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www.ebooksbrasil.org
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Noiics Drancas
Fcdor Dosioicvsli
Traduçao. Carlos Lourcs

Crcdiios da digiializaçao. Siic ºO Dialciico"
www.odialciico.Ipg.ig.con.lr1

Vcrsao para cDool
cDoolsDrasil

Fonic Digiial
Siic ºO Dialciico"

Crcdiios das inagcns.
Capa.
Paric do posicr do filnc russo dc 1960
Dirigido por Ivan Pyr'cv
Ariisia. Iu. Tsarcv
fonic. www.piii.cdu
Inicrna.
Ilusiraçao dc Msiislav DoluzIinsly para a cdiçao
russa dc 1922
Fonic. www.alcgallcry.con

©2003 ÷ Donínio Pullicoí¯|
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NOITES BRANCAS

F. DOSTOIEVSKI
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PRIMEIRA NOITE

Era una noiic naravilIosa, una dcssas
noiics quc apcnas sao possívcis quando sonos
jovcns, anigo lciior. O ccu csiava iao cIcio dc
csirclas, iao luninoso, quc qucn crgucssc os
olIos para clc sc vcria forçado a pcrguniar a si
ncsno. scra possívcl quc sol un ccu assin
possan vivcr Ioncns irriiados c capricIosos? A
propria pcrgunia c pucril, nuiio pucril, nas
o×ala o ScnIor, anigo lciior, lIa possa inspirar
nuiias vczcs!...
Mcdiiando solrc scnIorcs capricIosos c
irriiados, nao pudc inpcdir-nc dc rccordar a
ninIa propria conduia ÷ irrcprccnsívcl, alias ÷
ao longo dc iodo cssc dia. Logo pcla nanIa, fora
aiorncniado por un profundo c singular
alorrccincnio. Suliiancnic afigurou-sc-nc quc
csiava so, alandonado por iodos, quc ioda a
gcnic sc afasiava dc nin. Scria logico, na
vcrdadc, quc pcrguniassc a nin ncsno. nas
qucn c, afinal, «ioda a gcnic»? Na rcalidadc,
cnlora viva Ia oiio anos cn Sanpcicrslurgo,
quasc nao conscgui csialclcccr rclaçõcs con
ouiras pcssoas. Mas quc ncccssidadc icnIo cu dc
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rclaçõcs? ConIcço ja iodo Sanpcicrslurgo c foi
ialvcz por isso quc nc parcccu quc ioda a gcnic
nc alandonava, quando iodo o Sanpcicrslurgo
sc crgucu c lruscancnic pariiu para o canpo.
Fui ionado pclo rcccio dc nc cnconirar so c
duranic ircs dias iniciros crrci pcla cidadc
ncrgulIado nuna profunda nclancolia, scn
nada conprccndcr do quc sc passava conigo.
Pcrcorri a Pcrspcciiva, fui ao Jardin, crrci
airavcs do cais
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, c nao vi scqucr un dos rosios
quc cnconirava Ialiiualncnic ncsscs ncsnos
locais, scnprc à ncsna Iora c ao longo dc iodo o
ano. Elcs, cvidcnicncnic, nao nc conIcccn, nas
cu conIcço-os. ConIcço-os iniinancnic. Esiudci
as suas fisiononias ÷ sinio-nc fcliz quando
csiao alcgrcs c fico acalrunIado quando sc vclan
dc irisicza. Esialclcci laços quasc dc anizadc
con un vclIinIo quc iodos os dias cnconiro,
scnprc à ncsna Iora, na Fonianla
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. Tcn una
c×prcssao nuiio gravc c pcnsaiiva c sussurra
pcrnancnicncnic, falando consigo ncsno,
agiiando a nao csqucrda cnquanio con a dirciia
scgura una longa c nodosa lcngala con un
casiao dc ouro. Elc proprio nc rcconIccc,
dcdicando-nc un cordial inicrcssc. Sc, por
qualqucr cvcniualidadc, cu nao aparcccssc à
Iora do cosiunc ncssc ial siiio Ialiiual na
Fonianla, icnIo a ccricza dc quc icria un accsso
dc nclancolia. Assin, scniinos, por vczcs, a
icniaçao dc nos cunprincniarnos,
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principalncnic, quando csianos anlos dc lon
Iunor. Fcccnicncnic, cono nao nos vísscnos Ia
ja dois dias, ao icrcciro, quando nos
cnconiranos, íanos ja a lcvar as naos aos
cIapcus, nas rcprininos a icnpo cssa inicnçao,
lai×anos os lraços c passanos con sinpaiia un
pclo ouiro.
Para nin, ianlcn as casas sao vclIas
anigas. Ouando passcio, cada una dclas parccc
corrcr ao ncu cnconiro na rua. olIa-nc con
iodas as suas janclas, dizcndo-nc algo cono isio.
«Don dia! Cono csias? Eu vou lcn, graças a
Dcus, nuiio olrigada! En Maio vao-nc auncniar
un andar.» Ou. «Cono vais? AnanIa vou cnirar
cn olras.» Ou. «Esiivc quasc a ardcr c iivc
lasianic ncdo.» E ouiras coisas scnclIanics.
TcnIo algunas prcfcridas, íniinas. Una
dclas icn inicnçõcs dc fazcr una cura, ncsic
Vcrao, nas naos dc un arquiicio. Irci vc-la iodos
os dias, nao va clc naia-la; nunca sc salc. Dcus
a guardc!
Nunca csqucccrci a Iisioria dc una linda c
pcqucna casa cor-dc-rosa claro. Era una casinIa
dc pcdra, olIava-nc con un ar iao afavcl c
nirava iao orgulIosancnic as suas frias
vizinIas, quc o ncu coraçao sc alcgrava scnprc
quc passava dianic dcla. Suliiancnic, na
scnana passada, ia a passar na rua, olIci para a
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ninIa aniga c quc ouço cu? Un griio
dilaccranic. «Piniaran-nc dc anarclo!»
Malandros! Darlaros! Nao iivcran picdadc dc
nada, ncn das colunas, ncn das cornijas; cis a
ninIa aniga anarclo-canario. Ouasc iivc, por
causa disio, un dcrranancnio dc lílis, c aic
agora nao iivc coragcn para ir vcr a polrczinIa,
csiropiada, pinialgada con as corcs do Cclcsic
Inpcrio.
Por aqui ja vc, anigo lciior, cono icnIo
rclaçõcs con iodo Sanpcicrslurgo.
Ja dissc quc duranic ircs dias fui
aiorncniado por una gravc inquiciaçao aic ao
noncnio cn quc dcscolri a sua causa. Na rua
scniia-nc indisposio (csic auscniou-sc, aquclc
saiu da cidadc; para ondc icra ido aquclc ouiro?i,
c na ninIa casa ianlcn nc scniia nal. Passci
duas noiics a pcrguniar a nin ncsno. quc
faliara no ncu quario?; por quc razao nc
inconodara ianio aqui csiar? ÷ c, pcrplc×o,
c×aninava as parcdcs vcrdcs, cncgrccidas dc
funo, o iccio colcrio pcla icia dc aranIa, con
ianio c×iio culiivada por Mairiona, passci cn
rcvisia iodo o ncu noliliario, c×aninci cadcira
por cadcira. nao csiara aqui o nal (pois sc una
so cadcira. quc scja nao csiivcr no scu lugar
Ialiiual ja nao nc sinio lcni? OlIava pcla jancla
÷ iralalIo pcrdido. nao conscguia o ncnor
alívio! Fui ao ponio dc cIanar Mairiona c dc ali
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ncsno lIc dirigir una paicrnal ccnsura por
causa da icia dc aranIa c, dc una nancira gcral,
pcla sua falia dc asscio. cla liniiou-sc, porcn, a
olIar-nc surprccndida; virando-nc as cosias scn
profcrir una unica palavra, dc nodo quc a icia dc
aranIa pcndc ainda iniacia do iccio. En suna,
apcnas csia nanIa adivinIci do quc sc iraia. EI,
nao Ia duvida dc quc foi para sc livrarcn dc nin
quc clcs fugiran para o canpo!
Pcrdocn-nc a vulgaridadc con quc nc
c×prino. nao nc sinio con disposiçao para usar
un csiilo rcquiniado...; a vcrdadc c quc iodo o
Sanpcicrslurgo fugira ou pariira para o canpo;
a vcrdadc c quc iodos os rcspciiavcis cavalIciros
da lurgucsia iinIan, aos ncus olIos, o ar dc
qucn csia cn vias dc ionar un fiacrc; cono
rcspciiavcis pais dc fanília quc, apos o iralalIo
quoiidiano, sc dirigisscn scn lagagcns para o
scio da fanília quc csiava no canpo; a vcrdadc c
quc iodos os iranscunics iinIan agora un ar
conplciancnic cspccial quc parccia dizcr a cada
pcssoa quc con clcs sc cruzava algo cono isio.
«Dcn salcn, so aqui csianos dc passagcn.
Dcniro dc duas Ioras pariinos para o canpo.» Sc
acaso via alrir-sc una jancla cn cujas vidraças
Iavian ianlorilado uns dcdinIos dclicados,
lrancos cono o açucar, c dclruçar-sc para a rua
a calccinIa dc una linda rapariga para cIanar o
vcndcdor dc vasos dc florcs, dc rcpcnic parccia-
nc quc aquclas florcs cran conpradas por
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conprar (isio c, dc nodo algun para usufruir da
Prinavcra c dc florcs na ainosfcra sufocanic dc
un quarioi c quc cn lrcvc, rapidancnic, irian
iodos para o canpo lcvando-as consigo.
Alcn disso, fizcra ja progrcssos iais dcniro
dcsia ordcn pariicular dc dcscolcrias, nova para
nin, quc podia agora, infalivclncnic, à princira
visia, dcicrninar para quc aldcia iinIa ido csia
ou aqucla pcssoa. Os iurisias dc Kancnny Osirov
c das ilIas Apiclarsly ou da csirada dc PcicrIof
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disiinguian-sc pcla csiudada clcgancia das suas
nanciras, pclos scus nodcrnos faios dc Vcrao c
pclas lclas carruagcns cn quc sc dcslocavan à
cidadc. Os Ialiianics dc Pargolovo
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c das
povoaçõcs nais afasiadas disiinguian-sc
incdiaiancnic pcla sua scnsaicz c pclo scu ar
gravc. Os visiianics dc Krcsiovsli Osirov
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cran
rcconIccívcis pcla sua inpcriurlavcl jovialidadc.
Enconirava, acidcnialncnic, una longa
procissao dc carrocciros quc caninIavan
indolcnicncnic, scgurando as rcdcas nas naos, a
par dos scus carros carrcgados dc novcis
divcrsos, ncsas, cadciras, divas iurcos c ouiros, c
nais naicrial doncsiico cn cina do qual ia
nuiias vczcs, scniada, no iopo dc ioda aqucla
pilIa, una nagra criada vigiando ciosancnic os
Iavcrcs dos scus anos; via as larcas
pcsadancnic carrcgadas dc uicnsílios
doncsiicos, dcslizando solrc o Ncva ou solrc o
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Fonianla, dirigindo-sc para o rio Ncgro ou para
as IlIas
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c, carroças ou larcas, nuliiplicavan-sc
por dcz, por ccn, aos ncus olIos. Parccia-nc quc
iudo sc puscra cn narcIa pclas csiradas, quc
iodos cnigravan, cn cnorncs caravanas, para os
canpos c quc Sanpcicrslurgo ancaçava
iransfornar-sc nun dcscrio, dc ial nodo quc
acalci por ficar cnvcrgonIado, IunilIado, afliio.
cu nao iinIa scqucr un lugar no canpo para
ondc ir, ncn qualqucr razao para o fazcr. Esiava,
no cnianio, disposio a pariir a pc, con cada
carroça quc passava, a aconpanIar cada
cavalIciro dc aparcncia rcspciiavcl quc alugava
un fiacrc. Ncn un so, porcn, alsoluiancnic
ningucn, nc convidou. cono sc cu csiivcssc
csquccido, cono sc, na vcrdadc, fossc un
csiranIo para clcs!
Andci nuiio c duranic nuiio icnpo, dc ial
nodo quc cIcgara ja ao ponio dc, confornc cra
ncu Ialiio, csqucccr ondc csiava, quando, dc
suliio, nc cnconirci às porias da cidadc. Scnii-
nc, nun insianic, ionado dc alcgria c passci a
larrcira. Avancci cniao pclo ncio dc canpos
scncados c dc prados. Nao c×pcrincniava a
nínina fadiga, scniindo apcnas, con ioda a força
do ncu scr, quc una cspccic dc fardo dci×ava dc
pcsar solrc a ninIa alna. Todos os iranscunics
nc olIavan iao anavclncnic quc por pouco icr-
nc-ian cunprincniado; rcspiravan, iodos clcs,
una cspccic dc conicniancnio c iodos clcs, scn
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c×ccpçao, funavan cIaruios. Eu ianlcn nc
scniia conicnic cono nunca nc scniira anics.
Dir-sc-ia quc suliiancnic fora iransporiado para
Iialia, dc ial nodo o csplcndor da naiurcza nc
dcslunlrava, a nin, ciiadino ncio cnfcrno, ncio
asfi×iado cnirc as ninIas quairo parcdcs.
E×isic algo nuiio conovcnic, difícil dc
c×prinir, na paisagcn dos arrcdorcs dc
Sanpcicrslurgo quando, à apro×inaçao da
Prinavcra, nanifcsiando suliiancnic ioda a sua
violcncia, iodas as forças quc rccclcu do Ccu, sc
colrc dc viçosa vcrdura, sc adorna con o colorido
das florcs... Faz-nc involuniariancnic lcnlrar
una jovcn nacilcnia quc olIasscnos unas vczcs
con picdadc, ouiras con una pacicncia
conplaccnic c cuja prcscnça quasc nao noianos,
aic quc, dc rcpcnic, nun insianic lIc
cnconiranos una naravilIosa c inc×plicavcl
lclcza, ao ncsno icnpo quc, csiupcfacios,
ncrvosos, nos inicrroganos conirariados. quc
força icra fciio lrilIar con un ial fulgor csics
olIos pcnsaiivos c irisics? Ouc icra iingido dc
sanguc csias faccs nagras c palidas? Ouc icra
accndido a pai×ao ncsics dclicados iraços? Por
quc noiivo arfa dcsic nodo csic pciio? Ouc icra,
iao suliiancnic, povoado dc força, dc vida c dc
lclcza o rosio dcsia polrc rapariga, iluninando-o
con scnclIanic sorriso c cncIcndo-o dc una
alcgria iao radiosa c fulguranic? OlIarcnos cn
iorno dc nos, procurarcnos algucn,
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adivinIarcnos... Mas, passado csic insianic,
cnconirarcnos ialvcz no dia scguinic novancnic
o ncsno olIar pcnsaiivo c disiraído quc iinIa
anics, o ncsno rosio palido, a ncsna sulnissao
c iinidcz nos novincnios c aic ncsno un
arrcpcndincnio c os vcsiígios dc un noriificanic
alorrccincnio ou dcspciio por aquclc arrclaia-
ncnio dc un ninuio... Lancniarcnos cniao quc
aquclc fulgor, quc aqucla cfcncra lclcza, icnIa
iao dcprcssa, iao irrcvogavclncnic, fcnccido ÷
lancniarcnos por nao icrnos scqucr iido icnpo
dc a anar...
E no cnianio a ninIa noiic foi nais
provciiosa do quc o dia! Eis cono as coisas sc
passaran.
Fcgrcssci nuiio iardc à cidadc c ja iinIan
dado as dcz Ioras quando nc apro×inci da
ninIa casa. O caninIo quc pcrcorri passava
junio do cais do canal, ondc, àqucla Iora, nao sc
cnconirava vivalna. Na rcalidadc, noro nun
lairro lasianic afasiado. CaninIava caniando,
pois quando csiou conicnic gosio dc caniarolar,
cono qualqucr Ioncn fcliz quc nao icnIa
anigos, ncn conIccidos, c quc nos scus
noncnios dc ]cíícídudc nao icn con qucn
ConpariilIar a sua alcgria. Suliiancnic,
aconicccu-nc a nais incspcrada das avcniuras.
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Nun rccanio, apoiada ao parapciio da
nuralIa, csiava una nulIcr. Con os coiovclos
apoiados no gradcancnio, parccia olIar con
nuiia aicnçao a agua iurva do canal. Trazia un
loniio cIapclinIo anarclo c una cncaniadora
naniilIa ncgra. «É una rapariga c ccriancnic
norcna», pcnsci. Parccia nao ouvir os ncus
passos c ncn scqucr sc novcu quando passci por
cla, rcicndo a rcspiraçao c con o coraçao a laicr
violcniancnic. «EsiranIo!», pcnsci «Dcuc icr, scn
duvida, una grandc prcocupaçao»; c
lruscancnic dciivc-nc, cono quc prcgado ao
solo. Sin, nao nc cnganara. a jovcn cIorava. Un
noncnio dcpois, ouvi un novo soluço. Sanio
Dcus! O ncu coraçao conpriniu-sc dc angusiia.
Enlora Ialiiualncnic scja iínido con as
nulIcrcs, a vcrdadc c quc csic caso cra
c×ccpcional!... Volici airas, uns passos na sua
dircçao c icria forçosancnic diio.
«Mcnina!», sc nao iivcssc a conscicncia dc quc
csia c×clanaçao fora pronunciada ja nil vczcs cn
iodos os ronanccs nundanos. Foi a unica coisa
quc nc dcicvc. Porcn, cnquanio procurava una
palavra, a jovcn rcconpós-sc c, doninando-sc,
passcou un olIar cn iorno dc si, lai×ou a
calcça c dcslizou à ninIa frcnic ao longo do
canal. Incdiaiancnic, caninIci cn sua
pcrscguiçao, nas cla, dcscolrindo-o, dci×ou o
cais, airavcssou a rua c foi para o passcio do
ouiro lado. Nao ousci airavcssar, O ncu coraçao
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palpiiava cono o dc un passaro apanIado nuna
arnadilIa. Dc suliio, una casualidadc vcio cn
ncu au×ílio.
No passcio para quc a rapariga airavcssara
surgiu suliiancnic, pcrio dcla, un cavalIciro dc
fraquc, con una idadc nuiio rcspciiavcl, nas
con un ar quc nao o cra ianio. Canlalcava,
apoiando-sc cauiclosancnic nas nuralIas. A
rapariga caninIava aprcssada c iinidancnic,
cono succdc gcralncnic con as raparigas quc
nao qucrcn quc sc lIcs ofcrcça para as aconpa-
nIar à noiic aic suas casas, c, por ccrio, o
oscilanic cavalIciro nunca a icria conscguido
apanIar sc a ninIa loa csircla o nao iivcssc
induzido a rccorrcr a ncios dc circunsiancia. Dc
rcpcnic, scn dizcr palavra, o sujciio cncIcu-sc dc
coragcn c, con iodas as suas forças, dcsaiou a
corrcr cn pcrscguiçao da ninIa dcsconIccida.
Ela fugia, cclcrc cono o vcnio, nas o scnIor,
cnlora canlalcando, ia ganIando icrrcno, aic
quc a aiingiu. Ela soliou un griio a cu... dci
graças aos Ccus pcla c×cclcnic c nodosa lcngala
quc irazia na nao dirciia. Nun alrir c fccIar dc
olIos, cis-nc do ouiro lado da rua, c, ianlcn
nun alrir c fccIar dc olIos, o iniruso dcicvc-sc,
ionou cn considcraçao o ncu pcsado arguncnio,
calou-sc, ficou para iras, c apcnas 'quando íanos
ja nuiio longc nc aposirofou cn icrnos assaz
cncrgicos. As suas palavras, porcn, pcrdcran-sc
na disiancia.
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÷ Dc-nc o lraço ÷ dissc à dcsconIccida ÷,
pois assin clc nao ousara voliar a alorda-la.
Silcnciosa, csicndcu-nc o lraço ainda
ircnulo dc cnoçao c dc susio. OI, iniruso, cono
ic alcnçoci naquclc noncnio! OlIci-a
furiivancnic. confornc calculara, cra nuiio lcla
c norcna; sol as suas pcsianas ncgras lrilIavan
ainda pcqucnas lagrinas, lagrinas provocadas
pclo susio rcccnic ou pclo dcsgosio quc a fizcra
cIorar junio da nuralIa, nao salia. Nos scus
lalios, coniudo, rcsplandccia ja un sorriso.
OlIou-nc ianlcn dc soslaio, cnrulcsccu
lcvcncnic c lai×ou os olIos.
÷ Esia a vcr, Sc nao nc iivcssc rcpclido,
nada disio aconiccido...
÷ Mas cu nao o conIccia. Julguci quc o
scnIor ianlcn...
÷ E agora, ja nc conIccc?
÷ Un pouco. OlIc, por c×cnplo, porquc
ircnc?
÷ OI! AdivinIou logo! ÷ rcspondi,
cniusiasnado con o faio dc aqucla jovcn scr
inicligcnic. a inicligcncia so favorccc lclcza. ÷
Sin, logo à princira visia adivinIou qucn cu cra.
Con cfciio, sou iínido con as nulIcrcs, nao
ncgo quc csiou cnocionado, pclo ncnos ianio
16
cono a ncnina o csiava Ia noncnios, quando
aquclc sujciio a assusiou... Sinio una cspccic dc
ncdo, ncsia aliura. Dir-sc-ia quc vivo nun
sonIo, nas ncsno cn sonIos nunca acrcdiici
quc podcria un dia falar con una nulIcr, fossc
cla qucn fossc...
÷ O quc? Scra possívcl?...
÷ Sin, a ninIa nao ircnc, pois nunca ncla
sc apoiou una iao linda naozinIa... Pcrdi
conplciancnic o Ialiio dc lidar con nulIcrcs;
isio c, nunca iivc cssc Ialiio... Dcn vc, vivo so.
Ncn sci cono sc lIcs dcvc falar. OlIc, ainda
agora, consigo, nao sci sc ja lIc dissc alguna
iolicc. Sc assin aconicccu, diga-no francancnic,
pois aviso-a dc quc nao sou susccpiívcl...
÷ Nao, nao dissc qualqucr iolicc, anics pclo
conirario. E sc na vcrdadc qucr quc lIc scja
sinccra, pois lcn, dir-lIc-ci quc nulIcrcs
aprccian cssa iinidcz. E sc ainda qucr quc va
nais longc, digo-lIc quc nao fujo à rcgra c quc
nao o dcspcdirci aic nc icr aconpanIado a casa.
÷ Dada a nancira cono nc csia a iraiar ÷
conccci, anclanic dc cniusiasno ÷, dci×arci
agora ncsno dc scr iínido c, cniao, adcus iodas
as ninIas vaniagcns!...
÷ As suas vaniagcns? Mas quais vaniagcns?
Isso c quc ja nao csia lcn.
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÷ Pcrdao, nao insisiirci. A palavra cscapou-
sc-nc. Mas cono qucr quc nun noncnio cono
csic nao icnIa o dcscjo dc...
÷ Dc agradar, ialvcz?
÷ É isso ncsno! Mas, por anor dc Dcus,
scja lcncvola! Tcnic conprccndcr-nc. TcnIo ja
vinic a scis anos, lcn vc, c nunca nc rclacionci
con ningucn. Assin, cono qucr quc falc cono
dcvc scr, con à-voniadc c oporiunancnic? Scra
nclIor para anlos sc falarnos con
sinccridadc... Ouando o ncu coraçao fala, a
ninIa loca nao sc salc calar. Dcn, nas c a
ncsna coisa... Podcra acrcdiiar-nc? Ncn una
nulIcr, nunca, nunca! Ncn scqucr un anigo!
Apcsar disso, iodos os dias sonIo quc,
finalncnic, iardc ou ccdo, cnconirarci algucn.
AI, sc soulcssc quanias vczcs nc apai×onci
dcsia nancira!
÷ Mas cono? Por qucn sc apai×onou cniao?
÷ Por ningucn, por un idcal, apcnas, por
aqucla quc cn sonIos nc visiia. Crici, nos ncus
sonIos, ronanccs conplcios! A vcrdadc c quc
nao nc conIccc! A lcn dizcr, nao podia scr dc
ouira nancira. cnconirci duas ou ircs nulIcrcs
÷ nas scrian clas ncsno nulIcrcs? Eran
scnprc criadas ou donas dc casa quc... Vou fazc-
la rir sc lIc disscr quc icnici, por nais dc una
vcz, cnialular convcrsa, cono agora fazcnos,
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nuiio sinplcsncnic, con una arisiocraia, na
rua, csiando cla sozinIa, cvidcnicncnic;
cnialular convcrsa, claro, iinidancnic, rcspci-
iosancnic, apai×onadancnic. Dizcr-lIc quc
norro dc solidao, quc nao nc rcpila, quc nao
icnIo nancira dc conIcccr ncnIuna nulIcr,
dando-lIc ncsno a cnicndcr quc c dcvcr das
nulIcrcs nao rccusar a iínida suplica dc un
Ioncn iao infcliz cono cu. Ouc, cn suna, iudo
o quc pcço sc rcsunc a dirigir-nc algunas
palavras fraicrnas, una ou duas palavras dc
afcio, a nao nc rcpclir logo à princira icniaiiva, a
acrcdiiar na ninIa loa-fc, a cscuiar o quc lIc
disscr a zonlar dc nin, sc assin cnicndcr, nas
a dar-nc cspcrança dizcndo-nc duas palavras,
duas palavras apcnas, ncsno con a condiçao dc
nunca nais nos vcrnos!... Esia-sc a rir... Dc ]uto,
o quc lIc digo nao para ncnos...
÷ Nao sc zanguc. Fio-nc, pois o scnIor c o
scu proprio ininigo, pois, sc o iivcssc icniado,
icria ialvcz oliido c×iio, ncsno quc isso sc
passassc na rua. quanio nais sinplcs sc c,
nclIor... Nao Iavcria ncnIuna nulIcr, a nao scr
quc fossc una iola ou cniao quc csiivcssc dc nau
Iunor ncssc noncnio, quc iivcssc coragcn dc
lIc rccusar cssas duas palavras quc lIc
inplorava iao iinidancnic... Pcnsando nclIor,
quc digo cu? Ccriancnic quc o ionaria por un
louco. A vcrdadc c quc julgo as ouiras por nin.
Dcn sci cono csia gcnic c!
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÷ Agradcço-lIc nuiio! ÷ c×clanci. Ncn
scqucr podc conprccndcr o lcn quc acala dc nc
fazcr!
÷ Dcn, lcn! Diga-nc la una coisa. cono
concluiu quc cu cra a nulIcr quc... quc o ia
considcrar digno dc aicnçao, dc afcio... cn suna,
quc nao cra una criada ou una dona dc casa,
cono as ouiras dc quc falou? Por quc razao
dccidiu a alordar-nc?
÷ Porquc? Porquc? Talvcz porquc csiava so,
porquc aquclc cavalIciro cra dcnasiado aircvido,
por scr dc noiic. icn dc rcconIcccr quc nao podia
fazcr ouira coisa quc cra o ncu dcvcr...
÷ Nao, nao. Fcfiro-nc a noncnios anics,
junio da nuralIa.
÷ Nao c vcrdadc quc iinIa ja ncssa aliura a
inicnçao dc nc alordar?
÷ Junio da nuralIa? Mas, na rcalidadc, ncn
sci cono lIc rcspondcr, icno... Salc? Hojc
scniia-nc fcliz, caninIava, caniava, iinIa ido aic
aos arralaldcs, nunca vivcra Ioras dc iania
alcgria. E a ncnina.., ialvcz icnIa sido so
inprcssao ninIa.., cnfin, dcsculpc-nc sc lIo
rccordo, nas iivc a inprcssao dc quc cIorava, c
cniao cu.... nao suporici ial coisa... o coraçao
apcriou-sc-nc... Mcu Dcus, nao icria acaso o
dirciio dc nc cnirisicccr por sua causa? Tcra sido
20
pccado c×pcrincniar por si una fraicrna
conpai×ao?... Dcsculpc, cu dissc «conpai×ao»...
En suna, para icrninar, ic-la-ci ofcndido por nc
icr ocorrido involuniariancnic a idcia dc nc
dirigir a si?...
÷ Dci×c! Dasia! Nao coniinuc... ÷
inicrronpcu, lai×ando a calcça c apcriando-nc
a nao. ÷ Fui cu qucn andou nal cn lIc icr
falado nisio... Mas sinio-nc fcliz por nao nc icr
cnganado a scu rcspciio... CIcganos ja pcrio da
ninIa casa, c ao fundo dcsia rua, a dois passos
daqui.. Adcus, csiou-lIc nuiio graia...
÷ Eniao c possívcl? Scra possívcl quc nao
nos volicnos a vcr... Tudo ficara por aqui?
÷ Esia a vcr? ÷ rcspondcu, rindo-sc. ÷
Princiro so qucria duas palavras, c agora... Mas,
dc faio, nao lIc dirci adcus... Podc scr quc nos
volicnos a cnconirar...
÷ Virci ananIa. OI, dcsculpc-nc, cis-nc ja
a c×igir.
÷ Sin, o scnIor csia inpacicnic quasc
c×igc...
Escuic-nc so por un noncnio! ÷
inicrronpi-a. ÷ Pcrdoc-nc sc lIc digo nais una
coisa... É o scguinic. nao posso dci×ar dc aqui
voliar ananIa. Sou un sonIador; a ninIa vida
21
rcal iao rcduzida quc noncnios cono csics quc
agora vivo sao para nin dc ial nodo prcciosos
quc nao podcrci cviiar dc os rcproduzir nos ncus
sonIos. SonIarci consigo ioda a noiic, ioda a
scnana, iodo o ano. Voliarci olrigaioriancnic
aqui ananIa, jusiancnic aqui, a csic ncsno
local, a csia ncsna Iora, c scniir-nc-ci fcliz por
rccordar o quc Iojc aconicccu. Doravanic, csic
lugar c sagrado para nin. TcnIo ja dois ou ircs
locais cono csics cn Sanpcicrslurgo. Una vcz,
cIcguci ncsno a cIorar por causa dc una
rccordaçao scnclIanic à quc dc si vou guardar...
Oucn salc, ialvcz quc ianlcn a si, Ia dcz
ninuios, fossc una rccordaçao quc a fazia
cIorar... Mas dcsculpc-nc, csqucci-nc
novancnic... Talvcz quc un dia a ncnina icnIa
sido pariicularncnic fcliz aqui...
÷ Dcn ÷ dissc a jovcn ÷, adniianos,
voliarci aqui ananIa, às dcz Ioras, cono Iojc.
Vcjo quc nao o posso inpcdir... A vcrdadc c quc
icnIo ncccssidadc dc aqui vir; nao va julgar quc
lIc conccdo una cnircvisia. Fcpiio-lIc, icnIo dc
vir aqui por razõcs pcssoais. Mas, csia lcn...
Vanos la, dir-lIo-ci con franqucza. nao nc
dcsagradara sc o cnconirar. Alcn dc nais, podc
succdcr-nc algun dissalor cono o dc Iojc... En
suna, agradar-nc-ia vc-lo novancnic.., para lIc
dizcr duas palavras. No cnianio, vcja lcn, nao va
julgar-nc nal, nao crcia quc Ialiiualncnic
conccdo cnircvisias con iania facilidadc... Nao
22
lIo faria sc... Mas isio c o ncu scgrcdo! So lIc
ponIo prcviancnic una condiçao...
÷ Una condiçao? Falc, diga, diga ja iudo;
csiou dc acordo con iudo, csiou pronio para
iudo! ÷ c×clanci, cniusiasnado. ÷ Fcspondo
por nin, scrci olcdicnic, rcspciioso... lcn nc
conIccc...
÷ Jusiancnic porquc o conIcço c quc o
convido para ananIa ÷ rcspondcu, rindo. ÷
ConIcço-o ja pcrfciiancnic. Mas aicnçao, so podc
vir con una condiçao (scja suficicnicncnic lon
para fazcr o quc lIc pcço, lcn vc quc lIc falo
francancnici. nao sc apai×onc por nin... É
inpossívcl, asscguro÷lIo. Sc quiscr vir por
anizadc, scra lcn-vindo, aqui icn a ninIa
nao... Mas por anor, nao, suplico-lIc!
÷ Juro-lIo! ÷ c×clanci, scgurando a sua
ninuscula nao...
÷ Dasia, nao jurc nada. sci quc o scnIor c
inflanavcl cono a polvora. Nao nc ccnsurc por
lIc falar assin. Sc soulcssc... Tanlcn cu nao
icnIo ningucn con qucn irocar palavras, a
qucn pcdir un consclIo. Cono c cvidcnic, nao c
na rua quc sc dcvc procurar consclIciro, nas o
scnIor c una c×ccpçao. ConIcço-o cono sc
fósscnos anigos Ia vinic anos... Nao c vcrdadc
quc nao nc iraira?...
23
÷ Vai vcr... So nao sci cono vou passar ioda
csia noiic c iodo o dia dc ananIa.
÷ Durna lcn. Dcscjo-lIc, una loa noiic c
lcnlrc-sc dc quc confici cn si. O scnIor ainda Ia
pouco dizia quc c prcciso darnos conia dc cada
un dos nossos scniincnios, aic ncsno dc una
fraicrna anizadc! Dissc isso dc ial nodo quc
suliiancnic nc ocorrcu a idcia dc lIc confiar...
÷ O quc, por anor dc Dcus? Confiar-nc o
quc?
÷ Aic ananIa! Ouc isso pcrnancça por ora
cono un scgrcdo. E nclIor para si. pclo ncnos,
assin isio parcccr-lIc-a un ronancc. Podc scr
quc lIo diga... Falarcnos princiro c iravarcnos
un conIccincnio nais anplo...
÷ Eu coniar-lIc-ci ananIa ioda a ninIa
Iisioria! Mas o quc sc passa? Dir-sc-ia quc algo
dc prodigioso nc aconicccu... Ondc csiou cu,
ncu Dcus? Eniao, diga-nc. nao sc scnic conicnic
por nao sc icr zangado conigo, cono icria
succdido con qualqucr ouira, dc nao nc icr
incdiaiancnic rcpclido? En dois ninuios ionou-
nc fcliz para scnprc! Sin, fcliz! Oucn salc,
ialvcz icnIa conscguido rcconciliar-nc conigo
ncsno, rcsolvido as ninIas duvidas... Talvcz quc
fiquc para scnprc prcso a csics ninuios... Enfin,
ananIa coniar-lIc-ci iudo, salcra iudo...
24
÷ Esia lcn, acciio. O scnIor falara
princiro....
÷ Dc acordo.
÷ Aic ananIa!
÷ Aic ananIa!
E scparano-nos. CaninIci pclas ruas
duranic ioda a noiic. nao nc dccidia a voliar ao
ncu quario. Scniia-nc iao fcliz...
«Aic ananIa!»
25


SEGUNDA NOITE

÷ Cono vc, scnprc passaran csia noiic c
csic dia! ÷ dissc-nc cla csirciiando-nc anlas as
naos.
÷ Ha ja duas Ioras quc aqui csiou. Ncn
podc inaginar dc quc nancira vivi iodo csic longo
dia!
÷ Eu sci, cu sci... Mas vanos ao quc
inporia! Salc porquc vin Iojc? Dcccrio quc nao
foi para iagarclar iolancnic, cono succdcu
onicn. Doravanic dcvcno-nos conduzir nais
inicligcnicncnic. Onicn pcnsci longancnic cn
iudo isio.
÷ «Mais inicligcnicncnic»; nas cn quc?. Pcla
ninIa paric, csiou disposio a isso. En ioda a
ninIa vida, porcn, nunca nc succdcu nada quc
fossc nais inicligcnic do quc aquilo quc onicn sc
passou.
÷ Na vcrdadc? Princirancnic, pcço-lIc, nao
nc apcric as naos dcssa nancira; alcn disso,
inforno-o dc quc rcflcii Iojc longancnic a scu
rcspciio.
26
÷ E cniao, a quc conclusao cIcgou?
÷ A quc conclusao? Concluí quc cra
ncccssario rcconcçar iudo dcsdc o início, pois
vcrifiquci Iojc quc o scnIor nc c ainda
pcrfciiancnic dcsconIccido c quc onicn nc
conporici cono una criança, cono una
rapariguinIa, c concluí jusiancnic quc a culpa
foi scn duvida do ncu lon coraçao; cn suna, fiz
o ncu clogio, cono, no fin dc conias, scnprc
acala por succdcr quando nos dcdicanos à
iarcfa dc nos analisarnos Assin, para rcparar o
ncu crro, dccidi infornar-nc a scu rcspciio da
nancira nais porncnorizada possívcl. Cono,
porcn, nao conIcço ningucn quc nc possa
infornar, scra o scnIor ncsno qucn icra dc nc
coniar iudo, iudo aic ao nais ínfino porncnor.
Porianio, diga-nc. quc cspccic dc Ioncn c o
scnIor? Dcprcssa, Conccc, conic a sua Iisioria!
÷ A ninIa Iisioria? ÷ c×clanci, assusiado.
÷ A ninIa Iisioria? Mas qucn lIc dissc quc cu
iinIa una Iisioria? Eu nao icnIo Iisioria...
÷ Eniao, cono vivcu aic agora, sc nao icn
Iisioria? ÷inicrronpcu-nc, rindo-sc.
÷ TcnIo vivido alsoluiancnic scn a nais
pcqucna Iisioria! TcnIo vivido, assin, cono sc
Cosiuna dizcr, nciido no ncu luraco, isio c, so,
alsoluiancnic so, pcrfciiancnic so... Con-
prccndc o quc isio significa. so?
27
÷ Ouc cnicndc por so? Oucr con isso dizcr
quc nunca vc ningucn?
÷ Nao c isso! No quc sc rcfcrc a vcr pcssoas,
vcjo-as, nas, no cnianio, csiou so.
÷ Eniao, nunca fala con ningucn?
÷ No scniido nais csiriio da palavra. a
ningucn.
÷ Mas, ncssc caso, qucn c o scnIor?
E×pliquc-sc! Espcrc, dci×c-nc adivinIar. Tcn,
por ccrio, una avo, ial cono cu. Ela c ccga c Ia
una cicrnidadc quc nao nc dci×a ir a ncnIun
lado, a ponio dc cu quasc ja nao salcr falar.
Cono, Ia dois anos, concii una iolicc, concluiu
quc nao iinIa nao cn nin c, cIanando-nc
junio dcla, prcndcu a sua saia à ninIa con un
alfincic. E assin icnos passado dias iniciros. cla
faz ncia, cnlora scja ccga, c cu sou olrigada a
csiar junio dcla, a coscr ou a lcr-lIc cn voz alia.
É un Ialiio csquisiio, csic dc csiar prcgada ja Ia
dois anos...
÷ Sanio Dcus, quc soric a sua! Mas nao, nao
icnIo una avo assin.
÷ Ncssc caso, cono podc ficar iodo o dia cn
casa?
÷ Ouça, qucr salcr qucn sou?
28
÷ Evidcnicncnic quc sin!
÷ Oucr salc-lo c×aiancnic?
÷ E×aiancnic!
÷ Pois lcn, vou-lIc fazcr a voniadc; cu
sou... un iipo.
÷ Un iipo? Mas quc cspccic dc iipo? ÷
c×clanou a jovcn,rindo con iania voniadc quc
dir-sc-ia nao rir Ia nais dc un ano.
÷O scnIor c nuiio divcriido! OlIc, Ia aqui
un lanco. scnicno-nos... Ningucn passa por
aqui , ningucn nos ouvira c... porianio, conccc
dcprcssa a sua Iisioria, pois, cnlora nc icnIa
qucrido fazcr acrcdiiar no conirario, o scnIor icn
una Iisioria; o quc aconiccc c quc a cscondc.
Anics dc nais, o quc c un iipo?
÷ Un iipo? Un iipo c un c×ccnirico, c un
sujciio ridículo! ÷rcspondi, dcsaiando a rir para
fazcr coro con as suas gargalIadas infaniis. ÷ É
un caraicr assin. Escuic. salc o quc c un
sonIador.
÷ Un sonIador? Dcsculpc, nas cono nao
Iavia dc o salcr? Eu propria sou una sonIadora!
Por vczcs, quando csiou scniada ao lado da avo,
nao inagina o quc nc passa pcla calcça!... OlIc,
una pcssoa concça a sonIar c ja nao c capaz dc
parar... Vcja, una ocasiao fui ao ponio dc
29
inaginar quc casara con un príncipc cIincs...
Na vcrdadc, às vczcs, faz iao lcn sonIar!...
Vcndo nclIor, nao... Oucn salc! Solrciudo sc
nao Ia nais nada cn quc pcnsar... ÷
acrcsccniou, agora ja con un ar nuiia gravc.
÷ É isso ncsno! Sc ja casou, un dia, con o
inpcrador da CIina, ncssc caso vai porianio
conprccndcr-nc naravilIosancnic. Ouça
cniao... Mas dcsculpc. nao sci ainda o scu nonc.
÷ Finalncnic! So agora sc lcnlrou disso!
÷ AI, ncu Dcus! A vcrdadc c quc isso nao
nc ocorrcu aic agora; nao nc parcccu
indispcnsavcl...
÷ CIano-nc Nasicnla.
÷ Nasicnla... nada nais?
÷ Nada nais. Nao lIc c suficicnic? O scnIor
c difícil dc conicniar!
÷ Sc nc c suficicnic? Pclo conirario, cIcga-
nc pcrfciiancnic, pcrfciiancnic, Nasicnla! A
ncnina c una lcla rapariga c agradcço-lIc quc,
para nin, consinia cn scr sinplcsncnic
Nasicnla!
÷ Na vcrdadc? E cniao?
30
÷ Eniao, Nasicnla, cscuic c vcja cono c
ridícula a ninIa Iisioria.
Scnici-nc junio dcla, assunindo una posc
dc una scricdadc csiudada c conccci, cono sc
csiivcssc a lcr un livro.
÷ E×isicn, nao sci sc o salc, Nasicnla,
c×isicn cn Sanpcicrslurgo lugarcs nuiio
insoliios. Ncsscs síiios, dir-sc-ia quc nao pcncira
o ncsno sol quc lrilIa para os ouiros Ialiianics
da cidadc. o sol quc ali cnira parccc scr ouiro,
un novo sol, fciio dc cnconcnda para os iais
lugarcs. Ncsscs síiios, ninIa qucrida Nasicnla,
lcva-sc una vida conplciancnic difcrcnic, quc
cn nada sc asscnclIa à quc sc dcscnvolvc junio
dc nos, quc podc c×isiir nun nundo
dcsconIccido, nas nao no nosso, na nossa cpoca
scria, ulira-scria. Esia vida c una nisiura dc
algo dc purancnic faniasiico, dc
cncarniçadancnic idcalisia c, sinuliancancnic
÷ ai dc nin, Nasicnla ÷, dc grosscirancnic
prosaico c conun, para ja nao dizcr dc
insoliiancnic vulgar.
÷ Uf! Mcu Dcus, quc prcanlulo! Ouc icrci
ainda dc ouvir?
÷ Vai salcr, Nasicnla (parccc-nc quc nunca
nc cansarci dc lIc cIanar Nasicnlai, vai salcr
quc ncsscs lugarcs vivcn scrcs csquisiios. os iais
sonIadorcs. Salc? O sonIador, para o dcfinir
31
porncnorizadancnic. nao c un Ioncn, c una
cspccic dc criaiura do gcncro ncuiro. Aloja-sc, na
naior paric do icnpo, nun inaccssívcl rcfugio,
cono sc prcicndcssc aic oculiar-sc da luz do dia,
c, una vcz cncolIido na sua ioca, nciido na sua
casoia cono o caracol, ou pclo ncnos parccc-sc
nuiio, ncsic aspccio. con cssc curioso licIinIo
quc c sinuliancancnic un aninal c una casa c
quc sc cIana iariaruga. Na sua opiniao, por quc
razao gosiara clc ianio das suas quairo parcdcs,
nonoionancnic piniadas dc vcrdc, sujas, irisics
c cncgrccidas pclo funo do ialaco? Por quc razao
cssc ridículo sujciio, quando algun dos scus
raros conIccincnios o vcn visiiar (c clc proccdc
dc ial nodo quc, a pouco c pouco, os scus anigos
acalan iodos por dcsaparcccri, por quc razao
cssc Ioncn acolIc o visiianic con ial cnlaraço
con un rosio dc ial nodo pcriurlado c iao
confuso cono sc acalassc dc concicr un crinc,
ali, cnirc as suas quairo parcdcs, cono sc fossc
apanIado a falricar noias falsas ou a cscrcvcr
vcrsinIos para cnviar a qualqucr rcvisia con
una caria anónina, dizcndo quc o vcrdadciro
pocia norrcu c quc un scu anigo considcra
cono dcvcr sagrado pullicar a sua olra? Por quc
razao, diga-nc. Nasicnla, a convcrsa sc
csialclccc con iania dificuldadc cnirc csics dois
inicrlocuiorcs? Porquc noiivo nao sc solian
gargalIadas c nao sc iroca qualqucr palavra
cspiriiuosa con csic anigo surgido dc inproviso,
32
o qual cn qualqucr ouira circunsiancia ianio
gosia das gargalIadas c das palavras
cspiriiuosas, dos discursos solrc o lclo sc×o c
solrc ouiros assunios agradavcis? Por quc razao,
cn suna, csic anigo, por ccrio un conIccincnio
dc frcsca daia, logo à princira visiia ÷ porquc,
cn casos dcsics, nao Iavcra una scgunda visiia
÷, por quc razao o proprio visiianic sc scnic iao
pcriurlado c frio, con o scu cspíriio (isio sc
alguna vcz o icvci cnloiado, ao vcr o rosio
iransiornado do scu anfiiriao, o qual, por scu
iurno, csia agora conplciancnic dcsiiiuído do
scu dcrradciro grao dc scnsaicz, apos icr fciio
csforços giganicscos, nas vaos, para rcnovcr as
dificuldadcs da convcrsa c para a ionar
agradavcl, nosirando a sua c×pcricncia da
socicdadc, falando ianlcn solrc o lclo sc×o c,
pclo ncnos airavcs dcsia conccssao, icniar
ajudar aquclc polrc dialo caído por cngano cn
sua casa? Por quc razao, ainda, o visiianic agarra
dc rcpcnic no cIapcu c sc rciira rapidancnic,
lcnlrando-sc dc suliio dc un assunio
alsoluiancnic inadiavcl, quc nunca c×isiiu, c
lilcria dc qualqucr nancira a nao do caloroso
apcrio do anfiiriao, cnpcnIado agora cn
nanifcsiar o scu pcsar c a ganIar o icnpo
pcrdido? Por quc razao, ao afasiar
-
sc da poria, o
anigo solia una grandc gargalIada c proncic a
si ncsno nunca nais voliar a casa daquclc
c×ccnirico ÷ sc lcn quc, no fundo, csic
33
c×ccnirico scja un c×cclcnic rapaz ÷ c, ao
ncsno icnpo, nao sc podc inpcdir dc conccdcr à
sua inaginaçao un pcqucno dcvancio. conparar,
ainda quc longinquancnic, a fisiononia do scu
inicrlocuior dc Ia noncnios duranic ioda a
visiia, con o aspccio daquclc infcliz gaiinIo
pcrscguido, aicrrorizado, ioriurado dc iodas as
nanciras pclas crianças quc o aprisionaran
iraiçocirancnic c quc, o nais assusiado possívcl,
lIcs conscguiu finalncnic fugir para dclai×o da
ncsa, ondc, ncrgulIado na olscuridadc, à sua
voniadc, sc csprcguiçou c lavou, alisando o pclo
con as paiinIas, apos as icr passado pclo scu
focinIo dcsconfiado c quc, dcpois, cunprida csia
iarcfa, olIou longa c Iosiilncnic a naiurcza, a
vida c aic os rcsios da rcfciçao dos donos quc a
cozinIcira lcncvola lIc rcscrvou?
÷ Escuic ÷ inicrronpcu Nasicnla, quc nc
cscuiava surprccndida dcsdc o concço. con os
olIos c con a loca nuiio alcrios ÷ cscuic. nao
sci, dc nodo algun, a quc iíiulo vcn iudo isso,
ncn por quc noiivo nc faz pcrgunias iao
csiranIas. Do quc cu icnIo a ccricza c dc quc
iodas cssas avcniuras lIc succdcran a si, dc fio a
pavio.
÷ Scn duvida ÷ rcspondi con un rosio
gravc.
34
÷ Eniao, sc nao icn duvidas, coniinuc, pois
csiou ansiosa para salcr cono isso ira acalar.
÷ A Nasicnla qucr salcr o quc faz no scu
rcduio o nosso Icroi ou, dizcndo nclIor, o quc cu
faço, pois o Icroi dc ioda a Iisioria sou cu, a
ninIa propria c nodcsia pcssoa. Oucr salcr por
quc razao c quc fiquci dc ial nodo pcriurlado c
dcsvairado duranic iodo o dia, apos a incspcrada
visiia do ncu anigo? Oucr salcr porquc fiquci
confundido c cnrulcscido quando alriran a
poria do ncu quario c sucunli iao
niscravclncnic ao pcso da ninIa propria
Iospiialidadc?
÷ Na vcrdadc, qucro! ÷ rcspondcu Nasicnla
÷, pois aí c quc rcsidc iodo o prollcna. Ouça. o
scnIor salc coniar as coisas nuiio lcn, nas nao
Iavcria nancira dc as coniar un pouco pior?
Assin, quando fala, dir-sc-ia quc csia a lcr nun
livro.
÷ Nasicnla! ÷ rcspondi con una voz gravc
c scvcra c fazcndo csforços para nao nc rir ÷,
ninIa qucrida Nasicnla, lcn sci quc conio lcn,
nas, dcsculpc-nc, nao sci coniar as coisas dc
ouira nancira. Ncsic noncnio asscnclIo-nc ao
cspíriio do rci Salonao, quc pcrnancccu duranic
nil anos cnccnado nuna anfora, sclada con scic
sclos, c quc; finalncnic, foi lilcrio dcsscs scic
sclos. Ncsic noncnio, ninIa qucrida Nasicnla,
35
cn quc nos volianos a rcunir apos una
scparaçao iao longa, pois ja a conIcço Ia nuiio
icnpo, Nasicnla. porquc Ia ja nuiio icnpo quc
procurava una ccria pcssoa, c isio significa quc a
procurava a si c quc csiava cscriio quc nos
vcríanos agora ÷ ncsic noncnio, alriran-sc no
ncu ccrclro nilIarcs dc valvulas c icnIo dc
dci×ar as palavras afluírcn cn iorrcnic, pois,
caso conirario, sufocada. Por isso, pcço-lIc quc
nao nc inicrronpa, Nasicnla, c quc nc cscuic
con sulnissao c docilidadc. Dc ouiro nodo,
calar-nc-ci.
÷ Nao, nao, nao! Nao qucro! Falc! A pariir dc
agora nao pronunciarci ncn nais una palavra.
÷ Eu coniinuo. Nasicnla, ninIa aniga, Ia
una Iora do dia dc quc gosio
c×iraordinariancnic. E aqucla cn quc ccssan
quasc iodas as ocupaçõcs, funçõcs c olrigaçõcs c
cn quc ioda a gcnic sc aprcssa a voliar a casa
para janiar ou dcscansar c duranic cssc ncsno
icnpo inagina ir cnconirar ainda ouiros noiivos
dc alcgria na noiic c cn iodo o icnpo dc
lilcrdadc quc rcsia. A cssa Iora, ianlcn o nosso
Icroi ÷ pois pcrniiir-nc-a, Nasicnla, quc faça a
ninIa narraiiva na icrccira pcssoa, pois sc o
fizcssc na princira pcssoa cnvcrgonIar-nc-ia
icrrivclncnic ÷, assin, porianio, a cssa Iora
ianlcn a nosso Icroi, quc iao-pouco csia
dcsocupado, scguc os ouiros. Una lizarra
36
scnsaçao dc conicniancnio, porcn, rcsplandccc
no scu rosio palido c lcvcncnic cnrugado. Elc
nao pcrnanccc indifcrcnic ao pór do Sol quc,
lcniancnic, csicndc o scu nanio solrc o ccu frio
dc Sanpcicrslurgo. Sc disscssc quc clc o
conicnpla, ncniira; nao o conicnpla, olIa-o,
sin, nas scn disso sc apcrcclcr. ial cono un
Ioncn faiigado ou ocupados ncssc ncsno
noncnio, na olscrvaçao dc ouiro noiivo nais
inicrcssanic, dc nancira quc so por insianics,
quasc involuniariancnic clc podc conccdcr
aicnçao àquilo quc o rodcla. Scnic-sc saiisfciio
porquc inicrronpcu. aic ao dia scguinic,
assunios alorrccidos c conicnic cono un
colcgial a qucn lilcriasscn dos dcvcrcs cscolarcs
nandando-o para o rccrcio, para os scus jogos c
iravcssuras favoriias.
«OlIc-o disfarçadancnic. Nasicnla., vcra
logo quc cssc scniincnio dc alcgria ja sc rcflciiu
fclizncnic nos scus dclcis ncrvos, aiuando solrc
a sua inaginaçao docniiancnic c×ciiada. Vcja,
pcnsa cn qualqucr coisa... No quc scra? No scu
janiar? En cono ira passar o scrao dc Iojc? O
quc olIara daqucla nancira? Scra aquclc
cavalIciro dc ar gravc, quc acala dc
cunprincniar dc nancira iao piiorcsca una
scnIora quc passou por clc, Ia poucos
noncnios, na sua clcganic carruagcn, na sua
flananic calcça? Nao, Nasicnla, o quc lIc
podcria agora inicrcssar iais ninIadas? Agora c
37
rico, rico na sua vida inicrior, cnriqucccu dc un
noncnio para o ouiro c nao foi cn vao quc
lrilIou iao radiosancnic dianic dclc o dcrradciro
raio do Sol norilundo, fazcndo florcsccr no scu
coraçao rcjuvcncscido un cn×anc dc scnsaçõcs.
Agora, nal rcpara no caninIo quc scguc, cnlora
os níninos porncnorcs dcssc ncsno caninIo
lIc nolilizasscn Ialiiualncnic a aicnçao.
Agora, a «dcusa Faniasia» (ja lcu Julovsli
7
,
ninIa qucrida Nasicnla?i icccu con nao
capricIosa a sua irana dc ouro c iraçou dianic
dos scus olIos os aralcscos dc una vida
naravilIosa, csiranIa, c ÷ qucn salc? ÷ ialvcz,
con a sua nao capricIosa, o icnIa iransporiado
ao sciino ccu dc crisial, airavcs dcsic c×cclcnic
passcio dc graniio por ondc sc cncaninIa para
sua casa. Tcnic dcic-lo, agora, pcrgunic-lIc
lruscancnic ondc csia ncsic noncnio, os ardis
por quc passou; csiou ccrio dc quc nao sc
rccordara dc nada, ncn dondc csicvc, ncn ondc
csia ncssc noncnio, c, cnrulcsccndo dc
dcspciio, invcniara qualqucr ncniira para salvar
as convcnicncias.
«Eis a razao por quc csircncccu dc ial nodo,
quasc griiando c olIando assusiado cn iono dc
si so porquc una ancia nuiio rcspciiavcl o
inicrpclou dclicadancnic no ncio do passcio,
pcrguniando-lIc o caninIo para sua casa, pois
pcrdcra-sc. Con os solrolIos franzidos pclo nau
Iunor, coniinuou a caninIar, nal noiando quc
38
nais dc un iranscunic sorriu ao olscrva-lo c sc
voliou para o scguir con o olIar c quc una
rapariguinIa, apos lIc icr rcccosancnic ccdido
passagcn, c×plodiu cn sonoras gargalIadas
fiiando con os olIos arrcgalados o scu largo
sorriso conicnplaiivo c os gcsios dos scus
lraços. Foi ainda, porcn, a Faniasia qucn
arrclaiou no scu vóo jovial a ancia, os
iranscunics curiosos, a rapariguinIa zonlcicira
c os Ioncns
4
quc janian ali, nas suas larcas
quc olsirucn a Fonianla (suponIanos quc o
nosso Icroi passava jusiancnic por aí ncssc
noncnioi; a iodos cnvolvcu naliciosancnic no
scu vcu, ial cono sc fosscn noscas apanIadas
nuna icia dc aranIa, c, con csia nova aquisiçao,
o c×ccnirico cnirou finalncnic no scu quario, na
sua ioca dilcia, scniou-sc à ncsa, janiou
lcniancnic c apcnas voliou à rcalidadc quando
Mairiona, a criada, ncdiiaiiva c cicrnancnic
cnfcrna, apos icr lcvaniado a ncsa, lIc vcio
irazcr o scu cacIinlo; voliou à rcalidadc c, con
surprcsa, vcrificou quc acalara conplciancnic
dc janiar scn icr a nínina noçao do quc concra
c cono concra.
«O quario csia incrso na olscuridadc a sua
alna, csia vazia c irisic; iodo un rcino dc
quincras sc dcsnoronou cn scu rcdor, sc
dcsnoronou scn dci×ar rasio, scn ruído ncn
iunulio, passando cono un sonIo, c clc ncn
scqucr sc rccordou dc icr acalcniado cssas
39
quincras. Porcn, una cspccic dc olscura
scnsaçao, quc nagoou lcvcncnic o scu pciio.
una cspccic dc novo dcscjo scduz, csiinula c
irriia a sua inaginaçao c susciia furiivancnic un
c×crciio dc novos faniasnas. No c×íguo quario
rcina o silcncio; a solidao c a ociosidadc
acarician-lIc a inaginaçao c cla lcniancnic vai-
sc inflanando c. lcniancnic, aiingc o csiado dc
cluliçao, cono a agua na cafcicira da vclIa
Mairiona, quc. inpcriurlavcl, ao lado, na
cozinIa, sc ocupa a prcparar o scu cafc casciro.
Ei-la quc sc cvola cn girandolas c o livro cn quc
disiraidancnic pcgara cai das naos do ncu
sonIador, quc ncn scqucr lcu aic à icrccira
pagina. E×ciiada, a sua inaginaçao dc novo
ganIa asas, c, lruscancnic, nais una vcz, una
nova vida o vcn fascinar. Novo sonIo. nova
fclicidadc' Volia a lclcr o vcncno dclicioso c
rcquiniado do sonIo! Ouc inporia a vida rcal?
Nos vivcnos una vida iao ociosa, iao parada, iao
dcsprczívcl, csianos iao dcsconicnics da nossa
soric, iao cnfasiiados da nossa c×isicncia! E, na
vcrdadc, vcrifiquc cono, a princira visia, iudo sc
aprcscnia, na nossa vida, iao anargo cono
Iosiil... 'Polrcs criaiuras!'. pcnsa o ncu
sonIador. Nada dc surprccndcnic c×isic no scu
pcnsancnio! Fcparc ncsscs nagicos faniasnas
quc dianic dclc sc fornan. fascinanics,
capricIosos, anplancnic c scn liniics, nun
faniasiico quadro aninado ondc sc cnconira no
40
princiro plano, naiuralncnic, corno figura
principal, a prcciosa pcssoa do nosso Icroi. Vcja.
quc avcniuras variadas, quc infiniio iurlilIao dc
sonIos c×aliados! Pcrguniara ialvcz. con quc
sonIa clc? Para quc fazcr scnclIanic pcrgunia?
Cono c cvidcnic, sonIa con iudo... Vc-sc no
papcl dc un pocia, a princípio ignorado c dcpois
consagrado; na sua anizadc con Hoffnann, na
naiança da noiic dc Sao Darioloncu, cn Dianc
Vcrnon
8
, nun papcl Icroico quando da ionada
dc Caza por Iva, o Tcrrívcl, Clara Movlray
9
. Efflc
Dcans
10
, cn Huss conparcccndo pcranic os
prclados rcunidos cn concílio, na rcvolia dos
norios cn HoIc)to, o DíuIo (lcnlra-sc da
nusica? Transporia-nos ao ccniicrio!i, cn
Minna c cn Drcnda
11
, na laialIa do Dcrcsina.
na lciiura dc un pocna no palacio da condcssa
V...a D...a
12
cn Danion, cn Clcopaira c i suoí
ununtí, na casinIa dc Kolonna
13
, nun pcqucno
rcfugio ondc, a scu lado, un cnic anado o
cscuiassc, nuna noiic dc Invcrno, con a sua
loquinIa c con os scus grandcs olIos vcrdcs
alcrios ÷ cono a Nasicnla nc cscuia agora!...
«Nao, Nasicnla, quc lIc inicrcssa a clc, a
cssc scr ncrgulIado na volupia da ociosidadc,
cssa vida à qual nos aspiranos? Na sua opiniao,
iraia-sc dc una polrc vida niscravcl, scn
adivinIar quc, ianlcn paia clc, ialvcz vcnIa a
cIcgar a lon anarga cn quc por un so dia
dcssa vida niscravcl dara ioda a sua lagagcn dc
41
dcvancios faniasiicos c ainda nao por alcgria ou
fclicidadc, c cn quc nao qucrcra ncsno cscolIcr,
ncssc noncnio dc dor, dc arrcpcndincnio c dc
ín]íníto dcsgosio. Mas, cnquanio nao cIcga cssa
icnívcl Iora, nao dcscja nada, csia acina dos
dcscjos, pois nada lIc falia, csia saciado, c o
dcniurgo da sua propria vida, consiruindo-a à
ncdida da sua faniasia dc noncnio. E, con
cfciio, csic nundo faniasiico do faz-dc-conia cria-
sc con iania facilidadc, iao naiuralncnic! Cono
sc, na vcrdadc, iudo isso nao fossc ilusao! En
ccrias aliuras, sonos vcrdadcirancnic lcvados a
acrcdiiar quc ioda csia vida nao c una c×aliaçao
dos scniidos, dc una niragcn, dc un cquívoco
da inaginaçao, nas sin dc algo dc rcal, dc
auicniico, dc c×isicnic! Por quc noiivo cniao,
diga-nc, Nasicnla, por quc noiivo ncssas aliuras
a rcspiraçao sc lIc prcndc? Por quc soriilcgio,
ncrcc dc quc dcsconIccida voniadc, as pulsaçõcs
sc lIc acclcran c as lagrinas jorran dos olIos do
sonIador, inundando-lIc as faccs palidas c
ardcnics c invadindo iodo o scu scr dc una
fclicidadc irrcsisiívcl? Por quc razao passan
vcriiginosancnic as noiics dc insónia, cnvolias
nuna alcgria c nuna fclicidadc incsgoiavcis, c
quando a aurora ircspassa as janclas con a sua
luz rosca c o sol da nadrugada inccndcia o scu
irisic quario con a sua faniasiica c difusa
luninosidadc, cono succdc scnprc cn
Sanpcicrslurgo, por quc razao o nosso
42
sonIador, faiigado, csgoiado, sc dci×a ionlar
solrc o lciio c adornccc, con una rcspiraçao
docniiancnic sacudida pclo cniusiasno c con
un sofrincnio iao languidancnic dclicioso no
coraçao?
«Sin, Nasicnla, cnganano-nos, cnlora
conira a nossa voniadc, ao acrcdiiarnos quc a
pai×ao vcrdadcira, auicniica, aiorncnia a alna,
ao acrcdiiai-nos quc c×isic algo dc vivo, dc
iangívcl, nos sonIos inaicriais! Mas quc ilusao;
vcja, por c×cnplo. o anor avassalou o scu pciio
con ioda a sua incsgoiavcl alcgria, con iodos os
scus c×icnuanics iorncnios... Dciic-lIc apcnas
un olIar rapido c convcnça-sc daquilo quc lIc
digo! Dasiara olIa-lo para acrcdiiar, ninIa
qucrida Nasicnla, quc clc nunca conIcccu
rcalncnic aqucla quc ianio anou no scu c×aliado
sonIo? Scra possívcl quc apcnas a icnIa visio
cnirc csscs faniasnas fascinanics c quc cssa
pai×ao nao icnIa sido para clc nais do quc un
sonIo? Scra possívcl quc nunca Iaja csirciiado
as naos dcla ao longo dc ianios anos da sua vida,
sos, cnircgucs a si ncsnos, ignorando iodo o
univcrso c unindo cada un dclcs o scu univcrso,
a sua vida, à vida do ouiro? Scra possívcl quc nao
icnIa sido cla qucn, ao crcpusculo, no noncnio
da scparaçao, sc icnIa rcclinado, soluçanic c
dcscspcrada, solrc o scu pciio, scn cscuiar a
icnpcsiadc dcscncadcada dclai×o dc un ccu
lugulrc, scn ouvir o vcnio quc arrancava c
43
arrasiava con furia as lagrinas quc lroiavan
dos scus cílios ncgros? Scra possívcl quc iudo
isio nao icnIa passado dc un sonIo, csic jardin
nclancolico, alandonado c sclvagcn, con as
suas alcas provoadas dc nusgo, soliiario c Iosiil,
por ondc ianias vczcs passcaran anlos,
cspcrando, dcscspcrando, anando, anando-sc
nuiuancnic, duranic ianio icnpo, iao longa c
icrnancnic"? E cssa vclIa nansao anccsiral,
insoliia, ondc cla vivcu soliiaria c irisic duranic
ianios anos, con o scu vclIo c sonlrio narido,
pcrpciuancnic silcncioso c lilioso, un narido
quc os assusiava, pois cran anlos iínidos cono
crianças, nclancolicos c rcccosos, oculiando-sc
nuiuancnic o scu anor? Cono sc
aiorncniavan, cono iinIan ncdo, cono cra
puro c inoccnic o scu anor c cono (isio c
cvidcnic, Nasicnlai as pcssoas cran nas! E,
Dcus ncu, nao foi cla qucn clc cnconirou dcpois,
longc da pairia, sol un ccu csirangciro,
ncridional c ardcnic, na naravilIosa Cidadc
Eicrna, no csplcndor dc un lailc, ao son da
nusica, nun puíuzzo (forçosancnic, nun
puíuzzoi ncrgulIado nun nar dc fogo, ncssa
varanda cngrinaldada dc nirios c dc rosas ondc,
icndo-o rcconIccido, arrancara aprcssadancnic
a sua nascara c sussurrando-lIc. «Sou livrc!»,
ircnula c soluçanic sc lIc lançara nos lraços;
cniao, nun griio dc cniusiasno, apcriados un
conira o ouiro, csqucccran nun alrir c fccIar dc
44
olIos o dcsgosio c a scparaçao c iodos os
iorncnios, a cspcra crucl, o vclIo, o sonlrio
jardin da pairia disianic c o lanco solrc o qual,
con un dcrradciro c apai×onado lcijo, cla fugira
ao scu anplc×o, aiurdida por un sofrincnio scn
cspcrança... OI. icn dc o confcssar, ninIa
qucrida Nasicnla, foi caso para dcscjar fugir,
para icr ficado pcriurlado c corado cono un
colcgial quc acalassc dc cscondcr no lolso a
naça roulada no jardin vizinIo, quando un
rapaz scu anigo, sadio c alio, alcgrc c jovial, lcn
falanic, alrc scn sc icr anunciado a poria do
quario c griia cono sc nada sc iivcssc passado.
'Sou cu, ncu caro, acalo dc cIcgar dc Pavlovsl!'
Sanio Dcus, o vclIo condc norrcu, cis cnfin a
fclicidadc, una indcscriiívcl fclicidadc, c ncsia
aliura c quc o ial iipo lIc apcicccu cIcgar dc
Pavlovsl
14
»
Tcndo icrninado as ninIas paiciicas
c×clanaçõcs, calci-nc (paiciicancnici. Lcnlro-
nc lcn, iinIa una icrrívcl voniadc dc rclcniar
cn gargalIadas, dc rir dcsncsuradancnic, pois
scniia crcsccr dcniro dc nin un dialinIo
ininigo, quc a ninIa gargania concçava a csiar
prcsa, quc o quci×o nc ircnia c quc cada vcz
nais os olIos sc nc narcjavan dc lagrinas...
Espcrava quc Nasicnla, quc nc cscuiava
aicniancnic, con os scus grandcs c inicligcnics
olIos vcrdcs nuiio alcrios, ia c×plodir cn
gargalIadas infaniis, irrcsisiivclncnic jovial, c ja
45
nc concçava a arrcpcndcr dc icr ido dcnasiado
longc, dc icr coniado cn vao aquilo quc dcsdc Ia
ianio icnpo nc cncIia o coraçao, aquilo dc quc
podia falar cono sc csiivcssc a lcr nun livro,
pois? dcsdc longa daia a ninIa scnicnça solrc
nin ncsno csiava dccidida (c cu nao nc
inpcdira dc a lcr, ainda quc, confcsso-o nao
cspcrassc scr conprccndidoi... Porcn, con
grandc surprcsa ninIa, cla guardou silcncio,
dci×ou dccorrcr un noncnio, conpriniu
lcvcncnic a ninIa nao c con una iínida
sinpaiia pcrguniou.
÷ É vcrdadc quc passou dcssc nodo ioda a
sua vida?
÷ Toda a ninIa vida, Nasicnla ÷ rcspondi
÷, ioda a ninIa vida, c, scgundo nc parccc,
acala-la-ci da ncsna forna!
÷ Nao, c inpossívcl ÷ rcplicou con
iranquilidadc÷. nao scra assin. Scra dcssa
nancira, isso sin, quc ira dccorrcr a ninIa junio
da avo. Escuic. salc quc nao sc dcvc vivcr assin?
Eu sci, Nasicnla, cu sci! ÷ c×clanci, scn
podcr conicr a ninIa cnoçao. ÷ E agora sci
nclIor do quc nunca quc pcrdi graiuiiancnic os
nclIorcs anos da ninIa vida! Agora sci-o, c,
cruclncnic, icnIo disso una conscicncia nais
aguda dcsdc quc Dcus a cnviou junio dc nin, a
si, ncu lon anjo, para no dizcr c provar. Agora,
46
quc csiou scniado junio dc si c quc falo consigo,
icnIo ncdo dc pcnsar no fuiuro, pois no fuiuro
scra ainda a solidao, ainda csia vida inuiil c
rcscrvada.., c no quc podcrci dcpois sonIar
quando, acordado, ao scu lado, fui dc ial nodo
fcliz? Scja lcndiia, ninIa qucrida, por nao nc icr
rcpclido incdiaiancnic, por nc icr pcrniiido
dizcr Iojc quc. pclo ncnos, pudc vivcr duas
noiics cn ioda a ninIa vida!
÷ OI, nao, nao! ÷ griiou Nasicnla, c
pcqucnas lagrinas rcfulgiran nos scus olIos. ÷
Nao, isso nunca aconicccra. Nao nos scparcnos
assin! Ouc sao duas noiics?
÷ Nasicnla, Nasicnla! Salc quc conscguiu
rcconciliar-nc por nuiio icnpo conigo ncsno?
Salc quc nao icrci, a pariir dc agora, una
opiniao dc nin proprio iao na cono iivc cn
ccrios noncnios? Salc quc doravanic nao
lancniarci nais, ialvcz, icr conciido un crinc c
un pccado na ninIa c×isicncia (porquc una vida
cono a ninIa c un crinc c un pccadoi? E nao
julguc quc csiou a c×agcrar; por anor dc Dcus,
nao pcnsc una coisa dcssas, Nasicnla, porquc
vivi aliuras dc un ial dcscspcro, dc un ial
icdio...; porquc ncssas aliuras concça a afigurar-
sc-nc quc nunca scrci capaz dc iniciar una vida
auicniica, porquc nc parcccu ja quc iinIa
pcrdido iodo o iacio, ioda a noçao do prcscnic, do
rcal; porquc, cn suna, cIcguci a analdiçoar-nc
47
a nin proprio; porquc apos as ninIas noiics
faniasiicas passci por pavorosos noncnios dc
alaiincnio! No cnianio, ouvinos à nossa volia a
nuliidao lranir c rodopiar no iurlilIao da vida,
ouvinos c vcnos vivcr os Ioncns, vivcr lcn
acordados, vcnos quc a vida nao lIcs c inicrdiia,
quc a vida nao sc lIcs cvaporara cono un sonIo,
una visao, quc a vida dclcs c pcrpciuancnic
rcnovada, cicrnancnic jovcn, scn quc una Iora
sc asscnclIc à scguinic, cnquanio a iínida
faniasia c sonlria c nonoiona aic à lanalidadc,
cscrava da sonlra, da idcia, cscrava da princira
nuvcn quc dc suliio olscurcccra o Sol c
oprinira dc angusiia o vcrdadciro coraçao
sanpcicrslurgcs, iao cioso do scu sol... Ora, na
angusiia nao podc c×isiir faniasia!
«Scniinos quc, por ]ín, cssa incsgoiavcl
faniasia sc faiiga, sc csgoia nuna pcrpciua
icnsao, porquc anadurcccnos c supcranos os
nossos idcais aniigos, os quais sc dcsfazcn cn po
c sc dcsnoronan, c, sc nao c×isic ouira vida, c
prcciso consiruí-la ncsno con cssas ninas. E,
no cnianio, c algo dc difcrcnic aquilo quc a alna
soliciia c qucr! E, pois, cn vao quc o sonIador
procura cnirc as cinzas dos scus vclIos
dcvancios pclo ncnos qualqucr ciniilaçao para
lIc soprar cn cina c aqucccr con un fogo novo o
scu coraçao arrcfccido c nclc rcssusciiar iudo o
quc ouirora cra iao agradavcl, iudo à quc lIc
scnsililizava a alna, iudo o quc lIc fazia palpiiar
48
o sanguc, iudo o quc lIc inundava dc lagrinas os
olIos c iludia dc nancira iao nagnífica! Salc,
Nasicnla, ao quc cu cIcguci? Salc quc nc vcjo
olrigado a cclclrar o anivcrsario dos ncus
scniincnios, o anivcrsario daquilo quc danics nc
cra iao caro c quc, na rcalidadc nunca c×isiiu ÷
porquc cssc anivcrsario sc cclclra scnprc cn
ncnoria dos ncsnos iolos dcvancios ÷ c, cn
uliina analisc, csscs proprios iolos dcvancios nao
c×isicn, porquc nao Ia possililidadc dc os
c×irair da vida. aic os sonIos nasccn da vida,
nao c vcrdadc?
«Salc quc gosio agora dc lcnlrar c dc visiiar,
cn ccrias daias, locais ondc un dia fui fcliz à
ninIa nancira; gosio dc cdificar o ncu prcscnic
dc Iarnonia con o irrcvcrsívcl passado, c,
nuiias vczcs, vagucio cono una sonlra, scn
oljciivo, sonlrio c irisic, por síiios afasiados c
pclas ruas dc Sanpcicrslurgo?
«Ouc rccordaçõcs! Lcnlro-nc, por c×cnplo,
dc quc ncsic local, Ia jusiancnic un ano,
prccisancnic a csia Iora, ncsic ncsno passcio,
vagucci iao soliiario c iao sonlrio cono Iojc! E
rcparc quc ncssa aliura ianlcn os pcnsancnios
cran irisics; ainda quc nao fossc nais fcliz,
scniia, apcsar dc iudo, quc a vida cra nais facil c
iranquila, nao c×isiindo ncla csia idcia ncgra quc
agora a nin sc apcgou; nada dcsscs prollcnas
dc conscicncia, sonlrios c scvcros rcnorsos, quc
49
ncn dc dia ncn dc noiic nc dci×an dcscansado.
E una pcssoa inicrroga-sc. nas cniao ondc csiao
os icus sonIos? E sacodc a calcça, dizcndo.
cono os anos passan dcprcssa!... E novancnic
nos inicrroganos. nas o quc fizcsic iu dos icus
anos? Ondc fosic cnicrrar o icu icnpo nais
prccioso? Vivcsic vcrdadcirancnic? Sin ou nao?
Fcpara, dizcnos para nos ncsnos, rcpara cono
o nundo arrcfcccu. Passarao ainda nais anos c,
apos clcs, vira a irisic solidao, vira con a sua
lcngala a vacilanic vclIicc c, apos clcs, o icdio c
o dcscspcro. O icu nundo faniasiico
cnpalidcccra; os icus sonIos norrcrao,
fcncccrao, cairao cono as folIas norias cacn das
arvorcs... OI, Nasicnla, cono scra irisic ficar so,
conplciancnic so, c nao icr alsoluiancnic nada
a lancniar, nada dc nada..., pois iudo o quc sc
pcrdcu, iudo isso junio, nao significa nada, c un
zcro csiupido c pcrfciio, iudo nao icra passado dc
un sonIo!
÷ Vanos, nao nc conova nais! ÷ pcdiu
Nasicnla, cn×ugando una pcqucna lagrina quc
lIc rolara dos olIos. ÷ Agora iudo isso acalou!
Agora sonos dois. Agora, succda o quc succdcr,
nunca nos scpararcnos. Escuic. Eu sou una
rapariga sinplcs, csiudci pouco, sc lcn quc a
ninIa avo nc icnIa coniraiado un profcssor;
apcsar disso, cu conprccndo-o, pois iudo o quc
acala dc nc coniar cu propria ja o vivi quando a
avo nc prcgou à sua saia. Ccriancnic quc nao
50
icria sido capaz dc o narrar iao lcn cono o
scnIor, pois, cono ja lIc dissc, os ncus csiudos
nao foran grandcs ÷ acrcsccniou iinidancnic,
pois c×pcrincniava scnprc un ccrio rcspciio cn
rclaçao ao ncu ion paiciico c ao ncu csiilo
grandiloqucnic. ÷ Agora conIcço-o pcrfciiancn-
ic, conIcço-o dos pcs à calcça. E qucr salcr una
coisa? Vou lIc coniar a ninIa Iisioria c vou-a
coniar a nin propria, scn nada oculiar, c, dcpois
disso, cn conpcnsaçao, o scnIor dar-nc-a un
consclIo, pois c un Ioncn inicligcnic. Proncic
dar-nc cssc consclIo?
÷ AI, Nasicnla ÷ rcspondi cu ÷, nunca fui
consclIciro dc qucn qucr quc fossc, c nuiio
ncnos un consclIciro inicligcnic, nas vcjo agora
quc, sc coniinuarnos a convivcr dcsia nancira,
isso scra ja cn si inicligcnic c, porianio, cada un
dc nos proporcionara ao ouiro una grandc
quaniidadc dc consclIos inicligcnics! Eniao,
ninIa gcniil Nasicnla, qual c o consclIo quc nc
ira pcdir? Diga-no francancnic. Agora csiou iao
alcgrc, iao fcliz, audacioso c inicligcnic, quc as
palavras nc ocorrcrao scn csforço.
÷ Nao, nao! ÷ inicrronpcu Nasicnla, rindo-
sc. ÷ Do quc prcciso nao c soncnic dc un
consclIo inicligcnic, nas sin dc un consclIo
vindo do fundo do coraçao, dc un consclIo
fraicrno, cono sc nc iivcssc anado duranic ioda
a sua vida!
51
÷ Dc acordo, Nasicnla, dc acordo! ÷
c×clanci nun arrclaiancnio. ÷ E sc a anassc
dcsdc Ia vinic anos nao a podcria anar nais
ncn nclIor.
÷ Dc-nc a sua nao!
÷ Ei-la! ÷ rcspondi, csicndcndo-lIa.
÷ Vou concçar cniao a ninIa Iisioria!
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A HISTÓRIA DE NASTENKA

÷ Mciadc da Iisioria salc-a ja o scnIor, isio
c, salc quc icnIo una vclIa avo...
÷ Sc a ouira nciadc nao c naior do quc
cssa. ÷ inicrronpi, rindo-nc.
÷ Calc-sc c cscuic. Anics dc prosscguir,
façanos una conlinaçao. nao nc inicrronpa,
pois dc ouira nancira sou capaz dc pcrdcr o fio à
ncada. Eniao, cscuic la con juízo.
«TcnIo una vclIa avo. Fui para casa dcla
nuiio pcqucnina, pois pcrdcra o ncu pai c a
ninIa nac. É dc crcr quc a avo foi rica cn
icnpos, pois ainda Iojc rccorda csscs dias
nclIorcs. Foi cla quc nc cnsinou franccs c,
dcpois, nc coniraiou un profcssor. Ouando fiz
quinzc anos ÷ icnIo agora dczcsscic ÷.
alandonci os csiudos. Foi ncssa aliura quc
concii a ial iolicc dc quc lIc falci. Nao lIc dirci
quc iolicc foi; lasia quc lIc diga quc a falia nao
foi grandc. Apcsar disso, una lcla nanIa, a avo
cIanou-nc junio dcla c dissc-nc quc, cono cra
ccga c nao podia andar airas dc nin, rcsolvcra
prcndcr a sua saia à ninIa con un alfincic,
53
acrcsccniando quc, dcsic nodo, iríanos passar
ioda a vida prcsas una à ouira, a nao scr quc cu
nc cncndassc. En suna, nos princiros icnpos
nao Iavia nancira dc nc conscguir afasiar. para
iralalIar, lcr, csiudar, iinIa dc csiar scnprc
junio da avo. Una vcz icnici una nanIa c
convcnci Fiolla
15
a ionar o ncu lugar. Fiolla c a
nossa criada c c surda. Fiolla scniou-sc no ncu
lugar; a avo, duranic cssc icnpo, adorncccra na
sua polirona c cu saí con una aniga para
lasianic longc. Pois lcn, a Iisioria acalou nal.
A avo, duranic a ninIa auscncia, acordou c
pcrguniou qualqucr coisa, pcnsando quc cu
coniinuava ajuizadancnic scniada no ncu lugar.
Fiolla via lcn quc a avo lIc csiava a pcrguniar
fossc o quc fossc, nas nao conscguia ouvir.
Pcnsou c ionou a pcnsar no. quc dcvia fazcr c,
nao cnconirando soluçao, alriu o alfincic c
fugiu...
Ncsic ponio, Nasicnla dcicvc-sc c dcsaiou
cn sonoras gargalIadas. Eu ri con cla. Parou
incdiaiancnic dc rir.
÷ Ouça la, nao sc ria da ninIa avo. Eu rio-
nc porquc acIo isio divcriido... O quc qucr...
una vcz quc a avo c assin... so cu, apcsar dc
iudo, lIc icnIo un pouco dc anor. Dcn...
naqucla aliura isso arrcliou-nc lasianic.
incdiaiancnic nc olrigou a voliar ao ncu lugar
c, dcpois, nada a fazcr, proiliçao dc nc nc×cr.
54
«Vanos, csqucci-nc ainda dc lIc dizcr quc
nos icnos, ou, nclIor, quc a avo icn, una casa
dcla, ou, nclIor ainda, una casinIa, ircs janclas
ao iodo, una casinIa dc nadcira, iao vclIa cono
a propria avo; cn cina icn una nansarda. Pois
lcn, un lclo dia un novo Iospcdc vcio norar
para cssa nansarda.»
÷ Oucr cniao dizcr quc Iavia un aniigo
Iospcdc? ÷ fiz noiar.
÷ É vcrdadc ÷ rcspondcu Nasicnla ÷, c por
acaso aic cra capaz dc csiar calado, coisa quc
nao succdc consiga... Na vcrdadc, nal podia
nc×cr a língua. Era un vclIinIo, scco, nuda,
ccgo, co×a, dc ial nodo quc por fin ja nao lIc cra
passívcl csiar no nundo c acalou por norrcr;
cniao, ionava-sc ncccssario arranjar un novo
Iospcdc, pois nao podíanos passar scn cssc
rccurso, quc, con a pcnsao da avo, consiiiuía
quasc iodo o nosso rcndincnio. Esic novo
Iospcdc, ncn dc proposiio, cra un jovcn, nao
aqui da cidadc, nas dc passagcn. Cono clc nao
discuiiu o prcço, a avo acciiou-o. Dcpois, un dia,
pcrguniou-nc. «Eniao, Nasicnla, o nosso
Iospcdc c novo ou nao?» Eu nao lIc quis ncniir.
«Dcn, avo, c vclIo dc nais para scr jovcn c
dcnasiado jovcn para scr vclIo.»
«'÷ Don... c c fisicancnic agradavcl?',
pcrguniou a avo. «Novancnic, nao lIc quis
55
ncniir. 'Sin', dissc cu, 'c fisicancnic agradavcl,
avo! E cla. 'AI, naldiçao, naldiçao! O quc diga,
ninIa filIa, c quc nao ic disiraias a olIa-lo. Ouc
scculo o nosso! Vcja-sc so isio, un Iospcdc cono
csic, quc nao icn nada, c c fisicancnic
agradavcl! Nouiros icnpos iudo cra difcrcnic!'
«Para a avo so c×isicn os ouiros icnpos. A
vcrdadc c quc nouiros icnpos cla cra nais jovcn
c o sol cra nais qucnic nouiros icnpos, c nouiros
icnpos as naias nao azcdavan iao dcprcssa.
scnprc nouiros icnpos! ÷ Pcrnancci scn dizcr
palavra. porquc scria quc a avo nc fazia lcnlrar
as coisas, nc pcrguniava sc clc cra loniio c
jovcn? Mas, cono ja lIc dissc, fiquci calada,
apcnas a pcnsar, c, incdiaiancnic, rcconccci a
coniar as nalIas c a iricoiar a ninIa ncia c,
dcpois, acalci por csqucccr conplciancnic o
assunio.
«Ora una vcz, pcla nanIa, o Iospcdc cnirou
cn nossa casa para lcnlrar quc lIc iinIan
pronciido nudar o papcl das parcdcs do scu
quario. Palavra pu×a palavra, c a avo ÷ cla c
lasianic faladora ÷ dissc-nc. 'Nasicnla, vai ao
ncu quario c iraz o alaco.' Dci un salio, corando
aic à raiz dos calclos, scn, salcr porquc, c
csqucci quc csiava prcgada; cn vcz dc soliar
discrciancnic o alfincic para quc o Iospcdc nao
sc apcrcclcssc dc nada, salici dc ial nodo quc a
polirona da avo vcio airas dc nin. Vcndo quc o
56
Iospcdc salia agora ioda a ninIa Iisioria, corci,
fiquci cono sc csiivcssc colada ao cIao, c, dc
suliio, dclulIci-nc cn lagrinas. csiava dc ial
nancira cnvcrgonIada c dcsgosiosa naqucla
aliura, quc nc apciccia norrcr! A avo griiou. 'Ouc
csias iu aí a fazcr cspccada?', c cu cada vcz
pior... O Iospcdc, vcndo-nc iao cnvcrgonIada
dianic dclc, cunprincniou c saiu incdiaiancnic.
«Dcsdc cniao, ao ncnor ruído quc ouvissc no
corrcdor, ficava cono noria. É, dizia para
conigo, a Iospcdc quc vai a passar, c,
dissinuladancnic, alria o alfincic. A vcrdadc c
quc nunca cra clc qucn vinIa. Passaran-sc duas
scnanas. o Iospcdc nandou dizcr airavcs dc
Fiolla quc iinIa nuiios livros franccscs, iudo
loas olras quc podian scr lidas. a scnIora nao
dcscjaria quc a ncnina os lcssc, para ajudar a
passar o icnpo? A avo conscniiu
rcconIccidancnic; no cnianio, csiava scnprc a
pcrguniar sc cran livros norais ou nao, pois, no
caso dc scrcn inorais, 'scria convcnicnic quc iu
nao os lcsscs, Nasicnla, porquc nclcs
aprcndcrias coisas nas'.
«'÷ E quc coisas nas sao cssas, avo? Ouc
vcn cscriio ncsscs livros inorais?'
«'÷ Ora! Dcscrcvc-sc nclcs cono os rapazcs
scduzcn as raparigas Ioncsias; cono, sol o
prcic×io dc as qucrcrcn dcsposar, as rapian dc
57
casa do pais; cono, dcpois, alandonan cssas
infclizcs à sua irisic soric c cono clas acalan
por norrcr da nancira nais irisic. Eu', dizia a
avo, 'cu li nuiios dcsscs livros c iudo aquilo csia
cscriio dc ial nancira quc a noiic passa nun
insianic quando os lcnos. Por isso, Nasicnla,
iona cuidado, nao os lcias. Mas, diz-nc la, quc
livros cnprcsiou clc?'.
«'÷ Sao iodos clcs ronanccs dc Walicr Scoii,
avo'.
«'÷ Fonanccs dc Walicr Scoii! Mas, cspcra
la, nao Iavcra dcniro dclcs alguna vclIacaria?
Vc lcn, nao icria clc posio cnirc as paginas
algun lilIciinIo?'
«'÷ Nao, avo, nao Ia qualqucr lilIciinIo.'
«'÷ Vc dclai×o da cncadcrnaçao. Às vczcs
clcs cscondcnos dclai×o da pclc da
cncadcrnaçao, csscs naroios!...'
«'÷ Nao, avo, dclai×o da cncadcrnaçao
ianlcn nao Ia nada. Nao Ia lilIcic ncnIun.'
«'÷ Dcn, csia lcn.'
«E concçanos a lcr Walicr Scoii; ao calo dc
un ncs, ja iínIanos lido quasc nciadc dos livros
cnprcsiados. Dcpois, clc cnprcsiou ouiros c
ouiros ainda, cnprcsiou PusIlin, dc ial nodo
quc por fin cu ja nao podia vivcr scn livros c
58
dci×ci dc sonIar cn casar con un príncipc
cIincs.
«Esiavan as coisas ncsic pc, quando, una
vcz, cnconirci o nosso Iospcdc na cscada. A avo
nandara-nc ir procurar ja nao sci o quc. Elc
parou, cu corci c clc corou ianlcn; apcsar disso,
riu-sc c dcu os lons-dias, pcrguniou pcla avo c
dissc. 'Eniao, ja lcu os livros?' Fcspondi. 'Sin'. 'E
dc quais gosiou nais?' Eu dissc. 'IvanIoc c
PusIlin, nais do quc qualqucr ouiro.' Dcssa vcz,
ficanos por aí.
«Una scnana dcpois, volici a cnconira-lo na
cscada. Ncssa aliura nao fora a avo qucn nc
nandara, nas sin cu quc iinIa ncccssidadc dc
qualqucr coisa. Eran nais dc duas Ioras c o
Iospcdc cra a cssa Iora quc cnirava
Ialiiualncnic cn casa. 'Doa iardc!', dissc-nc clc.
E cu. 'Doa iardc!'
«'÷ Eniao', dissc clc, 'a ncnina nao sc
alorrccc iodo o dia nciida cn casa con a sua
avo?'
«A csia pcrgunia, nao sci lcn porquc, corci,
iivc vcrgonIa, c novancnic nc scnii IunilIada,
scn duvida porquc as pcssoas ja sc pcrniiian
fazcr-nc pcrgunias a csic rcspciio. Tivc voniadc
dc nao rcspondcr c dc fugir, nas ncn iivc forças
para ial.
59
«'÷ Ouça', dissc-nc clc, 'a ncnina c loa
rapariga. Dcsculpc sc lIc digo isio, nas podc
csiar ccna, dcscjo o scu lcn, nais do quc a sua
avo. Nao icn anigas a qucn possa ir visiiar?'
«Dissc-lIc quc nao, quc iivcra una,
MacIcnla, nas quc pariira para Pslov.
«'÷ Escuic', dissc clc, 'qucr vir conigo ao
icairo?'
«'÷ Ao icairo? E cniao a avo?'
«'÷ Pois lcn, scn a avo salcr...'
«'÷ Nao', dissc cu, nao qucro cnganar a avo.
Adcus!'
«'÷ Eniao, adcus'», dissc clc, c nao
acrcsccniou nais nada.
«Soncnic dcpois do janiar vcio a nossa casa.
Scniou-sc, falou duranic nuiio icnpo con a avo,
pcrguniou sc cla saía algunas vczcs, sc iinIa
pcssoas anigas c, incspcradancnic.
«'÷ A proposiio, Iojc conprci un canaroic
para a Ópcra, lcvan O Darlciro dc ScvilIa; iinIa
conlinado ir con uns anigos, nas dcpois
nudaran dc idcias; por isso, o lilIcic ficou scn
prcsiino.
60
«'÷ O Darlciro dc ScvilIa!...', c×clanou a avo.
'É o ncsno Darlciro quc lcvaran nouiros
icnpos?'
«'÷ Sin, c o ncsno Darlciro!', dissc clc,
lançando-nc un olIar. Eu ja conprccndcra iudo,
corci c o ncu coraçao saliou dc cspcrança!
«'÷ Cono nao Iavia dc nc lcnlrar?', dissc a
avo. 'Lcnlro-nc aic nuiio lcn. Eu propria,
nouiros icnpos, fiz o papcl dc Fosinc nun icairo
dc anadorcs.'
«'÷ Pois lcn, a scnIora qucr vir ouvi-lo
Iojc?', dissc o Iospcdc. 'Dc ouiro nodo, o ncu
lilIcic nao scrvira para nada'
«'÷ Dc faio, sc nos fósscnos?', dissc a avo.
'Porquc nao Iavcnos dc ir? Vcja, a ninIa
Nasicnla nunca foi ao icairo.'
«Sanio Dcus, quc alcgria! Fono-nos
incdiaiancnic prcparar c vcsiir c saínos. A avo,
apcsar dc scr ccga, iinIa o dcscjo dc ouvir a
nusica c, alcn disso, icn lon coraçao. qucda
principalncnic quc cu nc disiraíssc; sozinIas,
nunca icríanos ido. Ncn lIc dirci a inprcssao
quc nc causou O Darlciro dc ScvilIa. Digo-lIc so
quc duranic iodo o cspciaculo o nosso Iospcdc
nc olIou dc ial nodo, nc falou dc ial nancira,
quc vi logo quc, ncssa nanIa, nc quiscra apcnas
por à prova, quando nc propós quc fossc sozinIa
61
con clc. Mcu Dcus, quc alcgria! Dciici-nc iao
orgulIosa, iao alcgrc, o ncu coraçao laiia con
iania força, quc iivc un pcqucno accsso dc fclrc
c duranic ioda a noiic rcvivi, no ncio do dclírio, O
Darlciro dc ScvilIa.
«Pcnsci quc, dcpois disio, clc viria a nossa
casa con naior frcqucncia. Mas nao. quasc
dci×ou dc vir. Una vcz por ncs, ialvcz, cnirava
apcnas para nos convidar para irnos ao icairo.
Fonos nais duas vczcs. Porcn, cu nao nc
scniia conicnic. Via quc, pura c sinplcsncnic,
clc iinIa picdadc dc nin, dc nc vcr con a avo
naquclc csiado. Con a coniinuaçao, isso foi-nc
cnlouqucccndo. ja nao cra scnIora dc nin, lia
scn lcr, iralalIava scn iralalIar, às vczcs ria-
nc c dcdicava-nc a irriiar a avo, ouiras vczcs,
nuiio sinplcsncnic, cIorava. Finalncnic,
cnagrcci c csiivc quasc a cair docnic. A cpoca da
Ópcra icrninou c o nosso Iospcdc dci×ou
conplciancnic dc nos visiiar; quando nos
cnconiravanos ÷ scnprc na cscada, naiural-
ncnic ÷, cunprincniava scn dizcr palavra, con
un ar iao gravc quc parccia nao qucrcr falar, c ja
clc csiava no paianar c cu ainda pcrnanccia a
ncio da cscada, vcrnclIa cono un pincniao,
pois scnprc quc o cnconirava o sanguc nc afluía
às faccs.
62
«Esiou a cIcgar ao fin. Ha jusiancnic un
ano, cn Maio, o Iospcdc cIcgou à nossa casa c
dissc à avo quc icrninara con c×iio os scus
assunios aqui c quc iinIa dc voliar, por un ano,
para Moscovo. Ao ouvir csias palavras,
cnpalidcci c caí nuna cadcira, cono noria. A
avo nada noiara c clc, apos icr diio quc ia dci×ar
o quario, cunprincniou c saiu.
«Ouc fazcr? Fcflcii lasianic, dcsgosici-nc
lasianic c ionci cnfin a ninIa dccisao. Elc
pariiria no dia scguinic, c dccidi rcsolvcr iudo à
noiic, quando a avo sc fossc dciiar. Foi o quc
aconicccu. Fiz una irou×a dc iodos os ncus
vcsiidos, dc ioda a roupa dc quc ncccssiiava, c
con cssa irou×a na nao, nais noria do quc viva,
suli a cscada aic à nansarda dc nosso Iospcdc.
Parcccu-nc icr gasio nais dc una Iora para
pcrcorrcr os dcgraus. Ouando alri a poria, clc
soliou un griio ao vcr-nc. Tonou-nc por un
faniasna, iao palida cu csiava. Corrcu a luscar
nc un copo dc agua, pois nal nc susicniava dc
pc. O coraçao laiia-nc con iania força quc
scniia a calcça pcriurlada, a ponio dc icr quasc
pcrdido a conscicncia. Ouando volici a nin,
conccci por pousar a ninIa irou×a cn cina da
cana c scnici-nc ao lado, cscondi o rosio cnirc
as naos c cIorci cono una Madalcna. Elc,
scgundo crcio, conprccndcu iudo nun alrir c
fccIar dc olIos. Esiava cn pc dianic dc nin,
63
palido, c ornava-nc iao irisicncnic quc cu scniia
o coraçao dcspcdaçado.
«'÷ Ouça!', concçou. 'Ouça-nc, cu nao posso
fazcr nada; sou polrc; ncsia aliura nada icnIo dc
ncu, ncn ncsno un cnprcgo csiavcl; dc quc
iríanos nos vivcr sc cu casassc consigo?'
«Falanos duranic nuiio icnpo, nas, por fin,
cnraivcci-nc c dissc quc nao podia coniinuar a
vivcr con a avo, quc fugiria dc casa dcla, quc nao
qucria csiar prcsa por un alfincic c, quiscssc ou
nao, o scguiria para Moscovo, pois nao podia
vivcr scn clc. VcrgonIa, anor, orgulIo, iudo sc
ncsclava na ninIa ira, c csiivc prcsics a cair cn
cina da cana con convulsõcs, dc ial nodo icnia
una rccusa!
«Elc pcrnancccu alguns ninuios scniado
scn profcrir una palavra; cn scguida, crgucu-sc,
apro×inou-sc dc nin c scgurou-nc na nao.
«'÷ Escuic, ninIa loa, ninIa qucrida
Nasicnla!', concçou airavcs das lagrinas quc lIc
cnlargavan a voz. 'Escuic. Juro-lIc quc, sc un
dia csiivcr cn siiuaçao, dc nc podcr casar, c
consigo quc o farci. Escuic, porianio. pario para
Moscovo c passarci aí jusiancnic un ano. Espcro
organizar os ncus assunios. Ouando voliar c sc
coniinuar a anar-nc, juro-lIc quc scrcnos
fclizcs. Agora, isso c inpossívcl, nao icnIo
possililidadcs ncn o dirciio dc proncicr o quc
64
qucr quc scja. No cnianio, rcpiio-lIc, ncsno quc
isso nao sc rcalizc dcniro dc un ano, rcalizar-sc-
a ccriancnic un dia, isio, lcn cnicndido, sc
Nasicnla nao cscolIcr ouiro, pois nao a posso
ncn qucro vincular a qualqucr jurancnio.'
«Eis o quc nc dissc, c no dia scguinic pariiu.
Dccidíranos dc conun acordo nada dizcr à avo.
Foi clc quc assin quis. Pois lcn, lcn vc, csia
quasc icrninada a ninIa Iisioria. Passou
c×aiancnic un ano c clc cIcgou a
Sanpcicrslurgo ja Ia ircs dias c...
÷ E... quc? ÷ c×clanci, na ninIa
inpacicncia dc conIcccr o. fin.
÷ E nao vcio ainda procurar-nc! ÷
rcspondcu Nasicnla, cono sc iivcssc, para ial,
rcunido iodas as suas forças. ÷Ncn una
palavra...
Aqui dcicvc-sc, pcrnancccu por noncnios
silcnciosa, rcclinou a sua calccinIa c,
lruscancnic, oculiando o rosio cnirc as naos,
c×plodiu cn soluços quc nc dilaccraran o
coraçao.
Dc nodo algun cspcrava scnclIanic
dcscnlacc.
65
÷ Nasicnla! ÷ conccci con una voz iínida
c pcrsuasiva ÷, Nasicnla!, por anor dc Dcus,
nao cIorc! Oucn salc sc clc ainda nao cIcgou...
÷ Elc csia na cidadc! ÷ rcplicou cla. ÷ Esia
aqui c cu sci-o. TínIanos conlinado una coisa,
naqucla noiic, na vcspcra da sua pariida. apos
icrnos irocado as palavras quc lIc narrci,
conlinanos quc viríanos aic aqui; jusiancnic
aic csic cais. Eran dcz Ioras; csiavanos
scniados prccisancnic ncsic lanco, cu dci×an ja
dc cIorar, dclciiava-nc a ouvir o quc clc nc
dizia... Dissc-nc quc logo quc cIcgassc viria a
nossa casa c quc, sc nao o rcpclissc, diríanos
iudo à avó. A vcrdadc c quc ja cIcgou, icnIo a
ccricza, c nada, nada!...
E dc novo sc dclulIou cn pranio.
÷ Dcus ncu! Nao Iavcra cniao qualqucr
ncio dc rcncdiar o scu dcsgosio? ÷ c×clanci,
crgucndo-nc do lanco, conplciancnic
dcsnoricado. ÷ Diga-nc, Nasicnla, nao podcria
cu ir a casa dclc?...
÷ Parccc-lIc possívcl? ÷ pcrguniou,
lcvaniando lruscancnic o rosio para nin.
÷ Nao, na vcrdadc, nao! ÷ rcconIcci,
dcsalcniado. ÷ Mas vcja, Ia ouira soluçao.
cscrcva-lIc una caria.
66
÷ Nao, c inpossívcl, nao c possívcl! ÷
rcspondcu, convcncida, nas nanicndo a calcça
lai×a c scn nc fiiar.
÷ Inpossívcl, porquc? ÷ coniinuci,
olsiinando-nc no ncu projcio. ÷ Vcja,
Nasicnla, quc cspccic dc caria? Ha carias c
carias... AI, c isso ncsno. Confic cn nin, lcn
salc quc nao lIc daria un nau consclIo. Tudo
sc podc rcncdiar! A Nasicnla dcu o princiro
passo, porquc nao, agora...
÷ Nao, nao! Parcccria qucrcr vincula-lo a un
jurancnio...
÷ AI, ninIa qucrida Nasicnla! ÷
inicrronpi-a, scn oculiar un sorriso. ÷ Nao,
nada disso! Tcn cssc dirciio, una vcz quc clc lIc
proncicu. Alias, por iudo aquilo quc nc
confidcnciou, vcjo quc clc c un Ioncn dc lons
scniincnios c quc sc conporiou con nolrcza ÷
coniinuci, cniusiasnando-nc progrcssivancnic
con a logica das ninIas proprias dcduçõcs c
c×oriaçõcs. ÷ Sin, cono sc conporiou clc? Dissc
quc nao Casaria scnao consigo, caso dccidissc
casar-sc; a Nasicnla, pclo conirario, dci×ou plcna
lilcrdadc, aic dc o rccusar agora... Ncsias
condiçõcs, podc dar o princiro passo, icn o
dirciio dc o fazcr, pois icn una vaniagcn solrc
clc, quanio nais nao fossc por c×cnplo, para o
dcsligar da sua palavra...
67
÷ Ouça. cono c quc lIc cscrcvcria cssa
caria?
÷ O quc?
÷ Sin, a cana dc quc falou.
÷ E nuiio sinplcs, cscrcvcria assin
«ScnIor...»
÷ É alsoluiancnic ncccssario pór. «ScnIor»?
÷ Scn duvida! Na vcrdadc, dci×c-nc pcnsar
÷ Dcn, lcn! E dcpois?
÷ «ScnIor,
«'Pcrdoc sc...' Vcndo nclIor, nao, nada dc
pcrdõcs! O faio cn si jusiifica iudo. Escrcva
sinplcsncnic.
«'Escrcvo-lIc. Pcrdoc a ninIa inpacicncia;
porcn, dura' un longo ano, pcrnancci inclriada
dc cspcrança. Scra culpa ninIa sc agora nao
consigo suporiar un unico dia dc duvida. Agora,
quc rcgrcssou, podcra ialvcz icr nudado dc
inicnçõcs Ncsic caso, csia ninIa caria scrvira
para lIc asscgurar quc fico rcsscniida c nao o
acusarci. Nao o acusarci por nao icr ja i lugar no
scu coraçao. csic cra, scn duvida, o ncu dcsiino!
«'O scnIor c gcncroso. Nao sorrira ncn sc
zangara con ninIas inpacicnics palavras.
68
Lcnlrc-sc dc quc as cscrcvcu una polrc c
soliiaria rapariga, quc nao icn qucn a au×ilic ou
aconsclIc c quc nao salc doninar os inpulsos do
scu coraçao. Pcrdoc-nc, no cnianio, sc na ninIa
alna, ncsno por insianic, una duvida sc icnIa
insinuado. O scnIor c incapaz ncsno por
pcnsancnios, ofcndcr aqucla quc ianio vos
anava c ana ainda.'
÷ Sin, sin. c isso ncsno o quc cu pcnsava!
÷ c×clanou Nasicnla, con a alcgria a lrilIar-lIc
nos olIos. ÷ OI, o scnIor rcsolvcu as ninIas
duvidas, foi Dcus qucn o cnviou! Agradcço-lIc.
Cono lIc csiou graia!
÷ Mas dc quc? Por Dcus nc icr cnviado? ÷
rcspondi, olIando con cniusiasno o scu lindo c
rcsplandcccnic rosio.
÷ Sin, quanio nais nao fossc por isso.
÷ AI, Nasicnla! Agradcccnos por vczcs às
pcssoas o quc conosco vivcn, nao c vcrdadc? Eu
agradcço-lIc so por a icr conIccido, da
rccordaçao quc dci×ara cn ioda a ninIa vida.
÷ Dcn, cIcga, cIcga! Por ora, vcja, cscuic-
nc. cono lIc dissc, fora conlinado quc, nal clc
cIcgassc, nc assinalaria a sua cIcgada dci×ando
una caria nun ccrio local, cn casa dc anigos
ncus, pcssoas loas c sinplcs quc nada salcn dc
iudo isio; ou cniao quc, caso nao iivcssc nancira
69
dc. nc cscrcvcr, pois Ia nuiia coisa quc nao
podc scr diia nuna caria, viria aqui, no proprio
dia, prccisancnic às dcz Ioras, pois csic foi o
local ondc nos dccidinos cnconirar. Da sua
cIcgada ja icnIo conIccincnio, nas dccorrcn ja
ircs dias c ncn cscrcvc ncn aparccc. Pcla nanIa
c-nc inpossívcl dci×ar a avo. Enircguc o scnIor
ncsno a ninIa caria a cssa loa gcnic dc quc ja
lIc falci; clcs fala-ao cIcgar aic clc c, caso Iaja
una rcsposia, irar-na-a à noiic, às dcz Ioras.
÷ Mas... c a caria? Princiro quc iudo, c
prcciso cscrcvc-la. iudo isso so podcra fazcr-sc
dcpois dc ananIa.
÷ A caria... ÷ rcspondcu Nasicnla, un
pouco cnlaraçada ÷ a caria..., nas...
Nao cIcgou a acalar, pois anics disso
dcsviou dc nin a scu rosiozinIo, ficou vcrnclIa
cono una rosa c, suliiancnic, scnii na nao
una caria, visivclncnic cscriia Ia nuiio icnpo,
pronia c lacrada. Una rccordaçao graciosa,
anavcl c conIccida, airavcssou-nc o cspíriio.
F, o ÷ Fo; s, i ÷ si; a, c ÷ nc», conccci.
«Fosinc!», canianos anlos, cu quasc a
cnlaçando no ncu cniusiasno, cla corando ianio
quanio podia corar c rindo airavcs das lagrinas
quc ircnulavan cono pcrolas suspcnsa dos scus
cílios ncgros.
70
÷ Vanos, lasia, lasia! Adcus! ÷ dissc cla,
rapidancnic. Tonc a caria c o cndcrcço ondc a
dcvc ir lcvar. Adcus! Aic visia! Aic ananIa!
Apcriou-nc foricncnic anlas as naos,
accnou-nc con calcça c dirigiu-sc, rapida cono
una flccIa, na dircçao da sua ncia. Duranic
nuiio icnpo pcrnancci no ncsno lugar,
aconpanIando-a con os olIos.
«Aic ananIa! Aic ananIa!» Esias palavras
airavcssaran-nc o ccrclro quando cla iinIa ja
dcsaparccido.
71


TERCEIRA NOITE

Hojc, o dia csicvc irisic, cIuvoso, scn luz,
cono a ninIa fuiura vclIicc. Fui asscdiado por
csiranIos pcnsancnios; scniincnios iurvos,
qucsiõcs ainda olscuras para nin, conprinian-
sc dcniro do ncu ccrclro, scn quc cu iivcssc
força ou voniadc para as solucionar. Nao, nao
scria cu qucn podcria rcsolvcr iudo isso!
Hojc nao nos vcrcnos. Onicn, quando nos
dci×anos, as nuvcns cspalIavan-sc no ccu c o
ncvociro adcnsava-sc. Dissc quc o dia scria nau;
cla nao rcspondcu, pois nao qucria falar conira si
propria. para cla, csic dia c luninoso c claro c
ncnIuna nuvcn podcra cclipsar a sua fclicidadc.
«Caso cIova, nao nos vcrcnos», disscra cla,
«nao virci.» Pcnsci quc cla nao iria noiar a cIuva
dc Iojc, nas, no cnianio, nao vcio.
Onicn foi o nosso icrcciro cnconiro, a nossa
icrccira noiic lranca.
Ainda assin, cono a alcgria c a fclicidadc
ionan lclas as Pcssoas! Cono o anor cncIc o
coraçao! Ouando nos scniinos fclizcs, parccc-nos
72
quc o coraçao nos vai iranslordar para o coraçao
do cnic anado. Oucrcnos quc iodos csicjan
alcgrcs, quc iodos sc rian. E cono c coniagiosa,
csia alcgria! Onicn c×prinia-sc nas suas
palavras a icrnura c a londadc quc, cn rclaçao a
nin, c×isiian no scu coraçao... Cono cla sc
prcocupava conigo, cono nc acariciava, cono
cncorajava o ncu coraçao! OI, quania garridicc a
fclicidadc inspira! E cu... ionava iudo cono coisa
scgura, fui ao ponio dc pcnsar quc cla...
Mas, Dcus ncu, cono posso icr acrcdiiado
cn ial coisa? Cono posso icr sido iao ccgo quc
nao vi quc ncnIun daquclcs icsouros nc cra
dcsiinado c quc, afinal, aqucla icrnura, aqucla
soliciiudc, aquclc anor... sin, o scu anor por
nin, nada cra, cn suna, nais do quc a alcgria,
quc sc anicvia pro×ina, dc ir csiar con un ouiro
c, por ouira lado, o dcscjo dc inpor, a nin
ianlcn, a sua fclicidadc?... Ouando cla viu quc
clc nao cIcgava, quc cspcraranos cn uuo, cniao
cnirisicccu, ficou iínida c rcccosa. Todos os scus
gcsios, iodas as suas palavras, sc ionaran
ncnos naiurais, ncnos joviais c ncnos alcgrcs.
E, coisa csiranIa, as suas aicnçõcs por nin
rcdolraran, cono sc iivcssc insiiniivancnic
qucrido dcrranar solrc nin o quc dcscjava para
si propria, o quc concçava a icncr quc nao sc
rcalizassc. A ninIa Nasicnla csiava agora dc ial
nodo iínida c ancdroniada quc nc parccc quc
conprccndcra, finalncnic c so ncssa aliura, quc
73
cu sofria c quc a anava, apicdando-sc do ncu
polrc anor. Na vcrdadc, quando csianos
infclizcs, scniinos con naior violcncia a
infclicidadc dos ouiros; o scniincnio nao sc
dcsiroi, conccnira-sc...
Eu vicra con o coraçao alcrio, coniando as
Ioras quc faliavan para o cnconiro. Ncn scqucr
adniiia quc Iojc iria ficar dcprinido, quc iudo
acalaria dc una nancira difcrcnic da Ialiiual.
Ela rcsplandccia dc fclicidadc, cspcrava
ansiosancnic a rcsposia, c a rcsposia cra clc
proprio. Elc ia cIcgar, acorrcr ao scu apclo.
Nasicnla vicra anics dc nin, una loa Iora
anics. Princiro, c×plodia cn gargalIadas ao
nínino prcic×io, qualqucr palavra ninIa lIc
provocava o riso. Conccci a falar c dcpois calci-
nc.
÷ Salc por quc razao csiou Iojc iao conicnic
÷ pcrguniou ÷, iao conicnic por o vcr? Porquc
gosio ianio dc si Iojc?
÷ Diga la ÷ pcdi, c o ncu coraçao laiia
dcsconpassadancnic.
÷ Cosio dc si porquc o scnIor nao sc
apai×onou por nin. Ouiro, no scu lugar,
inporiunar-nc-ia, insisiiria, suspiraria.
dcsfalcccria; o scnIor, pclo conirario, c iao
gcniil....
74
Ncsia aliura, apcriou a ninIa nao con iania
força quc quasc dci un griio. Fiu-sc.
÷ Mcu Dcus, quc anigo o scnIor icn sido!
÷ coniinuou ao calo dc un ninuio, nun ion
nuiio scrio. ÷ Foi Dcus quc opós no ncu
caninIo! Pcnsc no quc scria dc nin sc o scnIor
nao csiivcssc agora ao ncu lado! Cono c
dcsinicrcssado! Cono gosia dc nin! Ouando
casar, scrcnos nuiio anigos, nais do quc sc
fósscnos irnaos! Ana-lo-ci quasc ianio a si cono
a clc...
Naquclc insianic scnii uni pungcnic
dcsgosio. Algo Iouvc, no cnianio, quc cn nin sc
agiiou cono una gargalIada.
÷ A Nasicnla csia c×ciiada ÷ dissc cu ÷,
csia con ncdo, rcccia quc clc nao vcnIa.
÷ Va para o dialo! ÷ rcspondcu. ÷ Sc cu
csiivcssc ncnos fcliz, julgo quc cIoraria dcvido à
sua dcscrcnça c às suas ccnsuras. Alias, o scnIor
dcu-nc una idcia c forncccu-nc naicria para
rcflc×ao. Mas isso c para nais iardc. agora.
confcsso-lIc, o quc dissc c vcrdadc. Nao, cu nao
csiou no ncu csiado nornal, csiou
conplciancnic na c×pcciaiiva c, alcn disso, vivo
scnprc as coisas con nuiia violcncia... Mas
lasia, dci×cnos os scniincnios cn paz!...
75
Ncssa aliura, ouviran-sc passos, c na
olscuridadc dcsiacou-sc a silIucia dc un
iranscunic quc avançava na nossa dircçao.
Anlos csircncccnos; cla csicvc quasc a dar un
griio. Dci×ci cair a nao c cslocci o gcsio dc nc
afasiar. Mas csiavanos cnganados. nao cra clc.
÷ Dc quc icn ncdo? Por quc razao largou a
ninIa nao? dissc-nc cla, dando-nc novancnic
a nao. ÷ Pois lcn, quc inicrcssava isso? Vanos
acolIc-lo os dois. Oucro quc clc vcja cono cu c o
scnIor nos ananos.
÷ «Cono cu c o scnIor nos ananos!» ÷
rcpcii.
«OI, Nasicnla, Nasicnla», pcnsci, «as coisas
quc iu disscsic con cssa palavra! Ha noncnios
cn quc un anor cono csic arrcfccc o coraçao c
pcsa na alna. A iua nao csia fria c a ninIa ardc
cono fogo. Cono cs ccga, Nasicnla! ... Cono c
insuporiavcl scr-sc fcliz cn ccrios noncnios!
Mas, apcsar dc iudo, nao posso zangar-nc
coniigo!...»
En suna, o ncu coraçao iranslordava.
÷ Escuic, Nasicnla! ÷ c×clanci.÷ Salc o
quc nc succdcu duranic iodo o dia?
÷ Diga la. quc foi? O quc, diga! Conic
dcprcssa! Ouc foi nc oculiou aic agora?
76
÷ Princirancnic, apos icr cunprido iodas as
suas incunlcncias, dc icr cnircguc a caria cn
casa dos scus anigos, dcpois disso... dcpois
disso, volici ao ncu quario c dciici-nc.
÷ É iudo? ÷ inicrronpcu cla con una
gargalIada.
÷Sin, quasc iudo ÷ rcspondi, con o coraçao
apcriado, pois a os ncus olIos afluían ja
lagrinas iolas. ÷ Dcspcrici una Iora anics do
nosso cnconiro, nas foi cono sc nao iivcssc
dornido. Nao sci o quc sc passou conigo. VinIa a
caninIo para lIc coniar iudo isio, dir-sc-ia quc o
icnpo sc dciivcra para nin, quc una unica
scnsaçao, un so scniincnio, iria dcsdc cssc
noncnio pcrdurarcn nin pcrpciuancnic, quc
un unico ninuio sc iria prolongar por ioda una
cicrnidadc, cn suna, quc ioda a vida fora
suspcnsa para nin... Ao dcspcriar, parcccu-nc
quc un ccrio icna nusical quc conIcço dcsdc Ia
nuiio icnpo, ouvido ouirora cn qualqucr paric,
csquccido c agradavcl, nc vinIa à ncnoria.
Parccia-nc quc ioda a vida sc c×alara da ninIa
alna c quc apcnas agora...
÷ Mcu Dcus! Mcu Dcus! ÷ inicrronpcu
Nasicnla ÷, cono podc isso scr? Nao
conprccndo ncn una palavra.
÷ AI, Nasicnla! Eu gosiaria dc lIc
conunicar dc nancira saiisfaioria csia csiranIa
77
inprcssao... ÷ conccci cu cono una voz
lasiinosa, ondc sc oculiava ainda una
cspcrança, ainda quc longínqua.
÷ Dasia, acalc con isso! ÷ dissc cla.
Nun rclanpago, cla adivinIara, a naroia!
Druscancnic, puscra-sc c×iraordinariancnic
iagarcla, alcgrc, iravcssa. Dcu-nc o lraço, ria-sc,
qucria quc cu nc rissc ianlcn, c cada conovida
palavra quc cu pronunciava lIc provocava un
accsso dc riso, iao sonoro, iao prolongado...
Concçava a irriiar-nc; suliiancnic, concçava a
rcvclar garridicc.
÷ Escuic cniao ÷ dissc cla. ÷ Na vcrdadc,
sinio-nc un pouco dcspciiada por o scnIor nao
sc icr apai×onado por nin. Va la a gcnic
conprccndcr os Ioncns! Da ncsna nancira,
scnIor inflc×ívcl, nao nc podc fcliciiar pcla
ninIa nodcsiia. Digo-lIc iudo a si, iodas as
ioliccs quc nc passan pcla calcça.
÷Ouça! Sao onzc Ioras, scgundo julgo... ÷
dissc cu quando as pancadas sonoras dc un sino
rcssoaran ao longc nuna iorrc do ccniro da
cidadc.
Ela dcicvc-sc c, incdiaiancnic, dci×ou dc sc
rir c concçou a coniar.
78
÷ Sin, onzc! ÷ dissc finalncnic, con una
voz irrcsoluia c iínida.
Logo nc arrcpcndi dc lIc icr nciido ncdo, dc
a icr olrigado a coniar as Ioras, c analdiçoou-
nc por csic accsso dc naldadc. Fiquci dcsgosioso
por causa dcla c nao salia cono rcparar a ninIa
falia. Inpus-nc a iarcfa dc a consolar, dc
jusiificar as razõcs da auscncia do ouiro, dc criar
divcrsos arguncnios. divcrsas provas. Naquclc
insianic, nao Iavia ningucn nais facil dc
cnganar do quc cla, c, alias, iodas as criaiuras
cscuian con alcgria qualqucr consolaçao c sc
scnicn fclizcs por cnconirar a nínina sonlra dc
jusiificaçao.
÷ E, alias, a Nasicnla c ionia÷ coniinuci,
cniusiasnando-nc cada vcz nais c adnirando a
c×iraordinaria linpidcz das ninIas provas÷,
alias, clc nao podia vir. A Nasicnla cnganou-nc
ianlcn a nin, c fui dc ial nodo arrasiado pclos
scus dcvancios quc pcrdi a noçao do icnpo...
Fcfliia un pouco. clc nal icvc icnpo para rccclcr
a caria; suponIanos quc lIc foi inpossívcl icr
vindo c quc rcspondc por cscriio. A scr assin, a
caria so cIcgara ananIa dc nanIa. AnanIa,
logo pcla nanIa, irci a casa dclc c virci
incdiaiancnic dizcr-lIc o quc sc passou.
SuponIa ainda nil c una coisas possívcis. clc
nao csiava cn casa quando a caria cIcgou c,
79
porianio, nao a pódc ainda lcr... Tudo podc
aconicccr, nao c vcrdadc?
÷ Sin, sin! ÷ rcspondcu Nasicnla. ÷ Nao
iinIa ainda pcnsado nisso... Naiuralncnic, iudo
podc aconicccr ÷ coniinuou cla con una voz
ioialncnic conciliadora, una voz ondc sc
apcrcclia una dcsagradavcl dissonancia, un
pcnsancnio longínquo c dcsfasado daquilo quc
dizia. ÷ OlIc, cis o quc dcvc fazcr ÷ coniinuou
÷. ira ananIa, o nais ccdo possívcl, c, sc oliivcr
qualqucr infornaçao, vira iransniiir-na
incdiaiancnic. Salc ondc cu noro? ÷ E rcpciiu-
nc o scu cndcrcço.
Dcpois ficou, suliiancnic, nuiio icrna c
iínida conigo... TinIa o ar dc cscuiar con
aicnçao o quc cu lIc dizia, nas, quando lIc fiz
nao sci quc pcrgunia, ficou cn silcncio, pcriur-
lou-sc c dcsviou o rosio. OlIci-a nos olIos. cra o
quc cu icnia; csiava a cIorar.
÷ Eniao, cono c possívcl? Nao scja criança...
nao coniinuc, por favor!
Ela icniou sorrir c acalnar, nas o quci×o
ircnia-lIc c o scio agiiava-sc, arfanic.
÷ Pcnso cn si ÷ dissc-nc, apos un ninuio
dc silcncio. ÷ O scnIor c iao lon quc scria
prcciso scr dc pcdra sc nao o scniissc... Salc o
quc acala dc nc ocorrcr? Conparo-vos un ao
80
ouiro. Porquc nao c clc o scnIor? Porquc nao c
cono o. scnIor? Nao c iao lon, c no cnianio
ano-o nais do quc a si.
Eu nada rcspondi. Ela cspcrava, scgundo nc
parcccu, quc cu disscssc qualqucr coisa.
÷ É vcrdadc quc ialvcz nao o conprccnda
ainda conplciancnic, quc nao o conIcça
ioialncnic. Dcn vc, scnprc iivc una cspccic dc
ncdo dclc, iinIa un ar scnprc iao gravc, dir-sc-
ia, ncsno, iao orgulIoso. Dc faio, cu sci, apcnas
icn o ar dc scr assin c no scu coraçao c×isic
nais icrnura quc no ncu... Lcnlro-nc dc cono
nc olIou no noncnio cn quc ÷ rccorda-sc? ÷
fui ao scu quario con a irou×a na nao. Apcsar dc
iudo, rcspciio-o nuiio c, dcsic nodo, c cono sc
nao fósscnos iguais. nao c vcrdadc?
÷ Nao, Nasicnla, nao ÷ rcspondi ÷, isso
apcnas significa quc o ana nais do quc a iudo no
nundo c quc o ana nuiio nais do quc a si
ncsna.
÷ Sin, adniianos quc scja assin ÷
rcspondcu a ninIa ingcnua Nasicnla. ÷ Mas
salc o quc nc vcio dc rcpcnic à idcia? Agora nao
c dclc quc vou falar, nas cn gcral; dcsdc Ia
nuiio icnpo quc irago isso na calcça. Escuic
cniao. porquc nao sonos iodos uns para os
ouiros cono irnaos c irnas? Por quc razao
ncsno o nclIor dos Ioncns icn scnprc
81
qualqucr coisa a cscondcr a ouiro c sc cala dianic
dclc? Porquc nao dizcr francancnic, à voniadc, o
quc csia no coraçao, quando sc salc quc nao sc
falara cn pura pcrda? Pclo conirario, iodos sc
dao arcs dc scrcn nais fcrozcs do quc o sao na
rcalidadc, cono sc icncsscn dcsviriuar os scus
scniincnios ao c×prinircn-nos dcnasiado
dcprcssa...
÷ Sin, Nasicnla! É vcrdadc o quc acala dc
dizcr! Mas isso succdc por lasianics razõcs ÷
inicrronpi, rccalcando os ncus scniincnios dc
una nancira a quc nunca nc vira aic cniao
olrigado.
÷ Nao, nao! ÷ rcspondcu cla con profunda
convicçao. ÷Vcja, por c×cnplo. o scnIor nao c
cono os ouiros. Sin, nao sci cono lIc c×prinir o
quc sinio, nas parccc-nc quc o scnIor, por
c×cnplo... pclo ncnos ncsic noncnio..., parccc-
nc quc csia a sacrificar qualqucr coisa por nin
÷ acrcsccniou cla iinidancnic, lançando-nc un
rapido olIar. ÷ Pcrdoc-nc sc lIc falo assin. sou
una rapariga sinplcs, nao conIcço lcn o nundo
c, na vcrdadc, c×isicn noncnios cn quc nao sci
falar ÷ prosscguiu cla, con una voz ircnula,
dcvido nao sci a quc scniincnio oculio, c
csforçando-sc ao ncsno icnpo por sorrir ÷, nas
qucria apcnas dizcr-lIc quc lIc csiou nuiio
graia, quc gosiaria dc lIo podcr provar... Ouc
Dcus lIc dc fclicidadc cn paga do quc fcz por
82
nin! OlIc, o quc nc coniou solrc o scu
sonIador c alsoluiancnic falso, qucr dizcr, nao
lIc diz, dc nodo algun, rcspciio a si. O scnIor c
un sanio, c vcrdadcirancnic un Ioncn
difcrcnic daquclc quc nc piniou. Sc un dia anar
algucn, quc Dcus lIc dc, con cla, a fclicidadc!
Ouanio a cla, nada lIc dcscjo, pois scra fcliz
consigo. Sci-o lcn, sou nulIcr, c icn dc
acrcdiiar cn nin quando lIc digo isio...
Calou-sc c csirciiou-nc foricncnic a nao.
Enocionado, cu ianlcn nao podia dizcr nada.
Dccorrcran varios ninuios.
÷ Sin, lcn vcjo quc clc nao vira Iojc! ÷
dissc cla finalncnic, crgucndo o rosio. ÷ Ja c
iardc!
÷ Vira ananIa ÷ dissc-lIc cu, con una voz
iao firnc c convinccnic quanio nc foi possívcl.
÷ Sin ÷ acrcsccniou cla, aninada ÷, agora
vcjo-o lcn, so ananIa clc vira. Pois lcn, cniao
aic à visia, aic ananIa! Sc cIovcr, ialvcz nao
vcnIa. Mas, dcpois dc ananIa, virci, virci dc
qualqucr nodo, succda o quc succdcr. csicja
aqui, pois qucro vc-lo, coniar-lIc-ci iudo.
E dcpois, no noncnio da dcspcdida,
csicndcu-nc a nao c dissc, fiiando-nc
francancnic.
83
÷ Eniao, agora, csianos unidos para
scnprc, nao c vcrdadc?
Nasicnla, Nasicnla! Sc iu soulcsscs cn quc
solidao nc cnconiro agora!
Ouando dcran as novc Ioras, nao pudc
nanicr-nc por nais icnpo no ncu quario, vcsii-
nc c saí, apcsar dc csiar nau icnpo. Esiivc no
cais c scnici-nc no nosso lanco. Dci un pcqucno
passcio pcla sua rua, nas iivc vcrgonIa c volici
para iras scn crgucr os olIos para as suas
janclas. Enirci no ncu quario nun dcscspcro
cono nunca conIcccra ouiro igual. Ouc icnpo
unido c fasiidioso! Sc iivcssc csiado lon, icria
passcado por aquclas paragcns duranic ioda a
noiic...
Mas aic ananIa, aic ananIa! AnanIa cla
coniar-nc-a iudo.
No cnianio, nao vcio qualqucr caria Iojc.
Mas, dc faio, c a ordcn naiural das coisas. Elcs
csiao ja os dois junios...
84


QUARTA NOITE

Mcu Dcus, cono iudo isio acalou! Dc quc
nodo acalou! CIcguci às novc Ioras. Ela ja la
csiava. Vira-a ja dc longc. Esiava cono da
princira vcz, con os coiovclos apoiados no
parapciio da nuralIa, c nao sc apcrcclcu da
ninIa apro×inaçao.
÷ Nasicnla! ÷ cIanci, rcprinindo a cusio a
ninIa cnoçao.
Voliou-sc rapidancnic para nin.
÷ Sin ÷ dissc cla ÷, vcnIa dcprcssa!
OlIci-a, pcrplc×o.
÷ Eniao, ondc csia a caria? Trou×c-a? ÷
rcpciiu, apoiando as naos no parapciio.
÷ Nao, nao Ia caria... ÷ dissc cu
finalncnic.÷ Eniao clc nao csia ainda cn sua
casa?
Ela cnpalidcccu icrrivclncnic c olIou-nc
scn fazcr scqucr un novincnio. Eu dcsiruíra a
sua dcrradcira cspcrança.
85
÷ Eniao, quc Dcus o guardc! ÷ profcriu, con
una voz cnirccoriada. ÷ Ouc va para o dialo, ja
quc nc alandona assin.
Dai×ou os olIos, dcpois quis fiiar-nc, nas
nao foi capaz. Por alguns ninuios ainda,
procurou doninar a sua pcriurlaçao, nas
lruscancnic voliou-sc c, apoiando os coiovclos
na lalausirada do cais, ronpcu cn pranio.
÷ Dasia! Vanos! ÷ dissc cu, nas, ao vc-la
assin, nao iivc coragcn para prosscguir c, alias,
quc lIc icria podido dizcr?
÷ Nao procurc consolar-nc ÷ dissc-nc cla,
cIorando ÷, nao nc falc dclc, nao nc diga quc
vira, quc nao nc alandonou cruclncnic,
dcsunanancnic, confornc c cvidcnic quc fcz. E
porquc, porquc? Havcria alguna coisa na ninIa
caria... ncssa infcliz caria?...
Aqui, os soluços coriaran-lIc a voz. O ncu
coraçao dilaccrava-sc so dc a vcr.
÷ Cono c cruclncnic dcsunano! ÷ rcpciiu.
÷ E ncn una linIa, ncn una linIa! Sc ao
ncnos iivcssc rcspondido quc nao iinIa
ncccssidadc dc nin, quc nc rcpclia..., nas ncn
una unica linIa cn ircs dias iniciros! Cono lIc c
facil ofcndcr, IunilIar, una polrc rapariga
indcfcsa, cujo unico crinc foi ana-lo! Cono icnIo
sofrido duranic csics ircs dias! Mcu Dcus, ncu
86
Dcus! Ouando pcnso quc fui cu qucn foi icr con
clc a princira vcz, quc nc rclai×ci pcranic clc,
quc cIorci, quc inplorci dclc una goia dc anor...
E dcpois disio iudo!... Ouça ÷ dissc, dirigindo-sc
a nin, c os scus olIos ncgros lrilIaran ÷, nas
nao, nao c assin! Isso nao podc scr vcrdadc. Nao
c naiural! Ou o scnIor ou cu csianos cnganados.
Podc scr quc nao icnIa rccclido a caria! Podc scr
quc nao saila ainda nada! Cono scria possívcl,
vcja la lcn, diga-nc, cn nonc dc Crisio,
c×pliquc-no, pois nao consigo conprccndcr,
cono sc podc aiuar con a grosscria c con a
crucldadc quc clc usou conigo? Ncn una
palavra! A nais niscravcl das nulIcrcs ncrccc
nais coniscraçao. Tcra ouvido dizcr coisas a ncu
rcspciio, algucn lIc dissc nal dc nin? ÷
c×clanou, voliando-sc para nin con un ar
inicrrogador. ÷ Diga. Ouc pcnsa disio?
÷ Ouça, Nasicnla, ananIa irci icr con clc.
÷ E cniao?
÷ Inicrroga-lo-ci, coniar-lIc-ci iudo.
÷ Dcn, lcn.
÷ Escrcva una caria. Nao diga quc nao!
Olriga-lo-ci a rcspciia-la, salcra iudo, c sc...
÷Nao, ncu anigo, nao ÷ inicrronpcu cla. ÷
Dasia! Ncn una palavra, ncn una palavra a
87
ncu rcspciio, ncn una linIa; ja cIcga! Ja nao o
conIcço, ja nao o ano, vou csquccc-lo...
Nao conscguiu icrninar.
÷ Acalnc-sc, acalnc-sc! Scnic-sc aqui,
Nasicnla ÷ dissc cu, insialando-a no lanco.
÷ Mas csiou calna. Dasia! Nao c nada.
Sao apcnas lagrinas, isio sccara. Eniao,
julgou quc cu nc naiaria, quc nc aiiraria à
agua?...
O ncu coraçao csiava oprinido. Oucria falar,
nas nao podia.
÷ Ouça! ÷ coniinuou, scgurando-nc a nao.
÷ Diga. nao icria agido assin, pois nao? Nao
icria alandonado qucn lIc iivcssc vindo ofcrcccr
voluniariancnic o scu anor, nao lIc icria
lançado ao rosio o inprudcnic dcsprczo do scu
csiupido coraçao... Tc-la-ia poupado a isso, nao c
vcrdadc? Pcnsaria quc csiava so, incapaz dc sc
guiar por si ncsna, incapaz dc sc dcfcndcr do
scu anor por si, inoccnic, sin, inoccnic, pois
afinal.., cla nada fcz... Mcu Dcus, ncu Dcus!...
÷ Nasicnla! ÷ c×clanci, por fin, nao
podcndo ja supcrar a ninIa cnoçao. ÷
Nasicnla, csia a ioriurar-nc! Dilaccra-nc o
coraçao, assassina-nc, Nasicnla! Nao posso nais
88
calar-nc! Vcjo-nc forçado a falar, a dizcr-lIc o
quc sc passa no ncu coraçao...
Enquanio profcria csias palavras, socrgucra-
nc no lanco. Ela scgurou-nc a nao c olIou-nc
con una c×prcssao dc surprcsa.
÷ Ouc sc passa? ÷ dissc por fin.
÷ Ouça-nc! ÷ dissc cu, dccidido. ÷ Ouça-
nc, Nasicnla! O quc lIc vou dizcr agora nao
passa dc una iolicc, c irrcalizavcl, c disparaiado!
Sci quc ial coisa nunca succdcra, nas, no
cnianio, nao posso calar-nc. En nonc dc iudo
aquilo por quc sofrc, pcço-lIc aniccipadancnic
pcrdao. Pcrdoc-nc!...
÷ Mas o quc? Ouc sc passa? ÷ dissc cla.
Dci×ara dc cIorar c olIava-nc fi×ancnic,
cnquanio una csiranIa curiosidadc lrilIava nos
scus lclos olIos surprccndidos. ÷ Ouc icn o
scnIor?
÷ É irrcalizavcl, nas ano-a, Nasicnla! É isio
o quc icnIo. Agora ja dissc iudo ÷ profcri con
un gcsio dc dcscspcro. ÷ Dci×o pois ao scu
criicrio sc dcvc ou nao coniinuar a falar-nc,
cono aic Ia noncnios, sc podc finalncnic
cscuiar iudo o quc lIc vou dizcr...
÷ Pois lcn, quc icn isso? ÷ inicrronpcu. ÷
Ouc nal icn isso? Salia dcsdc Ia nuiio icnpo
89
quc nc anava, nas parccia-nc quc nc anava
singclancnic, assin. .. AI, ncu Dcus, ncu Dcus!
÷ Princirancnic foi... «assin», Nasicnla,
nas agora... agora... csiou c×aiancnic no ncsno
csiado cn quc a Nasicnla csiava quando suliu
ao quario dclc con a irou×a. Pior ainda, pois clc
nao anava ouira pcssoa, cnquanio a Nasicnla
ana...
÷ Ouc csia a dizcr? Nao o conprccndo, afinal
dc conias! Mas cscuic cniao, cono succdcu isso,
por quc razao o scnIor, suliiancnic... Sanio
Dcus, csiou a dizcr ioliccs! Mas o scnIor...
E Nasicnla pcriurlou-sc conplciancnic. As
suas faccs inccndiaran-sc; lai×ou os olIos.
÷ Ouc fazcr, Nasicnla, quc posso cu fazcr? A
culpa foi ninIa, alusci... Nao, nao! A culpa nao c
ninIa, Nasicnla; sofro-o, sinio-o, pois o ncu
coraçao diz-nc quc icnIo razao, porquc cu nunca
podcria ofcndc-la, nunca a podcria fcrir! Era scu
anigo; pois lcn, coniinuo a scr scu anigo; nao
iraí coisa ncnIuna. Vcja, as lagrinas corrcn-nc
pclo rosio, Nasicnla! Dci×c-as corrcr, dci×c-as
corrcr, nao inconodan ningucn. Sccarao,
Nasicnla...
÷ Mas scnic-sc, scnic-sc! ÷ dissc-nc,
qucrcndo olrigar-nc a scniar no lanco. ÷ Mcu
Dcus!
90
÷ Nao, Nasicnla, nao nc scniarci. Nao posso
ficar nais aqui, nao podc voliar a vcr-nc. Dirci
iudo c dcpois vou-nc cnlora. Oucro apcnas
dizcr quc nunca icria salido quc a ano. Tcria
cnicrrado o ncu scgrcdo. Nao a aiorncniaria,
agora, ncsic noncnio, con o ncu cgoísno. Mas
nao conscgui doninar-nc. foi a Nasicnla qucn
princiro falou, a culpa c sua, a Nasicnla c a
unica culpada c cu csiou inoccnic. Nao podc
nandar-nc cnlora...
÷ Mas nao o nando cnlora, ncn pcnsar
nisso! ÷ dissc Nasicnla, cscondcndo o nclIor
possívcl a sua cnoçao, a polrczinIa!
÷ Nao nc nanda cnlora? Nao? E cu quc
qucria ja fugir para longc dc si! Alias, irci, nas
princiro dirci iudo, pois quando a Nasicnla aqui
falava, cu nao podia csiar iranquilo, quando aqui
cIorava, quando aqui sc aiorncniava con aquclc
quc... pois lcn, con aquclc ÷ iraiarci as coisas
pclos scus noncs ÷, con aquclc quc a rcpclia,
quc rccusava o scu anor, scnii, vcrifiquci quc
c×isiia no ncu coraçao ianio anor por si,
Nasicnla, ianio anor!... E lancniava incnso nao
a podcr ajudar, con cs anor... quc o ncu coraçao
sc dilaccrassc c cu... c cu nao calar-nc, fui
olrigado a falar, Nasicnla, fui olrigado a falar!.
÷ Sin, sin! Falc-nc, falc-nc dcssa nancira
dissc cla con una indizívcl aninaçao. ÷ Talvcz
91
lIc parcça csiranIo quc diga isio, nas... falc-nc,
cu falarci dcpois dc si! Dir-lIc-ci iudo!
÷ TcnIa picdadc dc nin, Nasicnla. So lIc
pcço quc picdadc dc nin, ninIa aniga! O quc
csia fciio, csia fciio! C quc ja sc dissc ja nao sc
podc cviiar dc dizcr. Nao c vcrdadc? Pois lcn,
assin, salc iudo, agora. Dcn, isio c o ponio dc
pariida. Muiio lcn! Agora csia iudo pcrfciio.
Escuic-nc so por nais uns noncnios. Ouando
csiava scniada a cIorar, pcnsava con os ncus
loiõcs (dci×c-nc dizcr aquilo quc pcnso!i,
pcnsava quc (ja sci, Nasicnla, c inpossívcli,
pcnsci quc a Nasicnla..., pcnsci quc, dc una
nancira ou dc ouira... cnfin, quc dc una
nancira conplciancnic... indcpcndcnic, a
Nasicnla nao o anava. Eniao ÷ ja onicn c
aniconicn, Nasicnla, pcnsci assin ÷, cniao
pcnsci quc sc assin fossc iudo faria dc nodo quc
nc anassc; nao o dissc ja una vcz ÷ sin, a
propria Nasicnla ja o dissc ÷ quc csiava quasc
apai×onada por nin? Dcn, c dcpois? Pois lcn,
icnIo pouco nais para dizcr. rcsia apcnas
acrcsccniar o quc succdcria sc fossc
corrcspondido. Mas, a csic rcspciio, ncn nais
una palavra! Ouça-nc cniao, ninIa aniga ÷
pois coniinua, apcsar dc iudo, a scr ninIa
aniga, nao c vcrdadc? Sou, na vcrdadc, un
Ioncn sinplcs, polrc, c×ircnancnic
insignificanic; nas nao c disso quc sc iraia (nao
sci porquc, nunca nais digo aquilo quc qucro
92
dizcr. c por causa da cnoçao, Nasicnlai; cu ic-la-
ia anado dc ial nancira, dc ial nancira quc,
ncsno quc o coniinuassc a anar, a clc, a anar
aquclc quc nao conIcço, nao cIcgaria a scniir-sc
inconodada con o ncu anor. Tcria so
c×pcrincniado, icria apcnas scniido, a cada
noncnio, quc junio dc si laiia un coraçao
rcconIccido, plcno dc rcconIccincnio, un
coraçao ardcnic quc por si... OI, Nasicnla,
Nasicnla, o quc fcz dc nin!...
÷ Nao cIorc, nao qucro quc cIorc ÷ dissc
cla, crgucndo-sc rapidancnic do lanco. ÷ Vano-
nos cnlora, lcvanic-sc, vcnIa conigo, nao cIorc
nais. ÷ Enquanio falava, cn×ugava-nc as
lagrinas cono o scu lcnço. ÷Vanos, vano-nos
agora cnlora. Dir-lIc-ci ialvcz qualqucr coisa...
sin, una vcz quc clc nc alandonou, quc nc
csqucccu, sc lcn quc ainda o anc (nao o qucro
cnganar a sii... nas cscuic-nc,, rcsponda-nc. Sc,
por c×cnplo, cu o iivcssc anado, qucro dizcr, sc
apcnas cu... OI, ncu anigo, ncu anigo, quando.
pcnso nisio, quando pcnso quanio o fiz sofrcr,
quando ri do scu anor, louvando-o por nao sc icr
apai×onado!... OI, ncu Dcus, cono nao
adivinIci, cono nao adivinIci.., cono fui iola...
nas... cnfin, lcn, csiou dccidida, dirci iudo...
÷ Ouça, Nasicnla. salc una coisa? Vou
dci×a-la, cis iudo! Na vcrdadc, so a csiou a
aiorncniar. OlIc, ncsic noncnio scnic rcnorsos
93
por icr zonlado, c cu nao qucro, nao qucro quc,
alcn do scu dcsgosio... A culpa foi ninIa, c
cvidcnic, Nasicnla, porianio, adcus!
÷ Espcrc! Espcrc un pouco! Nao podc
cspcrar?
÷ Espcrar o quc? Cono?
÷ Eu ano-o, nas isio passara; icn dc
passar. Esia ncsno ja a passar, lcn o sinio...
Oucn salc, ialvcz Iojc ncsno cIcguc ao fin,
pois dcicsio-o, por clc zonlar dc nin, cnquanio
o scnIor, o scnIor cIorou aqui conigo c nao nc
icria rcpclido cono clc fcz, porquc o scnIor nc
ana, cnquanio clc nunca nc anou, suna... Sin,
cu ianlcn o ano a si! Ano-o cono o scnIor
ana. Fui cu propria qucn lIo dissc, anics dc o
scnIor no dizcr ouviu, nao c vcrdadc? E ano-o
porquc c nclIor do quc nais nolrc do quc clc, c
porquc clc...
A polrczinIa csiava dc ial nodo cnocionada
quc conscguiu icrninar; apoiou a calcça no ncu
onlro, dcpois solrc o ncu pciio, c cIorou
anargancnic. Eu consolava-a, cncorajava-a, nas
nada lIc conscguia dcicr a nagoa; coniinuava a
apcriar-nc a nao c dizia por cnirc os soluços.
«Espcrc, cspcrc. Vai vcr, isio vai parar ja! Oucro
dizcr-lIc... nao quc csias lagrinas... nao, clas
vcn-nc assin, c da franqucza cspcrc quc isio
passc... » Finalncnic, parou dc cIorar, linpc as
94
lagrinas, c rcconcçanos a caninIar. Eu qucria
falar, cla, ainda duranic nuiio icnpo, coniinuou
a pcdir-nc cspcrassc. Calano-nos... Por fin,
rcuniu ioda a sua coragcn concçou a falar.
OlIc ÷ dissc con una voz dclil, nas ondc
lruscancnic rcssoou algo quc nc iraspassou
violcniancnic o coraçao c produziu una
agradavcl dor ÷, nao nc julguc inconsianic
voluvcl, nao pcnsc quc sou capaz dc csqucccr c
dc irair lcvianancnic c iao dcprcssa. Duranic
iodo un ano anci-o juro-o dianic dc Dcus,
nunca, ncn ncsno por pcnsancnios lIc fui
inficl. Elc dcsprczou isso c zonlou dc nin. Ouc
sirva dc provciio! Fcriu c IunilIou c ncu
coraçao. Eu... cu o ano, pois nao posso anar
scnao qucn for gcncroso, conprccnda c scja
nolrc dc scniincnios, porquc cu propria assin c
clc c indigno dc nin. por isso, quc lIc sirva dc
provciio a iraiçao! Foi nclIor assin do quc so
nais iardc, apos icr sido iludida nas ninIas
cspcranças, vicssc a salcr qucn clc cra... Nao c
vcrdadc? Mas, qucn salc? Talvcz quc iodo o ncu
anor nao icnIa passado dc una ilusao dos
scniidos c da inaginaçao, ialvcz quc icnIa
concçado por criancicc, por iolicc, por csiar iao
scvcrancnic vigiada pcla ninIa avo. Talvcz quc
anassc nclc ouiro Ioncn conplciancnic
difcrcnic, quc iivcssc conpai×ao dc nin c... c...
Vanos, dci×cnos isio! Dci×cnos isio! ÷
Inicrronpcu-sc, ofcganic dc cnoçao. ÷ Eu qucria
95
so dizcr-lIc... cu qucria so dizcr-lIc quc, ainda
quc o anc (nao, ainda quc o icnIa anadoi, sc,
apcsar disso, o scnIor quiscr ainda.., sc scnic
quc o scu anor c suficicnicncnic' grandc para
podcr afugcniar do ncu coraçao o anor quc
anics o Ialiiava.., sc quiscr icr picdadc por nin,
sc nao quiscr alandonar-nc ao ncu dcsiino, scn
consolaçao, scn cspcranças, sc quiscr anar-nc
ianio quanio nc ana agora, cniao, juro-lIc, a
ninIa graiidao... o ncu anor acalara por scr
digno do scu... Acciiaria ncsias condiçõcs a
ninIa nao?
÷ Nasicnla! ÷ c×clanci, sufocado pclos
soluços÷, Nasicnla, oI, Nasicnla!...
÷ Dcn, lasia, lasia. Vanos la, lasia por
agora! ÷ dissc cla, doninando-sc con
dificuldadc. ÷ Por ora, iudo csia diio. Nao c
vcrdadc? Nao lIc parccc? Pois lcn, o scnIor
scnic-sc fcliz c cu sinio-nc ianlcn fcliz! Mas
ncn nais una palavra a csic rcspciio. Espcrc.
Poupc-nc... É nclIor falar dc qualqucr ouira
coisa, por anor dc Dcus!...
÷ Sin, Nasicnla, sin! Dasia dc falarnos a
csic rcspciio; agora sinio-nc fcliz, cu... Dcn,
Nasicnla, lcn, falcnos dc ouira coisa, dcprcssa,
dcprcssa, falcnos dc ouira coisa... Sin! Esiou
pronio...
96
E nao salíanos o quc dizcr, ríano-nos,
cIoravanos, dizíanos ninarcs dc palavras scn
scqucncia c scn significado; ianio íanos por un
passcio cono, lruscancnic, arrcpiavanos
caninIo c airavcssavanos a rua; dcpois
dciínIano-nos c voliavanos a passar pclo cais;
conporiavano-nos cono crianças...
÷ Agora vivo so, Nasicnla ÷ conccci ÷, nas
ananIa... Na vcrdadc, lcn o salc, Nasicnla, sou
polrc, icnIo ao iodo nil c duzcnios rullos, nas
isso nao inicrcssa...
÷ É cvidcnic, isso nao inicrcssa; a avo icn a
sua pcnsao c nao nos scra pcsada. É prcciso quc
a avo va vivcr conosco.
÷ Por ccrio, cla ira vivcr conosco...
Sinplcsncnic Ia Mairiona...
÷ AI, nas nos ianlcn icnos Fiolla!
÷ Mairiona c una loa nulIcr. So icn un
dcfciio. carccc dc inaginaçao, Nasicnla, nao
possui una rcsiia dc inaginaçao. Mas isso nao
icn inporiancia!...
÷ Pois, nao inicrcssa, clas podcn ficar as
duas. Mas o scnIor, a pariir dc ananIa, vira
insialar-sc na nossa casa.
÷ En vossa casa?... Dcn, csiou dc acordo...
97
÷ Sin, passara a scr nosso Iospcdc. Tcnos
un quariinIo na nansarda. Esia dcsocupado. A
anicrior Iospcdc, una ancia nolrc, foi-sc
cnlora, c a avo, cu sci, qucr quc o quario scja
ocupado por un jovcn. Eu pcrgunio-lIc. «Porquc
un jovcn?» Ela rcspondc. «Por nada, cu ja csiou
vclIa c assin... Nao pcnscs, Nasicnla, quc io
qucro dar por narido...» Mas adivinIci logo quc
cra jusiancnic cssa a idcia dcla...
÷ AI, Nasicnla...!
E dcsaianos anlos a rir às gargalIadas.
÷ Vanos, lasia, lasia cniao! Mas ondc
nora? Esqucci-nc dc lIc pcrguniar ÷ dissc cla.
÷ Junio da ponic, na cdifício Darannilov.
÷ É no grandc cdifício?
÷ Sin, no grandc cdifício.
÷ Sin, conIcço. c un lclo prcdio. Apcsar
disso dci×c a casa c vcnIa vivcr conosco o nais
dcprcssa possívcl...
÷ A pariir dc ananIa, Nasicnla, a pariir dc
ananIa. TcnIo ainda qualqucr coisa a pagar da
alugucl, nas nao icn inporiancia... Esiou quasc
a rccclcr os ncus provcnios...
98
÷ Alcn dc nais, ialvcz cu possa dar liçõcs.
Aprcndcrci princiro c darci dcpois liçõcs...
÷ Pois lcn, isso c csiupcndo... c cu csiou
prcsics a rccclcr una graiificaçao, Nasicnla...
÷ Eniao, vcnIa ananIa c scra ncu
Iospcdc...
÷ Sin, c ircnos ouvir O Hu)Icí)o dc ScuííIu,
pois vao lcva-lo à ccna novancnic.
÷ Sin, ircnos... ÷ concordou, rindo-sc,
Nasicnla. ÷ Nao, scra nclIor nao vcr O
Hu)Icí)o, nas ouira opcra qualqucr...
÷ Sin, oiino, ouira opcra qualqucr...
Ccriancnic, scra prcfcrívcl. Nao iinIa pcnsado
nisso...
Falando assin, caninIavanos anlos cono
quc cnlriagados, incrsos nun ncvociro, nao
salcndo nos proprios dcfinira quc nos csiava a
aconicccr. Tao dcprcssa nos dciínIanos para
convcrsar, ficando longancnic parados, cono
rcconcçavanos a andar c íanos dar Dcus salc
ondc c novancnic c×plodíanos cn gargalIadas,
cn lagrinas... cono Nasicnla dccidia, lrus-
cancnic, voliar a casa, nao ousando cu rcic-la c
qucrcndo aconpanIa-la aic à poria; punIano-
nos a caninIo c, suliiancnic, ao calo dc un
quario dc Iora, voliavanos para o cais, para
99
dianic do nosso lanco. Incspcradancnic, cla
soliava un suspiro c, dc novo, una lagrina
lroiava dos scus olIos c cu ficava iínido, gclido...
Mas logo csirciiava a ninIa nao na sua c nc
arrasiava dc novo, a caninIar, iagarclar,
convcrsar...
÷ Agora lasia, sao Ioras dc voliar para casa.
Dcvc scr ja nuiio iardc ÷ dissc finalncnic
Nasicnla. ÷ CIcga dc criancicc!
÷ Sin, Nasicnla. Sinplcsncnic. ja nao
conscguirci dornir. nao voliarci csia noiic ao ncu
quario.
÷Eu ianlcn nao; csiou ccria dc quc
ianlcn nao conscguirci dornir. En iodo o caso,
aconpanIc-nc.
÷ Ccriancnic.
÷ Mas dcsia vcz ircnos ncsno para casa,
icn dc scr.
÷ Alsoluiancnic, alsoluiancnic...
÷ Palavra dc Ionra?... É quc, apcsar do quc
aconicccu, icnos dc ir para casa, ccdo ou iardc.
÷ Palavra dc Ionra! ÷ rcspondi, rindo-nc.
÷ Eniao, vanos!
100
÷ Vcja o ccu, Nasicnla, vcja! AnanIa ircnos
icr un dia nagnífico. Ouc ccu azul, quc Lua!
OlIc aqucla nuvcn quc csia prcsics a oculia-la,
vcja, vcja!... Nao, passou-lIc ao lado. Mas olIc,
vcja lcn!...
Nasicnla nao olIava para a nuvcn.
conscrvava-sc silcnciosa, cono quc prcgada ao
cIao; un noncnio dcpois csirciiou-sc
iinidancnic conira nin. A sua nao ircnia na
ninIa; cu olIava... Apoiou-sc cn nin ainda con
nais força.
Ncssc insianic, dianic dc nos. passou un
jovcn. Dc suliio, dcicvc-sc, olIou-nos fi×ancnic
c, cn scguida, andou nais alguns passas. O ncu
coraçao concçou a laicr...
÷ Nasicnla ÷ dissc a ncia voz ÷, qucn c?
÷ É clc! dissc-nc cla nun sussurro,
apcriando-sc ainda nais, ircnulancnic, conira o
ncu corpo... Mal nc susiinIa solrc as pcrnas.
÷ Nasicnla, Nasicnla, cs iu! ÷ dissc una
voz airas dc nos, c ao ncsno icnpo, o jovcn dcu
alguns passas na nossa dircçao...
Sanio Dcus, quc griio! Cono cla ircnia!
Cono sc soliou do ncus lraços para voar ao
cnconiro dclc!...
101
Dcsiroçado, fiquci a conicnpla-los. Logo quc
lIc csicndcu a nao, porcn, nal sc lançou nos
scus lraços, voliou-sc dc suliio para nin;
surgiu a ncu lado, cono o vcnio, cono un
rclanpago, c, anics quc iivcssc rccupcrado a
conscicncia, agarrou-sc nc ao pcscoço
foricncnic, con anlos os lraços, c dcu-nc un
lcijo caloroso. Dcpois, scn nc dizcr una palavra,
corrcu dc novo para clc, agarrou-lIc as nios c
arrasiou-o airas dc si.
Duranic nuiio. icnpo pcrnancci ali,
scguindo-os con os olIos... Finalncnic,
dcsaparcccran anlos.
102


A MANHÃ

As ninIas noiics acalaran naqucla nanIa.
Esiava un dia ncdonIo. A cIuva caía c laiia
irisicncnic nas vidraças. O pcqucno quario
csiava incrso na olscuridadc, pois, la fora, o ccu
csiava colcrio. A calcça andava-nc à roda,
csiava con una cn×aqucca c a fclrc insinuava-sc
por iodo o ncu corpo.
÷ Una caria para ii. pairao! Foi o corrcio quc
a irou×c ÷ ouvi dizcr a voz dc Mairiona.
÷ Una caria! Dc qucn? ÷ c×clanci,
saliando da cadcira.
÷ Ora! Sci la! OlIa, podc scr quc csicja
cscriio por dcniro dc qucn c.
Ouclrci o lacrc. Era dcla!
«Pcço-lIc pcrdao!», cscrcvia
Nasicnla.
«Suplico-lIc dc joclIos quc nc
pcrdoc. Enganci-o c cnganci-nc a nin
propria. Era un sonIo, un faniasna...
103
Hojc sofri por si nil norics. Pcrdao! Pcço-
lIc pcrdao'
«Nao nc ccnsurc, pois nao nudci
fossc o quc fossc quanio a si. Dissc-lIc
quc o anaria c coniinuo a ana-lo, faço
nais do quc ana-lo. Mcu Dcus, sc
pudcssc anar-vos a anlos ao ncsno
icnpo! Sc o scnIor fossc clc! Sc clc fossc
o scnIor!» Esia frasc airavcssou-nc o
ccrclro. Sao as iuas proprias palavras;
Nasicnla, quc nc vcn à ncnoria.
«Dcus c icsicnunIa daquilo quc cu
gosiaria dc fazcr agora por si! Sci quc
csia ncrgulIado no acalrunIancnio c
no dcsgosio. Causci-lIc nal, nas,
quando ananos, lcnlrano-nos das
ofcnsas? Ora, o scnIor ana-nc, nao c
vcrdadc?
«Olrigada, sin, olrigada por cssc
anor! Elc csia inprcsso na ninIa
ncnoria cono un sonIo dclicioso,
daquclcs quc rccordanos nuiio icnpo
dcpois dc icrnos ja dcspcriado; porquc
rccordarci cicrnancnic o insianic cn quc
iao fraicrnalncnic o scnIor nc alriu o
scu coraçao c cn quc iao
nagnaninancnic acciiou a ofcria do
ncu coraçao nagoado, para o conscrvar,
104
acalcniar c proicgcr... Sc nc pcrdoar, a
sua rccordaçao scra crigida por nin nun
scniincnio cicrno c nolrc quc nunca
nais sc apagara da ninIa alna...
Conscrvarci cssa rccordaçao, scr-lIc-ci
ficl, nao o irairci, nao irairci o ncu
coraçao. clc c dcnasiado consianic para
quc isso possa succdcr. Ainda onicn,
cono viu, clc voliou iao dcprcssa à possc
daquclc a qucn para scnprc pcricncc.
«Voliarcnos a cnconirar-nos, o
scnIor vira a nossa casa, nao nos
alandonara, scra pcrpciuancnic ncu
anigo, ncu irnao... E quando nc vir,
dar-nc-a a sua nao... sin?
Dar-na-a, pois icr-nc-a pcrdoado,
nao c vcrdadc? Coniinuara a anar-nc
cono aic aqui?
«Sin, anc-nc, nao nc alandonc,
pois cu ano-o dc ial nancira ncsic
insianic, porquc sou digna do scu anor,
porquc cu o ncrcço.., ncu qucrida
anigo! Casanos na pro×ina scnana. Elc
coniinua apai×onado, nunca nc
csqucccu... Nao sc zanguc por lIc falar
dclc. Oucro quc o conIcça. scra anigo
dclc, nao c vcrdadc?
«Pcrdoc-nc! Fccordc c anc a sua
105
Nasicnla.»

Li csia caria divcrsas vczcs. As lagrinas
ioldavan-nc os olIos. Por fin, caiu-nc das naos
c cscondi o rosio.
÷ Mcu rapaz! EI, ncu rapaz! ÷ dissc
Mairiona.
÷ Ouc foi, vclIoia?
÷ Ja iirci a icia dc aranIa do iccio. Agora aic
ja ic podcs casar, sc quiscrcs, convidar anigos,
iudo ira ficar cn ordcn...
Fiici Mairiona .. Era una nulIcr ainda cIcia
dc vivacidadc, una vclIa jovcn; nas, nao sci
porquc, parcccu-nc dc suliio con o olIar laço,
con rugas no rosio, curvada, csiragada... Nao sci
porquc, suliiancnic, parcccu-nc quc o quario
cnvclIcccra cono Mairiona. Parcdcs c soalIo
csiavan scn cor, iudo ficara iurvo c olscuro;
parcccu-nc quc as icias dc aranIa sc iinIan
nuliiplicado. Nao sci porquc, ao olIar airavcs da
jancla parcccu-nc quc, por scu iurno, o prcdio
cn frcnic ianlcn cscurcccra, quc o rcloco das
suas colunas sc csloroava c caía, quc as cornijas
iinIan cncgrccido c alcrio fcndas c quc as
parcdcs, dc un anarclo carrcgado c griianic,
iinIan pcrdido a cor...
106
Ou, cniao, un raio dc sol quc surgira
suliiancnic por dciras dc una nuvcn carrcgada
dc cIuva cscondcra-sc dc novo airas dcla, c iudo
parcccu cscurcccr novancnic dianic dos ncus
olIos; ou ialvcz quc dianic dc nin icnIa nun
apicc pcrpassado, dcsagradavcl c irisic, ioda a
pcrspcciiva do ncu fuiuro c cu nc icnIa visio,
c×aiancnic cono sou Iojc, quinzc anos dcpois,
cnvclIccido, no ncsno quario, con a ncsna
Mairiona, à qual iodos csscs anos nao icrian
ionado nais cspcria.
Mas quc so cu rccordc a ninIa dor,
Nasicnla! Ouc cu nao cIanc con anargas
ccnsuras una nuvcn sonlria solrc a iua clara c
iranquila fclicidadc, quc nao dcspcric no icu
coraçao o arrcpcndincnio ncn o anargurc con
un sccrcio rcnorso ou o olriguc a laicr con
irisicza nos noncnios dc fclicidadc. Ouc nao faça
fcncccr as icrnas florcs quc colocaras nos icus
calclos ncgros no dia cn quc iras con clc ao
aliar... isso nunca! Nunca! Ouc o icu ccu scja
luninoso, quc scja claro c scrcno o icu gcniil
sorriso c lcndiia scjas iu propria pclo ninuio dc
fclicidadc c dc alcgria quc proporcionasic a un
coraçao soliiario c graio.
Mcu Dcus! Un ninuio iniciro dc fclicidadc!
Afinal, nao lasia isso para cncIcr a vida inicira
dc un Ioncn?...
107


NOTAS

1 ÷ A Pcrspcciiva Ncvsli, o Jardin dc Vcrao c os
cais do Ncva sao os ircs nais lclos iiincrarios dc
Sanpcicrslurgo (aciual Lcnincgradoi.
2 ÷ O canal quc airavcssa o ccniro dc
Sanpcicrslurgo.
3 ÷ Localidadcs pro×inas do ccniro da cidadc,
nas ondc a populaçao alasiada ia dc passcio ou
gozar fcrias.
4 ÷ Pargolovo fica a ccrca dc 15 ln dc
Sanpcicrslurgo, na csirada da Finlandia. Nas
nargcns do scu lago csiao insialadas nuncrosas
vivcndas.
5 ÷ Una das «ilIas» do dclia do Ncva quc scrvian
dc passcio aos sanpcicrslurgucscs.
6 ÷ Por «IlIas», dcsigna-sc o grupo das ilIas
Pcirovsli, Krcsiovsli, ElagIinc, Kancnny,
aprcciadas pclos scus cspaços vcrdcs c pclas
suas casas dc canpo. O rio Ncgro cnconira-sc no
coniincnic, nais a noric, airas dc Novala
Dcrcvnia.
108
7 ÷ Pocia scniincnial c idcalisia (1783-1852i quc,
ainda cn vida, cra considcrado classico na
Fussia.
8 ÷ Pcrsonagcn do ronancc Fol Foy, dc Walicr
Scoii.
9 ÷ Pcrsonagcn dc Walicr Scoii cn Saini
Fonan's Wcll.
10 ÷ Pcrsonagcn dc Walicr Scoii cn HcariI of
MidlorIian.
11 ÷ Pcrsonagcns dc Walicr Scoii no ronancc
ciiado na noia anicrior.
12 ÷ Talvcz Voronisova DacIlova.
13 ÷ Pocna dc PusIlin.
14 ÷ Pcqucna cidadc, csiancia dc fcrias a 25ln
ao noric dc Sanpcicrslurgo, cclclrc pclos scus
conccrios.
15 ÷ Tccla.
109

Vcrsao clcirónica do livro ºNoiics Drancas"
Auior. Fcdor Dosioicvsli
Traduçao. Carlos Lourcs
Crcdiios da digiializaçao. Siic ºO Dialciico"
Endcrcço. Iiip.11www.odialciico.Ipg.ig.con.lr1

A disiriluiçao dcssc arquivo (c dc ouiros
lascados nclci c livrc, dcsdc quc sc dc os crcdiios
da digiializaçao ao Siic ºO dialciico" c sc ciic o
cndcrcço do Siic no corpo do ic×io do arquivo cn
qucsiao, ial cono csia acina.
110

©2003 ÷ Donínio Pullico

Vcrsao para cDool
cDoolsDrasil

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Março 2003
Proilido iodo c qualqucr uso concrcial.
Sc vocc pagou por cssc livro
VOCE FOI FOUDADO!
Vocc icn csic c nuiios ouiros iíiulos
CFÁTIS
dircio na fonic.
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Ediçõcs cn pdf c cDoolLilris
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Março 2006

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