Predestinação

1. Argumentos bíblicos:

A. Textos bIbI¡cos que ¡nd¡cam a predest¡nacão.

Genesis 6, 45.8, 50.20;
Deuteronômio 32.4;
Salmo 65.4, 115.3, 139;
Provérbios 16, 21;
Eclesiastes 3;
Isaías 45;
Amós 3.6;
Mateus 11.25, 21.42
Marcos 13.20;
João 3.16, 6.37-39, 10, 13.18, 17.9
Atos 3.17,18, 4.27,28, 13.48, 22.14
Romanos 8.26-39, 9;
Efésios 1;
2 Tessalonicenses 2.13;
1 Timóteo 5.21;
2 Timóteo 1.9;
Tiago 1.13;
Apocalipse 6.11;

%. Fundamento bIbI¡co-teoIog¡co da predest¡nacão.

As Escrituras nos trazem diversos argumentos e ensinos bíblicos que nos mostram que
somos predestinados. As mais variadas doutrinas bíblicas apontam para esse fato, tendo como
pressuposto o entendimento de que Deus é soberano, portanto, ele é quem deve decidir quem irá
ou não para o céu. Vejamos algumas doutrinas que apontam para o fato de sermos predestinados.

I. Criação:

A doutrina da criação aponta para o fato de Deus ter feito todas as coisas. Não importa o
que se pense, foi criado por Deus. Isso implica propósito, dependência e pessoalidade. Tudo que
existe tem uma razão dentro dos decretos eternos de Deus, depende que o Criador a sustente e,
portanto, recebe uma atenção relacional direta do Criador. Como parte da criação, nós temos
propósito, dependemos de Deus em vários aspectos ± com poderá ser depreendido da doutrina da
queda, por exemplo ± e temos uma relação pessoal, como nenhuma outra criatura possui, pois,n
ao só recebemos a atenção de Deus, como também podemos responder a essa relação.

II. Queda:

O ensino bíblico da queda é uma das mais profundas doutrinas bíblicas. Os efeitos do
pecado sobre o homem nos deixa claro que nossa natureza não é pura, o que nos leva a ter uma
vontade escrava do pecado. Em João 8.34 vemos que todo pecador é escravo do pecado. Além
disso, em Efésios 2, vemos Paulo descrevendo nosso estando antes de sermos regenerados, nos
colocando uma mórbida estagnação. De fato, o pecado matou o homem, tornando-o incapacitado
espiritualmente falando. Nosso coração é descrito como sendo ³desesperadamente corrupto´ (Jr
17.9,10); daí a pergunta: - ³ Como um coração desses pode ir, por conta própria, na direção de
Deus?´
III. Novo nascimento (regeneração):

A doutrina do novo nascimento, ou da regeneração, que também é vista em Efésios 2.1-10,
é utilizada por Jesus para rejeitar o louvor feito à sua pessoa, por parte de Nicodemus. Em João 3
vemos esse judeu indo até Jesus e fazendo uma série de afirmações que, não estavam erradas,
mas não foram aceitas por Jesus. O ponto de nosso Redentor era que Nicodemus não sabia com
quem estava falando. Apesar de seus elogios, nada disso havia vindo da ação do Espírito lhe
regenerando. A prova de tal, foi o fato dele ter ido ver Jesus com medo, aproveitando o
anonimato da noite sem iluminação nas cidades daquela época.
A resposta de Jesus é bem contundente e clara: ³quem não nascer do Espírito, não verá o
Reino dos céus´. Mais do que isso, Cristo afirmou que esse mesmo Espírito vai onde quer, o que
está de acordo com o que diz João 1.12,13.

IV. Graça

Se sabemos realmente o que é graça, então não teremos outro modo de olhara para nossa
salvação que não como sendo fruto da ação de Deus. A comprovação bíblica de que Deus age
por graça sobre nossa vida é vasta. De fato, toda a Escritura descreve a incapacidade humana de
agradar a seu Criador e alcançar algum mérito perante ele. Isso nos leva a crer que a salvação no
pode incluir mérito algum e ser pela graça. Contudo, sempre é necessário que lembremos que
graça não é favor imerecido, mas favor imerecido alcançado por Cristo. Como vemos em Efésios
1, é por meio de Cristo que alcançamos todas as coisas. É nele que somos predestinados e somos
salvos. Isso nos leva a uma outra doutrina bíblica:

V. Glória de Cristo

Lendo textos como Efésios 1, Mateus 3.17, 17.5, 28.18, Filipenses 2.10,11, Hebreus 1.1-4,
vemos que a alegria do Pai está no Filho. É a glória de Cristo que o Senhor quer exaltar na
história da salvação. Eleger pessoas para que sejam salvas por ele é fazer com que todaa história
revele a glória do Filho. Apocalipse é o livro que mostra toda a glória da volta de Jesus, isso é, o
cumprimento de Filipenses 2.10,11. Crer que a salvação é uma questão de Livre Arbítrio é
roubar parte da Glória de Cristo.

VI. Revelação

A doutrina da revelação é de extrema importância. Ela está ligada, em alguma medida, a
todas as outras doutrinas aqui abordadas. Antes de tudo, a doutrina da revelação parte do
princípio de que não só a criação revela o ser de Deus, como sua razão de existência é justamente
essa. Salmo 19.1-6 nos mostra que Deus criou a fim de revelar-se, portanto, há um aspecto
revelacional na salvação que tem a ver com Deus e não com o homem. Romanos 1.17ss também
aponta para esse fato. Tal fato é corroborado por Pv 16.4, onde vemos que tudo que o Senhor
criou tem um propósito (Ec 3). Esta doutrina, mais do que tudo, afirma a soberania de Deus.
Além disso, a doutrina da revelação mostra que, se há revelação, portanto, há
conhecimento que tem e ser adquirido. O homem não pode olhar a criação e não reconhecer
Deus nela, pois este é o comportamento pecaminoso descrito em Romanos 1. O fato é que o
homem tem uma dependência epistemológica, ou cognitiva de seu Criador, o que é óbvio, pois,
se o Senhor criou todas as coisas, então, a verdade vem dele mesmo. Por este fato, o homem
precisa que Deus lhe revele a verdade sobre qualquer coisa, para que haja verdadeiro
conhecimento.
Seguindo o ponto anterior, vem a questão da queda. O pecado, antes de tudo, é algo que
afeta nosso conhecimento. Eva pecou por que pensou em seus próprios termos e não mais se
submeteu à verdade divina. A queda, portanto, é um problema que começa em nossa capacidade
de conhecer e entender a verdade, o que permeia todas as áreas da vida. É por essa questão que
Deus, além da própria criação, revelou-nos sua palavra e verdade personificadas em Cristo.
Desta forma, o homem pode ter melhor entendimento da revelação, além da própria redenção,
mas isso, desde que o Pai revele a quem ele quer (Mt 11.25).
O novo nascimento é justamente quando o homem se torna capaz de entender essa
verdade. A queda não tirou conhecimento do homem, mas o incapacitou a ter esse conhecimento.
Por isso, Deus trabalha nos regenerando e devolvendo a capacidade de entender sua verdade. A
regeneração é o princípio de vida que nos coloca, novamente, como vivos no cenário espiritual,
portanto, capazes de entender, aceitar e buscar a verdade divina.
Quanto a graça, a revelação é um grande símbolo disto. Por sua graça é que Deus nos
revela sua verdade. Jesus alegrou-se diante do Pai, pois este revelava suas coisas aos pequeninos.
Vemos, assim, a graça do Senhor ao revelar, pois o homem não tem qualquer direito sobre a
revelação, apenas a obrigação de entender o que já está exposto na criação. Oque vai além disso
é somente pela graça de Deus.
Em último lugar a doutrina da revelação se entrelaça com a da glória de Cristo pelo fato de
ser ele o máximo da revelação. Em meio a tantas coisas criadas e tantas revelações feitas por
Deus ao longo da história, Jesus é aquele não só que cumpre as promessas reveladas e os
propósitos do Criador, como ele mesmo é o máximo em matéria de revelação do Ser de Deus
(Hb 1.1-4).

2. Argumentos Filosóficos:

A. Genes¡s 1. Uma reaI¡dade cr¡ada (questão ep¡stemoIog¡ca)

Estarmos numa realidade criada significar muito para nosso entendimento da
predestinação. Nosso conhecimento deve começar nesse fato. Se somos criados, então, temos
uma relação pessoal, ou proposital entre o criador e a criatura. Isso significa que tudo que temos
ao nosso redor está foi feito para um propósito dentro das intenções do Criador.
Supor que Deus criou as coisas sem um objetivo é dizer que tudo existe sem razão ou
lugar. Contudo, isso não só é incompatível com uma realidade criada, como também é dizer que
cada coisa pode existir para si mesmo, já que o Criador não teria estabelecido razões e objetivos
para essas coisas. Isso nos leva a pensar que, se não há propósito, então, não há culpa.
Contudo, pela existência da lei e da responsabilidade, podemos ver que as coisas não são
assim. Deus tem um propósito para as coisas e, mais do que isso, por ser o Criador dessas coisas,
ele chegará ao seu propósito. Isso ocorrerá pelo segundo aspecto de sermos criados: tudo que
somos é concedido, não adquirido.
Costumamos pensar que nossos corpos foram criados, mas não costumamos ver nossas
capacidades e inclinações como criações. Tudo o que está em nós e a nossa volta não é obra do
acaso, da simples relação de causa e efeito, mas tudo isso tem sua origem em Deus.
Tudo aquilo que nos constitui é criado, portanto, tem um propósito. Sejam nossos corpos,
nossas capacidades ou mundo que nos cerca, inclusive conceitos e abstrações, tudo é criado, por
isso, fazem parte dos propósitos de Deus. Poderíamos nos deter em cada por menor, mas o que
mais gera dificuldades é a questão da vontade. Não conseguimos lidar, ou entender bem que
nossa vontade está ligada ao propósito de Deus.
Pensamos nessa capacidade inata como sendo algo livre, mas como ser livre numa
realidade criada? Nossa sensação é de que tudo que queremos vem de modo natural ± e de fato o
é ± mas natural é determinado numa realidade criada. O fato de não percebermos que fazemos
parte de um todo é resultado de nosso olhar que só alcança o que está dentro. Isso nos leva à
segunda questão filosófica: nossa cosmovisão.




%. իa +¡da deba¡xo do soIլ e o OIhar de Deus (Cosmo+¡são).

Em Eclesiastes vemos uma interessante forma de lidar com a questão da cosmovisão.
Salomão começa tratando as coisas com seu olhar humano, restrito ao que ele chamou de
³debaixo do sol´. Por meio desse olhar, Salomão não viu sentido na vida. A falta de significado
o levava e interpretar a vida como um contínuo círculo de idas e vindas. O rio que continuamente
corre par ao mar. O sol que nasce e se põe. A vida que se inicia e acaba.
Olhando como uma criatura, Salomão só via a inutilidade desta vida. Mas, em contraste
com esse olhar, o sábio rei também mostrou o olhar acima do sol. Olhando a vida com a visão de
Deus, há sentido para todo esse ciclo vicioso. Todas as coisas, segundo Salomão, tem o propósito
determinado por Deus e nossa missão é temer esse Deus que a tudo fez e guardar sua lei.
Enquanto vida para aqueles que estão debaixo do sol é nascer, trabalhar e morrer, para
Salomão ela se define em Deus. No capítulo 12, vemos que o melhor da vida é o voltar-se para o
Senhor. É por isso que ele recomendou que nos lembrássemos do Criador nos dias da mocidade,
para que nossa vida tivesse sentido o quanto antes.
É essa crise entre o que vemos debaixo do sol e o modo como Deus olha de cima dele que
nos atrapalha tanto. Daqui, tudo parece obra do acaso e das escolhas feitas, mas, segundo o olhar
de Deus, tudo acontece em seu tempo determinado, para as razões estabelecidas. Portanto, o que
nos parece algo, de fato, tem outra interpretação quando partimos do ponto de vista de Deus. Isso
nos leva a rever a relação causa e efeito.

C. PeIacão causa e eIe¡to

A relação causa e efeito é a idéia de que tudo acontece por uma causa. A relação é
inegável, já que tudo acontece por uma razão. De fato, não conseguimos pensar de um modo
diferente desta relação. Se nascemos, é porque nossos pais tiveram relação sexual. Se caímos, é
porque tropeçamos, nos derrubaram ou passamos mal. Não conseguimos estabelecer nosso
raciocínio de outro modo.
O que não percebemos é que essa relação é criada. A ligação de um fato com outro não é a
forma de existência original. Quando olhamos para a pessoa de Deus, nos perguntamos sobre sua
origem. Se ele não é criatura, mas criador, então ele não pode ter uma causa, mas só pode ser
todo causa. Isso significa que Deus, em última estância, é a causa de todas as coisas, mas não é
efeito de coisa alguma.
De modo difícil para nosso entendimento, ele não existe a partir da relação de causa e
efeito. Sua ontologia misteriosa nos leva a pensar que a origem da causa e efeito não está nessa
relação, o que nos conduz ao fato de que, sendo ela criada, ela também faz parte do propósito do
Criador.
Nossa existência, como já deve ser claro, é dentro desta relação. Nascemos por causa da
relação entre duas pessoas. Crescemos porque nos alimentamos e, nesse processo, nos tornamos
algo: nervosos, educados, gentis, professores, advogados, pastores, viciados em algo, com
tendências, gostos e preferências. Se olharmos bem, sempre encontraremos uma causa e veremos
os porques de nossas vidas. Isso se torna intrigante quando nos lembramos que não só nossa
capacidade de ter vontade, gosto e preferências foram criados, mas também o mundo de
circunstâncias de causa e efeito que produziu todas essas coisas em nossa existência.
Desta forma, não é difícil vermos como o Senhor usa todas as coisas para cumprir seu
plano. Ele não precisa forçar, torcer ou distorcer qualquer coisa; ele apenas as criou. Tudo existe
para seguir seu propósito. Contudo, isso não funciona de modo independente, pois a Bíblia nos
mostra que o criador sustenta tudo isso de modo contínuo: Salmo 104; Efésios 1.10.
Deus não só estabeleceu uma existência, como também estabeleceu uma forma de
existência. Todas as coisas estão submissas à leis e regras de existência que ele estabeleceu.
Ainda que pensemos naqueles que desobedecem suas leis, lembremos que nenhum, nenhum
sequer vai fugir das penalidades desta desobediência. Isso significa que eles, assim como os que
³obedecem´, estão presos à realidade criada por Deus.
Desta forma, vemos que a relação causa e efeito estabelece a relação ato e
responsabilidade. A causa última é Deus em qualquer caso, pois ele quer que haja criação e ação,
mas a causa direta é a responsável, tanto para o bem, quanto para o mal. Podemos ver isso na
penalização dos condenados e na ³galarduação´ dos salvos. Todos são parte do mundo criado
por Deus e são responsabilizados recebendo algo por seus atos. A Bíblia mostra, claramente, que
tanto o ímpio (Pv 16.4; Rm 9) como o salvo (Ef 2.10) tem suas vidas estabelecidas segundo a
vontade de Deus e recebem dele o que lhes reservado.
A responsabilidade está conectada ao ato direto, não à vontade. Isso é estabelecido por
Deus. Não é a liberdade de se fazer diferente que nos traz a culpa, mas o fato de estarmos
diretamente ligados ao ato. Numa relação de causa e efeito é muito difícil pensarmos em
liberdade a este modo, pois agimos segundo o que somos e não escolhemos aquilo que nos
define. Nossos gostos, preferências e conhecimentos são parte de nós através de um processo de
fatos que não podem se controlados por nós, mas que nos influenciam impreterivelmente. Isso
nos leva ao fato de que nossa responsabilidade está ligada ao que de fato fazemos segundo o que
somos

3. Argumentos contrários:

Os principais opositores da doutrina da predestinação, os arminianos, tem diversos pontos
contrários a esta doutrina. Dentre eles estão:
1. Não há escolha real na doutrina da salvação; não há livre-arbítrio;
2. Não há responsabilidade real se não há liberdade de escolha;
3. Deus estaria sobre o controle do mal e, portanto, culpado por todo mal que acontece;
4. Se não há liberdade, então não há amor verdadeiro entre Deus e seu povo, pois este o
ama por predestinação e não por livre vontade;

4. O que a predestinação não é:

A predestinação não é uma doutrina sobre destinos, mas sobre a história: com princípio,
meio e fim;
A predestinação não é uma negação da vontade humana; homens fazem escolhas reais,
pois não são forçados a nada, apenas agem segundo o que há neles mesmos;
A predestinação não é desculpa para a estagnação; só Deus sabe de seus planos, nós
fazemos escolhas segundo o que sabemos, ainda que essas escolhas estejam dentro dos planos de
Deus;

5. Leituras recomendadas:

NASH, Ronald, Questões últimas da vida. (São Paulo) Cultura Cristã.
WRIGHT, R K Mc Gregor, A Soberania Banida. (São Paulo) Cultura Cristã.
PORTELA, Solano, Predestinação, disponível em
http://www.solanoportela.net/artigos/estudo_predestinacao.htm.
CORNER, Daniel D., The Beliver¶s Conditional Security: Eternal Security Refuted.
(Washington) Evangelical Outreach.
Confissão de Fé de Westminster.

Cristo afirmou que esse mesmo Espírito vai onde quer. onde vemos que tudo que o Senhor criou tem um propósito (Ec 3). mais do que tudo. se o Senhor criou todas as coisas. sempre é necessário que lembremos que graça não é favor imerecido. como sua razão de existência é justamente essa. Em João 3 vemos esse judeu indo até Jesus e fazendo uma série de afirmações que. Além disso. Mais do que isso. vem a questão da queda. aproveitando o anonimato da noite sem iluminação nas cidades daquela época. então não teremos outro modo de olhara para nossa salvação que não como sendo fruto da ação de Deus.11. Novo nascimento (regeneração): A doutrina do novo nascimento.17. isso é. A queda.13. Romanos 1.10. O fato é que o homem tem uma dependência epistemológica. 28. Tal fato é corroborado por Pv 16. em alguma medida. vemos que a alegria do Pai está no Filho. portanto. Como vemos em Efésios 1. há conhecimento que tem e ser adquirido.11. não estavam erradas. é um problema que começa em nossa capacidade . é utilizada por Jesus para rejeitar o louvor feito à sua pessoa. É nele que somos predestinados e somos salvos. que também é vista em Efésios 2. Filipenses 2. Revelação A doutrina da revelação é de extrema importância. Graça Se sabemos realmente o que é graça. o que é óbvio.1-6 nos mostra que Deus criou a fim de revelar-se. Hebreus 1. A comprovação bíblica de que Deus age por graça sobre nossa vida é vasta. portanto.1-4. De fato.12. Mateus 3. o homem precisa que Deus lhe revele a verdade sobre qualquer coisa. VI. é algo que afeta nosso conhecimento. o cumprimento de Filipenses 2. Esta doutrina.18. toda a Escritura descreve a incapacidade humana de agradar a seu Criador e alcançar algum mérito perante ele.III. Apesar de seus elogios. Eleger pessoas para que sejam salvas por ele é fazer com que toda a história revele a glória do Filho.10. Contudo. A resposta de Jesus é bem contundente e clara: ³quem não nascer do Espírito. IV. ou cognitiva de seu Criador. a todas as outras doutrinas aqui abordadas. Antes de tudo. a doutrina da revelação parte do princípio de que não só a criação revela o ser de Deus. não verá o Reino dos céus´. para que haja verdadeiro conhecimento. afirma a soberania de Deus. A prova de tal. Isso nos leva a uma outra doutrina bíblica: V. É a glória de Cristo que o Senhor quer exaltar na história da salvação. é por meio de Cristo que alcançamos todas as coisas. Por este fato. ou da regeneração. Apocalipse é o livro que mostra toda a glória da volta de Jesus. pois. Eva pecou por que pensou em seus próprios termos e não mais se submeteu à verdade divina. há um aspecto revelacional na salvação que tem a ver com Deus e não com o homem.4.5. O ponto de nosso Redentor era que Nicodemus não sabia com quem estava falando. a verdade vem dele mesmo. O homem não pode olhar a criação e não reconhecer Deus nela. por parte de Nicodemus. nada disso havia vindo da ação do Espírito lhe regenerando. pois este é o comportamento pecaminoso descrito em Romanos 1. o que está de acordo com o que diz João 1. se há revelação. mas favor imerecido alcançado por Cristo. Seguindo o ponto anterior. portanto. mas não foram aceitas por Jesus. Glória de Cristo Lendo textos como Efésios 1. Salmo 19.17ss também aponta para esse fato. O pecado. foi o fato dele ter ido ver Jesus com medo.1-10. Isso nos leva a crer que a salvação no pode incluir mérito algum e ser pela graça. 17. a doutrina da revelação mostra que. Crer que a salvação é uma questão de Livre Arbítrio é roubar parte da Glória de Cristo. Ela está ligada. então. antes de tudo.

de conhecer e entender a verdade. assim. Jesus é aquele não só que cumpre as promessas reveladas e os propósitos do Criador. Em meio a tantas coisas criadas e tantas revelações feitas por Deus ao longo da história. pois o homem não tem qualquer direito sobre a revelação. mas o incapacitou a ter esse conhecimento. além da própria redenção. portanto. desde que o Pai revele a quem ele quer (Mt 11.25). pois este revelava suas coisas aos pequeninos. A regeneração é o princípio de vida que nos coloca. O que vai além disso é somente pela graça de Deus. Por sua graça é que Deus nos revela sua verdade. apenas a obrigação de entender o que já está exposto na criação. o homem pode ter melhor entendimento da revelação. aceitar e buscar a verdade divina. Desta forma. É por essa questão que Deus. 2. Quanto a graça. A queda não tirou conhecimento do homem. a graça do Senhor ao revelar. como vivos no cenário espiritual. Argumentos Filosóficos : $*HQHVLV8PDUHDOLGDGHFULDGD TXHVW¤RHSLVWHPRO´JLFD. Em último lugar a doutrina da revelação se entrelaça com a da glória de Cristo pelo fato de ser ele o máximo da revelação. como ele mesmo é o máximo em matéria de revelação do Ser de Deus (Hb 1. Deus trabalha nos regenerando e devolvendo a capacidade de entender sua verdade. mas isso. capazes de entender. Jesus alegrou-se diante do Pai. Por isso. O novo nascimento é justamente quando o homem se torna capaz de entender essa verdade. além da própria criação. revelou-nos sua palavra e verdade personificadas em Cristo. a revelação é um grande símbolo disto. novamente. o que permeia todas as áreas da vida. Vemos.1-4).

Costumamos pensar que nossos corpos foram criados. mas não costumamos ver nossas capacidades e inclinações como criações. ou proposital entre o criador e a criatura. nossas capacidades ou mundo que nos cerca. por ser o Criador dessas coisas. Contudo. Tudo aquilo que nos constitui é criado. Isso ocorrerá pelo segundo aspecto de sermos criados: tudo que somos é concedido. ou entender bem que nossa vontade está ligada ao propósito de Deus. mas o que mais gera dificuldades é a questão da vontade. Isso significa que tudo que temos ao nosso redor está foi feito para um propósito dentro das intenções do Criador. Pensamos nessa capacidade inata como sendo algo livre. Nosso conhecimento deve começar nesse fato. portanto. não há culpa. como também é dizer que cada coisa pode existir para si mesmo. isso não só é incompatível com uma realidade criada. fazem parte dos propósitos de Deus. se não há propósito. ele chegará ao seu propósito. mas tudo isso tem sua origem em Deus. Isso nos leva à segunda questão filosófica: nossa cosmovisão. já que o Criador não teria estabelecido razões e objetivos para essas coisas. tem um propósito. tudo é criado. Deus tem um propósito para as coisas e. Isso nos leva a pensar que. Sejam nossos corpos. pela existência da lei e da responsabilidade. Supor que Deus criou as coisas sem um objetivo é dizer que tudo existe sem razão ou lugar. temos uma relação pessoal. O fato de não percebermos que fazemos parte de um todo é resultado de nosso olhar que só alcança o que está dentro. Se somos criados. inclusive conceitos e abstrações. por isso. então. Contudo. da simples relação de causa e efeito. podemos ver que as coisas não são assim. Estarmos numa realidade criada significar muito para nosso entendimento da predestinação. não adquirido. então. mais do que isso. Poderíamos nos deter em cada por menor. mas como ser livre numa realidade criada? Nossa sensação é de que tudo que queremos vem de modo natural ± e de fato o é ± mas natural é determinado numa realidade criada. Tudo o que está em nós e a nossa volta não é obra do acaso. Não conseguimos lidar.  .

% DYLGDGHEDL[RGRVRO HR2OKDUGH'HXV &RVPRYLV¤R.

ele apenas as criou. Em Eclesiastes vemos uma interessante forma de lidar com a questão da cosmovisão. para as razões estabelecidas. O sol que nasce e se põe. o sábio rei também mostrou o olhar acima do sol. mas criador. No capítulo 12. Se olharmos bem. Ainda que pensemos naqueles que desobedecem suas leis. Se ele não é criatura. é porque tropeçamos. em contraste com esse olhar. Isso se torna intrigante quando nos lembramos que não só nossa capacidade de ter vontade. sempre encontraremos uma causa e veremos os porques de nossas vidas. Portanto. Todas as coisas. trabalhar e morrer. segundo o olhar de Deus. ele não existe a partir da relação de causa e efeito. há sentido para todo esse ciclo vicioso. O rio que continuamente corre par ao mar. gostos e preferências. ela também faz parte do propósito do Criador. Nossa existência. Se nascemos. é a causa de todas as coisas. Não conseguimos estabelecer nosso raciocínio de outro modo. nesse processo. o que nos conduz ao fato de que. Isso nos leva a rever a relação causa e efeito. com tendências. Olhando como uma criatura. viciados em algo. Se caímos. como também estabeleceu uma forma de existência. para que nossa vida tivesse sentido o quanto antes. mas. mas só pode ser todo causa. sendo ela criada. Salomão não viu sentido na vida. mas também o mundo de circunstâncias de causa e efeito que produziu todas essas coisas em nossa existência. Contudo. De fato. Ele não precisa forçar. pois a Bíblia nos mostra que o criador sustenta tudo isso de modo contínuo: Salmo 104. em última estância. Tudo existe para seguir seu propósito. É por isso que ele recomendou que nos lembrássemos do Criador nos dias da mocidade. tudo parece obra do acaso e das escolhas feitas. gentis. é dentro desta relação. Isso significa que eles. gosto e preferências foram criados. professores. lembrem que nenhum. para Salomão ela se define em Deus. Salomão só via a inutilidade desta vida. nos tornamos algo: nervosos. Sua ontologia misteriosa nos leva a pensar que a origem da causa e efeito não está nessa relação. então ele não pode ter uma causa. Salomão começa tratando as coisas com seu olhar humano. de fato. &5HOD¨¤RFDXVDHHIHLWR A relação causa e efeito é a idéia de que tudo acontece por uma causa. como já deve ser claro. pastores. Deus não só estabeleceu uma existência. A falta de significado o levava e interpretar a vida como um contínuo círculo de idas e vindas. já que tudo acontece por uma razão. Desta forma. o que nos parece algo. mas não é efeito de coisa alguma. segundo Salomão. vemos que o melhor da vida é o voltar-se para o Senhor. É essa crise entre o que vemos debaixo do sol e o modo como Deus olha de cima dele que nos atrapalha tanto. Todas as coisas estão submissas à leis e regras de existência que ele estabeleceu. estão presos à realidade criada por Deus. restrito ao que ele chamou de ³debaixo do sol´. Crescemos porque nos alimentamos e. não é difícil vermos como o Senhor usa todas as coisas para cumprir seu plano. nos perguntamos sobre sua origem. Olhando a vida com a visão de Deus. é porque nossos pais tiveram relação sexual. . De modo difícil para nosso entendimento. tem o propósito determinado por Deus e nossa missão é temer esse Deus que a tudo fez e guardar sua lei. A relação é inegável. Quando olhamos para a pessoa de Deus.10. Por meio desse olhar. Daqui. torcer ou distorcer qualquer coisa. tem outra interpretação quando partimos do ponto de vista de Deus. advogados. não conseguimos pensar de um modo diferente desta relação. Efésios 1. Isso significa que Deus. Nascemos por causa da relação entre duas pessoas. nos derrubaram ou passamos mal. educados. tudo acontece em seu tempo determinado. O que não percebemos é que essa relação é criada. A vida que se inicia e acaba. nenhum os sequer vai fugir das penalidades desta desobediência. A ligação de um fato com outro não é a forma de existência original. isso não funciona de modo independente. Mas. Enquanto vida para aqueles que estão debaixo do sol é nascer. assim como os que ³obedecem´.

pois ele quer que haja criação e ação. (São Paulo) Cultura Cristã. Confissão de Fé de Westminster. apenas agem segundo o que há neles mesmos. ainda que essas escolhas estejam dentro dos planos de Deus. Argumentos contrários: Os principais opositores da doutrina da predestinação. Não há escolha real na doutrina da salvação. meio e fim. The Beliver¶s Conditional Security: Eternal Security Refuted. 2. Nossos gostos. quanto para o mal. Solano. A Bíblia mostra.solanoportela. culpado por todo mal que acontece.4. Se não há liberdade. Isso é estabelecido por Deus. homens fazem escolhas reais.htm.net/artigos/estudo_predestinacao.. não há livre-arbítrio. pois não são forçados a nada. os arminianos. (Washington) Evangelical Outreach. Questões últimas da vida. R K Mc Gregor. 5. A responsabilidade está conectada ao ato direto. Rm 9) como o salvo (Ef 2. (São Paulo) Cultura Cristã. Podemos ver isso na penalização dos condenados e na ³galarduação´ dos salvos. claramente. 3. vemos que a relação causa e efeito estabel ce a relação ato e e responsabilidade. . Deus estaria sobre o controle do mal e. tem diversos pontos contrários a esta doutrina. Não há responsabilidade real se não há liberdade de escolha. A causa última é Deus em qualquer caso. Leituras recomendadas : NASH. mas que nos influenciam impreterivelmente. mas a causa direta é a responsável. Dentre eles estão: 1. mas sobre a história: com princípio. não à vontade. tanto para o bem. PORTELA. Isso nos leva ao fato de que nossa responsabilidade está ligada ao que de fato fazemos segundo o que somos 3. então não há amor verdadeiro entre Deus e seu povo. pois agimos segundo o que somos e não escolhemos aquilo que nos define. nós fazemos escolhas segundo o que sabemos. só Deus sabe de seus planos. preferências e conhecimentos são parte de nós através de um processo de fatos que não podem se controlados por nós. A predestinação não é uma negação da vontade humana. A predestinação não é desculpa para a estagnação. pois este o ama por predestinação e não por livre vontade. que tanto o ímpio (Pv 16. Numa relação de causa e efeito é muito difícil pensarmos em liberdade a este modo. A Soberania Banida. 4. Todos são parte do mundo criado por Deus e são responsabilizados recebendo algo por seus atos. 4. Daniel D. mas o fato de estarmos diretamente ligados ao ato. CORNER. Ronald. WRIGHT. portanto.Desta forma. O que a predestinação não é : A predestinação não é uma doutrina sobre destinos. Não é a liberdade de se fazer diferente que nos traz a culpa.10) tem suas vidas estabelecidas segundo a vontade de Deus e recebem dele o que lhes reservado. disponível em http://www. Predestinação.

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