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Música de Câmara James Joyce Tradução e Prefácio: Eric Ponty Fonte Digital Arquivo do Tradutor Versão para eBook eBooksBrasil.com © 2000 Eric Ponty

James Joyce Música de Câmara (CHAMBER MUSIC) Tradução e Prefácio: Eric Ponty
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ÍNDICE
Algumas considerações sobre “Chamber Music” Música de Câmara O Tradutor Nota: Para uma melhor formatação, ler com letras pequenas

AL-GU-MAS CON-SI-DE-RA-ÇÕES SO-BRE CHAM-BER MU-SIC Eric Ponty
I – Con-si-de-ra-ções so-bre a es-tru-tu-ra sin-fô-ni-ca:
Música de Câmara é um aparente conjunto de poemas que não possui ne-nhu-ma preo-cu-pa-ção dos li-vros pos-te-rio-res, mas Samuel Beckett nos dá uma outra visão através de seu estudo que reproduzi o esquema de como este se estrutura como em uma sinfonia.

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como. Como o mundo de Proust. as harpas invisíveis. além de par-ti-cu-lar-men-te não sentir nenhuma paixão pessoal pelas mesmas. No terceiro poema James Joyce nos dá a coda da primeira exposição do tema. a cada um deles é único. There's music along the river For Love wanders there. de Whitehead ou de Einstein. No segundo poema James Joyce nos dá o desenvolvimento deste primeiro tema exposto: A transformação do cre-pús-culo de ame-tis-ta para fundo e mais pro-fun-da-men-te azul. Flores pálidas o cobrem. uma vez. para viagens de amor. Dark leaves on his hair. O abajur enche de um brilho verde pálido As árvores da avenida.” Numa divisão da imaginação. naquela instante quando luzes brandas vêm e vão. e música de câmara já contem isto em sua estrutura com a preocupação das três fases biológicas da vida e de sua transformação e como James Joyce é um admirador do filósofo italiano Giambattista Vico e seu Música de Câmara já perpassa esta preocupação viceana que dividiu o desenvolvimento de sociedade humana em três períodos: Page 3 . Cordas pelo rio onde salgueiro se encontre. Fazem música suave. Neste primeiro poema de Música de Câmara James Joyce inicia sua estrutura sinfônica através das cordas como em todo bom movimento em uma peça de câ-ma-ra que se preza dando-nos o tema e a exposição deste: Cordas na terra e ar. o céu se fez incandescente. folhas escuras nos ramos. Edmund Wilson em O Castelo de Axel faz a seguinte observação sobre a construção da matéria imaginativa: “Joyce é. Pale flowers on his mantle. que teria de reinventar coisas para que estas se encaixarem na tradução. há uma doce música suave no ar sobre a terra fica embaixo. Strings by the river where The willows meet. na verdade. o mundo de Joyce está sempre mudando. e suas imagens em Música de câmara me fazem lembrar um pouco este compositor por utilizar-se das mesmas metáforas da natureza: Tangem. lembrando que o leitor deve ter em mente que não segue o rigor de uma es-tru-tu-ra sin-fô-ni-ca pro-pria-men-te dita como. o grande poeta de uma nova fase da consciência humana. o primeiro poema que nos dá a idéia que James Joyce os pensava rit-mi-ca-men-te: Strings in the earth and air Make music sweet. até mesmo no amor. por exemplo. na sua ruptura.Quanto ao meu trabalho de aproximação de leitura que eu apresento ao leitor devo salientar que não transpus em minha leitura as rimas que estão no original. Há música ao longo do rio. vide. É um organismo constituído de" eventos" que podem ser con-si-de-ra-dos como in-fi-ni-ta-men-te inclusivos ou in-fi-ni-ta-men-te pequenos: cada um deles implica todos os outros. nas sinfonias metafísicas de Gustav Mahler. é observado por di-fe-ren-tes ob-ser-va-do-res em tempos di-fe-ren-tes. por exemplo.

Um comentário de CÉZANNE ilustra como o artista procura situar-se no contato mais íntimo possível com a natureza que o circunda: "E assim fui obrigado a desistir de meu projeto de refazer todo Poussin di-re-ta-men-te da natureza. Humano (civilizado) cada uma das classificações correspondente ao seu idioma: 1.” E quando tentei aproximar minha leitura tentei fazer o máximo possível de autonomia imaginativa em relação á voz derradeira de Joyce num intercambio desta via. Cosgrave e Gosgarty em Robert Hand. que não haviam antes sido retratadas. desenhos a fragmentos de estudos: em poucas palavras. Ele vê: a depois pinta. ao ar livre. onde tudo tem a coloração marrom de uma fraca luz do dia.”Em vez de uma dessas obras imaginadas num estúdio -. sem reflexos do céu a do sol". uma vez apontados. para que sua pintura. mas. que seus olhos seriam perpassados pelas emoções que ele sentira e ele expressara muito tempo antes? O fato de que o presente de Joyce permita colocar tais perguntas leva-nos a reconhecer um ponto que. também incluiu algo de si mesmo. além deles. que nisso se dis-tin-guem de cons-cien-ti-za-ção con-cep-tual ou per-cep-ti-va. e sem grandes propensões a dar presentes de casamento a troco de nada. Ronald Peacock coloca em “Formas da li-te-ra-tu-ra dra-má-ti-ca” a se-guin-te co-lo-ca-ção so-bre a visão ima-gi-na-ti-va: “Os con-tex-tos de cons-ci-en-ti-za-ção ima-gi-na-ti-va.Cézanne coloca aqui a imaginação em contato direto com a cor e a luz. Re-sol-vi-dos a es-tu-dar suas apa-rên-cias. Teocrático 2. a não construído pedaço por pedaço a partir de notas. CONSTABLE é um exemplo destacado. a oferenda a um noivo envolvendo atenções rivais para com a noiva possuía um peso simbólico. poderia pas-sar des-per-ce-bi-do: que Joyce colocou Kettle. e mui-tos pin-to-res já ex-plo-ra-ram a na-tu-re-za nes-se sen-ti-do. de outra forma. possa refletir essa intimidade. Era o tipo de ironia que lhe agradava. com cor a luz. de pintar um Poussin vivo. Terá sido uma espécie de adultério mais exeqüível? Será que Joyce esperava que os poemas escritos para Mary Sheehy fi-nal-men-te iriam receber sua atenção. Para alguém sem muito dinheiro para gastar.” I – Con-si-de-ra-ções Li-te-rá-rias: Page 4 . elementos ali presentes para serem vistos e. por sua vez. prontos a exigir admissão de sua existência pelos outros. em vez de rima dessas obras imaginadas num estúdio. Richard Ellmann nos dá em seu ensaio ”Tornado-se exilados” uma visão de como James Joyce tinha consideração por este seu livro de poemas: “Imagine-se como Joyce devia achar extraordinário que Kettle fizesse uma resenha tão favorável de um livro de poemas que incluía dois dirigidos à sua futura mulher. falando de uma “arte de ver a natureza" a ser aprendida pela mais humilde dedicação. es-sen-cial-men-te. es-pe-cial-men-te en-ca-der-na-do pare eles em Trieste. ele resolveu que seu presente de casamento para o casal seria um exemplar de Música de câmara.1. per-mi-tem-nos fa-zer des-co-ber-tas vi-su-ais a res-pei-to do mun-do. pois buscou – por meio da mais atenta observação – qualidades da natureza. Como que para completá-la. Metafórico (poético) 3. Filosófico (capaz de abstração e generalização) III – Pres-su-pos-to pa-ra ima-gi-na-ção da poe-sia de Ja-mes Joy-ce. Hieroglífico (sagrado) 2. Heróico 3. sen-ti-ram sempre que sua pin-tu-ra des-co-bria as-pec-tos da na-tu-re-za que não eram de forma al-gu-ma uma ques-tão "subjetiva" mas.

e dedos vagueiam. pôde perceber também o início da formação das palavras valises que cominariam no Finnegans Wake. Música de Câmara (CHAMBER MUSIC) James Joyce Tradução: Eric Ponty Poema I Cordas na terra e ar. inclinando-se sobre a música. mas como um mero exercício de leitura. Yeats.B. além de me parecer um poeta melancólico e romântico muito influenciando por W. o primeiro livro de Joyce permaneceu para mim sempre em aberto na minha formação de leitor joyceano e considero o trabalho aqui apresentado apenas como já disse.Não considero o trabalho que o leitor tem em mãos como uma tra-du-ção pro-pri-a-men-te dita. Em suma. não considero que é um trabalho concluído de leitura. Pude perceber nestes versos de Música de Câmara o mesmo caráter romântico de Giácomo Joyce que havia lido na tradução de Paulo Leminski. sobre o instrumento. uma aproximação da voz derradeira de James Joyce. Page 5 . que espero sugestões de colaboração de seus possíveis leitores e termino citando a última estrofe do primeiro poema: Tocam suavemente tudo.. Fazem doce música. Há doze anos venho tendo a curiosidade de poder ler este conjunto de poemas que se denomina de “CHAMBER MUSIC” e nunca eu encontrei nenhuma tradução exceto um ou dois poemas que não me davam na minha curiosidade de leitor a extensão do conjunto de “Música de Câmara” deste apaixonante escritor irlandês que é James Joyce. uma aproximação de leitura do texto joyceano em construção. que estará em constante transformação. uma vez. Música de Câmara..

Cordas pelo rio onde salgueiros se encontram. Até que esta noite termine? Tangem. O desolado observador solitário está nos céus. Flores pálidas o cobrem. responde em antífona. sereno e lento e alegre. Tocam suavemente tudo. naquela instante quando luzes brandas vêm e vão. para amar. folhas escuras nos ramos. o céu se fez incandescente. inclinando-se sobre música. há uma doce música suave no ar Page 6 . para viagens de amor. O piano velho soa pelo ar.. sobre o instrumento. as harpas invisíveis. até mesmo no amor. rebaixando-se com a cabeça. Ela toca suas teclas amarelas. Há música ao longo do rio. Poema III Naquela instante quando todas as coisas param. E o vento noturno. e ficarem sós acorda para ouvir o doce tanger das harpas. e dedos vagueiam. Poema II A transformação do crepúsculo de ametista para fundo e mais pro-fun-da-men-te azul. O abajur enche de um brilho verde pálido As árvores da avenida. de harpas que tangem até amor se reunir nos pálidos portões do êxtase?? Quando todas as coisas pararem.. você ouve o vento noturno e seus suspiros. Pensamentos tímidos e os olhos amplos e sérios se atem quando estes surgem O crepúsculo vira azul marinho nas luzes de ametista.

nem a musa: Que pode ser este cantor. observo a dança do fogo no chão. o canto do amante. tangendo para fora da janela. farei-me como naquele seio tão doce. des-con-so-la-da. Poema IV Quando surge a estrela tímida diante do céu Como para toda garota. (Tão macio e suave que eu o imploro!). Meu livro está fechado. Poema V Tangendo fora da janela. seu cabelo dourado. Poema VI Eu seria como aquele seio de doçura. (Que tão doce e é tão justo!). Cantando e cantando um alegre ar. Não toca mais alto quando está cantando. e de quem é canção que diz seu coração? Reconhecerá. eu não o estou lendo-o mais.sobre a terra fica embaixo. seu cabelo dourado. Page 7 . Eu já faria parte daquele coração. Onde nenhum rude vento poderia me visitar. e você a escuta sonolenta até mesmo aquele que está cantando em seu portão. o ouvi cantando num alegre ar. Pois este é seu visitante. Por causa de meu triste pesar. A suave canção é mais macia que o orvalho E ele lhe veio visitar.

Poema VII Meu amor está em um traje claro entre as macieiras. só assim eu já faria na-que-le co-ra-ção. onde os ventos alegres ficam a cortejar as jovens folhas que passam. Meu amor segue lento. Meu amor vai devagar. Lá. Poema VIII Que se vai entre a verde madeira Como uma maré de água-viva que a tudo adorna? Que se vai entre a verde madeira alegre a fazer-se mais alegre? Que se passa na luz solar que conhece a clara dança de outono? Que se passa na doce luz solar Com aurora tão virginal? Todo bosque Vislumbra-se num fogo macio e dourado Para fazer todo ensolarado em um leve traje tão valente? Este é para meu verdadeiro amor os bosques e as suas ricas folhagens este é para meu verdadeiro amor. Page 8 . enquanto tange pelo vestido com sua uma mão delicada. sua firmeza era de todas a mais doce. enquanto vai tangendo sua sombra pela grama. que é tão jovem e justo. E onde como numa taça do céu azul pálido se faz pela risonha terra. onde alegria ganha ao fazer-se de grande desejo para passar juntas. Poema IX Ventos de maio que dançam no mar.onde so-men-te paz poderia me per-ten-cer.

adeus Dê adeus para sua tenra idade. a observar meu verdadeiro amor em qualquer lugar? Welladia! Welladia! Para os ventos de maio! Amor estará infeliz enquanto estiver ausente! Poema X Luminoso cume de raios. que tange em cabelo dourado. Quando tu ouvir o teu nome entre as cornetas de um que-ru-bim comece sua-ve-men-te re-par-tin-do vosso suave seio feminino desfazendo-se desta desconfiança deste tenro virginal sinal. O alegre amor veio para lhe cor-te-jar como seu jeito tão feminino que te fez tão formoso. Em arcos prateados que atra-ves-sam o ar. Page 9 . E o tempo para sonhar com as quimeras que se fin-da-ram como um amante para outro amante. De cume para cume. Ele canta no vazio: Venha siga. Poema XI Dê adeus. adeus. Com os retalhos fluindo Ele canta mais audaz. Amada. Aquela canção e aquele riso não fazem qual-quer mo-vi-men-to. enquanto a espuma se faz adornada. eu venho. Deixe a quimera para o sonhador este não mais virá. Ajuntando-se ao se reunir aos zumbidos selvagens das abelhas. Todos estão com você na-que-le amor. venha siga.Dançando como um anel.

surja! À noite-orvalho jaz entre meus lábios e meus olhos. surja. E penetre em seu pequeno jardim E soe em sua janela Cantando: O vento nupcial está murmurando Para este amor que se faz ao meio-dia. logo. Os odores dos ventos estão tan-gen-do em sua música de suspiros: Surja. com boa cortesia.Poema XII Que con-se-lho tem a pálida lua para dizer em vosso coração. Mina. para seu di-vi-no des-cui-do. Poema XIII Vá buscá-la com toda cortesia. a glória e estrelas estão debaixo de vossos pés Seu receio é bem menor que dos amigos e parentes que se fazem parecer como comediante Capuchinho? Eu acredito que este seja um con-se-lho sábio bastante. minha linda! Page 10 . Uma glória ressurge nestes olhos. minha linda. O Mina! Não será apenas esta uma lágrima de lua ou névoa para vós. Vento especial já fez sua canção Epithalamium. surja. Logo. de plenilúnio de um amor antigo. tremendo como a luz das estrelas. Minha pomba. E logo mais seu verdadeiro amor estará se reunido. Agora. minha tímida doce. vento. a correr para o alto das terras escuras E que se expandem até o mar Pelos mares e terras que não nos separará nem meu amor e nem eu. Poema XIV Minha pomba. E diga que eu já virei. minha doce sen-ti-men-ta-lis-ta. Eu rogo que se vá.

amor. Para o leste este amanhecer lento aparece onde fogos suaves ardem e surgem. E não ouve você. nos evocando daqui? O frio é agradável neste o vale do amor que nos reunirá. Poema XVI O frescor deste vale agora E ali. surja! Poema XV Dos sonhos mais calmos. Minha irmã. As árvores estão apinhadas de suspiros De quem folhas da manhã anunciam. seu tordo chamado. minha alma. meu amor.Eu espero junto à árvore de cedro. nós fará para muitos que este coro está cantando agora onde o amor existiu algum dia. Do profundo sono e da morte. Alvo peito de uma pomba. suave. são tangidos os sinos floridos da manhã E os sábios coros das fadas Começam (indescritíveis!) a se-rem es-cu-ta-dos. minha única pomba. surja. Page 11 . Enquanto doce. O orvalho pálido jaze como véu em minha cabeça. fazendo-se luzir em todas nuances entre o cinzento e o suave dourado. aparece. Minha mais justa. será sua cama este meu peito. Porque dentro de minha mão eu te segurei Sua mão outra vez. Poema XVII Porque sua voz estava a meu lado Quando eu lhe falei da minha dor. secreto.

esteja novamente em paz poderão eles lhes desonrar? São mais tristes que todas as lágrimas. Mas uma palavra irá até ele indo suavemente lhe tocar E ternamente o cortejará Com seu jeito de amor. Poema XIX Não fique triste porque todos os homens Prefiram seu glamour antigo: Amada. Page 12 .Não há nenhuma palavra e qualquer sinal que nos faça reunir Ele é um estranho a mim Eu que era o seu amigo. Em uma funda sombra fresca Ao meio-dia. me escute com minha história de amor. negue. Orgulhosamente responda às lá-gri-mas: como eles negarem. Poema XVIII O Amada. A mão está debaixo dela de seu redondo peito liso. Terá todo o resto. Um homem terá tristeza quando os amigos lhe faltarem Porque ele deve saber então que os amigos são falsos E de pequenas cinzas são as palavras quando surgem. Poema XX Na madeira escura do pinheiro eu me deitarei convosco. Vidas passam como num sus-pi-ro inin-ter-rup-to. Assim ele que está triste.

-sim! - Page 13 . Poema XXIII Este coração que treme próximo ao meu coração todas minhas riquezas são a mi-nha es-pe-ran-ça. Aquela noite me seduziu e me avisou agora eles podem nos preo-cu-par. Até o pinheiro. Onde a grande floresta de pi-nhei-ros Está! Vós beijarei lentamente sendo assim o mais doce com um tumulto macio em vossos cabelos. Mas dorme seu sono mais amado para que se junte onde alma e o espírito fazem-se de prisioneiras. Todas minhas riquezas são a minha esperança. daqui. ao meio-dia se parecerá agora comigo. Poema XXII Desta tão doce prisão minha alma. Poema XXI Para quem perdeu sua glória. Entre os inimigos que o des-pre-za-rem com ira tendo esta nobreza tão antiga. amando docemente. Doce como beijar. Infelicidade é quando a gente se separa E é feliz entre beijo e um outro beijo. podem os braços me segurar onde alegremente fui prisioneiro! Minha querida.Como deitar pode ser doce. mais querida está nos braços macios que me quer namorar e conquistar. O amor lhe servirá como com-pa-nhia. por entre estes entrelaçados braços que o amor fizeram-se trêmulos. Ah. nem en-con-tra alguma alma para ser sua com-pa-nhei-ra.

pare de pentear seus cabelos longos.E toda minha felicidade Lá. Ligeiramente. Amor e risada confessam em suas canções. E ela penteia seus cabelos longos na frente do espelho. Page 14 . como um sol perdido em muitos vales. silenciosa e graciosamente. le-ve-men-te --. Poema XXV Venha levemente e ligeiramente se vá: embora vosso coração sinta aflição. porque eu ouvi dizer de seu feitiço debaixo deste lindo ar.já as-sim: Nuvens lá embaixo cobrem os vales há instantes que se parecem com estrelas que são como seus os criados mais humildes. que os deixe de pentear. Que faz objeto de seu ao amante que o faz se pa-re-cer co-mo mui-tos e como muitas de um lindo ar que muitos ignoram. feito como muitas de lindo ar. O sol está nas folhas de salgueiro E na grama manchada. Ninfas dão risadas de vos-sa pre-sa com este cultivado ar ir-re-ve-ren-te da mon-ta-nha que ondula todo vosso cabelo quando voa. penteando os seus ca-be-los lon-gos. É preciso nós não sermos tão sábios embora amor sobreviva por mais um dia? Poema XXIV Silenciosamente ela está se pen-te-an-do. Eu rogo. os rouxinóis que guardam seus tesouros onde eu guardei todos meus te-sou-ros que eu pos-suía antes que os cultos olhos tenham aprendido a se lamentar. como em algum ni-nho mus-go-so.

Nem eu soube de um amor cujo elogio Nossos poetas serenos so-le-ni-za-ram.Poema XXVI Tu é mais magra que à concha da noite. qual foi o tom fez vosso coração temer? Pareciam-se com rios que apres-sam adiante dos desertos cinzentos do norte? Vosso animo. Ainda que me faça atingir de-sa-vi-sa-do Saiba que no êxtase de vosso coração. Poema XXIX Page 15 . e como dormirá todo amor numa lápide: Amor já se fez exausto agora. de divinas orelhas. ô minha tímida se olhar bem. Poema XXVIII Gentil senhora. Já é o bastante. eu me fiz e confessei em vossa terna malícia. Para sua elegante e antiga frase. Querida senhora. Mais querida. Poema XXVII Embora vós Mitrídates seja. não cante canções tristes sobre o fim do amor. é como do homem neste furioso conto que nos chega nesta hora sombria e con-jec-tu-rá-vel E para todos num nome que se lerá Em Purchas ou em Holinshed. meus lábios se fecharam em sabedoria. Cante sobre o longo sono pro-fun-do dos amantes mortos. Coloque esta tristeza de lado e cante este amor que passa. Naquele suave murmúrio da de-lí-cia. Nem com um amor onde não pudesse ser de tão pouca falsidade. feito para lançar seu dardo de veneno.

Nós éramos como amantes sérios. Poema XXX Querido coração. E de doçura sejam as palavras que ela me disser. tão querido para mim. Poema XXXII Chuva caiu durante todo o dia. E logo que o amor for diluído como num rufo dos ventos selvagens a rugir para nós Mas você. Vinda entre as ár-vo-res fron-do-sas: As folhas jazem grossas no horizonte das recordações. o que são em toda sua beleza! Pelo branco espelho de seus olhos. Amor ido já teve todas suas doces horas. Bem-vinda agora ao passado da mesma maneira que nós já fomos. desolados ventos assaltam como gritos do obscuro jardim de onde o amor se faz. Pelo grito macio de se beijar. Se parecem um pouco com as recordações que a gente deve recordar. Ainda são tão bonitos – mas. Ai! Por que você me usa assim? Poema XXXI Estava fora de Donnycarney Quando um morcego voou de árvore para outra Meu amor e eu ca-mi-nha-mos jun-tos. Page 16 . Junte-se a nós vento de verão vá murmurando.Amor veio com o tempo e por nós passou como um tímido crepúsculo se aparecia E com um medo parado per-ma-ne-ce-ria Pois todo primeiro amor nos amedronta. querido amor. felizmente! Mas mais macia era sua respiração de verão Era o beijo que ela havia dado para mim. por que você me faz assim? Queridos olhos que suaves me autocensuram.

Poema XXXIII Agora. de mãos dadas. agora. As folhas – elas não suspiram nada Quando o ano vir com o outono. amada. durma agora fala meu inquieto coração a voz chora: “durma agora” É se faz ouvir no meu coração. para esperar a pri-ma-ve-ra que está chorando: “Durma ago-ra”. Oh inquieto coração. agora. A voz do vento se ouve na porta Oh durma. Um tratante vestido vermelho e amarelo Está batendo. nós não ouviremos nada mais nem villanelle e rondó! Ainda vamos nos beijar. Poema XXXIV Durma agora. Não se aflija. E em volta de nossas solidões O vento está assobiando. onde eu posso falar com seu coração. antes de nos ausentarmos ao triste fim do dia. Meu beijo trará a paz E aquietará o coração Durma agora em paz. amada. batendo na árvore. Pacientes por causa de uma velha viagem. o ano já está terminando. Poema XXXV Todo o dia eu ouço o murmuro das águas Page 17 .Venha. nesta terra marrom Onde o amor se fez de tão doce música Nós dois devemos passear. Agora. minha querida. por nada O ano. sem aflição porque nosso amor era tão alegre para que termina-se agora deste jeito.

Eles vêm. Eles partem da escuridão dos so-nhos. tra-du-ziu “O Ce-mi-té-rio Ma-ri-nho” de Paul Va-lé-ry. Au-gus-to Massi. por que você me deixou só? Eric Ponty É poeta. escritor e ensaísta. os ventos frios estão soprando onde eu irei Escuto o marulho de muitas águas Longe e distantes. Para lá e para cá. quais chamas ofuscantes. E o trovão de seus cavalos enterrados. Lançou os se-guin-tes li-vros de poe-sia “Ho-mo-Ima-gens” (es-go-ta-do). Poema XXXVI Eu ouço um exército que passa pela terra. e “O An-jo de Da-vid” este de li-te-ra-tu-ra in-fan-to-ju-ve-nil e os li-vros de en-saios “Bre-viá-rio do Tem-po” e “A Con-tem-pla-ção do be-lo Ador-me-ci-do” to-dos pu-bli-ca-dos pe-la A Voz do Le-nhei-ro Edi-to-ra. Meu coração. Toda à noite. “Li-vro So-bre Tu-do” (Elo-gia-do pe-lo Poe-ta Fer-reira Gullar). Foi elogiado pelos poe-tas Fer-rei-ra Gullar. enquanto sacodem em triunfo os longos ca-be-los cin-zen-tos: Eles saem do mar e gritam correndo pela costa. Ivan Jun-quei-ra. Ivo Bar-ro-so. en-tre ou-tros pelo seu po-e-ma ain-da i-né-di-to “Pom-pas de Abril”. O SA-CER-DÓ-CIO DA POE-SIA. Os ventos cinzentos. espumando sobre os joelhos Arrogantes. em negras armaduras. ao partir solitário Ele ouve os ventos sussurrarem nas águas Monotonia. tinindo no coração como em uma bigorna. Page 18 . tremulando em seus chicotes. de rédeas soltas. meu amor. Eles choram na noite seus nomes na batalha: Eu tremo em meu sono quando eu ouço suas risadas ao longe.Gemendo Triste como o mar-pássaro. não conhece nada para se desesperar? Meu amor. eu os ouço fluindo todo o dia. É membro da Academia de Letras Sanjoanense na cadeira do Poeta José Severiano de Rezende um dos precursores do Modernismo. Uma in-tro-du-ção à poe-sia de Jo-sé Se-ve-ria-no de Re-sen-de. Tinindo. Nasceu em abril de 1968. meu amor. cocheiros.

Do Pên-du-lo de Fo-cault e Ra-zão e Sen-si-bi-li-da-de). Es-tá in-cluí-do na An-to-lo-gia Mi-nei-ra do Sé-cu-lo XX do prof. Como muitos poetas de sua ge-ra-ção. Poe-sia pa-ra To-dos. tal-vez uma “res-pos-ta “ ao Li-vro so-bre Na-da de Ma-noel de Bar-ros. Coroando a sua per-for-man-ce li-te-rá-ria. Com co-or-de-na-ção de Ivo Bar-ro-so (Trad. Co-la-bo-ra nas re-vis-tas On-li-ne Agu-lha e Tan-to en-tre ou-tras. Do pri-mei-ro.br Copyright 2000 Eric Ponty Versão para eBook eBooksBrasil. mas com a re-fe-rên-cia da tra-di-ção mo-der-nis-ta de um Ma-nuel Ban-dei-ra. da-mos uma amos-tra nes-ta An-to-lo-gia. Ho-mo-ima-gens.Integra o pro-je-to “A Voz do Poe-ta” que con-sis-te na gra-va-ção de um Cd in-di-vi-dual on-de se re-gis-tra a lei-tu-ra pes-soal de seus poe-mas. pelo me-nos na sua ci-da-de na-tal.” A POESIA MINEIRA NO SÉCULO XX – ORGANIZAÇÃO E NOTAS ASSIS BRASIL – Coleção Poesia Brasileira – Imago Rio de Janeiro 1998 – Brasil Para corresponder com Eric Ponty: ericponty@intermega. os li-vros de poe-sia iné-di-tos são vá-rios. pa-ra no ano se-guin-te lan-çar Li-vro so-bre tu-do.com __________________ Agosto 2000 Page 19 . em des-ta-que Me-lan-co-lia de uma tar-de de do-min-go e Inau-ta-gó-ni-co. É co-la-bo-ra-dor da Di-men-são Re-vis-ta In-ter-na-cio-nal de Poe-sia e da re-vis-ta Xilo e Orion – Re-vis-ta de Poe-sia do Mun-do de Lín-gua Por-tu-gue-sa. de 1996. “Com toda a sua a-ti-vi-da-de per-for-má-ti-ca e mul-ti-mí-dia. Eric Pon-ty e-lei-to mem-bro da Aca-de-mia de Le-tras de São João del-Rei. ca-dei-ra cu-jo pa-tro-no é o poe-ta Jo-sé Se-ve-ria-no de Re-sen-de. Eric Ponty se diz de-ve-dor dos mo-vi-men-tos poé-ti-cos das dé-ca-das de 60/70. e crí-ti-co As-sis Bra-sil e-di-ta-do pe-la Ima-go (RJ) em 1998 que já se en-con-tra es-go-ta-do.com. Eric Ponty es-tre-ou com li-vro de poe-sia. e mais Mu-ri-lo Men-des e Dan-te Mi-la-no.

ÍNDICE Page 20 .

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