Instituto Politécnico de Leiria

Escola Superior de Tecnologia e Gestão

Apontamentos Teóricos de Matemática Geral

Luís Cotrim Miguel Felgueiras Pedro Matos Departamento de Matemática
2009

Índice
Capítulo I. Lógica 1. Designações e proposições 2. Expressões designatórias e condições. 2.1. Expressões designatórias 2.2. Condições 2.3. Classificação de uma condição num dado universo 2.3.1. Condições impossíveis 2.3.2. Condições possíveis 2.3.3. Conjunto solução de uma condição numa variável 2.4. Equivalência de expressões com variáveis 2.4.1. Equivalência de expressões designatórias 2.5. Equivalência de condições 3. Operações entre condições e entre conjuntos 3.1. Disjunção de condições e reunião de conjuntos 3.2. Conjunção de condições e intersecção de conjuntos 3.3. Negação e complementação 4. Quantificadores e implicação formal 4.1. Quantificadores 4.2. Implicação 4.3. A equivalência como dupla implicação. 1 1 3 3 3 4 5 5 6 7 7 8 8 8 11 14 16 16 18 21

Capítulo II. Cálculo algébrico 1. Expressões algébricas. Polinómios. 1.1. Definições
iii

23 23 23

2.2. 23 23 26 30 34 35 35 38 39 39 41 42 44 46 49 51 51 53 59 59 60 61 63 64 65 65 66 67 .3. Generalidades sobre funções.1. 1. Operações com polinómios.4. Inequações fraccionárias Capítulo III. Outras operações 3. Adição e subtração 1. 6.3. Regra de Ruffini.3. 4. 6.iv ÍNDICE 1. Fracções algébricas 2.2. Classificação de funções reais de variável real. Propriedades Capítulo IV.2. 6. Domínios. Multiplicação 1. Equações fraccionárias 3. Funções sobrejectivas. Funções definidas por diferentes expressões analíticas 5. 1. 3.1. Método dos coeficientes indeterminados 2. Teorema do resto 1. Zero de um polinómio 1. Somatórios 1. Função Módulo. Gráfico de uma função. Equações irracionais 4. Simplificação 2.2. 2.2. Funções bijectivas. Decomposição de um polinómio em factores 1.6. Definição 2.2. 1.2.1. Aplicações entre conjuntos. Equações 3. Funções injectivas. Divisão.1. Funções reais de uma variável real.5. 6.

A função identidade e função inversa 10. Extensão da noção de limite 12. Funções monótonas 7.ÍNDICE v 6.6. Indeterminações quando x tende para a (finito) 12. Monotonia. 12. Função quadrática 11. Função afim 11. Funções limitadas 8. Noções topológicas 12.1.3. 67 67 68 68 69 69 71 71 72 72 73 73 75 77 77 77 78 79 82 90 92 92 95 97 101 104 109 109 111 .2. Propriedades dos limites de funções 12. Limites de funções reais de variável real.o grau 12.5.1. Funções periódicas. Funções pares e funções ímpares. Inequações do 2. 6.2. 7. Limites laterais 12.1.4. Função identidade 10. Funções polinomiais 11. Indeterminações quando x tende para +∞ ou −∞.1. Funções limitadas.3.1. Composição de funções 10.5.4. Diferença 9.3. 7.5.2.2. Definição de limite de uma função 12.6.6. Zeros de uma função 9.4. Operações com funções 9.1. Soma 9.1. Função inversa 11. Quociente 9. Indeterminações 12.2.2. Produto de um escalar por uma função 9. Produto 9.3.

Definições 3. O radiano 2. Continuidade de funções reais de variável real. Enquadramento das razões trigonométricas 3. Ângulo num referêncial 2. 13.1. Generalização da noção de ângulo 2. o co-seno. Propriedades das funções contínuas num ponto 13. Trigonometria 1. Função exponencial e função logarítmica 1.1. 80o e 270o π π π 3.3.2. Medidas de ângulos 2.1.1. Relação entre o seno. Sistema sexagesimal e sistema circular 3. Fórmula fundamental da trigonometria 1.4.6. e 6 4 3 114 114 120 120 123 125 125 125 129 129 137 137 138 139 140 140 140 142 142 143 144 144 145 146 147 147 147 .1. Funções transcendentes.5.3. Linhas trigonométricas 3.3.2. Continuidade da função composta Capítulo V.2.2. Razões trigonométricas de ângulos agudos 1. a tangente e co-tangente de um mesmo ângulo 2.1. Razões trigonométricas de 0o . 1. Sinal das razões trigonométricas 3.vi ÍNDICE 13.5. Ângulo orientado 2. Generalização das razões trigonométricas 3. Função exponencial 1.4. Ângulos orientados. A função exponencial de base e (número de Neper) 1. 90o .2.4. Razões trigonométricas de . Continuidade num intervalo 13. Função logarítmica Capítulo VI. Função contínua e função descontínua num ponto 13.1.

Equações do tipo tan x = p e cot x = p 6.3. 3. Derivada de uma função num ponto. Equações do tipo sin x = p 5. Equações do tipo cos x = p 5. Ângulos do 3.3. Função co-seno 6. Sentido de variação de uma função 11.3. Relação entre as razões trigonométricas de α com 90o + α. Derivada da função exponencial e função logarítmica 8. Ângulos do 2. Equações trigonométricas 5. Ângulos complementares 4. Funções circulares directas 6.o quadrante 4.o quadrante 4.o quadrante 4.4. 148 148 149 149 150 151 151 151 153 155 156 156 158 160 162 163 163 164 169 171 172 181 185 188 189 190 192 194 5.2. Derivadas sucessivas 9. Regras de derivação 6. derivadas laterais.1.1. Função tangente 6.1. Regra de Cauchy 10. 2. Cálculo diferencial em R 1. Determinação dos extremos . Redução ao 1.2.2. Função seno 6. 270o − α.o quadrante 4. Derivadas das funções circulares 7.4.1. 270o + α. Derivabilidade e continuidade 4. Recta tangente a uma curva num dos seus pontos. Ângulos do 4.5. Extremos relativos 11. Função derivada 5.ÍNDICE vii 4. Função co-tangente Capítulo VII.

viii ÍNDICE Bibliografia 199 .

1. 12) . (2) 6 + 24 = 30. √ (4) 7 > 7. nomes ou termos são expressões que representam seres existentes.d. (8. 2. Exemplo 1. 10.2. 12) = 4. Exercício 1.1. (8) m. 2. (5) {1. Portugal é um país da Europa. Portugal. 5 + 2. (6) 4 ∈ {1. 3 + 2 = 5. Exemplo 1. as designações das proposições: (1) 6 + 24. • Duas designações dizem-se equivalentes ou sinónimas se representam o mesmo ser. {1.c. Designações e proposições Designações. Proposições são expressões acerca das quais faz sentido dizer se são verdadeiras ou falsas. 2 + 3 × 4 = 20.c. nas expressões seguintes. (8. 3} . 3}. / (7) m. carteira. 3} .d. √ (3) 7. Distinga.CAPÍTULO I Lógica 1. 2. • Se duas designações são equivalentes escreve-se entre elas o sinal =. 1 .

LÓGICA Exemplo 1. q: a subtracção é comutativa em R. Considere os seguintes pares de proposições equivalentes: (1) 4 + 10 : 2 = 7 é equivalente a 5 + 1 2 = 3 (são ambas proposições falsas) . Duas proposições dizem-se equivalentes se são ambas verdadeiras ou ambas falsas. 52) • m. (2) 3 ∈ N é equivalente a 2 + 2 = 4 (são ambas proposições verdadeiras) . Exercício 1.3. (2. r: a multiplicação é distributiva em relação à adição. (13. u: 8 : 4 = 4 : 8. as que são equivalentes. Sejam p. t e u as proposições seguintes: p: a adição de números naturais tem elemento neutro. 4. 4 + 5 = 6 + 3 pois 4 + 5 e 6 + 3 representam o mesmo número.d. justificando.c. 5) • √ ¢2 ¡√ 5 − 45 • (2−2 + 3−2 ) × 6−2 (1) Calcule o número designado por cada uma delas.4. (2) Haverá designações equivalentes? Quais? Exercício 1. s : 0 : 5 = 0. (1) Indique. s.3.m.2.c. t: 5 : 1 = 5. .2 I. (2) Modifique as que são falsas de modo a que sejam verdadeiras. r. Exemplo 1. Considere as designações seguintes: • √ 22 + 32 • |5 − 52 | • m. q.

2.2. Seja A um conjunto qualquer. 2. em R : (a) x3 + 3 (de domínio R) .1. Condições. • Constante é um símbolo que representa um e um só elemento de A. +∞[) . • Domínio da expressão designatória é o conjunto dos valores da variável para as quais a expressão tem significado num dado universo. 2. (1) São expressões designatórias de uma variável. • Expressão designatória é uma expressão com variáveis que se transforma numa designação quando as variáveis são substituídas por constantes (do domínio das variáveis). Expressões designatórias. Na fórmula que dá o perímetro de uma circunferência 2πr (em R) . • Ao conjunto A chama-se domínio da variável. √ (c) x − 3 (de domínio [3. (2) A expressão x2 + 2xy + y 2 é uma expressão designatória de duas variáveis.2.1. sendo o seu domínio o conjunto dos pares (x. . (b) x2 + 2x + 1 (de domínio R) . as constantes são 2 e π e a variável é r. Uma condição é uma expressão com variáveis que se transforma numa proposição quando as variáveis são substituídas por constantes do seu domínio. 3 2. Exemplo 2. • Variável é um símbolo representativo de qualquer dos elementos de A. y) com x ∈ R e y ∈ R. Expressões designatórias e condições. EXPRESSÕES DESIGNATÓRIAS E CONDIÇÕES. Exemplo 2.

3} . (5) |x − 2| − 3. (2) o dobro de x. Consideremos no universo dos números reais a condição 2x + 3 > 4. que é uma proposição falsa . LÓGICA Exemplo 2. Com efeito. (1) As equações. 3x−6 = 0 é uma condição na variável x. indique as que são expressões designatórias e as que são condições. as inequações. Classificação de uma condição num dado universo. (6) x2 − 3x + 2. Se concretizarmos a variável fazendo x = 1 obtemos uma proposição verdadeira 2 × 1 + 3 > 4. 2. (4) 5x + 3. 2. Diz-se então que 1 é uma solução da condição. (7) x − 2 > 0. visto que se transforma numa proposição sempre que x é substituído por um número real. visto que 2 × 0 + 3 > 4. Por exemplo: (a) x = 5 transforma-se em 3 × 5 − 6 = 0. . Entre as expressões seguintes.3.3. (2) Também são condições expressões do tipo x + 1 6= 3 Exercício 2. (1) 3x + 4 = 0. os sistemas de equações e os sistemas de inequações são exemplos de condições. . (8) a soma do dobro de x com a sua metade. que é uma proposição verdadeira. Já o número 0 não é solução da condição.4 I. x ∈ {1.1. (b) x = 2 transforma-se em 3 × 2 − 6 = 0. (3) |x − 2| < 3.

(4) |x| − 1 = −2. (6) x > x + 1. se para todas as concretizações das variáveis se transforma numa proposição falsa.3. nos universos considerados. em R. 2} . Condições possíveis. nos universos considerados. a condição 2x + 3 > 4 é impossível no universo {−2. em {0.2. Condições impossíveis. . x = 2 não é solução Exercício 2.2. Enquanto x = 1 é solução da equação uma vez que 22 − 1 = 0 é uma proposição falsa. Uma condição diz-se impossível num dado universo. (2) x2 − 2x = 0. Assim. em N.4.2. são impossíveis as condições: (1) x2 + 1 = 0. EXPRESSÕES DESIGNATÓRIAS E CONDIÇÕES. −1. pois origina proposições verdadeiras para qualquer concretização da variável (todos os números reais a verificam). (3) x2 + 4x = 0. Exemplo 2. Uma condição diz-se possível num determinado universo se não for impossível. (5) |2x + 3| + 1 < 0. em R. 2. da equação pois 12 − 1 = 0 é uma proposição verdadeira. 2. as condições x2 + 1 > 0 e x2 − 1 = 0. 5 é uma proposição falsa. em N0 .1. Justifique que. são universais as condições: (1) 2x > 1. (1) São possíveis. (2) x + 1 = 0. em R. em R.3. Exercício 2. (2) A condição x2 + 1 > 0 é possível e universal. em R. (3) A condição x2 − 1 = 0 é possível mas não universal. Justifique que. em N.3. 0} .

Exercício 2.3. . (4) |x + 1| + 3 = 0. Exercício 2.5. LÓGICA (3) −x2 − 1 ≤ 0.3. cada uma das seguintes condições: (1) x2 > 0. num dado universo. isto é. (2) x2 + y 2 ≤ 0. Chama-se conjunto solução de uma condição p(x). (11) − (x + 2)2 < 0. em N e em R. Conjunto solução de uma condição numa variável.6 I.4. 2. (12) |x + 3| > 0. 5 (10) x2 + 4 6= 0. (5) x2 − x + 5 = 0. em Z. (2) universal. (7) (x + 1)2 > 0. (3) possível mas não universal. (9) (x + 1)3 < 0. Classifique. ao conjunto dos valores do universo que são soluções da condição. (8) (x + 1)2 > 0. os valores que a transformam numa proposição verdadeira. (3) |x| + 1 > 0. Dada a condição x + 1 > 3 indique um universo em que a condição seja: (1) impossível. (6) x2 + 3x = 0.

+∞ . Mostre que. 2. Exemplo 2. em R. o conjunto de solução da condição 3x − 4 > 0 é 4 .6. 7 Exemplo 2. escreve-se entre elas o sinal = (“é sempre igual a”) . Tem-se como exemplos: (1) Em N. Para exprimir que duas expressões designatórias são equivalentes. 2.1. Exemplo 2.5. 2. o conjunto de solução da condição |x − 2| < 3 é {1.7. Exemplo 2. dizem-se equivalentes num dado universo. temos por exemplo: (1) (a + b)2 = a2 + 2ab + b2 . Equivalência de expressões designatórias. em R.4. . Duas expressões designatórias. a condição 2x − 3 = 0 é impossível pelo que o seu conjunto solução é {x ∈ N : 2x − 3 = 0} = ∅. EXPRESSÕES DESIGNATÓRIAS E CONDIÇÕES. 3 Evidentemente uma condição universal tem por conjunto solução o universo.8. em toda a concretização das variáveis. Como. quando se transformam em designações equivalentes.6.4. são equivalentes as seguintes expressões designatórias: (1) (x − 2)2 − 3 (x − 1) (x + 5) e 19 − 16x − 2x2 . 4} . o seu conjunto solução é R.2. nas mesmas variáveis. £ £ (2) Em R. 3. Em R. Exercício 2. a condição x2 + 1 > 0 é universal. Em N. enquanto que o conjunto solução de uma condição impossível é o conjunto vazio. Equivalência de expressões com variáveis. (2) x2 − 3x = x(x − 3).

(3) (2x − 3) (x − 1)2 − x2 (2x − 7) e 8x − 3. 3. que é verificada pelos valores que são soluções de pelo menos uma das condições. escreve-se entre elas o sinal ⇐⇒. em R.5. que duas condições são equivalentes num dado universo se tiverem o mesmo conjunto solução. Mostre que as seguintes expressões são equivalentes e una-as com o sinal conveniente. √ (1) x e x2 não são equivalentes. em R. 2.8 I. (5) |x − 1| = 3 e x2 − 2x − 8 = 0. (6) 3 (x − y)2 (x + y) − 3 (x + y)2 (x − y) e 6y 3 − 6x2 y. . Exercício 2. Exercício 2. num dado universo. em R. em N. Mostre que. em R. nas mesmas variáveis. Se designarmos por P e Q o conjunto de solução de p(x) e q(x) respectivamente. Resulta então do que se disse anteriormente. dizem-se equivalentes. Para exprimir que duas condições são equivalentes.7. (2) (x + 3)2 − 3 (x + 1)2 + 4 (x − 1) (x + 1) e 2x2 + 1. Chama-se disjunção de duas condições. então o conjunto solução da condição p(x) ∨ q(x) é a reunião P ∪ Q. Disjunção de condições e reunião de conjuntos. Duas condições. à condição p(x) ∨ q(x) (“p(x) ou q(x)”) . p(x) e q(x). LÓGICA (2) 2 (x − y)2 − 2 (x − y) (x + y) e 4y 2 − 4xy.1. Operações entre condições e entre conjuntos 3. (1) 3x2 − 6x + 2 = 0 e x2 + x = 0. (4) 4 − 2x < −3 e |2x| > 7. em R. Equivalência de condições. quando se transformam em proposições equivalentes em toda a concretização das variáveis.8. em R+ . q (2) (x2 + 1)2 e x2 + 1 são equivalentes.

+∞[ = ]2. a disjunção das condições x > 2 e x > 7 é a condição x > 2 ∨ x > 7. cujo conjunto solução é ]−∞. 3] = ]−∞. . OPERAÇÕES ENTRE CONDIÇÕES E ENTRE CONJUNTOS 9 Exemplo 3. Determine. a disjunção das condições x > 2 e x ≤ 3 é a condição x > 2 ∨ x ≤ 3. 0] ∪ [2.2. sempre que possível: (1) x > 2 ∨ x > 3.3. a disjunção das condições x ≤ 0 e x > 2 é a condição x ≤ 0 ∨ x > 2. utilizando intervalos de números reais. (5) |x − 1| > 2 ∨ x2 − 3x = 0. +∞[ = R. Em R. +∞[ ∪ ]7. Em R. Em R. cujo conjunto solução é ]2. cujo conjunto solução é ]2. o conjunto solução de cada uma das condições seguintes. +∞[ . (6) |x| > x ∨ x > 5. em R. +∞[ ∪ ]−∞. Exemplo 3. (4) 2x > x ∨ |x| < 3. (2) x < 1 ∨ x > 0. +∞[ . Exercício 3. (3) 8 − 2x < 0 ∨ x − 1 < 0.3. Exemplo 3.1.1.

Tem-se assim: p(x) ∨ u(x) ⇐⇒ u(x) P ∪U = U (5) A disjunção de uma condição qualquer p(x) com uma condição impossível i(x) é equivalente à primeira condição. . Defina. cada um dos seguintes conjuntos: (1) A = {x ∈ N : 3x − 2 = 16 ∨ 12 − 2x = 0} .2. a reunião de um conjunto qualquer P com o conjunto vazio é igual ao primeiro conjunto. em extensão. Em termos de conjuntos. (3) C = {x ∈ N : x2 − 7x + 12 = 0 ∨ |x| − 2 < 0} . Tem-se assim: p(x) ∨ i(x) ⇐⇒ p(x) P ∪∅ = P (2) B = {x ∈ N : |x| ≤ 3 ∨ |x| + 2 < 0} . Em termos de conjuntos. Propriedades da disjunção de condições e da reunião de conjuntos (1) Propriedade comutativa (a) Condições: p(x) ∨ q(x) ⇐⇒ q(x) ∨ p(x) (b) Conjuntos: P ∪ Q = Q ∪ P (2) Propriedade associativa (a) Condições: [p(x) ∨ q(x)] ∨ r(x) ⇐⇒ p(x) ∨ [q(x) ∨ r(x)] (b) Conjuntos: (P ∪ Q) ∪ R = P ∪ (Q ∪ R) (3) Idempotência (a) Condições: p(x) ∨ p(x) ⇐⇒ p(x) (b) Conjuntos: P ∪ P = P (4) A disjunção de uma condição qualquer p(x) com uma condição universal u(x) é equivalente a uma condição universal. LÓGICA Exercício 3.10 I. (4) A ∪ B ∪ C. a reunião de um conjunto qualquer P com o universo U é igual ao universo.

4. que é verificada pelos elementos que são solução de ambas as condições. 30} = {5. então o conjunto solução da condição p(x) ∧ q(x) é P ∩ Q. cujo conjunto de solução é [10. 3[ ∪ ∅ = ]−∞.2. Exemplo 3. Simplifique as seguintes disjunções de condições: (1) x2 < −1 ∨ x > 5. Em R. respectivamente. OPERAÇÕES ENTRE CONDIÇÕES E ENTRE CONJUNTOS 11 Exemplo 3. à condição p(x) ∧ q(x) (“p(x) e q(x)”).3. é a condição x > 10 ∧ x ∈ {5. Se designarmos por P e Q o conjunto solução de p(x) e q(x). Exercício 3. 30} . 3. temos por exemplo: (1) A conjunção das condições x > 10 e x ∈ {5. (2) |x| + 2 > 0 ∨ x − 3 > 0. 30} . Chama-se conjunção de duas condições. +∞[ ∩ {5. 30} . Considere as seguintes condições e conjuntos (1) x2 > 0 ∨ x > 3 ⇐⇒ x2 > 0 (Em R) R∪ ]3. . 3[ .5. (3) x2 + x + 3 = 0 ∨ x + 1 = x. (4) x2 + 2 6= 0 ∨ |x − 1| + 1 = 0.3. p(x) e q(x). +∞[ = R (2) x + 1 > x ∨ |x| < 0 ⇐⇒ x + 1 > x (Em R) R∪∅=R (3) x + 3 < 0 ∨ x + 1 < x ⇐⇒ x + 3 < 0 (Em R) ]−∞. Conjunção de condições e intersecção de conjuntos.

Q = {x ∈ R : |x + 2| < 3} . Exercício 3. (2) P ∩ Q. cujo conjunto de solução é [1. (5) (3) x > −1 ∧ x > 1. . (2) x > 1 ∧ x ≤ −1. 3] .12 I. (3) (P ∩ Q) ∪ R e P ∩ (Q ∪ R) . x−3 + x ≤ 0 ∧ |x + 1| > 2. (4) |x| ≤ 2 ∧ 3x + 1 > 0. 2 (6) x2 − 9 6= 0 ∧ x + 1 > x. Determine sob a forma de intervalos de números reais os conjuntos: (1) P. LÓGICA (2) A conjunção das condições x > 1 e x ≤ 3.5. em R. Determine. Q e R. (7) x > (8) |x + 1| = 0 ∨ (|x + 1| + 3 = 0 ∧ |x + 1| > 0) . Exercício 3. é a condição x > 1 ∧ x ≤ 3. o conjunto solução de cada uma das condições seguintes. 2 x ∧ x > 3x − 4 ∧ x2 + 1 6= 0. R = {x ∈ R : x + 1 > 0} . utilizando intervalos de números reais sempre que possível: (1) x > 2 ∧ x ≤ 3. Q ∩ R e P ∩ Q ∩ R.4. Considere os conjuntos: P = {x ∈ R : x2 − 9 6= 0 ∧ 1 − 2x < 5} .

Em termos de conjuntos. Tem-se assim: p(x) ∧ u(x) ⇐⇒ p(x) P ∩U = P (5) A conjunção de uma condição qualquer p(x) com uma condição impossível i(x) é uma condição impossível. a intersecção de um conjunto qualquer P com o universo U é igual a P .3. OPERAÇÕES ENTRE CONDIÇÕES E ENTRE CONJUNTOS 13 Propriedades da conjunção de condições e da intersecção de conjuntos (1) Propriedade comutativa (a) Condições: p(x) ∧ q(x) ⇐⇒ q(x) ∧ p(x) (b) Conjuntos: P ∩ Q = Q ∩ P (2) Propriedade associativa (a) Condições: [p(x) ∧ q(x)] ∧ r(x) ⇐⇒ p(x) ∧ [q(x) ∧ r(x)] (b) Conjuntos: (P ∩ Q) ∩ R = P ∩ (Q ∩ R) (3) Idempotência (a) Condições: p(x) ∧ p(x) ⇐⇒ p(x) (b) Conjuntos: P ∩ P = P (4) A conjunção de uma condição qualquer p(x) com uma condição universal u(x) é equivalente a p(x). a intersecção de um conjunto qualquer P com o conjunto vazio é o conjunto vazio. Tem-se assim: p(x) ∧ i(x) ⇐⇒ i(x) P ∩∅ = ∅. Em termos de conjuntos. Propriedades de ligação (1) Propriedade distributiva da disjunção relativamente à conjunção (a) Condições: p(x) ∨ [q(x) ∧ r(x)] ⇐⇒ [p(x) ∨ q(x)] ∧ [p(x) ∨ r(x)] (b) Conjuntos: P ∪ (Q ∩ R) = (P ∪ Q) ∩ (P ∪ R) (2) Propriedade distributiva da conjunção relativamente à disjunção (a) Condições: p(x) ∧ [q(x) ∨ r(x)] ⇐⇒ [p(x) ∧ q(x)] ∨ [p(x) ∧ r(x)] .

6.6. • A condição ∼ p(x) é verificada pelos elementos do universo que não são solução de p(x). defina os conjuntos correspondentes a cada uma das condições. 3.7. LÓGICA (b) Conjuntos: P ∩ (Q ∪ R) = (P ∩ Q) ∪ (P ∩ R) Exemplo 3. (2) Recorrendo a intervalos de números reais. (1) Simplifique as seguintes condições em R : (b) x + 3 > x ∧ |x| > 2. {2} ∩ R = {2} (2) x2 > 0 ∧ x2 + 1 > 0. (4) x2 > 2 ∧ |x| + 1 > 0. Simplifique as seguintes condições em R: (1) |x − 1| ≤ 0 ∧ x2 + 1 < 0.14 I. . • Antepondo à condição p(x) o sinal ∼ (“não é verdade que”) obtemos uma nova condição ∼ p(x). Temos como exemplos: (1) x = 2 ∧ |x| > 0 ⇐⇒ x = 2 ( em R) (2) x < 2 ∧ x2 < 0 ⇐⇒ x2 < 0 ( em R) ]−∞. (3) x2 − x + 5 6= 0 ∧ x2 + 5 ≤ 0.3. 2] ∩ ∅ =∅ Exercício 3. (c) |1 − x| > 3 ∧ x > x + 1. Exercício 3. a que se chama contrária da condição dada. Negação e complementação. (a) x2 + 1 > 0 ∨ x > 2.

Considere em R as condições: 2 (1) q(x) : x > 3 ∼ q(x) : x < 2 3 ∙ 2 Conjunto solução : Q = .9. 3} Conjunto solução : R = R\ {1.7. com intervalos de números reais. 3 Conjunto solução : P = {3} Conjunto solução : P = R\ {3} Conjunto solução : R = {1. (3) 1 − x > 1. em R: (1) x + 3 < 0.3. OPERAÇÕES ENTRE CONDIÇÕES E ENTRE CONJUNTOS 15 • Complementar de um conjunto P é o conjunto P dos elementos do universo que não pertencem a P . +∞ 3 ¸ ∙ 2 Conjunto solução : Q = −∞. em compreensão. isto é P = {x ∈ U : x ∈ P } . Exemplo 3. se P é o conjunto solução da condição p(x). (4) x ∈ {x = 2n ∧ n ∈ N} . Considere os conjuntos E = {x ∈ R: − 2 < x < 5} e F = {x ∈ R: |x| < 3} .8. 3} ∼ r(x) : x ∈ {1. E e F . Sem usar o símbolo ∼ escreva a negação de cada uma das condições. 3} ∙ (2) p(x) : x = 3 ∼ p(x) : x 6= 3 (3) r(x) : x ∈ {1. 3} / Exercício 3. (1) Represente. P é o conjunto solução da condição ∼ p(x). os conjuntos E e F . Exercício 3. . (2) Defina. / Assim. (2) 3x − 2 = 0.

Quantificadores e implicação formal 4. obtém-se uma proposição verdadeira se escrevermos ∀x ∈ R: x2 + 4 > 0 ou x2 + 4 > 0 : ∀x ∈ R. Exercício 4. LÓGICA 4. 2 x (2) ∀x ∈ N.1. (1) A condição x + 3 = 0 é possível em Z. ∀x ∈ R. x > . dá origem a uma proposição verdadeira se a condição é possível e falsa se é impossível. x (1) ∀x ∈ R.2. ∀x ∈ N. Exemplo 4. Chama-se quantificador de existência ao símbolo ∃ (lê-se: “existe pelo menos um” ou “há pelo menos um”) que. (2) A proposição ∀x ∈ R. porque a condição x + 1 = 0 não é universal em R.1. . Chama-se quantificador universal ao símbolo ∀ (lê-se: “qualquer que seja” ou “para todo o”) que. 2 2 2 (3) (x + 1) = x + 2x + 1. (4) (x + 1)2 = x2 + 2x + 1.1. (1) A condição x2 + 4 > 0 é universal em R. x > . Exemplo 4. obtemos uma proposição verdadeira. então se escrevermos ∃x ∈ Z: x + 3 = 0. aplicado a uma condição numa variável.16 I. Quantificadores. x + 1 = 0 é falsa. Indique se as proposições seguintes são verdadeiras ou falsas. dá origem a uma proposição verdadeira se a condição for universal e falsa nos outros casos. aplicado a uma condição numa variável.

A negação destas proposições em linguagem corrente é: (5) Nem todos aos alunos da turma fizeram os trabalhos de casa.4. no conjunto T dos alunos da turma. vem: (7) ∃x ∈ T : x não fez os trabalhos de casa. (4) Há pelo menos um aluno na turma que gosta de matemática. as proposições: (1) ∀x ∈ T.2. Traduzindo em linguagem simbólica. x fez os trabalhos de casa. (8) ∀x ∈ T. (2) ∃x ∈ T. Exercício 4. x2 + 3 = 2. estas proposições traduzem-se. São dadas. (6) Nenhum aluno da turma gosta de matemática. |x + 1| + 2 > 0 .3. 2 2 (6) ∃x ∈ R : x + 3 = 2. . as condições: 1 |x + 1| + 2 > 0 . em R. Portanto: (9) ∼ (∀x ∈ T. Considere. por: (3) Todos aos alunos da turma fizeram os trabalhos de casa. x2 = x e 2 (1) Classifique cada uma delas. porque a condição 2x + 3 = 0 é impossível em Z. Em linguagem corrente. x gosta de matemática. x fez os trabalhos de casa)⇐⇒ ∃x ∈ T : x não fez os trabalhos de casa. x2 = x . respectivamente. Exemplo 4. 2 1 (5) ∃x ∈ R : x2 = x. (2) Diga se são verdadeiras ou falsas as proposições: (3) ∀x ∈ R. x não gosta de matemática. 1 (4) ∀x ∈ R. QUANTIFICADORES E IMPLICAÇÃO FORMAL 17 (2) A proposição ∃x ∈ Z: 2x + 3 = 0 é falsa.

Diz-se que uma condição p(x) implica outra condição q(x). Exercício 4. 1[ .3. Tem-se por exemplo: (1) x é homem ⇒ x é mortal É uma proposição verdadeira. . se o conjunto solução P da primeira estiver contido no conjunto solução Q da segunda. 1 ≤ x ≤ 5. Assim: p(x) ⇒ q(x) é uma proposição verdadeira se P ⊂ Q. (2) x > 3 ⇒ x < 1 (em R) É uma proposição falsa pois ]3.18 I. Implicação. x > 2 ∨ x = 3. (2) ∃x ∈ R : x > 5 ∧ x > 7. Exemplo 4. (5) ∀x ∈ R. (x > 2 ∧ x < 5) ∨ x > 3. ∀y ∈ R. (3) ∀x ∈ R. Negue cada uma das proposições seguintes: (1) ∀x ∈ R. A negação transforma o quantificador de existência em quantificador universal seguido de negação: ∼ ∃ ⇐⇒ ∀ ∼ . +∞[ não está contido em ]−∞. LÓGICA (10) ∼ (∃x ∈ T : x gosta de matemática)⇐⇒ ∀x ∈ T. Conclusão: A negação transforma o quantificador universal em quantificador de existência seguido de negação: ∼ ∀ ⇐⇒ ∃ ∼ .2. (4) ∃x ∈ R. 4.4. x − y = 2. x não gosta de matemática.

Exemplo 4. (1) x < −4 ⇒ x < 1. ou seja. vem ∼ (x = 0 ∨ y = 0) ⇒∼ (x. QUANTIFICADORES E IMPLICAÇÃO FORMAL 19 (3) n é múltiplo de 10 ⇒ n é par É uma proposição verdadeira. Exercício 4. Se m(x) e p(x) designam duas condições. que podemos traduzir por “todo o rectângulo é um paralelogramo” .y = 0 =⇒ x = 0 ∨ y = 0 ( lei do anulamento do produto ) . x.4. em R. Em R. Indique. .y = 0) . (justifique) (4) x2 − x + 3 = 0 ⇒ x2 < 0 (em R) É uma proposição verdadeira. pois o conjunto vazio está contido em qualquer outro conjunto. ou seja x 6= 0 ∧ y 6= 0 ⇒ x. tem-se assim a lei de conversão (m(x) ⇒ p(x)) ⇐⇒ (∼ p(x) ⇒∼ m(x)) .4. Considere a proposição verdadeira “x é um rectângulo ⇒ x é um paralelogramo ”. (4) |x| < 1 =⇒ x + 3 > 0. (3) x2 − 9 = 0 ⇒ x = 3.5. “se x não for um paralelogramo =⇒ x não é um rectângulo”. o valor lógico das proposições seguintes: (2) x = 2 =⇒ x2 − 2x = 0. inclusive nele próprio. Obviamente. Então pela lei de conversão.y 6= 0. esta proposição é equivalente a “se x não for um paralelogramo então também não é rectângulo”.

. (2) A negação (sem utilizar o sinal ∼). “∃x : x é rectângulo ∧ x não é paralelogramo”.20 I.6. Exercício 4. Considere as seguintes proposições: • x > 2 ⇒ |x| > 2 (em R) 3x • |x − 4| > 4 ⇒ − > 0 (em R\ {0}) . Note que ¡ ¢ ∼ x > 2 ⇒ x2 > 4 ⇐⇒ ∃x : x > 2 ∧ x2 ≤ 4.5. Exemplo 4. pode ser traduzido por “todo o rectângulo é um paralelogramo”. Assim a negação de p(x) ⇒ q(x) é ∃x : p(x)∧ ∼ q(x). 2 Para cada uma delas indique: (1) Se é verdadeira ou falsa. LÓGICA Considere-se novamente a proposição verdadeira “x é um rectângulo ⇒ x é um paralelogramo ” que já vimos. A negação desta proposição será “existe pelo menos um rectângulo que não é um paralelogramo” ou seja.

2} . A equivalência como dupla implicação. Exercício 4. De um modo geral. . Tem-se assim que x2 = 4 ⇐⇒ |x| = 2 é equivalente a x2 = 4 =⇒ |x| = 2 ∧ |x| = 2 =⇒ x2 = 4. se p(x) e q(x) forem duas condições. Do mesmo modo. Basta. ou é suficiente. (1) 6x = 0 ⇐⇒ (x2 + 1) 6x = 0.3. justificando. que x seja quadrado para ser rectângulo. se são verdadeiras ou falsas as seguintes proposições (em R) : (2) 6x = 0 =⇒ (x2 − 1) 6x = 0. Diga. pelo que são equivalentes: x2 = 4 ⇐⇒ |x| = 2. QUANTIFICADORES E IMPLICAÇÃO FORMAL 21 4. e é necessário que x seja rectângulo para ser quadrado.4. |x| = 2 =⇒ x2 = 4 também é uma proposição verdadeira.6. Ambas têm conjunto solução {−2. tem-se [p(x) ⇐⇒ q(x)] ⇐⇒ [p(x) ⇒ q(x) ∧ q(x) =⇒ p(x)] . No conjunto dos paralelogramas. tem-se x é quadrado =⇒ x é rectângulo. Como o conjunto solução de x2 = 4 está contido no conjunto solução de |x| = 2 (pois são idênticos) . (3) 6x = 0 ⇐⇒ (x2 − 1) 6x = 0. Considere as condições x2 = 4 e |x| = 2 (em R) . a proposição x2 = 4 =⇒ |x| = 2 é verdadeira .

(b) q(x) é condição ______ para que se verifique p(x). as condições: p(x) : x + 2 > 1 e q(x) : x2 − 4x + 3 = 0. (1) Determine o conjunto solução de cada uma das condições. (2) Complete (a) p(x) é condição ______ para que se verifique q(x). Obviamente. que se p(x) ⇐⇒ q(x) então p(x) (respectivamente q(x)) é uma condição necessária e suficiente para que se verifique q(x) (respectivamente p(x)) . resulta do que se disse sobre a equivalência entre condições. diz-se que p(x) é uma condição suficiente para que se verifique q(x) e q(x) é uma condição necessária para que se verifique p(x).22 I. . Exercício 4. LÓGICA Assim se p(x) ⇒ q(x) for uma proposição verdadeira. em R. Considere.7.

1.1.. Resolução: A + B = (5x2 − 3x + 4) + (7 − 6x + 5x2 − x3 ) = 5x2 − 3x + 4 + 7 − 6x + 5x2 − x3 = −x3 + 10x2 − 9x + 11 23 . subtracções. • Uma expressão numa variável diz-se algébrica quando sobre a variável não incidem outras operações além de adições. Polinómios..1. Expressões algébricas. an ∈ R ∧ a0 6= 0. Definições. e representa-se por D. com a0 . B = 7 − 6x + 5x2 − x3 e C = 2x2 − 3x3 + 1 : (1) Determinar A + B e A − B.. Supondo que A = 5x2 − 3x + 4. • Chama-se polinómio de grau n numa variável x a uma expressão algébrica do tipo a0 xn + a1 xn−1 + · · · + an . • Chama-se domínio da expressão algébrica. divisões ou extracções de raiz. a1 . 1. Exemplo 1. . Operações com polinómios. multiplicações. Adição e subtração. ao conjunto dos números que substituidos no lugar da variável dão sentido à expressão.2.2.CAPÍTULO II Cálculo algébrico 1. 1. 1.

Resolução: A + B − C = (−x3 + 10x2 − 9x + 11) − (2x2 − 3x3 + 1) = 2x3 + 8x2 − 9x + 10 e A − B − C = x3 + 3x − 3 − 2x2 + 3x3 − 1 = x3 + 3x − 3 − 2x2 + 3x3 − 1 = 4x3 − 2x2 + 3x − 4. tal que P − Q = 0.24 II.2. (3) Somar a A a diferença entre B e C. determine o valor de x. Exemplo 1. = −x3 + 10x2 − 9x + 11 − 2x2 + 3x3 − 1 = 5x2 − 3x + 4 − 7 + 6x − 5x2 + x3 (2) Determinar A + B − C e A − B − C. Resolução: A + (B − C) = (5x2 − 3x + 4) + [(7 − 6x + 5x2 − x3 ) − (2x2 − 3x3 + 1)] = 2x3 + 8x2 − 9x + 10. CÁLCULO ALGÉBRICO e A − B = (5x2 − 3x + 4) − (7 − 6x + 5x2 − x3 ) = x3 + 3x − 3. . Resolução: P − Q = 0 ⇐⇒ (3x2 − 5x + 8) − (2x + 3x2 − 6) = 0 ⇐⇒ −7x + 14 = 0 ⇐⇒ x = 2. Supondo que P = 3x2 − 5x + 8 e Q = 2x + 3x2 − 6.

Simplifique as expressões seguintes: (1) 8x2 − 1.1. 2x + − 3 x − . (4) 4x2 − 3x + 1. (3) −x2 + 8x − 5. 2x − 3. Soluções: (1) 6x2 − 12x − 3. (5) 9x − 4. 8x − 1. (3) A − B. POLINÓMIOS. B = 2x2 − 8x + 1. Calcule: (1) (A + B) + C. . (2) 6x2 − 12x − 3. C = 3x2 − 4x e D = −x2 − x − 1. 5 3 2 Soluções: (1) 8x2 + x + 1.1. µ ¶ µ ¶ 2 5 2 7 1 1 2 2 (2) 3x − x + 2 − x − 0. Exercício 1. Considere os polinómios A = x2 − 4. 5x2 − 0. 9) . (6) 9x − 4. 2x + 1. (4) C − D. EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. 5x2 − 3x − 0. 25 Exercício 1. 5 + (3. (6) A − B − D. (5) A − (B + D) . (2) x2 − 0. (2) A + (B + C) . 4) − (3.2.

C = (2x2 + x − 3) − (2x2 − 5x + 3) = 6x − 6.3.26 II. tal que A.4. Resolva em ordem a x a equação a (2x + 3) = ax + 2 com a 6= 0.B = (x − 1) .B − A. CÁLCULO ALGÉBRICO 1. A. Exemplo 1. Supondo que A = x − 1. (2x + 3) = 2x2 + x − 3 = 2x2 + 3x − 2x − 3 e A. seria impossível. Multiplicação.B − A.B.C. Exemplo 1. a Nota: Se fosse a = 0. Resolução: a (2x + 3) = ax + 2 ⇐⇒ 2ax + 3a = ax + 2 ⇐⇒ 2ax − ax = 2 − 3a ⇐⇒ ax = 2 − 3a 1 ⇐⇒ x = (2 − 3a) . calcule. (2) O valor de x. então. Resolução: A.C e A.C = (x − 1) .2. (B − C) = 24. (2x − 3) = 2x2 − 5x + 3 = 2x2 − 3x − 2x + 3 logo A.2. a equação ficaria reduzida a 0x+2 = 0 e. Resolução: A. . B = 2x + 3 e C = 2x − 3. (1) Os valores de A. (B − C) = 24 ⇐⇒ 6x − 6 = 24 ⇐⇒ x = 5.

(7) 6x4 − 72x3 − 6x2 . (1) Quadrado da soma Sendo a e b números reais temos (a + b)2 = (a + b) (a + b) = a2 + ab + ba + b2 = a2 + 2ab + b2 . (4) −4x2 − 8x. Obteve-se. 27 Exercício 1. (7) (x2 − 12x − 1) 6x2 . . Faz-se agora uma revisão dos casos notáveis da multiplicação de números reais. (8) −2z 5 + 6z 3 − 18z 2 .1. µ ¶ x x 4 2 (5) − 4x − + . (1) −3x2 − 15x.3. (2) 2x (x2 − 4) . Soluções: (2) 2x3 − 8x. Calcule: (1) −3 (x2 + 5x) . POLINÓMIOS. assim. (4) 4x (−x − 2) . a fórmula conhecida por quadrado da soma (a + b)2 = a2 + 2ab + b2 . (3) −2 (−3x + 8) . (8) (z 3 − 3z + 9) (−2z 2 ) . EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. (5) −2x3 + 12 3 (6) 5x4 − 20x3 + 20x2 . (3) 6x − 16. 2 6 3 (6) (x2 − 4x + 4) 5x2 . x2 2 − x.

Resolva as seguintes equações. Exemplo 1. .28 II. Simplifique as seguintes expressões. a fórmula conhecida por quadrado da diferença (a − b)2 = a2 − 2ab + b2 . (1) (x − 1)2 − 5 (x − 3) = (x + 5) (x − 5) . Resolução: (x + y)2 + (x − y)2 = (x2 + 2xy + y 2 ) + (x2 − 2xy + y 2 ) = 2x2 + 2y 2 . (2) (x + y)2 − (x − y)2 . (3) Produto da diferença de dois termos pela sua soma Sendo a e b números reais temos (a − b) (a + b) = a2 + ab − ba − b2 = a2 − b2 . Resolução: (x + y)2 − (x − y)2 = (x2 + 2xy + y 2 ) − (x2 − 2xy + y 2 ) = 4xy. assim.5. = a2 − ab − ba + b2 Obteve-se.6. Exemplo 1. (1) (x + y)2 + (x − y)2 . CÁLCULO ALGÉBRICO (2) Quadrado da diferença Sendo a e b números reais temos (a − b)2 = (a − b) (a − b) = a2 − 2ab + b2 .

(6) 3x2 − 46x + 70. (6) 9 (x − 3)2 − 2 (x + 1)2 − (2x − 3)2 . (5) m2 + 4mn − n2 . Simplifique as seguintes expressões: (1) (a + 2b)2 − (a − 2b)2 .1. (2) 18a2 + 8b2 . 2 (2) (2a)2 + (1 − a2 ) = (1 + a2 ) . POLINÓMIOS. Prove que as igualdades seguintes são verdadeiras: (1) (x + a)2 = (x − a)2 + 4ax. 2 . 2 Exercício 1. (4) −x − 5. 29 Resolução: (x − 1)2 − 5 (x − 3) = (x + 5) (x − 5) ⇐⇒ x2 − 2x + 1 − 5x + 15 = x2 − 25 ⇐⇒ −7x = −41 41 ⇐⇒ x = . (5) (m + n)2 − (m − n)2 + (m + n) (m − n) .5. (4) (x − 3) (x + 2) − (x + 1) (x − 1) . Exercício 1.4. (3) (x − 3)2 − 3x (x − 2) . EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. (2) (3a − 2b)2 + (3a + 2b)2 . 7 (2) 4 (x + 1)2 − (x − 1)2 − 3 (x − 2) (x + 2) = 0. Resolução: 4 (x + 1)2 − (x − 1)2 − 3 (x − 2) (x + 2) = 0 ⇐⇒ 10x = −15 3 ⇐⇒ x = − . (3) −2x2 + 9. Soluções: (1) 8ab.

30 II. sendo o grau de R(x) menor que o grau de B(x). 5 (2) − . 13 (3) 10. temos: 19 −18 1 3 6 logo 19 = 1 3×6+1 . Divisão. (2) (x + 2)2 + (x + 1)2 = x (2x − 7) . no conjunto dos polinómios. Resolva as seguintes equações: (1) (2x + 1) (2x − 1) = (4x + 5) (x − 3) .3. efectuar a divisão de um polinómio A(x) por um polinómio B(x) é determinar o quociente Q(x) e o resto R(x). . Regra de Ruffini. (4) (4x − 3)2 − (8x + 3) (2x − 3) = 0. Algoritmo da divisão de polinómios Em N. 1.2.Q(x) + R(x).6. Soluções: (1) −2. (3) 5 (x − 2) (x + 2) − 5 (x − 4) (x + 6) = 0.de modo que A(x) = B(x). < 3 Dividendo : 19 sendo que Divisor : 3 Quociente : 6 Resto : 1 Tal como em N. CÁLCULO ALGÉBRICO Exercício 1. (4) 3.

EXPRESSÕES ALGÉBRICAS.7. 4 + 4x3 − 6x e B(x) = 1 − 2x + x2 . divide-se o primeiro termo do resto pelo primeiro do quociente. Resolução: • Ordenam-se os polinómios dividendo e divisor segundo as potências decrescentes de x: 4x3 − 9x2 − 6x + 4 x2 − 2x + 1 Determine o quociente e o resto da divisão de A(x) por B(x). POLINÓMIOS. 31 Apresenta-se a seguir a divisão de dois polinómios. Exemplo 1. Tem-se: 4x3 − 9x2 − 6x − 4x + 4 x2 − 2x + 1 4x − 1 −4x3 + 8x2 −x2 − 10x + 4 . sendo A(x) = −9x2 + • Divide-se o primeiro termo do dividendo pelo primeiro do divisor. obtendo-se o primeiro termo do quociente: 4x3 − 9x2 − 6x + 4 x2 − 2x + 1 4x • Multiplica-se 4x por cada um dos termos do divisor e subtrai-se do dividendo: 4x3 − 9x2 − 6x − 4x + 4 x2 − 2x + 1 4x −4x3 + 8x2 −x2 − 10x + 4 • Como o grau do resto ainda não é inferior ao do divisor.1. onde se mostra o procedimento a efectuar.

a Regra de Ruffini.7. Exercício 1. multiplicando o quociente pelo divisor e adicionando ao resto. para determinar o quociente e o resto da divisão.8. Caso o divisor seja uma expressão da forma x−α existe uma regra simples. Apresenta-se a seguir um exemplo onde se mostra o procedimento a efectuar. CÁLCULO ALGÉBRICO • Multiplica-se −1 por cada um dos termos do divisor e subtrai-se do dividendo: 4x3 −4x3 + 8x2 x2 − 9x2 − 6x − 4x − 2x + 4 x2 − 2x + 1 4x − 1 + 4 + 1 −x2 − 10x −12x + 5 A divisão terminou. Verifique este resultado. pois o grau do resto é inferior ao do divisor.32 II. . Calcule ¢ ¡ ¢ ¡ −x + 3x4 − x5 + 2 : −3x2 + 1 .8. Determine o quociente e o resto da divisão de A (x) = x4 −3x2 +x−3 por B (x) = x−2. Quociente → x 1 x3 − x2 + − 3 9 3 Resto → − 10 7 x+ 9 3 : −12x + 5 Solução: Regra de Ruffini O método anterior permite determinar qualquer divisão de polinómios. Exemplo 1. Tem-se: Quociente : 4x − 1 Resto Exercício 1.

0 2 2 −3 4 1 1 2 3 −3 6 3 0 2 2 −3 1 −3 0 −3 1 −3 . EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. 1 2 1 • Multiplica-se o número 2 pelo 1. 33 Resolução: • Escrevem-se os coeficientes do dividendo.o coeficiente e coloca-se o produto ao nível de 2 adicionando em seguida o 2. POLINÓMIOS.o coeficiente e coloca-se a um nível inferior. em linha. • No canto esquerdo escreve-se o número 2 que anula o polinómio divisor. ordenados segundo as potências decrescentes de x. 1 2 1 • Repete-se o processo anterior 1 2 1 Temos então: • Q (x) = x3 + 2x2 + x + 3 • R (x) = 3 e consequentemente ¡ 4 ¢ x − 3x2 + x − 3 = (x − 2) (x3 + 2x2 + x + 3) + 3. 1 2 0 −3 1 −3 • Copia-se o 1. (x − 2) .o coeficiente com o produto determinado.1.

2x − 3 2 4 2x − 3 5 x−1 =1− 2 . x2 − 2x + 1 x − 2x + 1 38 5x4 − 2x2 − 1 = 5x2 + 13 + 2 . o valor que toma o dividendo quando se substitui x por α. efectue a operação indicada.Q + R D R =Q+ d d (6) (x − 1) : (2x + 3) 1. e indique o resultado obtido na D R forma =Q+ . isto é.34 II.3. 2 2x + 3 2x + 3 D = d. 2−3 x x −3 19 x2 + 3x − 2 1 9 = x+ + 4 . CÁLCULO ALGÉBRICO Observação: D R d Q grau de R < grau de d Exercício 1. x+2 x+2 3x3 − 2x + 1 7x − 5 = 3x + 6 + 2 . Teorema 1. Em cada um dos casos. x+1 x4 − 8 8 = x3 − 2x2 + 4x − 8 + . O resto da divisão de um polinómio P (x) por x − α é P (α). Teorema do resto.1. .9. d d (1) (x3 + 1) : (x + 1) (2) (x4 − 8) : (x + 2) (3) (3x3 − 2x + 1) : (x2 − 2x + 1) (4) (5x4 − 2x2 − 1) : (x2 − 3) (5) (x2 + 3x − 2) : (2x − 3) Soluções: (1) (2) (3) (4) (5) (6) x3 + 1 = x2 − x + 1.

Zero de um polinómio.5. EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. de grau n. pode escrever-se como um produto a0 (x − α1 ) (x − α2 ) .10. Como a igualdade anterior é válida para todo o x real. POLINÓMIOS.. α1 .. α1 = α2 diz-se que a raiz α1 é dupla ou de multiplicidade 2.. Decomposição de um polinómio em factores. Solução: α = 2 e R = P (α) = P (2) = 23. Seja P (x) = x3 − 2x2 + x + 18.. Se um polinómio na variável x. . Temos que : P (−2) = (−2)3 − 2(−2)2 − 2 + 18 = 0 e P (1) = 1 − 2 + 1 + 18 = 18. 1. Tem-se : P (x) = (x − α)Q(x) + R. Um polinómio pode ter raízes duplas. é em particular para α. 35 Demonstração. αn . ¤ Exercício 1. triplas. Seja Q(x) e R o quociente e o resto da divisão de P (x) por x − α. (x − αn ) ..Q(α) + R P (α) = R (R constante) . a0 xn + a1 xn−1 + · · · + an admite n raízes. Determine o resto da divisão do polinómio P (x) = 3x2 + 3x + 5 por x − 2. α2. a0 6= 0.. • α é zero de um polinómio se e só se o polinómio é divísivel por x − α.1. vem P (α) = (α − α) Q(α) + R P (α) = 0.. • Um número real α é zero ou raiz de um polinómio P (x) se e só se P (α) = 0.. Fazendo então x = α. por exemplo.4. 1. Se.. O número real −2 é zero do polinómio enquanto que 1 não é zero do mesmo polinómio.

9 Resolução. Resolução.o grau.9.o grau este polinómio. Vamos calcular as raízes. Decomponha. Tem-se: x − 3x + 10 = 0 ⇐⇒ x = 2 3± √ 9 − 40 2 (Impossível) . num produto de factores do 1. CÁLCULO ALGÉBRICO Exemplo 1. Temse: 2x + 7x + 3 = 0 ⇐⇒ x = Temos então: ∙ µ ¶¸ 1 2x + 7x + 3 = 2 x − − [x − (−3)] 2 2 2 −7 ± √ 49 − 24 1 ⇐⇒ x = − ∨ x = −3. cada um dos seguintes polinómios.36 II. Como não existem raízes reais. Vamos calcular as raízes do polinómio utilizando a fórmula resolvente. Resolução. (1) 2x2 + 7x + 3. 4 2 ou ¶ µ 1 (x + 3) 2x + 7x + 3 = 2 x + 2 2 1 (2) 4x2 − . Sabendo que: a2 − b2 = (a − b) (a + b) vem 1 4x − = (2x)2 − 9 2 ¶µ ¶ µ ¶2 µ 1 1 1 2x + = 2x − 3 3 3 (3) x2 − 3x + 10. não é possível decompor em factores do 1. se possível. .

(3) x3 − x2 − 9x + 9. se possível. Tem-se: (x − 1)2 − 3(x − 1) = (x − 1) [2 (x − 1) − 3] = (x − 1) (2x − 5) (5) x3 + 3x2 − x − 3. ¡ ¢¡ ¢ (2) 6x x + 1 x − 1 . Tem-se: 1 −3 1 Assim: ¡ ¢ x3 + 3x2 − x − 3 = (x + 3) x2 − 1 = (x + 3) (x − 1) (x + 1) . cada um dos seguintes polinómios: (1) x2 − 5x + 6. pois existe um factor comum para pôr em evidência. Aqui a decomposição é imediata. Resolução. Decomponha.11. 2 3 (2) 6x3 + x2 − x. (4) x4 − 13x2 + 36. EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. Resolução. num produto de factores do 1. (3) (x − 1) (x − 3) (x + 3) . Soluções: (1) (x − 2) (x − 3) . (x − 1) . 37 (4) 2(x − 1)2 − 3(x − 1). (4) (x + 2) (x − 2) (x + 3) (x − 3) .1. 3 −3 0 −1 0 −1 −3 3 0 Exercício 1. sendo este. POLINÓMIOS. .o grau. O resto da divisão do polinómio por x + 3 é zero. sabendo que admite a raíz −3.

vem: x3 = ax (x2 − 3x + 2) + b (x2 − x) + cx + d x3 = ax3 − 3ax2 + 2ax + bx2 − bx + cx + d x3 = ax3 + (−3a + b) x2 + (2a − b + c) x + d.11. Determine k. m e n ∈ R de modo que 4x2 + mx + n = (x − 1)2 + kx2 .10. Efectuando as operações. b. Resolução. Método dos coeficientes indeterminados. Determine a. vem: 4x2 + mx + n = x2 − 2x + 1 + kx2 4x2 + mx + n = (1 + k) x2 − 2x + 1. Efectuando as operações. CÁLCULO ALGÉBRICO 1. Resolução. . d=0 Exemplo 1. Este método baseia-se no princípio de que dois polinómios são idênticos se os coeficientes dos termos do mesmo grau são iguais.6. Igualando os coeficientes das mesmas potências de x. obtém-se o sistema ⎧ ⎧ ⎪ a=1 ⎪ a=1 ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎨ b=3 ⎨ −3a + b = 0 ⇐⇒ ⎪ c=1 ⎪ 2a − b + c = 0 ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ ⎩ d = 0. c e d ∈ R de modo que x3 = ax (x − 1) (x − 2) + bx (x − 1) + cx + d. Exemplo 1.38 II.

2 = + 4 + 4x (x + 2) x+2 . Exemplo 2. 2. FRACÇÕES ALGÉBRICAS 39 Igualando os coeficientes das mesmas potências de x. 1} .1. Simplificação. x2 − 3 + 2x (x − 1) (x + 3) x+3 (3) 2 (x − 3)2 − 3 (x − 3) . Fracções algébricas 2. Simplifique as seguintes fracções: x+2 (1) 2 . Para simplificar uma fracção algébrica factoriza-se o numerador e o denominador e dividem-se os dois termos pelos factores comuns. 4 4 (x − 3) (x − 3) (x − 3)3 x+2 x+2 1 = e D = R\ {−2} . (x − 3)4 Resolução: (x − 3) (2x − 6 − 3) 2x − 9 2 (x − 3)2 − 3 (x − 3) = = e D = R\ {3} . x + 4 + 4x Resolução: x2 (2) x2 + 1 − 2x .1. não esquecendo o domínio em que a simplificação é válida. obtém-se o sistema ⎧ ⎧ ⎪ k=3 ⎪ 1+k =4 ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎨ ⎨ ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ m = −2 n=1 ⇐⇒ m = −2 ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ n = 1.2. x2 − 3 + 2x Resolução: (x − 1)2 x−1 x2 + 1 − 2x = = e D = R\ {−3.

−3. Sendo −5 um zero do denominador (verifique).o grau. 0 Calculemos os restantes zeros do denominador √ 1 ± 1 + 24 2 −x − x + 6 = 0 ⇐⇒ x = ⇐⇒ x = −3 ∨ x = 2. Facilmente se verifica que os zeros do numerador são os valores 0 e -5. 3 − 6x2 + x + 30 −x − (x + 5) (x + 3) (x − 2) (x + 3) (x − 2) . −2 Logo. CÁLCULO ALGÉBRICO (4) x2 + 5x . Uma das suas raízes é um zero do numerador. • O polinómio do denominador é do 3. tem-se: −1 −5 −1 −6 5 −1 1 5 6 30 −30 . pois se assim não fosse. x2 + 5x x(x + 5) −x = = e D = R\ {−5. logo para determinarmos os seus zeros necessitamos de uma das suas raízes.40 II. −x3 − 6x2 + x + 30 = − (x + 5) (x + 3) (x − 2) Assim. a fracção não era simplificada. 2} . −x3 − 6x2 + x + 30 Resolução: • x2 + 5x = x(x + 5).

Outras operações. x2 − 4 x+3 Resolução: D = R\ {−3. Efectue e simplifique.2.2. FRACÇÕES ALGÉBRICAS 41 2. . 2. 2} e x2 + 3x x + 2 x (x + 3) (x + 2) x × = = . Exemplo 2. 0} e (2) x − 2x + 1 . −3.2. 2−x x+3 2 − x (x − 5) (x + 5) (2 − x) (x + 5) Nota: As operações com fracções algébricas efectuam-se de uma forma semelhante às operações com fracções onde não aparecem variáveis. x x+2 Resolução: D = R\ {−2. −2. 5} e x+5 x+3 x+3 x + 5 x2 − 25 : = × = . 2−x x+3 Resolução: D = R\ {−5. 2−4 x x+3 (x − 2) (x + 3) (x + 2) x−2 (4) x + 5 x2 − 25 : . 1 x (1) + . x−1 x−1 (x) (x+2) 1 x x2 + x + 2 + = . x−1 x2 − 3x − 1 2x + 1 = . x x+2 x (x + 2) (x) Resolução: D = R\ {1} e x − (x−1) (3) x2 + 3x x + 2 × .

. (1) x3 = x. Determine A e B de modo que: 7 A B = + . (x − 2) (x + 5) (x − 2) (x + 5) Então: ⎧ ⎧ ⎧ ⎨ A=1 ⎨ A = −B ⎨ 0=A+B . (x − 2) (x + 5) = Temos que: 7 (A + B) x + 5A − 2B = . Exemplo 3. em R. (x − 2) (x + 5) x−2 x+5 3. ⇐⇒ ⇐⇒ ⎩ B = −1 ⎩ 7 = −7B ⎩ 7 = 5A − 2B 7 1 1 = − . cada uma das seguintes equações. CÁLCULO ALGÉBRICO Exemplo 2. Resolva. (x − 2) (x + 5) x−2 x+5 Resolução: O método dos coeficientes indeterminados permite determinar A e B. logo. 7 A B = + (x − 2) (x + 5) x−2 x+5 = Ax + 5A + Bx − 2B (x − 2) (x + 5) (A + B) x + 5A − 2B .3. Equações A decomposição de polinómios em factores e a lei do anulamento do produto permitem-nos resolver algumas equações.42 II.1.

0. 2. Resolução: 2 −2 2 1 −4 −3 −5 6 1 2 −2 0 2x3 + x2 − 5x + 2 = 0 ⇐⇒ (x + 2) (2x2 − 3x + 1) = 0 √ 3± 9−8 ⇐⇒ x = −2 ∨ x = 4 ⇐⇒ x = −2 ∨ x = 1 2 ∨x=1 . (3) 2x3 + x2 − 5x + 2 = 0. EQUAÇÕES 43 Resolução: x3 = x ⇐⇒ x3 − x = 0 ⇐⇒ x (x2 − 1) = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x2 − 1 = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = −1 ∨ x = 1 logo S = {−1. (2) 2x3 − 10x2 + 12x = 0. 1} . 3} . sabendo que −2 é uma das raízes. Resolução: 2x3 − 10x2 + 12x = 0 ⇐⇒ 2x (x2 − 5x + 6) = 0 ⇐⇒ 2x = 0 ∨ x2 − 5x + 6 = 0 √ 5 ± 25 − 24 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = 2 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = 2 ∨ x = 3 logo S = {0.3.

3x − 4 Resolução: ½ ¾ A 4 já se encontra na forma = 0. 1 . tem-se: x + 4x = 0. 2 3. A (2) Reduz-se a equação à forma = 0. Chama-se equação fraccionária a uma equação em que a incógnita figura no denominador. B (3) Os zeros de A que pertencem ao domínio da equação são as soluções da equação dada.I. Determine o conjunto solução. CÁLCULO ALGÉBRICO logo ½ ¾ 1 s = −2. |{z} C. (1) x2 + 2x − 8 = 0. Na resolução de uma equação fraccionária. x + 2x − 8 = 0 ⇐⇒ x = 2 as soluções possíveis são −4 e 2. x Resolução: já se encontra na forma Como: ¡ ¢ x3 + 4x = 0 ⇐⇒ x x2 + 4 = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x2 + 4 = 0 ⇐⇒ x = 0. em R. Atendendo a que ambas pertencem ao domínio.1. (2) A = 0. Exemplo 3. Equações fraccionárias. O domínio é R\ {0} . . O domínio é R\ B 3 Como √ −2 ± 4 + 32 2 ⇐⇒ x = −4 ∨ x = 2. de cada uma das seguintes equações.2.44 II. 3 S = {−4. B . deve-se proceder do seguinte modo: (1) Determina-se o domínio da equação. 2} .

1. Atendendo a que 0 não pertence ao domínio. as soluções possíveis são 0 e 1. vem S = {0} . tem-se: S = ∅. (3) 1 1 2x2 + = 2 . Resolva cada uma das seguintes equações: (x − 3) (x + 1) = 0. EQUAÇÕES 45 a solução possível é 0. x −9 3−x x+3 3 1 1 (6) 2 = − . x −1 x+1 1−x −2x + 2x = 0. x2 − 1 (x+1) 2 (x−1) (1) . 2−x 6x x x (5) 2 + = . Temos: 1 1 2x2 1 1 2x2 + = 2 ⇐⇒ + − 2 =0 x−1 x+1 x −1 x−1 x+1 x −1 ⇐⇒ Como −2x2 + 2x = 0 ⇐⇒ x (−2x + 2) = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = 1. 1} . x−1 x+1 x −1 Resolução: A 1 1 2x2 começamos por reduzir à forma = 0 a equação + = .3. x−1 3+x (4) = 5.O B x − 1 x + 1 x2 − 1 domínio da equação é R\ {−1. Como 1 não pertence ao domínio. Exercício 3. (1) x−3 2 x − 8x + 7 (2) = 0. x−1 6 (3) = 0.

(x − 3) (x + 2) A B x+1 = + . (2) x = 7 .46 II. 3 (6) x = . √ √ √ • 2x + 1 + x − 3 = 2 x.2. x Soluções: 1 4 (1) A = . Equações irracionais. (3) S = ∅. 3. (1) Determine A e B de modo que (x − 3) (x + 2) x−3 x+2 1 (2) Resolva a equação A (x) = . 5 5 (2) x = −3. 2 Exercício 3. Verifica-se que numa equação irracional a incógnita figura no radicando. as soluções de A2 = B 2 . isto é. 6 (5) x = 0. 7 (4) x = . CÁLCULO ALGÉBRICO Soluções: (1) x = −1. São exemplos de equações irracionais √ • x − 3 = 5. já que A = B ⇒ A2 = B 2 . B = . Considere a expressão A (x) = x+1 . As soluções destas equações conseguem-se por sucessivas elevações ao quadrado de ambos os membros.2. é necessário verificar se as soluções encontradas. são ou não são soluções de A = B. Como A2 = B 2 ⇐⇒ A2 − B 2 = 0 ⇐⇒ (A − B) (A + B) = 0 ⇐⇒ A = B ∨ A = −B. .

Resolução: √ 2x + 3 + x = 6 ⇐⇒ √ 2x + 3 = 6 − x =⇒ 2x + 3 = (6 − x)2 ⇐⇒ 2x + 3 = 36 − 12x + x2 ⇐⇒ x2 − 14x + 33 = 0 ⇐⇒ x = 3 ∨ x = 11.3. Resolução: √ 2x − 1 − x = −2 ⇐⇒ √ 2x − 1 = x − 2 ⇒ 2x − 1 = (x − 2)2 √ 6+3+3=6 √ 25 + 11 = 6 Proposição verdadeira Proposição falsa ⇐⇒ −x2 + 6x − 5 = 0 ⇐⇒ ⇐⇒ x = 5 ∨ x = 1.3. Considere as seguintes equações irracionais. (2) √ 2x − 1 − x = −2. EQUAÇÕES 47 Exemplo 3. Verifiquemos estas soluções: x=5: x=1: logo S = {5} (3) √ √ √ x + 1 + 2x + 5 = x + 4. Verifiquemos estas soluções: x=3: x = 11 : logo S = {3} . √ (1) 2x + 3 + x = 6. √ 10 − 1 − 5 = −2 Proposição verdadeira Proposição falsa √ 2 − 1 − 5 = −2 .

(1) Se A = B então A2 = B 2 . √ √ (4) x − 2 − 3x − 2 = 6. Resolva cada uma das seguintes equações irracionais: √ 2x + 3 = x − 6. √ √ √ 0+ 3= 3 ⇐⇒ x2 + 5x + 4 = 0 ¡√ ¢2 √ x + 1 + 2x + 5 = x + 4 ⇐⇒ ⇒ ⇐⇒ Proposição falsa Proposição verdadeira .48 II. Das seguintes afirmações diga qual é verdadeira. (3) x = − 20 ∨ x = 4. (2) Se A2 = B 2 então A = B. (1) Soluções: (1) x = 11. 3 (4) S = ∅. Verifiquemos estas soluções: √ √ √ x = −4 : −3 + −3 = 0 x = −1 : logo S = {−1} . Exercício 3. √ (2) x − 4 = 4x − 19. CÁLCULO ALGÉBRICO Resolução: √ √ √ x + 1 + 2x + 5 = x + 4 =⇒ √ √ 2x2 + 7x + 5 = −x − 1 ⇐⇒ 2 2x2 + 7x + 5 = −2x − 2 ⇐⇒ ⇒ 2x2 + 7x + 5 = (−x − 1)2 ⇐⇒ x = −4 ∨ x = −1. Exercício 3.3.4. (2) x = 5 ∨ x = 7. √ (3) 2 x2 − 16 = 4 − x.

> 2. INEQUAÇÕES FRACCIONÁRIAS 49 4. B(x) Exemplo 4. −3[ ∪ ]1. Inequações fraccionárias Numa inequação fracionária a incógnita figura no denominador. São exemplos de inequações fraccionárias: 3x 1 x+1 ≤0 . é construir um quadro depois de reduzir a inequação à forma A(x) ≶ 0.1. < 1 ⇐⇒ x−1 x − 1 (x−1) x−1 x−1 x−1 (1) x −x + 4 x−1 −x + 4 x−1 −∞ 1 + − − 4 +∞ − + − + + 0 0 + + ss + 0 . +∞[ (2) 3 <1 x−1 Resolução: 3 x−1 −x + 4 3 3 < 1 ⇐⇒ < ⇐⇒ < 0. Considere as seguintes inequações: x−1 (1) >0 x+3 Resolução: x x−1 −∞ −3 − − 1 +∞ − 0 + x+3 − 0 + + + x−1 + ss − 0 + x+3 Olhando para a última linha do quadro verifica-se que a fracção é positiva se: x ∈ ]−∞. x−4 x+2 x De um modo geral.4. o processo mais simples de resolução.

+∞[ . .50 II. CÁLCULO ALGÉBRICO Verifica-se que a fracção é negativa se: x ∈ ]−∞. 1[ ∪ ]4.

letra sigma maiúscula do alfabeto grego. k=p (1. • um conjunto K. Definição Consideremos a soma: 12 + 22 + 32 + 42 + 52 + 62 + 72 + 82 + 92 + 102 .CAPÍTULO III Somatórios 1. isto é: n X uk = up + up+1 + · · · + un−1 + un . k ∈ Z e n ≥ p. para representarmos uma soma com o símbolo identificar: P temos de • uma expressão designatória. lê-se o somatório de uk desde p até n. limite ı inf erior e limite superior do somatório. onde a variável k toma os seus valores. que representa a soma dos quadrados dos primeiros 10 números naturais. no caso geral. uk . k=p uk . Temos assim: 10 X 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + 8 + 9 + 10 = k2. 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 k=1 uma das parcelas desta soma se obtém dando a k sucessivamente os valores 1. Como cada na expressão k2 . · · · . n P Assim. 10 Assim. que em cada concretização da variável k nos permita obter sucessivamente cada uma das parcelas. 2. respectivamente. então podemos escrever de forma abreviada a soma anterior. 51 . K ⊂ Z.1) À letra k chama-se ´ndice da soma e aos números p e n. utilizando P o símbolo de somat´rio o .

m. k=n Exemplo 1. (3 − 4k) = (3 − 4 · (−1))+(3 − 4 · 0)+(3 − 4 · 1)+(3 − 4 · 2)+(3 − 4 · 3) = = −5.m. no início do quarto ano pode ser representada por: 3 X i=0 (100 + i) . isto é.1. 3 P (3) (3p − 2) x3−p = −2x3 + x2 + 4x + 7. na aquisição de máquinas. isto é.) e o preço aumenta 5 u. n X uk = un . p=0 k=1 3 P k=−1 Uma aplicação: Suponha que uma pequena empresa adquire uma máquina nova no início de cada ano. 4 P (1) (2) (k2 + 1) = (12 + 1) + (22 + 1) + (32 + 1) + (42 + 1) = 2 + 5 + 10 + 17 = 34. A despesa da empresa. • A variável k (índice da soma) é uma variável muda.o ano é 100 unidades monetárias (u. pode ser substituída por outra letra qualquer pois n X n X i=m n X n X uk = ui = uj = k=m j=m p=m up = um + um+1 + · · · + un−1 + un .52 III.1) tem exactamente n − p + 1 parcelas. todos os anos. . O custo de uma máquina nova no início do 1. • Sempre que os limites superior e inferior do somatório forem iguais a soma apenas tem uma parcela. SOMATÓRIOS Nota: • A soma (1.

2. = k=m k=m ¤ Propriedade 2.2 (Homogénea). n X αuk = α k=m k=m n X uk . (2) números ímpares.0.1 (Aditiva). 2. (2k − 1) . k=1 k=1 Exercício 1.0. Solução: n P ak xk ou k=0 k=0 n P ak xn−k . n X (uk + vk ) = k=m k=m n X uk + k=m n X vk . . n X k=m (uk + vk ) = (um + vm ) + (um+1 + vm+1 ) + · · · + (un + vn ) = (um + um+1 + · · · + un ) + (vm + vm+1 + · · · + vn ) = n n X X uk + vk .2. Soluções: (1) (2) 45 P 45 P (2k) . (α constante real) . Propriedades Propriedade 2. PROPRIEDADES 53 Exercício 1. Escreva na forma de somatório a forma geral dos polinómio de grau n. Escreva na forma de somatório a soma dos primeiros quarenta e cinco: (1) números pares. Demonstração.1.

0.0. Análoga à anterior.3. | {z } (n−m+1) parcelas k=m n X k= m+n (n − m + 1) . 2 2Recorde que. ¤ Caso particular da propriedade anterior: n X α=α k=m k=m n X Propriedade 2.4. então a soma dos p primeiros termos u1 + up é dada por S = · p. Uma vez que n X k=m k = m + (m + 1) + (m + 2) + · · · + (n − 1) + n. tendo em conta que estamos perante uma progressão geométrica2 de razão r. 2 Demonstração. 1Recorde ¤ que. então a soma dos p primeiros n 1 − rp termos é dada por S = · u1 . se (u ) é uma progressão geométrica de razão r. 1−r .54 III. ¤ Propriedade 2. se (un ) é uma progressão aritmética de razão r. n X rk = k=m 1 − rn−m+1 m ·r . obtém-se o resultado pretendido. SOMATÓRIOS Demonstração. é a soma1 de n − m + 1 termos de uma progressão aritmética de razão 1. n X k=m αuk = αum + αum+1 + · · · + αun = α (um + um+1 + · · · + un ) = α k=m n X uk . 1 = α(1 + 1 + · · · + 1) = α (n − m + 1) . 1−r Demonstração.

−m X k=−n uk = u−n + u−n+1 + · · · + u−m−1 + u−m = = u−m + u−(m+1) + · · · + u−(n−1) + u−n = n X k=m u−k .5. r X uk + k=m k=r+1 n X uk = um + um+1 + · · · + ur + ur+1 + · · · + un = = um + um+1 + · · · + un = n X uk .6. Demonstração. n+r X k=m+r uk = um+r + um+r+1 + · · · + un+r = k=m n X uk+r . n+r X uk = k=m+r k=m n X uk+r .0. Demonstração. m ≤ r < n. −m X uk = k=−n k=m n X u−k .7. r X uk + k=m k=r+1 n X uk = k=m n X uk . Demonstração. ¤ k=m . ¤ Propriedade 2.0. ¤ Propriedade 2. PROPRIEDADES 55 Propriedade 2.2.0.

¤ Exercícios 2. SOMATÓRIOS Propriedade 2. Demonstração.0. (1) Calcule cada um dos somatórios: 7 P (a) 15 (150) k=−2 5 P (b) (c) (d) (e) (f) (g) (h) (i) (j) (3k) (45) (65) (2385) −3 P k=0 4 P (4j + 5) (2 + 5k) (5k 2 ) + k− 18 P j=0 30 P 10 P 15 P k=1 k=3 k=−10 (2k − 5k2 ) (−104) k (−42) (−876184) (1400) (10573) (15840) k=2 500 P k=5 k=5 4 P (1 − 7k) 100 (p + 1) (2i − 5) p=−2 105 P i=−3 100 P (3k + 7) k=2 .56 III. n X k=p (uk − uk−1 ) = un − up−1 .1. n X k=p (uk − uk−1 ) = up − up−1 + up+1 − up + up+2 − up−1 + · · · + un−1 −un−2+ un − un−1 = un − up−1 .8 (Telescópia).

2. PROPRIEDADES 57 (k) (l) n=−5 n=1 (2) Resolva em ordem a x cada uma das seguintes equações: 124 ¡ 71 ¢ P (k + x) = 12000 (a) 2 k=5 200 P 99 ¢ √ P ¡√ n− n+1 5 P 32+n ¡ 88573 ¢ 27 (−9) (b) 4 (k2 + 1) = 20x 23 P k=1 k=1 (c) 3 − x = (d) k=−26 −5 P k=3 k2 − k=1 2−k = k=2 26 ¢ P¡ 3x + 2k 20 P 200 P (k2 + 1) (k + 2)2 ¡ 28 ¢ − 75 ¡1¢ 5 (−526) .

CAPÍTULO IV

Generalidades sobre funções.
1. Aplicações entre conjuntos. Definição 1.1. Dados dois quaisquer conjuntos A e B, chama-se aplicação (função) de A em B a toda a correspondência que a cada elemento de A associa um e um só elemento de B. Se representarmos a aplicação por f e por x e y, respectivamente, as variáveis representativas dos elementos de A e de B, escreve-se f : A −→ B x −→ y = f (x). Observação: • À variável x dá-se o nome de variável independente e à variàvel y chama-se variável dependente . • Numa aplicação de A em B há sempre a considerar três conjuntos: — o domínio sendo o conjunto A, que se representa por Df ; — o conjunto de chegada sendo o conjunto B; — o contradomínio sendo o conjunto f (A) = {f (a) ∈ B : a ∈ A} , que habitualmente se representa por Df ou Im f . ´ “conjunto das imagens (transformados dos elementos de A por f )” • f e g são a mesma aplicação se e só se têm o mesmo domínio D, o mesmo conjunto de chegada e, para qualquer a ∈ D , f (a) = g(a).
59

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IV. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.

• Se f e g são duas aplicações com o mesmo conjunto de chegada, se Df ⊆ Dg e se f (a) = g(a), qualquer que seja o elemento a ∈ Df , então diz-se que f é uma restrição de g ou que esta é uma extensão de f . 2. Funções reais de uma variável real. Domínios. Definição 2.1. Uma função real de variável real (f.r.v.r.) é uma aplicação de A em R, sendo A um subconjunto de R. f : A −→ R x Observações: • Por definição as f.r.v.r. têm conjunto de chegada R. • Para que sejam bem definidas é necessário indicar apenas o domínio e a chamada expressão analítica ou lei de transformação. Como as funções reais de variável real, são em geral definidas pela sua expressão analítica (expressão designatória), é necessário calcular nesses casos o domínio da expressão que a define. Exercício 2.1. Determine o domínio de cada uma das seguintes funções definidas por: (1) f (x) = x2 − 4x + 3; 4 (2) g(x) = 2 ; x +5 x+2 ; (3) f (x) = x+3 4 ; (4) h(x) = 2 x √ − 2x (5) t(x) = x − 4; √ 1− x−3 (6) j(x) = ; √x + 5 (7) m(x) = 3 x − 4; √ (8) p(x) = 4 x − 4. −→ y = f (x)

3. GRÁFICO DE UMA FUNÇÃO.

61

O domínio de cada uma destas funções é o conjunto dos valores reais da variável independente para os quais são possíveis em R as operações indicadas na expressão que a define. Temos assim as seguintes soluções: (1) Df = R; (2) Dg = {x ∈ R : x2 + 5 6= 0} = R; (3) Df = {x ∈ R : x + 3 6= 0} = RÂ {−3} ; (5) Dt = {x ∈ R : x − 4 > 0} = [4, +∞[ ; (4) Dh = {x ∈ R : x2 − 2x 6= 0} = RÂ {0, 2} ;

(6) Dj = {x ∈ R : x − 3 > 0 ∧ x + 5 6= 0} = [3, +∞[ ; (7) Dm = R; (8) Dp = {x ∈ R : x − 4 > 0} = [4, +∞[ . Observações: No cálculo dos domínios atrás, tiveram-se em atenção as seguintes situações: • Em R, a divisão só é possível se o divisor for diferente de zero. • Se o índice de uma raiz é ímpar, a radiciação é possível para todos os valores da variável independente que dão significado ao radicando. • Se o índice de uma raiz é par, a radiciação só é possível para os valores da variável independente que transformam o radicando num valor real nulo ou positivo, isto é, maior ou igual a zero.

3. Gráfico de uma função. Uma função f pode ser representada num plano, onde se fixe um sistema de eixos Oxy, por um conjunto de pontos o qual se diz gráfico ou imagem geométrica de f . © ª G = (x, y) ∈ R2 : x ∈ Df ∧ y = f (x) .

Exemplo 3.1.

Considere as funções f : R → R definidas pela fórmula f (x) = mx+b, em que m, b ∈ R. Funções deste tipo são representadas graficamente por uma linha recta; se m = 0, a

GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.5 x -2 f (x) = 2 Refere-se que mais à frente voltamos à representação dos gráficos de algumas funções particulares de forma mais cuidada.0 2. Apresentam-se de seguida alguns exemplos de gráficos que não representam funções. f (x) = x + 1 g(x) = −2x + 3 y 2 y 1 4 3 2 -2 -1 -1 1 x 2 1 -0.0 1. Tem-se por exemplo: 1) 2) Observação: Justifique porque motivo os gráficos representados não representam funções .62 IV.5 -1 -2 0.5 2. função é constante e o gráfico é uma recta paralela ao eixo Ox.5 1.

Funções definidas por diferentes expressões analíticas Consideremos a função definida em R da seguinte forma: x → 3x e x → x+1 Para calcular. g(0). por ⎧ ⎪ x−1 ⎨ g(x) = ⎪ ⎩ 3x − 2 (1) Calcule g(−2).1. se x < 1 se x > 1.4. em R . g(1) e g(3). . Temos então: 11 ) = 11. Considere a função g definida. para x>2 11 ) consideramos 3 f (x) = 3x. por exemplo. f (5) ou f ( para x < 2. f (0) ou f (−1) consideramos f (5) = 15 e f ( f (x) = x + 1. Temos então: f (0) = 1 e f (−1) = 0. por exemplo. FUNÇÕES DEFINIDAS POR DIFERENTES EXPRESSÕES ANALíTICAS 63 4. ⎧ ⎪ 3x ⎨ ⎪ ⎩ x+1 ⇐ ⇐= x > 2 x < 2. 3 Para calcular. Para definir a função f é costume escrever-se ⎧ ⎪ 3x ⎨ se x > 2 x → f (x) = ⎪ ⎩ x + 1 se x < 2 ou x → f (x) = Exercício 4.

7. Soluções: (1) −3. 1. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. mostre que g(1 + h) + 3g(1 − h) = 1. Observação: Facilmente se verifica que o gráfico desta função é: ⎪ ⎩ −x y 4 3 2 1 -4 -3 -2 -1 1 2 3 x 4 . 5. se x > 0 se x < 0. (2) Sendo h ∈ R+ . (2) Ao cuidado do aluno. Função Módulo. Por exemplo: |5| = 5 . De um um modo geral tem-se: ⎧ ⎪ ⎨ x se se x>0 x < 0. |x| = Assim. em R a função ⎪ ⎩ − x f (x) = |x| pode escrever-se f (x) = ⎧ ⎪ x ⎨ (função módulo) . −1.64 IV. |−5| = 5 isto é |−5| = −(−5) = 5. |0| = 0 .

.1. 6. Classificação de funções reais de variável real. f é sobrejectiva ⇐⇒ ∀y ∈ R ∃x ∈ A : y = f (x). Considere. (2) Defina a função sem utilizar o símbolo || .6. Uma função real de variável real f : A −→ R (A ⊂ R) diz-se sobrejectiva se e só se o seu contradomínio for R. Resolução: g(x) = isto é: ⎧ ⎪ x−4 ⎨ se x − 4 > 0 se x − 4 < 0. CLASSIFICAÇÃO DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. com A. (1) Calcule g(0) e g(6).1. Verifica-se assim que uma função é sobrejectiva se e só se o seu contradomínio coincide com o conjunto de chegada. se x > 4 se x < 4. ⎪ ⎩ − (x − 4) ⎧ ⎪ x−4 ⎨ ⎪ ⎩ −x + 4 g(x) = 6. a função real de variável real. 65 Exemplo 5. Uma função real de variável real f : A −→ B. Resolução: g(0) = 4 e g(6) = 2. Definição 6. g definida por: g(x) = |x − 4| .1. B ⊂ R é sobrejectiva se e só se o seu contradomínio for B. Funções sobrejectivas.

1) 2) 3) y 10 y 5 4 2 y 20 -3 -3 -2 -1 0 1 2 -2 -1 -2 1 2 x 3 -4 -2 -20 2 x 4 x 3 -4 . f é injectiva ⇐⇒ ∀x1 . diga justificando qual representa uma função sobrejectiva. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. Dos seguintes gráficos de funções reais.2.66 IV. x1 6= x2 =⇒ f (x1 ) 6= f (x2 ). Exercício 6. de variável real.2. x2 ∈ Df . de variável real.2. Exercício 6. Recorrendo à lei de conversão. f (x1 ) = f (x2 ) =⇒ x1 = x2 . Dos seguintes gráficos de funções reais. 1) 2) y 4 2 y 10 -4 -2 -2 -4 2 x 4 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 x 4 6. Funções injectivas. esta definição pode tomar a forma f é injectiva ⇐⇒ ∀x1 . diga justificando quais representam funções injectivas. Definição 6.1. Uma aplicação diz-se injectiva se e só se quaisquer dois objectos diferentes têm imagens diferentes. x2 ∈ Df .

3. Definição 6. Funções bijectivas.4. de variável real. Do mesmo modo iremos verificar à frente que se uma função é ímpar. . quando os valores da variável independente x. Funções pares e funções ímpares. Definição 6. o gráfico é simétrico em relação à origem do referencial.5. ∀x ∈ Df . Uma aplicação diz-se bijectiva se e só se é injectiva e sobrejectiva. Exercício 6.3.4. os valores da função são simétricos.3. f é uma função par sse existem f (x) e f (−x) e f (−x) = f (x). 6. 6. ∀x ∈ Df . Note que nesta situação. ∀x ∈ Df Ao menor número positivo a que verifica a igualdade anterior chama-se período fundamental.5. bijectiva. Definição 6. o seu gráfico é simétrico em relação ao eixo dos yy. Dê um exemplo de um gráfico que represente uma função real. CLASSIFICAÇÃO DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL.6.6. Significa isto que o gráfico da função tem a origem como centro de simetria. f é uma função ímpar sse existem f (x) e f (−x) e f (−x) = −f (x). Refere-se que mais à frente iremos verificar que se uma função é par. 67 6. são simétricos. Isto verifica-se porque os valores da função são iguais quando os valores da variável independente x são simétricos. Uma função é periódica se existe um número a tal que f (x + a) = f (x). Funções periódicas. Definição 6.

4.1. Definição 7. y ∈ A se tem x < y ⇒ f (x) ≥ f (y). Observação: Refere-se que estes conceitos serão utilizados na resolução de algumas inequações à frente. y = sin x é uma função peródica de período fundamental 2π. Funções limitadas. 7. y ∈ A se tem x < y ⇒ f (x) ≤ f (y). y ∈ A se tem x < y ⇒ f (x) > f (y).2. Funções monótonas. vem α = 2π. Monotonia. Definição 7.1. Uma função f diz-se estritamente decrescente em A ⊆ Df se e só se para quaisquer x. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. Uma função f diz-se estritamente crescente em A ⊆ Df se e só se para quaisquer x. k ∈ Z. para k = 1. 7. Uma função f diz-se crescente (sentido lato) em A ⊆ Df se e só se para quaisquer x.68 IV. . Definição 7.1. Uma função f diz-se decrescente (sentido lato) em A ⊆ Df se e só se para quaisquer x.3. Logo. Definição 7. α = 2kπ. y ∈ A se tem x < y ⇒ f (x) < f (y). Com efeito: sin(x + α) = sin x. Exemplo 6.

2 -4 -2 0 2 4 -4 1. ou seja. Definição 7.2. é uma função cujo contradomínio é um conjunto limitado. Zeros de uma função são os valores da variável x para os quais a função se anula. diga justificando quais representam funções limitadas. .0 y -2 1 y 20 2 4 -4 -2 -20 2 x x 4 x -1 8. Funções limitadas.4 0. Uma função limitada.1. A definição de função limitada em A é equivalente à afirmação de que existe um número real L tal que |f (x)| ≤ L. Exercício 7.5. Zeros de uma função Definição 8. 1) 2) 3) y 0.8.8 0. qualquer que seja x ∈ A. um conjunto com majorantes e minorantes.1. Um número real M é majorante (respectivamente m é minorante) de um conjunto A se e só se todos os elementos a ∈ A satisfazem a relação a ≤ M (respectivamente a ≥ m). Dos seguintes gráficos de funções reais. de variável real. ZEROS DE UMA FUNÇÃO 69 7. x1 é zero de f ⇐⇒ f (x1 ) = 0.6.6 0. Definição 7.

(4) f (x) = x2 − 4 . Resolução: f (x) = 0 ⇐⇒ 3x + 6 = 0 ⇐⇒ x = −2 (2) g(x) = x2 + 5. em R. (x2 − 16) . x−1 x2 − 4 = 0. (x2 − 16) = 0 logo o zero de f é −2.70 IV. . GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. 1 e 4. (1) f (x) = 3x + 6. Exemplo 8. as soluções possíveis são −2 e 2. Como x2 − 4 = 0 ⇐⇒ x = −2 ∨ x = 2. definidas. Resolução: g(x) = 0 ⇐⇒ x2 + 5 = 0 ⇐⇒ x2 = −5 (Condição impossível) logo g não tem zeros. ⇐⇒ x − 1 = 0 ∨ x2 − 16 = 0 ⇐⇒ x = 1 ∨ x = −4 ∨ x = 4 logo os zeros de f são −4. Atendendo a que ambas pertencem ao domímio. x−1 Resolução: Temos que resolver a equação fraccionária O domínio da equação é R Â {1} . (3) f (x) = (x − 1) . Assim os zeros de f são −2 e 2.1. Resolução: f (x) = 0 ⇐⇒ (x − 1) . tem-se que ambas são soluções da equação. Determine os zeros das seguintes funções.

3−2 3 3 x x−2 e g(x) = 1 . x−2 x 3 1 10 + = . OPERAÇÕES COM FUNÇÕES 71 9.1. Resolução: (f + g) (3) = f (3) + g(3) = (3) Defina f + g. Tem-se: (f + g) (x) = f (x) + g(x) = Assim: f + g : RÂ {0. chama-se soma de f com g à função que se representa por f + g e que tem por • domínio Df +g = Df ∩ Dg • expressão analítica (f + g) (x) = f (x) + g(x). Operações com funções 9. Soma. 2} . x−2 x 1 x + .9. Exemplo 9. em R. Resolução: Df +g = Df ∩ Dg = RÂ {2} ∩ RÂ {0} = RÂ {0.1. (2) Determine (f + g) (3) . x . Dadas duas funções reais de variável real f e g. as funções definidas por: f (x) = (1) Calcule Df +g . 2} −→ R x −→ 1 x + . Considere. Resolução: Resta determinar a expressão analítica de f + g.

chama-se diferença de f com g à função que se representa por f − g e que tem por • domínio Df −g = Df ∩ Dg • expressão analítica (f − g) (x) = f (x) − g(x). Produto. Dadas duas funções reais de variável real f e g. Dadas duas funções reais de variável real f e g.g e que tem por • domínio Df ×g = Df ∩ Dg • expressão analítica (f × g) (x) = f (x) × g(x). chama-se produto de f com g à função que se representa por f. 9.72 IV.3. −→ 5 + x − √ 1 − x. . (2) Calcule os zeros de r + t. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. Diferença. Sejam r e t duas funções reais de variável real definidas por: √ r(x) = 2 − 1 − x e t(x) = 3 + x. Exercício 9. (1) Defina r + t.1. 1] −→ R x (2) −3. 9. Soluções: (1) r + t : ]−∞.2.

logo não são idênticas. Quociente. f (x) = λ ∀x ∈ R. o produto f × g tem por domínio Dg . reais de variável real é uma função que tem por • domínio D f = Df ∩ Dg ∩ {x ∈ R : g(x) 6= 0} . por exemplo. OPERAÇÕES COM FUNÇÕES 73 Exemplo 9. g . √ x−2−2 (1) Determine a expressão analítica que define h × t. representa-se por λg e a expressão analítica é dada por (λg) (x) = λg (x) . em R. Resolução: Dh = Dt = {x ∈ R : x − 2 > 0} = {x ∈ R : x > 2} = [2. 9. O quociente de duas funções f e g. verifica-se que têm a mesma expressão analítica mas não tem o mesmo domínio. +∞[ e Ds = R. Produto de um escalar por uma função. 9.2. pois Dh×t = [2. +∞[ vem Dh×t = Dh ∩ Dt = [2. Sendo f uma função constante. Considere.4.3. h(x) = e t(x) = √ x − 2 + 2.9. Assim.1. +∞[ . Resolução: ¡√ ¢ ¡√ ¢ (h × t) (x) = h(x) × t(x) = x−2−2 × x−2+2 = ¢2 ¡√ x − 2 − 22 = x − 2 − 4 = x − 6. ∀x ∈ Dg . = (2) A funcão definida em R por s(x) = x − 6 é idêntica a h × t? Justifique.

GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. g g(x) Exemplo 9. √ f Sendo f (x) = x + 1 e g(x) = x2 − 2x. 2[ ∪ ]2. +∞[ Dg = R e {x ∈ R : g(x) 6= 0} = © ª x ∈ R : x2 − 2x 6= 0 = {x ∈ R : x(x − 2) 6= 0} = = {x ∈ R : x 6= 0 ∧ x − 2 6= 0} = {x ∈ R : x 6= 0 ∧ x 6= 2} = = RÂ {0. 0[ ∪ ]0. em R. x −→ 2 x − 2x = Df ∩ Dg ∩ {x ∈ R : g(x) 6= 0} = [−1. defina . 2} −→ R g √ x+1 . • expressão analítica µ ¶ f f (x) (x) = . 2} = . +∞[ ∩ R ∩ RÂ {0.74 IV. +∞[ Â {0. 2} vem Df g = [−1. √ µ ¶ x+1 f (x) f (x) = = 2 g g(x) x − 2x implicando que f : [−1. Sendo Df = {x ∈ R : x + 1 > 0 } = [−1. (2) Expressão analítica. +∞[ . g Resolução: (1) Domínio.3.

Resolução: (1) Domínio.1. sendo o seu domínio o conjunto Df ◦g = {x ∈ R : x ∈ Dg ∧ g(x) ∈ Df } .r..5. Se f e g são f. Observação: Transformam-se por f os elementos do contradomínio da função g. com domínios Df e Dg . (f ◦ g) (x) = f [g(x)] = f implicando que µ x x−2 ¶ =2 x+2 x −1= x−2 x−2 f ◦ g : RÂ {2} −→ R x+2 .9. OPERAÇÕES COM FUNÇÕES 75 9. definidas por f (x) = 2x − 1 e g(x) = e caracterizemos f og.4. Exemplo 9. fazendo (f ◦ g) (x) = f [g(x)] . Consideremos as funções reais de variável real. x −→ x−2 . Definição 9. Composição de funções.r. define-se fog. vem Df ◦g ½ = {x ∈ R : x ∈ Dg ∧ g(x) ∈ Df } = x ∈ R : x 6= 2 ∧ ¾ x ∈R = x−2 x x−2 = {x ∈ R : x 6= 2 ∧ x 6= 2} = {x ∈ R : x 6= 2} = RÂ {2} (2) Expressão analítica. respectivamente.v. Sendo Df = R Dg = RÂ {2} .

. g . Exemplo 9. dizem-se permutáveis se e só se f ◦ g = g ◦ f. (2) Justifique porque não são idênticas as funções r ◦ s e t. A função de domínio [−1. f ◦ g = g ◦ f . (1) Defina r ◦ s. Note que y 6= g ◦ f que é a função de domínio R+ definida por 0 ¡√ ¢2 √ (g ◦ f ) (x) = g [f (x)] = g( x) = 1 − x = 1 − x. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. f e g . Duas funções. obtivemos expressões diferentes f ◦ g e g ◦ f. é falsa a proposição: ∀ f. 1] definida por y(x) = √ 1 − x2 pode ser vista como a composta das funções g(x) = 1 − x2 √ f (x) = x.2. as funções definidas por: r(x) = x2 + 1 √ x−5 s(x) = t(x) = x − 4. Exercício 9. tendo-se y = f ◦ g. em R. São dadas.76 IV.5. Assim. Nota: No exemplo anterior.

Sendo f injectiva.v.10. para que a inversa f −1 esteja bem definida. +∞[ e Dt = R. y ∈ Df Exemplo 10. chama-se função identidade à função f : A −→ A x −→ x. pelo menos.2. 2 . Função inversa. A função bijectiva de domínio R definida por f (x) = 2x + 5. Definição 10.1. 10. injectiva. A FUNÇÃO IDENTIDADE E FUNÇÃO INVERSA 77 Soluções: (1) r ◦ s : [5. Quando A = R o gráfico da função identidade é a bissectriz dos quadrantes ímpares.r. Definição 10. Função identidade. 10.r. +∞[ −→ R x −→ x − 4 (2) Têm a mesma expressão analítica. mas os domínios são diferentes pois Dr◦s = [5. a função inversa de f designa-se por f −1 e tem-se. 0 Sendo f uma função definida de Df em Df . Para as f.2. x ∈ Df ⇐⇒ x = f −1 (y).1. A função identidade e função inversa 10. tem por inversa a função x−5 de domínio R definida por f −1 (x) = . é usual e tem muito interesse definir-se a inversa de uma função que seja. o domínio é o contradomínio de f e não o conjunto de chegada. Sendo A ⊂ R.1. 0 y = f (x).

A uma função real de variável real. que possa ser definida por um polinómio numa variável. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. Obtém-se a expressão designatória de f −1 resolvendo em ordem a x a equação y = 2x + 5. . ∀x ∈ Dg e (g ◦ f ) (x) = x. Como habitualmente. Observação: Como uma função deste tipo está bem definida para todo o número x−5 .. então (f ◦ g) (x) = x.1. São exemplos de funções polinomiais. Funções polinomiais Definição 11. x2 + 4x + 1. y ∈ R. então o seu domínio é R. ∀x ∈ Df . 2 real.78 IV. funções definidas por expressões do tipo: ¡ ¢ 2x + 1. (x + 1) 2x2 − 1 + 2x. substituindo-se a letra y por x f −1 : R −→ R x −→ y = Nota: O gráfico de f −1 pode ser obtido do de f através duma simetria sobre a recta de equação y = x (bissectriz dos quadrantes ímpares). 11.. . designa-se os elementos do 2 domínio por x e os transformados por y. x ∈ R ⇐⇒ x = implicando que f −1 (y) = y−5 . Tem-se: y = 2x + 5. 2 y−5 . Note que se f e g são funções inversas. chama-se função polinomial.

o gráfico coincide com o eixo do xx. que intersecta o eixo dos yy no ponto (0. • Se b = 0.11. Chama-se função afim numa variável real x a toda a função do tipo f : R −→ R x −→ ax + b em que a e b são números reais. tem-se uma função constante. Definição 11. Função afim. b ∈ R. • O seu gráfico é uma recta paralela ao eixo dos xx. (1) a = 0 • Neste caso. Vamos analisar dois casos: a = 0 e a 6= 0. FUNÇÕES POLINOMIAIS 79 11.1. Resolução: (1) D=R (2) y = (2x − 3)2 − x (4x − 1) ⇐⇒ y = −11x + 9. Mostre que a função y definida. .1.2. Exemplo 11. y = b. em R. por y = (2x − 3)2 − x (4x − 1) é uma função afim. b) . Propriedades Consideremos a função afim: y = ax + b com a.

quaisquer dois objectos diferentes têm imagens diferentes. — é injectiva. visto que o contradomínio é igual ao conjunto de 0 chegada. — é positiva se x > −3.80 IV. • A função não é injectiva pois quaisquer dois elementos diferentes têm imagens iguais (b). • Se b 6= 0. — é crescente. x2 ∈ R. mas se b = 0 todos os números reais são zeros da função. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. isto é Dy = R. isto é. x1 6= x2 =⇒ y1 6= y2 . . Verifica-se também que não é sobrejectiva visto o seu contradomínio ser {b} e o conjunto de chegada ser R. — é sobrejectiva. y 4 3 2 1 -4 -3 -2 -1 -1 1 2 3 x 4 • Do seu gráfico conclui-se: — tem um zero: x = −3. ∀x1 . (2) a 6= 0 • A função y = x + 3 é deste tipo: a = 1 e b = 3. a função não tem zeros. — é negativa se x < −3.

x1 6= x2 =⇒ y1 6= y2 . — é negativa se x > 2. ∀x1 . isto é Dy = R. FUNÇÕES POLINOMIAIS 81 • Consideremos agora a função afim y = −2x + 4 em que a = −2 e b = 4.11. (3) Caso geral (y = ax + b) com a 6= 0. x2 ∈ R. quaisquer dois objectos diferentes têm imagens diferentes. Zeros y = 0 ⇐⇒ ax + b = 0 ⇐⇒ x = − Sinal Função positiva ax + b > 0 ⇐⇒ x > − ax + b > 0 ⇐⇒ x < − b a>0 a b a a<0 Função negativa ax + b < 0 ⇐⇒ x < − ax + b < 0 ⇐⇒ x > − b a b a b a . — é sobrejectiva. visto que o contradomínio é igual ao conjunto de 0 chegada. isto é. — é injectiva. — é decrescente. — é positiva se x < 2. y 6 4 2 -3 -2 -1 -2 1 2 3 4 x 5 • Do seu gráfico conclui-se: — tem um zero: x = 2.

• É injectiva. isto é. c ∈ R e a 6= 0. 11. calculando o sinal de b2 − 4ac . Nesta situação. Função quadrática. é verdadeira a proposição x1 6= x2 =⇒ y1 6= y2 .82 IV.2. x2 ∈ R • é sobrejectiva. portanto o contradomínio da função é também R. 2a Refere-se. que muitas vezes há interesse em saber se a função quadrática tem ou não zeros. a O domínio da função inversa é R. b. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. Zeros Os zeros da função quadrática são as soluções da equação ax + bx + c = 0 ⇐⇒ x = 2 −b ± √ b2 − 4ac . f : R −→ R x −→ ax2 + bx + c com a. grau numa variável real. pois invertendo a função tem-se: y = ax + b ⇐⇒ y − b = ax ⇐⇒ x = y−b . Função quadrática é toda a função que pode ser definida por um polinómio do 2o .3. o que prova a sobrejectividade. ∀x1 . Definição 11. independentemente de se conhecer o seu valor.

Resolução g(x) = 0 ⇐⇒ 2x2 + 3 = 0 ⇐⇒ x2 = − (3) h(x) = x2 − 3x + 2.k > 0 ⇐⇒ k < . Calcule os zeros de cada uma das funções seguintes. 3± √ 9−8 ⇐⇒ x = 1 ∨ x = 2 2 3 2 N ao tem zeros. (1) f (x) = 3x2 .11. Determine k. de modo que a expressão 2x2 −3x+k. 2. 8 .2. resolução 9 4 > 0 ⇐⇒ 9 − 4. Exemplo 11.3. FUNÇÕES POLINOMIAIS 83 que se chama “discriminante ” e representa-se por 4. b 2a Exemplo 11.2. Resolução f (x) = 0 ⇐⇒ 3x2 = 0 ⇐⇒ x = 0 (2) g(x) = 2x2 + 3. definidas em R. tem-se: √ ⎧ −b − b2 − 4ac ⎪ ⎪ x1 = ⎨ 2a • 4 > 0 ⇒ há dois zeros reais : √ ⎪ 2 ⎪ ⎩ x = −b + b − 4ac 2 2a • 4 = 0 ⇒ há um zero real ( duplo): x1 = − • 4 < 0 ⇒ Não há zeros reais. Resolução h(x) = 0 ⇐⇒ x2 − 3x + 2 = 0 ⇐⇒ x = zeros : 1. ˜ Zero : 0. defina uma função quadrática com: (1) dois zeros.

k = 0 ⇐⇒ k = . 2) . 0) . (1.84 IV. • Se x = 0 • Se x = 1 • Se x = 2 • Se x = −1 • Se x = −2 vem vem vem vem vem y=0 y=2 y=8 y=2 y=8 . (2. 8 (3) nenhum zero. (−2. resolução 9 4 = 0 ⇐⇒ 9 − 4. comecemos por determinar alguns pontos. (0. 8 Estudo gráfico da função quadrátrica Comecemos por representar o gráfico de funções do tipo x → y = ax2 . (−1.2. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. • Considerando um referencial cartesiano ortogonal e monométrico. (1) a > 0 • Consideremos a função definida por y = 2x2 .k < 0 ⇐⇒ k > . 8) Fazendo a marcação destes pontos e unindo-os de seguida por uma linha contínua obtém-se o gráfico de y = 2x2 . a 6= 0 e b = c = 0.2. cujo domínio é R. 8) . (2) um zero. y 15 10 5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 x 4 . 2) . resolução 9 4 < 0 ⇐⇒ 9 − 4.

(−1. −2) . 0[ e crescente no intervalo ]0. • Tal como no exemplo anterior. (1. 0) situado sobre este eixo é o vértice da parábola. cujo domínio é R. (2) a < 0 • Consideremos a função definida por y = −2x2 . • Se x = 0 • Se x = 1 • Se x = 2 • Se x = −1 • Se x = −2 Tem-se: -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 vem vem vem vem vem y=0 y = −2 y = −8 y = −2 y = −8 .11. tem como eixo de simetria o eixo dos yy. (0. FUNÇÕES POLINOMIAIS 85 Esta linha chama-se parábola e. +∞[ . 0) . +∞[ . o ponto (0. (−2. — tem como contradomínio o intervalo [0. — não é sobrejectiva (justifique). −8) . (2. −2) . — não é injectiva (justifique). atribuímos diferentes valores a x e calculamos os correspondentes valores de y. — tem a concavidade voltada para a parte positiva do eixo dos yy (para cima) . −8) x 4 y -5 -10 -15 • Obteve-se assim uma parábola com: . Da observação do gráfico conclui-se ainda: — é decrescente no intervalo ]−∞. — é uma função par (justifique).

ou melhor. Atendendo a que a parábola tem um eixo de simetria. Nota: Uma parábola tem: • um eixo de simetria.4. a abcissa do vértice é a média . — vértice na origem. caso existam. 0] . c ∈ R e a 6= 0. y = ax2 + bx + c com a. Exemplo 11. — concavidade no sentido negativo do eixo dos yy (voltada para baixo) . • Coordenadas do vértice. — não injectiva (justifique). Resolução. (1) f (x) = −2x2 + 8x + 10. • Zeros: f (x) = 0 ⇐⇒ −2x2 + 8x + 10 = 0 ⇐⇒ x = −1 ∨ x = 5. 0[ . basta determinar as coordenadas do vértice e os seus zeros. • concavidade voltada para baixo se a < 0. — contradomínio o intervalo ]−∞. — não sobrejectiva (justifique). isto é.86 IV. b. Vamos agora mostrar como representar o gráfico da função quadrática (caso geral) . — par (justifique). • o vértice (ponto da parábola que pertence ao eixo de simetria) . o vértice vai estar exactamente a meio dos zeros. Represente graficamente funções abaixo indicadas. +∞[ e crescente no intervalo ]−∞. É facil de verificar que para obter o gráfico de uma função quadrática. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. — eixo de simetria coincidente com o eixo dos yy. • E a função é: — decrescente no intervalo ]0. • concavidade voltada para cima se a > 0.

• Gráfico. Assim a abcissa do vértice é xv = −1 + 5 =2 2 e a ordenada do vértice será yv = f (2) = −8 + 16 + 10 = 18. • Gráfico. Resolução. Neste caso o zero é o vértice da função.11. • Coordenadas do vértice. visto a parábola ser tangente ao eixo das abcissas. • Zeros: g(x) = 0 ⇐⇒ x2 − 10x + 25 = 0 ⇐⇒ x = 5. obtendo-se V −→ (2. 18) . FUNÇÕES POLINOMIAIS 87 dos zeros da função. . tendo-se: y 20 15 10 5 -2 -1 -5 1 2 3 4 5 x 6 (2) g(x) = x2 − 10x + 25. Atendendo a que a concavidade é virada para baixo (a = −2 < 0) . podemos representar o gráfico da função.

• Coordenadas do vértice. Como a função não tem zeros. A abcissa do vértice é a média destas duas abcissas: xv = A ordenada é yv = h(−2) = 4 − 8 + 5 = 1.88 IV. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. • Zeros: h(x) = 0 ⇐⇒ x + 4x + 5 = 0 ⇐⇒ x = que é uma equação impossível em R. Sendo a = 1 > 0 (concavidade virada para cima) . O vértice ficará no meio deles dada a simetria da parábola. 0 + (−4) = −2. O mais fácil nesta situação é procurar os objectos cuja imagem seja 5 porque a equação do 2o grau a resolver simplifica-se. vem: y 10 5 -1 1 2 3 4 5 6 7 x 8 (3) h(x) = x2 + 4x + 5. 2 . Tem-se: h(x) = 5 ⇐⇒ x2 + 4x + 5 = 5 ⇐⇒ x2 + 4x = 0 ⇐⇒ 2 −4 ± √ 16 − 4 × 1 × 5 . Resolução. vamos arranjar dois pontos com a mesma imagem. 2×1 ⇐⇒ x (x + 4) = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x + 4 = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = −4.

1) . 2a 2a b . • Gráfico. a abcissa do vértice fica sempre a igual distância de dois objectos com a mesma imagem. Assim. Fazemos então: ax2 + bx + c c ⇐⇒ ax2 + bx = 0 ⇐⇒ x (ax + b) = 0 ⇐⇒ b ⇐⇒ x = 0 ∨ ax + b = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = − . yv ) = − . FUNÇÕES POLINOMIAIS 89 Temos então que V −→ (−2. podemos sempre seguir o método exposto no exemplo anterior para facilmente encontrar as coordenadas do vértice. a = A abcissa do vértice é a média destes dois valores: xv = − A ordenada do vértice é yv = f (xv ) . f − . Sendo a = 1 > 0 (concavidade virada para cima) vem: y 10 8 6 4 2 -5 -4 -3 -2 -1 1 x 2 Nota: Devido à simetria da parábola. 2a .11. Tem-se assim: µ ¶¶ µ b b V −→ (xv .

tem-se: x2 − 4x + 3 > 0 ⇐⇒ x ∈ ]−∞.3. b e c ∈ R e a 6= 0. Definição 11. Note que qualquer função quadrática toma o sinal de a. grau as condições: ax2 + bx + c > 0 e ax2 + bx + c ≤ 0 com a.o grau.o grau basta estudar o sinal da função quadrática y = ax2 + bx + c. .90 IV. 1[ ∪ ]3. +∞[ . as seguintes inequações. 11. Resolva. b e c ∈ R e a 6= 0. Resolução.o . Para resolver inequações do 2. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.5. (1) x2 − 4x + 3 > 0. Inequações do 2. Sabendo que a função f (x) = x2 −4x+3 toma o sinal contrário ao de a quando x pertence ao intervalo dos zeros e o sinal de a fora desse intervalo. fora do intervalo dos zeros. Exemplo 11. e o sinal contrário ao de a. dentro do intervalo dos zeros. Chama-se inequação do 2. Nota: São ainda inequações do 2.4.o grau na variável x a toda a condição que se possa reduzir à forma ax2 + bx + c > 0 ou ax2 + bx + c < 0 com a. Os zeros serão dados por x2 − 4x + 3 = 0 ⇐⇒ x = 1 ∨ x = 3. em R.

2 2 (3) x2 + 4 < 3x. Assim. (4) 2 x+2 < .11. Temos então: . toma sempre o sinal de a. FUNÇÕES POLINOMIAIS 91 (2) 5x − 2x2 + 7 > 4. 2 A função f (x) = x2 − 3x + 4 não tem zeros e. Os zeros serão dados por 1 −2x2 + 5x + 3 = 0 ⇐⇒ x = − ∨ x = 3. x+2 1−x 2 x+2 2 ⇐⇒ − < 0 ⇐⇒ 2x + 1 1 − x 2x + 1 2x2 + 7x x (2x + 7) ⇐⇒ < 0 ⇐⇒ < 0. (1 − x) (2x + 1) (1 − x) (2x + 1) < Para resolver a inequação. 1 − x 2x + 1 Resolução. portanto. Resolução. tem-se: ¸ ∙ 1 −2x + 5x + 3 > 0 ⇐⇒ x ∈ − . 5x − 2x2 + 7 > 4 ⇐⇒ −2x2 + 5x + 3 > 0. Os zeros serão dados por x − 3x + 4 = 0 ⇐⇒ x = 2 3± √ 9 − 16 (equacão ímpossivel em R) . Resolução. podemos recorrer a um quadro de sinais. x2 + 4 < 3x ⇐⇒ x2 − 3x + 4 < 0 ⇐⇒ x ∈ ∅. 3 . a inequação é uma condição ímpossivel. 2 Sabendo que a função f (x) = −2x2 + 5x + 3 toma o sinal contrário ao de a quando x pertence ao intervalo dos zeros e o sinal de a fora desse intervalo.

− 3 = ¯− 1 − − 3 ¯ = ¯ 1 ¯ = 1 .1. x 2x2 + 7x −2x2 + x + 1 2x2 + 7x −2x2 + x + 1 −∞ − 7 2 + − − 0 − 0 − − −1 2 − 0 0 − 0 1 + + +∞ + − + + + 0 + s/s − 0 + s/s − Verifica-se que as soluções da inequação são os valores de x tais que: ¸ ∙ ¸ ∙ 7 1 x ∈ −∞. Exemplo 12.1. 3) = |2 − 3| = |−1| = 1. 0 ∪ ]1. ¡ ¡ ¢¯ ¯ ¯ ¢ ¯ Resolução: d − 1 . chama-se distância de x a y ao valor absoluto da sua diferença: d (x. Noções topológicas. +∞[ .1. Definição 12. 12. Determine a distância entre os números reais: (1) 2 e 3. − ∪ − .92 IV. 2 4 2 4 4 4 Definição 12. 2 2 12. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. (2) 0 e −3.2. Dados dois números reais x e y. chama-se vizinhança . −3) = |0 − (−3)| = |3| = 3. y) = |x − y| . Resolução: d (2. Sendo a um número real qualquer e δ um número real positivo. (3) − 1 e − 3 2 4 Resolução: d (0. Limites de funções reais de variável real.

3. . a é ponto interior de C ⇔ ∃δ ∈ R+ : Vδ (a) ⊂ C Ao conjunto de todos os pontos interiores de C chama-se interior de C e representa-se por int (C). a + δ[ .3. 1} = ]1.1 (3) .1. Considere as seguintes vizinhanças: (1) V0. 93 de centro a e raio δ ao conjunto dos números reais cuja distância a a é inferior a δ. 9. Definição 12. 2.3. (2) Vδ (3) ⊂ ]2. 5. Diz-se que a é ponto interior de C se e só se existe pelo menos uma vizinhança de a contida em C. Exemplo 12. (1) Seja C = ]1. 0. Vδ (a) = {x ∈ R : |x − a| < δ} = ]a − δ.1 (1. 01} = ]−0. 6 é ponto interior de C. 1[ .2. 2[ .1 (2) = {x ∈ R : |x − 2| < 0. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. 01. porque V0. 6) ⊂ ]1. Sejam C um subconjunto de R e a um elemento de C. 02[ .12. (2) V0. Determine um valor de δ de modo que: (1) Vδ (3) ⊂ V0. 2[ .01 (0) = {x ∈ R : |x| < 0. Exercício 12. Exemplo 12. O ponto 1. 01[ .

Definição 12. O interior de C é o próprio conjunto C.4. Sejam C um subconjunto de R e b um número real. 1 . 3} ∪ ]4. Determine o interior e a fronteira de cada um dos conjuntos de números reais: (1) A = {2. 2} . Vδ (b) ∩ C 6= ∅ ∧ Vδ (b) ∩ R\C 6= ∅ Ao conjunto de todos os pontos fronteiros de C chama-se fronteira de C e representa-se por F r(C). 3[ .94 IV. Definição 12.5. int(B) = ]−∞. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. 3] ∪ {5} . diz-se que d é ponto de acumulação . Seja B = ]−∞. pois qualquer vizinhança de 2 possui pontos que não pertencem a ]1. b diz-se ponto fronteiro de C se e só se as intersecções de qualquer vizinhança de b com C e com o seu complementar forem ambas não vazias. 2[ . Dê um exemplo de um conjunto que: (1) coincida com a sua fronteira. 2 (3) C = {x ∈ R : |x + 1| ≤ 3} . Exemplo 12. (2) coincida com o seu interior. 5[ . Exemplo 12.2. Exercício 12. 3] ∪ {5} .3. (2) Seja B = ]−∞. b é ponto fronteiro de C ⇔ ∀δ ∈ R+ . Então F r(B) = {3. os pontos fronteiros são 1 e 2 e a fronteira é o conjunto {1.5. Exercício 12. Relativamente ao conjunto ]1.4. Sejam C um subconjunto de R e d um número real. Já 2 não é ponto interior de C. 2[ do exemplo anterior. ¤ £ (2) B = −3. 5} . Então.

2[ ∪ {3} .12. 95 de C se e só se em qualquer vizinhança de d existe pelo menos um elemento de C diferente de d. Seja A = ]1. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. . Tem-se A0 = [1. x→a lim f (x) = b ⇐⇒ ∀ε > 0 ∃δ > 0 : 0 < |x − a| < δ =⇒ |f (x) − b| < ε. d é ponto de acumulação de C ⇔ ∀δ ∈ R+ .7 (Limite de Cauchy).6.6.2. Definição 12. isto é. Diz-se que o limite de f quando x tende para a é o número real b se e só se para toda a vizinhança de b de raio ε existe uma vizinhança de a de raio δ tal que x ∈ Vδ (a) \ {a} =⇒ f (x) ∈ V ε (b) . 3 é ponto isolado de A. 12. Definição de limite de uma função. Seja f uma função real de variável real e a ∈ R um ponto de acumulação do seu domínio. Exemplo 12. Chama-se ponto isolado de C a um elemento de C que não é ponto de acumulação. Definição 12. 2] . ∃a ∈ C : a 6= d ∧ a ∈ Vδ (d) O conjunto de todos os pontos de acumulação de um conjunto C chama-se derivado de C e representa-se por C’.

b é um número real. • Em caso algum. esse limite é o único. . x→a Resolução: Em primeiro lugar Df = R pelo que todos os pontos são de acumulação. excepto possivelmente em a. Dada a função definida por f (x) = x. Basta tomar δ = ε para ter a certeza que para todo o ε > 0 x ∈ Vδ (a) \ {a} =⇒ f (x) ∈ V ε (a) . • O limite de f quando x tende para a dá-nos o comportamento da função quando x é vizinho de a não havendo necessidade de f estar definida em a. • A afirmação “b é o limite da função f ” não tem qualquer sentido se não indicar a condição “quando x tende para a”. Observações: • Se b é o limite de f quando x tende para a.7. b é uma expressão com variáveis. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. represente-a graficamente e verifique ( graficamente) que lim f (x) = a. Exemplo 12. • Se b é o limite de f quando x tende para a.96 IV. daí que a definição exija que a seja um ponto de acumulação do domínio de f. • Para tal é necessário que f esteja definida numa vizinhança de a.

.12. . 000 0001 f (x) = −0. a valores de x “ muito pequenos ” em módulo. Extensão da noção de limite.3. 000 0001 x = −0. Vamos agora estudar o caso geral das funções cujos valores se tomam arbitrariamente grandes numa vizinhança de um número a. x = 0. 000 000 001 . 000 000 001 f (x) = −0. 97 12. f (x) = 10 000 000 f (x) = −10 000 000 f (x) = 1 000 000 000 f (x) = −1 000 000 000 Estes exemplos mostram que. 000 0001 x = 0. f (x) = 0. um que é maior que todos os números reais. o outro menor . 000 000 001 x = −0. . considerem-se os caso seguintes: x = 10 000 000 x = −10 000 000 x = 1 000 000 000 x = −1 000 000 000 nas em módulo. . correspondem imagens f (x) “ muito grandes ” em módulo. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. Estudemos agora o comportamento de f para valores de x “ grandes ” em módulo. Para tal é útil a introdução de dois números que não são números reais. . ou arbitrariamente próximos de um valor b para valores “grandes ”de x. . 000 0001 f (x) = 0. Como no exemplo anterior. x Vamos examinar o comportamento de f nas vizinhanças de zero. 000 000 001 A valores de x muito grandes em módulo correspondem imagens f (x) muito peque- . Considere-se a função f definida em R\ {0} por f (x) = 1 .

0 • (−1) × (+∞) = −∞ . ]−∞. 0 × ∞. x − ∞ = −∞ + x = −∞.98 IV. • ∀x ∈ R\ {0} . −∞ < x. Nota: Insistimos sobre o facto que os seguintes elementos não estão definidos ∞ 0 em R : ∞ − ∞. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. −∞} munido com a adição e a multiplicação usuais completadas pelas condições que definem o cálculo para os elementos infinitos. ¯ ¯ = +∞. (−1) × (−∞) = +∞. onde A é um número real positivo. +∞[ (resp. Estas regras de cálculos foram estabelecidas de acordo com a noção intuitiva de número maior que todos os outros. • (+∞) × (+∞) = +∞. V−A ) da forma ]A. representados por +∞ (mais infinito) e −∞ (menos infinito) . / / • ∀x ∈ R . • ∀x ∈ R . |x| × (+∞) = (+∞) × |x| = +∞. verificando as seguintes condições: • +∞ ∈ R . ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ x ¯ ¯ x ¯ ¯ ¯ ¯ • ∀x ∈ R . . x < +∞ . ¯x¯ ¯ ¯ • ∀x ∈ R\ {0} . não reais. − ∞) é qualquer intervalo VA (resp. Estes dois números correspondem às noções intuitivas de infinito positivo e infinito negativo. 0 ∞ Uma vizinhança de +∞ (resp. x + ∞ = +∞ + x = +∞. ∀x ∈ R . • (+∞) + (+∞) = +∞ . • ∀x ∈ R . −∞ ∈ R. . que todos os números reais. . Considerem-se dois elementos. (−∞) + (−∞) = −∞. Representa-se por R o conjunto R∪ {+∞. ¯ ¯ +∞ ¯ = ¯ −∞ ¯ = 0. −A[) .

12. +∞[ ⇐⇒ x > A x ∈ ]−∞. 99 Tem-se x ∈ ]A. −A[ ⇐⇒ x < −A. b ∈ R x→+∞ =⇒ f (x) < −B lim f (x) = b ⇐⇒ ∀ε > 0 ∃A > 0 : x ∈ VA =⇒ f (x) ∈ Vε (b) ⇐⇒ ∀ε > 0 ∃A > 0 : x > A =⇒ |f (x) − b| < ε (5) a = +∞ . A definição de Cauchy pode agora generalizar-se aos casos em que a e b não são finitos. Vδ (a) dá lugar a VA e se b for infinito. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. b = +∞ x→+∞ lim f (x) = +∞ ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x ∈ VA =⇒ f (x) ∈ VB ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x > A =⇒ f (x) > B . b = −∞ x→a lim f (x) = −∞ ⇐⇒ ∀B > 0 ∃δ > 0 : x ∈ Vδ (a) \ {a} =⇒ f (x) ∈ V−B ⇐⇒ ∀B > 0 ∃δ > 0 : 0 < |x − a| < δ (4) a = +∞ . Temos assim: (1) a∈R.b∈R x→a lim f (x) = b ⇐⇒ ∀ε > 0 ∃δ > 0 : x ∈ Vδ (a) \ {a} =⇒ f (x) ∈ V ε (b) ∀ε > 0 ∃δ > 0 : 0 < |x − a| < δ =⇒ |f (x) − b| < ε (2) a ∈ R . b = +∞ x→a lim f (x) = +∞ ⇐⇒ ∀B > 0 ∃δ > 0 : x ∈ Vδ (a) \ {a} =⇒ f (x) ∈ VB ⇐⇒ ∀B > 0 ∃δ > 0 : 0 < |x − a| < δ (3) =⇒ f (x) > B a ∈ R . Se a for infinito. Vε (b) é substituída por VB .

8. Quando x tende para zero. b = −∞ x→−∞ lim f (x) = −∞ ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x ∈ V−A =⇒ f (x) ∈ V−B ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x < −A =⇒ f (x) < −B Exemplo 12.100 IV. b = +∞ x→−∞ lim f (x) = +∞ ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x ∈ V−A =⇒ f (x) ∈ VB ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x < −A =⇒ f (x) > B (9) a = −∞ . mas se x é negativo. a imagem de f (x) não se aproxima de nenhum elemento de R pelo que não existe lim f (x). . x→−∞ x→+∞ lim f (x) = 0 lim f (x) = 0. tem-se: x . b ∈ R x→−∞ lim f (x) = b ⇐⇒ ∀ε > 0 ∃A > 0 : x ∈ V−A =⇒ f (x) ∈ Vε (b) ⇐⇒ ∀ε > 0 ∃A > 0 : x < −A =⇒ |f (x) − b| < ε (8) a = −∞ . (6) a = +∞ . Isto ocorre pois quando x tende para zero e x é positivo. x→0 f (x) é arbitrariamente grande positivo. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. b = −∞ x→+∞ lim f (x) = −∞ ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x ∈ VA =⇒ f (x) ∈ V−B ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x > A =⇒ f (x) < −B (7) a = −∞ . Dada a função f definida por f (x) = 1 . f (x) é arbitrariamente grande negativo.

4. Limites laterais. considerarmos apenas os valores de x inferiores a 1. Diz-se que b é o limite de f à esquerda (resp. Escreve-se: x→1+ lim f (x) = 3. então f (x) aproxima-se de 3. x→1 • Se em vez de trabalharmos com x ∈ ]1 − ε.12. • Se em vez de trabalharmos com Vε (1). Observando o gráfico da função concluímos que: • Não existe lim f (x). Seja f uma função real de variável real e a um ponto de acumulação do domínio de f . . 1 + ε[ . x > a) =⇒ f (x) ∈ Vε (b). 1 + ε[ . diremos que o limite de f à esquerda de 1 é igual a −1. diremos que o limite da função à direita de 1 é 3. direita) de a se para todo ε > 0 existir um δ > 0 tal que x ∈ Vδ (a) ∧ x < a ( resp. verificamos que f (x) tende para −1.8. Definição 12. x ∈ ]1 − ε. 101 12. isto é x ∈ ]1. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. Considere-se a função f definida por ⎧ ⎨ 2x + 1 f (x) = ⎩ 2x − 3 se se x>1 x<1 . 1[ . considerarmos apenas os valores de x superiores a 1. Escreve-se: x→1− lim f (x) = −1. isto é.

( com as devidas alterações caso b seja infinito). x→−1 Note-se que −1 não é ponto do domínio mas é um ponto de acumulação do domínio. • Tem-se: x→3− lim f (x) = 0 e lim f (x) = 0.9. . Observe-se o seguinte gráfico de uma função f .102 IV. Exemplo 12. + x→3 pelo que lim f (x) = 0. Teorema 12. x→−1+ lim f (x) = 2. Seja f uma função real de variável real e a um ponto de acumulação do domínio. x→a lim f (x) = b ⇐⇒ lim+ f (x) = lim f (x) = b.Para b ∈ R. pelo que não existe lim f (x). GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. x→3 Note-se que 3 não é ponto do domínio mas é um ponto de acumulação do domínio. x→a x→a− x→a x→a− Observação: Resulta deste teorema que se lim+ f (x) 6= lim f (x) então não existe x→a lim f (x).1. • Tem-se: x→−1− lim f (x) = 1 .

Exemplo 12. se se x>0 x<0 . (3) Graficamente. +∞[ . • O número 2 é ponto de acumulação do domínio mas só podemos considerar valores de x superiores a 2. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. Exercício 12. + x→2 x→2 . x→0 Observação: Se a função está definida apenas à direita (resp.10. Então: lim f (x) = lim f (x) = 0. + − x→0 x→0 (4) Existe lim t(x)? Justifique. (1) O ponto 0 é ponto de acumulação de Dt ? Justifique. Considere-se a função definida por f (x) = √ x − 2 cujo gráfico é o seguinte: Verifica-se que: • O domínio de f é Df = [2. determine lim t(x) e lim t(x). esquerda) de a. então o valor do limite de f quando x tende para a coincide com o limite à direita (resp. 103 • Finalmente lim f (x) = −2. esquerda) de a. (justifique) x→4 ⎧ ⎨ x2 + 1 Seja t a função definida por t(x) = ⎩ −1 − x2 (2) Esboce o gráfico da função.4.12.

Tem-se pelas propriedades dos módulos. Então existem δ 1 e δ 2 tais que x ∈ Vδ1 (a) \ {a} ⇒ f (x) ∈ Vε (b) e x ∈ Vδ2 (a) \ {a} ⇒ f (x) ∈ Vε (c). Consequentemente lim f (x) é x→a único. Seja ε > 0 arbitrário. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. 12. As propriedades dos limites vão permitir-nos calcular limites sem recorrer à definição.5. |f (x) − b| < ε e |f (x) − c| < ε.104 IV. c ∈ R (caso b ou c sejam infinitos o raciocínio é semelhante) . Então para x ∈ Vδ (a) \ {a} . Se existir o limite de f quando x tende para a ∈ R .1 (Unicidade do Limite). |b − c| = |b − f (x) + f (x) − c| |b − c| = |b − f (x) + f (x) − c| ≤ |f (x) − b| + |f (x) − c| ≤ 2ε. b = c. quer dizer . ¤ . Demonstração. δ 1 } . tem-se f (x) ∈ Vε (b) ∩ Vε (c). Considere-se δ = min {δ 1 .5. Propriedades dos limites de funções. isto é. Propriedade 12. este será único. Sendo ε arbitrário resulta que |b − c| = 0. Suponhamos que x→a lim f (x) = b e limf (x) = c x→a com b.

x→+∞ x→−∞ (3) lim 0. Exercício 12. vem x→2 lim (x + 3) = lim x + lim 3 = 2 + 3 = 5. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. x→3 (2) lim (−4) . Se f e g tendem para b e c. quando x tende para a ∈ R. Observação: O caso em que b e c são infinitos de sinais contrários. elementos de R.12. Exemplo 12.5.5.11. x→2 Resolução: Atendendo às propriedades dos limites. Calcule lim (x + 3) .2 (Limite de Uma Constante). Se f é uma constante então o limite de f quando x tende para a ∈ R é a própria constante. x→2 x→2 .3 (Limite de uma Soma).5. 105 Propriedade 12. e tem que ser analisado caso a caso. Propriedade 12. chama-se indeterminação ∞ − ∞. (exceptuando o caso em que b e c são ambos infinitos de sinais contrários) então a função f + g tende para b + c quando x tende para a. Determine : (1) lim 5.

x→a x→a h i2 h in (2) lim [f (x)]2 = lim f (x) . x→a x→a x→a x→a Exemplo 12. Utilize esta propriedade para justificar que: (1) lim [k. c ∈ R . . Determine: (1) lim (x + 2) .c.5. Determine: (1) lim (x2 + 3x + 2) . com b.106 IV. Exercício 12. então x→a lim (f.7.12. x→+∞ x→−∞ x→−∞ (3) lim (x + 5) .6.g) (x) = b.8.lim f (x) (k constante) . x→1 Resolução: x→1 ³ ´2 ¢ ¡ lim 4x2 + 2x + 1 = 4lim x2 + 2lim x + lim 1 = 4 lim x + 2 × 1 + 1 = x→1 x→1 x→1 x→1 = 4 × 1 + 2 + 1 = 7.4 (Limite de um Produto).f (x)] = k. Exercício 12. Se lim f (x) = b e lim g(x) = c. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. (4) lim (2 − x) . x→+∞ x→−∞ (3) lim (2x3 + 7) . x→−2 (2) lim (3x2 + 4) . Calcule lim (4x2 + 2x + 1) . exceptuando-se o caso b = ∞ e c = 0 (ou x→a x→a b = 0 e c = ∞). mais geralmente lim [f (x)]n = lim f (x) . Propriedade 12. x→1 (2) lim (3 − x) . 2 Exercício 12.

12. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL.

107

Propriedade 12.5.5 (Limite de um Quociente). Suponhamos que f e g tendem para b e c respectivamente quando x tende para a , f b exceptuando os casos de ambos serem nulos ou ambos infinitos, então tende para g c quando x tende para a. Exemplo 12.13. x Determine lim . x→2 x + 1 Resolução lim x x 2 2 x→2 = = = . x→2 x + 1 lim (x + 1) 2+1 3 lim
x→2

Exercício 12.9. Determine: (1) lim 5
x→+∞ x2

; 1 x;

x2 x +3 ; (3) lim x→0 x − 1 x . (4) lim − x→−1 x + 1
x→−∞ 2

(2) lim

2−

Propriedade 12.5.6 (Limite de uma Raiz). p √ Se lim f (x) = b e p ∈ N então lim p f (x) = p b, admitindo no caso de p ser par, que f (x) > 0 ∀x ∈ Df .
x→a x→a

Observação: Caso b seja infinito, Exemplo 12.14. 5x √ . Calcule lim x→8− 6 − 5x − 4 Resolução:

√ p b também será infinito.

5x √ = lim − x→8 6 − 5x − 4 =

x→8

lim 5x − ¢= ¡ x→8 √ lim 6 − 5x − 4 − q 40
x→8−

6−

lim (5x − 4)

=

40 = +∞. 0+

108

IV. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.

Exercício 12.10. (1) Determine: √ (a) lim 3 10 + 5x − x3 ;
x→−2 x→0

(b) lim (3x2 + x) ; 4x − 3 ; x→−1 x + 1 4x − 3 (d) lim − ; x→−1 x + 1 x2 . (e) lim − x→−3 x − 3 (c) lim +

(2) Seja a função h definida, em R, por ⎧ ⎨ 2x se x > 3 h(x) = ⎩ x2 − 3 se x < 3 (a) Calcule lim h(x) e
x→5 x→−∞

.

lim h(x).

(b) Investigue se existe lim h(x) , calculando lim h(x) e lim h(x). + −
x→3 x→3 x→3

(3) Considere, em R , as funções f e g definidas por: ⎧ ⎧ ⎨ −x2 se x > 0 ⎨ x2 − x + 2 se x > 0 e g(x) = f (x) = ⎩ 1 − x se x < 0 ⎩ 2x + 1 se x < 0 (a) Mostrar que não existem lim f (x) nem lim g(x).
x→0 x→0 x→0

.

(b) Definir, em R , a função f + g e calcular, se existir, lim (f + g) (x) . (c) Calcular lim (f + g) (x) e
x→+∞ x→−∞

lim (f + g) (x) .

(4) Considere as funções reais , de variável real, definidas por: f (x) = x2 2 3 e g(x) = 1 − . +1 x

(a) Calcule lim f (x) e lim g(x).
x→+∞ x→+∞

(b) Determine lim

f (x) g(x) e lim . x→+∞ g(x) x→+∞ f (x)

12. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL.

109

(5) É dada a função t definida, em R ⎧ ⎪ −2x ⎪ ⎪ ⎨ t(x) = x2 + 1 ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ 3x − 2 Investigue se existe: (a) lim t(x);
x→−1

, por: se x < −1

se −1 ≤ x < 2 . se x > 2

(b) lim t(x).
x→2

12.6. Indeterminações. Nas situações em que a aplicação das propriedades não permite chegar a um resultado, estamos em presença de operações não definidas em R, a que chamamos indeterminações. A resolução destas indeterminações deve ser feita caso a caso. Vamos aqui ver métodos de resolução para as indeterminações ∞ − ∞, 0 × ∞, 12.6.1. Indeterminações quando x tende para a (finito). 0 ∞ e . 0 ∞

Vamos verificar que todas as indeterminações deste tipo se podem reduzir à indeter0 minação . 0 (1) lim x3 − 3x2 + 4x − 2 x→1 x2 − 3x + 2

Resolução. Aplicando o teorema do limite do quociente obtemos

0 , o que 0 mostra que 1 anula os termos da fracção. Efectuando a divisão por, x − 1 pela regra de Ruffini vem: 1 1 1 −3 1 −2 4 −2 2 −2 2 0 1 1 1 −3 1 −2 2 −2 . 0

Então: x3 − 3x2 + 4x − 2 (x − 1) (x2 − 2x + 2) = lim . x→1 x→1 x2 − 3x + 2 (x − 1) (x − 2) lim

110

IV. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.

Como o limite se calcula quando x tende para 1 por valores diferentes de 1, vem x − 1 6= 0, e consequentemente x3 − 3x2 + 4x − 2 x2 − 2x + 2 lim = lim = −1. x→1 x→1 x2 − 3x + 2 x−2

√ x−3 (2) lim x→9 x − 9

0 Resolução. Aplicando os teoremas sobre limites obtemos . Vamos multiplicar 0 √ ambos os termos da fracção por x + 3, vem: √ √ √ x−3 ( x − 3) ( x + 3) √ = lim lim x→9 x − 9 x→9 (x − 9) ( x + 3) x−9 √ = lim x→9 (x − 9) ( x + 3) 1 1 = . = lim √ x→9 x + 3 6 ∙ 2 ¸ x −4 3x + 1 × (3) lim x→2+ x (x − 2)2 efectuarmos a multiplicação vem lim + (x2 − 4) (3x + 1) , x (x − 2)2

Resolução. Trata-se de uma indeterminação do tipo 0 × ∞ (porquê?) , mas se

x→2

0 que é uma indeterminação do tipo . Tem-se sucessivamente: 0 ∙ 2 ¸ (x2 − 4) (3x + 1) x −4 3x + 1 = lim × lim x→2+ x→2+ x (x − 2)2 x (x − 2)2 (x − 2) (x + 2) (3x + 1) = lim + x→2 x (x − 2)2 (x + 2) (3x + 1) = lim x→2+ x (x − 2) 4×7 = = +∞. 2 × 0+ 2x 2 (4) lim + x − 4 . 5 x→−2 x+2

6.. Trata-se de uma indeterminação do tipo ∞ . Se efectuarmos previ∞ 0 amente as operações indicadas obtém-se uma indeterminação do tipo . vem: 6x2 + 7x + 3 = lim x→+∞ 8x2 + 6x + 1 (2) lim 1√ 2 x +1 x→−∞ 2x (0 × ∞) . ∞ ³∞´ 2 6x + 7x + 3 (1) lim x→+∞ 8x2 + 6x + 1 ∞ 7 3 + 2 x x lim 1 6 x→+∞ 8+ + 2 x x 3 6+0+0 = . Vem: 0 2x 2 lim + x − 4 5 x→−2 x+2 2x (x + 2) 5 (x2 − 4) = = x→−2 lim + (5) lim + x→−1 Resolução. Trata-se de uma indeterminação do tipo ∞ − ∞. Efectuando a adição vem: µ ¶ 1 1 + = lim x→−1+ x2 − 1 x + 1 1 1 lim + + x→−1 (x + 1) (x − 1) x + 1 1 + (x − 1) = lim + x→−1 (x + 1) (x − 1) x (x + 1) (x − 1) ∙ ¸ µ ¶ 1 1 + . x2 − 1 x + 1 2x (x + 2) x→−2 5 (x − 2) (x + 2) 2x 1 = lim + = . 111 Resolução. Dividindo ambos os termos da fracção por x2 . LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. ∞ De um modo geral as indeterminações reduzem-se ao tipo . = 8+0+0 4 6+ Resolução. Indeterminações quando x tende para +∞ ou −∞.12.2. x→−2 5 (x − 2) 5 lim + = = x→−1 lim + −1 = +∞ 0− 12.

µ ¶ 0 0 4x 2 lim x + 1 x→−∞ x2 2x4 + 1 4x (2x4 + 1) ³ ∞ ´ = lim x→−∞ (x2 + 1) x2 ∞ = 8x5 + 4x .112 IV. Resolução. vem: 1√ 2 x +1 = lim x→−∞ 2x √ x2 + 1 lim x→−∞ q 2x 1 1 + x2 = lim 2x x→−∞ |x| √ 1+0 1 =− . 0− 5 8+ (4) lim (x3 − 3x + 2) x→+∞ (∞ − ∞) . Dividindo ambos os termos por da fracção por |x|. x→−∞ x4 + x2 lim Dividindo ambos os termos da fracção por x5 . vem: 4 8x + 4x x4 = lim lim 4 2 1 1 x→−∞ x + x x→−∞ + 3 x x 8+0 = = −∞. = −2 2 4x +1 (3) lim x→−∞ x2 2x4 + 1 x2 Resolução. lim (x − 3x + 2) = lim x 1 − 2 + 3 x→+∞ x→+∞ x x 3 (5) lim x→+∞ √ ¢ ¡√ x2 + x − x2 + 1 (∞ − ∞) . Resolução: ∙ µ ¶¸ 3 2 3 = +∞. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.

11. Multiplicando e dividindo ambos os termos da fracção por √ √ x2 + x + x2 + 1. (6) lim √ x→1 x − 1 √ x− x (7) lim 3 (R : + ∞) . =r x→+∞ x2 + x + 2 x2 + 1 1 1 1+ + 1+ 2 x x Exercício 12. Calcule cada um dos seguintes limites: µ ¶ 2x2 − 3x + 1 1 lim R: . vem: √ √ ¢ ¡√ ¢ ¡√ √ ¢ ¡√ x2 + x − x2 + 1 x2 + x + x2 + 1 2+x− 2+1 √ √ lim x x = lim x→+∞ x→+∞ x2 + x + ¢ x2 + 1 ¢2 ¡√ ¡√ 2 x2 + x − x2 + 1 √ √ = lim x→+∞ x2 + x + x2 + 1 x2 + x − (x2 + 1) √ = lim √ x→+∞ x2 + x + x2 + 1 ³ ´ x−1 ∞ √ . + x − x2 x→0 √ µ ¶ 1− x+4 1 (8) lim R: − . (5) x→0 √x (4) lim + (R : + ∞) . x→0 x + 3x . (1) x→ 1 2x2 − 5x + 2 3 2 µ ¶ x3 − 5x2 + 8x − 4 2 (2) lim R: . x−1 (R : 2) . (9) lim (x2 − 1) x→1 x¸− 1 ∙ 4x + 3 (10) lim x2 2 (R : 0) .12. vem: 1 1− x−1 1 x r √ lim √ = . LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. x→−3 2 ∙ x+3 ¸ 3x + 2 (R : 10) . = lim √ x→+∞ x2 + x + x2 + 1 ∞ Dividindo ambos os termos da fracção por x. (3) x→−1 x + 1 x3 − 6x2 + 11x − 6 x→1 x3 + x2 − 5x + 3 x lim (R : 0) . x→2 x3 − 3x2 + 4 3 x3 + 1 lim (R : 3) . 113 Resolução.

x→+∞ x + 9 ∙ ¸ x (x + 3) (R : 1) . x3 + 5x (R : − ∞) . (11) (12) x→−3 (13) (14) (15) (16) 2x2 + 5x (17) x→−∞ x2 + 3x + 2 lim (18) lim 1 (R : 10) . − lim x→0+ x x2 µ ¶ 1 1 − lim (R : − ∞) . ∙ lim − (x + 3) 5 9 + x2 + 6x ¸ (R : − ∞) . GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. x→1 x + 2 3 2 xµ− 1 ¶ 1 1 (R : − ∞) . Função contínua e função descontínua num ponto. 13.1. (25) lim (23) x→−∞ 13. (20) lim x→+∞ x2 + 1 µ ¶ µ ¶ x2 1 1 (21) lim R: . lim x x→0 2x + 1 x2 x µ ¶ 2 1−x lim R: − . . x→−∞ 7x2 − 3 x2 (19) lim 3 (R : 0) . h e m reais de variável real definidas pelos seus gráficos. Considerem-se as funções f . x→−2+ 4 − x2 x + 2 3 + 7x lim (R : − 7) . Continuidade de funções reais de variável real. (24) lim x→+∞ ¡√ ¢ 1−x+x (R : − ∞) . g.114 IV. lim (x4 − 3x + 1) (R : + ∞) . x→+∞ 2 − x (R : 2) . x→−∞ 3x2 + 1 x 3 (22) x→−∞ x→−∞ lim (x3 − x) (R : − ∞) . ¡√ √ ¢ x+3− x (R : 0) .

A função h não é contínua no ponto x = 2. CONTINUIDADE DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. 115 Intuitivamente podemos afirmar que a função f é a única que é contínua em todos os pontos do seu domínio pois é a única cujo gráfico se pode desenhar sem levantar o lápis do papel. de modo que o seu gráfico fosse uma parábola completa. Observe-se que x→2 lim h(x) = 1 mas h(2) = 0. A função g não é contínua no ponto no ponto x = 0. Tem-se: x→0+ lim g(x) = 1 e lim g(x) = 2 = g(0). De facto não existe lim m(x) uma vez que os limites laterais são diferentes e além disso diferem x→1 ambos de m(1) que é igual a −2. daí a descontinuidade no ponto x = 2. − x→0 Diremos que g é contínua à esquerda em x = 0 pois se restringíssemos o domínio de g a ]−∞. . 0] . a função obtida seria contínua em x = 0. ela seria contínua se a imagem do ponto 2 fosse 1. nem à esquerda nem à direita.13. A função m não é contínua em x = 1.

esquerda ) de a se e só se x→a+ lim f (x) = f (a) ( resp. lim f (x) = f (a)). Diz-se que f é contínua no ponto a se e só se existe lim f (x) e x→a x→a lim f (x) = f (a). f (x) = ⎩ x2 se x < 1 Resolução: f é contínua em x = 1 se e só se existir lim f (x) e lim f (x) = f (1). Diz-se que f é contínua à direita ( resp. Observação: Como lim f (x) = f (1). + x→1 . Definição 13. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.1. x→1 x→1− x→1− Como os limites laterais são diferentes. diremos que f é descontinua x→a em x = a. Caso não exista lim f (x) ou este seja diferente de f (a). Seja a um ponto de acumulação do domínio de uma função real de variável real f . Tem-se: x→1+ lim f (x) = lim f (x) = x→1+ lim (x + 1) = 2 lim x2 = 1. Como x→1 x→1 à direita e à esquerda de 1 a função está definida por expressões diferentes. x→a Considere os seguintes casos: • Averiguar se a função f é contínua no ponto x = 1. não existe lim f (x) e consequentemente f não é contínua em x = 1. vamos determinar os limites laterais. f é contínua à direita em x = 1. sendo ⎧ ⎨ x + 1 se x > 1 .116 IV. − x→a Nota: Não faz qualquer sentido falar em continuidade ou em descontinuidade de uma função f num ponto a que não pertença ao domínio ( não existiria f (a)) ou num ponto isolado do domínio (não faria sentido falar em lim f (x)).

Resolução. CONTINUIDADE DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. x→−2− x→−2− Assim lim g(x) = 3. Tem-se: x→0+ lim h(x) = lim h(x) = x→0+ lim (x3 − 5x + 2) = 2 lim (x + 2) = 2. . x→0− x→0− Como h(0) = 2 resulta que lim h(x) = h(0) e a função h é contínua em x = 0. ⎩ x+2 se x < 0 Vamos estudar a continuidade de h no ponto x = 0. Resolva cada um dos seguintes exercícios: (1) Observe os seguintes gráficos e complete. Tem-se: x→−2+ lim g(x) = lim g(x) = x→−2+ lim (x2 − 1) = 3 lim (x + 5) = 3. Resolução. pelo que lim g(x) 6= g(−2) e x→−2 x→−2 a função g não é contínua no ponto x = −2. Por outro lado.1. por ⎧ ⎨ x3 − 5x + 2 se x > 0 h(x) = . g(−2) = 1. Vamos estudar a continuidade de g no ponto x = −2. x→0 Exercício 13. 117 • Seja g a função definida por ⎧ ⎪ x2 − 1 se x > −2 ⎪ ⎪ ⎨ 1 ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ x+5 se x < −2 g(x) = se x = −2 . • Seja h a função definida em R.13.

....... x→1 • f não é .. • f é contínua no ponto. .. (1) (a) • lim f (x) = . • f não é .. ⎪ − =⇒ não existe lim f (x)..118 IV.. ⎪ + ⎭ lim f (x) = .. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.. (b) • x→1 x→1 ⎫ ⎬ lim f (x) = ... x→2 • f (2) = .. x→1 • f (1) = ............. (c) • lim f (x) = . no ponto x = 1.

13. definida ⎧ ⎨ x + |x| se x 6= 0 x . (b) Averigue se é contínua no ponto x = 3. por: ⎧ ⎪ x2 − 3x + 1 se x > 0 ⎪ ⎪ ⎨ 2 ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ x+1 se x < 0 t(x) = se x = 0 . 119 (2) Considere a função real. m(x) = ⎩ 1 − 3x se x < 3 Estude a continuidade em x = 3. de variável real. (a) Escreva a expressão designatória da função sem utilizar o símbolo de módulo. (5) Considere a função real. por: (6) Prove que é contínua à esquerda de 0 a função real. m(x) = ⎩ 0 se x = 0 . em R. de variável real. em que g(x) = |x − 3| + x. de variável real. (3) Seja t a função definida. Averigue se é contínua em x = 0. m definida por: ⎧ ⎨ x2 + 1 se x > 3 . ⎩ 0 se x = −1 ⎧ ⎨ Mostre que t não é contínua para x = −1. CONTINUIDADE DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. de variável real. t definida por: x se x 6= −1 |x + 1| t(x) = . (4) Seja g uma função real.

13. Propriedade 13. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. são contínuas no ponto a. ¤ o que prova que f + g é contínua no ponto a. Sejam f e g funções contínuas num ponto a pertencente a Df ∩ Dg e ponto de acumulação de Df ∩ Dg . Propriedades das funções contínuas num ponto. deixando os outros como exercício.2. . x→a x→a f − g. • Uma função f diz-se contínua em [a.1. Continuidade num intervalo.2. • Uma função f diz-se contínua se e só se for contínua em todos os pontos do seu domínio. As demonstrações resultam imediatamente das propriedades dos limites e da definição de continuidade. x→a Assim: x→a lim (f + g) (x) = (f + g) (a) . Se p ∈ N e f é uma função contínua no ponto a. 13.g e f g (g (a) 6= 0) . Vejamos apenas o caso f + g. Então: f + g. b[. • Uma função f diz-se contínua em ]a.2. b] se for contínua em ]a. b[ se for contínua em todos os pontos desse intervalo. f. Propriedade 13. Demonstração. à direita de a e à esquerda de b.2. Sendo f e g contínuas em a tem-se: lim (f + g) (x) = lim f (x) + lim g(x) = f (a) + g(a) = (f + g) (a) . também são contínuas em a as funções √ f p e p f (excepto se p par e f (x) < 0) .3.120 IV.

Verifica-se que f é a soma de produtos de funções contínuas. para ∀x ∈ Df .. 121 Exemplo 13. Seja: f (x) = a0 xn + a1 xn−1 + .. Considere os seguintes exemplos: (1) Uma função constante é contínua. x→a lim f (x) = f (a) = k. (2) A função identidade é contínua. Exemplo 13. CONTINUIDADE DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. ∀a ∈ IR. definida por: ⎧ ⎪ x2 − 1 se x > 2 ⎪ ⎪ ⎨ f (x) = 3 ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ 7 se x = 2 . sendo estas f (x) = x e g(x) = x. (3) A função definida por y = x2 é contínua pois é o produto de duas funções contínuas.13. se x < 2 . Estude a continuidade da função f real.1. (4) Uma função polinomial f é contínua. de variável real.2. (5) Uma função racional ( quociente de funções polinomiais ) é contínua no seu domínio. De facto se f (x) = k (k constante) . + an . Se f (x) = x. vem x→a lim f (x) = f (a).

(2) Qual deve ser o valor de k de modo que a função g seja contínua à direita de 2? . 2[ . e x→2− x→2 lim f (x) = x→2− não existe lim f (x) e consequentemente f não é contínua em x = 2. Para x > 2 a função é definida por um polinómio. +∞[ . o que significa que a função é sempre descontínua no ponto x = 2. ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ −x + 3 se x > 2 (1) Mostrar que para qualquer valor de k a função tem um ponto de descontinuidade. A função é contínua em ]−∞. Resolução.122 IV. Assim. pelo que não existe lim g(x). qualquer que seja k. 2[ e ]2. +∞[ por ser representada por polinómios. tem-se: x→2+ lim g(x) = x→2+ lim (−x + 3) = 1 e x→2− lim g(x) = x→2 x→2− lim (2x2 ) = 8. Então f é contínua em R\ {2} .3. Como: x→2+ lim f (x) = x→2+ lim (x2 − 1) = 3 lim 7 = 7. Como para x < 2 f é constante. de variável real: ⎧ ⎪ 2x2 ⎪ se x < 2 ⎪ ⎨ g(x) = k se x = 2 . GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. então f é contínua no intervalo ]2. Para cada número real k a expressão seguinte representa uma função real. o valor do limite não existe independentemente do valor de k. Resolução. Exemplo 13. Em x = 2. Resta estudar a continuidade de f no ponto x = 2. é contínua no intervalo ]−∞.

Nota: Pelo resultado anterior. A função será contínua à direita de 2 se lim g(x) = g(2). 8} . + x→2 (3) Indique os valores de k de modo que a função seja descontinua à esquerda e à direita no ponto x = 2 (descontinuidade bilateral). Seja f uma função contínua num ponto a do seu domínio e g uma função contínua em b = f (a) então gof é contínua em a. Teorema 13. 13. ou seja k = 1.13. temos que ter: k 6= 1 (descontinuidade à direita) e k 6= 8 (descontinuidade à esquerda) . Logo k ∈ R\ {1. x→a sinal da função g. ou seja x→a lim g [f (x)] = g [f (a)] . .4. são permutáveis o sinal lim e o x→a h i lim g [f (x)] = g lim f (x) . Continuidade da função composta. Resolução. ou ainda x→a Quer dizer. 123 Resolução. CONTINUIDADE DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. x→a lim (gof ) (x) = (gof ) (a) . nas condições referidas. Para termos uma descontinuidade bilateral.1.

.

Chama-se função exponencial de base a à função real de variável real.1. x2 ∈ R (função estritamente crescente) • é contínua em todo o seu domínio.1. ∀ x1 . Assim. x2 ∈ R. • x = 0 =⇒ ax = 1. • o gráfico da função quando a > 1 é: 125 . a ∈ R+ \{1}. x→+∞ x→−∞ • x1 < x2 ⇐⇒ ax1 < ax2 .1. ∀ x1 . • x < 0 =⇒ ax < 1. a função exponencial é injectiva. 1. Função exponencial e função logarítmica 1. • O seu domínio é R. Função exponencial. • lim ax = +∞. Estudo da variação da função exponencial (1) a > 1 • x > 0 =⇒ ax > 1. lim ax = 0. • ax1 = ax2 =⇒ x1 = x2 .1. Propriedades 1. expa : R → R+ x 7→ y = ax . Definição 1. • O seu contradomínio é R+ .CAPÍTULO V Funções transcendentes.

• x < 0 =⇒ ax > 1.126 V. y 15 10 5 -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 x 5 (2) a < 1 • x > 0 =⇒ ax < 1. • x = 0 =⇒ ax = 1. • lim ax = 0. • o gráfico da função quando 0 < a < 1 é: y 30 20 10 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 x 5 Exemplo 1. x2 ∈ R (função estritamente decrescente) • é contínua em todo o seu domínio. em R. . o conjunto solução de cada uma das seguintes condições: (1) x2 × 3−x − 2 × 3−x = 0. x→+∞ x→−∞ • x1 < x2 ⇐⇒ ax1 > ax2 . ∀ x1 . lim ax = +∞.1. Determine. FUNÇÕES TRANSCENDENTES.

Resolução: (0. FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 127 Resolução: x2 × 3−x − 2 × 3−x = ¢ ¡ 0 ⇐⇒ 3−x x2 − 2 = 0 ⇐⇒ ⇐⇒ 3−x = 0 ∨ x2 − 2 = 0 ⇐⇒ x2 − 2 = 0 ⇐⇒ √ √ ⇐⇒ x = − 2 ∨ x = 2. . 2 8 2 2 Atendendo a que a função exponencial de base menor que a unidade é decrescente. é impossível). 2 (2) (0. 3−x = 0. O conjunto solução é [0. O conjunto solução é ]−∞.01 ⇐⇒ 10x > 10−2 . isto é. (como a função exponencial não tem zeros. Atendendo a que a função exponencial de base maior que a unidade é crescente. 6] . (3) 10x 2 −3x > 0.1. 1[ ∪ ]2. 6] . +∞[ . vem: x2 − 3x > −2 ⇐⇒ x2 − 3x + 2 > 0 ⇐⇒ x ∈ ]−∞. 2 . O conjunto solução é n √ √ o − 2. 2 −3x 2 −3x Resolução: 10x > 0. a primeira equação. 5)x > (0. 125)2x . 1[ ∪ ]2. +∞[ . 125) 2x µ ¶x2 µ ¶2x µ ¶x2 µ ¶6x 1 1 1 1 ⇐⇒ > ⇐⇒ > . vem: x2 ≤ 6x ⇐⇒ x2 − 6x ≤ 0 ⇐⇒ x (x − 6) ≤ 0 ⇐⇒ x ∈ [0. 5) x2 > (0. 01.

(b) g(x) > 15.3. . definidas por: µ ¶x−4 1 2x+x2 g (x) = 4 − 1 e m (x) = + 2.2. Considere as funções g e m. Exercício 1. (2) [0. Soluções (1) D = R e D0 =] − ∞. Considere a função real. o conjunto solução das inequações: (1) 5x−1 > 55−4x . 9]. de variável real. (b) f (x) > 0.1. (b) ]2. 1[.5x ≥ ( )3x .128 V. 3 (1) Indique o domínio e o contradomínio de cada uma delas. Determine. +∞[. (3) Determine os valores de x tais que: (a) g(x) = g(1). FUNÇÕES TRANSCENDENTES. Exercício 1. (a) x = 2 . (2) Calcule os zeros de g e os de m. (1) Determine o domínio e o contradomínio da função. em R. 1 2 (2) 0. Exercício 1. (2) Resolva cada uma das condições: (a) f (x) = f (2). +∞[. definida por: f (x) = 1 − 72−x . reais de variável real. 8 Soluções: (1) ]6/5.

+∞[ .1. tem-se a função exponencial de base e (exp x) f (x) = ex .2. Dm = ]2. ∙ ∙ 3 0 (1) Dg = R . +∞ . 0 Dg Soluções (a) x = −3 ∨ x = 1.4. Função logarítmica. (c) x ∈ [−1. dá-se a definição de logaritmo de um número. Definição 1. A função exponencial de base e (número de Neper). 0}. p ∈ R . 1. = − .1. com a > 1 e ainda. −1 − 3 ∪ −1 + 3. Antes de apresentar a função logarítmica.1. (3) lim u−→0 u (2) lim − 1. positiva e diferente de um. Logaritmo de um número positivo x na base a.2. seguida das propriedades operatórias dos logaritmos. Como caso particular das funções exponenciais. Calcule cada um dos seguintes limites: µ ¶ 5 5x . ex − 1 =1 x→0 x ex lim p = +∞. Dm = R. +∞ . 4 (2) g : {−2. √ £ ¤ √ ¤ £ (b) x ∈ −∞. x→+∞ x lim Exercício 1. é o número . x→0 x2 ln (1 + u) (1) . Note-se que esta função tem todas as propriedades da função f (x) = ax . FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 129 (c) m(2x + 1) ≤ m(x). (1) lim 3x x−→0 e −1 3 ex+1 − e (+∞). +∞[ . m não tem zeros.

Sendo a função exponencial uma função injectiva. Chama-se função logarítmica à sua inversa. • O seu contradomínio é R.y) = loga x + loga y.1. Definição 1. a que se deve elevar a base para obter x. logb a. Desta equivalência resulta que x = aloga e que. admite inversa.2. 7→ y = loga x ⇐⇒ x = ay . ∀ p ∈ R. em homenagem ao matemático inglês Neper. FUNÇÕES TRANSCENDENTES. a ∈ R + \{1}. Propriedades 1. • O seu domínio é R+ . • Tem um zero para x = 1.2. loga x = y ⇐⇒ x = ay . loga ay = y.2. . y → R x Propriedades 1. Podemos agora introduzir o conceito de função logarítmica. √ 1 • loga n x = n loga x. • loga xp = p loga x. loga : R + x • loga ( x ) = loga x − loga y. pois loga x = 0 ⇐⇒ x = a0 ⇐⇒ x = 1. • logb x = loga x.130 V. Quando a base é e omite-se o e e escreve-se ln x. Sendo x e y números positivos e a e b números positivos diferentes de 1. ∀ n ∈ N (Caso particular da propriedade anterior).3. A estes logaritmos chamam-se neperianos. tem-se: • loga (x.

• lim loga x = +∞. • x = 1 =⇒ loga x = 0. ∀ x1 . decrescente). a função logarítmica é injectiva. FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 131 • loga x1 = loga x2 =⇒ x1 = x. Assim. + x→+∞ x→0 • x1 < x2 =⇒ loga x1 > loga x2 . • lim loga x = −∞. lim loga x = −∞. x2 ∈ R+ (função estritamente • é contínua em todo o seu domínio. . lim loga x = +∞. • o gráfico da função quando a > 1 é: y 2 1 -2 -1 -1 -2 1 2 3 4 x 5 (2) a < 1 • x > 1 =⇒ loga x < 0. • x < 1 =⇒ loga x > 0. Estudo da variação da função logarítmica (1) a > 1 • x > 1 =⇒ loga x > 0. crescente). • x = 1 =⇒ loga x = 0. x2 ∈ R+ . • x < 1 =⇒ loga x < 0. + x→+∞ x→0 • x1 < x2 =⇒ loga x1 < loga x2 .1. ∀x1 . ∀ x1 . x2 ∈ R+ (função estritamente • é contínua em todo o seu domínio.

Resolução: f (x) f (0) ⇐⇒ 5 − log3 (2 + 3x) = 5 − log3 2 ⇐⇒ 2 + 3x = log3 1 ⇐⇒ ⇐⇒ log3 (2 + 3x) − log3 2 = 0 ⇐⇒ log3 2 2 + 3x = 1 ⇐⇒ x = 0. ⇐⇒ 2 = . definida por: f (x) = 5 − log3 (2 + 3x) . obtém-se a função logaritmo natural que se representa por ln . Resolução: ∙ ¸ 2 Df = {x ∈ R : 2 + 3x > 0} = − . +∞ 3 0 Df = R.132 V. Exemplo 1. • o gráfico da função quando é 0 < a < 1 é y 4 2 -2 -1 1 2 3 4 x 5 -2 Observação: No caso de a = e. o conjunto-solução de cada uma das condições: f (x) = f (0) e f (x) > 6. (a) Determinar o domínio e o contradomínio de f . Considere os seguintes exercícios: (1) Seja f a função real. FUNÇÕES TRANSCENDENTES. (b) Definir. de variável real.2. em R.

+∞ 2 0 Dy = R.− . 2 2 = 3+ 1 log7 (2x − 1) . tendo-se: ∙ ¸ 1 −1 . portanto: 2 + 3x < 1 5 ∧ x ∈ Df ⇐⇒ x < − x ∈ Df . o contradomínio e definir a função inversa da função definida por: y =3+ Resolução: ∙ 1 Dy = {x ∈ R : 2x − 1 > 0} = . 3 9 (2) Calcular o domínio. +∞ y : R→ 2 1 1 + × 72x−6 . então o conjunto solução da condição é {0} f (x) > 6 ⇐⇒ 5 − log3 (2 + 3x) > 6 ⇐⇒ − log3 (2 + 3x) > 1 ⇐⇒ 1 ⇐⇒ log3 (2 + 3x) < −1 ⇐⇒ log3 (2 + 3x) < log3 . ¸ Vamos agora determinar a expressão que define a inversa. x 7−→ 2 2 .1. 2 O conjunto solução é Podemos agora definir a inversa. 3 Como a base é maior que a unidade. FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 133 Atendendo a que 0 ∈ Df . 3 9 ¸ ∙ 2 5 − . Tem-se: y 1 1 log7 (2x − 1) ⇐⇒ y − 3 = log7 (2x − 1) ⇐⇒ 2 2 ⇐⇒ 2 (y − 3) = log7 (2x − 1) ⇐⇒ 2x − 1 = 72y−6 ⇐⇒ 1 1 ⇐⇒ x = + × 72y−6 . a função logarítmica é crescente e.

Considere a função real. Caracterize a função inversa de cada uma das seguintes f. de variável real. Determine: (1) O seu domínio. Soluções: (1) y −1 : ]1. µ ¶ 2−e (3) f . 1 [ 3 x 7−→ (3) y −1 : R → ] − 5.r.: (1) t(x) = 1 + 3x−1 .5. +∞[→ R x 7−→ 1 + log3 (x − 1) : (2) y −1 : R → ] − ∞. Exercício 1. (2) Uma expressão designatória da sua inversa. Exercício 1. ¤ £ (1) Df = −∞. 3 2 − ex−1 −1 . definida por: f (x) = 1 + ln(2 − 3x). FUNÇÕES TRANSCENDENTES.134 V. +∞[ 1 3 − 1 ( 1 )x : 3 2 x 7−→ −5 + 105−x . (2) f (x) = 3 (3) 2. (2) s(x) = log 1 (1 − 3x). 3 Soluções.v. 2 .6.r. 2 (3) p(x) = 5 − log10 (x + 5). .

2 7 . sabendo que: ln E = √ Solução: E = e. 1 ln x + 2lny + 1. Determine E. ln 7}. Soluções. (1) ]e−1 . (2) ex + 7e−x = 8. (2) {0.1. Exercício 1. x. Determine o conjunto solução das condições: (1) 4(ln x)2 − 3 ln x − 7 < 0. FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 135 Exercício 1. e 4 [.y 2 .7.8.

.

α Assim. podemos recorrer a qualquer triângulo rectângulo que tenha esse ângulo α. Razões trigonométricas de ângulos agudos Para determinar as razões trigonométricas de um determinado ângulo agudo α.CAPÍTULO VI Trigonometria 1. de um modo geral: sin α = medida do cateto oposto a α medida da hipotenusa medida do cateto adjacente a α medida da hipotenusa medida do cateto oposto a α medida do cateto adjacente a α medida do cateto adjacente a α . medida do cateto oposto a α 137 cos α = tan α = cot α = . pois todos os triângulos rectângulos com um ângulo agudo de amplitude α são semelhantes.

TRIGONOMETRIA 1.1. a fórmula fundamental da trigonometria: sin2 α + cos2 α = 1.138 VI. . de um modo mais simplificado. Consideremos o seguinte triângulo [ABC] . Então. logo logo a = c sin α b = c cos α. (c sin α)2 + (c cos α)2 = c2 ⇔ c2 (sin α)2 + c2 (cos α)2 = c2 . podemos escrever. Assim. B c a α C b A Temos que: a c b cos α = c sin α = Pelo Teorema de Pitágoras: a2 + b2 = c2 . Fórmula fundamental da trigonometria. qualquer que seja o ângulo agudo α. Dividindo ambos os membros da igualdade anterior por c2 obtemos: (sin α)2 + (cos α)2 = 1. rectângulo em C.

Partindo das definições das razões trigonométricas de um ângulo agudo α.1. 7 6 1 .2. Determine sin2 α. sin2 α sabendo que Solução: . 1 + cos α sin α sin α 3 25 1 = ⇔ sin2 α = .1. Sendo α um ângulo agudo e tan α = Exercício 1. mostre que: sin α 1 + cos α 2 + = . 2 3 28 sin α √ 5. sin2 α Exemplo 1. deduzem-se as seguintes fórmulas: sin2 α + cos2 α = 1 ⇔ 1 + tan2 α = 1 cos2 α 1 sin2 α + cos2 α = 1 ⇔ 1 + cot2 α = . tan α = 5 Resolução. Tendo em conta a fórmula: 1 + cot2 α = vem 1+ Exercício 1.1. cot α = = a = a sin α c Partindo da fórmula fundamental da trigonometria. Relação entre o seno. Sendo α um ângulo agudo. calcule sin2 α + 2 cos2 α. a tangente e co-tangente de um mesmo ângulo. RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS DE ÂNGULOS AGUDOS 139 1. o co-seno.2. √ 3 . deduzem-se as seguintes fórmulas: a a sin α tan α = = c = b b cos α c b cos α b c .

.140 VI. Consideremos as semi-rectas OA e OB. TRIGONOMETRIA 2. Quando representamos um sistema de eixos ortogonais e monométricos ficamos com o plano dividido em quatro quadrantes. Ângulos orientados. Ângulo num referêncial.1.2. • • O A B 2. Representa-se um ângulo num referêncial quando de coloca: • o vértice na origem das coordenadas. obtém-se o ângulo positivo AOB. Ângulo orientado. Medidas de ângulos 2. • o lado de origem do ângulo a coincidir com o semi-eixo positivo dos xx. • • B O A Se a semi-recta OA fica fixa (lado de origem) e a semi-recta OB (lado de extremidade) vai rodar em torno da origem no sentido dos ponteiros do relógio obtém-se o ângulo negativo AOB. O A B • • Se a semi-recta OA ficar fixa (lado de origem) e a semi-recta OB (lado de extremidade) rodar em torno da origem no sentido contrário aos ponteiros do relógio.

Diz-se que β é um ângulo do 3.2.o quadrante.o quadrante. • O ângulo β tem o lado de extremidade no 3. ÂNGULOS ORIENTADOS. Diz-se que α é um ângulo do 2.o quadrante.o quadrante. . MEDIDAS DE ÂNGULOS 141 2º quadrante y 1º quadrante C + A x 3º quadrante 4º quadrante Consideremos a seguinte figura: y α x β • O ângulo α tem o lado de extremidade no 2.

4. TRIGONOMETRIA 2. α − 360o . y B • α O A x Imaginemos agora que a semi-recta OB vai dar voltas completas em ambos os sentidos. Na figura seguinte representou-se um arco AB cujo comprimento é igual ao raio da circunferência. · · · têm o mesmo lado de origem e o mesmo lado de extremidade. α + 360o . • Chama-se um radiano à amplitude de um ângulo ao centro cujo arco correspondente tem comprimento igual ao raio da circunferência. O radiano. k ∈ Z são também amplitudes de ângulos que têm o mesmo lado de origem e o mesmo lado de extremidade. α + 2 × 360o .142 VI. 2. então α + k × 360o . α − 2 × 360o . De um modo geral. .3. Generalização da noção de ângulo. Consideremos a seguinte figura onde a semi-recta OB descreve o ângulo α. temos que se α é uma das amplitudes de um ângulo orientado. Os ângulos: α.

Sistema sexagesimal e sistema circular. Exemplo 2. rad a 135o e 1 rad a 57o . 28 vezes. Tendo em conta que π = 3. 10 4 z ' 57 . uma circunferência contém o seu raio 6. y = 135 π –– 180 1 –– z π 3π rad correspondem a 18o . 2. O sistema sexagesimal já se usa desde a antiguidade.1. rad e 1 rad.2. 150o e −30o . é igual a 2πr. 3π π rad. 150. MEDIDAS DE ÂNGULOS 143 Como o perímetro de uma circunferência. Reduza a radianos os ângulos 45o .π π ⇔x= 180 4 180 –– π 150 –– y 180 –– π −30 –– z • Um grau corresponde 60 minutos (1o = 600 ) .2. Resolução: 180 –– π 45 –– x 45.π 5π −30. de raio r. Reduza a graus 10 4 Resolução: π –– 180 π –– 180 3π π –– x –– y 10 4 x = 18 Assim. • Um minuto corresponde a 60 segundos (10 = 6000 ) . Neste sistema a unidade fundamental é o grau.5. é 2π. 45o correspondem a rad. 4 6 6 x= y= Exemplo 2. do comprimento da circunferência. Assim.π π ⇔y= z= ⇔z=− 180 6 180 6 π 5π π Assim. uma circunferência contém o seu raio 2π vezes. No sistema circular a medida fundamental é o radiano (rad). 14 · · · . a medida em radianos. ÂNGULOS ORIENTADOS. 150o a rad e −30o a − rad. Neste sistema temos: • Um ângulo giro corresponde a 360o .

TRIGONOMETRIA Exercício 2. Exprima no sistema sexagesimal: (1) − (2) π rad 3 (−60o ) 2π rad 3 5π rad 3 11π rad 12 (120o ) (3) (300o ) (4) (165o ) .1.2.144 VI. 3. Definições. Generalização das razões trigonométricas 3.1. y) e a circunferência de raio r e centro O no ponto . Na figura seguinte o lado de extremidade do ângulo α intersecta a circunferência de raio 1 e centro O no ponto P → (x. Reduza a radianos cada uma das seguintes amplitudes: ´ ³π (1) 60o rad 3 (2) 90 o ³π 2 ´ rad (3) 180o (4) 270 o ( π rad) µ µ ¶ 3π rad 2 ¶ 7π rad 6 µ ¶ 7π − rad . 4 (5) 210 o (6) −315o Exercício 2.

2. b) . Temos: sin α = b y = =y r 1 a x = =x r 1 b y = a x a x = . Linhas trigonométricas. GENERALIZAÇÃO DAS RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS 145 P1 → (a. Na figura seguinte representamos um ângulo α do 1.o quadrante que intersecta uma . b y cos α = tan α = cot α = Como o valor das razões trigonométricas não depedende do raio da circunferência vamos usar sempre o círculo de raio 1 e centro na origem a que se chama círculo trigonométrico. 3.3.

Assim: −1 ≤ sin α ≤ 1.3. pode tomar qualquer valor entre −1 e 1. TRIGONOMETRIA circunferência de raio 1 e centro O no ponto P → (x. • Temos ainda a linha das tangentes e a linha das co-tangentes assinaladas na figura. pode tomar qualquer valor entre −1 e 1. Da mesma forma verificamos que o co-seno de ângulo α. Assim: −1 ≤ cos α ≤ 1. • Ao eixo dos xx é usual chamar eixo dos co-senos (cos α = x) .146 VI. 3. sendo a ordenada do ponto P associado ao ângulo α do círculo trigonométrico. • Ao eixo dos yy é usual chamar eixo dos senos (sin α = y) . Enquadramento das razões trigonométricas. Facilmente verificamos que o seno do ângulo α. y) . A tangente e a co-tangente de um ângulo α podem ser um número real qualquer. . sendo a abcissa do ponto P associado ao ângulo α do círculo trigonométrico.

Determine as razões trigonométricas de: . GENERALIZAÇÃO DAS RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS 147 3. 3. 90o . Razões trigonométricas de Exercício 3. Sinal das razões trigonométricas. 6 4 3 π π π O cálculo das razões trigonométricas de .4.5. 80o e 270o . e .3. Tendo em conta os conhecimentos anteriormente adquiridos podemos construir o seguinte quadro: α 0o (0) ³π ´ 90o 2 o 180 (π) µ ¶ 3π o 270 2 sin α cos α tan α cot α 0 1 0 −1 1 0 −1 0 0 − 0 − − 0 − 0 π π π .1. e . 3. fica como exercício ao cuidado dos 6 4 3 alunos.6. O sinal das razões trigonométricas depende somente do sinal das coordenadas do ponto P associado ao ângulo α do círculo trigonométrico. Razões trigonométricas de 0o .

1. Não é necessária mais informação pois para qualquer 2 ângulo no 2.o quadrantes existe um ângulo no 1.148 VI. cot = 1 4 2 4 2 4 4 √ √ π π 1 π √ π 3 3 Solução: sin = . cos = . 3. Temos: sin 120o = sin (180o − 60o ) = sin 60o cos 120o = cos (180o − 60o ) = − cos 60o . tan = . tan = 3.o ou 4. cot = 3 2 3 2 3 3 3 4.o quadrante. temos: sin (180o − α) = sin α tan (180o − α) = tan α cos (180o − α) = − cos α cot (180o − α) = − cot α.o quadrante. cot = 3 6 2 6 2√ 6 3 6 √ 2 2 π π π π Solução: sin = . TRIGONOMETRIA π (1) 6 π (2) 4 π (3) 3 √ √ 3 3 π 1 π π π √ Solução: sin = . Redução ao 1. cos = . . cos = . 4. tan = 1.o quadrante Nas tabelas trigonométricas apenas encontramos os valores das razões trigonométrih πi cas de ângulos do intervalo 0. Vamos reduzir ao 1. Ângulos do 2.o quadrante sin 120o e cos 120o . . De um modo geral.o quadrante que tem em valor absoluto as mesmas razões trigonométricas.

Temos: sin 330o = sin (360o − 30o ) = − sin 30o cos 330o = cos (360o − 30o ) = cos 30o .o quadrante. Vamos reduzir ao 1. De um modo geral. REDUÇÃO AO 1. Vamos reduzir ao 1. Ângulos do 3. 4. . temos: sin (180o + α) = − sin α tan (180o + α) = tan α cos (180o + α) = − cos α cot (180o + α) = cot α.o quadrante sin 330o e cos 330o .4.o quadrante sin 210o e cos 210o .o quadrante. Temos: sin 210o = sin (180o + 30o ) = − sin 30o cos 210o = cos (180o + 30o ) = − cos 30o .o QUADRANTE 149 4.3.2. Ângulos do 4.

. Ângulos complementares.1. podemos determinar as razões trigonométricas do seu complementar (figura ao cuidado dos alunos) . 4.150 VI. O ângulo de amplitude 60o é complementar do ângulo de amplitude 30o . Conhecidas as razões trigonométricas de um ângulo α. TRIGONOMETRIA De um modo geral. Temos: sin (3π − α) = sin (π − α) = sin α cos (α − 7π) = cos (π + α) = − cos α tan (4π − α) = tan (2π − α) = − tan α. Resolução. cos (360o − α) = cos α cot (360o − α) = − cot α. Logo. temos: sin (360o − α) = − sin α tan (360o − α) = − tan α Exemplo 4.4. Assim. sin (3π − α) + cos (α − 7π) + tan (4π − α) = sin α − cos α − tan α. o ângulo de amplitude α é complementar do ângulo de amplitude 90o − α. Simplifique a expressão sin (3π − α) + cos (α − 7π) + tan (4π − α) .

sin −β − 2 2 13 5. ³ π ´ Sabendo que cot − − β = 5 e que β ∈ ]0.2. há duas soluções em [0. mostre que: 2 √ µ ¶ ³ 26 + 65 5π π´ + cos (π + β) − cot −β =− . 1[ . 270o − α. As figuras em cada um dos casos fica ao cuidado dos alunos. k ∈ Z.1. temos: sin (90o − α) = cos α tan (90o − α) = cot α 270o + α. . 4. mostre que: 2 2 2 tan (π − α) − sin (α − 9π) + cos 2 2 3 ³π ´ 3 − 2√3 −α = .5. µ ¶ √ π 3π 3π Sabendo que < α < e tan − α = 2. De um modo geral. É ainda possível estabelecer as relações entre as razões trigonométricas de outros ângulos. se uma delas for α.. EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 151 De um modo geral. Equações do tipo sin x = p. 2π] e. • Quando p ∈ ]−1. Relação entre as razões trigonométricas de α com 90o + α. temos: sin x = sin α ⇔ x = α + 2kπ ∨ x = π − α + 2kπ. π[ . temos: α e 90o + α sin (90o + α) = cos α cos (90o + α) = − sin α α e 270o − α α e 270o + α sin (270o − α) = − cos α sin (270o + α) = − cos α cos (270o − α) = − sin α cos (270o + α) = sin α tan (270o + α) = − cot α tan (90o + α) = − cot α tan (270o − α) = cot α cot (90o + α) = − tan α cot (270o − α) = tan α cot (270o + α) = − tan α Exercício 4.1. Equações trigonométricas 5. cos (90o − α) = sin α cot (90o − α) = tan α.5. 2 18 Exercício 4.

k ∈ Z 4 4 π 2 5π 2 ⇔ x = − + kπ ∨ x = + kπ. k ∈ Z 3 6 3 6 π π ⇔ x = − + kπ ∨ x = + kπ. 0. . 12 4 n o π π S = x ∈ R : x = − + kπ ∨ x = + kπ. k ∈ Z 2 π sin x = 1 ⇔ x = + 2kπ. Exemplo 5.152 VI. Resolva em R a equação Resolução: √ 2 + 2 sin (3x) = 0 √ 2 ⇔ sin (3x) = − 2 π π ⇔ 3x = − + 2kπ ∨ 3x = π + + 2kπ. k ∈ Z . k ∈ Z. 12 4 Exemplo 5. TRIGONOMETRIA • Nos casos de p ∈ {−1. • Se p ∈ R \ [−1. k ∈ Z.1. ³ π´ 1 Resolva em R a equação sin 2x + = . a equação é impossível. 12 3 12 3 ¾ ½ 2 5π 2 π + kπ. k ∈ Z .2. k ∈ Z. k ∈ Z 2 sin x = 0 ⇔ x = kπ. 1]. 1} . as expressões gerais das soluções da equação podem tomar um aspecto mais simples: π sin x = −1 ⇔ x = − + 2kπ. S = x ∈ R : − + kπ ∨ x = 12 3 12 3 √ 2 + 2 sin (3x) = 0. 3 2 Resolução: ³ π´ 1 sin 2x + = 3 2 π π π π ⇔ 2x + = + 2kπ ∨ 2x + = π − + 2kπ.

k∈Z . 4 2 5. 1[ . S = x ∈ R : x = 0 ∨ x = + kπ. 2π] e. (4) sin2 x − 2 sin x = 0. k ∈ Z. Resolução: sin3 (2x) − sin (2x) = 0 ⇔ sin (2x) = 0 ∨ sin (2x) = −1 ∨ sin (2x) = 1 ⇔x= 3π π kπ ∨x= + kπ ∨ x = + kπ. 2 4 4 £ ¤ ⇔ sin (2x) sin2 (2x) − 1 = 0 ¾ ½ 3π π kπ ∨x= + kπ ∨ x = + kπ. Resolva em R a equação sin3 (2x) − sin (2x) = 0. k ∈ Z.1. S= x∈R:x= 2 4 4 Exercício 5. k∈Z . k∈Z . 6 3 ½ ¾ π kπ 2 (6) sin (2x) − 1 = 0. k ∈ Z . S= x∈R:x= 15 5 15 5 ½ ¾ √ π 3π (2) 2 − 2 sin x = 0. S = x ∈ R : x = + 2kπ ∨ x = + 2kπ. S= x∈R:x= + . 4 4 √ ½ ¾ 3 2π 4kπ 8π 4kπ 7x =− . k ∈ Z . + ∨x= + . (3) sin 2 2 21 7 21 7 S = {x ∈ R : x = kπ. temos: cos x = cos α ⇔ x = α + 2kπ ∨ x = −α + 2kπ. se uma delas for α. k ∈ Z . há duas soluções em [0. • Quando p ∈ ]−1. S= x∈R:x=− + ∨x= + . . Equações do tipo cos x = p.5.2. EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 153 Exemplo 5.3. Resolva em R as seguintes equações: ¾ ½ √ 2kπ 2π 2kπ π (1) 2 sin (5x) = 3. k ∈ Z} ¾ ½ π 2 (5) x sin (3x) = x.

154

VI. TRIGONOMETRIA

• Nos casos de p ∈ {−1, 0, 1} as expressões gerais das soluções da equação podem tomar um aspecto mais simples: cos x = −1 ⇔ x = π + 2kπ, k ∈ Z cos x = 1 ⇔ x = 2kπ, k ∈ Z π cos x = 0 ⇔ x = + kπ, k ∈ Z. 2 • Se p ∈ R \ [−1, 1] , a equação é impossível. √ 2 Resolva em R a equação cos (3x) = . 2 Resolução: √ 2 cos (3x) = 2 π π ⇔ 3x = + 2kπ ∨ 3x = − + 2kπ, k ∈ Z 4 4 2kπ π 2kπ π + ∨x=− + , k ∈ Z. ⇔x= 12 3 12 3 ½ ¾ π 2kπ π 2kπ S= x∈R:x= + ∨x=− + , k∈Z . 12 3 12 3 ³ π´ Resolva em R a equação cos (5x) = − cos x + . 6 Resolução: ³ π´ [− cos γ = cos (π − γ)] cos (5x) = − cos x + 6 ³ π´ ⇔ cos (5x) = cos π − x − 6 5π 5π ⇔ 5x = − x + 2kπ ∨ 5x = − + x + 2kπ, k ∈ Z 6 6 5π kπ 5π kπ + ∨x=− + , k ∈ Z. ⇔x= 36 3 24 2 ¾ ½ 5π kπ 5π kπ + ∨x=− + , k∈Z . S= x∈R:x= 36 3 24 2 Exercício 5.2. Resolva em R as seguintes equações: Exemplo 5.5. Exemplo 5.4.

5. EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

155

√ ³ n o 3 π´ π π (1) cos x + = ; S = x ∈ R : x = − + 2kπ ∨ x = − + 2kπ, k ∈ Z ; 3 √ 2 6 2 ½ ¾ 2 3π 2 3π 2 (2) cos (5x) = − ; S= x∈R:x= + kπ ∨ x = − + kπ, k ∈ Z ; 2 20 5 20 5 ½ ¾ ´ 1 ³ kπ π kπ π = ; S= x∈R:x= ∨x=− + , k∈Z ; (3) cos2 2x + 3 4 2 3 2 © ª (4) 4 cos2 x−12 cos x+5 = 0; S = x ∈ R : x = π + 2kπ ∨ x = − π + 2kπ, k ∈ Z ; 3 3 o n π 2 (5) sin x = − sin x cos x; S = x ∈ R : x = kπ ∨ x = − + kπ, k ∈ Z ; 4 n o π S = x ∈ R : x = + kπ ∨ x = π + 2kπ, k ∈ Z . (6) cos2 x + cos x = 0. 2 5.3. Equações do tipo tan x = p e cot x = p. Para qualquer valor real de p as equações têm sempre solução. Se uma das soluções da equações for α, vem: tan x = tan α ⇔ x = α + kπ, k ∈ Z cot x = cot α ⇔ x = α + kπ, k ∈ Z. Exemplo 5.6. Resolva em R a equação tan2 (2x) = 1. Resolução: tan2 (2x) = 1 ⇔ tan (2x) = ±1. tan (2x) = 1 π + kπ, k ∈ Z 4 π kπ , k∈Z ⇔x= + 8 2 ⇔ 2x = Assim, π kπ tan2 (2x) = 1 ⇔ x = ± + , k ∈ Z. 8 2 ¾ ½ π kπ , k∈Z . S= x∈R:x=± + 8 2 Exercício 5.3. Resolva em R as seguintes equações: ; π ⇔ 2x = − + kπ, k ∈ Z 4 π kπ ⇔x=− + , k ∈ Z. 8 2 tan (2x) = −1

156

VI. TRIGONOMETRIA

¾ ½ π kπ , k∈Z ; S= x∈R:x=− + 2 ½ 6 ¾ π 3π , . (2) cot x = cot (3x) , em [0, 2π] . S= 2 2 √ (1) tan (2x) = − 3; 6. Funções circulares directas 6.1. Função seno. Consideremos a função f: R→ [−1, 1]

x 7−→ f (x) = sin x. A sua representação gráfica é:

y

1.0 0.5

-10

-8

-6

-4

-2 -0.5

2

4

6

8

x

10

y = sin x Temos: • Df = R

-1.0

0 • Df = [−1, 1]

• A função seno é contínua em R • A função seno é limitada • sin (2π + x) = sin x (A função seno é periódica de período 2π) • sin (−x) = − sin x, ∀ x ∈ R (A função seno é uma função ímpar) π • A função seno tem máximos relativos para: x = + 2kπ, k ∈ Z 2 3π + 2kπ, k ∈ Z • A função seno tem mínimos relativos para: x = 2 • A função seno tem zeros para: x = kπ, k ∈ Z • A função seno não é injectiva: 0 6= π e sin (0) = sin π = 0 (por exemplo) • Não existe lim sin x.
x→±∞

6. FUNÇÕES CIRCULARES DIRECTAS

157

Exemplo 6.1. Determine o parâmetro real p, de modo que a expressão 3p − 5 2 possa representar o seno de um ângulo. Resolução: Como o seno de um ângulo varia entre −1 e 1, terá de ser −1 ≤ Então: −1 ≤ Assim, 7 3p − 5 ≤ 1 ⇔ −2 ≤ 3p − 5 ≤ 2 ⇔ 3 ≤ 3p ≤ 7 ⇔ 1 ≤ p ≤ . 2 3 ¸ ∙ 7 . p ∈ 1, 3 3p − 5 ≤ 1. 2

Exercício 6.1. Determine o domínio e o contradomínio das funções reais, de variável real, definidas por: ³ π´ (1) p (x) = 2 sin x + ; 3 (2) r (x) = −1 − sin2 (3x) .

0 Solução: Dp = R e Dp = [−2, 2] 0 Solução: Dr = R e Dr = [−2, −1]

Exercício 6.2. Considere a função real, de variável real, definida em [−π, π] por f (x) = 2 sin x. (1) Determine o contradomínio, os zeros e os intervalos em que a função é crescente e positiva. (2) Indique um ponto em que a função seja máxima. Soluções.
0 (1) (a) Df = [−2, 2] .

h π πi (c) A função é crescente em − , , e é positiva no 1.o e 2.o quadrantes. 2 2 ³π ´ ,2 . (2) S = 2

(b) Zeros: −π, 0 e π.

Considere a função real. ∀ x ∈ R (A função co-seno é uma função par) • A função co-seno tem máximos relativos para: x = 2kπ. 1] • A função co-seno contínua em R • A função co-seno é limitada • cos (2π + x) = cos x (A função co-seno é periódica de período 2π) • cos (−x) = cos x. Exercício 6. definida por f (x) = sin (2πx) .158 VI.5 -10 -8 -6 -4 -2 -0. (1) Mostre que o período da função é 1. TRIGONOMETRIA Exercício 6. 1] x 7−→ f (x) = cos x. definida por f (x) = 2 sin (2x) é ímpar. Mostre que a função real.4.3. 6.5 2 4 6 8 x 10 y = cos x Temos: • Df = R -1. (2) Represente graficamente a função. A sua representação gráfica é: y 1. de variável real.0 0 • Df = [−1. de variável real. Consideremos a função f: R→ [−1. Função co-seno.0 0.2. k ∈ Z 2 . k ∈ Z • A função co-seno tem mínimos relativos para: x = π + 2kπ. k ∈ Z π • A função co-seno tem zeros para: x = + kπ.

Indique: (1) o domínio e o contradomínio de f . (3) os quadrantes onde a função é crescente e onde é decrescente. Resolução: Para que equação cos (x) = m2 − 1 seja possível é preciso que −1 ≤ m2 − 1 ≤ 1. de modo que seja possível.o quadrantes e decrescente nos 3. 2π] . Determine os valores reais de m tais que a equação cos (x) + 1 − m2 = 0 tenha soluções em [−2π.2.o e 2. de variável real.6. 2] . cada uma das seguintes equações. Soluções: 0 (1) Df = R. em R.o quadrantes. (2) os zeros e o sinal da função. 2 . Determine o parâmetro real p. Exercício 6. k ∈ Z. definida por f (x) = 1 + cos (x − π) . FUNÇÕES CIRCULARES DIRECTAS 159 µ ¶ ³π ´ 3π 3π π 6= e sin = sin = 0 • A função co-seno não é injectiva: 2 2 2 2 (por exemplo) • Não existe lim cos x. 1 − 3p (1) cos x = . . x→±∞ Exemplo 6. 2 . Df = [0. (3) A função é crescente nos 1.6. Exercício 6. h √ √ i m2 ≥ 0 ∧ m2 − 2 ≤ 0 ⇔ m2 − 2 ≤ 0 ⇔ m ∈ − 2. Então. 3 (2) Os zeros de f são todos os valores da forma 2kπ. Considere a função real.5. 5 ∙ ¸ 4 Solução: p ∈ − .o e 4.

£ √ √ ¤ Solução: p ∈ − 2. Solução: . (3) h (x) = 4 cos x. definidas por: π (1) f (x) = cos (4x) . 6. Solução: 2π. Função tangente. Solução: 2π. (2) r 6 3 Exercício 6.p . (3) cos x = p2 − 3p + 2. y 10 5 -6 -4 -2 -5 2 4 6 x y = tan x -10 . Consideremos a função: f: R\ nπ 2 o + kπ. Solução: 3. definidas por: p (x) = 1 − cos (3x) e r (x) = 1 + cos (2x) .3. Solução: 2. 2 (2) g (x) = 4 + cos x. 6 4 2 ³π ´ ³π ´ . ³π ´ ³π ´ ³π ´ (1) p +r −r . Exercício 6. Calcule o período da funções reais.7. de variável real. de variável real. 2 .160 VI. Determine. TRIGONOMETRIA (2) 3 cos x − 1 − p2 = 0. . k ∈ Z −→ x R A sua representação gráfica é: 7−→ f (x) = tan x. Solução: p ∈ 2 2 Considere a funções reais.8. " √ # √ 3− 5 3+ 5 .

Resolução. Df = R. . (2) Os zeros da função f são as soluções da equação f (x) = 0. k ∈ Z . FUNÇÕES CIRCULARES DIRECTAS 161 Temos: • Df = R \ 0 • Df = R nπ 2 o + kπ. Soluções: (1) −1.9. de variável real. k ∈ Z} . (4) o período de f. Determine: Considere a função real. (1) f 2 4 (2) o domínio e o contradomínio da função. 0 (2) Df = {x ∈ R : x 6= kπ.6. de variável real.3. definida por f (x) = −1+tan (x + π) . k ∈ Z. Considere a função real. n o n o π π (1) Df = x ∈ R : x + π 6= + kπ. 2 2 0 Df = R. k ∈ Z 4 3π ⇔ x = − + kπ. Indique: (1) o domínio e o contradomínio de f . ∀ x ∈ Df (A função tangente é periódica de período π) • tan (−x) = − tan (x) . k ∈ Z • A função tangente é crescente em todos os intervalos do domínio. Exemplo 6. k ∈ Z = x ∈ R : x 6= − + kπ. 4 ´ ³π − x . (2) os zeros da função. (3) os seus zeros. f (x) = 0 ⇔ tan (x + π) = 1 π ⇔ x + π = + kπ. k ∈ Z • tan (π + x) = tan x. ∀ x ∈ Df (A função tangente é uma função ímpar) • A função tangente tem zeros para: x = kπ. Exercício 6. definida por f (x) = tan 2 ³π ´ ³π ´ −f .

Consideremos a função: f : R \ {kπ. TRIGONOMETRIA (3) x = (4) π. . π + kπ. k ∈ Z.162 VI. k ∈ Z} −→ x A sua representação gráfica é: R 7−→ f (x) = cot x. ∀ x ∈ Df (A função co-tangente é periódica de período π) • cot (−x) = − cot x. k ∈ Z} 0 • Df = R • cot (π + x) = cot x.4. k ∈ Z 2 • A função tangente é crescente em todos os intervalos do domínio. 2 6. Função co-tangente. ∀ x ∈ Df (A função tangente é uma função ímpar) π • A função tangente tem zeros para: x = + kπ. y 10 5 -6 -4 -2 -5 2 4 6 x 8 -10 y = cot x Temos: • Df = R \ {kπ.

−1). Assim o declive de uma recta que passa pelos pontos M0 = (x0 . Recta tangente a uma curva num dos seus pontos. (2) Considere a recta de equação x = 1. 163 . (1) Determine o declive de uma recta: (a) que passe pelos pontos de coordenadas (0. y0 ) e M1 = (x1 .1.CAPÍTULO VII Cálculo diferencial em R 1. (b) paralela ao vector (−1. f (x0 )) um ponto do seu gráfico. y1 ) é igual a tg α = y1 − y0 . Seja M = (x. Recorda-se que a inclinação de uma recta é o ângulo que a recta faz com o semi-eixo positivo dos xx. 3) . 1) e (2. x1 − x0 Exercício 1. f (x)) um qualquer ponto do gráfico distinto de M0 . Qual a sua inclinação? E o seu declive? Considerem-se uma função f e M0 = (x0 .

b[ se existir e for finito f (x) − f (x0 ) . de variável real. de f em x0 . x − x0 Quando M se move sobre a curva aproximando-se de M0 . f (x0 )) é igual a f (x) − f (x0 ) . chamada recta tangente ao gráfico da função f no ponto M0 . as sucessivas secantes M0 M aproximam-se cada vez mais da posição da recta t. Assim. Diz-se que f é derivável em x0 ∈ ]a. Vimos que o declive da recta tangente à curva de equação y = f (x) no ponto M0 = (x0 .1. Derivada de uma função num ponto. a recta t é a recta que passa por M0 e tem por declive m = lim x→x0 f (x) − f (x0 ) . caso exista. .164 VII. b[ . CÁLCULO DIFERENCIAL EM R A recta M0 M é secante à curva e tem por declive m= f (x) − f (x0 ) . derivadas laterais. x − x0 2. definida em ]a. x→x0 x − x0 lim Definição 2. x→x0 x − x0 lim a que se chama derivada de f em x0 . Notação: Escrever-se-á f 0 (x0 ) para representar a derivada. Seja f uma função real.

a função não é derivável em x0 . Vamos verificar que esta função é derivável no ponto 1. f é derivável em x = 1 e f 0 1) = 2. Tem-se: h f (0 + h) − f (0) 1 lim = lim h − 1 = lim = −1. f (x) − f (x0 ) . √ (3) Sejam f definida por f (x) = 3 x e x0 = 0. De facto: x é derivável no x−1 f (x0 + h) − f (x0 ) . f é derivável em x0 = 0 e f 0 (0) = −1. h→0 h→0 h→0 h − 1 h h √ 1 3 f (0 + h) − f (0) h h3 1 lim = lim = lim = lim 2 = +∞. de variável real. h→0 h Assim. (1) Considere-se a função f real. f (x0 )) pode representar-se por y − f (x0 ) = f 0 (x0 ) (x − x0 ) . pelo que quando x tende para x0 . definida por f (x) = ponto x0 = 0. (2) A função f real. Considere os seguintes exemplos: Exemplo 2. h tende para 0. x→1 x→1 x→1 x−1 x − 1 x→1 x−1 lim Assim. DERIVADA DE UMA FUNÇÃO NUM PONTO.2. h→0 h→0 h h→0 h h→0 h h3 Assim. Tem-se então Vimos anteriormente que f 0 (x0 ) = lim f 0 (x0 ) = lim Nota: Uma equação da recta tangente ao gráfico de f no ponto (x0 . f não é derivável em x0 = 0. definida por f (x) = x2 − 1. . Assim. 165 f (x) − f (x0 ) for infinito. de variável real. DERIVADAS LATERAIS. não x→x0 x − x0 existindo f 0 (x0 ). fazendo x = x0 + h x→x0 x − x0 vem x − x0 = h. Tem-se: f (x) − f (1) x2 − 1 − 0 (x − 1) (x + 1) = lim lim = lim (x + 1) = 2.1. Tal corresponde a uma recta tangente à curva de f em x0 paralela ao Note-se que se lim eixo dos yy.

0) mas existem a semi-tangente à esquerda e a semi-tangente à direita nesse ponto. x+1 (2) Determine uma equação da recta tangente ao gráfico de f definida por f (x) = √ x2 + 9 no ponto de abcissa 4. x0 = 1 1 (b) g(x) = 2 .166 VII. x0 = 3 x +1 x−1 (c) h(x) = . • Não existe o número f (x) − f (0) x→0 x−0 f (x) − f (0) f (x) − f (0) (é igual a 1) e lim (é igual a −1). mas existem lim + − x→0 x→0 x−0 x−0 Diremos que a derivada lateral à direita em x0 = 0 é igual a 1 e que a derivada lim lateral à esquerda em x0 = 0 é igual a −1. Considere-se agora a função definida por f (x) = |x| .1. . Tem-se: ⎧ ⎨ x se x ≥ 0 f (x) = . (3) Prove a partir da definição que sendo f (x) = xn . ⎩ −x se x < 0 y 4 2 -4 -2 0 2 4 x Verifica-se que: • Não existe recta tangente ao gráfico da função no ponto (0. se tem f 0 (1) = n. (1) Utilize a definição para calcular a derivada das funções nos pontos indicados: (a) f (x) = x3 − 3x . n ∈ N. x0 = 0. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Exercício 2. no entanto com declives diferentes.

167 Definição 2. a derivada à esquerda de x0 representa o declive da semi-tangente à esquerda e a derivada à direita de x0 representa o declive da semi-tangente à direita. h h→0 e h→0 lim + Geometricamente.2. . DERIVADA DE UMA FUNÇÃO NUM PONTO. 0 Diz-se que f é derivável à direita de x0 se existir o número real f (x) − f (x0 ) . 0 Obviamente a função f é derivável em x0 ∈ ]a. b[ ⊂ Df se e só se existem e forem ¡ ¢ ¡ ¢ iguais f 0 x− e f 0 x+ .2. Seja f uma função real de variável real e x0 ∈ Df . DERIVADAS LATERAIS. 0 0 Observação: A partir da outra definição de derivada tem-se: ¡ ¢ f 0 x− = 0 ¡ ¢ f 0 x+ = 0 lim − f (x0 + h) − f (x0 ) h f (x0 + h) − f (x0 ) . Neste caso 0 0 ¢ ¢ 0 0 ¡ 0 ¡ f (x0 ) = f x− = f x+ . x − x0 x→x0 lim+ a que chama derivada lateral à direita de x0 e se representa por f 0 (x+ ) ou fd (x0 ). x − x0 x→x0 a que se chama derivada lateral à esquerda de x0 e se representa por f 0 (x− ) ou fe (x0 ). Diz-se que f é derivável à esquerda de x0 se existir o número real lim− f (x) − f (x0 ) .

Como f 0 (2+ ) 6= f 0 (2− ) não existe f 0 (2) .168 VII. Exercício 2. x→2 = −4. f (x) = ⎩ 3x − 1 se x≥2 . Considere-se a função definida em R por ⎧ ⎨ −x2 + 7 f (x) = ⎩ x+1 se se x<2 x≥2 representada geometricamente abaixo. definida em R por ⎧ ⎨ x2 + 1 se x<2 . Por outro lado. (1) Verifique gráfica e analiticamente que a função f .2. x+1−3 x→2 x−2 x−2 lim x→2+ x − 2 = 1. lim + lim + f (x) − f (2) = x−2 = Assim f 0 (2+ ) = 1. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Exemplo 2.2. Tem-se : x→2 lim − f (x) − f (2) = x−2 −x2 + 7 − 3 x→2 x−2 − (x − 2) (x + 2) = lim x→2− x−2 = lim (−2 − x) − lim − x→2 Portanto f 0 (2− ) = −4.

Tem-se ¡ ¢ f (x) − f (0) f 0 (0) = f 0 0+ = lim = 1. Demonstração. Derivabilidade e continuidade Teorema 3. conclui-se que x→x0 lim [f (x) − f (x0 )] = 0 . g (x) = ⎩ 2x − 1 se x≥1 é derivável para x = 1. x − x0 x→x0 lim [f (x) − f (x0 )] = lim x→x0 Como f 0 (x0 ) é um número real (finito). Suponhamos que f é derivável em x0 . Se uma função é derivável num ponto então é contínua nesse ponto. x→x0 x − x0 lim Como f (x) − f (x0 ) = vem x→x0 f (x) − f (x0 ) (x − x0 ) . x 6= x0 x − x0 f (x) − f (x0 ) lim (x − x0 ) = f 0 (x0 ) × 0. existe e é finito f (x) − f (x0 ) . seja f a função definida por ⎧ ⎨ x se f (x) = ⎩ 1 se 0≤x<1 x≥1 . (2) Verifique gráfica e analiticamente que a função g. + x→0 x−0 3.1. Há casos em que a existência da derivada num ponto depende apenas da existência de uma das derivadas laterais. Por exemplo. definida em R por ⎧ ⎨ x2 se x<1 . DERIVABILIDADE E CONTINUIDADE 169 não é derivável no ponto x = 2.3. isto é.

o facto de uma função ser contínua num ponto não garante que seja derivável nesse ponto. g (x) − g (−1) x+1−0 = lim + =1 x→−1 x+1 x+1 . Exemplo 3. Verifica-se que o recíproco do teorema anterior é falso. g (x) − g (−1) −x − 1 − 0 = lim − = −1 x→−1 x+1 x+1 g 0 (−1− ) = lim − x→−1 Como g0 (−1+ ) 6= g 0 (−1− ) não existe g0 (−1) .170 VII. Assim. x→−1− lim g (x) = lim − (−x − 1) = 0 x→−1 x→−1 (2) Averigue se existe g0 (1) . Resolução: g 0 (−1+ ) = lim + x→−1 Como g (−1) = 0 vem lim g (x) = g (−1) e portanto g é contínua em x0 = −1. 1] → R definida por ⎧ ⎨ 1 f (x) = ⎩ 0 se se x ∈ ]0. Resolução: ⎧ ⎨ x+1 g (x) = ⎩ −x − 1 x→−1+ se se x ≥ −1 x < −1 . 1] x=0 . CÁLCULO DIFERENCIAL EM R isto é x→x0 lim f (x) = f (x0 ) ¤ o que prova que f é contínua em x0 . logo lim g (x) = lim + (x + 1) = 0 x→−1 . (1) Mostre que g é contínua em x0 = 1. a função f : [0.1. Seja g a função definida em R por g(x) = |x + 1| . isto é. Note que o teorema anterior é falso se admitirmos que as derivadas podem tomar valores infinitos.

(b) A função é contínua no ponto 0? (2) Considere a função real. Exemplo 4.1. Função derivada Definição 4. (a) Aplicando a definição de derivada. chama-se função derivada de f e representar-se-á por f 0 . (b) Calcule f 0 (3+ ) e f 0 (3− ) para verificar que não existe f 0 (3) . (a) Mostre que f é contínua para x = 3. Diremos que f é derivável num intervalo I ⊂ Df se for derivável em todos os pontos de I. caso exista. calcule m0 (0) . 4. de variável real. Determinar a função derivada da função definida em R por ⎧ ⎨ x+1 se x>2 . FUNÇÃO DERIVADA 171 não é contínua à direita no ponto 0 e lim + f (x) − f (0) 1−0 = lim = +∞. A função que a cada ponto do domínio faz corresponder a derivada de f nesse ponto. f (x) = ⎩ 3x2 se x<2 Resolução: . x→0+ x x−0 x→0 Exercício 3.4. (1) A função m está definida por m(x) = √ x + 5. de variável real. Seja f uma função real. f definida por f (x) = |x − 3| .1.1.

para todo o x ∈ R. Tem-se: f 0 (x) = lim f (x + h) − f (x) 3 (x + h)2 − 3x2 = lim h→0 h→0 h h 3x2 + 6xh + 3h2 − 3x2 = lim = 6x. h→0 h→0 h h→0 h h ¤ . 5.172 VII. Tem-se: 2+h+1−3 =1 h→0 h 2 3 (2 + h) − 3 12 + 12h + 3h2 − 3 = lim = −∞. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R • Determinação de f 0 (x) para x > 2. h→0 h • Determinação de f 0 (x) para x = 2. f 0 (2− ) = lim h→0− h→0− h h f 0 (2+ ) = lim + • Não existe f 0 (2) pelo que a função derivada é f 0 : R\ {2} → x ⎧ ⎨ 1 → f 0 (x) = ⎩ 6x R se se x>2 x<2 . Tem-se: f 0 (x) = lim f (x + h) − f (x) x+h+1−x−1 = lim = 1. Demonstração. h→0 h→0 h h • Determinação de f 0 (x) para x < 2. Regras de derivação (1) Derivada de uma função constante Se f (x) = c (c constante) para todo o x ∈ R então f 0 (x) = 0. f 0 (x) = lim f (x + h) − f (x) c−c 0 = lim = lim = 0.

h→0 h→0 h h Assim. se f (x) = x então f 0 (x) = 1 para todo o x ∈ R.5. (2) Derivada da função identidade Seja f a função definida em R por f (x) = x. REGRAS DE DERIVAÇÃO 173 Observações: • A recta tangente em cada ponto coincide com a própria recta representativa da função. Indique a derivada das funções definidas por: a) r(x) = −4. Demonstração. Então f + g é derivável em x0 e (f + g)0 (x0 ) = f 0 (x0 ) + g0 (x0 ). • O declive de uma recta horizontal é igual a zero. (3) Derivada de uma soma de funções Sejam f e g deriváveis num intervalo I e x0 ∈ I. lim . Tem-se: (f + g) (x) − (f + g) (x0 ) f (x) − f (x0 ) g(x) − g(x0 ) = lim + lim = x→x0 x→x0 x→x0 x − x0 x − x0 x − x0 = f 0 (x0 ) + g0 (x0 ). b) s(x) = 5 4 c) t(x) = √ 2.1. Tem-se: f 0 (x) = lim f (x + h) − f (x) x+h−x = lim = 1. Exercício 5.

Então fg é derivável em I e (fg)0 (x0 ) = f 0 (x0 ) g (x0 ) + f (x0 ) g 0 (x0 ) .174 VII. Então a função λf é derivável em x0 e (λf )0 (x0 ) = λf 0 (x0 ) . ¤ Exercício 5. 3 d) (−3x)0 . (4) Derivada do produto de uma constante por uma função Sejam f derivável num intervalo I. λ ∈ R e x0 ∈ I. 0 ¶0 µ 1 b) − x . 3 ¶0 µ 1 c) 3 − x . Tem-se: x→x0 lim Logo λf é derivável em x0 e (λf ) (x) − (λf ) (x0 ) f (x) − f (x0 ) = λ lim = λf 0 (x0 ) . . CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Assim f + g é derivável em x0 e (f + g)0 (x0 ) = f 0 (x0 ) + g 0 (x0 ). (5) Derivada de um produto de funções Sejam f e g deriváveis num intervalo I e x0 ∈ I. 4 √ (c) h(x) = x − 2. Determine a derivada de cada uma das funções definidas por: (a) f (x) = x + 2. x→x0 x − x0 x − x0 (λf )0 (x0 ) = λf 0 (x0 ) . ¤ Exercício 5. Calcule: a) (2x) . 3 (b) g(x) = + x.3. Demonstração.2.

x − x0 x − x0 x − x0 Exercício 5.4. 0 £ ¤0 c) (x + 3)5 .5. Exercício 5. Calcule: a) (x3 ) . 0 b) (3x2 − 5x + 1) .5. lim Assim fg é derivável em x0 e (fg)0 (x0 ) = f 0 (x0 ) g (x0 ) + f (x0 ) g0 (x0 ) . Então f n . . Tem-se: f (x) g (x) − f (x0 ) g (x0 ) (f g) (x) − (f g) (x0 ) = x − x0 x − x0 e somando e subtraindo f (x0 ) g (x) vem: Quando x → x0 . logo: (f g) (x) − (f g) (x0 ) f (x) − f (x0 ) g (x) − g (x0 ) = g (x0 ) lim + f (x0 ) lim x→x0 x→x0 x→x0 x − x0 x − x0 x − x0 0 0 = g (x0 ) f (x0 ) + f (x0 ) g (x0 ) . ¤ Nota: Esta propriedade verifica-se para um número n de funções deriváveis em I. Calcule a derivada da função definida por f (x) = (x − 1) (x − 3) . REGRAS DE DERIVAÇÃO 175 Demonstração. n ∈ N é derivável em x0 e (f n )0 (x0 ) = nf n−1 (x0 ) f 0 (x0 ) . isto é: 0 (f1 f2 · · · fn )0 (x0 ) = f1 (x0 ) f2 (x0 ) · · · fn (x0 ) + 0 0 +f1 (x0 ) f2 (x0 ) · · · fn (x0 ) + f1 (x0 ) f2 (x0 ) · · · fn (x0 ) . g (x) → g (x0 ) pois g é contínua (é derivável em x0 ). (f g) (x) − (fg) (x0 ) f (x) − f (x0 ) g (x) − g (x0 ) = g (x) + f (x0 ) . Consequência: “Derivada da potência de expoente natural” Sejam f derivável num intervalo I e x0 ∈ I.

atendendo ao que se disse para a derivada de um produto de funções. Vamos estudar em primeiro lugar a derivada de Tem-se: 1 1 1 1 − (x) − (x0 ) g (x) − g (x0 ) −1 g (x) g (x0 ) g g = = x − x0 x − x0 g (x) g (x0 ) x − x0 e portanto 1 1 (x) − (x0 ) g0 (x0 ) g g =− . g g [g (x0 )]2 ¤ Exercício 5. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R (6) Derivada de um quociente Sejam f e g funções deriváveis num intervalo I e x0 ∈ I. c) .176 VII. g [g (x0 )]2 Demonstração.6. Calcule: ¶0 µ 1 a) . g b) . f é derivável em x0 e g µ ¶0 µ ¶0 1 f 0 (x0 ) g (x0 ) − f (x0 ) g0 (x0 ) f (x0 ) = f (x0 ) = . g [g (x0 )]2 Então. f Se g (x0 ) 6= 0. é derivável em x0 e tem-se g µ ¶0 f 0 (x0 ) g (x0 ) − f (x0 ) g 0 (x0 ) f (x0 ) = . . d) . x+3 µ 3x + 1 x2 − 8x ¶0 µ 3x2 + 4 x2 + 9 ¶0 "µ x−1 x+3 ¶3 #0 1 . lim x→x0 x − x0 [g (x0 )]2 Assim 1 é derivável em x0 e g µ ¶0 g 0 (x0 ) 1 (x0 ) = − .

Suponhamos que f (x0 ) 6= 0. então g ◦ f é derivável em x0 e tem-se (g ◦ f )0 (x0 ) = g0 [f (x0 )] f 0 (x0 ). e x0 ∈ I. ¡ −n ¢0 f = −nf −n−1 f 0 . b) (x − 3) =− . g uma função definida sobre o intervalo J contendo f (I). 2 − 3x (x − 1)4 (7) Derivada da função composta Seja f uma função definida sobre um intervalo I. Demonstração. Exercício 5. A demonstração fica como exercício.5. REGRAS DE DERIVAÇÃO 177 Consequência: “Derivada de uma potência de expoente inteiro negativo” Então f −n é derivável em x0 e Seja f derivável num intervalo I . Isto significa que a fórmula de derivação para uma potência de expoente natural é válida para expoentes inteiros no pressuposto de que f (x0 ) 6= 0. (g ◦ f ) (x) − (g ◦ f ) (x0 ) g [f (x)] − g [f (x0 )] = lim . 2 − 3)5 x (x "µ ¶−3 #0 x−1 3 (2 − 3x)2 c) = . Mostre que: −10 0 i0 h 10 8x −4 2 a) (x ) = − 11 . x→x0 x→x0 x − x0 x − x0 lim . n ∈ N e x0 ∈ I. Se f é derivável em x0 e g é derivável em f (x0 ).7.

(x0 ) Sejam f uma aplicação bijectiva de um intervalo I num intervalo J e x0 ∈ I. (8) Derivada da função inversa Suponhamos que f é derivável em x0 com f 0 (x0 ) 6= 0 e que a sua inversa por derivada ¡ −1 ¢0 [f (x0 )] = f f0 1 . y tende para y0 uma vez que f é contínua em x0 (por ser diferenciável) pelo que (g ◦ f ) (x) − (g ◦ f ) (x0 ) = lim x→x0 x − x0 ¸ g (y) − g (y0 ) y − y0 lim × x→x0 y − y0 x − x0 g (y) − g (y0 ) f (x) − f (x0 ) = lim lim y→y0 x→x0 y − y0 x − x0 0 0 = g (y0 ) f (x0 ) ∙ = g 0 [f (x0 )] f 0 (x0 ). ¤ Exercício 5.178 VII. Então f −1 é derivável em f (x0 ) e tem . Então quando x tende para x0 . CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Represente-se f (x) por y e f (x0 ) por y0 . Sendo f (x) = 2x − 3 e sabendo que g (1) = 4 e g0 (1) = 2. f −1 : J → I é contínua em y0 = f (x0 ) . Logo g ◦ f é derivável em x0 e (g ◦ f )0 (x0 ) = g0 [f (x0 )] f 0 (x0 ). calcule: a) (f ◦ g) (1) .8. b) (f ◦ g)0 (1) .

Seja y = f (x). Sendo g uma função real de variável real invertível tal que g(2) = 10 e g0 (2) = 4. Tem-se ¡ −1 ¢0 (y) = g 1 nxn−1 g0 (x) = nxn−1 . Se y = xn então x = √ √ n y. REGRAS DE DERIVAÇÃO 179 Demonstração. calcule (g−1 ) (10) . −1 (y) − f (y0 ) (f ) (y0 ) y − y0 f0 1 . Por definição.9.5. x→x0 x→x0 x − x0 x→x0 0 x − x0 y − y0 Quando x tende para x0 . vem: f 0 (x0 ) = lim f (x) − f (x0 ) y − y0 1 = lim = lim x − x . Então f é derivável em todo x ∈ I e / f 0 (x) = Demonstração. (x0 ) ¤ ¡ −1 ¢0 (y0 ) = f Exercício 5. pelo que para todo x em I vem 1 √ . pelo que se g(x) = xn então g −1 (y) = n y. n n xn−1 0 . Consequência: “ Derivada da raiz ” √ Suponhamos que f (x) = n x com n ∈ N e seja I um qualquer intervalo contido em Df tal que 0 ∈ I. y tende para y0 pois f é contínua em x0 (por ser derivável em x0 ). lim y→y0 y − y0 Como x = f −1 (y) e x0 = f −1 (y0 ) vem f 0 (x0 ) = y→y0 lim f −1 ou seja 1 1 = −1 0 . logo f 0 (x0 ) = 1 x − x0 .

. e tal que f (x0 ) 6= 0. Mais geralmente. n n f n−1 (x0 ) Exercício 5. Daqui resulta ¡ −1 ¢0 g (y) = f 0 (x) = 1 p n n y n−1 o que é equivalente a 1 √ .12. n n xn−1 ¤ Exercício 5.11. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R onde y = xn . 1 n (f n−1 ) n (x0 ) e a fórmula de derivação de uma potência de expoente inteiro pode generalizarse para um expoente racional nas condições acima indicadas. n ∈ N pelo que podemos escrever ³ 1 ´0 1 f 0 (x0 ) f n (x0 ) = = nf n −1 (x0 ) f 0 (x0 ). h i 3 0 Determine (x2 + 3x + 1) 4 . Observação: √ 1 Tem-se n f = f n .180 VII. µr 3 Calcule 3−x x−1 ¶0 indicando o domínio de validade do resultado. Derive cada uma das funções definidas por: √ √ b) u(x) = 10 x. a) t(x) = 3 x. como consequência do resultado sobre a derivada da função composta vem: Seja f uma função real de variável real definida num intervalo I.10. derivável em √ x0 ∈ I. Exercício 5. Então n f é derivável em x0 e ³ p ´0 f 0 (x0 ) n f (x0 ) = p .

Mais geralmente. vem h ¶¸ µ sen ∙ sen (x + h) − sen x 2 cos lim x + h lim = lim = 1. = lim h→0 h h→0 2 2 Como a função co-seno é contínua. DERIVADAS DAS FUNÇÕES CIRCULARES 181 6. Derivadas das funções circulares (1) Derivada da função seno A função seno é derivável em R e (sen x)0 = cos x. sendo f derivável num intervalo I. Atendendo a que sen p − sen q = 2 sen tem-se µ ¶ h h 2 sen cos x + sen (x + h) − sen x 2 2 = lim = lim h→0 h→0 h h h ∙ µ ¶¸ sen 2 lim cos x + h . tendo-se: (sen f )0 = f 0 cos f.6. ¤ p−q p+q cos 2 2 . Demonstração. resulta do que se disse sobre a derivada da função composta que a função sen f é derivável em todos os pontos de I. com x ∈ R. cos x = cos x h→0 h→0 h h→0 h 2 2 Assim a função seno é derivável e (sen x)0 = cos x.

Demonstração. Calcule a derivada de cada uma das funções seguintes: a) y = sen (2x + 1) . Atendendo a que cos x = sen (cos x)0 = ³π ³π ´ − x .2. 2 ³π ´0 ´ − x cos − x = − sen x. Considere os seguintes exemplos: (a) (x cos x)0 = (x)0 cos x + x (cos x)0 = cos x − x sen x. 2 2 . Mais geralmente. Considere os seguintes exemplos: (a) Sendo y = sen (2x + 3) .1. (2) Derivada da função co-seno A função co-seno é derivável em R e (cos x)0 = − sen x. temos: y 0 = (2x + 3)0 cos (2x + 3) = 2 cos (2x + 3) . b) y = sen5 (5x) . sendo f derivável num intervalo I. vem: d) y = sen3 (x3 ) . ¤ Exemplo 6. x ∈ R. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Exemplo 6. Tem-se: y 0 = 4 sen3 (3x) [sen (3x)]0 = 4 sen3 (3x) (3x)0 cos (3x) = 12 sen3 (3x) cos (3x) .1. cos f é derivável em todos os pontos de I e (cos f )0 = −f 0 sen f. Exercício 6.182 VII. (b) Seja y = sen4 (3x) . c) y = x sen x2 + 3 sen (2x) .

então tg f é derivável em todos os pontos de I. cos2 x cos2 x 1 = 1 + tg2 x = sec2 x. tendo-se: (tg f )0 = f0 = f 0 sec2 f.6. em o nπ + kπ. b) y = 2 cos3 (1 − x) . k ∈ Z R\ 2 (tg x)0 = Demonstração. Exercício 6. (3) Derivada da função tangente A função tangente é derivável no seu domínio. cos2 x tendo-se = Sendo f uma função derivável em I tal que f (I) ⊂ D. DERIVADAS DAS FUNÇÕES CIRCULARES 0 0 183 (b) [cos (x2 + 3) + cos5 (2x)] = − (x2 + 3) sen (x2 + 3)+5 cos4 (2x) [cos (2x)]0 = = −2x sen (x2 + 3) − 10 cos4 (2x) sen (2x). c) y = cos x + x cos2 (x2 ) . d) y = sen x cos x. (tg x)0 = ³ sen x ´0 cos x 1 cos2 x − sen x (− sen x) = . Considere os seguintes exemplos: (a) √ √ 0 √ 0 [ x tg (2x + 3)] = ( x) tg (2x + 3) + x [tg (2x + 3)]0 √ 1 2 = √ tg (2x + 3) + x 2 .2.3. isto é. cos2 f ¤ Exemplo 6. Determine a derivada de cada uma das funções definidas por: a) y = cos (3x2 − x) − x. 2 x √ cos (2x + 3) tg (2x + 3) 2 x √ = + 2 (2x + 3) cos 2 x .

vem: tg x ¶0 µ 1 1 (tg x)0 0 =− 2 =− 2 . Escreva uma equação de uma dessas tangentes. Considere a função real de variável real definida por: f (x) = 4 tg (4x) . x+3 √ c) y = cos2 x + tg (x sen2 x) . Em vários pontos do gráfico de f o declive da recta tangente é 16. então cotg f é derivável em todos os pontos de I. b) y = tg2 (x2 + 1) . isto é.3. k ∈ Z} tendo-se (cotg x)0 = − 1 = −1 − cotg2 x = − cosec2 x. se f é uma função derivável num intervalo I tal que f (I) ⊂ D. 1 Como cotg x = . d) y = tg2 x2 + 1 + tg (cos x) .4.184 VII. Calcule a derivada de cada uma das funções definidas por: µ ¶ 1 a) y = tg . tendo-se: (cotg f )0 = − f0 = −f 0 cosec2 f. (4) Derivada da função co-tangente A função co-tangente é derivável no seu domínio. sen2 f . Exercício 6. x 6= kπ. em {x ∈ R : x 6= kπ. sen2 x Demonstração. Exercício 6. (cotg x) = tg x tg x sen x ¤ Mais geralmente. k ∈ Z. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R (b) [tg3 (sen x + 1)] 0 = 3 tg2 (sen x + 1) [tg(sen x + 1)]0 = 3 tg2 (sen x + 1) cos x sec2 (sen x + 1) .

2 µ 7.5. = cos x cotg x − √ 2 x sen2 x Exercício 6. Demonstração. 3 (b) ¶ 1 √ + x .1 = ex .7. Tem-se ¢ ¡ ex eh − 1 ex+h − ex eh − 1 lim = lim = ex lim = ex . h→0 h→0 h→0 h h h Mais geralmente se f é derivável em I então ef é derivável em I e ¡ f ¢0 e = ef f 0 .4. Considere os seguintes exemplos: (a) £ ¡ ¢¤0 ¡ ¢0 ¢ ¢ ¡ ¡ cotg π − 3x = − π − 3x cosec2 π − 3x = 3 cosec2 π − 3x 3 3 3 3 ¡ ¡ √ ¢0 √ √ ¢0 sen x cotg x = (sen x)0 cotg x + sen x cotg x = √ 1 √ = = cos x cotg x − sen x √ 2 x sen2 x √ sen x √ . Derivada da função exponencial e função logarítmica (1) Derivada da função exponencial de base e A função exponencial de base e é derivável em R e (ex )0 = ex . ¤ . Derive cada uma das funções seguintes: a) y = cotg (3x + 2x) . x ∈ R. DERIVADA DA FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 185 Exemplo 6. c) y = tg (sen x) + cotg (cos x) . b) y = 1 + cotg x d) y = cotg2 x2 + sen2 x2 .

vem (ax )0 = (x ln a)0 ex ln a = ln aex ln a = ln a ax . 1 x 0 (2) Derivada da função exponencial de base a A função exponencial de base a (a > 0) é derivável em R e para todo o x ∈ R. ´0 ³ 2 +3x 2 2 0 = (x2 + 3x) 2x +3x ln 2 = (2x + 3) 2x +3x ln 2. Resolva cada um dos seguintes exercícios.186 VII. ¤ Exemplo 7. Demonstração.1.1. (ii) y = (x − 1)2 − e−x . (iii) y = ex sin x + e x . Uma vez que ax = ex ln a . (a) Seja f a função real de variável real definida por f (x) = e2x+5 . tem-se: (ax )0 = ax ln a. Escreva uma equação da tangente ao gráfico de f no ponto de abcissa 2.2. (b) Calcule a derivada de cada uma das funções definidas por: (i) y = e− 2 . CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Exemplo 7. af é derivável em I e ¡ f ¢0 a = af f 0 ln a. 2x . Considere os seguintes exemplos: (a) (e3x+1 ) = (3x + 1)0 e3x+1 = 3e3x+1 . ¡ ¢0 (b) esin(3x) = [sin (3x)]0 esin(3x) = 3 cos (3x) esin(3x) Exercício 7. Mais geralmente se f é derivável em I.

x ln a g : R → R+ y → x = ay . (iv) y = e √ 3x + 5cos x . Resolva cada um dos seguintes exercícios: (a) A recta da equação y = 2x ln 2 + 1 é tangente ao gráfico da função real de variável real definida por t (x) = 22x .7. A função h : R+ → R x é a função inversa da função → y = loga x 1 . Então h é derivável em R+ e para todo o x > 0. (b) Derive as funções definidas por: (i) y = 2tg x . f ln a Se f é derivável em I e f (I) ⊂ R+ então loga f é derivável em I. tendo-se: (loga f )0 = ¤ . DERIVADA DA FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 187 Exercício 7. h0 (x) = 1 1 1 = y = . cos x √ (iii) y = e 3x + 5cos x . 1 − 3x (ii) y = . g 0 (y) a ln a x ln a f0 . Determine as coordenadas do ponto de tangência. x ∈ R+ .2. (3) Derivada da função logarítmica de base a A função logarítmica de base a (a ∈ R+ \ {1}) é derivável em R+ e (loga x)0 = Demonstração.

4 x x5 . f 000 (x) = 2 x3 Convencionamos que a derivada de ordem 0 é a própria função. Calcule a derivada de cada uma das funções definidas por: a) y = log3 (x2 + 1) . definem-se as derivadas sucessivas de f : f (n) é a derivada da derivada de ordem (n − 1) de f . (3x + 1) ln 2 (3x + 1) ln 2 Caso particular: Se a = e (número de Neper) vem (ln x)0 = Exercício 7. isto é. Resolução: f 0 (x) = 1 x .1. f (4) (x) = −3 × 2 4×3×2 . f função f 0 também definida em I. f) y = ln (e3x + x2 ) .3. f 00 (x) = − 1 x2 . Derivadas sucessivas Seja f uma função real de variável real definida em I ⊂ R cuja derivada é uma d) y = log7 (sen x2 ) . b) y = log2 [tg (ex + x)] . esta é dita segunda derivada ou derivada de segunda ordem de f e representa- se por f 00 . ¢0 ¡ f (n) = f (n−1) . Suponhamos que f (x) = ln x e procuremos uma expressão da derivada de ordem n.3. c) y = log2 [tg (ex + x)] . [log2 (3x + 1)]0 = 3 (3x + 1)0 = . Se a função f 0 admitir por sua vez uma função derivada. 8. isto é.188 VII. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Exemplo 7. f (5) (x) = . e) y = ln (x2 + 1) . Exemplo 8. 1 x e (ln f )0 = f0 . f (0) = f. Do mesmo modo. g) y = ln (sen x) .

e se lim f (x) = lim g (x) = 0 x→a (−1)n+1 (n − 1)! . conclui-se que f (n) (x) = Exercício 8.2.9. f (x) f 0 (x) = lim 0 . Sendo y = sin (4x) . REGRA DE CAUCHY 189 Observando as sucessivas derivadas. + x sen x x→0 2 x3 + x2 b) lim = 0. determine g (n) (x) . xn x→a e se existir f 0 (x) f (x) f 0 (x) . 9. x→±∞ g (x) x→±∞ g (x) lim • É igualmente aplicável no levantamento de indeterminações do tipo a finito ou infinito. Mostre que: 1 cos x − 1 a) lim =− . x→+∞ x ex − x 1 ex − x − 1 c) lim = . lim = lim 0 .1. então. x→a g 0 (x) x→a g (x) x→a g (x) lim Observações: • A regra de Cauchy é aplicável quando a é (+∞ ou − ∞) . Exercício 9.1. x→0 xex − x 2 ∞ . mostre que y 000 + y 00 + 16y 0 + 16y = 0. seja ∞ . Sendo g(x) = e5x−1 . Regra de Cauchy Se as funções f e g admitem derivada numa vizinhança de um ponto a. Exercício 8.

Sentido de variação de uma função Vamos analisar os seguintes gráficos Gráfico1 Gráfico2 Gráfico3 Gráfico 4 Verifica-se (gráfico 1) que a derivada é positiva em qualquer ponto de ]a. Para que tal ocorra. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R 10. os pontos onde a tangente à curva é horizontal têm de ser pontos isolados. Note-se que a derivada pode ser nula num ponto de ]a. Se a derivada for negativa em todos os pontos de ]a. b[ (gráfico 4 ) mantendo-se a função estritamente crescente. . b[ .190 VII. a função será decrescente nesse intervalo (gráfico 2). b[ a derivada é nula então a função é constante nesse intervalo (gráfico 3). Finalmente se em qualquer ponto de ]a. b[ e que a função é estritamente crescente em ]a. b[ .

f 0 (x) é nula então f é constante em ]a. +∞[ . SENTIDO DE VARIAÇÃO DE UMA FUNÇÃO 191 Teorema 10. b[ . b[ . Estude a monotonia das funções definidas em R por: a) p (x) = 1 − x − 4x3 . x−6 c) r (x) = 1 . Exercício 10. x b) q (x) = x−1 .1. (2) Se para todo o x ∈ ]a. Seja f derivável num intervalo ]a.10. x −∞ −1 s/s + % 0 0 − 1 +∞ −4x (x2 − 1)2 h0 (x) + h(x) s/s − s/s % 0 & s/s & Portanto h é crescente em ]−∞.1. Exemplo 10. 0[ e decrescente em ]0. f 0 (x) é negativa então f é estritamente decrescente em ]a. (3) Se para todo o x ∈ ]a. Determinar os intervalos de monotonia da função definida por x2 + 1 . −1[ ∪ ]−1. . (1) Se para todo o x ∈ ]a. b[. b[ . f 0 (x) é positiva então f é estritamente crescente em ]a. x e) m (x) = (2x2 + 3) e−x . h (x) = 2 x −1 Resolução: Tem-se h0 (x) = e h0 (x) = 0 ⇔ x = 0 ∧ x 6= 1 ∧ x 6= −1. b[. b[. b[ .1. d) g (x) = x2 − 4 . 1[ ∪ ]1.

Extremos relativos Definição 11. se existir uma vizinhança V de b tal que x ∈ V ∧ x ≤ b =⇒ f (x) ≤ f (b) (respectivamente f (x) ≥ f (b)) . .192 VII. se existir uma vizinhança V de x0 tal que para todo o x ∈ V. Diz-se que f atinge: • um máximo (respectivamente um mínimo) relativo ou local em x0 ou que f (x0 ) é um máximo (respectivamente um mínimo) relativo de f . f (x) ≤ f (x0 ) (respectivamente f (x) ≥ f (x0 )) . CÁLCULO DIFERENCIAL EM R 11. b] e x0 ∈ ]a. • um máximo (respectivamente um mínimo) relativo ou local em a ou que f (a) é um máximo (respectivamente um mínimo) relativo de f .1. Sejam f uma função definida num intervalo [a. se existir uma vizinhança V de a tal que x ∈ V ∧ x ≥ a =⇒ f (x) ≤ f (a) (respectivamente f (x) ≥ f (a)) . • um máximo (respectivamente um mínimo) relativo ou local em b ou que f (b) é um máximo (respectivamente um mínimo) local de f . Nota: Um extremo (máximo ou mínimo) f (x0 ) é absoluto se para todo o x ∈ Df se verificar f (x) ≤ f (x0 ) (máximo) ou f (x) ≥ f (x0 ) (mínimo). b[ .

A existência de f 0 (x0 ) implica a ¡ ¢ ¡ ¢ existência e a igualdade das derivadas laterais f 0 x+ e f 0 x− . 0 0 para f .1. Se f tem um extremo em x0 ∈ ]a. que f (x0 ) é um máximo. por exemplo. b[ e se f 0 (x0 ) existe. temos ¡ ¢ f 0 x+ = 0 lim f (x) − f (x0 ) ≤ 0. b[ tal que f 0 (x0 ) = 0 chama-se ponto crítico ou estacionário . 0 x→x0 x − x0 x<x 0 ¡ ¢ ¡ ¢ donde f 0 (x0 ) = f 0 x+ = f 0 x− = 0.11. EXTREMOS RELATIVOS 193 Exercício 11. Indique os extremos relativos e absolutos das funções cujos gráficos são: Teorema 11. Suponhamos.1. Como f (x) ≤ f (x0 ) 0 0 para todo o x numa vizinhança de x0 . ¤ Um ponto x0 ∈ ]a. x→x0 x − x0 x>x0 ¡ ¢ f (x) − f (x0 ) f 0 x− = lim ≥ 0. Demonstração. então f 0 (x0 ) = 0.

194

VII. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R

A recíproca do teorema anterior é falsa: Se f 0 (x0 ) = 0, f não tem necessariamente um extremo relativo em x0 . É por exemplo o caso da função f definida por f (x) = x3 no ponto 0.

y

8 6 4 2

-2

-1

-2 -4 -6 -8

1

2

x

Vimos que f pode ter extremos em pontos críticos. No entanto uma função pode admitir um extremo em x0 sem ser derivável em x0 (diz-se então que x0 é um ponto singular para f ): A função definida por f (x) = |x| tem um mínimo no ponto x0 = 0 mas não é derivável nesse ponto. Podemos resumir da seguinte forma: Uma função definida num intervalo só pode atingir um extremo num ponto crítico, num ponto singular ou nas extremidades do intervalo. 11.1. Determinação dos extremos. (1) Suponhamos que x0 é um ponto crítico para f Teste da primeira derivada x f 0 (x) − f (x) x0 0 + ; x f 0 (x) + f (x) x0 0 −

& Min. %

% Máx. &

• Se no ponto x0 a derivada passa de negativa a positiva então f tem um mínimo local em x0 . • Se no ponto x0 a derivada passa de positiva a negativa então f tem um máximo local em x0 .

11. EXTREMOS RELATIVOS

195

Em alternativa ao teste da primeira derivada pode usar-se o teste da segunda derivada. Teste da segunda derivada • Se f 00 (x0 ) > 0 ou lim relativo em x0 . relativo em x0 . zero no ponto x0 . — Se m é par e f (m) (x0 ) > 0 ou lim f (m−1) (x) − f (m−1) (x0 ) = +∞, x→x0 x − x0 f atinge um mínimo relativo em x0 . f (m−1) (x) − f (m−1) (x0 ) = −∞, x→x0 x − x0 f atinge um máximo relativo em x0 . f 0 (x) − f 0 (x0 ) = +∞ então f atinge um mínimo x→x0 x − x0 f 0 (x) − f 0 (x0 ) = −∞ então f atinge um máximo x→x0 x − x0

• Se f 00 (x0 ) < 0 ou lim

• Se f 00 (x0 ) = 0, seja m a ordem da primeira derivada que é diferente de

— Se m é par e f (m) (x0 ) < 0 ou lim

— Se m é ímpar, f não tem extremo em x0 .

Exemplo 11.1. Determinar os extremos relativos da função definida em R por g (x) = 2x4 − 12x2 + 10. Resolução: (a) Dg = R e g0 (x) = 8x3 − 24x, pelo que g só poderá ter extremos em pontos críticos.

g 0 (x) = 0 ⇐⇒ 8x (x2 − 3) = 0 √ √ ⇐⇒ x = 0 ∨ x = − 3 ∨ x = 3. √ √ Assim os pontos críticos são − 3, 0 e 3.

196

VII. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R

(b) Teste da primeira derivada x 8x g 0 (x) g(x) −∞ − − & √ − 3 − 0 0 − − + 0 0 − 0 + − − √ 3 + 0 0 +∞ + + +

x2 − 3 +

−8 (Min.) % 10 ( Máx.) & −8 (Min.) %

A função tem um máximo relativo igual a 10 para x = 0 e mínimos √ √ relativos iguais a −8 para x = − 3 e x = 3. (c) Podemos usar, em alternativa, o teste da segunda derivada. Tem-se: g 00 (x) = 24x2 − 24

• g00 (0) = −24 < 0, g tem um máximo relativo para x = 0 igual a

g (0) = 10. √ ¡ √ ¢ ¡√ ¢ • g00 − 3 = g 00 3 > 0, g tem mínimos relativos para x = − 3 √ ¡√ ¢ ¡ √ ¢ e x = 3, iguais a g 3 = g − 3 = −8. Exercício 11.2. Determine, se existirem, os extremos relativos de cada uma das seguintes funções definidas em R por: a) h (x) = x3 − 3x; b) m (x) = x4 − 2x3 + 2; c) n (x) = 2x ; +4

x2

d) p (x) = log2 |16 − x2 | . (2) Suponhamos que x0 é um ponto singular para f Teste para pontos singulares Neste caso não existe ou é infinito lim f (x) − f (x0 ) . x − x0

x→x0

f (x) − f (x0 ) x − x0 quando x tende para x0 , e estes sejam de sinais contrários, então f tem um Caso existam as derivadas laterais ou os limites laterais de

11. EXTREMOS RELATIVOS

197

extremo relativo em x0 . Concretamente:

¡ ¢ ¡ ¢ f (x) − f (x0 ) • Se f 0 x+ < 0 (ou lim+ = −∞ ) e f 0 x− > 0 (ou 0 0 x − x0 x→x0 f (x) − f (x0 ) = +∞), então f atinge um máximo em x0 . lim− x − x0 x→x0 ¡ ¢ ¡ ¢ f (x) − f (x0 ) = +∞ ) e f 0 x− < 0 (ou • Se f 0 x+ > 0 (ou lim+ 0 0 x − x0 x→x0 f (x) − f (x0 ) = −∞), então f atinge um mínimo em x0 . lim− x − x0 x→x0 Exemplo 11.2. Mostrar que a função definida em R por ⎧ ⎨ |x + 1| se h (x) = ⎩ 3−x se

x≤1 x>1

tem um máximo igual a 2 para x = 1 e um mínimo igual a 0 para x = −1. Resolução: Desdobrando a expressão |x + 1| vem: ⎧ ⎪ −x − 1 ⎪ se x < −1 ⎪ ⎨ h (x) = x+1 se −1 ≤ x ≤ 1 . ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ 3−x se x>1 −x − 1 − 0 = −1 x→−1 x+1 x+1−0 =1 (b) h0 (−1+ ) = lim + x→−1 x+1 x+1−2 (c) h0 (1− ) = lim =1 − x→1 x−1 (a) h0 (−1− ) = lim −

Para caracterizarmos a função derivada necessitamos das derivadas laterais nos pontos −1 e 1.

h tem um mínimo que tem o valor h (−1) = −1 + 1 = 0 e tem um máximo para x = 1 e o seu valor é h (1) = 1 + 1 = 2. onde as derivadas laterais têm sinais contrários. 1} e é definida por ⎧ ⎨ −1 se x < −1 ∨ x > 1 0 h (x) = . Logo para x = −1. x→1 x−1 A função derivada tem domínio R\ {−1. 3−x−2 = −1. x = 1 e x = −1. ⎩ 1 se −1 < x < 1 .198 VII. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R (d) h0 (1+ ) = lim + Assim não há ponto crítico e há dois pontos singulares.

Porto Editora. Calculus. Fundação Calouste Gulbenkian. [7] Harshbarger. J. (1991). Livraria Escolar Editora. (2000). J. [13] Piskounov. S. Economia e Ciências Sociais e Biológicas.. IMPA. [14] Silva.. [10] Neves. A. Livro de Texto de Matemática 12. Compêndio de Matemática e Guia para a sua utilização. Vieira. [11] Neves. Introdução à Lógica Matemática. Fundação Calouste Gulbenkian. Curso de Matemáticas Gerais. [5] Ferreira. T. Volume I e II. Porto Editora. Rumo. [9] Machado. Curso de Análise Matemática. IST. (1978). Bookman.. Vieira. M. Vieira.. (2006). Matemática 12. (1992). A. GEP. J. Lopes da Silva. Livro de Texto de Matemática 11.. Matemática Aplicada. Volume I. [6] Guerreiro. (1993). [4] Ferreira. Cálculo Diferencial e Integral. Reynolds.Bibliografia [1] Apostol. M. H. Volume I. M.o Ano. M. Â. Wiley. Elementos de Lógica Matemática e Teoria dos Conjuntos. Acesso ao Ensino Superior. [12] Neves. Volume I. Introdução à Análise Matemática. Administração. J. (2002). M. (1990). Cálculo. McGraw-Hill. E. A. J. (1979). (1973). M.o Ano. (1990). Porto Editora.. Alves. [8] Lima.o Ano. (2001). (1990). Alves. [3] Câmera. (1993). 199 . [2] Anton. N.

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