ÍNDICE

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ÍNDICE DE IMAGENS: 1- Câmera Escura .................................................................................... 7

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1. INTRODUÇÃO:
O homem sempre tentou reter e fixar movimentos do mundo, começando com desenhos na caverna, passando pela pintura em tela e escultura, e, por fim, chegando a fotografia. Esse é um meio de comunicação de massa, sendo muito popular em nossos dias e nascido na Revolução Industrial. A fotografia é um processo técnico ou artístico de produção de imagens através da fixação da luz reflectida pelos objectos numa superfície impregnada com um produto sensível as radiações luminosas; ou seja; é uma imagem que se obtêm através de um processo químico e de um “jogo” com os raios luminosos. Para entender melhor este processo e este conceito é necessário perceber donde vem este “jogo” com os raios luminosos e o porquê da importância destes. Neste trabalho iremos, portanto, falar inicialmente como evoluiu o aparelho fotográfico, pois, na invenção da fotografia não se pode mencionar apenas um nome, pois muitos foram os cientistas que procuravam respostas para a fixação de uma imagem num determinado suporte. Muitos foram os nomes que contribuíram para sua evolução, fazendo deste modo com que esta invenção fosse evoluindo passo a passo, até se tornar num novo meio de registo, numa nova maneira para relembrar momentos, num novo meio de imortalizar ocasiões. E em seguida, por sua vez iremos abordar a fotografia a diversos níveis, entre eles como ela foi aceite na sociedade até aos dias de hoje e o caminho que percorreu até ser reconhecida como arte, o que a influenciou e as influências provocadas pela mesma.

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2. A EVOLUÇÃO DA MÁQUINA FOTOGRÁFICA E DA FOTOGRAFIA 1816 AS INVENÇÕES MECÂNICAS PARA COPIAR A NATUREZA:

DE ARISTÓTELES A

2.1. ORIGEM: A partir do século XIV, alarga-se o uso das máquinas de desenhar, que são, muitas vezes, constituídas por um caixilho e por um “visor” com o qual o olho pode permanecer fixo sobre o objecto. No século XVI, Alberto Durer, inenta vários com configurações diferentes. Em 1615, M. Marolais inventa o pantógrafo para reduzir ou aumentar mecanicamente o desenho com a ajuda de um paralelogramo articulado, que mais tarde será aperfeiçoado. Graças a estas máquinas, os artistas vêem o seu trabalho facilitado. Desenvolvem-se novas técnicas, como, por exemplo, os perfis de silhuetas, aperfeiçoados por Louis Carroguis, dito Carmontelle, que consistem em desenhar, sobre um papel translucido, a sombra de um perfil em tamanho natural formado pela chama de uma vela. Gilles- Louis Chrétien, aperfeiçoa este sistema combinando-o comum pantógrafo para reduzir a escala do perfil. Esta moda dos perfis durou até ao século XIX. Para além destas máquinas de desenhar, desenvolve-se um outro instrumento, conhecido desde a mais remota Antiguidade, dado que é referido no século IV a.C., por Aristóteles. O filósofo descreve-nos a observação de um eclipse solar num compartimento escuro, no qual uma parede contém um furo para que a imagem do eclipse se forme na parede oposta. Esta camera obscura é igualmente descrita, no século XI, pelo astrónomo AL Hazen e por leonardo da Vinci, em 1915, que compara o seu funcionamento com o do olho. Este aparelho é aperfeiçoado, no decurso de toda a renascença, para desenhar em perspéctiva e também para facilitar as observações científicas. Em 1550, Jérôme Cardin vai substituir o furo por um “disco de vidro” – de certa uma lente convergente. Mais tarde, em 1568, Daniel Barbaro, propõe o emprego do diafragma para reduzir o diâmetro do furo por onde passa a luz e, assim, aumentar a nitidez da imagem. Graças aos progressos da óptica criam-se, no século XVII, cameras obscuras portáteis munidas de um sistema constituído, frequentemente, por uma lente convergente e equipadas, por vezes, com um espelho com uma inclinação de 45º, para reenviar a imagem para um plano horizontal. Estamos em presença do antepassado directo das nossas máquinas Reflex actuais. Muitos cientistas servem-se da camera obscura para diversas observações, nomeadamente em astronomia, mas muitos artistas também a utilizam. Podemos citar, por exemplo, Veronese, que a utiliza em 1561 para os desenhos que realiza na villa Barbaro e mais tarde Vermeer, na Holanda, e Canaletto, em Veneza. “Uma projecção de um objecto no interior de uma câmara escura se existir apenas um orifício para a entrada dos raios luminosos projectando uma imagem a cores e invertida na parede oposta ao orifício”.

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queria imagens positivas que pudessem ser utilizadas como placa de impressão. Joseph Nicéphore Niépce tenta obter imagens gravadas quimicamente com a câmara escura. Cobriu um papel com cloreto de prata e expôs durante várias horas na câmera escura. Quando um desses raios luminosos incide sobre um objecto. SURGE A 1ªFOTOGRAFIA: Em 1793. Aos 40 anos..2. que possui superfície irregular ou opaca.. Joseph Niépce desenho. é reflectido de um modo difuso.A fotografia não tem um único inventor. determinouse a realizar novas tentativas. só que de forma invertida e de cabeça para baixo. Para que possamos compreender esse fenómeno da câmara escura. tentou obter através da câmera escura uma imagem permanente sobre o material litográfico de imprensa. A luz é uma forma de energia electromagnética que se propaga em linha recta a partir de uma fonte luminosa. temos então uma projecção da sua imagem. Nesta época. isto é. deixara passar para o interior alguns desses raios que irão ser projectados na parede branca. Niépce cobriu uma placa de estanho com betume branco da Judéia que tinha a propriedade de se endurecer quando atingido pela luz. Ela é uma síntese de várias observações e inventos em momentos distintos. Em 1826. durante uma temporada em Cagliari. o betume era retirado com uma solução de essência de alfazema. A primeira descoberta importante para a fotografia. obtendo uma fraca imagem parcialmente fixada com ácido nítrico. foi portanto a "câmara obscura". expondo uma dessas placas Fig. Como essas imagens eram em negativo e Niépce pelo contrário. oficial da marinha francesa. Heliografia. é necessário conhecer algumas propriedades físicas da luz. Como cada ponto do objecto corresponde a um disco luminoso. Câmera Escura Fig. a litografia era muito popular na França. O orifício da câmara escura. essa falta de definição passou a ser um grande problema aos artistas que pretendiam usar a câmara escura na pintura.. e a partir do momento em que se substitui a parede branca pelo pergaminho de desenho. graças à fortuna que sua família tinha optido com a revolução. quando diante desse objecto. 1826 __________________________ A fotografia ___________________________ 7 . "escrita do sol". Niépce retirou-se do exército francês para se dedicar a inventos técnicos. que já referimos. e como Niépce não tinha vocação para o Fig. E como cada ponto iluminado do objecto reflecte os raios de luz desse modo. 2. a imagem formada possui pouca nitidez. Nas partes não afectadas. em todas as direcções. Após alguns anos. junto com o seu irmão Claude.

e escurece as sombras com vapor de iodo. Este obscuro escultor londrino. surge a primeira máquina fotográfica que permitia fixar imagens de grande nitidez em placas metálicas através da aplicação de banhos de sal e de mercúrio. Fig. Niépce morre em 1833 deixando a sua obra nas mãos do seu associado. conseguiu uma imagem do quintal de sua casa. não estava satisfeito com a qualidade das imagens.durante aproximadamente 8 horas na sua câmera escura fabricada pelo óptico parisiense Chevalier. tendo como único problema a sua incapacidade de reprodução múltipla.. como fruto da revolução industrial. Daguerre continuará a desenvolver estudos de fixação conseguindo obter uma máquina de pequenas dimensões que permite uma melhor nitidez de imagem e uma fixação mais rápida a que deu o nome de Daguerreótipo. Este processo foi detalhado e desenvolvido quando Niépce se associa ao pintor francês Daguerre. Apesar desta imagem não conter meios tons e não servir para a litografia. foi o processo do "colódio húmido". Primeira máquina fotográfica __________________________ A fotografia ___________________________ 8 . tornando-as cada vez mais praticas e funcionais. a que deu o nome de Calotipia. Um invento que em pouco tempo chegou a suplantar todos os métodos existentes.3. SURGE A 1ºMÁQUINA FOTOGRÁFICA: Em 1838. que com estas informações pode descobrir em 1831 a sensibilidade da prata iodizada à luz. desenvolveu o primeiro processo fotográfico que permite a reprodutibilidade de um mesmo original através da técnica do negativo-positivo e da revelação húmida. com grande interesse pela fotografia. Esse processo foi baptizado por Niépce como Heliografia. 1839 (reconstrução) Quase em simultâneo com Daguerre (1851) o aristocrata inglês William Fox Talbot. Em 1851 morre Daguerre e na Grãbretanha. apresentando os últimos modelos produzidos. 2.. Câmara de daguerreotipia com o monograma de Daguerre. utilizada até hoje. de Frederick Scott Archer. é organizada a "Grande Exposição". Fig. Em 1929 substitui as placas de metal revestidas de prata por estanho. publicado no "The Chemist". gravura com a luz solar. todas as autoridades na matéria consideram-na "a primeira fotografia permanente do mundo". A partir deste momento muitos foram os avanços na ciência e nas tecnologias que permitiram o melhoramento da qualidade das imagens e do aperfeiçoamento das máquinas fotográficas.

acessível e de fácil manuseamento que se vendia carregada com 100 clichés: uma câmara ao alcance de qualquer Fig. Máquina Kodak cidadão. Oito anos depois. A Leica vendia-se com varias objectivas desmontáveis e com um carreto que permitia tirar 36 fotografias seguidas.. cuja objectiva permitia fotografar interiores sem flash. Um importante avanço tecnológico no âmbito da reportagem fotográfica. chamada colódio. Eastman foi também o responsável pela película fotográfica em rolo (1888) Em 1925. aparece também a câmara Leica que não tardava em ultrapassar as outras pelas suas enormes vantagens. que permitia a revelação posterior em laboratório. de Erich Salomon. uma câmara simples.deterioradas pela textura fibrosa dos papéis negativos. A partir destas ultimas invenções e com o surgir de novas necessidades surgiram então todas as tipologias que conhecemos hoje. com o nascimento do jornalismo fotográfico dá-se o aparecimento da câmara Ermanox. apresentou a célebre Kodak. FIG. Por volta de 1880 o industrial Georges Eastman descobriu o processo do brometo gelatinoso. Máquina Leica __________________________ A fotografia ___________________________ 9 .. como meio de unir os sais de prata nas placas de vidro. Em 1925. e sugeriu uma mistura de algodão de pólvora com álcool e éter.

sem projectar sombras. a imagem ficará pouco densa e deslavada. A imagem fotográfica é criada pela luz projectada através da objectiva sobre a película sensível. no aspecto técnico. Não só afecta o velocidade do obturador que se pode utilizar mas também. se o fundo for claro. pôr-do-sol. A luz não difusa projecta sombras duras e evidentes. assim se uma imagem recebe luz excessiva. Existem dois tipos de luz: a Luz natural e a luz artificial. que se torna ela própria o tema da fotografia. e a luz suave e difusa. mas sim toda a luz que se “encontra” nas ruas. a diferenciação entre as partes escuras das claras. isto é. e dependem inteiramente da qualidade de luz para se conseguir uma imagem perfeita. A luz artificial abre todo um conjunto de probabilidades. enquanto que a luz completamente difusa envolve o objecto. e adaptada à imagem que o fotógrafo tem em mente. esta é o elemento indispensável para se poder fotografar. . é controlável. Conjugação da luz artificial e natural A luz natural é mais variada e estimulante que qualquer outra forma de iluminação. está em geral longe de ser a luz ideal para a fotografia. Assim. podendo tirar-se partido das suas qualidades em diferentes horas do dia: aurora. em que a luz se dirige no sentido da máquina fotográfica. Embora seja a quantidade de luz que mais importância tem. Assim. pode ser planificada antecipadamente. do modelo da máquina. estádios desportivos. se recebe pouca luz ficará escura e pouco definida. é importante evidenciar que nada é mais importante do que a Luz. do objecto/pessoa que se quer fotografar ou da própria experiência do fotógrafo. a composição ficará com as imagens em silhueta. Um problema corrente quanto á exposição em iluminação contraluz. Primeiro. etc. como a do sol com o céu desanuviado e claro. a luz pode ser tão especial. do plano de fundo ou do ambiente geral criado pela fotografia. amanhecer e entardecer. e mais influi no modo como a imagem é registada na superfície sensível. Fig. Em certos casos. do cenário. A LUZ NA FOTOGRAFIA Antes de qualquer pormenor estético.3. e porque se trata de tornar as coisas visíveis quando não há luz natural. como em tempo enevoado. __________________________ A fotografia ___________________________ 10 . que permite evidenciar o objecto. lugares públicos. A expressão “luz artificial disponível” é utilizada em fotografia para abranger todas as fontes de luz artificiais que não são especificamente parar fotografar ou filmar. é a qualidade da iluminação que caracteriza o estilo do fotógrafo. Como se sabe as paisagens são um dos temas mais populares. Uma das principais distinções é entre a luz dura e directa. por outro lado.

Os dias cinzentos. Não abundam as fotografias de boa qualidade que sejam interessantes. em fotografia. A iluminação em interiores pode sofrer grandes variações. A luz natural tem uma cor. Em suma. são de um modo gera os que produzem maior frustração na fotografia de exterior. A dominante alaranjada da luz do entardecer tem sempre maior riqueza de cor do que vemos. Por exemplo. No entanto é evidente que a luz é muito menos intensa do que a do exterior. a luz é talvez o mais importante dos factores intervenientes. devido ao fraco contraste nas zonas de luz e sombra. ou de trás da máquina. há a cor. a dominante quente do nascer ou do entardecer é talvez a mais insistente das cores do sol mas a luz deste varia do quase vermelho até ao branco puro. pode-se tirar partido da luz natural vinda das janelas aliada com a iluminação artificial da própria “sala”. __________________________ A fotografia ___________________________ 11 . Por último. na ausência de luz. Os nossos olhos adaptam-se bem ás diferentes cores que contrapõe a luz. Assim. A luz natural por volta do meio-dia parece na ter cor apenas por ser normal e passar despercebida. com pouca luz. ou que tenham sido bem manipuladas pelo fotógrafo. que pode ser frontal. vinda de trás do objecto. e depende principalmente do tipo de sala e do uso que se lhe dá.Contudo outra qualidade da luz refere-se à direcção da iluminação.

em Paris. a diferença estabelecida perante aquele confronto era entre o mecânico e o intelecto. por um lado. Se. o pintor deixava de representar o que sonha. Nesse momento de críticas ao realismo e à imitação na França do século XIX. Em 1860. Perante este quadro. Inevitavelmente. o crítico acreditava que a fotografia não tinha qualquer ligação com a imaginação. um declínio de gosto. pois eram por muitos consideradas vulgares e desprovidas de arte. os pintores centraram-se na forma e na cor e buscaram novas formas de representação. o choque da comparação entre pintura e fotografia era directo e a critica ainda maior. imitando a pintura realista que retratava paisagens. surgem os impressionistas que trabalham com a cor e sua influência na luz. OS PRIMEIROS MOVIMENTOS A ENTRAREM EM CONTACTO COM A FOTOGRAFIA: Com os Salões do século XIX. relançando a questão da natureza da arte e consequentemente a questão do realismo na fotografia. esta nova descoberta evidenciou a importância da luz e da sombra na representação visual. diz que a fotografia veio para corromper a arte e empobrecer o génio artístico francês. o advento da fotografia deu ampla continuidade à sintaxe visual renascentista (perspectiva central e uni ocular que convergem para um único ponto de fuga). A estética romântica era incompatível com a natureza da imagem fotográfica. por outro lado. Tanto que os próprios fotógrafos. em sua crítica ao Salão de 1859.1. a fotografia jamais poderia ser considerada arte. não é difícil compreender que os pintores impressionistas franceses. e deveria se restringir a mero instrumento da ciência e da pintura sem qualquer influência na poética pictórica. Para ele a fotografia era estritamente uma reprodução. percebeu a necessidade de distinguir a arte realista da fotografia. a diferença crucial e estabelecida por muitos era que não se poderia considerar um meio de expressão uma máquina que reproduz o real. Como reflexo desse cenário. Com este facto. isto é. espaço onde artistas e público expunham e julgavam as obras. não necessariamente pelo facto de não haver interferência manual do fotógrafo na utilização da mesma. para fugir da pecha da mecanicidade passaram a interferir da forma que pudessem no processo fotográfico. Mais uma vez a mecânica depunha contra a imagem fotográfica. Naquele espaço fotografia e pintura estavam próximas e o intercâmbio de influências era evidente. mas por não haver a possibilidade de qualquer interferência intelectual sobre a representação. o ataque por parte da critica e artistas estava lançado devido á aceitação duvidosa que ainda existia quanto á fotografia como forma de arte. No fim do século XIX. um dos mais populares deste movimento. Dessa forma. para representar o que vê. A INFLUÊNCIA RECÍPROCA DA ARTE E DA FOTOGRAFIA 4. o escritor Champflury. em especial Renoir. Dentre os críticos da influência da imagem fotográfica na pintura está Baudelaire que. Neste contexto. o aparecimento de fotografia nos Salões era frequente e já banal. Por isso as críticas à pintura realista dirigiam-se para as suas semelhanças com a fotografia. enquanto que a pintura realista era uma interpretação. o que fez com que acabasse por ser considerada.4. defensor da pintura realista. substituindo a tela de pintura da câmara escura por um suporte fotossensível. __________________________ A fotografia ___________________________ 12 . Para ele. já que a certeza da incapacidade de representar que não pela imitação e reprodução até então era incontestada. e com a utilização directa da fotografia por pintores. a grande maioria dos fotógrafos acabou por seguir o caminho da imitação. inclusivamente.

em que Picasso e Braque passaram a explorar a materialidade dos objectos. As discussões eram centradas naquela distância criativa (máquina/intelecto) e argumentava-se que a produção fotográfica estava longe da criação ou da expressão. Nos Estados Unidos. criando novas maneiras de captar a luz e as cores. Portanto. ainda no fim do século XIX. reproduzia várias vezes e coloria as imagens dos meios de comunicação de massa. mais uma vez. madeira. como o naturalismo. desde a sua criação. Embora mantenha temas do realismo. que abrangeu o período de 1911 a 1916. pois os primeiros fotógrafos eram também pintores e transmitiam para suas fotos o gosto pictórico reinante. A pintura e a fotografia são duas linguagens distintas. em particular o Expressionismo. __________________________ A fotografia ___________________________ 13 . o surrealisamo e o futurismo. tem estreita relação com as imagens fotográficas e com a sucessão de formas e linhas que buscam a expressão do movimento. o poder individual da imaginação e da originalidade não poderia ter qualquer influência na mecânica impessoal. assim como na Inglaterra e na França. A influência da fotografia foi marcante principalmente nos movimentos de vanguarda do século XX. areia. mas que andam inevitavelmente juntas e se influenciam mutuamente. o Dadaísmo. Retrata paisagens urbanas e suburbanas. O Futurismo. continuando a procurar a sua linguagem específica naturalmente pelo contacto com as vanguardas históricas. As críticas e a dificuldade em ser reconhecida como arte não foram obstáculo na continuação do percurso e evolução da fotografia neste campo. no entanto. o Abstraccionismo.tenham sobrevalorizado o efeito da luz em detrimento do registo meramente pictórico. a fotografia tem sido influenciada pela pintura. Os artistas declaravam que a fotografia não contribuía para as artes e que ela não era tradução. (fase do movimento cubista. Continuando a afirmar-se no século XXI com novas técnicas e tendências. No Cubismo sintético. É o marco da arte moderna porque é o início do caminho rumo à abstracção. Essa é uma renovação para a arte pictórica que se desvincula da representação estabelecida do visível. Andy Warhol. por exemplo. retratando a sociedade de consumo. que a fotografia referia-se directamente ao objecto e não a qualquer forma de criação. sugerindo texturas e superfícies na tela que nos remetem a elementos como terra. A diferença está na abordagem estética: os impressionistas parecem apreender o instante em que a acção está a acontecer. apresentase o conceito da finalidade sem fim separando a arte dos objectos úteis – onde se encaixava a fotografia. E. Ou seja.) Picasso e Braque integraram na pintura algumas imagens (figuras e principalmente letras) tiradas de fotos de jornais e revistas. Nessa tendência a mostrar situações naturais há influência da fotografia. não se propõe a fazer denúncia social. artista norte-americano e um dos principais representantes da arte pop. o distanciamento formal fazia transparecer a rejeição "artística" quanto ao tipo de representação à qual a fotografia parecia estar inevitavelmente vinculada. mas mera imitação e reprodução. os fotógrafos tentavam estabelecer seu ofício como artístico.

Recuperando muitas das regras dos cubistas e expressionistas. Recusando o ensino académico e todas as instituições. da vida urbana e todos os elementos que pudessem ser associados a evolução. isto porque o dinamismo e o movimento são dos factores mais explorados neste movimento. Gino Severini. FUTURISMO E A FOTOGRAFIA: O futurismo foi um movimento Italiano que surge com a publicação do texto “le Futurisme” de Filippo Tommaso Marinette. Carlo Carrà. as suas ideias e os seus objectivos utilizando a música. mas muitos serão mais tarde destacados também pelo seu percurso neste movimento como é o exemplo de Umberto Boccioni. Luigi Russolo.2.4. defendendo a total ruptura com a arte do passado elogiando a inovação e a originalidade acima de qualquer forma de imitação ou inspiração na realidade. aplicando imagens em simultâneo de modo a que estas se sobreponham e interceptem. Sendo este caracterizado pela sua celebração agressiva das modernas tecnologias. ao futuro. Rejeitando a arte e a cultura do passado. segundo um método provocador. O artista futurista não está interessado em pintar um automóvel. exaltaram a velocidade. as maquinas e as novas tecnologias. Com este texto acabam por se juntar muitos artistas que entre sí articulam toda a frustração de uma geração “esmagada” pelo peso das tradições. Giacomo Ballao e ainda Anton Giulio Bragaglia. Para um futurista um movimento de um carro e o seu barulho era talvez mais importante que a sua forma ou beleza. os futuristas pretendiam dar lugar a novidade e a evolução e destruir tudo o que fosse associado ás tradições. mas captar a forma plástica e a velocidade descrita por ele no espaço. Anton Giulio Bragaglia __________________________ A fotografia ___________________________ 14 . Na divulgação das suas ideias os futuristas organizaram vários discursos exaltando em público. Procura-se neste movimento expressar o movimento real. ajudou bastante a chamar a atenção a estes novos ideais. Change of position. o ruído. mais pelo Fig. da velocidade. Carlo Carrá e Luís Russolo. 9. A primeira grande exposição futurista. a energia e a máquina. registrando a velocidade descrita pelas figuras em movimento no espaço. que contaria com 50 obras desses artistas. Os primeiros seguidores deste movimento foram Umberto Boccioni. as artes plásticas e cenografias como métodos auxiliares. em 1909 num jornal francês.

O Fotodinamismo baseia-se na captação de todos os aspectos de algo em movimento (todas as suas posições) em apenas uma imagem. o teatro e a fotografia. mas sem sucesso. Um dos nomes que se destacará mais no futurismo a nível de trabalho e experiência na fotografia será Anton Giulio Bragaglia. Este movimento irá abranger quase todo o tipo de expressão artística. Na pintura. Anton Giulio Bragaglia escreveu o Manifesto do Fotodinamismo em 1913. Russolo e Severini subscreveram a 11 de Fevereiro de 1910 o Manifesto dos Pintores Futuristas. Boccioni. Capa do livro editado por Giulio Bragaglia __________________________ A fotografia ___________________________ 15 . o Futurismo chegou ao fim. os artistas Balla. porém. Neste movimento a fotografia será utilizada explorando novas técnicas na tentativa de atingir o tão desejado dinamismo. Com a guerra de 1914. acabando por servir de referencia a muitos outras artistas que os precederam. a musica. a literatura. seguindo-se depois vários manifestos ou registo sobre as várias áreas. Carrà. Fig. a escultura. sua influência sobre os outros movimentos modernos foi importante e duradoura. Alguns jovens artistas tentaram reavivá-lo após 1918. explicitando os parâmetros de uma arte que pretendia a síntese de todo o movimento. É neste manifesto que se vão basear muitas das experiências dos projectos futuristas do Fotodinamismo.tema que pela linguagem. contando com a pintura. contudo muitas outras experiências serão feitas e registadas. descrevendo os objectivos que cada uma pretendia alcançar e quais as suas motivações. Repetindo imagens e sobrepondo-as de modo a dar a ideia de movimento. Esta nova técnica será das principais a nível da evolução da fotografia no futurismo.10. embora insistissem no facto de que a tecnologia e o progresso deveriam ser expressos em novas e audaciosas formas de arte.

Contribuição do niilismo russo foi decisiva para o Suprematismo. No início do século XX. __________________________ A fotografia ___________________________ 16 . utilizando constantemente a linha de contorno. o 1º quartel do séc. contribuindo para a procura da verdade e da pureza plásticas. Assim. Procurava uma aproximação à música. paralelepípedos. O Suprematismo é um movimento artístico nascido na Rússia por volta de 1915 e que teve como um dos seus expoentes e teóricos Kazimir Malevich. formada pelas cores primárias. Fundou-se na necessidade de animação do espaço pela forma. extraída do Cubismo Sintético e na movimentação plástica do Futurismo. o termo já tinha sido intuído para se referir a escolas como o Cubismo e o Futurismo que apesar de serem figurativos e representativos. Ivan Puni.3. O abstraccionismo teve o seu grande desenvolvimento entre 1910 e 1933 e concretizou-se entre duas grandes tendências: a do Abstraccionismo Lírico e a do Abstraccionismo Geométrico. ABSTRACCIONISMO E A FOTOGRAFIA: No campo artístico. através da sintetização dos elementos da composição. XX ficou marcado pelo aparecimento da arte abstracta iniciada primeiramente em pintura. Foi influenciado pelo Cubismo e pelo Futurismo dividindo-se em duas correntes: o Suprematismo na Rússia e o Neoplasticismo na Holanda. a pintura Suprematista caracteriza-se pela simplicidade das formas geométricas e pelo emprego de uma gama cromática restrita.4. utilizando formas como o cubo. fugiam um pouco à fidelidade de representar aquilo que existe concretamente. Lyubov Popova. o branco e o preto. e artistas como El Lissitzky. antes que os artistas atingissem a abstracção absoluta. nomeadamente a I Guerra Mundial tendo sido influenciado pelo expressionismo especificamente pelo Der Blaue Reiter. Aleksandr Rodchenko. apesar de ser uma arte não figurativa. O Abstraccionismo Lírico ou Abstraccionismo Expressivo aparece como reacção às grandes revoluções do século. tensas e violentas. O Abstraccionismo Geométrico ao contrário do Abstraccionismo Lírico está patente a racionalização que dependeu da análise intelectual científica. secundárias. I Influenciado pelo abstraccionismo geométrico. Inspira-se no instinto. Viveu do jogo de formas orgânicas e das cores vibrantes. onde a expressividade dos sons se transformava em linguagem artística e deste modo pretender igualar ou mesmo superar a música em simbolismos específicos. no inconsciente e na intuição para construir uma arte imaginária ligada à emoção e à "necessidade interior". ligado sobretudo á arquitectura e à escultura. surge o Construtivismo. cilindros. O seu principal representante foi Wassily Kandinsky optando pela utilização de cores puras através de pinceladas rápidas.

e sendo o primeiro a presença total da luz e o segundo a sua ausência total. que englobou as artes plásticas. Nasceu por volta de 1917. Cartaz de propaganda. reduzindo-a aos seus elementos mais puros e buscando as suas características mais próprias através da redução das formas e planos geométricos puros e ortogonais em composições abstractas. do projecto e da fotomontagem e desenvolveu uma vertente do Fig. em seu estado menos saturado. Estas composições procuram o equilíbrio a harmonia e a serenidade d ângulo recto. Assim. o design e a literatura.O Neoplasticismo foi um movimento artístico. com ênfase na forma e não no objecto em si e foi com EL Lissitzky que este movimento passou a relacionar-se com a fotografia. amarelo e azul. da fotografia e pedagogia. uma comunidade com métodos de ensino revolucionários. mas organizadas dinâmica e ritmicamente. EL Lissitzky integra-se na arte abstracta juntamente com Kazimir Malevich. mas as já existentes. o seu mentor. Lissitzky suprematismo denominada de Proun. com diferentes espessuras. e consistiram no intuito de Lissitzky de expandir a arte abstracta. Dirigiu o grupo UNOVIS. chefiado por Piet Mondrian. a arquitectura. sem recorrerem a simetria. Estas integram-se no abstraccionismo geométrico. arquitectura. assinalam o domínio do Homem sobre a Natureza. Defendia uma total limpeza espacial para a pintura. que as representações abstractas representassem composições não 2D. ano em que foi publicada. através da utilização das cores primárias. mas que passassem a representar a tridimensionalidade.11. o Construtivismo e o De Sijl. vermelho. evoluiu no sentido da depuração plástica. isto é. __________________________ A fotografia ___________________________ 17 . sintetizando as formas. Mondrian e Theo Van Doesburg pretenderam ressaltar o aspecto artificial da arte. da tipografia. Ao longo dos anos alcançou a inovação no campo da tipografia. com o intuito de desenvolverem o suprematismo revelando-se na realização de vários trabalhos no campo do desenho. assim como o branco e o preto uma vez que são inexistentes na Natureza. Os seus artistas. Os seus segmentos cromáticos ritmados. a fotografia aproxima-se do Abstraccionismo. com base nos seus conhecimentos e gosto pela arquitectura. Estas eram utilizadas e limitadas por linhas verticais e horizontais a negro. pela primeira vez a revista “De Stijl”. Mondrian. O seu trabalho influenciou bastante a Bauhaus. que foi o objectivo máximo do Neoplasticismo.

do espaço e do ritmo. Auto-retrato de Lissitzky. da massa. mas que se relacionassem de certo modo com os conceitos do Suprematismo. Estas representações revelaram-se nas suas pinturas e litografias. 1925 __________________________ A fotografia ___________________________ 18 . fazer com que todos os seus trabalhos consistissem os elementos básicos da arquitectura do volume. Fig.12.Assim era seu objectivo. EL Lissitzky influenciou o movimento alemão Bauhaus e o Holandês De Stijl. da cor. The Constructor.

criar um novo caminho diferente e renovado. Por volta de 1917. deste movimento na fotografia. Defendendo sempre a impossibilidade de se ser completamente original. as colagens. Duchamp fragmentados num quadro). O DADAÍSMO E A FOTOGRAFIA: Tal como todos os movimentos o Dadaísmo surgiu de uma vontade de conhecer e interpretar a realidade. unidos pelos mesmos ideais. Artistas como o fotografo americano Stieglitz. indo mais além de representar apenas a realidade que conhecemos. os rayographs (fotografias feitas pelo contacto dos objecto com o papel sensível) a as fotomontagens foram das técnicas mais privilegiadas e mais usadas por estes artistas. incluindo até os conceitos de “arte”. __________________________ A fotografia ___________________________ 19 . novos significados e um novo modo de interpretar uma fotografia. O Dadaísmo reagirá ainda ao clima que se vivia com a primeira guerra mundial e manifestações contra a politica estabelecida e á moralidade que se pretendia alcançar com uma nova proposta. radical e inesperada contra o tradicionalismo da arte. O readymade. Este será um movimento caracterizado pela sua absoluta contestação a todos os valores. Fountain. um valor artístico. Foi um movimento fundado em 1916 no café Voltaire de Zurique por um grupo de pintores. estético retirando-lhe assim o seu valor banal realizando uma mudança de juízo relativamente ao mesmo. normas ou questionassem a ordem estabelecida na época. 13. a assemblage (colocação de objectos Fig. Surgindo novas técnicas. músicos e até fotógrafos. O espirito característico deste movimento exaltava a espontaneidade.4. Este pensamento acabará por se tornar ainda mais forte quando Duchamp surge com o conceito de readymade. de “artistas” e de “obra”. independentemente do seu aspecto ou função. rejeitando toda a história passada e qualquer projecto de uma história futura voltando assim a ao ponto inicial. isto é.4. o individualismo criativo da anti-criação. este movimento era já internacionalmente conhecido. o pintor-fotografo Man Ray e Max Ernest que além de pintor e escultor contribuirá também para estes movimento com várias fotomontagens. abrangendo em seu seio todas as experiências e expressões que pusessem em questão valores. Apresentando um objecto comum com um novo valor. já referidas. Resultando então numa reacção violenta. com a finalidade de colocar a sociedade contra os seus próprios actos de modo a que estes reflectissem e modificassem as suas acções para criarem um novo futuro. Estes artistas exploraram as características irreverentes. levando ao “non-sense” e a anti-arte. onde todos os objectos poderiam ser apresentados como obras de arte. poetas.

Apesar de seu caráter totalmente experimental. Além de Man Ray também Max Ernest irá adiri a esta nova faceta da fotografia. como o de Hans Richter e a fotografia com carácter experimental e livre de Man Ray e seus seguidores. contribuindo com colagens e fotomontagens. por exemplo. e esfregar um lápis de cor ou grafita. Man Ray As suas fotografias são hoje em dia uma referência entre os fotógrafos do séc. este será um artista muito conhecido do Dadaísmo em Nova Yorque. Stieglitz será um dos grandes amigos de Man Ray e também uma das personagens principais para que este obte-se no seu futuro tanto sucesso. que consiste em aplicar uma folha de papel sobre uma superfície rugosa. ganhando um novo valor e uma nova expressão. Isto porque será graças a Stieglitz que Man Ray aprenderá a técnica da fotografia. criando depois sobre este suporte uma montagem aproveitando recortes de fotografias e papeis. No caso de Man Ray. criando composições que sugerem a múltipla identidade dos objectos por ele escolhidos para determinado tema. participando mesmo em muitas exposições ao lado de grandes artistas deste Fig. colocando o objecto perto de um filme altamente sensível e diante de uma fonte de luz. Fotomontagem com raiograma. Fig. __________________________ A fotografia ___________________________ 20 . E fizeram isso de uma maneira totalmente experimental e guiados por uma espontaneidade inata. 15. de modo que o papel adquira o aspecto da superfície posta debaixo dele. Os Dadaístas foram sem dúvida os primeiros a incorporar o cinema e a fotografia à sua expressão plástica. que consistia em tirar a fotografia sem a câmara fotográfica. Inventou ainda técnicas como a decalcomania e o frottage. as obras assim concebidas conseguiram se manter no topo da modernidade tempo suficiente para passar a fazer parte da história da fotografia e do cinema artístico. XX. energy. como a madeira de veios salientes.A fotografia passa aqui a ter um papel mais subjectivo podendo ser utilizada de varias formas.14 . Man Ray O resultado desse novo materialismo foi um cinema completamente abstracto e absurdo. Foi exactamente Man Ray o inventor da conhecida técnica do raiograma. ou seja. 1931. Traces of sensory movimento.

fotomontagens e diferentes enquadramentos fotográficos. Em 1933. especialmente nos E. têxteis e de desenho de arquitectura. trabalhou como director da oficina de metais. que muito contribuiu para o desenvolvimento do Estilo Internacional. László __________________________ A fotografia ___________________________ 21 .A. também Moholy-Nagy não foi excepção. a Bauhaus. também Mies van der Rohe se deslocou para os Estados Unidos. a Gropius sucedeu-se Hannes Meyer e a este Mies van der Rohe. onde se competiu em organizar uma escola de design em Chicago denominada de The School of Design.U. sobreposições. em Weimar. 1925. Na Bauhaus. professor na Bauhaus. Deste é exemplo o edifício projectado por Gropius para a sede da escola. destacando-se na produção de fotos. onde aplicou os conceitos desenvolvidos na Bauhaus. o período de criação do Departamento de Arquitectura da Bauhaus. Com a ascensão do Nazismo na Alemanha muitos dos integrantes da Bauhaus se viram obrigados a refugiar em vários campos do mundo. Fotograma. Dessau. os artistas da Bauhaus revelam-se nos seus usos inusitados da imagem através de fotogramas. László Moholy-Nagy. design. Fig. entre 1924 e 1930. uma “escola de artes” que propõe a integração entre artes aplicadas e belasartes. Como a maior parte dos artistas da Bauhaus. foi o mais fecundo e próspero da Bauhaus. cujos produtos marcaram posição pela qualidade do desenho. no período em que a escola funcionou em Berlim. aprofundando as capacidades criativas de justaposição e interpenetração de formas diante de uma fonte luminosa. conduzido por Hannes Meyer. na Alemanha. A estrutura da escola integrava diversas expressões artísticas – arquitectura. A escola orientou-se por critérios mais racionalistas e funcionais. ballet e fotografia. esculturas e ensaios teóricos. artes plásticas e decorativas. em 1933.4. A BAUHAUS E A FOTOGRAFIA: Após a Primeira Grande Guerra. em 1927. Após o encerramento da Bauhaus pelos Nazis. a Bauhaus muda-se para Berlim que foi 1 prolongar do seu iminente desfecho. metais. pugnando pela renovação destes conceitos e pela valorização do design industrial.5. surge. No que diz respeito à fotografia. também. vindo-se obrigado a mudar-se para os EUA. desenhos. hoje considerado o mais racionalista de toda a arquitectura alemã. cinema. 16. Este foi. pela modernidade dos materiais e pela adequação forma/função. A escola possuía vários ateliers entre eles: madeiras. Tinha como director Walter Gropius. cerâmicas. em 1919. O segundo período. fotogramas.

Contudo rapidamente se tornará numa moda acabando assim por conquistar muitos adeptos. Nestes movimentos muitos serão os nomes que se destacaram e entre eles encontramos Salvador Dali. Numa primeira fase o surrealismo será mais “poético”. Este novo movimento surge talvez como uma continuidade destas atitudes. eram dos métodos mais utilizados pelos surrealistas para realizar experiências de modo a explorar ao máximo as suas potencialidades inconscientes. pois do irracional irá evoluir para o inconsciente. Aparecendo deste modo criações que quebram com os conceitos pré-estabelecidos. O surrealismo utiliza a arte para descrever o inconsciente. Este será um movimento que se desenvolve ao mesmo tempo que a racionalidade na arquitectura e o desenho industrial na produção de objectos. O SURRELISMO E A FOTOGRAFIA: O surrealismo é uma corrente que surge em 1924. Utilizando técnicas como as fotomontagens. ou seja. Giorgio de Chirico. No fundo este movimento pretendia traduzir o universo dos sonhos. Apoiando-se muitas vezes nas teorias do domínio da psicanálise de Freud. desenhos a partir de "decalques" sobre superfícies irregulares e a colagem. tentando sempre alcançar algo puro. __________________________ A fotografia ___________________________ 22 . os Dadaístas. O frottage.6. pois é no inconsciente que tudo se formula por imagens e a arte será a materialização destas mesmas imagens. Max Ernst e Joan Miró. que exaltam á mudança e a criação de uma nova realidade. entre outros. montagens predominantemente incongruentes. sem interferência da consciência.4. pretendendo mesmo estudar o psicológico. os trabalhos de Goya. Tal como o movimento defendia o explorar do inconsciente. Na fotografia este movimento utilizará bastante as técnicas já começadas pelos seus antecedentes. a experiência psíquica do inconsciente e a libertação do acto criativo da razão e das leis estéticas. também a fotografia que se irá desenvolver dentro deste movimento explorará este tema. as colagens. René Magritte. Aproxima-se do Dadaísmo na utilização técnicas e de procedimentos fotográficos. Pois tal como na pintura todo o processo da fotografia é experimental e daí surgir estas vertentes tão sub-reais e extravagantes ao ponto de provocarem reacções de choque servindo assim como forma de contestação da realidade vivida na época. embora não exclua totalmente o percurso histórico da arte. os decalques e as várias combinações possíveis que poderiam surgir com a mistura destas técnicas. simbólica e metafórica. redigido pelo poeta André Breton e que tem como pano de fundo o Dadaísmo e toda a sua irreverência. cinematográficos e na atribuição de novos significados a objectos comuns. mas surge em total desacordo com estes. Privilegiando a linguagem lírica.

" Man Ray. Pinto o que não pode ser fotografado. comecei as fotografar. Em lugar de pintar pessoas. ou um sonho. me tornei um expert. Finalmente conclui que não havia comparação entre as duas coisas. 17. Um dia comprei uma câmara só porque não gostava das reproduções que os fotógrafos profissionais faziam de minhas obras. e desisti de pintar retratos. Estudei com muita aplicação e depois de alguns meses. Deixando a razão e a imagem do mundo que conhecia de lado e criando sem qualquer pensamento especifico. conservando os valores das cores. Man Ray __________________________ A fotografia ___________________________ 23 . "Fui pintor durante muitos anos antes de me tornar fotógrafo. fotografia e pintura. Man Ray que tinha já experimentado o Dadaísmo acabará depois por evoluir normalmente chegando ao surrealismo. deixando-se levar pelos seus impulsos. ou um impulso do subconsciente. não me interessava em ficar parecido. Nessa época apareceram as primeiras placas pancromáticas e possibilitaram se fotografar em branco e preto. Meu interesse maior era com as pessoas.Destas combinações surgiam por vezes trabalhos com uma beleza incontestável que de certa forma acabariam por ser contraditórios com o objectivo e a vontade de chocar e surpreender. Ou melhor. especialmente com os rostos. começando a criar com maior liberdade e inconsciência. Mulher dos cabelos longos. Fotografo as coisas que não quero pintar. se pintava um retrato. algo surgido da imaginação. 1974 Fig.

etc.4. Na arte conceptual alguns dos artistas que se iram destacar pelo seu trabalho elaborado em fotografia serão. nas entrevistas.7. Deste modo a arte conceptual acaba por tornar-se num processo de auto conhecimento e auto-reflexão da prática magnética. podendo esta ser realizada em qualquer espaço não tendo necessariamente de ser elaborada dentro de um espaço artístico como por exemplo uma galeria de arte. Arnulf Rainer. nos Estados Unidos surge um happening de clara oposição ao mercado da arte e aos valores utilizados para a avaliar. no filme. Com isto procuram-se novos meios de produção e acabam por se basear na fotografia. deixando-se levar pelo automatismo da mão e da pintura gestual improvisada e realizada até por vezes as cegas. A partir de 1960. Por outro lado na Europa surge com uma vertente mais social que pretende influenciar a consciência critica dos indivíduos e a terceira vertente centra-se na critica política. Arnulf Rainer Pode-se destacar três tipos de arte-acção distintos. que utilizará bastante a técnica da sobre pintura sobre fotografia. A ARTE CONCEPTUAL E A FOTOGRAFIA A arte conceptual surge como uma manifestação artística durante a década de 1960. Para estes artistas o objecto tradicional era substituído pela concepção da ideia. integrando a linguagem __________________________ A fotografia ___________________________ 24 . nas fitas magnéticas. 18. a arte-acção deixa de ser improvisada e passa a ter uma ideia planificada de antemão tendo como objectivo demonstrar a complexidade da realidade. A arte de acção não tem uma forma préestabelecida para ser realizada dependo somente dos materiais utilizados e das características destes. do espaço escolhido e dos acontecimentos casuais que poderiam acontecer. atendendo basicamente a teoria e desprezando a obra como objecto estético já que o importante era o seu processo formativo e não o seu produto final. Fig. O objecto artística deste tipo de arte é a própria acção em sí. No final da década de 1960 surge uma série de obras que definiam bem o objectivo da arte conceptual conseguido através da arte-acção. Hindrang. Arnulf experimentará todo o tipo de obras onde a vontade fica relegada para segundo plano. A influência histórica deste movimento tem bases no Dadaísmo ou propriamente nas obras realizadas por Pollock. A origem desta nova forma de arte tem como principal base o “happening” ou a chamada “arte em acção” que pretendia acabar com os preconceitos tradicionais ainda existentes na arte nessa época. nas obras de rádio.

Protegendo-se sempre a si próprio nas suas obras tapandose ou escondendo a cara. Llimós denuncia a manipulação do artista pelo meio artístico. Arnulf Rainer __________________________ A fotografia ___________________________ 25 . à margem da racionalidade e da intelectualização de outras propostas. onde a sua maioria dos trabalhos tem como fundo aspectos cerimoniais em torno de ritos. Partindo de uma perspectiva irónica perseguindo sempre uma participação activa do espectador. Outro artista que também se destacou foi Robert Llimós. Este gosto pelo primitivismo e pela procura do mesmo leva-o a colaborar com chimpanzés e doentes mentais e a investigar a criatividade sobre o efeito das drogas. da gastronomia e da tradição.corporal como outro meio lícito de expressão artística. Fig. 19.

Albuquerque) e 1970 (22 Realistas. O pintor trabalha tendo como primeiro registo os movimentos congelados pela câmara. A retomada da figuração após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) já havia sido empreendida pela arte pop. também conhecido como realismo fotográfico é um estilo de pintura e escultura que teve lugar no final da década de 1960. Antes de mais. O reconhecimento dessas afinidades não impede a localização de afastamentos fortes entre os dois movimentos. como as imagens da Marilyn Monroe trabalhadas por Andy Warhol (1928-1987). a partir dos anos 1950. a série de exposições realizadas entre 1964 (O Pintor e o Fotógrafo. O hiper- __________________________ A fotografia ___________________________ 26 . Marilyn (Vanitas). a fotografia é utilizada pelos pintores como meio para obter registos/ informações do que os rodeia. A arte pop volta-se preferencialmente para os objectos estandardizados da sociedade de massas e para os ícones do mundo da mídia. Whitney Museum. Se pintura e fotografia não se confundem. a atracção pelos temas e recursos técnicos oferecidos pelo mundo moderno.8. num instante preciso. apresentando expansão no início dos anos 70. este facto faz com que as obras hiper-reais apresentem uma exactidão de pormenores bastante minuciosos e impessoais originando um efeito de irrealidade. Fig. O próprio termo do estilo demonstra a ambição de atingir a imagem na sua clareza objectiva. A recusa ao "hermetismo" da arte contemporânea. A máquina fotográfica regista e cristaliza a cena ou modelo vivo que é observado e que está em constante movimento e permanente interacção com o meio ambiente que o envolve. Portanto. Nova York) assinalam o reconhecimento público da nova vertente. 20. com o auxílio de símbolos retirados da cultura de massas e da vida cotidiana. para depois pintar a partir deles. tendo grande popularidade nos Estados Unidos e em Inglaterra.4. Universidade de Novo México. a imagem fotográfica é um recurso permanente dos “novos realistas”. 1977 contrariando as tendências abertas pelo minimalismo e pelas pesquisas formais da arte abstracta. O HIPER-REALISMO E A FOTOGRAFIA O hiper-realismo. tornando a obra quase idêntica a uma fotografia ou a uma cena da realidade. O “novo-realismo”beneficia da vida moderna em todas as suas dimensões: é ela que fornece a matéria (temas) e os meios (materiais e técnicas) de que se valem os artistas. Trata-se da retomada do realismo na arte contemporânea. Pretende mostrar uma abrangência muito grande de detalhes. sendo utilizada de maneiras variadas. assim como a vontade de figurar a realidade de modo detalhado e impessoal aproxima o hiper-realismo da arte pop.

Retira.que nunca toca a tela e que. O uso do aerógrafo (airbrush). por exemplo . Audrey Flack realismo faz uso de “clichés”. O recurso à superfície espelhada painéis com espelhos. que em 1931. aos detalhes captados pela observação precisa. sem texturas nem empastes. menos que um ícone ou sujeito anónimo.é outro traço relevante dessa produção. a imagem massificada do seu circuito habitual. recuperando-a como objecto de arte único. 21. vidros e metal reluzente . Rich Art. portanto. em geral. Um exemplo de hiper realismo é Audrey Flack. O mundo cotidiano retratado pelos hiper-realistas. A figura humana. tem nome. idade e características específicas. que é o de alcançar a exactidão do real.permite o controle da quantidade de tinta a ser empregada e sua distribuição regular: cada área do quadro é pintada do mesmo modo. __________________________ A fotografia ___________________________ 27 . mas em sentido inverso: buscando conferir a eles o valor de obras particulares. Pode-se observar na sua obra a utilização de técnicas pictóricas que permitem obter um resultado final similar à fotografia e que demonstram o objectivo primordial deste estilo. minuciosamente registradas pelo pintor. assim. é lisa.Fig. nesse caso. não deixa impressas as marcas do gesto e do pincel . utiliza a fotografia como suporte. por exemplo. refere-se aos aspectos banais. A pintura obtida. de imagens pré-fabricadas e de elementos do cotidiano. às cenas e atitudes familiares. 1972.

ajuda a compreender melhor este confronto: “Deus criou o homem à sua imagem e a máquina construída pelo homem não pode fixar a imagem de Deus. com uma função principalmente social. Como entender que a fotografia viesse para ficar. mais representativa e com um objectivo único. __________________________ A fotografia ___________________________ 28 . preliminarmente. a sociedade europeia demorou muito tempo para compreender o real valor da produção fotográfica.1839). FOTOGRAFIA NA SOCIEDADE A invenção da fotografia não veio revolucionar apenas a arte e o modo como os artistas olhavam para o mundo. Um artigo publicado num jornal alemão em Agosto de 1839. É impossível que Deus tenha abandonado seus princípios e permitido a um francês dar ao mundo uma invenção do Diabo” (Leipziger Stadtanzeiger. literários e intelectuais passassem por uma profunda reflexão. reportagens. Continua a ser principalmente uma forma de relembrar e internizar momentos e personalidades. “a invenção foi chamada de blasfémia. nos casamentos e etc. Com efeito. Destacou-se principalmente com o desenvolvimento do fotojornalismo.08. 26. A sociedade percebeu a força de denúncia que uma fotografia pode conter. Nos círculos mais conservadores e nos meios religiosos da sociedade. e Daguerre era condecorado com o título de ‘Idiota dos Idiotas’”. ainda não se perguntara se esta descoberta não transformava a natureza geral da arte”. a Academia Francesa mal anunciava publicamente a invenção do Daguerreótipo e o pintor Paul Delaroche já declarava enfaticamente: “de hoje em diante. evidenciando um dado importante que até aquele momento permanecera intacto: a concepção que o homem tinha de si próprio. retratar acontecimentos importantes que iriam completar noticia. A nova concepção da realidade conturbou o mundo cultural e artístico europeu. Trouxe consigo a aura da veracidade e o seu surgimento contribuiu directamente para que todos os segmentos artísticos. Será uma nova vertente da fotografia. até aí reservada á escrita. Os problemas sociais começam a ser realmente a ser tomados em consideração: o nascimento do marxismo. veio também mudar o próprio quotidiano. torna-se possível o relato da vida quotidiana. a não ser em substituição das tradicionais formas de representação? Segundo o filósofo Walter Benjamin “já se haviam gasto vãs subtilezas em decidir se a fotografia era ou não arte mas.(Freund.. Contudo.5. 1982) A aceitação da fotografia será gradual e demorará alguns anos para ser vista com a devida importância. a pintura está morta”. textos informativos que já existiam e que ganham aqui uma nova verosimilitude. Em 19 de Agosto de 1939. A fotografia veio dar origem a uma nova forma de documentação. havendo uma nítida evolução na forma como é captado o momento.. a forte industrialização… Actualmente foram encontradas para a fotografia funções mais além. De uma forma geral ganhou simpatia por parte das pessoas na criação de álbuns familiares.

começando pelo reconhecimento do corpo e das feições. mas como uma forma de representação da própria identidade.. por ser um meio tangível e directo. fortalecendo a sua posição no grupo. pelo cubismo na primeira década de 1920. O MERCADO DA ARTE FOTOGRAFICA: Outro campo em que a fotografia teve dificuldade em se afirmar. apesar de serem maioritariamente insuficientes para se viver apenas dela. e tem probabilidade de produzir mudanças. O trabalho com o auto–retrato apresentou às internas a possibilidade de identificar e reconhecer as próprias condições iniciais. Havia poucos coleccionadores privados e quase nenhum museu tinha um departamento especializado em fotografia. É preciso esperar pelos anos setenta para que se instale realmente um verdadeiro mercado de arte. começou a haver uma recuperação da vaidade e da feminilidade. Num contexto privado de individualidade. Muitas começaram a pedir batom. __________________________ A fotografia ___________________________ 29 . Mesmo se. pois não recorre à abstracção. o retrato e o auto–retrato readquirem força e comportam formas e conceitos inovadores”. reproduz a realidade material e psicológica. já que elas encontraram impulsos de resguardo da identidade. em alguns casos. no final do século XIX ocorre uma “. Considerando o contexto das instituições de reabilitação social e as precárias condições materiais e socioculturais em que se encontravam as mulheres e adolescentes com quem Canton trabalhou. na primeira metade do século. a fotografia pode operar como um instrumento psicossocial. Katia Canton utiliza como instrumento de intervenção psicossocial a produção da autoimagem com o propósito de reabilitar a auto-estima e a confiança das mulheres e adolescentes de instituições de reabilitação social e ampliar a percepção que elas têm de si mesmas. foi no mercado da arte. No seu trabalho utiliza a fotografia como um meio mais proximo da realidade concreta. sim. isso era uma excepção. projectar e consolidar mudanças a partir daí. à imagem que. O auto–retrato não se configura apenas como uma representação narcísica. as internas passaram a revelar suas próprias emoções à medida que representavam os seus sentimentos por meio de cores num suporte material – a própria fotografia –. alguns fotógrafos vendiam fotografias. hoje a fotografia criativa oferece enumeras possibilidades aos novos talentos.. neste sentido. num processo constante de construção da identidade e de resguardo da individualidade. e o seu trabalho é a prova que a fotografia não é apenas um instrumento lúdico. num processo de dar visibilidade à sua pessoa.liberação da busca da verossimilhança da imagem humana. e as novas pesquisas trazidas pelo pós impressionismo e. Canton esclarece que. a hipótese que o trabalho fotográfico dá é criar mecanismos de reconstrução da identidade e da auto-estima que foram confirmados entre as internas. cortar melhor o cabelo e tomar mais banho. posteriormente. mas. que pode ter uma função “terapêutica”. Ficou evidente que: Quando elas se deram conta de que podiam modificar alguma coisa nas suas vidas. enquanto que no Renascimento havia uma procura pelo registro de pessoas e famílias de forma popularizada.Katia Canton é PhD em Artes Interdisciplinares pela Universidade de Nova York e livre-docente em Teoria e Crítica de Artes. Pelo contrário.

os prémios só se desenvolveram nos últimos vinte anos. É no final da década de sessenta que o mercado da arte fotográfica realmente desponta. com uma abundância de galerias um pouco por todo o lado. __________________________ A fotografia ___________________________ 30 . as vendas em leilões. no mundo ocidental. as colecções públicas e privadas. As galerias. museus e fundos regionais de arte contemporânea. as bolsas.Esta evolução não foi fácil.

23. Daguerre Ao longo do tempo os fotógrafos viajaram para diversos pontos do mundo. publicada entre 1840 e 1843: As Excursões por Daguerreótipo: As Paisagens e os Monumentos mais Notáveis do Globo. Será esse o caso na primeira encomenda do Estado. produxiu em 1845 e com a ajuda da qual obteve fotografias esplêndidas da capital. Saídos na sua maioria do Fig. Frederich Von Martens. A ponte do Carrossel. tal como: Hesler. O êxito alcançado por estas imagens turísticas será reforçado pela realização de fotografias panorâmicas. Édouard Baldus. a cinco fotógrafos escolhidos por Francis Wey para construir um “Museu Pitoresco e Arqueológico da França”.1. Noutro campo as fotografias de paisagens registam a evolução do crescimento das sociedades e dos subúrbios. com isto. retractando o que viam. Desde sempre que o objectivo confessado da pintura foi a representação mais fiel da natureza. Outros célebres paisagistas empregam a panorâmica. Samuel Bourne. O mercado das paisagens por daguerreótipo é destinado aos coleccionadores de gravuras e de litografias. Careldon e Eadeward Muybridge. Fig. Henry Jackson. os fotógrafos Gustave Le Gray conhecem-se e por vezes começam a trabalharem juntos. Menos difundido no resto do mundo do que particularmente na Escócia ou na França. em 1851. Os franceses Niépce e Daguerre são dois grandes exemplos de fotógrafos que têm como tema favorito as paisagens.5. Daguerreótipo. apesar terem deixado poucas fotografias. os irmãos Bisson. 1856-1857 mundo da pintura. FOTOGRAFIA UM MEIO PARA CONHECER UM MUNDO A paisagem está presente desde o início da fotografia. mas frequentemente não contêm pessoas nem veículos. O fotógrafo Nöel-Marie-Paymal Lerebous faz bastantes encomendas a fotógrafos e executa-as ele mesmo para uma das primeiras obras ilustradas com daguerreótipos. Hippolyte Bayard. Gustave Le Gray. o negativo sobre papel gozou de um grande favor entre o paisagistas.Assim. E. acredita-se que a fotografia corresponda também a esse papel. feita pela Comissão dos Monumentos Históricos. por uma razão muito particular. como a que o gravador alemão que residia em Paris. Oliver Mestral e Henry Le Secq são enviados para diferentes regiões e __________________________ A fotografia ___________________________ 31 . Paris. Estas fotografias deram lugar a um comércio importante. Este período corresponde ao que Jean Keim Chama “a idade de ouro da fotografia”. 1834. 22. Waltkins.

apesar de ter sido o inventor da técnica. 1854.trabalham com negativos sobre papel. pelas suas grandes séries de paisagens e de arquitectura de Sul. enquanto que outros permanecem grandes amadores. Gustave Le Gray é um grande técnico e um verdadeiro artista. O escocês Thomas Keith fotografa Edimburgo com grande sensibilidade e reais qualidades artísticas. na década de 1850. proporcionando imagens em que os céus são brancos e os primeiros planos demasiado sombrios. excepto Bayard. 24. As qualidades artísticas do calótipo permitiram a Delacroix escrever: “As fotografias que mais nos impressionam são aquelas em que a própria imperfeição do processo de representar a realidade de uma maneira absoluta deixa algumas lacunas. Le Seqc. estando entre aqueles que pensam que o objecto fotográfico deve ser o mais perfeito possível para transmitir emoção. No entanto Le Gray melhora muito a qualidade da sua impressão. em 1853 é conhecido pelas suas obras sobre a arquitectura russa e as suas paisagens românticas. certas pausas ao olhar que lhe permitem fixar-se apenas num pequeno número de objectos”. Fig. devido a ser demasiado sensível ao azul. a maior parte deles antigos pintores. Revela-se um formador de talento. Roger Fenton __________________________ A fotografia ___________________________ 32 . a qualidade do seu trabalho proporciona-lhe uma encomenda do Estado Sobre a catedral de Chartres. o calótipo é considerado o instrumento supremo da paisagem. pintor de formação e fundador do Calotype Club e depois a Photographic Society of London. obtém celebridade sobretudo durante a Guerra da Criméia. Marville e Charles Nègre. grande amante de paisagens românticas. utilizando a técnica do duplo negativo. praticando a fotografia por prazer ou como actividade complementar. Na Inglaterra encontra-se grandes fotógrafos. Alguns tornam-se verdadeiros profissionais. realiza muitas fotografias de Warwichshire. nas paisagens marítimas. ensia na Du Camp. um para o céu e outro para o solo. A utilização do calótipo. The Shadow of the valley of Death. mas cuja formação artística tornou sensíveis aos problemas da composição da imagem e da qualidade da luz. Entre os Franceses destaca-se o pintor de talento Charles Négre. Roger Fenton. Fenton. sendo proprietários com estúdio e possuindo laboratório e estrutura comercial para vender as suas fotografias. No entanto. Robert Henry Cheney. devido á sua qualidade gráfica e a sua textura que aproximamno das gravuras a aquatinta (técnica que permite tons de matizes neutros comparáveis aos obtidos pelo desenho aguado (washdrawing)). Apesar de a sua tentativa de comercialização das suas fotografias ter sido um fracasso. foi bastante criticado em particular por Elisabeth Eastlake. Os pintores da escola de Barbizon consideram-no um meio de tratar a Natureza segundo as suas próprias pesquisas.

assiste-se também ao florescimento da fotografia documental da paisagem e da arquitectura. devido ás dimensões dos aparelhos. bem como Charles Marville que pretende fotografar Paris antes que efectuem as remodelações de Haussaman. fotógrafo muito prolixo.O intuito de tornar as paisagens cada vez mais autênticas. E Muybridge chamado a trabalhar no futuro Parque Nacional de Yosemite entre 1868 e 1872. Nas representações urbanas. As paisagens sublimes que fotografa não têm apenas o carácter imediato de documento. Fig. 1864 e 1868. Frequentemente. O intuito de tornar as paisagens cada vez mais autênticas. 25. realiza em 1865 uma das suas obras-primas: Barcos a Vapor no seu Ancoradouro de Inverno. conhecido pelas suas espantosas paisagens que rodeiam o rio Columbia (América do Norte). As grandes expedições daqueles anos obedecem a diversas motivações. uma tenda de 3m. deslocando-se com 650 placas de vidro. Snake River. Idaho. Em 1861. Outro grande nome é Carelton E. Timothy O`Sullivan Todos estes fotógrafos americanos e os seus financiadores têm uma admiração ilimitada por estas “paisagens selvagens consideradas emblemáticas do sonho americano de uma natureza inviolada” e estarão frequentemente na origem de criação dos grandes parques nacionais. mas constituem verdadeiras visões artísticas. leva estes fotógrafos a realizarem longas e difíceis viagens. Muitos dos lugares já fotografados em Daguerreótipo vão ser de novo explorados. Charles Bayless encontrou a mesma dificuldade ao querer fotografar o porto de Sydney. 1874. nas suas expedições aos Himalaias. Algumas têm carácter científico. devido ás dimensões dos aparelhos. dedicando-se a problemas apresentados pela composição de uma paisagem e a tradução do escalonamento dos planos. é necessário um carro puxado por animais para transportar o material. Louis-August e August-Rosalie organizam uma expedição fotográfica aoMonte Branco. Wilson mostra-nos Edimburgo em 1859 e Valentina Blanchard. Na Europa. leva estes fotógrafos a realizarem longas e difíceis viagens. Adolphe Braun. Ferrier e Soulier devoram Paris na década de 1860. os irmãos Bisson. dois aparelhos. as ruas animam-se com personagens. Watkins. uma das primeiras mulheres repórteres. Encontra soluções visuais diferentes das da pintura e dá- __________________________ A fotografia ___________________________ 33 . como a missão geológica de Timothy O’Sullivan ao Nevada e ao colorado. num Lago Suíço. Um grande exemplo será a viagem de Samuel Bourne. mas também editor de fotografias. como o inglês Francis Frith que repete as pisadas de Du Champ e Flaubert. fotografa Londres em 1862. 1863. duas caixas de químicos e 42 carregadores.

Désiré Fig. A grande pirâmide de Queóps. Outros fotógrafos percorrem o mundo. 1858. como a de pirâmide de Queóps. Charles Clifford que se torna o fotógrafo oficial da corte espanhola. o antigo pintor. com a colaboração d Felice Beato. onde são colocadas ou reproduzidas por gravuras. 26. de edições de impressões vendidas separadamente e também de estereogramas. Carlo Ponti __________________________ A fotografia ___________________________ 34 . John Tsomson que percorre a China entre 1866 e 1872. e responsável por fotografar os tesouros arquitectónicos. James Robertson na sua expedição à Índia e à China. fotografa a arquitectura italiana e as esculturas do Vaticano para realizar um guia. 27. Fig. Todas estas fotografias serão objectos de livros. Veneza. Du Charney e as suas paisagens no Champ Mexicanas. Robert Mac Pherson. muito em voga na época.nos a ver o espaço de uma maneira extremamente moderna e particularmente “fotográfica”. Carlo Ponti interessado por Veneza e James Anderson que fotografa a arquitectura antiga de Roma. Entre eles.

Assim as disputas pela autoria da imagem vividas entre fotógrafos e pintores estavam instauradas. é marcado com a realização de um daguerreótipo de autoria do alemão Carl Friedrich Stelzer. muito menos. o peso de uma escultura. __________________________ A fotografia ___________________________ 35 . E como se afirma “uma imagem vale mais do que mil palavras”. que consiste na impressão de imagens na imprensa. do trágico incêndio de Hamburgo.1842. devido à inexistência de uma máquina destinada para esse fim. A semelhança com a pintura. porque o único modo de imprimir com qualidade fotográfica era a prensa. por meio da xerografia. em que dois terços da cidade ficou destruído. Daguerreótipo do incêndio da cidade de Hamburgo. Mas de inicio nem tudo é tão simples. o virtuosismo da pintura e.2. não tem a rigidez técnica da fotografia. Por definição o que entendemos por fotojornalismo será a prática do jornalismo por meio da linguagem fotográfica em substituição à linguagem verbal. mas obteve grande destaque quando usufruída pela imprensa.5. O momento fulcral do fotojornalismo. 28. FOTOJORNALISMO A fotografia pode ter contribuído para inúmeras actividades. a cinco de Maio de 1842. no continente europeu. Fig. Isto. o aparelho como réplica do olho humano e o visor comparado a uma tela vazia foram os aspectos fundamentais para que a fotografia rompesse modelos e se destacasse na sociedade como forma de representação visual mais próxima do real. É nesta época que se principiam os processos de reprodução da imagem e é quando surgem as primeiras complicações no que diz respeito ás formas de impressão e autoria. portanto a contratação de gravuristas e pintores perdurava. È por volta de 1842 que se constatam os primeiros indícios do que seria o fotojornalismo propriamente dito. sendo então o original fotográfico reproduzido em madeira para somente depois ser impresso. Carla Friedrich Stelzer Este daguerreótipo foi reproduzido com base num original fotográfico (explicado anteriormente) e posteriormente impresso em Half Tone na revista semanal The Ilustrated London News que reflectiu ao longo dos tempos ser um virtuoso vínculo de informação ilustrado da época. é o primeiro processo de impressão utilizado. A Xerografia. culminando o surgimento do fotojornalismo. A técnica de Half Tone (meio tom). pelas condições e facilidade de reprodução.

como a fome e a miséria na África e as paisagens retratadas em postais. A técnica de half tone manteve-se em vigor até à última metade do séc. Tudo isto que vem contribuir para a expansão do fotojornalismo que passa a experimentar novas técnicas. que teve o seu culminar nos de 1846 e 1848.Nos Estados Unidos da América. e vieram a discussão as primeiras indicações sobre manipulações de originais aperfeiçoados ainda na condição de negativos. Em 1855. XIX quando as fotografias de jornal passaram a ser produzidas a partir dos originais e não mais das pinturas como anteriormente. Surge igualmente nesta época os primeiros marcos de documentarismo social. devido á precariedade dos equipamentos que se reflectem bastante pesados. a guerra. XIX. viajam por todo o mundo em busca de aventura e de primorosas paisagens A grande contrariedade do fotojornalismo. em 1844. aumenta o debate sobre questões de autoria da imagem fotográfica. representando uma manifestação contra a emigração. relatando problemas da sociedade. por exemplo no Egipto. bem como daguerreótipos anónimos que registam soldados no cerco de Roma. que surgem os primeiros fotógrafos viajantes. Gradualmente vai surgir um novo tema para o fotojornalismo. com o aparecimento dos estúdios com a iluminação artificial e a abertura de exposições por toda a Inglaterra. 29. têm como objectivo levar aos seus leitores toda a informação com o uso de imagens. revalorizando cada vez mais a câmara fotográfica como o instrumento fulcral de trabalho para a imprensa. é considerado o marco do fotojornalismo fora da Europa. __________________________ A fotografia ___________________________ 36 . Em 1842 a The Ilustrated London News e posteriormente a Ilustration em 1843. aquando a exposição no Palácio da Indústria em Paris. Na primeira metade do séc. proporcionando o “congelamento imediato” da cena fotografada. ou a técnica de colódio húmido. Fig. o mais importante a rapidez de representação. uma vez que a última apresenta muitos aspectos positivos. um daguerreótipo de um acontecimento público executado por Wiliam e Frederick Langenheim. com o primeiro registo de guerra durante o conflito Mexicano-americano. Daguerreotipo É com isto. Na segunda metade do séc XIX com o desenvolvimento de novas técnicas no campo da fotografia nomeadamente a reprodução da imagem através do tão conhecido negativo-positivo. mais exactamente os daguerreótipos do incêndio de Hamburgo e os da assinatura de um tratado de paz entre China e França que correspondem ao surgimento do denominado proto-fotojornalismo. diz respeito á dificuldade de transporte. Agora a pintura não tinha como fazer frente a fotografia.

que proporcionou a melhoria na qualidade de impressão das imagens. alguns fotojornalistas começam-se a expor ao perigo e até mesmo a morrer. August Sander (1928). que corresponde a substituição da trama de linhas do half tone pelo retículo. simplesmente ao natural. uma vez que se dá o surgimento da impressora rotativa. No período de transição do séc. Na época de 1880. sem poses. uma vez que Gardner usou o mesmo cadáver para compor diferentes cena e fotografá-las de seguida. Lewis Hine (1908). não permitindo que a fotografia afirmasse na publicação como elemento fundamental. XX fizeram o papel de personagens importantíssimas para a história do fotojornalismo. foi registrada por Roger Fenton (fotógrafo do Museu Britânico) em que captou imagens desde soldados fora do campo d batalha. Por volta de 1863 ocorre a Guerra da Secessão Americana. o documentarismo assume as características necessárias. mas apenas como complemento de textos ou meras ilustrações. foi a primeira guerra a receber uma cobertura jornalística digna desse nome. XIX e o séc. O ano de 1890 é importante para a história do fotojornalismo e também para a produção gráfica. por mãos de Alexander Gardner. Eugene Atget (1898). 30. esta proximidade aos objectos a serem fotografados contribui bastante para a ascensão do fotojornalismo. Estas representações acarretaram grande censura por parte da sociedade da época. caracterizando assim os moldes para o fotojornalismo definitivo. aumentando a frequência das imagens publicadas e combinadas com textos. Por volta de 1870. XX. que procuravam mostrar nas suas fotografias o quotidiano da sociedade. devido ás suas imagens de horror com grande poder d persuasão. Fotografia jornalística escolha das imagens que reconheceu como interesse da população. Estes foram alguns dos aspectos que contribuíram para que a Guerra como notícia fosse mostrada com horror. Surgem então nomes como Jacob Riis (1888). embora com indícios ficcionais. O editor Thomas Agnew foi o responsável pela Fig. no que diz respeito a assumir o compromisso social de relatar histórias. como feridos ou cadáveres. Com a guerra e com todos os acontecimentos que ocorrem no mundo a fotografia de notícia começa a cair no gosto popular. XIX para o séc. __________________________ A fotografia ___________________________ 37 . dá-se uma inovação técnica. permitindo deste modo que a fotografia estabelecesse uma relação directa com a cultura social. A Guerra da Criméia dos anos 1854 a 1855. em função do choque causado pelas fotos dos campos de batalha. Com a possibilidade de se aproximarem das cenas escolhidas a representar.Os diversos conflitos bélicos que ocorriam durante o séc. O design de impressa ainda se fixava demasiado na letra. aparecendo como um factor marcante.

Brassai. No período pós-guerra adopta por uma vertente mais artística representando paisagens. caracterizada por reconhecer o momento único. Esta estimulou os jornais de todo o mundo. das câmaras com objectivas permutáveis e com película fotográfica de 35mm onde finalmente a fotografia de imprenssa é reconhecida como Candid Photography (fotografia cândida). mostrando os primeiros sinais de desemprego. Nos anos 30 a revista Vogue publicou a primeira foto a cores. A eclosão da I Guerra Mundial foi um factor crucial para a divulgação do fotojornalismo. agora sustentavam um maior número de fotografias. aberto o período das experimentações. intercaladas com os textos. Somente nos anos 20 a profissão de jornalista começa a ser finalmente reconhecida como um trabalho específico. miséria e conflitos urbanos. Era na Alemanha que se encontravam as melhores tiragens de revistas. as fotomontagens e a fotografia tradicional começam a sofrer alterações por consequência dos movimentos artísticos da época. George Rodger. sombras e objectos que se possam assemelhar ao corpo humano. Robert Capa. que anteriormente suportavam um limitado número de imagens. Nomes como Carl Mydans. incêndios. O que eu se pretendia era enaltecer o conjunto texto e imagem. acidentes. assim. Robert Doisneau. como a utilização de luz artificial. actividades criminosas e acção policial. Henri Cartier-Bresson. entre outros. encontra-se um dos considerados percursores do fotojornalismo policial o chamado Arthur Felling que se destaca por um trabalho assente nas catástrofes urbanas. Está. apenas no ano de 1904 é que a quantidade de imagens impressas se começou a tornar significativo. separando-se da fixação de q o design gráfico consistia em dar maior importância à letra. na valorização de sombras e o alto contraste entre objectos como é exemplo nas fotografias de dois grandes fotógrafos de nome Bill Brandt (alemão) e Man Ray (americano). mais especificamente em 1933. contudo sem valorizar o horror. No período conturbado entre os anos 1930 e 1940. O ano de 1925 é o período do flash de lâmpada. A crescente expansão fotográfica pelo mundo e a incessante busca pelas melhores fotos relacionadas com temas jornalísticos era constante o que impulsionou o campo de trabalho dos fotógrafos e também o comércio de notícias entre agências e __________________________ A fotografia ___________________________ 38 . Contudo.Imediatamente no início do séc. isto é. A evolução dos processos gráficos é um dos factores básicos que proporcionou a divulgação da fotografia como meio de representação relacionado com a imprensa. as edições de jornais. Em 1937 Bill Brandt fotográfa as decorrências da revolução industrial. É na primeira metade do século XX que grandes nomes da fotografia mundial aparecem como referência para o fotojornalismo como conhecemos hoje. Kertéz. para que estes organizassem equipas de reportagens para a cobertura deste grande “evento”. onde a fotografia de noticia passava a influenciar o design da página impressa. XX.

Tomando as guerras como um dos temas de maior interesse. entrando numa via mais criativa e capaz de despertar diferentes pontos de vista nos leitores das imagens. o aperfeiçoamento dos sistemas de impressão. 31. a experimentação do olhar. Fig. Mais tarde em 1947 é fundada a agência fotográfica Magnum. com evoluções tecnológicas decorrentes e oriundas de outros sectores da imprensa. garantiram a expansão massiva do fotojornalismo nos Estados Unidos da América. Para contribuir sucesso das agências. entre elas: a humanização d o d oc um en ta r is mo . Foi durante as duas últimas décadas do séc. A década de 1980 foi mesmo um período de grandes reformulações para o fotojornalismo. XX. Fotografia documentarista Os fotodocumentaristas prezam por um trabalho assente nas suas verdades subjectivas. Pois fez com a fotografia de notícia rompesse com os conceitos básicos. que os profissionais de imprensa assistiram a inclusão da tecnologia digital das redacções. Juntamente lutam pelas questões de autoria e pela liberdade de escolha nos temas a serem fotografados. a pr ox im id ad e co m o te ma permitido pe la evolução tecnológica. Com isto no ano d 1940 as agências tornavam-se nas principais fontes de fotografias de notícias para a imprensa. O uso da cor cai no gosto de alguns fotógrafos. onde a fotografia passava a disputar um espaço própria com a televisão ou a rádio.órgãos de comunicação. mas o preto e branco ainda parece ter a grande preferência da época. George Rodger e David Seymour. Em finais dos anos 1960 as revistas Times e Neewsweek. A Guerra do Vietname é considerada um marco histórico de mudança e transição acabando por originar uma revolução do fotojornalismo. é fundada em Nova Iorque a agência fotográfica Black Star enquanto que a Associated Press passa a oferecer o mesmo tipo de serviço. No ano de 1935. Os anos 60 são marcados pela contínua evolução tecnológica. publicam mais imagens a cores. a primeira revolução do jornalismo durou até os anos 1950 e ficou marcada por diversas peculiaridades. mas têm maior intensidade na segunda metade dos anos 90. respectivamente á estrutura dos jornais e á digitalização de imagens. __________________________ A fotografia ___________________________ 39 . a fundação das revistas Life e Look. Esta utilização da cor reflecte-se pela inserção de páginas coloridas na imprensa diária. Robert Capa. em 1936. registando temas voltados à cultura social e de carácter essencialmente humanista. pelos fotógrafos Henri Cartier-Bresson. e o surgimento das agências especializadas. A partir de 1988 os computadores começam a fazer parte dos métodos de trabalho da imprensa.

A. Estas dizem respeito à ascendência da informática na imprensa. o que leva as fotos jornalistas a questionarem-se sobre o que será verdadeiramente real. no E. marcam a nova era do fotojornalismo praticado agora no séc. XXI. A 28 de Novembro de 1996. A Queda do Muro de Berlim acata em si grandes transformações quer a nível mundial quer á evolução do fotojornalismo. desde ai até aos dias de hoje. A Internet vai facilitar a transmissão de fotos. Com todas estas inovações começam a ser cada vez mais frequentes as fotomontagens ou truncagens. troca ou apreciação. os sucessivos progressos tecnológicos aliados a aperfeiçoamentos da técnica de captura. é realizada a primeira cobertura jornalística totalmente digital do Super Bowl XXX. propiciando a criação de bancos de dados com imagens digitais.U. e o surgimento das primeiras câmaras com sistema de captação digital. __________________________ A fotografia ___________________________ 40 . o aumento da actividade profissional e as melhorias no campo de tecnologia que permitem a captação de imagens com melhor qualidade. disponíveis para compra. mas que conseguissem traduzir o conteúdo escrito para um imagético.Assim a segunda revolução do fotojornalista fica marcada pelo discurso humanista na fotografia documental. O desenvolvimento de softwares específicos para tratamentos de imagem permitiu que as imagens adquirissem mais e mais qualidade e que não se destinassem apenas a ilustrar as reportagens.

que se movia rapidamente dentro da câmara. Londres e Paris e surgiram então novos inventores que. Em 1894 o cinetoscópio era exibido em Nova York. FOTOGRAFIA E O CINEMA Antes da fotografia. Depois desta descoberta ao longo do século XVIII. um cientista belga. Mas como ainda não existia o filme fotográfico. Em 1832.3. a imagem foi registada numa placa de vidro com o auxílio de uma câmara escura. desenvolveram câmaras e equipamentos de projecção mais aperfeiçoados. Foi a primeira fotografia da história. criou o fenacistoscópio. George Eastman (o inventor da câmara Kodak) produziu o filme. quando um norte-americano. foi projectado pela primeira vez publicamente em uma tela. Foram cenas simples. primeiro aparelho a produzir a ilusão de movimento num desenho. tinha a impressão de que os desenhos se moviam. Joseph Plateau. Plateau colocou dois discos em dois diferentes eixos. Thomas Edison começou a trabalhar em um aparelho para fazer com que as fotografias parecessem mover-se e só obteve sucesso dois anos depois. desenvolveu um filme à base de celulóide transparente que era resistente. Era uma espécie de gabinete onde 15 metros de filme rodavam em carretéis. Hannibal Goodwin. Edison e seu assistente William Dickson inventaram o cinetoscópio. Desenhou ao longo da borda de um dos discos um objecto e no outro disco fez orifícios. Quando ambos os discos eram girados na mesma velocidade. __________________________ A fotografia ___________________________ 41 . se utilizando dos mesmos princípios daquele aparelho. Em poucos meses. mas flexível.5. nascendo assim o cinema. Em 1826. a pessoa olhava através de um visor para o interior do gabinete e podia ver as fotos em movimento. Podia-se tirar uma série de fotos com esse filme. quem olhasse. Só então a Fotografia entra no cinema: pois é preciso o filme para poder fazer filmes! Utilizando o filme de Eastman. através dos orifícios. Esta projecção foi realizada pelos irmãos Lumière e aconteceu num café parisiense. muitas pessoas tentaram criar aparelhos que fizessem uma imagem apresentar movimento. pela primeira vez. entre elas a de um trem chegando a uma estação. Esta base podia ser coberta por uma película de produtos químicos sensíveis à luz. conseguiu registar. Em Dezembro de 1895. Nicephóre Niepce. todas as grandes cidades da Europa tinham filmes em exibição. só existiam duas opções para se registar uma imagem: guardando-a na mente ou pedindo a um pintor que a representa-se. Em 1887. uma paisagem sem pintá-la.

Embora. Nos EUA. a fotografia vai suplantar a “gravura” de moda. 1949 __________________________ A fotografia ___________________________ 42 . porque é necessário esquecer os horrores do período guerra. nas revisas. uma vez que apenas Lee Miller faz fotografias em Paris num estilo de reportagem. No entanto é nos anos 20.4. Cecil Beaton inicia uma colaboração com a revista com a Vogue que irá manterse por meio século. Depois da Guerra. bem como George Platt Lines e mesmo Cecil Beaton. Homem Acendendo Cigarro DE Garota. sendo um dos pioneiros a trabalhar com este espírito. representando a cor sobretudo em naturezas mortas. Penn é muito mais barroco e maneirista. Fig. Josephine Baker. 33. 12. mas de iluminação soberbamente dominada. desenvolvendo fotografias próximas do estilo Nova Objectividade. regressa o gosto pelo luxo. destaca-se Louise Dahl-Wolfe como a colorista mais importante na Harper’s Bazar. George Hoyninguen-Huenë. 1925-26 Horst Peter Horst utiliza a fotomontagem e Angus Mac Bean. nos anos trinta. O fotojornalismo e as suas técnicas inspiram a fotografia da moda. A fotografia de moda nasceu num “berço de ouro”. Irving Penn. sofrem a influência dos surrealistas. Avedon é conhecido pelas suas fotografias sofisticadas. de origem russa. sendo posteriormente substituído. o uso da cor tivesse marcado o mundo da moda. tornaramse clássicas do género. Fig. depois de aceitar a proposta de trabalho na Harper’s Bazaar. que o género se expande. o jornal da alta costura. por Steichen que se tornará director do serviço de fotografia. é o primeiro fotógrafo a dirigir os estúdios da Vogue. repleto de cenas do quotidiano. Dois novos nomes emergem neste momento: Richard Avedon e Irving Penn. Esta também colaborou com Man Ray nos anos trinta.5. trazendo-lhe um toque RomânticoBarroco e uma grande exuberância. se torna. estes dois fotógrafos continuam a apostar sobretudo em fotografias a preto e branco. com a revista Vogue que. trabalha nesta altura para a dita revista de 1925 a 1935. XIX. O húnguro Martin Munkacsi é reconhecido pelo seu trabalho assente num espírito naturalista. a maior parte dos seus pioneiros faziam parte da aristocracia da época. em 1922. Adolph Meyer. Em 1929. Baron Adolph de Meyer. de poses a maior parte das vezes rígidas. Durante a II Guerra (1939 – 1945) a fotografia de moda tem uma diminuta expressão na Europa. FOTOGRAFIA NA MODA E NA PUBLICIDADE No final do séc.

por terem empregado muito dos fotógrafos que se acabou de citar. Nos EUA. a fotografia de moda difunde-se. foram estas a Marie-Claire. Charles Sheeler e Hans Finsler. A estes juntam-se Paul Outerbridge. fotografando objectos industriais. que trabalhou para as maiores firmas americanas. Para além da Vogue e da Harper’s Bazzar. na Europa o David Bailey e Guy Bordin. a ozobromia. coma s suas paisagens. Penn e Bourdin. Laurent Albin Guilliot. é importante relevar o nome de Hiro que trabalha ara a Vogue. A partir de 1930. Jeanloup Sieff.Em França. respectivamente aos anos sessenta e oitenta. que adaptaram o estila da Nova Obectividade. Lucien Lorelle afirma as imagens de publicidade devem produzir um “choque que suscite o desejo de comprar”. e fazem parte fotógrafos já ditos anteriormente. época em que a directora Edmonde Charles-Roux. alguns célebres fotógrafos dedicam-se á publicidades. PUBLICIDADE E O MUNDO INDUSTRIAL: Se o objectivo da fotografia de alta-costura é o de levar a sonhar. Como o célebre publicitário francês. deixando o carácter ingénuo do ano anterior. Anúncio de pormoção a América Os fotógrafos publicitários trabalham priveligiando a cor. necessitava de imensas Fig. o fotógrafo de moda deve suscitar o desejo de compra da sociedade. E é neste ponto. fizeram-se destacar. glorifica na revista Fortune o poder da indústria americana. e Margaret BourkeWhite que. visto que um dos melhores processos da época. torna-se mais realista. do mundo da moda e mesmo da reportagem. Bordin produziu imagens fantasmáticas em que a mulher surge amedrontada. Nos anos 30. também ele soube criar o seu próprio estilo. e a Elle. em 1936. no entanto. criada em 1932 por Marcele Auclair. contrata Willy Ronis e Robert Doineau como fotógrafos. tendo mais hipóteses de seduzir o consumidor. 35. Á semelhança de Avedon. nos anos trinta. por outro lado representou-a de carácter frio e dominadora como se muitas das vezes vivesse um universo de onde o homem está ausente (“um Mundo sem Homens”). fundada em 1945 por Hélène Gordon-Lazareff. que podemos afirmar que a fotografia de moda se assemelha á fotografia publicitária. duas grandes revistas francesas. Fig. os seus retratos e as suas fotografias de moda. Anúncio da Philips __________________________ A fotografia ___________________________ 43 . pelo contrário. conhecido pelas suas naturezas mortas e os seus nus a cores. 34. marca a visão dos fotógrafos dos anos setenta em França. Anton Bruhel. a reprodução de fotografias a cores pela tipografia era extremamente complicada. os anos 50 são marcados pela vogue Francesa. Helmut Newton. no pronto a vestir.

ainda que não lhe seja permitida uma completa liberdade de acção. enquanto que na moda o estilo fotográfico é frequentemente determinante. __________________________ A fotografia ___________________________ 44 . embora desde os anos oitenta os orçamentos tenham baixado consideravelmente. Se antes da guerra se dava a Man Ray Sheeler e Steichen a liberdade de realizar como entendessem as suas imagens publicitárias. O fotógrafo muitas vezes não é senão o executante competente das ideias dos criativos. hoje em dia já não se sucede o mesmo. Nos dias de hoje nenhuma revista pode viver sem publicidade. somente depois da guerra a quadricromia em máquinas de offset se torna no método corrente de impressão.operações. Assim.

um cientista belga. permitindo com isto a reprodutibilidade de um mesmo original pela primeira vez 1851.Niepce começa as suas investigações com o objectivo de conseguir fixar uma imagem através de processos químicos e da câmara escura 1826. Surgindo depois a câmara escura.Dá-se morte de Niepce e Daguerre continuará com a sua pesquisa desenvolvendo mais tarde o novo processo de fixação a que dará o nome de Daguerreótipo 1838.Frederick Scott Archer inventa o processo de colódio húmido.Surge a primeira máquina fotográfica que permitia fixar imagens de grande nitidez em placas metálicas através da aplicação de banhos de sal e de mercúrio 1851. apresentando os últimos modelos produzidos 1851. que viria a ser o primeiro invento importante para a fotografia 1793.6. CRONOLOGIA Entre o séc.Niepce consegue obter a primeira imagem fixada num suporte a que dará o nome de “heliografia” 1832. primeiro aparelho a produzir a ilusão de movimento num desenho 1833. XIX prevaleceu a moda das máquinas de desenhar. XIV até ao séc.O aristocrata Inglês Willian Fox Talbot inventa a técnica do positivo-negativo e a revelação húmida.Joseph Plateau. __________________________ A fotografia ___________________________ 45 .Morre Daguerre e ao mesmo tempo é organizada na Grã-bretanha a "Grande Exposição". criou o fenacistoscópio.

Foi projectado pela primeira vez publicamente em uma tela 1925.Com o jornalismo fotográfico dá-se o aparecimento da câmara Ermanox.Filme à base de celulóide 1888. uma câmara simples e acessível 1888.O cinetoscópio era exibido em Nova York.Thomas Edison e seu assistente William Dickson inventaram o cinetoscópio 1894.Eastman desenvolve também a película fotográfica em rolo 1891. Londres e Paris 1895. de Erich Salomon 1925.É apresentada a célebre Kodak. 1887.Georges Eastman descobriu o processo do brometo gelatinoso.1880. que permitiu a revelação em laboratório.Aparece também a câmara Leica que não tardava em ultrapassar todas as outras máquinas inventadas até a época. devido as suas enormes vantagens __________________________ A fotografia ___________________________ 46 .

tudo depende do contexto. Depois de pesquisar sobre as influências recíprocas que houve entre a fotogafia e a pintura. contrapõem-se ao modo de ver. ao contrário da câmara. Um facto importante é que a fotografia nasceu com carácter puramente pictórico. na medida em que a própria memória ilude. são. que o receptor interpreta e completa com outros símbolos que fazem parte do seu próprio repertório. A fotografia foi uma tecnologia que demorou a afirmar-se. a fotografia só vem para acrescentar. ainda actualmente muitos não a consideram arte. não apenas copiá-la. já que o filme fotográfico possui uma sensibilidade cromática própria. Num mundo dominado pela comunicação visual. deixando de vê-la como uma coisa assim tão banal. Embora admitindo que a fotografia regista a realidade com perfeição. Capta um momento de uma forma subjectiva e própria. Tem de haver sensibilidade. As respectivas limitações. O fotógrafo recria o mundo externo através da realidade estética. por ser facilmente produzida e reproduzida.sempre subjectiva como a nossa percepção . associado à mente. Cabe ao observador interpretar a imagem. O olho. Apesar dos grandes avanços tecnológicos. não devemos esquecer que este registo é uma redução de três para duas dimensões e que a fotografia trabalha essencialmente com a abstracção da cor. facilmente se conclui que fazer fotografia não é apenas apertar o disparador. talvez devido ao facto dos primeiros fotógrafos serem quase todos pintores. pode ser ou não arte. ou seja. __________________________ A fotografia ___________________________ 47 . Nela há uma série de símbolos organizados pelo artista. não se deixando dominar pela imagem mecanicamente obtida. dos ícones envolvidos na imagem. mas a sua verdadeira alma está em interpretar a realidade. A fotografia perfeita. Por outro lado. pontos de partida para consciencialização da criação artística . na realidade. podendo também decepcionar.e que reflectem o carácter pessoal de cada artista.CONCLUSÃO: Depois de finalizar este trabalho formamos uma nova opinião á cerca da fotografia. é subjectiva e selectiva. geradas por processos mecânicos. Estas consequências. a percepção visual. do momento. acrescentar-lhe um juízo e sentimento. ainda não se pode atribuir à cor uma fidelidade absoluta. muitas vezes. percebe as cores de outra maneira em relação ao olho humano. surpreende por captar mais do que se pretendia. que registra um momento único e singular. O desenvolvimento deste trabalho permitiu-nos dar conta do quanto a fotografia interferiu com a nossa sociedade. salienta certos pormenores e despreza outros.

BIBLIOGRAFIA Arte Moderna. Companhia das Letras História da Arte 17 (As vanguardas do Expressionismo ao Abstracto). Editora Lisma Webgrafia Obras Tiradas de: __________________________ A fotografia ___________________________ 48 . Giulio Carlo Argan. Stephen Little.7. Editorial Salvat História da Arte 18 (Arte Contemporânea). Editorial Salvat …Ismos (Entender a Arte).

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