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Direito comercial

Direito comercial

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Sections

  • 1. Origem do Comércio
  • 2. Surgimento do Direito Comercial
  • 3. Evolução Histórica do Direito Comercial
  • 3.1.Império da Babilônia
  • 3.2.Os Fenícios
  • 3.3.Os Romanos
  • 3.4.Idade Média
  • 3.5.Os Estados Nacionais
  • 4. O Histórico do Direito Comercial no Brasil
  • 5. Autonomia do Direito Comercial
  • 6. Fontes do Direito Comercial
  • 7. Conceitos de Direito Comercial
  • 8. Características do Direito Comercial
  • 9. Empresário
  • 9.1.Conceito
  • 9.2.Requisitos
  • 9.2.1.Profissionalismo
  • 9.2.2.Organização
  • 9.2.3.Atividade Econômica
  • 9.2.4.Capacidade
  • 9.3.Continuação da Empresa por Incapaz
  • 9.4.Os Impedidos
  • 9.5.O Empresário Rural e o de Pequeno Porte
  • 10.Prepostos do Empresário
  • 11.Livros Empresariais
  • 11.1.Conceito
  • 11.2.Classificação
  • 11.3.Formalidades
  • 11.4.Força Probante
  • 11.5.Exibição dos Livros Empresariais
  • 12.Registro Público de Empresas
  • 12.1.Disposições Preliminares
  • 12.2.Modelo Organizacional do Registro
  • 12.3.Atos de Registro
  • 12.4.Eficácia do Registro
  • 12.5.Inatividade do Registro
  • 13.Estabelecimento Empresarial
  • 13.1.Conceito
  • 13.2.Composição
  • 13.2.1.O Ponto Empresarial
  • 13.2.2.O Título do Estabelecimento
  • 13.3.Natureza Jurídica
  • 13.4.Alienação
  • 14.Nome Empresarial
  • 14.1.Conceito
  • 14.2.Formação
  • 14.3.Princípios
  • 14.4.Proteção
  • 14.5.Função
  • 14.6.Alienação
  • 14.7.Utilização por quem de Direito
  • 15.Direitos de Propriedade Industrial
  • 15.1.Disposições Preliminares
  • 15.2.Patentes
  • 15.2.1.Invenção e Modelo de Utilidade
  • 15.2.2. Do Pedido e Concessão da Patente
  • 15.2.4. Da Nulidade da Patente
  • 15.2.5. Das Licenças
  • 15.2.7. Da Extinção da Patente
  • 15.3.Registro
  • 15.3.4. Da Nulidade do Registro
  • 15.3.5. Extinção do Registro
  • 15.4.Registro de Marcas
  • 15.4.1.Disposições Preliminares
  • 15.4.4. Da Nulidade do Registro
  • 15.4.5. Da Extinção do Registro
  • 15.5.Indicações Geográficas
  • 15.6.Concorrência Desleal
  • 16.Meios de Proteção à Ordem Econômica
  • 16.1.1.Disposições Preliminares
  • 16.1.3. Das Infrações e das Penas
  • 16.1.4.Da Intervenção Judicial
  • 17.Direitos do Consumidor
  • 17.1.Disposições Preliminares
  • 17.2.Consumidor
  • 17.3.Fornecedor
  • 17.4.Dos Direitos Básicos do Consumidor
  • 17.5.Das Responsabilidades
  • 17.5.3. Da Decadência e da Prescrição
  • 17.6.Da Desconsideração da Personalidade Jurídica
  • 17.7.Da Publicidade
  • 17.8.Da Proteção Contratual
  • 1. Disposições Preliminares
  • 1.1.Sociedades Empresárias
  • 1.2.Sociedades Simples
  • 2. Constituição das Sociedades
  • 3. Personificação das Sociedades
  • 4. O Patrimônio das Sociedades
  • 5. Classificação das Sociedades
  • 6. Modificação das Sociedades
  • 7. Tipos de Sociedades
  • 7.1.Sociedades Simples
  • 7.1.1.Constituição
  • 7.1.2.Formação do Capital Social
  • 7.1.3.Cessão de Quota Social
  • 7.1.4.Deliberações Sociais
  • 7.1.5.Administração
  • 7.1.6.Responsabilidade dos Sócios
  • 7.1.7. Dissolução da Sociedade
  • 7.1.7.1. Da Dissolução
  • 7.1.8. Da Liquidação
  • 7.1.8.1. Da Liquidação Extrajudicial
  • 7.1.8.2. Da Liquidação Judicial
  • 7.2.Em Nome Coletivo
  • 7.3.Em Comandita Simples
  • 7.4.Em Comandita por Ações
  • 7.5.Em Conta de Participação
  • 8. Sociedade Limitada
  • 8.1.Disposições Preliminares
  • 8.1.1.Conceito
  • 8.1.2.Regência
  • 8.1.3.Natureza
  • 8.1.4.O Nome
  • 8.2.Constituição
  • 8.3.A Quota Social
  • 8.4.O Sócio Quotista
  • 8.4.1.Conceito
  • 8.4.2.Deveres dos Sócios
  • 8.4.3.Responsabilidade dos Sócios
  • 8.4.4.Direitos dos Sócios
  • 8.5.Administração da Limitada
  • 8.6.Órgãos da Limitada
  • 9. Sociedades Anônimas
  • 9.1.Disposições Preliminares
  • 9.2.Constituição
  • 9.3.Deveres dos Acionistas
  • 9.4.Responsabilidades dos Acionistas
  • 9.5.Direitos dos Acionistas
  • 9.6.Administração da Companhia
  • 9.7.Órgãos da Companhia
  • 9.8.Valores Mobiliários
  • 9.8.1.Conceito
  • 9.8.2.Ações
  • 9.8.3.Partes Beneficiárias
  • 9.8.4.Debêntures
  • 9.8.5.Bônus de Subscrição
  • 9.9.Livros Sociais
  • 9.10.Demonstrações Financeiras
  • 9.11.Lucros, Reservas e Dividendos
  • 9.11.1.Disposições Preliminares
  • 9.11.2.Reservas
  • 9.11.3.Dividendos
  • 9.11.3.1. Dividendos Obrigatórios
  • 9.11.3.2. Dividendos Prioritários
  • 9.12.Dissolução, Liquidação e Extinção
  • 10.Sociedade Cooperativa
  • 10.1.Regência
  • 10.2.Constituição
  • 10.3.Características Principais
  • 10.4. Classificação das Cooperativas
  • 10.5.Órgãos
  • 10.6.Administração
  • 10.7.Responsabilidade dos Sócios
  • 10.8.Dissolução da Cooperativa
  • 11. Ligações entre Sociedades
  • 12.Sociedades Dependentes de Autorização
  • 12.1.Disposições Gerais
  • 12.2.Sociedade Nacional
  • 12.3.Sociedade Estrangeira
  • 13.Sociedade entre Cônjuges
  • 14.Sociedades de Economia Mista
  • Exercícios
  • 2. Conceito de Títulos de Crédito
  • 3. Atributos dos Títulos de Crédito
  • 4. Características dos Títulos de Crédito
  • 5. Modo de Circulação
  • 6. Endosso, Aceite, Aval, Protesto
  • 7. Letra de Câmbio
  • 7.1.Conceito
  • 7.2.Legislação Aplicável
  • 7.3.Figuras Intervenientes
  • 7.4.Requisitos de Validade
  • 7.8.Vencimento
  • 7.9.Pagamento
  • 7.10.Ação de Cobrança
  • 7.11.Protesto
  • 7.12.Ressaque
  • 8. Nota Promissória
  • 8.1.Conceito
  • 8.2.Legislação Aplicável
  • 8.3.Figuras Intervenientes
  • 8.4.Requisitos de Validade
  • 9. Cheque
  • 9.2.Legislação Aplicável
  • 9.3.Figuras Intervenientes
  • 9.4.Requisitos de Validade
  • 9.5.Características Principais
  • 9.9.Vencimento e Pagamento
  • 9.10.Ação de Cobrança
  • 9.11.Protesto
  • 9.12.Sustação
  • 9.13.Espécies
  • 10.Duplicata
  • 10.1.Conceito
  • 10.2.Legislação Aplicável
  • 10.3.Figuras Intervenientes
  • 10.4.Requisitos de Validade
  • 10.5.Características Principais
  • 10.6.Endosso
  • 10.7.Aceite
  • 10.8.Aval
  • 10.9.Vencimento
  • 10.10.Ação de Cobrança
  • 10.11.Protesto
  • 11.Conhecimento de Depósito e Warrant
  • 11.2.Legislação Aplicável
  • 11.3.Requisitos de Validade
  • 11.4.Características Principais
  • 11.5.Endosso
  • 11.6.Aval
  • 11.7.Protesto
  • 12.Títulos de Crédito Rural
  • 12.1.Conceito
  • 12.2.Legislação Aplicável
  • 12.3.Figuras Intervenientes
  • 12.4.Características Principais
  • 12.5.Endosso
  • 12.6.Aval
  • 12.7.Protesto
  • 1.1.Disposições Preliminares
  • 1.2.Caracterização da Falência
  • 1.3.Sujeitos Passivos da Falência
  • 1.4.Sujeitos Ativos da Falência
  • 1.5.A Massa Falida
  • 1.6.Órgãos da Falência
  • 1.7.O Juízo da Falência
  • 1.8.Verificação e Classificação dos Créditos
  • 1.9.Efeitos Jurídicos da Falência
  • 1.9.1.Quanto ao Negócio do Falido
  • 1.9.2.Quanto aos Bens do Falido
  • 1.9.3.Quanto aos Direitos dos Credores
  • 1.9.4.Quanto aos Contratos do Falido
  • 1.10.O Processo Falimentar
  • 2. Recuperação de Empresas
  • 2.1.Recuperação Extrajudicial
  • 2.1.1.Disposições Preliminares
  • 2.2.Recuperação Judicial
  • 2.2.1.Disposições Preliminares
  • 2.2.5.Órgãos da Recuperação Judicial
  • 2.2.6.O Juízo da Recuperação Judicial
  • 2.2.9.O Processo de Recuperação Judicial
  • 3. Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras
  • 3.1.Disposições Preliminares
  • 3.2.Intervenção
  • 3.2.1.Conceito
  • 3.2.2.Causas
  • 3.2.3.Sujeito Ativo
  • 3.2.4.Sujeito Passivo
  • 3.2.5.Efeitos da Intervenção
  • 3.2.6.O Processo de Intervenção
  • 3.3.Liquidação Extrajudicial
  • 3.3.1.Conceito
  • 3.3.2.Causas
  • 3.3.3.Sujeito Ativo
  • 3.3.4.Sujeito Passivo
  • 3.3.5.Efeitos da Liquidação Extrajudicial
  • administradores)
  • 3.4.Administração Especial Temporária
  • 3.4.1.Conceito
  • 3.4.2.Causas
  • 2. Classificação dos Contratos
  • 3. Constituição dos Contratos
  • 4. Efeitos da Celebração dos Contratos
  • 5. Espécies de Contratos
  • 5.1.Compra e Venda Mercantil
  • 5.2.Alienação Fiduciária
  • 5.3.Faturização
  • 5.4.Franquia Mercantil
  • 5.5.Leasing ou Arrendamento Mercantil
  • 5.6.Cartão de Crédito
  • 5.7.Representação Comercial
  • 5.8.Concessão Comercial
  • Gabarito
  • Bibliografia

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© 2006, Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei no 9.610, de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. Editoração Eletrônica SBNIGRI Artes e Textos Ltda. Revisão Gráfica Tânia Gonçalves Coordenador da Série Sylvio Motta Projeto Gráfico Elsevier Editora Ltda. A Qualidade da Informação Rua Sete de Setembro, 111 — 16o andar 20050-006 — Rio de Janeiro — RJ — Brasil Telefone: (21) 3970-9300 Fax (21) 2507-1991 E-mail: info@elsevier.com.br Escritório São Paulo Rua Quintana, 753 – 8o andar 04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP Telefone: (11) 5105-8555 ISBN 13: 978-85-352-1985-2 ISBN 10: 85-352-1985-4 Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação, impressão ou dúvida conceitual. Em qualquer das hipóteses, solicitamos a comunicação à nossa Central de Atendimento, para que possamos esclarecer ou encaminhar a questão. Nem a editora nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas a pessoas ou bens, originados do uso desta publicação. Central de atendimento Tel: 0800-265340 Rua Sete de Setembro, 111, 16o andar – Centro – Rio de Janeiro e-mail: info@elsevier.com.br site: www.campus.com.br

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ _________________________________________________________________________ P698d Pimentel, Carlos Barbosa Direito Comercial: teoria e questões comentadas / Carlos 5. ed. Barbosa Pimentel — 5. ed. — Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. 376p. — (Impetus provas e concursos) Inclui bibliografia ISBN: 85-352-1985-4 1. Direito comercial. 2. Direito comercial – Problemas, questões, exercícios. 3. Serviço público – Brasil – Concursos. I. Título. II. Série. CDU — 347.7(81) 05-3692. _________________________________________________________________________

Dedicatórias

Aos meus pais, que me ensinaram a importância do conhecimento; à Patrícia, minha esposa, pelo estímulo e compreensão; aos meus filhos, Carlinhos e Clarinha, que inundaram minha alma de felicidade; ao meu sobrinho, Victor, que sempre esteve presente em minha vida; aos amigos sinceros, pelo apoio e ajuda na realização deste trabalho.

Nota do Autor

A disciplina a que nos propomos estudar tem como característica a variedade de normas regulamentadoras. São muitas leis e decretos, todos tendentes a estabelecer regras a respeito de Empresários, Empresas, Registro Público de Empresas, Livros Empresariais, Títulos de Crédito, Falência, Concordata, Contratos Mercantis, entre outros temas ligados ao Direito Comercial. Quando a finalidade do estudo é a participação e a aprovação em concursos públicos, devemos estar atentos para o melhor aproveitamento possível do tempo disponível, sem desperdiçá-lo na leitura de assuntos que não se referem diretamente aos programas. Geralmente, o aluno iniciante depara-se com certa dificuldade, absolutamente compreensível, devido à diversidade própria da matéria. Ciente da importância de maximizar o aprendizado, face à extensão dos tópicos constantes nos editais, que não são poucos, procurei reunir numa única obra os objetos do Direito Comercial mais requeridos nos competitórios, já aproveitando as novidades introduzidas pelo Código Civil de 2002, sobretudo no que se refere ao Direito de Empresa e Empresários. Este trabalho, portanto, desenvolvido tanto a partir da observação de questões presentes em concursos realizados pelas mais conceituadas instituições do gênero no país, como da leitura de importantes autores, a exemplo de Fábio Ulhoa Coelho, Fran Martins e Rubens Requião, entre outros, tem a finalidade de ajudar o candidato, na medida em que ele terá a oportunidade de apreciar os principais pontos da matéria, ao mesmo tempo em que disporá de cerca de oitenta quesitos comentados (todos extraídos de concursos). Com a pretensão de estar colaborando na busca pelo objetivo dos aspirantes a um cargo público, lembro que todo propósito a ser conseguido, por mais difícil que possa ser, necessita da conjunção de três fatores: a vontade de conquistá-lo, a persistência do agente e a organização de suas ações. Carlos Barbosa Pimentel carlospimentel@tce.pe.gov.br

busquei reunir conceitos e avaliações de renomados mestres (cito Rubens Requião. e envolve a participação do Banco Central do Brasil na intervenção. apesar da vontade de enriquecer o livro com cada vez mais temas relacionados à disciplina. a exemplo do item específico tratando das sociedades simples. pois o candidato que se prepara para enfrentar processos seletivos com tamanho grau de dificuldade. Seu estudo proporcionará ao leitor um substrato importante. Waldirio Bulgarelli. no sentido de debutar no conhecimento da ciência jurídico-comercial. a persistência de quem parece disposto a atingir uma meta. não pode utilizar seu precioso tempo na leitura de ensinamentos que. Auditor Fiscal da Receita Federal. Para que um trabalho dessa natureza atinja o fim a que se propõe. Por isso. Lembrem-se! A conquista de um sonho necessita de três fatores: o primeiro é o desejo de alcançá-lo. que nasce dentro de cada um de nós. até mesmo. quando o desânimo e o pessimismo devem ser afastados. sob uma visão finalística da matéria. que é o de oferecer. depois. um ótimo aproveitamento e que o esforço de meu trabalho seja útil à realização dos objetivos de cada um. Diferente do primeiro. como os que venho observando nos últimos anos. Para não me afastar da própria concepção objetiva da obra. cuja iniciativa nasceu da observação das grades curriculares de algumas universidades. portanto. não posso esquecer o objetivo inicial a que me propus. O primeiro. novas matérias. liquidação extrajudicial e administração especial temporária nas instituições financeiras e assemelhadas. aproveitei para inserir novos conceitos. embora válidos. um material didático abrangente dos assuntos requeridos nas provas. Fran Martins. questões aplicadas em certames realizados mais recentemente. Entrementes. aproveito para inserir dois importantes temas relacionados à disciplina.Nota à 2a edição A segunda edição dessa obra mantém a opção por um estudo objetivo. com a evolução histórica do Direito Comercial até seu surgimento no Brasil. muitas vezes longo. Desejo aos leitores. é conhecido por “Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras”. deverá ser constantemente revisto e atualizado. e. Técnico do Banco Central etc. a exemplo do Auditor Fiscal da Previdência Social. remonta às origens do comércio. este é contemplado em programas de vários editais de concursos públicos. a partir desta edição. Nota à 3a edição Feliz por ter nova oportunidade de enriquecer este trabalho com cada vez mais matérias de Direito Comercial. é preciso organizar as ações que permearão o caminho. por fim. . O outro tema acrescentado. ao mesmo tempo. procurando enfocar os principais temas ligados ao Direito Comercial sob a ótica de quem pretende enfrentar e vencer o desafio da aprovação em concursos públicos. dentre outros). não trarão proveito prático. enfocando-os com clareza e precisão.

A Nova Lei de Falências. Se a antiga legislação. foi mantida.101/2005. sempre perseguidora do progresso e do bem-estar social. adaptável ao dinamismo da própria sociedade. que poderia ser intitulada como a "Lei de Recuperação e Falências das Empresas e dos Empresários". mas com alterações. . publicada em 09 de fevereiro próximo passado. que também conta com os demais capítulos já apresentados em edições passadas. é um exemplo de como o sistema jurídico de um país deve acompanhar as mutações em seu panorama econômico. capaz de possibilitar o soerguimento de empresas invariavelmente fadadas à extinção. procurando sempre tornar a leitura o mais prazerosa possível ao leitor. Pois bem. A falência. Essa busca dos grupos sociais por mudanças leva à necessidade de constantes conciliações entre os anseios do povo e as normas jurídicas aplicáveis. Isso porque trouxe novas formas de processamento para a recuperação dos empresários. aqui entendidos pessoas físicas ou jurídicas. constituise no grande atrativo a essa 4a edição. representada pelo Decreto-lei no 7. pois não trazia instrumentos para propiciar a recuperação de pessoas jurídicas que atravessassem crises momentâneas em seu fluxo de caixa. de 1945. Trata-se da recuperação judicial e extrajudicial. da forma como era apresentada no antigo decreto. já não contribuía com a impulsão da atividade econômica.Nota à 4a edição O Direito é uma disciplina dinâmica.661. mais conhecida como a "Nova Lei de Falências". com graves conseqüências econômicas e sociais à nação. nas quais devedor e credores têm a chance de resolver seus conflitos através de um plano de recuperação proposto pelo devedor e levado a juízo. imprescindível era uma norma moderna. Foi com base nessas premissas que surgiu a Lei Federal no 11. essa nova ordem. com seus detalhes mais importantes reunidos de maneira didática.

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Sylvio Motta . o Direito Comercial. Sempre foi objetivo desta Série propiciar ao candidato instrumentos eficazes para o seu êxito no certame público. E isso tem ocorrido. com essa obra não é diferente. em razão da excepcional qualidade das obras que apresenta. para facilitar a fixação do conteúdo explanado. permeando sua narrativa de advertências oportunas para aquele que se prepara para enfrentar uma banca examinadora exigente. esta empreitada ainda dispõe de inúmeras questões de prova. Atualizada pelo novo Código Civil. Pois bem. de forma didática e agradável. agradecendo a confiança e fazendo de tudo para continuar a merecê-la. graças a dois fatores primordiais: a excelência dos professores signatários das obras que a compõem e o rígido controle de qualidade da Editora. E é atestando a qualidade da obra que a Editora Campus/Elsevier tem o prazer de colocá-la em suas mãos. O Professor Carlos Barbosa consegue dispor.Palavras da Coordenação A Série Impetus Provas e Concursos tem se consagrado junto ao seu fiel público leitor.

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...... Prepostos do Empresário .....................3...... Autonomia do Direito Comercial ....... Conceito ............1................................. 21 11................5. 3 3....... 1 2......... 17 9...........3.......................... Requisitos .............4...... Fontes do Direito Comercial ....1..2................. 12 9........................ Idade Média ......................................Sumário CAPÍTULO 1 NOÇÕES GERAIS ........... Empresário ........................................................ 14 9.............2................ 7 6............1.. Conceito ...4............................... Os Estados Nacionais ..... 20 11.......... 3 3.........................................5..... 10 7.....................3....2...................... Conceitos de Direito Comercial ........ 6 5......................................................................2....... Capacidade ................. 14 9.............. Profissionalismo .......................... 14 9................. Os Fenícios ...................................... Os Impedidos . Livros Empresariais ........................ 5 4... 3 3............. Os Romanos ........................... 21 11........................ 4 3............. Império da Babilônia ...... Classificação ..... 1 1...................................................................................... 2 3.................. Características do Direito Comercial ......... Atividade Econômica ................. 13 9........... 22 ............... 13 9.................... 15 9....4................................... 17 9.... 11 8.................... Continuação da Empresa por Incapaz .............. 2 3....................................2................................ 18 10........................... O Histórico do Direito Comercial no Brasil .............. Surgimento do Direito Comercial ............. Organização ...................... O Empresário Rural e o de Pequeno Porte .............................2............. Evolução Histórica do Direito Comercial ............................2.....1................................................2................................................................ Origem do Comércio . 14 9..

.............................................. Registrabilidade do Desenho Industrial ..2.............. Da Nulidade da Patente .......................................... 45 15. Disposições Preliminares ............... Registro ......................2.. 29 Estabelecimento Empresarial ...... 29 13..................... Conceito .2......... Patentes . 39 14.. 40 14.......... Princípios ........................2...1......... Invenção e Modelo de Utilidade ........... Exibição dos Livros Empresariais ............................. Composição ................................6. 25 12...........1............3............................................... 15......................1. 38 14........... 35 14...........2............2................... Da Realização por Empregado ou Prestador de Serviço ..... 48 15.................... Formação .........................7.. 24 11.... 13..........6...................................3.............................................................................. 42 15.3...... 50 15............. 27 12.................................................................. 14....................... 34 Nome Empresarial ............... 11.2.............. Alienação ......................1....... 44 15.8................ 48 15.................................. 30 13....1..............4............2.....5..................... 51 15.. Da Patente de Interesse da Defesa Nacional ...5............................. 50 15..........12................... 31 13....4... 42 15...................................... Do Pedido e Concessão da Patente ....3...... Inatividade do Registro ...................... 33 13.... Atos de Registro . Utilização por quem de Direito ...2..1. 43 15.............. 38 14................. Força Probante ....7........................................ 47 15. 50 15........ 24 Registro Público de Empresas ..........2........ 36 14........................................ 29 13.... Da Vigência e da Proteção Conferida pela Patente .......... 35 14...............................2........ 28 12..1......2............. Proteção ..5... Eficácia do Registro ................. 25 12...............................................................................2.. O Ponto Empresarial .........2...2........4... 41 Direitos de Propriedade Industrial ............................................................. Modelo Organizacional do Registro ...... Formalidades ............. Alienação ........................... 51 ...4........................................3...... Natureza Jurídica .. O Título do Estabelecimento ............. 23 11. Das Licenças ........ Da Extinção da Patente ..... Disposições Preliminares ......3.... Conceito ....................2............... 32 13........................ 27 12..............5..3...............4..................................................... Função ..

....................4...................3...................................... Da Nulidade do Registro ..................... Do Pedido e da Concessão do Registro ....................... 65 17..... 73 17..........5..............3............3.... 63 17.4................. 52 15.... Da Responsabilidade por Vício do Produto ou do Serviço ..7.......................................................................... Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro . Repressão aos Crimes Contra a Ordem Econômica .......... 72 17............... 61 16........... Fornecedor ....... 63 17................4... Meios de Proteção à Ordem Econômica ....1....5..3..Do Pedido e da Concessão do Registro de Desenho Industrial .. Da Extinção do Registro ........... 60 16........................... 58 15......3..1..... 56 15... O Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE ............3.........1............1.......... Da Proteção Contratual ...... Registro de Marcas .....................................................6......4........... 60 16.................................5.... Das Infrações e das Penas ............ Disposições Preliminares ....... 57 15..... 54 15.....4.......... Da Desconsideração da Personalidade Jurídica ........ Da Nulidade do Registro .......5....................... Consumidor ... 74 17...........1... 77 15........... 75 Exercícios ......... Das Responsabilidades ... 67 17. 58 16................. 53 15................................. Disposições Preliminares ......2.... Da Decadência e da Prescrição . ........ 53 15....... 55 15.... 54 15... 62 16..........5.... 53 15..2................ Da Intervenção Judicial .......... 60 16.........................2...4........ Repressão às Infrações Contra a Ordem Econômica ....1.........1...2....... Da Publicidade .2.......5........... Da Responsabilidade pelo Fato do Produto ou do Serviço ...........3.... 67 17.............. Disposições Preliminares .......................... Direitos do Consumidor ... 57 15....... 68 17............ Indicações Geográficas ...... 64 17..................... Extinção do Registro .4.5........3......4........................... Dos Direitos Básicos do Consumidor .......................... Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro ......8.4..............6..1...................... 61 16....... 63 17..................4....1.............2.3...................................... Concorrência Desleal .... 63 17...........

...............................4..........8..........................1....................................... Sociedades Empresárias ....... Sociedades Simples ......... 93 4........................... 123 8...... Da Liquidação ........................................2..4............ 112 7............3....1.. 103 7.........1...... 110 7...8..................2..2.................................................. Sociedades Simples ..........1. 88 1..... 97 6...........4.....................1.. 128 8........... Administração ......... 89 2............................ Formação do Capital Social ......... 118 7........................... 116 7.......... 111 7............. 128 8................................................... O Patrimônio das Sociedades ...........4.....................4.........1........ 124 8.................................. Deveres dos Sócios ...........1...4.....2.......................... Da Liquidação Judicial .................... Dissolução da Sociedade ..1... 105 7..............3................... Em Comandita por Ações ........ Da Resolução em Relação a um Sócio ........ Personificação das Sociedades ........................2....................... 124 8. Da Dissolução ...... 113 7............ 103 7.4... Conceito ........ Disposições Preliminares .. Regência .. O Nome ...........3.... Classificação das Sociedades ....4.....7............1..........1........................7.........1................CAPÍTULO 2 DIREITO DE EMPRESA ... Deliberações Sociais ... 100 7........................ 103 7.1..2. Responsabilidade dos Sócios .. Cessão de Quota Social ........... 130 8.7....................1.... 119 7..... 123 8......5.8........2..... 125 8........................ Responsabilidade dos Sócios .....1............... A Quota Social .... 87 1.....2..... Em Conta de Participação ....... 121 8........... Natureza .. 114 7........3..............1..6...... 123 8.................................1...................................... 106 7....1...... 132 .......................................................... 129 8. Sociedade Limitada ........ 117 7........................ Disposições Preliminares ....1.... O Sócio Quotista ...... Constituição das Sociedades .............. Da Liquidação Extrajudicial ...... 108 7.....1. Direitos dos Sócios .....................5. Conceito ..................... Constituição .. 91 3.......................... 105 7...................................4...1.............................. 123 8...............1........ 104 7........1............ 127 8........ Tipos de Sociedades ........1..............3............... Em Nome Coletivo .... Constituição ........... Em Comandita Simples ................... Modificação das Sociedades ................... 94 5...................1. 87 1.............................

.8...3.. 145 9.. 159 9.................. Responsabilidades dos Acionistas .......... 148 9....1..4..11. Reservas e Dividendos .... 144 9. 162 9................ Dividendos Obrigatórios .......................3................. 141 9.............10.......... Constituição .... 175 14....................11....................... Características Principais ........................... 162 9.. 163 10....... 176 Exercícios ............................. Sociedade Cooperativa ... 170 11..... 146 9........................ Livros Sociais .... 153 9...........................................................................................11.... 165 10...............1...2...................8......2. 159 9..................................... 174 13..4..... Disposições Gerais ... Responsabilidade dos Sócios ...............................1.... Ligações entre Sociedades .........................9..8.................... Sociedade entre Cônjuges ............. Ações ................................ Liquidação e Extinção ... Lucros............. 134 8.........6.... 141 9.......8...... Sociedades Dependentes de Autorização ......................................... Constituição .............. Disposições Preliminares . Valores Mobiliários ................................... Administração da Limitada .................................3............ Dissolução....................................... 163 9................................. 165 10.. 171 12......5........ Dissolução da Cooperativa ............. Conceito ........ Reservas ...... Regência ......... 165 10.......8..................... Classificação das Cooperativas .......11......................7.....12............................ Bônus de Subscrição ..............2...... Sociedade Estrangeira ........ 158 9.5.....7...................3............................................5..3...................................... Administração da Companhia .. Administração ..... Órgãos .1..... 156 9..................... Direitos dos Acionistas ..... Órgãos da Companhia . Órgãos da Limitada ............................ Deveres dos Acionistas .......... Dividendos Prioritários ...................... Sociedades Anônimas ......... Disposições Preliminares ....................................................... 173 12..........8.......3.....2..................................................... 173 12.. 153 9............ 169 10............. 156 9....... 141 9. 169 10.................8........2. 168 10.....................6..................... 174 12............. 157 9.....2.......................... Demonstrações Financeiras ........................6....... Sociedades de Economia Mista ...... 153 9.11................... 167 10.. 160 9.................. 188 .......5.............................. Debêntures ............3....... 143 9..... 136 9........................... Sociedade Nacional ......... 166 10. Dividendos ..........11...................1....................1...........4............................................. Partes Beneficiárias ..................8. 158 9.............

... Aceite .............................................. Endosso ..7... Endosso .................................4............................................................................ Requisitos de Validade ....... 202 3........ 214 8...... Aval.............. 209 7.. 202 5...... Disposições Preliminares ............. 214 8........................3... Conceito .............6......................... 207 7..... Vencimento........................... 215 8....................................................... Modo de Circulação ....................... Pagamento..........3....................................................8..............................7.............................. Ressaque ...........1...................... Legislação Aplicável ....................... 220 . 207 7.........11............. Requisitos de Validade ......................................................... Requisitos de Validade ............... Aceite ....................... 214 8............... 218 9......................... 219 9.................................CAPÍTULO 3 DIREITO CAMBIÁRIO .......... Ação de Cobrança ............. Endosso. 219 9....... 217 9......................5................................ Aceite............................................ Protesto ......... Nota Promissória ............................ Conceito ................................................................. 215 8.......... Protesto .............1.................6... Ação de Cobrança ............................. 207 7...............9............................. 216 9..................................6.. 216 9...... 205 7.........11.............................. 218 9.................................... 204 6................................................... 208 7..... Figuras Intervenientes ........................ Aceite ...4................................ Aval ... Figuras Intervenientes ........ Ação de Cobrança..... Aval................. Pagamento . 202 4............. Vencimento e Pagamento ....5....4....... Letra de Câmbio ... Conceito de Títulos de Crédito ...........3......................................................................................5........ 201 1.................................. 213 7..2................. Protesto . Aval ..... Vencimento .................. Protesto .. Conceito ........................................................... 201 2.... Endosso... Cheque .....................2...... Figuras Intervenientes .. Legislação Aplicável ....... 210 7..... Características Principais ............................................................................. 216 9......................................................................... 214 8..... 215 8...............10.............2.12...........................9..................... 208 7........... 217 9.............. Características dos Títulos de Crédito ............ 213 7...............10............................. 219 9............................................ Atributos dos Títulos de Crédito .....................8..... 207 7.................1.............. 216 9....... Legislação Aplicável ........... 216 9... 212 7........... 211 7.......................

............ 228 11........... 228 12........................5................1......................................2............. 223 10................5........................................................................... 228 12........................................................................ 223 10......................2............................................ Protesto ............... Títulos de Crédito Rural ....... 226 11.............................................12................ 225 10.............................. Figuras Intervenientes ....................................... 244 1............. Conceito ........... Características Principais .... 230 12.. Duplicata ............ 245 1...................................................7............................................1. 249 ......................8........5....................6......................... Disposições Preliminares .................... Conhecimento de Depósito e Warrant ..... 222 10............... Legislação Aplicável .......................................................... 223 10...10..... Aval ................11..9.................... Aval ...........6...... 228 12. 230 12............. Características Principais ........ Ação de Cobrança ... 225 10.....................3..7..................2................ 224 10..........................4............................. Protesto ............ 241 1................................ 230 Exercícios .. 226 11...........................7................6................................. 228 11. 227 11................4......................... Características Principais ......9....... 221 10................................................ Aval ...........1....................................... Aceite .... 241 Introdução .............................................. A Massa Falida ... Conceito ........................................4.......3............................... 225 10.................................... 221 9....................................................... 222 10...................... Falência .......... 226 11.1........ Endosso ....................................................4... Legislação Aplicável .............................................. Sujeitos Passivos da Falência.......... 224 10.......... 244 1......... Protesto .... 223 10... 235 CAPÍTULO 4 DIREITO FALIMENTAR ......................... 248 1..... Vencimento ....... Requisitos de Validade ..................................................3.....2.......................................................... Endosso .............................................. Conceito .... Endosso ........... 227 11............... Legislação Aplicável .... Requisitos de Validade .. 229 12......................... Sustação .............................................. 229 12... 229 12.......... 249 1.................... Sujeitos Ativos da Falência ..............5......... Espécies .............. Caracterização da Falência .. 227 11............................................................................... Figuras Intervenientes ................................3..............13..........................

...2......... 284 2............. 258 1.. .............. 259 1................ Quanto aos Direitos dos Credores .6....................... Quanto ao Negócio do Falido ..10.........2............ 279 2....2.... O Juízo da Recuperação Extrajudicial .......... O Juízo da Recuperação Judicial ... 287 2...............4..... Efeitos Jurídicos da Recuperação Extrajudicial .................1...9..... 253 Verificação e Classificação dos Créditos ...........................1............ 250 O Juízo da Falência ............1. Quanto aos Contratos do Falido ...5... 268 Recuperação de Empresas ....................2.................................. Sujeitos Passivos da Recuperação Judicial ........ Quanto aos Bens do Falido .....3................................... Recuperação Extrajudicial ...............1..9.9..9.... Sujeitos Ativos da Recuperação Extrajudicial ...... Sujeitos Passivos da Recuperação Extrajudicial ..... Sujeito Ativo da Recuperação Judicial .6........... 262 1.........1... 275 2... 266 1............2................................. Disposições Preliminares .......3............................ 279 2... 290 1...... Disposições Preliminares .5...........1........................... 1.. Órgãos da Recuperação Judicial ..................... Caracterização da Recuperação Judicial ... 279 2.............. Caracterização da Recuperação Extrajudicial ................. O Processo de Recuperação Extrajudicial . 275 2...1...... 1.... 263 1......... 275 2............................... 278 2.5.................4. Quanto à Ineficácia e Revogação de Certos Atos .................... 255 Efeitos Jurídicos da Falência ...2...............1...7.... O Processo Falimentar ......2.... 282 2...2.......................1.. 258 1....... Órgãos da Falência ...2. 287 2.......8....8.....9...................9..1... Órgãos da Recuperação Extrajudicial .....1......................6..............3. 282 2......... 278 2.......2....2... 276 2............ 280 2................ 1......... Recuperação Judicial ...... 288 2....4..............................................7......1...

.....8.......5. 299 3... Conceito . Quanto aos Contratos Celebrados pelo Devedor ... 293 2................3.. O Processo de Recuperação Judicial ........1...... Disposições Preliminares .2.......2..........................................2.... Efeitos da Intervenção ..9........................ 307 3... 306 3......................3........ O Processo de Intervenção . 305 3....2....... 291 2......... 297 3..2............ Causas .. 299 3...........4... Responsabilidade dos Administradores .............7....3....................... Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras .......6............................................. 300 3... Liquidação Extrajudicial ....... Causas .................. 295 2....... 292 2.......... Efeitos da Liquidação Extrajudicial .................... Efeitos Jurídicos da Recuperação Judicial .............. 302 3...................... Conceito ...2.....2.2.............. 294 2......... O Processo de Administração Especial Temporária ............. Sujeito Passivo ......... Quanto aos Direitos dos Credores ..Verificação e Classificação dos Créditos ...... Conceito .............4.. 303 3.... 295 3..........2. 298 3..........................8................2......1................. Sujeito Passivo ...3.... 297 3......3................... ..............2.......3...... Quanto ao Negócio do Devedor ..... Administração Especial Temporária .....2..2...........4.6....................................... 299 3...2.................3............................................4.3...8. 309 2........................... 293 2.... Quanto aos Bens do Devedor ...... 304 3....1.......8......... O Processo de Liquidação Extrajudicial .......................................1..............3..................1. 300 3...4...... 301 3.......7.3.............2................... 298 3...... 307 Exercícios ...................................4..2...2......... 301 3......................... Causas ..........2.4............8............. 303 3.............. 303 3..................5..3.... Intervenção .........................3... 306 3..... Sujeito Ativo . Sujeito Ativo ....

......... 314 3..................................................................................... 317 5........................2.............................................................................. 351 ........................................... Efeitos da Celebração dos Contratos ................................................. Disposições Preliminares ......................... 322 5.................................. Faturização .......................... 321 5..........................................4... Representação Comercial ......................................1................................................... Alienação Fiduciária .. 323 5........7................................... Constituição dos Contratos ...8.... Classificação dos Contratos ............................................ Franquia Mercantil ........................................................... 313 1.. 315 4.............. 313 2.................... Espécies de Contratos ..CAPÍTULO 5 CONTRATOS ........... Compra e Venda Mercantil ...... Cartão de Crédito ............................................................................... 318 5....................... 329 GABARITO COMENTÁRIO ..................... 317 5.....................................3........ 331 BIBLIOGRAFIA ...................................................5... Leasing ou Arrendamento Mercantil ............................... Concessão Comercial . 324 Exercícios . 320 5..... 316 5................................... 326 .....6... 324 5..............

para uma economia de escala voltada para a produção maciça de escala. tiveram por objetivo auferir lucro da profissão. da pesca. ao ato de comprar bens para posterior revenda. pois nem sempre o grupo social detentor de gêneros desejados por outro estava interessado na aquisição do excesso produtivo daquele. mercadores.Capítulo Noções Gerais 1 1. ofertando aquilo que tinham em abundância. A diferença. Tornou-se. surgiram os comerciantes conhecidos no início como mercadores comerciantes. Contudo. imperiosa a criação de uma unidade comum de valor – a moeda – cobiçada por todos. ou da atividade mercantil. mercantil uma vez que possibilitou a transição de uma economia de subsistência na qual o principal elo econômico entre os grupos sociais eram as trocas do excedente produzido. deu-se o nome de “atividade mercantil ou comercial”. era a margem de lucro. excluídos seus custos. ou seja. começou a haver uma permuta do excedente de produção entre as sociedades. A moeda foi o fator determinante para o surgimento do comércio. . com uma parte devendo ser vendida a outros contingentes populacionais. Com o passar dos tempos e o natural crescimento dos grupos sociais. Desde o início. então. para revendê-los com majoração no valor da compra. quando elas tentavam suprir a carência na produção de certos artigos. Nessa seara. pois geralmente adquiriam produtos por um preço inferior. subsistência. identificados como aquelas pessoas que promoviam a intermediação dos bens entre o produtor e o consumidor. Origem do Comércio Nas sociedades primitivas. através da caça. determinados bens. À atividade precípua do comerciante. Outros eram extraídos da natureza. da pecuária ou do cultivo agrícola e vegetal. logo esse modelo demonstrou-se ineficaz. seus componentes buscavam produzir os bens de que necessitavam.

quando um conjunto sistematizado de normas lastreadas nos usos e costumes dos mercadores nasceu no âmbito das corporações. títulos de crédito em geral. sabemos que a qualificação como disciplina só é possível face a um conjunto sistematizado. na Roma Antiga quando não existia regramento específico Antiga. algumas até mesmo importadas do Direito Civil. por exemplo. as fronteiras das corporações e sendo recepcionados pelas Cidades. Evolução Histórica do Direito Comercial A Idade Média marcou o surgimento do Direito Comercial. No entanto. E foi desta forma que teve início a disciplina. intensificaram o comércio marítimo entre a Ásia e as cidades costeiras do Mediterrâneo. criadas a partir do século XII justamente para proteger os exercentes da atividade mercantil.2 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel É claro que nem sempre a equação funciona dessa forma. fizeram dos usos e costumes comerciais da época verdadeiros diplomas do Direito Consuetudinário Consuetudinário. E isso não havia ocorrido ainda. ultrapassando. no apogeu de sua civilização. No entanto. é sempre onerosa. fenícios. pois pode acontecer de o preço de venda ser inferior ao de compra. o Direito Comercial passou a regular até mesmo atos praticados por pessoas comuns. que envolve normas. inclusive. no sentido de criarem normas que regulassem a atividade comercial. o escopo da atividade sempre será o lucro. como era hábito. codificado ou não. 3. antes mesmo do nascimento de Cristo. a princípio restrita ao seio das corporações para. em seguida. mas sim àquele outro ramo do Direito Privado. Surgimento do Direito Comercial Com o fomento da atividade mercantil. além de outras fontes do Direito. Idade Média quando as corporações de mercadores. como os fenícios que. destinado ao Direito Comercial. usos. os governantes perceberam que ali estava uma promissora fonte de renda e que deveriam agir para seu disciplinamento. senão a partir da Média. a exemplo da emissão de um cheque ou de uma nota promissória assim como o aval ou o endosso nos promissória. serem absorvidas pelo próprio Estado. conforme estudaremos no Capítulo 03. Por isso. Tal providência normativa remonta a civilizações muito antigas. ou mercantil. costumes. não-comerciantes. 2. Já num estágio evolutivo posterior. . diz-se que a atividade comercial. em contraste com a forma esparsa de regras ou costumes até então praticados.

A classe patrícia. que merecesse ser chamado de Direito Comercial. por exemplo. dentre outras. princípio basilar da atividade comercial. a majoritária doutrina não considera o Código de Hamurábi um precursor dos códigos comerciais. no entanto. é creditada a elaboração de um dos primeiros dizeres a respeito de matéria comercial. a falência e os Antiga. contudo.083 a. Por volta do século X a. . Trata-se do Código de Hamurábi – inscrição em pedra datada do ano 2. que se desenvolveu entre a Ásia e as cidades costeiras do Mediterrâneo. na história de vários povos. Outras. 3. Os Romanos Na Era Cristã. –. banqueiros. com disposições sobre empréstimo a juro. os romanos. estava destinada aos escravos. contratos de depósito.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 3 Série Impetus Provas e Concursos Entretanto. Império da Babilônia Aos babilônios. Também não há indícios de que os fenícios houvessem realizado qualquer obra sistematizada do Direito Comercial. ou aos estrangeiros. assim como os senadores. tendo em vista não conter dispositivos a respeito de compra e venda mercantil. eles já haviam consagrado a prática do alijamento alijamento. praticaram o comércio. detentora das maiores propriedades rurais. Nesta situação. sempre marginalizados na sociedade. em caso de perigo iminente. Essa atividade. símbolo do poder da época. C. povo de forte tradição guerreira. principalmente o marítimo. povo que ocupou extensão territorial na Ásia e no Oriente Médio. Os Fenícios Esse povo intensificou sobremaneira o comércio dos tempos antigos. 3. eram resolvidas através do Direito Civil. conforme veremos a seguir. muito menos se traduzir em um corpo sistematizado. especialmente as referentes aos contratos e obrigações.1. tiveram origem na Roma Antiga como. Isso porque o Direito Romanístico condenava a usura usura. o prejuízo seria repartido entre o proprietário do carregamento e o da embarcação. C.. iremos observar normas especiais a respeito do Direito Comercial.3. que era a faculdade que detinham os comandantes dos navios de se livrar da carga. estavam proibidos de exercer o comércio. de sociedade e de comissão. A aristocracia romana considerava a prática do comércio uma atividade indigna de um cidadão romano. Apesar de seu conteúdo.2. 3. Algumas questões envolvendo a prática mercantil.

que perduraram até 1875. a fragmentação do poder central. pois os muçulmanos bloquearam as vias de acesso ao comércio marítimo. na ausência do Estado. Alguns autores sustentam que foi a atribuição dos cônsules precursora dos também extintos “Tribunais do Comércio”. Muitas passavam a compor o ordenamento jurídico das cidades. ou o Consulado do Mar em Barcelona. Um pouco mais adiante. a primeira. viu-se compelida a buscar segurança junto aos seus senhores nas áreas rurais. As corporações exerceram tanta influência sobre a sociedade mercantilizada da época. Veneza. nascida justamente daquelas pessoas que. sob a égide do Código Comercial de 1850. dedicado praticamente ao seguro marítimo. não podemos afirmar que o Direito Comercial. pois ainda faltava a sistematização da matéria. Após longo período de dominação árabe no Mediterrâneo. centralizadores de diversos pontos de venda. da atividade mercantil. 3. naquele início do segundo milênio da era cristã. na França. Idade Média O Império Romano ruiu por volta do século V quando os árabes assumiram o . Mar. com sua Capitulares Nauticum Capitulares Nauticum. surgiu. sob determinadas regras. Sucedeu-se um período de profundas mudanças na sociedade européia. que muitas cidades aproveitaram suas normas na criação das primeiras codificações do Direito Comercial. com a Tabla Amalfitana (século XII). Foi o caso de Amálfi. Aos poucos. controle sobre o Mar Mediterrâneo. devido à pulverização do Estado. em contraposição aos senhores feudais. enquanto a outra relacionava-se ao poder consular. Fortaleceu-se a “classe burguesa” nas cidades. já no século XVI. teve origem em Roma. apareceram as primeiras corporações que reuniam os praticantes corporações. expressada a partir da elaboração das normas a serem aplicadas aos comerciantes. Possuíam as corporações força legislativa e judicante. por conseqüência. buscaram segurança junto aos seus senhores. existentes inclusive no Brasil. os europeus retomaram as antigas rotas. Para tanto. por meio do qual a produção dos campos era escoada para outras terras. como disciplina autônoma. para onde se dirigiam clientes.4. Uma apreensão crescente tomava conta da população que. fornecedores e consumidores. Já no século XII. . fazendo reflorescer um intenso comércio marítimo na região. a princípio. os portos marítimos tornaram-se núcleos comerciais. escolhiam-se cônsules que deveriam trabalhar na aplicação das normas elaboradas cônsules. o que causou isolamento das comunidades e. Serviam para dirimir conflitos entre eles. Elas tinham jurisdição sobre determinado território e eram criadas pelos próprios mercadores. na própria corporação. com atribuições até para punir os culpados.4 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Apesar da origem desses institutos. o Guidon de la Mer.

influenciou. Para tanto. podendo até se afirmar que poucas inovações normativas ele trouxe. seguros e transporte de mercadorias. A primeira. Oito anos mais tarde. O primeiro Código Comercial. foram aproveitados. como vimos. da Itália e. dispunha sobre o comércio terrestre. procurou evitar privilégios corporativos que dominaram o comércio na Idade Média.5. da organização dos mercadores.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 5 Série Impetus Provas e Concursos Remonta ainda à Idade Média o aparecimento de alguns dos principais contratos comerciais. que. da Espanha. que dispôs sobre o comércio marítimo. . se o Código Napoleônico não acrescentou grandes inovações ao Direito Positivo então vigente. qualificando o comerciante como qualquer pessoa que praticasse “atos de comércio”. no século XVIII. Tais atos estavam relacionados no próprio código e possuíam correlação com atividades de intermediação de mercadorias. guiado pelos princípios da igualdade e da liberdade permeadores da Revolução Francesa. não haviam sido por ele elaboradas. que só implantou o seu em 1850. com seu objetivismo. O fato que marcou o surgimento do Direito Comercial nascido do próprio Estado foram as Ordenanças Francesas Francesas. falências. de 25 de junho de 1850. no entanto. quando a França encontrava-se sob a regência de Luís XIV. que só seriam alçados a tal condição se pertencessem a uma corporação. além de alguns títulos de crédito. dentre outras. a exemplo do contrato de transporte. estava sob o comando de Napoleão. De outra forma. não podemos olvidar sua maior contribuição que. só foi elaborado em 1807. Partiram. que logo perceberam a importância da atividade mercantil para o fortalecimento de suas economias e conseqüente prosperidade das nações. veio a outra. muitos dos dispositivos das Ordenanças Napoleônico. a exemplo da Bélgica. de forma profissional e habitual. embora toleradas e incorporadas pelo enfraquecido poder estatal de então. à época. sociedades. Os Estados Nacionais Os séculos XV e XVI são caracterizados pela retomada do poder central nos Estados. quando prevalecia o subjetivismo caracterizador dos comerciantes. do Brasil. regulando agentes de bancos. baixada no ano de 1673. através da Lei no 556. também na França. a elaboração de outros Códigos Comerciais em diversos países. ficando por isso conhecido como o Código Napoleônico Em sua feitura. atividades bancárias. Percebam que aquelas regras relacionadas ao comércio da época medieval. inclusive. Entrementes. de Portugal. aquele diploma de 1807 tratou de regulamentar as questões relativas ao exercício do comércio de forma objetiva. 3. de seguro marítimo e de seguro.

Filipinas em alusão ao rei. pelo menos para poderem usufruir dos benefícios da legislação comercial. pois. Estava criada a base para o desenvolvimento do Direito Comercial Brasileiro. Sua vigência estendeu-se até pouco depois da vinda de Dom João VI para o Brasil. dois séculos mais tarde. como o Penal. na ausência de norma legal a respeito de certo tema. 4o. foi apresentado à Câmara o Projeto do Código Comercial. prescreveu a necessidade de inscrição dos comerciantes nos então existentes Tribunais do Comércio (em seguida substituídos pelas Juntas Comerciais). em 1808. depurada e sã jurisprudência”. o Direito aplicado era o português. Destacam-se a “abertura dos portos às nações amigas”. em 1808. editou as Ordenações Filipinas. assim conhecida por determinar que. E foi esta que. O Histórico do Direito Comercial no Brasil No período colonial brasileiro. que com elas estavam resplandecendo na boa. Esse ato trouxe profundas transformações para o Brasil-Colônia que. em 1603. Alguns anos após a declaração da independência. em seu art. Outro importante diploma português daqueles tempos foi a Lei da Boa Razão Razão.. e a criação do Banco do Brasil. as Ordenanças Francesas tratavam da disciplina exclusivamente comercial. o Código Brasileiro adotou a Teoria dos Atos de Comércio. Ainda assim. Não se tratava evidentemente de um Código Comercial. já em 1834. continham dispositivos tratando da matéria. na condição de “Sede Provisória da Coroa”. a serem definidas posteriormente. refugiou-se no Brasil a Corte Lusitana. Pressionada por Napoleão. também naquele ano de 1808. apesar do intenso comércio desenvolvido por aqui. o Processual etc. . pois a colônia sujeitava-se aos ditames da Coroa. Também não podemos equipará-la às Ordenanças Francesas surgidas setenta anos depois. No entanto. além de outras já citadas. Com forte influência francesa. deveriam ser adotadas leis de outras “nações cristãs. pois já estudamos que o primeiro do gênero nasceu na França. enquanto ela abrangia outros ramos do Direito. foi contemplado com uma série de medidas de caráter econômico. iluminadas e polidas.6 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 4. fincado no objetivismo. de 1769. de 25 de junho de 1850. além de algumas poucas espécies de serviço. decisivas para o incremento da atividade mercantil no País. sob a regência de Felipe II. Dezesseis anos de discussões legislativas passaram-se. até surgir a Lei Federal no 556. que ameaçava invadir Portugal. através do qual a concepção do status de comerciante era atribuída aos que praticassem atividades específicas. reputando comerciante todo aquele que praticasse compra e venda de mercadorias de forma profissional. também a criação da Real Junta do Comércio. mais conhecida como o Código Comercial Brasileiro.

implantou um novo sistema jurídico para o Direito Comercial. Esses só foram detalhados quando da edição do Regulamento no 737. Ao longo dos anos. a Lei no 10. Inspirado no modelo do Código Civil Italiano. não enumerou os chamados “atos de comércio”.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 7 Série Impetus Provas e Concursos Percebam que esse dispositivo não tratou de excluir os não-inscritos do conceito de comerciante. a moderna Lei Civil Brasileira acabou por provocar uma fusão legislativa entre os dois ramos do Direito Privado. muitos dos dispositivos do código foram sendo revogados por legislações mais contemporâneas. Sobreviveram apenas os relativos ao comércio marítimo. além. No entanto. Por outro lado. disciplina matérias específicas do Direito Comercial. pois passou a enquadrar pessoas jurídicas. . a respeito da autonomia do Direito Comercial. Curiosamente. Esse fato trouxe de volta uma discussão antiga. dentre outras. banco e corretagem. antes consideradas sociedades civis por força do objeto social. Dentre elas. contemplado em sua Parte Segunda. veio à tona novamente a discussão sobre a autonomia do Direito Comercial. unificando normas básicas do Direito Civil e do Comercial. mas apenas reputava comerciantes irregulares aqueles exercentes da atividade mercantil que não tomassem tal providência. dentre outras. ou até para alugar seu uso. Hoje. livros empresariais e nome empresarial. contudo. a partir da forma organizacional apresentada. da compra com objetivo de posterior revenda de bem móvel ou semovente. de 10 de janeiro de 2002. que revogou praticamente todos os artigos que ainda vigoravam do Código de 1850. fundamentado no perfil subjetivo do empresário. tais como: empresas. Essa nova concepção não se resumiu apenas a uma mudança de nomenclatura. 5.406. de 1942. seguros. como sociedades empresárias. empresários. que relacionou todas as operações que se constituíam em “atos de comércio”. a exemplo da Lei das Sociedades Anônimas (1976) e da Lei de Falências e Concordatas (1945). Autonomia do Direito Comercial Com o advento do Código Civil de 2002. como fizera o Código Francês. transporte de mercadorias. claro. mas introduziu grandes inovações nesta seara. o “golpe de misericórdia” foi dado com a edição do Código Civil de 2002. operações de câmbio. mais conhecida como Código Civil Brasileiro. contemporâneo ao código. subtraindo alguns direitos exclusivos dos regulares regulares. registro público de empresas. a ser enfrentada no tópico seguinte. como fizera o subjetivismo corporativo da Idade Média. conforme dispunha a antiga teoria objetiva dos atos de comércio.

com a matéria comercial e civil unificadas em um único código. Direito Tributário b) com o Direito Tributário Esse ramo conserva relações estreitas com o Direito Comercial. pois nenhuma é completamente autônoma. em 1919. por exemplo. quando Inglês de Souza. basta reportarmo-nos ao início do século XX. convém expor a relação do Direito Comercial com outros ramos do Direito. o Novo Código Civil Italiano. Antes dessa época. o Direito Administrativo utiliza-se de normas do Direito Processual. por entender que este não possuía critérios claros e objetivos que o distinguissem do Direito Civil. principalmente por se tratar do maior comercialista da época. Apesar disso. nomeado para coordenar estudos visando à edição do Novo Código Civil Italiano. ou mesmo da imposição de algumas espécies de livros fiscais aos empresários. pois a Constituição Federal pode ser considerada o nascedouro do sistema normativo do País. ao posicionar-se contra a unificação dos dois ramos de Direito. voltou atrás e mudou de opinião. A par de toda essa discussão. o art. I. apresentou dois projetos. a exemplo da responsabilização dos sócios-gerentes de limitadas por obrigações da sociedade de natureza tributária. como. há menção ao exercício da atividade empresarial. 135. Público ou Privado. do Código Tributário Nacional. Existe uma correlação entre as disciplinas jurídicas. de modo que uma aproveita regras das outras. em pronunciamento na Universidade de Bolonha. . ao final do século XIX. quando afirma que a autonomia de uma disciplina não deve ser vista como um princípio absoluto. Seu discurso surpreendeu a todos. que trata da Ordem Econômica e Financeira. ao regular crimes falimentares. Mesmo assim. a fim de subsidiar o processo administrativo. Com relação ao Direito Comercial. devemos ter em mente o ensinamento de Marcelo Bertoldi. Um. incumbido de elaborar projeto do novo Código Comercial.8 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Essa polêmica não é inédita. ou o Direito Comercial aproveita dispositivos do Código Penal. mais precisamente em 1911. 22. à exegese do art. onde o Direito Comercial era codificado de forma exclusiva. Nada disso compromete a autonomia das disciplinas. que continuam tendo campo próprio de atuação. senão vejamos: a) com o Direito Constitucional Relaciona-se esse ramo do Direito Público com praticamente todos os demais. surgindo. em 1942. Também no Título VII. o célebre jurista italiano Cesare Vivante posicionou-se contra a autonomia do Direito Comercial. III. a unificação foi aprovada. Nesse ponto. da CF prevê a competência privativa da União para legislar. e outro. que juntou os dois ramos de Direito Privado em um único diploma legislativo.

analisemos a disciplina de acordo com os seguintes aspectos: didática. a matéria que regula. não havendo razão para contestar-se a autonomia didática do Direito Comercial. utilizam-se procedimentos afeitos ao Direito Internacional. empresário. não podemos hesitar em apontar assuntos específicos da matéria comercial. d) com o Direito Civil Com este. dos títulos de crédito. dentre outros. e) com o Direito Internacional O Brasil é seguidor de convenções internacionais que tratam de títulos de crédito e propriedade industrial. Basta vermos as causas trabalhistas sendo decididas no âmbito da Justiça do Trabalho para. pois. legislativa. também temos que admitir a autonomia do Direito Comercial. E. como bem ressaltou Fran Martins. pois a disciplina aparece em todos os programas dos cursos de Direito. temas que podem ser facilmente isolados dos demais. dentre outros. a exemplo dos empresários. da falência e da concordata. abrangência. tratando do Direito Marítimo. inúmeras são as relações. sua substancial. ainda que o Código Civil Brasileiro de 2002 tenha praticamente unificado os dois ramos. Para inserção das normas em nosso ordenamento jurídico. ainda restou sua Segunda Parte. • autonomia substancial que tem a ver com o conteúdo da disciplina. habilitarem-se no Quadro Geral de Quadro Credor edores Credores admitidos na falência. seja sobre títulos de crédito. • autonomia didática que é medida de acordo com a grade curricular das universidades. Sob esse ponto de vista. família e obrigações civis. Já o Direito Civil cuida de sucessão. enfim.. • autonomia legislativa considerada a partir da codificação própria da matéria. que reservou dispositivos dedicados à matéria comercial. . empresa. um ramo do Direito Privado que mantém ligação forte com o Direito Comercial.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 9 Série Impetus Provas e Concursos Direito Trabalho c) com o Direito do Trabalho Aqui. a começar do atual compartilhamento do Código Civil. em seguida. a fim de consolidar a tese da autonomia do Direito Comercial. registro de empresas etc. das sociedades empresárias. Também os débitos de natureza trabalhista sendo cobrados dos sócios das sociedades anônimas ou limitadas. Por último. assim.

é importante entendermos que antecedem à norma os anseios da sociedade. embora com a revogação da maioria de seus artigos. No entanto. Outras. variando com as gerações. no princípio (Idade Média). são as Leis no 6. • Leis – A principal fonte primária de nosso Direito Comercial é a lei. E são estas últimas que compõem o objeto de nosso estudo. que disciplina as sociedades por ações. posicionam-se em ordem de preferência em relação às outras. e no 5. mesmo. letra de câmbio e nota promissória. Existe uma profusão delas. Importa ressaltar que o Código Civil de 2002. aos costumes. fica a autoridade judiciária autorizada a lançar mão de uma norma secundária. norma primária sobre a matéria. que. estão relacionadas a fatores políticos. a jurisprudência e os princípios gerais do Direito. em seu art. a exemplo da “Lei Uniforme de Genebra”. Inexistindo. mas se revelam determinantes para o surgimento do ordenamento jurídico de uma nação. sociais. • Usos e costumes comerciais – Estes se constituem em importante fonte do Direito Comercial. religiosos ou. Também no âmbito do Direito Civil. Muitos autores costumam classificá-las em fontes materiais e formais As primeiras formais. • Regulamentos – São considerados fontes primárias justamente porque servem à eficacização das leis comerciais. tratando de cheque. a Lei de Introdução ao Código Civil. 4o. portanto. Estes são mutantes. São elas: usos e costumes comerciais. Aliás. a analogia. tratando do comércio marítimo. que dispõe sobre duplicatas. Os costumes. para serem aceitos como fonte do Direito . em um caso concreto. internacionais • Tratados internacionais – A matéria comercial também incorporou alguns tratados internacionais. a forma como ele se manifesta. normalmente a definição restringe-se à própria expressão do direito. de forma subsidiária. enquanto as fontes formais são justamente as normas jurídicas. na parte que trata sobre Direito de Empresa. ele era consuetudinário. Fontes do Direito Comercial Quando tentamos conceituar fontes do Direito. apenas para citar algumas. ou seja.10 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 6. componentes do grupo social. Dividem-se as fontes formais em primárias e secundárias As primeiras secundárias. ou. antes de invocar-se uma fonte secundária. mesmo.474/68. econômicos. permanece vivo em sua Segunda Parte. traduzindo-se numa obrigatoriedade de esgotá-las. concede à analogia.404/76. aos princípios gerais do Direito a qualificação de fontes subsidiárias do Direito. é considerado fonte primária do Direito Comercial. a começar pelo próprio Código Comercial de 1850.

No entanto. que anuncia: “Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração”. vejamos como os pesquisadores da matéria comercial têm se esforçado no sentido de melhor conceituar o Direito Comercial. também é fonte secundária do Direito Comercial. • Analogia – Na ausência de outra fonte formal do Direito. necessitam revestir-se de alguns requisitos. sua importância no desenvolvimento das nações. a fim de dirimir a lide. Não pode. não aceitos como fonte do Direito. Normalmente. citado por Bulgarelli. c) contra legem. seu surgimento. Alerto que há autores que não consideram esta uma fonte do Direito Comercial.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 11 Série Impetus Provas e Concursos Comercial. já que se trata da observação de fatos pretéritos. pois violaria a própria concepção de fonte subsidiária à lei. que é um título de crédito à vista. a exemplo do cheque pré-datado. que vai de encontro à própria natureza do documento. deverá estar previsto na própria lei. assim entendida como a uniformidade das decisões dos tribunais a respeito de determinada matéria. que decorrem da prática mercantil. Isso não implica a obrigação de o juiz segui-la. assim como a abrangência da disciplina. como no art. conseqüentemente. os costumes. desde que não se afaste das premissas básicas quanto à ilegalidade das mesmas. contudo. que seja assimilada por todos como se fora lei. já julgado. que emitem certidão a respeito. a exemplo do cheque visado. necessitam estar assentados na Junta Comercial. no Direito Comercial. • Princípios gerais do Direito – Por último. De outra forma. b) secundum legem. permite-se a aplicação da analogia. considerada como a possibilidade de utilizar-se entendimento a respeito de um caso concreto similar. • Jurisprudência – A jurisprudência. por entenderem que ela não é fonte geradora do Direito. nós temos os costumes: a) praeter legem. pois são previstos na própria lei. estes não são tolerados pelo ordenamento jurídico e. Primeiro. mesmo que seja diversa daquela. que são os norteadores da construção do próprio sistema jurídico positivo vigente. ser contra a lei. . para serem admitidos como prova. Conceitos de Direito Comercial Após estudados alguns temas relacionados ao desenvolvimento histórico do Direito Comercial. pois ele pode desenvolver sua própria convicção. 7. Assim. os princípios gerais do Direito. 113 do Código Civil. o juiz tem direito à livre convicção na análise das provas. é preciso que se trate de uma prática reiterada e uniforme. aceitos e aplicados para suprirem as lacunas legislativas.

a) Simplicidade ou informalismo Propõe adoção de fórmulas simples para solução de conflitos. que melhor sintetiza a disciplina: “Direito Comercial é o conjunto de regras jurídicas que regulam as atividades das empresas e dos empresários. da mesma forma que uma letra de câmbio ou uma nota promissória ou.” Carvalho de Mendonça trilhou caminho parecido. de autoria de Fran Martins. mesmo que esses atos não se relacionem com as atividades das empresas. mas aqueles que. mesmo sem se revestirem dessa qualidade. 2002. Exemplo destes é a emissão de um cheque. mas regulados por leis comerciais (exemplo da emissão de cheque). . p. Características do Direito Comercial O Direito Comercial apresenta traços que o distinguem de outros ramos do Direito. Waldemar Ferreira propôs: “Direito Comercial é o conjunto sistemático de normas jurídicas disciplinadoras do comerciante e seus auxiliares e do ato de comércio e das relações dele oriundas. Fran. por objeto regular as relações jurídicas que surgem do exercício do comércio. foi criticada por não contemplar atos praticados por não-comerciantes. 25. independentemente de haverem sido praticados por empresário ou representante de sociedade empresária. dos direitos e das obrigações das pessoas que os exercem profissionalmente e dos seus auxiliares. proposta pelo comercialista italiano Cesare Vivante. formalista e complexo.”1 Da assertiva. e fazem parte do campo de abrangência do Direito Comercial. 28. uma garantia prestada por aval. Todos esses atos possuem regulamentação em legislações próprias. Exemplo: circulação de títulos de crédito mediante endosso. 1 MARTINS. 8. diferentemente do Direito Civil. ao mesmo tempo. ed. feita por quem não se reveste da qualidade de empresário. e que se encontram relacionados a seguir. Rio de Janeiro: Forense. concernente aos títulos de crédito.12 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel “O Direito Comercial é a parte do Direito Privado que tem.” Dessas duas últimas definições surgiu uma.” Esta definição. ao afirmar que: “O Direito Comercial é a disciplina jurídica reguladora dos atos de comércio e. especialmente do Direito Civil. tem-se que as normas do Direito Comercial alcançam não apenas os empresários. principalmente. Curso de Direito Comercial. como veremos no Capítulo 3. praticam atos aos quais a lei atribuiu características tais que se tornaram regidos pelo Direito Comercial. até. bem como os atos considerados comerciais.

Empresário Conceito Durante muito tempo. trazendo para seu âmbito justamente o segmento de serviços. 966. através das quais se atribuía uma nova visão ao profissional do comércio. adaptando-se à evolução das relações de comércio. ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores. Exemplo: contratos de leasing e franchising.1. de natureza científica. Em seu art. c) Elasticidade Permanece em constante processo de mudanças. outros simplesmente vinham sendo ignorados pelas autoridades judiciárias e até pelos tribunais. tais como bancos. O parágrafo único do mesmo dispositivo excluiu daquela categoria “os profissionais que exerçam atividade intelectual. Exemplo: Lei Uniforme de Genebra. caput. que é justamente a prestação de serviços como um todo. . 9. só veio confirmar a teoria. excluindo importante segmento da atividade econômica. elaborada há mais de cento e cinqüenta anos. o empresário é considerado como “quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços”.406. seja pela Constituição Federal de 1988. Daí o fortalecimento de teorias. estavam expressamente revogados. notas promissórias e cheque. cuja atividade é sempre onerosa. 9. que dispõe sobre letras de câmbio. convivemos com uma legislação comercial que já não atendia as transformações ocorridas. introduzindo definitivamente no Direito Brasileiro as definições de empresa e empresário empresário. assim como o de produção de mercadorias. seguros. A Teoria da Empresa alargou o campo de incidência do Direito Comercial. literária ou artística. seja por leis esparsas. como a da empresa ou do empresário. d) Onerosidade Tem o lucro como o fim perseguido pelos empresários. transporte de mercadorias. O novo Código Civil. salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”. de 10 de janeiro de 2002. aprovado pela Lei no 10. em regra lastreados na moderna concepção de atividade econômica. além de outros.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 13 Série Impetus Provas e Concursos b) Internacionalidade ou cosmopolitismo Está regulamentado por normas de alcance internacional. sobretudo após a primeira metade do século passado. Se muitos dispositivos da principal Lei Comercial. agora não mais restrita àquele agente que pratica freqüentemente atos de intermediação de mercadorias ou umas poucas espécies de serviços.

o estoque de mercadorias. como o complexo de bens organizados para o exercício de empresa. analisada adiante. que poderão ser somados à capacidade civil. Não bastava a realização de uma única operação comercial ou. Essa não é uma disposição inédita. a antiga Teoria dos Atos de Comércio já se guiava pela prática habitual da compra e venda de mercadorias. mesmo. independentemente da dimensão tomada.142 do Código Civil. O estabelecimento empresarial. 9. Em outras palavras. por empresário ou por sociedade empresária. 9. em seu art. que prescreveu. . Organização Significa a necessidade de o exercente da atividade econômica aparelhar-se de forma adequada para o desempenho de sua profissão. caput. fizesse dela a sua profissão. 966 do CC/2002 apresenta elementos característicos ao empresário. seja pessoa física ou jurídica.1. para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.2. 9. ainda assim dela serão exigidas instalações compatíveis com sua atividade. algumas eventualmente observadas. caso contrário incorreto seria o seu enquadramento como comerciante. permanece consagrado o requisito.2. Profissionalismo O titular do negócio deverá fazê-lo não em caráter eventual.14 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Como se vê. juntamente com os móveis. Requisitos 9. todo empresário deverá dispor de estabelecimento empresarial.3. ao contrário do que possa parecer. não é exclusividade de empresários de médio ou grande porte. Atividade Econômica O teor do art. definido no art. Portanto. utensílios e instalações utilizadas diretamente na atividade econômica já são assim considerados. 1. mas habitualmente. movimentando diminuto volume de recursos. Em absoluto. a forma profissional de atuação do empresário. assumindo o ofício como sua profissão. agora no Código Civil de 2002. novos requisitos surgiram para classificar alguém como empresário. Se tomarmos como exemplo uma pessoa que revende objetos em pequena proporção.2. Não se concebe um empresário. 966.2. desprovido de um conjunto de bens organizados destinados ao exercício da empresa. Seria preciso que o agente tomasse essa atividade como ofício.2. aqui entendido como a pessoa física que exerce em seu próprio nome uma atividade econômica organizada.

Imaginemos um famoso pintor de quadros. proprietário de um grande hospital. tudo na dependência de estarem cumpridas as formalidades legais. Capacidade Requisito fundamental à correta atuação empresarial. onde emprega variados profissionais. ou devido a uma insuficiência somática (deficiência mental). incluem-se médicos. arquitetos. entre atendentes. Nessa categoria. Entretanto. na qualidade de empresário individual ou administrador de sociedade. 1o a 10 da mesma lei. o exercício dessa capacidade pode ser restringido por algum fator genérico como o tempo (a maioridade ou menoridade). clinicando ou. contida no art. pintando e colocando à venda telas à similitude do fundador do negócio. é o pleno gozo da capacidade civil. Nesta situação. previstas nos arts. assim como a possibilidade de ele requerer recuperação judicial ou extrajudicial. prevalece o caráter empresarial da atividade hospitalar. estando presente “elemento de empresa”. 9. operando em suas dependências. E. escritores e artistas em geral. saúde mental ou vícios possui capacidade para contrair direitos e assumir obrigações.4. ele reúne todas as condições de ser classificado como empresário. secretárias e outros ligados à mesma arte. Maria Helena Diniz chega a afirmar que a capacidade de direito não pode ser recusada ao indivíduo. 1o. Enfim. independente de sua idade. dispôs o legislador: “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”. têm natureza científica. dentistas. A regra. Também poderão fazer prova com os livros empresariais. se esses profissionais exercerem o ofício. logo no art. apesar de possuírem caráter econômico. Entretanto. É o caso do médico. Com a precisão que lhe é peculiar. proprietário de um atelier. conforme exposição no item 1 do capítulo seguinte. telefonistas. Mas o que vem a ser elemento de empresa? É fácil. mesmo. dentre outros. objetivando apenas conduzir o empreendimento. tanto que. despindo-o dos atributos da personalidade. Significa afirmar que qualquer indivíduo. o mesmo poderá continuar sem maiores conseqüências. . poderemos presenciar a sujeição à falência do prestador de serviços em geral. sob pena de se negar sua qualidade de pessoa. Com relação às implicações práticas advindas desse novo conceito. 972 do Código Civil. se ele parar de pintar. literária ou artística. podemos enquadrar o empreendimento como uma sociedade empresária.2. deve ser conjugada com as disposições sobre personalidade e capacidade na esfera civil. a dimensão econômica conquistada com o seu intelecto ultrapassou a sua aptidão primitiva para o ofício. Neste contexto. O raciocínio não se aplica às sociedades de advogados.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 15 Série Impetus Provas e Concursos Excluídas do conceito estão as profissões consideradas intelectuais que.

ou e) pelo estabelecimento civil ou comercial. Sendo a enfermidade enquadrada no art. quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. 1. Observem que. c) pelo exercício de emprego público efetivo. Se observarmos as outras três hipóteses. mediante instrumento público. o art. Quanto ao exercício de emprego público efetivo. se o menor tiver dezesseis anos completos. Antes dessa idade. pressupõe a existência da outra.16 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em ocorrendo uma restrição legal no exercício da capacidade jurídica. pois o incapaz está completamente privado do gozo de sua capacidade jurídica. por sua vez. 5o do Código prevê que a menoridade cessa aos dezoito anos completos. b) pelo casamento. no que pese serem os entes federados e a própria União livres para determinar a idade mínima dos que podem ingressar no serviço público. ouvido o tutor. Perceba o leitor que a capacidade de direito pode subsistir sem a de exercício. em função deles.520. salvo na condição de aprendiz. Nessa condição. No entanto. É que o art. e não foi por acaso. 3o e 4o do Código. Esta. aquele que não desfrutar do livre exercício de sua capacidade civil não poderá ser empresário. o legislador condicionou a emancipação a uma idade mínima de dezesseis anos. a Constituição Federal proíbe o emprego ou a ocupação de cargo público aos que contarem com menos de dezesseis anos de idade. Logo. impossível a efetivação da hipótese aos menores daquela idade. . ou por sentença do juiz. ou de um deles na falta do outro. o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. somente haveria dúvida em relação à idade mínima para a emancipação nos casos de colação de grau em curso superior. será o indivíduo absolutamente incapaz. 3o e 4o do Código Civil.517 do CC/2002 previu que somente a partir dos dezesseis anos podem os pais autorizar o casamento de menor. na conformidade do que dispõem os arts. Sob o aspecto temporal. ou pela existência de relação de emprego. suprime-se do sujeito o direito ao exercício pessoal de pleno gozo da capacidade de direito. o cometimento de qualquer ato jurídico depende de um representante. 3o. o parágrafo único do mesmo artigo traz hipóteses de aquisição da capacidade civil antes da maioridade. independente de homologação judicial. de acordo com a previsão do art. 1. apenas nas letras “a” e “e”. incapazes também são os maiores de dezoito anos portadores de alguma das patologias especificadas nos arts. desde que. d) pela colação de grau em curso de ensino superior. o casamento só é possível para evitar a imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez. Pois bem. quais sejam: a) pela concessão dos pais. De outra forma.

CAMPUS

Capítulo 1 — Noções Gerais

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Série Impetus Provas e Concursos

Outros são os relativamente incapazes, a que se refere o art. 4o. Para esses, a autoridade judiciária poderá autorizar a prática de atos da vida civil, desde que devidamente assistidos. Com a representação ou a assistência, estará suprida a incapacidade de exercício, ao menos para os atos da vida civil. No entanto, um e outro instituto dependem de um regular processo de curatela, quando se observará a condição do incapaz, e o seu enquadramento em uma das hipóteses legais, após o que será o indivíduo considerado interdito, tudo conforme a previsão dos arts. 1.767 a 1.783 (os filhos menores são postos em tutela, quando falecidos ou ausentes os pais ou se estes decaírem do poder familiar). Entrementes, mesmo que assistidos ou representados, não esqueçamos que a regra geral do art. 972 torna proibitiva aos incapazes a atividade de empresário.

9.3.

Continuação da Empresa por Incapaz

O art. 972 vedou o exercício da atividade de empresário aos juridicamente incapazes. De outra maneira, o art. 974 permitiu aos interditos, cuja incapacidade foi superveniente ao exercício da atividade empresarial, ou aos menores tutelados, que tiveram seus pais falecidos ou ausentes, dar continuidade à empresa, desde que devidamente assistidos ou representados, conforme a incapacidade seja relativa ou absoluta. Para configuração da hipótese, a lei exige autorização judicial que, como tal, poderá ser revogada a qualquer momento pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. Essa possibilidade de revogação lhe confere a qualidade de ser considerada a título precário. Os bens do incapaz existentes à época da interdição ou da sucessão ficam protegidos em relação ao resultado do negócio, desde que estranhos ao seu objeto. Situação curiosa ocorre quando o representante ou assistente do incapaz estiver legalmente impedido de exercer a atividade empresarial. Nesse caso, essa pessoa deverá indicar um ou mais gerentes, que se submeterão à aprovação judicial. Ainda assim permanece o representante ou assistente responsável pelos atos dos gerentes nomeados. 9.4. Os Impedidos

Os impedidos não são incapazes. Contudo, alguma circunstância tornou-os incompatíveis ao exercício da atividade empresarial. É o caso, por exemplo, dos servidores públicos em geral, que estão, por leis administrativas, proibidos de ser empresários individuais ou administradores de sociedades empresárias.

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Para eles, a condição de acionista ou quotista de sociedade empresária não deve ser considerada englobada pela disposição do art. 972, que proíbe exclusivamente a qualificação como empresário individual ou administrador de sociedade empresária. Outro que pode ser enquadrado na proibição é o falido. Prevê o art. 102 da Lei Federal no 11.101/2005 (Nova Lei de Falências) que o falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência. O impeditivo somente perde o efeito após declaradas extintas todas as suas obrigações, na conformidade do disposto no art. 158 do mesmo diploma legal, e ainda assim se não tiver sido constatada a ocorrência de crime falimentar, fato que postergaria ainda mais a sua reabilitação, conforme exposto adiante, no capítulo 04 desta obra. Contudo, a proibição legal não tem o condão de exonerar o agente que desrespeitou a lei pelas responsabilidades advindas de seus atos, tanto que o art. 973 do Código previu a assunção pelos impedidos das obrigações por eles contraídas, oriundas do exercício de atividade própria de empresário. 9.5. O Empresário Rural e o de Pequeno Porte

O art. 971 do Código Civil contém redação nos seguintes termos, a respeito dos intitulados empresários rurais: “O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.” Nesse particular, o legislador considerou o produtor rural, geralmente organizado em economia familiar, com um ou outro funcionário, mas sem a dimensão de uma grande organização, cuja base de sustentação provenha da natureza, seja de uma cultura agrícola, da pecuária ou do extrativismo vegetal ou mineral. Pode ser até uma sociedade, conforme prevê o art. 984, mas, se o seu objeto for aquele do empresário rural, sofrerá o mesmo tratamento. Estão à margem do conceito as corporações agrícolas, conhecidas como agronegócio, detentoras de estruturas tipicamente empresariais. Essas estão obrigadas ao registro antes do início de suas atividades, conforme reza o art. 967. Já para aqueles classificados como empresários rurais, ou para os pequenos empresários, o art. 970 previu a edição de lei garantidora de um tratamento favorecido, pelo menos no que concerne à inscrição e aos efeitos daí decorrentes.

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Na inexistência da norma prevista, o que se tem é o teor do art. 971 que, combinado com o art. 970, leva-nos a concluir que o empresário rural não está obrigado ao registro. No entanto, se o mesmo for efetivado, o praticante de uma atividade econômica rural passa a ser equiparado ao empresário, para todos os efeitos. O mesmo acontece em se tratando de sociedade que tenha por objeto atividade própria de empresário rural, com a condição de que tenha adotado um dos tipos da sociedade empresária e, da mesma forma, haja requerido o registro. Dessa intelecção deflui-se a possibilidade de virem a falir, de obterem recuperação judicial ou extrajudicial, dentre outras questões próprias do empresário. Percebam que o fato de o legislador, logo no início do art. 971, haver nomeado o exercente da pequena atividade rural pelo termo “empresário”, não significa que o mesmo deva ser tratado da mesma forma que os outros, enquadrados no conceito do art. 966. Isso porque o próprio código contém dispositivos que lhe conferem tratamento favorecido, como já fora citado. Com relação ao pequeno empresário, Fábio Ulhoa Coelho e Sérgio Campinho defendem que, na ausência de norma regulamentadora do dispositivo, deve o mesmo ser aproveitado em favor dos microempresários e empresários de pequeno porte, como tais previstos na Lei Federal no 9.841/99. Esse diploma jurídico, regulamentado pelo Decreto no 3.474, de 19 de maio de 2000, foi editado em obediência à Lei Maior brasileira que, em seu art. 170, IX, previu tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte, constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no país. E logo no art. 2o, incisos I e II, do decreto, foi estabelecido: I- microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); II- empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que, não enquadrada como microempresa, tiver receita bruta anual superior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). Conforme foi observado por Láudio Fabretti, para a pessoa física ser enquadrada em um ou noutro conceito, necessário é que seja a atividade praticada de natureza mercantil, que hoje, já na vigência do novo código, deve ser considerada a atividade própria de empresário, conforme definição do art. 966, anteriormente comentado.

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De outra forma, a pessoa jurídica, independentemente de seu objeto ou forma organizacional, poderá ser enquadrada em uma ou em outra classificação, a depender de seu faturamento. Tanto os microempresários como os empresários de pequeno porte gozam de benefícios concedidos pela legislação, relacionados à simplificação do exercício da empresa. 10. Prepostos do Empresário

A matéria encontra-se disciplinada pelos arts. 1.169 a 1.178 do Código Civil de 2002, que faz citação expressa a dois tipos de prepostos do empresário; o gerente e o contabilista Isso não significa a exclusão dos demais colaboradores, tais como contabilista. escriturários, pessoal técnico, vendedores etc., tanto que a Seção III do Capítulo II invoca a presença de outros auxiliares do empresário. Na verdade, a escolha do legislador foi detalhar as responsabilidades e limitações de dois dos mais importantes agentes diretamente ligados ao empresário, sabendo-se, de antemão, que a disciplina é extensiva aos demais. Essas pessoas trabalham, contribuindo com o empresário no exercício de sua profissão. O primeiro, no desempenho de atividades administrativas, relacionando-se com clientes e funcionários ou até representando o empresário em tarefas externas; já o contador responsabiliza-se pela escrituração da empresa. Todos, entretanto, possuem uma característica comum, que é a da continuidade dos serviços prestados, diferentemente da relação criada com um contrato de mandato mercantil, que tem caráter eventual. Também podemos destacar, como característica do vínculo jurídico entre preponente e preposto, a subordinação deste àquele. Esse caráter diferencia-o, por exemplo, do contrato de representação comercial, por não se subordinar o representante ao representado. Prevê o art. 1.178 a responsabilidade do preponente (empresário) pelos atos de quaisquer prepostos, quando praticados dentro do estabelecimento, desde que relativos à atividade da empresa, mesmo que não haja autorização por escrito. Fora do estabelecimento, somente se forem cometidos nos limites dos poderes conferidos. Entretanto, ainda quanto à responsabilidade pelos atos do preposto, importante destacar o comentário ao art. 1.177, presente na obra Novo Código Civil Comentado, cuja autoria pertence a renomados juristas brasileiros, sob a coordenação do Deputado Ricardo Fiúza, que esclarece:

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Como regra geral de responsabilidade na relação de preposição, o parágrafo único deste artigo estabelece que haverá responsabilidade objetiva da empresa quando o preposto venha a causar dano a terceiro em virtude de ato culposo, cabendo ao preponente indenizar os prejuízos causados, com ação regressiva contra o responsável. No caso de ato doloso, ocorrerá situação de solidariedade, devendo o preponente ser demandado juntamente com o preposto para o ressarcimento de prejuízos provocados a terceiros. Além dos prepostos, o Direito Comercial regulamenta a profissão de outros agentes que têm laços estreitos na relação com os empresários. Trata-se de corretores, leiloeiros e titulares de armazéns gerais, entre outros. Estes, no desempenho de suas atividades, agem em nome próprio, assumindo responsabilidade por seus atos e devendo, inclusive, obedecer a formalidades necessárias ao exercício da profissão, tais como prévio registro na Junta Comercial, autenticação de livros de escrituração etc. Outrossim, sujeitam-se a requisito próprio do empresário, como a necessidade de estarem desfrutando da plena capacidade civil. 11. Livros Empresariais

11.1. Conceito O empresário e a sociedade empresária têm obrigações de cumprir com formalidades previstas em lei, a fim de que possam usufruir dos benefícios que a legislação comercial oferece, entre os quais concordata, valor probante dos livros comerciais, requerimento de falência de outro empresário etc. Uma delas é a manutenção de um sistema de contabilidade baseado na correta escrituração de seus livros, conforme acentua o art. 1.179 do CC/2002. Esses podem ser utilizados livremente pelos empresários, que terão a faculdade de adotar as espécies que considerarem convenientes para seu negócio, desde que escriturem aqueles livros considerados obrigatórios para sua atividade. Dessa forma, o art. 1.180 do CC/2002 manteve a já conhecida obrigatoriedade de escrituração do Livro Diário (pode ser substituído por fichas, a fim de viabilizar a escrituração eletrônica) para todos os empresários, indistintamente, assim como para as sociedades empresárias. A ele devem ser somados outros livros, tidos como obrigatórios para os variados tipos de sociedades ou ramos específicos de atividade. Atente-se para a abrangência do tópico, que engloba apenas os livros requeridos pela lei comercial. Os demais, sejam os exigidos pelas legislações trabalhista, tributária ou previdenciária, não serão objeto de nosso estudo.

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11.2. Classificação Os livros empresariais classificam-se em obrigatórios (comuns e especiais) e facultativos. facultativos Os obrigatórios comuns são aqueles exigidos de todos os empresários, indistintamente; obrigatórios especiais são impostos a determinadas categorias de empresários; já os livros facultativos como o próprio nome sugere, são aqueles facultativos, cujas ausências não trazem qualquer sanção ao seu titular. Vejamos abaixo todos eles. a) Obrigatórios comuns Atualmente, por força do já citado art. 1.180 do CC/2002, o único livro empresarial que se encaixa nessa categoria é o Diário Diário. Permite-se a substituição do diário por fichas, no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Ainda assim, não se dispensa o uso de livro apropriado para lançamento do balanço patrimonial e do resultado econômico, que pode ser o Livro Balancetes Diários e Balanços. A escrituração do diário é feita dia a dia, com todas as operações relativas ao exercício da empresa, mas resumida em totais que não excedam trinta dias. b) Obrigatórios especiais O rol dos livros incluídos nessa categoria é extenso e variado. A título de exemplificação, podemos discriminar: • Registro de Duplicatas – exigido dos empresários que emitem duplicatas; • Entrada e Saída de Mercadorias – para proprietários de armazéns gerais; • Diário de Entrada, Diário de Saída, Diário de Leilão, Contas Correntes, Livro-Talão e Protocolo – para os leiloeiros; Livro-T o-Talão Protocolo • Cadernos Manuais e Protocolo – para os corretores de mercadorias; • Registro de Ações Nominativas, Transferência de Ações Nominativas, Registro Transferência Presença dos Acionistas, Atas de Assembléias Gerais etc. – para as sociedades anônimas. c) Facultativos Além dos prescritos em lei, os empresários têm liberdade de criar outros livros, de acordo com suas necessidades. Alguns deles são enumerados a seguir. • Razão. • Caixa. • Contas Correntes. • Borrador ou Costaneira. • Estoque.

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11.3. Formalidades Os livros empresariais, sejam eles obrigatórios ou facultativos, para produzirem os efeitos jurídicos que lhes reserva a lei, necessitam obedecer a certos requisitos, normalmente conhecidos pela doutrina como formalidades intrínsecas e extrínsecas. As primeiras acham-se estipuladas no art. 1.183 do Novo Código e têm a ver com a maneira de preenchimento dos livros, requerendo que seja feita em idioma e moeda nacionais, em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transporte para as margens. De outra forma, as formalidades extrínsecas referem-se a providências a serem tomadas em momento que antecede o início da escrituração, a fim de garantir a segurança jurídica dos livros. Sobre elas, o art. 1.181 determinou a necessidade de autenticação, antes do início de uso, no Registro Público de Empresas Mercantis (só poderá fazê-lo quem já tiver registro no mesmo órgão). Descumprida qualquer das formalidades enunciadas, relativamente aos livros obrigatórios, vejamos quais as conseqüências para o empresário ou para a sociedade empresária: • não fará prova a favor de seu autor (art. 379 do CPC); • não poderá, a partir da análise de seus livros, verificar judicialmente obrigações de seus devedores (ação de verificação de contas), para fins de petição de falência daqueles (art. 1o, § 1o, II, da LF). De outra forma, se o antigo Decreto no 7.661/1945, que regulava a falência e a concordata, reputava como crime falimentar a inexistência dos livros obrigatórios ou sua escrituração atrasada, lacunosa, defeituosa ou confusa (art. 186, VI, do Dec. no 7.661/45), a Nova Lei de Falências, no 11.101/2005, em seu art. 178, classifica como crime nela previsto a omissão de documentos contábeis obrigatórios, materializada quando o empresário deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder recuperação judicial ou homologar e plano de recuperação extrajudicial, os documentos de escrituração contábil obrigatórios. Na realidade, há uma similitude entre os dispositivos. No entanto, o que podemos observar é a tipificação penal por conta de omissão na escrituração não apenas no processo de falência, mas nos de recuperação judicial ou extrajudicial. Esses, contudo, são temas abordados no Capítulo 4 deste livro, não cabendo maiores esclarecimentos por enquanto.

observam-se diferenças posto que. Entretanto. do antigo decreto estipulava como requisito a correta escrituração contábil. os livros comerciais farão prova: • contra seus proprietários. do administrador judicial ou de qualquer interessado que tenha autorização judicial. por força de exibição determinada pelo juiz.5. • contra empresários com os quais os proprietários dos livros tenham feito alguma transação mercantil. judicial ou extrajudicial. mesmo. nos casos em que não se exigir comprovação por documento público ou particular (a exemplo do penhor mercantil. • contra não-empresários. • a favor de quem os escriturou. o art. uma vez não escriturados. para recuperação judicial.24 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Ainda assim. Mas.190 do CC/2002.101/05. 140. 11. é de se ressaltar que. mais. assinada por quem recebe a garantia). I. Exibição dos Livros Empresariais O princípio do sigilo. o art. garante aos livros proteção contra a divulgação de informações que digam respeito a seus proprietários. 11. com os demais documentos de escrituração. posto permitir sua desconsideração com outro meio admitido em Direito. independente de terem efetuado qualquer negócio com o titular dos livros. não possa valer como prova. por si só. devendo permanecer à disposição do juízo. a apresentação dos livros não é requisito obrigatório à obtenção da recuperação. Comparando a exigência com os requisitos necessários ao deferimento do pedido de recuperação judicial (instituto que substituiu a concordata). desde que presente outro documento sobre a mesma operação. que requer prova por escrito.4. Em resumo. atenção! Em qualquer hipótese não se trata de prova plena. 51 da Lei no 11. em ocorrendo uma falência ou um processo de recuperação judicial ou extrajudicial do empresário. a omissão é tipificada como crime.101/05 exigiu a apresentação de demonstrações contábeis relativas aos últimos três exercícios sociais. Força Probante Uma vez satisfeitas as formalidades intrínsecas e extrínsecas. 1. para fins de obtenção de concordata preventiva. conforme o art. nos casos em que exista um documento que. 178 da Lei no 11. insculpido no art. A materialização desse poder probatório dos livros nasce em razão de uma perícia contábil ou. . e estando em perfeita harmonia uns com os outros e.

em qualquer ação judicial. 12. mas o Cartório no qual seu ato constitutivo for arquivado deverá obedecer às normas fixadas para o registro na Junta. os livros são disponibilizados aos interessados. . desde que não se apresente prova documental em contrário. apenas os pontos que interessem ao bom andamento do feito são extraídos para o conhecimento das partes. A exibição parcial pode ser decretada de ofício ou a requerimento da parte. De outra forma. e é necessário pelo fato de ser facultado aos sócios de uma sociedade simples contratarem-na sob o modelo que se encontra previsto nos artigos do código que lhe são próprios. Somente em casos de falências e concordatas o juiz determinará de ofício a exibição integral. no caso em que for determinada a exibição parcial. sem que haja limite para a verificação de seus termos. 1. a requerimento da parte. tomam-se como verdadeiros os fatos argüidos. comunhão ou sociedade. não quer dizer que ela fica obrigada ao registro na Junta Comercial. as sociedades simples devem levar seus atos ao Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. devendo o exame ser feito na presença do empresário ou de representante seu. Registro Público de Empresas 12. 1. extrai-se apenas a parte que interessar à questão. Pela primeira. Disposições Preliminares Os empresários. sempre que importante ao litígio. nas seguintes ações: sucessão. Na parcial. A recusa na exibição implica a apreensão judicial dos livros e. Contudo. por força do art.193 do CC/2002. 1. No entanto. vinculam-se ao Registro Público de Empresas. Esse é o entendimento que se depreende da leitura do art. pessoas físicas ou jurídicas. menos as que tenham o capital dividido em ações (anônima e comandita por ações). Na hipótese de uma sociedade simples adotar um dos tipos da sociedade empresária. a cargo das Juntas Comerciais. ou aproveitarem um dos tipos previstos para as sociedades empresárias.150 do Código Civil.191) em que se prevê a exibição em juízo. administração ou gestão à conta de outrem. há situações (art.1.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 25 Série Impetus Provas e Concursos Excetuam-se dessas restrições as autoridades fazendárias. A exibição integral poderá ser determinada pelo juiz. que pode ser integral ou parcial.

150 a 1. e multa. O empresário não-registrado. proporcionando segurança aos que desenvolvem atividade mercantil. independentemente de comprovar legítimo interesse. O Código Civil de 2002 determinou. incorrendo em crime previsto na Lei de Falências. pode requerer à Junta informações sobre outrem). Isso não quer dizer que. ficará o agente sujeito à pena de detenção.800/96 e pelos arts. além de se permitir a autofalência que. o art. é a falência decretada por solicitação do próprio devedor. se o fato não constituir crime mais grave. uma vez não cumprida a providência preliminar. conforme veremos no Capítulo 4. tem por fim dar garantia. de um a dois anos. se for decretada a falência. de tal maneira que ele se sentirá compelido a providenciar o registro. 1.26 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O Registro Público de Empresas. 967. Não sendo obedecida a determinação legal. disposto na Lei Federal n o 8.154 do CC/2002. Na verdade. para a autenticação dos documentos. embora impedido de pleitear a falência de outro. parágrafo 1o. prevista no art. regulamentada pelo Decreto no 1. segurança e eficácia aos atos jurídicos dos empresários individuais e das sociedades empresárias. Como o registro na junta é pré-requisito. deduz-se que o empresário não-registrado não possui livros devidamente autenticados. pois o que define se alguém é ou não empresário são as características do art. a compulsoriedade do registro tem muito mais a função de alertar os pretendentes ao exercício da atividade empresarial para a importância da providência do que desfigurá-los do status de empresário. da Nova Lei de Falências). autenticidade. 379 do CPC. Outrossim. 966 da mesma lei. A primeira é a vedação de requerer recuperação judicial ou extrajudicial para si ou falência de outro empresário (arts. já estudadas no item 9 deste Capítulo. .934/94. e 97. Nem poderia. 48. livros empresariais não-autenticados na Junta Comercial ficam desprovidos de eficácia probatória. antes do início de suas atividades. a obrigatoriedade da inscrição do empresário no Registro Público de Empresas. escriturado ou autenticado documentos contábeis obrigatórios. publicidade (qualquer um. recuperação judicial ou extrajudicial de empresário que não tenha elaborado. haverá conseqüências para o empresário omisso. pode ter a sua própria requerida e declarada. haja uma descaracterização da figura do empresário. 178 da Nova Lei de Falências prescreve que. De outra forma. 161. em seu art.

são de competência da Justiça Estadual.2. face ao disposto no art. como prevê o art. como funcionalismo em geral. Atos de Registro Os atos de registro compreendem a matrícula. composto pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC e pelas Juntas Comerciais nos Estados. 12. 986 da mesma Lei Civil. coordenação e normatização técnica dos serviços. orientação. alteração. que estudaremos no Capítulo 2. surge a responsabilidade solidária e ilimitada de todos os sócios pelas obrigações sociais. enquanto as disputas envolvendo aspectos administrativos. 990 do CC/2002. conforme prevê o art. a autenticação e o arquivamento.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 27 Série Impetus Provas e Concursos empresárias. Modelo Organizacional do Registro Os serviços registrais são exercidos pelo Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis – SIREM. 12. mas de ordem absolutamente técnica. mesmo que seus atos sejam arquivados na Junta). Também podem ser arquivados atos referentes a consórcio. por exemplo. grupos . intérpretes comerciais. seus serviços administrativos são criados e mantidos pelos Estados. já que. naquela categoria. Já as Juntas são órgãos locais (haverá uma em cada unidade da Federação) que executam funções técnicas antes determinadas pelo DNRC. também se incluem as sociedades em conta de participação. Daí a conclusão de que as questões que envolvam os serviços técnicos a cargo das Juntas são decididas no âmbito da Justiça Federal.3. tradutores públicos. competindo-lhe estabelecer normas gerais que deverão ser seguidas pelas Juntas. O DNRC possui funções de supervisão. Entendam que não se trata de disposições que digam respeito aos serviços administrativos das Juntas. • Arquivamento compreende os documentos relativos à constituição. De outra sorte.934/94. mais especificamente sociedade em comum. • Matrícula é a inscrição dos leiloeiros oficiais. 32 da Lei Federal no 8. assim como de cooperativas (atenção! as cooperativas serão sempre sociedades simples. dissolução e extinção de firmas mercantis individuais e sociedades empresárias. administradores de armazéns gerais e trapicheiros. no que pese a natureza federal dos mesmos. Desse enquadramento. No caso de sociedades empresárias decorre da ausência do arquivamento de seus atos a sua tipificação como sociedade não-personificada. ainda que o objetivo fosse criar uma sociedade limitada. Excetuam-se dessa regra as sociedades por ações em organização.

que recai sobre o agente praticante do ato. mesmo sendo posterior à assembléia de quotistas que a decidiu. estaria se exigindo daquele que transacionou com a empresa o conhecimento de fato decidido em assembléia de cotistas. 1. Apresentados além desse prazo. O prazo para protocolar na Junta os documentos sujeitos a registro é de trinta dias da lavratura. Sim. passa para qualquer sócio ou interessado. de microempresas. terceiro não pode alegar ignorância. sem prejuízo de ação contra o administrador. § 2o. Assim procedendo. do CC/2002. Se a garantia se deu em momento anterior à averbação. (ato ultra vires) no sentido de eximir a responsabilidade da pessoa jurídica. 12. Por outro lado. utiliza-se o disposto no art. os efeitos somente se contam a partir da concessão pela Junta. 1. Basta ver o exemplo seguinte. de apenas vinte dias. O ato sujeito a registro não pode ser invocado contra terceiro. Sérgio Campinho alerta que nem sempre é válida a regra da retroatividade. Contudo. . que representa o arquivamento de atos modificativos da inscrição do empresário. Completam a relação os atos de empresas estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil.4. aqueles relativos à incorporação. utiliza-se do termo averbação.28 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel de sociedades e até de empresário rural. senão depois de cumpridas tais formalidades. comumente. alerta o doutrinador que não é justa a manutenção da retroatividade. à revelia de alteração contratual que expressamente vedou o ato. são os administradores e. na hipótese de a fiança ser concedida após a expedição do registro. cisão. Exceção a essa regra é a ata de reunião ou assembléia de quotistas das sociedades limitadas. mas que não fora ainda averbado na junta. Importa frisar que o Código Civil de 2002. responsabiliza-se a pessoa jurídica. Neste caso. na inércia desses. pelo menos para fins de contabilizar-se o efeito do ato frente a terceiros. Uma fiança prestada por representante de uma limitada. que têm um prazo menor. conforme disposto no art. inciso I. os atos sujeitos a registro devem ser requeridos pelas pessoas habilitadas para tanto: no caso das sociedades empresárias. desde que devidamente registrado. seus efeitos retroagem à data neles constantes.075. fusão e transformação de sociedades. Eficácia do Registro Para produzir seus efeitos.015. • Autenticação refere-se aos livros empresariais. do CC/2002. após sua realização. salvo se aquele já tinha ciência. pois se assim não fosse.

Caso contrário. somente poderá ser qualificado como tal se possuir estabelecimento. que. manterá sua escrituração individualizada. em se tratando de elementos incorpóreos. seja o empresário individual ou a sociedade empresária. pois podem ser elididos face à melhor prova admitida no Direito. o título do estabelecimento. algum arquivamento. como o nome empresarial. desde que se apresente outro documento capaz de se sobrepor ao primeiro. Em outras palavras. ou incorpóreos. dos móveis e utensílios. direito à exclusividade do nome. por sua vez. o estabelecimento empresarial é uma organização de bens pertencente necessariamente a empresário. como é que ele poderia desenvolver sua atividade empresarial? Imaginemos. A inatividade não significa a dissolução da sociedade. deverá comunicar à Junta que permanece ou quer continuar em atividade. Significa afirmar que é possível desconsiderar certidão fornecida pelas Juntas Comerciais. que lhe serve como instrumento para a realização de sua atividade econômica. determinado empresário do ramo de farmácia. Cada estabelecimento. 13. Estabelecimento Empresarial 13. que podem ser corpóreos. é titular de duas filiais. inclusive. inclusive. Pois bem. a exemplo do estoque de mercadorias. não haverá um para cada filial ou estabelecimento. perdendo. sede e filiais serão consideradas estabelecimentos do empresário. mas relativa.142 do CC/2002 assim o caracterizou. sob pena de ser considerado inativo. seja pessoa física ou jurídica. Inatividade do Registro Todo empresário. então. pois o art. É lá onde estão reunidos os elementos do estabelecimento empresarial. que não proceder. 1. no prazo de dez anos consecutivos. É próprio dos empresários. além da sede de seu negócio. a exemplo do nome empresarial. mas seu funcionamento de forma irregular. pessoa física ou jurídica. tais atos não têm o condão de constitui prova absoluta. mas um utilizado por todos. 12. além de outros estudados a seguir.5. com livros contábeis e fiscais próprios. . É claro que. e este.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 29 Série Impetus Provas e Concursos Ainda a respeito da eficácia do registro. Conceito Complexo de bens reunidos segundo a vontade do empresário.1.

integrem o estabelecimento. empresário é a própria sociedade. a reunião de todos acarreta um valor agregado bem maior. da extensão dos temas. à empresa e ao estabelecimento empresarial. mantêm suas autonomias. sendo a empresa a fabricação e comercialização de pães. 13. o nome empresarial e os bens da propriedade industrial (registro de marcas. bens corpóreos ou incorpóreos são todos destinados ao exercício da atividade empresarial. nome empresarial. Há uma relação direta entre o preço atribuído ao aviamento e a capacidade de o estabelecimento produzir lucro. Para o ponto. Discute-se se bens imóveis. mas não é correta essa afirmação. Conforme destaca a doutrina. o título do estabelecimento. maior valor terá o aviamento. Quanto maior for a disposição para o lucro. a exemplo de um galpão ou de um armazém. a exemplo do estoque de mercadorias. dentre outros). o ponto. o aviamento é um atributo da empresa. São bens indispensáveis ao exercício da empresa. Cada bem individualmente considerado possui um valor econômico. a doutrina dominante (cito Fran Martins. na conformidade da importância. desde que pertencentes ao empresário. que se traduz num sobrepreço do estabelecimento em relação à soma dos preços de cada bem. apesar de reunidos pela vontade do empresário. somados ao nome empresarial. podemos afirmar ser o empresário o sujeito de direito. Sérgio Campinho e Fábio Ulhoa Coelho) é no sentido de aceitar que os bens imóveis utilizados diretamente na atividade empresarial. enquanto os meios utilizados especificamente no fabrico. ainda que necessários à atividade econômica do empresário. pessoa física ou jurídica.. Contudo. reservam-se tópicos específicos. o título do estabelecimento etc. pendendo Requião por não recepcionar a tese. Composição Compreende diversos elementos que. Ao valor agregado dá-se o nome de aviamento. Como vemos.30 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Fazendo uma digressão sobre alguns dos conceitos estudados até aqui. patentes de invenção. se tomarmos a Panificadora Pão de Ouro Ltda. patentes de invenção. sobretudo. especialmente quanto ao empresário. mas. equipamentos. enquanto a empresa é a atividade econômica desenvolvida pelo empresário. ponto etc. mobiliário. Já o estabelecimento empresarial é o aparelhamento necessário ao exercício da empresa. são o estabelecimento empresarial. título. Há até autores que consideram o aviamento como elemento incorpóreo do estabelecimento. No que pesem divergências doutrinárias. como exemplo. integrariam o estabelecimento empresarial. .2. não um bem do empresário. utensílios. assim como o registro das marcas. Por exemplo.

salvo se a locação também envolvia elementos do estabelecimento empresarial. d) o locatário esteja regularmente constituído. 52 prevê hipóteses de exoneração da obrigação do locador renovar o contrato. o titular de estabelecimento situado em prédio alugado detém o direito à renovação do contrato. tiver que realizar no imóvel obras que importarem na sua radical transformação. com seus atos arquivados no órgão de registro competente. ou mesmo ser indenizado. Em outras palavras. A lei o reconhece como resultado do esforço desenvolvido por seu titular.1. estipulados no art. no mínimo. b) o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos. como . é preciso ficar atento. através da ação renovatória de contrato de locação comercial. na realidade. Quando se afirma que o ponto é espécie de bem incorpóreo do empresário. no sentido de ressaltar. anteriores à data de finalização do prazo do contrato em vigor. c) o locatário esteja explorando o mesmo ramo de atividade pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos. Ainda que obedecidas todas as exigências. se compelido a sair. mas a faculdade a ele conferida em permanecer no local. O Ponto Empresarial Com relação ao ponto. o que se tem é um direito à inerência sobre o ponto. c) o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de estabelecimento empresarial existente há mais de um ano.245/91. que é espécie de bem incorpóreo do empresário. protegendo-o. Nesta hipótese. pois.2. desde que a maioria do capital social do sujeito de direito titular do estabelecimento pertença ao locador. b) para fazer modificações de tal natureza que aumente o valor do negócio ou da propriedade. não o domínio do locatário. mais conhecida como Lei do Inquilinato: a) o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado. e) que o locatário tenha proposto a ação renovatória no interregno de um ano. em caso de prédio alugado. por determinação do Poder Público. no máximo.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 31 Série Impetus Provas e Concursos 13. 51 da Lei Federal no 8. o art. desde que presentes os seguintes requisitos. São elas: a) quando. define-se como o lugar no qual aquele exerce suas atividades profissionais. o imóvel não poderá ser destinado ao mesmo ramo do locatário. seu cônjuge. ascendente ou descendente. até seis meses.

que estende o direito de inerência às locações celebradas por indústrias e por sociedades civis com fins lucrativos. o locador não poderá recusar a renovação lastrado nas causas dessa alínea. também integra o elenco dos bens incorpóreos o título do estabelecimento. Permite-se a alienação do título. havendo recusa do locatário em cobrir o valor. mesmo. resta evidenciado que os termos da lei são extensivos às atualmente denominadas sociedades simples. pois devem prevalecer as condições livremente pactuadas nos contratos.32 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel instalações e outros pertences. estas abrangendo também as indústrias. não der o destino alegado ou não iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que declarou pretender realizar. agora enquadradas como sociedades empresárias. merece comentário a disposição do parágrafo 4o do art. se o locador. Por último. assim como às indústrias. claro. e) se o locatário não cumprir qualquer dos requisitos estabelecidos no art.2. tanto que o parágrafo 3o do art. 52 garante ao locatário direito à indenização. seja o empresário ou a sociedade empresária. Após a edição do novo Código. Saliente-se ainda que. 51. enquanto o título do estabelecimento é o meio pelo qual a empresa torna-se conhecida do público. . as sociedades produtoras de bens e as então classificadas como sociedades civis ficavam à margem do conceito. reputavam-se comerciantes os que promovessem a intermediação de mercadorias e umas poucas espécies de serviços. 13. respeitadas as disposições da lei. Não se confunde com o nome empresarial. singularizando o ponto comercial. Logo. quando se tratar de espaço em shopping centers. na vigência da antiga Teoria dos Atos de Comércio. que classificou as sociedades em simples ou empresárias. Espaço das Vitrines. sempre que tiver de deixar o ponto em função de proposta mais vantajosa oferecida por outrem ou.O Título do Estabelecimento Mais conhecido como “nome fantasia”. 51.2. Exemplo: Casa das Baterias. Este identifica o sujeito de direito proprietário. no prazo de três meses da entrega do imóvel. É de se ressaltar a proteção dada pela lei ao locatário contra medidas arbitrárias do locador. d) se houver proposta de preço ofertada por terceiro mais vantajosa ao locador e. Império do Colchão etc. Isso porque.

o falido não possui tal prerrogativa. A conclusão é extraída da definição desse instituto. estaria comprovado o direito à exclusividade de seu uso. tenham destinação unitária. é merecedora de reparos. diferentemente do nome. Nesta condição. ao assimilar a tese esposada por Fran Martins. para o título do estabelecimento não há norma legal disciplinadora do assunto. A assertiva. Enquanto o empresário pode livremente estabelecer quais os bens que comporão seu estabelecimento. contudo. à semelhança do que já está reconhecido para o nome empresarial. aparecem como universalidades de direito. não pelo desejo de alguém. em que o art. Já Sérgio Campinho.166 do CC/2002 garante o uso exclusivo a quem primeiro promover seu arquivamento ou averbação no órgão de registro. pode acontecer em momento posterior ao arquivamento do ato constitutivo da sociedade. apesar de serem constituídas a partir da reunião de bens. Percebam uma diferença fundamental entre um e outro conceito. 90 do CC/2002. ou mesmo de posterior averbação. entendeu que a presença do título no ato de registro deve ser tomada como elemento de prova a favor de quem primeiro providenciou o arquivamento. 1. Fran Martins.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 33 Série Impetus Provas e Concursos Sua proteção contra reprodução indevida por parte de outrem advém do registro na Junta Comercial que. em posicionamento seguido pelos melhores doutrinadores da matéria. não posso concordar com a tese defendida por Marcelo Bertoldi. assim o são por disposição legal. com exceções e particularidades abordadas no Capítulo 04. . a fim de demonstrar que sua utilização antecedeu à da outra parte envolvida na disputa. Ambas. na hipótese de o título aparecer destacado no ato constitutivo do empresário registrado. que assim preceitua: “Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que. 1. apesar da omissão legislativa. uma vez que todos os seus bens serão destinados à composição da massa falida. sustentou que. Isso porque. ao contrário do que ocorre com o nome empresarial. 13. presente no art. Natureza Jurídica Sua natureza é de uma universalidade de fato.3. pertencentes à mesma pessoa.142 do Código definir a sua existência.” Diversa é a natureza jurídica da herança ou da massa falida. Por essa razão. que trata o estabelecimento como uma universalidade de direito pelo fato de o art.

um empresário do ramo frigorífico. Tem o transmitente que ficar com bens livres e desembaraçados para pagamento de . 44 do CC/2002. 1. que recebe o nome de trespasse ou traspasse. afirmar que o estabelecimento pode ser objeto de relações jurídicas próprias. é possível a mudança de titularidade do estabelecimento. Já na cessão de quotas ou de ações. Alienação Vimos que o estabelecimento pode ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos translativos ou constitutivos. Podemos. pode ser alvo ou objeto de direitos e de negócios jurídicos. pode ser alvo de transações ou disputa jurídica. Na hipótese de alguém reivindicar o domínio sobre eles. desde que compatíveis com sua natureza. será a parte legítima para representar em juízo sobre qualquer ação que tenha por objeto bens componentes de algum de seus estabelecimentos. não é ele capaz de direitos e obrigações. Logo. Como tal. o estabelecimento muda de titular. entretanto. condição que isenta de dúvida a sua natureza de universalidade de fato. 13. o empresário. compete ao sujeito de direito empresário a manifestação a respeito. translativos ou constitutivos.4. sociedades.145 do CC/2002 condiciona a eficácia da alienação a alguns fatores. titular da sede e mais cinco filiais. a exemplo da sua própria alienação. Em outras palavras. Os bens que o compõem pertencem a seu titular. Em termos práticos.34 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Waldo Fazzio Júnior. Já o estabelecimento. ou das ações de uma sociedade anônima. por ser desprovido de personificação. que são as associações. É ele o detentor da legitimidade para tanto. partidos políticos e organizações religiosas. Observem que o trespasse não é o mesmo que a cessão de quotas sociais de uma sociedade limitada. 1. O art.143 do Código. Assim. fundações. por conseqüência. passando a integrar o patrimônio de outra pessoa. mas da própria pessoa que seja seu titular. Essa é que terá novos sócios. enfatiza corretamente a vontade do titular do estabelecimento em reunir bens diversos. sem que isso signifique ser sujeito de direitos e obrigações. permanece na propriedade da mesma pessoa jurídica. em raciocínio diametralmente oposto. não há como se falar em capacidade processual do estabelecimento. conforme dispõe o art. o estabelecimento está excluído do rol de pessoas jurídicas elencadas no art. Nesta condição. emprestando-lhes uma destinação unitária. No primeiro. longe de poder ser sujeito de direito. não tem personalidade jurídica.

149 preserva a boa-fé daqueles que efetuarem o pagamento ao cedente. ressalvada. o art. Em se tratando de arrendamento ou usufruto do estabelecimento. é evitar que o alienante. Nome Empresarial 14. A proibição aqui tratada deve ser entendida em certo âmbito territorial. . contudo. que vai depender do local onde se situe a filial. ou do consentimento expresso ou tácito. se ocorrer justa causa. que se materializa em trinta dias a partir da notificação. tem direito a ser identificada por um nome civil. 51. a menos que haja concordância do adquirente.101/2005.148.1. A finalidade. 1. Outrossim. Do contrário. a responsabilidade do alienante. da conhecida Lei do Inquilinato. continua solidário com aquele pelo prazo de um ano. Juridicamente falando. a materialização desse direito ocorre por ocasião do registro do indivíduo no Cartório de Registro Civil. Em seguida. podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação de transferência a que se refere o art. 1. não pode o alienante fazer concorrência nos cinco anos subseqüentes à transferência. 14. contado da publicação de transferência na imprensa oficial. a previsão do art. arrendatário ou do usufrutário em função do conhecimento que gozem junto ao público em geral. prevê que. Este. ao nascer. se não tiverem caráter pessoal.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 35 Série Impetus Provas e Concursos seus credores existentes à época. neste caso. III. Com relação aos devedores por créditos cedidos ao adquirente. reputando-os exonerados da obrigação mesmo que a publicação da transferência já tenha sido realizada. arrendador ou aquele que transfere estabelecimento em usufruto desvie clientela do comprador. alienante do estabelecimento. a transferência do estabelecimento importa em sub-rogação do adquirente nos contratos destinados à exploração do estabelecimento. salvo disposição em contrário. Conceito Uma pessoa natural. contudo. 94. ou dos respectivos vencimentos para os vincendos. para os vencidos. desde que contabilizados nos livros do vendedor. 1. passa o adquirente a ser responsável pelos débitos anteriores ao ato. da Lei Federal no 11. conforme previsto no art. ao invés do cessionário. que está em sintonia com a do art. quando é expedida a Certidão de Nascimento. a eficácia depende do pagamento de todos eles. a proibição se estende ao prazo do contrato. Eficaz o trespasse. parágrafo 1o. A desobediência a esse requisito representa ato de falência. c.144.

de 15 de março de 1996. que deverá adotar seu nome civil. no que se refere ao nome empresarial. Uma é a IN no 53. são válidas. não se contrapondo aos ditames da lei. 14. mais de um sócio poderá . o Departamento Nacional de Registro do Comércio é entidade habilitada a normatizar esse e outros assuntos relacionados à empresa e ao empresário. De outra forma. Formação O nome empresarial pode ser de três espécies.156 do Código. conforme reza o art. Assim como a firma individual. admite a supressão de prenomes. a titularidade sobre o nome acontece a partir do arquivamento de seus atos constitutivos na Junta Comercial do Estado.36 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No caso dos empresários individuais ou das sociedades empresárias. Costa Farias. Pedro Luiz Costa Farias–Mercearia. A alínea a do parágrafo 1o do art. 6o da IN no 53/96. A diferença é que.2. pois. Além dessas disposições. a) Firma Individual Constitui-se a partir de um nome de pessoa natural e serve para nominar o empresário individual. O Código Civil de 2002 trouxe capítulo específico a respeito do tema. aditando-lhe. O nome empresarial é. do DNRC.168. um deles não poderá ser abreviado ou suprimido. P. designação mais precisa de sua pessoa ou do gênero de atividade. Exemplos: Pedro Luiz Costa Farias. Costa Farias–Mercearia. sua formação gira em torno de nomes civis. que vai do art. b) Firma ou Razão Social Constitui-se a partir de um ou mais nomes de pessoas naturais e serve para nominar as sociedades empresárias. 1.L. que uniformizou critérios para o exame dos atos submetidos ao Registro Público de Empresas. se houver mais de um patronímico. 1. e o faz através de instruções normativas que. em se tratando de pessoa jurídica. 1. se quiser. completo ou abreviado. Costa Farias.155 ao art. aquele sob o qual a sociedade ou o empresário individual exerce sua atividade econômica e obriga-se nos atos a eles pertinentes.

Paulo Melo Lins e João Pedro Silva (em nome coletivo ou em comandita). Difere das outras duas formas em alguns aspectos. permite a inclusão de nome de um ou mais sócios. . nem seria razoável admitir um nome empresarial composto por tantos nomes civis. do Código. limitada (para sociedade limitada). sem abreviaturas. O direito as reconhece pelo termo agnome.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 37 Série Impetus Provas e Concursos emprestar seu nome à formação da firma social.160. Expressões como: filho. Melo Lins e cia. 6o da mesma IN no 53/1996. O usual é a razão social ser composta de um ou no máximo.155.158. ou até de alguém que não seja membro da sociedade. (para sociedade em nome coletivo ou em comandita). 1. que possibilitou sua substituição por termos equivalentes. do CC/2002 vedou a inserção na razão social de nome de sócio que não seja pessoa física. contudo. combinado com o parágrafo único do art. 1. se determinada sociedade abranger em seu quadro social uma outra pessoa jurídica. parágrafo 1o. do Código. Por isso o art. seja na lei ou em norma complementar. convém ressaltar a disposição da alínea a. Exemplos: Melo Lins e cia. parágrafo 1o. c) Denominação Essa espécie de nome serve tanto às sociedades empresárias como às sociedades simples e. 1. tal como “e filhos” ou “e irmãos”. não são sobrenome. do parágrafo 1o do art. em uma sociedade de muitos sócios. tem o caráter de mera homenagem. devem constar do nome na forma por extenso. sempre acrescida do objeto social. dentre outras similares. esta não poderá emprestar seu nome à formação da razão social da primeira. Assim. 1. João Fonseca e irmãos (em nome coletivo ou em comandita). Essa previsão. parágrafo 1o. mas em expressão de fantasia. dentre outros. O art. É que sua constituição se baseia não em nomes civis. Mas não precisa serem todos. neto. A respeito do uso da expressão “e companhia”. às associações e fundações. O mesmo dispositivo. júnior. não se revestindo da natureza obrigacional que permeia a firma. Aliás. indicam relação de parentesco e servem para diferenciar parentes que tenham o mesmo nome.158. 1. até. sempre que omitido nome de algum sócio. conforme prevê o art. Sem disposição expressa sobre elas.157 do Código previu a possibilidade de se adotar a expressão “e companhia” ou sua abreviatura. de acordo com a exigência do art. sobretudo na sua formação. dois nomes de sócios.

163 do Código que. permite-se agregar designação distintiva. sócio de sociedade que emprestar seu nome à razão social ou o empresário individual. igualmente. Essa é a disposição do art.38 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Exemplos: Fiação José Pereira S. (para uma sociedade anônima). A IN no 53/96. É o caso de a denominação de uma sociedade do ramo de papelaria conter objeto social diverso.166. quando dispõe que sócio que vier a falecer.A. destacando a impossibilidade de coexistência de nomes idênticos ou semelhantes no âmbito da mesma unidade federativa. parágrafo 2o. que prevê. Proteção A inscrição do empresário individual ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas assim como as respectivas averbações no registro próprio asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. de forma a evitar o registro daqueles que não correspondam à realidade. Esta é a regra do art. por exemplo. dispõe o parágrafo único do artigo. Em se tratando de firma. a exemplo de frigorífico ou farmácia. a) Princípio da veracidade Esse princípio permeia a constituição do nome empresarial. 1. dois princípios deverão ser observados. Princípios Para legal constituição do nome. por sua vez. em seu art. quando um cônjuge pode incorporar sobrenome do outro. 14. se registrado na forma de lei especial. Indústrias Reunidas Brasil Limitada (para uma sociedade limitada). O art. na hipótese de casamento. for excluído ou se retirar. também faz referência ao mesmo princípio. individual ou social. a extensão da garantia a todo território nacional. em seu parágrafo único.3. ainda não foi elaborada. Podemos encontrá-lo no art. em seu parágrafo único. . 1. será necessária a alteração do nome empresarial. 7o da IN no 53/96.4. observa o princípio da novidade. Esta. Com fundamento nele. ao proibir a presença no nome de palavras ou expressões que denotem atividade nãoprevista no objeto da empresa. em caso de homônimos já inscritos. Frigorífico Carnefresca Comandita por Ações (para uma comandita por ações). não pode ser conservado na firma social. impõe o emprego de alguma designação distintiva ao nome do empresário. 6o.165 do Código. sempre que promoverem alteração em seus respectivos nomes civis. 14. b) Princípio da novidade O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro. quando houver outra já registrada. 1.

outra. que. Função A principal função do nome empresarial.934/94.165. contrair um empréstimo bancário no valor de um milhão de reais a ser pago no prazo de seis meses. através da assinatura de seu representante. que regulamentou a Lei no 8. portanto. 14. significando afirmar que as juntas não abrem um processo específico para a análise do nome constante do ato. Esse trabalho é feito ao mesmo tempo em que se avalia tanto o requerimento do empresário individual. pelo pedido específico. É da sua utilização que nascem os direitos e obrigações do empresário. já vimos. Entrementes. não há outra maneira de a proteção ao nome empresarial ser eficaz em outros Estados. a requerimento do interessado. II. parágrafo 1o. a firma. 61 do Decreto prevê que a proteção ao nome poderá ser estendida a outras unidades da Federação. 1. é a identificação do sujeito de direito que o emprega. com a respectiva assinatura autógrafa. enquanto não editada a lei especial a que se refere o parágrafo único do art. 61. dispondo sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. dentre outras informações. do Decreto no 1. Na opinião de Sérgio Campinho.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 39 Série Impetus Provas e Concursos Continua. é ela a pessoa obrigada ao pagamento.5. a firma. Exemplificando. o parágrafo 2o do mesmo art. em seu art. se a sociedade chamada Tecelagem Rio Grande S/A. A par dessa função. que é coincidente com a do art. citadas no parágrafo anterior. esse dispositivo inclusive encontra eco no Código Civil. parágrafo 1o. . observada instrução normativa do Departamento de Registro do Comércio – DNRC. pessoa física ou jurídica.800/96. também serve como assinatura do empresário. senão nas hipóteses do art. em caso de abertura de filial em outro Estado. da IN do DNRC no 53/96. como o estatuto ou contrato de sociedade. 968. prevê que a inscrição do empresário far-se-á mediante requerimento que contenha. Essa é a previsão do art. desde que o agente possua representação legítima. E é justamente a IN no 53/96 que prevê duas hipóteses para a extensão da proteção do nome a outros Estados. instruído com certidão da Junta Comercial da unidade federativa onde se localize a sede da sociedade. Portanto. que criou o registro de firmas ou razões comerciais. 13. assim como com o art. A primeira. Outro ponto que merece destaque é a simultaneidade entre o registro e a proteção. 13 da IN no 53/96. a disposição do código. seja individual ou social. 2o do Decreto 916/1890.

o adquirente pode. normalmente farão parte do negócio a totalidade de seus bens. sendo a venda parcial.164 do CC/2002. ou aos demais bens incorpóreos ou não. teremos: Paiva Costa e Cia. Caso. Brasil de Cosméticos. a exemplo do título. na conformidade do parágrafo único do mesmo artigo. 14. 1. compete aos contratantes definir quais os bens farão parte do negócio. Para o bom entendimento do assunto. com a ressalva já feita para o uso do nome. que passará a usar o nome Cia. pois a maioria esmagadora dos empresários ou representantes de sociedade não se utiliza da firma como assinatura.. Quando a venda abrange todos os estabelecimentos. Brasil de Cosméticos..40 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por outro lado. Idêntico raciocínio pode ser formulado quando se tratar de uma denominação. acrescentado do termo “sucessor de”. porém. . O alienante pode até excluir um ou outro bem originário do estabelecimento. usar o nome empresarial do alienante. a sociedade Paiva Costa e Cia. sucessor de João Silva e Irmãos Irmãos. que adquiriu o estabelecimento empresarial de João Armando Silva e Irmãos. do ponto etc. por ocasião da negociação de venda de um ou todos os estabelecimentos do empresário. percebam que. uma vez que não pode haver empresário sem aquele conjunto de bens organizados para o exercício da empresa. Alienação O nome empresarial não pode ser objeto de alienação.6. então. sucessor de Cosméticos Nova Cruz S/A. Essa é a regra do art. Exemplo: Cia. independentemente da venda do estabelecimento. Imaginemos. seja alienado o próprio estabelecimento empresarial. sem que isso o descaracterize como tal. os mesmos poderão livremente ser alienados. precedido de seu próprio. De outra forma. se houver previsão contratual. que concordou com o uso de seu nome pelo adquirente. é forçoso reconhecer a pouca ou quase nenhuma aplicação prática do dispositivo. adquirente da Cosméticos Nova Cruz S/A. o contrato de alienação deve conter a previsão do objeto contratado. do nome empresarial. mas de seus próprios nomes. Também é possível haver negociação em cima de bens incorpóreos. Isso porque o empresário que se desfaz de todo o seu estabelecimento invariavelmente perderá esta qualificação. Já com relação ao título. materiais ou não. Logo.

assim ou por extenso Com o termo “Cooperativa”. Utilização por quem de Direito TIPO Empresário Individual Sociedade Simples Em Nome Coletivo Em Comandita Simples Em Comandita por Ações Em Conta de Participações Sociedade Limitada Sociedade Anônima X X X Com o termo “Ltda. X X – – Sociedade Cooperativa X . DENOMINAÇÃO OBSERVAÇÕES X X Com o termo “C. assim ou por extenso.A.”.S.” ou “S/A”.”.7. assim ou por extenso. Não possui nome. – X FIRMA FIRMA INDIVIDUAL SOCIAL X Com o termo “S. assim ou por extenso. Com um dos termos: “Cia.”.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 41 Série Impetus Provas e Concursos 14.

e b) normas regulamentadoras da propriedade industrial. entendo-se como o desconhecimento público sobre objeto. Direitos de Propriedade Industrial 15. b) concessão de registro de desenho industrial. para o direito da propriedade industrial. . o homem estará sempre tentando descobrir novas formas de melhorar seu bem-estar por meio de criações as mais variadas possíveis. Estas. artísticas e científicas obedecem ao critério da originalidade. dividem-se em: a) normas regulamentadoras da propriedade literária. iremos observar que a necessidade e o poder inventivo são características inerentes ao ser humano.42 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. 2o. c) concessão de registro de marca. existem normas conhecidas como Direito da Propriedade Intelectual. que recebem o título de Direito Autoral. d) repressão às falsas indicações geográficas. de 14 de maio de 1996. mais conhecida como o Código de Propriedade Industrial – CPI que. enquanto que. já no seu art. podemos destacar quatro bens incorpóreos componentes do estabelecimento empresarial e que são abrangidos pelo direito de propriedade industrial. Para tutelar o direito dos autores de obras oriundas da capacidade intelectual do homem. São eles: a) patentes de invenção. previu as formas de proteger a atividade inventiva e a própria atuação empresarial de pessoas físicas e jurídicas. c) registro de desenho industrial. artística e científica. requisito fundamental é a novidade da criação. visando ao desenvolvimento tecnológico e econômico do país. através da: a) concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade. Não importa o grau de desenvolvimento de uma sociedade. De outra forma. Disposições Preliminares Se fizermos uma retrospectiva histórica do desenvolvimento da humanidade. que recebem o título de Direito da Propriedade Industrial. editou a Lei no 9.1.279. enquanto o objeto da propriedade industrial é destinado à produção em escala industrial. Analisando o dispositivo acima. ficando o direito autoral a cargo do Direito Civil. Uma diferença marcante entre os objetos de um e outro sistema jurídico reside no fato de que as obras literárias. o mesmo não ocorre nas obras protegidas pelo direito autoral. no sentido de que se trata de algo exclusivo para o próprio autor da obra. por sua vez. O Congresso Brasileiro. Alvo desse trabalho será o direito da propriedade industrial. e d) registro de marca. nacionais ou domiciliadas no Brasil. b) patentes de modelo de utilidade. e e) repressão à concorrência desleal.

A própria Constituição Federal. igualmente capaz de ser produzido industrialmente.279/96 garantiu aos autores de invenção ou de modelo de utilidade direitos que nela são relacionados. bem como proteção às criações industriais. para exploração e produção dos bens. cabendo às Juntas Comerciais recepcionar as documentações dos empresários para fins de registro e concessão do direito de propriedade sobre eles. Competente para regulação e concessão da maioria desses direitos é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. vejamos as formas de proteção à propriedade industrial. 2o da Lei no 9. poderíamos dizer que a geladeira doméstica é uma invenção. ao passo que uma invenção pode jamais haver sido alvo de um modelo de utilidade.2. 15. entendida como o instrumento jurídico capaz de assegurar aos inventores e aos criadores de modelo de utilidade a proteção contra reproduções indevidas de suas obras. em seu art. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do país. conforme exposição no item anterior. A título de exemplo. prescreve: A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. na hipótese de o modelo tradicional ter sido precursor dos demais. inciso XXIX. valendo lembrar que questões atinentes ao nome empresarial e ao título do estabelecimento são reguladas pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. ao passo que modelo de utilidade seria um aperfeiçoamento de algo já existente. A seguir. Conclui-se que o modelo de utilidade pressupõe uma prévia invenção. ou de parede.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 43 Série Impetus Provas e Concursos Os direitos atribuídos aos titulares da propriedade industrial vão da reserva temporária. . Também serviria à exemplificação a criação do ventilador de teto. enquanto o seu descongelamento automático é um modelo de utilidade. Patentes O art. ao uso exclusivo da marca e do nome empresarial. pois o seu sentido é incrementar a utilização de algo já existente. 5o. à propriedade das marcas. Mas qual a diferença entre invenção e modelo de utilidade? A primeira pode ser conceituada como o produto do intelecto humano que traz à tona coisas até então inexistentes e capazes de serem produzidas em escala industrial. A materialização desses direitos advém da concessão da patente. autarquia federal com sede no Estado do Rio de Janeiro. que dispõe sobre direitos e deveres individuais e coletivos.

b) pelo INPI. no Brasil ou no exterior (art. conforme a disposição do art. b) atividade inventiva. mas não decorreu de sua atividade inventiva.1. por descrição escrita ou oral. 12 estabeleceu um período de doze meses imediatamente anteriores à data do depósito no qual a divulgação de informações sobre a invenção ou do modelo de utilidade não será enquadrada no estado da técnica. haverá quebra do requisito da novidade. são requisitos à patenteabilidade de uma invenção: a) novidade. Em outras palavras. Uma criação que dependa de um componente só existente nas estrelas não possui aplicação industrial. tampouco para modelo de utilidade. poderíamos afirmar que todo invento é novo. De outra forma. baseados em informações obtidas do inventor. assim entendido como toda informação que é disponibilizada ao público antes da data de depósito do pedido da patente. No entanto. a descoberta de um novo mineral. pois decorre da capacidade criativa do ser humano em construir algo até então inexistente. Portanto. c) por terceiros. por exemplo. à luz do art. a partir de informações deste obtidas. 11).2. Nova é a invenção que não está compreendida no estado da técnica.Invenção e Modelo de Utilidade O Código de Propriedade Industrial não trouxe conceitos para invenção. por uso ou qualquer outro meio. pode ser considerada nova diante dos olhos humanos. ainda assim a invenção ou o modelo de utilidade seriam considerados novos. o art. 8 o do CPI. enquadrando-se nesse dispositivo a informação divulgada. resultando na negativa de patente. Já a aplicação industrial é requisito que decorre da possibilidade de o invento ou o modelo industrial poder ser produzido em escala industrial. ao requisito da novidade imposto pelo CPI. . Dessa forma. ou a partir de atos realizados por ele.44 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. e c) aplicação industrial. nem tudo que é novo decorre da atividade inventiva do homem. e ficando provado que se trata de algo criado a partir de informações vindas a público a respeito da criação. preferiram os legisladores estabelecer requisitos para a caracterização e enumerar o que não se enquadra em um ou em outro aspecto. estão interligados. A atividade inventiva. Esses dois primeiros requisitos. Na verdade. ou em decorrência de atos realizados por ele. através de publicação oficial de pedido de patente depositado sem o consentimento do inventor. se alguém tentar patentear invento que diz ser novo. Para tanto. faz-se necessário que a divulgação tenha sido promovida: a) pelo próprio inventor. 13. o leitor pode perceber. é a criação que não decorre de forma óbvia ou evidente do estado da técnica. obedecendo. portanto.

e i) o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza. atividade inventiva e aplicação industrial) acima referidos.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 45 Série Impetus Provas e Concursos O art. Esse é o teor do parágrafo 1o do art. aos bons costumes e à segurança. enquanto o art. f) apresentação de informações. . exceto os microorganismos transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade (novidade. e) programas de computador em si. 15. matérias. misturas. Diversa é a disposição do art. publicitários. princípios ou métodos comerciais. c) esquemas. e c) o todo ou parte dos seres vivos. não importando se é.2. b) substâncias. quando resultantes de transformação do núcleo atômico. teorias científicas e métodos matemáticos. de sorteio e de fiscalização. à ordem e à saúde públicas. g) regras de jogo. educativos. para aplicação no corpo humano ou animal. presume-se o requerente legitimado a obter a patente. Observem a diferença entre o teor de cada dispositivo. d) as obras literárias. h) técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos. Do Pedido e Concessão da Patente Salvo prova em contrário. que privilegia a pessoa que primeiro encaminhou o pedido de patente. São elas: a) descobertas. 10 contém relação de algumas ocorrências que não são consideradas invenção. tampouco modelo de utilidade. o outro obsta a concessão de patentes a invenções ou a modelos de utilidade que se encaixem ao menos em uma daquelas proibições. artísticas e científicas ou qualquer criação estética. que proíbe a concessão de patentes às seguintes criações: a) tudo o que for contrário à moral. planos. contábeis. financeiros. ou não. bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico. bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou modificação. ou ainda que dela isolados. 10 enumera realizações que não são consideradas invenções ou modelo de utilidade.2. arquitetônicas. inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais. elementos ou produtos de qualquer espécie. b) concepções puramente abstratas. 18. 6o. o inventor ou o autor do modelo de utilidade.

será protocolizado. do mesmo artigo. até o deferimento da patente. 30 do CPI. para se observar a divulgação de informações sobre o objeto do depósito. não importando da data de invenção ou criação. por todo o tempo. 19 (requerimento. que não será iniciado senão após o prazo de sessenta dias da publicação do pedido. além de outros fins. Satisfeitas as exigências. o direito de obter a patente será assegurado àquele que promover o depósito mais antigo. com a data de apresentação sendo tomada como data de depósito. Uma vez publicado o pedido. sob pena de devolução ou arquivamento da documentação. está em sintonia com o princípio de que o primeiro a chegar será considerado o titular do direito. Faltando algum requisito essencial.46 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O parágrafo seguinte. salvo por solicitação do depositante. o pedido deve ser mantido em sigilo. o pedido pode ser dirigido por todas ou uma delas. quando ocorrer invenção ou criação de modelo de utilidade por uma ou mais pessoas de forma independente. 7o. o INPI pode emitir recibo. relativa ao estado da técnica. presente no art. não havendo publicação pelo prazo de dezoito meses desde a data do depósito. resumo. é necessário que o depositante ou qualquer interessado o requeira no prazo de trinta e seis meses da data do depósito. Para tanto. O órgão competente para receber os pedidos de patentes relativos a invenções e modelos de utilidade é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial-INPI. estabelecendo as exigências a serem cumpridas no prazo de trinta dias. se for o caso. salvo prova em contrário. No entanto. desenhos. Essa disposição. mas existindo dados relativos ao objeto. em se tratando de invenção ou de modelo de utilidade realizado conjuntamente por duas ou mais pessoas. Conforme reza o art. mediante nomeação dos demais. b) pelo cessionário. relatório descritivo. conforme exposto no item anterior. É lá onde se faz o exame formal preliminar do requerimento e. considera-se data do depósito a mesma do recibo. e c) pela pessoa a quem a lei ou o contrato de trabalho ou prestação de serviço indicar como titular do direito. a fim de subsidiarem o exame técnico ou de mérito. Esta data é importante. faculta-se aos interessados apresentar novos documentos e informações. em se tratando de matéria referente à defesa nacional. e comprovante de pagamento da retribuição relativa ao depósito). quando devidamente instruído de acordo com a exigência do art. reivindicações. ao depositante e ao inventor. permite que o pedido seja feito em nome próprio: a) pelos herdeiros ou sucessores do autor. e. sob pena de arquivamento do . De outra forma.

por causa mortis ou inter vivos. será proferida decisão. porém da data de depósito. Da Vigência e da Proteção Conferida pela Patente Enquanto perdurar a patente. 38. ambos contados da data de depósito. sem o seu consentimento. conforme reza o art. o titular de patente tem o direito de impedir terceiro. seu titular tem direito à exploração exclusiva do objeto. no prazo de sessenta dias. No entanto. usar. mediante o pagamento de retribuição específica. ser objeto de contrato para licença de exploração. indeferindo ou deferindo a patente. o prazo mínimo de vigência da patente de invenção é de dez anos. que somente será emitida após o pagamento de retribuição correspondente. que será considerado bem móvel. Prevê o art. o instrumento utilizado é a carta-patente. A patente de invenção vigorará pelo prazo de vinte anos e a do modelo de utilidade pelo prazo de quinze anos. pode haver o desarquivamento do pedido. retardando o início da exploração industrial e comercial do bem. 58 permite a cessão do pedido). a satisfação no pedido não garante a realização do exame técnico. . inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e a da concessão da patente.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 47 Série Impetus Provas e Concursos pedido. sob pena de arquivamento em definitivo. enquanto a do modelo de utilidade é de sete anos. conforme prevê o art. ou.3. parágrafo 1o. Em resumo. na hipótese de exploração indevida de seu objeto. quando estaria prejudicado o direito do titular. conforme as exigências postas nos arts. mesmo. 15. de produzir. se aprovada. ficará em sigilo pelo prazo de dezoito meses. 44 indenização em favor do titular da patente. Neste caso. porque pode acontecer de a concessão sofrer demora no processo.2. o INPI deve proceder a uma análise preliminar do pedido que. se. no prazo de trinta e seis meses. salvo por solicitação do depositante. Portanto. contado não da publicação do pedido. 5o. podendo ser cedido (o art. vender ou importar com estes propósitos o produto objeto da patente ou o processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. colocar à venda. Essa previsão é importante. no prazo de sessenta dias do deferimento. garantem-se aqueles prazos mínimos de vigência da patente. 42. 34 a 36. Neste último caso. sem importar o intervalo de tempo compreendido entre o depósito e a concessão. que somente será feito mediante nova solicitação. Conforme a disposição do art. De outra forma. o depositante solicitar. Concluído o exame. por ato oneroso ou gratuito.

quando o instituto promoverá a publicação da oferta. a patente concedida contrariando as disposições do CPI. 61). pelo próprio INPI. 6o do CPI considera bens móveis os direitos relativos à propriedade industrial. no prazo de seis meses da concessão. até. incluindo-se a patente ou. 46 a 48). o pedido de patente. Para que produzam efeitos em relação a terceiros. c) houver omissão de qualquer formalidade essencial à concessão.5. Igualmente permite-se ao titular de patente ou o depositante celebrar contrato de licença para exploração industrial do objeto da patente. por ato inter vivos ou mortis causa. Neste caso. mesmo. não haverá limitação de prazo. ou parte desta que tenha relação direta com a exploração objeto da patente. Das Licenças Vimos que o art. 45 prescreve que o direito não poderá ser cedido. Neste caso.4.2. 15. o contrato deverá ser averbado no INPI. sem ônus. b) o objeto da patente se estenda além do conteúdo do pedido original depositado. de boa-fé. por solicitação das partes. o parágrafo 1o do art. e o foro competente será a Justiça Federal. sempre que: a) não tiver sido atendido qualquer requisito legal. desde de a data do depósito. ou mediante requerimento de pessoa com legítimo interesse. de forma onerosa ou gratuita. neste caso quando as reivindicações subsistentes constituírem matéria patenteável por si mesma (arts. quando não for o autor. O titular desses direitos pode cedê-los. .48 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entrementes. intervindo o INPI.2. será assegurado o direito de continuar a exploração. antes da data de depósito ou de prioridade de pedido de patente. Da Nulidade da Patente É nula. A nulidade poderá ser total ou parcial. já explorava seu objeto no país. Pode o titular da patente solicitar ao INPI que a coloque em oferta para fins de exploração. Na hipótese de ação judicial para a nulidade da patente. para aquele que. podendo. A nulidade da patente poderá ser declarada administrativamente ou na esfera judicial. Sendo administrativa. igualmente é parte legítima para a propositura tanto o INPI como qualquer interessado. por alienação ou arrendamento. da forma como ocorre na nulidade administrativa. na forma e nas condições anteriores. senão juntamente com o negócio ou empresa. quando o licenciado poderá ser investido de todos os poderes para agir em defesa da patente (art. 15. a nulidade será instaurada de ofício. arbitrar a remuneração cabível.

em função do exercício abusivo ou se. à data do requerimento. conforme linguagem popular costumar se referir. desde que o titular da patente ou seu licenciado não atenda a essa necessidade. declarados em ato do Poder Executivo Federal. ou mesmo se não forem obedecidas as condições impostas para exploração (art. assim entendida como a patente cuja exploração depende obrigatoriamente da utilização do objeto da patente anterior. O art. até que seja concedida a primeira licença. 68. após decorridos três anos da concessão da patente. O art. Diferente é a licença compulsória ou. igualmente no prazo de três anos da concessão. a “quebra de patente”. o titular: a) justificar o desuso por razões legítimas. Outras hipóteses previstas no art. fica sujeito a uma ação movida pelo titular da patente. 71. Se o licenciado não iniciar a exploração em um ano da concessão. a anuidade devida ao INPI será reduzida à metade. que trata dos casos de emergência nacional ou interesse público. c) justificar a falta de fabricação ou comercialização por obstáculo de ordem legal. Neste caso. .CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 49 Série Impetus Provas e Concursos Nesta condição. restar constatado o abuso de poder econômico. b) o objeto da patente dependente constituir substancial progresso técnico em relação à patente anterior. efetuada por decisão administrativa ou judicial. e c) o titular não realizar acordo com o outro titular da patente dependente para exploração da patente anterior. pode o titular da patente requerer o cancelamento da licença. e será temporária e nãoexclusiva. 67). 70 se refere a casos de licença compulsória concedida à patente dependente da outra. 69 prevê que não será concedida licença compulsória se. se o licenciado interromper a exploração por prazo superior a um ano. a concessão dar-se-á de ofício. são: a) não-exploração do objeto da patente no território brasileiro. da mesma forma que. quais sejam: a) ficar caracterizada situação de dependência de uma patente em relação à outra. Caso o licenciado não dê início à exploração em um ano da concessão. Outra hipótese para concessão da patente compulsória está no art. b) comprovar a realização de sérios e efetivos preparativos para a exploração. quando ocorrerem cumulativamente as três hipóteses previstas no dispositivo. b) quando a comercialização não satisfizer as necessidades do mercado. que podem ensejar a licença compulsória. por meio dela.

b) pela renúncia de seu titular.8. quando qualquer um poderá explorá-la industrialmente. salvo prova em contrário.6. Quando o empregado desenvolver o objeto da invenção ou do modelo de utilidade de forma desvinculada do contrato de trabalho. quando decorrerem de contrato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por objeto a pesquisa ou a atividade inventiva.2. 78. aquelas pertencerão exclusivamente a ele. 15.2. Da Patente de Interesse da Defesa Nacional O pedido de patente originário do Brasil. Até um ano da extinção do vínculo empregatício. 88 prevê que a invenção e o modelo de utilidade pertencem exclusivamente ao empregador. pode haver propriedade comum de invenção ou de modelo de utilidade. decorridos dois anos da concessão da primeira licença compulsória. não for sanado o abuso ou desuso. seu objeto cai em domínio público. será processado em caráter sigiloso e não estará sujeito a publicações previstas no CPI (art. salvo disposição contratual em contrário. salvo motivos justificáveis). quando resultarem da contribuição pessoal do empregado em combinação com a utilização de meios.2. Extinta a patente. considera-se desenvolvida na vigência do contrato de trabalho a invenção ou o modelo de utilidade.50 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. 75 proíbe o depósito no exterior de pedido de patente cujo objeto tenha sido considerado de interesse da defesa nacional. . O parágrafo 2o do art. a patente será extinta: a) pela expiração do prazo de vigência. sem a utilização de meios. Não havendo manifestação do órgão próprio. instalações ou equipamentos do empregador. Da Extinção da Patente Segundo a disposição do art. cujo objeto interesse à defesa nacional. d) pela falta de pagamento da retribuição anual. De outra forma. ou resulte esta da natureza dos serviços para os quais foi o empregado contratado. instalações ou equipamentos do empregador. o processamento do pedido perde o caráter sigiloso. 75). c) pela caducidade (pode ser de ofício ou a requerimento de interessado e ocorre quando.7. ressalvado o direito de terceiros. 15. Cabe ao INPI encaminhar tal pedido ao órgão específico do Poder Executivo Federal para que este se manifeste no prazo de sessenta dias. Da Realização por Empregado ou Prestador de Serviço O art.

Registro É o ato pelo qual se assegura ao titular de um desenho industrial ou de uma marca a propriedade sobre esses bens. Registrabilidade do Desenho Industrial O teor do art.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 51 Série Impetus Provas e Concursos 15.3. São eles: a) novidade. A diferença entre um e outro elemento reside no fato de que a novidade se refere à técnica de aplicação industrial. contudo. Outros são expostos em seguida. tratando-se de marca ou de desenho industrial assume o nome de registro. Original é o desenho industrial que resulte em uma configuração visual distintiva. A diferença é o prazo constante do parágrafo 3o. por sua vez.2. são registráveis no INPI. para a divulgação do desenho industrial sem ser incluído no estado da técnica.1.3. Não se confunde com o modelo de utilidade. É o que ocorre com os novos modelos de veículos surgidos a cada ano. 97). apenas agrega outra aparência a ele. .1. que é o INPI. e c) aplicação industrial. em relação a outros objetos anteriores. ou com a questão estética. de cento e oitenta dias anteriores à data de depósito (tratando-se de patentes é de doze meses). No que pese a diferença de nomenclatura. decorrente do emprego ornamental de linhas e cores ao objeto. a exemplo do órgão competente para processá-lo. representa o resultado visual novo em um produto já existente. Enquanto para as invenções e modelos de utilidade o instrumento garantidor da propriedade é a patente. analisados em item anterior. 11 e 12. conforme dispõe o art. convém entender o sentido de um e outro conceito. 15. As marcas. são sinais ou expressões que servem à identificação de produtos ou serviços. Desenho industrial. b) originalidade. para onde o leitor deve se reportar. Novo é o desenho industrial não compreendido no estado da técnica. há pontos coincidentes entre as patentes e os registros. Antes. que reproduz praticamente o mesmo conteúdo dos arts. mais conhecido como design. 96. Da mesma forma que os desenhos industriais. pois não introduz nova forma à utilização do bem.. 95 traz elementos essenciais ao registro do desenho industrial. ao passo que a originalidade tem a ver com o resultado visual inédito alcançado. de no 15. podendo até haver utilização de elementos já conhecidos (art.

Do Pedido e da Concessão do Registro de Desenho Industrial Ao autor de desenho industrial. sob pena de ser considerado inexistente (em se tratando de patentes. o art. 6o e 7o. ainda. b) a forma necessária comum ou vulgar do objeto ou. ao desenho industrial e ao autor. quando comparada com a concessão de patente. uma vez não atendidas as exigências do art. esse prazo é de trinta dias). o parágrafo único do mesmo dispositivo remete o tema à regulamentação feita pelos arts.2. Logo. ao menos no que se refere aos peticionários do direito. vale a regra de que o primeiro a chegar presume-se proprietário. de um exame de mérito.2. mas existindo dados suficientes relativos ao depositante. devendo ser observado que. não são registráveis como desenho industrial: a) o que for contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou a imagem de pessoas. 15. ou atente contra a liberdade de consciência. que tratam das pessoas que podem ingressar junto ao INPI com pedidos de patente. Desta forma.52 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Aplicação industrial é outro elemento comum ao registro do desenho industrial. por parte do requerente. que estabelecerá prazo de cinco dias para o cumprimento das exigências. o leitor deve se reportar ao item 15. Para as demais particularidades. Diferente é a forma de concessão do registro. nas condições estabelecidas na lei. a lei segue os mesmos princípios aplicados às patentes. a ser feita no prazo de trinta e seis meses da data do depósito. Obras de caráter puramente artístico não são consideradas desenhos industriais (art. conforme foi explicitado no item 15. crença. 100.2. de acordo com o art. 101. assim como acontece com as patentes. pois. desde que . As regras para processamento do pedido também são coincidentes em sua maioria..2. 94 assegura o direito de obter registro que lhe confira a propriedade sobre o bem. Por outro lado. salvo prova em contrário. 98). No entanto. uma vez depositado o pedido de registro de desenho industrial. O órgão para recepcionar e processar o pedido é o mesmo Instituto Nacional de Propriedade Industrial. culto religioso ou idéia e sentimentos dignos de respeito e veneração. Significa afirmar que. para o registro de desenho industrial. Somente se permite o registro daqueles desenhos que possam entrar numa linha de produção industrial. aquela determinada essencialmente por considerações técnicas ou funcionais. há desenhos que não são passíveis de registro. o pedido poderá ser entregue mediante recibo datado ao INPI. geralmente por ofenderem a moral e os bons costumes.3.2. enquanto para esta há um exame formal preliminar do pedido que antecede a solicitação.

será automaticamente publicado e simultaneamente concedido o registro. sem o seu consentimento. Deve. ou d) quando se tratar de titular domiciliado no exterior. usar. 120. Da Nulidade do Registro É nulo o registro concedido em desacordo com a lei. ressalvado direito de terceiros. prorrogável por três períodos sucessivos de cinco anos cada (art. c) pela falta de pagamento da retribuição qüinqüenal. 119: a) pela expiração do prazo de vigência. prevista no art.4. Essa é a disposição do art. quando referente à anulação de patentes. Observa-se.3. 42 e 43. 108). contados da concessão do registro. pois. tem prazo de seis meses contados da concessão da patente. 15. porém. pode impedir terceiro. VI e VII do art. de produzir. aplicado às patentes.4. o leitor se reportar àquele item.2. que é de cinco anos. vender ou importar produtos objeto do desenho industrial. pela falta de indicação de representante no Brasil. será de dez anos contados da data de depósito. expedindo-se o respectivo certificado. Extinção do Registro O registro extingue-se pelas causas previstas no art. pelo prazo de cento e oitenta dias da data de depósito.3. colocar à venda. b) pela renúncia de seu titular. que copia os termos do art. 15. para fins de anulação administrativa do registro.3. 43. . requeira o depositante. Também coincidentes com as regras das patentes são os processos de nulidade administrativa e judicial. V. 15. A mesma hipótese. um prazo máximo possível de vinte e cinco anos. 112. 46.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 53 Série Impetus Provas e Concursos cumpridas as exigências formais. então. Caso.5. assim como outros direitos especificados nos arts.3. ou seja. Diferem no prazo previsto no parágrafo 1o do art. expostos no item 15.Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro A proteção conferida ao titular de registro de desenho industrial é similar ao do titular de patente. 106). exceto os dos incisos III. Quanto à vigência. 113. poderá ser o pedido mantido em sigilo. a fim de conferir todos os demais conceitos. após o que será processado (art.

Fábio Ulhoa Coelho adverte que o registro de marcas nessa categoria é ato discricionário do INPI. afinal. É que o INPI. o que significa que não haverá problema se a marca já servir a um determinado tipo de manteiga. através do Ato Normativo no 150/99. gozam de proteção contra reprodução em todas as classes de produtos ou serviços.4. 6o desse documento garantiu exclusividade aos titulares de marcas assim classificadas em todos os países signatários da Convenção. O art. tendo em vista a tripartição constitucional dos Poderes do Estado. contudo. o art.8. senão quanto aos seus aspectos formais. As proibições a que se refere o legislador têm o sentido de. Basta.54 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação às licenças e à realização por empregado ou prestador de serviços. classificou serviços e produtos conforme a natureza de cada um. não poderiam ficar sujeitas ao registro. oferecem uma boa visão dos temas. 121 remete à mesma disciplina apropriada às patentes. ainda que não haja registro no INPI. mesmo que não estejam registradas. para que se respeite o princípio da especificidade.2. o exame da colidência se verificará tão somente na classe específica dos refrigerantes. que. 15. citadas no art. por exemplo. da qual o Brasil é signatário. Registro de Marcas 15.2. desde que não estejam compreendidos nas proibições legais. Essa regra. Trata-se de marcas que. portanto. 122 prescreve que são suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis.Disposições Preliminares O Código de Propriedade Industrial não trouxe conceito para marca. deve ser observada dentro de cada classe de produtos ou de serviços. devido ao conhecimento generalizado de populações de vários países. São marcas que possuem um forte apelo popular. somados aos texto legal. o leitor se reportar aos itens 15. a marca registrada representa um bem móvel negociável. mas que não poderiam ficar sujeitas ao uso por outras pessoas. Estas. 125. insuscetível de revisão pelo Poder Judiciário. e 15. primeiramente. No entanto. Assim. Também merecem destaque as marcas notoriamente conhecidas.1. 126. . o seu art. a fim de não induzir o consumidor.4. mas somente em seu ramo de atividade. uma vez registradas sob esse título. A origem dessa proteção remonta à Convenção da União de Paris. pois não pode haver colidência de marca nova com outra criada anteriormente. se alguém tentar registrar uma marca de refrigerante. ainda que para produtos ou serviços diversos. ainda que limitado às fronteiras do país. proteger as marcas já existentes. Diferente são as marcas de alto renome. previstas no art.5.

econômico ou técnico. 123 contém classificação a respeito das marcas. bandeira. armas. estrangeiros ou internacionais. distintivo e monumentos oficiais. públicos. notadamente quanto à qualidade. ao passo que a marca notoriamente conhecida não precisa estar registrada no país signatário da convenção. a saber: a) em se tratando de pessoas de Direito Privado – a lei exige prática de atividade lícita. 15. no entanto. algarismo e data. bem como a respectiva designação. semelhante ou afim. considerando: a) marca de produto ou serviço – aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. nacionais. mas o efeito de tal qualificação é restrito ao ramo de atividade. Desta forma.4. são impostas aos requerentes. b) letra. político.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 55 Série Impetus Provas e Concursos Percebam. a título de mera exemplificação. diretamente ou através de pessoas jurídicas. cultural. e o efeito da proteção alcança todos os ramos de atividade. . salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. isoladamente. oficialmente reconhecido. b) marca de certificação – aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. ao material utilizado e à metodologia empregada (exemplo: certificado ISO 9000). b) em se tratando de marcas coletivas – o requerimento tem que ser feito por pessoa jurídica representativa da coletividade. salvo quando revestido de suficiente forma distintiva. Algumas exigências.2. que. necessita estar registrada no INPI. Despiciendo a reprodução de todo o dispositivo. Outrossim. à natureza. medalha. que se estende do inciso I ao XXIII. bem como a imitação suscetível de criar confusão. artístico. 128). prêmio ou símbolo de evento esportivo. figura ou imitação. 124. c) em se tratando de marca de certificação – somente pode ser requerida por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. portanto. o art. para uma marca ser considerada de alto renome. emblema. não são registráveis como marca: a) brasão. Outras proibições legais ao registro de marcas estão no art. dentre outros. social. c) nome. e c) marca coletiva – aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. Do Pedido e da Concessão do Registro Podem requerer o registro de marcas ao INPI as pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado (art. de origem diversa. bastando observar alguns.

4. contudo. para certificar produto ou serviço idêntico. a ser efetivado em papéis. c) haja a livre circulação dos produtos regularmente colocados no mercado interno. o direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. . semelhante ou afim. 129 garante o direito de precedência ao registro por parte da pessoa que. o art.2. d) haja a citação da marca em obras literárias. juntamente com sinais distintivos. Diferem. os titulares de marcas impedir que (art. 132): a) comerciantes ou distribuidores utilizem a marca do produto. usava marca idêntica ou semelhante no país. propaganda e documentos relativos à atividade do titular. que é o art. 110. quanto à necessária publicação do pedido para fins de oposição. já o exploravam. Sim. ou parte deste. Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro O registro validamente expedido confere ao seu titular o direito de uso exclusivo da marca em todo o território nacional.56 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel As normas para concessão do registro de marca são similares às aplicadas ao registro de desenho industrial. e c) zelar pela sua integridade material ou reputação. Percebam que o teor desse último dispositivo analisado difere do correspondente relativo ao registro de desenho industrial. impressos. de boa-fé. que tenha direta relação com o uso da marca.3.3. quando ausente a prática comercial. de boa-fé. de boa-fé. O parágrafo 1o do art. b) licenciar seu uso. e outros sessenta dias para defesa do depositante. enquanto para a marca o legislador garantiu o direito à prioridade daquele que. b) fabricantes de acessórios usem a marca para indicar a destinação de seus produtos. discursos ou qualquer outra publicação. Neste caso. porque. 110 assegurou o direito à continuidade da exploração do objeto do desenho industrial dos que. na sua promoção e comercialização. há pelo menos seis meses. no entanto. Não podem. Outros direitos conferidos ao titular da marca são: a) ceder seu registro ou pedido de registro. O certificado de registro de marca somente é expedido após a conclusão do exame do pedido. desde que tenha sido deferido. 158 e 159. quando é concedido prazo de sessenta dias para oposição. 15. expostas no item 15. já a utilizava seis meses antes do depósito. tudo na conformidade dos arts.

contado da concessão. que estipula prazo de cinco anos para a prescrição da ação judicial de nulidade do registro de marca. desde que seja paga a retribuição adicional. 142.4. esses dispositivos praticamente copiam aqueles referentes ao mesmo assunto. os prazos são coincidentes. . ou seja. que as marcas podem guardar exclusividade por tempo indeterminado. conforme prevê o art. a requerimento de qualquer interessado. A caducidade acontece quando. Da Extinção do Registro De acordo com o art. de forma absolutamente justa. conforme reza o art. 133. 56. enquanto. instruído com pagamento de retribuição. b) pela renúncia. 15. o leitor se reportar a ele. Admite-se o pedido de prorrogação em até seis meses subseqüentes ao término da vigência. aliás. o registro da marca extingue-se: a) pela expiração do prazo de vigência. prorrogável por períodos iguais e sucessivos. por conseguinte. que poderá ser total ou parcial em relação a produtos ou serviços assinalados pela marca. 15. contados da data de concessão do registro.4. merece destaque o teor do art. c) pela caducidade. seis meses. após cinco anos da concessão: a) não haja sido iniciado o uso da marca no Brasil.3. pode ser promovida a qualquer tempo.4. para a patente. d) em se tratando de titular domiciliado no exterior. Conclui-se. No entanto. quando não mantiver representante no país. b) houver interrupção de uso por prazo superior a cinco anos. Da Nulidade do Registro Os arts. Deve. portanto. sem que tenha havido prorrogação. Em se tratando de nulidade administrativa.5. constituindo-se no único bem da propriedade industrial que possui tal privilégio. mas aplicados a patentes. pois não poderíamos admitir que seu proprietário fosse obrigado a partilhar de um direito para qual investiu anos de trabalho na sua divulgação. será pelo prazo de dez anos.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 57 Série Impetus Provas e Concursos Com relação à vigência da marca. Com algumas adaptações.4. O pedido de prorrogação deverá ser feito no último ano de vigência do decênio. 165 a 175 regulam o processo de nulidade de registro de marcas. em ambos os casos sem justificativas legítimas. 174. e que foram expostos no item 15.

como o empresário. região ou localidade que se tenha tornado conhecido como centro de extração. sem prejuízo de perdas e danos em favor dos prejudicados. Para eles. região ou localidade que designe produto ou serviço cujas qualidades se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico. inciso IV. 195 do CPI relaciona crimes de concorrência desleal. Indicação de procedência é o nome do país. nem sempre. em seu art. 192 pune com pena de detenção. A própria Carta Magna do País. de um a três meses.6. Já a denominação de origem representa igualmente o nome de país. estabeleceu a livre concorrência como princípio geral da atividade econômica.5. que tende a adquirir produtos e serviços por preços mais baratos. O art. produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço. exportar. que poderá maximizar a oferta de bens e serviços. expuser ou oferecer à venda ou tiver em estoque produto que apresente falsa indicação geográfica. 170. puníveis com pena de detenção. ou multa. É aí que entra o poder repressor do Estado. cidade. incluídos fatores naturais e humanos. para coibir e punir aqueles que se enquadrarem nas hipóteses legais. que se vêem prejudicados e impotentes diante de certas práticas empresariais inescrupulosas e fraudulentas. ou multa. a concorrência se desenvolve de forma a satisfazer o interesse de todos. cidade. beneficia tanto o consumidor.58 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. que tem o lucro como seu objetivo maior. importar. 199. Concorrência Desleal A concorrência é algo que acompanha o exercício da atividade mercantil desde seus primórdios. coerente com o papel de “Estado Liberal Brasileiro”. Porém. Regularmente praticada. quem fabricar. São eles: . que dispõe serem todos de ação privada. Trata-se de uma característica inerente à atividade empresarial. 15. vender. Indicações Geográficas Constitui indicação geográfica a indicação de procedência ou a denominação de origem. O art. que varia de três meses a um ano. vale a prescrição do art. sobretudo dos consumidores. O uso da indicação geográfica é restrito aos produtores e prestadores de serviço estabelecidos no local.

ou concedida. em produto de outrem. vende ou expõe ou oferece à venda. lhe proporcione vantagem. em recipiente ou invólucro de outrem. sem autorização. explora ou utiliza-se. explora ou utiliza-se. em detrimento de concorrente. com o fim de obter vantagem. recebe dinheiro ou outra utilidade. . sem autorização. divulga. proporcionar vantagem a concorrente do empregador. cuja elaboração envolva esforço considerável e que tenham sido apresentados a entidades governamentais como condição para aprovar a comercialização de produtos. dá ou promete dinheiro ou outra utilidade a empregado de concorrente. por qualquer meio. se o fato não constitui crime mais grave. substitui. recompensa ou distinção que não obteve. obtidos por meios ilícitos ou a que teve acesso mediante fraude. mesmo após o término do contrato. comércio ou prestação de serviços. usa expressão ou sinal de propaganda alheios. declarando ser objeto de patente depositada. vende. sem autorização. de conhecimentos ou informações a que se refere o inciso anterior. emprega meio fraudulento. indevidamente. faltando ao dever do emprego. ou os imita. de resultados de testes ou outros dados não divulgados. informações ou dados confidenciais.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 59 Série Impetus Provas e Concursos a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) l) m) n) publica. em anúncio ou papel comercial. pelo seu próprio nome ou razão social. ou aceita promessa de pagamento ou recompensa. o nome ou razão social deste. faltando ao dever de empregado. como depositado ou patenteado. ou dele se utiliza para negociar com produto da mesma espécie. embora não-adulterado ou falsificado. para desviar. excluídos aqueles que sejam de conhecimento público ou que sejam evidentes para um técnico no assunto. sem o seu consentimento. nome comercial. falsa afirmação. título de estabelecimento ou insígnia alheios ou vende. explora ou utiliza-se. usa. presta ou divulga. ou de desenho industrial registrado. divulga. ou divulga. de modo a criar confusão entre os produtos ou estabelecimentos. acerca de concorrente. expõe ou oferece à venda ou tem em estoque produto com essas referências. em proveito próprio ou alheio. para. para que o empregado. ou menciona-o. que não o seja. a que teve acesso mediante relação contratual ou empregatícia. ou registrado. falsa informação. de conhecimento. como meio de propaganda. sem o ser. expõe ou oferece à venda produto. clientela de outrem. com o fim de obter vantagem. produto adulterado ou falsificado. utilizáveis na indústria. atribui-se.

Vale a pena. mesmo que exerçam atividade sob regime de monopólio.60 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 16. bem como a quaisquer associações de entidades ou pessoas. a fim de atingir o patrimônio particular daqueles que deram causa à infração (esse tema será melhor avaliado no capítulo seguinte). 16. sua abrangência atinge pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado. Ambos os textos legais servem de escudo contra práticas abusivas de mercado.Disposições Preliminares A Lei no 8. reputando-as como infrações à ordem econômica. que dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica. analisar cada uma das normas legais. o Brasil possui instrumentos legais que visam a combater práticas abusivas de mercado.884. Quando se tratar de grupo econômico. defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico. que define crimes contra ordem tributária. por meio do Conselho Administrativo de Defesa Econômica-CADE. De acordo com o art. 17). enquanto que o outro contém crimes contra a ordem econômica. constituídas de fato ou de direito. O primeiro relaciona infrações contra a ordem econômica. de 27 de dezembro de 1990. prevê o art.884/94 nasceu sob a bandeira constitucional da liberdade de iniciativa. . com ou sem personalidade jurídica. previstos no Código de Propriedade Industrial. pois contêm dispositivos para prevenir e reprimir certas atitudes. Um é a Lei no 8.1. 18 a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica da sociedade. Neste caso. O efeito das punições nela previstas implica responsabilidade da sociedade e a de seus dirigentes ou administradores. ou judicial. livre concorrência. Repressão as Infrações Contra a Ordem Econômica 16. ainda que temporariamente. 16). Outro é a Lei no 8. que praticar infração da ordem econômica. função social da propriedade.1. 15. portanto. Meios de Proteção à Ordem Econômica Além da repressão aos crimes de concorrência desleal. dispondo a respeito de praticadas consideradas abusivas àqueles princípios.1. econômica e contra as relações de consumo. haverá solidariedade entre as entidades componentes (art. de 11 de junho de 1994. de fato ou de direito. passíveis de punição na esfera administrativa.137. solidariamente (art.

se o forem e estiverem revestidos de uma daquelas características. pois é este que possui o poder decisório. preços e condições de venda de bens ou de prestação de serviços. b) obter ou influenciar a adoção de condutas comercial uniforme ou concertada entre concorrentes. enquanto que as do art. percebam que as hipóteses enumeradas no art. visando à apuração e repressão de infrações previstas na lei.1. a responsabilidade do infrator é objetiva. em seu art. existe. na estrutura do Ministério da Justiça. c) aumentar arbitrariamente os lucros. se configurarem uma das hipóteses do art. Para o bom entendimento do tema. . com sede e foro no Distrito Federal e jurisdição em todo território nacional. estará tipificada a infração. falsear ou. com competência para decidir sobre a existência de infração à ordem econômica e aplicar as penalidades previstas na lei. ou d) exercer de forma abusiva posição dominante. independente de culpa. sob qualquer forma. acabados ou semi-acabados ou as fontes de abastecimento de matérias-primas ou produtos intermediários. 16. d) limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado. c) dividir os mercados de serviços ou produtos. Além do CADE. prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa. ao relacionar. constituem infração da ordem econômica. independente do resultado produzido. 7o. a título de exemplificação. dentre outras atribuições previstas no art.1. a Secretaria de Direito Econômico – SDE. 21 são atos possíveis de serem cometidos e. caracterizam infração da ordem econômica. 20.2. 20 se revestem de natureza genérica. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE O CADE é uma autarquia federal. Observem que a SDE detém competência para instauração dos processos. Pelo teor desse art. e ainda que seus efeitos não sejam alcançados: a) limitar. diversas condutas que. Das Infrações e das Penas Segundo o art. basta a ocorrência fática. com atribuições para averiguações preliminares e instauração de processos administrativos. Mas a lei foi além. pois não depende de existência de culpa.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 61 Série Impetus Provas e Concursos 16.3. vinculada ao Ministério da Justiça. de qualquer forma. b) dominar mercado relevante de bens ou serviços. Vejamos alguns: a) fixar ou praticar. 20 reproduzidas acima. e mais. 21. em acordo com concorrente. que deverão ser remetidos ao CADE para julgamento. 20. dentre outros.

como fornecedor. como presunção para se considerar a posição dominante. adquirente ou financiador de um produto. Sobre a posição dominante referida na letra b. intermediário. Em seguida. recomendação aos órgãos públicos competentes para que seja concedida licença compulsória de patentes pertencentes ao infrator e não lhe seja concedido parcelamento de tributos federais.62 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A prática de infração da ordem econômica sujeita os responsáveis à multa pecuniária.1. recomendação para processar a cisão da sociedade. já no parágrafo 3o. nomeando interventor que assumirá responsabilidade por suas ações e omissões similares à dos administradores das sociedades. o legislador adotou o percentual de 20% do mercado relevante. 69 a 78. cessação parcial de atividade ou qualquer outro ato que contribua para eliminação dos efeitos nocivos à ordem econômica (arts. além de publicação. de extrato da decisão condenatória. dominado por sociedade ou grupo de sociedades. Ao interventor compete: a) praticar ou ordenar que sejam praticados os atos necessários à execução.4. transferência de controle. o CADE detém atribuição para alterar aquele percentual. e c) apresentar ao juiz relatório mensal de suas atividades. conforme a disciplina dos arts. 23 e 24). A decisão do plenário do CADE que cominar multa ou impuser obrigação de fazer ou não-fazer constitui título executivo extrajudicial e será promovida na Justiça Federal do Distrito Federal ou da sede ou domicílio do executado. igualmente. . do art. serviço ou tecnologia a ele relativa. e que sejam cancelados incentivos e subsídios públicos. às expensas do infrator. O prazo máximo da intervenção será de cento e oitenta dias. e mais. o seu parágrafo 2o esclarece que há ocorrência quando uma sociedade ou grupo de sociedades controla parcela substancial de mercado relevante. 20. à escolha do CADE (arts. permitida a prorrogação.Da Intervenção Judicial O juiz decretará a intervenção em sociedade quando necessária para permitir a execução específica de penas estabelecidas na lei. a critério da autoridade judiciária. proibição de contratar com instituições financeiras oficiais e de participar de licitação com o Poder Público. 60 e 64). Para setores específicos da economia. inscrição do infrator no Cadastro de Defesa do Consumidor. venda de ativos. 16. b) denunciar ao juiz quaisquer irregularidades praticadas pelos responsáveis pela sociedade e das quais venha a ter conhecimento.

para as hipóteses do art. o fornecedor de bens ou serviços. os responsáveis pela sociedade não são afastados de suas funções. sob a chancela da Lei no 8. puníveis com penas que vão da: reclusão de dois a cinco anos. na disciplina da no Lei 8.078. do outro. é teoricamente a parte mais frágil numa relação de consumo.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 63 Série Impetus Provas e Concursos Durante a intervenção. quando este poderá assumir a administração total do negócio. mas que intervenha nas relações de consumo. Se antes nós tínhamos o Código Comercial de 1850 disciplinando as operações entre esses sujeitos que tivessem natureza eminentemente mercantil. em seu art. as operações das quais participem. equiparando-se a ele a coletividade de pessoas. 170. 17. 16. conforme veremos adiante. 4ª a 6o tipificam como crime contra ordem econômica as hipóteses ali relacionadas. para as hipóteses do art. ou multa. 6o. Direitos do Consumidor 17. o consumidor final desses bens ou serviços.2. 2o do CDC define consumidor como a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.884/94 as atitudes nela previstas caracterizam infração à ordem econômica. considerou a defesa do consumidor como um dos princípios gerais da atividade econômica. salvo se obstarem o cumprimento dos atos de competência do interventor. de um lado. ou multa. inciso V.2. e. 5o. Já o art. veio impor nova ordem às relações entre fornecedores e consumidores. 17. inciso XXXII. para as hipóteses do art. . detenção de dois a cinco anos. Consumidor O art. 5o. 4o. materializado pela Lei Federal no 8. ganhou um regramento específico. Disposições Preliminares O Código de Defesa do Consumidor. portanto. culminando com a edição do Código. que se encarregava dos contratos puramente civis. ainda que indetermináveis. com a edição do CDC. A Carta Magna Federal de 1988.137/90. elevou a defesa do consumidor à qualidade de direitos e garantias fundamentais. fundamentado sobretudo na vulnerabilidade do consumidor que. os arts. Repressão aos Crimes Contra a Ordem Econômica Se. Percebe-se. uma importância demasiada à figura do consumidor por parte do legislador pátrio.1. e detenção de um a 4 quatro anos. de 11 de setembro de 1990. além do Código Civil. ou multa.

Determinada é aquela que apresenta um número certo de sujeitos envolvidos. estará se revestindo da condição de consumidores. não é requisito à qualificação de fornecedor ser o ente personificado. importação.3. 29. Exemplo: se um grupo de vizinhos resolver contratar serviço de vigilância de uma empresa especializada. criação. quando se conclui que uma sociedade em comum (assunto do próximo capítulo) pode ser enquadrada no conceito de fornecedor. Desta forma. seja pessoa física ou jurídica. . transformação. Quanto aos serviços. não por preços. montagem. rico ou pobre. Por produto o legislador considerou bens móveis ou imóveis. considerando-se uma coletividade indeterminável de pessoas. não importa. De outra forma. salvo os de caráter trabalhista.64 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A partir do dispositivo. desde que fornecidos mediante remuneração. posto que regidos pela legislação do trabalho. Para fins da proteção do Código. o que o Código pretendeu foi resguardar os direitos daqueles que se encontrem vulneráveis à ação do fornecedor. podem ser qualquer um. a coletividade pode ser determinada ou não. Já o poder público somente será considerado fornecedor quando atuar mediante o pagamento de preço. pois o termo foi utilizado em seu sentido mais amplo. 3o do CDC. Do caput daquele artigo podemos inferir que a conceituação de fornecedor é ampla. pública ou privada. 17. construção. equiparam-se à pessoa jurídica a massa falida. individual ou coletivo. fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. exportação. luz ou energia elétrica. conforme a prescrição do art. Neste último caso. O proprietário de um veículo danificado após passar em uma via repleta de buracos não encontra proteção no CDC. pois a conservação das vias públicas deve ser realizada com verbas oriundas dos impostos pagos pelos cidadãos. bem como os entes despersonalizados que desenvolverem atividades de produção. não se pode determinar o número correto de consumidores atendidos. O consumidor pode aparecer na relação de forma individual ou coletiva. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. a exemplo dos serviços de fornecimento de água. observem que o princípio da vulnerabilidade do consumidor independe de sua qualificação. materiais ou imateriais. o condomínio de apartamentos e o espólio. Fornecedor Pelo teor do art. nacional ou estrangeira. justamente para evitar a exclusão de algum praticante de conduta danosa ao consumidor. no fornecimento de energia elétrica prestado por uma concessionária de serviço público.

composição. asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações. saúde e segurança contra riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos. f) a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 65 Série Impetus Provas e Concursos Tomando-se como exemplo uma operação de compra e venda de veículos. da eqüidade ou de tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil seja signatário. individuais. c) a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços. métodos comerciais coercitivos ou desleais. características. . coletivos e difusos. g) o acesso aos órgãos judiciários e administrativos. Dos Direitos Básicos do Consumidor Além de outros não especificados no Código. dos costumes. uma vez que o comprador é o destinatário final e a concessionária é fornecedora do produto. ou. o art. c) aquisição pela concessionária de veículo novo ou usado. b) a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços. pois o vendedor não se enquadra no conceito de fornecedor. teríamos as seguintes situações: a) aquisição pela concessionária à fábrica – não será regida pelo CDC. com especificação correta e quantidade. com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais. mas que possam ser derivados dos princípios gerais do Direito.4. assegurada a proteção jurídica. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços. bem como sobre os riscos que apresentem. da analogia. de legislação interna ordinária ou de regulamentos expedidos por autoridade administrativas competentes. qualidade e preço. à pessoa física – não será regida pelo CDC. individuais. d) a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva. 17. administrativa e técnica aos necessitados. b) aquisição pelo consumidor à concessionária – será regida pelo CDC. independentemente de a compradora ser ou não destinatária final do bem. uma vez que a concessionária não é destinatária final do produto. coletivos ou difusos. mesmo. 6o relaciona como direitos básicos do consumidor: a) proteção à vida. e) a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas.

inclusive com a inversão do ônus da prova. Explica-se pela ausência de informações adequadas. que tratam da necessária comunicação aos consumidores a respeito de produtos ou serviços já introduzidos no mercado. de acordo com a previsão do art. o mesmo art. define a responsabilidade por fornecimento defeituoso e viciado. . for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. no processo civil. Por exemplo. É o chamado recall. na embalagem de um veneno para ratos. que obriga o fornecedor a anúncios publicitários para alerta dos consumidores. respectivamente. em decorrência da própria natureza e fruição deles. Além do fornecimento perigoso. mas por falha na fabricação ou na prestação do serviço. 10. i) a adequada e eficaz prestação de serviços públicos em geral. Por outro lado. Daí dispensa-se informação nesse sentido. pois dependem de certa dose de razoabilidade. a critério do juiz. mas em que fora posteriormente verificado algum grau de periculosidade. a fim de se eximir de qualquer responsabilidade pela utilização indevida do produto.66 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel h) a facilitação da defesa de seus direitos. Essa premissa também vale nas hipóteses do art. o CDC. em se tratando de um ferro de passar roupas. 12 e 18. é o elemento que define a correção do fornecimento. todos sabem que. pode provocar queimaduras. ainda que ausente qualquer defeito em um ou em outro. 8o. da utilização de um produto ou serviço. pode haver dano ao consumidor. se. ainda invocando o caput do art. Em primeiro lugar. o fornecimento é considerado perigoso ou nocivo aos usuários. Perigoso ou nocivo é o fornecimento de produtos ou serviços que possam vir a acarretar riscos à saúde ou à segurança dos consumidores. quando aquecido. quando. não pelo uso indevido decorrente da falta de informação. Decorre que. A boa informação. portanto. 8o obriga os fornecedores a prestarem informações necessárias e adequadas a respeito. precisam ser melhor avaliados. Viciado também é um fornecimento cujo objeto contenha falha que possa vir a comprometer a sua perfeita utilização. em seus arts. a lei excetuou da necessária informação aos consumidores os produtos e serviços para os quais os riscos oferecidos são considerados normais e previsíveis. não contiver alerta de perigo aos consumidores. Tais riscos. Defeituoso é o fornecimento de produto ou serviço que traga dano ao consumidor. 8o. segundo as regras ordinárias de experiências. Por exemplo. uma vez que o fornecedor tem obrigação de informar de maneira clara tal condição. a seu favor. no entanto.

Das Responsabilidades 17. 17.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 67 Série Impetus Provas e Concursos A diferença entre um e outro fornecimento reside no fato de o primeiro efetivamente provocar o dano ao usuário. o fornecimento é defeituoso. 6o.Da Responsabilidade pelo Fato do Produto ou do Serviço O fabricante. seja por informações insuficientes ou inadequadas ou por fornecimento defeituoso de produto. em caso afirmativo. b) quando colocou no mercado. que a responsabilidade a que se referem esses dispositivos é sobre os danos decorrentes da má utilização dos produtos ou serviços. pela reparação dos danos causados aos consumidores. construtor. . foram utilizados produtos químicos com prazos de validade vencidos. independentemente de culpa. E. sempre lembrando do teor do inciso VIII do art. tanto no fornecimento perigoso como no defeituoso. do dano e do nexo de causalidade entre ambos.5. Exime-se a responsabilidade do fabricante. 18. claro. Desta forma. na prestação de um serviço de conservação e limpeza. encarregando-se a doutrina de nominá-la como acidente de consumo). Igualmente o prestador de serviços responde pela reparação de danos aos consumidores.1. ao sofrer um acidente de carro provocado por defeito na fabricação dos pneus. o que poderia provocar dano à saúde das pessoas e aos móveis e materiais envolvidos. pois independe de se comprovar a existência de culpa. e o importador respondem. se essa conseqüência não se confirmou. De outra forma. enquanto que o outro. mas o defeito é inexistente. o construtor. nacional ou estrangeiro. a responsabilidade do fornecedor é objetiva. em sintonia com o princípio da vulnerabilidade do consumidor. que prevê a inversão do ônus da prova a seu favor (significa que a responsabilidade de produzir provas para descaracterizar o fato passa para o fornecedor). Por exemplo. 12 e 14 do Código. Basta ao consumidor provar a ocorrência do fato. o produtor. não. no art. Isso porque o prejuízo sofrido pelo consumidor relativamente ao próprio bem ou serviço consumido é tratado adiante. Essas são as exegeses dos arts.5. ou c) quando a culpa for exclusiva do consumidor ou de terceiro. trata-se de um fornecimento viciado. No entanto. independentemente de ser ressarcido dos prejuízos materiais em seu veículo. independentemente de culpa. o consumidor tem o direito de ser indenizado pelos danos sofridos à sua pessoa. se não for por culpa do consumidor (o CDC chama de responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço. produtor ou importador nas seguintes hipóteses: a) quando não colocou o produto no mercado. contudo. Explique-se.

a responsabilidade do comerciante é subsidiária. dentistas. Estes. 14 retoma ao modelo clássico de responsabilidade subjetiva do agente. para fins de sua responsabilização. que é de cinco anos. . do importador. Desta forma. imprudência ou imperícia. prevê o parágrafo único do art. b) o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante. conforme prevê o art. independentemente de culpa. do construtor ou. 13. o raciocínio é similar ao de fornecimento de produtos. no entanto. Normalmente não há dificuldade na identificação do fabricante. Situação interessante é a dos profissionais liberais.68 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que. que prevê a sua responsabilidade pelo fato do produto quando: a) o fabricante. Já em relação ao produtor. 27. o produtor ou o importador não puderem ser identificados. pois o prestador responde. contados a partir do conhecimento do dano e de sua autoria. quando exige a apuração de culpa do profissional.5. não bastando apenas a ocorrência do fato. da forma como ocorre nos demais casos de fato do produto ou do serviço. situação que torna esse dispositivo de grande valia para os consumidores. até aqui. do dano e do nexo causal entre ambos. é comum haver dificuldade na individualização dessas pessoas. quando foi citado como exemplo desastre automobilístico causado por defeito na fabricação de pneus. Ele é citado no art. não se falou da responsabilidade do comerciante que vendeu o produto. devem estar atentos ao prazo prescricional para responsabilização do fornecedor pelos danos causados pelo fato do produto ou do serviço. o construtor. Nestes casos. Com relação à prestação de serviços. na hipótese de um paciente se sentir prejudicado por uma cirurgia mal realizada. arquitetos etc. com danos ao condutor e/ou terceiros. pelos danos causados aos consumidores por defeitos e/ou falhas de informação relativos à prestação dos serviços. 13 o direito de regresso contra os demais responsáveis. uma vez que ele somente responde pelo acidente de consumo se não forem identificadas uma daquelas pessoas citadas no caput. 17. como médicos. Nas hipóteses das letras “a” e “b”. produtor. deverá reunir provas de que o médico atuou com negligência.2. construtor ou importador.Da Responsabilidade por Vício do Produto ou do Serviço Vimos no item anterior a responsabilidade decorrente de acidente de consumo. É que parágrafo 4o do art. mesmo. c) não conservar adequadamente os produtos perecíveis.

condição que o obrigou a cessar a utilização do automóvel com a finalidade de evitar o sinistro. independentemente de conhecerem. e responsabilizam tanto o fabricante como o empresário que vendeu o produto. o empresário que vendeu somente é responsabilizado nas hipóteses de não-localização ou identificação do fabricante. o conteúdo líquido ou o número de unidades não corresponder à descrição do rótulo. É como se o proprietário do veículo citado em nosso exemplo tivesse detectado o problema antes da ocorrência. desde que não fique inferior a sete nem superior a 180 cento e oitenta dias. referido no item anterior. que. . ou se o vício for atribuído à má conservação sob a responsabilidade do vendedor. monetariamente atualizada. rotulagem ou mensagem publicitária. O vício na quantidade se materializa quando o peso. independentemente de virem a causar acidente de consumo. respondem solidariamente pelos vícios dos produtos que os tornem impróprios ao consumo ou que lhes diminuam o valor. embalagem ou mensagem publicitária. podem ser na qualidade ou na quantidade dos produtos. ou não. um usuário que adquire um computador e. em perfeitas condições de uso. o vício. Os vícios. percebe que o equipamento não dispõe da capacidade de processamento anunciada pelo fabricante. vale comparar que.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 69 Série Impetus Provas e Concursos No presente tópico. ou não. Também respondem por disparidade entre o conteúdo e as indicações constantes do recipiente. da embalagem. acrescidas da possibilidade de complementação do peso ou da medida. sem prejuízo de eventuais perdas e danos. faculta as seguintes opções: a) a substituição do produto por outro da mesma espécie. c) o abatimento proporcional do preço. Sobre esse tema. b) a restituição imediata da quantia paga. prevê o art. uma vez que a lei prevê a responsabilidade solidária entre eles. a partir da observação de pequenas fissuras nos pneus. portanto. Nestes casos. pode reclamar a substituição das partes viciadas (vício de qualidade). em caso de acidente de consumo. se não for efetivada em trinta dias. Logo. dispõe o consumidor das mesmas alternativas referentes ao vício de qualidade. ao chegar em casa. 18 que os fornecedores de bens duráveis. estudaremos a responsabilidade pelo fornecimento de produtos e serviços viciados. O prazo de trinta dias para solução do problema pode ser alterado de comum acordo pelas partes. Pois bem.

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Quando se tratar de produto essencial ao consumidor ou de outros cuja substituição da parte viciada possa diminuir-lhes o valor, permite-se ao consumidor fazer uso imediato de uma daquelas alternativas reproduzidas acima. Sendo o produto in natura, a exemplo da venda de grãos, frutas e legumes, dentre outros, será responsabilizado o fornecedor imediato, salvo quando o produtor puder ser identificado. Relativamente ao vício de quantidade, prevê o parágrafo 2o do art. 19 a responsabilidade do fornecedor imediato quando fizer a pesagem ou a medição com instrumento que não esteja aferido segundo os padrões oficiais. Isso é o que ocorre na aquisição de produtos por meio de balanças ou outros equipamentos que não obedecem às medições impostas por órgãos oficiais. Impróprios ao consumo são os produtos: a) com prazos de validade vencidos; b) deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; c) que, por qualquer motivo, revelem-se inadequados ao fim a que se destinam. Com relação à prestação de serviços, prevê o art. 20 que o fornecedor responde pelos vícios de qualidade que tornem os serviços impróprios ao consumo ou que lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes de disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária. Nestes casos, faculta-se ao consumidor exigir alternativamente e à sua escolha: a) reexecução dos serviços, sem custo adicional, que pode ser confiada a terceiros capacitados, por conta e risco do fornecedor original; b) restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; c) abatimento proporcional do preço. Não é rara a prestação de serviços deficiente em nosso país, frustrando as expectativas dos consumidores que, na maioria das vezes, vêem-se lesados por falsas promessas de execução de serviços os mais variados possíveis. Por exemplo, determinado consumidor contrata a reparação de um aparelho de som danificado. Na hipótese de o serviço realizado não corresponder à descrição anunciada, pode o contratante solicitar a sua reexecução ou a restituição da quantia paga devidamente corrigida ou, ainda, um abatimento no valor pago, não se admitindo a ignorância do fornecedor sobre vícios de qualidade por inadequação dos produtos e serviços. Isso quer dizer que não pode o fornecedor alegar que desconhecia o mecanismo de funcionamento do aparelho, a fim de se furtar à responsabilidade (art. 23).

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Em se tratando de serviços que tenham por objeto a reparação de qualquer produto, o art. 21 obriga o fornecedor a empregar somente componentes de reposição originais adequados e novos, ou pelo menos que mantenham as especificações técnicas do fabricante, salvo autorização em contrário do consumidor. Quanto aos serviços públicos, a exemplo do fornecimento de água, energia elétrica e coleta de lixo, independentemente de serem prestados por órgãos ou entidades da Administração Direta ou Indireta das três esferas de Poder, os mesmos devem ser adequados, eficientes, seguros e, se forem essenciais, deve haver continuidade na prestação. Esta é a disposição do art. 22, que prevê a necessária reparação de danos causados pelo descumprimento total ou parcial do serviço. Isso não significa a impossibilidade de interrupção do serviço, em caso de inadimplência do consumidor, pois o princípio básico do fornecimento é a retribuição remuneratória, citada no parágrafo 2o do art. 3o. Desta forma, se tomarmos como exemplo o fornecimento de energia elétrica, na hipótese da ocorrência de dano em aparelhos elétricos provocados pela súbita interrupção no fornecimento de energia, tem o consumidor direito ao ressarcimento do prejuízo. Sobre a garantia legal do fornecimento, a lei trouxe disposição comum tanto para produto como para serviço. É o que está disposto no art. 24, que veda a exoneração contratual da garantia do fornecedor, asseverando que ela independe de termo expresso. Em outras palavras, mesmo que o consumidor tenha assinado termo pelo qual o fornecedor queira se furtar à garantia de reparação do produto ou do serviço viciado, mantém-se a obrigação do fornecedor em prestar a garantia. Por outro lado, se nada dispuser o contrato de fornecimento de produto ou serviço, valem os prazos de trinta dias para os serviços e produtos não-duráveis, e de noventa dias para os serviços e produtos duráveis (art. 26). Percebam que esses prazos legais somam-se aos concedidos pelos fornecedores, significando afirmar que, na hipótese de a oficina contratada para o conserto do aparelho de som conceder um prazo de garantia do serviço igual a sessenta dias, este somente começa a correr findo o prazo legal, que é de noventa dias, por se tratar de um serviço de natureza durável. In casu, teríamos uma garantia de cento e cinqüenta dias. Disposição semelhante está contida no art. 25, através do qual o legislador vedou a estipulação contratual que tenha por objetivo exonerar ou atenuar a obrigação do fornecedor de indenizar o consumidor de produto ou serviço. Decorre que a contratação de um serviço de mudança, pelo qual a transportadora inseriu cláusula contratual isentando-se da responsabilidade por dano provocado no deslocamento, não possui qualquer eficácia. O mesmo pode ser repetido para cláusulas do tipo: “Esse estacionamento não se responsabiliza por danos sofridos pelos veículos”.

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Ainda a respeito do mesmo art. 25, os seus parágrafos 1o e 2o previram a responsabilidade solidária de todos os responsáveis pela causação do dano. Se tomarmos novamente o exemplo do pneu defeituoso, que apresentou fissuras observadas pelo proprietário do veículo, tem o consumidor a faculdade de reclamar o dano tanto da montadora, quando se tratar de veículo novo, como do próprio fabricante do pneu. Se o pneu foi adquirido em loja especializada para ser incorporado ao carro, a responsabilidade será solidária entre o fabricante do pneu e a loja, tudo para garantir ao consumidor lesado uma boa proteção contra abusos dos fornecedores. 17.5.3. Da Decadência e da Prescrição Os arts. 26 e 27 do CDC tratam respectivamente dos limites máximos de tempo para o consumidor reclamar por vícios do produto ou do serviço, assim como pelos danos decorrentes de acidentes de consumo. Os prazos a que se referem ambos os dispositivos são bem distintos, variando de trinta dias a cinco anos, em função da constatação de vícios ou da ocorrência de acidentes de consumo, quando, ultrapassado esse tempo, terá caducado o direito do consumidor. A lei chamou de decadenciais os prazos referidos no art. 26, enquanto prescricional é o do art. 27. Dessa forma, contados a partir da entrega do produto ou do término da execução do serviço, decai o direito de o consumidor reclamar por vícios aparentes e de fácil constatação em: a) trinta dias – para fornecimento de produtos e serviços não-duráveis; b) noventa dias – para fornecimento de produtos e serviços duráveis. Vício aparente e de fácil constatação é aquele que se torna visível por uma simples observação. Se tomarmos como exemplo a aquisição de um computador, o mesmo estará maculado por vício aparente se o seu visor estiver rachado. De outra forma, o mesmo produto conterá vício oculto se sua capacidade de memória não corresponder à descrição do fornecedor. Neste último caso, o prazo decadencial começa a contar a partir do momento em que ficar evidenciado o defeito. Obsta a decadência a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor até a resposta negativa transmitida por forma inequívoca, da mesma forma que o inquérito civil, até o seu encerramento. Durável é o produto ou serviço que não é consumido com o uso. Um serviço de lavagem de veículo é não-durável, enquanto que o de pintura é durável.

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Já em relação aos acidentes de consumo, o prejudicado tem um prazo de cinco anos para pretender a reparação pelos danos causados, contado a partir do conhecimento do dano e de sua autoria, após o que estará prescrito o direito de o consumidor pleitear a indenização. 17.6. Da Desconsideração da Personalidade Jurídica O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade sempre que os seus representantes agirem de forma a fraudar consumidores, valendo-se da vulnerabilidade normalmente presente entre eles. Ressalte-se que esse tema será melhor apreciado no capítulo seguinte, relativo ao Direito Societário, quando será abordada a desconsideração com o fito de resguardar os direitos dos credores em geral. Neste momento, contudo, vale a pena uma visão rápida sobre ele, a fim de adaptá-lo ao Direito do Consumidor. Por conseguinte, podemos afirmar que desconsiderar a personalidade jurídica de uma sociedade significa afastar momentaneamente a limitação da responsabilidade dos sócios pelas dívidas e obrigações contraídas em nome da pessoa jurídica, com a finalidade de atingir o patrimônio pessoal dos sócios ou administradores. Imaginem, então, uma sociedade limitada, caracterizada justamente pela limitação da responsabilidade dos sócios à integralização do capital social (uma vez integralizado 100% do capital social subscrito, nenhuma responsabilidade mais caberia aos sócios pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica), através da qual foram vendidas cem unidades de computadores, todos com configuração inferior ao especificado. Chegando os consumidores para reclamar do vício, perceberam que a empresa havia encerrado suas operações, com paradeiro desconhecido dos sócios. Ora, fica evidente que houve fraude aos consumidores, prevalecendo-se aquelas pessoas da ausência de responsabilidade oriunda da integralização total do capital social, pois assim prevê o art. 1.052 do Código Civil, que se refere às sociedades limitadas. É nesta situação que o juiz pode não aplicar a regra geral da limitação da responsabilidade, a fim de atingir diretamente o patrimônio particular dos sócios. O mesmo poderia ser repetido para outros tipos de sociedades onde houvesse obstáculo à responsabilização dos sócios. Em seguida, algumas disposições específicas quando se tratar de (a conceituação sobre cada uma dessas figuras jurídicas está Capítulo 2):

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a) grupo de sociedade – existe responsabilidade subsidiária de cada sociedade componente do grupo pelas obrigações contraídas em nome dele, relativamente aos direitos dos consumidores; b) sociedade controlada – também responde, de forma subsidiária, pelas obrigações para com os consumidores que não forem cumpridas pela controladora; c) consórcio – neste caso, há solidariedade entre as consorciadas, significando afirmar que o consumidor lesado pode acionar qualquer das sociedades integrantes do consórcio, independentemente de ordem; d) sociedades coligadas – uma somente responderá pelas obrigações da outra se restar comprovada a culpa no dano sofrido pelo consumidor. 17.7. Da Publicidade A publicidade de produtos e serviços é própria do mercado de consumo. Numa sociedade consumista, é difícil imaginar a comercialização de bens ou a prestação de serviços sem o fator publicitário. Existem empresas especializadas em propaganda e as despesas decorrentes de suas contratações são mensuradas e compõem os custos dos produtos e serviços colocados no mercado. Com a concorrência cada vez mais acirrada, nada mais legítimo do que os fornecedores investirem nesse componente que vem, ano a ano, tornando-se mais criativo, havendo até concursos para escolha da melhor mensagem. No entanto, o CDC impõe regras destinadas à proteção do consumidor, que não pode ser iludido ou enganado com falsas promessas ou tentativas de se aproveitarem da vulnerabilidade de sua conduta. Desta forma, os arts. 36 e 37 proibiram mensagens disfarçadas, enganosas ou abusivas. Disfarçada é a publicidade que aparece de maneira camuflada dentro de uma determinada reportagem. Por exemplo, certo fornecedor contrata espaço pago em jornal de grande circulação para veicular matéria relativa ao seu produto como se fosse uma reportagem gratuita, de interesse da própria edição jornalística, quando, na verdade, se trata de peça publicitária. Também disfarçada é a publicidade invisível aos olhos e ouvidos, mas que é detectada pelo subconsciente humano. Por exemplo, durante um programa televisivo, certa marca de refrigerante pode ser inserida na tela com tamanha rapidez e freqüência que não é captada pelo olho humano, porém atinge o subconsciente das pessoas. Esta possibilidade está cientificamente comprovada e, como tal, é considerada publicidade disfarçada.

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Enganosa é a publicidade inteira ou parcialmente falsa, capaz de induzir o consumidor em erro a respeito do produto ou serviço adquirido. Por exemplo, uma peça publicitária de veículo, na qual o fabricante anuncie que aquela marca consegue percorrer 20 km na estrada com um litro de gasolina quando, na realidade, não passa dos 10 km, é uma publicidade enganosa. O parágrafo 3o do art. 37 chega a mencionar a publicidade enganosa por omissão, que é aquela que deixa de informar dado essencial do produto ou serviço. Por exemplo, ainda na hipótese do veículo prometido como o mais econômico do mercado, faltou a mensagem informar que somente seria possível atingir aquela meta se fosse misturado outro componente químico à gasolina. Considera-se abusiva a publicidade discriminatória, que incite à violência, explore o medo ou a superstição, aproveite-se da deficiência de julgamento e experiência das crianças, desrespeite valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. Essa forma de publicidade não traz necessariamente dano econômico ao consumidor, da forma como pode acontecer com a publicidade enganosa, porém ela agride valores sociais. Por exemplo, a propaganda de calças jeans que estimule os filhos a considerarem os pais ultrapassados em seus valores morais. A propaganda enganosa e a abusiva constituem crimes contra as relações de consumo e sujeitam tanto o publicitário como o fornecedor do produto ou serviço à pena de três meses a um ano de detenção e multa (arts. 61 e 67), além de uma contrapropaganda, prevista nos arts. 56, XII, e 60, cujo objetivo é desfazer o efeito da primeira. 17.8. Da Proteção Contratual Vimos que um dos princípios basilares do CDC é o reconhecimento da situação de vulnerabilidade do consumidor, tido como a parte mais fraca numa relação que envolva este e o fornecedor de produtos ou serviços. E é natural que seja assim, afinal o fornecedor que trabalha com certo produto ou serviço normalmente já conhece todos os meandros do objeto ofertado, inclusive as formas de melhor repassá-lo ao mercado, sempre com o objetivo de maximizar o lucro. Já o consumidor, muitas vezes gente simples e humilde, que não dispõe da mesma gama de informações do fornecedor, tem que ser protegido contra abusos do fornecedor. Portanto, o Código trouxe uma série de dispositivos tendentes a resguardar os direitos dos consumidores que celebrem contratos de consumo. Eles estão relacionados nos arts. 46 a 54 e podemos expô-los da forma abaixo.

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a) Conhecimento prévio e exposição clara do conteúdo – imaginem certos contratos de seguro nos quais a seguradora coloca em letras microscópicas e nas entrelinhas certas cláusulas de comprometimento do consumidor imperceptíveis numa leitura normal. b) Interpretação favorável ao consumidor – na dúvida, o juiz deve interpretar as cláusulas contratuais de forma a beneficiar o consumidor. c) Declarações de vontade apartadas vinculam o fornecedor – mesmo que não haja ainda a celebração de contrato de consumo, documento escrito e assinado pelo fornecedor obriga-o ao cumprimento do que nele constar. Por exemplo, no caso do aparelho de som levado à reparação, na hipótese de o prestador do serviço fornecer orçamento escrito, a ele se vinculará, ao menos pelo prazo de dez dias, que é a validade do orçamento, conforme prevê o art. 40, parágrafo 1o. d) Possibilidade de arrependimento do consumidor – este, no prazo de sete dias, a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação ocorrer fora do estabelecimento empresarial, especialmente por telefone ou em domicílio, pode desistir do contrato, quando deverão ser devolvidos os valores já pagos, corrigidos monetariamente. e) A garantia contratual é complementar à legal – já foi dito que o fornecedor tem a faculdade de oferecer garantia adicional pelos produtos ou serviços contratados. Essa, contudo, deve ser somada à garantia prevista no art. 26, já exposta em item antecedente. f) Impossibilidade de renúncia de direitos por parte do consumidor – o art. 51 discrimina uma série de atos ineficazes, quase todos girando em torna da renúncia de direitos por parte do consumidor. Pois bem, são nulas de pleno direito as cláusulas contratuais que visem a subtrair direitos garantidos por lei ao consumidor. Por exemplo, certo fornecedor promete aos consumidores bens de consumo durável por preços inferiores ao de mercado, desde que eles renunciem ao direito à garantia legal do produto. Mesmo que o consumidor assine tal contrato, continuará o fornecedor vinculado à garantia prevista no art. 26 do CDC. g) Nulidade de cláusula para perda total de prestações pagas – em contratos de compra e venda de móveis ou imóveis, ou de alienação fiduciária em garantia, consideram-se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda total das prestações pagas em benefício do credor que, em razão do inadimplemento do comprador, pleitear a resolução do contrato e a retomada do produto alienado.

(firma social).A. indistintamente. c) Fagundes. . (denominação). terminologia adotada pela legislação vigente sobre registro público de empresas mercantis. em qualquer caso. por extenso ou abreviadamente. (firma individual). sendo vedado. constam de forma dispersa no Código Comercial e nas legislações que cuidam das diversas sociedades mercantis. também chamado de “nome fantasia. por extenso ou abreviadamente. firma social e denominação. CESPE – UnB (INSS/1998) Os comerciantes individuais e as sociedades comerciais necessitam de um nome para exercerem as suas atividades mercantis. assinale a alternativa correta entre os seguintes nomes comerciais. d) Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo S. e) Viação Planalto S. razão social ou denominação. A respeito do tema.A. – Viplan (firma social). do termo limitada. julgue os seguintes itens. marcando V ou F. As regras disciplinadoras da composição dos nomes comerciais ou nomes empresariais. a) ( ) Comerciantes individuais devem adotar como nome empresarial a firma individual. a ser efetuado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). é uma modalidade de nome empresarial que somente pode ser utilizada por sociedade anônima. c) ( ) Sociedades por quotas de responsabilidade limitada podem usar. a) Arhur Lundgren Tecidos S. 2. o uso desse termo ao final da denominação.A.Exercícios 1. Almeida e Cia. b) ( ) As sociedades anônimas podem ser identificadas pelo termo companhia. ESAF (TTN/1989) Sabendo-se que uma empresa pode adotar nome comercial do tipo firma individual. e) ( ) A proteção ao nome empresarial decorrerá do seu registro. b) Refinações de Milho Brasil Ltda. porém. (firma individual). d) ( ) Título de estabelecimento. acrescidas.

qualidade esta que pode ser contestada por terceiro. com o nome pelo qual a sociedade exerce o comércio e assina seus atos. JUIZ FEDERAL DA 5 a REGIÃO (FCC/2002) A espécie societária que não admite firma para formação do nome comercial é a sociedade: a) de capital e indústria. d) universalidade de fato. d) ( ) a matrícula no registro do comércio. b) ( ) os atos de registro do comércio não podem ser elididos em face de melhor prova. c) sua escrituração for efetuada por lançamentos diários.78 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 3. e não sujeito de direitos. e) ( ) o registro dos atos de comércio não é constitutivo de direito. b) a escrituração ficar a cargo de profissional qualificado. c) poderá ser cedida. não determina a qualidade de comerciante. f) ( ) a inscrição de firma individual ou contrato social não assegura a qualidade de comerciante. pelo só efeito do registro. . c) ( ) o registro do comércio constitui um instrumento de publicidade. 7. ESAF (AFTN/1991) A firma. Sua natureza jurídica é a de: a) sujeito de todos os direitos mercantis. com a concordância do seu titular. em princípio. cujo valor está longe de ser absoluto. 4. b) conjunto de direitos exclusivos do comerciante. 5. b) pode ser cedida. c) em comandita simples. d) pode ser cedida por simples autorização do titular. (JUIZ SUBSTITUTO – BA/1999) No que tange aos efeitos do registro do comércio. no instrumento particular de alteração contratual. desde que haja cessão do estabelecimento comercial a que está ligada. b) por quotas de responsabilidade limitada. diretamente ou por reprodução. (ICM – SP/1986) Fundo de comércio é o conjunto de bens corpóreos e incorpóreos operado pelo comerciante. sendo objeto. 6. e) mantidos com observância das formalidades legais. e) não pode ser cedida a terceiros. através de instrumento público de alteração contratual. e) anônima. contraindo obrigações perante terceiros: a) jamais poderá ser cedida. observa-se que (V ou F): a) ( ) a matrícula do contrato social no registro do comércio assegura a condição de comerciante. mas somente aos sócios que remanescerem. ESAF (TTN – MANAUS/1992) Os livros e as fichas de escrituração mercantil provam a favor do comerciante quando: a) mantidos em boa ordem cronológica. d) em nome coletivo. d) sua escrituração for efetuada em idioma e moeda correntes nacionais. c) universalidade de direito.

independentemente de comprovar legítimo interesse. ESAF (TTN – ALAGOAS/1992) Sobre a obtenção de certidões dos livros de registro do comércio. mecânica ou tipograficamente: a) não podem substituir o Diário. e) apenas pelos bens cuja propriedade pertença à sociedade mercantil. por totais periódicos. . julgue os itens que se seguem (V ou F). todas as pessoas físicas ou jurídicas necessitam comprovar legítimo interesse. Compreende três espécies: a firma individual. d) apenas pelos bens que estão dentro do estabelecimento físico do comerciante. 9. como os estoques. o nome empresarial não poderá conter palavras ou expressões que denotem atividade não-prevista no objeto da empresa mercantil. b) apenas pelos bens de natureza material. CESPE – UnB (FISCAL DE ALAGOAS/2002) O nome empresarial contém elementos importantes que podem passar despercebidos por muitos. c) ressalvadas as autoridades judiciárias e fiscais. d) ( ) O nome João Batista e Companhia Limitada indica que a empresa é uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada ou uma sociedade anônima. e) não comportam escrituração resumida. b) está ao alcance de qualquer pessoa. o objeto social. A respeito desse assunto. b) ( ) As sociedades anônimas. A leitura do nome social por olhos treinados revela informações invisíveis aos leigos. também. dos Estados. ESAF (BNDES/2002) O estabelecimento empresarial é formado: a) por todos os bens corpóreos e incorpóreos que são utilizados na exploração da atividade empresarial. os sócios e a responsabilidade deles pelas obrigações sociais e. e) é reservada aos Poderes constituídos da União. do Distrito Federal e dos Municípios. A partir do nome. d) requer prévia autorização judicial. as comanditas por ações e as sociedades por quotas de responsabilidade limitada podem adotar tanto a razão social quanto a denominação como nome empresarial. d) dispensam a autenticação. c) ( ) Em obediência ao princípio da novidade. em regra. os móveis e o imóvel. pode-se. c) apenas pelos bens de natureza imaterial. pode-se afirmar que: a) é reservada às pessoas que comprovem legítimo interesse. 11. b) podem substituir o Diário. ESAF (TTN – RECIFE/1992) As fichas seguidamente numeradas. na forma exigida para o Diário. identificar o tipo societário sob o qual a empresa se constituiu. c) dispensam os termos de abertura e de encerramento. a firma ou razão social e a denominação. e) ( ) O nome empresarial Manoel Dias e Filhos indica que a responsabilidade de todos os sócios pelas obrigações contraídas pela sociedade é solidária e ilimitada. 10.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 79 Série Impetus Provas e Concursos 8. a) ( ) O nome empresarial é aquele sob o qual a empresa mercantil exerce sua atividade e se obriga nos atos a ela pertinentes.

e) deverão efetuar o registro também de associações. d) efetuam o registro de empresas estrangeiras após autorizadas pelo órgão federal competente. CESPE – UnB (AUDITOR DO INSS/2003) Marque V ou F. c) garantir a apuração dos tributos devidos pelo empresário. c) são órgãos administrativos. a) ( ) Ao negar o registro ao contrato social do Supermercado J&M Ltda. elaboraram o contrato social do Supermercado J&M Ltda. a partir do momento em que assumir(em) o(s) novo(s) gerente(s). exercê-la.406/2002). alegando que Manoel estaria sendo processado criminalmente por peculato e não poderia constar como sócio do supermercado. dono da firma individual João Verdureiro. Dessa forma.80 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 12 ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A escrituração mercantil. extingue-se a responsabilidade do pai sobre os atos praticados. ainda que legalmente impedido. se determinado sócio-gerente estiver interditado. teria proteção automática. CESPE – UnB (AGU/2002) João. por permitir a verificação das mutações patrimoniais e dado seu valor probatório. comerciante antigo no Distrito Federal. para abrirem um supermercado na região onde. deve: a) facilitar a análise dos agentes da fiscalização. a) ( ) A atividade empresária somente poderá ser exercida por quem não estiver legalmente impedido. e solicitaram à Junta Comercial do Distrito Federal o seu registro. b) ( ) Supermercado J&M Ltda. mas suas decisões são vinculantes em definitivo. 14. b) ( ) Nas sociedades em geral. d) dar aos credores informações sobre as operações contratadas. b) permitir avaliar a eficácia da ação administrativa. o patrimônio como pessoa física de João não se confunde com o patrimônio da firma individual. a partir do arquivamento do contrato social. ele poderá continuar o negócio por meio de seu pai. A Junta negou o registro. o nome empresarial Supermercado J&M Ltda. Juntos. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Em relação às Juntas Comerciais. 13. desde que autorizado pelo juiz. nos termos do Novo Código Civil (Lei no 10. . Nesse caso. seu conhecido. responderá pelas obrigações contraídas pela empresa. se o pai for legalmente impedido. associou-se a Manoel. nomeará gerente(s) com aprovação do juiz. a Junta agiu de acordo com a Lei de Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. d) ( ) Caso tivesse sido registrado segundo a Lei de Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. Considerando a situação hipotética acima e as normas que regem o nome e o registro comercial. julgue os itens que se seguem (V ou F). c) ( ) Sabendo que João Verdureiro é o nome empresarial do mercadinho de João e sendo João empresário mercantil. uma vez que as sociedades limitadas não admitem nome comercial de outra natureza. visando à ampliação do seu negócio. b) abrem um processo próprio para registrar e dar proteção ao nome empresarial. João tinha um mercadinho. se alguém. elas: a) somente podem fazer o exame formal dos atos que lhes são apresentados.. é nome empresarial da espécie denominação. 15. até então. e) estar escoimada de imperfeições.

b) o consultório dentário em que são prestados serviços e oferecidos aos clientes. mas não pode ser considerado fonte ou forma de expressão do Direito. foi descoberto que um funcionário público era titular de um estabelecimento comercial. b) o costume constitui apenas regra de hermenêutica.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 81 Série Impetus Provas e Concursos 16. CESPE – UnB (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2004) Acerca do estabelecimento. ESAF (PROCURADOR DO DF DF/2004) A alienação do estabelecimento empresarial: a) transfere automaticamente ao adquirente as obrigações regularmente contabilizadas. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Em vista de uma denúncia anônima. d) é admitido amplamente o costume contra legem. e) equivale à alienação do imóvel utilizado para o exercício de atividade empresarial. 4 o). Como conseqüência desse fato: a) os negócios por ele feitos eram nulos de pleno direito. não fazem parte do estabelecimento. desde que em local diferente do da residência. . aqueles locais nos quais o titular for empresário. desde que ele não tivesse se valido do cargo para conseguir algum favor. c) independentemente de efeitos na esfera administrativa. é correto afirmar que: a) o costume é meio de integração do direito. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Considera-se estabelecimento: a) o estúdio de um artista plástico. produtos para higiene bucal. em qualquer ponto do território nacional. d) os locais mantidos por fotógrafos amadores no qual são revelados os filmes. c) o escritório de advocacia de que são locatários. b) ( ) Os imóveis pertencentes à sociedade empresarial. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DE PE/2003) Estabelecendo a Lei de Introdução ao Código Civil que. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. “quando a lei for omissa. b) impede o alienante de exercer a mesma atividade que exercia anteriormente pelo prazo de cinco anos. 20. exonerando o alienante de qualquer responsabilidade. empresarial julgue os itens que seguem. os costumes e os princípios gerais de direito” (art. e) somente são estabelecimentos. d) ele não poderia ter a falência decretada. mas que não guardam liame com a atividade-fim da empresa. d) não implica a cessão de créditos relativos à atividade exercida no estabelecimento. 18. em conjunto. vários profissionais de Direito que dividem tarefas conforme as diferentes especializações. a) ( ) O estabelecimento empresarial confunde-se com o patrimônio da sociedade. 19. c) somente se admite o costume secundum legem. sujeitos à disciplina do Código Civil. b) não haveria qualquer penalidade. e) sua falência seria decretada de pleno direito. 17. c) não importa sub-rogação no contrato de locação comercial. suas obrigações manterse-iam válidas. para venda. e) os costume praeter legem desempenha função supletiva da lei. c) ( ) O alienante de determinado estabelecimento empresarial não poderá fazer concorrência ao adquirente nos dois anos subseqüentes à transferência.

julgue os itens subseqüentes.82 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 21. responsabilidade no plano cível apenas para o contador responsável. b) determinam. ao estabelecer a política nacional das relações de consumo. e) podem levar à prisão civil os administradores. d) reparação. a) ( ) Se um inventor requerer uma patente perante o Instituto Nacional de Propriedade Industrial. em face de insatisfação do consumidor. UnB/CESPE (PROCURADOR DO ESTADO DE RORAIMA/2004) No que concerne a patentes. A proteção de seus interesses implica: a) renegociação do preço do bem ou serviço. é permitido a seus herdeiros requererem a patente. em face da insatisfação do consumidor com os serviços prestados. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2004) Com referência à atividade econômica e ao regime jurídico da concorrência. a) ( ) Configura infração à ordem econômica a retenção de bens de produção ou de consumo. 23. . 24. c) são relevantes apenas do ponto de vista fiscal. b) respeito ao sinalagma genético ao longo da execução do contrato. 22. caso os livros obrigatórios não tenham sido escriturados ou o tenham sido de forma indevida.078/90. por dano moral. não se admitindo que apenas uma delas faça o requerimento que contenha a nomeação e qualificação dos demais. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) As obrigações relacionadas com a escrituração: a) têm em conta o interesse de terceiros quanto à informações daquela constantes. no seu descumprimento. determinando a caracterização de crimes de sonegação fiscal. julgue os itens que se seguem. d) acarretam responsabilidades para os sócios não-administradores por culpa in vigilando. e) impossibilidade de reajuste de prestações vincendas. baseou-se na vulnerabilidade do consumidor. c) ( ) Se três pessoas trabalharam conjuntamente para inventar um modelo de utilidade. ESAF (AUDITOR DO TCE DO PARANÁ/2003) A Lei no 8. passa ele a gozar de uma presunção relativa de ser legitimado a obter a patente. contados da celebração do contrato. pelos quais o ordenamento jurídico pátrio tem especial apreço. b) ( ) Os atos de concentração de empresa que possam prejudicar a livre concorrência devem ser submetidos previamente à apreciação do Conselho de Administração de Defesa Econômica (CADE) ou no prazo de quinze dias úteis. a lei prevê que as três requeiram juntas a patente. na sua desobediência. b) ( ) Falecido o inventor de um modelo de utilidade. mesmo que seja para garantir a cobertura dos custos de produção. c) anulação de cláusulas contratuais que impeçam a defesa do consumidor.

27. é correto concluir que não houve infração à ordem econômica. preços e condições para a prestação de seus serviços. uma pessoa física que preste serviço enquadrase no conceito de fornecedor. d) ( ) Apesar de terem um regime próprio de direitos do consumidor. proíbe-se apenas o resultado: que a publicidade induza o consumidor a formar falsa noção da realidade. e cujas sedes localizam-se na mesma avenida. a) ( ) Para a defesa do consumidor. pessoa ou empresa que vendeu ou fez a entrega do produto ao consumidor. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2005) Julgue os itens que se seguem. 26. não se exige culpa ou dolo do anunciante. leve o consumidor ao erro. julgue os itens subseqüentes. c) ( ) Estando individualizada a responsabilidade do fornecedor pela colocação de um produto no circuito comercial.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 83 Série Impetus Provas e Concursos 25. Duas auto-escolas. no caso. Nessa situação. UnB/CESPE (PROCURADOR DO ESTADO DE RORAIMA/2004) Em relação a conceitos utilizados para a aplicação das normas de defesa do consumidor. b) ( ) A pessoa jurídica que incidir em prática de infração da ordem econômica poderá se sujeitar à pena de multa de até 20% do valor do faturamento bruto no seu último exercício. que dominam menos de 1% do mercado relevante. a) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. terá que ser dotada de personalidade jurídica. os serviços de natureza bancária enquadram-se no conceito de serviços previstos no CDC. em comum acordo. com base na disciplina jurídica da concorrência empresarial. nos termos previstos no contrato. não caracterizando. recusa à prestação do serviço. não se enquadram como produtos os bens de natureza imaterial. b) ( ) De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Nessa situação. basta que a informação publicitária. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2005) A respeito da defesa da proteção do consumidor. ou por omitir dados importantes. julgue os itens subseqüentes. decidiram fixar. . por ser falsa. a) ( ) Para caracterização da publicidade enganosa. b) ( ) Uma instituição financeira pode encerrar conta-corrente mediante notificação do correntista. para que uma sociedade seja considerada fornecedora. inteira ou parcialmente. prática vedada pelo Código de Defesa do Consumidor. quanto à disciplina jurídica da concorrência empresarial. há exclusão absoluta da responsabilidade do comerciante. c) ( ) Para efeito de direito do consumidor.

em virtude do princípio da pacta sunt servanda. tal objeto. autora de modelo de utilidade. decorrido longo período. o depósito relativo ao pedido de patente no INPI. visa a facilitar a defesa da parte hipossuficiente na relação de consumo. se pretenda provar. b) ( ) A inversão do ônus da prova. o autor deveria ter notificado as pessoas para que cessassem a exploração do objeto. em razão de fatos supervenientes. no dia 1o de janeiro de 2004. UnB/CESPE (JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA/2005) Julgue os itens que se seguem. contudo. Isso não implica. . antes da data do depósito no INPI. c) ( ) Considere que alguém modifique a forma de uns óculos e isso resulte em um novo modelo. a) ( ) Tal como ocorre no direito autoral. não sendo o contratante destinatário final de produto ou serviço. concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Não se aplica a essa situação o Código de Defesa do Consumidor (CDC). e) ( ) Determinada pessoa. sim. Nessa situação. UnB/CESPE (JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA/2005) Acerca da normatização do Direito do Consumidor. contudo. Nessa situação. esse novo objeto poderá. tomou conhecimento de que algumas pessoas. sob pena de ser arquivado. g) ( ) Será passível de licença compulsória a patente concedida a empresário que utilize os direito dela decorrentes de forma a praticar abuso do poder econômico comprovado nos termos da lei. direito básico do consumidor. o exame do pedido de patente deve ser requerido até o dia 1o de janeiro de 2007. Não permite. produtos alimentícios. em regra. pois aos criadores de obras intelectuais é assegurado o direito de exploração. julgue os itens a seguir. o autor de propriedade industrial.84 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 28. tem seus direitos materiais resguardados desde o momento da criação de sua obra. Nessa situação. f) ( ) Caso os agentes do INPI verifiquem que tenha sido patenteada determinada invenção contrária à saúde pública. sendo considerados verdadeiros os fatos que. já utilizavam. relativos à propriedade industrial e intelectual. como forma de se resguardar o interesse público. d) ( ) Considere que o autor de uma invenção tenha feito. pois o bem adquirido por essa modalidade de contrato é utilizado para aquisição de outros bens de consumo. químico-farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie. para efeito de patente. c) ( ) O CDC permite a revisão de cláusulas que. tornem-se excessivamente onerosas. a) ( ) Não é considerado relação de consumo o negócio jurídico de natureza creditícia. promoveu o depósito referente ao pedido de patente de sua obra e. 29. que o fornecedor seja obrigado a arcar com as custas para a produção de prova requerida pelo consumidor. de boa-fé. b) ( ) Não serão objeto de patente. legalmente. por intermédio dessa prova. ser considerado um modelo de utilidade e o prazo de proteção da patente será de quinze anos. a qual deverá ser ajuizada no foro da Justiça Federal. que suporte o ônus de sua não-produção. a modificação de cláusulas que estabeleçam prestações desproporcionais. dado que ela envolve instituições financeiras. mas. facilmente adaptável à cabeça. tal qual o empréstimo bancário. por decisão administrativa ou judicial. o próprio INPI poderá propor ação de nulidade de patente. oponível contra todos.

o estabelecimento empresarial X será solidariamente responsável apenas se o fabricante ou o importador do produto não puderem ser identificados. por vícios do produto. prontamente. de posse do veículo. na condição de fornecedor de produtos e serviços. Arnaldo. j) ( ) Determinada marca de computador estava sendo vendida pelo estabelecimento empresarial X. f) ( ) O profissional liberal.00. com ar-condicionado. a prática descrita é abusiva. uma garrafa de vidro que continha refrigerante. Sendo assim. cujo computador apresentou problemas. Portanto. Os computadores dessa marca apresentavam defeitos de montagem. Mais de trinta dias se passaram sem que o veículo fosse consertado. Nessa situação. recebeu a fatura discriminando a troca de um componente de computador. à restituição imediata da quantia paga ou ao abatimento proporcional do preço pago. e pagou à vista. No percurso. o fornecedor não responde pela reparação dos danos causados ao consumidor. em razão do princípio da responsabilidade objetiva. o fornecedor imediato. ao deixar cair a garrafa de vidro no chão. k) ( ) A venda de frutas e hortaliças torna responsável. pegasse e trouxesse. i) ( ) Considere a seguinte situação hipotética.00. Em um supermercado. Nesse caso. para fins de incidência do CDC. engenheiro civil.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 85 Série Impetus Provas e Concursos d) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. até o carrinho de compras. tenha procurado uma empresa de assistência técnica para consertá-lo e. usado e de menor valor. Entretanto. A concessionária. exceto no caso em que for possível identificar claramente o produtor. à substituição do veículo. José adquiriu veículo novo. visto que a culpa é exclusiva da vítima. no valor de R$ 500. e) ( ) Suponha que um cliente. entre outros acessórios. Nessa situação. sem cobrar remuneração. . para que José o utilizasse enquanto fosse efetuado o conserto no carro por ele adquirido. é pessoalmente responsável por danos causados ao consumidor. elaborou projeto para a construção de casas populares. de apenas dez anos de idade. foi informado de que bastaria a reinstalação de um software e de que a execução do serviço custaria R$ 35. g) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. não pode o órgão público prestador de serviço público essencial cortar o fornecimento de serviço a consumidor que permaneça inadimplente após ter sido previamente notificado. conforme o CDC. que rege as relações de consumo. alternativamente e à sua escolha. visando a auxiliar uma cooperativa habitacional. Antônio pediu que seu filho. Dias após. dispôs-se a reparar o dano. sofreu cortes profundos na perna. José teria direito. independentemente da existência de culpa. Entrou em contato com a concesionária e exigiu a substituição desse acessório. a atitude meramente liberal de Arnaldo não é caracterizada como prestação de serviços. Nessa situação. o garoto. h) ( ) Os serviços públicos essenciais devem ser prestados de maneira contínua. entregando um outro veículo. em princípio. constatou que o arcondicionado não estava funcionando.

por telefone. a supressão desse prazo. Todavia. Lucas terá direito. Depois do primeiro pagamento. o qual vincula o fornecedor do produto ou serviço e pode ser objeto de execução específica. ( ) Considere a seguinte situação hipotética. tendo acertado que o pagamento seria efetuado em quatro parcelas iguais. Lucas comprou. mesmo que ele ignore a mácula. as partes podem convencionar a redução. salvo se expressamente convencionado no contrato. . ( ) Pela existência de vício de qualidade que torne o produto inadequado para consumo. Lucas recebeu o produto em sua residência. o aumento ou. conforme disposição do CDC. Lucas não gostou do bem adquirido. à devolução da primeira prestação não corrigida monetariamente. ( ) O fornecedor de serviços de reparação de produtos não é obrigado a empregar componentes originais. podendo ser estendido uma única vez por igual período. em se tratando de fornecimento de serviço ou de produto não-durável. imediatamente. Entretanto. Nessa situação. ( ) O anúncio publicitário é considerado parte integrante do contrato que estabelece a relação de consumo. até mesmo. é responsabilizado o seu fornecedor. ele deve sanar o vício no prazo máximo de trinta dias. o que fez o desistir do contrato três dias após a entrega do produto.86 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel l) m ) n) o) p) q) ( ) Dada a responsabilidade do fornecedor por disparidade de indicações do produto constantes de mensagem publicitária. ( ) O prazo para reclamação de vícios de fácil constatação decai em trinta dias. um equipamento de ginástica.

conforme o mandamento do art. Observe-se que. Com efeito. a fonte de origem das fundações são bens. os partidos políticos assumiam forma de associação. • SOCIEDADE – Tem definição no art. do CC/2002.Capítulo Direito de Empresa 2 1. • ASSOCIAÇÃO – É forma de construção de pessoa jurídica. é necessário distinguirmos cada uma das espécies relacionadas pela Lei Civil. 981 do CC/2002. 62.825/2003. recreativa. caracterizada pela inexistência de fim lucrativo em seu objeto. possíveis de serem adotadas no ordenamento jurídico brasileiro. • PARTIDOS POLÍTICOS E ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS – Essas ARTIDOS novas formas de pessoas jurídicas. Antes. enquanto as outras espécies de pessoas jurídicas constituem-se a partir do agrupamento entre seres naturais. que é a destinação de um patrimônio para dar surgimento ao ente jurídico. associações. presta-se a reunir indivíduos ligados a uma mesma causa. sociedades. cultural ou de assistência. A título de exemplificação. provêm de um desmembramento das anteriores. 44. deve ser religioso. esportiva. de 22 de dezembro de 2003). política ou profissional. enquanto as organizações religiosas eram fundações. Para o bom entendimento da matéria. inseridas no Código a partir da Lei Federal no 10.825. parágrafo único. moral. senão vejamos: . definiu as espécies de pessoas jurídicas de Direito Privado. precede a criação de uma fundação a afetação de bens que serão empregados na realização do fim proposto que. Por aquele dispositivo. Disposições Preliminares O Código Civil de 2002. seja ela social. em seu art. criadas com recursos oriundos apenas da iniciativa privada. Serve como exemplo a Associação Atlética Banco do Brasil. são enquadradas nessa categoria as associações as sociedades partidos as fundações as organizações religiosas e os partidos políticos (os dois últimos ganharam fundações. • FUNDAÇÃO – Existe um traço marcante em sua composição. organizações tal destaque a partir da Lei no 10. A alteração teve o condão de definir uma forma jurídica própria para cada uma. temos a Fundação de Cultura Roberto Marinho. Em regra.

as sociedades simples. a exemplo de uma instituição de ensino ou de um hospital. 966. médicos e dentistas. dos resultados. 1. O Código Civil de 2002 elegeu a bipartição das sociedades em ramos distintos. poderemos presenciar o surgimento de sociedades empresárias cujos objetos sociais possam ser justamente o desenvolvimento daquelas atividades. portanto. simples Vejamos os traços singulares entre umas e outras. Parágrafo único. A ressalva é se o exercício dessas profissões constituir elemento de empresa. 966. entre si. 981. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais negócios determinados. previstas no parágrafo único do mesmo art. ficaram as sociedades empresárias. a atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. Nessa hipótese. a sociedade pode vir a ser empresária. pois as pessoas que dela participam visam à partilha de seus resultados entre si. quando o objeto social for diretamente relacionado às atividades profissionais respectivas. além de outras. artistas. Como se vê.88 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Art. mas também à forma organizacional por ela adotada.1. a priori situadas à margem do conceito empresarial. conforme a definição do art. para o exercício de atividade econômica e a partilha. desde que presente a forma organizacional requerida. Diferencia. com bens ou serviços. estão fora do conceito as sociedades de professores. as associações das sociedades o fato de as primeiras não possuírem finalidade econômica. conforme já exposto no Capítulo 1. enquanto os membros de uma sociedade perfilham a busca dos ganhos decorrentes da atividade econômica. O dispositivo excluiu da conceituação as sociedades criadas para o desenvolvimento de atividades intelectuais. no outro. ainda que o objeto seja de caráter intelectual. 982 do CC/2002 determinou que as sociedades que tiverem por objeto atividades próprias de empresário. independentemente de seu porte ou organização. De outra maneira. fossem consideradas empresárias. há um intuito econômico na formação da sociedade. pois. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir. . ou seja. enquanto. Em um. Desta forma. Sociedades Empresárias O art. A opção do legislador em caracterizar determinada sociedade como empresária não se limitou à análise de seu objeto social. caput. a sociedade será considerada empresária. encaixando-se o objeto como atividade própria de empresário.

especializada em consultoria de projetos. a exemplo dos grandes hospitais. quando ausente elemento de empresa. no 3. Observem que toda sociedade simples deve possuir como objeto social o exercício de uma daquelas profissões intelectuais. Em se tratando de uma sociedade cujo objeto seja um daqueles previstos no parágrafo único do art. temos não uma sociedade simples. Além dessas. o mesmo de profissões intelectuais de natureza científica. É o que pode ocorrer com uma sociedade de grande porte. Situação após o novo Código 1-Sociedades e mpresárias reguladas pelo Código Civil de 2002 e Lei no 6. a pessoa jurídica terá a forma de sociedade simples.708/1919 para as limitadas e Lei no 6. das grandes consultorias etc. Nesta condição. porém desempenhada de uma forma empresarial. Também algumas prestadoras de serviço já eram assim consideradas. onde o caráter pessoal do serviço é menos importante. . todas aquelas que já tinham por objeto a compra e venda de mercadorias ou a prestação de umas poucas espécies de serviços exemplificados na primeira coluna foram aqui enquadradas. ou seja. podemos elaborar o seguinte quadro comparativo: Situação antes do novo Código 1-Sociedades comerciais reguladas pelo Código Comercial e legislação complementar (Dec. 966. atividade tipicamente intelectual.404/76 para as por ações). mas empresária. a exemplo das instituições financeiras e transportadoras. as que forem organizadas como empresa. com muitos profissionais envolvidos. Com a nova ordem.2.. de natureza científica. Sociedades Simples Estas são determinadas pelo seu objeto social. podem ser classificadas como tal. Nesse âmbito se encontravam todas as que tivessem por objeto a compra e venda de mercadorias.404/76. literária ou artística. mas nem toda sociedade cujo objeto social seja daquela espécie será sociedade simples. Se traçarmos um paralelo entre a classificação existente anteriormente ao Código Civil de 2002 com a que passou a vigorar a partir da nova Lei Civil.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 89 Série Impetus Provas e Concursos 1.

Nessa época. senão vejamos: .90 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2-Sociedades civis reguladas pelo antigo Código Civil. Como exemplo. como número de funcionários. de natureza científica. quer dizer. Trata-se de sociedades que. temos uma clínica médica ou sociedades de arquitetos. 966. independentemente de sua estrutura. recolhimento de impostos. faturamento bruto. pois assim quis o legislador. ou a ausência daquele. A par desse raciocínio. que poderá indicar a presença de elemento de empresa. pois o legislador não se preocupou em traçar elementos indicativos de uma ou outra espécie. De outra maneira. pintores. será ela considerada empresária. levando a sociedade a ser classificada como empresária. Do exposto. a dificuldade reside na ausência de parâmetros objetivos. 2-Sociedades simples reguladas pelo Código Civil de 2002. Sendo o objeto mercantil. cujos objetos seriam todos os outros. além daquelas poucas espécies de serviços já mencionadas. algumas organizações têm suas espécies previamente definidas. em se tratando de objeto civil. pelo seu objeto. podemos afirmar que o critério para se definir se uma sociedade é simples ou empresária depende tanto do objeto social como de sua estrutura. não importava a forma pela qual estava organizada a pessoa jurídica. pois a observação do objeto era bastante para definição de sua classificação. a fim formar um divisor de águas entre aquela que poderia ser uma sociedade simples. pela sua forma. gozam de classificação já anunciada legalmente. desprovidas de estrutura empresarial. como tal definido no parágrafo único do art. literária ou artística. são consideradas as antigas sociedades civis. que tenham por objeto o exercício de uma profissão intelectual. Nesses casos. ou qualquer outro. Nessa categoria. todas sem elemento de empresa. mas passou a ser empresária. será necessária a análise da estrutura organizacional. independentemente da forma como se organizem. tanto pelos seus objetos como pelos seus tipos. quando será ela simples. não enqua-drados no campo comercial. a atividade de produção ou intermediação de mercadorias.

único. além de ficar obrigada a manter escrituração especial. 982.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 91 Série Impetus Provas e Concursos ESPÉCIES EMPRESÁRIAS SIMPLES 1-Anônima e comandita Pelo art. possibilidade de obter recuperação judicial ou extrajudicial. visando à participação no resultado econômico. 2. 4-Sociedade de advogados. 5-Sociedade com objeto próprio de empresário rural. desde que tenham registro na Junta e adotem um dos tipos daquelas. fazer prova com seus livros empresariais. O art. Pelo art. permitindo-se. inclusive. Em geral. . parágrafo por ações.068/62. Sempre sociedade simples. 15. os principais efeitos da caracterização de sociedade como empresária são a submissão à falência. parágrafo único. declarou comerciais as sociedades de construção. simples. 982 do CC/2002. O art. mas sem registro. sempre empresárias. 3-Cooperativa. da Lei no 8. 2-Sociedade de construção. parágrafos 1o e 2o.904/94 (Estatuto da OAB) e do art. sempre soc. A conclusão vem da combinação dos arts. 984 do CC/2002 diz que se equiparam as empresárias. 1o da Lei no 4. Constituição das Sociedades As sociedades nascem da comunhão de vontade entre os sócios. que considera simples todas as que não forem empresárias. 982. que se propõem a contribuir com o fundo social.

pública ou particular. Na forma.. sociedades constituídas a partir de acordos firmados à revelia de qualquer documento escrito. As demais estão relacionadas no subtítulo “sociedades personificadas”. ou no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. quais sejam: a contribuição dos sócios na formação do capital social. classificando-as como “sociedades não-personificadas”. não a própria sociedade. probatório de suas existências. Atualmente. são efetivados por escritura. que considerava nula a sociedade em cujo contrato constasse uma dessas cláusulas. cuja totalidade do capital encontra-se em mãos de outra sociedade). embora podendo vir a ter provada sua existência. Neste grupo. seja ela simples ou empresária. ou mesmo aquela em que algum seja excluído do resultado. pelo menos. . entretanto. Também se considera assim a sociedade onde algum sócio seja desonerado da contribuição para o fundo social. quando se tratar de sociedade simples. Leonina é a sociedade na qual se estipule que a totalidade dos lucros competirá a um só sócio. pois não poderá arquivar seus atos constitutivos no órgão de registro do comércio. Outros requisitos são igualmente necessários à validade dos atos de constituição. Todas. expressos no art.92 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O acordo celebrado entre os componentes da sociedade. dois sócios no quadro social (exceção para subsidiária integral. a sociedade. temos as sociedades em comum (antes intituladas sociedades irregulares ou de fato) e as sociedades em conta de participação assim conhecidas participação. tornando nula apenas a cláusula específica. c) forma prescrita ou não defesa em lei. que é uma S. e mais a participação necessária de. que pode ser um contrato ou um estatuto social. deve se revestir dos mesmos quesitos exigidos do negócio jurídico em geral. possível. Neste caso. b) objeto lícito. 1. Entretanto. O Código Civil de 2002 reservou um subtítulo que trata especificamente das sociedades não-registradas. determinado ou determinável. ou seja. será tida como irregular. 104 do Código Civil/2002. assim como a participação nos lucros ou prejuízos.A. apenas se considera ineficaz estipulação nesse sentido. O art. serão estudadas detalhadamente em tópico seguinte. se forem empresárias. desde o Código Comercial. a lei admite a existência de contratos orais. reunindo os tipos societários que tiveram seus atos de constituição arquivados na Junta Comercial.008 do CC/2002 veio modificar o antigo Código Comercial. quais sejam: a) agente capaz.

o registro só terá efeito a partir da data de sua concessão. além de possuir patrimônio próprio. pessoa física ou jurídica.151 do CC/2002 prescreve que os documentos de constituição da empresa devem ser apresentados a registro até trinta dias da lavratura. Contudo. Trazidos em prazo posterior. nos limites do respectivo Estado. pois é a pessoa jurídica que assume um dos pólos da relação negocial. atos relacionados ao objeto social. as sociedades somente podem ser consideradas personificadas depois do arquivamento de seus atos de constituição na Junta Comercial. ao menos no primeiro momento. c) capacidade judicial – o mesmo princípio exposto acima pode ser invocado. pois há aquelas nas quais os sócios assumem responsabilidade subsidiária. estará agindo em nome dela. providenciado o arquivamento. todavia. a sociedade pode até funcionar. não significa que perderão a validade. A mesma . praticando. será reputada não-personificada. não o agente. Por outro lado. 1. O art. ou no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. que estará demandando ou sendo demandada judicialmente. b) capacidade negocial – quando um legítimo representante da sociedade contrai uma obrigação ou adquire um direito para a sua representada o faz em nome dela. Não providenciada tal formalidade. d) proteção ao nome e ao título – o art. sujeito de direito. tudo de forma distinta de seus sócios. Personificação das Sociedades Enquanto as pessoas naturais adquirem personalidade jurídica a partir do nascimento com vida (a lei resguarda o direito do nascituro). ao empresário inscrito. Em qualquer sociedade. Da personalidade jurídica decorrem. no caso de sociedades simples. podendo haver a extensão da proteção a todo território nacional. representante seu. quando providenciada pelo titular. através de seu representante.166 do Código assegura o uso exclusivo do nome. não seu representante. somente poderia atuar por meio de alguém. ou seja. Logo. Esta. é a pessoa jurídica. não importa o tipo. dentre outras conseqüências: a) capacidade patrimonial – significa afirmar que o patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o de cada sócio. sendo empresárias. são os bens e direitos atinentes a ela que têm que fazer face às obrigações contraídas em seu nome. a pessoa jurídica poderá exercer direitos e contrair obrigações.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 93 Série Impetus Provas e Concursos 3. nome e domicílio. o representante de pessoa jurídica que ingressar em juízo na defesa de interesses da sociedade. sendo um ente abstrato. 1.

em situações onde se verifique a ocorrência de atos fraudulentos cometidos por sócios. desde que o registro tenha sido efetivado no órgão próprio. receber indenização pela saída. que previu. independentemente do tipo societário adotado. o Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. a Lei Civil não fez qualquer referência expressa ao título. Esta hipótese. A equiparação daquela proteção é fruto de posição doutrinária. não existe a mesma previsão legal. e) Proteção ao ponto – esse tema foi objeto de apreciação no Capítulo 1. Significa afirmar que as obrigações assumidas pela sociedade devem. defendida inicialmente por Fran Martins. associações e fundações. para o cancelamento da inscrição. que um dos efeitos da personalização das sociedades é a separação patrimonial entre os bens sociais e os particulares do sócio. há a possibilidade de desconsiderar-se a separação patrimonial. Não se trata de despersonalizar um ente que adquiriu personalidade jurídica por meio do arquivamento de seu ato constitutivo no órgão de registro.155. 4o. sinônimo de nome de fantasia. faz-se uso da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. in casu. para onde o leitor deve se reportar. que foi logo seguida pelos demais autores. Quanto ao título do estabelecimento. 1. Entretanto. como a sociedade em nome coletivo e as em comandita simples ou por ações. os sócios poderão ser compelidos a disponibilizar seus bens para satisfação dos credores sociais. em seu art. no item antecedente. a fim de poder alcançar bens particulares dos sócios que se valeram da pessoa jurídica para o cometimento de atos com fraude. seria preciso processo específico junto ao mesmo órgão. único. é apropriada para os tipos de sociedade que possuam sócios de responsabilidade ilimitada.245/1991. O Patrimônio das Sociedades Vimos. no 8. quando foi citada a Lei do Inquilinato. em princípio. a regularidade de constituição como requisito para o titular do ponto gozar do direito à renovação do contrato de locação ou. . ao contrário. conforme o disposto no art. Nesses casos.94 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel garantia é dada às denominações de sociedades simples. mesmo. tudo dependendo de estarem presentes outras condições legais. f) Registro e patentes junto ao INPI – também outro tema abordado no Capítulo 1 deste obra. Não sendo esse suficiente. ser arcadas pelo ativo dela própria. Para tanto. é claro. Por ela se afasta a autonomia patrimonial da sociedade. 4.

vejamos o seguinte exemplo. referindo-se a sociedades nas quais a lei resguarda o patrimônio particular dos sócios. mesmo sabedores da incapacidade para o pagamento. Observem que essas pessoas usam indevidamente o nome da organização na contratação de obrigações. O que ela busca é evitar o encobrimento de sócios inescrupulosos sob o nome empresarial de sociedades para as quais a responsabilidade pelos débitos da pessoa jurídica não alcança o patrimônio dos sócios. acionistas de uma sociedade anônima. para onde se dirigiram clientes. em sua obra Curso de Direito Comercial: Pedro e Carlos. uma vez que. Isso é o que vem acontecendo com os representantes de sociedades. estão elas dispostas a se acobertar sob a tutela legal atribuída aos sócios daqueles tipos sociais com o intuito de praticarem atos fraudulentos. A fim de facilitar o entendimento. desnecessário seria o uso da teoria. enfim. toda a base de negócios antes . materializada com a assinatura de uma nota promissória a vencer em trezentos e sessenta dias. de qualquer forma. desta vez uma limitada. para as quais não há previsão legal de responsabilidade subsidiária de seus sócios pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica. com o mesmo objeto da anterior.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 95 Série Impetus Provas e Concursos A teoria. Nesse período. nas quais sócios ou administradores assumem responsabilidade subsidiária e ilimitada pelas obrigações da sociedade. com evidente intenção de esvaziar a sociedade. esse benefício criado para a indução da atividade econômica não pode servir de manto ao cometimento de fraude por parte dos sócios. portanto. que aproveitam essa prerrogativa para o exercício de atos que trazem encargos consideráveis à pessoa jurídica. conforme abordagem no item 7 deste Capítulo. ou de uma comandita simples ou por ações. ainda. da forma como acontece nas sociedades anônimas ou nas limitadas. ou. Se estivéssemos falando de uma sociedade em nome coletivo. Contudo. nenhuma responsabilidade têm os sócios pelos débitos da pessoa jurídica. constituíram uma nova. não tem tamanho propósito. É óbvio que eles somente agem dessa forma na segurança de não serem atingidos por provável inadimplência da devedora. pois. de acordo com o tipo societário adotado. nas sociedades simples em cujos contratos de constituição não constem tal exigência. o patrimônio particular daqueles é chamado a cobrir o saldo das obrigações sociais. citado por Fábio Ulhoa Coelho. fornecedores. contraíram pesada obrigação em nome da pessoa jurídica. sabedores de que as obrigações não passariam da pessoa jurídica. Em outras palavras.

atingindo o patrimônio dos sócios e/ou administradores. com a finalidade de proteger o consumidor. sabendo que não efetuariam a entrega. ou. Não foi o que eles fizeram. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. de alguma forma. não há qualquer ilegalidade na atitude dos sócios. encontra-o fechado. vendendo produtos por preço vil.078/1990. em detrimento do consumidor. Nessa data. quando a lei dispuser sobre sua atuação no processo. a requerimento da parte. Nesta situação. exclusivamente para atingir o patrimônio pessoal dos sócios que promoveram o ato fraudulento. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Também o Código de Defesa do Consumidor. então. tendo em vista a inatividade social. ainda. Entretanto.96 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel pertencentes à S. que não permite a indisponibilidade dos bens particulares dos sócios. adquire-os à vista. falência. não mais dispondo a pessoa jurídica de bens para o ressarcimento do consumidor. Vale como exemplo o art. Imaginem. e mesmo que se trate de uma sociedade onde não existam sócios para responder subsidiariamente pela obrigação. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. que prevê a desconsideração da pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. Lei no 8. Ora. excesso de poder. em caso de abuso de pessoa jurídica. que prevê. estando inviabilizado o pagamento da obrigação por parte da sociedade anônima. atraído pelo anúncio de grande liquidação de bens. desde que preservem direitos dos credores da sociedade antiga. pode a autoridade judiciária invocar a aplicação da lei. 50 do Código Civil de 2002. . O dispositivo é complementado pelo parágrafo 5o. sem comprometer a atividade social. um consumidor que. já podemos observar igual linha de pensamento sendo inserida na legislação vigente. houver abuso de direito. desconsiderar essa pessoa jurídica. infração da lei. ou pela confusão patrimonial. Nesta situação. 28.A. a requerimento da parte ou do Ministério Público. caracterizado pelo desvio de finalidade. com a informação de que fora encerrada a atividade econômica ali realizada. a possibilidade do juiz decidir. enquanto a teoria provém de uma seara puramente doutrinária. acobertando-se no manto da sociedade anônima. preceitua que o juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. fica claro que a intenção dos sócios foi fraudar o consumidor incauto. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. chegando ao estabelecimento. a intenção era justamente escapar ao pagamento do título. pelo contrário. Ora. estado de insolvência. com entrega dos produtos marcada para o dia seguinte. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. permite-se à autoridade judicial. em seu art.

aumentando assim as chances de ressarcimento. proíbe-se a cessão ou alienação de quotas sociais e. assemelhando-se mais a um contrato de empreendedores do que propriamente a uma sociedade. se capaz. até. salvo se presente elemento de empresa. nos moldes dos arts. contudo. No primeiro caso. 5. Pode ainda criar uma sociedade em conta de participação (art. se menor de idade. podemos encontrar as classificações seguintes: a) De pessoas ou de capital Essa classificação importa em conceder importância maior às qualidades individuais dos sócios (de pessoas) ou ao capital investido na empresa (de capital). os empreendedores podem contratar uma sociedade simples. que. quais sejam: em nome coletivo. o de uma limitada. pois o que importa é sua contribuição social. seus parágrafos 1o. Classificação das Sociedades O Código Civil de 2002 estabeleceu os tipos societários previstos no Direito brasileiro. de uma comandita simples ou.038. em comandita simples. até mesmo. é uma espécie social sui generis. tanto em relação aos sócios como em relação ao capital empregado no fundo social ou. 28. enquanto nas de capital não há tal restrição. se consentâneo com a filosofia do negócio. 991). sociedade limitada. conforme estudaremos adiante. Cada um dos tipos societários previstos possui suas particularidades. para que uma possa responder pela outra. O trabalho dos autores serve para identificar melhor as peculiaridades próprias dos tipos sociais. Os demais sócios. na forma de constituição. Daí se dizer que. portanto. grupos de sociedades. salvo com autorização dos demais sócios.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 97 Série Impetus Provas e Concursos Ainda sobre o mesmo art.090 da Lei Civil. consórcios entre sociedades e sociedades coligadas. 2o. os interessados deverão escolher uma das formas dispostas pelos arts. diante da obrigação ao consumidor. Se a intenção for constituir sociedade empresária. Pensando nisso. Nesses casos. 1. possuem o poder de barrar a entrada de sócio não desejado. já vimos no início do capítulo que ela não perde a característica de sociedade simples. há uma preocupação em se conhecer quem é que vai ingressar no quadro social. o ingresso de herdeiro de sócio falecido. 3o e 4o estendem a proteção ao consumidor quando vítima de sociedades controladas. . a doutrina desenvolveu formas de agrupá-los em razão de semelhanças encontradas em cada sociedade. nas sociedades de pessoas. 997 a 1. Já em relação às de capital.039 a 1. sociedade anônima ou em comandita por ações. podendo também adotar o tipo de uma sociedade em nome coletivo. não deve haver qualquer interferência na qualificação pessoal do candidato a sócio. como é usual. A depender do objeto social. Assim.

esse ato se manifesta através de um contrato. como o erro ou ignorância. a aquisição e venda das cotas sociais se materializa com alteração do contrato social. em relação à responsabilidade dos sócios. Vai depender do tipo societário adotado. O art. c) De responsabilidade limitada. 1. todos da Lei no 6. em comandita simples. coação. A assertiva está fundamentada nos arts.404/76. igualmente são classificadas como sociedades contratuais as em nome coletivo. quando o instrumento deverá ser averbado no órgão próprio de registro. capacidade das partes. 83 dessa lei. pode-se cobrar parcela do patrimônio particular dos sócios (responsabilidade subsidiária). caput. representado por ações. Já as sociedades cujo capital social se divide em ações. Apenas na hipótese de exaurido aquele. quais sejam: anônima e comandita por ações. inclusive. . 82. este aplicado às sociedades limitadas. Apesar da similitude. para que aconteça o ingresso ou saída de sócio. . com a conseqüente transferência de propriedade do capital social. É quando ocorre o ingresso de novos sócios.057. além da ausência de defeitos previstos no Capítulo IV Livro III. estes podem responder pelos débitos sociais ou não. ou a saída de algum. dentre outros. conforme abordado no item 2 deste Capítulo. Sendo a sociedade constituída por contrato. ilimitada ou mista A responsabilidade aqui tratada não é da sociedade. lesão e fraude contra credores. posto que a entidade sempre terá de comprometer todo seu patrimônio no pagamento dos débitos sociais. Nas contratuais. Desta forma.003 e 1. 84. 95. do CC/2002. basta a concretização do acordo entre comprador e vendedor. por se constituírem de um estatuto social. forma prescrita ou não defesa em lei. prevê que o estatuto social deverá obedecer aos mesmos requisitos exigidos para os contratos das demais sociedades. parágrafo único. em conta de participação e as limitadas. Em se tratando de sociedades por ações. conforme referência nos arts. são dessa espécie as sociedades simples e. estado de perigo. É por isso que se exige também das sociedades estatutárias objeto lícito. dolo.98 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel b) Contratual ou institucional A formação de todas as sociedades depende de ato volitivo de seus sócios. como o capítulo se aplica subsidiariamente às demais. quando a natureza do vínculo existente entre os sócios será contratual. 997. com todas as exigências Conforme a disposição do art. são institucionais. mas dos sócios. uma diferença pode ser sentida. 83. do Código Civil.

antes conhecidas como irregulares ou de fato. é cláusula indispensável. seja a Junta Comercial ou o Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. Tanto as sociedades empresárias como as sociedades simples em geral são constituídas com a fixação do capital social. por exemplo. Nas sociedades mistas. I. do CC/2002) ou ao estatuto social (art. Nessa categoria. que prevê até a dispensa do capital social. Se falarmos de uma sociedade limitada ou de uma sociedade anônima. seja ao contrato (art. Neste caso. incluem-se as sociedades em comum. personificadas são todas as demais. De outra forma. Igualmente. Esta. como as em comandita simples ou por ações. seja o contrato plurilateral ou o estatuto. esgotado o patrimônio social no pagamento de dívida. e ainda assim existindo credores nãosatisfeitos. se for sociedade anônima. são tidas como sociedades despersonificadas. 997. por serem desprovidas de regular existência no mundo jurídico. toda alteração de capital deverá ser precedida da correspondente alteração do ato. d) De capital Fixo ou variável De capital fixo é a sociedade cujo capital social vem definido em seu ato de constituição. assim classificadas por não possuírem atos arquivados no órgão próprio de registro. aliás. não possuem atos arquivados e. conforme disposição do art. seja limitada ou ilimitada. contudo. 84. já existentes desde o antigo Código Comercial. cujos atos de constituição foram regularmente arquivados. quando vieram a adquirir personalidade jurídica. existe mais de uma categoria de sócios. isso só é possível na hipótese de haver capital ainda não completamente integralizado e. I. De capital variável são as sociedades cooperativas. . III. as sociedades em conta de participação. e) Personificadas ou não-personificadas O Código Civil de 2002 traz subtítulos distintos para as sociedades nãopersonificadas e as personificadas. Essas.404/76). da Lei no 6.094. 1.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 99 Série Impetus Provas e Concursos Tratando-se de uma sociedade em nome coletivo. As primeiras. conseqüentemente. subtraem-se bens particulares de sócio para a satisfação daqueles. assim mesmo. na razão direta da responsabilidade assumida. em se tratando de ações do próprio sócio individualmente consideradas. são desprovidas de personalidade jurídica. são objeto de comentários adiante.

depois. Fora do benefício de ordem está aquele sócio que contratou pela sociedade. conforme prevê a parte final do art. 986 a 990 do CC/2002 e. através das quais pode a pessoa jurídica promover mudanças substanciais em sua estrutura. ou não.404/76. de acordo com o preceito do art. 94 e 99 da Lei no 6. no que diz respeito à previsão de os bens sociais responderem pelas obrigações sociais assumidas por qualquer dos sócios. com os arts. salvo pacto expresso limitativo de poderes. somente comprovam a existência da sociedade por prova escrita.100 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Sobre as sociedades em comum. primeiro deve ser exaurido o ativo da sociedade para. 987 que terceiros que mantiverem relações jurídicas com elas poderão provar sua existência por qualquer modo lícito de prova. vale enfatizar que as pessoas jurídicas constituídas sob um dos tipos das sociedades empresárias. prevê o art. o que não deixa de ser estranho. regidas pelos arts. 986 do Código. representantes da sociedade. . entrarem nos bens particulares dos sócios. como exposto no item 9 deste Capítulo. seja nas relações recíprocas ou com terceiros. pois sua obrigação será pessoal. Portanto. Modificação das Sociedades São formas de alteração ou reorganização societária. ou mesmo quando se tratar de uma sociedade simples. que terá eficácia contra terceiros que o conheçam. não se submeterão às normas da sociedade em comum. sem se ater ao fato de serem. 986. serão tidas como sociedades em comum. 989. subsidiariamente. Para estas. ou devam conhecer. mesmo sem o estatuto social arquivado. Com relação à prova de existência das sociedades em comum. permite-nos concluir que elas. enquanto os sócios. 990. 6. Outra inovação do Código a respeito das sociedades em comum foi o caráter subsidiário de responsabilidade atribuído aos sócios. para quitação dos débitos sociais. A intenção da lei parece facilitar a ação de quem transacionou com a sociedade. a abordagem completa está reservada aos itens 7 a 9 deste Capítulo. Acrescento o teor do art. Merece destaque a exceção reservada às sociedades por ações. Com relação às sociedades em conta de participação e às outras personificadas. mas à da lei específica. não subsidiária. enquanto não tiverem seus atos arquivados na Junta Comercial ou no Cartório. já que nessa condição a sociedade não teria patrimônio próprio. a combinação do art. pelas normas das sociedades simples.

quando o sócio dissidente poderá retirar-se da sociedade. os credores anteriores à mudança continuarão titulares de créditos pelos quais poderão argüir a responsabilidade subsidiária. e manterão. Com a chegada do Novo Código Civil. nem modificá-los. citada apenas no art. . Esse direito de retirada. de um tipo para outro. independente de dissolução ou liquidação. da Lei no 6.122. Não importa o tipo transformado.122. quando a transformação for para uma companhia. pode até ser renunciado no contrato social. também se aplica o mesmo raciocínio. que vai do art. o credor de uma sociedade anônima transformada em sociedade em nome coletivo não pode invocar responsabilidade subsidiária dos sócios na satisfação de seu crédito. aplicada às sociedades por ações. 1. a eficácia da operação depende de consentimento unânime dos sócios.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 101 Série Impetus Provas e Concursos Até o advento do Código Civil de 2002. para as sociedades não-reguladas por aquela norma. até a integral satisfação de seus créditos. Por exemplo. solidária e ilimitada dos sócios. Da Incorporação. as mesmas garantias que tinham antes da alteração. a transformação não pode prejudicar o direito dos credores. parágrafo 3o. ou seja. além de necessário registro conforme as especificações do tipo em que vai se converter.113 ao art. que servia às demais espécies. disposta nos arts. No exemplo inverso. como há em relação à cisão. Da Fusão e Da Cisão das Sociedades”. ransformação a) Transformação É a operação pela qual a sociedade passa. se uma sociedade em nome coletivo se transformar em sociedade anônima. que trouxe capítulo específico intitulado “Da Transformação. Uma já existente. continua a regência pela lei. 1. Existindo omissão do Código sobre algum instituto. passamos a contar com duas disciplinas a respeito do tema. nenhuma legislação sobre o tema havia. salvo se prevista no ato constitutivo. raríssimo de acontecer. aliás. específica para os demais tipos societários. 220 ao 234. uma vez que. a matéria se encontrava disciplinada unicamente pela Lei das Sociedades Anônimas. Desta forma. uma limitada que se transforma numa sociedade anônima.404/76. ou uma sociedade em nome coletivo que se transforma numa limitada. Em qualquer caso. somente os titulares por créditos constituídos após a transformação possuiriam tal direito. 1. que se refere à falência da sociedade cindida. Neste caso. Outra constante do Código.

Observem.102 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No entanto. a nova empresa garantirá os direitos dos credores. no caso de reversão total daquele. b) Incorporação Operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra já existente. Pode ser operada entre sociedades de tipos iguais ou diferentes. garantirá o interesse dos credores da(s) incorporada(s). vier ela a falir. Em outras palavras. contudo. fazer valerem tais prerrogativas. c) Fusão Operação pela qual duas ou mais sociedades se unem para formar uma nova. quando transformada a sociedade em outro tipo. o patrimônio para uma ou mais sociedades criadas para esse fim ou já existentes. caso não houvesse a transformação. que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. aos credores por créditos constituídos anteriormente ao ato basta não se manifestarem. Da mesma forma. pode o credor de uma sociedade em nome coletivo. quando compete à incorporadora declarar extinta(s) a(s) incorporada(s) e promover respectiva averbação. na forma estabelecida para os respectivos tipos. Aos primeiros administradores da sociedade que surgem compete promover o arquivamento dos atos de fusão. por sua vez. e sua efetivação será causa de extinção da(s) sociedade(s) incorporada(s). De outra forma. na hipótese de falência da sociedade transformada. titular de um direito garantido pela responsabilidade subsidiária. que seus créditos usufruirão das garantias próprias ao novo tipo societário adotado. solidária e ilimitada dos sócios. já que é sucessora de suas obrigações. . devendo todas aprová-la. pois a incorporadora permanece com sua personalidade jurídica inalterável. que do ato não surge nova sociedade. na qual não tenham os sócios as mesmas responsabilidades. A operação provoca a extinção das pessoas jurídicas fusionadas. têm os titulares de créditos constituídos antes da mudança a faculdade de requererem o tratamento que receberiam. que lhe sucede em todos os direitos e obrigações. Pode haver extinção da empresa fornecedora do patrimônio. total ou parcialmente. d) Cisão Operação pela qual uma sociedade transfere. também em caso de falência da sociedade transformada. Esta. deste vez de limitada para em nome coletivo.

1. relativamente aos capítulos específicos das sociedades em nome coletivo. ao passo que as sociedades por ações. Se mais de uma empresa recepcionou os bens da cindida. portanto. pelo menos para fins de retroatividade dos efeitos. das limitadas. em conta de participação. Constituição As sociedades simples são de natureza contratual.038. no prazo de noventa dias da publicação dos mesmos. haverá solidariedade entre elas no pagamento aos credores. em comandita simples.404/76. vale explicar que o Código Civil de 2002 reservou capítulo específico tratando de normas gerais das sociedades simples (antigas sociedades civis). Tipos de Sociedades Neste tópico. trinta dias da lavratura. 1. Sendo em prazo superior. fusão ou cisão. A maioria tem disciplinamento no Código Civil de 2002. reputa-se como sociedade em comum durante o tempo em que funcionou até a expedição do registro. com atualizações. Isso quer dizer que. a empresa que recebeu o patrimônio obriga-se pelos direitos dos credores. com o ato devendo ser registrado no Cartório de Pessoas Jurídicas do local de sua sede. na hipótese de serem omissas as normas específicas ditadas pelo Código Civil de 2002. que vão do art. administração da sociedade e dissolução. do CC/2002 garante o direito de credores prejudicados promoverem ação de anulação dos atos. Em se tratando de incorporação. o instrumento da cisão pode estabelecer quais as obrigações que passam à outra empresa. 1. O prazo de registro é o mesmo exigido nas Juntas Comerciais. de no 6. 7. Nos casos de omissão do legislador. aplicam-se as regras das sociedades simples.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 103 Série Impetus Provas e Concursos Sendo total a cisão. 997 ao art.122.1. ou seja. são analisadas as especificidades de cada um dos tipos societários previstos no Direito brasileiro. além de outros. Antes da abordagem individual de cada uma. para as sociedades por ele disciplinadas. ou mesmo relativas às sociedades por ações. . Ali são postos assuntos como forma de constituição. Sociedades Simples 7. e até mesmo das sociedades por ações. apesar de terem previsão legal de existência na mesma Lei Civil. tendo em vista o fato de suas normas aplicarem-se supletivamente às sociedades empresárias. são reguladas por norma própria. podem servir à regulação da matéria as disposições concernentes às sociedades simples. 7. o estudo daquelas. o art. Importante. direitos e obrigações dos sócios. Caso seja parcial.1.

997 dispõe que pactos em separado. outra vez o Código Civil omitiu-se.2. pois tem o sócio benefício de ordem em relação ao devedor. cujo entendimento é extensivo às demais). dinheiro ou. O prazo para efetivação da contribuição dos sócios é previsto no contrato social. menos a omissão do teor do inciso VI. mas subsidiária. sucursal ou agência na circunscrição de outro Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. quanto à designação dos administradores). deve o sócio responder não só pela sua existência. Não cumprida a estipulação. Responde. é a integralização em dinheiro. 1. no entanto. 117. o que inclui os vícios redibitórios e a evicção). Sobre a responsabilidade dos sócios pelos vícios redibitórios e pela evicção desses bens. 7. .A. ao menos para fins de proteção. Opera sob uma denominação (acrescida do termo S/S). basta a maioria absoluta. não se admitindo sequer pacto em contrário. parágrafo 1o. portanto. O mais usual. fica ele sujeito à notificação premonitória por parte da sociedade. Formação do Capital Social Vimos anteriormente que não é possível haver cláusula excludente da contribuição de sócio para o fundo social.404/76 prevê idêntica responsabilidade do vendedor. somente podem ser aceitos aqueles relacionados ao objeto social (a Lei das S. A contribuição pode materializar-se em bens. Sendo em serviços. Para as demais. portanto. promover a cobrança judicial do crédito. no Cartório da sede. alínea h. Se em créditos. nele deverá inscrevê-la com a prova do registro original e. sem prejuízo de outros estipulados pelos sócios. no art. devem participar. mas apenas em relação aos vícios (já a Lei no 6. Todos. mas pela solvência da dívida. ressalvo. Isso é o que se depreende da leitura do art. estabelece o art. não é solidária. não têm validade perante terceiros. mesmo. 997 do CC/2002 (a ausência de algum acarreta a negação do registro. na prestação de serviços (nas limitadas. é clara a esse respeito. em caso de insolvência. entendendo-se que terão perante os sócios. A sociedade simples que constituir filial. O parágrafo único do mesmo art.104 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O conteúdo do instrumento contratual deve revestir-se dos elementos enumerados no art. pela evicção o sócio que entrar com bens para o capital social. com a concessão do prazo de trinta dias para adimplir sua obrigação.004 do CC/2002.006 do CC/2002 a proibição de o sócio empregar-se em atividade estranha à sociedade. Essa responsabilidade.1. a qual a lei equipara ao nome empresarial. essa última opção não é possível). que exigiu a notificação prévia do sócio devedor para constituí-lo em mora. salvo convenção em contrário. uma vez que deve a sociedade primeiro. deverá averbar aquela. 1. contrários ao instrumento do contrato. Somente após o não-atendimento à notificação é que o sócio poderá ser considerado remisso. Qualquer alteração nessas cláusulas necessita de aprovação unânime dos sócios. Sendo em bens.

para ressalvar que a exclusão do sócio remisso não precisa de provocação ao Poder Judiciário – é extrajudicial. 1. do CC/2002 prevê a punição do sócio que votar de acordo com seus interesses privados. em possível atividade empresarial) ou tiver sua quota liquidada.030. com perdas e danos em favor da pessoa jurídica. depende de justa causa. durante o prazo de dois anos. Percebam que a cessão aqui abordada é uma das maneiras através das quais o sócio pode desligar-se do quadro social. deve aquele se abster de votar na deliberação.1. no que pese a falta grave. Judicial é a exclusão que depende da ocorrência de falta grave no cumprimento das obrigações de sócio e. mediante iniciativa da maioria dos demais componentes do quadro social. De pleno direito é a exclusão que não passa pelo crivo judicial. 7.1. desde que com a concordância unânime dos demais sócios. podendo os demais decidir por sua exclusão. são dispostos no item 7. Para a eficácia perante terceiros. conforme dispõe o art. ela pode acontecer judicialmente ou de pleno direito. 1. com antecedência mínima de sessenta dias. Havendo interesse conflitante entre o sócio e a sociedade. além da alteração do contrato. a contar da averbação da alteração. 7. conforme a previsão do art. mas dele próprio. O art. 1. a totalidade de suas cotas.010. Outros detalhes a respeito do tema. a seguir. se cedida. claro. 1. provada judicialmente. . Cessão de Quota Social É possível haver cessão de quotas sociais.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 105 Série Impetus Provas e Concursos Configurada a condição de sócio remisso. Deliberações Sociais Os sócios têm o dever de influir na condução dos negócios da sociedade. Outras são o exercício do direito de retirada e a exclusão. que passará a conter os dados do novo sócio. em lugar da indenização. assim mesmo. 1.029 do CC/2002 e dependerá de notificação aos demais sócios. responderá o sócio perante a sociedade pelos danos emergentes da mora. O mesmo dispositivo reporta-se ao art. Pelas obrigações que o cedente tinha antes da transferência. O primeiro tem previsão legal no art. a alteração deve ser averbada no órgão competente.1. continua respondendo solidariamente com o cessionário. quando a sociedade for de prazo indeterminado.004.026. Quanto à exclusão. e ocorre se o sócio for declarado falido (a falência aqui tratada não é a da sociedade que o estiver excluindo.7. decidindo questões que objetivem o melhor para ela.3.4. parágrafo 3o. Sendo constituída por prazo determinado.

. . hipótese em que estaria isento de responsabilidade sobre o ocorrido. exige-se unanimidade para alteração de uma das cláusulas do contrato previstas no art. não pode a deliberação ser anulada. o que se observa são atuações temerárias dessas pessoas. 115 estabelece a responsabilidade do acionista. o caput do art. e mais. ou simplesmente se eximirem de qualquer responsabilidade oriunda de prejuízos sofridos por terceiros. ainda assim a atuação do administrador.1. 997 do CC/2002. Administração A administração de uma sociedade deve ser exercida por uma ou mais pessoas comprometidas em realizar o fim social previsto para a pessoa jurídica. 7. Nas sociedades simples. entretanto. o juiz decide. Já na disciplina do Código Civil.A. em nome coletivo e nas comanditas simples. a unanimidade. prevalece a decisão sufragada pelo maior número de sócios e. contraindo direitos e obrigações em nome da sociedade. 1. pois elas se posicionam à frente dos negócios. celebrando contratos. por motivos alheios a sua vontade. se este persistir. o contrato ou a lei estipular quóruns diversos como. Por essas razões.015. Entretanto. cujos valores nominais são iguais). seu art. 1.011 exigiu do administrador o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na condução de seus próprios negócios.106 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No âmbito da Lei das S. parágrafo único. por exemplo. o assunto será objeto de estudo específico. possibilitando à sociedade o ressarcimento de danos sofridos por essas atuações. que colocam em risco todo o negócio em nome de interesses pessoais. Em caso de empate. Não é por outro motivo que muitas sociedades foram levadas à ruína. ainda que seu voto não tenha prevalecido. 2/3 do capital social. Dispositivos do Código prevêem punição aos administradores que agirem em desconformidade com a lei ou com o contrato social. respeitando os rigores da lei e do contrato social. mesmo. a regra é a maioria absoluta do capital social. Quanto ao quórum exigido. sempre buscando o melhor resultado para a organização. Nas limitadas. É claro que. quando configuradas as hipóteses do art. assim como a possibilidade de anulação da decisão. mesmo agindo com zelo e lealdade à pessoa jurídica. a responsabilização é apenas nos casos de prevalência do voto daquele quotista. computando-se a quantidade e o valor de cada quota (lembro que as quotas podem ter valores diversos. pode resultar em prejuízo social. em decorrência de gestores despreparados ou mal intencionados. Mas não parou por aí.5. 3/4 ou. diferentemente das ações. deixando tal encargo para os próprios administradores. Pode.

em seu art. salvo a venda de bens imóveis. Este é o teor do art. Essa é a regra do art. ainda que temporariamente. 1. e que encontra correspondente no art. não é extensiva aos demais sócios da sociedade.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 107 Série Impetus Provas e Concursos Esses e outros aspectos relacionados à função do administrador são alvo de abordagem neste item. a fé pública. Esta tese. Silente o contrato social.046. que vai de encontro ao exposto na segunda edição desta obra. 1. prevaricação. O contrato social poderá ainda definir a competência dos administradores. contra o sistema financeiro nacional. parágrafo 1o. Caso contrário. de forma expressa. b) encontrar-se a limitação de poderes registrada no órgão próprio. peita ou suborno. contra as relações de consumo. menos se tal atividade for do próprio objeto social. c) tratando-se de operação evidentemente estranha ao objeto social. que. enquanto perdurarem os efeitos da condenação (art. seus poderes serão irrevogáveis. 1. desde que prove uma das seguintes hipóteses: a) o conhecimento do terceiro quanto à falta de poder do administrador.019 serve de supedâneo ao raciocínio. Também o parágrafo único do art. ou por crime falimentar. Neste último caso. com as sociedades em nome coletivo e as em comandita simples. a pedido de qualquer dos sócios. desconsidera a cláusula a que se refere o inciso VI do art.015. responderá pessoal e solidariamente com a sociedade pelos atos que vier a praticar (art. como se vê. 1. poderes conferidos a sócio por ato separado. eles poderão praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade. peculato. A doutrina vem consagrando a possibilidade de o administrador ser sócio ou não. ou contra a economia popular. encontra lastro na omissão do Código que não veda tal hipótese como fez. Se investido na função por cláusula expressa no contrato. Se não o fizer. Mas. o acesso a cargos públicos. quando não ocupem função de administração. Quanto à responsabilidade dos administradores. . a administração da sociedade caberá separadamente a cada um dos sócios. conforme dissertação em seguida. conforme dispõe o art. o Código Civil de 2002 inovou ao prever. reconhecida judicialmente. ou a propriedade. atenção: a vedação exposta no parágrafo anterior. 1. a exoneração da pessoa jurídica em responder perante terceiros. que depende de aprovação da maioria absoluta.013 do CC/2002. 147. 1. O administrador pode ser nomeado no próprio contrato ou em ato separado. Não podem ser administradores aqueles condenados à pena que vede.011). 997. ou a quem não seja sócio.019. parágrafo único. salvo justa causa. deverá promover a averbação à margem do contrato. contra as normas de defesa da concorrência. De outra forma. nos arts. concussão. são revogáveis a qualquer tempo. da Lei das Sociedades por Ações.042 e 1.015.012). 1. 1. decorrente de norma expressa do novo Código Civil.

a exemplo da assinatura de cheques. Já no art. não exigindo a lei a averbação no órgão de registro.024. Isso quer dizer que. deve ser conjugada com os arts. prefiram adequá-la tão somente às linhas traçadas no capítulo específico do Código. da Teoria Ultra Vires. Observem que se trata de duas situações bem distintas. neste caso. proibida pela lei.018. vale conferir a exegese do art.108 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Essa é a positivação. o art. A disposição. por ato praticado pelo administrador com excesso de poder. Seguindo a disposição do Código. no Direito brasileiro.017. porém. com todos os lucros resultantes e. se agirem com violação à lei ou ao contrato social. inciso VIII. regressivamente. se houver prejuízo. Esse último preconiza a responsabilidade subsidiária dos sócios pelas dívidas contraídas em nome da sociedade. da celebração de contratos. restituírem à sociedade ou pagarem o equivalente. Melhor explicando.016 impôs a responsabilidade solidária dos administradores. faculta aos contratantes definir se respondem. 1. pelas obrigações sociais. Caso. a da Desconsideração da Pessoa Jurídica. subsidiariamente. Responsabilidade dos Sócios Na formação de uma sociedade simples. Outra seria a nomeação de alguém para representá-lo em algumas operações ou atos específicos. em havendo previsão . Nesta situação. se aquela assumir a responsabilidade perante terceiros.023 e 1. 7. como a presença em determinada audiência na Justiça do Trabalho. suas responsabilidades pelos débitos contraídos em função da pessoa jurídica serão regidas na conformidade do tipo escolhido. ou aplicação de recursos no mercado de valores mobiliários. 1.6. se refere à hipótese de o administrador fazer-se substituir em suas atribuições precípuas do cargo. contudo. ficarão os administradores sujeitos a indenizar terceiros ou a sociedade. por atos culposos decorrentes da função. quando a parte demandada é a pessoa jurídica da qual participe. esta pressuposto para o uso de outra teoria. já sabemos. ou não. Por último. 997. A primeira. os sócios têm a opção de adotar um dos tipos das sociedades empresárias. através da qual a pessoa jurídica exime-se da responsabilidade perante terceiros. previu a obrigação a eles imposta de. em caso de aplicarem bens ou créditos da sociedade em proveito próprio ou de terceiros sem autorização escrita dos demais sócios.1. perante a sociedade e terceiros prejudicados. 1. o art. mesmo que ausente a fraude. menos aquelas constituídas por ações. por ele também responderão. que veda a delegação da função de administrador. 1. ao mesmo tempo em que permite a constituição de procurador ou mandatário para realização de negócio específico.

a contar da averbação da modificação contratual. . ou seja. quando normalmente acompanha a participação de cada um no capital social. Para complementar o tema. vale citar a previsão do art. salvo cláusula de responsabilidade solidária. neste caso em se tratando de sócios comanditados. permanece ele solidário com o que adquiriu suas cotas durante o prazo de dois anos. da maneira como acontece na sociedade em nome coletivo. parágrafo único. primeiro deve ser consumido o patrimônio da entidade para depois. conforme exposto nos itens a seguir. 1. 1. estipula que a responsabilidade subsidiária dos sócios será cobrada de forma proporcional à participação de cada um nas perdas sociais. no sentido de a participação de cada um nos lucros e nas perdas não guardar correlação percentual igual à da participação per capita no capital social.025.003. por sua vez. salvo se preferirem a responsabilidade solidária. Por conseguinte. pois o prazo somente começa com aquela providência. que determina a responsabilidade do sócio que ingressar na sociedade por dívidas anteriores à sua presença. ou a proporcionalidade sugerida. 1. pois o acordo valeria apenas entre eles.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 109 Série Impetus Provas e Concursos contratual de responsabilidade dos sócios por débitos da pessoa jurídica. serem utilizados os bens particulares dos sócios. a responsabilidade será proporcional à participação de cada um nas perdas ou no prejuízo da sociedade. Se a averbação demorar a ser feita. mesmo que seja acordada a exclusão de tal responsabilidade.007 prevê a possibilidade de estipulação contratual diversa. portanto. ou em comandita simples. apesar de o art. conforme prevê o art. quando poderão optar entre a solidariedade. Sendo a resposta positiva. em havendo saldo a pagar. quando da contratação de uma sociedade simples sem a adoção de algum dos tipos da empresária. assim como ao contrato social para se certificar quanto à possível previsão de responsabilidade subsidiária dos sócios. a responsabilidade subsidiária pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica. esse pacto não terá validade contra terceiros. pior para ele. Em suma. O outro dispositivo. que poderá cobrar a dívida normalmente daquele sócio posteriormente admitido. E como a lei não prevê ressalvas. deverá ser respeitado o princípio que rege todos os tipos sociais. qualquer um que pretenda adquirir parcela do capital social de sociedade já constituída e em funcionamento necessita estar atento às dívidas da sociedade. os sócios a opção de escolher contratualmente a forma de cobrança da responsabilidade subsidiária a eles dirigida. os sócios possuem a faculdade de escolher se assumirão. ou não. Têm. Com relação ao sócio que se desliga da sociedade.

em detrimento do desejo individual de um sócio. foi cedendo espaço ao princípio da continuidade da empresa. essa operação era conhecida como “dissolução parcial da sociedade”. quando os operadores do Direito perceberam a importância em preservar a atividade produtiva desenvolvida. de abordá-las. A previsão legal estava assentada no art. pouco a pouco. o mesmo órgão pelo qual faz nascer a personalidade jurídica de uma sociedade é também responsável pela sua extinção que. acontece com a baixa de sua inscrição no órgão de registro competente. Diferente é o que ocorre quando um ou mais sócios resolvem sair da sociedade. bastava a vontade de apenas um dos sócios para a sociedade ser dissolvida. Antes. No âmbito do Direito Comercial.1. É justamente a primeira fase. pelas quais responderão os administradores solidária e ilimitadamente. e passa a inventariar seus bens e direitos na preparação de outra etapa.033 ao 1. condição que. deixando aos remanescentes a continuidade do objeto social.109 do Código. Aliás. caso exista saldo remanescente. Nesta. vedadas novas operações. 1. Para facilitar a aprendizagem dos institutos. que se chama de liquidação. Dissolução da Sociedade Na vigência do antigo Código Comercial. juridicamente falando. acontece a alienação de todo o ativo. vejamos o estudo pormenorizado de cada um deles. pela qual a sociedade paralisa suas atividades. expressão que o Código de 2002 substituiu por “resolução da sociedade em relação a um sócio”. conforme prevê o art. 335 daquela lei e. distribuídas nos arts. pode então a sociedade ser extinta. vale a pena pontuarmos a respeito de alguns conceitos relacionados ao assunto. no caso da liquidação de sociedade. 1. dissolução de sociedade representa uma etapa no processo de extinção da pessoa jurídica. No antigo Direito. visando ao pagamento dos credores e. O Código Civil de 2002 procurou incorporar os fundamentos da preservação da atividade econômica trazendo novas regras ao tema. porém. Esse derradeiro ato é o que decreta o fim da personalidade jurídica. se materializa com a averbação no registro próprio da ata da assembléia que aprovar as contas do liquidante. . divide-se o acervo com os sócios.7. Concluída a liquidação. restringindo a gestão própria aos negócios inadiáveis.038.110 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7.

na omissão desse.028. II. segundo a previsão do art. parágrafo único. não entrar a sociedade em liquidação. Da Dissolução Assim. 1. 1. desde que os administradores não o façam nos trinta dias seguintes à perda da autorização. a sociedade dissolve-se de pleno direito: a) com o vencimento do prazo de duração. Sendo a dissolução de pleno direito. na forma da lei. Sobre essas hipóteses de dissolução.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 111 Série Impetus Provas e Concursos 7. quando o juiz nomeará um liquidante para conduzir o processo. e é originada a partir do requerimento de qualquer sócio. Pelo art. que será considerada de pleno direito. c) pela deliberação dos sócios por maioria absoluta na sociedade de prazo indeterminado. alguém estranho ao quadro social Se a causa for a da alínea “e” acima citada. ou a verificação de que o mesmo é inexeqüível. de autorização para funcionar.1. b) o exaurimento do fim social. observem que basta a configuração de uma delas para que tenhamos aperfeiçoada a causa para a dissolução da pessoa jurídica. não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias. quando os demais preferem a dissolução total à parcial. d) pela falta de pluralidade de sócios. Caso prefiram a liquidação administrativa.1.036. Judicial é a dissolução que necessita passar pelo crivo do Poder Judiciário. ou se nenhum sócio exercer a faculdade a eles assegurada pelo art.033. b) pelo consenso unânime dos sócios. e) pela extinção. o Ministério Público detém a prerrogativa subsidiária para promover a liquidação judicial. caso em que se prorrogará por tempo indeterminado. 1. Outra forma de dissolver a sociedade extrajudicialmente é a prevista no art. permite à autoridade competente para conceder a autorização nomear interventor com poderes para requerer a medida e administrar a sociedade até que seja nomeado o liquidante. vencido este e sem oposição de sócio.034. cabe aos administradores promover a investidura do liquidante. que poderá ser um sócio já indicado no contrato social ou. . 1. que se refere à morte de sócio. a omissão do órgão ministerial. Nessa situação. qualquer sócio está habilitado a requerer que a liquidação se processe judicialmente. salvo se. são causas de dissolução judicial: a) a anulação da constituição da sociedade. nos quinze dias subseqüentes ao recebimento da comunicação sobre o fato.7.

por acordo com os herdeiros. conforme a previsão do art. inexeqüível é o fim social que. quando ele pratica o que se conhece como “direito de recesso”. contado da publicação e sua inscrição no registro. uma transportadora que perde seus caminhões e fica sem meios ou créditos para novas aquisições. Para tanto. Desta forma. não conduz necessariamente à extinção da pessoa jurídica. 45. seja por morte ou por simples vontade do retirante. Neste último caso.031. Da Resolução em Relação a um Sócio Já foi mencionado que esse instituto corresponde à dissolução parcial da sociedade que. possui prazo decadencial de até três anos. quando esta se obriga pelo pagamento correspondente aos herdeiros. no caso de morte. De outra forma. quando será levantado balanço especial.035 permite que o contrato social preveja outras causas de dissolução judicial. que a saída de sócio não leva necessariamente a sociedade à extinção. pois o art. 7. se preferirem. Por exemplo. à data da resolução. faz-se necessário verificar a situação patrimonial da sociedade. Já a exaustão do objeto social compromete a continuidade do negócio. que se refere à anulação da sociedade. b) se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade.1. Entenda o leitor que liquidar a quota do sócio falecido significa apurar seus haveres diante da sociedade. a primeira. embora podendo ser realizado em outras condições.028. seja por redução substancial do capital social ou quebra do affcetio societatis. 1. liquidar-se-á a quota. regular-se a substituição do sócio falecido. do CC/2002. Importante ressaltar. que essas hipóteses do art. 1. 1. é porque os sócios remanescentes podem optar entre a resolução em relação a um sócio ou. conforme prevê o art. conforme prevê o art. não o é para certas sociedades. No momento em que a atividade extrativa se esgotar. tanto em caso de morte de sócio como na hipótese da prática do direito de recesso.034 não são taxativas. parágrafo único. c) se. a escolha é motivada em possível dificuldade para cumprir o fim social. . promover a dissolução da sociedade.112 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação a cada uma das hipóteses de dissolução judicial. 1. contudo.7. salvo: a) se o contrato dispuser diferentemente. exaure-se seu fim social.2. É o que acontece com a sociedade que tem por objeto social a exploração de determinada mina. contudo. diversamente ao item antecedente. Quando se afirma. mas à liquidação individual da quota do sócio que saiu.

032. ou mesmo quando sua quota social for liquidada por requerimento do credor legitimado. conforme dispõe o art. por falta grave ou incapacidade superveniente. a responsabilidade alcança também obrigações constituídas posteriormente à saída. em se tratando de sociedade por prazo indeterminado. Especificamente quando se tratar de retirada ou exclusão. o art. Esse permissivo. 1. faz-se necessário provar judicialmente justa causa. poderíamos presenciar casos em que o sócio seria obrigado a permanecer como tal. Para o bom entendimento da matéria. a fim de quitar suas dívidas perante os credores. que exige a concordância unânime dos demais sócios para a cessão ou alienação das quotas de algum. por atividade empresarial alheia à sua condição de sócio da pessoa jurídica referida. Da Liquidação Já foi dito que a liquidação é um estágio do processo que leva à extinção da pessoa jurídica. O mesmo dispositivo ressalva a exclusão de sócio remisso. O acervo porventura resultante. que se processa no âmbito de um processo falimentar. convém ressaltar a exegese do art. a obrigação deste ou de seus herdeiros pelas obrigações sociais anteriores.1. 1. além das previstas na lei. 1.030 determina a resolução da sociedade por exclusão judicial de sócio. é preciso por conta da dificuldade imposta pelo art. parágrafo único. o sócio pode retirar-se da sociedade. simplesmente por decisão dos demais. 1. em qualquer dos casos de retirada. e aquela desenvolvida independentemente da instauração de falência. Se constituída por prazo determinado. previsto no art.029.026. Por último. que prevê. contado da averbação da resolução da sociedade.003. De outra forma. É o momento em que a sociedade previamente dissolvida passa a vender seu ativo. deve o leitor ficar atento à distinção entre a liquidação judicial.8. o parágrafo único do mesmo dispositivo acrescenta hipóteses de resolução da sociedade por exclusão de sócio considerada de pleno direito. desde que notifique os demais com antecedência mínima de sessenta dias.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 113 Série Impetus Provas e Concursos Por vontade própria. É o que ocorre quando o sócio for declarado falido. Além de todas essas hipóteses. 7. deverá ser distribuído aos sócios. ou seja. exclusão ou morte de sócio. Se assim não fosse. pelo mesmo prazo de até dois anos. que pode ocorrer de forma extrajudicial. porém igualmente passa . mediante iniciativa da maioria dos demais. enquanto não se requerer a averbação. Em seguida. à revelia de manifestação do Poder Judiciário. o contrato social pode prever outras hipóteses de retirada do sócio. 1. na proporção da participação do capital social. durante o prazo de dois anos.

para se perpetuar na função. sua destituição depende de simples deliberação. têm os sócios a opção entre a liquidação judicial ou extrajudicial. De outra forma. Da Liquidação Extrajudicial Dissolvida de pleno direito a sociedade pelas hipóteses previstas no art. entra em cena todo um regramento específico. em até quinze dias da investidura. pois. 7.033. se este não providenciar a liquidação judicial. passa ao Ministério Público a iniciativa ou. Neste caso. conforme a previsão do art. discriminou os deveres do liquidante que.033. desde que haja justa causa. livros e documentos da sociedade. 1. É claro que. inventário e balanço patrimonial. Também para a liquidação extrajudicial há disciplina específica.114 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel pela chancela do Poder Judiciário. ocorrendo justa causa. compete aos administradores providenciar a investidura do liquidante. que poderá ser sócio já designado no contrato social. O art. ou em caso de morte ou retirada de sócio. ou não-sócio. 1. 1. quando os demais não quiserem mais continuar o negócio. Em todo caso. conforme exposição no mesmo Capítulo 04.1.111 do Código Civil. Ambas possuem uma só finalidade. deve ser observado o disposto no Código de Processo Civil. bastaria o liquidante gozar de prestígio perante a maioria dos sócios representativos do capital social. quando se tratar de instituição financeira e assemelhada. tudo de acordo com o art.024/74. O liquidante cujo nome já conste no contrato social somente pode ser destituído por via judicial. será nomeado um interventor com poderes para tanto. Acontece que a primeira é regulada na própria Lei de Falências. se assim não fosse. pois. A exceção está na hipótese do inciso V do art. . de forma resumida. 1. abordada no Capítulo 04 desta obra. que é promover a alienação do ativo e o conseqüente pagamento do passivo.1. c) providenciar. se não requerida a medida judicial pelos sócios.103 do Código Civil. capitaneado pela Lei Federal no 6. a requerimento de um ou mais sócios. pode ele também ser destituído pela via judicial. b) arrecadar bens. sendo ele eleito pelos demais.037 do Código. pois faz parte do capítulo que regula a liquidação de todas as sociedades contratuais. 1. podem ser assim reproduzidos: a) averbar no registro próprio o instrumento de dissolução. e compõe uma das etapas do processo falimentar. que ainda prevê hipóteses para sua realização.8. enquanto para a outra. sempre quando se tratar de liquidação de pleno direito. neste caso. nós já estudamos que. que não é exclusivo para as sociedades simples.

1. Contudo. ato que. com desconto. receber e dar quitação. instruída com relatório e balanço do estado da liquidação. na atividade social. A ele compete representar a sociedade e praticar todos os atos necessários à sua liquidação. alienar o ativo. . confessar falência e requerer a recuperação judicial ou a extrajudicial. se aprovadas. pagar o passivo e distribuir o saldo com os sócios. provoca a extinção da sociedade. nos limites da responsabilidade de cada um. antecipa-se a partilha. inclusive alienar bens móveis e imóveis. e) chamar os sócios à integralização do capital social. o saldo remanescente será partilhado entre os sócios. transigir. Sobrando ativo. encerra-se a liquidação. embora para facilitar a liquidação. quando insuficiente o ativo. Se o ativo for superior ao passivo. Neste caso. g) em se tratando de sociedade empresária. Depois de quitados todos os credores. se a maioria preferir. nem prosseguir. nem contrair empréstimo. não precisa esperar a alienação de todo o ativo e a apuração dos haveres para começar a partilha. À medida que for aquele for sendo realizado. pagará os demais de forma proporcional. salvo quando indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis. f) convocar assembléia de quotistas a cada seis meses para prestação de contas. sem distinção entre vencidas ou vincendas. de forma similar ao que acontece na falência. salvo expressa previsão contratual ou autorização pelo voto da maioria dos sócios. No pagamento das dívidas.105. mas em relação a essas últimas. pode o liquidante dar preferência às dívidas vencidas. além de exigir as quantias necessárias. complementada com a averbação no registro próprio da ata da assembléia. não é permitido a ele gravar de ônus reais os móveis e imóveis. Ao final desse processo. o liquidante deve pagar inicialmente os credores por títulos preferenciais. Sempre que o liquidante utilizar o nome empresarial. como já foi mencionado.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 115 Série Impetus Provas e Concursos d) ultimar os negócios. i) averbar no órgão de registro o instrumento firmado pelos sócios que considerar encerrada a liquidação. este deverá vir seguido da expressão “em liquidação” e de sua assinatura individual. apresentar aos sócios o relatório da liquidação e suas contas. com a declaração de sua qualidade. cabe ao liquidante convocar assembléia de sócios para prestação de contas após o que. O liquidante assume responsabilidades similares às dos administradores da sociedade liquidanda. conforme a disposição do parágrafo único do art. h) ao final do processo.

. 1. 1. Fora esses dispositivo. é nomeado pelo juiz na própria sentença que decretar a dissolução. apensadas ao processo judicial. menos se já houver unanimidade em algum nome.033. incisos I e II. 1. sem extrapolar o montante de seu crédito ou propor contra o liquidante ação de perdas e danos.103. a contar da publicação da ata já averbada.8. porém. podem ser adotados pelas sociedades simples. A destituição do liquidante judicial é ato privativo do juiz. 7. com o saldo sendo restituído aos sócios. em se tratando de dissolução judicial provocada por uma das causas do arts. cujo nome já esteja presente no contrato social. é sempre bom repetir que.2. o juiz convocará. as sociedades limitadas e as anônimas ganharam tópicos específicos neste livro. em seus arts. Já o credor insatisfeito pode exigir de cada sócio valor correspondente a soma individualmente recebida em partilha. 657 a 674. é regulamentada pelo Direito Processual. Vejamos agora as principais características dos tipos societários reservados pela lei às sociedades empresárias que. para a ação que couber. se necessário.116 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Após a averbação. ou depois. Antes. ambos devem promover a alienação de todo ativo da sociedade visando ao pagamento dos credores. o leitor deve observar que. o sócio dissidente tem um prazo de trinta dias.112 do Código Civil chega a mencionar que. em cópias autênticas. embora referida em algumas passagens do Código Civil. devido à importância que representam. reunião ou assembléia para deliberar sobre os interesses da liquidação. sempre que tiver justa causa. estabelecendo que compete ao juiz a nomeação do liquidante cujo nome já conste do contrato social. claro. que poderá agir de ofício a requerimento de qualquer interessado. no curso da liquidação judicial. que será indicado em petição. 1. inciso V. Sendo este omisso. O art. Da Liquidação Judicial Essa forma de liquidação da sociedade. disciplina a liquidação judicial. à exceção daquelas cujos capitais se dividem em ações. As atas dessas reuniões serão. ou do art. resolvendo sumariamente as questões suscitadas. proporcionalmente à participação de cada um no capital social. conforme já frisado. Ademais. e as presidirá. a escolha deverá ser feita em assembléia de cotistas. Os deveres e obrigações do liquidante judicial pouco diferem daqueles especificados no art. o Código de Processo Civil de 1939.034. em caso de omissão do instrumento. o liquidante. na essência. pois.1.

cada sócio se responsabiliza pessoalmente pela parcela do capital social adquirido. a doutrina não é unânime em afirmar que se trata de uma sociedade de pessoas ou de capital. quando se tratar de atribuir responsabilidade por débitos sociais diante de credores que efetuaram negócios com a sociedade. caso não tivesse sido efetuado no ato constitutivo. que assumem responsabilidade solidária pelos débitos sociais. posto ser subsidiária). ao menos enquanto não for integralizado. Não percam de vista que. o acordo necessitaria de aprovação unânime.039 a 1. parece.2. Também o teor do art. Sua principal característica é a responsabilidade ilimitada e solidária dos sócios frente a terceiros (todos pessoas físicas) pelos débitos contraídos em nome da sociedade (claro que após exaurido o patrimônio social.044 do Código Civil de 2002. 997 do CC/2002. Percebam que a aplicação de teorias ou dispositivos legais que prevêem a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade para fins de atingir o patrimônio particular dos sócios. que cometerem atos fraudulentos. aí sim. que exige o consentimento unânime dos demais sócios para a cessão de quota social. decisivo nessa linha de raciocínio.003 do CC/2002. diante da própria pessoa jurídica da qual fazem parte. Essa é regra geral aplicada a todos os tipos sociais. É sociedade constituída por contrato escrito. Nesta hipótese. . quando da contratação da sociedade. já tornaram seus bens privados vulneráveis a possíveis perdas. até mesmo pelo caráter subjetivo que envolve essa classificação. tanto que a quantidade dessas empresas registradas nas Juntas Comerciais é ínfima. até mesmo para não descaracterizar o próprio tipo social. justamente de ver seus bens particulares comprometidos com dívidas oriundas da atividade econômica organizada. 1. Para essa responsabilidade. Em Nome Coletivo Tipo societário regulado pelos arts. Com tamanho risco assumido pelo empreendedor. De outra maneira.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 117 Série Impetus Provas e Concursos 7. cujas cláusulas essenciais estão discriminadas no art. perde o sentido. 1. uma vez que essas pessoas. Quanto à natureza. público ou particular. Aqueles que defendem tratar-se de sociedade de pessoas fundamentam a opção na forte ligação existente entre os sócios. não atingindo terceiros. Possível haver pacto de limitação da responsabilidade dos sócios. não há solidariedade entre eles. que somente seria eficaz entre eles. esse tipo social só poderia cair no atual desuso. aplica-se a regra da responsabilidade solidária.

o credor pode pleitear a liquidação. cujas cláusulas estão presentes no art. ou seja.043. ou similar. somente poderia ser admitida na hipótese de a sociedade constituída por prazo determinado haver sido prorrogada tacitamente ou. Nesta. a regra é distinta da aplicada às sociedades simples. Utiliza-se a expressão “e cia. anteriormente à dissolução da sociedade. a iniciativa do credor naquele sentido. se for alterado o contrato social para permitir o livre ingresso de novos sócios. assinado por qualquer sócio designado no contrato social.051 do Código Civil 2002. se o devedor não possuir outros bens.3.7. Quanto à possibilidade de credor particular de sócio pretender a liquidação da quota do sócio devedor. Em Comandita Simples Tipo societário regulado pelos arts. Pedro Bento e Cia. apurada em balanço patrimonial. 997. 1. no prazo de noventa dias da publicação do ato dilatório. porém adaptadas ao tipo social. 1. próprios para as sociedades simples. prevê o art.118 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel De outra forma. As normas para sua constituição são similares às da sociedade em nome coletivo.”. parágrafo único. é necessário o consentimento dos demais sócios.026. deste Capítulo. se empresária. há uma quebra do fator pessoal que envolve os membros da sociedade.1. 1. os seguidores de tese contrária o fazem por entenderem que. talvez não tenha finalidade prática a decisão de se guiar por uma ou outra corrente. para indicar a existência de sócios ausentes do nome.033 do CC/2002. pautando-se por contrato escrito. Neste caso. 1. que significa o pagamento por parte da sociedade de quantia proporcionalmente devida ao sócio retirante. no prazo de noventa dias da liquidação. aos que detenham plena capacidade civil e não sejam impedidos por leis especiais. que a importância seja depositada em juízo. Do confronto de posições. Seu nome empresarial será sempre firma social. A penhora da quota social obedece aos mesmos requisitos da cessão.045 a 1. . Exemplo: João Alves. o credor tenha promovido oposição judicial. a falência. parece-me mais plausível a primeira.1. 1. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios e. em se tratando de prorrogação por deliberação entre os sócios. Ainda assim. sobretudo quando invocamos a exegese do art.003. acrescentando-se. até o julgamento definitivo do feito. As razões para sua dissolução obedecem aos termos do art. conforme prevê o art. ainda assim. Já em relação à sociedade em nome coletivo. 7. que trata o tipo social como sociedade de pessoas. e que foram analisadas no item 7.

sem assumir a condição de sócio. é regida pela mesma Lei das Sociedades Anônimas. formado pelo nome civil de um ou mais sócios comanditados. estes nomearão administrador provisório que. não por contrato. Em Comandita por Ações Tipo societário cuja existência legal está prevista nos arts. respondendo tão somente pelo valor de sua quota. depois de esgotado o patrimônio social. uma vez que poucas pessoas se aventurariam a ser sócios comanditados. ou. ou similar.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 119 Série Impetus Provas e Concursos Caracteriza-se pela existência de duas categorias de sócios. de ser constituído procurador da sociedade para negócio determinado e com poderes especiais. Nesta situação. Quanto à natureza. irá praticar os atos de administração. A comandita por ações possui seu capital dividido em ações. 1. ainda.. pois prevalece a impessoalidade dos sócios. As regras para sua dissolução seguem as da sociedade simples. perdurar a falta de uma das categorias de sócio. comanditários. Esses sócios assumem a administração e a direção da pessoa jurídica e. acrescido da expressão e cia. 7. de acordo com o teor do parágrafo único do art. É sociedade de capital. para respeitar a subsidiariedade das obrigações. A administração deve ficar a cargo de comanditado que goze da plena capacidade civil. por mais de cento e oitenta dias.092 do Código Civil/2002. assim como a sociedade anônima. sem restrições decorrentes de impedimentos. salvo a faculdade de tomar parte nas deliberações. conforme reza o parágrafo único do art. 1. em detrimento à . possuem direitos e obrigações iguais aos dos sócios das sociedades em nome coletivo. ou de fiscalizar as operações. uns. daí seu caráter institucional. Da mesma maneira que as sociedades em nome coletivo. quando se atribui importância superior ao capital empregado na sociedade. pessoas físicas ou jurídicas. os comentários concernentes à sociedade em nome coletivo podem ser aproveitados.4. Os outros. mas com algumas diferenças.047. chamados de comanditados. essas também estão em desuso. obrigam-se como sócios ilimitada e solidariamente responsáveis perante terceiros. somente pessoas físicas. restando apenas os comanditários. para indicar existência de sócios ausentes do nome. são simples prestadores de capitais. 1. e é constituída a partir de um estatuto. com a peculiaridade de haver a dissolução quando. sob pena de assumirem responsabilidade de sócio comanditado. Não possuem qualquer ingerência na administração da sociedade. O nome empresarial será sempre firma social.046.090 a 1. Não obstante.

A Comissão de Valores Mobiliários manterá. à revelia do consentimento dos demais. Somente os valores mobiliários emitidos por companhia registrada nos termos deste artigo podem ser negociados na bolsa e no mercado de balcão. somente aos acionistas é permitido ocupar cargo de administração. 19: (. § 1o.) § 1o. que dispõe sobre o Mercado de Valores Mobiliários – MVM e a Comissão de Valores Mobiliários – CVM. se houver. a fim de atingir o patrimônio particular de sócios ou administradores que cometeram atos com abuso da personalidade jurídica. ou nos casos de débitos de natureza tributária. 21. não pode haver impedimento ao ingresso de outros sócios. Nela. Entretanto. ou seja. que assim expressa: Art. 21. Apesar de poderem organizar-se em assembléias. ou mesmo de novas ações. trabalhista ou previdenciária. salvo por maioria de dois terços dos acionistas. Diferentemente das anônimas. pelas dívidas contraídas. ou procederem à emissão de debêntures e partes beneficiárias. estes se tornarão responsáveis solidários pelas dívidas sociais.120 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel figura humana de cada um.385/76. continuam responsáveis pelas dívidas contraídas sob sua gestão. isso só pode acontecer em situações muito especiais. O nome empresarial pode ser denominação ou firma social. o que significa dizer que se permite ao sócio ceder. além do registro de que trata o art. pela integralização das ações por eles subscritas. . diferenciam-se das sociedades anônimas por não poderem lançar aqueles títulos no Mercado de Valores Mobiliários. Nas anônimas. conforme exposto no item próprio. esta será composta com o nome do sócio-administrador. A conclusão está arrimada no art... por extenso ou abreviadamente. Daí não poderem ser destituídos tão facilmente como naquelas. sempre acompanhado da expressão comandita por ações. Se for firma. sendo nomeados pelo estatuto. A responsabilidade dos sócios é similar à dos acionistas das sociedades anônimas. Constando nome de outros sócios. de forma subsidiária. da Lei Federal no 6. Neste caso. aquele sócio que desempenhar função de administração na sociedade ficará ilimitada e solidariamente responsável com os demais administradores. quando se desconsidera a personalidade jurídica da sociedade. alienar ou penhorar suas ações em favor de qualquer pessoa.

atuando em seu próprio nome. composta por um ou mais sócios chamados de participantes. Parte da doutrina chega até a deixá-la à margem do conceito de sociedade. personalidade jurídica nem mesmo sede ou estabelecimento. quanto à existência de conselho de administração e a autorização estatutária de aumento de capital e emissão de bônus de subscrição. Para o ostensivo. pessoas físicas ou jurídicas. cuja característica principal reside na ausência de personalidade jurídica. deve nomear representante. existe um pacto entre empreendedores e investidores. se forem abertas. Em Conta de Participação Tipo societário regulado pelos arts. em qualquer hipótese. Outra distinção reside na vedação contida no art. sob pena de assumirem responsabilidade ilimitada. entendendo tratar-se de um contrato. Uma. sob inteira responsabilidade de cada um. Trata-se de uma sociedade constituída por contrato. 284 da Lei no 6. capital. Observem que o sócio ostensivo é quem vai gerir o negócio.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 121 Série Impetus Provas e Concursos Logo. seu ato constitutivo seja levado a registro. como veremos adiante. serve à normatização da matéria o capítulo específico das sociedades simples. Compõe-se de duas categorias de sócios. conseqüentemente. é ele que aparece frente a terceiros. pois não possui nome empresarial. não seria a melhor orientação.5. Essa singularidade confere a ela o título de sociedade despersonificada. não há sequer a subsidiariedade em relação . inclusive porque o próprio Código Civil a insere no capítulo específico das sociedades. ainda que. conforme dispõe o art. unicamente às companhias ou sociedades anônimas é facultado o direito de negociar com títulos no Mercado de Valores Mobiliários.404/76. Sendo o ostensivo uma pessoa jurídica. 993. assim como prévia autorização para aumento de capital e. emissão de bônus para subscrição de novas ações. contudo. eventualmente. Significa afirmar que não é possível haver conselho de administração numa comandita por ações. que exercem a atividade constitutiva do objeto social em seus próprios nomes. Esta. 991 a 996 e. patrimônio. É uma forma social sui generis. A rigor. formada por um ou mais sócios chamados de ostensivos. no que for compatível com esses dispositivos. visando à realização de uma atividade econômica. desprovidos de qualquer ingerência no negócio social. A outra. verbal ou escrito. e assumindo responsabilidade ilimitada pelas obrigações contraídas. 7. pessoas físicas ou jurídicas.

mas do próprio sócio ostensivo. do Capítulo 04. credores da sociedade. Por isso. constitui-se crédito quirografário em favor do sócio participante. pode celebrar um contrato de participação com um ou mais sócios participantes que acabaram de adquirir um condomínio de apartamentos. então. ao mesmo tempo em que a conta será liquidada nos termos da legislação processual que rege a matéria. se empresário. pois. Tal especialização patrimonial somente tem efeito entre os sócios. facultando-se aos demais a fiscalização dos negócios. da forma como acontece para os outros tipos sociais. De outra forma. Não se inclui na proibição imposta ao participante o direito de fiscalizar a gestão social. quando é conferida a faculdade ao administrador judicial para escolher entre a rescisão. ele pode compartilhar da gestão social ou se mostrar diante de terceiros com ânimo de sócio ostensivo. em nenhum momento. passa a responder solidariamente com aquele pelas obrigações em que intervier. se quiser. do contrato. como vimos. Essa pessoa jurídica. pois os credores podem consumir todo o patrimônio do sócio ostensivo na satisfação de seus direitos. de forma ilimitada. . ou não. conforme exposto no item 1. a doutrina também o intitula de sócio oculto. responde exclusivamente a “Hotéis do Brasil Ltda”. Havendo saldo. que pode ser nenhuma. ao contrário dos anteriores. mas sempre diante do ostensivo. A lei proíbe ao ostensivo admitir outro sócio sem a concordância dos demais. ou seja. claro. Significa afirmar que ambas as categorias são livres para determinar a responsabilidade do participante. pois. Esse tipo social. com o propósito específico de administrar o empreendimento. No entanto. Já o sócio participante é mero prestador de capital. A contribuição do participante e do ostensivo constitui patrimônio especial. cabe cumprir as obrigações determinadas no contrato. Pelas obrigações decorrentes da gestão da sociedade em conta de participação. não depende de esgotar o patrimônio social. a responsabilidade ilimitada do sócio ostensivo para com terceiros.122 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel à sociedade. se o participante tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros. ou ilimitada. tanto com objeto civil como mercantil. uma sociedade já constituída que opera no ramo de hotelaria. é largamente utilizado. da forma estipulada no contrato. Vindo a falir o sócio ostensivo. a sociedade em participação será dissolvida. Aos participantes. o contrato de participação fica sujeito às mesmas regras dos contratos bilaterais. A responsabilidade do participante se opera exclusivamente em face do sócio ostensivo. na condição de sócio ostensivo. não é subsidiária. Percebam que a falência aqui tratada não é da sociedade. sob sua inteira responsabilidade. sob a denominação “Hotéis do Brasil Ltda”. Imaginem.9. tendo em vista ausência de personalidade jurídica da sociedade. sendo a falência do sócio participante.4.

2. devem pautar-se por certos princípios. que vai do art. direito de recesso.1. Esse conceito será melhor explicado a seguir. liquidação da cota de sócio falecido. tais dispositivos não são suficientes para exaurir todas as questões a ela relacionadas. a sociedade pode guiar-se pela Lei no 6. No entanto.1. e c) subsidiarem-se com o regramento das sociedades por ações. 1. bastando um único processo de prestação.087 do Código Civil. são questões de caráter contratual. atenção! Nem todos os assuntos podem ser regulados pela Lei das Sociedades Anônimas. nas omissões da lei. matérias atinentes à sua formação e dissolução serão sempre reguladas de acordo com as sociedades simples. e não havendo resolução da questão no próprio instrumento de contrato. É justamente por isso que os sócios podem lançar mão de três opções: a) livre estipulação contratual. Para a boa compreensão da matéria. podemos afirmar que o silêncio do contrato a respeito de determinado tema não-previsto no capítulo específico do Código permite a suplementação pelas normas da sociedade simples. pela clara natureza contratual. havendo expressa previsão contratual.037. ao menos naquilo em que o Código Civil for omisso. apesar de todos responderem solidariamente pela integralização do capital social. dentre outras. na forma da lei processual.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 123 Série Impetus Provas e Concursos Sua liquidação. 8.1. b) suplementar o tema com o capítulo próprio relativo às sociedades simples. . Mas. como tais. que têm as regras traçadas no Código. Conceito Define-se como a sociedade cuja principal característica é a limitação da responsabilidade de seus sócios ao valor das quotas adquiridas por cada um. conforme já mencionado. Contudo. rege-se pelas normas da prestação de contas. Logo. diferentemente das demais sociedades contratuais. 1.4.404/76. como acentuou Sérgio Campinho.1.052 a 1. ainda que haja mais de um sócio ostensivo. Regência A sociedade limitada rege-se pelos arts. pois não devemos esquecer que as limitadas são sociedades contratualistas e. no item 8. 997 ao art. quando abordaremos a responsabilidade dos sócios da limitada. Sociedade Limitada Disposições Preliminares 8. Assim. cláusula leonina e mora de sócio. 8. 8.

por sua vez. que. O Nome Quanto ao nome empresarial. não pode haver oposição de titulares de mais de 1/4 do capital social. o que caracterizaria uma importância demasiada à figura humana. quis o legislador (Lei no 6. invariavelmente. poderá ser uma firma social ou denominação denominação. Escolhida uma denominação. Logo. são de exclusividade das sociedades anônimas. previu que o sócio pode ceder suas quotas tanto a quem já seja sócio como a estranho. . alguns ou apenas um (nestes casos. 1. 8.385/76. em detrimento do capital. quando serão aproveitados todos. participante da operação.4. o art.057. expressão tornará responsáveis.A. deverá estampar o objeto da sociedade. os sócios podem contratar uma sociedade limitada cuja natureza seja de capital.1. com certeza teríamos que concordar que a sociedade limitada seria considerada de pessoa. Outras. Se a opção for por uma firma social. pois. A omissão desta limitada. como a emissão de títulos no Mercado de Valores Mobiliários. não precisa da anuência dos demais. desta forma.3.087 prescreve as mesmas hipóteses da sociedade em nome coletivo. Natureza Interpretações doutrinárias divergentes sempre surgiram quando tentamos determinar a natureza das sociedades limitadas.124 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel impossíveis de se submeterem à Lei das S. já aproveita as da sociedade simples acrescida da falência. em seu art. 8. No primeiro caso. acresce-se o termo “e cia. basta inserirem cláusula no instrumento que subtraia a faculdade de eles próprios limitarem a entrada de terceiros. mas apenas diante daquele credor específico. E não vem sendo diferente após o novo Código. os administradores que assim a empregarem. uma vez que. o mesmo dispositivo deixa claro que pode haver estipulação contratual diversa.1. Sobre a dissolução de pleno direito da sociedade limitada. Entrementes. No entanto. solidária e ilimitadamente. haveria a chance de os sócios obstarem o ingresso de novos componentes no quadro associativo.”). em ambas as hipóteses acrescido do termo limitada ao final. Este. se empresária. que criou a Comissão de Valores Mobiliários). apenas os nomes de sócios devem constar no nome empresarial. 1. Exemplo de denominação Frigorífico Ribeira Ltda denominação: Ltda. Se o dispositivo parasse por aí. se destinadas a terceiro.

conhecida como affectio societatis. desde que o menor não assuma função de gerência (administração da sociedade). devendo ainda o capital subscrito encontrar-se completamente integralizado. será assistido. aparece a obrigatoriedade de todos os subscritores do capital social contribuírem na sua formação. . Em se tratando de incapacidade civil absoluta. Nesta hipótese. as partes são livres para contratar outras cláusulas além daquelas previstas na lei. Há. Muitos desses requisitos. forma prescrita em lei. É que. objeto lícito e possível. como capacidade das partes. Neste caso. uma grande diferença entre um contrato e um estatuto de sociedade.2. Esse raciocínio vale também para o estatuto das sociedades estatutárias que. A ausência desses pressupostos leva à dissolução da sociedade. que poderão ser reunidos em dois grupos específicos. ou ao não-registro do instrumento. não prevêem limite para o quantitativo de sócios. o instrumento é nulo e gera a inexistência da pessoa jurídica. mas sem obedecer àquela parte do acordo. não havendo espaço para fixação de tema não constante da lei. esse tema encontra-se pacificado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. o desrespeito provoca a nulidade da cláusula. De outra forma. posto admitir a participação de número ilimitado de sócios. O primeiro traz as condições de validade de qualquer ato jurídico. o contrato deve obedecer a certos requisitos de validade. No grupo em referência.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 125 Série Impetus Provas e Concursos 8. se em fase de constituição. o estatuto social exige que os sócios sigam apenas as determinações legais. são igualmente exigidos quando se tratar de estatuto social. aliás. Para sua plena validade. a sociedade continua a existir. Se relativa. cabe uma observação a respeito da possibilidade de participação de menores no quadro social da limitada. Para esse grupo. pois nascem a partir de um contrato celebrado entre seus sócios. desde que não colidam com o texto legal. na feitura do contrato social. se já constituída. Não cumpridos esses primeiros requisitos no contrato social. contudo. assim como participarem do resultado social. O outro grupo de requisitos essenciais à plena validade do contrato diferencia-se do primeiro quanto à conseqüência advinda pelo seu descumprimento. Exprimem-se na necessária pluralidade de sócios na formação do capital social e na intenção deles em executar o objeto social. A doutrina salienta que o instrumento contratual que dá origem à sociedade é plurilateral e de estrutura aberta. assim como as contratuais. Existem ainda pressupostos de existência igualmente apropriados a todas as sociedades contratuais. não do contrato. Hoje. deve contar com representante na assinatura do instrumento do contrato. que admite o ingresso. Constituição As sociedades limitadas são contratuais.

a ineficácia da cláusula contratual não invalida o contrato. comprometendo. para deliberar assuntos escolhidos ou determinados por lei. inclusive. mantendo-se os efeitos já produzidos. Quanto aos pressupostos (pluralidade de sócios e affectio societatis). g) percentual de cada sócio nos lucros e nas perdas. De outra forma. Além de tudo isso. insuficientes os requisitos do primeiro grupo (capacidade das partes. d) informação sobre os administradores (em caso de omissão. pessoa física ou jurídica. b) duração da sociedade. nome etc. f) a quota com que cada sócio entrou para a sociedade. por se tratar de limitada: a) informações dos sócios. j) conforme o caso. não sendo razão de impedimento ao registro. Em outras palavras. o contrato deve trazer informações a respeito dos sócios e da própria sociedade. conforme dispõe art. expresso em moeda corrente. da mesma forma que geram efeitos distintos à falta de pressuposto. pois valerá a intenção contextual). podendo ser indeterminada (se por tempo certo. com as devidas adaptações. faltando requisito do segundo grupo (contribuição de sócio no capital social ou participação no resultado social). c) tipo adotado e objeto detalhado da sociedade. h) data de encerramento do exercício social. 1. à exegese do art. ainda assim a responsabilidade é limitada. previsão de assembléia ou reunião de sócios. i) cláusula de limitação da responsabilidade (veda-se registro de contrato sem essa informação.. se passar. forma prescrita em lei). pode ser declarada a nulidade do contrato. domicílio. 997 do CC/2002. seus efeitos entre os sócios. do CC/2002. todos os sócios podem gerir a empresa.013 do CC/2002). quando não coincidir com o ano civil.072. objeto lícito e possível. São as relacionadas no art.126 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que as conseqüências pelo não-cumprimento dos requisitos essenciais diferem entre si. possível prorrogação). como nacionalidade. 1. parágrafo 1o. e) fixação do capital social. . sua omissão provoca a dissolução da sociedade.

Diferentemente das ações. nas sociedades contratuais a quota social representa a unidade do capital social. mais influência ele terá nas deliberações sociais. enquanto o direito pessoal vem do status de sócio. A Quota Social Podemos conceituá-la como uma fração do capital social. Já as ações das companhias. . onde deve constar a participação de cada sócio. por encerrar um direito patrimonial e um direito pessoal. Se. A essa situação dá-se o nome de co-propriedade das quotas. indicado pelos demais. nas sociedades anônimas. a expressão do capital da companhia é o montante do valor nominal de todas as ações. são sempre representadas por papéis. do que se deduz que várias quotas podem ser de propriedade de um único titular. que lhe confere a possibilidade de participar das deliberações sociais e fiscalizar atos dos administradores. quando se forma um condomínio onde o representante (cabecel). os outros condôminos respondem solidariamente pela integralização do capital social (art. as quotas sociais podem ter valores nominais iguais ou não (art. O direito patrimonial materializa-se na participação nos lucros e acervo da sociedade.056). Não são representadas por cártula. à exceção das escriturais. 1.3. Sua natureza jurídica é de direito bifrontal. dentre outros. Mas uma quota pode ser de mais de um sócio? Sim. Quanto mais quotas um sócio possuir.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 127 Série Impetus Provas e Concursos QUADRO-RESUMO 8. inferindo-se que a prova do domínio vem do contrato social.055 do CC/2002). 1. Perante a sociedade. irá exercer os direitos de sócio.

057). O contrato. como. ficando a critério dos sócios decidir. por exemplo. não há prazo legal para a integralização. não há óbice legal no Código. . Antes dessa providência. A cessão. Também não existe percentual mínimo de integralização das quotas. não se pode contar o tempo (dois anos) para liberação da responsabilidade solidária do alienante perante a sociedade. Aplica-se a regra da caução. por ocasião da subscrição do capital social (nas sociedades por ações o mínimo é de 10%). A lei não admite. a contribuição em prestação de serviços. a livre alienação. 8. Gozam os sócios de preferência para novas subscrições (proporcional à participação). A cessão de quotas sociais é possível. Conceito O sócio quotista é o proprietário de parcela do capital da sociedade. qualquer credor quirografário pode opor-se a ela.1. a regra é similar à do parágrafo anterior. que é o ato de dar em garantia de pagamento por alguma prestação. a quota muda de titularidade. havendo perdas irreparáveis. pondo o termo no contrato social. A integralização pode ser feita em bens. por um dos motivos: a) após integralizado. tem que ser averbada.4. Em todo caso. Também pode haver a caução de quotas sociais. Sobre a penhora de quotas. desde que não haja oposição de sócios representativos de 1/4 do capital social. decorrente da falta de integralização das mesmas quotas. à revelia da concordância de outros sócios (art.081). o capital social pode ser aumentado. contudo. Não satisfeita a obrigação. para ser oponível à sociedade e a terceiros.128 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação à integralização das quotas. pode estabelecer de forma diversa. trata-se do principal dever que aqueles têm diante da sociedade. no caso das limitadas. b) se excessivo em relação ao objeto social (no prazo de noventa dias da publicação da ata de assembléia que aprovar a redução. que deve ser manifestada no prazo de trinta dias após a deliberação (art. desde que seu título seja anterior àquela data). direitos ou em dinheiro. 1. Após integralizadas todas as quotas. Pode ser pessoa física ou jurídica. Igualmente pode haver a redução do capital social. basta não haver oposição de 1/4 do capital social. Pois bem. com a alteração averbada. 1. e usufruirá do status de sócio.4. O Sócio Quotista 8.

Esse pode ser considerado como o principal compromisso que os subscritores do capital social assumem frente à sociedade. b) exclusão da sociedade. portanto. a desoneração só ocorre se não houver vício na coisa ou após a satisfação do crédito) e não mais pode ser considerado devedor perante ela.4. c) redução de sua participação. Devem. responderá perante a pessoa jurídica pelos danos emergentes da mora. sem que tenha adimplido sua prestação. 120 da Lei no 6. quando ele terá um prazo de trinta dias. 1. se a limitada tiver regência supletiva nas anônimas. devedores da sociedade. . Deveres dos Sócios Quando duas ou mais pessoas resolverem contratar a formação de uma sociedade limitada. pelo menos enquanto não promoverem a entrega efetiva dos recursos correspondentes à parcela do capital adquirida. ou mesmo bens ou créditos. o Código silencia. Mas não é o único. É claro que. se a venda for contra recebimento à vista de numerário. conforme art. além de buscarem agir com zelo e profissionalismo em relação às atividades desenvolvidas e. não pode haver obstáculo ao voto do sócio remisso. na visão da majoritária doutrina. Quanto à possibilidade de o sócio remisso ser tolhido em seu direito de voto. arcando com ônus proporcional à sua participação societária. situação em que.404/76. será alienado aos sócios e terá o nome de capital social subscrito subscrito. § 2o. Essa conseqüência pode traduzir-se em uma das seguintes hipóteses: a) cobrança da dívida acrescida dos encargos de mora. o sócio remisso poderá ter suspenso seu direito ao voto. do CC/2002. atenção! É necessário haver prévia notificação (notificação premonitória). o adquirente cumpriu a sua obrigação perante a sociedade (em se tratando de bens e direitos. mais. deverão ter em mente a quantia inicial necessária ao início das operações da empresa. participarem das perdas dos resultados sociais. caso detenha parcela já integralizada. Remisso será o sócio que faltar com sua prestação.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 129 Série Impetus Provas e Concursos 8. sobretudo. Mas. lealdade à pessoa jurídica no sentido de não cometerem atos que prejudiquem o fim por ela perseguido. fixado no contrato social. Os subscritores do capital social são. que não poderá ser feita na forma de prestação de serviços.055. findo o qual. Sérgio Campinho alerta que. conforme dispõe o art. Esse valor.2.

estando o capital completamente realizado. Ao contrário. os sócios podem ser compelidos a responder por obrigações originárias da pessoa jurídica. não haverá responsabilidade dos sócios pelas dívidas sociais. • OBRIGAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA – conforme dispõe o NATUREZA art. embora 100% do capital subscrito tenham sido integralizados. distribuído em mil quotas com valor de R$1. trezentas.620/93 a responsabilidade solidária dos sócios da limitada pelos débitos junto à Previdência Social. assume responsabilidade pessoal o sócio-gerente que descumprir a lei ou o contrato . estarão quitando suas dívidas diante da organização. a regra da limitação de responsabilidade comporta exceções. qualquer sócio pode ser compelido a fazê-lo. então. gerente ou não. se parcela do capital social ainda não foi realizada.052 do CC/2002 que a responsabilidade de cada sócio é limitada ao valor das quotas por eles subscritas. 135. quando todo o capital social subscrito ingressar na sociedade. De fato. sem se ater primeiro ao esgotamento do patrimônio da sociedade.000. Em outras palavras. Se João adquiriu quinhentas quotas. Isso se deve principalmente à maneira pela qual os sócios responsabilizam-se pelas obrigações sociais. o órgão da previdência pode cobrar a dívida diretamente do sócio. há que se respeitar a subsidiariedade em relação à pessoa jurídica. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. Imaginemos.4. Responsabilidade dos Sócios As sociedades limitadas gozam da preferência absoluta dos empreendedores brasileiros. inciso III.3. só se livram de responder pelas obrigações sociais contraídas. José. Em se tratando de administrador não-sócio. Pelo dispositivo. e Manoel. Significa dizer que.00 cada. ainda que sua parte já tenha sido satisfeita. No entanto. 1. 13 da FA o Lei Federal n 8. que João. José e Manoel tenham contratado a formação de empresa limitada. mesmo aquele que já tenha cumprido a sua parte. No momento em que aportarem recursos correspondentes à parcela do capital comprada (em dinheiro. as duzentas restantes. estes atos correspondem à subscrição do capital social feita por cada um dos quotistas e geram obrigação para eles perante a empresa. do Código Tributário Nacional. Isso acontece nos seguintes casos: • CRÉDITOS A FAVOR DA PREVIDÊNCIA SOCIAL – prevê o art. Não é à toa que mais de 90% das empresas registradas pelas Juntas Comerciais espalhadas pelo país são desse tipo. bens ou créditos). reza o art.00.130 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8. cujo capital social foi fixado em R$1. Contudo.

É justamente o que ocorre com os arts. quando a responsabilidade pelos atos ultra vires (aqueles que extrapolam os poderes do administrador) deve ser imputada não à pessoa jurídica. O leitor deve observar que não é o simples atraso no pagamento que provoca a responsabilização pessoal do administrador.012. que é possível os sócios responderem por atos fraudulentos cometidos sob o manto da pessoa jurídica. havendo omissão em relação a algum tema das limitadas. • CASOS DE DESPERSONALIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA – vimos. afastar a autonomia patrimonial da empresa. Os demais. que votaram contra ou abstiveram-se. não quitando dívidas fiscais junto à Fazenda Pública. mas ao próprio agente que os praticou. Também servem à hipótese os casos de positivação da teoria. a fim de atingir diretamente os bens dos sócios que cometeram tais atos. • ATOS PRATICADOS PELOS ADMINISTRADORES – a parte do Código PRATICADOS destinada a regular as sociedades simples traz hipóteses de responsabilização de seus administradores.015 trouxe grande inovação.2. através da qual se permite à autoridade judiciária. 1.016.015 e 1. que colidiu com o contrato. por solicitação da parte ou do Ministério Público. a exemplo do art. Para tanto. admite-se a suplementação do assunto pelas normas disciplinadoras da sociedade simples. no subitem 8. deste Capítulo.080 do CC/2002. já mencionados no item “4” deste Capítulo. o parágrafo único do mesmo artigo exige a materialização de uma das seguintes hipóteses: a) o . ao positivar a Teoria da Aparência. A melhor doutrina alerta que o efeito desse dispositivo restringe-se à operação específica. não são afetados. O art.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 131 Série Impetus Provas e Concursos social. É a Teoria da Despersonalização. no item 4 deste Capítulo. mas a mora injustificada. quando a empresa dispunha de recursos e o administrador optou por gastá-los em outras finalidades. 1. • DELIBERAÇÕES INFRINGENTES DO CONTRATO SOCIAL – pelo CONTRATO disposto no art. pelos atos que cometer antes de averbar o instrumento em separado de sua nomeação (sendo sociedade empresária. a aprovação de matéria contrária ao que dispuser o contrato social torna ilimitada a responsabilidade daqueles sócios que votaram a favor da deliberação. 1. que. em conjunto com a sociedade. o órgão é a Junta Comercial). 50 do Código Civil de 2002.1. O primeiro prevê a responsabilidade pessoal e solidária do administrador. Vimos. 1.

016 previu a responsabilidade solidária dos administradores. tem-se observado que a TRABALHISTAS Justiça do Trabalho vem desconsiderando a limitação da responsabilidade para cobrar dívidas trabalhistas diretamente no patrimônio dos sócios. Para tanto. ele terá duas opções. 1.4. através de relatórios apresentados ou. c) tratando-se de operação evidentemente estranha ao objeto social. sócio que não desempenhe a gerência da sociedade pode fiscalizar as ações dos administradores. mesmo. b) a ciência da limitação por parte do terceiro.132 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel registro competente da limitação. Direitos dos Sócios Aquele que resolve ingressar no quadro social de uma sociedade busca. O art. Em outras palavras. Diferentemente das outras exceções. respeitar-se-á a participação no capital social de cada um. É comum a configuração de prejuízo e. que se situa à margem do Direito positivo vigente. não há qualquer respaldo legal nessa atitude. pois a sua parcela no capital social suplanta a soma das demais. não mais compondo o quadro social. Esse é o objetivo maior do investidor e não pode ser tolhido sob pena de ineficácia da cláusula contratual. Também se permite a fiscalização da gestão dos negócios. se um sócio é detentor de 51% do capital social.4. 8. sobre as questões de interesse social. tem o sócio direito de afastar-se da sociedade. Mas os direitos dos sócios não se resumem apenas à participação no resultado social: eles também têm a faculdade de decidir os destinos da pessoa jurídica. deliberando. sua vontade normalmente irá prevalecer. que é o Conselho Fiscal. Nessas decisões. com direito de regresso contra seu administrador. Por último. colher frutos de seu investimento com o retorno do capital empregado. perante a sociedade ou terceiros prejudicados. por atos praticados com culpa no desempenho de suas funções. Claro que nem sempre a sociedade apresenta lucro a ser distribuído. todos os sócios deverão suportá-lo de forma proporcional à participação no capital social. de existência facultativa nas limitadas. • OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS – por último. evidentemente. neste caso. por meio de órgão criado para esse fim. a pessoa jurídica assume a responsabilidade frente ao terceiro prejudicado. ou seja. Uma é vender suas quotas a outro . seja na assembléia (obrigatória para as limitadas com número de sócios superior a dez) ou na reunião de sócios (facultativa para as limitadas com até dez sócios). Caso contrário.

desde que deliberada em assembléia ou reunião dos sócios. . prevendo o parágrafo 2o do art. Isso porque. É por isso que se diz que o Novo Código procurou proteger o sócio minoritário contra abusos dos majoritários. igualmente aprovada por maioria absoluta. pela pessoa jurídica. contado a partir da liquidação. mesmo se a companhia for por prazo indeterminado. a fim de barganhar suas cláusulas. Para isso. por falta grave. omisso o contrato. Também prevê o Novo Código a hipótese de exclusão extrajudicial de sócio por justa causa.030 e 1. 1. exige-se justo motivo quando a sociedade for contratada por prazo determinado. estranhos ao quadro social. sócio de outra empresa).031 o prazo de noventa dias para pagamento da quota liquidada. a fusão ou a incorporação. O primeiro dispositivo trata da exclusão por ação judicial movida por sócios representantes da maioria do capital social. mediante o reembolso. Sendo o contrato por prazo indeterminado. Basta ver a necessária previsão contratual para a exclusão extrajudicial. Nestas. mas na hipótese de o sócio ser empresário individual ou. antes mesmo de entrar para a sociedade. vejamos matéria referente à exclusão de sócio minoritário.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 133 Série Impetus Provas e Concursos sócio ou a terceiro interessado (neste caso. A outra possibilidade é chamada de direito de recesso e consiste na retirada do sócio. deve o minoritário. pois trouxe novas exigências para o ato. por falta grave. quando houver previsão expressa no contrato. até. não pode haver oposição de mais de ¼ do capital social). se forem declarados falidos (essa falência não é da pessoa jurídica aqui abordada. A título comparativo. situação em que só será permitida a retirada ao sócio dissidente de deliberação que aprove a modificação do contrato social. Certa permissividade em relação ao direito de recesso explica-se pela relativa dificuldade imposta ao ingresso de novos sócios. a manifestação de vontade do sócio. 1. Completando o tópico. após seu ingresso. ficará à mercê da vontade da maioria. sobretudo quando comparada às sociedades anônimas. Contudo. por não existir qualquer óbice à alienação das ações a terceiros. mesmo. do capital investido na empresa. observar o contrato social. podemos afirmar que o Código Civil de 2002 dificultou a exclusão de sócio minoritário. não será necessária uma das hipóteses para o exercício do direito de recesso bastando recesso.085 do CC/2002 a possibilidade de exclusão de sócios minoritários. o exercício do direito de recesso está diretamente relacionado à ocorrência de situações fáticas. previstas na Lei das Sociedades Anônimas. Prevêem os arts. por incapacidade superveniente e.

parágrafo 1o. o contrato deve explicitar se a gestão será exercida individualmente por cada um ou em conjunto. Sendo em momento posterior. é necessário haver permissão contratual. ou a várias. 1. ficando eles habilitados à prática de todos os atos que digam respeito à gestão empresarial. não importa se a nomeação foi via contrato ou através de ato separado: o quórum exigido é a unanimidade. nem mesmo se houver previsão contratual. sócio ou não. situação em que a eficácia dos atos dependerá da participação de todos. ainda que temporariamente. ou contra a economia popular. para haver nomeação através do contrato social. deve o gestor assinar no próprio contrato. peita ou suborno. a diretoria. ou por crime falimentar. que proíbe os poderes de gestão àqueles condenados a penas que vedem. Lembro que. . concussão. em qualquer caso. Se omisso o contrato. como em ato separado. que igualmente deverá ser averbado. A administração pode ser concedida a uma pessoa. entende-se que a direção tocará individualmente a cada um. com o capital social sem estar completamente integralizado. De outra forma. no mínimo (para sócio). que antes era possível. A nomeação de administrador. O administrador. Estando o capital já integralizado. não como administrador da sociedade. baixa para 2/3 dos votos representativos do capital social. vale o disposto no art.011. Administração da Limitada Com a entrada em vigor do Novo Código Civil. cuja alteração será averbada na Junta Comercial. o administrador-sócio foi nomeado no contrato social. de prevaricação. o quórum exigido é a maioria absoluta dos votos representativos do capital social. conforme a prática vem consagrando nas limitadas. a delegação dos poderes de gestão. Para tanto. esse ato decorreu do consenso entre os demais sócios. Por outro lado.134 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8. Se for em ato separado. Nesta última hipótese. não mais pode ser feita. desde o início da sociedade. será mediante termo de posse no livro de atas da administração. apenas. exige-se aprovação de titulares de 3/4. a administração da sociedade ou. Se a nomeação processar-se por meio do contrato social. mas sempre pessoa física (o CC/2002 vedou a gestão à pessoa jurídica). do CC/2002. Para administrador-sócio nomeado em ato separado. se for o caso. Se. peculato. o acesso a cargos públicos. O que se permite é a constituição de procurador para representar o sócio em atos específicos relacionados aos seus direitos como cotista. pode ser realizada tanto diretamente no contrato social. deixou de ser privativa de sócio. do capital social. sócio ou não. em se tratando de administrador que não seja sócio.5. deve ser nomeado no próprio contrato social ou em ato separado.

Regularmente nomeados. Diferente é a responsabilidade do administrador por interesse conflitante. contra a legislação de consumo. mas apenas em poder de regresso por parte da sociedade. O mesmo dispositivo prevê oposição a terceiros dos excessos cometidos pelos administradores.016. conforme prevê o art. fé pública ou propriedade. perante a própria sociedade ou frente a terceiros prejudicados. É a positivação da Teoria da Aparência. ele pretender deliberação que o favoreça pessoalmente. b) provando-se que era conhecida do terceiro. 1. hoje o sistema legal brasileiro já prevê essa possibilidade. quando não for do objeto social. prevista no art. ou mesmo com culpa em não atender aos seus deveres de diligência e lealdade com a pessoa jurídica. os administradores podem praticar todos os atos que digam respeito à gestão social. No entanto. normalmente. É o que acontece se.017. e votando a favor de decisão que venha prejudicar a pessoa jurídica. Restrição existe para venda de bens imóveis. tomando conhecimento. contra as normas de defesa da concorrência. Por último. previdenciária e trabalhista dos administradores. se negligenciarem em descobrir ou. não posso deixar de evidenciar a responsabilidade tributária. que só poderá ser processada com autorização da maioria do capital social. Sendo sócio. pelo menos enquanto durarem os efeitos da condenação. já que esta assumiria a responsabilidade diante de terceiros. isso para não repetir todas as hipóteses já comentadas no item 8. o administrador não pode ser responsabilizado por atos regulares de gestão que necessariamente deve cometer para exercer a função. se presente uma das seguintes situações: a) se a limitação de poderes estiver escrita ou averbada no registro próprio da sociedade. agindo com excesso. salvo estipulação contratual diversa (art.015).5 deste Capítulo: . salvo se com ele forem coniventes. aquele que extrapola a competência legal do administrador. logicamente a depender da especificação dos poderes estipulada no contrato. 1. em detrimento do interesse da sociedade. 1. não tentarem inibir sua prática. no trato de determinado negócio. Importante realçar que a responsabilidade deve ser imputada ao administrador que cometeu o ato com culpa. ou seja. antes. não sendo extensiva aos demais. c) tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. que prevê a exoneração da pessoa jurídica por ato ultra vires. Percebam que.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 135 Série Impetus Provas e Concursos contra o sistema financeiro nacional. tais atos não podiam ser imputados diretamente ao administrador que os cometesse. pode ser responsabilizado solidariamente com outros. Se. assumirá a responsabilidade dos prejuízos sofridos pela sociedade.

Contudo. se for em ato separado. 135. por débitos junto à Seguridade Social. 8. o ato deve ser averbado em até dez dias seguintes à ocorrência. que tem imputado aos administradores a responsabilidade por débitos de origem trabalhista. . A renúncia é ato volitivo do administrador. do CTN prevê a responsabilização do administrador por dívidas tributárias não recolhidas. mas dos sócios da sociedade limitada. e de mais da metade do capital social. Isto porque as sociedades anônimas são mais apropriadas para grandes empreendimentos. Assim. permitindo-se estipulação contratual diversa. o parágrafo único do mesmo artigo dispõe sobre a responsabilidade quando a omissão decorrer de culpa ou dolo. quando recursos tiver a sociedade. Se. Em se tratando de administradores não-sócios. III. que regulava as limitadas. o que vem decidindo a Justiça do Trabalho. enquanto as outras ficam com os negócios de importância relativa inferior. a Diretoria. o Conselho Fiscal e. • previdenciária – o art. no antigo Decreto no 3. o administrador não deve responder por dívidas trabalhistas. que exigem um controle e uma organização muito mais complexos. Sua eficácia perante terceiros terá validade a partir da averbação na Junta. 13 da Lei no 8. isso não impede que a limitada adote estrutura similar à das sociedades anônimas. temos a assembléia de quotistas. até o Conselho de Administração. entretanto.6. se preferirem os sócios. Órgãos da Limitada Geralmente. a sociedade limitada possui estrutura bastante simplificada. Tendo sido em ato separado. A destituição de administrador-sócio que tenha sido nomeado no contrato social reclama aprovação de 2/3 do capital social. violação do contrato ou da lei. Cessa o exercício da função de gestão com a destituição ou com a renúncia. Quando se tratar de não-sócio. com órgãos de administração e fiscalização. a menos que tenha agido com abuso de poder.136 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • tributária – o art.708/1919. em se tratando de nomeação através do contrato. que se materializa com a comunicação por escrito aos demais representantes da pessoa jurídica. o Código Civil de 2002 trouxe a forma como deve esse tipo societário organizar-se. • trabalhista – a princípio. o quórum exigido para destituição é de 3/4 do capital social. será necessária aprovação de mais da metade do capital social. Em todos os casos. Não é. quando comparada com as anônimas. não havia referência aos órgãos da sociedade.620/93 prevê a responsabilidade não apenas dos administradores.

além dos membros do Conselho Fiscal. as decisões podem ser tomadas em reunião de sócios Possui atribuições sócios). pedido de concordata (foi substituída pela recuperação judicial ou extrajudicial) e incorporação. sendo qualquer número em segunda convocação. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. modificação do contrato social. simples. além de outros assuntos não previstos na lei. assim como para dissolução da sociedade por prazo determinado. Já as deliberações devem obedecer aos seguintes números: – unanimidade do capital social para designação de administrador nãosocial. o quórum mínimo previsto na primeira convocação é de sócios representativos de 3/4 do capital social. Nesta hipótese.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 137 Série Impetus Provas e Concursos • ASSEMBLÉIA DE QUOTISTAS – É órgão competente para decidir a QUOTISTAS estratégia geral dos negócios. dois terços do capital social para designação de administrador não– social. a exemplo da aprovação das contas dos administradores. Realiza-se pelo menos uma vez por ano. – maioria absoluta para designação de administrador sócio quando procedida absoluta. com o capital não totalmente integralizado. antes de atingido aquele. com o capital já integralizado completamente e para a destituição de sócio administrador. • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO – É órgão de existência facultativa. quando nomeado pelo contrato social. fusão e dissolução da sociedade. Desta forma. – maioria simples para a aprovação das contas dos administradores. dissolução da sociedade contratada por prazo indeterminado ou cessação da liquidação. destituição de administrador não-sócio ou não-nomeado no contrato.071 do CC/2002. 1. tanto na instalação como nas deliberações. sócio. autorização de concordata (a partir da Lei no 11. leia-se recuperação judicial ou extrajudicial). Forma-se com a participação dos quotistas e é obrigatória nas limitadas com número de sócios superior a dez (se inferior. elencadas no art. em ato separado. fusão. é preciso a sociedade constituir-se sob a regência de uma sociedade anônima. incorporação. Para tanto. os membros do conselho deverão submeter-se aos mesmos requisitos . para instalação.101/05. – três quartos do capital social para modificação do contrato social. social. Para que suas decisões tenham validade. fixação de suas remunerações. raramente encontrado numa limitada. é necessário respeitar número mínimo de sócios. sócio. designação quando em ato separado e destituição dos administradores.

exige-se aprovação unânime dos demais. e escolhidos entre sócios ou não. Os gerentes representam a sociedade e a obrigam pelos seus atos regulares de gestão. Para facilitar o entendimento. com suplentes em igual número. . é composta por sócios (se eleitos no contrato social.138 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel exigidos para os da sociedade por ações. estando o capital social já integralizado). é necessária aprovação de mais da metade do capital social) ou não-sócios que administram a sociedade (neste caso. responsável por acompanhar os atos dos administradores. se o capital não estiver todo integralizado. desde que tenham residência no país e não ocupem assento em outro órgão da sociedade. Todos devem ser residentes no país. eleitos pela assembléia ou em reunião de quotistas. • CONSELHO FISCAL – É órgão de fiscalização dos negócios. pelo menos. e de 2/3. nem sejam seus empregados ou administradores. vejamos o quadro-resumo a seguir. cuja existência é facultativa. • DIRETORIA – Também chamada de gerência. precisa da aprovação de 3/4 do capital social. três membros. Compõe-se de. ou de outra por ela controlada. Suas atribuições e poderes não podem ser outorgados a outros órgãos. se em ato apartado.

raramente encontrado numa limitada.CAMPUS ASSEMBLÉIA DE QUOTISTAS QUOTISTAS Órgão de representação da limitada. porém. podendo o contrato conferir ao conselho de administração poder originário da assembléia. residentes ou não no Brasil. com existência obrigatória. Compõe-se de três membros. eleitos e destituíveis pela assembléia. Possui atribuições para opinar a respeito dos relatórios anuais dos administradores. ou cessação da liquidação. Suas atribuições estão discriminadas no art. cuja existência é facultativa. todos sócios. Seus atos obrigam a sociedade tanto interna como externamente. • autorizar o pedido de concordata. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. responsável por executar seu objeto. destinada a resolver todos os negócios de interesse da sociedade. Órgão de fiscalização dos negócios da sociedade. além de prestar parecer nas demonstrações financeiras. É órgão máximo de deliberação. destituir e aprovar as contas dos administradores e membros do conselho fiscal. Colegiado de caráter deliberativo. quando em ato separado. dentre sócios ou não. mas residentes no país. eleitos e destituíveis pela assembléia. além de parentes até terceiro grau dos administradores. as decisões podem ser tomadas em reunião de sócios Acontece sócios). Possui existência obrigatória em todas as sociedades limitadas com número de sócios superior a dez (até dez. com suplentes em igual número. a fim de trazer agilidade às decisões. com permissão do próprio contrato. CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DIRETORIA CONSELHO FISCAL Capítulo 2 — Direito de Empresa Reunião de quotistas. 139 Série Impetus Provas e Concursos . Suas decisões não têm força de obrigar a sociedade para com terceiros. fusão e dissolução. Não se permite participarem membros de órgão de administração e empregados da pessoa jurídica. fiscalizando seus atos e denunciando irregularidades.071 do CC/2002: • designar. • autorizar a incorporação. todos residentes no país. com existência facultativa. podendo ser convocada em outra época qualquer. Compõe-se de sócios ou não. Compõe-se de um mínimo de três membros. Deve obedecer ao seguinte quórum: para instalação – 3/4 do capital social em primeira convocação e qualquer número em segunda. dentre outras. 1. São eleitos pela assembléia. Suas atribuições geralmente são originárias da assembléia. são transferidas ao conselho. • modificar o contrato social.

incorporação e fusão. sócio ou não. cessação da liquidação e dissolução da sociedade por prazo indeterminado. no caso de o capital já se encontrar totalmente realizado e destituição de administrador sócio. • 2/3 para designação de administrador não-sócio. • maioria simples para aprovação das contas dos administradores. ou dissolução antes do prazo determinado. expulsão de sócio por justa causa e destituição de administrador.140 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos deliberação: para deliberação • 100% do capital social para indicar administrador não-sócio (quando o capital não estiver todo integralizado). quando feita em ato separado. e demais assuntos que não exijam quórum qualificado. . que tenha sido nomeado no contrato social. autorização de concordata. • 3/4 para alterar o contrato social. • maioria absoluta para designação de administrador sócio. que não tenha sido nomeado pelo contrato social. fixação da remuneração dos administradores.

para sua composição. por isso. sociedades de capital. igual valor nominal. Tecelagem João Batista etc. em regra. sendo alienado apenas aos fundadores. Admite-se. podendo ser qualquer um.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 141 Série Impetus Provas e Concursos 9. adquirem todo o capital social por eles mesmos fixado. ofertando à venda parte do capital social (ações) que eles não puderam ou não quiseram adquirir. 9. São. mesmo. Entretanto. a presença de nome de sócio fundador ou de outro que tenha contribuído com o sucesso da companhia. que pode ser uma escritura pública lavrada em cartório ou. pois o mais importante é o capital. Daí ser desnecessário alterar-se o estatuto social a cada ingresso ou exclusão de sócio. a sociedade nasce: .A. ou com a participação de outros investidores. 9. Independentemente da opção escolhida. Constituição Quando duas ou mais pessoas pretenderem fundar uma sociedade anônima. à ordem pública e aos bons costumes.1. O nome empresarial será apenas uma denominação. Exemplo: Tecelagem João Batista S. denominadas ações. quando falamos da aquisição ou subscrição do capital social. a ata da assembléia de constituição.. a companhia sempre terá início a partir de um documento escrito. A impessoalidade dos sócios é própria desse tipo social. Em decorrência da modalidade de subscrição do capital social. esta pode acontecer de duas maneiras: • por subscrição particular – quando a totalidade do capital social inicial é comprada apenas pelos fundadores. a título de homenagem. não sendo possível impor barreiras ao ingresso de novos sócios. sendo por isso consideradas institucionais. O objeto da sociedade anônima será definido em seu estatuto. Companhia Tecelagem João Batista. • por subscrição pública – quando acontece a oferta das ações ao público. Numa. acompanhado de uma das expressões companhia ou sociedade anônima.2. Caracteriza-se por apresentar seu capital dividido em partes de. por extenso ou abreviadas. S. Assim como as sociedades em comandita por ações. fazem apelo ao público em geral.404/76. Noutra.A. reunidos em assembléia de fundadores. Sociedades Anônimas Disposições Preliminares Tipo societário regulado pela Lei no 6. constituiem-se a partir de um estatuto. Em qualquer caso. desde que não contrário à lei. poderão fazê-lo de duas formas. não as qualidades pessoais dos acionistas. a companhia será sempre empresária.

aliená-la a qualquer interessado. o mercado de balcão opera com uma ou outra forma. tanto a sociedade como o dono da ação. pessoa jurídica nacional). assim como da unipessoalidade incidental (hipótese prevista tanto no Código Civil de 2002 como na Lei das Sociedades Anônimas. apenas com ações que se transferem de um acionista para outro (mercado secundário). ainda que emitam esses títulos. mas sem o apelo popular. Já o mercado de balcão compõe-se das sociedades corretoras e instituições financeiras que. Poderão. enquanto as fechadas. posto ser o exercício da atividade livre a qualquer um que satisfaça as condições. enquanto a primeira não trabalha com novas ações emitidas pelas companhias (mercado primário). mas realizado fora da bolsa. à exceção da subsidiária integral (sociedade anônima cujo capital encontra-se totalmente nas mãos de um único acionista. • aberta – com a oferta pública das ações. A Lei no 6. processarem a oferta via mercado de valores mobiliários. de títulos das companhias autorizadas pelo Governo Federal (não é autorização para funcionar. Ao classificar as companhias entre abertas ou fechadas. executam o trabalho de oferecimento público dos valores disponibilizados pelas sociedades anônimas. Aqui cabe uma digressão a respeito do Mercado de Valores Mobiliários. o art. mas a permissão para o oferecimento público). igualmente. pela qual a sociedade fica temporariamente com . Este compreende a bolsa de valores e o mercado de balcão. debêntures e bônus de subscrição. por meio de agentes muitas vezes designados pelas pessoas jurídicas. o que não é possível é as companhias assim classificadas outrem.404/76 previu ainda a necessidade de a companhia obedecer aos seguintes requisitos para correta constituição: • pluralidade de pessoas – é condição comum a todos os tipos de sociedades previstos no Direito brasileiro. A bolsa e o mercado de balcão diferem quanto ao produto. através de uma autarquia conhecida como Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A bolsa é uma instituição de Direito Privado que facilita o intermédio. Importante o leitor perceber que o fato de a sociedade ser considerada fechada não significa que ela ou os titulares dos valores mobiliários não possam vendê-los a outrem Em absoluto. como ações. ficando adstritas a contatos pessoais com os compradores (a qualquer tempo a companhia pode passar de uma a outra categoria).142 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • fechada – com o capital social inteiramente nas mãos dos fundadores. não usufruem da mesma oportunidade. 4o da Lei das Sociedades Anônimas estabelece que as primeiras são as que têm seus valores mobiliários. pois. admitidos à negociação no Mercado de Valores Mobiliários.

não podendo a penalidade ser superior a dez por cento do valor da prestação. se em direitos. por exemplo. de pleno direito. quando a sociedade for instituição financeira). no mínimo. seja no momento de sua fundação ou em período posterior. Idêntico raciocínio pode ser construído para a segunda hipótese. conforme fixação no estatuto. do capital subscrito – significa dizer que pelo menos 10% do capital subscrito deverão ser alienados à vista (50% é o percentual exigido. se alguém comprar ações de outro sócio. conforme previsto no art. • depósito bancário – a parte do capital social vendida à vista deverá ser depositada em instituição financeira autorizada pelo Banco Central do Brasil. a transação pode ser efetivada com o pagamento à vista de numerários ou. pela satisfação do crédito). quando. temos: • arquivamento do ato constitutivo – o estatuto social deverá ser arquivado na Junta Comercial. mediante o pagamento do valor pactuado entre as partes. o acionista só deixa de ser devedor da sociedade. quando detentor de parcela do capital social que tenha sido totalmente realizada. do aumento do capital social. sujeitando-se à cobrança de juros e multa. perante a sociedade. 106. o sócio permanece devedor. pela quantia não realizada do capital social. parágrafo 2o. mesmo. Como formalidade complementar à constituição. bens e direitos (sendo com bens. Entretanto. mesmo que tenha quitado sua obrigação com a parte alienante. . caso aquelas ações estejam sem a completa integralização (a lei prevê responsabilidade solidária entre vendedor e comprador dos títulos). situação pela qual nenhuma obrigação mais poderia ser cobrada do subscritor. ou seja. continua responsável frente à sociedade. que poderá acontecer até a próxima reunião da assembléia geral ordinária. outra seria a aquisição de ações negociadas diretamente com outro acionista. 9. responsabiliza-se o subscritor por vícios na coisa.3. quando for a sociedade regida pelo Código Civil). Na primeira hipótese. até o ingresso de outro. ou no prazo de cento e oitenta dias. Sócio que não cumprir a obrigação deverá. sendo o negócio realizado a prazo. Em resumo. • realização de 10%. Deveres dos Acionistas Há duas formas de entrar para o quadro social de uma sociedade anônima. em se tratando de sociedade anônima.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 143 Série Impetus Provas e Concursos um único sócio. ser constituído em mora. Uma é subscrevendo parcela do capital da empresa.

por sua vez. em assembléia geral ou reunião do conselho de administração. assim como o não-pagamento de obrigações trabalhistas ou previdenciárias. 3 – quantia acordada entre vendedor e comprador das ações (valor negocial valor negocial).A. Neste último caso. valor 5 – valor fixado pela própria sociedade (preço de emissão emissão). é fixado quando da fundação da companhia. permanentemente. 2 – resultado da divisão do patrimônio líquido pelo número total de ações (valor patrimonial valor patrimonial). Verificada a mora do acionista. dentre outros. Outra opção posta à disposição da pessoa jurídica contra o acionista remisso é a venda das ações em bolsa de valores. operação realizada por conta e risco do acionista. ficam isentos de responder perante terceiros pelas obrigações assumidas em nome da pessoa jurídica.144 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que a disciplina das sociedades anônimas dispensa a prévia notificação do sócio inadimplente. aspecto que estudaremos em tópico específico. Outros deveres. que a sociedade pode promover execução contra o sócio remisso. são normalmente imputados aos administradores.004 do CC/2002. 1. Responsabilidades dos Acionistas A responsabilidade dos acionistas é limitada ao preço de emissão das ações subscritas. mesmo se o seu ativo for insuficiente para saldar todas as suas dívidas. como: 1 – resultado da divisão do capital social pelo número total de ações emitidas (valor nominal valor nominal). baseado em observações econômicas (valor econômico ou de mercado mercado)..4. São exceções a essa regra as hipóteses de desconsideração temporária da personalidade jurídica. 9. enquanto que o efeito da desconsideração da pessoa jurídica atinge o(s) sócio(s) praticante(s) de ato(s) fraudulento(s). servindo o boletim de subscrição ou o aviso de chamada expedido pela companhia como título executivo. a medida cabível é a redução do capital social. o débito é imputado ao acionista controlador (aquele que tem. o zelo e a correta utilização das informações sobre a companhia. É que estas podem ser valoradas de variadas formas. da forma como acontece nas sociedades contratuais. Não se confunde com qualquer outro valor atribuído às ações. preço . prevê o art. junto à companhia. Caso não obtenha sucesso. 4 – montante estipulado por analistas de mercado. para fins de ser ele considerado remisso. Uma vez pago. 107 da Lei das S. ou depois. O preço de emissão das ações. como a lealdade. o preço de emissão das ações adquiridas. no próprio estatuto social. conforme consta do art. maioria de votos nas deliberações e usa seu poder para dirigir a companhia) solidariamente com os administradores.

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Em que pesem as muitas maneiras de enxergar o valor de uma ação, serve à definição da responsabilidade do acionista o preço de emissão. É dele que se permitirá indicar a existência de acionista remisso (inadimplente com a sociedade). Observem que competente para decidir a respeito da fixação do preço de emissão é a própria sociedade, através de seus membros. Estes deverão estar atentos à avaliação que a companhia alcança no mercado, para não emitirem ações com preço muito acima (hipótese na qual dificilmente conseguiriam vendê-las) nem abaixo (para não provocar uma diluição do patrimônio dos demais sócios) do que realmente valem. 9.5. Direitos dos Acionistas

Os acionistas gozam de direitos atribuídos pela lei ou pelo estatuto. São prerrogativas do tipo: fiscalizar a gestão dos negócios, votar nas deliberações da assembléia, colher dividendos proporcionais ao capital investido etc. A fim de facilitar o entendimento, iremos separá-los em duas categorias. A primeira é composta pelos direitos essenciais (os que não podem ser suprimidos), ao passo que a outra compõe-se dos não-essenciais (podem ser suprimidos). Desta forma, são considerados direitos essenciais, segundo o art. 109 da Lei o n 6.404/76: • participação no lucro e acervo da companhia – permite-se a retenção de lucros produzidos pela sociedade, desde que atinja todos os acionistas. Quanto ao acervo, este só se verifica em momento posterior à liquidação, quando é apurada a sobra porventura existente; • fiscalização da gestão – veremos, em seguida, que a administração da sociedade é concedida aos membros da diretoria e, se houver, do conselho de administração. Essas pessoas têm atribuições de conduzir os negócios da sociedade, praticando atos em nome da pessoa jurídica, que trarão repercussões para a vida social. Aos demais acionistas cabe fiscalizar a atuação desses agentes, afinal seus investimentos estão em jogo. O órgão competente para tanto é o conselho fiscal. Mas o acionista não precisa ficar adstrito a ele. Pode acessar livros sociais (desde que titular de, pelo menos, 5% do capital social), observar a prestação de contas dos administradores, além de outros instrumentos; • preferência na compra de valores mobiliários – no momento em que a companhia resolver colocar à venda novas ações ou, mesmo, debêntures, partes beneficiárias e bônus de subscrição (conversíveis em ações), tais títulos devem ser oferecidos inicialmente aos acionistas, que terão prazo de trinta dias para se manifestarem. Só após esse tempo, sem que tenha sido aproveitada a preferência, é que podem ser ofertados a terceiros;

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• direito de retirada – também conhecido como direito de recesso. Consiste no pagamento, por parte da sociedade, ao acionista dissidente de deliberação da assembléia geral na qual tenha sido parte discordante. Não é qualquer decisão contrária ao seu posicionamento, mas aquelas previamente definidas em lei. Assim, se a assembléia deliberou a mudança do objeto social ou a participação em grupo de sociedades, por exemplo, permite-se ao acionista que votou contra retirar-se do quadro social, mediante o pagamento do valor patrimonial das ações, a ser feito pela própria pessoa jurídica. A essa operação confere-se o nome de reembolso. Observem que o exercício desse direito não depende de autorização dos outros sócios; basta a materialização da hipótese legal para o seu exercício. Além desses direitos essenciais, existem outros que, diferentemente dos primeiros, permite-se serem negados ao acionista. Serve como exemplo o direito de voto nas assembléias gerais, que pode ser proibido aos detentores de partes das ações preferenciais (é espécie de ação caracterizada por conferir aos seus titulares direitos diferenciados, como prioridade na distribuição de dividendos e no reembolso do capital investido, mas podem não dar direito a voto). Sobre o tema, o art. 120 prevê a supressão, por parte da assembléia geral, de direitos aos acionistas que se encontrem em débito para com a companhia. É claro que os direitos aqui referidos não podem ser nenhum dos considerados irrenunciáveis, mas outros, a exemplo do direito a voto aos acionistas ordinários. 9.6. Administração da Companhia

A condução dos negócios de uma sociedade anônima compete a dois órgãos componentes de sua estrutura. Um é a diretoria, cuja existência é obrigatória; outro é o conselho de administração, obrigatório apenas nas de capital aberto, nas sociedades de economia mista (aquelas nas quais a maior parte do capital social pertence ao setor público, enquanto outra parcela está nas mãos da iniciativa privada) e nas de capital autorizado (sociedades cujos estatutos contêm, além da definição do capital subscrito, uma autorização para futura subscrição e conseqüente aumento de capital). Nas demais, a existência de conselho de administração é facultativa, ficando a critério dos próprios acionistas decidir sobre a matéria. Ambos os órgãos compõem-se de pessoas naturais. Do conselho somente participam acionistas, enquanto que a diretoria pode reunir sócios ou não. Em todo caso, são esses agentes que irão efetivamente administrar a companhia, sendo, portanto, considerados seus administradores.

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Relacionado a esse tema, o ponto que desperta o maior interesse da doutrina é a definição da responsabilidade dos administradores. O art. 158 da Lei no 6.404/76 estabelece que os administradores não são responsáveis por atos regulares de gestão, ainda que tragam prejuízo à pessoa jurídica. Responderão, contudo, quando procederem com culpa ou dolo, mesmo que no âmbito de seus poderes, ou quando violarem a lei ou o estatuto social. É a chamada responsabilidade subjetiva do agente, diante da empresa prejudicada. Desta forma, durante o período em que está à frente dos negócios, o administrador precisa tomar decisões, celebrar contratos, realizar operações, muitas vezes definindo o destino da organização. Evidente que ele, mesmo se cercando dos cuidados e diligências necessárias, pode cometer erros de previsão, quando determinado resultado seja aquém do esperado. Nesta hipótese, ainda que seu ato incorra em dano patrimonial à companhia, ele não fica obrigado a indenizá-la. Entretanto, se agiu irregularmente, extrapolando os limites de seus poderes, ou, mesmo, de forma negligente, imprudente ou com imperícia, ou, ainda, buscando aquele resultado danoso, estará passível de indenizar a sociedade, mediante ação de responsabilidade civil prevista no art. 159, interposta pela própria companhia, após deliberação da assembléia geral. Na inércia da pessoa jurídica, permite-se a qualquer acionista a iniciativa pela ação, desde que decorridos três meses da assembléia que deliberou pela sua impetração. Outrossim, ainda que contrária à decisão da assembléia, acionistas que representem pelo menos 5% do capital social poderão fazê-lo. Complementa a exegese do art. 158 a responsabilidade por omissão no cumprimento de deveres impostos por lei para assegurar o correto funcionamento da companhia. Significa dizer que o administrador que não providenciou determinada licença junto a um órgão público, por exemplo, pode responder perante a sociedade por prejuízo sofrido pela pessoa jurídica, oriundo da ação governamental no exercício de seu poder de polícia. Neste ponto, o mesmo art. 158 em análise faz uma diferença quanto às sociedades fechadas ou abertas. Sendo companhia de capital fechado, a responsabilidade pelo descumprimento de dever imposto por lei é solidária por todos os administradores, ainda que de áreas de atuação que não digam respeito especificamente àquela onde se deu a omissão. Escapa da responsabilidade o administrador de outra área que consignar, em ata de reunião do órgão do qual participe, sua divergência em relação à atuação omissiva. Por outro lado, em se tratando de sociedade de capital aberto, a solidariedade alcança apenas os administradores que tenham funções correlatas. Livram-se estes se consignarem em ata de reunião do respectivo órgão, desde que comuniquem a divergência à assembléia geral.

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Conclui-se que os administradores de sociedade de capital fechado devem ficar ainda mais vigilantes em relação à atuação dos demais, já que correm risco de responder solidariamente por omissões dos outros. Percebam que a responsabilidade tratada neste tópico é do administrador perante a companhia da qual participe, não diante de terceiros prejudicados. Isso acontece porque, na disciplina da Lei da Sociedades por Ações, não há previsão de o administrador de sociedade por ela regida responder diretamente por danos provocados a terceiros decorrentes de atuação sua. Seguindo aquele diploma, é a pessoa jurídica quem tem obrigação de ressarcir terceiros prejudicados, cabendo-lhe direito regressivo contra o administrador, desde que configuradas hipóteses legais. No entanto, a partir do que estabelece o art. 1.089 do Código Civil, que prevê a regência supletiva das disposições do código para as sociedades anônimas, o art. 1.015 veio suprir uma lacuna da Lei no 6.404/76, ou seja, da combinação de ambos possibilita-se a responsabilização direta do administrador que provocou danos a terceiros, conforme exposto no item específico tanto das sociedades simples como das limitadas. 9.7. Órgãos da Companhia

Na busca em realizar seu objetivo, a sociedade anônima necessita estar organizada, com suas funções distribuídas por órgãos específicos, assim conhecidos: • ASSEMBLÉIA GERAL – reunião dos acionistas competentes para resolver todos os negócios de interesse da companhia. Pode ser: ordinária – acontece sempre nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, para tratar de assuntos rotineiros, relacionados no art. 132, quais sejam: tomar as contas dos administradores e votar as demonstrações financeiras, deliberar sobre destinação do lucro e distribuição de dividendos, eleger administradores e membros dos conselho fiscal, além de aprovar a correção da expressão monetária do capital social; extraordinária – acontece a qualquer época, servindo para decidir temas não-rotineiros, tais como: reforma do estatuto, transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, autorização aos administradores para confessar falência ou pedir concordata (esse instituto foi substituído pela recuperação judicial ou extrajudicial), criação de partes beneficiárias, entre outros. Geralmente diz-se que os assuntos concernentes à AGE são determinados por exclusão, ou seja, não sendo nenhum daqueles discriminados no art. 132, compete à assembléia extraordinária.

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Para a legalidade das deliberações de uma assembléia, existem certas formalidades a serem seguidas, como forma de convocação, lavratura das atas e número mínimo de acionistas. O quantitativo de presentes é importante em dois momentos. No primeiro, avalia-se a presença de acionistas para iniciar a reunião. Depois, a quantidade necessária à aprovação das matérias. Logo, tem-se que respeitar os seguintes quóruns: para instalação – a regra geral é a presença de acionistas que representem pelo menos 1/4 do capital social com direito a voto, na primeira convocação. Não atingido esse número, vale qualquer percentual em segunda convocação. Se o objeto da reunião for a reforma do estatuto, eleva-se a representatividade do capital social a 2/3, pelo menos, na primeira convocação, sendo qualquer número na segunda; para deliberação – a regra geral é a maioria dos acionistas com poder de voto presentes à reunião, respeitada a proporcionalidade de participação no capital social de cada um. Versando o assunto sobre matérias constantes do art. 136 da Lei no 6.404/76 (fusão, cisão, participação em grupo de sociedades, mudança de objeto etc.), é necessário voto da metade representativa do capital social. Unanimidade será necessária para aprovar a transformação da companhia, salvo se prevista no estatuto. • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO – órgão de deliberação colegiada obrigatório nas S.A. de capital aberto, de capital autorizado e nas de economia mista. Compõe-se de, pelo menos, três membros, todos sócios, segundo o caput do art. 146 da Lei das Sociedades Anônimas, residentes ou não no país, eleitos e destituíveis pela assembléia. O art. 142 elenca as atribuições desse órgão, dentre elas: eleger e destituir diretores, fixando suas remunerações; promover orientação geral dos negócios e fiscalização da gestão dos diretores, além de deliberar, quando autorizado pelo estatuto, a emissão de ações e bônus de subscrição. A finalidade da existência do conselho é conferir maior agilidade a decisões originárias da assembléia, porém não-privativas, repassadas por delegação. • DIRETORIA – é órgão de representação da companhia, além de ser responsável pela execução de seu objeto. Compõe-se de, pelo menos, dois membros, acionistas ou não, mas com residência no país, eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo conselho de administração ou, se não houver, pela assembléia. Na sua composição, admite-se até um terço dos membros do conselho de administração. São eles que irão efetivamente administrar a companhia.

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Direito Comercial — Carlos Pimentel

• CONSELHO FISCAL – órgão de fiscalização dos negócios da empresa, com atribuições previstas no art. 163, dentre elas, opinar sobre relatório anual da administração, fiscalizar atos dos administradores; denunciar aos órgãos de administração erros, fraudes ou crimes que descobrirem etc. Compõe-se de, no mínimo, três a, no máximo, cinco membros, além de suplentes em igual número, eleitos pela assembléia, entre acionistas ou não (não podem participar integrantes de outros órgãos da administração). Pode funcionar de forma permanente ou apenas nos exercícios nos quais houver pedido de acionistas (nas sociedades de economia mista, seu funcionamento é permanente). O quadro na folha seguinte facilita a compreensão da matéria.

CAMPUS

ASSEMBLÉIA GERAL

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DIRETORIA CONSELHO FISCAL

Capítulo 2 — Direito de Empresa

Reunião de acionistas da companhia. É órgão máximo de deliberação, podendo o estatuto conferir ao conselho de administração poder pertencente à AG, menos os descritos no art. 122, por serem de sua competência privativa, tais como: reforma do estatuto, eleição no conselho fiscal, emissão de debêntures etc. Pode ser: ordinária – acontece sempre nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, para tratar de assuntos rotineiros descritos no art. 132, como tomar contas dos administradores, votar as demonstrações financeiras, deliberar sobre destinação do lucro, eleição dos administradores e membros do conselho fiscal; extraordinária – realizada em qualquer época para tratar de temas não-rotineiros, como reforma do estatuto, emissão de debêntures e partes beneficiárias, mudança de objeto, transformação, autorização aos administradores a confessar falência ou pedir concordata etc.

Colegiado de deliberação, com existência facultativa, salvo nas sociedades anônimas de capital aberto, de capital autorizado e nas de economia mista. Suas atribuições estão no art. 142 da Lei das S.A. Geralmente, são originárias da assembléia geral, porém, a fim de trazer agilidade às decisões, são transferidas ao conselho, com permissão do próprio estatuto, senão, vejamos: deliberar sobre a emissão de ações e bônus de subscrição (exigível autorização estatutária), orientação geral dos negócios, eleição e destituição dos diretores, além de auditores independentes, se houver. Suas decisões não obrigam a companhia para com terceiros. Compõe-se de três membros, todos sócios, residentes ou não no Brasil, eleitos e destituíveis pela assembléia geral.

Órgão de representação da companhia, obrigatório em todas as sociedades anônimas, responsável pela execução de seu objeto. Seus atos obrigam a companhia, tanto interna como externamente. Compõe-se de, pelo menos, dois membros, acionistas ou não, residentes no país, eleitos e destituíveis pelo conselho de administração ou pela assembléia geral. O mandato é de três anos, permitida a reeleição.

Órgão de fiscalização dos negócios da companhia, obrigatório em todas as sociedades anônimas, mas de funcionamento permanente facultativo, salvo nas de economia mista. Sua função é opinar a respeito dos relatórios anuais dos administradores, fiscalizando seus atos e denunciando incorreções, além de prestar parecer nas demonstrações financeiras. Compõe-se de três a cinco membros, com suplentes em igual número. São eleitos em assembléia geral, dentre acionistas ou não, mas residentes no país. Não podem participar do conselho membros de órgão de administração, empregados da companhia ou parentes até terceiro grau dos administradores.

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Para reforma do estatuto. passando à metade do capital social com direito a voto (em ambos se respeita a participação de cada sócio no capital social).152 Série Impetus Provas e Concursos O quórum obedece às seguintes regras: para instalação – em primeira convocação. e qualquer número em segunda. são 2/3 do capital social votante. vale qualquer número. salvo se houver no estatuto. Unanimidade é para a aprovação de transformação. 136. 1/4 do capital social com direito a voto. Em segunda. para deliberação – a regra é a maioria dos acionistas com poder de voto presentes à reunião. Excetuam-se as hipóteses do art. Direito Comercial — Carlos Pimentel .

em se tratando de companhia aberta. Esse ato possui natureza impositiva. a finalidade é reduzir a pulverização do capital social. a sociedade adquire ações pertencentes aos sócios. partes beneficiárias e bônus de subscrição. exceto em algumas situações muito especiais previstas nos arts. se autorizado pela assembléia geral. Conceito A fim de captar recursos. começa a pagar aos sócios valores que somente seriam devidos quando partilhassem o acervo social. além de ser proprietário de um bem de fácil negociação. à sociedade proíbe-se negociar com ações por ela emitidas. seus novos adquirentes passam a titularizar direitos frente à empresa. podendo. sob pena de nulidade do ato). Não há qualquer óbice ao direito de o acionista vender suas ações. O titular de uma ação de qualquer espécie. torna-se acionista da sociedade.A. . pelo menos na regra geral. inclusive. o acionista não pode opor-se a ele. ou até tornar a companhia fechada. 44 e 45 da Lei das S. ordinárias ou preferenciais. com redução ou não do capital social. observando disciplinamento do estatuto. estudadas adiante. Se tiverem.8. Ações São unidades do capital social e seu número será fixado pelo estatuto da companhia. a lei nega a possibilidade de a companhia adquirir dos sócios suas próprias ações. posto que a sociedade.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 153 Série Impetus Provas e Concursos 9. posto que. obrigatoriamente os valores individuais serão iguais (não se permite a emissão de ações por preço inferior ao seu valor nominal. Uma vez negociados. desde que já se encontre com um percentual mínimo de 30% de integralização. prevendo sua futura liquidação. São quatro os tipos de papéis: ações. confere-se às sociedades por ações o direito de emitir e alienar títulos no mercado. Em outras palavras. a fim de retirá-las definitivamente de circulação. são substituídas pelas de gozo ou fruição.. Para essa operação. se a sociedade for fechada. que vai estabelecer se elas terão ou não valor nominal. No entanto.8. trata-se de uma distribuição de quantias em favor dos acionistas a título de antecipação. 9.2.8. senão vejamos: • resgate – através dessa operação. não pode haver redução do capital social. Aqui. ou 10%. decidir os destinos da companhia. debêntures. Valores Mobiliários 9. Esses papéis constituem verdadeiros instrumentos na canalização de numerário necessário à realização do projeto empresarial.1. Na realidade. • amortização – é o adiantamento feito a acionista participante do acervo social cujas ações.

as ações reembolsadas ficarão em tesouraria pelo prazo máximo de cento e vinte dias. e com prioridade no recebimento. sem direito a voto. 15 da Lei das S. pelo menos. reduz-se o capital social. ações preferenciais sem direito a voto ou com restrição desse direito somente podem ser admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários se a elas for atribuído pelo um dos seguintes direitos: a) aos dividendos distribuídos correspondentes a. limitou em 50% do número total de ações emitidas o quantitativo de ações preferenciais sem direito a voto ou com restrição nesse direito. • ações em tesouraria – é outra forma de a sociedade negociar com suas próprias ações. exceto a legal e. prerrogativa que conservarão até que tais pagamentos sejam feitos. pelo prazo fixado no estatuto. São espécies de ações: • ordinárias – são de existência obrigatória em todas as sociedades por ações. no mínimo.5 deste Capítulo). não ordinárias. tais como voto na assembléia e recebimento de dividendos. e no reembolso do capital social. 202. necessariamente. De outra forma. fixos ou mínimos. Se. 3% do valor do patrimônio líquido da ação. garantindo-se. O parágrafo 2o do art. que não poderá ser superior a três exercícios consecutivos.A. 25% do lucro líquido. com recursos provenientes dos lucros ou reservas.154 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • reembolso – é a operação pela qual a sociedade adquire ações de sócio que esteja praticando o direito de recesso (ver item 9. b) ao . O valor do reembolso poderá ser pago à conta de lucros ou reservas. Nesta condição. Ocorre quando ela adquire tais títulos para permanência em tesouraria. os acionistas não forem substituídos. calculado na forma do art. 111 garantiu aos acionistas preferenciais sem direito a voto a aquisição desse direito quando. suprimem-se direitos inerentes ao titular das ações. Sua propriedade confere direitos de participação nos lucros e acervo da companhia. enquanto o restante fica em igualdade de condições com as ordinárias. aqui entendidas de todas as espécies. • preferenciais – além de outros direitos definidos na lei. nesse caso. O art. neste período. ser composta de preferenciais. além do direito de voto. Significa afirmar que é facultado às companhias emitirem até a metade de suas ações. Só que a metade sem esse direito deverá. Faculta-se ainda terem poder de voto. a sociedade não pagar dividendos fixos ou mínimos. conferem prioridade na distribuição de dividendos.

no registro próprio. Na forma. inclusive. e sua propriedade importa em registro no Livro de Ações Nominativas. as quais podem ser escriturais ou. Contudo. nas condições previstas no art. vedando-se a separação por classes. registradas. • de gozo ou fruição – apesar do pouco uso. 32 e 33. ou c) de serem incluídas na oferta pública de alienação de controle.021/90. Na verdade. O art. ao mesmo tempo em que retira de circulação ações de sua emissão. foram revogados pela Lei no 8. Nesta situação.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 155 Série Impetus Provas e Concursos recebimento de dividendo. 34 admite a emissão de ações a serem mantidas em conta de depósito aberta em nome do acionista. No entanto. são empregadas na substituição de ordinárias ou preferenciais. parágrafo 1o. pelo menos 10% maior que o atribuído a cada ação ordinária. 254-A. De outra forma. conforme a doutrina vem consagrando. as ações dessa forma também são nominativas. as ações podem ser: • nominativas – possibilitam a identificação de seus titulares. faz-se registro no mesmo livro. que previam a emissão de ações endossáveis e ao portador. restringiu tal separação às ações ordinárias de companhia fechada e às preferenciais da companhia aberta ou fechada. que todas as ações devem ser nominativas. de sorte que as ações ordinárias das sociedade anônima de capital aberto devem atribuir a seus titulares o mesmo conjunto de direitos. pertencente à sociedade. emitem-se ações de gozo ou fruição. respeitando-se os mesmos direitos que eram concedidos às substituídas. portanto. A circulação delas se processa por meio de lançamento contábil na conta específica. 15. prevê como forma das ações apenas as nominativas. por ação preferencial. 20. a pessoa jurídica amortiza parte de sua dívida com os acionistas. consta o nome do proprietário. de acordo com os direitos que conferem a seus titulares. os arts. o art. . pois. • escriturais – são aquelas que não possuem certificados. Sua principal finalidade é a redução de papéis na companhia. Para que os beneficiários não fiquem sem títulos representativos da pessoa jurídica. assegurado o dividendo pelo menos igual ao das ações ordinárias. quando a companhia resolver antecipar aos titulares desses dois tipos de ações valores a que eles só teriam direito por ocasião da liquidação da sociedade. pois são mantidas em conta de depósito numa instituição financeira autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários. Quando são alienadas. Permite-se a divisão das ações em classes. o art. além da transferência da cártula. Conclui-se.

desde que previsto no estatuto e mediante capitalização de reserva criada para esse fim. 9. O debenturista não é sócio. com intuito de amealhar recursos para seu caixa. direito de um titular desse título é contra parcela de lucro da companhia (não se permite comprometimento de percentual superior a 10% no pagamento de partes beneficiárias). Se a sociedade não apresentar resultado positivo. mas credor da sociedade. b) exigência de nacionalidade brasileira do acionista. . 46. Proíbe-se ao seu titular exercer direito privativo de acionista. A deliberação para emissão de debêntures é de competência privativa da assembléia geral e o valor total da emissão não pode ser superior ao capital social. c) direito de voto em separado para o preenchimento de determinados cargos de órgãos administrativos. Em se tratando de debêntures sem garantia ou subordinada. inciso IV.4. a atribuição para emissão pode ser delegada ao conselho de administração. parágrafo 1o.8. conforme a combinação dos arts. 16 que podem ser de classes diversas em função de: a) conversibilidade em ações preferenciais.156 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em se tratando de ações ordinárias de companhias fechadas. Partes Beneficiárias Constituem outra categoria de títulos emitidos pelas sociedades anônimas de capital fechado. prevê o art. As partes beneficiárias podem ser alienadas pela companhia. apesar de sua escritura de emissão poder prever a conversibilidade em ação. permite-se sua conversão em ação. contudo.8. Debêntures São títulos igualmente emitidos pelas sociedades anônimas. Caracterizam-se por ser estranhas ao capital social e por conferir aos seus proprietários direito de crédito apenas eventual contra a companhia ou seja. haver mais de uma classe ou série de partes beneficiárias (art. seu proprietário simplesmente não terá valor a reclamar. 9. 122. o companhia. e 59. acionistas (como vantagem adicional de classes de ações) ou a prestadores de serviços (por retribuição de trabalhos realizados). ou podem ser atribuídas gratuitamente a fundadores. parágrafo 4o). empréstimos feitos por ela junto ao público. desde que autorizada pela assembléia geral.3. cuja propriedade confere direito de crédito contra a companhia pois representam verdadeiros companhia. Proíbe-se. No entanto.

estes gozam do direito de preferência para adquirir o bônus. Há quatro espécies desse título: • com garantia real – conferem a seu titular uma segurança maior no recebimento de seu crédito. quando seu titular terá seu crédito classificado junto a outros com privilégio geral geral.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 157 Série Impetus Provas e Concursos O art. ele será apresentado simultaneamente ao pagamento do percentual mínimo do preço de emissão das ações. anticrese) sobre determinado bem. 53 permite a emissão de debêntures de mais de uma série. • subordinada – esta espécie aparece ainda abaixo da anterior. de competência privativa da assembléia.8. mas pode ser atribuído gratuitamente como vantagem adicional a titulares de debêntures. A deliberação para sua emissão compete à assembléia geral. na ordem de subordinada prioridade de satisfação dos créditos. portanto. • sem garantia – não gozam de qualquer privilégio. Bônus de Subscrição Esse título pode ser emitido toda vez que a sociedade resolver lançar novas ações no mercado. posto estarem garantidas por um direito real (penhor. é uma forma de seu titular garantir prioridade na aquisição de novas ações. em caso de falência. ações ou partes beneficiárias. Apesar de não ser uma faculdade restrita aos acionistas. sendo também conhecida por subquirografária.5. Se alienado. Não se trata. Na verdade. até determinado limite de autorização). . hipoteca. em função dos direitos conferidos ao titular. assim como é a deliberação a respeito de debêntures e partes beneficiárias. Normalmente é alienado pela companhia. É de uso exclusivo das companhias de capital autorizado (aquelas em cujo estatuto já consta previsão para futuro aumento do capital subscrito. ficando seu titular situado na mesma situação dos credores quirografários. se o estatuto não atribuir tal aptidão ao conselho de administração. 9. seu adquirente deverá desembolsar o preço fixado. Por ocasião da subscrição das novas ações. • com garantia flutuante – a maior garantia desta espécie só se materializa em caso de falência da sociedade emissora.

9. 176: . c) Registro de Partes Beneficiárias Nominativas e Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas. por exemplo. prevê o art. conseqüentemente. a Lei no 6. d) Atas das Assembléias Gerais. e de Registro e Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas podem ser substituídos por registros mecanizados ou eletrônicos A respeito do acesso às informações constantes dos livros. previstas no art. quando apontados atos violadores da lei ou do estatuto. cabe ao interessado recurso à Comissão de Valores Mobiliários. tornou obrigatória às sociedades anônimas a manutenção dos seguintes livros: a) Registro de Ações Nominativas. Sim. g) Atas e Pareceres do Conselho Fiscal. permitindo-se à companhia cobrar o custo do serviço. Em se tratando de companhias abertas. ordenada judicialmente. os Livros de Registro e Transferência de Ações Nominativas.10. especialmente em seu art. porque há aquelas que não possuem conselho de administração ou que não emitem partes beneficiárias. obrigatório a todos os empresários. ou haja fundadas suspeitas de graves irregularidades na atuação dos órgãos da sociedade. Para tanto. Demonstrações Financeiras Ao final de cada exercício social. a diretoria da companhia fará elaborar as seguintes demonstrações financeiras. 105 a exibição por inteiro dos livros da companhia. Livros Sociais Além do Livro Diário. e. dispensam tal escrituração. 9. o parágrafo 1o do mesmo art. Na hipótese de indeferimento do pedido. pessoas físicas ou jurídicas. b) Transferência de Ações Nominativas. f) Atas das Reuniões do Conselho de Administração e Atas das Reuniões da Diretoria. 100.404/76. Evidente que nem todos esses livros são de uso obrigatório a todas as companhias. devem se destinar à defesa de direitos e ao esclarecimento de situações de interesse pessoal ou dos acionistas ou do mercado de valores mobiliários. a pedido de acionistas que representem 5% do capital social. e) Presença dos Acionistas. 100 garante a qualquer pessoa o fornecimento de certidões dos assentamentos constantes dos livros citados no parágrafo anterior.158 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9. ainda sobre o acesso à escrituração da companhia. conforme exposto no item 11 do Capítulo 1. De outra forma.

Disposições Preliminares Na definição de sociedade. a partir da discriminação das receitas e despesas. até chegar no lucro ou prejuízo líquido do período. mesmo. ninguém ingressa no quadro social de sociedade pensando em perder.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 159 Série Impetus Provas e Concursos a) balanço patrimonial. negativo. a exemplo do lucro do exercício. quando todos terão que suportar proporcionalmente a perda. da realização do capital social ou dos recursos de terceiros. 981 do Código Civil. redução do passivo etc. os dividendos. aquisição de ativo imobilizado. Já o patrimônio líquido representa o resultado da equação do ativo subtraído do passivo. Lucros. A demonstração do resultado do exercício exprime o resultado positivo ou negativo da companhia. c) demonstração do resultado do exercício. No passivo estão contabilizadas as obrigações. além das transferências para reservas. Por último. as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício. os ajustes dos exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial. posta no art. igualmente classificadas em ordem decrescente de exigibilidade. Reservas e Dividendos 9. pois é da essência daquela pessoa jurídica a busca pelo lucro. 9. . b) demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados reflete o desempenho social. a demonstração das origens e aplicação de recursos. seja no pagamento de dividendos.11. o legislador deixou claro que as pessoas que dela resolvem participar o fazem na intenção de partilhar o resultado obtido. Contudo. É claro que esse pode ser aquém do esperado ou. passivo e patrimônio líquido da companhia. O balanço patrimonial deve apresentar as contas de ativo. a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. indicando basicamente as fontes dos recursos. indicando o saldo do início do período. dispostas na ordem decrescente do grau de liquidez.11. d) demonstração das origens e aplicações de recursos. É no ativo que se localizam as contas representativas de bens e direitos da companhia. um instrumento capaz de expor as modificações na posição financeira da companhia. assim como da utilização dos mesmos.1.

estabeleceu que. somado com as reservas de capital referidas no parágrafo 1o do art. antes de qualquer participação. do art. exceder em 30% o capital social. Do que sobrar após a feitura dessa equação. o parágrafo 1o. 9. será este último montante o seu limite máximo. 190 a necessária dedução das participações estatutárias de empregados. 193 permite a não-constituição da reserva legal naquele exercício em que o seu saldo. 182. 189. Por lado. nessa ordem. antes de qualquer outro encaminhamento. senão vejamos: a) reserva legal. É por essa razão que somente pode ser usada para compensar prejuízos ou aumentar o capital social. c) reservas para contingências. Somente após todas essas reduções. Constitui-se com a destinação obrigatória de 5% do lucro líquido. trazem as formas de reservas a serem constituídas por companhia. b) reservas estatutárias. d) retenção de lucros.2. este será absorvido pelos lucros acumulados. administradores e partes beneficiárias. chega-se ao lucro líquido do exercício. f) reserva de capital. o art. 189 da Lei das S.Reservas As reservas são justamente a parcela do lucro líquido do exercício não distribuída aos acionistas. conforme a natureza da reserva.A. prevê o art.160 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Partindo dessa premissa. do resultado do exercício. 193 a 200. Sendo a soma superior ao capital social em 30%. De outra forma. Isso acontece por várias razões. base para a constituição das reservas e pagamento de dividendos aos acionistas. da Lei das S.A.11. . A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social. havendo prejuízo no exercício. nessa ordem (art. Portanto. Os arts. explicitando natureza e modo de criação. parágrafo único). se o produto da aplicação desse percentual sobre o lucro líquido ultrapassar o valor equivalente a 20% do capital social. serão deduzidos os prejuízos acumulados e a provisão para Imposto de Renda. basta somar o saldo de ambas as reservas constantes do patrimônio líquido e comparar o montante com o capital social. está a companhia desobrigada de destinar parte do lucro para a reserva legal. e) reserva de lucros a realizar. No entanto. pelas reservas de lucros e pela reserva legal.

d) incorporação ao capital social. por proposta dos órgãos de administração e. parágrafo 5o. As reservas de lucros a realizar são aquelas formadas em função de lucros que. . e) pagamento de dividendo a ações preferenciais. b) no resgate. As reservas para contingências são criadas para compensar. d) doações recebidas e subvenções para investimento. 198 limita a formação desse tipo de reserva. Apesar da faculdade conferida.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 161 Série Impetus Provas e Concursos As reservas estatutárias. Desta forma. a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável. têm previsão na lei. 17. em exercício futuro. nos termos do art. apesar de obrigada ao pagamento do dividendo legal aos acionistas. Por fim.A. reembolso ou compra de ações. sejam todos destinados à formação das reservas de capital. de que trata o art. a exemplo da reserva destinada ao pagamento de debêntures. somente irão ingressar no caixa da sociedade em exercícios futuros. 202. que os recursos que ingressarem na companhia a título de: a) ágio na emissão de ações. parágrafo 1o. previu o art. Desta forma. por proposta dos órgãos de administração e. A diferença entre um e outro valor será a soma da reserva. depende de deliberação da assembléia geral. A sociedade pode proceder à retenção de lucros para investimentos. conforme dispõe o art. apesar de não integrarem o capital social da sociedade. é uma atitude prudente por parte da sociedade. que são formadas por contas que. embora contabilizados. no exercício em que deixarem de existir as razões de sua criação ou que ocorrer a perda. Desta forma. c) resgate de partes beneficiárias. as reservas de capital. Para tanto. será revertida. da mesma forma que as reservas estatutárias. seria temerário à sociedade distribuí-los a partir de recursos que efetivamente ainda não deram entrada. se previstas tal vantagem no estatuto social. 202. por ocasião de futuros prejuízos. cujo valor possa ser estimado. a fim de evitar abalo em sua saúde financeira.. Uma vez constituídas as reservas de capital. pelo menos até não prejudicar a distribuição de dividendos obrigatórios aos acionistas. conforme o nome sugere. mas a criação é feita por meio do estatuto social. 182. o art. 197 que a companhia pode constituir esse tipo de reserva naqueles exercícios em que o dividendo mínimo obrigatório for superior à parcela realizada do lucro. possuem alguma relação com ele. dispõe o art. 200 que somente podem ser utilizadas: a) na absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros. c) prêmio recebido na emissão de debêntures. A criação dessa reserva é feita pela assembléia geral. prevê o art. b) produto na alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição. não pode prejudicar o pagamento dos dividendos mínimos obrigatórios. da Lei das S. Originam-se na conformidade das necessidades da companhia. Na verdade.

201 determina que somente pode haver pagamento de dividendos à conta do lucro líquido. Dividendos Obrigatórios A fim de preservar o interesse dos acionistas minoritários contra abusos dos que detêm o poder de controle na companhia. estes não poderão ser inferiores a 25% do mesmo lucro líquido ajustado. Entretanto.Dividendos Podem ser conceituados como a parcela do lucro líquido da companhia que será destinada ao pagamento dos acionistas. diminuído ou aumentado dos seguintes valores: (-) importância destinada à formação da reserva legal. Pelo parágrafo 2o do art. serão solidariamente responsáveis administradores e membros do conselho fiscal. há hipóteses nas quais a companhia pode deixar de pagar os dividendos obrigatórios ou. desde que não haja oposição de nenhum acionista presente. parágrafo 4o). a serem fixados no estatuto da companhia. da reserva de lucros ou. 201. proporcionalmente ao investimento realizado por cada um na sociedade. sem prejuízo da ação penal cabível. claro. mesmo. porém. a lei criou os dividendos obrigatórios. não haja tal previsão no estatuto. mas o destino da quantia retida tem que ser para captação de recursos por debêntures não convertidas em ações.3. Se o fizerem. Caso. 202. o art.1. à conta das reservas de capital. c) se a companhia for aberta. b) em se tratando de companhia fechada. citado no parágrafo antecedente. (+) reversão das reservas de contingência formadas em exercícios anteriores. 201. Já os acionistas que os tenham recebido de boa-fé não são obrigados à devolução. Desta forma. reduzir-lhes seu valor.11.11. . São elas: a) sendo a companhia aberta ou fechada. pressupõe-se a má-fé quando a distribuição tenha sido feita sem o levantamento de balanço ou em desacordo com os resultados desse.3. não podem os administradores determinar o pagamento de dividendos naqueles exercícios nos quais a sociedade apresente prejuízo e não disponha daquelas reservas previstas no caput do art. O art. igualmente por deliberação unânime da assembléia geral. 202 determina a destinação para pagamento de dividendos de metade do lucro líquido do exercício. devendo repor ao caixa social a importância distribuída. se coniventes. 9. por deliberação da assembléia geral. de lucros acumulados. se os órgãos de administração informarem à assembléia geral ser o pagamento incompatível com a sua situação financeira (art. De outra forma.162 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9. se a assembléia geral pretender promover alteração estatutária no sentido de fixar os dividendos obrigatórios. em se tratando de ações preferenciais. (-) importância destinada à formação da reserva para contingência. na omissão do estatuto.

esses conceitos não se alteram. deste capítulo que os acionistas preferenciais gozam de prioridade na distribuição de dividendos. b) nos casos previstos no estatuto. 9. Pois bem. A base de cálculo para pagamento dos dividendos prioritários ou preferenciais é o lucro líquido do exercício.8. da companhia: a) pelo término do prazo de duração.11. ou em percentual do patrimônio líquido.2. .2. dois acionistas (excetua-se a subsidiária integral).. a extinção. O art. Essa regra se sobrepõe à dos dividendos obrigatórios. ao passo que os prioritários mínimos são em percentual sobre o valor pago aos acionistas ordinários (o leitor deve se reportar ao item 9.A. que podem ser fixos ou mínimos. e) pela extinção. Liquidação e Extinção Conforme exposto no item referente às sociedades contratuais. concedendo-se um prazo até a assembléia seguinte para a recomposição do quadro social como. prioritários são os dividendos pagos aos acionistas preferenciais. deste Capítulo). os acionistas ordinários simplesmente ficam sem receber seus dividendos. c) por deliberação da assembléia geral (exige-se quórum qualificado de metade dos acionistas representantes do capital social).3. quando comparados com os titulares de ações ordinárias. Dissolução. devemos entender por dissolução a etapa na qual a sociedade interrompe a sua atividade econômica. 206 da Lei das S. verificada em assembléia geral ordinária. d) pela existência de um único acionista (unipessoalidade incidental). Na hipótese de tal pagamento consumir todo o lucro líquido apurado. mudam. Na disciplina das sociedades por ações.8. A liquidação representa a alienação do ativo para que seja partilhado entre credores e sócios da pessoa jurídica. de autorização para funcionar. deixando de aceitar novos pedidos e comprometendo aqueles já realizados. conforme a exegese do art.2.12. 203. Por último. quando acontece o fim da personalidade jurídica. Dividendos Prioritários Vimos no item 9.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 163 Série Impetus Provas e Concursos 9. deduzido apenas da reserva legal. de pleno direito. na forma da lei. algumas regras. Fixos são os dividendos prioritários determinados em valores absolutos. contudo. no mínimo. prevê as seguintes hipóteses para dissolução.

transigir. Neste caso. em regra. . são os mesmos do liquidante das sociedades contratuais. não seja iniciada em trinta dias a liquidação.8.1. o conselho fiscal pode não ter funcionamento permanente. que tenha sido interrompida por prazo superior a quinze dias (depende de requerimento do Ministério Público). a liquidação extrajudicial ou amigável. o art. Os arts. Não pode. deverá mantê-lo. b) quando. sem prévia autorização da assembléia. Também é defeso ao liquidante prosseguir na atividade social. receber e dar quitação. contudo. que terá funcionamento permanente até o fim do processo. 210 e 211 enumeram os deveres e poderes do liquidante que. 217 da Lei das S. Se a companhia tiver conselho de administração. ainda assim de forma temporária. equipara esse agente aos administradores da sociedade. igualmente judicial será a liquidação. já reproduzidos no item 7. competindo-lhe a nomeação do liquidante. dissolvida a companhia de pleno direito por conta de extinção de autorização para funcionar. Sendo a dissolução de pleno direito. em regra. em seu art. para as sociedades por ele regidas. em ação proposta por qualquer acionista.A. os administradores ou a maioria dos acionistas se recusarem a proceder à liquidação amigável.104. porém a liquidação passa a ser judicial. Em relação às responsabilidades do liquidante. A dissolução pode ainda se materializar por decisão de autoridade administrativa competente. salvo. se autorizado pela assembléia. inclusive alienar bens móveis ou imóveis. Por outro lado. com destaque para a prática de todos os atos necessários à liquidação. competindo à assembléia geral nomear o liquidante e o conselho fiscal. c) em caso de falência. opera-se. o art. No entanto. quando a dissolução for judicial. 1.164 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por decisão judicial é a dissolução que ocorre nos casos de: a) quando anulada a sua constituição.1. dissolvida a sociedade de pleno direito. vai depender do que dispuser o estatuto. quando o liquidante será nomeado pelo juiz. deste Capítulo. salvo quando indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis. assim como fez o Código Civil. gravar bens nem contrair empréstimo. Essa é a regra geral. conforme haja previsão em lei especial. São elas: a) quando. em ação proposta por acionistas que representem pelo menos 5% do capital social. 209 prevê hipóteses em que a dissolução é amigável. bastando o pedido de qualquer acionista. b) quando provado que não pode atingir seu fim. ou se o for.

No entanto. Antes da edição da Constituição de 1988. trazer seção específica a respeito do estatuto social. com as atribuições do Governo Federal para essa área.764/71 já havia instituído o regime jurídico das sociedades cooperativas. o apoio e estímulo ao cooperativismo e associativismo.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 165 Série Impetus Provas e Concursos Concluída a liquidação. fusão ou cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. que faculta aos contratantes a inserção de cláusulas.A. 21.093 a 1. apesar de sucinto. . 3o. A título de exemplo. referindo-se ao ato constitutivo da cooperativa para. que podem ser conciliados com a legislação antiga. 14 da lei.2. Regência A sociedade cooperativa. 1. conforme acontece nas sociedades por ações. ou de instrumento público. na medida em que seus sócios devem formalizar o ato constitutivo contendo artigos conforme a lei reguladora. que prevê a sua constituição a partir da ata da assembléia geral dos fundadores.1. o que significa afirmar que a Lei no 5. além de outros temas relacionados às cooperativas. Devemos entender a dicotomia muito mais como uma questão de semântica do que propriamente uma contradição legal. parágrafo único. em seu art. O mesmo diploma também definiu a política nacional de cooperativismo. parágrafo 2o. Isso fica claro na observação do art. 1. 10. considerada uma sociedade simples por força do art. que também prevê outras três formas de extinção. 219 da Lei das S. e desde que respeitadas as características relacionadas no Código. igualmente estatutárias. Esses dispositivos não estabeleceram um novo regime jurídico para elas. extingue-se a companhia. desde que lícitas. 982.096. em seu art. 174. Adiante. a Lei Federal no 5. quando omissa a lei específica. que prevê. o Código Civil de 2002 trouxe capítulo específico tratando da sociedade cooperativa. Sociedade Cooperativa 10. regulando a constituição. encontra respaldo na Carta Magna Federal. o capítulo do Código inseriu alguns novos princípios. abrangendo os arts. o funcionamento e o objetivo. utiliza-se do termo “contrato”.096 a regência supletiva das cooperativas pelas normas da sociedade simples em geral. no art. prevê o art. 10. do Código Civil. conforme previsão do art.764/71 se encontra em vigor. sem a liberdade existente nas contratuais. Interessante que a lei. quais sejam: incorporação. Constituição A sociedade cooperativa é uma sociedade estatutária.

3. por exemplo.094. a própria lei classificou as cooperativas como sociedades de pessoas. proporcionalmente às operações realizadas por cada um. 10. que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica. que previu a impossibilidade de cessão das quotas sociais a terceiros. d) mesmos dados pessoais dos eleitos para os órgãos de administração e fiscalização. do . 32. para ser negociada com terceiros. nacionalidade. ainda que por herança. repita-se que a cooperativa não tem objetivo de lucro. c) aprovação do estatuto. deve ser feito na Junta Comercial.166 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Do ato constitutivo devem constar: a) denominação. Antiga disposição constante dos arts. 79. Os atos cooperativos. Ao contrário das sociedades em geral. b) nome. inciso I. não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. mas sempre perseguindo os objetivos sociais. Desta forma. conforme a disposição do art. de uma safra de produtos agrícolas. não caracteriza circulação de mercadorias. Características Principais O objetivo social das cooperativas é de natureza civil. inciso XVIII. Apenas quando houver futura comercialização é que poderá haver incidência tributária. Isso não significa afirmar que deva ter prejuízo. O mesmo raciocínio deve ser empregado quando o resultado for negativo. mas sem o objetivo de lucro. pois o art. embora sendo considerada sociedade simples. exige-se o arquivamento de seu ato constitutivo que. 4o. independentemente de permissão para funcionarem. conforme já ressaltado. este é chamado de “sobras líquidas do exercício” e. conforme prevê o art. No entanto. da Lei de Registro Público de Empresas. estranhos à sociedade. 17 e 18 da lei. sede e objeto social. alínea a. da CF tornou livre a criação de cooperativas e associações. idade. conforme ratificado no art. inciso VII. a remessa à cooperativa. estado civil. passível de tributação pelo imposto de competência estadual. conforme explicitado no art. Na verdade. por parte de um sócio. 5o. a respeito de necessária autorização governamental para funcionamento. 1. 4o. de proveito comum. além da quota parte de cada um. profissão e residência dos fundadores. Quanto à natureza. e reforçado pelo inciso IV. no 8. inciso IV. ou envolvendo mais de uma cooperativa.934/94. conforme a previsão do art. assim entendidos como aqueles praticados entre a cooperativa e os associados. pois visa à prestação de serviços aos associados. havendo resultado positivo. caput. deve ser rateado entre os sócios. não mais tem validade.

adota um denominação. a sociedade não terá capital social. Sobre o nome. 6o da lei. merece um comentário destacado. Classifica-se como cooperativa de trabalho tanto aquelas que administram os serviços de seus cooperados como as que produzem determinado bem. sendo a espécie mais usual em nosso país. Outro traço marcante nas cooperativas é variabilidade ou dispensa do capital social.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 167 Série Impetus Provas e Concursos Código. acrescida do termo “cooperativa”. Esta última. Ao contrário do que previa o art. e seguindo a disposição do art. significando afirmar que os sócios podem contribuir apenas com serviços. as cooperativas podem ser: a) singulares. No que se refere ao objeto ou à natureza das atividades desenvolvidas. permitindo-se a admissão de pessoas jurídicas que tivessem atividades correlatas às das pessoas físicas. que exigia número mínimo de vinte pessoas físicas para compor seu quadro social. 29 da lei determinou o livre ingresso a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade. c) confederação de cooperativas. possibilitando a admissão de associados individuais. Independentemente da forma e do percentual de participação dos sócios. 10. que tenham por objeto atividades econômicas correlatas. 6o.094 do Código aboliu esse patamar inferior para formação da sociedade. desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto. a partir do cumprimento de exigências estatutárias. a exemplo das cooperativas de crédito. cooperativas agrícolas. inciso I. da mesma ou de diferentes modalidades. o inciso II do art. o art. Assim.4. na busca pelo objetivo social. mas a estes permite-se o ingresso na cooperativa. b) cooperativas centrais ou federação de cooperativas. desde que o quantitativo seja bastante para compor a sua administração. cada um terá direito a apenas um voto nas deliberações. No que pese essa disposição. Depreende-se que os associados não podem dispor de suas quotas para fins de alienação a terceiros. alterado na parte relativa ao número mínimo de associados. 1. nós temos: . de forma industrial ou artesanal. que são as constituídas por associados. pessoas físicas ou jurídicas. Se todos assim o fizerem. elas podem ser de diversas espécies. Classificação das Cooperativas Quanto à forma pela qual se organizam. ou cooperativas de trabalho. que reúne federações ou cooperativas centrais. as constituídas por outras singulares.

47. conforme prevê o art. para tratar de assuntos não-rotineiros. Esta.168 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) cooperativas de mão-de-obra ou de serviços. excluídos o que for de competência exclusiva da extraordinária. fusão. A assembléia é órgão supremo formado pelos associados. parágrafo único. além de outros assuntos. composto por três membros efetivos e suplentes em igual número. que pode ser ordinária ou extraordinária. além das contas do liquidante. dissolução voluntária da sociedade e nomeação de liquidantes. 10. órgão encarregado da fiscalização dos atos cometidos pelos administradores. Observem que uma característica fundamental a qualquer ramo de atividade da sociedade cooperativa é a ausência de vínculo empregatício entre a cooperativa e os cooperados. c) conselho fiscal. da Lei.5. tem competência para deliberar a respeito da prestação de contas da administração. este último composto exclusivamente por sócios. todos sócios eleitos pela assembléia geral. eleição dos administradores. por sua vez. Essa previsão encontra respaldo no art. A ordinária. b) cooperativas de produção. De sua competência exclusiva são: a reforma do estatuto. necessariamente realizada até o fim dos três meses seguintes ao término do exercício social. sem prejuízo da criação de outros para o mesmo fim. até que sejam aprovadas as contas do exercício em que ele deixou o emprego. o art. 31 determina a supressão de seu direito de votar e ser votado. reunir trabalhadores das mais variadas áreas. Na hipótese de o associado vir a estabelecer relação empregatícia com a cooperativa. 442. destinadas a reunir artesãos que confeccionam seus produtos para serem comercializados através da cooperativa. destinadas à fabricação de produtos industriais por parte dos próprios cooperados. motoristas de táxi etc. mantendo com eles vínculos trabalhistas. que podem. com mandato limitado a quatro anos. É claro que a cooperativa pode contratar funcionários. desde que especificados no edital de convocação. parágrafo 1o. pode ser realizada a qualquer época. . com poderes para decidir os negócios relativos ao objeto social. Órgãos Compõem a estrutura de uma cooperativa: a) assembléia geral. b) diretoria e conselho de administração. incorporação ou desmembramento. Esses são os órgãos encarregados da administração da sociedade. c) cooperativas artesanais. considerando-se cada uma individualmente. mudança do objeto social. nem entre estes e os tomadores de serviços daquela. da Consolidação das Leis Trabalhistas-CLT. pois cada um exerce suas atividades de forma autônoma. a exemplo de médicos. da destinação das sobras. dentistas.

não se responsabilizam pelos atos de gestão.764/71. . além dos condenados à pena que vede. entende-se que tal proibição somente perdura enquanto durarem os efeitos da condenação. uma vez cumprida pena. em operações que gerem obrigações para a pessoa jurídica. 51. conforme prevê o art. a fé pública ou a propriedade. salvo se a sociedade ratificá-los. Seu correspondente para as sociedades regidas pelo Código é o art. o acesso a cargos públicos. até o segundo grau. conforme consta do art. da forma como acontece com os demais tipos sociais. em linha reta ou colateral.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 169 Série Impetus Provas e Concursos 10. pelo menos nas linhas gerais. a dos seus pares nas demais sociedades.404/76. de prevaricação. 50.011. Em outras palavras. peculato. ou contra a economia popular. Sendo limitada. 147. está o indivíduo reabilitado. 10. Assim como acontece com as demais sociedades. Logo. Na hipótese de o administrador deliberadamente ocultar a natureza da sociedade. Outra restrição à função é quanto aos parentes. parágrafo 1o. pois. do CC/2002. vai depender do que dispuser o estatuto. Embora constando apenas do artigo concernente ao Código Civil. ainda. 49. participantes da diretoria ou do conselho de administração. parágrafo 1o. A responsabilidade dos administradores também acompanha. 47. da Lei no 6.7. peita ou suborno. o sócio responde individualmente pelo valor de suas quotas. a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada. Na Lei no 5. Responsabilidade dos Sócios Na cooperativa. não podem ser administradores pessoas impedidas por lei. têm os sócios obrigação pessoal de integralizar suas quotas adquiridas junto à sociedade. ou por crime falimentar. de outros órgãos necessários à administração. Administração A administração da cooperativa é atribuída a pessoas físicas. concussão. pode ser pessoalmente responsabilizado. ou deles tirar proveito. salvo se agirem com culpa ou dolo. ainda que temporariamente. criados pelo estatuto especialmente para esse fim. enquanto para as sociedades por ações a normatização aparece no art. ou. sem prejuízo das sanções penais cabíveis. essa disposição tem previsão no art. que não podem ocupar uma mesma diretoria ou o conselho de administração. neste caso de forma proporcional às operações realizadas por cada um. de acordo com o disposto no art. parágrafo 1o. além de igualmente assumir responsabilidade pelos prejuízos verificados nas operações sociais.6. 1.

quando constituída por prazo determinado. se observarmos os arts. nas seguintes hipóteses. em qualquer caso. para elas. significando afirmar que houve o exaurimento do fim perseguido. se o estatuto prevê responsabilidade ilimitada dos sócios. pois a lei não prevê a possibilidade de transformação da cooperativa. 57 a 62 da Lei no 5. b) pelo decurso do prazo de duração. 10. encontra correspondente para as sociedades regidas pelo Código. Entretanto. a apuração da responsabilidade se faz de maneira proporcional às operações efetivadas por cada cooperado. ou para desmembramento de cooperativa em tantas quantas forem necessárias ao atendimento dos interesses de seus associados. Este dispositivo. solidária com os demais e ilimitada. de sócio que foi eliminado. e) pela paralisação de suas atividades por prazo superior a cento e vinte dias. a limitação da responsabilidade aqui referida tem como patamar máximo a proporcionalidade entre a participação do cooperado nas operações que resultaram em prejuízo para a sociedade. Em se tratando de sócio demitido. de pleno direito. aí inseridos os que morreram. entendido como os que saíram em virtude de infração legal ou estatutária. Por outro lado.034. os que tiveram incapacidade não suprida. saíram por conta de dissolução da pessoa jurídica. quando. 63: a) por deliberação da assembléia geral. Assim. . Sobre esse tema. no art. esta será similar à dos sócios da sociedade em nome coletivo. 1. com a possibilidade de consumo de todo o patrimônio particular dos sócios. aliás. contudo. simplesmente. incorporação de uma(s) cooperativa(s) por outra.170 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Diante de terceiros. inciso II.8. d) devido à alteração de sua forma jurídica. ou seja. assim considerado o que se retirou a pedido. Dissolução da Cooperativa A sociedade cooperativa se dissolve. é causa de dissolução judicial. da forma como acontece com as demais sociedades. vale a regra da subsidiariedade. os que deixaram de atender a requisitos de ingresso ou permanência na sociedade ou. c) pela consecução do objetivo social. mas não há chance para transformação. 36 prevê a responsabilidade deles perante terceiros até a aprovação das contas do exercício em que aconteceu o desligamento. veremos previsão para a fusão de cooperativas. previstas no art. ou de sócio excluído. o art.764/71.

quando o controlador será considerado de conformidade com o art. ao ponto de tornar-se sua controladora. teremos as seguintes formas de ligações entre as sociedades. 116 da Lei Federal no 6. ainda que na qualidade de pessoas jurídicas. subordinada à Lei Civil. ou entre sociedades contratuais. imaginemos uma limitada adquirindo ações de uma sociedade anônima. o investimento de uma entidade regida pela Lei das Sociedades Anônimas em outra. e não havendo iniciativa para dissolução da sociedade.404/76. torna-se desnecessária qualquer preocupação em identificar qual diploma normativo deva ser seguido. É possível. in casu. Para as primeiras. já foi escrito que o quantitativo mínimo de cooperados deve ser o que for suficiente para compor a administração. seria o Código Civil. enquanto. ainda. até mesmo devido à coincidência entre eles. Ligações entre Sociedades Às sociedades. e aqui não relacionadas. De notar. valem os votos efetivamente proferidos na assembléia ou reunião de quotistas. . que tratam do número mínimo de sócios e da autorização do Governo Federal para funcionarem. 11. permite-se adquirir participação no capital social de outras. a norma legal cabível vai depender da situação concreta. que o entendimento do que seja poder de controle difere do aplicado às sociedades por ações. 1. possibilita-se haver acordo de acionistas. hipótese na qual o tema é regulado a partir do art. nas outras. e vice-versa. Do contrário. A depender de uma ou de outra espécie. Tais investimentos podem acontecer envolvendo sociedades por ações. a Lei no 6.097 a 1. quando a disciplina jurídica aplicada será o Código Civil de 2002. A rigor. Nesta hipótese.404/76. abaixo relacionadas. Melhor explicando. não há grandes distinções entre um e outro regime jurídico. conforme previa a lei. arts. compete a qualquer associado promover medida judicial para sua dissolução. 243 da Lei das Sociedades Anônimas. contudo.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 171 Série Impetus Provas e Concursos Com relação às outras duas hipóteses referidas no artigo. É claro que a definição do tipo de ligação deve reger-se pela norma que regulamenta a sociedade investida. No mais. Configurada uma das hipóteses reproduzidas acima.101. enquanto que não mais pode ser exigida a autorização para funcionamento. em se tratando de sociedades contratuais.

do capital social da outra. com direito a voto. salvo a possibilidade de negociar com as próprias ações. desde que até o limite da soma das reservas da primeira. excluída a legal. para permanência em tesouraria ou cancelamento (ultrapassado aquele limite. até o limite do saldo das reservas. sem controlá-la. sem controlá-la. ou quando a soma em mais de uma coligada ou controlada é igual ou superior a 15% do patrimônio líquido da companhia) em outra. assim como limitações para a participação recíproca. • sociedades coligadas ou filiadas – quando uma participa com 10%. excluída a de capital. Informações a respeito do investimento relevante. Excedido esse patamar. referida no parágrafo antecedente. A lei veda a participação recíproca entre coligadas. valem os mesmos comentários a respeito da participação recíproca. suprime-se o direito de voto da parte excedente. As demonstrações financeiras de uma coligada devem conter notas explicativas sobre investimento relevante (é aquele cujo valor individualmente considerado é igual ou superior a 10% do patrimônio líquido da investidora. B – Sendo as sociedades institucionais: • sociedades coligadas – quando uma participa com 10%. desde que aberta a companhia. Para estas. aproveitam os mesmos . Permite-se a participação da sociedade investida na investidora (participação recíproca). • sociedade controladora e controlada – é controlada a sociedade na qual a controladora. o prazo para alienação das excedentes é de seis meses). ou mais. • sociedade controladora e controlada – é controlada a sociedade de cujo capital social outra seja majoritária e possua a maioria dos votos na assembléia ou reunião de quotistas. ou mais. que deverá ser alienada no prazo de cento e oitenta dias da aprovação daquela demonstração financeira. quando maior que 30% do patrimônio líquido da investidora. as demonstrações financeiras de ambas serão publicadas de forma consolidada. do capital social da outra. verificado em balanço. além do poder de eleger a maioria dos administradores. de modo permanente. seja titular de direitos de sócio que lhe assegurem.172 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A – Sendo as sociedades contratuais: • simples participação – configura-se quando uma sociedade possui menos de 10% do capital social de outra. preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. Neste caso. entendendo-se como tal a aquisição. diretamente ou através de outras controladas.

Sociedades Dependentes de Autorização 12. mesmo. terá designação em que constem as palavras grupo de sociedades ou grupo. Podem ser de fato ou de direito. com o seguinte acréscimo: se a sociedade controlada adquirir ações da controladora. Para o grupo ser considerado nacional.078/90. conforme análise presente no item 9 do Capítulo 1 (esses requisitos não são opostos aos sócios das limitadas ou das sociedades por ações). Disposições Gerais O exercício da atividade empresarial no Brasil. art. § 2o) e nas licitações (Lei no 8. 12. mas brasileira. cuja totalidade das ações. ou por sanções decorrentes de infração à ordem econômica (Lei no 8. art. apesar de não possuir personalidade jurídica própria. seja de propriedade de uma outra pessoa jurídica. estas terão suspenso o direito de voto. visando à realização de objetivos comuns ou. 2o. . inciso IX). seja como pessoa física ou.1.666/93. além de possuir sede e administração no país. à execução de seus respectivos objetos. simplesmente. 17). 30. inciso V). art. Com relação à solidariedade por obrigações sociais. Caracteriza esta forma de ligação societária a inexistência de participação no capital social entre as consorciadas. Quanto à solidariedade pelas obrigações sociais. • consórcio – quando mais de um empresa une-se para executar um empreendimento comum. grupos de sociedade – as sociedades sob relação de controle ou de coligação • podem constituir grupos. com ou sem poder de voto.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 173 Série Impetus Provas e Concursos comentários do parágrafo antecedente.212. constituindo sociedade empresária. art. deve ser acessível a qualquer um. art. e que não haja qualquer impedimento. só existe nas dívidas trabalhistas (CLT. § 3o). a depender de estarem ou não formalizados na Junta Comercial. O grupo.884/94. não necessariamente constituída sob a forma de uma sociedade anônima. além de um só objetivo. § 2o) e previdenciárias (Lei no 8. basta a sociedade de controle ser constituída sob as leis brasileiras. 2o. só pode ser cobrada nas obrigações com os consumidores (Lei no 8. • subsidiária integral – é a sociedade anônima (única sociedade unipessoal não-temporária prevista no Direito brasileiro). art. podem elas formar um consórcio. 33. desde que presente a plena capacidade civil. A sociedade de controle deverá ser brasileira e cada uma conservará personalidade e patrimônio próprios. além de dívidas trabalhistas (CLT. 28.

parágrafo único. que reproduziu o teor da EC. 1.” Esse entendimento foi contemplado pelo Código Civil de 2002. E mais: será a título precário. já que pode ser cassada. Ao Poder Executivo é facultado estabelecer condições para a autorização. pelo menos se forem consideradas nacionais. a pessoa jurídica somente dependerá de autorização na hipótese de seu objeto social ser um daqueles mencionados no tópico anterior. as administradoras de consórcios. as seguradoras e as operadoras de planos de saúde. de acordo com o art.125. desde que possua sede e administração no país. contudo. desde que haja previsão legal. dentre outras.134. a sociedade é estrangeira e depende de autorização para funcionamento. não é necessário autorização de funcionamento. 1. por exemplo. aquela será considerada caduca. disciplinados em leis específicas. financeiras ou jurídicas especificadas em lei. conforme prevê o art. Concedida a autorização. Prevêem os arts.2. Sociedade Nacional Quais os critérios para definir a nacionalidade de uma sociedade? A partir da Emenda Constitucional no 06/95.3.127. em seu art. . Esta é a disposição prevista no art. cujo instrumento é um decreto federal. se a sociedade não atender às condições econômicas. ainda que por estabelecimentos subordinados.126. São. 12. Sociedade Estrangeira Não sendo nacional. as sociedades arrendadoras (operadoras de leasing). certos ramos empresariais que se sujeitam à autorização de funcionamento por parte do Poder Executivo federal. salvo com unânime consentimento dos sócios. Para as sociedades que atuarem nos demais ramos da atividade econômica.174 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Há. convenientes ao interesse nacional. e 1. salvo se a lei ou o ato do Poder Público fixar outro prazo. 1. Enquadrando-se como sociedade brasileira. 12. 1.135. Sociedade brasileira não mudará sua nacionalidade. independentemente do ramo. antes do início da atividade.123. que permite serem acionistas de sociedade anônima brasileira. ambos do CC/2002. nos casos de infração à ordem pública ou quando a sociedade praticar atos contrários aos fins declarados no seu estatuto. ou outros. Ao Poder Executivo é facultado recusar a autorização. 1. que a competência para a autorização será sempre do Poder Executivo federal. as instituições financeiras. o tema encontra-se assim disciplinado: “Nacional é a sociedade constituída sob as leis brasileiras. e a sociedade não entrando em funcionamento no prazo de doze meses após a publicação.

bem como aos atos de administração. ainda que participem terceiros. a fim de produzir efeitos no Brasil (art. A qualquer tempo.137 e 1. se for o caso. mediante autorização do Poder Executivo. da participação de capital ou sociedade estrangeira na assistência à saúde no país (art. da CF). não importando suas nacionalidades ou a origem do capital empregado. transferindo sua sede para cá. deverá manter representante no Brasil.139). as publicações que a lei de seu país de origem a obrigar a fazer. De outra forma. Outra é requerer a autorização para funcionamento de sociedade estrangeira. 1. 13. 199. apto a receber citações judiciais pela sociedade. Sociedade entre Cônjuges O art. 977 do Código Civil/2002 veio a obstar a contratação de sociedade entre marido e mulher. têm eles duas opções: uma é abrir sociedade subordinada à nossa legislação. 1. 222 da Constituição Federal exige que. pelo menos. Nesta hipótese. deve publicar no órgão oficial da União. . 1. pois se trata de uma sociedade brasileira.140. hipótese em que seria possível. Modificação no contrato ou no estatuto social também dependerá de autorização do Governo Federal. quando o art. § 3o. Nacional ou estrangeira a sociedade. se estrangeiros quiserem ser empreendedores no Brasil. com restrições previstas na legislação federal. e mais. por exemplo. que assumirão a gestão da empresa. pode a sociedade estrangeira autorizada a funcionar no país nacionalizar-se.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 175 Série Impetus Provas e Concursos Para os atos e operações praticados no Brasil. É o caso. concernentes ao balanço patrimonial. dispõem os arts. indicado no instrumento averbado. para respeitar o disposto no art. se o ramo escolhido não for um daqueles dependentes de autorização (a assertiva não exclui a necessária autorização da Comissão de Valores Mobiliários. Se concedida. Desta forma.138 que a sociedade estrangeira se submeterá às leis e aos tribunais brasileiros. ou na composição do capital social de sociedades jornalísticas e de radiodifusão sonora. não estará condicionada à autorização do Governo Federal para funcionamento. e do Estado. salvo se houverem se casado no regime de comunhão parcial de bens. ao resultado econômico. que limita o exercício de algumas atividades à atuação de estrangeiros. fazendo deste país sua sede e administração. a sociedade assume a qualidade estrangeira. faz-se necessário registro do ato constitutivo na Junta Comercial. participação final nos aqüestros ou separação convencional de bens. sob pena de ver cassada sua autorização de funcionamento. 70% do capital social total e do capital votante devam pertencer a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos. claro. em se tratando de sociedade anônima de capital aberto).

. quando obedecidas normas estabelecidas pelo Banco Central. contudo. Os deveres e as responsabilidades de seus administradores assemelham-se aos administradores da companhia aberta. significando afirmar que. da CF em combinação com o art. Sua criação depende de prévia autorização legislativa. a fim de reprimir a prática de atos de improbidade administrativa. a sociedade de economia mista pode participar de outras sociedades.101/2005. sem prejuízo de disposições especiais. o da Lei n 6. Por serem sociedades anônimas. tampouco aos processos de recuperação judicial ou extrajudicial. são-lhes aplicados dispositivos da Lei no 6. estaria proibida a constituição de sociedade. 2o. XIX. Já a pessoa jurídica que controla a sociedade tem os deveres e responsabilidades do acionista controlador das demais sociedades anônimas. daquele diploma. Podem participar de outras sociedades. Em se tratando de regime de comunhão universal. prevista no art.404 de 1976 (arts. não se pode impor novo regramento. inciso I. conhecida como “Nova Lei de Falências”. não podem ferir o direito adquirido. Esta é a posição defendida pela melhor doutrina. por ser aquele insuscetível de mudança. essa possibilidade sequer existiria. quando também se submetem à disciplina da Lei no 8. Em se tratando de instituições financeiras. ao excluir. Terão obrigatoriamente conselho de administração. para as sociedades constituídas anteriormente à vigência do Código.429/92. ou aplicando imposto de renda em investimentos para o desenvolvimento regional ou setorial. Essas disposições. a única saída para formação da sociedade seria a alteração do regime por meio de autorização judicial. tanto a empresa pública como a sociedade de economia mista. 37. Quanto à falência. 235 a 240). a Lei no 11. 14. sendo que o conselho fiscal terá funcionamento permanente. Sociedades de Economia Mista São sociedades constituídas com a maioria de seu capital social com direito a voto sob a titularidade do Poder Público. conforme dispõe o art. desde que autorizadas por lei. Sendo o regime de separação obrigatória.176 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por outro lado. Seu objeto somente pode ser aquele previsto na lei que autorizou sua criação.404/76. A partir dessa nova disposição. dissipou qualquer dúvida persistente na doutrina. podemos afirmar que essas sociedades não podem se submeter à falência. se o regime for de comunhão universal ou de separação obrigatória. do regime jurídico falimentar ou de recuperação das sociedades. 236 .

Os administradores que excederem a atribuição É sociedade contratual. NOME EMPRESARIAL OBSERV OBSER VAÇÕES ADMINISTRAÇÃO 1 – Simples Cotistas.011. desde que não conflitem com os termos da lei. suborno e outros previstos no art. ou por crime falimentar. vai depender do contrato. contudo. pessoas físicas ou jurídicas. além de outras que os sócios queiram inserir. 997. Silente o contrato. Em caso afirmativo. de peita. cujas cláusulas devem ser as constantes do art.CAMPUS TIPOS DE SOCIEDADE SÓCIOS RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA COM TERCEIROS PELOS DÉBITOS SOCIAIS Denominação. por vícios redibitórios e solvência do crédito. que depende da aprovação majoritária dos sócios. Atos de competência conjunta exigem o concurso de todos. 997. menos venda de bens imóveis. O registro do ato deve ser feito em cartório. 1. 177 Série Impetus Provas e Concursos . Silente o contrato. pela evicção. nos trinta dias subseqüentes à sua lavratura. pois se constitui a partir de um contrato escrito. acrescida do termo “sociedade simples”. a fim de evitar dano. exige-se unanimidade. Pode ser de sócio ou não. Todos os sócios devem participar da formação do capital social. salvo casos urgentes. adotado um dos tipos da sociedade empresária. mas apenas pessoa física não-condenada à pena que vede o acesso a cargo público. bens. De outra forma. a regra será a da espécie escolhida. por extenso ou abreviado. Respondem. Proíbe-se a cessão da quota social. Para alterar alguma das cláusulas do art. a administração compete separadamente a cada sócio. os administradores podem praticar todos os atos de gestão. créditos ou prestação de serviços. a responsabilidade é proporcional à participação de cada um nas perdas. parágrafo 1o. a ser feita em dinheiro. Capítulo 2 — Direito de Empresa Podem responder ou não. salvo cláusula de responsabilidade solidária.

c) se por prazo incerto. Judicialmente. A sociedade pode ser dissolvida de pleno direito. c) evidente operação estranha ao objeto. isentando a pessoa jurídica. Essa regra vale para a penhora de quotas. e) se extinta a autorização para funcionar. b) que o terceiro sabia da limitação. com base: a) anulação de sua constituição. Atos com culpa responsabilizam os administradores frente à sociedade e a terceiros prejudicados. A função é indelegável. d) se ficar com um só sócio. . salvo a possibilidade de constituir mandatário com poderes específicos. cobrar do administrador. pela decisão da maioria absoluta. se por prazo determinado. e se tratando de ato com excesso de poder (ultra vires). Não materializada uma dessas hipóteses. qualquer sócio pode pleitear a dissolução.178 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos recebida podem arcar com a responsabilidade por seus atos frente a terceiros. nas hipóteses: a) vencimento do prazo. em regresso. Administrador sócio. conforme prescrição em lei. por mais de cento e oitenta dias. de forma solidária entre eles. salvo com o consentimento dos demais sócios. a pessoa jurídica deve assumir a responsabilidade para. desde que configurada uma das hipóteses: a) limitação inscrita no registro próprio. b) se o fim social for exaurido ou se tornar inexeqüível. b) consenso entre os sócios. que cause dano a terceiros.

As hipótese de dissolução judicial são as mesmas do art. com as cláusulas previstas no art. 2– Em nome coletivo Capítulo 2 — Direito de Empresa Cotistas. se empresária. reconhecida em juízo.034. mas investido por ato separado. pois o credor não pode ser prejudicado. ou similar. as regras são similares às da sociedade simples. adaptadas à espécie. por extenso ou abreviada. Omitido nome de algum. ou todos os sócios. somente Todos os sócios pessoas físicas. 997. possui poderes irrevogáveis. Tal acordo. acrescida da falência. Possível haver pacto para limitação da responsabilidade de cada um. só tem validade entre eles. quando insuficientes os bens sociais.”. Administrador não-sócio.033. A administração compete exclusivamente a sócios. As demais regras vistas para a sociedade simples valem para esse tipo social. contudo. 1. respondem solidária e ilimitadamente com seus bens particulares por débitos contraídos em nome da sociedade. o registro deve ser feito na Junta Comercial.CAMPUS nomeado pelo contrato. pois nasce a partir de um contrato social escrito. Para formação do capital social e cessão ou penhora de quota social. ou sócio. Sobre a dissolução de pleno direito. Série Impetus Provas e Concursos 179 . alguns. O nome será sempre firma ou razão social. necessária a expressão “e cia. detém poderes revogáveis. É sociedade contratual. a pedido de qualquer sócio. Sendo empresária. copia as hipóteses do art. formada com o nome de um. 1. salvo justa causa. no prazo de trinta dias da lavratura.

com o ato devendo ser registrado na Junta Comercial. este lização de sua ou jurídicas. fiscalizar as operações. valem as mesmas regras da sociedade simples.”. acrescida dos sócios da sociedade em nome da expressão “ e cia.180 Série Impetus Provas e Concursos 3 – Em comandita Comporta duas categorias de simples sócios: a) comanditados. Conforme citado na segunda coluna. pois o negócio continuará com os sucessores. se empresária. além de poder ser constituído como procurador da sociedade. As regras para a dissolução são similares à da sociedade em nome coletivo. Para a formação do capital social. Adota como nome apenas a firma ou razão social. Direito Comercial — Carlos Pimentel É sociedade contratual. Permite-se. ao comanditário participar das deliberações sociais. bilidade similar à do formação do comanditado. . A responsabilidade constituída apenas com nome de comanditado. com missão de gerir a sociedade. em caso de morte de comanditário. a ausência de sócios do nome. alguns ou sociais é idêntica à somente um. aproveitando-se as mesmas disposições já vistas para a sociedade simples. A administração compete exclusivamente aos comanditados. Esses se obrigam apenas pela integra. sob pena de capital social. comanditário que tome parte na gestão assume responsabilidade como se fora comanditado. Não podem participar da gestão. deles pelas dívidas todos.Se constar nome de pessoas físicas comanditário. b) comanditários. contudo. salvo disposição diversa no contrato. ou similar. para negócio específico. para indicar coletivo. contraírem as mesmas responsabilidades dos comanditados. assume responsaobrigados pela quota. acrescendo a hipótese de ausência de uma das categorias de sócios por prazo superior a cento e ointenta dias. No entanto. a disposição é diversa. A cessão e penhora de quotas também seguem as regras da sociedade simples. todos pessoas físicas.

A impessoalidade é própria desse tipo social. sem que haja solidariedade entre eles. contudo. Podem adotar tanto denominação como razão social. Rege-se pela mesma Lei das Sociedades Anônimas. é ilimitada e solidária com outros administradores. apenas sócios que sejam administradores devem emprestar seus nomes à formação daquela. Pelos atos de gestão dos administradores respondem.CAMPUS 4 – Em comandita Acionistas. a emissão de novas ações. solidária e ilimitadamente. A primeira distinção diz respeito ao exercício da função de administração da forma como foi vista nas outras colunas. todos os demais administradores. se tiver. venda ou penhora de ações pertencentes a um sócio para terceiros. Uma vez pago todo valor. este passa a ser tão responsável quanto aqueles. a responsabilidade frente a terceiros pelas obrigações contraídas. É conferida apenas a sócios. não podem ser obrigados ao pagamento de dívidas sociais ou. à parcela do capital não integralizada por outro sócio. Se for uma razão social. embora subsidiária. não administrador. por conseqüência. Igualmente não podem ser de capital autorizado e. debêntures e partes beneficiárias. Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade estatutária. salvo em deliberação aprovada por sócios representativos de pelo menos 2/3 do capital social. Essa regra não vale para os que assumirem função de gerência ou administração da sociedade. Permite-se. não podem emitir bônus de subscrição. ou institucional. Neste caso. mas com algumas diferenças. não havendo qualquer impedimento à cessão. 181 Série Impetus Provas e Concursos . Também em relação ao nome. Constando nome de outro. por extenso ou abreviada. por se constituir a partir de um estatuto social. Responsabilizam-se até a integralização do preço de emissão de cada ação subscrita. que não podem ser destituídos. que pode ser uma razão social ou denominação. em ambos os casos acrescida da expressão: “Comandita por Ação”. no que pese a proibição para operar na bolsa ou no mercado de balcão. mesmo. A ela é vedada a existência de conselho de administração. mesmo que dele não participem. daí ser considerada de capital. porque titulares por ação de unidades do capital social chamadas de ação.

não-subsidiária e ilimitada. mesmo que o contrato seja registrado. contudo. Sua responsabilidade diante dos credores não existe. Sua falência deve ser tratada como falência do sócio ostensivo. salvo se tomar parte nas relações do ostensivo junto a terceiros. aplica-se a regra dos contratos bilaterais. Falindo o participante. Embora considerada um simples contrato. que apenas contribui com o fundo social.182 Série Impetus Provas e Concursos 5 – Em conta de participação Sua responsabilidade diante dos credores é pessoal. Comporta duas categorias de sócios: a) ostensivo. As regras para sua liquidação não são as mesmas das sociedades contratuais. Seu objeto pode ser mercantil ou de prestação de serviços. pessoa física ou jurídica. por parte da doutrina. o Código a definiu como sociedade. b) participante. Permite-se. escrito ou verbal. na forma da lei processual. quando é facultado ao administrador judicial a rescisão do contrato social. que provoca a dissolução da sociedade e liquidação da respectiva conta. mas que exerce o negócio em seu próprio nome. fiscalizar os negócios. Não tem. Não tem personalidade jurídica. Compete ao sócio ostensivo. Direito Comercial — Carlos Pimentel É sociedade constituída por contrato. . que pode ser pessoa física ou jurídica. mas as relativas à prestação de contas. empresário ou não. apesar de despersonalizada.

A omissão do termo implica a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores que assim empregarem o nome. 1. que não poderá aproveitar normas singulares das sociedades anônimas. Também em relação à cessão. pessoas físicas. Rege-se por capítulo próprio. As regras para destituição do administrador diferem daquelas da sociedade simples. ou mesmo na Lei das Sociedades por Ações. a lei Pode adotar tanto uma razão social como uma denominação. em qualquer caso seguido do termo “limitada”. salvo a constituição de procurador com poderes específicos. por extenso ou abreviado. que vai do art. Pode. no momento em que o capital estiver totalmente pago. pessoas físicas ou jurídicas. Apesar da regra geral. Da integralização do capital social devem participar todos os sócios. sob pena de nulidade da cláusula que excluir algum. quando o capital não estiver todo integralizado. que antes era permitida. ou 2/3 após a integralização. mas não integralizado. mas só se o contrato expressamente permitir. os sócios respondem até o valor total do capital social subscrito. a exemplo da emissão de valores mobiliários. da forma Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade contratual. das outras quando proíbe a integralização em prestação de serviços. Difere. 1. mas apenas por danos relativos àquela operação específica. e é limitada. a exemplo das outras sociedades.CAMPUS 6 – Limitada Cotistas. mesmo os que já integralizaram as suas quotas. ou penhora de quota social Série Impetus Provas e Concursos 183 . contudo. Significa afirmar que. pois todos são responsáveis. Essa é a regra aplicável aos demais tipos sociais.052 ao art. Perante credores da sociedade. exige-se aprovação unânime dos sócios. ter regência supletiva no capítulo das sociedades simples. Vai depender do que dispuser o contrato. podendo ser conferida a não-sócio. é solidária. a responsabilidade aqui tratada é subsidiária. nenhuma obrigação terão os sócios para com as dívidas assumidas em nome da pessoa jurídica. A delegação das funções de administrador. venda. salvo disposição contratual diversa. pois ele pode ser destituído a qualquer tempo de suas funções.087 do Código. pois tem como patamar superior à parcela não-integralizada do capital social. exige-se aprovação mínima de 2/3 do capital social. contudo. Neste último caso. No entanto. pois depende do esgotamento do ativo. não mais pode ser feita. De qualquer forma. tratando-se de sócio nomeado administrador no contrato. A administração pertence aos sócios.

184 Série Impetus Provas e Concursos como acontece com a sociedade simples. mas pode existir nas limitadas. d) atos ultra vires. f) deliberação infrigente do contrato social. algumas específicas para administrador. b) dívida previdenciária. e outras que podem atingir esse ou apenas o sócio. Direito Comercial — Carlos Pimentel comporta exceções. Já diretoria é órgão obrigatório. relativamente aos administradores. As causas para sua dissolução de pleno direito acompanham as da sociedade simples. e) desconsideração da pessoa jurídica. desde que não haja oposição de sócios titulares de 1/4 do capital social. é obrigatória a assembléia de quotista. pois a regra geral é pela permissão. Com o Novo Código. As outras disposições citadas para as sociedades simples. Também o conselho de administração. apesar de não ser obrigatório. Podem ter conselho fiscal. São elas: a) dívida tributária. . para aquelas com número de sócios superior a dez. Possível. até no sentido de excluir qualquer possibilidade de oposição. disposição contratual diversa. como as dívidas tributárias e os atos ultra vires. c) dívida trabalhista. essa sociedade ganhou estrutura tipificada na lei. Logo. como nas anônimas. que não é obrigatório. que permite sua organização através de órgãos similares aos das sociedades anônimas. contudo. possui norma própria. são aproveitadas para as limitadas.

é uma responsabilidade subsidiária. Somente pode adotar uma denominação. Para ser aberta. responde pelos prejuízos que causar à sociedade. Significa dizer que não há solidariedade pela soma do capital social não-integralizado. conforme lance títulos no MVM. à exceção da que trata sobre responsabilidade por deliberação infrigente do contrato social. concussão. Contudo. ou condenado por crime falimentar. A Lei das S. O sócio pode alienar suas ações livremente a quem se interessar. e d) bônus de subscrição (este só por cia de capital autorizado). acompanhada de um dos termos: “companhia” ou “sociedade anônima”. ainda que traga prejuízo à sociedade. As exceções vistas para as limitadas também são aplicadas aqui. por extenso ou abreviados. pessoas físicas ou jurídicas. peculato.CAMPUS 7 – Anônima Acionistas. que não pode ser feita por quem estiver impedido por lei especial. dentre outros. fechada). daí ser considerada de capital. É sempre empresária. peita ou suborno. Tanto um como outro pode vir no início. Pode ser aberta ou fechada. pois depende de ser exaurido o ativo da pessoa jurídica. com violação da lei ou do estatuto. deles tendo conhecimento. os acionistas se responsabilizam pela integralização do preço de emissão das ações adquiridas por cada um. se negligenciar em descobri-los ou se. Atos ilícitos de outros administradores não responsabilizam os demais. b) debêntures. De toda forma. obrigatória em toda S/A (reunião de acionistas apta a decidir os destinos Série Impetus Provas e Concursos 185 . c) partes beneficiárias (este só por cia. independente de seu objeto social. É sociedade estatutária. tem que haver autorização Comissão de Valores Mobiliários. deixar de agir para inibir sua prática. contém mesma previsão do Código quanto à vedação para ocupação do cargo. mas somente a pessoas físicas. constituindo-se a partir de um estatuto social.A. credores da companhia. pela pouca importância que se dá à pessoa do sócio. A sua estrutura comporta os seguintes órgãos: a) assembléia geral. A administração pode ser concedida a sócio ou não. O administrador não é responsável por ato regular de gestão. da forma como acontece nas limitadas. se agiu com culpa ou dolo. Capítulo 2 — Direito de Empresa Frente a terceiros. no meio ou no fim do nome. de prevaricação. salvo se com eles for conivente. Os valores mobiliários por ela emitidos são: a) ações.

b) conselho de administração. mas que lhe foi delegada).015 do Código. de existência facultativa. formado por sócios ou não. de capital autorizado e nas de economia mista (colegiado só de acionistas. Em ambos os casos. a responsabilidade atinge a todos os administradores..186 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos Prejuízos causados à sociedade.089 prevê aplicação subsidiária do Código para as sociedades anônimas.). responsável pela fiscalização dos atos dos administradores e dos negócios sociais. escapa da obrigação o administrador que comunicar o fato à assembléia geral. Em relação a prejuízos causados a terceiros. 1. Sendo de capital fechado. . da cia. Isso porque o art. d) conselho fiscal. c) diretoria.. responsabilizam. formada por sócios ou não. se a sociedade for de capital aberto. em virtude omissão no cumprimento de deveres impostos por lei para assegurar o funcionamento normal da cia. 1. de forma solidária. obrigatória em toda cia. cuja competência era originária da assembléia. os administradores que tenham atividade correlata. valem as regras concernentes às sociedades simples. previstas no parágrafo único do art. salvo nas de capital aberto. mas responsável pela execução do objeto social.

O sócio. Apesar disso. A administração pode ser conferida a sócio ou não. que não pode cair nas mãos dos que tenham praticados certos crimes. Igualmente às demais. não em Cartório. possui apenas um voto nas deliberações sociais. mas sempre pessoa física. sempre acompanhada do termo “cooperativa”. independente da quantidade de quotas. O escopo de sua criação é prestar um serviço ao cooperado. não de capital. Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade estatutária. O capital social não é fixado no estatuto. Não pode haver cessão das quotas sociais a terceiros. Esse instrumento deve ser arquivado na Junta Comercial. também chamados de cooperados. Sendo limitada. Proíbe-se o vínculo trabalhista entre sócios e cooperativa. permite-se o livre ingresso de qualquer um que tenha correlação com a atividade. Série Impetus Provas e Concursos 187 . segue a proporção das operações realizadas por cada sócio. Pode ser limitada ou ilimitada. Se for ilimitada. que podem ser pessoas físicas ou jurídicas. neste caso quando se tratar de federação ou confederação de cooperativas. por se constituir a partir de um estatuto social. há impedimentos legais ao exercício do cargo. daí ser considerada sociedade de pessoas. vai depender do que dispuser o estatuto. A participação de cada um no resultado social é proporcional às operações realizadas com a cooperativa. Adota como nome uma denominação. a fim de facilitar a prática de uma atividade econômica. podendo até ser dispensado. será solidária com os demais cooperados. não possui objetivo de lucro.CAMPUS 8 – Cooperativa Cotistas. Seja qual for o ramo.

e não nos de responsabilidade civil dos dirigentes. d) não tem aplicação em sociedades anônimas. Estão corretas as afirmativas: a) II e IV. (OAB–CE/99) Sobre o conselho fiscal de sociedade por ações. III – A sua composição não será inferior a três nem superior a cinco membros efetivos e suplentes em igual número. ESAF (TTN–JULHO/1992) Não tem personalidade jurídica a sociedade: a) em nome coletivo. b) II.Exercícios 1. IV – As atribuições e os poderes conferidos pela lei não podem ser outorgados a outros órgãos da companhia. ESAF (AFTN/1996) A teoria da superação ou desconsideração da personalidade jurídica: a) não é aceita em nosso Direito. III e IV. d) em conta de participação. 3. c) I. b) é aceita e aplicável nos casos de responsabilidade penal. b) em comandita simples. c) de capital e indústria. I – Terá sempre funcionamento permanente. d) todas. e) foi desenvolvida pela jurisprudência e tem como pressuposto a fraude e o abuso de direito. II – Somente funcionará se assim dispuser o estatuto ou a pedido dos acionistas. e) em comandita por ações. II e IV. eleitos dentre aqueles que compõem os órgãos de administração. 2. considere as afirmativas seguintes. . c) tem aplicação restrita às relações de consumo.

de igual valor nominal. 5% do capital da outra. 6. mesmo assim. c) Autorizar a emissão de debêntures. no mínimo. A respeito desse tema. à vista do relatório de auditoria independente e do parecer do Conselho de Administração. ESAF (PROCURADOR – BACEN/1994) Assinale a opção que contém apenas matérias de competência privativa da assembléia geral de uma sociedade anônima. d) ( ) A responsabilidade do acionista é limitada ao valor do capital social a integralizar. quando houver Conselho de Administração. 8. ESAF (PROCURADOR – BACEN/1994) As ações podem ser das seguintes espécies: a) ordinárias. com 10% ou mais. detém o controle acionário em face de predominância de ações com direito a voto. e) ( ) As sociedades anônimas têm capital social dividido em títulos. (OAB – GO/1999) Na conformidade do que preceitua o parágrafo 1o do art. c) de capital e indústria. e) Autorizar o exercício do direito de recesso do acionista e nomear os auditores independentes da companhia. julgue os itens abaixo (V ou F). b) em comandita simples. d) Autorizar os administradores a requererem falência de outra companhia e eleger os membros da diretoria. em regra. nominativas e endossáveis. b) ordinárias. não à ordem e de fruição. 243 da Lei das Sociedades Anônimas. 10% do capital da outra. ESAF (TTN – JULHO/1992) Todos os sócios são solidária e ilimitadamente responsáveis nas sociedades: a) em nome coletivo. e) limitadas. sem controlá-la. d) São coligadas as sociedades quando uma participa com 40% do capital da outra e. . sete sócios. do capital da outra. c) São coligadas as sociedades quando uma participa com. e) endossáveis. a) ( ) As denominações são a única forma de nome comercial que poderá ser adotada por sociedades anônimas. CESPE – UnB (INSS/1997) A doutrina e a legislação atribuem às sociedades anônimas uma série de características peculiares. preferenciais e nominativas.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 189 Série Impetus Provas e Concursos 4. c) endossáveis. no mínimo. b) São coligadas as sociedades quando uma participa. d) endossáveis. ações e bônus de subscrição. a) Reformar o estatuto social e suspender o exercício dos direitos dos acionistas em mora junto à companhia. nominativas e não à ordem. sem controlá-la. b) ( ) A constituição de sociedade anônima está sujeita à prévia autorização do governo federal e depende da presença de. d) em conta de participação. preferenciais e de fruição. c) ( ) As companhias podem ser constituídas mediante a subscrição pública de ações. no máximo. 7. 5. b) Autorizar os administradores a requererem falência de outra companhia e reforma do estatuto social. o que são SOCIEDADES COLIGADAS? a) São coligadas as sociedades quando uma participa com.

ele terá o direito de influir na escolha dos administradores da sociedade..00. se houver versão de todo o seu patrimônio. ou dividindo-se o seu capital. que as sucederá em todos os direitos e obrigações. sendo a ambas vedado emitir ações ao portador. que pratique atos de comércio.00.000. a) ( ) Mesmo que um indivíduo seja sócio minoritário. que os sócios representem.00 e R$10. (FISCAL DO TRABALHO/1994) Com relação às ações emitidas pelas sociedades anônimas. As participações deles são.000. b) Incorporação é a operação pela qual a companhia transfere parcelas de seu patrimônio. d) 20% do capital integralizado. ainda que com restrições. c) 51% do capital social. endossáveis ou ao portador. c) ( ) Considere a seguinte situação hipotética: Abigail. e) tanto as companhias abertas quanto as fechadas somente podem emitir ações nominativas. 12.00.000. sempre que acionistas apontem atos violadores da lei ou do respectivo estatuto. Camilo e Dalva são sócios da empresa ABCD Comércio. cujo capital social é de R$200. o fato de uma pessoa. d) Nenhuma das alternativas está correta. observado o contrato social.00. julgue os itens abaixo (V ou F). para formar sociedade nova. b) ( ) No Direito brasileiro.000. é correto afirmar que: a) podem ser nominativas.190 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9. c) as companhias abertas podem emitir ações nominativas ou endossáveis. constituídas para esse fim ou já existentes. se parcial a versão. com participação de apenas 1% no capital social. inserta no Capítulo XVIII da legislação pertinente às sociedades anônimas. pelo menos: a) 5% do capital social. b) a modalidade de ações endossáveis somente é admitida nas companhias fechadas. para esse fim. b) 10% do capital social. Mas a lei exige. (JUIZ DO TRABALHO – 13a REGIÃO/PB) A exibição dos livros da sociedade anônima pode ser ordenada judicialmente.000. Bárbara. Abigail integralizou suas quotas. que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. R$50. a) Incorporação é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades. 11. de R$100. a qualquer tempo. e) 10% do capital integralizado. ser ou não inscrita no registro de comércio é juridicamente irrelevante para que ela seja considerada comerciante e para que lhe seja aplicado o regime jurídico dos comerciantes. física ou jurídica. (OAB – GO/1999) Assinalar a alternativa que corresponde à conceituação de INCORPORAÇÃO. porém as companhias fechadas podem emitir ações nominativas. R$40. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2000) Em relação às sociedades comerciais e ao registro mercantil. endossáveis ou ao portador. os papéis e livros da sociedade e o de tomar conta dos gerentes. d) as companhias fechadas ou abertas podem emitir ações nominativas ou endossáveis. . extinguindo-se a companhia cindida. o de fiscalizar. Bárbara e Camilo pagaram à 10. c) Incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra. respectivamente. Serviços e Representações Ltda. para uma ou mais sociedades.

b) à forma societária adotada. 14. cobrando-lhe o valor da dívida.00 e não as pagou. o sócio discordante pode pedir à sociedade que proceda à apuração dos haveres que possuir. Bárbara.000. Nos papéis da sociedade. .00. d) a nacionalidade do sócio majoritário de sociedade controladora. d) limitadas entre coligada e controladora.000.. Abigail contestou a ação.00.. Os sócios defenderam-se com a tese de nada deverem. c) a que vier determinada na convenção grupal. b) livremente admitidas.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 191 Série Impetus Provas e Concursos sociedade apenas R$5.00 cada um. c) ao acordo com os credores sociais. 15. por insolvência. e) ( ) Nas sociedades por ações em geral. para retirar-se da empresa. d) ao acordo entre sócios. ESAF (AFTN – SET/1994) As participações recíprocas entre sociedades são: a) formas de aumentar o controle de uma sociedade sobre a outra. o juiz agiu corretamente. sob o fundamento de já haver integralizado sua parte no empreendimento. e) exclusivamente ao fato de a sociedade ser ou não personificada. d) ( ) Considere a seguinte situação hipotética: Pedro Monteiro e Luís Cavalcanti constituíram a sociedade por quotas de responsabilidade limitada. ESAF (AFTN – SET/1994) O critério para determinar a nacionalidade dos grupos de sociedade no Direito pátrio considera: a) a nacionalidade da maioria dos sócios das sociedades grupadas.00. b) a nacionalidade da sede do grupo. A sociedade contraiu dívidas com Eliana no valor de R$300. esta era identificada como Monteiro & Cavalcanti Empreendimento. em razão do qual contraiu dívida de R$50. a sociedade firmou contrato com a empresa XYZ Ltda. se houver o ingresso de novo sócio. provando a insolvência da sociedade e cobrando-lhes o total da dívida. devido à natureza de direito pessoal que se forma entre os sócios e entre estes e a sociedade. o juiz sentenciou incorretamente. 13. um sócio pode opor-se ao ingresso. Usando esse nome e estando representada pelos sócios. pois a devedora era a sociedade. O juiz rejeitou a defesa e condenou os dois sócios.00. O juiz julgou o pedido de Eliana procedente em parte e condenou Abigail a pagar à credora o valor de R$89. Eliana acionou Abigail judicialmente. que não pagou. Nessa situação. com capital de R$100. Nessa situação.000. Dalva integralizou somente R$1. que foi totalmente integralizado. de um estranho na sociedade. e porque já haviam integralizado suas quotas. c) limitadamente admitidas. e) a nacionalidade da sociedade controladora. a responsabilidade dos sócios pelas obrigações da sociedade está relacionada: a) à formulação de pactos parassociais. ESAF (AFTN – SET/1994) Nas sociedades mercantis. com o nome Monteiro & Cavalcanti Empreendimento Ltda. A credora ajuizou ação em face dos sócios Pedro e Luís.000. Camilo e Dalva não possuíam patrimônio.000.000. Como a empresa. não eles. e) permitidas como resultado de fusão. por meio da aquisição de ações.

a) Trata-se de sociedade por quotas de responsabilidade limitada. b) debêntures. e) em conta de participação. c) bônus de subscrição. b) A sociedade constituída pelos sócios não poderá falir. c) por quotas de responsabilidade limitada.192 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 16. a falta de nome empresarial próprio e o fato de não estar sujeita às formalidades necessárias à constituição das demais sociedades comerciais são características da sociedade: a) de fato. trata-se de sociedade civil. . d) ações. e) Em face de seu objeto. pois não está registrada. haja vista ter sido omitida a expressão sociedade anônima. c) em nome coletivo. ainda que este não esteja registrado. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Divisão do capital social em partes iguais. 20. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) A inexistência de personalidade jurídica própria. ela sempre será sociedade comercial. consistente na participação nos lucros sociais. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Considerando uma sociedade que adote o nome empresarial Cia. b) Está incompleto o nome da sociedade. responsabilidade de seus sócios limitada ao valor de suas participações no capital social e uso exclusivo de denominação são algumas características das sociedades: a) anônimas. por extenso ou abreviadamente. 18. 19. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) João e Joaquim decidiram reunir capital e trabalho para. a) A sociedade constituída por João e Joaquim não será considerada mercantil. d) em comandita. c) O registro dos atos constitutivos dessa sociedade confere a ela personalidade jurídica própria. e) opções. e) anônima. Considerando que o acordo firmado entre os sócios não foi levado a registro em Junta Comercial. e) João e Joaquim somente serão chamados a responder com seus bens pessoais pelas dívidas que venham a contrair em nome da sociedade. 17. estranhos ao capital social e que asseguram a seus titulares crédito eventual contra a companhia. d) As sociedades comerciais adquirem personalidade jurídica a partir da celebração do acordo entre os sócios. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Títulos sem valor nominal. correspondem a: a) partes beneficiárias. assinale a opção correta. b) em conta de participação. d) Independentemente de seu objeto social. juntos. c) A responsabilidade dos sócios é ilimitada. haja vista não ter sido registrada em Junta Comercial. d) de capital e indústria. emitidos pelas sociedades anônimas. explorarem comercialmente atividade de compra e venda de mercadorias. Agrícola do Planalto. b) por quotas de responsabilidade limitada. assinale a opção correta. se for aplicada a teoria da desconsideração da personalidade jurídica.

404/76 com as alterações posteriores. controladoras ou controladas. . ao menos. e) administrar os interesses de todos os acionistas da sociedade. Z e W –. 24. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL/2002) A emissão de ações por sociedade em comandita por ações. d) ( ) A sociedade X deverá obrigatoriamente.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 193 Série Impetus Provas e Concursos 21. regida pela Lei n o 6. c) responsabilidade ilimitada de acionistas titulares de ações votantes por obrigações da sociedade. CESPE – UnB (AGU/2002) Para quatro sociedades anônimas – X. e) para os efeitos legais de responsabilidade. aprovada em assembléia geral. nas sociedades anônimas: a) administrar a companhia. c) ( ) De acordo com o conceito legal de sociedade controlada. no que se refere à participação acionária de uma sociedade em relação à outra. – W detém 20% do capital de X. Y. b) limitação das ações objeto da oferta a menos de 50% do capital social. 10% do capital da outra. – Y detém 30% do capital de Z e 55% do capital de W. uma vez que a coligação ocorre quando uma sociedade participa de. d) impossibilidade de acionistas comanditados limitarem sua responsabilidade pelas obrigações sociais. b) executar as deliberações da assembléia geral e do conselho de administração e representar a sociedade em seus atos negociais. e) ( ) Se a sociedade W for controladora de X. c) deliberar. no máximo. as ações de W pertencentes à companhia X deverão ter direito de voto suspenso. Nessa situação e considerando que. pauta-se por: a) emissão apenas de ações sem direito de voto para oferta pública. 23. devendo prestar contas de seus atos ao conselho de administração e ao conselho fiscal. 22. no seu relatório anual de administração. b) os membros do conselho de administração devem ser brasileiros. relacionar investimentos feitos na companhia Y e mencionar modificações ocorridas durante o exercício. as sociedades por ações são classificadas como coligadas. verifica-se que: – X detém 7% do capital de Y e 11% do capital de W. através de deliberações que satisfaçam os anseios dos investidores. e) inadmissibilidade do tipo de operar em bolsa. d) representar os interesses dos acionistas controladores na administração da sociedade. (BNDES/2002) Cumpre à diretoria. c) os membros do conselho de administração necessitam invariavelmente ter domicílio no Brasil. a sociedade Z tem possibilidade de ser controlada por Y. os diretores são considerados administradores e os membros do conselho de administração responsáveis pelo controle social. em relação à competência das assembléias gerais ordinárias. b) ( ) A sociedade Y é controladora de W. de ações preferenciais. sem controlá-la. julgue os itens abaixo (V ou F). a) ( ) X e Y são sociedades coligadas. ESAF (INSS/2002) Nas sociedades anônimas: a) os diretores devem ser acionistas titulares. administrar e executar os atos inerentes à vida negocial da companhia. necessariamente. d) a competência das assembléias gerais extraordinárias é formada por exclusão.

que se caracteriza por: a) ser contrato de estrutura aberta. c) redesenhar o controle da sociedade. notadamente aquelas entre marido e mulher. de dinheiro de contado para a instituição do capital social. Não tendo conhecimentos jurídicos.406/2001. qual dos sócios seria o gerente da sociedade. julgue os seguintes itens (V ou F). b) serão representadas pela entrada. 28. encerrando um direito patrimonial e um direito pessoal do sócio quotista. d) em nada se identificam com as ações das companhias por não ser possível adotar a divisão do capital social em quotas do mesmo valor nominal. d) facilitar a ação das minorias societárias. . advogado recém-formado. c) não se aplicar às companhias ou sociedades por ações. que facilitam a separação patrimonial. solicitaram a um amigo comum. CESPE – UnB (SEFAZ – MT/2002) Antônio e Benedito decidiram criar a firma AB Toldos Ltda. ESAF (AUDITOR DO TCE-PARANÁ/2002/2003) O negócio constitutivo de sociedades é denominado contrato plurilateral. é certo que as quotas: a) asseguram que a regra da limitação da responsabilidade dos quotistas seja absoluta.194 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 25. b) ser contrato cuja tipificação é apenas social. c) é titular de estabelecimento. e) determinar a regularidade do exercício de atividades econômicas. d) produzir separação entre patrimônios dos sócios e o da sociedade. Após feito e registrado o contrato na Junta Comercial. que elaborasse para eles o contrato social. 26. Procuraram novamente Carlos e solicitaram que ele procedesse à alteração do contrato social. FCC (MP – PE/2002) Na sociedade limitada. b) exerce atividade econômica com a colaboração de terceiros não-familiares. c) conferirão ao quotista. e) seja mercantil. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – AFRF/2002) Considera-se empresária a sociedade que: a) assume os riscos da produção. Antônio e Benedito descobriram que o amigo Carlos esquecera-se de indicar. b) dar-lhes estrutura típica. e) têm natureza bifrontal. 29. no referido contrato. Acerca da situação hipotética acima descrita. deixando expresso que tanto Antônio quanto Benedito poderiam atuar indistintamente como gerentes da sociedade. e) dificultar a criação de sociedades de pequeno porte. Carlos. apenas o direito à percepção de lucros e à partilha da massa residual. Lei n o 10. ESAF (AUDITOR – TCE – PR/2002/2003) A sociedade limitada prevista no Novo Código Civil. altera a disciplina atual das limitadas para: a) torná-las pequenas anônimas. como comercialmente. d) esteja matriculada no registro de empresas. exclusivamente. 27. ao serem integralizadas por ele. tanto civil.

c) a manutenção de proporção da participação dos acionistas no capital social. ESAF (PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL/2002/2003) A responsabilidade de sócios-gerentes das sociedades limitadas é: a) limitada à sua participação no capital social. . 31. d) o pagamento integral do preço de emissão em todos os casos.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 195 Série Impetus Provas e Concursos a) ( ) Ante a omissão do contrato social quanto à indicação do gerente. 34. a Junta Comercial deveria ter recusado o seu registro. salvo se for requerida autorização provisória à Junta Comercial. introduzidas no Direito Societário em 1976. perante credores sociais. c) unipessoais e pluripessoais. 30. são pouco utilizadas. b) alterar a proporção em que os sócios participam do capital social. embora subsidiária. por isso. b) a prévia aprovação da emissão pela assembléia geral em qualquer caso. se assim desejassem. 33. e) solidária com a sociedade em certas hipóteses. c) ilimitada na hipótese de delegação da função administrativa pelos atos do delegado. b) garantir a titularidade das participações que ficam lançadas em livros próprios de instituição financeira autorizada. caracterizam-se por: a) alterar as relações entre sociedades e credores. b) de pessoas e de capitais. ESAF (AFTN/2001) As ações escriturais e sem valor nominal. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) As operações de reorganização. d) solidária com os demais gerentes pelos atos de gestão. c) sucessão nas obrigações. 32. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A disciplina da emissão de ações pelas companhias prevê: a) a autorização prévia da CVM para emissões privadas. d) grupadas e isoladas. e) com finalidade econômica e com finalidade religiosa ou cultural. fusão ou cisão. c) dar notoriedade aos portadores. e) facilitar a negociação dos valores mobiliários pela inexistência de cártula. b) ( ) Enquanto não for realizada a alteração do contrato social. as sociedades são classificadas: a) empresárias e simples. servem para: a) reduzir a guarda de papéis e deságio. societária como incorporação. e) a possibilidade de emissões sem aprovação da assembléia geral. poderiam designar o amigo Carlos gerente da sociedade. c) ( ) Antônio e Benedito. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Nos termos do Código Civil. b) ilimitada. d) modificação da estrutura societária. d) dificultar a circulação das participações e. nem Antônio nem Benedito poderão exercer a gerência da sociedade. desde que fizessem constar expressamente a designação no contrato social. e) modificação tipológica em todas as hipóteses.

sempre que se verificar abuso da personalidade da pessoa jurídica em proveito de seus administradores ou sócios. g) ( ) Nas sociedades limitadas em cujo contrato esteja definido o exercício da administração por todos os sócios. e) que pode ser praticado de ofício pela autoridade administrativa ou pelo juiz. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2003) Marque V ou F. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. e) ( ) Nas sociedades simples puras (que não tenham outro tipo jurídico). em regra. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. por qualquer autoridade administrativa ou pelo Ministério Público. a fim de que os credores privilegiados recebam seus créditos. c) ( ) Em uma sociedade em conta de participação. os sócios não podem decidir contratualmente nem responder subsidiariamente pelas obrigações sociais. 36. se assim o fizerem. . se verificada fraude contra credores. c) privativo do juiz. b) ( ) Na sociedade não-personificada em comum. porém é válida cláusula do contrato social que limite a responsabilidade de um dos sócios nas relações entre eles. d) ( ) Em uma sociedade em conta de participação. a requerimento da parte. a requerimento dos credores privilegiados. a) ( ) Nas sociedades simples puras (que não têm outro tipo jurídico). o exercício desta não se estende automaticamente àqueles que se tornarem sócios após a efetivação do contrato social. pois. sem o benefício de ordem de primeiro serem executados os bens sociais. para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens de seus administradores ou sócios. o sócio participante é sempre responsabilizado nas obrigações sociais perante terceiro.196 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 35. participando os demais apenas dos resultados correspondentes. com prejuízo para os credores em virtude de decretação de falência ou insolvência. caso exerça o direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. é ato: a) privativo do Ministério Público. depois de executados os bens sociais. d) que o juiz pode praticar de ofício. b) que pode ser praticado pelo Juiz. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DE PE/2003) A desconsideração da pessoa jurídica. se caracterizado desvio de finalidade ou ocorrer confusão patrimonial. as responsabilidades perante terceiros decorrentes da atividade constitutiva do objeto social limitam-se. f) ( ) Nas sociedades em nome coletivo. os bens particulares de determinado sócio podem ser executados por dívidas da sociedade. a sociedade passa a ter natureza jurídica de sociedade em nome coletivo. ao sócio ostensivo. se caracterizado desvio de finalidade ou se verificar confusão patrimonial. sempre que houver encerramento irregular do estabelecimento comercial. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. a requerimento da parte.

c) estabeleceu que o excesso de poderes dos administradores pode ser oposto contra terceiro. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) Os administradores da sociedade anônima: a) podem ser pessoas jurídicas. e) permitem a transferência das quotas a estranhos. d) o contrato social poderá prever a regência supletiva pela Lei das Sociedades por Ações. b) sempre atribuem responsabilidade limitada aos seus sócios. b) todas as deliberações que envolverem compra. o sócio poderá ceder sua quota a não-sócios. d) permitiu que os poderes conferidos aos administradores pelo contrato social poderão ser alterados por voto de dois terços dos sócios. Não o fazendo. d) atribuem ao sócio uma distribuição nos resultados proporcional às operações por meio delas realizadas. d) somente podem ser responsabilizados por ação proposta mediante autorização da assembléia geral. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) Ao instituir a sociedade simples. 39. por voto da maioria dos demais. e) quando eleitos por minoritários. c) exigem que o sócio tenha. tendo ação regressiva contra estes quando forem inocentes. devem considerar-se representantes destes nos órgãos de administração. . c) qualquer sócio poderá ser excluído da sociedade. ser designado um representante residente e domiciliado no Brasil. 38. quando sua atuação estiver pondo em risco a continuidade da empresa. b) devem exercer suas funções em atendimento ao dever de diligência. uma quota ou ação do seu capital. o Novo Código Civil: a) adotou uma forma societária de estrutura menos complexa. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) As sociedades cooperativas a) podem ter o capital dividido em ações. 40. aplicar-se-ão sempre as regras da sociedade simples. devendo. desde que atuem profissionalmente no seu ramo de atividade. neste caso. exceto os créditos trabalhistas e fiscais. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) No novo modelo de sociedade limitada: a) continua sendo exigido que os administradores sejam necessariamente sócios. não respondendo pelos atos dos demais administradores. ao menos. própria para as microempresas. desde que não haja oposição de mais de um quarto do capital social.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 197 Série Impetus Provas e Concursos 37. provando-se que a limitação era conhecida deste. regendo-se supletivamente pela Lei das Sociedades Anônimas. e) impediu que os bens particulares dos sócios possam ser executados por dívidas sociais. e) no silêncio do contrato social. c) respondem solidariamente pelos atos ou omissões danosos dos demais administradores. alienação ou oneração dos bens do ativo permanente dependerão de prévia autorização por assembléia geral dos sócios. b) determinou que ela não pode ter filiais ou agências.

44. ESAF (PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2004) Uma sociedade anônima aberta denominada Banco de Taguatinga S/A. 42. d) o capital social é dividido em ações. 45. b) a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas quotas. ambos os bancos deixarão de existir. e) de transformação tipológica em qualquer circunstância.198 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 41. d) exercem atividade de intermediação na circulação de serviços. que apenas houve a assembléia geral. d) de combinação do corpo de sócios das envolvidas. b) têm como objeto atividade mercantil. c) de reordenação patrimonial. c) o conselho fiscal é obrigatório. não havendo solidariedade. o patrimônio dos sócios pode ser responsabilizado por obrigações da sociedade. e) foram organizadas para atividades econômicas. no caso da desconsideração da personalidade jurídica. b) caso seja realizada a fusão. c) a decisão final será do conselho de administração. ESAF (PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2004) Numa sociedade limitada: a) apenas sócios podem ser administradores. 43. com ações dotadas de alta liquidez e dispersão no mercado. . mas são outros os produtos ou serviços oferecidos pelo exercente da atividade. Nessa situação: a) trata-se de assembléia geral ordinária. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Diz-se que há sucessão comercial ou empresarial quando: a) o novo titular da atividade era sócio da sociedade que anteriormente exercia a atividade. b) destinada a aumentar o patrimônio líquido da incorporadora. c) têm como objeto a prestação de serviços em estabelecimentos especiais. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Sociedades empresárias são as que: a) têm como objeto atividade econômica organizada para mercados. b) o novo controlador fica obrigado pelas obrigações anteriores ao negócio de alienação do controle da sociedade. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Incorporação de uma sociedade por outra é operação: a) de liquidação da sociedade incorporada. e) não será necessária assembléia no outro banco. d) os titulares de ações sem direito a voto não podem sequer comparecer à assembléia. convocou uma assembléia geral para deliberar sobre realização de uma fusão com outro banco. d) não há mudança de denominação do estabelecimento. e) mantém-se a sociedade exercente da atividade embora com outros sócios. e) mesmo após a integralização de todo o capital social. c) a atividade exercida pelo empresário é imputada aos filhos que com ele trabalham.

localizado em outra unidade da Federação. necessariamente. respondem. a inscrição em registro competente do ato constitutivo da sociedade entre os dois. julgue os itens seguintes. encontra-se alugado. são aplicados no ativo patrimonial da referida sociedade empresária. 49. solidariamente e ilimitadamente. o imóvel alugado não faz parte do estabelecimento empresarial da mencionada pessoa jurídica. se for casado sob o regime de comunhão universal de bens. julgue os seguintes itens. O primeiro é sede da sociedade empresária. Nessa situação. a) ( ) Nas sociedades anônimas. b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2004) Quanto ao direito de empresa de que cuida o Código Civil. os sócios. julgue os itens que se seguem. b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. b) ( ) As sociedades em comum não possuem personalidade jurídica. mediante decreto. enquanto o segundo. em segunda convocação. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2005) Acerca da empresa e da teoria geral do Direito Societário. ante o aumento na demanda por seus produtos e diante da pretensão de aumentar sua produção. Nessa situação. bem como a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas. c) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. d) ( ) Considere que o Poder Executivo Federal defira. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2004) No que concerne às espécies societárias. c) ( ) Fernando não pode contratar sociedade com terceiros. a empresa se confunde com a própria atividade empresarial.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 199 Série Impetus Provas e Concursos 46. o ato constitutivo da referida sociedade deve conter cláusulas que indiquem. o referido decreto deve ser publicado na imprensa oficial da União. No acervo patrimonial de determinada pessoa jurídica. pessoas físicas ou jurídicas. com qualquer número de acionistas com direito a voto. a título de aluguéis desse segundo imóvel. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2005) Quanto ao Direito Comercial moderno. 48. 47. a assembléia geral é instalada. Um grupo de pessoas resolveu constituir sociedade cooperativa cujo objeto consistia na prestação de serviços de processamento de dados. Nessa situação. pelo perfil objetivo. a) ( ) Nas sociedades em nome coletivo. Antônia. julgue os itens a seguir. Os valores recebidos. que deve ser fixo e expresso em moeda corrente. artesã. jamais poderão contratar sociedade. requerimento feito por sociedade dependente de autorização. no prazo de trinta dias contados da data de sua expedição. d) ( ) Considera-se nula determinada cláusula contratual que exclua sócio de participar dos lucros e das perdas da sociedade. a) ( ) Os bens utilizados na atividade desenvolvida por microempresa e que a guarnecem são impenhoráveis. Ficou acordado que os dois dividiriam o lucro das vendas. a) ( ) Em conformidade com a teoria dos perfis da empresa. o capital social. pelas obrigações sociais. para que este financiasse sua atividade empresarial. Nessa situação. b) ( ) Se Francisco e Maria casaram-se sob regime de separação obrigatória de bens. decidiu constituir sociedade em conta de participação com Manoel. não confere personalidade jurídica à referida sociedade. há dois imóveis. . que pode ser escrito ou verbal.

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a exemplo dos arts. não podem ser aproveitadas indistintamente para todo o Direito Cambiário. Enquanto o Código Civil de 2002 provocou grandes alterações na parte do Direito relativa aos comerciantes e às sociedades comerciais. É justamente o que ocorre. encontrados como legislação complementar ao Código Comercial. porque o art. existem normas regulamentadoras específicas que traçam linhas diversas das contidas naqueles artigos supramencionados. 897 e 914. permitindo-se ao legislador ordinário dispor diferentemente das leis especiais que regulam cada tipo de título de crédito. tais como a impossibilidade de haver cláusula proibitiva de endosso (não à ordem). 887) da moderna Lei Civil tratar a respeito do tema. tentou introduzir mudanças substanciais. tornando inócuas as disposições do Código Civil. sob a coordenação do Deputado Ricardo Fiúza. regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código”. 890. são normas de caráter geral. 903 da mesma Lei Civil assevera: “Salvo disposição diversa em lei especial. Como bem escreveram os autores da obra Novo Código Civil Comentado. geralmente dispostas em diplomas legais específicos. o Direito Cambiário abrange os títulos de crédito com suas peculiaridades. as regras de Direito Cambial. Disposições Preliminares Considerada uma disciplina independente em relação às demais estudadas no Direito Comercial. o cheque e a duplicata. praticamente não mexeu nessa matéria. Acontece que. apesar de o Título VIII (a partir do art. O mesmo raciocínio pode ser repetido para os demais . ou a desoneração tácita do endossante da qualidade de obrigado indireto pelo pagamento do crédito (salvo cláusula em contrário). E não foi por falta de iniciativa do legislador. pelo menos no que forem contrárias. Para esses títulos.Capítulo 3 Direito Cambiário 1. a vedação ao aval parcial. sobretudo com a letra de câmbio. contidas no Código Civil de 2002. embora essas novidades constem do Novo Código. a nota promissória. que. em alguns momentos.

como o título de crédito tem força executiva. O meio próprio para tanto é a execução que pode ser direta (contra o execução. independentemente de um processo de conhecimento 3 conhecimento. 2000. que irão beneficiar os credores das obrigações.2 Podemos também aclamá-los como documentos necessários ao exercício do direito literal e autônomo neles mencionado.202 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel títulos. de conteúdo operacional. Aquele que obedece ao tradicional rito processual na Justiça. São Paulo: Saraiva. a fim de captar recursos de seu interesse. dos títulos de crédito. Decorre da característica da circulação própria circulação. ed. p. . A diferença é que esses outros são regidos por normas que não trazem a riqueza de detalhes dos primeiros. Esse atributo é conseqüência do fato de o título de crédito ter força de uma sentença judicial transitada em julgado. 3. faz-se a sua imediata cobrança com a penhora dos bens do devedor. indispensáveis à legitimidade da obrigação. igualmente possuidores de normatização própria. mas se distinguem dela na exata medida em que a representam. Segundo Nelson Godoy. Desse modo. Características dos Títulos de Crédito Por alguns autores denominadas princípios do Direito Cambiário são Cambiário. a cobrança judicial é mais eficaz e célere. próprio devedor) ou indireta (contra os coobrigados). São eles: • NEGOCIABILIDADE – é a possibilidade que tem o credor de negociar seu direito antes mesmo do vencimento da obrigação. o que permite a introdução de certas particularidades postas no Código. se este não pagar a dívida dentro de vinte e quatro horas. 4. Conceito de Títulos de Crédito Fábio Ulhoa Coelho ensina que: Os títulos de crédito são documentos representativos de obrigações pecuniárias. • EXECUTIVIDADE – permite ao seu titular buscar a execução imediata da obrigação. Vejamos: 2 3 Manual de Direito Comercial. 213. Atributos dos Títulos de Crédito São direitos reconhecidos aos seus titulares. 2. Não se confundem com a própria obrigação. 12.

) o possuidor de boa-fé exercita um direito próprio. não pode alegar uma situação pessoal com outrem. por exemplo. são intitulados títulos causais não causais. pessoais. de alongue anexada aos títulos para complementação do espaço para endossos.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 203 Série Impetus Provas e Concursos • LITERALIDADE – vale o que estiver escrito no título. De outra sorte. não será eficaz para promover omover-se execução. como prazo de vencimento. nota promissória poderem ser emitidos sem haver necessariamente uma causa que lhes dê origem.. que não pode ser restringido ou destruído em virtude das relações existentes entre os anteriores possuidores do título e o devedor. a fim de furtar-se ao seu cumprimento. pagando-o através do cheque . como a duplicata não se prendem a duplicata. Assim. tal singularidade. mas por dependerem da ocorrência de um fato para sua emissão.. Por isso. promover-se a execução • AUTONOMIA – cada obrigação constante em um título de crédito é autônoma em relação às outras. cláusula expressa em papel apartado não será considerada. Nesse contexto. a exemplo da letra de câmbio ou da promissória. é necessária a CARTULARIDADE apresentação do documento. I – o da abstração incomum à totalidade dos títulos de crédito.. ao emiti-la. Outros. também chamado de cártula (exceção para o protesto de duplicata. excetuando-se a folha alongue. por exemplo. No dizer de Vivante: (. a nulidade de uma obrigação não invalida as demais. Assim. cópia de um cheque. pois. havia concordado com seus termos. o devedor de uma nota promissória obriga-se a respeitar as condições inseridas no documento. Exemplo: se o direito de crédito relativo a um cheque for transmitido através de sucessivos endossos. • CARTULARIDADE – para o exercício do direito de crédito. pela obrigação resultante de um título. Alguns autores costumam subdividir essa última característica em dois subprincípios: abstração. Estes somente são gerados a partir de uma operação de compra e venda mercantil. valor etc. por existir qualquer vinculação entre eles e a situação que os motivou. Exemplo: Carlos adquire um computador de Manuel. que pode ser feito sem apresentação do documento). II – o da inoponibilidade das exceções pessoais Significa dizer que aquele que for regularmente demandado por um terceiro de boa-fé. o fato de haver vício em uma das assinaturas dos endossantes não terá influência sobre as restantes. Refere-se à possibilidade de alguns títulos.

Seu portador tem direito à prestação nele indicada. a saber: • AO PORTADOR – é o título que não indica o nome do beneficiário pelo PORT crédito. veda-se a possibilidade de transmissão através de endosso. pleitear em juízo perdas e danos contra Manuel.204 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel no 000001. se Manuel ainda fosse seu proprietário. Contudo. • NOMINATIVOS – são aqueles que identificam o credor. A Lei Federal no 8. alegando defeito da coisa comprada a Manuel. incapaz de ser percebido no momento da aquisição. a menos que se tratasse de falha formal no próprio documento. pois são emitidos NOMINATIVOS a favor de pessoa certa e determinada. que reputa nulo o título ao portador emitido sem autorização de lei especial. Há dois modos de circulação. Modo de Circulação É a forma como os títulos de crédito transitam entre seus titulares. a tradição é possível apenas por meio de uma cessão civil de crédito (conceito no item a seguir). ao menos enquanto não houver lei específica para esse fim. cujo nome deve constar da cártula. no mesmo exemplo. Carlos poderia defender-se da cobrança. 907 do Código. tão-somente.4 Por outro lado. descobre que o equipamento não possui a capacidade de memória que aparentava. admite-se a defesa do devedor. 4 Defeito oculto da coisa. Regina não tem nada a ver com aquela transação.021/1990 proibiu a circulação de títulos ao portador. Competirá a Carlos. maculado estava por um vício redibitório. mediante a simples apresentação ao devedor. Chegando em casa. 5. no valor de R$2. Neste caso. Entretanto. Essa norma vem sendo respeitada até hoje.000. A circulação se processa mediante a apresentação do documento. a exemplo da ausência do nome no cheque ou de adulteração visível no valor etc. Desta forma. b) não à ordem – com essa cláusula. merece atenção o art.00. quando o título encontra-se ainda em poder do primeiro titular do crédito. Carlos não poderá oporse ao pagamento do cheque. Da exegese podemos inferir que permanece a vedação à circulação desses títulos. endosso Essa disposição pode ser tácita. Subdividem-se em: a) à ordem – são títulos nominativos que podem ser transferidos via endosso. nunca uma exceção pessoal contra Regina. Manuel já havia endossado o cheque em favor de Regina. .

de endosso próprio c) endosso-mandato – quando não se transfere ao endossatário o direito de dispor do crédito. que passa à propriedade do endossatário. se realizado após o protesto. Utiliza-se a expressão “válido em garantia” ou “válido em penhora”. na qualidade de obrigado indireto. mas o de promover a sua cobrança. se assim não o desejar ou estiver impedido de fazê-lo (título com a cláusula não à ordem a saída é a cessão civil de crédito ordem). que endossatário é quem o recebe. Lavra-se com a assinatura do titular no próprio título. na qualidade de mandatário ou procurador. É importante destacar que o endosso é a forma usual de um titular de direito creditício. endosso em preto – quando se indica o nome do endossatário. Aquele que transfere o título chama-se endossante ou endossador enquanto endossador. se pagá-lo. impróprio. contudo. transferir seu bem. conforme explicitadas no quadro abaixo: . poderá usar o poder regressivo contra coobrigado que entrou posteriormente a ele naquela relação. Protesto • ENDOSSO – ato pelo qual se transfere a propriedade do título de crédito. a saber: a) endosso em branco – quando não se identifica o nome do endossatário ou favorecido. Contudo. penhora” É forma de endosso impróprio e) endosso póstumo – também conhecido como endosso tardio Ocorre após tardio. O endosso só pode ser total sendo nulo o endosso parcial. crédito. Há cinco tipos de endossos. dando quitação do título. Endosso. É forma b) próprio. impróprio. Produz idênticos efeitos àqueles efetuados antes do vencimento. o vencimento do título. não podendo ser processado em documento separado. que é instituto do Direito Civil igualmente eficaz para aquele objetivo. o segundo é a vinculação ao pagamento daquele que transferiu o crédito. representado por um título de crédito. Aval. obedecendo às normas do Direito Cambiário. tem poder regressivo pelo seu reembolso. por procuração ou para cobrança É forma de endosso impróprio d) endosso-caução – também chamado de endosso pignoratício é utilizado pignoratício. Significa dizer que o endossante assume obrigação solidária pelo pagamento do crédito. Utiliza-se a cláusula cobrança. ou depois do prazo limite para tal. Produz dois efeitos: o primeiro é a mudança de titularidade do direito expresso no título. Esse poder. Entretanto. mas com diferenças. não transferindo sua propriedade. seus efeitos serão os de uma cessão ordinária de crédito. Qualquer condição posta pelo endossante considera-se não-escrita. para dar o título como garantia de uma obrigação. só pode ser exercido contra quem se posicione em lugar anterior da cadeia de endosso Em outras palavras. nunca um endossante endosso. É forma de endosso próprio próprio. Aceite.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 205 Série Impetus Provas e Concursos 6. tanto que.

ligada à obrigação principal. assumida por terceiro. Pode ser total ou parcial. do Código Civil de 2002. É possível dispensar-se o protesto até mesmo para cobrança dos obrigados indiretos. desde que presente a expressão sem protesto ou sem despesa prevista no art. que se incorpora a ele como mais um devedor. Não se confunde com a fiança pois o aval é instituto próprio fiança.206 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • ACEITE – ato pelo qual o sacado reconhece a dívida. Com relação à fiança e ao aval. salvo se o regime for o de separação absoluta de bens. enquanto a fiança é uma garantia acessória. III. que impôs a necessária autorização do outro cônjuge para o ato. 1. .647. sendo autônomo e independente em relação às outras obrigações incidentes sobre o título. em se tratando de letra de câmbio ou de duplicata. que se guiava pela antiga legislação. ao passo que o aval materializa-se tão-somente com a aposição da assinatura do avalista no título. Em regra. Todavia. ou. do Direito Cambiário. Pode ser pelo valor total avalista. Na fiança é preciso fiança. • AVAL – é garantia unilateral e pessoal de pagamento do título. parcial. no caso de duplicata.663/66. Processa-se com a simples assinatura do devedor no anverso (frente) do título. 46 do Decreto no 57. apenas. Quem presta o aval chama-se avalista enquanto que avalizado é o beneficiário. servindo para garantir contratos. sendo dispensável quando o demandado for o principal devedor. A assertiva vem atualizar edição anterior. possibilita-se o protesto pela recusa do aceite. é forçoso reconhecer a exegese introduzida pelo art. • PROTESTO – é ato pelo qual se prova o não-cumprimento da ordem ou promessa de pagamento contida no título. despesa. protesto. ou simplesmente ausência de devolução do título remetido ao sacado para aceite. formalizar a obrigação por escrito. É requisito para cobrar-se um título dos obrigados indiretos. tem causa na falta de pagamento.

o art. vejamos o seguinte exemplo: “A” deve R$100. que deverá apresentar a obrigação. Assim. que o sacador dá ao sacado em benefício do tomador Do conceito. “A” pode emitir a letra em seu próprio favor. 7. hipótese que se assemelha a uma nota promissória. conta com os seguintes sujeitos: • sacador – é quem emite. O aceitante e seu avalista são os obrigados diretos da letra de câmbio. 3o da Lei Uniforme permite que uma pessoa ocupe simultaneamente mais de uma das três posições jurídicas. pode-se observar a presença de três pessoas. enquanto que o sacador. “B” (sacado) para que este pague a obrigação A par da formulação usual. “A” é credor de “B”. como vimos. da mesma forma. pela mesma quantia. será o principal devedor). a fim liquidar sua dívida. prazo. Legislação Aplicável Esta espécie de título de crédito é regulada pelo Decreto no 57. o emitente também pode ser o sacado da letra. • tomador – também chamado de beneficiário. subsidiado pelo Decreto no 2. Cada operação como essa irá trazer novos integrantes à cadeia. à vista ou a tomador.00 a “C”.663. • sacado – aquele contra o qual a letra foi emitida (aceitando.044/08. de 24 de janeiro de 1966. “A” (sacador) saca uma letra em favor de “C” (tomador). pois. 7. Para entender a posição de cada uma. o título é passível de um número ilimitado de endossos. Entretanto. será o credor do título. Figuras Intervenientes O vínculo jurídico constituído a partir da emissão de uma letra de câmbio pode contar com a participação de muitas pessoas.2. Letra de Câmbio Conceito Conceitua-se a letra de câmbio como uma ordem de pagamento. que irão interagir na relação criada. assim.1. constituindo-se em sacador e tomador ao mesmo tempo. com a Lei Uniforme de Genebra (LU).CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 207 Série Impetus Provas e Concursos 7. que introduziu no ordenamento jurídico brasileiro as normas estabelecidas na Convenção Internacional de Genebra. 7. em matéria de letras de câmbio e notas promissórias. os endossantes e seus avalistas são coobrigados ou obrigados indiretos.3. por sua vez. ao nascer. .

conjugado com a Súmula no 387 do STF 5 alguns dos requisitos de validade de uma letra devem estar completos. 2o). ou em branco. no nosso exemplo do item 7.1. • época do pagamento. e assim sucessivamente. Requisitos de Validade São requisitos de validade da letra (art. 3o do Decreto no 2. A supressão das datas do vencimento e de emissão. Por força do art. endossa-o a “E”. no lugar colocado ao lado do nome do sacado (art. que será considerada pagável à vista. enquanto que “A” será obrigado indireto ou coobrigado. 1o da Lei Uniforme de Genebra): • a palavra letra de câmbio. 7. como quantia a ser paga. pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. “B” será o obrigado direto pelo pagamento da letra. • nome do tomador (beneficiário). cada uma dessas pessoas irá constituir-se em obrigado indireto para com o credor do título. Outros. avalizando obrigação do endossante “D”. por sua vez. 11 da LU). toda letra é passível de endosso. momento do saque. são indispensáveis e devem acompanhar o documento desde a sua origem.5. nome e assinatura do sacador e o termo letra de câmbio. só é transmissível pela forma e com efeitos de uma cessão civil de créditos (art. • a quantia a ser paga. • nome do sacado.044/08. não no . 5 Súmula no 387 do STF: “A cambial emitida ou aceita com omissões. também assumirá o papel de coobrigado pela satisfação do crédito. além dos lugares de pagamento ou de emissão. 7. que.208 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Desta forma. salvo se contiver expressamente a cláusula não à ordem.” . mas por ocasião da cobrança e do protesto do título. por exemplo. nome do sacado. Na hipótese de “C” endossar seu título a “D”. • lugar do pagamento. desde que tenha aceitado o título. Neste caso. • data e lugar de onde a letra é sacada. O terceiro que entrar na relação.4. não invalida a letra. Endosso Em regra. • assinatura do sacador.

apenas . permite-se anexar uma folha de alongue alongue. nos termos de seu aceite (art. da LU).00. São elas: • endosso-mandato – não transfere a titularidade do crédito. inseriu a cláusula não à ordem “C”.6. Aceite O aceite não é ato obrigatório na letra de câmbio. Por isso. opera-se o vencimento antecipado em relação ao sacador. nos R$500. o aceitante fica obrigado. garantia. na qualidade de coobrigado. por parte do beneficiário da letra. se “A”. A esta condição dá-se o nome de endosso sem garantia Assim. pelo pagamento do título. O endossante é garantidor tanto da aceitação como do pagamento da letra. Por exemplo. 15. como detentor do direito literal escrito no ordem. Porém. se a ordem que lhe foi endereçada tem valor de R$500. no mesmo exemplo. Sua recusa. que endossa em favor de “E”.00. • endosso-caução – quando seu titular onera a letra com penhor. Insuficiente o espaço do título. A letra comporta outras duas formas de endosso. se “C” resolver endossar o título a favor de “D”. livre de qualquer modificação pelo sacado. salvo para um endosso-mandato (art. Nesta situação. Também se furta à obrigação de garantidor da obrigação o endossante de endosso efetuado posteriormente ao protesto por falta de pagamento. 18 da LU). mesmo que parcial.1. ainda aproveitando nosso exemplo do item 7. que poderá ser exigido de imediato. salvo se inserir cláusula isentando-se dessa responsabilidade (art. primeira parte. a única saída é uma cessão civil de crédito. em favor de um credor. como garantia da satisfação de uma dívida. não poderá endossá-lo a outrem.00. Para transmissão de seu crédito. apenas legitima um procurador para recebê-lo (art. 26 da LU). não estará ele compelido a aceitá-la. provoca o vencimento antecipado do título. ao emitir o título. podendo acontecer quantas vezes desejem seus titulares. Uma vez paga. mas tão-somente para o sacador. Aceitar parcialmente traz conseqüência similar à recusa total. Melhor explicando. A principal é o vencimento antecipado do título. ou seja. 20). 7. diz-se que o aceite deve ser sempre INCONDICIONADO. o endossatário não pode endossar o título. na hipótese de “D” colocar a cláusula sem garantia irá eximir-se da responsabilidade garantia. ou feito após expirado o prazo para fazer-se o protesto (art. mas o sacado só aceita R$250. Não há limites para o número de endossos de um título. retorna à posse do endossante. pois. ainda que o sacado seja reconhecidamente devedor da obrigação.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 209 Série Impetus Provas e Concursos Assim. título de crédito. 19 da LU).

através da cláusula não-aceitável proibir a apresentação do não-aceitável. Contudo. contudo. b) modificativo – quando o sacado altera qualquer outra condição presente na letra. 30 da LU). É que duas características permeiam a obrigação do avalista. O emitente pode. desde que não se trate de título pagável em domicílio de terceiro. se for detectado que a assinatura do avalizado posta no título é falsa. considera-se aval. 22 da LU). o sacado poderá ser cobrado regressivamente pelo sacador que pagar a obrigação. que é aquele que macula a própria caracterização do documento como título de crédito (art. 56 e 57 da LU). a descoberta não atinge a obrigação do avalista. Entretanto. enquanto o avalizado é o devedor em favor do qual foi dada a garantia (art. a primeira é a AUTONOMIA em relação à do avalizado. a exemplo do local de pagamento. que se incorpora à relação jurídica criada. estar atentos ao teor desse dispositivo. claro. avalizado. que é o ato praticado por terceiro. total ou parcial prestada por alguém parcial cial. título para aceite. Avalista é o garantidor. Deve. Aval Aval é a garantia de pagamento do título. 31 da LU). autônoma sua obrigação em relação à daquele. Se for colocada no verso. na parte que aquele aceitou. ou se o avalizado é civilmente incapaz. resultar de vício de forma. Nesta hipótese. Isto significa que. diferente do domicílio do sacado (art. Exprime-se pela simples assinatura do dador no anverso (frente) da letra. Temos duas formas de aceite parcial ou condicional: a) limitativo – ocorre quando o sacado concorda em aceitar apenas parte do valor constante da cártula.7. não significa que o título não vá ser apresentado ao sacado. Por exemplo. na verdade. mesmo se for considerada nula a obrigação do avalizado subsiste a do avalista. avalizado o sacador da letra (art. estranho ou mesmo já coobrigado na relação. a apresentação dar-se-á no vencimento. haver a indicação daquele em honra de quem foi feita a intervenção. 32 da LU). tentando evitar seu vencimento antecipado. caso não haja a indicação. que intervém para aceitar o título. deve conter expressão do tipo bom para aval com a indicação do favorecido. e diretamente para pagamento. Na sua omissão. Por ela. é necessária a anuência do portador da letra. que normalmente é o sacado. ainda. no entanto. toma-se o sacador por beneficiário. Possível o ACEITE POR INTERVENÇÃO (arts. salvo se a nulidade avalizado. 7. diferentemente do pagamento por intervenção. a obrigação do avalista não se contamina com qualquer causa presente na do avalizado. O avalista responsabiliza-se da mesma forma que o avalizado É. que se . Devemos.210 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel por ocasião do vencimento.

terá ação regressiva contra seu avalizado (B). se o avalizado. contra o outro avalista. 7. Por exemplo. • a um certo termo de vista – o vencimento conta-se a partir do aceite. 283 do CC/2002. se B1 e B2 resolvem prestar aval à prestação do aceitante B.00). se B1. 34 da LU). claro. nunca avalista seu (B1. 35 da LU).CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 211 Série Impetus Provas e Concursos mantém nas mesmas condições originais. pois não haverá solidariedade entre eles. se B1. distinguiu duas espécies de avais: o SIMULTÂNEO e o SUCESSIVO. De outra sorte. Porém. não estará obstado de executar o avalista pela totalidade da obrigação. Vencimento O vencimento da letra obedece à exegese do art. . De outra forma. em concessão de recuperação judicial. apresentar B1. que é reduzida para R$50. do devedor principal (B). põe-se em prática a regra da solidariedade passiva. 26. somente poderá reaver a metade do que pagou. Quer dizer que ele estará imediatamente após o avalizado. se B1 pagar a totalidade da dívida.00. avalista de B. só poderá acionar regressivamente o devedor principal (B). que deve ser em um ano após a emissão. por vontade do próprio sacador (art.1). O primeiro ocorre quando duas ou mais pessoas avalizam a mesma obrigação. Já o aval sucessivo é aquele que se materializa quando um avalista tem garantida sua obrigação por outro avalista (é o aval do aval). a característica da EQUIVALÊNCIA. 37 da LU). • a um certo termo de data – o vencimento será a tantos dias da data de emissão ou saque (art. poderá cobrar a integralidade de seu avalizado (B1) e. Na hipótese de B1 quitar integralmente o débito. • num dia fixado – o vencimento vem definido na própria letra (art. senão vejamos: • à vista – quando pagável na apresentação. conseguir a remissão parcial de dívida quirografária (letra de câmbio com valor de R$100. Igualmente podemos afirmar que. Neste caso.1 pagar. estaremos diante de um aval sucessivo. cita Fran Martins.8. que se coaduna com a exegese do art. quando não reduzido ou ampliado. prevista no art. pelo valor total que foi pago. 36 da LU). o credor. embora tendo perdido 50% de seu crédito para o devedor. Neste último caso. para fins da anterioridade-posterioridade. Não havendo aceite. 33 da LU. significa a posição em que o avalista coloca-se numa cadeia de obrigação cambial. Desta forma. considera-se a data do protesto (art. A doutrina.1 como avalista seu.

Importante destacar a obrigatoriedade de o credor dirigir-se ao devedor principal em primeiro lugar. E. O pagamento da cambiária provoca a extinção de todas. . como obrigado indireto (endossantes e avalistas). Se a regressiva de H for contra A. que é o detentor e credor da letra. sacada contra B. pois é ele que se obriga em primeiro lugar. muitas pessoas poderão assumir obrigação pelo pagamento do título. em favor de C. de outra forma. mesmo. estará correta assim: B-F-A-G-C-H-D-I. A. já que os demais permanecem passíveis de uma cobrança em regresso. F e B. Desta forma. A fim de simplificar o entendimento. Contudo. ficando o terceiro interveniente sub-rogado nos direitos emergentes da letra. ou nota promissória. A Lei Uniforme. permitindo-se a esse intentar ação regressiva contra os anteriores a ele. numa relação cambiária. em favor de B. estarão desonerados D e I. tanto que o devedor principal que paga livra todos os demais. a cadeia anterior-posterior . deve. É forma de liquidação do título por um terceiro que não participe da relação jurídica. se tivermos uma letra emitida por A. Caso o portador recuse o pagamento por intervenção. Caso não consiga recebê-la de B. permite ainda o PAGAMENTO POR INTERVENÇÃO. seja na condição de obrigado direto (sacado aceitante da letra ou emitente de nota promissória) ou. na hipótese de obrigarem-se os avalistas F G. H e I. Portanto. Pagamento Sabemos que. em seus arts. que endossou a E. 59 a 63. procurar B. algumas ou uma das obrigações contraídas por cada um daqueles agentes. respectivamente. no vencimento. sendo o pagamento efetuado por um co-devedor. Em resumo. perde o direito contra aqueles que teriam sido beneficiados. desoneram-se os demais situados na relação posteriormente ao que pagou. Melhor explicando.212 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7. que posteriormente endossou-a a D. se o devedor principal pagar o título. que é seu devedor principal. A. Seu efeito é o de desonerar os endossantes e avalistas posteriores ao signatário por honra de quem foi feito o pagamento. contra aquele por honra de quem pagou. este poderá propor nova ação contra B e F pois G e C não mais poderão ser cobrados. . ficando H com direito à ação regressiva contra C. estarão quitados todos os demais co-devedores. assim como contra os que são obrigados para este beneficiário. e mais. G. C e D. poderá dirigir-se a qualquer um dos coobrigados. que paga. caso o pagamento seja realizado pelo co-devedor que venha por último na relação cambiária.9. Fábio Ulhoa Coelho organizou relação de responsabilidade a qual denominou “cadeia anterior-posterior”. Na hipótese de conseguir recebê-la de H. a liberação terá efeito apenas sobre esse. não sem antes providenciar a certidão de protesto (exceto se presente a cláusula “sem despesas” ou “sem protesto”). sob pena de perder o direito contra os co-devedores. a regra é a da desoneração dos obrigados posteriores.

Contudo. a contar do dia em que o endossante pagou a letra letra. o crédito contra os obrigados diretos (aceitante e seu avalista). Não tirado o protesto pelo portador. contados vencimento. 53 da LU). . C. e seus avalistas.: existindo uma cadeia de endosso composta pelas pessoas B. despesas inserida pelo sacador da letra. 48 do Decreto no 2. seis meses – dos endossantes uns contra os outros.10. perde este o direito creditício contra os coobrigados da letra. No primeiro caso. pois. sua eficácia atingirá tão-somente aquele que a introduziu. por força do art. Ex. E. quais sejam: sacador. muito mais demorado que a ação cambial.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 213 Série Impetus Provas e Concursos 7. inclusive contra os próprios obrigados indiretos. 70 da LU): • três anos – todas contra o aceitante (sacado) e seus avalistas. credor da letra. D. endossantes e respectivos avalistas (art. o art. Para tanto. através do qual o credor pode promover a cobrança judicial da cambial sem que seja necessário regular processo de conhecimento. conseguir saldá-la com o endossante E. prevê-se a ação contra enriquecimento ilícito do sacador ou aceitante. desde que presente a cláusula sem despesas. contados do protesto ou do vencimento (tratando-se de letra que contenha cláusula sem despesas). acontece a prescrição do direito (art.044/08. Não impetrada nos prazos abaixo. 7. Ação de Cobrança É providência judicial cabível na hipótese de o titular da letra não ver satisfeito seu crédito literal nela constante. Apesar do título. se a hipótese for a negação do aceite. na hipótese de G. poderá dirigir-se regressivamente a F. enquanto que. ou contra o sacador • endossantes. antecederam na relação cambial Prescrita a ação cambial. mas apenas àqueles que o cambial. 46 da Lei Uniforme prevê a possibilidade de dispensa do protesto. este não dirigir-se regr egressivamente F. Proíbe-se o poder regressivo daquele que pagou contra coobrigados posteriormente posicionados na cadeia de endosso. conforme a nomenclatura constante do Código de Processo Civil. ou de um processo de execução. o prazo para sua execução é de dois dias após o vencimento. Protesto Já estudamos que o protesto cambial da letra de câmbio é ato extrajudicial fundamentado tanto na falta de pagamento como na recusa de aceite pelo sacado. trata-se de uma execução. Se posta por um dos endossantes. o portador terá até o fim do prazo de apresentação para procurar o cartório.11. Mantém-se. do vencimento • um ano – do portador contra o sacador (emitente) ou endossantes e seus avalistas. ou avalistas destes. faz-se necessário um regular processo de conhecimento (ação ordinária). F e G.

Outros. uma vez emitida. a nota promissória dispensa a participação de um aceitante da dívida. . a Lei Uniforme de Genebra.2. designada beneficiário beneficiário. passa a ser considerada título certo. considerando-se a aposição no título original como suficiente. 8. Por ser emitida pela mesma parte que se obriga ao seu pagamento. ou seja. Pode-se afirmar que.044/08. Legislação Aplicável Nota promissória é uma espécie de título de crédito regulado pelas mesmas normas disciplinadoras da letra de câmbio.214 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7. podendo ser cobrada diretamente do sacador que a gerou. 2) emitindo uma nova letra. 8. devidamente protestada e não prescrita. se algum obrigado indireto pagar a letra. com o objetivo de substituir a ação regressiva contra os demais co-responsáveis. ele poderá demandar os demais de duas formas (respeitando-se a regra da anterioridade): 1) por meio de ação regressiva. o que significa que. que será a cópia fiel da primitiva. 75 do Decreto no 57. Ressaque Ressacar é sacar outra vez. com os mesmos requisitos essenciais.663/66. subsidiado pelo Decreto no 2. especificamente a partir do art. Veremos adiante que muitos dos dispositivos legais aplicados às letras são apropriados também às notas promissórias. Nota Promissória Conceito Enquanto a letra de câmbio expressa uma ordem de pagamento dada pelo sacador ao sacado do título. destinam-se a regulamentar pontos singulares da NP.663/66. ou emitente do documento.12. através do qual se permite ao portador de uma letra que a tenha pago. 37 do Decreto no 2.044/08. 8. O ressaque deve possuir idêntica natureza do saque primitivo. de pagar certa importância em dinheiro a uma outra pessoa. tanto que se dispensa até novo aceite do sacado. proceder à emissão de um novo título.1. junto da qual deve seguir. introduzida na legislação brasileira pelo Decreto no 57. a nota promissória exprime uma promessa feita pelo próprio devedor. Tem previsão no art.

especificamente no que se refere a endosso aval vencimento pagamento. Vencimento. Requisitos de Validade Para ser considerada válida.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 215 Série Impetus Provas e Concursos 8. pois não há limite para o número de endossos. 8. Outra forma de inserir terceiros à relação jurídica é através do aval. • nome do beneficiário. transferindo-o por meio de endosso a uma terceira pessoa interveniente na relação. Com essas prerrogativas. vencimento. Protesto São concernentes às notas promissórias as disposições relativas à letra de câmbio. Salvo a data (se omitida. O avalista. teremos. será considerada à vista) e o lugar de pagamento ou emissão. ao prestar a garantia. • data e lugar de emissão. aval. a ausência de algum dos elementos discriminados provoca a desconsideração do título como nota promissória (art. • data do pagamento. • assinatura do emitente.5. cobrança. enquanto o endossador aparecerá como responsável indireto pela obrigação. que lhe será entregue após a emissão por parte do sacador. • promessa de pagar certa quantia. sacador ou subscritor. Neste momento. torna-se coobrigado da obrigação constante na cártula. • lugar do pagamento. 76 da LU). pois o endossatário assumirá a titularidade sobre o crédito. O beneficiário conservará a posse e propriedade do título. Ação de Cobrança.3. Endosso. senão vejamos (art. uma nota promissória deve conter alguns requisitos requisitos. Pagamento. 8. não dois. o titular do direito creditício poderá livremente negociar seu crédito. mas três sujeitos participando da relação jurídica formada pelo título. Figuras Intervenientes Na sua constituição. Muitas outras pessoas ainda poderão fazer parte do vínculo jurídico criado.4. 75 da LU): • a denominação nota promissória. observa-se a participação de duas pessoas componentes da relação jurídica: • emitente. ressaque. portanto. Aval. ação endosso. • beneficiário. de cobrança protesto e ressaque .

6. Igualmente é inadmissível o protesto por falta de aceite.6 O cheque incide sobre fundos disponíveis do sacador. o sacador já está aceitando o encargo dele decorrente. Por ser seu devedor principal. A conclusão doutrinária. como o prazo para esse tipo de vencimento deve ser contado a partir daquele ato. sacada por uma pessoa contra uma instituição financeira (a favor do sacado ou de terceiro). pelo Decreto no 57. 78 da LU). 9. 9. 1994. Considera-se que. ao proceder à criação do título. realizada em 1931. São Paulo: Meta. 8.2. logo. defendida inclusive por Requião. Legislação Aplicável O tema é disciplinado pela Lei Federal no 7. Direito Comercial. 9. inconcebível seria recepcioná-lo para as notas promissórias. de forma subsidiária àquela. Aceite O aceite não se aplica à nota promissória. • sacado – a instituição financeira contra a qual se saca o cheque. por tratar-se de uma promessa de pagamento declarada pelo próprio agente emissor. 9.595. Nesse contexto.357. 1. e. não há que se falar em vencimento antecipado por falta de aceite. Figuras Intervenientes Participam da relação jurídica decorrente do cheque as seguintes pessoas: • sacador – o correntista emitente do cheque. 6 MATIELO. ed. de 7 de janeiro de 1966. no Direito brasileiro. da Lei Uniforme do Cheque. que é a própria instituição financeira.1. . 88. reside no fato de a NP não admitir o aceite. p. o subscritor da nota promissória é responsável da mesma forma que o aceitante de uma letra de câmbio (art. em poder do sacado. • beneficiário – o favorecido a quem deve ser pago o cheque (pode ser o próprio sacador). Mário Eduardo. notas promissórias.216 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Exceção deve ser feita ao vencimento a certo termo de vista não-aplicável às vista. Cheque Conceito É o cheque uma ordem de pagamento à vista. de 2 de setembro de 1985. que nada mais é do que a inserção.3. sendo despiciendo exigir-se nova declaração de sua parte a respeito do débito. elaborada pela Convenção Internacional de Genebra.

. forma de cheque. salvo dolo ou culpa do correntista. ou de um cheque pago erradamente à pessoa estranha à relação jurídica. 39 da LC). considera-se o lugar junto ao nome do sacado. 32 da Lei no 7. 2o da Lei do Cheque. se pagar cheque falso. contudo. Obrigados avalista.4. Neste caso. se nenhum. Significa dizer que. não prejudica a validade do título como cheque. indiretos serão os endossantes e seus avalistas. salvo lugar de pagamento ou emissão e a data: • a denominação cheque – deve estar inserida no contexto do título. • lugar de pagamento – não constando lugar de pagamento. • data e lugar de emissão – não constando lugar de emissão. sem os quais o documento não valerá como cheque. • assinatura do emitente ou seu mandatário mandatário. 4o da Lei do Cheque. Características Principais Trata-se de título de modelo vinculado determinado pelo Banco Central. assim como o sacado (banco). mas civil). não é aceita como título de crédito. determinada. endossante ou beneficiário (não é responsabilidade cambial. contudo. ainda que contenha todos os requisitos ditados no art. pode a instituição financeira reaver o que pagou (art. Esta é a regra do art. 9. a exemplo de um cheque cruzado (aquele que deve ser depositado em conta) pago diretamente ao portador não-cliente.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 217 Série Impetus Provas e Concursos Obrigados diretos do cheque são o emitente e seu avalista se houver. considera-se o local indicado ao lado do nome do emitente. será o lugar de emissão. não sendo o beneficiário do título. O banco que paga cheque endossado obriga-se a verificar a regularidade. A ausência de provisão. 2o da Lei do Cheque enumera os seguintes requisitos. O art. o cheque deverá possuir fundos disponíveis na instituição financeira. falsificado ou alterado. Além desses. se designados vários lugares. Requisitos de Validade O art. Outra vinculado. não a autenticidade das assinaturas dos endossantes. 9.357/85 considera como não-escrita qualquer menção em contrário. considera-se o primeiro.5. Responde. • ordem incondicional de pagar quantia determinada • nome do banco sacado sacado. O cheque é uma ordem de pagamento à vista. mas ao tempo presente. pré-datado. Este se responsabiliza apenas quando processar pagamento indevido. mesmo pré-datado o banco não se deve vincular à data aposta para pagamento.

diploma legal limitou em apenas uma a quantidade de endosso permitida. os direitos resultantes do cheque. transmitir a titularidade do crédito representado no papel. Isso é lógico. salvo se. Em regra. parcial. O cheque. é bastante para concretizar o ato. por ser uma ordem de pagamento à vista. Aceite O cheque não admite aceite. Como conseqüência. se inserida qualquer condição para sua efetivação. não admite o endosso-caução endosso-caução.218 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O cheque não é papel de curso forçado É o que dispõe o art. lançados no verso do título. Quanto ao número possível de endossos. Entretanto. 9. 26 da LC). o 9. pode vendedor. n 8. considerando-se não-escrita qualquer declaração neste sentido (art.884/94. da operação De outra forma. .311/96. o endossante é garantidor do pagamento (coobrigado). O endosso parcial é nulo Outrossim. O endosso próprio transmite todos os direitos do cheque. a obrigação só se extingue com a sua compensação. comercial. a transferência opera-se via cessão civil de crédito crédito. permite o endosso-mandato pelo qual o portador pode exercer todos endosso-mandato. Endosso Permite-se o endosso próprio do cheque que. em uma transação comercial. como contrapartida operação. 92 da Lei Federal forçado. posto que o endosso não se subordina a nenhuma circunstância.7. nulo. é necessário fazer referência à Lei no 9. 6o da LC). contrapartida recusar o recebimento de cheque ofertado pelo comprador. considerar-se-á aquela como não-escrita. expressamente proibido endosso posterior. Nesse caso. A essa singularidade confere-se o nome de obrigação pró-solvendo pró-solvendo. que instituiu a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira – CPMF Esse . 21 da LC). Equivale afirmar que ninguém está compelido a recebê-lo como se fora dinheiro. o sacado (banco) não garante o pagamento do cheque.6. Significa dizer que não se permite ao endossatário. uma vez recebido o cheque. em preto ou em branco A assinatura do endossante juntamente com o nome do endossatário. já que o mesmo não detém a propriedade do direito. Endosso posterior ao protesto ou ao prazo de apresentação também produz efeitos de uma cessão civil de crédito crédito. como já mencionado. pode ser branco. o mesmo vier a ocorrer à revelia de tal vedação (art. por esse tipo de endosso impróprio. Exemplificando: o vendedor. Admite-se o pagamento parcial não se facultando ao portador recusá-lo. recebimento ofertado comprador. mas só pode lançar no documento endossomandato (art.

ou contra os endossantes e seus avalistas (coobrigados coobrigados). senão se considera avalizado o emitente (art. se o coobrigados. para fins de decadência do direito de ação cambiária. quando o título foi emitido pelo próprio devedor. portanto. prescreve em seis meses. parágrafo único). 29). desde que ainda não-prescrito (art. 9. do atributo da executividade. sendo cheque emitido em outro lugar do país ou até do exterior (art. Com relação aos obrigados diretos a Súmula no 600 do STF veio alterar o dispositivo diretos.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 219 Série Impetus Provas e Concursos Realmente. a qualquer adiamento daquele ato (cheque pré-datado). 30). que é o principal responsável pela sua solvência.8. seu beneficiário tem prazo de trinta dias. Após essas datas. 47 da LC). A partir dessa data. contados da data de expiração do tempo para apresentação (trinta ou sessenta dias da emissão). coobrigados Se o credor não apresentar o cheque ao banco no prazo legal (trinta ou sessenta dias). permanece o direito contra os obrigados indiretos (art. supramencionado. “faculta-se ao banco o pagamento”. contados da emissão. Ação de Cobrança Não honrado o pagamento pelo seu principal devedor (emitente). Em outras palavras. .10. exceto o sacado (art. conhecimento. e de sessenta dias. O aval deve indicar a pessoa avalizada. o título só pode ser cobrado via processo de conhecimento desprovido. A ação pode ser impetrada contra o emitente e seus avalistas (obrigados diretos obrigados diretos). 35. o prazo para se promover a execução (art. 59 da LC). No entanto.9. 33 da LC). para apresentação ao banco. Vencimento e Pagamento Vimos que o cheque é ordem de pagamento cujo vencimento é sempre à vista. Pode ser total ou parcial e exprime-se pela simples assinatura do avalista colocada no anverso do cheque (frente). Aval Permite o aval prestado por terceiro. 9. 31). portanto. a sua assinatura aposta no momento da expedição do documento já representa seu consentimento em relação ao débito. dispensando a exigência de apresentação ao banco. não se submetendo. não tem sentido cogitar o aceite de um cheque. O avalista obriga-se da mesma maneira que o avalizado (art. se for cheque da praça. 9. perderá o direito à ação de cobrança contra os coobrigados Claro que. banco aceitar a apresentação no lapso temporal que vai até seis meses do tempo de apresentação.

o efeito atingirá apenas aqueles (art. Ao banco proíbe-se o pagamento do cheque. fraude – caracteriza-se na forma deliberada do agente de fraudar o credor. com prazo prescricional da ação de cobrança (06 meses + 30 ou 60 dias = 210 ou 240 dias). se a vítima estava ciente de que não havia provisão de fundos. não observado pelo correntista. produz efeito em relação a todos os obrigados. não tipifica o crime. que se locupletaram injustamente com o não-pagamento do cheque (art. 210 ou 240 dias. 9. Essa condição. entre as partes e devolvido por falta de fundos • . o simples descontrole do saldo. Permite-se inserir no título a cláusula sem protesto ou sem despesa para dispensar despesa. e ainda assim apresentou o cheque ao banco. Protesto O protesto do cheque só pode acontecer motivado pela ausência de fundos disponíveis para pagamento. não há o tipo penal (como exemplo negativo. Para configurar-se. 50 da LC). no entanto. prescrição para ação de cobrança.220 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel ATENÇÃO! Não confundir prazo para apresentação ao banco (30 ou 60 dias da emissão). ATENÇÃO! Cheque sem fundos constitui tipo penal. contra o emitente e outros obrigados. decorridos dela. apresentado antes do prazo pactuado fundos). O instrumento legal que vem sendo empregado para tanto é a ação monitória. a necessidade do protesto contra os coobrigados. previsto no art. faz-se necessária a conjunção dos seguintes fatores: • dolo – é a intenção na finalidade do ato. contados a partir da enriquecimento. 61 da LC). se lançada por um endossante ou por avalista. mas não o é se o demandado for o emitente ou avalista seu. conforme o documento seja da praça ou fora dela A lei prevê ação de enriquecimento no prazo de dois anos. 171 do Código Penal. se posta pelo emitente. o cheque pré-datado.11. É exigível para propositura de ação de cobrança contra os endossantes e seus avalistas.

por insuficiência de fundos. 36 da LC. bancário – também conhecido por administrativo é emitido pelo próprio • administrativo. não pode ser sacado diretamente no caixa. mediante visto aposto no próprio título.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 221 Série Impetus Provas e Concursos • dano – necessário o dano patrimonial à vítima. considerando-se inexistente declaração pela qual se exima do cumprimento da obrigação. a diminuição do seu patrimônio (como exemplo negativo. no cruzamento. posto per manecer ele com mesmo promissória). permanecer não reduz o patrimônio do credor.12. Espécies Os cheques podem ser das seguintes espécies: • cruzado – atravessado por duas linhas paralelas. Se houver. o emitente deve garantir o pagamento do cheque. debita de imediato a quantia na conta do sacador. Sustação A lei admite a sustação do cheque. só a este poderá ser apresentado.13. Só produz efeito após o prazo de apresentação (trinta ou sessenta dias). • oposição – prevista no art. 35 da LC. a devolução. assim como a assinatura do sacador. Equivale a uma limitação de validade do título ao prazo de apresentação ao banco. como vimos. dependendo do local de emissão. Pode ser efetuada de duas formas: • revogação ou contra-ordem – prevista no art. • especial – confere ao seu titular o direito de emiti-lo além de sua provisão de fundos. Não sustado. o nome de um banco. Em ambas as formas. garantindo o cumprimento da obrigação. que. apenas cumprir a determinação. não compete ao banco julgar a relevância da razão invocada pelo emitente. que é ato privativo do emitente. 9. direito creditício advindo da nota promissória 9. será de trinta ou de sessenta dias. de cheque utilizado no pagamento de uma nota promissória reduz credor edor. . • visado – quando o banco. banco contra seu caixa. mas depositado em conta. • viagem – já contém a importância que deve ser paga. que pode dar-se mesmo durante o tempo de apresentação. Produz efeito a partir da cientificação ao banco. ou seja.

para sua existência. Com advento da Lei no 5. Duplicata 10. Ocorre que. já que poucos processavam a emissão de fatura. 2o da LD). permitia-se a emissão da(s) duplicata(s). passou a haver certa regularidade na emissão do título. dificilmente se dava a emissão de duplicatas em vendas com prazos abaixo daquele tempo. 2. especificando detalhes como: valor unitário. preço unitário etc. A respeito da faculdade de expedição da duplicata. Percebam que.222 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 10. quando realizadas vendas com prazo curto de recebimento. inclusive à vista. Da fatura. portanto. este deverá obrigatoriamente ser uma duplicata (art. Rubens. se da operação houver intenção de emitir um título de crédito. deixa de haver qualquer vinculação com a causa que lhe deu origem. São Paulo: Saraiva. de um documento chamado “nota fiscal fatura”. Daí ser um título causal posto que causal. desde que foi firmado um convênio entre os Estados para adoção. Conceito Requião conceitua duplicata como um título formal. circulante por meio de endosso. uma vez emitida. 7 REQUIÃO. Entretanto. Entretanto. Fran Martins lembra que. Daí. com escopo de servir tanto a fins contábeis como fiscais.1. Curso de Direito Comercial. como a duplicata pode nascer sempre da fatura ou da nota-fiscal-fatura. não importando se é à vista ou não. pelo fato de não ser obrigatória a emissão da fatura em vendas cujos vencimentos fossem inferiores a trinta dias. nesse período. constituindo um saque fundado sobre crédito proveniente de contrato de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços. p. os comerciantes que realizassem venda com prazo de pagamento não-inferior a trinta dias estariam obrigados à emissão de fatura da venda respectiva. A emissão da duplicata é facultativa. Esse documento tem a finalidade de discriminar o produto da venda. por parte dos comerciantes. assimilado aos títulos cambiários por força de lei. o comerciante era obrigado a extrair duplicata. em toda operação de compra e venda mercantil a prazo. quantidade.474/68. os comerciantes signatários que o adotarem obrigam-se à emissão em toda venda efetuada. 444. de concretizar-se um prévio negócio mercantil. V. depende. . de um título originado a partir de um contrato de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços. até 1968.7 Trata-se.

Sobre a triplicata.2. duplicata. seu direito sobre o título. permite-se ao proprietário de uma duplicata transferir. dizer que só é válida se emitida de acordo com especificações já definidas. • vencimento (ou declaração de ser à vista). seja como garantidor do obrigado direto ou de um dos coobrigados. o endossatário será o novo credor. permite-se a emissão da triplicata com os mesmos triplicata. Requisitos de Validade O art. de um novo documento com as mesmas características. aquele que se obriga a pagar a obrigação. • sacado – é o comprador. 10. Figuras Intervenientes Duas pessoas são necessárias à relação jurídica: • sacador – é o comerciante que vende a mercadoria (credor). Características Principais Assim como o cheque. • assinatura do emitente. 10. Documento emitido sem obediência àquele modelo não gera efeito cambial. Assim como os demais títulos cambiários. Trata-se. Em caso de perda ou extravio. a duplicata é título de modelo vinculado significando vinculado. hipótese em que se admitirá o ingresso de terceiros na relação originalmente criada.3. o art. • nome e domicílio do vendedor e do comprador. Prestando aval. na verdade. • número da fatura. • valor. .5. 2o da LD traz requisitos sem os quais o título não valerá como duplicata: • denominação duplicata data de emissão e número de ordem. o avalista também fará parte da mesma relação decorrente do título. ao menos quando houver perda ou extravio da duplicata. 10. • local de pagamento. • cláusula à ordem.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 223 Série Impetus Provas e Concursos 10.474/68 é o diploma normativo aplicável à duplicata. • aceite do devedor (sacado). o sacador assumirá o papel de obrigado indireto pelo crédito. Legislação Aplicável A Lei Federal no 5. requisitos e efeitos do original. por meio de endosso.474/68 reputa como obrigatória a sua extração. devendo-se observar idênticas formalidades daquela.4. Nesta situação. 23 da Lei no 5. efeitos e requisitos do documento original.

Aceite Diversamente à letra de câmbio. havendo sua devolução juntamente com exposição circunstanciada do sacado. 10. lastreada em uma daquelas razões. • divergências nos prazos ou nos preços. salvo nas seguintes situações (art. apesar de o dispositivo legal expressar a obrigatoriedade de emissão da triplicata. o aceite do sacado é obrigatório. 25 da Lei de Duplicatas assegura a aplicação das mesmas regras concernentes à letra de câmbio. o art. não implicam sua liberação de saldar a duplicata. vendedor. é preciso esclarecer que o título só é considerado não-aceito depois de configurado um dos motivos descritos acima. O art. 23 ainda está “contaminado” com a antiga obrigatoriedade da emissão da duplicata. muito menos desconsideração do documento como duplicata mercantil. claro na hipótese legal. Endosso Permite-se o endosso da duplicata. pois.7. como uma faculdade que detém o comerciante ou o prestador de serviço. relativas à forma de circulação das duplicatas. assim mesmo. 8o da LD. 8o da LD): • avaria ou não-recebimento das mercadorias quando a culpa for do mercadorias. e. sempre que acontecer a perda ou extravio da original. mesmo.6. que terá sempre como primeiro endossante o vendedor da operação de compra e venda que deu origem ao título. ser interpretado de forma diversa. Quando se ressalta a compulsoriedade do aceite na duplicata. . Ressalva para a impossibilidade de ser inserida a cláusula não à ordem desde a origem. a recusa do sacado em aceitar o título ou. a ausência de devolução dele ao sacador. Deve.224 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A doutrina acentua que. posto que a lei restringe a possibilidade de o sacado libertar-se da obrigação que lhe é apresentada apenas naquelas hipóteses. também o é a expedição da triplicata. • vícios na qualidade ou na quantidade dos produtos. ou seja. 10. Isso porque. sendo facultativa a emissão da duplicata. inexistindo uma das causas capituladas no art. Desta forma. não se deve tomar a disposição “ao pé da letra”. Obriga-se o comerciante que emitir duplicata ao registro no Livro de Registro de Duplicatas. Segundo Fran Martins.

10. presunção: não as devolve ao remetente. As normas para pagamento seguem as disposições aplicadas à letra de câmbio. 15 da LD): • se houver aceite do devedor – independe de protesto para propositura da ação de cobrança contra o obrigado direto. Aval Admite-se o aval. comunicação: descontadora do título. 10. contudo. devem ser obedecidas (art. retém a cártula. presumindo-se que ele concordou com o saque efetuado contra ele. b) por presunção acontece sempre que o sacado. essa forma é largamente usada no meio comercial. ordinário: condição que o torna título executivo contra o sacado. ainda que não haja a restituição da duplicata enviada a aceite. a duplicata só admite duas formas de vencimento: à vista ou num dia fixado no próprio título (art.10. Fora desses casos. 2o.9. para que esse aceite o débito custodiado no banco. para cobrar-se dos obrigados indiretos é necessário o protesto. c) por comunicação é forma pela qual uma instituição financeira. Se não houver indicação do avalizado. Algumas regras. III. ainda que posterior ao vencimento do título. 12 da LD). além de aumentar a quantidade de papel. Atualmente. o avalizado será o comprador. da LD). fere o princípio da cartularidade. devido à utilização mais corriqueira de meio magnético para substituir a emissão de papéis. este será considerado como aquele que vier indicado logo abaixo de sua assinatura. três formas de aceite do título: a) ordinário ocorre quando o sacado apõe sua assinatura no próprio título. o instrumento devido é a ação de cobrança.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 225 Série Impetus Provas e Concursos Devemos destacar. . contudo. 10. ao mesmo tempo em que remete ao sacado algum instrumento de comunicação. Ação de Cobrança Para cobrar-se judicialmente uma duplicata. produzindo idênticos efeitos (art. pois.8. independentemente de estar protestado ou não. Vencimento De forma diversa da letra de câmbio. vista. ao receber as mercadorias. Essa forma tem pouco uso.

8o. assim como do acompanhamento de documento que comprove a entrega da mercadoria. Protesto A duplicata pode ser protestada por falta de aceite.226 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • se não houver aceite nem devolução do título – depende de prévio protesto até mesmo contra o obrigado direto. 11. Perde o direito creditício contra endossantes e respectivos avalistas o portador que não protestar o título até trinta dias do vencimento. desde que tenha aceite. por solicitação do depositante. não se faz necessário o protesto. 13. A ausência do protesto. 8 Estabelecimento que tem por fim a guarda e a conservação de mercadorias depositadas. 13 da LD). por falta de aceite ou de devolução. processando-se por intermédio de indicação do credor (art. • um ano da data do pagamento – quando movida por um coobrigado contra os demais. Conceito O conhecimento de depósito é título representativo de mercadorias custodiadas em armazéns gerais 8 ao passo que o warrant representa uma garantia real sobre gerais. as mesmas mercadorias.11. Permite-se o protesto. Contra o devedor principal (sacado) e seu avalista. § 1o. Conhecimento de Depósito e Warrant 11. 10. legitimando seu portador na propriedade das mesmas. trata-se de uma exceção à característica da cartularidade. para fins cobrança do crédito. não impossibilita o mesmo ato lastreado na falta de pagamento. São emitidos pelo titular do armazém geral. Na verdade.1. . O primeiro substitui o recibo da mercadoria. de devolução ou de pagamento (art. 18 da LD): • três anos da data do vencimento – contra o sacado e respectivos avalistas. A prescrição do prazo para propor-se a ação dá-se (art. ao passo que o warrant é um título fundado numa garantia pignoratícia (vem de penhor) sobre as mercadorias depositadas. já que dispensa vista ao documento. • um ano da data do protesto – contra endossantes e seus avalistas. desde que não tenha havido recusa de aceite por um dos motivos previstos no art. Ambos são considerados títulos de crédito impróprios impróprios. da LD). ainda que sem a apresentação do título no cartório.

. • lugar e prazo de depósito. Uma vez expedidos. ele pode exigir a entrega de um simples recibo de depósito. basta alienar apenas o warrant. 17 do Decreto no 1. proíbe-se a penhora. Características Principais No warrant. o seqüestro ou qualquer outro embaraço que prejudique a livre disposição das mercadorias. Legislação Aplicável Regem-se pelo Decreto no 1. Requisitos de Validade O art. constará importância do crédito garantido. A posse e propriedade desses títulos irá permitir que o depositante capte recursos financeiros. 11. Para tanto. incapaz de armazená-los devido à ausência de instalações adequadas. requer ao armazém a emissão de um conhecimento de depósito. • declaração dos impostos incidentes sobre a mercadoria. sem obrigatoriamente abrir mão de seu domínio. imaginemos que um comerciante. documento legitimador de sua propriedade. Contudo.102. 11. 11. • data de emissão e assinatura do depositante. • nome do segurador da mercadoria e valor do seguro.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 227 Série Impetus Provas e Concursos Para entender a razão motivadora de alguém requerer a expedição dos títulos. sua profissão e domicílio. mas sem querer desfazer-se da propriedade de seu bem. de 21/11/1903.3. mantendo-se na propriedade do conhecimento de depósito. para só então poder ter a liberação dos produtos depositados. deverá satisfazer o direito creditício nele presente. • nome do depositante. necessitando de capital de giro para seu negócio.102/03 relaciona os seguintes requisitos impostos aos títulos: • denominação do armazém geral. 15 do Decreto no 1. resolva levá-los à custódia de um armazém geral.4. os próprios títulos podem ser penhorados ou arrestados por dívidas (art. Por ocasião do vencimento do warrant. e a retirada da mercadoria do depósito só poderá ser feita com a apresentação dos dois títulos. No entanto. que vem atrelado ao warrant. quantidade e demais especificações da mercadoria. legítimo proprietário de dez mil quilos de feijão. • natureza.102/03). Após o depósito da mercadoria.2.

102/03). Se for apenas do warrant. 18 do Decreto no 102/03). sendo do conhecimento de depósito a faculdade de dispor das depósito. O endosso de um e de outro confere ao endossatário direito de livre disposição das mercadorias. 903 do Código Civil de 2002. . Protesto Admite-se o protesto por falta de pagamento do warrant. Por força do art. terá que consignar principal e juros ao depositário. combinado com o art. 22 do Decreto no 1.6.7. 11. 11. aqueles financiamento. unidos ou separadamente (art. quando não satisfeita a obrigação nele constante. que imediatamente repassará ao portador do warrant (art. 25 do Decreto no 1. 897 do Novo Código Civil.102/03). Endosso Ambos os títulos podem ser transferidos por endosso. Possibilita-se até a venda em leilão das mercadorias necessárias à satisfação da dívida. Conceito Constituem títulos de financiamento assim compreendidos.5. cada endossante responsabiliza-se solidariamente pelo débito. implica o direito de penhor sobre as mercadorias. Não ficando integralmente quitada. aplicam-se as mesmas disposições relativas às letras de câmbio. 11. no peso ou na quantidade das mercadorias. 12. respeitados os direitos do credor. Aval Aplica-se o art. Perante terceiros. o portador do warrant pode impetrar ação contra os endossantes anteriores. portador do warrant (art. responsabiliza-se o armazém geral por inexatidões contidas nos títulos.228 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Se o portador do conhecimento de depósito intencionar retirar a mercadoria antes do vencimento da dívida constante do warrant. representativos de obrigações decorrentes de um empréstimo de capital liberado por uma instituição financeira. Neste caso. no que se refere à responsabilidade dos endossantes do warrant.102/1903. mercadorias. para haver o saldo. que veda o aval parcial. relativamente à divergência na natureza. Títulos de Crédito Rural 12.1. 18 do Decreto no 1.

dirige-se a um órgão integrante do Sistema Nacional de Crédito Rural.3. intitula-se de nota de crédito rural. assina. ocorre a liberação de verbas. Lá chegando. sob pena de vencimento antecipado de toda a dívida. até mesmo. dada por quem recebe o benefício da linha de crédito. 12. necessitando de recursos para incrementar sua produção.4.2. 12. posto fugir às normas gerais atinentes aos títulos de crédito mais conhecidos. Apropriada para financiamentos garantidos por um penhor sobre bens móveis. . Exemplificando: um produtor rural. satisfeitos todos os requisitos exigidos. 12. o título de crédito. cédula comercial) rural) para a construção da casa própria (cédula hipotecária cédula hipotecária). expressa na própria cédula (princípio da cedularidade). tanto para a indústria (cédula de crédito industrial como para o comércio (cédula de industrial). Assim nós temos: • cédula rural pignoratícia – disciplinada pelos arts. Figuras Intervenientes • Emitente ou sacador – é o produtor rural. quando não houver garantia real à dívida. que terá como favorecida a mesma instituição que está liberando o dinheiro para o emitente. através deles. pois. De outra forma. a aplicar o montante recebido na atividade declarada ao financiador. 14 a 19 do Decretolei no 167/67. • Beneficiário – é o organismo que liberou o recurso. é título de crédito impróprio. Este se obriga. Legislação Aplicável Regula-se pelo Decreto-lei no 167. de 14/02/1967. pessoa física ou jurídica. com o penhor ou hipoteca de bens. devedor do direito creditício. cédula cédula crédito comercia ou agricultura (cédula ou nota de crédito rural e. Características Principais O credor do título pode exigir uma garantia real ao empréstimo. Os títulos de financiamento em geral configuram-se como um importante meio de fomento da economia. Nestes casos. credor do direito creditício. os títulos são chamados de cédula de crédito rural. na qualidade de emitente.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 229 Série Impetus Provas e Concursos Igualmente ao conhecimento de depósito e warrant. Possuem natureza de uma promessa de pagamento em favor do agente financeiro.

aplicam-se as mesmas disposições relativas às letras de câmbio. mantendo-se a possibilidade de o aval ser parcial. assim entendidas as construções. O quadro-resumo da folha seguinte tem o objetivo de facilitar a compreensão da matéria. Protesto Não é necessário. 60 do Decreto-lei no 167/67. • cédula rural pignoratícia e hipotecária – disciplinada pelos arts. Apropriada para financiamentos garantidos por hipoteca sobre imóveis. 12.5. Endosso Por força do art. 25 e 26. 897 do CC/2002. normalmente mais requisitados nas provas de concursos. 27 e 28.7. combinado com o art. para assegurar o direito de regresso contra coobrigados.230 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • cédula rural hipotecária – disciplinada pelos arts. 20 a 24. instalações e benfeitorias. 903 do Código Civil de 2002. 12. respectivos terrenos.6. Utilizada para financiamentos desprovidos de garantia real. 12. 60 daquele Decreto-lei. Aval Também devido ao mesmo art. Abrange ambas as garantias numa mesma cédula. • nota de crédito rural – disciplinada pelos arts. . no que se refere à responsabilidade dos endossantes desses títulos. rurais ou urbanos. trazendo os principais elementos a respeito dos títulos de crédito próprios. não prevalece o art.

beneficiário – credor do título. à ordem proíbe-se o endosso.044/08. à exceção do endosso-caução (inadmissível) e do número ilimitado de endossos Capítulo 3 — Direito Cambiário Participam da relação jurídica original: sacador – quem emite o título. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio.663/66 Rege-se pela Lei Federal e. Rege-se pelo Dec. Rege-se pela Lei Federal no 5. de forma o o subsidiária. Participam da relação original: sacador – emitente e devedor. caução.aplicadas às letras de câmbio. pelo emitente. Participam da relação original: sacador – vendedor/ prestador de serviços (credor). sacado – banco. 231 Série Impetus Provas e Concursos . de forma subsidiária. no 57. beneficiário – é o credor do título (terá posse do docum.CAMPUS LETRA DE CÂMBIO Ordem de pagamento à vista ou a prazo. DUPLICAT DUPLICATA Saque efetuado pelo emitente. no 57. dada ao sacado. no 57. pelo e. pelo emitente. ou de prestação de serviços. sacado – devedor principal do título. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. que poderá Relativamente ao endosso. contra provisão de fundos em poder do próprio sacado. tomador – credor do título. CHEQUE Ordem de pagamento à vista. dada ao sacado. Dec. Dec. a partir de um contrato de compra e venda mercantil. pelo Dec.663/66 Rege-se pelo Dec. n 2.474/68. de forma subsidiária. além do endosso próprio. em favor do beneficiário.). Inserida cláusula não ordem. Relativamente ao endosso. sacado – comprador/ tomador do serviço. à exceção do momento de inserir a cláusula não à Admite o endosso. segue as mesmas regras ser: endosso-mandato ou endosso. em favor do beneficiário.595/66. n 2. pelo no 7. Relativamente ao endosso.044/08. NOTA NOTA PROMISSÓRIA Promessa de pagamento à vista ou a prazo. Participam da relação original: sacador – emitente e devedor. feita pelo emitente do título.357/85 e.

total ou Relativamente ao aval. mesmo. Se não houver aceite. segue as parcial. aceitável para evitar o vencimento antecipado. caso letras de câmbio. que poderá ser o sacado. posto ser Aceite do sacado é o título emitido pelo próprio obrigatório. Deve haver a indicação mesmas regras aplicadas às do favorecido pelo aval. assim como erros nos prazos ou nos preços. o sacador será devedor principal. o aceite parcial provoca o vencimento antecipado. ordem. adota as mesmas regras da letra de câmbio. vício na qualidade ou quantidade.311/96 limitou em apenas um). O avalista obrigar-se-á nas Relativamente ao aval. obrigando-se o sacado pelo que aceitou. Possível haver cláusula nãoaceitável. (a Lei no 9. . contrário será o sacador da letra. ou não-entrega do produto. apesar de não ser obrigatório. ordem que não pode ser desde a emissão do título. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. salvo por avaria devedor. posto ser o título emitido pelo próprio devedor. Apenas nestas hipóteses estará o sacado livre de responder pelo pagamento do título. Não admite aceite. Ressalva para a nãoindicação do favorecido pelo aval. Ressalva para a proibição de o aval ser prestado pelo banco.232 Série Impetus Provas e Concursos Cláusula sem garantia livra o endossante da obrigação pelo pagamento do título. Permite-se o aval. Direito Comercial — Carlos Pimentel Admite o aceite do sacado. Não admite aceite. A recusa do sacado ou. Relativamente ao aval.

No prazo de trinta ou sessenta dias. Caso esse não pague. Contudo. para. Capítulo 3 — Direito Cambiário mesmas condições do avalizado. faculta-se o pagamento. Após esse tempo. 233 Série Impetus Provas e Concursos . Vale a ação de cobrança. Não satisfeito o crédito. sem se respeitar a ordem pela qual se obrigaram. sem aceite – precisa do protesto até mesmo contra sacado. O pagamento deve ser exigido inicialmente do sacado. O pagamento da letra deve ser exigido primeiro do obrigado principal. só após. o título deve ser apresentado para pagamento. a saída é uma ação monitória. qualquer um dos obrigados indiretos poderá ser compelido a fazê-lo. a certo termo de data – tantos dias do saque. contados do fim do prazo de apresentação para promover a execução do título. conforme o cheque seja da praça ou não. seja contra o principal devedor ou contra devedores indiretos. segue as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. nos seguintes prazos: Relativamente ao pagamento. salvo aquele a certo termo de vista. o prazo de pode ser à vista ou num apresentação ao banco é de dia fixado. a certo termo de vista – tantos dias do aceite. Após esse tempo. No caso de não ser paga. a providência judicial cabível é a execução. num dia fixado – vem definido na letra. pelo fato de não admitir aceite. O vencimento da letra pode ser: à vista – será o prazo de apresentação. tem o credor o prazo de cento e oitenta dias. cobrarse de um coobrigado. O vencimento é sempre à O vencimento da duplicata vista. e até sua prescrição. segue as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. trinta ou de sessenta dias. obedecidas as seguintes regras: com aceite – dispensável protesto contra o sacado. se da praça ou não.CAMPUS Relativamente ao vencimento.

e seu prazo é o mesmo da prescrição (cento e oitenta dias do fim do prazo de apresentação). interposta contra o emitente ou coobrigados. não do aceitante. salvo se posta na origem. as regras são iguais àquelas das letras de câmbio. lembrando que a cláusula sem protesto vale para o endossante que a inseriu. A cláusula sem protesto dispensa protesto até dos coobrigados. O prazo da ação é: três anos do vencimento – contra sacado. É necessário contra coobrigados. ou protesto – contra obrigado indireto. enquanto. no segundo. No mais. O protesto de nota promissória só pode ser fundado na falta de pagamento. de aceite ou de devolução do título remetido ao sacado para aceite. não contra o sacado (com aceite). No primeiro caso. O protesto do cheque só pode ser fundado na falta de pagamento. fazê-lo. o prazo é de dois dias do vencimento. No mais. Direito Comercial — Carlos Pimentel O protesto da letra é fundado na falta de pagamento ou de aceite. qual seja: cento e oitenta dias do fim do prazo de apresentação. e com comprovante de entrega das mercadorias. É necessário para se cobrar o título de um coobrigado. O protesto da duplicata pode ser fundado na falta de pagamento. é até o fim do prazo de apresentação. um ano do protesto – contra coobrigados. O instrumento para tanto será igualmente a ação de cobrança. Esta segunda hipótese vale se o sacado não tiver razões fundadas no art. já que não admite aceite. as regras são iguais àquelas das letras de câmbio. e seu prazo é de trinta dias do vencimento. limitada ao prazo prescricional do cheque. 8o.234 Série Impetus Provas e Concursos três anos do vencimento – contra obrigado direto. um ano do venc. um ano do pagamento – poder regressivo. sei meses do pagamento – poder regressivo de quem pagou. .

(JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – 5 a REGIÃO/1999) A recusa do aceite pelo sacado de um letra de câmbio: a) implica o vencimento antecipado do título e torna o sacador o principal responsável pelo seu pagamento. assim como todos os endossos anteriores a esse evento. na cadeia de regresso.Exercícios 1. d) não pode restringir-se a apenas uma parte da obrigação. c) só se justifica no caso de vício da relação jurídica subjacente. para que possa gerar efeitos cambiais. e) representar garantia real sobre bens. reputando-se não-escrito o aceite prestado dessa forma. ESAF (AFTN/1994) O warrant é título de crédito que se caracteriza por: a) representar mercadorias depositadas. b) não admitir função diversa daquela que originou sua criação. e) só servir aos empresários. 2. b) ser independente de qualquer relação fundamental entre emitente e primeiro beneficiário. caracterizam-se por: a) ser numerus clausus. d) permitir o stoppage in transitu. e) deve ser comunicada por escrito ao sacador no prazo máximo de dez dias após a apresentação. que seja imputável ao sacador. criados para facilitar a circulação de direitos com segurança. b) torna ineficaz o aval dado antecipadamente. c) exigir. 3. ESAF (AFTN/1994) Os títulos de crédito. o conhecimento de todos. . c) servir para a transferência de propriedade de bens. d) não ser documentos de legitimação.

Não se admite. (JUIZ SUBSTITUTO DE 1 a ENTRÂNCIA/PE 2000) Em face do princípio da cartularidade. c) duplicata não-devolvida. não podendo o documento ser utilizado como fundamento para ação de locupletamento. em razão de o título de crédito ser oriundo de um contrato de compra e venda mercantil. desde que protestada e acompanhada de documentos que comprovem a entrega e o recebimento da mercadoria e que o sacado não tenha tempestivamente recusado o aceite. c) apenas poderá ser transmitida através do endosso parcial. e) é transmissível somente pela forma e com os efeitos de uma cessão de crédito. assim. porque sua emissão é nula. exige-se que o credor apresente o título – cártula –. porque não tem aceite do sacado. aplicável aos títulos de crédito. d) nota promissória protestada por falta de pagamento. e) debênture com garantia flutuante. b) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da data lançada na face do título. 6. vencida sem aceite e de valor inferior ao da fatura que lhe deu causa: a) poderá ser executada somente depois de protestada por falta de aceite e pagamento. na qual seria possível a execução do título sem que ele estivesse presente nos autos. d) em hipótese alguma é transmissível. porque o endosso parcial é nulo. ESAF (AFTN/1991) A nota promissória parcialmente avalizada com cláusula não à ordem: a) é transmissível pela via do endosso translativo. Uma hipótese que caracterizaria exceção a essa regra. 7. e) extingue-se o crédito do beneficiário. d) não poderá ser objeto de execução. em razão de ter valor inferior ao valor de emissão da fatura. b) não é transmissível. b) poderá ser executada. 5. representativa de contrato de compra e venda mercantil. (FISCAL DO TRABALHO/1994) Com relação a um cheque que não foi apresentado durante o prazo de apresentação fixado em lei. e) poderá ser imediatamente executada. c) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da data em que o cheque foi efetivamente emitido. é correto afirmar que: a) somente pode ser exigido em processo de conhecimento. d) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da expiração do prazo de apresentação.236 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 4. ESAF (AFTN/1991) Uma duplicata. . ocorreria em face de uma situação de: a) cheque furtado. que se inicie a ação cambial sem que a petição inicial esteja acompanhada do respectivo título de crédito. c) não poderá ser objeto de ação de execução. b) letra de câmbio não-aceita. a fim de que possa obrigar o devedor a efetuar o pagamento de sua dívida.

Acerca das características dos título de crédito. assim como a fiança. (OAB – RJ – AGOSTO/1998) O título de crédito que comporta declaração do principal devedor. Observa-se. mas só pode endossá-lo na qualidade de procurador. ainda que não contenham a cláusula não à ordem. c) warrant. possui natureza contratual. d) ( ) A abstração é a principal característica da duplicata mercantil. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O aval pode ser entendido como o ato por meio do qual determinada pessoa passa a responder. b) ( ) É nulo o endosso parcial. e) ( ) Em decorrência da autonomia das relações jurídicas. a) ( ) O aval possui natureza de ato unilateral de vontade.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 237 Série Impetus Provas e Concursos 8. 9. julgue os itens seguintes (V ou F) a) ( ) É o meio pelo qual se transfere a propriedade de títulos com a cláusula não à ordem. A propósito das peculiaridades desses dois institutos. . mas não pode endossá-lo. em face de determinado título de crédito. d) ( ) O avalista pode ser demandado independentemente de o avalizado ter sido demandado. (OAB – GO/1998) Em relação ao cheque. 10. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O jurista italiano Cesare Vivante definiu o título de crédito como o documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele mencionado. b) ( ) O benefício de ordem é comum a ambos os institutos. 11. b) ( ) A inoponibilidade de exceções em embargos propostos contra ação cambial é decorrência do princípio da autonomia das relações jurídicas. d) letra de câmbio. certa semelhança em seu funcionamento. b) cheque. quando um endosso contém a menção valor a cobrar. c) ( ) O aval. Esta definição tornou-se clássica por indicar duas das várias características aplicáveis aos títulos de créditos. consistindo na assinatura do seu titular lançada no próprio título. nas mesmas condições que a pessoa por ela avalizada. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O endosso é o meio de transferência de títulos de crédito. c) ( ) A afirmação de que os títulos de crédito valem pelas informações nele mencionadas está vinculada à sua cartularidade. e) ( ) Letras de câmbio são endossáveis. d) ( ) São modalidades de endosso impróprio o endosso-caução e endosso-mandato. é: a) nota promissória. julgue os itens a seguir (V ou F). d) o portador somente pode exercer os direitos resultantes do cheque com a prévia anuência do endossante. Acerca do endosso. confirmando a exatidão do saque. julgue os itens a seguir (V ou F). para cobrança. portanto. por procuração ou qualquer outra menção que indique um simples mandato: a) o portador pode exercer todos os direitos resultantes do cheque. b) o portador pode exercer todos os direitos resultantes do cheque. c) o portador não pode exercer os direitos resultantes do cheque. quando comparado à fiança. a) ( ) A literalidade está relacionada ao fato de que o credor de título de crédito somente pode exercer os seus direitos mediante a apresentação do título ao devedor. c) ( ) A legislação uniforme em relação à letra de câmbio e a nota promissória admite endosso sem garantia. o avalista de um título de crédito não pode alegar defeito de forma. 12.

presume-se o aceite. é inválida. contados da data de emissão do título. que também é fiador do contrato ao qual está vinculada nota promissória. Diante disso. executado por inadimplência. cuja função precípua é incorporar um direito de crédito. em ação regressiva. 15. é correta a decisão do juiz que acata a defesa de A e indefere o pedido de C. 14. Acerca dos títulos de crédito. Se for executado. Nesse caso. CESPE – UnB (INSS/1998) A respeito dos títulos de crédito. foram lançados três endossos. pelo fato de que a primeira é uma promessa de pagamento. ainda que não tenha sido aceita. entre outros aspectos. A defendeu-se. 16. X pode recusar-se ao pagamento. e este a endosse para C. como os princípios de literalidade. ainda. cobrar de E e de F. mas desde que protestada e acompanhada de documento que comprove efetivamente a entrega e o recebimento da mercadoria. B endossou a nota para C. F e G. julgue os itens a seguir (V ou F). por sua vez. consignando a promessa de pagar. o título a D.238 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 13. c) ( ) Considere que seja emitida um nota promissória por A em favor de B. De acordo com tais princípios. G pode. CESPE – UnB (FISCAL DE ALAGOAS/2002) O surgimento do crédito. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) A disciplina que rege os títulos de crédito norteia-se por uma série de princípios. que. D. a) ( ) Considere a seguinte situação: firmado um contrato entre A (obrigação de pagar) e B (obrigação de entregar coisa certa). abstração e inoponibilidade das exceções pessoais. E. por ser vinculada à de C. recusando o pagamento a C. obriga-se nos termos do contrato. constituiu grande passo para o desenvolvimento do comércio. a obrigação pecuniária assumida no presente. apresente o avalista X. no futuro. ligando em seqüência A. sendo que o primeiro deles contém declaração do endossante. d) ( ) O portador pode recusar o aceite por valor inferior ao consignado no título em face do princípio da literalidade. d) ( ) Notas promissórias não admitem aceite cambial. e) ( ) Pela simples assinatura do sacado. eximindo-se de garantir o pagamento do título. poderá ser executada. G cobre de D. que significa a confiança de uma pessoa em que outra cumprirá. lançada na face da letra de câmbio. e) ( ) O avalista. b) a exclusão de responsabilidade de todos os endossantes. o que vai implicar: a) a exclusão de responsabilidade do primeiro endossante. c) ( ) As notas promissórias distinguem-se das letras de câmbio. c) nulidade do título. b) ( ) Duplicata mercantil. endossando. facilitando a sua circulação. b) ( ) Considere que seja constituída cadeia cambial em letra de câmbio. autonomia. julgue os itens a seguir (V ou F). Um passo ainda maior foi dado com a criação dos títulos de crédito. d) considerar-se não-escrita a exclusão de responsabilidade. e que. alegando não ser obrigado. B. a) ( ) O prazo prescricional da ação executiva do cheque é de seis meses. que não paga. . julgue os itens a seguir (V ou F). (JUIZ FEDERAL – 5a REGIÃO/1995) Em uma nota promissória. alegando que sua obrigação. enquanto a segunda é uma ordem de pagamento. em face do descumprimento do contrato por parte de B. A emitiu nota promissória. em seguida.

d) é nula de pleno direito. no momento em que desejar exercer o direito de crédito. e) é exigível apenas do sacador e do sacado. ao portador. c) ( ) O nome do sacado. devendo. não poderá reendossá-la a outra pessoa. b) ( ) Trazendo o nome do beneficiário. uma vez que são estritamente vinculados ao negócio que originou o título. c) o protesto é necessário para o exercício da ação de execução dos devedores principais da obrigação cambial. porque. em regra. o cheque pode ser transferido mediante endosso. c) ( ) Na letra de câmbio. ficando o endossante. d) ( ) Na hipótese de o sacado recusar-se a aceitar a letra de câmbio. e) os coobrigados são devedores solidários de todos os outros devedores da obrigação cambial. mas este. isto é. podendo ser condicionado. e) ( ) Não se aplica ao cheque. b) é transmissível por via de endosso.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 239 Série Impetus Provas e Concursos a) ( ) O título de crédito é documento indispensável ao exercício do direito nele contido. 18. e) ( ) A letra de câmbio pode ser endossada em favor do aceitante. b) ( ) Os títulos de crédito são. o possuidor deve apresentar o título ao devedor ou à pessoa indicada para fins de pagamento. que. segundo a Lei Uniforme do Cheque. desde que o detentor do título concorde com o aceite e tenha feito antes o protesto. ESAF (BNDS/2002) No Direito Cambiário: a) as notas promissórias e os cheques independem de protesto para constituírem títulos executivos contra seus emitentes. segundo a Lei Uniforme do Cheque. 19. pode um terceiro aceitá-la. são requisitos essenciais desse título de crédito a ordem incondicional de pagar quantia determinada. regidos pelo princípio da concreção. o nome do banco ou da instituição financeira que deve pagar. o princípio da inoponibilidade das exceções. salvo estipulação em contrário. a data de emissão e a assinatura do emitente e a denominação cheque inscrita no título. d) a transferência das obrigações opera-se. o aval pode ser parcial ou total e pode ser dado por terceiro ou por signatário da letra. entretanto. c) só é transmissível pela forma e com os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. em regra. a) ( ) Segundo a Lei Uniforme do Cheque. a indicação do lugar de pagamento e de emissão. produz apenas os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. d) ( ) Em letra de câmbio. o endosso parcial é nulo. julgue os itens a seguir (V ou F). o nome da pessoa que deve pagar. no entanto. necessariamente. A doutrina trata-o como título de apresentação. . FCC (PROCURADOR DO ESTADO DO RS/1988) A letra de câmbio que não contenha cláusula à ordem expressa: a) é transmissível por via de endosso. CESPE – UnB (AGU/2002) Com referência ao cheque e à letra de câmbio. 17. por ter a obrigação de pagá-la. é requisito essencial da letra de câmbio. b) o endosso funciona como instituto de garantia ao cumprimento de quaisquer das obrigações assumidas no título. coresponsável pelo pagamento. nela constar para que possa produzir efeito.

com o objetivo de ter em mãos um instrumento capaz de propiciar-lhe o poder de cobrar o valor da venda: a) pode emitir qualquer título de crédito à sua escolha. porque o comprador poderá deixar de aceitá-la por qualquer motivo comercial. 23. b) a emissão da duplicata é sempre obrigatória. a) ( ) Devem ser emitidas sempre que se trate de venda a prazo. para enviar a duplicata ao devedor para cobrança e posterior protesto. b) deve redigir contrato escrito a ser assinado pelo comprador. d) serve para facilitar operações de garantia sobre produtos agrícolas. com duas testemunhas. c) é obrigado sempre a sacar duplicatas contra o comprador. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2003) Um dos instrumentos de grande utilidade na fiscalização do pagamento de tributos incidentes sobre o faturamento é a auditoria nos registros de duplicatas a receber. c) requer que o warrant esteja a ele ligado. entre outros. decorrentes que são dos contratos de compra e venda a prazo. e) é obrigado a sempre valer-se de banco. julgue os itens subseqüentes (V ou F). mas a duplicata é título de emissão facultativa. o vendedor. ESAF (AUDITOR DO TCE-PR/2002/2003) Tendo feito uma venda mercantil. d) pode emitir uma triplicata. diz-se que: a) são requisitos facultativos da duplicata. dispensado o reconhecimento de firma. e) transfere ao novo titular do documento a responsabilidade pela guarda dos bens. 22. e) é obrigatório que a duplicata seja garantida por aval e que o pagamento seja feito somente após o aceite. . para a imediata liberação das coisas em poder de terceiro. a praça de pagamento e a cláusula à ordem. d) o aceite da duplicata não é compulsório. no caso em que o comprador não haja devolvido a duplicata remetida para o aceite. FCC (MP – PE/2002) No que tange à duplicata mercantil. a compra contratada para pagamento em trinta dias. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE RECIFE/2003) A transferência de um conhecimento de depósito: a) indica que há mercadorias em trânsito. Relativamente a essa espécie de títulos – duplicatas mercantis –. b) ( ) Não se considera a prazo.240 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 20. para efeito de exigência da emissão da fatura. b) representa venda dos bens nele mencionados. 21. não há previsão legal para que a duplicata tenha vencimento a certo termo de data e a certo termo de vista. c) ( ) Diferentemente da letra de câmbio e da nota promissória. enquanto a extração da fatura é facultativa. c) a emissão de triplicata é obrigatória.

Após mais de dez anos de tramitação em ambas as Casas Legislativas. esta estava fadada à extinção. Chegando ao Congresso Nacional em 1993. Editado em um momento no qual a atividade industrial e de serviços no país estava ainda incipiente. a maioria com chances ínfimas de reaverem seus créditos. talvez fosse mais conveniente se o texto legal viesse em outra ordem. Uma vez falidas. do empresário e da sociedade empresária. Não se chegando a um acordo. de 09/02/2005. .101. teve vigência no Brasil o Decreto-lei no 7. Sob o fundamento de preservar e estimular a cadeia econômica. passa-se à recuperação judicial ou. regulador das falências e concordatas. recebeu o número 4. até. Devido à intenção do legislador.376/93. porque a recuperação extrajudicial deve ser a tentativa inicial. inclusive aqueles que antes serviam à atividade fim do negócio. realizada entre devedor e credores. nesta ordem. quase sempre por descumprimento das metas estabelecidas para o processo. levando consigo emprego e renda dos trabalhadores. com a recuperação extrajudicial em primeiro lugar. à falência. Quanto à empresa. visando à satisfação dos credores. o que se podia observar era a alienação de todos os bens arrecadados. seguida da recuperação judicial e da falência. que regula a recuperação judicial. Sim. no mês de dezembro de 2004. foi elaborado projeto de uma nova lei de falências para o país.661/45. não se preocupou o legislador da época com a recuperação e a conseqüente manutenção da atividade produtiva. sua redação foi finalmente encaminhada à sanção presidencial.Capítulo 4 Direito Falimentar INTRODUÇÃO Por mais de meio século. para sanar problema de fluxo de caixa do devedor. a extrajudicial e a falência. quando se transformou na Lei Federal no 11. tanto que mais de 80% das empresas concordatárias eram levadas à falência.

sem haver sucessão das obrigações trabalhistas ou tributárias do falido. antes proibida pelo art.661/45. é novidade no Direito brasileiro. Estes. Diminuindo-se esse encargo. 60. Claro que essa medida eleva as chances dos que vierem em seqüência. O mesmo pode ser dito para a limitação imposta aos créditos trabalhistas. pode contribuir para estimular o desenvolvimento da economia. mediante instrumentos que preservem a capacidade da empresa de gerar riquezas para o país.242 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entendam que. com conseqüente investimento na produção. . não é requisito obrigatório percorrer os outros dois processos. quando se concedeu prioridade àqueles com garantia real (penhor. pois não estarão adquirindo igualmente seus passivos. Quando observamos os processos de recuperação extrajudicial e judicial. inclusive de natureza tributária. Ambos os processos. Basta ver a prioridade para alienação do ativo na falência. A segunda é sucessora da concordata. Essa pretensão pode ser observada em dispositivos que transmitem a disposição do Governo Central em preservar ativos que contribuam para a produção industrial. Tal permissivo abre grandes chances de negócios para aqueles que resolverem apostar no soerguimento de empresas que atrevessem momentos de dificuldade financeira. enquanto que a extrajudicial. prevê. da forma como acontece na falência. Sustentam os defensores da nova lei que a maior segurança emprestada aos detentores de tais créditos – geralmente as instituições financeiras – é decisiva para a diminuição das taxas de juros cobradas dos empresários. sem a sucessão do arrematante pelas obrigações daquele. surgiram sob o fundamento de propiciar ao empresário instrumentos rápidos de solução das suas dificuldades. ficando o excesso equiparado aos credores quirografários do falido. em detrimento dos fiscais. muitos terão acesso a mais financiamentos dos bancos. parágrafo único. hipoteca). que é dada ao estabelecimento empresarial como um todo. tampouco a recuperação extrajudicial tem que anteceder a judicial. Isso significa que alguém poderá adquirir apenas a empresa. igualmente podemos perceber a preocupação com a preservação do cenário produtivo. o art. A título de exemplificação. sem se tornar também coobrigado pelo seu passivo. na recuperação judicial. para acontecer a falência de uma empresa. quando ultrapassarem a cifra de cento e cinqüenta salários mínimos por credor. os chamados spreads bancários. 2o do Decreto no 7. a possibilidade de alienação de filiais ou de unidades produtivas do devedor. Também a mudança feita na ordem dos créditos habilitados em uma falência. no entanto. Não é isso. na relação de credores. O que o legislador pretendeu foi oferecer alternativas para o empresário e seus credores resolverem problemas de inadimplência de seus créditos. perdem a prioridade no recebimento.

que era aplicada quando já existia falência instalada. com relação à aplicação e vigência da nova lei. . algumas regras precisam ser respeitadas. conforme veremos no item 2. estudadas ainda neste Capítulo (art. caput e parágrafo 1o).661/45. 197). A exegese não se aplica ao plano de recuperação judicial de microempresas e empresas de pequeno porte. mesmo.2. continuam valendo as disposições do antigo decreto. diferente da antiga concordata.7. quando da vigência da nova lei. não mais será possível a concessão de novas concordatas. a que se referem os arts. senão vejamos: a) para os processos de falência ou concordata ajuizados anteriormente ao início de sua vigência. esta lei é aplicada subsidiariamente à legislação que trata da liquidação extrajudicial de instituições financeiras e equiparadas. na forma da lei (art. com ressalva para os créditos trabalhistas. No entanto. Por último. Ainda assim. mesmo. deste Capítulo. não engloba apenas os créditos quirografários. desde que cumpridas as exigências no âmbito daquele processo. e) da mesma forma que o antigo Decreto no 7. a concordata será extinta. Advindo a recuperação judicial. não há qualquer empecilho para o devedor pleitear a recuperação judicial. 70 a 72 (art.661/45. instalação de um processo de concordata. nem a suspensiva. d) a falência das concessionárias de serviços públicos implica a extinção da concessão. 192. 195). e os créditos quirografários submetidos à concordata serão inscritos na recuperação judicial pelos seus valores originais. c) em se tratando de falências decretadas no curso da vigência da moderna lei. parágrafo 4o). mas todos (algumas exceções serão tratadas no item específico). a ordem de prioridade no recebimento é determinada no plano de recuperação apresentado pelo devedor em juízo. marcada para 09/06/2005. 192. b) na hipótese de já existir prévio pedido ou. já se aplicam as novas regras (art. parágrafos 2o e 3o). mesmo. Neste último caso. seja a partir da convolação de antigas concordatas ou. 192. deduzidas as parcelas pagas pelo concordatário.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 243 Série Impetus Provas e Concursos Ainda na recuperação judicial que. desde essa data. 201 o prazo de cento e vinte dias após a publicação para entrar em vigor. sendo o pedido de falência ajuizado ainda na vigência do Decreto no 7. conclusão de possível inquérito judicial (art. independentemente da formação do quadro geral de credores ou. a nova lei autoriza a alienação dos bens da massa. mas não concluídos. estabelece o art.

a não-suspensão de contratos de arrendamento mercantil de aeronaves. através do qual se arrecadam judicialmente os bens do falido.1. assim considerados de acordo com a qualidade de seus créditos. 1. enquanto que outros demandam dívidas de natureza tributária. mesmo. ou até com prazos curtos de recebimento. Os iguais. tampouco a recomendada aos empresários. consubstanciada justamente no desfavorecimento de parte dos credores do devedor. prescrevendo a igualdade de oportunidades dos que tiverem legítimo interesse na percepção de valores devidos por um empresário insolvente. cuja ordem de abordagem não será a mesma da nova lei. . relacionada esta à real probabilidade de cumprimento obrigacional pelo devedor. Esses e outros pontos serão desenvolvidos a seguir. já começando. num estudo pormenorizado de cada um dos capítulos da Nova Lei de Falências. inclusive. que se encontre em situação de iminente dificuldade financeira.244 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel f) salvo para as empresas aéreas. 199). a faltar com compromissos monetários assumidos. A expressão par conditio creditorum exprime a condição de equivalência em que se encontram os credores admitidos em um processo de falência. Neste quadro. Assim. Falência Disposições Preliminares Define-se falência como um processo de execução concursal do devedor insolvente. essa lei não terá aplicação para as outras pessoas jurídicas que já eram excluídas do regime da concordata (art. ainda. Por isso se diz que a execução dos créditos é concursal ou coletiva. Continuando nesta condição. logo seus credores irão perceber que correm o sério risco de não conseguir a satisfação de seus direitos. o Direito tutelou o interesse de todos. mesmo se decretada a falência ou a recuperação da empresa. não havendo espaço para ações individuais. uma vez que os demais não poderão reclamar suas obrigações antes dos vencimentos. irão obviamente ter maiores chances de escapar de um calote. aqui entendido como um empresário individual ou. 1. poderemos encontrar alguns respaldados em indenizações por acidentes de trabalho. aqueles que forem detentores de créditos já vencidos. a fim de satisfazerem seus credores. uma sociedade empresária. Há também os que possuem créditos lastreados em uma garantia real (hipoteca. terão tratamento paritário. mas a que entendo de melhor didática. Para evitar tamanha injustiça. de um universo de credores habilitados em uma falência. Imaginemos determinado empresário. ainda. penhor) ou. O parágrafo 1o do mesmo artigo ressalta. aqueles que nenhuma garantia têm (quirografários).

para se atingir o percentual naquela categoria de credores. Claro que. mesmo. ou não. a exemplo dos bancos. h) sociedade seguradora. já que a totalidade de seus débitos será executada. mesmo sendo reputadas empresariais. os antecedentes devem ter sido satisfeitos. o art. situada praticamente no final da relação. . c) instituição financeira.2. o efeito prático dessa medida será apenas o momento do pagamento. e outras a todas essas equiparadas por lei. f) entidade de previdência complementar. da nova lei. Caracterização da Falência Para se materializar o estado falimentar. ou. se o falido dispuser de um ativo capaz de satisfazer todo o seu passivo. É evidente que. são excluídas do regime jurídico falimentar. 1. que possibilita a extinção das obrigações do falido apenas com o pagamento de 50% dos créditos quirografários (o dispositivo correspondente no antigo decreto previa percentual de 40% do passivo). Logo. a falência é. na hipótese de haver. três pressupostos principais devem estar presentes. por alguns. condenação do devedor por crime falimentar. i) sociedade de capitalização. g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde. desde que esgotado todo o ativo. b) sociedade de economia mista. podem até vir a falir. que sofrem regulamentação específica. devido ao permissivo contido no art. como veremos no item 3 deste Capítulo. algumas organizações. • DEVEDOR EMPRESÁRIO A falência atinge de forma restrita os empresários individuais ou sociedades empresárias. pelo decurso do prazo de dez ou de cinco anos após o encerramento da falência. Contudo. e) administradora de consórcio.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 245 Série Impetus Provas e Concursos Todos deverão ser agrupados na conformidade da qualidade de seus direitos. a um crédito quirografário ser classificado de forma equivalente a um tributário. Outras questões pontuais a respeito do processo são esboçadas na seqüência. 158. considerada um favor legal. inciso II. não se permitindo. Os parcialmente excluídos. No que pese a imposição advinda de autoridade judiciária. d) cooperativa de crédito. 2o exclui da aplicação da lei as seguintes empresas: a) empresa pública. parcial ou totalmente. pública ou privada. mas apenas em situações especiais. por exemplo.

incisos I.656/98. e) qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título.404/76 que proibia a falência das sociedades de economia mista. tudo devidamente protestado. Servem à materialização da hipótese os títulos de crédito em geral. f) vício em protesto ou em seu instrumento. 96: a) falsidade de título. materializada por um ou mais títulos executivos protestados. não há mais que se falar em tal possibilidade. da Nova Lei de Falências. conforme citação anterior. Com relação à falência requerida com base no art.246 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A sociedade totalmente à margem do procedimento falimentar em nenhuma hipótese pode se submeter ao favor legal. INSOLVÊNCIA • INSOLVÊNCIA DO DEVEDOR A configuração do estado de insolvência não deve ser assimilada no sentido estritamente patrimonial (passivo maior que o ativo). Para essas. que poderia ser qualquer um. ao menos a partir da exclusão de dispositivo da Lei no 6. 23 da Lei Federal no 9. relacionadas no art. II e III. O inciso I enfoca a impontualidade injustificada de obrigação líquida. 51 desta lei. que trata da documentação necessária ao pedido. que dispõe sobre planos e seguros privados de assistência à saúde. senão com a existência de um novo texto legislativo específico. Observem que a lei também deixou de fora de sua regulamentação as sociedades de economia mista e as empresas públicas. c) nulidade de obrigação ou de título. pois. o devedor pode obstar a sua instalação se conseguir provar uma das seguintes hipóteses. assim como certidões da dívida ativa. Nesse ponto. 94. I. Operadoras de plano de assistência à saúde encontram-se nessa situação. a exemplo do que ocorre com os bancos nãofederais. especialmente as primeiras. Tal dispositivo previu a possibilidade de liquidação extrajudicial daquelas instituições. se dúvida havia quanto à possibilidade de virem a falir. desde que comprovada a inadimplência através da certidão de protesto. b) prescrição. 94. por força do art. mas de acordo com as hipóteses fáticas enumeradas pelo art. observados os requisitos do art. o legislador aumentou a exigência ao processo. não havia um limite mínimo de valor necessário ao requerimento. d) pagamento da dívida. cuja soma ultrapasse quarenta salários mínimos vigentes na data do pedido. g) apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo da contestação. . na vigência do antigo decreto.

não legitimam o pedido de falência. Entretanto. por título executivo. por parte do empresário. assim como as despesas que os credores fizerem para tomar parte na falência. c) transfere seu estabelecimento a terceiro. 2o do Decreto no 7.661/45. salvo se sobrarem bens suficientes para solver o passivo. mesmo. refere-se de forma restrita a obrigações líquidas já executadas em juízo. com objetivo de retardar pagamento ou fraudar credores. comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas. basta que tenha havido a liquidação e partilha de seu ativo. como veremos mais adiante. O inciso II. sem o consentimento de todos os credores. dizendo respeito ao não-cumprimento do plano de recuperação judicial que. Aqui estamos falando do descumprimento de uma sentença judicial transitada em julgado. remissão de créditos. O inciso III relacionou os chamados atos de falência Percebam que. Por último. onde o credor. o rol de tais créditos. constava de seu art. o parágrafo 2o do mesmo artigo dispõe a respeito de créditos que. 5o da nova lei. . Em se tratando de sociedade anônima. ao se remanejar o teor do inciso I do art. o que se fez foi retirar uma que tratava da convocação extrajudicial de credores pelo devedor. para uma das hipóteses de não-cumprimento de obrigação pecuniária. houve a inserção de uma. legislador não colocou como causa a ausência de uma prestação pecuniária como fizera nos dois primeiros incisos. mesmo líquidos. 2o do antigo decreto. obteve decisão favorável ao seu pleito. diferente do anterior. mas o cometimento de certos atos tidos como maléficos ou mal-intencionados. aqui. como demonstrado há pouco. para impedir a falência.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 247 Série Impetus Provas e Concursos h) cessação das atividades empresariais mais de dois anos antes do pedido de falência. Vejamos todas elas: a) procede à liquidação antecipada de seus ativos ou lança mão de meios ruinosos ou fraudulentos para realizar pagamentos. não deposita ou não nomeia bens à penhora suficientes para o pagamento do débito. b) realiza negócio simulado. 94. o que era proibido. o qual não prevalecerá contra prova de exercício posterior do atro registrado. no inciso II do art. Em seguida. na vigência do decreto. uma justa correção foi realizada. como as obrigações a título gratuito. exceto custas judiciais decorrentes de litígio com o devedor. quando a parte não paga. De outra forma. As alíneas a seguir são quase uma repetição das constantes no art. que. 23. pois nela não se pode reclamar. não estipula um patamar mínimo de valor para a causa. equivaleria ao plano proposto pelo extinto devedor concordatário. contudo. aparece de forma restrita no art. a fim de lhes propor dilação nos pagamentos ou. o falência.

não deixando representante capaz de saldar suas dívidas. Merece atenção o teor do parágrafo 1o do art. a exemplo da sociedade de economia mista.3. em momento posterior à constituição do crédito. até o prazo de um ano da morte do de cujus. Outras. Por se tratar de procedimento judicial.248 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor. como as instituições financeiras ou cooperativas de crédito. quando já liquidado e partilhado seu ativo. a sua existência depende de provocação ao Poder Judiciário. e) dá ou reforça garantia real a algum credor. 96. conforme citado no item anterior.10. g) deixa de cumprir. possuem normas específicas a serem aplicadas em momentos de crise. no prazo estabelecido. 2o da Nova Lei. abandona o estabelecimento ou se oculta propositadamente. no item antecedente. regulado pela Lei de Falências. Entrementes. É o caso dos bancos. obrigação assumida no plano de recuperação judicial. A simples tentativa desta prática já tipifica o ato. deste Capítulo. contudo. que prevê a falência do espólio de devedor empresário. Mais detalhes sobre a sentença serão estudados no item 1. DECLARATÓRIA FALÊNCIA • SENTENÇA DECLARATÓRIA DE FALÊNCIA Completa os pressupostos a própria sentença de falência. sociedades empresárias ou apenas empresários individuais. não se submetem às normas da lei falimentar. salvo se sobrarem bens suficientes para saldar o resto de suas obrigações. 2o. introduz-se o devedor em um regime jurídico específico. a respeito de certos devedores que. Vimos. prevalece a vedação do já citado art. com aproveitamento subsidiário da nova lei. a falência. Nesta segunda hipótese. em situações extremas. como acontece com as sociedades de economia mista. o que reza o art. Esta pode ser denegatória ao pedido ou declaratória. Sujeitos Passivos da Falência A falência é um instituto privativo de devedores empresários. admitindo-se para elas. assim como a proibição de falência para as sociedades anônimas. 1. Percebam que as entidades para as quais existem leis especiais onde há previsão para virem a falir devem se guiar pelos respectivos diplomas. mesmo classificados como empresários. não existindo previsão legal em lei própria. f) ausenta-se. Para os demais tipos de sociedade . independentemente de serem registrados em Junta Comercial. que irá se manifestar através de sentença. como prevê o art. 197 desta.

Na verdade. Com relação aos impedidos para o exercício da atividade empresarial que a exercerem. 22. . Outra hipótese para se chegar a uma falência é a previsão contida no art. parágrafo Credores. mesmo no prazo de dois anos após o encerramento de suas atividades. que diz respeito à rejeição. requerer a falência do devedor ao juiz. Nesta condição. persiste a visão doutrinária quanto à submissão ao procedimento falimentar. mas tem capacidade processual. 97: autofalência. mas um conjunto de coisas destinadas a um fim por vontade legal. assim como pela comunhão de interesses dos credores (massa falida subjetiva). Daí ser considerada uma universalidade de direito. por parte da Assembléia Geral de Credores do plano de recuperação judicial proposto pelo devedor. no caso de autofalência prevista nos arts. nos termos do art. de acordo com o art. a autoridade judiciária fará a convolação da recuperação judicial em falência. nos termos do art. compete ao administrador judicial. Neste caso. Não possui personalidade jurídica. a massa deve ser entendida tanto como o complexo formado pelos bens e direitos arrecadados do falido (massa falida objetiva). conforme dispuser a lei ou o ato constitutivo da sociedade devedora. 4o. Contudo. assim como o inventariante do espólio. caput.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 249 Série Impetus Provas e Concursos empresária. o credor deverá prestar caução pelas custas judiciais e indenização decorrente de dolo no requerimento. 53. deverá apresentar certidão de inscrição na Junta Comercial. inciso II. através do administrador judicial (antes denominado síndico da massa). conjunto de todos os bens e direitos arrecadados do falido. 56. herdeir deiros • o cônjuge sobrevivente e os herdeiros do devedor. pode haver a falência. não. quando o mesmo julgue não atender os requisitos legais para sua recuperação judicial. Também é possível que a falência seja proveniente da conversão de um processo de recuperação judicial. Em outras palavras. devedor. não é considerada uma pessoa jurídica. credor empresário edor.5. quando não houve o cumprimento de qualquer obrigação considerada essencial. ao mesmo tempo em que representa o interesse dos credores do falido. • o próprio devedor. A definição não parece errada.4. assim como se permite ser demandada judicialmente. 105 a 107. • o sócio cotista ou acionista da sociedade devedora. alínea b. 1. • o credor empresário ou não Sendo empresário. no prazo máximo de um ano da morte do devedor. 1. mas incompleta. Se não residir no Brasil. a massa pode ingressar em juízo na defesa de seus direitos. Sujeitos Ativos da Falência Podem requerer falência do devedor. A Massa Falida Quando falamos em massa falida normalmente temos a idéia de que seja o falida.

conforme art. A respeito do MP. tais como: a) nomeação e destituição do administrador judicial. que será subsidiária da pública. na forma prevista nos arts. inciso III. c) julgamento das contas do administrador judicial e encerramento da falência.661/45. responsabilizando-se por atos de interesse da massa. foi vetado o art. . Os demais – o juiz e o Ministério Público – mantiveram-se como órgãos de presença obrigatória na falência. 142 a 148. termo de compromisso por parte do administrador judicial. A sentença que decretar a falência ordenará a intimação do Ministério Público. 22. Detém atribuição para oferecimento de denúncia por crime falimentar. 183 a 188. • O MINISTÉRIO PÚBLICO Esse órgão atua no processo como fiscal da lei. As razões do veto são no sentido de evitar uma obstaculação do processo. b) escolha da modalidade de alienação do ativo. que terá atuação obrigatória no processo. 4o do projeto. na forma estipulada pelos arts. como veremos em seguida. à exceção daqueles absolutamente impenhoráveis. • O JUIZ É a autoridade judiciária designada para presidir o processo. parágrafo 1o. cujo parágrafo único previa a intervenção desse órgão em toda ação proposta pela massa falida ou contra ela. caput. cujo teor veremos no tópico a seguir. enquanto a figura do síndico cedeu espaço para o administrador judicial. buscando sempre o cumprimento de seu papel constitucional na defesa do interesse público. 1. 154 a 156. Órgãos da Falência São órgãos da falência as instituições designadas na lei para atuarem diretamente no processo falimentar. assim como a fixação de sua remuneração e de seus auxiliares. a massa se forma de um ato contínuo à assinatura do compromisso. 24. XIII. de acordo com os arts.250 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Sob a visão puramente objetiva. conforme dispõe o art. Em relação ao antigo Decreto no 7. cada uma dentro de suas respectivas competências. surgiram a Assembléia Geral de Credores e o Comitê Geral de Credores. realçando que a omissão do órgão na promoção da denúncia gera direito a qualquer credor habilitado ou ao próprio administrador judicial para a iniciativa da ação penal privada. O produto dos bens penhorados entrará para a massa. É essa pessoa que irá promover a arrecadação e avaliação de todos os bens e documentos do falido. fazendo parte de um inventário.6. e art. 99.

No primeiro caso. na disposição do art. documentos e bens do falido (incluem-se os particulares do empresário individual ou. Sua remuneração é fixada pelo juiz. • O ADMINISTRADOR JUDICIAL A este compete a administração da falência. parágrafo 2o. ou contra o processo de alienação de ativo da massa. Em se tratando de recuperação judicial. b) dinheiro. valem tanto para a falência como para a recuperação judicial. no prazo de quarenta e oito horas. sócio de responsabilidade solidária e ilimitada). destacando-se a possibilidade de apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores a que se refere o art. 143. d) bens de terceiros em poder do falido. antes existente nas falências. Em seguida. o administrador judicial será pago proporcionalmente ao trabalho realizado. parágrafo 2 ): a) livros obrigatórios e auxiliares do falido. 7o. Na hipótese de ser substituído. O administrador veio a substituir a figura do síndico. Em se tratando de pessoa jurídica. Também não terá direito à remuneração o administrador que tiver suas contas desaprovadas. 21. Essas últimas disposições. obrigatória indicação do profissional responsável pela condução do processo. a remuneração do administrador judicial tem como limite máximo o percentual de 5% dos créditos submetidos ao processo. parágrafos 3o e 4o. mesmo. 110. preferencialmente advogado. 32). será escolhido alguém idôneo. não pode ser superior a 5% do valor de venda dos bens. 24. documentos e demais bens da massa. Depois de nomeado. a título de depósito. economista. de acordo com a capacidade da massa. que se encontram no art. administrador de empresas ou contador. parágrafo único). dolo ou descumprimento das obrigações fixadas na lei. papéis. salvo se renunciar sem relevante razão ou for destituído de suas funções por desídia. c) bens da massa em poder de terceiros. penhor ou retenção. a fim de proceder ao inventário da massa massa. guarda. quando provocados por dolo ou culpa (art. . assinar termo de compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo. A função de administrador é indelegável e ele responde por prejuízos que causar à massa. sob a imediata direção e superintendência do juiz. que não poderá ser substituído sem autorização do juiz (art. hipótese em que não terá direito à remuneração.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 251 Série Impetus Provas e Concursos Outras prerrogativas possui o MP. o No inventário constarão (art. o administrador será intimado para. por tratarem de matéria comum aos institutos. Pode ser pessoa física ou jurídica. providenciará a arrecadação dos livros. culpa. ao devedor ou aos credores. Na falência.

252 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Dispõem os arts. senão vejamos: a) vetado. onde constarão os atos necessários à administração da massa. 22. responsável por tomar decisões que influenciam diretamente o resultado da falência. tudo objetivando o melhor resultado para a massa. que enfoca a obrigatoriedade da entrega de um relatório em juízo. Não pode. e alíneas. em se tratando de bens perecíveis. cuja regulamentação de constituição e funcionamento vem expressa em seus arts. quirografários. valores do passivo e ativo. c) adoção de outras modalidades de realização do ativo. Compõe-se dos titulares de créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. . com escolha e substituição de seus membros. III. titular dos créditos fiscais. • ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES Trata-se de órgão criado pela nova lei. b) constituição do Comitê de Credores. parágrafo 3o). 111 e 113 que o juiz poderá autorizar a alienação antecipada de bens. ainda que de difícil recebimento. 22. contudo. o administrador judicial transigir sobre obrigações e direitos da massa falida. 35. dos titulares de crédito com garantia real. III. com privilégio geral e subordinados. a que se refere o art. salvo com autorização judicial. até para terceiros. a exemplo da aprovação de outra modalidade para alienação do ativo. assim como possíveis ações judiciais de interesse da massa e atos suscetíveis de revogação. ou conceder abatimento de dívidas. VII. 142. Ficam de fora apenas a Fazenda Pública. No entanto. 35 a 46. após a avaliação. a lei reservou um artigo para elencar as principais atribuições da AGC (art. A lei contém ainda extensa relação de deveres e atribuições do administrador. depois de ouvidos o Comitê e o devedor (art. enumerados no art. 83. d) qualquer outra matéria que possa afetar os interesses dos credores. assim como os credores por multas contratuais e penas pecuniárias decorrentes de infração às leis penais ou administrativas. seja para os próprios credores ou. Merece destaque a letra e do mesmo dispositivo legal. II). com privilégio especial. A assembléia é órgão deliberativo de decisão colegiada. além daquelas previstas no art.

são submetidas a uma Justiça especializada em dirimir conflitos naquela área. e parágrafo 1o). falimentar As causas trabalhistas. Seu papel principal é zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei. comunicando ao juiz qualquer violação dos direitos ou ocorrência de prejuízo aos credores (art. possuindo atribuições eminentemente fiscalizadoras das atividades do administrador judicial e do devedor. inimigo ou dependente (art. Compõe-se de até nove membros. todos nomeados pelo juiz. um representará a classe dos credores trabalhistas. controladores ou representantes legais. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. Dos efetivos. 28). em se tratando de organização localizada fora do Brasil. tanto na falência como na recuperação judicial. e o último. 3o). ou até ao juiz. Também são impedidos de participar os que tiverem relação de parentesco ou de afinidade até o terceiro grau com o devedor. seus administradores. 26. Na possibilidade de não existir comitê. tenha sido destituída do cargo de administrador judicial ou de membro de comitê. por exemplo. a dos credores com direitos reais ou com privilégios especiais. parágrafo 3o. O Juízo da Falência É competente para decretar a falência o juiz do local onde se situa o principal estabelecimento do devedor (entenda-se aquele que concentre o maior volume de negócios da empresa) ou. suas atribuições passam ao administrador judicial. . A falta de indicação de algum não prejudica a constituição do comitê (art. reunidas em assembléia geral. inciso I). outro. A esse conceito confere-se o nome de juízo falência. seja em processo de falência ou de recuperação judicial. relativas ao falido. parágrafo 1o). nos últimos cinco anos. 30. 26. 1. a dos quirografários e com privilégios gerais. sendo três efetivos e seis suplentes. Não poderá integrar o comitê a pessoa que. mas indicados pelas classes dos credores. Entretanto. ou. o juiz da jurisdição de sua filial no país (art. deixou de prestar contas no prazo legal ou teve a prestação rejeitada. ficam suspensas todas as ações individuais propostas contra o devedor.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 253 Série Impetus Provas e Concursos • O COMITÊ GERAL DE CREDORES Órgão de existência facultativa. caput.7. mesmo. Instalada a falência. certas questões não são abrangidas pela aptidão atrativa do juízo falimentar. ou deles for amigo. em caso de incompatibilidade daquele (art. universal da falência competente para conhecer e decidir sobre todas as questões de caráter econômico.

enquanto que. prevalecia a atração do juízo falimentar. Convém realçar que. EM QUE O FALIDO SEJA AUTOR OU LITISCONSORTE ATIVO (art. Contudo. se o leilão já tiver sido realizado quando da sentença de falência. a ação de indenização de autoria da empresa falida proposta na vara especializada teria seqüência normalmente. se a autoria fosse da massa. cujo resultado irá interferir na massa. Assim. caput). Não faria sentido suspender todo o processo. Sendo culpado este último. não faz sentido recomeçar o mesmo procedimento outra vez. deixa de haver a distinção. caput). Existe uma Justiça especializada para dirimir conflitos dessa espécie. devendo correr normalmente na vara de Justiça específica. como as ações cujo leilão público já está para ser realizado. 76. . 76. LITISCONSORTE ATIVO (art. e é lá onde deverão ser resolvidas tais questões. • RECLAMAÇÕES TRABALHISTAS (art. No primeiro caso. pertencente a um particular. TRABALHISTAS (art. o produto da venda será destinado ao autor da ação. na hipótese de o leilão haver sido concluído. sobrepõe-se a exceção. pois. que deverá ser concluído e o produto revertido em benefício da massa. paga-se ao proponente da ação. Com a nova lei. Percebam que o fato de um crédito ser exceção ao juízo falimentar não significa que o mesmo não seja classificado e incluído no quadro geral de credores. cairia na regra da exceção. caput). 76. Basta a determinação de que o dinheiro arrecadado com a venda seja revertido em favor da massa. Tanto a nova lei como o Código Tributário Nacional prevêem que as demandas envolvendo tributos não se submetem à habilitação no processo falimentar. caput). caput). imaginemos a ocorrência de um acidente de trânsito envolvendo veículo da sociedade falida. Porém.661/45. PAR ARTICULAR HASTA • AÇÃO PARTICULAR EM ANDAMENTO. caput). • EXECUÇÕES TRIBUTÁRIAS (art. revertendo-se o que sobrar para a massa falida. e outro. são exceções ao juízo universal da falência os itens seguintes. passando a sobra para a massa. em ambos os casos. FALIMENT ALIMENTAR. CUJA HASTA PÚBLICA JÁ TENHA SIDO DESIGNADA. FALIDO • AÇÕES NÃO-REGULADAS PELA LEI FALIMENTAR. na vigência do antigo Decreto no 7. havia uma distinção entre a ação proposta pelo falido ou pela massa falida.254 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em outras. Como exemplo. o que se tem é um processo correndo regularmente em outro juízo. São os casos em que o credor já tenha conseguido a definição do leilão de bens do devedor que vier a falir.

o Comitê de Credores. basta a notícia de existência em momento anterior à liquidação. Na falência. e mais nas provas colhidas junto aos credores. salvo se. à época da reunião. 84 dispôs. 7o. quando descoberta falsidade. juntamente com a relação de credores fornecida pelo falido. 19). Verificação e Classificação dos Créditos A partir da publicação da sentença declaratória de falência. Também os titulares por esses créditos perdem o direito de voto na Assembléia Geral de Credores. o administrador judicial. significando afirmar que não concorrem com nenhum outro. no prazo de dez dias da publicação. mesmo. com base nos livros e documentos arrecadados e na relação de credores fornecida pelo falido. mesmo. ou. qualquer credor ou o representante do Ministério Público pode pleitear ao juiz exclusão. assume o risco pelo prejuízo que possa advir de sua omissão. créditos que não se vinculam ao requisito da habilitação.8. Entretanto. até o encerramento da falência. a ordem a ser obedecida para eles.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 255 Série Impetus Provas e Concursos 1. com precedência sobre todos os demais. como quadro geral de credores (art. inclusive. contudo. sendo considerada a habilitação retardatária. parágrafo 1o). importância ou classificação daqueles. para se tornarem aptos na relação de credores. o juiz homologará a relação dos credores efetuada pelo administrador judicial. dolo.14). Para estes. já houver sido homologado o quadro geral de credores contendo o respectivo crédito retardatário (art. Não havendo impugnação. igualmente demonstrando a relação de credores. O art. A habilitação de um crédito na falência é ato que dá conhecimento à dívida. O administrador judicial somente pode incluir no quadro de credores aqueles dos quais tenha ciência. simulação. Outros. a lei classificou-os como créditos extraconcursais por serem pagos extraconcursais. contra a legitimidade. documentos ignorados na época da feitura do quadro geral de credores (art. Caso o titular do direito creditício não se manifeste em tempo. quando será dada oportunidade tanto aos credores como ao devedor ou ao Ministério Público para. senão vejamos: . O administrador judicial. reclassificação ou retificação de qualquer crédito. têm os credores um prazo de quinze dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou divergências quanto aos créditos relacionados (art. 10). Há. os créditos retardatários não podem participar de rateio eventualmente realizado e ficam sujeitos ao pagamento de custas. apresentar ao juiz impugnação contra ausência de algum crédito ou. terá um prazo de quarenta e cinco dias para publicação de outro edital. tais como os decorrentes de dívida tributária e trabalhista. fraude ou erro essencial.

que concorrem com os restantes na ordem de classificação estipulada pelo art. 83. indispensáveis ao prosseguimento do processo. c) despesas com arrecadação. pois esses são credores da massa. 83. os extraconcursais não entram nessa competição. enquanto que seus defensores avaliam uma perspectiva positiva para o futuro da economia no país. A seguir. administração. ou após a decretação da falência. Quanto à ordem de prioridade no pagamento dos créditos. Outra inovação foi a inserção na relação das penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas. e créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência. embora dispensando a habilitação. e) obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial. vejamos. 84. d) custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida. Portanto. 67. que antes não podiam ser exigidas no processo. Na visão dos críticos da nova lei. realização do ativo e distribuição de seu produto. pois devem ser quitados antes de todos os outros.101/2005 veio a alterar antiga disposição. posicionando os créditos com garantia real de forma prioritária sobre os créditos fiscais. provocados justamente pela maior garantia concedida aos agentes financeiros. quando a parcela que transpuser a quantia de cento e cinqüenta salários mínimos se equiparará aos quirografários. Isso é lógico. bem como custas do processo de falência. b) quantias fornecidas à massa pelos credores. diferente dos créditos fiscais ou trabalhistas. nessa qualidade. prevalece o disposto no art. a disposição decorreu de pressão dos banqueiros detentores de créditos geralmente garantidos por hipoteca ou penhor. não-originários do falido e. 83. e tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência. ainda que outra lei civil enquadre-os em qualquer categoria de créditos prevista no art. Observem que. 83. nos termos do art. a Lei no 11. na íntegra.256 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares. . a ordem disposta pelo legislador no art. quando poderemos ver reduzidos os spreads bancários (diferença entre o custo de captação de recursos pelos bancos e os juros cobrados do cliente). Inédita também é a limitação imposta aos créditos oriundos da relação de trabalho. respeitada a ordem estabelecida no art.

parágrafo 4o. têm prioridade os créditos por salários atrasados. salvo disposição contrária desta lei. e INDENIZAÇÕES POR ACIDENTE DE TRABALHO. a diferença será classificada como crédito quirografário. ao pagamento do crédito que ele favorece. 965 do Código Civil de 2002. A lei assim os especificou: a) aqueles não-previstos nos demais incisos deste artigo. conforme prevê o art. 964 do Código Civil de 2002. ou do credor de aluguéis sobre as alfaias e utensílios de uso doméstico. que compreendem os bens sujeitos. c) os assim definidos em outras leis civis e comerciais. créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados quirografários. salvo disposição contrária desta lei. até o limite do bem gravado. ou os salários dos empregados do serviço doméstico do devedor. conforme dispõe o art. concernentes aos seus últimos seis meses de vida. o credor por sementes. b) os assim definidos em outras leis civis e comerciais. ou ainda. • CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. a saber: a) os previstos no art. excetuadas as multas tributárias. vencidos nos três meses anteriores à decretação de falência.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 257 Série Impetus Provas e Concursos • CAUSAS TRABALHISTAS. b) os credores quirografários do processo de recuperação judicial que continuarem a fornecer bens ou serviços após o pedido de recuperação terão privilégio geral. até o limite de cento e cinqüenta salários mínimos por credor. Na hipótese de o produto da alienação do bem gravado ser inferior ao crédito. instrumentos e serviços à colheita sobre os frutos agrícolas. c) aqueles a cujos titulares a lei confira o direito de retenção sobre a coisa dada em garantia. . 83. • CRÉDITOS COM GARANTIA REAL. • CRÉDITOS COM PRIVILÉGIO GERAL. independentemente da sua natureza e tempo de constituição. que abrangem todos os outros bens não-sujeitos a crédito com garantia real ou privilégio especial. em caso de decretação de falência. que não gozam da garantia atribuída aos demais. Dentro dessa classe. 151. por expressa disposição de lei. quais sejam: a) os relacionados no art. até o limite de cinco salários mínimos por trabalhador. • CRÉDITOS QUIROGRAFÁRIOS. a exemplo do crédito decorrente do funeral do devedor. • CRÉDITOS COM PRIVILÉGIO ESPECIAL. De outra forma. a exemplo do credor de custas e despesas judiciais com a coisa arrecadada sobre o mesmo bem.

• MULTAS CONTRATUAIS E AS PENAS PECUNIÁRIAS POR INFRAÇÃO DAS LEIS PENAIS OU ADMINISTRATIVAS. Quanto ao Negócio do Falido Quando instalado o processo falimentar. 1.9. as penas pecuniárias não podiam ser exigidas na falência. na antiga legislação. devemos estudar os efeitos da falência separadamente.258 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel b) os saldos dos créditos não-cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento. pode ser que seja interessante a conclusão. Notem que a iniciativa do pedido não é dos credores. que poderá se fundamentar no parágrafo único do art. INCLUSIVE MULTAS TRIBUTÁRIAS. que excederem o limite de cento e cinqüenta salários mínimos.404/76. 103. inclusive. dos veículos que já se encontrem em processo inicial de montagem. lembrando que. Em nosso exemplo. além de fiscalizar a administração da falência. mas do representante da sociedade falida. sob o fundamento de que a paralisação diminuiria ainda mais as chances de os credores receberem seus créditos. seu efeito imediato é a dissolução da sociedade falida. comprometer a entrega de produtos já comercializados. Efeitos Jurídicos da Falência A sentença declaratória de falência introduz o sujeito passivo em um sistema jurídico delimitado pela Lei de Falências. Para facilitar o entendimento da matéria. a partir da decretação da quebra. de acordo com cada um dos temas a seguir enunciados. • CRÉDITOS SUBORDINADOS. que permite a ele.1. aos seus bens. parágrafo 4o. previstas no art. se estamos tratando da falência de uma indústria de veículos. contratos ou à atuação profissional.9. pelo menos. a saber: a) os assim previstos em lei ou em contratos. deixando de aceitar pedidos e podendo. c) os saldos dos créditos derivados da legislação do trabalho. ela deve parar sua linha de produção. para fins de recebimento do valor acordado. Por exemplo. 1. a exemplo das debêntures subordinadas. da Lei Federal no 6. É nesse diploma que se encontram dispostas todas as questões relativas ao falido. No entanto. 58. b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício. sejam em relação às dívidas com os credores. Por dissolução entenda-se o fim das atividades econômicas da dissolução. requerer as providências . empresa. pode o representante legal da sociedade falida requerer ao juiz a continuidade temporária do negócio.

Esse efeito não é o mesmo que perder a propriedade sobre os bens. com a venda de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente. A nova lei trouxe novidades a respeito da alienação do ativo do falido. na apreciação da matéria. 99. mediante pagamento de remuneração. a autoridade judiciária leva em conta não o interesse do requerente. conforme já vimos.2. .CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 259 Série Impetus Provas e Concursos necessárias para a conservação de seus direitos ou dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada. 140. Justifica-se tal medida numa maior celeridade requerida nesses casos. com a possibilidade de ser adotada mais de uma forma. caput). Também se percebe uma clara intenção do legislador em preservar o ativo produtivo da massa. Quanto aos Bens do Falido “Desde a declaração da falência ou do seqüestro. em razão da conveniência ou oportunidade: a) alienação da empresa. Se concedida. já que ela não deve obstar a liquidação da sociedade. Entretanto. caput. o juiz nomeia pessoa idônea indicada pelo administrador judicial para condução dos negócios. que estipula uma ordem de preferência na realização do ativo. 140. a lei prescreve a indisponibilidade dos bens do falido como conseqüência imediata à sentença. mas o dos próprios credores. que trata da continuidade provisória das atividades do falido.9. Igualmente serve à fundamentação do requerimento o art. o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor” (art. b) alienação da empresa. é a fase onde a massa ativa objetiva é alienada para satisfação dos credores. 1. 103. Entrementes. que possibilita a venda dos bens da massa antes mesmo da formação do quadro geral de credores. Esta perda só se dá quando for procedida à liquidação judicial que. assim como da coletividade. d) alienação dos bens individualmente considerados. representada pela venda do ativo para satisfação do passivo. com a venda de seus estabelecimentos em bloco. não prejudicando as atribuições do administrador. XI. Uma delas foi o permissivo contido no parágrafo 2o do art. Logo. requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cabíveis. sobretudo quando a operação acarretar ganho comparativo à massa. é importante assinalar que a continuidade dos negócios não pode ser por prazo indefinido. Basta ver o teor do art. c) alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do devedor.

o inciso II do art. b) propostas fechadas. contudo. o Ministério Público será intimado pessoalmente. Para estimular ainda mais operações como essa. conforme previu o parágrafo 2o do mesmo artigo. o que a lei sugere é que se deve evitar ao máximo uma pulverização dos bens componentes da massa. c) pregão. voltando ao início do tópico. quando o arrematante for: a) sócio da sociedade falida. parágrafo 7o). Mas. ou sociedade controlada pelo falido. pois a alienação em bloco do estabelecimento permite ao comprador continuar o processo produtivo antes desenvolvido pelo falido. ou c) identificado como agente do falido. inicialmente. por lances orais.260 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Portanto. . quais bens seriam afetados pela medida? Os bens pertencentes aos sócios de uma sociedade falida sofrem o mesmo efeito? E aqueles bens particulares do empresário falido? Para o bom entendimento da matéria. 141 previu que o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. serão admitidos mediante novos contratos de trabalho e o comprador não responderá por obrigações decorrentes do contrato anterior. em linha reta ou colateral. Essa nova ordem tende a gerar excelentes oportunidades de negócios aos que pretenderem adquirir ativos de empresas falidas. Três modalidades para alienação do ativo foram previstas. sem o risco de estarem contraindo obrigações inviáveis ao projeto. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidente de trabalho. sob pena de nulidade (art. São elas: a) leilão. geralmente por bom preço. Tais encargos permanecem compondo as obrigações da massa. a escolha de uma. A liberalidade retratada não se aplica. Em qualquer modalidade de alienação. na parte referente à indisponibilidade dos bens do devedor como efeito imediato da falência. consangüíneo ou afim. é preciso delimitar a incidência da norma de acordo com a qualidade do sujeito passivo. do falido ou do sócio da sociedade falida. até o quarto grau. a sociedade pode ser anônima. empresário individual ou sociedade empresária. É que podemos estar falando de um falido. limitada ou até uma sociedade de responsabilidade ilimitada dos sócios. inclusive as de natureza tributária. Com relação aos empregados do devedor que forem contratados pelo arrematante. b) parente. com o objetivo de fraudar a sucessão. 142. dentre as quais compete ao juiz. a fim de torná-los novamente produtivos. ouvido o administrador judicial e atendendo à orientação do Comitê de Credores. Neste último caso.

pode o juiz. caput. ordenar a indisponibilidade de bens particulares dos réus. sobre os sócios-gerentes. . O empresário individual perde. o art. que passará a compor a massa falida. Nesta hipótese. Em seguida. Sendo uma comandita por ações o efeito recai ações. que prevê. DEMAIS TIPOS SOCIETÁRIOS – a falência de uma sociedade em nome coletivo provoca a indisponibilidade tanto dos bens sociais como dos sócios (menos aqueles indisponíveis). mesmo na hipótese de o capital social não se encontrar totalmente integralizado. concomitantemente com a da pessoa jurídica. no caso de não terem sido solvidas até a data da decretação da falência. Se a falida for uma sociedade em comandita simples. quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato. Nestes casos. Julgada procedente a ação. lembrando a solidariedade presente quando se tratar de sociedade limitada. aplica-se a regra do art. o sócio remisso ficará passível de uma ação de integralização pela sua participação no capital ainda não satisfeita. ou não. por conseguinte. sujeitando-os aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida. simples a indisponibilidade alcança apenas os bens dos sócios comanditados. assim como os dotais e os particulares da mulher e dos devedor.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 261 Série Impetus Provas e Concursos • • • Portanto. a falência de tais sócios. 82 reforçou a aptidão atrativa do juízo falimentar para apurar a responsabilidade pessoal dos sócios de responsabilidade limitada. Excetuam-se apenas os bens absolutamente impenhoráveis (são tratados no Direito Civil). controladores e dos administradores da sociedade falida. em quantidade compatível com o dano provocado. poderá haver a penhora de tantos bens particulares quantos bastem à integralização do capital social. a disponibilidade sobre todo o seu patrimônio. além da indisponibilidade dos bens daqueles sócios. filhos do devedor LIMITADA SOCIEDADE ANÔNIMA OU LIMITADA – apenas os bens sociais é que serão objeto da arrecadação judicial. Além da obrigação pela parcela nãorealizada do capital social. temos a seguinte regra: EMPRESÁRIO INDIVIDUAL – arrecadam-se todos os bens. a depender da qualificação do falido. o parágrafo 1o estipula a extensão do efeito aos sócios que tenham se retirado voluntariamente ou que tenham sido excluídos da sociedade há menos de dois anos. até o julgamento da ação de responsabilização. claro. sejam os destinados ao exercício do negócio. além dos da sociedade. preservando-se o patrimônio particular dos sócios. Para essas sociedades possuidoras de sócios com responsabilidade ilimitada. 81. de ofício ou a requerimento das partes.

76). apto para decidir as questões relativas à massa. podemos visualizar três efeitos imediatos sobre os direitos dos credores advindos da sentença declaratória de falência. vale esclarecer que coisa arrecadada da qual o falido detenha sua posse. 77). aberto o processo de falência. ressalvadas as causas trabalhistas. o procedimento aplicável é o mesmo tratado no parágrafo antecedente. aqui. a coisa deverá ser restituída em quarenta e oito horas. Para melhor explicá-los. Portanto. Quanto aos Direitos dos Credores O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens. Também pode ser pedida a restituição de coisa vendida a crédito ao falido e entregue a este nos quinze dias anteriores ao requerimento de sua falência. vejamos o seguinte destaque. manifestem-se. O instrumento hábil é o Pedido de Restituição a que se refere o Restituição. • JUÍZO UNIVERSAL O juiz do local em que se situa o estabelecimento de maior volume de negócios do falido atrai todas as questões econômicas que digam respeito à pessoa e aos bens do falido.262 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Complementando o tópico. . habilitando-os no prazo previsto no parágrafo 1o do art. e deverá ser interposto perante o juiz da falência. a fim de formarem a massa falida subjetiva com direitos paritários de acordo subjetiva. tendo entregue um bem sem haver ainda a contrapartida da obrigação. 85. se ainda não alienada. não a propriedade. que ordenará intimação ao falido. pode ser pleiteada pelo seu legítimo proprietário.9. Enquanto isso. ao Comitê de Credores e ao administrador judicial para que. interesses e negócios do falido. assim como o vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis (art. 1. fica o bem indisponível. Percebam que. fiscais e aquelas não reguladas nesta lei em que o falido figurar como autor ou litisconsorte ativo (art. A decretação da falência também provoca a suspensão do curso da prescrição e de todas as ações e execuções em face do devedor (art. Para tanto. no prazo sucessivo de cinco dias. o legislador está resguardando o direito daquele empresário de boa-fé que fez negócio com o falido quando este já se encontrava em situação de crise. 7o (quinze dias). art.3. todas as pessoas que tiverem créditos a receber do sujeito passivo falido devem se dirigir a um só juízo. 6o). Da leitura dos dois parágrafos acima. Julgado procedente o pedido. Significa afirmar que é para lá que os interessados em receber seus créditos devem se dirigir.

1. . Por essa razão. FALIDO • SUSPENSÃO DAS AÇÕES INDIVIDUAIS CONTRA O FALIDO Com a decretação da falência. antes de decretada a quebra.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 263 Série Impetus Provas e Concursos com a classificação de seus créditos. b) credores trabalhistas. se. na medida em que define a data da sentença como parâmetro tanto para o cálculo dos juros devidos como para a conversão dos créditos em moeda estrangeira para a moeda brasileira. d) credores por dívidas em cuja ação já tenha sido realizada a hasta pública. necessariamente haveria a suspensão do processo. há credores que não se submetem à habilitação. se este comportar todo o passivo. Não quer dizer que o credor vá receber seu direito naquela data. admitindo-se as mesmas exceções já comentadas em tópico anterior. para só depois de concluídas atingirem a massa. para decidir as questões que digam respeito à massa. é que incidiriam juros até o pagamento. evidentemente. ativo. Na verdade. 124 excetua dessa regra os juros das debêntures e dos créditos com garantia real. por serem exceção à aptidão atrativa do juízo falimentar.9. com a suspensão do prazo prescricional. c) ações não-reguladas pela LF em que o falido seja autor ou litisconsorte . ANTECIPADO • VENCIMENTO ANTECIPADO DA DÍVIDA Esta conseqüência visa à equalização dos créditos. São eles: a) credores fiscais. tomando-se sempre a data da sentença como base. desde que os encargos não ultrapassem o produto dos bens que constituem a garantia. 124). e ainda sobrando ativo. respeitando-se de novo a ordem de classificação dos créditos (art. O parágrafo único do art. No entanto. como prescreve o art. o juízo universal é quem passa a ser competente . 77. algum credor já houvesse ajuizado ação tendente a ver satisfeito direito seu.4. Apenas na hipótese de serem satisfeitos todos os credores (dívida mais correção monetária). As questões que envolvam essas matérias terão seqüência normal nos respectivos juízos. Quanto aos Contratos do Falido A sentença de falência introduz o falido e seus negócios em um sistema jurídico regulado pela Lei de Falências. ao mesmo tempo em que devem ser deflacionadas aquelas ainda não-vencidas. pois ele só será pago após a liquidação do ativo. a antecipação para a época da sentença importa em calcular juros por dívidas já vencidas até aquela data.

Para os contratos unilaterais. Os parágrafos 1o e 2o do mesmo art. ensina que eles não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos normalmente pelo administrador judicial. A declaração negativa ou. cabendo ao contraente pleitear. Assim. determinado contrato de compra e venda. O que mudou foi o prazo de manifestação do administrador judicial. desta vez de acordo com o que dispuser a lei falimentar. que passou de cinco para dez dias. quando pactuadas livremente entre elas. a ser classificada como crédito quirografário. pois já constava do antigo decreto. para que declare. podendo o administrador judicial. quando isso contribuir para reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa (art. indenização pecuniária. não é novidade. Vejamos algumas. Entretanto. até noventa dias da assinatura termo de sua nomeação. desde que em consonância com os ditames legais. em processo ordinário. 118). deverá ter suas cláusulas respeitadas pelas partes. como o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil.264 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Uma conseqüência desse poder constitutivo da sentença é a possibilidade de se modificarem os vínculos constituídos sob a tutela de outros regimes de Direito. 117. se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos. se julgar interessante para a massa. há uma série de disposições específicas a respeito de algumas peculiaridades envolvendo tanto os contratos de compra e venda como outros. celebrado entre duas sociedades. realizar o pagamento da prestação pela qual está obrigado. o administrador judicial tem a faculdade de não mais querer dar prosseguimento ao vínculo já constituído (isso não seria possível numa situação normal. relativamente aos contratos bilaterais. vindo uma delas a falir. Essa disposição. é bom que se diga. mediante autorização do Comitê. contrato bilateral envolvendo pessoa futuramente sujeito passivo de uma falência deve ser cumprido na forma como foi pactuado. Em suma. cujo valor constituirá crédito quirografário. Tem o administrador judicial a faculdade de rescindi-lo. se cumpre ou não o contrato. 119. . pois os contratos nascem para ser cumpridos nas condições em que foram constituídos). por exemplo. a ser apurada em processo ordinário. dentro de dez dias. 117 dispõem que o contratante pode interpelar o administrador judicial. Seguindo o texto da lei. já no art. A regra geral disposta no art. a regra é similar. a exemplo da locação empresarial ou de contas correntes. mesmo. novo disciplinamento legal tem início. o silêncio do administrador confere à parte direito à indenização. mediante autorização do Comitê. No entanto.

IV). cuja importância constituirá crédito quirografário (art. parágrafo 2o). esta tem a ver com a realização do ativo processada judicialmente no curso da falência. previsto no art. 119 estipula que aquele que vender produtos a outrem. sem fraude. Não o fazendo. o crédito relativo aos valores já pagos pelo comprador ou pelo tomador do serviço sujeitar-se-á à habilitação. • COISA COMPRADA PELO FALIDO. não sem antes ouvir o Comitê de Credores. FALIDO • COISA MÓVEL VENDIDA PELO FALIDO A PRAZO Não tendo o devedor entregue coisa móvel ou prestado serviço que vendera ou contratara a prestações. Subentende-se que. não havendo ainda a revenda por parte do comprador. FALIDO. • COISA COMPRADA PELO FALIDO. parágrafo único. a devolução da coisa. 117. tomando-se conhecimento da falência. Percebam que a venda aqui referida não é da mesma natureza da tratada na hipótese antecedente. se o comprador. é possível barrar a entrega. A diferença é que a coisa já fora entregue ao falido. as tiver revendido. JÁ DESPACHADA. III). FALIDO. não tendo sido ainda realizada a alienação judicial do bem. COMPOSTAS FALIDO • COISAS COMPOSTAS VENDIDAS PELO FALIDO Coisas compostas são aquelas cuja utilidade desejada depende do todo. posteriormente declarado falido. exigindo a devolução dos valores pagos. conforme estipulação contratual (art. faculta-se ao comprador devolver a parte recebida. compete ao vendedor reivindicar. II. deve restituir o bem ao vendedor. DESPACHADA. não pode obstar a entrega das coisas já saídas do estabelecimento.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 265 Série Impetus Provas e Concursos FALIDO. é similar à anterior. na hipótese de o administrador judicial decidir cancelar contrato no qual aparece o devedor falido como vendedor. nos quinze dias que antecederam o requerimento da falência. 119. 119. requerendo perdas e danos. mas ainda em trânsito. cabe restituição ao vendedor. pois. . COM RESER VA DE DOMÍNIO DO VENDEDOR Se o administrador resolver não continuar a execução do contrato. combinado com o art. antes do requerimento da falência. 119. MAS EM TRÂNSITO O inciso I do art. 85. ENTREGUE QUINZE DIAS ANTES DO PEDIDO Essa hipótese. via pedido de restituição. na classe própria (art. enquanto aquela se refere a uma operação comum entre vendedor e comprador. Pois bem. prevista no art. Pois bem. RESERV • COISA MÓVEL COMPRADA PELO F ALIDO. e resolvendo o administrador judicial não executar o contrato. 85. já tendo procedido à entrega parcial dos produtos alienados. antes que aconteça a venda judicial do bem.

o que evidentemente reduziria as chances de satisfação dos créditos. faculta-se ao administrador judicial a revogação. avaliando sua situação de iminente liquidação judicial. uma vez cometidos não devem produzir qualquer efeito sobre a massa. De outra forma. MANDATO FALÊNCIA.266 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS O inciso VI do mesmo art. Quanto à Ineficácia e Revogação de Certos Atos Assim como fizera no antigo decreto. porque poderia o devedor mal-intencionado. 119 remete o tema à legislação específica. cabendo ao mandatário prestar contas de sua gestão. e do produto da venda deve ser deduzido o que for devido aos demais condôminos. denunciar o contrato (art. CONTRATO CONTA • CONTRATO DE CONTA CORRENTE COM O DEVEDOR É encerrado no momento da decretação da falência. verificando-se o respectivo saldo (art. a quebra provocará a cessão. 1. pois relacionou atos considerados ineficazes para a massa. parágrafo 2o).5. 120). 123. faculta-se ao administrador judicial. a qualquer tempo. nos termos da melhor proposta obtida (art. o legislador considerou importante proteger os credores de boa-fé contra atos praticados pelo devedor. começar a celebrar alguns negócios com intuito de salvaguardar interesse seu. vindo a falir o locatário. Na hipótese de o falido haver recebido mandato ou comissão antes da falência. Tanto na lei como no antigo decreto. ANTES DA FALÊNCIA. PAR ARTICIPE FALIDO • CONDOMÍNIO INDIVISÍVEL DO QUAL PARTICIPE O FALIDO O bem deverá ser vendido. o legislador foi mais além. em detrimento do seu ativo. ficando passíveis de ser declarados . mantêm-se os termos do contrato. 129 da nova lei). Significa afirmar que tais atos. antes mesmo da decretação da falência. independentemente de haver intenção do devedor de fraudar credores (art. 119. PARA REALIZAÇÃO DE NEGÓCIOS A quebra provoca a cessação de seus efeitos. facultada a estes a compra da quota-parte do falido. PARA • MANDATO CONFERIDO PELO DEVEDOR. Em se tratando de mandato para representação judicial do devedor. 121). CONTRATOS ENVOLVENDO FALIDO • CONTRATOS DE LOCAÇÃO ENVOLVENDO FALIDO Sendo a falência do locador.9. Sim. a seguir demonstrados. salvo dos que versem sobre matéria estranha à atividade empresarial (art. VII).

desde que efetivada por outra forma distinta da prevista no contrato (é o caso do exemplo acima citado). o futuro empresário falido resolveu pagar dívida sua.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 267 Série Impetus Provas e Concursos ineficazes. no curso do processo. Na omissão da autoridade judiciária. chegando a dois anos anteriores à sentença. • RENÚNCIA À HERANÇA OU AO LEGADO – desde dois anos antes da falência.10 deste Capítulo). alegando a nulidade do negócio. Desta forma. de ofício. não podendo o falido voltar atrás. ou até incidentalmente.000. a ineficácia pode ser alegada na defesa. tenha ou não o contratante conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor. para dívidas contraídas anteriormente. o ato é plenamente válido. • ALIENAÇÃO OU TRANSFERÊNCIA DO ESTABELECIMENTO – quando realizada sem o consentimento ou pagamento de todos os credores. • PAGAMENTO DE DÍVIDAS VENCIDAS – quando realizado dentro do termo legal da falência. Alguns. ou através de ação própria. pelo juiz. • TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE DE IMÓVEL – desde a declaração de falência. que será melhor estudado no item 1.000. . como veremos à frente. • PRÁTICA DE ATOS A TÍTULO GRATUITO – desde dois anos antes da declaração de falência. Para facilitar o entendimento. se entender que nenhum prejuízo trouxe à comunidade de credores. não houver oposição dos credores. são ineficazes perante a massa. mas a eficácia deles perante a massa. inclusive. a massa dispunha de ativo suficiente para saldar todos os créditos. o juiz pode considerar a transação ineficaz perante a massa. • CONSTITUIÇÃO DE DIREITO REAL DE GARANTIA – quando procedido dentro do termo legal de falência. no Cartório de Imóveis. Porém. que podem se revestir de todos os requisitos legais. seja ou não a intenção deste fraudar credores: • PAGAMENTO DE DÍVIDAS NÃO-VENCIDAS – quando realizado pelo falido dentro do termo legal da falência. salvo se restarem bens suficientes para solver o seu passivo ou se. para surpresa do devedor. no valor de R$ 20. exceto quando tenha havido prenotação anterior. no prazo de trinta dias da notificação. ofertando ao credor um veículo no valor de R$ 40.00.00. Percebam que não se trata de questionar a nulidade dos atos. talvez porque. durante o termo legal de falência (período suspeito de até noventa dias anteriores à falência. extrapolam o termo legal de falência. vejamos o seguinte exemplo: se. determinando o retorno à situação jurídica anterior.

O primeiro tem a ver com restituir. mas da nulidade dos mesmos. no prazo de três anos contados da decretação da falência. provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida. 129. com relação a um agravo contra sentença. trazer de volta. quando a atuação do juiz depende de uma ação revocatória. o art. as partes retornarão ao estado anterior. ou julgada procedente a ação revocatória. perante o juiz da falência. justifica-se a medida na necessária celeridade que tem que ser dada ao processo. podendo ser qualquer um. 1. movida pelo administrador judicial. pois o devedor não pode ficar esperando muito tempo pelo provimento judicial.10. com sua falência decretada. pois normalmente o recurso cabível seria a apelação. diferentemente dos outros. não possuem discriminação taxativa na lei. Reconhecida judicialmente a ineficácia dos atos a que se refere o art.268 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Além dos atos ineficazes supramencionados. no prazo de três anos contados da sentença de falência. sua atuação de ofício. Para melhorar a compreensão. O agravo. posta no art. nesta situação. revogar se relaciona à anulação ou invalidação do ato. estamos tratando não apenas de impedir os efeitos dos atos diante da massa. até. permitindo-se. 130. O Processo Falimentar A falência tem início com a sentença judicial declaratória. conforme já mencionado. Percebam que. desde que praticados com a intenção de fraudar credores. que insere o devedor em regime jurídico regulado pela Lei de Falências. O instrumento hábil para revogação de tais atos é a ação revocatória. . 130 dispôs a respeito dos atos revogáveis. tem a finalidade de ensejar maior rapidez à decisão judicial. Tanto um como outro recurso não possuem efeito suspensivo. neste caso do art. movida pelo administrador judicial. Estes. por qualquer credor ou pelo Ministério Público. posto que eivados de vício na origem. convém explorar um pouco mais a distinção entre o sentido jurídico dos termos r evocar e revogar. por qualquer credor ou pelo Ministério Público. nos termos do art. e da sentença que julga a improcedência do pedido cabe apelação. Apesar de parecer estranha a previsão legal. De outra forma. e se aplica aos casos em que os atos são declarados ineficazes pelo juiz. e o contratante de boa-fé terá direito à restituição dos bens ou valores entregues ao devedor. 130. Da decisão que decreta a falência cabe agravo. 100.

se estiverem juntados a outro processo. 105. deve fazer prova de sua regularidade mediante certidão do Registro Público de Empresas. depois de executadas diversas etapas procedimentais. Quando se tratar de pedido de autofalência a que se refere o art. 94. prevista no art. este deve vir autofalência. deverá conter a descrição dos fatos tipificados na lei. tudo para estabelecer regras. são exigidos. além dos procedimentos necessários. a elaboração do quadro geral de credores e a liquidação do patrimônio do devedor. a sentença é o ato que marca tanto o início da falência como seu final. parágrafo único. conforme o art. as pessoas que detêm a faculdade para pleitear a falência. Na hipótese do pedido lastreado em “atos de falência”. a lei se reporta a etapas que a antecedem ou. sendo o credor empresário. e c) a reabilitação do falido. da relação nominal dos credores. compreendidos na fase falimentar propriamente dita. deve vir instruído com os títulos originais (se mais de um) ou por cópias autenticadas. Portanto. Alguns requisitos. b) a fase falimentar. como a arrecadação de bens do falido. • O PEDIDO Vimos. 94. parágrafo único). no item 1. desde o pedido até a reabilitação do falido. sempre acompanhados da Certidão de Protesto (art. instruído com demonstrações contábeis relativas aos três últimos exercícios sociais. dentre outras. II. contudo. previstos no art. 9o. dos bens e direitos . o pedido de falência será instruído com certidão expedida pelo juízo em que se processa a execução (art. Quando promovido com base no descumprimento de uma execução judicial. conforme a previsão do art.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 269 Série Impetus Provas e Concursos Esse mesmo diploma normativo prevê o encerramento do processo. 94. parágrafo 4o). Entretanto. e o recurso cabível contra ela é a apelação.4. deste Capítulo. Assim. 156. 94. a fim de legitimar a petição. Desta forma. mesmo. incluindo o próprio devedor. exige-se a prestação de caução. parágrafo 5o). O instrumento hábil para pôr fim ao processo é igualmente uma sentença judicial. O pedido fundamentado na impontualidade do devedor. juntando-se as provas que houver e especificando as que serão produzidas (art. combinado com o art. I. parágrafo 3o. 94. 94. que são posteriores a ela. a exemplo do balanço patrimonial. Para credores residentes fora do país. Em qualquer caso. III. podemos afirmar que a falência compreende três etapas distintas: a) o pedido.

no qual o devedor pode haver cometido atos prejudiciais à massa. a saber: a) falsidade de título. admitindo-se até a inexistência de instrumento constitutivo do negócio. b) prescrição. seus efeitos são constitutivos de direitos. diferentemente do antigo decreto. além de outras julgadas necessárias pelo juiz. o qual não prevalecerá diante de prova de exercício posterior ao ato registrado. O art. pois o inciso IV do mesmo art. podemos destacar: a) síntese de pedido. conhecido como “período suspeito”. 96. Percebam que. e) vício em protesto ou em seu instrumento.9. e) qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título. d) pagamento da dívida. tempo antecedente à sentença. Com relação à qualidade de empresário regular. Apesar da qualificação atribuída.270 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel que compõem o ativo e dos administradores nos últimos cinco anos. como também ampliou seu prazo máximo para noventa dias anteriores ao pedido. g) cessação das atividades empresariais mais de dois anos antes do pedido de falência. ou contados do primeiro protesto por falta de pagamento. conforme já referido no subitem 1. pois introduz devedor e credores num sistema jurídico diverso do previsto no Direito Obrigacional. que poderá apresentar contestação no prazo de dez dias (antes era de vinte e quatro horas. além dos livros obrigatórios e outros documentos contábeis exigidos por lei. Após o pedido. . comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas. FASE FALIMENT ALIMENTAR • A FASE FALIMENTAR Tem início com a sentença declaratória de falência. c) nulidade de obrigação ou de título.4. não é necessário. excluindo-se protestos cancelados.5. o juiz ordenará a citação do devedor. f) apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo de contestação. 105 requer apenas prova da condição de empresário. 99 contém extenso rol das determinações que devem estar presentes na sentença. A contestação deverá estar baseada em uma das hipóteses do art. deste Capítulo. deste Capítulo. Dentre elas. a nova lei tornou obrigatória a presença do termo na própria sentença. assim considerado pelo Registro de Empresas. a identificação do falido e os nomes dos administradores à época. prorrogável por até cinco dias). conforme discorrido no subitem 1. b) fixação obrigatória do termo legal de falência que é um intervalo de falência.9.

mas que se encontram em poder de terceiros. mesmo. é apurada a existência de possíveis “crimes falimentares”. apesar da ressalva do parágrafo 2o do art. 179). parágrafo 1o. É nesse estágio que são processadas as possíveis ações revocatórias. administradores. para que tomem conhecimento da falência. no prazo máximo de cinco dias. Ainda na fase falimentar. conselheiros e o próprio administrador judicial (art. processam-se duas etapas bem distintas: uma. na maioria das vezes cometidos pelo falido. relação nominal dos credores. os pedidos de restituição ou. a fim de compor o inventário. a declaração de ineficácia de certos atos cometidos pelo devedor antes da sentença. a fim de prevenir riscos. podendo o falido ser nomeado depositário. observando-se os bens de sua propriedade. e) ordem ao Registro Público de Empresas para que proceda à anotação da falência no registro do devedor. 181): . Também é nessa parte do processo que. normalmente. 109. chamada de etapa cognitiva (vem de conhecimento). A competência para o conhecimento da ação penal pertence ao juiz criminal da jurisdição onde tenha sido declarada a falência (art. 187. na medida da culpabilidade de cada um. pela qual é levantado todo ativo e passivo do devedor. se ainda não constar dos autos. equiparam-se ao falido. d) explicitação do prazo de quinze dias para habilitações dos créditos. h) ordem de intimação ao Ministério Público e a comunicação por carta às Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento. 168 a 178 da Lei de Falências e são classificados como de ação pública incondicionada. fazendo constar a expressão: “falido”. 183). mas não lhe pertencem. sócios. São efeitos da condenação por crime previsto nesta lei (art. assim como os que estão em sua posse. Processa-se também a habilitação dos créditos para elaboração do quadro geral de credores. sob a responsabilidade daquele. conforme a disposição do art. neste caso observado o que dispõe o art. Para todos os efeitos penais decorrentes desta lei. que prevê a medida. Tais crimes estão tipificados nos arts. f) nomeação do administrador judicial.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 271 Série Impetus Provas e Concursos c) ordem ao falido para que apresente. 184). g) pronúncia a respeito da continuação provisória das atividades do falido por meio do administrador judicial. sob pena de desobediência. Os bens arrecadados e avaliados ficarão sob a guarda do administrador judicial ou de pessoa por ele escolhida. embora se permita ação privada subsidiária da pública por parte de qualquer credor ou do administrador judicial (art. que permite a impetração da ação penal em qualquer fase processual. ou da lacração dos estabelecimentos. 7o. diretores.

180. alienação de todos os bens da massa. ou até o conjunto dos bens que integram cada um dos estabelecimentos. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidente de trabalho. b) impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de administração. 188 a aplicação subsidiária do Código de Processo Penal. Ademais. vendemse os bens de forma unitária. Nesse ponto. prevê o art. . diretoria ou gerência de qualquer sociedade sujeita à lei falimentar.272 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) inabilitação para o exercício de atividade empresarial. neste trabalho. Contudo. que os crimes falimentares previstos na lei não são exclusivos do processo falimentar. contudo. conforme se depreende da combinação dos arts. Só a partir daí terão eficácia. merecem destaque as dos arts. 183 e 187. de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente. em linha reta ou colateral até o quarto grau. vem a liquidação quando acontece a liquidação. Dentre as medidas inovadoras para se atingir tal objetivo. necessitam ser motivadamente declarados na sentença. não são automáticos. Concluída a etapa de conhecimento. quando não-incompatível com a lei falimentar. parente. Esses efeitos. 140. Importante assinalar. do falido ou de sócio da sociedade falida. não sendo possível. inclusive as de natureza tributária. Essa tendência é manifestada textualmente no parágrafo 3o do art. c) impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de negócio. pode ser adotada mais de uma das formas descritas. Se for conveniente à massa. salvo se o arrematante for sócio da sociedade falida ou de sociedade controlada pelo falido. permanecerei com aquela nomenclatura. ou identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão. a saber: a) preferência para venda em bloco da empresa. b) o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. o legislador procurou deixar clara a intenção governamental de preservar o conjunto produtivo de bens ou serviços do falido. Só em último caso. sempre que a eles se refere. ainda. parágrafo 2o. apenas por uma questão de semântica. para que não haja a pulverização de uma organização capaz de gerar riqueza ao país. Por essa razão o legislador optou pela expressão: “crimes previstos nesta lei”. consangüíneo ou afim. já que não são singulares da falência. Igualmente na recuperação judicial e na extrajudicial pode haver apuração da ocorrência deles. visando ao pagamento dos credores. 140 e 141. 179.

mas qualquer um. manifestar-se a respeito. quando poderá haver autorização judicial aos credores para adquirir ou adjudicar os bens arrecadados. Em qualquer caso. que havia sido suspenso com a sentença de falência (art. REABILITAÇÃO FALIDO • A REABILITAÇÃO DO FALIDO Concluída a realização de todo o ativo e distribuído o produto entre os credores. . Reforça a assertiva a disposição do parágrafo 2o do art. o falido permanece na condição de devedor. Apresentado o relatório final. 156). quando o síndico peticionaria ao juiz sobre a necessidade de venda. 111). atendida a regra de classificação e preferência entre eles (art. o juiz encerrará a falência por sentença (art. 157). no prazo de dez dias. A partir da nova lei. em seguida. surgiu o pregão que é pregão. pois comporta os dois. Observem que. o juiz mandará intimar o Ministério Público para. 154 e 155). em autos apartados. o juiz julgará as contas do administrador por sentença e. caso não-satisfeitos todos os credores até o encerramento da falência. em razão dos custos e do interesse da massa. dentre outras informações. que prevê a possibilidade de realização do ativo. Cumpridas todas essas providências. os pagamentos feitos aos credores. recomeça a correr o prazo prescricional relativo às obrigações do falido. contado da publicação do aviso de que as contas foram entregues. Havendo impugnação ou parecer contrário do MP. o administrador judicial apresentará suas contas ao juiz.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 273 Série Impetus Provas e Concursos c) empregados do falido que forem contratados pelo arrematante celebrarão novo contrato de trabalho e o contratante não responde por obrigações decorrentes da relação jurídica anterior. no prazo de trinta dias. Após esse período. será ouvido o administrador judicial. sob pena de nulidade do mesmo. a alienação dar-se-á pelo maior valor oferecido. mesmo tendo lançado mão de todo seu ativo para satisfação dos credores. salvo na hipótese de bens de fácil deterioração. não apenas os bens assim qualificados podem ser objeto de rápida alienação. o produto da realização do ativo. além das responsabilidades com que continuará o falido (arts. De acordo com o antigo decreto. O Ministério Público será pessoalmente intimado para acompanhar o processo. Os interessados têm prazo de dez dias para impugnação. onde constarão. 140. antes mesmo da formação do quadro geral de credores. ainda que seja inferior ao de avaliação. no prazo de cinco dias. uma modalidade híbrida entre as outras duas permitidas – leilão ou por propostas –. Transitada em julgado a sentença de encerramento da falência. apresentará relatório final da falência. apenas depois de concluída toda a fase cognitiva é que poderia ter início a outra etapa de liquidação. Quanto à forma a ser escolhida para alienação do ativo.

b) pagamento. hipóteses de exonerar a dívida do falido. extinguem as obrigações do falido: a) pagamento de todos os créditos. se para tanto não bastou a integral liquidação do ativo. sendo facultado ao falido o depósito da quantia necessária para atingir essa porcentagem. Desta forma. Para acontecer.. em seu art. depois de realizado todo o ativo. Tal dispositivo. c) decurso do prazo de cinco anos. é bom que se ressalte. a lei prevê.–– - .) Pode exercer a atividade empresarial –––—––-. contado do encerramento da falência. contado do dia em que termine o cumprimento da pena privativa de liberdade. é necessária a sentença declaratória da extinção de suas obrigações. Para o melhor entendimento do tema.. se tiver havido condenação por crime falimentar. Em suma. Configurada qualquer das hipóteses descritas acima. se o falido tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta lei. d) decurso do prazo de dez anos.--–––—-. de acordo com a exegese do art. necessita da conjunção de dois requisitos. existe um prazo carencial de dois anos a ser respeitado. não poderá fazê-lo enquanto condenado ou se estiver respondendo a processo por crime falimentar. de mais de 50% dos créditos quirografários.--–––—-. Contudo. se o falido não tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta lei.–– (---. vejamos a seguinte representação gráfica: (---. contado do encerramento da falência. podemos afirmar que a reabilitação devolve à pessoa do falido o direito para o exercício da atividade empresarial. Mesmo após o cumprimento da pena. e b) decurso do tempo de dois anos após a execução da pena privativa de liberdade. o falido poderá requerer ao juízo da falência que suas obrigações sejam declaradas extintas por sentença. tornou mais difícil a liberação do devedor. 94 do Código Penal. Percebam que. para o falido poder novamente exercer a atividade empresarial.274 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entretanto. pelo menos se comparado com o do antigo decreto. 158. mesmo sem o seu pagamento integral. pois elevou de 40% para 50% o patamar da alínea b. quais sejam: a) sentença de extinção das obrigações.) Não pode exercer a atividade empresarial –––—––-.

– . Apenas após o entendimento. a fim de proporcionar uma visão global do tema.1.-/. extrajudicial e judicial.. falência.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 275 Série Impetus Provas e Concursos a) Primeira hipótese: processo falimentar sem condenação criminal do devedor /.– ...– – .— .. 161 ao art.. à época do antigo decreto.-/ ../-— Sentença de Falência Fim da Falência Sentença de Extinção das Obrigações Início da Pena Fim da Pena 2.– .. Também deve ser ressaltado que a lei não exclui outras modalidades de acordo privado entre devedor e credores.– – .. Anotem que não há intervenção judiciária no pacto.. Deve ser o passo inicial para a tentativa de solução das dificuldades financeiras do devedor. Essa é disposição do art.– .... agora não só foi legalizada como deve ser incentivada. Pelo menos... o ensaio do devedor em propor aos seus credores um acordo extrajudicial para equalizar suas dívidas. a fim de provocar efeitos... é que o plano de recuperação se submete à homologação do juiz.. maiores as chances de se manter a atividade econômica desenvolvida pelo devedor. quanto mais precoce e célere for a resolução desses conflitos. pois. representava ato de falência conforme a exegese de seu art....1... III..1... pois o mais importante deve ser a resolução das pendências com um mínimo de interferência possível no desenvolvimento da atividade econômica do devedor..-/.— . A recuperação extrajudicial possui regulamentação no Capítulo VI da nova lei. 2o.– . . Recuperação de Empresas Recuperação Extrajudicial 2... foi com essa finalidade que surgiu esse instituto..– .... Se... vejamos como funciona o desenrolar do processo de recuperação de empresas. que vai do art. reunidos em item específico. 167.-/———————————— Sentença de Falência Fim da Falência Sentença de Extinção das Obrigações b) Segunda hipótese: processo falimentar com condenação criminal do devedor 02 anos /. Disposições Preliminares Consentâneo com a filosofia motivadora da nova lei.– .. ou mesmo na remição parcial de algumas obrigações. que deve envolver exclusivamente as partes...-/ .. 167. 2...... normalmente materializada na dilatação dos prazos de vencimentos dos créditos./..

198 e 199. e ainda válidas.2.024/74. g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde. enquanto para a falência. b) não ter. senão vejamos: a) não ser falido e.276 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2. também só pode celebrar o acordo aquele devedor qualificado como empresário. b) sociedade de economia mista. h) sociedade seguradora. se o foi. obtido concessão de recuperação judicial. em combinação com a do art. prevêem hipóteses de essas sociedades virem a falir. É de bom alvitre salientar que. contudo. c) não ter. Logo. pública ou privada. estão à margem do processo. 48. Caracterização da Recuperação Extrajudicial Nesse tópico são abordados os requisitos principais necessários à instalação do processo. não existe outro diploma legal prevendo a recuperação extrajudicial para as mesmas entidades. .1. Algumas sociedades. permite-se até o empresário irregular). elas estão absolutamente fora do processo de recuperação extrajudicial. para caracterização da recuperação extrajudicial.101/05. a exemplo da Lei Federal no 6. c) instituição financeira. parágrafo 3o. d) cooperativa de crédito. na conformidade do que dispôs a Lei no 11. outras leis específicas mais antigas. e outras para as quais exista lei específica proibindo a concordata. No entanto. à exceção das empresas de serviços aéreos. as responsabilidades daí decorrentes. Assim. mesmo caracterizadas como tal. e) administradora de consórcio. há menos de oito anos. conforme a combinação dos arts. Igualmente imprescindível à obtenção da homologação judicial é a observância da exegese contida no art. por sentença transitada em julgado. que trata da intervenção e da liquidação extrajudicial de instituições financeiras. f) entidade de previdência complementar. somente é admissível o empresário regularmente constituído há mais de dois anos (para a falência. alguns itens fazem-se necessários: • DEVEDOR EMPRESÁRIO – da mesma forma que na falência. há menos de cinco anos. que estejam declaradas extintas. São elas: a) empresa pública. 161. obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial para microempresas e empresas de pequeno porte. i) sociedade de capitalização.

os titulares de crédito contra o devedor decorrente de adiantamento em moeda nacional de contrato de câmbio para exportação. como administrador ou sócio controlador (em se tratando de pessoa jurídica). a outra prevê interstício de dois anos para o mesmo impedimento. 48.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 277 Série Impetus Provas e Concursos d) não ter sido condenado. e) não possuir pedido de recuperação judicial pendente de liberação. o devedor deverá encaminhar o pedido ao juiz. cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade. os titulares de créditos de natureza tributária. e 86. 161. Somente após esse entendimento a respeito do plano de recuperação. enquanto uma estipula prazo mínimo de cinco anos imediatamente anterior ao pedido. Também o plano não poderá contemplar o pagamento antecipado de dívidas nem o tratamento desfavorável aos credores que a ele não estejam sujeitos (art. ou não ter. parágrafo 3o. • PLANO DE RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E O PEDIDO – diversamente da antiga concordata. inclusive em incorporações imobiliárias. a nova disciplina impõe a discussão entre devedor e credores como meandro para obtenção do benefício. de arrendador mercantil. . devidamente acompanhado do plano. pois. os derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. Não podem participar do plano. de proprietário ou promitente vendedor de imóvel. é fácil perceber que há divergência entre as letras “b” e “f”. parágrafo 2o). parágrafo 3o). encaminhando o pedido diretamente à autoridade judiciária. ao passo que as duas últimas vêm do art. parágrafo 1o. Observando cada uma das alíneas reproduzidas (as quatro primeiras estão no art. 161. assim como credores titulares da posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis. e mais. 49. 161. quando o devedor elaborava seu plano de pagamento à revelia de prévia consulta aos credores (necessitava estar de acordo com as hipóteses legais). Significa assegurar aos titulares dos créditos excluídos do plano garantias de que seus direitos não serão preteridos. ou de proprietário em contrato de venda com reserva de domínio. inciso II. f) não houver obtido recuperação judicial ou homologação de outro plano de recuperação extrajudicial há menos de dois anos. como um período no qual o devedor não pode ter obtido a concessão de recuperação judicial. pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos na lei falimentar. Todos esses deverão ter conservadas as condições originalmente contratadas. conforme a combinação dos arts.

a fim de proporcionar-lhe novamente saúde financeira. apenas para devedores. não há qualquer óbice a ações ou execuções contra o devedor. que só empresários regularmente constituídos há mais de dois anos podem obter a homologação (art. conforme prevê o art. ou da filial da empresa que tenha sede no Brasil. Sujeitos Passivos da Recuperação Extrajudicial Da mesma forma que na falência. Logo.4. 2. o acordo constituirá título executivo judicial. pode ser concedida homologação judicial de um plano de recuperação extrajudicial.2. a sua homologação. muito menos para pedidos de decretação de falência daquele. como veremos adiante. contudo. na hipótese de descumprimento do plano. que deve tramitar em processo distinto da execução. Se homologado (via sentença).278 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Para os credores não-sujeitos aos efeitos do plano. assim como dos outros que não aderirem ao plano. compete ao devedor requerer ao juiz do local do principal estabelecimento do devedor. a homologação do plano não interfere nos direitos dos titulares de créditos citados no parágrafo anterior. parágrafo 6o. com as mesmas exigências já esboçadas no item 2. Nunca é demais repetir.3. contudo. 2. Deve ainda o leitor se reportar ao item anterior. Não produz. outros efeitos. pessoas físicas ou jurídicas que se enquadrem na qualidade de empresário. combinado com o art. Tomada tal providência. 161. 161. a fim de observar as limitações e os requisitos exigidos na lei. Sujeitos Ativos da Recuperação Extrajudicial O pedido de homologação judicial para o plano de recuperação da empresa compete exclusivamente ao devedor empresário.1. nada impede o pedido de falência. • SENTENÇA DE HOMOLOGAÇÃO DO PLANO – acordada com os credores as condições do plano.1. caput. nunca aos credores. parágrafo 1o). mantendo-se o devedor à testa do negócio. Em outras palavras.1. 48. . Significa dizer que os participantes do plano passarão a dispor de um instrumento de execução direta contra o devedor. o sujeito ativo em processo de recuperação judicial será sempre o devedor empresário.

Órgãos da Recuperação Extrajudicial Bem mais simplificado que o processo falimentar ou. recaindo naquele onde se situe o principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do Brasil. somente a autoridade judiciária encarregada da homologação do plano de recuperação é que pode ser considerada órgão no processo.1. Neste. com algumas exceções. requerer a falência do devedor.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 279 Série Impetus Provas e Concursos 2. da forma como acontece na falência ou na recuperação judicial. assim como para os participantes do plano. se comparado com a recuperação judicial.6.1. 183 e 187. do plano previamente acordado entre devedor e credores. mesmo. assim como para os participantes do plano. não envolvido no plano. parágrafo 2o. 2. 180. na recuperação extrajudicial não há obrigatoriedade da participação do Ministério Público. a participação da autoridade judiciária é bem mais restrita. quando descumpridas suas condições. Isso quer dizer que a sentença de homologação funciona como uma espécie de referendo legal para devedor e credores colocarem em prática aquilo que eles próprios combinaram. Também o Comitê de Credores e a Assembléia Geral de Credores são órgãos exclusivos da falência e da recuperação judicial. Igualmente continua a possibilidade de outro credor. o mesmo não se dá no processo de recuperação extrajudicial. os envolvidos são devedor e credores. limitando-se praticamente à homologação. 3o. a suspensão do curso da prescrição de outras ações e execuções em face do devedor. mas de forma restrita. da mesma forma que não se exige a nomeação de um administrador judicial. conforme a combinação dos arts. quando poderá oferecer denúncia. Portanto. contudo. 179. O Juízo da Recuperação Extrajudicial A escolha do juiz designado para homologação do plano de recuperação extrajudicial deve seguir a prescrição do art. ou não. atuará na hipótese de se verificarem indícios de crime falimentar. por exemplo. . Enquanto o juízo da falência atrai todas as outras questões de caráter econômico envolvendo o falido. Ademais.5. 2. quando descumpridas suas condições. Efeitos Jurídicos da Recuperação Extrajudicial A homologação do plano de recuperação extrajudicial altera as relações econômicas das partes envolvidas.1. O Ministério Público. A sentença não tem o condão de provocar. ou mesmo a rescisão de contratos bilaterais que envolvam o devedor.7.

o parágrafo 2o do art.1. 162 traduz a necessária assinatura do plano por todos os credores participantes. Exceção está no art. a nova lei propicia a possibilidade de acontecer um livre acordo entre devedor e credores. 161. sem afetar o curso regular de suas atividades econômicas. muito menos a disponibilidade do devedor sobre seus bens. pois a homologação da recuperação extrajudicial em nada deverá afetar o funcionamento da empresa. salvo com a anuência dos demais signatários do pacto. Sobre a adesão ao plano. conforme descrição no item 2. não podem os credores desistir da adesão ao plano. obedecendo à mesma didática empregada no estudo da falência.1. Ou seja. . Depois de distribuído o pedido à autoridade judiciária. Estabelecidas as condições. 161 proíbe o pagamento antecipado de dívida ou o tratamento desfavorável aos credores que não estejam sujeitos ao plano. deste Capítulo.8. devem ser analisadas as duas fases componentes do processo: o pedido e a sentença de homologação.1. II. que dele não participem. quando poderão redefinir prazos e montantes dos créditos. destes excluídos os titulares de créditos de origem tributária e trabalhista.2. As espécies a que se refere a capitulação legal são as do art. O objetivo esperado é contornar uma situação de falta de liquidez enfrentada pelo empresário. V. a liberdade que possuem credores e devedor para estabelecerem as condições do plano esbarram no direito dos demais. mesmo. dos outros. parágrafo 5o). incluindo os outros credores e o devedor (art. incisos. a fim de emprestar a ele eficácia jurídica.280 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O mesmo pode ser repetido tanto para o negócio como para os bens do devedor. a regra geral contida no art.2. deste Capítulo. 2. para repactuarem as dívidas. compete ao juiz homologar o acordo. ou seja. de receberem seus créditos da forma originariamente contratada. além dos discriminados no item 2. VI e VIII. que prescreve a sujeição. 163. De outra forma. Em resumo. O Processo de Recuperação Extrajudicial Neste item. 83. ficam de fora os créditos trabalhistas. desde que o plano esteja assinado por credores que representem mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie por ele abrangidos. • O PEDIDO Já vimos que a sujeição ativa para dirigir ao juiz requerimento para homologação do plano de recuperação extrajudicial é de empresários regularmente constituídos há mais de dois anos. os tributários e as multas contratuais e tributárias. desde que respeitados os demais termos da lei. IV.

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Capítulo 4 — Direito Falimentar

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Portanto, se credores representativos de pelo menos 3/5 de cada uma das espécies de créditos discriminadas naqueles incisos do art. 83 assinarem o plano, estarão obrigando os demais, exclusivamente em relação aos créditos constituídos até a data do pedido de homologação, e mais, apenas aqueles abrangidos no plano, pois os credores cujos créditos nele não estejam previstos não podem ser compelidos a aceitá-lo. De outra forma, se o plano contemplar a totalidade de uma ou mais espécies de créditos previstas no art. 83, exceto trabalhistas e tributários, a exemplo dos quirografários, ou com garantia real, sua homologação obrigará a todos os credores da espécie. Em resumo, poderíamos fazer a seguinte distinção: a) o plano não abrange a totalidade dos créditos de uma mesma espécie – neste caso, para sua homologação, necessita haver a assinatura de credores que representem mais de 3/5 dos créditos de cada espécie por ele abrangidos, hipótese em que, uma vez homologado, todos os créditos dele constante, não os outros, estariam submetidos às suas regras; b) o plano abrange a totalidade dos créditos de uma mesma espécie – logo, sua homologação, que poderá ser feita igualmente com assinatura de credores representativos de mais de 3/5, neste caso da totalidade dos créditos de cada espécie, estará obrigando a todos. O pedido, além de documento contendo as condições acordadas pelas partes com suas respectivas assinaturas, deve conter uma exposição da situação patrimonial do devedor, assim como suas demonstrações contábeis relativas ao último exercício social, documentos que comprovem os poderes dos subscritores para novar ou transigir, e mais, relação completa dos credores com seus dados pessoais e valor atualizado do crédito. • A SENTENÇA Recebido o pedido, o juiz ordenará a publicação de edital no órgão oficial e em jornal de circulação nacional ou das localidades da sede e das filiais do devedor, quando os credores terão um prazo de trinta dias para impugnar o plano. Para tanto, não poderão alegar mais do que: a) não-preenchimento do percentual mínimo previsto no caput do art. 163 (assinatura de credores representativos de mais de 3/5 de todos os créditos de cada espécie); b) prática, por parte do devedor, de qualquer dos atos de falência a que se refere o art. 94, III (ver item 1.2. deste capítulo), assim como se restar comprovada a intenção de fraudar credores, na forma prescrita no art. 130; c) descumprimento de qualquer outra exigência legal.

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Apresentada a impugnação, será aberto prazo de cinco dias para manifestação do devedor, após o que o juiz decidirá, no prazo de cinco dias, a respeito da homologação do plano, que será feita via sentença. Na hipótese de não-homologação, não há prazo carencial para novo pedido (art. 164, parágrafo 8o). Da sentença que homologar ou negar o plano, cabe apelação sem efeito suspensivo, conforme prevê o art. 164, parágrafo 7o. Embora os efeitos do plano surjam após a sua homologação, o parágrafo 1o do art. 165 prevê a retroatividade em relação à modificação do valor ou da forma de pagamento dos credores signatários. Significa dizer que, antes mesmo da homologação judicial, devedor e credores já podem pôr em prática acordo celebrado entre eles, posto no plano de recuperação traçado. Porém, caso não haja a homologação, devolve-se aos credores o direito de exigir seus créditos nas condições originais, deduzidos os valores efetivamente pagos. Em relação à ordem de prioridade no recebimento dos créditos, deve prevalecer o que foi acordado no plano, não existindo imposição legal a respeito. Por último, nunca é demais lembrar que o parágrafo 2o do art. 187 prevê a possibilidade de, em qualquer fase do processo, haver a apuração da ocorrência de crime falimentar, mesmo em se tratando de recuperação extrajudicial. 2.2. Recuperação Judicial

2.2.1. Disposições Preliminares Após quase sessenta anos de validade do antigo Decreto n o 7.661/45, regulamentador dos processos judiciais de falência e concordata, o Brasil ganha, afinal, uma nova legislação, com a aposta de grande parte dos especialistas de que a moderna lei irá reverter a tendência de quebra das empresas, sempre que atravessavam situações de crise econômico-financeira. Essa realidade estava diretamente relacionada ao excesso de formalismo que permeava o decreto. Para se ter uma idéia, um pedido de concordata que não respeitasse certos requisitos por ele exigidos levava o devedor invariavelmente à falência, trazendo conseqüências nefastas para devedor e credores, mas, sobretudo, à economia do país, que via desaparecerem postos de trabalho, além da redução da atividade econômica. A partir de agora, o devedor terá um prazo de sessenta dias, contados da publicação da decisão judicial que deferir o pedido de recuperação judicial, para apresentar o plano de recuperação. Somente após esse tempo sua falência deverá ser decretada (art. 53).

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O plano de recuperação, ao contrário do que acontecia na concordata, quando o devedor dispunha unicamente da faculdade de prorrogar prazos de vencimentos das obrigações quirografárias ou reduzir seus valores, pode prever outras formas de solução para a situação vivenciada, tais como: a cisão, incorporação, fusão ou transformação da sociedade, redução salarial dos empregados mediante acordo ou convenção coletiva, venda de alguns bens, substituição dos administradores, dentre outras, a serem estudadas adiante. Ainda se comparada com a concordata, a recuperação judicial é bem mais abrangente, pois, enquanto daquela participavam apenas credores quirografários, que tinham seus créditos reduzidos no valor, ou modificados os prazos de vencimentos, a recuperação judicial engloba a totalidade dos credores. Em outras palavras, tanto os titulares de créditos de origem trabalhista e fiscal, os com garantia real, como os quirografários, dentre os outros, podem estar incluídos no plano de pagamento proposto pelo devedor, à semelhança do que ocorre na falência, mas diferente da recuperação extrajudicial, que exclui credores trabalhistas e fiscais. Apesar da regra geral, a lei comporta exceções, no art. 49, parágrafos 3o e 4o, como veremos no item 2.2.6., à frente. Quanto ao fundamento do instituto, é coincidente com o da extinta concordata, pois tem por objetivo oferecer ao empresário instrumento para superação de uma crise econômico-financeira, mantendo, portanto, a atividade produtiva desenvolvida, o que é bom para os trabalhadores, que conservam seus empregos; para o país, por conta dos índices econômicos; para o devedor, que continua com seu negócio; e para os credores, pois suas chances de satisfação dos créditos se mantêm. Em seu teor, a nova lei trouxe disposições comuns à recuperação judicial e à falência, que vão do art. 5o ao art. 46. Nesse âmbito, matérias relacionadas à atuação do administrador judicial, ao Comitê de Credores, à Assembléia Geral de Credores, dentre outras, são tratadas de maneira conjunta. Já as contidas no Capítulo III (arts. 47 a 74) dizem respeito exclusivamente à recuperação judicial. Merece destaque a distinção inserida para as microempresas e empresas de pequeno porte, que receberam procedimento especial de recuperação judicial, conforme dispõem os arts. 70 a 72, assemelhando-se mais à antiga concordata, com dilatação dos prazos de pagamento das obrigações quirografárias para trinta e seis meses, e pagamento da primeira parcela no prazo máximo de cento e oitenta dias. Outra conseqüência do plano especial de recuperação judicial para microempresa e empresa de pequeno porte é que o aumento de despesa ou a contratação de empregados passa a depender de autorização do juiz, após ouvido o administrador judicial e o Comitê de Credores. Por outro lado, a lei não prevê suspensão das ações e execuções em face do devedor, como acontece no processo ordinário de recuperação judicial, e também na falência.

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Tal procedimento especial, é bom que se diga, não exclui a possibilidade de as microempresas e empresas de pequeno porte requererem a recuperação judicial, seguindo as normas aplicáveis aos demais modelos de sociedade, como exposto adiante. A conclusão está arrimada no próprio teor do art. 70, caput, que prescreve a sujeição delas às normas do capítulo que trata da recuperação judicial. Em seguida, já no parágrafo 1o do mesmo artigo, há o permissivo para as referidas empresas adotarem plano especial de recuperação judicial, quando deverão, então, se guiar pelos dispositivos acima citados. Para as empresas de médio e grande porte, a lei reservou apenas procedimento ordinário, o qual o leitor poderá em seguida conferir. 2.2.2. Caracterização da Recuperação Judicial Nesse tópico, são abordados os requisitos principais necessários à instalação do processo, na conformidade do que dispôs a Lei no 11.101/2005. Assim, para caracterização da recuperação judicial, faz-se necessária a combinação dos seguintes requisitos seguintes. • DEVEDOR EMPRESÁRIO – assim como na recuperação extrajudicial, o acesso à recuperação judicial é facultado aos devedores empresários regularmente constituídos há mais de dois anos, com as mesmas exclusões já mencionadas e repetidas abaixo: a) empresa pública; b) sociedade de economia mista; c) instituição financeira, pública ou privada; d) cooperativa de crédito; e) administradora de consórcio; f) entidade de previdência complementar; g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde; h) sociedade seguradora; i) sociedade de capitalização, e outras para as quais existam lei específica proibindo a concordata, à exceção das empresas de serviços aéreos, conforme a combinação dos arts. 198 e 199. Igualmente necessário ao pedido é a observância da exegese contida no art. 48, a saber:

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a) não ser falido e, se o foi, que estejam declaradas extintas, por sentença transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes; b) não ter, há menos de cinco anos, obtido concessão de outra recuperação judicial; c) não ter, há menos de oito anos, obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial para microempresas e empresas de pequeno porte; d) não ter sido condenado, ou não ter, como administrador ou sócio controlador (em se tratando de pessoa jurídica), pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos na lei falimentar. • PEDIDO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL – da mesma forma que na extinta concordata, a iniciativa do pedido pertence ao empresário devedor, nunca aos seus credores. O parágrafo único do art. 48 estende a iniciativa ao cônjuge sobrevivente do empresário devedor, aos seus herdeiros, inventariante ou sócio remanescente. A petição inicial deverá vir instruída com os seguintes documentos, previstos no art. 51: a) exposição das causas concretas da situação patrimonial do devedor e das razões da crise econômico-financeira; b) balanço patrimonial e demonstração de resultados acumulados desde o último exercício social, e o relatório gerencial do fluxo de caixa e de sua projeção, estes relativos aos últimos três exercícios, além dos levantados especialmente para instruir o pedido; c) relação nominal completa dos credores, com endereço e dados a respeito do crédito; d) relação integral dos empregados, onde constem informações sobre funções, salários, indenizações e parcelas pendentes de pagamento; e) certidão de regularidade do devedor perante o Registro Público de Empresas, com o ato constitutivo atualizado e nomeação dos administradores; f) relação de bens particulares dos controladores e administradores; g) extratos bancários atualizados do devedor; h) certidões dos cartórios de protestos dos locais da sede e filiais, se tiver; i) relação de todas as ações judiciais em que o devedor seja parte, com estimativa dos valores demandados.

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Observem que não é requisito para o pedido a apresentação do plano de recuperação da empresa, da forma como acontece na recuperação extrajudicial. Lembrem-se de que, nesta, devedor e credores negociam o plano antes do requerimento de homologação judicial, proibindo-se, inclusive, aos credores, a desistência na adesão, salvo com a anuência expressa de todos. Já na recuperação judicial, o art. 53 permite que o devedor apresente o plano em juízo no prazo improrrogável de sessenta dias, contado do deferimento do processo de recuperação judicial. Não o fazendo, cabe ao juiz decretar a falência do devedor. Portanto, se, na recuperação extrajudicial, o plano deve ser apresentado concomitantemente com o pedido de sua homologação, na judicial, o pedido de deferimento do processo não necessita estar instruído com ele, pois o devedor dispõe de um prazo de sessenta dias após a sentença de deferimento. Tem o devedor as seguintes possibilidades para a sua recuperação judicial, qualificadas pelo legislador como “meios de recuperação judicial”, previstos no art. 50: a) concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas; b) cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações, respeitados os direitos dos sócios, nos termos da legislação vigente; c) alteração do controle societário; d) substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos; e) concessão aos credores do direito de eleição em separado de administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar; f) aumento de capital social; g) trespasse ou arrendamento de estabelecimento, inclusive à sociedade constituída pelos próprios empregados; h) redução salarial, compensação de horários e redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva; i) dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo, com ou sem constituição de garantia própria ou de terceiro; j) constituição de sociedade de credores; k) venda parcial de bens; l) equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza, tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de recuperação judicial, aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural, sem prejuízo do disposto em legislação específica;

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m) usufruto da empresa; n) administração compartilhada; o) emissão de valores mobiliários; p) constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar, em pagamento dos créditos, os ativos do devedor. Importante salientar que o devedor pode optar por um ou mais meios disponibilizados para sua recuperação, em qualquer caso, fazendo-o(s) constar(em) do plano. • A SENTENÇA DE DEFERIMENTO – estando o pedido devidamente instruído, nos termos do art. 51, o juiz deferirá o processamento da recuperação judicial do devedor, abrindo prazo de sessenta dias para que ele apresente o plano de recuperação, sob pena de convolação em falência (art. 53). Outros detalhes sobre a sentença estão dispostos adiante, no item 2.2.9. 2.2.3. Sujeitos Passivos da Recuperação Judicial Assim como na recuperação extrajudicial, só empresários regularmente constituídos há mais de dois anos podem obter o deferimento do processo de recuperação judicial (art. 48, caput). Outras limitações impostas pelo legislador à figura do devedor que, mesmo sendo classificado como empresário, permanece à margem do processo, já foram relacionadas acima. Deve, pois, o leitor reportar-se ao item 2.2.2. deste Capítulo, a fim de observar as restrições e os requisitos exigidos na lei. 2.2.4. Sujeito Ativo da Recuperação Judicial O sujeito ativo em processo de recuperação judicial será sempre o devedor empresário, com as mesmas exigências já esboçadas no item 2.2.1. deste Capítulo. Significa afirmar que é ele quem detém a competência para o pedido ao juiz. Igualmente pode impetrar o pedido o cônjuge sobrevivente do devedor classificado como empresário individual, seus herdeiros ou o inventariante de seu espólio, todos no prazo de um ano da morte do de cujus, conforme previsão do art. 48, parágrafo único, assim como o sócio remanescente, neste caso quando o devedor for sociedade empresária dissolvida.

preferencialmente advogado. tais como: a) nomeação e destituição do administrador judicial. e 31. parágrafo 4o). pedir a exclusão de qualquer crédito. fraude. buscando sempre o cumprimento de seu papel constitucional na defesa do interesse público. documentos antes ignorados. ainda que as atribuições contenham diferenças. 183 a 188. 56. simulação. conforme a disposição do art. caput.2. caput. será escolhido alguém idôneo. mesmo. realçando que a omissão do órgão na promoção da denúncia gera direito a qualquer credor habilitado ou ao próprio administrador judicial para a iniciativa da ação penal privada. sob a imediata direção e superintendência do juiz. e parágrafo 1o). 52. economista. b) deferimento do processo de recuperação judicial. que terá atuação obrigatória no processo. em caso de rejeição ao plano de recuperação por parte da Assembléia Geral de Credores (art.5. . 19. conforme arts. mesmo. dolo. responsabilizando-se por atos a ele relacionados. que será subsidiária da pública. conforme a combinação dos arts. inciso III. a recuperação judicial conta com a intervenção dos mesmos órgãos da falência. Pode ser pessoa física ou jurídica. • O MINISTÉRIO PÚBLICO Este órgão atua no processo como fiscal da lei. • O ADMINISTRADOR JUDICIAL A este compete a administração do processo. 24. Órgãos da Recuperação Judicial Enquanto o procedimento de recuperação extrajudicial se desenvolve de uma forma mais simplificada. 7o. assim como a fixação de sua remuneração e de seus auxiliares. V. • O JUIZ É a autoridade judiciária designada para presidir o processo. na forma prevista nos arts. O administrador veio a substituir a figura do comissário antes existente na concordata preventiva.288 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2. 22. conforme veremos a seguir. 4o e 52. além de ordenar a publicação de edital em órgão oficial com resumo do pedido (art. parágrafo 1o. caput. dentre outros. No primeiro caso. c) decretação da falência do devedor. erro essencial ou. quando descoberta falsidade. ou. A sentença que deferir a recuperação judicial ordenará a intimação do Ministério Público. com um mínimo possível de participação estatal. caput. parágrafo 2o. Outras prerrogativas possui o MP. destacando-se a possibilidade de apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores a que se refere o art. O MP detém atribuição para oferecimento de denúncia por crime falimentar.

inciso I. o juiz deverá decretar obrigatoriamente a falência do devedor. . parágrafo 3o. Ficam de fora apenas a Fazenda Pública. dando ciência da data do pedido. Possui atribuições eminentemente fiscalizadoras das atividades do administrador judicial e do devedor. na hipótese de a assembléia rejeitar o plano de recuperação judicial. com privilégio especial. quando provocados por dolo ou culpa (art. • ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES Trata-se de órgão criado pela nova lei. A assembléia é órgão deliberativo de decisão colegiada. Em seguida deverá enviar correspondência a todos os credores constantes da relação nominal entregue em juízo pelo peticionário do processo. quirografários. alíneas e e f). Seu papel principal é zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei. o juiz providenciará a nomeação dos mesmos.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 289 Série Impetus Provas e Concursos administrador de empresas ou contador. o administrador será intimado para. Em se tratando de pessoa jurídica. titular dos créditos fiscais. 83. Percebam que as decisões da assembléia são encaminhadas ao juiz. a exemplo da aprovação. após a assembléia indicar os componentes do comitê. De outra forma. ou a indicação dos nomes que irão compor o comitê de credores. • COMITÊ GERAL DE CREDORES Órgão de existência facultativa. tanto na falência como na recuperação judicial. 32). assinar termo de compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo (art. 21. A função de administrador é indelegável e ele responde por prejuízos que causar ao devedor ou aos credores. a fim de dar consecução aos atos do processo. responsável por tomar decisões que influenciam diretamente o interesse dos credores. cuja regulamentação de constituição e funcionamento vem expressa em seus arts. com privilégio geral e subordinados. 26. dos titulares de crédito com garantia real. Assim. 22. parágrafo único). inciso I). a que se refere o art. sobretudo. VII. é obrigatória indicação do profissional responsável pela condução do processo. à elaboração da relação de credores e à consolidação do quadro geral de credores (art. Compõe-se dos titulares de créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. no prazo de quarenta e oito horas. 33). rejeição ou modificação do plano de recuperação apresentado pelo devedor. comunicando ao juiz violações dos direitos ou ocorrência de prejuízo aos credores (art. Depois de nomeado. visando. assim como os credores por multas contratuais e penas pecuniárias decorrentes de infração às leis penais ou administrativas. 35 a 46. que não poderá ser substituído sem autorização do juiz (art.

está limitada ao prazo de cento e oitenta dias. reunidas em assembléia geral. Passado esse tempo. controladores ou representantes legais ou deles for amigo inimigo ou dependente (art. em caso de incompatibilidade daquele (art. Em se tratando de uma filial que tenha sede fora do Brasil. Entretanto. todos nomeados pelo juiz. Na possibilidade de não existir comitê. seja em processo de falência ou de recuperação judicial. O Juízo da Recuperação Judicial O juiz competente para deferir o processamento da recuperação judicial é o do local do principal estabelecimento do devedor. deixou de prestar contas no prazo legal ou teve a prestação rejeitada. senão vejamos: . 3o). apesar de o desenrolar do processo não acontecer no juízo da recuperação judicial. 26. ou.290 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Compõe-se de até nove membros. a dos credores com direitos reais ou com privilégios especiais. 28). Entendam que isso não significa a exclusão daqueles créditos do plano de recuperação. Dos efetivos. assim entendido como o de maior volume da atividade econômica. 6o. devendo seguir a tramitação normal de cada uma. voltam a correr normalmente os prazos prescricionais de todas as ações em face do devedor. outro. 2. um representará a classe dos credores trabalhistas. contados do deferimento do processamento da recuperação judicial. mas indicados pelas classes dos credores. ficam suspensas todas as ações propostas contra o devedor. 49. tenha sido destituída do cargo de administrador judicial ou de membro de comitê. e parágrafo 1o). Instalado o processo. Tal suspensão. ou até ao juiz. caput. não são atraídas ao juízo da recuperação judicial. seus administradores. Para reforçar a assertiva. vale reproduzir o caput do art. sendo três efetivos e seis suplentes. Não poderá integrar o comitê a pessoa que. a dos quirografários e com privilégios gerais. conforme prevê o art. 30. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. Também são impedidos de participar os que tiverem relação de parentesco ou de afinidade até o terceiro grau com o devedor. Em absoluto. mesmo. parágrafo 1o). as questões que envolvam créditos de origem trabalhista e fiscal. da mesma forma como ocorre na falência. e o último. A falta de indicação de algum não prejudica a constituição do comitê (art.6. nos últimos cinco anos. ou outras que demandarem quantia ilíquida. será o juiz do local onde ela se situe (art. parágrafo 4o. contudo. suas atribuições passam ao administrador judicial.2. tais créditos devem ser inscritos no quadro geral de credores pelo valor determinado em sentença.

2. parágrafos 1o e 2o). sendo considerada a habilitação retardatária. ou de proprietário em contrato de compra e venda com reserva de domínio. de arrendador mercantil. ou seja. estão relacionadas as exceções à regra geral. os créditos que não podem ser incluídos no plano de recuperação. O credor retardatário. inclusive em incorporações imobiliárias. a lei garante os direitos de propriedade sobre a coisa e a manutenção das condições contratuais. assume o risco pelo prejuízo que possa advir de sua omissão.2. O administrador judicial somente pode incluir no quadro de credores aqueles dos quais tenha ciência. A habilitação de um crédito é ato que dá conhecimento à dívida. tanto na falência como na recuperação judicial. têm os credores um prazo de quinze dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou divergências quanto aos créditos relacionados (art. . conforme foi visto no item 2.5. Em seguida.7. Verificação e Classificação dos Créditos A partir da publicação do edital a que se refere o parágrafo 1o do art. 10. em moeda nacional.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 291 Série Impetus Provas e Concursos Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido. já nos parágrafos 3o e 4o do mesmo dispositivo. contendo o resumo do pedido de recuperação judicial do devedor. juntamente com a relação nominal dos credores e os valores de cada crédito. em se tratando de falência. pelo menos durante o prazo de cento e oitenta dias de suspensão a que se refere o caput do art. 2. hipótese em que esse conferiria direito ao voto. São eles: • titular de crédito que detenha a posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis. oriunda de adiantamento em contrato de câmbio para a exportação. Caso o titular do direito creditício não se manifeste em tempo. não se permitindo. mesmo sendo considerados retardatários e. 7o. A exceção é para os créditos derivados da relação de trabalho. observada a legislação respectiva. No primeiro caso. contudo. 52. 6o. se na data da realização da assembléia geral já houver sido homologado o quadro geral de credores contendo o crédito retardatário. perderá direito de voto na assembléia (art. Já os titulares de créditos fiscais não possuem direito de voto na assembléia. que mantêm o direito. de proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade. ainda que não vencidos. • titular de crédito relativo à importância entregue ao devedor. a retirada do estabelecimento do devedor de bens de capital essenciais à sua atividade empresarial. parágrafo 1o).

57 e 68. De outra forma. deste Capítulo. A respeito desse tema. somente para cumprir com a exigência legal. tornando-se inadimplente das demais. por parte do devedor. a possibilidade de parcelamento torna o art. pois permite ao devedor o pagamento de apenas uma parcela do acordo. na recuperação judicial. na forma do art.292 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Percebam que. já reproduzido no item 2. cabe ao devedor emprestar ordem de prioridade no pagamento de suas dívidas. observem que normalmente as dívidas tributárias são as que primeiro o devedor em dificuldades deixa de pagar. conforme a disposição do art. 57 letra morta. cabe ao devedor elaborar seu plano de acordo com as exigências da lei. 49.8.6.2. veio o art. b) o plano não poderá prever prazo superior a trinta dias para o pagamento dos créditos por salários em atraso. se a lei não permitisse o parcelamento. relativos aos últimos três meses anteriores ao pedido. Pelo primeiro. uma vez que exigiu do devedor a prova das quitações. 83. Com relação aos débitos de natureza tributária. limitado a cinco salários mínimos por trabalhador. Ademais. Entretanto. . o devedor pode ainda não ter apresentado seu plano de recuperação judicial. Na verdade. Significa afirmar que. e reproduzida no item 1. Portanto. observa-se que é requisito obrigatório à concessão da recuperação judicial a apresentação de certidão negativa referente a eles. sempre lembrando que os titulares por créditos relacionados nos parágrafos 3o e 4o do art. Efeitos Jurídicos da Recuperação Judicial Os efeitos advindos do processamento da execução judicial são sentidos basicamente pelos titulares de crédito inseridos no quadro geral de credores. 68 permitir o parcelamento de tais débitos. tanto pelas Fazendas Públicas como pelo Instituto Nacional de Seguro Social-INSS. não se submetem a ele.2. até esse momento. 50. antes de qualquer outro. aderindo aos meios que entender convenientes para sua recuperação. desde que respeitadas as seguintes condições: a) o plano de recuperação não pode prever prazo superior a um ano para o pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido. 2. deste capítulo. não vigora a ordem de classificação dos créditos disposta para a falência. disposição curiosa está prevista nos arts. pois.8. seria muito difícil admitir que o devedor conseguisse quitar a obrigação antes mesmo de iniciar a realização do plano de recuperação. pois a lei fixou um prazo de sessenta dias após a publicação referida no primeiro parágrafo deste item. Mas isso não tem importância. indiretamente. o legislador concedeu prioridade ao pagamento dos créditos tributários.

os efeitos da recuperação judicial são bem mais amenos. a partir da distribuição do pedido. eles existem e podem ser relacionados a seguir. e. 2.2. situação em que seria escolhido um gestor.2. c) houver agido com dolo. Mas. Outra possibilidade de afastamento dos administradores está prevista no art. por fim. mas. a empresa deve permanecer com sua atividade produtiva dentro da normalidade com o devedor e seus administradores mantidos na condução da atividade empresarial. O art. b) houver indícios veementes de ter cometido crime previsto na lei falimentar. Pelo contrário. se houver. se simularem ou omitirem créditos da relação de credores apresentados. a economia popular ou a ordem econômica. cujos efeitos se resumem aos credores inseridos no plano de recuperação.8. Quanto ao Negócio do Devedor O deferimento do processo de recuperação judicial não traz solução de continuidade ao negócio. ou seja. Quanto aos Bens do Devedor O devedor não perde a disponibilidade de seus bens.2. salvo evidente utilidade reconhecida pelo juiz. se constar do plano. mas sob a fiscalização do comitê.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 293 Série Impetus Provas e Concursos Enquanto. 64 prevê hipóteses de afastamento tanto do devedor como de seus administradores. depois de ouvido o comitê. diferentemente da recuperação extrajudicial. e mais. na falência. indicado pela assembléia geral e nomeado pelo juiz. IV. e do administrador judicial. tanto no negócio como nos bens e contratos do falido. 2. simulação ou fraude contra os interesses de seus credores. pudemos observar uma série de conseqüências provocadas com a instalação do processo. ou em se negando a prestar informações solicitadas pelo administrador judicial ou pelos demais membros do comitê. despesas injustificáveis em relação ao negócio. 50. houver descapitalizado injustificadamente a empresa ou realizado operação prejudicial ao funcionamento regular do negócio. ele não poderá alienar bens de seu ativo permanente. d) constatados gastos pessoais excessivos.1. previstos na legislação vigente. .8. na hipótese de o afastamento do devedor estar prevista no próprio plano de recuperação. São elas: a) houver sido condenado em sentença penal transitada em julgado por crime cometido em recuperação judicial ou falência anteriores ou por crime contra o patrimônio.

propostas fechadas ou pregão. 60. que é a necessária certidão negativa dos débitos. limita-se ao prazo de cento e oitenta dias contado do deferimento do processamento da recuperação judicial. não há qualquer necessidade de prévia autorização (art. Como acontece na falência. 66). Em todo caso. aplicada à falência. as questões que envolvam créditos de origem trabalhista e fiscal. no entanto. Para os credores fiscais.. anteriormente comentada. conforme citação dos parágrafos 3o e 4o do art. inciso XI. 60. b) parente do falido ou de sócio da sociedade falida. Comparando-se essa disposição com a do art. devendo seguir a tramitação normal de cada uma (o leitor deve se reportar ao mesmo item para observar os créditos que não podem participar do plano. o permissivo não se aplica quando o arrematante for: a) sócio da sociedade falida ou controlada pelo falido. observa-se a ausência dos créditos de natureza trabalhista. colateral ou afim.2. inclusive de natureza tributária. mesmo estando prevista no plano. no que pese a possibilidade de parcelamento. Em se tratando da alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor. significando dizer que o comprador de ativos de sociedade em recuperação judicial herdará dívidas trabalhistas do vendedor. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. c) identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão.3. 2. 50. da mesma forma como ocorre na falência. da exegese do art.2. não são atraídas ao juízo da recuperação judicial. 49). conforme dispõe o parágrafo único do art.294 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Contudo. estando a venda do bem prevista no plano de recuperação aprovado em juízo. parágrafo único. instalado o processo. ficam suspensas todas as ações propostas contra o devedor. cabe ao juiz ordenar a realização em uma das modalidades previstas no art. Tal suspensão. conforme o permissivo do art. estes já contam com uma boa segurança no processo de recuperação judicial. Entretanto. quais sejam: leilão por lances orais. em linha reta ou colateral. o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. Talvez a exclusão dos créditos trabalhistas no dispositivo tenha sido motivada como proteção aos empregados. 142. pois seria teoricamente mais fácil para os trabalhadores receberem seus créditos do comprador dos ativos do que da massa falida. 141. ou outras que demandarem quantia ilíquida.8. Quanto aos Direitos dos Credores Repetindo trecho do item 2. inciso II. . até o quarto grau.6.

2.2. que estipula prazo máximo de um ano para o pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido. 2. Quanto aos Contratos Celebrados pelo Devedor Devem ser cumpridos da forma como foram celebrados.8. salvo se houver aprovação expressa do credor titular da garantia (art. pelo juiz. o .9. parágrafo 1o). novação dos créditos anteriores ao pedido.2. é preciso respeitar a exegese do art. para onde o leitor deve se reportar.2. deste Capítulo. parágrafos 3o e 4o). sob pena de destituição de seus administradores. O Processo de Recuperação Judicial A recuperação judicial tem início com o deferimento. a partir do deferimento. 52: a) nomeação do administrador judicial. Em se tratando de dívidas por salários atrasados referentes aos três meses anteriores ao pedido. proíbe-se a desistência do processo. salvo com aprovação da assembléia geral (art. do pedido do devedor. No plano é que o devedor vai explicar como pretende sair da situação de crise. 54. 2.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 295 Série Impetus Provas e Concursos O plano de recuperação implica. para o envio ao juízo. compete aos credores requerer a convocação da assembléia geral para constituição do comitê de credores. Deferido o processamento. deverá também constar. já reproduzidos no item 2. No mesmo ato. à exceção para contratações com o Poder Público ou para recebimento de benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. o juiz defere o pedido do devedor sem que tenha havido a entrega do seu plano de recuperação. respeitadas as exceções já mencionadas no item 2. ou outros que entender mais convenientes.6. segundo a disciplina do art. 50.2. na recuperação judicial. d) determinação ao devedor para apresentação de demonstrativos mensais de sua atividade. c) ordem para suspensão de todas as ações ou execuções contra o devedor. que terá um prazo improrrogável de sessenta dias.4. 50. Observem que. com a escolha dos meios apropriados que poderão ser os previstos no art. b) determinação para dispensa da apresentação de certidões negativas normalmente exigidas. contados desde o deferimento. ainda. deste Capítulo. caput. 52. combinado com o art. Em qualquer caso. Ao devedor. mas com a manutenção das garantias porventura existentes. 59. e) ordem para intimação ao Ministério Público e para comunicação às Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento.

compete ao juiz convocar a assembléia geral para deliberar. os seguintes votos (art. tenha obtido. Publicado o plano do devedor. Observem que a aprovação pela assembléia do plano de recuperação não é requisito para a concessão do processo pelo juiz. quirografários. no prazo de trinta dias. 45. ou pela rejeição. de forma cumulativa. por sua alteração (desde que não diminua direitos de credores ausentes). 55 e 56). com privilégio geral e subordinados. Para aprovação da assembléia. ainda que o plano não tenha sido aprovado pela assembléia. desde que não haja tratamento diferenciado entre credores da classe que o houver rejeitado. proposto por qualquer credor ou pelo Ministério Público. quando o juiz decretará obrigatoriamente a falência do devedor (arts. ainda que tenha havido qualquer objeção. o juiz concederá a recuperação judicial do devedor.296 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel plano deve contemplar o pagamento num prazo máximo de trinta dias. Contra a decisão que conceder a recuperação judicial caberá agravo. desde que o plano não tenha sido contestado por algum credor ou. com privilégio especial. como acontece com os demais. Esta somente é necessária na hipótese de haver qualquer objeção de credor. hipótese na qual se faz necessária a expressa concordância do devedor. senão vejamos: a) voto favorável dos credores representativos de mais da metade dos créditos com garantia real. limitado a cinco salários mínimos por trabalhador. faz-se necessária a obediência aos requisitos impostos pelo art. conforme a leitura do art. cumulativamente com a aprovação da maioria simples dos presentes. pode o juiz conceder-lhe aprovação. qualquer credor pode se manifestar desfavoravelmente a ele. c) não terá direito a voto o titular de crédito que não tenha sofrido qualquer alteração no valor ou nas condições originais de pagamento. restringindo-se aos que estiverem presentes na assembléia. considerados separadamente por cada uma dessas classes. e mais. parágrafo 2o. De outra forma. independentemente do valor de cada crédito. ao menos nos termos do art. a assembléia o tenha aprovado. 58): . a lei exige aprovação pela maioria simples dos presentes. 59. A decisão da assembléia pode ser: pela aprovação do plano. Cumpridas as exigências da lei. Neste caso. 45. b) quanto aos titulares de créditos decorrentes da legislação do trabalho ou por acidente de trabalho.

pois. ou a falência do devedor. o devedor sairá do processo de recuperação (via sentença do juiz). pela classe dos quirografários e dos detentores de garantia real apenas. configura-se ato de falência. parágrafo o 1 ) e o devedor permanecerá em recuperação judicial pelo prazo máximo de dois anos. aquele período será menor (art. dispõe o parágrafo 2o. De outra forma. 59. 61). caso seja descumprida qualquer obrigação prevista no plano. 61 prevê a convolação da recuperação judicial em falência. 94. 63 dispõe que. 45. Ocorrendo o descumprimento após o prazo de dois anos. c) voto favorável de mais de 1/3 (um terço) dos credores da classe pertencente àquele que tenha rejeitado o plano. Todas devem contar com a credibilidade da população. desde que obedecido o quórum referido no artigo. os credores terão restabelecidos seus direitos e garantias nas condições originariamente contratadas. a decisão constituirá título executivo judicial (art.). Significa a aprovação. 3. como prevê o art. e deduzidos os valores já pagos. b) aprovação de apenas duas das classes de credores na forma do art. . O parágrafo 1o do mesmo art.1. voto favorável de credores que representem mais da metade da soma de todos os créditos presentes na assembléia. o juiz decretará por sentença o encerramento da recuperação judicial. trabalhistas etc. Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras Disposições Preliminares O Brasil é possuidor do maior sistema financeiro da América Latina. que confia nelas suas poupanças. 3. São diversas organizações bancárias que interferem diretamente no fomento da economia de nosso país. inciso III. o art. durante aquele período. alínea g. mas continuará vinculado ao plano. uma vez cumpridas todas as obrigações vencidas no prazo máximo de dois anos. contemplando o plano de obrigações com prazos superiores àquele. compete a qualquer credor requerer a respectiva execução da dívida não-cumprida (lembrem-se de que o ato de concessão da recuperação judicial tem força de título executivo). recebendo depósitos e emprestando recursos. Aprovado o plano. por exemplo. além de anunciar algumas providências para conclusão do processo. Neste caso. esperando ter garantidos seus créditos. Caso suas obrigações sejam cumpridas em um lapso de tempo inferior. Por fim.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 297 Série Impetus Provas e Concursos a) independentemente das classes (quirografários.

por ser mais questionado nos concursos. inclusive sociais. assim como o Decreto-lei no 2. com maior ênfase para o da liquidação extrajudicial. pois seus efeitos são menos drásticos. mas podem ser um remédio para estancar uma crise no setor. a instabilidade monetária. na hipótese de uma quebradeira geral de nossas instituições financeiras. . Intervenção 3. capaz de coibir desmandos e operações fraudulentas por parte dos administradores. fato que traria enormes conseqüências. Conceito Encontra guarida nos arts. a partir de sua recuperação econômico-financeira. Pensando nisso. veremos os pormenores de cada um dos três institutos.321. quando acontece. a fim de resgatarem seus valores. Mesmo no caso da liquidação extrajudicial. longe de serem os ideais. o processo é conduzido com menores empecilhos que na falência (esta regulada pelo Decreto no 7. então. dispondo sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras.298 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Imaginemos. como veremos adiante. que instituiu o regime de administração especial temporária. Na prática.024.024/74.2. o Governo Federal procurou proteger o sistema de possíveis falências. não-federais. A Nova Lei de Falências não alterou as normas referentes a esses regimes A seguir. cuja finalidade é o rateio do ativo da sociedade falida. Melhor seria uma fiscalização preventiva eficaz.2. Foi com base nessas premissas que surgiu a Lei Federal no 6. é quase certo que a falência sepulta as chances da maioria dos credores de terem satisfeitos seus direitos. Constitui-se num regime que visa à reorganização das instituições financeiras. de 25 de fevereiro de 1987. igualmente aplicado às instituições financeiras. 1o a 14. privadas ou públicas. ao nosso país. normalmente as dívidas suplantam em muito os bens e direitos do falido. não afastam completamente a possibilidade de falência dos bancos. em prol do passivo da entidade. Sim. pois.1. procedimento próprio das sociedades empresárias em geral. quando é possível o soerguimento da pessoa jurídica. quando se dá a extinção da pessoa jurídica. quando os credores daquelas se vêem diante de um concurso geral de credores. se comparados com os da falência. com a normalização de suas atividades. financeira e econômica que sucederia. tendo em vista ser o Banco Central do Brasil competente para dar seqüência a ele. Esses institutos. porque haveria uma corrida natural dos depositantes aos bancos. da Lei no 6. de 13 de março de 1974. sobretudo em se tratando da intervenção ou do regime de administração especial temporária.661/45). 3.

embora a finalidade seja o saneamento da instituição. desta feita sob a execução de um interventor. com plenos poderes de gestão. se o respectivo estatuto conferir-lhes esta competência (art. 94 da Nova Lei de Falências. quando possível evitar tanto a falência como a liquidação extrajudicial. 2o da mesma lei enumerou as hipóteses para sua ocorrência.2. conforme art. que não poderá ultrapassar o prazo de seis meses. 3.2. pelo menos à primeira vista.190/01: • instituições financeiras. de acordo com a combinação dos arts. a intervenção nem sempre é garantia de que isso vá ocorrer. contraindo direitos e obrigações. nomeado pelo Bacen. prorrogável uma única vez por igual período. 3.3. a instituição continuará operando na busca de seu objetivo social. 1o e 52. ou a pedido dos administradores da instituição financeira. Sujeito Ativo A intervenção será sempre decretada pelo Banco Central. São elas: • prejuízo oriundo de má administração. ex officio. quando comparados com outros ensejadores da liquidação extrajudicial. a depender da gravidade dos fatos apurados no decorrer do processo de intervenção. não resolvidas após atuação do Banco Central. à exceção de atos que impliquem disposição ou oneração do patrimônio da sociedade.4. com o art.2. 3. Notem que. mesmo. públicas ou privadas.2. tanto que pode haver a conversão em liquidação extrajudicial ou. o legislador objetivou evitar a liquidação extrajudicial da empresa que enfrenta dificuldade momentânea. que necessitam de prévia e expressa autorização do Banco Central. pondo em risco seus credores. Causas O art.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 299 Série Impetus Provas e Concursos Sob essa ótica. 3o). não-federais. • mora injustificada de título executivo ou ato de falência. falência. cuja natureza dos fatos observados possui menor relevância. 3o da Lei no 10. assim como admissão e demissão de funcionários. Durante aquele tempo. • cooperativas de crédito. Sujeito Passivo Sujeitam-se ao regime. . • infrações à legislação bancária.

Dentro de sessenta dias contados da posse. • sociedades de capitalização. com objeto exclusivo na operação de leasing. seriam bastante reduzidas. c) proposta justificada das providências a serem tomadas pelo Banco Central (estas podem ser dirigidas antes mesmo da apresentação do relatório). aí sim. O Processo de Intervenção Decretada a intervenção. De outra forma.300 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários no mercado de capitais. 3. • suspensão da fluência do prazo das obrigações a vencer. falência. • sociedades arrendadoras. detentores de recursos sob a guarda da instituição. mesmo. lavrado no livro Diário da entidade. significando afirmar que os clientes.6. torcendo para que o mesmo não seja convertido em liquidação extrajudicial ou.2. • inexigibilidade dos depósitos já existentes à época de sua decretação. • seguradoras. Ao assumir. prorrogáveis se necessário. os credores cujos direitos constituíram-se posteriormente à intervenção podem exercê-los normalmente. 3. a intervenção provoca (art. . que será conduzida pelo interventor. • corretoras de câmbio. pois não são atingidos pelos seus efeitos. b) levantará balanço geral e inventário. pois suas chances de reaver os créditos. b) indicação dos atos e omissões danosas eventualmente verificados. 6o): • suspensão da exigibilidade das obrigações vencidas. Efeitos da Intervenção Desde sua decretação. terão que aguardar o termo final do regime. o interventor tomará as seguintes medidas: a) arrecadará todos os livros e documentos da instituição. • suspensão do mandato dos administradores da instituição.2.5. • sociedades de previdência privada. o interventor será investido de imediato em suas funções. mediante “Termo de Posse”. simultaneamente à decretação da intervenção. o interventor entregará ao Bacen relatório contendo: a) exame da escrituração e da situação econômicofinanceira da entidade. no sentido de os credores não poderem cobrar seus créditos enquanto durar o regime.

a fim de saldar seu passivo. com as regras definidas na Lei no 6. a exemplo de um cheque ou de uma nota promissória não-lastreados em garantia real) ou. prorrogável por igual período. não-federais. quando o ativo da entidade for inferior à metade dos créditos quirografários (aqueles que não gozam de qualquer preferência no recebimento. que visa à execução concursal da entidade. dependendo do que for apurado. A liquidação extrajudicial de instituições financeiras é.3. b) pela normalização da situação. públicas ou privadas. . b) manter a intervenção. d) autorizar o interventor a requerer a falência. Conceito Sob a ótica do Direito Comercial. 3. Entrementes. a critério do Bacen.024/74. previstas na Lei das Sociedades Anônimas. mesmo. sem a participação do Poder Judiciário. c) decretar a liquidação extrajudicial da entidade.1. c) se decretada a liquidação extrajudicial. Nesses casos. ou pela autoridade judiciária. que assume um papel similar ao do juiz nas liquidações judiciais.3. o processo de liquidação é conduzido pelo Banco Central do Brasil. desde que configurada uma das hipóteses de dissolução da sociedade. É conhecida por “liquidação ordinária”. devido à gravidade dos fatos apurados. Liquidação Extrajudicial 3. podemos nominá-las de liquidação extrajudicial e liquidação judicial. Percebam que o termo final da intervenção acontece pela materialização das seguintes hipóteses: a) esgotado o prazo de seis meses. portanto. pelo simples fato de haver. significando afirmar que todos os bens e direitos da liquidanda deverão ser vendidos. embora se sujeite ao controle do Poder Judiciário. que pode ser conduzida pelos próprios órgãos da sociedade. se for companhia. respectivamente. d) pela decretação da falência. o Bacen poderá: a) cessar a intervenção. “liquidação” significa a alienação de todo o ativo de uma empresa. para as demais sociedades. a participação do Poder Judicante. um processo administrativo. operação que leva à extinção da pessoa jurídica. ou não. quando se tratar de instituições financeiras e afins.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 301 Série Impetus Provas e Concursos À vista do relatório. até o prazo limite de seis meses. decretado pelo Banco Central do Brasil. É possível acontecer a qualquer momento. a fim de que sejam saldadas suas obrigações. que pode ser prorrogado. ou no Código Civil. ou até em conseqüência da complexidade dos negócios. retornando à situação jurídica anterior. e não judicial.

• morosidade em dar início (quando. a representação da sociedade em juízo. a nomeação e demissão de funcionários. que igualmente é uma forma de execução concursal. e com prévia autorização do Bacen. De outra forma. 198 da Nova Lei de Falências vedou a recuperação judicial e extrajudicial para as empresas antes proibidas de requererem concordata. 3.024/74 proibiu a concordata para as mesmas entidades. bem como determinações do Conselho Monetário Nacional ou do Banco Central. até. São causas para a decretação de ofício: • ocorrências que comprometam a saúde econômica ou financeira. em conduzir a liquidação ordinária da instituição. ou qualquer outro ato ensejador de falência.302 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Esse procedimento não exclui a possibilidade de falência das mesmas organizações. A propósito.3. o art. ou do interventor. O que irá então definir se ela se submeterá a um ou outro regime será a gravidade dos fatos mencionados. pois é o liquidante que assumirá os poderes de gestão. pois apenas com base nas hipóteses legais é que pode ser expedido. como veremos adiante. • prejuízo que sujeite a risco anormal seus credores quirografários. Percebam que há certa coincidência de motivos para a decretação da intervenção ou da liquidação extrajudicial. • violação grave das normas legais e estatutárias disciplinadoras da atividade da instituição. só que decretada pela autoridade judiciária. se seu estatuto permitir. a instituição não começar em noventa dias sua liquidação ordinária) ou. a alienação dos bens. de ofício ou a requerimento dos próprios administradores da entidade. ou aquela relacionada às mesmas causas para a falência.2. em se tratando de entidade que já esteja sob o regime de intervenção. conforme especificação nos no art. 94 da Nova Lei de Falências. dentre outras tarefas. o art. Basta ver as hipóteses que se referem à ocorrência de prejuízo na instituição. neste caso processada através de licitação. Causas O decreto de liquidação extrajudicial é modalidade de ato administrativo vinculado. cassada a autorização para funcionar. especialmente inadimplência de título executivo. competindo-lhe. . julgada a critério do Bacen. Uma instituição sob aquele regime tem de imediato afastados seus administradores. à exceção daquelas de transporte aéreo. 53 da Lei no 6.

190/01). • vencimento antecipado das obrigações da liquidanda.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 303 Série Impetus Provas e Concursos Conclui-se que. 15) ou. • corretoras de câmbio. Isso não significa a garantia de recebimento por parte dos credores.4. Sujeito Ativo Apenas o Banco Central do Brasil tem competência para a decretação. no que pese a modalidade vinculante do ato que instalar o regime. • seguradoras. 18.3. o legislador permitiu ao Banco Central atuar de forma discricionária no momento de escolher entre a intervenção ou a liquidação extrajudicial. ainda. as seguintes instituições: • instituições financeiras. • sociedades arrendadoras.3. mas uma tentativa de trazer para um mesmo dia a base para cômputo daqueles encargos. a fim de serem calculados os juros devidos. 1o e 52. ex officio. pois já vimos que o Bacen pode autorizar o liquidante a requerê-la. ou a pedido dos administradores da instituição financeira. • cooperativas de crédito. por proposta do interventor. tudo objetivando a solução que melhor repercuta no mercado financeiro e de capitais.3. • sociedades de previdência privada. 3. Efeitos da Liquidação Extrajudicial Os principais efeitos do regime relacionados aos direitos e obrigações da liquidanda estão discriminados no art. o que implica a impossibilidade de ser decretada sua falência. assim como na proibição de intentarem-se quaisquer outras contra a liquidanda.5. ao menos a pedido de algum credor. 3. Sujeito Passivo Sujeitam-se ao regime. na hipótese de a entidade já se encontrar sob intervenção. de acordo com a combinação dos arts. além de diplomas complementares (Lei no 10.3. • sociedades de capitalização. não-federais. públicas ou privadas. se o respectivo estatuto conferir-lhes esta competência (art. no sentido de equalizar os créditos para uma mesma data (a do decreto). . • sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários no mercado de capitais. São eles: • suspensão das ações e execuções antes iniciadas. com objeto exclusivo na operação de leasing. 3.

mediante “Termo de Posse”. estes perdem seus mandatos. prorrogáveis se necessário. c) proposta justificada das providências a serem tomadas pelo Banco Central (estas podem ser dirigidas antes mesmo da apresentação do relatório). b) autorizá-lo a requerer a falência da entidade. tudo conforme dispõe o art. o liquidante deverá providenciar em jornal de grande circulação aviso aos credores para que declarem os respectivos créditos. 18. o que é lógico. • não-fluência de juros incidentes sobre as obrigações. • interrupção da prescrição relativa a todas as obrigações devidas pela liquidanda. no prazo de vinte a quarenta dias. após o que tomará as seguintes medidas: a) arrecadará todos os livros e documentos da instituição. 21. lavrado no livro Diário da entidade. o liquidante entregará ao Bacen relatório contendo: a) exame da escrituração e da situação econômico-financeira da entidade. b) indicação das omissões e atos danosos eventualmente verificados. e posteriores à liquidação. b) levantará balanço geral e inventário. • quanto à correção monetária incidente sobre as obrigações. O Processo de Liquidação Extrajudicial As regras aplicadas ao processo de intervenção também norteiam o da liquidação extrajudicial. À vista do relatório. • com relação aos administradores.477/76 veio modificar a alínea f do mesmo art. Com a decretação.3. Se a opção for pela continuidade da liquidação. ficando dispensados dessa medida os titulares de depósitos ou de letras de câmbio cujo aceite seja da própria instituição liquidanda. quando seu ativo for inferior à metade do passivo quirografário ou se houver fundados indícios de crime falimentar. pelo menos em sua parte inicial. o Decreto-lei no 1. 3. o Banco Central decidirá dentre uma das alternativas: a) autorizar o liquidante a continuar com o processo de liquidação. tendo em vista o vencimento antecipado que provoca nas mesmas. Dentro de sessenta dias contados da posse. o liquidante será investido de imediato no cargo.304 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • inexigibilidade das cláusulas penais dos contratos unilaterais vencidos. desde a decretação. .6. no sentido de torná-la devida.

a fim de apurar as causas que levaram a entidade àquela situação. ao final de um possível processo falimentar. ou seja. pelos atos de gestão cometidos por algum. invariavelmente a liquidação extrajudicial irá acarretar o fim da pessoa jurídica. Parte da doutrina costuma compará-la com a responsabilidade dos sócios-gerentes das sociedades em comandita por ações. assim como a responsabilidade dos administradores. o Banco Central detém competência para instaurar inquérito. Posteriormente. 40 que os administradores de instituição sujeita a um daqueles regimes respondem solidariamente pelas obrigações por elas assumidas durante suas gestões. a solidariedade referida no parágrafo antecedente foi estendida aos controladores daquelas instituições (são as pessoas naturais ou jurídicas que detêm percentual de participação no capital social a tal ponto de garantir-lhes o poder de decidir as questões deliberadas na assembléia. independe de culpa ou dolo por parte do agente. Observem que. que instituiu o regime de administração especial temporária. uma vez instalada. com edição da Lei no 9. Preceitua o art. após aprovadas as contas do liquidante. b) por transformação em liquidação ordinária. pois.447/97 (art. Essa responsabilidade é objetiva. Essa investigação deve partir da observação do balanço geral que deve ser levantado pelo liquidante ou pelo interventor. administradores). c) com a baixa no registro público competente. ou não. independente de serem.7.321/87 (art. d) com a baixa no registro público competente. em combinação com o Decreto-lei no 2. quando se organiza o quadro geral de credores. limitada a responsabilidade ao montante dos prejuízos causados. diferente da intervenção. 1o). à similitude do que é feito na falência. . sob critério do Bacen. 15). que estudaremos em seguida. respeitada a mesma ordem do processo falimentar. entre eles. quando esses agentes respondem solidariamente. 3. 41. Na conformidade do art.3. apenas cessará numa das seguintes hipóteses: a) se os interessados (credores) tomarem para si o prosseguimento da atividade econômica da empresa. Responsabilidade dos Administradores A responsabilidade aqui tratada atinge os administradores tanto no regime de liquidação extrajudicial. como nos de intervenção ou de administração temporária.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 305 Série Impetus Provas e Concursos Essa iniciativa tem a finalidade de dar conhecimento à dívida.

vimos que a intervenção não pode se estender por tempo superior a doze meses. a administração especial não afeta o curso regular dos negócios. ou pelo menos não é esse seu objetivo. e destituíveis a qualquer tempo pelo Banco Central. 3. desde a edição do decreto.321/87.4.7). contudo. o Bacen precisa encaminhar proposta ao Conselho Monetário Nacional. qualquer credor é parte legítima para intentá-la. que serão substituídos por um conselho diretor. a indisponibilidade dos bens (salvo os inalienáveis) dos administradores da instituição que exerceram suas funções nos doze meses anteriores à decretação do regime. o legislador procurou cercar-se de algumas garantias. com atribuições de gestão (dependem de prévia autorização atos que impliquem oneração do patrimônio). arquivam-se as peças do inquérito no próprio Banco Central. com tantos membros quantos forem necessários para a condução dos negócios sociais. Conceito Instituído pelo Decreto-lei no 2. Já a administração especial temporária não tem limite máximo de duração pré-fixado. A princípio. Para tanto. Não o fazendo em trinta dias. nomeado pelo banco. nos seguintes aspectos: a) quanto ao prazo de duração. d) quanto às causas. Observem que. se a conclusão for pela inexistência de prejuízo. que concordará com ela ou não. Diferenciam-se. o órgão do Ministério Público será competente para promover. ação de responsabilidade civil contra os responsáveis. Administração Especial Temporária 3. a administração especial temporária não conduz ao fim da pessoa jurídica. De outra forma. igualmente ao regime de intervenção. b) quanto aos efeitos. esse regime objetiva evitar a liquidação extrajudicial de instituições financeiras e assemelhadas. A fim de garantir o cumprimento da obrigação. no art. 36.3. permanecendo os credores com os mesmos direitos que tinham antes da sua . uma vez decretado pelo Bacen.306 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Concluindo-se pela ocorrência de prejuízo. Para ser extensiva aos membros do conselho fiscal. junto ao Poder Judiciário. Com relação ao prazo. sendo definido no ato do Bacen que a decretar. possibilitando uma reorganização administrativa e financeira.1. essa medida atinge diretores e membros do conselho de administração. Quanto aos efeitos. Foi assim que previu.4. afastam-se de imediato os administradores e membros do conselho fiscal da instituição (ver responsabilidade dos administradores no item 3. c) quanto ao agente.

O Processo de Administração Especial Temporária Os membros do conselho diretor são investidos de imediato nas respectivas funções.4.3. liquidação extrajudicial. em combinação com o art. • descumprimento das normas referentes à conta de reservas bancárias. o presidente. c) arrecadar livros e documentos da instituição. Estas veremos no tópico seguinte. Enquanto a intervenção é conduzida por um interventor. • ocorrência de qualquer das razões ensejadoras tanto da intervenção. no prazo de sessenta dias. ou. contudo. mesmo se configurado motivo para intervenção.447/97. do mesmo artigo. 3. até.2.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 307 Série Impetus Provas e Concursos instalação. Outra distinção é quanto ao agente que irá assumir os poderes de gestão.4. dentre outras informações. • existência de passivo a descoberto. se na intervenção os depositantes existentes à época de sua decretação ficam com seus créditos inexigíveis. 1o do Decreto-lei no 2. conforme se depreende da leitura da alínea e. . Por último. as causas que ensejam um e outro regime são diversas. Ao conselho incube: a) eleger. b) fixar atribuições de cada um de seus membros.321/87 tratou de relacionar as causas ensejadoras do regime. Isso quer dizer que. 3. assim como entregar. 4o da Lei no 9. mantida no Bacen. Conclui-se que sempre o Banco Central pode optar por uma medida menos drástica ou que menos afete a vida dos credores da instituição. dentre seus membros. levantar inventário e balanço geral. Ambos. São elas: • práticas reiteradas de operações contrárias às diretrizes de política econômica ou financeira traçadas em lei federal. • gestão temerária ou fraudulenta de seus administradores. Causas O art. a administração especial temporária não provoca qualquer interferência sobre eles. relatório ao Banco Central contendo. são nomeados pelo Banco Central. independentemente da publicação do ato. assim como a possibilidade de recuperação da instituição. proposta das providências que lhe pareçam convenientes à instituição. como da liquidação extrajudicial. É claro que o que vai nortear a decisão do banco é a gravidade dos fatos inicialmente observados. a administração especial temporária o é por um conselho diretor.

Com o objetivo de evitar uma crise no setor financeiro. quando submetidas à falência ou liquidação. • pela decretação da liquidação extrajudicial. 5) letras hipotecárias. 2) depósitos a prazo. a Constituição Federal de 1998 havia previsto. De outra forma. se solicitado.308 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O conselho prestará contas ao Banco Central do Brasil. julgada a critério do Banco Central. . incorporação. tanto que se advir algum problema com o banco basta a assembléia de investidores buscar outro agente financeiro para administrá-lo. • pela normalização da situação. o Bacen podia autorizar o saque de recursos da reserva monetária. que nada mais é do que uma instituição privada capaz de garantir a solvência de créditos em poder das instituições financeiras. Não estão na abrangência de proteção os fundos de investimentos. Sua vigência estendeu-se até dezembro de 1995. De acordo com o estatuto do Fundo. 4) letras imobiliárias. Com essa premissa foi criado o Fundo Garantidor de Créditos. desde que não houvesse participação de recursos da União Federal. que era um programa para recuperação de instituições financeiras em crise. a fim de honrar o pagamento de obrigações das instituições sob os efeitos de um dos três regimes. Justifica-se a ausência no fato de o patrimônio dos fundos apenas serem administrados pelas instituições financeiras não fazendo parte delas. a criação de fundo ou seguro objetivando proteger a economia popular contra intempéries do sistema financeiro. quando cessar o regime ou a qualquer tempo. 192. • pela ocorrência de transformação. em nosso país. mediante cessão ao próprio banco dos correspondentes créditos. foi criado. 3) letras de câmbio. cisão ou transferência do controle acionário. são garantidos pelo FGG: 1) depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio. com ou sem emissão de certificados (CDB/RDB). o Proer. fusão. direitos e ações a serem efetivados pelos respectivos titulares. A administração temporária cessará nas seguintes hipóteses: • se a União Federal assumir o controle acionário da instituição. em seu art. Por meio dele. inciso VI.

(PROCURADOR DO INSS/1993) A fixação do termo legal da falência é importante na: a) continuidade dos negócios do falido. devendo ser retomada após a sentença que encerre o processo falimentar. na data da decretação da falência. cuja falência foi decretada: a) são declarados rescindidos antecipadamente. e) valoração dos créditos admitidos. 4. b) ocasiona o vencimento antecipado somente das obrigações quirografárias. b) não são rescindidos automaticamente na data da decretação da falência.Exercícios 1. devendo ser cumpridos pelo síndico. depende de: a) ser provada fraude contra credores. 3. d) ineficacização de negócios. 2. b) causarem danos adicionais aos credores. separadamente da massa falida. e) não são rescindidos pela falência e podem ser executados pelo síndico. além daqueles decorrentes da falência. c) serem potencialmente benéficos para o devedor. e) serem anulados. antes de declaração de falência. mas o produto de sua execução será obrigatoriamente contabilizado à parte. d) é restrita aos credores comerciantes. em geral. c) propositura de ação pauliana. . sido praticados no período suspeito. c) têm sua execução interrompida pela decretação da falência. ESAF (AFTN/2001) A ineficácia de certos atos praticados pelo devedor. (JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO – 22 a REGIÃO/1994) A sentença declaratória de falência: a) interrompe a prescrição de todas as obrigações do falido. se achar de conveniência para a massa. e) é prolatada por juiz da Justiça Federal. d) não são afetados pela falência. d) terem. em qualquer hipótese. ESAF (AFTN/1989) Os contratos bilaterais de uma empresa. b) não é importante. c) suspende a prescrição das obrigações do falido.

b) na impontualidade ou insolvabilidade do comerciante. e) apenas aos últimos administradores antes da liquidação extrajudicial. apenas perdendo a disposição e a administração deles. d) a todos e quaisquer administradores. d) promover a reorganização das atividades. sendo lícita a arrecadação dos bens encontrados nessa qualidade. c) serão também passíveis de arrecadação os bens dotais e os particulares da mulher do falido. e) não forem pagas dívidas garantidas por hipoteca. à época do ato da autoridade administrativa. à época da decretação da liquidação. FCC (MP – PE/2002) Tendo sido decretada a falência de uma empresa. e) declaração de ilegalidade. b) declaração de ineficácia. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – AFRF/2002) A legislação falimentar prevê a revocação de atos praticados pelo falido antes da falência por força de: a) fraude contra credores no período suspeito da falência. bem como a propriedade de seus bens. 6. 8. b) o falido não perde a propriedade de seus bens. eleitos e ocupantes de cargos nos doze meses anteriores à decretação da liquidação. b) administrar a instituição financeira de forma a pagar todos os depositantes e investidores. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL/2002) Na hipótese de falência de instituição financeira. d) pagamento de obrigações naturais antes da falência. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002) Nas liquidações extrajudiciais. d) na eventualidade de insolvabilidade do empresário. . a fim de manter a concorrência no mercado. e) serão atingidos todos os bens do devedor. salvo direitos e ações existentes na época de sua decretação e os adquiridos no curso do processo. compete ao liquidante nomeado pelo Banco Central do Brasil: a) administrar a instituição financeira para o fim de recuperá-la. quanto à indisponibilidade de bens: a) ao controlador e administradores. e) tomar as medidas necessárias para liquidar o ativo e solver as obrigações. c) apenas ao controlador e aos seus parentes em linha reta. 9. 7.310 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5. d) a impenhorabilidade extingue-se. Nesse caso: a) o falido perde a disposição. entre os efeitos decorrentes estão aqueles quanto aos bens do falido. b) a todos os administradores exercentes de cargos. a administração. aplicam-se as regras de liquidação extrajudicial. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A decretação da falência ocorre quando: a) o comerciante não tiver crédito na data do pedido. c) impedir que os administradores retomem suas funções quando tiverem exercido suas funções de forma temerária. c) conluio para beneficiar um ou poucos credores durante o período de concordata preventiva da falência. c) em face do não-pagamento de impostos apurado pela fiscalização.

ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002-2003) A liquidação extrajudicial disciplinada pela Lei n o 6. c) o liquidante pagará integralmente os depositantes com recursos do fundo garantidor de créditos.024/74 visa a: a) superar as dificuldades típicas das execuções coletivas tal como prescrito no Decreto no 7. pagando-se todos eles na força da massa. se ficar caracterizada a sua omissão. mas não estão sujeitas à liquidação extrajudicial. e) fica impossibilitada a decretação de sua falência pelo Judiciário. c) criar condições mais eficientes para atender ao rateio dos créditos contra as instituições financeiras por qualquer credor. ambos decretados pelo Banco Central do Brasil. 12. a petição inicial deve ser instruída com as demonstrações contábeis do empresário relativas aos cinco últimos exercícios. 11. extrajudicial e da falência do empresário ou da sociedade empresária.661/45. b) dar aos aplicadores. UnB/CESPE (Juiz Federal Substituto da 5a Região/2005) Acerca da recuperação judicial. c) não podem impetrar concordata. . as instituições financeiras públicas não-federais: a) podem impetrar concordata. d) impedir pedidos de falência contra instituições financeiras por qualquer credor. e) garantir igualdade entre credores de mesma classe nos rateios da massa. e) não podem impetrar concordata. d) não podem impetrar concordata. a) ( ) No pedido de recuperação judicial. mas estão sujeitas à administração judicial temporária requerida pelo Banco Central do Brasil e executada por um conselho nomeado e supervisionado pelo juiz competente para decretar o regime especial. b) o controlador responde solidariamente pelo passivo a descoberto e os membros do conselho de administração respondem. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DO RGS/1998) Segundo a legislação brasileira. 13. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002) Decretada a liquidação extrajudicial de uma instituição financeira pelo Banco Central do Brasil: a) os diretores respondem solidariamente pelo prejuízo apurado no balanço especial saneado. mas estão sujeitas à liquidação decretada e executada pela Comissão de Valores Mobiliários. julgue os itens seguintes. b) podem impetrar concordata e estão sujeitas à liquidação extrajudicial requerida pelo Banco Central do Brasil. mas estão sujeitas ao regime de administração especial temporária e à liquidação extrajudicial.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 311 Série Impetus Provas e Concursos 10. em se tratando de companhias abertas. credores das instituições financeiras. d) não há credores privilegiados. suporte normativo para exercerem suas pretensões. b) ( ) O Ministério Público é parte legítima para impor recurso de agravo contra a decisão que conceder pedido de recuperação judicial.

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prestação de bancários. celebrados pelos gestores públicos. o faz sob a regência de um contrato regulamentado pelo Direito Privado. está concretizando um contrato administrativo De outra administrativo. podendo impor sua vontade de forma a privilegiar o interesse coletivo sobre o privado. se o mesmo Poder Municipal resolver adquirir um aparelho de televisão para equipar o Gabinete do Prefeito. e. Disposições Preliminares Dependendo das relações jurídicas que nascem com o vínculo contratual. o consumidor. prestação e venda no varejo entre o comerciante e o consumidor. . o Direito reconhece a existência das seguintes espécies de contratos privados: • CONTRATOS DE TRABALHO – são regidos pelas normas da legislação CONTRATOS trabalhista. destinatário final do produto. numa situação de absoluta equivalência com o particular. enquanto os demais competem ao Direito Privado. o fornecedor de bens ou serviços. Dessa forma. para efetuar a coleta de lixo no Município. Os primeiros são objeto de estudo do Direito Administrativo. quando do desenvolvimento da atividade precípua da administração. serviços bancários entre outros. sendo objeto de estudo no Direito do Trabalho.Capítulo 5 Contratos 1. Em um. envolvem. Assim. existe a participação do setor público. colocado em situação de supremacia em relação aos particulares. Precisamos estabelecer o campo de abrangência entre os variados contratos regidos pelo Direito Privado. o ordenamento jurídico brasileiro comporta dois ramos bem distintos de contratos. • CONTRATOS DE CONSUMO – disciplinados pelo Código de Defesa do CONTRATOS Consumidor. de um lado. Essa distinção ainda não é o bastante para delimitarmos o universo de nosso estudo. do outro. quando uma Prefeitura contrata uma empresa. sorte. São os chamados contratos administrativos administrativos. Exemplos: compra varejo entre comerciante consumidor.

franquia. 2. o contrato de compra e venda estará sob a tutela do Direito do Consumidor. equivalem-se. não-incluídos nas CONTRATOS outras espécies. tanto que há autores que normalmente não se referem a mais do que três ou quatro formas de agrupá-los. • comutativos ou aleatórios – nos primeiros (compra e venda as compra venda). deixou de haver dois sistemas normativos reguladores desses contratos. É claro que essa condição não impede uma alienação futura do mesmo produto. por exemplo. enquanto que. empregada no processo produtivo (maquinário. Percebam que. Entretanto. podemos citar a seguinte classificação: • de adesão ou paritários – nos primeiros (seguro uma parte redige as seguro). contraprestações. nos paritários (compra e compra venda ambas as partes têm a faculdade de discutir e impor suas condições. antes. Com a entrada em vigor do Código Civil de 2002.314 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • CONTRATOS CIVIS – esses são todos os demais. entre outros. Classificação dos Contratos A doutrina não costuma ser uniforme ao classificar os contratos. a rigor. Nessa nova ordem. matéria-prima). Se. . alienação fiduciária. venda) • bilaterais ou unilaterais – os primeiros (compra e venda obrigam a compra venda) ambas as partes. além de serem certas e determinadas. hoje o moderno Código Civil traça as cláusulas de todos eles indistintamente (ressalva para contratos como: faturização. as cláusulas contratuais encontram guarida no próprio Código Civil. com a mercadoria sendo destinada a posterior revenda ou. mandato mercantil e comissão mercantil. 481 a 532 do CC/2002). ao passo que os unilaterais (doação pura geram dever doação pura) apenas para um lado. não há mais qualquer efeito prático na tentativa de enquadrar. na hipótese de as partes serem empresários. seguro cláusulas e a outra apenas adere. arrendamento mercantil e outros que possuam regulamentação fora do Código Civil). determinado contrato de compra e venda na esfera civil ou comercial. De maneira geral. pois tanto um como outro possuem idêntica regulamentação legal (arts. tínhamos o Código Comercial disciplinando alguns dos mais importantes contratos mercantis. pois o mais importante é a intenção no momento da compra. mesmo. como compra e venda mercantil. e o Código Civil de 1916 encarregando-se daqueles que não eram reputados comerciais. instalações. se o bem houver sido adquirido pelo seu destinatário final.

para serem reputados válidos. enquanto que os contratos reais só se efetivam com a entrega da coisa (o depósito e o o penhor). não obstante haver uma lei instituidora (Lei no 8. Pode ser tácita ou expressa. penhor • onerosos ou gratuitos – nos primeiros (compra e venda as prestações compra venda). dolo. faturização) e venda mercantil enquanto que os atípicos (faturização podem até faturização ser originados a partir de uma lei. devem obedecer aos mesmos requisitos dos atos jurídicos em geral. realizados a partir da declaração de vontade das partes. típico. alienação fiduciária) • solenes ou não-solenes – os primeiros exigem formato previsto em lei (fiança ou seguro enquanto que os não-solenes (compra e venda de seguro). assim. nos gratuitos (doação pura e simples só um contraente assume prestação onerosa. • forma prescrita ou não-proibida em lei lei. quais sejam: • agentes capazes capazes. consensual. erro. seguro • consensuais ou reais – os primeiros (compra e venda reputam-se compra venda). fiança compra móvel) bem móvel são livres na forma. doação • principais ou acessórios – os primeiros não dependem de outro para compra venda). objeto lícito e possível • possível. é imprescindível que esteja isenta de coação dolo fraude ou coação. • vontade das partes – é uma declaração de vontade dos contratantes. Constituição dos Contratos Os contratos. principal.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 315 Série Impetus Provas e Concursos enquanto que. • típicos ou atípicos – os primeiros possuem regulamentação legal (compra compra mercantil). as obrigações e direitos das partes são definidas no instrumento de contrato. o contrato de compra e venda é. No entanto. afirmando a intenção de celebrar o acordo. mas suas principais cláusulas são resolvidas no instrumento de contrato. simples). elas podem ser desproporcionais (seguro seguro). Convém enfatizar que um só contrato pode abranger vários itens dessa classificação. ao passo que. comutativo. nos aleatórios. Isto é o que ocorre nos contratos de franquia nos quais. existirem e serem eficazes (compra e venda enquanto que os acessórios (alienação fiduciária nascem em função de um principal.955/94). das duas partes possuem valor econômico. não-solene. erro . ao mesmo tempo: bilateral bilateral. oneroso. comutativo oneroso não-solene principal típico paritário e consensual 3.

316 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Na maioria dos contratos. que se aperfeiçoem (contrato de depósito ou o penhor mercantil mercantil). comutativos lança-se mão de uma cláusula implícita presente nessas espécies de contratos que é a REBUS SIC STANTIBUS. pelo menos se forem mantidas as condições fixadas na sua origem. São os chamados contratos consensuais (compra e venda compra venda). Em regra. lei entre as partes. por sua própria e única vontade. não sendo possível uma arcar com um ônus adicional àquele previsto no início. segundo a qual ACTA SERV os pactos nascem para ser cumpridos. por vontade de todos os contratantes. isto porque. Há exceção à regra. Acontecendo. bastam essas condições para eles serem reputados concretizados. que não se podem furtar de seu fiel cumprimento. São eles: • PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE – os contratos geram efeitos apenas entre RELATIVIDADE as partes avençadas. Em outros. À similitude do outro princípio. . contrato 4. A conseqüência atinge apenas quem participa da relação contratual fazendo contratual. portanto. Efeitos da Celebração dos Contratos O principal e mais importante efeito da celebração de um contrato é o vínculo jurídico que nasce entre as partes. nas condições em que foram estipulados. nos contratos comutativos prevalece comutativos. como nos contratos reais é imprescindível a entrega da coisa para reais. fato imprevisível que venha a onerar uma das partes contratantes. • PACTA SUNT SERVANDA – expressão de origem latina. Significa afirmar que os contratos nascem para ser executados pelas partes. a regra de que se deve manter um equilíbrio entre as obrigações assumidas pelas partes. passando a gerar obrigações entre as partes. Isso significa que os contratos têm implícitas as cláusulas de irretratabilidade (o desejo de uma parte não basta para dissolver a relação jurídica) e intangibilidade (as condições contratuais não se alteram pela vontade de um dos contratantes). no sentido de ser considerado irretratável e inalterável salvo inalterável. As duas singularidades podem ser traduzidas em dois princípios. esse também não tem aplicação absoluta em todos os contratos. ninguém poderá ser liberado do cumprimento da obrigação. a exemplo do seguro de vida em terceiros. a ponto de prejudicar o equilíbrio que deve reger os contratos comutativos. Há casos em que se torna indispensável uma revisão das condições econômicas inicialmente pactuadas. favor de terceiros que irá atingir diretamente pessoa não-contratante.

a ponto de seus custos de produção serem majorados de forma a inviabilizar o negócio. realizam contrato regido pelas normas da Consolidação das Leis do Trabalho. Também em relação ao objeto do contrato. 5. firmado entre uma empresa agropecuária e uma outra fabricante de sucos de frutas. De outra forma. ainda que não tenha sido efetivada a entrega da coisa. Podem ainda comprar bens de uso da própria empresa. matérias-primas e até máquinas e instalações diretamente usadas na produção. • as partes devem ser empresárias. celebrar contratos de diversas espécies. o contrato é regido pelas normas do Código de Defesa do Consumidor. pelas partes contratantes. Se o objetivo é contratar funcionário. móvel ou semovente. que devem ser empresários. ao comprar matériaprima na indústria para reposição do estoque. o contrato é civil. a exemplo do mobiliário utilizado na sala da presidência. . Se assim não fosse. como tal empregada na atividade econômica. Espécies de Contratos Compra e Venda Mercantil Contrato regulado pelos arts. Assim. Neste caso. os contratos deixariam de ser comutativos e passariam a aleatórios. pode vir a ter suas condições alteradas com a ocorrência de um fenômeno natural que comprometa a produção da empresa agrícola. Contudo. seja sociedade empresária ou. Com essas premissas. 5. são dois os requisitos exigidos para caracterização dessa espécie como contrato mercantil: • o objeto do contrato deve ser bem móvel ou semovente destinado ao processo produtivo ou para revenda ou locação. mesmo. 481 e seguintes do CC/2002. é importante observar que os empresários podem.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 317 Série Impetus Provas e Concursos Através dela. o empresário individual.1. aleatórios quando uma parte arrisca-se a suportar obrigação não-prevista. É aquele pelo qual uma das partes obriga-se a transferir para outra a propriedade de um bem. um contrato de fornecimento de laranjas. A compra e venda mercantil é classificada como contrato consensual pois se consensual. mediante o pagamento de certa importância. ao longo de sua vida profissional. necessitando adquirir imóvel para montar a sede administrativa de seu negócio. por exemplo. considera perfeita e acabada logo que comprador e vendedor acordarem no preço e nas condições. condições originariamente pactuadas. Primeiro. estaremos diante de um contrato de compra e venda mercantil. Essa regra é conseqüência da Teoria da Imprevisão que permite a mudança nas Imprevisão evisão. Distingue-se da compra e venda puramente civil em dois aspectos. que deve ser uma mercadoria. a exemplo do estoque de mercadorias.

Dispensa-se. perde o direito. que merece receber o produto adquirido. sejam mercantis ou civis propriamente ditos. • responder pela evicção – entenda-se por evicção o dever que tem o vendedor de defender a transferência da propriedade da coisa em juízo. no próprio contrato. apenas para melhor caracterizar uma e outra espécie. . SÃO OBRIGAÇÕES DO COMPRADOR: • pagar o preço ajustado – se não houver prévio ajuste quanto ao prazo de vencimento. a ação do comprador. SÃO OBRIGAÇÕES DO VENDEDOR: • transferir a propriedade da coisa – se não o fizer. sob condição resolutória da integral quitação do débito. • receber a coisa – em caso contrário. No caso de o comprador estar ciente da restrição desde o início do negócio. Se o vendedor tinha conhecimento do vício. responsabilidade do alienante se. na hipótese de haver terceiros reivindicando o mesmo direito. os dois pactuarem que este não responde por aqueles defeitos. juridicamente falando. se não houver justa causa. com a entrada em vigor do Novo Código Civil. portanto. à doutrina fazer a distinção. 5. • pagar o frete pelo transporte da mercadoria salvo estipulação em mercadoria. transfere a propriedade de um bem móvel durável ou imóvel. pode o alienante rescindir o contrato ou demandar o comprador pelo preço da venda. a salvo de qualquer restrição de domínio. rescindir o contrato e reclamar a restituição da quantia já paga. cabem ainda perdas e danos Livra-se a danos. Essa obrigação deverá vir representada pela cláusula: FOB (free on board). a fim de garantir o pagamento de uma dívida. Alienação Fiduciária É o contrato em garantia pelo qual o devedor. via ação redibitória (prazo de trinta dias do recebimento ou da manifestação do vício). este se dará na entrega da coisa. Coube. considerando todos como contrato de compra e venda. portanto.318 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Notem que. deixa de haver distinção entre as cláusulas legais previstas para os contratos de compra e venda. Isto porque a Lei Civil unificou as duas formas. contrário.2. acrescido de mora. responde por perdas propriedade perdas danos. e danos • responder pelos vícios redibitórios – faculta-se ao comprador.

ação de depósito caso o bem não seja encontrado. Essa é a exegese do art. O devedor fiduciante assume a função de verdadeiro fiel depositário do bem custodiado tanto que. ainda. motivada por sua própria inadimplência. a fim de vendê-la para quitação do débito. via ação de busca e apreensão apreensão. Em caso de inadimplência do devedor.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 319 Série Impetus Provas e Concursos A alienação fiduciária é contrato acessório pois serve a assegurar o cumprimento acessório. significa pagar a parcela vencida. o objeto da garantia. se aquele já houver quitado pelo menos 40% de seu débito. especificamente a partir de seu art. Enquanto ele estiver em dia com o pagamento. 901 a 906 do Código de Processo Civil. no caso a liquidação do débito pelo devedor fiduciante. na hipótese de ele ser alvo de uma ação de busca e apreensão apreensão. aquele que tomou o dinheiro emprestado ou. de forma amigável ou judicial. que assegura também ao credor fiduciário o direito de pedir a restituição do bem. resolve com a ocorrência de um fato futuro. • O DEVEDOR FIDUCIANTE – é a pessoa que alienou o bem em garantia. na forma prevista nos arts. . • POSSIBILIDADE DE PERDA DO BEM – o credor poderá tomar a coisa amigavelmente ou. bastando a caracterização da mora do devedor. através do qual uma empresa disponibilizou recursos a serem utilizados na aquisição de um bem. A inadimplência do devedor fiduciante traz as seguintes conseqüências: • VENCIMENTO ANTECIPADO DE TODA A DÍVIDA – as parcelas ANTECIPADO vincendas consideram-se vencidas desde o inadimplemento da prestação. O domínio da coisa atribuído ao credor fiduciário é resolúvel posto que se resolúvel. mantém-se na posse do bem como se fora dono. permite-se ao credor tomar. Entretanto. poderá haver a conversão daquela em depósito. hipótese em que se desfaz o vencimento antecipado de toda a dívida. mora. em outras palavras. 4o do Decreto-lei no 911/69. de outro contrato de financiamento. 7o do Decreto-lei no 911/69). 22.514/97. São partes no negócio: • O CREDOR FIDUCIÁRIO – é a pessoa que emprestou o dinheiro. Regula-se pelo Decreto-lei no 911/69 e pela Lei no 9. o que ficou com a posse direta do bem dado em garantia. se houver falência do devedor (art. tem a chance de purgar a mora o que. que introduziu no sistema jurídico brasileiro a possibilidade de esse tipo de contrato ser aproveitado para bens imóveis. ou aquele que recebeu a propriedade da coisa em garantia pelo financiamento do bem. O juiz pode conceder liminarmente a busca e apreensão do bem alienado. havendo resistência.

Imaginemos. Exemplo: se e factoring. esse tipo de contrato somente se prova por escrito. entregando seus títulos a outro empresário. através de instrumento público ou particular. em sua maioria. um empresário cede créditos a uma instituição em troca de recebimento à vista de numerário. Questão importante que vem à tona na efetivação do contrato é quanto à responsabilidade do cedente pela solvência do crédito. O bem resgatado pelo credor fiduciário deverá ser objeto de venda para integral quitação do débito (é vedado ao credor ficar com a coisa). que determinado atacadista de cereais. A lei é omissa quanto ao prazo de venda. o devedor fiduciante inadimplente. Duas partes compõem a relação contratual: • CEDENTE OU FATURIZADO – é o empresário que transferiu créditos FA de sua propriedade. mediante a emissão de duplicatas. caso não haja acordo em contrário. um cheque negociado numa factoring. necessite do dinheiro das vendas à vista. Mesmo ciente de que a prática indica o contrário. ainda que de uma prestação. com recebimento à vista pelo cedente. 5. Em sua forma mais conhecida. restitui-se o devedor. pois. não tem o cedente qualquer responsabilidade pela integral quitação do débito. Sem querer submeter-se à tradicional exigência bancária. trata-se de um contrato largamente utilizado no âmbito das relações comerciais.3. A diferença é o que será pago ao cedente. provando-se a falsidade fraude. este será responsabilizado pela fraude . apenas para satisfação de seu crédito. que subtrai parte dos valores a serem recebidos em seu benefício. do título por ato voluntário do cedente. for devolvido por insuficiência de fundos. aquele que cedeu o crédito não assumirá encargo devedor. então. pode vir a perder definitivamente a propriedade do bem alienado. • FATURIZADORA – é a empresa que assumiu a titularidade pelos créditos. É.320 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel De forma diversa. Por último. cujo percentual de liquidação do débito esteja abaixo dos 40%. Contudo. Faturização Embora não se revestindo de regulamentação legal. Havendo sobra. um operação de antecipação dos valores a serem recebidos pelo cedente cedente. não se exigindo ser necessariamente uma instituição bancária. a prazo. requerendo-se o registro do instrumento no Cartório de Títulos e Documentos. Esse só assume responsabilidade pela existência da dívida. provando-se qualquer encargo pela inadimplência do devedor. que possibilitaria um desconto das duplicatas. mediante pagamento de juros. cujas vendas dão-se. mas não pode o credor alienar a coisa por qualquer preço. resolve fazer uma operação muito mais rápida.

fique caracterizado vínculo empregatício. pode realizar-se com ou sem venda de produtos entre as partes. é um contrato atípico. no qual um empresário (franqueador libera a outro (franqueado a utilização da marca de seu produto. até mesmo para que o banco possa admitir a liquidação. É claro que. para que se exima do encargo. como admitir então a exoneração do faturizado. contrato de adesão . o faturizado e endossante do cheque. para só então transferir os recursos ao cedente. O art. Franquia Mercantil Disciplinado pela Lei Federal no 8. sem que haja vínculo empregatício. inclusive providenciando sua cobrança e liquidação. franqueador) franqueado) franqueador franqueado incluindo toda a assistência técnica necessária ao perfeito funcionamento do negócio. 5. estará isento de responsabilidade pela satisfação do crédito. Ora. se o título for um cheque nominal. em relação à responsabilidade por crédito negociado com a faturizadora. Também chamado de contrato de franquia empresarial. Aprendemos (Capítulo 3) que o endossante continua responsável pelo pagamento do título. No instrumento de contrato é que serão definidas as cláusulas que terão validade entre as partes. Por isso. diz-se que. também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócios ou sistema operacional desenvolvido ou detido pelo franqueador. no entanto.955/94 traz a definição: Art. mediante remuneração direta ou indireta. a única forma de promover-se a transferência é o endosso. Além dessa forma para o contrato. associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e. 2o da Lei no 8. Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente. embora existindo lei instituidora. atípico pois suas condições de funcionamento poderão ser livremente estipuladas pelos contratantes (a rigor é o franqueador quem estipula suas cláusulas. há outra pela qual a faturizadora realiza a administração do crédito que lhe é repassado.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 321 Série Impetus Provas e Concursos Notem que um problema surge se o faturizado resolver transferir ao faturizador um título de crédito nominativo através de endosso. 2o.4. Nesta situação. mediante parcela de remuneração. eventualmente. de 15/12/1994. na qualidade de obrigado indireto pela obrigação.955. deverá utilizar-se da cláusula endosso sem garantia garantia. sem que. daí ser adesão). no caso de não-pagamento pelo principal devedor? A solução para o impasse se resolve com a transferência na forma uma cessão civil de crédito quando o faturizado (cedente) crédito.

operacional Diferem-se basicamente quanto ao valor residual. Na omissão dessa providência. sua aquisição pelo preço residual que será a diferença entre o valor venal do bem e as quantias já desembolsadas pelo seu uso. esse praticamente não existe (é embutido nas prestações). Trata-se de um contrato pelo qual um financiador. contendo informações detalhadas sobre o negócio. atualizada pela Lei no 7. uma “circular de oferta de franquia”. além de perdas e danos. leasing operacional. • ARRENDATÁRIO – é a pessoa física ou jurídica que tomou o bem para ARRENDATÁRIO seu uso. 5. por sua vez. a título de taxa de filiação e royalties. Há duas espécies de leasing. 6o). locatário.132/83. ou mesmo do pagamento de qualquer tipo de taxa pelo franqueado ao franqueador. . ao final do prazo contratual. aluga-o a uma pessoa física ou jurídica. O contrato possui natureza complexa.5. chamada leasing financeiro. no prazo de dez dias anteriores à assinatura do contrato ou pré-contrato.099. O franqueador obriga-se a fornecer ao interessado em se tornar franqueado. irá pagar prestações fixas e continuadas ao primeiro. além de permitir-se exigir a devolução de todas as quantias (devidamente corrigidas) que já houver pago ao franqueador ou a terceiros por ele indicados.322 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O contrato assume a forma escrita (art. enquanto no operacional o montante pode ser considerado. no financeiro. que. de 12/09/1974. e outra. pois pode compreender as seguintes relações jurídicas: • locação do bem – caracteriza-se pelo fato de o arrendador disponibilizar a posse direta do bem ao arrendatário. Duas partes compõem a relação: • ARRENDADOR – é a pessoa jurídica que adquiriu o bem para posterior arrendamento. permitindo-se ao residual. Leasing ou Arrendamento Mercantil Tem disciplinamento na Lei Federal no 6. uma vez que. pode o franqueado argüir a anulabilidade do contrato. móvel ou imóvel. uma. após adquirir determinado bem. • Promessa unilateral de venda – findo contrato. devendo ser averbado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. o arrendador obriga-se irrevogavelmente a vender a coisa pelo seu valor residual ao arrendatário.

. que serão repassados ao arrendador. independentemente de o adquirente possuir disponibilidade financeira. Periodicamente. A partir desta data. pois facilita as relações de consumo. incidem correção monetária e juros contratuais. junto ao fornecedor do bem. mesmo credenciado pela administradora. Cartão de Crédito Contrato pelo qual uma instituição financeira compromete-se a pagar o crédito oferecido por um fornecedor a uma pessoa. 5.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 323 Série Impetus Provas e Concursos • Mandato – ocorre quando é o arrendatário que negocia com o vendedor a compra do bem. neste caso. o fornecedor apresenta ao emitente relação contendo as notas de vendas efetuadas via cartão de crédito. a administradora cobra o débito do titular. não está compelido a processar todas as vendas por meio do cartão de crédito. física ou jurídica. Para finalizar. que é a de um contrato de financiamento. há autores que ainda consideram uma quarta relação jurídica presente. nenhuma responsabilidade terá perante o comprador. Importante esclarecer que o fornecedor não tem responsabilidade subsidiária titular. quem concede o crédito. Entretanto. poderá responder com multa contratual e descredenciamento junto à administradora. visando a ser ressarcido pelas operações efetuadas. O valor da compra deverá ser liquidado pelo comprador até o dia do vencimento de seu cartão. pela inadimplência do titular.6. este se obriga a repassar ao fornecedor o montante de seu crédito. O risco quem corr e é o emissor O fornecedor. o futuro possuidor direto do bem (arrendatário) atuando como um verdadeiro mandatário do arrendador. pode condicionar seu uso a determinado patamar mínimo de valor. acertando preço e especificações. na medida em que permite as transações. a fim de que este providencie a sua aquisição. Observa-se. Vemos três pessoas componentes da relação contratual: • EMITENTE – é a administradora do cartão de crédito. aquele que irá financiar a dívida. De posse dos documentos trazidos pelo fornecedor. Entendendo ser desinteressante para o seu negócio. adquirente dos produtos ou • serviços comercializados pelo fornecedor. física ou jurídica. materializado na antecipação de pagamento do preço do bem. sem acréscimos financeiros. corr emissor. Neste caso. Essa forma de contrato constitui elemento propulsor da economia. • FORNECEDOR – é o empresário credenciado pela administradora. Descontada a remuneração do emissor. TITULAR – é uma pessoa.

permanece devida a comissão. A doutrina vem apontando a existência de relação interempresarial sempre presente nesta espécie de contrato.420/92. Sendo pessoa jurídica. atualizada pela Lei no 8. pelo qual uma parte (representante comercial autônomo) obriga-se. não está obrigado o representante a respeitar exclusividade de representação.8. evicção etc. a realizar negócios mercantis. mas não para concluí-la. Obriga-se o representado a respeitar a exclusividade de zona que é a zona. Este só tem direito à comissão a partir do pagamento do preço pelo comprador ao representado. As duas partes componentes da relação são: • REPRESENTANTE – é o agente comercial intermediador dos negócios. pois a representação é uma atividade autônoma. 5. Concessão Comercial É o contrato regulado pela Lei no 6. inclui-se o poder para iniciar a negociação. se o comprador não pagou por culpa imputada ao representado (vício nos produtos. ainda que o representante não possua qualquer organização empresarial (elemento de empresa). fabricante ou apenas revendedor das mercadorias comercializadas. ainda que de representados diversos. ainda que informal.886/65. ficando o representante obrigado a registrar-se no Conselho Regional dos Representantes Comerciais. representação que seria a impossibilidade de ele representar outros produtos. impossibilidade de ele vir a comercializar seus produtos na circunscrição do representante. em favor de outra (representado). Nas competências do representante. atualizada pela Lei no 8.132/90. pelo qual um empresário (concessionário) obriga-se a comercializar mercadorias produzidas por outro (concedente). pois cabe ao representado aprovar os pedidos de compra obtidos pelo representante. Representação Comercial É o contrato regulado pela Lei no 4.). REPRESENTANTE • REPRESENTADO – é o empresário que irá fornecer os bens.729/79. Isso se deve à impossibilidade de haver vínculo empregatício entre representante e representado. Por outro lado. salvo estipulação contratual específica. mediante remuneração (assume a forma de comissão). em caráter não-eventual. também deve ter registro na Junta Comercial. No entanto. salvo estipulação em contrário. .324 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5. REPRESENTADO Não pode haver vínculos de subordinação ou de emprego entre as partes.7. as partes contratantes sempre serão consideradas empresárias. Em outras palavras.

veículos de sua produção no perímetro de atuação do concessionário. • organizar-se empresarialmente nos padrões definidos pelo concedente. ônibus. . • respeitar uma distância territorial mínima entre os concessionários. motocicletas e similares. concessionário: São obrigações do concessionário • havendo cláusula contratual de exclusividade da marca. • respeitar o índice de fidelidade em relação à aquisição dos componentes da marca. os clientes. corpo diplomático e a clientes especiais nos limites acordados entre as partes. Para os demais. deverá ser respeitada. não há disciplina legal regulamentadora. A norma legal abrange a concessão comercial relacionada aos seguintes bens: automóveis. • vender ao concessionário a quantidade de veículos fixada conforme estimativa de mercado. valendo o que for pactuado entre as partes. de forma condizente. • não vender. tratores. a fim de atender. Caso contrário. • comprar ao concedente a quantidade de veículos fixada em quota. salvo se destinados ao Poder Público. não terá o concessionário restrição a vender veículos de outra marca. • CONCEDENTE – é quem produz e fornece os bens destinados à comercialização.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 325 Série Impetus Provas e Concursos Duas partes compõem a relação contratual: • CONCESSIONÁRIO – é o que recebe os produtos para revenda. São obrigações do concedente: • permissão ao uso da marca pelo concessionário. O percentual será definido de comum acordo com os demais concessionários e concedente. caminhões. diretamente.

d) consiste em contrato real. um mandato. devendo o contrato. 3. ESAF (AFTN/1989) A alienação fiduciária em garantia e o respectivo contrato: a) não permitem ao credor ou proprietário fiduciário. e) alienante. b) compreende uma abertura de crédito. detém a propriedade e a posse indireta da coisa. ESAF (AFTN/1991) Nos contratos de financiamento com alienação fiduciária. o devedor. em caso de falência do devedor. precedida de avaliação judicial da coisa. também chamado de (ANULADA): a) fiduciário. o pedido de restituição do bem alienado. b) fiduciário. c) podem ser provados por escrito ou verbalmente ou por meio de testemunhas idôneas. ao passo que o alienante detém a posse direta. detém a chamada posse direta e indireta da coisa. uma promessa unilateral de venda e. que se perfaz com a entrega da coisa. detém a propriedade indireta da coisa e o credor detém o direito de reserva da garantia. ser obrigatoriamente arquivado no Registro de Títulos e Documentos do domicílio do credor. podemos afirmar que: a) compreende uma locação.Exercícios 1. d) alienante. antes de transitada em julgado ação que reconheça o inadimplemento do devedor. c) fiduciário. detém a chamada posse direta da coisa. d) só podem ser provados por escrito. 2. ESAF (PROCURADOR DO BACEN/1994) Quanto à natureza jurídica do leasing. ao passo que o fiduciante detém a posse indireta da coisa. às vezes. b) não permitem que o credor ou proprietário fiduciário requeira contra o devedor ou terceiro a busca e apreensão do bem alienado. e) perfaz-se pelo mútuo consentimento e é exeqüível em uma única prestação. detém a propriedade direta da coisa e o credor detém um direito real de garantia fiduciária. . c) envolve uma prestação de serviços para financiamento de bens. para ter valor contra terceiros. com promessa unilateral de compra do bem. ao passo que o alienante é apenas credor com direito de garantia fiduciária. e) só permitem que o credor ou proprietário fiduciário venda a coisa alienada fiduciariamente através de leilão ou hasta pública.

(JUIZ DO TRABALHO – 13 a REGIÃO/1995) O contrato de compra e venda mercantil torna-se perfeito e acabado: a) quando as partes acordam na coisa. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Em relação a um contrato de compra e venda: a) pode ser celebrado em relação à coisa futura. c) com o pagamento do preço total. e) suspende a eficácia do contrato de franquia até que seja sanada a irregularidade. espécie de operação financeira: a) facilita a obtenção de créditos pelo empresário. .CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 327 Série Impetus Provas e Concursos 4. a qualquer tempo. 6. 7. c) quando as partes acordam em relação à coisa e ao preço. (OAB – RJ/1998) A compra e venda mercantil pura e simples aperfeiçoase: a) quando é pago o preço. 8. e) com o pagamento de 75% (setenta e cinco por cento) do preço. FCC (JUIZ FEDERAL/2002) O não-recebimento da circular de oferta de franquia pelo candidato a franqueado no mínimo dez dias antes da assinatura do contrato. por parte do franqueado. mantendo-se íntegro. bem como o pagamento de perdas e danos. b) permite ao franqueado a argüição de anulabilidade do contrato de franquia. b) quando é entregue a coisa. d) quando feito a prazo. no preço e nas condições estabelecidas. b) a responsabilidade pelos riscos da coisa passa do vendedor para o comprador apenas quando se faz a entrega efetiva da coisa vendida. 5. d) é negócio atípico de cessão de crédito. d) assegura ao franqueado o direito de obter judicialmente a revisão das cláusulas e condições contratuais que lhe sejam desfavoráveis. e) é negócio indireto de financiamento. a propriedade da coisa somente passa para o comprador após o pagamento da última parcela. d) com o pagamento de 50% (cinqüenta por cento) do preço. d) quando o comprador declara-se satisfeito com a coisa e paga o preço. c) faz nulas as cláusulas contratuais que impuserem vantagem excessiva do franqueador sobre o franqueado. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A faturização. somente cabe ao comprador pedir abatimento do preço. e) se a coisa vendida apresenta defeito após a entrega. b) constitui venda de duplicatas. c) é desconto de duplicatas. b) com a entrega da coisa. c) a obrigação do comprador somente surge após a entrega da coisa pelo vendedor. com a devolução das quantias pagas ao franqueador e a terceiros a título de taxa ou de royalties. do pré-contrato ou do pagamento de taxas ao franqueador ou pessoa a ele ligada: a) permite a resolução imotivada do contrato de franquia. mesmo que a coisa vendida venha a não existir.

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b) V. b) F. . 23. r) F CAPÍTULO 2 1. F F . 8. 25. F B E C. f) F. e) V. 18. . c) V. V. 14. d)V a) V. . 17. F V . F F F V . 19. V. g) V. c) F. F F . E . . 12. 5. 26. V. 20. 19. 6. c) F C 21. V. . c) F. 17. b) V. B F F V. 16. 4. 5. 10. D E C E B B A 11. 22. 13. 29. 26. c) F a) V. b) F a) F. F V. 2.Gabarito CAPÍTULO 1 1. 3. 3. V. 28. . V . 24. E C A E B FFF . a) F. j) F. 16. V. b) F. m) F. 9. 9. 20. E D A A B A V. o) V. 12. . 29. 22. 23. . C B E B A A D C 21. 13. 27. 28. V. A V. l) V. e) F. b) V a) V. b) V. 25. C A a) F. 14. 27. 15. 8. V. F V . 24. d) V. c) F a) V. 2. V. 7. p) F. 15. 4. E D FFFV . B D F F V. 10. 6. b) V. d) V. g) V a) F. 7. 30. 18. B C E 11. . n) F. f) V. i) V. h) F. q) V.

A V. F V. F V. F V. 15. F F F . 2. V. c) F. . V . 12. V . 7. D 3. A 32. A . 16. C 38. . 13. F V. 39. V. 3. 46. A 4. . CAPÍTULO 4 1. E B D E B C 44. V. 11. A A C a) F. 9. F V. E 34. 4. 19. . F F V. C 6. B B D E 10. 2. 14. 43. 41. b) V. 5. F V. C 35. A V. E B a) V. E A A C D E B D 9. b) V 17. E D C D B 6. CAPÍTULO 05 1. 10. 47. 12. b) V a) F. D 2. 42. 11. 8. 23. d) V a) V. 7. B C D C F F NULA . A V. V. V. . 8. b) F. 3. F . . 4. . b) V CAPÍTULO 3 1. V . 21. 5. F . V. 13. 45. c) F. 6. 48. F V. B 7. 18. 37. D 8. F F V .330 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 31. . A 5. 49. V. A 33. C 36. 22. 40. d) V a) F. F F V . 20.

6-c) O nome não pode ser objeto de alienação (art. c) V – Servem comentários da letra “b”. situação que tornaria falsa a alternativa. bastando existirem outros documentos para descaracterizá-los. 1. 4-d) O fundo de comércio (o mesmo que estabelecimento empresarial) não tem poder para ingressar em juízo na defesa de seus interesses. entendo que há direitos. e) V – Embora o gabarito tenha considerado a alternativa verdadeira. 3-a) F – O Direito brasileiro adotou o critério real na definição de comerciante. b) F – Os atos de registro de comércio não fazem prova absoluta.164 do CC/2002).Comentário CAPÍTULO 1 1-a) V – Art. Quem o faz é a pessoa jurídica. 1. 1. d) V – Servem comentários da letra “a”. como. 8-b) – É o que preceitua o art. entendimento que pode ser estendido na conceituação de empresário. Entretanto. a proteção ao nome.185 do CC/2002.156 do CC/2002. 7-e) – É o que preceitua o art. c) V – Art. 1. na hipótese de alienado todo o estabelecimento.160 do CC/2002. por exemplo. não modalidade de nome. 1.158 do CC/2002. desde que precedido da expressão sucessor de. d) F – Título e “nome fantasia” são expressões sinônimas. o alienante pode ceder seu uso. 1. contudo.160 do CC/2002. e) F – A proteção ao nome vem com o arquivamento dos atos na Junta Comercial. . 5-e) Nenhuma das alternativas contém erro. b) V – Art. 2-b) É denominação que indica tratar-se de uma sociedade limitada. que são adquiridos com o registro. deve ser marcada a mais correta. f) V – Servem comentários da letra “a”.

pois o art. antes utilizadas pelo antigo Decreto no 916. 1.800/96. Exemplo: não basta observar se determinado nome empresarial obedece à forma exigida em lei. 1.332 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9-b) – É o que preceitua o art. por tratar-se necessariamente de uma sociedade em nome coletivo. 32. 1. . sejam materiais (instalações. marca.934/94.156 e 1.a) V – O Código Civil de 2002. destinado ao exercício da empresa. mas conceder regularidade à atividade empresarial.A resposta correta é a letra “d”. da Lei no 8.155. A letra “c” contém erro. é preciso ver se estão sendo respeitados os princípios da veracidade e/ou da novidade. incorporou idênticas nomenclaturas.404/76 prevê apenas denominação.) 11. 3o da Lei Federal no 6.142 do CC/2002 define o estabelecimento como um complexo de bens organizado. b) F – A assertiva é falsa no que se refere às sociedades anônimas. o escopo da escrituração mercantil não é facilitar a atuação da fiscalização. alínea c. apesar de os agentes do fisco não se submeterem ao princípio do sigilo. veículos etc. pois deve ser respeitado o princípio do sigilo. 12 – A letra “e” está correta. que trata do registro de comércio. pois deveria referir-se à escrituração fiscal. de 24/12/1890. A letra “b” está errada. o princípio correto seria o da veracidade. como espécie de nome empresarial aplicado a esse tipo societário. c) F – O princípio da novidade trata da exclusividade contra uso por terceiros. com base no art. A letra “a” está errada porque.157. em seus arts. A letra “d” está errada. A letra “a” está errada porque as Juntas também procedem ao exame material dos atos. ou do mesmo artigo do Decreto no 1. título etc. pois a eficácia da ação administrativa mede-se com relatórios gerenciais. quando obedecidas outras formalidades. Na verdade. aparece essa alternativa como falsa. e) V – Na primeira edição deste livro. colocando-a de acordo com o gabarito oficial. 10-a) – O art.) ou imateriais (nome. a respeito dos nomes empresariais. d) F – O único tipo societário possível para esse nome é o de sociedade limitada. 13. resposta que retifico. pois o termo “estar escoimada” tem o sentido de “estar livre” (obs.: essa questão poderia ser respondida por eliminação das demais alternativas). Essa conceituação deve abranger todas as espécies de bens. 29 da Lei Federal no 8934/94. apesar de não haver o detalhamento doutrinário entre firma social e firma individual.

A resposta correta é a letra “e”. a . pois ambos os dispositivos prevêem. d) V – A proteção ao nome advém do arquivamento do contrato na Junta Comercial. 51. Quanto à letra “e”. item 6. 1. 16.800/96. Mas o Direito brasileiro não admite a afetação de bens do empresário individual. pois nenhuma das atividades é mercantil. b) F – A alternativa está errada pelo fato de as sociedades limitadas também admitirem a firma social como espécie de nome empresarial. vai de encontro à regra geral disposta no art. tanto da Lei no 8. 32. em caso de alienação do estabelecimento. A letra “c” está errada na parte final. apesar de haver sido considerada correta. não responde à questão. Ademais. muito menos possui organização empresarial. é que podem requerer registro perante as Juntas Comerciais. como cooperativas.CAMPUS Comentário 333 Série Impetus Provas e Concursos A letra “b” está errada porque a proteção ao nome advém do arquivamento e conseqüente registro do ato constitutivo. apenas se Manoel fosse designado administrador da sociedade. inclusive. e art. a destinação de bens componentes de seu estabelecimento empresarial seria razão suficiente para admitir-se a distinção entre bens de uso pessoal com os reservados ao negócio. sempre será sociedade simples. é que a Junta deveria recusar o registro. bastando ver o art.A resposta correta é a letra “b”.934/94. pois se trata de uma atividade mercantil e.142). “c” e “d” não poderiam estar corretas. não havendo processo apartado para tanto. 1. As letras “a”. uma vez que. daí a confusão patrimonial. conforme podemos observar no Capítulo 1. II. deverá ser desenvolvida por um empresário. 15. da Lei no 8. 14-a) F – Da leitura do art. 35. 17.a) V – Respondem à questão os arts. parágrafo 1o. a princípio. que expõe a melhor doutrina.148. Escritório de advocacia. deste livro.142. A letra “e” está errada. pessoa física ou jurídica. do CC/2002. da Lei no 8.245/1991.934/94 como do Decreto no 1. porque as decisões ou certidões das Juntas podem ser elididas em face de melhor prova. apenas empresário pode ser titular de estabelecimento. juntamente com as disposições legais sobre a matéria. como tal. 18. Chega a soar estranhamente a assertiva. 974 e 975 do CC/2002. em que pese a correção da assertiva (art. c) F – O patrimônio pessoal do empresário individual confunde-se com aquele destinado ao exercício da sua atividade econômica. 1. b) F – Respondem à questão os arts.A letra “c”. 972 e 973 do CC/2002. Sociedades simples. e ainda assim após a condenação criminal. conforme dispõe o art. não as associações. sendo dispensada qualquer outra providência burocrática.

A letra “a” está correta. 13. parágrafo 1o. com base no art. da Lei no 8. do CDC. 27. A letra “e” está errada. não fazem parte do estabelecimento. 973. A letra “g” está correta. inciso VIII. com base no art. inciso XXII. do CDC. 28. A letra “f” está correta. 29. parágrafo 1o. A letra “e” está errada. parágrafo 3o. com base no art. com base no art. com base nos arts.A letra “a” está correta. 22. considerada correta. do CDC. com base no art. 54. A letra “b” está errada. A letra “b” está correta. parágrafos 3o e 4o. 23. A letra “c” está correta. A letra “b” está correta. A letra “b” está errada. 26. A letra “c” está errada. inciso V. do CDC. caput. com base no art. do CPI. com base no art. 23. A letra “d” está correta. A letra “b” está errada.A letra “a” está correta.884/94. com base no art. com base no art. com base no art. do CPI. 21. 54. do CPI. 57 e 18.A letra “a” está errada. A letra “d” está correta. do CPI.334 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel sub-rogação dos contratos que não tiverem natureza pessoal. 3o. com base no art. 6o.179. 25. A letra “b” está errada. com base no art. com base nos riscos previsíveis. 6o. inciso I. do CDC. com base no art. 37. com base no art.A letra “c” está correta. do CDC. 6o. com base no art. . parágrafo 2o.A letra “a” está correta.884/94. com base no art. do CDC. inciso V. 3o. 21. com base no art. 2o do CPI. do CDC. 8o do CDC. 51 do CDC. 6o. A letra “d” está correta. do CDC. da Lei no 8. 24.A letra “a”. A letra “b” está correta. do CC/2002. com base no art. 46. 6o. 33 do CPI. salvo disposição em contrário. parágrafo 1o. A letra “c” está errada.A letra “a” está correta. da Lei no 8. do CDC. a que se refere o art. 3o. A letra “b” está correta. parágrafo 3o. A letra “c” está errada.884/94. 3o. caput.147 do CC/2002. 68 do CPI. 3o. 56.A letra “a” está errada porque os bens pertencentes à sociedade. 1. 19. com base no art. com base no art. apesar de seu forte caráter subjetivo. A letra “c” está correta. porém que não sejam utilizados no objeto social. 20. com base no art. com base no art. parágrafo 2o. 6o. 18 do CPI. 40 do CPI. inciso I. 45 do CPI. 1. parágrafo 2o. do CPI. com base no art. com base no art.A letra “c” está correta. encontra respaldo no art. com base nos mesmos argumentos da alternativa anterior. do CDC. com base no art.A letra “a” está errada. com base no art. A letra “c” está errada. com base no art.

22. do CDC. da Lei das Sociedades Anônimas (reforma do estatuto) e no art. parágrafo 4o. que prevê a necessária correção monetária. 4-a) A resposta correta tem fundamento no art. do mesmo diploma (suspensão de direito de acionistas). A letra “p” está correta. Esses dispositivos legais chegam. 14. do CDC. que prevê a necessária verificação de culpa. desde que adimplente o consumidor. parágrafo 2o. Com relação ao item II. do art. com base no art. com base no art. com base no art. A letra “m” está errada. CAPÍTULO 2 1-e) Atualmente. do CDC. este previsto no art. não de fato do produto. 18. com base no art. a não citar expressamente a fraude como pressuposto. 49. A letra “h” está errada. . Por fim. do CDC. observo que a assertiva não vale para as de economia mista. 48 do CDC. A letra “i” está correta. parágrafo 5o. A letra “n” está correta. do CDC. temos que o conselho fiscal só funciona de forma permanente nas sociedades de economia mista. que prescreve a necessária remuneração do serviço. 3-a) Sobre o item I. com base no art. pois não podem compor o conselho membros de outros órgãos da companhia (art. 163.CAMPUS Comentário 335 Série Impetus Provas e Concursos A letra “e” está correta. O item III está errado em sua parte final. A letra “k” está correta. A letra “g” está correta. com base no art. do CDC. mesmo. 50 do Novo Código Civil ou. da mesma Lei das Sociedades Anônimas. Contudo. 18. A letra “l” está errada. § 7o. 28 do Código de Defesa do Consumidor. inclusive. com base no art. com base no art. A letra “f” está errada. do CDC. desde que o orçamento esteja escrito. do CDC. com base no art. caput. A letra “o” está errada. parágrafo 1o. sempre que falarmos da teoria da despersonalização. § 2o. com base no art. com base no art. a fraude deve estar presente. com base no art. da Lei das Sociedades Anônimas). 2-d) A ausência de personalidade jurídica decorre do não-registro na Junta. 20. o item IV tem respaldo no art. 18. que não condiciona a responsabilidade ao conhecimento do vício pelo fornecedor. 3o. 162. com base no art. do CDC. 12. começa a surgir a positivação da teoria. parágrafo 2o. 26 do CDC. 21. caput. considerado verdadeiro. caput. 18 do CDC. A letra “q” está errada. que prevê a continuidade dos serviços públicos essenciais. 122. 120. 18. A letra “j” está errada. do CDC. É o que podemos perceber com a leitura do art. acrescentando tratar-se de vício do produto. I. parágrafo único.

1. § 1o. e necessariamente a companhia já nasce aberta. que no caso é de R$89. os sócios respondem. pela parte ainda não-integralizada do capital social. não ao capital social que falta integralizar. há previsão de as ações possuírem. assim como no art. 12-a) V – Esses são direitos dos sócios. que proibiu outra forma de ação. diz o parágrafo 2o desse artigo. A seguir. no art. c) V – Na sociedade limitada. d) F – Prevalece o que os autores chamam de Teoria da Aparência.021. 15. mas pelo público em geral. b) V – O Direito brasileiro elegeu o critério real para classificar os comerciantes. junto ao órgão de registro. 105 da Lei das Sociedades Anônimas responde à questão. 11 da mesma lei. c) V – Subscrição pública é a aquisição do capital social inicial.099 do CC/2002.160 do CC/2002. da Lei das Sociedades Anônimas. assim como no art. caput. 1. 10-e) O art. mesmo admitindo que os contratantes poderiam verificar. o que significa que não pode haver barreiras ao ingresso de novos sócios.336 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5-b) A resposta está fundamentada no art. 11-a) O art. 7-a) V – Responde a questão o art. b) F – Necessitam de autorização do Governo Federal. 1. 243. Valores Mobiliários. de forma solidária. ou não. 9-c) A resposta tem fundamento no art. o valor nominal será igual para todas. valor nominal. 20. 1o estabelece que o capital das sociedades anônimas é dividido em ações.116 do CC/2002. através da Comissão de abertas tas. mas dois. da Lei das Sociedades Anônimas. da Lei das Sociedades Anônimas. 1. e) F – A sociedade anônima é de capital. pelo menos a partir da edição da Lei no 8. do CC/2002. que independem do percentual da participação no capital social. caput. Se tiverem. 8-b) A resposta tem fundamento no art. caput. que é a forma como a sociedade apresenta-se no comércio. 1o da Lei das Sociedades Anônimas prevê a responsabilidade do acionista até o preço de emissão das ações por ele subscrita. os papéis da empresa.019. d) F – O art. 6-a) Serve como supedâneo à alternativa o art. . 227. o que significa ser irrelevante o registro na Junta para qualificá-los. caput.000. não apenas pelos sócios fundadores. da Lei das Sociedades Anônimas responde à questão. apenas as companhias que queiram ser abertas O número mínimo de sócios não é sete. e) V – O mesmo art.00.

14-b) Define a responsabilidade. A letra “d” errou ao considerar o início da personalização a partir do acordo. posto que quem administra a companhia são os administradores. 21-b) A diretoria é órgão de representação da sociedade perante o público em geral. além do que já vimos a quem compete o encargo de administrar a companhia. 20-c) A letra “a” está errada por desconsiderar daquela qualidade as sociedades irregulares. alínea b. em cumprimento às deliberações da assembléia geral ou do conselho de administração. 15-e) A resposta correta está embasada no art. 46 da Lei das Sociedades Anônimas. apenas a palavra executar pode ser considerada como atribuição do órgão. Além do que a prestação de contas é feita perante a assembléia geral ordinária. Na letra “c”.”. a responsabilidade vai até o preço de emissão das ações subscritas pelo sócio. sendo conhecidos por exclusão. A letra “e” aproveita comentários da letra “d”. A letra “d” está errada por não ser o interesse dos administradores. mas sim da companhia. 16-b) Respondem à questão os arts. 17-a) Resposta no art. 132 da Lei das Sociedades Anônimas traz os assuntos que competem à assembléia geral ordinária. A letra “e” errou por conta da responsabilidade ilimitada.CAMPUS Comentário 337 Série Impetus Provas e Concursos 13-c) O ar t. 244. quando utilizado na frente do nome. 132 da Lei no 6. indica tratar-se necessariamente de uma sociedade anônima. § 1o. 991 e 992 do CC/2002. combinado com o art. Na letra “a”. a forma ou o tipo societário.404/76. não há a necessidade de os diretores serem acionistas. prevê que é proibida a aquisição de ações de uma companhia por outra. e vice-versa salvo se o objetivo de uma delas for a aquisição para vice-versa. responsabilizando-se pela execução de seu objeto. é ilimitada e solidária. por exemplo. todos da Lei das Sociedades Anônimas. ao passo que se for uma sociedade anônima. 1o e 3a da Lei das Sociedades Anônimas. 22-d) O art. 265. 18-a) Responde à questão a combinação dos arts. A letra “b” está errada porque a Lei de Falências permite a falência de sociedade irregular. 19-d) O termo “cia. própria das sociedades irregulares. Os de competência da assembléia geral extraordinária não estão relacionados em dispositivo específico. a lei . 30. A letra “a” está errada. Na letra “b”. segundo o art. § 1o. da Lei das Sociedades Anônimas. § 1o. manutenção em tesouraria (ações que são adquiridas pela pessoa jurídica para serem retiradas de circulação). quando o correto seria o registro na Junta. Sendo em nome coletivo. que tanto podem ser membros da diretoria como do conselho de administração.

além de não poderem fazê-lo no Mercado de Valores Mobiliários. e) V – Responde à questão o art. A letra “b” está errada porque podem existir sociedades simples na mesma situação. por acordo de acionistas. posto se tratar de simples participação. 24-e) O § 1o do art. § 2o. A letra “d” está errada porque há sociedades simples que também podem estar inscritas na Junta Comercial (cooperativas). não pela qualidade das ações. 244. por exemplo. em regra. 23-a) F – 7% de participação são considerados simples participação. Na letra “c”. da Lei das Sociedades Anônimas. que dispõe sobre o Mercado de Valores Mobiliário. A letra “d” está errada porque. A letra “e” está errada porque. apenas ela pode ser seu titular. Isso exclui as sociedades simples. Na verdade. Correta a assertiva. na medida em que. mas não foi essa a opção de quem elaborou a questão. 25-c) O art. a responsabilidade dos acionistas está limitada da mesma forma que nas sociedades anônimas. a sociedade assume o controle de forma permanente sobre a outra. A letra “c” está errada porque a responsabilidade ilimitada dos sócios acontece quando eles assumem cargo de gerência na sociedade. 21 da Lei no 6. É claro que outras características.338 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel não faz qualquer menção à exigência de nacionalidade brasileira. não basta ser mercantil. administradores são tanto os diretores como os membros do conselho de administração. A letra “a” está errada porque as comanditas por ações podem ofertar ações com ou sem poder de voto. poderia tipificar a sociedade empresária. como a organização com elementos de empresa. 1. os membros da diretoria é que necessariamente teriam que ter residência no país. exceto a dos que assumirem função de gerência.142 do CC/2002 conceitua o estabelecimento como o complexo de bens organizados para o exercício da empresa. Correta a assertiva. A letra “e” está errada ao classificar os membros do conselho de administração como responsáveis pelo controle social. d) F – Não é necessário. A letra “a” está errada porque a assunção dos riscos da produção não é determinante à definição. . restringiu apenas às companhias a possibilidade de negociar valores mobiliários na bolsa ou no mercado de balcão. A letra “b” está errada porque não há tal limitação. b) F – A alternativa somente seria verdadeira na hipótese de o capital referido (55% de W) conferir poder de voto.385/76. c) V – 30% de participação no capital social da outra só deixam de caracterizar uma coligação. seja por empresário ou por sociedade empresária. Logo. é necessário haver a forma empresarial de organização. pela nova conceituação do Código.

não enxergo qualquer incorreção. posto admitir a participação de um número ilimitado de sócios. A letra “d” foi considerada errada. A letra “b”está errada. 1. assembléia de quotistas etc. gerando direitos e obrigações. c) Alternativa falsa. apesar de não ser obrigatório. como o Código disciplinou a estrutura das limitadas com conselho fiscal. e não da lavratura do instrumento. A letra “a” está errada. A letra “a” está errada. observo que. 1. Logo.052 do CC/2002. Correta a alternativa. com fundamento no art. pois. 27-e) O direito patrimonial está consubstanciado no valor econômico atribuído às quotas. enquanto que o direito pessoal é decorrente do status de sócio. Correta a assertiva. . o novo Código protegeu-os. pois não houve alteração na forma de controle. 30-e) A alternativa está correta.CAMPUS Comentário 339 Série Impetus Provas e Concursos 26-a) O contrato de sociedades é de estrutura aberta. no que pese ter sido considerada errada. 28-b) Alternativa correta. 29-a) Alternativa falsa. A letra “c” está errada porque há outros direitos. diferentemente do antigo Decreto no 3. deu-lhes estrutura típica.012 do CC/2002. A letra “b” está errada porque a integralização do capital social também pode ser com bens ou créditos.052 do CC/2002. por exemplo. A letra “e” está errada porque as limitadas não têm nada a ver com a restrição imposta pelo art. pois terá que haver prévia previsão contratual. a exemplo dos débitos tributários. pois carece de fundamento. A letra “a” está errada porque há casos que fogem à regra da limitação da responsabilidade. com fundamento no art. não constando nome do administrador. A letra “b” está errada porque o vínculo é contratual. 977 do CC/2002. pois a tipicidade significa previsão em lei. quanto à exclusão de sócio minoritário. 1.013 do CC/2002. A letra “d” está errada porque é possível que as quotas sejam de mesmo valor. com fundamento no art. A letra “d” está errada porque a separação patrimonial acontece quando do arquivamento. Contudo. como o de voto. A letra “c” está errada. b) Alternativa falsa.708/19. com fundamento no art. 1. ambos poderão exercer a gestão dos negócios. A letra “e” está errada porque a regularidade dá-se apenas com o arquivamento do ato na Junta Comercial. tendo em vista a possibilidade de a designação ser em ato separado. Na letra “c”.

podendo ser feito até por companhias fechadas. 34-c) O art. caso se referisse à classificação doutrinária. pois pode o conselho de administração. apesar de o Direito brasileiro permitir a unipessoalidade.340 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “c” está errada. 31-a) A alternativa está correta. da Lei no 6. 34. pois as ações escriturais não dificultam a negociação. A letra “c” está errada porque não possui qualquer fundamento. é que nem sempre a relação tem que ser alterada. A letra “d” está errada. seja incidental ou no caso de subsidiária integral (a regra é a pluripessoalidade). no novo regime do Código. posto não ser a competência privativa da assembléia. A letra “d” está errada. A letra “a” está errada. servem comentários da letra “c”. A letra “b” está errada. A letra “c” está errada porque. a exemplo dos 10% exigidos para constituição de companhias (ver art. 32-a) O art. não é necessário autorização da CVM. A letra “d” está errada porque os atos regulares de gestão não responsabilizam os administradores. . não haverá alteração da relação percentual de cada um. com idênticos percentuais de participação em cada sociedade. apesar de não haver sido marcada pelo gabarito. 982 do CC/2002 elegeu a bipartição das sociedades em empresárias e simples. 80 da Lei das Sociedades Anônimas). não podemos admitir tratar-se de classificação de sociedade. A letra “e” está errada porque o objeto social não é fator determinante para classificação societária. Exemplo: digamos que as sociedades A e B sofrerão fusão para o nascimento da sociedade C. A letra “b” está errada porque as demais também garantem a titularidade. pois. Na hipótese de os sócios de A serem os mesmos sócios de B. A letra “d” está errada porque sociedades grupadas são forma de ligação entre sociedades. aproveitando comentários em relação a letra “e”. A letra “b” estaria correta.404/76. § 1o. Correta a assertiva. 33-e) A letra “e” está correta. e não um tipo ou uma classificação. não pode ser considerada errada. com autorização do estatuto. 1. de acordo com o art. não mais pode haver tal delegação. A letra “e”. A letra “c” está errada.115 do CC/2002 dispõe justamente a respeito da preservação do direito dos credores. que é a sucessão das obrigações. aprovar a emissão de ações (art. pois a inexistência de papel simplifica a transação. para as ofertas privadas. Basta ver a possibilidade de haver sociedades simples com ou sem fins lucrativos. A letra “a” está errada porque. pois existem percentuais mínimos de integralização das ações. 142 da Lei das Sociedades Anônimas).

parágrafo único.A letra “b” está correta.A resposta correta é a letra “e”. 39. seja conivente. A letra “g” está correta. 1. da Lei no 6. A letra “d” está errada em sua parte final. pois o art. de acordo com a combinação dos arts. conforme a exegese do art. com base no art. conforme a exegese do art. VI. pode não haver alteração no quadro social. com base no art. conforme vimos. Este último. com fundamentação legal no art. se a limitada tiver regência supletiva nas sociedades simples.015. A letra “f” está correta. 1.061. 36 – A letra “a” está correta. A letra “a” está errada. VIII. parágrafo 1o. VIII. 1. do CC/2002. conforme a exegese do art. de acordo com o art. A letra “d” está errada. 997. parágrafo único. 997. conforme comentado no tópico 8. A letra “b” está errada. não praticante de ato ilícito cometido por outro. A letra “d” está errada. conforme a exegese do art. inciso II. que exclui do benefício de ordem. 993. de acordo com o art. 38.071 e 1. com base no art. por comportar número ilimitado de sócios) e. pois modificação tipológica seria o mesmo que a sociedade sofrer “transformação”. pois tem a ver com seus membros (lembro que o contrato é de estrutura aberta. 997. que é a passagem de um tipo para outro (limitada para sociedade anônima. por exemplo). A letra “c” está correta. parágrafo único. A letra “b” está errada. ou seja. 35 – A resposta correta é a letra “c”. 997. 990 do CC/2002. A letra “e” está errada. 999.057.A resposta correta é a letra “c”.404/76. conforme a exegese do art. . da regra da subsidiariedade apenas aquele que representou a sociedade. A letra “e” está errada. VIII. ou. de acordo com o art.1. pois a exclusão somente poderia atingir sócios minoritários. prevê a unanimidade. 1. do CC/2002.015. A letra “c” está errada. 1. não tentar inibir sua prática.039. ou negligenciar em descobri-lo. e não de compra.CAMPUS Comentário 341 Série Impetus Provas e Concursos A letra “d” está errada. caso aquele administrador. 991. apenas quando se tratar de venda ou oneração. pois é possível a suplementação da lei pelo contrato social. parágrafo único. 50 do CC/ 2002.2. do Capítulo 2 deste livro. em combinação com o art. estipula a necessidade de deliberação. 37.060. 158. A letra “e” está errada. conforme a exegese do art. 1. embora se deva ressaltar que o mesmo dispositivo prevê o contrário. já que o majoritário detém o poder de decisão na empresa. mesmo.

A letra “d”. especificamente a incorporação. fusão e cisão entre sociedades. a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. 1.342 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “a” está errada. o tema está relacionado às formas de modificação ou reaorganização societária. Pode ser um ato legítimo de gestão. 1.A letra “c” está correta. Ato danoso é o que traz dano à sociedade. Ressalte-se que mercantil é a atividade própria de empresário. 43. quando a doutrina se refere à “sucessão empresarial”. Também não há necessária mudança do tipo social. 1. conforme a exegese do art. Assim. porque.061 do CC/2002. se a sucessão referida pelos elaboradores tiver relação com o trespasse. não ficou claro. para fins de ser considerada empresária. inciso VII. da Lei no 5. apesar de considerada correta. nem o autor muito menos os demais administradores deverão responder por ele. A letra “d” está errada. . 40. salvo numa cisão parcial. sendo mercantil a atividade desenvolvida pela sociedade. 1. Não se liquida a sociedade. encontra respaldo no art. servindo como fundamento legal o art. está errada. Quanto ao patrimônio líquido da incorporadora. a partir da extinção da incorporada. 159. sem necessariamente ser ilícito. 4o. Isso.055 do CC/2002. 42. De outra forma. independe da forma como ela se organize. estudada no Capítulo 4 desta obra. 44. contudo. mesmo. 41. conforme citado na letra “a”.066 do CC/2002. A letra “b” está errada. Quanto à letra “a”. 146 da Lei no 6. Ora.A letra “e” está correta. com base no art.764/1971. que reduzirá o patrimônio líquido da incorporadora. aí sim. nem sempre acontece o seu aumento. não se pode falar em manutenção da sociedade exercente da atividade. considerada correta. a questão estaria correta. 28 do CDC ou. sabemos que a fusão é causa de extinção das sociedades fusionadas para criação de uma outra. pois. Basta o patrimônio líquido da incorporada ser negativo.A letra “d”. A letra “c” está errada.A letra “b” está correta. com base no art. pois incorporação é um processo que visa à reorganização entre sociedades. parágrafo 4o. é merecedora de comentário. Sim. citado na letra “b”. A letra “d” está errada. A letra “c” está errada. assim como a incorporação provoca o fim da personalidade jurídica da incorporada. com base no art.052 do CC/2002. Portanto. mas que trouxe prejuízo à pessoa jurídica. conforme teor do art. O seu patrimônio é que é agregado ao da incorporadora. com base no art. 50 do CC/2002 ou o art.404/76. que é a alienação do estabelecimento. só se os sócios quiserem fazer a transformação.

133 do CC/2002. do CC/2002.404/1976.142 do CC/2002. de forma taxativa.039 do CC/2002. A letra “d” está correta. pois não poderiam contratar sociedade entre eles. A letra “d” está errada porque a presença na assembléia é facultativa. A letra “c” está errada. 993 do CC/2002. 1. A letra “b” está errada. com base no art. com base no mesmo art. 986 do CC/2002. provoca a extinção das sociedades envolvidas.008. A letra “b” está correta. combinado com o art. 49. ambos do CC/2002. 122. com base no art. A letra “b” está errada porque o emitente do título (armazém geral) necessariamente fez um contrato de depósito com o primeiro beneficiário (depositante). a mercadoria deverá ser alienada para pagamento ao seu titular. com base no art. 48. 228 da Lei no 6. 2-a) A expressão numerus clausus empregada significa estarem as espécies de títulos de crédito todas previstas no ordenamento jurídico brasileiro.404/1976. da mesma lei. A letra “d” está correta. com base no art. No caso de inadimplência do título. 1. 977 do CC/2002. enquanto o voto é restrito aos titulares de ações com esse direito. prevista no art. 46. pela qual comerciante era aquele que praticasse certos atos previstos em lei ou em antigo regulamento. O perfil objetivo é aplicado na Teoria dos Atos de Comércio. 1. A letra “b” está correta.A letra “a” está errada. CAPÍTULO 3 1-e) Enquanto o conhecimento de depósito representa a propriedade sobre as mercadorias depositadas. A letra “b” está correta. 997. pois somente pessoas físicas podem compor o quadro social da sociedade em nome coletivo. incisos I e VII. apesar de considerada verdadeira. não encontra respaldo na legislação específica. com base no art. 135 da Lei no 6. com base no art. com base no art. 1.CAMPUS Comentário 343 Série Impetus Provas e Concursos 45. A letra “a” está errada. com base no art. A letra “c” está errada.A letra “a” está correta. 132 da mesma lei. A letra “c” contém erro porque o warrant não serve à transferência da propriedade. .A letra “a” está errada porque a qualificação de empresa como atividade empresarial está relacionada ao perfil subjetivo. 977do CC/2002.094. A letra “c” está errada. 47.A letra “a”. pois a fusão. inciso VII. o titular do warrant tem um direito real sobre elas. com base no art. pois somente compõem o estabelecimento empresarial os bens diretamente utilizados no objeto social.A letra “b” está correta. com base no art. inciso VIII. com base no art. 1.

Por conseqüência. A letra “c” está errada porque. apenas detém a atribuição para sua cobrança. lastreado no art. poder atingir o outro. b) F – O benefício de ordem significa cobrar-se primeiro do beneficiário. 3 – que não tenha havido recusa com fundamento no art. só que o título permanece transmissível. não precisando de nova declaração a esse respeito.663/66. o fato de a nota estar avalizada. 26 do Decreto no 57. ordem. O que faz diferença realmente é a cláusula não à ordem que proíbe novo endosso. 7-b) O termo executar significa ser alvo de uma ação de cobrança. seu titular pode cobrar o título de qualquer coobrigado indistintamente. Está correta a assertiva. na utilização do princípio da solidariedade. sem precisar comunicar aos demais. No caso de duplicatas sem aceite. se vir a endossar o título. A letra “d” contém erro. por exemplo. 6-e) In casu. o aceite pode ser parcial. ou não. só então. A letra “b” está errada pelo fato de as obrigações de um título serem autônomas. é irrelevante. no caso de cheque. 3-a) O sacado de uma letra não está obrigado a aceitá-la. 8o da LD. porque. Seu silêncio já indica a recusa. para.). taxando de nulo o endosso parcial. Quanto à letra “d”. só poderá fazê-lo como procurador do proprietário. no aval. 2 – documentação comprobatória da entrega dos produtos (conhecimento de frete. apenas com efeitos de uma cessão civil de crédito. conta-se a partir dos trinta ou sessenta dias (prazo de apresentação). “b” e “c” não exigem o aceite. 5-d) A expressão a quo significa de início e. conforme seja o documento da praça ou não. 10-a) V – O aval é ato unilateral porque independe da concordância expressa do avalizado. A letra “d” está errada porque a anuência do endossante já é concedida quando é feito o endosso-mandato. o avalista pode ser demandado independentemente do avalizado.344 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “b” está errada porque uma nota promissória emitida para saldar uma dívida de “A” para com “B”. recibos etc. 8-d) A declaração aqui referida é o aceite. pois os títulos legitimam seus proprietários no direito creditício neles contido. mesmo que reconhecidamente seja devedor. 4-c) É hipótese de exceção. A letra “b” tenta confundir. Isso só vale para a fiança. Aqueles títulos constantes das letras “a”. pelo qual o portador não é proprietário. 9-a) É hipótese de endosso-mandato. observem três requisitos à execução: 1 – protesto por falta de aceite. . pode ser utilizada pelo seu credor para garantia de outra obrigação (endosso-caução). onde o protesto é feito por indicação indicação.

12-a) F – Neste caso. enquanto que o emitente de uma letra dá a ordem ao sacado para que este pague. c) F – Em decorrência do princípio da autonomia das relações cambiais. e) V – O fato de haver contrato de fiança não impede a existência do aval.663/66 responde à questão. 15 do Decreto no 57. b) V – Embora tenha sido considerada correta. diante de terceiros. cheque. . razão para dispensar-se o aceite. que um cheque do qual é cobrado não obedece a um dos requisitos previstos em lei. e) F – O defeito de forma não tem nada a ver com o princípio da autonomia. porque a contagem dá-se a partir do fim do prazo de apresentação. d) F – A duplicata é título causal. 18 (endosso-mandato) e 19 (endosso-caução) do Decreto no 57. c) V – Quem emite uma nota promete pagar certa importância a alguém. alegando questão sua com outrem. como. b) V – O princípio da autonomia significa que as obrigações oriundas de um título são independentes entre si. b) V – Serve à fundamentação o art. Por ele. b) V – Não só de E e de F como também de B e de A. d) V – Respondem à questão os arts.663/66. as notas promissórias já são emitidas pelo próprio devedor. Sobre o termo endosso impróprio a doutrina classifica-os impróprio.CAMPUS Comentário 345 Série Impetus Provas e Concursos c) F – Sendo ato unilateral. o complemento à alternativa seria a ausência de aceite com fundamento no art. o devedor de um título não pode negar o pagamento a terceiro. c) V – A primeira parte do art. É o subprincípio da inoponibilidade das exceções pessoais. ou seja. porque seus termos não excluem a possibilidade da cobrança contra os dois primeiros. não poderia ser contratual o aval (a fiança é contrato). seria a literalidade. o devedor pode alegar. A questão não está errada . 13-a) F – Não se permite ao devedor impor uma defesa contra terceiros (credor). 14-a) F – Errado. como aqueles que fogem ao padrão convencional.663/66. alegando defeito na relação sua com aquele com quem transacionou. por depender de uma prévia operação de compra e venda mercantil ou prestação de serviços. d) V – Assim como o cheque. c) F – Neste caso. que entraram na relação via endosso. 12 do Decreto no 57. o nome cheque constante do documento. e) V – A cláusula à ordem pode ser tácita. titular do direito creditício. d) F – Já vimos que o próprio decreto prevê a possibilidade de aceite parcial. por exemplo. não-abstrato. Sob essa ótica. 8o da LD. basta não conter não à ordem para estar presente a primeira. 11-a) F – A cláusula não à ordem impede a transferência via endosso. d) V – Valem comentários anteriores. seria cartularidade.

se colocada por um endossante. d) V – Vale o aval parcial. o n 57. 19-b) A cláusula à ordem pode ser expressa ou tácita. nas hipóteses de perda ou extravio da duplicata. salvo cláusula em contrário. 25 do Decreto no 57. nas hipóteses de perda ou extravio da duplicata. c) F – O endosso parcial é nulo. ou prestador de serviços. mesmo constando do art. 20-c) Embora tenha sido considerada correta. posta uma condição. produzindo todos os efeitos cambiários do endosso. na obrigação dos devedores solidários de uma cadeia de endossos. Contudo. não importando se o avalista já faz parte da cadeia de endosso. é transferível por meio de endosso. item 3. b) F – O princípio da autonomia prevê justamente o contrário. .663/66. 21-d) A alternativa foi considerada correta.663. d) V – A isso chama-se aceite por intervenção previsto no art. no sentido de um coobrigado só poder exercer seu direito regresso. daqueles cuja vinculação aconteceu em momento anterior à sua. b) V – É o endosso próprio. considera-se não-escrita. Porém. e) F – A segunda parte da alternativa contém erro porque o titular da letra é livre para endossá-la a quem bem quiser. 1o. e) F – Esse princípio é geral para todos os títulos de crédito. 16-a) V – Trata-se do princípio da cartularidade. 18-a) V – Responde à questão o art. mas a interpretação doutrinária. prevalece a anterioridade. Quando posta na origem. 23 da LD a obrigatoriedade de emissão da triplicata. 15-a) A questão trata da cláusula sem garantia que. pelo qual só se exime o endossante da responsabilidade pelo pagamento com a cláusula sem garantia garantia. Como tal. normalmente se exige o protesto.346 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel e) V – Responde à questão o art. 23 da LD. nessa qualidade. Reparem que prevaleceu não o texto literal da lei.595/66. 56 do Decreto intervenção. a emissão da triplicata deve ser entendida como uma faculdade do vendedor. 17-a) Os emitentes desses títulos são seus devedores principais e. basta não vir a cláusula não à ordem para o título ser considerado à ordem. do Decreto no 57. c) V – O art. Quanto à letra “e”. exime este de responsabilizar-se pelo pagamento. Neste último caso.663/66 responde à questão. dispensa-se o protesto para efetivação da cobrança. A letra “e” está errada porque a letra pode ser exigida de qualquer um que se obrigue no título. de regresso em caso de pagamento do título. para cobrá-los dos coobrigados. não importando se é o próprio sacado ou não. aproveita todos eles. 1o do Decreto no 57. com base no art.

ou seja. caput. é gênero do qual são espécies a impontualidade (art. Logo. sejam a prazo ou à vista.CAMPUS Comentário 347 Série Impetus Provas e Concursos 22-c) Embora tenha sido considerada a alternativa correta. pois. da Lei de Falências responde à questão. seu sentido é mais abrangente. a insolvabilidade. embora condicionada ao pagamento do warrant. 1o da LF) e os atos de falência (art. De outra forma. 2-d) É a chamada ineficacização de certos atos praticados em período suspeito. 5-b) Embora sem a melhor redação. 1o da Lei no 5. não se pode falar em vencimento a certo termo de vista para as notas promissórias. 43. quando especificou que tanto as letras de câmbio como as notas promissórias poderiam ter vencimentos a certo termo de data e a certo termo de vista. é igual a trinta. A letra “c” foi anulada porque conteve erro conceitual.102/1903 permite a retirada da mercadoria do armazém geral apenas com o conhecimento de depósito. pois a emissão da duplicata é facultativa e é precedida da fatura. Lembro. a parte final do enunciado parece-me correta. . pois a duplicata não permite tais formas de vencimentos. uma venda com vencimento para trinta dias enquadra-se na obrigatoriedade da fatura. contudo. observo que o teor do art. 2o da LF). A letra “b” está errada. A rigor. para fins de liberação das coisas. conforme o teor do art. no 1. pois inclui empresários e sociedades empresárias. ou da nota fiscal fatura. § 2o. na minha opinião não contém vício. 3-c) O período de prescrição volta a contar depois de encerrado o processo. ou insolvência. 18. pelo disposto no art. pois. salvo direitos do titular do warrant. do mesmo decreto. Já a letra “b”. desde que se consigne no próprio armazém a dívida constante do warrant. Isto significa transferência do domínio. 4-d) Valem comentários anteriores. Ora. considerada errada pelo gabarito oficial. por não admitir aceite. CAPÍTULO 4 1-e) O art. Quanto ao termo comerciante. 22 do Dec. fez-se a opção pelo texto legal da Lei de Falências. a transferência do conhecimento de depósito confere a faculdade de dispor das mercadorias nele constantes. para os obrigados à expedição deste documento. Portanto. que os empresários que adotarem a nota fiscal fatura ficam obrigados à emissão deste documento em todas as operações de venda mercantil.474/68. Atualmente. a alternativa está correta.A letra “a” está errada. a exigência de emissão obrigatória da fatura é para vendas com prazo não-inferior a trinta dias (vinte e nove dias para baixo não seria obrigatória a emissão). não vejo a necessidade de o warrant estar ligado ao conhecimento de depósito. 23. trinta não é menor.

não encontro erro. 36 da Lei no 6. para serem considerados ineficazes. com base no art. deve ser assinalada essa. basta terem sido praticados no período suspeito. A letra “b” está errada em sua parte final. da Lei no 11. 40 da Lei no 6. Com relação às letras “b” e “c”. por coadunar-se perfeitamente com o escopo do procedimento. 9. combinado com o art. 13) A letra “a” está errada. parágrafo 2o. com fundamento no art. A letra “d” está errada. . podendo ser enquadrada no art.101/2005. alínea d. embora responsáveis solidários. entendo não haver dúvida quanto à incorreção das letras “d” e “e”.348 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Quanto à alternativa “d”. A primeira. não são as mais verdadeiras. a solidariedade foi estendida aos controladores da sociedade.Essa é uma questão cuja resolução torna-se difícil. a outra devido.024/76. 53 do mesmo diploma.A resposta correta é a letra “d”. logo que assumir o cargo. É claro que. com base no art. Em todo caso. 12. 8. uma vez que provoca encerramento das atividades sociais. apesar de não conterem erro. com fundamento no art.101/2005. da Lei no 11.024/74. inciso II. 51. na inexistência de alternativa mais completa. com base no art. 59. 7-b) A alternativa está correta. pois basta um único título em atraso para declaração da falência. 52 da LF Esse dispositivo .024/74. bastando ver teor do art. Contudo. 11. já que este é largamente usado na doutrina. não se submetem a tal restrição. como sabemos. pois existe ordem de classificação de créditos. senão vejamos: a eventualidade na impontualidade não impede a falência. pois o procedimento de liquidação extrajudicial não objetiva o soerguimento do sujeito passivo. assim como na falência. da Lei no 6. 1o da Lei no 6. a alternativa mais correta é a letra “a”. Sobre as demais respostas.024/76. pois a responsabilidade dos administradores independe de prova da omissão. A letra “b” está correta. 10. ao fato de que tal igualdade também é garantida pela falência.A alternativa correta é a letra “c”. devido ao alto grau de subjetividade contido.A resposta correta é a letra “a”. com base no art. As letras “a” e “c” estão erradas porque os controladores.A alternativa correta é a letra “e”. Alerto que “balanço especial saneado” nada mais é do que aquele levantado pelo liquidante. 40 da LF . pelo fato de ser possível a conversão da liquidação em falência. prevê a revocação dos atos independentemente de terem sido cometidos com fraude. A utilização do termo empresário também está correta. 19. 6-b) A alternativa está correta. A letra “e” está errada.

a devolução do bem. quando nem sempre isso ocorre. como constante na questão. . direta. 4-a) Trata-se de contrato consensual e informal. 2-d) É a alienação fiduciária contrato solene exigindo-se formalidades inconcebíveis solene.CAMPUS Comentário 349 Série Impetus Provas e Concursos CAPÍTULO 5 1-d) A anulação dessa questão deveu-se a erro de nomenclatura presente na alternativa considerada correta. na medida em que o arrendatário paga o preço de uso. para descaracterizar financiamento. há autores que. o que tornaria correta a sua primeira parte. salvo cláusula contratual nesse sentido. pois o arrendador é obrigado a disponibilizar o bem à venda para o arrendatário. para outras espécies. Por fim. mesmo ainda não havendo a entrega da coisa. apesar de formal. ao invés de propriedade direta.955/94. Por negócio atípico entenda-se aquele que não tem previsão em lei. via pedido de restituição. o contrato reputação é realizado. Quanto à letra “b”. Significa afirmar que. às vezes. mas de cessão de crédito. 4o da Lei no 8. A letra “c” contém erro ao inserir sempre o financiamento de bens. o contrato já estará constituído. Se. tivesse posse direta a proposição estaria correta. Contudo. consideram como uma quarta característica desse contrato o financiamento. não se trata de venda. 7-d) A alternativa está correta. Sobre a letra “a”. o contrato de leasing é consensual. 3-a) O contrato de leasing possui natureza complexa. em nome do arrendador. 6-b) Responde à questão o art. ao mesmo tempo em que concorde em purgar a mora. Entretanto. independente de instrumento. a escolha do bem. em muitos casos. Com relação à letra “d”. basta o arrendatário não optar pela compra. logo que as partes acordarem no preço e nas condições. é mais simples adquirir crédito numa faturizadora do que em um banco. A letra “b” está errada. e. mas do vendedor. a letra “e” está errada porque a venda também pode ser feita por propostas. posto traduzir-se numa locação. é o próprio arrendatário que intermedeia. a promessa unilateral não é do comprador. deve ser considerada a alternativa mais verdadeira. O mesmo não pode ser dito para concordata. de fato. Quanto à letra “b”. porque basta a simples mora do devedor para dar ensejo à busca e apreensão que só não será eficaz se o devedor já tiver pago 40% do débito. numa proposta unilateral de venda. a falência do devedor é motivo para pleitear-se. como acontece com a faturização. 5-c) Valem os mesmos comentários da questão anterior. Quanto à letra “a”. pois logo que comprador e vendedor acordarem no preço e nas condições. um mandato porque. e desde que coloquem isso no instrumento.

. pois é consensual e. Sem efeito não é o mesmo que anulado ou revogado. na hipótese de a coisa futura vir a não existir. Contudo. o contrato continua íntegro. vale observar o teor do art. 483 do CC/2002.350 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8-a) A alternativa está correta. Logo. está perfeito e acabado a partir do acordo de vontades. como tal. prevendo que o contrato ficará “sem efeito”.

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