c) não podem impetrar concordata. as instituições financeiras públicas não-federais: a) podem impetrar concordata. mas estão sujeitas à liquidação decretada e executada pela Comissão de Valores Mobiliários.

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Os primeiros são objeto de estudo do Direito Administrativo. prestação e venda no varejo entre o comerciante e o consumidor. Exemplos: compra varejo entre comerciante consumidor. de um lado. Precisamos estabelecer o campo de abrangência entre os variados contratos regidos pelo Direito Privado. numa situação de absoluta equivalência com o particular. destinatário final do produto. serviços bancários entre outros. o consumidor. sorte. celebrados pelos gestores públicos. e. colocado em situação de supremacia em relação aos particulares. Dessa forma. se o mesmo Poder Municipal resolver adquirir um aparelho de televisão para equipar o Gabinete do Prefeito. quando uma Prefeitura contrata uma empresa. .Capítulo 5 Contratos 1. o fornecedor de bens ou serviços. o ordenamento jurídico brasileiro comporta dois ramos bem distintos de contratos. podendo impor sua vontade de forma a privilegiar o interesse coletivo sobre o privado. Disposições Preliminares Dependendo das relações jurídicas que nascem com o vínculo contratual. envolvem. sendo objeto de estudo no Direito do Trabalho. Essa distinção ainda não é o bastante para delimitarmos o universo de nosso estudo. • CONTRATOS DE CONSUMO – disciplinados pelo Código de Defesa do CONTRATOS Consumidor. Em um. prestação de bancários. o faz sob a regência de um contrato regulamentado pelo Direito Privado. o Direito reconhece a existência das seguintes espécies de contratos privados: • CONTRATOS DE TRABALHO – são regidos pelas normas da legislação CONTRATOS trabalhista. existe a participação do setor público. enquanto os demais competem ao Direito Privado. quando do desenvolvimento da atividade precípua da administração. do outro. São os chamados contratos administrativos administrativos. Assim. está concretizando um contrato administrativo De outra administrativo. para efetuar a coleta de lixo no Município.

• comutativos ou aleatórios – nos primeiros (compra e venda as compra venda). entre outros. 2. Se. Com a entrada em vigor do Código Civil de 2002. por exemplo. nos paritários (compra e compra venda ambas as partes têm a faculdade de discutir e impor suas condições. seguro cláusulas e a outra apenas adere. deixou de haver dois sistemas normativos reguladores desses contratos. De maneira geral. contraprestações. antes. não-incluídos nas CONTRATOS outras espécies. com a mercadoria sendo destinada a posterior revenda ou. arrendamento mercantil e outros que possuam regulamentação fora do Código Civil). instalações. na hipótese de as partes serem empresários. além de serem certas e determinadas. É claro que essa condição não impede uma alienação futura do mesmo produto. venda) • bilaterais ou unilaterais – os primeiros (compra e venda obrigam a compra venda) ambas as partes. franquia. Entretanto. . o contrato de compra e venda estará sob a tutela do Direito do Consumidor. matéria-prima). mesmo. como compra e venda mercantil. alienação fiduciária. ao passo que os unilaterais (doação pura geram dever doação pura) apenas para um lado. tínhamos o Código Comercial disciplinando alguns dos mais importantes contratos mercantis. podemos citar a seguinte classificação: • de adesão ou paritários – nos primeiros (seguro uma parte redige as seguro). as cláusulas contratuais encontram guarida no próprio Código Civil.314 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • CONTRATOS CIVIS – esses são todos os demais. hoje o moderno Código Civil traça as cláusulas de todos eles indistintamente (ressalva para contratos como: faturização. tanto que há autores que normalmente não se referem a mais do que três ou quatro formas de agrupá-los. pois tanto um como outro possuem idêntica regulamentação legal (arts. a rigor. Percebam que. mandato mercantil e comissão mercantil. Classificação dos Contratos A doutrina não costuma ser uniforme ao classificar os contratos. Nessa nova ordem. não há mais qualquer efeito prático na tentativa de enquadrar. se o bem houver sido adquirido pelo seu destinatário final. determinado contrato de compra e venda na esfera civil ou comercial. enquanto que. e o Código Civil de 1916 encarregando-se daqueles que não eram reputados comerciais. 481 a 532 do CC/2002). equivalem-se. empregada no processo produtivo (maquinário. pois o mais importante é a intenção no momento da compra.

típico. para serem reputados válidos. consensual. comutativo oneroso não-solene principal típico paritário e consensual 3. afirmando a intenção de celebrar o acordo. faturização) e venda mercantil enquanto que os atípicos (faturização podem até faturização ser originados a partir de uma lei.955/94). ao passo que. doação • principais ou acessórios – os primeiros não dependem de outro para compra venda). não obstante haver uma lei instituidora (Lei no 8. mas suas principais cláusulas são resolvidas no instrumento de contrato. • vontade das partes – é uma declaração de vontade dos contratantes. • típicos ou atípicos – os primeiros possuem regulamentação legal (compra compra mercantil). quais sejam: • agentes capazes capazes. devem obedecer aos mesmos requisitos dos atos jurídicos em geral. existirem e serem eficazes (compra e venda enquanto que os acessórios (alienação fiduciária nascem em função de um principal. Isto é o que ocorre nos contratos de franquia nos quais. Convém enfatizar que um só contrato pode abranger vários itens dessa classificação. o contrato de compra e venda é. assim. simples). No entanto. comutativo. Constituição dos Contratos Os contratos. erro . dolo.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 315 Série Impetus Provas e Concursos enquanto que. principal. das duas partes possuem valor econômico. não-solene. seguro • consensuais ou reais – os primeiros (compra e venda reputam-se compra venda). penhor • onerosos ou gratuitos – nos primeiros (compra e venda as prestações compra venda). alienação fiduciária) • solenes ou não-solenes – os primeiros exigem formato previsto em lei (fiança ou seguro enquanto que os não-solenes (compra e venda de seguro). • forma prescrita ou não-proibida em lei lei. realizados a partir da declaração de vontade das partes. nos aleatórios. ao mesmo tempo: bilateral bilateral. é imprescindível que esteja isenta de coação dolo fraude ou coação. as obrigações e direitos das partes são definidas no instrumento de contrato. elas podem ser desproporcionais (seguro seguro). Pode ser tácita ou expressa. erro. enquanto que os contratos reais só se efetivam com a entrega da coisa (o depósito e o o penhor). fiança compra móvel) bem móvel são livres na forma. oneroso. objeto lícito e possível • possível. nos gratuitos (doação pura e simples só um contraente assume prestação onerosa.

passando a gerar obrigações entre as partes. Em regra. bastam essas condições para eles serem reputados concretizados. segundo a qual ACTA SERV os pactos nascem para ser cumpridos. A conseqüência atinge apenas quem participa da relação contratual fazendo contratual. não sendo possível uma arcar com um ônus adicional àquele previsto no início. . fato imprevisível que venha a onerar uma das partes contratantes. Há casos em que se torna indispensável uma revisão das condições econômicas inicialmente pactuadas. lei entre as partes. a exemplo do seguro de vida em terceiros. que não se podem furtar de seu fiel cumprimento. Significa afirmar que os contratos nascem para ser executados pelas partes. favor de terceiros que irá atingir diretamente pessoa não-contratante. As duas singularidades podem ser traduzidas em dois princípios. portanto. por sua própria e única vontade. Em outros. a regra de que se deve manter um equilíbrio entre as obrigações assumidas pelas partes. isto porque. Acontecendo. pelo menos se forem mantidas as condições fixadas na sua origem. nos contratos comutativos prevalece comutativos. contrato 4. no sentido de ser considerado irretratável e inalterável salvo inalterável. • PACTA SUNT SERVANDA – expressão de origem latina. a ponto de prejudicar o equilíbrio que deve reger os contratos comutativos. nas condições em que foram estipulados. por vontade de todos os contratantes. Efeitos da Celebração dos Contratos O principal e mais importante efeito da celebração de um contrato é o vínculo jurídico que nasce entre as partes. São eles: • PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE – os contratos geram efeitos apenas entre RELATIVIDADE as partes avençadas. comutativos lança-se mão de uma cláusula implícita presente nessas espécies de contratos que é a REBUS SIC STANTIBUS. Isso significa que os contratos têm implícitas as cláusulas de irretratabilidade (o desejo de uma parte não basta para dissolver a relação jurídica) e intangibilidade (as condições contratuais não se alteram pela vontade de um dos contratantes). ninguém poderá ser liberado do cumprimento da obrigação. que se aperfeiçoem (contrato de depósito ou o penhor mercantil mercantil). Há exceção à regra. À similitude do outro princípio. como nos contratos reais é imprescindível a entrega da coisa para reais. São os chamados contratos consensuais (compra e venda compra venda). esse também não tem aplicação absoluta em todos os contratos.316 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Na maioria dos contratos.

a ponto de seus custos de produção serem majorados de forma a inviabilizar o negócio. Espécies de Contratos Compra e Venda Mercantil Contrato regulado pelos arts. que devem ser empresários. é importante observar que os empresários podem. que deve ser uma mercadoria. Se o objetivo é contratar funcionário. por exemplo. a exemplo do estoque de mercadorias. Essa regra é conseqüência da Teoria da Imprevisão que permite a mudança nas Imprevisão evisão. são dois os requisitos exigidos para caracterização dessa espécie como contrato mercantil: • o objeto do contrato deve ser bem móvel ou semovente destinado ao processo produtivo ou para revenda ou locação. . estaremos diante de um contrato de compra e venda mercantil. seja sociedade empresária ou. como tal empregada na atividade econômica. 481 e seguintes do CC/2002. 5. ao comprar matériaprima na indústria para reposição do estoque. Também em relação ao objeto do contrato. • as partes devem ser empresárias. necessitando adquirir imóvel para montar a sede administrativa de seu negócio. firmado entre uma empresa agropecuária e uma outra fabricante de sucos de frutas. Se assim não fosse. Podem ainda comprar bens de uso da própria empresa. mesmo. celebrar contratos de diversas espécies. Distingue-se da compra e venda puramente civil em dois aspectos. pode vir a ter suas condições alteradas com a ocorrência de um fenômeno natural que comprometa a produção da empresa agrícola. Neste caso. realizam contrato regido pelas normas da Consolidação das Leis do Trabalho. aleatórios quando uma parte arrisca-se a suportar obrigação não-prevista. mediante o pagamento de certa importância.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 317 Série Impetus Provas e Concursos Através dela. a exemplo do mobiliário utilizado na sala da presidência. 5. Contudo. Primeiro. considera perfeita e acabada logo que comprador e vendedor acordarem no preço e nas condições. os contratos deixariam de ser comutativos e passariam a aleatórios. Assim. ainda que não tenha sido efetivada a entrega da coisa. condições originariamente pactuadas. matérias-primas e até máquinas e instalações diretamente usadas na produção. o empresário individual. móvel ou semovente. um contrato de fornecimento de laranjas. A compra e venda mercantil é classificada como contrato consensual pois se consensual. É aquele pelo qual uma das partes obriga-se a transferir para outra a propriedade de um bem. pelas partes contratantes. o contrato é regido pelas normas do Código de Defesa do Consumidor. De outra forma.1. ao longo de sua vida profissional. o contrato é civil. Com essas premissas.

Se o vendedor tinha conhecimento do vício. pode o alienante rescindir o contrato ou demandar o comprador pelo preço da venda. Coube. acrescido de mora.2. a salvo de qualquer restrição de domínio. apenas para melhor caracterizar uma e outra espécie. considerando todos como contrato de compra e venda. responsabilidade do alienante se. este se dará na entrega da coisa. juridicamente falando. Dispensa-se. SÃO OBRIGAÇÕES DO VENDEDOR: • transferir a propriedade da coisa – se não o fizer. a fim de garantir o pagamento de uma dívida. portanto. • receber a coisa – em caso contrário. e danos • responder pelos vícios redibitórios – faculta-se ao comprador. Essa obrigação deverá vir representada pela cláusula: FOB (free on board).318 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Notem que. No caso de o comprador estar ciente da restrição desde o início do negócio. • responder pela evicção – entenda-se por evicção o dever que tem o vendedor de defender a transferência da propriedade da coisa em juízo. SÃO OBRIGAÇÕES DO COMPRADOR: • pagar o preço ajustado – se não houver prévio ajuste quanto ao prazo de vencimento. cabem ainda perdas e danos Livra-se a danos. perde o direito. . a ação do comprador. Isto porque a Lei Civil unificou as duas formas. à doutrina fazer a distinção. na hipótese de haver terceiros reivindicando o mesmo direito. deixa de haver distinção entre as cláusulas legais previstas para os contratos de compra e venda. portanto. se não houver justa causa. que merece receber o produto adquirido. responde por perdas propriedade perdas danos. 5. • pagar o frete pelo transporte da mercadoria salvo estipulação em mercadoria. via ação redibitória (prazo de trinta dias do recebimento ou da manifestação do vício). com a entrada em vigor do Novo Código Civil. no próprio contrato. sob condição resolutória da integral quitação do débito. Alienação Fiduciária É o contrato em garantia pelo qual o devedor. os dois pactuarem que este não responde por aqueles defeitos. contrário. sejam mercantis ou civis propriamente ditos. transfere a propriedade de um bem móvel durável ou imóvel. rescindir o contrato e reclamar a restituição da quantia já paga.

motivada por sua própria inadimplência. . de forma amigável ou judicial. aquele que tomou o dinheiro emprestado ou.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 319 Série Impetus Provas e Concursos A alienação fiduciária é contrato acessório pois serve a assegurar o cumprimento acessório. A inadimplência do devedor fiduciante traz as seguintes conseqüências: • VENCIMENTO ANTECIPADO DE TODA A DÍVIDA – as parcelas ANTECIPADO vincendas consideram-se vencidas desde o inadimplemento da prestação. ainda.514/97. • O DEVEDOR FIDUCIANTE – é a pessoa que alienou o bem em garantia. via ação de busca e apreensão apreensão. resolve com a ocorrência de um fato futuro. especificamente a partir de seu art. em outras palavras. São partes no negócio: • O CREDOR FIDUCIÁRIO – é a pessoa que emprestou o dinheiro. mantém-se na posse do bem como se fora dono. O juiz pode conceder liminarmente a busca e apreensão do bem alienado. Entretanto. na forma prevista nos arts. que assegura também ao credor fiduciário o direito de pedir a restituição do bem. através do qual uma empresa disponibilizou recursos a serem utilizados na aquisição de um bem. Enquanto ele estiver em dia com o pagamento. hipótese em que se desfaz o vencimento antecipado de toda a dívida. permite-se ao credor tomar. de outro contrato de financiamento. o que ficou com a posse direta do bem dado em garantia. ou aquele que recebeu a propriedade da coisa em garantia pelo financiamento do bem. se aquele já houver quitado pelo menos 40% de seu débito. na hipótese de ele ser alvo de uma ação de busca e apreensão apreensão. poderá haver a conversão daquela em depósito. 7o do Decreto-lei no 911/69). • POSSIBILIDADE DE PERDA DO BEM – o credor poderá tomar a coisa amigavelmente ou. tem a chance de purgar a mora o que. O devedor fiduciante assume a função de verdadeiro fiel depositário do bem custodiado tanto que. o objeto da garantia. no caso a liquidação do débito pelo devedor fiduciante. se houver falência do devedor (art. ação de depósito caso o bem não seja encontrado. bastando a caracterização da mora do devedor. 4o do Decreto-lei no 911/69. O domínio da coisa atribuído ao credor fiduciário é resolúvel posto que se resolúvel. 901 a 906 do Código de Processo Civil. a fim de vendê-la para quitação do débito. 22. Regula-se pelo Decreto-lei no 911/69 e pela Lei no 9. que introduziu no sistema jurídico brasileiro a possibilidade de esse tipo de contrato ser aproveitado para bens imóveis. mora. Essa é a exegese do art. havendo resistência. significa pagar a parcela vencida. Em caso de inadimplência do devedor.

entregando seus títulos a outro empresário. Por último. restitui-se o devedor. resolve fazer uma operação muito mais rápida. este será responsabilizado pela fraude . então. Faturização Embora não se revestindo de regulamentação legal. O bem resgatado pelo credor fiduciário deverá ser objeto de venda para integral quitação do débito (é vedado ao credor ficar com a coisa). Sem querer submeter-se à tradicional exigência bancária. necessite do dinheiro das vendas à vista. A lei é omissa quanto ao prazo de venda. 5. provando-se qualquer encargo pela inadimplência do devedor. caso não haja acordo em contrário. Em sua forma mais conhecida. apenas para satisfação de seu crédito. Duas partes compõem a relação contratual: • CEDENTE OU FATURIZADO – é o empresário que transferiu créditos FA de sua propriedade. mas não pode o credor alienar a coisa por qualquer preço. que possibilitaria um desconto das duplicatas. um empresário cede créditos a uma instituição em troca de recebimento à vista de numerário. ainda que de uma prestação. a prazo. cujas vendas dão-se. Esse só assume responsabilidade pela existência da dívida. mediante a emissão de duplicatas. provando-se a falsidade fraude. que determinado atacadista de cereais. A diferença é o que será pago ao cedente. com recebimento à vista pelo cedente. o devedor fiduciante inadimplente. Questão importante que vem à tona na efetivação do contrato é quanto à responsabilidade do cedente pela solvência do crédito. requerendo-se o registro do instrumento no Cartório de Títulos e Documentos. esse tipo de contrato somente se prova por escrito. Havendo sobra. pois. não se exigindo ser necessariamente uma instituição bancária. Contudo. Imaginemos.3. • FATURIZADORA – é a empresa que assumiu a titularidade pelos créditos. Exemplo: se e factoring. trata-se de um contrato largamente utilizado no âmbito das relações comerciais. É. for devolvido por insuficiência de fundos. um cheque negociado numa factoring. aquele que cedeu o crédito não assumirá encargo devedor. através de instrumento público ou particular. um operação de antecipação dos valores a serem recebidos pelo cedente cedente. Mesmo ciente de que a prática indica o contrário. não tem o cedente qualquer responsabilidade pela integral quitação do débito. cujo percentual de liquidação do débito esteja abaixo dos 40%. que subtrai parte dos valores a serem recebidos em seu benefício.320 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel De forma diversa. pode vir a perder definitivamente a propriedade do bem alienado. do título por ato voluntário do cedente. mediante pagamento de juros. em sua maioria.

Aprendemos (Capítulo 3) que o endossante continua responsável pelo pagamento do título. contrato de adesão . associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e.4. de 15/12/1994. é um contrato atípico. na qualidade de obrigado indireto pela obrigação. para só então transferir os recursos ao cedente. É claro que. Ora. embora existindo lei instituidora. também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócios ou sistema operacional desenvolvido ou detido pelo franqueador. Além dessa forma para o contrato. Nesta situação. a única forma de promover-se a transferência é o endosso. até mesmo para que o banco possa admitir a liquidação. No instrumento de contrato é que serão definidas as cláusulas que terão validade entre as partes.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 321 Série Impetus Provas e Concursos Notem que um problema surge se o faturizado resolver transferir ao faturizador um título de crédito nominativo através de endosso. para que se exima do encargo. atípico pois suas condições de funcionamento poderão ser livremente estipuladas pelos contratantes (a rigor é o franqueador quem estipula suas cláusulas. no qual um empresário (franqueador libera a outro (franqueado a utilização da marca de seu produto. se o título for um cheque nominal. diz-se que. há outra pela qual a faturizadora realiza a administração do crédito que lhe é repassado. franqueador) franqueado) franqueador franqueado incluindo toda a assistência técnica necessária ao perfeito funcionamento do negócio. sem que. O art. inclusive providenciando sua cobrança e liquidação. Franquia Mercantil Disciplinado pela Lei Federal no 8. sem que haja vínculo empregatício. 2o. deverá utilizar-se da cláusula endosso sem garantia garantia. 5. em relação à responsabilidade por crédito negociado com a faturizadora. mediante parcela de remuneração. Por isso. pode realizar-se com ou sem venda de produtos entre as partes. eventualmente. no entanto. no caso de não-pagamento pelo principal devedor? A solução para o impasse se resolve com a transferência na forma uma cessão civil de crédito quando o faturizado (cedente) crédito. estará isento de responsabilidade pela satisfação do crédito. fique caracterizado vínculo empregatício. Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente.955. como admitir então a exoneração do faturizado. o faturizado e endossante do cheque.955/94 traz a definição: Art. Também chamado de contrato de franquia empresarial. mediante remuneração direta ou indireta. daí ser adesão). 2o da Lei no 8.

locatário.322 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O contrato assume a forma escrita (art. sua aquisição pelo preço residual que será a diferença entre o valor venal do bem e as quantias já desembolsadas pelo seu uso. além de permitir-se exigir a devolução de todas as quantias (devidamente corrigidas) que já houver pago ao franqueador ou a terceiros por ele indicados. atualizada pela Lei no 7. 6o). pois pode compreender as seguintes relações jurídicas: • locação do bem – caracteriza-se pelo fato de o arrendador disponibilizar a posse direta do bem ao arrendatário. irá pagar prestações fixas e continuadas ao primeiro. ou mesmo do pagamento de qualquer tipo de taxa pelo franqueado ao franqueador. Leasing ou Arrendamento Mercantil Tem disciplinamento na Lei Federal no 6. 5. Trata-se de um contrato pelo qual um financiador. que. Duas partes compõem a relação: • ARRENDADOR – é a pessoa jurídica que adquiriu o bem para posterior arrendamento. permitindo-se ao residual.5. Na omissão dessa providência. e outra. no prazo de dez dias anteriores à assinatura do contrato ou pré-contrato. pode o franqueado argüir a anulabilidade do contrato. o arrendador obriga-se irrevogavelmente a vender a coisa pelo seu valor residual ao arrendatário. ao final do prazo contratual. • ARRENDATÁRIO – é a pessoa física ou jurídica que tomou o bem para ARRENDATÁRIO seu uso. devendo ser averbado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. O franqueador obriga-se a fornecer ao interessado em se tornar franqueado. no financeiro. uma “circular de oferta de franquia”. por sua vez. leasing operacional. além de perdas e danos. chamada leasing financeiro. uma. enquanto no operacional o montante pode ser considerado. contendo informações detalhadas sobre o negócio. • Promessa unilateral de venda – findo contrato. operacional Diferem-se basicamente quanto ao valor residual. aluga-o a uma pessoa física ou jurídica. esse praticamente não existe (é embutido nas prestações).132/83. O contrato possui natureza complexa. . após adquirir determinado bem. Há duas espécies de leasing. de 12/09/1974.099. uma vez que. móvel ou imóvel. a título de taxa de filiação e royalties.

Periodicamente. Essa forma de contrato constitui elemento propulsor da economia. que é a de um contrato de financiamento. sem acréscimos financeiros. nenhuma responsabilidade terá perante o comprador. Para finalizar. acertando preço e especificações. Entendendo ser desinteressante para o seu negócio. O risco quem corr e é o emissor O fornecedor.6. Observa-se. TITULAR – é uma pessoa. física ou jurídica. O valor da compra deverá ser liquidado pelo comprador até o dia do vencimento de seu cartão. pode condicionar seu uso a determinado patamar mínimo de valor. corr emissor. De posse dos documentos trazidos pelo fornecedor. neste caso. física ou jurídica. Neste caso. pela inadimplência do titular. A partir desta data. que serão repassados ao arrendador. poderá responder com multa contratual e descredenciamento junto à administradora. a administradora cobra o débito do titular. não está compelido a processar todas as vendas por meio do cartão de crédito. . 5. Importante esclarecer que o fornecedor não tem responsabilidade subsidiária titular. este se obriga a repassar ao fornecedor o montante de seu crédito. adquirente dos produtos ou • serviços comercializados pelo fornecedor. materializado na antecipação de pagamento do preço do bem. o fornecedor apresenta ao emitente relação contendo as notas de vendas efetuadas via cartão de crédito. visando a ser ressarcido pelas operações efetuadas. Vemos três pessoas componentes da relação contratual: • EMITENTE – é a administradora do cartão de crédito.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 323 Série Impetus Provas e Concursos • Mandato – ocorre quando é o arrendatário que negocia com o vendedor a compra do bem. há autores que ainda consideram uma quarta relação jurídica presente. Descontada a remuneração do emissor. junto ao fornecedor do bem. a fim de que este providencie a sua aquisição. o futuro possuidor direto do bem (arrendatário) atuando como um verdadeiro mandatário do arrendador. na medida em que permite as transações. pois facilita as relações de consumo. independentemente de o adquirente possuir disponibilidade financeira. mesmo credenciado pela administradora. Entretanto. aquele que irá financiar a dívida. Cartão de Crédito Contrato pelo qual uma instituição financeira compromete-se a pagar o crédito oferecido por um fornecedor a uma pessoa. quem concede o crédito. • FORNECEDOR – é o empresário credenciado pela administradora. incidem correção monetária e juros contratuais.

Representação Comercial É o contrato regulado pela Lei no 4. salvo estipulação contratual específica. Em outras palavras. permanece devida a comissão. ficando o representante obrigado a registrar-se no Conselho Regional dos Representantes Comerciais. pois a representação é uma atividade autônoma. pelo qual um empresário (concessionário) obriga-se a comercializar mercadorias produzidas por outro (concedente). inclui-se o poder para iniciar a negociação. pelo qual uma parte (representante comercial autônomo) obriga-se. não está obrigado o representante a respeitar exclusividade de representação. Obriga-se o representado a respeitar a exclusividade de zona que é a zona. Concessão Comercial É o contrato regulado pela Lei no 6. as partes contratantes sempre serão consideradas empresárias. 5.7. A doutrina vem apontando a existência de relação interempresarial sempre presente nesta espécie de contrato. .324 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5. As duas partes componentes da relação são: • REPRESENTANTE – é o agente comercial intermediador dos negócios. em caráter não-eventual. REPRESENTADO Não pode haver vínculos de subordinação ou de emprego entre as partes. Sendo pessoa jurídica. ainda que de representados diversos. em favor de outra (representado). mediante remuneração (assume a forma de comissão). ainda que o representante não possua qualquer organização empresarial (elemento de empresa). a realizar negócios mercantis. evicção etc.420/92.729/79. Por outro lado. Este só tem direito à comissão a partir do pagamento do preço pelo comprador ao representado. pois cabe ao representado aprovar os pedidos de compra obtidos pelo representante. mas não para concluí-la. salvo estipulação em contrário. Isso se deve à impossibilidade de haver vínculo empregatício entre representante e representado. representação que seria a impossibilidade de ele representar outros produtos. se o comprador não pagou por culpa imputada ao representado (vício nos produtos. atualizada pela Lei no 8.886/65. também deve ter registro na Junta Comercial. atualizada pela Lei no 8. Nas competências do representante. No entanto.132/90. impossibilidade de ele vir a comercializar seus produtos na circunscrição do representante. fabricante ou apenas revendedor das mercadorias comercializadas. ainda que informal.). REPRESENTANTE • REPRESENTADO – é o empresário que irá fornecer os bens.8.

não há disciplina legal regulamentadora. os clientes. • não vender. • respeitar o índice de fidelidade em relação à aquisição dos componentes da marca. concessionário: São obrigações do concessionário • havendo cláusula contratual de exclusividade da marca. diretamente. a fim de atender. • comprar ao concedente a quantidade de veículos fixada em quota. caminhões. salvo se destinados ao Poder Público. corpo diplomático e a clientes especiais nos limites acordados entre as partes. • CONCEDENTE – é quem produz e fornece os bens destinados à comercialização. ônibus. • vender ao concessionário a quantidade de veículos fixada conforme estimativa de mercado. A norma legal abrange a concessão comercial relacionada aos seguintes bens: automóveis. São obrigações do concedente: • permissão ao uso da marca pelo concessionário. não terá o concessionário restrição a vender veículos de outra marca. Para os demais. veículos de sua produção no perímetro de atuação do concessionário. O percentual será definido de comum acordo com os demais concessionários e concedente. valendo o que for pactuado entre as partes. Caso contrário. deverá ser respeitada.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 325 Série Impetus Provas e Concursos Duas partes compõem a relação contratual: • CONCESSIONÁRIO – é o que recebe os produtos para revenda. • respeitar uma distância territorial mínima entre os concessionários. • organizar-se empresarialmente nos padrões definidos pelo concedente. tratores. . de forma condizente. motocicletas e similares.

detém a propriedade e a posse indireta da coisa. ao passo que o fiduciante detém a posse indireta da coisa. 3. o pedido de restituição do bem alienado. b) compreende uma abertura de crédito. c) fiduciário. c) podem ser provados por escrito ou verbalmente ou por meio de testemunhas idôneas. ESAF (AFTN/1991) Nos contratos de financiamento com alienação fiduciária. e) alienante. e) só permitem que o credor ou proprietário fiduciário venda a coisa alienada fiduciariamente através de leilão ou hasta pública. às vezes. em caso de falência do devedor. ESAF (AFTN/1989) A alienação fiduciária em garantia e o respectivo contrato: a) não permitem ao credor ou proprietário fiduciário. que se perfaz com a entrega da coisa. detém a chamada posse direta da coisa. 2. d) só podem ser provados por escrito. . ESAF (PROCURADOR DO BACEN/1994) Quanto à natureza jurídica do leasing. com promessa unilateral de compra do bem. ao passo que o alienante é apenas credor com direito de garantia fiduciária. ser obrigatoriamente arquivado no Registro de Títulos e Documentos do domicílio do credor. um mandato. d) consiste em contrato real. o devedor. b) não permitem que o credor ou proprietário fiduciário requeira contra o devedor ou terceiro a busca e apreensão do bem alienado. também chamado de (ANULADA): a) fiduciário. detém a propriedade indireta da coisa e o credor detém o direito de reserva da garantia. antes de transitada em julgado ação que reconheça o inadimplemento do devedor. ao passo que o alienante detém a posse direta. devendo o contrato. para ter valor contra terceiros. e) perfaz-se pelo mútuo consentimento e é exeqüível em uma única prestação. precedida de avaliação judicial da coisa.Exercícios 1. d) alienante. detém a chamada posse direta e indireta da coisa. detém a propriedade direta da coisa e o credor detém um direito real de garantia fiduciária. podemos afirmar que: a) compreende uma locação. uma promessa unilateral de venda e. b) fiduciário. c) envolve uma prestação de serviços para financiamento de bens.

a propriedade da coisa somente passa para o comprador após o pagamento da última parcela. . espécie de operação financeira: a) facilita a obtenção de créditos pelo empresário. FCC (JUIZ FEDERAL/2002) O não-recebimento da circular de oferta de franquia pelo candidato a franqueado no mínimo dez dias antes da assinatura do contrato. e) suspende a eficácia do contrato de franquia até que seja sanada a irregularidade. b) constitui venda de duplicatas. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Em relação a um contrato de compra e venda: a) pode ser celebrado em relação à coisa futura. 5. 6. d) com o pagamento de 50% (cinqüenta por cento) do preço. e) é negócio indireto de financiamento. b) quando é entregue a coisa. d) assegura ao franqueado o direito de obter judicialmente a revisão das cláusulas e condições contratuais que lhe sejam desfavoráveis. c) é desconto de duplicatas. por parte do franqueado. c) faz nulas as cláusulas contratuais que impuserem vantagem excessiva do franqueador sobre o franqueado. c) quando as partes acordam em relação à coisa e ao preço. b) permite ao franqueado a argüição de anulabilidade do contrato de franquia. do pré-contrato ou do pagamento de taxas ao franqueador ou pessoa a ele ligada: a) permite a resolução imotivada do contrato de franquia. 7. somente cabe ao comprador pedir abatimento do preço. (JUIZ DO TRABALHO – 13 a REGIÃO/1995) O contrato de compra e venda mercantil torna-se perfeito e acabado: a) quando as partes acordam na coisa. (OAB – RJ/1998) A compra e venda mercantil pura e simples aperfeiçoase: a) quando é pago o preço. d) quando feito a prazo. com a devolução das quantias pagas ao franqueador e a terceiros a título de taxa ou de royalties. d) é negócio atípico de cessão de crédito. no preço e nas condições estabelecidas. mesmo que a coisa vendida venha a não existir. e) com o pagamento de 75% (setenta e cinco por cento) do preço. bem como o pagamento de perdas e danos. c) a obrigação do comprador somente surge após a entrega da coisa pelo vendedor. b) com a entrega da coisa. mantendo-se íntegro. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A faturização. a qualquer tempo. d) quando o comprador declara-se satisfeito com a coisa e paga o preço. b) a responsabilidade pelos riscos da coisa passa do vendedor para o comprador apenas quando se faz a entrega efetiva da coisa vendida. e) se a coisa vendida apresenta defeito após a entrega.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 327 Série Impetus Provas e Concursos 4. c) com o pagamento do preço total. 8.

.

V. 13. r) F CAPÍTULO 2 1. 8. C A a) F. 20. 18. 6. j) F. V. V . E . b) V. V. 24. l) V. F F . F V. 19. 27. g) V. V. m) F. 20. 13. c) F. 29. q) V. F F F V . 18. 10. E C A E B FFF . F B E C. 27. B D F F V. V. 22. c) F a) V. o) V. D E C E B B A 11. 4. 26. 10. V. A V. 2. c) F. 12. e) V. b) V. F V . E D FFFV . . 14. 15. p) F. e) F. 3. B C E 11. 28. 25. . 8. 23. 7. . 5. c) F C 21. 23. f) V. 9. n) F. 16. b) F. 19. d) V. d)V a) V. b) V. 30. 26. b) F. 2. . F F . c) F a) V. 28. 17. E D A A B A V. C B E B A A D C 21. 15. 5. 9. 12. 3. 7. 4. c) V. 14. 24. . a) F. b) F a) F. h) F. b) V. b) V a) V. . 29. V. g) V a) F.Gabarito CAPÍTULO 1 1. . 17. F V . 25. V. 16. 22. d) V. B F F V. . . i) V. f) F. V. 6.

15. . 8. b) V 17. 48. 7. F V. 3. A V. 11. A 32. 4. F V. 9. C 38. 47. B C D C F F NULA . d) V a) F. 10. 45. 19. F V. b) V. CAPÍTULO 05 1. 7. 8. 13. C 36. b) F. 2. F F V . A . V. A V. c) F. C 6. V. V. E B a) V. 18. V. . F V. F V. A V. E B D E B C 44. F F F . c) F. E 34. . 21. 3. . 2. 46. d) V a) V. 16. A A C a) F. 12. 41. . A 4. V. 14. 20. 49. 42. 5. F V. b) V CAPÍTULO 3 1. E A A C D E B D 9. D 3. V . B 7. D 8. 22. V. 23.330 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 31. . E D C D B 6. F . V . 6. V . 40. 37. F V. 11. CAPÍTULO 4 1. A 5. 4. 43. F F V. A 33. D 2. V. C 35. 5. F . B B D E 10. . F F V . 12. b) V a) F. 39. 13. .

desde que precedido da expressão sucessor de. como. .185 do CC/2002. 3-a) F – O Direito brasileiro adotou o critério real na definição de comerciante. o alienante pode ceder seu uso. 1. 1. b) V – Art. que são adquiridos com o registro. 5-e) Nenhuma das alternativas contém erro. 6-c) O nome não pode ser objeto de alienação (art.160 do CC/2002. e) V – Embora o gabarito tenha considerado a alternativa verdadeira. d) F – Título e “nome fantasia” são expressões sinônimas. 8-b) – É o que preceitua o art. a proteção ao nome. e) F – A proteção ao nome vem com o arquivamento dos atos na Junta Comercial. Entretanto. por exemplo. 7-e) – É o que preceitua o art. f) V – Servem comentários da letra “a”. deve ser marcada a mais correta. entendo que há direitos. Quem o faz é a pessoa jurídica. 1. d) V – Servem comentários da letra “a”. 1.164 do CC/2002).156 do CC/2002.160 do CC/2002. c) V – Art. na hipótese de alienado todo o estabelecimento.Comentário CAPÍTULO 1 1-a) V – Art.158 do CC/2002. bastando existirem outros documentos para descaracterizá-los. 1. c) V – Servem comentários da letra “b”. 4-d) O fundo de comércio (o mesmo que estabelecimento empresarial) não tem poder para ingressar em juízo na defesa de seus interesses. 2-b) É denominação que indica tratar-se de uma sociedade limitada. contudo. 1. não modalidade de nome. situação que tornaria falsa a alternativa. entendimento que pode ser estendido na conceituação de empresário. b) F – Os atos de registro de comércio não fazem prova absoluta.

Na verdade.: essa questão poderia ser respondida por eliminação das demais alternativas). pois o art. A letra “a” está errada porque as Juntas também procedem ao exame material dos atos.a) V – O Código Civil de 2002. 1. 32. A letra “a” está errada porque. quando obedecidas outras formalidades.332 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9-b) – É o que preceitua o art. incorporou idênticas nomenclaturas. com base no art. 13. c) F – O princípio da novidade trata da exclusividade contra uso por terceiros. título etc. Essa conceituação deve abranger todas as espécies de bens. ou do mesmo artigo do Decreto no 1.) ou imateriais (nome. Exemplo: não basta observar se determinado nome empresarial obedece à forma exigida em lei. apesar de os agentes do fisco não se submeterem ao princípio do sigilo. d) F – O único tipo societário possível para esse nome é o de sociedade limitada. colocando-a de acordo com o gabarito oficial. b) F – A assertiva é falsa no que se refere às sociedades anônimas. apesar de não haver o detalhamento doutrinário entre firma social e firma individual. por tratar-se necessariamente de uma sociedade em nome coletivo.157. em seus arts. 1. o escopo da escrituração mercantil não é facilitar a atuação da fiscalização.) 11. antes utilizadas pelo antigo Decreto no 916. pois deve ser respeitado o princípio do sigilo. e) V – Na primeira edição deste livro. mas conceder regularidade à atividade empresarial.A resposta correta é a letra “d”. pois deveria referir-se à escrituração fiscal.155.156 e 1. 1. A letra “d” está errada. . 10-a) – O art. A letra “b” está errada. que trata do registro de comércio. a respeito dos nomes empresariais. como espécie de nome empresarial aplicado a esse tipo societário.404/76 prevê apenas denominação. de 24/12/1890. é preciso ver se estão sendo respeitados os princípios da veracidade e/ou da novidade. destinado ao exercício da empresa. pois o termo “estar escoimada” tem o sentido de “estar livre” (obs.142 do CC/2002 define o estabelecimento como um complexo de bens organizado. o princípio correto seria o da veracidade. da Lei no 8. alínea c.800/96. resposta que retifico.934/94. veículos etc. marca. 3o da Lei Federal no 6. pois a eficácia da ação administrativa mede-se com relatórios gerenciais. 29 da Lei Federal no 8934/94. A letra “c” contém erro. sejam materiais (instalações. 12 – A letra “e” está correta. aparece essa alternativa como falsa.

800/96. como cooperativas.934/94 como do Decreto no 1. 1. uma vez que. “c” e “d” não poderiam estar corretas. d) V – A proteção ao nome advém do arquivamento do contrato na Junta Comercial. 14-a) F – Da leitura do art. b) F – Respondem à questão os arts. apenas empresário pode ser titular de estabelecimento. 974 e 975 do CC/2002. do CC/2002. como tal. porque as decisões ou certidões das Juntas podem ser elididas em face de melhor prova.A resposta correta é a letra “e”. não as associações.142). da Lei no 8. conforme dispõe o art. Quanto à letra “e”. Mas o Direito brasileiro não admite a afetação de bens do empresário individual.934/94. pois se trata de uma atividade mercantil e. 32. 15. e ainda assim após a condenação criminal. juntamente com as disposições legais sobre a matéria. Ademais. vai de encontro à regra geral disposta no art. A letra “e” está errada. 18. muito menos possui organização empresarial. c) F – O patrimônio pessoal do empresário individual confunde-se com aquele destinado ao exercício da sua atividade econômica. Escritório de advocacia. bastando ver o art. 1.142. não havendo processo apartado para tanto.A resposta correta é a letra “b”. e art. é que podem requerer registro perante as Juntas Comerciais. 51. II. pois ambos os dispositivos prevêem. deverá ser desenvolvida por um empresário. b) F – A alternativa está errada pelo fato de as sociedades limitadas também admitirem a firma social como espécie de nome empresarial. da Lei no 8. tanto da Lei no 8. 972 e 973 do CC/2002. 1. apenas se Manoel fosse designado administrador da sociedade.A letra “c”.245/1991. pessoa física ou jurídica. parágrafo 1o. As letras “a”. Sociedades simples. que expõe a melhor doutrina. sempre será sociedade simples. 16. item 6. deste livro. 17. a princípio. não responde à questão. a destinação de bens componentes de seu estabelecimento empresarial seria razão suficiente para admitir-se a distinção entre bens de uso pessoal com os reservados ao negócio. é que a Junta deveria recusar o registro. A letra “c” está errada na parte final. em caso de alienação do estabelecimento. pois nenhuma das atividades é mercantil. Chega a soar estranhamente a assertiva. daí a confusão patrimonial.a) V – Respondem à questão os arts. conforme podemos observar no Capítulo 1.148. em que pese a correção da assertiva (art. apesar de haver sido considerada correta. 35. inclusive.CAMPUS Comentário 333 Série Impetus Provas e Concursos A letra “b” está errada porque a proteção ao nome advém do arquivamento e conseqüente registro do ato constitutivo. a . sendo dispensada qualquer outra providência burocrática.

do CPI. com base no art. com base nos riscos previsíveis. 3o. com base nos mesmos argumentos da alternativa anterior. A letra “b” está correta. 19. parágrafo 3o. inciso XXII. 8o do CDC.334 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel sub-rogação dos contratos que não tiverem natureza pessoal. com base no art. 6o. apesar de seu forte caráter subjetivo. A letra “c” está correta. considerada correta. do CDC. 56. da Lei no 8. parágrafo 1o.A letra “c” está correta. 21. do CDC.A letra “a” está correta. com base no art.884/94. A letra “c” está correta. 33 do CPI. com base no art. com base no art. 68 do CPI. 51 do CDC. do CDC. com base no art. do CPI. 6o.A letra “a” está correta. . parágrafo 1o. parágrafo 2o.A letra “a” está correta. do CPI. A letra “b” está errada. do CDC. com base no art. A letra “b” está errada. do CC/2002. encontra respaldo no art. com base no art. com base no art. do CDC. 46. A letra “e” está errada. 6o. com base no art. 45 do CPI. com base no art. parágrafo 2o.A letra “c” está correta. inciso V. com base no art. inciso VIII. 54. A letra “e” está errada. 1. inciso I. com base no art. parágrafo 3o. com base no art.A letra “a” está correta. 27. 29.147 do CC/2002. com base no art. A letra “d” está correta. 57 e 18. com base no art. A letra “d” está correta. com base no art.A letra “a” está errada porque os bens pertencentes à sociedade. com base no art. 37. com base no art. com base no art. 973. inciso V. inciso I.884/94. porém que não sejam utilizados no objeto social. caput. com base no art.A letra “a” está errada. do CDC. do CDC. com base no art. 1. com base no art. 23. A letra “b” está errada.A letra “a” está errada. 6o. do CPI. 6o. 25. com base nos arts. A letra “c” está errada. A letra “d” está correta.884/94. com base no art. A letra “f” está correta. do CPI. A letra “b” está errada. 23.179. da Lei no 8. com base no art. salvo disposição em contrário.A letra “a”. 13. 3o. com base no art. 18 do CPI. parágrafos 3o e 4o. caput. 28. 20. A letra “c” está errada. a que se refere o art. do CDC. 6o. 26. do CDC. A letra “c” está errada. 22. parágrafo 2o. A letra “b” está correta. A letra “c” está errada. A letra “b” está correta. 40 do CPI. A letra “g” está correta. da Lei no 8. 2o do CPI. do CDC. parágrafo 1o. 24. A letra “b” está correta. 54.A letra “a” está correta. com base no art. 21. do CDC. 3o. não fazem parte do estabelecimento. 3o. 3o.

da Lei das Sociedades Anônimas). do CDC. que prevê a necessária correção monetária. do CDC. 26 do CDC. A letra “j” está errada. do CDC. 120. 48 do CDC. que não condiciona a responsabilidade ao conhecimento do vício pelo fornecedor. A letra “h” está errada. com base no art. 18. A letra “l” está errada. caput. A letra “i” está correta. que prescreve a necessária remuneração do serviço. que prevê a necessária verificação de culpa. 12. Contudo. Por fim. parágrafo 1o. do CDC. com base no art. com base no art. 2-d) A ausência de personalidade jurídica decorre do não-registro na Junta. 28 do Código de Defesa do Consumidor. parágrafo único. temos que o conselho fiscal só funciona de forma permanente nas sociedades de economia mista. 3-a) Sobre o item I. do CDC. Com relação ao item II. começa a surgir a positivação da teoria. 21. da Lei das Sociedades Anônimas (reforma do estatuto) e no art. A letra “p” está correta. do CDC. a fraude deve estar presente. A letra “k” está correta. parágrafo 4o. A letra “m” está errada. . com base no art. 122. do CDC. 18. com base no art. com base no art. com base no art. que prevê a continuidade dos serviços públicos essenciais. § 7o. 49. 50 do Novo Código Civil ou. mesmo. O item III está errado em sua parte final. caput. Esses dispositivos legais chegam. A letra “n” está correta. com base no art. do CDC. 20. não de fato do produto. sempre que falarmos da teoria da despersonalização. 162. pois não podem compor o conselho membros de outros órgãos da companhia (art. observo que a assertiva não vale para as de economia mista. com base no art. 3o. parágrafo 2o. A letra “q” está errada. CAPÍTULO 2 1-e) Atualmente. A letra “o” está errada. 4-a) A resposta correta tem fundamento no art. desde que adimplente o consumidor. inclusive. o item IV tem respaldo no art. este previsto no art. do CDC. 22. 18. com base no art. I. com base no art. 14. considerado verdadeiro. É o que podemos perceber com a leitura do art. a não citar expressamente a fraude como pressuposto. do CDC. 18 do CDC. da mesma Lei das Sociedades Anônimas. § 2o. 18. A letra “f” está errada. acrescentando tratar-se de vício do produto. desde que o orçamento esteja escrito. caput. com base no art. 163. do art. parágrafo 5o. do mesmo diploma (suspensão de direito de acionistas).CAMPUS Comentário 335 Série Impetus Provas e Concursos A letra “e” está correta. com base no art. A letra “g” está correta. parágrafo 2o.

1. assim como no art. 11-a) O art. d) F – O art. junto ao órgão de registro. mas pelo público em geral.019. b) F – Necessitam de autorização do Governo Federal. mas dois. 105 da Lei das Sociedades Anônimas responde à questão. 1. 1o estabelece que o capital das sociedades anônimas é dividido em ações. 8-b) A resposta tem fundamento no art.160 do CC/2002. 1o da Lei das Sociedades Anônimas prevê a responsabilidade do acionista até o preço de emissão das ações por ele subscrita. 11 da mesma lei. c) V – Na sociedade limitada. os papéis da empresa. . da Lei das Sociedades Anônimas responde à questão. assim como no art. Se tiverem. A seguir.116 do CC/2002. 6-a) Serve como supedâneo à alternativa o art. o que significa que não pode haver barreiras ao ingresso de novos sócios.021. e necessariamente a companhia já nasce aberta. não apenas pelos sócios fundadores. d) F – Prevalece o que os autores chamam de Teoria da Aparência. não ao capital social que falta integralizar. da Lei das Sociedades Anônimas. do CC/2002. apenas as companhias que queiram ser abertas O número mínimo de sócios não é sete. pelo menos a partir da edição da Lei no 8. § 1o. caput. 10-e) O art. 243. 227.00. ou não. que é a forma como a sociedade apresenta-se no comércio. no art. 12-a) V – Esses são direitos dos sócios. mesmo admitindo que os contratantes poderiam verificar. e) V – O mesmo art. 1. caput. valor nominal. que no caso é de R$89. pela parte ainda não-integralizada do capital social. o que significa ser irrelevante o registro na Junta para qualificá-los. caput. caput.000. que independem do percentual da participação no capital social. de forma solidária. Valores Mobiliários. da Lei das Sociedades Anônimas. 15. 7-a) V – Responde a questão o art. 20. 1. há previsão de as ações possuírem. c) V – Subscrição pública é a aquisição do capital social inicial. da Lei das Sociedades Anônimas. e) F – A sociedade anônima é de capital. os sócios respondem. diz o parágrafo 2o desse artigo.099 do CC/2002.336 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5-b) A resposta está fundamentada no art. que proibiu outra forma de ação. 9-c) A resposta tem fundamento no art. o valor nominal será igual para todas. através da Comissão de abertas tas. b) V – O Direito brasileiro elegeu o critério real para classificar os comerciantes.

combinado com o art. A letra “d” está errada por não ser o interesse dos administradores. 265. 46 da Lei das Sociedades Anônimas. quando o correto seria o registro na Junta. Sendo em nome coletivo. manutenção em tesouraria (ações que são adquiridas pela pessoa jurídica para serem retiradas de circulação). da Lei das Sociedades Anônimas. A letra “a” está errada. não há a necessidade de os diretores serem acionistas. responsabilizando-se pela execução de seu objeto. 132 da Lei das Sociedades Anônimas traz os assuntos que competem à assembléia geral ordinária. indica tratar-se necessariamente de uma sociedade anônima. 14-b) Define a responsabilidade. § 1o. A letra “b” está errada porque a Lei de Falências permite a falência de sociedade irregular. posto que quem administra a companhia são os administradores. Na letra “b”. § 1o. 1o e 3a da Lei das Sociedades Anônimas. quando utilizado na frente do nome. A letra “e” aproveita comentários da letra “d”. 20-c) A letra “a” está errada por desconsiderar daquela qualidade as sociedades irregulares.”. 15-e) A resposta correta está embasada no art. A letra “e” errou por conta da responsabilidade ilimitada. que tanto podem ser membros da diretoria como do conselho de administração. § 1o. própria das sociedades irregulares. 17-a) Resposta no art.CAMPUS Comentário 337 Série Impetus Provas e Concursos 13-c) O ar t. Além do que a prestação de contas é feita perante a assembléia geral ordinária. 19-d) O termo “cia. Na letra “c”. por exemplo.404/76. a responsabilidade vai até o preço de emissão das ações subscritas pelo sócio. além do que já vimos a quem compete o encargo de administrar a companhia. Na letra “a”. 18-a) Responde à questão a combinação dos arts. em cumprimento às deliberações da assembléia geral ou do conselho de administração. todos da Lei das Sociedades Anônimas. 244. e vice-versa salvo se o objetivo de uma delas for a aquisição para vice-versa. ao passo que se for uma sociedade anônima. é ilimitada e solidária. a lei . 991 e 992 do CC/2002. a forma ou o tipo societário. 30. 22-d) O art. 132 da Lei no 6. 21-b) A diretoria é órgão de representação da sociedade perante o público em geral. sendo conhecidos por exclusão. apenas a palavra executar pode ser considerada como atribuição do órgão. Os de competência da assembléia geral extraordinária não estão relacionados em dispositivo específico. prevê que é proibida a aquisição de ações de uma companhia por outra. segundo o art. A letra “d” errou ao considerar o início da personalização a partir do acordo. mas sim da companhia. alínea b. 16-b) Respondem à questão os arts.

A letra “d” está errada porque há sociedades simples que também podem estar inscritas na Junta Comercial (cooperativas). 25-c) O art. mas não foi essa a opção de quem elaborou a questão. exceto a dos que assumirem função de gerência. 23-a) F – 7% de participação são considerados simples participação. Logo.142 do CC/2002 conceitua o estabelecimento como o complexo de bens organizados para o exercício da empresa.338 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel não faz qualquer menção à exigência de nacionalidade brasileira. Correta a assertiva. Na letra “c”. Isso exclui as sociedades simples. por acordo de acionistas. não basta ser mercantil. A letra “c” está errada porque a responsabilidade ilimitada dos sócios acontece quando eles assumem cargo de gerência na sociedade. . A letra “b” está errada porque não há tal limitação. 244. 21 da Lei no 6. além de não poderem fazê-lo no Mercado de Valores Mobiliários. na medida em que. A letra “b” está errada porque podem existir sociedades simples na mesma situação. d) F – Não é necessário. Correta a assertiva. é necessário haver a forma empresarial de organização. da Lei das Sociedades Anônimas. A letra “a” está errada porque a assunção dos riscos da produção não é determinante à definição. a responsabilidade dos acionistas está limitada da mesma forma que nas sociedades anônimas. A letra “d” está errada porque. em regra. § 2o. b) F – A alternativa somente seria verdadeira na hipótese de o capital referido (55% de W) conferir poder de voto. A letra “e” está errada porque. poderia tipificar a sociedade empresária. como a organização com elementos de empresa. 24-e) O § 1o do art. posto se tratar de simples participação. A letra “a” está errada porque as comanditas por ações podem ofertar ações com ou sem poder de voto. pela nova conceituação do Código. que dispõe sobre o Mercado de Valores Mobiliário. os membros da diretoria é que necessariamente teriam que ter residência no país. não pela qualidade das ações. apenas ela pode ser seu titular. a sociedade assume o controle de forma permanente sobre a outra. É claro que outras características. seja por empresário ou por sociedade empresária.385/76. e) V – Responde à questão o art. restringiu apenas às companhias a possibilidade de negociar valores mobiliários na bolsa ou no mercado de balcão. Na verdade. administradores são tanto os diretores como os membros do conselho de administração. por exemplo. c) V – 30% de participação no capital social da outra só deixam de caracterizar uma coligação. A letra “e” está errada ao classificar os membros do conselho de administração como responsáveis pelo controle social. 1.

A letra “a” está errada porque há casos que fogem à regra da limitação da responsabilidade. e não da lavratura do instrumento. 977 do CC/2002. a exemplo dos débitos tributários. pois não houve alteração na forma de controle. 29-a) Alternativa falsa. 27-e) O direito patrimonial está consubstanciado no valor econômico atribuído às quotas.012 do CC/2002. diferentemente do antigo Decreto no 3. ambos poderão exercer a gestão dos negócios. como o de voto. 1. . tendo em vista a possibilidade de a designação ser em ato separado. com fundamento no art. com fundamento no art. o novo Código protegeu-os. 1. A letra “a” está errada. b) Alternativa falsa. Logo. A letra “b”está errada. quanto à exclusão de sócio minoritário. posto admitir a participação de um número ilimitado de sócios. A letra “b” está errada porque a integralização do capital social também pode ser com bens ou créditos. c) Alternativa falsa. Correta a assertiva. Contudo. 1. A letra “c” está errada porque há outros direitos. assembléia de quotistas etc. pois carece de fundamento. pois a tipicidade significa previsão em lei. A letra “d” foi considerada errada. não enxergo qualquer incorreção. A letra “d” está errada porque é possível que as quotas sejam de mesmo valor. pois. A letra “c” está errada. A letra “a” está errada. com fundamento no art. 28-b) Alternativa correta. A letra “b” está errada porque o vínculo é contratual.708/19. como o Código disciplinou a estrutura das limitadas com conselho fiscal. observo que.052 do CC/2002. A letra “d” está errada porque a separação patrimonial acontece quando do arquivamento. pois terá que haver prévia previsão contratual. Correta a alternativa.CAMPUS Comentário 339 Série Impetus Provas e Concursos 26-a) O contrato de sociedades é de estrutura aberta.052 do CC/2002. 1. 30-e) A alternativa está correta. Na letra “c”. deu-lhes estrutura típica. no que pese ter sido considerada errada. com fundamento no art. A letra “e” está errada porque a regularidade dá-se apenas com o arquivamento do ato na Junta Comercial. apesar de não ser obrigatório. gerando direitos e obrigações. A letra “e” está errada porque as limitadas não têm nada a ver com a restrição imposta pelo art. não constando nome do administrador. enquanto que o direito pessoal é decorrente do status de sócio.013 do CC/2002. por exemplo.

Na hipótese de os sócios de A serem os mesmos sócios de B. é que nem sempre a relação tem que ser alterada. não haverá alteração da relação percentual de cada um. com autorização do estatuto. não mais pode haver tal delegação. A letra “b” está errada porque as demais também garantem a titularidade. 34. apesar de não haver sido marcada pelo gabarito. A letra “a” está errada. aprovar a emissão de ações (art. A letra “b” está errada. A letra “c” está errada porque.404/76. A letra “b” estaria correta. podendo ser feito até por companhias fechadas. que é a sucessão das obrigações. .115 do CC/2002 dispõe justamente a respeito da preservação do direito dos credores. não é necessário autorização da CVM. a exemplo dos 10% exigidos para constituição de companhias (ver art. A letra “d” está errada. A letra “c” está errada. A letra “d” está errada. 31-a) A alternativa está correta. da Lei no 6. § 1o. 80 da Lei das Sociedades Anônimas). não podemos admitir tratar-se de classificação de sociedade. posto não ser a competência privativa da assembléia. 142 da Lei das Sociedades Anônimas). 33-e) A letra “e” está correta. e não um tipo ou uma classificação. Basta ver a possibilidade de haver sociedades simples com ou sem fins lucrativos.340 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “c” está errada. A letra “c” está errada porque não possui qualquer fundamento. de acordo com o art. pois pode o conselho de administração. para as ofertas privadas. A letra “d” está errada porque sociedades grupadas são forma de ligação entre sociedades. pois. pois as ações escriturais não dificultam a negociação. caso se referisse à classificação doutrinária. aproveitando comentários em relação a letra “e”. com idênticos percentuais de participação em cada sociedade. apesar de o Direito brasileiro permitir a unipessoalidade. Exemplo: digamos que as sociedades A e B sofrerão fusão para o nascimento da sociedade C. não pode ser considerada errada. A letra “e” está errada porque o objeto social não é fator determinante para classificação societária. no novo regime do Código. A letra “e”. A letra “d” está errada porque os atos regulares de gestão não responsabilizam os administradores. pois existem percentuais mínimos de integralização das ações. 982 do CC/2002 elegeu a bipartição das sociedades em empresárias e simples. Correta a assertiva. seja incidental ou no caso de subsidiária integral (a regra é a pluripessoalidade). 32-a) O art. 1. pois a inexistência de papel simplifica a transação. 34-c) O art. A letra “a” está errada porque. servem comentários da letra “c”.

com fundamentação legal no art. conforme a exegese do art. 50 do CC/ 2002. VI. A letra “d” está errada.061.1. parágrafo único. A letra “c” está errada. 997. estipula a necessidade de deliberação. 990 do CC/2002. 993. parágrafo único. A letra “e” está errada. 37. com base no art. em combinação com o art. do CC/2002. inciso II. A letra “e” está errada. 1.A resposta correta é a letra “e”. conforme comentado no tópico 8. A letra “c” está correta. A letra “d” está errada em sua parte final.2. mesmo. pois a exclusão somente poderia atingir sócios minoritários.404/76.A resposta correta é a letra “c”. A letra “f” está correta. pois tem a ver com seus membros (lembro que o contrato é de estrutura aberta. parágrafo único. 1. de acordo com o art. com base no art. apenas quando se tratar de venda ou oneração. VIII. parágrafo 1o. caso aquele administrador. pode não haver alteração no quadro social. VIII. de acordo com a combinação dos arts. 997. 999. conforme a exegese do art. do Capítulo 2 deste livro. 1. da regra da subsidiariedade apenas aquele que representou a sociedade. com base no art. A letra “b” está errada. parágrafo único. 36 – A letra “a” está correta. Este último. 1. A letra “b” está errada.CAMPUS Comentário 341 Série Impetus Provas e Concursos A letra “d” está errada.A letra “b” está correta. ou negligenciar em descobri-lo. conforme a exegese do art. . pois modificação tipológica seria o mesmo que a sociedade sofrer “transformação”. e não de compra.039. seja conivente. embora se deva ressaltar que o mesmo dispositivo prevê o contrário. prevê a unanimidade.057. conforme a exegese do art. por exemplo).015. 38. de acordo com o art. A letra “a” está errada. se a limitada tiver regência supletiva nas sociedades simples. conforme vimos. pois o art.015. ou seja. A letra “g” está correta. não praticante de ato ilícito cometido por outro. do CC/2002. de acordo com o art. já que o majoritário detém o poder de decisão na empresa. 158. por comportar número ilimitado de sócios) e. conforme a exegese do art. ou. 39. 35 – A resposta correta é a letra “c”. A letra “e” está errada. 997. conforme a exegese do art. que é a passagem de um tipo para outro (limitada para sociedade anônima. 997. VIII. da Lei no 6. 1. não tentar inibir sua prática. que exclui do benefício de ordem. pois é possível a suplementação da lei pelo contrato social. 991. A letra “d” está errada.060.071 e 1. 1.

pois incorporação é um processo que visa à reorganização entre sociedades. Quanto ao patrimônio líquido da incorporadora. com base no art. 4o. A letra “d” está errada. conforme a exegese do art. independe da forma como ela se organize. 159. considerada correta. Assim. Pode ser um ato legítimo de gestão. servindo como fundamento legal o art. com base no art. a partir da extinção da incorporada. para fins de ser considerada empresária. A letra “c” está errada. pois.764/1971. contudo. Não se liquida a sociedade. com base no art. sabemos que a fusão é causa de extinção das sociedades fusionadas para criação de uma outra. inciso VII. o tema está relacionado às formas de modificação ou reaorganização societária. .A letra “d”. A letra “c” está errada. citado na letra “b”. Ato danoso é o que traz dano à sociedade.A letra “c” está correta. 28 do CDC ou. 1. não ficou claro. especificamente a incorporação. da Lei no 5.342 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “a” está errada. sem necessariamente ser ilícito. nem o autor muito menos os demais administradores deverão responder por ele. salvo numa cisão parcial. Quanto à letra “a”. está errada.A letra “b” está correta. com base no art. é merecedora de comentário. Portanto. estudada no Capítulo 4 desta obra. que reduzirá o patrimônio líquido da incorporadora. que é a alienação do estabelecimento.052 do CC/2002. 44.061 do CC/2002. O seu patrimônio é que é agregado ao da incorporadora. 50 do CC/2002 ou o art.A letra “e” está correta. 42. nem sempre acontece o seu aumento. Isso. aí sim. conforme citado na letra “a”. Basta o patrimônio líquido da incorporada ser negativo. A letra “b” está errada.055 do CC/2002. A letra “d” está errada. quando a doutrina se refere à “sucessão empresarial”.404/76. assim como a incorporação provoca o fim da personalidade jurídica da incorporada. mesmo. 43. Ressalte-se que mercantil é a atividade própria de empresário. De outra forma. 1. sendo mercantil a atividade desenvolvida pela sociedade. parágrafo 4o. porque. apesar de considerada correta. Também não há necessária mudança do tipo social. conforme teor do art. não se pode falar em manutenção da sociedade exercente da atividade. fusão e cisão entre sociedades. 1. 40.A letra “d”. 146 da Lei no 6. Sim. só se os sócios quiserem fazer a transformação. 1. se a sucessão referida pelos elaboradores tiver relação com o trespasse. encontra respaldo no art. 41. Ora. mas que trouxe prejuízo à pessoa jurídica.066 do CC/2002. a questão estaria correta. a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica.

inciso VIII. com base no art. A letra “b” está correta. com base no art.A letra “a”. com base no art. da mesma lei. com base no art. 1. com base no mesmo art. 1. . A letra “c” contém erro porque o warrant não serve à transferência da propriedade. pois somente pessoas físicas podem compor o quadro social da sociedade em nome coletivo.A letra “b” está correta.094. prevista no art. de forma taxativa. 135 da Lei no 6.008.142 do CC/2002. com base no art.404/1976. 977 do CC/2002. com base no art. 132 da mesma lei. No caso de inadimplência do título. não encontra respaldo na legislação específica. pela qual comerciante era aquele que praticasse certos atos previstos em lei ou em antigo regulamento. combinado com o art. A letra “b” está correta. A letra “a” está errada.039 do CC/2002. A letra “c” está errada. com base no art.CAMPUS Comentário 343 Série Impetus Provas e Concursos 45. 1. pois não poderiam contratar sociedade entre eles. a mercadoria deverá ser alienada para pagamento ao seu titular. com base no art. provoca a extinção das sociedades envolvidas. 228 da Lei no 6. com base no art. 122.133 do CC/2002. ambos do CC/2002. A letra “b” está errada porque o emitente do título (armazém geral) necessariamente fez um contrato de depósito com o primeiro beneficiário (depositante). A letra “b” está errada. enquanto o voto é restrito aos titulares de ações com esse direito. com base no art. incisos I e VII. do CC/2002. A letra “c” está errada. com base no art. 997. 47. A letra “d” está correta. apesar de considerada verdadeira. 993 do CC/2002.A letra “a” está errada. A letra “c” está errada. 977do CC/2002. 1. pois a fusão.A letra “a” está correta. O perfil objetivo é aplicado na Teoria dos Atos de Comércio. 49. A letra “d” está errada porque a presença na assembléia é facultativa.404/1976.A letra “a” está errada porque a qualificação de empresa como atividade empresarial está relacionada ao perfil subjetivo. 48. pois somente compõem o estabelecimento empresarial os bens diretamente utilizados no objeto social. CAPÍTULO 3 1-e) Enquanto o conhecimento de depósito representa a propriedade sobre as mercadorias depositadas. 986 do CC/2002. o titular do warrant tem um direito real sobre elas. 46. A letra “d” está correta. inciso VII. 2-a) A expressão numerus clausus empregada significa estarem as espécies de títulos de crédito todas previstas no ordenamento jurídico brasileiro. 1. A letra “b” está correta.

3-a) O sacado de uma letra não está obrigado a aceitá-la. Seu silêncio já indica a recusa. 3 – que não tenha havido recusa com fundamento no art. ordem. poder atingir o outro. só poderá fazê-lo como procurador do proprietário. 10-a) V – O aval é ato unilateral porque independe da concordância expressa do avalizado. por exemplo. só que o título permanece transmissível. para. Quanto à letra “d”. A letra “b” está errada pelo fato de as obrigações de um título serem autônomas. observem três requisitos à execução: 1 – protesto por falta de aceite. no caso de cheque. o fato de a nota estar avalizada. Aqueles títulos constantes das letras “a”. . Isso só vale para a fiança. 8-d) A declaração aqui referida é o aceite. o aceite pode ser parcial. “b” e “c” não exigem o aceite. no aval. 26 do Decreto no 57. onde o protesto é feito por indicação indicação. mesmo que reconhecidamente seja devedor. só então. ou não. pois os títulos legitimam seus proprietários no direito creditício neles contido. 2 – documentação comprobatória da entrega dos produtos (conhecimento de frete. A letra “d” contém erro.). lastreado no art. O que faz diferença realmente é a cláusula não à ordem que proíbe novo endosso. não precisando de nova declaração a esse respeito. porque. Está correta a assertiva. Por conseqüência. No caso de duplicatas sem aceite.663/66. A letra “b” tenta confundir. recibos etc. o avalista pode ser demandado independentemente do avalizado. apenas detém a atribuição para sua cobrança. taxando de nulo o endosso parcial. 8o da LD. sem precisar comunicar aos demais. se vir a endossar o título. seu titular pode cobrar o título de qualquer coobrigado indistintamente. A letra “c” está errada porque. é irrelevante. conforme seja o documento da praça ou não. A letra “d” está errada porque a anuência do endossante já é concedida quando é feito o endosso-mandato.344 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “b” está errada porque uma nota promissória emitida para saldar uma dívida de “A” para com “B”. b) F – O benefício de ordem significa cobrar-se primeiro do beneficiário. apenas com efeitos de uma cessão civil de crédito. pelo qual o portador não é proprietário. conta-se a partir dos trinta ou sessenta dias (prazo de apresentação). na utilização do princípio da solidariedade. 7-b) O termo executar significa ser alvo de uma ação de cobrança. 6-e) In casu. 4-c) É hipótese de exceção. 9-a) É hipótese de endosso-mandato. 5-d) A expressão a quo significa de início e. pode ser utilizada pelo seu credor para garantia de outra obrigação (endosso-caução).

d) V – Assim como o cheque. É o subprincípio da inoponibilidade das exceções pessoais. e) V – O fato de haver contrato de fiança não impede a existência do aval. o devedor de um título não pode negar o pagamento a terceiro. e) F – O defeito de forma não tem nada a ver com o princípio da autonomia. d) V – Respondem à questão os arts. c) F – Em decorrência do princípio da autonomia das relações cambiais. 12 do Decreto no 57.663/66 responde à questão. b) V – Embora tenha sido considerada correta. enquanto que o emitente de uma letra dá a ordem ao sacado para que este pague. não poderia ser contratual o aval (a fiança é contrato). 14-a) F – Errado. diante de terceiros. c) V – Quem emite uma nota promete pagar certa importância a alguém. ou seja. b) V – O princípio da autonomia significa que as obrigações oriundas de um título são independentes entre si. 15 do Decreto no 57. e) V – A cláusula à ordem pode ser tácita. porque a contagem dá-se a partir do fim do prazo de apresentação. . como. seria cartularidade. não-abstrato. b) V – Não só de E e de F como também de B e de A. alegando defeito na relação sua com aquele com quem transacionou. c) F – Neste caso. 18 (endosso-mandato) e 19 (endosso-caução) do Decreto no 57. que entraram na relação via endosso. por exemplo. d) F – A duplicata é título causal. que um cheque do qual é cobrado não obedece a um dos requisitos previstos em lei.CAMPUS Comentário 345 Série Impetus Provas e Concursos c) F – Sendo ato unilateral. b) V – Serve à fundamentação o art. d) F – Já vimos que o próprio decreto prevê a possibilidade de aceite parcial. 13-a) F – Não se permite ao devedor impor uma defesa contra terceiros (credor). A questão não está errada . o nome cheque constante do documento. basta não conter não à ordem para estar presente a primeira. 11-a) F – A cláusula não à ordem impede a transferência via endosso. d) V – Valem comentários anteriores. Sob essa ótica. c) V – A primeira parte do art. titular do direito creditício. o complemento à alternativa seria a ausência de aceite com fundamento no art. o devedor pode alegar. as notas promissórias já são emitidas pelo próprio devedor. 12-a) F – Neste caso. alegando questão sua com outrem. porque seus termos não excluem a possibilidade da cobrança contra os dois primeiros. como aqueles que fogem ao padrão convencional. cheque.663/66. por depender de uma prévia operação de compra e venda mercantil ou prestação de serviços. Por ele. razão para dispensar-se o aceite. Sobre o termo endosso impróprio a doutrina classifica-os impróprio.663/66. 8o da LD. seria a literalidade.

A letra “e” está errada porque a letra pode ser exigida de qualquer um que se obrigue no título. é transferível por meio de endosso. 21-d) A alternativa foi considerada correta. 56 do Decreto intervenção. e) F – A segunda parte da alternativa contém erro porque o titular da letra é livre para endossá-la a quem bem quiser. mas a interpretação doutrinária. prevalece a anterioridade. nessa qualidade.663/66 responde à questão. não importando se é o próprio sacado ou não. posta uma condição.663. 23 da LD a obrigatoriedade de emissão da triplicata. na obrigação dos devedores solidários de uma cadeia de endossos. Como tal. 20-c) Embora tenha sido considerada correta. considera-se não-escrita.346 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel e) V – Responde à questão o art. daqueles cuja vinculação aconteceu em momento anterior à sua. b) V – É o endosso próprio.595/66. 15-a) A questão trata da cláusula sem garantia que. para cobrá-los dos coobrigados. 1o. 23 da LD. 17-a) Os emitentes desses títulos são seus devedores principais e. d) V – A isso chama-se aceite por intervenção previsto no art. aproveita todos eles. produzindo todos os efeitos cambiários do endosso. nas hipóteses de perda ou extravio da duplicata. Porém. normalmente se exige o protesto. e) F – Esse princípio é geral para todos os títulos de crédito. salvo cláusula em contrário. 1o do Decreto no 57. c) V – O art. mesmo constando do art. do Decreto no 57. basta não vir a cláusula não à ordem para o título ser considerado à ordem. exime este de responsabilizar-se pelo pagamento. 19-b) A cláusula à ordem pode ser expressa ou tácita. nas hipóteses de perda ou extravio da duplicata. no sentido de um coobrigado só poder exercer seu direito regresso. Neste último caso.663/66. de regresso em caso de pagamento do título. Contudo. a emissão da triplicata deve ser entendida como uma faculdade do vendedor. b) F – O princípio da autonomia prevê justamente o contrário. . o n 57. d) V – Vale o aval parcial. item 3. 18-a) V – Responde à questão o art. 25 do Decreto no 57. Quando posta na origem. com base no art. dispensa-se o protesto para efetivação da cobrança. c) F – O endosso parcial é nulo. Reparem que prevaleceu não o texto literal da lei. 16-a) V – Trata-se do princípio da cartularidade. Quanto à letra “e”. pelo qual só se exime o endossante da responsabilidade pelo pagamento com a cláusula sem garantia garantia. não importando se o avalista já faz parte da cadeia de endosso. ou prestador de serviços. se colocada por um endossante.

5-b) Embora sem a melhor redação. Atualmente.A letra “a” está errada. caput. CAPÍTULO 4 1-e) O art. quando especificou que tanto as letras de câmbio como as notas promissórias poderiam ter vencimentos a certo termo de data e a certo termo de vista. pelo disposto no art. desde que se consigne no próprio armazém a dívida constante do warrant. embora condicionada ao pagamento do warrant. não vejo a necessidade de o warrant estar ligado ao conhecimento de depósito. A letra “b” está errada. a exigência de emissão obrigatória da fatura é para vendas com prazo não-inferior a trinta dias (vinte e nove dias para baixo não seria obrigatória a emissão). 2o da LF). Portanto. 3-c) O período de prescrição volta a contar depois de encerrado o processo. pois. 43. ou insolvência. no 1. A rigor. A letra “c” foi anulada porque conteve erro conceitual. Quanto ao termo comerciante. Ora. salvo direitos do titular do warrant. Logo. na minha opinião não contém vício. para os obrigados à expedição deste documento.CAMPUS Comentário 347 Série Impetus Provas e Concursos 22-c) Embora tenha sido considerada a alternativa correta. que os empresários que adotarem a nota fiscal fatura ficam obrigados à emissão deste documento em todas as operações de venda mercantil. a parte final do enunciado parece-me correta. uma venda com vencimento para trinta dias enquadra-se na obrigatoriedade da fatura. considerada errada pelo gabarito oficial. Lembro. 1o da Lei no 5. da Lei de Falências responde à questão. Isto significa transferência do domínio. pois. 4-d) Valem comentários anteriores. sejam a prazo ou à vista. seu sentido é mais abrangente. a alternativa está correta.102/1903 permite a retirada da mercadoria do armazém geral apenas com o conhecimento de depósito. a transferência do conhecimento de depósito confere a faculdade de dispor das mercadorias nele constantes. não se pode falar em vencimento a certo termo de vista para as notas promissórias. a insolvabilidade. é igual a trinta. do mesmo decreto. 22 do Dec. é gênero do qual são espécies a impontualidade (art. 23. pois a emissão da duplicata é facultativa e é precedida da fatura. para fins de liberação das coisas. 2-d) É a chamada ineficacização de certos atos praticados em período suspeito. trinta não é menor. 1o da LF) e os atos de falência (art. Já a letra “b”. De outra forma. § 2o. pois a duplicata não permite tais formas de vencimentos.474/68. ou seja. fez-se a opção pelo texto legal da Lei de Falências. pois inclui empresários e sociedades empresárias. ou da nota fiscal fatura. contudo. conforme o teor do art. por não admitir aceite. observo que o teor do art. 18. .

pois basta um único título em atraso para declaração da falência.024/74. alínea d. podendo ser enquadrada no art. senão vejamos: a eventualidade na impontualidade não impede a falência. Alerto que “balanço especial saneado” nada mais é do que aquele levantado pelo liquidante. logo que assumir o cargo. 19.024/76. deve ser assinalada essa. da Lei no 11. bastando ver teor do art. pelo fato de ser possível a conversão da liquidação em falência. A primeira.348 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Quanto à alternativa “d”. embora responsáveis solidários. 40 da LF .101/2005. combinado com o art. já que este é largamente usado na doutrina. assim como na falência. a solidariedade foi estendida aos controladores da sociedade. da Lei no 11. a alternativa mais correta é a letra “a”. a outra devido. A utilização do termo empresário também está correta.A alternativa correta é a letra “c”.024/76. 10. Contudo. não encontro erro. 6-b) A alternativa está correta. ao fato de que tal igualdade também é garantida pela falência. A letra “e” está errada. para serem considerados ineficazes. pois existe ordem de classificação de créditos. As letras “a” e “c” estão erradas porque os controladores.101/2005. 53 do mesmo diploma. por coadunar-se perfeitamente com o escopo do procedimento. não se submetem a tal restrição. com fundamento no art.Essa é uma questão cuja resolução torna-se difícil. 13) A letra “a” está errada. 8. prevê a revocação dos atos independentemente de terem sido cometidos com fraude. 52 da LF Esse dispositivo .A resposta correta é a letra “d”. parágrafo 2o.024/74. 7-b) A alternativa está correta. Sobre as demais respostas. Em todo caso.A resposta correta é a letra “a”. 12. 36 da Lei no 6. . 11.A alternativa correta é a letra “e”. uma vez que provoca encerramento das atividades sociais. pois a responsabilidade dos administradores independe de prova da omissão. 51. 1o da Lei no 6. apesar de não conterem erro. 59. A letra “b” está errada em sua parte final. 9. com base no art. basta terem sido praticados no período suspeito. com base no art. entendo não haver dúvida quanto à incorreção das letras “d” e “e”. inciso II. A letra “d” está errada. 40 da Lei no 6. A letra “b” está correta. na inexistência de alternativa mais completa. com base no art. pois o procedimento de liquidação extrajudicial não objetiva o soerguimento do sujeito passivo. não são as mais verdadeiras. É claro que. devido ao alto grau de subjetividade contido. com fundamento no art. da Lei no 6. como sabemos. com base no art. Com relação às letras “b” e “c”.

como constante na questão. via pedido de restituição. 3-a) O contrato de leasing possui natureza complexa. O mesmo não pode ser dito para concordata. deve ser considerada a alternativa mais verdadeira. 7-d) A alternativa está correta. basta o arrendatário não optar pela compra. apesar de formal. logo que as partes acordarem no preço e nas condições. o que tornaria correta a sua primeira parte. às vezes. 4-a) Trata-se de contrato consensual e informal. há autores que. em nome do arrendador. a devolução do bem. mas do vendedor. em muitos casos. pois o arrendador é obrigado a disponibilizar o bem à venda para o arrendatário. consideram como uma quarta característica desse contrato o financiamento. independente de instrumento. o contrato já estará constituído. 4o da Lei no 8. e. Com relação à letra “d”. a letra “e” está errada porque a venda também pode ser feita por propostas. mas de cessão de crédito. tivesse posse direta a proposição estaria correta. de fato. Por negócio atípico entenda-se aquele que não tem previsão em lei. é mais simples adquirir crédito numa faturizadora do que em um banco. 2-d) É a alienação fiduciária contrato solene exigindo-se formalidades inconcebíveis solene. mesmo ainda não havendo a entrega da coisa. Significa afirmar que. porque basta a simples mora do devedor para dar ensejo à busca e apreensão que só não será eficaz se o devedor já tiver pago 40% do débito. ao invés de propriedade direta. um mandato porque. a escolha do bem. ao mesmo tempo em que concorde em purgar a mora. 6-b) Responde à questão o art.CAMPUS Comentário 349 Série Impetus Provas e Concursos CAPÍTULO 5 1-d) A anulação dessa questão deveu-se a erro de nomenclatura presente na alternativa considerada correta. Quanto à letra “b”. 5-c) Valem os mesmos comentários da questão anterior. pois logo que comprador e vendedor acordarem no preço e nas condições. Se.955/94. para outras espécies. Entretanto. Por fim. a promessa unilateral não é do comprador. e desde que coloquem isso no instrumento. o contrato reputação é realizado. não se trata de venda. a falência do devedor é motivo para pleitear-se. Sobre a letra “a”. posto traduzir-se numa locação. direta. é o próprio arrendatário que intermedeia. A letra “c” contém erro ao inserir sempre o financiamento de bens. numa proposta unilateral de venda. Contudo. como acontece com a faturização. A letra “b” está errada. para descaracterizar financiamento. Quanto à letra “a”. . na medida em que o arrendatário paga o preço de uso. quando nem sempre isso ocorre. salvo cláusula contratual nesse sentido. Quanto à letra “b”. o contrato de leasing é consensual.

prevendo que o contrato ficará “sem efeito”. 483 do CC/2002. está perfeito e acabado a partir do acordo de vontades. vale observar o teor do art. Sem efeito não é o mesmo que anulado ou revogado. na hipótese de a coisa futura vir a não existir. pois é consensual e.350 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8-a) A alternativa está correta. como tal. Contudo. Logo. . o contrato continua íntegro.

Rio de Janeiro: Editora Forense. 2002. São Paulo: Editora Atlas. FAZZIO JÚNIOR. ______. Direito Comercial. 2003. Rio de Janeiro: Editora Impetus. Waldirio. ______. Gladston. Paulo Roberto Colombo. Resumo de Direito Comercial. 2002. Direito Empresarial. São Paulo: Editora Atlas. 2002. 1991. 2001. 2003. Curso de Direito Comercial. 1997. 2003. São Paulo: Editora Saraiva. São Paulo: Editora Nelpa. Jairo. São Paulo: Editora Saraiva. São Paulo: Editora Meta. Fran. FÜHRER. CAMPINHO. São Paulo: Editora Saraiva. São Paulo: Malheiros Editores. Resumo de Obrigações e Contratos. ______. Direito Comercial. Novo Código Civil Comentado. SADDI. 1999. Sociedades Comerciais. São Paulo: Editora Saraiva. 2003. Waldo. Curso de Direito Comercial. Contratos e Obrigações Comerciais.000 Perguntas de Direito Comercial. (b) DOWER.Bibliografia LIVROS ARNOLDI. São Paulo: Editora Atlas. Nelson Godoy. Fábio Ulhoa. 1998. 1982. Jorge de Miranda. 1986. São Paulo: Editora Saraiva. 2. Vol. COELHO. 1994. MAMEDE. Curso de Direito Comercial. Manual de Direito Comercial. GUSMÃO. Mônica. Rubens. Curso Avançado de Direito Comercial. REQUIÃO. . Teoria Geral do Direito Comercial. Ricardo et alii. São Paulo: Editora Saraiva. 1995. Rio de Janeiro: Editora Forense. São Paulo: Textonovo Editora. (a) ______. 2003. MATIELO. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. BERTOLDI. Títulos de Crédito. Intervenção e Liquidação Extrajudicial no Sistema Financeiro Nacional. 2001. BULGARELLI. 2003. Maximilianus. 1. Direito de Empresa. 2000. Direito Comercial Simplificado. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. MARTINS. São Paulo: Editora Atlas. 2003. MAGALHÃES. 1997. O Direito de Empresa. Curso de Direito Falimentar. São Paulo: Editora Saraiva. Marcelo M. Sérgio. FIÚZA. Mário Eduardo L. ______. Manual de Direito Comercial. Rio de Janeiro: Renovar. Láudio Camargo. FABRETTI. Rio de Janeiro: Editora Rio.

Lei das Sociedades Anônimas (Lei no 6. Código Comercial Brasileiro (Lei no 556.884/1994. de 18/07/1968). Legislação Falimentar (Lei Federal no 11.044.101. Letra de Câmbio e Nota Promissória (Decreto no 2.934.385/1976. Lei no 5. de 10/01/2002). Legislação sobre o Conhecimento de Depósito e Warrant (Decreto n o 1. Código de Defesa do Consumidor (Lei no 8. Registro Público do Comércio (Lei no 8. e Decreto no 1. Legislação sobre o Cheque (Lei no 7. Legislação sobre contratos de representação comercial (Lei no 4.474.869. Código da Propriedade Industrial (Lei no 9. que dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica.099/1974 e Lei no 7. Lei no 6. Código de Processo Civil Brasileiro (Lei no 5.078/1990). que dispõe sobre o mercado de valores mobiliários. e Decreto no 57. Decreto-lei no 2.406. de 31/10/2001).729/1979 e Lei no 8. Lei no 8.132/1983). de 25 /06/1850).420/1992).357.474/2000) Legislação do Inquilinato (Lei no 8.172/1966).800.447/97.595. atualizada pela Lei no 10.137/1990. em combinação com o novo Código Civil (Lei no 10. Lei Federal no 6.102.352 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel NORMATIV TIVAS FONTES NORMATIVAS Constituição Federal de 1998.321/87 e Lei Federal no 9. e Decreto no 57. de 15/12/1976.886/1965 e Lei no 8. que define a política nacional de cooperativismo. de 31/12/1908.620/1993) Lei no 8. de 21/11/1903). que define crimes contra a ordem tributária. Legislação sobre Duplicata (Lei no 5.132/1990). de 1o/01/1916). Legislação das Micro e Pequenas Empresas (Lei no 9. Lei no 9. que dispõe sobre planos e seguros privados de assistência à saúde. Legislação sobre Contrato de Alienação Fiduciária (Lei no 9. Legislação Previdenciária (Leis nos 8. de 2/09/1985.279/1996). Código Tributário Nacional (Lei no 5. . de 30/01/1996). Legislação sobre os contratos de arrendamento mercantil (Lei no 6. Lei no 8.955/1994. de 11/01/1973). que disciplina o contrato de franquia mercantil. que tratam sobre a liquidação extrajudicial de instituições financeiras.764/1971.404.841/99 e Decreto no 3.245/1991). de 18/11/1994. Código Civil Brasileiro (Lei no 3.024/76. de 7/01/1966). de 09/02/2005).303.663.514/1997 e Decreto-lei no 911/1969). Legislação sobre contratos de concessão comercial (Lei no 6. de 24/01/1966).071.656/1998.

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