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NeutroATerra_N5_1S2010_Digital[1]

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Nº5  1º semestre de 2010  ano 3  ISSN: 1647‐5496  

EUTRO À TERRA
Revista Técnico-Científica |Nº5| Junho de 2010 http://www.neutroaterra.blogspot.com

“A revista Neutro à Terra volta A novamente à vossa presença, com novos e interessantes artigos na área da Engenharia Electrotécnica em que nos propomos intervir. Nesta edição da revista merecem particular destaque os assuntos relacionados com as instalações eléctricas, a domótica, a utilização eficiente da energia eléctrica, particularmente no caso da força motriz, as telecomunicações e as energias renováveis.
Doutor Beleza Carvalho

Instalações Eléctricas Pág.7

Máquinas  Eléctricas Pág. 21

Telecomunicações Pág. 35

Segurança Pág. 41

Energias Renováveis Pág. 45

Domótica Pág.51

Eficiência Energética Pág. 63

Instituto Superior de Engenharia do Porto – Engenharia Electrotécnica – Área de Máquinas e Instalações Eléctricas

EDITORIAL Doutor José António Beleza Carvalho Instituto Superior de Engenharia do Porto ARTIGOS TÉCNICOS

E EUTRO À TER RRA
FICHA TÉCNICA

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Fases de Realização e Tipos de Projectos de Instalações Eléctricas Engº Henrique Jorge de Jesus Ribeiro da Silva Engº António Augusto Araújo Gomes Instituto Superior de Engenharia do Porto Técnicas de Manutenção em Linhas de Transmissão de Energia ç g Arlindo Francisco Hugo Sousa Doutora  Teresa Alexandra Ferreira Mourão Pinto Nogueira Instituto Superior de Engenharia do Porto Accionamentos Eficientes de Força Motriz. Nova Classificação Doutor José António Beleza Carvalho Engº Roque Filipe Mesquita Brandão Instituto Superior de Engenharia do Porto Detecção de Avarias em Motores Assíncronos de Indução Engº António Manuel Luzano de Quadros Flores Doutor José António Beleza Carvalho Instituto Superior de Engenharia do Porto Fibra Óptica: Novas Auto‐estradas das Telecomunicações Engº Sérgio Filipe Carvalho Ramos Engº Roque Filipe Mesquita Brandão Instituto Superior de Engenharia do Porto Sistemas de Controlo de Acesso Engº António Augusto Araújo Gomes Instituto Superior de Engenharia do Porto Dimensionamento de Centrais Fotovoltaícas para a Micro Produção Engº Roque Filipe Mesquita Brandão Instituto Superior de Engenharia do Porto A Criação de Valor no Binómio: “Casa Inteligente / Consumidor” Engº António Manuel Luzano de Quadros Flores Instituto Superior de Engenharia do Porto Optimização Energética em Novos Ascensores Engº José Jacinto Ferreira Engº Miguel Leichsenring Franco Schmitt ‐ Elevadores, Lda

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DIRECTOR: SUB‐DIRECTORES:

Doutor José António Beleza Carvalho Engº António Augusto Araújo Gomes Engº Roque Filipe Mesquita Brandão Engº Sérgio Filipe Carvalho Ramos Área de Máquinas e Instalações Eléctricas Departamento de Engenharia Electrotécnica Instituto Superior de Engenharia do Porto jbc@isep.ipp.pt ; aag@isep.ipp.pt ISSN: 1647‐5496 

PROPRIEDADE:

CONTACTOS: PUBLICAÇÃO SEMESTRAL: 

EDITORIAL

Caros leitores A revista “Neutro à Terra” volta novamente à vossa presença com novos e interessantes artigos na área da Engenharia Neutro Terra presença, Electrotécnica em que nos propomos intervir. Nesta edição da revista merecem particular destaque os assuntos relacionados com as instalações eléctricas, a domótica, a utilização eficiente da energia eléctrica, particularmente no caso da força motriz, as telecomunicações e as energias renováveis. A elaboração de um projecto de instalações eléctricas é uma actividade complexa e exigente, não só pela diversidade de áreas que estão envolvidas, mas também pelo número de intervenientes no mesmo. As Instruções para a Elaboração de Projectos de Obras, anexas à portaria no 701‐H/2008, de 29 de Julho, ao sistematizarem a sua abordagem introduziram no processo um mecanismo de regulação que constitui uma mais valia sensível para a actividade de projectista Nesta publicação apresenta se mais‐valia projectista. publicação, apresenta‐se um artigo que faz uma incursão nos aspectos das Instruções para a Elaboração, e revêem‐se alguns princípios formais da estruturação do projecto de licenciamento. Outro assunto de grande interesse apresentado nesta publicação tem a ver com a manutenção das linhas de transporte e distribuição de energia eléctrica. Indicadores como o tempo e número de intervenções para restabelecer as condições normais de funcionamento são reveladores da qualidade de serviço prestado por essas empresas que, no caso de incumprimento das regras estabelecidas no Regulamento da Qualidade de Serviço, podem implicar em elevados prejuízos. No artigo que é apresentado descreve se a aplicação de duas técnicas modernas na manutenção das linhas eléctricas que além de descreve‐se que, incrementarem a segurança e a fiabilidade do sistema eléctrico, garantem uma melhoria dos dados quantitativos fornecidos às equipas de manutenção. Nos últimos anos, muitos fabricantes de motores investiram fortemente na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos com o objectivo de colocarem no mercado motores mais eficientes. A União Europeia, através do organismo EU MEPS (European Minimum Energy Performance Standard) definiu um novo regime obrigatório para os níveis mínimos de eficiência dos motores eléctricos que sejam introduzidos no mercado europeu. O novo regime abrange motores de indução trifásica até 375 kW de velocidade simples Entrará em vigor em três fases a partir de meados de 2011 Nesta p bli a ão apresenta se um kW, elo idade simples. i or 2011. publicação, apresenta‐se m artigo que aborda a nova classificação que será adoptada para os equipamentos de força motriz. Outro importante assunto apresentado nesta publicação tem a ver com a automatização das instalações habitacionais ou domésticas. Neste sector, cada vez mais, são colocadas exigências em termos de conforto na utilização dos equipamentos eléctricos e uma utilização cada vez mais eficiente da energia eléctrica, impondo a necessidade de edifícios “inteligentes”. O artigo que é apresentado refere um estudo desenvolvido com o objectivo entender a criação de valor no binómio casa inteligente/consumidor, esperando contribuir para um novo equilíbrio procura/oferta de forma que uma casa inteligente fique acessível a mais l í l i lares portugueses. t Nesta publicação da revista “Neutro à Terra”, pode‐se ainda encontrar outros artigos relacionados com assuntos reconhecidamente importantes e actuais, como o dimensionamento de centrais fotovoltaicas para microprodução, um artigo sobre sistemas de controlo de acessos e um artigo sobre a importância da fibra óptica nas actuais infra‐estruturas de telecomunicações, quer em edifícios, quer nas urbanizações. Também o artigo sobre optimização energética em ascensores, iniciado na publicação anterior, tem aqui a sua continuação. Nesta publicação dá‐se também destaque à terceira edição das Jornadas Electrotécnicas de Máquinas e Instalações Eléctricas, que d decorreram nos di 29 e 30 d Ab il d 2010 no C t d C dias de Abril de Centro de Congressos d ISEP E t evento contou com a participação d do ISEP. Este t t ti i ã de diversas empresas ligadas às áreas das máquinas eléctricas, sistemas electromecânicos, energias renováveis, veículos eléctricos, segurança, domótica, luminotecnia e infra‐estruturas de telecomunicações. Foi organizado pelo Departamento de Engenharia Electrotécnica do ISEP, com os habituais colaboradores desta revista a terem um papel preponderante. Estando certo que esta edição da revista “Neutro à Terra” vai novamente satisfazer as expectativas dos nossos leitores, apresento os meus cordiais cumprimentos. Porto, Junho d 20 0 h de 2010 José António Beleza Carvalho

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EVENTOS

JORNADAS ELECTROTÉCNICAS DE MÁQUINAS E INSTALAÇÕES ELÉCTRICAS
O ISEP tem uma longa e positiva tradição na formação superior da Engenharia, constituindo uma marca de prestígio consolidada em Portugal e reconhecimento no âmbito internacional Com forte tradição na formação de engenheiros internacional. electrotécnicos, o Departamento de Engenharia Electrotécnica (DEE) contribui para o desenvolvimento da excelência técnica e científica, através da formação sólida de profissionais que actuam nesta área e na aposta numa forte ligação às indústrias e ao meio empresarial. No sentido de promover mais um fórum de contacto e motivado pelo sucesso obtido nos eventos anteriores, este ano o DEE repetiu as Jornadas Electrotécnicas de Máquinas e Instalações Eléctricas, na sua terceira edição. O evento ocorreu nos dias 29 e 30 de Abril de 2010 no Centro de Congressos do ISEP e contou com a participação de diversas empresas ligadas às áreas das máquinas eléctricas, sistemas electromecânicos, energias

renováveis, veículos eléctricos, segurança, domótica, luminotecnia e infra estruturas de telecomunicações infra‐estruturas telecomunicações. No primeiro dia do evento foram apresentadas as comunicações das empresas: Energaia, Adene, Vestas, TÜV Rheinland, Goosun, Efacec, Sew‐Eurodrive, EMEF, ABB, Schmitt–Elevadores, Anacom, Amisfera e a Televés. No segundo dia ocorreram as apresentações das empresas: Only, Schréder, Lutron, Batalhão de Sapadores Bombeiros, Síncrono, Bombeiros Síncrono Longo Plano Spectrolux OHM E Astratec Plano, Spectrolux, OHM‐E, Astratec, Efacec, Legrand, Schneider Electric, APMI e Casais Energia. Estiveram presentes personagens com um curriculum relevante na área da engenharia electrotécnica. O evento contou com a apresentação do Eng.º Vilela Pinto, que entre outras actividades diferenciadas na sociedade, é autor de bibliografia relevante e reconhecida na área das instalações eléctricas. Esteve também presente o Professor Doutor Borges Gouveia, eminente d G i i docente d U i da Universidade d A i reconhecido pelo seu trabalho na á id d de Aveiro, h id l b lh área d i da inovação e d energias ã das i renováveis. Maciel Barbosa (Ordem Engenheiros), António Augusto Sequeira Correia (ANET), Paulo Calau (Agência para a Energia), Nuno Francisco Costa (EFACEC) e Jorge Miranda (Autoridade Nacional de Comunicações) foram outros dos nossos oradores convidados.

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com oportunidade para apresentação das soluções inovadoras.isep. 5| .pt/~see/jornadas2010 Patrocinadores: Contamos convosco na quarta edição das Jornadas Electrotécnicas. alvo de um rápido desenvolvimento e de necessidade de constante inovação. investigadores e alunos. os dois dias do evento serviram para ajudar a compreender os últimos avanços tecnológicos. a 3ª edição das Jornadas Electrotécnicas proporcionou aos convidados a visita a uma vasta exposição e demonstração de equipamento.EVENTOS Para além das usuais comunicações. o DEE disponibiliza a informação apresentada no evento em: www. Com o objectivo de promover a divulgação de temas relacionados com as Máquinas e Instalações Eléctricas. inseridas nos coffee‐breaks. Através da apresentação de comunicações orais e a exposição de equipamentos. luminotecnia. professores. Deste modo. devidamente enquadrados na problemática actual das energias renováveis e a utilização racional de energia.dee. mas serviu igualmente para relembrar mais‐valias das parcerias académicas‐empresariais para o desenvolvimento de soluções inovadoras.ipp. foram discutidos assuntos relacionados com política energética. segurança e domótica. o evento proporcionou a troca de conhecimento e experiência de profissionais da engenharia electrotécnica como empresários. Em virtude do interesse desta temática. técnicos. sistemas electromecânicos. veículos eléctricos e infra‐estruturas de telecomunicações.

|6 . mais inovação.EVENTOS O que os profissionais procuram: mais conhecimento.

com discriminação das suas fases. de 16 de Dezembro (com as alterações subsequentes)‐ Estabelece o regime jurídico da urbanização e da edificação Portaria nº 454/2001. além do domínio técnico dos assuntos particulares que a esta digam respeito. necessária tanto no faseamento da sua concepção como na elaboração processual dos seus documentos.º 31/83 de 18 de Abril. aprovado pelo Decreto‐Lei n. a transposição dos seus princípios para aquele tipo de obras representa uma mais‐valia significativa para o projectista e para a consequente melhoria do projecto electrotécnico. de 2 Março ‐ Estabelece o regime do contrato administrativo de empreitada de obras públicas.ARTIGO TÉCNICO Henrique Jorge de Jesus Ribeiro da Silva.º 26852 de 30 de Julho de 1936 ‐ Decreto‐Lei nº 229/2006. de 5 de Maio ‐ Aprova o novo contrato‐tipo de concessão de distribuição de energia eléctrica em baixa tensão Portaria nº 1110/2001. de 5 de Junho ‐ Dá nova redacção a alguns artigos do Regulamento de Licenças para Instalações Eléctricas. sistematização na sua abordagem e programação.º 26 852 de 30 de Julho de 1936.º do Decreto‐Lei n. de 18 de Abril ‐ Aprova o Estatuto do Técnico Responsável por Instalações Eléctricas de Serviço Particular Portaria nº 344/89. Este artigo faz uma ligeira incursão nos aspectos das Instruções para a Elaboração e revêem‐se alguns princípios formais da estruturação do projecto de licenciamento. visando uma concepção de mais elevada qualidade do mesmo. pelas regras das obras públicas. de licenciamento e de autorização referentes a todos os tipos de operações urbanísticas ‐ Decreto‐Lei nº 26 852. através do seu anexo I ‐ Instruções para a Elaboração de Projectos de Obras ‐ representa um salto qualitativo significativo no processo de realização do projecto. de 28 de Novembro ‐ Regula a instalação e o funcionamento dos recintos de espectáculos e divertimentos públicos e estabelece o regime jurídico dos espectáculos de natureza artística Decreto‐Lei nº 59/99. Embora a portaria se destine expressamente a projectos de obras públicas e uma vez que a caracterização das obras particulares se rege. de 17 de Fevereiro ‐ Actualiza a relação das disposições legais e regulamentares a observar pelos técnicos responsáveis dos projectos de obras e a sua execução ‐ Decreto‐Lei nº 446/76. de 6 de Janeiro ‐ Aprova a orgânica das direcções regionais da economia ‐ Portaria nº 401/76. ‐ ‐ ‐ ‐ ‐ ‐ ‐ ‐ instalações eléctricas de serviço particular Decreto Regulamentar nº 31/83.º 5/2004. seus conteúdos e objectivos. Decreto‐Lei nº 555/99.º 24/80 de 9 de Janeiro Decreto‐Lei nº 272/92. de 30 de Julho de 1936 – Aprova o Regulamento de Licenças para Instalações Eléctricas ‐ Decreto‐Lei n.º e 20. de 19 de Setembro ‐ Determina quais os elementos que devem instruir os pedidos de 2 LEGISLAÇÃO APLICÁVEL informação prévia. ao definir a metodologia a seguir na sua elaboração. e derroga 7| . de 13 de Maio ‐ Altera os artigos 19. de 31 de Outubro ‐ Estabelece normas a observar na elaboração dos projectos das A realização do projecto eléctrico de uma instalação requer. Neste sentido a publicação da portaria nº 701‐H/2008. de 24 de Novembro ‐ Altera o Decreto Regulamentar n. Revoga a Portaria n. de 6 de Julho ‐ Estabelece as normas a que deverão obedecer os projectos destinados a instruírem os pedidos de licença de instalações eléctricas de serviço público ‐ Portaria nº 193/2005. António  Augusto Araújo Gomes Instituto Superior de Engenharia do Porto FASES DE REALIZAÇÃO E TIPOS DE PROJECTOS DE INSTALAÇÕES ELÉCTRICAS 1 INTRODUÇÃO ‐ Decreto‐Lei nº 517/80. de 29 de Julho. que aprova o Estatuto do Técnico Responsável por Instalações Eléctricas de Serviço Particular. de um modo geral. de 3 de Dezembro ‐ Estabelece normas relativas às associações inspectoras de instalações eléctricas Decreto‐Lei nº 315/95.

e revoga a Portaria n. de compreendendo. a partir do estudo prévio ou do anteprojecto aprovado pelo Dono da Obra. quer de serviço público quer de serviço particular.os 26 852. às disposições do Decreto‐Lei n. Projecto de execução ‐ o documento elaborado pelo Projectista. de 31 de Outubro.º do Decreto‐Lei n. de 4 de Setembro ‐ Procede à sexta alteração ao Decreto ‐Lei n.º 1110/2001 de 19 de Setembro ‐ Portaria nº 701‐H/2008. e a classificação de obras por categorias ‐ Dono da Obra – pessoa colectiva ou individual que promove o projecto ou obra Os donos de obra podem classificar‐se em dois tipos: donos de obra pública e de obra particular Os donos de obra pública são as entidades que se encontram sujeitas ao Regime Jurídico de Obras Públicas. 517/80. de 16 de Dezembro.º 3 do artigo 3. de 3 de Dezembro ‐ Lei nº 60/2007. escritos ou desenhados que caracterizam as diferentes partes de um projecto ‐ Programa base ‐ o documento elaborado pelo Projectista a partir do programa preliminar resultando da particularização deste. nas operações de licenciamento de urbanizações e de edificações. de licenciamento e de autorização referentes a todos os tipos de operações urbanísticas. ‐ ‐ objectivos. depois da aprovação do programa base. bem como os procedimentos e normas a adoptar na elaboração e faseamento de projectos de obras públicas.º 3.ARTIGO TÉCNICO parcialmente o disposto na alínea e) do n. e 272/92. designados «Instruções para a elaboração de projectos de obras». de 2 de Março. pois nesta fase o projectista prepara as peças escritas e as peças desenhadas para entregar o projecto para aprovação).º 555/99. de 2 de Abril ‐ Simplifica o licenciamento de instalações eléctricas. visando a verificação da viabilidade da obra e do estudo de soluções alternativas. o qual. características orgânicas e funcionais e condicionamentos financeiros da obra. de 29 de Janeiro ‐ Aprova o Código dos Contratos Públicos. destinado a estabelecer. que estabelece o regime jurídico da urbanização e edificação ‐ Decreto‐Lei nº 18/2008. destinado a facultar todos |8 . de 29 de Julho ‐ Aprova o conteúdo obrigatório do programa e do projecto de execução. em definitivo. de 11 de Março ‐ Determina quais os elementos que devem instruir os pedidos de informação prévia. essencialmente no que respeita à concepção geral da obra ‐ Peças do projecto ‐ os documentos.º 59/99. (Ao Projecto Base também se dá o nome de Projecto de Licenciamento. alterando os Decretos‐Lei n. designadamente. Alguns donos de obra pública encontram‐se sujeitos ao Regime de Licenciamento Urbano (Decreto‐ Lei n. correspondente ao desenvolvimento do Estudo prévio aprovado pelo Dono da Obra.º 555/99 de 16 de Dezembro) Os donos de obra particular encontram‐se sujeitos. estética e construtiva de o uma obra. conforme define o art. de 6 de Janeiro ‐ Decreto‐Lei nº 101/2007. projecto arquitectura e projectos de engenharia.º 5/2004. as bases a que deve obedecer a continuação do estudo sob a forma de Projecto de execução.º 555/99 de 16 de Dezembro ‐ Estudo prévio ‐ o documento elaborado pelo Projectista. de 30 de Julho de 1936. visando a opção pela solução que melhor se ajuste ao programa. que estabelece a disciplina aplicável à contratação pública e o regime substantivo dos contratos públicos que revistam a natureza de contrato administrativo ‐ Portaria nº 232/2008. serve de base ao desenvolvimento das fases ulteriores do projecto 3 DEFINIÇÕES ‐ Programa preliminar ‐ o documento fornecido pelo Dono da Obra ao Projectista para definição dos ‐ Anteprojecto ou Projecto Base ‐ o documento a elaborar pelo Projectista. bem como dos respectivos custos e prazos de execução a observar Projecto ‐ o conjunto de documentos escritos e desenhados que definem e caracterizam a concepção funcional. depois de aprovado pelo Dono da Obra.º do Decreto‐Lei n.

9| . redes de infra‐estruturas ou de qualquer outra natureza que interessem à elaboração do projecto. indicações relativas ao financiamento do empreendimento. os seguintes elementos. a escalas convenientes. geotécnicos. de custos e de prazos. c) Peças escritas e desenhadas e outros elementos informativos necessários para o perfeito esclarecimento do Programa Base. O Programa preliminar contém. climáticos. quando aplicável. exploração e conservação da obra. com base nas indicações expressas no programa preliminar. culminando na elaboração do Projecto de Licenciamento e no de Execução. integrando as rectificações e alterações introduzidas no decurso da obra e que traduzem o que foi efectivamente construído e) Dados básicos relativos às exigências de comportamento.ARTIGO TÉCNICO os elementos necessários à definição rigorosa dos trabalhos a executar Telas finais ‐ o conjunto de desenhos finais do projecto. A realização do Projecto deve seguir um cronograma específico. ensaios. ‐ Programa Base O Programa base é apresentado de forma a proporcionar ao Dono da Obra a compreensão clara das soluções propostas pelo Projectista. geológicos. incluindo: a) Esquema da obra e programação das diversas operações a realizar. caracterizado pela definição de etapas sucessivas. de pormenorização crescente e tendente à fixação definitiva das soluções. hidrológicos. tendo em atenção as disposições regulamentares. em número dependente da importância e complexidade da obra. incluindo as que porventura se justifiquem para definir as alternativas de solução propostas pelo Projectista e avaliar a sua viabilidade. funcionamento. c) Dados sobre a localização do empreendimento. eventualmente. quer para a elaboração do projecto. quer para a execução da obra. cartográficos e geotécnicos. d) Estimativa geral do custo da obra. podendo alguns destes ser dispensados consoante a obra a projectar: a) Objectivos da obra. g) Indicação geral dos prazos para a elaboração do projecto 4 FASES DO PROJECTO e para a execução da obra. características da componente acústica do ambiente. f) Estimativa de custo e respectivo limite dos desvios e. maquetes. no todo ou em qualquer das suas partes. Como características que estas fases devem conter. além de elementos específicos constantes da legislação e regulamentação aplicável. tomando em conta os encargos mais significativos com a sua realização e análise comparativa dos custos de manutenção e consumos da obra nas soluções propostas. Estas fornecidas pelo Dono da Obra ao Projectista e traduzidas no Programa Preliminar. levantamento das construções existentes e das redes de infra‐estruturas locais. incluem‐ se as seguintes: ‐ Programa preliminar e) Informação sobre a necessidade de obtenção de elementos topográficos. em função das condições de espaço. Estas fases podem ser enumeradas do modo seguinte de acordo com a portaria citada: ‐ ‐ ‐ Programa Base Estudo Prévio Anteprojecto Licenciamento) ‐ Projecto de Execução seguem‐se cronologicamente às especificações (Projecto Base ou Projecto de b) Definição dos critérios gerais de dimensionamento das diferentes partes constitutivas da obra. b) Características gerais da obra. d) Elementos topográficos. técnicas. bem como sobre a realização de estudos em modelos. coberto vegetal. características ambientais e outros eventualmente disponíveis. trabalhos de investigação e quaisquer outras actividades ou formalidades que podem ser exigidas.

alçados. c) Estimativa de custo actualizada. 2‐ Se outras condições não forem fixadas no contrato. as seguintes peças: a) Memória descritiva e justificativa. indicação das características dos materiais. e) Identificação de locais técnicos. bem como mapa de espaços técnicos verticais e horizontais para instalação de 1‐ O Estudo prévio desenvolve as soluções aprovadas no Programa Base. incluindo capítulos especialmente ou Projecto base (Projecto para equipamentos terminais e redes. funcional e estética da obra. ‐ ‐ Anteprojecto Licenciamento) 1‐ O Anteprojecto. b) Elementos gráficos elucidativos sob a forma de plantas. e sem prejuízo dos elementos constantes da regulamentação aplicável. sendo constituído por peças escritas e desenhadas e outros elementos de natureza informativa que permitam a conveniente definição e dimensionamento da obra. c) Dimensionamento aproximado e características principais dos elementos fundamentais da obra. Projecto de execução 1‐ O Projecto de execução desenvolve o Projecto base aprovado. d) Estimativa do custo da obra e do seu prazo de execução. sendo constituído por peças escritas e desenhadas e por outros elementos informativos. bem como o esclarecimento do modo da sua execução. o Projecto de execução inclui. incluindo a disposição e descrição geral da obra. o Estudo prévio contém. descrição genérica da solução adoptada com vista à satisfação das disposições legais e regulamentares em vigor. b) Avaliação das quantidades de trabalho a realizar por grandes itens e respectivos mapas. o anteprojecto deve conter. sistemas e equipamentos. ou Projecto base. dos sistemas e dos processos de construção previstos para a sua execução e das características |10 . f) Os elementos de estudo que serviram de base às opções tomadas. obedecendo ao disposto na legislação e regulamentação aplicável. sendo constituído por um conjunto coordenado das informações escritas e desenhadas de fácil e inequívoca interpretação por parte das entidades intervenientes na execução da obra. centrais interiores e exteriores. g) Programa geral dos trabalhos. elementos de construção. dos destinados a cada um dos objectivos especificados para o anteprojecto. além de outros elementos constantes de regulamentação aplicável. d) Peças desenhadas a escalas convenientes e outros elementos gráficos que explicitem a localização da obra. evidenciando quando aplicável a justificação da implantação da obra e da sua integração nos condicionamentos locais existentes ou planeados. 2‐ Se outras condições não forem fixadas no contrato.ARTIGO TÉCNICO ‐ Estudo Prévio técnicas e funcionais dos materiais. desenvolve a solução do Estudo prévio aprovado. perfis. incluindo capítulos respeitantes a cada um dos objectivos relevantes do estudo prévio. de modo a possibilitar ao Dono da Obra a fácil apreciação das soluções propostas pelo Projectista e o seu confronto com os elementos constantes naquele. para além dos elementos constantes da regulamentação aplicável os seguintes: a) Memórias descritivas e justificativas da solução adoptada. a planimetria e a altimetria das suas diferentes partes componentes e o seu dimensionamento bem como os esquemas de princípio detalhados para cada uma das Instalações Técnicas. de preferência constituindo anexos ou volumes individualizados identificados nas memórias. em escala apropriada. onde figuram designadamente descrições da solução orgânica. 2‐ Se outras condições não forem fixadas no contrato. esquemas de princípio e outros elementos. cortes. para cada uma das soluções alternativas apresentadas à aprovação do Dono da Obra. os elementos seguintes: a) Memória descritiva e justificativa. garantindo a sua compatibilidade.

11| . pelo menos. do Estudo Prévio passar‐se‐á directamente para o Projecto de Execução. praças de touros. dando a indicação da natureza e da quantidade dos trabalhos necessários para a execução da obra. discotecas. teremos indispensáveis e a representação de todos os pormenores necessários à perfeita compreensão. casinos. autódromos e outros recintos de diversão. ventilação e ar condicionado (AVAC) Instalações. os seguintes: ‐ Programa Preliminar a) Identificação de aspectos específicos do edifício ou zonas do edifício. cinemas. circos. de 2 de Abril. equipamentos e redes associadas às Instalações Técnicas. incluindo‐se. Caso a instalação não careça de projecto. 3) Instalações eléctricas de serviço particular do tipo C situadas em recintos públicos ou privados destinados a espectáculos ou outras diversões. casas de jogo. como elementos especiais das diversas fases. teatros. do caderno de encargos. Equipamentos e Sistemas em Edifícios Instalações. Para cada tipo de instalação enunciada se procede à pormenorização dos objectivos a alcançar em cada uma das fases do projecto cuja satisfação será levada à consideração O anexo I do Decreto‐Lei nº 517/80. b) Cálculos relativos às diferentes partes da obra apresentados de modo a definirem. Equipamentos e Sistemas de Aquecimento. do Dono da Obra para aprovação. d) Condicionamentos a nível de manutenção. de 31 de Outubro. em termos de energia eléctrica. e) Peças desenhadas de acordo com o estabelecido para cada tipo de obra na regulamentação aplicável. 6) Instalações eléctricas de serviço particular do tipo C cuja potência a alimentar pela rede seja superior a 50 kVA. disponibilidade. lista as instalações eléctricas que carecem de projecto: 1) Instalações eléctricas de serviço particular do tipo A. implantação e execução da obra. utilização. clubes. redundância e autonomia pretendidos. transporte e distribuição de Energia Eléctrica ‐ Redes de comunicações a projectar. dos sistemas. c) Medições e mapas de quantidade de trabalhos. gerais e especiais. 5) Instalações de parques de campismo e portos de recreio (marinas). Assim. teremos. campos de desporto. transformação. 2) Instalações eléctricas de serviço particular do tipo B. c) Identificação dos níveis de qualidade. associações recreativas ou desportivas. piscinas públicas. segurança e outros e ligações a redes ou sistemas exteriores.ARTIGO TÉCNICO elementos da construção. nomeadamente. Equipamentos e Sistemas de transporte de pessoas e cargas ‐ ‐ Sistemas de Segurança Integrada Produção. 4) Instalações eléctricas estabelecidas em locais sujeitos a risco de explosão. na redacção actual do Decreto‐Lei nº 101/2007. Equipamentos e Sistemas de Comunicação em Edifícios Instalações. ambiente. f) Condições técnicas. exploração e expansão. d) Orçamento baseado nas quantidades e qualidades de trabalho constantes das medições. os elementos referidos na regulamentação aplicável a cada tipo de obra e a justificarem as soluções adoptadas. b) Condicionamentos à localização dos equipamentos e das instalações necessárias ao seu funcionamento. Exemplificando com a primeira das obras consideradas. devendo conter as indicações numéricas ‐ ‐ A pormenorização e alcance de cada fase variará de acordo com as características particulares associadas ao tipo de empreendimento sucessivamente: ‐ ‐ Instalações. 7) Redes particulares de distribuição de energia eléctrica em baixa tensão e respectivas instalações de iluminação exterior.

segurança e outras. c) Esquemas de princípio das instalações e da sua interligação espacial e funcional. quando não definida em regulamento aplicável. com a indicação esquemática da concepção dos sistemas e redes que integram as instalações e equipamentos e da sua interligação espacial e funcional. em escalas apropriadas. de segurança e outros. e) Dimensionamentos dos equipamentos e redes principais das instalações. ‐ Estudo Prévio gráfica geral das instalações e h) Verificação do cumprimento das regulamentações técnicas aplicáveis. com indicação da localização aproximada dos equipamentos. c) Discriminação e justificação das necessidades em termos de energia eléctrica. a escala apropriada. b) Cortes. em escala apropriada. quando não definida em regulamento aplicável. de funcionamento e utilização das instalações e equipamentos e da sua eventual expansão. |12 . tendo em atenção o Anteprojecto aprovado e as disposições legais em vigor. a escalas apropriadas quando não definidas em a) Plantas. a escala apropriada. regulamento aplicável. consumo) e outras. sob a forma de plantas e outros elementos. especificando as condições de execução ou montagem e as características técnicas das instalações e equipamentos previstos. gerais e especiais. d) Interligações com outras especialidades e respectivas condições ou exigências. incluindo a análise prospectiva de desempenhos. Projecto de dos elementos indispensáveis à sua conveniente apreciação. e) Condições de ligação às redes de energia eléctrica (produção. quando não definida em regulamento aplicável. f) Enumeração dos principais artigos que constituem o mapa de quantidades de trabalho. b) Esquemas de princípio necessários à definição ‐ Projecto de Execução a) Memória descritiva e justificativa. f) Pormenores necessários à definição detalhada e boa execução das instalações e equipamentos projectados. bem como de produção e consumo de energia eléctrica que suportem a solução proposta. descrevendo e justificando as soluções projectadas. de forma a permitir a elaboração da estimativa do custo preliminar da obra. sempre que isso seja necessário à boa compreensão do projecto. a) Representação equipamentos em concordância com o desenvolvimento das outras especialidades e com a definição das condições regulamentares de segurança. das instalações e equipamentos a) Identificação das diferentes instalações e equipamentos a considerar e suas configurações gerais justificadas a partir dos condicionamentos e imposições do Programa Preliminar. d) Pré‐dimensionamento dos equipamentos e das redes principais das instalações. dividido nos principais capítulos constituintes das instalações e equipamentos. ‐ Anteprojecto Licenciamento) (Projecto Base. c) Caracterização genérica das instalações e equipamentos principais.ARTIGO TÉCNICO ‐ Programa Base d) Caracterização principais. e) Alçados e cortes dos edifícios ou partes dos edifícios. esquemas e diagramas. c) Planta geral dos locais servidos pelas instalações e equipamentos. d) Plantas em escala apropriada. sempre que isso seja necessário à boa compreensão da solução proposta. b) Bases de dimensionamento consideradas para as diferentes instalações e equipamentos. com o traçado e constituição das redes e localização dos equipamentos. contendo os elementos de referência e de orientação necessários à fácil localização das instalações e equipamentos. b) Condições técnicas. g) Justificação dos níveis de conforto luminotécnico. onde se indiquem os traçados das redes principais das diversas instalações.

elaboração das peças de alteração do projecto necessárias à respectiva correcção e à integral e correcta caracterização dos trabalhos a executar no âmbito da referida correcção. sobre problemas relativos à interpretação das peças escritas e desenhadas do projecto. a Assistência técnica do Projectista ao Dono da Obra compreende as actividades seguintes: a) Esclarecimento de dúvidas relativas ao projecto durante a preparação do processo do concurso para adjudicação da empreitada ou fornecimento. 9º. b) Apreciação de documentos de ordem técnica apresentados pelo empreiteiro ou Dono da Obra. j) Orçamento de projecto da obra. como por ex. de acordo com as informações fornecidas pelo Dono da Obra. um prédio de habitações e escritórios. ELABORAÇÃO DO PROJECTO DE LICENCIAMENTO O projecto de licenciamento é um documento técnico destinado a instruir um pedido de licença de estabelecimento de uma instalação eléctrica. de um projecto de arquitectura de uma obra que careça de licença municipal de construção. incluindo. solicitados por candidatos a concorrentes. e até à adjudicação da obra.º 60/2007. bem como 1 As obras que não carecem de concessão de licença administrativa. c) Proceder. à Além das fases enunciadas. de 4/06 e Lei n.ARTIGO TÉCNICO g) Esquemas de princípio das instalações e da sua interligação espacial e funcional. de 05/06 e DL nº 101/2007. constituído este por uma parte textual e uma outra de desenhos. sob a forma escrita e exclusivamente por intermédio do Dono da Obra.º 177/2001. concluída a execução da obra. Regime Jurídico da Urbanização e Edificação. constante do caderno de encargos. 27º e 28º do DL nº 26 852. há uma outra não menos importante que é a Assistência Técnica. incluindo a apreciação de compatibilidade com o projecto de execução. Esta é requerida antes e durante a execução da obra: 1‐ Na fase do procedimento de formação do contrato. por ex. De todos os modos é um documento apresentado a aprovação. quando necessárias à sua perfeita compreensão. uma linha aérea de alta tensão com mais de 1000 m de extensão. a assistência técnica compreende: a) Esclarecimento de dúvidas de interpretação de informações complementares relativas a ambiguidades ou omissões do projecto. 2‐ Durante a execução da obra. de 04/09 2 As instalações eléctricas que não carecem de licença de estabelecimento são as referidas nos arts. de 30 de Julho de 1936. h) Dimensionamento das instalações e dos equipamentos. elucidativa. A estrutura básica do projecto é composta de uma parte preliminar e de um corpo. de variantes ou alterações que sejam apresentadas. são as referidas no DL nº 555. prestada e solicitada pelo Projectista ao Dono da Obra. ou a fazer parte. art. verificando a conformidade das mesmas com o projecto de execução e das eventuais alterações nele introduzidas. na qualidade de projecto de engenharia de especialidade. O projecto pode ainda ser de obra que não careça de licença municipal1 ou de estabelecimento2 . b) Prestação de informações e esclarecimentos 5 elaboração das Telas Finais a ela respeitantes. de 02/04 13| . passada pela Câmara Municipal respectiva. com as alterações introduzidas pelos DL nº 446/76. 6º. quando apropriado. Daí a sua constituição ser objecto de legislação específica pois tratando‐se de um documento a ser sujeito a apreciação técnica e à análise da observância do disposto nos Regulamentos de Segurança aplicáveis a sua forma necessita ser adequada à transmissão da informação requerida e organizada de tal maneira que a consulta seja fácil. a sua compatibilidade com o projecto. tanto quanto possível exaustiva e inequívoca. divididos nos diversos capítulos constituintes da obra. i) Medições e mapas de quantidade de trabalhos. c) Prestação do apoio ao Dono da Obra na apreciação e comparação das condições da qualidade das soluções técnicas das propostas de molde a permitir a sua correcta ponderação por aquele. com as alterações introduzidas pelo DL n. incluindo os cálculos necessários para o efeito.

alçados. ao sistematizarem a sua abordagem introduziram no processo um mecanismo de regulação que constitui uma mais‐valia sensível para a actividade de projectista. plantas. dominar o estado da arte no âmbito das Instalações Eléctricas. obrigações. Especiais ‐ Definição de modo exaustivo e tão completo quanto possível de todos os componentes da instalação e ‐ Corpo do Projecto dos trabalhos relativos à sua implantação. formaliza à entidade fornecedora. diagramas. das quantidades dos materiais a empregar e dos trabalhos a realizar e atribuição dos valores correspondentes à instalação de cada unidade de material e execução de cada espécie de trabalho. p g contemplando o fornecimento e montagem de todos os materiais e equipamentos eléctricos. o Adjudicatário. seguros. incumprimentos e penalidades. por si só. cessões.ARTIGO TÉCNICO À parte textual dá‐se o nome de Peças Escritas e ao conjunto de desenhos. Como partes em que o projecto se divide podemos considerar as seguintes: ‐ ‐ ‐ ‐ Memória descritiva e justificativa Caderno de encargos Medições e orçamento Peças desenhadas ‐ Medições e Orçamento Determinação. o Adjudicante. No entanto. prazos. uma garantia de qualidade. |14 . outras representações gráficas o de Peças Desenhadas. Condições Técnicas: Gerais ‐ Referência ao objecto e extensão da empreitada. uma vez que o técnico Condições Jurídicas e Administrativas ‐ Condições que a entidade compradora. o preceituado nos Regulamentos de Segurança. importância. estabelecimento e localização da instalação. e às condições que devem reger as tarefas a realizar no que diz respeito à As Instruções para a Elaboração de Projectos de Obras. pelo menos ao seu nível mais pormenorizado. função e características das instalações e do equipamento. garantias. assim como a diminuição dos custos de execução e exploração das mesmas. cortes. com o rigor possível. como também. a forma final a dar ao Projecto de Licenciamento ‐ Caderno de Encargos (CE) não necessita ter todos estes componentes. condições de pagamento. perfis. facturação e tem de ter a consciência de que o exercício da sua profissão o obriga não só a cumprir a lei. de 29 de Julho. relativa a aspectos tais como cauções. segurança e funcionalidade das instalações. deve conferir. ‐ ‐ Memória Descritiva e Justificativa A memória d ó i descritiva e j tifi ti d projecto d iti justificativa do j t deve conter t todos os elementos e esclarecimentos necessários para darem uma ideia perfeita da natureza. anexas à portaria nº 701‐H/2008. Peças Desenhadas Conjunto de esquemas eléctricos e outros desenhos relativos à obra em questão feitos a escalas convenientes e permitindo a perfeita compreensão dos pormenores.  CE   Condições Técnicas  Especiais E i i Gerais Condições Jurídicas e administrativas 6 CONCLUSÕES A existência de um projecto. observância dos regulamentos em vigor e às regras inerentes à boa técnica de execução dos diversos trabalhos. O projecto é uma actividade complexa e exigente pela diversidade das suas áreas e número de intervenientes no mesmo.

é a localização de falhas em linhas transmissão através do princípio das ondas viajantes. M. subestações primárias e de distribuição possuem controlo e monitorização com tecnologias avançadas. aplicada nos serviços de manutenção correctiva. são reveladores da qualidade de serviço prestado por essas empresas que. Hugo Miguel Sousa. Teresa Alexandra F. levar horas ou mesmo dias. Pinto Nogueira Instituto Superior de Engenharia do Porto TÉCNICAS DE MANUTENÇÃO EM LINHAS DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA RESUMO trabalhos de manutenção. além de incrementarem a segurança e a fiabilidade do sistema eléctrico. O sistema pode funcionar com a linha activa e efectua o 1 INTRODUÇÃO diagnóstico das condições de corrosão dos cabos condutores. Este trabalho apresenta e analisa os benefícios de duas técnicas modernas de manutenção em linhas de transmissão que vêm ao encontro das necessidades expostas. capaz de localizar defeitos fase‐terra e identificar as secções afectadas com grande precisão e rapidez. A aplicação de técnicas eficientes na actividade de manutenção das linhas. com aplicação nas actividades de manutenção preventiva. e geralmente não possuem a precisão adequada para as equipas de campo. define a qualidade de serviço prestado pelas empresas. trazendo assim informação preciosa para os serviços de manutenção correctiva. Enquanto as centrais de produção. Assim sendo. permitindo desta A segurança e fiabilidade do sistema eléctrico estão fortemente relacionadas com o bom funcionamento das linhas de transmissão. A primeira técnica descrita. informações quantitativas relevantes para a execução dos 15| . é imprescindível o desenvolvimento de soluções que melhorem os dados quantitativos fornecidos às equipas de manutenção. Trata‐se de uma configuração simples. surge um surto de corrente induzindo ondas 2. A disponibilidade de informação apropriada ao pessoal técnico torna‐se essencial e contribui para uma maior eficácia dos serviços de manutenção. Os dados fornecidos por oscilógrafos dependem de complexas análises que podem A manutenção das linhas de transporte e distribuição de energia eléctrica é um serviço fundamental prestado pelas empresas de transporte e distribuição. tanto ao nível da manutenção correctiva como na manutenção preventiva. tanto correctiva como preventiva. A segunda tecnologia apresentada é a detecção de corrosão nos condutores em linhas de transmissão aéreas. e dificilmente fornecem Na ocorrência duma falha numa linha de transmissão radial. electromagnéticas que se propagam nas três fases por toda extensão da linha. podem implicar em elevados prejuízos. a protecção principal e as informações para manutenção das linhas de transmissão são baseadas nos dados fornecidos por relés ou oscilógrafos. Esta técnica tem uma aplicação intensiva em ambientes agressivos como zonas litorais ou com incidência de chuva ácida (zonas industriais). garantem uma melhoria dos dados quantitativos fornecidos às equipas de manutenção . os relés apenas fornecem informações qualitativas. para a melhoria da segurança e o aumento da fiabilidade do sistema eléctrico. Este trabalho descreve a aplicação de duas técnicas modernas na manutenção das linhas eléctricas que. no caso de incumprimento das regras estabelecidas no Regulamento da Qualidade de Serviço. como sistemas computadorizados e SCADA (Supervisory Control And Data Acquisition).ARTIGO TÉCNICO Arlindo Francisco. Apesar de estes dispositivos serem extremamente fiáveis e eficientes no âmbito da protecção. incluindo as partes internas.1 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO 2 LOCALIZADOR DE DEFEITOS POR ONDAS VIAJANTES forma que as equipas de manutenção actuem preventivamente evitando acidentes e a interrupção do fornecimento de energia. Indicadores como o tempo e número de intervenções para restabelecer as condições normais de funcionamento.

Funcionalidades principais: detecção de incêndio. De facto. Anywere”. através de uma antena Um localizador de defeitos por ondas viajantes basicamente é composto por um ou mais pares de estações locais. Este princípio está representado na figura 1. através do cálculo do valor de X: Figura 2 – Visão geral de um localizador de defeitos por ondas  viajantes Pela análise da equação (1). “Anything. conforme mostra a fig. Além disso. fuga de água ou gás. e antecipando as acções a tomar (“the aware home”). são valores conhecidos. físicas ou mentais do ser humano. concluímos que a precisão da medida de tempo está directamente relacionada com a localização exacta da falha. e receptor GPS. conforto. Anytime. Assim. Por isso. Medindo a diferença de tempo entre a chegada das ondas aos pontos A (início da linha) e B (final da linha) é possível calcular a localização exacta da falha. comandos e controlo remotos. os sistemas de localização de defeitos por ondas viajantes utilizam as informações de tempo dos satélites do GPS para manter a (1) precisão necessária dos seus contadores e sincronizar os relógios das estações locais. mesmo em linhas com compensação série. intrusão. há problemas com a conceptualização da “casa inteligente”! Parece haver pouca concordância sobre como uma casa inteligente deve ser e sobre que tecnologias ela deve incorporar. 2.2 LOCALIZAÇÃO POR SISTEMA GPS defeitos por ondas viajantes recebe dados dos satélites para a sincronização dos seus contadores.ARTIGO TÉCNICO A localização do ponto de defeito consiste em detectar a diferença de tempo que essas ondas viajantes levam para chegar aos seus extremos. gestão de energia e comunicações. |16 . As capacidades da domótica podem ser um auxiliar precioso para contornar as dificuldades temporárias ou permanentes. Ao utilizar o GPS é possível manter uma contagem de tempo de alta definição com imprecisão menor que 1μs. estes sistemas permitem facilitar as tarefas a idosos que assim vêem minimizados algumas limitações a que estão expostos. sensores de campo magnético e antenas GPS (Global Positioning System) ligados entre si e com a estação principal. b) AS FUNÇÕES DA CASA INTELIGENTE Actualmente as habitações podem estar equipadas com a) TIPOS DE CASAS INTELIGENTES sistemas que associam diversas funcionalidades nas áreas de segurança. permitindo uma localização de defeitos com incerteza menor que 300 metros. avisos. Figura 1 – Principio das ondas viajantes O comprimento da linha L e a velocidade de propagação do surto v fazem parte dos aspectos construtivos da linha. cada estação local de um sistema localizador de 2.

Numa situação em que o cabo se encontre em estado de O funcionamento do detector de corrosão em cabos condutores é relativamente simples. que segundo a Lei de Lenz gera um campo magnético que se opõe ao efeito do campo aplicado. O movimento relativo causa uma corrente de circulação no condutor. armazena‐se o valor dos contadores e envia‐se um sinal de informação para a estação principal. o circuito mostrado na figura 3 é montando sobre um carrinho de linha activa. a estação principal indica a distância e o ponto de referência mais próximo do defeito. As correntes de Foucault são um fenómeno eléctrico que ocorre quando um campo magnético variável intercepta um material condutor fixo ou vice‐versa. na bobine Z é colocada uma amostra do cabo original funcionando esta como referência. Através de uma recta ajustada de forma empírica. Para isso. Para tal é incorporada uma câmara com sensor CCD (charged coupled device) que faz o registo da imagem para que seja avaliada pelo conjunto dos dados guardados no sistema. a qual depende apenas do material usado (aço ou alumínio).ARTIGO TÉCNICO Também na estação local. menor será a corrente Foucault e maior será a tensão de 3. menor será sua condutividade. mais forte for o campo magnético aplicado ou mais rápido for o movimento relativo. baseando‐se no princípio das correntes de Foucault e numa ponte de indutâncias.1 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO desbalanceamento nos terminais da ponte de indutâncias. Este software de análise também deve ter em consideração as deformações da onda de surto durante a sua propagação para melhorar a precisão do cálculo. Conforme mostra o esquema da figura 3. obtém‐se a percentagem remanescente da secção original do cabo. 3. Quanto maior for a condutividade do condutor. que induz um campo magnético oposto ao aplicado e que pode ser medido utilizando uma bobina activa Z’. um processador de sinais recebe as informações dos sensores de campo magnético instalados nas fases. ao aplicar um campo magnético paralelo ao condutor que possui uma velocidade v conhecida. As bobines Z e Z’ estão interligadas em forma de ponte de indutâncias como mostra a figura 3. maior será a corrente gerada e consequentemente maior o campo que se opõe. com os quais o software de análise fará o cálculo da distância. já que quanto pior o estado de corrosão do 3 DETECTOR DE CORROSÃO EM CABOS CONDUTORES mesmo. O procedimento de avaliação das condições do condutor é mostrado na figura 4. corrosão é ainda possível avaliar qual a tensão mecânica que o condutor pode suportar. é comum que se execute um processo de compensação dessa distorção que é baseado na correcção da forma de onda do surto recebida das estações locais. bem como a oscilografia da corrente de sequência zero da falha. a estação principal confirma o sinal de informação da estação local e armazena os dados do surto. que pode utilizar tanto auto propulsão como ser 17| . é gerada uma corrente de Foucault marginal ao condutor. Nesse momento. Consequentemente. Aos terminais da ponte surge uma tensão de Figura 3 – Princípio de funcionamento do detector de corrosão desbalanceamento cujo a magnitude dessa tensão é directamente proporcional à secção do cabo condutor avaliado. através da qual é possível identificar o tipo de defeito. No final do processo. Na ocorrência de uma falha.2 IMPLEMENTAÇÃO UTILIZANDO UM CARRINHO DE LINHA VIVA Para executar a inspecção da linha de transmissão. consegue‐se estimar também através de forma empírica a tensão mecânica máxima suportável pelo cabo. Com este dado definido.

inclusive. detectar separadamente a condição dos fios de alumínio e dos fios de aço que compõem o mesmo. que associado às gravações da câmara CCD. O peso do equipamento é de 50 kg e a velocidade aproximada de 10 m/min.ARTIGO TÉCNICO Além disso. sendo o ângulo máximo de catenária suportado de 20º. identifica as secções deslocado por um técnico devidamente treinado para o serviço em linha activa. críticas dos condutores. Na versão com auto‐propulsão. Os detalhes do sistema podem ser vistos na figura 5. Um exemplo deste relatório pode ser visto na figura 6. a câmara CCD é posicionada próxima da bobine activa para registar visualmente as condições do condutor. Figura 4 – Procedimento para estimar quantitativamente o estado  de corrosão de um condutor Após percorrer a linha. Para cabos ACSR é possível. o equipamento emite um relatório completo e referenciado com as condições do condutor. As bobines são implementadas através de acopladores indutivos do tipo bipartido que suportam bitolas entre 160 e 810 mm2. Figura 5 – Detalhes construtivos do sistema detector de corrosão Figura 6 – Informações fornecidas pelo sistema detector de corrosão  |18 . são adicionados 20 kg devido às baterias que conseguem realizar até 1000 m de inspecção sem recarregar.

Também permite que as equipas de manutenção 4. um maior tempo para a solução do problema concessionárias. Apesar de em Portugal não existir um estudo relacionado com as quebras de energia. gerando economia de tempo e recursos para as Além disso. o que a sociedade em geral perde quando há falta de energia. regiões montanhosas ou de selva. O resultado é imediato na área de manutenção. 4. reduzindo o tempo no deslocamento da equipa e na identificação do defeito. evita‐se um possível rompimento do condutor e como para as populações. Como as ondas viajantes são geradas sempre que há um transitório na linha. muitas vezes numa simples inspecção visual a partir do solo. para regiões mais industrializadas. torna‐se possível abordar o problema de forma preditiva. apenas recentemente. permitindo a identificação de fontes intermitentes. já que a energia não distribuída engloba duas parcelas: o lucro cessante. Além de auxiliar na localização dum ponto de defeito que causou o desligamento da linha. As aplicações no âmbito da manutenção correctiva do localizador de defeitos por ondas viajantes são imediatas. Essa informação mais precisa facilita o trabalho das equipas de campo. Através dos dados fornecidos pelo equipamento. Apesar de os seus princípios já serem conhecidos há muito tempo. que é o prejuízo da companhia pela energia não facturada e o custo social.1 MANUTENÇÃO CORRECTIVA tenham tempo hábil para se preparar e mobilizar recursos para resolver o problema da maneira mais eficiente possível. já que é possível identificar antes mesmo da saída das equipas para o campo o melhor local de acesso ao ponto de defeito. presença de vegetação ou excrementos de pássaros podem ser restritas a uma área delimitada e estudada detalhadamente em menor tempo. o defeito fica restrito a dois vãos na maior parte das linhas de transmissão existentes. principalmente em áreas sujeitas a alagamento. 5 CONCLUSÕES A localização de defeitos por ondas viajantes e a detecção de corrosão são duas técnicas que pretendem disponibilizar informações quantitativas às equipas de manutenção. 19| . Isso significa que a fonte do defeito pode ser localizada com maior rapidez. através do desenvolvimento de novos materiais e uso de sistemas modernos como o GPS. para regiões menos industrializadas. o sistema também pode identificar fontes de defeitos intermitentes. torna‐se relativamente fácil recalcular a carga máxima do sistema. Com uma incerteza menor que 300 metros. Isso traz benefícios directos tanto para as concessionárias O detector de corrosão em cabos condutores tem aplicação voltada para a manutenção preventiva.2 MANUTENÇÃO PREVENTIVA e a programação na realização dos serviços. de forma a realizar uma intervenção programada no sistema para a solução do problema. é possível obter informações valiosas sobre o estado de conservação dos cabos. ocorrências de difícil localização como defeitos fase‐terra causados por falhas em isoladores. foi possível desenvolver equipamentos que gerassem informações precisas sobre defeitos que ocorrem numa linha de transmissão. Ao realizar uma inspecção aos condutores. como secção de condutor remanescente e tensão mecânica suportável. Com uma configuração simples o sistema é capaz de localizar curto‐circuitos defeitos fase‐terra e identificar as secções afectadas com grande precisão e rapidez. e de 50 a 100 vezes. através da restrição temporária da corrente máxima da linha para valores abaixo do nominal. estudando soluções como substituição dos condutores por cabos resistentes à corrosão ou aplicação de produtos anti‐ corrosão em novos cabos do mesmo tipo. em países como o Brasil alguns estudos apontam que o custo social é da ordem de 35 a 50 vezes o preço médio do kWh facturado. ao identificar secções específicas da linha com alto índice de corrosão mas sem perigo de rompimento. já que uma localização precisa de defeitos traz uma maior eficácia.ARTIGO TÉCNICO 4 APLICAÇÕES NO ÂMBITO DA MANUTENÇÃO os enormes transtornos que uma ocorrência deste tipo pode trazer. Desta forma.

de forma a manter um sistema eléctrico seguro e confiável.pt [5] Esmo ‐ 95 Proceedings.ARTIGO TÉCNICO Por isso.uma. 1995. Anais do XVII SNPTEE ‐ Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Eléctrica [3] Relatório do Comitê Nacional Brasileiro nº B2 da CIGRÉ – Conference Internationale dês Grands Réseaux Electrique a Haute Tension. Março 2006 [2] Motta.. Bibliografia [1] Regulamento da Qualidade de Serviço. Outubro 2003 [4] REN – Rede Energética Nacional. S. embora os equipamentos tradicionais se demonstrem eficazes no âmbito da protecção. disponível em www. Impactos da Manutenção e dos Custos da não Confiabilidade de Equipamentos sobre as Receitas de Serviços de Transmissão de Energia Eléctrica.pt/sbudria/Blackout_project_Jan09. torna‐se necessária a aplicação de novas técnicas e equipamentos para disponibilizar informações quantitativas às equipas de manutenção.com |20 . October 29‐ November 3. International Conference on Transmission and Distribution Construction and Live Line Maintenance.ren. E. ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.pdf Imagem adaptada de: www. e Colosimo.siemens. The Seventh International Conference on Transmission and Distribution Construction and Live Line Maintenance. Ohio [6] Documento técnico elaborado pelo Departamento de Gestão e Economia da Universidade da Madeira publicado em: http://www. Belo Horizonte.

 Roque Filipe Mesquita Brandão Instituto Superior de Engenharia do Porto ACCIONAMENTOS EFICIENTES DE FORÇA‐MOTRIZ. A produção de energia mecânica. em primeiro lugar. IE3 (igual a Premium) – com utilização voluntária. muitos fabricantes de motores investiram fortemente na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos com o objectivo de colocarem no mercado motores mais eficientes. ou “elevada eficiência”. A directiva abrange os motores de 2. O acordo voluntário obtido em 1999 entre a CEMEP (Associação Europeia de Fabricantes de Motores Eléctricos) e a Comissão Europeia sobre o rendimento de motores de 2 e 4 pólos. que é conseguida à custa. robustez. Perdas magnéticas. duração. com efeitos a partir de meados de 2011. dando aos fabricantes de cerca de 2 anos para garantir que seus produtos cumprem a referida directiva. O rendimento (ou eficiência) é definido como sendo a razão entre a potência de saída (ao nível do veio de saída do accionamento) e a potência eléctrica absorvida à entrada. EFF2 – Motores de rendimento aumentado. Como qualquer máquina. pois. Este sector é. Perdas parasitas. quer por alteração das suas características dimensionais. que permitem economias energéticas A eficiência dos motores está associada a uma redução das suas perdas. Os sistemas de accionamentos têm que ser abordados como um todo. IE4 (ainda não aplicável a accionamentos assíncronos). particularmente o motor assíncrono de indução. pode‐se equipar o motor com um conversor electrónico de variação de velocidade. apresenta perdas. EFF3 – Motores sem qualquer requisito especial. consideráveis. na gama de potências de 0. Outra possibilidade é a utilização dos motores “ de perdas reduzidas”. da qual apenas metade é energia útil. são o tipo de máquina mais utilizada na indústria em virtude da sua grande versatilidade. através da utilização de motores eléctricos. gama de potências. quer da utilização de materiais construtivos de melhor qualidade e com melhores acabamentos. a compatibilidade ambiental.75 a 375 kW. responsável pela conversão de energia eléctrica em mecânica. IE2 (igual a EFF1) – com utilização obrigatória. baixa poluição. electromecânica de energia e podem ser divididas em quatro tipos: ‐ ‐ ‐ ‐ Perdas eléctricas. Quando o regime de funcionamento é muito variável para permitir este ajustamento. de “alto rendimento”. o motor eléctrico. facilidade de produção e custos de aquisição relativamente baixos. Estas perdas são devidas aos diversos elementos que estão presentes na conversão 2 CARACTERÍSTICAS DOS MOTORES DE ELEVADA EFICIÊNCIA No seguimento da directiva "Eco‐design Directive ‐ ‐ ‐ EFF1 – Motores de alto rendimento. um daqueles em que é preciso tentar fazer economias. NOVA CLASSIFICAÇÃO 1 INTRODUÇÃO Os motores foram classificados de acordo com o seu rendimento: Os motores eléctricos. foi revisto em 2004. os motores passam a ser classificados por: ‐ ‐ ‐ ‐ IE1 (igual a EFF2) – com utilização proibida.1 a 90 kW. Perdas mecânicas. 21| . O lote 11 da Directiva EUP (Energy Using Products) descreve as orientações de design. O êxito neste domínio depende. o impacte ambiental e o consumo de energia de máquinas / motores eléctricos rotativos de alto rendimento. absorve cerca de 60% da energia eléctrica consumida no sector industrial do nosso País. reduzida manutenção.ARTIGO TÉCNICO José António Beleza Carvalho. Neste âmbito. da melhor adequação da potência do motor à da máquina que ele acciona. já que a existência de um componente de baixo rendimento influencia drasticamente o rendimento global. (2005/32/CE) “ publicada em 2005 para Produtos que consomem energia (EUP). Nos últimos anos. 4 e 6 pólos. na gama de potências 1. a Comissão Europeia aprovou em Julho de 2009 um regulamento de aplicação dos requisitos de concepção ecológica para os motores eléctricos. prioritariamente.

Utilizam‐se chapas magnéticas de perdas mais reduzidas. As perdas mecânicas são provocadas pela rotação das peças móveis. compreendida entre 2 e 4. As perdas magnéticas ocorrem nas lâminas de ferro do estator e do rotor devido à histerese e às correntes de Foucault. reduzir as perdas no cobre e no ferro. e de preço da ordem de 20 a 25%. 1 – Resumo das alterações nos motores de elevada eficiência Alteração Efectuada Tratamento térmico do  rotor Uso de ferro laminado por  camada Melhoria do circuito  magnético Redução das bobines do  circuito indutor Melhor qualidade dos  Melhor qualidade dos rolamentos Maior quantidade de cobre Redução do entre‐ferro g Rotor mais largo Sistema de ventilação  melhorado Efeito produzido Redução da resistência Redução das perdas no ferro Redução das perdas no ferro Redução das perdas por efeito  de Joule Redução das perdas mecânicas Diminuição de perdas e do  calor gerado Diminuição das perdas  parasitas Reactância de fugas menor g Diminuição de ruídos e da  temperatura Figura 1 – Alterações nos motores para obter elevada eficiência [WEG] |22 . as densidades de corrente e. Contudo. entalhes especiais em certos casos e reformulou‐ se a parte mecânica. As melhorias típicas que são efectuadas a nível construtivo da máquina podem ser visualizadas na Figura 1 e são resumidas na seguinte tabela: Tab. os construtores aumentaram a massa de materiais activos (cobre e ferro) de forma a diminuir as induções. a melhoria da eficiência.5%. Daí resulta. e do cosφ. com especial incidência sobre a ventilação. um aumento de peso da ordem de 15%. distribuição de corrente não uniforme. As perdas parasitas são devidas a fugas e irregularidades de fluxo e. ventilação e atrito do ar. Para melhorar a eficiência dos motores eléctricos. também. assim.ARTIGO TÉCNICO As perdas eléctricas são provocadas pela resistência não nula dos condutores das bobines que ao serem percorridos pela corrente provocam perdas caloríficas. para idêntica dimensão. permite amortizar rapidamente este aumento de preço. para reduzir a potência absorvida por esta e diminuir o nível de ruído.

com 2 e 4 pólos magnéticos. foi estabelecida em 1998 com o acordo voluntário dos principais fabricantes de motores Europeus. quando inseridos num sistema. EFF2: Motores de rendimento melhorado. Por este motivo. o acordo estabelecido entre a Comissão Europeia (CE) e o Comité Europeu de Fabricantes de Máquinas Eléctricas e de equipamentos e sistemas de Electrónica de Potência (CEMEP) definia que os motores de para metade até 2003. As classes de rendimento estabelecidas foram as seguintes: ‐ ‐ ‐ EFF1: Motores de elevado rendimento. Este objectivo foi alcançado e a venda de motores EFF3 terminou pouco tempo depois. de motores EFF3 diminuiriam Na Europa a classificação dos motores de corrente alternada de baixa tensão. EFF3: Motores de rendimento normal. o que tornou mais fácil a identificação da classe do motor. 3 CLASSIFICAÇÃO DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA No acordo CE/CEMEP ficou ainda estabelecido que as vendas.ARTIGO TÉCNICO Apesar de este tipo de motores possuir uma eficiência melhorada. 50 ou 60 Hz. componentes que o compõem. Figura 2 – Classes de eficiência de motores [SEW‐Eurodrive] Figura 3 – Etiquetas de eficiência dos motores 23| . seriam classificados de acordo com os valores dos respectivos rendimentos. quando existirem problemas de eficiência nos outros componentes do sistema.1 a 90 kW de potência nominal. Todos os fabricantes que assinaram este acordo ficaram autorizados a colocar a etiqueta de eficiência nos motores e em toda a documentação que os acompanhe. De uma forma resumida. na União Europeia. a eficiência total do mesmo sistema depende de todos os outros 1. não se deve apenas investir na compra de um motor de elevada eficiência.

0 EFF1 4 pólos ηn (%) ≥83.0 ≥90.9 EFF1 2 pólos ηn (%) ≥82.6 ≥88.5 <81.0 ≥93.9 ≥94. pretende‐se melhorar a uma escala global o nível de harmonização regulamentar em assuntos relacionados com a eficiência em Figura 4 – Chapa de características de motor ABB.0 <88.5 ≥91.0 <93.3 ≥93.4 ≥87.4 <89. até 375 kW.5 <91. através do organismo EU MEPS (European Minimum Energy Performance Standard).2 <78.ARTIGO TÉCNICO Com base no acordo voluntário anteriormente referido.0 4 NOVAS NORMAS PARA CLASSIFICAÇÃO DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA A União Europeia.0 ≥88.2 3 4 5.5 ≥93. com o objectivo de reunir num só suporte as informações mais importantes sobre os motores eléctricos disponíveis no mercado. de acordo com as  novas normas |24 .5 ≥81.4 ≥90.0 ≥91.8 ≥85.2 ≥94.8 ≥92.0 ≥94.5 11 15 18. Tabela 2 – Definição das diversas classes de eficiência.5 22 30 37 45 55 75 90 EFF3 2 e 4 pólos ηn (%) <76. O objectivo visa reduzir o consumo de energia e outros impactos ambientais negativos de produtos que consomem energia eléctrica. A tabela 2 apresenta os valores limite para a eficiência dos motores.3 ≥90.5 ≥90.1 ≥85. que foi elaborada pelo centro de pesquisa da Comissão Europeia (CE/JRC).5 7. foi também criada uma base de dados europeia EuroDEEM. de velocidade simples.6 ≥94 6 ≥95.2 ≥92.9 ≥93.4 <90.7 ≥94.0 ≥82.7 ≥87.2 ≥93.6 ≥93.4 ≥88.5 ≥91. Este novo regime abrange os motores de indução trifásicos.0 ≥86.7 ≥87.6 <93 6 <93.3 ≥89.6 ≥93 6 ≥93. equipamentos de força‐motriz.2 ≥84.2 ≥92.4 ≥89.5 2. Sob este novo regime os fabricantes são obrigados a apresentar a classe e valores de eficiência do motor na respectiva chapa de características e na documentação do produto.2 ≥85.4 ≥92.4 <92. Entrará em vigor em três fases a partir de meados de 2011. definiu um novo regime obrigatório para os níveis mínimos de eficiência dos motores eléctricos que sejam introduzidos no mercado europeu. Ao mesmo tempo.3 ≥91.9 EFF2 2 e 4 pólos ηn (%) ≥76.7 ≥94 7 ≥95.0 <82.6 ≥93.0 <92.8 ≥92.6 ≥84.7 <87.6 ≥86.1 1. que deve indicar claramente o método de teste usado na determinação da eficiência. estabelecidos no acordo com a CEMEP com base na norma CEI 60034‐2. Standard de 1996 kW 1.0 <90.6 <84.1 ≥91.2 <85.2 ≥78.0 ≥92.6 ≥89.5 <93.

introduz novas regras relativas aos métodos de teste que devem ser usados na determinação das perdas e da eficiência dos motores eléctricos. definidas pelo acordo CEMEP (norma CEI/EN 60034‐2:1996). Comparando com as anteriores classes de rendimento Europeias. o leque foi ampliado. A norma CEI/EN 600034‐2‐1:2007 define duas formas de determinar a eficiência dos motores eléctricos. estimativas e cálculo matemático. o método directo e os métodos indirectos. Deve‐se notar que os valores de eficiência só são comparáveis se forem medidos utilizando o mesmo método.ARTIGO TÉCNICO O organismo EU MEPS baseia‐se em duas normas CEI. A norma CEI/EN 600034‐2‐1. e velocidade simples: ‐ IE1: Eficiência Standard (EFF2 do antigo sistema Europeu de classificação) ‐ IE2: Eficiência Elevada (EFF1 do antigo sistema Europeu de classificação e idêntica à EPAct nos EUA para motores de 60Hz) ‐ IE3: Eficiência Premium (idêntica ao "NEMA Premium" nos E. Figura 5 – Novas classes de eficiência de motores [SEW‐Eurodrive] 25| . A norma CEI/EN 600034‐30. disponível desde Setembro de 2007.A. especifica as classes de eficiência que devem ser adoptadas. A norma especifica os seguintes parâmetros para determinar a eficiência pelo método indirecto: ‐ ‐ Temperatura de referência.U. A norma CEI/EN 60034‐30:2008 define três classes de eficiência IE (International Eficiency) para motores assíncronos de indução trifásicos. rotor em gaiola de esquilo. para motores de 60Hz) ‐ IE4: futuramente o nível de eficiência superior a IE3 Os níveis de eficiência definidos na norma CEI/EN 60034‐ 30:2008 baseiam‐se em métodos de ensaio especificados na norma CEI/EN 600034‐2‐1:2007. Três opções para determinar as perdas adicionais em carga: medição. Os valores de eficiência resultantes diferem daqueles obtidos sob o padrão anterior de teste baseados na norma CEI/EN 60034‐2:1996.disponível desde Outubro de 2008.

nomeadamente: ‐ ‐ ‐ ‐ ‐ Motores de velocidade simples. Em temperaturas máximas superiores a 400 °C. motores para ambientes perigosos. Onde a temperatura da água de arrefecimento na entrada de um produto é inferior a 5 °C ou superior a 25 °C. Os motores que estão excluídos das normas CEI/EN 60034‐30 são os seguintes: ‐ Motores feitos exclusivamente para funcionarem como conversores. ventiladores ou compressores). ‐ Motores feitos exclusivamente para funcionarem imersos em líquidos. bombas. Onde as temperaturas do ar possam ultrapassar os 40 °C.ARTIGO TÉCNICO A norma CEI/EN 60034‐30 abrange quase todos os motores (por exemplo: motores standard. IE Classes – 4 pole Figura 6 – Novas classes IE de eficiência de motores eléctricos |26 .75 ‐ 375 kW Motores de tensão nominal até 1000 V Motores do tipo Duty S1 (funcionamento em contínuo) ou S3 (funcionamento intermitente ou periódico) com um factor de duração cíclica nominal de 80 porcento ou superior. ‐ Motores totalmente integrados em máquinas que não podem ser testados separadamente da máquina (por exemplo. tal como definido na Directiva 94/9/CE. trifásicos. 50 Hz e 60 Hz Motores de 2. motores para embarcações e marinas. motores usados como freio). 4 ou 6 pólos Motores com potência nominal entre 0. ‐ Motores especificamente concebidos para funcionarem a altitudes superiores a 1000 metros. Onde a temperatura ambiente for inferior a ‐15 °C (qualquer motor) ou inferior a 0 °C (motores refrigerados a ar). Em atmosferas potencialmente explosivas.

que são essencialmente a limpeza da carcaça. já que a existência de um componente de baixo rendimento influencia drasticamente o rendimento global. prioritariamente. [SEW‐Eurodrive] 27| . Tabela 3– Definição das diversas classes de eficiência Normas CEI 60034‐30:2008. a fim de reduzir a temperatura. fazendo os motores funcionar com cargas da ordem dos 70 a 80%.e CEI/EN 600034‐2‐1. da qual apenas metade é energia útil. utilizando sempre que necessário dispositivos electrónicos velocidade. Este sector é. Os pontos fundamentais em que se deve intervir são os seguintes: ‐ Dimensionar equipamentos correctamente de força os motriz.ARTIGO TÉCNICO Na tabela 3 apresenta‐se os valores limite para a eficiência dos motores com base na norma CEI 60034‐30:2008. que já provaram a sua competitividade apesar do seu custo superior. absorve cerca de 60% da energia eléctrica consumida no sector industrial do nosso País. pois. Os sistemas de accionamentos electromecânicos têm que ser abordados como um todo. através da utilização de motores eléctricos. um daqueles em que é preciso tentar fazer economias. ‐ Utilizar os novos motores de “alto rendimento”. devendo‐se que necessário ponderar a sua Figura 7 – Variação do rendimento com a potência.e CEI/EN 600034‐2‐1 [ABB] 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A produção de energia mecânica. sempre utilização. ‐ Atender às necessidades de de variação de manutenção dos motores. ‐ Adaptar a velocidade do motor às necessidades do processo. e nalguns casos a lubrificação dos rolamentos.

4TH European Congress Economics and Management of Energy in Industry. de velocidade simples.. Abril de 2009.. A norma CEI/EN 600034‐ 30. Por isso. através do organismo EU MEPS (European Minimum Energy Performance Standard) definiu um novo regime obrigatório para os níveis mínimos de eficiência dos motores eléctricos que sejam introduzidos no mercado europeu. será possível que os fabricantes produzam motores com eficiência IE1 para os mercados que não exijam estes requisitos mínimos de eficiência. Sob este novo regime os fabricantes são obrigados a apresentar os valores IE (International Eficiency) classe de eficiência nas placas do motor e na documentação do produto..disponível desde Outubro de 2008. Jornadas Luso‐Brasileiras de Ensino e Tecnologia em Engenharia. [4] BELEZA CARVALHO. Porto. J. |28 . R. Eficiência Energética em Equipamentos de Força‐Motriz. [2] BELEZA CARVALHO. J.. O organismo EU MEPS assenta em duas normas CEI. MESQUITA BRANDÃO. 2004. Todos os motores com uma potência nominal entre 0. Todos os motores com uma potência nominal entre 7. A. Catálogo de Motores Eléctricos. ISEP. J. ‐ IE2 (equivalente a EFF1 na norma CEI/EN 600034‐2:1996) – com utilização obrigatória. disponível desde Setembro de 2007. Revista Neutro à Terra Nº 3. [6] WEG. F. Cabe a cada estado membro da UE a vigilância relativa aos procedimentos de verificação e implementação das normas. especifica as classes de eficiência que devem ser adoptadas. [5] ABB.weg. ‐ Fase 3: até 1 de Janeiro de 2017. A. Fevereiro de 2009. Catálogo ABB 2009. [3] CARLOS GASPAR. A implementação das novas normas em cada estado membro de EU será realizada em três fases: ‐ Fase 1: até 16 de Julho de 2011. O novo regime abrange motores de indução trifásicos até 375 kW. Bibliografia [1] BELEZA CARVALHO. MESQUITA BRANDÃO. disponível em http://www.5 ‐ 375 kW devem satisfazer o nível de eficiência IE3 ou o nível IE2 se equipados com um variador electrónico de velocidade. Entrará em vigor em três fases a partir de meados de 2011. Novembro de 2007.75‐375 kW devem satisfazer o nível de eficiência IE3 ou o nível IE2 se equipados com um variador electrónico de velocidade. Eficiência Energética na Industria‐ ADENE. De acordo com estas normas os motores passam a ser classificados por: ‐ IE1 (equivalente a EFF2 na norma CEI/EN 600034‐2:1996) – com utilização proibida. R. Cursos de Utilização Racional de Energia.ARTIGO TÉCNICO A União Europeia. Low Voltage Industrial Performance Motors. IE4 (ainda não aplicável a accionamentos assíncronos). Porto. F. A norma CEI/EN 600034‐2‐1. ‐ ‐ IE3 (Premium) – com utilização voluntária.br/ Os motores de eficiência (IE1) não podem ser colocados no mercado europeu a partir de 16 de Junho de 2011. A.com. A conformidade com os padrões de eficiência exigidos é verificada por ensaios. introduz novas regras relativas aos métodos de teste que devem ser usados na determinação das perdas e da eficiência dos motores eléctricos. ‐ Fase 2: até 1 de Janeiro de 2015. MESQUITA BRANDÃO. Eficiência Energética em Equipamentos de Força Motriz. Até aquela data todos os novos motores em avaliação na Europa terão de cumprir a eficiência IE2. Todos os motores devem satisfazer o nível de eficiência IE2. As regras não se aplicam fora da Europa. Efficient Use of Electrical Energy in Industrial Installations.

os custos de paragem de um motor de grande dimensão podem justificar a existência dos meios de diagnóstico mais sofisticados. accionamentos. se o rotor atrita no estator. testa também a possibilidade do circuito eléctrico de um enrolamento estar interrompido. nomeadamente dos vernizes utilizados. Além dos testes acima descritos. não é de desprezar a verificação da existência de “cheiro a queimado” junto ao motor que pode indiciar um sobreaquecimento da máquina com consequente deteriorização dos isolamentos ‐ No caso do veio do rotor estar acessível. de facto. pela análise do motor. se a carga oferece demasiado binário resistivo e se os rolamentos estão gripados. medição da resistência de isolamento entre enrolamentos e entre os enrolamentos e a carcaça da máquina. graças à sua fiabilidade. como é o caso de ventiladores em condutas. Os resultados destes testes podem dar indicações úteis relativamente à existência de curto‐circuitos entre espiras e entre espiras e a massa. como parece lógico. José António Beleza Carvalho Instituto Superior de Engenharia do Porto DETECÇÃO DE AVARIAS EM MOTORES ASSÍNCRONOS DE INDUÇÃO RESUMO 2 CASO EM QUE A AVARIA PROVOCA PARAGEM DO MOTOR O motor assíncrono de indução é. Se houver uma paragem súbita o metal solidifica ao longo do processo sendo necessário desmontar todo um sistema complexo levando à perda de produção de várias horas ou dias. no sentido de evitar a interrupção de serviço. O método de diagnóstico a implementar depende também do facto da máquina ter parado por avaria ou continuar em funcionamento. Por outro lado. que o primeiro passo numa situação de paragem de um motor. Dado que ocupa um lugar preponderante no processo produtivo têm‐se desenvolvido diversos métodos de detecção de avarias que permitem diagnosticar qualquer tipo de defeito e quantificar o seu grau de severidade. Além disso. analisando‐se assim. robustez e baixo custo. 1 INTRODUÇÃO De seguida devem ser levados a cabo testes eléctricos e mecânicos fundamentais: Quando se aborda a temática do diagnóstico de avarias dos motores de indução não podemos deixar de ter presente que a forma de tratar o assunto está intimamente ligada à dimensão da máquina.ARTIGO TÉCNICO António Manuel Luzano de Quadros Flores. 29| . à sua localização e à função que desempenha no processo em que está inserida. ‐ Verificação enrolamentos dos que valores das resistências apresentar dos deverão valores semelhantes nas três fases. A acessibilidade pode ser o factor determinante na estratégia de diagnóstico. Não é demais lembrar. rodá‐lo para verificar se existe atrito anormal ou demasiada prisão. bombas submersíveis ou máquinas em ambientes perigosos. Assim. como é óbvio. a máquina actualmente preferida para a grande maioria dos Quando a avaria leva à paragem do motor o diagnóstico deve atender às especificidades de acessibilidade e dimensão numa primeira fase. deve iniciar não. motores de menor dimensão podem também desempenhar um papel tal que a sua interrupção pode ter custos elevadíssimos de reinicialização do processo. no caso de linhas de produção em que o processo inclui accionamentos que estão relacionados com a formação e solidifição da alma condutora dos cabos eléctricos. mas pela análise das grandezas de alimentação do mesmo e do bom estado das protecções eléctricas. como por exemplo. fusíveis e relé térmico.

assim como de avarias mecânicas no rotor. binário ou velocidade oscilantes.1. ω a frequência angular (rad/s) e t a variável tempo (s).1 DIAGNÓSTICO DE AVARIAS ELÉCTRICAS 3. os métodos indirectos de diagnóstico podem ser úteis na identificação do tipo de avaria podendo mesmo constituir um meio de acompanhamento da sua evolução. 1). obtêm‐se a representação no plano XY de uma frequências: (5) nas seguintes Figura  1‐ Vector de Park da corrente de alimentação de um motor:  sem avaria (esquerda) e com curto‐circuito de 18 espiras do  estator (direita) [1] (direita) [1] 3. o fluxo magnético. Seguidamente serão apresentados alguns métodos de diagnóstico mais utilizados na pesquisa de avarias eléctricas no estator e no rotor. o ruído. a intensidade de corrente de alimentação.1 AVARIAS NO ESTATOR A detecção de espiras em curto‐circuito nos enrolamentos do estator pode ser feita por análise das correntes de alimentação do motor representadas a duas dimensões a partir da mudança de referencial do sistema trifásico para o sistema de coordenadas P Q através da transformada de Park.1 MÉTODO DAS COMPONENTES ESPECTRAIS DA CORRENTE (1) A detecção de barras do rotor partidas ou fissuradas pode (2) ser feita através da inspecção das componentes espectrais da corrente absorvida pelo motor [2] No caso de um sistema de alimentação ideal com cargas equilibradas. as vibrações. A representação XY das componentes do Vector de Park permite detectar a existência de espiras em curto‐circuito nos enrolamentos do estator (Fig. aumento de consumo. 1 – esquerda). a velocidade e a temperatura..1. o binário. Nesse caso.2 AVARIAS NO ROTOR |30 . É de referir que a representação das componentes do vector de Park da corrente de alimentação do motor sem avaria (Fig. vibração. não é uma circunferência perfeita devido à existência de harmónicos na rede. Este método de diagnóstico “on‐line” baseia‐se no aparecimento de uma forma elíptica da representação XY das componentes do Vector de Park da corrente do motor. nos rolamentos e na carga mecânica acoplada. i2 e i3 a partir das seguintes expressões: 3. como por exemplo. As componentes do vector de Park iD e iQ podem ser obtidas das correntes de alimentação i1.1. perda de potência. Para esse efeito. etc. 3.ARTIGO TÉCNICO 3 CASO EM QUE A AVARIA NÃO PROVOCA PARAGEM DO MOTOR figura de Lissajou em forma de circunferência dada pelas componentes do vector de Park simplificadas: A avaria que não obriga à paragem do motor pode manifestar‐se de diversas formas como aumento de temperatura. ruído. controlando o nível de severidade até ser possível uma interrupção programada para reparação. têm sido desenvolvidos vários métodos que recorrem à monitorização de diversas grandezas associadas ao funcionamento do motor. cujo alongamento elíptico é proporcional ao grau de severidade da avaria e a orientação do eixo maior está associada à fase avariada [1].2. (3) (4) Sendo iM o valor máximo da corrente por fase (A).

 espectro de  frequências da corrente de alimentação revelando o defeito de  alinhamento do rotor. Na Figura 2 é fácil identificar o aparecimento de bandas laterais que surgem nas frequências características correspondentes à ruptura de espiras (“barras”) do circuito rotórico. que servem de meio de diagnóstico deste defeito [4]. 31| .  desalinhamento axial (figura direita em cima). do rotor e consequente formação de harmónicos na força magnetomotriz.2 MÉTODO DAS COMPONENTES ESPECTRAIS DO FLUXO DE FUGAS constante ao longo de toda a periferia do rotor.1 DEFEITO DE ALINHAMENTO Figura 2 – Espectro de frequências da corrente absorvida pelo  motor mostrando claramente a existência de bandas laterais que  indiciam uma avaria nas barras do rotor [2] O defeito de alinhamento do rotor traduz‐se no facto da folga entre o rotor e o estator (“entreferro”) não ser 3. s o deslizamento (%) e f a frequência da tensão de alimentação (50 Hz).ARTIGO TÉCNICO Sendo fSB a frequência (Hz) das bandas laterais resultantes da avaria no rotor. originando variações da relutância do circuito magnético com a rotação A aquisição de dados do campo magnético de fugas com vista à análise do seu espectro pode ser feita facilmente colocando sensores de campo magnético no exterior da máquina como mostra a Figura 3. Figura 3 – Detecção de defeito no circuito rotórico através da  medição do fluxo magnético: motor com transdutor de fluxo  magnético [3] O defeito devido a barras do rotor defeituosas também pode ser detectado por identificação de determinadas frequências no espectro do campo magnético de fugas medido no exterior da máquina (Figura 4) [3] Figura 5 – Detecção de defeito de alinhamento do rotor: defeito de  alinhamento longitudinal (figura esquerda em cima). excentricidade estática (“SE”) (figura em  baixo )[4]. Daí resulta o aparecimento de frequências típicas deste fenómeno no espectro do fluxo de fugas do motor.2 DIAGNÓSTICO DE AVARIAS MECÂNICAS 3.2. como evidencia a Figura 5.2.1. Figura 4 – Detecção de defeito no circuito rotórico através da  medição do fluxo magnético: espectro de frequências do campo  magnético de fugas [3] 3.

Sendo os rolamentos a causa referenciada que provoca maior taxa de avarias no motor de indução.2 DEFEITOS NOS ROLAMENTOS conhece a sua composição em funcionamento normal [6]. decomposição em frequências da corrente de alimentação do motor mostrando o espectro no caso de um motor  saudável e no caso de existir um defeito nos rolamentos  (figura em  baixo) [5].2. 3.ARTIGO TÉCNICO 3. roda dentada do redutor (direita) com dente  defeituoso [7] |32 . Figura 6 – Avarias nos rolamentos e sua detecção: defeito no anel  interior (figura esquerda em cima). têm‐se desenvolvido diversas técnicas de detecção deste tipo de defeito recorrendo a diferentes métodos de análise espectral da corrente de alimentação e de vibrações mecânicas. A análise das componentes espectrais de vibração e de binário (Figura 8 ) pode ser um meio complementar de apoio ao diagnóstico de um sistema electromecânico do qual se Figura 9 – Detecção de defeitos nas rodas dentadas do redutor de  um elevador: motor de elevador com redutor de velocidade  acoplado (esquerda). Os defeitos nos rolamentos podem ser detectados a partir da análise do espectro de frequências da corrente do motor como evidencia a Figura 6. Também neste caso surgem novas frequências que evidenciam a existência de defeito nos rolamentos assim como o seu nível de severidade [5].3 DEFEITOS NA CARGA ACCIONADA A Figura 7 apresenta o caso da aplicação de acelarómetros para aquisição de dados de vibração de um ventilador.2. defeito no anel exterior (figura  direita em cima). O caso apresentado na Figura 9 e 10 ilustra a detecção de um defeito existente nos dentes da roda dentada de um redutor do tipo “sem fim” [7]. decomposição em frequências da corrente de  direita em cima). Figura 7 – Utilização de acelerómetros para aquisição de dados de  vibração de um ventilador [6] Figura 8 – Amplitude das componentes espectrais do binário (Nm)  para o caso do mesmo ventilador  [6] A monitorização do valor eficaz da corrente de alimentação do motor de um elevador pode fornecer indicações úteis relativamente a variações de carga que indiciam a existência de defeitos nas partes mecânicas accionadas.

W. D. "The induction motor as a mechanical fault sensor in elevator systems " apresentado na conferência “11CHLIE”. como transdutor eficaz e Saragoça. constituem uma mais‐valia. Wiedenbrug. 2005. 33| . D. M. J. [6] E. pp. Assim. IEEE International C f I t ti l Conference on El t i M hi Electric Machines and d Drives. Qing. 741‐747. Fonseca. Xiaodong. 11ª 11CHLIE 11ª. G. Mechanical Systems and Signal Processing. Yazidi. G. A. 2007. Acosta. International Conference on Measurement and Control. J. o motor de indução pode desempenhar um segundo papel. A. 531‐541. ajudando a detectar avarias no seu interior e também na carga mecânica a ele acoplada. Q. 209‐ 213. Cardoso. Além disso. pp. se criteriosamente utilizadas. 20. permanentemente ligado. G R t i G. 953‐965. Marques Cardoso. E R G l hi E. a existência de poluição harmónica proveniente de outras máquinas e a falta de registos históricos das componentes espectrais. Apesar do motor de indução ser considerado uma máquina robusta e muito fiável está sujeito a diversos tipos de avarias causadas principalmente pelo envelhecimento. J. B. M. vol. A aplicação destas técnicas em ambiente fabril tem as suas limitações devido a diversos factores. 43. IEEE Transactions on Industry Applications. Carvalho. 2004. Flores. S. Verucchi. Henao. pp. 383‐388 vol. 1. H. como por exemplo. [5] M Bl dt P G j M. Rostaing. "A current t monitoring system for diagnosing electrical failures in 4 CONCLUSÕES induction motors". para além da sua função principal de fornecer energia mecânica à carga. "Inter‐turn stator winding fault diagnosis in three‐phase induction motors. vol." IEEE International Symposium on Industrial Electronics.ARTIGO TÉCNICO Bibliografia [1] A. "Performance analysis of a three‐phase induction machine with inclined static eccentricity". R. Conferencia Hispano‐Lusa de Ingeniería Eléctrica. Capolino. 2006. C. [4] L. Raison. vol. manutenção e minimizando os custos de indisponibilidade e de interrupção. "M d l f "Models for bearing damage detection in induction motors using stator current monitoring. S. 2009. contribuindo para uma manutenção preventiva eficiente através da monitorização regular do motor. Nandi. S. 595‐598. Figura 10 – Valor eficaz da corrente de alimentação do motor [7] [2] G G A t C J V G. Doan. B R i B. by Park's vector approach". 2004. Gelso. 14. B. Dado o seu importante papel. pp. desgaste e fadiga mecânica dos materiais. As ferramentas de diagnóstico apresentadas não são invasivas e podem ser aplicadas durante o funcionamento normal. Espana. P. Cruz. Blodt. muitos trabalhos de investigação têm sido feitos oferecendo metodologias para um diagnóstico cada vez mais eficiente. pp. 1999. "Comparison of duct‐mounted vibration and instantaneous airgap torque signals for predictive maintenance of vane axial fans". J. A. "Broken rotor bars fault detection in squirrel cage induction machines". Granjon. [7] A. pp. IEEE Transactions on Energy Conversion. melhorando a eficiência da equipa de [3] A.

ARTIGO TÉCNICO Publicidade |34 .

proporcionando num futuro próximo a oferta de serviços de nova geração a velocidades de transmissão e larguras de banda cada vez maiores.ARTIGO TÉCNICO Sérgio Filipe Carvalho Ramos . com acesso através de redes físicas. reveste‐se como um elemento promotor das novas mudanças verificadas ao nível das técnicas e tecnologias de telecomunicações. um pilar basilar 1 INTRODUÇÃO na revolução das tecnologias de telecomunicações que entrarão. mediante a publicação do DL 146/87 – Instalações Telefónicas de Assinante (ITA). com o objectivo de dotar os edifícios de infra‐estruturas de telecomunicações. instaladores e pelo operador que actuava em regime de monopólio. designadamente telefone. garantindo a segurança de pessoas e bens e a defesa do interesse publico. sucintamente. havia um vazio legal no que se refere ao projecto e execução deste tipo de instalações que eram. Com efeito. detentora da exploração das infra‐estruturas de telecomunicações em urbanizações. Roque Filipe Mesquita Brandão Instituto Superior de Engenharia do Porto FIBRA ÓPTICA: NOVAS AUTO‐ESTRADAS DE TELECOMUNICAÇÕES EM URBANIZAÇÕES RESUMO Este novo enquadramento regulamentar que estabelece as regras para o projecto. podendo os intervenientes prever outras soluções. A defesa dos interesses dos consumidores de comunicações electrónicas que passa por infra‐estruturas de telecomunicações modernas.º 1 do artigo 1. até então. desde que devidamente justificadas. bem como os procedimentos legais a seguir para a elaboração de projectos e solicitação de vistorias às instalações executadas. vem aprovar e publicar o Regulamento de Instalações Telefónicas de Assinante (RITA).º 25/87. pelas nossas casas. A 1ª Edição do Manual ITUR constitui a concretização de um desejo há muito esperado pois. que estabeleceu as condições técnicas a que deveriam obedecer os projectos. a Portugal Telecom. uma das especificações da 1ª edição do Manual ITUR – PRIVADA será a da obrigação de instalação de cablagem de Par de Cobre (PC). na qual o O presente artigo visa. foram fixadas as regras básicas. instalação. as instalações e a conservação das infra‐estruturas de telecomunicações. Departamento de Engenharia Electrotécnica do Instituto Superior de Engenharia do Porto teve uma participação activa como consultor externo. de 8 de Abril. Ao abrigo do disposto no n. expor e reflectir sobre a importância da fibra óptica nas infra‐estruturas de telecomunicações em urbanizações. As regras técnicas de projecto e instalação das ITUR devem ser entendidas como objectivos mínimos a cumprir. O Regulamento RITA esteve em vigor durante 13 anos! conhecimento empírico armazenado ao longo dos anos pelos projectistas. baseados no 2 ENQUADRAMENTO LEGISLATIVO Decorrente do crescimento económico verificado em meados da década de 80 do século passado. essencialmente. a fibra óptica constitui já hoje. assim. impor regras claramente definidas para as infra‐estruturas de telecomunicações em loteamentos quer sejam de âmbito privado ou público. o que promoveu um aumento galopante ao nível da construção em Portugal. telex e dados.” instalações. A 1ª edição do Manual ITUR (Infra‐estruturas de Telecomunicações em Urbanizações). 35| . Em particular. foi extraordinariamente inovador tanto em conceitos de infra‐estrutura como de equipamentos e respectivas especificações. e exploração das “…O Manual ITUR define as condições de elaboração de projectos e construção da rede de tubagem e redes de cabos em urbanizações. tendo sempre em vista soluções tecnicamente mais evoluídas. Esta nova legislação veio. naturalmente. fiáveis e adaptadas aos serviços dos operadores públicos foi devidamente salvaguardada.º do DL 146/87 o Decreto Regulamentar n. Cabo Coaxial (CC) e Fibra Óptica (FO).

os avanços tecnológicos. armários de telecomunicações. subsequentes da ávida procura por cada vez maiores larguras de banda. caixas e câmaras de visita. é necessário criar e dotar as infra‐ estruturas de telecomunicações que suportem tais serviços.ARTIGO TÉCNICO O desenvolvimento das actividades económicas. impôs a necessidade imperiosa de preparar e dotar os edifícios com infra‐estruturas capazes de satisfazer essas novas exigências. da 1ª edição do Manual ITUR. Internet de banda larga (dados). continuando a elaboração dos projectos com base na informação. em par de cobre. nomeadamente. A oferta desses serviços (“Triple Play”). assim como as novas exigências emergentes do estabelecimento de medidas legislativas que determinaram a liberalização do sector das telecomunicações em Portugal. nomeadamente. estes serviços disponibilizados pelos operadores poderão ser vantajosos na medida em que os clientes. não oficial. 4 ITUR – CARACTERIZAÇÃO enquadramento criado pelo DL 123/1009 com as alterações conferidas na redacção do DL 258/2009. em cabo coaxial e em fibra óptica para ligação às redes públicas de comunicações. bem como para as actividades de certificação das instalações e avaliação de conformidade de infra‐estruturas. disponibiliza numa única plataforma: ‐ ‐ ‐ Telefone (voz). Após 5 anos da edição do Manual ITED. Assim. o qual estabeleceu o regime ITED e respectivas ligações às redes públicas de telecomunicações. cabos. cada vez mais inovadores e com maiores larguras de banda. dado um passo importante e há muito reclamado. Relativamente às infra‐estruturas de telecomunicações em urbanizações nada foi feito. 3 PARA QUÊ NOVAS INFRA‐ESTRUTURAS DE TELECOMUNICAÇÕES? 2. tendencialmente. 3. é publicada a 2ª edição desse mesmo Manual acompanhado. constituídas por: 1. Foi. armários para repartidores e para instalação de equipamentos e outros dispositivos. no estabelecimento de regras claras e precisas para a elaboração do projecto e execução da nova geração de infra‐ estruturas de telecomunicações. decorrentes do novo Os diversos operadores têm tido um papel meritório no que respeita aos grandes investimentos realizados no estabelecimento de infra‐estruturas de forma a dar uma resposta cabal às necessidades de operacionalidade e de inovação de serviços aos consumidores empresariais e domésticos. “vídeo on demand” e Televisão Do ponto de vista económico. incluindo. Em Abril de 2000 foi publicado o DL 59/2000. Rede de tubagens ou tubagem para a instalação dos diversos cabos. Espaços para a instalação de tubagem. Cablagem. materiais e equipamentos. genericamente. desta feita. de regras de boa prática fornecidas pela Portugal Telecom. Ao abrigo do definido no Artigo 28º do DL 123/2009 as infra‐ estruturas de Telecomunicações em Urbanizações são. assim. e para que estes serviços possam chegar ao consumidor final. Vivenciamos uma época de uma autêntica “revolução tecnológica” ao nível da oferta de novos serviços de telecomunicações. |36 . O rápido desenvolvimento e crescimento do “mundo” das comunicações electrónicas e o aparecimento de novos produtos e serviços. Dada a crescente tendência dos operadores chegarem aos diversos clientes em fibra óptica a extensão desta tecnologia entrará pelas nossas casas de forma a dinamizar e proporcionar cada vez melhores serviços de telecomunicações. Os diversos operadores têm seguido uma estratégia de propor e fornecer aos seus clientes “pacotes” de serviços de telecomunicações. pagarão menos pelo conjunto de todos os serviços do que pagariam por eles em separado. impuseram a necessidade de formular novas regras para a instalação das infra‐estruturas de telecomunicações em edifícios. caixas e câmaras de visita. assim como o regime de actividade de certificação das instalações e avaliação de conformidade de materiais e equipamentos. equipamentos e outros dispositivos.

impedindo desta forma a fuga da luz para o exterior por um mecanismo que pode ser descrito. A bainha é revestida com um polímero para proteger a fibra de eventuais danos. 6. designadamente: ‐ Grande Capacidade de Transmissão: um sistema de transmissão por FO pode apresentar uma largura de banda na ordem das centenas de GHz. assim. Nos loteamentos de iniciativa pública (infra‐estrutura de acesso de comunicações electrónicas a um conjunto de edifícios integrando um domínio municipal – Artigo 31º do DL 123/2009) são basicamente projectados e executados rede de tubagem e caixas de passagem para a instalação futura das respectivas cablagens pelos diversos operadores de telecomunicações. ‐ Compatibilidade Electromagnética (CEM) não causam perturbação circundantes. como a reflexão total na superfície de separação.ARTIGO TÉCNICO 4. Cabo Coaxial e Fibra Óptica. em primeira aproximação. Apresentam. normalmente de vidro (por vezes de material plástico). que transmite luz a longa distância. as quais são obrigatoriamente constituídas por tubagem. A utilização da FO apresenta claramente várias vantagens em comparação com a utilização dos cabos metálicos. Instalações eléctricas de suporte a equipamentos e sistema de terra. algumas desvantagens. urbanização ou conjunto de edifícios. a sua gestão e conservação. Sistemas de cablagem para uso exclusivo do loteamento. Do ponto de vista da administração. designadamente: ‐ Necessidade de Pessoal Especializado: ao nível da instalação.000 canais telefónicos convencionais. normalmente 10. 37| . videoportaria e sistemas de segurança. onde a luz é “guiada”. ‐ As ITUR Privadas.000 vezes inferior aos cabos de par de cobre. as quais são constituídas por tubagem e cablagem. Apresentam. Não obstante todas estas valências a FO apresenta. designadamente no que se refere aos aspectos relacionados com a junção. o que é equivalente a mais de 6. terminação e ensaio. pois. bainhas transparentes. A título ilustrativo.000. 5. assim. um cabo composto por 864 fibras apresenta um diâmetro aproximado de uma cabo nos equipamentos electrónicos 5 MANUAL ITUR – FIBRA ÓPTICA – NOVO PARADIGMA de 100 pares de cobre. ou à respectiva A bainha tem um índice de refracção superior ao do núcleo. revestido de uma. Nas ITUR há a distinguir claramente dois tipos de infra‐ estruturas de Telecomunicações em Loteamentos: ‐ As ITUR Públicas. A fibra tem um núcleo central. ou mais. ainda De uma forma sucinta. uma fibra óptica (FO) é constituída por um fio muito fino de material transparente. ‐ Imunidade: apresentam imunidade total às interferências electromagnéticas. Sistemas de cablagem do tipo A. situadas em áreas públicas. cabendo aos respectivos municípios a gestão e conservação dessas infra‐estruturas. nomeadamente domótica. Nos loteamentos de natureza Privada (ITUR que integram conjuntos de edifícios de acesso restrito – Artigo 32º do DL 123/2009) são detidas em compropriedade por todos os proprietários cabendo‐lhes a si. imunidade a qualquer tentativa de intrusão. bem como a instalação de caixas de visita multi‐operadores (CVM). ‐ Longas Distâncias de Transmissão: permite enviar sinais (luminosos) a algumas dezenas de quilómetros sem necessidade de regeneração de sinal. Leves e Compactos: os cabos de FO apresentam um volume e peso mais baixo que os cabos de comunicações em cobre. operação e manutenção de cablagens de FO são necessários técnicos especializados. situadas em conjuntos de edifícios. ‐ Segurança: as FO não irradiam qualquer sinal para o ambiente exterior (no seu modo de funcionamento normal). Estas infra‐ estruturas além de serem constituídas por redes de tubagem e caixas de visita são ainda constituídas por um Armário de Telecomunicações de Urbanização (ATU) que faz a fronteira entre a entrada dos operadores e a rede ITUR e de cablagem associada às três tecnologias exigidas: Par de Cobre. níveis de atenuação muito baixos. o que significa que os dados não serão corrompidos durante a transmissão.

O aumento da procura por serviços com cada vez maiores larguras de banda invoca a necessidade de infra‐estruturas adequadas. O tipo de fibra óptica a utilizar é. a par com a devida dotação interior dos edifícios. O ATU deve ser um espaço que possa albergar as três tecnologias de telecomunicações previstas no manual ITUR (PC. o número de modos que poderão ser guiados e conduzidos pela fibra será de um. O projecto técnico das instalações ITUR tem como objectivo primordial definir a arquitectura da rede (tubagens e/ou cablagem) bem como os seus percursos. apresenta ainda um custo relativamente elevado quando comparado com a transmissão do mesmo sinal num par de cobre.ARTIGO TÉCNICO ‐ Custo Equipamento de Transmissão: o custo associado à conversão do sinal óptico em eléctrico. Monomodo. para o desenvolvimento da economia. as tubagens. bem como o seu dimensionamento. para não suscitar dúvidas aos técnicos instaladores. em que o diâmetro do núcleo é diminuído cerca de 5 vezes menos. ‐ Vulnerabilidade: devido à grande capacidade de transmissão que as FO apresentam. |38 . e dada a vulgarização da utilização desta tecnologia. com as redes de cabos da ITUR privada. uma largura de banda na ordem das centenas de GHz. As fibras do tipo Monomodo estão especialmente vocacionadas para operarem com débitos binários da ordem das dezenas a centenas de Gbit/s. o risco de acontecer uma catástrofe e a consequente perda de grandes quantidades de informação é bastante elevado. Deste modo. Todos os cabos de fibra óptica deverão igualmente cumprir os requisitos da norma EN 60794‐1‐1. existe a tendência para incluir muita informação numa única fibra. Assim. seguramente. obrigatoriamente. com atenuações que permitem o envio de sinais a largas dezenas de quilómetros prescindindo regeneração de sinal intermédio. A largura de banda nesta fibra é fortemente dominada pela dispersão cromática da mesma. as fibras ópticas permitidas (tipo Monomodo – OS1 e OS2) deverão cumprir o emanado na norma EN60793‐ 2‐50:2004. Com efeito. da formação das pessoas do país pelo fácil acesso à informação e conhecimento que lhe são disponibilizados. ainda. Figura 1 – Exemplo de uma fibra óptica Monomodo O Armário de Telecomunicações de Urbanizações (ATU) é o ponto de interligação das redes públicas de comunicações electrónicas. sejam disponibilizadas larguras de banda cada vez mais elevadas o que contribui. A 1ª Edição das Prescrições e Especificações Técnicas de Infra‐estruturas de Telecomunicações em Urbanizações (Privada) obriga a que cada fracção seja servida por duas fibras. conduz a que. ao nível dos serviços de telecomunicações. consideravelmente. A fibra óptica surge como resposta aos sistemas de comunicação electrónica pois oferece. ou CEMU. sendo. CC e FO). daí a sua denominação de Monomodo. No entanto. no caso de moradias. por fibra. o ponto interligação com a rede colectiva dos edifícios no ATE. com a devida clareza. da difusão da informação e. equipamentos e os materiais a utilizar. o que equivale a mais de 6 milhões de canais telefónicos convencionais. naturalmente. Daí as vantagens competitivas que os operadores poderão advir com a utilização das infra‐estruturas de fibra óptica. e vice‐versa. os custos poderão baixar O aumento crescente entre os requisitos de aplicações e as capacidades técnicas (por exemplos dos computadores) fomentam a utilização de maiores larguras de banda. comparadas com as fibras Multimodo. caso não exista uma rede privada. ao nível da recepção e transmissão de sinal. definindo e caracterizando o sistema de cablagem (quando aplicável). o investimento por parte dos operadores na instalação de redes de fibra óptica (tipicamente em configuração FTTH – “Fiber To The Home”).

a cabos multi‐fibras. onde se inicia a rede de cabos de fibras ópticas da ITUR. no caso das ITUR privada. para o enriquecimento do conhecimento das potencialidades da instalação de fibra óptica nas I f ó ti Infra‐estruturas d T l t t de Telecomunicações em i õ Urbanizações à luz do novo contexto legislativo criado pela 1ª Edição do Manual ITUR. 6. 1ª Série‐N. dando a indicação da natureza e quantidade dos trabalhos necessários para a execução da obra. Identificação da operação de loteamento. cálculos de níveis de sinal. constituído por dois primários por tecnologia. As fibras são terminadas em conectores SC/APC ligados em painéis de adaptadores. CONCLUSOES A elaboração deste artigo pretende contribuir. 5. quando considerado adequado. Repartidor de Urbanização de Fibra Óptica (RU‐FO): ‐ Primário. Comprimento. e por um secundário por tecnologia.º98‐21 de Maio de 2009. nomeadamente fichas técnicas. por um painel de adaptadores do tipo SC/APC. CC e FO é inovadora. Orçamento baseado na espécie e quantidade de trabalhos constantes das medições. esquemas de instalação eléctrica e terras das infra‐estruturas. uma consulta detalhada e rigorosa do documento integral. Infra‐estruturas de Telecomunicações em Loteamentos Urbanizações e Conjuntos de Edifícios. igualmente. Memória descritiva. No caso específico da instalação de l lé de l é l tecnologia em FO.º123/2009 d 21 d Maio. cujo dimensionamento e instalação é da responsabilidade da entidade que ligar a rede de cabos da ITUR à rede pública de comunicações electrónicas. 1ª / de de á da úbl Série‐N. nomeadamente 2 circuitos de 230 VAC. com 3 tomadas cada. por exemplo. [4] Manual ITUR.º258/2009 de 25 de Setembro. A rede deve obedecer à topologia em estrela com recurso. [2] Decreto‐Lei n. além d requer pessoal técnico altamente especializado requer. naturalmente. Como o ATU pode conter equipamentos activos. 39 do DL 258/2009 o projecto técnico ITUR deve incluir 6 esquemas da rede de tubagem e cablagem. por exemplo. pelo menos 10 condutores de terra.ARTIGO TÉCNICO Para cada uma das tecnologias deverá existir um Repartidor de Urbanização (RU) individual. Diário d República. não dispensado. O barramento geral de terra do ATU deverá ter capacidade para ligar. obrigatoriamente os seguintes elementos: 1. Em concordância com o consagrado no Art. a realização de ensaios de carácter obrigatório. 3. onde se inicia a rede de cabos da ITUR. Poderá ser constituído. designadamente: ‐ ‐ Atenuação (Perdas de Inserção). 4. ou conjunto de edifícios a que se destina. ‐ Secundário. Medições e mapas de quantidade de trabalhos. Outros elementos estruturantes do projecto. Novembro de 2009. 2.º187‐25 de Setembro de 2009. plantas topográficas. há a necessidade de existirem circuitos de alimentação eléctrica. Para a medida destes parâmetros deverão ser efectuados os ensaios seguintes: i i ‐ ‐ Ensaio de perdas totais. embora de uma forma lisonjeira. Os ensaios deverão ser efectuados desde o RU‐FO do ATE inferior de cada edifício. [3] Manual ITED. análise das especificidades das ligações às infra‐ estruturas de telecomunicações das empresas de comunicações electrónicas. Prescrições e Especificações Técnicas das Infra‐ estruturas de Telecomunicações em Edifícios. Bibliografia [1] [ ] Decreto‐Lei n. 2ª Edição. A colocação de cablagem PC. protegidos por disjuntor diferencial com um valor de sensibilidade não superior a 300 mA e ligados ao circuito de terra do ATU. Novembro de 2009. Ensaios de reflectometria. Diário da República. nomeadamente da sua finalidade. obra de urbanização. cujo dimensionamento e instalação é da responsabilidade da entidade que ligar a rede de cabos das ITUR à rede pública de comunicações electrónicas. Informação identificadora do projectista ITUR que assume a responsabilidade pelo projecto. 1ª Edição. quadros de dimensionamento. 39| .

.

Definição de percursos de acesso. Os sistemas de controlo de acessos são. horários de acesso. 2 FUNÇÕES PRINCIPAIS Leitores Sensores Automáticos Botões Manuais Contactos Outros Inputs Unidade de Controlo Trincos Eléctricos As funções principais de um sistema de controlo de acessos são: ‐ ‐ ‐ ‐ ‐ ‐ ‐ Definição de áreas de acesso. mostra a arquitectura geral de um sistema de controlo de acessos: Gestão Técnica Centralizada Software de Gestão Imagem adaptada de: www. Definição de horários de acesso. sistemas A figura 1. no que se refere. locais de acessos.boydelectronics. um elemento facilitador da gestão dos espaços essenciais à dinâmica funcional das instalações e um meio imprescindível de controlo da actividade nas organizações. aos aspectos técnicos e tecnológicos dos mesmos. Sinalização Outros Outputs Alimentação da Rede Alimentação de Socorro Figura 1 – Constituição geral de sistema de controlo de acessos 41| . O sistema de controlo de acessos pode ser interligado a sistemas de gestão técnica centralizada..co. As principais vantagens de um sistema de controlo de acessos são: 1 INTRODUÇÃO ‐ ‐ Os sistemas de controlo de acesso visam a permissão de acesso. o conforto. tais como.uk 3 PRINCIPAIS VANTAGENS Segurança Fiabilidade Conforto Flexibilidade Integração ‐ ‐ ‐ 4 CONSTITUIÇÃO GERAL DO SISTEMA automáticos de detecção de intrusão e sistemas de vídeo vigilância. Seguimento e localização. essencialmente. Registo automático de entradas e saídas. Alarme em caso de entrada forçada em zonas com acesso condicionado. a funcionalidade e a fiabilidade dos sistemas que integram as instalações são aspectos fundamentais na qualidade de vida das pessoas. Definição de direitos de acesso por área.ARTIGO TÉCNICO António Augusto Araújo Gomes Instituto Superior de Engenharia do Porto SISTEMAS DE CONTROLO DE ACESSO RESUMO A segurança. A sua base de funcionamento é a permissão de acesso apenas a utilizadores autorizados. em função de parâmetros pré‐ajustados.... O presente artigo aborda a temática do controlo de acessos. cada vez mais. integrando e complementando o funcionamento destes sistemas.

Ópticos.4 BOTÕES MANUAIS Os sistemas de controlo de acessos dividem‐se em dois grupos principais: ‐ ‐ Sistemas em Rede. quando não se justifique a utilização de leitores nos dois lados das portas. 4. São os elementos de informação do estado do sistema.5 CARTÕES São utilizados em alguns dos sistemas anteriormente referidos. uma ordem de abertura. Estes botões quando pressionados. Proximidade. ou não. os cartões são as chaves do sistema. impressão digital) 4. Podem ainda combinar duas ou mais das tecnologias acima referidas. Podem ser de dois tipos: ‐ ‐ Magnéticos. botões.engineeringnews. Sistemas Stand Alone. Biométricos (leitura da íris.siemens.za Imagem adaptada de: www. Banda Magnética. trincos eléctricos. actuam um contacto que vai gerar o pedido de abertura à central de controlo de 4. Para esses sistemas. sensores. Mecânicos. dependendo das definições de acessos e da validade dos dados recebidos pelos elementos periféricos.co. São o meio de interacção do utilizador com o sistema.2 LEITORES acessos. Imagem: www. Podem ser de diversos tipos: ‐ ‐ ‐ ‐ ‐ ‐ Teclado.3 CONTACTOS A Unidade de Controlo é o “cérebro” do sistema.com |42 .1 UNIDADE DE CONTROLO 4. É neste equipamento que são ligados todos os periféricos (leitores. São utilizados normalmente como elementos de saída.…) e a partir do qual sairá. Códigos de barras.ARTIGO TÉCNICO 4.

a abertura das portas e o acesso aos espaços. contrariamente às instalações tradicionais. gere de uma forma simples e intuitiva a totalidade do(s) sistema(s). essencialmente. tecnológicos e conceptuais. cómoda e económica. Para além da gestão e supervisão de funcionamento dos sistemas que recebe.com (Jin Mao Tower ) 43| . O sistema deverá ainda ter uma alimentação própria de socorro que garanta o seu funcionamento em caso de falha da alimentação normal da rede. tornando‐se numa ferramenta muito útil para gestores e responsáveis de empresas e entidades. para utilizadores autorizados. o utilizador.7 ALIMENTAÇÃO DO SISTEMA Os sistemas de controlo de acesso são sistemas tecnologicamente maduros e que cada vez mais são uma A alimentação de energia eléctrica do sistema em condições normais de funcionamento deverá ser realizada através da rede de energia eléctrica devendo para o efeito ser prevista uma alimentação vinda do Quadro Eléctrico da instalação. Destinam‐se. controlo e operação possam ser realizados de uma forma centralizada num sistema de gestão. de uma forma segura. Imagem adaptada de: www. é realizada de uma forma simples. 4. simples.siemens. de forma a facilitar o comando. controlo e operação dos diversos sistemas. rápida. CONSIDERAÇÕES FINAIS São as fechaduras do sistema. dos sistemas de controlo de acessos. Permitem.ARTIGO TÉCNICO 4. Este artigo visou abordar aspectos técnicos. potenciando uma mais eficaz gestão dos espaços e dos utentes desses mesmos espaços. Em instalações com sistemas de controlo de acessos. a controlar e gerir a totalidade do sistema de controlo de acessos a partir de um ou diversos postos. fiável e económica. permitem a geração de relatórios com os eventos recebidos pelo sistema. a alteração das condições de acesso de um utilizador.9 GESTÃO TÉCNICA CENTRALIZADA A Gestão Centralizada consiste na integração dos diversos sistemas existentes numa instalação para que o seu comando. 4. 4.6 TRINCOS ELÉCTRICOS 5. Através de interfaces gráficas.8 SOFTWARES DE GESTÃO realidade nas instalações. A gestão centralizada normalmente só é utilizada em instalações grandes e complexas.

Esta infra‐estrutura é utilizada por uma equipa constituída por docentes. O LSE é constituído por equipamento que incorpora inovação tecnológica e funcionalidades avançadas. kits de células de combustível e painéis fotovoltaicos. técnicos e alunos da área dos Sistemas Eléctricos de Energia. TRABALHOS REALIZADOS NO LABORATÓRIO DE SISTEMAS DE ENERGIA             Medição da resistência de Terra Simulação da Compensação do Factor de Potência num Sistema de Energia Simulação no Simulink de um Sistema Trifásico com Cargas RL e RC Manobras de Ligação de Alternadores num SEE sem Interrupção de Serviço Pilha de combustível Utilização de Contactores no arranque Estrela‐Triângulo e Inversão do seu sentido marcha Doutora Teresa Alexandra Nogueira Directora Laboratório Sistemas Energia Simulação computacional da colocação em serviço de uma linha de transporte que alimenta uma carga indutiva Observação das componentes harmónicas da onda de corrente Verificação experimental e computacional do efeito Ferranti Ensaio de uma linha de transporte: Curto‐circuito simétrico trifásico e Curto‐circuito assimétrico: bifásico e monofásico Simulação da geração de energia eléctrica em rede isolada Simulação em MatLab‐Simulink de Fenómenos Transitórios em Circuitos Eléctricos |44 .DIVULGAÇÃO LABORATÓRIO DE SISTEMAS DE ENERGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELECTROTÉCNICA INSTITUTO SUPERIOR DE ENGENHARIA DO PORTO O Laboratório de Sistemas de Energia (LSE) é uma instalação de apoio ao ensino e aos trabalhos de investigação e desenvolvimento no âmbito do curso de Engenharia Electrotécnica do Departamento de Engenharia Electrotécnica do Instituto Superior de Engenharia do Porto. incluindo analisadores de energia. bancadas experimentais. simuladores de defeitos e outros equipamentos de monitorização de energia em redes eléctricas. que dispõem de equipamento técnico e laboratorial que proporciona a simulação dos diversos efeitos eléctricos e electrónicos. o que constitui uma contribuição decisiva para a tão necessária preparação prática dos estudantes.

. neste artigo será feito um exemplo prático de aplicação da metodologia de dimensionamento. a optimização do Desde que foi publicado o Decreto‐Lei nº 363/2007 de 2 de Novembro.renovaveisnahora. Como se pode ver na figura 1. mais de 90% são referentes a centrais fotovoltaicas. Figura 1 ‐ Efeito da temperatura na curva I‐V 45| . à qual é aplicável 100% da tarifa de referência. O factor de variação da tensão com a temperatura é uma das características que deve ser indicada na ficha de características dos painéis fotovoltaicos e que por isso não deve ser descurada. Dos diversos tipos de energia renovável previstos no referido Decreto‐Lei.pt] ] Dos valores apresentados na tabela anterior. tem sido a energia solar a que mais tem motivado os utilizadores a instalarem centrais de rendimento das instalações é um factor que assume uma importância extrema. já possuem rendimentos bastante baixos. este tipo de instalações de pequena potência tem aumentado muito em Portugal. por esse motivo o elevado número de instalações justifica a importância do correcto dimensionamento das mesmas. A este facto não é com certeza alheia a tarifa aplicável à energia produzida através desta fonte de energia. A temperatura tem um efeito importante sobre a tensão do módulo. que tem por objecto estabelecer o regime jurídico aplicável à produção de electricidade por intermédio de unidades de microprodução. No número anterior da revista Neutro à Terra foi feita uma abordagem aos equipamentos que se devem usar no dimensionamento de uma central fotovoltaica. Nos módulos cristalinos o efeito da temperatura faz‐se sentir com mais intensidade do que nos módulos de silício amorfo. microprodução. a tensão baixa muito com o aumento da temperatura. por si só. não se fazendo sentir muito sobre a corrente. a potência do módulo diminui. A tabela 1 apresenta as instalações e as diversas potências de centrais de microprodução com origem em fontes renováveis registadas e instaladas desde a saída do Decreto‐ Lei.ARTIGO TÉCNICO Roque Filipe Mesquita Brandão Instituto Superior de Engenharia do Porto DIMENSIONAMENTO DE CENTRAIS FOTOVOLTAICAS PARA A MICROPRODUÇÃO 1 INTRODUÇÃO Considerando que os painéis fotovoltaicos. 2 FACTORES QUE INFLUENCIAM O RENDIMENTO DAS CENTRAIS Quando se pretende dimensionar uma central fotovoltaica é necessário ter em consideração diversos factores que podem influenciar o rendimento das instalações. nomeadamente a temperatura e os sombreamentos. existem diversos softwares de simulação que dão uma ajuda importante sobre a viabilidade técnica e económica dos projectos. No entanto sobre dois é necessário factores também ter que conhecimento importantes influenciam o rendimento dos painéis fotovoltaicos. Para apoio dos projectistas. Ao haver redução do valor da tensão continuando o valor da corrente quase inalterado. Tabela 1 ‐ Instalações de microprodução [ [Fonte: www.

Se os terminais do módulo estiverem ligados. a fonte de corrente extingue‐se e comporta‐se como uma resistência que é atravessada pela corrente produzida pelas outras células. Os módulos fotovoltaicos são constituídos por um certo número de células em série. Devido à constituição física dos módulos fotovoltaicos. Figura 4 ‐ Módulo destruído Fazendo uma simulação do efeito do sombreamento nas Figura 2 ‐ Termografia de um módulo fotovoltaico . normalmente 60 ou 72.ARTIGO TÉCNICO O aumento da temperatura pode ser responsável também pelo aparecimento de falhas e degradação dos módulos. a potência produzida pelas células sem sombra é dissipada na célula sombreada criando “hot‐spots” que podem levar à destruição do módulo. ficando sujeita a uma tensão inversa e provocando aquecimento que eleva a temperatura para valores que nalguns casos destroem a célula. Quando uma célula está sombreada. devido à dilatação dos materiais. Como cada célula gera um valor de corrente de cerca de 7 A e uma tensão de 0. A figura 5 mostra as referidas curvas num painel sem sombras e a figura 6 mostra o desempenho do mesmo painel com cerca de 60% de área sombreada. ao serem colocadas em série produzem‐se módulos com uma corrente igual à corrente de uma célula e um valor de tensão resultante da soma da tensão de cada célula. curvas I‐V e P‐V e determinando o ponto de máxima potência é possível ter uma ideia do efeito que sombreamento tem nos módulos. Figura 6 ‐ Curva IV e P‐V num módulo sem sombreado |46 . sendo a serie de módulos limitada em corrente pelo módulo que tem menor valor de corrente e em tensão pelo menor valor de tensão das “strings” ligadas em paralelo. Figura 5 ‐ Curva IV e P‐V num módulo sem sombra Figura 3 Efeito da sombra nas células Figura 3 ‐ Efeito da sombra nas células Este fenómeno também acontece na interligação entre painéis.5 V. o sombreamento é também um problema importante.

ARTIGO TÉCNICO

3

EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO

rede e por isso o sistema fica isolado e sem possibilidade de ser utilizado.

Para se fazer um correcto dimensionamento de uma central de microprodução fotovoltaica com ligação à rede eléctrica, é necessário seguir uma série de etapas, enumeradas de seguida: 1‐ Análise das condições de terreno e de instalação; 2‐ Escolha do inversor; 3‐ Escolha dos painéis; 4‐ Determinar o número de módulos e a potência dos  painéis; 5‐ Determinar o número de módulos por fileira; 6‐ Determinar o número mínimo de módulos por fileira; 7‐ Definir o número de fileiras em paralelo; 8‐ Apresentar a configuração do sistema; A potência da central será de 3,68 kWp.

Para instalações ligadas à rede, é necessária a instalação de um inversor de rede que esteja certificado. No site www.renovaveisnahora.pt está disponível uma lista com mais de 160 inversores certificados, por isso aconselha‐ se a utilização de um desses equipamentos. Para este exemplo vai ser usado o inversor da marca SMA, modelo SB 3800/V, com uma potência de saída AC de 3680 W e um rendimento de 95,6%. 3‐ Escolha dos painéis Existem inúmeros fabricantes de painéis fotovoltaicos disponíveis no mercado, o que levou a um considerável abaixamento do preço dos mesmos. No entanto o preço não deve ser o factor principal de escolha dos painéis pois, factores que têm a ver com a qualidade de fabricação, as garantias de potência e a certificação dos painéis por

1‐ Análise das condições de terreno e de instalação A visita ao local de instalação é um factor preponderante para uma correcta instalação da central. Uma análise cuidada do local de instalação permite verificar se poderão existir sombreamentos aos painéis, permite definir a estrutura de suporte mais adequada e também a configuração da central, nomeadamente em termos de número de fileiras de painéis e a sua orientação. Aquando da simulação do sistema, alguns dados necessários introduzir no simulador, são obtidos pela visita ao local, por isso é imprescindível a correcta avaliação das condições de instalação. 2‐ Escolha do inversor O inversor é o equipamento que converte a energia contínua produzida pelos painéis, em energia alternada com características similares à da rede eléctrica. É um equipamento que possui, geralmente, um rendimento elevado e que desempenha um papel fundamental em todo o sistema. Se o inversor não funcionar, a energia não é injectada na

entidades reconhecidas são aspectos mais importantes que o preço por Wp. Neste caso serão usados painéis de silício monocristalino de 220 Wp ou de 230 Wp, fabricados pela empresa Goosun, que estão certificados segundo as normas europeias e

internacionais IEC/EN 61215 e cumprem os requisitos da classe de protecção II. Estes módulos garantem uma potência nominal mínima de 90% a 10 anos e 80% a 25 anos. Se os módulos estiverem colocados num local com as condições ideais é possível obter deles a sua máxima potência, no entanto como na realidade isso não se verifica e porque também existem perdas nos equipamentos, nomeadamente no inversor (4,4%) e nos próprios painéis que têm uma tolerância de ±3 %, é aconselhável instalar uma potência superior a 3680 kW. No entanto é preciso verificar qual a máxima potência DC suportada pelo inversor. Consultando as características do inversor escolhido, o valor indicado é de 4040 W.

Figura 7 ‐ Características do inversor SMA

47|

ARTIGO TÉCNICO

Este é um valor a ter em atenção pois com valores de potência de entrada superiores, o inversor desligar‐se‐á. 4‐ Determinar o número de módulos e a potência dos painéis No ponto 2 indicou‐se que se iriam utilizar painéis com 220Wp ou 230Wp. Considerando a potência máxima DC do inversor (4040 W) e fazendo a divisão dessa potência pela potência dos painéis conclui‐se:
Tabela 2 ‐ Cálculo do número de módulos

O limite máximo da tensão de circuito aberto do módulo é atingido quando a temperatura é muito baixa (‐ 10 ºC). Nessa situação se o inversor sair de serviço, a tensão de circuito aberto será demasiado elevada para se poder voltar a ligar o sistema sem que daí advenham danos para o inversor. Esta tensão deve ser menor do que a tensão DC máxima admissível do inversor. Limitando o número de módulos por fileira consegue‐se obter um valor de tensão de circuito aberto calculado pela associação em serie dos diversos módulos, que não seja demasiado elevada. A fórmula seguinte permite calcular a tensão de circuito aberto para uma temperatura de ‐10 oC, a partir da tensão do circuito aberto do módulo obtida nas condições de referência STC.

(1)

Como se pode verificar, o número de módulos de 230Wp é 17 que é um número que não se pode distribuir equilibradamente pelas fileiras. Como o inversor não permite ligação de fileiras com número de painéis diferentes, ou seja com valor de tensão diferentes nas fileiras, é necessário reduzir para 16 o número de painéis de 230Wp, dado que 18 painéis de 230Wp levariam a uma potência DC de entrada superior a 4040W.
Tabela 3 ‐ Comparação entre o número de módulos p ç

Verificando

as

especificações

técnicas

dos

módulos

escolhidos para este projecto, verifica‐se que a o coeficiente térmico dado pelo fabricante (ΔU) é ‐0,33%/oC e que Vca(STC) vale 35,8 V. Aplicando a equação anterior obtém‐se,

(2)

O número máximo de módulos por fileira (NMm) é então obtido através da relação entre a tensão máxima admitida pelo inversor (VMi) e a tensão máxima de circuito aberto (‐ 10oC), obtendo‐se:

(3)

O resultado obtido informa que deveremos colocar por fileira, no máximo 10 módulos fotovoltaicos em série. Como é possível concluir a instalação de 18 módulos de 220 Wp cada é a melhor solução. 5‐ Determinar o número de módulos por fileira O número de módulos fotovoltaicos a colocar em cada fileira é limitado pela tensão DC máxima admissível para a ligação de módulos em série e pela tensão máxima à entrada do inversor. De relembrar que todos os valores necessários ao cálculo são obtidos através das especificações técnicas dadas pelos fabricantes dos equipamentos. 6‐ Determinar o número mínimo de módulos por fileira No verão verificam‐se elevados níveis de radiação e estima‐ se que os módulos colocados nos telhados podem estar sujeitos a temperaturas que poderão atingir os 70 oC.

|48

ARTIGO TÉCNICO

Nessas condições o sistema fotovoltaico terá uma tensão aos seus terminais inferior àquela que se verifica nas condições de referência STC. Se a tensão do sistema fotovoltaico descer para valores abaixo da tensão MPP mínima do inversor (Vmi), a eficiência global do sistema ficará condicionada, podendo provocar a saída de serviço do inversor. Para evitar este problema, deve‐se calcular o número mínimo de módulos ligados em série numa fileira. Analisando as características do inversor verifica‐se que Vmi = 200 V e a tensão na máxima potência dos painéis, dada pelo fabricante dos painéis, é Vmp = 28,1 V.

A configuração do sistema será:
Tabela 4 ‐ Configuração final do sistema

O esquema da configuração do sistema é apresentado na figura seguinte.

(4)

Deste modo o número mínimo de módulos (Nmm) por fileira é calculado pela relação entre Vmi e Vmp(70ºC) (5)

7‐ Definir o número de fileiras em paralelo O número de fileiras em paralelo está limitado pelo número de entradas do inversor. No caso do inversor escolhido o valor é 3. No entanto é necessário verificar se a corrente máxima do sistema fotovoltaico ultrapassa o limite máximo da corrente de entrada do inversor (20 A). O número máximo de fileiras (NMf) deverá ser calculado através da seguinte fórmula.
Figura 8 ‐ Esquema de ligação

Apesar de estruturalmente existirem 3 fileiras elas estão ligadas de forma a que apenas existam 2 fileiras em paralelo. (6) A colocação das 3 fileiras deveu‐se à falta de espaço no local de instalação para colocar os 9 módulos seguidos.

8‐ Apresentar a configuração do sistema Após o cálculo de todos os valores anteriormente apresentados é necessário fazer um resumo e apresentar a configuração final do sistema. ‐ ‐ ‐ ‐ Número máximo de módulos por fileira: 10 Número mínimo de módulos por fileira: 8 Número de fileiras em paralelo: 2 Total de módulos: 18

4

CONCLUSÕES

Neste

artigo

foi

apresentado

um

exemplo

de

dimensionamento de uma central de microprodução fotovoltaica para ligação à rede eléctrica. Falta ainda definir todo o cálculo das cablagens DC e protecções que o sistema deverá possuir, mas que não fazia parte daquilo que era pretendido neste artigo. Podendo ser abordado esse tema numa próxima edição da Revista Neutro à Terra.

49|

budget and tastes” [01]. sondamos os seus interesses e motivações e decidimos cruzá‐los com a oferta de sistemas domóticos existentes em Portugal. para que os clientes de casas inteligentes sintam a satisfação que as tecnologias lhes podem oferecer. Hoje em dia. A lógica do mercado inverteu‐se nos últimos anos: anteriormente a oferta era escassa e por isso produzia‐se para stock. O resultado provoca a desconfiança e saturação entre os 1 INTRODUÇÃO clientes particulares ou profissionais. ainda à procura de elementos de referência numa tecnologia que ainda não A casa. em Portugal. Do cruzamento do conhecimento dos sistemas e mais agradável. Tecnicamente. disponibilizados para casas inteligentes e das motivações dos consumidores poderá resultar uma melhor aproximação à solução que conduz à satisfação do consumidor. Esses são os limites actuais: “lifestyle. 2 O CONCEITO DE CASA INTELIGENTE Diversas empresas promovem. Neste contexto. [08] Quando se aborda o tema das casas inteligentes tem‐se normalmente o cuidado de definir previamente esse conceito. agora tem de fazer opções e seleccionar uma solução com a qual terá de conviver. o nome de "casa inteligente". esperando assim contribuir para um novo equilíbrio procura/oferta tendente a que uma casa inteligente fique acessível a mais lares portugueses. Estudar os diferentes sistemas de domótica para casas inteligentes é pensar num cliente exigente. Assim. é um pouco de nós. os sistemas baseados no protocolo EIB com excelentes características enquadram‐se no segmento mais exigente e com maior investimento. preparando‐a para assumir novas funcionalidades: “how far you go with your smart home depends on your lifestyle. actualmente. a nossa habitação. Tornamo‐la mais inteligente. quando apenas utilizam alguns automatismos isolados. Neste estudo concluiu‐se que. conhecem. confortável e atractiva. agora a lógica de mercado passou a ser comandada pela procura. ela é algo de muito delicado e reflecte um pouco da nossa personalidade. sem qualquer possibilidade de integração ou expansão. em termos de marketing. que anteriormente tinha que aceitar o que o mercado lhe disponibilizava. parece dar resposta ao segmento de mercado de menor investimento nesta área.ARTIGO TÉCNICO António Manuel Luzano de Quadros Flores Instituto Superior de Engenharia do Porto A CRIAÇÃO DE VALOR NO BINÓMIO: “CASA INTELIGENTE” / CONSUMIDOR RESUMO Tentamos permanentemente ajustá‐la à nossa maneira de estar. de modo a ser cada vez mais confortável. pois nela passamos grande parte da nossa vida. mais segura Este trabalho tem como objectivo entender a criação de valor no binómio casa inteligente/consumidor. criativo e que procura na tecnologia a concretização dos seus sonhos: uma casa segura. dado utilizarem a rede eléctrica para comunicação e interligação. os sistemas evoluíram e proliferaram. a oferta é diversa e o consumidor. O método utilizado baseou‐se na pesquisa do mercado português de sistemas de domótica e posteriormente no estudo das motivações do consumidor recorrendo ao método quantitativo de análise de inquéritos. O protocolo X10 oferecendo uma elevada flexibilidade a baixo custo. O segmento intermédio encontra uma resposta diversificada nas soluções oferecidas baseados em sistemas proprietários desenhados para responder às exigências mais comuns dos consumidores. budget and tastes”! A tecnologia deixou de ser o limite! Agora o limite está em nós. 51| . disponibilizando pequenos kits de inicialização acessíveis e facilitando a sua instalação. estão disponíveis sistemas domóticos capazes de satisfazer as necessidades e motivações dos diferentes consumidores. Por isso.

fuga de água ou gás. há problemas com a conceptualização da “casa inteligente”! Parece haver pouca concordância sobre como uma casa inteligente deve ser e sobre que tecnologias ela deve incorporar. avisos. resultam normalmente definições. Senão. permitindo o controle interactivo dos sistemas. Anywere”. Funcionalidades principais: detecção de incêndio. Por exemplo. jovens. quer de dentro. con los distintos dispositivos en red y desde cualquier lugar de la casa”. Além disso. tomar decisões e actuar sobre o meio envolvente”. para contornar as dificuldades temporárias ou permanentes. a casa que aprende padrões da utilização do aquecimento e da iluminação (“the adaptative home”). capaz de fazer do seu habitat um mundo maravilhoso e mágico. no mínimo.ARTIGO TÉCNICO Dado a designação de “casa inteligente” ter um termo controverso. ‐ Soares [14] considera que “a “Casa do Futuro” deve ser o espaço por excelência da vida moderna. adultos e idosos). A “Casa do Futuro” deve também estar preparada para permitir o acesso fácil a todos os cidadãos. e o acesso aos serviços e à informação. físicas ou mentais do ser humano. As capacidades da domótica podem ser um auxiliar precioso De facto. ‐ Connected home: A casa tem uma rede interna interligada com a rede externa. Assim mantendo a atenção na funcionalidade disponível para o utilizador podemos identificar cinco tipos de casa inteligentes: ‐ Contains intelligent objects: electrodomésticos inteligente. [06] Em termos de conclusão. ‐ Alert home: As actividades das pessoas e dos objectos são constantemente monitoradas alertando e que Contém dispositivos e de um modo funcionam antecipando as acções a tomar (“the aware home”). communicating objects: Contém dispositivos inteligentes que comunicam entre si. a) TIPOS DE CASAS INTELIGENTES “Anything. curiosas. b) AS FUNÇÕES DA CASA INTELIGENTE Actualmente as habitações podem estar equipadas com sistemas que associam diversas funcionalidades nas áreas de segurança. vejamos: ‐ Franco [03] afirma que “uma casa inteligente deve ser como um mordomo invisível. e cada membro do agregado familiar em particular (crianças. quer do exterior. ‐ Contains intelligent. gestão de energia e comunicações. comandos e controlo remotos. |52 . trocando informação e aumentando assim a sua funcionalidade. ‐ Learning home: Os padrões de utilização são gravados e os dados acumulados são usados para antecipar as necessidades dos utilizadores. onde ao alcance de um botão podem estar as mais diversas possibilidades de realizar as suas aspirações”. estes sistemas permitem facilitar as tarefas a idosos que assim vêem minimizados algumas limitações a que estão expostos. onde a família no seu todo. encontra as diversas instalações especiais úteis e necessárias ao seu “contacto com o mundo”. Anytime. ‐ Segundo Roseta [12] “talvez a melhor casa do futuro seja aquela que for capaz de transmitir uma lição de harmonia entre memória e sonho. ‐ No “Logar Digital Conectado los PCs y otros equipos electrónicos de consumo trabajan de forma conjunta para ofrecer contenido digital en todos los lugares de la casa. capaz de observar. intrusão. conforto. La gestión de este contenido se realiza de forma fácil y cómoda. que a faça resistir à prova do tempo que passa. Oliveira [11] acrescenta que se perspectiva que “a «Casa do Futuro» vai reinventar a função do habitáculo doméstico e as sociabilidades individuais ou colectivas à sua volta”! Um ponto de partida poderá ser a sistematização de Gann (1999) referida por Harper [04] que consiste na distinção entre casas que simplesmente contêm aparelhos inteligentes e aquelas que permitem computação interactiva dentro e para fora da casa. incluindo os deficientes”. Mas há também que abrir as portas à imaginação criadora e construtora do homem.

rede eléctrica ou rádio frequência. A real purist may object to some of the potential problems with it. não existindo produtos comerciais disponíveis. 1) Protocolo X10 : “This is something that's been around for a long time. baseia‐se numa arquitectura descentralisada sendo considerado b) A OFERTA EM PORTUGAL de elevada fiabilidade. flexibilidade e na sua facilidade de instalação. but unless money is no object to you. [13] Este protocolo foi desenvolvido com o objectivo de servir de ferramenta didáctica e permitir o desenvolvimento e avaliação de novas funcionalidades sem restrições dos produtos comerciais [10]. mas que na prática não são implementados. também disponíveis módulos que repetem e amplificam os sinais. no qual participamos como stakeholders. diversos protocolos de comunicação constam de publicações técnicas e científicas estando implementadas no mercado americano com sucesso (homologadas pelo American National Standards Institute ‐ ANSI). O grande sucesso deste sistema reside no seu baixo custo. but at the end of the day. which was designed to be a replacement of X10 and other in‐home communications protocols. It’s fought long and hard to earn some of its Existem vários estudos que referem protocolos que tecnicamente parecem ser interessantes. Dado que a patente deste protocolo já expirou há alguns anos. 53| . lâmpadas ou regular a sua intensidade luminosa. Analisaremos os protocolos X10 e EIB e os sistemas proprietários Vivimat. Por exemplo um estudo científico [03] ressalta o particular interesse das redes tipo CEBus [02] que permitem o transporte de dados através de redes eléctricas convencionais podendo operar em redes wireless. Além disso. diversos fabricantes contribuíram para a existência no mercado de uma elevada variedade de dispositivos que contemplam as mais variadas funcionalidades Para evitar que os sinais actuem os dispositivos das habitações vizinhas existem filtros que bloqueiam a passagem destes para fora da sua rede de energia. quer como técnicos. não penetram no nosso mercado. Possibilita a execução de qualquer projecto graças à enorme diversidade de Para que. “a bunch of companies grouped together with a standard called CEBus (or Consumer Electronics Bus). 2) Protocolo EIB: Este protocolo.ARTIGO TÉCNICO 3 A OFERTA consumidores. [05] A tecnologia X10 usa a rede eléctrica como meio de comunicação entre os vários dispositivos. a tecnologia DomoBus corresponde a um desenvolvimento académico. este estudo tenha alguma realidade prática relativamente ao mercado. tal como o X10. There was a lot of fanfare. Porém. “Various industry groups and technology companies have tried (and mainly failed) to come up with next‐generation protocols to help automate a home”. pois permite o seu uso em casas já existentes. Quando é necessário vencer distâncias consideráveis estão Relativamente a esse protocolo Briere refere que nos anos 90. não estando assim disponíveis no mercado. Os dispositivos podem ser ligados directamente nas tomadas e serem usados para ligar ou desligar equipamentos. improvements in reliability. de facto. Simon. and has a definite place in your home. Pode usar diferentes meios de comunicação: bus de 2 condutores. we never saw any products hit the market that used the CEBus Home Plug & Play standard”! [01] (2003) Do mesmo modo. Hometronic e Cardio. os sistemas analisados neste estudo foram apenas aqueles que têm tido uma representação mais a) A OFERTA DE SISTEMAS PARA CASAS INTELIGENTES notória nas feiras internacionais em Portugal. devido a não serem conformes com os standards CE. (2003) [01] Domus. you can’t beat the affordability and practical flexibility of X10”. quer como equipamentos que os seus associados disponibilizam. Este é um aspecto chave desta tecnologia e é a sua maior vantagem face a outras soluções. O X‐10 é de momento a tecnologia mais acessível para a realização de uma instalação domótica não muito complexa.

O sistema CARDIO dispõe de uma sonda no ecrã táctil que permite o controle da temperatura da habitação e pode ser remotamente controlado por telefone. os consumidores não fazem as suas compras de acordo com um processo de tomada de decisão estritamente racional. 7) Sistema proprietário Cardio. permite controlar qualquer dispositivo X10. Tem uma unidade central de processamento. As suas limitações são a impossibilidade de regulação da intensidade luminosa. |54 . é um sistema centralizado que pode ser ampliado com a introdução de módulos adicionais interligados por um bus de comunicação. por telefone ou por Internet. da percepção do consumidor de que existe uma necessidade. Ajusta‐se às necessidades de todo o tipo de casas de nova construção. SMS e a visualização do estado do sistema pode ser feita na televisão. quer saber qual é o seu estado. computador. a busca. A perspectiva experimental sobre o comportamento do consumidor sugere que. Este protocolo conduz normalmente a soluções de investimento relativamente elevado. As suas acções podem ser activadas localmente. Pode ser controlado por painel táctil. As persianas são controladas por módulos centralizados num quadro próprio (com uma ligação bus ao painel táctil). automaticamente através da central. De modo a evidenciar as potencialidades oferecidas por todos estes sistemas organizaram‐se na tabela 1 as suas características. Em cada piso de uma habitação cada interruptor liga ao módulo de entrada (situado num quadro parcial) através de um par de condutores. 3) Sistema proprietário Vivimat: O sistema domótico VIVIMAT. 4 A PROCURA a) COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR De acordo com a perspectiva da tomada de decisão. dois contactos secos para controlo de iluminação e um outro para controlo de aquecimento. em seguida. primeiramente. 4) Sistema proprietário Domus/Inteligente: Este sistema baseia‐se num ecrã táctil que incorpora o processamento da informação. em direcção a um processo racional da satisfação dessa necessidade. Do mesmo modo. WAP e Internet. em alguns casos. O sistema inclui a possibilidade de cada botão de pressão poder ter duas funcionalidades distintas: uma com toque curto e outra com toque longo. painel de visualização. a escolha e a avaliação pós‐aquisição. O sistema pode ser acedido remotamente por computador via linha telefónica. a avaliação de alternativas. um sensor de movimento. rapidez de resposta. 5) Sistema proprietário Simon: O sistema SIMON VIS é um sistema semi‐centralizado radial. injectando sinais na rede eléctrica através da interface X10. a adesão a um sistema inteligente para a sua habitação resulta. nas seguintes áreas: campo de aplicação do sistema domótico. capacidade de infravermelhos. Permite o controlo e manutenção local e remota através de teclado. quer actuar qualquer dispositivo. Além disso. um sensor se luminosidade e um sensor de temperatura e como saídas um emissor de infravermelhos. facilidade e versatilidade de utilização. Em cada divisão da casa é instalado um destes módulos que incorpora como entradas um receptor de O telecontrolo via teclado do telefone permite. expansibilidade. Entre essas etapas estão o reconhecimento do problema.ARTIGO TÉCNICO Este sistema permite que um único par entrançado seja usado para alimentar um dispositivo e para comunicar com ele. interligação com outros sistemas. por uma série de etapas. interfaces de controlo e custo global para uma vivenda modelo. da transição. A este painel é ligado um cabo bifilar ao qual estão ligados em anel os “módulos de sensor”. telefone. “módulo de controlo” que interliga com os módulos de saída e entrada. 6) Sistema proprietário Hometronic: O sistema Hometronic usa a radio‐frequência para a comunicação entre a central e os vários sensores e actuadores espalhados pela casa. cada lâmpada é alimentada a partir do módulo de saídas. Como o controlo é feito por software qualquer saída pode ser temporizada.

000 N N 0 MÉDIA MÉDIA ELEVADA N S N N N N S N N S S ILIMITADO S S S S S 120 ELEVADA N S S 7. para o consumidor. € Orçamento global Preços (€) para vivenda média com 3 pisos X10 P S S N N S S N 256 N S 1 seg ELEVADO ELEVADO ELEVADO S S S N S S S S S S ELEVADO S S S S S N 130 MÉDIA N S S 2.000 7.709 EIB P S S S N S N N 12. Assim.000 20.000 7.000 15.ARTIGO TÉCNICO Em vez disso.000 5.000 6. Max de enderços Expansibilidade Rapidez Utilização Outras Limitações Expansibilidade futura Tempo de resposta a 1 ordem Facilidade Versatilidade Eficácia Por voz Voz Teclas Telefone SMS W AP Recebe imagens Local PC Módulo programável Controlo Lig. com timers Telecomando Valor mínimo aprox.000 5.628 DOMUS-INT JG P P S S S S S N N N ILIMITADO ILIMITADO DIFÍCIL 0 ELEVADA ELEVADA ELEVADA N N S S S N N N S 7 /ROOM 7 /ROOM N S N N S N 135 MÉDIA S N S 3. [08] Tabela 1 – Características dos sistemas domóticos analisados SISTEMA: Fabricante: Localização Origem Assistência Apartamentos Aplicação Vivendas Edifícios Indústria Construção Interligação Nova Existente EIB X10 Nr. Botões B tõ Táctil Ecran A cores Diagomal (mm) Resolução WI-FI Iluminação Regulação Cenários Valor max. o nosso conceito de vida e a nossa relação com a família e com o mundo. aprox. as pessoas podem adquirir uma casa inteligente para expressar a terceiros certas ideias e significados a respeito de si mesmas [09]. dir‐ te‐ei quem és”. Deste modo.700 9. telefone Internet Macros Nr. para criarem fantasias ou obterem emoções e sentimentos.700 VIVIMAT DINITEL E P S S N N S N N N 48 IN + 56 OUT N N 0 EXCELENTE BAIXA ELEVADA N S S S N S S S S S ILIMITADO S N N S S S 120 MÉDIA S S S 4.480 OMTRONIC HONEYWELL G P S S N N S S N S 100 S S 0 EXCELENTE EXCELENTE EXCELENTE N S N N N N N N N S ILIMITADO S N S S N N N N N S S 3.000 SIMON SIMON E P S S S S S N N N 128IN+128OUT N DIFÍCIL 0 ELEVADA MÉDIA MÉDIA N N S N N N S N N S 128 S S N N N N N N N S S 7.500 15. às vezes. € 55| . No futuro poderemos afirmar: "Mostra‐me a tua casa. ou apenas satisfazer a sua necessidade de reconhecimento e valorização pela sociedade.000 5948 Relógio despertad. Mais do que nunca a nossa casa revelará os nossos valores.000 5.112 13. um meio de este sentir prazer ao ter controlo sobre as variáveis da sua habitação.500 70.000 4.629 6. as pessoas compram produtos e serviços apenas para se divertirem. tornar a casa inteligente pode constituir.000 CARDIO SECANT USA P S S N N S N N S 200 160Lamp+40plug N 0 S S S N N S N N N S S S 50 ILIMITADO S S N N S N 120 MÉDIA N S S 5. de timers Infravermelhos Rádio-freq.

“até tudo funcionar. que admitimos constituírem uma base aceitável para extrapolação de resultados. para melhorar a qualidade de vida dos seus utilizadores. “não sei se é de confiança”. está satisfeito?” Destaca‐se a satisfação da maioria dos clientes utilizadores de uma casa inteligente. Das funções apresentadas pelos inquiridos é o aquecimento central a função mais comum nas casas inteligentes. “resolve os problemas de quem a habita” e “melhora a qualidade de vida”. Seguidamente apresentam‐se os resultados dos inquéritos. que gere da melhor forma os seus recursos energéticos e ecológicos. Assim o inquérito foi enviado via e‐mail. de iluminação e de alarmes através do computador. há expressões reveladoras de dúvidas. Seguem‐se as funções de controlo de persianas. paralelamente. Também elas foram as mais representativas na satisfação dos utilizadores. que pode ser comandada à distância. Foram recebidos 90 inquéritos no período de uma semana. “pouco funcional”. A insatisfação é apresenta somente por um utilizador que a atribui à incompetência do fornecedor inicial como relativamente às casas inteligentes. que é programada. noção temporal. Registaram‐se expressões curiosas que retractam uma casa inteligente em várias perspectivas: “casa prática”.1) “Se tem uma casa inteligente. São também estas. 2. optamos por um estudo quantitativo. que nos permitiu obter um número significativo de respostas.ARTIGO TÉCNICO b) METODOLOGIA DA INVESTIGAÇÃO 2. dá mais trabalho que uma casa normal”. de preocupações e até de desânimo: “sujeita a avarias”. “se tudo funcionar é óptimo”. ganhar segurança e economia de energia”. para endereços colectivos. estimando‐se que terão chegado a cerca de 4000 pessoas de diversas partes do país.1)Bloco B ‐ Consideramos neste bloco as dimensões satisfação e insatisfação do cliente. Porém.2) “Se tem uma casa inteligente. entre outras.2) “Se tem uma casa inteligente. o que mais o satisfaz”? Das funções típicas domóticas. “tem memória. de detecção de incêndio e de gás. Pretendendo conhecer a opinião dos consumidores 2. “gere de forma eficiente” “casa com vida própria”. que tem componentes electrónicos que auxiliam a gestão de tarefas domésticas e. “permite poupar tempo.1. |56 . O critério de selecção da população alvo baseou‐se na escolha de profissionais de classe média e alta. Das funções domóticas apresentadas pelos inquiridos são elegidas as funções que proporcionam conforto e ”Que ideia tem de uma casa inteligente”? comodidade e aquelas que facilitam as rotinas domésticas. tudo isto. sendo os seus resultados apenas aproximados. 2. com excepção da protecção contra electrocussão que eventualmente não é conhecida por muita gente. Da análise das respostas constata‐se que uma casa inteligente é sobretudo uma casa que apresenta automatismos. Parece‐nos que temos aqui uma relação entre a satisfação do cliente e as funções procuradas para instalar na sua casa. iluminação e 1) Bloco A: A questão inicial tenta captar qual é o conceito que o inquirido já tem (ou não) de casa inteligente: alarmes através do computador.1. há interligação com o utilizador”. seguidas da detecção de fuga de gás e de incêndio e do facto de poderem controlar as persianas. que funções inteligentes tem na sua habitação? A rega automática e a detecção de intrusão são as funções que existem em maior número nas casas inteligentes da população que diz possuir este tipo de habitação. (questionário por inquérito). as funções eleitas como as que mais os satisfazem. são a rega automática e a detecção de intrusão as mais significativas na satisfação dos utilizadores inquiridos. responsável pelo facto.

o traço vertical assinalado para cada função representa a variação da valorização atribuída correspondente a dois terços da 3. Os inquiridos retractam‐na. tem rega automática e detecção de movimento.1) “Se conhece alguém que tenha uma casa inteligente. como uma casa “fantástica” e que dá “prazer”. mas já há sistemas que funcionam em paralelo com a instalação eléctrica tradicional sem nada perturbarem o seu funcionamento. “complicada quando não está o dono” e “fica aquém da propaganda”. Os que conhecem utilizadores de casas inteligentes confirmam esta opinião.1). É programada. para mais e para menos. os que possuem uma casa inteligente dizem que estão satisfeitos e que não apresentam dificuldades relevantes. quais são as dificuldades com que se depara no seu dia a dia”? A maioria dos inquiridos afirmam que as dificuldades não são relevantes. É de destacar que as funções de segurança (detecção de intrusão. ou seja. As experiências são “boas e más”. Apresentam de facto algumas Parece‐nos que há um certo consenso nas respostas dos nossos inquiridos. correspondente variação. por um lado “espectacular”. 57| . representa o valor médio das valorizações que os respondentes lhe atribuíram numa escala de 0 a 100%. ou seja. De modo a conhecer a dispersão das respectivas valorizações atribuídas. mas “os problemas resolvem‐se”. detecção de gás. Recorde‐se que estas funções foram ditas pelos utilizadores de casas inteligentes como as que os satisfazem mais e verificou‐ se.3) “Se tem uma casa inteligente. Eis a razão por que se sentem satisfeitos os seus donos. qual é a experiência que os moradores dessa casa têm”? A experiência dos moradores das casas inteligentes é francamente positiva. Como já foi referido anteriormente neste estudo. de deixarem os seus habitantes às escuras. relativa a cada função. por sua vez. dificuldades. Estas duas facetas poderão ser uma consequência do sucesso do sistema amostra. praticamente todas as funções domóticas apresentam uma valorização média superior a 50%. como é que a descreve”? Segundo as opiniões recebidas a casa inteligente é sobretudo confortável e segura. uma preocupação do consumidor relativamente à fiabilidade do sistema eléctrico. que são ainda as mesmas funções as que se encontram em maior número nas casas inteligentes. 3. Constata‐se.2) “Se conhece alguém que tenha uma casa inteligente. Assim. Este resultado parece‐nos significativo na medida em que a maioria dos utilizadores de casas inteligentes desta amostra afirma estar satisfeito com a sua casa. por outro lado. detecção de inundação e detecção de incêndio) são aquelas que apresentam um valor médio na ordem dos 80% e com um desvio padrão apertado. o que quer dizer que cerca de dois terços da amostra se situam nesta faixa. determinou‐se o desvio padrão de cada função e assinalou‐se no gráfico a 3) Bloco C: Seguidamente pretende‐se detectar qual é a imagem que as pessoas captam de quem tem uma casa inteligente. são as mesmas que eles valorizam mais. A marca triangular (Fig. é “complexa”. mais uma vez. mas eventualmente ultrapassam‐nas com facilidade. existem sistemas que centralizam o processamento numa única unidade correndo o risco.ARTIGO TÉCNICO 2. que os respondentes dizem ter instaladas. Mas também é importante verificar que os “amigos” dos utilizadores de uma casa inteligente ficam com a ideia de que ela é. porém. segurança. parece confirmar‐se que as funções relativas à implementado ou da limitada capacidade do instalador. em caso de avaria ou de erro fatal do software. “ boa e útil” e “tem tudo o que é necessário para se sentirem bem” e reconhecem que ela é “atractiva perante os amigos”. relativamente ao valor médio. 4) Bloco D: Este bloco é referente à valorização que o inquirido atribui a uma série de funções domóticas típicas apresentadas no inquérito.. e também as que mais satisfação lhes dão. Segundo o gráfico apresentado.

sobre a designação de observações.Q.000 8. que modificações faria na sua casa actual”? D.fog go Rega a em incluir as funções domóticas referidas. Na figura 2 apresenta‐se o número total de interessados (acumulado) para cada nível de investimento. esta expressão assusta muita gente pelo automatismo que ela envolve e pelo investimento que se imagina que ela carece. na sua habitação actual. “As pessoas estão pouco informadas sobre o que é uma casa inteligente. vidros Alarm congelador me Câma aras Grav vador Transcrição de algumas das observações mais relevantes: “Acho que a designação de “casa inteligente” não passou e precisa de ser repensada!!!” P. após a reflexão anterior.ext Figura 1 – Nível de valorização das funções domóticas por parte do consumidor D.ARTIGO TÉCNICO Como o consumidor valoriza as funções domóticas 125 100 5) Bloco E ‐ A questão seguinte pretende que os inquiridos. permitiu‐se que as pessoas manifestassem livremente as suas opiniões e os seus receios sobre este tema tão polémico das casas inteligentes.águ ua D.000 10.000 9.000 4. Além disso. gá ás D.000 2. Telec control sirene Telec control fogão Tele Escuta 12 epção alarmes Rece Cont trolar c/ PC 11 Simu ulação presença Telec comandos 10 .Intrusao D.Portas terior D. “Se decidisse tornar a sua casa inteligente. total de interessados 6) Bloco F: Este bloco diz respeito ao nível de investimento (em euros) que o consumidor está disposto a aplicar com vista à satisfação das necessidades que entretanto lhe foram estimuladas. |58 Valorização 0 a 100% 75 50 25 0 D. possam manifestar o interesse Nr.000 3.000 7.000 6.000 5. 7) No fim do inquérito.000 Investimento disponível (€) Telec control aquec.ele ectrocussão 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 0 46 42 41 34 32 29 25 21 39 Figura 2 – Percepção de valor de um sistema domótico Telec control ILU 1.

para a faixa de investimento dos 5. ‐ Na área do conforto: controlar persianas. detecção de incêndio. concerteza. qualquer deles oferece possivelmente melhores “Todos os contributos nesta área são de facto importantes. que se usa da mesma maneira como qualquer aparelho eléctrico. iluminação e alarmes através do computador. controlo bidireccional. com excepção do X10. Se analisarmos o caso.” Para este patamar de “esforço económico”. acho eu. Dado os interesses e motivações de cada um serem diferentes. 59| . Os interesses que o consumidor manifestou relativamente às casas inteligentes foram essencialmente os seguintes: ‐ Na área da segurança: detecção de intrusão no interior da casa. rega automática dos jardins. ligar ou desligar o fogão através do telefone. de inundação e de fuga de gás.000 euros para tornar a sua casa inteligente”. Assim. tem uma grande oferta de sistemas de 5 O CRUZAMENTO DA OFERTA COM A PROCURA resultando daí. A fase seguinte deveria ser uma análise detalhada de cada característica para determinar qual seria a solução que melhor “integraria cada sistema domótico com o seu dono”. a ponderação de cada especificação é um factor pessoal e consequentemente a “melhor solução” dependerá de critérios subjectivos. com detectores de movimento. Portanto. A tecnologia está mais que madura. Além disso.” ‐ ‐ ‐ Estes sistemas. pelo menos.ARTIGO TÉCNICO Penso que há necessidade de desmistificar este assunto para que as pessoas compreendam que se pode ter algo inteligente na casa por pouco por pouco dinheiro e de forma simplificada. “Julgo que ainda estamos na fase de mercado em que reinam os improvisadores e as soluções dirigidas a quem tem muito dinheiro.000 euros o consumidor domótica. como se pode concluir da análise do resumo das fichas técnicas de cada sistema analisado. Parece‐me fundamental democratizar o acesso a. podem daí resultar três tipos de soluções que satisfazem a maior parte dos inquiridos procurados: a) Sistema de 5. já teríamos cerca de 34 consumidores nesse grupo. uma maximização da sua satisfação pós‐venda. se segmentarmos a procura em três faixas. logo há espaço para quem não seja ganancioso e perceba do tema. de um nível de investimento disponível inferior. poderia considerar‐se um sistema híbrido em que se proporia uma central de intrusão inteligente que acumularia funções de comunicação e disponível. estes teriam várias soluções possíveis: ‐ ‐ ‐ Sistema Cardio Simon Vis Domus Vivimat Omtronic X10. associada a uma aplicação criteriosa do sistema X10 que permitiria um escalonamento progressivo à medida do interesse do consumidor. O mesmo não acontece nos Estados Unidos ou noutros países da Europa onde o poder de compra é bem superior ao nosso. ligar.000 euros para 21 respondentes b) Sistema de 1. desligar e controlar o aquecimento central. são todos sistemas centralizados e proprietários. Como se pode inferir da análise do gráfico do ”número total de interessados por cada nível de investimento” vinte e um dos inquiridos estão dispostos a investir 5.500 euros para 13 respondentes c) Sistema de 500 euros para 7 respondentes Para satisfazer o grupo representativo dos “13” inquiridos que disponibilizariam um investimento de 1.500 euros para Claro está que a selecção de qualquer solução domótica está intrinsecamente associada ao nível de investimento terem a sua casa mais inteligente. algumas das funcionalidades Inteligente” que tornam uma casa numa Casa características e fiabilidade que o X10. ainda mais se tivermos em consideração o ritmo de vida que a maioria da população leva. por exemplo 1500 euros. Há que reconhecer que a maior parte das soluções domóticas que o mercado apresenta estão algo fora do alcance da maioria dos portugueses.

que vão desde um sistema compacto de detecção de intrusão telecomandado com telecomando de rádio frequência compatível com os sinais X10 e que avisa telefonicamente o dono em caso de intrusão (a Portugal Telecom comercializa este produto). evitando‐se assim. Entre elas destacam‐se o auxílio aos gestores nas suas decisões. permite que o cliente vá comprando os equipamentos à sua medida e vá lentamente construindo a sua casa inteligente por partes. Compreender as motivações dos consumidores. todos os problemas de falha de comunicação podem As casas inteligentes. quer pelas distâncias que os sinais têm que vencer. Quando a instalação atingir uma dimensão maior. a cadeia de valor que inclui todos os processos desde a produção. os alarmes técnicos seriam geridos pela central de intrusão e o conforto ficaria a cargo do sistema X10. estando a ser substituída por uma relação Amigo‐Amigo como resultado de uma relação de cooperação “win‐win”. quer pelo número de módulos ligados. pois apenas é necessário ligar mais módulos às tomadas. [07] 6 CONCLUSÕES permanentemente ao seu lado. É necessário clarificar este conceito. um receptor de rádio frequência que injecta o sinal de X10 na rede e um telecomando de rádio frequência que pode controlar os referidos módulos que recebem o sinal X10 pela rede eléctrica. mostrou‐se que o mercado também oferece outros sistemas fiáveis. por meio de uma chave de fenda. a lógica da relação Fornecedor‐Cliente mudou. o auxílio ao consumidor na tomada de melhores decisões de compra. o sistema X10 tem kits económicos. sendo mesmo possível aplicá‐lo apenas numa única sala: sistema X10. que incluem um módulo X10 para controlar electrodomésticos. Dado o sistema X10 ser muito fácil de instalar o nível técnico do “instalador” pode ser abolido. quando instaladas com sucesso. mais económicos. distribuição. De modo a tornar este produto mais acessível. ou seja. o fornecimento de uma base de conhecimento a partir da qual os pesquisadores de marketing podem analisar os consumidores e. Daí lhes advém a verdadeira percepção de valor da domótica. isolada com um ser solucionados pela aplicação por de um diversos repetidor/amplificador. Relativamente à casa inteligente. a prática de criação de valor para o cliente. corre um certo misticismo como sendo “muito cara” e só para quem “percebe muito de computadores”. proporciona uma série de vantagens. A rega automática ficaria. retalho. necessitando quase de um técnico “Se a introdução da concorrência teve o mérito de fazer passar o consumidor de Utilizador a Cliente. Assim. No entanto. disponibilizado fabricantes de dispositivos X10. tem como efeito fazer passar o consumidor de Cliente a Amigo”. até kits de automação. num mercado tecnológico cada vez mais exigente. É de referir a grande vantagem desse sistema em ser fácil de incluir posteriormente. instalação e cliente. o perigo de inundação provocado pela baixa fiabilidade do sistema X10. um módulo X0 de casquilho para intercalar no circuito eléctrico do candeeiro junto à lâmpada.ARTIGO TÉCNICO Assim. |60 . muito caras para clientes exigentes e que estão dispostos a investir nelas para concretizar os seus desejos mais sofisticados. ainda. dado estes terem elevada fiabilidade e serem de baixo custo. opcionalmente. Actualmente as casas inteligentes são. podendo incluir‐se este sistema no sector “faça você mesmo” e ser a sua instalação encarada como um trabalho de bricolage. Acresce ainda que. de facto. foi reduzido apenas a 2 níveis: Produtor e consumidor. no âmbito da casa inteligente e o processo de consumo. controlador dedicado. proporcionam aos seus utilizadores a satisfação como clientes e todo o prazer que a tecnologia actual lhes pode oferecer. mais funcionalidades. estes passam a estar interligados pela rede eléctrica e a responder de acordo com o código com o qual foram programados por simples selecção de uma letra e de um número em dois selectores. para o grupo dos “investidores dos 500 euros”. Relativamente ao terceiro grupo que apenas disponibilizava 500€ o mercado também oferece um sistema domótico que pode ser escalonado em várias fases.

Interactiva”. [03] FRANCO. Cap. “A Casa do Futuro Interactiva”. “Smart Homes for Dummies”. tal como se liga a televisão. pelo facto de se ter baseado numa amostra relativamente limitada. Andy. “Casas inteligentes”. Inc. “A Casa do Futuro Interactiva”. A constante subida dos preços dos imóveis. 2003 [02] CEBus – Consumer Electronics Bus (EIA‐600). 2003 [12] ROSETA. Pat. dado existir. e MINOR. Stefan. Atlâ ti Ld 2003 [09] MOWEN. Esta ainda não é uma realidade da esmagadora maioria dos lares portugueses. H. “Meios para melhorar a qualidade de vida e a autonomia de pessoas com necessidades especiais especiais”. John C. Paquete. 2003. Centro Atlântico Lda. 2003 [06] JUNESTRAND St f JUNESTRAND. "DomoBus ‐ A New Approach to Home Automation". acender a luz ou qualquer outra função que o cliente imaginou. Estar no Mundo". PAG. e a crescente dificuldade em vender as casas e os apartamentos novos. Integratorpo. “A Casa do Futuro Interactiva”. El t d ” SIMO TCI.. sendo já vulgar verem‐se “outdoors” aliciando os consumidores para as “Casas de Sonho Inteligentes”. Apesar das limitações deste trabalho. Tese de Mestrado da Universidade Técnica de Lisboa – Instituto superior Técnico. Espero com este trabalho ter contribuído para desmistificar o conceito de casa inteligente e faço votos que a sua leitura sirva de estímulo para que mais alguns lares portugueses beneficiem da magia e das maravilhas que a tecnologia actual nos oferece. associada à presente crise económica. Monitor.”Criação de valor para o cliente”. Francisco Sousa. feria internacional de informática. Cap. Ivan.ARTIGO TÉCNICO Acresce ainda. multimedia y comunicaciones. actualmente. [08] MOTA. Cap. Renato. Springer‐ Verlag London Limited. “Integrating the smart home with its owner”. Michael S. Danny e HURLEY. Estes factores levaram a que os construtores recorram cada vez mais à Domótica como factor diferenciador. Pearson Education. Parece‐nos. as aparelhagens de som. ou outras por telecomando. Richard. 2003. [07] MICHEL. também. "CASA DO FUTURO". 2003 [13] SANTOS. originaram um excesso de construção que dificilmente o mercado português absorverá. Helena. [05] JACKSON. "Estar em Casa. 2003 [04] HARPER. parece poder concluir‐se que. José Armando. “H “Hogar Di it l C Digital Conectado”. 229 consumidor comum. com a mesma facilidade. Bibliografia http://www. que os sistemas das casas inteligentes estão disponíveis para todas as “bolsas” e preparados para finalmente entrarem na casa do [01] BRIERE. "CASA DO FUTURO". 8CLEEE"‐ [11] OLIVEIRA José Manuel Paquete “A Casa do Futuro OLIVEIRA.. 2003 61| . 299.. “Comportamento do Consumidor”. Wiley Publishing. um potencial elevado de oportunidades de negócio. “Sensores e A t d “S Actuadores: os S tid e Mú l d C Sentidos Músculos da Casa Inteligente”. existem todas as condições para um perfeito encontro da oferta com a procura no domínio da domótica.cebus. José Augusto. pega‐se no mesmo comando e “clica‐se” na tecla de levantar a persiana. 2004 [14] SOARES.”Inside the Smart Home”. Hoje em dia. actualmente. que também a tecnologia dos equipamentos foi amadurecendo ao longo do tempo. constituindo assim o seu conhecimento uma nítida vantagem para todos os players: para os consumidores na medida em que estes poderão usufrir da tecnologia “à sua medida” e para todos os outros também. deste modo. 2003 [10] NUNES.org. Cap.

.

” Daí que seja importante estudar também a optimização energética em novos ascensores. electrónicos com e os destaque para os eléctricos. T m  Tr  J dw dt (1) Onde Tm representa o binário motor (expresso em Nm). O momento de inércia será calculado a partir de: T . Contribui para o desenvolvimento sustentável. quer pela multiplicidade dos seus detalhes. os 2. procuram‐se modelos matemáticos tão simples quanto possível para cada um deles. A redução do consumo de energia nos edifícios poderá ser obtida através da melhoria das características construtivas. Miguel Leichsenring Franco Schmitt ‐ Elevadores OPTIMIZAÇÃO ENERGÉTICA EM NOVOS ASCENSORES 1 ENQUADRAMENTO Para o estudo de optimização energética na fase de desenvolvimento de novos ascensores desenvolveu‐se um De acordo com um estudo da S. na medida em que aumenta a eficiência energética e o nível de protecção do ambiente. como o objectivo da modelação é a utilização em sistemas de controlo onde intervêm diversos outros subsistemas. os ascensores podem representar uma parte significativa do consumo de energia num edifício (o consumo energético de um ascensor poder representar em média 5% do consumo total de energia de um edifício de escritórios). “deverá actuar‐se na fase de concepção do produto.1 FUNCIONAMENTO DO SISTEMA DE ACCIONAMENTO modelo de simulação que permitiu analisar diversos cenários e apresentar soluções a ter em conta na fase de definição de um novo ascensor. quer pela sua própria natureza. já que é aí que a poluição originada no seu ciclo de vida é determinada e que a maior parte dos custos surgem”. Contudo. No preâmbulo da Directiva 2005/32/CE de 06 de Julho de 2005 – “EuP – Energy Using Products” (Requisitos de concepção ecológica dos produtos que consomem energia)1 Segundo Palma (2008) as partes móveis dos accionamentos envolvem quase sempre fenómenos complexos.F. e permite ao mesmo tempo aumentar a segurança do fornecimento de energia 63| .ARTIGO TÉCNICO José Jacinto Ferreira.000 ascensores instalados represente cerca de 0. não linear.5% do total de 280 GWh de consumo energético do país. muitas vezes. Para muitos dos sistemas electromecânicos que se pretende modelizar pode‐se considerar simplificadamente a seguinte equação de comportamento dinâmico. realizado em 2005. Na Suíça estima‐se que o somatório do consumo de energia dos cerca de 150.A.s‐2). baseada na lei fundamental da dinâmica para um sistema rotativo: refere‐se que “a melhoria da eficiência energética – de que uma das opções disponíveis consiste na utilização final mais eficiente da electricidade – é considerada um contributo importante para a realização dos objectivos de redução das emissões de gases com efeito de estufa na Comunidade. Prevê ainda a definição de requisitos a observar pelos produtos consumidores de energia abrangidos por medidas de execução. ELECTROMECÂNICO E A SUA MODELIZAÇÃO mecânicos. J o momento de inércia dw a aceleração angular do sistema (expresso em kgm2) e dt (rad. [2]  J  m  r2 (2) 1 Esta directiva cria um quadro de definição dos requisitos comunitários de concepção ecológica dos produtos consumidores de energia com o objectivo de garantir a livre circulação destes produtos nos mercado interno. com vista à sua colocação no mercado e/ou colocação em serviço. Tr o binário resistente (expresso em Nm). no sentido de reduzir os consumos na utilização e através do recurso a equipamentos energeticamente mais eficientes.  F  v  J d d d   ma v  J   m r   r dt dt dt 2 DESENVOLVIMENTO DO MODELO EM MATLAB‐SIMULINK De acordo com a Directiva 2005/32/CE de 06 de Julho acima referida.E – “Agência Suíça para a Utilização Eficiente da Energia”. reduzindo dessa forma as necessidades energéticas. através de medidas de gestão da procura.

Máquina eléctrica. Nessa redução utiliza‐ se o Princípio da Conservação da Energia. Sistema mecânico movido.2 O MODELO DO ASCENSOR EM MATLAB‐SIMULINK Na concepção do modelo simulink separou‐se cada um dos componentes do sistema. para (5) uma maior facilidade de parametrização e Ec  1 J 2 2 interpretação de resultados. num mesmo bloco (caixa redutora). Fonte de energia eléctrica. Foram ainda concentrados todos os outputs das grandezas Então para o todo o sistema será válida a seguinte relação: mecânicas consideradas. conforme as figuras 2 e 3. que simula o acoplamento mecânico com o motor eléctrico. Ec1  Ec 2  1 1 2 2 J 112  J 2  2  J 112  J 2  2 2 2 (6) As grandezas eléctricas de monitorização são retiradas do próprio bloco variador/motor (AC2). Figura 1 – Modelo de base do ascensor eléctrico com roda de aderência e máquina com redutor |64 . dada por: 2. eléctrico e mecânico (elevador). A potência mecânica do sistema será obtida a partir de: Ainda segundo Palma (2008). Desta forma. 2. A energia cinética é dada por: conversor. é constituído por diversos P  F  v  T   T  F v  (3) componentes: 1. Sendo a velocidade linear v.ARTIGO TÉCNICO Onde m representa a massa suportada pela roda de tracção e r o raio da roda de tracção da máquina. um sistema de accionamento electromecânico de velocidade variável. Órgãos electrónicos de controlo e de comando do v   r Como sob o ponto de vista electrotécnico todo o sistema de accionamento electromecânico está subordinado ao motor eléctrico ter‐se‐á de reduzir as diferentes grandezas mecânicas envolvidas ao eixo motor. conforme a seguir se descreve. o modelo foi dividido em três blocos principais – Bloco Mecânico. incluindo a transmissão. Bloco Eléctrico e Blocos de medições de grandezas eléctricas e mecânicas ‐. de posição ou de binário. 3. que permite o ajuste de velocidade. (4) 4. Apresenta‐se na figura 1 o modelo de base do ascensor eléctrico com roda de aderência e máquina com redutor. ou carga. As equações [1] a [6] foram então transpostas para o modelo em Matlab‐Simulink. dentro de certas gamas de variação. Conversor estático de potência. 5. que por sua vez se subdividem em outros blocos secundários.

ARTIGO TÉCNICO Figura 2 – Diagrama geral de blocos do ascensor com variação de velocidade PWM Figura 3 – Diagrama geral de blocos do ascensor – Arranque directo 65| .

Considerou‐se ainda o rendimento da cabine. etc. 2. 3. 2.2. o contrapeso terá de ter uma massa de 1165 kg. A roda de tracção.1. |66 . O O bloco mecânico foi dividido em três sub‐blocos. Se o resultado for positivo o sistema vai criar um binário resistente positivo na subida da cabine e negativo na descida da mesma. que representa as perdas por atrito das roçadeiras da cabina nas guias.1 CABINE DO ASCENSOR A cabina do ascensor pode ser modelizada a partir do seguinte conjunto de sub‐blocos: Figura 5 – Diagrama de blocos Simulink da cabine 2É Figura 6 – Janela de parametrização da cabine/contrapeso prática na indústria de ascensores que o contrapeso seja dimensionado para contrabalançar a massa da cabina + 50% da carga nominal da cabina. correspondentes a cada um dos componentes mecânicos do sistema: 1. para uma cabina com uma carga útil de 630 kg e um peso próprio de 850 kg.1 BLOCO MECÂNICO (ASCENSOR) Na janela de parametrização da cabine do ascensor são introduzidas as massas do conjunto cabine/contrapeso.ARTIGO TÉCNICO Figura 4 – Diagrama geral de blocos do ascensor – Modelo mecânico 2.2. eventuais oscilações dos cabos. Assim. bloco simulink faz a soma das massas da carga e da cabine e finalmente subtrai a massa do contrapeso2. conforme tabela 1. A caixa redutora. Procurar‐se‐á através de uma análise de cenários verificar se esta é a solução óptima em termos de consumo energético. A cabine do ascensor.

bem como o A roda de tracção da máquina elevadora pode ser modelizada a partir do conjunto de sub‐blocos indicados na figura 7. 2. o rendimento e o raio da roda de tracção.ARTIGO TÉCNICO Tabela 1 – Sentido do binário resistente em função do movimento da cabine e das massas Binário Resistente Massas (kg) Movimento da Cabine (Carga+Cabine) > Contrapeso Subida Descida positivo negativo (Carga+Cabine) < Contrapeso negativo positivo O output deste bloco será a massa resultante do sistema cabine/contrapeso responsável pela força vertical do sistema (peso).2 RODA DE TRACÇÃO No bloco simulink da roda de tracção será calculado o binário resistente permanente referido ao seu eixo.2. Figura 7 ‐ Diagrama de blocos Simulink da roda de tracção 67| . Na janela de parametrização. responsável por parte do momento de inércia do sistema que influenciará o binário transitório (arranques/paragens) e pelo binário permanente. Como já foi dito anteriormente. que será um dos inputs do bloco da caixa redutora. que poderá ser positiva ou negativa e será um dos inputs do bloco da roda de tracção. momento de inércia resultante da carga total do sistema cabine/contrapeso. são introduzidos os dados relativos à roda de tracção. nomeadamente o momento de inércia.1. outro dos inputs é a massa resultante do sistema cabine/contrapeso. Estas duas grandezas associadas ao rendimento da roda de tracção e ao seu raio. integrarão um bus de dados de output. quando a cabina atinge a velocidade nominal. sendo este referido também ao mesmo eixo.

3 CAIXA REDUTORA A caixa redutora da máquina elevadora pode ser modelizada a partir do conjunto de sub‐blocos. Na modelização do arranque directo. o motor roda sempre no mesmo sentido de tal forma que para distinguir a subida da descida da cabine. para a situação de variação de velocidade e arranque directo.1. foi necessário implementar algumas modificações para que o bloco identificasse ambas as Figura 8 – Janela de parametrização da roda de tracção situações.2.ARTIGO TÉCNICO 2. conforme indicado na figura 10. Figura 9 ‐ Diagrama de blocos Simulink da caixa redutora com variador de velocidade Figura 6 – Janela de parametrização da cabine/contrapeso Figura 10 ‐ Diagrama de blocos Simulink da caixa redutora para o arranque directo |68 . indicados na figura 9.

que por sua vez vai gerar a velocidade de rotação que serve de input ao mesmo bloco. permitindo unicamente definir o sentido do binário resistente. O Tempo de arranque/paragem foi definido com o sendo de um segundo. tendo por isso qualquer quer à descida.1. bem como a potência solicitada e a velocidade linear da cabine. a potência solicitada pelo sistema e a velocidade linear da cabine.2.2 BLOCO ELÉCTRICO Este bloco é constituído por dois sub‐blocos: 2. Figura 11 – Janela de parametrização da caixa redutora 2. Pretende‐se simular uma viagem completa da cabina3.1 FONTE DE ALIMENTAÇÃO Este bloco estabelece as condições da rede eléctrica (400V AC 50Hz). De referir ainda que o Setpoint de velocidade neste bloco tem uma actuação indirecta. sendo estas duas grandezas só para monitorização. conforme os parâmetros introduzidos na janela de parametrização. Os outputs deste bloco são o binário resistente. em sentido descendente e ascendente. isto é.ARTIGO TÉCNICO O input de dados do bloco simulink da caixa redutora divide‐ se pelo bus de dados proveniente da roda de tracção.2. rendimento e a relação da caixa redutora e finalmente pela velocidade de rotação (rad/s) no veio do motor (rotação efectiva do motor) e pelo Setpoint de velocidade. A velocidade de rotação vai permitir o cálculo do binário transitório.2. Figura 12 – Setpoint de velocidade do motor com variação de  velocidade 2. São ainda outputs. vencendo todo o curso. desaceleração e velocidade nominal da carga. quer à subida Figura 13 – Janela de parametrização da fonte de alimentação  ( p (input de dados pelo utilizador) p ) 3 Viagem com a cabina em vazio. 69| . que será o input mecânico do motor de indução. a cabina deve ser movimentada entre os pisos extremos do edifício. não interferência com o sistema. pelos parâmetros introduzidos pelo utilizador. tais como o momento de inércia.2.4 SETPOINT DE VELOCIDADE DO MOTOR Através desta função define‐se a curva de aceleração. referido ao veio do motor.

A velocidade real depende de todas as grandezas mecânicas e eléctricas do sistema.2. que é velocidade real do sistema. Existem ainda vários outputs de controlo ou meramente indicativos e para monitorização do sistema. bem como à sua velocidade permanente e ainda o binário resistente. O bloco AC2 permite ainda escolher o input mecânico.ARTIGO TÉCNICO 2. Na janela de parametrização do motor assíncrono. Foram considerados os parâmetros recolhidos do ascensor real estudado. são introduzidos todos os dados que caracterizam a máquina.2 BLOCO SIMULINK AC2 Optou‐se por adoptar o binário resistente como input mecânico. faz‐se referência ao Setpoint de velocidade que foi já indicado na figura 12. que servem para controlar e monitorizar o sistema. o O bloco AC2 incorpora dois equipamentos. bem como do Setpoint de velocidade. Figura 14 – Janela de parametrização do motor de indução trifásico |70 . que vai variar no sistema é o binário resistente que depende da carga total e poderá variar em cada viagem do elevador. que poderia ser a velocidade de rotação ou binário resistente. O bloco AC2 vai gerar a velocidade de rotação que serve de input ao bloco da caixa redutora. eléctricos e mecânicos. Relativamente aos inputs de controle. gerado pelo sistema mecânico (output da caixa redutora). Como num elevador a velocidade é imposta. o variador de frequência e o motor de indução e ainda inputs e outputs.2. que vai servir de base à aceleração/desaceleração do sistema.

ou seja. e à frequência de comutação do chopper. a tensão no barramento DC. No bloco de parametrização do controlador. será definida a forma como irá actuar o variador no motor. faz‐se especial referência à capacidade do barramento que é a responsável pelo filtro dos harmónicos e consequente estabilização de correntes. com os seguintes agrupamentos de variáveis: SCOPE 1 ‐ Velocidade linear da cabine (m/s) SCOPE 2 ‐ Binário resistente / binário electromagnético (N. Figura 16 – Janela de parametrização do controlador do sistema  variador/motor 2. De referir o controlador PI.ARTIGO TÉCNICO Na janela de parametrização do conversor e barramento DC.m) ‐ Potência do sistema mecânico (W) SCOPE 3 ‐ ‐ ‐ Figura 15 – Janela de parametrização do conversor e barramento DC Corrente no estátor (A) Velocidade parametrizada/real (rpm) Binário electromagnético (N. indicada na figura 15.2.m) ‐ Binário transitório (arranque/paragem do sistema) (N. a rapidez de resposta a alterações de velocidade provocadas pelo binário resistente e Setpoint de velocidade.m) SCOPE 4 ‐ Corrente RMS absorvida pelo conjunto variador/motor/sistema mecânico (A) 71| . os limites de output de frequência e a relação tensão/frequência. Quanto mais elevada for esta frequência de comutação. a aceleração e a desaceleração do motor. indicado na figura 16.3 BLOCOS DE MEDIÇÕES DE GRANDEZAS ELÉCTRICAS E MECÂNICAS Para efectuar medições aplicaram‐se blocos do tipo scope (visualização de outputs) na caixa redutora. mais precisa será a onda gerada pelo conversor e consequente maior será a estabilidade mecânica do sistema.

ascensor será de aproximadamente 85% e o rendimento da máquina (apenas motor) será de aproximadamente 100%.1 m e uma profundidade de 1. Recurso a máquinas gearless (sem redutor) ou então a 1. Uma optimização para cargas mais pequenas. pois reduzem o atrito gerado sobre as guias. em Alfena – Ermesinde. que determina que os ascensores a instalar tenham de ser dimensionados para uma carga de pelo menos 630 kg / 8 pessoas. isto é. Para ascensores com máquina com redutor e suspensão lateral. dado que nas medições não se verifica a reinjecção de energia na rede (uma vez que o variador de frequência utilizado na realidade não o permite). será possível fazer a seguinte avaliação energética de ascensores: i. 4. 4. este sistema reduz a emissão de calor para a casa de máquinas (elimina‐se a energia calorífica libertada na resistência regenerativa) reduzindo os custos com a instalação de um sistema de climatização da casa de máquinas. De acordo com dados da indústria. Contudo.08). O ascensor seleccionado é um ascensor eléctrico com roda de aderência. o grau de ocupação normal médio da cabina representa apenas 20% da carga nominal.ARTIGO TÉCNICO 3 VALIDAÇÃO DO SIMULADOR ii. A escolha deste tipo de ascensor resulta da lei actualmente em vigor (DL 163/2006 de 08.85) do ascensor com suspensão lateral. Aplicação de um sistema de reinjecção de energia. 5.4 m). com casa de máquinas em cima na vertical. Aplicação de soluções construtivas mecânicas que permitam reduzir o consumo de energia: a. pelo que o rendimento global do sistema será de aproximadamente 50%. sobre a caixa. e logo a uma poupança da energia necessária.1 NO DESENVOLVIMENTO DE NOVOS ASCENSORES: 3.5/0. o rendimento da caixa do ascensor será de aproximadamente 70% e o rendimento da máquina (motor + redutor) também será de aproximadamente 70%. b. De acordo com um artigo publicado por Küntscher em 2006. 2. que implicarão contrapesos com menor massa. pelo que o rendimento global do sistema será de aproximadamente 85%. Para ascensores com máquina sem redutor e suspensão central. por forma a garantir o acesso a pessoas com mobilidade reduzida (resulta da imposição das dimensões da cabina que deverá ter no mínimo uma largura de 1. d. |72 . Recurso a roçadeiras ou rodas que gerem menos atrito nas guias. cabinas menos pesadas. Para além da redução do consumo energético directo. com a excepção do modo de frenagem do motor. é o ascensor número 3 de uma bateria dupla de ascensores produzidos e instalados em 2007 no Alfena Trade Center. c. o estado da arte ainda não corresponde actualmente aos graus de exigência em termos de segurança e perfomance pretendidos. Cada uma destas deverá ter uma baixa inércia. Recurso a um número reduzido de rodas de desvio. intitulado “Sistemas de Ascensores que poupam energia” em que se comparam diferentes soluções de tracção. Conclusão: O ascensor com suspensão central (e com máquina gearless só consome 60% da energia (quociente entre 0. Os dados medidos e os simulados vão de encontro às mesmas conclusões. Recurso a cabinas executadas em materiais mais leves. Aplicação do motor linear. Contudo. Cabinas suspensas ao centro da cabina. o rendimento da caixa do O ascensor que serviu de base para a modelização em Simulink e para as respectivas medições. Optimização do peso do contrapeso. os contrapesos estão dimensionados para uma ocupação média da cabina de 50% da carga nominal. máquinas de indução com elevado rendimento. levaria a 4 HIPÓTESES DE OPTIMIZAÇÃO um melhor balanceamento.

63 m/s. O Intervalo máximo no piso principal (I). Este sistema de gestão de tráfego disponibilizará então o(s) ascensor(es) necessário(s).0 m/s. Instalação de ascensores com uma carga nominal inferior. por comparação com critérios tabelados (por exemplo a TD deverá ser de 20 segundos. Contudo o Decreto‐Lei 163/2006 obriga à instalação de ascensores com um mínimo de 630 kg. Incorporar o Estado da Arte de Componentes analisados no artigo anterior sobre optimização energética de ascensores mobilidade de pessoas com mobilidade reduzida). o projectista dimensiona. o tempo médio entre as partidas sucessivas da mesma 9. por exemplo. 10. Muitas das vezes. legal4 e económico. a carga nominal e a velocidade) e da quantidade de 7. que requerem momentos menores (mas motores com um número de rotações mais elevado). mesmo em edifícios com baixo número de pisos (para facilitar a 11. bem como formas de gornes nas rodas de tracção que possibilitem a sua aplicação. que representa a modelos matemáticos igualmente definidos na mesma norma) para a aferição dos critérios de qualidade de serviço: desaprumos e prisões nas guias. De acordo. ou seja o tempo de percurso teórico entre pisos extremos. percentagem da população do edifício acima do piso principal que pode ser transportada em 5 minutos pela bateria de ascensores. 4. quer do ponto de vista técnico. optimizando o número de manobras a realizar pelos ascensores e distribuindo os passageiros a transportar pelos diferentes ascensores existentes no edifício.ARTIGO TÉCNICO 6. Instalação de sistemas centralizados de gestão de tráfego informatizados que realizem uma avaliação automática do padrão de tráfego. Recurso a velocidades nominais inferiores: v=0. dever‐se‐ á ter um cuidado especial no seu planeamento (projecto). ascensores para um dado edifício é feita por recurso a modernos programas de cálculo de tráfego. para se obter uma boa solução. os ascensores têm velocidades de 1. para que a qualidade do serviço possa ser considerada excelente). quer do ponto de vista energético. 73| . Utilização de cabos de suspensão com diâmetros inferiores.4 a 0. o que implica a instalação de máquinas mais potentes. naturalmente tendo em atenção as imposições legais: a NP EN 81‐70:2003 indica que um ascensor de 450 kg é adequado para o transporte de pessoas em cadeiras de rodas. principalmente em edifícios de habitação com um número de pisos reduzido. A capacidade de transporte (C5). deverão ser utilizados os seguintes parâmetros (que serão calculados através de 8. então os ascensores em função dos valores obtidos pelo cálculo. Esta solução permite a aplicação de diâmetros de rodas de tensão menores. sem ter em conta a eficiência energética dos mesmos. ou seja. que se baseiam em critérios de qualidade de serviço que se pretende garantir. no máximo. Actualmente a escolha do tipo (essencialmente o sistema de tracção.2 DIMENSIONAMENTO E PROJECTO DE EDIFÍCIOS Também será possível intervir na fase de projecto de novos edifícios. Verificação contínua da qualidade da montagem. com a Norma Portuguesa NP4267 – “Critérios de escolha de ascensores a instalar em edifícios não destinados a habitação”. nomeadamente a colocação das guias – evitar ‐ cabina do piso principal. bem como a parametrização do variador de frequência e optimização das curvas de andamento. ‐ ‐ A duração máxima do percurso teórico (TD). apresentando informações sobre os consumos energéticos de ascensores aos projectistas. quando uma velocidade inferior seria mais do que suficiente. Perante a instalação cada vez maior de ascensores.

27% 4.100mmx1.65 Wh -1.06% 104.26 Wh 5. Utilizou‐se a manobra de que o permitem.96 Wh 35.008 Wh 421.94 Wh 19.428 Wh 118. Para unidades de saúde.10 Wh -23.57 Wh 0kg Descida -28.517 Wh 99.5 kg). a que corresponde uma carga nominal mínima de 8 pessoas‐630 kg. o contrapeso poderia assumir qualquer massa acima dos 50% (ou seja 582.81 Wh -34.06 Wh 41.5kg Subida 12.84 Wh 11.29 Wh -18. b. Assim.0 kg 472.201 Wh 79.627 Wh 58.741 Wh 27. Contudo. deverá ser possível obter informação sobre os consumos energéticos das diferentes soluções estudadas e incorporá‐las nos estudos de tráfego a realizar.12% 13. esta solução implicará a aplicação de uma máquina 1.129 Wh VDI 4707 Ideal Id l .917 Wh 74.87% 5.70 Wh 17.06 Wh 35.10 Wh 28.35 Wh 7.848 Wh 100. por exemplo em termos de capacidade de carga. para todos os cenários considerados. a eficiência torna‐se efectiva para massas do contrapeso superiores a 73% e inferiores a 100% da massa do contrapeso de referência.23 Wh -3.914 Wh 74.30 Wh 16.917 Wh -4.07 Wh 13.41 Wh -33.56% 9. o contrapeso poderia assumir qualquer massa acima dos 50% (ou seja 582.02 Wh 11.75kg Subida 1.500 Wh 98.33% 6.00% 7.49 Wh -17.260 Wh 168.98% 4. Igualmente deverão ser elaboradas tabelas com informação sobre o desempenho energético das diferentes soluções oferecidas.40 Wh 58.57% 30% Reinjecção -0. 5 Como se verá adiante. Os 910 kg correspondem à situação em que não há consumo de energia à subida na manobra com a cabina vazia5.267 Wh 5. que regula as acessibilidades a pessoas com mobilidade reduzida Esta norma obriga à instalação de ascensores com uma cabina mínima de reduzida.181 Wh -2. cenário ideal ‐ 100% da energia é reinjectada.514 Wh Contrapeso 78% (b) 910kg Subida 0.57 Wh 2.78 Wh -4.72 Wh Contrapeso 25% 291.64 Wh -39.94 Wh Descida 13.15 Wh -19.31 Wh 4.57% 6.257 Wh 4.389 Wh 6. por não cumprir os requisitos de aderência impostos pela norma NP EN 81‐ 1:2000.770 Wh Reinjecção 159.601 Wh 100.69% 21.17 Wh 18.94 Wh 8.57 Wh -9. Tomou‐se como base o ascensor de 630 kg a que corresponde uma cabina com 850 kg de peso e um contrapeso com 1165 kg.914 Wh Descida 2.885 Wh 301.00 Wh 5.25kg Subida 23.20 Wh Descida -18.0 kg 0% 25% 50% 75% 100% 34.00% 29.195 Wh 99.681 Wh Descida Contrapeso 95% 1102kg Subida Descida Contrapeso 100% (c) 1165 kg Subida -9. Para este cenário a solução óptima passaria por um contrapeso com uma massa de 1165 kg.42% 5.59% 6.400mm (largura x profundidade).02% 4.45 Wh -7.85 Wh 25.ARTIGO TÉCNICO A partir do simulador apresentado também no artigo anterior.31 Wh -15.695 Wh 9.96 Wh 24. |74 .00 Wh 29.56 Wh -0.195 Wh Descida 0.72% 9.20 Wh 46.39% 27.06% 4.340 Wh 4.57 Wh -9. cenário real ‐ não existe reinjecção.58 Wh -13. todos os novos ascensores devem obedecer à nova legislação (DL163/2006).593 Wh Contrapeso=Cabine 73% 850kg Subida 2.70 Wh -8.31 Wh -3.19 Wh 22.06 Wh 24.486 Wh 375.257 Wh 100.84 Wh 10.122 Wh 269. Para cenários com e sem reinjecção de energia. esta solução não poderá ser adoptada.031 Wh 65.76 Wh -11.95% 6. A solução óptima da massa do contrapeso ocorre.41 Wh -5.23 Wh 8.29 Wh -50.00 Wh -5. porque implicaria uma máquina de menor potência.55 Wh 10.487 Wh Contrapeso 75% 873.95 Wh -24.73 Wh -7.0 kg 157.15% 4. 1.59 Wh -1.87 Wh -18.05 Wh 18.545 Wh 16.5 kg 630.23% 16.30 Wh -11. contrapeso assume um peso de 78% de 1165 kg.07 Wh 2.468 Wh 82.817 Wh 99.577 Wh 71.528 Wh 99.5 kg).19 Wh 13.59 Wh Média ponderada 39.00% 4 Existem normas que definem determinados requisitos mínimos que têm de ser cumpridos pelos ascensores. cenário real ‐ 30% da energia é reinjectada.97 Wh Descida -7.71 Wh -29.28 Wh 52.11 Wh -2.00% Sem Reinjecção 39.28 Wh Energia da Manobra de Referência em Função da Massa do Contrapeso Contrapeso 50% 582.031 Wh Descida 3.50 Wh 16.899 Wh 182.11 Wh 47. 5 RESULTADOS A melhor solução ocorre quando o contrapeso pesa 910 kg.55 Wh -30.681 Wh 50.10 Wh 29.31% 117.07 Wh 9.899 Wh -12. Impacto de diferentes massas do contrapeso sobre o consumo energético mais potente do que a que seria necessária na solução base (1165 kg).37 Wh -1.00 Wh -20.24 Wh -34. porque implicaria uma máquina de menor potência.58 Wh -34.16 Wh 40.885 Wh -22.96% 7.52 Wh 4.69% 6.79 Wh 6.59 Wh 23. Para este cenário a solução óptima passaria por um contrapeso com uma massa de 1165 kg. referência indicada na norma VDI 4707. que é a solução inicialmente estudada).562 Wh 100. desde Fevereiro de 2007. Se fosse possível reaproveitar toda a energia nas manobras que o permitem.13 Wh 4.45 Wh -14. c.23 Wh -0. como hospitais existem outras normas portuguesas que sugerem a instalação de ascensores monta‐camas para uma carga nominal de 21 pessoas ‐ 1.23 Wh 8.10 Wh -12.07 Wh 13. Se fosse possível reaproveitar toda a energia nas manobras Para a verificação do impacto de diferentes massas do contrapeso sobre o consumo energético estudaram‐se 3 cenários: a. aos 910 kg (ou seja quando o Tabela 2 ‐ Resultados: Impacto de diferentes massas do contrapeso sobre o consumo energético Tabela 2 Resultados: Impacto de diferentes massas do contrapeso sobre o consumo energético Carga Contrapeso 0% Massa % Subida 0.89 Wh 6. que deverão ser disponibilizadas aos projectistas.5 kg 315.65% 4.600 kg.008 Wh -31.07 Wh Contrapeso 68% (a) 790kg Subida 4.100% 7.16 Wh -22.80 Wh -1.

88 º Relação diâmetro cabo vs diâmetro roda de tracção: 50 Diâmetro da roda de desvio: 320 mm Tomou‐se por base um ascensor idêntico ao utilizado para validar o modelo em Matlab‐Simulink. tendo em conta o curso.000 Wh En e ergia d M bra d Referência a ano e 39.75kg 1165 kg 790kg 850kg 910kg 1102kg Massa do Contrapeso Ideal . descreve a metodologia a seguir para calcular a aderência dos cabos na roda de tracção.000 Wh 24. o diâmetro da roda de desvio. sobre a caixa Carga nominal: 630 Kg / 8 Pessoas Curso: 20 79 m 20. indicadas pela norma NP EN 81‐1:2000 – Anexo M6.ARTIGO TÉCNICO Energia da manobra de referência em função da massa do contrapeso 44.000 Wh 19. com as características ao lado indicadas.000 Wh 34. o ângulo do gorne. Ter‐se‐á de ter em conta também as recomendações em termos de aderência na roda de tracção da máquina. Verificou‐se que não é suficiente analisar apenas o impacto que implicará a redução da massa da cabina.100% Reinjecção 30% Reinjecção Sem Reinjecção Figura 17 – Impacto de diferentes massas do contrapeso sobre o consumo energético 2. o tipo de gorne.25kg 873.000 Wh 9. o ângulo do gorne subtalhado. Impacto da optimização do peso das cabinas sobre o consumo energético: Local da casa das máquinas: Em cima na vertical.5kg 291. o diâmetro da roda de tracção.000 Wh 29.0 m/s VVVF Tipo de Suspensão: 1:1 Diâmetro dos cabos 8 mm Diâmetro da roda de tracção: 400 mm Abraçamento: 165 º Tipo de gorne: em U Ângulo do gorne: 25 º Ângulo do gorne subtalhado: 90. Tabela 3: Resultados: Impacto da optimização do peso das cabinas sobre o consumo energético Contrapeso % da carga nominal da cabina 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 6 Peso Mínimo Cabina ( g) (kg) 1750 1550 1400 1250 1050 900 800 1050 1300 1500 1750 Peso do Contrapeso ( g) (kg) 2380 2117 1904 1691 1428 1215 1052 1239 1426 1563 1750 Quantidade Cabos 7 6 6 6 5 5 4 5 6 6 7 Diferença face à solução base ( g) (kg) 2015 1552 1189 826 363 0 -263 174 611 948 1385 O Anexo M desta norma. a desaceleração motivada por uma paragem de emergência. 75| .000 Wh 0kg 582. o carregamento da cabina. Com base nestas duas premissas foram obtidos os resultados indicados na tabela 3. o coeficiente de atrito. etc.000 Wh 14. de per se.000 Wh 4.79 Velocidade nominal: 1.

Acresce ainda o facto de acordo com a norma EN81:2000 – Anexo M. o rendimento da caixa do ascensor será de aproximadamente 70%. que prevê um contrapeso que compensa o peso da cabina + 50% da carga nominal da mesma (pesando a cabina 900 kg e o contrapeso 1215 kg).ARTIGO TÉCNICO Peso Mínim o da Cabina 2000 Peso mín nimo da cabina (kg) 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Contrapeso (% da carga nom inal) Figura 18 – Peso mínimo da cabina Pode‐se concluir. Ou seja com a optimização do peso da cabina. conseguir‐se‐á uma redução de aproximadamente 26 % no consumo de energia. em todo o sistema (cabina e contrapeso). que o ponto que permitirá optimizar o peso da cabina e o consumo energético do ascensor ocorre. quando a cabina é suspensa centralmente. |76 . para o ascensor de 630 kg estudado. Recorrendo ao simulador desenvolvido verificou‐se que a solução da suspensão central.917 Wh para uma manobra de referência. por permitir uma redução do atrito nas guias. conseguir‐se‐á não só uma redução do consumo energético. que num estudo publicado por Küntscher (2006). ser possível para esta solução aplicar 4 cabos de 8mm2 em vez dos 5 cabos de 8 mm2 que são normalmente aplicados. o consumo energético será de 6. 3. quando a cabina é suspensa lateralmente e de aproximadamente 85%. mas também uma redução no custo dos materiais a aplicar.1. pelo que se recomenda a sua adopção. na solução adoptada actualmente. Com esta solução seria igualmente possível poupar 263 kg de aço. Suspensão lateral vs suspensão central Pretendeu‐se avaliar o impacto que o tipo de suspensão da cabina tem sobre o consumo energético.257 Wh. Viu‐se no ponto 4. quando a cabina pesar 800 kg e o contrapeso 1052 kg. Para um ascensor com um contrapeso que compense o peso da cabina + 40% da carga nominal da cabina. Ou seja dever‐se‐á adoptar uma solução em que o contrapeso compense o peso da cabina + 40% da carga nominal da mesma. em vez de 9. Ou seja. implicou uma poupança de 16% em termos energéticos em relação à solução da suspensão lateral da cabina. e não a solução utilizada presentemente nos ascensores produzidos maioritariamente pela indústria.

80 Wh -11.80 2.07 Wh 13.94 Wh Descida 13.000 Wh 6.31 Wh -3.23 Wh 8.40% 113.57 -3 57 Wh 2.562 Wh 100.257 Wh 9 257 Wh Energia da Manobra de Referência em Função da Suspensão da Cabine 12.000 Wh Suspensão Suspensão lateral Central Tipo de Suspensão Ideal .775 Wh Subida -9.00% 8.ARTIGO TÉCNICO Tabela 4 ‐ Resultados: suspensão lateral vs suspensão central Carga Energia da Manobra de Referência em Função da Suspensão da Cabine Suspensão lateral Suspensão Central 85% Descida 16.47 Wh -6.000 Wh 9.0 kg 100% Média ponderada com base na VDI 4707 Ideal .23 Wh -3.33 9 33 Wh 2.5 157 5 kg 25% 315.0 kg 50% 472.76 Wh -4 80 Wh 4.000 Wh 5.0 kg 0% 157.00% 100.000 Wh 11.31 Wh Massa % Subida 70% 0.257 Wh 4.000 Wh .610 Wh 101.33 Wh 16.05% 4.166 Wh -4.72% 10 775 Wh 9.07 8 07 Wh 2.100% Reinjecção 30% R i j Reinjecção ã Sem Reinjecção -11.100% Reinjecção 30% Reinjecção Sem Reinjecção Figura 19 – Suspensão lateral vs suspensão central 77| .695 Wh 9.000 Wh Energia da Manobra de Referência 10.000 Wh 7. 8.775 Wh 116.00% 10.848 7 848 Wh 0 000 Wh 100.94 Wh 8.57 Wh -9.5 kg 75% 630.76 Wh 10.47 Wh 9.23 Wh -4.925 8 925 Wh 0 000 Wh 7.000 Wh Tabela 3: Resultados: Impacto da optimização do peso das cabinas sobre o consumo energético 4.23 Wh 9.

30 Wh -0.000 6.500 9.63m/s 1m/s Energia da Manobra de Referência d Velocidade da Cabine Ideal . Impacto da redução da velocidade linear do ascensor no consumo energético: comparação a uma velocidade nominal de v = 1.39 Wh 5.33 Wh -4.82 Wh -2.36% 0 000 Wh 6 523 Wh 6. conseguir‐se‐á uma redução de 46% no consumo energético se a velocidade for reduzida para v= 0.848 Wh 100.57 Wh 2.23 Wh -0.480 Wh 98. ceteris paribus.0 kg 157.523 Wh 0.000 Wh Wh Wh Wh Wh Wh Wh Wh Wh Wh Wh Wh 0.8m/s 0.57 Wh -9. Mantendo todas as características técnicas do ascensor.760 Wh 86.01% 30% Reinjecção -4.500 7.958 Wh 53.200 Wh Descida 11.634 Wh 60. verifica‐se que quanto menor for a velocidade nominal do ascensor (ou seja.60 Wh -3.5 kg 315. Tabela 5 ‐ Resultados: Impacto da redução da velocidade linear no consumo energético Carga Energia da Manobra de Referência em Função da Velocidade Linear da Cabine Velocidade Linear da Cabine Massa % 0.23 Wh 5. não se verificariam variações no consumo energético.86% 6.000 7.04 Wh 2.23 Wh 5.5 kg 630.5m/s Subida -3.720 Wh Subida -9.100% Reinjecção 30% Reinjecção Sem Reinjecção Figura 20 – Impacto da redução da velocidade do ascensor sobre o consumo energético Em edifícios residenciais com curso reduzido.08% 4.720 Wh 83.07 Wh 2.20% 4.31% 0 000 Wh 4 958 Wh 5.50 Wh 2.06 Wh 2.79 Wh 2.5m/s 0. com a variação da velocidade linear da cabina.ARTIGO TÉCNICO 4. a instalação de ascensores com velocidade reduzida.00% Energia da Manobra de Referência em Função da Velocidade Linear da Cabine 9.500 6.695 Wh 9.31 Wh Média ponderada -0.500 8. Assim. Se fosse possível a reinjecção de toda a energia gerada durante a manobra de referência. recomenda‐se.06 Wh 7. |78 .04 Wh -2.00% 0 000 Wh 9 257 Wh Sem Reinjecção 4.23 Wh -1.90 Wh -1.78 Wh Descida 6.000 8.41 Wh -0. mantendo o mesmo diâmetro da roda de tracção).41 Wh 5.520 Wh 99.87 Wh -1.500 5 500 5.39 Wh -2.47% 7. a velocidade linear da cabina).257 Wh 4.00% 4.79 Wh 11.4 m/s.50% 4.39% 9.50 Wh 6.154 Wh Descida 7.287 Wh 67.471 Wh Reinjecção 98.958 Wh com base na VDI 4707 Ideal .100% 4.37% 0 000 Wh 5 634 Wh 5.0 kg 0% 25% 50% 75% 100% -2.0 kg 472.33 Wh 2.23 Wh 4. por isso.94 Wh 1m/s Descida 13.914 Wh 75.31 Wh -6.0 m/s.812 Wh 61.487 Wh 4.94 Wh 8.23 Wh 8.23 Wh -0.23 Wh -3.23 Wh 6.4m/s Subida 0.257 Wh 100.07 Wh 13.634 Wh 0.80 Wh 9.30 Wh 0.500 4.000 5.38 Wh 6. com excepção da velocidade (o que implicou uma mudança na relação da caixa redutora. e por Na tabela 4 é possível verificar a poupança que se conseguirá obter mediante a redução da velocidade.8m/s Subida -6.82 Wh 7.60 Wh 2.38 Wh -3.23 Wh -2.13% 0 000 Wh 7 720 Wh 7. menor é o consumo energético.523 Wh 70.000 4.4m/s 0.56% 5.31 Wh -3.31 Wh 2.63m/s Subida -4.562 Wh 100.90 Wh 5.78 Wh 4.80 Wh 2.030 Wh Descida 9.87 Wh 6.493 Wh 98.

4. Stephen – Electric Machinery. PATRÃO. 2006. Bundesamt für Energie. 2006. 2. Pedro – Manual de boas práticas de eficiência energética. Existem ainda muito poucos estudos realizados neste âmbito na Europa. A. [4] CASTANHEIRA. McGraw Hill. Lda. C. Lisboa. KINGSLEY. 2007. mas a uma empreiteiro geral que o incorpora no edifício. ISBN 0‐07‐123010‐6. seja através da divulgação de informação relevante em termos do desempenho energético dos equipamentos comercializados. 79| . [6] KÜNTSCHER. Para se atingir o objectivo universal de utilização racional de energia (eléctrica) num edifício. também o fabrico e a manutenção dos mesmos. Bibliografia fundamentalmente pelo preço de aquisição do ascensor e não pelos custos de energia eléctrica e de operação que este venha a provocar no futuro. para além do período de operação. para que pudessem ver aprovado o seu projecto. com uma notável excepção da Suiça que tem vindo a patrocinar. Susana – Reabilitação Energética dos Edifícios: Porquê? Oz – Diagnóstico Levantamento e Controlo de Qualidade em Estruturas e Fundações. 2004. Ltda. o ascensor não é fornecido directamente ao cliente final. Em novos edifícios é mais fácil incorporar as novas tecnologias. FONSECA. seja através da incorporação nos ascensores das novas tecnologias já disponíveis em outras aplicações. UMANS. 3. Luís. dever‐se‐á ter em conta. Editora É Érica. ISBN 978‐85‐365‐0149‐9. que será sempre suportado pelo utilizador b) Em edifícios existentes. [2] BARNEY. A concepção de ascensores eficientes em termos de energia contribuirá para um menor impacto ambiental. 2007. ISBN 0‐415‐ 27476‐I. Paula.ARTIGO TÉCNICO 6 CONCLUSÕES 5. MOURA. mas também o balanço energético. não se deverá analisar apenas a eficiência energética. Este orienta‐se [1] ALMEIDA. BORGES GOUVEIA. Nova Iorque. Joaquim – Energia. Spi – Sociedade Portuguesa de Inovação. [3] BOLLA. Suiça. Dietmar – Energiesparende Aufzugsysteme – Lift‐Report nº2 – Ano 32. ISBN 972‐8589‐45‐X. Carlos. Regulamento dos Sistemas Energéticos e de Climatização dos Edifícios (RSECE) – Decreto‐Lei 79/2006 de 04 de Abril. uma grande [7] FITZGERALD. Dessa forma existiria desde logo uma maior atenção na fase de projecto por parte dos projectistas relativamente à aplicação de ascensores eficientes energeticamente. [8] FRANCHI. Vítor. Porto. vários estudos sobre a eficiência energética de ascensores. o fornecimento de matérias‐primas.. FERNANDES. Recomenda‐se que o consumo energético dos ascensores seja considerado também no âmbito do 1. Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Charles. Assim. Seftigen. ISR – Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores Universidade de Coimbra e BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável. Aníbal. 2003. Verificam‐se diversas barreiras à adopção de ascensores eficientes em termos energéticos: a) O Comprador e o utilizador do ascensor não têm interesses coincidentes: Na grande maioria das situações. ocorre resistência à incorporação de novos componentes que possam por em causa a operação e a disponibilidade dos ascensores existentes. 2005. 2003. – Acionamentos Eléctricos. [5] CÓIAS. Spon Press. Gina – Elevator Traffic Handbook – Theory and Practice. Pelo que se recomenda uma sensibilização do cliente final bem como de projectistas. bem como a sua reciclagem: a análise do ciclo de vida do produto. Mario – Verbesserung der Energieeffizienz von Aufzügen und Förderanlagen durch Entwicklung eines Neuartigen Frequenzumformers – Jahresbericht 2007. no caso dos ascensores. Nova Iorque. através de uma organização estatal (a SAFE ‐ Swiss Agency for Efficient Energy Use). Verificou‐se que a temática da eficiência energética é ainda pouco explorada pela indústria de ascensores.

ISBN 978‐972‐31‐0839‐2. Lisboa. Lisboa. 2008. Mobile USA. SCHALCHER. Lda. 2005. Jürg – Elektrizitätsverbrauch und Einspar‐ Potenziale bei Aufzügen – Bundesamt für Energie. Jornal Oficial das Comunidades Europeias. João – Accionamentos Electromecânicos de Velocidade Variável.ARTIGO TÉCNICO Bibliografia (Cont. Didáctica Editora. Jürg. Fundação Calouste Gulbenkian – Serviço de Educação e Bolsas. Instituto Português da Qualidade. Jornal Oficial das Comunidades Europeias. Vitor – Circuitos Eléctricos. José – Ascensores e Elevadores. [11]MATIAS. ISBN 972‐757‐ 386‐X. [16]NORMA ALEMÃ VDI 4707:2009 – Ascensores – Eficiência Energética (2009). [15]PALMA. 2005. 2ª Edição. Verein Deutscher Ingenieure (VDI) |80 . José. [17]RODRIGUES. ‐ SAFE – Swiss Agency for Efficient Energy Use. 1999. Inc.. [13]NORMA PORTUGUESA NP EN 81‐1:2000 – Regras de Segurança para o Fabrico e Instalação de Elevadores – Parte 1: Ascensores Eléctricos. Leis e Normas [1] DIRECTIVA 1995/16/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de Junho de 1995 – Directiva Ascensores. Lisboa. [2] DIRECTIVA 2002/91/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 16 de Dezembro de 2002 – EPB – Energy Performance of Buildings – Desempenho Energético de Edifícios. [10]JANOVSKY. [13]NIPKOW. [14]NORMA PORTUGUESA NP EN 81‐2:2000 – Regras de Segurança para o Fabrico e Instalação de Elevadores – Parte 2: Ascensores Hidráulicos. Max – Energy consumption and efficiency potentials of lifts – Zurique. 2005. Sucena – Redes de Energia Eléctrica – Uma Análise Sistémica. [9] DECRETO‐LEI nº 176/2008 de 26 de Agosto. J. MATIAS. ISBN 972‐8469‐ 34‐9. Lisboa. [15]NORMA SUIÇA SIA 380/4:2006 – Electricity in Buildings (2006). [7] DECRETO‐LEI nº 79/2006 de 04 de Abril. 3ª Edição. Jornal Oficial das Comunidades Europeias. 5ª Edição. Lisboa. Instituto Português da Qualidade. Lisboa.) [9] GAMBOA. [5] DECRETO‐LEI nº 295/98 de 22 de Setembro [6] DECRETO‐LEI nº 78/2006 de 04 de Abril. Instituto Português da Qualidade. 2005. [12]NORMA PORTUGUESA NP 3661:1989 de Agosto 1989. [3] DIRECTIVA 2005/32/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 06 de Julho de 2005 – EuP – Energy Using Products – Requisitos de Concepção Ecológica dos Produtos que Consomem Energia. Instituto Português da Qualidade. Fevereiro de 2001. José – Máquinas Eléctricas – Transformadores. IST Press. Didáctica Editora. ISBN 972‐650‐183‐0. [16]PAIVA. 2005. Swiss Society of Engineers and Architects (SIA). ISBN 972‐650‐124‐5. [11]NORMA PORTUGUESA NP 4267:1994 de Maio de 1994. [10]NORMA PORTUGUESA NP 2058:1993 de Abril de 1993. [12]MEIRELES. José – Máquinas Eléctricas. [8] DECRETO‐LEI nº 80/2006 de 04 de Abril. Directivas. Elevator World. 3ª Edição revista. Lidel – Edições Técnicas. Fevereiro de 2001. Instituto Português da Qualidade. [14]NIPKOW. ISBN 972‐51‐1007‐2. Rei dos Livros. 2005. ISBN 1‐ 886‐536‐26‐0. [4] DECRETO‐LEI nº 513/70 de 24 de Setembro. Lumomír – Elevator Mechanical Design. 2005.

CCURIOSIDADE URIOSIDADE 81| .

ipp. Actualmente. EFACEC na área comercial de exportação de máquinas eléctricas. opção de Produção. Industrial de Trefilaria S.ipp." em Gestão na Escola de Gestão do Porto da Universidade do Porto. A desempenhar funções como Técnico de Manutenção Industrial. Recentemente a desenvolver projecto sobre Gestão de Energia. Prestação. desempenhando funções na área da Manutenção e Projectos Especiais. na área de manutenção e instalações eléctricas. |82 .ipp. António Manuel Luzano de Quadros Flores (aqf@isep.. na British United Shoe Machinery na área de manutenção.COLABORARAM NESTA EDIÇÃO: António Augusto Araújo Gomes (aag@isep. em Sidney. é Professor Coordenador no Departamento de Engenharia Electrotécnica do Instituto Superior de Engenharia do Porto. respectivamente. pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.pt) Mestre em Engenharia Electrotécnica e de Computadores.ipp. formação.C.A. Diploma de Estudos Avançados em Informática e Electrónica Industrial pela Universidade do Minho. do ISEP. entre 1997 e 1999. área Científica de Sistemas Eléctricos de Energia. assessoria e consultadoria técnica. José António Beleza Carvalho (jbc@isep. e o grau de M. Aluno de doutoramento na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Arlindo Ferreira Francisco (1060991@isep.pt) Finalista do curso de Engenharia Electrotécnica. Professor Adjunto Equiparado do ISEP. Bolseiro da F.ipp. Doutorando na Área Científica de Sistemas Eléctricos de Energia (UTAD). para diversas empresas. Transporte e Distribuição de Energia. na empresa Socitrel – Sociedade .A. desde 1997. em 1986.T. em engenharia electrotécnica na especialidade de sistemas de energia na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. na ALCATEL‐Austrália na área de manutenção. telecomunicações e segurança. na ELECTROEXPRESS.B. em 1993 e 1999. Hugo Miguel Ferreira de Sousa (1060992@isep. Henrique Jorge de Jesus Ribeiro da Silva (hjs@isep.. desde 1999.pt) Licenciado em Engenharia Electrotécnica. em 1979. Fundação para a Ciência e Tecnologia desde 2008.D. Larga experiência na área de Automação e Controlo. na Área Científica de Produção Transporte e Distribuição de Energia pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.pt) Nasceu no Porto em 1959. Obteve o grau de B.pt) Finalista do curso de Engenharia Electrotécnica.Sc em engenharia electrotécnica no Instituto Superior de Engenharia do Porto. Docente do Instituto Superior de Engenharia do Porto desde 19993 Desenvolveu actividade profissional na SOLIDAL no controlo de qualidade e manutenção na manutenção. Investigador do GECAD (Grupo de Investigação em Engenharia do Conhecimento e Apoio à Decisão). no Instituto Superior Engenharia do Porto. Colaborador C l b d na empresa G h P Grohe‐Portugal (Fáb i d C l (Fábrica de Componentes S i á i em Alb Sanitários Albergaria‐a‐ i Velha) desde 1998. Docente do Instituto Superior de Engenharia do Porto desde 1999.ipp.pt) Mestre (pré‐bolonha) em Engenharia Electrotécnica e Computadores. Sistemas Eléctricos de Energia. Coordenador de Obras na CERBERUS ‐ Engenharia de Segurança.Sc e Ph. Mestre em Ciências na área da Electrónica Industrial. desempenhando as funções de Director do Departamento. "M. de serviços de projecto de instalações eléctricas. pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. no instituto superior de Engenharia do Porto. leccionando na área da Teoria da Electricidade e Instalações Eléctricas.

Sérgio Filipe Carvalho Ramos (scr@isep.pt) Licenciatura e mestrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores.pt) Mestre em Engenharia Electrotécnica e de Computadores. assessoria e consultadoria técnica. Investigador do GECAD (Grupo de Investigação em Engenharia do Conhecimento e Apoio à Decisão). de serviços de projecto de instalações eléctricas. Roque Filipe Mesquita Brandão (rfb@isep. Licenciado em Administração e Gestão de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa – Porto. Aluno de doutoramento em Engenharia Electrotécnica e de Computadores no Instituto Superior Técnico de Lisboa. Investigadora no GECAD – Grupo de Investigação em Engenharia do Conhecimento e Apoio à Decisão. Teresa Alexandra Ferreira Mourão Pinto Nogueira (tan@isep. O percurso profissional inclui o dimensionamento e projecto de transformadores de distribuição – EFACEC. pela Universidade de Trás‐os‐ Montes e Alto Douro. Investigador do INESC Porto. licenciado em Engenharia Electrotécnica – Sistemas Eléctricos de Energia. Aluno de doutoramento em Engenharia Electrotécnica e de Computadores na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.pt) Mestre em Engenharia Electrotécnica e de Computadores. do ISEP. desde 2003. Prestação.ipp. Master in Business Administration (MBA) com especialização em Marketing pela Universidade Católica Portuguesa – Lisboa. empresa fabril de máquinas eléctricas. para diversas empresas. formação. pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto. Laboratório Associado. Chefe de Serviço Após‐Venda na Schmitt ‐ Elevadores. na Área Científica de Sistemas Eléctricos de Energia. na Área Científica de Sistemas Eléctricos de Energia. 83| . desde 2002. pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto. Subdirectora no Departamento de Engenharia Electrotécnica no ISEP. área científica de Sistemas de Energia. Administrador da Schmitt‐Elevadores Lda Schmitt‐Elevadores. pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa. Consultor técnico de alguns organismos públicos na área da electrotecnia. Desde 2001 é do ente no Departamento de En enharia Ele troté ni a do Instit to S perior de docente Engenharia Electrotécnica Instituto Superior Engenharia do Porto. curso de Sistemas Eléctricos de Energia do ISEP – Instituto Superior de Engenharia do Porto. Lda Miguel Leichsenring Franco (m.ipp.ipp.com) Engenheiro Electrotécnico na Área de Sistemas Eléctricos de Energia. Docente do Departamento de Engenharia Electrotécnica do curso de Sistemas Eléctricos de Energia do Instituto Superior de Engenharia do Porto desde 2001.franco@schmitt‐elevadores. telecomunicações e segurança.com) Miguel Leichsenring Franco. Doutoramento em Engenharia Electrotécnica e Computadores. Bolseiro da FCT. pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Docente do Departamento de Engenharia Electrotécnica. Lda. pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.COLABORARAM NESTA EDIÇÃO: José Jacinto Gonçalves Ferreira (jacintoferreira@googlemail.

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