INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA HISTÒRIA

CAPITULO 1 – HISTÓRIA 1. O TERMO HISTÓRIA:
O termo História é antigo os gregos foram os primeiros a utilizá-lo por influência de Heródoto, que deu o título de Histórias ao resultado de suas viagens pesquisas acerca das Guerras Médicas: historia, originalmente, significava aquele que apreende pelo olhar, (aquele que sabe, o testemunho, aquele que testemunhou com seus próprios olhos os acontecimentos.). “História” (“his” + “oren”) significava apreender pelo olhar aquilo que se sucede de modo dinâmico, ou seja, testemunhar os acontecimentos, os fato. O termo assumiu o sentido particular de busca do conhecimento das coisas humanas, do saber histórico. História passou a significar busca, pesquisa e também os resultados compilados na obra histórica. Realidade histórica: conjunto dos fenômenos pelos quais se manifestou, se manifesta ou se manifestará a vida da humanidade a realidade objetiva do movimento do mundo e das coisas.

CONCEITO DE HISTÓRIA:
Como vimos anteriormente o que o historiador procura estudar não é o passado enquanto tal, mas ações humanas, fatos sociais ou políticos analisados através do tempo: estuda o que os homens fizeram, pensaram ou sentiram enquanto seres sociais. História é vida, é movimento, é transformação. No entanto a compreensão do presente e o estudo do passado não se relacionam entre si de forma mecânica, estreita e determinista. A História,

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como as outras formas de conhecimento da realidade, está sempre se constituindo: o conhecimento que ela produz nunca é perfeito ou acabado. È importante lembrar também que o historiador não é homem neutro, imparcial e isolado de sua época. O mundo de hoje contagia de alguma maneira nos afazeres do historiador, refletindo-se na reconstrução que ele elabora do passado.
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O AGENTE DA HISTÓRIA:

O agente da História é o Homem. O Homem produz cultura e faz história, produz objetos e idéias de acordo com suas necessidades de sobrevivência.

4. CULTURA:
Cultura é a maneira de manifestar vida de um grupo humano. É o conjunto das diversas formas naturais e espirituais com que os indivíduos de um grupo convivem, nas quais atuam e se comunicam e cuja experiência coletiva pode ser transmitida através de vias simbólicas para a geração seguinte.
A forma de vivermos em comunidade e uma das estruturas de nossa cultura

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FONTES HISTÓRICAS:
Fontes são vestígios (documento) que permitem a reconstituição do passado eles podem ser: − Arqueológicos: restos de animais, utensílios, fósseis, ruínas de templos, palácios e túmulos, esculturas, pinturas, cerâmicas, moedas, medalhas, armas, etc. − Escritos: códigos, decretos, tratados, constituições, leis, editais, relatórios, registros civis, memórias, crônicas, etc. − Orais: tradições, lendas, mitos, fábulas, narrações poéticas, canções populares, etc.

Também as caricaturas podem ser uma FONTE Histórica

6. FATO HISTÓRICO:
O fato histórico é o objeto de estudo da História. É um acontecimento determinante para a compreensão história e objeto de estudo do historiador.

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7. PERIODIZAÇÃO HISTÓRICA:
No mundo Ocidental ficou caracterizada uma periodização tradicional herança dos historiadores franceses, No entanto esta divisão tradicional da História é hoje bastante contestável porque uniformiza os vários períodos quanto a sua importância, conduz à idéia de hierarquia nos vários acontecimentos, leva em consideração apenas a civilização ocidental e demonstra a fragilidade desta compartimentação, relegando fatos históricos também considerados importantes e que ocorreram no Oriente.

A Periodização Tradicional:
Não é possível determinar quando os homens começaram a medir o tempo. Certamente a primeira medida de tempo foi o Dia, espaço de tempo entre o nascer e o por do sol. Posteriormente se organizou os dias em meses e os meses em anos. Usamos a idéia de ano, sobretudo em ralação ao nosso nascimento: Tenho 12 anos de vida, tenho 15 anos. Mas, quando começou a contagem do tempo em anos? Quando começou o ano 1? Entre os cristãos, o ano um é o nascimento de Cristo. O tempo anterior ao nascimento de Cristo é escrito assim: a.C (antes de Cristo) e posterior é escrito d.C. (depois de cristo) ou sem indicação, por exemplo: 1975. Porèm nem todos os povos adotam o calendário cristão (calendário gregoriano, instituído pela Igreja Católica no séc. XVI, para adequar o anterior (Juliano romano) às suas festividades religiosas). Muçulmanos, judeus e os chineses, por exemplo, têm sistemas próprios de demarcação de tempo.

A contagem dos Séculos
Por convenção os anos são escritos com algarismos arábicos (1966,1996,2001 etc...) e os séculos com algarismos romanos (XV,XVI,XVII etc...). Para saber a que século pertence um ano especifico existe um truque: some o número 1 ao numero formado pelos dois primeiros algarismos do ano,

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Para facilitar e tornar didático o estudo da história costuma-se dividi-la em grandes períodos e em períodos menores. por exemplo. CIÊNCIAS AUXILIARES DA HISTÓRIA Quem nos responde é um dos maiores historiadores Ingleses : “As relações entre a história e as outras ciências sociais (sociologia. Nos séculos anteriores a Cristo contam-se em sentido inverso.antropologia.C  Do ano 200 ao 101: Século II a. tecnológico-científico. Assim:  Do ano 300 ao 201: século III a. o século correspondente ao número que antecede os dois zeros finais: 1500: século XV.C. Edward H.” Prof. Carr 5 . no enfoque econômico (modo de produção).economia.ou ao primeiro se o ano tiver apenas três. Veja no quadro a seguir como os historiadores dividiram a História e a PréHistória: Nem todos os historiadores concordam com a periodização tradicional da História baseada na história política. Nos anos terminados em 00.) são necessárias e valiosas: o historiador pode beneficiar-se dos métodos com que os cientistas sociais estudam seus problemas no presente. Geralmente um grande acontecimento para a evolução Humana ou um acontecimento político marca a divisão entre um período e outro. existem outras propostas de divisões inspiradas. 8.... etc.

6 . escudos e insígnias Numismática Estudo das medalhas e moedas.CIÊNCIAS AUXILIARES DA HISTÓRIA Economia estuda os fenômenos relativos a produção. Paleografia estudo das escritas antigas. Antropologia estuda o homem no aspecto biológico e cultural Arqueologia estuda as culturas extintas Paleontologia estuda os fósseis. Sociologia estuda o homem em sociedade. Heráldica brasões. Geografia estuda a superfície da terra no seu aspecto físico e humano. Epigrafia escritos antigos em materiais pesados.

mas de fato. A PRÉ-HISTÓRIA: O Início da escalada do Homem O homem é uma criatura singular. não pertence a nenhum lugar determinado. Este animal que esta em toda parte. usando seu corpo e sua mente na averiguação da natureza estabeleceu seu lar em todos os continentes. A cronologia aproximada do aparecimento do homem sobre a Terra é cada vez mais recuada: achados recentes na África admitem a existência de seres humanos há três milhões de anos. cerca de 4000 a. venha comigo em mais uma viagem. vamos mergulhar e acompanhar o surgimento do homem e seu processo civilizador. mas um agente que a transforma. Possui um conjunto de dons que o torna único entre os animais: diferente deste. Sobre este problema existem duas teses contraditórias: 7 .2 CAPITULO – A PRÉ-HISTÓRIA A FORMAÇÃO DA VIDA NA TERRA Chama-se Pré-História ao extenso período que se estende desde o aparecimento do homem sobre a Terra até à invenção da escrita. não é apenas uma peça na paisagem.C.

o desenvolvimento do homem começou há mais de cinco milhões de anos atrás. da Ásia e da Europa encontravam-se cobertas por selvas tropicais. o clima era muito mais quente e úmido do que hoje e. incluindo aquela que foi o antepassado do homem atual. De acordo com a teoria da evolução. Nesta época.Corrente: Conceito: MONOGENISTAS O aparecimento do homem ter-se-ia processado numa área do globo bem localizada antes de se espalhar a outras regiões. formaram-se as calotas polares e o clima tornou-se mais seco. dando lugar a florestas pouco densas e planícies verdes. 8 . portanto. POLIGENISTAS O homem teria surgido simultaneamente em zonas distintas do planeta. A área das selvas tropicais foi diminuindo. (entre 25 e 5 milhões de anos). No final do Plioceno. as temperaturas começaram a abaixar em todo o mundo. Nestas matas espessas viviam muitas espécies de primatas. os hominídeos primitivos (a família dos primatas a que pertence o antepassado mais direto do homem atual) ficaram encurralados em zonas de florestas cada vez mais reduzidas. Na África Oriental. grandes extensões da áfrica.

estas espécies já tinham evoluído até chegar a dois ramos divergentes os “robustos”. O tamanho do seu cérebro era semelhante ao do atual chimpanzé. de quem o homem descende. dimensão ltda) Como você pode observar no gráfico acima a três milhões de anos. com dentes e mandíbulas muito fortes e os “ligeiros”.Relação evolução do homem e o clima (Oficinas de história: ed. ou seja. um 9 . que tinham os dentes e os maxilares mais pequenos.

terço do cérebro do homem atual e tal como os chipanzés utilizam pedras e paus como ferramentas rudimentares. Eram desconhecidos os instrumentos que fabricavam, mas utensílios líticos foram encontrados em muitos países da Europa, África e Ásia. Os primeiros grupos alimentavam-se de vegetais e de carnes de animais mortos. A descoberta do Pitecantropo marcou época no progresso das idéias a respeito da evolução da humanidade. O primeiro crânio de Pitecantropo foi encontrado em 1891 pelo pesquisador de origem holandesa, Eugen Dubois, em Java. Em 1924, na África do Sul, foi descoberto um crânio de um hominídeo muito remoto, que recebeu o nome de austrolopiteco, as suas características o aproximavam do homem arcaico, como, por exemplo, testa deprimida, os dentes bem unidos, os caninos pouco desenvolvidos, seu índice cefálico oscilava entre 500 a 600 cm3. As primeiras espécies humanas desenvolveram-se a partir deste tipo a cerca de 2,4 milhões de anos, com o surgimento do o Homo habilis (homem hábil) na cadeia evolutiva, o cérebro já era metade do cérebro do homem atual foi apelidado de por ser capaz de fabricar instrumentos rudimentares de pedra. Centenas de milhares de anos depois, o homo habilis deu ascendência a uma nova espécie, o Homo Erectus, com locomoção bípede, porem ainda eram muito primitivos, em relação aos homens atuais. No meio do caminho entre o Homo Erectus, de quem possui algumas características arcaicas, e o Homo Sapiens existiram varias espécies entre estas, a mais célebre é o Homem de Neanderthal (Homo Sapiens Neanderthalensis). Descoberto na Europa, Ásia e África. Suas características são: perfil do crânio mostra uma fronte baixa, arcadas espessas e caixa craniana alongada, de tamanho variável. A tendência atual é, aliais, a de classifica-lo no gênero Sapiens, sob o nome de Homo Sapiens Neandretalensis. Os primeiros restos fósseis que podem ser atribuídos com relativa segurança à nossa espécie, Homo Sapiens, têm mais de 400.00 anos.

PERIODIZAÇÃO CLÁSSICA DA PRÉ-HISTÓRIA: 10

Os homens "os únicos objetos da história - de uma história que não se interessa por um qualquer homem abstrato, eterno, imutável e perpetuamente idêntico a si próprio - os homens, analisados sempre no quadro das sociedades de que são membros. Os homens, membros dessas sociedades, numa época bem determinada do seu desenvolvimento - os homem, dotados de múltiplas funções, de atividades diversas, com preocupações e atitudes diferentes, que se misturam, se chocam, se contradizem, acabando por firmar uma paz de compromisso, um modus vivendi a que se chama Vida." Lucien Febvre, 'Combates pela História'

Como já referimos, conhecemos os homem pré-histórico devido aos seus restos fósseis e aos achados arqueológicos e ao processo de fabrico de utensílios dos homens pré-históricos. Costuma dividir-se a Pré-História em três idades, definidas de acordo com o tipo de material que nelas foi preferencialmente utilizado: Idade da pedra. Idade do bronze e Idade do ferro. Os poucos conhecimentos que hoje temos destes períodos derivam, com efeito, do estudo de elementos não escritos: jazidas arqueológicas, artefatos, desenhos ou pinturas rupestres.

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A IDADE DA PEDRA
Subdivide-se em três períodos: o paleolítico. O mesolítico e o neolítico. O paleolítico ou idade da pedra lascada O período chamado de paleolítico, ou Idade da Pedra Lascada, começou com as primeiras criaturas semelhantes ao homem, que vivam na África oriental ha cerca de três milhões de anos, e terminou há 10000 anos, quando o homem descobriu os tecnologia da agricultura. Nossos ancestrais paleolíticos viviam como caçadores e coletores de alimentos. Como não sabiam cultivar a terra, nunca estabeleciam aldeamentos durável, eles eram nômades. Portanto os homens do paleolítico são obrigados a constantes deslocações como forma de sobrevivência, iniciando-se o processo de sedentarização cerca de 8000 a.C. O homem desta época trava uma luta invariável contra dois inimigos mortais: o frio e a fome. Quando seu aprovisionamento de víveres começava a faltar, abandonavam as cavernas ou os abrigos s e buscavam novos locais para se abrigar. O desenvolvimento social humano foi condicionado por essa experiência de três milhões de anos de caçada e coleta de alimentos. Para continuar a viver, grupos de famílias constituíram grupos de aproximadamente de 30 pessoas, nos quais os componentes aprendiam a planejar, preparar, colaborar, e partilhar. Os caçadores ajudavam-se reciprocamente na localização da caça, já que os empenhos cooperativos resultavam mais funcionais que as ações individuais. Dividindo a caça, e levando um pouco da carne, para o resto do grupo, eles fortaleciam o elo social. Assim também agiam as mulheres, encarregadas da coleta de castanhas, sementes e frutas para o grupo. Os bandos que não cooperavam na caça e na coleta ou repartição de alimentos tinham poucas chances de resistir e sobreviver. As cavernas, bem como a descoberta do fogo. Asseguram-lhe amparos contra o frio. Armas talhadas em sílex ou outra pedra cortante, rudimentares na época do Pitecantropo e do Sinantropo (paleolítico inferior), mais

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aperfeiçoadas com o homem de Neanderthal (paleolítico médio) e ainda mais com o homem de Cromagnon (paleolítico superior) permitem vincular a caça e a pesca aos produtos da colheita e representam já um importante arsenal utilitário. Embora o progresso humano tenha sido muito vagaroso durante alongados Séculos, algumas realizações desse período influíram fortemente no Paleolítico.

A Arte Rupestre

A arte pré histórica é inseparável da magia e da religião. Acredita-se que as pinturas rupestres seriam destinadas a facilitar as caçadas (magia simpática). Entre treze e doze mil anos atrás, esses povos buscaram a segurança e o silencioso no interior das cavernas — que eles possivelmente consideravam santuários — e, à luz de tochas, pintaram nas paredes figuras de animais que revelam notável habilidade e esperteza. Ao desenhar um animal com uma lança no flanco, é provável que os artistas pré-históricos acreditassem que isso lhes traria sucesso na caçada; ao desenhar uma manada de animais, provavelmente acreditavam que assim a caça seria farta. Então com certeza poderíamos afirmar que as pinturas rupestres faziam parte ao mesmo tempo de um ritual sagrado e de uma representação do cotidiano do homem pré-histórico. Aventurando mais ainda em nossa argumentação, poderíamos dizer que as pinturas rupestres serviam como primeiras escolas informando aos jovens caçadores como deveria ser sua o seu procedimento na caça.

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Nessa época. o que sugere uma crença na vida após a morte. estabeleceu aldeamentos.(pinturas rupestres em Altamira. NEOLÍTICO: Há cerca de dez mil anos. Espanha). A Religião no paleolítico Foram os povos do paleolítico também que deram início à prática de sepultar os mortos — às vezes com oferendas. teve início no Oriente Próximo a Idade da Pedra Polida. poliu 14 . ou período neolítico. o homem descobriu como cultivar a terra domesticou animais.

A invenção da roda do ceramista permitiu a fabricação mais rápida e precisa de cuias e pratos. A necessidades de matérias-primas e as criações de artesãos habilidosos fomentaram as trocas. fez cerâmica e aprendeu a tecer. As aldeias alteraram os padrões de vida do homem do neolítico. A agricultura deu origem a um novo tipo de sociedade ao favorecer o surgimento de povoados permanentes. Modelando e cozinhando o barro. Os povos neolíticos fizeram grandes avanços na tecnologia. Em vez de gastar tempo à busca de grãos.ferramentas de pedra. 15 . uma vez que os agricultores tinham de viver próximo dos campos que cultivavam e podiam armazenar alimentos para os tempos de carestia. obtiveram instrumentos afiados para diversos fins. Muitas vezes através de longas distâncias e estimularam a formação de povoamentos de comércio. Começa então a emergir a noção de propriedade privada. A descoberta da roda e da vela melhorou o transporte e promoveu o comércio. Amolando a pedra na rocha. Enquanto os caçadores e coletores do paleolítico eram compelidos a utilizar qualquer recurso que a natureza colocasse à sua disposição. O excedente de alimentos permitiu que alguns indivíduos dedicassem parte de seu tempo ao refinamento de suas habilidades corno produtor de cesto ou instrumentos. Portanto é nos grupamentos agrícolas. e que por acaso atacassem a aldeia. raízes e frutos. Os caçadores haviam acumulado poucos bens. que surge uma elite governante possuidora de possui riqueza e domina o poder. Tão importantes foram essas realizações que são chamadas de Revolução Neolítica. Homens podiam abater os animais domesticados. construíram recipientes de cerâmica para cozinhar e armazenar alimentos e Água. Já os homens sedentarizados tinham a noção e a posse de propriedades e pretendiam protege-las de qualquer um que queira toma-la. o desenvolvimento do arado e a atrelagem dos bois facilitaram aos agricultores a tarefa de cultivar a terra. os agricultores do neolítico modificavam o meio em que viviam de modo a atender a suas necessidades. as mulheres e crianças cultivavam. A Revolução Neolítica esta baseada na agricultura e a domesticação de animais e realmente elas transformaram a vida na a pré-história. Já que os pertences representavam um fardo quando tinham de se deslocar de um lugar a outro.

Durante o neolítico. estava no limiar da civilização. o provimento de alimentos tornou-se mais regular. Foram construídos altares em sua honra. quando se quebravam. combinando o cobre e o estanho em proporções adequadas. Com o tempo. O cobre. A sociedade neolítica tornava-se mais organizada e complexa. 16 . a vida nos aldeamentos melhorou e a população cresceu. descobriu-se como fazer o bronze. Idade dos Metais O período neolítico marca também o inicio do uso dos metais. foi o primeiro metal a ser utilizado. e realizaram-se cerimônias conduzidas por sacerdotes cujo poder e riqueza aumentavam com as oferendas feitas pelo povo aos deuses. cada qual com poderes específicos sobre a natureza ou a vida humana. As famílias que adquiriram riqueza passaram a ter uma posição social mais elevada e assumiram a liderança da aldeia A religião tornou-se mais formal e estruturada. os espíritos naturais foram convertidos em deuses. E podiam ser refundidas e consertadas. O bronze era mais duro que o cobre o que permitia dar-se um gume mais afiado aos instrumentos. As ferramentas e armas fabricadas com ele duravam mais tempo do que as feitas de pedra e pederneira. que era facilmente transformado em instrumentos e armas.

Ali.UNIDADE II – As Civilizações Antigas do Oriente Introdução unidade Na Unidade II. As primeiras civilizações surgiram há cerca de cinco mil anos. você vai trabalhar as civilizações antigas e os conceitos necessários a apreensão do conhecimento sobre elas. O surgimento da Civilização não foi um acontecimento inevitável. desenvolveram religiões organizadas e construíram grandes edifícios e monumentos — tudo o que caracteriza a vida civilizada. os seres humanos estabeleceram cidades e estados. nos vales dos rios da Mesopotâmia e do Egito. Cerca da história humana se desenrolou antes do surgimento da civilização. mas sim um ato da criatividade humana. civilizações que em muito contribuíram para nossa cultura. inventaram a escrita. A ascensão do homem à civilização foi longa e penosa. as civilizações do oriente próximo são até os dias de hoje estudadas pelos historiadores. ao longo das extensas eras pré-históricas 17 .

Cap 1 O Crescente fértil Introdução A região do crescente fértil 18 .

literalmente “a negra”. a estação peret ou da lavra. Os antigos egípcios se autodenominavam de “remet ne Kemet”. cruzava uma extensa área desértica seguindo seu curso por mais de 950 quilômetros. de certa forma se conectando a terra fértil habitável. que hoje conhecemos como Nilo. ou “a vermelha” em egípcio. que corresponde aos meses de novembro a março. que “o Egito é uma dádiva do Nilo”. Há mais 10000 anos. A cheia trazia consigo sedimentos aluviais que garantiam a fertilidade dos campos. No período seguinte. enquanto que ao deserto associavam idéias de limites. Mas as regiões desérticas também serviam de barreira contra eventuais ataques de povos estrangeiros. O Nilo é para o Egito a fonte de toda vida. Ao Sul o Nilo vencia as regiões rochosas. Um poderoso rio. depararam-se com um ambiente impar. ou da inundação. A terra fértil era chamada pelos egípcios de Kemet. todas as áreas fora de seu ambiente quotidiano. em suma. bosques de papiros e árvores de pequeno porte. cemitérios. Os egípcios históricos denominavam estas regiões distintas de “as duas terras”: o Alto e Baixo Egito. devido a profundas alterações climáticas que ocorriam na área saariana. com verdejantes pastagens. Sua cheia anual dava início à estação akhet.C. terras distantes. ramificando-se em uma série de canais que desaguavam no Mediterrâneo. quando os primeiros habitantes pré-históricos se estabeleceram na região nordeste da África. o próprio historiador grego Heródoto já havia afirmado. contrastava com a aridez avermelhada dos desertos da Líbia á Oeste e Arábico à Leste.• Egito A Localização e a Importância do Nilo para o Egito. por volta de 450 a. cuja tradução é “povo do Egito”. com margens férteis. embora não impedissem a circulação de caravanas que partiam a procura de matérias primas minerais ou viajavam para realizar trocas comerciais. O Alto Egito compreende toda porção do vale. os campos eram preparados para o cultivo do 19 . que proporcionavam-lhe um aspecto filiforme ( que tem forma de fio) . Já o deserto era denominado Desheret. já ao Norte dilatava-se. enquanto que o Baixo Egito é formado pela região do Delta.. A área fértil junto ao rio.

As aves. Os cavalos só foram introduzidos no Egito com a chegada dos Hicsos – entre 1640 e 1532 a. eram também criados ou capturados nos pântanos. implica na instalação definitiva do modo de vida neolítico no Vale do Nilo. Na última estação chamada shemu. Levado a formação de dois Paises O alto e o Baixo 20 . da cevada e do linho. hieracómpolis. Mas um rio que trazia benefícios também representava perigo.C. Os primeiros grupos sedentários se estabeleceram no Delta do nesta época o Baixo Egito experimentou um excepcional desenvolvimento que desencadeou na metade do milênio V a. No final do Período Pré-dinástico (entre o V milênio e o 3200 a. Animais como crocodilos e hipopótamos estavam presentes em todas as regiões e eram responsáveis pela morte de adultos e crianças. período correspondente aos meses de março a junho. unindo seus habitantes. os gatos e macacos. C. criava-se o gado vacum. Para garantir o crescimento e a vida das plantações.Nagada. Tinis . o surgimento dos primeiros assentamentos urbanos. Estes centros urbanos se organizaram em organização territorial chamada Nomos. e na outra um contrapeso que serve para elevá-la. O abastecimento de água era feito com o shaduf (nome árabe do artefato) que contém um recipiente para água em uma extremidade. Tal como a agricultura.) destacaram vários centros .em conflito permanente entre eles.trigo. O Nilo foi também a principal via de comunicação do Egito. Egito e sua periodização histórica O PERÍODO PRÉ-DINÁSTICO (5000-3200 ªC. o caprino. a pecuária também foi importante para a economia egípcia.C. o ovino e o suíno. Entre os animais de estimação estavam os cães. Barcos navegavam para o Norte seguindo a corrente e para o Sul aproveitando os ventos durante o ano todo. a exemplo de patos e gansos. era efetuada a colheita. no sexto milênio (5500-4000 a.): O Pré-dinástico Primitivo. canais de irrigação eram escavados próximos ao rio.C).

os egípcios dividiam o ano em três estações. a deusa abutre) e a do sul (Uadjet. para passar a expressar sons e sílabas alem dos ideogramas. Mas tarde acrescentaram 5 dias que simbolizava os dias de nascimento de cinco de suas grandes divindades: Osiris. cada estação quatro meses e cada mês três semanas de 10 dias. As casas e as tumbas são de pedra. Seth. Quéfren e Miquerinos foram realizadas no Antigo império e demonstram o conhecimento arquitetônico e organizacional muito grande . desde do uso de figuras de animais expressando conceitos materiais. o deus falcão. Durante as primeiras dinastias observamos um desenvolvimento urbanístico e arquitetônico bastante grandes. sobre todo na Administração. 21 .300-3. A construção das grandes pirâmides (túmulos): Quéops. Isis. Neste período o faraó passa a ser considerado um ser divino identificado com Horus. A escritura Hieroglífica se desenvolveu. chamado Menes. Isto fazia que o ano tivesse um total de 360 dias. Desde a Antigüidade. Está sobre a protecão da deusa do Norte (Nekhbet. o primeiro a unificar os “dois reinos”. onde cada reino seguia sue chefe. Neftis y Horus.): O Fundador da 1ª Dinastia I foi Aha. A unificação promovida por Menes ou Narmer (3. pos fim ao período Pré-dinástico e deu inicio ao período Dinástico propriamente dito.dinástico. a deusa cobra). O PERÍODO DINÁSTICO: O ANTIGO IMPÉRIO (3200-2300 ªC. Antigos relatos egípcios.Nilo. a dualidade continuou vigente durante toda a historia antiga do Egito.100 a. referindo-se a dualidade original do Egito. Como já vimos o fator geográfico também influenciava nesta divisão. Grandes Obras Hidráulicas são realizadas e a população participava ativamente destas empreitadas.C).maiores e mais sofisticadas que as do período pré. A pesar da unificação. Desde aquele momento os reis egípcios poderiam governar o Alto Egito e o Baixo Egito e um dos muitos nomes usados para o país foi "os dois paises". filho de Menes também fundador da cidade de Menfis. foi um rei do Alto Egito.

eles que criaram as bases sociais necessárias para estender a influenciam egípcia a todo o oriente próximo. Os faraós mais notáveis foram os da XII dinastia. Foi formado pelas dinastias XI-XVII. Tendo sido o primeiro povo a conquistar o Egito. é possível que se trate de um povo de origem asiática. Este período de caos administrativo os egiptólogos chamam de 1º período intermediário. Depois da morte de Amenemhat III. deste período vários faraós são nossos conhecidos como a Rainha Hatsepsut (provavelmente a primeira mulher a reinar no Egito). o que favoreceu a invasão dos hicsos. se convertera no deus nacional. Hicsos é uma palavra que em Egito antigo significa regente de um pais estrangeiro. . cuja suposta tumba na cidade de Abydos se converteu em um lugar de peregrinação. já que a capital passou a ser Tebas. chegando em varias campanhas até os rios Jordão e Eufrates. o poder absoluto dos faraós tebanos se debilitou progressivamente. invasores que irromperam no Egito em tono de 1730 a. Amenofis IV (conhecido por ser o faraó 22 . e as normas reais tinham que satisfazer a um numero maior de interesses. utilizaram cavalos. o país se submergiu em um novo caos e na desbordem. são definidos como reis pastores e reis estrangeiros . O NOVO IMPÉRIO EGÍPCIO (1580-525 ªC. em sua conquista. Seus sucessores começaram a expansão até o noroeste. Amenofis I Iniciou a construção do templo de Karnak. Amón. O deus de Tebas.): O faraó Amosis expulsou os hicsos iniciou o Período do Novo Império reunificando o Alto e o baixo Egito. submeteram os príncipes e monarcas restabelecendo a unidade.Entre as causas que levaram ao fim do Antigo Império se encontram os excessivos impostos para a manutenção do culto funerário e do crescente poder dos sacerdotes e da nobreza.): O Médio Império se conhece também com o nome de Império Tebano. As classes servis obtiveram privilégios da realeza. O MÉDIO IMPÉRIO EGÍPCIO (2000-1580 ªC.C. os diretos individuais. O faraó Mentuhotep II conseguiu reunificar o Egito. que os egípcios não conheciam. A religião se democratiza mediante o culto ao deus Osíris.

que depois de derrotar os Hititas na batalha de Kadech. Sociedade e cultura do Egito antigo A sociedade egípcia era Teocrática o faraó se identificava como um Deus. escritas sobre artefatos variados.herege Ahkenatón que levou a Egito do politeísmo ao monoteísmo reconhecendo um único culto ao deus Aton). Na a XIX Dinastia. o qual decidiu ensiná-la aos homens contrariando a uma ordem de Ra. Depois de Ramsés III o Egito se enfraqueceu et por volta de 670 a.e seu surgimento e debatido alguns estudos recentes apontam-na como uma invenção autóctone. transformado o Egito em uma colônia do império persa. respectivamente a Hierática e a Demótica. No Período Tardio os egípcios empregavam duas escritas distintas.C. caiu em completo desuso. Para os egípcios a escrita era uma invenção do deus Toth. Temos o faraó mais famosos graças aas suas construções espanhadas por todo o Egito.o qual baseia-se no alfabeto grego. Estas três escritas deixaram de existir com a conquista romana. seu domínio durou pouco porem o Egito e novamente conquistado pelos persas após a batalha de é ser conquistado pelos persas comandados pelo rei Cambises. considerado pagão. os assírios invadiram e dominaram o pais . Com o advento do cristianismo o sistema egípcio de escrita. fortaleceu-se no império reinando durante 66 anos. incluindo nomes de personagens históricos. Ramsés II. daí derivam “hieroglífica” e “hieróglifos”. na realidade derivados cursivos da Hieroglífica. o famoso Tutankhamon. 23 . sendo substituídas pelo Copta . Os primeiros hieróglifos a aparecerem são na maioria legendas. . no entanto a estratificação social era possível Escrita A palavra hieroglyphica tem origem grega significando “as (letras) sagradas esculpidas”. O Estudo da escrita egípcia está longe de ser concluído. já outros pesquisadores insistem na influência ou na importação da Mesopotâmia.

Este procedimento foi aplicado para outros nomes identificáveis. A pedra de Roseta trás 14 linhas de hieróglifos (na parte superior). Em seus estudos Champollion sabia que eram necessário comparar várias inscrições que tivessem os mesmos hieróglifos. Ao término de 1822. Dentre os estudiosos que deram os primeiros passos para a decifração. Moacir Elias Santos (Egiptólogo) . Esta foi encontrada em 15 de julho de 1799 próxima a cidade costeira de Roseta. Com o mesmo procedimento dos estudiosos supracitados ele isolou os grupos grego e demótico. pois a escrita grega poderia ser comparada com a egípcia. Dacier relative à l’Alphabet des Hiéroglyphes phonétiques a qual mencionava que os sinais fonéticos possuíam diversas aplicações.). A PEDRA DE ROSETA E A DECIFRAÇÃO DOS HIERÓGLIFOS Entre as peças descobertas pela campanha de Napoleão a mais célebre é. onde toda a lógica da língua foi exposta.A escrita egípcia é formada por três tipos de sinais (ideográficos. ano que o inglês Thomas Young (1773-1829) iniciou seus estudos. a moderna Rashid. destacam-se Sylvestre de Sacy e Johan Akherblad. 32 linhas escritas em demótico (ao centro) e 54 linhas em grego (na parte inferior). Seu trabalho culminou com a obra Precís du système hiéroglyphique. 24 Adaptado texto Prof. Tal obra marcou o nascimento de uma nova ciência: a Egiptologia. sem dúvida a “Pedra de Roseta”. Os sinais fonéticos representam um som específico . o qual seguiu quase os mesmos passos de Young. Ele conseguiu isolar cada valor dos sinais que compunham os dois nomes e comparou-os em seguida. que trabalharam a partir de cópia impressas das inscrições. Champollion publicou Letre à M. percebendo então que o sistema de escrita demótica deveria ser semelhante a hieroglífica e que este sistema era uma mescla de caracteres O processo da decifração foi completado pelo francês Jean-François Champollion (1790-1832). Os sinais ideográficos representam uma palavra completa. A importância deste documento foi percebida pelos franceses antes mesmo de sua transferência para o Cairo. No princípio de 1822 ele conseguiu uma cópia de uma inscrição. no delta do Nilo por um grupo de soldados que cavavam os alicerces de um fortim sob o comando do oficial Pierre Bouchard. que provinha de um obelisco de Philae. Ambos conseguiram identificar os nomes gregos e em seguida isolaram seus equivalentes na escrita demótica O hieróglifos persistiram enigmáticos até 1814. Tal fato impulsionou a pesquisa de inúmeros estudiosos europeus da época. onde estavam escritos os nomes de Ptolomeu e Cleópatra em hieróglifos e grego. cada um com um valor gramatical diferente. em 1802. escrita em 1824.

O estudo do fenômeno religioso no Antigo Egito requer a analise das crenças de diferentes regiões e cidades. primeiramente adorado em Hermópolis e posteriormente. Homens e mulheres adoravam a muitos deuses e buscavam a proteção divina em todos os aspectos da vida cotidiana. as cheias do Nilo. Certamente para cada deus era prestado um culto local. e o séc IV da era cristã prevalecendo o politeísmo. Há deuses antropomorfos. Neste processo os deuses maiores absorveram as divindades menores. As imagens não representam sua forma real. supunham que o cosmo a natureza (o vento.. um bom exemplo é Amon.A religião egípcia A religião egípcia pode se dizer que seja a más completa das religiões antigas. portanto a religião egípcia é antropozoomorfica. através de seu 25 . No Egito se adoravam as divindades que tinham a faculdade de mostrasse com aspecto humano ou com aspecto de animal ou ambos (humano-animal).C. assim como formas estranhas. Também os corpos celestes e os fenômenos cósmicos podiam assumir aspecto de divindades. Alguns deuses adquiriram proeminência nacional. O povo egípcio não tinha um conceito transcendente dos deuses. a chuva.. Conhece-se mais sobre a forma dos deuses doque sobre as crenças associadas a estas divindades. e as aparências animais (força natural).. sendo adorados em regiões vizinhas. Una serie de novas divindades ocuparam o lugar das primitivas crenças e entre o ano 3000 a. Os habitantes pré-históricos do vale do Nilo provavelmente praticaram um fetichismo totêmico. Os deuses do antigo Egito revelam variedade e complexidade. Isto pode ser associado ao crescimento do poder político de determinada localidade. zoomorfos e híbridos. apenas refletem uma idéia do divino. etc) eram os resultados de uma ação divina. A composição das imagens divinas com corpo humano e cabeça de um determinado animal exprime uma mistura entre o pensamento antropomorfo (abstrato). mas alguns transcenderam estes limites.

A historia de Egito se pode dividir entre dois momentos: antes de Amenófis IV e depois de Amenófis IV. Faraó do Egito (1364-1347 a. Procurou uma região distante que não teria sido consagrada a nenhum deus onde fundou uma nova capital para o Egito: Akhetaton. . O “ka” era o duble da pessoa que deixa o corpo quando morre. virou o Rei apóstata que fez cair todos os deuses de seu pedestal passando do politeísmo ao monoteísmo. Só um Deus: O Disco solar Aton. sociais e artísticas mudaram radicalmente. Um aparte na história religiosa egípcia “A revolução Monoteísta” O rompimento entre Amenófis IV. O Faraó Akenaton 26 . “O Horizonte de Aton”. iniciou a maior revolução teológica do Egito até então. Culto aos mortos era popular entre os egípcios: a alma descia ao mundo subterrâneo para ser julgada por Osíris. seu corpo o “khat” devia mumificasse e alcançar a imortalidade.sincretismo com Ra. mas o fato é que. tornou-se Amon-Ra garantindo sua ascensão a deus nacional. esta reforma artística é notada principalmente nas representações das próprias características físicas do Faraó representado de forma mais simples dentro de características de um homem normal sem grandes atributos e músculos desenvolvidos.). o Faraó. A parte material do homem. depois disso.C. a partir dessa data. Os egípcios faziam um imagem do morto. e a colocavam na tumba e a proviam de bebida e alimentos para evitar que sofresse fome. permanecendo assim até o final da história egípcia. e o Clero de Amon em Tebas no quarto ano de governo desse Faraó se deu em circunstâncias nebulosas. as estruturas religiosas. como já vimos.Mas não só uma revolução religiosa. O próprio Monarca mudou seu nome para Akhenaton (“É Benéfico a Aton”) e.

P 56-9. 27 . Associa-se com Min e Ra. coroado com duas plumas. Os animais à ele consagrados eram o carneiro e o ganso. e para abarcar tudo o que fizeste. Seu nome significa “oculto”. 1988. À princípio era deus integrante da Ogdoáda. daí sua associação com os ventos. recuanto ou aproximando.” (100 textos de história antiga. junto com sua esposa Amaunet e posteriormente deus padroeiro de Tebas. Fizeste o céu distante para ali te elevar.Trecho do Hino a Aton Composto por Akenaton “O calor para que te sintam a ti.) Mitologia egípcia Representação Deus Amon: um homem com uma barba curva. No tempo em que estavas só. Aparecendo brilhando. Surgindo na tua forma Aton vivente. São Paulo: contexto.

Era filho de Osíris e Néftis. ou um chacal deitado. O animal a ela consagrado era o gato. partos. doméstico destinados a afastar o mal. protegia os lares. instrumentos Estritamente crianças.Anúbis: um homem com cabeça de chacal. e 28 . Deus dos mortos e do Protetor embalsamamento. Às vezes é representado portando facas e musicais. Associada a Sekhmet e Tefnut. Bastet: uma mulher com cabeça de gato segurando um sistro. das necrópoles e das múmias. Representa os poderes benéficos do sol. Bes: um anão com feições leoninas.

Identifica-se com a deusa Hátor. 29 . Era a mãe simbólica do rei e senhora da magia.Hórus: um homem com cabeça de falcão com a coroa do Alto e Baixo Egito. Filho de Ísis e Osíris. ou um falcão. “Hórus dos dois horizontes”. Ísis: mulher que traz um hieróglifo em forma de trono sobre a cabeça. Esposa de Osíris e mãe de Hórus. o sol do meio dia. chamado então de RaHorakhti. identifica-se com Ra. Dentre as várias formas de Hórus podemos citar: Horakhti.

Osíris: homem com barba curva. 30 . Deus protetor dos artesãos e criador do mundo em seu mito cosmogônico. portando um cetro formado por vários amuletos. como uma múmia. portando a coroa branca com os cetros do Alto e Baixo Egito. posteriormente tornou-se juiz e rei dos mortos. estritamente ligado ao culto funerário. primeiramente como deus ctônico e da vegetação. Ptah: homem enfaixado. ou mumiforme referidos Adorado com os paramentos.

ou este animal. Período posteriormente associado às forças caóticas. Amon e Hórus) Sekhmet: mulher com cabeça de leão coroada com o disco solar. Personifica os poderes destrutivos do sol. Associa-se a Bastet e Mut. 31 .Ra: homem com cabeça de falcão coroado com o disco solar circundado pela serpente Uraeus. Seu nome significa “A Poderosa”. Possui numerosas associações (Kepri. É o deus-sol em seu explendor. Personifica as tempestades e trovões. elevado a deus nacional durante o e Segundo Intermediário. Atum. Seth: homem com cabeça de um animal desconhecido. Primeiramente o deus que defendia Ra contra a serpente Apópis.

Moacir Elias Santos (Egiptólogo) . continuando sua missão na terra. enquanto caçava. Osíris era invejado por Seth. Ao civilizar os egípcios Osíris resolveu partir. foi então quando Seth ordenou a seus conjurados que a lacrassem. Os mortos são freqüentemente referidos nos textos como “Osíris Fulano”. depois de morto se equiparava a Osíris. Ísis utilizando-se de sua magia. Através dos conhecimentos de Anúbis. Em seguida Ísis viaja. o poder é conferido a Hórus. e tivesse seu corpo mumificado se equiparava ao deus. onde transforma-se em uma jovem e descobre o local para onde a arca havia sido levada. e conseqüentemente dono de todo universo ordenado. percorre o país na busca pelos restos de seu marido. posteriormente ao mar. Tomado pelo ódio. e novamente unidas. na qual o faraó era descendente dos deuses. e esta seria um presente para o convidado que nela coubesse. conseguiu despertar Osíris para uma nova vida e por um instante o casal concebe Hórus. segurando os instrumento da escrita. Quando Osíris entrou na arca. a qual resume-se nas lutas de Hórus e Seth pelo trono do Egito. Ao retornar ao Egito. Seth homenageia-o com um banquete. Adaptado texto Prof. Osíris foi mumificado. podendo viver eternamente. Tal como Osíris toda pessoa que seguisse os rituais prescritos. de pose do corpo de Osíris. Deus O MITO DE OSÍRIS da escrita. A deusa Ísis. e Seth acaba encontrando o cadáver. os ensinaram a agricultura. devido a seus atos. Osíris havia sido o primeiro 32 ser submetido a este processo. O faraó enquanto governava era identificado com Hórus. Se analisarmos os mitos supracitados veremos que estes justificam o mito do rei divino.Toth: homem com cabeça de íbis. Treze partes foram recuperadas. Seth decide tomar o trono e resolve conspirar contra ele: ordenou que construíssem prof Moacir Elias Santos (Egiptólogo)) (Adaptado texto uma arca esplêndida com as medidas de Osíris.”“. Ísis decidiu escondê-lo em um pântano do Delta. auxiliada por outras divindades. Aproveitando-se da ausência de Osíris. passar à uma nova vida. Em seguida a arca foi jogada no Nilo. Ao regresso do irmão. Durante a festa Seth exibiu a arca. chegando. das ciências e do conhecimento. as leis. conseguindo assim. ou um íbis e ainda um babuíno. enquanto quer seu pai partiu para governar o outro mundo. suas medidas ajustaram-se perfeitamente. “ Osíris e Ísis foram os responsáveis pelos conhecimentos dos antigos egípcios. em suma tiraram o povo da barbárie. O mito então descreve a agonia de Ísis e suas peregrinações em busca do corpo de Osíris. o qual torna-se rei do céu e da terra. Outra grande influência do mito de Osíris refere-se ao costume da mumificação. Outros mitos concluem esta história. A deusa acaba chegando a Bíblos. a confecção de artefatos. Seth partiu o corpo de Osíris em quatorze partes e as espalhou pelo Egito. expressão que significa “o falecido fulano”. Depois de uma disputa de mais de oitenta anos.

33 .

formas variadas de arte.. conhecida apenas dos sacerdotes. as cidades sumerianas foram anexadas a varios remos e impérios. A história da Mesopotâmia é marcada por uma sucessão de conquistas. e os 34 .AS CIVILIZAÇÕES DA MESOPOTAMIA Mesopotámia é uma palavra grega que significa “terra entre rios”. uma forma primitiva de dinheiro. Por volta do ano 2350 a. obras de irrigação. conquistaram as cidades sumérias. Nos séculos que se seguiram. As realizações dos sumérios são impressionantes: um sistema de escrita com simbolos em tabletes de argila (cuneiforme). Ao norte da Suméria havia uma cidade semita chamada Akkad. nos vales do Tigre e do Eufrates. deságua no golfo Pérsico. que teve início a primeira civilização. O primeiro povo a desenvolver uma civilização urbana na Mesopotâmia (atual Iraque) foram os sumérios. para representar idéias.C. que se estendia do golfo Pérsico ao Mediterrâneo. ferramentas e armas de bronze. somando-se ao Tigre. literatura religiosa e secular. palácios e templos sofisticados. tornou-se obscura. liderados por Sargão. o rei guerreiro. substituida por uma língua semítica. Foi ali. comércio com outros povos. instituições religiosas e políticas. Por volta de 3000 a. cada uma consistindo numa cidade e nas terras que a circundavam. ao colonizar os pantanais do Baixo Eufrates — que.. com as suas conquistas.C. os ácades. Sargão construiu o primeiro império do mundo. feitos de tijolos. suas aldeias de cabanas desenvolveram-se gradualmente em doze cidades-Estado independentes. o Grande. A língua suméria. drogas medicinais e um calendário lunar. A religião mesopotâmica tornou-se uma mistura de elementos dos dois povos. Pelo trabalho constante e pela imaginação. os sumérios transformaram os pantanos em campos de cevada e pequenos bosques de tamareiras. escolas. Os ácades adotaram as formas culturais sumetianas e as difundiram para além das fronteiras da Mesopotâmia. casas. códigos de leis.

sumérios desapareceram gradualmente como um povo distinto. Mas suas realizações culturais perduraram. Ácades, babilônios, elamitas e outros adotaram as formas de religião, arte, leis e literatura sumérias. O legado sumeriano serviu de base a uma civilização mesopotâmica que manteve um estilo peculiar durante três mil anos. 1. AS INFLUÊNCIAS DO MEIO FÍSICO-GEOGRÁFICO: Na Mesopotâmia, a faixa de terra fértil entre os rios Tigre e Eufrates, e nas zonas adjacentes - onde hoje se erguem Bagdá, Basra e outras cidades iraquianas -, floresceram sucessivamente os reinos de Sumérios, Acádios, Amoritas, Hitititas, Cassitas, Assírios e Caldeus. Nesses territórios, entre muitos outros povos, se originou o mito do dilúvio universal e se criou uma das primeiras formas de escrita, a cuneiforme.

2. POVOAMENTO DA MESOPOTÂMIA (“terra entre rios”):

• Sumérios
Os sumérios, de origem desconhecida, ocuparam o Sul do vale no início do terceiro milênio antes de Cristo. A história deste povo está envolta em muitas lendas – o que parece certo é que os sumérios nos tempos préhistóricos, já utilizavam formas primitivas de irrigação. Pacíficos, desempenharam relevante sistema de escrita chamada ''cuneiforme'' e elaboram leis. Construíram casas de tijolos cozidos ao sol, aplicando o princípio do arco. Fundaram bibliotecas, escolas e cidades-estados, também se dedicaram à agricultura, à indústria e ao comércio. Eram baixos, atarracados, com barba e cabelo raspados. As mais extraordinárias cidades-estados fundadas pelos sumérios foram: Ur, Uruk e Lagash. Estas cidades, grandes centros mercantis, eram governadas por déspotas locais denominados ''patésis'', mas auxiliado pela aristocracia (sacerdotes e burocratas). Estavam em freqüentes lutas pela

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imposição da supremacia. A mais importante de todas era Ur, opulenta e orgulhosa de seu poderio econômico. Com o declínio de Ur, Lagash tornou-se a cidade hegemônica. O progresso das cidades sumerianas foi interrompido pelas invasões de tribos seminômades, procedentes do deserto da Síria, entre as quais destaca-se a dos acádios. • Acádios

Os acádios, semitas, estabeleceram-se ao Norte da Caldéia. Fundaram as cidades de Agadê, Sippar e, mais tarde, Babilônia. Com isso dividiu-se a Mesopotâmia: ao Norte, o país de Acad, ao Sul, o país de Sumer. Começam então as lutas pela hegemonia entre as cidades sumérias e acádias, principalmente Ur e Agadê. Triunfou esta última. O grande rei acádio, guerreiro e conquistador, Sargão I, ''soberano dos quatro cantos da terra'', foi primeiro monarca da história da Mesopotâmia. O poderio de Agadê é obra sua, mas com sua morte novas invasões e batalhas pela hegemonia da região voltam a ocorrer. Sua dinastia iria chegar até o seu bisneto, e durante esse período os semitas absorvem a cultura dos sumérios, a sua religião e a sua cultura. As cidades sumérias revoltaram-se. Lagash, sob o comando de Gudea, reconquistou o poder. Outros povos semitas atacaram a região: os Guti. Semitas e sumérios se confundem facilitando a restauração do poderio dos sumérios, que iria durar pouco tempo.

OS AMORITAS Primeiro Império Babilônico 36

Babilônia era a capital dos amoritas, e de uma pequena cidade do Eufrates se tornou à sede do poderoso império e grande centro comercial. Hamurabi (1792 a 1750 a.C.) - O mais famoso soberano de Babilônia, foi o verdadeiro fundador do Império. Fortificou a capital, cercando-a com muralhas, pois os territórios da Mesopotâmia foram cenários de incontáveis batalhas. A Babilônia também é o berço de algumas das primeiras manifestações literárias: os épicos, as lamentações e as disputas. Estendeu suas conquistas e realizou grandes obras públicas. Em torno de 1775 A.C., o rei babilônio Hamurabi redigiu o famoso código legal com penas para os delitos e transgressões, mas também com disposições de proteção para as mulheres. O Domínio Cassita, no começo do II milênio, sacudiu o poderio babilônico por invasões de povos indo-europeus, provenientes da Ásia Central. Essas tribos bárbaras possuíam o cavalo e usavam o ferro. Destacaram-se os hititas, cassitas e militanos. Os cassitas estabeleceram-se nos encostas do Tigre. O cavalo por eles introduzido na região era chamado pelo povo ''animal das montanhas''. Babilônia caiu em seu poder e entrou em declínio. Com a decadência de Babilônia, um povo começou a erguer-se nos arredores de Assur: os assírios.

Império Assírio
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Os assírios eram semitas, nômades, pastores e caçadores, foram vassalos dos babilônios por muito tempo. As lutas contra os indo-europeus favoreceram a sua ascensão. Formaram um pequeno reino com sede em Assur transferida, mais tarde, para Nínive. A belicosidade do povo, a arides do solo e a explosão demográfica contribuíram para as conquistas assírias e a formação de um poderoso império. Os soberanos assírios que mais se destacaram na luta pela expansão foram: Teglatfalazar, conquistador de Babilônia, A Sagrão II, fundador da dinastia dos sargônidas, Senaqueribe e Assurbanipal.Sagrão II (722 a 705 a.C.) apoderou-se do trono pela violência. Destruiu Samaria, capital do Reino de Israel. Conquistou a Síria e fez do exército assírio notável instrumento de conquista. Seu filho, Senaqueribe, estabeleceu a capital em Nínive e continuou as conquistas militares. Durante séculos, babilônios e assírios - tendo como centro as cidades de Nínive e Ashur - disputaram o território e se alternaram em sua primazia. Aproximadamente em 670 A.C., o rei assírio Assurbanipal recopilou a primeira grande biblioteca da Antigüidade, muito antes da mais famosa em Alexandria, no Egito.

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de Babilônia. viviam no luxo e no esplendor. Nabopolassar. os romanos e os árabes. Aniquilou os fenícios. administrador. O poder centralizava-se nas mãos do rei.C.Muitos foram os fatores que contribuíram para o declínio do Império Assírio. revoltas dos povos dominados. o Grande. destacando-se o tratamento cruel e sanguinário aos vencidos. O extraordinário progresso econômico permitiu o seu embelezamento: templos. legislador supremo.) . Estendeu as fronteiras do Império até o Egito. aliado aos medos.C. o poder retornou a Babilônia. que se tornou a mais notável cidade do Oriente. No seu reinado. erguia-se o ''Zigurat''. sitiou a odiada Nínive que caiu em 612 a. Surgiu o Segundo Império Babilônico. em 539 a. chefe militar. No centro da cidade. expedições militares dispendiosas. Organização Política A forma de governo dos assírios e caldeus era monarquia absoluta. Estavam abertas então as portas ao domínio estrangeiro.Foi o mais célebre soberano dos caldeus. déspotas sanguinários. a grande torre do templo. O Império Caldeu foi conquistado por Ciro. Não era 39 . Nabucodonosor (604 a 561 a. Mais tarde. Subjugou os hebreus. palácios. Eram freqüentes as lutas internas. Babilônia recebeu o título de ''Rainha da Ásia''. rei persa. chegaram os gregos. intrigas palacianas. pouco interesse pelas atividades econômicas. sacerdote máximo e supervisor das atividades comerciais. • OS CALDEUS Segundo Império Babilônico Com a queda de Nínive. Os sucessores de Nabucodonosor.C. que eram cegados e esfolados vivos. muralhas e os famosos ''Jardins Suspensos''. Depois da sua morte o Império Caldeu declinou. onde os sacerdotes caldeus observavam os astros. levando-os como cativos para Babilônia.

por intermédio destes. Religião e Mitos A riqueza da região não se esgota.e. comerciantes.F. em 2350 A. a quem um deus protetor salvou do dilúvio instruindo-o para que construísse uma arca.  O mito do dilúvio pode ter-se originado na Suméria com uma inundação na confluência dos dois grandes rios aproximadamente no ano de 2900 A. 40 . e que com o tempo ganhou estatura de lenda. pequenos proprietários e escravos.C. como no Egito.   Segundo o historiador H. que viveu aproximadamente em 2600 A. legal e cultural. os persas foram os herdeiros definitivos do império assírio e transmitiram muitas das características da cultura assíria e babilônica aos gregos . Saggs. que foram reinterpretados por sucessivas civilizações até se incorporarem ao patrimônio da humanidade. colocado por sua mãe em uma cesta lançada ao rio. mas também abarca a originalidade de seus antiqüíssimos mitos. ao mundo inteiro. em seu legado histórico. Mas um cerimonial minuciosos o separava dos mortais comuns. Organização Social A sociedade estava dividida em nobres.W.C. sacerdotes versados em ciências e respeitados. A arca de Noé tem seu antecessor no mito sumério de Ziusudra. aproximadamente.considerado um ser divino. Moisés tem um antecedente em Sargon. por seus contatos com a Assíria.. O episódio teve tal impacto que a Lista Suméria de Reis divide a história em antes e depois da inundação (os oito reis anteriores são conhecidos como "antediluvianos"). no entanto. o rei dos acádios.C. e que foi resgatado e criado por estranhos. Um dos posteriores ao dilúvio é Gilgamesh.

imortais. movimento doas astros. eclipses. Sin. 41 . deusa da lua. deus do céu. Conheciam o mito do dilúvio. durante o domínio dos assírios. deusa das águas. Seus deuses eram numerosos com qualidades e defeitos.Os sumerianos eram politeísta e não acreditavam em recompensas após a morte. o cabeça de todos. durante o reinado de Hamurábi. Visavam apenas a obter. A religião dos babilônios tinha as seguintes características: politeísmo. Acreditavam que Marduk. deus do ar. deusa do amor e da guerra. sentimentos e paixões. adivinhações e magia. Ea. Marduk. Anu.Os gênios bons ajudavam os deuses a defender-se contra os demônios. Voltou ao posto com Nabucodonosor. desprezo pela vida além-túmulo. contra a morte. Istar. tornou-se deus do Império. através da religião. Os sacerdotes se esforçam por agrupar os deuses em famílias ou ''tríades''. heróis. deus de Babilônia. Os homens procuravam conhecer a vontade dos deuses manifestada em sonhos. demônios. dádivas materiais e imediatas. Essas observações feitas pelos sacerdotes deram origem à astrologia. Enlil. criou o mundo e o homem de barro com sangue de dragão. crença em gênios. Shamash. mandado pelos deuses para castigar a humanidade. deus do sol e da justiça. Cada divindade era uma força da natureza e do dono da sua cidade. contra as divindades perversas. depois de lutar contra os deuses invejosos. contra as enfermidades. Foi substituído por Assur. despóticos e sanguinários.

usando-se também barras de ouro e de prata.Economia A agricultura era a base econômica dos babilônios. árvores frutíferas. e pela pobreza de matérias-primas. cevada. ferramentas. armas. O comércio era influenciado pela situação geográfica. As transações comerciais eram feitas na base de troca. O artesanato também era bastante desenvolvido era. Usavam o arado semeador. cartas de crédito. Artes A arquitetura era a mais desenvolvida das artes. A construção de canais era controlada pelo Estado. a grade e carros de rodas. Usavam recibos. fatores que favoreceram os empreendimentos mercantis. Construíam 42 . As caravanas de mercadores iam vender seus produtos e buscar o marfim da Índia. brinquedos e cerâmica. Os artesãos fabricavam tecidos. escritas. jóias. Cultivavam trigo. o cobre de Chipre e o estanho do Cáucaso. porém não era tão notável quanto a egípcia. legumes. Caracterizou-se pelo exibicionismo e luxo.

destacando-se Grotefend e Rawlison. as horas em sessenta minutos e os minutos em sessenta segundos. Suas principais características são: pena de talião . Notáveis eram os conhecimentos dos sacerdotes no campo do Astronomia. Dividiram o ano em meses.templos e palácios de tijolos. desigualdade perante a lei. ''olho por olho. superfícies e capacidade de peso. Calcularam a hipotenusa. abrangendo os mais variados assuntos. Distinguiram os movimentos dos planetas. São considerados os inventores da álgebra. foi decifrada por vários investigadores. representada pelo baixo-relevo. Elaboraram tábuas correspondentes às tábuas de logaritmos atuais. Destacam-se apenas o ''Mito da Criação'' e a ''Epopéia de Guilgamesh''. A pintura mural existia em função da Arquitetura. Letras A literatura era pobre. os dias em doze horas. dente por dente''. A matemática alcançou grande progresso entre os caldeus. isto é. Inventaram medidas de comprimento. hebreus e persas mais tarde. Já a escultura era pobre. O código de Hamurábi não é original. Ciências A astronomia foi a principal ciência entre os babilônios. grande realização sumeriana. usada pelos sírios. igualdade de filiação na distribuição da herança. A escrita ''cuneiforme''. divisão da sociedade em classes. os meses em semanas e as semanas em sete dias. O Império Persa 43 . Previram eclipses. Contém 282 leis. É uma compilação de leis sumerianas mescladas com tradições semitas. por ser escassa a pedra na região. A torres dos templos serviam de observatórios.

povos de origem indo européias. .C. Mil anos depois haviam se estabelecido na parte ocidental do atual Iran. se expandiram pelo oeste até a mesopotâmia e Ásia menor e a leste até o atual Afeganistão. o rei medo Astiages organizou as bodas de casamento de sua filha com o monarca Canbises I dos persas. provenientes de algumas tribos nômades que emigraram no século XIX a.C. Era uma potencia mundial para o mundo conhecido até então. figura lendária. Os persas tinham seu próprio fundador Aquemenes. Os Medos e os persas Foram os medos os primeiros a prosperar. todas repelidas. Construiu seu Império e o manteve unido mesmo após uma série de invasões de diversos povos. Formado por dois povos os Medos e os Persas . A organização administrativa facilitou o crescimento do Império com construção de vias e 44 . chefe de um clã tribal.. O filhos desta união Ciro foi o unificador dos dois impérios. nos Séculos VI ao Século IV a. Parte vital da organização deste novo império era o grande grau de autonomia que desfrutavam as nações conquistadas.Não havia existido até então um império tão grande. No inicio do século VI a.C. Ciro não só fundou um império admirável por sua envergadura com também uma bem estruturada organização. Abrangia um território que ia desde o mar mediterrâneo até as margem do rio Indo. do Cáucaso para golfo pérsico. Portanto não podemos estranhar que o soberano do Império persa se denominava “ o rei dos reis”.

O filho de Ciro. embora o Zoroastrismo fosse divulgado. de índole violenta e conquistou o Egito aumentando assim o império. Cambises II. 45 .cobranças organizada de Impostos e tributos. Existia liberdade de culto .

46 . com isto. e isto tanto manteve a distância forças potencialmente demolidoras como limitou as chances de experiências da China. apareceu no século I a.200 anos. máquinas para registrar terremotos e calibradores com graduações decimais para artesãos. A China também era auto-suficiente. e portanto as comunicações.A civilização chinesa “O Império do Centro” Apesar das influências estrangeiras da época. O leme ligado à popa do navio. Mas outros fatores podem ter contribuído. o que poderia ter aguçado a curiosidade dos seus governantes em relação ao mundo exterior. o primeiro sistema de cartografia. Possuía vastos recursos naturais e capazes de os explorar com sucesso. Sem úvida esta convicção intelectual explica em grande parte a sua indiferença ao que acontecia em outros lugares. Os transportes. Grande parte da cultura Han se dissipou ou foi destruída nos séculos IV e V. os navios europeus precisaram esperar por isso cerca de 1.. Também no tempo da dinastia Han foi desenvolvido um arreio para cavalos. cargas muito mais pesadas. de todas as inovações do período a mais surpreendente é a descoberta do fabrico do papel.C. No entanto. os chineses instruídos do Período Han achavam fácil ver o seu país como centro do mundo e sede da verdadeira civilização. a enorme distância geográfica sempre foi um destes fatores: qualquer lugar que pudesse ter exercido um estímulo dinâmico (falando em termos culturais) ficava muito longe. Por exemplo. também melhoraram no Período Han. A era Han também trouxe outros refinamentos e invenções. fazendo-se uma retrospectiva. tanto sob o ponto de vista econômico quanto tecnológico. em oposição ao grande remo pendurado de um dos lados. Os cientistas criaram a primeira bússola magnética com mostrador e ponteiro.

Império Persa O apogeu do império persa Se Ciro foi o grande conquistador do Império Dario foi o responsável por dotar a Pérsia de instituições importantes e base de instituições que chegam até ao nosso dia. o quadro abaixo mostra como a organização do império persa foi feita por Darío. 47 .

Esses hinos são o núcleo da liturgia do yasna. “Espírito Maligno”). dentes dos imigrantes chamados constavam significa “persas”). ou poucos hierarquia local. que tinham o titulo de Satrapas. O último deles supervisionará a última batalha. Nesse período. que criou o mundocomunicação entre todo o império em poucos dias. pársis (que de mensageiros. no qual bons sobreviveriam. e essa escolha enfraquece ou fortalece Angra Manyu. A principal escritura zoroastrista é o Avesta. Confiou a sua chefia a pessoas de confiança. O mundode um campoA cunhagem pagamento é tributos. encontram paralelos na filosofia da Grécia antiga. da maldade e da para simplificar o suas legiões de demônios (daevas).C. Esta de moedas era Zaratustra pregava que o mundo logo terminaria em um grande copiada dos lídios. do os descensistema de correio entre mundo. a cosmologia zoroástrica reviu essa previsão e dividiu a história do mundo em quatro períodos de 3. de batalha onde as forças do bem e do mal lutam pela supremacia. considerado o ELEMENTO principal e associado à vida e à verdade.Organização do Império Persa Satrápias Zoroastrismo Dario dividiu o território em 23 regiões administrativas.. mas foi quase extinta após a ascensão e o predomínio do islã no Correioséculo VII d. e acredita-se que influenciaram elementos (principalmente o DUALISMO) Trabalhavam nas satrápias era da filosofia reais Funcionáriosgrega e as teoLogias do JUDAÍSMO.000 anos. Escolher o bem resulta na preservação e na perpetuação da vida. somente ao oficial da Pérsia durante um milênio. isto é. cujos conceitos fundamentais. secretário de estado junto do na forma grega). ESCATOLOOIA). concentra-se na reverência ao fogo. Ahura Mazda (“Sábio Senhor”). que tradicionalmente se considera ter vivido por volta de satrapa eram responsáveis pela alta 600 a. quando os mortos ressuscitarão e serão recompensados no Céu ou castigados no Inferno (cf. Foi fundada pelo sacerdote e filósofo Zaratustra (ou Zoroastro. as satrápias. atnbuídos a Zaratustra. e hoje sobreviveDario estabeleceu o primeiro principalmente na India. e deviam ordem séculos antes. Para evitar a 48 .Km. Mas tarde. surgirão três salvadores sucessivos. O zoroastrismo foi a religião rei.C. utilizavam caminhosde organizados e Zaratustra rejeitava os cultos PANTEÍSTAS sua época com pousadas a cada 15 a essência proclamou um deus único. Dario cunhou uma moeda destruição.C. que contém 17 hinos. ter uma ocupação útil e constituir família. o último dos quais começou com o nascimento de Zaratustra. mas hoje se acredita ter vivido por volta de 1000 a. o queda permitia a e seus habitantes. a derrota de Angra Manyu e o Juízo Final. anjos-guerreiros (ahuras) enfrentam a oposição de Angra Manyu (ou de ouro o MoedaAhriman. a cerimônia de purificação realizada diariamente por dois sacerdotes. do CRISTIANISMO e formada por um general e por do ISLÃ. os Gathas. somente os idéia foi holocausto. Os seres humanos receberam o livre arbítrio para escolher o bem ou o mal. Ele e seus VERDADE e da justiça. e o criador dárico. Religião monoteísta originária da Pérsia. em sua maioria.uma raridade.

49 .

derrotou os filisteus . Os israelitas organizavam-se em sociedades tribais. nessa época.• Israel Os israelitas. ao fato do Egito e da Mesopotâmia estarem. através do deserto do Sinai. ao contrário dos seus vizinhos. A última praça forte conquistada em Canaã foi Jerusalém.). David (1006-965 a. A história da fundação do povo judeu é contada na Bíblia. que se tomou a capital do rei David. Eram inimigos dos filisteus. os israelitas adoravam um deus único: Jeová. instalaram-se em Canaã. e a sua religião exerceram uma grande influência tanto no cristianismo como no islamismo. XII a. assim. embora não fosse tão poderoso como n seus vizinhos. Sob a chefia de Josué. subjugaram a maioria dos povos nativos de Canaã.c. onde foram conduzidos por Moisés. unindo-se sob um único líder. envolvidos com problemas internos. Escolheram. o antigo reino de Israel teve uma grande influência na história da humanidade. deter os avanços de David.C. Saul para seu rei (1020-1006 a. os israelitas sofreram um longo período de cativeiro no Egito. No Tocante aos feitos militares de David. para guardar a Arca da Aliança. que continha as leis sagradas entregues a Moisés por Jeová no monte Sinai. por isso. na planície costeira meridional e resolveram fazer-lhes frente. O mais importante foi a edificação do templo de Jerusalém. podem dever-se. povo guerreiro que vivia na zona de Gaza. para entrar na “terra prometida” de Canaã. DIVISÃO 50 . que situa as suas origens na Mesopotâmia.). o país da bíblia. o que lhe permitiu concentrar a sua atividade em projetos de construção. descreve a sua antiga diáspora pelo Crescente Fértil. não podendo. Segundo a Bíblia. O seu sucessor. Existem provas arqueológicas que apóiam a exatidão do relato da conquista de Canaã e da fundação do reino de Saul. Sucedeu ao rei David o seu filho Salomão (965-928 a. antepassados do povo judeu. chefiadas por líderes intitulados “juizes”.). em parte. provavelmente no séc.C.C. que teve um reinado pacífico.

que disputam entre si uma concorrência permanente. Reboão (928-911 a. Sídon e Tiro são centros comerciais muito ativos.C. Milhares de judeus foram deportados para a Babilônia. Quando este se recusou a ouvi-los. que os ajudou a conservar a esperança na recriação de sua terra. trabalham as terras férteis. que era. entre as civilizações mesopotâmia e egípcias. o templo de Salomão destruído e os seus tesouros pilhados. ASSÍRIA E BABILÓNIA Durante os séc. Tanto Israel como Judá se viram obrigados a tornar-se estados vassalos. • Os Fenícios Instalados nas costas mediterrânicas. desencadeou-se uma revolta que terminou com a divisão do reino em duas partes independentes: Israel no norte e Judá no sul. reprimiu a rebelião de Judá.C. os judeus apenas tiveram como consolo o apoio da sua religião. os Fenícios são essencialmente um povo de marinheiros e comerciantes. rei da Babilônia.Apos a morte de Salomão. a principal ameaça para os israelitas foi a Assíria. Ugarit. as tribos do Norte de Israel queixaram-se do modo como eram tratadas pelo seu sucessor. Houve algumas rebeliões que foram fortemente reprimidas e grande número de cativos foram deportados para a Assíria.. Quando a Assíria entra em decadência. pelo que exploram a madeira de cedro do Líbano. a potência mais forte do Médio Oriente. Os Fenícios. em 612 a. a Babilônia ascende de imediato ao poder. Em 597 a. Nabucodonosor II.C.. Durante estes anos de exílio. naquele tempo.C. Biblo. IX e VII a.. igualmente bons agricultores. mas as colheitas não chegam para alimentar toda a população. Jerusalém foi saqueada. não só para consumo próprio mas 51 .).

trigo e escravos. na Sicília. perfumes. mais simples do que a escrita cuneiforme da Mesopotâmia e do que os hieróglifos do Egito. na Espanha meridional e na África do Norte. exportação e importação são noções familiares. autênticas colônias. O alfabeto fenício compõe-se de vinte e dois sinais. papiros. isto é governo exercido por homens que realizam atividades marítimas. Sua forma de governo era a Talassocracia. Excelentes marinheiros. 52 . onde a sua principal colônia é Cartago. marfim. As suas importações são principalmente de metais.também para comerciarem com regiões que possuam as matérias-primas que lhes faltam: para os Fenícios. fundam numerosas feitorias costeiras. os Fenícios inventaram um. Como o comércio exigia um sistema eficaz de registro escrito. que correspondem às vinte e duas consoantes fenícias. em Chipre. na Sardenha.

eram cultos e dedicados as artes. estava longe de ser atrasada nos aspectos que os europeus tanto se vangloriavam. A elite chinesa também em nada perdia para a famosa nobreza ocidental. e possuíam rotas (marítimas e terrestres) usadas até os dias de hoje. como culturais e sociais. adoravam música e teatro e também eram excelentes comerciantes quando necessário. O comércio era mais avançado. e devido à falta da ostentação apresentadas pelos ocidentais. estas nações possuíam uma sociedade muito avançada em grandes aspectos tanto políticos. sempre voltada muito mais para o mercado interno. tornava-se muito mais regrada e produtiva.UNIDADE DIDÁTICA III – CIVILIZAÇÕES DO EXTREMO ORIENTE INTRODUÇÃO A China a Índia e o Japão . A sociedade era muito mais disciplinada. apesar de serem vistos como um território de bárbaros em geral pelos europeus. 53 . Com uma história muito mais antiga que a Europa.

com a fundação de um novo império: o gupta. mas nunca suplantaram a contínua e crescente força da tradição indiana. A unidade política só reapareceu em 320 d. com soluções e renovações que muito contribuíram para a avanços culturais na Humanidade. que descobriu o Brasil em 1500 estava em busca das especiarias deste fantástico país. Foi na sua época que se começou a esculpir imagens de Buda (muitas vezes num estilo que mostra influência grega).. não arianos. Isto ilustrava como o budismo caminhava para ser uma religião como as outras. A ÍNDIA HINDU Inicialmente os primeiros registros sobre a História da Índia se encontram em vários relatos. Antes disto.C. que migrara das fronteiras da China e sempre parece ter tido o seu principal foco de interesse na Ásia Central. apesar de compartilharem formalmente religião e crença. Mantinha os seus próprios governantes drávidas. organizada por vários povos distintos a partir do noroeste durante o século III a. A Índia existe uma rica história. O povo de Kushan era entusiasta do budismo. dança e vestimentas indianas são apreciadas em nosso País. no Ganges. a frota de Pedro Álvares Cabral. Incialmente em importância é uma série de invasões. Destes povos invasores. ainda no apogeu do Império Romano. religiosa e cultural. os invasores também não penetraram no sul.A ÍNDIA A Cultura e os produtos da Índia sempre estiveram presentes na História do Brasil. Num determinado momento o povo de Kushan falhou e a Índia se dissolveu numa mistura de reinos. no norte e no sul os padrões gerais da vida indiana 54 .. Na verdade. nos dias atuais a Yoga ( Ginástica e filosofia).). De qualquer maneira.C. e em muitos aspectos era um mundo à parte do norte da Índia hinduísta. Estes recém-chegados trouxeram novas influências (é provável que o cristianismo tenha aparecido ali no século 1 d. mas governou um império que em certa época se estendeu desde as estepes até Benares.C. tendo em vista que. pode-se distinguir na confusão dos séculos uma contínua perturbação causada por povos provenientes do noroeste. um dos mais significantes foi o de Kushan.

A literatura floresceu. Crença e sociedade A base da sociedade hinduísta da Índia era o sistema de castas. um período clássico durante o qual muitas artes puderam ser apreciadas pela primeira vez. matemáticos indianos inventaram o sistema decimal. Os guptas O primeiro imperador gupta. Alguns dos mais importantes progressos dos guptas nada tiveram a ver com a dinastia: foram continuações do hinduísmo clássico. Se 55 . talvez antes das invasões. Também foi uma época de avanços do conhecimento e da filosofia. A paz e a certeza de estarem livres de invasões. que chegou mais tarde ao Ocidente por meio dos árabes. de enorme importância para a humanidade. Na época a maioria dos indianos vivia em aldeias mais ou menos autosuficientes e não afetadas por fatores externos. como os seus antecessores da Dinastia Mauria. sentimentos propiciados pela era gupta.continuaram sem ser perturbados com as idas e vindas de governantes. na época já proveniente da antiga divisão da sociedade védica em quatro classes. pois já nas civilizações do Vale do Indo eram venerados deuses que podem ter sido precursores do Shiva hindu. durante o reinado dos guptas começou a longa tradição do drama popular indiano com base em histórias contidas nos grandes épicos sânscritos. Da era gupta sobrevivem os primeiros dos numerosos templos de pedra ricamente decorados com esculturas. Desde o tempo dos guptas estão em vigor o complicado sistema hindu de estruturas sociais e as crenças a ele associadas. mais tarde levariam muitos indianos a considerá-la uma época áurea de paz e bom governo. estabeleceu a capital em Patna e a sua dinastia governou o norte da Índia unido a partir do Vale do Ganges. tão importantes para a história da arte e da arquitetura da Índia quanto as catedrais góticas da Idade Média para o desenvolvimento da arte européia. As raízes do hinduísmo retrocedem muito no passado. No século V.

a deuses ou deusas maiores. Existiam cultos mais generalizados.existe um princípio prático fundamental no hinduísmo. é viver a vida de acordo com o lugar de cada um no esquema das coisas. como Shiva e Krishna. No entanto existia também um hinduísmo puramente filosófico. bem distante da crueldade dos sacrifícios de animais e da veneração de imagens que ocorriam 56 .

A estrutura é mantida pelas autoridades religiosas. Mahatma GANDHI criticava com veemência o tratamento dado aos intocáveis. afirma que a situação atual do indivíduo é determinada por seu comportamento em uma vida anterior. sancionado pelas leis HINDUS e imposto pela tradição.000 anos: brâmanes. estão os excluídos pela sociedade. O SISTEMA DE CASTAS Sistema de estratificação social da Índia. e limita a escolha de profissão. julgados tão impuros que a sua própria sombra é considerada poluição. O conceito hindu do CARMA. proveniente do latim castus. e hoje a intocabilidade é oficialmente ilegal na India.000 subcastas (jati). embora a pressão dos reformadores modernos tenha amenizado algumas restrições. Apesar das oposições periódicas (o BUDISMO e o SIQUISMO foram instituídos. 57 .. para se oporem). Em um outro grupo. É o sistema mais rígido. vaixás. Ela ensina que os homens precisavam se desvencilhar deste mundo. que a consideram a ordem natural das coisas. classificadas segundo o grau de pureza ou poluição associada à sua ocupação tradicional. embora ainda persista. Chris.em nível. status social e grau de pureza ritual definido há mais de 2. por extensão. comumente conhecidos como intocáveis ou párias. comerciantes e agricultores. e sudras. a quem ele chamava de Harijan (filhos de Deus). Atualmente existem cerca de 3. ou brahma. mais imutável e talvez o mais antigo de hierarquia social. servos e escravos. Sua forma mais desenvolvida era chamada de Vedanta. por exemplo. A palavra “casta” significa “linhagem” ou ““RAÇA”. nobres e guerreiros. ou sacerdotes. A lei das castas designa um posto fixo e predestinado a cada membro da sociedade. conquistando um verdadeiro conhecimento da realidade. os Panchamas (“quinta divisão”). qualquer estrutura de CLASSES rigidamente imposta. O sistema baseia-se em quatro divisões (varnas) hereditárias principais que indicam ocupação. em parte. restringe o relacionamento social e proíbe o casamento fora da casta. Rohmann. o sistema de castas sobrevive até os dias de hoje. xátrias. “puro”. O livro das Idéias ed Campus.

Nos séculos V e VI o casamento infantil e a introdução de uma prática chamada de sati (que forçava as viúvas a se deixarem queimar nas piras funerárias junto com os restos mortais dos seus maridos) acompanham muitos outros sinais de que as mulheres tiveram de aceitar um lugar muito inferior na sociedade com o passar do tempo. mas isto acabou. Mas a maneira pela qual funcionava na vida diária tendeu a torná-lo mais rígido e estrito. No início. o hinduísmo tinha algo para atender a todas as necessidades. os brâmanes permitiam que as mulheres tivessem acesso ao conhecimento das escrituras védicas. 58 .No que se refere à doutrina.

sete anos de ascetismo. que era o padrão da existência ensinado pela religião do seu tempo e posteriormente pelo 59 . O seu fundador. Passou. Depois de receber uma educação aprimorada e cavalheiresca. ou “Sábio”. foi o ensinamento de Buda. mas príncipe de uma classe guerreira do início do século VI a. achou sua vida insatisfatória e saiu de casa. “o Iluminado”. não era um brâmane.C. Siddharta Gautama. Pela anulação pessoal. como se pode traduzir o seu nome. Buda ensinou aos seus discípulos a se disciplinarem e a repelirem os desejos. antes de começar a pregar e a ensinar. no entanto. cujo objetivo era o de conquistar a libertação do sofrimento conseguindo acesso a estágios mais elevados de consciência. uma união com a realidade final ou com a bondade que ele acreditava existir além da vida.O budismo O mais importante dos sistemas inovadores. então. para que nada impedisse a alma de conseguir o estado do Nirvana. Estabeleceu uma doutrina austera e ética. os homens poderiam conseguir se libertar do círculo infindável de renascimento e transmigração.

simples e ateístas. isentos de características ritualísticas. mas isto foi um marco tanto na História indiana quanto na inglesa. Depois da morte de Buda ( 483 a. último dia do século XVI. Passaram-se mais três anos antes que os primeiros emissários ingleses chegassem à Corte de Akbar. O surgimento de comunidades de monges budistas deu à sua obra um cenário institucional que sobreviveria a ele. o que ficou conhecido como budismo. A partir de então. Os portugueses foram os primeiros europeus a chegar à costa de Malabar pouco antes de 1500. ali estabelecendo entrepostos comerciais. e lentamente contornaram a Baía de Bengala na segunda metade do século XVI. Os ingleses chegariam na índia em 31 de dezembro de 1600. as culturas das Cortes indianas foram fortemente marcadas pelo estilo e pela moda dos persas. e três deles chegaram em 1580. No entanto. inaugura a história do islamismo na Índia. Buda parece ter tido grande habilidade prática e de organização. Em breve seria novamente devastada por invasores vindos do noroeste O mesmo aconteceu com os árabes que vieram a seguir e conquistaram o Punjab num certo período do século VIII. inquestionável integridade ética e uma personalidade que rapidamente o tornou um mestre popular e bem-sucedido. Assim como todas as grandes religiões. esta flexibilidade ajudou ao budismo obter grande popularidade para se tornar à religião mais difundida na Ásia e uma força poderosa na História mundial. em particular às mulheres e aos seguidores de castas inferiores.C. Com o islamismo também vieram outras influências. a doutrina de Buda assimilou muitas crenças e práticas preexistentes.). Sua chegada. talvez não expresse verdadeiramente os seus pontos de vista. a religião desenvolvida pelos seus seguidores a partir dos seus ensinamentos. pois aos seus olhos a casta era irrelevante. Outros invasores Por volta do ano 500 a Índia voltou a se dissolver em pequenos principados. no entanto. Evitou se opor ao bramanismo. Buda também ofereceu um papel aos insatisfeitos com a prática tradicional. alguns súditos da Rainha Elizabeth I fundaram em Londres a primeira Companhia das Índias Orientais inglesa. Akbar pediu a alguns deles que enviassem à sua Corte missionários letrados na fé para debaterem com os sacerdotes muçulmanos.hinduísmo. 60 .

judeu criado em Florença. Exatamente por isso que nossa historiografia ocidental é muito escassa da história oriental dos séculos passados. Mas com a aproximação deste oriente (a partir da segunda guerra mundial – iniciada principalmente pelo Japão) do cenário mundial. e é exatamente nesta nova tentativa que este trabalho se insere. mas nesta introdução irei tecer 61 . Cada vez se torna mais fácil encontrar notícias deste grande país asiático. ainda mais quando o aspecto a ser analisado se encontra em um tempo remoto ao que vivemos. abriram-se as portas para estudos mais detalhados e menos tendenciosos nesta direção. com seu “O Livro das Maravilhas”. teve um grande período de isolamento. O segundo é o já não tão famoso assim Jacob D’Ancona. e até mesmo ler previsões de como se espera que em alguns anos a China se torne o país mais influente no cenário mundial globalizado – “cargo” hoje ocupado pelos Estados Unidos da América. Mas nem sempre foi assim. e deixa seu relato em “Cidade de Luz”. Marco Polo.Daí em diante os europeus chegariam em número crescente e a Índia. que parte para a China aproximadamente em 1270. e que partiu para a China aproximadamente em 1272. o resultado final espera-se ser uma análise desprovida de preconceitos deste “mundo novo”. o que muitas vezes empobrece o estudo devido as características marcantes e distintas que os povos orientais apresentam de nossa sociedade. já visto e revisto pela historiografia tradicional. A China. A base do trabalho serão as impressões de dois viajantes europeus que visitaram a China em um período praticamente contemporâneo – a diferença da viagem dos dois é de apenas aproximadamente 2 anos. pois mesmo usando fontes – visões de mundo – ocidentais . exatamente como a maioria dos países do extremo oriente. Um destes é o famoso veneziano e cristão. Durante todo o trabalho iremos discutir as principais diferenças e semelhanças entre as visões dos dois autores. como é o caso deste trabalho. e quando se aventura a analisá-la tende a tentar aproximá-la de uma visão ocidental de mundo. A CHINA “O Império do centro do Mundo” O mundo descobriu a China.

O auge do sucesso Ch’in foi derrotar o seu último opositor. Os primeiros períodos com que precisamos nos preocupar são o Ch’in e o Han.. e unificar a China pela primeira vez como império dirigido por uma dinastia que daria o nome ao país. A 62 . por volta de 356 a. e bem distante das fontes de distúrbios de outras grandes civilizações. em 221 a. e que fornecem incomparável documentação. Sua capacidade de assimilação se apoiava na cultura de uma elite administrativa que sobreviveu às dinastias e aos impérios e que a manteve num mesmo curso. talvez também porque os seus soldados usassem armas de ferro. A China mantivera com os povos da Ásia Central um relacionamento próximo porém complicado. o estudo dinástico é útil: ele fornece as principais divisões da História chinesa até o século XX.. influiu muito menos do que em outros lugares. repleta de fatos muitas vezes confiáveis. Os Ch’in Os Ch’in vieram de uma região à oeste. isto é perfeitamente compreensível: a uniformidade e a regularidade deviam ser claramente desejadas. depois de unificada. Uma dinastia poderia levar décadas para tornar realidade o seu poder sobre todo o império.C. Até mesmo o islamismo.C. Devido às necessidades de administração de um país tão grande. sua cultura foi protegida pelo seu isolamento. A narrativa oficial é um pouco mais fácil de se estabelecer. Deve-se muito do conhecimento atual sobre a China aos escribas. Durante séculos. em parte talvez devido a uma radical reorganização levada a efeito. tem uma espinha dorsal de várias classes alternando períodos de crescimento e decadência de dinastias. contudo. durante muitos séculos não teve nas suas fronteiras nenhum grande Estado com que precisasse se relacionar. A China também era dotada de grande capacidade de absorver as influências estrangeiras que chegassem. A História da China. e ainda mais tempo para perdê-lo. ao chegar lá.C. Essas histórias enfatizam a continuidade e o tranqüilo curso dos acontecimentos. Com isto a China permaneceria distante e inacessível à maioria das correntes que mudavam outras partes das terras européias. que mantinham registros escritos desde tempos muito remotos. por volta do século IV a.. Foi um grande feito. No entanto. Os Ch’in prosperaram. findo o período dos Estados Combatentes.apenas uma contextualização das duas realidades tão diferentes que iremos encontrar pela frente: a européia e a asiática. feita esta ressalva.

ao longo da Rota da Seda da Asia Central.C.. O sentido de nacionalidade chinesa já podia ser discernido antes de 221 a.partir disto a China pode ser considerada como a sede de uma civilização única e centralizada. ou “Imperador Marcial”. Contudo. foi especialmente ganancioso: anexou ao império uma grande área da Ásia Central. Nem a civilização chinesa permeava o que hoje se considera como China. No entanto. 63 . Os Han Traçar no mapa as fronteiras do Império Han é um assunto bastante teórico. em certo sentido. certamente não havia controle sobre toda a área deste império no mesmo sentido com que Roma governava o seu império na época. menos de vinte anos depois os Ch’in seriam depostos. A expansão aumentou os contatos da China com outras partes do mundo. porque grande parte do comércio da China era feito por terra. A unidade política conseguida pela conquista Ch’in durante um século foi. que a partir do ano 100 a. Pelo menos na teoria. Com o Mediterrâneo permaneceram apenas indiretos. O Imperador Wu Ti. o desencadeamento lógico de uma unificação cultural já em andamento..C.C. o Império Han era na extensão máxima tão grande quanto o romano. A mercadoria mais desejada da sua produção era a seda. Talvez os novos contatos desta época com cavaleiros nômades dos desertos expliquem o surgimento dos belos cavalos de bronze que começaram a ser fundidos na era Han. os imperadores Han estenderam as reivindicações de dominação política da China ainda mais longe do que qualquer dos seus antecessores. A escrita chinesa só fora padronizada no reinado Ch’in (pouco antes do Período Han). que reinou de 141 a 87 a. e foi um fator de facilitação da unificação e da conquista. era enviada em caravanas ao Ocidente.

através das estradas de comércio da Ásia Central. Estudantes e monges começaram a circular entre a China e a Índia em busca da instrução budista. Embora o colapso de grande parte da sociedade tradicional durante os problemas do declínio dos Han. que parece ter aberto caminho na China durante o século I d. O único possível desafio à tradição foi o budismo. os beneficiários foram cultos populares e o desenvolvimento do taoísmo. a tradição chinesa só enfatizava que as próprias pessoas deveriam efetuar os rituais de sacrifício e que os antepassados deveriam ser venerados. a China permaneceu notavelmente isolada de grandes influências externas. e florescera sem contudo se aprofundar. 64 . deve ter parecido muito atraente numa época de revoltas e de desintegração social. o que resultou na notável tolerância dos chineses instruídos. Como a China imperial talvez não mostrasse muita resistência a novas idéias religiosas vindas do exterior. medidas de difícil execução e que provocaram explosões ocasionais de perseguição. e suas conseqüências. mas trouxe-lhe algumas contribuições. Sem ser muito dogmática. seu nome em japonês. O islamismo penetrara no Turquestão e em outros quadrantes do império. pareceria provável que elas prosperassem. no Período T’ang um imperador editou um decreto permitindo a pregação do cristianismo que chegara à China por meio dos missionários Jesuítas.C. Surgiram na china movimentos espirados no budismo entre eles um movimento de meditação mais tarde conhecido como Zen. O budismo não chegou a refazer a civilização chinesa. Posteriormente. fizessem com que as pessoas procurassem novos cultos e crenças.A religião na China Apesar desses amplos contatos. mas não foi assim. notadamente ao limitar o número de monges e de mosteiros. em cuja ajuda o fiel podia confiar.. e marcou o começo do declínio do budismo na China.. O confucionismo reforçou isto. Aos poucos o budismo se infiltrou na sociedade. Isto aconteceu quando o confucionismo recuperava sua antiga importância entre os eruditos. O Estado também contribuiu para regulamentar o budismo. A idéia confortadora de um Buda salvador.

toda a terra cultivável passou a ser ocupada e cultivada com mais intensidade em perímetros cada vez menores. que a estenderam e às vezes reconstruíram partes. a vida da maioria dos chineses se alterou pouco em estilo e aparência ao longo dos séculos. Cada vez mais camponeses ficaram sem terra. foi completado um grande sistema de canais ligando o Vale do Yang-Tzé ao do Rio Amarelo. Os chineses buscavam a autoridade na família e no Estado. Também. Os funcionários civis. pouco antes da ascensão dos T’ang. Assim. ao norte. o Wuhan ao sul. No entanto. asseguravam que a instrução e a cultura política se unissem na China como em nenhum outro lugar. que quebraram a unidade já conseguida. pois assim o governo poderia extrair novos recursos. como o contínuo crescimento do comércio e das cidades. As idas e vindas das dinastias foram responsáveis pela noção de mandato celestial.T’ang Com os T’ang não se pode separar os aspectos institucionais e culturais da civilização chinesa. os subseqüentes imperadores T’ang descobriram que confiar nos soldados podia ser perigoso. houve lentas mudanças. Todas as características essenciais do Estado chinês também já estavam estabelecidas no Período T’ang e durariam até o século XX. a partir de uma era em que as dinastias decadentes foram substituídas por Estados locais competitivos e insignificantes. A expansão territorial requeria mais administradores. 65 . que facilitou complementar com impostos o serviço obrigatório do camponês. Com todas as importantes inovações culturais e administrativas. A influência T’ang sobre eles enfraqueceu quando a Ásia Central sucumbiu ao islamismo. A obra dos Ch’in na Grande Muralha foi continuada pelas dinastias posteriores. Uma burocracia maior sobreviveria a muitos períodos de desunião e permaneceu até o fim como uma das instituições mais surpreendentes e características da China imperial. Milhões de trabalhadores foram empregados neste e em outros importantes esquemas de irrigação. Como com os seus antecessores romanos. instituições que não podiam ser desafiadas. À medida que o número de habitantes cresceu gradualmente. pois na China não havia entidades como a Igreja. treinados e examinados à luz dos clássicos de Confúcio. a sociedade chinesa mudou muito lentamente. Foi provavelmente a chave para o surgimento do sucesso da China.

um general de sangue mestiço de chinês e bárbaro reunificou o país em 581. Adotou o nome dinástico chinês de Yuan. em geral recorriam aos poucos funcionários que ocupavam os cargos e que punham a serviço de cada novo governo os valores imutáveis do sistema de Confúcio. os T’ang sucumbiram no século X e a China entrou mais uma vez num caos político. tendo a seu favor impressionantes realizações. A Dinastia Sui que ele fundou durou apenas perto de trinta anos quando outro general (também de ascendência mestiça) tomou o trono e inaugurou a Dinastia T’ang. Depois de cada mudança dinástica os herdeiros do poder. completou a conquista mongol da China. e os seus sucessores governaram a China até 1368. assim como nos oitocentos anteriores.Centenas de rebeliões militares ocorreram no Período T’ang. Nos mil anos seguintes. os Sung se mantiveram no sul até 1279. pode-se estabelecer mais facilmente a moldura formal da sua evolução como uma seqüência dinástica. em Pequim. Kubilai Khan. portanto. Então. A HISTÓRIA DINÁSTICA MAIS RECENTE Em 618 a civilização chinesa entrou numa fase nova e madura. neto de Gêngis Khan. tendendo a prejudicar a administração e danificar os sistemas de irrigação dos quais dependia a comida (e. que durou até 1644. mantiveram a China funcionando. a Dinastia Ming. a paz interna). Embora perdessem o controle do norte da China para povos da Manchúria no século XI. Neste ano. quando foram substituídos pela. assim como das instituições sociais. e qualquer rebelião. tinha um efeito multiplicador. mesmo que de curta duração. a partir da nova capital. mas desta vez durou apenas cinqüenta anos antes que os Sung ascendessem ao trono imperial em 960. e com problemas internos. a desordem dividiu a China por mais de 350 anos. mesmo estrangeiros. incapazes de policiar eficazmente suas fronteiras. Durante este período a continuidade e o poder de recuperação da burocracia. Seguiu-se outro período de desordem. Os ensinamentos de Confúcio facilitavam a mudança de dinastias sem comprometer os valores mais profundos e a estrutura da sociedade. No final. Depois dos Han. com a qual a China foi novamente uma unidade por aproximadamente três séculos e meio. 66 .

ao Golfo Pérsico e ao leste da África. por meio de investimentos governamentais em obras públicas e nas comunicações. sendo a causa de um surto de atividade econômica entre os séculos X e XII. só irrigado na primavera. como Cantão e Fu-chou. Mas a tolerância formal nunca permitiu muita receptividade na cultura chinesa. Sem dúvida houve um verdadeiro impulso na economia durante o período Sung. 67 . Uma evolução também ocorreu na agricultura com a descoberta e a adoção de uma variedade de arroz que permitia duas colheitas por ano nas terras bem irrigadas e uma no solo montanhoso. Os marinheiros chineses do Período Sung já possuíam a bússola magnética. no século XV. o tipo móvel e o cadaste de popa.Sung A dramática transformação da economia pode ser atribuída em parte às inovações tecnológicas a pólvora. Os contatos com o Ocidente também se multiplicaram sob o domínio mongol. apesar de enviaram expedições navais à Indonésia. Somado a insto a expansão dos mercados e o incremento da economia. tudo isto pode ser localizado na era Sung. A produção têxtil também sofreu rápido desenvolvimento e é possível se falar de uma “industrialização” Sung. o seu objetivo era o de impressionar estes locais com o poderio chinês e não acumular informação e experiência para frituras viagens de exploração e descoberta. mas. que resultou no deslocamento para o sul do centro de gravidade da economia da China e ao surgimento de novos portos.

68 .

As 69 .A China mongol A dinastia dos mongóis foi pequena (durou menos de um século – quando a comparamos com as outras – que duravam inúmeros séculos).

durante três anos o italiao. No sul o Vietnã foi invadido e Hanói a capital foi capturada e Burma foi ocupada. a China mais uma vez demonstraria o seu grande potencial diplomático e militar. atraiu o apoio da pequena nobreza e dos funcionários públicos. e o resultado foi a esplendor relatada per Marco Polo. e grande oposição das elites locais chinesas. O regime mongol não foi duradouro porem muito do que ocorrer durante este período. especialmente no sul. Ele reuniu uma grande esquadra e começou a reconstruir a esfera de influência da China na Ásia. Marco Polo fora funcionário do Grande Khan. com Kubilai Khan. No entanto. pode ter perdido a vida com a invasão. como os primitivos invasores. sempre que possível os mongóis empregavam estrangeiros na administração. Rompeu com o antigo costume nômade mongol. pode ser explicada por estes fatos. Mais do que chineses. uma delas. Doze anos depois expulsou os 70 . Marco Polo relata que os pobres se alimentavam da liberalidade do Grande Khan e que Pequim se tratava de uma grande cidade. O comércio exterior floresceu como nunca. tomou Nanquim em 1356. A partir desta época a Kubilai adotou um título dinástico em 1271. Além disto. mais de um quarto de toda a população da China em 1200. . demonstraram o contínuo poder de sedução que a China exercia sobre os seus conquistadores. No fim do século XII toda a China fora invadida pelos mongóis e estes. inflação do papel-moeda. Parte da persistente hostilidade chinesa aos mongóis. Contudo. O taoísmo e o budismo foram positivamente encorajados. um monge chamado ChuYuan-Chang. Um dos seus líderes. Uma vez unida. a dos Turbantes Vermelhos. com a liberação de Impostos aos mosteiros budistas . No entanto.características desta dinastia que a ajudaram a ser tão curta foram a desorganização do aparelho administrativo. foi positivo e realizado em pouco mais de um século. Passaria quase toda a vida na China. por alguns anos o tradicional sistema de exames foi suspenso. as realizações mongóis foram muito impressionantes. embora o seu conhecimento do chinês fosse fraco a China mudou os mongóis mais do que os mongóis mudaram a China. Com a conquistar do sul os Sung em 1279 os recursos de Kubilai mais do que dobraram. no século XIV a presença mongol já era insustentável e rebeliões constantemente ocorriam no campo e nas cidades. o Império Mongol deslocou o seu centro das estepes para Pequim. Sociedades secretas recomeçaram a surgir.

A dinastia que ele fundou. nunca foi invadido com sucesso e ajudou a alimentar o seu povo sendo a alimentação básica população japonesa a pesca responsável pelo volume de proteínas consumido pelos japoneses. As grandes viagens do eunuco Cheng Ho. embora por um longo tempo isto tenha se revelado mais na pesca litorânea do que em outras experiências arriscadas em mares distantes. O JAPAO Como o Japão é uma ilha. os manchus. uma dinastia manchu. Os Ming Chu Yuan-Chang gradualmente se tornou um defensor da ordem tradicional. Ao mesmo tempo. o mar o protegeu . com imperadores literalmente confinados aos seus palácios. onde os seus imperadores se manteriam até o século XX. No século seguinte os Ming foram ameaçados por um povo vindo do norte da Grande Muralha. embora presidisse um grande florescimento cultural e conseguisse manter a unidade política da China. 71 . só confirmou o conservadorismo e o isolamento do país. foram quase esquecidas. os mercadores que haviam prosperado no período mongol entraram em decadencia. Os Ming não conseguiram manter as fronteiras do império chinês. No início do século XV. Neste meio tempo a Dinastia Ming se enfraquecia. subiu ao trono.mongóis de Pequim e inaugurou a era Ming. Quando ficaram suficiente forte derrotaram a Dinastia Ming. Foi também o mar que fez dos japoneses marinheiros. a Ch’ing. Em 1644. Logo os estaleiros chineses perderam a capacidade de construir os grandes juncos que atravessavam o oceano. que viviam numa província que mais tarde teria o seu nome: Manchúria. Nem mesmo guardaram as especificações destas embarcações. um decreto imperial proibia os navios chineses de se afastarem além das águas costeiras e os indivíduos de viajarem para o exterior. longe dos reais problemas da china enquanto funcionários imperiais disputavam a posse das propriedades Públicas. que poderia ter sido um Vasco da Gama chinês.

Nos séculos VI e VII. Nos dois ou três séculos seguintes eles efetivamente controlaram os imperadores por 72 . situados no que mais tarde seria a província de Yamato. De tempos em tempos um clã conseguia poder maior do que os outros. no século VIII d. Posteriormente. mas a mais antiga e segura cronologia provém de fontes chinesas e coreanas de três séculos antes. tudo passou da China para o Japão.A Coréia é a terra do continente asiático mais próxima do Japão. No século VIII os Fujiwara chegaram ao topo. e os japoneses sempre foram muito sensíveis com relação àquele país. em geral influenciando ou mesmo controlando os imperadores. Esta família nacional era organizada em clãs. Desde tempos muito remotos a China influenciou profundamente o Japão. a partir dos seus domínios ancestrais. Nos tempos pré-históricos a tecnologia do bronze parece ter passado da China para o Japão. junto com o confucionismo. quando a influência chinesa estava no auge. com o conhecimento do trabalho em ferro. e por grande parte do século XX o dominaram. onde clãs individuais dominaram o Japão. Supunha-se que ele fosse descendente de uma deusa-sol e exercesse uma chefia geral sobre a família nacional japonesa.. tanto japoneses como chineses são de origem mongol . Numa certa época. A escrita chinesa foi adaptada para escrever a língua japonesa e o governo também começou a mostrar traços da influência chinesa. com o budismo. e com um imperador que fosse um legitimo governante e não apenas o chefe do clã mais respeitado. Os ceramistas chineses influenciaram os ceramistas do Japão em data muito remota. O título de imperador dado ao governante do Japão. principais unidades da sociedade japonesa. Mas a China foi durante muito mais tempo a soberana nominal da Coréia e sempre foi o poder estrangeiro cujo comportamento importava mais do que qualquer outro para o Japão. depois do colapso dos Han. baseado no mérito e não na origem. Mostra que no início do século VII governo já era centrado num imperador. multiplicaram-se rapidamente os contatos com a grande civilização continental. políticos japoneses reformadores lutaram para estabelecer um governo centralizado. quando os japoneses começaram a demonstrar muito mais interesse pela Coréia.C. nos moldes chineses. Embora seus idiomas sejam diferentes. Entre 500 e 1500 houve dois importantes períodos. governantes japoneses mantiveram um território ali. As primeiras crônicas japonesas (compiladas no século VIII) explicam como a terra e o povo do Japão foram feitos pelos deuses.

o poder imperial diminuiu e permaneceu nas mãos dos nobres. Minamoto Yoritomo. tendo em vista que as guerras internas tinham enfraquecido o Japão . assumiu o poder em 1185. a fraqueza do poder do imperador acabou resultando no desmoronamento de qualquer idéia centralização. Tudo isto teria sido muito perigoso sem a proteção do mar. contra invasões. Houve uma luta entre alguns clãs. mas que de fato era Independente e acompanhava os interesses do seu próprio clã. Este eclipse dos imperadores se completou no Período Kamakura (de 1185 a 1333). O xogunato O xogunato foi uma época em que o Japão teve o poder descentralizado. que governava em nome do imperador. foi o início da ascendência dos. No final do período Fujiwara. atual Kioto. Os próprios Minamoto abdicaram no século XV. No entanto.meio de alianças matrimoniais e relacionamentos que se seguiram. quando o governo efetivo passou para o “xogum” (Chefe militar) Minamoto. 73 . No Período Fujiwara. a capital imperial era Heian. e o direito de arrecadar impostos imperiais foi garantido aos que desfrutavam dos favores dos Fujiwara. e o Japão se dissolveu em violentas e sangrentas guerras civis até o século XVI. As funções se tornaram hereditárias. Mas o poder dos Fujiwara decaiu. e um general.

A admiração japonesa pelo guerreiro continuou com um crescente senso 74 .Outra importante tendência nestes séculos dirigiu-se a uma sociedade muito mais militarizada. As guerras civis em que os guerreiros se empenhavam para servir aos seus senhores como criados fortaleceu ainda mais o espírito militar. a mais respeitada classe abaixo da grande nobreza. Em parte isto aconteceu porque a pequena nobreza e os fidalgos rurais se tornaram mais independentes à medida que a era Fujiwara chegava ao fim. em que as virtudes marciais de lealdade. resistência e bravura passaram a ser tidas em grande conceito. A importância da figura do Samurai surge neste período. cujos ideais cavalheirescos.

foi criado mais ou menos na mesma época. visto como intervenção celestial em favor do Japão. que recém-chegara à Coréia. ou “kami manifestos” e seres humanos poderosíssimos. do chinês shin tao. Os kami concedem vida. que muito se deveu à resistência bem-sucedida a duas tentativas de invasão mongol. bem como os imperadores. O nome “xintó”. que atribuem origens divinas ao Japão e à sua linhagem de imperadores. portanto. à comunidade e à nação.de superioridade e invencibilidade militar. doutrina. as divindades criadoras e protetoras da natureza associadas com a Terra (especialmente certos locais sagrados). Amaterasu-Omikami. O xintoísmo não tem teologia. As preces e os ritos cerimoniais. a primeira em 1274 e a segunda em 1281. o Kojiki e o Nihongi (Nihon Shoki). para distinguir a tradição nativa do budismo. concentram-se na purificação da corrupção espiritual e nas súplicas de complacência e proteção do kami. ou “caminho dos poderes divinos” (kami-no-michi em japonês). Sua mitologia fundamental écontada em dois textos escritos no início do século VIII. 75 . O xintoísmo. oriunda das antigas religiões populares e que assimila elementos do BUDISMO e do CONFUCIONISMO. Houve enormes combates. presididos pelo sacerdócio hereditário. culto congregacional nem escritura formal. ou “vento divino”. cujo objetivo é alcançar o objetivo divino em pureza de espírito e devoção à família. que também eram considerados divindades. no lar ou em templos. com expedições bem. que se diz serem descendentes da deusa do Sol. embora seus adeptos cultuem os espíritos ancestrais e imaginem um submundo onde residem os mortos. A crença do xintoísmo gira em torno de kami. põe ênfase nesta vida. Na segunda tentativa a frota mongol foi efetivamente destruída e afundou numa tempestade — o Kamikaze. e não na próxima. Xintoísmo (ou xintó) Religião nativa do Japão.

cujo primeiro impacto na sociedade japonesa seria inflamar ainda mais as lutas internas.CULTURA E ECONOMIA Por um longo tempo a economia não avançou muito: tecnicamente. Alguns dos belos objetos produzidos pelos japoneses eventualmente começaram a ser vendidos nos mercados externos. na tecelagem em seda. e portanto das áreas cultiváveis. mímica e música. além da fé os intrusos também trouxeram armas de fogo. como os arranjos florais. e cuidava das plantações de arroz que forneciam a maior parte da alimentação dos japoneses. a habilidade manual. UNIDADE DIDÁTICA IV – CIVILIZAÇÕES PRÉ-COLOMBIANAS INTRODUÇÃO 76 . Os primeiros europeus a chegarem no japão foram os portugueses. em geral ao seu senhor. No século XV a China era um importante comprador. levada a efeito com elaborados figurinos e mascaras. uma pequena aldeia. a agricultura permaneceu o que sempre fora e não houve crescimento urbano como na China. mas principalmente com o aumento gradual do tamanho das propriedades. foi aberta aos portugueses em 1570. e os monges budistas desempenharam importante papel no comércio com o Japão. as condições internas do Japão não impediam o avanço dos estrangeiros. que lá fundaram uma feitoria. O camponês pagava pesados impostos. Nagasaki. Os artistas japoneses sempre enfatizaram a proporção. provavelmente em 1543. e demonstraram isto nas cerâmicas. a quem o xogunato concedia o direito de cobrar. bem como em artes muito mais caracteristicamente japonesas. na pintura. A primeira literatura japonesa e o drama nô— combinação de poesia. nos trabalhos em laca. Na época. O Japão conseguiu aos poucos produzir mais alimentos. o paisagismo e as belas espadas produzidas pelos armeiros. No entanto.

Constituiriam-se pirâmides de pedra ligadas a rituais religiosos e desenvolvesse a escrita. Durante quase 2000 anos. era desconhecido um conceito na cultura indígena que distinguisse os habitantes da América o hemisfério ocidental dos habitantes de outros continentes. Foram vários grupos que chegaram a América e se aceita que existiram três grandes rotas de imigração para a América. desde o equador até ao centro do Chile . Conforme mapa abaixo: A chave da formação cultural das grandes civilizações Pré-colombianos é o relativo isolamento. Então estilo de vida e unidade política. No entanto na América muitos grupos nada sabiam da existência um dos outros. mas os povos os indígenas que criaram as sociedades americanas não parecem tê-lo visto desta maneira. DO HOMEM AMERICANO Índio é. que os especialistas costumam dividir em dois grupos: antropológicos e arqueológicos. nos Andes os incas foram os criadores do ultimo grande império da América pré-colombiana. cidades e 77 . De todos os grandes ramos etno-geográficos da humanidade. um nome equivocado para os povos encontrados na América pré-colombiana a designação originou-se de uma concepção geográfica errônea por parte do próprio Colombo. os grupos funcionavam dentro de mundos já bastante estruturados. culturais e tecnológicas. No entanto os primitivos habitantes do Novo Mundo deixaram numerosos vestígios. que deram forma e cor a tudo o que fizeram. que se estendia pelos Andes. Em vez disso. floresceu na América central uma sofisticada civilização. conjuntos inteiros de práticas sociais. que se imaginava próximos das Índias. e poucos grupos estavam em contado. Tenochititlan era maior e mais rica do que qualquer cidade européia do Séc. XV. e com certeza entre todos os que tinham agricultura.O hemisfério ocidental depois do contato europeu tem sido chamado com freqüência de “Novo Mundo”. naturalmente. e era percorrido por uma rede de estradas e fontes suspensas.

A Agricultura remonta a milênios no continente americano assim como a vida sedentária e as artes da cerâmica e da tecelagem. viu o crescimento de cidades e de grandes unidades políticas. pirâmides. e a espalharse para outras regiões a partir daí.C. de 78 . assim como conquistas nas artes aplicadas que igualavam ou ultrapassavam tudo o que existia quando os europeus chegaram. no Novo Mundo. As inovações sociais e tecnológicas do hemisfério ocidental tendiam a centrar-se em duas áreas. a América era um conjunto de civilizações em vários estágios e em grande variedade de sociedades. na época do contato com a Europa. Os primitivos habitantes da América eram os mais isolados dos grandes centros culturais da Europa e da Ásia. O primeiro milênio d. A posse. a variedade da geografia americana impediu o desenvolvimento de quaisquer tentativas centralizadora por parte das grandes civilizações. europeus e africanos sabiam. O que importa é que. e bastava isso para lhes dar total superioridade militar no Novo Mundo. Apesar de todas as diferenças de histórico e de status a eles conferido. um único grupo invasor. a Mesoamérica e o centro dos Andes. impérios e comércio de longa distância. fabricar e usar armas de aço. técnicas e cultura constantemente eram trocados entre povos do eixo Europa-ÁsiaÁfrica durante séculos até os tempos modernos.. de bandos de caçadores e coletores a agricultores de base urbana Milhares de anos de história estendem-se desde o tempo das supostas migrações da Ásia e do estágio de grandes caçadas por toda a extensão e largura de ambos os continentes ocidentais. Em tecnologia. com alguns traços importantes em comum não compartilhados pelos índios. por exemplo. Ainda não se determinou com certeza se algumas inovações básicas foram ou não trazidas de fora do hemisfério. No entanto. tudo nos sistemas de vida dos primitivos habitantes da América havia passado por longos processos de evolução independente e apresentava sua própria característica.. enquanto os povos americanos pré-colombianos. ficaram por alguns milhares de anos sem contato contínuo com o resto do mundo habitado.. em alguns aspectos os ibéricos e africanos eram. pelos povos centrais. pois. nenhum tinha ferro e aço. ainda que tenha havido algum contato eventual. embora alguns grupos tivessem construído grandes cidades. Povos.grandes unidades políticas. Assim.

como o caso da cerâmica marajoara). na Bahia no Rio de Janeiro e no Paraná e em quase todo o litoral do Sul do Brasil. No entanto vestígios da presença do homem são encontrados em todas as regiões da América . ornatos. nessa região. restos de ossadas de animais e restos de sepultamentos. Sambaquis são elevações do terreno formadas por conchas ou carapaças de moluscos. discos. juntamente com machados de pedra. no vale amazônico.CARACTERÍSTICAS Encontrados nos Estados Unidos (shellmounds). VESTÍGIOS HISTÓRICOS sambaquis PRÉ. que foram depositadas pelo homem e aglomeraram-se com o tempo. ( restos de objetos de pedra ou de osso ou. Neles. em muitos aspectos. principalmente na zona litorânea. devem ser muito anteriores ao descobrimento da América. nos litorais do Pará e do Maranhão. na mesma categoria da maioria dos povos da Europa em 1500. de barro. são encontrados então numerosos sinais da presença do homem na América. vasos. Dificilmente datados. Vestígios arqueológicos do Homem na América : No Brasil merece especial atenção aos vestígios achados na Lagoa Santa. muitas vezes exemplares de instrumentos produzidos pelo homem na pré história. e no meio das quais encontramos. No Brasil são encontrados. e outras mostras da produção primitiva humana. são encontrados esparsos. cidades e aldeias estáveis. mecanismos rígidos de tributação e população densa coloca-os.agricultura intensiva permanente. ainda. nas ilhas do Atlântico e do Pacífico e são das mais variadas dimensões e formas. ou sob a forma de habitações ou aldeias (“pueblos”. em Minas Gerais. encontram ossos de 79 . estearias) como também em montículos de resíduos.

que já deviam praticar a irrigação artificial.( região da Argentina) apresentam vestígios da indústria lítica e da cerâmica. colares. provável que os habitantes das estearias sejam os mesmos que fabricaram a cerâmica de pueblos. Caboclo e outros).). sabiam preparar a renovação do ar e aquecimento em suas habitações. Denotam grande desenvolvimento dos construtores. do que deixaram numerosas e excelentes amostras. Utah. de tal forma característicos que chegou a estabelecer-se uma “raça dos sambaquis”. Achados principalmente na Patagônia. etc. e são encontrados também no Colorado e no Arizona. tais como machados. Os detalhes de construção são quase os mesmos. eram casas elevadas sobre muralhas de pedra ou barro. encontramos magníficos trabalhos de barro. Algumas vezes têm vários andares. Trabalhavam na pedra e no barro. Estearias 80 . de mistura com restos humanos. a arte da fortificação. de época bem anterior à descoberta da América São aldeias de pedra construídas nas montanhas pelos índios do sudoeste dos Estados Unidos (Colorado. de permeio com objetos de pedra. apresentando os mais diferentes desenhos com a utilização de elementos geométricos. como os botocudos e outros. etc. braçaletes. Arizona. Os mais famosos são o Pueblo Bonito “e o “Pueblo Pintado”. a agricultura.Paraderos habitações nas escarpas animais e de homens. pertencem ao tipo das casas sobre estacas. As encontradas no Maranhão (lagos Cajari. e nelas. vasos. muito semelhante à dos selvagens brasileiros.

Esses povos eram encontrados em toda a periferia dos territórios dos povos 81 . era. a caça ainda era vital. A primeira categoria era a dos Nômades ou os “semi-sedentários”. As partes secas do norte do México. os tributos eram simbólicos ou inexistentes e a densidade populacional era extremamente baixa. nas planícies ou nas florestas mais fechadas. Sem agricultura. naquelas áreas mais inóspitas para a vida sedentária então conhecida: nas mais secas ou mais úmidas.Marajó. a unidade social normal eram pequenos bandos. sempre a procura da “terra sem mal”. CARACTERÍSTICAS GERAIS DAS CULTURAS INDÍGENAS Podemos dividir os Habitantes da América pré-colombiana em Três categorias. eram caçadores e coletores e tinham uma população reduzida praticavam uma primitiva agricultura. menos densa do que as grandes culturas centrais. as plantações e povoados mudavam-se de um lugar para outro. mas. tinham acampamentos em vez de aldeias. e povoavam quase toda a América. A Segunda categoria é a de Estes povos também tinham agricultura e aldeias. embora pudesse ser bem numerosa. religião e visão de mundo com grupos sedentários No entanto. no decorrer de alguns anos. e a população. Estes povos podiam compartilhar muitos componentes de língua. os pampas argentinos e boa parte do interior da Amazônia são regiões assim. acima de tudo. dentro deste território os povos não-sedentários migravam com freqüência num ciclo sazonal de caça e coleta. Esses povos existiam em partes de todas as grandes regiões mas.

governos provinciais e sistemas de tributação parecem situá-los completamente na categoria de povos centrais. Em vez de estágios do desenvolvimento humano. Mais do que criar sedentarismo. norte do México e na Amazônia . no sentido que estamos dando a esta palavra. em regiões dos atuais Chile. A agricultura intensiva era à base daquela vida. Os MAIAS E OS ASTECAS 82 . As características distintivas dos povos sedentários começam no nível da família e do aldeamento. Nesta estrutura. mas não representa nenhuma anomalia no espectro multidimensional da realidade do hemisfério ocidental. tão complexo na totalidade de suas relações com o meio ambiente quanto os outros. (se plantava batatas e cereais). cujas cidades.totalmente sedentários. Uma combinação de traços como esta é um pouco incomum. A terceira categoria são as das grandes culturas. nenhum povo responde melhor à descrição de grupo sedentário do que os habitantes da região central do México e dos Andes. • As civilizações da América pré-colombiana POVOS SEDENTÁRIOS Existe uma correlação entre império e sedentarismo. suas fronteiras paravam de forma abrupta nas fronteiras da vida sedentária. incas maias e astecas que estudaremos a seguir. isso quase sempre significava cultivo de milho.. Nenhum povo era totalmente sedentário ou totalmente nômade. os grandes regimes tributários que foram chamados de impérios se alimentavam dele. cada um dos sistemas era tão capaz de manterem-se quanto os outros. Colômbia. Vários dos grupos maias. dada a tecnologia existente. as três categorias representam principalmente adaptações a determinados ambientes. praticavam ao mesmo tempo a agricultura rotativa em vez da permanente. respectivamente os impérios asteca e inca.

posteriormente criaram o primeiro calendário astronômico. antes de lhes arrancarem o coração. começaram a expandir-se pelas terras baixas da península de Yucatán. assim como o uso do calendário astronômico e o jogo sagrado da bola. A escrita mais antiga da América. Em 1250 a. E provável que tenham adotado a escrita dos olmecas e zapotecas. Os maias apareceram nas terras altas da Guatemala. que se celebravam em certas datas ou para comemorar acontecimentos. Por volta de 1000 a. para cultivar a terra. onde. e floresceu entre 400 a.C. construíram pirâmides monumentais com templos e começaram a aparecer as cidades-estado. apareceu nesta região. Também entre os povos Zapotecas do vale do México formaram complexas sociedades.C.. As vítimas eram torturadas e mutiladas. VII a. por volta de 800 a.. abriram canais que se destinavam a drenar os pântanos. à base de grifos (símbolos pictóricos).C. Os maias utilizavam um complexo calendário. As chuvas regulares e o clima quente ao longo de todo o ano permitiam fazer quatro colheitas anuais nas férteis planícies fluviais do sudeste do México.C.C. e 700 d. por volta de 2700 a. surgiram sociedades tribais e pequenos estados entre os quais os Olmecas.C.C. muito elaborado e baseado 83 .. . que construíam grandes centros cerimoniais com túmulos de terra em forma de pirâmide e monumentais esculturas de pedra. A guerra era necessária para conseguir prisioneiros para os sacrifícios humanos.As origens da civilização na América Central assentam na adoção da cultura do milho. No séc.

São estas pinturas que. Em finais do séc. juntamente com as suas pedras trabalhadas. SACRIFÍCIOS HUMANOS Os sacrifícios humanos faziam parte da religião asteca. A partir dela expandiram a sua influência pelo vale do México. Havia também outros deuses que exigiam terríveis sacrifícios. devem ter sido o motivo do rápido colapso e abandono das cidades maias das terras baixas. os prisioneiros eram assassinados em guerras simuladas por guerreiros astecas. a sua OS pele era usada pelos vencedores que se cobriam com ela para invocar a ASTECAS descasca do milho. As guerras e a fome. Em princípios do séc. os sacerdotes ofereciam sacrifícios diários ao deus da guerra. Se o não fizessem. muitas das suas construções inspiravam-se nas de luta.em observações astronômicas muito precisas. Um grupo de aventureiros toltecas invadiu Yucatán por volta de 987. fundando uma dinastia que governou a cidade maia de Chichén Itzá durante 200 anos. 84 . provocada pelo cultivo excessivo da terra. Os seus únicos vestígios são grandes pirâmides com templos e guerreiros de pedra. grupos de povos que tinham emigrado para o México Central ergueram a sua capital em Tula. No Grande Templo de Tenochtitlán. XLI. Para honrar Xipe Totec. nos permitem conhecer a violência do seu mundo e o poder dos seus deuses. feitos de casca de árvore. X. que ilustravam com pinturas complicadas. Tula foi destruída e o povo tolteca desmembrou-se. deus da primavera. Huitzilopochtli. não poderiam combater as trevas e. Posteriormente produziram livros sagrados. a partir do ano 800. o sol não apareceria. os toltecas. no dia seguinte. Depois de esfolados.

como os maias. durante o reinado de Itzcóatl (reinado 1427-1440).A grande Civilização da América Central foi a Asteca. Na realidade. entre eles Quetzalcóatl. que consideravam sobrehumanos por terem construído monumentos de pedra de grande estruturas. numa ilha do lago Texcoco. Em 1325. incluindo a adoração de muitos deuses. 85 . fundaram a grade cidade de Tenochtitlán. Com os seus sucessores. os astecas tinham-se instalado no vale do México após a decadência do Império Tolteca. a serpente emplumada. tinham necessidade de estar sempre em guerra. para obterem prisioneiros para os sacrifícios humanos. Os astecas. atingindo a sua máxima expansão durante o reinado de Montezuma II (reinado 1502--1520). Os astecas afirmavam que eram descendentes dos toltecas. Adotaram muitos aspectos da cultura tolteca. servindo como mercenários aos estados vizinhos até estabelecerem um império militar no vale do México. o império cresceu.

os homens do clã lutavam juntos. em tempo de guerra. No nível superior estava o rei. que trabalhavam a soldo ou como arrendatários agrícolas. Havia também escravos (prisioneiros de guerra) e uma classe de comerciantes que. que era bem definido: o estatuto social de cada pessoa conhecia-se através do penteado e de alguns pormenores do seu traje. Abaixo do povo comum. não podiam exibir as suas riquezas. 86 . havia uma classe constituída pelos povos conquistados.Os astecas tinham um complexo sistema de classes. cujo título oficial era “grande orador”. Abaixo dele havia uma elite de nobres que afirmavam descender do primeiro rei asteca. O povo comum pertencia por nascimento a um dos vinte clãs. apesar de serem muito ricos. com os seus próprios templos e escolas. que viviam nos diferentes bairros de tenochtitlán. Os membros do clã eram proprietários e cultivadores da terra em regime comunitário e. Nenhum homem era considerado adulto até fazer um prisioneiro em combate. Os guerreiros podiam obter prestígio e fama fazendo prisioneiros.

o império tinha alcançado a máxima extensão possível. Os dois irmãos. se assim foi. Eram governados por guerreiros-sacerdotes e criaram belíssimos objetos de ouro com pedras semi-preciosas.. Manco Cápac tê-los-ia trazido das cavernas montes para os instalar em Cuzco. com imagens de estranhos animais-deuses. que tinham derrubado outros estados. ORIGENS DOS INCAS Sabe-se muito pouco sobre o início da história dos incas. num fértil vale dos Andes. Durante a época do imperador Pachacutec (reinado 1438--1471) e do seu irmão Tupac Yupanqui (reinado 1471-1493).O IMPÉRIO INCA Os incas herdaram tradições culturais que remontam às primeiras comunidades de pescadores e agricultores.. lutaram quase ininterruptamente para engrandecer o Império Inca. foram conquistados pelos huari. Quando Tupac Yupanqui morreu. Por volta de 600 d. nas terras baixas da costa do atual Peru. Por volta de 100 a. como Nazca. embora Huayna Cápac (reinado 1493-1525) lhe tenha acrescentado algumas conquistas menores. cuja arte. Segundo a lenda. para construir um império nas terras altas dos Andes. cerâmicas e tecidos. os mochicas começaram a construir um poderoso estado no litoral. surgidas por volta de 1800 aC. Mas não sabemos se Manco Cápac realmente existiu. os incas mal se distinguiam dos outros estados primitivos dos Andes. A economia inca baseava-se na cultura intensiva de batatas e milho. Os Historiadores e arqueólogos identificaram nestes locais uma série de culturas que se sucederam.C. 87 . foi encontrada dispersa pelo norte e centro do Peru.C. experientes soldados. provavelmente terá vivido por volta de 1200.

Os povos conquistados viam-se obrigados a adotar costumes incas e também a sua língua. etc. acreditavase que a sua capital. 88 . Este sistema permitiu aos incas manterem ativo um grande exército.O ESTADO INCA A sociedade inca era altamente organizada. permitia aos exércitos e aos mensageiros viajar rapidamente todos os pontos do império. Havia pequenos túneis para ultrapassar morros e as rochas. durante longos períodos. deusa da fertilidade e da colheita e Viracocha também eram adorados. Na ausência da roda. As terras de cultivo estavam divididas em três partes: uma para sustentar o estado. O seu templo em Cuzco era coberto de ouro . que iam baixando até à categoria de capataz. As cargas eram transportadas no dorso de lamas e de havia pousadas para que os viajantes descansassem durante a noite. com dedicação exclusiva. Os homens saudáveis tinham que trabalhar também nas obras públicas. Este complexo sistema de tributação funcionava sem o auxílio da escrita. cada capataz era responsável pela supervisão de dez famílias.). o quéchua que ainda hoje se fala em parte dos Andes A religião inca conentravase na adoração do deus Inti. símbolo do sol. O imperador (o inca) afirmava que descendia do deus do sol Inti e tinha um poder incontestável. a chamada mita (estradas. As mulheres tinham que se dedicar a trabalhos artesanais como. o que lhes dava vantagem sobre os seus inimigos. Todos os homens e mulheres incas pagavam “impostos”. Os registros eram feitos por meio de um complicado sistema de cordas com nós. a tecelagem: os tecidos finos eram mais apreciados do que o ouro. a que se chamava de quipus. trabalhando as terras correspondentes ao estado e aos deuses. Os desfiladeiros eram cruzados por pontes suspensas. outra para os deuses e outra para o povo. de aproximadamente 20 000 kms. Mama cocha ( mãe terra). Abaixo dele estavam os governadores dos “quatro quartos”. A rede inca de estradas. fortalezas. canais de rega. era o centro da Terra. seguidos de outras categorias de funcionários. as principais divisões territoriais do império. Cuzco. por exemplo.

no entanto. a consciência do povo grego como tal foi também um resultado deste processo histórico. Podemos dizer que.Unidade didática V. As civilizações cretense e creco-micenicas 89 .O Mundo Grego Introdução A historia da antiga Grécia se desenvolve em um cenário de difícil definição. uma fronteira bem definida. os cenários variam de acordo com movimentos expansivos e ocupacionais exteriores. nem sequer possuia uma unidade étnica bem definida. ainda porque. em conseqüência. em cada período da história grega. que tem. de tal modo que um dos dados para marcar uma periodização ajustada poderia consistir em assinalar os territórios ocupados pelos gregos de maneira sucessiva. porque não se tratava de uma nação no sentido moderno do termo.

templos e sepultamentos permitem descobrir um tipo de sociedade Hierarquizada.A época dos palacios heroicos. foram um impulso para mais profundos estudos. As ruínas achadas em Tróia as diversas recostruçôes detectadas. no Peloponeso e em Tróia acompanhados e guiados pela leitura dos mesmos poemas. assim como os achados micénicos organizados a partir das primeiras tumbas reais. com uma realeza e um aparato estatal capaz de controlar populações coletivamente. o de Agamenon em Micenas constituíe o primeriro período da historia grega. Palácios. a discurção sobre a validade histórica dos poemas homéricos pode ser infinita. especialmente. Porem foi sua leitura que abiu as portas aos achados arqueológicos gregos em Itaca. 90 .

quando a tecnologia foi controlada. paralelamente.. foram eles os responsáveis pela destruição da civilização micênica e pelo conseqüente deslocamento de grupos humanos da Grécia continental para diversas ilhas do Egeu e para a costa da Ásia Menor. a VIII a. o modelo econômico se articulou no desenvolvimento da base econômica mediterrânea. que foi à base da civilização grega. que haviam sido até o momento a base dos produtos metalúrgicos. esse período. Esse processo de dispersão éconhecido pelo nome de primeira diáspora. Não obstante. Ao que parece. não se tem registro.C. ficou conhecido como tempos homericos. exceto os poemas Ilíada e Odisséia atribuídos a Homero.).C. Novas direções econômicas se definem através de dois parâmetros: especialização e intensificação da produção agrária. caracterizado pela imigração de povos indo-europeus e pela formação da cultura creto-micênica.C. tendo vivido no século VI a. na produção de cereais.• A economia primitiva da Grécia mediterrânea A situação da Europa mediterrânea surgida da crise do fim do Século II a. sem duvida a abundancia deste mineral frente aos filões conhecidos de cobre e estanho. Por essa razão. Em decorrência. Após o esplendor da civilização micenica. A presença dos primeiros produtos de ferro no Mediterrâneo é muito antiga. caracterizando um processo de regressão da Grécia a uma fase primitiva e rural. 91 . devido. azeite e vinho..C. o período anterior a 1200 a. recebeu a denominação de tempos pré-homéricos. Desse período (séculos XII a.C) Os dórios o último povo indo-europeu a migrar para a Grécia eram essencialmente guerreiros. teria recolhido histórias transmitidas oralmente durante os séculos anteriores. que. A base pastoril como foco de matérias primas do setor alimentício. baseada. a escrita desapareceu e a vida política e econômica enfraqueceu. • Os tempos homéricos (do século XII ao século VIII a. também e um fator econômico importante. os produtos em ferro se generalizarão. seguiu-se um período em que as cidades foram saqueadas. conduz a um redirecionamento dos interesses econômicos. posterior à invasão dórica. No plano agrícola.C.

esses grupos humanos encontravam-se divididos em genos. já nessa época. os genos passaram a constituir a forma predominante de organização social. famílias coletivas constituídas por um grande número de pessoas sob a liderança de um patriarca. podemos afirmar que o período homérico foi também o período das comunidades gentilicas. Após as invasões dos dórios. Assim. 92 . quando os povos indo-europeus ali se fixaram. é necessário retrocedermos aos tempos pré-homéricos.afresco da era micenica Para compreendermos a evolução política da Grécia antiga.

93 . assegurar sua sobrevivência com uma economia natural e coletivista. objetos). exercendo as funções de juiz. Reunidas. De fato. Os meios de produção (terra. iniciou-se o processo de desintegração dos genos. evoluindo mais rapidamente em algumas regiões do que em outras. Na organização hierárquica dos genos. A luta pela sobrevivência. era a autoridade máxima. a terra deixou de constituir propriedade coletiva. ou pater. Aos poucos. Diversos fatores contribuíram para a dissolução dos genos no final dos tempos homéricos. que dependia basicamente da terra. assim como os bens produzidos (alimentos. esses pequenos agrupamentos humanos conseguiam. alguns deles se uniram. isoladamente. A união de várias tribos deu origem ao demos (“povo”. a propriedade não tinha caráter particular. o supremo comandante do exército. o patriarca. desencadeou uma série de guerras entre genos. ou seja.. social. “povoado”).Os Genos :Cada geno constituía uma unidade econômica. chefe religioso e militar. A crise da sociedade gentílica alterou profundamente a estrutura interna dos genos. sementes).C. política e religiosa da sociedade grega. Para enfrentar um inimigo comum. pertenciam a todos os indivíduos. as fratrias constituíam uma tribo. As comunidades gentílicas existiram durante quase todo o período homérico. pois havia poucas terras férteis e as técnicas de produção eram bastante rudimentares. entre eles o crescimento populacional e o aumento do consumo. Entretanto. a qual se submetia àautoridade do filobasileu. Apenas por volta do século VIII a. que reconhecia como seu líder supremo o baliseu. O critério que definia a posição dos indivíduos na comunidade era o seu grau de parentesco com o pater. formando uma fratria. a produção continuava limitada.

constituída. Os principais fatores que provocaram esse novo deslocamento foram o crescimento demográfico e a escassez de terras cultiváveis na Grécia continental. As melhores parcelas de terra foram tomadas pelos parentes mais próximos do pater. região que se desenvolveu muito graças ao cultivo de cereais e que ficou conhecida como Magna Grécia. para os quais nada restou. os mais prejudicados foram os thetas (“marginais”). por questões de segurança. • Os tempos arcaicos (do século VIII a. ampliando geográficamente através 94 . Simultameamente. no sul da Itália.C.sendo dividida. emigrou para regiões do Mediterrâneo ocidental. Nesse período de instabilidade. As cidades. em alguns casos tendencialmente participativo.C. se afirmam como lugares de atuacão dos propietários de terras. dos que se achavam em condições de disfrutar da política e dos direitos de cidadania. e por esse motivo. entre os membros dos genos. em grande parte conseqüência da concentração da propriedade nas mãos de uma pequena parcela da população. militar e politica. pelos menos beneficiados na partilha das terras. parentes mais distantes do patriarca. ali fundando diversas colônias. que deram origem as pólis ou cidades-estados. boa parte da população excedente. durante o período arcaico temos um aumento do mundo grego. Assim surgiram cidades como Tarento e Siracusa.) O período arcaico é um período de ricos sucessos culturais e de transformações sociais e politicas. que resultaram em uma nova dispersão do povo grego — a segunda diáspora. A comunidade se amplía consideralemente. a Grécia continental se transformou em palco de inúmeros conflitos e tensões sociais. através sua posição econômica. dos soldados defensores do território. de modo desigual. ao século VI a. Desse modo. mas existe grandes conflitos internos na transformação do sistema aristocrático. em um sistema predominantemente oligárquico. várias tribos se uniram formando comunidades independentes. herdero da antiga realeza. Com a crise das comunidades gentílicas. passaram a ser chamados de eupátridas (“bem-nascidos”). Nesse processo de divisão. O restante das terras foi dividido entre os georgóis (“agricultores”). principalmente.

A historia da Grecia arcaica com toda sua extenção geográfica teve como matriz cultural duas cidades. no mesmo tempo. porque pelas abundancia de fontes e por sua influencia política foram as mais importantes de todo mundo grego. a polis se transforme em grande centro urbano. o que permite que. Através do sinecismo se reforça a solidaridade dos propietários das unidades económicas conhecidas como Oikos (fazendas) que assim controlavam o poder em uma escala maior. (fenômeno vinculado por meio de laços diversos com trocas mercantis com a polis em formação até o ponto que ela se sustente sozinha) A Expanção Colonial grega se transforma em fator influente sobre o modo em que se configura o período arcaico. A polis permite um grande fortalecimento comercial. O acesso a territorios distantes permite aumentar a obtencão de bens para consolidar o poder social e a obtencão de mão de obra servil. No entanto a estrutura de cidadania na polis ocorre proporcionalmente ao desenvolvimento colonial . um aumento da capacidade coletiva para colonizar novas terras em áreas baldías. Os camponeses tendem a ficar submetido às leis e aos mercados existentes na polis mais próxima e as familhas aristocráticas tendem a diversificar suas atividades. elemento promotos de novas formas de intercambio e conseqüentemente novas atividades comerciais. permite.da Expanção Colonial. POLIS A CIDADE-ESTADO GREGA A Criação da Polis vem a ser um efeito do processo de transformacão qualitativa e comerciais que sofreram as relações entre os homens. Paralelamente. de modo que aumenta o territorio e se amplia o cultivo. com o objetivo de aumentar seu rendimentos. Esparta Atenas. As cidades que se forman por sinecismo na época arcaica viraram ao mesmo tempo centro de poder. o aumento das atividades auxiliares dentro da polis permite que esta se converta em um lugar privilegiado para a atividade dos thetas homens livres que alugam ocasionalmente seu trabalho em troca de 95 . consolidado em oikos. O novo sistema produtivo. a polis permite tanto a diversificação da produção como de suas atividades politicas. através de comercialização e transporte de mercadorias. e são igualmente centro de cultura.

a lacônia inicialmente foi invadida pelos Aqueus. tradicional método 96 . o que aos poucos transforma e desenvolve as estruturas econômicas de distribuição soicial. fez dela uma potencia militar. superiores em organização e armamentos.C.pagamento. os dórios fundarão na lacônia um pequeno estado que tinha como centro peincipal da polis de Esparta. posteriormente os Dórios. Esparta conquistou suas cidades vizinhas. • Esparta A região da lacônia. centro do poder espartano ficava situada à sudeste do Peloponeso. inclusive Messênia. esta situação geográfica. Em lugar de vender os messênios no estrangeiro. bem estratégia. no século VIII a.

grego de tratar um inimigo derrotado. os historiadores acreditam que as leis espartanas não foram feitas por uma só pessoa mem em uma só época. ou hilotas A organização social e política de Esparta é inconfundível. escolhidos por aclamação popular. O poder residia de fato na Gerusia. presidida pelos reis. Profundamente conservadora atribuía suas leis e formação social a um Legislador lendário Licurgo. Era formado por 28 anciãos. com mais de 60 anos de idade. no entanto as funções dos Reis eram muito reduzidas. Instituições Monarquia Dual Características Dois reis governavam Esparta . em caso de guerra um ficava na cidade e outro comandava o exercito. Apolo encarnado (Apolo Licurgo). os espartanos conservaram-nos como servos do estado. no entanto a legislação espartana legada a um só homem é puro mito. Gerusia Apela Os eforos 97 . senpre vigiados pelos eforos. exerciam autoridade absoluta sobre todos os habitantes. A assembléia popular. a quem consideravam divino. e que tivessem recebido educação militar. os eforos eram cinco magistrados eleitos por um anos dentre todos os cidadãos. as leis eram imutáveis tendo em vista ser feita por um elemento divino. era formada por todos os Espartanos com mais de 30 anos. em relação a outras cidades gregas: . quando a comparamos com as instituições das outras cidades-estado gregas. Organização política: A organização politicamde Esparta oferece aspecto original. na guerra vigiavam os reis. A realeza de Esparta mantém-se apenas como uma tradição.

A cultura física desempenhava grande papel na educação. aos 20 anos estava terminada a formação do jovem espartanol. Nessa sociedade. as fortes ficavam aos cuidados da mãe até os sete anos de idade. treinavam. e o comércio e os ofícios ficavam a cargo dos períoikoi (periecos). o trabalho agrícola era desempenhado pelos hilotas. sob a direção de mestres escolhidos pelo estado eles se exercitavam. disciplina e lealdade. gregos conquistados que eram livres mas não tinham direitos políticos. o militar. apartir de então os jovens espartanos começavam a aprendizagem militar em comum. As fracas ou com algum defeito físico eram mortas. Espartanos periecos Hilotas Os espartanos com extraordinária determinação.Organização Militar: Famosos por sua estrutura militar. competiam e suportavam provações físicas. a rigidez das leis espartanas é a responsável pela complexidade de sua formação.transformaram sua sociedade numa vasta caserna. Organização política. as crianças ao nascer eram apresentadas ao conselho dos anciões. Os espartanos aprendiam um único ofício. para que estes verificassem se apresentavam à robustez e resistência necessárias a vida militar. mas como todo o espartano continuava como soldado até os 60 anos. Esparta. e lhes era inculcada uma única concepção de excelência: morrer em 98 .

Nos primeriros séculos do período arcaico. que era utilizada como troca.batalha por sua cidade. perderam suas propriedades e chegaram a tornarem-se escravos por não conseguirem pagar suas dívidas. em Atenas o crescimento da atividade marítima foi muito amplo. A oligarquia. comandava o exército e julgava as causas civis.C. uma concessão dos aristocratas. as sentenças eram extremamente rigorosas. pelo menos por parte de alguns setores da população. tendo sido encontrada vestígios da cerâmica atenienseque . governo de um só homem que tomou o poder (tirania) governo do povo (democracia). em grego. dando as terras como garantia. o rei. pois os pobres começavam a organizar-se e a exigir o perdão das dívidas e a 99 . No século seguinte. A expansão maritima ateniense facilitava os contatos. Durante a monarquia. em portos distantes de Atenas. Atenas caminhava para a guerra civil. de modo geral.C. Os camponeses que tomavam dinheiro emprestado da aristocracia. quando os aristocratas usurparam o poder dos monarcas hereditários (aristocracia. passaram por quatro estágios: • • • • • governo de um rei (monarquia). com outras cidades. os camponeses exigiram e receberam. cujo poder emanava dos deuses. significa “governo dos melhores”).. Em Atenas. e o código não trouxe alívio para as aflições econômicas dos camponeses. governo de aristocratas agrários (oligarquia). • Atenas As cidades-estados gregas.. que designaram Drácon para redigir um código de leisescritas ( as Leis Draconianas). Embora o código de Drácon tenha permitido aos pobres conhecer a lei. reduzindo as possibilidades de que os juizes aristocráticos julgassem arbitrariamente. foi instituído em Atenas durante o século VIII a. em 621 a. os regimes aristocráticos passaram por uma crise social.

libertou os atenienses escravizados por dívidas. que anteriormente haviam sido excluídos dessas posições por não terem nascido em berço nobre. Sólon enfraqueceu os direitos tradicionais da aristocracia hereditária e deu início à transformação de Atenas de uma oligarquia aristocrática para uma democracia. Assim. Para encorajar a expansão industrial. insistiu no cultivo de uvas para a produção de vinho e na plantação de oliveiras. Sólon ara alcançar esse objetivo. Homem sábio. participassem da Assembléia. o reformatlor. Sólon queria instigar nos atenienses de todas as classes o senso de trabalhar pelo bem comum da cidade. Permitiu que todas as classes de homens livres.redistribuição de terras. levando Atenas às portas da guerra civil. ordenou que todos os pais ensinassem a seus filhos a atividade do comércio e concedeu cidadania aos artesãos estrangeiros que migrassem para Atenas.C. com sua cobiça. Sólon sustentava que os ricos proprietários de terras. mas recusou-se a confiscar e redistribuir a terra dos nobres. Atenas tornou-se a principal produtora exportadora de cerâmica. que elegia os magistrados e aceitava ou rejeitava a legislação proposta pelo novo Conselho dos Quatrocentos. cujo óleo podia ser exportado. Também abriu os postos mais altos do Estado aos abastados homens do povo. Em virtude dessas medidas e da alta qualidade do seu barro marrom-avermelhado. As leis de Dracon muito duras foram reformadas por Sólon. Em 594 a. Ao reconhecer que o solo pobre da África não era favorável à cultura de cereais.) chefe do Executivo. haviam destruído a vida da comunidade. 640-5 59 a. Além disso.C. Sólon também promoveu engenhosas reformas econômicas. A política 100 . os aristocratas nomearam Sólon (c. até mesmo os mais pobres. Ele sustentava que a lei escrita devia estar em harmonia com o princípio de justiça.

distribuiu as terras confiscadas aos aristocratas exilados entre os camponeses pobres e concedeu empréstimos estatais aos pequenos agricultores. um aristocrata. A tirania era muito comum nas cidades-estados gregas. os atenienses tinham primeiro de vencer uma guerra de sobrevivência contra o Império Persa. segundo eles. concedia-se aos atenienses a oportunidade de inscreverem num caco de barro (óstrakon) o nome de qualquer pessoa que. Clístenes consolidara firmemente a democracia em Atenas. Pisístrato mandou que se instalassem canalizações para aumentar o abastecimento de água em Atenas. Mas suas reformas não eliminaram as disputas sectárias entre os clãs aristocráticos nem diminuíram todo o descontentamento dos pobres. Assim a tirania substituiu a oligarquia.C. tirou partido da instabilidade geral para tornar-se governante absoluto. Quase sempre aristocratas. os tiranos geralmente apareciam como defensores dos pobres na sua luta contra a aristocracia. Através de um engenhoso método de redistribuição. 605-527 a. o tirano Em 546 a. Clístenes esperava fazer da democracia a forma permanente de governo em Atenas. mandando para o exílio aqueles que se opunham a ele. arraigadas na tradição e na autoridade. Uma vez por ano. isto é. uma facção chefiada por Clístenes. por um sistema novo. um aristocrata simpático à democracia. o democrata Após a morte de Pisístrato. introduziu a prática do ostracismo.econômica de Sólon convertera Atenas num grande centro comercial.C. Pisístrato (c. Clistenes substituiu essas práticas. estava em vias de tornar-se a suprema autoridade do Estado. forçado a deixar Atenas por dez anos.. Clístenes pôs fim à tradicional prática de competição entre os clãs aristocráticos pelos principais cargos do Estado. concebido para garantir que a fidelidade histórica à tribo ou ao clã fosse substituída pela lealdade à cidade. A Assembléia. Para proteger a cidade contra a tirania. representasse perigo para o Estado. O indivíduo contra o qual se apurasse um número suficiente de votos era ostracizado. Pisístrato.). 101 . que tanta divisão e amargura havia provocado em Atenas. assumiu a liderança. Clístenes. que Sólon franqueara a todos os cidadãos do sexo masculino. Mas o período da grandeza de Atenas ainda estava por vir. A fim de conquistar o apoio do povo.

segundo acreditavam. Os gregos consideravam a escravidão uma precondição necessária à vida civilizada. em razão dos conhecimentos especializados exigidos por seus cargos. declaravam guerra. para que uns fossem livres e prósperos. a outra foi o florescimento da democracia e da cultura atenienses. policiar a cidade. Os escravos geralmente eram prisioneiros de guerra ou indivíduos capturados por piratas.O amadurecimento da democracia ateniense O imperalismo de Atenas foi uma das conseqüências das Guerras Persas. mas eleitos pela Assembléia. O mais humilde sapateiro. votar e exercer um cargo. Os críticos modernos mostram que os estrangeiros residentes eram quase totalmente excluídos da cidadania e. De modo geral. de que podiam participar todos os cidadãos adultos do sexo masculino e que se reunia mais ou menos quarenta vezes por ano. tinha oportunidade de expressar sua opinião na Assembléia. os escravos 102 . Como seus membros eram escolhidos anualmente por sorteio e não podiam servir mais de duas vezes na vida. O Conselho dos Quinhentos (introduzido por Clístenes para substituir o Conselho dos Quatrocentos de Sólon) controlava os portos.C. O Estado ateniense era uma democracia direta em que as leis eram feitas pelos próprios cidadãos e não por representantes eleitos. o Conselho jamais podia suplantar a Assembléia. A democracia ateniense sem dúvida tinha limitações e fraquezas. firmavam tratados e decidiam onde aplicar os recursos públicos. as instalações militares e outras propriedades do Estado. Os escravos. Na Assembléia. Em meados do século V a. bem como o mais rico aristocrata. Os dez generais.. mas a maioria deles era constituída de estrangeiros. que constituíam aproximadamente um quarto da população ateniense. conforme expressa na Assembléia. não eram escolhidos por sorteio. inspecionar os mercados etc. Cerca de trezentos e cinqüenta magistrados. desempenhavam funções administrativas: cobrar multas. além de preparar a ordem do dia da Assembléia. portanto. não desfrutavam de nenhuma das liberdades que os atenienses tinham em tão alta conta. consertar as ruas. Alguns escravos atenienses eram gregos. era soberana. também escolhidos por sorteio. à vontade do povo. os atenienses discutiam e votavam os principais problemas da Estado. outros tinham de ser escravizados. da participação política.

C. filho de Dario. Em 490 a. A inteligência inventiva com que os gregos planejaram suas operações militares e o desejo intenso de preservar sua liberdade permitiram-lhes derrotar a maior força militar do mundo mediterrâneo.. atraiu a esquadra persa para os estreitos da baía de Salamina. uniu-se para defender sua independência e liberdade. Os persas atravessaram as águas do Helesponto (estreito de Dardanelos) e dirigiram-se para o norte da Grécia. Atenas enviou vinte navios para ajudar os revoltosos. chefiados por Leônidas. a esquadra persa foi destruída pelas gregas.. o estadista e general ateniense Temístocles. Xerxes. As Guerras Persas marcaram o início do imperialismo ateniense.realizavam os mesmos trabalhos que os cidadãos atenienses: agricultura. o exército de Atenas. rei da Pérsia. Quando tudo indicava que o ânimo dos gregos se aquebrantara. um dos mais gloriosos momentos da sua história. numericamente superiores. enviou um pequeno destacamento à Ática. derrotou os persas — para os atenienses. Ávido de vingança. com o objetivo de converter a Grécia numa província persa. organizou uma enorme força invasora . A confiança e o orgulho provenientes dessa vitória levaram Atenas a uma idade de ouro e suscitaram entre os atenienses o desejo de dominar a Grécia. demonstrando em questões militares a mesma racionalidade que Clístenes revelara na vida política. os espartanos derrotaram os persas na batalha terrestre de Platéias. comércio. A maior parte das cidades-estados. Imediatamente após o término das guerras. que não desmereceram seu treinamento e seu ideal. esquecendo-se dos seus instintos separatistas. Impossibilitada de manobrar seus navios. Solidária com a causa jônia.. na planície de Maratona. os jônios gregos da Ásia Menor revoltaram-se contra os seus senhores persas. As Guerras Persas foram decisivas para a história do Ocidente. mais de 150 103 .C. Heródoto descreve a luta dos persas no desfiladeiro das Termópilas com trezentos espartanos.C. Em 479 a. • As Guerras Persas ou Guerras Médicas Em 499 a. com cerca de 250 mil homens e mais de quinhentos navios. manufatura e tarefas domésticas. nesse restrito espaço. composto de cidadãos. um ano após a vitória naval ateniense em Salamina. que teve drásticas conseqüências para o futuro da Grécia. Dez anos mais tarde. Dano I.

Atenas assumiu a liderança da Liga. A Guerra do Peloponeso O controle de Atenas sobre a Liga de Delos assustava os espartanos e seus aliados da Liga do Peloponeso. sua poderosa armada e a irrequieta energia de seus cidadãos. que lhe concedia poder político e contribuía para sua prosperidade economica. O que estava em jogo para Atenas era sua hegemonia na Liga de Delos. Esparta e os estados do Peloponeso decidiram-se pela guerra porque sentiam sua independência ameaçada pela dinâmica e imperialista de Atenas. Mas a criação de uma união panhelênica teria exigido uma transformação radical do caráter grego. com a marinha dizimada e uma quantidade de víveres cada vez menor. permaneciam politicamente divididos. os atenienses manipularam a Liga em favor de seus próprios interesses econômicos. assediada.C. Nem Atenas nem Esparta previram as conseqüências catastróficas que a guerra traria para a civilização grega.C. fortificações destinadas a proteger a cidade contra as armas de assédio. o qual por centenas de anos considerou a cidade-estado independente como o único sistema político adequado. instalou guarnições no território dos estados confederados e usou o tesouro da Liga para financiar suas obras públicas. O declínio das cidades-estados Embora os gregos compartilhassem a mesma língua e a mesma cultura. A determinação de preservar a soberania da cidade-estado impedia os gregos de formarem um grupo político maior. De maneira consciente. Graças a sua riqueza. e terminou em 404 a. 104 . A guerra iniciou-se em 431 a. Esparta dissolveu a Liga de Delos e obrigou os atenienses a demolir suas altas muralhas. Atenas proibiu os estados membros de desertarem. Quando Atenas.cidades-estados organizaram uma confederação — a Liga de Delos (assim chamada porque seu tesouro encontrava-se na ilha de Delos) — para se protegerem de um novo confronto com a Pérsia. o que poderia ter limitado as guerras que acabaram por custar à cidadeestado a sua vitalidade e independência. ignorando toda e qualquer contradição entre imperialismo e democracia. finalmente rendeu-se.

Filipe 11(382336 a. ele deu início à conquista da Grécia. durante esse período. em 336 a. com um elevadíssimo número de soldados. No entanto. Filipe II estava em vias de iniciar a invasão do império persa.C. após o assassinato de seu pai.o seu tutor foi o filósofo grego Aristóteles. Teve uma excelente educação .C.A Guerra do Peloponeso foi a grande crise da história helênica. Os mensageiros podiam demorar semanas a chegar de um extremo ao outro e os soldados levavam meses a chegarem das várias províncias para se juntarem ao exército real. Dano III. que ia do Mediterrâneo às margens do rio Indo. pouco diferiam das outras populações não-helênicas. Em 338 a. os gregos tardaram em organizar uma coalizão contra a Macedônia. As cidades-estados em litígio instituíram novos sistemas de alianças e persistiram em seus ruinosos conflitos. o atual rei persa. o seu império tinha enfraquecido bastante. Ainda rapaz. e toda a Grécia passou a ser sua. a Macedônia. eram 105 . • A expansão de Alexandre Quando morreu.. As cidadesestados jamais se recuperaram. Para os gregos.. As cidades-estados não deixaram de existir.. a quem davam o nome de bárbaros. Os exércitos persas. Há 150 anos que os persas tinham tentado sem êxito a sua última invasão da Grécia e. Ainda bem jovem. Em 359 a. já tinha mostrado grande habilidade para lutar no exército de seu pai.) tornou-se rei da Macedônia. emergia ao norte uma nova potência. Filipe infligiu contundente derrota aos gregos. aos 23 anos de idade. era bem mais rico do que Alexandre e podia recrutar enormes exércitos no seu vasto império. Convertendo a Macedônia numa potência militar de primeira ordem. Por não avaliarem corretamente a força de Filipe. um povo selvagem das montanhas que falava um dialeto grego e adquiria um verniz de cultura helênica. já sonhava realizar os feitos dos heróis gregos Hércules e Aquiles. Enquanto as cidades gregas estavam imersas numa guerra fratricida.. Filipe II. antepassados lendários da dinastia macedónia. em Queronéia.C.C. A vastidão do império nem sempre era uma vantagem. mas perderam a independência Alexandre tomou-se rei da Macedónia aos 18 anos. os macedônios.

foi uma das poucas terras que se negou a render-se.C. seguiram o curso do no Indo até ao mar Arábico.C.C. Graças à proteção garantida com a conquista de Tiro.C. Assíria. o exército de Alexandre concluiu a conquista do império persa. antes de se dirigir para a conquista de Babilónia. Em 334 a. os seus soldados estavam cansados e Alexandre teve que permitir o seu regresso a casa. Alexandre era generoso com as cidades e províncias que. Alexandre entrava em Persépolis. Em Gaugamela.. até que os seus soldados conseguiram entrar na cidade. Por causa dos seus êxitos. Em seguida. Porém. Alexandre deixou o Egipto para invadir o coração do império persa. junto à base dos Himalaias. derrotou Dario em combate pela segunda vez. tendo.C. Alexandre cercou a cidade durante Oito meses. Pelo contrário. um deus.muito difíceis de controlar em combate. venceu em combate um rei indiano. mas do próprio Zeus. Milhares e milhares de gregos emigraram para as novas cidades fundadas nas terras recém conquistadas. Nessa viagem. muitas das quais receberam o nome do conquistador. Em 331 a. Num este templo egípcio. nas margens do rio Hidaspes. As ÚLTIMAS CAMPANHAS três anos subseqüentes. Alexandre invadiu e conquistou a Anatólia. capital do império persa.. realmente. se submetiam voluntariamente ao seu poder. feito uma penosa travessia do deserto. em 324 a.. enquanto que Dano era tímido e pouco imaginativo. Alexandre pôde avançar e conquistar o Egito. em 332 a. Esta época de predomínio cultural grego no Mediterrâneo e no Médio Oriente é conhecida por período helenístico (de 106 . principal porto fenício.. Alexandre era um general brilhante e inspirado. A cidade de Tiro. sabendo que ele não iria aumentar os impostos nem permitir o saque por parte dos soldados. as conquistas de Alexandre difundiram a civilização grega pela Ásia. Pouco depois. Alexandre resolveu invadir o Norte da Índia.C. libertando as cidades costeiras gregas do jugo persa.. o exército de Alexandre estava bem armado e treinado. o oráculo revelou que ele não era filho de Filipe II. muitos acreditavam que ele era. até ao vale do Indo. no ano de 327 a. em seguida. Em 326 a.. até chegarem a Babilônia.

O mundo helenístico foi superado pelo poderio crescente de Roma. por não ter Herdeiros. a literatura e a mitologia. mas também caíram sob o jugo de Roma...C. incluindo a arquitetura. A Grécia e a Macedônia foram conquistadas em mmdos do séc. na Síria. e por Seleuco.C.“helenos”. em 30 a. II a. UNIDADE DIADTICA VI-O MUNDO ROMANO 107 . em 323 a. Alexandre morreu . Os remos selêucida e ptolomaico sobreviveram ainda muito tempo. Os romanos admiravam a civilização grega e adotaram muitas das suas características. seu império foi dividido em reinos os reinos de maior sucesso e mais longa duração foram os fundados por Ptolomeu.. que significa “gregos”) Enquanto planejava uma nova campanha na Arábia.C. no Egipto. a ciência.

já se desenvolvia a primeira civilização urbana da Europa Ocidental. cujo alfabeto adotaram.. através da sua habilidade política e bélica e. • A ITÁLIA PRÉ-ROMANA Antes do nascimento da civilização romana. Quase tudo o que se sabe dos etruscos provém dos seus túmulos. construções subterrâneas semelhantes a casas. VII a.C. em meados do séc.INTRODUÇÃO De acordo com os arqueólogos. originário da atual Toscânia. tinham estabelecido estreitas relações culturais com os gregos. que eram ricamente mobiliadas com objetos funerários e pintadas com cenas de banquetes.C. o povoamento da cidade de Roma iniciou-se no séc. por agricultores da Idade do Ferro. quase toda a Itália se encontrava sob o seu controle. Foram dominando os seus vizinhos. A vida urbana foi-se desenvolvendo em meados do séc. e a cidade foi crescendo até se tornar na maior de toda a Itália.C. Os romanos eram apenas um dos muitos povos diferentes que viviam na península itálica naquela época.. X a. III a. Navegadores e comerciantes. o povo mais poderoso da Itália era o etrusco.C. 108 .. Por volta de 800 a.

Quando Roma alcançou o predomínio cultural e político da península. Oito gerações depois... Quando descobriram sua origem. foi fecundada por Marte. o 109 primeiro rei de Roma. Até 500 a. indignado.C. . Depois. miraculosamente. a maioria deles tinha uma organização tribal. já adolescentes. seu avô. deus da guerra. Enéias nascido da união do pastor Anquises com a deusa Vênus conseguiu fugir da cidade e foi se estabelecer na península Itálica. Amúlio mandou afogá-los no Tibre. os sabinos e os samnitas. em 21 de abril de 753 a. que os educou..levados pela corrente até os pés do monte Palatino.. perderam-se os conhecimentos sobre as outras línguas e culturas italianas. fundaram. grupo formado por vários povos. foram ali amamentados por uma loba e depois recolhidos pelo pastor Fáustolo. mas foi deposto pelo irmão. e deu à luz os gêmeos Rômulo e Remo. uma das quais era Roma.. Remo. uma cidade exatamente no local onde a loba os havia encontrado.C. cruzou a divisa e foi assassinado pelo irmão. com alguns habitantes de Alba Longa. desse modo. Interpretando o vôo dos pássaros como um vaticínio. a capital do reino. entre os quais se contavam os latinos. Réia. depuseram Amúlio e restituiu o trono a Numitor. quando os gregos tomaram Tróia. Rômulo tornou-se.O centro da península era ocupado pelos itálicos. mas. os gêmeos. Rômulo concluiu que fora designado rei da nova cidade e traçou com um arado o sulco que marcaria os limites de seu território . assassinaram seus filhos e fizeram de sua filha Réia Sílvia uma vestal (sacerdotisa da deusa Vesta). Amúlio. Lenda da criação de Roma Segundo a lenda. eles se salvaram e . Para que Numitor não tivesse herdeiros. embora entre os latinos se tivessem desenvolvido já as cidades-estado. porém. seu descendente Numitor subiu ao trono de Alba Longa.. onde desposou a filha do rei do Lácio.

embora seus poderes fossem limitados na área legislativa. ou Conselho dos Anciãos. composta por todos os cidadãos em idade militar.C.) Durante este período. XII a. judicial e religiosa. tinha o direito de veto e sanção das leis apresentadas pelo rei. a partir do fim do séc.C. Roma conheceu um período de domínio etrusco.. que coincidiu como início de sua expansão comercial. Na fase final da monarquia. já que Senado. o rei acumulava as funções executiva. 110 .A Monarquia (das origens até 509 a. A ratificação dessas leis era feita pela Assembléia ou Cúria.

o Soberbo. Os patrícios dominavam também a Assembléia Curiata. ou se resultou de um lento processo evolutivo que restringiu progressivamente a autoridade monárquica em favor dos chefes das gentes. ocupantes temporários de cargos executivos. estabelecida após um levante popular que levou à expulsão de Tarquínio. enfim.. prisioneiros de guerra. correspondiam aos pequenos agricultores. um “protetor” econômico. o poder passou às mãos dos patrícios.. alguns de origem estrangeira. Alguns elementos ricos. encarregada de controlar os magistrados.C.. comerciantes e artesãos. • Clientes: indivíduos subordinados a alguma família patrícia. os dependentes. de fato. • Equites (cavaleiros): homens que podiam equipar-se com armas e um cavalo (equus) e servir na cavalaria. buscavam a proteção dos abastados e poderosos patrícios.. cumpridores de diversas obrigações econômicas. O patrício era seu patrono. Eram. morais e religiosas. • Escravos: normalmente. pastores. a aristocracia patrícia detinha o poder político: o Senado era a autoridade permanente. De qualquer modo. Res Publica ou ‘coisa pública’ (509 a 27 a. formavam a classe dos equites. Além de possuir a totalidade das terras e monopolizar a vida religiosa. Durante a Monarquia. fora da classe patrícia. além de dedicar jornadas de trabalho para o seu senhor. para sobreviver. que substituíram o rei por dois cônsules eleitos anualmente. possuidores de terra e gado. que constituíam a aristocracia • Plebeus: a maioria da população. em troca os clientes seguiam as decisões políticas de seus patronos. outros de origem plebéia que. cumprindo o obsequium (submissão política). político e jurídico. Sua função abrangia o comando do exército e a supervisão das atividades judiciárias.) Não se sabe direito se a República foi. 111 . ganhando importância somente com a expansão do período Republicano. o escravismo não possuiu grande significação.A sociedade durante a Monarquia • Patrícios: cidadãos de Roma.

V a. os tnbunos eram ricos e usavam o seu cargo para ascender a posições melhores. que elegeria os edis e os tribunos da plebe (dois no início e dez em meados do séc.C. dominassem o governo. os plebeus. Embora na assembleia o sistema de votação estivesse organizado de forma a favorecer as classes mais privilegiadas. com a palavra veto (“eu proíbo”) toda ação que julgasse prejudicial à plebe. os tnbunos da plebe. assembleia de antigos magistrados. os chamados “patrícios”.que perdeu gradativamente suas prerrogativas para a Assembléia Centuriata (comitia centuriata). Na prática. Temendo um levante da plebe. Mas esta também era dominada pelos patrícios e equites. podiam chegar a ser magistrados ou senadores. O código abrangia direito privado. As decisões políticas do governo eram votadas por uma assembleia formada por todos os cidadãos romanos. que garantia o apoio público à política de governo e tornava os romanos um povo unido. Patrícios e Plebeus: uma luta de classes • 494 a. Uma multidão de plebeus armados retirou-se para o Monte Sagrado (Aventino) e decidiu não voltar ao trabalho ou combater no exército a menos que obtivesse algumas concessões dos patrícios.C. Embora as classes superiores. Sua pessoa era intocável e sua casa inviolável. pessoas talentosas das classes inferiores. penal. Estes governavam com a ajuda do Senado. A cidade era governada por funcionários eleitos. liderados por Apio Cláudio.os decemviri -. governamental e religioso e assegurou aos plebeus paridade jurídica com os patrícios. que decidia a política do governo. transformou as velhas leis romanas. baseadas nos costumes. As portas estavam abertas dia e noite a qualquer cidadão que ali fosse pedir abrigo (direito de santuário ou de asilo). o Senado concordou com a criação da Assembléia da Plebe (Concilium Plebis). O tribuno podia deter. Uma comissão de dez homens . Este sistema governamental facilitou a Roma uma sólida liderança.). os plebeus tinham a sua própria assembleia independente e elegiam os seus próprios dirigentes.C. chamados magistrados. • 450 a. O principal factor da ascensão de Roma ao poder foi o seu sistema de governo. 112 . na Lei das Doze Tábuas. único naquele tempo.

.P.C. Os cônsules eram eleitos pela Assembléia Centuriata. As decisões do Senado abrangiam não só a política exterior como a administração interna.C. que votavam a seu favor. que nenhum homem pudesse deter mais de 500 jugera (cerca de 120 hectares) de terra ou empregar em suas culturas mais escravos que trabalhadores livres: que um dos cônsules fosse recrutado na plebe. Durante um ano o Senado resistiu. O sacerdócio foi franqueado aos plebeus. Foi abolida a lei que estabelecia o direito do credor de escravizar seu devedor. • 287 a.C. Em caso de perigo. mas acabou por acatar essas propostas. a sigla oficial de Roma. Roma em guerra: a expansão 113 .C.• 445 a. S. a força dos patrícios exercia-se através dos seus clientes. Esse episódio foi o último da longa disputa entre plebeus e patrícios. podiam até nomear um ditador.R. Pela Lei Canuléia foi abolida a proibição de casamentos entre patrícios e plebeus.: o Senado e o Povo Romano Notas: mesmo nas Assembléias da Plebe. • 367 a. como se o poder emanasse da união do Senado e do conjunto das Assembléias de cidadãos... • 326 a.Q. • 356 a. O julgamento tornou-se obrigatório nos casos de dívidas.R. queria dizer O Senado e O Povo Romano. da qual os plebeus ricos foram os principais beneficiados. as decisões da Assembléia da Plebe tornaram-se obrigatórias para todos os cidadãos romanos.C. Os tribunos Licínio e Sextio propuseram que os juros já pagos fossem deduzidos do principal (quantia emprestada pelo credor). Pela Lei Hortênsia. governante com poderes absolutos. os plebeus afastavam-se deles automaticamente. • 300 a.Q. S. mas seus nomes deveriam ser confirmados pelo Senado. que se transformaram nas Leis Licínias. Como o acesso aos cargos públicos era muito caro.P. A plebe teve acesso ao cargo de censor.C.

no caso dos romanos. a cidadania dependia do local de nascimento e era um privilégio zelosamente conservado. Em contrapartida. Só os cidadãos romanos podiam lutar no exército. conferia prestígio e poder político. Consequentemente. Como resultado. Após subjugar as antigas cidades gregas do sul da Itália.SOLDADOS E CIDADÃOS A guerra foi igualmente um factor relevante para o êxito de Roma: aos ricos. Roma enfrentou Cartago pela posse da 114 . o saque e terras. mas esta exigência foi abolida em 195 a. Na Grécia. os romanos irão conceder a cidadania e os seus privilégios aos povos conquistados. em 5 séculos de guerras a dominação romana se estendeu a boa parte da Europa. rica cidade mercantil do Norte de Áfiica. pelo que a cidadania deixou de se limitar a quem vivia em Roma. por isso. o número de potenciais soldados para o exército romano. Os imigrantes eram recebidos como cidadãos e até os escravos libertados podiam adquirir a cidadania.. os romanos foram a primeira sociedade do mundo a dispor de um exército profissional. sendo. Desta forma. só era exigido que vivessem em Roma. A política expansionista da República romana teve inicialmente como objetivos a defesa frente a povos vizinhos e a obtenção de mais terras à agricultura e ao pastoreio. reduzido o número de cidadãos. o número de cidadãos romanos cresceu com rapidez e. mas logo se revelou uma fonte valiosa de riquezas em metais preciosos. EXPANSÃO ULTRAMARINA A principal potência do Mediterrâneo ocidental era Cartago.C. da África e da Ásia. aos pobres. O conceito romano de cidadania seria postenormente um factor de peso para o seu sucesso. De início. com isso. Consequentemente. fundada pelos fenícios. Mais tarde. também se exigia que fossem proprietários de terras. os antigos inimigos passavam a fazer parte do sistema de governo. em escravos e tributos.

. Contudo. A guerra voltou a desencadear-se. sendo derrotado na batalha de Zama. Entre os anos 136 e 132 a. derrotou os exércitos cartagineses estacionados em Espanha e. Fim da República romana Roma crescera. Ao ganhar a primeira guerra púnica (264-241 a. A própria cidade de Cartago foi invadida e destruída por Roma. desta vez por causa do controle da Espanha (segunda guerra púnica. a partir de Espanha e após atravessar a França e os Alpes.C. tomou-se uma província de Roma em 146 a. sem competidores. Roma juntou às suas possessões a Sicília. O general AníbaI.C. invadiu o Norte de Africa.. tornara-se um império mundial..C. o Egipto. a Sardenha e a Córsega... Roma foi conquistando todos os remos fundados pelos sucessores de Alexandre Magno (vide pág. em 146 a. fracassaram. 200 mil escravos levantaram-se em armas. Roma resolveu alargar a sua influência para o oriente. A pouco e pouco.C.). A Grécia. 115 . Em 30 a. dando lugar às chamadas guerras púnicas (de poeni.C. Entretanto um exército romano comandado por Cipião. em latim “fenícios”). Dominando agora o Mediterrâneo ocidental. marchou sobre Roma.C. não conseguiu a rendição dos romanos. que em 197 a..C. que passou a dominar todo o Mediterrâneo e o Médio Oriente. cai sob o controle directo de Roma. apesar de uma série de vitórias. Roma adquire a sua primeira possessão na Asia. Aníbal navegou de Itália para Cartago para defender a sua pátria. tinha sido invadida paa~a vingar o apoio dado por Filipe Vda Macedónia a Cartago durante as guerras púnicas. quando oúltimo rei de Pérgamo deixa em testamento a cidade aos romanos. Chegaram a dominar a Sicília mas no final foram vencidos e duramente reprimidos pelas legiões romanas. As guerras constantes e o crescente número de escravos aumentavam a miséria dos pequenos agricultores e da plebe.) e Caio Graco (123 a. o último de todos.C.). As instituições concebidas para o autogoverno de uma sociedade de pequenos proprietários agrícolas não funcionavam mais. As tentativas de reforma dos irmãos Tibério (133 a.Siciia. 218-202 a. o Africano.. em 202 a.C. em seguida.. Em 133 a.).C.C. 48).

Décadas mais tarde.. 116 . Crasso e Júlio César. distribuiu terras entre os soldados. Brutus. Ditaduras e Triunviratos.C....) César assumiu os poderes de cônsul. os senadores aproximaram-se de Pompeu e afastaram César do governo. entre 73 e 71 a. impulsionou a colonização das províncias.. em pleno Senado. Promoveu uma reforma político-administrativa. Roma conheceu os governos autoritários dos generais Mário e Sila. Sua morte gerou uma grande revolta da população e nova guerra civil... O Senado não teve outra escolha senão conferir a César o título de Ditador Vitalício (46 a. sumo sacerdote e supremo comandante do exército. Em 53 a. fato habilmente explorado por Marco Antônio. juntamente com Otávio e Lépido. mas abdicou em 79 a. com a morte de Crasso. que mobilizou 80 mil escravos liderados pelo gladiador Spartacus.C. ocorreu a mais famosa rebelião de escravos da história romana.C... construiu obras públicas e reformulou o calendário.” Mas seus poderes despertaram a oposição de alguns senadores. formou o Segundo Triunvirato. Em 44 a. diversos chefes militares passaram a disputar o poder. Após uma série de vitórias..C. por uma conspiração liderada por Brutus e Cássio..C. abrindo caminho para os triunviratos.. o ditador foi assassinado. O Primeiro Triunvirato (governo de três pessoas) foi composto por três políticos de prestígio: Pompeu. Este último derrotou Mário e se tornou ditador vitalício. que tramaram a sua morte. os revoltosos foram vencidos e impiedosamente castigados. “Até tu. Alea jacta est (“A sorte está lançada”) A guerra civil desencadeada por essa crise permitiu a Júlio César e suas legiões a tomada do poder. tribuno. um dos fortes generais de Júlio César que. Num clima de crescente instabilidade e crise generalizada.

que se encontrava no Egito. O FIM DA REPÚBLICA A rápida expansão ultramarina enriqueceu Roma.C. assustados.). Os generais ambiciosos queriam conquistar cada vez mais províncias para ennquecerem à custa dos despojos de guerra. Otávio. este toma-se governante único de Roma e das suas províncias. vencida pelo seu jovem sobrinho. em 31 a. além dos dois títulos. recebendo..C. . assim. por outro lado. o qual foi derrotado na batalha naval de Actium. se quisessem conquistar o poder na metrópole. o general triunfante. Em breve se desencadearam guerras civis entre vários generais rivais e. A expansão resultou num enorme fluxo de escravos para Itália. A morte de César desencadeou uma nova guerra civil. pelo que muitos romanos pobres perdiam o trabalho e as suas terras. Júlio César. foi assassinado (113 a. utilizar as suas riquezas para comprar o apoio dos seus soldados. em 44 a.C. até então inédito entre os governantes romano. aboliu a república e instaurou a ditadura em Roma. os novos triúnviros iniciaram suas disputas internas. tentou ampliar seus poderes. A corrupção aumentou com os funcionários a tentarem enriquecer à custa das províncias. toma o nome de Augusto. Octávio.O Segundo Triunvirato Após eliminarem os opositores de César. Esperava-se que oferecessem terras aos seus soldados quando eles deixassem o exército. Os republicanos. Introduz uma nova forma de governo em 27 a.C. O tribuno libério Graco. Uma vez no poder. debilitou o seu sistema republicano de governo.C. acabaram por assassiná-lo. derrotou os outros generais. mas.. aproveitando-se da ausência de Marco Antônio. O ano: 27 a. o de Augustus (o divino). “o venerado” e torna-se o comandante-chefe do 117 . que tentou introduzir reformas no sistema. Em 31 a. primeira etapa para obter o título de imperador (o supremo). Desconsiderou Lépido e declarou guerra Marco Antônio. Otávio tornou-se progressivamente senhor absoluto de Roma. Em seguida Otávio recebeu do Senado o título de princeps (primeiro cidadão). Podiam.C.

o poder de um rei. esta política consistia na distribuição de trigo para a população carente associada à organização de grandes espetáculos públicos. Unha. 118 . . Este. prosperidade. O governo de Octávio César Augusto restaurou a paz e a estabilidade no império romano. foi abandonada a política agressiva de conquistas e aperfeiçoada a administração das províncias. Após a morte de Otávio Augusto. que se tornou conhecido como pax romana. e se estendeu pelos dois primeiros séculos da era cristã. ingressou num período de paz. como todos os governantes de Roma que lhe sucederam. Augusto promoveu a aliança entre a nobreza e os cavaleiros e apaziguou a plebe romana com a famosa política de “pão e circo”.exército. Esse novo curso contribuiu para que o império vivesse um período de tranqüilidade sem precedentes. utilizou o título de imperator (“comandante”). o primeiro século da era cristã ficou conhecido como “século de Augusto”. Roma atingiu o apogeu.235): a Pax Romana Sob a orientação de Augusto. Panem et circences Procurando reduzir as tensões sociais. em 14 da era cristã. estabilidade político-social e grandes realizações intelectuais: não por acaso. origem da palavra imperador O Império Romano (27a.C.C. Sucedeu-lhe. . sucederam-se quatro dinastias de imperadores. o seu enteado Tibério. a paz romana.. na realidade.C. Embora o seu título oficial fosse princeps (“primeiro cidadão”). podendo ditar leis e recusar as decisões do Senado.476) O Alto Império (27 a. Até hoje utilizada por vários governos (entre eles o do nosso país). em 14 d.

O resultado é que os campos romanos retraíram-se: era mais conveniente deixar ao léu os latifúndios do 119 . em nove dias atingia-se Alexandria. embarcações levando o máximo de carga percorriam 220 km por dia. eram reduzidas as possibilidades de se conseguir escravos. ia-se de Óstia a Tarragona. Um gigante com pés de barro. em três. para fazer funcionar a indústria e o comércio. devido aos longos decênios de paz e a derrota da pirataria. Navios de três cobertas transportavam de 250 a 1000 t de mercadorias. A mão-de-obra livre. Roma tornava-se uma cidade exclusivamente consumidora. necessária para arar a terra.. A uma velocidade média de 5 nós (cerca de 9 km/h). Em quatro dias.. na Espanha. com ventos favoráveis.. no Egito. os mares eram cruzados por navios abarrotados de mercadorias destinadas a Roma e outras cidades italianas. De março a outubro. era muito cara. em Marselha. Alimentada pela própria expansão imperial. E..A crise do Império Romano O Baixo Império (séc. em dois dias chegava-se em Cartago.III a V) Um dos grandes orgulhos da Roma Imperial era a rapidez e eficiência de seus transportes.

Na busca de uma saída para a crise.. o que gerou enormes despesas para o Estado. os Augustos. arrendando-lhes parte da terra. os metais preciosos escasseavam: receber salário em moeda tornavase um sonho quase impossível. aos poucos iria se alastrando implacavelmente por todos os seus domínios.. No plano político. não conseguiu conter a pressão dos grupos bárbaros sobre as fronteiras. Cada um teria seu auxiliar direto. Quanto aos produtos industriais. A crise econômica instalada na Itália. os governos foram obrigados a manter grandes contigentes militares. Crise político-administrativa.. e os navios e caravanas de carros que tratassem de fazê-los chegar a Roma. A crise do escravismo e o colonato. que receberia o título de César e 120 . o comércio decaía. Ao mesmo tempo.. o imperador Diocleciano introduziu uma reforma conhecida como tetrarquia. Dividir para governar. O desequilíbrio entre a receita e a despesa pública provocou a desvalorização da moeda. as cidades se despovoavam. centro nervoso do império. numa prestação de serviços de vida inteira e hereditária.. desarticulado. as sucessivas lutas pelo poder entre os chefes militares e o Senado minaram a coesão político-militar do exército que. Mais gastos.... a alta dos preços e um violento processo inflacionário. A crise se acentuou graças ao colapso do escravismo e sua gradual substituição pelo sistema de colonato: pessoas empobrecidas do campo e das cidades procuravam os grandes proprietários rurais e em troca de sobrevivência e proteção passavam a trabalhar em suas terras como colonos. Para guarnecer as fronteiras e conservar o controle das províncias. Essa situação não poderia durar eternamente. mais impostos.. Muitos proprietários preferiam libertar seus escravos – um luxo cada vez mais caro – e transformá-los em colonos. Haveria dois co-imperadores.que empregar dinheiro no pagamento dos trabalhadores da terra. que governariam as metades oriental e ocidental do Império Romano. as províncias que se encarregassem de produzi-los.... sem jamais poder deixar o lote recebido.

cada vez mais pobre. cedendo-lhes territórios e colocando-os a serviço da defesa do Império. A divisão torna-se inevitável. na Turquia). com capital em Milão. estabeleceu em 330 sua capital na cidade de Constantinopla (atual Istambul.. fragmentado em regiões política e economicamente isoladas.  O imperialismo romano e as guerras civis internas foram responsáveis pela ampliação do aparelho militar e burocrático. onde já existia a antiga colônia grega de Bizâncio. No século V tiveram início as chamadas grandes migrações dos povos bárbaros. a penetração ocorreu pacificamente. descontrole político. “. limite entre a Europa e a Ásia. O imperador Constantino.. Sua última medida. As sucessivas lutas pelo poder geraram corrupção. Pressionados pelos hunos. e a oriental. bem como pela instabilidade política. fundada por ele no estreito de Bósforo. era a divisão do império em duas porções diferenciadas: a ocidental.mais tarde se tornaria co-imperador. a cavalaria dos visigodos esmagou as tropas imperiais na batalha de Adrianópolis.. essa cidade que conquistara o universo” (S. foi a divisão do Império Romano em Império do Oriente.. No século III impôs-se a anarquia militar: as legiões entronavam e destronavam imperadores segundo interesses imediatos (de 121 . queda de valores tradicionais. restabeleceu a unidade imperial. Em 378..Foi conquistada. Cem anos depois. Mas. De início.. os grupos germânicos dos godos e visigodos cruzaram as fronteiras do Danúbio e se estabeleceram no território do Império. devastado por sucessivas invasões – desde 476 não existia mais. porém.. Na prática. consciente de que a força do Império dependia cada vez mais das províncias do Oriente. sucessor de Diocleciano. o Império do Oriente se mantinha centralizado e forte. com capital em Constantinopla. e Império do Ocidente.. enquanto o Império do Ocidente – ruralizado. Migrações e invasões. ainda viável. desencadeando uma séria crise moral... Jerónimo) O imperador Teodósio conseguiu pacificar os visigodos. no ano 395.

tornou-se um obstáculo à produção.211 a 284. tomando pouco a pouco seus territórios e pondo fim ao Império Romano em 476. por exemplo. devido à falta de mão-de-obra. baseada fundamentalmente na escravidão. sucederam-se cerca de vinte Imperadores). mesmo que por curtos períodos. já agonizantes. O Cristianismo “Eu vos dou um novo mandamento: Que vos ameis uns aos outros. que gozavam de grande prestígio. que resultou num caos monetário. ocasionada pelo fim das guerras de conquistas e que fez escassear o número de prisioneiros. que se sujeitavam a pagar quaisquer tributos que lhes fossem cobrados. e que acelerou a decadência econômica. sustentáculo do Império Romano. pois se opunha à estrutura militar e escravocrata. Os proprietários foram então obrigados a arrendar suas terras a camponeses. que se apossavam. assim como eu vos amei. para poder enfrentar a crise geral do Império. Ao mesmo tempo. em conseqüência. de regiões provinciais. as invasões bárbaras minaram as forças imperiais. o Estado desvalorizava a moeda. Houve. resultou na diminuição de receitas para cobrir os gastos com a manutenção da burocracia e do exército. Substituía-se o escravismo pela servidão rural. Ao lado disso.  A crise econômica. para vós também mutuamente vos ameis. devido à diminuição de metais nobres.  A crise do escravismo. advinda da crise escravista..  O crescimento do cristianismo foi outro fator de desagregação do Império..  A volta para uma economia rural de subsistência fez com que a população rural se isolasse em vilas auto-suficientes e autônomas.” 122 .  Finalmente. como ouro e prata. uma inflação crescente. no início do século III. o que contribuía para o acirramento da crise. único meio de que dispunha para saldar seus compromissos. o que veio a encarecer os produtos. Os soldados. apoiavam irrestritamente os generais. houve uma nítida diminuição de áreas cultivadas.

para anunciar o reino dos justos e a salvação da humanidade.C... Jesus iniciou suas pregações e recrutou um grupo de seguidores..C. foi visto como um rebelde e condenado à morte na cruz.. “Bem-aventurados os que padecem perseguição por amor da justiça: porque deles é o Reino dos Céus. a intensificação dos problemas econômicos-sociais do mundo romano fez aumentar o número de adeptos do cristianismo. Embora Jesus afirmasse que o Reino de seu Pai não era desse mundo. havia nascido o Messias. o cristianismo difundiu-se pelo Império Romano.” Suas palavras e atitudes desafiavam tanto a elite religiosa judaica quanto as autoridades romanos na Palestina ocupada. Também lhes eram atribuídas a responsabilidade pelas calamidades e crises que se abatiam sobre o Império. baseava-se nos ensinamentos de Jesus. Segundo os Evangelhos. 123 . uma palavra de esperança para aqueles que.. Segundo a tradição judaica. acusados de não cultuar os deuses romanos. que nasceu em Belém de Judá durante o governo de Otávio Augusto (27 a. desalentados pela opressão e pelo sofrimento. Aos 30 anos..C. esperavam a salvação após a morte. região conquistada e anexada pelos romanos em 40 a. A partir do séc. “Bem-aventurados os pobres: porque deles é o reino dos Céus. Era uma religião das camadas populares. os apóstolos. a 14 d. Graças ao trabalho de seus seguidores.).O Cristianismo surgiu na Galiléia.” Durante o governo de Nero iniciou-se a perseguição aos cristãos. anunciado pelos profetas. III.

” (S.. “Se alguém ousar fazer dessas oferendas que.” (Edito imperial de 392.. no governo Teodósio.. obedecei ao vossos amos. esse indivíduo. Mais tarde.) 124 . será despojado da casa ou da propriedade onde se verifique que ele praticou alguma superstição gentílica. o cristianismo se tornou religião oficial do Estado.. que concedeu liberdade de culto a todas as pessoas. embora de pouco valor. Paulo. como a Cristo... o Imperador Constantino publicou o Edito de Milão. e toda a retidão do coração. fazem. Escravos.. como culpado de violar a religião. em 3l3... injúria à religião (cristã).“.. iniciando a perseguição aos pagãos. “Espítola aos Efesos) Durante 250 anos os cristãos sofreram inúmeras perseguições até que. com temor e respeito.

UNIDADE DIDÁTICA VII . Por outro lado o Islã surgido no quintal do Império Bizantino se tornou em uma das mais importantes religiões do Mundo. O Império Bizantino Nasceu na crise do Século III. como os inimigos em geral os chamavam. O Império Bizantino e o Oreinte medieval O INICIO DE BIZÂNCIO Império Romano. e as grandes decisões de Constantino de que o império deveria ser cristão e que uma nova capital deveria ser construída no Bósforo. sobreviveu a ele por 1. Primeiro ocorrera a lenta mudança das preocupações do governo para o leste no século III d.A IDADE MÉDIA NO ORIENTE INTRODUÇÃO Das ruínas do Império Romano surgiram três novas civilizações baseadas na religião: Bizâncio. Seus governantes sempre se consideraram “romanos”. o Islã e a Medieval. Presidiam metade da cristandade: o mundo cristão do Mediterrâneo e do Novo Oriente. Bizâncio com seu estivo de vida e divulgação da cultura foi o sustentáculo da cultura ocidental. cujas bases Constantino estabeleceu em Constaninopla. em 125 . quando os bárbaros invadiram a Europa. deixou uma herança muito rica em r influencio a formação da religião do leste Europeu. com milhares de seguidores.100 anos.C.

A segunda fala por si mesma: o colapso do Império Ocidental no século V foi o próximo passo óbvio rumo à separação. romana. gregas. cuja localização dificultava ataques por mar e terra. urbanizadas e populosas. no Ocidente. e Ortodoxa Oriental (grega). e os bizantinos não queriam aceitar o papa como o chefe de todos os cristãos. Constantinopla. Divergências políticas e culturais ampliaram a separação entre a cristandade latina e Bizâncio. desenvolveram-se muitas diferenças entre a Igreja bizantina e a Igreja romana. as províncias do Oriente sobreviveram — por serem mais ricas. A capital. ciência e direito da Grécia e Roma antigas. no Oriente — divisão existente até hoje. O papa resistia às tentativas de domínio do imperador bizantino. Sua religião era cristã. Os governantes bizantinos tinham poder absoluto e 126 . Numa época em que poucos ocidentais (cristãos latinos) sabiam ler ou escrever. Nas regiões orientais tomou forma a civilização bizantina. Com o passar dos séculos. e porque os invasores germânicos e hunos visavam principalmente ao oeste.Bizâncio.Durante a Alta Idade Média. os eruditos bizantinos estudavam a literatura. A Igreja cristã dividiu-se em Católica Romana. era uma cidade fortificada. depois disto não haveria mais retorno. No Império Bizantino. A primeira preocupação ajudou a tornar mais importante o leste e as províncias do império que falavam grego: elas abrigavam as maiores comunidades cristãs. A construção do Império Embora o Império Romano do Ocidente tivesse caído diante das tribos germânicas. Enquanto o comércio e a vida urbana haviam sofrido uma grande regressão no Ocidente. bibliotecas. na cristandade latina. predominava o latim. Os cristãos latinos recusavam-se a reconhecer os imperadores bizantinos como sucessores dos imperadores romanos. a língua e a cultura. filosofia. O rompimento final ocorreu em 1504. a civilização bizantina encontrava-se econômica e culturalmente muito mais adiantada que o Ocidente latino. As duas igrejas discordavam em relação às cerimônias. adoração de imagens e direitos do clero. o grego era a língua da religião e da vida intelectual. e a máquina administrativa. com escolas. praças abertas e mercados cheios. Constantinopla era uma cidade magnífica. dias santificados.

Os códigos jurídicos de hoje têm. sob o governo do imperador Justiniano. mais do que qualquer outro governante. os turcos otomanos venceram as grandes muralhas de Constantinopla e saquearam a cidade. o Império Bizantino consistia apenas em dois pequenos territórios na Grécia e a cidade de Constantinopla. Essa realização monumental. exercia o poder temporal e expiritual e que como sucessores dos imperadores romanos. Eles avançaram sobre os bizantinos a partir da Ásia Menor e conquistaram grande parte dos Bá1cãs. O GRANDE Justiniano (527-565). Se os árabes tivessem rompido as defesas bizantinas. Asia Menor. Os bizantinos conservaram também a filosofia. sul da Espanha e partes do Oriente Próximo. o CorpusJuris Civilis. que haviam adotado o islamismo como religião e iniciado a construção de um império. JUSTINIANO. árabes muçulmanos. impediu que os árabes muçulmanos avançassem sobre a Europa ocidental. preservou os princípios da razão e da justiça do direito romano. O golpe mortal sobre o império foi desferido pelos turcos otomanos. Em bizancio surgiu uma forma peculiar de governo o Cesaropapismo. onde o Impérador “ Basileu”. Depois de mais de dez séculos. grande parte da Europa poderia ter sido convertida à nova fé islâmica.declaravam-se escolhidos por Deus para instituir a vontade divina na Terra. dos persas. originários da Asia central. o Império Bizantino incluía a Grécia. Primeiro. turcos seljúcidas e cristãos latinos. ciência. raízes no direito romano preservado pelos juristas de Justiniano. durante o governo de Justiniano. foi o responsável pelo estabelecimento das formas definitivas do estilo da 127 . Itália. matemática e literatura da Grécia antiga. em grande parte da Europa e da América Latina. Outro fato importante foi a codificação das leis da Roma antiga. Em seu apogeu. África do Norte e Bálcãs. o Império Bizantino chegava ao fim. os bizantinos sofreram ataques dos lombardos e visigodos germânicos. Ao longo dos séculos. reivindicavam domínio sobre todas as regiões que haviam pertencido ao Império Romano. Bizâncio deixou uma marca significativa na história do mundo. Em 1453. Em sua história de mil anos. Por volta do início do século XV.

o seu reinado terminaria antes de concluídas as obras que o tornaram famoso. de origem ainda mais modesta . Deste planejamento inesgotável de Justiniano (os súbditos chamavam-lhe o imperador que não dorme). não há dúvida que exercia certa influência sobre o imperador. Justiniano recebeu. A sua atitude mais decisiva talvez tenha sido a intervenção no Conselho da corte quando este quis persuadir o imperador a abandonar Constantinopla durante a rebelião de Nika (532). De origem camponesa. excelente educação. o papel que desempenhou na história do seu tempo foi muito relevante. exerciam uma atividade de longa data familiar aos habitantes das cidades do império. a Imperatriz Teodora. A sua personalidade e o seu estilo de governo inspiraram e permitiram as grandes realizações levadas a cabo durante o seu longo reinado. talvez. Corte de jutiniano As facções dos Azuis e Verdes do circo..sociedade bizantina que Diocleciano e Constantino haviam fundado. Se Justiniano se tivesse decidido a partir. no entanto. No auge econômico do Império Justiniano decidiu reconstituir territorialmente o império. Nos séculos IV e V a competição das duas mais importantes equipes do Hipódromo (Azuis e Verdes) tornou-se tão violenta que era acompanhada de arruaças. Neste ponto de vista. todos afirmam que era de forte personalidade. decorreu a reconquista da maior parte do antigo território do antigo Império Romano do Ocidente. A sua esposa. que se envolveram em desordem em Janeiro de 532. unificar as facções que dividiam a Igreja Cristã. Embora as 128 . era.

forçando-o a lutar até ao fim. Foi durante estes acontecimentos que Teodora salvou o trono de Justiniano. (Teodosia) 129 .facções se guerreassem normalmente umas às outras.( que quer dizer vitória em grego). foi finalmente sufocada num banho de sangue. que destruiu uma grande parte do centro da cidade. juntaram forças contra Justiniano e quase o depuseram durante a grande revolta de Nika. em 532. A rebelião.

existiam certas condições favoráveis à reconquista bizantina. o Mediterrâneo em lago imperial e dar ao seu nome um brilho temporário. A dificuldade da campanha foram devidas à escassez dos braços e dos recursos financeiros que Justiniano pusera à disposição do general Belizário. Explorando o isolamento diplomático dos seus inimigos no Ocidente. além da ação política da reconquista. A fraqueza das tropas de Belisário permitiu aos Godos manter uma demorada resistência e. ao acabamento da codificação das leis. reconquistar terras e cidades aos bizantinos (Roma mudou de mãos cinco vezes). A invasão da Sicília em 535 marcou o início da reconquista da Itália.As revoltas de Nika marcam um momento de virada no reinado de Justiniano. freqüentemente. seu chefe da campanha na Itália. iniciou a conquista do Ocidente e a reconstrução da cidade. Para as populações o imperador de Constantinopla representava a personificação das instituições religiosas e da justiça. mercê da destruição dos reinos bárbaros. Depois de as haver sufocado. A invasão bizantina da península itálica foi grandemente facilitada pela conjuntura política em que esta se encontrava. Justiniano conseguiu converter. As concepções imperiais e cristãs levaram-no. mais uma vez. e assumindo uma atitude defensiva no Oriente. Apesar do colapso imperial no Ocidente ter sido completo. ao 130 . que durararia mais de duas décadas e devastaria a península.

A arte bizantina deveu muito ao gosto heleno-oriental da Anatólia. tão grandemente aumentada. para demolição. não conseguiram alcançar homogeneidade religiosa e cultural. para as províncias. servido que os arquitetos e artistas tivessem possibilidade de construir grandes monumentos e criou as condições favoráveis ao seu apogeu. parte da engrenagem de salvação da humanidade. mas. O império se tornara . e isto de um modo 131 . A influência de Constantinopla estende-se aos mínimos detalhes. mas a obra resultante destes elementos não foi de modo algum uma copia. incluindo Santa Sofia e os edifícios do Senado. não só arquitetos mas também plantas de igrejas. A evolução realizada durante os três séculos que decorreram da coroação de Diocleciano à morte de Justiniano suscitou mudanças dramáticas na sociedade mediterrânica. A religião e o Estado As principais características de Bizâncio foram o papel e o estilo especiais em relação à cristandade. Constantinopla crescera tão rapidamente depois de 330 que. e isto se refletia em todas as suas realizações. Justiniano resolveu reconstruir a igreja magnificamente.enorme embelezamento arquitetônico e artístico do império.segundo a ótica cristã. apesar dos esforços de Justiniano. • A centralização e a Cidade de Constantinopla A centralização política. De Constantinopla saiam. no século V. servindo de padrinho de batismo para os filhos de príncipes bárbaros e mandando missionários para converter outros. Síria e Egito. para o que adquiriu as casas que tinham ficado de pé. e o aparecimento de um monarca inspirado. Justiniano usou o cristianismo e os homens da Igreja como um ramo da diplomacia. A nova igreja de Santa Sofia é o edifício mais significativo da arquitetura religiosa da Europa Ocidental e do Oriente Próximo. As instituições nascidas desta evolução conquistaram uniformidade política e econômica. de edifícios civis. Como os distúrbios de 532 haviam devastado grandes setores do bairro vizinho do palácio. de fortificações. A essência religiosa não mudou: permaneceu cristã. econômica e religiosa do império em Constantinopla foram decisivas para a arte bizantina. tiveram de ser construídas novas muralhas do lado da terra para proteger a metrópole.

da Bulgária e de algumas outras terras eslavas. Desta tradição derivam não apenas as Igrejas atuais da Grécia e de Chipre. Constantinopla. o Patriarca de Constantinopla. em contrapartida. 570-632). Por volta de 40 anos de idade. reconhecido líder da Igreja oriental desde o século VII. Isto em parte reflete a presença de diferentes tradições religiosas dentro do velho mundo helenístico. Nenhum clérigo ortodoxo tinha autoridade comparável à do Papa romano. por exemplo. • IsIã A segunda civilização a emergir depois da queda de Roma baseava-se na nova e vigorosa religião do Islã. embora o clero da Igreja ocidental viesse a ser celibatário. um próspero mercador da cidade de Meca. todos representavam interesses locais e tradições culturais. o Islã. Rejeitando as divindades das religiões tribais. o que significava que os sacerdotes não constituíam uma sociedade à pane nos países ortodoxos. Transformado por essa visão. dentro da tradição chamada de ortodoxa. a “ortodoxia” foi em muitos aspectos diferente da cristandade católica que dominaria a Europa Ocidental. que significa “render-se a Ala (Deus)”. mas também as da Rússia. Jerusalém. e alguns árabes já aceitavam a idéia de um Deus único. Embora a maioria dos árabes do deserto venerassem deuses tribais. os quatros grandes “patriarcados” (ou bispados principais). dava a bênção da Igreja à coroação Imperial. Antioquia e Alexandria. Seu fundador foi Maomé (c. Maomé ofereceu aos árabes uma nova fé monoteísta. como na Europa Ocidental. era na verdade indicado pelo imperador e. surgida no século VII na Arábia. nas cidades e nos centros comerciais grande parte da população tomara conhecimento do judaísmo e do cristianismo. Os padrões islâmicos de moralidade e as normas que regulam a vida 132 . Os clérigos paroquiais comuns muitas vezes se casavam. Maomé acreditou ter sido visitado pelo anjo Gabriel. A tradição ortodoxa grega também teve de lutar contra a disputa e o debate teológico em maior grau do que a Igreja Romana dos primeiros séculos.especial. que lhe ordenou “recitar no nome do Senhor!”. Maomé convenceu-se de que fora escolhido para servir como profeta. Em resumo.

O governante que não aplicasse a lei do Alcorão. O islamismo era. Cultuam apenas a Alá.. um jardim de prazeres carnais e deleites espirituais. mas era totalmente humano. compassivo e justo. portanto. Maomé unificou as tribos árabes. Maomé foi o último e maior dos profetas. sua religião é a conclusão e o aperfeiçoamento do judaísmo e do cristianismo. que os muçulmanos acreditam conter a palavra de Ala. envolvidas em constantes disputas. no Dia do Juízo os incrédulos e os iníquos serão arrastados a um lugar terrível de “ventos abrasadores e água escaldante” e os “pecadores comerão fruto amargo (. Também reconhecem Jesus como um grande profeta.) beberão água fervente” ‘. em 632. Os guerreiros 133 . em que governo e religião eram inseparáveis. disciplina e organização para vencerem suas guerras de conquista. falhava no cumprimento de suas obrigações. unia todos os seus adeptos numa única e abrangente comunidade. O Estado islâmico era uma teocracia. Em pouco mais de duas décadas. Deus era a fonte de toda a autoridade legal e política. mas não o consideram divino. constituía também um sistema de governo. A idéia de uma sociedade governada pela lei do Alcorão permaneceu profundamente arraigada no espírito muçulmano.cotidiana são fixados pelo Alcorão. Para os muçulmanos. Para eles. O Islã propiciou às tribos árabes unidade. não podia haver nenhuma distinção entre autoridade secular e espiritual. cujo poder derivava de Alá o califa governava segundo a lei muçulmana. tal como definida no Alcorão. Maomé foi sucedido por seu amigo e sogro Abu Bakr.. Sob os quatro primeiros califas. A lei divina regulava todos os aspectos das relações humanas. os árabes rapidamente dominaram o Império Persa. o criador e soberano do céu e da terra: Deus único e todo-poderoso. e o califa era seu representante na terra. que se tornou califa. De acordo com o Alcorão. que governaram de 632 a 661. sociedade e lei que. Após sua morte. misericordioso. Consideram os antigos profetas hebreus como mensageiros de Deus e valorizam sua mensagem de compaixão e a igualdade dos seres humanos. numa força poderosa dedicada a Má e à difusão da fé islâmica. segundo acreditavam os muçulmanos. tomaram algumas províncias de Bizâncio e invadiram a Europa. tal como revelada a Maomé. Considerado como o defensor da fé. mais que uma religião. Para os muçulmanos. Aos muçulmanos fiéis que vivem na virtude é prometidos o paraíso.

criativamente. O Império Otomano atingiu seu apogeu no século XVI. Palestina e grande parte da Pérsia. O império árabe. Ela sintetizou. mais antigas. persa e indiana. O conhecimento grego. os eruditos muçulmanos realizaram a grande tarefa histórica de preservar a herança filosófica e científica da Grécia antiga. no oeste. o poder político passou a ser exercido pelos sultões seljúcidas. que mantiveram vivo o legado helênico. Nos séculos XI e XII. com a conquista do Egito. que haviam tomado a Asia Menor dos bizantinos. e os cruzados europeus estabeleceram remos no Oriente Próximo. Outra razão que contribuiu para a expansão foi desejo de fugir à aridez do deserto árabe e explorar as prósperas terras bizantinas e persas. Os turcos seljúcidas. A ciência. mas não conseguiram restaurar o esplendor cultural. Nos séculos VIII e IX.muçulmanos acreditavam estar envolvida numa guerra santa (jihad). o comércio florescente e nem tampouco a prosperidade que o mundo muçulmano conhecera sob o governo dos califas 134 . Durante a Alta Idade Média. estendendo-se desde a Espanha até a Índia. bizantina. o território islâmico estendeu-se até a Índia e as fronteiras da China. em grande parte. sob os califas abássidas. África do Norte. incorporou a África do Norte e a maior parte da Espanha. conquistaram também os territórios árabes da Síria. a filosofia e a matemática muçulmanas basearam-se. foi então transferido à Europa cristã. e aqueles que morressem nessa guerra tinham um lugar garantido no paraíso. foi unificado por uma língua. cuja finalidade era propagar o islamismo aos infiéis. Síria e litoral da Arábia. quando o conhecimento estava em decadência na Europa ocidental. suplementado pelas contribuições originais dos intelectuais e cientistas muçulmanos. uma fé e uma cultura comuns. os muçulmanos perderam a Sicília e a maior parte da Espanha para os cavaleiros cristãos. a civilização muçulmana entrou na sua idade de ouro. os árabes começaram a perder seu domínio no mundo islâmico. Os otomanos desenvolveram um sistema de administração eficiente. Embora os califas abássidas tenham permanecido como líderes religiosos e culturais do Islã. as tradições culturais árabe. Por volta do século XI. No leste. Traduzindo as obras gregas para o árabe e comentando-as. os muçulmanos forjaram uma civilização superior. Os árabes adquiriram o conhecimento grego através das civilizações persa e bizantina. no entanto. nas realizações dos gregos antigos.

abássidas de Bagdá. UNIDADE DIDÁTICA VIII A ALTA IDADE MÉDIA 135 .

pior governadas. abandonadas de agora em diante a seus próprios recursos e as suas próprias defesas. retornavam à carga pelos mesmos caminhos. aos germanos se sucedem primeiramente os eslavos. • Migrações e invasões As transformações ocasionadas pelas invasões bárbaras dizem respeito somente ao Ocidente: o Império romano se mantém no Oriente. à administração. ao longo de toda a Idade Média. pelos piratas da Frísia em direção à Inglaterra. ao longo de todo o século V. às costas francesas do mar do Norte e da Mancha.INTRODUÇÃO Separadas do Oriente. essas incursões em direção ao Ocidente são apenas um aspecto. as ilhas e as regiões do trigo. as vagas se sucedem quase ininterruptamente. apesar das poderosas contra-ofensivas da cristandade. entre os povos romanos e os novos invasores provoca o que se chama a desintegração do Império romano. O choque continuo. Constantinopla permanece a capital de um mundo romano. constantemente. de fato. como outrora os vândalos de Genserico. enfraquecidas pelas questões sociais e as dificuldades econômicas. ao direito. No sul. Além disso. no século IX. é somente um longo período de ajustamento a novos equilíbrios étnicos a outras estruturas políticas e sociais. Esta desintegração. solidamente ligado a todas as tradições. sofrem. os repetidos assaltos dos bárbaros vindos do leste e do norte. o menos importante sem dúvida. os escandinavos retomaram. por vezes dramático. as províncics ocidentais do Império Romano. na mesma época. no tempo dos primeiros carolíngios. que. por muito tempo. Após um curto intervalo. menos ricas. os muçulmanos. Toda a história da Europa permanece seriamente marcada pelos ataques de povos hostis. A leste. os húngaros e depois todos os povos turcos provenientes da Ásia Central. as rotas seguidas quatrocentos anos antes pelos conquistadores saxões. às hierarquias. As invasões bárbaras dessa época desempenharam um papel determinante na evolução do mundo ocidental. das grandes migrações de cavaleiros nômades 136 . retêm o Mediterrâneo ocidental.

atirado de longe sobre o inimigo. Gládios e espadas demonstram uma desconcertante habilidade na arte de ligar os metais. atribuir exclusivamente nem a uma degradação climática que tivesse afastado os pastores das planícies mais elevadas em direção a terras melhores. populações ou povos inteiros. Roma. Para o romano. de um modo seguro. muito inferiores. De fato. ORIGENS DAS MIGRAÇÕES Não se pode. a espada longa com dois gumes. de uma maneira bem diferente dos romanos: arcos de cavaleiros hunos montados em cavalos rápidos. migrações mais que invasões. que. gládios mais curtos dos francos. por vezes. esses bárbaros combatem. de temperar o aço. Com maior freqüência. atacam ininterruptamente o Império chinês. Essas armas são todas ofensivas: o machado de um só gume. ainda estrangeiros. de 1260 a 1368. espadas longas e lanças de cavaleiros vândalos ou alamanos. A anseio dos bárbaros era obter dos romanos a hospitalidade. no mesmo período. o célebre Francisca. no interior distante. obtinham assim um 137 . para defender e repovoar os campos. do século V ao XV. que lhes assegurava terras em troca de serviços militares e do respeito às leis do Império. os bárbaros introduzem-se no Império sem choques.da Ásia Central. de início submetidos a uma rigorosa disciplina militar e isolados das populações romanizadas. Freqüentemente atribuiu-se o êxito das invasões a uma indiscutível superioridade militar: cavalaria mais leve e rápida. colônias de guerreiros germânicos. nem uma expansão demográfica. de soldar peças cuidadosamente produzidas. onde. Nas fronteiras e. séculos após. domínio absoluto da então difícil arte de forjar as armas. recrutava mercenários bárbaros. Essas espadas e armas sobrepujam de longe as dos romanos. à custa de acordos variados que lhes abriam pacificamente o limes( limites) de inicio portanto existiram infiltrações lentas e insensíveis. para seus corpos auxiliares e a alguns de seus chefes confiava até mesmo comandos militares e a tarefa de repelir ataques de novos bárbaros. o bárbaro é antes de tudo um soldado. impuseram a dinastia mongol dos Yuan. nem mesmo estruturas sociais particulares que provocassem a emigração de numerosos membros do clã em busca melhor qualidade de vida. As tribos. instalava.

nômade mesmo nas cidadelas de agricultores. Os guerreiros federados foram com freqüência aliados fiéis de Roma. se estabeleceram nas estepes às margens do Mar Negro. Detidos longo tempo pelos celtas ( séculos V ao II). depois os romanos. suas estruturas econômicas e sociais. é o homem das estepes ou das florestas. a palavra é usada para indicar todos os povos além das fronteiras. sem dúvida originário das províncias meridionais da Escandinávia e cujas primeiras migrações remontam ao segundo milênio antes de Cristo. AS INVASOES GERMÂNICAS Em 375. provenientes da Ásia. tratado que precisava as condições de estabelecimento dos federados em terras abandonadas ou nos domínios de grandes proprietários romanos. De fato.foedus. dirigido por um rei 138 . na realidade muito heterogêneo. na Europa Central. que se podem qualificar como turcos. os hunos. seu modo de vida. Os asiáticos nômades de raça amarela. um vasto Estado nômade. entretanto. incapaz em todo caso de assimilar a civilização greco-romana. essencial-mente urbana. distinguir: Os povos iranianos de raça branca. rebeldes à sua civilização. vasto grupo étnico. sua cultura. ávidos a defender-lhe as fronteiras. deslocaram todos os seus inimigos em direção ao oeste e fundaram. ao longo de todo o Império. os germanos. designavam pelo nome de bárbaros todos os povos declaradamente estrangeiros. chocando-se então com os romanos. e mesmo à sua língua. os germanos continuaram em seguida seu avanço em direção ao sul. de fronteiras incertas. Mais numerosos. no início do século V. sucessivamente os hunos e os avaros. pode-se. Mas vários grupos distintos invadiram o império romano. provenientes das altas planícies do Turquestão e do Khorassan na Ásia Central. OS POVOS BÁRBAROS Os gregos. o bárbaro. Por volta do século V. que.

partem para a áfrica. estabelecem-se pacificamente em 413. em 451. Átila ( O flagelo dos deuses) . na África. é. do século IV ao VII. dividido pela região em grupos de mil homens. muitos fugirão para a Sicília ou Roma. tentando conquistar Constantinopla e. que tendo como eixo suas duas capitais. posteriormente. Lyon e Genebra. seu rei nascido por volta de 465. diante dos romanos e de seus aliados bárbaros. ameaçam constantemente os Bálcãs. tomam o Itália.todo-poderoso. afirma-se. conquistam as melhores províncias romanas. 139 . o reino vândalo constitui-se. antes de tudo. entram na Espanha . deslocados finalmente para o oeste pelos bizantinos. no ano seguinte. para o Ocidente cristão. os francos. conduz a princípio seus exércitos contra as fronteiras do Oriente e as cidades dos Bálcãs e. Os ostrogodos (godos do leste). porém. hereditário. Essas migrações atingem de início as províncias orientais do Império. Este Estado exige também uma severa segregação entre vencedores e aristocratas romanos. Clóvis tomou-se em 481. perseguidos e derrotados pelos visigodos. Os vândalos cruzam à força o Reno em 406. Mal estabelecidos no Império. que foram auxiliares do Império romano. contra a Itália. • Os primeiros reinos bárbaros da Europa mediterrânica OS VÂNDALOS NA AFRICA Nascido da conquista militar. de perseguir ou dizimar os bárbaros mais turbulentos. obtêm um território em 418 e um vasto reino na Espanha. chefe dos francos e. Os borgunios. conduzidos por seu rei Teodorico (489-493). a das migrações germânicas. Na mesma época. outros povos bárbaros haviam atacado diretamente o limes ocidental. a história das invasões bárbaras. que viram suas terras confiscadas. toma e pilha todas as cidades planície do vale do Pó. volta-se. fundando a seguir um poderoso reino. saqueia todo o norte da Gália: contido. os visigodos (godos do oeste) são encarregados de restabelecer a ordem. No entanto. rei em 434. de início estabelecidos em um território (455) nas planícies do médio Danúbio. Nas fronteiras das províncias mais ocidentais. num Estado guerreiro apoiado sobre um sólido exército. conquistou ou reuniu num vasto reino todas as províncias da Gália.

respeitando-lhe os privilégios. e Milão. O segundo reino visigótico. Em 489. posteriormente independentes é. OS FRANCOS Dinastia merovingia Anteriormente a Clóvis. pouco depois. Mantém as antigas leis. e o do povo de Roma. o imperador infante Rômulo Augústulo era deposto pelo exército de Odoacro. a capital. os aquedutos e os esgotos da capital. sempre alimentado e entretido. sem dúvida. chefe dos ostrogodos. e inflige a Odoacro uma derrota perto de Verona. O governo de Teodorico formara-se durante longas permanências na corte de Constantinopla. Clóvis não abandona 140 . OS OSTROGODOS NA ITÁLIA A 4 de setembro de 476. chefe dos Érulos. OS VISIGODOS NA ESPANHA Os visigodos. mercenários do Império. os francos. invade a península. reconhecido “patrício” pelo imperador Zenão de Constantinopla. de fato.O rei vândalo Genserico (477) inflige rudes golpes no Mediterrâneo romano. deixa o nome do imperador nas moedas. haviam conquistado todo o norte da Gália. da Espanha. Toma-se. o senhor de um exército composto por mercenários de origens muito diversas e de um verdadeiro reino bárbaro limitado à Itália e cujo centro vital situa-se na planície do Norte. porém. Restaura as termas. O mais poderoso e o mais original de todos os remos bárbaros do Ocidente. sabe ganhar o apoio da classe senatorial. ainda indispensáveis ao abastecimento de Roma. dos séculos V ao VIII. entre Ravena. sobretudo. provenientes das margens inferiores do Reno. Teodorico. haviam tomado e pilhado Roma em 410. onde destrói as comunicações e ameaça constantemente os comboios de trigo. as lojas. conserva os magistrados e empregados nos cargos de outrora.

em 751. Após sua morte. permanece como o único senhor. os sucessores de Clóvis. a partir de então. Carlomano e Pepino. comandantes dos exércitos. liga a seu nome a batalha de Poitiers (732). O poder real dissolve-se na medida em que se afirma o poder dos duques. perdem. Meroveu. Após a morte de Carlos em 741. havia dividido seu reino entre seus quatro filhos a história dos filhos e dos netos de Clóvis. e sobretudo o dos membros do palácio. Os outros homens livres.toda a herança política de Roma. Os francos continuam a ser temíveis guerreiros e obtêm por muito tempo êxitos decisivos sobre seus vizinhos. Pepino se 141 . com o apoio do papa. intrigas. Instala sua capital em Paris. que invocavam um ancestral legendário. Carlomano abdica e Pepino. assassinatos e guerras civis. Em 747. o reino dividiu-se entre seus dois filhos. que formam uma verdadeira casta enriquecida com a posse de grandes domínios de terras e capaz de arrancar importantes concessões aos soberanos. Mas Clóvis. Desde então. que considerava o poder real como uma espécie de propriedade pessoal. Os carolingios A ascensão de uma nova dinastia franca. Toda a vida política repousa no poder absoluto do rei conquistador. onde os exércitos francos fizeram recuar os avanços dos muçulmanos. recebe as tábuas consulares enviadas pelo imperador de Constantinopla e usa o diadema e a túnica púrpura dos imperadores. e que os historiadores chamam de merovíngios. cidade onde permaneciam numerosos e influentes administradores romanos. em 751. tanto um como outro selam solidamente a aliança com a Igreja. seus direitos políticos e militares. foi apenas a de unia seqüência inextricável de conflitos familiares. romanos ou guerreiros francos. O serviço do rei estabelece uma hierarquia precisa em favor de uma nobreza de corte formada por companheiros. O prefeito do passo Carlos Martel. o Breve. foi proclamado rei. assinala o êxito dos prefeitos do palácio e o restabelecimento em seu proveito da autoridade real enfraquecida. fiéis ou da estima do soberano. Carlos aparece como o defensor da cristandade diante do Islã. Ensangüentaram e enfraqueceram todas as regiões francas. intervêm diversas vezes em direção leste. em 511. vindos da Espanha.

CARLOS MAGNO. onde ele mesmo sagra o novo rei. A grande obra para a expansão do reino e da cristandade foi à conquista e a submissão dos povos pagãos do Norte e do Leste província. porém.liga a igreja católica apoiando a política papal na Europa. REI DOS FRANCOS Por ocasião de sua morte. Carlos. Carlomano II. 142 . Consagrado Rei e principal protetor dos cristãos. em 768. derrota os lombardos. que ameaçavam Roma ou a independência pontifical. A aliança com Roma assinala. o Grande. no ano 800. morre em 771. O RESTABELECIMENTO DO IMPËRIO DO OCIDENTE A restauração imperial. aliado do papa. protetor da Igreja. sensivelmente. toda a política dos reis carolíngios. a unidade do reino parecia ainda incerta: seus dois filhos. julgada por vezes irredutível. ornado com o titulo de “patrício” dos romanos. aparece de inicio como a consagração dessas vitórias. porém. ataca todos os inimigos de Roma. prossegue então com êxito a política de seus antecessores. o novo rei intervém na Itália. Pepino reconhece em proveito do papa o governo da cidade de Roma e a possessão das províncias bizantinas da Itália central (754). Carlos e Carlomano II . O papa instala-se a seguir no mosteiro de Saint-Denis. a conseqüência da expansão do reino franco. Por duas vezes. estava assim ganha em proveito da cristandade. dividem entre si as províncias. a partir dai. O rei franco.

O Cristo só pode ter um único vigário. criador do universo. O rei instituiu. Deve dar o exemplo. corresponde o de Carlos. em todas as regiões do Império. escolhido por Deus. porém. desejou estender as instituições francas aos países estrangeiros conquistados. ao menos um mesmo procedimento moral. intendente da Igreja. como faz o padre com seus sermões.Esta restauração imperial coloca aos conselheiros muitos problemas. A idéia da necessidade de um novo titulo. É difícil precisar exatamente à qual idéia política ou a que sentimento coletivo corresponde à proclamação de um novo império romano no Ocidente. foi deposta e somente em 812 um acordo permitiu a proclamação de Carlos como imperador do Ocidente. Ao reino de Cristo. Irene. representante de Cristo. consagrando essa dignidade. tem no marques o seu 143 . acima dos condes. reinava então em Constantinopla e os conselheiros francos pensaram em solucionar o conflito propondo um casamento politicamente os dois soberanos. afirmou-se no momento em que se estendiam as conquistas francas A ADMINISTRAÇÃO IMPERIAL Indubitavelmente a principal preocupação de Carlos Magno foi a de estabelecer uma administração visível e centralizada. impôs. Irene. duque. se não outros costumes políticos. convoca e conduz o exército. ávaras a leste. da Dinamarca do norte. Nas fronteiras. Chocou-se ela prontamente com a hostilidade de Bizâncio. educar e administrar os súditos do reino terrestre. pouco disposta a abandonar suas prerrogativas. As análises históricas permitem o relacionamento com a noção de um império cristão. O rei deve defender e propagar a fé em toda a parte. Em cada condado. administra. grandes governos provinciais confiados a um prefeito. Ele tentou controlar as comunidades de homens livres. da Bretanha. são as marcas verdadeiros governos militares: marcas da Espanha. o conde é o lugar-tenente do rei. preside o tribunal . herdado do exemplo bizantino: um só reino no céu e um só chefe na terra. Uma mulher. todo-poderoso.

Desse modo. (enviados do senhor). o Grande. O essencial era dar-lhes instrumentos de trabalho. desde cedo. Fortalecidos por importantes domínios territoriais. Do que resulta. sem originalidade. dos modelos antigos. os eruditos que se ligaram a Carlos Magno. os célebres missi dominici. mais freqüentemente. em vários exemplares. praticamente. as obras de Gregório. decide a escolha de cada bispo e os emprega em seguida em toda espécie de funções. no interior do reino. Na escola palatina é que são copiadas por escribas. Ao brilho das letras corresponde o luxo da arte oficial: mosaicos e mármores das capelas nos palácios imperiais ou episcopais. um movimento intelectual e literário designado como a “renascença carolíngia” surgida na escola palatina sob Carlos Magno. a uma simples imitação. A VIDA ECONÔMICA NO TEMPO DOS CAROLÍNGIOS 144 . textos claros. as Capitulárias de Carlos Magno (suas leis). suntuosas sobre fundo de ouro. os sábios da corte esforçam-se em precisar as regras da gramática e se prendem. tornam-se independentes e transmitem seus cargos aos filhos. o manual litúrgico romano. e a dos santos padres da Igreja. como simples funcionários. entretanto. porém. compilações de decretos e de direito canônico. O imperador. ao menos conservaram fielmente uma parte importante da herança de Roma e dos primeiros tempos da Igreja. contra os abusos e as heresias. Isso limita singularmente a importância dessa “renascença carolíngia”. para inspecionar seus domínios e seus encarregados. Assim. mais ocupados em citar do que em criar. providos de numerosas clientelas. os únicos capazes de serem obedecidos.administrador chefe. na corte Imperial. Carlos Magno espera governar a Igreja do mesmo jeito: ele a dirige. os condes. o luxo das miniaturas. No domínio intelectual. mui freqüentemente. Condes e bispos são instruídos no próprio palácio. para melhor supervisão e repressão dos abusos dessas dinastias provinciais. aos quais deveriam dar forma. Desse modo afirma-se. e no exterior contra inimigos não cristãos. protege. Carlos Magno. confiava essas funções a membros da nobreza local. principalmente jurídicos. as ambições de Carlos limitavam-se à formação de bons administradores e de bons bispos.

Carlos. não obstante. Lotário reúne um certo número de fiéis e de clérigos ainda ligados à idéia de unidade. como seu único sucessor. Em 817. que consagra a divisão do Império e. um nítido reforço da idéia imperial. Luís proclama a unidade indissolúvel do Império e designa seu filho mais velho. dividiu ele seus Estados entre seus três filhos e somente a morte de dois deles permitiu a Luís. Seu reinado (814-840) assinala de início. Luís. teriam somente reinos pequenos conquistados. Em agosto de 843.As divisões do Império LUÍS. A PARTILHA DE VERDUN (843) . Lotário. o Império deve constituir um “só corpo em Cristo”. o Piedoso. em 840. mais tarde intitulado o Calvo. recebe a parte ocidental. O PIEDOSO Carlos Magno. o Germânico. o Império franco mergulha então numa anarquia total seus três filhos sobreviventes. durante séculos. é obrigado a aceitar o tratado de Verdun. reinar sobre o conjunto das províncias. reina na Austrásia além do Reno e na Germânia. Luís e Carlos (Pepino morrera em 838) disputam a herança. os dois outros. Após a morte de Luís. 145 . Lotário. Pepino e Luís. em 806. determina o mapa político do Ocidente. com o título imperial a zona central européia e a Itália. Lotário. sob a influência de clérigos do palácio e dos bispos. Lotário mantém. refugiado em Lyon.

amplos poderes confiados aos condes.UNIDADE DIDÁTICA IX – A CIVILIZAÇÃO SENHORIAL CRISTÃ INTRODUÇÃO O desaparecimento do Império carolíngio agravou uma situação que tivera início com a queda do Império Romano: as cidades entraram em decadência. Todas essas sociedades possuem. onde o direito de comando o direito de convocação dos vassalos — repousam tanto sobre a exploração da terra quanto sobre o poder guerreiro. de proprietários e servos. O domínio geográfico onde se pode constatar um feudalismo. O Sistema Feudal: 146 . tinham sido impostas as tradições de governo dos carolíngios: nobreza palatina. Os reis e os Senhores entregavam terras em troca de fidelidade e vassalagem. O valor central era a terra. alguns traços comuns com o feudalismo “clássico”: dependência pessoal. Este fato teve influência determinante na Igreja. centralizada na pessoa do bispo e na igreja catedral. “clássico”. instituição fundamentalmente urbana. Estas são também as regiões onde. com freqüência em confronto entre si. sua propriedade. indubitavelmente. estudado. formação de clientelas. a população e os senhores dirigiram-se para a zona rural. onde o bispo tinha sua sede e de onde dirigia toda a vida religiosa e eclesial da diocese. recomendação. multiplicação dos laços de recomendação e de vassalidade. administrativa. A autoridade central esfacelou-se e foi-se fragmentando. ao mesmo tempo em que se criava uma vasta rede de senhores e vassalos. de início. apresenta-se singularmente restrito. As estruturas feudais não aprofundam-se na sociedade de uma maneira tão intensa em todas as partes. O termo “sociedade feudal” aplica-se perfeitamente apenas às regiões onde o destino social e político.

numa época em que toda peça de ferro é um objeto de luxo extremamente caro. que se torna antes de tudo um cavaleiro. o combate não é completamente individual e anárquico como freqüentemente se afirmava. O cavalo de combate. deve-lhe a obrigação de comparecer na corte do senhor e em seu tribunal . ou funções. ser-lhe fiel. Quase sempre se acrescenta o beijo da paz. • As bases territoriais das relações de vassalidade. domínios rurais. em troca este procedia prontamente à investidura do “benefício” ou “feudo” pela cessão -simbólica de um quinhão de terra ou de uma bandeira. rendas mesmo. reminiscência pagã. bens fundiários. espada e lança. os costumes feudais mas regiões centrais da europa parecem bem estabelecidos como força política . na qual todos os membros se ajudam e se sustentam. verdadeiros combates. porções de terra. torna-se condição necessária da vassalagem. o vassalo promete primeiramente. Enfim. justifica o beneficio e a vida do vassalo. em colocar as mãos junto com as do senhor. custa também muito caro. Promessa fundamental em que se pode ver a origem de uma restauração da ordem baseada nas alianças. Decorre disso. mais a ajuda militar. não prejudicá-lo. sua alimentação exige prados de feno e campos de aveia. e antes de tudo. primos e pais formam uma esquadra. a importância dos torneios. ajoelhando-se a seus pés. freqüentemente mortíferos. • A natureza dos deveres recíprocos. o homem jurava fidelidade a seu senhor. bastante pesado.O feudcilisnio na Europa ocidental Desde o inicio do século XI. 147 . mas coletivo: os irmãos. que consiste. Implica em despesas muito pesadas: armadura de ferro. Cada vez mais e mais a cessão do feudo. Esta última é bem pesada. Pelo juramento prestado sobre relíquias de santos. Em troca do beneficio e da proteção concedidos Pelo senhor. É a cerimônia tradicional da recomendação ou da “homenagem”. determinam: • O ato de submissão. nesse treinamento guerreiro. ato material. cargos administrativos. Além disso. para o vassalo. elmo. a ajuda militar reforça os laços de linhagem da família.

mão-morta: imposto pago para transferir o lote de um servo falecido para seus herdeiros. Mas o vassalo cede o feudo a seus herdeiros. OBRIGAÇÕES SERVIS: senhores e servos. moinho. banalidades: taxas pagas pelos servos pela utilização das instalações do feudo (celeiro. albergagem: alojamento e produtos para os senhores em viagem. pela prática de uma vida comum.• O vassalo só se liga assim em troca do feudo. talha: divisão da produção servil no manso servil. de uma ajuda cotidiana. em toda a sociedade. assim fixadas pelo costume. e não pode dispor dele• como uma propriedade pessoal. possui apenas o usufruto. na França . Desse feudo. A função episcopal não é mais do que um benefício investido pelo soberano e o juramento 148 . Este estabelecimento do vassalo numa terra enfraquece forçosamente a solidariedade feudal e rompe os estreitos laços que. vassalo de vários senhores: fonte de conflitos de deveres . O homem casado pode assim tornar-se. sem dúvida. o ligava ao senhor. formariage: taxa paga para se casar. capitação: imposto pago por cada servo individualmente. Atingem também a Igreja e colocam-na então sob a dominação absoluta dos príncipes e dos senhores laicos. cuja importância determina desde logo a de seu serviço militar. relações de exploração e dependência  • • • • • • • • corvéia: dias de trabalho semanal gratuito dos servos no manso senhorial  a produção era do senhor feudal. Essas práticas. entraram no século XI. tostão de Pedro: imposto pago para manter a capela. em relação a terras ou funções diferentes. forno). a propriedade real.

monges e abades. A sociedade feudal alem apresenta.102-3.William Caroll. isto é.. Origens da Idade Média. Mas. diante desse esquema. Precisamente no ano 149 . 3ed. Zahar. Demonstrando repúdio ao mundo feudal. um sentido de diocese. se comparada com a do mundo greco-romano. nelas se praticavam todos os ritos e sacramentos necessários para a vida espiritual. ocasionou a perda absoluta de liberdade e de disciplina... traços acentuadamente originais.. desconhece-se a sua dependência com relação aos bispos e não existia. A Igreja da Alta idade Média Ao longo dos séculos a Igreja fica em poder dos leigos e estes se intrometem e a utilizam para seu interesse exclusivo. Rio de Janeiro. e sobretudo pouco eclesial. no entanto segundo “ As características típicas da idade média não fizeram o homem desse período nenos competente. na realidade. na qual os valores eclesiásticos e espirituais entram em extrema decadência. Esta ingerência dos leigos dá origem a uma situação anárquica. pois a cultura medieval.Bark. antes muito abandonado. essa multiplicação de igrejas contribuiu para levar a Igreja até o mundo rural. não raro. No século XV.. De um lado. por outro lado. de igreja local dirigida pelo bispo. As expressões Idade média e Idade Moderna foram criadas durante o Renascimento. foi redefinida” a ciência perdeu a vitalidade e a velha união com a filosofia se dissolveu[.p.Transferiram o pensamento especulativo da ciência filosófica para a teologia-filosofica“.1974..vassálico determina as relações entre sacerdotes e bispos. em paróquias. porém. Essas igrejas próprias converteram-se.] A filosofia contraiu uma nova aliança com a teologia.

a Igreja do Ocidente acolhe finalmente as antiqüíssimas crenças na presença dos mortos e na sua sobrevivência que. também se ocupar de assuntos temporais que tivessem derivação espiritual. mas também a reserva de intervenção em não poucos casos relacionados com a esfera de poder dos imperadores e reis. Isto se devia ao fato de que podia tomar decisões espirituais que tivessem conseqüências políticas e. Eles habitam num espaço impreciso entre a terra e a cidade divina. Também os bispos acabaram fazendo parte dessa engrenagem feudal: eram vassalos dos reis e. era pouco diferente da existência corporal. São os primeiros celebrados no Ocidente e nele aparecerá com clareza o reconhecimento primacial do Romano Pontífice na Igreja latina. A perda de prestígio pontifício favoreceu as pretensões de autonomia dos bispos e abades que se converteram em senhores feudais. Ali esperam de seus amigos e parentes orações e gestos litúrgicos que possam aliviar suas penas. Entre 1123 e 1215 foram celebrados quatro concílio gerais na basílica de São João de Latrão. da qual receberam nome. senhores de outros vassalos. embora invisível.mil. Cluny regulou e expandiu a liturgia em favor dos defuntos. A confusão sistemática entre os dois poderes danificou profundamente a Igreja. terminando por secularizar-se e agindo como um nobre senhor igual aos demais. O papa já se intitulava Vigário de Cristo e mantinha não somente o controle sobre a direção dos assuntos eclesiásticos e espirituais. por sua vez. 150 .

151 .

o casamento era um fato consumado ou ela podia tornar-se escrava. A nudez era considerada sagrada. enquadradas no Trivium. Nestes casos. a astronomia e a música. e prosseguia depois nas diversas faculdades das universidades: Medicina. A filosofia estava dividida nas sete artes liberais. a aritmética. As mulheres usavam sobre a túnica. os crucifixos que mostravam Cristo nu tiveram que ser recolhidos ou cobertos e recomendava-se que dormissem vestidos. A religião contribuiu tanto para a privatização do corpo que se chegou a um ponto que.Paraná A ESCOLÁSTICA O “creio porque é absurdo” de Tertuliano se transformará no “creio para entender” de Anselmo de Cantuária. usavam coletes de couro ou pele e um manto de lã. A casa era considerada o santuário da vida privada. Para manter a pureza feminina era necessário evitar o estupro e o rapto. um vestido até o calcanhar. A nudez adquiriu um caráter sexual e genital. quando não havia um consentimento. e o Quadrívíum. erguido na frente com uma corrente para que pudessem andar. no século VI. a partir de então parou-se de fazer o batismo por imersão. que incluía a geometria com a geografia. E evidente que à aparição 152 . Os cabelos femininos não eram cortados e eram presos com alfinetes. No inverno.A mulher na Idade Média mulher na idade média vive muitas vezes a margem do poder e do universo masculino porém de forma nenhuma ela deixa de participar e de interferir dentro deste universo. a retórica e a dialética e a arte de raciocinar. uma afirmação da condição de uma criatura boa dependente de Deus e só era permitida durante o banho e para dormir. a qual esta subjugada politicamente a mulher poderia apoiar a parentalha em detrimento do seu marido porém o mais comum era segundo Duby o contrário. Texto prof Luciana de Abreu Curitiba . Existiam várias leis a respeito deste delito. A formação intelectual começava nas escolas e palacianas. Direito e Teologia. com a gramática.

sobretudo quando entraram em contato com Aristóteles. mas também a metafísica. Pedro Lombardo. privado de toda independência. Paralelamente o ensino é enriquecido com novas matérias de estudo e se aperfeiçoa e se define o método que se chamará escolástico.das universidades precedeu o grande movimento intelectual de. tornou-se decisiva. encontra-se estritamente 153 . São Bernardo. foi provavelmente o filósofo e teólogo escolástico mais importante. não somente sua obra lógica. Todos os cronistas e moralistas pintavam. Já nos começos do século XII a fama de Abelardo converteu Paris no centro de instrução mais popular da França. discípulo de Santo Alberto Magno (1193-1280). do nome do papa Gregório VIL o grande movimento que introduz no Ocidente uma outra espiritualidade e afirma a independência temporal da Igreja diante dos poderes laicos. Para Santo Tomás a teologia coroa o edifício do saber e determina os setores da competência das demais disciplinas. O enorme interesse pela síntese entre o aristotelismo e o pensamento cristão reside não na sua perfeição lógica. Deste modo. a unidade do trabalho intelectual humano e a impossibilidade de uma contradição entre ciência e fé. A REFORMA ESPIRITUAL E A INDEPENDÊNCIA DA IGREJA NOS SÊCULOS X E XI Por muito tempo qualificou-se de Reforma gregoriano. Santo Tomás de Aquino (1226-1274). o clero. A tradução dos textos gregos principalmente. antes dessa reforma. Admite-se assim a relativa autonomia das ciências profanas. através da escola dos tradutores de Toledo. mas no modo com que o pensamento da cristandade ocidental reconquistou o mundo clássico grego. Santo Anselmo etc. a física e a biologia. que surge sobretudo nos séculos XI e XII com pensadores do porte de Abelardo. um quadro muito sombrio da vida religiosa. capaz de descobrir novos métodos e de empregar novos sistemas de provas. Fazendo a junção do pensamento de Aristóteles com o do cristianismo são tomas de Aquino passa a ser considerado doutor da igreja católica. dos costumes do clero e dos leigos. quadro exagerado mas que pode mesmo assim ser admitido no seu todo.

facilitando assim a penetração bárbara. No espaço de dois anos. na realidade a luta pela dominação do mundo ocidental. Surgiu uma nova visão religiosa. ORIGENS DA QUESTÃO DAS INVESTIDURAS Os dois aspectos da reforma religiosa. místico. animados por uma pobre vida espiritual. voltada ao imaginário popular com a idéia de uma cidade celestial. capaz de desafiar o poder político dos soberanos. Esse clima religioso novo fornece ao papado um poder espiritual mais forte. ao se falar de “questão das investiduras”. são indissociáveis. fazendo crescer o domínio da igreja sobre as pessoas. na ausência da proteção que partia do Império. após o século III quando começam as invasões bárbaras. conselheiros do papa). Esta atitude provoca vivas reações no Imperador Henrique IV e anuncia o início da questão das investiduras. por causa das construções das estradas que levavam diretamente ao centro da cidade. cuja escolha recai freqüentemente em personagens indignos. A arte românica Com a decadência da vida urbana de Roma em sua grande fronteira. Gregório VII. reflorescimento espiritual e libertação da tutela dos leigos. levantando questões como a doença física que se converte em saúde espiritual ( mostrando principalmente as dificuldades enfrentadas pela população). Pode-se dizer que o divino 154 . já sustentáculo de vários papas. Nicolau II faz promulgar os célebres decretos que confiam doravante a escolha do soberano pontífice aos cardeais da Igreja (bispos da Cúria romana. afirma prontamente após sua eleição a independência da Igreja. essa escolha foi aclamada pelo povo de Roma e o imperador mantinha somente o direito de confirmação. faz proclamar a queda de todos os prelados que havias obtido seus cargos em troca de dinheiro e condenar formalmente as investiduras episcopais s concedidas pelos leigos.submisso aos príncipes e aos senhores. valorizando a fé. inteiramente devotado à reforma espiritual do clero. mas cômoda. A luta entre o papado e o Império. Proclama pessoalmente o primado absoluto de Roma sobre a Igreja e o conjunto da cristandade. que se resume de uma maneira bastante arbitrária. abrindo mão de seus bens. acendeu-se de maneira decisiva nos pontificados de Nicolau II (1059-1061) e de Gregório VII (1073-1085).

Esses valores podem ser resumidos na caridade como lei fundamental de salvação. na maior parte apenas descobertos depois do início desse século. mesmo sendo uma construção de origem pagã. um comércio gerando uma troca de mercadorias e uma possível troca de moeda. e surgindo com isso a questão da segurança e o surgimento de uma nova concepção de cidade. fazendo migrar para o campo. 155 . a perseguição religiosa que acontecera. podendo até tornar-se independente no seu sistema de governo. fazendo crescer as reuniões em esconderijos. ou seja. afim de abrigar um número maior de fiéis. que comungavam com eles. Com isso surgem as catatumbas (cavernas no subsolo onde aconteciam essas reuniões). mas pertencendo ao poderio real. corresponde. ou seja. dando abrigo aos que mereciam. das expressões artísticas próprias dos reinos bárbaros da alta Idade Média e da arte cristã do Oriente. onde dentro de um anfiteatro surgia a primeira igreja cristã. surgem as colônias monásticas com a idéia de acolher os pobres (esse tipo de trabalho era obrigação moral destas instituições). na mesma época. exemplo o Templo de Antônio e Faustina em Roma vai dar lugar a Igreja de São Lourenço. Com o avanços das invasões bárbaras a vida urbana torna-se um perigo constante. em seus muros e abobadas de pedras talhadas. Porém. um reflorescimento artístico. alguns edifícios romanos vão tornar-se igrejas. Com a mesma idéia. onde terá um prédio central e em volta uma nova vida “urbana”.sobrepunha o humano. “Arte românica”. claramente distinta. ou em seus afrescos murais. renovava algumas tradições antigas de Roma e. tornandose uma micro região. Tal modelo será a semente urbana do feudalismo medieval. de qualquer maneira. Talvez a questão levantada em uma estrutura feudal com imposição religiosa de fazer a caridade e com isso obter como resultado a salvação do homem. Com essa idéia o cristianismo impõe seus valores afim de diferenciar os homens de fé dos pagãos. pois. que penetra todos os meios. que encontra sua mais bela expressão nas grandes abadias românicas. em seus extraordinários adornos de tímpanos e de capitéis esculpidos. se deveu a uma filosofia contrária a do imperador. A essa renascença espiritual. porém outras construções que tinham destino impuro não eram recomendadas a tais encontros. afim de converter os cristãos. Um exemplo de aproveitamento de espaço foi em Metz. talvez oposta.

Os tempos em que papa e imperador lutavam pela dominação do mundo cristão do Ocidente terminaram. os muçulmanos sobretudo. Entretanto. novos itinerários. o governo dos príncipes e a centralização administrativa chocam-se. O soberano pontífice exerce seu poder temporal somente em pequenas províncias e o prestígio pontifical abalado por numerosas desordens e questões. seja por revoltas regionais. O interesse das cruzadas não estava somente nas aspirações políticas e nas expedições dos barões. A vitória de Carlos Martel em Poitiers foi aclamada com entusiasmo. A autoridade do rei defronta-se sempre com vivos sobressaltos de particularismo que se traduzem. desde o século IX e por vezes mesmo mais cedo. com a oposição dos Nobres e mesmo das Comunas que defendem seu direito de outorgar e de receber subsídios. O primeiro grande empreendimento provocado pelas pregações de Urbano II. reúne elementos pobres conduzidos por 156 . No século XV os soberanos do Ocidente lutam pela centralização de seus reinos.UNIDADE DIDÁTICA X . pesaram profundamente sobre a vida dos cristãos do Ocidente. adaptam-se a novas formas de atividade econômica: novos tipos de tráficos mercantis.A BAIXA IDADE MÉDIA INTRODUÇÃO As sociedades urbanas. financeiras e bancárias diferentes. em 1095. AS CRUZADAS NO ORIENTE A idéia de Cruzada A resistência e a luta armadas contra os infiéis . nos séculos XIV e XV. seja pela afirmação de verdadeiras autonomias provinciais. No entanto a Cruzada na Terra Santa parece intimamente ligada ao dever de peregrinação ao santo sepulcro em Jerusalém. mas também um imenso entusiasmo popular que lança nas direção de Jerusalém massas de homens. 1 . técnicas comerciais. na principalmente.

A predicação dos eremitas atinge agora os pobres das zonas rurais e provoca impulsos de piedade. destituídos de recursos. burgueses ou camponeses. o Eremita. espera do Messias. uma ajuda indispensável. mas todos armados. uma promessa de restituição das terras e das cidades retomadas aos muçulmanos. os 157 . conduzida por Pedro. o Eremita. cometem terríveis excessos ao longo de todo o percurso. Conseqüentemente. de fato. depois obtém. o imperador de Bizâncio exige. progridem bem mais lentamente. da Lorena.  A PRIMEIRA CRUZADA (1096-1099): (Cruzada dos nobres): Cruzadas dos barões. procura da salvação pessoal pelas obras e a peregrinação às fontes do cristianismo. as diversas levas de guerreiros partidas do Norte da França. A Cruzada popular e a idéia de Cruzada nasceram desses impulsos místicos: serviço de Deus. para a construção dos castelos. Desde a chegada em Constantinopla. os mulçumanos os exterminam logo no primeiro combate. • AS CRUZADAS E ESTADOS LATINOS NA TERRA SANTA  A PRÉ-CRUZADA (1096): (ou cruzada dos Mendingos) Cruzada popular. Alguns permaneciam no local: pequenos cavaleiros. massacram os judeus nas cidades alemãs.Pedro. da Normandia e da Itália do Sul. e nas crônicas e relatos da época fala-se da santa viagem a Jerusalém. quando passam para a Ásia. Na realidade a Cruzada renovava-se quase anualmente. estes serviam algum tempo nos exércitos do reino e forneciam. A cidade cai em 1098 após um longo cerco. resulta num malogro dramático: os bandos de pobres. pilham as aldeias. os êxitos militares dos cruzadas provocam o estabelecimento de quatro Estados latinos no Oriente: O principado de Antioquia. na primavera. Mas. emprega-se a denominação de peregrino para designar os Cruzados do povo. domésticos. com a chegada dos navios de peregrinos.

a conquista das outras cidades foi freqüentemente penosa e longa: vinte anos de lutas obstinadas paro barrar aos egípcios a pista do Sul (construção de castelos fortificados) e investir. em Ascalon. 158 . enfraquecido pela morte do jovem rei leproso Balduino 1V (em 1185) ‘e pela de seu filho ainda criança. esta ofensiva ocorre igualmente. em toda parte. o recuo dos latinos e desordena o mapa político da Terra Santa. reduzido às cidades da costa. Em 1182.  A SEGUNDA CRUZADA (1147-1149) : As duas grandes expedições de reforço. DO Sacro Império deve abandonar o ataque a Damasco. esse condado se encontra reunido ao principado de Antioquia. as cidades da costa. subjugar urna a uma. Tiro somente em 1124. O principado de Edessa confiado. e transportados desmontados através do deserto. Balduino V. a Balduíno I de Bolonha. seu irmão Balduíno proclama-se rei (em 1100). São João de Acre cai somente em 1104. toma-se então a capital de um segundo reino de Jerusalém. Batidos em Hatfin (1187). vassalo do Reino de Jerusalém. Luis VII E CONRADO III. Em 1176. Conquistada em julho de 1099. graças às frotas italianas. Em 1144. Entretanto.cruzados se recusam devolvê-la aos bizantinos. mas por ocasião de sua morte. A expedição ataca os comboios de peregrinos e ameaça Meca. conde de Toulouse. é enfeudado a Reinaldo de Châtillon que dirige audaciosas campanhas contra as rotas e as cidades dos muçulmanos. O condado de Trípoli ocupado em 1109 e dado a Raimundo de Saint-Gilles. os cristãos apenas definham a rota da cidade santa. o senhorio. São Jõão de Acre. O reino de Jerusalém. Godofredo de Bulhões assume somente o título de “advogado do Santo Sepulcro”. após urna crise de sucessão. após dura campanha e um cerco difícil. pouco modificaram a relação das forças e resultam ambas em insucesso. lançadas do Ocidente no século XII. sofre a ofensiva de do chefe mulçumano Saladino. Em 1187. O reino de Jerusalém. os francos perdem Jerusalém. lança no mar Vermelho navios fabricados no Mediterrâneo. o Estado de Antioquia mantêm-se até 1268. a cidade toma-se desde logo a capital política e religiosa dos latinos. Sídon e Beirute em 1110.

em 1229.  CRUZADA DAS CRIANÇAS (1212). mas. apresenta-se como o resultado inevitável de uma séria deterioração das relações entre gregos e latinos. Explica-se ela facilmente porém pelo contexto político do momento. nem todos os empreendimentos dos cruzados no século XIII visam retomar as terras perdidos da Palestina. A TERCEIRA CRUZADA (1189-1192) (a Cruzada dos Reis) : No mesmo momento. à frente de um poderoso exército . mas somente por algum tempo: a cidade cai de novo em 1244. a Cruzada dos dois reis do Ocidente. Um movimento extra-oficial originário na crença de que apenas almas puras poderiam libertar Jerusalém. Mais tarde. certamente permite. Filipe retorna muito rápido à França e. aos francos ocuparem Jerusalém. entre os quais a entrada em Jerusalém. francos a tomarem uma cidade cristã mais do que a atacar as regiões do Islã. Apesar da oposição de setores da Igreja e do próprio Papa Inocêncio III. que durou até 1261. Ricardo deve negociar com Saladino um acordo sobre as peregrinações na cidade santa (1192). romper as forças vivas dos inimigos dos latinos. tanto bizantinos como muçulmanos. rei germânico. que levou os. afoga-se quando tenta atravessar um rio. Frederico BarbaRoxa. apesar de alguns grandes feitos de armas sem conseqüências. mais do que isso. a cruzada ocorreu mas as crianças foram capturadas 159 . conquistar outros impérios. comprometida pelas rivalidades que opõem os dois príncipes.  A QUARTA CRUZADA ( 1202-1204). retarda-se. a expedição de Frederico II fica sendo sobretudo um empreendimento diplomático.(o saque a Constantinopla):De fato. A expedição de 1202 que acaba com a tomada de Constantinopla foi freqüentemente apresentada como desvio da Cruzada do Oriente. Em 1190. Esta situação levou os cristãos a saquear Constantinopla e a fundarem o Reino Latino de Constantinopla. Filipe Augusto e Ricardo Coração de Leão.

 A QUINTA CRUZADA (1218-1221): idéia de atacar o Islã em suas cidades fortes. Não é lá uma criação perfeitamente originaL Em todas as regiões muçulmanas. voltado para o Egito. pelo espírito que anima o soberano e por seus objetivos políticos. A segunda Cruzada de São Luís contra Tunes (1270). 160 . a primeira cruzada de São Luís (1248-1254). Tratava-se sempre de manter a dominação franca nas costas da Palestina e favorecer a peregrinação a Jerusalém. Mas. ocupado em fortificar a região e. impunha-se desde há muito tempo. A cruzada francesa de 1270 é assim apenas um simples episódio dessa política de conquista. Dirigida por André II da Hungria.  A SETIMA E OITAVA CRUZADA (1248 e 1270) : De fato. O ataque encontra-se.pelos mulçumanos e vendidas como escravas. em impor a paz às facções rivais. às custas dos muçulmanos de Tunes dos bizantinos. e foi comandada por Frederico II. insere-se ainda na tradição das cruzadas do século XIII. suas capitais políticas e militares. após o fracasso de tomar o Egito. esta Cruzada insere-se simplesmente num ambicioso programa de conquista de uni vasto império mediterrânico. desta vez. a quinta cruzada não teve o efeito esperado mas deixou as bases estratégicas para as ultimas cruzadas. combatentes da fé fechavam-se em conventos fortificados — os ribat — para defender as fronteiras e combater os infiéis. • AS ORDENS MILITARES Respondem também às necessidades de defesa. mais ainda. bastimte estranha ao espírito dos primeiros cruzados.  A SEXTA CRUZADA (1218-1221): Realizou acordos diplomáticos com os turcos. o rei alcança a Terra Santa onde reside cerca de quatro anos.

Desde os inicias da conquista. Os Hospitalários. e os hospedar daí seu nome. espécie de letras de câmbio. entre elas a de Saphet com 1 700 soldados. para alimentar os pobres viajantes. que lhes concede. fortunas consideráveis. ao sul de Haifa. servidos por um escudeiro. também. 161 . em 1139. perfeitamente treinados e auxiliados por mercenários muçulmanos a soldo. a ordem dos Templários. eles entregavam aos peregrinos. Reúnem assim feudos e territórios imensos. em Jerusalém. Os Templários constroem. os Hospitalários possuem uma casa da ordem em cada cidade e numerosos feudos com castelos. o Templo e o Hospital mantêm por longo tempo a idéia de cruzada e de ordem cavalheiresca. mais tarde forneceram-lhes empréstimos hipotecários. no Oriente e no Ocidente. toda a parte norte do condado de Trípoli os Templários mantêm aí 20 fortalezas. apresentado no Concílio de Roma em 1128. em Paris e em outras cidades do Ocidente. fundado outrora. No fim do século XII. abadias. diferentes privilégios entre os quais a isenção episcopal. Hugo de Payens. as ordens da Terra Santa colocam-se a serviço dos peregrinos. Seus êxitos e seu prestígio lhes valem. organiza uma força militar para guardar as estradas e os acampamentos. Formam cada uma um corpo sólido de 200 a 300 cavaleiros. inspirada na de Santo Agostinho. e sua autoridade a do patriarca de Jerusalém. redigem sua regra. mais tarde. na Europa. Enquanto na Terra Santa seu poder ultrapassa o dos barões. asseguram seu alojamento e sua segurança. aldeias e terras. a mais. escudo triangular. Os Hospitalários instalam-se no hospital São João. pagáveis em Jerusalém. Os estatutos dos Templários. No principado de Antioquia. títulos. Em 1118. possuindo cada um três cavalos. um cavaleiro da Champagne. vasto campo de abrigo fortificado. massa de armas). no Ocidente. O rei e os príncipes confiam-lhes a guarda dos principais castelos: Gibelin aos Hospitalários. foram aprovados por Inocêncio III. Suas primeiras operações financeiras estiveram. nome derivado do Templo de Salomão. ligadas às viagens na Terra Santa. em Jerusalém. seus companheiros deveriam formar. aos Templários. o Castelo-Peregrino (Athiet). bem armados (lança. Gaza aos Templários. inspirados por São Bernardo. em 1120. vários milhares de castelos pertencem. na costa.

2. O RENASCIMENTO COMERCIAL E URBANO O FIM DA IDADE MEDIA NO OCIDENTE: ECONOMIAS, SOCIEDADES, CIVILIZAÇÕES Os dois últimos séculos da Idade Média haviam conhecido terríveis dificuldades, verdadeiras catástrofes demográficas, financeiras, econômicas. Seguia-se, após o período de euforia e de expansão dos séculos XI-XIIl, uma era de contração, de recessão geral. Portanto umas mudanças bem claras da conjuntura, que se situava, o mais freqüentemente, no último terço do século XIII. A “depressão” do século XIV não teve em toda parte nem a mesma amplitude nem a mesma duração, as Grandes Descobertas, a expansão marítima e colonial eram forçosamente a obra, não de regiões arruinadas e enfraquecidas, mas de regiões ricas em homens e em espírito de empreendimento. No Norte mesmo, pode-se também chamar a atenção para o desenvolvimento econômico da Inglaterra e da Holanda, para a espantosa prosperidade de algumas cidades alemãs. • AS TRANSFORMAÇÕES DA ÉPOCA

Na França, os infortúnios introduzidos pelas novas formas de guerra inglesa que, interrompida certamente por numerosas tréguas, eternizam-se e abandona as zonas rurais aos bandos de mercenários, companhias de assaltantes de estrada, de aventureiros. Derivam disso as pilhagens, os roubos, as destruições de aldeias. Disso também provém à fuga dos camponeses, as massas errantes nas estradas, a insegurança, o banditismo crônico. Bandos de fora-da-lei, antigos soldados desertores, contrabandistas e caçadores-ladrões, aldeões escapando do imposto ou do serviço militar real, tomam a floresta na Normandia e nas as terras incultas. Levam aí uma vida instável e precária, reúnem-se aos carvoeiros, catadores de madeira, lenhadores, e fazem pesar sobre as terras cultivadas, sobre as aldeias e mesmo sobre as cidades, uma ameaça constante. O folclore da época, as crônicas, as miniaturas e os afrescos mostram por toda

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parte cidades eriçadas de torres, aldeias em fogo e em ruínas, homens desolados pelas devastações da guerra. A GRANDE PESTE Há fome em vastas regiões, em toda a França e mesmo nos países vizinhos; entretanto, esse esquema não pode aplicar-se ao conjunto do Ocidente. Porem a grande epidemia de 1348-1349, chamada freqüentemente de a Grande Peste ou a Peste Negra, foi, indubitavelmente a mais grave das catástrofes que conheceu o Ocidente cristão. Trazida do Oriente, por marinheiros genoveses, para a Sicília e a Toscana, abateu-se sobre populações mal preparadas para enfrentarem essa nova forma de doença e propagou-se rapidamente por toda a Europa, até a Inglaterra, a Alemanha e a Escandinávia. As epidemias antigas, as que, em intervalos regulares, atingiam outrora os países europeus, eram formas bubônicas da peste; transmitiam-se pelos ratos doentes e pelas picadas de pulgas. Em 1348, a peste apresenta, além disso, uma nova forma, ainda desconhecida, ao que parece, no Ocidente: infecção pulmonar que evolui muito mais depressa e se transmite bem mais rapidamente, pelo ar. Derivam disso os assustadores progressos do contágio e o número elevado de vítimas. De qualquer maneira, os homens não conheciam outro remédio a não ser o de isolar os núcleos contaminados e, posteriormente, o de fugir das cidades. A brutalidade do ataque, o caráter inelutável da moléstia, interpretada logo como um castigo de Deus, e desenvolveram, entre o povo principalmente, um misticismo exacerbado ou mesmo algumas práticas supersticiosas. Chega o tempo das grandes procissões expiatórias; os Flagelantes, grupos de penitentes, numerosos sobretudo na Alemanha. Ë impossível, naturalmente, calcular as perdas humanas para todo o Ocidente. Numerosos trabalhos permitem, entretanto, assinalar a gravidade bastante desigual da catástrofe. As cidades, sem dúvida, sofreram mais que as zonas rurais. Nas cidades, os bairros pobres, onde a densidade humana era a mais forte, a higiene mais primitiva, foram os mais castigados. Na zona rural, a peste atinge com mais freqüência às planícies povoadas do que as montanhas. Pode-se assim admitir que algumas regiões isoladas permaneceram completamente à margem do flagelo. No total, mais de um

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terço da população desapareceu. Entretanto, a desaparecimento de um número considerável de homens provocou, freqüentemente, uma redistribuição das heranças e das fortunas: permitiu, para os sobreviventes, uma alimentação mais abundante. Por outro lado, eliminou os obstáculos econômicos e financeiros que, nas zonas rurais pobres se opunham aos casamentos precoces. Nos anos que se seguiram a 1348-1349, a taxa de matrimônios e de natalidade eleva-se muito rapidamente e as perdas foram, sem dúvida, depressa compensadas. O importante é que esse retornos da peste jamais tiveram, do ponto de vista geográfico, a amplitude da epidemia de 1348. Grassou em regiões bem limitadas e, principalmente, de maneira bastante irregular. Nem todas as regiões foram atingidas tão amiúde nem tão gravemente. Segundo a freqüência e a intensidade desses retornos da epidemia a recuperação demográfica foi mais ou menos precoce e rápida. Mas não é facilmente mensurável.

Resumindo — A Grande Peste marcou, quase em toda parte, uma suspensão brutal da expansão demográfica; — A segunda metade do século XIV conheceu, de uma maneira bem desigual, forte contração demográfica e numerosos distúrbios econômicos; — A recuperação, demográfica e econômica, se situa em data bem variável segundo os países.
OS NOVOS COMËRCIOS O tráfico mercantil, então, não é mais “medieval”, no sentido corrente do termo, mas se organiza em outras bases e numa escala bem mais ampla. A evolução diz respeito inicialmente à natureza dos produtos transportados. Os mercadores da alta Idade Média, mais tarde aqueles ainda do tempo das Cruzadas, interessavam-se principalmente pelos produtos de luxo, que valiam

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fortunas num pequeno volume, capazes de absorver consideráveis custos e de proporcionar importantes benefícios. Nos Séculos XIV e XV ocupam-se de mercadorias pesadas, relativamente baratas. Se o comércio das especiarias e das sedas sempre se mantém, os produtos de pouco valor se constituem agora no essencial dos carregamentos e viagens de um extremo a outro do mundo conhecido. Os portos da Itália recebem trigo do mar Negro e das planícies da Alemanha do Norte. Os vinhos de Creta e da Andaluzia atingem Bruges e Londres. A Espanha despeja seus jarros de azeite no Oriente. As frotas de Dantzig, todo ano, vão abastecer-se de sal em Setúbal, em Portugal. Principalmente, o desenvolvimento da indústria de tecidos mais baratos provoca uma crescente demanda de matérias-primas: lãs da Espanha, algodão do Oriente, produtos de tinturaria.

Burguesia: “Classe social composta dos proprietários do capital que vive dos rendimentos por eles gerados. Pertencem à burguesia os industriais, os comerciantes, os banqueiros, os empresários agrícolas e os donos de empresas de serviços”.Novíssimo dicionário de economia. Paulo Sandroni
editora Best Seller.

Essa evolução é rica em conseqüências, as simples galeras mediterrânicas, movidas a remo, leves e rápidas, mas de pequena tonelagem, sucedem-se inicialmente as galeras mercantis com dois mastros que carregam cerca de 150 toneladas de mercadorias. posteriormente as grandes naves. Essas naves, de origem atlântica e introduzidas no Tirreno sem dúvida pelos bascos, atingem dimensões imponentes (um mastro central de 40 a 50 metros!) e podem carregar 1 000 toneladas ou mais. Desafiam as tempestades e os piratas, navegam facilmente em alto mar e, mesmo, graças aos seus três mastros e cio seu velame bastante diversificado, avançam com ventos contrários. Enquanto Florença, sempre muito ligada ao comércio das especiarias, arma apenas galeras, Genova, que se interessa pelos produtos

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de luxo. no século XV. só arma naves. AS TËCNICAS. mas sua eficácia é a mesma e correspondem a mentalidades claramente capitalistas. É necessário evitar as perdas de tempo e os riscos de naufrágios na proximidade das costas.pesados. fazer o balanço de uma operação em curso ou terminada. Não se pode. a cada momento. Deriva disso uma forte concentração do tráfico em proveito de algumas regiões marítimas. O uso do cheque e da letra de câmbio expandese amplamente. A exploração desses grandes navios impõe novas restrições. o que permite. Características As contas. e as naves para o algodão ou os vinhos. As principais inovações dizem respeito principalmente: Inovações À contabilidade. 166 . pois representa. precisar o estado das dividas e dos créditos de um cliente. as técnicas e as formas de associações do capitalismo moderno. Sem dúvida. encruzilhadas mercantis. um capital considerável. cada um. A transmissão dos créditos é A moeda. públicas ou privadas. essas técnicas diferem por vezes das utilizadas atualmente. Parecem ser principalmente um remédio diante da penúria de metais preciosos e reduzem assim as desvalorizações monetárias. do ponto de vista jurídico e formal. como outrora. O CAPITALISMO Pode-se afirmar que numerosos mercadores utilizam. centros de entreposto e de redistribuição. fazem-se. Veneza utiliza as galeras para os tráficos antigos. Este aparece bem antes do Renascimento. agora por partidas dobradas. Diferentes procedimentos permitem evitar o manejo de peças metálicas e a perda de dinheiro. bem antes do comércio com as indias e do desenvolvimento de Antuérpia ou de Amsterdã. multiplicar as escalas e alcançar todos os portos.

. os homens de negócio imaginam novos processos. O recâmbio consiste em reexpedir um câmbio a um curso diferente do válido no momento: esta diferença representa o beneficio do emprestador. Se o empréstimo sobre penhor continua sendo uma operação reprovada pela Igreja . Essa prática do recâmbio. asseguram as operações de câmbio. A fim de contornar as proibições eclesiásticas.o banco. efetuam transferências de contas para seus clientes. da lã na Inglaterra. Na Itália. destinados a diversos fins. Londres. O comerciante empresário domina toda a 167 . os bancos públicos. Os bancos privados. recebem depósitos. muito divulgada na Itália no século XV. já no fim do século XV. distribuem dividendos anuais. O crédito As companhias de feita com facilidade seja pelas transferências de contas. para cada título da divida pública A prática de venda a prazo e com base em amostras estende-se a importantes comércios. depois das feiras de câmbio que conheceram. aonde eram enviadas as letras de câmbio (Bruges. do açafrão em toda a Europa ocidental. letras ou títulos. pois a atividade dos homens de negócio jamais é especializada. muito numerosos e controlando várias filiais nas regiões estrangeiras. sempre em vigor contra a usura. concedem empréstimos.o empréstimo para negócios generaliza-se entre os mercadores. Controlam também importantes companhias de comércio. seja pelo endosso de cheques. uma atividade considerável. fez a fortuna das praças financeiras correspondentes. associações de credores do Estado. Sevilha).

para as cidades da Itália. durante anos. A fuga para a cidade é. de uma maior liberdade. acham-se muito mal integrados na cidade. Mas os artesãos das pequenas oficinas de tecelagem. é necessário também salientar que essas famílias. nas cidades livres. mal paga. do século XIII ao XV. se enriquecem. Mas esses recém-chegados. trabalham por peça e percebem somente um salário correspondente à sua produção. da vida política e social. sua família. capitalista.comércio indústria. modificam as formas de seu governo. nas cidades do Ocidente e mesmo na Itália. 168 . por vezes. a sociedade urbana longe de se congelar em castas ou classes rígidas. que possui todas as matérias-primas e distribui o trabalho em todos os estágios da fabricação. Diversificam suas atividades. suas estruturas sociais e mesmo. de contribuições novas. capitão de indústria. freqüentemente sem raízes. no fim da Idade Média. antes. EVOLUÇÃO DAS SOCIEDADES URBANAS As cidades. um meio de escapar as pressões senhoriais. para os camponeses das cercanias. então. da Alemanha ou da França mesmo. por exemplo. acolhem numerosos imigrantes. não encontramos. fiação ) dependem ainda mais do comerciante. Indubitavelmente. que conservam certamente o mesmo nome. O desenvolvimento da indústria têxtil atrai. homens provenientes das zonas rurais à procura de melhores salários ou. Entretanto. Formam uma plebe instável. Não participam de forma alguma. A revolução política do fim da Idade Média não se traduz forçosamente. de evitar a volta às antigas servidões. sua comunidade aldeã. Estudos históricos demonstraram que as mesmas famílias detêm riqueza e poder durante gerações. os que operam a domicilio e se dedicam a tarefas mais rudimentares (lavagem. por meio de alianças ou adoções. que a menor crise econômica reduz ao desemprego e à miséria. sem interrupção. qualquer fábrica. por uma renovação da classe dominante. que abandonaram sua paróquia.

quase em toda parte.mantém-se ainda como um mundo novo. a criação. os senhores dos grandes domínios tinham abandonado a exploração direta do solo. alugado ou cedido suas terras. desde o fim do século XIII. ativo. abandonam seus bens para correrem as estradas ou se refugiarem nas cidades. seguem o desenvolvimento dos latifúndios. As casas e a igreja caem em ruínas. na Europa ocidental. DIFICULDADES ECONÓMICAS. De fato. reúnem terras imensas e. tomam novamente conta dos campos cultivados. AS ALDEIAS ABANDONADAS O abandono das aldeias antigas parece. a extensão abusiva dos terrenos para pastagens. outorgados. Os matagais e os espinhais. bem depressa se especializam na criação de ovelhas ou gado. sedentária aqui. os abandonos das aldeias foram mais provocados por uma severa reorganização da economia agrária. São agora apenas aldeias desertas. É então que desaparece a pequena propriedade. Na Inglaterra. apagam os caminhos e os limites das parcelas de terreno. largadas ao abandono. Esses grandes domínios. e se contentavam em perceber rendas anuais. A REAÇÃO SENHORIAL É inexato dizer que. por razões políticas. o mais das vezes. na Alemanha mesmo as florestas. Importantes 169 . sublinha então os progressos da economia de cereais. Essas transformações da vida agrária e o abandono das aldeias não são sempre sinais de empobrecimento econômico. pelos soberanos a seus fiéis após as expedições da Reconquista ou das guerras civis. Os camponeses fogem de suas terras. O reagrupamento dos habitantes em aldeias maiores. provoca certamente o abandono de inúmeras aldeias mas enriquecem da mesma forma as zonas rurais. ser o aspecto mais espetacular das transformações da economia agrária. submissos à autoridade do barão. No Sul. cercadas de bairros com campos compactos. Daí a fuga dos camponeses para as cidades ou seu agrupamento em grandes burgos fortificados. as devastações dos campos arados pelas tropas que descem das montanhas no inverno. vazias de homens. Daí a ruína das atividades agrícolas tradicionais.

Mas este senhorio rural. Tentam. granjas para suas colheitas. as rendas habituais do senhorio diminuem.senhorios são mantidos sempre na França do Norte e do Sul. aplicam à gestão de suas terras rigorosos métodos que lembram os da indústria e do comércio. empregam grupos de trabalhadores agrícolas. um retomo aos antigos salários. atinge a todos em todas as épocas do ano. somado a isnto as revoltas de camponeses livres. Isso explica o aspecto religioso. se deixam de exigir corvéias camponesas. por vezes. pois esta nova imposição. Dessa forma esses senhores tentam compensar suas perdas e a escassez de suas rendas elevando mais as taxas pessoais sobre os camponeses. numerosos edifícios de exploração. uma ligação estreita entre as revoltas 170 . dessas sublevações agrárias e. tropas. agravados ainda pelo peso considerável do imposto real. Os Nobres. senhores de suas terras. Os chefes proclamam bem alto a igualdade dos homens e o respeito à dignidade humana. na Inglaterra. frutas. Inicialmente devido ao aumento considerável das despesas pois o estilo de vida dos senhores rurais evolui de urna maneira radical decisiva. que se rebelam contra os novos atentados à sua liberdade pessoal. afortunados. é vítima de um desequilíbrio financeiro. amêndoas. possuem grandes reservas. da madeira ou do ferro. Na mesma época. as vestes de veludos. até mesmo bois. suscita descontentamentos. o abandono de suas propriedades. O aumento dos impostos dá o sinal para a revolta em homens já exasperados pelas tentativas do senhor de limitar seus direitos. impor. na Europa ocidental. sistemática e cega. REVOLTAS SOCIAIS A “reação senhorial” sobre os camponeses. também. Os grandes levantes rurais ocorrem portanto graças à fome e a miséria. óleo. nitidarnente marcado. As contas dos senhorios demonstra que os senhores compram muitos produtos importados principalmente para a alimentação: especiarias. Os preços dos cereais e dos produtos agrícolas mantêm-se estacionários ou sobem mais lentamente que os dos utensílios. de pobres e de deserdados. os costumes de belo tecido custam fortunas. azeitonas. desejosos de mudar para as cidades. Proíbem aos camponeses. com o apoio do rei. proprietárias dos grandes domínios.

Na Alemanha também. Desenvolvem-se também as culturas de plantas têxteis e de tinturarias: o linho e o cânhamo nas planícies alemãs e nos vales da França.populares nas zonas rurais e as heresias. para construir mais casas. a ação das cidades traduz-se por uma sensível especialização comercial. em toda parte. alimentar as novas indústrias do fogo (forjas e vidrarias). a garança e o açafrão. a fim de responder às necessidades do mercado urbano. onde as Comunas se esforçaram muito cedo por dominar o distrito rural Entretanto. É assim que se afirma. comerciantes de Londres. É o momento em que os comerciantes dos centros urbanos compram florestas e empreendem sistematicamente o reflorestamento das montanhas vizinhas. na Itália e mesmo na Espanha. esse avanço das cidades provoca. ferreiros. Do ponto de vista econômico principalmente. entretanto. a fim de libertar as terras de todos os direitos feudais e das antigas restrições. lutam contra os senhores. os burgueses compram terras e mesmo direitos aos antigos mestres. assim como às do grande comércio internacional. proteger o povo. cidades de todas as categorias estendem sua influência às zonas rurais vizinhas. desordens de todas as espécies. o movimento de emancipação rural dirigido ou apoiado pelos burgueses das cidades que. Esta influência. nas zonas rurais. a que anuncia que o imperador Frederico II deve aparecer novamente. lançar grandes navios. assegurar a exploração de minas mais profundas que outrora. mais ainda homens da lei. combater seus inimigos. tomam-se compradores de propriedades senhoriais inteiras. 171 . nas quais a separação entre a cidade e a zona rural jamais foi muito clara. do Apocalipse e de um messias que viria salvar os homens. marcineiros. INFLUËNCIA DAS CIDADES: ASPECTOS SOCIAIS Desde o século XIV. Todas essas sublevações populares parecem profundamente marcadas por uro vivo sentimento messiânico: a espera do fim do mundo. Na Inglaterra. parece ser muito forte sobretudo nas regiões mediterrânicas. O desejo de retornar aos tempos melhores alimenta lendas tenazes: a que afirma que os primeiros povos eslavos levavam uma vida estritamente comunitária sem senhores.

É a época em que o homem procura uma religião mais humana. A ARTE DAS CORTES E DAS CIDADES Os artistas. inspira vivas devoções populares à Virgem. Mas esse movimento dos enclosures. precipita o abandono das aldeias e transforma de maneira decisiva a paisagem rural. Esta fé bem diferente. ligado à angústia. O SENTIMENTO RELIGIOSO E SUAS EXPRESSÕES Desde a primeira metade do século XIV. os pintores e os joalheiros não são mais monges. sobretudo nas cidades. possuem bens e terras. condenadas formalmente pelos papas ou pelos concílios. Por outro lado. de qualquer maneira.O desenvolvimento da criação parece ainda mais espetacular. deriva disso o culto da Virgem da Misericórdia que abriga todos os homens sob seu manto. Os miniaturistas. Os açougueiros exercem uma influência política considerável. as esculturas e os afrescos contentam-se em mostrar os assuntos familiares próximos ao Cristo e à Santa Família: assim nas cenas. do Natal. as poesias. em Paris). pode-se notar uma evolução muito sensível do sentimento religioso. também os incontáveis Milagres da Virgem que liberta as almas pecadoras e desesperadas. mas principalmente após a Grande Peste. A demanda de lã e de carne de corte aumenta. mas artesãos agrupados em corporações de oficiais e em bairros especializados (assim. das quais se encontra uma reprodução impressionante nos quadros de Jerome Bosch. da Anunciação. de uma menor coesão das comunidades rurais. tão numerosas então. mais complexa. para outros clientes. bruxarias. Os senhores. aproveitaram-se do despovoamento das aldeias. um Deus mais próximo. A exasperação do misticismo conduz por vezes a superstições. trabalham também segundo outros métodos. 172 . trabalham para os príncipes e os burgueses. da Visitação. Mas. geralmente. mais pessoal muitas vezes. dá testemunho de um vivo impulso místico. agora. à freqüência da morte e dos infortúnios. aos santos protetores e curandeiros. práticas mágicas. por sua vez. mais familiar.

as artes de ornamentação e de recreio: móveis. pináculos e pequenos campanários. retratos em tela. os mestres-de-obras acrescentam. algumas dezenas de anos mais tarde. abaixam e ornamentam os centros das abóbadas que pendem à maneira de estalactites. inicialmente. iluminuras dos Livros de hora). A FORMAÇÃO DAS MONARQUIAS NACIONAIS OS ÓRGÃOS DO GOVERNO CENTRAL 173 . hexágonos). O frontão triangular do portal. no campo. EVOLUÇÃO E PERMANËNCIA DO GÓTICO Uma nova forma do gótico desenvolve-se inicialmente na Inglaterra. . pela procura de temas que narram ainda os fastos em desuso da vida senhorial: caçadas. flechas. Triunfa em seguida. No interior das igrejas o impulso em altura exaspera-se com a supressão do trifório. Os pedreiros. freqüentemente originais. composições musicais para as capelas dos príncipes. nas cidades e. retratos esculpidos na pedra ou no mármore dos túmulos. na França com o estilo fiamboyant que parece ser bem a expressão mais característica dessa nova corrente. tão alto. tapeçarias. balaustradas cinzeladas. enfim. Afirmam-se. carregam entretanto os monumentos religiosos e civis de uma profusão de decorações e inventam linhas bem mais complexas e audaciosas que outrora. sempre fiéis certamente ao espírito fundamental do gótico. oculta a grande rosácea do primeiro andar. posteriormente. as paredes da nave só apresentam amplos vitrais. bailes e festas. divertimentos nos jardins. para satisfazer ao gosto da época.A fortuna das cortes principescas provoca a expansão de novas formas de arte. com o estilo dito curvilíneo ou decorado. no século XIV. 3. Esta arte principesca permanece ligada ao espírito cortesão e dá testemunho de um certo arcaísmo. anunciam uma arte arquitetônica liberta das preocupações militares. pelo gosto da alegoria e dos símbolos. Multiplicam as nervuras nas abóbadas (abóbadas em estrela. Por toda parte. os palácios e as casas de recreio. palmas.

Certamente os nobres reagiram vivamente Contra a influência dos legistas. os elementos designados então como os conselheiros do rei. foram aí então acolhidos nos colégios fundados pelos grandes burgueses ou pelos prelados. Na França. e outros grandes palácios para os cardeais. Para multiplicar essas contribuições eralhes necessário o consentimento de urna assembléia de representantes das diferentes ordens do reino. freqüentemente clérigos. Mas essas pretensões não puderam erguer por muito tempo um obstáculo sério diante da ascensão de homens novos. sob Filipe. Todas essas cidades não são somente brilhantes centros literários e artísticos. técnicos. outras cidades se beneficiam com o dinheiro e a atividade das cortes principescas. Às margens do reino. e receberam. São magistrados. Avignon ergue o Palácio dos Papas. Essas assembléias existem desde há muito na Inglaterra: com o nome de Parlamento. OS SOBERANOS E AS ASSEMBLËIAS DE ELEITOS A Guerra dos Cem Anos. O pessoal político é recrutado de uma maneira bem mais ampla. a fortuna de Pau. Acolhe os banqueiros italianos. o recrutamento e o soldo dos mercenários. sobre os principais motores do Estado. protege os financistas ou os negociantes judeus. importantes benefícios da Igreja. mais importantes e mais regulares que os frutos de seus domínios e as contribuições feudais tradicionais. plebeus. em Villeneuve. ao Contrário. sedes dos governos e das cortes. atrai os pintores de Siena. os Estados foram convocados. as residências de príncipes mecenas.O soberano apóia-se principalmente na classe burguesa em ascensão e a menbros de sua família ou diretamente ligados a ele. Na França mesmo. inicialmente uma fortaleza e depois residência suntuosa. bastante ativos. formados nas universidades do reino. obrigam p soberano inglês e o francês a procurarem novos recursos. familiares do rei. o Belo. após sua ordenação. eclesiásticos. cria-se entli. financistas. contadores. somente em ocasiões excepcionais. faz encomendas aos fabricantes de seda e aos tingidores. 174 . juristas. mas centros de comércios e de indústrias. Esta evolução política precipita a concentração econômica e demográfica em proveito das cidades principescas.

reúne-se todos os anos. por petições que. principalmente. urna a três vezes conforme as circunstâncias. dois delegados para cada cidade ou burgo. Esta assembléia conta somente com duzentos ou trezentos pessoas. Entre os Comuns sentam-se. Convoca também os curi ai es. mas como chefes responsáveis por importantes comunidades. financistas. ou administradores.assembléia Parlamento inglês Os Estados gerais características órgão de governo regular. Estes desempenham também um papel político. Os 175 . dois cavaleiros para cada condado. escolhidos. representantes de toda a Inglaterra e de todas as categorias sociais. podem precisar ou modificar a legislação tradicional. eleitos sob o controle do sheriff. Apesar de sérios dificuldades no momento de algumas crises financeiros e políticas. não somente combinam o imposto. através de seus pareceres e conselhos freqüentemente solicitados. o rei e o Parlamento as mais das vezes colaboram. apresentadas ao rei. lords ou membros do Comum. O rei trata com deputados responsáveis. conselheiros técnicos. juizes. como lhe estabelecem o regulamento e lhe -asseguram a arrecadação. o rei designa os “lords temporais e espirituais”. O rei convoca. As reuniões sEio curtas. Esses homens. A assembléia atua perfeitamente como um órgão do governo. os senhores dos grandes feudos: nobres e prelados. malgrado por vezes violentas oposições (a do Good Pariarnent em 1376). nExo como grandes proprietários.

posteriormente à instalação do papado era Avignon (de 1309 a 1378) anunciam para a Igreja ocidental sérias dificuldades e discórdias. Todos os papas foram bispos franceses. não se encontra qualquer membro da pequena nobreza. somente em ocasiões catastróficas. por apresentar suas reivindicações. aliado e submisso aos reis franceses. O rei os convoca raramente. Os delegados esforçam-se então. Esses estados agrupam representantes dos três Estados:nobreza. de fato. por impor reformas.delegados representam somente as cidades. das províncias do Sudoeste. quando Gregório XI decide. após haver confiado a capitães 176 . os cardeais. clero e povo FRAQUEZA DO IMPËRIO. Por isso os papas foram muito impopulares. francês. os grandes oficiais da Curia eram da mesma forma. Este papado de Avignon é. arcebispo de Bordéus (1305). ANARQUIA NA ALEMANHA O ABANDONO DOS PAPAS O cativeiro de Avignon A eleição de Clemente V. privodos de importantes fontes de renda. na sua grande maioria. naturalmente. Os italianos. Bordelais. para fazer face às necessidades prementes de dinheiro. Limousin e Périgord principalmente. e mais particularmente os romanos. eleitas por votação limitada. Entretanto. condenam violentamente o que chamam de Cativeiro da Babilônia. Toda a cristandade queixa-se de sua submissão aos Valois e do peso excessivo de seu fisco.

Este cisma não é resolvido nem com a morte dos soberanos pontífices. Um concílio de cardeais italianos designa então Urbano VI. morre pouco após. enquanto a França. advindo disto a guerra em 1324-1327. a Inglaterra ligam-se ao papa italiano de Roma. do transporte de suas tropas pelo continente põem fim.ingleses e alemães a reconquista de seus Estados italianos. pois cada partido escolhe então prontamente um sucessor. a rainha de Nápoles seguem o papa francês. que se toma papa com o nome de Clemente VII. Os dois adversários procuram aliados. os duques da Lorena e de Brabante. o Concílio de Constança impõe. por longo tempo. chegados um pouco mais tarde. retornar a Roma. em 1417. os cardeais franceses elegem Roberto de Genebra. um século mais tarde. A Itália. o Grande Cisma do Ocidente separa toda a cristandade romana em duas obediências e arrasar o prestígio pontifical. e a guerra só toma seu rumo decisivo em 1340: pela vitória naval de Ëduse os ingleses asseguram-se do domínio do mar. graças ao apoio político e mesmo policial do imperador Sigismundo a demissão de dois dos papas (Gregóiio XII e João XXIII) e elege Martinho V. o imperador Carlos IV de Luxemburgo. Eduardo III recusa reconhecer Felipe VI. Questão feudal de início. A questão feudal foi provocada pela recusa ou as reticências do rei da Inglaterra em prestar homenagem ao rei da França pelos seus feudos do continente. assume um caráter mais nacional. Desde então. Enfim. em particular em Flandres. um francês. compromete mais as populações e suscita recepções coletivas das mentalidades populares nacionais. A guerra dos Cem Anos AS ORIGENS E OS PRIMEIROS COMBATES A história do conflito franco-inglês sublinha evolução política dos dois remos. em 1378. às incursões dos corsários normandos em suas 177 . que não teve outro resultado a não ser o de designar um terceiro papa. novamente em Avignon. nem quando do concílio de Pisa (1409). agravada por uma crise dinástica a guerra. Após haver prestado homenagem em 1329.

Eduardo 1V.A guerra das Duas Rosas Na Inglaterra. 178 . cujo uso certamente deve ter sido aprendido durante as guerras contra Gales: uma arma temível que atira muito longe e muito rápido. Desse modo. chefe do partido York. seus exércitos contam com um grande número de infantes. vencedor em 1461. Ao mesmo tempo que aumentam o banditismo e as desordens. Finalmente. Formados em quadrados compactos. . Em terra. armados com o “grande arco”. Os ingleses recrutam de preferência mercenários. sua paz interior ~ menos. os arqueiros ingleses dizimam todas às vezes as cargas francesas. todavia.costas. a unidade do reino. formadas principalmente por cavaleiros que atacam pesadamente o inimigo. devasta az zonas rurais. camponeses livres. Durante mais de quinze anos (de 1455 a 1471) essa guerra divide a Inglaterra em dois clãs violentamente hostis. domina em seguida Henrique VI e o decapita na Torre de Londres. entram em choque facções principescas que reivindicam a coroa e se apóiam em vastas clientelas feudais. a superioridade militar inglesa afirma-se desde os primeiros encontros. inicia-se a guerra das Duas Rosas entre os partidos de York (rosa branca) e de Lancaster (rosa vermelha). encontram-se gravemente comprometidas pela longa minoridade de Henrique VI e pela divulgação dos reveses militares no continente. difíceis de comandar. Os franceses armam sempre tropas essencialmente feudais. espalha por toda a parte cx corrupção. A guerra dos cem anos fortaleceu a unidade francesa e foi à base da formação nacional. az revoltas de camponês e que a loucura do soberano deixa o poder real enfraquecido.

no século XIII e. O conceito de reforma é ainda mais antigo que o de renascença. situam os começos da Renascença a partir do despertar da vida urbana. A maioria afirmar que a Renascença despertou muito cedo.UNIDADE DIDÁTICA XI . Renascimento Os homens do século XVI só adotaram tardiamente o termo “renascença”. Por ser na Itália que existiu 179 . Poucos homens tinham ousado abandonar o seio da Igreja a fim de perseguir esse ideal de pureza clerical. mesmo. este termo renascença inicialmente utilizado apenas pára artes é estendido o sentido a civilização. No entanto. até que uma solução viesse intervir no seio da Igreja romana. 1. na Itália sobretudo. que procuraram conduzi-la à pureza primitiva eliminando os abusos causados pela presença do clero na época. Somente em 1550. ser os únicos capazes de reencontrar o pensamento da antiguidade clássica. não se havia esperado essa data para se tomar consciência da mudança operada nos espíritos e nas expressões literárias e artísticas.OS TEMPOS MODERNOS INTRODUÇÃO Hoje. mas o resultado de uma lenta evolução ue mergulha suas raízes na Idade Média. Enquanto a ação de Wyclif e João Huss permanecera limitada a seu país. no XII. Santos . Este sentimento existia. A História da Igreja. concílios. históriadores. é a de uma seqüência de reformas tímidas feitas por papas. na Idade Média. Alguns. não se vê mais na Renascença uma ruptura brutal com a época medieval. onde os eruditos acreditavam. a revolta de Lutero deu o sinal de um movimento que repercutiu em toda a Europa Ocidental. Nem bem nem mal. não apenas na Itália mas também em grande parte da Europa Ocidental.

Desde o seu aparecimento. HUMANISMO E RENASCENÇA NA ITÁLIA O humanismo. contam-se 77% em latim.000 a 35. Essas novas maneiras de ver se desenvolver numa nova concepção do mundo. na realidade a Igreja católica era a maior mecenas da antiguidade. Renascença não pode ser dissociada do humanismo. Florença é ilustrada pelo arquiteto Brabante e seus esboços (domo de Santa Maria das Flores) pelo escultor Donatello e uma legião de pintores como 180 . Na verdade o termo ao retorno ao pensamento e às formas de expressão da Antigüidade Clássica. e a divulgação da cultura . Lourenço. o Magnífico. Os Médicis não eram os únicos Mecenas de Florença. O período florentino da Renascença inaugura o estudo crítico dos textos da Antiguidade. como o nu e os temas pagãos vistos como o inverso da fé. a Igreja e os soberanos exercem vigilância sobre este poderoso meio de difusão das idéias. AS CONDIÇÕES DA VIDA INTELECTUAL Na segunda metade do século XV e no começo do XVI. consiste em uma nova concepção do homem e ocasiona uma nova concepção do espaço e das formas. (Roma e Grécia). Na Florença dos Médicis. que situa o homem no centro das preocupações espirituais e dos estudos sociais . No século XVI. sobretudo. em seu início. nas línguas nacionais (francês. Na origem dessas novidades se encontram as heranças da cultura clássica muito presente em solo italiano. Os artistas reencontram a perspectiva. cerca de 30. as necessidades intelectuais da freguesia. a vida intelectual reencontra condições favoráveis a uma renovação com o aparecimento do livro impresso. Dos livros impressos no século XV. italiano português). libertando-se dos tabus da Idade Média. as igrejas e os conventos deram trabalho a um grande número de artistas.o império Romano. O Antropocentrismo é a forma de pensar dos homens do renascimento..000 edições. a indústria do livro se concentra nas grandes cidades universitárias e nos centros comerciais. A lista das publicações testemunha. agrupara a sua volta uma “academia” de letrados.

Suas figuras ímpares são: Miguel Ângelo ( arquiteto. toma-se o principal centro de arte na Itália. pintor original e engenheiro) e Rafael que melhor representa. escultor. pintor e poeta). mas exprimiram a grandeza de sua cidade.Botticelli e Ghirlandaio. rebelde ao neoplatonismo. Nesse quadro espiritual original. dominada pelo espírito prático. não sem reduções infligidas pelas dificuldades do financiamento. ensina o humanista Pomponazzi (14621525). que concebeu um edifício que exprimia a unidade e a harmonia do universo. Certamente. mas é também uma potência comercial. que se apresenta como um racionalista. No 181 . Veneza é uma cidade de humanistas e de impressores. continua-se fiel ao pensamento dos comentadores de Aristóteles.. dentre os quais o muçulmano Averroês. (espírito universal. O papa Júlio II confiou a reconstrução de São Pedro ao arquiteto Bramante. incontestavelmente. O particularismo Veneziano . voltada para o Oriente. afirma que o homem não foi feito à imagem de Deus e solapa as bases da revelação cristã negando os milagres e a imortalidade da alma. seus artistas tinham adotado a concepção do espaço dos romanos. que não aceita a imortalidade da alma. suas cores e seus contatos com o Oriente. Veneza. O período romano da Renascença representa perfeitamente o humanismo triunfante. apoiado nos exemplos da Antiguidade. O HUMANISMO NA EUROPA OCIDENTAL O humanismo se difundiu da Itália para toda a Europa ocidental. o ideal humano da Renascença italiana. Na sua universidade de Pádua. Miguel Ângelo executou a obra empreendida por Bramante. Leonardo da Vinci.

Desenvolvem-se progressos no tratamento das feridas (invenção do garrote para estancar as hemorragias). vez por outra. com o polonês Copérnico (1473-1543). Revolução radical para época. Os médicos começam a praticar as dissecações e os artistas reproduzem os sistemas ósseo e muscular com notável exatidão. O humanismo favoreceu o conhecimento do corpo humano. as receitas práticas. que. tratado de política realista. As influências italianas chegaram. algumas das quais terão grande futuro. O que denominamos a “revolução copernica” consistiu em colocar o Sol no centro do sistema planetário. é notabilizado por O Príncipe (1513). Teve. A ciência física acumula observações e. Em Veneza. em primeiro lugar. a literatura e a arte sofreram transformações. permaneceu o país em que estas novidades encontrou a sua mais completa expressão. numerosos escritores. igualmente. muito embora as influências flamengas sejam nela exercidas durante algum tempo. nas cortes de Francisco I da Áustria. Como podemos ver o humanismo encorajou a ciência. a forma e o colorido exprimem um paganismo fácil e voluptuoso. pois conflitava com a Bíblia. antes de 1530.entanto as ciências exatas no século XV. mesmo civis. Os edifícios. e com Veronese (1528-1500) que ilustra o luxo e o cenário das festas de sua cidade. permanece isolado. E na Itália que Machiavel (1469-1527). constituía um pólo de atração distinto do da Itália. Nela teve. permaneceram por 182 . • Renovação dos temas e da expressão literárias e artísticas Em toda a Europa Ocidental. que modela a Praça de São Marcos. Estabelece-se a circulação do sangue. uma multidão de pintores. na economia européia. com tmtoretto (1512-1594) na expressão patética. A pintura produz ainda obras-primas inspiradas pela atmosfera e pela grandeza venezianas. onde fora elaborada uma nova visão do homem e do espaço. rapidamente a Espanha. já tinham grandes progressos e na astronomia que se realizam as maiores transformações. A Flandres. entre os quais Corregio (1494-1534). Paracelso foi um dos primeiros a utilizar os corpos químicos como medicamentos. manteve a sua originalidade. Desse modo. a arte italiana toma uma nova orientação com Ticiano (morto em 1576) e com o arquiteto San Sovino (1486-1570). A Itália. em que a composição.

O mesmo aconteceu com os pintores como o visionário Bosch (1450--1516) ou Quentin Metsys (1465-1530). tornavam os abusos mais insuportáveis do que no passado. as transformações econômicas e sociais. CAUSAS DA REFORMA Podemos distinguir causas religiosas. célebre por seus retratos das grandes personagens. As causas religiosas 183 .mais tempo fiéis ao gótico. morais e sociais:. As exigências espirituais de um maior número de homens. a arte da Renascença penetrou muito lentamente com a construção do castelo de Hampton Court e a vinda do pintor alemão Holbein (1497-1543). 2. a unidade da Igreja do Ocidente ficou definitivamente isolada. e em Constantinopla. A Renascença foi um fenômeno europeu. as fomes e as guerras. Estas duas causas não eram novas. porém permaneceu flamengo por sua sensibilidade à vida. no século XVI. Alcançou a Polônia e exerceu sua influência até em Moscou onde italianos trabalharam no Kremlin. a constituição das nações não podiam deixar de agir sobre a religião. tanto mais que o impulso econômico e o progresso das comunicações aumentavam a sua importância. A influência da Antiguidade aparece apenas em Mabuse (1478-cerca de 1533). • . soube assimilar as técnicas italianas. Na Inglaterra. pela primeira vez. A REFORMA Não foi apenas os abusos da Igreja a única causa da Reforma nem podemos mais ver nela a exclusiva procura da salvação. Foi este conjunto complexo que fez da Reforma um movimento ao qual. Bruegel. A Europa Ocidental estava em mudança. o Antigo (1525-1569). As provações da Peste Negra.

Sob os termos “heresia boêmia”. João Huss fizera. que proclamavam a Escritura única fonte de verdade. a pesquisa do conhecimento místico. rejeitando a autoridade de Roma e da tradição. da Escritura a fonte única da verdade. • As causas morais Antes de 1520. mas também os de Wyclif. a Igreja continua a lutar contra heresias nas quais se encontram inúmeras idéias que formarão o essencial do protestantismo. A 184 . No momento em que começa a Reforma. igualmente. dissociara fé e razão. Padres viviam com companheiras mesmo tendo feito voto de castidade. forneceram argumentos polêmicos aos seus adversários. acumulavam rendimentos e muito raramente rezavam missa. e que se esforçavam por praticar fraternidade e pobreza. os sacramentos. uma vez consumada a ruptura. A Santa Sé. Torna-se mais interior. mais que Lutero. vendiam os sacramentos e levavam a mesma vida de seus paroquianos. o Purgatório e o culto dos santos. mas reconhecia a autoridade de Roma e admitia que cada qual podia interpretar a Bíblia livremente. insistira sobre os abusos de que o clero era prova. à exceção do batismo e da comunhão. após o Grande Cisma. Os abusos do clero eram reais. O retorno à Bíblia foi auxiliado pela invenção da imprensa que permitiu a sua difusão para os leigos.A religião se individualiza pelo efeito de práticas mais pessoais. não deixava aos cristãos senão a possibilidade de duas atitudes: uma fé ritual e dissecada ou. estava paralisada. Todos esses movimentos tendem a rejeitar a tradição católica e a fazer da Bíblia o fundamento único da crença. A difícil reconstituição do Estado pontifício. então. Roma confundia. Erasmo. Os progressos da mística seguem no mesmo sentido. não apenas os discípulos de João Huss. Muitos bispos tinham comprado os sufrágios de seu capítulo. seu papel político faziam deles príncipes italianos e lhes reduziam a autoridade sofre a Igreja no momento em que os sentimentos nacionais se desenvolviam e incitavam os fiéis a afirmarem a autonomia das Igrejas nacionais. Em vista disso. particularmente. condenara a escolástica à decadência e criara uma insatisfação intelectual. Tais abusos enfraqueceram a resistência da Igreja e. o mecenato dos papas.

Essa estrutura política explica o fato de que a pregação das indulgências tenha tomado na Alemanha um caráter mais escandaloso do que noutros países e tenha moldado a reação decisiva. em que denunciava a falsa segurança alcançada pelas indulgências cuja venda o papa e tinham confiado aos donicanos. provavelmente. sociais e políticas Os fatores econômicos.Inquisição espanhola estava nas mãos dos soberanos. LUTERO E A REFORMA FORA DA IGREJA Em 31 de outubro de 1517. doutor em 185 . As razões econômicas. A revolta de Lutero Lutero (1483-1546). padre. a revolta contra a miséria assume com facilidade a forma de conquista do reino de Deus. a iniciativa de Lutero teve repercussões inesperadas. sociais e políticos podem explicar as atitudes dos fiéis e. Desde os meados do século XV. conseqüentemente. mais fortes na Alemanha do que em outros lugares. Recordemos que todo descontentamento se exprimia de maneira religiosa. Os primórdios do capitalismo comercial formão os antagonismos entre as cidades em pleno desenvolvimento e os campos. Após as perturbações sociais do século XVI. o papel crescente do dinheiro é o que mais suscita indignação. Na ausência de uma forte monarquia nacional capaz de defender os fiéis contra a voracidade da fiscalização pontifical. Os príncipes laicos aspiravam reduzir o papel do imperador e substituí-lo como chefes temporais da Igreja em seus domínios. sociais e políticas foram. Martinho Lutero fazia afixar em Wittenberg 95 teses. indulgências escandalizava o povo. Os pregadores dominicanos votam o usurário à danação.. filho de um camponês que se tornou pequeno empreiteiro sangra-se monge da ordem de santo agostinho. A venda de • Causas econômicas. a ruptura da unidade.

Deus concede a salvação por graça àquele que acredita na promessa da graça feita pelo Cristo. as obras são inúteis à salvação. recusou retratar-se (abril de 1521). No entanto apesar sua revolta contra Roma e o dinheiro. Ele reclamava a formação de uma Igreja nacional autônoma. Estudando as obras de santo agostinho Lutero chegou à opinião de que o homem. e o novo imperador manifestava o desejo de reforçar o seu poder na Alemanha graças ao apoio de seus Estados espanhóis. Foi nessas condições que Lutero queimou. Dietas ( Reunões) Na Dieta de Worms (1521). tentou-se conter o luteranismo (tolerar a Na Dieta de Spira (1529). Encontravam-se nos escritos e nos propósitos de Lutero conclusões práticas. Por isso. medidas contra o luxo e a usura. Com este programa Lutero seduziu a pequena nobreza que forçou Lutero a romper com a Igreja. A eleição imperial dava liberdade ao papa Leão X. Comparecendo assembléia de Worms. a bula. Conseqüentemente. e foi excomungado.teologia. a supressão das ordens mendicantes e do celibato eclesiástico. foi banido para o Wartburg. a comunhão. ele se mostrava respeitador da hierarquia social e mesmo da eclesiástica. com um salvo-conduto. 186 . professor na universidade de Wittenberg. só poderia ser salvo pelos méritos únicos de Jesus Cristo. que o condenava. a independência religiosa proposta por Lutero revelou-se aos olhos dos príncipes como o complemento de sua independência perante o imperador e o papa. separou-se da Igreja. no Natal de 1520. ficou decaído em razão do pecado original. A atitude dos príncipes foi decisiva. O que aconteceu Lutero foi condenado como herege: Lutero negou-se a se retratar e com o apoio da nobreza não foi punido (refugiou-se no castelo do príncipe da Saxônia)  traduziu a Bíblia latina para o alemão.

Na Dieta (1530). hajas religio). Os súditos deveriam seguir a religião de seus países (Cujas regia. passaram a ter uma participação maior na política européia. A base social do luteranismo encolheu-se.Suas praticas exaltadas provocaram revoltas. O movimento luteriano progredia nos países alemães. A confissão de Augsburgo Quando Lutero saiu do Wartburg onde se ocupara de traduzir a Bíblia e de compor cânticos. pela paz de Augsburgo. havendo protestos (daí o nome de protestantes). o movimento de reforma fora da Igreja romana se tinha propagado mas diversificado. Em 1555. Augsburgo o desacordo originou sérias lutas entre o imperador (Carlos V) e os nobres (Liga de Smalkade): guerra de religião. a partir de 1530. Amedrontados. daí o nome “protestantes” que lhes foi dado. a proibição no restante do país). porém. Foram consideráveis as conseqüências dessas guerras. Melanchthon redigiu a Confissão lutarana de Angsburgo. Carlos V reconhecia uma existência oficial às Igrejas luteranas. mantendo. na realidade de seu príncipe. de doutrina luterana nas regiões convertidas. Tendo Carlos V convocado para esse fim uma assembléia de Império em Augsburgo. Os príncipes luteranos. protestaram contra a manutenção das medidas tomadas no tocante a Lutero. 187 . ao passo que outros levaram Lutero a inclinar-se no sentido de dar às Igrejas reformadas uma constituição hierarquizada sob a direção dos príncipes. alguns abandonaram Lutero e se reaproximaram da Igreja romana. Em 1529.

Anabatistas O anabatismo apareceu em toda parte onde os reformadores submetiam a Igreja ao poder político. Considerando que não se podia ser cristão a não ser por uma conversão pessoal, os anabatistas só reconheciam o batismo dos adultos. Não procuravam conquistar a multidão e admitiam a tolerância. Recusavam, porém, a autoridade do Estado e consideravam a propriedade individual como um pecado. Os anabatistas foram então acossados pelos católicos e pelos protestantes. Entretanto, Menno Simons (1496-1559) restituiu ao anabatismo o caráter pacífico de seus primórdios. Alguns pequenos grupos se instalaram nos Países Baixos e na Europa Central.

CALVINISMO Os primórdios da Reforma na França Quando Calvino se torna o guia da Reforma francesa, a França oferecia um terreno bem diferente às aspirações de reforma. O poder real aí se reforçara e podia defender a Igreja da França contra Roma. Essa Igreja conhecera uma vasta autonomia. Sua reforma só podia, pois, ter êxito se o rei o quisesse. O desejo de reformar a Igreja era muito forte. Luís XII, tinha tentado uma reforma nas ordens religiosas. Francisco I tinham sido ganho pelo humanismo.Entretanto, alguns dos numerosos pregadores populares tomavam por sua conta as afirmações de Lutero. Crescia a efervescência religiosa. Deparavam-se em quase todas as províncias pequenos centros favoráveis às idéias luteranas,

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O tom cresceu com a provocação dos “Cartazes” (18 de outubro de 1534). Cartazes fixados simultaneamente em Paris, em Orléans e até na porta da câmara do rei atacavam com violência a missa. O fato assumia o aspecto de um negócio de Estado. Francisco I, castigou ou Luteranos que foram queimados, os chefes da Reforma fugiram, enquanto procissões expiatórias revelavam a força do apego à fé tradicional. Foi então que Calvino se transformou em defensor dos reformados perseguidos e publicou a “Instituição Cristã” em latim (1538), depois em francês (1541). Calvino João Calvino, filho de um administrador de bens da Igreja, estudou as artes liberais em Paris, depois Direito em Orléans. Humanista, converteu-se as idéias dos reformistas, renunciou aos seus benefícios e fugiu para Estrasburgo. Com a Instituição cristã, Calvino inova e cria uma visão própria e original para a reforma francesa. A obra é caracterizada pelo rigor e pela clareza do raciocínio, Calvino incorporou o pensamento de seus predecessores, renovando-o, a idéia essencial de Calvino é que Deus nos é transcendente só sabemos dele aquilo que Ele nos quis revelar através da Escritura. Sem a Escritura o homem só pode ter de Deus uma idéia falsa, pois o pecado original lhe enfraqueceu a inteligência. A lei só pode ser o efeito da graça divina. O tratado da Predestinação eterna de Deus (1552) precisa um ponto capital no pensamento de Calvino. A predestinação é absoluta. Deus, por antecipação, destina alguns à vida eterna, os outros à eterna maldição. A graça é irresistível. O sinal dela é a fé com que Deus nos presenteia. Desta fé decorre a certeza da salvação. Calvino não condenou o empréstimo a juro. Aliás, a moral calvinista encorajava a aplicação no trabalho na profissão em que Deus situara cada qual. Calvino considerava, igualmente, que o êxito em todo empreendimento constituía a recompensa de Deus a seus eleitos Deste modo, o calvinismo, não só reconhecia a evolução da Europa, mas justificava a atividade econômica. Max Weber, um sociólogo alemão, publicou no início do século XX, um estudo intitulado “A ética protestante e o espírito do capitalismo”,

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onde procurava enfatizar as relações entre a ética calvinista e o início do capitalismo na Europa. A expansão do calvinismo Com Calvíno, a Reforma encontrou um novo impulso. Chamado a Genebra, impôs as ordenanças eclesiásticas de 1541, que, de fato, implicava uma reforma da Igreja e da sociedade. Para ele a Igreja reformada , ligada intimamente ao Estado, não lhe era submissa. Ao contrário, era a sua inspiradora. Sem magistratura oficial, Calvino exerceu uma verdadeira ditadura. Calvino, apoiado por numerosos refugiados franceses, desejava impor uma inquisição rigorosa acerca das práticas católicas, anabatistas ou mesmo profanas, como a dança, o teatro e os divertimentos. Em 1558, Calvino fundou alcademia de Genebra, destinada a formar pastores e missionários. Genebra torna-se uma capital; no século XVI, ela foi o centro principal do calvinismo. Sua Igreja servia de modelo nos países de língua francesa, nos Países Baixos, na Alemanha. Na França, o calvinismo progrediu bastante. O calvinismo propagou-se, igualmente, nos Paises Baixos. Na Escócia, a Reforma, provinda da Inglaterra, encontrou, de início, pequena repercussão. Mas o sentimento nacional colaborou com sua propagação. O Parlamento adotou uma confissão de fé redigida por John Knox, formado na Academia de Genebra, a Igreja presbiteriana da Escócia era organizada pelo Livro da Disciplina, de maneira mais democrática que a de Genebra, de vez que os pastores eram eleitos pelos fiéis. A REFORMA ANGLICANA • antecedentes

A Reforma, na Inglaterra. revestiu-se de um caráter original, graças a um Parlamento fraco, a Reforma estava nas mãos do rei,como ocorreu na França mas diferente da francesa, a Igreja da Inglaterra não tinha tradições de autonomia em relação a Roma. Ao contrário, a Santa Sé impunha à Inglaterra

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um imposto muito pesado. Portanto era o papado impopular. O clero possuía grandes domínios. Wyclif já havia solicitado um retomo à simplicidade primitiva da Igreja. O rei da Inglaterra Henrique VIII, pretendia manter-se fiel a Roma e publicou um tratado em que justificava os sete sacramentos, o que lhe valeu do papa o título de “Defensor da fé”. Porem por razões exteriores à religião, a Inglaterra o processo de reforma iniciou. Henrique VIII. não tendo tido filhos da rainha Catarina de Aragão e estando apaixonado por Ana de Bolena, solicitara ao papa a anulação de seu casamento, porem o papa negou a anulação. Em 1531, Henrique VIII, se fez proclamar pelo Parlamento protetor da Igreja inglesa. O clero entregou ao rei a chefia da Igreja. Henrique VIII fez com que o arcebispo de Canterbury, anulasse o casamento com Catarina e Aragão e se casou com Ana de Bolena. Em novembro de 1534. o Parlamento votava o primeiro Ato de supremacia. que estabelecia o rei como “Chefe supremo na Terra da Igreja da Inglaterra”. Os ingleses, por juramento. deviam submeter-se a essa supremacia. caso contrário seriam excomungados e perseguidos pela justiça real. A nomeação dos bispos retorna praticamente ao rei. A venda dos bens do clero regular permitiu ao rei forçar os seus adquirentes a romper com Roma. De Inicio a reforma inglesa era um cisma sem muitas mudanças com o catolicismo, posteriormente o anglicanismo vai se aproximar do luteranismo e do calvinismo. O herdeiro de Henrique VIII, Eduardo VI morre logo após a chegada ao trono, e em 1553 é sucedido por Maria Tudor, filha de Catarina de Aragão, que se mantivera católica. A rainha tentou reconciliar a Inglaterra e Roma. No mesmo ano que chegou ao trono em 1553, o Parlamento votou o retomo à obediência romana. Os bens da Igreja secularizada deveriam permanecer em mãos de seus novos possuidores. A tentativa de restauração católica foi ajustada pelo casamento de Maria Tudor com Filipe II da Espanha. O catolicismo romano aparecia para a maior parte dos ingleses como a religião do estrangeiro. Morrendo Maria Tudor em 1558, sua meia-irmã Elisabeth, filha de Ana de Bolena e, portanto mal vista aos olhos de Roma, retoma ao movimento de reforma. O Parlamento, votou o restabelecimento do Ato de supremacia e o do livro de orações de 1542. Em 1563 era definida a Confissão dos 39 artigos, que mantinha a hierarquia episcopal e o culto semelhante ao católico.

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Paulo III soube mobilizar todas as energias que se apresentavam. se organizam em função de suas nova perspectivas. Ela se desenvolve mais ou menos na época de Calvino. sobretudo nos soberanos. o estudo da reforma católica é inseparável do da reforma protestante. no ano de 1536. órgão onde os abusos eram impiedosamente 192 . enfim. A Contra-Reforma pertence tanto à história política e à história das mentalidades quanto à história religiosa. o anglicanismo. havendo-se resignado à ruptura. a defesa da lei pela apologética e. pelas perseguições. Concílio Universal. Ele era sustentado pelos progressos da devotio moderna que. no momento. a Reforma Católica com o despertar da fé e do impulso missionário. que prepararam o programa do futuro concílio. desse modo. A reforma da Igreja romana começava verdadeiramente. propagara o misticismo entre os laicos e conciliava a vida ascética e a vida ativa.Nascia. Paulo III (1534—1549). Podemos dividi-la em dois períodos. uma confissão religiosa original. suscitada pela Imitaçao de Jesus Cristo. Em compensação. Não se deveria. O primeiro é caracterizado pela persistente esperança de um retomo à unidade da Igreja. ignorar o exemplo dado por alguns prelados que se dedicaram em melhorar a formação dos podres e a renovar o vigor da catequese e das obras de caridade. A REFORMA CATÓLICA OU A CONTRA-REFORMA Na história da Igreja durante o período da reforma é possível distinguir Treis movimentos: a Contra-Reforma. No segundo. também. Em 1536. E criado “o Conselho sobre a reforma da Igreja” (1537). lançado no início do século. nomeou cardeais humanistas eminentes e respeitados. igualmente. Todavia. isto é. prosseguiu. começado em 1541. A nostalgia da unidade O movimento de reforma da Igreja romana. a Igreja romana. A iniciativa de fazer um Concilio Ecumênico para reunir os católicos vem de um papa que não parecia a isso destinado. a Reforma disciplinar e doutrinal. a defesa do catolicismo repousava.

saídos dos franciscanos. Paulo III apoiouse também nas ordens monásticas novas: vicentinos. Reuniu-se de 1545 a 1547. a vitória da reconquista e a luta contra o protestantismo. A primeira. Enfrentou diretamente duas tarefas: definição do dogma e restauração da disciplina. Em 1542. De certo. os jesuítas já não usariam espadas como os templários. constatando a ruptura definitiva. antes de descobrir sua vocação religiosa. embora constituam uma ordem de caráter militar. vivendo as novidades do Novo Mundo. apoiando-se no movimento. através da reforma disciplinar. Fundada pelo basco Inigo de Onaz mais conhecido por Santo Inácio de Loyola. O primeiro índex dos livros interditos foi publicado em 1564. a cidade de Trento fora escolhida como lugar de reunião de um concílio. que somente a Igreja tem o poder de interpretar. reforçar a autoridade pontifical sobre o mundo católico. Com o pontificado Paulo IV. capuchinhos. A segunda tendência era a do papado que. O papa e os bispos detêm os poderes 193 . enfim. de 1562 a 1563. Aliás. 1) O dogma está fundado na Escritura. o papado. Ela vem ocupar em âmbito mundial o espaço deixado pela Ordem dos Templários. fidalgo da corte de Fernando de Aragão portanto. uma arma muito mais poderosa. tomou a direção da reforma do catolicismo. sujeito às eventualidades da política européia. Dentro deste mesmo espírito. foi ele militar do exército espanhol. que conseguiu com que aí fossem ouvidos teólogos luteranos.denunciados. em 1543. Sua arma passou a ser a educação de acordo com o decreto "Ratio Studiorum". Duas tendências nele se opuseram. de 1551 a 1552 e. A obra doutrinária consistiu em reafirmações do dogma e em precisões destinadas a reduzir a possibilidade de controvérsias fundamentais. surgiu nosso interesse principal que é a Companhia de Jesus. se opunha a toda concessão doutrinária aos protestantes e esperava. a Inquisição romana era confiada a uma congregação de cardeais e a censura dos livros ao Santo Oficio. fundadas em 1525 e. jesuítas instituidos por Inácio de Loyola. a moderada sustentada pelos soberanos dos países divididos pela Reforma. e na tradição. O concílio de Trento Em 1541. enfim.

o protestantismo foi eliminado. presença rejeitada por alguns protestastes e pela transubstanciação. e o homem será julgado. 2) No norte. o do Cristo. Foi aí que a Reforma católica criou seus fundamentos. O direito canônico precisou notadamente a legislação do casamento. a presença real de Jesus no pão e no vinho. mas por suas obras pelas quais é responsável. assim. O catolicismo renovado parece estar ligado à civlização mediterrâneo e da península ibérica. O livre arbítrio existe na medida em que Deus o permite. Somente a Irlanda permaneceu fiel a Roma. a religião 194 . é difícil estabelecer um balanço do concílio de Trento logo após a sua realização. 2) O homem não pode ser justificado sem a graça divina. regras disciplinares concernentes a formação e à vida dos padres (seminários) e do clero regulares (clausura). graças aos sacramentos instituídos por Deus. Neste país. à administração dos sacramentos. reencontrá-la. calvinista na Escócia. da Reforma. A unidade religiosa da Europa Ocidental está dividida em dois blocos confessionais. isto é. que a Confissão dos 39 artigos funda o anglicanismo (1563) e que Calvino vem a falecer (1564). mas pode conservá-la ou perdê-la e. realmente. igualmente. não apenas por sua fé. 4 ) O concílio fixou. Reafirma-se. 3) A missa é um sacrifício que renova. nos reinos escandinavos. BALANÇO DA REFORMA CATOLICA Sendo múltiplas as conseqüências. constituiu-se o bloco protestante: luteranos na Alemanha do Norte e do Leste. a mudança de substância das duas espécies que se tornam o corpo e o sangue do Cristo. anglicana na Inglaterra. 1) Nas penínsulas mediterrâneas.outorgados por Jesus Cristo a São Pedro e aos apóstolos. Notemos que foi em torno de 1563 que se assinou a m paz de Augsburgo (1555). rejeitada pelo conjunto dos protestantes.

os Países Baixos. Tudo dependia dos soberanos. chegaram em novos continentes. por ironia do destino. a Boêmia. proporcionado uma revolução econômico-cultural. a Polônia. .ligou-se ao nacionalismo. que se mantiveram à parte das idéias protestantes. sin la gracia divina Por Cristo Jesus. realizando dura repressão a estas. existindo uma forte consciência da "Orbis Cristianus". No seu Cânon Primeiro sobre justificação. Necessitava a Igreja disputar espaço de forma combativa e. a Áustria. "Si alguno dijere que el hombre puede justificarse delante de Dios por sus obras que se realizam por las fuerzas de la humana natureza o por la doctrina de la ley. É neles que se desencadeiam as guerras religiosas e que se coloca a questão da tolerância. As duas confissões se repartem os países. Historiadora-Curitiba 195 . Texto elaborado pela Prof. O ESPÍRITO DA REFORMA CATÓLICA Durante a Idade Média. sea Anatema". A Igreja ganhou força pois ressoava ainda na Península o espírito do "cruzado". cedo ou tarde. Luciana de Abreu." Agora. Negando a doutrina protestante e traçando o que seria a ação da Igreja pós-Trento. tanto no Oriente quanto no Ocidente. uma zona em litígio compreendia a França. o principal inimigo está dentro de suas esferas e este questiona a autoridade. 3) Entre esses dois blocos. Espanha e Portugal. prega. Estes permanecerão fiéis à Igreja romana e. por seus investimentos marítimos. países aliados de Roma. a Europa Ocidental vivia uma unidade. a Suíça. dando amplos poderes ao Santo Oficio. os dogmas e coloca em risco a própria sobrevivência da Igreja como instituição. a Hungria. E assim a Idade Média era puramente e simplesmente Católica cristã. uma unidade teológica: "todo o pensamento teológico da Idade Média é dominado por Santo Agostinho. se tornarão os agentes da Contra-Reforma.

A sociedade funcionava melhor quando cada pessoa cumpria o papel que lhe fora atribuído na sociedade. Buscando enriquecer seus tesouros e ampliar seu poder. servos e membros das guildas — ocupava um espaço específico e exerciam uma função própria.O ESTADO MODERNO E AS GRANDES NAVEGAÇÕES No sistema medieval. cujo foco principal era o indivíduo auto-suficiente.UNIDADE DIDÁTICA 1. de ação prática e motivada por interesses pessoais. os Estados promoveram o desenvolvimento comercial e a expansão ultramarina. mas os pensamentos vigentes na Idade Média ainda se prolongariam pela Modernidade. zeloso. CAPITULO 1 – OS TEMPOS MODERNOS 1. fortemente impulsionada pelas viagens de descobrimento e pela conquista e colonização de outras partes do mundo. Essa rudimentar economia de mercado. a Europa passava por um período de surgimento e fortalecimento dos Estados Nacionais. 196 . subverteu a tradicional comunidade medieval. Porem no início dos tempos modernos assistiu-se ao crescimento de uma economia de mercado capitalista. senhores. A extensão da hegemonia européia a grande parte do mundo já se encontrava bem adiantada por volta do século XVIII. cada grupo — clérigos. hierarquicamente organizada. AS TRANSFORMAÇÕES DO SÉCULO XV Caro amigo de estudo no século XV (1401 a 1500).

Os árabes mantinham as linhas comerciais sob controle. Miniatura Medieval. A Peste negra ronda o Século XIV. Agravando ainda mais a situação. que perambulava pelo continente. restando aos monarcas reforçar o estimulo à exploração marítima. Os aumentos anteriores da produção (Séc XIII) que você já estudou no ano passado não tiveram continuidade. houve também a Peste Negra ou Peste Bubônica. 197 . sem maiores expectativas de vida.A crise da Idade Média do século XIV criava uma massa faminta que.

devidos especialmente às descobertas cientificas e técnicas. Pelo contrário. A criação de bovinos e ovelhas intensifica-se. Mas as condições de vida dos camponeses não sofrem melhorias. Há uma grande ascensão de uma nova classe a burguesia. as técnicas comerciais recebem um grande impulso. aumentando o consumo de carne nas cidades.2. da mesma forma que as técnicas agrícolas. A descoberta dos Altos fornos traz também um progresso importante ao trabalho das minas. A industria Têxtil transforma-se e desenvolve-se a metalurgia do ferro. PRINCIPAIS CARACTERISTICAS ECONOMICAS DO SÉCULO XV Em finais do século XV opera-se um despertar econômico que anuncia os tempos modernos. 198 . especialmente através de uma melhoria dos transportes marítimos. do aparecimento da letra de Câmbio e dos Seguros e da contabilidade mais precisa.

que seriam de obstáculos também às aspirações políticas dos Reis. e os interesses desta burguesia da Idade Média eram extremamente limitados pelo poder dos senhores feudais. Por isto que a cada passo. Pertencem à burguesia os industriais. preste atenção! A caminhada da burguesia de simples habitantes dos Burgos a grandes Co-participantes da formação do Estado Nacional foi longo e cheio de etapas. burgueses e monarcas aliavamse para lutar contra a nobreza feudal.Você esta certo sentinela. Burguesia: “Classe social composta dos proprietários do capital que vive dos rendimentos por eles gerados. O conceito atual de burguesia e mais complexo do que o inicial. os empresários agrícolas e os donos de empresas de serviços”. os banqueiros. A transformação da classe burguesa esta relacionada as transformações comerciais entre elas:  ROTAS DE COMÉRCIO INTERNACIONAL: As rotas comerciais da Baixa Idade Média que dinamizaram o comércio Europeu e aumentaram os lucros dos que nela se 199 .Novíssimo dicionário de economia. Vamos conhece-lo. os comerciantes. Sentinela. surgindo assim um dos fundamentos da Monarquia Nacional. Paulo Sandroni editora Best Seller.

dedicavam sendo a base para o desenvolvimento do comércio e da burguesia. As principais feiras eram as de Champagne e Flandres ocorriam valorização dos bens móveis. Mar do Norte: norte da Europa ― Champagne. A burguesia como forma defesa perante os senhores feudais vai se organizar em Associações Comerciais. as mais importantes rotas eram:    Mediterrâneo: Constantinopla ― Itália. Garantir o monopólio do comércio local. circulação de letras de câmbio. atuação de um novo grupo social. os mercadores. Champagne: Itália ― Champagne. atividade creditícia. Vamos observar as principais características das associações comerciais século XIV e XV Associação Comercial Guildas Conceitos Associações de comerciantes de uma mesma cidade. e controle dos preços das mercadorias. transações financeiras. atividades bancárias.  FEIRAS MEDIEVAIS: Eram locais ou pontos de comércio sazonais e inter-regionais de amplitude continental que dinamizaram a economia da Baixa Idade Média. uso acentuado de moeda. Características Objetivando 200 .

PRINCIPAIS CARACTERISTICAS POLITICAS DO SÉCULO XV  MOVIMENTO COMUNAL: As cidades passaram a lutar pela independência: autonomia urbana (emancipação da tutela feudal). Defender os interesses comerciais da burguesia urbana. Merchants of the Staple: controlava a exportação de lã da Inglaterra e a importação de produtos de várias cidades flamengas.Associação Comercial HANSAS Características Objetivando Principais Hansas Conceitos Associações de comerciantes de várias cidades: comércio em grande escala Dinamizaram as cidades e os mercados. Cidades Comunas: cidades que conseguiram sua autonomia através da luta armada. A burguesia assume o controle administrativo das 201 . Cidades Francas: cidades que conseguiram sua autonomia por meios pacíficos através de acordos (Carta de Franquia) com os senhores feudais (indenizações). buscando o apoio real diante da resistência dos senhores feudais. Divulgar concepções de lucro e capitalização. Hansa Teutônica ou Liga Hanseática: controlava o comércio no norte da Europa 2.

E o núcleo produtivo era a oficina.cidades: os serviços urbanos eram proporcionados pelos grandes comerciantes. Objetivos: impedir a concorrência. no entanto o trabalho nas oficinas era Hierarquizado. a Burguesia era tributária dos Senhores feudais. garantir a qualidade dos produtos e organizar os horários de trabalho. 202 . nela não existia completa separação entre capital e trabalho nem especialização com divisão do trabalho.  CORPORAÇÕES DE OFÍCIO: Eram associações de artesãos de um mesmo ofício (ramo de atividade). Existia um código de ética: o “justo preço” o era representado pela adição do custo da matéria-prima ao custo do trabalho. Na Cidade medieval.

Organização hierárquica de uma Oficina de uma Corporação de oficio: Mestre Oficial Aprendiz Jornaleiro 203 .

mês ou ano dependendo do contrato. mas aquele que recebia pagamento por uma jornada de trabalho. A jornada poderia ser de um dia. A BURGUESIA E O ESTADO NACIONAL MODERNO Processo de centralização do poder e de unificação política ocorrida na Baixa Idade Média e que vai promover o fortalecimento do poder real e o surgimento das modernas nações. uma semana. dos governos e das instituições nacionais.Sentinela o jornaleiro da oficina medieval. 4. mais à centralização monárquica só foi possível graças à 204 . não era quem vendia jornal. A centralização monárquica criou as condições institucionais necessárias ao desenvolvimento econômico e cultural no final da Baixa Idade Média (de meados do século XII até o início do século XIV).

da produção. O surgimento da burguesia é também um fator importante para o surgimento do estado Nacional Moderno. O desenvolvimento da concorrência internacional comercial. Desenvolvimento cultural e artístico e a força econômica da burguesia. baseado na tradição. graças ao posterior enfraquecimento da nobreza. Expansão militar e territorial: cruzadas de Reconquista. das cidades. Capitulo 2 – O Estado Nacional Moderno  Introdução Porem temos que reforçar a idéia de que tudo isso acarretou enfraquecimento da nobreza feudal e a desintegração das formas políticas medievais o conseqüente fortalecimento do poder real. O renascimento comercial e urbano. Somando a tudo isto a crise do sistema feudal com a: dissolução da ordem feudal clássica. do comércio.estrutura que unificou: o processo de crescimento da população. A emergência do Estado Moderna coincidiu com a ruptura gradativa do sistema Socioeconômico da Idade Média. Portanto o Estado Nacional Moderno uma nova e singular forma 205 . A evolução da economia capitalista-burguesa. na hierarquia e nas ordens ou estados. A luta entre (burguesia X nobreza). graças à aliança do rei com a burguesia. das corporações de ofício. O fortalecimento da burguesia e a aliança do rei com a burguesia.

os progressos das línguas nacionais. com ela. dinástico em sua essência. o impulso de comercio. as lutas empreendidas em comum contra os vizinhos. Produto da consolidação dinástica. Tornouse a sua expressão. transformou-se. a afirmação das monarquias perante os regimes feudais. As razões disso são: o apego ao soberano. empregou os recursos materiais do território. O Estado Nacional Moderno. Fez-la desenvolver e. O Estado Moderno não criou a nação. dirigiu as energias da nobreza para o serviço nacional e centralizou cada vez mais a autoridade política. o Estado Nacional é a principal instituição política do Ocidente moderno. o desenvolvimento da instrução graças imprensa.  Características do Estado Nacional Moderno 206 .de organização política e perdurou na Europa dos séculos XIII ao XVIII. Cresciam na Europa ocidental as consciências nacionais. igualmente. favorecidos pelas administrações reais e.

No entanto.Observem a figura e como o rei esta em posição de destaque em posição maior a do que o Bispo ( Banquete oferecido por D. Séc XV ) Durante a Idade Média.João I ao Duque de Lancaster. alguns reis começaram a forjar os Estados nacionais. as formas políticas medievais diferiam 207 .

Para ocorrer à centralização do poder e com o fortalecimento do poder real. e junto com ele a unificação política. As pessoas viviam como membros de uma ordem (clero nobreza ou povo). a criação do braço forte do rei o Exército nacional e a conseqüente burocracia destas estruturas. as cidades livres e as assembléias representativas. os reis tinham de partilhar o poder político com os senhores feudais. Os teóricos da Igreja visionaram a Europa cristã como uma comunidade unitária.consideravelmente daquelas que se desenvolveram mais tarde. Na Idade Média. monetária. A autoridade central era contida por alçadas que se sobrepunham e por numerosas vassalagens que competiam entre si. na qual as preocupações espirituais prevaleciam sobre a autoridade monárquica. a centralização judiciária através de uma justiça real e seus juizes. e não como súditos e cidadãos de um Estado. o clero. Seria necessária a 208 . no início do período moderno. tributária.

Porem as fontes do poder real estavam ainda muito ligados ao sistema de idéias medieval. e para exercer seu poder na o Rei distribuía múltiplos privilégios. existem monarquias que permaneceram quase feudais. a exemplo da Polônia. as ordens procuram 3) Autonomia administrativa de certo número de corpos. corpos de cidade. Em toda parte. os súditos estão associados à administração do Estado Nacional Moderno. comunidades rurais sobre os quais. A religião era uma delas o rei teria o Direito Divino de governar. concedidos no momento de sua união ao reino e por razões particulares e amiúde confirmadas — a 2) Assembléias das ordens ou Estados Gerais a que o rei deve apelar freqüentemente para obter a ajuda financeira de seus súditos. Um pouco em toda parte. como a França ou Castela. corpos de oficio.eliminação do particularismo feudal (submetendo a nobreza) e do universalismo da Igreja (limitando sua atuação). e no direito romano. devido as distâncias e ao 209 . que os juristas lhe aplicam com mais ou menos êxito. No entanto o soberano não é proprietário de seus súditos. Outras que tendem para um absolutismo efetivo. entre eles: 1) Privilégios locais das províncias e das cidades. Deve governar respeitando a sua liberdade e seus bens em conformidade com a lei divina e com a lei natural. Além da religião as fontes do poder real situam-se em geral no direito feudal. que faz do rei o supremo suserano. Na verdade.

Esses laços entre economia. Por causa disso. No entanto os novos nobres permanecem demasiados pr6xinos dos interesses econômicos e se mostram devotados ao rei a quem devem as suas ascensão à segunda ordem. igualmente. Em compensação. sociedade e política condicionam o desenvolvimento dos Estados e diversificam na pratica instituições repetidamente.Inglaterra é o país em que esses privilégios locais são menos numerosos. A oposição entre nobreza e burguesia favoreceu mais os soberanos. bispados e abadias. Outorgou a alguns títulos de nobreza a. o rei se desobriga de inúmeras tarefas. O poder real necessitou freqüentemente dos burgueses para as suas finanças. Abandonando com nisso a própria independência perante o rei. Os tribunais de contas verificavam a contabilidade pública. A antiga nobreza continua a manter um estilo de vida dispendioso. 210 . comandos militares. pensões. enfim. pequeno número de seus agentes. senão ao cabo de diversas gerações e consagrando alguns de seus filhos à carreira das armas. valorizar o seu papel quando o soberano lhes solicita ajuda financeira. As cortes de auxílios representavam a suprema instância em matéria de impostos. ele os protegeu contra a nobreza e. tem de solicitar ao rei funções. contra levantes de trabalhadores. Mas esses novos nobres (nobreza togada) não conseguiram fundir-se na antiga nobreza (Nobreza de Espada).

− Imposição da justiça real. o termo define qualquer doutrina que afirme só haver um modo correto de interpretar. − Arrecadação de impostos “reais” − Unificação monetária. − Unificação do sistema de pesos e medidas. − Formação de um exército.”   Teorias do absolutismo 211 . explicar ou governar.  Definição de absolutismo Absolutismo (monarquia absoluta) “Sistema político no qual o poder fica nas mãos de um monarca ou de outro regente autoritário. Em filosofia. − Formação de uma burocracia.Resumindo o estado nacional moderno tinha as seguintes características − Centralização e unificação administrativa.

Leviatã é um monstro mítico. a a sagrada. Ou seja o s tudo quando o busca o interesse d Que de todas as formas de gove ele. 212 . O estado popular. o estado ar monárquico. Defesa do Principio do direito div poderes reais provem de Deus. A elaboração complexa de uma te o Estado é uma grande entidade dominaria todos os cidadãos.Teórico Nicolau Maquiavel (1492-1527) Jaen Bodin (1530-1596) Obra O príncipe Síntese do Pensamento. mu outros monstros que poderia sociedade (Leviatã segundo Hob rei). revoltar-se contra o rei eq contra Deus. Os seis livros da República Thomas Hobbes (1588-1679) Leviatã Jacques Bossuet (1627-1704) Política segundo a sagrada escritura A grande meta de Maquiavel é fo arte de dirigir uma nação dentro d justificam os meios”. É no estado monárquico que o r como um Pai pelo bem de todos o defesa da soberania da nação. seg primitiva estava mergulhada em que para obter a ordem os mem deveriam delegar poder a um ordem no caos.

Observem como o corpo do absolutismo rei é formado pelo corpo de seus súditos. A características do Esta é a capa da primeira edição da obra Leviatã. Para o rei. O príncipe apresenta-se como o arbitro supremo entre as ordens e os súditos. o absolutismo consiste na ausência de controle sobre sua ação e não na ausência de limites à sua autoridade. Consegue este intento na medida em que esses necessitam 213 . Deve impor a sua vontade aos mais poderosos de seus súditos.

a Capela. podemos distinguir oficiais permanentes da estrutura militar. atribuições militares. e conservam suas funções militares. membros de direita. feudos importantes sobre os quais o rei exerce menor ou maior autoridade. ao mesmo tempo. instrumento da justiça pessoal do rei (direito de evocação que tinha o rei sobre todas as causas). espécie de tribunal dos conflitos. entre eles se destacam os secretários de Estado.desse arbitramento. Os grandes dignitários são o chanceler. O domínio real estende-se sobre grande parte do reino. que são magistrados. No começo do século XVI é possível distinguir diversos corpos de oficiais reais: oficiais militares. e oficiais temporários (capitães comandantes de tropas). Existem. de justiça. a Cavalariça e o Conselho do rei composto dos pares de França e grandes oficiais da Coroa. mas entregam suas funções judiciárias a seus lugares-tenente togados. do Estado (governadores de províncias ou de cidades encarregados da manutenção da ordem. cujos órgãos principais são a Câmara. contudo. amiúde. As nações reforçam o 214 . e de grande dignitários convocados pelo rei. Deparavam-se a seguir as cortes soberanas. A esse Conselho demasiado numeroso e pouco manejável. de finanças. o rei prefere alguns conselheiros. Entre os oficiais militares. que acompanha o rei em suas deslocações. portanto de poderes militares e de “policia” ou de administração). Compreende a Casa do rei ligada ao serviço da pessoa real. que formam o Conselho secreto ou Conselho restrito. no corpo dos oficiais Alguns têm. As ordens do rei são transmitidas e executadas por oficiais ou por comissários incumbidos de missão tomados. trabalham na Chancelaria os secretários do rei. O centro do governo é a Corte. judiciárias e administrativas. Com a ascensão do Estado Absolutista. presidente da chancelaria e da justiça que preside o Conselho na ausência do rei. No alto da organização judiciária acabava de surgir o Grande Conselho.

Os reis da França e da Inglaterra possuem poderes taumatúrgicos reconhecidos pela Igreja. mas isso provoca os protestos dos franceses e dos ingleses.poder dos reis face ao papa. O papado.O poder absoluto nas mãos de um só soberano. Assim. Porem pela própria estrutura do absolutismo europeu o poder espiritual e poder temporal aparecem como que inseparáveis Ninguém contesta o principio capital do absolutismo. investidos de um caráter religioso. todavia. em 1496. Alexandre VI partilha as terras novas entre espanhóis e portuguesas. A atribuição deste poder curativo aos reis remonta o século XII. Só devem o seu cetro a Deus. e tal crença iria perdurar até o século XVII” (Os reis Taumaturgos) Marc Bloch. de resto. um papel de árbitro supremo entre as nações. teve de abrandar suas pretensões em relação aos reis. onde a ação dos soberanos deve ser inspirada pela religião. Entretanto. Resumindo o absolutismo tinha as seguintes características . 215 . No que dizer respeito ao sagrado. Ele conserva em certos casos.cia das letras ed. Taumaturgo: “o poder que os reis da França e da Inglaterra teriam de curar por meio de toque das mãos especialmente tuberculose (adenite tuberculosa). Em seus conselhos privativos que procuram a inspiração cristã de seus atos. no que respeita ao temporal. Eles estão. Os soberanos se libertaram dos conselhos da Igreja.

e de Isabel de Aragão.  As guerras de religião e o fortalecimento do estado francês Sob a diversidade das instituições. podemos reconhecer princípios comuns aos países da Cristandade ocidental. Na França Hugo Capeto. esta em jogo o controle da igreja dentro do território nacional.O rei era juiz supremo o que favorecia seu poder. Como vimos anteriormente em todo Estado emergente havia uma tensão entre os monarcas e o papado. neto de Luis IX.O rei tinha para manutenção de seu poder uma grande gama de funcionário. Porem a unidade da cristandade retrocedeu diante dos progressos das nações. o Belo. No entanto o maior conflito entre o Papado e a Monarquia francesa ascendente ocorreu com Filipe IV (1268-1314).O absolutismo restringe o poder papal. Conde de Paris. o trono francês em 987 iniciando o processo de centralização do poder que levaria a submissão dos senhores feudais. o audaz. São todos regidos em conformidade com os costumes políticos estreitamente adaptados aos princípios cristãos e as concepções sociais. Tais costumes tornam verdadeiras constituições consuetudinárias. . filho de Filipe III. . Filipe IV. assumiu.. Posteriormente Luís IX combateu o particularismo feudal com a ampliação dos poderes dos tribunais reais e instituindo uma moeda de circulação nacional. a semelhança de outros reis absolutistas jamais separava autoridade espiritual do poder temporal entrou em choque com a Igreja graças sua 216 .

forte oposição do papa Bonifácio VIII. Filipe IV. submissão de vários papas à tutela dos reis franceses com a supremacia do poder real sobre o poder espiritual. sem modificação dos princípios. Em 1417 foi eleito Martinho V que centralizou o poder da Igreja e Roma voltou a ser a única sede do papado. Com a morte de Bonifácio VIII. reservado até aí para o imperador dos romanos. Com medo de que o 217 . influenciando os membros do Conclave de Pérouse. interferiu na escolha do sucessor. Desse modo. transferiu a sede do papado de Roma para a cidade francesa de Avignon fato este que ficou conhecido como o Cisma do Ocidente ou Cativeiro de Avignon (1307-1377). onde o Papa Leão X autorizou que os reis da França indicassem pessoas de suas escolha para os altos cargos eclesiásticos.política de fortalecimento da monarquia e para contornar a crise econômica que seu reinado atravessava. Nesse período. Buscou apoio na Assembléia dos Estados Gerais que autorizou a cobrança dos impostos clericais. a Igreja chegou a ter três papas: um em Avignon. No entanto a reforma protestante desafiava a autoridade Real e ameaçava a própria unidade a França. foi concluída a Concordata de Bolonha. Com Francisco I (1515-1547) e Henrique II (1547-1559) produziuse uma mudança na forma de governar. que ameaçou excomungá-lo. que elegeram Clemente V (1305-1314) o novo papa pressionado pelo rei. A administração evoluiu no sentido da eficácia e de uma relativa padronização. outro em Roma e outro em Pisa. Com Francisco I. por isso. Conseqüências: oposição teológica e esgotamento do poder temporal da Igreja. Assistiu-se a um encolhimento da nação em redor do rei e a um reforço de funcionários na administração real. foi dado ao rei da França. o termo Majestade. inicialmente entrou em conflito com a poderosa Ordem dos Templários sendo diretamente responsável por sua Extinção e pela execução dos Grão-mestres da Ordem decidiu ainda cobrar impostos ao clero e enfrentou.

não ter um herdeiro masculino para o trono colocou outro Henrique.protestantismo enfraquecesse seu poder. que se tornou símbolo do abuso religioso. quem governava na França era Catarina de Médici. As Guerras civis iniciadas em 1562 ganharam mais intensidade depois da Noite de São Bartolomeu. mais que um simples documento. um chamado ao combate . Carlos IX (1560-1574) e Henrique III (1574-1589) — eram todos portadores de pouca capacidade de liderança e governo. em 1589. As grandes famílias aristocráticas. os intelectuais huguenotes extremados publicaram o “Vinadiciae contra Tyrannos”. na linha de sucessão francesa. De 1562 a 1598. No entanto o numero de Protestantes (Huguenotes) cresceu em na França. Francisco II (1559-1560). a França conheceu várias ondas de guerras religiosas. Em 1579. Henrique e os filhos que o sucederam. membro de uma poderosa família de banqueiros italianos. A era de supremacia real instituída por Francisco I teve um fim súbito durante o reinado de seu sucessor. que em 1572 ordenou a execução de milhares de protestantes pelos soldados reais em Paris — o infame massacre da Noite de São Bartolomeu. os Guise católicos e os Bourbon protestantes. e mesmo sua execução. o duque de Bourbon. organizaram exércitos que devastaram o território francês . Henrique renunciou à religião que adotara e abraçou o catolicismo. O fato de Henrique III. matando e aleijando seus adversários religiosos e desmantelando a autoridade do governo central. Francisco I declarou a Fé e as crenças protestantes ilegais. Durante o 218 . foi o primeiro manifesto no começo da Idade Moderna que justificava a rebelião contra um rei injusto. Casado com Catarina de Médici. Henrique II (1547-1559). sua famosa frase ao se converter ao Catolicismo Romano foi: Paris Bem Vale Uma Missa. Henrique de Bourbon era protestante porem entendendo que a a grande maioria da população católica não aceitaria um rei protestante. um protesto. arrastando-se até a morte do último Rei Valois. Graças a este vácuo de poder.

Apoiando os protestantes do Santo Império Romano Germânico contra a Espanha Católica. sob os reis Bourbon. A ética de Richelieu baseava-se num princípio sagrado. O rei Luís XIII (1610-1643) compreendeu que seu reinado necessitava de uma burocracia eficiente e incorruptível. diminuiu o poder dos grandes nobres limitando seus poderesd e proibindo seus privilégios tradicionais. A razão de Estado também orientou a política externa de Richelieu. Richelieu submeteu ao controle do rei os elementos que poderiam se opor ao poder absoluto do soberano. 219 . que tudo justificava na expressão por ele criada: razão de Estado. no século XVII. os reis franceses procuraram enfraquecer as bases de poder dos protestantes. de um tesouro farto e de uma constante e eficiente cobrança de impostos assim como de uma vigilância inflexível contra as aspirações ao poder. por parte da aristocracia e das cidades ainda em mão dos protestantes. (como duelar em vez de recorrer aos tribunais para solucionar disputas). Aumentou o poder central. O cardeal Richelieu. o edificador do absolutismo francês. facilitou o caminho para a consolidação do Estado francês. que serviu como primeiro-ministro de Luís XIII de 1624 a 1642. Luís XIII e Luís XIV.século XVII. Acima de tudo.  A consolidação do poder monárquico na França e na Inglaterra Bourbons na França A ruína do protestantismo na luta pelo poder na França. atacou o poder das cidades independentes e perseguiu os protestantes. que no seu entender era inimiga da França também católica.

foram levados a participar do círculo de influencia real. os comuns. como todo rei absolutista. promotor da política de industrialização.A adesão da França na Guerra dos Trinta Anos fortaleceu categoricamente o poderio francês no continente. astuto e dedicava muitas horas a construção de sua grandeza pessoal. Inteligente. Na verdade. aqui no caso os burgueses). Tudor na Inglaterra O reino da Inglaterra compreendia a Inglaterra e o País de Gales. O majestoso palácio de Versalhes foi arquitetado com este fim. antes ou depois dele teve tanta autoridade pessoal ou comandou um grupo administrativo tão eficiente. Richelieu morreu em 1642. Embora não tenham deixado de lado totalmente a nobreza. e Luís XIII no ano seguinte. continuou as políticas de Richelieu. A Escócia era um reino independente. “O Rei Sol”. O cardeal Mazarin. O reinado de Luís XIV representa a culminação do processo de ascenção da autoridade monárquica. mostrar ao mundo o poder do Rei Sol. (assim que os ingleses chamavam quem não era nobre. Durante seu reinado ele conseguiu o maior grau de poder absolutista obtido na Idade Moderna. A intenção de Henrique era subjugar a nobreza. Luís XIV. em 1661. Sob Henrique VII (1485-1509) chegou ao trono os Tudor. promoveu a ascensão da burguesia. aos quais se ligava. e recrutando burgueses entre seus ministros a exemplo de Colbert. do Conselho 220 . suas idéias podem ser resumidas na frase “L’État c’est moi”. nenhum monarca absoluto na Europa ocidental. estes ansiavam por aquilo que o rei tinha a oferecer: remuneração financeira e ascensão social. Com essa finalidade. ou plebeus. que chefiou o governo durante a menoridade de Luís XIV (este tinha cinco anos quando Luís XIII morreu). a participarem do governo. Com a morte do cardeal Mazarin. a Irlanda. ele ascendeu ao poder por meio da vitória militar na guerra civil. o Estado sou Eu. finalmente assumiu o governo. atraiu os comuns.

A Reforma Anglicana fortaleceu esse sentimento nacional.Privado. (A Invencível Armada) em 1588. que tentou restaurar ao catolicismo. Elisabete I. junto com ele protestantismo radical de alguns de seus conselheiros. Porem uma mudança na prática religiosa teria que ter o apoio do Parlamento. Com a morte de Henrique VIII. quando Henrique VIII (1509-1547) colocou-se na chefia da Igreja inglesa. A segunda filha de Henrique. tornou-se rainha em 1558 no lugar da irmã e reinou até 1603. fortalecido ainda mais com a guerra que Elisabete travava com a Espanha. as reformas iniciadas por Henrique VIII. 221 . A eficiência do governo Tudor evidenciou-se durante a Reforma anglicana. principalmente apos a derrota da Armada espanhola. No seu governo pode-se dizer que foi forjado um senso de identidade nacional. A Reforma na Inglaterra foi uma reforma de governo. e dos tribunais. este teve maior poder e importância com os Tudor. Muitos membros da aristocracia apegaram-se ao anglicanismo. afastando o poder da Igreja de Roma e administrando os bens eclesiásticos na Inglaterra. o doentio Eduardo VI (1547-1553). tiveram um retrocesso no agitado reinado de Maria (1553-1558). O Anglicanismo desempenhou um papel principal nesta luta de interesses políticos. subiu ao governo resistiu o filho Henrique. Atacou e venceu um importante empecilho à autoridade monárquica: o poder do papado. primeira filha de Henrique. quando faleceu.

portanto a constante interferência na economia dos governantes do Estado Nacional Moderno. Ele caracteriza o período da Revolução Comercial (Séculos XVI – XVIII) marcados como já Vimos pela desintegração do feudalismo e pela formação do Estado Nacional moderno. sustentar a burocracia estatal.Mercantilismo Introdução O papes da riqueza como meio de poder não deixava de ser uma evidencia para os governantes europeus no começo da idade média. Com uma doutrina feita mais basicamente de observações. O dinheiro permitia levantar e manter exércitos. o Mercantilismo se organizava e se reforçava na medida em que crescia a possibilidade de atuação do Estado Moderno. O mercantilismo é chamado também de Capitalismo mercantil. em resumo custear ambiciosos programas de governo.Capitulo 3. o mercantilismo é a política econômica do Absolutismo. (imagem de um porto na época moderna) 222 . a interferência na economia resultava n interferência do comércio. financiar guerras. A pratica econômica desta época resulta de uma série de conceitos que se conhece como o Nome de Mercantilismo. Não é de se estranhar. Classicamente.

A dinâmica do mercantilismo 223 .Os Portos passaram na época do mercantilismo a ter uma nova dinâmica.

Não constitui propriamente uma escola econômica sistemática de pensamento econômico. você esta me ajudando.Muito bem sentinela. mais se trata de um conjunto de práticas de definidas por caracteres comuns. Então vamos definir o conceito de mercantilismo. Mercantilismo: é a Política e Prática econômica do Absolutismo Sentinela o mercantilismo tem um conjunto de idéias que formam o corpo de sua doutrina. são elas: 224 . leia o quadro abaixo.

XVI e XVII. Deve-se exportar mais do que importar. . Protecionismo: adoção de um sistema de tarifas alfandegárias e cotas para restringir o fluxo de 225 importações.(elaborar esquema dentro destes moldes) Estado nacional moderno Séculos XV. Mercantilismo Balança Comercial Favorável: relação entre importação e exportação de um país.

Tratase como já vimos de uma política econômica protecionista e intervencionista. pois estendia a ação do poder político mediante leis de proibições no comercio nacional. A desenvolvimento econômico nacionalista que sobre existe em todos os paises mercantilistas do século XV e XVI. mais imposto). Levaram a construção de 226 . visando conseguir meios para o desenvolvimento nacional. Segundo a bens de consumo. mentalidade econômica da época teníase a julgar a riqueza com a posse de metais preciosos. TIPOS MERCANTILISMOS DE Industrialismo: Metalismo: conjunto de atividades Sistema monetário que tem como moeda-apoiadas pelo estado de padrão algum metal visão transformar precioso (ouro ou matéria-prima em prata).Colonialismo: Possuir colônias para que se estabelece uma relação comercial conhecida como Pacto Colonial. ( quanto mais ouro tenho mais rico sou) O incentivo à economia nacional e a defesa dos interesses próprios existem em todos os sistemas mercantilistas. os estados pretendiam promover o crescimento material dos seus súditos como base de sustentação de seu próprio poder (mais dinheiro.

basicamente. Industrialista O Estado inglês pretendeu implementar a (Inglaterra) indústria privada vigorosamente como o objetivo de estimular o desenvolvimento das fábricas nacionais. Comercial O comércio foi considerado pelos Holandeses e (Portugal. eles estavam ligados às riquezas que cada nação poderia extrair de suas colônias. As leis aduaneiras fizeram um papel importante para adquirir este objetivo. O protecionismo industrial representou outro fator importante. Para isto era fundamental para impedir a importação volumosa de 227 . As políticas econômicas mercantilista eram com guia. da difusão da fábrica rural para casa. Tipo: Bulionista Metalismo ( Espanha) Conceito: ou Caracterizado pela idéia de que quanto mais quantidade de metais preciosos tiver uns pais mais rico ele será. neste processo de garantir uma balança favorável de pagamentos para a economia nacional por meio da promulgação de medidas legais de caráter protecionista. característica do mercantilismo espanhol. porém.várias práticas mercantilistas. até 1580. mas. pelos portugueses a forma mais efetiva de e Holanda) promover a riqueza da nação. O desenvolvimento da indústria não dependeu exclusivamente.

manufaturas. em bens de luxo) 228 . Para eles a ação do governo dentro desta ótica era a mais importante elemento de riqueza de uma nação. e incentivava a industria de bens de Luxo. O sucesso desta política dependia não só do trabalho o empregado rural na produção de lã. mas também da barateza da lã inglesa e irlandesa que saturou o mercado. para fomentar a produção nacional. (o Colbertismo é um industrialismo especializado. foi ministro das finanças de Luis XVI. Pregava uma taxa sobre os lucros visando o enriquecimento do tesouro nacional. para equilibrar a balança comercial. Colbertista (França) Nome dado à política mercantilista da França durante o período em que Jean-Batiste Colbert (1619-1683). No caso Inglês da industria de lã. Cameralista Representava um anplo sistema de (Alemanha e administração pública e organização dos Austria) negócios financeiros do estado. Defendiam o aumento populacional como forma de incrementar o produto nacional e instimulavam o mercado interno mediante o incentivo ao consumo de produtos locais.

No campo econômico. O pensam que o dinheiro os mantém e não é deste modo: as propriedades figuradas e os gados e pescas são esses que dão amparo”. Pacto colonial PACTO COLONIAL: Conjunto de relações econômicas e políticas que subordinavam a colônia à metrópole.. o Pacto colonial significava uma série de obrigações de compra e venda da colônia com a metrópole..Isto mesmo sentinela. dinamizando o comércio Metrópole – colônia. La época mercantilista. razão da formação docontroladas por este. sendo os mecanismos desse comércio controlados de forma monopolistas pelas companhias de comércio. ao criar nas colônias um mercado produtor de matérias-primas e também consumidor de manufaturas. México. a dominação era exercida por meio da presença de autoridades civis nomeadas pela presença de autoridades da metrópole e cujo desempenho era assegurado pela ocupação militar. 1980. No plano político. formadas por capitais privados em associação com o estado ou totalmente Pacto colonial. representa O colonialismo. Heckesher. O comércio inicialmente vantajoso alcançou suas maiores possibilidades por meio 229 .O pensamento e as políticas mercantilistas tinham como guia o favorecimento do crescimento de populacional e a emigração de elementos produtivos para as colônias. outras das características principais das políticas de mercantilista.) o veneno que destrói as Repúblicas e as cidades. o espanhol Pedro de Valencia também escreveu em 1608: “O dano veio de ter muita prata e muito dinheiro que é e sempre foi (. Eli F. Fundo de cultura econômico ed.

do controle efetivo das áreas coloniais. A rivalidade dos países pelos interesses 230 . plantação em inglês. O conflito dos poderes para o controle de colônias fundamentalmente é explicado por razões de tipo econômico-mercantil. As colônias só poderiam fazer comércio com a metrópole. Pacto colonial era. A colônia fornecia produtos tropicais e matéria-prima para a metrópole e esta vendia manufaturas à colônia. a forma com que as metrópoles dominavam suas colônias. na verdade. Plantation. é o termo que se convencionou chamar as grandes fazendas com atividades monoculturas nas colônias de exploração. A subordinação econômica de áreas eternas da Europa (extraeuropeas) colonial constituíram uma condição do desenvolvimento capitalista da economia ocidental.

Eles não pretendiam voltar para a metrópole. graças ao Pacto Colonial. e organizaram estruturas que facilitariam sua vida no novo mundo. como não poderia deixar de ser. Colônias de exploração: A colonização neste tipo estava. cuja função era gerar riquezas para a metrópole. Por isso. era transformada em uma economia periférica. dentro dos moldes sistema mercantilista mundial. algumas colônias de exploração possuíam uma política de produto único. ou políticos. Colônias de Povoamento: geralmente organizadas por perseguidos religiosos.). Suriname etc. Cuba. Exemplo (Argentina. A economia. principalmente as do sul no atual EUA. Brasil. Haiti. Exemplos ( 13 colônias inglesas. Colônias Huguenotes na américa: França Antártica ) (fazer um esquema dentro destas informações) Modelo de Pacto Colonialcolonias de Exploração metrópole 231 .mercantis deu lugar ao aparecimento de um fenômeno relativamente novo no século XVI: as guerras econômicas.

manufaturas matérias primas Colonia Matéria prima (fumo-Cachaça) Escravos África A escravidão que nunca tinha sido definitivamente extinta na Idade média. a escravidão assume um aspecto racial até então não existente. 232 . esta assunto se aprofundara nos capítulos posteriores. mas reduzida a alguns prisioneiro de guerra. será efetivamente e durante a revolução comercial e na época mercantilista. por interesse econômico famílias e tribos inteiras foram escravizadas.